edição de 9 de março de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.081 - 9 de março de 2026 R$ 20,00
Mulheres ressignificam o papel da
liderança no mercado publicitário
Executivas ocupam cada vez mais posições estratégicas na indústria publicitária, se destacando com um novo jeito de liderar: mais empático, inspirador
e colaborativo. Uma transformação em curso que não ocorreu espontaneamente. Por isso, em um cenário de inflexão como esse, alcançar
cargos-chave passa a ter um significado que vai além da carreira individual. E como muitas pesquisas mostram, a presença feminina em postos de
comando também ajuda a ampliar a perspectiva e a mudar a cultura das empresas. Nesta edição, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher
(celebrado em 8 de março), o propmark traz o Especial Lideranças Femininas com vozes que estão reconfigurando a liderança no mercado. pág. 12
AFRICA CREATIVE/ — KIMBERLY-CLARK
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© 2026 AFRICA CREATIVE/ All Rights Reserved.
editorial
Armando Ferrentini
As mulheres do mercado
Mesmo que reflita as estatísticas de mulheres no comando no mercado de
trabalho brasileiro - apenas 39% dos cargos gerenciais são ocupados por
elas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) -, a
configuração da liderança na indústria da comunicação está se transformando.
No caso das agências, apesar de representarem a maioria no quadro de colaboradores,
com 57% de mulheres, 24% delas ocupam posições de CEO e, em diretorias,
elas já preenchem 30% dos cargos, um avanço em relação a anos anteriores, segundo
o Observatório de Diversidade na Propaganda.
Cada vez mais, executivas conquistam espaços-chave, e a presença feminina em
posições estratégicas ajuda a imprimir um novo estilo de liderança no setor, a
ampliar perspectivas e transformar a cultura das empresas. Dentro desse contexto,
ser líder passa a ter um significado que vai além da trajetória individual.
Nesta edição, o propmark apresenta o Especial Lideranças Femininas, com depoimentos
de líderes de algumas das principais agências e marcas do mercado que
se destacam pelo que estão fazendo para transformar negócios e suas trajetórias
bem-sucedidas, que ajudam a inspirar outras mulheres.
A influência é verdadeira, mesmo que não seja dita. Tatiana Pacheco, COO da Cheil
Brasil, por exemplo, relata que com o tempo passou a perceber o impacto simbólico
de sua posição para outras mulheres no mercado. “Demorei a perceber o
quão importante era para outras colegas o papel que eu representava.”
Além de servirem como inspiração, outra contribuição importante dessas líderes
modernas é incentivar as empresas a desenvolver programas de mentoria para
mulheres, disseminar a cultura da diversidade e semear um ambiente em que as
colaboradoras se sintam confortáveis em contextos historicamente masculinos,
algo que pode se refletir na dinâmica de simples reuniões.
Camilla Massari, VP de atendimento e negócios da AlmapBBDO, reforça o coro de
que ampliar a diversidade nas mesas de decisão é essencial para enriquecer debates
e melhorar a qualidade das escolhas estratégicas. Ela vai além do discurso.
Na Almap, participou da criação do programa de mentoria ElevaElas, que busca
apoiar o crescimento profissional de mulheres dentro da agência e aumentar a
presença feminina em posições de liderança. “Quando mulheres apoiam outras
mulheres, o caminho coletivo fica mais curto”, declarou à reportagem.
Exemplos de líderes fortes no mercado não faltam. O leitor vai encontrar no especial
histórias inspiradoras sobre a trajetória das entrevistadas e visões certeiras
de profissionais que ajudam a moldar a “nova” propaganda contemporânea.
Mas nem tudo são flores. Para chegar onde estão, as profissionais quebram barreiras
- às vezes invisíveis - em um setor dominado historicamente por homens
e enfrentam, assim como a maioria das brasileiras, as desigualdades de gênero
que ainda estruturam o mercado de trabalho.
De acordo com o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025 (Raseam), elaborado
pelo Ministério das Mulheres por meio do Observatório Brasil da Igualdade
de Gênero e com base em indicadores do IBGE, as mulheres continuam enfrentando
maiores obstáculos na inserção e na progressão profissional, com diferenças
persistentes de remuneração e acesso a posições de maior autonomia.
A presente edição deste jornal é uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher,
celebrado em 8 de março, data oficializada pela ONU, em 1975, em reconhecimento
aos direitos das mulheres.
Frase:“Não se nasce mulher, torna-se mulher” (Simone de Beauvoir em seu livro ‘O
segundo sexo’) .
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
99 escolhe Fbiz para
social e search da 99Pay
A 99 selecionou a Fbiz para atuar nas frentes de social e search da 99Pay.
O trabalho busca ampliar presença digital e consolidar a conta como
referência em soluções financeiras.
3ª
CEO global da TBWA afirma que
rede quer algo novo no Brasil
Em evento no Masp, Erin Riley afirmou que a TBWA busca começar
“algo novo” no país com a Lola\TBWA, movimento que sucede a
fusão entre DM9 e Lew’Lara\TBWA.
Criação amplia responsabilidades e
reforça o papel estratégico da área
Série ‘Por dentro das agências’ estreia ouvindo 12 lideranças criativas sobre
a reorganização da área nas empresas. Squads integrados, colaboração
com estratégia, dados e IA reposicionam a responsabilidade da criação como
eixo central das decisões.
4ª
A marca apresenta o posicionamento ‘Faz valer’, com nova versão da
música ‘Tempo perdido’. Campanha aborda a chamada insônia financeira
dos brasileiros e conecta a narrativa a produtos e soluções do banco.
5ª
Nubank faz releitura de clássico
da Legião Urbana em novo filme
WMcCann anuncia Rapha Borges
como novo chief creative officer
Executivo assume como CCO da WMcCann a partir de 9 de março e se
reportará à CEO Renata Bokel. O criativo retorna à agência onde iniciou
a sua carreira.
jornal propmark - 9 de março de 2026 3
índice
Vozes femininas reconfiguram liderança no mercado
Em homenagem ao Dia
Internacional da Mulher,
comemorado em 8 de
março, o propmark traz
o Especial Lideranças
Femininas com depoimentos
de executivas de agências e
marcas que estão mudando
o jeito de conduzir as
equipes e os negócios.
12
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Sócio e CEO da SoWhat fala sobre
crescimento de 45% da agência
Bruno Lunardon avalia que trata-se de um “número
considerável para uma operação que não é baseada
em mídia”. O executivo destaca o posicionamento
agnóstico da agência curitibana, com cultura
horizontal e cocriação. pág. 10
Investimento publicitário cresce 10%
em 2025, aponta ranking Cenp-Meios
O investimento publicitário por meio das autorizações
de mídia de 330 agências do mercado brasileiro
atingiu R$ 28,9 bilhões, o que representa um avanço
de 10% em relação ao ano anterior, indica o relatório
do Cenp-Meios. pág. 33
Assinaturas
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Redação
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@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................7
Quem Fez ...........................................................................8
Entrevista ..........................................................................10
Especial Lideranças Femininas ........................................12
Mercado .............................................................................27
Pesquisas ..........................................................................28
Agências ............................................................................29
Mídia ..................................................................................33
Giro no Mercado ................................................................36
SXSW ...................................................................................38
Inspiração ..........................................................................39
Opinião...............................................................................40
ESG no MKT ........................................................................42
Out of Home ......................................................................43
Click do Alê ........................................................................44
Última Página ....................................................................46
RZK Digital passa a
atuar como player de
pesquisa quantitativa
Claudia de Armas fala sobre a
abertura da RZK Insights. Ela
explica que o painel proprietário da
empresa conta com mais de 200
variáveis e opera com tecnologia
wi-fi integrada a um sistema de
identificação e roteamento das
pessoas que respondem aos
questionários. pág. 43
4 9 de março de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Post: Click do Alê: Lola\TBWA se
apresenta ao mercado
Arrasou!
Luciana Munaretti
TRIÊNIO
A agência Be Nice To People está completando três anos de atuação no mercado neste mês
de março. “Estamos entrando em uma fase de consolidação do nosso modelo de negócio,
que é baseado em três pilares fundamentais: branding, storytelling e relacionamento. Mas
temos ainda muitas oportunidades para crescer em mercados carentes de um modelo
enxuto, ágil e em que os donos estão presentes no negócio”, afirma a sócia-fundadora
Fernanda Kubiack (na foto acima ao lado dos sócios Fernando Garros e Ubiratan Fontoura).
Eles celebram a chegada das contas da Kepler Weber e da InBetta (detentora das marcas
Bettanin, Atlas, SanRemo, Ordene, Loft, Sandene, Bettech e LaNossi).
MOBILE
O Grupo Abril está lançando o Pop! Pop! Pop! (novelinhas pop), plataforma dedicada a
microdramas - novelas pensadas para o consumo no celular.
Post: Mercado Livre cria uma equipe
própria para Stock Car Pro Series
Que time!
Andrea
Post: Action OOH mira expansão na
América Latina
Go time!
Bruna Bittencourt
Post: BeHumble estreia no mercado
publicitário
Lacrou!
Xbarnabe
Post: Grupo Podpah cria Podpah
Records
Duailibi Essencial
A história sendo escrita!
Ricardo Schwarz
Post: João Binda, da JCDecaux:
‘Oferecemos audiência, e não apenas
telas ou espaços publicitários’
Excelente fala!
Ana Celia Biondi Rodriguez
Voa, meu amigo!
Wlamir Lino
“Toda mulher é coração; até a cabeça” (Johann Friedrich Richter).
dorinho
FRANCHISING
Dados apresentados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) na semana passada
mostram que o franchising brasileiro encerrou 2025 com crescimento de 10,5% e faturamento
de R$ 301,2 bilhões por meio de 3.297 redes em operação e um aumento de 2,4%. “Sinal de um
setor que evolui menos por volume de marcas e mais por capacidade de execução”, afirma
Lyana Bittencourt (foto acima), CEO do Grupo Bittencourt. A entidade destacou três setores
com avanço acima da média: Limpeza & Conservação (+16,8%), Saúde, Beleza e Bem-estar
(+14,8%) e Alimentação, Comercialização e Distribuição (+12,9%).
INTEGRAÇÃO
A Messs reforça sua parceria com a Eudora,
marca do Grupo Boticário, e passa a ser a
agência líder de criação, estratégia e mídia
nas categorias de makeup e instance/
corpo até 2027. A decisão é resultado de
um período de colaboração que gerou a
produção de sete campanhas ao longo
dos últimos anos. O novo escopo inclui
criação, planejamento, conteúdo, mídia
e inteligência de dados em uma única
operação. “As campanhas realizadas
demonstram nossa capacidade de operar a
partir de uma cultura de integração”, afirma
Arthur Chini (foto), sócio-fundador e diretor
executivo da Messs.
6 9 de março de 2026 - jornal propmark
curtas
Divulgação
Guia da aprO recOmenda nOrmaS
para cOncOrrênciaS maiS juStaS
A Associação Brasileira da Produção Audiovisual (Apro) lançou o ‘Guia de boas práticas
para a concorrência no mercado de produções audiovisuais publicitárias’, que traz
recomendações para processos mais transparentes e justos entre agências, produtoras
independentes e estruturas in-house. O Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema
Publicitário (Abap) e a Associação Brasileira dos Diretores de Cena (ABDC) são apoiadores
institucionais do documento. “O guia é um passo para o amadurecimento do nosso ecossistema,
um compromisso real com a transparência e a ética. O nosso objetivo é que cada
concorrência seja uma oportunidade de fortalecer a confiança, assegurando um mercado
saudável onde a propriedade intelectual seja respeitada e o esforço criativo, devidamente
valorizado”, comenta Marianna Souza (foto), presidente-executiva da Apro. Marcia Esteves,
presidente da Abap Nacional, lembra que “este guia traz informações claras para que
todos os agentes possam atuar com transparência e ética”, enquanto a ABDC ressalta o
caráter coletivo da iniciativa, “que nos fortalece como setor e nos impulsiona a seguir
trabalhando pela construção de relações mais equilibradas e justas”.
Divulgação
SBT reforça digiTal e renova com genTili
Elenco de ‘A caverna encantada’, agora com exibição também no canal TV Zyn, do YouTube
O TV Zyn, canal do SBT no YouTube, exibirá dois capítulos diários da novela infantojuvenil ‘A
caverna encantada’ às 18h e 19h. Escrita por Iris Abravanel, a produção já integrava o catálogo
do +SBT. Segundo dados da Kantar citados pela emissora, a atração já alcançou mais de 101
milhões de telespectadores. O SBT também renovou contrato por mais dois anos com Danilo
Gentili, há 12 anos no comando do programa ‘The noite’. “Estou muito feliz por permanecer”,
diz o apresentador. “Danilo Gentili já entrou para a história da televisão brasileira como um
dos grandes nomes do talk show. Seu talento e inteligência são diferenciais na grade do SBT”,
confirma Leon Abravanel, vice-presidente de conteúdo e comunicação do SBT.
Divulgação
ação da arezzo Traz Sarah jeSSica Parker
A atriz Sarah Jessica Parker em peça da varejista de calçados
Arezzo: ícones fashion da cultura pop em todo o mundo
A atriz Sarah Jessica Parker
está em campanha da Arezzo.
‘Obcecada por sapatos, desde
sempre’ é o mote da iniciativa
que utiliza estética minimalista
para promover a coleção de
inverno da marca. Retratos de
estúdio destacam o design dos
calçados, posicionados como
símbolo de atitude e expressão,
conectando a trajetória
da atriz à essência da marca. A
personagem Carrie Bradshaw,
da série ‘Sex and the city’,
eternizou a ligação de Sarah
com o universo dos sapatos.
A fotografia é assinada por
Lufré, com direção criativa de
Estela Padilha, styling de Flavia
Lafer, filme dirigido por Carlos
Queiroz, produção executiva da
Aura e intermediação da Mood
Marketing (Brasil) e Mayflower
(Estados Unidos).
BradeSco conSórcioS Tem nova liderança maria Pirajá chega ao PuBliciS grouPe eleTromidia conTraTa giovanni riveTTi
Divulgação
Divulgação
Divulgação
Nathalia Garcia atuava na diretoria de marketing do Bradesco
O Bradesco nomeou Nathalia Garcia como diretora da Bradesco
Consórcios. A movimentação amplia o trabalho da
executiva em uma frente estratégica do banco. Nathalia
deixou o comando do marketing da instituição. Em janeiro,
o Bradesco escolheu Renato Camargo para o seu lugar.
De acordo com a marca, Nathalia liderou, desde 2022, o
marketing do Bradesco “com foco na construção de valor,
no fortalecimento reputacional e na ampliação da conexão
da disciplina com os objetivos estratégicos do banco”.
No novo cargo, Nathalia dará continuidade à agenda de
desenvolvimento da Bradesco Consórcios, negócio que
registrou faturamento de R$ 43,8 bilhões em 2025, priorizando
crescimento sustentável.
Déa Fernandes e Maria Pirajá: criatividade, dados e cultura
Maria Pirajá é a nova VP de growth do Publicis Groupe
Brasil. Ela responderá à chief revenue and growth officer
Déa Fernandes, “integrando criatividade, dados e cultura
de forma estratégica”. Transformação e desenvolvimento
de negócios devem apoiar “o modelo de plataforma do
grupo em um mercado cada vez mais complexo”, observa
Maria, que ao longo de mais de 15 anos de carreira passou
por Lew’Lara\TBWA, Ogilvy, Santa Clara, NBS e Grey Brasil.
Em seu escopo de trabalho, está o desafio de potencializar
conexões entre especialidades e aprofundar relações de
longo prazo com clientes, além de fortalecer a presença do
grupo no mercado brasileiro, contribuindo para a geração
consistente de valor e relevância para as marcas.
Giovanni Rivetti: desenhar o OOH a partir de contextos reais
A empresa de mídia out of home (OOH) Eletromidia contratou
Giovanni Rivetti para a posição de chief marketing and
innovation officer (CMIO). O movimento consolida a integração
com a Context Creative Tech, adquirida em dezembro de
2025, sob a joint venture eletroLAB, que passa a operar como
camada transversal. O modelo também sustenta a expansão
das iniciativas mobile. “A nossa ambição é desenhar o
OOH a partir das pessoas, dos fluxos e dos contextos reais
de uso”, aponta Rivetti. “Giovanni combina visão de negócios
com execução técnica em alto nível. Essa convergência
entre criatividade, dados e inovação é fundamental para o
momento da Eletromidia e acelera nossa entrega de valor
ao mercado”, valida Alexandre Guerrero, CEO da Eletromidia.
jornal propmark - 9 de março de 2026 7
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
ALMAPBBDO
ZAP ImóveIs
Fotos: Divulgação
Título: ‘Mudança’
CCO: Pernil
VPs de criação: Fernando Duarte e Henrique Del Lama
VP de insights criativos: ricardo chester
Diretores de criação: Daniel chagas martins e Igor cabó
Criação: Fabio tedeschi
Produtora: santa transmedia
Aprovação: sanny manhães
Nova campanha marca atual momento de ZAP, que passa por um rebranding
pensado para reforçar seu posicionamento de especialista no setor
imobiliário. As mudanças, sutis e estratégicas, aproximam ainda mais a
marca da categoria e tornam sua atuação mais clara e imediata para o
público. A identidade visual incorpora o ícone de uma casa, com o ‘Z’.
DPZ
yPê
Título: ‘Tixan rende boas histórias com você’
CEO: Benjamin yung Jr.
Diretor de criação: Leandro Dolfini
Criação: Felipe Azambuja, Pia saboia, carol Kiatake e Giulia rebello
Ação é liderada pelas apresentadoras Ticiane Pinheiro e Thais Fersoza,
que protagonizam as principais histórias e ampliam o alcance
da conversa ao compartilhar situações do dia a dia. A iniciativa também
conta com a participação de criadores de conteúdo como Marta
Blogueira e Stefany Borges. “Nosso novo posicionamento nasce
desse olhar para histórias reais”, resume a CMO Marcela Mariano.
LEO
PArAmount PIctures
Título: ‘estreia Pânico 7’
Co-presidentes: Fabio Brito e rafaela Queiroz
CCO: vinicius stanzione
CCO: Isabella cinopolli
CSO: Priscila ceruti
Aprovação: Luciana Falcão, rodrigo melo, Pedro novaes, Luana claro e
emanuelle dos santos
Em cartaz desde o dia 26 de fevereiro, a campanha parte de um direcionamento
estratégico para amplificar o suspense característico da saga ao inseri-lo
em ambientes tradicionalmente associados à celebração coletiva. A partir
dessa lógica, ‘Pânico 7’ ocupa territórios como futebol, Carnaval e ‘Big Brother
Brasil’, criando contraste, tensão e relevância cultural em escala.
8 9 de março de 2026 - jornal propmark
conteúdo de marca
em nova campanha,
oriba enaltece a diversidade
para mostrar a democracia do jeans
Com ator Antonio Pitanga, marca faz uma provocação ao trazer
a ideia de que a representatividade não é um conceito importado
Bruna Magatti
Divulgação
Hugo Toni / Divulgação
Afinal, o que significa ‘pureza’ em 2026? Essa
é a reflexão central da nova campanha da
Oriba, em um momento em que, gigantes
do mercado estão definindo a ideia de pureza em
suas comunicações e gerando debates controversos
sobre genes e identidade. Para isso, a marca
escolheu um dos maiores nomes da cultura brasileira
para protagonizar a nova fase do Beta Jeans.
Aos 84 anos, o ator Antonio Pitanga é o rosto da
campanha, que propõe uma reflexão sobre quem,
de fato, é representado pela indústria do denim.
A mensagem é clara: pureza não diz respeito à raça
ou a origem de cada um. É essência. É o básico
bem feito. São relações transparentes, processos
responsáveis e a construção de peças que partem
da igualdade, onde todos têm os mesmos direitos
e o mesmo valor. Através deste pensamento, nasceu
a campanha ‘O básico em todas as formas’.
A escolha de Pitanga não é por acaso e chama
atenção para um mercado que opta por estéticas
jovens. Ícone do cinema nacional, símbolo de resistência
cultural e protagonista de décadas de
transformação no audiovisual brasileiro, o ator
veste o denim da marca reforçando que o básico
pode, e deve, existir em todas as formas, idades e
trajetórias.
“Queremos tensionar esse debate e posicionar
o Beta Jeans como uma resposta brasileira, concreta
e simbólica a esse cenário. Para nós, representatividade
não é apenas comunicação, é escolha,
casting e prática”, comenta Paulinho Moreira,
Chief Brand Officer da marca.
Diversidade e consciência
A campanha complementa a evolução do Beta
Jeans, que segue estruturado como plataforma de
inovação sustentável da Oriba. Desde sua criação,
a linha já recuperou e devolveu ao meio ambiente
mais de 2.6M litros de água tratada, reutiliza 98%
da água empregada no processo produtivo e adota
protocolos internacionais como o ZDHC (Zero
Discharge of Hazardous Chemicals), que restringe
o uso de substâncias nocivas na indústria têxtil.
Com a reengenharia produtiva e a redução de
impacto ambiental já avançadas, a nova campanha
reforça o pilar Pessoas da marca, partindo da
ideia de que o jeans é, por natureza, democrático,
mas nem sempre foi comunicado dessa maneira,
ampliando a conversa sobre representatividade,
A nova campanha reforça o pilar Pessoas da marca
a marca utiliza o jeans
como linguagem para
provocar a indústria
Para a Oriba, o jeans existe em todas as formas e idades
inclusão e quem ocupa o espaço simbólico do denim,
através da imagem madura, brasileira e icônica
de Antonio Pitanga. Mais do que acompanhar
tendências globais, a marca utiliza o jeans como
linguagem para provocar a indústria e reforçar
seu posicionamento: representatividade não é
um conceito importado. É prática cotidiana, construída
a partir de decisões reais.
O ator Antonio Pitanga protagoniza a campanha
jornal propmark - 9 de março de 2026 9
entrevista
Bruno Lunardon
sócio e CEO da SoWhat
‘Parece até que já estamos
na metade do ano’
A curitibana SoWhat foi fundada dentro
do Grupo Master e dividia espaço com
empresas de produção audiovisual e
consultoria estratégica. Hoje impera
sozinha. “No último ano, encerramos o
nosso ciclo de investimento e sociedade
nos demais negócios”, conta o sócio e CEO
Bruno Lunardon. Ele celebra “o jeito menos
automático e mais conectado com a
cultura real”, que já embalou trabalhos para
O Boticário, Tirolez e Eudora neste início
de 2026. Nos últimos dois anos, a SoWhat
registrou uma expansão superior a 45%
em faturamento, “número considerável
para uma operação que não é baseada
em mídia”, observa. Egresso da área de
atendimento e estratégia, o executivo fala
a seguir sobre o posicionamento agnóstico
da agência, baseado em cultura horizontal
e cocriação. “Somos questionadores por
natureza”, diz.
Janaina Langsdorff
Como começou a história da agência?
A SoWhat nasceu em Curitiba, há dez anos, a partir de uma inquietação: fazer
comunicação de um jeito menos automático e mais conectado à cultura real. Sabíamos
que o mundo não precisava de mais uma agência de publicidade. Desde o
começo, a ideia foi questionar modelos e construir cases que provassem que era
possível fazer diferente e ter resultados que mudassem os ponteiros criativos e
de negócios. Desde a forma de remuneração até a forma de encarar os desafios
propostos pelas marcas, a gente precisava de uma nova lógica de operar. A So-
What foi fundada dentro do Grupo Master. Crescemos fora do eixo tradicional, o
que moldou a nossa forma de pensar, operar e criar. O mundo é diferente quando
o horizonte não é o mesmo dos seus concorrentes.
Como está o Grupo Master hoje? Além da SoWhat, a produtora
Ambiência e a consultoria In.sight ainda operam?
Criamos o grupo assim que assumimos a Master, nossa agência mãe, em 2019,
transformando-a em um grupo e trazendo novas iniciativas e empresas. Foi uma
oportunidade interessante para aquele momento. Atualmente, estamos focados
na agência SoWhat. No último ano, encerramos o nosso ciclo de investimento e
Divulgação
sociedade nos demais negócios, que eram uma frente de produção audiovisual
e uma consultoria estratégica. Os negócios não estavam mais fazendo sentido
para a nossa expectativa do futuro. Temos alguns movimentos previstos e novas
rodadas de investimento. Essa leitura está muito mais ligada ao ecossistema
que aprofundamos na SoWhat. O caminho de olhar como grupo é sempre atraente,
mas não é tão simples assim de operar. Haja vista que nem todos os grupos
prosperam da mesma forma.
Quem são as lideranças da SoWhat hoje?
Hoje, a liderança principal da SoWhat é dividida entre o board, composto por mim
como CEO e pelos sócios Caroline Swinka (co-CEO) e Joanildo Castilho (CFO). Além
disso, temos Sofia Ricciardi como diretora-executiva, e um grupo de lideranças
por área: criação, estratégia, relevância, social, BI, audiovisual, experiência, atendimento
e operações.
Como está estruturada a operação?
O nosso escritório principal segue em Curitiba, que é onde a SoWhat mantém a
sua base. Estamos em um dos principais prédios comerciais da cidade, ocupando
um andar inteiro, com design inaugurado após reforma feita em 2024. Mudamos
a cara da agência para fazer jus ao nosso posicionamento agnóstico. Uma das
10 9 de março de 2026 - jornal propmark
“A integração precisa
acontecer desde o insight,
não só na execução”
preocupações foi refletir a nossa cultura horizontal e de cocriação. Também estamos
presencialmente em São Paulo, em um espaço no Itaim, para ficarmos próximos
dos clientes e do mercado publicitário, já que somos uma agência nacional,
que atende clientes também de presença nacional.
Como foi a decisão de vir para São Paulo?
A gente não tinha a ambição de crescer em São Paulo. O nosso plano inicial era
ir para outras cidades da América do Sul, onde poderíamos ter uma concorrência
menor. No entanto, entramos na cena paulistana e não saímos mais. Ano após
ano, ampliamos a nossa presença na cidade, seja com estrutura ou pessoas.
Há planos para abrir novos escritórios?
Mais do que escritórios físicos, a SoWhat é uma agência distribuída: temos talentos
em diferentes regiões do país, de Porto Alegre e Rio de Janeiro ao Maranhão, e
até em outros países, o que amplia o repertório cultural. Se novos espaços físicos
surgirem, será muito mais como hubs estratégicos para atendimento a clientes
que demandam essa presença do que como escritórios.
Quantos funcionários a agência possui hoje?
A SoWhat conta com uma equipe multidisciplinar de aproximadamente 150 talentos
bastante diversos, o que contribui para a nossa leitura de cultura e comportamento.
Esse time é organizado de forma integrada, com poucas barreiras
entre áreas e troca constante.
Quais clientes atende?
O Boticário, para o qual somos a agência líder de TikTok da marca, além de projetos
pontuais como agência líder (Egeo Melancia, Chefe dos Descontinuados, K-
-Drama etc.); Brilhante, como agência de social; Eudora, com o escopo de social
considerando Instagram, TikTok, YouTube, X e canais de transmissão; Grupo Boticário,
como agência full e liderando alguns eventos; Colorama, como agência
criativa líder; Tirolez, como agência líder em social e influência; Pátio Batel, um
shopping de luxo de Curitiba, em que atendemos as campanhas; e Mobilize, braço
financeiro do grupo Renault e Nissan, onde somos agência líder em social e influência.
Além dos clientes fixos, temos projetos pontuais. Recentemente, trabalhamos
para Vans, Electrolux, Ambev, PepsiCo e Unilever, entre outros.
Quais as principais campanhas de 2025?
Em Boticário, tivemos o ‘K-Drama’, primeiro filme publicitário no formato coreano
para relançar a linha Morango e Leite. Lançamos também ‘Egeo Cogu’, com uma
imersão sensorial conhecida como shifting, além de irmos à final da NFL em mais
uma edição do nosso consagrado Botiverso. Eudora chegou com tudo e o nosso
primeiro movimento foi com a Kelly Piquet, no momento icônico do automobilismo
no Brasil, em que potencializamos as WAG’s – conhecidas como mulheres e
namoradas dos atletas. Para PepsiCo, escalamos a Sabrina Sato para lançar Pop-
Corners, produto consagrado no exterior que chegou ao Brasil. Junto à Renault
OnDemand, os carros por assinatura, fizemos um trabalho de performance durante
o ano e melhoramos os custos de aquisição. Em Unilever, iniciamos trabalho
com Comfort e Brilhante, ampliando os números de atuação nas redes sociais.
E 2026, como começou?
Parece até que já estamos na metade do ano. Começamos com o lançamento da
plataforma de “descontinuados” do Boticário com a ‘Chefe dos descontinuados’,
um trabalho apurado, que nasceu da escuta ativa e virou incremento de negócio.
Também estamos com campanhas para Tirolez, focadas no momento de consumo
do verão. Fizemos ainda o Carnaval de Eudora.
Estão participando de concorrências? Pode adiantar?
Estamos sempre em conversas e processos. Janeiro foi um mês extremamente
intenso para novos negócios. O que é natural para uma agência em crescimento
e com resultados, como a nossa conquista de Agência do Ano no TikTok Ad
Awards, e também por conta do trabalho que colocamos na rua. Talvez, até pouco
tempo, a SoWhat seria uma aposta, mas hoje somos uma realidade.
O ano de 2026 promete aquecer os negócios?
Vemos 2026 com otimismo. Acreditamos que será um ano fértil para quem entende
de cultura, dados e timing. As marcas estão buscando parceiros que consigam
gerar relevância real, não só presença, mas também entreguem efetividade
de negócio. O mercado vai premiar quem souber unir criatividade, performance e
leitura social. É exatamente nesse espaço que a SoWhat atua.
Há projetos ligados à Copa do Mundo e às eleições?
Sim, temos um projeto para a Copa do Mundo, mas está em fase final de negociação.
Para as eleições, não temos nenhuma demanda específica e entendemos
que será um momento delicado, com nervos inflamados em um cenário bastante
dividido. O primeiro semestre deve ser mais intenso, com mais oportunidades.
Qual foi o crescimento em 2025? E qual é a projeção para 2026?
A SoWhat vem crescendo a taxas de dois dígitos há pelo menos cinco anos consecutivos.
Em 2025, esse crescimento se manteve sólido, sustentado por novos
clientes, ampliação de escopo e eficiência operacional. Quando olhamos para os
últimos dois anos, tivemos um crescimento superior a 45% em faturamento, número
considerável para uma operação que não é baseada em mídia. Para 2026, a
expectativa é seguir nesse ritmo, com um crescimento saudável, sustentável e
cada vez mais estruturado.
Qual é o posicionamento da SoWhat?
O nosso posicionamento é agnóstico. Somos questionadores por natureza e não
seguimos fórmulas prontas. Colocamos todo mundo para pensar junto: dados,
criação, design, PR, experiência, mídia e social. O insight pode vir de qualquer lugar,
desde que seja culturalmente relevante e gere impacto real. Isso também
se reflete na forma como nos relacionamos com os clientes. Muitos projetos nativos
de experiência tiveram o caminho criativo dado por social. O que não seria
uma forma trivial. Mais do que caixinhas, este é o mindset da agência.
Como a agência está organizada?
A estrutura da SoWhat parte de uma premissa simples, mas pouco comum: a
integração precisa acontecer desde o insight, não só na execução. Trabalhamos
com núcleos e squads multidisciplinares, que se conectam desde o início. Tudo
começa por um trabalho consistente de social e cultural listening, que alimenta
todas as áreas e permite que os insights surjam de qualquer frente.
Qual diferencial destaca?
A nossa área de PR e influência está estruturada dentro do núcleo de Relevância.
Não escolhemos este nome por acaso, já que a ideia é reforçar a nossa visão de
PR como disciplina criativa e estratégica, e não assessoria de imprensa. Esse
núcleo atua com a criação e social desde o começo para garantir que as ideias
tenham potencial real de conversa, legitimidade cultural e bom timing.
Como o social-first está incorporado?
Temos uma estrutura interna de audiovisual com criadores de conteúdo, o que
permite produzir assets nativos e colocar ideias no ar, muitas vezes, em menos de
24 horas. Cada cliente ou projeto opera com um squad dedicado, com autonomia,
apoiado por dados e mídia para potencializar o que já nasce com tração orgânica. A
liderança atua de forma próxima, com um modelo colaborativo e pouco hierárquico.
Como utilizar a IA de forma segura?
Ela acelera processos, organiza dados e amplia repertório, mas a decisão final
precisa continuar sendo humana. Transparência, ética e responsabilidade são
inegociáveis, especialmente quando falamos de cultura e influência. Criamos
diretrizes institucionais, homologamos ferramentas e criamos um comitê de IA.
“A SoWhat seria uma aposta,
mas hoje somos uma realidade”
jornal propmark - 9 de março de 2026 11
lideranças femininas
Vozes femininas redefinem o conceito
de liderança na indústria publicitária
Especial reúne executivas de agências de comunicação que analisam
a evolução de suas carreiras, experiências, expectativas, desafios e a
transformação do setor, mais aberto às mulheres na posição C-level
Adrieny Magalhães
Freepik
A presença feminina em cargos estratégicos ajuda a ampliar perspectivas e a transformar a cultura das empresas
A
liderança feminina no mercado
de comunicação vive um momento
de inflexão. Se por muito
tempo as mulheres foram maioria nas
equipes das agências, mas minoria nas
mesas de decisão, hoje o cenário começa
a se reconfigurar. Mais executivas
ocupam posições estratégicas, participam
da construção de negócios e ajudam
a redefinir o próprio conceito de
liderança dentro da indústria criativa.
Essa mudança, no entanto, não
aconteceu de forma espontânea. Ela é
resultado de trajetórias marcadas por
desafios, reinvenções e pela disposição
de ocupar espaços que historicamente
foram dominados por homens.
Para muitas profissionais, o avanço na
carreira veio justamente em momentos
de maior pressão.
“A liderança é a capacidade de equilibrar
três forças ao mesmo tempo:
desafio, entrega e pessoas”, afirma
Ana Ferraz, CBO e partner da Biosphera.ntwk.
Para ela, ocupar um espaço
de decisão exige transformar visão
em resultado sem perder a conexão
humana com o time.
Dados recentes ajudam a dimensionar
o contexto dessa transformação.
O Relatório Anual Socioeconômico da
Mulher 2025 (Raseam), elaborado pelo
Ministério das Mulheres por meio do
Observatório Brasil da Igualdade de
Gênero e com base em indicadores
de instituições como o IBGE, mostra
que as desigualdades de gênero ainda
estruturam o mercado de trabalho
brasileiro. Segundo o levantamento,
as mulheres continuam enfrentando
maiores obstáculos na inserção e na
progressão profissional, com diferenças
persistentes de remuneração,
participação econômica e acesso a posições
de maior autonomia.
O relatório também aponta disparidades
importantes dentro do próprio
grupo feminino. No segundo trimestre
de 2024, por exemplo, a taxa de informalidade
atingia 36,8% entre as mulheres
ocupadas, sendo ainda maior entre mulheres
pretas ou pardas, que registravam
índice de 41%. Os dados reforçam
como gênero e raça continuam influenciando
as oportunidades no mercado de
trabalho brasileiro — um cenário que
ajuda a explicar por que ampliar a presença
feminina em posições de liderança
segue sendo um debate central em
diferentes setores da economia.
Nesse cenário, alcançar posições de
liderança passa a ter um significado
que vai além da trajetória individual.
A presença feminina em cargos estratégicos
também ajuda a ampliar perspectivas
dentro das organizações e a
transformar a cultura das empresas.
Para Camilla Massari, VP de atendimento
e negócios da AlmapBBDO,
a influência dentro das organizações
não depende apenas do cargo ocupado.
“Chegar a uma posição de poder está
relacionado à estrutura da organização.
Influência é algo que se constrói
na prática, na forma como você mobiliza
pessoas e inspira confiança”, afirma.
A construção dessa influência tam-
bém passa por estilos de liderança
que valorizam colaboração, escuta e
desenvolvimento de pessoas — competências
cada vez mais valorizadas
no ambiente corporativo contemporâneo.
“Muitas das habilidades historicamente
associadas às mulheres,
como empatia e colaboração, são
justamente as mais importantes na
liderança hoje”, observa Camilla.
Essa visão também aparece na trajetória
de outras executivas do setor. Para
Ana Casagrande, head de produção da
BETC Havas, a liderança não está necessariamente
ligada ao organograma. “A
posição de liderança é uma postura que
você escolhe assumir todos os dias”, diz.
Ao mesmo tempo, a presença
feminina nas posições de comando
tende a ampliar o repertório de experiências
dentro das empresas. “Hoje
vemos mulheres ocupando espaços
estratégicos com identidade própria,
sem precisar reproduzir modelos antigos”,
afirma Ana Ferraz.
Mesmo entre profissionais em fases
anteriores da carreira, a percepção
sobre liderança vem mudando.
Jordana Bispo, senior creative da Ampfy,
destaca a importância de ocupar
espaços e construir referências. “Não
adianta ter um time com muitas mulheres
se nenhuma delas consegue,
de fato, tomar decisões”, observa.
Essa ampliação de vozes também
tem impacto direto na cultura das
organizações. Líderes que valorizam
diversidade e inclusão tendem a construir
ambientes mais colaborativos e
capazes de responder a um mercado
cada vez mais complexo.
O Especial Lideranças Femininas do
propmark reúne executivas de diferentes
áreas da comunicação para discutir
esse momento de transformação. Em
comum, elas compartilham experiências
sobre carreira, desafios, influência
e as mudanças necessárias para tornar
o setor mais diverso e representativo.
A seguir, essas líderes contam
como construíram suas trajetórias,
quais competências consideram essenciais
para o futuro da indústria e de
que forma pretendem contribuir para
que cada vez mais mulheres ocupem
espaços de decisão no mercado.
12 9 de março de 2026 - jornal propmark
lideranças femininas
Agatha Kim enaltece a força da
diversidade para tomada de decisão
CSO da WMcCann fala
sobre autoconhecimento,
interseccionalidade e decisões
estratégicas em meio
às incertezas do mercado
Divulgação
Nem toda virada de carreira
nasce de uma promoção. Algumas
começam com dúvida.
Na trajetória de Agatha Kim, chief
strategy officer da WMcCann, os
momentos mais decisivos vieram
de inquietações pessoais que a levaram
a buscar mentoria, aprofundar o
autoconhecimento e redefinir o que
significava, de fato, liderar.
Os principais pontos de inflexão
da carreira de Agatha Kim surgiram
em momentos de incerteza. Perto
dos 30 anos, mesmo tendo alcançado
metas como cargo e salário,
percebeu que ainda não compreendia
plenamente o propósito dessas
conquistas.
Buscar mentoria foi o primeiro
movimento estruturante. “Ele me
deu clareza sobre quais eram as minhas
prioridades no trabalho e na
vida pessoal”. A partir daí, o autoconhecimento
deixou de ser um tema
abstrato e passou a orientar decisões
concretas.
Aos 33 anos, surgiu a oportunidade
de assumir uma posição de liderança
em meio a um período intenso
de transformação pessoal. “Eu era
uma diretora que nem sempre se
sentia segura como líder”. Segundo
ela, sem a jornada interna que vinha
construindo, não teria desenvolvido
as ferramentas necessárias para
exercer o papel com confiança.
O desenvolvimento de competências,
afirma, é permanente. “O tempo
todo”. Em um ambiente marcado por
diferentes gerações e expectativas,
adaptar linguagem, gestão e articulação
com stakeholders tornou-se
parte central da função estratégica.
Para Agatha, ocupar poder não
significa necessariamente exercer
influência. “Dependendo da cultura
da empresa, as características
necessárias para chegar ao poder
podem entrar em choque com as
necessárias para ter influência”. Autoridade
formal não garante legitimidade.
Ao assumir posições estratégicas,
passou a se orientar por duas perguntas:
“Qual é o meu papel no trabalho
e qual é o papel do trabalho na
minha vida”. A primeira organiza sua
atuação; a segunda evita frustrações
com o que não está sob controle.
Essa distinção, afirma, sustenta
decisões em cenários de pressão.
Quando fala sobre liderança feminina,
amplia a discussão para além
do gênero. Ele influencia valores e
visão de mundo, especialmente em
uma sociedade patriarcal, mas é preciso
considerar interseccionalidades
de raça, classe e geração. “É possível
ampliar essa lente para capturar a
multiplicidade de lideranças femininas
possíveis.”
Em ambientes historicamente
masculinos, identifica barreiras sutis
ligadas às expectativas sobre o
que é ser competente. A ausência de
referências pode reforçar a ideia de
que apenas traços associados aos
homens são positivos. Ela cita o conceito
de Cida Bento sobre o “pacto
narcísico da branquitude”, definido
como “um acordo não verbalizado
de autopreservação”, para explicar
dinâmicas de identificação que dificultam
a pluralidade.
Ser mulher e filha de imigrantes
coreanos molda sua liderança. “Frequentemente
ser a única mulher
nas reuniões me colocou em um
lugar deslocado”. Essa experiência
hoje amplia sua sensibilidade para
compreender barreiras enfrentadas
pelos times.
Agatha Kim: “Eu era uma diretora que nem sempre se sentia segura como líder”
“Frequentemente
ser a única mulher
nas reuniões me
colocou em um
lugar deslocado”
Sua trajetória também foi atravessada
pela transformação digital. O primeiro
estágio, em 2004, foi no e-commerce
da Avon, período inicial da digitalização
do setor. Crescer acompanhando mudanças
tecnológicas a preparou para
o ritmo atual. “A capacidade de tomar
decisões, saber priorizar e integrar especialidades
seguem fundamentais.”
Para Agatha, mulheres em posições
de comando podem imprimir
mudanças porque muitas trajetórias
femininas envolvem superar obstáculos,
desenvolvendo resiliência e
adaptação — competências essenciais
em cenários de incerteza.
Às profissionais em posições intermediárias,
deixa um alerta: “Essa
régua imaginária que elas acreditam
que precisam atingir não existe”. Ao
mesmo tempo, reforça a importância
de seguir estudando e se preparando.
O meio da carreira, diz, é fase de construção
e paciência estratégica. AM
jornal propmark - 9 de março de 2026 13
lideranças femininas
Carol Boccia reconhece a gestão como
vetor de crescimento e transformação
CEO da nova Lola\TBWA
comenta sobre tomar decisões
em momentos difíceis, fusões
complexas, gestão de crises
e liderança como motor de
mudança estrutural no negócio
Divulgação
Há líderes que chegam ao topo
por continuidade. Outras o fazem
por ruptura. A trajetória
de Carol Boccia é marcada por decisões
tomadas justamente quando
tudo parecia estável — movimentos
que ampliaram repertório, expandiram
visão de negócio e culminaram
na construção da Lola\TBWA, operação
nascida de uma fusão ambiciosa
em um mercado pressionado
por eficiência, dados e reinvenção
constante.
Tomar decisões difíceis em momentos
de estabilidade foi o primeiro
grande ponto de inflexão da carreira
de Carol Boccia. Depois de dez
anos na AlmapBBDO, ela decidiu sair.
Mais tarde, deixou também uma trajetória
consolidada na Africa. “Eu entendia
que, para evoluir como líder,
precisava ampliar repertório, viver
culturas diferentes e testar novos
modelos de gestão”, afirma. Esses
movimentos, segundo ela, foram
determinantes para sua maturidade
executiva.
A passagem pela BETC, onde atuou
como copresidente, consolidou um
olhar mais amplo sobre operação e
negócio, além de conexão regional
e global. Esse ciclo a preparou para
liderar a construção da nova Lola\
TBWA, fruto da fusão entre DM9 e
Lew’Lara, que exigiu alinhamento estratégico
e integração cultural. Agora
o desafio não é apenas reorganizar
estruturas, mas sim estabelecer
um novo ritmo de gestão.
A transição de executiva de negócios
para CEO também exigiu expansão
de competências. Com origem na
área de atendimento, Carol percebeu
que precisaria aprofundar conhecimentos
financeiros e operacionais
ao assumir a posição de COO. “Passei
a lidar com eficiência, estrutura, rentabilidade
e gestão de crises”. A evolução
na gestão de pessoas foi igualmente
central. “Liderar não é apenas
entregar resultado, é construir times
capazes de sustentar resultado no
longo prazo.”
Para ela, existe uma diferença clara
entre ocupar um cargo e exercer
influência. “O cargo dá autoridade formal.
Influência se conquista todos os
dias”. Essa influência, explica, nasce
da coerência nas decisões, da clareza
de direção e da capacidade de gerar
confiança. Sem alinhamento estratégico,
não há transformação real.
Ao assumir posições estratégicas,
Carol precisou fortalecer a escuta ativa
e a delegação. “Como uma executiva
muito mão na massa, tive de abrir
mão do controle direto da execução”.
Liderar, segundo ela, é definir direção
e confiar. O erro faz parte do processo,
mas a correção de rota não pode tardar.
A responsabilidade do líder é agir
com rapidez e clareza.
Quando questionada sobre liderança
feminina, evita rótulos. “Acredito
menos em rótulos e mais em competência”.
Reconhece, porém, que a presença
de mulheres amplia a pluralidade
da tomada de decisão. “O mercado
ganha quando há diversidade real na
liderança, porque decisões estratégicas
passam a considerar mais variáveis
e contextos.”
As barreiras mais sutis, na sua avaliação,
estão nas expectativas implícitas
de comportamento. Muitas vezes,
a cobrança é interna. “Um nível de exigência
constante em relação à postura,
à assertividade e à performance”.
Carol Boccia: “O mercado ganha quando há diversidade real na liderança”
“O cargo dá
autoridade
formal. Influência
se conquista
todos os dias”
Ambientes mais diversos tendem a
diluir essas camadas e recentrar decisões
em mérito e estratégia.
Na condução da Lola\TBWA, sua
prioridade tem sido integrar criatividade,
eficiência e visão de crescimento.
Estruturas mais ágeis, decisões
orientadas por dados e menos fragmentação
entre estratégia e execu-
ção fazem parte desse redesenho. “A
agência do futuro precisa ser criativa
e disciplinada ao mesmo tempo.”
Os resultados de diversidade na
liderança, lembra, são respaldados
por dados de mercado. “Empresas
com maior presença feminina na
liderança tendem a crescer mais e
performar melhor financeiramente”.
Para ela, isso não está ligado a um
estilo específico, mas à ampliação da
qualidade estratégica.
Às mulheres que hoje ocupam
posições intermediárias, deixa um
recado direto: “Não esperem estar
100% prontas para dar o próximo
passo”. Preparação é essencial, mas
liderança também exige ambição e
coragem para aceitar desafios antes
do conforto absoluto.
Na trajetória de Carol Boccia, estabilidade
nunca foi sinônimo de permanência.
Foi, muitas vezes, o ponto de
partida para a transformação. AM
14 9 de março de 2026 - jornal propmark
31 3
lideranças femininas
Carolina Buzetto avalia que liderar
passa por conduzir as complexidades
Cofundadora da WPP Media
Services defende integração
entre dados, tecnologia e pessoas
para sustentar crescimento
em cenário de transformação
Divulgação
Carolina Buzetto: “Liderança exige visão mais ampla, compreender negócios”
“Nunca fui a
profissional que
atuava apenas
dentro do que
estava descrito
no meu cargo”
Em um mercado de mídia atravessado
por dados, tecnologia
e inteligência artificial, liderar
significa conectar disciplinas e dar
direção à complexidade. Na trajetória
de Carolina Buzetto, cofundadora
e CEO da WPP Media Services (WMS),
a construção de um novo modelo de
operação foi resultado de repertório
ampliado, decisões fora da zona
de conforto e integração entre negócio
e pessoas.
Desde o início da carreira, Carolina
evitou limitar sua atuação às
fronteiras formais dos cargos. Dos
primeiros passos em pesquisa de
mídia até assumir responsabilidades
em operação e estratégia, cada
movimento ampliou sua compreensão
do negócio. “Nunca fui a profissional
que atuava apenas dentro do
que estava descrito na descrição de
atuação do meu cargo”, destaca ela.
A entrada no Grupo WPP e, em
2021, a cofundação da WPP Media
Services marcaram um ponto decisivo.
“Não era apenas uma empresa,
mas um modelo de mídia que reflete
a evolução do mercado — um modelo
de futuro”. O desafio, segundo ela,
foi transformar visão em execução,
construindo algo pioneiro em um
cenário de crescente complexidade.
Ao longo da trajetória, percebeu
que domínio técnico não bastava.
“Liderança exige visão mais ampla,
compreensão de negócios e integração
estratégica com criatividade,
dados e tecnologia”. Ampliar repertório
e desenvolver a capacidade de
potencializar talentos tornaram-se
prioridades, especialmente na criação
da WMS, estruturada para responder
às transformações da mídia.
Para Carolina, ocupar um cargo
formal é diferente de exercer influência.
“Influência real vem da confiança
que você constrói no dia a
dia”. Conectar objetivos com clareza
e inspirar decisões além da rotina
operacional é o que gera impacto
consistente.
Ao assumir posições estratégicas,
reforçou uma mentalidade de aprendizado
contínuo. O mercado de mídia
passou a operar com integração entre
dados, tecnologia, inteligência
artificial e criatividade. “Isso exige
aprendizado constante, experimentação
e adaptabilidade”. Mais do que
controlar processos, liderar passou a
significar orientar direções.
Sobre liderança feminina, evita
generalizações. Não acredita em um
modelo único, mas reconhece que
colaboração, empatia e escuta ativa
ganham relevância em contextos de
transformação. “O importante é que
esses traços não sejam vistos como
restritos a um gênero, mas como parte
do repertório de líderes eficazes.”
Em ambientes historicamente
masculinos, aponta barreiras comportamentais
ainda presentes.
Dinâmicas sutis podem influenciar
como ideias são percebidas e priorizadas.
Reconhecer esses movimentos
é essencial para que a tomada
de decisão incorpore diversidade de
pensamento — fator que fortalece
estratégias.
Na condução da WMS, equilibra
dois pilares que considera inseparáveis:
negócios e pessoas. “Temos
uma balança que precisa ser equilibrada:
negócios/clientes e pessoas”.
Para ela, desempenho sustentável
depende de equipes motivadas e
capacitadas.
Em um setor em transformação
estrutural, sua liderança busca integrar
mídia, dados, tecnologia e criatividade
como um sistema único.
“Nós não só acompanhamos a evolução
do mercado — nós ajudamos
a moldá-la”. Ao posicionar a mídia
como agente estratégico para os
negócios, reforça o papel da disciplina
na geração de valor.
Às mulheres que desejam chegar
ao topo, recomenda planejamento
e clareza de propósito. “Tenha um
plano de onde se deseja chegar.
Revisite-o e ajuste sempre que necessário,
mas tenha um norte”. Repertório,
rede de apoio e resiliência
completam a equação de uma trajetória
consistente. AM
16 9 de março de 2026 - jornal propmark
lideranças femininas
Gabriela Borges investe em autonomia
e influência transversal para se destacar
CEO da Publicis Brasil
defende visibilidade,
posicionamento
claro e ambientes
mais coletivos para
sustentar resultados;
para ela, confiança
é ativo estratégico
Divulgação
Em grandes organizações, visibilidade é estratégia.
Ao longo da trajetória de Gabriela Borges,
CEO da Publicis Brasil, aprender a ocupar
espaço e sustentar posicionamentos em fóruns
decisivos foi tão determinante quanto entregar
resultados. Liderar, para ela, é combinar autonomia
com influência real.
“Sempre resolvi antes de acionar e sempre comuniquei
bem resultados”, conta a CEO. A combinação
entre entrega consistente e construção de relações
sólidas com líderes e equipes estruturou sua
ascensão. Para ela, confiança é ativo estratégico.
Mesmo com segurança nas decisões, percebeu
que precisava desenvolver uma habilidade específica
para ampliar sua influência. “Não me vendia
bem em grandes fóruns”. Entendeu que comunicar
realizações é tão importante quanto alcançá-
-las. “Vender o peixe em voz alta é tão importante
quanto entregar o resultado. Ser percebida é necessário”.
A visibilidade, nesse sentido, passou a
integrar a estratégia de liderança.
Para Gabriela, ocupar uma posição formal de
poder é diferente de exercer influência. “Você não
precisa ter grande poder para influenciar a organização”.
Transitar bem entre áreas, compreender
o ecossistema e atuar de forma propositiva são
fatores que determinam impacto real, independentemente
do cargo.
Ao assumir posições estratégicas, precisou
abandonar o medo da mudança. “Eu me dispus
a abraçar o novo, revisitar pensamentos e estar
aberta a moldar o futuro”. Também fortaleceu
uma postura intencional de posicionamento. “A
cadeira de liderança é sobre visão, posicionamento
claro e opiniões que construam”. Liderar, para
ela, exige clareza pública de direção.
Sobre liderança feminina, observa que as mulheres
já ocupam muitas das principais cadeiras
do mercado. Não identifica um modelo completamente
distinto, mas percebe diferenças na dinâmica
de gestão. “As agências nas mãos femininas
Gabriela Borges: “Agências em mãos femininas tendem a trabalhar de forma mais coletiva e são menos autocentradas”
“Vender o peixe em voz
alta é tão importante
quanto entregar
o resultado”
tendem a trabalhar de forma mais coletiva e são
menos autocentradas”. Estruturas menos hierárquicas
e foco em resultado aparecem como traços
recorrentes.
As barreiras podem ser sutis, mas persistentes.
Gabriela cita salas de reunião em que mulheres
ainda são menos ouvidas. A naturalização
dessas dinâmicas impacta a tomada de decisão
e reforça a necessidade de atenção ativa à equidade
de voz.
Na condução de equipes, combina experiência
pessoal com escuta constante. “O discurso
precisa se concretizar”. Na prática, busca criar
ambientes mistos, respeitosos e que incentivem
mulheres a fortalecer a autoconfiança e superar
barreiras internas de medo ou vergonha.
Em um setor em transformação estrutural,
defende que o empoderamento das pessoas é
condição para decisões consistentes. “As pessoas
precisam se sentir fortes para tomar decisões”.
Na Publicis, a busca é por estruturas menos hierárquicas
e processos revisitados conforme o
momento do negócio, sempre com prioridade no
atendimento ao cliente.
Ao refletir sobre mulheres em posições de comando,
aponta uma abordagem mais holística.
“Mulheres olham tudo de forma mais holística,
analisam melhor os cenários e conseguem ser
mais preditivas em questões nada óbvias”. Essa
visão, segundo ela, fortalece a gestão em ambientes
complexos.
Para quem deseja chegar ao topo, o conselho é
direto: “Trabalhe a autoconfiança e a resiliência”.
Ela observa que, por questões culturais, mulheres
tendem a se sabotar e desistir com mais facilidade.
As quedas fazem parte do processo e preparam
para o peso das posições executivas. Liderar,
em sua visão, exige resistência e convicção. AM
jornal propmark - 9 de março de 2026 17
lideranças femininas
Susana Hernández combina visão
global, disciplina e cultura colaborativa
Diretora da JDE Peet’s
Brasil fala sobre
carreira internacional,
influência além do
cargo e a integração
entre estratégia e
tecnologia
Divulgação
Em um mercado que exige decisões cada vez
mais rápidas e integradas, liderar deixou de ser
apenas conduzir uma área. Passou a significar
corresponsabilidade pelo todo. Com mais de três décadas
em marketing e uma trajetória internacional
marcada por expatriações, Susana Hernández fortaleceu
sua liderança combinando visão global, disciplina
estratégica e cultura colaborativa.
Há mais de quatro anos à frente do marketing
da JDE Peet’s Brasil — companhia global de café
que reúne marcas como Pilão, L’OR e Maratá —, Susana
Hernández construiu sua carreira em movimento.
Espanhola, passou por experiências na Holanda
e na Espanha antes de assumir a operação
brasileira. Cada mudança de país foi, segundo ela,
uma decisão que ultrapassava o âmbito profissional.
“Nunca foi apenas um movimento profissional,
mas um projeto familiar que vai muito além
do trabalho.”
As expatriações aconteceram em diferentes
fases da vida, inclusive já com família constituída.
“Cada país nos transformou como família e como indivíduos”.
O apoio familiar, afirma, foi determinante
para que pudesse conciliar ambição executiva e vida
pessoal. Esse equilíbrio foi central para sua consolidação
como líder.
Com mais de 30 anos de experiência em marketing
— sendo 14 deles na própria JDE Peet’s —, Susana
acompanhou de perto transformações profundas
no setor. A digitalização, a consolidação das plataformas
sociais e, mais recentemente, o avanço da
inteligência artificial redefiniram o papel do marketing
dentro das organizações.
“Hoje, o diferencial está em integrar tecnologia e
estratégia para gerar valor e acelerar resultados de
forma consistente.”
Para ela, ocupar uma posição diretiva é apenas
o ponto de partida. “Chegar a uma posição de poder
significa ocupar um cargo com autoridade formal. Já
exercer influência vai além da hierarquia”. A influência,
explica, se constrói com credibilidade, coerência
e visão estratégica. Em níveis executivos, o papel
deixa de ser restrito à própria área.
Susana Hernández: “Chegar a uma posição de poder significa ocupar um cargo com autoridade formal”
“Em posições
estratégicas, não se trata
de fazer mais, mas de
direcionar melhor”
A transição para posições mais estratégicas
exigiu mudança de mentalidade. Susana precisou
ampliar o olhar para além do marketing e passar
a enxergar o negócio de ponta a ponta — P&L,
prioridades, cultura e impacto de longo prazo.
Também desenvolveu maior tolerância à tomada
de decisão com informação imperfeita. “Em posições
estratégicas, não se trata de fazer mais, mas
de direcionar melhor, confiar no time e influenciar
transversalmente.”
Quando questionada sobre liderança feminina,
adota uma perspectiva de complementaridade.
“Lideranças femininas e masculinas se complementam
— não competem”. Para ela, o avanço está
na ampliação da diversidade e na construção de
alianças. Se há traços frequentemente associados
às mulheres, cita escuta ativa e empatia, mas ressalta
que o que realmente importa é a liderança
inclusiva, capaz de combinar visão estratégica, resultado
e desenvolvimento de pessoas.
Em ambientes historicamente masculinos, afirma
que barreiras sempre existirão, mas ressalta a importância
de aliados. Lembra que, no início da carreira,
ao aceitar um desafio internacional na indústria
de bebidas, contou com o incentivo decisivo de dois
homens fundamentais em sua vida: seu pai e seu
marido. “Esse foi o início da minha carreira de sucesso,
impactado positivamente por grandes homens.”
Em um setor atravessado por digitalização,
fragmentação da mídia e inteligência artificial,
seu papel tem sido fomentar mentalidade ágil
e comunicação constante. Liderar, afirma, é facilitar
conexões e manter equipes engajadas em
meio à complexidade.
AM
18 9 de março de 2026 - jornal propmark
lideranças femininas
Aline Botelho confia na lógica editorial
das marcas para dialogar com o público
Head de conteúdo da Africa
Creative defende visão editorial,
diversidade de repertório e
liderança resolutiva em um
mercado em transformação
Divulgação
Em um ambiente em que marcas
produzem conteúdo com ritmo
e lógica cada vez mais próximos
aos do jornalismo, entender comportamento
humano tornou-se parte
central da estratégia. Para Aline Botelho,
head de conteúdo da Africa Creative,
liderar nesse cenário exige visão
editorial, leitura cultural e capacidade
constante de adaptação.
Formada em jornalismo, Aline Botelho
construiu sua trajetória na interseção
entre narrativa, comportamento e
estratégia de marca. A formação acadêmica,
segundo ela, ajudou a compreender
as marcas como publishers, com
operações editoriais próprias e diálogo
contínuo com o público.
Ao olhar para a carreira, identifica
um elemento recorrente: o inconformismo
positivo. “Como líder de uma
área em constante transformação,
acredito que ter papel ativo na construção
de grandes marcas no ambiente digital
foi um dos fatores que me fizeram
chegar à posição que estou hoje”. Ao
longo do percurso, concentrou sua atuação
em criar bases sólidas de trabalho
que deixassem legado nas agências e
nas marcas com as quais trabalhou.
A passagem de especialista para
liderança também exigiu novas competências.
Em ambientes altamente
técnicos, observa, o crescimento
costuma ocorrer pela excelência na
execução. Com o avanço na carreira,
tornou-se necessário equilibrar esse
repertório com habilidades de gestão.
Inteligência emocional, capacidade
de resolver problemas complexos e
segurança para tomar decisões sob
pressão tornaram-se essenciais.
Para Aline, existe uma diferença
clara entre ocupar um cargo de poder
e exercer influência dentro de uma organização.
“O poder é conferido pelo
cargo, mas a influência é conquistada
pela credibilidade”. Essa credibilidade
nasce quando o trabalho ultrapassa a
entrega padrão e traz novas formas de
resolver problemas ou novas perspectivas
para discussões estratégicas.
Ao assumir posições estratégicas,
precisou fortalecer uma mentalidade
mais resolutiva e ampliar o olhar para
o todo. A liderança exige abandonar o
apego ao detalhe operacional da execução
para garantir visão de processo
e direção estratégica. “É preciso ter
coragem de ser a voz que provoca a
mudança”, afirma, ressaltando que eficiência
operacional não pode comprometer
a essência criativa das marcas.
Sobre liderança feminina, acredita
que a diferença aparece principalmente
na forma de lidar com a complexidade.
Lideranças femininas, observa,
costumam trazer atenção especial à
gestão de equipes e uma visão mais
integrada das diferentes áreas do negócio.
Essa abordagem ajuda na antecipação
de problemas e na tomada de
decisões mais consistentes.
Mesmo com avanços, mulheres
ainda enfrentam barreiras sutis em
ambientes historicamente masculinos.
Entre elas está a necessidade
frequente de reafirmar opiniões para
que sejam consideradas com o mesmo
peso. “Muitas vezes precisamos
de um esforço dobrado para sermos
ouvidas”, diz.
Na condução das equipes, sua experiência
reforçou a importância da
diversidade como motor criativo. Em
um mercado que depende de repertório
cultural amplo, formar times com
diferentes perspectivas é fundamental.
“Se no seu time só tem pessoas
que pensam iguais a você, talvez seja
necessário repensar o modelo de
curadoria de talentos.”
A executiva Aline Botelho é head de conteúdo da agência Africa Creative
“Vejo uma
vontade genuína
de não repetir
padrões”
No campo do conteúdo, a transformação
é permanente. Novos formatos,
plataformas e linguagens exigem atualização
constante. Para Aline, liderar
essa área significa estar sempre projetando
os próximos movimentos do
mercado e buscando formas de criar
conexões reais entre marcas e pessoas.
Com a presença crescente de mulheres
em posições de comando, acredita
que novos modelos de gestão
começam a ganhar espaço. “Vejo uma
vontade genuína de não repetir padrões
que já não fazem mais sentido”,
afirma, destacando a busca por lideranças
mais diversas e sustentáveis.
Às profissionais que desejam crescer
na indústria, deixa um incentivo
direto: ocupar espaço com autenticidade.
“Não tenha medo de mostrar
seu ponto de vista e a força da sua
voz”. Adaptabilidade e resiliência são
importantes, mas o diferencial está
em levar para a mesa de decisão um
olhar próprio e consistente. AM
jornal propmark - 9 de março de 2026 19
lideranças femininas
Lica Bueno aposta em consistência para
guiar as transformações na propaganda
Presidente da Talent destaca
experiência em mídia e digital
como base para acelerar
mudanças em dados, tecnologia
e gestão de negócios e marcas
Divulgação
Trajetórias de liderança raramente
se constroem em um
único momento. No caso de Lica
Bueno, presidente da Talent, a ascensão
foi resultado de consistência
profissional, leitura das transformações
do mercado e abertura
para novas experiências ao longo
da carreira.
Ao olhar para a própria trajetória,
Lica Bueno afirma que a liderança é
fruto de uma construção contínua.
“Não existe um único momento isolado
que te coloca em uma posição
de liderança, mas sim o resultado
da consistência profissional e da entrega
perene”. Ainda assim, alguns
marcos ajudaram a ampliar sua visão
de negócio.
Um deles ocorreu quando assumiu
pela primeira vez a liderança de
uma área, como vice-presidente de
mídia. Outro momento decisivo veio
com sua passagem pela Meta — então
Facebook —, em um período de
crescimento acelerado das redes sociais
e do conteúdo digital. “Ali tive
a oportunidade de olhar o mercado
sob outra perspectiva”, afirma. A experiência
ampliou seu repertório sobre
tecnologia, plataformas e transformação
do consumo de mídia.
Posteriormente, o empreendedorismo
também trouxe novos
aprendizados. Construir um negócio
do zero exigiu desenvolver novas
competências, desde a definição de
posicionamento até a formação de
cultura organizacional. Já sua chegada
ao Grupo Publicis representou
mais um passo importante, em uma
estrutura que, segundo ela, conta
hoje com forte presença feminina
na liderança.
Ao longo da carreira, Lica concluiu
que seria necessário ampliar
constantemente o repertório para
acompanhar as mudanças do setor.
A passagem pela Meta foi fundamental
nesse processo. “Percebi
que precisava evoluir no conhecimento
do digital, do social e das big
techs”. Ao mesmo tempo, desenvolveu
competências ligadas à gestão
de equipes e à construção de times.
Para a executiva, ocupar uma posição
formal de poder não garante
influência real. “A posição de poder
não traz, necessariamente, respeito
e reconhecimento”. Influência, segundo
ela, nasce da capacidade de
mobilizar pessoas em torno de objetivos
claros e de uma cultura bem
estabelecida.
A transição para posições estratégicas
também exigiu mudança de
mentalidade. Com formação mais
especializada, precisou abandonar
uma postura centralizadora e
ampliar a autonomia das equipes,
mantendo ao mesmo tempo o alinhamento
estratégico.
Sobre liderança feminina, prefere
evitar distinções rígidas entre
estilos de gestão. Para ela, independentemente
do gênero, o objetivo
central da liderança permanece
o mesmo: entregar resultados e
garantir continuidade ao negócio.
Ainda assim, observa que mulheres
muitas vezes precisam fortalecer
sua voz e ampliar sua influência em
determinados contextos.
Na gestão de equipes, destaca
a importância da proximidade e da
transparência. “Mantenho relações
próximas e transparentes com a equipe”,
afirma. Essas características, segundo
ela, impactam diretamente a
cultura das organizações.
Em um setor em constante transformação,
sua experiência em mídia
Lica Bueno, presidente da Talent, afirma que papel da liderança é entregar resultados
“Grande parte da
transformação
passa por
mídia, dados
e tecnologia”
tem contribuído para acelerar mudanças
dentro das agências. “Grande
parte da transformação passa
por mídia, dados e tecnologia”. A incorporação
dessas frentes ao core
das operações tem sido, na sua visão,
um passo essencial para acompanhar
a evolução do mercado.
Para mulheres que desejam chegar
ao topo da indústria, o conselho
é fortalecer a autoconfiança e
investir em capacitação contínua.
“Tenha consciência do seu valor e
confie na sua competência”. Ao mesmo
tempo, lembra que a liderança
não se constrói sozinha: mentores,
pares e equipes de confiança fazem
parte da trajetória.
No fim, afirma, o crescimento
profissional depende de consistência.
Oscilações fazem parte do caminho,
mas a constância na entrega e
nas relações é o que sustenta uma
carreira de longo prazo. AM
20 9 de março de 2026 - jornal propmark
lideranças femininas
Liliany Samarão deixou de responder ao
briefing e passou a entregar resultados
Sócia da Tech & Soul defende
integração entre dados, tecnologia
e criatividade para reposicionar
a responsabilidade das agências
no negócio dos clientes
Divulgação
Liliany Samarão: “Hoje, liderança é sobre direcionar energia onde ela gera crescimento”
“Entregar bem é o
ponto de partida,
mas crescer exige
também ocupar
espaço”
A
publicidade vive uma transição
que vai além da criatividade.
Dados, tecnologia e inteligência
artificial passaram a redefinir
como as marcas crescem e como
as agências geram valor. Para Liliany
Samarão, sócia e diretora-geral de
negócios da Tech & Soul, liderar hoje
significa interpretar essa mudança
e transformar complexidade em
direção estratégica. A trajetória da
executiva foi marcada por momentos
de virada que ampliaram sua visão
sobre o papel da comunicação.
Um deles ocorreu quando deixou de
atuar apenas na execução de campanhas
para assumir responsabilidade
direta pelo impacto no negócio.
“Deixei de responder ao briefing
e passei a entregar resultados para
a marca.”
Esse movimento alterou a forma
como passou a enxergar a própria função
dentro das organizações. Em vez
de responder a demandas, o foco passou
a ser direcionar caminhos estratégicos
para o crescimento das marcas.
Outro ponto decisivo veio com a incorporação
da tecnologia como lente
de análise. Doutora em comunicação,
com tese sobre inteligência artificial,
Liliany passou a observar o impacto
da tecnologia não apenas como ferramenta
operacional, mas como estrutura
capaz de redefinir o setor. “A
virada foi entender que liderança não
é sobre controlar entregas; é sobre orquestrar
impacto em escala.”
Ao longo da carreira, percebeu que
dominar a comunicação não bastava
para sustentar posições de liderança.
Era necessário ampliar o repertório
para além da disciplina central. Entre
as competências que considera determinantes
estão visão de negócio, capacidade
de influenciar sem autoridade
direta e leitura de contexto. “Hoje,
liderança é sobre direcionar energia
onde ela gera crescimento.”
Para Liliany, ocupar uma posição
formal de poder não significa necessariamente
exercer influência dentro
da organização. “Chegar ao cargo é
reconhecimento formal”. Influência,
segundo ela, se constrói quando decisões
passam a considerar sua visão
mesmo na ausência física do líder. “É
quando o time internaliza direcionamentos
e toma decisões alinhadas,
sem depender da sua presença.”
Ao assumir posições estratégicas,
fortaleceu três pilares: pensamento
de longo prazo, capacidade de decisão
em ambientes complexos e habilidade
de simplificar o que é difícil de
executar. Ao mesmo tempo, precisou
abandonar comportamentos que já
não sustentavam crescimento, como
centralização e perfeccionismo operacional.
“Hoje, liderar é garantir que
todo mundo saiba o que importa —
e tenha autonomia real para fazer
acontecer.”
Sobre liderança feminina, prefere
analisar a mudança sob outra perspectiva.
Para ela, o que está em transformação
é o próprio modelo de liderança.
“O mercado está migrando de
um modelo hierárquico para um modelo
mais adaptativo e colaborativo”.
Nesse cenário, destacam-se profissionais
capazes de interpretar ambientes
ambíguos e liderar em contextos
de transformação constante.
Na gestão de equipes, sua experiência
pessoal moldou uma liderança
orientada por resiliência, foco e consistência.
Para ela, cultura organizacional
não se constrói em discursos,
mas em decisões repetidas. “Cultura
não é discurso. É consistência”. Clareza
de direção, autonomia e ambiente
seguro para discordar são
elementos que elevam a qualidade
das decisões.
Para as mulheres que desejam chegar
ao topo da indústria, Liliany recomenda
uma postura ativa. “Entregar
bem é o ponto de partida, mas crescer
exige também ocupar espaço”. Construir
relações, participar das conversas
estratégicas e tornar o impacto
visível são passos fundamentais para
ampliar influência.
Na leitura da executiva, liderança
hoje passa por compreender sistemas
complexos e conectar disciplinas
distintas. Em um mercado que
muda rapidamente, dirigir impacto
exige visão, repertório e coragem
para reposicionar os modelos estabelecidos.
AM
jornal propmark - 9 de março de 2026 21
lideranças femininas
Tatiana Pacheco fala do impacto de sua
posição para outras mulheres no setor
COO da Cheil Brasil
destaca influência
baseada em confiança,
proximidade com o
time e capacidade de
provocar reflexão no
mercado
Divulgação
Para Tatiana Pacheco, COO da Cheil Brasil, liderança
não nasce apenas do cargo ocupado.
Ela se constrói na forma como se criam relações,
se apoiam equipes e se conduzem decisões
em momentos decisivos. A trajetória de Tatiana
até a liderança executiva começou antes da carreira
profissional. Criada em um ambiente familiar
com cinco meninos — três irmãos e dois primos —,
aprendeu desde cedo a ocupar seu espaço.
“Meu pai e meu avô sempre me ensinaram a me
colocar como menina e como mulher, sempre me deram
espaço para fazer o que quisesse.”
Ao mesmo tempo, a mãe reforçava a importância
de equilibrar diferentes responsabilidades. Essa
base, segundo ela, ajudou a formar a visão de liderança
que exerce hoje.
No início da carreira, Tatiana também contou com
referências importantes. Executivos como André
Pasquali, Marcos Bittencourt e Chico Cunha contribuíram
para seu desenvolvimento profissional, oferecendo
autonomia e espaço para crescer.
Nos últimos cinco anos à frente da Cheil Brasil, a
executiva também teve contato com uma cultura
corporativa diferente, marcada pela influência coreana.
“Tive a oportunidade de entender como o homem
coreano respeita a liderança feminina”, afirma.
Ao longo da trajetória, ela afirma que não precisou
desenvolver competências específicas para se
afirmar como líder. O que percebeu com o tempo
foi o impacto simbólico de sua posição para outras
mulheres no mercado. “Demorei a perceber o quão
importante era para outras colegas o papel que eu
representava.”
Para Tatiana, ocupar um cargo de poder não
significa necessariamente exercer influência. “Títulos
e posições são passageiros e não definem
quem você é”. A verdadeira liderança, afirma, se
constrói na capacidade de estar ao lado do time,
apoiar decisões e oferecer segurança em momentos
difíceis.
Ao assumir posições estratégicas, seu principal
desafio foi aprender a se afastar do detalhamento
operacional. Pela própria personalidade, tende a
Tatiana Pacheco: “Títulos e posições são passageiros e não definem quem você é”
“Demorei a perceber o
quão importante era para
outras colegas o papel
que eu representava”
se envolver diretamente na execução, mas percebeu
que o papel da liderança é outro: orientar,
ouvir e apoiar o time. Sobre liderança feminina,
a executiva prefere não estabelecer distinções
rígidas entre homens e mulheres. Para ela, o que
define um líder é o contexto do negócio e as necessidades
da organização.
Na condução das equipes, valoriza proximidade
e transparência. Compartilhar experiências e dificuldades
ajuda a criar conexão com o time. “Quando
mostro que também tenho desafios, me torno mais
próxima do dia a dia deles”, explica.
Em um mercado em transformação constante,
acredita que o papel da liderança é provocar reflexões
e estimular novos olhares sobre o negócio —
seja em reuniões internas, conversas com clientes
ou discussões do setor.
Ao refletir sobre mulheres em posições de comando,
destaca a capacidade de lidar com múltiplas
demandas simultaneamente. “A mulher tem uma
habilidade multitask que compõe muito bem com o
dia de hoje.”
Para mulheres que desejam crescer na indústria,
o conselho é manter princípios e valores como
guia. “Siga seus princípios e valores sempre”. Segundo
ela, essa coerência é o que conduz, no longo
prazo, às oportunidades certas.
AM
22 9 de março de 2026 - jornal propmark
lideranças femininas
Ana Casagrande acredita na essência da
vulnerabilidade como ativo de liderança
Head de produção da BETC Havas
defende influência construída no
dia a dia, escuta ativa e integração
entre as áreas de criação e
produção desde a origem
Divulgação
Na produção audiovisual, onde
prazos apertados e pressão por
eficiência são rotina, liderança
costuma ser confundida com controle.
Ana Casagrande, head de produção
da BETC Havas, segue por outro caminho:
influência como prática diária,
decisões sustentadas por diálogo e
um modelo de gestão que combina
firmeza e humanidade.
Formada em jornalismo, Ana Casagrande
iniciou a carreira em 2005 e
construiu trajetórias longas nas agências
por onde passou. Ela reconhece o
papel de lideranças que a impulsionaram
para espaços maiores — muitas
vezes antes de se sentir pronta —,
mas identifica também um ponto de
virada interno.
Em determinado momento, percebeu
que precisava decidir “se seria
apenas responsável pelas tarefas ou
também pelos rumos”. A partir dali,
deixou de apenas executar e passou a
ocupar o espaço “com mais intenção”.
O amadurecimento, nas suas palavras,
não veio de reconhecimento
superficial.
“Evolução não vem de elogios de
corredor. Ela nasce das conversas difíceis,
dos feedbacks, das falhas, das
conquistas”. A soma dessas experiências
foi ampliando repertório e orientando
decisões cotidianas.
Em alguns momentos, precisou
recalcular a rota. O nascimento da
filha, Betina, foi um deles. Ao definir
o objetivo de se tornar diretora de
produção, buscou desenvolver competências
específicas: comunicação
assertiva, inteligência emocional e
gestão de pessoas.
“Aprendi a sintetizar problemas,
sustentar posicionamentos e assumir
responsabilidade pelos rumos, não
apenas pelas entregas.”
Ana Casagrande é head de produção da BETC Havas: “Sensibilidade e objetividade”
“Nada substitui
o poder das
relações genuínas
entre as pessoas”
Para ela, liderar exige clareza e firmeza,
inclusive sob pressão. E, sobretudo,
exige lidar com pessoas: expectativas,
ansiedades, desenvolvimento
de talentos e coesão de time.
Ao falar sobre poder e influência,
Ana estabelece uma distinção objetiva.
Um título não garante adesão.
“Influência é a capacidade de mobilizar
pessoas, independentemente da
posição que se ocupa”. Profissionais
influentes, diz, tornam-se referência
pela credibilidade e pela confiança
que constroem — um elemento central
para sustentar cultura dentro das
organizações. Em sua opinião, liderança
é postura: “a decisão de ser inspiração
e servir como referência, mas
também de construir um ambiente
onde os times possam prosperar”.
Nos últimos anos, sua mentalidade
de gestão passou por transformação.
Ana descreve a vulnerabilidade como
“um ativo estratégico”. Ao se permitir
ser autêntica, autoriza o time a fazer
o mesmo, fortalecendo relações. Isso
não elimina a exigência; ajusta a forma.
“É possível ser firme e empática
ao mesmo tempo”, afirma, defendendo
diálogo constante, escuta ativa e
gentileza como pilares de uma cultura
produtiva e sustentável.
Na leitura sobre liderança feminina,
ela rejeita um modelo único,
mas destaca o peso da jornada em
mercados historicamente masculinos
— especialmente no recorte
da produção audiovisual. Quando
uma mulher ocupa um espaço antes
inacessível, novas possibilidades se
abrem. Essa experiência, segundo
ela, costuma gerar uma liderança
com propósito e convicção, frequentemente
comprometida em abrir
caminho para outras.
Na condução de cultura, maternidade
e as dinâmicas do trabalho
remoto ampliaram sua atenção às
realidades individuais. Ela afirma que
abre espaço “real” para pontos de
vista diferentes. Quando as pessoas
se sentem ouvidas, comprometem-
-se mais com o caminho escolhido.
Sensibilidade e objetividade podem
coexistir, assim como intuição e racionalidade.
Para mulheres em cargos intermediários,
seu conselho é começar pela
identidade profissional: “pelo que as
pessoas te reconhecem no trabalho?”
A partir daí, fazer a análise “de trás
para frente” das habilidades necessárias
para chegar ao cargo desejado,
buscar referências e se movimentar.
Em um mercado acelerado por automação
e IA, ela reforça um ponto: o
diferencial da liderança está no equilíbrio
entre tecnologia e humanidade —
e “nada substitui o poder das relações
genuínas entre as pessoas”. AM
jornal propmark - 9 de março de 2026 23
lideranças femininas
Ana Ferraz recomenda visão sistêmica e
equilíbrio para chefiar negócios criativos
CBO e partner da Biosphera.ntwk
defende influência construída
no dia a dia e modelo de gestão
baseado em soluções a partir de
pessoas e pilares estratégicos
Divulgação
Em um mercado criativo cada vez
mais conectado à estratégia, dados
e gestão de negócios, liderar
exige ampliar repertório e assumir
responsabilidades que vão além da
operação. Para Ana Ferraz, CBO e partner
da Biosphera.ntwk, a liderança
se constrói no equilíbrio entre visão
estratégica, capacidade de entrega e
conexão humana.
Ao revisitar a própria trajetória,
Ana identifica que os momentos
mais decisivos da carreira foram justamente
aqueles de maior pressão.
Situações em que as expectativas
eram altas e os resultados precisavam
ser entregues com consistência.
Foi nesse contexto que consolidou
uma visão sobre liderança baseada
no equilíbrio entre três forças: desafio,
entrega e pessoas.
“Não basta ter visão. É preciso
transformar a visão em resultado sem
perder a conexão humana”, afirma.
Com o crescimento do negócio, a
executiva percebeu também a necessidade
de ampliar o repertório
profissional. Dominar os aspectos
criativos e operacionais deixou de
ser suficiente. Passou a aprofundar
conhecimentos em finanças, gestão
administrativa e estrutura de negócio,
desenvolvendo uma visão mais
ampla sobre a condução da empresa.
Segundo ela, liderança exige maturidade
estratégica e capacidade de
compreender o funcionamento do
negócio como um todo.
Ao falar sobre poder e influência,
Ana estabelece uma distinção clara.
Para ela, ocupar uma posição estratégica
não garante mobilização automática
das equipes. “Poder é um cargo.
Influência é um reconhecimento.”
A influência surge quando as
pessoas confiam na visão do líder e
se sentem inspiradas a agir a partir
do seu exemplo. Esse reconhecimento,
esclarece a executiva, é construído
no cotidiano, nas decisões difíceis
e na coerência entre o discurso e
a prática.
Ao assumir posições mais estratégicas,
Ana afirma ter reforçado
uma mentalidade coletiva. Liderar
deixou de ser protagonismo individual
para se tornar um processo de
construção conjunta.
“Abandonei a lógica do ‘eu faço’ e
abracei o ‘nós construímos’”, afirma.
Para ela, o papel da liderança está em
potencializar talentos e criar ambientes
em que as pessoas consigam crescer
e contribuir de forma consistente
para o negócio.
Na sua leitura, o avanço das mulheres
em posições de comando ampliou
as possibilidades de liderança
no mercado de comunicação. O que
se observa hoje é uma pluralidade
de estilos e trajetórias. Mulheres
ocupam posições estratégicas com
identidade própria, sem necessariamente
reproduzir modelos de liderança
do passado.
A experiência pessoal também
influencia diretamente a maneira
como conduz equipes e constrói cultura
dentro do negócio. No conceito
de Ana, liderança está profundamente
ligada à coerência entre discurso
e comportamento. A forma como um
líder se comunica, equilibra diferentes
dimensões da vida e conduz relações
profissionais acaba refletindo
os valores que moldam a cultura
da organização. “Cultura nasce do
exemplo”, resume.
Em um setor que passa por transformações
estruturais, sua atuação
tem sido direcionada a atualizar
práticas e estimular aprendizado
Ana Ferraz é CBO e partner da Biosphera.ntwk: “Competência e coragem”
“Poder é
um cargo.
Influência é um
reconhecimento”
contínuo dentro da empresa. Isso
inclui incentivar decisões orientadas
por dados, integrar criatividade e
estratégia de negócio e questionar
processos que já não respondem ao
momento atual da indústria. Para
Ana, a transformação não ocorre necessariamente
por rupturas abruptas,
mas por um processo contínuo
de evolução.
Para mulheres que hoje ocupam
posições intermediárias e desejam
alcançar cargos de liderança,
o conselho é investir em preparo e
autoconfiança. Formação acadêmica,
visão estratégica e ampliação
de repertório ajudam a fortalecer a
capacidade de decisão. Ao mesmo
tempo, ela reforça a importância de
não esperar validação externa para
avançar.
“O topo não é apenas um lugar. É
uma construção diária de competência
e coragem.”
AM
24 9 de março de 2026 - jornal propmark
lideranças femininas
Camilla Massari participa de iniciativas
de diversidade e mentorias a mulheres
VP de atendimento e negócios da
AlmapBBDO defende liderança
baseada em influência, escuta
e integração entre criatividade,
tecnologia e impacto
Divulgação
Ao revisitar sua trajetória, Camilla
Massari identifica alguns
momentos decisivos para chegar
à posição de liderança que ocupa
hoje na AlmapBBDO. Um deles foi
perceber que sua maior motivação
estava em compreender o comportamento
das pessoas, criar relações
sólidas e participar da construção
estratégica das marcas. Outro marco
importante foi a experiência profissional
fora do Brasil, que ampliou
seu repertório cultural e a expôs a
diferentes formas de trabalho e
contextos de mercado.
Com o tempo, também entendeu
que liderança está menos ligada ao
cargo e mais à responsabilidade e
ao impacto gerado dentro das organizações.
Participar de iniciativas de
diversidade, mentorias e processos
de transformação nas agências em
que atuou contribuiu para ampliar
essa visão. “Ver mais mulheres ocupando
espaços de decisão sempre
foi algo que me motivou”, afirma a
VP de atendimento e negócios da
AlmapBBDO.
Ao longo da carreira, percebeu a
necessidade de desenvolver competências
além da execução técnica.
Comunicação clara, capacidade
de influência, visão estratégica de
negócio e habilidade para engajar
equipes passaram a ser fundamentais
para exercer liderança. Camilla
destaca também a importância de
lidar com decisões difíceis, desenvolver
talentos e acompanhar as
transformações tecnológicas do
setor, que hoje incluem dados, inteligência
artificial e novas formas de
relação entre marcas e pessoas.
Para a executiva, existe uma diferença
clara entre ocupar um cargo
de poder e exercer influência. O primeiro
está ligado à estrutura organizacional;
o segundo é construído
na prática, a partir da credibilidade
e da capacidade de mobilizar pessoas
em torno de uma direção comum.
“Influência se constrói no dia a dia,
na consistência das decisões e na
confiança que você inspira”, afirma.
Assumir posições estratégicas
também exigiu mudanças de mentalidade.
Se no início da carreira o foco
estava na execução imediata, hoje o
olhar está voltado para o longo prazo
e para o impacto das decisões no
negócio e nas pessoas. Nesse processo,
aprender a delegar e confiar
nos times tornou-se essencial.
Na sua visão, algumas competências
frequentemente associadas à
liderança feminina — como escuta,
empatia e colaboração — ganharam
relevância no cenário contemporâneo.
Essas habilidades, antes muitas
vezes subestimadas, hoje são
consideradas fundamentais para
liderar equipes e organizações em
ambientes complexos.
Apesar dos avanços, barreiras
sutis ainda aparecem em contextos
historicamente masculinos, muitas
vezes refletidas na dinâmica de
participação nas discussões ou na
forma como determinadas vozes são
estimuladas a se posicionar. Para
Camilla, ampliar a diversidade nas
mesas de decisão é essencial para
enriquecer debates e melhorar a
qualidade das escolhas estratégicas.
Na AlmapBBDO, essa visão também
se reflete em iniciativas voltadas
ao desenvolvimento de talentos.
Camilla participou da criação
do programa de mentoria ElevaElas,
que busca apoiar o crescimento
profissional de mulheres dentro
da agência e ampliar sua presença
Camilla Massari: “Influência se constrói no dia a dia e na confiança que você inspira”
“Quando mulheres
apoiam outras
mulheres, o
caminho coletivo
fica mais curto”
em posições de liderança.
Para profissionais que desejam
alcançar cargos mais altos na indústria,
seu conselho é buscar protagonismo
e se aproximar dos espaços
de decisão. Isso significa ampliar repertório,
assumir responsabilidades
e não esperar estar completamente
pronta para dar o próximo passo.
“Quando mulheres apoiam outras
mulheres, o caminho coletivo fica
mais curto”, conclui. AM
jornal propmark - 9 de março de 2026 25
lideranças femininas
Jordana Bispo busca abrir caminhos e
dar mais espaço para mulheres negras
Senior creative da Ampfy
defende liderança mais empática
e a ampliação da presença de
mulheres negras em posições
de decisão
Divulgação
Para Jordana Bispo, senior creative
da Ampfy, a trajetória
profissional foi marcada por
momentos em que decidiu assumir
riscos maiores do que parecia pronta
para enfrentar. “Todos os momentos
em que tive coragem de dar
passos maiores que a perna foram
decisivos”, afirma. Um dos mais importantes
foi a mudança do Rio de
Janeiro para São Paulo. “Foi a partir
dessa mudança que tudo começou a
se desenrolar”, conta.
Ao longo do caminho, Jordana percebeu
que a construção de liderança
passa também por um movimento
interno. Inspirada por mulheres que
ocupam posições de comando, buscou
desenvolver segurança, preparo
e consistência profissional. “Faço o
exercício de me sentir mais confiante,
segura e firme. Externalizar isso
no comportamento ajuda os outros
a também me verem dessa forma”,
explica.
Mesmo ocupando hoje uma posição
de redatora sênior, Jordana
entende que influência dentro das
organizações não depende apenas de
cargos formais. No momento, sua atuação
impacta principalmente a equipe
com quem trabalha diretamente.
Ainda assim, ela afirma estar em
preparação constante para assumir
responsabilidades maiores. “Minha
influência ainda é restrita à equipe
com quem trabalho no dia a dia, mas
estou empenhada em me preparar
para cargos cada vez maiores.”
Nesse processo, um dos principais
desafios tem sido lidar com inseguranças
comuns a muitas profissionais,
como a chamada síndrome
da impostora. Fortalecer a confiança
em si mesma foi fundamental
para enfrentar esse sentimento e
avançar na carreira. “Fortalecer a
confiança em mim mesma faz com
que eu abandone algumas inseguranças”,
diz. “Mas não é uma tarefa
fácil, é algo em que eu me esforço
bastante.”
Na sua visão, lideranças femininas
costumam trazer características
importantes para o ambiente
de trabalho. “Mulheres tendem a
ser mais empáticas, gentis e cuidadosas
na forma de liderar times”,
afirma. Para Jordana, essas qualidades
contribuem para criar ambientes
mais colaborativos dentro das
agências.
Ao mesmo tempo, ela aponta que
um dos desafios do setor ainda está
na presença limitada de mulheres em
posições efetivas de decisão. “Não
adianta ter um time com 70% de mulheres
se nenhuma delas consegue,
de fato, tomar decisões”, observa.
Sua experiência profissional também
é atravessada por outro aspecto
importante: o recorte racial.
Como mulher negra, Jordana afirma
que essa perspectiva influencia diretamente
a forma como conduz o
trabalho e observa o mercado. “Não
consigo deixar de olhar para os recortes
de raça e gênero estando
nessa posição”, diz. Por isso, sempre
que possível, busca abrir caminhos e
ampliar visibilidade para outras profissionais.
“Tento garantir espaços
onde mulheres negras sejam cada
vez menos exceção nas posições de
liderança.”
Em um setor que passa por mudanças
constantes, Jordana acredita
que manter o repertório atualizado
é essencial. “Ampliar referências,
escutar perspectivas diferentes e
acompanhar o que está acontecendo
no mundo é fundamental para
Jordana Bispo: “Faço o exercício de me sentir mais confiante, segura e firme”
“Mulheres
tendem a ser mais
empáticas, gentis
e cuidadosas na
forma de liderar
times”
que o trabalho esteja alinhado com
o tempo presente.”
Para mulheres que desejam avançar
na carreira, seu conselho é não ter
receio de se posicionar e demonstrar
interesse pelas oportunidades. “Não
tenha medo ou vergonha de se expor”,
afirma. “Mostre sua vontade de
aprender, de participar e de crescer.
Quando a oportunidade bater, você já
vai estar preparada.” AM
26 9 de março de 2026 - jornal propmark
mercado
Regras para propaganda eleitoral são
definidas pelo TSE com restrição à IA
Fundo eleitoral terá cerca de R$ 5 bilhões para o orçamento
de comunicação das eleições majoritárias de outubro de 2026
Paulo Macedo
Cerca de 150 milhões de brasileiros
estarão habilitados para ir
às urnas este ano para a escolha
do substituto do presidente Lula - ou
sua manutenção - governadores, senadores,
deputados federais, estaduais e
distritais, no caso específico de Brasília.
O pleito majoritário de 2026 vai
contar com um fundo eleitoral de
cerca de R$ 5 bilhões para os partidos
credenciados usarem nas estratégias
de comunicação e outras ações
das campanhas dos candidatos a 27
posições nos governos estaduais, 54
no Senado e 513 deputados federais,
além do total de deputados estaduais,
que depende da quantidade de
assentos disponíveis nas Assembleias
Legislativas de cada estado.
O primeiro turno da eleição será no
dia 4 de outubro. Já o eventual segundo
turno está marcado para 25 de outubro.
Os postulantes (governadores,
ministros, secretários estaduais, prefeitos
e juízes) precisam deixar cargos
públicos até o início de abril.
A desincompatibilização não atinge
o presidente da República, mas o governo
federal tem restrição às ações
de propaganda institucional e de serviços
três meses antes, como prevê o
Artigo 73 da legislação eleitoral.
“Com exceção da propaganda de
produtos e serviços que tenham concorrência
no mercado, autorizar publicidade
institucional dos atos, programas,
obras, serviços e campanhas dos
órgãos públicos federais, estaduais
e municipais, ou das respectivas entidades
da administração indireta, salvo
em caso de grave e urgente necessidade
pública, assim reconhecida pela Justiça
Eleitoral”, esclarece o texto legal.
Portanto, os anunciantes estatais,
federais e estaduais devem concentrar
seus orçamentos publicitários no
primeiro semestre e a partir de novembro,
com o fim das eleições.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estabeleceu
regras para a campanha em
TSE está atento ao uso da inteligência artificial na campanha eleitoral deste ano
reunião na semana passada, detalhadas
pelo relator Cássio Nunes Marques,
ministro do STF (Superior Tribunal Federal),
sobre o uso da IA (inteligência artificial)
nas campanhas com proibições
específicas nessa era de perfis falsos,
manipulação de imagens, chatbots,
deep fakes e fake news. Três pontos
são considerados essenciais pelo TSE:
1 - “Divulgação ou compartilhamento
de conteúdo sintético gerado ou
modificado por inteligência artificial
ou por tecnologia equivalente, em desacordo
com as regras de rotulagem
ou incidente nas vedações previstas
na resolução”;
2 - “Publicações que reproduzam,
no todo ou em parte, conteúdo idêntico
ou substancialmente equivalente
àquele que já tenha sido objeto
de ordem de indisponibilização pela
Justiça Eleitoral, no exercício do poder
de polícia ou no âmbito de ações
eleitorais, quando os provedores de
aplicação, cientes da decisão, deixa-
rem de promover sua indisponibilização
imediata, independentemente
de nova ordem judicial específica”;
3 - “Conteúdo de violência política
contra a mulher.”
Segundo o TSE, isonomia, transparência
e segurança estão no escopo
central das regras.
“Busca-se permitir o florescimento
do debate eleitoral no mundo real,
dando ênfase à liberdade de comunicação
daqueles que vão disputar a
eleição e, também, garantindo a livre
manifestação do eleitorado, figura
central de nossa democracia”, afirma
Nunes Marques.
A instrução reforça a preocupação
com a IA. “Proibição de que os provedores
de aplicação que ofertem sistemas
de inteligência artificial forneçam,
ainda que solicitado pela usuária
ou pelo usuário, recomendação de
candidaturas, de forma a impedir a
interferência algorítmica no processo
decisório de definição do voto”;
Freepik
“Vedação à violência política em
desfavor daqueles que disputarão o
pleito, mormente em favor da dignidade
feminina, ao se proibir que sejam
criadas ou promovidas alterações em
fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual
que contenha cena de sexo,
nudez ou pornografia”;
“Banimento de perfis de redes sociais
falsos, apócrifos ou automatizados,
sempre que houver prática reiterada de
condutas que possam comprometer a
integridade do processo eleitoral.”
“De forma muito inovadora, o TSE
posiciona esses planos de conformidade
dentro de uma lógica de prevenção,
não apenas de correção de danos.
Trata-se de um instrumento de
accountability que permite mensurar
a diligência e a prudência com que as
plataformas operam e avaliar o impacto
de suas ações na integridade
do processo eleitoral”, finaliza Bruno
Bioni, professor do curso de direito
da ESPM.
jornal propmark - 9 de março de 2026 27
pesquisas
Mulheres decidem consumo, mas não
se sentem representadas pelas marcas
Levantamento do Kwai mostra que 58% são responsáveis pelas finanças
do lar e defendem campanhas mais conectadas às suas realidades
O estudo indica que 64% das entrevistadas acreditam que as marcas precisam se comunicar com as mulheres de forma diferente
As mulheres exercem papel central
nas decisões de consumo no
Brasil, mas ainda percebem distância
entre sua realidade e a forma
como são retratadas na comunicação
das marcas. É isso o que mostra o levantamento
realizado pelo aplicativo
Kwai, por meio de sua unidade de negócios
Kwai for Business.
Segundo a pesquisa, 58% das
usuárias afirmam ser as principais
responsáveis pelas finanças de seus
lares, enquanto 57% dizem influenciar
diretamente as decisões de compra
da casa. Apesar desse protagonismo
na economia familiar, mais da metade
das entrevistadas (53%) declara
não se sentir bem representada pelas
marcas atualmente. A percepção é
ainda mais forte entre mulheres com
mais de 45 anos, que correspondem a
mais da metade das respondentes.
Para Heloisa Goldman, head de indústrias
do Kwai for Business, o estudo
evidencia um descompasso entre
o poder de decisão das mulheres e a
maneira como elas aparecem nas narrativas
publicitárias. Segundo ela, as
consumidoras esperam mais do que
presença simbólica em campanhas
e buscam representações que dialoguem
com suas experiências reais.
“Existe um gap entre o poder de
decisão e a representação. As mulheres
têm papel central nas decisões
financeiras e de consumo, mas ainda
não se reconhecem nas narrativas
das marcas. Hoje, elas esperam ser retratadas
com respeito, autenticidade
e de forma conectada às suas realidades”,
afirma a executiva.
O levantamento também indica
que 64% das entrevistadas acreditam
que já passou da hora de as marcas se
comunicarem com as mulheres de forma
diferente, mais alinhada às suas
vivências. Nesse contexto, 58% dizem
preferir campanhas que tragam histórias
reais, especialmente em datas
como o Dia Internacional da Mulher,
enquanto 63% afirmam confiar mais
em empresas que demonstram preocupação
genuína com as mulheres em
diferentes fases da vida.
Entre as expectativas apontadas
pelas participantes, 55% querem que
as marcas reconheçam suas realidades
cotidianas e 49% defendem que
as campanhas compreendam melhor
os desafios enfrentados por elas. O
respeito aparece como o elemento
considerado mais essencial na comunicação
voltada ao público feminino.
Saúde e maternidade
A pesquisa também investigou percepções
sobre temas ligados à saúde
e à maternidade. De acordo com o levantamento,
57% das respondentes
acreditam que assuntos relacionados
à saúde feminina ainda são pouco discutidos
de forma aberta. Para buscar
informações sobre o tema, 51% recorrem
principalmente às redes sociais,
superando médicos e profissionais de
saúde como fonte inicial de consulta.
“Existe um gap
entre o poder
de decisão e a
representação”
Freepik
Já a maternidade aparece como
um tema central para grande parte
das usuárias da plataforma. O estudo
aponta que oito em cada dez entrevistadas
consomem conteúdos relacionados
à rotina com filhos, saúde e
bem-estar ou educação infantil dentro
do aplicativo. Porém, 45% afirmam
que as marcas nem sempre retratam
a maternidade de forma realista.
“As mulheres têm expectativas
claras sobre como querem ser retratadas.
Elas buscam campanhas que
reconheçam seus desafios, valorizem
suas vivências e representem as diferentes
fases da vida. Marcas que conseguem
estabelecer essa conexão de
forma genuína tendem a gerar mais
confiança e relevância ao longo do
tempo”, avalia Heloisa.
O levantamento foi realizado diretamente
no app do Kwai entre os dias
19 e 22 de janeiro de 2026, com a participação
de 19.665 usuárias ativas.
28 9 de março de 2026 - jornal propmark
agências
Walk vira hub da Droga5 para inovação
em inteligência de impacto e imagem
Operação avança com a finalidade de destravar tensões culturais e
assegurar idoneidade no marketing de causa sem riscos para as marcas
Janaina Langsdorff
A
Walk evoluiu de parceira de impacto
social e ambiental para
hub de inovação da Droga5 na
área de inteligência e reputação de
marca em apenas dois anos. “Soluções
de aproximação e construção
de afinidade com a sociedade têm
esse valor”, pontua a co-CEO Brisa
Vicente. Aumentar a relevância cultural,
o chamado “brand do”, era pedido
constante das marcas. “Entendemos
que poderíamos desenvolver uma
metodologia para endereçar esta
demanda”, confirma a executiva. A
origem do nome da unidade vem da
expressão em inglês “walk the talk”,
ou “faça o que você fala”.
Uma das habilidades da área é
destravar tensões culturais. Apesar
do seu potencial para construir engajamento
- já apontado, inclusive, pelo
Cannes Lions -, o humor, por exemplo,
era pouco utilizado na comunicação
de causas. A solução da Droga5 foi desenvolver
a pesquisa ‘Crise & riso’, lançada
em 2024 em parceria com o instituto
de estudos culturais Float para
convidar o mercado a sorrir de temas
complexos. O levantamento conseguiu
abrir “conversas com marcas que
possuem o humor no DNA, como Bis,
e tinham necessidade de falar sobre
legado sem abrir mão de seu tom de
voz”, lembra Brisa.
Já as críticas acerca da lisura de
campanhas de sustentabilidade foram
combatidas com projetos implementados
em conjunto com o terceiro
setor. O trabalho culminou no lançamento
da SOS Oceano, uma coalizão
de ONGs nacionais e internacionais
que unem advocacy à publicidade. A
desconexão entre propósito de marca
e ações de sustentabilidade é outro
ponto de atrito, que está em avaliação
ao lado de marcas de home care,
como Brilhante, e de beleza.
O cenário polarizado promete
mais impasses em outubro, quando
os brasileiros vão às urnas para
Helena Yoshioka/Divulgação
Brisa Vicente: clareza para sustentar consistência mesmo em cenários mais voláteis
“Já vimos
empresas
que possuem
reputação alta,
mas ações
fragilizadas,
expondo o
negócio a riscos”
eleger um novo presidente da República,
governadores, senadores,
deputados federais e estaduais.
“Momentos econômicos, culturais
e políticos afetam não apenas o
mercado publicitário, mas diversas
indústrias com as quais trabalhamos.
Ter clareza e foco nos objetivos
de marca é essencial para sustentar
consistência mesmo em cenários
mais voláteis”, orienta Brisa. Segundo
a executiva, antecipar esses
ciclos e estabelecer o significado da
marca garante “mais segurança e
coerência”, emenda.
A Droga5 criou um índice matemático
para vincular a construção
de reputação com a inteligência de
impacto. Quinze perguntas são aplicadas.
A partir daí, a agência consegue
plotar a marca em uma matriz
e avaliar a sua maturidade, seja em
temas gerais de sustentabilidade
ou em pautas específicas de gênero.
A definição da estratégia vem
na sequência. Já foram identificados
clientes que possuem projetos relevantes
de impacto, mas que são
pouco conhecidos pelo público, com
espaço para ampliar a reputação. “E
já vimos empresas que possuem reputação
alta em uma temática, mas
ações fragilizadas, expondo o negócio
a riscos de imagem”, alerta.
Metodologias proprietárias embasam
as análises. O Index de impacto
cruza maturidade com reputação
para orientar diagnósticos e estratégias
de evolução, enquanto a ferramenta
de branding Prisma conecta
propósito, território de atuação,
superpoder e barreiras, ajudando a
definir ou potencializar causas intrínsecas
à essência da marca. Há ainda o
KPI de impacto ponderado, que integra
métricas tradicionais de comunicação
a indicadores sociais e ambientais,
permitindo mensurar resultados
com valor de negócio.
Estão em vista projetos que pretendem
levantar provocações sobre
a eficácia dos formatos de patrocínio
de cultura e seu verdadeiro retorno
para a marca e a sociedade, além de
uma segunda onda de articulação
envolvendo a SOS Oceano para acelerar
a aprovação de áreas de proteção
ambiental.
Os esforços são conduzidos pela
chief impact officer e líder da operação
da Walk, Gabriela Rodrigues, e
pela head de inovação em comunicação,
Fabiane Abel. Os times são formados
de acordo com a abordagem
de cada projeto, unindo especialistas
e profissionais da área de impacto
e inovação em torno do desafio de
marca a ser solucionado. “Vemos um
potencial enorme de fortalecer a nossa
reputação criativa e de propósito”,
sinaliza Brisa.
jornal propmark - 9 de março de 2026 29
agências
Essência mineira com toque feminino
Com quase quatro décadas de
atuação no mercado publicitário,
a Lápis Raro atravessa um novo
momento de expansão. A
agência, fundada e liderada por
mulheres, passou a integrar em
outubro de 2025 o Grupo Partners,
conglomerado de comunicação
corporativa de Minas Gerais
que adquiriu 100% de suas
ações. À frente da operação está
Grasiela Scalioni, CEO da Lápis
Raro, que conduz a empresa
com um modelo full service.
Nesta entrevista ao propmark,
a executiva detalha o papel da
liderança feminina na trajetória
da agência, as oportunidades
para marcas com atuação nacional
fora do eixo Rio-São Paulo e a
entrada no grupo.
Grasiela Scalioni: “Coragem emocional para errar rápido, aprender e nunca desistir”
Divulgação
Bruna Nunes
LÁPIS RARO
Nossa operação é o reflexo de
uma agência fundada e liderada
por mulheres que, há 39 anos, entendem
que a sensibilidade não
é fraqueza, mas uma inteligência
estratégica. Na Lápis, não fugimos
da “problematização”: nós a buscamos.
Acreditamos que as melhores
oportunidades nascem no diagnóstico
certeiro do problema de
negócio do cliente. Muitas vezes
somos questionadas por problematizar
demais, mas é dessa desconstrução
que surgem as soluções
que realmente movem o ponteiro
do cliente.
METODOLOGIA
Isso se materializa no Lápis na
Mesa, nossa metodologia de imersão
coletiva e prototipagem rápida
de soluções. Se Jeff Bezos coloca
a cadeira do cliente na sala, nós
trazemos o cliente para sentar à
nossa mesa e construir conosco. É
o brainstorming “a muitas mãos”
elevado ao nível estratégico. Não
permitimos que a criatividade morra
para caber em verbas ou prazos.
Usamos a nossa diversidade real —
geracional, de raça, gênero e socioeconômica
— para garantir que nossas
soluções não fiquem presas em
bolhas. Temos coragem emocional
para errar rápido, aprender e nunca
desistir da inovação.
FULL SERVICE
Somos uma agência full service
com in t eligência in t eg r ador a de br anding
e performance. Nossa atuação
é 360: vai do diagnóstico estratégico
e inteligência de marca à
criação, ao conteúdo, à estratégia
de mídia on/off e ao analytics. Operamos
em squads multidisciplinares
que garantem aprofundamento e
conhecimento dos clientes e a construção
da relevância para marcas
que influenciam a cultura, como
Unimed-BH, Drogaria Araujo, Cemig,
Laticínios Porto Alegre, Saudali,
Sicoob, Bioextratus, Prefeitura de
Belo Horizonte, Sebrae, Multiplan,
Diamond Mall e, recentemente, o
planejamento estratégico das grandes
marcas nacionais Direcional e
Riva. Nossa frente de consultoria e
plataforma de marca, por meio da
metodologia BioRede, virou a porta
de entrada para resolver a fragmentação
de comunicação que aflige
grandes anunciantes.
GRUPO PARTnERS
A motivação foi a sinergia que,
a partir da inteligência de negócio
e da ambição de crescimento do
Grupo Partners, canalizou a compra
“Não fugimos da
problematização,
nós a buscamos”
da Lápis Raro. Minas Gerais sempre
foi um polo de talentos, da ciência
e tecnologia à arte, cultura e negócios.
Agora, como parte do 9º maior
grupo de comunicação do Brasil, estamos
levando essa essência criativa
mineira para os quatro cantos do
país. Queremos mostrar que Minas
é grande e tem capacidade de escala
nacional. Com Carla Madeira no
conselho, eu como CEO e Cris Cortez
como CCO, mantemos o diferencial
da liderança feminina, mas agora
30 9 de março de 2026 - jornal propmark
potencializado por um ecossistema
que inclui dados, relações públicas e
growth. É o crescimento sem perda
de essência.
GOVERNANÇA
A governança
ficou mais robusta,
com o suporte
do Grupo Partners
trazendo musculatura
do backoffice,
comercial e
dados. Mas mantemos
a autonomia
e o board feminino
que são o
coração da nossa
cultura. Estruturalmente, estamos
mais ágeis para prospecções nacionais
e integração de novas unidades
de negócio.
IAtuAlIzAÇãO
Fizemos uma “IAtualização” completa
por meio de uma jornada com
a Templo para toda a agência. Para
nós, a IA não é apenas uma ferramenta
operacional, mas sim um
ativo estratégico e insumo criativo.
Hoje, trabalhamos com agentes de
IA em três frentes: eficiência produtiva
(automação de rotinas), assistente
estratégico (deep search
e aplicação de frameworks proprietários
da Lápis) e insumo criativo
(expansão das possibilidades estéticas).
Usamos a tecnologia para
escalar a produtividade, permitindo
que o nosso time tenha mais tempo
para aquilo que a máquina não faz:
o pensamento crítico e a conexão
emocional.
DESAFIOS
São muitos desafios. Logo no
início, a agência enfrentou um mercado
majoritariamente masculino,
agressivo, lobista e ficou conhecida
em Minas como “a agência das meninas”.
Há um pejorativo nisso, uma
tentativa de diminuir, enfraquecer. E
superar o modelo de liderança linear
e agressivo, competir com ele, nunca
foi fácil. Na relação com os clientes,
muitas vezes enfrentamos o
preconceito estrutural, uma leitura
enviesada, mas em pouco tempo a
Lápis mostrou a que veio.
“A liderança
feminina traz
uma coragem
emocional de
experimentarmos
e não sermos
lineares”
lIDERANÇA FEMININA
A liderança feminina traz uma coragem
emocional de experimentarmos
e não sermos lineares. E, hoje,
nesse mundo caótico, nós mulheres
temos muito preparo e adequação.
Fomos treinadas a vida inteira para
navegar no caos
e entregar resultados
impecáveis
enquanto o mundo
gira. Na Lápis,
o caos não nos assusta:
ele é o nosso
insumo criativo.
A liderança
aqui é por escuta,
aprendizado, criatividade,
conhecimento
técnico e
resultado.
PIlARES
Isso se traduz em três pilares
na agência. O primeiro é a cultura
de apoio real: não adianta falar em
“empoderamento” sem estrutura.
Somos uma das poucas agências
com licença-paternidade de 30 dias,
porque entendemos que, para a mulher
crescer, o homem precisa dividir
o cuidado. Isso gera um ambiente de
segurança psicológica onde o turnover
é baixo e o compromisso é alto.
O segundo é a gestão ambidestra e
colaborativa: substituímos o modelo
do “líder herói” que bate na mesa
pelo modelo da mesa redonda. O
próprio Lápis na Mesa é reflexo disso:
uma gestão que não tem medo
de perguntar e de envolver o cliente
no caos criativo para encontrar a
solução mais sustentável. Por fim, o
terceiro pilar é o do produto criativo
com “verdade”. Nosso produto não é
apenas estético, é empático.
NA PRÁtICA
Quando a Cris Cortez e a nossa
criação desenvolvem campanhas
para a Drogaria Araujo ou Unimed-
-BH, elas não estão apenas vendendo
serviços, estão falando com as
famílias a partir de um lugar de conhecimento
real das dores cotidianas.
Nossa criatividade é premiada,
com os recentes reconhecimentos
em Profissionais do Ano e El Ojo,
porque ela não tenta “parecer” humana:
ela é feita por pessoas que
vivem a complexidade da vida real,
sem os filtros do eixo corporativo
tradicional.
MERCADO
Antes trago aqui dados para explicar
esse contexto: o Panorama
Mulheres 2025 (Insper/Talenses)
mostra que apenas 17,4% das empresas
no Brasil têm mulheres na presidência
e a presença feminina nas
vice-presidências caiu de 34% para
20% recentemente. Por que isso
ocorre? O IBGE aponta que 8 em cada
10 mulheres vivem uma dupla jornada
e 45% não contam com nenhuma
rede de apoio. O mercado “vaza” talento
feminino porque não oferece
suporte à função de cuidadora. Na
Lápis, temos essa responsabilidade.
Nossa licença-paternidade de
30 dias é uma ação concreta para
que os homens dividam o cuidado.
O mercado não precisa de “mulheres
liderando como homens”, mas de
empresas que entendam que, para
a mulher subir, ela precisa de uma
estrutura de apoio sistêmica. E, por
aqui, uma realmente sobe e puxa a
outra.
39 ANOS
A busca incessante por construir
marcas que se tornam referências
culturais é o que nos move. Influenciamos
o comportamento de uma cidade
com as comunicações da Araujo,
mudamos hábitos de saúde com
a Unimed-BH e valorizamos a beleza
negra com a Chicas. O pilar é o propósito
de entregar soluções que
antecipam problemas e geram crescimento
real. Somos incansáveis por
aprender o negócio do cliente; em
saber as dores
de quem vende
ao nosso cliente.
Essa profundidade
garante parcerias
de décadas.
MINEIRA
A oportunidade
é romper o preconceito
geográfico.
Minas Gerais
se consolidou como o terceiro maior
mercado publicitário do Brasil, atrás
apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 2024, o setor movimentou mais
de R$ 26 bilhões no país, com crescimento
de 12%. Segundo o Sebrae-
-MG, 53% dos pequenos e médios
negócios mineiros planejam investir
em 2025.
OutSIDER
Quando se fala das grandes
agências de São Paulo, ninguém diz
“Queremos
mostrar que
Minas é grande e
tem capacidade
de escala
nacional”
“agência paulista”. Nós somos “a Lápis
Raro”, com sede em BH, orgulho
de nossas raízes e de talentos como
Carla Madeira (que faz sucesso no
mundo todo), mas nossa entrega
é nacional. A oportunidade está
em trazer de volta investimentos
que saíram daqui e buscar marcas
nacionais que precisam de uma estratégia
que entenda de verdade as
regionalidades, com a mesma — ou
maior — eficiência do eixo tradicional.
BIOREDE
É a nossa metodologia proprietária
para construir a força das
marcas e implementá-la com precisão.
O BioRede integra branding
e performance em cinco variáveis:
proposta de valor, campo sensorial,
conteúdos relevantes, canais e KPIs.
Ele garante a unidade da marca em
todos os pontos de contato, eliminando
a fragmentação e garantindo
que cada esforço de comunicação
retroalimente o valor do negócio. É
o nosso principal produto de consultoria
para diagnósticos complexos.
2026
Começamos em 2026 com velocidade
máxima. Nosso plano comercial
foca na expansão geográfica e
na busca por segmentos de Saúde,
Bem-estar e Farmacêutico, onde
temos um know-how imbatível com
anos de histórias de sucesso com
Drogaria Araujo,
Unimed e Afya.
Estamos na busca
ativa por grandes
players nacionais
da indústria ou
varejo. E o grande
acontecimento
depois do Carnaval
é o Radar
2026, dia 25 de
março, no Cine
Theatro Brasil. É o nosso evento proprietário
que vem crescendo e este
ano vamos reunir mil pessoas para
discutir tendências com patrocinadores
importantes, como a Globo;
e palestrantes ilustres convidados,
como Flávia Toledo, da Globo, Renata
Melo e Carla Madeira. O Radar é o
nosso convite para o mercado sair
do ruído e mergulhar na intersecção
entre tecnologia, cultura e humanidade.
Estamos prontos para liderar
o que vem depois do caos.
jornal propmark - 9 de março de 2026 31
agências
BFerraz agrega inteligência artificial à
área de arquitetura com design aplicado
Marca incorpora disciplina para reforçar oferta criativa aos projetos
de brand experience com a chegada da head Mariana Palmeira
A
inteligência artificial continua
ampliando território. A bola
da vez é a BFerraz, agência de
brand experience e promoções da
Biosphera.ntwk, que promove a evolução
de sua área de arquitetura com
a chegada de Mariana Palmeira como
head de arquitetura e AI applied design.
“O movimento marca uma nova
fase da disciplina dentro da agência,
que passa a incorporar inteligência
artificial de forma estruturada ao
processo criativo e executivo dos projetos
de brand experience”, esclarece
comunicado da empresa.
Não se trata de uma nova área,
mas do amadurecimento de uma
competência que faz parte do core da
BFerraz. “Em um cenário em que as experiências
de marca se tornam mais
complexas, híbridas e orientadas a resultados,
a arquitetura assume papel
cada vez mais estratégico, deixando
de ser apenas cenografia para atuar
como elemento central na narrativa,
na presença física da marca e na geração
de conteúdo e dados”, prossegue
o comunicado.
A BFerraz explica que a integração
de IA ocorre para ampliar sua capacidade
de eficiência, precisão e inovação.
“A tecnologia será aplicada desde
a fase de estudos volumétricos até a
modelagem 3D, prototipagem e simulações
de fluxo e comportamento de
público. Também passa a apoiar decisões
sobre estrutura, materiais e operações,
fortalecendo a conexão entre
arquitetura, tecnologia e dados.”
A arquitetura é um dos pilares do
brand experience. “Agora elevamos
o nível técnico e estratégico da área
ao incorporar IA à dinâmica criativa
e executiva. Isso nos permite ganhar
agilidade, reduzir retrabalho e ampliar
o potencial de impacto e mensuração
dos projetos”, afirma Enricco Benetti,
co-CEO e CCO da BFerraz.
À frente da área, Mariana terá
como desafio estruturar uma metodologia
de arquitetura AI-driven,
consolidando a inteligência artificial
A executiva Mariana Palmeira, head de arquitetura & AI applied design da BFerraz, com Enricco Benetti, co-CEO e CCO da agência
como ferramenta de performance e
não apenas como recurso estético. Ela
liderará um time formado por arquitetos,
modelistas 3D e AI designers, garantindo
que a arquitetura participe
dos projetos desde a concepção até a
entrega final.
Formada pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie, com especialização
internacional pela Scuola Politecnica
di Milano, Mariana construiu
sua trajetória no desenvolvimento e
liderança de projetos de arquitetura,
cenografia e experiências, atuando na
intersecção entre design, narrativa e
tecnologia. Ela se tornou especialista
em modelagem 3D, visualização avançada
e processos digitais. “E se destaca
por integrar visão criativa, rigor
“O desafio é
estruturar uma
metodologia
de arquitetura
AI-drivenia”
Divulgação
técnico e gestão multidisciplinar em
projetos de alta complexidade no universo
de brand experience”, justifica a
BFerraz.
Com a evolução da área, a agência
afirma que reforça seu modelo de
operação e amplia sua capacidade de
entrega em plataformas de patrocínio,
ativações proprietárias, grandes
eventos, experiências imersivas, projetos
phygital e shopper experience
no ponto de venda.
“A incorporação de IA à arquitetura
representa mais previsibilidade, melhor
visualização prévia dos projetos
e maior integração entre físico e digital,
fortalecendo o posicionamento
como referência em inovação aplicada
ao brand experience”, finaliza.
32 9 de março de 2026 - jornal propmark
mídia
Investimento publicitário cresce 10%
em 2025 com faturamento de R$ 28,9 bi
Pesquisa Cenp-Meios contou com amostra de 330 agências de todo
o país; volume contabilizado é quatro vezes superior à elevação do PIB
O
Cenp-Meios divulgou na semana
passada o volume do investimento
publicitário com base nas
autorizações de mídia de 330 agências
do mercado brasileiro e o resultado
foi R$ 28,9 bilhões, um avanço de
10% em relação ao ano anterior.
A expansão, como quantifica a entidade,
é quatro vezes maior que o
crescimento de 2,3% do PIB, segundo
o IBGE. Os dados compilados no painel
Cenp-Meios, divulgado pelo Cenp,
“demonstram o dinamismo do setor
e a confiança de anunciantes de todo
o país na publicidade como alavanca
do consumo e do fortalecimento de
marcas”, detalha o comunicado, que
prossegue:
“O painel, que reúne dados de 330
agências no Brasil (258 matrizes e
72 filiais), reflete o faturamento efetivo
dos Pedidos de Inserção (PIs),
que foram veiculados e consolidados
por meio, período, estado e região.
As veiculações nacionais responderam
por 68% do total investido. As
realizadas na Região Sudeste concentraram
19,4%, seguidas por Nordeste
(4,5%), Sul (4%), Centro-Oeste (2,9%) e
Norte (1,1%).”
A expansão dos investimentos
publicitários no ano passado ocorre
após um 2024 marcado por grandes
eventos midiáticos, como os Jogos
Olímpicos de Paris e as eleições.
“O mercado publicitário brasileiro
demonstrou resiliência e dinamismo”,
diz Luiz Lara, presidente do Cenp. “Fazemos
parte de um setor estratégico,
que une negócios, criatividade e conexão
com os consumidores, que gera
empregos de qualidade e ajuda a impulsionar
a economia. É um setor que
cresce porque se transforma e continua
a gerar valor para as empresas e
para a sociedade”, acrescenta.
O Painel Cenp-Meios é acompanhado
pelo Núcleo de Qualificação Técnica
(NQT) e também conta com a aferição
da KPMG, responsável pela análise
de integridade e pela segurança do
sistema.
Nas palavras do executivo Luiz Lara, presidente do Cenp, o mercado publicitário manteve combinação de resiliência e dinamismo
INVESTIMENTOS EM MÍDIA
Janeiro a dezembro de 2025
Meio
Valor faturado
(000)
Share (%)
CINEMA R$ 86.929 0,3%
Geral R$ 11.746.719 40,6%
ÁUDIO R$ 34.896 0,3%
INTERNET
BUSCA R$ 738.897 6,3%
DISPLAY E OUTROS R$ 7.110.195 60,5%
SOCIAL R$ 2.870.183 24,4%
VÍDEO R$ 992.547 8,4%
JORNAL R$ 415.106 1,4%
OOH/MÍDIA EXTERIOR R$ 3.512.752 12,1%
RÁDIO R$ 1.108.232 3,8%
REVISTA R$ 99.511 0,3%
Geral R$ 11.956.520 41,3%
TELEVISÃO
TV ABERTA R$ 9.709.124 81,2%
TV POR ASSINATURA R$ 2.247.396 18,8%
Total R$ 28.925.769
Divulgação
Fonte: Cenp-Meios
jornal propmark - 9 de março de 2026 33
mídia
Fusão entre Paramount e Warner traz
impactos para produção e publicidade
Negócio de cerca de US$ 110 bilhões reacende debate sobre
concentração no streaming e movimenta a indústria audiovisual
Bruna Nunes
A
aquisição da Warner Bros. Discovery
(WBD) pela Paramount encerra
uma das disputas mais comentadas
da indústria global de entretenimento
nos últimos meses. Avaliada em
cerca de US$ 110 bilhões, a operação coloca
sob o mesmo grupo dois estúdios
gigantes do mercado, mas a fusão reacende
o debate sobre concentração no
mercado e provoca reflexões sobre os
impactos para produção e publicidade.
O processo começou a ganhar tração
ainda em novembro de 2025, quando
a Netflix passou a avaliar a aquisição
da divisão de estúdios e streaming da
Warner Bros. Discovery. A negociação
permitiria à Netflix assumir as franquias
como Harry Potter e DC Comics, além de
reforçar seu catálogo com produções
da Warner. Em dezembro, a plataforma
chegou a anunciar um acordo definitivo
para comprar os ativos de estúdios e
streaming da WBD por US$ 72 bilhões - ou
cerca de US$ 82,7 bilhões, considerando
as dívidas.
No entanto, ao longo das negociações,
outros grupos passaram a
disputar os ativos da Warner, e a concorrência
se intensificou quando a
Paramount apresentou nova oferta
avaliada em cerca de US$ 110 bilhões,
incluindo dívidas, equivalente a US$ 31
por ação da WBD. O conselho da companhia
considerou a proposta superior,
especialmente pela inclusão de uma
taxa de rescisão regulatória de US$ 7
bilhões, caso o negócio fosse barrado
por autoridades antitruste. Diante do
novo cenário, a Netflix optou por não
elevar a proposta e encerrou a disputa.
Durante meses, a Paramount e a Netflix disputaram a aquisação da Warner; negócio foi fechado por cerca de US$ 110 bilhões
AssinAntes e AudiênciA
Para especialistas, a operação reflete
um movimento de reorganização
estrutural do mercado de entretenimento,
impulsionado pela disputa
por audiência e escala no streaming.
Márcio Rodrigo, professor do curso de
cinema e audiovisual da ESPM, compara
o impacto da operação ao movimento
realizado pela Disney quando
adquiriu a Fox, em 2017.
Segundo ele, a operação reforça
uma tendência de concentração no setor,
impulsionada pela competição cada
vez mais ampla pela atenção do público.
“Esse movimento ocorre em um
cenário em que plataformas como
YouTube e TikTok também disputam
a atenção do público. As grandes empresas
de mídia buscam escala para
enfrentar essas novas formas de concorrência”,
diz.
Um dos principais movimentos
estratégicos previstos após a fusão
é a integração entre HBO Max e Paramount+,
o que poderia resultar em
uma plataforma com mais de 200
milhões de assinantes. Para efeito de
comparação, mesmo com a junção,
o novo serviço ainda ficaria atrás da
Netflix, que hoje soma cerca de 325
milhões de assinantes globalmente.
“Mais do que o número de assinantes,
a disputa hoje é por fidelização.
As plataformas tentam evitar que o
público assine apenas para ver um
conteúdo específico e depois cancele
o serviço. Ter um catálogo robusto
ajuda a manter o usuário por mais
tempo”, explica Márcio Rodrigo.
O professor também destaca que
a fusão pode pressionar concorrentes
a ampliar investimentos em produção
própria. “Isso deve gerar impacto sobre
as concorrentes, especialmente
na Netflix, que pode ter de investir
ainda mais em conteúdo original para
manter sua base de assinantes”, diz .
publicidAde
A consolidação também deve gerar
reflexos na produção audiovisual
e no mercado publicitário, especialmente
diante da crescente adoção
de modelos de streaming financiados
por publicidade.
Para Marianna Souza, presidente-
-executiva da Associação Brasileira
da Produção Audiovisual (Apro), fusões
desse porte costumam ampliar
o poder de negociação dos grandes
conglomerados.
“Fusões desse porte normalmente
aumentam o poder de negociação dos
grandes conglomerados, porque concentram
catálogo, tecnologia, dados
de audiência e capacidade de investimento
em um mesmo grupo. Isso tende
a tornar as negociações mais estruturadas
e estratégicas”, comenta.
Ao mesmo tempo, ela avalia que
Unsplash
o crescimento das plataformas também
pode abrir novas oportunidades
para produtores independentes.
Isso porque, segundo a executiva,
“plataformas e estúdios que se tornam
maiores precisam alimentar
um volume crescente de conteúdo,
especialmente em streaming, publicidade
e branded entertainment.
Isso amplia a demanda por produção
qualificada e por parceiros capazes
de entregar projetos em diferentes
formatos e mercados”.
Marianna avalia que o movimento
aproxima os streamings do mercado.
“O streaming caminha rapidamente
para modelos híbridos ou financiados
por publicidade. Isso cria novos
espaços para narrativas de marca,
integrações e formatos audiovisuais
inovadores, aproximando ainda mais
o mercado publicitário do ecossistema
do entretenimento.”
desAfios regulAtórios
Antes de concluída, a operação
precisa passar por análise de autoridades
regulatórias em diferentes
mercados. Para o advogado Vanderlei
Garcia Jr., doutor em direito civil
pela USP, a fusão envolve um cenário
34 9 de março de 2026 - jornal propmark
Alê Oliveira
CAV ESPM/Divulgação
Vanderlei Garcia: “Concentração econômica”
Marianna Souza, da Apro: “Amplia a demanda”
Márcio Rodrigo, da ESPM: “Disputam a atenção”
jurídico complexo, com impactos concorrenciais
relevantes.
“Trata-se de uma concentração econômica
com impactos horizontais, na
produção e distribuição de conteúdo, e
também verticais, considerando a integração
entre estúdios, canais lineares
e plataformas de streaming”, afirma.
Segundo ele, autoridades antitruste
devem avaliar o potencial aumento
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
de poder de mercado da nova empresa.
“Será examinada a possibilidade de
fechamento de mercado, práticas de
exclusividade ou eventual redução de
alternativas competitivas.”
Em operações desse porte, explica
o advogado, é comum que a aprovação
venha acompanhada de condicionantes.
Autoridades podem impor remédios
estruturais ou comportamentais,
“Mais do que
o número de
assinantes, a
disputa hoje é
por fidelização”
como venda de ativos, obrigações de
licenciamento de conteúdo ou restrições
a práticas de exclusividade.
Para Garcia Jr., a fusão também
pode provocar mudanças na forma
como conteúdos são distribuídos. Segundo
o advogado, “a nova estrutura
poderá ampliar o poder de barganha
na negociação de direitos de exibição,
distribuição e publicidade”.
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jornal propmark - 9 de março de 2026 35
giro no mercado
by propmarK
Alê Oliveira
‘A gente que fez’, um dos motes da agência, é veiculado em tela ao fundo, enquanto equipe conversa em espaço da sede localizada no bairro Cerqueira César, na capital paulista
Talent amplia escritório em São Paulo
para acompanhar crescimento da agência
Reforma do espaço reflete aumento no número de colaboradores com
a chegada de novas contas e ampliação de escopo em clientes atuais
Vitor Kadooka
Com o crescimento da Talent a
partir da conquista de novas
contas e da ampliação de escopo
junto a clientes que já estavam
na casa, a operação, nas palavras de
Lica Bueno, CEO da agência, tornou-
-se cada vez mais robusta e completa.
O movimento não se restringe
a novos negócios, mas também ao
aprofundamento de entregas e responsabilidades
dentro de contratos
já existentes. “Entre as áreas que
mais cresceram temos mídia, business
intelligence e dados, e criação
e conteúdo”, ela explica.
Com cerca de 230 colaboradores,
a Talent reformou seu escritório localizado
no bairro Cerqueira César,
em São Paulo, para acompanhar a
expansão do corpo de trabalho e dar
suporte a uma estrutura que se tor-
nou mais complexa nos últimos anos.
O andar térreo passou por uma ampliação
que incluiu novos espaços de
convivência para os colaboradores
e uma área externa dedicada a confraternizações
internas e encontros
com clientes.
A mudança física reflete uma
transformação estrutural. Segundo
Lica, não houve criação de novas áreas
formais, mas um fortalecimento
consistente das frentes já existentes.
“Não tivemos novas áreas em si, porque
a estrutura da Talent já comportava
todas as necessidades do mercado,
mas fortalecemos as áreas de mídia,
dados, conteúdos e creators, trazendo
mais especialistas e profissionais de
dados, business intelligence e tecnologia
de dados, por exemplo.”
Ela acrescenta que o crescimento
também foi impulsionado pela ampliação
de escopo em determinadas
contas. “Com um mercado dinâmico,
estamos sempre nos atualizando e
buscando melhorias dentro da nossa
estrutura.”
CONSOLIDAÇÃO
No ano em que completa três
anos à frente da agência, Lica conduz
a Talent em um momento que ela
define como de consolidação estratégica.
A executiva reforça a visão
da propaganda como ferramenta
central para o negócio dos clientes
e não apenas como execução de
campanhas. “Vemos a propaganda
como um ativo estratégico e temos
grande capacidade integradora, por
isso alguns clientes nos veem como
‘agência-mãe’, mesmo que tenham
outros parceiros.”
A liderança da agência é composta
ainda por Eduardo Megale (COO), Gustavo
Victorino (CCO), Gabriela Soares
(CSO) e Vitor Kamada (VP de mídia),
que formam o board responsável pela
operação, estratégia criativa e gestão
de mídia.
Em 2025, a agência enfrentou um
marco importante em sua trajetória
recente com a perda da conta da
Ipiranga, parceria que durou 30 anos
e deu origem a bordões amplamente
reconhecidos, como ‘Pergunta lá no
Posto Ipiranga’. Apesar da saída, a Talent
reorganizou sua carteira e hoje
atende clientes como Claro, Ferrero,
Meta, Lactalis, Inter, Motiva, Trivago
e Ultragaz, mantendo presença em
diferentes segmentos.
Nos últimos três anos, segundo
Lica, a agência registrou crescimento
acelerado tanto de receita — na casa
de dois dígitos — quanto de lucro. A
executiva destaca o avanço consistente
dos indicadores, embora a empresa
não divulgue números abertos.
36 9 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira e Divulgação
Nova área disponível oferece espaço para descanso e eventos internos e com clientes
Lica Bueno, presidente da Talent: “Vemos a propaganda como um ativo estratégico”
Área de convivência integra alimentação, reuniões e descanso para colaboradores
Painel eletrônico em sala de reunião exibe o nome do fundador Julio Ribeiro
PUBLICIS GROUPE
Fundada pelo lendário Julio Ribeiro
em 1980, a Talent entrou para a rede
Publicis Worldwide em 2010, marcando
sua inserção em um grupo global.
Em 2015, passou a integrar a rede Marcel,
também pertencente ao Publicis
Groupe, estrutura que deixou em 2023
para retomar a marca Talent de forma
independente dentro do ecossistema
do grupo, sob o conceito ‘Conversa
muda tudo’.
A ampliação do escritório ocorre
na sequência desse processo de reafirmação
de identidade. Em entrevista
ao propmark, em fevereiro do
ano passado, Lica já havia ressaltado
que cerca de 70% da carteira da
agência era conquistada no Brasil,
RAIO X
Nome: Talent
Criação: 1980
Fundador: Julio Ribeiro
Presidente: Lica Bueno
Board: Eduardo Megale (COO), Gustavo Victorino (CCO), Gabriela Soares (CSO) e
Vitor Kamada (VP de mídia)
Funcionários: cerca de 230
Principais clientes: Claro, Ferrero, Meta, Lactalis, Inter, Motiva, Trivago e Ultragaz
sublinhando o peso das contas nacionais
e a forte conexão com a cultura
local, uma característica que
permanece como eixo estratégico
da operação.
Hoje, dentro do ecossistema do
grupo no Brasil, a Talent ocupa o papel
de agência full service com DNA
estratégico-criativo e origem brasileira.
“Cada agência tem um papel,
complementando expertises e trazendo
diferentes bagagens. A Talent
é uma das agências full service do
grupo, que nasceu no Brasil e tem
forte DNA estratégico criativo pelo
qual somos reconhecidos. Somos
uma agência que atende muitas
contas brasileiras, por isso temos
uma forte conexão com a cultura
local”. Ela complementa: “Clientes
como a Claro e a Lactalis, por exemplo,
que atuam de forma bastante
regional, nos colocam frente a este
olhar diariamente”.
Para Lica, o diferencial da agência
está na proximidade com o negócio
dos clientes e na atuação integrada
da liderança. “Esse perfil de estar
próximo do negócio do cliente e usar
esse entendimento de maneira muito
estratégica e eficaz para transformar
a marca é o que nos diferencia”. A
executiva lembra ainda um reconhecimento
recente: “Somos reconhecidos
pelo Scopen como a agência onde a
alta liderança está envolvida nos negócios”,
finaliza ela.
Conceito ‘Conversa muda tudo’ foi lançado em 2023, junto da retirada do nome Marcel’
Painel da Talent exibe logo, comunicações internas e inserções da agência na mídia
jornal propmark - 9 de março de 2026 37
sxsw
Artistas devem transformar festival em
palco para protestos e defesa de direitos
A atriz Jane Fonda, uma das primeiras celebridades a criticar os ataques
dos EUA e Israel ao Irã, é uma das participantes do evento, em Austin
Janaina Langsdorff
ataque é um ato desesperado e imoral
para conseguir pontos declarando uma vitória.
O que Donald Trump conseguirá é ser de-
“Esse
clarado um presidente da guerra. O governo Trump pode
desencadear uma guerra em nosso nome, mas não
com nosso consentimento. Trump é um homem triste,
desequilibrado. Está em guerra contra a democracia,
contra as famílias de imigrantes e o meio ambiente.”
Esse é o trecho do discurso de Jane Fonda durante
protesto contra os ataques dos EUA e de Israel ao Irã,
no sábado, dia 28 de fevereiro. A manifestação foi realizada
no centro de Los Angeles, logo no domingo, dia
1º de março. “Estaremos nas ruas amanhã, nos dias seguintes
e nas semanas que virão para exigir que esta
nova guerra no Oriente Médio pare”, disse uma das
mais prestigiadas atrizes do cinema norte-americano,
que participará do South by Southwest (SXSW).
O festival, que ocorrerá entre os dias 12 e 18 de
março na cidade de Austin, no Texas (EUA), deve se
transformar em palco para manifestações de artistas
também acerca de políticas contrárias aos
setores cultural e ambiental. Jane Fonda conduzirá
o painel ‘Say It Louder: Artists, Activism & the First
Amendment’ ou ‘Diga Mais Alto: Artistas, Ativismo e
a Primeira Emenda’. First Amendment, ou Primeira
Emenda, refere-se à Primeira Emenda da Constituição
dos Estados Unidos, que garante liberdades de
expressão, imprensa, religião e manifestação.
Fundadora do Committee for the First Amendment,
que prepara os artistas e as pessoas para
lutar por seus direitos, Jane Fonda estará ao lado do
comediante W. Kamau Bell e Jessica Weitz, da American
Civil Liberties Union (ACLU). A atriz Demi Moore
também estará presente no evento. Ela gravará o
podcast ‘Baby, This is Keke Palmer Live’, com Keke
Palmer e o elenco de ‘Love Boosters’, que inclui Naomi
Ackie, Taylour Paige, Eiza González e Poppy Liu.
“Entre magnatas dos negócios, gigantes políticos
e lendas do entretenimento, nosso time reuniu estrelas
que podem ser vistas até do espaço”, comenta
Greg Rosenbaum, vice-presidente sênior de programação
do festival. Os irmãos Jorma (comediante,
diretor e integrante do ‘The Lonely Island’) e Asa Taccone
(músico e vocalista da banda ‘Electric Guest’)
estarão no painel ‘A Talk About Life, Sibling Rivalry
and The Lonely Island - Do you like discussions about
art, comedy and music? So do we!’, enquanto a ex-
-tenista Serena Williams e Reckitt Catalyst apresentam
‘Breaking Barriers, Building Solutions: Meet the
Changemakers Transforming Health Innovation’.
A 40ª edição do festival de inovação será realizada entre os dias 12 e 18 de março na cidade de Austin, no Texas (EUA)
“Estaremos nas ruas
amanhã, nos dias
seguintes e nas
semanas que virão”
Reprodução/YouTube
Jane Fonda protesta em Los Angeles no dia 1º de março
Divulgação
Já o ator Bob Odenkirk comandará a sessão ‘Entering
His Action Hero Phase and the State of Action
Films with the Team Behind Normal’. Perri Nemiroff,
do Collider; o diretor Ben Wheatley; o roteirista Derek
Kolstad; e o produtor Marc Provissiero também
participam do festival de Innovation.
O comediante Chris Fleming; o ator Riz Ahmed; as
empreendedoras e ativistas Phoebe Gates e Sophia
Kianni; Matt Strauss, executivo da NBCUniversal responsável
por streaming e negócios internacionais, e
o apresentador e produtor Andy Cohen; Tierra Whack,
head de comunidades da Twitch, e DJ_Dave; Gavin
Newsom, governador do estado da Califórnia; e o chef
José Andrés, reconhecido com o título de Hall of Fame
do SXSW 2026, são outros nomes da lista. No festival
Music, estão confirmados Jack Johnson, Alanis Morissette,
Vic Mensa, St. Vincent, Benny the Butcher, Ingrid
Andress, The Paradox, Black Midi, ZHU, Buffalo, Hiroko
Yamamura e Ty Dolla $ign, entre outros artistas.
Em 2025, o SXSW foi realizado entre 13 e 15 de março,
com 37.770 visitantes presenciais e 383.783 visualizações
únicas no YouTube. Foram 3.409 palestrantes,
1.712 sessões, 165 festas oficiais e eventos especiais,
representantes de 97 países e 2.583 profissionais de
mídia e imprensa credenciados. A edição do ano passado
alertou para a epidemia da solidão deflagrada pela
excessiva exposição às telas - a mesma tecnologia que
conecta as pessoas dissemina ansiedade e depressão.
38 9 de março de 2026 - jornal propmark
inspiração
Atividade física é mais do que isso
Fotos: Arquivo Pessoal
Darwin, com sua teoria da evolução, já havia notado que a sobrevivência de
uma espécie não tinha a ver com força, tamanho ou mesmo inteligência
Fabio Golombek
Especial para o propmark
Você chega a uma idade em que fica impossível deixar de fazer atividade física.
Sempre gostei de esportes, mas nunca fui muito fanático, até aquela barriguinha
começar a incomodar. Não tinha ouvido falar da família Gracie (antes
dos anos 1990, eles no Rio de Janeiro, quase exclusivamente, e eu em São Paulo) até
aparecer uma oportunidade de fazer uma matéria para TV e acompanhar um lutador
chamado Rickson Gracie para participar de uma luta no Japão. Fiquei impressionado
com a fama deste brasileiro em terras nipônicas e eu – brasileiro, apesar
de morando em Los Angeles – nunca tinha ouvido falar. Desde nossa chegada a
Tóquio até a ida a um pequeno vilarejo nas montanhas, onde ele iria se aclimatar
para a luta na capital, Rickson era tratado como uma estrela do rock. A dedicação,
a técnica (a luta durou pouco mais de três minutos), o vigor e o enfoque me impressionaram.
Sempre entendi a luta como algo primário, agressivo, de sobrevivência.
Mas o jiu-jítsu me mostrou ser algo diferente e Rickson Gracie, um Michelangelo.
O jiu-jítsu, que dizem ter surgido na Índia há 2 mil/5 mil anos, foi parar no Japão,
acabou adaptado no Brasil pela família Gracie no começo do século passado, e é
uma arte marcial muito peculiar. Tem toda uma teoria do mínimo esforço, na qual
a vantagem está em usar a força e movimentos do oponente contra ele próprio. É
uma prática que faz a palavra “arte” se sobressair sobre a “marcial”. Exige uma sensibilidade
e criatividade para se conseguir o objetivo desejado. Exige concentração,
compreensão e atenção ao oponente para que você não só consiga sobreviver, mas
sair de uma situação melhor do que entrou. Um jogo de xadrez com o próprio corpo.
A conclusão é clara: é um resumo do que ocorre no nosso dia a dia, na nossa vida.
Charles Darwin, com sua teoria da evolução, já havia notado que a sobrevivência de
uma espécie não tinha a ver com força, tamanho ou mesmo inteligência. Tinha a
ver com a capacidade de adaptação, a famosa frase “sobrevivência do mais apto”.
O jiu-jítsu é uma luta de adaptação para controlar o seu oponente, mesmo que este
seja maior ou mais forte.
Enfim, passaram-se dois ou três anos da minha viagem ao Japão, quando resolvi
me aventurar no jiu-jítsu. O que tinha a perder? O resultado surpreendeu. Não foi
um começo fácil: torções em todos os lugares, pernas e braços doloridos, pescoço
travado etc. Enfim, para um produtor de TV/cinema, em seus 40 anos, o jiu-jítsu
não somente conseguiu me deixar numa forma física invejável, mas também me
fez enxergar o mundo com outros olhos. No nosso dia a dia, quando nem há tempo
para respirar, navegamos de um problema ao próximo. Decisões precisam ser tomadas
rapidamente. O que não imaginava é que toda a técnica que você aprende
- desde a respiração até a análise do oponente - e a calma nas decisões são características
que, aplicadas no dia a dia, te transformam num profissional mais analítico,
numa pessoa mais autoconfiante, calma, mais empática e, enfim, mais eficiente.
Além disso, os desafios mentais, de entender a mecânica dos movimentos, fazem
com que a prática se torne mais mental do que física. Algo que as pessoas nem
percebem ou que não faz parte dos objetivos iniciais.
Hoje, após mais de duas décadas no tatame, fazendo parte do time do grande
mestre Jean Jacques Machado, e tendo passado por outros grandes como Rorion
Gracie e, no Brasil, os irmãos Costa, não consigo imaginar como seria minha vida
sem ter passado por esta experiência. Cresci como ser humano, profissional, pai e
parceiro, fiz novas amizades e passei a ter um olhar positivo sobre a vida.
Fabio Golombek, presidente da FJ Produções
jornal propmark - 9 de março de 2026 39
opinião
Divulgação
O que o caso
Roblox ensina
André Fehér Jr.
Em março de 2026, inicia-se a fase de aplicação integral
e fiscalização do chamado ECA Digital (Lei
nº 15.211/2025). Inaugurar-se-ão novas exigências
para plataformas digitais, cujo público direto seja
crianças e adolescentes. Com isso, as empresas não poderão
alegar boa-fé nem apresentar termos de uso genéricos.
Em vez disso, terão de mostrar, com evidências
técnicas, que riscos previsíveis foram mapeados e mitigados
por meio de governança e controles efetivos.
Por isso, o Roblox se tornou emblemático. Em janeiro,
implementaram-se mudanças estruturais. Agora,
verifica-se a faixa etária para liberação de funcionalidades;
há restrições de chat por idade. Houve críticas
e protestos dentro da plataforma. Juridicamente, o
movimento revela algo maior: a mudança de um modelo
centrado em engajamento e escala para outro
orientado por prevenção de riscos e responsabilidade
ampliada. Componentes sociais e conteúdo gerado
por usuários concentram vetores de risco relevantes.
A primeira é a interação, por texto e voz, entre usuários
de idades distintas. A dificuldade de supervisão
cria um ambiente propício a assédio, humilhação,
ameaças, aliciamento e sexualização precoce.
O ECA Digital reforça o dever de prevenção nesses
ambientes, deslocando o debate da mera remoção
reativa para adoção de medidas estruturais de mitigação.
O segundo ponto é o conteúdo massivamente
gerado por usuários. A escala dificulta o controle
prévio e exige governança, classificação indicativa,
filtros automatizados, revisão humana qualificada e
canais de denúncia acessíveis. Não se trata de limpar
o conteúdo ilícito, mas de demonstrar agilidade na
comunicação de respostas a incidentes e na preservação
de evidências. A Autoridade Nacional de Proteção
de Dados (ANPD) monitora dezenas de empresas
com serviços acessíveis a menores, indicando que o
enforcement será concreto e documentado.
O terceiro ponto é a monetização por meio de
moeda virtual. A distância psicológica entre dinheiro
real e créditos digitais estimula gastos não autorizados.
Para os consumeristas e sob o princípio da
proteção integral, exige-se transparência reforçada,
consentimento adequado, controles parentais e mecanismos
para prevenir despesas indevidas. Ou seja,
o design passa a ser também jurídico. Soluções que
envolvem biometria facial ou coleta ampliada de
dados elevam o padrão de proteção contra acesso
indevido. Impõem-se obrigações rigorosas de segurança
da informação, base legal e transparência. Perante
a própria ANPD, a falta de governança na adoção
de tecnologias pode gerar riscos regulatórios.
O ECA Digital consolida a expectativa de que plataformas
implementem governança demonstrável.
Políticas claras de moderação e resposta a incidentes,
relatórios de transparência e documentação
técnica devem compor o compliance da empresa,
integrando a arquitetura de produto. Essa é uma
questão de responsabilidade civil. Nos Estados Unidos,
há litígios questionando se controles adotados
por plataformas foram suficientes para prevenir
exploração envolvendo menores. No Brasil, a discussão
tende a articular proteção integral, responsabilidade
por falhas de segurança e moderação, e
deveres decorrentes da legislação de proteção de
dados. A omissão ou a adoção de medidas formais
resulta em indenizações, sanções administrativas e
danos reputacionais.
É necessário adotar uma abordagem estruturada
com diagnóstico de risco e jornada do usuário;
revisão de políticas e procedimentos operacionais;
capacitação de equipes; gestão de fornecedores; e
organização de um pacote de conformidade com indicadores
e evidências. Trata-se, no fundo, de internalizar
a lógica de proteção integral como premissa
de negócio. O caso Roblox evidencia que a era da
autorregulação voluntária cede espaço a um ambiente
de responsabilidade regulada. O ECA Digital
não pretende inviabilizar a inovação ou a interação
social online. Exige-se que essas atividades sejam
compatíveis com a prioridade absoluta conferida a
crianças e adolescentes pela Constituição.
André Fehér Jr.
é coordenador jurídico
na CCLA Advogados
“O ECA Digital
consolida a
expectativa de
que plataformas
implementem
governança
demonstrável”
40 9 de março de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
Liderança é um
aprendizado constante
Meire Werneck
Liderar nunca foi uma tarefa simples. Mas, nos
últimos anos, a complexidade deixou de ser exceção
e virou o cenário padrão.
Vejo isso com clareza no dia a dia da gestão. As
decisões já não afetam apenas metas e resultados
financeiros. Elas têm desdobramentos em cultura,
reputação, relacionamento com clientes, parceiros
e sociedade.
Meire Werneck
é diretora de conteúdos e conexões
da ABA (Associação Brasileira de
Anunciantes)
Mudanças tecnológicas aceleradas, novas dinâmicas
de consumo, transformações culturais, pressão
por resultados imediatos e, ao mesmo tempo,
responsabilidade social e reputacional. Tudo ocorre
ao mesmo tempo e em ritmo exponencial.
Nesse contexto, tenho refletido muito sobre o que
realmente diferencia a liderança hoje. E, cada vez
mais, acredito que não é sobre ter todas as respostas,
mas, sim, ter disposição permanente para aprender.
Durante muito tempo, a liderança foi associada
à experiência acumulada e à capacidade de decidir
com segurança. Esses atributos continuam importantes,
mas já não são suficientes.
O mercado muda rápido demais para que qualquer
repertório, por mais sólido que seja, permaneça
atualizado por conta própria.
O conhecimento envelhece, os modelos se transformam
e as certezas se tornam provisórias. Com
isso, aprender deixou de ser algo pontual na carreira
e passou a ser uma competência estratégica.
Por experiência própria, como diretora na ABA e
mantendo uma linha de aprendizado constante, seja
por meio de cursos ou de pós-graduação, posso dizer
que aprender amplia repertório, ajuda a conectar
sinais do mercado, traz novas referências e permite
enxergar os desafios sob perspectivas diferentes.
Mais do que acompanhar tendências, trata-se de
desenvolver a capacidade de interpretar contextos
complexos e tomar decisões com mais consciência
dos impactos que elas geram.
Liderar, hoje, é atuar em um sistema interligado,
em que cada escolha reverbera em múltiplas dimensões.
O líder contemporâneo é, acima de tudo, um
gestor da complexidade.
E a curiosidade se torna um diferencial competitivo.
Líderes que fazem perguntas melhores tendem
a construir respostas mais consistentes.
Perguntas que ampliam a visão de cenário, que
desafiam suposições, que escutam diferentes áreas
e perspectivas.
A liderança deixa de ser o lugar de quem sabe
tudo e passa a ser o espaço de quem conecta, traduz
e orienta.
Evolução não é sinônimo de fraqueza, mas de
maturidade. Reconhecer que é preciso atualizar referências,
rever práticas e aprender com diferentes
gerações fortalece a liderança.
Equipes percebem quando seus líderes estão
abertos ao novo, quando valorizam o diálogo e quando
estão dispostos a evoluir junto com o time. No
fundo, liderar hoje é um exercício contínuo de adaptação
consciente.
É sobre ter disposição de continuar aprendendo e
construir uma base sólida que permita avaliar o que
faz sentido, o que precisa ser ajustado e o que deve
ser deixado para trás.
É assim que a liderança se mantém relevante em
um ambiente de mudanças permanentes. O aprendizado
é uma vantagem competitiva real.
“Líderes que fazem
perguntas melhores
tendem a construir
respostas mais
consistentes”
jornal propmark - 9 de março de 2026 41
esg no mkt
Alê Oliveira
A força do
associativismo
Uma associação bem estruturada funciona
como laboratório de boas práticas de governança
Alexis Thuller Pagliarini
A
nova diretoria da Fenapro (Federação Nacional
das Agências de Propaganda) para o biênio
2026/2027 tomou posse dias atrás, em São
Paulo. Além do fato de eleger uma mulher para a
presidência da entidade – fato inédito –, vale destacar
a renovação da força da instituição no desenvolvimento
de melhores práticas nas relações das
agências com clientes e demais stakeholders.
Importante destacar que se trata de uma organização
sindical, que perdeu sua fonte automática
de recursos, com o fim da obrigatoriedade de pagamento
de taxa sindical. Hoje, a instituição, que tem
capilaridade, por conta dos Sinapros estaduais, se
fia na contribuição de associados para manter suas
atividades. E vem fazendo um excelente trabalho na
representação das agências.
Com o exemplo da Fenapro, na qual já atuei no
passado como diretor-superintendente, quero dedicar
este texto à força do associativismo. E isso tem
muito a ver com ESG, principalmente na sua vertente
G, de Governança. São as associações representativas
que conseguem aglutinar esforços e batalhar
por práticas éticas, garantindo um mercado mais
justo, plural e respeitoso. O associativismo é, em sua
essência, a tradução prática de um princípio simples
e poderoso: juntos, chegamos mais longe.
Quando empresas ou profissionais de um mesmo
setor se unem em torno de objetivos comuns, criam
uma força coletiva capaz de transformar realidades
que nenhum agente isolado conseguiria mudar. É
exatamente aí que está a conexão profunda com a
letra G do ESG – a Governança.
Uma associação bem estruturada funciona como
um laboratório de boas práticas de governança. Ela
estabelece códigos de conduta, dissemina padrões
éticos, media conflitos e representa os interesses
do setor diante de órgãos reguladores, do poder
público e da sociedade em geral. Mais do que isso:
cria um ambiente em que a confiança entre os pares
se fortalece, tornando as relações comerciais mais
transparentes e sustentáveis. No setor de comunicação
e publicidade, essa atuação é especialmente
relevante. A relação entre agências, anunciantes e
veículos envolve contratos complexos, disputas por
remuneração e, muitas vezes, assimetrias de poder.
É nesse cenário que entidades como a Fenapro exercem
papel fundamental: ao estabelecer diretrizes
claras e defender práticas equitativas, contribuem
para um ecossistema mais saudável para todos os
envolvidos.
A dimensão da Governança no ESG vai além do
cumprimento de normas. Ela diz respeito à qualidade
das relações, à ética nos processos decisórios e
à capacidade de construir acordos duradouros. Associações
que funcionam bem são, portanto, agentes
de governança em sentido amplo – promovem
a autorregulação do mercado antes mesmo que o
Estado precise intervir. O exemplo da Fenapro, ao se
reinventar sem o recurso da contribuição compulsória
e eleger uma liderança que representa a renovação
e a diversidade, mostra que o associativismo
genuíno não depende de obrigatoriedade legal para
sobreviver. Ele se sustenta pelo valor que entrega.
E esse valor, quando bem comunicado e vivenciado,
atrai e retém associados comprometidos com
um propósito maior. Num mundo que cobra cada vez
mais das organizações uma postura responsável e
transparente, fortalecer as associações de classe é
também fortalecer a cultura ESG de um setor inteiro.
Durante toda a minha vida profissional, procurei
dedicar tempo a essas instituições. Fui VP e, depois,
presidente-executivo da Ampro (Associação de
Marketing Promocional). Fui também presidente da
MPI (Meeting Professionals International), presidente
de comitê na ABA (Associação Brasileira de Anunciantes)
e diretor da Amcham. A você, leitor, fica aqui
o estímulo para que também participe ativamente
de uma instituição representativa do seu setor. É
esse caminho coletivo que torna o mercado mais
ético, mais justo e, consequentemente, mais próspero
para todos.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
42 9 de março de 2026 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Pesquisa quantitativa passa a fazer
parte do portfólio da RZK Digital
Plataforma especializada na produção de insights é resultado
de mais de 1 milhão de entrevistas consolidadas em SP e Brasília
Paulo Macedo
Espaço da RZK Digital em terminal urbano no bairro de Pinheiros, em São Paulo, uma das bases para as entrevistas da área Insights
A
RZK, especialista em mídia digital
out of home (DOOH) em terminais
urbanos de transporte
em mercados como Recife, Brasília e
São Paulo, passa a atuar como player
de pesquisa quantitativa. A empresa,
liderada pelo CEO Paulo Cesar Queiroz,
está anunciando a abertura da RZK Insights,
construída a partir de mais de
1 milhão de entrevistas consolidadas
nas cidades de São Paulo e Brasília. A
executiva Claudia de Armas, doutora
em ciências de dados pela USP, é a responsável
pela RZK Insights.
O projeto, nas palavras de Claudia,
“foi desenvolvido originalmente para
estruturar e qualificar a audiência
da própria operação de mídia da
empresa”.
“O sistema evoluiu para um produto
independente, que pode ser contratado
por anunciantes, agências e
indústrias sem a necessidade de compra
de mídia da companhia. O painel
proprietário conta com mais de 200
variáveis”, ela acrescenta.
A plataforma RZK Insights opera
com tecnologia wi-fi integrada a um
sistema de identificação e roteamento
das pessoas que respondem aos
questionários.
“A estrutura permite reconhecer
participantes recorrentes; direcionar
entrevistados para diferentes etapas
de questionários; controlar elegibilidade
por perfil e evitar duplicidade
amostral”, detalha Claudia.
“A partir dessa metodologia, a empresa
estruturou um painel que caracteriza
sua audiência em perfis como
socioeconômico, hábitos de consumo,
comportamento digital, mobilidade
urbana, intenção de compra e afinidade
com marcas”, afirma Claudia.
Segundo a empresa, cada estudo
parte de 16 mil entrevistas como
amostra mínima, “com 99% de nível
de confiança estatística e resultados
consolidados em poucos dias”.
Velocidade e escala, como destaca
Claudia, são diferenciais da nova
operação. “O movimento posiciona
o RZK Insights como alternativa
às pesquisas quantitativas tradicionais,
que normalmente operam com
amostras menores e prazos mais
extensos de campo. A proposta é oferecer
testes de conceito publicitário;
avaliação de força e posicionamento
de marca; análise de resultados de
campanhas; escolha comparativa de
“A maturidade da
base e a robustez
metodológica
nos permitiram
transformar”
criativos; e validação de lançamentos
de produtos.”
De acordo com a RZK, a infraestrutura
já consolidada permite operar
com grandes amostras e custo por
entrevista reduzido, combinando escala
e agilidade.
Divulgação
Com a iniciativa, a RZK Digital amplia
sua atuação além da mídia exterior,
incorporando formalmente a pesquisa
de mercado como nova frente
de negócios.
“O RZK Insights nasceu como ferramenta
interna para aprofundar nosso
conhecimento sobre audiência. A maturidade
da base e a robustez metodológica
nos permitiram transformar
essa estrutura em uma solução aberta
ao mercado”, informa comunicado
da empresa.
“A movimentação ocorre em um
momento em que anunciantes buscam
decisões mais rápidas, baseadas
em dados proprietários e com maior
volume amostral”, finaliza Claudia.
patrocínio
jornal propmark - 9 de março de 2026 43
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Palestra de abertura de Melissa Vogel, da Objet Trouvé
Luciana Schwartz, VP de conexões e relações com o mercado da APP Brasil
Yassue Inoki, presidente da Abotts
Abotts e APP Brasil realizam o Streamings Ads
A Abotts (Associação Brasileira de OTTs e Streamings) promoveu, em parceria com a APP (Associação dos Profissionais de Propaganda), o Streaming Ads. O encontro reuniu
profissionais de agências, veículos e anunciantes para debater os caminhos da monetização no streaming. A cerimônia de abertura foi realizada pelos presidentes das
entidades, Yassue Inoki (Abotts) e Afonso Abelhão (APP Brasil), que ressaltaram a parceria das entidades no compromisso de fomentar o desenvolvimento do mercado,
estimular boas práticas e fortalecer o diálogo entre todos os elos da cadeia publicitária. O evento contou com quatro painéis compostos por líderes do mercado, além das
palestras de Melissa Vogel, da Objet Trouvé, que abriu a programação enfatizando a relevância dos dados para a criação de estratégias mais eficientes em um cenário de
consumo cada vez mais fragmentado e multiplataforma, e de Luciana Schwartz, VP de conexões e relações com o mercado da APP Brasil.
Cerimônia de abertura com os presidentes Yassue Inoki (Abotts) e Afonso Abelhão (APP Brasil)
44 9 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Alexandre Viana (Abotts), Leonardo Pontes (SBT), Cristiano Barbieri (Broadpeak), Thais
Abrikian (Globo) e Alecsandro Rocha (Record)
Carol Gazal (moderadora), Marcelo Guerra (Uplynk), João Kleber (RedeTV)
e Elisa Calvo (Star33)
Karin Ribeiro (moderadora), Janaína Tadeu (LG), Ingrid Veronesi (Comscore), Pedro Silva
(IVC) e Henrique Rodrigues (SBT e Abotts)
Paulo Schiavone (Adsmovil e Abotts), Daniela Keller (Mercado ADS), Camila Alvarez
(iFood) e Vinicius Tieppo (Leo)
João Kleber (RedeTV) e Yassue Inoki (Abotts)
Luiz Carlos Corrêa, Joyce Oliveira e Afonso Abelhão, da APP Brasil
Mariana Cruz,
vice-presidente
de comunicação,
inovação e
tecnologia da
APP Brasil, atuou
como a mestre
de cerimônias
do evento
jornal propmark - 9 de março de 2026 45
última página
Divulgação
Do que as indies
precisam?
Flavio Waiteman
Saber ser criativo e empresário ou empresário
e criativo é um desafio. Primeiro você desfoca
e cria, depois foca e executa. Um olho na ideia
e outro no orçamento. A dislexia disciplinada é um
desafio olímpico, mas é possível. Adoro falar sobre
criatividade e comunicação. Mas antes disso, precisamos
falar de negócios. Afinal, disciplina é liberdade
e ter vontade é ter coragem.
Mais do que prêmios, as indies precisam cuidar da
sustentabilidade do seu negócio. Não há nada mais
sustentável do que cuidar do ser humano. O empresário.
A curva de aprendizado de quem empreende
precisa ser rápida e ascendente, bem como a senoide
da energia. É impossível ser criativo com fome.
É excitante abrir uma agência independente e essa
sensação dura até a primeira segunda-feira do mês
às 6h da manhã, quando você acorda e faz as contas
do quanto deve até o fim do mês.
A paixão para continuar só virando amor. Uma
dica que sobrou dos escombros de demolição das
certezas sobre ter um negócio próprio é a importância
de nunca estar sozinho. O caminho melhor não é
o mais curto ou o mais reto entre dois pontos. O melhor
caminho é quando você tem alguém para dividir
a experiência e se divertir fazendo isso. O papo, as
ideias e a troca delas.
E uma coisa é certa. A gente precisa começar a
falar sobre aquilo que os grandes criativos e artistas
nunca tiveram medo de falar que gostam: dinheiro.
A falta dele, o seu ganho, as condições necessárias
para isso e, principalmente, como fazer com que
cada real valha a pena. Mesmo com sangue, suor,
lágrimas e risadas.
Veja as gigantes do ramo, que se organizam a
ponto de abrir mão até mesmo de suas centenárias
e vencedoras marcas, para economizar no condomínio
e na conta de água e luz. As independentes precisam
se organizar também. Planejar e replanejar
suas estruturas, gastos e atividades.
Se os grandes grupos estão indo para a direção,
com seus planos publicados em jornais, de substituir
parte ou grande parte de seu staff por agentes de IA
treinados nos últimos anos por funcionários, nós das
agências independentes, como empreendedores e
empregadores, deveríamos pensar um pouco em
como colaborar mutuamente.
Na Tech&Soul, já colaboramos com empresas independentes
daqui, de Londres e Lisboa, por exemplo,
e já fomos ajudados reciprocamente por outras
empresas com indicações de contas importantes.
Até aí, ótimo. Mas será que dá para ir além?
Se eles abrem birôs de mídia, podemos também?
Quem disse? Se eles lançam birôs de produção,
a gente também pode? Outras formas de
receita para as independentes são bem-vindas.
O difícil é manter o nível quando você desfoca do
core. Core é a palavra que vem de coração. Mais
uma vez, a essência é a razão. Até para fazer dinheiro.
Mas será que dá?
Eu me refiro a grupos de agências independentes
como o thenetworkone.com, rede global de agências
independentes de publicidade, marketing e comunicações,
com presença em 100 países. E a AMIN
WorldWide, aliança global de agências independentes
com foco em colaboração criativa e operacional
- https://www.aminworldwide.com/
Será que as agências independentes conseguem
manter o DNA particular e individual de cada uma,
sem matar o fundador? Daí vem um pensamento
utópico, mas necessário: guiadas por um mesmo
manual de conduta ético, se apoiando em práticas
que obedeçam ao bom senso, e quem sabe até fazendo
economias sinérgicas nas questões operacionais
e contábeis?
Aliás, vi uma ótima piada dia desses no LinkedIn.
Que nessa onda interminável de fusão de agências,
daqui a pouco podemos ver a agência David e a Ogilvy
juntas. Já pensou que bacana o reaparecimento
de David Ogilvy?
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“As independentes
precisam se organizar
também. Planejar
e replanejar suas
estruturas, gastos
e atividades”
46 9 de março de 2026 - jornal propmark
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