IVE_PT_Feeding Tubes Pocket Guide_March2026
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Sondas de
Alimentação
em Pequenos
Animais
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1
Índice
Indicações para colocação
de sonda de alimentação
3
Tipos de sondas de
alimentação: vantagens
e desvantagens
Escolha da sonda de
alimentação
4
5
Seleção da dieta
6
Necessidades energéticas e
quantidade a administrar
7
Protocolo de alimentação
passo a passo
8
2 SONDAS DE ALIMENTAÇÃO EM PEQUENOS ANIMAIS
Indicações para colocação
de sonda de alimentação
O suporte nutricional deve ser iniciado o quanto antes em pacientes com anorexia
ou hiporexia grave. Recomenda-se a colocação de uma sonda de alimentação se
o paciente não consumir voluntariamente pelo menos 80% do seu requerimento
energético em repouso (RER) por mais de 2 a 3 dias, ou se se prever que a anorexia
ou hiporexia irá persistir nesse período. As indicações mais comuns para a utilização
de sondas de alimentação incluem:
• Pancreatite aguda
• Doença gastrointestinal (por exemplo, parvovirose canina,
doença inflamatória intestinal que cause inapetência)
• Doença hepática (especialmente colangiohepatite em gatos)
• Traumatismo (especialmente facial), como lutas
entre cães ou acidentes de viação
• Lesão renal aguda
• Qualquer estado catabólico em que a ingestão (ou absorção) não seja
suficiente para suprir as necessidades do paciente (por exemplo,
queimaduras graves, enteropatia com perda de proteína, peritonite séptica)
A seguinte checklist pode ser utilizada para determinar se um paciente necessita de
alimentação assistida. Pacientes que apresentem dois ou mais dos seguintes critérios
devem iniciar alimentação por sonda assim que estejam clinicamente estáveis:
`
Ingestão alimentar < 80% do requerimento energético em repouso por 3 dias ou mais
`
Vómitos/diarreia graves
` Índice de Condição Corporal (ICC) < 4/9
`
Perda muscular leve a grave ao longo da coluna
`
Doença com previsão de duração ≥ 3 dias
3
Tipos de sondas de alimentação
O tipo de sonda de alimentação a escolher dependerá do estado do paciente, da
duração necessária do suporte, do equipamento disponível e da experiência do
profissional veterinário.
Tipo de sonda
\Nasoesofágica (NE)
Duração típica
3-10 dias
Vantagens
• Económica
• Fácil de colocar
• Não requer anestesia
• Pode ser removida
imediatamente, se necessário
Desvantagens
• Calibre fino da sonda – requer dieta
líquida
• Tende a deslocar-se com facilidade
\Nasogástrica (NG)
Duração típica
3-10 dias
• Económica
• Fácil de colocar
• Não requer anestesia
• Permite contornar o esófago
• Pode ser removida imediatamente,
se necessário
• Calibre fino da sonda – requer
dieta líquida
• Pode favorecer refluxo e/ou
esofagite e estenoses esofágicas
\Esofagostomia (E)
Duração típica
> 1 semana
(pode permanecer meses,
se necessário)
• Económica
• Fácil de colocar (exceto em cães
de grande porte)
• Maior calibre das sondas –
permite dietas semi-líquidas ou
trituradas
• Pode ser removida imediatamente,
se necessário
• Requer anestesia geral para
colocação
• A incisão pode infetar
• Tende a obstruir-se facilmente
\Gastrostomia (G)
Duração típica
> 2 semanas (pode
permanecer meses ou
anos)
• A sonda de gastrostomia entra
diretamente no estômago,
evitando o esófago
• Maior calibre das sondas –
permite dietas mais calóricas e
espessas, inadequadas para NE/
NG
• Requer anestesia para colocação
• Deslocamento pode causar
complicações graves (peritonite)
• A colocação endoscópica exige
equipamento especializado
• Não deve ser removida antes de
10–14 dias
\Jejunostomia (J)
Duração típica
> 2 semanas
• Contorna o trato gastrointestinal
superior e o pâncreas, podendo ser
benéfica em casos de pancreatite
• Requer anestesia geral
• Técnica avançada – requer laparotomia
• O deslocamento da sonda pode causar
complicações graves (peritonite)
• A dieta deve ser totalmente líquida e
administrada por infusão contínua
• Não deve ser removida antes de 10–14
dias
4 SONDAS DE ALIMENTAÇÃO EM PEQUENOS ANIMAIS
Escolha da sonda
de alimentação
Não
O paciente está clinicamente
estável para anestesia?
Sim
Menos de duas
semanas
Durante quanto tempo
é previsível que o paciente
necessite de suporte
nutricional?
Mais de duas
semanas
O paciente apresenta
afeção nasal?
O paciente vomita
descontroladamente?
Não
Sim
Não
Sim
Existe alguma dieta adequada
totalmente líquida?
Sim
Não
O paciente apresenta
alguma afeção esofágica ou
elevado risco de regurgitação
(por exemplo, devido a decúbito
ou comportamento apático)?
Não
Sim
O paciente apresenta
afeção esofágica?
O paciente tem um estômago
normal e funcional?
Não
Sim
Sim
Não
Sonda NE
Sonda NG
Sonda E
Sonda G
Sonda J
\ A escolha da sonda de alimentação é da responsabilidade do médico veterinário.
O porte do animal, a experiência profissional e o equipamento disponível podem influenciar
a opção mais adequada.
5
Seleção da dieta
A dieta preferencial para administração por sonda varia consoante o paciente.
Tal como noutras situações de nutrição clínica, devem ser consideradas as condições
clínicas individuais, eventuais intolerâncias e necessidades específicas. Por exemplo,
poderá ser útil considerar:
• Caquexia
dieta hiperproteica
• Paciente crítico
dieta hipercalórica
• Tipo de sonda
considerar viscosidade/consistência da dieta líquida
..... para evitar obstruções na sonda
• Hiperlipidemia
dieta com restrição de gordura
• Insuficiencia renal crónica
dieta com restrição moderada de proteína
• Encefalopatia hepática
dieta com restrição moderada de proteína
\ Nota: A disponibilidade de dietas totalmente líquidas é limitada. Em pacientes com necessidades
nutricionais complexas, pode ser necessário optar por uma sonda de maior calibre para permitir
a administração de dietas liquidificadas.
\ Quando são utilizadas dietas liquidificadas, poderá ser necessário proceder à sua filtração
para reduzir o risco de obstrução da sonda. No entanto, deve ter-se em consideração que este
processo pode alterar o perfil nutricional da refeição final.
6 SONDAS DE ALIMENTAÇÃO EM PEQUENOS ANIMAIS
Necessidades energéticas
e quantidade a administrar
Não existe um método perfeito para calcular as necessidades calóricas de um
paciente em recuperação. A melhor abordagem é, normalmente, o RER (Resting
Energy Requirements / Requerimentos Energéticos em Repouso) e monitorizar
diariamente o peso e o índice de condição corporal, de forma a identificar situações
de subalimentação ou sobrealimentação.
O RER pode ser calculado através das seguintes fórmulas:
Para todos os pacientes:
RER (kcal) = 70 x (peso corporal em kg) ⁰·⁷⁵
Para pacientes entre 2-30 kg:
RER (kcal) = (30 x peso corporal em kg) + 70
\O resultado corresponde às necessidades calóricas
totais para um período de 24 horas.
Depois, deve calcular-se o volume de alimento
necessário para atingir essa ingestão calórica.
A fórmula é:
RER (kcal/dia)
Densidade calórica da dieta
(kcal/g ou kcal/ml)
= Volume total (ml) em 24 horas
Este volume deve ser dividido por administrações a cada 4–6 horas. Para calcular
o volume por toma: dividir o volume total diário pelo número de administrações em
24 horas.
Se o paciente tiver apresentado hiporexia durante um período prolongado, a
capacidade gástrica poderá estar diminuída. Para evitar a síndrome de realimentação
(refeeding syndrome), deve administrar-se 25% do RER calculado repartido em 4–6
tomas no primeiro dia, aumentando gradualmente ao longo dos dias seguintes, de
acordo com a evolução clínica.
7
Protocolo de alimentação
passo a passo
\Passo 1:
Avaliar o
paciente
e a sonda
• Oferecer alimento voluntariamente, sempre que apropriado.
• Verificar o local do estoma quanto a sinais de infeção.
• Confirmar que todas as partes visíveis da sonda estão
íntegras.
• Lavar a sonda lentamente com água estéril, utilizando uma
seringa estéril – se o paciente tossir, a sonda pode ter
migrado para a traqueia e deverá ser substituída. Se a sonda
não permitir a passagem do líquido, poderá estar obstruída e
necessitar de substituição.
\É importante conhecer o volume interno das sondas utilizadas na clínica para
determinar com precisão o volume necessário para a lavagem.
\Passo 2:
Administrar a
alimentação
• Administrar a quantidade previamente calculada de forma
lenta, ao longo de 10–20 minutos (consoante o volume).
• Vigiar sinais de desconforto, náusea, regurgitação ou
hipersalivação – se ocorrerem, interromper a administração
e considerar reduzir o volume da refeição em 50% durante
24 horas antes de aumentar gradualmente novamente.
\Aquecer o alimento até à temperatura corporal, colocando-o em água morna antes
da administração.
\Passo 3:
Lavar
novamente
a sonda
• Lavar a sonda para a limpar e prevenir obstruções. A lavagem
deve ser suficiente para limpar todo o lúmen da sonda e
administrada lentamente para evitar regurgitação – regra
geral, 10 ml são suficientes (ajustar conforme o calibre da
sonda).
• Alguns autores recomendam instilar uma pequena
quantidade de água estéril na sonda e colocar a tampa
posteriormente, o que: previne a entrada de ar, reduz o risco
de obstrução e diminui o volume necessário para verificar a
permeabilidade na toma seguinte.
8 SONDAS DE ALIMENTAÇÃO EM PEQUENOS ANIMAIS
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