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Revista eMOBILIDADE+ Nº 13

A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

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www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/

N.º13

Trimestral | jan/fev/mar | 2026

Diretora: Cátia Mogo

OPINIÃO

O MODELO DA

URBAN ECOLOGICAL

TRANSIT VILLAGE

SMART CITY: OSLO

A CAPITAL QUE ESCOLHEU

MOVER-SE MELHOR

SUSTENTABILIDADE

CIDADES

PEDONAIS

SEGURANÇA

DISPOSITIVO

LUMINOSO V16

fiat grand panda

Num mercado onde os citadinos

acessíveis parecem estar em vias

de extinção, o Grande Panda surge

quase como um manifesto

fiat 600 híbrido

Citadino para quem procura

economia, funcionalidade

e personalidade. Pequeno no

tamanho, grande na experiência

volvo ex30

O design compacto, a agilidade e o

minimalismo do interior desta viatura

da Volvo evidenciam que o futuro

da mobilidade urbana é elegante



Revista n.º13 | jan/fev/mar 2026

EDIÇÃO TRIMESTRAL

Email: emobilidademais@invesporte.pt

DIRETORA

Cátia Mogo

EDITOR-EXECUTIVO

Eduardo de Carvalho

REDAÇÃO

Ana Filipe

Márcia Dores

EDUARDO DE CARVALHO

Editor-Executivo

EDITORIAL

Amobilidade atravessa um momento definidor. Já não se trata

apenas de substituir motores térmicos por sistemas elétricos ou

de reduzir emissões para cumprir metas regulamentares. O que

está verdadeiramente em curso é uma reconfiguração estrutural

do ecossistema urbano, energético e tecnológico que sustenta a

forma como nos deslocamos, transportamos bens e organizamos as cidades.

A sustentabilidade deixou de ser um argumento reputacional para se afirmar

como eixo estratégico. Hoje, medir desempenho implica avaliar pegada carbónica

ao longo de toda a cadeia de valor, eficiência energética real em operação,

circularidade de materiais e integração inteligente com redes elétricas cada vez

mais renováveis. A mobilidade elétrica, o hidrogénio, os combustíveis renováveis

e os sistemas de gestão digital não competem entre si; convergem para

um objetivo comum: descarbonizar com racionalidade técnica e viabilidade

económica.

A mobilidade sustentável só será plena se também for segura, integrando

tecnologia, proteção de infraestruturas e redução da sinistralidade.

As smart cities representam esse modelo integrado, baseado em dados e interoperabilidade,

mas exigem coordenação, investimento e visão estratégica de

longo prazo. O futuro depende de ecossistemas conectados, não de soluções

isoladas.

Na eMOBILIDADE+, acreditamos que este é o momento de elevar o debate.

Mais do que acompanhar lançamentos ou métricas de mercado, importa

contextualizar tendências, escrutinar políticas públicas, analisar modelos de

negócio e dar voz a quem está a redesenhar o setor. A transição energética é

um desafio sistémico, e também uma oportunidade histórica para reposicionar

Portugal como referência em inovação sustentável.

Sustentabilidade, segurança e inteligência urbana não são capítulos distintos:

são dimensões complementares de uma mesma transformação. O futuro da

mobilidade constrói-se agora, com rigor técnico, visão estratégica e ambição

coletiva. E é essa construção que continuaremos a acompanhar, com exigência,

independência e profundidade. +

DIRECÇÃO DE PUBLICIDADE

E MARKETING

Margarida Nascimento

Rui Garrett

ASSINATURAS

Fernanda Teixeira

COLABORADORES

António Macedo;

Filipe Carvalho

Frederico Gomes

DESIGN GRÁFICO / PAGINAÇÃO

Invesporte

IMAGENS

Pixabay.com | Freepik.com | Canvas

Shutterstock

EDITORA INVESPORTE,

EDITORA DE PUBLICAÇÕES

Edição, Redação e Administração

R. António Albino Machado, 35G

1600-259 Lisboa

Telefone: 215914293

Email: eurotransporte@invesporte.pt

Site: www.eurotransporte.pt

PROPRIEDADE

Eduardo de Carvalho

REGISTO ERC: Nº 127896

ESTATUTO EDITORIAL:

https://www.eurotransporte.pt/noticia/38/5193/estatuto-editorial-e-lei-da-transparencia/

www.eurotransporte.pt

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/


REVISTA N.º 13

JAN/FEV/MAR 2026

36

OSLO

SMART CITY

10 O MODELO DA URBAN

ECOLOGICAL TRANSIT VILLAGE

Carlos Gaivoto descreve-nos o

conceito de Urban Ecological Transit

Village enquanto planeamento urbano

que integra a mobilidade sustentável,

habitação e sustentabilidade ambiental

num mesmo ecossistema.

14 CIDADES PEDONAIS

Após cinco meses intensos dedicados

à Semana Europeia da Mobilidade e à

COP30 Bike Ride em Portugal, António

Gonçalves Pereira aproveitou novembro

para visitar o norte de Espanha, onde

observou na prática os benefícios das

cidades pedonais.

18 INTERMODAL

No final de setembro foi finalmente

anunciada a reabertura do corredor

ferroviário da Beira Alta, encerrado

desde 2022 para obras de

modernização no troço de 193 km entre

Pampilhosa da Serra e Vilar Formoso, na

opinião de António Soares, um sonho

que ainda é um pesadelo.

22 TRANSPORTE INTERNACIONAL

e-CMR: da digitalização do documento

à construção de uma cadeia de

abastecimento europeia integrada

24 SEGURANÇA RODIVIÁRIA

A modernização da sinalização de

emergência ganha destaque na agenda

ibérica, com impacto na segurança

rodoviária. Espanha tornará obrigatório

o dispositivo luminoso V16 em 2026,

enquanto Portugal avalia alterações

legislativas que podem mudar práticas

tradicionais.

28 PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS

Sistemas de supressão e extinção de

incêndio em veículos de transporte

de passageiros é um artigo técnico a

cargo da empresa Previnave.

32 MOBILIDADE

HeyBus: uma solução MaaS para a

inclusão no transporte público flexível,

por Lucas Araújo (Consultor em

Mobilidade e Transportes da OPT)

40 TECNOLOGIAS DE

INFORMAÇÃO

Como as empresas portuguesas

podem proteger as exportações para

os EUA? A Inteligência Artificial contra

a volatilidade tarifária, num artigo da

autoria de Filipe Carvalho (WideScope).

40 TESTES COM ALMA

Num setor dominado por

especificações técnicas, Testes com

Alma propõe uma leitura diferente,

acrescentando contexto, sensibilidade

e experiência real de utilização.

VER REVISTA DIGITAL

GRATUITA Nº.12

4 e-MOBILIDADE

+



Via Rápida

Emanuel Costa eleito primeiro-secretário

metropolitano de Lisboa

Emanuel Costa foi eleito primeiro-secretário metropolitano

da Área Metropolitana de Lisboa, em votação

realizada a 19 de janeiro nas assembleias dos 18

municípios. Sucede a Carlos Humberto de Carvalho

e integra uma comissão executiva que cessa funções

este mês. Técnico superior da administração local e

ex-autarca do Montijo, Costa participou em todas

as comissões executivas do atual enquadramento

jurídico metropolitano. A tomada de posse decorre

a 22 de janeiro, às 10h30, na sede da AML, durante

a reunião do Conselho Metropolitano.

Carlos Humberto de Carvalho eleito

presidente da TML

Carlos Humberto de Carvalho foi eleito presidente

do Conselho de Administração da TML – Transportes

Metropolitanos de Lisboa, por unanimidade,

numa reunião extraordinária do Conselho Metropolitano

de Lisboa a 12 de janeiro, na sede da AML.

Atual primeiro-secretário da Comissão Executiva

Metropolitana, assumirá funções a 1 de fevereiro. O

conselho inclui ainda Ângelo Pereira, Ana Luísa Ferreira,

Diana Carneiro Dias e Pedro Pinto de Jesus.

Na Mesa da Assembleia Geral, Carlos Moedas será

presidente, Emanuel Costa vice-presidente e Maria

Simões secretária.

Scania Ibérica nomeia João Crema como

diretor comercial de camiões

A Scania Ibérica anunciou a nomeação de João Crema

como diretor comercial de camiões, pré-vendas e

logística, a partir de 1 de fevereiro. Com mais de 20

anos de experiência internacional no setor de veículos

industriais, João integrou a Scania em 2010, liderando

projetos em mercados estratégicos na Europa e América

Latina. Entre 2013 e 2018, transformou a área de

Sales & Marketing da Scania México e, mais recentemente,

conduziu a rede de concessionários em Portugal.

Na nova função, assumirá a missão de fortalecer

a proximidade com clientes ibéricos e impulsionar um

crescimento sustentável, combinando produtos, serviços

e soluções ajustadas às necessidades do mercado.

6 e-MOBILIDADE


CP atinge novo recorde de passageiros

em 2025: mais de 208 milhões

A CP transportou 208,2 milhões de passageiros

em 2025, um recorde deste século, mais 19,9

milhões que em 2024 (+10,6%). O crescimento foi

particularmente forte nos comboios Regionais e

InterRegionais, com mais 16,4 milhões de passageiros

(+107,1%), e nos Intercidades (+48,8%). Urbanos

do Porto registaram 27,6 milhões de passageiros,

refletindo a reativação da Linha de Leixões. O

desempenho confirma a confiança crescente dos

portugueses no transporte ferroviário e reforça

o papel da CP na mobilidade sustentável e na

descarbonização do país.

Carris Metropolitana transportou quase 200

milhões de passageiros

A Carris Metropolitana transportou 194 milhões de passageiros

em 2025, registando crescimento em todos os municípios da

área metropolitana de Lisboa e 5,8 milhões de viagens realizadas.

Destaque para Palmela (+26%), Moita (+23%), Cascais (+19%),

Montijo (+17%) e Setúbal (+16%). O ano ficou marcado pelo

recorde diário em dia útil, com 763 mil passageiros, e máximos

aos fins de semana, evidenciando a consolidação do transporte

público como alternativa confiável e robusta para deslocações

intermunicipais.

Luís Cabaço Martins reconduzido na presidência da ANTROP

Luís Cabaço Martins, administrador do Grupo Barraqueiro, iniciou um novo

mandato como presidente da ANTROP, que representa mais de 70 empresas

de transporte rodoviário coletivo de passageiros em Portugal.

Num contexto de grandes desafios para o setor, a nova direção definiu como

prioridades a defesa das empresas, a sustentabilidade ambiental, a renovação

de frotas, a modernização tecnológica e a estabilidade regulatória. A

ANTROP reforça assim o seu papel na promoção de uma mobilidade mais

eficiente e sustentável, com destaque para o diálogo institucional, evidenciado

pela presença da Secretária de Estado da Mobilidade na cerimónia de

tomada de posse.

Ema Leitão eleita Presidente da ANTRAM

A ANTRAM realizou, no passado mês de janeiro, as eleições para os seus órgãos

sociais nacionais, das quais resultou a eleição de Ema Leitão como presidente da

associação, para o mandato que se estende até ao final de 2028. O ato eleitoral

contou com a apresentação de uma lista única, que registou uma forte adesão

dos associados, refletindo o envolvimento ativo do setor. Com esta eleição, Ema

Leitão torna-se a primeira mulher a presidir à ANTRAM, assumindo a liderança

da associação num contexto de profunda transformação económica, regulatória

e tecnológica do transporte rodoviário de mercadorias. A tomada de posse teve

lugar a 12 de fevereiro.

e-MOBILIDADE 7


Via Rápida

Global Mobility Call 2026 reúne líderes

da mobilidade sustentável

A 4.ª edição do Global Mobility Call realiza-se de 9 a

11 de junho de 2026, na IFEMA MADRID, afirmando-

-se como o principal evento dedicado à mobilidade

sustentável.

Num contexto de profunda transformação do setor,

marcado pela eletrificação, digitalização, inteligência

artificial, multimodalidade e novos modelos de

governação, o encontro reunirá decisores públicos

e privados para debater soluções mais sustentáveis,

seguras e centradas nas pessoas.

Após ter reunido mais de 8.000 profissionais de 47

países na última edição, o evento reforça em 2026

o seu papel como plataforma de colaboração público-privada

e espaço estratégico de reflexão sobre o

futuro da mobilidade.

ACAP quer abate de 40 mil carros para renovar

parque automóvel em Portugal

Com 1,6 milhões de automóveis acima dos 20 anos, a ACAP

propõe um programa de abate até 40 mil veículos em 2026, com

incentivos até 5 000 euros. A medida visa acelerar a transição

energética, reduzir emissões e contrariar o envelhecimento do

parque automóvel nacional.

O parque automóvel português continua a envelhecer a um

ritmo preocupante. Segundo a ACAP – Associação Automóvel

de Portugal, existem actualmente 1,6 milhões de automóveis

com mais de 20 anos em circulação, um universo significativo de

viaturas com padrões de

emissões e eficiência muito

distantes das exigências

ambientais atuais. Perante

este cenário, a associação

defende a reintrodução de

um programa de incentivo

ao abate, semelhante ao

que vigorou em 2009, com

o objetivo de acelerar a

renovação do parque e

apoiar a transição energética.

A proposta aponta para o abate de até 40 mil veículos já em

2026, com um incentivo médio de 4 000 euros por viatura, valor

que poderá ascender a 5 000 euros no caso de aquisição de um

veículo 100% eléctrico (BEV). O programa abrangeria ligeiros de

passageiros e de mercadorias, novos, com primeira matrícula

portuguesa, incluindo modelos eléctricos, eletrificados e também

veículos de combustão interna de baixas emissões.

IVECO conquista galardão de

“Camião Sustentável do Ano”

Universidade de Lisboa e Rock in Rio juntos

na Smart City of Rock

A Universidade de Lisboa tornou-se a primeira University Partner da Smart City

of Rock, iniciativa do Rock in Rio Lisboa em parceria com a Liquid Innovation Co.,

que transforma o festival num laboratório vivo de inovação urbana.

A plataforma conecta ciência, startups, empresas e setor público em contexto

real, testando soluções em mobilidade, infraestrutura inteligente, saúde, segurança,

turismo, ESG e educação para mais de 100 mil visitantes. A parceria reforça o

papel da academia na cocriação de soluções urbanas replicáveis, enquanto vinte

startups selecionadas poderão implementar seus projetos e participar do Smart

Rock Tank, uma rodada de investimentos pós-festival. O projeto tem forte dimensão

internacional, com redes de Business Connectors ligadas a vários países,

posicionando Lisboa e Portugal como centros de inovação tecnológica e urbana.

A IVECO reforça o seu compromisso com a

mobilidade sustentável ao conquistar pelo

terceiro ano consecutivo o título de “Camião

Sustentável do Ano”, agora com o S-Way

LNG movido a biometano na categoria Trator.

O prémio, atribuído desde 2016 pela revista

italiana Vado e Torno, avalia sustentabilidade,

eficiência, segurança, conforto e impacto ambiental.

O S-Way LNG combina desempenho

comparável ao diesel com menor impacto ambiental,

alta eficiência, segurança e conforto,

mostrando que a transição energética é viável

já hoje nos transportes pesados de longo

curso. A distinção reforça a posição histórica

da IVECO como líder em soluções de gás

natural e biometano, oferecendo alternativas

sustentáveis sem comprometer a operação

dos clientes.

8 e-MOBILIDADE


Posventa de Automoción


O MODELO DA URBAN ECOLO

em alternativa

crescimento

10 e-MOBILIDADE


GICAL TRANSIT VILLAGE

ao impossível

exponencial…

O crescimento exponencial do Capital apoia-se no RCSR (Rescaling

Competition State Regime) 1 e na gestão neoliberal para os territórios

europeus metropolitanos e consolida o regime flexível de acumulação

por espoliação permanente.

O

Estado orienta a aplicação do

excedente para o monopólio

da “competitividade” e para

a concorrência como forma

de acelerar a reprodução do

sistema e recorre, por exemplo, no processo

cumulativo do espaço geográfico 2 , com o volume

e a intensidade da dispersão urbana, no

avolumar e intensificar a produção e o consumo

do imobiliário e com o crédito, acelerar

o circuito de realização do capital. A sustentabilidade

e resiliência do território da lógica

funcional é pulverizada por infraestruturas e

equipamentos de uso individual e colectivo,

conquanto se garanta, na dispersão urbana,

a espoliação das condições de reprodução

social da força de trabalho e o aumento do

consumo, quer através dos custos residenciais

(habitação e transporte>50% do orçamento

familiar), quer no aumento da Dívida e

Défice face aos sobrecustos dos Orçamentos

Municipais (custos escondidos,+67%) e face

aos impactos negativos das externalidades

(5%PIB), como por exemplo, na saúde e na

qualidade do ar e racionalidade da energia

(custos generalizados), ou seja, nos custos

CARLOS GAIVOTO

Mestre Engenheiro em Sistemas de Transporte

sociais directos e indirectos. A desregulação

dá lugar à especulação criada no “spatial-fix”

e o planeamento urbano é substituído, em

cada região e município, pelas avarezas e

aventados loteamentos, na maior parte das

vezes, a substituir o solo rústico com a renda

diferencial do solo urbano especulativo.

De facto, hoje, o território é hoje usado de

e-MOBILIDADE 11


forma diferente aos modelos monocêntrico

(Fordismo) e policêntrico (Keynesianismo)

pois, a seguir à turbulência

da década de 70, o neoliberalismo

avança com o seu modelo compósito,

generaliza a competitividade e concorrência

do valor de troca do solo,

maximiza a desregulação com capital

fictício de forma a esquadrinhar financeiramente

a sua cobertura territorial

(com ou sem descentralização). Nesta

dinâmica de acumulação, nenhum

município está fora desta cogestão e

as entidades regionais são chamadas a

fragmentar e intensificar

os planos

UETV

O padrão-território deve ser alternativo

ao modelo compósito promovido

pelo neoliberalismo, isto é, no modelo

organizado e democrático da “urban

ecological transit village”

de urbanização, de

forma a ultrapassarem

todas regras

de sustentabilidade

e resiliência do

território e acompanham

a desorganização

institucional

e o esvaziamento da capacidade

técnica do Estado Social, ao privatizar

o território, entretanto, “legitimado” em

PDM, em PROT/PNPOT 3 , coadjuvado

no PRN2000 e no dito ‘P’FN.

Ao não querer limites a este crescimento

exponencial perpétuo 4 , o Estado

neoliberal capitalista reproduz o mesmo

método da “creative destruction” 5

em todos os sectores (saúde, ensino,

habitação, transporte), cuja incidência

directa afecta qualquer comunidade

urbana, em particular, no território,

cuja metrópole é fragmentada e a

divisão social do trabalho é estigmatizada

na dispersão urbana, ao manipular

mudanças no comportamento demográfico

humano, desde emigrações a

imigrações para preencher vazios, até

aos efeitos do urbanismo da austeridade

6 , isto é, a pobreza, a epidemia, a

fome, a guerra e patologias de vários

tipos (ex: crime, depressão, etc.) que

avolumam-se e atomizam o quotidiano

da vida humana.

Apesar de saber-se que há uma rotura

entre a rápida acumulação do capital 7

e o crescimento populacional e que a

dinâmica de acumulação exponencial

terá de se apoiar menos no crescimento

demográfico; a estratégia e o tacticismo

neoliberal lança,

no caso português,

a cega ideia que a

Mega-Metrópole é

uma solução para

ultrapassar essa

“contradição” entre

as dinâmicas de

produção, consumo

e realização do

capital ajustadas às novas condições

demográficas, acompanhada pelo volumoso

investimento em infraestruturas

de transporte 8 (>30 biliões de €: Alta

Velocidade, NAL, duas travessias na

AML…) e criar condições para que o

dinheiro fiduciário entre em acção, ou

seja, nesta mistura de actividade privada

e acção estatal, os financiamentos

aparecem para que a forma-dinheiro

permita a acumulação sem limites. É

claro que o recurso às PPP, não acontece

por acaso, desde que se garanta

a circulação do capital e em última

instância, entre em cena a austeridade

para pagarem-se estas novas configurações

do “spatial-fix”.

DEFENDER A ECOLOGIA URBANA,

O TC, A CIDADANIA E DEMOCRACIA

EM ALTERNATIVA AO MODELO

COMPÓSITO

A alternativa é arrepiar caminho e resistir

a estas ondas-tsunamis, as da especulação

do valor de troca no “spatial-fix” e

impor, em alternativa, o valor social do

uso do solo, no qual devem ser concentradas

as prioridades e melhorias das

condições de reprodução social da força

de trabalho acompanhadas por mudanças

no padrão de desenvolvimento, por

exemplo, na modernização de equipamentos

sociais e colectivos no direito à

acessibilidade da habitação, do ensino,

da saúde, da segurança alimentar, produtos

básicos e acesso livre ao transporte

para garantir a base material que

assegure que não haja carências e nos dê

liberdade de acção e de movimento, sem

perder a memória colectiva da cidade.

O padrão-território deve ser alternativo

ao modelo compósito promovido

pelo neoliberalismo, isto é, no modelo

organizado e democrático da “urban

ecological transit village” (UETV como

cidade de pequena e média dimensão),

na qual interliga-se o debate público

(Convenção de Äarhus) com o reforço da

democracia e autonomia das populações,

protagonizada em conselhos de cidadãos

com direito a avaliar e decidir sobre

a infraestrutura e equipamento social

e colectivo, como é o caso do sistema

ferroviário em cada região e sub-região

ou o plano de habitação agregada. Por

exemplo, quando se planeia a acessibilidade

ferroviária nacional, regional ou

urbana – o sistema ferroviário precisa é

12 e-MOBILIDADE


de resolver a prioridade da sua eficiência

com da tecnologia do ETCS L2 (sinalização

automática do bloco orientável para

aumentar 40% a capacidade da rede),

garantir bons níveis de serviço com a

rede e o comboio interoperável (maior

velocidade e segurança) sem precisar de

“Alta Velocidade” mas, a servir todas as

regiões e metrópoles, com energias renováveis,

para fixar populações no interior

norte, centro e sul. Na Alemanha, onde

a rede é bastante densa, a interoperabilidade

– ver modelo de Karlsruhe - é

aplicada às malhas urbanas e regionais

com sistemas de capacidade intermédia

(tram-train) de modo a criar mais resiliência

e sustentabilidade dos ecossistemas

urbano-regionais sem entrar na

lógica especulativa do uso do solo.

O padrão social tem outros parâmetros

de reprodução social da força de

trabalho com a cidade “UETV” – ver

a Ecologia de Vauban em Freiburg, a

qual estabelece um ritmo mais lento e

agradável da vida quotidiana e maximiza

o tempo dedicado à criação de novas

tecnologias de forma a aliviar o peso

de todas as formas de trabalho social e

diminuir a pegada ecológica da actividade

humana. O regime de direito comum

– conhecimento e saber-fazer – substitui

a oposição entre propriedade privada

e o poder público, para que as populações

tenham mais direito a planear e

a organizar a vida económica, social,

cultural e desportiva em consonância

com ambiente urbano sustentável, em

cada distrito urbano (UETV) e em cada

município, para elevar a resiliência do

território, a sustentabilidade da condição

de reprodução social da força de

trabalho e o reforço da emancipação ao

Estado autocrático e neocorporativista,

ao permitir que o Plano e o Projecto

assegurem o efectivo combate à lógica

do Capital 9 e em simultâneo, aos efeitos

negativos da dispersão urbana, cujo padrão,

como se verifica, é mais vulnerável

face às alterações climáticas e exige-nos

a questionar a actual aplicação do excedente

nos projectos faraónicos de Alta

Velocidade e NAL, em vez de ser aplicado

na eficiência das redes e serviços de

TC urbano, suburbano e regional, em

particular, do TCSP em modo ferroviário

ligeiro de superfície interoperável.

Nesta perspectiva, é urgente a Reforma

do Sector e o Transit Act para que o

crescimento zero substitua a política do

crescimento exponencial infinito.

1) Neil Brenner (2002), “New State Spaces. Urban Governance and

the Rescaling of Statehood”, ed. Oxford University;

2) Na AML, por exemplo, a transfiguração urbana estende-se

tanto na Margem Sul (Almada, Alcochete, Barreiro, Montijo,

Palmela, Seixal, Sesimbra), como na Margem Norte (Amadora,

Lisboa-Expo_Alta de Lisboa…; Oeiras; Sintra; Loures; Odivelas;

VFX; etc.). A operação Expo98 impulsionou entidades públicas e

privadas nesta lógica desenfreada de acumulação e a dispersão

urbana é o espelho desta política coerciva aliada à espoliação e

austeridade quando as crises de desvalorização do capital fixo

sucedem com mais frequência;

3) O PNPOT2018 não faz sequer referência à dispersão urbana e

ao crescimento exponencial dos custos escondidos e escamoteia

a resiliência do território e a sustentabilidade das populações e

actividades económicas;

4) “Tomemos como exemplo normal, uma tx de crescimento

exponencial de 3%. (…) encontrar oportunidades de investimento

lucrativo de mais ou menos US$3 trilhões (…) essa não parece

ser uma trajectória de crescimento possível. Se pensarmos em

termos materiais, para manter a taxa composta de acumulação do

capital, a enorme expansão da infraestrutura física, urbanização,

força de trabalho, consumo e capacidade de produção ocorrida

desde a década de 70 até hoje, teria de ser insignificante em

comparação com a da próxima geração. Se dermos uma olhada no

mapa da cidade mais próxima de nós em 1970 e o compararmos

com o mapa actual, poderemos o que poderá ser essa cidade se

nos próximos 20 anos ela quadruplicar de tamanho e densidade”,

David Harvey (2014), in cap.15 “crescimento exponencial infinito”,

“As 17 Contradições do Capitalismo”, ed. Boitempo;

5) David Harvey (2005), “A brief history of neoliberalism”, ed.

Oxford University;

6) Greg Albo and Carlo Fanelli, “Austerity against Democracy. An

Authoritarian Phase of Neoliberalism?” – ver http://gesd.free.fr/

albo14.pdf;

7) “Manter uma taxa de crescimento satisfatória, hoje em dia,

significa encontrar oportunidades de investimento lucrativo para

quase US$ 2 triliões adicionais, em comparação com os ‘meros’

US$ 6 biliões necessários de 1970. Por volta de 2030, quando

as previsões sugerem que a economia global será mais de US$

96 triliões, serão necessárias as oportunidades de investimento

lucrativo de mais ou menos US$3 triliões”, David Harvey (2014), in

cap.15 “crescimento exponencial infinito”, “As 17 Contradições do

Capitalismo”, ed. Boitempo;

8) Nas décadas de 80/90, com o PRN2000 e o “tsunami” de

autoestradas, ainda hoje a ser pagas nas PPP rodoviárias (1500

M/ano), o PNPOT2007 e o PNPOT2018 não combatem o custo

social da dispersão urbana e acentuam os impactos negativos nas

economias locais e erosão demográfica do interior, ao admitir a

concentração da população ao longo da faixa litoral (90%) e ao

cobrir a política do Investimento Público em ILD entre Lisboa e

Porto, que reforça a política do RCSR na Mega-Metrópole;

9) “Não me parece fortuito que os limites estabelecidos para a

criação do dinheiro, atrelando-o a mercadorias-dinheiro como

ouro e prata, tenham sido rompidos no início da década de 70.

A pressão da expansão exponencial sobre a oferta global fixa de

metal foi simplesmente invencível naquele momento específico

do desenvolvimento histórico do capital. Desde então, vivemos

num mundo em que prevalece a ausência potencial de limites de

criação de dinheiro. Antes da década de 1970, a principal via de

investimento do capital era a produção de valor e mais-valor nos

sectores da manufactura, mineração, agricultura e urbanização.

Embora grande parte dessa actividade fosse financiada por endividamento,

o pressuposto geral, que não estava equivocado, era

de que a dívida acabaria por ser recuperada com a aplicação do

trabalho social na produção de mercadorias como casas, carros,

refrigeradores e similares. Mesmo no caso de financiamento de

infraestruturas de longo prazo (como estradas, obras públicas,

urbanização), havia uma presunção razoável de que a dívida

seria paga com a produtividade crescente do trabalho social

envolvido na produção. Também, poder-se-ia assumir que tudo

isso geraria uma renda per capita crescente… sempre existiram

ciclos significativos daquilo que podemos chamar capital fictício

– investimento em hipotecas, dívida pública, infraestrutura urbana

e nacional, etc. De tempos a tempos, perde-se o controlo sobre

esses fluxos de capital fictício, formam-se bolhas especulativas

que explodem e geram sérias crises financeiras e comerciais.”,

David Harvey (2014), in cap.15 “crescimento exponencial infinito”,

“As 17 Contradições do Capitalismo”, ed. Boitempo

e-MOBILIDADE 13


Cidades pedonais

Ruas cheias de gente,

segurança, comércio forte

Depois de 5 meses muito atarefados e extenuantes na preparação

e execução da Semana Europeia da Mobilidade e da passagem

em Portugal da COP30 Bike Ride (dois grandes sucessos!), em

Novembro tirei finalmente alguns dias e aproveitei para revisitar

o norte de Espanha. Pude, assim, constatar os efeitos práticos

da aposta em Cidades Pedonais. Ou seja, em cidades, e vilas,

nas quais a prioridade é a deslocação a pé, com tudo o que isso

implica e no que daí resulta. Depois de 12 dias, o impacto do

regresso à anacrónica realidade portuguesa foi algo deprimente.

Antes que pergunte: sim,

fui de carro. Porque não,

não sou dos anti-carro.

Sou da mobilidade

sustentável, integrada, racional,

na qual o carro continuará a ter

o seu papel. Em muito menor número,

em muito menos deslocações, e com

muito menos posse. Carros colectivos,

comunitários, partilhados, alugados.

Como foi o caso. Porque há situações

em que o carro será, até, a opção mais

sustentável.

O itinerário programado não daria

para fazer de outra forma. Depois de

uma noite no Porto, seguiram-se Vigo,

Pontevedra, Santiago de Compostela,

La Coruña, Ávila, Gijon, Santander,

Bilbao, Guernica, Burgos, Leon,

Ourense e regresso com estadia em

Guimarães, para realizar um workshop

de sustentabilidade transversal, com

o Pacto Climático Europeu, para técnicos

municipais do Minho. Isto com

pernoitas em alguns desses locais e paragens

em vários outros, mais pequenos,

igualmente marcantes, tanto no

caminho, como em redor. À chegada

a cada um desses locais, o carro ficou

sossegado e… andou-se a pé. Muito.

Um pouco também de transportes

colectivos mas, sobretudo, a pé. A

conhecer tudo, a respirar, a conviver

com os milhares de pessoas com quem

a todo o momento íamos partilhando

as ruas. No dia em que andámos menos

foram ‘só’ 10 quilómetros.

Logo no primeiro dia, surpreendeu-me

uma placa à entrada da cidade, que

depois se repetiu noutros locais: Cidade

Pedonal / 30 Kms/h. Eu sabia que

desde 2021 que a regra em Espanha é

de haver este limite de velocidade nas

vias urbanas com uma faixa por sentido.

Mas, dados os bons resultados intermédios,

algumas cidades avançaram

já para a generalização desse limite

para toda a área urbana. Há excepções?

Claro que sim. Por exemplo, 20

kms/h em ruas de plataforma única,

ou seja, em que peões e veículos se

deslocam ao mesmo nível. Portanto,

sem passeios.

E depois há muitos casos, como Pontevedra,

em que não só nem se aposta

em fazer ciclovias (desnecessárias por

assim não haver diferenças significativas

de velocidade de circulação),

ANTÓNIO GONÇALVES PEREIRA

Presidente do Ecomood Portugal, Associação

para a Promoção Solidária da Sustentabilidade

na Mobilidade Humana; Embaixador do Pacto

como também quase não se proíbe a

circulação de automóveis em zonas

consideradas sobretudo pedonais.

Sim, pode ir-se buscar a avó que tem

dificuldades de locomoção ou ir fazer

uma descarga. A 10 à hora. Ou mesmo

a 6, em alguns locais. E todos estão

mais felizes. E, ao contrário de cá, que

passamos a vida a fugir dos automóveis

e com medo de sermos atropelados,

dei comigo a pedir desculpa aos

peões, por estar, a 6 à hora, a conduzir

a caminho da garagem em que ia

largar o carro. Ainda assim, e apesar

de ninguém me dizer nada, senti que

estava a incomodar.

OUTRA CULTURA

Sim, é verdade. Estes espanhóis têm o

hábito de estar na rua. De conviver. Às

6 da tarde, em qualquer dos locais visitados,

já havia multidões por todo o

14 e-MOBILIDADE


OUTRA NOVIDADE

Em ruas íngremes ou até mesmo

somente com alguma inclinação,

está-se a apostar na colocação

de esteiras rolantes no sentido

ascendente. Resultado: uma desculpa

a menos para usar o carro

lado. Mesmo a choviscar e com frio. Famílias

a brincar com as crianças, colegas

de trabalho e amigos a comer uns pinchos

e a beber umas cañas, lojas cheias,

e muitos mais a passarem por nós a caminho

disso ou de outra coisa qualquer.

Essa cultura estará tanto na origem da

mais rápida adopção desta política de

cidades pedonais, como o seu sucesso

a ajudou a que ela se generalize ainda

mais. E isto resulta em dupla segurança:

muitíssimo menos acidentes e atropelamentos

e também muito menos roubos

e criminalidade. Afinal, com tanta gente

em redor, qual o bandido que se atreve?

Até porque os nuestros hermanos não

são de ficar a ver, são mais de intervir.

Assertivamente.

OUTRAS MEDIDAS

Mas há mais. Sabe o que vi muito

pouco no centro das cidades? Grandes

centros comerciais e grandes hipermercados.

Esses estão mais nas periferias. A

esses, sim, vai-se de carro, carregar, uma

vez de vez em quando. Ou de transportes

públicos. O resto do tempo, faz-se

compras de proximidade, no bairro, no

centro. Resultado: pequeno comércio

por todo o lado. Vigoroso, lucrativo,

muito mais personalizado e, claro, com

muito maior oferta. E muito menor

dependência das imposições da grande

distribuição.

Sabe o que notámos muito menos também?

A presença de turistas. Eles estão

lá, e são muitos. Mas as cidades não

perderam a sua personalidade, não estão

descaracterizadas, nem em constru-

ção, nem em termos humanos. Porque

por muito que haja turistas nas ruas, e

há, há sempre muito mais autóctones.

Outra novidade: em ruas íngremes ou

até mesmo somente com alguma inclinação,

está-se a apostar na colocação de

esteiras rolantes no sentido ascendente.

Resultado: uma desculpa a menos para

usar o carro. Em alguns casos, como na

Gran Via de Vigo, essa infraestrutura é

ainda complementada com cobertura,

bancos de jardim, zonas verdes, áreas

de convívio, arte. O que aumenta ainda

mais a qualidade de vida de quem anda

a pé, sobretudo se comparada com

os que estão enfiados uns atrás dos

outros nos seus carros. Cujos lugares

de estacionamento foram, entretanto,

substituídos por passeios mais largos e

canteiros.

Um último exemplo: o Metrominuto.

Também já a começar a ser implementado

em algumas honrosas cidades portuguesas,

trata-se de um sistema de placas

com mapas e tempos de deslocação

a pé. Em alguns casos, através de um

código QR, pode também aceder-se a

informação mais completa. E que pode

até incluir, além dos pontos icónicos da

cidade, as calorias queimadas em média

nessas deslocações.

Portanto: mais convívio, mais lucro,

mais justiça, mais segurança, mais

saúde. Mais felicidade. E muito menos

custos de infraestrutura e de saúde

pública.

Para quando, Portugal?

Nota: este texto está escrito no português de

Portugal que decidi adoptar, sem a maior parte

do (des)acordo ortográfico.

e-MOBILIDADE 15


GUIA ESSENCIAL

Sistemas de Cobrança Eletrónica de Portagens

Os sistemas de portagens

evoluíram nos últimos

anos, tornando-se mais

inteligentes, eficientes e

capazes de transformar

dados em um recurso estratégico. A

cobrança sem dinheiro já não é apenas

mais rápida e segura; é também uma ferramenta

para otimizar o tráfego, reduzir

congestionamentos e apoiar políticas

de mobilidade sustentável. As receitas

de portagens continuam a financiar a

construção e manutenção de autoestradas,

mas os métodos manuais têm dado

lugar a soluções eletrónicas que combinam

rastreio, identificação e faturação

de veículos. Hoje, os sistemas modernos

recorrem a GNSS, pontos de controlo ao

longo do troço ou comunicação veículo-infraestrutura,

complementados por reconhecimento

automático de matrículas.

As etiquetas RFID permitem a cobrança

em movimento, debitando automaticamente

o valor no método de pagamento

escolhido pelo utilizador.

A tecnologia avançou para além do

RFID. Sistemas baseados em vídeo e

inteligência artificial combinam laser,

câmaras térmicas e OCR para rastrear,

classificar e cobrar veículos em tempo

real. Plataformas em cloud permitem

interoperabilidade entre múltiplas

infraestruturas, enquanto algoritmos

de IA aperfeiçoam continuamente o

reconhecimento de matrículas e a gestão

do tráfego. O resultado são portagens

sem barreiras físicas, fiáveis e seguras,

integrando múltiplos métodos de pagamento

e conformidade total com normas

internacionais de proteção de dados.

Os benefícios destes sistemas são significativos.

Introduzem tarifas baseadas

A cobrança eletrónica de portagens transformou-se numa peça central

da mobilidade inteligente. Mais do que substituir barreiras físicas,

os sistemas modernos combinam tecnologias de ponta, dados e

inteligência artificial para tornar o trânsito mais seguro, eficiente e

sustentável. Dos corredores rodoviários europeus às autoestradas

asiáticas, a revolução digital permite cobrar pelo uso real das vias,

otimizar fluxos de tráfego e integrar soluções inteligentes que

redefinem a gestão da mobilidade no século XXI.

no uso real da estrada, incentivando

práticas sustentáveis como carpooling e

transporte público, e contribuindo para

reduzir emissões e congestionamentos. A

gestão eletrónica permite reduzir custos

operacionais, minimizar perdas de receita,

definir tarifas flexíveis em função do tráfego,

identificar pontos críticos e integrar

soluções inteligentes complementares,

como pesagem em movimento, comunicação

veículo-infraestrutura e sistemas de

alerta precoce para desastres naturais.

A escolha de um sistema deve considerar

a robustez e fiabilidade do hardware e

software, adequando-se ao tipo de veículos

abrangidos e equilibrando custo e

eficácia. RFID, LPR, GNSS e comunicação

dedicada de curto alcance são algumas

das tecnologias disponíveis, enquanto a

fiscalização eficaz continua a ser crucial.

Sistemas modernos combinam câmaras

LPR com back office capaz de garantir

cumprimento em qualquer condição de

tráfego ou meteorologia, assegurando

fluxo contínuo e fiabilidade operacional.

O mercado global de portagens eletrónicas

tem crescido de forma consistente,

estimando-se um valor de 9,47 mil

milhões de euros em 2025, com projeções

de 14,14 mil milhões de euros

em 2030, acompanhando o aumento

da digitalização da mobilidade e dos

pagamentos contactless. A inteligência

artificial é agora um pilar central, permitindo

análise de tráfego em tempo real,

manutenção preditiva de infraestruturas

e processos automatizados que otimizam

a recolha de receitas e reduzem custos

operacionais. Sistemas avançados utilizam

modelos preditivos para antecipar

congestionamentos e ajustar tarifas, enquanto

tecnologias como 5G possibilitam

comunicação veículo-infraestrutura quase

instantânea, processamento de dados

em tempo real e interoperabilidade entre

redes, mesmo em autoestradas movimentadas.

Entre os países líderes na implementação

de sistemas eletrónicos de portagens estão

os Estados Unidos, China, Japão, Alemanha,

França, Singapura, Malásia, Coreia

do Sul, Itália e Reino Unido, todos com

redes avançadas que abrangem autoestradas

nacionais, pontes e zonas urbanas

com cobrança de congestionamento.

A evolução da cobrança eletrónica de

portagens representa um salto decisivo

na mobilidade do futuro. As estradas tornam-se

mais seguras, os fluxos de tráfego

mais eficientes e a recolha de receitas

mais transparente, enquanto a integração

de inteligência artificial, dados e tecnologias

conectadas redefine a gestão de

transporte e posiciona as portagens como

um elemento-chave da infraestrutura

inteligente do século XXI.

16 e-MOBILIDADE


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e-MOBILIDADE 17


Intermodal

UM SONHO

QUE AINDA É UM

PESADELO

ANTÓNIO SOARES

Diretor de desenvolvimento de negócios

da Rodo Cargo

18 e-MOBILIDADE


Nos últimos dias de setembro foi anunciado (finalmente)

a abertura do corredor ferroviário da Beira Alta. Para os menos

atentos, desde 2022 que se iniciaram as necessárias obras de

melhoria deste importante troço com 193 quilómetros entre

Pampilhosa da Serra e Vilar Formoso.

Esta notícia, há muito

esperada e sucessivamente

adiada por dificuldades de

todo o tipo, constitui não

só uma melhoria na

mobilidade para todos os utilizadores,

principalmente no interior do

país, como também uma enorme

valência para o serviço intermodal de

mercadorias.

O Corredor da Beira Alta é, de facto,

um exemplo do melhor e do pior que

se faz neste país no que diz respeito à

mobilidade e transporte intermodal.

As justificações das entidades

oficiais, Governo e Administração

Pública, fazem-nos olhar para a

árvore, esquecendo a floresta. A raiz

do problema é a falta de pensamento

e visão estratégica, muitas vezes,

penalizando uns em detrimento de

outros. Esta falta de estratégia, no

que diz respeito à mobilidade e ao

transporte intermodal de mercadorias,

afeta a integração e coordenação

de esforços por parte de todos os

agentes envolvidos, quer seja Estado,

autarquias ou operadores privados.

No entanto, não é por falta de

contributos por parte de todos os

envolvidos, são inúmeros os fóruns

que todos os anos se realizam em

Portugal, com participação de

importantes atores no que diz

respeito à intermodalidade e mobilidade.

As análises estão feitas, os

diagnósticos bem realizados e, acima

de tudo, as soluções são elencadas. A

típica desculpa da falta de recursos

financeiros só pode reforçar o

argumento de que são necessários um

melhor planeamento e uma estratégia

para o setor. Sem uma visão e um

plano para colocar em prática, de

certeza que se gastará mal e muito

mais.

Se olharmos para a realidade da rede

ferroviária do século XIX em Portugal,

em muito resultado do impulso

do fontismo, e compararmos com a

rede atual, verificamos que as

diferenças não são muitas, mas os

polos produtivos e populacionais são

decididamente diferentes. A realidade

do país, nas suas diversas vertentes,

quer nas atividades produtivas,

quer nas atividades socioeconómicas,

são consideravelmente diferentes. E,

apesar do Estado Novo, durante a

segunda metade do século XX, ter

promovido importantes investimentos

na ferrovia, não se registou uma

expansão significativa nesta infraestrutura.

Num país tão periférico como o

nosso, como é possível que ainda

estejamos a discutir a intermodalidade,

as ligações aos portos marítimos,

os corredores de ligação a Espanha e

a França? As empresas e a nossa

economia necessitam de infraestruturas

que, a curto prazo, serão críticas,

e capacidade instalada para responder

a esta geografia. Mas, mais do que

infraestruturas, necessitam de

previsibilidade e estabilidade, isto é,

e-MOBILIDADE 19


INTERMODAL

Por António Soares

ESTRATÉGIAS

Dos seis maiores países contribuintes

para o PIB da União Europeia, três

destacam-se pelo elevado volume

de mercadorias transportadas por

meio do sistema Intermodal e pela

implementação de estratégias

integradas de mobilidade

de uma estratégia e de uma visão.

O que deveríamos estar a discutir seria

a melhoria da rentabilidade, o aumento

da capacidade de oferta de serviços

intermodais e, consequentemente, o

aumento da competitividade de todos

os envolvidos: operadores, clientes e

utilizadores.

Nos últimos anos, têm sido observadas

medidas como compensações financeiras

a operadores por atrasos e isenções

de portagens em algumas autoestradas,

beneficiando determinados grupos, sem

compensação para outros. Estas

iniciativas influenciam o cenário da

competitividade.

Por outro lado, o transporte intermodal

representa uma resposta eficaz ao

aumento da competitividade económica.

Dos seis maiores países contribuintes

para o PIB da União Europeia, três

destacam-se pelo elevado volume de

mercadorias transportadas por meio do

sistema Intermodal e pela implementação

de estratégias integradas de mobilidade.

Além disso, a intermodalidade,

tanto para passageiros, quanto para

carga, está alinhada com os atuais

objetivos de descarbonização e sustentabilidade.

Os nossos vizinhos já perceberam a

importância deste modo de transporte

para o seu desenvolvimento e, para além

dos 21 mil milhões de euros até 2030 já

destinados para investimento na

mobilidade, e em particular na ferrovia,

já têm em marcha o programa “Mercancías

30”, com o objetivo de incrementar

em 10% o transporte intermodal de

mercadorias.

Reforço, mais uma vez, que as ideias, os

estudos, os quadros técnicos e a experiência

existem. Apenas é necessário

transformar a intermodalidade, quer de

bens e pessoas, num desígnio nacional,

arrastando para este tema o MERCADO,

isto é, os clientes e utentes, muitas vezes

ausentes nos diversos fóruns que cá se

realizam. No entanto, serão estes os que,

de uma maneira ou de outra, no fim do

dia pagarão a fatura. Quer pela dinâmica

que o Mercado imprime, quer pelas

imposições do Green Deal.

Por via da descarbonização imposta (?)

pela União Europeia, as empresas terão

que assumir a sua responsabilidade, ou

acabarão por pagar, com consequências

na sua competitividade. Mas há outros

fatores que poderão influenciar a

competitividade, nomeadamente, a

escassez de meios e recursos. Os países

da UE enfrentam atualmente uma

escassez significativa de motoristas de

camião, com projeções alarmantes: em

2023, faltavam mais de 233 000

motoristas (UE, Noruega e Reino

Unido) e, caso não sejam tomadas

medidas eficazes, esse défice poderá

atingir 745 000 até 2028. (Fonte: IRU).

Neste ano, estamos a assistir a importantes

players europeus e mundiais a

adquirir capacidades e meios intermodais,

este movimento, liderado pelas

grandes companhias de navegação, é

reflexo de uma necessidade crescente

do serviço e do preço. Recentemente,

em conversa com um importante

fabricante de contentores asiático, este

queixava-se de que, de ano para ano, o

20 e-MOBILIDADE


na renovação da frota, na aposta de

novas tecnologias ou ainda na adoção

de fontes de energia menos poluentes.

Sejam quais forem os caminhos, o

transporte rodoviário tenderá a ser mais

caro.

No que diz respeito à procura, as

previsões para o período de 2024 a

2030 na Europa indicam um crescimento

médio anual entre 1,5% e 2%,

atribuído ao comércio eletrónico,

investimento em infraestruturas e

processos de reindustrialização no

continente. A Comissão Europeia prevê

movimentos e medidas contrárias ao

Mercado Comum, então, nesta área de

transporte de mercadorias, é gritante o

protecionismo dos Estados-Membros, o

caminho será a Rede Transeuropeia de

Transportes (RTE-T) ou Trans-European

Transport Network (TEN-T). Apenas e

só em rede e em cooperação é que a

competitividade das empresas e da

economia poderá ser reforçada.

Vencer a geografia sempre foi um

desígnio nacional num país periférico

face aos seus principais mercados. Criar

condições competitivas, para que o

número de clientes era menor, resultante

da concentração de players. Esta

aglomeração só pode, a meu ver, ter

consequências no mercado, ainda por

cima num setor que é particularmente

geoestratégico e, acima de tudo,

geopolítico.

A oferta no transporte rodoviário

tenderá a decrescer, muito pela escassez

de recursos humanos, mas também

porque o desafio no que diz respeito ao

Green Deal é exigente, nomeadamente,

Vencer a geografia

sempre foi um desígnio

nacional num país

periférico face aos seus

principais mercados

um aumento de cerca de 33% no

transporte de mercadorias até 2030,

comparado a 2010, com um aumento

acumulado superior a 50% até 2050.

(Fonte: Comissão Europeia, Relatório

2024)

A falta de estratégia nacional de forma

integrada e com uma visão para este

setor é mais que evidente. Este Governo,

honra seja feita, tem a vontade de

apresentar obra, mas falta-lhe uma

visão, um desígnio, que possa integrar

as vontades e investimentos de todas as

partes envolvidas.

Só o Estado está em condições de

liderar este processo, porque é no

Estado que ainda estão concentradas as

infraestruturas das quais os agentes

económicos dependem. Porque é o

Estado que, de uma forma integrada,

pode contribuir para reunir à mesma

mesa operadores, clientes e utentes.

A nível europeu, a Comissão Europeia

há muito que deu o seu contributo com

uma visão e uma estratégia. E, apesar

de, a nível europeu, se assistir a

tecido produtivo nacional possa colocar

os seus produtos rapidamente e com

preços competitivos, é essencial para o

nosso crescimento. A falta de uma

estratégia, sem objetivos definidos,

comprometendo todos envolvidos,

coloca em causa o desenvolvimento

económico e social. Não basta os

investimentos (o Orçamento de 2026

parece ter poucas novidades), é preciso

ter um diálogo com os operadores e

com o tecido produtivo nacional. É

necessário transformar a mobilidade e

intermodalidade num desígnio nacional,

como já o fizemos nos séculos XV e

XVI, capaz de mobilizar, para além dos

operadores e Estado, os agentes

produtivos.

Porque, na realidade, o que se pretende

é dotar uma economia, uma sociedade,

com serviços e estruturas que respondam

aos desafios das próximas duas

décadas. E a intermodalidade, o short

sea e, em especial, a ferrovia poderão

contribuir para uma competitividade

sustentável.

e-MOBILIDADE 21


TRANSPORTE INTERNACIONAL

e-CMR: da digitalização

do documento à construção

de uma cadeia de

abastecimento europeia

integrada

No setor do transporte internacional, a digitalização ultrapassou a fase experimental. Hoje,

o tema central já não é a introdução de soluções digitais, mas a sua capacidade de operar de

forma contínua, fiável e integrada numa cadeia de abastecimento cada vez mais complexa e

transnacional. Neste cenário, o e-CMR está a assumir um papel estrutural, evoluindo de solução

inovadora para componente essencial da infraestrutura digital do transporte europeu.

Ao contrário do CMR

tradicional, a carta de

porte eletrónica nasce

diretamente nos sistemas

informáticos das empresas

envolvidas no processo de transporte.

Os dados são gerados e partilhados em

tempo real ao longo de todo o ciclo

operacional, acompanhando a expedição

desde a origem até à entrega.

O documento já não representa uma

fotografia final do evento, mas torna-se

parte integrante do fluxo logístico.

Os benefícios do e-CMR são evidentes

ao longo de toda a cadeia de abastecimento.

A partilha estruturada de dados

entre transportadores, clientes e destinatários

reduz as atividades manuais,

limita os erros de preenchimento e

torna imediatamente disponível a prova

de entrega digital. A estas vantagens

22 e-MOBILIDADE


acresce um impacto significativo nos

processos administrativos e financeiros:

a disponibilidade imediata de um documento

validado digitalmente permite

acelerar a faturação, melhorar a gestão

dos fluxos de caixa e reduzir as atividades

de controlo a posteriori.

O valor do e-CMR surge de forma particularmente

clara em contextos internacionais,

onde o transporte atravessa

vários países, regulamentos e sistemas

informativos. Nestes cenários, a gestão

documental tradicional é frequentemente

fragmentada e descontínua. As

plataformas e-CMR mais avançadas, por

outro lado, são projetadas para garantir

a interoperabilidade e a continuidade

dos dados, integrando-se com TMS,

ERP e sistemas de bordo já em uso. A

carta de porte eletrônica torna-se, assim,

um elemento de ligação entre a operacionalidade,

a conformidade regulamentar

e o controlo dos processos, podendo

estender-se também à gestão de outros

documentos eletrónicos estratégicos

para o transporte e a logística.

É dentro desta visão que se insere o percurso

da Leviahub, grupo internacional

especializado na digitalização da cadeia

de abastecimento. A recente parceria

com a empresa belga Pionira, ativa no

desenvolvimento de soluções e-CMR

interoperáveis à escala europeia, representa

um dos desenvolvimentos mais

recentes de uma estratégia industrial

orientada para a integração e o crescimento

internacional. Nos últimos anos,

de facto, a Leviahub construiu um ecossistema

articulado através de aquisições

e participações estratégicas, incluindo

a Devlop, a GSi Software, Hedyla e a

A carta de porte eletrónica

torna-se, um elemento

de ligação entre a

operacionalidade, a

conformidade regulamentar

e o controlo dos processos,

podendo estender-se

também à gestão de outros

documentos eletrónicos

estratégicos para o

transporte e a logística

Endurance Italia. Este percurso permitiu

ao grupo alargar o seu portfólio

de soluções digitais e consolidar a sua

presença em vários mercados europeus.

O objetivo não é a simples agregação de

tecnologias, mas a criação de um modelo

industrial capaz de unir know-how,

processos e capacidades operacionais

numa única visão coerente.

A ambição da Leviahub é contribuir

para a construção de um polo europeu

da cadeia de abastecimento, capaz de

apoiar as empresas que operam em

contextos transfronteiriços através de

soluções interoperáveis e orientadas

para a gestão integrada dos fluxos

logísticos. Este percurso de crescimento

será ainda mais valorizado por ocasião

da EMPACK – Logistics & Automation

do Porto, evento de referência para o

setor, onde a Leviahub estará presente

com um stand dedicado (stand A06)

criando uma importante oportunidade

de debate sobre os temas do e-CMR e

da evolução digital da cadeia de abastecimento.

Para obter mais informações sobre

a Leviahub e as suas soluções, visite

leviahub.com ou escreva para press@

leviahub.com.

e-MOBILIDADE 23


SEGURANÇA RODOVIÁRIA

Dispositivo luminoso V16

um novo paradigma na

sinalização de emergência

A modernização da sinalização de emergência entra na agenda ibérica com

implicações diretas para a segurança rodoviária e para o setor da mobilidade.

Enquanto Espanha avança para a adoção obrigatória do dispositivo luminoso

V16 a partir de 2026, Portugal avalia uma mudança legislativa que poderá

redefinir práticas há décadas enraizadas.

A

utilização de um dispositivo

luminoso para sinalizar

avarias ou acidentes

poderá vir a tornar-se

obrigatória em Portugal.

A possibilidade foi recentemente

avançada pela Autoridade Nacional de

Segurança Rodoviária (ANSR), estando

ainda em fase de análise e dependente

de aprovação legislativa. Para vários

especialistas em segurança rodoviária,

a revisão do modelo atual assume

caráter prioritário, sobretudo face ao

número de acidentes envolvendo veículos

imobilizados em vias rápidas.

Presentemente, o Código da Estrada

português continua a exigir o transporte

e a utilização de triângulos de

pré-sinalização de perigo e de coletes

refletores em situações de paragem de

emergência. Dispositivos luminosos,

como o conhecido V16, comercializado,

entre outros, sob a designação

Help Flash, não substituem legalmente

o triângulo, embora a sua utilização

como complemento seja cada vez mais

frequente, impulsionada por critérios

de maior visibilidade e segurança.

ESPAANHA LIDERA A TRANSIÇÃO

TECNOLÓGICA

Espanha posiciona-se na linha da

frente desta transformação. Desde

1 de janeiro de 2026, o dispositivo

luminoso V16 passou a ser o único

sistema legal de sinalização de veículos

imobilizados por avaria ou acidente.

Os tradicionais triângulos de pré-sinalização

deixam, assim, de ter validade

legal.

A decisão enquadra-se numa estratégia

clara de redução de atropelamentos

e de acidentes secundários, particularmente

em autoestradas e vias de

elevada densidade de tráfego, onde a

exposição do condutor representa um

dos principais fatores de risco.

Durante décadas, a colocação do

triângulo obrigou o condutor a sair do

veículo e a deslocar-se pela berma ou

pela faixa de rodagem, muitas vezes

24 e-MOBILIDADE


em contextos de baixa visibilidade ou

em vias rápidas. Apesar de amplamente

institucionalizada, esta prática esteve na

origem de inúmeros atropelamentos.

O V16 surge como resposta direta a esta

vulnerabilidade estrutural. “Normalizámos

durante demasiado tempo uma

manobra extremamente perigosa. O

dispositivo luminoso V16 elimina esse

risco de forma imediata, ao permitir a

sinalização da avaria sem que o condutor

tenha de se expor ao tráfego”,

sublinha Carlos Garrido, Sales Manager

da OSRAM Espanha.

TECNOLOGIA, CONECTIVIDADE

E VISIBILIDADE

O dispositivo luminoso V16 distingue-se

pela emissão de luz a 360 graus

e por uma visibilidade superior a um

quilómetro. Compacto, resistente e

alimentado a pilhas, pode ser ativado a

partir do interior do veículo e colocado

no tejadilho através de fixação magnética.

Nos modelos conectados, a evolução

tecnológica assume uma dimensão

adicional, com integração de geolocalização

e comunicação automática com

a plataforma DGT 3.0. Esta funcionalidade

permite às autoridades rodoviárias

conhecerem, em tempo real, a localização

do veículo imobilizado, melhorando

a gestão do tráfego e a resposta a

incidentes.

Para além dos veículos ligeiros e

pesados, o V16 apresenta vantagens evidentes

para os motociclistas. O formato

compacto e o peso reduzido facilitam o

transporte, permitindo a colocação em

pontos elevados da mota ou mesmo no

e-MOBILIDADE 25


SEGURAANÇA RODOVIÁRIA

Dispositivo luminoso V16

capacete, aumentando significativamente

a visibilidade em caso de avaria ou

queda.

CIRCULAÇÃO INTERNACIONAL

E ENQUADRAAMENTO LEGAL

Apesar da obrigatoriedade em Espanha,

os veículos matriculados em Portugal

não são obrigados a transportar o V16

quando circulam no país vizinho. Esta

exceção decorre da Convenção de Viena

sobre a Circulação Rodoviária, segundo

a qual os veículos em circulação internacional

devem cumprir os requisitos

legais do país de matrícula.

Deste modo, um veículo registado em

Portugal encontra-se legalmente em

conformidade desde que cumpra a

legislação nacional em vigor. O princípio

é igualmente aplicável no sentido

inverso: veículos espanhóis podem circular

em território português utilizando

o V16, mesmo sem triângulos.

Ainda assim, nada impede a utilização

do dispositivo luminoso em Portugal

como complemento. Embora o triângulo

continue a ser obrigatório, o V16

pode reforçar a visibilidade do veículo

imobilizado e reduzir o risco para o

condutor.

PREVENÇÃO COMO EIXO

ESTRATÉGICO

Para assegurar a eficácia do dispositivo,

este deve estar sempre acessível e em

perfeitas condições de funcionamento.

A verificação periódica da bateria é fundamental,

tendo em conta as variações

térmicas e de humidade no interior dos

veículos. Recomenda-se, como boa prática,

a substituição preventiva das pilhas

a cada dois ou três anos.

A transição dos triângulos para o V16

representa um avanço estrutural na

prevenção de acidentes rodoviários e

reflete uma abordagem mais alinhada

com a evolução tecnológica do setor da

mobilidade. A OSRAM acompanha este

movimento com soluções desenvolvidas

em conformidade com a legislação

espanhola e com foco na proteção do

condutor.

“A verdadeira segurança começa antes

do acidente. Se evitarmos que o condutor

tenha de se expor ao tráfego, estamos

a reduzir riscos de forma efetiva”,

conclui Carlos Garrido.

LEGISLAÇÃO

Apesar da obrigatoriedade

em Espanha, os veículos

matriculados em Portugal não

são obrigados a transportar

o V16 quando circulam

no país vizinho

26 e-MOBILIDADE


Y E A R S

A U T O M O T I V E

Esteja pronto para a estrada

A confiança vem agora numa

nova gama de produtos

A OSRAM tem vindo a transformar a noite em dia há mais de 110 anos. Agora estamos a ir

além da luz com uma nova gama de produtos concebidos para o manter em movimento,

não importa o que surja pela frente – desde luzes de inspeção, a inversores, ao cuidado dos

pneus e da bateria. Onde quer que esteja, para onde quer que vá, esteja pronto para a estrada.

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SEGURANÇA

Sistemas de supressão

e extinção de incêndio em

veículos de transporte

de passageiros

A ocorrência de um incêndio no compartimento do motor de um autocarro pode ter

consequências devastadoras em termos humanos, financeiros e mesmo operacionais.

Para além dos prejuízos materiais, um incêndio num autocarro representa um perigo para

os trabalhadores e passageiros da empresa.

É

do conhecimento geral que

a gestão de operações de

autocarros é extremamente

sensível a tempos de paragem

não programada. Um

incêndio num autocarro pode ser devastador

para o motorista, passageiros

e resultar em tempos de paragem não

desejados ou, no pior dos cenários, à

destruição total do veículo como já se

tem verificado.

A maioria dos incêndios em autocarros

tem origem no compartimento do

motor. Estes incêndios são difíceis de

detetar e geram momentos de grande

tensão. São praticamente impossíveis

de extinguir com um extintor portátil.

Apesar da importância da existência

e cumprimento de um plano geral

de manutenção do compartimento

do motor e sistema hidráulico, que

garanta a limpeza e remoção de óleos

e outros detritos passiveis de originar

uma ignição, a possibilidade

e ocorrência de um incêndio nesta

zona do veículo é elevada, pelo que, a

Artigo técnico da autoria da Previnave

instalação de um sistema de supressão

e extinção de incêndios com tripla

ação, que ataque os três elementos do

triângulo do fogo, em simultâneo, é

fundamental e o método mais eficaz

para garantir a segurança e operacionalidade

do equipamento de transporte,

assegurar a continuidade do

negócio e proteger vidas.

Um sistema de supressão e extinção

de incêndios de tripla ação, concebido

para produzir água nebulizada de alta

pressão, é uma tecnologia de extinção

que limita fortemente as consequências

de um incêndio num autocarro.

Este sistema de combate a incêndio

tem um desempenho excelente de

extinção, pois, ataca os três lados do

triângulo do fogo:

- Por arrefecimento - a temperatura

diminui 700oC em 10 segundos;

- Por abafamento – devido à expansão

da água quando passa a vapor de água

o foco de incêndio é bafado;

- Por controlo do material combustível,

o aditivo de espuma cobre os ma-

teriais e, ao mesmo tempo que limita

a combustão, impede as re-ignições.

Um aspeto importante a ter em conta

na proteção de um autocarro, é que

a existência e eficácia do sistema de

proteção contra incêndio, anula ou

minimiza o impacto dos danos provocados

pela ocorrência de um foco

de incêndio na estrutura e materiais

do autocarro e, consequentemente,

reduz os custos de recuperação.

A Fogmaker conta com uma experiência

de 25 anos no desenvolvimento,

fabrico, comercialização e instalação

de sistemas de combate a incêndio

com recurso ao sistema de água

nebulizada de alta pressão, instalados

em vários tipos de equipamento,

tais como: Motores de Autocarros,

Embarcações, Máquinas Industriais,

Agrícolas e de Mineração e Máquinas

de serviço aeroportuário, etc. Em

Portugal existem já instalados em

motores de autocarros de passageiros

de várias marcas.

Os sistemas de supressão de incên-

28 e-MOBILIDADE


dio com recurso a água nebulizada de

alta pressão Fogmaker são certificados

para variadas normas internacionais,

nomeadamente para a R107, SPCR183/

SP 4912, SBF-128, AS 4587 e FM, que

atestam a qualidade e fiabilidade destes

sistemas.

Os sistemas Fogmaker detetam e

suprimem o fogo rapidamente, o tubo

termoplástico derrete e faz ativar o

sistema de extinção que liberta uma

névoa de microgotas de água sobre a

área protegida.

Estes sistemas são bastante simples e

eficazes, não necessitando de componente

eletrónica, alimentação elétrica,

sensores ou baterias. Em caso de incêndio,

a deteção e ativação do sistema

permanece totalmente funcional

mesmo quando a alimentação elétrica

do veículo estiver desligada ou com

problemas. A sua simplicidade também

se traduz num baixo custo de manutenção

durante o ciclo de vida do sistema,

privilegiando sempre a economia de

Os sistemas Fogmaker detetam e suprimem o

fogo rapidamente, o tubo termoplástico derrete

e faz ativar o sistema de extinção que liberta

uma névoa de microgotas de água sobre a área

protegida

e-MOBILIDADE 29


SEGURANÇA

por Previnave

tempo e custos para o utilizador. Por

exemplo, em caso de ativação do sistema

o cilindro poderá ser recarregado

com agente extintor, não sendo necessária

a substituição do equipamento.

O investimento num sistema de água

nebulizada de alta pressão eficiente representa

apenas uma parte muito reduzida

do investimento total na aquisição

ou manutenção do veículo.

Várias são as organizações

que, em todo o

mundo, veem sentindo

a necessidade de

instalar sistemas automáticos

de extinção de

incêndios em autocarros

de passageiros,

como uma importante

medida de proteção e

segurança.

Para além das questões

internas de aposta no incremento

da segurança das suas frotas, as empresas

têm, nos últimos anos, começado a

sentir a pressão de várias instituições da

sociedade, nomeadamente, através das

companhias de seguros e de legislação

interna e internacional, tal como a UNE-

CE R107, que impõe que a partir de

setembro de 2022 todos os autocarros

novos, com mais de 22 passageiros, tenham

instalado um sistema automático

de supressão de incêndios homologado.

A instalação de um sistema de supressão

de incêndios é um investimento fundamental,

mas a sua existência, só por si,

não garante a segurança contra o risco

A instalação de um sistema de supressão de

incêndios é um investimento fundamental, mas

a sua existência, só por si, não garante a segurança

contra o risco de um incêndio no compartimento

do motor ou de outros espaços fechados

de um incêndio no compartimento do

motor ou de outros espaços fechados.

Uma correta e profissional instalação

e um regular programa de manutenção,

executado por empresa qualificada e

reconhecida pelo fabricante, são também

essenciais para garantir um correto e

eficaz funcionamento do sistema.

A Previnave, na qualidade de represente

da Fogmaker para Portugal, conta

com mais de 25 anos de experiência

na área da segurança contra incêndio,

tanto ao nível da indústria como no

setor naval. Contando com uma equipa

técnica altamente qualificada, experiente

e certificada, fornece, instala e presta

serviços de manutenção

a todo o tipo de equipamentos

e sistemas

de segurança, deteção

de gases e combate a

incêndio, nomeadamente,

sistemas de deteção

convencionais, analógicos

e digitais e Sistemas

de extinção por água,

CO2, FM-200, NOVEC,

FE-13, Árgon, etc., e,

especialmente, os sistemas FOGMA-

KER para proteção de compartimentos

de motores de autocarros, embarcações,

máquinas industriais, agrícolas

e de mineração e máquinas de serviço

aeroportuário.

30 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 31


MOBILIDADE

HeyBus: uma solução

MaaS para a inclusão

no transporte público flexível

O transporte público convencional, baseado em percursos e

horários fixos, adequa-se a contextos urbanos, onde a procura é

elevada e previsível. Contudo, em territórios de baixa densidade

enfrenta limitações significativas: a dispersão populacional,

a variabilidade da procura e a reduzida massa crítica

comprometem a eficiência e a sustentabilidade económica,

resultando em serviços pouco atrativos, com baixas frequências

e longos tempos de espera, fruto do desajuste entre oferta e

necessidades reais. Esta situação tende a reforçar a dependência

do automóvel e a agravar desigualdades no acesso a serviços

essenciais, como emprego, educação, saúde e comércio.

O

Transporte Público Flexível

(TPF) surge como

uma solução adaptativa

para responder a estas

limitações em contextos

de procura reduzida, dispersa ou variável.

Em Portugal, é legalmente definido

como um serviço público de transporte

de passageiros que incorpora flexibilidade

em pelo menos uma dimensão da

prestação (percursos, horários, paragens

ou tipologia de veículo). Distingue-se

quer do transporte regular, assente em

itinerários e horários fixos, quer do táxi,

por se orientar para objetivos de serviço

público e para a complementaridade

com a rede existente. A exploração pode

ser assegurada por operadores de autocarro,

operadores de táxi ou Instituições

Particulares de Solidariedade Social

(IPSS).

Os modelos de TPF incluem serviços

totalmente a pedido, percursos predefinidos

com desvios ajustáveis e modelos

semi-flexíveis com janelas horárias e

paragens de referência. A utilização de

veículos de menor capacidade pode

reduzir custos operacionais e melhorar

o desempenho ambiental, evitando a

LUCAS ARAÚJO

Consultor em Mobilidade e Transportes da

OPT - Optimização e Planeamento

de Transportes

operação de autocarros pesados com

baixa ocupação. Porém, o TPF não se

limita a zonas rurais. Em territórios de

densidade intermédia pode complementar

a cobertura territorial, enquanto

em áreas urbanas densas pode assumir

funções de primeira e última milha.

Além disso, permite assegurar níveis

mínimos de serviço em períodos de baixa

procura, como horários noturnos ou

férias escolares, reforçando a equidade e

32 e-MOBILIDADE


HeyBus pedido de viagens via app

a inclusão social.

Apesar das vantagens, a implementação

do TPF enfrenta desafios relevantes,

incluindo a baixa adesão, custos elevados

de planeamento e operação e barreiras

institucionais associadas à coordenação

entre stakeholders e operadores. O sucesso

depende de uma definição cuidadosa

das características operacionais, horários,

métodos de agendamento, comunicação

assertiva e pagamento, bem como da

integração tarifária e operacional com a

rede existente.

Em síntese, o TPF constitui um instrumento

estratégico complementar ao transporte

convencional, permitindo ajustar a

oferta à procura, reduzir custos, reforçar a

eficiência ambiental e promover inclusão

territorial. A sua implementação, apesar

dos desafios operacionais e institucionais,

representa uma via relevante para

sistemas de mobilidade mais resilientes e

adaptados às características do território

português.

A Comissão Europeia identifica a digitalização

como vetor central para a

viabilização destes serviços, facilitando

a sua integração na rede de mobilidade

existente. Tecnologias de agendamento

de viagens em tempo real, gestão dinâmica

da oferta e integração multimodal

permitem ultrapassar limitações operacionais

que dificultam a implementação

de sistemas de transporte flexível. Neste

enquadramento, têm emergido plataformas

digitais de suporte à operação do

TPF, assentes em soluções de Mobility as a

service (MaaS), com reserva, Escalamento

despacho e monitorização em tempo real,

capazes de articular pedidos individuais

com restrições operacionais e objetivos de

eficiência.

A plataforma HeyBus, desenvolvida pela

OPT, constitui uma solução tecnológica

integral para a operacionalização de serviços

de TPF. Trata-se de uma solução MaaS.

Cobre todas as etapas do processo, desde

a receção dos pedidos de deslocação até à

execução do serviço, assegurando a gestão

centralizada dos pedidos, a organização e

otimização de rotas e a interoperabilidade

com outros sistemas. O sistema integra

quatro módulos funcionais:

• BackOffice, com configuração de rotas,

paragens, zonas e tarifários, bem como

e-MOBILIDADE 33


MOBILIDADE

Por Lucas Araújo

dados de frota, motoristas e utilizadores;

• Apoio ao cliente, com submissão e

gestão de pedidos via web, aplicativo

responsivo ou chamada telefónica, incluindo

histórico e custos associados;

• Call center, com confirmação e acompanhamento

de pedidos;

• Apoio aos motoristas, com percursos,

pontos de recolha e largada, horários

e possibilidade de acrescentar pedidos

durante a viagem, sujeitos a validação

do sistema.

A HeyBus inclui ainda funcionalidades

de planeamento e otimização apoiadas

em algoritmos que consideram a

capacidade dos veículos, adaptação a

passageiros com mobilidade reduzida,

limitações temporais e janelas de tolerância,

com o objetivo de satisfazer o

maior número possível de pedidos, minimizando

custos, tempos de espera e

distâncias percorridas. Complementarmente,

permite estimar o custo de cada

viagem e apoiar a definição de tarifários,

enquanto os módulos de monitorização

e a emissão de relatórios permitem

analisar viagens planeadas e realizadas,

HeyBus - Interface lista com estado de pedidos

matrizes origem/destino, perfis de utilizadores,

padrões de utilização, custos e

proveitos de exploração.

A plataforma está desenhada para

escalar com a evolução do sistema de

transporte flexível, sem limites para utilizadores,

motoristas, viaturas, circuitos,

paragens ou zonas tarifárias. Todas as

tipologias de TPF operadas podem ser

configuradas pelo gestor da plataforma,

permitindo ajustes à rede, à operação e

aos tarifários, assegurando um serviço

adaptável e eficiente. Assim, a HeyBus

posiciona-se como ferramenta estratégica

para operadores e entidades públicas

que pretendam implementar serviços de

transporte flexível robustos, monitorizados

e parametrizáveis.

Callcenter HeyBus gestão de pedidos

34 e-MOBILIDADE


O projeto que promete revolucionar a mobilidade sustentável

O O2 Move é uma rede de hubs com diversos serviços de mobilidade integrados que promete

revolucionar a forma como cidadãos, cidades e veículos se conectam no dia-a-dia.

Esta solução permite conectar diversos

ecossistemas de mobilidade e transportes,

dispondo de uma nova camada digital que permite

uma integração user-friendly, o que potencia a utilização de

diferentes modos de deslocação, desde os transportes públicos à

micromobilidade, funcionando como um sistema único e intuitivo.

Estrutura

Hub O2 Move

Características

Estrutura autónoma do ponto de

vista energético

Ecrã interativo com informação ao

passageiro e geração automática

de mapas esquemáticos

Cacifos automáticos

Bike sharing

Backoffice com monitorização de

consumos e de validações na rede

de hubs

Onde estivemos

Onde vamos estar

e-MOBILIDADE

geral@opt.pt www.opt.pt 35


OSLO

A CIDADE QUE

ESCOLHEU MOVER-SE

MELHOR

36 e-MOBILIDADE


Em Oslo, a transformação urbana não se anuncia com slogans nem se impõe com gestos

abruptos. Revela-se, lentamente, no quotidiano. No silêncio inesperado de uma avenida

movimentada. Na pontualidade quase banal do metro. Na naturalidade com que um

autocarro elétrico se aproxima de uma paragem sem perturbar o bairro.

Por Eduardo de Carvalho

e-MOBILIDADE 37


SMART CITIES

Oslo

A

capital norueguesa não

parece uma cidade do

futuro; parece uma cidade

que resolveu, com método

e persistência, muitos dos

problemas do presente.

Esse caminho valeu-lhe, em 2025, o 2.º

lugar no ranking mundial das Smart

Cities (IMD), mas o reconhecimento

internacional é apenas o reflexo visível

de uma estratégia muito mais profunda.

Em Oslo, a mobilidade, a energia, os

edifícios e o espaço público evoluíram

em conjunto como partes de um mesmo

organismo urbano. Nada foi tratado

como solução isolada. Tudo foi pensado

como um sistema.

PLANEAR PRIMEIRO

Ao contrário de outras cidades, que

tentam aplicar “inteligência” a modelos

urbanos obsoletos, Oslo fez uma

escolha estrutural: repensar primeiro a

cidade e só depois aplicar tecnologia. O

resultado é um território urbano onde a

inovação é quase invisível, mas omnipresente,

apoiando decisões, ajustando

fluxos e melhorando a experiência dos

cidadãos, sem se impor.

A base desta transformação é clara:

uma matriz energética praticamente

renovável, assente sobretudo na energia

hidroelétrica, que permitiu à cidade

eletrificar setores inteiros, sem transferir

emissões para outros pontos do

sistema. Esta vantagem estrutural foi

usada com visão política e coerência

técnica, tornando possível uma eletrificação

em larga escala, da mobilidade e

do parque edificado.

O TRANSPORTE PÚBLICO COMO

CORAÇÃO DA CIDADE

Em Oslo, o transporte público não é

uma alternativa para quem não tem

carro. É a forma mais eficiente de

atravessar a cidade. Metros, elétricos,

autocarros, comboios suburbanos e ferries

operam numa lógica de continuidade

total, integrados numa única rede

gerida pela Ruter, com planeamento

rigoroso, informação clara e fiabilidade

elevada.

O utilizador não precisa de pensar no

sistema apenas deve deslocar-se. Esta

simplicidade é um dos maiores sucessos

da cidade. A escolha pelo transporte

coletivo deixou de ser ideológica, ou

ambientalista; passou a ser racional.

Grande parte desta rede funciona, hoje,

com emissões quase nulas. Os autocarros

elétricos dominam o transporte

urbano, complementados por veículos

a hidrogénio, em percursos mais longos

ou exigentes. A diferença sente-se

imediatamente no ambiente urbano. O

ruído diminuiu, a vibração desapareceu,

o ar tornou-se mais limpo. Ruas,

outrora hostis, tornaram-se novamente

espaços de convivência.

O metro, alimentado quase exclusivamente

por energia renovável, é rápido,

fiável e confortável, ligando bairros

periféricos ao centro, sem pressão sobre

a superfície da cidade. Os elétricos modernos

percorrem os principais eixos

urbanos, com regularidade, reforçando

a mobilidade de proximidade. Mesmo

no fiorde, a estratégia mantém-se:

ferries elétricos asseguram ligações

essenciais, demonstrando que a descarbonização

da mobilidade não se limita

ao espaço terrestre.

ELETRIFICAR SEM REFORÇAR A

DEPENDÊNCIA DO AUTOMÓVEL

A capital norueguesa tornou-se um

símbolo global do veículo elétrico. Em

2024, cerca de 90% dos automóveis

novos vendidos eram 100% elétricos,

um resultado de políticas fiscais consistentes,

incentivos claros e uma rede

de carregamento extensa e fiável. Mas

o verdadeiro mérito da cidade está no

equilíbrio alcançado.

O carro elétrico foi promovido, sem

voltar a colocar o automóvel no centro

do planeamento urbano. Pelo contrário,

Oslo reduziu o estacionamento em

superfície, limitou o acesso automóvel

a zonas centrais, criou áreas livres de

tráfego e devolveu espaço ao peão, à bicicleta

e ao transporte público. O carro

elétrico existe, é funcional e integrado,

mas já não dita a forma da cidade.

A infraestrutura de carregamento

acompanha esta lógica. Está distribuída

de forma inteligente, por parques

públicos, edifícios residenciais e eixos

estratégicos, integrando-se no quotidiano

sem ocupar excessivamente o espaço

urbano. O carregamento tornou-se

parte do funcionamento da cidade, não

um obstáculo.

MOBILIDADE PARTILHADA

E ACESSO EM VEZ DE POSSE

A transformação da mobilidade em Oslo

não se limita à eletrificação. A cidade

apostou fortemente na mobilidade

partilhada, promovendo carsharing

38 e-MOBILIDADE


elétrico, bicicletas e trotinetes integradas

no sistema público, e plataformas

digitais que reúnem todos os modos de

transporte numa única interface.

Através de uma aplicação, o utilizador

planeia, reserva e paga toda a sua deslocação.

A posse do veículo deixa de ser

central; o acesso, passa a ser suficiente.

Esta mudança cultural é, talvez, uma

das mais profundas conquistas da cidade,

reduzindo custos, libertando espaço

urbano e promovendo uma mobilidade

mais flexível e inclusiva.

EDIFÍCIOS SUSTENTÁVEIS COMO

PEÇAS DA MOBILIDADE URBANA

A mobilidade não termina na rua. Os

edifícios fazem parte ativa do ecossistema

urbano e energético. As novas

construções seguem padrões rigorosos

de eficiência, incorporando isolamento

avançado, fachadas inteligentes, painéis

solares e sistemas de gestão energética,

que reduzem drasticamente o consumo.

Muitos edifícios produzem mais energia

do que consomem, alimentando a rede

urbana e suportando, diretamente, a

mobilidade elétrica da cidade. Habitações,

escritórios, serviços e infraestruturas

são pensados como partes interligadas

de um mesmo sistema. Projetos

urbanos inteiros foram concebidos

com esta lógica integrada, onde viver,

trabalhar e deslocar-se acontecem num

mesmo território equilibrado.

A sustentabilidade deixou de ser um

atributo adicional. Tornou-se o princípio

base da arquitetura e do planeamento

urbano.

ESPAÇO PÚBLICO, NATUREZA

E QAULIDADE DE VIDA

A redução do tráfego automóvel libertou

espaço para aquilo que define,

verdadeiramente, a qualidade de

uma cidade: o espaço público. Praças,

parques, percursos pedonais e ciclovias

multiplicaram-se, reforçando a ligação

histórica de Oslo à sua natureza.

Florestas, água e cidade coexistem em

harmonia. A mobilidade ativa passou a

fazer parte da rotina diária, não como

exercício forçado, mas como consequência

natural de um espaço urbano mais

seguro e agradável. A cidade tornou-se

mais respirável, mais silenciosa, e mais

humana.

TECNOLOGIA DISCRETA, CIDADE

FUNCIONAL

Por detrás desta aparente simplicidade,

opera uma camada tecnológica sofisticada.

Sensores, dados em tempo real

e inteligência artificial permitem gerir

tráfego, energia, iluminação, qualidade

do ar e serviços urbanos com precisão.

Mas em Oslo, a tecnologia não se exibe.

Funciona em segundo plano, ajustando

a cidade às necessidades reais dos seus

habitantes.

O cidadão não vive numa cidade “tecnológica”.

Vive numa cidade que funciona,

e isso faz toda a diferença.

UMA SMART CITY MEDIDA PELAS

PESSOAS

O reconhecimento internacional de

Oslo como a segunda melhor smart city

do mundo em 2025 vai muito além da

tecnologia ou da infraestrutura. Reflete,

sobretudo, a perceção dos seus cidadãos.

Uma cidade previsível, eficiente,

inclusiva no acesso à mobilidade e confortável

para viver. Não é futurista por

abstração; é uma cidade que resolveu

os desafios do presente com clareza e

propósito.

A verdadeira inteligência urbana de

Oslo não reside em gadgets sofisticados

ou em promessas grandiosas, mas na

coerência entre visão política, investimento

consistente e planeamento de

longo prazo. Ao integrar transporte

público limpo, mobilidade elétrica equilibrada,

edifícios sustentáveis e espaços

urbanos de qualidade, a capital norueguesa

construiu um modelo urbano

sólido, humano e inspirador, que outras

cidades podem seguir.

Mais do que uma smart city, Oslo é uma

cidade que ensina como o futuro pode

ser vivido hoje, onde cada rua, cada edifício

e cada trajeto contam uma história

de harmonia, inovação e humanidade.

e-MOBILIDADE 39


Como as empresas

portuguesas podem proteger

as exportações para os EUA

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

CONTRA A VOLATILIDADE

TARIFÁRIA

A política comercial entre os Estados Unidos

e a União Europeia voltou a ganhar tensão,

com as novas tarifas norte-americanas a elevar

custos e incertezas para os exportadores

europeus. O acordo de julho trouxe algum

alívio, mas deixou intactas tarifas de 50%

sobre aço e alumínio, mantendo pressão sobre

setores industriais estratégicos, incluindo os

portugueses.

Em 2025, a política comercial

entre os Estados Unidos

e a União Europeia voltou

a ser um terreno instável

e.… caro. A 2 de abril, a

administração norte-americana lançou

um programa de tarifas “recíprocas”

com um patamar base de 10% sobre

importações e sobretaxas específicas

por parceiro comercial. Para bens originários

da UE, a sobretaxa anunciada

foi de 20%, em vigor a partir de abril,

reintroduzindo um clima de imprevisibilidade

para exportadores europeus e,

por arrasto, portugueses1.

Após meses de tensão, surgiu uma

âncora política importante: em 27 de

julho de 2025, UE e EUA alcançaram

FILIPE CARVALHO

CEO Wide Scope

um acordo que fixa uma tarifa máxima

de 15% para a maioria dos bens europeus,

evitando uma escalada maior.

Contudo, manteve-se um “ponto

quente” crítico: aço e alumínio continuam

a enfrentar tarifas de 50% (com

negociação futura centrada em quotas

e exceções), o que atinge diretamente

setores industriais europeus com cadeias

transatlânticas relevantes2/3.

Para Portugal, este cenário não é

marginal. Em 2024, as exportações

portuguesas para os EUA totalizaram

cerca de 5,57 mil milhões de dólares4.

Entre os principais produtos contam-se

farmacêuticos, combustíveis refinados,

borracha, equipamento elétrico,

maquinaria, cortiça e seus derivados,

artigos de ferro e aço, têxteis, mobiliário,

bebidas (incluindo vinho e espirituosas)

e calçado. Ou seja: uma fatia

da economia nacional exposta a uma

40 e-MOBILIDADE


variável que oscila por decisão política.

Num tempo destes, os sistemas de

apoio à decisão como a Optimização e

a Inteligência Artificial (IA), deixam de

ser apenas “digitalização” e passam a

ser estratégia de sobrevivência competitiva.

Vejamos como.

O QUE É O HS CODE - E PORQUE

DECIDE O PREÇO DA TARIFA

No centro do comércio internacional

está uma sigla que costuma viver

escondida em faturas e despachos

aduaneiros: o HS Code.

O HS Code (Harmonized System

Code) é o Código do Sistema Harmonizado,

uma nomenclatura padronizada

criada pela Organização Mundial das

Alfândegas para classificar mercadorias

no comércio global. Cada produto

recebe um código numérico, e é esse

código que define a tarifa aplicável, regras

de importação, quotas, estatísticas

oficiais e exigências de origem5.

O sistema funciona da seguinte forma:

6 dígitos universais, iguais em todo o

HS CODE

O HS Code (Harmonized

System Code) é o Código do

Sistema Harmonizado, uma

nomenclatura padronizada

criada pela Organização Mundial

das Alfândegas para classificar

mercadorias no comércio global

mundo seguidos de código que representa

um bloco comercial ou país. A

UE usa TARIC; os EUA usam HTSUS.

Esses dígitos adicionais refinam a categoria

e a tarifa.

Na prática, isto significa que dois

produtos muito parecidos podem cair

em HS Codes diferentes, e pagar tarifas

muito diferentes. Consequentemente

um erro de classificação não é um

mero detalhe técnico: pode implicar

pagamentos indevidos, retenções na

alfândega ou reclassificação retroativa

com coimas.

1) IA como radar antecipado

de mudanças tarifárias

As mudanças tarifárias não surgem

do nada. Existem sinais espalhados

por comunicados, documentos legais,

declarações políticas e imprensa económica.

O problema é que nenhum

departamento de exportação consegue

acompanhar tudo em tempo real.

Ferramentas de IA baseadas em processamento

de linguagem natural (NLP)

conseguem ler continuamente fontes

oficiais dos EUA e da UE e notícias

setoriais como:

• comunicados oficiais do USTR, Casa

Branca, Departamento do Comércio e

CBP;

• publicações no Federal Register;

• notas e relatórios da Comissão Europeia;

• notícias setoriais e análises económicas;

• transformando esse ruído em alertas

e acções.

Ou seja, o valor não está em “ler por

ler”: a IA identifica padrões, cruza termos

com produtos e HS Codes e produz

alertas accionáveis. Por exemplo:

e-MOBILIDADE 41


TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO

Filipe Carvalho

“Há aumento de menções à revisão

tarifária sobre capítulos onde se inclui

o HS 4503 (cortiça), risco moderado

nos próximos 90 dias.”

Num cenário em que tarifas podem ser

suspensas temporariamente e reativadas

semanas depois, como aconteceu

em 2025, este radar reduz o fator

surpresa.

2) Previsão por cenários:

da opinião ao cálculo probabilístico

A previsão tradicional sobre tarifas costuma

ser intuitiva e política. Mas com

IA é possível criar modelos preditivos

finos.

Com dados históricos de tarifas UE-

-EUA, padrões de negociação, ciclos

eleitorais, indicadores de comércio,

inflação e volatilidade cambial, os

modelos de IA estimam a probabilidade

de subida por tópico de HS, a

amplitude esperada e janelas temporais

prováveis. Isto transforma incerteza em

percentagens úteis para planear stock,

renegociar contratos e ajustar o portefólio

de produtos ou mercados.

3) Reduzir exposição antes do choque:

IA aplicada aos HS Codes

Muitas empresas tratam tarifas como

força externa. Mas o HS Code mostra

que o próprio desenho do produto

influencia a tarifa.

Uma IA treinada em descrições técnicas

e bases TARIC/HTSUS pode sugerir

o HS Code mais provável, identificar

sub-posições com tarifas menores e

sinalizar risco de reclassificação posterior.

Para as PME isto gera poupanças

diretas; para grandes exportadores,

pode valer milhões por ano.

Combinando IA generativa e algo-

ritmos de optimização conseguimos

simular alterações de materiais, percentagem

de componentes ou acabamentos

e testar como isso muda o HS Code

e a tarifa. É especialmente útil em têxteis,

calçado, mobiliário, componentes

industriais e cortiça transformada.

4) Supply chain inteligente:

onde expôr o produto à tarifa

A volatilidade tarifária é também um

problema logístico. A pergunta passa a

ser: onde e quando o produto cruza a

fronteira que cobra a tarifa?

Os modelos de IA aplicados à cadeia

de abastecimento permitem optimizar

o custo de produção, tempos de abastecimento,

regras de origem e tarifário

esperado no momento de entrada no

mercado americano. Com tecnologia

de optimização de rotas de veículos

esse custo pode ser ainda mais eficiente.

Com tarifas de aço e alumínio a

50%, por exemplo, uma empresa pode

simular uma montagem parcial noutro

país ou acabamento final nos EUA,

mantendo conformidade de origem

mas reduzindo impacto.

5) Reação rápida:

preços e margens ajustados por IA

Mesmo com planeamento, certas

alterações chegam com mercadoria já

enviada. É crítico responder rapidamente

perante este cenário. A IA pode

estimar a elasticidade de procura por

cliente e canal e sugerir aumentos seletivos,

preços por estado ou pacotes que

amorteçam o choque. Em setores sensíveis

a preço, vinho, têxteis, calçado,

mobiliário, isto evita perder mercado

por reação cega.

Também permite ligar as tarifas ao

câmbio Euro-Dólar, aos custos e à

margem líquida, recomendando timing

de envios e cobertura cambial mais

eficiente.

6) Copiloto de compliance:

não ficar preso na alfândega

Estes períodos de revisão tarifária

implicam maior revisão documental:

certificados de origem, declarações de

importação, verificações FDA/TTB e

regras técnicas específicas.

A IA permite validar formulários e facturas,

detetar inconsistências antes do

embarque e reduzir risco de retenção,

multas e atrasos. Isto traduz-se em

menor custo invisível e maior previsibilidade

operacional.

Conclusão: do risco político ao controlo

de gestão

As tarifas são do domínio da política,

mas o seu impacto é industrial.

A IA não elimina incerteza, mas oferece

algo decisivo: antecipa, quantifica e

acelera decisões. Ou seja,

• antecipa mudanças com radar regulatório;

• reduz exposição com optimização de

HS Codes;

• redesenha supply chains de forma

inteligente;

• ajusta preços com base em elasticidade

real;

• assegura compliance quando as

regras mudam.

Com um teto de 15% na maior parte

do comércio UE-EUA e setores críticos

ainda sob risco elevado, esta capacidade

pode definir quem perde margem

de quem ganha quota de mercado.

» 1 Casa Branca, Executive Order “Regulating

Imports with a Reciprocal Tariff…”, 2 abril

2025; análises que detalham sobretaxa de

20% para bens UE e calendário de entrada

em vigor.

» 2 Comissão Europeia, página oficial do

acordo tarifário UE EUA, 27 julho 2025;

cobertura de imprensa económica internacional.

» 3 Reuters e análises especializadas confirmando

manutenção de 50% para aço e

alumínio no pós acordo.

» 4 Dados de exportações portuguesas para os

EUA (total e principais categorias por valor

em 2024).

» 5 Organização Mundial das Alfândegas

(WCO), definição do Sistema Harmonizado,

estrutura de 6 dígitos e uso por HTSUS/

TARIC.

42 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 43


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

O Polestar 3 não é apenas mais um SUV elétrico de luxo; é uma declaração de estilo e tecnologia.

Combinando a engenharia de excelência da Volvo com a ousadia de uma marca 100% elétrica, oferece

uma experiência de condução que mistura potência, conforto e inovação sustentável. Cada detalhe,

do design baixo e atlético à autonomia que permite longas viagens, convida a sentar-se ao volante e

descobrir um SUV que se destaca por personalidade e presença.

No universo dos veículos elétricos,

há quem prefira a segurança de um

fabricante tradicional e quem procure

a inovação de uma startup. O Polestar

3 consegue conjugar ambos: combina

a experiência centenária da Volvo com a ousadia de

uma marca 100% elétrica, oferecendo luxo, performance

e tecnologia num SUV com personalidade

própria.

Testámos o Polestar 3 durante alguns dias e, desde

o primeiro contacto, percebemos que este SUV não

passa despercebido.

Antes mesmo de conhecer o carro, a pergunta surgiu

naturalmente: “Mas afinal, o que é um Polestar?”

A marca evoluiu de versão desportiva da Volvo para

sub-marca e hoje é uma entidade independente,

subsidiária do gigante chinês Geely. O Polestar 3 é

produzido na China (Chengdu) e nos EUA (Carolina

do Sul). Para reforçar o mistério, chega sem logótipo

visível, exceto por uma pequena etiqueta nas portas.

O design confirma essa diferença: mais longo, baixo e

largo que o Tesla Model Y, parece um “míssil” colado

ao chão. A frente lembra um Volvo, mas dispensa a

grelha clássica, optando por vincos discretos no plástico

que lhe conferem identidade própria.

O preço começa nos €62.500 + IVA, posicionando-o

no segmento de luxo, mas oferecendo vantagens que

justificam o investimento face a outros elétricos de

gama alta.

AUTONOMIA PARA IR MAIS LONGE

Equipado com uma bateria de 111 kWh e motores

altamente eficientes, o Polestar 3 foi concebido para

longas distâncias e viagens frequentes. Para os condutores

que valorizam potência e aceleração, o Performance

Pack acrescenta uma dose extra de adrenalina

à experiência de condução. A autonomia do veículo

varia conforme a versão: o Long Range Single Motor

alcança até 706 km, o Long Range Dual Motor até

636 km e o Long Range Dual Motor com Performance

Pack até 567 km, de acordo com a norma WLTP.

Além disso, ferramentas como o assistente de autonomia,

o controlo prévio da climatização e a bomba de

calor economizadora permitem prolongar ainda mais

a autonomia, tornando cada viagem mais eficiente e

tranquila.

O Polestar 3 adapta-se a diferentes estilos de condu-

Pole

Luxo

44 e-MOBILIDADE


star 3

elétrico, com alma

e-MOBILIDADE 45


DIGITAL KEY

Com a Digital Key, é possível

trancar, destrancar e ligar o veículo

diretamente pelo telemóvel.

O condutor principal pode partilhar e

gerir cópias digitais da chave, ligadas

à memória do carro, que guarda as

preferências de até seis utilizadores

ção, desde a versão Single Motor, mais

eficiente e confortável, até à Dual Motor

com Performance Pack, que oferece 517

cv e 910 Nm, alcançando os 0-100 km/h

em apenas 4,7 segundos. A variante

Dual Motor mantém uma performance

impressionante com 489 cv e 840 Nm,

enquanto a Single Motor oferece 299

cv e 490 Nm, perfeita para uma condução

económica. Independentemente

da motorização escolhida, a condução é

refinada e precisa. A suspensão absorve

as imperfeições da estrada, mantendo a

viatura estável, enquanto a direção responde

com agilidade mesmo em curvas

apertadas, garantindo uma experiência

de condução envolvente, segura e confortável,

seja em cidade ou em estrada

aberta.

46 e-MOBILIDADE


CARREGAMENTO RÁPIDO

E PRÁTICO

O Polestar 3 ajusta-se facilmente tanto à

rotina diária como a viagens mais longas.

Em postos de carregamento rápido

público (CC), a bateria recarrega de 10%

a 80% em apenas 30 minutos, tempo

suficiente para um café ou almoço. Já o

carregamento doméstico completo (0-

100%) demora cerca

de 11 horas, ideal

para a noite ou períodos

mais longos.

Para viagens, os

carregadores CC ao

longo das autoestradas

oferecem

rapidez e conveniência,

enquanto

os carregadores CA,

frequentemente encontrados em hotéis,

centros urbanos ou escritórios, permitem

recargas mais pausadas, sem comprometer

a autonomia ou a tranquilidade do

percurso.

INTERIOR SOFISTICADO

E ECOLÓGICO

O habitáculo combina materiais reciclados

com acabamento sólido, transmitindo

luxo sem exageros. O infotainment

A condução é refinada,

precisa e a suspensão

absorve as imperfeições

da estrada, mantendo a

viatura estável

assenta na plataforma Google, com ecrã

digital de 9” atrás do volante e 14,5” vertical

no tablier, compatível com Android

Auto e Apple CarPlay. Alguns controlos

são multifuncionais, incluindo botões

físicos e maçanetas retráteis, reforçando o

carácter inovador do Polestar.

CONFORTO E ERGONOMIA

Os bancos oferecem apoio firme sem

sacrificar conforto,

disponíveis em tecido,

couro sintético

ou Nappa. Os bancos

dianteiros e traseiros

são aquecidos, o

volante aquecido é

de série, e há bancos

ventilados com

função de massagem

como opção.

A posição de condução não é tão elevada

como noutros SUVs, mas ainda assim

permite uma visão privilegiada da

estrada. O espaço para pernas atrás é

generoso, garantindo conforto mesmo

em viagens longas.

ESPAÇO DE CARGA INTELIGENTE

Este veículo oferece 597 litros de bagageira,

incluindo 90 litros escondidos

sob o piso, complementados por 32

litros de arrumação no compartimento

dianteiro. Um conjunto pensado para

transportar bagagem de forma prática,

sem comprometer o conforto ou a

experiência de condução.

DIGITAL KEY

Com a Digital Key, é possível trancar,

destrancar e ligar o veículo diretamente

pelo telemóvel (Apple, Google

ou Samsung). O condutor principal

pode partilhar e gerir cópias digitais

da chave, ligadas à memória do carro,

que guarda as preferências de até seis

utilizadores.

TESTE COM ALMA

O Polestar 3 é feito de contrastes

envolventes: conforto e condução refinada

coexistem com controlos pouco

convencionais e espaço de carga que

exige adaptação. O uso de materiais

ecológicos e o desempenho desportivo

reforçam uma identidade única, tornando-o

um SUV elétrico de luxo com

alma própria.

Se nos conquista pelo estilo, condução

ou exclusividade, o Polestar 3 oferece

autonomia, potência e presença para

rivalizar com os melhores elétricos de

luxo do mercado, e deixa claro que não

é apenas um SUV, é uma experiência.

e-MOBILIDADE 47


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

Volvo EX30

Pequeno mas

sofisticado

Silêncio absoluto. O veículo responde de forma imediata ao acelerador. Cada

curva é sentida com precisão. O Volvo EX30 transforma a cidade num parque de

diversões elétrico. O design compacto, a agilidade e o minimalismo do interior

desta viatura da Volvo evidenciam que o futuro da mobilidade urbana é elegante,

sustentável e irresistivelmente cativante.

O

Volvo EX30 representa uma revolução no mundo

dos veículos elétricos. Trata-se de um automóvel

compacto que representa uma mudança de

paradigma para a marca, na medida em que é

o modelo mais pequeno que a Volvo produziu

nas últimas décadas e é exclusivamente elétrico. Embora seja

designado crossover, na prática, trata-se de um veículo hatchback

alto, especialmente adequado para o ambiente urbano. No entanto,

existe uma versão Cross Country, equipada com proteções

adicionais em plástico e suspensão elevada, destinada a quem

valorize uma estética off-road.

O modelo apresenta uma gama que combina desempenho e

racionalidade, adaptando-se a diferentes perfis de condutor.

No topo, a Twin Motor de 428 cv impressiona pela aceleração:

dos 0 aos 100 km/h em apenas 3,6 segundos, oferecendo uma

experiência viva e emocionante, pouco comum num compacto

urbano. Mais equilibrada e prática é a Single Motor de 272 cv,

que se posiciona de forma sensata num mercado competitivo.

Apesar de partilhar a plataforma eléctrica com o Smart #1 e o

Zeekr X, o EX30 mantém o refinamento e a identidade premium

da Volvo, com acabamentos sofisticados e condução segura.

Entre as opções, a versão com bateria de 51 kWh surge como o

grande atrativo: oferece um Volvo premium a um preço comparável

ao de concorrentes generalistas como BYD ou MG, perfeito

para quem privilegia design, tecnologia e eficiência, mesmo que

aceite alguma limitação de autonomia.

DESIGN EXTERIOR

O Volvo EX30 é a síntese da elegância escandinava: discreto, robusto

e sofisticado, sem recorrer a exageros ou elementos desnecessários.

A sua presença é imediata, marcada por linhas limpas

e precisas, faróis com assinatura “Thor’s Hammer” e proporções

compactas que transmitem equilíbrio e segurança. A ausência da

tradicional grelha frontal é resolvida com elegância pelo logótipo

diagonal e pela faixa metálica que define o rosto do veículo,

conferindo personalidade e reconhecimento instantâneo.

Os detalhes reforçam o carácter premium: os puxadores de porta

sólidos, a postura robusta e o acabamento bicolor, disponível

na maior parte das cores, incluindo tons sofisticados como o

azul nuvem ou o sand dune, traduzem cuidado e refinamento

O habitáculo do Volvo EX30 é uma

expressão de elegância minimalista:

sofisticado, sereno e cuidadosamente

pensado, sem recorrer ao preto total

ou ao couro convencional, reforçando a

aposta em materiais sustentáveis

48 e-MOBILIDADE


em cada ângulo. A estética minimalista é acompanhada por uma

sensação de qualidade tangível, que se nota na harmonia das

superfícies e na precisão das linhas.

INTERIOR: SIMPLICIDADE E SUSTENTABILIDADE

O habitáculo do Volvo EX30 é uma expressão de elegância

minimalista: sofisticado, sereno e cuidadosamente pensado,

sem recorrer ao preto total ou ao couro convencional, reforçando

a aposta em materiais sustentáveis. A ausência do túnel

central cria uma sensação de espaço e permite arrumação

inteligente, enquanto cada superfície transmite qualidade tátil.

Mesmo sendo compacto, o banco traseiro mantém conforto,

ainda que de forma mais contida, refletindo a orientação

urbana do modelo.

O painel de instrumentos minimalista, quase despojado

de botões, não é apenas estético: reduz peças, simplifica a

produção e diminui o impacto ambiental. O EX30 recorre a

materiais reciclados de forma tangível e inovadora, restos de

fábricas de jeans, redes de pesca, garrafas de plástico e até

perfis de janelas em PVC, conferindo-lhe caráter e autenticidade.

Mais de um sexto do plástico, um sexto do aço e um

quarto do alumínio do veículo são reciclados, traduzindo

sustentabilidade em cada detalhe.

A bateria LFP da versão base utiliza minerais mais abundantes

e menos intensivos em energia, enquanto a produção, na

fábrica da Volvo e nos fornecedores, é alimentada por energia

100% renovável. O resultado é uma pegada de CO 2 auditada

de apenas 18 toneladas para o EX30 base, cerca de metade

da de um carro a gasolina equivalente ao longo da sua vida

útil, demonstrando que luxo, desempenho e responsabilidade

ambiental podem coexistir harmoniosamente.

TESTE COM ALMA

Mesmo a versão mais lenta é ágil: 0-100 km/h em 5,7 segundos.

A versão Single Motor Extended Range atinge 441 km

WLTP, enquanto o Twin Motor Performance chega aos 590

km. A condução é precisa e compacta, a suspensão filtra bem

irregularidades e o carro mantém firmeza em curvas.

O Volvo EX30 destaca-se pelo equilíbrio entre design refinado,

sofisticação escandinava e filosofia sustentável, oferecendo

uma experiência verdadeiramente premium a um preço competitivo.

O interior minimalista combina elegância e consciência

ambiental, embora a utilização do painel táctil exija algum

período de adaptação, e o espaço traseiro, embora funcional,

seja limitado para passageiros mais altos.

A versão Single Motor com bateria maior (69 kWh) promete

ser a escolha preferida: combina autonomia generosa, eficiência

energética e prazer de condução, tornando cada viagem

urbana envolvente e confiável. Para quem procura um Volvo

elétrico compacto, moderno e sustentável, o EX30 apresenta-se

como uma solução sólida e convincente, um verdadeiro

compacto urbano premium, que alia tecnologia, design e

responsabilidade ambiental de forma harmoniosa.

e-MOBILIDADE 49


No interior, a evolução sente-se na clareza e na ergonomia. O

painel digital de 12,8 polegadas articula-se com o ecrã central

SYNC 4 de 12 polegadas, criando um ambiente tecnológico sem

excesso. A navegação é fluida, os grafismos são nítidos e a organização

intuitiva.

Num tempo em que quase tudo é táctil, a manutenção de

comandos físicos para a climatização é um detalhe que revela

sensibilidade prática. A experiência de condução agradece. De

série, integra Apple CarPlay e Android Auto sem fios, carregamento

por indução e um conjunto completo de assistentes à condução,

do cruise control adaptativo ao assistente de manutenção

na faixa.

Na versão Premium ensaiada, o ambiente sobe de tom com siste-

TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

Ford Puma Gen-E

Dinâmica preservada,

propulsão reinventada

Há automóveis que marcam uma época não apenas pelos números, mas pela

forma como se integram na vida de quem os conduz. O Ford Puma é um desses

casos. Na nova interpretação Gen-E, 100% elétrica, assume um papel decisivo na

estratégia de eletrificação da marca, mas fá-lo sem renunciar àquilo que o tornou

uma referência entre os SUV compactos: presença vincada, equilíbrio dinâmico e

uma inteligência prática rara no segmento.

A

filosofia é clara e madura. Não se trata de romper

com o passado, mas de o depurar. A silhueta atlética

mantém-se, tal como a postura firme sobre o

asfalto. O que muda é o silêncio. Onde antes havia

combustão, existe agora uma entrega instantânea de

binário, fluida e progressiva, que transforma cada arranque numa

experiência quase intuitiva.

Com 168 cv e 0 aos 100 km/h cumpridos em 8,0 segundos, o

Puma Gen-E revela agilidade imediata no ambiente urbano e

segurança nas recuperações fora dele. Mas a essência não está

apenas na aceleração. Está na forma como a potência é gerida.

A direção continua precisa, com peso adequado; o controlo de

carroçaria transmite confiança; e a suspensão equilibra conforto

e rigor com a maturidade que se espera de um produto consolidado.

Leve, responsivo e envolvente, é um dos elétricos mais

gratificantes de conduzir no universo B-SUV.

TECNOLOGIA COM SENTIDO

50 e-MOBILIDADE


ma de som B&O, acesso sem chave, porta da bagageira elétrica,

bancos e volante aquecidos, solução inteligente para otimizar

autonomia em dias frios, além de faróis Matrix LED e câmara

de 360 graus. O refinamento tecnológico reforça a perceção de

qualidade sem desvirtuar a simplicidade funcional.

VERSATILIDADE PENSADA AO DETALHE

A eletrificação trouxe um benefício adicional: um compartimento

dianteiro de 43 litros, ideal para arrumar cabos de carregamento

com ordem e discrição.

Mas o verdadeiro trunfo mantém-se sob o piso da bagageira. O

antigo Megabox evolui para “Gigabox”, oferecendo 145 litros

adicionais. No total, são 574 litros de capacidade, um valor que

surpreende num SUV compacto. Impermeável e com dreno

integrado, permite transportar equipamento húmido, botas enlameadas

ou objetos volumosos sem compromissos. É engenharia

aplicada ao quotidiano, não mero argumento de catálogo.

A filosofia é clara e madura. Não se

trata de romper com o passado, mas de

o depurar. A silhueta atlética mantémse,

tal como a postura firme sobre o

asfalto. O que muda é o silêncio

AUTONOMIA REALISTA

A autonomia anunciada de 364 km em ciclo WLTP traduz-se,

em utilização mista e realista, em cerca de 280 km. Um valor

coerente com o posicionamento do modelo e adequado à maioria

dos percursos diários e interurbanos.

A bateria de 43 kWh úteis admite carregamento rápido até 100

kW, permitindo passar de 10% a 80% em aproximadamente

23 minutos. Em wallbox doméstica de 7,4 kW, o carregamento

integral cumpre-se em cerca de sete horas, o tempo de uma noite

tranquila.

Não lidera a tabela da autonomia, mas oferece um compromisso

sólido entre eficiência, tempo de carregamento e usabilidade.

TESTE COM ALMA

O Ford Puma Gen-E não procura protagonismo excessivo. A

sua força reside na naturalidade. É elétrico sem ser disruptivo,

moderno sem ser complexo, envolvente sem ser radical.

Mantém o carácter dinâmico que sempre o distinguiu e acrescenta-lhe

silêncio, suavidade e uma nova forma de resposta. A

transição faz-se sem dramatismo, e é precisamente essa serenidade

que lhe confere maturidade.

No final do ensaio, fica a sensação de que o Puma não mudou

de personalidade. Apenas amadureceu. E na era elétrica, essa

continuidade pode ser o seu maior trunfo..

e-MOBILIDADE 51


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

FIAT GRANDE PANDA

O regresso

do utilitário

acessível

Passei uns dias da semana ao volante do novo Fiat Grande Panda. Dias

de escola, supermercado, aulas de natação, mochilas espalhadas no

banco traseiro e perguntas constantes das duas crianças: “É elétrico

mesmo?” e “Podemos ficar com ele?”.

52 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 53


Nononono TESTE COM no ALMA no no

Nono por Eduardo no nono de nononono Carvalho

Num mercado onde os

citadinos acessíveis

parecem estar em vias

de extinção, o Grande

Panda surge quase como

um manifesto. Um automóvel pequeno,

descomplicado, disponível com motor a

gasolina ou 100% elétrico e, sobretudo,

com preços que ainda fazem sentido.

A versão a gasolina arranca em torno dos

20 000 euros, enquanto a elétrica começa

pouco acima dos 25 000 euros. Valores

que devolvem racionalidade a um segmento

que precisa urgentemente dela.

Mas será que o estilo retro-futurista é

suficiente para o tornar irresistível? A

resposta começa no primeiro olhar.

NOSTALGIA PIXELIZADA COM

CARÁCTER

O Grande Panda assume sem pudor

uma inspiração retro. Há qualquer coisa

de gráfico, quase 8-bit, nas óticas quadradas

e na linguagem geométrica da

carroçaria. O amarelo vibrante da unidade

ensaiada ampliava essa personalidade

irreverente, e tornava impossível

passar despercebido à saída da escola.

Os detalhes contam histórias. As pequenas

incisões sobre as cavas das rodas

evocam o antigo logótipo da marca. No

pilar traseiro, um painel holográfico

alterna entre o novo e o antigo emblema

consoante o ângulo de visão, um gesto

subtil, mas carregado de simbolismo.

54 e-MOBILIDADE


INSPIRAÇÃO RETRO

O Grande Panda assume sem

pudor uma inspiração retro.

Há qualquer coisa de gráfico,

quase 8-bit, nas óticas quadradas

e na linguagem geométrica

da carroçaria. O amarelo vibrante

amplia essa personalidade

irreverente

A palavra “Panda” surge gravada na

chapa lateral, quase como assinatura em

relevo.

É um pequeno automóvel com presença.

E isso, num segmento onde muitos

optam pela neutralidade, é uma virtude.

INTERIOR: COR E MEMÓRIA

Ao abrir a porta, somos imediatamente

envolvidos por um interior surpreendentemente

alegre e cheio de personalidade.

O contorno amarelo do sistema

de infotainment evoca a icónica pista

oval do histórico complexo industrial

de Turim, com um pequeno Panda

ilustrado a percorrê-la, detalhe que as

crianças descobriram antes de mim,

apontando e rindo enquanto exploravam

o habitáculo.

Os plásticos são simples, mas a combinação

cromática transforma o espaço

numa experiência visual envolvente.

Tons de azul profundo nas portas e no

tablier, contrastes de textura e, nesta

versão superior, uma pequena caixa de

arrumação em bambu à frente do passageiro

conferem leveza e sofisticação

discreta ao conjunto. Cada elemento

parece pensado para criar harmonia

entre funcionalidade e estilo, tornando

o habitáculo acolhedor e intuitivo.

O espaço não é apenas visual: a altura

generosa e a forma quadrada da carroçaria

proporcionam conforto para os

ocupantes, incluindo os dois bancos traseiros

onde as crianças se sentam com

facilidade, e permitem instalar cadeiras

de segurança sem constrangimentos.

Pequenos detalhes, como suportes

para copos e bolsos bem posicionados,

revelam atenção ao dia a dia de uma

família urbana, transformando o Grande

Panda num automóvel pequeno, mas

surpreendentemente capaz.

O TAMANHO SURPREENDE

Apesar das dimensões compactas, o

Grande Panda revela uma habitabilidade

convincente. A silhueta quadrada

beneficia a altura interior, e mesmo

com uma cadeiras de criança instalada

atrás, não senti claustrofobia. Há espaço

suficiente para um sistema ISOFIX

voltado para trás, embora a instalação

exija alguma paciência, dado que os

pontos de fixação estão algo escondidos.

A bagageira surpreendeu. Conseguimos

acomodar mochilas, sacos de compras

e ainda os equipamentos desportivos

sem compromissos. Para um citadino,

cumpre, e mais do que isso, adapta-se.

CONDUÇÃO SIMPLES E URBANA

Num quotidiano dominado por SUV

complexos e digitalizações excessivas, o

Grande Panda é quase terapêutico. Botões

físicos para a climatização. Chave

tradicional que roda na ignição. Comandos

diretos para desligar assistentes

de velocidade ou manutenção na faixa.

Tudo está onde esperamos que esteja.

A versão elétrica anuncia até 320 km

de autonomia em ciclo WLTP, mas em

utilização realista, percursos urbanos,

algum trânsito e ar condicionado

ligado, a autonomia rondou os 220

km. Para cidade e periferia é suficiente;

para viagens frequentes mais longas, a

versão a gasolina continua a ser a opção

mais versátil.

Um detalhe inteligente na versão elétrica:

o cabo de carregamento AC retrátil

escondido atrás de uma pequena tampa

frontal. Uma solução elegante e prática,

que evita cabos soltos na bagageira.

Pena que não esteja disponível na

configuração de carregamento AC mais

rápida (11 kW), onde o cabo mais

espesso obriga a solução tradicional.

Não há condução “one-pedal” na versão

elétrica, algo que poderia reforçar o

conforto em ambiente urbano. A visibilidade

traseira é limitada devido ao

óculo estreito, exigindo maior atenção

em manobras.

TESTE COM ALMA

O Grande Panda não tenta ser sofisticado.

Não procura impressionar com

ecrãs gigantes nem com números exuberantes.

Procura, isso sim, devolver ao

automóvel pequeno aquilo que sempre

foi a sua essência: acessibilidade, funcionalidade

e personalidade.

Durante esta semana, tornou-se parte

da rotina familiar com naturalidade.

Fácil de estacionar, económico de utilizar,

suficientemente espaçoso para dois

filhos e suficientemente distinto para

nos arrancar um sorriso.

Num tempo em que os automóveis

acessíveis parecem cada vez mais raros,

o Fiat Grande Panda surge como um

salvador discreto e necessário. Pequeno

no tamanho, grande na intenção.

e-MOBILIDADE 55


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

Opel Mokka Híbrido

Viver a cidade

em harmonia

Silencioso nas manhãs apressadas, ágil no trânsito urbano e surpreendentemente

confortável nos trajetos em família, o Opel Mokka Híbrido revelou-se um aliado

silencioso e equilibrado, capaz de transformar a mobilidade urbana numa

experiência mais fluida e menos cansativa.

Há automóveis que cumprem horários. Outros

acompanham rotinas, histórias e pequenas

conquistas diárias. O Opel Mokka começa a pertencer

claramente ao segundo grupo. Neste Teste

com Alma, vivido com a participação ativa da família,

entre idas à escola, compras de última hora, deslocações

urbanas e pequenos percursos semanais, percebemos como este

SUV compacto amadureceu para responder às exigências reais

da vida moderna, agora com a aguardada versão híbrida.

O Mokka é também um reflexo da evolução do próprio conceito

SUV. A primeira geração ainda prometia aventura, com tração

integral e um visual robusto. Hoje, na sua segunda geração

e após esta atualização, assume sem hesitações a sua vocação

urbana. É mais racional, mais eficiente e claramente desenhado

para quem vive a cidade, onde as famílias passam a maior parte

do tempo e onde cada detalhe conta.

Disponível a partir de cerca de 30.000 euros, o renovado Opel

Mokka aposta numa fórmula mais consciente: abandona definitivamente

o diesel, abraça a eletrificação e apresenta-se como

uma proposta equilibrada entre design, tecnologia e eficiência.

UM DESIGN QUE CRESCEU CONNOSCO

À primeira vista, não há ruturas. E isso é intencional. O Mokka

mantém a identidade que o tornou reconhecível, mas fá-lo

com mais maturidade. O Opel Vizor, a máscara negra que

integra grelha e óticas, continua a ser a assinatura visual, agora

56 e-MOBILIDADE


acompanhada por novos faróis LED mais estreitos, com uma

assinatura luminosa moderna e alinhada com a nova linguagem

da marca.

Na versão GS, como a do nosso ensaio, os contrastes ganham

protagonismo: tejadilho em preto, retrovisores escurecidos, difusor

específico e jantes bicolores de 18 polegadas. Um conjunto

que agrada tanto ao olhar racional como ao emocional, algo

que não passou despercebido aos comentários espontâneos da

família, sempre atentos a “pormenores que fazem a diferença”.

Compacto por fora, com 4,15 metros de comprimento, o

Mokka revela-se fácil de estacionar, simples de manobrar e

prático no quotidiano urbano, sem nunca parecer pequeno

demais.

INTERIOR: MENOS ESPETÁCULO, MAIS VIDA REAL

É no interior que esta atualização mais se sente no dia a dia. O

novo volante, mais minimalista e com base achatada, transmite

imediatamente modernidade. À frente do condutor, o painel de

instrumentos digital de 10 polegadas é claro e eficaz. Ao centro,

o ecrã tátil, também de 10 polegadas, concentra as principais

funções do sistema multimédia.

A conectividade é total, com Apple CarPlay e Android Auto sem

fios, e há até a possibilidade de integração do ChatGPT. Ainda assim,

o verdadeiro elogio vai para uma decisão simples e inteligente:

manter os comandos físicos da climatização. Num teste em

família, com crianças no banco de trás e atenção repartida, esta

escolha traduz-se em segurança, conforto e menos distrações.


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

Outro acerto claro foi o abandono quase total do negro brilhante.

As novas superfícies mate transmitem maior sensação

de qualidade, resistem melhor ao uso diário e envelhecem com

mais dignidade, algo essencial num automóvel pensado para

acompanhar rotinas familiares.

Os materiais reciclados ganham espaço, os bancos são confortáveis

e, nas versões mais equipadas, surgem pequenos luxos que

fazem a diferença no inverno ou nas manobras citadinas, como

bancos e volante aquecidos ou a eficaz câmara traseira de 180º.

ESPAÇO PENSADO PARA QUATRO

O Opel Mokka não esconde a sua natureza urbana. Nos lugares

traseiros, o espaço é adequado para duas crianças ou dois adultos,

mas a largura limita o conforto de um quinto ocupante. Em

contexto familiar, a conclusão é simples e honesta: é um carro

ideal para quatro, não para cinco.

A bagageira segue a mesma lógica. Com 350 litros, não é das

maiores do segmento, mas é bem desenhada e funcional. O piso

ajustável e o rebatimento dos bancos permitem chegar aos 1.105

litros, suficientes para mochilas, compras, carrinhos e a logística

inevitável da vida familiar.

CORAÇÃO HÍBRIDO

A grande novidade desta versão vive debaixo do capot. O

conhecido motor 1.2 turbo de três cilindros surge agora

associado a um sistema mild-hybrid de 48 V, garantindo a

desejada etiqueta ECO.

Com 145 cv e 320 Nm de binário, o Mokka Híbrido posiciona-se

como o ponto de equilíbrio da gama. Os 0–100 km/h

em 8,2 segundos e a velocidade máxima de 207 km/h mostram

que eficiência não significa abdicar de desempenho.

Mas é no uso diário que este sistema faz realmente a diferença.

O motor elétrico, integrado na nova caixa automática de

dupla embraiagem de seis relações, permite circular em modo

elétrico em curtos momentos, sobretudo a baixas velocidades

ou em trânsito urbano. O resultado é uma condução mais

suave, silenciosa e, sobretudo, mais eficiente.

Durante a semana de testes, com utilização mista e família a

bordo, registámos uma média de 6,1 l/100 km, valor que poderia

baixar ainda mais com maior predominância de trajetos

urbanos.

CONFORTO QUE SE SENTE

Ao volante, o Mokka Híbrido é previsível, equilibrado e fácil

de conduzir. Não procura emoções fortes, mas oferece aquilo

que realmente importa no dia a dia: conforto, segurança

e simplicidade. A suspensão privilegia o conforto, mesmo

que ocasionalmente se revele firme em pisos degradados. A

direção é leve e pouco comunicativa, mas adequada ao seu

posicionamento urbano.

Na cidade, sente-se no seu elemento. Dimensões contidas,

boa visibilidade e uma transmissão automática rápida tornam

o quotidiano mais simples, algo que toda a família valoriza,

mesmo sem o verbalizar.

TESTE COM ALMA

O Opel Mokka cresceu onde realmente importava. Está mais

refinado, mais eficiente e mais alinhado com as exigências atuais

da mobilidade urbana e familiar. A chegada da versão híbrida é o

seu maior trunfo, oferecendo um compromisso muito equilibrado

entre desempenho, consumos e custos de utilização.

Nem tudo é perfeito: a bagageira é limitada, o design poderia

ousar um pouco mais e o preço da unidade testada, cerca de

36.000 euros numa versão GS bem equipada, não é propriamente

acessível. Mas o Mokka tem algo que nem sempre se

mede em números: personalidade.

E neste Teste com Alma, vivido em família, mostrou que sabe

integrar-se na rotina diária com naturalidade, sem abdicar de

estilo, eficiência… e emoção.

58 e-MOBILIDADE


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Em cooperação com:

Congresso Mundial e Expo

de Mobilidade Sustentável

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o ecossistema

de mobilidade

sustentável.

Quero expor

09-11

Junho 2026


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

FIAT 600 HÍBRIDO

Pequeno no tamanho,

grande na experiência


O Fiat 600 Híbrido é aquele citadino que faz sentido para quem procura economia,

funcionalidade e personalidade. Durante uns dias, conduzimo-lo com a família: dois

adultos, duas crianças e mochilas, brinquedos e sacos de compras a bordo. Entre idas

à escola e passeios de fim de semana, tornou-se evidente que este pequeno italiano tem

uma surpresa atrás de cada curva e cada porta.

e-MOBILIDADE 61


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

Ao abrir a porta, o habitáculo

dá imediatamente

as boas-vindas. O painel

digital é claro e funcional,

e os comandos físicos para

climatização permitem ajustar temperatura

e ventilação sem perder atenção

à estrada, essencial quando se tem

crianças curiosas a mexer em tudo atrás.

O espaço é pequeno mas inteligente:

bolsos, suportes de copos e compartimentos

centrais permitem guardar

mochilas, garrafas e pequenos objetos

do dia a dia.

O toque lúdico está nos detalhes:

a tampa do compartimento central

esconde de forma discreta carteiras ou

telemóveis, e as cores vivas do tablier e

das portas transmitem leveza. Os filhos

rapidamente percebem esses pequenos

segredos, transformando cada viagem

numa experiência divertida. É um

interior que comunica com a família:

prático, funcional e cheio de personalidade.

ESPAÇO E VERSATILIDADE

Apesar das dimensões citadinas, o 600

Híbrido oferece 385 litros de bagageira

com todos os cinco lugares ocupados,

expandindo para 1 256 litros com os

bancos traseiros rebatidos, espaço suficiente

para uma bicicleta grande, malas

Com duas crianças a bordo, o Fiat 600 Híbrido

mostra como um automóvel citadino pode

transformar cada percurso numa experiência

prática, segura e até divertida

de fim de semana ou sacos de compras.

O banco traseiro é confortável para

crianças e pequenos passageiros, permitindo

instalar cadeiras ISOFIX com facilidade.

Mesmo com os filhos a mexerem

em brinquedos, livros ou garrafas, o

habitáculo mantém-se organizado, mostrando

que, no quotidiano familiar, cada

centímetro conta.

CONDUÇÃO TRANQUILA

O motor híbrido 1.2 litros de 110 cv,

com caixa automática de seis velocidades,

proporciona condução ágil e previsível.

No trânsito urbano, o Fiat 600

responde com facilidade a arranques,

rotundas e ultrapassagens, enquanto em

estrada mantém silêncio, estabilidade e

conforto.

O sistema mild-hybrid reduz ruídos a

baixas velocidades, ideal para quando

os pequenos dormem na parte traseira.

E o cruise control permite que os pais

mantenham um ritmo constante em

autoestrada, tornando viagens mais

longas relaxantes, enquanto as crianças

observam a paisagem ou interagem com

brinquedos e gadgets.

INTUITIVO E FAMILIAR

O ecrã central de 10,25 polegadas é

pequeno mas funcional, complementado

por botões físicos que tornam o uso

intuitivo mesmo com crianças a bordo.

A integração Apple CarPlay e Android

Auto sem fios garante que dispositivos

móveis estão sempre acessíveis, permitindo

que playlists ou conteúdos educativos

acompanhem cada viagem.

O compartimento central com tampa

protege pequenos objetos de forma

discreta, evitando que mochilas e brin-

62 e-MOBILIDADE


quedos se misturem com outros itens.

Nas versões superiores, o carregador

sem fios mantém tablets e telemóveis

carregados, essencial para os momentos

de distração e aprendizagem durante o

percurso.

CONFIANÇA EM CADA TRAJETO

O Fiat 600 Híbrido inclui travagem

autónoma de emergência (AEB), assistente

de manutenção na faixa, reconhe-

cimento de sinais de trânsito, airbags

e controlo de estabilidade (ESC). Para

famílias, isso significa que cada trajeto

urbano ou suburbano é feito com segurança

reforçada, permitindo aos pais

focarem-se no trânsito e nos filhos, sem

preocupações adicionais.

O consumo é notável: é possível percorrer

cerca de 500 km com um depósito,

combinando deslocações urbanas e

viagens mais longas. O sistema mild-

-hybrid contribui para reduzir emissões

e consumos, tornando o 600 Híbrido

não apenas económico, mas também

amigo do ambiente.

TESTE COM ALMA

Com duas crianças a bordo, o Fiat 600

Híbrido mostra como um automóvel

citadino pode transformar cada percurso

numa experiência prática, segura e

até divertida. Desde a ida à escola até

às compras do fim de semana, cada

detalhe do interior, cada espaço de arrumação

e cada toque de tecnologia foi

pensado para facilitar a vida em família.

Compacto, económico e cheio de personalidade,

o Fiat 600 Híbrido prova

que não é preciso um carro grande

para fazer a diferença no dia a dia. Para

famílias urbanas que procuram um

híbrido eficiente, seguro e com carácter,

este 600 é uma escolha equilibrada:

inteligente, prática e capaz de tornar

cada viagem um momento de conforto e

envolvimento entre pais e filhos.

e-MOBILIDADE 63


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

Mercedes-Benz EQV 300

Monovolume que

conquista

Silencioso na chegada, imponente à porta da escola e surpreendentemente confortável no

quotidiano familiar, o Mercedes-Benz EQV prova que a mobilidade elétrica já ultrapassou

a fase da eficiência pura. Hoje, fala-se também de espaço, serenidade e qualidade de vida,

valores essenciais para as famílias modernas.

64 e-MOBILIDADE


Certos veículos avaliam-se em estrada aberta. Outros

revelam-se verdadeiramente no dia a dia. O Mercedes-Benz

EQV pertence claramente ao segundo

grupo. Durante o ensaio, foi vivido em contexto familiar,

com as crianças sempre ansiosas por escolher

lugares, explorar o espaço e transformar cada deslocação num

momento de conforto partilhado.

A experiência positiva não se ficou pelo interior. À porta da

escola, o EQV rapidamente chamou a atenção. Num ambiente

onde os monovolumes e vans de grande dimensão são presença

habitual, o silêncio absoluto com que chegava contrastava com

tudo o resto. Os olhares curiosos, as perguntas sobre autonomia

e os comentários sobre “não se ouvir nada” tornaram-no num

inesperado tema de conversa. Um pequeno sinal, mas revelador,

de que a mobilidade elétrica familiar começa a ganhar terreno,

não por imposição, mas por desejo.

MONOVOLUME PARA O FUTURO

O Mercedes-Benz EQV leva a propulsão 100% elétrica ao segmento

dos grandes monovolumes, com uma proposta surpreendentemente

madura. São até 357 km de autonomia WLTP, zero

emissões locais e, talvez mais importante, pouquíssimos compromissos

práticos. A integração da bateria não penaliza o espaço,

nem a modularidade, nem o conforto.

A qualidade geral posiciona-se vários patamares acima do que

seria expectável num modelo com raízes num veículo comercial.

Não é um automóvel acessível, e nunca pretendeu ser, mas

também não resulta de cedências em conforto, tecnologia ou

perceção de valor. Num panorama dominado por superdesportivos

elétricos e conceitos futuristas, é precisamente um modelo

como o EQV que demonstra onde a transição elétrica realmente

importa: no transporte de famílias, crianças e profissionais, todos

os dias.

EVOLUÇÃO LÓGICA, SEM RUTURAS

Este modelo é baseado na Classe V, o grande monovolume

da Mercedes-Benz derivado da Vito, e surge como a evolução

natural após a introdução da eVito. Tal como a sua congénere

comercial, faz a transição para a eletrificação total com surpreendentemente

poucos sacrifícios. O preço reflete essa tecnologia,

posicionando-se acima de uma Classe V equivalente a combustão,

mas para famílias com visão progressista ou operadores com

elevada quilometragem anual, o racional económico começa

claramente a fazer sentido.

CONFORTO EM PRIMEIRO PLANO

O EQV recorre a um motor elétrico de 204 cv de potência

máxima (95 cv contínuos), alimentado por uma bateria de iões

de lítio montada no piso, numa posição central e rebaixada. Esta

solução técnica beneficia diretamente a estabilidade e o comportamento

dinâmico.

Estão disponíveis duas versões: EQV 250, com bateria de 60

kWh, e EQV 300, com 90 kWh. A velocidade máxima é limitada

a 140 km/h, e o consumo energético situa-se em torno dos 27

kWh/100 km em ciclo WLTP.

Em condução, o EQV aproxima-se muito de uma Classe V

convencional, mas melhora-a. A Mercedes-Benz reviu profundamente

molas, amortecedores, barras estabilizadoras e pontos de

fixação, aproximando a experiência da de um automóvel de passageiros.

A suspensão adaptativa Agility Control, de série, ajusta-

-se ao piso e entrega um conforto de rolamento notável para um

veículo destas dimensões. O silêncio da propulsão elétrica reforça

uma sensação de serenidade a bordo que rapidamente se torna

viciante, sobretudo em ambiente urbano.

DESIGN DISCRETO, QUALIDADE EVIDENTE

Visualmente, mantém-se fiel à Classe V, distinguindo-se sobretudo

pelo painel frontal preto da gama EQ e pelas jantes específicas

de 17 polegadas. A unidade ensaiada conta com sete lugares,

distribuídos por três filas, num conjunto equilibrado e bem

proporcionado.

O verdadeiro destaque está no interior. O habitáculo revela um

cuidado construtivo e uma perceção de qualidade que surpreendem.

Os acabamentos em pele Nappa, o desenho sóbrio do

painel de instrumentos, com clara inspiração na Classe S, e a modularidade

exemplar fazem do EQV um espaço verdadeiramente

premium. Os bancos deslizam e removem-se com facilidade, e a

abertura independente do vidro traseiro revela-se particularmente

prática no quotidiano urbano.

À frente, o ambiente tecnológico é dominado por dois ecrãs de

12,3 polegadas para instrumentação e infoentretenimento, integrados

no sistema MBUX.

O EQV leva a propulsão 100% elétrica

ao segmento dos grandes monovolumes,

com uma proposta surpreendentemente

madura. São até 357 km de autonomia

WLTP, zero emissões locais e, talvez

mais importante, pouquíssimos

compromissos práticos

e-MOBILIDADE 65


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

TECNOLOGIA E MERCADO

Em muitos mercados europeus, o EQV é comercializado

sobretudo na versão EQV 300 Executive Long, com preços

a rondar os 100.000 euros, dependendo da configuração e

da fiscalidade local. O sistema MBUX inclui funções específicas

para veículos elétricos, navegação otimizada para

carregamentos e acesso ao serviço Mercedes me Charge, que

simplifica o carregamento em redes públicas europeias.

O equipamento de série é extenso e coerente com o posicionamento

premium: jantes de 17”, faróis LED Multibeam,

assistências avançadas à condução, MBUX com Navegação

Plus, portas laterais elétricas, porta traseira Easy-Pack, iluminação

ambiente e cabo de carregamento de oito metros.

TESTE COM ALMA

Poucos teriam antecipado que um dos modelos elétricos mais

relevantes da Mercedes-Benz surgisse sob a forma de um grande

monovolume. Mas o EQV é exatamente isso: um produto bem

pensado, tecnicamente sólido e alinhado com o futuro real da

mobilidade.

E, pelo menos à porta da escola dos nossos filhos, ficou evidente

que esse futuro elétrico pode ser familiar, espaçoso, silencioso, e

surpreendentemente desejável.

CUSTOS, AUTONOMIA E RACIONALIDADE

Com até 357 km de autonomia WLTP, o EQV adapta-se bem

ao uso diário. Numa wallbox doméstica de 11 kW, o carregamento

completo demora cerca de 10 horas. Em corrente

contínua, com potências até 110 kW, é possível recuperar de

10 a 80% da bateria em aproximadamente 45 minutos.

A gestão ativa de autonomia e o modo E+ ajudam a otimizar

consumos e a reduzir a ansiedade de carregamento.

Para quem percorre muitos quilómetros por ano, sobretudo

em contexto urbano ou profissional, o racional económico

começa a ser claro. Os valores residuais deverão manter-se

sólidos, já que o EQV inaugura, na prática, um novo segmento:

o dos monovolumes elétricos de grande dimensão.

66 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 67


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

Volkswagen Multivan eHybrid

A estrada como

tempo para a família

O motor arranca quase em silêncio e, por um instante, o mundo lá fora parece desacelerar. A

Multivan eHybrid não é apenas um veículo; é um espaço de convivência, um parceiro de rotina

e de pequenas aventuras. Entre ruas estreitas da cidade, estradas nacionais tranquilas e pausas

improvisadas para esticar as pernas ou organizar malas, cada quilómetro vivido transformou a

viagem numa experiência sensorial, onde o conforto, a suavidade e a sensação de segurança se

tornam tangíveis para toda a família.

Durante anos, os híbridos plug-in foram olhados

com alguma desconfiança. Considerados demasiado

complexos, caros e com autonomia elétrica

limitada, muitos acreditavam que, se um carro

pudesse ligar-se à tomada, a escolha óbvia seria

sempre um elétrico puro. A realidade familiar, porém, é mais

complexa: os percursos diários raramente se encaixam em fórmulas

absolutas, e é aqui que a nova geração de híbridos plug-in

revela todo o seu potencial. Neste Teste com Alma, conduzido

com a companhia da família pelas estradas da região Oeste de

Portugal, pudemos perceber o verdadeiro papel da Multivan

eHybrid, longe de cenários teóricos e bem dentro da vida real.

O nosso ensaio começou em casa, com a rotina diária a ditar o

ritmo. Crianças a bordo, malas a organizar, pequenos intervalos

para cafés e conversas, e a estrada a abrir-se diante de nós,

alternando entre o ritmo urbano e a calma das estradas nacionais.

A grande questão era simples: faz sentido, em contexto

familiar, carregar um híbrido plug-in ou ele transforma-se num

automóvel a gasolina? A resposta tornou-se evidente quilómetro

a quilómetro. A Multivan demonstrou que é possível integrar carregamentos

de forma natural, transformando cada pausa numa

oportunidade de descanso e partilha, sem pressa, sem ansiedade

de autonomia.

MAIS AUTOMÓVEL DO QUE MUITOS PENSAM

Apesar do nome e do tamanho, a Multivan não é um veículo

comercial disfarçado. Baseada na plataforma MQB Evo, a mesma

que sustenta vários modelos de passageiros do Grupo Volkswa-

68 e-MOBILIDADE


gen, revela por baixo alma de automóvel grande, com comportamento

seguro e confortável. A versão ensaiada, mede pouco

menos do que cinco metros e oferece uma bagageira generosa

sem comprometer o espaço interior. Os sete lugares configuráveis

com bancos deslizantes sobre calhas permitem alternar

entre espaço para bagagens e conforto total dos passageiros, enquanto

o piso plano e os ISOFIX em todos os lugares relevantes

transformam a cabine num verdadeiro salão sobre rodas, onde

adultos e crianças podem conviver com liberdade e conforto.

DESEMPENHO E TECNOLOGIA

A nova Multivan híbrida plug-in representa um salto claro em

termos de desempenho e eficiência. O sistema combina um

motor 1.5 TSI a gasolina com uma caixa automática DSG de seis

velocidades e dois motores elétricos, garantindo tração integral

4Motion e uma potência combinada de 245 cv. O binário

máximo de 350 Nm oferece agilidade e força suficiente para

enfrentar qualquer percurso, seja no dia a dia urbano ou nas

estradas nacionais, sem comprometer o conforto ou a estabilidade.

A bateria de alta tensão, com 25,7 kWh brutos e 19,7

kWh líquidos, quase o dobro da geração anterior, garante uma

autonomia elétrica de 101 km em cidade e 90 km em ciclo

combinado, suficiente para cobrir a maior parte das deslocações

diárias com opção de algumas viagens mais longas sem recorrer

constantemente ao motor a gasolina. A Multivan aceita carregamento

rápido CC até 40 kW, atingindo 10 a 80% em apenas 26

e-MOBILIDADE 69


TESTE COM ALMA

por Eduardo de Carvalho

minutos, e carregamento AC até 11 kW, de 0 a 100% em 2h30,

tornando a recarga prática e natural, perfeitamente integrada na

rotina familiar.

VIAJAR SEM ANSIEDADE

Durante a viagem, a tecnologia revelou o seu verdadeiro valor.

Cada carregamento em pontos rápidos próximos a eixos

principais tornou-se uma pausa funcional, quase ritual: esticar

pernas, organizar bagagens, tomar um café e preparar o próximo

destino, enquanto a bateria recuperava energia em silêncio.

Não era necessário carregar a cada oportunidade, mas sempre

que o fizemos, os benefícios foram claros: mais quilómetros em

modo elétrico, menor consumo de combustível e uma condução

extremamente suave, apreciada sobretudo pelos passageiros mais

novos. Com um depósito de 45 litros e uma velocidade máxima

de 200 km/h, a Multivan combina a liberdade do híbrido com

a familiaridade de um automóvel convencional, enquanto o

consumo ponderado de 0,9 l/100 km evidencia a eficiência real

do sistema.

O verdadeiro encanto da Multivan eHybrid reside na forma

como torna cada viagem uma experiência sensorial e emocional.

O silêncio do motor elétrico, o ritmo constante da estrada,

a sensação de espaço e liberdade dentro do habitáculo e os

pequenos gestos de partilha tornam cada quilómetro mais do

que um trajeto: é tempo de qualidade, espaço de convivência e

momentos partilhados. Em contexto familiar, onde percursos são

EM VIAGEM

O silêncio do motor elétrico,

o ritmo constante da estrada, a

sensação de espaço e liberdade

dentro do habitáculo e os pequenos

gestos de partilha tornam cada

quilómetro mais do que um

trajeto: é tempo de qualidade

70 e-MOBILIDADE


variados e nem sempre previsíveis, esta flexibilidade revelou-se

um dos maiores trunfos do veículo. Não há ansiedade de autonomia,

nem dependência total da rede: apenas escolhas conscientes

que transformam cada viagem numa experiência fluida, segura e

profundamente humana.

TESTE COM ALMA

No fim do ensaio, ficou evidente que a Multivan eHybrid não

pretende substituir todas as respostas da mobilidade elétrica.

Mas oferece algo que muitas famílias procuram: versatilidade

sem compromissos, autonomia sem ansiedade e conforto sem

renúncias. Permite circular grande parte do tempo em modo

elétrico, mantém liberdade total para viagens mais longas

e oferece espaço, qualidade e uma condução agradável que

transformam cada deslocação em momentos partilhados e

memoráveis, e não apenas num trajeto. Este Teste com Alma,

vivido em família pelas estradas do Oeste de Portugal, provou

que os híbridos plug-in de nova geração deixaram de ser

compromissos: tornaram-se escolhas equilibradas, conscientes

e profundamente humanas.

e-MOBILIDADE 71


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