Florestal_281Dupla OPS
15,16,18,20,22,24,26,28,32,34,36,38,40,42,44,46,48,52,53,54,55,57,58,60,63,64,66,69,70,71,72,76,78,82
15,16,18,20,22,24,26,28,32,34,36,38,40,42,44,46,48,52,53,54,55,57,58,60,63,64,66,69,70,71,72,76,78,82
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DESTAQUE
Entrevista: Fernando Castanheira Neto apresenta um panorama da silvicultura no Brasil
MAIS
CONTROLE,
MENOS PERDAS
INSETICIDA CHEGA COM FOCO
EM EFICÁCIA, MANEJO SIMPLES
E PROTEÇÃO PROLONGADA
MORE CONTROL,
FEWER LOSSES
THIS INSECTICIDE ARRIVES WITH A FOCUS ON
EFFECTIVENESS, SIMPLE HANDLING,
AND LONG-LASTING PROTECTION
ST 800
TRITURAÇÃO SEM QUEIMADAS
PROTEÇÃO E CONSERVAÇÃO DO SOLO
ALTA PRODUTIVIDADE NO CAMPO
SEGURANÇA E EFICIÊNCIA
HPH
LINHA STR
REFERÊNCIA EM
TRITURAÇÃO FLORESTAL
NO BRASIL
TRITURAÇÃO DE TOCOS E RAÍZES
REBAIXA ATÉ 25CM DE PROFUNDIDADE
ATÉ 30CM DE DIÂMETRO DE TRONCO
PARA TRATORES A PARTIR DE 40 CV
TRITURA VEGETAÇÃO COM ATÉ 12 CM DE DIÂMETRO
PODE SER USADA NA LIMPEZA DE ENTRE LINHAS
ROTOR DE MARTELOS FIXOS DE VÍDEA
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SEM NECESSIDADE DE AFIAÇÃO
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SUMÁRIO
FEVEREIRO 2026
50
TECNOLOGIA
PARA MANEJO
INTEGRADO
A LONG WAY
TOGETHER
08 Editorial
ANUNCIANTES DA EDIÇÃO
10 Cartas
12 Bastidores
14 Notas
30 Frases
32 Entrevista
48 Coluna
50 Principal
56 Produtividade
62 Desenvolvimento
68 Mulheres
74 Artigo
80 Agenda
82 Espaço Aberto
62
68
07 BKT
11 Carrocerias Bachiega
59 Composhow 2026
65 D’Antonio Equipamentos
13 Denis Cimaf
02 Dinagro
17 DRV Ferramentas
41 Duffatto Viveiro Florestal
43 Engeforest
83 Envimat
84 Envimat
49 Envu
47 ExpoMinas 2026
37 Feldermann Forest
77 Felipe Diesel
39 Francio Soluções Florestais
04 Himev
19 J de Souza
61 Lignum Latin America 2026
27 Máquina Solo
73 Motocana
45 Planflora
23 Rodovale
09 Rotary-Ax
31 Sergomel
21 Sparta Brasil
29 TMO
33 Unibrás
25 Unifértil
79 Valfer Ferramentas
35 WDS Pneumática
FORESTLAND
Projetado para as aplicações mais exigentes, o FORESTLAND é o mais recente e inovador
pneu diagonal da BKT para o setor agroflorestal, mas também pode ser utilizado em algumas
operações agrícolas, como paisagismo e silagem. A sua carcaça de poliéster e composto
específico da banda de rodagem tornam-no particularmente resistente a cortes e lacerações,
enquanto a parede lateral robusta garante um longo ciclo de vida do produto. As principais
características do FORESTLAND são excelente tração em terrenos brandos, boa aderência em
qualquer solo graças aos blocos rígidos e reforçados da banda de rodagem, um alto nível de
estabilidade graças à forte construção dos talões e propriedades de autolimpeza superiores.
Descubra a
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EDITORIAL
Raízes do sucesso
O sucesso de um maciço florestal não é determinado na colheita,
mas na precisão do plantio. Assim como no setor editorial, onde
o planejamento define o impacto da mensagem, na silvicultura os
primeiros momentos são indispensáveis para o desenvolvimento
sustentável. A escolha genética, o preparo do solo e o combate às
mato-competições nos dias iniciais são os pilares que sustentam a
produtividade futura. Negligenciar o berço é aceitar um crescimento
limitado. O futuro da floresta começa hoje, no detalhe de cada muda
bem alocada. Nessa edição, confira as novidades da Envu Brasil no
combate a formigas e cupins, o reconhecimento da presença feminina
no segmento florestal, o desenvolvimento de florestas no centro-oeste,
o uso da tecnologia em favor das florestas e uma entrevista exclusiva
com Fernando Castanheira Neto, Engenheiro Florestal e doutor
em Ciências Florestais, que atua no fomento das florestas plantadas
levando as demandas do setor privado para o poder público. Obrigado
por começar mais um ano conosco. Excelente leitura.
2
1
Na capa dessa edição a Envu
com o lançamento Attinix️,
o lançamento da empresa no
combate a formigas e cupins
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
www.referenciaflorestal.com.br
Ano XXVIII • Nº281 • Fevereiro 2026
DESTAQUE
Entrevista: Fernando Castanheira Neto apresenta um panorama da silvicultura no Brasil
MAIS
CONTROLE,
MENOS PERDAS
INSETICIDA CHEGA COM FOCO
EM EFICÁCIA, MANEJO SIMPLES
E PROTEÇÃO PROLONGADA
MORE CONTROL,
FEWER LOSSES
THIS INSECTICIDE ARRIVES WITH A FOCUS ON
EFFECTIVENESS, SIMPLE HANDLING,
AND LONG-LASTING PROTECTION
DO BRASIL
PARA O MUNDO
ROOTS OF SUCCESS
The success of a forest plantation is not determined at harvest
time, but by how precisely it is planted. Just as planning defines the
impact of a message in the publishing industry, the early stages are
essential for sustainable forestry development. Genetic selection,
soil preparation, and weed control in the early stages are the pillars
that support future productivity. Neglecting these early stages means
accepting limited growth. The future of the forest begins today with
each well-placed seedling. In this issue, read about the latest developments
from Envu Brasil in combatting ants and termites, the recognition
of women in forestry, forest development in Midwest Brazil,
the use of technology to support forests, and an exclusive interview
with Fernando Castanheira Neto, a forest engineer and Ph.D. of forest
sciences who promotes planted forests by communicating the needs
of the Private Sector to Public Authorities. Thank you for starting
another year with us. Pleasant reading.
Entrevista com
Fernando Castanheira
Neto, Engenheiro
Florestal e doutor em
Ciências Florestais
Viveiro com seleção genética,
3
EXPEDIENTE
ANO XXVIII - EDIÇÃO 281 - FEVEREIRO 2026
Diretor Comercial / Commercial Director
Fábio Alexandre Machado
fabiomachado@revistareferencia.com.br
Diretor Executivo / Executive Director
Pedro Bartoski Jr
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Redação / Writing
Vinicius Santos
jornalismo@revistareferencia.com.br
Colunista
Gabriel Dalla Costa Berger
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Fabiana Tokarski - Supervisão
Aime Cristine Lima
Letícia Stefanello
criacao@revistareferencia.com.br
Tradução / Translation
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assinatura@revistareferencia.com.br
José A. Ferreira
(41) 99203-2091
ASSINATURAS
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A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,
dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,
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ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor
Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em
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direitos autorais, exceto para fins didáticos.
Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication
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agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked
to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself
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property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited
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rotaryax
rotaryaxoficial
CARTAS
DESTAQUE
Entrevista: Rogério Salamuni e as perspectivas sobre gestão na direção florestal da BrasPine
Capa da Edição 280 da
Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,
mês de dezembro de 2025
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
www.referenciaflorestal.com.br
OLHOS
NO FUTURO
EDUCAÇÃO ESTRATÉGICA
FORMA ESPECIALISTAS
PARA SUPRIR A CRESCENTE
DEMANDA DO MERCADO DE
CARBONO
EYES ON THE FUTURE
STRATEGIC EDUCATION TRAINS
SPECIALISTS TO MEET
THE CARBON MARKET'S
GROWING DEMAND
Ano XXVII • Nº280 • Dezembro 2025
PRINCIPAL
Por Eduardo Castro, Ituporanga (SC)
A formação de novos profissionais prontos para o mercado que está se
fortalecendo é essencial para a continuidade da vanguarda no setor.
ENTREVISTA
Foto: divulgação
Por César Almeida, Bauru (SP)
Os novos desafios movem todo o segmento e ver um profissional desse
gabarito chegando em uma grande empresa mostra que ninguém pode
se dar por satisfeito.
PRÊMIO REFERÊNCIA MELHORES DO ANO
Por Alessandra Costa, Nova Mutum (MT)
Muito bom ver nomes já reconhecidos pelo mercado e outros que estão
começando agora serem valorizados nessa festa. É motivação para todo o setor.
Foto: Emanoel Caldeira
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Revista Referência Florestal
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E-mails, críticas e sugestões podem ser
enviados também para redação
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Mande sua opinião sobre a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL
ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.
BASTIDORES
Revista
Foto: REFERÊNCIA
Foto: REFERÊNCIA
PODCAST
Mais um Podcast REFERÊNCIA foi produzido com a
empresa Lignum Biomassa de Sinop (MT). Na foto
estão o gerente geral da Lignum, Alexandre Vian, o
diretor comercial da REFERÊNCIA, Fábio Machado,
Wander Heoger diretor da Lignum e Pedro Bartoski
Jr., diretor executivo da REFERÊNCIA.
VISITA
A Revista REFERÊNCIA esteve visitando a indústria
de portas Sincol, dos diretores Márcia e Marcos
Balvedi. Além da fábrica, o diretor comercial
Fábio Machado e o comercial, Gerson Penkal da
REFERÊNCIA, conversaram a respeito da Sincol
Reflorestamento.
ALTA
ACORDO POSITIVO
Um levantamento feito pela CNI (Confederação
Nacional da Indústria) aponta que os acordos
preferenciais e de livre-comércio do Brasil
cobrem apenas 8% das importações mundiais
de bens, mas com a entrada em vigor do Acordo
Mercosul-UE esse percentual saltaria para 36%,
considerando que a UE (União Europeia) respondeu
por 28% do comércio global em 2024.
Segundo a CNI, a formalização do acordo é uma
virada estratégica para a indústria brasileira. O
levantamento indica também que 54,3% dos
produtos negociados – mais de cinco mil itens –
terão imposto zerado na UE assim que o acordo
Mercosul-UE entrar em vigor.
FEVEREIRO 2026
BRASIL EM QUEDA
O Brasil caiu da 10ª para a 11ª posição entre as
maiores economias do mundo, segundo levantamento
da Austin Rating, agência classificadora de risco
de crédito de origem brasileira. Em um movimento
influenciado principalmente pela forte valorização
do rublo, que elevou a Rússia no ranking global, o
país também recuou de segundo para 32º lugar no
ranking mundial de avanço do PIB (produto interno
bruto) ao longo do ano. Apesar da perda de posições,
indicadores domésticos mostram melhora das
expectativas internas e valorização do real, enquanto
a desaceleração do crescimento econômico no
decorrer de 2025 ajuda a explicar o novo cenário.
BAIXA
12 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Podcast REFERÊNCIA
O Podcast REFERÊNCIA começou sua temporada
2026 com a qualidade que já marca
os seus dois anos de trajetória. O convidado
recebido nesse primeiro episódio foi Daniel
Woiski (foto ao lado), CEO da Solida Brasil
Madeiras, empresa de Rio Negrinho (SC).
Daniel é engenheiro elétrico formado pela
UTFPR (Universidade Federal Tecnológica do
Paraná), pós-graduado Administração industrial
em pela UFPR (Universidade Federal do
Paraná) e MBA em gestão empresarial pela
PGV (Fundação Getúlio Vargas). O programa
comprou com o apoio da Dallabona Máquinas
e Lion&Mosole.
Daniel abre o programa contando como
chegou ao segmento industrial da madeira
de forma até surpreendente, em um convite,
por sua experiência em engenharia, para a
construção de uma serraria. “Um headhunter
me convidou para fazer todo o projeto
dessa fábrica em Rio Negrinho (SC) e como
um desafio dessa magnitude eu topei. Foram
dias de muita luta, a cidade era muito menor
há 26 anos, muitas dificuldades, mas foi uma
grande experiência”, relata Daniel.
Daniel atua como coordenador do comitê
de madeira serrada na Abimci (Associação
Brasileira da Indústria da Madeira Processada
Mecanicamente) e destaca o crescimento
dos desafios e das demandas trazidas pela
associação. “Tínhamos muitas dificuldades
pela falta de união do setor de molduras que
é parte importante da indústria madeireira
e agora, com muito trabalho, conseguimos
aproximas as empresas, manter uma parceria
com respeito e competividade, acima de
tudo, lutando pelo setor”, aponta Daniel.
No bloco: Isso é REFERÊNCIA pra você;
Daniel compartilhou sua paixão por vinhos,
que se tornou uma paixão ao longo dos anos e começou, da melhor forma, com cerveja. “Aprendi a fazer e entender de cerveja e
depois passei para o vinho. É uma bebida com história, com regionalidade, origem e que marca momentos diferentes. Já tenho cursos
na área e se a madeira deixar de dar certo, já sei para onde ir”, brinca Daniel.
Os episódios completos o Leitor pode conferir no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:
Fotos: REFERÊNCIA
Silvicultura em minas
A relação entre florestas plantadas e produção de alimentos pode parecer distante, mas está mais presente no
dia a dia dos brasileiros do que se imagina. Além de fornecer matéria-prima para celulose, papel e carvão vegetal,
essas áreas desempenham papel estratégico na agroindústria, atuando como fonte de energia e insumo produtivo.
Em Minas Gerais, estado com a maior área de florestas plantadas do país, o fortalecimento da silvicultura é prioridade
do governo, também como contribuição para a segurança alimentar.
A Seapa (Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento), por meio da Superintendência de Fomento
Florestal, desenvolve ações voltadas à expansão das chamadas florestas pensadas, especialmente em áreas de
pastagens degradadas. O objetivo é recuperar o ambiente e ampliar a produção florestal. Entre as iniciativas estão
o apoio aos produtores, a articulação de parcerias públicas e privadas e a busca de soluções para entraves na
cadeia produtiva.
De acordo com a superintendente Taiana Arriel, a madeira de reflorestamento é cada vez mais utilizada como
fonte energética e insumo produtivo na agroindústria, sobretudo na produção de alimentos. Cavacos de eucalipto
e lenha são empregados como biomassa em laticínios, granjas, frigoríficos, usinas de beneficiamento e fábricas de
ração, substituindo combustíveis fósseis e reduzindo emissões de carbono. No campo, o cavaco também contribui
para a cobertura do solo, controle da erosão e manutenção da umidade.
Outro uso relevante está nas camas de animais em granjas, aviários e estábulos, onde o cavaco garante
absorção, conforto térmico e higiene, favorecendo o bem-estar e a produtividade. Além disso, é empregado na
produção de carvão vegetal industrial e no ajuste de caldeiras de carbonização, atendendo indústrias alimentícias
que dependem de calor controlado. Dessa forma, as florestas plantadas se consolidam como aliadas da agroindústria
e da sustentabilidade.
Foto: divulgação
14 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 15
NOTAS
Mais prazo para negociação
Em meados de dezembro de 2025, o Parlamento Europeu aprovou, por 405 votos a favor, 242 votos contra e 8
abstenções, o adiamento da aplicação e a simplificação do EUDR (Regulamento de Desmatamento da União Europeia),
ratificando o acordo previamente firmado com os Estados Membros no início de dezembro. A versão final do
regulamento será publicada no Jornal Oficial da UE até o fim de dezembro.
A versão final do EUDR incorpora alterações decorrentes das solicitações da Comissão Europeia e do Conselho
da União Europeia. Entre as principais mudanças, destacam-se a criação de novas categorias de operadores —
incluindo o downstream operator — e a simplificação das exigências para elaboração das declarações de devida
diligência. A aplicação da lei também será escalonada: médias e grandes empresas entram no regime em 30 de
dezembro de 2026, enquanto micro e pequenas passam a ser enquadradas a partir de 30 de junho de 2027.
Outro ponto importante é que somente o operador que primeiro colocar o produto no mercado europeu será
responsável por fazer a declaração de diligência completa. Aos demais agentes da cadeia caberá apenas o repasse
do número dessa declaração. Micro e pequenas empresas poderão utilizar uma versão simplificada do documento.
A Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) representa o Brasil
na Coalition on Sustainable Timber, grupo que reúne alguns dos principais países produtores de madeira do
mundo, responsável por acompanhar e discutir os impactos do EUDR. A participação ativa da entidade garante que
o setor brasileiro esteja representado nas discussões internacionais, contribuindo com dados técnicos, análises e
posicionamentos que defendem condições justas e equilibradas de acesso ao mercado europeu para os produtos
de madeira processada. Com esse processo de revisão e adiamento, abre-se uma janela importante para que as
cadeias produtivas possam se preparar, organizar documentações e ajustar processos.
As Facas Suprema foram
projetadas para oferecer
máxima performance.
Fabricadas com aço de
ligas especiais, garantem
durabilidade, precisão e
alta produtividade para
o trabalho no campo.
SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS
Foto: divulgação
Abrindo caminho
para um horizonte
de produtividade
sem limites!
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NOTAS
Proteção e desenvolvimento
Durante décadas, a ideia de que a floresta amazônica poderia ser a base de um modelo de desenvolvimento
justo, inclusivo e sustentável foi tratada como utopia. Para os povos da floresta, no entanto, essa sempre foi uma
certeza, ainda que desacreditada por muitos. Em 2025, no Pará, essa visão ganhou forma concreta. Entregue pelo
Governo do Pará, o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém (PA), tornou-se o símbolo mais
visível dessa transformação. Mais do que um equipamento público, o Parque representa o encontro entre saberes
tradicionais, ciência, tecnologia, políticas públicas e novos mercados, apontando para um futuro em que a floresta
viva é fonte de renda, conhecimento e dignidade. “É um momento extremamente importante e especial para nós,
povos da floresta, porque 40 anos atrás, quando o CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas) dizia que
era possível viver com a floresta viva, todo mundo duvidava”, ressalva Letícia Moraes, vice-presidente do CNS. “O
projeto que se tinha para a Amazônia não nos envolvia. E hoje, quando estamos aqui, discutindo com o governo
e diferentes organizações o que a floresta viva representa, isso nos dá sustentação para tudo. O Governo do Pará
está de parabéns por este momento, que para nós é um marco histórico”, reitera Letícia. Além disso, em relação
ao desmatamento, o Estado liderou a maior redução absoluta da Amazônia Legal, segundo dados do Prodes,
sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). No ano Prodes 2025, encerrado em 1º de julho, o
Pará reduziu o desmatamento em 297 km² (quilômetros quadrados), a maior queda em área entre os estados da
região.Em relação a 2021, quando o desmatamento chegou a 5.238 km², a redução acumulada alcança 60%. Entre
agosto e novembro de 2025, os alertas somaram 385 km², o menor valor da série histórica desde 2019, representando
quase 400 km² de floresta preservados. “Estamos unindo tecnologia, presença territorial e resposta rápida.
O resultado é concreto e já sentido em todo o Estado”, garante o titular da Semas, Raul Protázio Romão,
LINHA DE
SILVICULTURA J DE SOUZA
SUBSOLAGEM PARA QUALQUER TERRENO, ENLEIRAMENTO
EFICIENTE, REBAIXAMENTO DE TOCOS, ELIMINAÇÃO DE
ARBUSTOS E ROÇADA PESADA.
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PÁS-CARREGADEIRAS
ROÇADEIRA
TRITURADORA
FRONTAL
MULTIFUNÇÃO
SUBSOLADOR PARA
ESCAVADEIRA
SUBSOLADOR PARA
TRATOR DE ESTEIRAS
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TRATOR AGRÍCOLA
Foto: divulgação
MATRIZ
J de Souza Indústria Metalúrgica LTDA
BR 116 - Nº 5828, KM 247
Área Industrial
+55 49 3226 0511 I +55 49 3226 0722
Lages - Santa Catarina - Brasil
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UNIDADE 01
SETE LAGOAS - MG
Av. Prefeito Alberto Moura, Nº 2051A - Vale das Palmeiras
UNIDADE 02
IMPERATRIZ - MA
Av. Moacir Campos Milhomem, Nº 12 - Colina Park
UNIDADE 03
LAGES - SC
BR 116 - S/Nº, KM 247 - Área Industrial
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO
E TESTES
SÃO JOSÉ DO CERRITO - SC
Localidade de Bom Jesus
18 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Liderança renovada
A Amif (Associação Mineira da Indústria Florestal) elegeu, o novo Conselho Deliberativo que conduzirá a instituição
no período de 2026 a 2030. O encontro contou com a presença de lideranças das principais empresas mineiras
e nacionais do setor agroindustrial florestal, associadas à Amif. Segundo a Presidente Executiva da entidade,
Adriana Maugeri, a eleição reforça o compromisso da Associação com a continuidade, a governança e o fortalecimento
do setor florestal como motor estratégico da economia verde em Minas Gerais e no Brasil. O novo Conselho
será presidido pelo CEO da Cenibra - Celulose Nipo-Brasileira, Júlio Ribeiro, e reúne lideranças de empresas
associadas à Amif com representatividade dos diversos segmentos da cadeia produtiva florestal mineira. Além da
eleição, o encontro foi marcado pela apresentação do balanço anual da Amif e dos principais resultados da gestão
2021–2025, liderada pelo então presidente do Conselho e Diretor Industrial da Aperam Bioenergia, Edimar Cardoso,
que encerra seu ciclo à frente do colegiado ao final deste ano. Durante a assembleia de eleição, Adriana Maugeri
destacou o caráter de continuidade e fortalecimento institucional que marcará a nova gestão da Amif. “A palavra
mestra é continuidade. A Amif vem, nos últimos anos, com uma alavancagem muito interessante de resultados,
de comunicação, de representatividade, trazendo o setor florestal mineiro para lugares de aceitação, admiração e
conhecimento, especialmente nas pautas que mostram ser possível produzir muito e com muita conservação ambiental.
Seguimos trazendo desenvolvimento sustentável”, afirmou Adriana.
ROBUSTEZ COM A
MELHOR EQUIPE.
NOVO CONSELHO DELIBERATIVO DA AMIF (2026–2030)
Presidente:
• Júlio César Tôrres Ribeiro, Diretor-Presidente Executivo CEO da Cenibra.
Conselheiros titulares:
• Carlos Alberto Guerreiro, Diretor-Presidente da TTG Brasil.
• Bernardo Rosenthal, Diretor de Metálicos da ArcelorMittal Bioflorestas.
• Ricardo Moura, Diretor Comercial da Plantar.
• Henrique Zica, Diretor-Presidente da Minasligas.
• Daniel Kaukal, Diretor Florestal da Rima Industrial.
• André Dezanet, Gerente Geral da Vallourec Florestal.
• Sílvio Costa, CEO da LD Celulose.
• Ézio Santos, Diretor de Operações da Aperam Bioenergia.
Conselheiros suplentes:
• Ivan Fadel, CEO da Bionow.
• Arthur Santos, Diretor Executivo da SDS Siderúrgica.
• Leonardo Fernandes, Gerente Geral da Gerdau.
M550e-1300
Motor Bosch Rexroth
Rotor com diâmetro de 55 cm
Facas ou Martelos
Discos delimitadores de corte
Dois sistemas de rotores
Foto: divulgação
BRASIL
Excelência em Trituração Florestal
S P A R T A B R . C O M
11 97638.9945
20 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Definição clara
A publicação dos Cadernos da TSB (Taxonomia Sustentável
Brasileira) representa um marco regulatório que
busca orientar investimentos responsáveis e transparentes,
com forte impacto no segmento florestal. O setor de
produção florestal, integrado ao Cnae (Caderno Agricultura,
Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura),
foi contemplado com métricas específicas elaboradas por
42 pesquisadores da Embrapa, voltadas ao uso sustentável
do solo, manejo florestal e práticas que conciliem
produtividade e conservação. A TSB estabelece critérios
técnicos para classificar atividades como o plantio de eucalipto,
regeneração natural de florestas e manejo sustentável,
exigindo comprovação de boas práticas e vedando
o financiamento de desmatamentos e uso de agrotóxicos
altamente tóxicos. O documento reforça a importância
da conservação da vegetação nativa e da recuperação
de áreas degradadas, alinhando-se a programas como o
Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação
Nativa) e o ABC+, que incentivam sistemas integrados e
bioinsumos. Além de mitigar emissões de gases de efeito
estufa, a taxonomia busca garantir adaptação às mudanças
climáticas e fortalecer cadeias produtivas florestais
como insumo estratégico para energia, papel e biomassa.
O desafio está em aplicar critérios em escala nacional,
respeitando a diversidade regional e evitando exclusão de
pequenos produtores, ao mesmo tempo em que se promove
interoperabilidade com taxonomias internacionais.
Ao consolidar práticas sustentáveis no setor florestal, o
Brasil avança para se tornar referência global em silvicultura
responsável, equilibrando conservação ambiental,
competitividade econômica e inclusão social.
Fotos: divulgação Ministério da Fazenda
22 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Na palma da mão
O SFB (Serviço Florestal Brasileiro) lançou a nova versão do Painel da Regularização Ambiental,
plataforma digital que reúne e organiza dados consolidados do Sicar (Sistema de Cadastro Ambiental
Rural) para consulta pública, com navegação mais intuitiva e novos recursos de análise. O painel
apresenta informações obtidas a partir do Sicar, plataforma que integra dados declarados no CAR
(Cadastro Ambiental Rural) e apoia a operacionalização da regularização ambiental dos imóveis rurais
brasileiros. Nesta edição, os conteúdos foram reorganizados para tornar mais acessível a visualização
de informações-chave sobre a regularização ambiental rural. Entre os recortes disponíveis, o Painel
reúne dados sobre a evolução das solicitações de adesão aos PRA (Programas de Regularização Ambiental),
o andamento da análise dos cadastros e indicadores relacionados a passivos e excedentes de
Reserva Legal e de APP (Áreas de Preservação Permanente), entre outras informações correlatas. Segundo
Marcus Vinicius Alves, diretor de Regularização Ambiental Rural do SFB, essas melhorias reforçam
o compromisso com a transparência. “A política de dados abertos e o alinhamento às diretrizes
nacionais de governo digital, oferecendo à sociedade informações mais qualificadas e de maior valor,
essenciais para o acompanhamento e a compreensão das ações de regularização ambiental”, apontou
Marcus. A nova versão também incorpora funcionalidades desenvolvidas pelo SFB para ampliar as
formas de consulta e comparação dos dados. O painel passa a oferecer uma área explicativa com sub-
-abas, com orientações mais diretas sobre conteúdo, metadados, filtros e uso das funcionalidades. O
ambiente de consulta foi estruturado em diferentes seções, com panorama geral, dados detalhados
com filtros e mapa de calor interativo, uma área de dados tabulares que permite montar tabelas dinamicamente,
selecionar colunas e exportar os resultados, além de uma aba de gráficos que possibilita
criar e exibir até três visualizações na mesma tela para comparação de métricas e categorias.
Mais que fertilizantes,
cultivamos parcerias
de valor
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Foto: divulgação
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NOTAS
Parada obrigatória
O Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) informou que o período do Defeso Florestal 2026 tem
início nesta no dia 15 de janeiro e segue até 15 de maio, com a suspensão temporária das atividades de corte, arraste
e transporte de madeira em PMFS (Planos de Manejo Florestal Sustentável) no Estado. A restrição ocorre anualmente
durante o período chuvoso na região amazônica e está prevista na Portaria Ipaam número 001/2026, que seguiu para
publicação no DOE-AM (Diário Oficial do Estado do Amazonas). O objetivo é reduzir impactos ambientais, preservar
o solo e proteger a vegetação em um período de maior sensibilidade ecológica. De acordo com o diretor-presidente
do Ipaam, Gustavo Picanço, todos os PMFS (Planos de Manejo Florestal Sustentável) devidamente licenciados por
meio do Sinaflor (Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais) terão as atividades de exploração
florestal suspensas durante o defeso. “O defeso florestal é uma medida essencial para garantir o equilíbrio ambiental,
assegurar a sustentabilidade da atividade madeireira e permitir um controle mais eficiente por parte do órgão ambiental,
especialmente em um período crítico como o inverno amazônico”, elogiou Gustavo Picanço. Segundo a GECF
(Gerência de Controle Florestal) do Ipaam, aproximadamente 60 PMFS serão impactados pela suspensão. Os municípios
com maior concentração de PMFS são Novo Aripuanã (AM), Canutama (AM), Itapiranga (AM), Manicoré (AM) e
Lábrea (AM). “A partir do início do defeso, o sistema Sinaflor permanece bloqueado para novas declarações de corte,
o que impede a ampliação das atividades durante o período de restrição e contribui para o controle efetivo do manejo
florestal no estado”, explicou a gerente da GECF, Crystianne Bentes.
Foto: divulgação
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NOTAS
Eucalipto valorizado
Em Mato Grosso do Sul, o preço médio do metro cúbico empilhado de eucalipto clonal, conhecido como
metro estéreo, registrou aumento expressivo de 30,6% em um ano. Utilizado principalmente na produção de
celulose, o insumo passou de R$ 137,47 em novembro de 2024 para R$ 179,46 em novembro de 2025, na
modalidade árvore em pé com casca, segundo dados da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato
Grosso do Sul) divulgados no boletim Casa Rural – Florestas Plantadas.
O levantamento foi realizado com sete empresas de diferentes segmentos, abrangendo compradores e vendedores
de eucalipto nas regiões de Campo Grande (MS) e Três Lagoas (MS). A análise reforça que a valorização
da madeira está diretamente ligada ao crescimento da demanda da indústria de celulose, que tem ampliado
sua presença no Estado.
De acordo com o boletim, a construção de uma nova fábrica da Bracell em Bataguassu é um indicativo de
que o mercado seguirá aquecido. A expansão da capacidade industrial fortalece a procura por matéria-prima e
consolida Mato Grosso do Sul como um dos principais polos de produção florestal do país.
Atualmente, o estado possui 1,89 milhão de hectares cultivados com eucalipto, distribuídos em 74 municípios.
Ribas do Rio Pardo (MS) concentra a maior área, com 26,8% do total (506,5 mil hectares), seguido por Três
Lagoas, com 19,2% (362,8 mil hectares), e Água Clara (MS), com 10,5% (198,4 mil hectares), evidenciando a
força do cluster da celulose na região leste.
Foto: divulgação
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FRASES
Foto: divulgação
A floresta cresce em silêncio,
enfrentando vento, frio, seca
e até decisões políticas
imprevisíveis. E, mesmo
assim, segue firme. É um
símbolo perfeito do que nos
caracteriza: adaptabilidade,
consistência e visão de
longo prazo
Fabio Brun, presidente da Apre Florestas
(Associação Paranaense de Empresas de
Base Florestas)
“Há potencial muito
grande dessas espécies
nativas que já são
usadas pelo produtor no
dia a dia, mas não em
escala comercial. Isso
ajuda não só na questão
econômica, mas
também na preservação
das espécies”
“Queremos transformar
esta missão, que foi
realizada com sucesso,
no primeiro passo
de um ciclo contínuo
de cooperação,
aprendizado e inovação
entre os dois países”
Lucas Amaral de Melo, professor das Ciências
Florestais da Ufla (Universidade Federal
de Lavras), sobre projeto que amplia o
reflorestamento com nativas
Adriana Maugeri, presidente da Amif
(Associação Mineira da Indústria Florestal),
sobre a missão organizada para abrir
mercados na China
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ENTREVISTA
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Florestas,
POLÍTICA E
MERCADO
Forests, politics,
and the market
O
setor florestal brasileiro é moldado por decisões
políticas que ocorrem nos bastidores de Brasília
(DF). Para compreender essa engrenagem,
conversamos com Fernando Castanheira Neto,
Engenheiro Florestal e doutor em Ciência Política. Com uma
carreira consolidada no poder público, ele acumulou experiências
estratégicas no MMA (Ministério do Meio Ambiente),
Ministério da Agricultura e no SFB (Serviço Florestal Brasileiro).
Castanheira analisa como a estrutura do Estado e a falta de
representatividade técnica impactam o fomento e a segurança
jurídica, oferecendo uma visão privilegiada sobre os desafios
de formular e implementar políticas públicas em um setor vital
para o desenvolvimento nacional.
T
he Brazilian Forestry Sector is shaped by political
decisions made in Brasília (DF). To gain insight into
this, we interviewed Fernando Castanheira Neto,
a forestry engineer who holds a PhD in Political
Science. Having enjoyed a successful career in public service, he
gained valuable experience at the Ministry of the Environment
(MMA), the Ministry of Agriculture, and the Brazilian Forest
Service (SFB). Castanheira analyses how the Brazilian structure
and the lack of technical representation affect promotion and
legal certainty, offering a privileged view of the challenges
involved in formulating and implementing public policies in a
sector vital to national development.
Foto: Emanoel Caldeira
ENTREVISTA
Fernando
Castanheira Neto
Engenheiro Florestal com mestrado e doutorado em Ciências
Florestais pela Universidade de Brasília, além de especialização
em gestão ambiental e ordenamento territorial. Ocupou o cargo
de Coordenador-Geral de Fomento e Inclusão Florestal no SFB
(Serviço Florestal Brasileiro). Atuou em órgãos estratégicos
como Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente,
Secretaria de Assuntos Estratégicos e entidades setoriais ligadas
à gestão florestal e hoje é concultor independente.
Forestry engineer who earned his Master’s and Doctoral degrees
in Forest Sciences from the University of Brasília. He also
specialized in environmental management and land use planning.
He was the General Coordinator of Forestry Development
and Inclusion at the Brazilian Forest Service. He has worked
with strategic bodies, such as the Ministry of Agriculture and
the Secretariat for Strategic Affairs, in sectors related to forest
management. He is currently an independent consultant.
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ENTREVISTA
>> De que forma a Engenharia Florestal e o seu doutorado
moldaram a sua atuação em políticas públicas?
Ao olhar para trás, vejo que a Engenharia Florestal foi um
verdadeiro presente; não me vejo em outra profissão. Não
apenas pelo sobrenome Castanheira, mas porque foi um divisor
de águas. Sempre fui feliz e soube que estava na profissão
certa. Sempre gostei, principalmente, de alinhar as áreas.
Embora respeite a biologia e a ecologia integrais, a engenharia
me moldou no sentido de aliar o conhecimento técnico à
aplicação. Ali me encontrava como profissional, dando uma
contribuição efetiva à sociedade. O Estado investiu na minha
formação, fiz universidade pública, mestrado e doutorado, e
me encontrei como profissional. O termo Engenharia sempre
foi muito forte para mim. Engenharia é o passo do zero. É preciso
engenheirar. Não existe engenharia da conservação; isso
é ciência da conservação. A engenharia precisa de aplicação,
e isso sempre me orientou. Fiz o mestrado em Tecnologia da
Madeira e o doutorado em Ciências Políticas. Esta última escolha
ocorreu porque, estando em Brasília (DF), percebi a pouca
preponderância da Engenharia Florestal nas políticas públicas.
No Brasil, os cursos tratam de política florestal, mas em Brasília
deveríamos ter uma força maior e mais engenheiros inseridos
no processo. O que vemos são muitos engenheiros florestais
tornando-se servidores públicos e perdendo o vínculo com a
engenharia técnica de uso sustentável para se tornarem apenas
analistas institucionais.
>> Quais passagens da sua trajetória profissional foram decisivas
para sua atuação no fomento florestal?
Comecei minha atividade em 1995, no MMA (Ministério do
Meio Ambiente), atuando na Política Nacional da Borracha.
Foi interessante ir a campo e observar a aplicação das políticas
públicas na prática, vendo como uma agenda de manejo de
florestas nativas na região norte influencia a vida real das pessoas.
Brasília parece uma ilha e, às vezes, não temos a dimensão
do impacto das nossas decisões; vivenciar isso de perto foi
fundamental. Minha trajetória sempre foi voltada às políticas
públicas. Embora nem sempre como servidor concursado, passei
mais de metade dos meus 30 anos de carreira dentro do
governo: MMA, Ministério da Agricultura e Secretaria de Assuntos
Estratégicos da Presidência da República. Em 2000, fui
para o setor privado trabalhar com a defesa de interesses do
setor florestal em Brasília. Fiquei 11 anos como executivo do
Fórum Nacional de Base Florestal. Em 2011, recebi o convite
para voltar ao governo, na SAE, para formular a Política de Florestas
Plantadas. Conseguimos criar o decreto em 2014, reintroduzindo
o setor florestal no Ministério da Agricultura. Posteriormente,
fui para o Ministério da Agricultura implementar
essa política, mas o cenário mudou por motivos políticos
durante a gestão da Ministra Kátia Abreu e o impeachment da
Presidente Dilma. Após concluir o doutorado em 2019, atuei
no SFB (Serviço Florestal Brasileiro) até setembro de 2024. Foi
uma experiência bacana por ser uma agência implementadora
de fomento. Agora, volto ao setor privado para aplicar o conhecimento
na prática. Gosto da engenharia aplicada. O setor
How did your training in forestry engineering and your
doctorate influence your work in public policy?
Looking back, I realize that studying Forestry Engineering
was a real gift. I cannot imagine myself doing anything else.
It was not just because of my surname, Castanheira, but
because it was a turning point. I have always been happy
in my career and have always known I was in the right profession.
Above all, I have always enjoyed aligning the areas.
Although I respect biology and ecology, it was engineering
that shaped me by combining technical knowledge with
application. It was there that I found my professional identity
and made an effective contribution to society. The State
invested in my education: I attended a public university,
earned a Master’s and a Doctorate, and found my professional
identity. The term ‘engineering’ has always held great
power for me. Engineering is the first step. You have to engineer.
There is no such thing as conservation engineering —
that is, conservation science. Engineering requires application,
and this has always guided me. I completed a Master’s
degree in Wood Technology and a PhD in Political Science.
I chose the latter because, while in Brasília, I realized how
little influence forest engineering had on public policy. In
Brazil, courses focus on forest policy, but we should have a
stronger presence in Brasília and more engineers involved
in the process. Instead, many forest engineers become civil
servants, losing their connection to technical engineering for
sustainable use and becoming merely institutional analysts.
Which stages of your professional career were decisive for
your work in promoting Forestry?
I started my career in 1995 at the Ministry of the Environment
(MMA), working on the National Rubber Policy. It was
interesting to go into the field and observe the practical
application of public policies, and see how a native forest
management agenda in the eastern region influences people’s
lives. Brasília can seem like an island, and sometimes
we do not realize the full impact of our decisions. Experiencing
this first-hand was crucial. My career has always focused
on public policy. Although not always as a civil servant, I
have spent more than half of my 30-year career working for
the government in various roles: The MMA, the Ministry of
Agriculture, and the Secretariat of Strategic Affairs of the
Presidency of the Republic. In 2000, I moved to the Private
Sector to defend the Forestry Sector’s interests in Brasília. I
then spent 11 years as an executive at the National Forestry
Forum. In 2011, I was invited to return to the Government to
formulate the Planted Forest Policy at the SAE. In 2014, we
succeeded in creating the decree that reintroduced the Forestry
Sector to the Ministry of Agriculture. I then moved to
the Ministry of Agriculture to implement this policy, but the
situation changed for political reasons during Minister Kátia
Abreu’s administration and President Dilma’s impeachment.
After completing my doctorate in 2019, I worked at the
Brazilian Forest Service (SFB) until September 2024. It was
a valuable experience, as it is an agency responsible for
34 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
privado é quem realmente arrisca, enquanto o setor público,
muitas vezes, sofre com a falta de conexão com a realidade e
com a fragmentação do poder.
>> Que aprendizados a experiência em diferentes órgãos
trouxe para a formulação de políticas?
O maior aprendizado é a resiliência. No poder público, ganha
e perde, mas nada é feito sozinho e não existe bala de prata. O
aprendizado sobre como funciona a engrenagem de Brasília é
enriquecedor. Temos os líderes de primeiro e segundo escalão
que aparecem na mídia, mas quem mantém as políticas vivas é
o nível médio: servidores de carreira que estão lá há 20, 30 ou
40 anos. Entender essa dinâmica é vital, pois ministros e secretários
mudam, e cada novo gestor traz uma vertente própria. É
preciso persistência e a compreensão de que a alternância de
poder faz parte da democracia. Sinto muita falta de engenheiros
florestais nesse ecossistema político. O setor produtivo, na
ponta, muitas vezes não entende Brasília e acaba terceirizando
sua representação, o que é um erro. Hoje, o Executivo ainda é
pesado, mas tem menos força de direção e sofre com muitas
contraforças. O Legislativo possui um rito e uma estratégia de
negociação muito próprios, que precisam ser compreendidos.
Já o Judiciário ganhou um protagonismo que, a meu ver, não
deveria ter, agindo por vezes como um terceiro poder em vez
de mediador. Isso gera incerteza jurídica. O aprendizado final é
que é preciso entender o contexto macro. O governo não enxerga
o setor florestal como um todo, mas sim como segmentos:
política industrial, política agrícola, etc. Precisamos nos
entender melhor dentro desse contexto para que a engenharia
florestal tenha a relevância que merece.
>> Existem gargalos estruturais do setor florestal brasileiro?
O setor florestal brasileiro enfrenta desafios profundos que
partem, primordialmente, de uma perda da visão sistêmica
sobre a sua importância. Atualmente, nota-se que as políticas
públicas são elaboradas com foco excessivo na base produtiva,
como o local de plantio e as técnicas de manejo, mas
negligenciam a conexão vital entre a indústria, o mercado e a
sociedade. Essa desconexão é um reflexo do enfraquecimento
de uma imagem que já foi muito forte. Na década de 1960, a
implementing development projects. I am now returning to
the Private Sector to apply my knowledge in practice. I enjoy
applied engineering. The Private Sector is the one that really
takes risks, whereas the Public Sector often suffers from a
lack of connection with reality and fragmented power.
What lessons did your experience of working in different
agencies teach you about policymaking?
The most important lesson is the value of resilience. In
public office, you have successes and failures, but nothing
is achieved alone, and there is no magic solution. Learning
how Brasília’s bureaucracy works is enriching. While we
have first- and second-tier leaders who appear in the media,
it is the middle level that keeps policies alive: career civil
servants who have been there for 20, 30, or even 40 years.
Understanding this dynamic is vital because ministers and
secretaries change, and each new manager brings their own
perspective. You need persistence and an understanding
that alternation of power is part of democracy. I really miss
forest engineers in this political ecosystem. Those at the
forefront of the Productive Sector often do not understand
Brasília and end up outsourcing their representation, which
is a mistake. Currently, the Executive Branch remains significant,
but it has less steering power and is subject to many
countervailing forces. The Legislative Branch has its own rituals
and negotiation strategies that need to be understood.
The Judiciary, on the other hand, has gained prominence
that I believe it should not have, sometimes acting as a third
power rather than a mediator. This creates legal uncertainty.
The final lesson is that we need to understand the macro
context. The Government does not view the Forestry Sector
as a whole, but rather through individual policies such as industrial
and agricultural policy. Within this context, we need
to understand each other better so that forestry engineering
has the relevance it deserves.
Are there structural bottlenecks in the Brazilian Forestry
Sector?
The Brazilian Forestry Sector faces profound challenges
primarily stemming from a loss of systemic vision regarding
O setor privado é quem realmente arrisca, enquanto o setor
público, muitas vezes, sofre com a falta de conexão com a
realidade e com a fragmentação do poder
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ENTREVISTA
política florestal era orientada por objetivos industriais claros
para suprir setores como o naval e o siderúrgico, mas hoje essa
clareza se perdeu. Como resultado, a sociedade desenvolveu
uma percepção negativa, muitas vezes acreditando que o fim
do setor florestal seria benéfico para a natureza, ignorando
que o uso sustentável da madeira é uma das soluções mais
eficazes para a atual agenda de sustentabilidade global. Outro
ponto crítico é o isolamento do setor florestal em relação ao
planejamento rural. Historicamente vinculado à agricultura, o
setor acabou sendo confinado a uma caixa ambiental após a
criação do Ibama em 1989. Isso fez com que o produtor rural
passasse a enxergar a floresta apenas como um empecilho
burocrático, representado pela Reserva Legal ou pelas Áreas
de Preservação Permanente, em vez de vê-la como um ativo
econômico. É urgente que a floresta seja reinserida na estratégia
de desenvolvimento rural, permitindo que pequenos e
médios produtores vejam o plantio florestal como uma extensão
lucrativa de seus negócios. Somado a isso, o Brasil carece
de uma estratégia nacional de produção consolidada. Sem o
funcionamento pleno de um programa como o antigo Programa
Nacional de Florestas, o país foca na punição e no combate
ao desmatamento, mas não oferece um norte para a produção
sustentável, deixando estados e municípios desorientados. Por
fim, a falta de dados estruturados e informações confiáveis impede
que o setor demonstre sua verdadeira relevância. O SNIF
(Sistema Nacional de Informações Florestais) é pouco utilizado
e não há números precisos e centralizados sobre quem planta,
o que planta e quando haverá colheita. Sem estatísticas claras
sobre a participação do setor no PIB (produto interno bruto),
na construção civil e na geração de energia, torna-se quase
impossível comunicar a importância do segmento para a sociedade
ou negociar prioridades com o governo. Essa ausência de
transparência e de uma comunicação eficiente faz com que o
setor permaneça invisível, apesar de sua enorme contribuição
econômica.
>> A nossa legislação ainda é um entrave para a competitividade
do setor?
No que diz respeito ao ambiente legal, a legislação brasileira
não deve ser vista como um erro aleatório, mas como um processo
complexo que reflete a participação, ou a falta dela, dos
envolvidos. A incerteza jurídica é um dos principais entraves,
especialmente porque o investimento florestal possui um ciclo
de maturação muito longo. Qualquer alteração nas normas
durante esse período gera insegurança, mas esse é um risco
inerente ao negócio que o setor precisa aprender a gerir por
meio de uma organização mais robusta. O cenário atual é de
extrema complexidade, pois o setor é impactado por uma
teia de regulamentações que vão desde normas trabalhistas e
econômicas até exigências internacionais rigorosas, como as
novas regras europeias sobre áreas desmatadas. A fragilidade
da representatividade política do setor agrava esse quadro. É
raro que o setor apresente uma agenda unificada e clara aos
ministérios, o que resulta em gestores públicos que conhecem
apenas as grandes indústrias de celulose e desconhecem a
its importance. Public policies currently have an excessive
focus on the productive base, such as planting locations and
management techniques, but neglect the vital connection
between industry, the market, and society. This disconnect
reflects the weakening of an image that was once very
strong. In the 1960s, forestry policy was guided by clear
industrial objectives to supply sectors such as shipbuilding
and steel. Today, however, that clarity has been lost. Consequently,
society has developed a negative perception, often
believing that the end of the Forestry Sector would benefit
nature, despite the fact that the sustainable use of wood
is one of the most effective solutions to the current global
sustainability agenda. Another critical issue is the Forestry
Sector’s isolation from rural planning. Historically linked to
agriculture, the Sector was confined to an environmental
remit after Ibama was created in 1989. This has led rural
producers to view forests merely as bureaucratic obstacles
represented by Legal Reserves or Permanent Preservation
Areas, rather than as economic assets. It is urgent that
forests be reinserted into rural development strategies,
enabling small and medium-sized producers to view forest
planting as a profitable extension of their businesses. Furthermore,
Brazil lacks a consolidated national production
strategy. Without a program like the former National Forest
Program in place, the Country is focusing on punishing and
combating deforestation without offering guidance on sustainable
production, which leaves states and municipalities
feeling disoriented. Finally, the lack of structured data and
reliable information prevents the Sector from demonstrating
its true relevance. The National Forest Information System
(SNIF) is rarely used, and there are no accurate, centralized
figures on who is planting what and when they will harvest
it. Without clear statistics on the Sector’s share of GDP,
building construction, and energy generation, it is almost
impossible to communicate its importance to society or negotiate
priorities with governments. This lack of transparency
and efficient communication renders the sector invisible,
despite its enormous economic contribution.
Is our legislation still hindering the Sector’s competitiveness?
Regarding the legal environment, Brazilian legislation
should not be viewed as an arbitrary error, but rather
as a complex process reflecting the involvement, or lack
thereof, of those affected. Legal uncertainty is one of the
main obstacles, particularly given the very long maturation
cycle of forestry investment. Any changes in regulations
during this period create uncertainty, but this is an inherent
business risk that the Sector needs to learn to manage
through a stronger organization. The current scenario is
extremely complex as the Sector is affected by a web of
regulations ranging from labor and economic standards to
strict international requirements such as the new European
rules on deforested areas. The Sector’s political representation
is fragile, which exacerbates this situation. The Sector
38 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
realidade de outros segmentos, como o de madeira serrada e
compensados. Além disso, a implementação lenta de instrumentos
como o Código Florestal e o CAR (Cadastro Ambiental
Rural) trava o acesso ao crédito e a novas normatizações ambientais.
Frequentemente, o setor se vê diante de propostas
legislativas sem embasamento técnico, como a classificação de
espécies produtivas como invasoras ou restrições de manejo
infundadas. Em última análise, percebe-se que a agenda de
restrição ambiental tem avançado com muito mais velocidade
do que a agenda de fomento produtivo. O setor florestal precisa
observar o exemplo do agronegócio e ocupar espaços de
decisão dentro do poder público para negociar de igual para
igual. Sem uma estratégia de desenvolvimento que equilibre a
proteção com a produção, e sem uma presença ativa nas mesas
de negociação em Brasília, o setor continuará sendo pautado
por visões restritivas que ignoram o impacto econômico e
social da engenharia florestal no Brasil.
>> No fomento florestal, quais são as maiores dificuldades
para integrar pequenos e médios produtores às cadeias produtivas?
A dificuldade de integrar o pequeno e o médio produtor ao
setor florestal passa, primeiramente, pela natureza do risco
associado à atividade. Diferente de uma cultura agrícola anual,
onde o produtor pode mudar de estratégia rapidamente caso
o mercado não favoreça, a floresta exige um horizonte de investimento
de cinco, sete ou até vinte anos. Esse travamento
da terra por longos períodos afasta quem tem menos fôlego financeiro.
Para equilibrar essa balança, seria necessário um fomento
muito mais robusto do que o que temos hoje. No centro-sul
do país, por exemplo, o fim da produção de araucária
tornou o pinus a principal solução para madeira serrada, mas o
pequeno produtor ainda carece de incentivos para adotar essa
cultura de forma segura. Além do risco temporal, o acesso ao
crédito e ao seguro florestal é extremamente restrito. Atualmente,
o produtor rural encontra pouquíssimo amparo nas linhas
de crédito subsidiado e mesmo os fundos constitucionais
das regiões norte, nordeste e centro-oeste são subutilizados.
Isso ocorre tanto pela falta de informação que não chega à
ponta quanto pela carência de uma extensão rural eficiente.
Existe um vácuo entre a academia, os profissionais técnicos
e o produtor. Um movimento interessante tem surgido nos
sistemas agroflorestais, onde a restauração produtiva começa
a atrair crédito, mas no setor florestal tradicional de produção,
a resposta ainda é lenta. Produzir madeira significa colocar o
pescoço na reta, e sem uma parceria sólida entre ciência, extensão
e indústria para garantir a compra dessa matéria-prima,
o pequeno produtor continuará à margem do processo.
>> Como avalia a segurança jurídica para novos plantios florestais
e projetos de restauração no Brasil?
A insegurança jurídica no Brasil é um problema estrutural que
transcende o setor florestal, estando profundamente enraizada
na questão fundiária não resolvida. No entanto, o setor
florestal sofre mais por sua falta de representação e apoio
40 www.referenciaflorestal.com.br
rarely presents a unified, clear agenda to ministries, leaving
public managers only familiar with large pulp and paper
industries and unaware of the realities of other segments,
such as sawn wood and plywood. Furthermore, the slow
implementation of instruments such as the Forest Code and
the Rural Environmental Registry (CAR) hinders access to
credit and new environmental regulations. The Sector often
faces legislative proposals lacking a technical basis, such as
classifying productive species as invasive or imposing unfounded
management restrictions. Ultimately, it is clear that
the environmental restriction agenda has advanced much
more quickly than the productive development agenda.
To negotiate on equal terms, the Forestry Sector needs to
follow agribusiness’s example and secure decision-making
spaces within the Government. Without a development
strategy that balances protection with production and an
active presence at negotiating tables in Brasília, the Sector
will continue to be guided by restrictive views that overlook
the economic and social impact of forestry engineering in
Brazil.
What are the biggest challenges in integrating small and
medium-sized producers into production chains in forestry
promotion?
The main challenge in integrating small and medium-sized
producers into the Forestry Sector is the inherent risk of
the activity. Unlike with annual agricultural crops, where
producers can quickly change strategy if the market is
unfavorable, forestry requires an investment horizon of
5, 7, or even 20 years. This long-term commitment to the
land is a deterrent for those with fewer financial resources.
To balance this, a much more robust promotion than we
have today would be necessary. In the Center-south of the
Country, for instance, the end of araucaria production has
made pine the main source of sawn wood, yet small-scale
producers still lack the incentives to adopt this crop safely. In
addition to temporal risk, access to credit and forest insurance
is extremely limited. Currently, rural producers receive
very little support through subsidized credit lines, and even
constitutional funds in the Northern, Northeastern, and
Midwestern Regions are underutilized. This is due to a combination
of insufficient information reaching the end user
and the absence of efficient rural extension services. There
is a disconnect between academia, technical professionals,
and producers. An interesting movement has emerged in
agroforestry systems where productive restoration is beginning
to attract investment, but the response in the traditional
Forestry Production Sector is still slow. Producing wood
is a risky business, and without solid partnerships between
science, extension services, and industry to guarantee the
purchase of this raw material, small-scale producers will
continue to be marginalized.
What is your assessment of the legal certainty surrounding
new forest plantations and restoration projects in Brazil?
MUDAS DE
Pinus taeda
TEMOS TAMBÉM
• Araucária Enxertada
Produção precoce de pinhão
• Nativas spp.
• Eucalyptus spp.
• Erva-Mate
viveiro_florestal_duffatto
BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC
ENTREVISTA
institucional em Brasília. Enquanto o agronegócio possui frentes
parlamentares fortes que defendem seus interesses diante
das mudanças constantes nos acordos sociais e modelos de
sociedade, o setor florestal muitas vezes assiste passivamente
às decisões que o afetam. O ambiente de insegurança não
deve diminuir, pois a sociedade está em constante evolução,
transitando de um modelo puramente mercantilista para um
cenário de maiores exigências socioambientais. Nesse contexto,
o setor é visto ora como vilão, ora como solução, e apenas
uma organização mais profissional da nossa voz nos poderes
públicos poderá garantir que o uso sustentável da madeira
seja ouvido. Essa discussão se conecta diretamente com a
agenda da restauração, que representa uma oportunidade
histórica para o Brasil. O mundo está em uma fase de retomada
florestal após séculos de depreciação de ativos naturais
para o desenvolvimento. O grande desafio brasileiro é decidir
se focará na restauração puramente ecológica ou na restauração
produtiva. O país é pobre e não pode se dar ao luxo de
restaurar florestas apenas para o sequestro de carbono sem
gerar economia, emprego e renda no campo. A madeira está
na moda e sua demanda cresce em agendas de transição energética
e construção sustentável. Contudo, projetos focados exclusivamente
em carbono trazem riscos desconhecidos, como
a responsabilidade financeira em caso de incêndios ou roubos
de madeira. Por isso, a restauração produtiva, que gera ativos
e permite o uso sustentável, é o caminho mais seguro para o
desenvolvimento rural positivo.
>> Qual foi o impacto do tarifaço do governo americano em
2025 sobre o setor florestal brasileiro?
O impacto é alarmante, com quedas que já superam cinquenta
por cento nas exportações de alguns segmentos. O mercado
americano de pinus, por exemplo, é extremamente técnico
e específico; não se muda o fluxo de mercadorias de um país
para outro com a facilidade de quem negocia uma carga de
soja. O governo norte-americano puxou a corda para forçar
negociações e, infelizmente, o Brasil não demonstrou o protagonismo
necessário na defesa de seus interesses florestais.
Sentimos a falta de uma ação conjunta entre o Ministério da
Agricultura e o setor produtivo para negociar termos mais
favoráveis, como ocorreu com outros produtos que foram
isentos por serem essenciais para a indústria deles, e não
por mérito de uma defesa diplomática brasileira proativa.
O cenário torna-se ainda mais nebuloso diante das sanções
comerciais adicionais baseadas em segurança nacional e da
postura protecionista que ganha força no mundo. Para agravar
a situação, o Brasil entra agora em um ano eleitoral, o que
tradicionalmente esvazia os ministérios e diminui o poder de
barganha do governo em fóruns internacionais. Muitas empresas
já estão fechando postos de trabalho e o impacto real
dessa crise só será totalmente compreendido daqui a algum
tempo. Sem uma agenda proativa de negociação internacional
e uma defesa comercial aguerrida, o setor florestal brasileiro
corre o risco de perder mercados conquistados a duras penas,
sofrendo as consequências de uma instabilidade que mistura
Legal uncertainty is a structural problem in Brazil that
transcends the Forestry Sector and is deeply rooted in
the unresolved land issue. However, the Forestry Sector
is affected more severely due to its lack of representation
and institutional support in Brasília. While agribusiness has
strong parliamentary fronts that defend its interests amid
constant changes in social agreements and societal models,
the Forestry Sector is often passive in the face of decisions
that affect it. This environment of uncertainty is unlikely to
diminish as society constantly evolves and transitions from
a purely mercantilist model to one with greater socio-environmental
demands. In this context, the Forestry Sector
is sometimes seen as the villain and at other times as the
solution. Only a more professional organization of our voice
within public authorities can ensure that the sustainable
use of timber is heard. This discussion is directly connected
to the restoration agenda, which represents a historic
opportunity for Brazil. After centuries of the depreciation of
natural assets for development, the world is in a phase of
forest recovery. Brazil’s great challenge is deciding whether
to prioritize purely ecological or productive restoration. As
a poor country, Brazil cannot afford to restore forests solely
for carbon sequestration without also generating economic
growth, employment, and income in rural areas. Demand
for wood is growing amid the energy transition and sustainable
construction. However, projects focused exclusively on
carbon sequestration carry unknown risks, such as financial
liability in the event of fires or timber theft. Therefore,
productive restoration, which generates assets and enables
sustainable use, offers the greatest potential for positive
rural development.
What impact did the US government’s tariff hike in 2025
have on the Brazilian Forestry Sector?
The impact is alarming, with export figures in some segments
already down by over fifty percent. The US pine market,
for example, is highly technical and specific. You cannot
easily change the flow of goods from one country to another
as you can with soybeans. The US government pulled the
strings to force negotiations, but unfortunately, Brazil did
not demonstrate the necessary leadership in defending its
forestry interests. There has been a lack of joint action between
the Ministry of Agriculture and the Productive Sector
to negotiate more favorable terms, as occurred with other
products that were exempted because they were essential
to their industries, rather than because of proactive Brazilian
diplomatic defense. The situation is further complicated
by additional trade sanctions based on national security
and by the growing global protectionist stance. To make
matters worse, Brazil is now entering an election year, which
traditionally leads to ministries being depleted of staff and
reduces the Government’s bargaining power in international
forums. Many companies are already cutting jobs, and the
real impact of this crisis will only become apparent over
time. Without a proactive international negotiation agenda
42 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
o humor político global com a desarticulação interna do nosso
próprio governo.
>> Esse episódio reforçou a necessidade de diversificação de
mercados e agregação de valor?
Episódios de protecionismo, como o que vimos recentemente
no mercado norte-americano, servem como um alerta para
a necessidade de diversificação. Embora o mercado dos EUA
(Estados Unidos da América) seja atraente por ser estável e pagar
bem, choques dessa natureza, os chamados cisnes negros,
mostram que depender de um único parceiro é arriscado. No
entanto, diversificar não é tão simples quanto parece. Muitas
vezes, o empresário busca novos horizontes, como a Ásia, mas
enfrenta barreiras sanitárias inconstantes, preços mais baixos
e falta de reconhecimento de normas técnicas. Além disso,
falar em agregação de valor exige uma análise de custo-benefício
realista. É comum ouvirmos que o Brasil deveria exportar
móveis em vez de madeira bruta, mas, na prática, a taxação
internacional sobre o produto acabado é muito maior, o que
muitas vezes torna a exportação de matéria-prima mais viável
economicamente. O Brasil é um gigante que ainda participa
muito pouco do comércio global de madeira, representando
apenas cerca de 3,5% do mercado. Isso revela uma falta de
estratégia de país. Temos um território vasto, com áreas plantadas
que não chegam a 1,2% do território nacional e 40%
de cobertura de florestas nativas que poderiam abastecer o
mundo com madeira de altíssima qualidade. O problema central
é a desorganização. Enquanto o setor move bilhões, ainda
não possuímos programas de promoção comercial robustos
na Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos),
como outros segmentos já possuem há décadas.
Precisamos utilizar melhor as ferramentas diplomáticas, como
os adidos agrícolas em embaixadas, para abrir mercados de
forma estratégica. Ir para o mercado internacional sem organização
é o início do fim; o setor precisa de planos consistentes
para que a diversificação seja uma fortaleza, e não uma aventura
arriscada.
>> Acerca do papel do Estado no fortalecimento do setor florestal
diante de um cenário internacional instável, como agir?
A relação entre o setor florestal e o Estado brasileiro hoje é
marcada por um atrito constante, onde o poder público é
frequentemente visto como um inimigo que busca apenas
regular e punir, em vez de fomentar. No entanto, grande parte
dessa visão negativa existe porque o setor não se faz presente
dentro das estruturas governamentais. O Estado não é uma
entidade abstrata, ele é composto por pessoas e processos de
negociação. Se não temos engenheiros florestais ou lideranças
do setor em cargos de ministros, secretários ou diretores,
e se não temos uma base parlamentar forte no Congresso,
acabamos sendo pautados por outros interesses. O próprio
agronegócio, embora parceiro em muitos aspectos, compete
por terras e recursos, e sua representatividade é o que garante
sua vantagem competitiva. Para mudar esse cenário, o setor
florestal precisa apresentar argumentos técnicos e científicos
44 www.referenciaflorestal.com.br
and robust trade defense, the Brazilian Forestry Sector risks
losing hard-won markets and suffering instability stemming
from the combination of the global political mood and the
internal disorganization of our own government.
Did this episode reinforce the need for market diversification
and added value?
Episodes of protectionism, such as those recently seen in the
US market, highlight the need for diversification. While the
US market is appealing due to its stability and high returns,
shocks of this nature, known as ‘black swans’, demonstrate
the risks of relying on a single partner. However, diversification
is not as simple as it seems. Entrepreneurs often seek
new horizons, such as Asia, but face inconsistent sanitary
barriers, lower prices, and a lack of recognition of technical
standards. Furthermore, when assessing value, a realistic
cost-benefit analysis is required. While we often hear that
Brazil should export furniture rather than raw wood, international
taxation on finished products is generally much
higher, often making the export of raw materials more economically
viable. Brazil is a giant that still participates very
little in the global timber trade, accounting for only around
3.5% of the market. This reveals the Country’s lack of strategy.
We have a vast territory with planted areas accounting
for less than 1.2% of the national territory, yet 40% of the
land is covered by native forests that could supply the world
with high-quality wood. The central problem is disorganization.
Although the Sector generates billions, the Brazilian
Trade and Investment Promotion Agency (Apex) still lacks
a robust trade promotion program, unlike other sectors,
which have had them for decades. We must make better use
of diplomatic tools, such as agricultural attachés at embassies,
to strategically open markets. Without organization,
entering the international market is the beginning of the
end; the Sector needs consistent plans so that diversification
becomes a strength rather than a risky venture.
In the face of an unstable international scenario, how
should the State strengthen the Forestry Sector?
The relationship between the Forestry Sector and the Brazilian
State is currently characterized by ongoing conflict. The
Government is often perceived as an adversary that seeks to
regulate and penalize rather than promote. However, much
of this negative perception stems from the Sector’s lack of
representation in governmental structures. The State is not
an abstract entity; it is made up of people and negotiation
processes. Without forestry engineers or industry leaders in
ministerial, secretarial, or directorial positions, and without
a strong parliamentary base in Congress, we end up being
guided by other interests. Although agribusiness is a partner
in many respects, it competes for land and resources, and
its representation guarantees its competitive advantage.
To change this situation, the Forestry Sector must present
solid technical and scientific arguments. Simply saying we
generate jobs is not enough; we need to address sensitive
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ENTREVISTA
sólidos. Não basta dizer que geramos emprego; é preciso
contra-argumentar com ciência questões sensíveis, como o
debate sobre espécies exóticas ou certificações florestais. Precisamos
nos organizar para que o Estado seja um parceiro no
desenvolvimento industrial e ambiental. O setor florestal entra
de forma positiva na agenda de sustentabilidade, preservando
Reservas Legais e Parceria Público Privadas, e oferecendo
tecnologias de baixo carbono. Contudo, sem comunicação
eficiente e sem participação ativa na formulação das políticas,
continuaremos sendo vistos com desconfiança. O Estado deve
ser parte do setor, e o setor deve ser parte do Estado.
>> E sobre as perspectivas e prioridades para o futuro do setor
florestal brasileiro?
Falar em perspectivas para o futuro é um desafio diante de
um ambiente interno e externo extremamente fluido. O ano
de 2026 é marcado por incertezas eleitorais e por um cenário
geopolítico conturbado por conflitos globais que afetam diretamente
o comércio. Nesse contexto de incerteza, a regra deve
ser a prontidão e a clareza de propostas. A prioridade imediata
para o setor florestal brasileiro deve ser a organização de uma
proposta unificada para apresentar aos candidatos à presidência.
É necessário definir o que queremos para os próximos
trinta anos, garantindo que o setor tenha uma orientação de
longo prazo que sobreviva às alternâncias de governo. Precisamos
de metas claras para aumentar nossa participação no
mercado global de forma sustentável. Acordos internacionais,
como o do Mercosul, trazem oportunidades, mas também
impõem custos de conformidade que podem excluir pequenos
e médios produtores se não houver um suporte estratégico.
A oportunidade está aberta, especialmente com a abertura
de novos mercados e a valorização de ativos ambientais, mas
o sucesso dependerá da nossa capacidade de organização. O
setor de celulose já mostrou o caminho da liderança global;
agora, é o momento de levarmos essa mesma excelência para
a madeira sólida e para a restauração produtiva, consolidando
o Brasil como a maior potência florestal do século XXI.
issues, such as the debate over exotic species or forest
certifications, with scientific evidence. We must organize
ourselves so that the state becomes a partner in industrial
and environmental development. The Forestry Sector
is positively contributing to the sustainability agenda by
preserving Legal Reserves, supporting Public-Private Partnerships,
and offering low-carbon technologies. However,
without effective communication and active participation in
policymaking, we will continue to be viewed with suspicion.
The State must be part of the Sector, and the Sector must be
part of the State.
What are the prospects and priorities for the future of the
Brazilian Forestry Sector?
It is challenging to talk about prospects for the future in the
face of an extremely fluid internal and external environment.
The year 2026 is characterized by electoral uncertainties
and a geopolitical landscape marred by global conflicts
that directly impact trade. In this context of uncertainty,
readiness and clarity of proposals should be the rule. The
Brazilian Forestry Sector’s immediate priority should be to
organize a unified proposal to present to the presidential
candidates. We must define our goals for the next 30 years
to ensure the Sector maintains a long-term orientation
that withstands changes in government. We must set
clear, sustainable goals to increase our share of the global
market. While international agreements such as Mercosur
bring opportunities, they also impose compliance costs that
could exclude small and medium-sized producers without
strategic support. There is an opportunity, especially given
the opening of new markets and the growing importance of
environmental assets, but success will depend on our ability
to organize. The Pulp Sector has already demonstrated how
to achieve global leadership, and now is the time to replicate
that success in solid wood and productive restoration,
establishing Brazil as the leading forestry power of the 21st
century.
É necessário definir o que queremos para os próximos 30
anos, garantindo que o setor tenha uma orientação de longo
prazo que sobreviva às alternâncias de governo
46 www.referenciaflorestal.com.br
COLUNA
Manejo florestal
eficiente começa
no planejamento
Gabriel Berger
GB Manejo de Árvores – Educação Profissional
e Corporativa
Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho
gbmanejodearvores.com.br
gabriel@gbmanejodearvores.com.br
Foto: divulgação
Planejar o manejo é a forma mais eficaz de antecipar riscos, proteger pessoas e
transformar a segurança em parte natural da operação
A
SEGURANÇA COMEÇA ANTES DA
OPERAÇÃO
No manejo florestal, a segurança raramente
é definida apenas no momento da execução.
Mesmo equipes experientes, com conhecimento
técnico e rotina de campo, ficam mais expostas quando
as decisões são tomadas sob pressão, já no início da operação.
Na prática, muitos riscos não nascem na árvore ou na
máquina, mas antes disso — na ausência de planejamento.
Durante muito tempo, o manejo foi conduzido de forma
reativa. Identifica-se uma demanda, mobiliza-se a equipe
e executa-se a intervenção. Essa lógica resolve situações
pontuais, mas não constrói segurança de forma consistente.
Quando o planejamento não existe, decisões importantes
acabam sendo feitas em campo, em tempo reduzido, com
margem menor para análise e correção.
PLANEJAMENTO COMO AÇÃO PREVENTIVA
DE SEGURANÇA
Planejar o manejo florestal é, antes de tudo, uma ação
preventiva de segurança. Significa antecipar cenários, reconhecer
riscos recorrentes e definir critérios claros antes que
a equipe esteja exposta. Planejamento não é papel nem burocracia:
é leitura técnica prévia, entendimento do contexto
da operação e organização das decisões que impactam diretamente
a integridade das pessoas.
Quando o planejamento
está presente, a operação
muda de postura. A equipe
entra em campo sabendo o
que será feito, quais são os
pontos de atenção e quais limites
não devem ser ultrapassados.
Isso reduz improvisos,
evita decisões contraditórias e
diminui a probabilidade de erros
que poderiam ser evitados
com análise prévia. Segurança
deixa de ser reação e passa a
ser condição de partida.
PLANEJAMENTO COMO BASE DA CULTURA
DE SEGURANÇA
Grande parte dos incidentes no manejo florestal não
está ligada à falta de conhecimento técnico, mas a escolhas
feitas sob pressão: priorizações mal definidas, intervenções
feitas fora do momento adequado ou decisões tomadas sem
avaliação completa do risco. O planejamento atua justamente
nesse ponto, reduzindo a exposição ao erro humano em situações
críticas.
Existe a percepção de que planejar pode engessar a operação.
Na prática, ocorre o oposto. Um planejamento bem
construído oferece base para decisões mais seguras quando
o imprevisto acontece. Ele não elimina a autonomia do profissional
de campo, mas dá suporte para que essa autonomia
seja exercida com critério, consciência e menor risco.
Empresas que tratam o manejo florestal como um processo
contínuo, e não como eventos isolados, conseguem evoluir
sua cultura de segurança. Ajustam decisões, aprendem com a
prática e constroem padrões que reduzem a dependência do
improviso. Com o tempo, a segurança deixa de ser um esforço
adicional e passa a fazer parte natural da rotina operacional.
Manejo florestal eficiente começa no planejamento porque
é nele que os principais riscos podem ser controlados.
Antes da equipe ir a campo, antes da máquina operar e antes
da intervenção acontecer. Planejar é o primeiro e mais importante
ato de segurança no manejo florestal.
Foto: divulgação
48 www.referenciaflorestal.com.br
PRINCIPAL
TECNOLOGIA PARA
MANEJO INTEGRADO
Inovação química utiliza o comportamento
biológico das formigas para promover a
proteção do plantio
Fotos: divulgação
Technology for
Integrated Management:
Chemical innovation uses the biological
behavior of ants to promote crop protection
50 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 51
PRINCIPAL
O
setor de silvicultura brasileiro ocupa uma
posição de destaque global, impulsionado
por índices de produtividade que exigem
um monitoramento rigoroso de cada etapa
do ciclo produtivo. A florestal contra pragas
é um dos pilares mais críticos para garantir o incremento
médio anual esperado em povoamentos de eucalipto. Dentre
as pragas mais relevantes, as formigas-cortadeiras e os cupins
de solo são grandes preocupações dos gestores florestais. O
manejo tradicional dessas populações demanda estratégias
que unam alta tecnologia química e compreensão biológica
do alvo. Nesse cenário de busca por excelência operacional,
a Envu apresenta o Attinix️, um inseticida formulado com o
ingrediente ativo fipronil (800 g/kg) em grânulos dispersíveis
em água. Essa formulação facilita o manuseio dos insumos,
assegura a integridade das misturas em tanque e promove
uma distribuição extremamente homogênea do ativo sobre
o alvo biológico.
Diferente dos métodos convencionais que dependem
de iscas granuladas, o Attinix️ utiliza uma abordagem baseada
no comportamento social das colônias de formigas. A
aplicação dirigida foca como alvo principal as operárias que
transitam por carreadores e olheiros ativos. Uma vez em contato
com a calda pulverizada sobre o solo ou diretamente nas
trilhas, essas operárias tornam-se transportadoras do princípio
ativo para as câmaras mais profundas do formigueiro.
O diferencial competitivo reside na exploração do efeito de
transferência entre as formigas da colônia, a trofalaxia. Este
T
he Brazilian Forestry Sector holds a prominent
global position, driven by productivity rates
that require rigorous monitoring at every
stage of the production cycle. Effective forest
pest control is essential for achieving the expected
average annual growth in eucalyptus plantations.
Leaf-cutting ants and soil termites are among the most
relevant pests and a major concern for forest managers.
Traditional management of these populations requires strategies
that combine advanced chemical technology with a
thorough understanding of the biology of the target species.
Seeking operational excellence, Envu presents Attinix️, an
insecticide formulated with the active ingredient fipronil
(800 g/kg) in water-dispersible granules. This formulation
facilitates handling, ensures the integrity of tank mixtures,
and promotes extremely homogeneous distribution of the
active ingredient over the biological target.
Unlike conventional methods that rely on granular
baits, Attinix️ uses a social-behavior-based approach. The
targeted application primarily focuses on workers who travel
along active trails and scouts. Once these workers come into
contact with the pesticide mixturesprayed on the ground or
directly on the trails, they carry the active ingredient to the
deepest chambers of the anthill. The competitive advantage
lies in exploiting the transfer effect within the colony, known
as trophallaxis. This biological phenomenon involves the
constant exchange of fluids, nutrients, and chemical signals
between individuals in the colony. Ingestion and mutual
fenômeno biológico envolve a troca constante de fluidos,
nutrientes e sinais químicos entre os indivíduos da colônia.
A ingestão e o contato mútuo garantem que o fipronil circule
livremente entre as castas, também desde as larvas até a
rainha. A neutralização da rainha é o ponto de virada para a
eliminação definitiva do formigueiro, pois interrompe o ciclo
de renovação populacional da estrutura social daquele ninho
A bioquímica do Fipronil atua no sistema nervoso dos
insetos bloqueando os canais de cloro regulados pelo neurotransmissor
ácido gama-aminobutírico, juntamente com a
interferência nos canais ativados por glutamato provocando
hiperexcitação no inseto. Essa condição leva à despolarização
contínua das células nervosas, resultando na paralisação motora
das formigas contaminadas. A velocidade com que essa
paralisia ocorre é determinante para cessar o forrageamento
e o corte das folhas de eucalipto. Em plantios jovens, onde a
perda de área foliar pode levar à morte da muda ou ao atraso
significativo no desenvolvimento radicular, a rapidez de ação
do Attinix️ protege o investimento inicial do silvicultor.
A aplicação direcionada permite que o gestor florestal
integre o controle de pragas a outras atividades silviculturais,
como a dessecação de pré-plantio ou o controle de plantas
daninhas em pós-plantio. Essa integração operacional é fundamental
para a otimização de máquinas e pessoal, reduzindo o
custo operacional por hectare. O volume de calda e a tecnologia
de aplicação devem ser ajustados para garantir a cobertura
adequada do solo e dos caminhos percorridos pelas formigas,
respeitando as condições climáticas e as normas de segurança
ambiental. O uso de bicos de pulverização que gerem gotas
grossas é uma recomendação técnica que minimiza o risco
de deriva, protegendo áreas adjacentes e garantindo que o
produto atinja exatamente o ponto de interesse biológico.
Em plantios jovens, onde a
perda de área foliar pode
levar à morte da muda ou
ao atraso significativo no
desenvolvimento radicular,
a rapidez de ação do Attinix ️️
protege o investimento
inicial do silvicultor
contact ensure that fipronil circulates freely between castes,
including from larvae to the queen. The neutralization of the
queen is the turning point for the definitive elimination of
the anthill, as it interrupts the cycle of population renewal
of the social structure of that nest.
Fipronil acts on the nervous system of insects through
its biochemistry, which involves blocking chloride channels
regulated by the neurotransmitter gamma-aminobutyric
acid (GABA), as well as interfering with channels activated
by glutamate. This causes hyperexcitation in the insect. This
leads to continuous depolarization of nerve cells, resulting in
motor paralysis in contaminated ants. The speed at which
this paralysis occurs is crucial for preventing ants from foraging
and cutting eucalyptus leaves. In young plantations,
where loss of leaf area can result in seedling death or significant
delays to root development, Attinix️’s rapid action
protects the initial forest investment.
Targeted application enables forest managers to combine
pest control with other silvicultural activities, such as
pre-planting desiccation or post-planting weed control. This
52 www.referenciaflorestal.com.br
Fevereiro 2026
53
PRINCIPAL
DESEMPENHO E RESULTADOS OPERACIONAIS
A longevidade da proteção conferida pelo Attinix️ é
um dos fatores que sustentam a sua viabilidade em grandes
projetos florestais. Testes de campo robustos demonstram
que o produto mantém índices de controle superiores a
85% após um período de 180 dias da aplicação inicial. Essa
residualidade estendida é crucial para enfrentar as sucessivas
ondas de reinfestação que ocorrem em áreas de reforma ou
expansão florestal. Ao garantir uma janela de proteção que
cobre os primeiros seis meses de vida das árvores, o silvicultor
assegura que o estande se desenvolva com uniformidade e
vigor. A estabilidade da molécula de fipronil em contato com
o solo e sua baixa lixiviação contribuem para que a barreira
química permaneça ativa no local de circulação dos insetos
alvos, mantendo a supressão contínua da atividade dos
formigueiros.
No controle específico da saúva-limão e da formiga-quenquém,
a dosagem recomendada por hectare permite uma
redução drástica no volume de produtos transportados para
as frentes de serviço. Enquanto as iscas tradicionais exigem
o transporte de grandes volumes de material granulado, o
Attinix️ requer apenas 150 gramas de produto comercial
por hectare para o controle de formigas-cortadeiras em área
total. Essa eficiência logística traduz-se em menor ocupação
de galpões, menor consumo de combustível para transporte
interno e simplificação do gerenciamento de embalagens
vazias. A formulação sólida de fácil manipulação também
reduz a exposição do trabalhador rural durante o preparo
da calda, eliminando a formação de poeira fina e garantindo
uma diluição rápida e completa em água.
A aplicação direcionada
permite que o gestor
florestal integre o controle
de pragas a outras atividades
silviculturais, como a
dessecação de pré-plantio
ou o controle de plantas
daninhas em pós-plantio
operational integration is essential for optimizing machinery
and personnel and reducing operating costs per hectare. The
spray volume and application technology must be adjusted
to ensure adequate coverage of the soil and ant trails, while
accounting for weather conditions and environmental safety
standards. Using spray nozzles that produce coarse droplets
minimizes drift, protecting adjacent areas and ensuring the
product reaches the desired location.
PERFORMANCE AND OPERATIONAL RESULTS
The longevity of the protection provided by Attinix️ is
one factor supporting its viability in large forestry projects.
Robust field tests demonstrate that, 180 days after initial
application, the product maintains control rates above 85%.
This extended residual activity is crucial for dealing with
successive waves of reinfestation in areas undergoing forest
regeneration or expansion. By providing a protective window
that covers the first 6 months of the trees’ lives, forest managers
can ensure uniform, vigorous stand development. The
stability of the fipronil molecule when in contact with soil,
coupled with its low leaching, ensures the chemical barrier
remains active within the circulation area of target insects,
providing continuous suppression of ant activity.
For the specific control of leafcutter ants, the recommended
dosage per hectare significantly reduces the volume of
product required to be transported to serviced areas. While
traditional baits require the transport of large volumes of
granular material, Attinix️ requires only 150 grams of commercial
product per hectare to control leafcutter ants across
the entire area. This logistical efficiency translates into less
warehouse space being occupied, lower fuel consumption
for internal transportation, and simplified management of
empty packaging. The easy-to-handle solid formulation also
O manejo de cupins de solo e de montículo também
recebe um reforço tecnológico com o uso do produto. A
aplicação via pulverização de mudas ou imersão antes do
envio para o campo cria uma zona de proteção radicular essencial.
Os cupins de solo são conhecidos por danificar o colo
das plantas e as raízes finas, causando falhas no plantio que
exigem operações onerosas de replantio. A versatilidade do
Attinix️ em atuar tanto contra formigas quanto contra cupins
consolida o produto como uma solução de amplo espectro
para a silvicultura moderna. O foco na sustentabilidade e no
uso racional de defensivos agrícolas orienta a recomendação
de evitar aplicações em períodos de floração, respeitando a
fauna de polinizadores e mantendo o equilíbrio ecológico das
áreas de preservação que circundam as florestas de produção.
A pulverização dirigida representa um avanço dentro do
manejo integrado de formigas cortadeiras, atuando como uma
ferramenta complementar às estratégias já estabelecidas,
como o uso de iscas. Ao ampliar as possibilidades de controle
por meio do efeito de transferência via trofalaxia, essa solução
contribui para a redução da atividade dos formigueiros e para
o melhor aproveitamento dos recursos da floresta. O Attinix️
fortalece o conjunto de práticas de manejo, apoiando o silvicultor
na construção de florestas mais saudáveis, produtivas
e sustentáveis.
A eficácia demonstrada em diferentes condições reforça a
robustez da tecnologia Envu. A adaptação técnica para o uso
do Attinix️ em sistemas de plantio direto ou convencional
atende às diversas realidades da silvicultura brasileira, desde
pequenos produtores até grandes corporações. O investimento
em controle de pragas deixa de ser apenas um custo
de manutenção para se tornar um seguro de produtividade,
blindando o patrimônio florestal contra perdas evitáveis
e garantindo a competitividade da madeira brasileira no
mercado global.
reduces forest worker exposure during pesticide preparation
by eliminating fine dust, ensuring rapid and complete
dilution in water.
The management of soil and mound termites is also
improved by the use of the product. Spraying seedlings
or immersing them before shipping to the field creates an
essential root protection zone. Soil termites are known to
damage plant collars and fine roots, leading to planting failures
that require costly replanting. Attinix️’s effectiveness
against both ants and termites establishes it as a versatile
solution for modern forestry. A focus on sustainability and
the rational use of pesticides means applications should be
avoided during flowering periods to respect pollinator fauna
and maintain the ecological balance of areas surrounding
production forests designated for preservation.
Targeted spraying is a step forward in the integrated management
of leaf-cutting ants, complementing established
strategies such as the use of baits. By expanding the possibilities
for control through the transfer effect via trophallaxis,
this solution reduces ant colony activity and optimizes the use
of forest resources. Attinix️ strengthens the management
practices toolkit, helping forest managers build healthier,
more productive, and more sustainable forests.
Its proven effectiveness in various conditions further
reinforces the robustness of Envu technology. The technical
adaptation for using Attinix️ in no-till and conventional
planting systems meets the diverse needs of Brazilian forestry,
from small-scale producers to large corporations.
Investment in pest control is not just a maintenance cost; it
is also a means of protecting forest assets from avoidable
losses and ensuring the competitiveness of Brazilian timber
in the global market.
54 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 55
PRODUTIVIDADE
Precisão que dá
RESULTADO
Viveiro
com seleção
genética, colheita
mecanizada, automação e
inteligência artificial
já orientam decisões
estratégicas das empresas
de base florestal
Fotos: divulgação
Asilvicultura brasileira vive uma transformação
estrutural impulsionada pela adoção intensiva
de tecnologia em todas as etapas do ciclo
produtivo. Conhecida como silvicultura de
precisão, essa abordagem combina genética
avançada, sensoriamento remoto, automação, análise
de dados e inteligência artificial para planejar, implantar,
conduzir e colher florestas plantadas com alto nível de
controle técnico.
Segundo o diretor executivo da Apre Florestas (Associação
Paranaense de Empresas de Base Florestal),
Ailson Loper, a prática já está consolidada no Paraná e
representa uma mudança profunda na forma de produzir.
“A silvicultura de precisão é o uso coordenado de todas as
tecnologias disponíveis para maximizar a produtividade
e garantir a sustentabilidade. Conseguimos trabalhar em
escalas cada vez menores, chegando ao nível da árvore
individual”, revela Ailson.
56 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 57
PRODUTIVIDADE
GENÉTICA AVANÇADA E VIVEIROS
ALTAMENTE TECNOLÓGICOS
O processo começa muito antes do plantio, nos viveiros
clonais e pomares de sementes, onde a base genética
das florestas é definida. Técnicas como polinização controlada,
embriogênese somática, hibridação e clonagem são
utilizadas para garantir maior vigor, sanidade e adaptação
das mudas às condições locais.
A automação já está presente nesses ambientes, com
sistemas que controlam irrigação, nutrição e temperatura
em tempo real. O uso de bioinsumos e inimigos naturais
reduz a dependência de defensivos químicos e fortalece
o equilíbrio ecológico desde a fase inicial. “Cada muda é
resultado de um planejamento preciso, sustentado por
dados de solo, clima, relevo e material genético”, alerta
Ailson.
PLANTIO ORIENTADO POR
DADOS E MICROPLANEJAMENTO
Ao chegar ao campo, a implantação florestal segue
um planejamento altamente detalhado. Mapas de produtividade,
análises de solo, modelos altimétricos e dados
climáticos são integrados para definir a espécie e o clone
mais adequados a cada área.
A silvicultura de precisão rompe com o modelo tradicional
baseado apenas no hectare e passa a operar em
microtalhões, ajustando práticas de manejo conforme a
variabilidade do terreno. Sensores, estações meteorológicas
e softwares de planejamento espacial orientam o uso
eficiente de água, fertilizantes e insumos, aumentando o
índice de sobrevivência das mudas e reduzindo perdas.
Estamos produzindo
mais, com menor impacto
ambiental e com base em
conhecimento científico.
Esse é o novo paradigma
da silvicultura brasileira
e ele já está presente
nas empresas de base
florestal no Paraná
Ailson Loper,
diretor executivo da Apre Florestas
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PRODUTIVIDADE
A tomada de decisão no setor florestal é cada vez mais baseada
em evidências. A inteligência artificial nos permite antecipar riscos
climáticos, ciclos de pragas e ajustar o manejo de forma muito mais
assertiva
Ailson Loper,
diretor executivo da Apre Florestas
MONITORAMENTO REMOTO E
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO MANEJO
Após o plantio, o monitoramento da floresta é sustentado
por drones equipados com sensores multiespectrais,
câmeras térmicas e radares de alta resolução. Essas ferramentas
permitem identificar falhas de plantio, estresse hídrico,
pragas e áreas de baixa produtividade com elevada
precisão. As informações são processadas em plataformas
digitais que geram mapas de vigor, biomassa e alertas
operacionais. “A tomada de decisão no setor florestal é
cada vez mais baseada em evidências. A inteligência artificial
nos permite antecipar riscos climáticos, ciclos de
pragas e ajustar o manejo de forma muito mais assertiva”,
explica Ailson Loper.
COLHEITA DE ALTA PRECISÃO
Durante o ciclo de crescimento, operações como
poda, desbaste e manejo de pragas são definidas a partir
de modelos de crescimento e prognoses produtivas. Máquinas
florestais modernas, com sistemas automatizados,
executam essas atividades com menor impacto ao solo e
maior segurança operacional.
Na colheita, a mecanização atinge seu ponto máximo.
Harvesters e forwarders são máquinas florestais que trabalham
em conjunto na colheita mecanizada. O harvester
corta, desgalha e secciona a árvore em toras, enquanto o
forwarder transporta essas toras processadas. Elas operam
com sistemas embarcados de georreferenciamento
e otimização de sortimentos, permitindo que cada árvore
seja processada de forma precisa, reduzindo perdas e aumentando
o rendimento industrial. Centros de comando
integrados coordenam rotas, cronogramas e sequências
de corte.
UMA TENDÊNCIA QUE JÁ É REALIDADE
NO SETOR FLORESTAL
O volume de dados gerado ao longo de todo o ciclo
florestal alimenta sistemas de modelagem preditiva e
mineração de dados, que orientam decisões estratégicas
de longo prazo. Para a Apre Florestas, a silvicultura de
precisão não é uma promessa futura, mas uma prática já
consolidada nas empresas do setor. “Estamos produzindo
mais, com menor impacto ambiental e com base em
conhecimento científico. Esse é o novo paradigma da silvicultura
brasileira e ele já está presente nas empresas de
base florestal no Paraná”, conclui Ailson.
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DESENVOLVIMENTO
Desenvolvimento
FLORESTAL
Governo aposta em crédito, infraestrutura e
desburocratização para fortalecer o setor
Fotos: divulgação
O
governo de Goiás apresentou o Plano de
Desenvolvimento do Setor Florestal em
Goiás, uma iniciativa que tem como objetivo
impulsionar a silvicultura no estado em
parceria com lideranças do setor privado. O
plano reúne um conjunto de medidas voltadas ao estímulo
da cadeia florestal, setor no qual Goiás ocupa atualmente
a 12ª posição nacional, com cerca de 171 mil ha (hectares)
plantados. No Brasil, a área total de florestas plantadas
soma aproximadamente 10,5 milhões de ha. A silvicultura é
o principal setor que promove o plantio de eucalipto, pinus,
teca e seringueira, sendo responsável pela fabricação de ce-
lulose e papel, produção de carvão vegetal, biomassa para
geração de energia e painéis de madeira.
Segundo o vice-governador Daniel Vilela, o projeto busca
colocar Goiás em posição de destaque no cenário nacional,
além de fomentar o crescimento econômico do estado.
Ele afirmou que o Brasil lidera as exportações da base florestal
e que Goiás precisa ser protagonista nesse setor que
é pujante e apresenta alto crescimento diante da demanda
global. Daniel Vilela também ressaltou a participação do
setor privado na construção do plano, destacando que a iniciativa
vai viabilizar ações governamentais e privadas, permitindo
que os produtores tenham maior produtividade.
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Fevereiro Julho 2026 2024
63
DESENVOLVIMENTO
Participaram da apresentação representantes de diversas
entidades da agroindústria, entre eles o presidente da
IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), José Carlos Fonseca,
o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de
Goiás, José Mário Schreiner, o presidente da Federação das
Indústrias do Estado de Goiás, André Rocha, o presidente
da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado
de Goiás, Edwal Portilho, e o presidente da Organização das
Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás, Luís Alberto.
Entre as medidas anunciadas está a desburocratização do
licenciamento ambiental, com a previsão de inexigibilidade
para atividades em propriedades com até 20 mil ha. O
plano também prevê maior agilidade no licenciamento de
unidades de desdobramento de toras com produção inferior
a 300 m³ (metros cúbicos) por ano, além de empreendimentos
de produção de carvão vegetal oriundo de florestas
plantadas com volume inferior a 30.000m (metros) de
carvão ao ano.
O vice-governador destacou ainda que o governo estadual
atua em conjunto com a Secretaria da Economia
para manter a atratividade tributária das indústrias de base
florestal e viabilizar novos investimentos no estado. Outro
eixo do plano é a ampliação do acesso ao crédito, com linhas
de financiamento que ofereçam taxas competitivas e
períodos de carência compatíveis com o ciclo produtivo da
silvicultura. As medidas envolvem recursos de fundos públicos,
como o Fundo Constitucional do Centro-Oeste, BNDES
e Goiás Fomento, além de parcerias com fundos privados,
abrangendo desde o plantio florestal até a transformação
industrial. De acordo com o secretário de Estado de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, Pedro Leonardo, novas
linhas de crédito específicas para o setor estão sendo estruturadas
pela Goiás Fomento e devem ser disponibilizadas
de forma imediata aos produtores.
O plano envolve desde a
desburocratização de processos
até a criação de linhas de crédito
específicas, passando por
investimentos em infraestrutura
e estímulo à produção de energia
renovável
Leonardo também destacou o cenário favorável do
mercado global, impulsionado pela crescente demanda por
papel, papelão e embalagens sustentáveis, especialmente
em razão da expansão do comércio eletrônico. Segundo
ele, o setor florestal global tem projeção de faturamento
de US$ 77,68 bilhões até o final de 2026, o que representa
uma oportunidade estratégica para Goiás. Para o presidente
da Adial (GO), Edwal Portilho, o plano cria um canal
de diálogo direto para atender às demandas do setor produtivo.
Ele ressaltou que o setor sucroenergético enfrenta
atualmente um déficit de biomassa, devido ao aumento do
consumo do bagaço de cana nas caldeiras industriais em
2024. Portilho explicou que houve a implantação de mais
de 30 usinas ao longo de pouco mais de uma década, período
em que havia superávit de biomassa. Com o crescimento
da economia industrial do estado, esse excedente deixou
de existir e já falta biomassa para atender às indústrias.
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Fevereiro 2026 65
DESENVOLVIMENTO
Segundo Portilho, a iniciativa do governo, em parceria
com entidades privadas e institutos de pesquisa, é fundamental
para retomar o estímulo ao plantio florestal e
garantir o abastecimento das cadeias produtivas, assegurando
a continuidade do crescimento industrial de Goiás. O
plano também prevê a intensificação de investimentos em
infraestrutura, aproveitando a localização estratégica do
Estado.
As ações incluem o fortalecimento da malha rodoviária,
o uso das ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica, a
futura Ferrovia de Integração Centro-Oeste, além do acesso
ao modal hidroviário pelo Porto de São Simão e a utilização
do Porto Seco de Anápolis. Para o titular da Seapa, o setor
florestal também tem grande potencial para contribuir com
a produção de energia, especialmente por meio de usinas
classificadas como superavitárias, que geram energia suficiente
para suprir seus próprios processos produtivos e
ainda disponibilizam excedente para a rede elétrica.
Além do setor sucroenergético, Pedro Leonardo
destacou a importância do carvão vegetal como insumo
estratégico para a agroindústria goiana, atendendo à demanda
de laticínios, frigoríficos e unidades de secagem e
beneficiamento de grãos. Ele afirmou que essas indústrias
são superavitárias na produção de energia, produzindo o
suficiente para atender o seu próprio projeto e disponibilizando
excedente de energia na rede local, podendo ter a
possibilidade de utilização em outros processos industriais.
Já o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, afirmou que
Goiás não deve se limitar à produção de grãos e à pecuária,
mas buscar protagonismo também na silvicultura. Segundo
ele, o histórico de programas de incentivo, como o voltado
à indústria do etanol, demonstra que o estado tem capacidade
de liderar novas cadeias produtivas. Schreiner disse
que não tem dúvida de que essa cadeia produtiva vai trazer
muito desenvolvimento, muita harmonia e acima de tudo
qualidade de vida para os goianos.
Esse conjunto de medidas e declarações mostra que o
Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal em Goiás é
uma estratégia abrangente que busca não apenas ampliar
a área de florestas plantadas, mas também fortalecer toda
a cadeia produtiva associada à silvicultura. O plano envolve
desde a desburocratização de processos até a criação de linhas
de crédito específicas, passando por investimentos em
infraestrutura e estímulo à produção de energia renovável.
A participação de entidades representativas da agroindústria
e da indústria demonstra que há uma articulação ampla
entre governo e setor privado, o que aumenta as chances
de sucesso da iniciativa. Goiás, ao buscar protagonismo
na silvicultura, pretende diversificar sua base econômica
e aproveitar oportunidades estratégicas em um mercado
global em expansão, especialmente diante da crescente
demanda por produtos sustentáveis e energia limpa. O
plano, portanto, se apresenta como um marco para o
desenvolvimento econômico e ambiental do estado, com
potencial de gerar emprego, renda e qualidade de vida para
a população.
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MULHERES
MULHERES
EM FOCO
Livro da Embrapa registra trajetórias femininas
e o fortalecimento do setor florestal brasileiro
Fotos: divulgação
O
olhar sensível e transformador de autoras
com ampla experiência na área florestal
tornou Memórias do Primeiro Painel de
Mulheres Florestais um marco bibliográfico
na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária) Florestas. O livro divulga as questões
tratadas no primeiro encontro produzido pelo centro de
pesquisa dedicado a essa temática e torna público como o
Grupo de Mulheres Maria Izabel Radomski surgiu e se estruturou
de forma pioneira. “É uma obra que vai além do
registro do conteúdo de um primeiro evento sobre o tema,
pois, ao ficar disponível à sociedade no Portal Embrapa,
amplia o conhecimento e o acesso ao debate, podendo
inclusive inspirar a criação de coletivos como o Grupo de
Mulheres em outras instituições e empresas”, declaram
Francisca Rasche e Cristiane Aparecida Fioravante Reis, autoras
e editoras da publicação.
68 www.referenciaflorestal.com.br
Fevereiro 2026
69
MULHERES
O livro reúne conteúdos, em grande parte inéditos, sobre
a participação feminina na trajetória institucional e na
cadeia produtiva florestal (ambiente onde a presença masculina
predomina), os desafios contemporâneos enfrentados
pelas mulheres e as ações alinhadas à Agenda 2030 da
ONU (Organização das Nações Unidas), mais precisamente
ao quinto ODS 5 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
- Igualdade de Gênero).
Escritos pelas próprias painelistas, os sete capítulos
documentam e aprofundam contextos, relatos, história,
percepções, reflexões e dados apresentados no Primeiro
Painel de Mulheres Florestais, idealizado e realizado em
2024 pelo então recém-criado Grupo de Mulheres Maria
Izabel Radomski, responsável novamente este ano pela
produção do II Painel de Mulheres Florestais, evento em
que o livro foi lançado.
A OBRA
No Capítulo 1, a autora e editora do livro Francisca
Rasche, bibliotecária da Embrapa Florestas, reconstrói a
origem do Grupo de Mulheres Maria Izabel Radomski. O
nome do coletivo homenageia a pesquisadora da Embrapa
Florestas, já falecida, memorável por seu trabalho científico
e comprometimento com causas em prol das mulheres,
justiça social, sustentabilidade ambiental e melhores condições
de vida ao pequeno agricultor. Desde o início, conta
Francisca, o Grupo de Mulheres priorizou o acolhimento,
a participação ampla, a definição coletiva dos temas de interesse
(assédio, comunicação não violenta, saúde mental,
violência, sororidade, liderança feminina) e a articulação
com comitês e comissões internas.
Com seu poema: Gotas de Esperança; a autora expressa
de forma sensível a motivação coletiva por mudanças
estruturais. O primeiro capítulo traz ainda uma reflexão
contundente sobre desigualdades no trabalho, na política
e na vida cotidiana das mulheres. Essa frase da autora
sintetiza o que, para ela, é a razão de existir de um grupo
de apoio às mulheres em uma empresa: “Talvez, a melhor
resposta seja um porque sim! As lutas e as conquistas das
mulheres vêm de longa data”, destacou Francisca.
Avançar individualmente é importante, mas
promover o avanço coletivo é essencial para
transformar realidades e construir um futuro mais
justo e igualitário
Ana Euler, Pesquisadora Embrapa
O FEMININO NA FLORESTA
O Capítulo 2 é de autoria da pesquisadora Ana Margarida
Castro Euler, atual diretora-executiva de Inovação,
Negócios e Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ela apresenta
avanços concretos da instituição na construção, articulação
e institucionalização de uma agenda em prol das mulheres
rurais. Como exemplos, entre outros mencionados, Ana
Euler fala do Observatório de Mulheres Rurais do Brasil,
que faz parte do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa;
da Rede Embrapa Mulheres Rurais do Brasil; e do
programa corporativo de pesquisa Mulheres Rurais Produtoras
do Bem Viver, para fortalecer iniciativas de inclusão
produtiva de mulheres em diversas regiões do país.
A autora, que vê no papel transformador da educação
e na responsabilidade ética das mulheres que alcançam
posições de liderança, duas possíveis saídas transformadoras.
“Avançar individualmente é importante, mas promover
o avanço coletivo é essencial para transformar realidades
e construir um futuro mais justo e igualitário”, comentou
Ana Euler.
A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES
O Capítulo 3, escrito por Cristiane Aparecida Fioravante
Reis, pesquisadora e editora do livro, apresenta dados
de estudo conduzido pela autora sobre a participação
feminina nos 13 segmentos da cadeia florestal, faixas salariais,
escolaridade, idade e dados sobre engenheiras florestais.
Nesse panorama, as mulheres representam 22,2% dos
vínculos no ano de 2021, concentradas nas faixas salariais
mais baixas e com menor presença em setores de maior
remuneração. “Essas informações são essenciais para melhor
compreensão da realidade da cadeia produtiva florestal
e embasar estratégias visando à equidade de oportunidades
entre mulheres e homens”, anteviu Cristiane Reis. A
autora consolidou o diagnóstico nacional sobre a presença
feminina no setor, publicado no documento Participação
das mulheres na cadeia produtiva florestal brasileira, lançado
em 2024, justamente no Primeiro Painel de Mulheres
Florestais, enriquecendo o evento com inúmeros resultados
inéditos na época.
70 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 71
MULHERES
A autora considera positivas as tendências para a ampliação
significativa da participação da engenheira florestal
em setores e cargos, principalmente: as políticas de diversidade
e inclusão; networking (redes de apoio) e mentoria;
avanço tecnológico (uso de drones e sistemas de informações
geográficas, por exemplo); e reconhecimento internacional,
como o trabalho de promoção ativa da igualdade
de gênero no setor florestal feito pela FAO (Organização
das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).
No Capítulo 7, a arte entra em cena. A autora, pesquisadora
Maria Augusta Doetzer Rosot, conta como foi a
apresentação musical realizada por um trio de colegas de
trabalho, para homenagear Maria Izabel Radomski no Primeiro
Painel de Mulheres Florestais, realizado no dia 11 de
novembro de 2024.
A autora descreve o significado simbólico da homenagem
e o papel inspirador da pesquisadora (falecida em
2019, aos 52 anos) dentro da história da entidade, a ponto
do Grupo de Mulheres levar seu nome. “A homenagem
traduz o reconhecimento da força, da sensibilidade e do
legado deixado por Maria Izabel e por tantas outras mulheres
da Embrapa Florestas”, sintetiza Maria Augusta.
Acesse o livro pelo QR Code ao lado:
O Capítulo 4, assinado pela pesquisadora Márcia Toffani
Simão Soares, faz um percurso histórico do movimento
feminista nos séculos XIX e XX e suas contribuições para
a Agenda Global de gênero. Explica a estrutura dos ODS
(Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), integrantes
da Agenda 2030 da ONU, mais especificamente o ODS 5 –
Igualdade de Gênero, ao qual o livro está alinhado, assim
como o próprio Grupo de Mulheres da Embrapa Florestas
e os painéis de mulheres florestais promovidos em 2024 e
2025.
MULHERES NA EMBRAPA FLORESTAS
O Capítulo 5 tem como autora a pesquisadora Edina
Regina Moresco, atual chefe-adjunta de Transferência de
Tecnologia da Embrapa Florestas. Seu enfoque dá visibilidade
às mulheres que contribuíram para a formação e
o desenvolvimento da entidade, situando a evolução das
oportunidades e da presença feminina em diferentes áreas
ao longo das décadas.
A autora revisita registros históricos, composição da
força de trabalho e mudanças estruturais na formação das
equipes, destacando trajetórias profissionais (como as das
pioneiras na instituição) e desafios vividos, notando-se um
aumento da participação de pesquisadoras, analistas e técnicas
na instituição: 45% do seu quadro funcional é composto
por mulheres (dado publicado em 2024). “Embora o
crescimento tenha sido tímido, a jornada das mulheres no
órgão tem sido notável, estabelecendo marcos importantes
em um cenário historicamente dominado por homens”,
apontou Edina.
Entre as pioneiras está Yeda Maria Malheiros de Oliveira,
que simboliza, em meio a outras conquistas, o avanço
no âmbito da autoria feminina em trabalhos científicos.
Yeda foi a primeira pesquisadora a ser contratada na Unidade
Regional de Pesquisa Florestal Centro-Sul, criada em
1978, posteriormente transformada no Centro Nacional de
Pesquisa Florestal, em 1984, e a primeira a participar da
coautoria em um trabalho publicado pela Unidade. A Dra.
Yeda também foi a primeira coautora em documentos da
Série Técnica da Embrapa Florestas e a primeira mulher a
publicar no Boletim de Pesquisa Florestal, atual PFB (Pesquisa
Florestal Brasileira).
A MULHER NA ENGENHARIA FLORESTAL
O Capítulo 6 tem uma profissional pioneira como autora,
a pesquisadora Yeda Maria Malheiros de Oliveira, que
revela a evolução da presença feminina na formação em
Engenharia Florestal, inicialmente muito restrita, e o crescimento
constante nas últimas décadas. “A presença das
mulheres na Engenharia Florestal, antes exceção, se tornou
parte integrante da área”, atesta a pesquisadora. Após
apresentar um panorama histórico da inserção da mulher
na profissão e discutir aspectos da trajetória acadêmica e
profissional.
MF 908 L MAX T
SE O DESAFIO É FLORESTAL, A RESPOSTA É MOTOCANA.
CARREGADORA FLORESTAL
MF 908 L MAX T
O MAIOR ALCANCE
DA CATEGORIA
72 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 73
ARTIGO
PROTOCOLO DE
ORGANOGÊNESE DIRETA
EM PINUS ELLIOTTI VAR. ELLIOTTI:
fase de indução e desenvolvimento
de brotações adventícias
Fotos: divulgação
JULIA HEDUARDA GIACOMEL BALBINOTTI
UFPR - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
JULIA MARIA BASSETTO BRANDALIZE
UFPR - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
PAMELA KEIKO HARADA
ANALISTA EMBRAPA FLORESTAS
(EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)
REGINA CAETANO QUISEN
PESQUISADORA EMBRAPA FLORESTAS
(EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)
74 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 75
ARTIGO
Nesse contexto, compreende-se que os principais entraves
para o estabelecimento de protocolos de clonagem
eficientes e reprodutíveis de espécies de pínus, seja por
estaquia, enxertia ou cultivo in vitro, estão diretamente relacionados
às características do gênero Pinus. A baixa capacidade
de regeneração e a maturidade fisiológica do material
constituem barreiras determinantes, restringindo a propagação
vegetativa ao uso de propágulos juvenis, resultando em
taxas de multiplicação insuficientes para atender à demanda
comercial. Além disso, a eficiência desses métodos é fortemente
influenciada pelo genótipo, de modo que indivíduos
ou famílias podem apresentar respostas contrastantes sob
as mesmas condições de propagação (Bonga et al., 2010).
Diante destas dificuldades, diversas pesquisas têm
buscando superar tais limitações, explorando técnicas de
cultivo in vitro, entre as quais a organogênese adventícia
direta. Nesse processo, as células do explante são induzidas
a formar meristemas adventícios que originam estruturas
unipolares, como brotações, que posteriormente necessitam
passar pela fase de enraizamento para originar plantas
clonais (Kareem et al., 2016).
INTRODUÇÃO
O
gênero Pinus ocupa cerca de 2 milhões de
ha (hectares) no Brasil, com árvores plantadas
para fins comerciais, correspondendo a
19% do total da área do setor florestal, com
destaque para a produção de celulose de
fibra longa, madeira, resina e biomassa energética (Indústria
Brasileira de Árvores, 2024). Dentre as espécies cultivadas
no sul do país, destaca-se Pinus elliotti Engelm. var. elliotti,
principal fonte de resina destinada às indústrias de cosméticos,
pneus, tintas e muitos outros produtos (Moreira et
al., 2014). No entanto, a produção de mudas dessa espécie
ainda se baseia predominantemente em sementes, o que
resulta em elevada variabilidade genotípica e compromete a
uniformidade dos plantios. A silvicultura clonal, vista como
alternativa estratégica para aumentar a homogeneidade e o
rendimento resinífero, enfrenta obstáculos significativos, sobretudo
devido às dificuldades no resgate de material adulto
e ao envelhecimento fisiológico das árvores-elite. Como
consequência, a propagação vegetativa de Pinus elliotti em
escala comercial permanece inviável, mantendo os plantios
dependentes de sementes e limitando o avanço de programas
voltados à produção de resina (Ishibashi et al., 2022).
76 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 77
ARTIGO
Diante destas
dificuldades, diversas
pesquisas têm
buscando superar tais
limitações, explorando
técnicas de cultivo
in vitro, entre as
quais a organogênese
adventícia direta
O procedimento de organogênese direta em Pinus elliotti
var. elliotti deve ser realizado utilizando meios específicos:
DCR contendo sais e vitaminas, suplementado com 30 g L-1
de sacarose, 7 g L-1 de ágar e BAP em regime de pulso e o
meio WV5 suplementado com 30 g L-1 de sacarose, 1 g L-1
de carvão ativado e 8 g L-1 de ágar. Os explantes, constituídos
de embriões zigóticos reduzidos, devem ser inicialmente
cultivados em MI (meio de indução) composto pelo meio
basal de DCR acrescido de 44,4 µM de BAP, por 7 dias. Em
seguida, realizam-se três subculturas de 28 dias cada em
meio de MDP (desenvolvimento e proliferação de brotações)
composto pelo meio basal de DCR acrescido de 0,44
µM de BAP. Por fim, as brotações devem ser transferidas
para MA (meio de alongamento) composto pelo meio basal
de DCR sem regulador de crescimento, por 28 dias.
Essa é uma versão parcial desse artigo,
o conteúdo completo pode ser acessado em:
Na organogênese de Pinus spp., a BAP (benzilaminopurina)
é reconhecida como o regulador vegetal mais efetivo
na formação de brotações adventícias, sendo que tanto a
concentração quanto o tempo de exposição influenciam a
qualidade e a quantidade de brotações (Moncaleán et al.,
2005). Outro fator determinante é a composição do meio
basal, especialmente quanto à disponibilidade de nitrogênio,
como evidenciado nos meios WV5 (Coke, 1996) e DCR
(Gupta; Durzan, 1985), nos quais o primeiro apresenta maiores
teores desse nutriente em relação ao segundo (Coke,
1996; Oliveira et al., 2012; Nunes et al., 2018).
Em P. elliotti, estudos demonstraram que o maior número
de brotações adventícias foi obtido a partir de explantes
cotiledonares isolados e cultivados por 28 dias em meio
contendo GD1 com 66 µM de BAP, enquanto as brotações
de maior altura foram observadas após tratamento de pulso,
por período de 14 dias, em meio contendo 22 µM de
BAP (Bronson; Dixon, 1991). Resultados semelhantes foram
relatados por Lihua e Xiaoqin (2006) que verificaram maior
frequência e tamanho de brotações em embriões zigóticos
cultivados em meio GD com 266 µM de BAP, por 12h e 24h
(horas), respectivamente. Para Pinus taeda, por sua vez, a
organogênese tem sido predominantemente indireta, com
maior taxa de diferenciação de brotos observada após 12
semanas, em meio TE (Tang; Ouyang, 1998) suplementado
com ácido diclorofenóxiacético (2,4-D) ou ácido naftalenoacético
(ANA) e BAP, em baixas concentrações de BAP.
Contudo, nota-se ainda a escassez de trabalhos relatados na
literatura.
Considerando este cenário, o presente documento foi
elaborado com o objetivo de apresentar detalhadamente
os procedimentos para a indução e o desenvolvimento de
brotações adventícias por via da organogênese direta de
Pinus elliotti, além dos resultados obtidos nas condições experimentais
adotadas. Ressalta-se que, embora as taxas de
multiplicação nessa fase ainda sejam reduzidas para a produção
em escala massal, as brotações formadas constituem
propágulos viáveis e podem ser integradas a outros sistemas
de regeneração, como a micropropagação ou embriogênese
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78 www.referenciaflorestal.com.br Fevereiro 2026 79
AGENDA
AGENDA 2026
Imagem: reprodução
AGENDA 2026
MARÇO
2026
MAR
2026
CURSO DE SILVICULTURA – IPEF
MAIO
2026
Curso de Silvicultura – Ipef
Data: 01/03 a 31/05
Local: online
Informações: https://www.ipef.br/
eventos/evento.aspx?id=590
MARÇO
2026
O Curso de Silvicultura - Aprendendo com a prática é uma
excelente oportunidade de aperfeiçoamento técnico e
operacional para profissionais, recém-formados, estudantes
de graduação e pós-graduação, fornecedores de insumos e
serviços, e demais interessados na área florestal. O curso,
que conta com a experiência de professores e profissionais
renomados e o vasto conhecimento técnico-científico de 30
anos acumulado pelo PTSM (Programa Técnico de Silvicultura
Mecanizada) e seus parceiros, visa capacitar os participantes
com o que há de mais atual na silvicultura. Oferecido na
modalidade online com aulas ao vivo realizadas às terças-feiras.
Expo Minas Florestal
Data: 19 a 21
Local: Sete Lagoas (MG)
Informações:
https://expominasflorestal.com.br/
JUNHO
2026
ASSINE AS PRINCIPAIS
REVISTAS DO SETOR
E FIQUE POR DENTRO
DAS NOVIDADES!
Forst Live
Data: 27 a 29
Local: Offenburg (Alemanha)
Informações:
https://www.forst-live.de/en
V Encontro Brasileiro de Segurança
Florestal
Data: 18 e 19
Local: Sete Lagoas (MG)
Informações: https://expominasflorestal.
com.br/encontrodeseguranca/
MAIO
2026
MAI
2026
EXPO MINAS FLORESTAL
A Expo Minas Florestal, Feira Mineira da Indústria Florestal,
será realizada na cidade de Sete Lagoas (MG), no Parque de
Exposições de Sete Lagoas, que fica a aproximadamente 1h
(hora) de carro do aeroporto de Confins (MG) e uma 1h20
de Belo Horizonte (MG). A feira será entre os dias 19 e 21
de maio e já começou a ter espaços comercializados com
empresas interessadas em mostrar novidades em soluções
para os segmentos de árvores plantadas, siderurgia verde e
tudo mais que envolve essa gigantesca indústria do Estado
de Minas Gerais.
Imagem: reprodução
II Seminário Internacional de
Sensoriamento Remoto aplicado à
Mensuração Florestal
Data: 9 a 12
Local: Vitória (ES)
Informações: https://remoteforestbrazil.
com.br/2026/
VII CBCTEM
Data: 23 a 26
Local: Viçosa (MG)
Informações: https://www.cbctem.com.br/
SETEMBRO
2026
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ESPAÇO ABERTO
Nem tudo é
TRANQUILIDADE
Por Sandra Coelho, geógrafa
pela Faculdade de Letras da
Universidade de Coimbra,
onde trabalhou, durante,
cerca de 10 anos, tendo como
principais funções a análise e
tratamento estatístico de dados.
É responsável pela aplicação
dos projetos, desenvolvendo
e monitorizando a plataforma
GPTW® (Great Place To Work).
Como o silêncio organizacional
afeta o ambiente de
trabalho e pode prejudicar o
desenvolvimento das atividades
O
silêncio organizacional ocorre quando os colaboradores se mostram
relutantes em partilhar opiniões, preocupações ou sugestões. Essa
relutância pode nascer do medo de consequências negativas, da falta
de confiança na liderança ou da sensação de que o seu contributo não
é valorizado. Este fenómeno manifesta-se de várias formas: omissão de problemas ou
erros, ausência de participação ativa em discussões importantes, retenção de informações
relevantes, resistência em dar feedback ou levantar questões críticas.
PORQUE É PERIGOSO
Imagine se todos os colaboradores se calassem. A ausência de uma comunicação
aberta e transparente gera um ambiente onde: questões críticas são ignoradas, a criatividade
é bloqueada e o desenvolvimento organizacional é comprometido. O resultado?
Uma cultura frágil, pouco colaborativa e vulnerável à estagnação. Entre as principais
consequências do silêncio organizacional encontram-se a diminuição da motivação e do
engajamento, pois quando os colaboradores sentem que a sua voz não é ouvida, o entusiasmo
e o compromisso com a missão da empresa enfraquecem; o aumento da rotatividade
e do absentismo, resultado natural de um clima onde prevalece a frustração
e o desinteresse; o bloqueio da inovação, uma vez que as ideias deixam de circular e o
medo substitui a criatividade; a perda de agilidade na resolução de problemas, já que
as questões permanecem escondidas e os erros repetem-se por falta de comunicação;
e, finalmente, a quebra da confiança entre líderes e equipas, que mina o espírito de
colaboração e compromete a coesão organizacional. Em conjunto, estes fatores criam
um ciclo silencioso e destrutivo, onde o potencial humano é desperdiçado e a cultura
corporativa se torna cada vez mais frágil.
PRINCIPAIS CAUSAS
A complexidade do silêncio organizacional está na sua origem multifatorial. Entre as
causas mais frequentes encontramos: hierarquias rígidas que inibem a partilha, sobrecarga
de trabalho que limita o diálogo, ausência de canais de comunicação eficazes e
anónimos, falta de reconhecimento e valorização do feedback, clima de medo, insegurança
psicológica e desconfiança.
COMO EVITAR
Combater o silêncio exige consciencialização, escuta ativa e liderança corajosa. Um
dos primeiros passos é avaliar o clima organizacional através de um questionário interno.
Aliado aos resultados da sua pesquisa, deve criar planos de ação que privilegiem
abertura dos colaboradores, nomeadamente:
1. Demonstrar abertura: a liderança deve ser o primeiro exemplo de transparência.
Ao partilhar opiniões e preocupações, demonstra abertura e incentiva os colaboradores
a fazer o mesmo.
2. Criar canais de comunicação seguros: implemente mecanismos que facilitem a
partilha de ideias, sejam reuniões regulares, plataformas digitais ou canais anónimos
de feedback.
3. Estimular a diversidade de opiniões: a inovação nasce da diferença. Valorize a
pluralidade de experiências e perspectivas dentro da equipa.
4. Implementar políticas anti-retaliação: garanta que expressar uma opinião não
traz consequências negativas. Um ambiente de segurança psicológica é essencial para
a confiança.
5. Promover feedback construtivo: crie uma cultura onde o feedback é visto como
uma oportunidade de crescimento — tanto individual como organizacional.
6. Investir em competências de comunicação: forme líderes e equipas para comunicar
com clareza, empatia e assertividade.
7. Promover um ambiente de confiança: a confiança constrói-se com consistência,
honestidade e coerência. Um colaborador que confia, fala.
8. Reconhecer e valorizar colaboradores: celebre publicamente boas ideias e reconheça
quem contribui para o sucesso da organização.
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