09.02.2026 Visualizações

Biomais_77 OPS

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Entrevista

Thiago Falda, presidente da ABBI, comenta o cenário de bioinovação no Brasil

360º EM SERVIÇOS

E SUPORTE

COM CONSISTÊNCIA GLOBAL E ATUAÇÃO

LOCAL, EMPRESA SE DESTACA NA

OFERTA DE SERVIÇOS COM EQUIPE

ALTAMENTE QUALIFICADA

360º IN SERVICES

AND SUPPORT

WITH GLOBAL CONSISTENCY AND

LOCAL ACTION, THE COMPANY STANDS

OUT IN OFFERING SERVICES WITH A

HIGHLY QUALIFIED TEAM

9 772359 458023 0 0 0 7 7

CARVÃO VEGETAL

PRODUTORES, PODER PÚBLICO

E ACADEMIA SE UNEM PARA

FORTALECER MERCADO SUSTENTÁVEL

CARBONO ZERO

TECNOLOGIAS PODEM ZERAR PEGADA

DO ETANOL BRASILEIRO




SUMÁRIO

06 | EDITORIAL

Eficiência e qualidade

08 | CARTAS

10 | NOTAS

16 | ENTREVISTA

22 | PRINCIPAL

28 | ESTUDO

Tecnologias podem

zerar, e até negativar, a

pegada de carbono

32 | MODELO

Carvão vegetal

sustentável

38 | ARTIGO

46 | AGENDA

48 | OPINIÃO

2026 à vista: uma nova rota para

crescimento sustentável e orientado

a valor

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br



EDITORIAL

Os serviços e peças da

ANDRITZ são o destaque

da capa desta edição

Direct Drive

Precisão para a

indústria de biomassa.

EFICIÊNCIA

E QUALIDADE

O

setor de biomassa tem registrado uma demanda crescente em todo mundo, que cada vez mais procura adequar sua produção

para o ambiente de transição energética. A matéria de capa desta edição da Revista REFERÊNCIA BIOMAIS traz o portfólio de

serviços da ANDRITZ, empresa global com atendimento local, que atua em diferentes segmentos, e é pioneira mundial na

área de equipamentos para biomassa. Com capacidade para atender, desde a grande, até a pequena indústria, a reportagem

destaca o serviço qualificado de manutenção e suporte, que é um dos diferenciais da ANDRITZ. Em outra matéria mostramos a experiência

de Encruzilhada do Sul (RS) que vem reorganizando o setor produtivo de carvão vegetal para atender a demanda internacional. Pesquisa

desenvolvida pela Embrapa para redução da pegada de carbono no etanol brasileiro, também, é tema de reportagem. Na editoria de Entrevista

conversamos com o presidente da Abbi (Associação Brasileira de Bioinovação) Thiago Falda, que destaca a importância do desenvolvimento

do setor. Desejamos uma excelente leitura e ano novo de repleta realizações.

EFFICIENCY AND QUALITY

T

he Biomass Sector has experienced growing demand worldwide, with increasing efforts to adapt production to the energy transition. This

issue of REFERÊNCIA Biomais features ANDRITZ’s service portfolio. ANDRITZ is a global company with local service, operating across different

segments and a world pioneer in biomass equipment. The article highlights ANDRITZ’s ability to serve both large and small industries,

as well as its qualified maintenance and support services, which are key differentiators. Another article showcases Encruzilhada do Sul’s

(RS) experience reorganizing the Charcoal Production Sector to meet international demand. A report discusses research developed by Embrapa

to reduce the carbon footprint of Brazilian ethanol. In the Interview Section, we speak with Thiago Falda, President of the Brazilian Bioinnovation

Association (ABBI), who emphasizes the importance of the Sector's development.

We hope you enjoy this issue and have a new year full of achievements.

EXPEDIENTE

ANO XIII - EDIÇÃO 77 - FEVEREIRO 2026

Diretor Comercial/Commercial Director:

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo/Executive Director:

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação/Writing:

Gisele Rossi

(jornalismo@revistabiomais.com.br)

Dep. de Criação/Graphic Design:

Fabiana Tokarski - Supervisão -

Aime Cristine Lima

Letícia Stefanello

(criacao@revistareferencia.com.br)

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Tradução / Translation: John Wood Moore

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www.jotaeditora.com.br

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produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

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ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza

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and other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden

without written authorization of the holder of the authorial rights, except for

educational purposes.

SAIBA MAIS

Peletizadora de

alta perfomance

06 www.REVISTABIOMAIS.com.br



CARTAS

PRINCIPAL

Parabéns pela reportagem. Mostra como a LDG tem contribuído para entrada dos pellets

brasileiro no mercado europeu.

João Ricardo de Assis – Umuarama (PR)

Foto: divulgação

BALANÇO

A reportagem mostrou o que temos visto no Estado: um grande avanço na produção de bioenergia com apoio do poder

público e instituições.

Maurício Campos – Dourados (MS)

ENTREVISTA

Gostei da entrevista. Traz uma visão direta sobre o que representa a eficiência energética. Um objetivo que todos

buscamos.

Rosaldo Silva – Palmas (TO)

PRÊMIO REFERÊNCIA MELHORES DO ANO!

Mais uma vez o Prêmio valorizou quem atua na área e reconheceu as empresas que

fazem a diferença no setor.

Clóvis Araújo – São José do Rio Preto (SP)

Foto: Emanoel Caldeira

www.revistabiomais.com.br

na

energia

biomassa

dia informação

@revistabiomais

/revistabiomais

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

08 www.REVISTABIOMAIS.com.br



NOTAS

PODCAST

REFERÊNCIA

O Podcast REFERÊNCIA começou sua

temporada 2026 com a qualidade que

já marca os seus dois anos de trajetória.

O convidado recebido nesse primeiro

episódio foi Daniel Woiski (foto ao lado),

CEO da Solida Brasil Madeiras, empresa

de Rio Negrinho (SC). Daniel é engenheiro

elétrico formado pela UTFPR (Universidade

Federal Tecnológica do Paraná), pós-graduado

Administração industrial em pela UFPR

(Universidade Federal do Paraná) e MBA

em gestão empresarial pela PGV (Fundação

Getúlio Vargas). O programa comprou com

o apoio da Dallabona Máquinas e Lion&-

Mosole.

Daniel abre o programa contando como

chegou ao segmento industrial da madeira

de forma até surpreendente, em um convite,

por sua experiência em engenharia, para

a construção de uma serraria. “Um headhunter

me convidou para fazer todo o projeto

dessa fábrica em Rio Negrinho (SC) e como

um desafio dessa magnitude eu topei. Foram

dias de muita luta, a cidade era muito

menor há 26 anos, muitas dificuldades, mas

foi uma grande experiência”, relata Daniel.

Daniel atua como coordenador do

comitê de madeira serrada na Abimci (Associação

Brasileira da Indústria da Madeira

Processada Mecanicamente) e destaca o

crescimento dos desafios e das demandas

trazidas pela associação. “Tínhamos muitas

dificuldades pela falta de união do setor

de molduras que é parte importante da indústria madeireira e agora, com muito trabalho, conseguimos aproximas as empresas,

manter uma parceria com respeito e competividade, acima de tudo, lutando pelo setor”, aponta Daniel.

No bloco: Isso é REFERÊNCIA pra você; Daniel compartilhou sua paixão por vinhos, que se tornou uma paixão ao longo dos

anos e começou, da melhor forma, com cerveja. “Aprendi a fazer e entender de cerveja e depois passei para o vinho. É uma bebida

com história, com regionalidade, origem e que marca momentos diferentes. Já tenho cursos na área e se a madeira deixar de

dar certo, já sei para onde ir”, brinca Daniel.

Fotos: REFERÊNCIA

IMPORTAÇÃO DE MATRIZES DE

PELETIZADORAS. ATENDEMOS

AS PRINCIPAIS MARCAS

ATENDEMOS OS SEGMENTOS:

ADUBO, BIOMASSA, RAÇÃO,

MICROPELETIZAÇÃO, FORMICIDAS,

ENTRE OUTROS

Os episódios do Podcast REFERÊNCIA estão disponíveis no nosso canal do

youtube, que o Leitor pode acessar através do QR Code:

10 www.REVISTABIOMAIS.com.br

SOLICITE SEU ORÇAMENTO OU VISITA TÉCNICA, ATENDEMOS O BRASIL TODO.



NOTAS

INCENTIVO PARA

BIOMASSA ENERGÉTICA

A CPL (Cadeia Produtiva Local) do Eucalipto do Alto

Tietê foi uma das organizações apoiada pelo programa

SP Produz em 2025, da SDE (Secretaria de Desenvolvimento

Econômico) do Estado de São Paulo, que visa

fortalecer a economia regional com mais emprego e

renda. Com o apoio técnico e recursos do SP Produz,

a CPL conseguiu adquirir novos equipamentos para

melhorar a eficiência da produção e a qualidade dos

cavacos, pedaços ou lascas de madeira que são utilizados

como matéria-prima para celulose ou carvão,

biomassa energética, e compostagem. Os equipamentos

comprados foram um picador, um classificador de

tamanhos e um medidor de umidade e densidade. A

CPL do Eucalipto é gerida pela Camat (Cooperativa

Agrícola Mista do Alto Tietê) que produz e comercializa

madeira para celulose, biomassa energética, pallets

além de subprodutos como mel, frutas e geleias.

Lançado em junho de 2024, o programa SP Produz

tem como objetivo fortalecer as cadeias produtivas

locais de São Paulo, estimulando a auto-organização

de aglomerações produtivas setoriais e promovendo o

desenvolvimento econômico regional.

GERAÇÃO TÉRMICA SUSTENTÁVEL COM QUALIDADE, INOVAÇÃO E TECNOLOGIA!

Foto: divulgação

Fone: +55 47 3520-2500

Rua dos Vereadores, 410 - Itoupava - Rio do Sul - SC - Brasil

www.engecasscaldeiras.com.br

@engecassvapor

12 www.REVISTABIOMAIS.com.br



NOTAS

PROJETO EDUCATIVO SOBRE BIOMASSA

“Biomassa en su Casa” é o nome do projeto educativo idealizado e promovido pela Avebiom (Associação

Espanhola de Biomassa) que visa aproximar o público das vantagens da utilização da biomassa como

fonte de energia para aquecimento e água quente em residências. Trata-se de uma exposição itinerante

e interativa, adequada para todas as idades, que está percorrendo a Espanha. O projeto teve início em

outubro de 2025 e tem previsão de se estender até a março de 2030, visitando 250 cidades com até 40 mil

habitantes. É uma oportunidade para os cidadãos descobrirem como a biomassa pode ajudá-los a reduzir

suas contas de energia e, ao mesmo tempo, contribuir para a construção de um modelo energético mais

sustentável no país. A exposição conta com um veículo termático, com exposição de biomassas, biocombustíveis,

e também desenvolve diferentes atividades com os visitantes. O projeto teve sua primeira

edição em 2015 e foi retomado no último ano.

Fotos: divulgação Avebiom

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br



ENTREVISTA

Foto: Ddivulgação ABBI

ENTREVISTA

A

ABBI (Associação Brasileira de Bioinovação) criada

em 2014 vem atuando para o desenvolvimento

da bioeconomia no Brasil. Terminou o último ano

selecionada, ao lado do ISI B&F (Instituto Senai de

Inovação em Biossintéticos e Fibras) e do ISI BDV (Instituto de

Inovação em Biodiversidade e Economia Circular), para desenvolver

um estudo científico independente solicitado pela CDB

(Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica),

entre outras conquistas. Em 2024, ao comemorar 10

anos de fundação, a ABBI publicou o estudo: Identificação das

Oportunidades e o Potencial do Impacto da Bioeconomia para

a Descarbonização do Brasil - Novos Cenários; em parceria

com o ISI B&F. A Revista REFERÊNCIA BIOMAIS conversou com

Thiago Falda, presidente da ABBI para falar sobre o cenário de

bioinovação no país.

THIAGO

FALDA

AMBIENTE

DE INOVAÇÃO

INNOVATION ENVIRONMENT

Formação: Biologia – UEL (Universidade Estadual de Londrina);

doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas – USP (Universidade

de São Paulo)

Education: Biology — State University of Londrina (UEL); PhD in Genetics

and Plant Breeding — University of São Paulo (USP)

Cargo: Presidente executivo da ABBI (Associação Brasileira de

Bioinovação)

Function: Executive President of the Brazilian Bioinnovation Association

(ABBI)

T

he Brazilian Bioinnovation Association (ABBI),

founded in 2014, has been working to develop

Brazil’s Bioeconomy. Last year, alongside the Senai

Institute for Innovation in Biosynthetics and Fibers

(ISI B&F) and the Institute for Innovation in Biodiversity and

the Circular Economy (ISI BDV), it was selected to conduct an

independent scientific study requested by the Conference of

the Parties (COP) to the Convention on Biological Diver-sity

(CBD), among other achievements. In 2024, in celebration of

its 10th anniversary, ABBI published the study, “Identification

of Opportunities and the Potential Impact of the Bioeconomy

for the Decarbonization of Brazil: New Scenarios”, in partnership

with ISI B&F. Biomais spoke with Thiago Falda, President

of ABBI, to discuss the bioinnovation scenario in Brazil.

Como foi sua trajetória profissional até chegar

na presidência da ABBI?

Sou biólogo por formação, com doutorado em genética

e melhoramento de plantas pela USP (Universidade

de São Paulo). Ao longo da minha carreira, atuei

como pesquisador e executivo em diferentes segmentos

da indústria ligados à bioinovação. Desde 2016,

faço parte da ABBI (Associação Brasileira de Inovação),

primeiro como diretor de Assuntos Regulatórios e, a

partir de 2019, como presidente executivo, tendo a

missão de consolidar a bioinovação como uma agenda

estratégica para o Brasil.

Há quanto tempo existe a ABBI e qual seu principal

objetivo?

A ABBI foi fundada em 2014 e, desde então, tem

trabalhado no desenvolvimento de um ambiente

favorável à bioinovação no Brasil. Nosso principal

objetivo é impulsionar a bioeconomia como vetor de

crescimento econômico sustentável, aproximando

ciência, indústria e políticas públicas.

Como a associação está constituída e quem

pode participar?

Somos uma associação sem fins lucrativos, formada

por empresas e instituições de diferentes portes e

setores que acreditam na bioinovação como caminho

para um país mais competitivo e sustentável. Podem

participar organizações que atuem em P&D, produção,

comercialização ou serviços ligados à biotecnologia e

bioeconomia.

A bioinovação é hoje uma nova fronteira para a

economia?

Sem dúvida. Ela está no centro da transição para

uma economia de baixo carbono e mais circular. Um

movimento que pede uma revolução industrial urgente

para os nossos desafios contemporâneos. Países

que dominarem essas tecnologias vão liderar cadeias

de valor estratégicas nas próximas décadas.

O setor produtivo nacional está preparado para

atuar com bioinovação?

Temos capacidades científicas e industriais importantes,

mas precisamos ampliar investimento em

pesquisa aplicada, infraestrutura e marcos regulatórios.

O potencial está aqui, precisamos acelerar a

transformação.

What was your professional career path like

before becoming President of the Brazilian Bioinnovation

Association (ABBI)?

I am a biologist by training with a Ph.D. in genetics

and plant breeding from USP. Throughout my

career, I have worked as a researcher and executive

across various Bioinnovation industry segments.

Since 2016, I have been part of ABBI, first as Director

of Regulatory Affairs and, since 2019, as Executive

President. My mission is to consolidate Bioinnovation

as a strategic agenda for Brazil.

How long has ABBI been around, and what is

its main objective?

Founded in 2014, ABBI has been working to

develop an environment conducive to Bioinnovation

in Brazil. Our primary goal is to promote the Bioeconomy

as a driver of sustainable economic growth by

bringing together science, industry, and public policy.

How is the Association structured, and who

can participate?

We are a nonprofit association composed of

companies and institutions of various sizes and

sectors that believe in Bioinnovation as a means

to make Brazil more competitive and sustainable.

Organizations involved in research and development

(R&D), produc-tion, marketing, or services related to

Biotechnology and the Bioeconomy are eligible to

participate.

Is Bioinnovation a new frontier for today’s

economy?

Without a doubt. It is at the heart of the transition

to a lowcarbon, circular economy. It is a movement

that calls for an urgent industrial revolution

to address contemporary challenges. Countries that

master these technologies will dominate strategic

value chains in the coming decades.

Is the Brazilian Productive Sector prepared to

embrace Bioinnovation?

Although we have significant scientific and industrial

capabilities, we need to increase investment

in applied research, infrastructure, and regulatory

frameworks. The potential is here; we just need to

accelerate the transformation.

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

17



ENTREVISTA

www.metalsulindustrial.com

O que destacaria de mais promissor atualmente

no Brasil em bioinovação?

Destaco a produção de biocombustíveis avançados,

a aplicação de biotecnologia na produção de

alimentos, os novos materiais de base renovável e a

química verde. São áreas onde o Brasil já tem competitividade

natural e capacidade de escalar soluções para

o mundo.

What areas of Bioinnovation in Brazil do you

consider most promising today?

I would highlight the production of advanced

biofuels, the application of Biotechnology in food

production, the development of new renewable

materials, and green chemistry. Brazil already has

natural competitiveness and the capacity to scale

solutions in these areas for the world.

Qual impacto do estudo: Novos Cenários de

2024; para o setor?

O estudo mostrou, com dados e modelagem

econômica, que a bioeconomia pode reduzir significativamente

as emissões de carbono e gerar bilhões

de reais em valor agregado para a economia brasileira.

Ele também orienta políticas públicas e investimentos

privados para aproveitar as oportunidades naturais de

um país com a biodiversidade do Brasil.

Como avalia os avanços na regulamentação

junto ao Congresso e governos?

Temos avançado no diálogo com o congresso

e órgãos reguladores, e podemos dizer que houve

avanços históricos para a bioeconomia nos últimos 2

anos. Foram aprovadas leis como a do Combustível

do Futuro, do Mercado Regulado de Carbono, o Marco

Legal dos Bioinsumos, por exemplo, que impulsionam

sobremaneira diferentes setores que exploram bioprodutos.

Precisamos avançar na regulamentação desses

dispositivos com o intuito de trazer mais segurança

jurídica, atrair investimentos e acelerar a pesquisa

e o desenvolvimentos de novas biosoluções. É um

trabalho contínuo, que exige alinhamento entre setor

público e privado.

What impact does the study have on the Sector?

New Scenarios for 2024 have been de-veloped

for the Sector?

The study used data and economic modeling to

show that the Bioeconomy can significantly reduce

carbon emissions and generate billions of reais in

added value for the Brazilian economy. The study

also guides public policies and private investments,

helping them capitalize on Brazil’s natural opportunities

and biodiversity.

How would you assess the progress of Congress

and Governments in regulating the Sector?

We have made progress in our dialogue with

Congress and regulatory agencies. We can say that

there have been significant advances in the Bioeconomy

over the last two years. For example, laws

such as the Fuel of the Future, the Regulated Carbon

Market, and the Legal Framework for Bioinputs have

been passed, greatly boosting sectors that exploit

bioproducts. To provide greater legal certainty,

attract investment, and accelerate the de-velopment

of new biosolutions, we need to move forward with

the regulation of these devices. This is an ongoing

A Metal Sul Industrial atua no desenvolvimento

e fabricação de equipamentos industriais para

os setores de biomassa, fertilizantes e fundição.

Reconhecida pela engenharia aplicada e

soluções sob medida,

, com foco em

robustez, produtividade e confiabilidade.

Alinhada ao agronegócio e à sustentabilidade,

a MetalSul Industrial desenvolveu uma planta

compacta para fertilizantes orgânicos-minerais,

com layout eficiente, flexibilidade de formulações

e menor investimento inicial.

DNA da Empresa:

Temos capacidades científicas e industriais importantes,

mas precisamos ampliar investimento em pesquisa aplicada,

infraestrutura e marcos regulatórios. O potencial está aqui,

precisamos acelerar a transformação

Engenharia inteligente

Soluções sob medida

Equilíbrio técnico e econômico

Inovação aplicada à indústria

18 www.REVISTABIOMAIS.com.br

(49) 9 8806-7493 | 9 8817-2113

(49) 3353 6101

Rua 05, Distrito Industrial Sérgio, Anestor Davi

nº 26 - Bairro Industrial - Xaxim - SC



ENTREVISTA

Quais os desafios para ampliar a presença da

bioinovação no setor empresarial?

O principal desafio é reduzir o tempo entre a pesquisa

e a aplicação comercial. Isso envolve questões

ligadas a financiamento, infraestrutura, regulamentação

e qualificação de mão de obra, principalmente.

Também precisamos aumentar a percepção de valor

da bioinovação por parte dos consumidores.

Quais as perspectivas para o crescimento da

biomassa relacionada a bioinovação?

Acreditamos que o crescimento deve continuar,

especialmente com a diversificação das fontes e o

avanço de tecnologias de conversão mais eficientes. O

Brasil tem disponibilidade de biomassa e know-how

para transformá-la em energia, combustíveis e materiais

de alto valor.

Quais as expectativas a curto prazo para o setor

de bioinovação no Brasil?

Estamos falando de um setor que tende a gerar

milhares de empregos qualificados, atrair investimentos

e abrir mercados. No curto prazo, veremos mais

projetos saindo do papel e entrando em operação,

impulsionando não só a economia, mas também a

agenda de sustentabilidade do país. Hoje, o próprio

governo federal lista a bioeconomia como uma de

suas prioridades, com a criação de diversas secretarias,

em diferenças pastas da Esplanada, com a finalidade

de acelerar essa transformação na economia e na

indústria.

effort requiring alignment between the Public and

Private Sectors.

What challenges exist in expanding the presence

of Bioinnovation in the Business Sector?

The main challenge is reducing the time between

research and commercial application. This involves

issues related to financing, infrastructure, regulation,

and workforce training. Additionally, we need to raise

consumer awareness of the value of Bioinnovation.

What are the prospects for growth in Biomass

related to Bioinnovation?

We believe growth will continue, especially given

the diversification of sources and advancements in

more efficient conversion technologies. Brazil has

the Biomass and the knowledge to transform it into

energy, fuels, and highvalue materials.

What are the shortterm expectations for the

Bioinnovation Sector in Brazil?

This Sector tends to generate thousands of skilled

jobs, attract investment, and open markets. In the

short term, more projects will get off the ground and

come into operation, boosting the economy and

the Country's sustainability agenda. Currently, the

Federal Government lists the Bioeconomy as a priority

and has established several secretariats across

ministries to accelerate this economic and industrial

transformation.

Precisamos avançar na regulamentação para trazer mais

segurança jurídica, atrair investimentos e acelerar a

pesquisa e o desenvolvimentos de novas biosoluções. É

um trabalho contínuo, que exige alinhamento entre setor

público e privado

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br



PRINCIPAL

ALTA CAPACIDADE EM

SERVIÇOS

EMPRESA SE DIFERENCIA NO MERCADO PELA

OFERTA QUALIFICADA DE SERVIÇOS E REPAROS EM

EQUIPAMENTOS VISANDO MAIOR RENDIMENTO

FOTOS DIVULGAÇÃO ANDRITZ

HIGH-CAPACITY

SERVICES

THE COMPANY STANDS OUT

IN THE MARKET FOR ITS HIGH-

QUALITY SERVICES AND

EQUIPMENT REPAIRS AIMED AT

IMPROVED PERFORMANCE

A

indústria atual pede agilidade, automação e atendimento

global. A realização de um serviço de

manutenção ou reparo feitos de forma assertiva

garante alto rendimento no funcionamento das

máquinas.

Reconhecida pelos equipamentos de qualidade, instalação

de plantas industriais completas, soluções para a área

de biomassa, entre outras, e atendendo empresas de grande

a pequeno porte, a ANDRITZ se diferencia no mercado pela

ampla capacidade no fornecimento de serviços.

São reformas, upgrades, serviços de manutenção realizados

a partir de inspeção técnica, com profissionais qualificados,

feitos no local para verificar as necessidades e as soluções

adequadas em cada caso. Serviços realizados em equipamentos

próprios, reposição de peças de desgaste como martelos,

capas de rolo, matrizes e telas, são feitos também em equipamentos

de outras marcas, oferecendo desde reparos até

a otimização, substituição e reengenharia de componentes,

que incluem reconstrução de máquinas para ampliar a capacidade,

a qualidade e reduzir os custos operacionais.

T

oday’s industry demands agility, automation,

and global service. Performing maintenance or

repairs assertively ensures high machine performance.

ANDRITZ is recognized for its quality equipment, installation

of complete industrial plants, and solutions for the

Biomass Sector. Serving both large and small companies,

ANDRITZ stands out in the market for its wide range of

services.

These services include renovations, upgrades, and

maintenance based on technical inspections. Qualified

professionals perform these services on-site to verify needs

and appropriate solutions in each case. The Company

performs services on its own equipment and replaces worn-out

parts, such as hammers, roller covers, dies, and screens.

ANDRITZ also performs these services on equipment

from other brands. The Company offers everything from

repairs and optimization to component replacement and

reengineering, including machine reconstruction to increase

capacity and quality and reduce operating costs.

22 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

23



PRINCIPAL

“A ANDRITZ possui um portfólio 360º (graus) de serviços

e suporte, com abrangência total. Temos capacidade qualificada

para realização de serviços de reforma, manutenção e

reposição de peças customizadas. Nossa operação no Brasil

conta com profissionais de alta competência com conhecimento

em engenharia, mecânica, eletromecânica, processo,

automação”, aponta Nicolas Bouziot, Gerente de Tecnologia

da ANDRITZ Feel & Biofuel.

A unidade brasileira da ANDRITZ Feed & Biofuel é a maior

da América Latina e atende toda a região.

CONHECIMENTO QUALIFICADO

A inspeção técnica no local é o pontapé inicial do serviço.

Com visita agendada em horários convenientes, profissionais

especialistas avaliam as condições das máquinas, utilizando

um checklist estruturado, pré-organizado, cujo relatório final

vai incluir: lista de recomendações para manutenção e reparo,

indicação de pacote de peças de reposição personalizadas e

orientações para evitar paradas inesperadas, além de prolongar

a vida útil do equipamento.

“ANDRITZ has a 360° portfolio of services and support

with total coverage. We have the qualified capacity to

refurbish, maintain, and replace customized parts. Our

operation in Brazil has highly competent professionals

with knowledge in engineering, mechanics, electromechanics,

processes, and automation,” says Nicolas Bouziot,

Technology Manager at ANDRITZ Feed & Biofuel.

ANDRITZ Feed & Biofuel's Brazilian unit is the largest

in Latin America and serves the entire region.

QUALIFIED KNOWLEDGE

The on-site technical inspection is the first step of the

service process. During these visits, which are scheduled

at convenient times, experts assess the condition of the

machines using a structured checklist. The final report

includes recommendations for maintenance and repair,

a customized spare parts package, and guidelines to prevent

unexpected downtime and extend the equipment’s

service life.

Temos profissionais

especializados em mecânica,

eletrônica e automação,

que dominam o processo

e realizam o atendimento

e o treinamento da equipe

operacional que atuará no

processo produtivo

Guilherme Coelho,

Gerente de Serviços, ANDRITZ

Feed & Biofuel, LATAM

A ANDRITZ possui um

portfólio 360º de serviços e

suporte, com abrangência

total. Temos capacidade

qualificada para realização

de serviços de reforma,

manutenção e reposição de

peças customizadas

Nicolas Bouziot,

Gerente de Tecnologia

da ANDRITZ Feel & Biofuel

Após a inspeção, a equipe da ANDRITZ executa as recomendações

no local, com ferramentas especiais e integração

às operações existentes. Após a inspeção técnica e visita de

implementação do serviço, a equipe multidisciplinar da empresa

realiza o pré-commissioning com realização de testes de

verificação, e acompanha o startup da operação. Este processo

reduz o tempo de startup em até 20% identificando até 90%

dos problemas antes da instalação real e início de operação.

A empresa ainda oferece manutenção preventiva periódica

e suporte remoto para resolver rapidamente possíveis

falhas, com foco na confiabilidade e longevidade do equipamento.

“São profissionais com expertise em mecânica, eletrônica,

automação que conhecem o processo, e fazem o atendimento,

acompanham a primeira produção do equipamento e o

treinamento da equipe operacional que vai ser responsável

pelo processo produtivo. Com uma rede internacional de centros

de serviço e linha direta com os clientes, a ANDRITZ garante

atendimento ágil minimizando o tempo de espera e o

impacto nas operações, garantindo suporte técnico conforme

a demanda”, explica Guilherme Coelho, Gerente de Serviços,

ANDRITZ Feed & Biofuel, LATAM.

After the inspection, the ANDRITZ team implements

the recommendations on-site using specialized tools

and integrates them into existing operations. Following

the technical inspection and service implementation, the

Company’s multidisciplinary team performs pre-commissioning

with verification tests and monitors startup. This

process reduces startup time by up to 20% by identifying

up to 90% of problems before installation and operation

begin.

The Company also offers periodic preventive maintenance

and remote support to quickly resolve potential issues,

with a focus on equipment reliability and longevity.

“Our professionals have knowledge of mechanics,

electronics, and automation. They understand the process

and provide service, initial equipment production,

and training for the operational team responsible for the

production process. With an international network of

service centers and a direct line to customers, ANDRITZ

guarantees fast service, minimizing waiting time and the

impact on operations while ensuring technical support is

available when needed,” explains Guilherme Coelho, Services

Manager at ANDRITZ Feed & Biofuel, LATAM.

24 www.REVISTABIOMAIS.com.br

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 25



PRINCIPAL

A ANDRITZ oferece a possibilidade de contratos customizados

para serviços, incluindo todos os custos e previsão de

horas para atendimento. Conforme Guilherme, são contratos

voltados para atender as necessidades específicas de cada

cliente, e uma modalidade que teve bastante aceitação do

mercado no último ano.

AUTOMAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO

Através da plataforma Metris, a ANDRITZ oferece uma série

de soluções digitais que elevam o controle operacional à

era da Indústria 4.0 como: otimização de processos e gestão

de ativos com monitoramento em tempo real, manutenção

preditiva e controle baseado em dados; sistemas de automação

(PLC, DCS, SCADA) que aumentam a produtividade, reduzem

falhas e otimizam recursos; cibersegurança integrada, em

parceria com o sistema Otorio, o que previne riscos digitais

conforme padrões IEC 62443; ganho de eficiência energética

comprovado entre 3% e 17%, e aumento de rendimento entre

7% a 16%.

“Quando o cliente faz uma avaliação qualitativa ele percebe

que oferecemos cobertura completa do ciclo de vida das

máquinas, desde o diagnóstico até a reforma e digitalização”,

comenta Eduardo Soffioni, Gerente de Vendas da ANDRITZ.

A empresa que atua no Brasil há mais de 30 anos, também

está ampliando sua equipe. A partir deste ano de 2026,

a região sul do Brasil passou a ter um atendimento comercial

especializado com Eduardo Tripadalli (eduardo.tridapalli@andritz.com/47

99249 6921), dedicado para atender os clientes

dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina no segmento

de biomassa.

ANDRITZ offers specific service contracts that include

all costs and estimated service hours. According to Coelho,

these contracts are designed to meet each customer’s

specific needs, and the market has responded very well to

this model in the last year.

AUTOMATION AND DIGITIZATION

Through the Metris Platform, ANDRITZ offers digital

solutions that bring operational control into the Industry

4.0 era. These solutions include process optimization and

asset management with real-time monitoring, predictive

maintenance, and data-based control; automation systems

(PLC, DCS, and SCADA) that increase productivity,

reduce failures, and optimize resources; and integrated

cybersecurity in partnership with the Otorio System. This

partnership prevents digital risks in accordance with IEC

62443 standards. ANDRITZ also offers proven energy-efficiency

gains of 3% to 17% and yield increases of 7% to

16%.

“When customers conduct a qualitative assessment,

they realize that we offer complete coverage of the machine

life cycle, from diagnosis to refurbishment and digitization,”

says Eduardo Soffioni, ANDRITZ’s Sales Manager.

The Company, which has been operating in Brazil for

over 30 years, is expanding its team. Starting in 2026, Eduardo

Tripadalli will provide specialized commercial services

in the Southern Region of Brazil, serving customers in

the States of Rio Grande do Sul and Santa Catarina in the

Biomass segment (eduardo.tridapalli@andritz.com/ +55

47 99249 6921).

Temos consistência global e atuação local. A experiência

internacional da ANDRITZ proporciona suporte especializado adaptado

as realidades regionais, para diferentes tamanhos de operação

Nicolas Bouziot,

Gerente de Tecnologia da ANDRITZ Feel & Biofuel

Eduardo Tripadalli,

atendimento comercial

especializado

na região sul do Brasil

Email

Contato

São aspectos que diferenciam a ANDRITZ no mercado, afinal

a empresa mostra sua competitividade ao oferecer reposição

de peças para máquinas de empresas concorrentes, ampliando

o alcance de sua assistência técnica. Oferece também

sinergia entre físico e digital com inspeção e manutenção que

são potencializadas pela automação, gêmeo digital e o uso de

inteligência artificial.

“Temos consistência global e atuação local. A experiência

internacional da ANDRITZ proporciona suporte especializado

adaptado as realidades regionais, e diferentes tamanhos de

operação. Tudo isso promove a redução de custos e de impacto

ambiental, por meio de upgrades de performance, consumo

energético otimizado e prevenção de falhas”, salienta

Nicolas Bouziot.

These are aspects that differentiate ANDRITZ in the

market. After all, ANDRITZ competes by offering replacement

parts for competitors’ machines and expanding

the reach of its technical assistance. ANDRITZ also offers

synergy between the physical and digital realms, providing

enhanced inspection and maintenance through automation,

digital twins, and artificial intelligence.

“We have global consistency and local presence.

ANDRITZ’s international experience provides specialized

support adapted to regional realities and operational

size. All of this promotes cost reduction and a smaller environmental

footprint through performance upgrades,

optimized energy consumption, and failure prevention,”

emphasizes Bouziot.

26 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

27



ESTUDO

TECNOLOGIAS

PODEM ZERAR,

E ATÉ NEGATIVAR,

A PEGADA

DE CARBONO

ETANOL BRASILEIRO PODE TER

PEGADA DE CARBONO NEGATIVA

COM NOVAS TECNOLOGIAS,

CONFORME INDICA ESTUDO DA

EMBRAPA E UNICAMP

FOTOS DIVULGAÇÃO

U

m estudo de cientistas da Embrapa Meio Ambiente

(SP) e da Unicamp (Universidade Estadual

de Campinas) mostra que a adoção de tecnologias

promotoras de emissão negativa é capaz de

transformar radicalmente a pegada de carbono do etanol

brasileiro, reduzindo-a a patamares próximos de zero ou

até mesmo negativos.

A pesquisa avaliou como a integração de bioenergia

com captura e armazenamento de carbono (no inglês

BECCS- Bioenergy with Carbon Capture and Storage) e com

a aplicação de biochar (ou biocarvão) em áreas agrícolas

poderiam ampliar os ganhos ambientais do RenovaBio,

a política nacional de biocombustíveis lançada em 2017.

Apesar do alto potencial nos efeitos no clima, os resultados

também revelam que a viabilidade depende de novos

mecanismos de incentivo econômico e regulatório.

28 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

29



ESTUDO

Em cenários mais

ambiciosos, a captura de

carbono também durante

a combustão da biomassa

permitiria resultados

negativos, alcançando

–81,3 gCO₂e/MJ

O BECCS é uma tecnologia que captura o carbono biogênico,

de origem vegetal, emitido na produção de etanol

e energia em usinas de cana-de-açúcar. Durante a fermentação

do caldo e a queima do bagaço e da palha para gerar

vapor e eletricidade, há liberação de CO₂ (gás carbônico),

que pode ser capturado e injetado em formações rochosas

subterrâneas não porosas, onde permanece armazenado

de forma segura. O processo, ainda caro e complexo, exige

prospecção geológica e infraestrutura adequada. No Brasil,

a Usina FS é pioneira na aplicação do BECCS, iniciativa que

reforça o papel dos biocombustíveis na redução das emissões

e na transição para uma economia de baixo carbono.

A fermentação se mostra

a opção mais promissora,

já que o CO₂ emitido nesse

processo é relativamente

puro e tecnicamente mais

fácil de capturar

Lucas Pereira,

pesquisador associado à

Embrapa Meio Ambiente

TECNOLOGIA APLICADA

Trata-se de uma tecnologia que combina a geração de

energia a partir de biomassa com a captura e o armazenamento

geológico do CO₂ emitido no processo (nesse

caso, em uma usina de cana-de-açúcar). Já o biochar, ou

biocarvão, é um material vegetal como o bagaço de cana,

submetido à pirólise, processo de aquecimento com pouco

oxigênio que o transforma em uma estrutura sólida e

estável de carbono. Aplicado ao solo, o biochar melhora

suas propriedades físicas e atua como um reservatório de

carbono de longa duração, ajudando no sequestro de CO₂

e na sustentabilidade agrícola.

Baseando-se na metodologia oficial do programa, a IC

(intensidade de carbono) do etanol hidratado brasileiro é

de cerca de 32,8 gCO₂e/MJ (gramas de dióxido de carbono

equivalente por megajoule), medida que expressa o total

de GEE (gases de efeito estufa) emitidos adotando o CO₂

como unidade padrão.

A pesquisa apontou, que caso o BECCS fosse incorporado

na etapa de fermentação, o índice poderia cair para

+10,4 gCO₂e/MJ. A aplicação de biochar nos canaviais, na

proporção de uma tonelada por hectare, reduziria o valor

para +15,9 gCO₂e/MJ, explica Lucas Pereira, pesquisador

associado à equipe de Avaliação do Ciclo de Vida da

Embrapa Meio Ambiente. “Em cenários mais ambiciosos, a

captura de carbono também durante a combustão da biomassa

permitiria resultados negativos, alcançando –81,3

gCO₂e/MJ,” relata Pereira.

O resultado de ambos – BECCS e biochar – evita que

o carbono retorne à atmosfera. O biochar é um insumo

agrícola obtido do aquecimento de biomassa vegetal,

formando um material estável que, ao ser aplicado ao solo,

Nilza Patrícia Ramos,

pesquisadora Embrapa

Meio Ambiente

mantém o carbono fixado. Já no BECCS, o CO₂ emitido nas

caldeiras e na fermentação é capturado e injetado sob

pressão em formações geológicas no subsolo.

ALTO CUSTO

Apesar da relevância, nenhuma das mais de 300 usinas

certificadas pelo RenovaBio adota hoje essas tecnologias.

O principal entrave está nos custos: enquanto os créditos

de descarbonização (CBIOs), negociados em bolsa, giram

em torno de US$ 20 por tonelada de CO₂, os custos estimados

de BECCS variam entre US$ 100 e US$ 200/tCO₂ até

meados do século. Já o biochar, com benefícios comprovados

de sequestro de carbono no solo, custa em média US$

427 por tonelada.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente

Nilza Patrícia Ramos, o estudo analisou duas frentes

de aplicação do armazenamento de carbono na cadeia

de etanol: durante a fermentação alcoólica e na geração

de eletricidade a partir de bagaço e palha. “A fermentação

se mostra a opção mais promissora, já que o CO₂ emitido

nesse processo é relativamente puro e tecnicamente mais

fácil de capturar. A captura na combustão, embora capaz

de gerar emissões negativas em larga escala, esbarra em

custos muito mais altos e em desafios de infraestrutura,

como transporte e armazenamento geológico do carbono”,

alerta Ramos.

Ainda que já existam plantas-piloto testando o armazenamento

de carbono em usinas de etanol de milho

no Brasil, nenhuma unidade sucroenergética opera com

a tecnologia. Os especialistas apontam que é necessário

mapear formações geológicas adequadas para o armazenamento

permanente do CO₂ e garantir a segurança contra

vazamentos.

Se implementadas em larga escala, as tecnologias

poderiam gerar ganhos expressivos. O estudo estima que a

combinação de armazenamento de carbono (fermentação

e combustão) e biochar em todas as usinas certificadas poderia

resultar em até 197 MtCO₂e em créditos de carbono,

o equivalente a 12% de todas as emissões brasileiras em

2022. O cenário mais viável, com BECCS aplicado apenas

na fermentação, capturaria cerca de 20 MtCO₂e/ano, uma

média de 75 kt por usina.

O impacto seria decisivo para o cumprimento das metas

climáticas brasileiras, que preveem reduzir as emissões

líquidas para 1.200 MtCO₂e até 2030 – cerca de 500 Mt a

menos do que em 2022.

30 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

31



MODELO

CARVÃO VEGETAL

SUSTENTÁVEL

UNIVERSIDADE GAÚCHA, PRODUTORES E

PODER PÚBLICO SE UNEM EM NOVO MODELO

REGIONAL PARA ATENDER O MERCADO

FOTOS DIVULGAÇÃO

SUSTAINABLE

CHARCOAL

THE UNIVERSITY OF RIO GRANDE DO SUL,

PRODUCERS, AND PUBLIC AUTHORITIES HAVE

JOINED FORCES TO CREATE A NEW REGIONAL

MODEL THAT WILL SERVE THE MARKET

32 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

33



MODELO

O

crescimento da demanda, principalmente

pelo mercado internacional, para uso de

carvão vegetal estimulou a reorganização

do setor em Encruzilhada do Sul (RS). O

município com mais de 170 anos de história aposta no

carvão vegetal como nova forma de aproveitamento do

seu potencial madeireiro. São mais de 75 mil ha (hectares)

de área plantada de florestas, ocupando o primeiro lugar

no ranking do Estado. O investimento iniciou há 20 anos,

com plantações de pinus, e hoje também com eucalipto e

acácia negra. As variedades têm sido matéria-prima para

os cerca de 15 carvoeiros.

O produto é feito por agricultores familiares, em pequenas

e médias propriedades, e vendido para empresas

que empacotam e vendem ao mercado estadual. No município,

já foram contabilizados cerca de 200 fornos, mas

por conta de entraves, dificuldades e queda de mercado,

hoje são cerca de 70.

Com a maior procura os produtores estão utilizando

novas tecnologias e apostam na regularização ambiental

para atender o mercado. Além disso, com o apoio do poder

público municipal, a expectativa é de que programas

de incentivo e de fomento auxiliem no processo.

T

he growing demand for charcoal, primarily

from the international market, has prompted

the reorganization of the Sector in Encruzilhada

do Sul, Rio Grande do Sul. The Municipality,

with a history spanning more than 170 years, is relying on

charcoal to exploit its timber potential. With more than

75,000 hectares of planted forests, it ranks first in the State.

Investment began 20 years ago with pine plantations and

now includes eucalyptus and black wattle. These varieties

serve as the raw material for approximately 15 charcoal

producers.

Family farmers produce the charcoal on small and medium-sized

properties and sell it to companies that package

and distribute it to the State market. There were once about

200 kilns in the Municipality, but due to obstacles and

difficulties, as well as a market downturn, there are now

only about 70.

In response to increased demand, producers are

adopting new technologies and investing in environmental

compliance to meet market needs. Additionally, with the

support of the municipal government, incentive and development

programs are expected to assist in this process.

Com escalas de produção

bem consideráveis, o

município se debruça na

habilitação do produto

para exportação e na busca

de formas de fomentar a

estrutura dos carvoeiros

Lucas Selbach,

coordenador da Secretaria

Municipal de Meio Ambiente de

Encruzilhada do Sul (RS)

REORGANIZANDO O SETOR

A partir do auxílio da Prefeitura de Encruzilhada do

Sul (RS), por meio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente

e de Agricultura e da UFSM (Universidade Federal

de Santa Maria), através do curso de Engenharia Florestal,

foi estruturado um projeto em quatro frentes: organização

de uma associação de produtores; criação de legislação

municipal com protocolo de licenciamento ambiental;

transferência de tecnologia, com reengenharia dos fornos

existentes para torná-los mais competitivos e eficientes;

criação de marca de identidade regional.

O coordenador da Secretaria Municipal de Meio Ambiente,

Lucas Selbach, enfatiza que o objetivo é organizar

a cadeia, com poder público, carvoeiros e empresas de

madeira. O tripé para estruturar o setor envolve conhecimento,

tecnologia e investimento, explica ele. “Com

escalas de produção bem consideráveis, o município se

debruça na habilitação do produto para exportação e na

busca de formas de fomentar a estrutura dos carvoeiros.”

O potencial de produção no município e a necessidade

de habilitação do carvão para exportação têm recebido

também atenção do professor Jorge Farias, do Departa-

REORGANIZING THE SECTOR

With the support of the Encruzilhada do Sul municipal

authorities, the Municipal Secretariats of Environment and

Agriculture, and the Federal University of Santa Maria’s

Forestry Engineering Department (UFSM), a four-pronged

project was developed. The project includes organizing a

producers’ Association, drafting municipal legislation with

an environmental licensing protocol, transferring technology,

and reengineering existing kilns to increase their

competitiveness and efficiency. Additionally, the project

involves creating a regional identity brand.

Lucas Selbach, the Coordinator of the Municipal

Department of the Environment, emphasizes that the goal

is to organize the chain with public authorities, charcoal

producers, and timber companies. He explains that the

three pillars for structuring the Sector are knowledge,

technology, and investment. “With considerable production

scales, the Municipality is focusing on qualifying the product

for export and promoting the organization of charcoal

producers.”

Professor Jorge Farias, from the Forest Sciences Department

at UFSM, has also noted the production poten-

34 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

35



MODELO

É um produto totalmente sustentável, utiliza apenas árvores

de plantios comerciais. E com o passar do tempo, a partir

de novas tecnologias, será o fixador de carbono no solo,

estratégia importante para retirar da atmosfera e mitigar o

aquecimento global e as mudanças climáticas

Jorge Farias, do Departamento de Ciências Florestais da UFSM

muito no processo. “Hoje dependemos muito do clima.

Em tempos de seca e de calor, a lenha carboniza mais fácil,

o que exige menos fogo e gera menos fumaça. E isso tudo

influencia também na qualidade do carvão.”

Dion Porto Ferraz, da localidade de Alto da Aviação,

dedica-se à atividade há cerca de 16 anos. Na sua propriedade

são 22 fornos, que mensalmente produzem de 30

mil kg a 50 mil kg (quilogramas). Cada queima, por forno,

dura em média 50 h (horas). Ele ainda destaca que seu

objetivo é obter o selo verde (produto ecológico) para o

pacote próprio. “Com utilização de 100% de madeira certificada,

mais a regularização legal, vai ser possível alcançar

esta meta”, acredita.

Com a cadeia organizada, a categoria já visualiza

alternativas além da produção do carvão. Derivado do

processo de queima da madeira, o extrato pirolenhoso

é utilizado na agricultura como fertilizante e adubo e

na indústria alimentar como aditivo para gerar o sabor

defumado. Outros usos estão no tratamento de água, na

indústria química e na produção de cosméticos.

NEW TECHNOLOGIES

One of the goals of this partnership among UFSM, the

Municipality, and rural producers is to provide access to

new technologies for wood carbonization, including adaptations

to the furnace-kiln system. This technology burns

the harmful gases generated during the process, reducing

pollution by about 95% while improving charcoal quality

and yield.

Clóvis Halinski Cardoso comments that infrastructure

affects charcoal production and quality. Therefore, this

change in furnace technology would significantly improve

the process. Cardoso works with three people in the municipality

of Caneleira. “Today, we depend a lot on the weather.

During droughts and hot weather, wood carbonizes more

easily, requiring less fire and generating less smoke. All of

this also influences the quality of the charcoal.”

Dion Porto Ferraz, from the municipality of Alto da

Aviação, has been engaged in this activity for about 16

years. He has 22 kilns on his property that produce 30,000

to 50,000 kilograms per month. Each firing lasts an average

of 50 hours per kiln. Ferraz also mentions that his goal is

to obtain a green seal for his packaging, certifying it as an

ecological product. “With the use of 100% certified wood

and legal regularization, this goal can be achieved,” he

believes.

With the supply chain being organized, the category

envisions alternatives beyond charcoal production. Pyroligneous

extract, derived from the wood-burning process,

is used in agriculture as fertilizer and in the food industry

to generate a smoky flavor. Other uses include water treatment,

the chemical industry, and cosmetics production.

mento de Ciências Florestais da UFSM, que está realizando

pesquisas e assessorando os envolvidos no projeto.

Segundo o professor, a produção de carvão vegetal no sul

do Brasil é altamente compatível com o tamanho das propriedades

familiares, contribuindo para aspectos sociais,

econômicos e ambientais. “Ele é totalmente sustentável,

utiliza apenas árvores de plantios comerciais. E com o passar

do tempo, a partir de novas tecnologias, será o fixador

de carbono no solo, estratégia importante para retirar da

atmosfera e mitigar o aquecimento global e as mudanças

climáticas”, explica.

NOVAS TECNOLOGIAS

O acesso a novas tecnologias para a carbonização da

madeira, como adaptações ao sistema forno-fornalha, é

uma das metas desta parceria entre a UFSM, município

e produtores rurais. Essa tecnologia queima os gases

nocivos gerados no processo, o que reduz em cerca de

95% a poluição e ainda apresenta ganhos em qualidade e

rendimento do carvão.

Clóvis Halinski Cardoso, que trabalha com o auxílio de

três pessoas na localidade de Caneleira, comenta que a

infraestrutura afeta a produção e a qualidade do carvão e,

por isso, essa mudança de tecnologia dos fornos agregaria

tial in the Municipality and the need to qualify charcoal

for export. He is conducting research and advising those

involved in the project. According to Professor Farias,

charcoal production in Southern Brazil is well-suited to

family-sized farms and contributes to social, economic, and

environmental well-being. “It is completely sustainable,

using only trees from commercial plantations. Over time, as

new technologies emerge, charcoal will help fix carbon in

the soil. This is an important strategy for removing carbon

from the atmosphere and mitigating global warming and

climate change,” he explains.

36 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

37



ARTIGO

POSSIBILIDADES DE

APROVEITAMENTO

ENERGÉTICO DO

RESÍDUO AGRÍCOLA DA

LAVOURA

CACAUEIRA

FOTOS DIVULGAÇÃO

HIRDAN KATARINA DE MEDEIROS COSTA

USP (Universidade de São Paulo)

GERALDO LAVIGNE DE LEMOS

USP (Universidade de São Paulo)

ANDRIEZA DE AQUINO ESLABÃO

USP (Universidade de São Paulo)

RESUMO

O

aproveitamento energético dos resíduos

agrícolas é uma importante alternativa para

a economia de baixo carbono. A lavoura cacaueira

gera relevante quantidade de resíduo

agrícola na forma de biomassa de casca de cacau. Este

estudo identificou rotas tecnológicas disponíveis para o

aproveitamento energético desse resíduo e quantificou a

capacidade de fornecimento aproveitável para fins energéticos.

Estudos anteriores apontam que a biomassa de casca

de cacau apresenta qualidades relevantes para a conversão

em produtos energéticos por diversas rotas tecnológicas,

como pirólise, biodigestão anaeróbia e fermentação. A

capacidade de fornecimento desse subproduto aproveitá-

vel para fins energéticos encontrou volumes expressivos. A

metodologia adotada foi de pesquisa bibliográfica, com a

obtenção de dados diretos e indiretos oriundos de órgãos

oficiais, além de pesquisa em literatura científica, por meio

do método dedutivo. Os resultados identificaram os benefícios

ambientais e econômicos da utilização da biomassa

de casca de cacau como fonte energética, com opções

para a comercialização de energia, bio-óleo, biogás,

bioetanol, biocarvão, briquetes ou pellets e sua adequação

às políticas estaduais de preservação da vegetação

nativa. Somam-se, ainda, as possibilidades de servir para a

alimentação animal, produção de fertilizantes orgânicos,

biofertilizantes e substrato para a produção de enzimas.

38 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

39



ARTIGO

INTRODUÇÃO

A implementação de estratégias fundamentadas em

soluções naturais, voltadas ao cumprimento dos compromissos

internacionais assumidos pelo país, apresenta-se

como uma oportunidade para integrar agentes e setores.

Tais estratégias proporcionam ganhos de biodiversidade,

permitem a geração de energia a partir de fontes renováveis,

contribuem para o resgate cultural e de biomas nativos,

além de agregar possibilidades de renda, benefícios

sociais e melhoria na matriz energética nacional.

O resíduo proveniente da produção de cacau no

modelo cabruca (cultivo agrícola aliado harmonicamente

à presença de árvores nativas) tem alto poder calorífico,

sendo que seu aproveitamento energético aliado à

política do estado da Bahia de recuperação do bioma Mata

Atlântica pode se mostrar uma alternativa para viabilizar

sua expansão de modo sustentável, agregando benefícios

sociais, econômicos e ambientais.

O resíduo proveniente

da produção de cacau no

modelo cabruca tem alto

poder calorífico, sendo

que seu aproveitamento

energético pode se mostrar

uma alternativa para

viabilizar sua expansão de

modo sustentável

APROVEITAMENTO ENERGÉTICO

DA BIOMASSA

O uso de combustíveis fósseis e a industrialização da

agricultura, entre outros fatores, desestabilizaram o meio

ambiente (Rockström et al., 2009). A influência humana na

harmonia planetária é de tal porte que já se sugere uma

nova era geológica denominada Antropoceno, em substituição

ao Holoceno (Steffen et al., 2015). A humanidade

é responsável pelo aquecimento global, provocado pela

emissão de gases de efeito estufa, entre outras importantes

influências na biosfera. Há urgência em promover a

transição energética para aplacar o processo de mudança

climática (IPCC, 2021). Nesse contexto, a humanidade precisa

rever os padrões de consumo e produção.

O resíduo agrícola é um subproduto das atividades

de produção lavoura em suas diversas etapas. No caso da

lavoura cacaueira, o principal subproduto é a biomassa de

casca de cacau. Para Ferraz Junior et al. (2022), as energias

renováveis são consideradas fontes alternativas aos

combustíveis fósseis, compreendem fontes reabastecidas

naturalmente e incluem as decorrentes da biomassa. Assim,

a utilização de resíduo agrícola como fonte energética

contribui para uma economia de baixo carbono de maneira

semelhante à bioenergia e às energias renováveis. Essa

alternativa é capaz de mitigar pressões sobre os recursos

naturais e diminuir a demanda por combustíveis fósseis.

Além de configurar alternativa energética sustentável, a

utilização do resíduo agrícola pode representar ganho

de eficiência da lavoura, com o incremento da renda ou a

diminuição dos custos relacionados à energia.

O Brasil já aproveita bagaço de cana, lixívia, casca de

arroz, sebo ou gordura animal, porém ainda existe grande

oferta de resíduos de cana (palhas e pontas, vinhaça e torta

de filtro), cavaco, palhas de soja e milho, cascas de café, resíduos

de coco, feijão, amendoim, mandioca, cacau, entre

outros (Brasil, 2020).

EXEMPLOS DE APROVEITAMENTO DE RESÍDUOS AGRÍCOLAS

coco cacau amendoim milho

40 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

41



ARTIGO

DADOS DO BIOCARVÃO A PARTIR

DA BIOMASSA DE CASCA

DE CACAU SECA

Eficiência: 79,9%

Produção mundial em 2020/2021:

4.817.011 toneladas

Produção brasileira em 2020:

258.618 toneladas

Potência de 1 tonelada/ano:

0,76 kW

A BIOMASSA DE CASCA DE CACAU FRESCA COMO

RESÍDUO AGRÍCOLA DA LAVOURA CACAUEIRA

APROVEITÁVEL PARA FINS ENERGÉTICOS

De acordo com dados da IEA (2021), o uso tradicional

da biomassa correspondeu, em 2020, a 4% do fornecimento

mundial de energia, parcela ainda significativa de tal

fonte. Nesse contexto, a biomassa de casca de cacau pode

substituir parte do uso tradicional da biomassa. Segundo

Odesola et al. (2010), a conversão da biomassa de casca de

cacau seca em biocarvão tem eficiência de 79,9%. Assim, o

resíduo agrícola da lavoura cacaueira poderia ter produzido

4.817.011 toneladas de biocarvão no período da safra

de cacau 2020/2021 no mundo, sendo que no Brasil teriam

sido produzidas 258.618 toneladas de biocarvão em 2020.

A utilização para fins energéticos também pode reduzir

a demanda por outras fontes de eletricidade. Segundo

Pereira (2013), uma plantação de cacau que produza cerca

de uma tonelada ao ano pode apresentar potência de

0,76 kW, correspondente ao excedente de energia em um

sistema de cogeração de energia para secagem de amêndoas

e geração de eletricidade do excedente em unidades

descentralizadas.

DADOS DE PRODUÇÃO DA LAVOURA CACAUEIRA

E RESPECTIVO RESÍDUO AGRÍCOLA NO BRASIL E

NO MUNDO

As estimativas de produção da safra 2020/2021 calculam

875.000 toneladas nas Américas, 3.871.000 toneladas

na África e 278.000 toneladas na Ásia e na Oceania, o

que corresponde, respectivamente, a 17%, 77% e 6% da

produção mundial estimada para o período (Zugaib, 2021).

Nesse contexto, apenas doze países concentram a quase

totalidade da produção mundial de cacau em amêndoas,

sendo cinco países no continente americano, a saber, Brasil,

Colômbia, Equador, Peru e República Dominicana; cinco

países no continente africano, a saber, Camarões, Costa do

Marfim, Gana, Nigéria e Uganda; e dois países no continente

asiático e Oceania, a saber, Indonésia e Papua Nova

Guiné (Zugaib, 2021). Nota-se, especialmente, a importância

da cultura cacaueira para o hemisfério sul global.

A produção de cacau no Brasil ocupou, em 2020,

uma área de 589.153 ha (hectares) destinada à colheita,

somando uma produção de cerca de 270 mil toneladas

(IBGE, 2021).

A biomassa de casca de

cacau também tem a

versatilidade de servir

a outras fontes de

produção de energia

por meio de processos

termoquímicos de

combustão direta,

gaseificação ou pirólise e

processos biológicos de

biodigestão ou hidrólise

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43



ARTIGO

Sabe-se que a biomassa de casca de cacau tem caracterização

semelhante à de outros resíduos que já são

transformados em combustíveis, com poder calorífico semelhante

ao do bagaço da cana-de-açúcar e do eucalipto,

variando de 15,89 a 19,04 MJ/kg em valores da literatura,

apesar de elevado teor de cinzas que merece atenção nos

processos termoquímicos (Coutinho, 2018; Pereira, 2013;

Santos, 2016). A biomassa de casca de cacau torna-se,

portanto, uma alternativa importante de aproveitamento

energético (Santos, 2016), sendo, por exemplo: (i) para

Coutinho (2018), promissora a pirólise para a produção de

bio-óleo; (ii) para Batista (2014) e Mororó (2012), vantajosa

a biodigestão anaeróbia para a produção de biogás,

em razão da alta biodegradabilidade orgânica; e (iii) para

Pinheiro e Silva (2016) e para Silva (2018), promissora a

fermentação para a produção de bioetanol, diante da favorável

obtenção de açúcares fermentescíveis.

A biomassa de casca de cacau também tem a versatilidade

de servir a outras fontes de produção de energia por

meio de processos termoquímicos de combustão direta,

gaseificação ou pirólise e processos biológicos de biodigestão

ou hidrólise da lignocelulose (Pereira, 2013; Santos,

2016). Segundo Mororó (2012), uma tonelada de casca

de cacau fresca produz cerca de 45 m³ de biogás, com

concentração de metano aproximada em 53%, produção

equivalente a 20 kg de gás liquefeito de petróleo. A purificação

ou upgrading do biogás permite, ainda, a produção

do biometano pelo processo de remoção do gás carbônico

e de outros gases, elevando a concentração do metano a

valores entre 80 e 99% (Ferraz Junior et al., 2022; IEA, 2021).

Aproveitamento energético dos resíduos agrícolas da

produção de cacau como possibilidade para viabilizar as

políticas estaduais de preservação da vegetação nativa

A CDB (Convenção-Quadro sobre Diversidade Biológica),

firmada durante a conferência da ONU sobre Meio

Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), realizada no

Rio de Janeiro, em 1992, e incorporada ao ordenamento

jurídico brasileiro por meio do Decreto número 2.519, de

16 de março de 1998, é reconhecida como a consagração

de um novo paradigma holístico, sistêmico ou integral de

proteção da biodiversidade, uma vez que busca salvaguardar

a biodiversidade em escala global, compreendendo a

interdependência existente entre os processos ecológicos

essenciais que regem a vida em todas as suas formas (Sarlet;

Fensterseifer, 2022).

CONCLUSÃO

A biomassa de casca de cacau é um resíduo aproveitável

da lavoura cacaueira para fins energéticos. Sua

utilização é promissora e está alinhada às metas de descarbonização

associadas à responsabilidade socioambiental.

A adoção de práticas de utilização energética do resíduo

agrícola pode ocorrer em diversos países produtores de

cacau no mundo. Este estudo também pode servir de

estímulo a pesquisas para aproveitamento energético de

resíduos agrícolas de outras lavouras à casca de cacau.

A biomassa de casca de cacau pode incrementar a

renda por meio da comercialização de energia elétrica, bio-

-óleo, biogás, biometano, bioetanol, biocarvão, briquetes

ou pellets. Somam-se ainda as possibilidades de a biomas-

sa de casca de cacau servir para a alimentação animal e

produção de fertilizantes orgânicos (Mororó, 2012; Pereira,

2013; Coutinho, 2018), substrato para a produção de

enzimas (Batista, 2014), compostagem e celulose (Mororó,

2012).

Considerando o rendimento médio da produção de

cacau em amêndoas no Brasil (Ibge, 2021), há espaço significativo

para aumento da produção a partir do melhoramento

genético do cacaueiro (Ahnert et al., 2018; Mororó,

2012), com o consequente aumento da oferta de resíduos

agrícolas aproveitáveis para fins energéticos, sem aumento

da área plantada. Assim, o aumento da produção de

cacau pode ser acompanhado da maior oferta de recursos

energéticos favoráveis ao meio ambiente e à economia

de baixo carbono. A produção de alimentos e energia a

partir de uma mesma lavoura promove o desenvolvimento

sustentável e evita a competição entre a produção de

alimentos e energia, além de contribuir para a segurança

alimentar e para a segurança energética.

Ademais, a produção de energia a partir de resíduos

agrícolas da lavoura cacaueira em sistemas agroflorestais

como a cabruca tem grande potencial para o cumprimento

das políticas estaduais de preservação da vegetação

nativa, além de atender aos compromissos assumidos pelo

país no que diz respeito à redução das emissões de GEE

(gases de efeito estufa).

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Local: Verona (Itália)

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MARÇO 2026

BIOMASSA EXPO JAPAN

Data: 17 a 19 de março de 2026

Local: Osaka (Japão)

Informações:

https://www.wsew.jp/hub/en-gb/about/bm.html

feira brasileira

de compostagem

Piracicaba (SP)

MAIO 2026

BIOMASSA EXPO

Data: 18 a 20 de março de 2026

Local: Porto Alegre (RS)

Informações:

www.biomassaexpo.com.br

Mais informações:

www.composhow.com.br

EUBCE 2026 (EUROPEAN BIOMAS

CONFERENCE AND EXHIBITION)

Data: 19 a 22 de maio de 2026

Local: Haia (Holanda)

Informações: https://www.eubce.com/

A Biomassa Expo - Seminário Connect

Biomassa & Pellets -, é um evento paralelo à

BioTECH Fair, que tem o propósito de destacar

a importância da biomassa no conjunto

JULHO 2026

da economia nacional. Tem como objetivo

aproximar fabricantes de máquinas, equipamentos,

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produção de biomassa florestal e agrícola,

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OPINIÃO

2026 À VISTA: UMA NOVA ROTA

PARA CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL

E ORIENTADO A VALOR

O

avanço de IA (Inteligência Artificial) generativa,

da cultura de aprendizado contínuo e de modelos

colaborativos de inovação trouxe com ele o

desafio de projetar progressos em um mercado

em franco amadurecimento, na esteira da ética, integrado às

demandas reais de negócios e da sociedade.

Sob essa perspectiva, 2026 desponta no horizonte como

um ano de virada para o mercado brasileiro de TI (tecnologia

da informação). Depois de um ciclo marcado pela rápida adoção

de soluções digitais e pela pressão por eficiência, acredito

que os líderes do setor começam a redesenhar estratégias

que privilegiam sustentabilidade, resiliência organizacional e

entrega de valor real para os clientes.

O foco deixa de ser apenas performance técnica e passa

a envolver cultura corporativa, capital humano e maturidade

de dados. Mais do que inovar, o ponto nevrálgico é inovar

com propósito e consistência, evitando a armadilha do hype e

construindo fundamentos sólidos para uma década em que a

tecnologia será o eixo de todas as transformações produtivas.

Uma peça central dessa nova narrativa que o mercado

mundial vem acenando é a IA generativa (GenAI), além do

uso de agentes. Agora vista não apenas como ferramenta de

automação foi promovida à catalisadora de reinvenção de

processos, modelos de negócios e experiências. Alguns defendem

que a IA não pode operar de forma isolada: integrada,

por exemplo, a ambientes com cloud híbrida, governança

de dados robusta e segurança cibernética como prioridade

estratégica. E você?

Na verdade, em razão da evolução frenética de tecnologias

e as inúmeras possibilidades que apresentam, à primeira

vista, navegamos por águas turbulentas. Há que se ter cuidado

por todos os flancos, considerando que o caminho à frente

exige atenção. Essa navegação não é simples, são necessários

equilíbrio e decisões precisas.

Mas ninguém domina este navio. Contudo, penso ainda

estar distante da terra firme. O investimento em modelos auditáveis

e em mecanismos de transparência para ganhar diferencial

competitivo é seu combustível. Especialmente diante

de um consumidor mais exigente e de reguladores atentos.

A partir dessa realidade, o capital humano se torna chave.

Não por acaso, temos observado o avanço do investimento

em formação contínua, que deve ganhar corpo em 2026.

Em minha percepção, a disputa deixará de ser por talentos

prontos e passará a ser por talentos em evolução. Isso implica

reskilling (requalificação profissional), cultura de aprendizado

e planos de carreira não lineares, que acompanham o

ritmo fluido da tecnologia.

A liderança, antes focada na execução técnica, terá de

aprender a incorporar escuta ativa, inteligência emocional e

capacidade de articulação entre áreas. Meu exercício diário.

No relacionamento com o mercado, o discurso em 2026

deve mudar. As empresas precisam abandonar a comunicação

puramente tecnológica e adotar narrativas orientadas a valor.

Ganha força o conceito de coinovação, em que fornecedores e

clientes constroem soluções em conjunto, usando metodologias

ágeis e laboratórios vivos. O setor avança de um modelo

de venda de produtos para um modelo de criação conjunta

de resultados de negócio.

O novo horizonte aponta para a sustentabilidade digital,

com contornos estratégicos. Governança ética de IA, otimização

de energia em data centers, descarte responsável de

equipamentos, e contratação de fornecedores comprometidos

com metas sustentáveis vão sair do discurso institucional

e começarão a entrar no de planejamento. Tecnologia com

responsabilidade entra na cartilha do futuro.

Ao que tudo indica, 2026 não será lembrado como o ano

da corrida cega pela inovação. Será, antes de tudo, protagonista

da união de eficiência, propósito e impacto. Temos de

entender que o verdadeiro diferencial competitivo não reside

na tecnologia em si, mas na capacidade de usá-la para transformar

pessoas, negócios e sociedade, de forma equilibrada

e estratégica. E é justamente nesse ponto que o Brasil pode

surpreender o mundo, em parceria com líderes de variados

setores. Bom 2026!

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