Compostagem_01
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Ano I • Nº01
Fevereiro 2026
COMPOSTAGEM
EM ESCALA INDUSTRIAL
Tecnologia transforma passivos
ambientais em insumos agrícolas
de alto desempenho
ENTREVISTA - José Luiz Tomita compartilha sua visão e
experiência no setor de compostagem
S U M Á R I O
12
06 | EDITORIAL
08 | NOTAS
12 | ENTREVISTA
16 | PRINCIPAL
08
20 | SUSTENTABILIDADE
24 | RESULTADOS
30 | ARTIGO
34 | AGENDA
20
16
24
04
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Ano I • Nº01
Fevereiro 2026
E D I T O R I A L
Na capa dessa
edição a Sutil
Máquinas, com
soluções completas
para compostagem
em grande escala.
COMPOSTAGEM
EM ESCALA INDUSTRIAL
Tecnologia transforma passivos
ambientais em insumos agrícolas
de alto desempenho
ENTREVISTA - José Luiz Tomita compartilha sua visão e
experiência no setor de compostagem
EXPEDIENTE
ANO I - EDIÇÃO 01 - FEVEREIRO 2026
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A Revista REFERÊNCIA COMPOSTAGEM
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BIOMASSA OU PROCESSAMENTO DE RESÍDUOS. OFERECEMOS SOLUÇÕES ALINHADAS ÀS
MAIS ALTAS EXIGÊNCIAS DO MERCADO, INDEPENDENTEMENTE DA SUA NECESSIDADE.
PRIMEIROS
PASSOS
Todo começo carrega a força da transformação. Assim
como na compostagem, onde resíduos se tornam
vida renovada, esta primeira edição nasce para dar
voz a um setor que constrói futuro a partir do que
parecia fim. Iniciamos nossa jornada celebrando a capacidade
humana de reinventar ciclos, valorizando práticas que
convertem matéria orgânica em fertilizantes e esperança. A
compostagem nos ensina que cada início é também continuidade,
aproveitando o que se descarta, se transformando em
sendo base para algo maior. A Revista REFERÊNCIA COM-
POSTAGEM surge com o propósito de acompanhar e inspirar
esse movimento, mostrando que a inovação está enraizada
na simplicidade dos processos naturais. Este é o primeiro
passo de uma caminhada que, como a compostagem, se
fortalece a cada ciclo concluído e a cada nova semente
lançada. Nessa edição, o Leitor fica por dentro das soluções
da Sutil Máquinas para compostagem, a importância da
análise do composto orgânico, as ações de desenvolvimento
da compostagem pelo Brasil e uma entrevista com José Luiz
Tomita, sumidade nacional com reconhecido internacional no
segmento da compostagem. Fica aqui a nossa gratidão pelo
apoio prévio do mercado e das principais entidades obtidos
em nossa pesquisa, o que nos impulsionou ao lançamento do
mais novo produto da Revista REFERÊNCIA. Excelente leitura
a todos!
A Revista REFERÊNCIA COMPOSTAGEM - é uma publicação bimestral e
independente, dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em
madeira e compostagem, instituições de pesquisa, estudantes universitários,
orgãos governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos,
direta e/ou indiretamente ligados ao segmento de compostagem. A Revista
REFERÊNCIA COMPOSTAGEM não se responsabiliza por conceitos emitidos
em matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes
materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução,
apropriação, armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou
meio, dos textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA
COMPOSTAGEM são terminantemente proibidos sem autorização escrita
dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins didáticos.
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N O T A S
Foto: divulgação
UEAP produz bioplástico a
partir do amido de milho
Para enfrentar a poluição promovida pelo plástico, que
afeta diretamente a poluição do meio ambiente, um professor
e estudantes da UEAP (Universidade do Estado do
Amapá) do curso de Engenharia Ambiental, produziram
bioplásticos, em laboratório, a partir do amido de milho e
da laranja. O projeto liderado pelo professor William Xavier,
e composto também pela aluna Rita Santana e o monitor
e aluno André Fernandes, surgiu a partir da observação de
outros trabalhos acadêmicos que tratavam do tema. Assim,
a equipe resolveu desenvolver esses bioplásticos e testá-los
em composteiras. O projeto de iniciação científica já dura
1 ano e, segundo os pesquisadores, já nos primeiros 20 dias
os primeiros resultados foram observados. E ao contrário
dos plásticos convencionais, o bioplástico de amido de
milho demorou 28 dias e do albedo da laranja (parte de cor
branca localizada entre os gomos e a casca) levou apenas
15 dias para ser decomposto por completo na composteira.
A iniciativa também buscou utilizar a matéria-prima, por causar menos impactado ao meio ambiente, em
comparação a utilizada para fazer os plásticos convencionais.
Compostagem em festa
A UTMB (Usina de Tratamento Mecânico-Biológico) localizada
em Ceilândia (DF), completa 40 anos como referência
nacional na produção de composto orgânico a partir de
resíduos sólidos urbanos. Desde sua inauguração em 1986, a
unidade contribui para reduzir o volume destinado ao aterro,
fortalecer a agricultura familiar e gerar trabalho e renda.
Junto à UTMB da Asa Sul, processou nos últimos 10 anos
mais de 2,7 milhões de toneladas de resíduos, cerca de 40%
do lixo domiciliar do Distrito Federal. Entre 2015 e 2025, as
usinas produziram mais de 720 mil toneladas de composto
orgânico cru, das quais 185 mil foram doadas principalmente
à agricultura familiar da região. Esse trabalho poupou quase
1 ano de vida útil ao Aterro Sanitário de Brasília. A UTMB
recebe resíduos de diversas cidades do Distrito Federal e
realiza triagem com cooperativas de catadores, enquanto a
fração orgânica é compostada em cerca de 100 dias, transformando
resíduos em insumo agrícola sustentável.
Foto: divulgação
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xN xO T A S
Guia informativo
Foto: divulgação
A Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio
Ambiente) lançou oficialmente o Panorama dos Resíduos
Sólidos no Brasil 2025. A publicação, que completa
duas décadas de tradição, consolida dados, análises e
tendências fundamentais para o avanço da gestão de
resíduos no país. O evento reuniu os principais associados
da Abrema, lideranças empresariais, especialistas
do setor e autoridades. O ministro das Cidades, Jader
Filho, prestigiou o lançamento e recebeu homenagem
especial da entidade em reconhecimento aos esforços
para consolidar uma agenda de avanços para o setor
de resíduos em parceria com Estados e municípios. “O
Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025 se apresenta
como um chamado à responsabilidade compartilhada
entre poder público, setor privado e sociedade.
Os dados reforçam que o Brasil possui bases técnicas
e institucionais para construir uma gestão moderna e
eficiente de resíduos, mas carece da velocidade necessária
para transformar potencial em realidade”, afirma
o presidente da Abrema, Pedro Maranhão.
Panorama nacional
De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos,
o Brasil gera cerca de 800 milhões de toneladas
de resíduos orgânicos por ano, o equivalente a aproximadamente
2,2 milhões de toneladas por dia. Esse
volume, que já chama atenção por si só, torna-se
ainda mais preocupante quando se analisa o destino
dado a todo esse material. Dados da Embrapa (Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária) indicam
que menos de 2% dessa massa é encaminhada
para destinação adequada. Na prática, isso significa
que cerca de 780 milhões de toneladas de resíduos
orgânicos acabam em aterros sanitários, onde,
misturados a outros tipos de lixo, perdem a possibilidade
de reaproveitamento por meio de processos
como a compostagem. O impacto desse cenário vai
muito além do desperdício de um recurso que poderia
retornar ao solo como insumo. A decomposição
descontrolada da matéria orgânica nos aterros gera GEE (gases de efeito estufa), como o metano, além da produção
de chorume, um líquido altamente poluente capaz de contaminar o solo, os recursos hídricos e contribuir
para a degradação ambiental em larga escala.
Foto: divulgação
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xE xN T R E V I S T A
JOSÉ LUIZ
CHOITI TOMITA
ATIVIDADE:
Gestor ambiental formado pelo
Centro Universitário de Santo André,
com MBA em Gestão e Tecnologias
Ambientais pela USP. Atua como
consultor e docente convidado em
pós-graduação, na área de resíduos
sólidos e tratamento de orgânicos.
Possui experiência em agronomia,
extensão rural e compostagem, com
foco em solo vivo, agricultura natural
e manejo de resíduos em áreas
rurais e urbanas, além de projetos de
pesquisa voltados à sustentabilidade
e economia circular.
Foto: divulgação
Voz da
experiência
Acompostagem ocupa papel estratégico
na economia circular, transformando
resíduos em valor ambiental
e econômico. É um campo que exige
conhecimento técnico, prática de campo
e visão integrada de sustentabilidade. Nesta
entrevista, José Luiz Choiti Tomita, gestor
ambiental com MBA em Gestão e Tecnologias
Ambientais pela USP (Universidade de
São Paulo) e ampla experiência em consultoria
e docência, compartilha sua trajetória
e reflexões sobre os desafios e perspectivas
da compostagem no Brasil.
COMO SE DEU SUA FORMAÇÃO E O
INÍCIO DA SUA ATUAÇÃO PROFISSIO
NAL NA ÁREA AMBIENTAL, ATÉ A ESPE-
CIALIZAÇÃO EM COMPOSTAGEM?
Comecei minha trajetória estudando
sobre agricultura natural e agroecologia
no Japão. No início era com foco agrícola
e ambiental a compostagem, mas com o
tempo passou a ser um objetivo totalmente
ambiental. Os estudos nestas áreas, iniciaram
no nível técnico no Japão e voltando
para o Brasil passou a ser na graduação e
na pós-graduação também.
QUAIS FATORES TÉCNICOS E PRÁTI-
COS O LEVARAM A ESCOLHER A COM-
POSTAGEM COMO FOCO PRINCIPAL DA
SUA CARREIRA?
Não tenho um fator técnico específico
que me levou a escolher a compostagem,
mas acredito que os desafios e a deficiência
técnica de informação no Brasil me incentivaram
a aprofundar o assunto. Mas como
sou um pesquisador e gosto de trabalhos
no campo os fatores práticos foi o principal
alvo.
AO LONGO DA SUA EXPERIÊNCIA
COMO CONSULTOR E PALESTRANTE,
QUAIS APRENDIZADOS CONSIDERA MAIS
RELEVANTES PARA A CONSOLIDAÇÃO
DE PROJETOS DE COMPOSTAGEM NO
BRASIL?
A necessidade de informação séria, com
dados concretos e de gostar de dar aulas
e ensinar foram muito importantes para
que seguisse com paciência e persistência
no assunto. Tem muita gente com pouca
experiência de campo falando muita bobagem
no assunto da compostagem e isso me
incomoda e me irrita muito. A falta de profissionalismo
de algumas pessoas levando
a prejuízos de quem precisa da informação
séria me incentivaram a me tornar o que
sou hoje.
DO PONTO DE VISTA TÉCNICO-OPE-
RACIONAL, QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS
ENTRAVES PARA A AMPLIAÇÃO DA
COMPOSTAGEM EM ESCALA URBANA E
EMPRESARIAL NO PAÍS?
A falta de conhecimento técnico dos
órgãos ambientais atrapalha muito. Temos
muitos bons profissionais neste setor e
conheço alguns, mas tem muita gente que
não admite sua limitação e inventa leis que
não existe prejudicando o empreendedor
que busca aplicar as soluções na área.
ALÉM DA QUESTÃO TÉCNICA, QUE
DESAFIOS DE GESTÃO, CAPACITAÇÃO E
CULTURA AINDA LIMITAM A ADOÇÃO DA
COMPOSTAGEM NO BRASIL?
Acho que são vários fatores, mas posso
adiantar que todas as citadas limitam a
prática da compostagem. O problema da
gestão é a falta de capacidade de liderança,
a falta de capacitação ou admitir que
desconhece ou tem limite de conhecimento
sobre compostagem e a falta de cultura
sobre a possibilidade de tratar os resíduos
através da compostagem dificulta muito o
crescimento da compostagem no Brasil.
A ATUAL LEGISLAÇÃO BRASILEIRA DE
RESÍDUOS SÓLIDOS CRIA UM AMBIENTE
FAVORÁVEL AO AVANÇO DA COMPOSTA-
GEM OU AINDA APRESENTA LACUNAS E
INSEGURANÇAS REGULATÓRIAS?
Nossa legislação federal acompanha
o limite do incentivo a compostagem no
Brasil. Precisamos de leis que incentivem
e não as que travam o crescimento do
assunto. Já nos Estados e municípios temos
leis que liberam ou são rígidas ao extremo
e atrapalham o crescimento. Precisamos de
mais seriedade do setor e uniformidade nas
exigências técnicas. Os setores públicos que
geram informações para publicação da lei
precisam conversar mais com os especialistas
do mercado para ajudá-los a fazerem
leis justas.
O orgânico tem
papel fundamental
para a reciclagem
do inorgânico,
tem potencial
de gerar renda
no recebimento
do resíduo e na
venda do resíduo
transformado
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Janeiro 2026 13
xE xN T R E V I S T A
QUAL É O PAPEL ESTRATÉGICO DA
COMPOSTAGEM DENTRO DAS POLÍTICAS
DE ECONOMIA CIRCULAR, DESVIO DE
RESÍDUOS DE ATERROS E MITIGAÇÃO DE
IMPACTOS AMBIENTAIS?
Tratar o resíduo orgânico é estratégico
de valoração dos resíduos inorgânicos para
a economia circular. Se a separação for
feita adequadamente o resíduo que contamina
o inorgânico é justamente o orgânico.
Se as pessoas entenderem que separar as
frações corretamente todos os resíduos
têm um valor agregado a acrescentar. O
orgânico tem papel fundamental para a
reciclagem do inorgânico, tem potencial de
gerar renda no recebimento do resíduo e na
venda do resíduo transformado. Mas a falta
de conhecimento do papel de cada resíduo
atrapalha esses fatores citados. Mas falta
incentivos para o crescimento da reciclagem
e crescimento da economia circular. Só
o interesse econômico não é suficiente.
CONSIDERANDO OS PRÓXIMOS ANOS,
QUAIS SÃO AS PERSPECTIVAS PARA O
SETOR DE COMPOSTAGEM NO BRASIL E
QUE PERFIL PROFISSIONAL SERÁ CADA
VEZ MAIS DEMANDADO?
Nos meus 35 anos de compostagem que
completo neste ano, posso dizer que 2025
houve um grande crescimento no interesse
da compostagem e muita procura para
novos projetos em compostagem. Claro
aumentaram muitos oportunistas em atuar
na consultoria do assunto e prejudicaram os
empreendedores com formação de projeto
errados aumentando os custos de investimentos.
Com o erro é necessário refazer
e corrigir o projeto. Mas tenho recebido
consultas de empreendedores em levar a
solução de tratar os resíduos orgânicos das
áreas urbanos, agroindústria e rural através
da compostagem. Particularmente estou
muito animado para 2026 ser um ano de
crescimento da compostagem no Brasil.
O perfil do profissional da compostagem
Os setores
públicos
que geram
informações
para publicação
da lei precisam
conversar
mais com os
especialistas
do mercado
para ajudá-los a
fazerem leis justas
demandado será a que tem mais experiência
prática vivida no campo como é o meu
caso. Teóricos nos já temos muitos e esses
causam muitos prejuízos para o empreendedor.
Mas outro ponto é a falta da preparação
no meio acadêmico com informações
de resultados de pesquisas que ajudem
os trabalhos de campo da compostagem.
Falta professores preparados no assunto no
meio acadêmico também. Sem um professor
preparado não haverá como termos
profissionais preparados vindos deste ambiente
tão importante.
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P R I N C I P A L
Acompostagem consolidou-se como um dos
pilares da economia circular e da agricultura
regenerativa. No Brasil, esse movimento ganha
força com empresas que transformam
resíduos em insumos de alto valor agronômico. Entre
elas, a Sutil Máquinas ocupa posição de destaque. Há
mais de duas décadas, a companhia desenvolve soluções
completas que conectam a compostagem à
produção de fertilizantes organominerais, oferecendo
ao mercado equipamentos robustos, engenharia
aplicada e resultados consistentes.
A Sutil Máquinas nasceu com a missão de transformar
passivos ambientais em ativos produtivos.
Sua atuação vai além da fabricação de máquinas. A
empresa entrega sistemas integrados que permitem
ao cliente transformar resíduos orgânicos e lodos industriais
em fertilizantes granulados ou pelletizados
de alta qualidade. Essa visão estratégica coloca a
compostagem no centro de um processo industrial
moderno, capaz de gerar sustentabilidade, eficiência
operacional e rentabilidade.
A planta metalmecânica da Sutil, com mais de
9500 m² (metros quadrados), é um reflexo da capacidade
de inovação e da estrutura necessária para
Hoje, a companhia
fornece plantas
completas de
granulação e
pelletização,
atendendo
diferentes
formulações
e capacidades
produtivas
Inovação
no resíduo
Fotos: divulgação
PROCESSOS COMPLETOS
QUE UNEM COMPOSTAGEM
E GRANULAÇÃO PARA
FERTILIZANTES MODERNOS
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P R I N C I P A L
atender demandas complexas. Com engenharia própria
e projetos sob medida, a empresa se tornou referência
nacional em biodigestores, secadores de digestato
e lodos industriais, peneiramento de resíduos
e granulação de fertilizantes organominerais. Cada
solução é pensada para agregar valor a materiais
que antes eram descartados sem aproveitamento, reforçando
o papel da compostagem como elo fundamental
da economia circular.
No campo da compostagem, a Sutil Máquinas
oferece um portfólio amplo e versátil. Suas peneiras
rotativas garantem a classificação precisa dos resíduos
orgânicos, assegurando padronização e eficiência
nos processos subsequentes. Os secadores de lodo e
digestato reduzem a umidade de forma controlada,
viabilizando a transformação desses materiais em insumos
agrícolas prontos para granulação. Essa etapa
é crucial para que o composto atinja características
ideais de fluidez e resistência mecânica, atributos indispensáveis
para fertilizantes de alto desempenho.
Os revolvedores de compostagem desenvolvidos
pela Sutil são outro diferencial. A empresa disponibiliza
dois modelos complementares. O primeiro atua
na fase ativa da compostagem, promovendo homogeneização,
aeração e controle biológico. O segundo
é voltado ao acabamento do composto, garantindo
estabilidade, uniformidade e qualidade final. Esse
conjunto de equipamentos proporciona maior produtividade,
redução do tempo de processo e padronização
do produto final, aspectos valorizados por quem
atua em larga escala.
O pioneirismo da Sutil Máquinas é reconhecido
em todo o setor. Foi a primeira empresa brasileira a
desenvolver uma planta de granulação de fertilizantes
organominerais. Essa conquista consolidou sua
liderança e abriu caminho para a expansão do portfólio.
Hoje, a companhia fornece plantas completas
de granulação e pelletização, atendendo diferentes
formulações e capacidades produtivas. Essa flexibilidade
permite que clientes de diversos segmentos encontrem
soluções adequadas às suas necessidades,
sempre com foco em eficiência e sustentabilidade.
Resíduos que
antes eram
considerados
passivos
ambientais
passam a
ser insumos
agrícolas de alto
desempenho
A granulação é um dos pontos altos da tecnologia
da Sutil. O processo pode se iniciar diretamente
a partir de lodos, digestatos ou resíduos orgânicos.
Após etapas de secagem, preparo e mistura, esses
materiais se transformam em fertilizantes granulados
ou pelletizados com excelente fluidez e alto valor
agronômico. Essa abordagem elimina gargalos e amplia
as possibilidades de aproveitamento de resíduos,
reforçando a compostagem como base de uma cadeia
produtiva moderna.
Com plantas em operação em grandes grupos
do agronegócio e da indústria, a Sutil Máquinas demonstra
sua capacidade de atender demandas de
alta complexidade. Cada projeto é desenvolvido para
maximizar resultados, aumentar a competitividade
dos clientes e promover soluções sustentáveis para o
futuro do setor. A empresa não entrega apenas máquinas.
Entrega engenharia aplicada, confiabilidade
operacional e parceria de longo prazo.
A compostagem, quando aliada à tecnologia da
Sutil, deixa de ser apenas um processo biológico de
transformação de resíduos. Torna-se parte de uma
estratégia industrial que conecta sustentabilidade e
produtividade. O composto final, padronizado e de
qualidade superior, ganha valor agregado e se transforma
em fertilizante organomineral capaz de atender
às exigências do agronegócio moderno.
O impacto da Sutil Máquinas vai além da esfera
técnica. Ao oferecer soluções completas, a empresa
contribui para a consolidação da economia circular
no Brasil. Resíduos que antes eram considerados passivos
ambientais passam a ser insumos agrícolas de
alto desempenho. Esse movimento fortalece a agricultura
sustentável, reduz impactos ambientais e gera
novas oportunidades de negócio.
A trajetória da Sutil Máquinas é marcada por inovação
e compromisso com o futuro. A empresa se
posiciona como parceira estratégica de quem busca
transformar compostagem em fertilizantes de alto
valor. Com equipamentos de ponta, engenharia própria
e visão de longo prazo, a Sutil reafirma seu papel
como protagonista na integração entre resíduos e
produtividade agrícola.
Em um cenário em que a compostagem ganha
relevância crescente, a Sutil Máquinas mostra que
tecnologia e sustentabilidade podem caminhar juntas.
Seu trabalho é prova de que resíduos orgânicos e
lodos industriais podem ser convertidos em soluções
de alto impacto para o agronegócio. A empresa não
apenas acompanha as tendências do setor. Ela as
antecipa, oferecendo ao mercado ferramentas que
elevam a compostagem a um novo patamar de excelência.
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xS xU S T E N T A B I L I D A D E
Sustentabilidade e
energia limpa
Compostagem na indústria de papel e celulose abre portas
para aproveitamento total de matérias-primas
Fotos: divulgação Máquina Solo
Aindústria brasileira de papel e celulose
tem avançado significativamente em
práticas de sustentabilidade ao adotar a
compostagem como ferramenta estratégica
para transformar resíduos em fertilizantes
orgânicos. O que antes era um passivo ambiental
agora retorna ao solo como insumo agrícola,
fortalecendo a economia circular e diminuindo a
dependência de fertilizantes minerais importados.
Para atender esse mercado de grande potencial,
quem oferece soluções completas é a Máquina
Solo. A empresa, com mais de 27 anos de
trajetória e quase 800 equipamentos distribuídos
em todo o Brasil, consolidou-se como parceira
estratégica dos setores agroflorestal, de reciclagem
e da indústria de papel e celulose. Atuando
na conexão entre tecnologias globais e os desafios
locais, a empresa oferece soluções completas para
trituração de madeira, processos de compostagem
e produção de biomassa. Mais do que equipamentos,
a Máquina Solo entrega inovação e sustentabilidade,
reforçando a visão de que resíduos podem
se transformar em insumos de alto valor. Com
isso, contribui para aumentar a produtividade e a
lucratividade de seus clientes, ao mesmo tempo
em que fortalece a economia circular e a respon-
sabilidade ambiental em segmentos fundamentais
para o país.
Um exemplo que se sobressai das soluções
da Máquina Solo para a compostagem vem da
LD Celulose, referência na produção de celulose
solúvel. A companhia desenvolveu um sistema de
compostagem em larga escala que utiliza lodos,
sobras de madeira e materiais alcalinos para
produzir fertilizantes capazes de corrigir a acidez
típica dos solos tropicais. Os resíduos passam por
etapas de mistura, tombamento e aeração em pátios
de compostagem, ocupando uma área de 60
mil m² (metros quadrados), dos quais 20 mil m² são
cobertos. Essa infraestrutura conta com 18 máquinas
e uma equipe de 35 profissionais. Projetada
para receber até 144 mil toneladas de resíduos
por ano, a unidade atualmente processa cerca
de 120 mil toneladas anuais. Só em 2024, foram
produzidas 43 mil toneladas de corretivo de solo e
22 mil toneladas de fertilizante orgânico, que além
de impulsionar o crescimento dos eucaliptus da
própria LD Celulose, também beneficiam culturas
externas como café, alho e soja. Ensaios em campo
comprovaram aumentos médios de produtividade
de 6% na horticultura e de até 4 sacas por
ha (hectare) na soja.
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S U S T E N T A B I L I D A D E
O triturador fornece o
material estruturante e
a fonte de carbono
necessários, enquanto
os revolvedores
garantem
homogeneização e
oxigenação das leiras
Maycon Pereira,
CEO da Máquina Solo
DESAFIOS E GANHOS ECONÔMICOS
Ao falar sobre a implantação do projeto, Pedro
destaca que o maior desafio foi desenvolver
um processo confiável para o uso agronômico,
substituindo a antiga percepção dos resíduos
como simples descarte. “Hoje, esses materiais são
reconhecidos como insumos valiosos, comparáveis
a produtos já consolidados no mercado, o que
garante confiança tanto para uso interno quanto
para clientes externos”, sublinha Pedro. Além da
contribuição ambiental, a iniciativa também trouxe
benefícios financeiros.
A redução de custos com transporte e destinação
final de resíduos, somada ao aproveitamento
nas florestas e no mercado, fortaleceu a sustentabilidade
do negócio e garantiu retorno econômico
consistente.
Além da contribuição ambiental, a iniciativa
também trouxe benefícios financeiros. A redução
de custos com transporte e destinação final de
resíduos, somada ao aproveitamento nas florestas
e no mercado, fortaleceu a sustentabilidade do
negócio e garantiu retorno econômico consistente.
Outro ponto de destaque foi a regularização do
processo de pós-venda da Máquina Solo, com a
adoção de um contrato de manutenção preventiva
que trouxe previsibilidade e eficiência à operação.
“A gente teve a grata surpresa de regularizar o nosso
processo de pós-venda de manutenção, a qual
fechamos um contrato de manutenção preventiva.
Isso nos atende muito bem e a gente eliminou
aquelas surpresas indesejadas que a gente tem
dentro do processo. E hoje a máquina roda muito
bem”, comemora Pedro Cardoso.
A parceria com a Máquina Solo e a fabricante
Menart também garantiu um estoque adequado
de peças, facilitando a reposição imediata em
caso de necessidade. “Em qualquer peça que
estrague, a gente terá reposição com facilidade. E
também a SP50, ela possui uma facilidade de manutenção.
O que dentro de um processo de tratamento
de resíduos é de suma importância quando
se vê a questão de custo. A minha operação tem
um custo bem tranquilo quando se fala nos processos
de revolvedores da Menart”, complementa
Pedro Cardoso.
Pedro Cardoso, coordenador de compostagem
na LD Celulose, destaca o impacto dessa
iniciativa. “A celulose, dentro da indústria, é um
produto altamente sustentável e de fácil reposição,
porque vem de uma fonte renovável. No processo
de compostagem, reaproveitamos resíduos de
diferentes etapas industriais para produzir fertilizantes
e condicionadores de solo aplicados ao
manejo agrícola. Utilizamos revolvedores de leiras
no processo de aeração, garantindo melhor metabolismo
microbiano. Quando os equipamentos são
robustos, suportam o ritmo operacional diário com
mais eficiência, o que reduz custos e aumenta a
disponibilidade da operação”, assegura Pedro.
TECNOLOGIAS APLICADAS
Para tornar essa operação viável, a LD Celulose
conta com equipamentos fornecidos pela Máquina
Solo, como o Menart SP-50 e o TANA Shark.
Na compostagem industrial, é essencial dispor de
máquinas capazes de enfrentar desafios diários e
assegurar a continuidade da operação.
O triturador TANA Shark, considerado um dos
mais versáteis do mercado, consegue processar
até 12 tipos de resíduos, incluindo cascas, galha-
das, tocos, raízes e madeira. Sua capacidade varia
entre 5 e 50 toneladas por hora, disponível em
versões móveis ou estacionárias, movidas a diesel
ou energia elétrica. Essa versatilidade garante biomassa
homogênea, acelerando a decomposição.
Já o Menart SP-50 é referência internacional em
revolvimento de leiras, proporcionando aeração
e homogeneização adequadas para acelerar a
decomposição e alcançar compostos de qualidade.
Com produtividade entre 1 mil e 4 mil toneladas
por hora, o equipamento otimiza a gestão de
resíduos e transforma subprodutos, como lodos
e cascas, em fertilizantes orgânicos de alto valor
agregado.
Maycon Pereira, CEO da Máquina Solo, explica
o papel desses equipamentos no processo. “Trituradores
e revolvedores são fundamentais na compostagem.
O triturador fornece o material estruturante
e a fonte de carbono necessários, enquanto
os revolvedores garantem homogeneização e
oxigenação das leiras. Quem faz a compostagem
são as bactérias; as máquinas criam as condições
ideais para que elas trabalhem. Dessa forma, aceleramos
o processo e aumentamos a eficiência na
produção de fertilizantes”, pontua Maycon.
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R E S U L T A D O S
Vermicompostagem
Estudos apontam
ganhos expressivos no
crescimento vegetal
Fotos: divulgação
Avermicompostagem deixou de ser apenas
uma prática alternativa de manejo de resíduos
orgânicos para se consolidar como
uma tecnologia agrícola de alto impacto.
Pesquisadores demonstraram que pequenas doses
de vermicomposto podem transformar significativamente
o desempenho das plantas, aumentando
taxas de germinação, altura, biomassa e
velocidade de crescimento. O estudo, conduzido
em condições controladas, reforça o papel das
minhocas como agentes de transformação e abre
espaço para reflexões sobre a aplicação prática
em jardins, hortas e sistemas agrícolas de maior
escala.
O experimento utilizou a minhoca californiana
Eisenia andrei Bouche, reconhecida mundialmente
pela eficiência na decomposição de resíduos
orgânicos. Durante oito meses, os cientistas produziram
vermicomposto em recipientes simples,
semelhantes aos usados em sistemas domésticos,
sob rigoroso controle de laboratório. As minhocas
foram alimentadas com restos triturados de frutas,
legumes e outros resíduos comuns, como banana,
cenoura, casca de beterraba, abóbora, chá e café.
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Janeiro 2026 25
R E S U L T A D O S
As condições ambientais foram mantidas ideais:
temperatura entre 20°C e 22°C (graus Celsius),
umidade próxima a 89% e aeração constante
para evitar ambientes anaeróbicos. Esse cuidado
garantiu que o processo biológico ocorresse de
forma plena, resultando em um vermicomposto
rico em nutrientes e matéria orgânica estabilizada.
Após a maturação, o material foi incorporado aos
10 cm (centímetros) superiores do solo, na proporção
de 500 g/m2 (gramas por metro quadrado), e
comparado com plantas cultivadas em solo sem
tratamento.
Os resultados foram notáveis. As plantas de
rúcula cultivadas com vermicomposto cresceram
38% mais altas, desenvolveram folhas 49%
maiores e acumularam 80% mais biomassa total
em relação às plantas em solo comum. Além
disso, o crescimento foi duas vezes mais rápido,
demonstrando que o vermicomposto melhora a
estrutura do solo e acelera o ciclo vegetativo. A
taxa de germinação também apresentou aumento
expressivo, entre 1,5 e 2 vezes, confirmando que o
material favorece o início do desenvolvimento das
sementes.
Ao transformar
resíduos em insumos
de alto valor, a
vermicompostagem
contribui para a redução
de passivos ambientais,
fortalece a economia
circular e oferece
soluções práticas
para agricultores e
jardineiros
Exemplos de alimentos dados às minhocas
Os pesquisadores sugerem que o sucesso está
ligado ao elevado teor de matéria orgânica e nutrientes
presentes no vermicomposto. No entanto,
estudos complementares apontam que o verdadeiro
diferencial está na liberação lenta e contínua
desses nutrientes, associada à capacidade de estimular
comunidades microbianas benéficas. Essa
combinação cria um ambiente mais equilibrado,
onde as plantas encontram condições ideais para
crescer de forma saudável e vigorosa.
Embora o estudo tenha se concentrado em
uma única espécie vegetal, a rúcula, os resultados
dialogam com pesquisas anteriores que demonstram
benefícios semelhantes em outras culturas.
Feijão e tomate, por exemplo, já apresentaram
desempenho superior quando cultivados com vermicomposto
em comparação ao uso de compostos
tradicionais. Essa consistência reforça a ideia
de que a vermicompostagem pode ser aplicada
em diferentes contextos agrícolas, desde hortas urbanas,
até sistemas de produção em larga escala.
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Janeiro 2026 27
R E S U L T A D O S
Para jardineiros e agricultores, algumas lições
práticas emergem do estudo. A primeira é que
não há necessidade de equipamentos sofisticados
para produzir vermicomposto. Recipientes simples,
como caixas plásticas adaptadas, podem ser suficientes
para iniciar o processo. A segunda é que
não é preciso investir em grande quantidade de
minhocas, já que elas se multiplicam naturalmente
ao longo do tempo. No experimento, o número de
minhocas aumentou quinze vezes durante o período
de observação, demonstrando a capacidade
de reprodução e expansão da colônia.
Outro ponto importante é a dosagem. Os pesquisadores
alertam que o excesso de vermicomposto
pode gerar resultados negativos, reforçando
a ideia de que pequenas quantidades já são capazes
de promover grandes melhorias. Essa observação
é especialmente relevante para quem cultiva
em vasos ou pequenas áreas, onde o equilíbrio
entre nutrientes e substrato é mais delicado.
O estudo também mostra que não é necessário
manter condições laboratoriais perfeitas
para obter bons resultados. Minhocas adaptadas
ao ambiente local podem sobreviver a variações
de temperatura e umidade, desde que recebam
cuidados básicos. Isso abre espaço para que a
vermicompostagem seja praticada em diferentes
regiões e climas, ampliando seu alcance como
ferramenta de sustentabilidade.
Em síntese, a pesquisa confirma que o vermicomposto
é mais do que um simples fertilizante
orgânico. Ele representa uma tecnologia natural
capaz de unir eficiência agronômica e sustentabilidade
ambiental. Ao transformar resíduos em insumos
de alto valor, a vermicompostagem contribui
para a redução de passivos ambientais, fortalece a
economia circular e oferece soluções práticas para
agricultores e jardineiros.
O paralelo entre ciência e prática cotidiana é
claro: o que foi demonstrado em laboratório pode
ser replicado em quintais, hortas comunitárias e
propriedades rurais. A mensagem central é que o
vermicomposto, mesmo em pequenas doses, tem
o poder de transformar o solo e impulsionar o
crescimento vegetal. Trata-se de uma ferramenta
acessível, eficiente e alinhada às demandas de um
futuro agrícola mais sustentável.
As plantas de rúcula cultivadas com vermicomposto
cresceram 38% mais altas, desenvolveram folhas
49% maiores e acumularam 80% mais biomassa
total em relação às plantas em solo comum
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Janeiro 2026 29
xA xR T I G O
Análise comparativa
dos biofertilizantes
formados pelos métodos de
compostagem e biodigestão
anaeróbia e seu potencial fitotóxico
Fotos: divulgação
Emanueli de Lima Ribeiro
IFC (Instituto Federal Catarinense)
Felipe Silva Souza
IFC (Instituto Federal Catarinense)
Maria Eduarda Höring Fernandes
IFC (Instituto Federal Catarinense)
Viviane Furtado Velho
IFC (Instituto Federal Catarinense)
RESUMO
Oaumento da produção de RSU (resíduos
sólidos urbanos) ocorre, principalmente,
pelo crescimento econômico, que amplia
o poder de compra. Em sua composição,
cerca de 45,3% correspondem a RSO
(resíduos sólidos orgânicos). O descarte inadequado
desses resíduos pode gerar sérios impactos
ambientais e riscos à saúde pública. Para minimizar
esses problemas, dois métodos de tratamento
podem ser aplicados: a compostagem e a biodigestão
anaeróbia. A compostagem, em condições
aeróbias, e a biodigestão, em condições anaeró-
bias, promovem a decomposição da matéria
orgânica por meio da ação de microrganismos.
Nesse contexto, esta pesquisa tem como objetivo
analisar comparativamente esses métodos no
tratamento dos resíduos orgânicos produzidos no
restaurante acadêmico do IFC (Instituto Federal
Catarinense), campus Camboriú (SC). Os resultados
preliminares indicam que, na compostagem,
a temperatura permaneceu abaixo do ideal para
o início do processo. Já na biodigestão anaeróbia,
foi necessária a adição de alcalinizante para
manter a estabilidade do processo.
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Janeiro 2026 31
xA xR T I G O
INTRODUÇÃO
De acordo com o Panorama de Resíduos
Sólidos no Brasil (Abrema - Associação Brasileira
de Resíduos e Meio Ambiente -, 2024), obteve-
-se uma geração anual de aproximadamente 81
milhões de toneladas de RSU no país apenas no
ano de 2023, o que representa uma média de 382
kg (quilogramas) por habitante. A maior parte dos
resíduos sólidos é composta por matéria orgânica
representando 45,3% dos resíduos totais, seguido
por 16% de plásticos e 14% de rejeitos, sendo que
apenas 1% dos RSO é reaproveitado de maneira
correta.
Nos últimos anos, ao aumento da produção de
resíduos tem se dado principalmente pelo crescimento
econômico que desencadeia a ampliação
do poder de compra resultando no consumismo
desenfreado, além do descarte incorreto que é
muito presente no Brasil, devido a falta de conscientização
da população que resulta na dificuldade
de implementação de políticas públicas de
coleta seletiva. Segundo a Abrema (2024), mais de
41% dos resíduos urbanos não tiveram a destinação
adequada, tendo como destino final os lixões
a céu aberto. O descarte incorreto pode ainda
resultar na contaminação do solo de lençóis
freáticos.
Além disso, formas incorretas de descarte ou
disposição final como a queima de resíduos na
propriedade, podem ocasionar o aumento da
poluição atmosférica através da liberação de
gases, entre outros impactos ambientais. Em um
contexto contemporâneo, onde o reaproveitamento
dos resíduos não é muito explorado, é de
suma importância o tratamento e o reaproveitamento
dos resíduos sólidos. A fim de mitigar esta
situação, a PNRS (Política Nacional de Resíduos
Sólidos) estabelece diretrizes para a gestão
adequada dos resíduos orgânicos no Brasil (Brasil,
2010) através de métodos que têm como objetivo
realizar a decomposição da matéria orgânica de
forma eficiente.
Em um contexto contemporâneo, onde o
reaproveitamento dos resíduos não é muito
explorado, é de suma importância o
tratamento e o reaproveitamento
dos resíduos sólidos
De acordo com Oliveira (2004), a compostagem
trata-se de um processo de fermentação
onde a presença do ar na massa em decomposição
é indispensável. Sua eficiência colabora para
o aproveitamento de resíduos orgânicos em sua
quase totalidade, evitando assim o descarte destes
em locais impróprios. Diminui problemas com
relação aos patógenos e sementes de plantas
que poderiam estar presentes no meio e sendo
repassados pela matéria orgânica não decomposta
(Penteado, 2019). Conforme Valente et al.
(2008), a eficiência do processo de compostagem
depende de fatores fundamentais, como temperatura,
umidade, pH, aeração e relação carbono/
nitrogênio (Valente et al., 2008; Kiehl, 1985), que
proporcionam um ótimo ambiente para as atividades
dos microrganismos aeróbios, responsáveis
pela decomposição da matéria orgânica.
Dessa forma, além de representar uma solução
viável para o tratamento de resíduos orgânicos,
a biodigestão anaeróbia, e a compostagem
também se destacam pelos benefícios ambientais
e econômicos associados ao aproveitamento
do biogás e biofertilizante gerado. Segundo a
Instrução Normativa número 61 do Mapa (Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), é
considerado biofertilizante, o produto que contém
princípio ativo ou agente orgânico, isento de
substâncias agrotóxicas, capaz de atuar, direta ou
indiretamente, sobre o todo ou parte das plantas
cultivadas. O biofertilizante tem expressivo potencial
de uso como adubo orgânico, pois proporciona
melhorias no solo, assim como contribui para o
desenvolvimento das culturas agrícolas
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pode ser acessada pelo QR
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Janeiro 2026 33
A G E N D A
MAR26
Waste Fermentation Day &
GGG Technical Seminar
O Waste Fermentation Day & GGG Technical Seminar está programado
para ocorrer de 3 a 5 de março de 2026. O evento tem como foco a
reciclagem de resíduos orgânicos, os marcos legais e aspectos técnicos
como gestão de odores e metanação, abordando temas relacionados
à produção de biometano, e-metanol e sustentabilidade. A programação
contempla tanto aspectos práticos quanto jurídicos.
Data: 3 a 5
Local: Mannheim-Ladenburg, (Alemanha)
Informações: https://www.compostnetwork.info/
MAR26
Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica
Primeiro congresso do gênero a se realizar no Brasil. O objetivo principal
do evento é reunir e apresentar o maior número possível de trabalhos
científicos e técnicos produzidos pela Embrapa (Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária), pelos institutos estaduais de pesquisa,
pelas universidades e por técnicos do setor orgânico, que possibilitam
o desenvolvimento de toda a cadeia de orgânicos, da produção à
comercialização. Os dados técnicos reunidos serão editados e distribuídos
para produtores rurais de todo o país.
Data: 17 a 19
Local: Campinas (SP)
Informações: https://institutobrasilorganico.org/
feira brasileira
de compostagem
Piracicaba (SP)
Local: Instituto Pecege
MAI26
Waste Management Europe
Durante três dias, na V edição, o Waste Management Europe reunirá
novamente formuladores de políticas, líderes da indústria, startups,
investidores e instituições, criando um ecossistema de colaboração e
inovação para enfrentar alguns dos maiores desafios ambientais do
mundo. De tecnologias de reciclagem de ponta a projetos de gestão de
resíduos em larga escala e iniciativas de Waste-to-Energy, o WME 2026
acelera mudanças positivas, fomenta parcerias estratégicas e apresenta
soluções inovadoras que moldam o futuro da gestão sustentável de
recursos.
Data: 19 a 21
Local: Bolonha (Itália)
Informações: https://www.cewep.eu/waste-management-europe/
Mais informações:
www.composhow.com.br
AGO26
Composhow 2026
A Composhow é a primeira feira brasileira dedicada exclusivamente à
compostagem, realizada em Piracicaba (SP). O evento reúne especialistas,
empresas e gestores públicos para debater soluções técnicas,
regulatórias e práticas voltadas ao tratamento de resíduos orgânicos.
Com palestras, demonstrações e exposição de equipamentos, a feira
promove inovação, troca de conhecimento e fortalecimento da economia
circular, destacando a compostagem como estratégia essencial
para sustentabilidade e valorização dos resíduos.
Data: 18 a 20
Local: Piracicaba (SP)
Informações: https://composhow.com.br/
Organização:
Divulgação:
REVISTA
+55 (16) 98111-6988
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