edição de 2 de março de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.080 - 2 de março de 2026 R$ 20,00
Criação reafirma papel como motor
estratégico do negócio das agências
Na estreia da série ‘Por dentro das agências’, o propmark ouviu 12 lideranças da área de criação para entender o realinhamento da disciplina diante de
um cenário com atenção fragmentada, pressão por resultados e avanço da inteligência artificial. A tecnologia acelera processos, mas os executivos são
unânimes em afirmar que insight, julgamento e sensibilidade continuam sendo capacidades intrínsecas aos humanos. Com squads integrados, a relevância
cultural ganha evidência, e os profissionais assumem o protagonismo sobre a expansão e o posicionamento das marcas. “Não existe mais espaço para um
criativo que não participa das conversas com o cliente”, resume André Kassu, sócio e CCO da Crispin. pág. 14
Lola\TBWA reúne mercado
em festa no Masp
Alê Oliveira
Freepik
A CEO global da TBWA, Erin Riley, ao lado de Carol Boccia
(CEO) e Leo Macias (CCO), ressaltou que o objetivo da
rede é começar algo diferente no país. A Lola é resultado
da fusão entre DM9 e Lew’Lara\TBWA. pág. 8
Action OOH mira expansão
na América Latina
Alê Oliveira
O diretor-executivo Leonardo Pereira informa que a empresa
tem campanhas veiculadas em 316 municípios e
presença em todos os estados brasileiros. Ele ressalta
mensuração, tecnologia e integração criativa. pág. 12
SXSW 2026 destaca
conexões humanas
Festival de inovação, que será realizado entre os dias
12 e 18 de março na cidade de Austin, no Texas (EUA),
terá mais de 600 sessões. A conferência de Innovation
promete ênfase para temas sobre conexões humanas e
inteligência artificial. pág. 19
editorial
Armando Ferrentini
Criar é inovar
A
área de criação é a menina dos olhos do mercado. É, digamos assim, o cartão
de visitas de uma agência. A publicidade sempre bebeu da fonte da
criatividade e não há inteligência artificial generativa que consiga tirar
esse DNA da indústria.
Naturalmente, grupos internacionais, nacionais e operações independentes continuam
na corrida da IA, mantendo a veia vanguardista do setor e se atualizando
para atender às novas necessidades das marcas. E, depois de um período de pressão
por performance a todo custo, o que se enxerga do lado dos clientes é a volta
da valorização das ideias criativas.
A conclusão a que chegamos e ouvimos de fontes deste veículo é de que o momento
é bom para o mercado. O evento de lançamento da nova Lola\TBWA em São
Paulo, por exemplo, foi uma demonstração do Omnicom de que o grupo aposta
suas fichas no Brasil. Apesar da conturbada fusão entre DM9 e Lew’Lara\TBWA,
que deu origem à Lola, o grupo fez questão de reunir colaboradores, imprensa e
convidados em uma festa que gerou curiosidade no Anexo do Masp, novo prédio
do icônico museu da Avenida Paulista.
A CEO global da rede TBWA, Erin Riley, esteve no país para o evento e disse que o Brasil
é um mercado muito importante e que define a reputação criativa globalmente.
Segundo ela, a Lola marca o início de um novo ciclo, unindo criatividade, visão moderna,
metodologia e um DNA de disrupção. Ela declarou que o grupo está muito
animado e considera que esse é apenas o começo de uma “tremenda corrida”.
Foi pensando em desvendar as estruturas por trás da publicidade brasileira que
o propmark estreia nesta edição a série ‘Por dentro das agências’. A reportagem
vai “dissecar” todos os departamentos e mostrar diferenças e pontos em
comum entre as concorrentes. E como não poderia deixar de ser, a primeira
área a ser investigada é a criação. A reportagem foi a fundo na análise do que
é uma criação moderna e relevante para os clientes. Se no passado esse núcleo
já foi habitado por profissionais que se isolavam em um mundo à parte
das agências e viviam quase como ‘celebridades’, esse mindset mudou completamente.
Hoje, valem os criativos que têm uma atuação transversal, conversam com todos
os outros departamentos e, principalmente, mantêm uma relação próxima e de
confiança com os clientes. A bem da verdade, as responsabilidades aumentaram
para eles, que agora são desafiados não só a terem uma ideia de milhões, mas
também a possuir cada vez mais uma visão estratégica de negócios.
A presente edição também traz matéria de apresentação do South by Southwest
- SXSW 2026 com os destaques da programação do maior festival de
inovação global, que ocorre em Austin, no Texas (EUA), entre os dias 12 e 18 de
março, e terá mais de 600 painéis.
Como nos últimos anos, os brasileiros devem comparecer em peso. A delegação
verde e amarela já é considerada uma das maiores do festival, que aposta neste
ano em nomes como o do cineasta Steven Spielberg e da atriz Jamie Lee Curtis. A
edição de 2026 navega por temáticas sobre como inovar com intenção e construir
relações profundas em um cenário de rápidas transformações.
À medida que a organização divulga os últimos painelistas nos próximos dias, o
mercado aquece os motores para o festival. A Globo já divulgou que terá três painéis
na SP House durante o SXSW. Iniciativa do governo de São Paulo, a casa funciona
como uma vitrine para as inovações de empresas, realização de palestras,
shows e um QG onde os brasileiros se encontram e são vistos. O jornalista Pedro Bial
é um dos nomes que a emissora levará.
O propmark fará a cobertura do evento diretamente de Austin, trazendo os principais
insights e discussões do ecossistema global de inovação. O jornal conta com o
patrocínio master da Hands.ag.
Frase: “A desobediência é uma virtude necessária à criatividade” (Raul Seixas).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Três meses após rebranding para Biosphera.ntwk, Bazinho Ferraz avalia o
impacto do movimento e o desafio de criar sinergia entre 16 empresas e 38
sócios dentro do ecossistema.
3ª
‘Eu não mato marca nem sócio’,
diz Bazinho Ferraz
Grupo Silvio Santos lança
campanha da Bet do Milhão
Com investimento do Grupo Silvio Santos, a TQJ lança a Bet do Milhão e
apresenta campanha criada pela WT.AG, com referências ao Show do Milhão
e veiculação em TV e digital.
Gestão de reputação ganha peso
estratégico no ambiente de negócios
Polarização, desinformação e pressão por transparência reposicionam a
reputação como ativo de negócio. Com mais dados e risco reputacional
em tempo real, o setor de PR ganha papel de governança, deixando de ser
acionado só em momentos de crise.
4ª
Área liderada pela chief comms officer Paula Ganem passa a contar com
11 profissionais. Segundo a holding, a ideia da ampliação é “reafirmar o
compromisso da organização em estabelecer narrativas e parcerias”.
5ª
Publicis Groupe Brasil
amplia time de comunicação
Sete iniciativas criadas para formar
e incluir novos talentos na publicidade
Cursos, laboratórios e mentorias voltados a grupos sub-representados e
talentos autodidatas ganham espaço nas agências. O propmark reúne sete
iniciativas de formação e inclusão.
jornal propmark - 2 de março de 2026 3
índice
Série ‘Por dentro das agências’ é lançada pelo propmark
Objetivo do projeto
editorial é fazer um
raio X das estruturas
e mudanças
nas agências
de publicidade.
Coração do
mercado, a criação
é a primeira área
a ser mostrada. A
reportagem ouviu
12 líderes criativos.
14
Freepik
Fotos: Divulgação
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Adrieny Magalhães
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
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Revisão
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Redação
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Eduardo Tracanella assume cargo
de transformation partner na Dojo
Ex-CMO do Itaú se une aos sócios Rodrigo Toledo
e Thiago Baron para trazer sua visão de negócios e
experiência como executivo de marca para acelerar
o processso de transformação da agência, além de
exercer o papel de intermediar com os clientes. pág. 9
JCDecaux analisa expansão das telas
digitais no mercado brasileiro de OOH
João Binda, diretor-comercial da JCDecaux Brasil,
destaca o crescimento do digital out of home (DOOH),
que já representa mais de 52% do aporte em OOH no
país. Globalmente, “deve atingir US$ 54,83 bilhões em
2030”, informa o executivo pág. 26
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................5
Curtas .................................................................................6
Agências ............................................................................8
Entrevista ..........................................................................12
Por dentro das agências ..................................................14
Mídia ..................................................................................18
SXSW ...................................................................................19
Marcas ...............................................................................24
Out of Home ......................................................................26
Opinião...............................................................................28
Quem Fez ...........................................................................29
ESG no MKT ........................................................................30
Inspiração .......................................................................... 31
Click do Alê ........................................................................32
Última Página ....................................................................34
Sodexo transforma
negócio e passa a
atuar na gastronomia
Danielle Totti, VP de estratégia,
marketing, comercial e performance
da francesa Sodexo - que completa
45 anos no Brasil -, fala sobre a
transição da marca do mercado de
cartões de benefícios e incentivos
para o setor de serviços de
alimentação e catering. pág. 24
4 2 de março de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Post: Lucas Feltes: ‘Social é camada
estrutural do negócio’
Muito obrigado, propmark, pelo espaço!
Lucas Feltes
Post: Publicis Groupe Brasil amplia
time de comunicação
Timaço!
Gabriela Onofre
Conta nova
A Propeg é a nova agência de comunicação do Instituto Alana, que desde 1994 defende
os direitos das crianças e adolescentes com projetos nas áreas de educação, ciência,
entretenimento e advocacy. “Acompanhamos e torcemos pelas iniciativas do Alana há
muitos anos. Instituições com essa visão do mundo, energia e positividade invertem a lógica
do mau humor polarizado trazendo um sopro de esperança”, comenta Fernand Alphen, chief
strategy officer (CSO) da Propeg. A estratégia será direcionada a programas voltados à saúde
da mulher e da adolescente. “No mundo, investe-se mais em pesquisas sobre a calvície do
que sobre a saúde da mulher. Apenas a endometriose, doença crônica e debilitante, atinge,
em média, oito a dez milhões de brasileiras”, aponta Sofia Reinach, gerente de saúde
e líder da iniciativa de endometriose, dor pélvica e saúde menstrual do Instituto Alana.
A expectativa é “conscientizar e influenciar a sociedade a olhar para a saúde da mulher
e da adolescente com a sensibilidade que a causa merece”, afirma Sofia.
Post: Omnicom Media traz Drum ao
Brasil
Bora fazer barulho!
Andre Havt
Sucesso!
Olívia Procópio
Sensacional!
André Solon
Post: CP+B passa a se chamar
Duailibi Essencial
Crispin e adota o conceito ‘Criatividade
coletiva’
Muito bacana esse movimento, principalmente
em um período em que as
grandes holdings estão focadas em frieza,
padronização, números e desumanização
em seus processos e em suas
identidades.
Walter Soares
Parabéns! Sucesso na nova jornada!
Dudu Godoy
“A chave para a criatividade é fazer conexões inusitadas” (John Caples).
dorinho
movimEntação
Após oito anos como COO (chief operating officer) da agência We, Alexandre Ugadin (à esq.)
assume novo desafio dentro do grupo e passa a coliderar a IDK Brasil, vertical de CRM
(customer relationship management) e CRO (conversion rate optimization) da holding de
comunicação. Ugadin já comandou a área de mídia de agências como Wieden+Kennedy,
Dentsu e FCB. Ao longo da carreira, ganhou mais de 30 Leões no Festival de Cannes.
“A chegada do Ugadin inaugura uma nova e próspera fase da agência. Com seu talento e
know-how, vamos dobrar a capacidade da IDK de criar, desenvolver e aplicar ferramentas que
fidelizam consumidores e otimizam relações”, diz Eduardo de Barros, co-CEO da IDK no Brasil.
Expansão
Produtora criativa que integra o Boiler
Hub, a Balma Films lança uma operação
de produção audiovisual nos Estados
Unidos, estruturada em colaboração com
a SMC Agency e a Hype Empire. A iniciativa
também engloba produções na Europa.
“A expansão para os EUA é consequência
direta do tipo de trabalho que escolhemos
fazer desde o início. Quando uma produtora
constrói projetos com verdade, impacto
cultural e alto nível de craft, o mercado
naturalmente começa a demandar presença
global”, afirma Thiago Balma, fundador da
empresa. A produtora também está de olho
em oportunidades com a Copa do Mundo.
jornal propmark - 2 de março de 2026 5
curtas
Divulgação
Com ElEvatE28, grupo Wpp EspEra
rECupErar CrEsCimEnto na publiCidadE
WPP Enterprise Solutions é a nova unidade do grupo britânico WPP que ancora a estratégia
de recuperação de crescimento Elevate28 ao lado das estruturas do WPP Media, anunciada
em 2025; WPP Production, lançada em janeiro de 2026; e WPP Creative, apresentada no
mês passado com a unificação das redes criativas Ogilvy, VML e AKQA. A primeira fase do
plano, que projeta uma economia da ordem de £ 500 milhões até 2028, prevê a captação
de novos negócios, racionalização de portfólio e corte de custos. A meta é reduzir £ 250
milhões em despesas. A etapa seguinte pretende reformular a estratégia de go-to-market
e retomar a expansão orgânica. No terceiro e último ciclo, previsto para 2028, a expectativa
é ter uma estrutura mais simples, menos custosa e apoiada em inteligência artificial,
com avanço de margens e maior conversão de caixa. O projeto não vem à toa. O WPP
registrou receita de £ 13,55 bilhões em 2025, queda de 8,1% em termos reportados e de
3,6% em base comparável. A receita líquida, de custos repassados, foi de £ 10,176 bilhões,
recuo reportado de 10,4% e de 5,4% em base comparável.
SomoS fortalece live marketing
Divulgação
DreamerS anuncia liDerançaS na YouDare
Divulgação
Julio e Cindy Feijó: escala e transparência para reforçar ponte entre marcas, agências e talentos
Marcelo Bruzzesi, Carol Patrocinio e Carlos Schleder: modelo integrado, ágil e provocador
Com o alicerce da plataforma Promoview, de live marketing, o Somos Co. - lançado no
Upfront Promoview 2026 em fevereiro - nasce com a proposta de reunir publicações,
premiações e projetos voltados ao brand experience no Brasil. “O nosso papel é dar escala
e transparência para um mercado que move pessoas e negócios todos os dias”, pontua
Julio Feijó, fundador do Grupo Somos. Para Cindy Feijó, membro do conselho da companhia,
“a integração dos produtos fortalecerá ainda mais a ponte entre marcas, agências
e talentos”. A empresa espera ampliar em 65% o volume de usuários únicos mensais nos
canais digitais e em 40% a base de assinantes das newsletters. A meta é alcançar receita
consolidada entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões no primeiro ciclo de operação.
A YouDare, agência do Grupo Dreamers lançada em fevereiro, terá Carlos Schleder e
Marcelo Bruzzesi como vice-presidentes de criação. Eles atuarão ao lado da diretora-
-executiva de criação Carol Patrocinio. “A YouDare nasce para provocar o mercado
com um modelo mais integrado, ágil e culturalmente relevante. A consolidação
dessa liderança criativa mostra que já começamos em alto nível”, comenta Stephanie
Campbell, co-managing director e CSO da YouDare, que possui 120 colaboradores e
atende iFood, MRV, Pizza Hut e Decolar. Schleder soma 29 Leões em Cannes e Bruzzesi,
53 - entre outros prêmios. Carol também possui trabalhos reconhecidos no Cannes
Lions, D&AD, El Ojo, Clio e CCSP.
99 eScolhe fbiz para 99paY
publiciS groupe braSil amplia time De pr
corinthianS proteSta contra raciSmo
Alberto Rocha/Divulgação
Divulgação
Divulgação
Executivos da Fbiz e 99Pay: sinergia para social e search
A 99 escolheu a Fbiz para desenvolver trabalho nas áreas
de social e search da conta digital 99Pay. “Encontramos na
Fbiz uma combinação de excelência técnica em SEO e entendimento
profundo do comportamento online”, explica
Marina Beer, diretora de marketing da 99Pay, que disponibiliza
conta digital remunerada, soluções de pagamentos,
criptomoedas, empréstimos e financiamentos. A expectativa
é alavancar a expansão da marca, consolidando-a como
referência em soluções financeiras digitais, cenário cada
vez mais influenciado pela inteligência artificial. “É um orgulho
trabalhar com a 99Pay e desenvolver conteúdo para
uma marca tão inovadora e conectada ao comportamento
digital das pessoas”, declara Fernanda Tedde, CEO da Fbiz.
Equipe de comunicação do grupo possui 11 profissionais
Liderada pela chief comms officer Paula Ganem, a
área de comunicação do Publicis Groupe Brasil passa
a ter 11 profissionais. As gerentes Gabriela Albach e
Cíntia Araium complementam o time de líderes de PR,
que tem ainda Bruna de Carvalho Ribeiro e João Paulo
Freire - promovido a gerente. Eles se reportam a Maria
Fernanda Malozzi, promovida à diretora de comunicação
do grupo. Carolina Cesario e Marcela Galvão
atuarão como analista e assistente de comunicação,
respectivamente, ao lado das também analistas Marjorie
Martins e Beatriz Barreto e da assistente de arte
Milena Alves. O objetivo é alinhar as narrativas dos
negócios que compõem o grupo, incluindo DPZ, Leo,
LePub, Publicis Brasil, Talent, Arc, BR Media, Publicis
Production, Publicis Edge e PMX.
O goleiro Hugo Souza, vítima de racismo, participou da ação
Ação da AlmapBBDO, Corinthians e Alob Sports divulgada em
jogo do Brasileirão contra o Cruzeiro no Mineirão, em Belo
Horizonte (MG) no dia 25 de fevereiro, alertou que “Racismo é
crime. Denuncie”. No protesto, os atletas cobriram a boca com
a gola da camisa, gesto que flagra “o silêncio historicamente
imposto às vítimas”, aponta Rafael Castilho, diretor cultural e
de responsabilidade social do clube. Iron Brito, diretor de criação
da AlmapBBDO, convida as pessoas a “gritar isso juntos
até que essa realidade mude”, enquanto Bernardo Pontes, CEO
da Alob Sports, lembra o potencial de alcance do marketing
esportivo “para apoiar um posicionamento claro”. Denúncias
podem ser feitas por meio do Disque 100, número 190 da
Polícia Militar, Polícia Civil e Ministério Público do Brasil.
6 2 de março de 2026 - jornal propmark
31 3
nós que essas coisas sejam bem balanceadas
e nós fomos muito intencionais
ao trazer essas agências juntas
e escolher os líderes para conduzir
o caminho, porque eles tinham dentro
deles esse espírito de disrupção, que
é inerente à TBWA”, pontuou Erin.
Ela ressaltou que a ideia é trabalhar
em uma espécie de coletivo, como
rede mesmo, uma vez que a Lola tem
escritórios em Madri (origem), Los Angeles,
Nova York e agora São Paulo. “A
Lola tem essa cultura de disrupção. E
nós conseguimos misturar essa cultura
linda da Lola, inspirada pela agência
em Madri, que se conecta a Los Angeles,
Nova York e agora no Brasil, comagências
CEO da TBWA fala que escolha do nome
Lola mira começar algo diferente no país
Erin Riley esteve no Brasil para o lançamento da Lola\TBWA, fusão da
DM9 e Lew’Lara, e disse que ideia é replicar cultura da agência de Madri
Kelly Dores
Erin Riley, Carol Boccia e Leo Macias durante evento de lançamento ‘oficial’ da Lola\TBWA no Brasil
Resultado da fusão entre DM9
e Lew’Lara\TBWA, a nova Lola\
TBWA manteve 275 colaboradores
das duas operações até o momento.
“Esse é o nosso número mágico”,
disse Carol Boccia, que foi escolhida
pelo Omnicom para comandar o escritório
local da rede, durante evento de
lançamento da agência no mercado
brasileiro, que reuniu funcionários e
convidados, no último dia 25, no Masp,
em São Paulo.
A festa também contou com a presença
da CEO global da rede de agências
TBWA, Erin Riley, que explicou o
processo de transição (que enfrentou
várias polêmicas) e a escolha da marca
‘gringa’ para o mercado nacional,
descontinuando as brasileiras DM9 e
Lew’Lara. Segundo ela, o nome foi um
grande tema na aquisição, não só no
Brasil, mas em todo o mundo. Erin disse
que Lola, cuja origem é espanhola,
carrega o DNA de disrupção da TBWA,
que quer começar fresh, algo novo
no país. “Temos marcas maravilhosas
com legado e história, e temos muito
respeito por esses legados, mas ainda
há uma obrigação de tomar decisões
estratégicas para o futuro. Sentimos
que estávamos fazendo uma escolha
estratégica para começar algo novo.”
Vale lembrar que a DM9 enfrentou
uma grave crise no ano passado,
com o escândalo dos Leões cassados
em Cannes, por manipular imagens e
conteúdo com uso de inteligência artificial
em case para Consul. Pipo Calazans
e Marcia Esteves, CEOs da DM9 e
Lew’Lara\TBWA, respectivamente, não
ficaram na Lola, bem como executivos
do board da Lew’Lara, que pediram
demissão após o anúncio da fusão, e
outros líderes da DM9, que abriram a
YouDare, levando clientes da agência,
junto com o Grupo Dreamers.
Carol destacou que a fusão não
foi só estrutural, foi uma fusão de
ambições, e que o grupo tem planos
relevantes para o mercado brasileiro.
“Quando fui escolhida para aceitar
esse desafio, foi muito importante
entender que o grupo tem planos de
fato relevantes para o Brasil. E a gente
repactuou esses planos com todos
os clientes. Nós temos uma carteira
importante de clientes na casa. E a
gente começa uma agência com um
pensamento novo e muita gente boa”,
ressaltou a CEO da Lola\TBWA.
A CEO global da TBWA ressaltou que
o Brasil é um mercado muito importante
para a rede e que o objetivo é
balancear criatividade com o melhor
da tecnologia. “É um mercado que
realmente define nossa reputação
criativa globalmente. E sabemos que,
para sermos bem-sucedidos em qualquer
mercado, particularmente no
Brasil, e com nossos clientes, precisamos
trazer juntos magia e método.
Precisamos ter excelência criativa,
ambição, criatividade e originalidade
humana, mas combinado com o melhor
da tecnologia. E começamos a
Lola com espírito criativo e uma visão
moderna. É muito importante para
“Nós começamos
a Lola com
espírito criativo
e uma visão
moderna”
Alê Oliveira
binando isso com foco local, liderança
local, mas com perspectiva global
para os clientes. Os talentos do Brasil
podem trabalhar com marcas de todo
o mundo, e vice-versa. Estamos muito
animados e isso é apenas o começo do
que eu acho que vai ser uma corrida
tremenda para esta agência, nossos
parceiros e clientes neste mercado.”
Para comandar a criação da nova
Lola\TBWA, a rede escolheu um criativo
de origem latina, Leo Macias, colombiano
que já morou no Brasil por
20 anos, atuou inclusive na DM9 e estava
em Los Angeles. “Estou muito feliz
de estar de volta. Quando você sai
para o mundo, encontra coisas novas,
novas marcas, novo jeito, novo tudo.
E voltar a convite da Carol, da Erin, foi
muito importante. Eu acho que teve
uma sinergia de ambição. Sempre
tive o mindset de ser uma pessoa que
tem de inovar a todo momento. Então,
estou feliz de poder transferir essa
ambição para fazer o melhor trabalho
possível e fazer com que a Lola comece
de uma maneira incrível”, disse Leo.
8 2 de março de 2026 - jornal propmark
agências
Eduardo Tracanella assume posição
de transformation partner na Dojo
Ex-CMO do Itaú,
profissional chega
com a missão de
transformar o negócio
Divulgação
Eduardo Tracanella, ex-CMO do Itaú Unibanco,
assume na Dojo a posição de transformation
partner, unindo-se aos sócios Rodrigo Toledo e
Thiago Baron. Segundo a agência, o cargo foi criado
especificamente para o profissional e para esta nova
fase da empresa.
“Com sua chegada, Tracanella aporta à Dojo
sua experiência como executivo de grandes organizações,
visão de negócio, leitura de cenários
complexos e capacidade de conectar comunicação
a resultados reais. A Dojo, por sua vez, se torna a
plataforma onde essa visão ganha forma prática:
uma agência pronta para debater os desafios e as
dores mais profundas das áreas de marketing dos
mais diversos segmentos”, destaca Rodrigo Toledo,
responsável pela operação da agência.
Tracanella afirma que será uma espécie de tradutor
entre os clientes e a Dojo. “Uma das minhas
maiores inquietações como CMO sempre foi encontrar
parceiros capazes de entender com real profundidade
as minhas dores e os desafios mais relevantes
do negócio e da marca. Ainda hoje, acho que esse
é o maior gap do mercado: visão essencialmente
de curto prazo. Meu papel aqui é ser uma espécie
de tradutor de lá para cá e daqui para lá — alguém
que já sentou nessa cadeira, que entende as dores
de verdade e que pode, com empatia e profundidade
técnica, ajudar a Dojo a se transformar e, sobretudo,
as marcas a serem ainda mais fortes”, frisa ele.
Desde julho de 2025, após o episódio de sua saída
turbulenta do marketing do Itaú, onde ficou 27 anos,
Tracanella atua de forma independente por meio da
al.in (alma + inteligência), consultoria estratégica
voltada a líderes e marcas em busca de transformação.
Dojo e al-in se mantêm como duas operações
autônomas, que se potencializam de acordo com as
necessidades das marcas: a al.in traz visão estratégica,
a Dojo entrega capacidade criativa e execução.
“Nossa expectativa é acelerar esse processo de
transformação, mantendo os diferenciais que trouxeram
a Dojo até aqui – unindo o melhor da criatividade
e da estratégia –, ao mesmo tempo em que
ampliamos a capacidade de diálogo com C-level,
elevamos o nível das entregas e fortalecemos a
conexão entre cultura, comunicação e crescimento
do negócio. A chegada de Tracanella posiciona a Dojo
ainda mais como uma agência preparada para decisões
complexas e relevantes”, diz Thiago Baron.
Eduardo Tracanella, Rodrigo Toledo e Thiago Baron: ideia é complementar a operação com visão profunda de negócio
jornal propmark - 2 de março de 2026 9
agências
Milà aposta em modelo independente no
mercado e fortalece processos internos
Agência liderada por Léo Balbi e Sleyman Khodor completa um ano de
operação investindo em talentos e priorizando consolidação estrutural
Adrieny Magalhães
Léo Balbi, CEO da Milà, e Sleyman Khodor, CCO, lideram a agência com foco em modelo baseado em fee e consolidação estrutural
“Quase tudo saiu
diferente do que
planejamos”
Divulgação
Em um ambiente de revisão de
modelos e busca por eficiência,
a Milà encerra seu primeiro ciclo
com foco em consolidação e organização
interna. A agência, liderada por
Léo Balbi, CEO, e Sleyman Khodor, CCO,
entrou no mercado com uma proposta
definida e passou o período inicial
testando sua capacidade de tração.
“Foi um ano de descobertas e
construção. Primeiro, fomos descobrir
na prática se a proposta de valor
que estava na nossa cabeça ressoaria
de forma positiva no mercado
e nas pessoas. Geraríamos atratividade?
Conseguiríamos tração para
fazer crescer uma nova agência em
um mercado tão saturado? Teríamos
diferenciais verdadeiros? E nosso
primeiro ano, para nossa felicidade,
respondeu sim a essas perguntas”,
afirma Balbi.
Segundo o CEO, a validação exigiu
também construção de identidade e
reputação. “Sabíamos que a Milà seria
tão forte quanto a clareza de quem
trabalha conosco e de quem decide
nos ter como agência do porquê de
estarem com a gente”, diz.
Entre os marcos do período, Balbi
destaca a formação do time. “A Milà
se constrói através dessas pessoas.
Ter conseguido tanta gente especial
em tão pouco tempo foi chave para
um primeiro ano de sucesso”, afirma.
Ele também cita a entrada de clientes
fundadores como Smart Fit, Verisure,
TotalPass e Aché Laboratórios. “Quando
digo clientes, não digo empresas,
digo pessoas. Executivos que têm
seus objetivos, seus desafios, suas
cobranças e que, mesmo entendendo
que esse não seria um movimento trivial,
decidiram apostar na Milà”, completa
o executivo.
O início da operação trouxe ajustes.
“Quase tudo saiu diferente do
que planejamos, a não ser a nossa
certeza de que, independentemente
do que havia mudado, nós não poderíamos
mudar”, diz Balbi. Um dos
desafios foi equilibrar a relação com
a Galeria Holding. “Temos sinergias
importantes como grupo, que nos
tornam mais potentes, mas somos
entidades diferentes e, em última
instância, concorrentes”, afirma.
No modelo de negócio, a agência
mantém a aposta em fee. Balbi explica
que o modelo de negócio da agência é
intencionalmente baseado em fee. E,
sempre que possível, tentam fugir de
comissionamentos e entender o valor
do que podem entregar para os clientes.
Para ele, “o valor do que fazemos
não está atrelado a hora-pessoa ou a
mídia, mas ao impacto que podemos
gerar em marcas e negócios”.
Para 2026, a prioridade é estrutural.
“A prioridade para 2026 é nossos
clientes e colaboradores atuais. Crescemos
muito rápido em 2025 e isso
exige estrutura, organização e processos
que acompanhem esse movimento”,
afirma o CEO.
Do ponto de vista da criação, Sleyman
Khodor resume a construção da
identidade da agência. “Para fazer
qualquer coisa bem feita, primeiro
você precisa de amor, depois de técnica”.
Segundo o CCO, “a área de criação é,
como diz a própria definição, uma área.
Mas a criatividade é o nosso negócio”.
Sobre tecnologia e IA, ele afirma: “São
alavancadoras de ideias e otimizadoras
de processos, e a gente já as considera
como itens básicos no nosso trabalho”.
A estrutura do time foi pensada
para que o pensamento criativo não
fique restrito a um departamento
específico. A proposta, de acordo
com Khodor, é que a criatividade
atravesse toda a operação e se consolide
como cultura interna — sintetizada
pela agência como ‘A cultura
da Milàmolência’.
10 2 de março de 2026 - jornal propmark
Criação
Estratégia
Redação
O maior festival universitário de propaganda do país está de volta.
Em 2026, o conhecimento rompe fronteiras com ainda mais edições
em todo o Brasil. Palestras, networking e uma experiência única para
estudantes e profissionais de comunicação.
Não fique de fora dessa evolução.
Acompanhe nossas redes sociais e confira a agenda na sua região.
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Apoio:
entrevista
LEONARDO PEREIRA
diretor-executivo da Action OOH
‘Fomos pioneiros no uso de dados’
Alê Oliveira
Fundada em 2013 por Leonardo Pereira e Augusto Bighetti, a Action OOH
nasceu especializada em mídia indoor e, ao longo de pouco mais de uma
década, ampliou sua atuação para todas as principais verticais do out of
home no Brasil. Em um período marcado por crise econômica, pandemia e
transformação estrutural do modelo de negócios das agências, a empresa não
apenas se manteve ativa como cresceu ano a ano, apoiada em um modelo
societário que transforma lideranças em sócios e em uma aposta precoce no
uso de dados para planejamento de mídia. Hoje, com campanhas veiculadas
em 316 municípios e presença em todos os estados, se posiciona como parceira
estratégica para marcas que buscam OOH com mensuração, tecnologia e
integração criativa. Na entrevista a seguir, Pereira analisa a trajetória da empresa
e declara como próxima ambição entrar para o mercado da América Latina.
12 2 de março de 2026 - jornal propmark
Vitor Kadooka
Como você enxerga a evolução da empresa neste período de
mais de uma década?
Os últimos anos têm sido desafiadores para qualquer agência, full service ou
especialista. O modelo de negócio mudou, as capacidades exigidas pelos clientes
ficaram mais sofisticadas e ainda atravessamos uma combinação de crise
econômica no Brasil com uma pandemia no meio do caminho. Dentro desse cenário,
estamos vivos e crescendo ano a ano. Isso já é uma conquista importante.
Mais do que sobreviver, soubemos nos adaptar e fazer boas escolhas. Nascemos
com uma atuação ultraespecializada em mídia indoor e, ao longo do tempo, ampliamos
nossa visão para atuar em todas as principais verticais do out of home,
acompanhando a digitalização e a complexidade do canal.
Ao longo desse crescimento, quais decisões estruturais foram
determinantes para sustentar a expansão da Action?
Desde cedo entendemos que, em uma agência, as pessoas são o motor do negócio.
Por isso, criamos um modelo que transforma pessoas-chave em sócios,
alinhando interesse de longo prazo, cultura e performance. Essa decisão foi
fundamental para o nosso crescimento e a qualidade do serviço. Outra característica
forte da nossa trajetória é o fato de sermos first movers. Fomos pioneiros
na utilização de diversas camadas de dados no planejamento de mídia
OOH e no desenvolvimento de uma plataforma proprietária para consolidar a
construção e a visualização de campanhas em diferentes praças e formatos.
Na sequência, percebemos que não bastava planejar bem: era preciso também
resolver a dor criativa dos clientes em OOH. Por isso, agregamos serviços criativos
ao nosso escopo.
Como você avalia a jornada da Action?
Olhando para trás, a evolução da Action nesses mais de dez anos é a história de
uma agência que soube ler o mercado, ajustar o modelo, trazer as pessoas certas
para a sociedade e se posicionar cada vez mais como um parceiro para as marcas
que querem trabalhar o OOH de forma estratégica.
Quais são hoje os principais perfis de clientes da Action e como
a carteira foi se transformando com a maturidade do mercado?
Os principais clientes são dos segmentos fitness, tech e bens de consumo. O meio
out of home sempre é palco de disputa por indústrias em crescimento. Já tivemos
a fase das cervejas, telefonia, educação, streaming e hoje as empresas de
delivery apostando forte no meio, que se sofisticou muito e hoje oferece possibilidades
para todo tipo de objetivo de campanha. Então o que vejo de mudança
é a quantidade de empresas que utilizam o out of home nas suas estratégias
de marketing. Realizando ações focadas em conversão, branding ou experiência.
Antes eram empresas de determinados setores.
A Action nasceu em São Paulo, mas o mercado de OOH no Brasil
é extremamente diverso. Como está a capilaridade geográfica
da agência? Há planos de expansão para outras regiões?
No ano passado veiculamos mídia em 316 municípios nos 26 estados e no Distrito
Federal. O nosso time, inclusive eu, frequentemente viaja para realizar visitas
técnicas por todo o Brasil. Isso faz parte da nossa forma de atuação e de como
construímos conhecimento sobre os mercados regionais. Os clientes, as novas
tecnologias, eventos do mercado estão principalmente em São Paulo, então nossa
estrutura física tem de estar aqui. Claro que se tivermos algum cliente que tenha
uma atuação prioritária em alguma região, estruturamos uma equipe local.
O DOOH ganhou relevância com a digitalização dos ativos
urbanos. Como a Action estruturou seus investimentos em
tecnologia, dados e mensuração para acompanhar essa transformação?
Existe essa percepção de que é a digitalização do inventário de mídia, ou seja, o
DOOH, que possibilita uso de tecnologia, dados e mensuração. Quando falamos de
dado e mensuração no planejamento de mídia, o olhar é para o ponto de mídia,
independentemente se é uma face digital ou estática. A métrica é calculada com
a utilização de dados provenientes de outras bases, como celulares, sensores
etc. Não é a tela digital que produz o dado. A estruturação para acompanhar a digitalização
do meio é mais criativa do que tecnológica. O DOOH proporciona utilização
de vídeo além da imagem, veiculação por faixa horária, rodízio de criativos,
interação. A parte tecnológica que vem com o DOOH é a compra programática,
na qual o entendimento do uso de plataforma para compra de mídia demanda
conhecimento de tecnologia.
Quando se fala de mensuração no OOH, ainda existe um debate
sobre padronização e metodologia. Qual é a sua visão sobre
esse tema e como vocês têm trabalhado para entregar métricas
mais robustas aos clientes?
É preciso entender que o meio é complexo para ter uma resolução no curto prazo.
O out of home possui diversos ambientes com características específicas que
dificultam a padronização. O consenso é que haja transparência de quem está
fornecendo as métricas para que ocorra maior credibilidade. Ou seja, quem provê
o dado, realiza um disclosure sobre como chegou naquele número de alcance e
frequência. Hoje, nós trabalhamos com os dados mobile, dados censitários, os
fornecidos pelos veículos e desenvolvemos uma metodologia para agregá-los.
Nos últimos anos, a discussão sobre a modernização da Lei
Cidade Limpa voltou a ganhar espaço. Como você avalia o impacto
da lei sobre o mercado e o que uma eventual atualização
poderia representar para o out of home em São Paulo?
A lei teve um papel em determinado momento, mas hoje eu acredito que ela
limita o meio entregar muito mais para a cidade de São Paulo. A revisão da
lei poderia destravar investimento para melhoria de diversas áreas da cidade,
seja na revitalização de um monumento público ou viabilizando a prestação
de um novo serviço para a população. A veiculação de publicidade com contrapartida
para o cidadão é uma relação de ‘ganha-ganha-ganha’, sociedade,
iniciativa privada e governo.
Qual é a principal ambição da Action OOH para os próximos
anos?
A principal ambição da Action para os próximos anos é ser a principal agência especializada
em OOH da América Latina. Estamos nos consolidando no Brasil, mas a grande
ambição é ter uma atuação internacional no mercado latino.
“Mais do que sobreviver, soubemos
nos adaptar e fazer boas escolhas”
jornal propmark - 2 de março de 2026 13
por dentro das agências
Criação amplia responsabilidades
e reforça o papel estratégico da área
Série especial do propmark estreia ouvindo lideranças das empresas
sobre a integração, estrutura e impacto da IA no processo criativo
Unsplash
Profissionais da criação mantêm brainstorming constante para assegurar ideias viáveis em ambientes cada vez mais fragmentados e influenciados pela inteligência artificial
Bruna Nunes
A
criatividade brasileira é reconhecida
internacionalmente e
ocupa posição de destaque no
cenário global. Em 2025, o Brasil foi
homenageado no Cannes Lions como
o País Criativo do Ano, sendo a primeira
nação a receber tal título, que
simbolicamente mostra a força da
criação nacional. Nesse contexto, para
inaugurar a série ‘Por dentro das
agências’, o propmark fez algumas
indagações para o mercado sobre
como a área de criação está organizada
hoje e perguntas como: De onde
vêm as inspirações em um ambiente
fragmentado e pressionado por destaque?
Qual o impacto da inteligência
artificial no processo criativo?
Para responder às questões, a reportagem
ouviu lideranças criativas
de agências como Laura Esteves, CCO
da LePub; Vinicius Stanzione, CCO da
Leo; Eduardo Marques, CCO da VML
Brasil; Pedro Araujo, CCO da DPZ; Alexandre
Ravagnani, CCO da Cheil Brasil;
Gustavo Victorino, CCO da Talent; Bruno
Brux, CCO e sócio da GUT São Paulo;
Marcelo Rosa, diretor de criação da
Isla; André Kassu, co-CEO da Crispin;
Alessandra Sadock, ECD da WMcCann;
Rafael Ziggy, CCO da Droga5; e Angerson
Vieira, co-CCO da Africa Creative.
Apesar de operarem cada uma à
sua maneira, entre os executivos há
um ponto em comum sobre a criação,
a tentativa de reduzir barreiras e
tornar a criação mais conectada à estratégia,
dados, mídia, conteúdo, tecnologia
e produção desde o início do
processo. Para fazer a ‘engrenagem’
girar, as lideranças precisam operar
de maneira conectada com todas essas
frentes.
Na Leo, Vinicius Stanzione descreve
uma criação inserida em unidades de
negócios, com diferentes disciplinas
trabalhando imersas nos desafios dos
clientes. “Hoje, a criação na Leo opera
de forma verdadeiramente integrada
dentro de unidades de negócios (BUs),
em que profissionais de diferentes
disciplinas trabalham imersos nos desafios
dos clientes”, afirma. A consequência,
segundo ele, é reposicionar
a integração como responsabilidade
conjunta e, assim, estratégia, dados,
mídia, conteúdo, produção e criação
atuam de forma próxima desde o início.
Eduardo Marques também aponta
uma transição do modelo clássico
de departamentos para squads integrados
na VML Brasil. “A gente saiu
daquele modelo clássico de ‘departamentos
disso e daquilo’ e passou a
operar em squads integrados, onde
criação, estratégia, social, conteúdo,
tech, commerce, experiência e mídia
já nascem conversando desde o primeiro
dia”, detalha ele, que sintetiza:
“Meu papel não é aprovar layout, é
garantir clareza de problema, ambição
criativa e coerência cultural. A
liderança está menos no topo e mais
no fluxo, ajudando a destravar, simpli-
14 2 de março de 2026 - jornal propmark
ficar decisões e acelerar boas ideias”.
Já na DPZ, Pedro Araujo resume a
reorganização pelo critério do desafio.
“Hoje, a criação é mais integrada
à estratégia, negócios, mídia e tecnologia.
Os times são formados a partir
dos desafios, não da hierarquia”.
Assim como Marques, ele destaca a
virada de chave no papel da liderança.
“O papel não é aprovar peças, mas
definir a ambição criativa, garantir
consistência estratégica e remover
barreiras ao longo do processo”, diz.
No caso da Cheil Brasil, Alexandre
Ravagnani reforça a lógica de squads
multidisciplinares estruturados “em
torno de desafios de negócio – e não
apenas de entregáveis”. “A criação da
Cheil está organizada em squads multidisciplinares
estruturados em torno
de desafios de negócio. Reunimos diferentes
expertises, de campanhas a
social, CRM, plataformas e performance,
em times integrados”, afirma.
Gustavo Victorino afirma que na Talent
a criação, mais que um departamento,
se tornou “o sistema nervoso
da agência”, e a operação é organizada
em squads multidisciplinares desde
o início dos projetos. Assim como
seus colegas, ele reforça: “Integração
não é discurso, é prática diária.”
A Crispin, de acordo com André
Kassu, conecta estrutura, cultura e
reposicionamento do papel do criativo.
Ele afirma que o modelo “reduz
retrabalho e, principalmente, elimina
a ideia vazia, aquela que não nasce
conectada a um desafio concreto”.
Em outro ponto, o co-CEO da agência
explicita o novo perfil esperado: “Não
existe mais espaço para um criativo
que não participa das conversas com
o cliente ou que entende que negócio
é responsabilidade do atendimento”.
Alexandre Ravagnani: “Em torno de desafios de negócio”
Alessandra Sadock: “Internamente, a integração é estrutural”
Na LePub, Laura Esteves mantém a
eficiência das duplas, mas destaca a
montagem por projeto como prática
recorrente. “As estruturas de duplas
continuam sendo muito eficientes na
criação. O que fazemos com frequência
é aliar talentos de acordo com habilidades,
perfil e experiência conforme
os projetos”, diz ela, que, ao falar
sobre ambiente de trabalho, chama a
atenção para uma mudança cultural
no tradicionalmente competitivo ambiente
competitivo. “Os criativos da
nossa geração foram incentivados a
competir entre si. Hoje vemos como é
muito mais saudável para o ambiente
e para o resultado final trabalharmos
de forma colaborativa.”
Na Droga5 (que incorporou a Soko),
a estrutura criativa foi pensada desde
o início para operar de forma híbrida.
Rafael Ziggy explica que a agência
manteve essa lógica ao longo da
evolução do negócio. “Por isso, além
“Não existe mais
espaço para um
criativo que não
participa das
conversas”
de duplas de criação, temos no time
criadores de conteúdo, especialistas
de influência e comunidades. Tudo em
um só time, sem separar em diferentes
áreas”, comenta.
Com hubs em Buenos Aires,
México e Brasil, na Isla, além da integração
geográfica, Marcelo Rosa
ressalta a superação de divisões
tradicionais entre áreas. “Na Isla não
existe uma divisão entre profissionais
de criação, conteúdo ou social media.
Aquele clichê da separação on e
Pedro Araujo: “Multiplica peças sem multiplicar impacto”
Fotos: Divulgação
Laura Esteves: “As estruturas de duplas continuam eficientes”
off que ainda acontece no mercado.
Aliás, essa expressão online e offline
é tão ultrapassada quanto organizar
a equipe criativa dessa forma”,
afirma.
Na GUT São Paulo, Bruno Brux reforça
a integração como princípio
cultural da agência e metodologia
exclusiva: a The Bravery Scale. “Na
GUT, a integração não é um departamento,
é o nosso modus operandi.
Estruturamos a criação de forma
horizontal e colaborativa, quebrando
os silos tradicionais”, explica. Nesse
modelo, segundo ele, as lideranças
assumem papel menos hierárquico e
mais provocador.
Já na WMcCann, Alessandra Sadock
também trata a integração
como método consolidado. “Hoje,
vejo a integração não como discurso,
mas como método. Internamente,
a integração é estrutural”, afirma.
Ela destaca que criação, negócios e
estratégia atuam próximas desde o
início e que a interlocução com mídia
e conteúdo se tornou ainda mais
decisiva. “Na prática, a liderança tem
o papel de promover, incentivar e cobrar
essas conexões, garantindo que
as áreas conversem, que as decisões
sejam compartilhadas e que a ideia
já nasça integrada, estratégica, criativa
e executável”, define.
Na Africa Creative, a liderança
funciona em rede, sob a condução de
Sergio Gordilho e compartilhada entre
Angerson Vieira, Nicholas Bergantin
e Rog & Pretto. “Na Africa Creative, a
gente não enxerga criação como um
departamento isolado, e sim como
nosso sistema operacional. O sobrenome
que a agência adotou em 2023
foi um manifesto: ‘a criatividade é o
nosso DNA’”, ressalta Vieira.
jornal propmark - 2 de março de 2026 15
InspIração x Ia
Com estruturas mais conectadas,
o caminho da ideia também é impactado.
A inspiração acaba surgindo de
uma combinação entre proximidade
com o cliente, leitura cultural, interpretação
de sinais de dados e definição
clara do problema. Nesse processo,
a inevitável inteligência artificial
aparece como ferramenta de aceleração,
prototipagem e tangibilização,
com limites estabelecidos para que
autoria, julgamento e critério permaneçam
preservados.
Para alguns executivos, tudo começa
pela relação. Marcelo Rosa
descreve um processo orientado por
diálogo constante, que encurta o caminho
entre briefing e solução. “Aqui
não tem muito segredo: tudo começa
com uma relação verdadeira e próxima.
Nossos clientes estão a um zap de
distância. Isso gera bons diálogos (às
vezes, bons áudios), que viram briefings
interessantes e projetos mais interessantes
ainda”, conta ele.
Já Vinicius Stanzione chama a
atenção para o impacto da velocidade
como premissa do mercado atual.
“Velocidade hoje é premissa, não diferencial”.
Para ele, o ponto de partida
continua sendo um “insight humano
claro”, sustentado por “escuta de verdade”.
Em sua percepção, a ideia já
nasce preparada para múltiplos formatos,
com acompanhamento constante
de performance.
Eduardo Marques observa uma
mudança de lógica no desenvolvimento
das campanhas. Se antes a
ordem era pensar primeiro em uma
grande ideia e adaptá-la depois, o
movimento passa a ser estrutural
desde o início. “A gente mudou a
lógica de ‘ter uma grande ideia e
Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Angerson Vieira: “A maior performance é a relevância”
depois adaptar’ para pensar ideias
já nativas de sistema”, reflete. Pedro
Araujo reforça a importância de
partir do problema de negócio e de
uma tensão cultural clara, buscando
um raciocínio que seja capaz de
se desdobrar em diferentes execuções.
“Costumo pedir ao time que
comece pelo problema de negócio
e pela identificação de uma tensão
cultural ligada a ele”, declara ele,
que ainda alerta: “Os formatos se
adaptam à ideia, não o contrário”.
Quando o tema é inteligência artificial,
há consenso de que a tecnologia
ter se tornou um acelerador, não a
origem criativa. Laura Esteves aponta
a IA como ferramenta de materialização.
“A IA tem sido uma forma ágil
de materializar e tangibilizar uma
ideia”, define ela, que alega que o uso
é mais intenso na apresentação e organização
das propostas do que na
concepção inicial, e que o uso é feito
“Os formatos se
adaptam à ideia,
não o contrário”
“de acordo com as normas de boas
práticas do grupo”.
Stanzione define a IA como “camada
de potência do processo criativo,
não como origem da ideia”, sintetizando
o limite em uma frase: “Insight
relevante nasce da compreensão de
pessoas, não de um prompt”. Marques
segue a mesma linha ao afirmar que
“a IA entrou como acelerador, nunca
como substituto de pensamento”.
Para ele, “IA não define problema, não
define ideia e não define cultura. Ela
entra depois que a pergunta certa já
foi feita”.
Vinicius Stanzione: “Trabalham imersos nos desafios”
Fotos: Duvulgação
Como pontua Araujo, os ganhos
operacionais e éticos também devem
ser reconhecidos, mas, ainda assim,
é importante delimitar: “A IA é um
motor de aceleração fantástico, que
elimina o trabalho protocolar e potencializa
o trabalho criativo. A decisão
conceitual, o julgamento criativo e a
responsabilidade estratégica devem
continuar sendo humanos”.
Alexandre Ravagnani acrescenta
que a IA já está incorporada ao fluxo
criativo, desde a ideação até a otimização
das entregas, mas mantém
o centro do processo no pensamento
humano. Ele define a ferramenta
como um copiloto. Gustavo Victorino
ressalta o uso responsável das ferramentas,
especialmente em relação
a dados e propriedade intelectual, e
observa um efeito paradoxal. “Quanto
mais a execução se automatiza, mais
relevante se torna o julgamento humano”,
ressalta o executivo.
André Kassu: “Reduz trabalho e elimina a ideia vazia” Rafael Ziggy: “Sem separar em diferentes áreas” Marcelo Rosa: “Relação verdadeira e próxima”
16 2 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Gustavo Victorino: “O sistema nervoso da agência” Eduardo Marques: “Não confundir ideia criativa” Bruno Brunx: “Integração não é um departamento”
Para o co-CCO da Africa, a inteligência
artificial “limpa o caminho
para que o criativo tenha mais tempo
para criar”. “O limite é a autenticidade.
Não queremos ideias sintetizadas
em laboratório, queremos
ideias que pulsam no cotidiano das
pessoas. A tecnologia é o motor, mas
quem segura o volante e decide para
onde a emoção vai é o ser humano”,
provoca o executivo.
Mudanças e desafios
Hoje, o criativo precisa dar conta
da fragmentação de canais, ciclos
mais curtos de entrega, além da atenção
à mensuração em tempo real e incorporação
acelerada de tecnologia. A
pressão para sustentar a relevância
cultural exige clareza estratégica em
meio a um volume de entregas contínuas.
“No fim do dia, o desafio não é
produzir mais peças. É garantir que
exista uma ideia forte o suficiente
para sustentar essa multiplicidade de
formatos com consistência e relevância”,
resume Stanzione. Pedro Araujo
concorda. “Se não houver uma ideia
central muito clara, você só multiplica
peças sem multiplicar impacto.”
Toda essa pressão por performance
eleva o papel estratégico da
criação, mas a execução rápida e a
necessidade de ‘resolver problemas’
podem impactar o processo criativo.
“O maior desafio é não confundir
ideia criativa com ideia que resolve
um problema de negócio de forma
criativa”, comenta Eduardo Marques.
Ao mesmo tempo, a cobrança
por resultado imediato pode reduzir
a ambição se não houver critério. O
equilíbrio entre curto e longo prazo
se torna necessário em um cenário
em que métricas em tempo real são
indispensáveis, mas decisões excessivamente
táticas podem comprometer
a construção de uma marca.
“Performance
sem criatividade
é apenas ruído,
é apenas spam”
Como sintetiza André Kassu, “precisamos
construir ideias que movem
o ponteiro de vendas no curto prazo,
mas que também construam valor e
desejo de marca no longo prazo”.
O resultado? Campanhas tornam-
-se “sistemas vivos”, ajustáveis e monitorados
continuamente, o que exige
da criação um funcionamento mais
adaptativo.
“A principal mudança estrutural
foi a transformação da criação de
uma área “finalizadora” para uma
área protagonista na definição do
negócio. Hoje, participamos desde
A nova série do propmark, que estreia nesta semana, vai explorar os departamentos das agências de publicidade
Unsplash
a origem do problema, ajudando a
formular a estratégia e não apenas
a executar a comunicação”, reflete
Alessandra, que ainda ressalta o
impacto dessa transformação no
papel das lideranças criativas. “Isso
elevou o nível de responsabilidade
da criação e também seu impacto.
A criatividade deixou de ser apenas
diferencial competitivo para
se tornar motor de crescimento. E
essa mudança redefine o papel da
liderança criativa: menos foco em
aprovar peças e mais foco em construir
visão, cultura e integração”, diz
a ECD da WMcCann.
Ao mesmo tempo, a expansão tecnológica
impõe um novo tipo de maturidade.
Se ferramentas automatizam
etapas operacionais, o valor desloca-
-se para repertório, julgamento e
capacidade de escolha. Para os executivos
entrevistados, a tecnologia
não é um enfraquecimento da criatividade,
mas uma ampliação de responsabilidade.
Como observa Gustavo
Victorino, “quanto mais a execução se
automatiza, mais relevante se torna o
julgamento humano”.
Angerson Vieira destaca que o
mercado ainda trata criatividade e
performance como campos opostos,
quando, na prática, ambos são pilares
da relevância. “Existe uma miopia no
mercado que tenta separar criatividade
de performance, quando, na verdade,
a maior performance é a relevância.
Se ninguém presta atenção, o
investimento é zero. Queremos provar
diariamente que uma ideia corajosa
e disruptiva traz mais resultado de
negócio do que uma fórmula segura e
repetitiva. Performance sem criatividade
é apenas ruído, é apenas spam”,
provoca o criativo da Africa.
jornal propmark - 2 de março de 2026 17
mídia
Com homenagem à TV, Troféu Imprensa
será transmitido por SBT e Disney+
Patricia Abravanel e Celso Portiolli comandam a apresentarão da
56ª edição do prêmio, que incorporou ‘O Melhor Comercial do Brasil’
A
56ª edição do Troféu Imprensa,
que passou a integrar a
premiação ‘O Melhor Comercial
do Brasil’, homenageará os 75 anos
da televisão brasileira e terá transmissão
simultânea pelo SBT e pela
plataforma Disney+, com apresentação
de Patricia Abravanel e Celso
Portiolli. O evento lembrará o legado
deixado por Silvio Santos, morto em
agosto de 2024.
A primeira fase da votação popular,
já tradicional, foi realizada entre
novembro e janeiro de 2025. Os cinco
mais votados em cada uma das categorias
avançaram para a segunda etapa,
disponível no site oficial da premiação
- e segue aberta até março.
Os três finalistas de cada área
concorrem aos prêmios. No dia da cerimônia,
o mais votado ganha o Troféu
Internet, cuja escolha também
CNN apresenta vertical dedicada a
notícias do mercado de infraestrutura
Projeto terá programas, boletins diários, reportagens especiais e
debates ao vivo distribuídos entre o canal de TV, digital e redes sociais
infra’ é a nova vertical da
CNN Brasil, que estreia no dia 16
‘CNN
de março com boletins factuais
duas vezes ao dia, às 12h25 e às 16h55,
de segunda a sexta-feira. Na mesma
data, entra o ‘Alta voltagem’, voltado
ao setor de energia, às segundas-feiras,
a partir das 19h45. Em 17 de março,
será a vez do programa ‘O grande debate
infra’, apresentado às terças-feiras,
às 20h. ‘Mapa da mina’, sobre mineração,
chega no dia seguinte com transmissão
às quartas-feiras, às 19h45, no
CNN Money. Já o ‘Conexão infra’ será lançado
no dia 19 do mesmo mês. Poderá
ser visto às quintas-feiras, a partir das
19h45, também no CNN Money.
O projeto será coordenado por Daniel
Rittner, diretor de jornalismo da
Estatueta do Troféu Internet (Silvinho) e Troféu Imprensa (microfone)
Daniel Rittner: transformar informação em ferramenta estratégica para o país
Lourival Ribeiro/Divulgação SBT
Divulgação
está aberta. Já os indicados continuam
na disputa pelo Troféu Imprensa.
A decisão final será tomada por júri
especializado. Entre as categorias,
estão: Novela, Programa de Auditório,
Jornal, Atriz, Ator, Apresentadora,
Apresentador, Game Show, Reality,
Programa Diário, Conteúdo Infantil,
Cantora, Cantor, Música, Revelação
do Ano e Comercial do Ano.
A incorporação do prêmio ‘O Melhor
Comercial do Brasil’ ao Troféu
Imprensa foi anunciada pelo SBT
durante a 55ª edição do evento, em
2025, que marcou a reformulação
do formato. Além da renovação da
cenografia, houve mudanças nas
estatuetas, com homenagem ao microfone
de Silvio Santos e ao personagem
Silvinho. O reposicionamento
colocou a premiação como plataforma
de reconhecimento.
CNN em Brasília e responsável pelas
verticais da emissora. Ele cobre o
setor há mais de 20 anos. “O nosso
objetivo é transformar informação
em ferramenta estratégica para o
país”, comenta.
A iniciativa tem equipe de produção
especializada na TV e no site. A
grade inclui reportagens especiais
para o ambiente digital com abordagem
orientada por dados, bastidores
e análise de cenário. Há ainda eventos
realizados sob a franquia ‘CNN talks’,
que debaterão temas determinantes
para o país com autoridades, executivos
e especialistas que estão na linha
de frente de um mercado que concentra
investimentos trilionários e
presença na publicidade institucional.
18 2 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Globo organiza a apresentação de três
painéis na SP House durante o festival
Polarização, tecnologia e cultura são os temas conduzidos por Pedro
Bial e Nilson Klava nos dias 15 e 16 de março, em Austin, no Texas (EUA)
Adam Kissick/Divulgação SXSW
uncomfortable now: Why
hard conversations can’t wait’
‘The
é uma das palestras que a Globo
apresentará na SP House durante
o SXSW. O festival de inovação ocorrerá
entre os dias 12 e 18 de março em
Austin, no Texas (EUA). A SP House é
organizada pelo Governo do Estado de
São Paulo, por meio da Secretaria da
Cultura, Economia e Indústria Criativas,
com apoio da InvestSP e da Prefeitura
de São Paulo.
No painel marcado para o dia 15
de março às 14h (horário de Austin), o
jornalista Nilson Klava, da Globo, entrevistará
a especialista em dinâmicas
de trabalho Amy Gallo. A conversa promete
deixar um alerta sobre ideolo- A 40ª edição do festival SXSW será realizada entre os dias 12 e 18 de março de
20818-anuncio_22x16cm_propmktcópia_a.pdf 1 04/02/2026 12:19
2026
gias polarizadas.
Já Pedro Bial, diretor artístico do
núcleo de documentários dos estúdios
Globo, conduzirá a sessão ‘A influência
da tecnologia na construção
de narrativas’ ao lado da diretora de
negócios integrados em publicidade
Manzar Feres; do diretor de dados e
inteligência artificial, arquitetura e
parcerias Carlos Octavio Queiroz; e
do diretor artístico Bruno Bernardes.
Também no dia 15 de março às 16h.
No dia seguinte, às 11h, Klava reunirá
a diretora de pesquisa e conhecimento
Suzana Pamplona e a diretora
do canal TV Globo Leonora Bardini no
painel ‘A cultura brasileira, entre o
imaginário e o cotidiano’.
jornal propmark - 2 de março de 2026 19
sxsw
Festival deve somar mais de 600 painéis
com destaque para conexões humanas
Evento ocorrerá em Austin, no Texas (EUA), de 12 a 18 de março,
com sessões divididas entre os festivais Innovation, Film & TV e Music
Divulgação
Austin Convention Center, palco das principais conferências do festival de inovação SXSW, passa por reforma iniciada em abril de 2025 com previsão para ser concluída em 2029
Janaina Langsdorff
Pela primeira vez em 40 anos, o
South by Southwest (SXSW) não
terá o Austin Convention Center
como palco dos principais painéis,
exposições e premiações do evento.
O centro de convenções passa por reforma
iniciada em abril de 2025, com
previsão para ser concluída em 2029.
Enquanto isso, o festival espalha
suas inovações pelos hotéis e ballrooms
da Congress Avenue, principal
via do centro da cidade de Austin, no
Texas (EUA), que receberá os participantes
do SXSW entre os dias 12 e 18
de março de 2026.
“Com o Austin Convention Center
em construção, abraçamos o desafio
de reimaginar o evento e explorar
novas e empolgantes possibilidades.
A comunidade criativa está ávida por
experiências imersivas, e nós estamos
ansiosos para dar vida a elas por
toda a Austin”, comenta Jenny Connelly,
diretora do SXSW.
Uma das iniciativas convida os visitantes
a conhecer o próximo horizonte
da humanidade. Montada na sede
da empresa de tecnologia e inovação
espacial IMXP, na 201 East 5th Street, a
Space House lança, nos dias 14 e 15 de
março, a primeira ativação oficial da
história do SXSW dedicada ao espaço.
A ação é apresentada pela CesiumAstro,
companhia norte-americana de
tecnologia aeroespacial especializada
em sistemas de comunicação de
alta capacidade para satélites e aplicações
espaciais. Produzido pela Juice
Consulting, o espaço promete surpreender
visionários.
“Texas se tornou a maior força na
economia espacial comercial”, observa
Peter Lewis, diretor-comercial
do SXSW. Uma das principais economias
e um dos estados mais populosos
dos Estados Unidos, a região se
transformou em polo de tecnologia
e vive um boom de crescimento.
Já atraiu Tesla, Oracle, Caterpillar e
Hewlett-Packard, além das big techs
vindas da Califórnia.
O pouso aterrissa com “alguns
dos mais brilhantes pensadores
para construir conexões mais profundas
e significativas em todos os
setores”, diz Greg Rosenbaum, vice-
-presidente sênior de programação
do festival. Do sucesso de lideranças
globais ao potencial de inovações
emergentes, a agenda funciona
como “um guia para navegar em um
mundo em rápida transformação”,
atenta o executivo.
O cineasta Steven Spielberg é
uma das inspirações. Estará em painel
no Hilton Austin Downtown no
dia 13 de março. Prestes a lançar ‘Disclosure
day’, previsto para estrear
nos cinemas em junho, o diretor de
‘E.T. O Extraterrestre’, ‘Jurassic Park’,
“Abraçamos
o desafio
de reimaginar
o evento”
20 2 de março de 2026 - jornal propmark
World Central Kitchen/ Divulgação
Mike Jordan/ Divulgação SXSW
Chef José Andrés, dono do título Hall of Fame, lidera plano para alimentar jamaicanos
Astronautas da Nasa Jeremy Hansen, Reid Wiseman e Christina Koch em painel de 2025
e ‘A lista de Schindler’, entre outros
sucessos, ainda participará de episódio
ao vivo do podcast ‘The big picture’,
apresentado por Sean Fennessey.
“Os palestrantes deste ano provam
que ideias consistentes surgem da
disposição de romper o status quo”,
frisa Rosenbaum.
Reprodução
Jay Graber, CEO da Bluesky, conduziu uma das sessões mais disputadas do ano passado
ia e Humanos
A expectativa é somar mais de
600 sessões distribuídas entre os
festivais Film & TV, Music e Innovation
- essa última dividida nas trilhas de
Brand & Marketing, Cities & Climate,
Creator Economy, Culture, Design, Health,
Startups, Sports & Gaming, Tech
& AI e Workplace. O conteúdo deve explorar
conexões humanas e soluções
capazes de acompanhar as mudanças
ditadas por novas tecnologias.
A cientista de inteligência artificial
e empreendedora Rana el Kaliouby e
o jornalista Bob Safian, por exemplo,
conduzirão painel com o tema ‘Why
the Future of AI Must be Human Centric’.
Já o artista Tom Sachs integrará a
sessão ‘Show the Work, Tell the Story’.
Bryan Hubbard, Carl Pei, Dr. Gul Dolen,
Marcus Luttrell, The Hon. Michelle K.
Lee e Rick Perry também fazem parte
da programação.
Outro destaque é o ativista palestino
Mahmoud Khalil, que participará
virtualmente de uma sessão sobre os
impactos pessoais e políticos da resistência.
A conversa terá presença de
Betsy Reed, editora do The Guardian
nos EUA, e Baher Azmy, diretor jurídico
do Center for Constitutional Rights.
Da interseção entre a inteligência
artificial generativa e a biologia vem
o painel ‘Nature Speaks: Can AI Help Us
Listen?’, com o designer de interfaces,
empresário e ativista tecnológico Aza
Raskin, cofundador do The Earth Species
Project e um dos rostos do documentário
da Netflix ‘O Dilema das Redes’.
Ele falará sobre o uso da IA para
decodificar linguagens não humanas.
A agenda inclui: William Tran (Paramount),
em ‘Producing Without Borders:
Navigating Global Film’; Tarek
Monsour (Kanshi), em ‘The Culture
Layer of Financial Markets’; Gustav
Söderström, em ‘A Conversation With
Spotify’s New co-CEO About The Past,
Present and Future of Delivering
Creativity to the World’; Jonah Peretti
(BuzzFeed), em ‘Enough with the
Bullsh*T’; os especialistas em relacionamento
Yung Pueblo, Jillian Turecki e
Case Kenny, em ‘The Three Laws of a
Healthy Relationship’; o futurista Henry
Coutinho-Mason, em ‘Multiplayer
Futures: Co-Creating a Vision of SXSW
2030’; Lucy Blakiston, em ‘Shit You
Should Care About’; o jornalista, escritor
e apresentador David Pogue, em
‘David Pogue on Apple’s First 50 Years’;
Tasia Filippatos (Disney), em ‘Shaping
Brand Relevance for a New Generation’;
e Kim Gallagher (Nuuly), Rachel
Karten (Link in Bio), Gabby Fowler (Gra-
Festival debaterá
soluções capazes
de acompanhar
mudanças ditadas
pela tecnologia
za) e Casey Lewis (After School), em
‘From Meme to Meaning: Making the
Most of Accidental Virality’.
O painel de abertura do evento,
conduzido pela cientista social Kasley
Killam, ocorrerá no Crossover Day,
data que marca o início das conferências
do SXSW e o encerramento do
SXSW Edu. O Vox Media Podcast Stage,
patrocinado pela empresa de software
de gestão empresarial Odoo, retornará
ao SXSW 2026, no Hilton Austin,
de 13 a 15 de março.
‘Pivot’ (apresentado pela jornalista
Kara Swisher e pelo empreendedor
Scott Galloway); ‘On with Kara Swisher’
(comandado por Swisher); e ‘Prof
G Markets’ (conduzido por Galloway e
pelo analista de pesquisa Ed Elson)
estão entre os programas dessa terceira
edição de podcasts do festival.
O Hall of Fame do SXSW 2026 vai
homenagear o chef José Andrés, reconhecido
por sua participação no evento
há quase uma década. Ele esteve
ao lado de Anthony Bourdain e Aaron
Franklin, e fez sua estreia nos palcos
em 2018, quando mostrou o poder da
comida para mudar o mundo.
O documentário ‘We Feed People’,
parte dos esforços do espanhol
no programa de ajuda humanitária
World Central Kitchen (WCK), estreou
em 2022 no SXSW, que “sempre foi
um lugar onde ideias de todos os
cantos da cultura se sentam do mesmo
lado da mesa, nos desafiando a
pensar com ousadia e agir de forma
consistente, e lembrando que todos
temos o poder de espalhar mudanças
reais”, declara Andrés.
Filas
Bill Lawrence, Danielle Deadwyler,
Jeff Schaffer, Larry David, Matt
Tarses, Rhea Seehorn, Steve Carell e
Vince Gilligan estão entre os nomes
confirmados na agenda de Film & TV.
Vince Gilligan, criador de ‘Breaking
Bad’, ‘Better Call Saul’ e ‘Pluribus!’,
falará sobre o processo colaborativo
das séries de TV ao lado da atriz Rhea
Seehorn, do compositor Dave Porter,
da figurinista Jennifer Bryan, da produtora
Trina Siopy e da presidente da
Sony Pictures Television Studios, Katherine
Pope.
Já a atriz Jamie Lee Curtis - vencedora
do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante
em 2023 por seu trabalho no
filme ‘Tudo em Todo Lugar ao Mesmo
Tempo’ - conduzirá o painel ‘If Not
Now, When, if Not Me, Who? Pivoting
jornal propmark - 2 de março de 2026 21
programação
Data Hora Local Palestrante Tema
12/3 16h
13/3
14/3
15/3
14h30
16h
13h
11h30
10h
14h30
13h
13h
10h
16/3 13h
Hilton Austin Downtown
Hilton Grand Ballroom
(Salon HJK)
JW Marriott
Salon 6-8
Omni Downtown
Mansfield AB
Hilton Austin Downtown
Hilton Grand Ballroom
(Salon HJK)
JW Marriott
Salon 6-8
JW Marriott
Salon 1-4
JW Marriott
Salon 6-8
Hilton Austin Downtown
Hilton Grand Ballroom
(Salon HJK)
Hilton Austin Downtown
Hilton Grand Ballroom
(Salon HJK)
JW Marriott
Salon 1-4
Hilton Austin Downtown
Hilton Grand Ballroom
(Salon HJK)
18/3 14h30 Venue TBA
2025
A edição do ano passado alertou
para a epidemia da solidão deflagrada
pela excessiva exposição às telas.
A mesma tecnologia que conecta
as pessoas dissemina ansiedade
e depressão.
O ambiente tóxico das redes sociais
foi lembrado por Hugh Forrest,
copresidente e diretor de programação
do SXSW, durante a abertura da
sessão ‘The Future of Social with Jay
Graber, Bluesky CEO’, apresentada no
dia 10 de março.
O brand experience saiu fortalecido
do festival. É o setor da comunicação
que relembra a importância
do olho no olho e da convivência
por meio de projetos criados para
conectar marcas e consumidores no
mundo real.
“O estado de presença é a tôand
Manifesting!’. Produtora, autora
e ativista, ela analisará os princípios
que alavancaram oportunidades em
sua carreira.
Famoso pelas filas gigantescas,
especialmente em sessões com headliners
e artistas, o festival disponibilizará
nesta edição a possibilidade de
garantir lugar por meio de reservas
antecipadas.
Kasley Killam
cientista social
Tasia Filippatos
Disney
William Tran
Paramount
Steven Spielberg
cineasta
Gustav Söderström
Spotify
Henry Coutinho-Mason
futurista
Jamie Lee Curtis
atriz
Tom Sachs
artista
Rana el Kaliouby
cientista de inteligência
artificial e empreendedora
Mahmoud Khalil
ativista palestino
Aza Raskin
designer de interfaces, empresário
e ativista tecnológico
David Pogue
jornalista, escritor e apresentador
A cAsA do BrAsil
XR Exhibition e Artists Valley são
as novidades da SP House no SXSW
2026. A casa terá mais de 250 sessões
apresentadas por lideranças
de Adobe, Disney e Microsoft, entre
outras empresas, que debaterão o
futuro da tecnologia, marketing, design
e entretenimento ao longo de
sete dias.
‘Social Health Trends
& Predictions: Connection
is the New Frontier’
‘Shaping Brand Relevance
for a New Generation’
‘Producing Without Borders:
Navigating Global Film’
‘The Big Picture with
Steven Spielberg
Live from SXSW’
‘A Conversation With Spotify’s
New co-CEO About The Past,
Present And Future Of Delivering
Creativity to The World’
‘Multiplayer Futures:
Co-Creating a Vision
of SXSW 2030’
‘Jamie Lee Curtis. If Not Now,
When, if Not Me, Who?
Pivoting and Manifesting!’
‘Tom Sachs: Show
The Work, Tell The Story’
‘Why the Future of AI
Must be Human Centric’
‘The Guardian in Conversation
with Mahmoud Khalil on the
Cost of Dissent’
‘Nature Speaks.
Can AI Help Us Listen?’
‘David Pogue on
Apple’s First 50 Years’
“Ideias
consistentes
surgem da
disposição
de romper o
status quo”
A programação se estende de 13
a 16 de março, em uma estrutura de
contêineres com área total de 2,2 mil
metros quadrados - quase o dobro
da edição de 2025. Sob o tema ‘What
Makes São Paulo Borderless?’, o espaço
XR Exhibition terá imersões de
realidade estendida, e o Artists Valley
exibirá trabalhos de arte urbana.
Na 39ª edição, que ocorreu de 7
a 15 de março de 2025, a casa recebeu
mais de 15 mil pessoas. Com 1,2
mil metros quadrados, a fachada do
polo de debates e shows foi ilustrada
com o grafite de Carolina de Luiz
Folego Silva. O muralista Eduardo
Kobra assinou a obra em 2024, quando
a casa desembarcou pela primeira
vez em Austin, atraindo cerca de
dez mil visitantes.
A SP House é organizada pelo
Governo do Estado de São Paulo,
por meio da Secretaria da Cultura,
Economia e Indústria Criativas, em
parceria com InvestSP, agência de
promoção de investimentos vinculada
à Secretaria de Desenvolvimento
Econômico, e conta com apoio da
Prefeitura de São Paulo.
“Com a SP House, mostramos ao
mundo o que São Paulo tem de melhor:
criatividade, inovação e pluralidade
de expressões. O nosso objetivo
é criar experiências que unam arte,
tecnologia e o talento paulista, colocando
a cidade em evidência como
um polo global de inovação e cultura”,
destaca Marilia Marton, secretária da
Cultura, Economia e Indústria Criativas
do Estado de São Paulo.
22 2 de março de 2026 - jornal propmark
Renee Dominguez/ Divulgação SXSW
Divulgação/ SP House
Rohit Bhargava, fundador da The Non-Obvious Company, é veterano do festival SXSW
Projeto 3D da SP House 2026, que terá 2,2 mil metros quadrados e mais de 250 sessões
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
nica para campanhas que falam
sobre relações humanas”, comenta
Marcelo Lenhard, CEO da agência
Hands, que realizou o TakeOff,
no teatro B32, em São Paulo, no dia
27 de março de 2025. O evento enumerou
dez diretrizes de marketing
colhidas a partir das conferências.
O Itaú não patrocinará o evento em
2026, após três anos de parceria.
Entre as sessões mais disputadas
estavam as de Amy Webb, Ian
Beacraft, Michelle Obama e seu
irmão Craig Robinson, Amy Gallo,
Jay Graber, Jim Louderback, John
Maeda, Scott Galloway e Meredith
Whittaker. Os debates abordaram
as nuances do comportamento e
das conexões humanas diante do
exército de robôs que se avistam no
horizonte tomado pela inteligência
artificial.
O esquadrão de agentes de IA se
aproxima com a promessa de realizar
tarefas no lugar de humanos. Eles
já têm até uma rede social própria,
a Moltbook, considerada reflexo da
quarta onda da jornada conversacional,
em que a IA não apenas responde,
mas tem contexto e coerência para
interagir em ecossistemas próprios.
Os agentic commerce são um exemplo
no varejo. Certamente, esse assunto
permeará as discussões entre os principais
gurus do evento.
O SXSW nasceu em 1987 de debates
entre jornalistas da publicação local
‘The Austin Chronicle’ sobre o futuro
da música. Roland Swenson, Louis
Black, Nick Barbaro e Louis Jay Meyers
são os cofundadores. Entretenimento
e mídia vieram depois. Em 2023, ganhou
edição em Sydney, na Austrália.
No ano passado, chegou a Londres.
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jornal propmark - 2 de março de 2026 23
marcas
A incursão gastronômica da Sodexo
Multinacional francesa de serviços
de alimentação e catering que
completa 45 anos no Brasil, a
Sodexo está focada no filão de
experiências gastronômicas e
hospitalidade. Depois do spin-off
em 2024 da divisão de benefícios
e incentivos, que se tornou uma
companhia separada sob a marca
Pluxee, a proposta de valor da
Sodexo se concentra em “entregar
refeições saudáveis, saborosas
e sustentáveis”, como explica
a VP de estratégia, marketing,
comercial e performance, Danielle
Totti. Entre outros temas, ela fala
sobre como o brasileiro valoriza
alimentação saudável e escolhas
mais conscientes.
Danielle Totti: “Nosso foco é gerar experiências de valor”
Divulgação
Kelly Dores
Brasil
A Sodexo é uma empresa com expertise
global e forte atuação local.
Atuamos em diversos segmentos
como empresas, hospitais, escolas,
universidades, embarcações em
alto-mar, mineradoras, aeroportos e
complexos industriais. Nossa expertise
global se conecta ao contexto
brasileiro, com forte presença local
e serviços personalizados. Para entregar
experiências gastronômicas e
hospitalidade para mais de 1,5 milhão
de consumidores todos os dias, em 25
estados, além do Distrito Federal, contamos
com cerca de 47 mil colaboradores
(terceiro maior empregador do
Grupo Sodexo, depois de EUA e Índia).
Estamos no Brasil há mais de 45 anos
e operamos em mais de 2,8 mil unidades
de atendimento, ou seja, dentro
dos nossos cerca de 800 clientes.
POrTFÓliO
Somos líderes globais em alimentação
e serviços e nosso foco é gerar
experiências de valor. A Sodexo, desde
a sua fundação na França, em 1966,
tem uma missão considerada de vanguarda
para a época e que segue, nos
dias atuais, consistindo em “melhorar
a qualidade de vida dos colaboradores
e de todos aqueles que atendemos,
contribuindo para o desenvolvimento
econômico, social e ambiental
das comunidades, regiões e países
onde atuamos”. Temos um portfólio
robusto que materializa essa estratégia,
como a oferta Sabor Brasil,
que traz a nossa identidade culinária
brasileira; o Offshore Living, focado
em levar hospitalidade para plataformas
e embarcações em alto-mar;
o Gourmet, que leva experiência gastronômica
para instituições de saúde
e hospitais; e o Modern Recipe, uma
marca global focada na alimentação
contemporânea, que lançaremos no
Brasil em breve.
COnTexTO lOCal
Estudos globais da companhia,
“Nossa operação
no país é
profundamente
conectada ao
contexto local”
como o Food Barometer, mostram
que o brasileiro valoriza fortemente
práticas de alimentação sustentável
e escolhas mais conscientes, temas
que são parte central das nossas entregas
e propósito. Nossa operação
no país é profundamente conectada
ao contexto local – cultural, regional
e comportamental. Na prática,
equilibramos expertise global – com
padrões de excelência, segurança e
sustentabilidade – ajustada às expectativas,
paladar e comportamento
cultural brasileiro, e inovação compartilhada,
onde o que funciona no
Brasil pode se tornar benchmark para
outros países do grupo e vice-versa.
resTauranTes
Em alimentação, temos desde
restaurantes corporativos tradicionais
até soluções de varejo,
como micromercado autônomo.
Gerenciamos mais de 1,6 mil unidades
no Brasil, oferecendo soluções
que combinam sustentabilidade,
personalização, bem-estar e experiências
gastronômicas, atendendo
empresas, hospitais, escolas,
universidades e operações remotas.
Essa vertical representa cerca
de 74% de todo o negócio no Brasil.
Nossa proposta é entregar refeições
saudáveis, saborosas e sustentáveis.
Também estamos presentes com
os nossos modelos de varejo, como
cafeterias, pontos de conveniência
e micromercados autônomos. Esse
ecossistema é apoiado por soluções
digitais, como consulta de cardápios,
reservas e ferramentas que aprimoram
a experiência do consumidor, e
por uma equipe de mais de 420 chefs.
São mais de 1,5 milhão de refeições
servidas diariamente.
24 2 de março de 2026 - jornal propmark
Facilities
Na vertical de facilities, nossa
atuação combina expertise técnica,
inovação, eficiência, sustentabilidade
e foco absoluto
na experiência das
pessoas com serviços
como limpeza
e higienização,
hospitalidade,
hotelaria hospitalar
e em embarcações,
gestão de
resíduos, manutenção
de instalações
(predial, elétrica,
hidráulica,
mecânica e de ar-
-condicionado), gestão de áreas verdes,
portaria, recepção, mensageria,
serviços administrativos, controle de
pragas e tratamento de água, entre
outros.
B2B4c
A Sodexo é uma empresa B2B4C.
Nosso portfólio é de serviços para
empresas e instituições, com quem
negociamos e fechamos contrato,
mas nosso impacto chega ao consumidor
final diariamente.
comunicação
A comunicação da marca é desenvolvida
de forma integrada e estratégica
para dialogar com todos os
públicos, incluindo consumidores que
frequentam nossos restaurantes,
cafeterias e micromercados autônomos.
Priorizamos mensagens claras
e acessíveis, que orientam o consumidor
sobre o uso de tecnologias de
autoatendimento, apresentam novidades
do cardápio, destacam ações
de saudabilidade e bem-estar, além
de reforçar os valores e o propósito
da Sodexo de criar um dia a dia melhor
para cada um. Além disso, utilizamos
sinalizações visuais, campanhas
internas e conteúdos digitais para
aproximar a marca do usuário final,
proporcionando informações relevantes
e experiências positivas durante
toda a jornada dentro dos ambientes
Sodexo. Essa abordagem é alinhada à
estratégia de fortalecer a reputação
da empresa, gerar engajamento e valorizar
a experiência direta do consumidor
em todos os pontos de contato.
tagline
Nosso propósito global (e tagline)
é ‘It all starts with the everyday’ ou
“Trabalhamos
com modelo ágil
dentro de casa
e contratamos
agências
parceiras por
projeto”
‘Criar um dia a dia melhor para cada
um para construir uma vida melhor
para todos’, traduzindo para o português.
A gente acredita que, para construir
uma vida melhor
para todos no
futuro, precisamos
garantir um dia a
dia melhor hoje. É
sobre o equilíbrio
entre todos os
momentos da vida,
ajudando a moldar
as melhores experiências
no dia a
dia. Seja ajudando
as pessoas a terem
uma refeição
mais saudável e saborosa, garantindo
segurança em uma embarcação em
alto-mar, ou contribuindo para a recuperação
hospitalar mais rápida, o
nosso papel é ser o parceiro que cuida
dos momentos essenciais dos nossos
clientes e consumidores.
modern recipe
As campanhas de mídia são desenvolvidas
de forma estratégica e
orientadas por projetos, conforme as
necessidades e oportunidades identificadas
ao longo do ano. Não temos
uma definição de datas para futuras
campanhas, pois cada iniciativa é planejada
de acordo com o contexto e os
objetivos do negócio. Por exemplo, em
breve teremos o lançamento oficial
da marca global Modern Recipe no
Brasil, que terá uma campanha voltada
para esse momento especial.
canais
Focamos no ecossistema digital
como LinkedIn, que tem forte alcance
para o B2B, e Instagram, onde interagimos
mais com consumidores finais.
Priorizamos os canais digitais não
apenas pela capacidade de segmentação
e mensuração, mas também
pela conexão direta e personalizada
com nossos stakeholders. Utilizamos
essas plataformas para realizar campanhas
de mídia relevantes, como,
por exemplo, a campanha ‘É Sodexo’,
que reforça nosso propósito e amplia
o alcance da nossa marca de maneira
estratégica e integrada.
in-house
A nossa estratégia é desenhada
internamente, pelo nosso time de
especialistas, que combina profundo
conhecimento do negócio, visão
integrada dos nossos públicos e alinhamento
direto com as diretrizes
globais e locais. Trabalhamos com um
modelo ágil e colaborativo dentro de
casa e contratamos agências parceiras
por projeto, de acordo com a natureza
da entrega, a necessidade técnica
e o perfil criativo mais adequado
para cada iniciativa. Esse formato
nos permite flexibilidade, velocidade
e alta capacidade de personalização,
além de garantir que cada parceiro
seja selecionado pelo valor específico
que agrega ao desafio em questão.
inFluência
Nossas redes sociais têm foco em
reputação corporativa, divulgação de
soluções, protagonismo de colaboradores,
sustentabilidade e inovação.
Conforme a necessidade, adotamos
também parcerias pontuais com
influenciadores estratégicos, principalmente
em temas como alimentação,
hospitalidade, gastronomia,
ESG, diversidade e futuro do trabalho.
Temos um plano de mídia anual para
impulsionar nossos conteúdos e nos
ajudar no alcance e no engajamento.
Além disso, trabalhamos fortemente
o conceito de embaixadores internos,
usando histórias reais de colaboradores
que refletem nosso propósito.
Aliás, acabamos de lançar o Programa
Embaixadores Sodexo para as Redes
Sociais, com 50 colaboradores. A iniciativa
capacita e incentiva nossos
colaboradores a
compartilharem
suas experiências,
histórias e conquistas
nas redes
sociais, tornando-
-se multiplicadores
autênticos do
nosso propósito
e dos valores da
marca. Dessa forma,
damos voz
ativa às nossas
pessoas, estimulando
que sejam
influenciadores naturais e genuínos, o
que amplia nossa credibilidade e fortalece
o vínculo com o público.
desaFios
À frente da vice-presidência de
marketing na Sodexo, meus principais
desafios estão diretamente ligados à
evolução do nosso portfólio e à necessidade
de conectar, de forma clara e
estratégica, nossas ofertas ao que o
“Um desafio
importante é
a expansão e o
amadurecimento
dos modelos
de negócio
retail”
mercado demanda. O marketing tem
um papel central na geração de valor
para o negócio, conectando marca,
experiência e resultados. Isso significa
evoluir constantemente nossa
capacidade analítica, acelerar o uso
de dados e fortalecer nossa atuação
digital, o que contribui diretamente
para diferenciação, eficiência comercial
e fidelização dos clientes. Por isso,
um primeiro grande desafio é consolidar
a arquitetura de marcas e diferenciais
das nossas soluções, garantindo
que cada uma delas tenha posicionamento
claro, proposta de valor bem
definida e relevância para os diferentes
segmentos que atendemos. Em
um negócio tão amplo como o nosso
(que leva alimentação e hospitalidade
para tantos setores e públicos diversos),
traduzir essa complexidade em
mensagens simples, consistentes e
orientadas ao cliente é uma tarefa
contínua.
retail
Um desafio importante é a expansão
e o amadurecimento dos modelos
de negócio retail, especialmente
nos ambientes de alimentação, onde
o comportamento do consumidor
evolui rapidamente. O avanço das jornadas
digitais, das expectativas por
personalização, da conveniência e da
experiência exige que o marketing
esteja profundamente conectado às
operações, ao design de serviços e ao
desenvolvimento
de produtos, para
que possamos entregar
soluções
que realmente façam
sentido para
quem está no dia a
dia dos nossos restaurantes
e micromercados.
Além
disso, há um desafio
permanente de
entender profundamente
o mercado
e os públicos
que atendemos – desde empresas e
instituições até consumidores finais
que interagem diariamente com nossas
soluções. Isso inclui acompanhar
tendências globais, analisar dados de
comportamento, monitorar mudanças
regulatórias, rastrear movimentos
competitivos e transformar tudo
isso em insights aplicáveis às nossas
estratégias de inovação, posicionamento
e crescimento.
jornal propmark - 2 de março de 2026 25
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
‘Oferecemos audiência, e não apenas
telas ou espaços publicitários’
A JCDecaux Brasil mostra a face mais
promissora do segmento. O digital
out of home (DOOH) já representa
mais de 52% do aporte em OOH
no país. Globalmente, “deve atingir
US$ 54,83 bilhões em 2030”, informa
o diretor-comercial João Binda. As
telas digitais, que representam 80%
do faturamento da empresa, se
diferenciam por garantir impacto nas
ruas, metrô, aeroportos e no varejo.
O conglomerado francês atua em
mais de 80 países e hoje reúne uma
audiência diária global da ordem de
850 milhões de pessoas. “Os nossos
ativos digitais cresceram mais de
400% nos últimos cinco anos”, revela
Binda, na entrevista a seguir.
João Binda: mobile potencializa as chances de conversão, engajamento e memória
Divulgação
Janaina Langsdorff
Potencial
O DOOH passou a ser fundamental
e estratégico para as marcas que
buscam presença, personalização, impacto,
oportunidade e conexão com a
audiência nas ruas, no metrô, nos aeroportos
e no varejo, e já representa
mais de 52% de todo o investimento
em OOH no país, superando os formatos
estáticos, de acordo com o Mordor
Intelligence 2026. O DOOH tem uma
agilidade extraordinária. Podemos
trocar criativos instantaneamente
durante o dia, por faixa horária e até
por minuto. Temos produtos como o
Minuto exclusivo, a Hora exclusiva e a
Diária exclusiva. Na festa da virada na
Avenida Paulista, fizemos uma entrega
de DOOH com a contagem regressiva
em nossos relógios na região, para
a Wellhub. E também no Rio de Janeiro
e em Fortaleza. Podemos usar esses
produtos também para fazer o rodízio
de criativos e alternar criativos em
diferentes ativos. São inúmeras possibilidades.
Benefícios
Oferecemos audiência, e não apenas
telas ou espaços publicitários.
Impactamos milhões de pessoas diariamente,
tudo em um ambiente seguro
e de credibilidade (brand safety).
O DOOH oferece oportunidade para as
marcas se conectarem com o público
no momento ideal, com exclusividade,
além de campanhas e conteúdos
que podem ser atualizados em tempo
real, como o social e o digital. Nenhum
outro meio traz uma oportunidade
dessas, de dar destaque às marcas
nos principais locais de grande circulação
e hubs de transportes nas
maiores cidades do Brasil e do mundo.
Temos ainda uma plataforma global
de programática, que permite a veiculação
de campanhas em escala internacional.
Presença
O metrô de São Paulo tem um fluxo
– somando os trajetos de ida e volta
– de quase oito milhões de passageiros
por dia. Estamos em ambientes
em que as pessoas estão dispostas a
interagir com a publicidade – sete em
cada dez passageiros do metrô de São
Paulo dizem prestar atenção em todas
ou quase todas as publicidades no ambiente
(Fonte: Datafolha).
confiança
Impactamos quase 30% da audiência
aeroportuária do país, o equivalente
a mais de 60 milhões de passageiros
por ano – fazemos a gestão exclusiva
da publicidade em Guarulhos e em
Brasília. Nos aeroportos, a maioria dos
viajantes chega com duas horas de
antecedência para voos nacionais e
patrocínio
26 2 de março de 2026 - jornal propmark
três horas para viagens internacionais.
Nove em cada dez pessoas notam a
presença da publicidade em diferentes
tipos de formatos OOH (Fonte: Datafolha).
E, de acordo com uma pesquisa da
Forebrain, campanhas veiculadas em
grandes formatos de DOOH geram um
sentimento de confiança e modernidade
para a marca, segundo mais de 60%
dos consumidores.
Exclusivo
Como a digitalização
de ativos já
é uma realidade,
principalmente
entre os grandes
players de OOH, os
anunciantes e as
agências conseguem
planejar e executar campanhas
dinâmicas, contextualizadas e pensadas
para cada momento da jornada da
audiência, com uso de inteligência de
dados, ferramentas de mensuração
e compra programática. É uma oportunidade
gigantesca para as marcas
ganharem destaque em relação aos
concorrentes, já que o DOOH faz parte
da vida de milhões de brasileiros.
varEjo
No Carrefour, recebemos os dados
anônimos de vendas de produtos por
loja, dia da semana e faixa horária. Assim,
os anunciantes podem planejar e
executar diversos tipos de campanhas,
ofertas, lançamentos, reposicionamento,
e adaptar os conteúdos com base
na dinâmica de vendas, ao avaliar quais
produtos ou serviços estão com o melhor
desempenho, além de testar variações
de abordagem para melhorar os
resultados das campanhas. Isso é algo
exclusivo do DOOH.
invEstimEnto
O relatório mais recente do Cenp
Meios – de janeiro a setembro de
2025 – mostrou que o setor de OOH
movimentou quase US$ 420 milhões
no Brasil – contra US$ 391 milhões
no mesmo período de 2024 e US$ 277
milhões em 2023. Nos últimos anos, o
OOH tornou-se o terceiro maior meio
publicitário do Brasil, com 12,1% de
share, ocupando o centro do planejamento
estratégico dos clientes em diversas
campanhas, impulsionado pela
flexibilidade e inteligência de dados
que o digital proporciona frente aos
formatos estáticos. O Cenp-Meios não
divulga a divisão entre OOH e DOOH.
“Estamos em
ambientes em
que as pessoas
estão dispostas
a interagir”
PrEvisão
O mercado global de DOOH deve
atingir US$ 54,83 bilhões em 2030, de
acordo com uma projeção da Research
and Markets. Esse avanço é sustentado
por investimentos em inovação, tecnologia,
equipamentos, ferramentas criativas,
mensuração e mídia programática.
Um estudo recente do IAB Brasil,
em parceria com a
startup de tecnologia
em pesquisa
Galaxies, mostrou
que 71% dos entrevistados,
entre
profissionais de mídia,
planejamento,
marketing, comunicação
e criação,
planejam aumentar
o investimento em DOOH neste ano.
A principal finalidade apontada pelas
empresas para o uso do DOOH – por
68% dos entrevistados – é aumentar a
visibilidade das marcas.
rEPrEsEntatividadE
O Brasil está na vanguarda em termos
de digitalização. É um dos mercados
onde os ativos da JCDecaux são
mais digitalizados. O DOOH já representa
80% do nosso faturamento no país,
e a publicidade programática DOOH
representa mais de 10% da receita digital,
acima da média do Grupo. Lembrando
que a JCDecaux atua em mais de 80
países e tem uma audiência diária global
de 850 milhões de pessoas. Os nossos
ativos digitais cresceram mais de
400% nos últimos cinco anos. Os principais
anunciantes são dos setores de
alimentação e bebidas, bancos e financeiro/cartões,
entretenimento, mobilidade
urbana, serviços e tecnologia.
combinação
O mix entre digital e estático é ideal
para se ter uma entrega completa
e diferenciada, unindo tecnologia, personalização
e conteúdos dinâmicos às
experiências de marca, ativações e ao
mundo físico. Apesar de a digitalização
ser uma realidade no mercado de
OOH, a publicidade estática tem um valor
muito importante no nosso meio.
ExEmPlos
Temos projetos especiais nos relógios
de rua e ativações em estações
de metrô, transformando os nossos
ativos em pontos de recarga de cartões
pré-pagos para evitar filas em
shows e grandes eventos. E temos
ainda experiências de marca em aeroportos,
como a montagem de lounge
personalizado para lançar produtos,
expor taças de competições esportivas
e distribuir presentes para passageiros
que estão viajando durante
o Natal. Formatos estáticos oferecem
cobertura, frequência e presença de
marca em locais e momentos importantes
da jornada da audiência. Alguns
exemplos: pontes de embarque e desembarque
de aviões nos aeroportos;
entradas das estações e plataformas
de embarque do metrô; e adesivações
de túneis, escadas e catracas. Os formatos
estáticos sempre terão importância,
mesmo com o avanço do DOOH.
A JCDecaux tem mais de 17 mil faces
publicitárias no Brasil.
mobilE
O OOH impacta, encanta e desperta
o interesse da audiência, e o
smart- phone facilita a conversão
imediata. Ao ver uma campanha em
grandes formatos no metrô ou em
aeroportos, o ambiente mobile atua
de forma complementar e potencializa
as chances de conversão, engajamento
e memória. Uma pesquisa da
Kantar Ibope Media mostrou que 91%
das pessoas que utilizam internet
pelo celular observam campanhas de
OOH frequentemente. Esse mesmo
levantamento mostrou que 79% das
pessoas impactadas por uma campanha
OOH dizem realizar algum tipo de
ação após ver um anúncio, como buscar
mais informações sobre o anunciante,
o conteúdo ou o tema, seguir
a marca nas redes
sociais e escanear
um QR code.
intEGração
Existem outras
ferramentas,
como o Second
screen, que possibilita
a integração
de campanhas de OOH e mobile, com
disparos de mensagens de celular
para as pessoas que passam por um
relógio de rua que está veiculando
uma campanha específica. É possível
utilizar segmentação de público, personalizar
por geolocalização, divulgar
ofertas e direcionar o consumidor
para um ponto de venda.
ExPansão
Temos novidades para o Aeroporto
de Guarulhos e para a Linha 4-Amarela
“O DOOH
faz parte
da vida
de milhões
de brasileiros”
do Metrô de São Paulo, operada pela
ViaQuatro/Motiva. São quase 30 novos
digitais, Icônicos e Mega Leds. O Iconic
Led Slim entrou em operação em dezembro,
época de grande movimentação
no Aeroporto de Guarulhos, que
bateu recorde de audiência em 2025.
Com 32 m² e espessura de apenas 45
mm, devido à sua leveza estrutural de
menos de mil kg, o transporte foi realizado
via aérea diretamente da China.
cardáPio
Há ainda Banner Digital de 15 m²,
no Terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos,
além de Relógios Digitais, com
oito novas telas; Colunas Digitais, no
Terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos,
com nove novos equipamentos; Icônico
Curvo Led na Estação Pinheiros,
na Linha 4-Amarela do Metrô, que foi
instalado em janeiro, com uma tela
de 36 m²; Nova rede digital nas plataformas
de embarque e desembarque,
também em Pinheiros, com seis telas
no total; Leds da Consolação, na Linha
2-Verde do Metrô, com duas telas de
30 m², que serão ativadas em abril; e
Novo Led Dupla Face, cada uma com
25 m², na Estação da Luz, no trecho
correspondente à Linha 4-Amarela.
Temos novos anunciantes todas as
semanas, é algo bem dinâmico e que
muda constantemente.
GEoGrafia
Estamos em um processo de expansão
da digitalização de ativos no
Metrô (Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha).
Nas Linhas 4-Amarela e 5-Lilás,
todas as estações
são digitalizadas.
A JCDecaux Brasil
está presente em
14 estados e no
Distrito Federal,
com mobiliário
urbano nas ruas
(relógios, MUPIs –
Mobiliário Urbano
Para Informação – e abrigos de ônibus),
Metrô (São Paulo e Salvador),
aeroportos (Guarulhos e Brasília) e no
Carrefour, com cerca de 90 lojas em diversas
cidades, com ativos totalmente
digitais. Temos uma audiência diária
de mais de 15 milhões de pessoas
no Brasil. Fazemos a gestão exclusiva
da publicidade nas estações ativas
do Metrô de São Paulo e de Salvador;
relógios de rua da capital; Aeroporto
de Guarulhos e Aeroporto de Brasília;
e estações de bike do Rio de Janeiro.
jornal propmark - 2 de março de 2026 27
opinião
Divulgação
A nova era de ouro
da criatividade
Gustavo Bastos
Perguntaram ao sir John Hegarty qual a previsão
dele para o futuro da propaganda (ou sobre
2026, tanto faz). Depois de deixar claro o quanto
detesta essa coisa de previsão (no que eu concordo),
ele deixou mais claro ainda que, na opinião
dele, estamos caminhando para uma nova revolução
criativa. Que as ferramentas de IA vão valorizar
ainda mais os criativos, as ideias, o humano. Corta
para o artigo escrito pelo fundador da agência Mischief,
Greg Hahn, onde ele fala basicamente a mesma
coisa. O artigo começa com uma frase do Seth
Godin que afirma que “a pizza congelada mudou o
jogo para muitas pizzarias. Se você não conseguisse
oferecer algo melhor do que o que eu tinha no meu
freezer, pra que eu preciso de você?”
O paralelo do artigo são as ferramentas e IA. Com
elas, ficou fácil fazer o medíocre, o mais ou menos,
o dia a dia always on e tal. Então, ser medíocre virou
um péssimo negócio para as agências. O mais
ou menos está disponível instantaneamente, então
melhor não concorrer com isso, né. Vai juntando
as peças. A ideia desse artigo aqui veio quando
me deparei com a entrevista na TV do Gary Vaynerchuk
sobre o intervalo comercial do Super Bowl, que
este ano bateu o recorde de preço dos comerciais,
chegando a nove milhões de dólares por 30” no ‘Big
Game’, fora custos de produção e muitas vezes cachês
de celebridades. Com os pacotes que a NBC vende
junto, o investimento pode chegar a 30 milhões
de dólares.
A pergunta do jornalista foi bem direta e reta:
“vale a pena para as marcas o custo de 10 milhões
de dólares - se incluir custos de produção - para ter
a visibilidade do Super Bowl? E a resposta do publicitário
mais provocador do mercado americano, resumindo,
foi: “São 100 milhões de pessoas ligadas, já
temos a atenção de muita gente, mas se o criativo
não for bom é um problema… o criativo é o que faz
a diferença”. No ano passado, assisti a uma palestra
da então diretora de marketing da Heineken em que
ela citava uma pesquisa usada por eles que mostra
que as marcas que não usam criatividade em sua
comunicação precisam de 7,5% a mais de verba para
chegar no mesmo resultado das marcas criativas.
Juntou? Então a sua conclusão só pode ser a mesma
que a minha, que a única parte da previsão de
sir John é que, na verdade, não é uma previsão e sim
uma realidade. A nova era de ouro não é o que vem
por aí, mas sim o que já está acontecendo. Estamos
vivendo uma nova revolução criativa, em que a IA
está contribuindo como catalisadora do trabalho
apenas razoável e deixando para as agências o compromisso
com as ideias que fazem diferença. No Brasil,
o surgimento de novas agências independentes
com profissionais de criação de primeira linha, focadas
no trabalho criativo excelente e em estratégias
onde o humano faz diferença, mostra que vamos no
mesmo caminho.
Para fechar, vamos falar de Toguro. Recentemente
(fim de janeiro/início de fevereiro de 2026),
a Cimed, uma das maiores farmacêuticas do Brasil,
quarta maior do setor, anunciou Toguro como head
de comunicação. Ele assume responsabilidades
como posicionamento institucional da marca, comunicação
interna e externa, relacionamento com mídia
e gestão de reputação. Ou seja, o player do mercado
de laboratórios que mais cresce no país ousou
e gerou polêmica justamente para, mais uma vez,
perseguir criatividade e originalidade, duas características
que a marca vem mostrando há tempos.
Ela vem sempre com ideias originais de produtos,
posicionamentos, estratégias, sem medo de fazer
diferente, e ganha mercado com isso.
Deixo aqui por último uma sugestão: pesquise o
que estão dizendo profissionais como a CMO da Molson
Coors nos Estados Unidos ou do streaming Tubi
sobre aprovar ideias corajosas e muito criativas. E
para se divertir, pesquise também no YouTube os
comerciais para o Super Bowl das marcas Xfinity,
com Jurassic Park; da Instacart, com os cantores e
as bananas; Claude, da Anthropic; Squarespace, com
a Emma Stone; Pringles; Bud Light - do casamento,
sensacional -; e TurboTax, com Andrian Brody. Tem
outros comerciais legais, mas esses, pra mim, são os
melhores deste ano até agora. Divirta-se com eles e
com a nova era de ouro da criatividade.
Gustavo Bastos
é CEO e CCO da 11:21
“A nova era de ouro
não é o que vem por
aí, mas sim o que já
está acontecendo”
28 2 de março de 2026 - jornal propmark
quem fez
Kelly Dores
kelly@propmark.com.br
lola\tbwa
kfc
Fotos Divulgação
Título: ‘Você merece mais’
ECD: Marcelo Bruzzesi e Nina Lucato
Direção de criação: Adriana Martins
ACD: Marina Maia
Direção de arte: Rafael Misuta, caio cassimiro e Rute Morais
Redação: Gabriel Lisboa, Leonardo Barbosa e Lorenzo francucci
Criação de conteúdo: Marcio filho, Mark Junior e carolina chuffi
Conteúdo: Ana kabbach e Bruno capelato
O KFC Brasil apresenta Kerline Cardoso como a nova representante do ícone da
marca, o Coronel Sanders. Pela primeira vez, o posto simbólico do fundador da
rede passa a ser ocupado por uma mulher no país. A campanha marca um novo
capítulo na história do KFC, apostando em autenticidade e relevância cultural.
A iniciativa integra a estratégia da marca sob o posicionamento ‘Você merece
mais’ e acompanha a oferta de duas unidades de Crunch Salad por R$ 19,90.
almapbbdo
oLx
Título: ‘Dummy’
CCO: Pernil
VPs de criação: fernando Duarte e Henrique Del Lama
VP de insights criativos: Ricardo chester
Diretores de criação: Daniel chagas Martins e Igor cabó
Criação: Alisson Machado e Yael Sullyvan
Ação criada para o segmento automotivo da OLX traz de volta o
boneco de teste de segurança Dummy. Desta vez, ele está inserido
em cenas inspiradas nos filmes ‘Velozes e furiosos’, ‘Pequena Miss
Sunshine’ e ‘Baby drive’. “A principal evolução desta campanha é
posicionar a OLX em uma narrativa mais próxima da linguagem da
própria categoria de autos”, diz Sanny Manhães, do Grupo OLX.
aFRICa
AZUL
Título: ‘Azul Diamante Unique’
CCO: Sergio Gordilho
CO-CCO: Angerson Vieira
Diretores de criação: Eduardo ferraz, Milena Zindeluk,
Rick Garcia e Bruno Anibal
Criação: Isabela Gómez e Rodrigo Passos
CSO: Ana Paula kuroki
A Azul Linhas Aéreas lança campanha do Diamante Unique, novo
nível do programa Azul Fidelidade, com uma estratégia que
reforça a presença da marca no setor premium. A comunicação
adota o conceito ‘Suas experiências levam você até o Diamante
Unique’ para associar o topo do programa a uma jornada que
extrapola o voo e se conecta a um estilo de vida.
jornal propmark - 2 de março de 2026 29
esg no mkt
Alê Oliveira
O valor humano no
centro da estratégia
As organizações começam a medir o sucesso
através da sustentabilidade humana e do bem-estar
Alexis Thuller Pagliarini
Vivemos em uma era definida pela ausência
de fronteiras tradicionais e por interrupções
constantes, o que exige das organizações mais
do que apenas agilidade; exige imaginação. O relatório
2025 Global Human Capital Trends, da Deloitte,
revela que os líderes de hoje enfrentam escolhas
complexas entre controle ou empoderamento, estabilidade
ou agilidade, e automação ou aumento das
capacidades humanas.
No entanto, a grande virada de chave é entender
que essas não precisam ser escolhas excludentes. O
sucesso está em encontrar o equilíbrio certo para
apoiar tanto os resultados de negócios quanto os
resultados humanos. A inteligência artificial está
remodelando o trabalho de forma sem precedentes.
Diante disso, as organizações precisam desenvolver
uma nova “proposta de valor humano”.
O desafio não é apenas implementar a tecnologia,
mas criar um ambiente onde a IA seja vista como
uma aliada (“amiga”), e não como uma ameaça (“inimiga”).
Isso exige um novo cálculo para avaliar o
valor dos investimentos em tecnologia, focando em
como ela pode potencializar o desempenho humano
em vez de apenas substituir tarefas.
eliminando o ruído e as burocracias que consomem
o tempo dos colaboradores sem gerar valor real.
Ao criar “folga” (slack) no sistema, as organizações
permitem que as pessoas foquem no que realmente
importa, aumentando a eficácia e o propósito das
funções desempenhadas. É hora de repensar a gestão
e a motivação.
O desempenho humano não é alcançado através
de processos genéricos de gestão. O relatório sugere
que a verdadeira performance está em compreender
o que motiva cada indivíduo — a “unidade
de um”. Isso exige que os processos de gestão de
desempenho sejam reinventados, indo além da engenharia
de processos para focar no que faz cada
pessoa “funcionar”.
Nesse contexto, o papel do gestor não deve ser
eliminado, mas sim reinventado. Com o auxílio da
IA para tarefas administrativas e de controle, os
gestores podem finalmente focar no desenvolvimento
humano e no suporte às suas equipes.
A tecnologia, portanto, torna-se um facilitador
para que o gestor atue de forma mais humana
e estratégica. Mais do que produtividade, o foco
agora deve ser na sustentabilidade humana. As
métricas tradicionais de produtividade estão se
tornando insuficientes.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
Nesse contexto, surge um novo termo: stagility
(algo como estagilidade). Em síntese, estamos tratando
de estabilidade como âncora para a agilidade.
Em um mundo onde a disrupção é a norma, as fontes
tradicionais de estabilidade para os trabalhadores
estão desaparecendo.
Para que as organizações se movam com a velocidade
necessária, elas devem, paradoxalmente,
identificar novas “âncoras” de estabilidade para seu
pessoal. Somente quando o trabalhador se sente seguro
e estável em sua base, ele possui a confiança
necessária para agir com a agilidade exigida pelo
mercado. Frequentemente, o “trabalho impede a
realização do trabalho”. O relatório destaca a importância
de reclamar a capacidade organizacional,
À medida que o desempenho humano assume o
centro do palco, as organizações começam a medir
o sucesso através da sustentabilidade humana e do
bem-estar. Líderes desempenham um papel crítico
ao promover essa transformação, garantindo que
o trabalho seja sustentável a longo prazo e que a
organização seja responsabilizada por esses resultados
humanos.
Em resumo, o cenário de 2026 exige que as organizações
parem de ver o valor humano e o valor de
negócio como polos opostos. Ao investir na estabilidade,
na motivação individual e na integração ética
da IA, as empresas não apenas sobrevivem à disrupção,
mas prosperam através de um desempenho humano
sustentável e de alto impacto.
30 2 de março de 2026 - jornal propmark
inspiração
O tamanho correto do tubarão
Fotos: Divulgação
Quando a porta é autêntica e consistente, ela tende a se tornar
uma passagem quase obrigatória no caminho das pessoas
Bruno Maffei
Especial para o propmark
O
artista, mesmo quando inescrutável, é tão vivo e prestes a morrer quanto
todos os outros. O seu ato de criar também sobrevive entre inspirações e
aspirações, e a criação tem em sua constituição física memórias e desejos,
além, é claro, de seu corpo. Esse corpo se parece com uma porta que, depois que
abre, nunca mais se fecha.
Quando a porta é autêntica e consistente, ela tende a se tornar uma passagem
quase obrigatória no caminho das pessoas e, de um jeito menos poético, as grandes
ideias e criações trazem novas percepções do mundo. E, por isso, você ainda é
capaz de se questionar se os brinquedos realmente não têm vida ou se no palito de
picolé existe uma frase que dá direito a mais um.
Como é possível construir portas tão grandes assim? O que essas pessoas assistiram,
leram ou comeram para que pensamentos pudessem ser fundidos? Hoje,
após 16 anos escrevendo, criando e dirigindo, eu tenho um palpite. A autenticidade
eclode da aspiração e do desejo. E a consistência nasce da inspiração: de como
você atravessou o tempo, do que assistiu, de quais das suas mentiras viraram boas
histórias, mas, principalmente, de quantas vezes você parou para assistir à vida e
usá-la como referência.
A arte imita a vida. O tubarão do Spielberg tem o dobro do tamanho do real, mas
ele tem o tamanho correto se você for fiel às histórias de pescadores. E essa é a
minha reflexão: assistir à vida como uma grande referência e como um eterno Staff
Pick do Vimeo. Como escrever uma cena de desespero sem nunca ter assistido a
vários tipos de desespero, de pessoas e lugares diferentes?
Lembro-me bem do dia em que presenciei uma garota que chegou atrasada
para sua viagem de férias no aeroporto. Ela não tinha como remarcar, não tinha
dinheiro para alterar a sua passagem, e nada ali, por alguns minutos, fazia sentido.
Então, ela se vestiu de desespero — um traje que ignorava qualquer presença.
Enquanto gritava, olhava para as mãos para ver se encontrava algum sentido irracional
em tudo aquilo, como se buscasse na derrota algum tipo de maldição ou intervenção
demoníaca. Poucos segundos depois, em vez de deslizar lentamente por
alguma pilastra chorando, ela simplesmente deitou no chão. Encostou a cabeça em
sua mochila laranja e dormiu em posição fetal. Ela não usou o celular, não chamou
a gerente e não olhou para a câmera.
Nós, involuntariamente, reagimos de formas muito específicas. Saber usar isso
é um ótimo batente e gostaria de ver mais disso nos filmes publicitários. Mais sangue,
suor, poeira, migalha de bolacha, cupom fiscal dobrado no bolso da calça que
foi lavada.
Se você conseguiu entrar dentro dessa reflexão e trabalha com criação, leve seu
caderninho ou anote no guardanapo a sua próxima referência. Até porque construímos
essas portas para essas pessoas, e ninguém vai ligar para a sacada genial no
detalhe da maçaneta, mas sim para onde essa porta leva.
Bruno Maffei, diretor de cena da Ilha Crossmídia
jornal propmark - 2 de março de 2026 31
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alessandra Sena/Divulgação
Ana Celina toma posse como presidente da Fenapro
A Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro) realizou, no último dia 25, evento que marcou a posse da nova diretoria que estará à frente da entidade no
biênio 2026-2027. Ao todo, participaram cerca de 70 representantes e líderes da indústria da comunicação. Presidida pela publicitária Ana Celina Bueno, primeira mulher
a assumir o cargo na Fenapro, a diretoria conta com um time de diretores que representam as diversas regiões do país. A diretoria é composta por Juliano Brenner Hennemann
(RS), vice-presidente; Daniel Queiroz, que ocupava a presidência da entidade e assume como diretor de relações institucionais; Alexandre Pedroni (ES), diretor
tesoureiro; e pelos diretores conselheiros Roberto Tourinho (SP), Adriany Bueno (MS) e João Daniel (RN). “Essa composição da diretoria traz muito da regionalização do
Brasil. É importante termos essa diversidade e um olhar mais plural para o setor e as agências dos diferentes portes distribuídas em todo o país, que movimentam a
roda da publicidade brasileira. Essa representatividade de diversas regiões nos tornará mais fortes”, afirmou Ana Celina.
Nova diretoria da Fenapro: Daniel Queiroz, diretor de relações institucionais; Roberto
Tourinho, diretor conselheiro; Juliano Brenner Hennemann, vice-presidente; Ana Celina
Bueno, presidente; Adriany Bueno, diretora conselheira; Alexandre Pedroni, diretortesoureiro;
e João Daniel, diretor conselheiro
Lideranças femininas na propaganda: Fani Rocha (Sinapro-ES), Mariana Panhoni (Abap),
Patricia Alexandre (Sinapro-SP), Ana Paula Passarelli (Brunch), Regina Augusto (Cenp),
Ana Celina Bueno (Fenapro), Letícia Carvalho (Sinapro-PE), Adriany Bueno (Fenapro),
Juliana Albuquerque (Conar), Vanessa Lopes (Cenp) e Juliana Andrade (Cenp)
Juliano Brenner Hennemann (Fenapro), Dudu Godoy (Sinapro-SP), Ana Celina Bueno
(Fenapro), Luiz Lara (Cenp) e Daniel Queiroz (Fenapro)
Lideranças dos Sinapros de todo o país
32 2 de março de 2026 - jornal propmark
Olympikus e Vanderlei Cordeiro apresentam o
‘Corre do amanhã’
A Olympikus e o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro
deram um importante passo na missão de impulsionar
a corrida no Brasil ao lançarem o projeto
‘Corre do amanhã’, que visa a patrocinar e apoiar
jovens atletas. O anúncio aconteceu durante a apresentação
do movimento ‘Nova era da corrida’, que
marcou a estreia do Corre Pace, o primeiro ultratênis
desenvolvido no Brasil. O evento, realizado no
último dia 24, contou com a participação de Márcio
Callage, CMO da Vulcabras; Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras;
Evandro Kollet, diretor de inovação & desenvolvimento
da Vulcabras; do medalhista olímpico
Vanderlei Cordeiro; e de Ricardo D’Angelo, treinador
responsável pelo projeto, além de jovens atletas e
medalhistas da categoria.
Fotos: Alê Oliveira
Márcio Callage, CMO da Vulcabras, e o medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro com o termo de compromisso
do projeto ‘Corre do amanhã’
Márcio Callage e Vanderlei Cordeiro com jovens atletas
e medalhistas da categoria
Ricardo D’Angelo, Márcio Callage, Vanderlei Cordeiro,
Evandro Kollet e Pedro Bartelle
Corre Pace, o primeiro ultratênis desenvolvido no Brasil
Fotos: Alê Oliveira
Erin Riley, Carol Boccia, Sandra Martinelli (ABA)
e Leo Macias
Luiz Lara, Erin Riley, Carol Boccia e Leo Macias
Essio Floridi (Estadão), Luiz Lara (TBWA e Cenp), Sandra Martinelli (ABA), Paulo Itabaiana (Record), Márcia Cristina Santos
(ABA) e Francisco Rosa (Record)
Lola\TBWA se apresenta em grande estilo
A Lola\TBWA se apresentou ao mercado brasileiro em um evento realizado na noite do último dia 25, no Anexo do Masp, novo prédio do icônico museu da Avenida Paulista.
Sob a liderança da CEO Carol Boccia, a agência nasce com uma proposta centrada na criatividade, com musculatura global, valorização das pessoas e metodologia.
“O lançamento da Lola\TBWA marca o início de um novo ciclo. Estamos construindo uma agência preparada para os desafios contemporâneos da comunicação, com uma
mentalidade global, forte integração entre disciplinas e um compromisso genuíno com criatividade relevante para os negócios dos clientes”, afirma a executiva. A festa de
lançamento, realizada estrategicamente no Masp por simbolizar o posicionamento da agência ’estrutura e expressão criativa’, contou com uma coletiva de imprensa à moda
antiga, em que participaram, além de Carol, a CEO global da rede de agências TBWA, Erin Riley; e o líder criativo Leo Macias, CCO da Lola\TBWA. Entre os convidados estavam
nomes de destaque do mercado da propaganda, clientes, entidades do setor, parceiros, representantes dos veículos de comunicação e colaboradores da agência.
jornal propmark - 2 de março de 2026 33
última página
Alê Oliveira
Nada parece
interessante
Stalimir Vieira
Faz alguns anos, a publicidade esqueceu de
mim. Não como profissional, mas como consumidor.
Curiosamente, numa fase da vida em
que estou em condições bastante favoráveis para
consumir.
As marcas, no entanto, não parecem nem um
pouco interessadas nisso. É verdade que, com o
tempo, me tornei mais criterioso, menos impulsivo
e menos sujeito aos apelos convencionais dos
anúncios.
Ficou mais difícil me convencer a comprar alguma
coisa, a mudar ou incorporar um hábito.
Conversando com amigos da mesma geração,
concordamos que a experiência adquirida com
o avanço da idade vai moldando em nós uma
clareza maior sobre o que queremos e o que não
queremos.
O que obriga qualquer proposta que recebamos
a ter o poder de tentar nos demover de algumas
convicções. Não é coisa simples.
A publicidade, de um modo geral, trata de estimular
experiências. Quanto mais experiência
tivermos, menos novidades vamos identificar
nas sugestões de potenciais experiências. Outra
barreira interessante é o progressivo interesse
cultural.
Não por espetáculos embalados pelo marketing,
capazes de mobilizar milhões de pessoas.
Mas por manifestações intelectuais que estimulem
a reflexão e a sensibilidade, verdadeiros
nutrientes da sabedoria. Isso não significa uma
vida de isolamento ou refratária ao novo.
Pelo contrário: nunca tive tanta curiosidade e
nunca acolhi tanta informação.
Nesse aspecto, aliás, a inteligência artificial
tem sido uma ferramenta utilíssima, entregando
de bandeja, em segundos, aquilo que uma curiosidade
acurada exige.
É interessante o quanto esse encanto com as
possibilidades de acessar, rapidamente, o infinito
universo do conhecimento científico e filosófico,
por outro lado, empurra para a simplicidade.
É como se tudo o que foi “consumido” para, num
dia, atender a circunstâncias presas a rotinas funcionais
ou sociais, fosse se tornando obsoleto e a
suficiência cada vez mais elementar.
Desde que comprei o primeiro carro da Honda,
não abandonei mais a marca. Foram 15 anos com
o primeiro e já dois com o segundo. Isso diz muita
coisa sobre meu perfil de consumo.
Fazendo uma retrospectiva, concluo que, no
momento em que eu pude pagar o que identifiquei
e confirmei como sendo uma marca confiável,
não a abandonei mais.
O motivo é bastante simples: não tenho nenhum
interesse pelo assunto.
Fico imaginando, então, o desafio da publicidade
para me vender um carro, atualmente. Difícil.
Assisto a praticamente todos os telejornais, em
canais abertos e por assinatura.
Nos intervalos, não percebo nada que me interesse.
Nada que me estimule algum sentimento,
algum desejo, alguma vontade de saber mais
sobre o produto ou o serviço. Nas redes sociais, a
mesma coisa.
Apenas sucessões de imagens e ruídos. Parece
que a publicidade desaprendeu a conversar com a
inteligência. Ou, quem sabe, apenas, estrategicamente,
se desinteressou dela.
Se antes, a forma criativa de expressão era
um instrumento potencializador do interesse
pelo conteúdo, agora, ao virar um padrão quase
uniforme, contaminou a percepção dos produtos.
Parecem todos iguais.
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
“Parece que
a publicidade
desaprendeu a
conversar com
a inteligência”
34 2 de março de 2026 - jornal propmark
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