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Florestal_281Dupla OPS

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DESTAQUE

Entrevista: Fernando Castanheira Neto apresenta um panorama da silvicultura no Brasil

MAIS

CONTROLE,

MENOS PERDAS

INSETICIDA CHEGA COM FOCO

EM EFICÁCIA, MANEJO SIMPLES

E PROTEÇÃO PROLONGADA

MORE CONTROL,

FEWER LOSSES

THIS INSECTICIDE ARRIVES WITH A FOCUS ON

EFFECTIVENESS, SIMPLE HANDLING,

AND LONG-LASTING PROTECTION




ST 800

TRITURAÇÃO SEM QUEIMADAS

PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO DO SOLO

ALTA PRODUTIVIDADE NO CAMPO

SEGURANÇA E EFICIÊNCIA

HPH

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REFERÊNCIA EM

TRITURAÇÃO FLORESTAL

NO BRASIL

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SUMÁRIO

FEVEREIRO 2026

50

TECNOLOGIA

PARA MANEJO

INTEGRADO

A LONG WAY

TOGETHER

08 Editorial

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

10 Cartas

12 Bastidores

14 Notas

30 Frases

32 Entrevista

48 Coluna

50 Principal

56 Produtividade

62 Desenvolvimento

68 Mulheres

74 Artigo

80 Agenda

82 Espaço Aberto

62

68

07 BKT

11 Carrocerias Bachiega

59 Composhow 2026

65 D’Antonio Equipamentos

13 Denis Cimaf

02 Dinagro

17 DRV Ferramentas

41 Duffatto Viveiro Florestal

43 Engeforest

83 Envimat

84 Envimat

49 Envu

47 ExpoMinas 2026

37 Feldermann Forest

77 Felipe Diesel

39 Francio Soluções Florestais

04 Himev

19 J de Souza

61 Lignum Latin America 2026

27 Máquina Solo

73 Motocana

45 Planflora

23 Rodovale

09 Rotary-Ax

31 Sergomel

21 Sparta Brasil

29 TMO

33 Unibrás

25 Unifértil

79 Valfer Ferramentas

35 WDS Pneumática

FORESTLAND

Projetado para as aplicações mais exigentes, o FORESTLAND é o mais recente e inovador

pneu diagonal da BKT para o setor agroflorestal, mas também pode ser utilizado em algumas

operações agrícolas, como paisagismo e silagem. A sua carcaça de poliéster e composto

específico da banda de rodagem tornam-no particularmente resistente a cortes e lacerações,

enquanto a parede lateral robusta garante um longo ciclo de vida do produto. As principais

características do FORESTLAND são excelente tração em terrenos brandos, boa aderência em

qualquer solo graças aos blocos rígidos e reforçados da banda de rodagem, um alto nível de

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EDITORIAL

Raízes do sucesso

O sucesso de um maciço florestal não é determinado na colheita,

mas na precisão do plantio. Assim como no setor editorial, onde

o planejamento define o impacto da mensagem, na silvicultura os

primeiros momentos são indispensáveis para o desenvolvimento

sustentável. A escolha genética, o preparo do solo e o combate às

mato-competições nos dias iniciais são os pilares que sustentam a

produtividade futura. Negligenciar o berço é aceitar um crescimento

limitado. O futuro da floresta começa hoje, no detalhe de cada muda

bem alocada. Nessa edição, confira as novidades da Envu Brasil no

combate a formigas e cupins, o reconhecimento da presença feminina

no segmento florestal, o desenvolvimento de florestas no centro-oeste,

o uso da tecnologia em favor das florestas e uma entrevista exclusiva

com Fernando Castanheira Neto, Engenheiro Florestal e doutor

em Ciências Florestais, que atua no fomento das florestas plantadas

levando as demandas do setor privado para o poder público. Obrigado

por começar mais um ano conosco. Excelente leitura.

2

1

Na capa dessa edição a Envu

com o lançamento Attinix️,

o lançamento da empresa no

combate a formigas e cupins

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVIII • Nº281 • Fevereiro 2026

DESTAQUE

Entrevista: Fernando Castanheira Neto apresenta um panorama da silvicultura no Brasil

MAIS

CONTROLE,

MENOS PERDAS

INSETICIDA CHEGA COM FOCO

EM EFICÁCIA, MANEJO SIMPLES

E PROTEÇÃO PROLONGADA

MORE CONTROL,

FEWER LOSSES

THIS INSECTICIDE ARRIVES WITH A FOCUS ON

EFFECTIVENESS, SIMPLE HANDLING,

AND LONG-LASTING PROTECTION

DO BRASIL

PARA O MUNDO

ROOTS OF SUCCESS

The success of a forest plantation is not determined at harvest

time, but by how precisely it is planted. Just as planning defines the

impact of a message in the publishing industry, the early stages are

essential for sustainable forestry development. Genetic selection,

soil preparation, and weed control in the early stages are the pillars

that support future productivity. Neglecting these early stages means

accepting limited growth. The future of the forest begins today with

each well-placed seedling. In this issue, read about the latest developments

from Envu Brasil in combatting ants and termites, the recognition

of women in forestry, forest development in Midwest Brazil,

the use of technology to support forests, and an exclusive interview

with Fernando Castanheira Neto, a forest engineer and Ph.D. of forest

sciences who promotes planted forests by communicating the needs

of the Private Sector to Public Authorities. Thank you for starting

another year with us. Pleasant reading.

Entrevista com

Fernando Castanheira

Neto, Engenheiro

Florestal e doutor em

Ciências Florestais

Viveiro com seleção genética,

3

EXPEDIENTE

ANO XXVIII - EDIÇÃO 281 - FEVEREIRO 2026

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Vinicius Santos

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Gabriel Dalla Costa Berger

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Aime Cristine Lima

Letícia Stefanello

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

assinatura@revistareferencia.com.br

José A. Ferreira

(41) 99203-2091

ASSINATURAS

0800 600 2038

Periodicidade Advertising

GARANTIDA GARANTEED

Veículo filiado a:

A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,

themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.

08 www.referenciaflorestal.com.br

rotaryax

rotaryaxoficial



CARTAS

DESTAQUE

Entrevista: Rogério Salamuni e as perspectivas sobre gestão na direção florestal da BrasPine

Capa da Edição 280 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de dezembro de 2025

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

OLHOS

NO FUTURO

EDUCAÇÃO ESTRATÉGICA

FORMA ESPECIALISTAS

PARA SUPRIR A CRESCENTE

DEMANDA DO MERCADO DE

CARBONO

EYES ON THE FUTURE

STRATEGIC EDUCATION TRAINS

SPECIALISTS TO MEET

THE CARBON MARKET'S

GROWING DEMAND

Ano XXVII • Nº280 • Dezembro 2025

PRINCIPAL

Por Eduardo Castro, Ituporanga (SC)

A formação de novos profissionais prontos para o mercado que está se

fortalecendo é essencial para a continuidade da vanguarda no setor.

ENTREVISTA

Foto: divulgação

Por César Almeida, Bauru (SP)

Os novos desafios movem todo o segmento e ver um profissional desse

gabarito chegando em uma grande empresa mostra que ninguém pode

se dar por satisfeito.

PRÊMIO REFERÊNCIA MELHORES DO ANO

Por Alessandra Costa, Nova Mutum (MT)

Muito bom ver nomes já reconhecidos pelo mercado e outros que estão

começando agora serem valorizados nessa festa. É motivação para todo o setor.

Foto: Emanoel Caldeira

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10 www.referenciaflorestal.com.br

Revista Referência Florestal

@referenciaflorestal

@revistareferencia9702

E-mails, críticas e sugestões podem ser

enviados também para redação

jornalismo@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL

ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.



BASTIDORES

Revista

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

PODCAST

Mais um Podcast REFERÊNCIA foi produzido com a

empresa Lignum Biomassa de Sinop (MT). Na foto

estão o gerente geral da Lignum, Alexandre Vian, o

diretor comercial da REFERÊNCIA, Fábio Machado,

Wander Heoger diretor da Lignum e Pedro Bartoski

Jr., diretor executivo da REFERÊNCIA.

VISITA

A Revista REFERÊNCIA esteve visitando a indústria

de portas Sincol, dos diretores Márcia e Marcos

Balvedi. Além da fábrica, o diretor comercial

Fábio Machado e o comercial, Gerson Penkal da

REFERÊNCIA, conversaram a respeito da Sincol

Reflorestamento.

ALTA

ACORDO POSITIVO

Um levantamento feito pela CNI (Confederação

Nacional da Indústria) aponta que os acordos

preferenciais e de livre-comércio do Brasil

cobrem apenas 8% das importações mundiais

de bens, mas com a entrada em vigor do Acordo

Mercosul-UE esse percentual saltaria para 36%,

considerando que a UE (União Europeia) respondeu

por 28% do comércio global em 2024.

Segundo a CNI, a formalização do acordo é uma

virada estratégica para a indústria brasileira. O

levantamento indica também que 54,3% dos

produtos negociados – mais de cinco mil itens –

terão imposto zerado na UE assim que o acordo

Mercosul-UE entrar em vigor.

FEVEREIRO 2026

BRASIL EM QUEDA

O Brasil caiu da 10ª para a 11ª posição entre as

maiores economias do mundo, segundo levantamento

da Austin Rating, agência classificadora de risco

de crédito de origem brasileira. Em um movimento

influenciado principalmente pela forte valorização

do rublo, que elevou a Rússia no ranking global, o

país também recuou de segundo para 32º lugar no

ranking mundial de avanço do PIB (produto interno

bruto) ao longo do ano. Apesar da perda de posições,

indicadores domésticos mostram melhora das

expectativas internas e valorização do real, enquanto

a desaceleração do crescimento econômico no

decorrer de 2025 ajuda a explicar o novo cenário.

BAIXA

12 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Podcast REFERÊNCIA

O Podcast REFERÊNCIA começou sua temporada

2026 com a qualidade que já marca

os seus dois anos de trajetória. O convidado

recebido nesse primeiro episódio foi Daniel

Woiski (foto ao lado), CEO da Solida Brasil

Madeiras, empresa de Rio Negrinho (SC).

Daniel é engenheiro elétrico formado pela

UTFPR (Universidade Federal Tecnológica do

Paraná), pós-graduado Administração industrial

em pela UFPR (Universidade Federal do

Paraná) e MBA em gestão empresarial pela

PGV (Fundação Getúlio Vargas). O programa

comprou com o apoio da Dallabona Máquinas

e Lion&Mosole.

Daniel abre o programa contando como

chegou ao segmento industrial da madeira

de forma até surpreendente, em um convite,

por sua experiência em engenharia, para a

construção de uma serraria. “Um headhunter

me convidou para fazer todo o projeto

dessa fábrica em Rio Negrinho (SC) e como

um desafio dessa magnitude eu topei. Foram

dias de muita luta, a cidade era muito menor

há 26 anos, muitas dificuldades, mas foi uma

grande experiência”, relata Daniel.

Daniel atua como coordenador do comitê

de madeira serrada na Abimci (Associação

Brasileira da Indústria da Madeira Processada

Mecanicamente) e destaca o crescimento

dos desafios e das demandas trazidas pela

associação. “Tínhamos muitas dificuldades

pela falta de união do setor de molduras que

é parte importante da indústria madeireira

e agora, com muito trabalho, conseguimos

aproximas as empresas, manter uma parceria

com respeito e competividade, acima de

tudo, lutando pelo setor”, aponta Daniel.

No bloco: Isso é REFERÊNCIA pra você;

Daniel compartilhou sua paixão por vinhos,

que se tornou uma paixão ao longo dos anos e começou, da melhor forma, com cerveja. “Aprendi a fazer e entender de cerveja e

depois passei para o vinho. É uma bebida com história, com regionalidade, origem e que marca momentos diferentes. Já tenho cursos

na área e se a madeira deixar de dar certo, já sei para onde ir”, brinca Daniel.

Os episódios completos o Leitor pode conferir no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:

Fotos: REFERÊNCIA

Silvicultura em minas

A relação entre florestas plantadas e produção de alimentos pode parecer distante, mas está mais presente no

dia a dia dos brasileiros do que se imagina. Além de fornecer matéria-prima para celulose, papel e carvão vegetal,

essas áreas desempenham papel estratégico na agroindústria, atuando como fonte de energia e insumo produtivo.

Em Minas Gerais, estado com a maior área de florestas plantadas do país, o fortalecimento da silvicultura é prioridade

do governo, também como contribuição para a segurança alimentar.

A Seapa (Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento), por meio da Superintendência de Fomento

Florestal, desenvolve ações voltadas à expansão das chamadas florestas pensadas, especialmente em áreas de

pastagens degradadas. O objetivo é recuperar o ambiente e ampliar a produção florestal. Entre as iniciativas estão

o apoio aos produtores, a articulação de parcerias públicas e privadas e a busca de soluções para entraves na

cadeia produtiva.

De acordo com a superintendente Taiana Arriel, a madeira de reflorestamento é cada vez mais utilizada como

fonte energética e insumo produtivo na agroindústria, sobretudo na produção de alimentos. Cavacos de eucalipto

e lenha são empregados como biomassa em laticínios, granjas, frigoríficos, usinas de beneficiamento e fábricas de

ração, substituindo combustíveis fósseis e reduzindo emissões de carbono. No campo, o cavaco também contribui

para a cobertura do solo, controle da erosão e manutenção da umidade.

Outro uso relevante está nas camas de animais em granjas, aviários e estábulos, onde o cavaco garante

absorção, conforto térmico e higiene, favorecendo o bem-estar e a produtividade. Além disso, é empregado na

produção de carvão vegetal industrial e no ajuste de caldeiras de carbonização, atendendo indústrias alimentícias

que dependem de calor controlado. Dessa forma, as florestas plantadas se consolidam como aliadas da agroindústria

e da sustentabilidade.

Foto: divulgação

14 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 15



NOTAS

Mais prazo para negociação

Em meados de dezembro de 2025, o Parlamento Europeu aprovou, por 405 votos a favor, 242 votos contra e 8

abstenções, o adiamento da aplicação e a simplificação do EUDR (Regulamento de Desmatamento da União Europeia),

ratificando o acordo previamente firmado com os Estados Membros no início de dezembro. A versão final do

regulamento será publicada no Jornal Oficial da UE até o fim de dezembro.

A versão final do EUDR incorpora alterações decorrentes das solicitações da Comissão Europeia e do Conselho

da União Europeia. Entre as principais mudanças, destacam-se a criação de novas categorias de operadores —

incluindo o downstream operator — e a simplificação das exigências para elaboração das declarações de devida

diligência. A aplicação da lei também será escalonada: médias e grandes empresas entram no regime em 30 de

dezembro de 2026, enquanto micro e pequenas passam a ser enquadradas a partir de 30 de junho de 2027.

Outro ponto importante é que somente o operador que primeiro colocar o produto no mercado europeu será

responsável por fazer a declaração de diligência completa. Aos demais agentes da cadeia caberá apenas o repasse

do número dessa declaração. Micro e pequenas empresas poderão utilizar uma versão simplificada do documento.

A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) representa o Brasil

na Coalition on Sustainable Timber, grupo que reúne alguns dos principais países produtores de madeira do

mundo, responsável por acompanhar e discutir os impactos do EUDR. A participação ativa da entidade garante que

o setor brasileiro esteja representado nas discussões internacionais, contribuindo com dados técnicos, análises e

posicionamentos que defendem condições justas e equilibradas de acesso ao mercado europeu para os produtos

de madeira processada. Com esse processo de revisão e adiamento, abre-se uma janela importante para que as

cadeias produtivas possam se preparar, organizar documentações e ajustar processos.

As Facas Suprema foram

projetadas para oferecer

máxima performance.

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ligas especiais, garantem

durabilidade, precisão e

alta produtividade para

o trabalho no campo.

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Abrindo caminho

para um horizonte

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sem limites!

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NOTAS

Proteção e desenvolvimento

Durante décadas, a ideia de que a floresta amazônica poderia ser a base de um modelo de desenvolvimento

justo, inclusivo e sustentável foi tratada como utopia. Para os povos da floresta, no entanto, essa sempre foi uma

certeza, ainda que desacreditada por muitos. Em 2025, no Pará, essa visão ganhou forma concreta. Entregue pelo

Governo do Pará, o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém (PA), tornou-se o símbolo mais

visível dessa transformação. Mais do que um equipamento público, o Parque representa o encontro entre saberes

tradicionais, ciência, tecnologia, políticas públicas e novos mercados, apontando para um futuro em que a floresta

viva é fonte de renda, conhecimento e dignidade. “É um momento extremamente importante e especial para nós,

povos da floresta, porque 40 anos atrás, quando o CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas) dizia que

era possível viver com a floresta viva, todo mundo duvidava”, ressalva Letícia Moraes, vice-presidente do CNS. “O

projeto que se tinha para a Amazônia não nos envolvia. E hoje, quando estamos aqui, discutindo com o governo

e diferentes organizações o que a floresta viva representa, isso nos dá sustentação para tudo. O Governo do Pará

está de parabéns por este momento, que para nós é um marco histórico”, reitera Letícia. Além disso, em relação

ao desmatamento, o Estado liderou a maior redução absoluta da Amazônia Legal, segundo dados do Prodes,

sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). No ano Prodes 2025, encerrado em 1º de julho, o

Pará reduziu o desmatamento em 297 km² (quilômetros quadrados), a maior queda em área entre os estados da

região.Em relação a 2021, quando o desmatamento chegou a 5.238 km², a redução acumulada alcança 60%. Entre

agosto e novembro de 2025, os alertas somaram 385 km², o menor valor da série histórica desde 2019, representando

quase 400 km² de floresta preservados. “Estamos unindo tecnologia, presença territorial e resposta rápida.

O resultado é concreto e já sentido em todo o Estado”, garante o titular da Semas, Raul Protázio Romão,

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NOTAS

Liderança renovada

A Amif (Associação Mineira da Indústria Florestal) elegeu, o novo Conselho Deliberativo que conduzirá a instituição

no período de 2026 a 2030. O encontro contou com a presença de lideranças das principais empresas mineiras

e nacionais do setor agroindustrial florestal, associadas à Amif. Segundo a Presidente Executiva da entidade,

Adriana Maugeri, a eleição reforça o compromisso da Associação com a continuidade, a governança e o fortalecimento

do setor florestal como motor estratégico da economia verde em Minas Gerais e no Brasil. O novo Conselho

será presidido pelo CEO da Cenibra - Celulose Nipo-Brasileira, Júlio Ribeiro, e reúne lideranças de empresas

associadas à Amif com representatividade dos diversos segmentos da cadeia produtiva florestal mineira. Além da

eleição, o encontro foi marcado pela apresentação do balanço anual da Amif e dos principais resultados da gestão

2021–2025, liderada pelo então presidente do Conselho e Diretor Industrial da Aperam Bioenergia, Edimar Cardoso,

que encerra seu ciclo à frente do colegiado ao final deste ano. Durante a assembleia de eleição, Adriana Maugeri

destacou o caráter de continuidade e fortalecimento institucional que marcará a nova gestão da Amif. “A palavra

mestra é continuidade. A Amif vem, nos últimos anos, com uma alavancagem muito interessante de resultados,

de comunicação, de representatividade, trazendo o setor florestal mineiro para lugares de aceitação, admiração e

conhecimento, especialmente nas pautas que mostram ser possível produzir muito e com muita conservação ambiental.

Seguimos trazendo desenvolvimento sustentável”, afirmou Adriana.

ROBUSTEZ COM A

MELHOR EQUIPE.

NOVO CONSELHO DELIBERATIVO DA AMIF (2026–2030)

Presidente:

• Júlio César Tôrres Ribeiro, Diretor-Presidente Executivo CEO da Cenibra.

Conselheiros titulares:

• Carlos Alberto Guerreiro, Diretor-Presidente da TTG Brasil.

• Bernardo Rosenthal, Diretor de Metálicos da ArcelorMittal Bioflorestas.

• Ricardo Moura, Diretor Comercial da Plantar.

• Henrique Zica, Diretor-Presidente da Minasligas.

• Daniel Kaukal, Diretor Florestal da Rima Industrial.

• André Dezanet, Gerente Geral da Vallourec Florestal.

• Sílvio Costa, CEO da LD Celulose.

• Ézio Santos, Diretor de Operações da Aperam Bioenergia.

Conselheiros suplentes:

• Ivan Fadel, CEO da Bionow.

• Arthur Santos, Diretor Executivo da SDS Siderúrgica.

• Leonardo Fernandes, Gerente Geral da Gerdau.

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Rotor com diâmetro de 55 cm

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Dois sistemas de rotores

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NOTAS

Definição clara

A publicação dos Cadernos da TSB (Taxonomia Sustentável

Brasileira) representa um marco regulatório que

busca orientar investimentos responsáveis e transparentes,

com forte impacto no segmento florestal. O setor de

produção florestal, integrado ao Cnae (Caderno Agricultura,

Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura),

foi contemplado com métricas específicas elaboradas por

42 pesquisadores da Embrapa, voltadas ao uso sustentável

do solo, manejo florestal e práticas que conciliem

produtividade e conservação. A TSB estabelece critérios

técnicos para classificar atividades como o plantio de eucalipto,

regeneração natural de florestas e manejo sustentável,

exigindo comprovação de boas práticas e vedando

o financiamento de desmatamentos e uso de agrotóxicos

altamente tóxicos. O documento reforça a importância

da conservação da vegetação nativa e da recuperação

de áreas degradadas, alinhando-se a programas como o

Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação

Nativa) e o ABC+, que incentivam sistemas integrados e

bioinsumos. Além de mitigar emissões de gases de efeito

estufa, a taxonomia busca garantir adaptação às mudanças

climáticas e fortalecer cadeias produtivas florestais

como insumo estratégico para energia, papel e biomassa.

O desafio está em aplicar critérios em escala nacional,

respeitando a diversidade regional e evitando exclusão de

pequenos produtores, ao mesmo tempo em que se promove

interoperabilidade com taxonomias internacionais.

Ao consolidar práticas sustentáveis no setor florestal, o

Brasil avança para se tornar referência global em silvicultura

responsável, equilibrando conservação ambiental,

competitividade econômica e inclusão social.

Fotos: divulgação Ministério da Fazenda

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NOTAS

Na palma da mão

O SFB (Serviço Florestal Brasileiro) lançou a nova versão do Painel da Regularização Ambiental,

plataforma digital que reúne e organiza dados consolidados do Sicar (Sistema de Cadastro Ambiental

Rural) para consulta pública, com navegação mais intuitiva e novos recursos de análise. O painel

apresenta informações obtidas a partir do Sicar, plataforma que integra dados declarados no CAR

(Cadastro Ambiental Rural) e apoia a operacionalização da regularização ambiental dos imóveis rurais

brasileiros. Nesta edição, os conteúdos foram reorganizados para tornar mais acessível a visualização

de informações-chave sobre a regularização ambiental rural. Entre os recortes disponíveis, o Painel

reúne dados sobre a evolução das solicitações de adesão aos PRA (Programas de Regularização Ambiental),

o andamento da análise dos cadastros e indicadores relacionados a passivos e excedentes de

Reserva Legal e de APP (Áreas de Preservação Permanente), entre outras informações correlatas. Segundo

Marcus Vinicius Alves, diretor de Regularização Ambiental Rural do SFB, essas melhorias reforçam

o compromisso com a transparência. “A política de dados abertos e o alinhamento às diretrizes

nacionais de governo digital, oferecendo à sociedade informações mais qualificadas e de maior valor,

essenciais para o acompanhamento e a compreensão das ações de regularização ambiental”, apontou

Marcus. A nova versão também incorpora funcionalidades desenvolvidas pelo SFB para ampliar as

formas de consulta e comparação dos dados. O painel passa a oferecer uma área explicativa com sub-

-abas, com orientações mais diretas sobre conteúdo, metadados, filtros e uso das funcionalidades. O

ambiente de consulta foi estruturado em diferentes seções, com panorama geral, dados detalhados

com filtros e mapa de calor interativo, uma área de dados tabulares que permite montar tabelas dinamicamente,

selecionar colunas e exportar os resultados, além de uma aba de gráficos que possibilita

criar e exibir até três visualizações na mesma tela para comparação de métricas e categorias.

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NOTAS

Parada obrigatória

O Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) informou que o período do Defeso Florestal 2026 tem

início nesta no dia 15 de janeiro e segue até 15 de maio, com a suspensão temporária das atividades de corte, arraste

e transporte de madeira em PMFS (Planos de Manejo Florestal Sustentável) no Estado. A restrição ocorre anualmente

durante o período chuvoso na região amazônica e está prevista na Portaria Ipaam número 001/2026, que seguiu para

publicação no DOE-AM (Diário Oficial do Estado do Amazonas). O objetivo é reduzir impactos ambientais, preservar

o solo e proteger a vegetação em um período de maior sensibilidade ecológica. De acordo com o diretor-presidente

do Ipaam, Gustavo Picanço, todos os PMFS (Planos de Manejo Florestal Sustentável) devidamente licenciados por

meio do Sinaflor (Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais) terão as atividades de exploração

florestal suspensas durante o defeso. “O defeso florestal é uma medida essencial para garantir o equilíbrio ambiental,

assegurar a sustentabilidade da atividade madeireira e permitir um controle mais eficiente por parte do órgão ambiental,

especialmente em um período crítico como o inverno amazônico”, elogiou Gustavo Picanço. Segundo a GECF

(Gerência de Controle Florestal) do Ipaam, aproximadamente 60 PMFS serão impactados pela suspensão. Os municípios

com maior concentração de PMFS são Novo Aripuanã (AM), Canutama (AM), Itapiranga (AM), Manicoré (AM) e

Lábrea (AM). “A partir do início do defeso, o sistema Sinaflor permanece bloqueado para novas declarações de corte,

o que impede a ampliação das atividades durante o período de restrição e contribui para o controle efetivo do manejo

florestal no estado”, explicou a gerente da GECF, Crystianne Bentes.

Foto: divulgação

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NOTAS

Eucalipto valorizado

Em Mato Grosso do Sul, o preço médio do metro cúbico empilhado de eucalipto clonal, conhecido como

metro estéreo, registrou aumento expressivo de 30,6% em um ano. Utilizado principalmente na produção de

celulose, o insumo passou de R$ 137,47 em novembro de 2024 para R$ 179,46 em novembro de 2025, na

modalidade árvore em pé com casca, segundo dados da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato

Grosso do Sul) divulgados no boletim Casa Rural – Florestas Plantadas.

O levantamento foi realizado com sete empresas de diferentes segmentos, abrangendo compradores e vendedores

de eucalipto nas regiões de Campo Grande (MS) e Três Lagoas (MS). A análise reforça que a valorização

da madeira está diretamente ligada ao crescimento da demanda da indústria de celulose, que tem ampliado

sua presença no Estado.

De acordo com o boletim, a construção de uma nova fábrica da Bracell em Bataguassu é um indicativo de

que o mercado seguirá aquecido. A expansão da capacidade industrial fortalece a procura por matéria-prima e

consolida Mato Grosso do Sul como um dos principais polos de produção florestal do país.

Atualmente, o estado possui 1,89 milhão de hectares cultivados com eucalipto, distribuídos em 74 municípios.

Ribas do Rio Pardo (MS) concentra a maior área, com 26,8% do total (506,5 mil hectares), seguido por Três

Lagoas, com 19,2% (362,8 mil hectares), e Água Clara (MS), com 10,5% (198,4 mil hectares), evidenciando a

força do cluster da celulose na região leste.

Foto: divulgação

28 www.referenciaflorestal.com.br



FRASES

Foto: divulgação

A floresta cresce em silêncio,

enfrentando vento, frio, seca

e até decisões políticas

imprevisíveis. E, mesmo

assim, segue firme. É um

símbolo perfeito do que nos

caracteriza: adaptabilidade,

consistência e visão de

longo prazo

Fabio Brun, presidente da Apre Florestas

(Associação Paranaense de Empresas de

Base Florestas)

“Há potencial muito

grande dessas espécies

nativas que já são

usadas pelo produtor no

dia a dia, mas não em

escala comercial. Isso

ajuda não só na questão

econômica, mas

também na preservação

das espécies”

“Queremos transformar

esta missão, que foi

realizada com sucesso,

no primeiro passo

de um ciclo contínuo

de cooperação,

aprendizado e inovação

entre os dois países”

Lucas Amaral de Melo, professor das Ciências

Florestais da Ufla (Universidade Federal

de Lavras), sobre projeto que amplia o

reflorestamento com nativas

Adriana Maugeri, presidente da Amif

(Associação Mineira da Indústria Florestal),

sobre a missão organizada para abrir

mercados na China

30 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

32 www.referenciaflorestal.com.br

Florestas,

POLÍTICA E

MERCADO

Forests, politics,

and the market

O

setor florestal brasileiro é moldado por decisões

políticas que ocorrem nos bastidores de Brasília

(DF). Para compreender essa engrenagem,

conversamos com Fernando Castanheira Neto,

Engenheiro Florestal e doutor em Ciência Política. Com uma

carreira consolidada no poder público, ele acumulou experiências

estratégicas no MMA (Ministério do Meio Ambiente),

Ministério da Agricultura e no SFB (Serviço Florestal Brasileiro).

Castanheira analisa como a estrutura do Estado e a falta de

representatividade técnica impactam o fomento e a segurança

jurídica, oferecendo uma visão privilegiada sobre os desafios

de formular e implementar políticas públicas em um setor vital

para o desenvolvimento nacional.

T

he Brazilian Forestry Sector is shaped by political

decisions made in Brasília (DF). To gain insight into

this, we interviewed Fernando Castanheira Neto,

a forestry engineer who holds a PhD in Political

Science. Having enjoyed a successful career in public service, he

gained valuable experience at the Ministry of the Environment

(MMA), the Ministry of Agriculture, and the Brazilian Forest

Service (SFB). Castanheira analyses how the Brazilian structure

and the lack of technical representation affect promotion and

legal certainty, offering a privileged view of the challenges

involved in formulating and implementing public policies in a

sector vital to national development.

Foto: Emanoel Caldeira

ENTREVISTA

Fernando

Castanheira Neto

Engenheiro Florestal com mestrado e doutorado em Ciências

Florestais pela Universidade de Brasília, além de especialização

em gestão ambiental e ordenamento territorial. Ocupou o cargo

de Coordenador-Geral de Fomento e Inclusão Florestal no SFB

(Serviço Florestal Brasileiro). Atuou em órgãos estratégicos

como Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente,

Secretaria de Assuntos Estratégicos e entidades setoriais ligadas

à gestão florestal e hoje é concultor independente.

Forestry engineer who earned his Master’s and Doctoral degrees

in Forest Sciences from the University of Brasília. He also

specialized in environmental management and land use planning.

He was the General Coordinator of Forestry Development

and Inclusion at the Brazilian Forest Service. He has worked

with strategic bodies, such as the Ministry of Agriculture and

the Secretariat for Strategic Affairs, in sectors related to forest

management. He is currently an independent consultant.

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ENTREVISTA

>> De que forma a Engenharia Florestal e o seu doutorado

moldaram a sua atuação em políticas públicas?

Ao olhar para trás, vejo que a Engenharia Florestal foi um

verdadeiro presente; não me vejo em outra profissão. Não

apenas pelo sobrenome Castanheira, mas porque foi um divisor

de águas. Sempre fui feliz e soube que estava na profissão

certa. Sempre gostei, principalmente, de alinhar as áreas.

Embora respeite a biologia e a ecologia integrais, a engenharia

me moldou no sentido de aliar o conhecimento técnico à

aplicação. Ali me encontrava como profissional, dando uma

contribuição efetiva à sociedade. O Estado investiu na minha

formação, fiz universidade pública, mestrado e doutorado, e

me encontrei como profissional. O termo Engenharia sempre

foi muito forte para mim. Engenharia é o passo do zero. É preciso

engenheirar. Não existe engenharia da conservação; isso

é ciência da conservação. A engenharia precisa de aplicação,

e isso sempre me orientou. Fiz o mestrado em Tecnologia da

Madeira e o doutorado em Ciências Políticas. Esta última escolha

ocorreu porque, estando em Brasília (DF), percebi a pouca

preponderância da Engenharia Florestal nas políticas públicas.

No Brasil, os cursos tratam de política florestal, mas em Brasília

deveríamos ter uma força maior e mais engenheiros inseridos

no processo. O que vemos são muitos engenheiros florestais

tornando-se servidores públicos e perdendo o vínculo com a

engenharia técnica de uso sustentável para se tornarem apenas

analistas institucionais.

>> Quais passagens da sua trajetória profissional foram decisivas

para sua atuação no fomento florestal?

Comecei minha atividade em 1995, no MMA (Ministério do

Meio Ambiente), atuando na Política Nacional da Borracha.

Foi interessante ir a campo e observar a aplicação das políticas

públicas na prática, vendo como uma agenda de manejo de

florestas nativas na região norte influencia a vida real das pessoas.

Brasília parece uma ilha e, às vezes, não temos a dimensão

do impacto das nossas decisões; vivenciar isso de perto foi

fundamental. Minha trajetória sempre foi voltada às políticas

públicas. Embora nem sempre como servidor concursado, passei

mais de metade dos meus 30 anos de carreira dentro do

governo: MMA, Ministério da Agricultura e Secretaria de Assuntos

Estratégicos da Presidência da República. Em 2000, fui

para o setor privado trabalhar com a defesa de interesses do

setor florestal em Brasília. Fiquei 11 anos como executivo do

Fórum Nacional de Base Florestal. Em 2011, recebi o convite

para voltar ao governo, na SAE, para formular a Política de Florestas

Plantadas. Conseguimos criar o decreto em 2014, reintroduzindo

o setor florestal no Ministério da Agricultura. Posteriormente,

fui para o Ministério da Agricultura implementar

essa política, mas o cenário mudou por motivos políticos

durante a gestão da Ministra Kátia Abreu e o impeachment da

Presidente Dilma. Após concluir o doutorado em 2019, atuei

no SFB (Serviço Florestal Brasileiro) até setembro de 2024. Foi

uma experiência bacana por ser uma agência implementadora

de fomento. Agora, volto ao setor privado para aplicar o conhecimento

na prática. Gosto da engenharia aplicada. O setor

How did your training in forestry engineering and your

doctorate influence your work in public policy?

Looking back, I realize that studying Forestry Engineering

was a real gift. I cannot imagine myself doing anything else.

It was not just because of my surname, Castanheira, but

because it was a turning point. I have always been happy

in my career and have always known I was in the right profession.

Above all, I have always enjoyed aligning the areas.

Although I respect biology and ecology, it was engineering

that shaped me by combining technical knowledge with

application. It was there that I found my professional identity

and made an effective contribution to society. The State

invested in my education: I attended a public university,

earned a Master’s and a Doctorate, and found my professional

identity. The term ‘engineering’ has always held great

power for me. Engineering is the first step. You have to engineer.

There is no such thing as conservation engineering —

that is, conservation science. Engineering requires application,

and this has always guided me. I completed a Master’s

degree in Wood Technology and a PhD in Political Science.

I chose the latter because, while in Brasília, I realized how

little influence forest engineering had on public policy. In

Brazil, courses focus on forest policy, but we should have a

stronger presence in Brasília and more engineers involved

in the process. Instead, many forest engineers become civil

servants, losing their connection to technical engineering for

sustainable use and becoming merely institutional analysts.

Which stages of your professional career were decisive for

your work in promoting Forestry?

I started my career in 1995 at the Ministry of the Environment

(MMA), working on the National Rubber Policy. It was

interesting to go into the field and observe the practical

application of public policies, and see how a native forest

management agenda in the eastern region influences people’s

lives. Brasília can seem like an island, and sometimes

we do not realize the full impact of our decisions. Experiencing

this first-hand was crucial. My career has always focused

on public policy. Although not always as a civil servant, I

have spent more than half of my 30-year career working for

the government in various roles: The MMA, the Ministry of

Agriculture, and the Secretariat of Strategic Affairs of the

Presidency of the Republic. In 2000, I moved to the Private

Sector to defend the Forestry Sector’s interests in Brasília. I

then spent 11 years as an executive at the National Forestry

Forum. In 2011, I was invited to return to the Government to

formulate the Planted Forest Policy at the SAE. In 2014, we

succeeded in creating the decree that reintroduced the Forestry

Sector to the Ministry of Agriculture. I then moved to

the Ministry of Agriculture to implement this policy, but the

situation changed for political reasons during Minister Kátia

Abreu’s administration and President Dilma’s impeachment.

After completing my doctorate in 2019, I worked at the

Brazilian Forest Service (SFB) until September 2024. It was

a valuable experience, as it is an agency responsible for

34 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

privado é quem realmente arrisca, enquanto o setor público,

muitas vezes, sofre com a falta de conexão com a realidade e

com a fragmentação do poder.

>> Que aprendizados a experiência em diferentes órgãos

trouxe para a formulação de políticas?

O maior aprendizado é a resiliência. No poder público, ganha

e perde, mas nada é feito sozinho e não existe bala de prata. O

aprendizado sobre como funciona a engrenagem de Brasília é

enriquecedor. Temos os líderes de primeiro e segundo escalão

que aparecem na mídia, mas quem mantém as políticas vivas é

o nível médio: servidores de carreira que estão lá há 20, 30 ou

40 anos. Entender essa dinâmica é vital, pois ministros e secretários

mudam, e cada novo gestor traz uma vertente própria. É

preciso persistência e a compreensão de que a alternância de

poder faz parte da democracia. Sinto muita falta de engenheiros

florestais nesse ecossistema político. O setor produtivo, na

ponta, muitas vezes não entende Brasília e acaba terceirizando

sua representação, o que é um erro. Hoje, o Executivo ainda é

pesado, mas tem menos força de direção e sofre com muitas

contraforças. O Legislativo possui um rito e uma estratégia de

negociação muito próprios, que precisam ser compreendidos.

Já o Judiciário ganhou um protagonismo que, a meu ver, não

deveria ter, agindo por vezes como um terceiro poder em vez

de mediador. Isso gera incerteza jurídica. O aprendizado final é

que é preciso entender o contexto macro. O governo não enxerga

o setor florestal como um todo, mas sim como segmentos:

política industrial, política agrícola, etc. Precisamos nos

entender melhor dentro desse contexto para que a engenharia

florestal tenha a relevância que merece.

>> Existem gargalos estruturais do setor florestal brasileiro?

O setor florestal brasileiro enfrenta desafios profundos que

partem, primordialmente, de uma perda da visão sistêmica

sobre a sua importância. Atualmente, nota-se que as políticas

públicas são elaboradas com foco excessivo na base produtiva,

como o local de plantio e as técnicas de manejo, mas

negligenciam a conexão vital entre a indústria, o mercado e a

sociedade. Essa desconexão é um reflexo do enfraquecimento

de uma imagem que já foi muito forte. Na década de 1960, a

implementing development projects. I am now returning to

the Private Sector to apply my knowledge in practice. I enjoy

applied engineering. The Private Sector is the one that really

takes risks, whereas the Public Sector often suffers from a

lack of connection with reality and fragmented power.

What lessons did your experience of working in different

agencies teach you about policymaking?

The most important lesson is the value of resilience. In

public office, you have successes and failures, but nothing

is achieved alone, and there is no magic solution. Learning

how Brasília’s bureaucracy works is enriching. While we

have first- and second-tier leaders who appear in the media,

it is the middle level that keeps policies alive: career civil

servants who have been there for 20, 30, or even 40 years.

Understanding this dynamic is vital because ministers and

secretaries change, and each new manager brings their own

perspective. You need persistence and an understanding

that alternation of power is part of democracy. I really miss

forest engineers in this political ecosystem. Those at the

forefront of the Productive Sector often do not understand

Brasília and end up outsourcing their representation, which

is a mistake. Currently, the Executive Branch remains significant,

but it has less steering power and is subject to many

countervailing forces. The Legislative Branch has its own rituals

and negotiation strategies that need to be understood.

The Judiciary, on the other hand, has gained prominence

that I believe it should not have, sometimes acting as a third

power rather than a mediator. This creates legal uncertainty.

The final lesson is that we need to understand the macro

context. The Government does not view the Forestry Sector

as a whole, but rather through individual policies such as industrial

and agricultural policy. Within this context, we need

to understand each other better so that forestry engineering

has the relevance it deserves.

Are there structural bottlenecks in the Brazilian Forestry

Sector?

The Brazilian Forestry Sector faces profound challenges

primarily stemming from a loss of systemic vision regarding

O setor privado é quem realmente arrisca, enquanto o setor

público, muitas vezes, sofre com a falta de conexão com a

realidade e com a fragmentação do poder

36 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

política florestal era orientada por objetivos industriais claros

para suprir setores como o naval e o siderúrgico, mas hoje essa

clareza se perdeu. Como resultado, a sociedade desenvolveu

uma percepção negativa, muitas vezes acreditando que o fim

do setor florestal seria benéfico para a natureza, ignorando

que o uso sustentável da madeira é uma das soluções mais

eficazes para a atual agenda de sustentabilidade global. Outro

ponto crítico é o isolamento do setor florestal em relação ao

planejamento rural. Historicamente vinculado à agricultura, o

setor acabou sendo confinado a uma caixa ambiental após a

criação do Ibama em 1989. Isso fez com que o produtor rural

passasse a enxergar a floresta apenas como um empecilho

burocrático, representado pela Reserva Legal ou pelas Áreas

de Preservação Permanente, em vez de vê-la como um ativo

econômico. É urgente que a floresta seja reinserida na estratégia

de desenvolvimento rural, permitindo que pequenos e

médios produtores vejam o plantio florestal como uma extensão

lucrativa de seus negócios. Somado a isso, o Brasil carece

de uma estratégia nacional de produção consolidada. Sem o

funcionamento pleno de um programa como o antigo Programa

Nacional de Florestas, o país foca na punição e no combate

ao desmatamento, mas não oferece um norte para a produção

sustentável, deixando estados e municípios desorientados. Por

fim, a falta de dados estruturados e informações confiáveis impede

que o setor demonstre sua verdadeira relevância. O SNIF

(Sistema Nacional de Informações Florestais) é pouco utilizado

e não há números precisos e centralizados sobre quem planta,

o que planta e quando haverá colheita. Sem estatísticas claras

sobre a participação do setor no PIB (produto interno bruto),

na construção civil e na geração de energia, torna-se quase

impossível comunicar a importância do segmento para a sociedade

ou negociar prioridades com o governo. Essa ausência de

transparência e de uma comunicação eficiente faz com que o

setor permaneça invisível, apesar de sua enorme contribuição

econômica.

>> A nossa legislação ainda é um entrave para a competitividade

do setor?

No que diz respeito ao ambiente legal, a legislação brasileira

não deve ser vista como um erro aleatório, mas como um processo

complexo que reflete a participação, ou a falta dela, dos

envolvidos. A incerteza jurídica é um dos principais entraves,

especialmente porque o investimento florestal possui um ciclo

de maturação muito longo. Qualquer alteração nas normas

durante esse período gera insegurança, mas esse é um risco

inerente ao negócio que o setor precisa aprender a gerir por

meio de uma organização mais robusta. O cenário atual é de

extrema complexidade, pois o setor é impactado por uma

teia de regulamentações que vão desde normas trabalhistas e

econômicas até exigências internacionais rigorosas, como as

novas regras europeias sobre áreas desmatadas. A fragilidade

da representatividade política do setor agrava esse quadro. É

raro que o setor apresente uma agenda unificada e clara aos

ministérios, o que resulta em gestores públicos que conhecem

apenas as grandes indústrias de celulose e desconhecem a

its importance. Public policies currently have an excessive

focus on the productive base, such as planting locations and

management techniques, but neglect the vital connection

between industry, the market, and society. This disconnect

reflects the weakening of an image that was once very

strong. In the 1960s, forestry policy was guided by clear

industrial objectives to supply sectors such as shipbuilding

and steel. Today, however, that clarity has been lost. Consequently,

society has developed a negative perception, often

believing that the end of the Forestry Sector would benefit

nature, despite the fact that the sustainable use of wood

is one of the most effective solutions to the current global

sustainability agenda. Another critical issue is the Forestry

Sector’s isolation from rural planning. Historically linked to

agriculture, the Sector was confined to an environmental

remit after Ibama was created in 1989. This has led rural

producers to view forests merely as bureaucratic obstacles

represented by Legal Reserves or Permanent Preservation

Areas, rather than as economic assets. It is urgent that

forests be reinserted into rural development strategies,

enabling small and medium-sized producers to view forest

planting as a profitable extension of their businesses. Furthermore,

Brazil lacks a consolidated national production

strategy. Without a program like the former National Forest

Program in place, the Country is focusing on punishing and

combating deforestation without offering guidance on sustainable

production, which leaves states and municipalities

feeling disoriented. Finally, the lack of structured data and

reliable information prevents the Sector from demonstrating

its true relevance. The National Forest Information System

(SNIF) is rarely used, and there are no accurate, centralized

figures on who is planting what and when they will harvest

it. Without clear statistics on the Sector’s share of GDP,

building construction, and energy generation, it is almost

impossible to communicate its importance to society or negotiate

priorities with governments. This lack of transparency

and efficient communication renders the sector invisible,

despite its enormous economic contribution.

Is our legislation still hindering the Sector’s competitiveness?

Regarding the legal environment, Brazilian legislation

should not be viewed as an arbitrary error, but rather

as a complex process reflecting the involvement, or lack

thereof, of those affected. Legal uncertainty is one of the

main obstacles, particularly given the very long maturation

cycle of forestry investment. Any changes in regulations

during this period create uncertainty, but this is an inherent

business risk that the Sector needs to learn to manage

through a stronger organization. The current scenario is

extremely complex as the Sector is affected by a web of

regulations ranging from labor and economic standards to

strict international requirements such as the new European

rules on deforested areas. The Sector’s political representation

is fragile, which exacerbates this situation. The Sector

38 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

realidade de outros segmentos, como o de madeira serrada e

compensados. Além disso, a implementação lenta de instrumentos

como o Código Florestal e o CAR (Cadastro Ambiental

Rural) trava o acesso ao crédito e a novas normatizações ambientais.

Frequentemente, o setor se vê diante de propostas

legislativas sem embasamento técnico, como a classificação de

espécies produtivas como invasoras ou restrições de manejo

infundadas. Em última análise, percebe-se que a agenda de

restrição ambiental tem avançado com muito mais velocidade

do que a agenda de fomento produtivo. O setor florestal precisa

observar o exemplo do agronegócio e ocupar espaços de

decisão dentro do poder público para negociar de igual para

igual. Sem uma estratégia de desenvolvimento que equilibre a

proteção com a produção, e sem uma presença ativa nas mesas

de negociação em Brasília, o setor continuará sendo pautado

por visões restritivas que ignoram o impacto econômico e

social da engenharia florestal no Brasil.

>> No fomento florestal, quais são as maiores dificuldades

para integrar pequenos e médios produtores às cadeias produtivas?

A dificuldade de integrar o pequeno e o médio produtor ao

setor florestal passa, primeiramente, pela natureza do risco

associado à atividade. Diferente de uma cultura agrícola anual,

onde o produtor pode mudar de estratégia rapidamente caso

o mercado não favoreça, a floresta exige um horizonte de investimento

de cinco, sete ou até vinte anos. Esse travamento

da terra por longos períodos afasta quem tem menos fôlego financeiro.

Para equilibrar essa balança, seria necessário um fomento

muito mais robusto do que o que temos hoje. No centro-sul

do país, por exemplo, o fim da produção de araucária

tornou o pinus a principal solução para madeira serrada, mas o

pequeno produtor ainda carece de incentivos para adotar essa

cultura de forma segura. Além do risco temporal, o acesso ao

crédito e ao seguro florestal é extremamente restrito. Atualmente,

o produtor rural encontra pouquíssimo amparo nas linhas

de crédito subsidiado e mesmo os fundos constitucionais

das regiões norte, nordeste e centro-oeste são subutilizados.

Isso ocorre tanto pela falta de informação que não chega à

ponta quanto pela carência de uma extensão rural eficiente.

Existe um vácuo entre a academia, os profissionais técnicos

e o produtor. Um movimento interessante tem surgido nos

sistemas agroflorestais, onde a restauração produtiva começa

a atrair crédito, mas no setor florestal tradicional de produção,

a resposta ainda é lenta. Produzir madeira significa colocar o

pescoço na reta, e sem uma parceria sólida entre ciência, extensão

e indústria para garantir a compra dessa matéria-prima,

o pequeno produtor continuará à margem do processo.

>> Como avalia a segurança jurídica para novos plantios florestais

e projetos de restauração no Brasil?

A insegurança jurídica no Brasil é um problema estrutural que

transcende o setor florestal, estando profundamente enraizada

na questão fundiária não resolvida. No entanto, o setor

florestal sofre mais por sua falta de representação e apoio

40 www.referenciaflorestal.com.br

rarely presents a unified, clear agenda to ministries, leaving

public managers only familiar with large pulp and paper

industries and unaware of the realities of other segments,

such as sawn wood and plywood. Furthermore, the slow

implementation of instruments such as the Forest Code and

the Rural Environmental Registry (CAR) hinders access to

credit and new environmental regulations. The Sector often

faces legislative proposals lacking a technical basis, such as

classifying productive species as invasive or imposing unfounded

management restrictions. Ultimately, it is clear that

the environmental restriction agenda has advanced much

more quickly than the productive development agenda.

To negotiate on equal terms, the Forestry Sector needs to

follow agribusiness’s example and secure decision-making

spaces within the Government. Without a development

strategy that balances protection with production and an

active presence at negotiating tables in Brasília, the Sector

will continue to be guided by restrictive views that overlook

the economic and social impact of forestry engineering in

Brazil.

What are the biggest challenges in integrating small and

medium-sized producers into production chains in forestry

promotion?

The main challenge in integrating small and medium-sized

producers into the Forestry Sector is the inherent risk of

the activity. Unlike with annual agricultural crops, where

producers can quickly change strategy if the market is

unfavorable, forestry requires an investment horizon of

5, 7, or even 20 years. This long-term commitment to the

land is a deterrent for those with fewer financial resources.

To balance this, a much more robust promotion than we

have today would be necessary. In the Center-south of the

Country, for instance, the end of araucaria production has

made pine the main source of sawn wood, yet small-scale

producers still lack the incentives to adopt this crop safely. In

addition to temporal risk, access to credit and forest insurance

is extremely limited. Currently, rural producers receive

very little support through subsidized credit lines, and even

constitutional funds in the Northern, Northeastern, and

Midwestern Regions are underutilized. This is due to a combination

of insufficient information reaching the end user

and the absence of efficient rural extension services. There

is a disconnect between academia, technical professionals,

and producers. An interesting movement has emerged in

agroforestry systems where productive restoration is beginning

to attract investment, but the response in the traditional

Forestry Production Sector is still slow. Producing wood

is a risky business, and without solid partnerships between

science, extension services, and industry to guarantee the

purchase of this raw material, small-scale producers will

continue to be marginalized.

What is your assessment of the legal certainty surrounding

new forest plantations and restoration projects in Brazil?

MUDAS DE

Pinus taeda

TEMOS TAMBÉM

• Araucária Enxertada

Produção precoce de pinhão

• Nativas spp.

• Eucalyptus spp.

• Erva-Mate

viveiro_florestal_duffatto

BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC



ENTREVISTA

institucional em Brasília. Enquanto o agronegócio possui frentes

parlamentares fortes que defendem seus interesses diante

das mudanças constantes nos acordos sociais e modelos de

sociedade, o setor florestal muitas vezes assiste passivamente

às decisões que o afetam. O ambiente de insegurança não

deve diminuir, pois a sociedade está em constante evolução,

transitando de um modelo puramente mercantilista para um

cenário de maiores exigências socioambientais. Nesse contexto,

o setor é visto ora como vilão, ora como solução, e apenas

uma organização mais profissional da nossa voz nos poderes

públicos poderá garantir que o uso sustentável da madeira

seja ouvido. Essa discussão se conecta diretamente com a

agenda da restauração, que representa uma oportunidade

histórica para o Brasil. O mundo está em uma fase de retomada

florestal após séculos de depreciação de ativos naturais

para o desenvolvimento. O grande desafio brasileiro é decidir

se focará na restauração puramente ecológica ou na restauração

produtiva. O país é pobre e não pode se dar ao luxo de

restaurar florestas apenas para o sequestro de carbono sem

gerar economia, emprego e renda no campo. A madeira está

na moda e sua demanda cresce em agendas de transição energética

e construção sustentável. Contudo, projetos focados exclusivamente

em carbono trazem riscos desconhecidos, como

a responsabilidade financeira em caso de incêndios ou roubos

de madeira. Por isso, a restauração produtiva, que gera ativos

e permite o uso sustentável, é o caminho mais seguro para o

desenvolvimento rural positivo.

>> Qual foi o impacto do tarifaço do governo americano em

2025 sobre o setor florestal brasileiro?

O impacto é alarmante, com quedas que já superam cinquenta

por cento nas exportações de alguns segmentos. O mercado

americano de pinus, por exemplo, é extremamente técnico

e específico; não se muda o fluxo de mercadorias de um país

para outro com a facilidade de quem negocia uma carga de

soja. O governo norte-americano puxou a corda para forçar

negociações e, infelizmente, o Brasil não demonstrou o protagonismo

necessário na defesa de seus interesses florestais.

Sentimos a falta de uma ação conjunta entre o Ministério da

Agricultura e o setor produtivo para negociar termos mais

favoráveis, como ocorreu com outros produtos que foram

isentos por serem essenciais para a indústria deles, e não

por mérito de uma defesa diplomática brasileira proativa.

O cenário torna-se ainda mais nebuloso diante das sanções

comerciais adicionais baseadas em segurança nacional e da

postura protecionista que ganha força no mundo. Para agravar

a situação, o Brasil entra agora em um ano eleitoral, o que

tradicionalmente esvazia os ministérios e diminui o poder de

barganha do governo em fóruns internacionais. Muitas empresas

já estão fechando postos de trabalho e o impacto real

dessa crise só será totalmente compreendido daqui a algum

tempo. Sem uma agenda proativa de negociação internacional

e uma defesa comercial aguerrida, o setor florestal brasileiro

corre o risco de perder mercados conquistados a duras penas,

sofrendo as consequências de uma instabilidade que mistura

Legal uncertainty is a structural problem in Brazil that

transcends the Forestry Sector and is deeply rooted in

the unresolved land issue. However, the Forestry Sector

is affected more severely due to its lack of representation

and institutional support in Brasília. While agribusiness has

strong parliamentary fronts that defend its interests amid

constant changes in social agreements and societal models,

the Forestry Sector is often passive in the face of decisions

that affect it. This environment of uncertainty is unlikely to

diminish as society constantly evolves and transitions from

a purely mercantilist model to one with greater socio-environmental

demands. In this context, the Forestry Sector

is sometimes seen as the villain and at other times as the

solution. Only a more professional organization of our voice

within public authorities can ensure that the sustainable

use of timber is heard. This discussion is directly connected

to the restoration agenda, which represents a historic

opportunity for Brazil. After centuries of the depreciation of

natural assets for development, the world is in a phase of

forest recovery. Brazil’s great challenge is deciding whether

to prioritize purely ecological or productive restoration. As

a poor country, Brazil cannot afford to restore forests solely

for carbon sequestration without also generating economic

growth, employment, and income in rural areas. Demand

for wood is growing amid the energy transition and sustainable

construction. However, projects focused exclusively on

carbon sequestration carry unknown risks, such as financial

liability in the event of fires or timber theft. Therefore,

productive restoration, which generates assets and enables

sustainable use, offers the greatest potential for positive

rural development.

What impact did the US government’s tariff hike in 2025

have on the Brazilian Forestry Sector?

The impact is alarming, with export figures in some segments

already down by over fifty percent. The US pine market,

for example, is highly technical and specific. You cannot

easily change the flow of goods from one country to another

as you can with soybeans. The US government pulled the

strings to force negotiations, but unfortunately, Brazil did

not demonstrate the necessary leadership in defending its

forestry interests. There has been a lack of joint action between

the Ministry of Agriculture and the Productive Sector

to negotiate more favorable terms, as occurred with other

products that were exempted because they were essential

to their industries, rather than because of proactive Brazilian

diplomatic defense. The situation is further complicated

by additional trade sanctions based on national security

and by the growing global protectionist stance. To make

matters worse, Brazil is now entering an election year, which

traditionally leads to ministries being depleted of staff and

reduces the Government’s bargaining power in international

forums. Many companies are already cutting jobs, and the

real impact of this crisis will only become apparent over

time. Without a proactive international negotiation agenda

42 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

o humor político global com a desarticulação interna do nosso

próprio governo.

>> Esse episódio reforçou a necessidade de diversificação de

mercados e agregação de valor?

Episódios de protecionismo, como o que vimos recentemente

no mercado norte-americano, servem como um alerta para

a necessidade de diversificação. Embora o mercado dos EUA

(Estados Unidos da América) seja atraente por ser estável e pagar

bem, choques dessa natureza, os chamados cisnes negros,

mostram que depender de um único parceiro é arriscado. No

entanto, diversificar não é tão simples quanto parece. Muitas

vezes, o empresário busca novos horizontes, como a Ásia, mas

enfrenta barreiras sanitárias inconstantes, preços mais baixos

e falta de reconhecimento de normas técnicas. Além disso,

falar em agregação de valor exige uma análise de custo-benefício

realista. É comum ouvirmos que o Brasil deveria exportar

móveis em vez de madeira bruta, mas, na prática, a taxação

internacional sobre o produto acabado é muito maior, o que

muitas vezes torna a exportação de matéria-prima mais viável

economicamente. O Brasil é um gigante que ainda participa

muito pouco do comércio global de madeira, representando

apenas cerca de 3,5% do mercado. Isso revela uma falta de

estratégia de país. Temos um território vasto, com áreas plantadas

que não chegam a 1,2% do território nacional e 40%

de cobertura de florestas nativas que poderiam abastecer o

mundo com madeira de altíssima qualidade. O problema central

é a desorganização. Enquanto o setor move bilhões, ainda

não possuímos programas de promoção comercial robustos

na Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos),

como outros segmentos já possuem há décadas.

Precisamos utilizar melhor as ferramentas diplomáticas, como

os adidos agrícolas em embaixadas, para abrir mercados de

forma estratégica. Ir para o mercado internacional sem organização

é o início do fim; o setor precisa de planos consistentes

para que a diversificação seja uma fortaleza, e não uma aventura

arriscada.

>> Acerca do papel do Estado no fortalecimento do setor florestal

diante de um cenário internacional instável, como agir?

A relação entre o setor florestal e o Estado brasileiro hoje é

marcada por um atrito constante, onde o poder público é

frequentemente visto como um inimigo que busca apenas

regular e punir, em vez de fomentar. No entanto, grande parte

dessa visão negativa existe porque o setor não se faz presente

dentro das estruturas governamentais. O Estado não é uma

entidade abstrata, ele é composto por pessoas e processos de

negociação. Se não temos engenheiros florestais ou lideranças

do setor em cargos de ministros, secretários ou diretores,

e se não temos uma base parlamentar forte no Congresso,

acabamos sendo pautados por outros interesses. O próprio

agronegócio, embora parceiro em muitos aspectos, compete

por terras e recursos, e sua representatividade é o que garante

sua vantagem competitiva. Para mudar esse cenário, o setor

florestal precisa apresentar argumentos técnicos e científicos

44 www.referenciaflorestal.com.br

and robust trade defense, the Brazilian Forestry Sector risks

losing hard-won markets and suffering instability stemming

from the combination of the global political mood and the

internal disorganization of our own government.

Did this episode reinforce the need for market diversification

and added value?

Episodes of protectionism, such as those recently seen in the

US market, highlight the need for diversification. While the

US market is appealing due to its stability and high returns,

shocks of this nature, known as ‘black swans’, demonstrate

the risks of relying on a single partner. However, diversification

is not as simple as it seems. Entrepreneurs often seek

new horizons, such as Asia, but face inconsistent sanitary

barriers, lower prices, and a lack of recognition of technical

standards. Furthermore, when assessing value, a realistic

cost-benefit analysis is required. While we often hear that

Brazil should export furniture rather than raw wood, international

taxation on finished products is generally much

higher, often making the export of raw materials more economically

viable. Brazil is a giant that still participates very

little in the global timber trade, accounting for only around

3.5% of the market. This reveals the Country’s lack of strategy.

We have a vast territory with planted areas accounting

for less than 1.2% of the national territory, yet 40% of the

land is covered by native forests that could supply the world

with high-quality wood. The central problem is disorganization.

Although the Sector generates billions, the Brazilian

Trade and Investment Promotion Agency (Apex) still lacks

a robust trade promotion program, unlike other sectors,

which have had them for decades. We must make better use

of diplomatic tools, such as agricultural attachés at embassies,

to strategically open markets. Without organization,

entering the international market is the beginning of the

end; the Sector needs consistent plans so that diversification

becomes a strength rather than a risky venture.

In the face of an unstable international scenario, how

should the State strengthen the Forestry Sector?

The relationship between the Forestry Sector and the Brazilian

State is currently characterized by ongoing conflict. The

Government is often perceived as an adversary that seeks to

regulate and penalize rather than promote. However, much

of this negative perception stems from the Sector’s lack of

representation in governmental structures. The State is not

an abstract entity; it is made up of people and negotiation

processes. Without forestry engineers or industry leaders in

ministerial, secretarial, or directorial positions, and without

a strong parliamentary base in Congress, we end up being

guided by other interests. Although agribusiness is a partner

in many respects, it competes for land and resources, and

its representation guarantees its competitive advantage.

To change this situation, the Forestry Sector must present

solid technical and scientific arguments. Simply saying we

generate jobs is not enough; we need to address sensitive

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ENTREVISTA

sólidos. Não basta dizer que geramos emprego; é preciso

contra-argumentar com ciência questões sensíveis, como o

debate sobre espécies exóticas ou certificações florestais. Precisamos

nos organizar para que o Estado seja um parceiro no

desenvolvimento industrial e ambiental. O setor florestal entra

de forma positiva na agenda de sustentabilidade, preservando

Reservas Legais e Parceria Público Privadas, e oferecendo

tecnologias de baixo carbono. Contudo, sem comunicação

eficiente e sem participação ativa na formulação das políticas,

continuaremos sendo vistos com desconfiança. O Estado deve

ser parte do setor, e o setor deve ser parte do Estado.

>> E sobre as perspectivas e prioridades para o futuro do setor

florestal brasileiro?

Falar em perspectivas para o futuro é um desafio diante de

um ambiente interno e externo extremamente fluido. O ano

de 2026 é marcado por incertezas eleitorais e por um cenário

geopolítico conturbado por conflitos globais que afetam diretamente

o comércio. Nesse contexto de incerteza, a regra deve

ser a prontidão e a clareza de propostas. A prioridade imediata

para o setor florestal brasileiro deve ser a organização de uma

proposta unificada para apresentar aos candidatos à presidência.

É necessário definir o que queremos para os próximos

trinta anos, garantindo que o setor tenha uma orientação de

longo prazo que sobreviva às alternâncias de governo. Precisamos

de metas claras para aumentar nossa participação no

mercado global de forma sustentável. Acordos internacionais,

como o do Mercosul, trazem oportunidades, mas também

impõem custos de conformidade que podem excluir pequenos

e médios produtores se não houver um suporte estratégico.

A oportunidade está aberta, especialmente com a abertura

de novos mercados e a valorização de ativos ambientais, mas

o sucesso dependerá da nossa capacidade de organização. O

setor de celulose já mostrou o caminho da liderança global;

agora, é o momento de levarmos essa mesma excelência para

a madeira sólida e para a restauração produtiva, consolidando

o Brasil como a maior potência florestal do século XXI.

issues, such as the debate over exotic species or forest

certifications, with scientific evidence. We must organize

ourselves so that the state becomes a partner in industrial

and environmental development. The Forestry Sector

is positively contributing to the sustainability agenda by

preserving Legal Reserves, supporting Public-Private Partnerships,

and offering low-carbon technologies. However,

without effective communication and active participation in

policymaking, we will continue to be viewed with suspicion.

The State must be part of the Sector, and the Sector must be

part of the State.

What are the prospects and priorities for the future of the

Brazilian Forestry Sector?

It is challenging to talk about prospects for the future in the

face of an extremely fluid internal and external environment.

The year 2026 is characterized by electoral uncertainties

and a geopolitical landscape marred by global conflicts

that directly impact trade. In this context of uncertainty,

readiness and clarity of proposals should be the rule. The

Brazilian Forestry Sector’s immediate priority should be to

organize a unified proposal to present to the presidential

candidates. We must define our goals for the next 30 years

to ensure the Sector maintains a long-term orientation

that withstands changes in government. We must set

clear, sustainable goals to increase our share of the global

market. While international agreements such as Mercosur

bring opportunities, they also impose compliance costs that

could exclude small and medium-sized producers without

strategic support. There is an opportunity, especially given

the opening of new markets and the growing importance of

environmental assets, but success will depend on our ability

to organize. The Pulp Sector has already demonstrated how

to achieve global leadership, and now is the time to replicate

that success in solid wood and productive restoration,

establishing Brazil as the leading forestry power of the 21st

century.

É necessário definir o que queremos para os próximos 30

anos, garantindo que o setor tenha uma orientação de longo

prazo que sobreviva às alternâncias de governo

46 www.referenciaflorestal.com.br



COLUNA

Manejo florestal

eficiente começa

no planejamento

Gabriel Berger

GB Manejo de Árvores – Educação Profissional

e Corporativa

Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho

gbmanejodearvores.com.br

gabriel@gbmanejodearvores.com.br

Foto: divulgação

Planejar o manejo é a forma mais eficaz de antecipar riscos, proteger pessoas e

transformar a segurança em parte natural da operação

A

SEGURANÇA COMEÇA ANTES DA

OPERAÇÃO

No manejo florestal, a segurança raramente

é definida apenas no momento da execução.

Mesmo equipes experientes, com conhecimento

técnico e rotina de campo, ficam mais expostas quando

as decisões são tomadas sob pressão, já no início da operação.

Na prática, muitos riscos não nascem na árvore ou na

máquina, mas antes disso — na ausência de planejamento.

Durante muito tempo, o manejo foi conduzido de forma

reativa. Identifica-se uma demanda, mobiliza-se a equipe

e executa-se a intervenção. Essa lógica resolve situações

pontuais, mas não constrói segurança de forma consistente.

Quando o planejamento não existe, decisões importantes

acabam sendo feitas em campo, em tempo reduzido, com

margem menor para análise e correção.

PLANEJAMENTO COMO AÇÃO PREVENTIVA

DE SEGURANÇA

Planejar o manejo florestal é, antes de tudo, uma ação

preventiva de segurança. Significa antecipar cenários, reconhecer

riscos recorrentes e definir critérios claros antes que

a equipe esteja exposta. Planejamento não é papel nem burocracia:

é leitura técnica prévia, entendimento do contexto

da operação e organização das decisões que impactam diretamente

a integridade das pessoas.

Quando o planejamento

está presente, a operação

muda de postura. A equipe

entra em campo sabendo o

que será feito, quais são os

pontos de atenção e quais limites

não devem ser ultrapassados.

Isso reduz improvisos,

evita decisões contraditórias e

diminui a probabilidade de erros

que poderiam ser evitados

com análise prévia. Segurança

deixa de ser reação e passa a

ser condição de partida.

PLANEJAMENTO COMO BASE DA CULTURA

DE SEGURANÇA

Grande parte dos incidentes no manejo florestal não

está ligada à falta de conhecimento técnico, mas a escolhas

feitas sob pressão: priorizações mal definidas, intervenções

feitas fora do momento adequado ou decisões tomadas sem

avaliação completa do risco. O planejamento atua justamente

nesse ponto, reduzindo a exposição ao erro humano em situações

críticas.

Existe a percepção de que planejar pode engessar a operação.

Na prática, ocorre o oposto. Um planejamento bem

construído oferece base para decisões mais seguras quando

o imprevisto acontece. Ele não elimina a autonomia do profissional

de campo, mas dá suporte para que essa autonomia

seja exercida com critério, consciência e menor risco.

Empresas que tratam o manejo florestal como um processo

contínuo, e não como eventos isolados, conseguem evoluir

sua cultura de segurança. Ajustam decisões, aprendem com a

prática e constroem padrões que reduzem a dependência do

improviso. Com o tempo, a segurança deixa de ser um esforço

adicional e passa a fazer parte natural da rotina operacional.

Manejo florestal eficiente começa no planejamento porque

é nele que os principais riscos podem ser controlados.

Antes da equipe ir a campo, antes da máquina operar e antes

da intervenção acontecer. Planejar é o primeiro e mais importante

ato de segurança no manejo florestal.

Foto: divulgação

48 www.referenciaflorestal.com.br



PRINCIPAL

TECNOLOGIA PARA

MANEJO INTEGRADO

Inovação química utiliza o comportamento

biológico das formigas para promover a

proteção do plantio

Fotos: divulgação

Technology for

Integrated Management:

Chemical innovation uses the biological

behavior of ants to promote crop protection

50 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 51



PRINCIPAL

O

setor de silvicultura brasileiro ocupa uma

posição de destaque global, impulsionado

por índices de produtividade que exigem

um monitoramento rigoroso de cada etapa

do ciclo produtivo. A florestal contra pragas

é um dos pilares mais críticos para garantir o incremento

médio anual esperado em povoamentos de eucalipto. Dentre

as pragas mais relevantes, as formigas-cortadeiras e os cupins

de solo são grandes preocupações dos gestores florestais. O

manejo tradicional dessas populações demanda estratégias

que unam alta tecnologia química e compreensão biológica

do alvo. Nesse cenário de busca por excelência operacional,

a Envu apresenta o Attinix️, um inseticida formulado com o

ingrediente ativo fipronil (800 g/kg) em grânulos dispersíveis

em água. Essa formulação facilita o manuseio dos insumos,

assegura a integridade das misturas em tanque e promove

uma distribuição extremamente homogênea do ativo sobre

o alvo biológico.

Diferente dos métodos convencionais que dependem

de iscas granuladas, o Attinix️ utiliza uma abordagem baseada

no comportamento social das colônias de formigas. A

aplicação dirigida foca como alvo principal as operárias que

transitam por carreadores e olheiros ativos. Uma vez em contato

com a calda pulverizada sobre o solo ou diretamente nas

trilhas, essas operárias tornam-se transportadoras do princípio

ativo para as câmaras mais profundas do formigueiro.

O diferencial competitivo reside na exploração do efeito de

transferência entre as formigas da colônia, a trofalaxia. Este

T

he Brazilian Forestry Sector holds a prominent

global position, driven by productivity rates

that require rigorous monitoring at every

stage of the production cycle. Effective forest

pest control is essential for achieving the expected

average annual growth in eucalyptus plantations.

Leaf-cutting ants and soil termites are among the most

relevant pests and a major concern for forest managers.

Traditional management of these populations requires strategies

that combine advanced chemical technology with a

thorough understanding of the biology of the target species.

Seeking operational excellence, Envu presents Attinix️, an

insecticide formulated with the active ingredient fipronil

(800 g/kg) in water-dispersible granules. This formulation

facilitates handling, ensures the integrity of tank mixtures,

and promotes extremely homogeneous distribution of the

active ingredient over the biological target.

Unlike conventional methods that rely on granular

baits, Attinix️ uses a social-behavior-based approach. The

targeted application primarily focuses on workers who travel

along active trails and scouts. Once these workers come into

contact with the pesticide mixturesprayed on the ground or

directly on the trails, they carry the active ingredient to the

deepest chambers of the anthill. The competitive advantage

lies in exploiting the transfer effect within the colony, known

as trophallaxis. This biological phenomenon involves the

constant exchange of fluids, nutrients, and chemical signals

between individuals in the colony. Ingestion and mutual

fenômeno biológico envolve a troca constante de fluidos,

nutrientes e sinais químicos entre os indivíduos da colônia.

A ingestão e o contato mútuo garantem que o fipronil circule

livremente entre as castas, também desde as larvas até a

rainha. A neutralização da rainha é o ponto de virada para a

eliminação definitiva do formigueiro, pois interrompe o ciclo

de renovação populacional da estrutura social daquele ninho

A bioquímica do Fipronil atua no sistema nervoso dos

insetos bloqueando os canais de cloro regulados pelo neurotransmissor

ácido gama-aminobutírico, juntamente com a

interferência nos canais ativados por glutamato provocando

hiperexcitação no inseto. Essa condição leva à despolarização

contínua das células nervosas, resultando na paralisação motora

das formigas contaminadas. A velocidade com que essa

paralisia ocorre é determinante para cessar o forrageamento

e o corte das folhas de eucalipto. Em plantios jovens, onde a

perda de área foliar pode levar à morte da muda ou ao atraso

significativo no desenvolvimento radicular, a rapidez de ação

do Attinix️ protege o investimento inicial do silvicultor.

A aplicação direcionada permite que o gestor florestal

integre o controle de pragas a outras atividades silviculturais,

como a dessecação de pré-plantio ou o controle de plantas

daninhas em pós-plantio. Essa integração operacional é fundamental

para a otimização de máquinas e pessoal, reduzindo o

custo operacional por hectare. O volume de calda e a tecnologia

de aplicação devem ser ajustados para garantir a cobertura

adequada do solo e dos caminhos percorridos pelas formigas,

respeitando as condições climáticas e as normas de segurança

ambiental. O uso de bicos de pulverização que gerem gotas

grossas é uma recomendação técnica que minimiza o risco

de deriva, protegendo áreas adjacentes e garantindo que o

produto atinja exatamente o ponto de interesse biológico.

Em plantios jovens, onde a

perda de área foliar pode

levar à morte da muda ou

ao atraso significativo no

desenvolvimento radicular,

a rapidez de ação do Attinix ️️

protege o investimento

inicial do silvicultor

contact ensure that fipronil circulates freely between castes,

including from larvae to the queen. The neutralization of the

queen is the turning point for the definitive elimination of

the anthill, as it interrupts the cycle of population renewal

of the social structure of that nest.

Fipronil acts on the nervous system of insects through

its biochemistry, which involves blocking chloride channels

regulated by the neurotransmitter gamma-aminobutyric

acid (GABA), as well as interfering with channels activated

by glutamate. This causes hyperexcitation in the insect. This

leads to continuous depolarization of nerve cells, resulting in

motor paralysis in contaminated ants. The speed at which

this paralysis occurs is crucial for preventing ants from foraging

and cutting eucalyptus leaves. In young plantations,

where loss of leaf area can result in seedling death or significant

delays to root development, Attinix️’s rapid action

protects the initial forest investment.

Targeted application enables forest managers to combine

pest control with other silvicultural activities, such as

pre-planting desiccation or post-planting weed control. This

52 www.referenciaflorestal.com.br

Fevereiro 2026

53



PRINCIPAL

DESEMPENHO E RESULTADOS OPERACIONAIS

A longevidade da proteção conferida pelo Attinix️ é

um dos fatores que sustentam a sua viabilidade em grandes

projetos florestais. Testes de campo robustos demonstram

que o produto mantém índices de controle superiores a

85% após um período de 180 dias da aplicação inicial. Essa

residualidade estendida é crucial para enfrentar as sucessivas

ondas de reinfestação que ocorrem em áreas de reforma ou

expansão florestal. Ao garantir uma janela de proteção que

cobre os primeiros seis meses de vida das árvores, o silvicultor

assegura que o estande se desenvolva com uniformidade e

vigor. A estabilidade da molécula de fipronil em contato com

o solo e sua baixa lixiviação contribuem para que a barreira

química permaneça ativa no local de circulação dos insetos

alvos, mantendo a supressão contínua da atividade dos

formigueiros.

No controle específico da saúva-limão e da formiga-quenquém,

a dosagem recomendada por hectare permite uma

redução drástica no volume de produtos transportados para

as frentes de serviço. Enquanto as iscas tradicionais exigem

o transporte de grandes volumes de material granulado, o

Attinix️ requer apenas 150 gramas de produto comercial

por hectare para o controle de formigas-cortadeiras em área

total. Essa eficiência logística traduz-se em menor ocupação

de galpões, menor consumo de combustível para transporte

interno e simplificação do gerenciamento de embalagens

vazias. A formulação sólida de fácil manipulação também

reduz a exposição do trabalhador rural durante o preparo

da calda, eliminando a formação de poeira fina e garantindo

uma diluição rápida e completa em água.

A aplicação direcionada

permite que o gestor

florestal integre o controle

de pragas a outras atividades

silviculturais, como a

dessecação de pré-plantio

ou o controle de plantas

daninhas em pós-plantio

operational integration is essential for optimizing machinery

and personnel and reducing operating costs per hectare. The

spray volume and application technology must be adjusted

to ensure adequate coverage of the soil and ant trails, while

accounting for weather conditions and environmental safety

standards. Using spray nozzles that produce coarse droplets

minimizes drift, protecting adjacent areas and ensuring the

product reaches the desired location.

PERFORMANCE AND OPERATIONAL RESULTS

The longevity of the protection provided by Attinix️ is

one factor supporting its viability in large forestry projects.

Robust field tests demonstrate that, 180 days after initial

application, the product maintains control rates above 85%.

This extended residual activity is crucial for dealing with

successive waves of reinfestation in areas undergoing forest

regeneration or expansion. By providing a protective window

that covers the first 6 months of the trees’ lives, forest managers

can ensure uniform, vigorous stand development. The

stability of the fipronil molecule when in contact with soil,

coupled with its low leaching, ensures the chemical barrier

remains active within the circulation area of target insects,

providing continuous suppression of ant activity.

For the specific control of leafcutter ants, the recommended

dosage per hectare significantly reduces the volume of

product required to be transported to serviced areas. While

traditional baits require the transport of large volumes of

granular material, Attinix️ requires only 150 grams of commercial

product per hectare to control leafcutter ants across

the entire area. This logistical efficiency translates into less

warehouse space being occupied, lower fuel consumption

for internal transportation, and simplified management of

empty packaging. The easy-to-handle solid formulation also

O manejo de cupins de solo e de montículo também

recebe um reforço tecnológico com o uso do produto. A

aplicação via pulverização de mudas ou imersão antes do

envio para o campo cria uma zona de proteção radicular essencial.

Os cupins de solo são conhecidos por danificar o colo

das plantas e as raízes finas, causando falhas no plantio que

exigem operações onerosas de replantio. A versatilidade do

Attinix️ em atuar tanto contra formigas quanto contra cupins

consolida o produto como uma solução de amplo espectro

para a silvicultura moderna. O foco na sustentabilidade e no

uso racional de defensivos agrícolas orienta a recomendação

de evitar aplicações em períodos de floração, respeitando a

fauna de polinizadores e mantendo o equilíbrio ecológico das

áreas de preservação que circundam as florestas de produção.

A pulverização dirigida representa um avanço dentro do

manejo integrado de formigas cortadeiras, atuando como uma

ferramenta complementar às estratégias já estabelecidas,

como o uso de iscas. Ao ampliar as possibilidades de controle

por meio do efeito de transferência via trofalaxia, essa solução

contribui para a redução da atividade dos formigueiros e para

o melhor aproveitamento dos recursos da floresta. O Attinix️

fortalece o conjunto de práticas de manejo, apoiando o silvicultor

na construção de florestas mais saudáveis, produtivas

e sustentáveis.

A eficácia demonstrada em diferentes condições reforça a

robustez da tecnologia Envu. A adaptação técnica para o uso

do Attinix️ em sistemas de plantio direto ou convencional

atende às diversas realidades da silvicultura brasileira, desde

pequenos produtores até grandes corporações. O investimento

em controle de pragas deixa de ser apenas um custo

de manutenção para se tornar um seguro de produtividade,

blindando o patrimônio florestal contra perdas evitáveis

e garantindo a competitividade da madeira brasileira no

mercado global.

reduces forest worker exposure during pesticide preparation

by eliminating fine dust, ensuring rapid and complete

dilution in water.

The management of soil and mound termites is also

improved by the use of the product. Spraying seedlings

or immersing them before shipping to the field creates an

essential root protection zone. Soil termites are known to

damage plant collars and fine roots, leading to planting failures

that require costly replanting. Attinix️’s effectiveness

against both ants and termites establishes it as a versatile

solution for modern forestry. A focus on sustainability and

the rational use of pesticides means applications should be

avoided during flowering periods to respect pollinator fauna

and maintain the ecological balance of areas surrounding

production forests designated for preservation.

Targeted spraying is a step forward in the integrated management

of leaf-cutting ants, complementing established

strategies such as the use of baits. By expanding the possibilities

for control through the transfer effect via trophallaxis,

this solution reduces ant colony activity and optimizes the use

of forest resources. Attinix️ strengthens the management

practices toolkit, helping forest managers build healthier,

more productive, and more sustainable forests.

Its proven effectiveness in various conditions further

reinforces the robustness of Envu technology. The technical

adaptation for using Attinix️ in no-till and conventional

planting systems meets the diverse needs of Brazilian forestry,

from small-scale producers to large corporations.

Investment in pest control is not just a maintenance cost; it

is also a means of protecting forest assets from avoidable

losses and ensuring the competitiveness of Brazilian timber

in the global market.

54 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 55



PRODUTIVIDADE

Precisão que dá

RESULTADO

Viveiro

com seleção

genética, colheita

mecanizada, automação e

inteligência artificial

já orientam decisões

estratégicas das empresas

de base florestal

Fotos: divulgação

Asilvicultura brasileira vive uma transformação

estrutural impulsionada pela adoção intensiva

de tecnologia em todas as etapas do ciclo

produtivo. Conhecida como silvicultura de

precisão, essa abordagem combina genética

avançada, sensoriamento remoto, automação, análise

de dados e inteligência artificial para planejar, implantar,

conduzir e colher florestas plantadas com alto nível de

controle técnico.

Segundo o diretor executivo da Apre Florestas (Associação

Paranaense de Empresas de Base Florestal),

Ailson Loper, a prática já está consolidada no Paraná e

representa uma mudança profunda na forma de produzir.

“A silvicultura de precisão é o uso coordenado de todas as

tecnologias disponíveis para maximizar a produtividade

e garantir a sustentabilidade. Conseguimos trabalhar em

escalas cada vez menores, chegando ao nível da árvore

individual”, revela Ailson.

56 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 57



PRODUTIVIDADE

GENÉTICA AVANÇADA E VIVEIROS

ALTAMENTE TECNOLÓGICOS

O processo começa muito antes do plantio, nos viveiros

clonais e pomares de sementes, onde a base genética

das florestas é definida. Técnicas como polinização controlada,

embriogênese somática, hibridação e clonagem são

utilizadas para garantir maior vigor, sanidade e adaptação

das mudas às condições locais.

A automação já está presente nesses ambientes, com

sistemas que controlam irrigação, nutrição e temperatura

em tempo real. O uso de bioinsumos e inimigos naturais

reduz a dependência de defensivos químicos e fortalece

o equilíbrio ecológico desde a fase inicial. “Cada muda é

resultado de um planejamento preciso, sustentado por

dados de solo, clima, relevo e material genético”, alerta

Ailson.

PLANTIO ORIENTADO POR

DADOS E MICROPLANEJAMENTO

Ao chegar ao campo, a implantação florestal segue

um planejamento altamente detalhado. Mapas de produtividade,

análises de solo, modelos altimétricos e dados

climáticos são integrados para definir a espécie e o clone

mais adequados a cada área.

A silvicultura de precisão rompe com o modelo tradicional

baseado apenas no hectare e passa a operar em

microtalhões, ajustando práticas de manejo conforme a

variabilidade do terreno. Sensores, estações meteorológicas

e softwares de planejamento espacial orientam o uso

eficiente de água, fertilizantes e insumos, aumentando o

índice de sobrevivência das mudas e reduzindo perdas.

Estamos produzindo

mais, com menor impacto

ambiental e com base em

conhecimento científico.

Esse é o novo paradigma

da silvicultura brasileira

e ele já está presente

nas empresas de base

florestal no Paraná

Ailson Loper,

diretor executivo da Apre Florestas

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PRODUTIVIDADE

A tomada de decisão no setor florestal é cada vez mais baseada

em evidências. A inteligência artificial nos permite antecipar riscos

climáticos, ciclos de pragas e ajustar o manejo de forma muito mais

assertiva

Ailson Loper,

diretor executivo da Apre Florestas

MONITORAMENTO REMOTO E

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO MANEJO

Após o plantio, o monitoramento da floresta é sustentado

por drones equipados com sensores multiespectrais,

câmeras térmicas e radares de alta resolução. Essas ferramentas

permitem identificar falhas de plantio, estresse hídrico,

pragas e áreas de baixa produtividade com elevada

precisão. As informações são processadas em plataformas

digitais que geram mapas de vigor, biomassa e alertas

operacionais. “A tomada de decisão no setor florestal é

cada vez mais baseada em evidências. A inteligência artificial

nos permite antecipar riscos climáticos, ciclos de

pragas e ajustar o manejo de forma muito mais assertiva”,

explica Ailson Loper.

COLHEITA DE ALTA PRECISÃO

Durante o ciclo de crescimento, operações como

poda, desbaste e manejo de pragas são definidas a partir

de modelos de crescimento e prognoses produtivas. Máquinas

florestais modernas, com sistemas automatizados,

executam essas atividades com menor impacto ao solo e

maior segurança operacional.

Na colheita, a mecanização atinge seu ponto máximo.

Harvesters e forwarders são máquinas florestais que trabalham

em conjunto na colheita mecanizada. O harvester

corta, desgalha e secciona a árvore em toras, enquanto o

forwarder transporta essas toras processadas. Elas operam

com sistemas embarcados de georreferenciamento

e otimização de sortimentos, permitindo que cada árvore

seja processada de forma precisa, reduzindo perdas e aumentando

o rendimento industrial. Centros de comando

integrados coordenam rotas, cronogramas e sequências

de corte.

UMA TENDÊNCIA QUE JÁ É REALIDADE

NO SETOR FLORESTAL

O volume de dados gerado ao longo de todo o ciclo

florestal alimenta sistemas de modelagem preditiva e

mineração de dados, que orientam decisões estratégicas

de longo prazo. Para a Apre Florestas, a silvicultura de

precisão não é uma promessa futura, mas uma prática já

consolidada nas empresas do setor. “Estamos produzindo

mais, com menor impacto ambiental e com base em

conhecimento científico. Esse é o novo paradigma da silvicultura

brasileira e ele já está presente nas empresas de

base florestal no Paraná”, conclui Ailson.

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DESENVOLVIMENTO

Desenvolvimento

FLORESTAL

Governo aposta em crédito, infraestrutura e

desburocratização para fortalecer o setor

Fotos: divulgação

O

governo de Goiás apresentou o Plano de

Desenvolvimento do Setor Florestal em

Goiás, uma iniciativa que tem como objetivo

impulsionar a silvicultura no estado em

parceria com lideranças do setor privado. O

plano reúne um conjunto de medidas voltadas ao estímulo

da cadeia florestal, setor no qual Goiás ocupa atualmente

a 12ª posição nacional, com cerca de 171 mil ha (hectares)

plantados. No Brasil, a área total de florestas plantadas

soma aproximadamente 10,5 milhões de ha. A silvicultura é

o principal setor que promove o plantio de eucalipto, pinus,

teca e seringueira, sendo responsável pela fabricação de ce-

lulose e papel, produção de carvão vegetal, biomassa para

geração de energia e painéis de madeira.

Segundo o vice-governador Daniel Vilela, o projeto busca

colocar Goiás em posição de destaque no cenário nacional,

além de fomentar o crescimento econômico do estado.

Ele afirmou que o Brasil lidera as exportações da base florestal

e que Goiás precisa ser protagonista nesse setor que

é pujante e apresenta alto crescimento diante da demanda

global. Daniel Vilela também ressaltou a participação do

setor privado na construção do plano, destacando que a iniciativa

vai viabilizar ações governamentais e privadas, permitindo

que os produtores tenham maior produtividade.

62 www.referenciaflorestal.com.br

Fevereiro Julho 2026 2024

63



DESENVOLVIMENTO

Participaram da apresentação representantes de diversas

entidades da agroindústria, entre eles o presidente da

IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), José Carlos Fonseca,

o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de

Goiás, José Mário Schreiner, o presidente da Federação das

Indústrias do Estado de Goiás, André Rocha, o presidente

da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado

de Goiás, Edwal Portilho, e o presidente da Organização das

Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás, Luís Alberto.

Entre as medidas anunciadas está a desburocratização do

licenciamento ambiental, com a previsão de inexigibilidade

para atividades em propriedades com até 20 mil ha. O

plano também prevê maior agilidade no licenciamento de

unidades de desdobramento de toras com produção inferior

a 300 m³ (metros cúbicos) por ano, além de empreendimentos

de produção de carvão vegetal oriundo de florestas

plantadas com volume inferior a 30.000m (metros) de

carvão ao ano.

O vice-governador destacou ainda que o governo estadual

atua em conjunto com a Secretaria da Economia

para manter a atratividade tributária das indústrias de base

florestal e viabilizar novos investimentos no estado. Outro

eixo do plano é a ampliação do acesso ao crédito, com linhas

de financiamento que ofereçam taxas competitivas e

períodos de carência compatíveis com o ciclo produtivo da

silvicultura. As medidas envolvem recursos de fundos públicos,

como o Fundo Constitucional do Centro-Oeste, BNDES

e Goiás Fomento, além de parcerias com fundos privados,

abrangendo desde o plantio florestal até a transformação

industrial. De acordo com o secretário de Estado de Agricultura,

Pecuária e Abastecimento, Pedro Leonardo, novas

linhas de crédito específicas para o setor estão sendo estruturadas

pela Goiás Fomento e devem ser disponibilizadas

de forma imediata aos produtores.

O plano envolve desde a

desburocratização de processos

até a criação de linhas de crédito

específicas, passando por

investimentos em infraestrutura

e estímulo à produção de energia

renovável

Leonardo também destacou o cenário favorável do

mercado global, impulsionado pela crescente demanda por

papel, papelão e embalagens sustentáveis, especialmente

em razão da expansão do comércio eletrônico. Segundo

ele, o setor florestal global tem projeção de faturamento

de US$ 77,68 bilhões até o final de 2026, o que representa

uma oportunidade estratégica para Goiás. Para o presidente

da Adial (GO), Edwal Portilho, o plano cria um canal

de diálogo direto para atender às demandas do setor produtivo.

Ele ressaltou que o setor sucroenergético enfrenta

atualmente um déficit de biomassa, devido ao aumento do

consumo do bagaço de cana nas caldeiras industriais em

2024. Portilho explicou que houve a implantação de mais

de 30 usinas ao longo de pouco mais de uma década, período

em que havia superávit de biomassa. Com o crescimento

da economia industrial do estado, esse excedente deixou

de existir e já falta biomassa para atender às indústrias.

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Fevereiro 2026 65



DESENVOLVIMENTO

Segundo Portilho, a iniciativa do governo, em parceria

com entidades privadas e institutos de pesquisa, é fundamental

para retomar o estímulo ao plantio florestal e

garantir o abastecimento das cadeias produtivas, assegurando

a continuidade do crescimento industrial de Goiás. O

plano também prevê a intensificação de investimentos em

infraestrutura, aproveitando a localização estratégica do

Estado.

As ações incluem o fortalecimento da malha rodoviária,

o uso das ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica, a

futura Ferrovia de Integração Centro-Oeste, além do acesso

ao modal hidroviário pelo Porto de São Simão e a utilização

do Porto Seco de Anápolis. Para o titular da Seapa, o setor

florestal também tem grande potencial para contribuir com

a produção de energia, especialmente por meio de usinas

classificadas como superavitárias, que geram energia suficiente

para suprir seus próprios processos produtivos e

ainda disponibilizam excedente para a rede elétrica.

Além do setor sucroenergético, Pedro Leonardo

destacou a importância do carvão vegetal como insumo

estratégico para a agroindústria goiana, atendendo à demanda

de laticínios, frigoríficos e unidades de secagem e

beneficiamento de grãos. Ele afirmou que essas indústrias

são superavitárias na produção de energia, produzindo o

suficiente para atender o seu próprio projeto e disponibilizando

excedente de energia na rede local, podendo ter a

possibilidade de utilização em outros processos industriais.

Já o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, afirmou que

Goiás não deve se limitar à produção de grãos e à pecuária,

mas buscar protagonismo também na silvicultura. Segundo

ele, o histórico de programas de incentivo, como o voltado

à indústria do etanol, demonstra que o estado tem capacidade

de liderar novas cadeias produtivas. Schreiner disse

que não tem dúvida de que essa cadeia produtiva vai trazer

muito desenvolvimento, muita harmonia e acima de tudo

qualidade de vida para os goianos.

Esse conjunto de medidas e declarações mostra que o

Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal em Goiás é

uma estratégia abrangente que busca não apenas ampliar

a área de florestas plantadas, mas também fortalecer toda

a cadeia produtiva associada à silvicultura. O plano envolve

desde a desburocratização de processos até a criação de linhas

de crédito específicas, passando por investimentos em

infraestrutura e estímulo à produção de energia renovável.

A participação de entidades representativas da agroindústria

e da indústria demonstra que há uma articulação ampla

entre governo e setor privado, o que aumenta as chances

de sucesso da iniciativa. Goiás, ao buscar protagonismo

na silvicultura, pretende diversificar sua base econômica

e aproveitar oportunidades estratégicas em um mercado

global em expansão, especialmente diante da crescente

demanda por produtos sustentáveis e energia limpa. O

plano, portanto, se apresenta como um marco para o

desenvolvimento econômico e ambiental do estado, com

potencial de gerar emprego, renda e qualidade de vida para

a população.

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MULHERES

MULHERES

EM FOCO

Livro da Embrapa registra trajetórias femininas

e o fortalecimento do setor florestal brasileiro

Fotos: divulgação

O

olhar sensível e transformador de autoras

com ampla experiência na área florestal

tornou Memórias do Primeiro Painel de

Mulheres Florestais um marco bibliográfico

na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa

Agropecuária) Florestas. O livro divulga as questões

tratadas no primeiro encontro produzido pelo centro de

pesquisa dedicado a essa temática e torna público como o

Grupo de Mulheres Maria Izabel Radomski surgiu e se estruturou

de forma pioneira. “É uma obra que vai além do

registro do conteúdo de um primeiro evento sobre o tema,

pois, ao ficar disponível à sociedade no Portal Embrapa,

amplia o conhecimento e o acesso ao debate, podendo

inclusive inspirar a criação de coletivos como o Grupo de

Mulheres em outras instituições e empresas”, declaram

Francisca Rasche e Cristiane Aparecida Fioravante Reis, autoras

e editoras da publicação.

68 www.referenciaflorestal.com.br

Fevereiro 2026

69



MULHERES

O livro reúne conteúdos, em grande parte inéditos, sobre

a participação feminina na trajetória institucional e na

cadeia produtiva florestal (ambiente onde a presença masculina

predomina), os desafios contemporâneos enfrentados

pelas mulheres e as ações alinhadas à Agenda 2030 da

ONU (Organização das Nações Unidas), mais precisamente

ao quinto ODS 5 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

- Igualdade de Gênero).

Escritos pelas próprias painelistas, os sete capítulos

documentam e aprofundam contextos, relatos, história,

percepções, reflexões e dados apresentados no Primeiro

Painel de Mulheres Florestais, idealizado e realizado em

2024 pelo então recém-criado Grupo de Mulheres Maria

Izabel Radomski, responsável novamente este ano pela

produção do II Painel de Mulheres Florestais, evento em

que o livro foi lançado.

A OBRA

No Capítulo 1, a autora e editora do livro Francisca

Rasche, bibliotecária da Embrapa Florestas, reconstrói a

origem do Grupo de Mulheres Maria Izabel Radomski. O

nome do coletivo homenageia a pesquisadora da Embrapa

Florestas, já falecida, memorável por seu trabalho científico

e comprometimento com causas em prol das mulheres,

justiça social, sustentabilidade ambiental e melhores condições

de vida ao pequeno agricultor. Desde o início, conta

Francisca, o Grupo de Mulheres priorizou o acolhimento,

a participação ampla, a definição coletiva dos temas de interesse

(assédio, comunicação não violenta, saúde mental,

violência, sororidade, liderança feminina) e a articulação

com comitês e comissões internas.

Com seu poema: Gotas de Esperança; a autora expressa

de forma sensível a motivação coletiva por mudanças

estruturais. O primeiro capítulo traz ainda uma reflexão

contundente sobre desigualdades no trabalho, na política

e na vida cotidiana das mulheres. Essa frase da autora

sintetiza o que, para ela, é a razão de existir de um grupo

de apoio às mulheres em uma empresa: “Talvez, a melhor

resposta seja um porque sim! As lutas e as conquistas das

mulheres vêm de longa data”, destacou Francisca.

Avançar individualmente é importante, mas

promover o avanço coletivo é essencial para

transformar realidades e construir um futuro mais

justo e igualitário

Ana Euler, Pesquisadora Embrapa

O FEMININO NA FLORESTA

O Capítulo 2 é de autoria da pesquisadora Ana Margarida

Castro Euler, atual diretora-executiva de Inovação,

Negócios e Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira

de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ela apresenta

avanços concretos da instituição na construção, articulação

e institucionalização de uma agenda em prol das mulheres

rurais. Como exemplos, entre outros mencionados, Ana

Euler fala do Observatório de Mulheres Rurais do Brasil,

que faz parte do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa;

da Rede Embrapa Mulheres Rurais do Brasil; e do

programa corporativo de pesquisa Mulheres Rurais Produtoras

do Bem Viver, para fortalecer iniciativas de inclusão

produtiva de mulheres em diversas regiões do país.

A autora, que vê no papel transformador da educação

e na responsabilidade ética das mulheres que alcançam

posições de liderança, duas possíveis saídas transformadoras.

“Avançar individualmente é importante, mas promover

o avanço coletivo é essencial para transformar realidades

e construir um futuro mais justo e igualitário”, comentou

Ana Euler.

A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES

O Capítulo 3, escrito por Cristiane Aparecida Fioravante

Reis, pesquisadora e editora do livro, apresenta dados

de estudo conduzido pela autora sobre a participação

feminina nos 13 segmentos da cadeia florestal, faixas salariais,

escolaridade, idade e dados sobre engenheiras florestais.

Nesse panorama, as mulheres representam 22,2% dos

vínculos no ano de 2021, concentradas nas faixas salariais

mais baixas e com menor presença em setores de maior

remuneração. “Essas informações são essenciais para melhor

compreensão da realidade da cadeia produtiva florestal

e embasar estratégias visando à equidade de oportunidades

entre mulheres e homens”, anteviu Cristiane Reis. A

autora consolidou o diagnóstico nacional sobre a presença

feminina no setor, publicado no documento Participação

das mulheres na cadeia produtiva florestal brasileira, lançado

em 2024, justamente no Primeiro Painel de Mulheres

Florestais, enriquecendo o evento com inúmeros resultados

inéditos na época.

70 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 71



MULHERES

A autora considera positivas as tendências para a ampliação

significativa da participação da engenheira florestal

em setores e cargos, principalmente: as políticas de diversidade

e inclusão; networking (redes de apoio) e mentoria;

avanço tecnológico (uso de drones e sistemas de informações

geográficas, por exemplo); e reconhecimento internacional,

como o trabalho de promoção ativa da igualdade

de gênero no setor florestal feito pela FAO (Organização

das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

No Capítulo 7, a arte entra em cena. A autora, pesquisadora

Maria Augusta Doetzer Rosot, conta como foi a

apresentação musical realizada por um trio de colegas de

trabalho, para homenagear Maria Izabel Radomski no Primeiro

Painel de Mulheres Florestais, realizado no dia 11 de

novembro de 2024.

A autora descreve o significado simbólico da homenagem

e o papel inspirador da pesquisadora (falecida em

2019, aos 52 anos) dentro da história da entidade, a ponto

do Grupo de Mulheres levar seu nome. “A homenagem

traduz o reconhecimento da força, da sensibilidade e do

legado deixado por Maria Izabel e por tantas outras mulheres

da Embrapa Florestas”, sintetiza Maria Augusta.

Acesse o livro pelo QR Code ao lado:

O Capítulo 4, assinado pela pesquisadora Márcia Toffani

Simão Soares, faz um percurso histórico do movimento

feminista nos séculos XIX e XX e suas contribuições para

a Agenda Global de gênero. Explica a estrutura dos ODS

(Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), integrantes

da Agenda 2030 da ONU, mais especificamente o ODS 5 –

Igualdade de Gênero, ao qual o livro está alinhado, assim

como o próprio Grupo de Mulheres da Embrapa Florestas

e os painéis de mulheres florestais promovidos em 2024 e

2025.

MULHERES NA EMBRAPA FLORESTAS

O Capítulo 5 tem como autora a pesquisadora Edina

Regina Moresco, atual chefe-adjunta de Transferência de

Tecnologia da Embrapa Florestas. Seu enfoque dá visibilidade

às mulheres que contribuíram para a formação e

o desenvolvimento da entidade, situando a evolução das

oportunidades e da presença feminina em diferentes áreas

ao longo das décadas.

A autora revisita registros históricos, composição da

força de trabalho e mudanças estruturais na formação das

equipes, destacando trajetórias profissionais (como as das

pioneiras na instituição) e desafios vividos, notando-se um

aumento da participação de pesquisadoras, analistas e técnicas

na instituição: 45% do seu quadro funcional é composto

por mulheres (dado publicado em 2024). “Embora o

crescimento tenha sido tímido, a jornada das mulheres no

órgão tem sido notável, estabelecendo marcos importantes

em um cenário historicamente dominado por homens”,

apontou Edina.

Entre as pioneiras está Yeda Maria Malheiros de Oliveira,

que simboliza, em meio a outras conquistas, o avanço

no âmbito da autoria feminina em trabalhos científicos.

Yeda foi a primeira pesquisadora a ser contratada na Unidade

Regional de Pesquisa Florestal Centro-Sul, criada em

1978, posteriormente transformada no Centro Nacional de

Pesquisa Florestal, em 1984, e a primeira a participar da

coautoria em um trabalho publicado pela Unidade. A Dra.

Yeda também foi a primeira coautora em documentos da

Série Técnica da Embrapa Florestas e a primeira mulher a

publicar no Boletim de Pesquisa Florestal, atual PFB (Pesquisa

Florestal Brasileira).

A MULHER NA ENGENHARIA FLORESTAL

O Capítulo 6 tem uma profissional pioneira como autora,

a pesquisadora Yeda Maria Malheiros de Oliveira, que

revela a evolução da presença feminina na formação em

Engenharia Florestal, inicialmente muito restrita, e o crescimento

constante nas últimas décadas. “A presença das

mulheres na Engenharia Florestal, antes exceção, se tornou

parte integrante da área”, atesta a pesquisadora. Após

apresentar um panorama histórico da inserção da mulher

na profissão e discutir aspectos da trajetória acadêmica e

profissional.

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72 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 73



ARTIGO

PROTOCOLO DE

ORGANOGÊNESE DIRETA

EM PINUS ELLIOTTI VAR. ELLIOTTI:

fase de indução e desenvolvimento

de brotações adventícias

Fotos: divulgação

JULIA HEDUARDA GIACOMEL BALBINOTTI

UFPR - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

JULIA MARIA BASSETTO BRANDALIZE

UFPR - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

PAMELA KEIKO HARADA

ANALISTA EMBRAPA FLORESTAS

(EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)

REGINA CAETANO QUISEN

PESQUISADORA EMBRAPA FLORESTAS

(EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)

74 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 75



ARTIGO

Nesse contexto, compreende-se que os principais entraves

para o estabelecimento de protocolos de clonagem

eficientes e reprodutíveis de espécies de pínus, seja por

estaquia, enxertia ou cultivo in vitro, estão diretamente relacionados

às características do gênero Pinus. A baixa capacidade

de regeneração e a maturidade fisiológica do material

constituem barreiras determinantes, restringindo a propagação

vegetativa ao uso de propágulos juvenis, resultando em

taxas de multiplicação insuficientes para atender à demanda

comercial. Além disso, a eficiência desses métodos é fortemente

influenciada pelo genótipo, de modo que indivíduos

ou famílias podem apresentar respostas contrastantes sob

as mesmas condições de propagação (Bonga et al., 2010).

Diante destas dificuldades, diversas pesquisas têm

buscando superar tais limitações, explorando técnicas de

cultivo in vitro, entre as quais a organogênese adventícia

direta. Nesse processo, as células do explante são induzidas

a formar meristemas adventícios que originam estruturas

unipolares, como brotações, que posteriormente necessitam

passar pela fase de enraizamento para originar plantas

clonais (Kareem et al., 2016).

INTRODUÇÃO

O

gênero Pinus ocupa cerca de 2 milhões de

ha (hectares) no Brasil, com árvores plantadas

para fins comerciais, correspondendo a

19% do total da área do setor florestal, com

destaque para a produção de celulose de

fibra longa, madeira, resina e biomassa energética (Indústria

Brasileira de Árvores, 2024). Dentre as espécies cultivadas

no sul do país, destaca-se Pinus elliotti Engelm. var. elliotti,

principal fonte de resina destinada às indústrias de cosméticos,

pneus, tintas e muitos outros produtos (Moreira et

al., 2014). No entanto, a produção de mudas dessa espécie

ainda se baseia predominantemente em sementes, o que

resulta em elevada variabilidade genotípica e compromete a

uniformidade dos plantios. A silvicultura clonal, vista como

alternativa estratégica para aumentar a homogeneidade e o

rendimento resinífero, enfrenta obstáculos significativos, sobretudo

devido às dificuldades no resgate de material adulto

e ao envelhecimento fisiológico das árvores-elite. Como

consequência, a propagação vegetativa de Pinus elliotti em

escala comercial permanece inviável, mantendo os plantios

dependentes de sementes e limitando o avanço de programas

voltados à produção de resina (Ishibashi et al., 2022).

76 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 77



ARTIGO

Diante destas

dificuldades, diversas

pesquisas têm

buscando superar tais

limitações, explorando

técnicas de cultivo

in vitro, entre as

quais a organogênese

adventícia direta

O procedimento de organogênese direta em Pinus elliotti

var. elliotti deve ser realizado utilizando meios específicos:

DCR contendo sais e vitaminas, suplementado com 30 g L-1

de sacarose, 7 g L-1 de ágar e BAP em regime de pulso e o

meio WV5 suplementado com 30 g L-1 de sacarose, 1 g L-1

de carvão ativado e 8 g L-1 de ágar. Os explantes, constituídos

de embriões zigóticos reduzidos, devem ser inicialmente

cultivados em MI (meio de indução) composto pelo meio

basal de DCR acrescido de 44,4 µM de BAP, por 7 dias. Em

seguida, realizam-se três subculturas de 28 dias cada em

meio de MDP (desenvolvimento e proliferação de brotações)

composto pelo meio basal de DCR acrescido de 0,44

µM de BAP. Por fim, as brotações devem ser transferidas

para MA (meio de alongamento) composto pelo meio basal

de DCR sem regulador de crescimento, por 28 dias.

Essa é uma versão parcial desse artigo,

o conteúdo completo pode ser acessado em:

Na organogênese de Pinus spp., a BAP (benzilaminopurina)

é reconhecida como o regulador vegetal mais efetivo

na formação de brotações adventícias, sendo que tanto a

concentração quanto o tempo de exposição influenciam a

qualidade e a quantidade de brotações (Moncaleán et al.,

2005). Outro fator determinante é a composição do meio

basal, especialmente quanto à disponibilidade de nitrogênio,

como evidenciado nos meios WV5 (Coke, 1996) e DCR

(Gupta; Durzan, 1985), nos quais o primeiro apresenta maiores

teores desse nutriente em relação ao segundo (Coke,

1996; Oliveira et al., 2012; Nunes et al., 2018).

Em P. elliotti, estudos demonstraram que o maior número

de brotações adventícias foi obtido a partir de explantes

cotiledonares isolados e cultivados por 28 dias em meio

contendo GD1 com 66 µM de BAP, enquanto as brotações

de maior altura foram observadas após tratamento de pulso,

por período de 14 dias, em meio contendo 22 µM de

BAP (Bronson; Dixon, 1991). Resultados semelhantes foram

relatados por Lihua e Xiaoqin (2006) que verificaram maior

frequência e tamanho de brotações em embriões zigóticos

cultivados em meio GD com 266 µM de BAP, por 12h e 24h

(horas), respectivamente. Para Pinus taeda, por sua vez, a

organogênese tem sido predominantemente indireta, com

maior taxa de diferenciação de brotos observada após 12

semanas, em meio TE (Tang; Ouyang, 1998) suplementado

com ácido diclorofenóxiacético (2,4-D) ou ácido naftalenoacético

(ANA) e BAP, em baixas concentrações de BAP.

Contudo, nota-se ainda a escassez de trabalhos relatados na

literatura.

Considerando este cenário, o presente documento foi

elaborado com o objetivo de apresentar detalhadamente

os procedimentos para a indução e o desenvolvimento de

brotações adventícias por via da organogênese direta de

Pinus elliotti, além dos resultados obtidos nas condições experimentais

adotadas. Ressalta-se que, embora as taxas de

multiplicação nessa fase ainda sejam reduzidas para a produção

em escala massal, as brotações formadas constituem

propágulos viáveis e podem ser integradas a outros sistemas

de regeneração, como a micropropagação ou embriogênese

somática.

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AGENDA

AGENDA 2026

Imagem: reprodução

AGENDA 2026

MARÇO

2026

MAR

2026

CURSO DE SILVICULTURA – IPEF

MAIO

2026

Curso de Silvicultura – Ipef

Data: 01/03 a 31/05

Local: online

Informações: https://www.ipef.br/

eventos/evento.aspx?id=590

MARÇO

2026

O Curso de Silvicultura - Aprendendo com a prática é uma

excelente oportunidade de aperfeiçoamento técnico e

operacional para profissionais, recém-formados, estudantes

de graduação e pós-graduação, fornecedores de insumos e

serviços, e demais interessados na área florestal. O curso,

que conta com a experiência de professores e profissionais

renomados e o vasto conhecimento técnico-científico de 30

anos acumulado pelo PTSM (Programa Técnico de Silvicultura

Mecanizada) e seus parceiros, visa capacitar os participantes

com o que há de mais atual na silvicultura. Oferecido na

modalidade online com aulas ao vivo realizadas às terças-feiras.

Expo Minas Florestal

Data: 19 a 21

Local: Sete Lagoas (MG)

Informações:

https://expominasflorestal.com.br/

JUNHO

2026

ASSINE AS PRINCIPAIS

REVISTAS DO SETOR

E FIQUE POR DENTRO

DAS NOVIDADES!

Forst Live

Data: 27 a 29

Local: Offenburg (Alemanha)

Informações:

https://www.forst-live.de/en

V Encontro Brasileiro de Segurança

Florestal

Data: 18 e 19

Local: Sete Lagoas (MG)

Informações: https://expominasflorestal.

com.br/encontrodeseguranca/

MAIO

2026

MAI

2026

EXPO MINAS FLORESTAL

A Expo Minas Florestal, Feira Mineira da Indústria Florestal,

será realizada na cidade de Sete Lagoas (MG), no Parque de

Exposições de Sete Lagoas, que fica a aproximadamente 1h

(hora) de carro do aeroporto de Confins (MG) e uma 1h20

de Belo Horizonte (MG). A feira será entre os dias 19 e 21

de maio e já começou a ter espaços comercializados com

empresas interessadas em mostrar novidades em soluções

para os segmentos de árvores plantadas, siderurgia verde e

tudo mais que envolve essa gigantesca indústria do Estado

de Minas Gerais.

Imagem: reprodução

II Seminário Internacional de

Sensoriamento Remoto aplicado à

Mensuração Florestal

Data: 9 a 12

Local: Vitória (ES)

Informações: https://remoteforestbrazil.

com.br/2026/

VII CBCTEM

Data: 23 a 26

Local: Viçosa (MG)

Informações: https://www.cbctem.com.br/

SETEMBRO

2026

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Foto: divulgação

ESPAÇO ABERTO

Nem tudo é

TRANQUILIDADE

Por Sandra Coelho, geógrafa

pela Faculdade de Letras da

Universidade de Coimbra,

onde trabalhou, durante,

cerca de 10 anos, tendo como

principais funções a análise e

tratamento estatístico de dados.

É responsável pela aplicação

dos projetos, desenvolvendo

e monitorizando a plataforma

GPTW® (Great Place To Work).

Como o silêncio organizacional

afeta o ambiente de

trabalho e pode prejudicar o

desenvolvimento das atividades

O

silêncio organizacional ocorre quando os colaboradores se mostram

relutantes em partilhar opiniões, preocupações ou sugestões. Essa

relutância pode nascer do medo de consequências negativas, da falta

de confiança na liderança ou da sensação de que o seu contributo não

é valorizado. Este fenómeno manifesta-se de várias formas: omissão de problemas ou

erros, ausência de participação ativa em discussões importantes, retenção de informações

relevantes, resistência em dar feedback ou levantar questões críticas.

PORQUE É PERIGOSO

Imagine se todos os colaboradores se calassem. A ausência de uma comunicação

aberta e transparente gera um ambiente onde: questões críticas são ignoradas, a criatividade

é bloqueada e o desenvolvimento organizacional é comprometido. O resultado?

Uma cultura frágil, pouco colaborativa e vulnerável à estagnação. Entre as principais

consequências do silêncio organizacional encontram-se a diminuição da motivação e do

engajamento, pois quando os colaboradores sentem que a sua voz não é ouvida, o entusiasmo

e o compromisso com a missão da empresa enfraquecem; o aumento da rotatividade

e do absentismo, resultado natural de um clima onde prevalece a frustração

e o desinteresse; o bloqueio da inovação, uma vez que as ideias deixam de circular e o

medo substitui a criatividade; a perda de agilidade na resolução de problemas, já que

as questões permanecem escondidas e os erros repetem-se por falta de comunicação;

e, finalmente, a quebra da confiança entre líderes e equipas, que mina o espírito de

colaboração e compromete a coesão organizacional. Em conjunto, estes fatores criam

um ciclo silencioso e destrutivo, onde o potencial humano é desperdiçado e a cultura

corporativa se torna cada vez mais frágil.

PRINCIPAIS CAUSAS

A complexidade do silêncio organizacional está na sua origem multifatorial. Entre as

causas mais frequentes encontramos: hierarquias rígidas que inibem a partilha, sobrecarga

de trabalho que limita o diálogo, ausência de canais de comunicação eficazes e

anónimos, falta de reconhecimento e valorização do feedback, clima de medo, insegurança

psicológica e desconfiança.

COMO EVITAR

Combater o silêncio exige consciencialização, escuta ativa e liderança corajosa. Um

dos primeiros passos é avaliar o clima organizacional através de um questionário interno.

Aliado aos resultados da sua pesquisa, deve criar planos de ação que privilegiem

abertura dos colaboradores, nomeadamente:

1. Demonstrar abertura: a liderança deve ser o primeiro exemplo de transparência.

Ao partilhar opiniões e preocupações, demonstra abertura e incentiva os colaboradores

a fazer o mesmo.

2. Criar canais de comunicação seguros: implemente mecanismos que facilitem a

partilha de ideias, sejam reuniões regulares, plataformas digitais ou canais anónimos

de feedback.

3. Estimular a diversidade de opiniões: a inovação nasce da diferença. Valorize a

pluralidade de experiências e perspectivas dentro da equipa.

4. Implementar políticas anti-retaliação: garanta que expressar uma opinião não

traz consequências negativas. Um ambiente de segurança psicológica é essencial para

a confiança.

5. Promover feedback construtivo: crie uma cultura onde o feedback é visto como

uma oportunidade de crescimento — tanto individual como organizacional.

6. Investir em competências de comunicação: forme líderes e equipas para comunicar

com clareza, empatia e assertividade.

7. Promover um ambiente de confiança: a confiança constrói-se com consistência,

honestidade e coerência. Um colaborador que confia, fala.

8. Reconhecer e valorizar colaboradores: celebre publicamente boas ideias e reconheça

quem contribui para o sucesso da organização.

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