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Celulose_74 OPS

13,14,16,20,21,22,23,25,26,30,31,32,33,36,37,38,41,42,43,44,45,47,48,49,50,51,53,54,55,56

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Mauricio Feldman destaca a visão de mercado da Trombini Embalagens

Reciclagem:

Queda acentuada aponta

fragilidade do setor

Logística:

Novas rotas aceleram

desenvolvimento da indústria

Sem

desperdício

Equipamento

transforma

resíduo

industrial

em combustível

para caldeiras

9 772359 467032 0 0 0 7 4

No waste

Equipment transforms

industrial waste into

fuel for boilers


H.BREMER, RUMO AOS 80 ANOS

Comprometida com a excelência em

soluções térmicas de alto desempenho

para indústrias no Brasil e no mundo.

• CALDEIRAS

• EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS

• AQUECEDORES DE FLUÍDO TÉRMICO

A natureza

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Rio do Sul | SC | Brasil





S U M Á R I O

28 Logística

Novos caminhos

New paths

18 Principal

Energia, economia e sustentabilidade

Energy, economy, and sustainability

46 Reciclagem

Desafios da reciclagem

Recycling challenges

06 Sumário

08 Editorial

10 Cartas

12 Novidades

24 Avanços e tecnologia

Multifuncional e inovadora

Multifunctional and innovative

34 Artigo

Padrão de especialização da celulose brasileira

Brazilian wood pulp specialization

40 Mercado

Mundo embalado em papel

A world wrapped in paper

52 Entrevista

Mauricio Feldman

58 Calendário

06



E D I T O R I A L

REFERÊNCIA

Celulose & Papel

REFERÊNCIA Celulose & Papel

MXOne

Turbina Extintora de Alto Desempenho

Indústria sustentável, indústria forte

Na indústria da celulose, sustentabilidade não é apenas

um conceito: é como o fio que costura cada etapa

da cadeia produtiva. Assim como em qualquer mercado

emergente, o setor precisa de práticas sólidas que garantam

equilíbrio entre produção e preservação. O desafio

está em transformar processos industriais em soluções

que respeitem o meio ambiente sem renunciar à competitividade.

Investimentos em tecnologia limpa, logística

eficiente e economia circular são os galhos que sustentam

esse crescimento. Cabe às empresas cultivar inovação e

responsabilidade, para que o futuro da celulose seja tão

renovável quanto a floresta que lhe dá origem. Nessa

edição, o Leitor tem a oportunidade de conhecer o novo

equipamento da Engecass, que transforma o resíduo industrial

em fonte de energia, as perspectivas do mercado

mundial de embalagens, a importância da inovação na

atividade industrial, os desafios do segmento de reciclagem,

a expansão da logística brasileira e uma entrevista

exclusiva com Mauricio Feldman, Superintendente de

Vendas da Trombini Embalagens, que apresenta o momento

da empresa e os desafios e soluções que a indústria

apresenta para o mercado. Excelente leitura!

EXPEDIENTE

JOTA EDITORA

A sustainable and strong sector

In the Pulp Sector, sustainability is more than just a

concept; it connects each stage of the production chain.

As with any emerging market, the Sector requires robust

practices to ensure a balance between production and

preservation. The challenge lies in transforming industrial

processes into environmentally friendly solutions without

sacrificing competitiveness. Investments in clean technology,

efficient logistics, and the circular economy support

this growth. Companies must cultivate innovation and

responsibility to ensure that the future of the Pulp Sector

is as renewable as the forests from which it originates.

This issue offers readers the chance to learn about

Engecass’s new equipment that transforms industrial

waste into energy, the prospects of the global packaging

market, the importance of innovation in industry, the

challenges of the Recycling Sector, the growth of Brazilian

logistics, and an exclusive interview with Mauricio

Feldman, Sales Superintendent at Trombini Embalagens.

Feldman discusses his Company’s current situation, the

Sector’s challenges, and solutions. Pleasant reading!

Diretor Comercial / Commercial Director: Fábio Alexandre Machado (fabiomachado@revistareferencia.com.br) • Diretor Executivo / Executive Director:

Pedro Bartoski Jr (bartoski@revistareferencia.com.br) • Redação / Writing: Vinicius Santos - (jornalismo@revistareferencia.com.br) • Dep. de Criação

/ Graphic Design: Fabiana Tokarski - Supervisão, Aime Cristine Lima, Letícia Stefanello - (criacao@revistareferencia.com.br) • Tradução / Translation:

John Wood Moore • Dep. Comercial / Sales Departament: Gerson Penkal (comercial@revistareferencia.com.br) • Fone: +55 (41) 3333-1023 •

Depto. de Assinaturas: (assinatura@revistareferencia.com.br) 0800 600 2038 • Assinaturas Eventos. José A. Ferreira - (41) 99203-2091

Informações técnicas sobre a

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A Revista REFERÊNCIA CELULOSE & PAPEL é uma publicação da JOTA EDITORA

Rua Maranhão, 502 Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil

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ASSINATURAS

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Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

08

Veículo filiado a:

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celulose e papel, instituições de pesquisa, estudantes universitários, órgãos

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:27

Legislação pode afetar

produtores do mundo todo

01 DE DEZEMBRO DE 2025

ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE

MADEIRAS E DERIVADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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C A R T A S

Cezar Comachio e as estratégias de crescimento na liderança da Valpasa

Europa:

Prêmio REFERÊNCIA:

A Revista da Indústria de Celulose e Papel www.celulosepapel.com.br

Ano XVIII - nº 73 - 2025

História

sendo feita

Prestes a completar

80 anos, indústria celebra

trajetória de sucesso

History

being made

Approaching its 80th

anniversary, the industry

celebrates a successful trajectory

Capa da Edição 73 da

Revista CELULOSE & PAPEL

Imagem: reprodução Imagem: reprodução

PRINCIPAL

Por Fabiano Borges, Santo André (SP)

A H Bremer é um exemplo de trabalho e dedicação para o crescimento, não

apenas da empresa, mas de toda a cidade e região.

EUROPA

Por Rafael Costa, Contagem (MG)

A diferença entre exigência de qualidade e responsabilidade e ideias

impossíveis é o que pode fazer esse acordo dar certo. É preciso negociar.

ENTREVISTA

Por Leonardo Martins, Rio do Sul (SC)

As experiências compartilhadas pelo profissional mostram que

independente do tamanho e lugar, trabalho duro e foco geram sucesso.

INOVAÇÃO

Por Beatriz Ferreira, Nova Andradina (MS)

A celulose é porta para o futuro. É muito versátil, tem muitas possibilidades e

nas mãos de bons profissionais pode gerar maravilhas para a sociedade.

Imagem: reprodução Imagem: reprodução

Leitor, participe de nossas pesquisas online respondendo os e-mails enviados por nossa equipe de jornalismo.

As melhores respostas serão publicadas em CARTAS. Sua opinião é fundamental para a Revista REFERÊNCIA CELULOSE & PAPEL.

revistareferencia@revistareferencia.com.br

10



N O V I D A D E S

Podcast REFERÊNCIA

O Podcast REFERÊNCIA contou com presenças ilustres e de

grande valor para o segmento florestal em fevereiro de 2026. No

primeiro episódio do mês estavam presentes Igor Dutra de Souza e

Humberto Godinho, respectivamente diretor florestal e proprietário

da Reflorestar, empresa de serviços florestais de Minas Gerais. O segundo

episódio teve a presença do time da SVJD Robotics empresa

focada em automação para a indústria de madeira serrada, formado

por Adir Eliseu Dias, Samuel José Dias e Arno Murara. Os programas

contaram com o apoio de Envimat, Roder, Rotary-Ax e SVJD Robotics.

Humberto Godinho começou sua participação comentando

com o início do Grupo Emília Cordeiro, que a Reflorestar faz parte.

Dando os primeiros passos no ramo da cerâmica, que tem tradição

em Minas Gerais, o consumo de lenha é muito importante e assim

começou o contato com o florestal. “Fazíamos a limpeza de áreas de

silvicultura para utilizar esse resíduo para alimentar o fogo. Passamos

a plantar eucalipto, para suprir nossas demandas de lenha e com o

tempo chegamos na Reflorestar, que através do trabalho que começou

de forma experimental e se tornou uma liderança no grupo”,

relatou Humberto

Igor de Souza chegou anos depois na Reflorestar já quando a empresa

estava estabelecida, mas trouxe com sua experiência em gestão

de pessoas uma visão focada na mecanização completa da estrutura

de operação florestal. “Ajustamos posicionamento, reestruturamos

a marca e, com o conhecimento que adquiri no trabalho em uma

multinacional, adaptei todos os padrões utilizados lá para a Reflorestar,

o que nos coloca em um patamar de controle de processos que

garante ao nosso cliente excelência em cada ação”, explicou Igor.

No outro programa, Adir Dias contou a fagulha que acendeu dentro

dele para criar a SVJD. Com 20 anos de experiência na indústria

automotiva, Adir entrou em um galpão de uma indústria madeireira

e perceber todas as demandas de automação poderia resolver. “Trabalhei

com grandes empresas no mercado nacional e internacional

no automobilismo, e para a madeireira convidei o Arno para trazer a

visão dele de mercado para que as soluções sejam desenvolvidas de

acordo com demandas reais de mercado”, contou Adir.

Sobre a parte comercial da empresa Arno percebeu que a indústria

madeireira nacional está atrasada em relação aos grandes players

do mundo. “Temos mão de obra qualificada, mas muitas vezes não

temos equipamentos que atendam esse profissional”, ressalta Arno.

“O sistema robotizado garante precisão total de acordo com o que

foi pedido. Esses dados geram valor, pois evitam desperdícios na

serraria e dão controle maior de toda operação”, concluiu Samuel.

Os episódios completos o Leitor pode conferir no

canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:

Igor Dutra de Souza, diretor florestal

da Reflorestar

Adir Eliseu Dias, da SVJD Robotics

Arno Murara, da SVJD Robotics

Humberto Godinho, proprietário

da Reflorestar

Samuel José Dias, da SVJD Robotics

Fotos: REFERÊNCIA

A força do ondulado

A expedição de papelão ondulado é um dos principais indicadores da atividade industrial ligada

ao setor de embalagens no Brasil. O boletim estatístico da Empapel mostra que, em dezembro,

tradicionalmente há um aumento significativo na demanda, impulsionado pelo comércio e pela

logística de fim de ano. Esse movimento se reflete tanto no volume total expedido quanto no IBPO

(Índice Brasileiro de Papelão Ondulado), que mede a evolução do setor em relação a anos anteriores.

Em dezembro de 2023, por exemplo, o IBPO avançou 4,1% em comparação ao mesmo mês do

ano anterior, alcançando 140,5 pontos. O volume expedido ultrapassou 300 mil toneladas, consolidando

o quarto ano consecutivo em que dezembro registra patamares elevados. Esse desempenho

mostra a resiliência do setor, mesmo diante de oscilações econômicas, e reforça a importância do

papelão ondulado como insumo essencial para embalagens de consumo e transporte.

A análise dos dados também revela que, além do crescimento anual, há uma tendência de

estabilidade em volumes médios por dia útil, mesmo quando há variação no número de dias trabalhados.

Isso indica que a produção e a expedição se ajustam de forma eficiente às necessidades

do mercado. A consistência do setor é resultado de investimentos em tecnologia, logística e sustentabilidade,

já que o papelão ondulado é amplamente reciclável e alinhado às demandas ambientais

atuais.

O panorama para dezembro de 2025, portanto, deve seguir essa trajetória de crescimento

moderado e sustentação de volumes elevados. A expectativa é que o setor mantenha sua relevância

estratégica para a cadeia de suprimentos, especialmente em um cenário de expansão do comércio

eletrônico e maior exigência por soluções sustentáveis de embalagem. Assim, a expedição de papelão

ondulado continuará sendo um termômetro importante da economia brasileira e da capacidade

de resposta da indústria às demandas de consumo.

Foto: divulgação

12

13



N O V I D A D E S

Papel ganha espaço

Foto: divulgação

Pesquisadores do LLnano/CNPEM (Laboratório Nacional

de Nanotecnologia/Centro Nacional de Pesquisa

em Energia e Materiais), em colaboração com a UICAMP

(Universidade Estadual de Campinas) e a UFABC (Universidade

do Grande ABC), desenvolveram um papel biodegradável

de origem vegetal que combina alta resistência

mecânica, barreira contra líquidos e oxigênio, além de

propriedades antibacterianas. A inovação surge como uma

alternativa promissora ao plástico descartável, com grande

potencial de aplicação em embalagens, especialmente nos

setores alimentício e cosmético. O avanço foi publicado

no periódico internacional Chemical Engineering Journal.

A tecnologia utiliza a interação eletrostática entre nanocelulose

obtida do bagaço de cana-de-açúcar e o látex

natural da seringueira, formando um revestimento em

múltiplas camadas. O resultado é um material sustentável,

reciclável e livre de compostos fluorados, capaz de atender

às exigências de conservação e segurança do mercado

de embalagens. Essa abordagem alia ciência de ponta à

valorização de matérias-primas renováveis, reforçando o

papel da nanotecnologia na busca por soluções ambientais.

Os testes realizados demonstraram resultados expressivos:

o papel revestido com cinco camadas reduziu em

20 vezes a passagem de vapor de água, prolongando a

vida útil dos produtos embalados. Também apresentou

uma diminuição de até 4 mil vezes na permeabilidade ao

oxigênio, prevenindo processos de oxidação e mantendo

a qualidade dos alimentos. Além disso, atingiu máxima resistência

contra óleos e gorduras e mostrou ação antibacteriana

contra E. coli, eliminando mais de 99% das células

após contato direto.

Um dos diferenciais mais relevantes é que o novo

papel preserva sua reciclabilidade, podendo retornar à

cadeia produtiva sem perda de desempenho. “Nosso objetivo

foi criar uma alternativa viável para reduzir a dependência

de plásticos descartáveis. O resultado é um papel

funcional, sustentável e capaz de atender às demandas

de conservação e segurança do mercado de embalagens”,

destaca Juliana Bernardes, pesquisadora do LNnano/

CNPEM e autora correspondente do estudo.

A SOLUÇÃO EFICAZ, ECONÔMICA

E SUSTENTÁVEL NO MANEJO DAS

FORMIGAS CORTADEIRAS

Controle eficaz de saúvas e

quenquéns, de forma segura e

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14

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Junqueira - Ribeirão Preto - SP



N O V I D A D E S

Logística otimizada

A concessão da Rota da Celulose em Campo Grande (MS) representa um marco para os modelos

rodoviários no Brasil, ao introduzir tecnologia, flexibilidade contratual e capacidade de resposta rápida às

demandas logísticas. O projeto, que abrange seis rodovias estratégicas, surge em meio à expansão industrial

impulsionada pelo setor de celulose e pelo agronegócio, reforçando a importância da infraestrutura

para o desenvolvimento regional.

Com duração de 30 anos, o contrato prevê investimentos superiores a R$ 10 bilhões, destinados principalmente

à modernização da malha viária. Diferente dos modelos tradicionais, a concessão aposta no

monitoramento contínuo do tráfego, permitindo que obras de duplicação, terceiras faixas e ampliações

sejam realizadas conforme o crescimento real da circulação de veículos, garantindo maior eficiência e

competitividade.

Dados da licitação mostram que a BR-262 registrou, em março de 2023, um fluxo médio diário de

3.419 veículos, sendo 60% carros de passeio e 40% comerciais. Apesar da intensidade, apenas 101,73

km (quilômetros) serão duplicados entre Campo Grande (MS) e Ribas do Rio Pardo (MS), com obras previstas

para ocorrer entre 2027 e 2028, dentro do programa de investimentos da concessão.

O trecho duplicado terá início em frente à fábrica da Suzano, em Ribas, e seguirá até o Anel Rodoviário

de Campo Grande, conectando-se à BR-163. Como parte da extensão já é duplicada, a concessionária

deverá readequar a pista, garantindo maior fluidez e segurança ao escoamento da produção florestal

e agrícola da região.

Esse modelo de concessão sinaliza uma nova etapa para a infraestrutura rodoviária brasileira, ao alinhar

inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade. A Rota da Celulose não apenas atende às

necessidades imediatas da logística, mas também projeta um futuro de maior integração entre indústria,

agronegócio e transporte, consolidando Mato Grosso do Sul como polo estratégico no cenário nacional e

internacional.

Foto: divulgação

16



P R I N C I P A L

ENERGIA, ECONOMIA E

SUSTENTABILIDADE

TECNOLOGIA TRANSFORMA RESÍDUOS EM

COMBUSTÍVEL LIMPO E REDUZ IMPACTOS

AMBIENTAIS NA INDÚSTRIA

Fotos: divulgação Engecass

Energy, Economy, and

Sustainability

TECHNOLOGY TRANSFORMS INDUSTRIAL AND

URBAN WASTE INTO CLEAN FUEL, REDUCING

ENVIRONMENTAL IMPACTS

18

19



P R I N C I P A L

OBrasil vive um momento de transformação

na gestão de resíduos e na

busca por alternativas energéticas

sustentáveis. Nesse cenário, a Engecass,

empresa catarinense com mais

de 30 anos de experiência na fabricação

de caldeiras e sistemas de geração de energia,

vem se destacando ao unir tradição industrial com

inovação tecnológica. Reconhecida nacionalmente

por sua vanguarda na produção em caldeiras, a companhia

decidiu ampliar seu portfólio e investir em

soluções de valorização de resíduos sólidos urbanos

e industriais, transformando lixo em energia limpa e

reduzindo impactos ambientais.

Fundada com foco na fabricação de caldeiras, a

Engecass acumulou mais de três décadas de experiência

nesse setor. Essa base sólida permitiu que a

empresa desse um passo ousado: desenvolver sistemas

capazes de transformar resíduos em combustível.

O projeto nasceu há cerca de 8 anos, inspirado

em tecnologias já consolidadas na Europa e nos EUA

(Estados Unidos da América), mas ainda pouco exploradas

no Brasil.

Segundo o engenheiro Paulo da Cass, CEO da Engecass,

a ideia foi unir a expertise da empresa em

caldeiras com o conhecimento de parceiros especializados

em preparação de resíduos. “Conseguimos

juntar uma boa equipe para que esses equipamentos

nascessem já com uma experiência bastante sólida”,

explica Paulo. O resultado foi um sistema que reduz

o volume de lixo destinado a aterros e gera energia

elétrica de forma limpa e eficiente.

O que dá maior

segurança aos

clientes é saber

que os projetos são

aprovados pelos

órgãos de controle

de emissões

e poluentes

Paulo da Cass,

CEO da Engecass

B

razil is undergoing a transformation in

waste management and in the search for

sustainable energy alternatives. In this

context, Engecass, a company from the

State of Santa Catarina with over 30 years

of experience manufacturing boilers and power generation

systems, stands out by combining industrial

tradition with technological innovation. Recognized

nationally for its cutting-edge boiler production, Engecass

has expanded its portfolio to include solutions for

the recovery of urban and industrial solid waste. These

solutions transform waste into clean energy, reducing

environmental impacts.

Engecass was founded with a focus on boiler

manufacturing and has accumulated more than

four decades of experience in this sector. This solid

foundation enabled the Company to take a bold step

and develop systems that can transform waste into

fuel. Inspired by technologies already consolidated in

Europe and the United States but still little explored in

Brazil, the project was born about eight years ago.

According to Paulo da Cass, Engecass’s Chief

Executive, the idea was to combine the Company’s

boiler expertise with partners’ knowledge of waste

preparation. “We assembled a strong team to develop

this equipment with a solid foundation of experience,”

he explains. The result is a system that reduces

the amount of waste sent to landfills while generating

clean, efficient electricity.

FROM WASTE TO ENERGY

Engecass’s system operates on two complementa-

Acreditamos que esse é um projeto rentável e de extrema importância para

toda a sociedade

DO RESÍDUO A ENERGIA

O sistema desenvolvido pela Engecass atua em

duas frentes complementares que têm como objetivo

transformar resíduos em energia limpa e reduzir o

impacto ambiental do descarte. A primeira consiste

na conversão de resíduos, especialmente de origem

orgânica, em carvão, que pode ser posteriormente

utilizado em diferentes setores industriais, como na

produção de vapor para fertilizantes e cimento. A

segunda frente é a produção de CDR (Combustível

Derivado de Resíduos), um combustível sustentável

que, quando queimado em caldeiras adaptadas para

operar em temperaturas superiores a 800°C (graus

Celsius), gera vapor e movimenta turbinas para a produção

de eletricidade sem emissão de gases nocivos.

Dessa forma, a tecnologia da empresa oferece soluções

que unem eficiência energética, inovação e sustentabilidade,

transformando passivos ambientais em

ativos produtivos.

Esse processo reduz em até 90% o volume destinado

a aterros sanitários, mitigando problemas como

infiltração de chorume e emissão de GEE (gases de

efeito estufa). Além disso, o sistema pode ser integrado

diretamente a plantas industriais, aproveitando

resíduos que antes eram considerados passivos ambientais.

Um exemplo citado por Paulo é o projeto

desenvolvido para uma empresa de embalagens, que

transformou rejeitos não recicláveis em combustível

para gerar 2 MW (megawatts) de potência elétrica.

Paulo da Cass,

CEO da Engecass

ry fronts, aiming to transform waste into clean energy

and reduce the environmental impact of disposal.

First, waste, especially organic waste, is converted into

coal. This coal can then be used in different Industrial

Sectors, such as in the production of steam for

fertilizers and cement. The second is producing RDF

(refuse-derived fuel). This sustainable fuel generates

steam and drives turbines to produce electricity without

emitting harmful gases when burned in boilers

adapted to operate at temperatures above 800°C

(1,472°F). Thus, Engecass’s technology offers solutions

that combine energy efficiency, innovation, and sustainability,

transforming environmental liabilities into

productive assets.

This process reduces the volume of waste sent to

landfills by up to 90%, mitigating problems such as

leachate infiltration and greenhouse gas emissions.

Additionally, the system can be integrated directly into

industrial plants to leverage previously considered waste

as an environmental liability. Cass cited an example

of a project developed for a packaging company that

converted non-recyclable waste into fuel to generate 2

MW of electricity.

CREDIBILITY AND MARKET

Engecass’s credibility is tied to technical rigor and

environmental certifications. “The greatest source of

security for customers is knowing that emissions and

pollutant control agencies approve the projects,” says

20

21



P R I N C I P A L

CREDIBILIDADE E MERCADO

A credibilidade da Engecass está ligada ao rigor

técnico e às certificações ambientais. “O que dá

maior segurança aos clientes é saber que os projetos

são aprovados pelos órgãos de controle de emissões

e poluentes”, afirma Paulo. Essa preocupação garante

que as plantas possam operar sem riscos regulatórios,

fator essencial para atrair indústrias e municípios.

Hoje, a empresa já possui projetos em operação

que processam até 120 toneladas por dia de resíduos

sólidos urbanos e plantas de carvão com capacidade

de 20 toneladas por hora. O tempo médio de implantação

de uma unidade é de cerca de 12 meses, variando

conforme a obtenção de licenças ambientais.

Apesar do interesse crescente, Paulo destaca que

o setor ainda enfrenta desafios relacionados ao financiamento

público. “O mercado carece de linhas de

crédito atrativas. Existem iniciativas como o Finep (Financiadora

de Estudos e Projetos) e programas ligados

ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento

Social), mas ainda é pouco diante da demanda”, observa.

Mesmo assim, a procura por soluções da Engecass

vem crescendo em todo o Brasil, além de países

da América do Sul e América Central.

Cass. This ensures that the plants can operate without

regulatory risks, which is an essential factor in attracting

industries and municipalities.

Currently, Engecass has projects in operation that

process up to 120 tons of municipal solid waste per

day and coal plants with a capacity of 20 tons per

hour. The average implementation time is about 12

months, depending on the time it takes to obtain

environmental licenses.

Despite growing interest, Cass points out that the

Sector still faces challenges related to public financing.

“The market lacks attractive credit lines. There are

initiatives such as the Financing Agent of Studies and

Projects (Finep) and programs linked to the National

Bank for Social and Economic Development (BNDES).

Still, they are insufficient to meet demand,” he notes.

Nevertheless, demand for Engecass solutions has been

growing throughout Brazil and in South and Central

American countries.

É um projeto bastante

inovador e estamos em fase

de amadurecimento, mas

podemos garantir que a

Engecass está ao nosso lado

para que alcancemos os

objetivos

Everton Herzer,

gerente técnico da Herzer Ambiental

IMPACTO E FUTURO

Na avaliação de Everton Herzer, gerente técnico

da Herzer Ambiental, o projeto desenvolvido com a

Engecass representa um marco inovador no setor de

resíduos. Segundo o gerente, o equipamento fornecido

foi especialmente projetado para atender às demandas

da planta e já demonstra resultados satisfatórios

durante o comissionamento. “Mesmo sem estar

em regime pleno de operação, o equipamento tem

alcançado os objetivos previstos e se mostra alinhado

às necessidades da unidade”, aponta Everton.

Ele destaca ainda que, por se tratar da primeira

planta de tratamento térmico de resíduos da América

Latina, é natural que ocorram ajustes e adequações

ao longo do processo. Nesse sentido, a Engecass tem

se mostrado um parceiro fundamental, oferecendo

suporte contínuo e disponibilidade para atender às

demandas técnicas. “É um projeto bastante inovador

e estamos em fase de amadurecimento, mas podemos

garantir que a Engecass está ao nosso lado para

que alcancemos os objetivos”, afirma Everton.

A entrada da Engecass no setor de reaproveitamento

de resíduos representa uma expansão estratégica.

A empresa conseguiu transferir sua experiência

do setor de caldeiras para o mercado de waste-to-

-energy, criando soluções que rapidamente se tornaram

referência no transporte e processamento de resíduos.

O impacto é duplo: econômico e ambiental.

De um lado, empresas reduzem custos com destinação

de rejeitos e ganham uma nova fonte de energia.

De outro, municípios podem diminuir a pressão

sobre aterros sanitários e contribuir para metas de

sustentabilidade. “Acreditamos que esse é um projeto

rentável e de extrema importância para toda a

sociedade”, resume Paulo.

IMPACT AND FUTURE

According to Everton Herzer, the Technical Manager

at Herzer Ambiental, the project developed with

Engecass is an innovative milestone for the Waste Sector.

The Manager states that the supplied equipment

was specifically designed to meet the plant’s requirements

and has already demonstrated satisfactory

performance during commissioning. “Even without

being in full operation, the equipment has achieved

its intended objectives and is aligned with the unit’s

needs,” Herzer points out.

He also notes that, since this is the first waste

thermal treatment plant in Latin America, adjustments

and adaptations are to be expected throughout the

process. In this sense, Engecass has proven to be a key

partner, offering continuous support to meet technical

demands. “It is a very innovative project, and we are

in the maturing phase. However, we can guarantee

that Engecass is by our side to help us achieve our

goals,” says Herzer.

Engecass’s entry into the Waste Reuse Sector is

a strategic expansion. The Company has successfully

transferred its experience from the Boiler Sector to

the waste-to-energy market, developing solutions that

have swiftly become benchmarks in waste transportation

and processing. The impact is twofold: economic

and environmental. On the one hand, companies

reduce waste disposal costs and gain a new energy

source. On the other hand, municipalities can reduce

pressure on landfills and contribute to sustainability

goals. “This is a profitable project and extremely important

for society as a whole,” Cass summarizes.

22

23



A V A N Ç O S E T E C N O L O G I A

Multifuncional e

inovadora

Acelulose está ganhando protagonismo em pesquisas que unem

sustentabilidade e inovação. Universidades japonesas têm apresentado

avanços notáveis: em Osaka, cientistas criaram uma madeira

altamente transparente sem uso de plásticos, capaz de abrir caminho

para aplicações em arquitetura eficiente e dispositivos de nova geração;

já em Tsukuba, pesquisadores desenvolveram folhas compostas de celulose

com polímeros funcionais, capazes de bloquear elementos radioativos e oferecer

soluções para segurança ambiental. Esses estudos mostram como processos tradicionais,

aliados à ciência de materiais, podem transformar a biomassa florestal em

compósitos inteligentes, ampliando o valor agregado do setor e posicionando-o

como motor de tecnologias limpas e multifuncionais.

Multifunctional and

Innovative

C

ellulose is gaining prominence in research combining sustainability and innovation.

Japanese universities have made remarkable advances. In Osaka, scientists created

highly transparent wood without using plastics, paving the way for applications in

efficient architecture and next-generation devices. In Tsukuba, scientists developed

cellulose-based sheets functionalized with polymers that can block radioactive elements, offering

solutions for environmental safety. These studies demonstrate how traditional processes combined

with materials science can transform forest biomass into smart composites, thereby increasing the

Sector’s added value and establishing it as a driver of clean, multifunctional technologies.

Embalagens do futuro

Pesquisadores da Universidade de Osaka desenvolveram

um material altamente transparente feito exclusivamente

de madeira natural, sem a necessidade de plásticos

ou polímeros. O estudo, publicado na revista Macromolecular

Materials and Engineering, revelou que a transparência

não depende apenas do tratamento químico, mas

também da direção da estrutura microscópica interna da

madeira. Essa descoberta abre novas possibilidades para a

criação de materiais sustentáveis e livres de plástico, com

aplicações em construções energeticamente eficientes e

dispositivos de última geração.

Normalmente, a madeira é opaca devido à presença

de lignina e de cavidades microscópicas chamadas

lúmens, que dispersam a luz. A remoção da lignina torna

a madeira esbranquiçada e translúcida, mas alcançar

transparência total sempre foi um desafio. A equipe concentrou-se

em madeira delignificada tratada com KOH

(hidróxido de potássio), identificando que o processo

remove a hemicelulose residual e altera o estado químico

dos grupos carboxila nas paredes celulares. Essas mudanças

suavizam o esqueleto interno de microfibrilas de

celulose, permitindo que, durante a secagem, as paredes

colapsem de forma mais completa, reduzindo os espaços

de ar e diminuindo drasticamente a dispersão da luz.

Os pesquisadores também demonstraram que a

transparência varia conforme a direção estrutural da madeira.

Após o tratamento alcalino e a secagem, as seções

tangenciais se mostraram significativamente mais transparentes

que as radiais. Em testes com luz de 550 nm,

amostras radiais transmitiram cerca de 59% da luminosidade,

enquanto as tangenciais atingiram 69%. Quando

reforçadas com polímero transparente para comparação,

as tangenciais chegaram a mais de 90% de transmitância.

Essa diferença está ligada ao arranjo das microfibrilas de

celulose, que favorece o colapso mais completo dos lúmens

internos nas seções tangenciais, resultando em uma

estrutura mais densa e clara.

Para o setor de celulose e papel, essa inovação representa

uma oportunidade estratégica. Além de reforçar a

imagem da madeira como recurso renovável e versátil,

abre caminho para novos produtos de alto valor agregado,

como painéis arquitetônicos eficientes, componentes

ópticos leves e até eletrônicos flexíveis à base de madeira.

Trata-se de um avanço que conecta ciência de materiais,

sustentabilidade e inovação, alinhando-se diretamente às

tendências globais de substituição de plásticos e redução

de impactos ambientais.

Foto: divulgação

Packaging of the future

Scientists at Osaka University developed a highly transparent

material made entirely from natural wood, eliminating

the need for plastics or polymers. The study, published

in the journal Macromolecular Materials and Engineering,

revealed that transparency depends on both chemical treatment

and the direction of the wood’s internal microscopic

structure. This discovery opens up new possibilities for

creating sustainable, plastic-free materials for use in energyefficient

buildings and state-of-the-art devices.

Wood is usually opaque due to the presence of lignin

and microscopic cavities called lumens that scatter light.

While removing lignin makes wood whitish and translucent,

achieving total transparency has always been challenging.

The team studied delignified wood treated with potassium

hydroxide (KOH), discovering that the process removes

residual hemicellulose and alters the chemical state of

the cell wall’s carboxyl groups. These changes soften the

internal skeleton of cellulose microfibrils, enabling the walls

to collapse more completely during drying and reducing air

spaces. This dramatically decreases light scattering.

The scientists also demonstrated that transparency

varies with the wood’s structural orientation. After alkaline

treatment and drying, the tangential sections were significantly

more transparent than the radial sections. In tests

with 550-nm light, radial samples transmitted approximately

59% of the light, whereas tangential samples transmitted

69%. When reinforced with a transparent polymer, the

tangential sections achieved over 90% transmittance. This

difference is linked to the arrangement of the cellulose

microfibrils, which allows for a more complete collapse of

the internal lumens in the tangential sections. This results in

a denser and clearer structure.

For the Pulp and Paper Sector, this innovation represents

a strategic opportunity. In addition to reinforcing the image

of wood as a renewable and versatile resource, transparent

wood paves the way for new, high-value products

such as efficient architectural panels, lightweight optical

components, and flexible wood-based electronics. This

breakthrough connects materials science, sustainability, and

innovation. It aligns directly with the global trend of replacing

plastics and reducing environmental impact.

24

25



A V A N Ç O S E T E C N O L O G I A

Bloqueio de radiação

Pesquisadores da Universidade de Tsukuba desenvolveram

folhas compostas à base de celulose com

propriedades magnetoeletrônicas e capacidade de

adsorção de elementos radioativos. O trabalho, publicado

na revista Composite Interfaces, utilizou técnicas

tradicionais de fabricação de papel para integrar fibras

de celulose com diferentes polímeros e compostos

funcionais. Primeiro, foi criada uma folha composta

de celulose, polifenilacetileno e polianilina, que apresentou

comportamento antiferromagnético em baixas

temperaturas. Em seguida, os cientistas produziram

uma estrutura multicamadas formada por celulose/

amido, celulose/polianilina, celulose/azul da Prússia e

celulose/ácido algínico, capaz de adsorver e imobilizar

elementos como césio, iodo e estrôncio.

A inovação demonstra como a combinação de

polímeros naturais e sintéticos com fibras de celulose,

aliada ao empilhamento em múltiplas camadas, pode

gerar materiais funcionais de alto desempenho. Além

da aplicação no controle de contaminação radioativa,

os pesquisadores destacam que esse tipo de compósito

abre caminho para usos diversos, como embalagens

alimentícias resistentes a óleo, meios filtrantes e folhas

para blindagem eletromagnética.

O diferencial está na simplicidade do processo: ao

adaptar técnicas tradicionais de papelaria, os cientistas

conseguiram integrar uniformemente celulose e polímeros

funcionais, criando um material inovador sem

recorrer a métodos industriais complexos. Essa abordagem

reforça o potencial da celulose como matriz versátil

e sustentável para o desenvolvimento de soluções

tecnológicas avançadas.

Para o setor de celulose e papel, os resultados representam

uma oportunidade estratégica. A pesquisa mostra

que a biomassa florestal pode ser transformada em

compósitos inteligentes, capazes de atender demandas

críticas de segurança ambiental e tecnológica, ampliando

o valor agregado da matéria-prima. Esse avanço

conecta ciência de materiais, inovação e sustentabilidade,

posicionando a celulose como protagonista em

aplicações que vão muito além do papel tradicional.

Radiation Blocking

Scientists at the University of Tsukuba developed

cellulose-based composite sheets with magneto-electronic

properties and the ability to absorb radioactive

elements. Their work, published in the journal Composite

Interfaces, employed traditional paper manufacturing

techniques to integrate cellulose fibers with various

polymers and functional compounds. First, they created

a composite sheet of cellulose, polyphenylacetylene, and

polyaniline, which exhibited antiferromagnetic behavior

at low temperatures. Next, the scientists produced multilayer

structures comprising cellulose/starch, cellulose/

polyaniline, cellulose/Prussian blue, and cellulose/alginic

acid. This structure can absorb and immobilize elements

such as cesium, iodine, and strontium.

This innovation shows that combining natural and

synthetic polymers with cellulose fibers and stacking

them into multilayers can create high-performance, functional

materials. In addition to its application in controlling

radioactive contamination, the scientists point out

that this composite paves the way for various other uses,

such as oil-resistant food packaging, filter media, and

electromagnetic shielding sheets.

The difference lies in the simplicity of the process.

By adapting traditional papermaking techniques, the

scientists were able to uniformly integrate the cellulose

and functional polymers to create an innovative material

without resorting to complex industrial methods. This approach

highlights the potential of cellulose as a versatile,

sustainable matrix for advanced technological solutions.

For the Pulp and Paper Sector, these results represent

a strategic opportunity. Research shows that forest

biomass can be transformed into smart composites that

meet critical environmental and technological safety standards,

thereby increasing the raw material’s added value.

This advancement connects materials science, innovation,

and sustainability, establishing cellulose as a vital component

in applications extending well beyond traditional

paper uses.

Foto: divulgação

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L O G Í S T I C A

NOVOS

CAMINHOS

INVESTIMENTOS EM LOGÍSTICA INTEGRADA FORTALECEM

PRESENÇA INTERNACIONAL DA INDÚSTRIA DE CELULOSE

Fotos: divulgação

New Paths

INVESTMENTS IN INTEGRATED LOGISTICS STRENGTHEN

THE INTERNATIONAL PRESENCE OF THE PULP SECTOR

OBrasil vive uma fase histórica no

desenvolvimento de sua logística

ferroviária dedicada à indústria de

celulose, um dos principais pilares

da balança comercial nacional. A

evolução das malhas de transporte

está deixando de ser somente uma pauta técnica para

tornar-se um vetor estrutural de competitividade global,

impulsionando investimentos bilionários, parcerias

público-privadas, novas autorizações regulatórias e um

reposicionamento estratégico das cadeias de suprimento.

Neste cenário, ferrovias que ligam florestas,

fábricas, terminais e portos se transformam em protagonistas

de um novo ciclo de crescimento com foco

em eficiência, sustentabilidade e redução de custos.

B

razil is experiencing a historic phase

in the development of rail logistics for

the Pulp Sector, one of the main pillars

of the national foreign trade balance.

The evolution of transport networks has become

a structural driver of global competitiveness,

boosting billion-dollar investments, public-private

partnerships, new regulatory authorizations, and

a strategic repositioning of supply chains. In this

scenario, railways connecting forests, factories,

terminals, and ports are the protagonists of a new

growth cycle focused on efficiency, sustainability,

and cost reduction.

Although road transport still dominates domestic

transportation, Brazilian pulp logistics are

28

29



L O G Í S T I C A

Se por um lado os modais rodoviários ainda dominam

parte do transporte interno, a tendência é que a

balança logística da celulose brasileira migre cada vez

mais para os trilhos, graças a projetos que agregam

escala e previsibilidade ao fluxo de carga. Nos últimos

2 anos, iniciativas corporativas e governamentais ganharam

impulso, sinalizando que a integração ferroviária

entre os grandes polos produtores e os principais

portos do país, especialmente o Porto de Santos (SP),

não é mais uma promessa distante, mas uma realidade

em construção.

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa nova

geração de investimentos é o projeto liderado pela

Eldorado Brasil Celulose, que recebeu aporte de R$

1,05 bilhão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social) para construir uma ferrovia

de 86,7 km ligando sua fábrica em Três Lagoas

(MS) ao terminal ferroviário em Aparecida do Taboado

(MS). Essa linha será integrada à Malha Norte, operada

pela Rumo, abrindo um corredor ferroviário até o

Porto de Santos e reduzindo drasticamente a dependência

do modal rodoviário para escoar a produção.

O projeto, que se tornou o primeiro a ser concebido

sob o novo regime de autorização ferroviária (diferente

do modelo tradicional de concessões), também

inclui a emissão de debêntures de infraestrutura, uma

nova ferramenta prevista na Lei número 14.801 e

coordenada pelo próprio BNDES. Isso representa um

avanço físico na logística da celulose e uma inovação

financeira que pode abrir caminho para outros investimentos

em infraestrutura no Brasil.

A ferrovia deverá substituir aproximadamente 50

mil viagens de caminhões por ano, reduzir custos

logísticos em escala e cortar emissões de dióxido de

carbono em cerca de 105 mil toneladas anuais, um

ganho relevante tanto para eficiência operacional

quanto para compromissos ambientais das empresas.

A expectativa para os próximos anos é que

esses investimentos se consolidem e atraiam

ainda mais projetos ligados não só à celulose,

mas também a outros setores exportadores

que dependem de soluções logísticas

robustas para competir globalmente

increasingly shifting to rail, thanks to projects that

add scale and predictability to cargo flows. Over

the past two years, corporate and government initiatives

have gained momentum, signaling that the

integration of railways between major production

centers and the Country’s main ports, especially

the Port of Santos, São Paulo, is no longer a distant

promise but a reality in the making.

One of the most emblematic examples of this

new generation of investments is the project led by

Eldorado Brasil Celulose. The Company received

R$1.05 billion from the National Bank for Social

and Economic Development (BNDES) to build an

86.7 km railway connecting its factory in Três Lagoas,

Mato Grosso do Sul, to the railway terminal in

Aparecida do Taboado, Mato Grosso do Sul. This

line will be integrated into the Malha Norte (Northern

Rail Network), operated by Rumo. This will

open a railway corridor to the Port of Santos and

drastically reduce dependence on road transport

for shipping production.

The project is the first to be conceived under

the new railway authorization regime, which is

different from the traditional concession model. It

also includes the issuance of infrastructure debentures,

a new tool provided for in Law No. 14,801

and coordinated by BNDES itself.

This represents a significant advancement in

pulp logistics and a financial innovation that could

pave the way for other infrastructure investments

in Brazil.

The railway is expected to replace around

50,000 truck journeys per year, significantly reducing

logistics costs and cutting carbon dioxide emissions

by approximately 105,000 tons annually, a

substantial improvement in terms of both operational

efficiency and environmental commitment.

CENTRO-OESTE EM ALTA

Ao mesmo tempo, o Estado de Mato Grosso do

Sul, um dos maiores polos exportadores de celulose

do país, deu início a outro projeto ferroviário estratégico

no município de Inocência (MS): uma linha de

45 km (quilômetros) que conectará a futura fábrica da

Arauco Brasil à Malha Norte. Com um investimento

estimado em aproximadamente R$ 2,4 bilhões, a pedra

fundamental da ferrovia foi lançada em cerimônia

com autoridades federais e deverá ser concluída até o

segundo semestre de 2027.

O modelo adotado, conhecido como shortline,

é focado em trechos curtos exclusivos para cargas

específicas e integra a produção diretamente à Malha

Norte, facilitando o fluxo para exportação. A previsão

é que a linha suporte composições com até 100

vagões, capaz de movimentar cerca de 3,5 milhões de

toneladas por ano, consolidando o Mato Grosso do

Sul como um hub logístico essencial para o agronegócio

e a indústria florestal brasileira.

Esse movimento, além de fortalecer a presença

de grandes players internacionais no setor, como a

Arauco, também sinaliza uma tendência de logística

integrada, em que produção, transporte e exportação

caminham de forma articulada para melhorar prazos,

reduzir custos e ampliar a capacidade competitiva dos

produtos brasileiros no mercado global.

MIDWEST ON THE RISE

Meanwhile, the State of Mato Grosso do Sul,

one of Brazil’s largest pulp export hubs, has launched

a new strategic railway project in the municipality

of Inocência: a 45-kilometer line connecting

the future Arauco Brasil plant to the Malha Norte

network. With an estimated investment of around

R$2.4 billion, construction of the railway began in

a ceremony attended by federal authorities, and it

is expected to be completed in the second half of

2027.

The Shortline Model focuses exclusively on

short railway lines for specific cargo and integrates

production directly into the Malha Norte network,

facilitating export logistics. The line is expected

to support trains carrying up to 100 rail cars and

capable of transporting around 3.5 million tons of

cargo per year. This will consolidate Mato Grosso

do Sul’s position as a vital logistics hub for Brazilian

agribusiness and the Forestry Sector.

In addition to strengthening the presence of

major international players in the Sector, such as

Arauco, this development signals a trend towards

integrated logistics. Here, production, transportation,

and export work together to improve delivery

times, reduce costs, and boost the competitiveness

of Brazilian products in the international market.

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31



L O G Í S T I C A

PELA ÁGUA

O Porto de Santos, principal porto exportador do

Brasil, tem observado um crescimento expressivo no

volume de celulose movimentado por trilhos. Em

2024, cerca de 6,8 milhões de toneladas de celulose

foram embarcadas por ferrovias, representando mais

de 91% do total exportado pelo complexo portuário.

Esse avanço reflete a consolidação do modal ferroviário

como vetor prioritário no escoamento da produção

nacional.

Essa integração entre ferrovias e infraestrutura

portuária evidencia como o sistema logístico brasileiro

está se adaptando às demandas do comércio exterior,

estimulando investimentos em terminais especializados,

pátios de manobra e equipamentos que aceleram

o fluxo de cargas. Nesse contexto, terminais como o

da Eldorado em Santos estão sendo equipados com

guindastes, empilhadeiras e sistemas de manejo automatizado

para tornar mais eficiente ainda o processo

de exportação.

Além das ferrovias já em construção, há discussões

em curso sobre novos corredores estratégicos que

podem integrar ainda mais o interior produtivo ao

litoral exportador. Esses debates envolvem desde a revitalização

de linhas históricas abandonadas até novos

trechos ferroviários que conectariam diferentes regiões

do país, ampliando o alcance logístico e diversificando

as rotas de escoamento para além do eixo tradicional

norte-sul.

O governo federal e a ANTT (Agência Nacional

de Transportes Terrestres) têm intensificado conversas

sobre a modernização e expansão da malha ferroviária

no Brasil, incluindo o uso de novos modelos regulatórios,

concessões e parcerias público-privadas para

destravar esses projetos. A ideia é fortalecer o papel

das ferrovias como principal modal de longa distância,

superando barreiras históricas que até hoje limitam

sua participação no transporte de cargas no país.

BY WATER

The Port of Santos, Brazil’s primary export

hub, has experienced substantial growth in pulp

transported by rail. In 2024, approximately 6.8

million tons of pulp were shipped by rail, accounting

for over 91% of the port complex’s total pulp

exports. This growth reflects the consolidation of

rail transport as a key mode for moving national

production.

The integration of railways and port infrastructure

demonstrates how the Brazilian logistics

system is adapting to the demands of foreign trade

by stimulating investments in specialized terminals,

marshaling yards, and equipment that accelerate

cargo flow. In this context, terminals such as that of

Eldorado in Santos are being equipped with cranes,

forklifts, and automated handling systems to streamline

the export process.

In addition to the railways already under construction,

there are ongoing discussions about new

strategic corridors that could further integrate the

productive interior with the exporting coast. These

discussions range from revitalizing abandoned

historic lines to building new railroad sections that

would connect different regions of the Country.

This would expand the logistical reach and diversify

transport routes beyond the traditional north-south

axis.

The Federal Government and the National

Land Transport Agency (ANTT) have intensified

discussions on modernizing and expanding Brazil’s

railway network. This includes using new regulatory

models, concessions, and public-private partnerships

to fund these projects. The goal is to strengthen

railways’ role as the primary long-distance

transportation method and overcome historical

barriers that limit their participation in domestic

freight transport.

Esses debates envolvem desde

a revitalização de linhas históricas

abandonadas até novos trechos ferroviários

que conectariam diferentes regiões do país,

ampliando o alcance logístico e diversificando

as rotas de escoamento para além do eixo

tradicional norte-sul

Um dos aspectos mais relevantes dessa transformação

logística é o seu impacto ambiental. Comparado

ao transporte rodoviário, o modal ferroviário reduz

significativamente as emissões de gases de efeito estufa

por tonelada transportada, fortalecendo os compromissos

de sustentabilidade das cadeias produtivas.

Para empresas exportadoras de celulose, que frequentemente

usam certificações de sustentabilidade como

diferencial competitivo, essa redução de emissões se

traduz em vantagem junto a mercados internacionais

cada vez mais exigentes.

Além disso, a substituição de grandes volumes de

cargas transportadas por caminhões diminui acidentes,

alivia a pressão sobre as rodovias brasileiras e reduz

custos operacionais, refletindo benefícios sociais e

econômicos que ultrapassam o setor industrial.

PERSPECTIVAS

A expectativa para os próximos anos é que esses

investimentos se consolidem e atraiam ainda mais

projetos ligados não só à celulose, mas também a

outros setores exportadores que dependem de soluções

logísticas robustas para competir globalmente. A

combinação de recursos públicos e privados, inovações

em modelos regulatórios e o crescente interesse

internacional em infraestrutura brasileira formam um

cenário propício para que o país transforme sua matriz

logística e alcance novos patamares de eficiência.

Assim, a logística ferroviária para o setor de celulose

deixa de ser uma pauta secundária para tornar-se

estratégica, conectando florestas plantadas, fábricas,

terminais e portos em uma cadeia competitiva, sustentável

e alinhada às demandas do comércio mundial.

One of the most important aspects of this logistical

transformation is its environmental impact.

Compared to road transport, rail transport significantly

reduces greenhouse gas emissions per ton

transported, thereby strengthening supply chains’

sustainability commitments. For pulp exporting

companies that use sustainability certifications as

a competitive advantage, this reduction translates

into a competitive edge in increasingly demanding

international markets.

Additionally, replacing large volumes of cargo

transported by truck reduces accidents, alleviates

pressure on Brazilian highways, and lowers operating

costs. These benefits extend beyond the Industrial

Sector to the social and economic realms.

OUTLOOK

In the coming years, these investments are

expected to solidify and attract more projects, not

only in the Pulp Sector but also in other Export

Sectors that depend on robust logistics solutions to

compete globally.

A favorable environment for the Country to

transform its logistics matrix and reach new levels

of efficiency is created by the combination of public

and private resources, innovations in regulatory

models, and growing international interest in

Brazilian infrastructure.

Thus, rail logistics for the Pulp Sector has become

a strategic issue, connecting planted forests,

factories, terminals, and ports in a competitive,

sustainable chain aligned with the demands of

global trade.

32

33



A R T I G O

Padrão de especialização da

celulose brasileira e de seus

principais concorrentes no

mercado internacional

BRAZILIAN WOOD PULP SPECIALIZATION

STANDARD AND ITS MAIN COMPETITORS

IN THE INTERNATIONAL MARKET

Fotos: divulgação

Jéssia Albertina Carvalho da Silva

Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz)

Clayton Alexandre do Amaral

Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz)

Naisy Silva Soares

Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz)

Lyvia Julienne Sousa Rego

Uesc (Universidade Estadual de Santa Cruz)

RESUMO

E

sta pesquisa analisou o padrão de especialização

da celulose brasileira e de seus principais

concorrentes no mercado internacional.

Especificamente, estimou-se a competitividade

do comércio internacional da celulose

brasileira, de 1992 a 2022, pelos índices

vantagem comparativa revelada e desvantagem comparativa

revelada e analisada a matriz de especialização

de Aquino. Verificou-se o Brasil, a Finlândia e o

Chile são os países mais competitivos. Brasil, Canadá,

Chile, Rússia e Suécia se mantiveram todo o período

estudado na especialização interindustrial.

SUMMARY

T

his study analyzed the specialization

patterns of Brazilian pulp and its main

competitors in the international market.

Specifically, the study estimated the

competitiveness of Brazilian pulp in

international trade from 1992 to 2022 using the

indices of revealed comparative advantage and disadvantage.

It also analyzed Aquino’s specialization

matrix. Brazil, Finland, and Chile were found to be

the most competitive countries. Brazil, Canada,

Chile, Russia, and Sweden maintained inter-industry

specialization throughout the studied period.

34

35



A R T I G O

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos, o segmento nacional de celulose

tem se destacado no mercado mundial em termos

de produção, exportação e competitividade. Conforme

relatório da FAO (Organização das Nações Unidas

para a Alimentação e Agricultura), o Brasil produziu

13,09% da produção mundial de celulose em 2022,

confirmando assim a importância do mercado brasileiro

para atender a demanda mundial de produtos de

origem vegetal (FAO, 2022).

Segundo Carvalho et al. (2012), durante as décadas

de 1960 e 1970 os principais fatores que contribuíram

para o aumento da produção de celulose de

fibra curta no Brasil foram o crescimento dos estudos

em melhoramento genético e a introdução de novas

procedências, bem como as políticas públicas e

os incentivos fiscais ao reflorestamento. Estes, por

exemplo, contribuíram para aumentar a produção e

as exportações de celulose até o fim da década de

80, colocando o Brasil como um dos maiores exportadores

mundiais. Com o fim dos incentivos fiscais as

empresas continuaram os investimentos com recurso

próprio ou com financiamentos do BNDES (Banco

Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico)

(Carvalho, 2012; Marques, 2015; Silva, 2024).

Em 2012, o país também

se configurou como o maior

exportador mundial de celulose de

fibra curta derivada do eucalipto

e o quarto exportador mundial de

celulose de todos os tipos

INTRODUCTION

Over the years, the Brazilian pulp industry has

distinguished itself in the global market through

its production, exports, and competitiveness.

According to a report by the Food and Agriculture

Organization of the United Nations (FAO),

Brazil produced 13.09% of the world’s pulp in

2022, confirming the importance of the Brazilian

market in meeting global demand for plant-based

products.

Carvalho et al. (2012) state that the main

factors contributing to the increase in short-fiber

pulp production in Brazil during the 1960s and

1970s were advances in genetic improvement, the

introduction of new sources, and public policies

and tax incentives for reforestation. These factors

contributed to increased pulp production and exports

until the end of the 1980s, establishing Brazil

as one of the world’s leading exporters. Following

the removal of tax incentives, companies continued

to invest using their own resources or financing

from the National Bank for Social and Economic

Development (BNDES) (Carvalho, 2012; Marques,

2015; Silva, 2024).

However, in recent years, the Brazilian pulp

Contudo, nos últimos anos a indústria brasileira de

celulose tem avançado e se consolidado no mercado

com inovações tecnológicas buscando aprimorar

o processo industrial da utilização da madeira de

eucalipto para produção de celulose. A automação

e robótica, a digitalização, IA (inteligência artificial),

energia renovável, aproveitamento de resíduos, redução

do consumo de água com sistema avançado de

reciclagem de água, minimização das emissões com

utilização de energia renovável, novos processos de

produção com tecnologias como o cozimento contínuo

de cavacos e a separação da lignina através da

tecnologia Ligno Boost estão otimizando a produção

e permitindo o desenvolvimento de novos produtos,

e a nanotecnologia são algumas das áreas que estão

transformando a indústria. Além disso, para o futuro

a tendências é a logística inteligente com utilização

de tecnologias para otimizar a gestão da logística

interna, desde a extração da madeira até o transporte

do produto final; IOT (internet das coisas, em inglês)

com sensores e dispositivos conectados estão sendo

utilizados para monitorar e otimizar processos em

tempo real, aumentando a eficiência e a segurança;

e a biotecnologia está abrindo novas possibilidades

para a utilização da celulose e seus derivados, como a

produção de bioplásticos e outros materiais renováveis

(Gomes, 2011; Hora, 2017; Silva et al., 2024 (a), Silva

et al., 2024 (b), Silva, 2024; Senai/PR, 2025).

industry has advanced and consolidated its position

in the market by innovating to improve the

industrial process for producing eucalyptus pulp.

Some of the areas that are transforming the industry

include automation and robotics, digitization,

artificial intelligence, renewable energy, waste utilization,

advanced water recycling systems to reduce

water consumption, minimizing emissions through

the use of renewable energy, and new production

processes with technologies such as continuous

chip cooking and lignin separation using Ligno

Boost technology, as well as nanotechnology.

These innovations are optimizing production and

enabling the development of new products. Future

trends include smart logistics, which uses technology

to optimize internal logistics management from

timber extraction to final product transportation;

the Internet of Things (IoT), which uses sensors

and connected devices to monitor and optimize

processes in real time, thereby increasing efficiency

and safety; and biotechnology, which opens up

new possibilities for using cellulose and its derivatives,

such as producing bioplastics and other

renewable materials (Gomes, 2011; Hora, 2017;

Silva et al., 2024a, 2024b, 2024c; Silva, 2024;

Senai/PR, 2025).

Brazil has been standing out as a leader on

the international scene in the genetics, improve-

36 37



A R T I G O

Em 2022, no cenário

brasileiro de exportação

de celulose obteve um

total exportado de US$

8,4 bilhões, representando

2,5% das exportações totais

do país, houve também

um aumento de 21,8% na

quantidade exportada em

relação a 2021

Em 2022, no cenário brasileiro de exportação

de celulose obteve um total exportado de US$ 8,4

bilhões, representando 2,5% das exportações totais

do país, houve também um aumento de 21,8% na

quantidade exportada em relação a 2021. Além disso,

houve um aumento de 24,6% no faturamento em relação

a 2021, e em 2023 com dados até setembro foi

registrada uma queda de 6,2 % no valor total exportado

(Comex Stat, 2023).

of pulp. That year, Brazil ranked fourth among the

world’s largest pulp producers (FAO, 2022).

In 2022, Brazil’s pulp exports totaled $8.4

billion, representing 2.5% of the Country’s total

exports. This figure represents a 21.8% increase in

exported quantity compared to 2021. Additionally,

revenue increased by 24.6%, and, as of September

2023, the total value of exports decreased by 6.2%

(Comex Stat, 2023).

O material completo pode ser

acessado pelo QR Code ao lado:

Na área de genética, melhoramento e propagação

do eucalipto, o Brasil vem se destacando como um

dos líderes no cenário internacional, apresentando

resultados expressivos na produtividade e na qualidade

da madeira, devido a sua capacidade de inovação,

com clonagem de mudas e novas técnicas de corte

(Grattapaglia, 2021). Além disso, o segmento brasileiro

de celulose apresenta grande vantagem competitiva

devido ao clima, a qualidade dos solos e outros fatores

que permitem a alta produtividade de suas florestas,

que favorecem a produção da celulose de fibra curta,

permitindo que o Brasil ocupe o segundo lugar como

maior produtor de celulose do mundo (Schwertner et

al., 2023; Silva, 2024).

Em 2022, o Brasil ocupou a primeira posição

como o maior exportador de celulose do mundo, com

16,3 milhões de toneladas. Contudo, em termos de

produção, os EUA (Estados Unidos da América) liderou,

com quase 50 milhões de toneladas, possuindo

11,74% de participação no mercado, e 8 milhões de

toneladas exportadas, ficando atrás do Canadá, com

8,2 milhões de toneladas. Esse cenário de liderança

do Brasil no mercado internacional de celulose não é

recente. Em 2012, o país também se configurou como

o maior exportador mundial de celulose de fibra curta

derivada do eucalipto e o quarto exportador mundial

de celulose de todos os tipos. Naquele ano o Brasil

ocupou o quarto lugar entre os maiores produtores

mundiais de celulose (FAO, 2022).

ment, and propagation of eucalyptus, presenting

significant productivity and wood quality gains due

to its capacity for innovation, including techniques

such as seedling cloning (Grattapaglia, 2021). Furthermore,

Brazil’s pulp industry holds a significant

competitive advantage thanks to favorable climate

and soil conditions that enable high productivity

in its forests, facilitating the production of short-

-fiber pulp. This allows Brazil to rank second as the

world’s largest pulp producer (Schwertner et al.,

2023; Silva, 2024).

In 2022, Brazil ranked first as the world’s

largest pulp exporter with 16.3 million tons.

However, the United States led in production, with

nearly 50 million tons, accounting for 11.74% of

the market share. They exported 8 million tons,

second only to Canada, which exported 8.2 million

tons. Brazil’s dominance in the global pulp market

is not a recent phenomenon. In 2012, Brazil was

the world’s largest exporter of short-fiber eucalyptus

pulp and the fourth-largest exporter of all types

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39



M E R C A D O

MUNDO EMBALADO

EM PAPEL

INDÚSTRIA GLOBAL APOSTA EM SACOLAS

RECICLÁVEIS PARA ATENDER CONSUMIDORES

E METAS AMBIENTAIS CRESCENTES

Fotos: divulgação

A World

Wrapped in

Paper

THE GLOBAL WORLD IS INVESTING

IN RECYCLABLE BAGS TO MEET

CONSUMER DEMAND AND GROWING

ENVIRONMENTAL GOALS

Omercado global de embalagens de papel

segue em expansão constante. Em 2025,

o setor foi avaliado em aproximadamente

US$ 6,4 bilhões e projeta-se que

alcance US$ 9,6 bilhões até 2032, com

uma taxa média de crescimento anual

de 5,9%. Esse avanço é impulsionado por fatores como o

aumento da consciência ambiental, a intensificação das

legislações que proíbem embalagens plásticas descartáveis

e a rápida expansão dos setores de varejo e alimentação

fora do lar.

T

he global paper packaging market continues

to grow steadily. Valued at approximately

US$6.4 billion in 2025, the Sector

is projected to reach US$9.6 billion by

2032, reflecting an average annual growth rate of

5.9%. This growth is driven by increased environmental

awareness, stricter legislation concerning disposable

plastic packaging, and the rapid expansion of the

Retail and Food Service Sectors.

The search for sustainable packaging solutions

has accelerated the adoption of paper packaging

40

41



M E R C A D O

A busca por soluções sustentáveis de embalagem

tem acelerado a adoção das embalagens de papel em

todo o mundo. Governos de grandes economias vêm

impondo restrições severas e até mesmo proibições ao

uso de plásticos de uso único, obrigando redes varejistas

e operadores de foodservice a migrarem para alternativas

ecológicas. As embalagens de papel, biodegradáveis e

recicláveis, surgem como substitutas preferenciais diante

dessas exigências regulatórias. Países da Europa e da Ásia-

-Pacífico reforçaram seus marcos de redução de plásticos,

influenciando diretamente as decisões de compra de

redes de supermercados e restaurantes de serviço rápido.

Grandes grupos de varejo e marcas de moda já substituem

as tradicionais embalagens plásticas por modelos

em papel kraft, alinhando-se às metas de sustentabilidade

e ao novo perfil de consumo. Além da conformidade

legal, compromissos corporativos ligados a práticas ESG

têm remodelado estratégias de aquisição, com empresas

promovendo ativamente embalagens recicláveis para

fortalecer a confiança do consumidor e agregar valor às

marcas.

worldwide. Governments in major economies have

imposed severe restrictions, including bans, on single-

-use plastics, forcing retail chains and food service

operators to switch to eco-friendly alternatives. Paper

packaging, which is biodegradable and recyclable, has

emerged as the preferred substitute in light of these

regulatory requirements. Countries in the European

and the Asia-Pacific Regions have strengthened their

plastic reduction frameworks, directly influencing

the purchasing decisions of supermarket chains and

fast-food restaurants. Large retail groups and fashion

brands are replacing traditional plastic packaging

with kraft paper models to align with sustainability

goals and the new consumer profile. In addition to

legal compliance, corporate commitments to Environmental,

Social, and Governance (ESG) practices have

reshaped procurement strategies. Companies are

actively promoting recyclable packaging to strengthen

consumer confidence and add brand value.

The growth of organized retail and the advancement

of e-commerce also play central roles in this

Regulamentações cada

vez mais rígidas contra

materiais nocivos ao meio

ambiente aceleram essa

transição, consolidando o

papel das embalagens de

papel como solução verde

em mercados globais

O e-commerce, por sua vez, transformou a dinâmica da

embalagem: plataformas digitais e serviços de entrega de

alimentos precisam de soluções leves, resistentes e sustentáveis

O crescimento do varejo organizado e o avanço do

comércio eletrônico também desempenham papel central

nesse movimento. Supermercados, hipermercados,

lojas especializadas e boutiques de luxo preferem embalagens

de papel para reforçar a percepção de marca e

atender às normas ambientais. Nos países em desenvolvimento,

a multiplicação de pontos de venda amplia a demanda

por embalagens personalizadas e com identidade

visual própria. O e-commerce, por sua vez, transformou

a dinâmica da embalagem: plataformas digitais e serviços

de entrega de alimentos precisam de soluções leves, resistentes

e sustentáveis. Embalagens de papel são amplamente

utilizadas em entregas de supermercado, refeições

para viagem, farmácias e até no setor de moda. Em 2025,

o comércio varejista global registrou expansão consistente,

sustentado pelo aumento do consumo em mercados

emergentes, o que fortaleceu diretamente a indústria

de embalagens de papel. Em regiões como América do

Norte e Europa, varejistas premium utilizam embalagens

de papel impressas de alta qualidade como ferramenta

de branding, intensificando a experiência do cliente.

movement. Supermarkets, hypermarkets, specialty

stores, and luxury boutiques prefer paper packaging

to reinforce their brands and meet environmental

standards. In developing countries, the proliferation

of points of sale increases the demand for customized

packaging with a unique visual identity. E-commerce

has also transformed packaging dynamics: digital platforms

and food delivery services require lightweight,

durable, and sustainable solutions. Paper packaging

is widely used for grocery deliveries, takeout meals,

pharmacy products, and fashion items. In 2025, the

global Retail Trade Sector experienced consistent

growth, driven by rising consumption in emerging

markets, thereby strengthening the Paper Packaging

Sector. In regions such as North America and Europe,

premium retailers use high-quality, printed paper packaging

as a branding tool to enhance the customer

experience.

Technological innovation has been crucial in

making the Sector more competitive. Manufacturers

are investing in new formats and materials to over-

42

43



M E R C A D O

A inovação tecnológica tem sido decisiva para ampliar

a competitividade do setor. Fabricantes investem em novos

formatos e materiais para superar limitações tradicionais

das embalagens de papel, como baixa resistência à

umidade e cargas pesadas. Papéis kraft avançados, estruturas

em múltiplas camadas e alças reforçadas aumentam

a durabilidade e a capacidade de transporte. Revestimentos

resistentes à água e tecnologias de barreira ganham

espaço, especialmente em segmentos de alimentação e

entregas, onde o contato com líquidos é frequente. Essas

melhorias ampliam o escopo funcional das embalagens

sem comprometer sua reciclabilidade.

A evolução das técnicas de impressão também

contribui: processos gráficos e digitais de alta definição

permitem personalização vibrante, campanhas sazonais e

mensagens específicas para o varejo. Marcas de luxo, em

particular, utilizam embalagens laminadas e texturizadas

para enriquecer a experiência do consumidor. Na Ásia-

-Pacífico, fabricantes escalam linhas automatizadas para

unir eficiência de volume e versatilidade de design. Com

isso, as embalagens de papel deixam de ser vistas apenas

como substitutas regulatórias e passam a ocupar posição

estratégica como soluções de embalagem alinhadas à

sustentabilidade e à diferenciação de marca.

O setor de alimentos permanece como principal

consumidor de embalagens de papel, utilizando-as

para compras de supermercado, refeições para viagem,

lanches e bebidas. A reciclabilidade e a biodegradabilidade

tornam o material ideal para substituir embalagens

plásticas em aplicações cotidianas. Regulamentações

cada vez mais rígidas contra materiais nocivos ao meio

ambiente aceleram essa transição, consolidando o papel

das embalagens de papel como solução verde em mercados

globais.

come the traditional limitations of paper packaging,

such as low moisture resistance and load capacity.

Advanced kraft papers, multilayer structures, and

reinforced handles increase durability and carrying

capacity. Water-resistant coatings and barrier technologies

are becoming more popular, particularly in the

food and delivery segments, where frequent contact

with liquids occurs. These improvements expand

packaging’s functional scope without compromising

its recyclability.

Advances in printing techniques also contribute to

this trend. High-definition graphics and digital processes

enable vibrant customization, seasonal campaigns,

and retailer-specific messages. Luxury brands, in

particular, use laminated and textured packaging to

enhance the consumer experience. In the Asia-Pacific

Region, manufacturers are scaling up automated

production lines to combine high volume and design

versatility. Consequently, paper packaging is no longer

viewed merely as a regulatory substitute; rather, it has

become a strategic packaging solution aligned with

sustainability and brand differentiation.

The food segment remains the main consumer

of paper packaging, using it for grocery shopping,

takeout, snacks, and beverages. The material’s

recyclability and biodegradability make it ideal for

replacing plastic packaging in everyday applications.

Stricter regulations against environmentally harmful

materials are accelerating this transition and consolidating

paper packaging’s role as a green solution in

global markets.

Regionally, the Asia-Pacific area is expected to lead

growth with an annual rate of 6.2% through 2032.

The Region stands out for its robust industrial infras-

Regionalmente, a Ásia-Pacífico lidera o crescimento,

com previsão de registrar taxa anual de 6,2% até 2032.

A região se destaca pela infraestrutura industrial robusta,

mão de obra competitiva e ampla disponibilidade de

papel reciclado e virgem. Países como China, Japão e

Índia sustentam esse avanço com indústrias de papel e

embalagem consolidadas. Investimentos em automação

e tecnologias sustentáveis reforçam a posição da região

como polo de produção. Na América do Norte, o crescimento

é impulsionado pela expansão do e-commerce e

pela aplicação rigorosa de normas contra plásticos descartáveis.

Varejistas e operadores logísticos adotam cada vez

mais embalagens em papel para atender compromissos

de sustentabilidade e expectativas dos consumidores.

Grandes players como Amazon, Walmart e Target aceleram

a transição para embalagens recicláveis, refletindo

esforços mais amplos de construção de cadeias de suprimento

verdes. Já na Europa, o avanço é sustentado por

regulamentações ambientais rígidas e pela preferência

por produtos locais. Consumidores e empresas valorizam

embalagens Made in Europe para reduzir pegadas de carbono

e apoiar indústrias regionais. A associação Eurosac,

que representa mais de 80% dos fabricantes de sacos de

papel multicamadas do continente, reúne membros em

20 países e produz cerca de 5 bilhões de unidades por

ano, consolidando a força da região no setor.

tructure, competitive labor force, and ample supply

of recycled and virgin paper. Countries such as China,

Japan, and India are sustaining this progress with well-

-established paper packaging companies. Investments

in automation and sustainable technologies further

solidify the Region’s position as a production hub. In

North America, growth is driven by the expansion of

e-commerce and the strict enforcement of regulations

against disposable plastics. Retailers and logistics operators

are adopting paper packaging at an increasing

rate to meet sustainability commitments and consumer

expectations.

Major retail companies like Amazon, Walmart,

and Target are speeding up the shift toward recyclable

packaging as part of broader efforts to establish

environmentally friendly supply chains. In Europe,

progress is being driven by strict environmental

regulations and a preference for locally sourced

products. Consumers and businesses value European-

-made packaging for its role in reducing their carbon

footprints and supporting regional industries. The

Eurosac association represents more than 80% of

the continent’s manufacturers of multilayer paper

bags. With members in 20 countries, the Association

produces around 5 billion units per year, thereby

consolidating the Region’s strength in the Sector.

44

45



R E C I C L A G E M

DESAFIOS DA

RECICLAGEM

TAXA DE RECICLAGEM CAI AO

MENOR NÍVEL EM ANOS, REVELANDO

FRAGILIDADE ESTRUTURAL DO SETOR

Fotos: divulgação

RECYCLING

CHALLENGES

THE RECYCLING RATE HAS

FALLEN TO ITS LOWEST

LEVEL IN YEARS, REVEALING

STRUCTURAL WEAKNESSES

IN THE SECTOR

Oano de 2025 deixou marcas

profundas no setor de reciclagem

de papel no Brasil.

Enquanto as grandes fabricantes

de celulose e embalagens

comemoram resultados expressivos

em seus balanços, os aparistas, responsáveis

pela coleta e fornecimento das aparas de papel,

enfrentam um cenário de baixa rentabilidade e

crescente fragilidade. Essa discrepância entre os

diferentes elos da cadeia expõe uma crise estrutural

que ameaç a sustentabilidade econômica do

setor e sua relevância social.

T

he year 2025 left a deep mark on

Brazil’s Paper Recycling Sector. While

large pulp and packaging manufacturers

boast impressive results on their

balance sheets, scrap dealers, who collect and

supply paper scraps, face low profitability and

increasing fragility. The discrepancy between the

different links in the chain exposes a structural

crisis that threatens the Sector’s economic sustainability

and social relevance.

In 2024, the Sector achieved a turnover of

R$4.2 billion, representing almost 30% growth

over the previous year. However, in 2025, the

46

47



R E C I C L A G E M

Em 2024, o setor havia alcançado um faturamento

de R$ 4,2 bilhões, resultado que representou

um crescimento de quase 30% em relação ao

ano anterior. No entanto, em 2025, a realidade

foi bem diferente. A queda nos preços das aparas,

iniciada de forma atípica entre julho e agosto, se

prolongou até o fim do ano, justamente no período

em que a demanda por embalagens costuma

aumentar em função das festas. O efeito imediato

foi a redução da taxa de reciclagem para 59,7%,

o menor índice registrado nos últimos anos. O

contraste é evidente: de um lado, a indústria

prospera; do outro, os fornecedores de aparas são

pressionados por grandes players que concentram

o mercado e ditam preços, deixando os aparistas

pulverizados com pouco poder de negociação.

situation was quite different. The drop in scrap

prices, which began unusually between July

and August, continued until the end of the year,

precisely when demand for packaging usually

increases due to the holidays. The immediate

result was a reduction in the recycling rate to

59.7%, the lowest rate in recent years. The

contrast is clear: the industry is thriving, while

scrap suppliers are under pressure from large

market dominators who dictate prices, leaving

scrap dealers scattered and with little bargaining

power.

This asymmetry is exacerbated by rising operating

costs for diesel and other essential inputs,

which further erode recycling companies’

margins. The problem, however, is not limited

A construção de um ambiente regulatório sólido, aliado a incentivos

econômicos e sociais, é o caminho para transformar a reciclagem em um

motor de desenvolvimento sustentável e inclusão social

Essa assimetria se soma ao aumento dos custos

operacionais, como o diesel e outros insumos

essenciais, corroendo ainda mais as margens das

empresas de reciclagem. O problema, entretanto,

não se limita às planilhas financeiras. Ele atinge

diretamente milhares de famílias que dependem

da coleta de materiais recicláveis para sobreviver.

Os catadores, elo mais frágil da cadeia, veem sua

renda ameaçada pela volatilidade dos preços. Estima-se

que a coleta de papel injete cerca de R$

350 milhões por ano na base da pirâmide social,

mas a instabilidade coloca em risco esse fluxo

vital de recursos. Quando a atividade deixa de ser

financeiramente sustentável, catadores e microempreendedores

migram para outras oportunidades,

provocando um impacto social massivo.

Outro desafio que se consolidou em 2025

foi a mudança estrutural trazida pelo avanço do

comércio eletrônico. A logística de coleta, antes

concentrada em grandes pontos comerciais,

passou a se pulverizar nas residências. Essa nova

realidade, comparável à chamada primeira milha

da logística, é mais cara e complexa, mas essa

complexidade não foi remunerada de volta pela

cadeia. O resultado é um sistema mais oneroso

para os aparistas, sem contrapartida proporcional

em ganhos.

to financial spreadsheets. It directly affects the

livelihoods of thousands of families who depend

on collecting recyclable materials. Waste

pickers, the weakest link in the chain, see their

income threatened by price volatility. Paper

collection is estimated to inject around R$350

million per year into the base of the Brazilian

social pyramid, but instability threatens this vital

flow of resources. When the activity becomes

financially unsustainable, waste pickers and

microentrepreneurs seek other opportunities,

resulting in a significant social impact.

Another challenge that emerged in 2025

was the structural changes driven by e-commerce

growth. Collection logistics, which had

previously been concentrated in large commercial

centers, began to spread to residences.

This new reality, comparable to the first mile of

logistics, is more expensive and complex. However,

the chain has not compensated for this

complexity. The result is a more costly system

for recyclers, with no commensurate increase in

earnings.

Despite these difficulties, the year was

also marked by significant regulatory progress.

Mobilization around the Recycling PEC gained

momentum, garnering 185 favorable signatu-

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R E C I C L A G E M

Apesar das dificuldades, o ano também foi

marcado por avanços regulatórios importantes.

A mobilização em torno da PEC da Reciclagem

ganhou força, com 185 assinaturas favoráveis de

deputados. A proposta prevê a isenção de tributos

como CBS e IBS para materiais recicláveis,

medida que pode corrigir distorções que comprometem

a competitividade do setor. Além disso, o

Projeto de Lei número 1.800/21, que isenta recicladores

de PIS/Cofins, avançou para o Senado, e

o Decreto número 12.451, publicado em maio,

trouxe mais segurança jurídica ao regulamentar

exceções à proibição de importação de resíduos

sólidos. Outro marco relevante foi o Decreto

número 12.688, de outubro, que estabeleceu

percentuais mínimos de material reciclado a ser

utilizado pela indústria do plástico. Essa decisão

cria uma demanda garantida até então inexistente

e abre caminho para medida semelhante no setor

de papel e papelão, promessa ainda não cumprida

pelo governo.

res from members of Congress. The proposal

exempts recyclable materials from taxes such

as the Tax on Goods and Services (IBS) and the

Contribution on Goods and Services (CBS),

thereby correcting distortions that compromise

the Sector’s competitiveness. Additionally, Bill

No. 1,800/21, which exempts recyclers from

the Program of Social Integration (PIS) and the

Contribution for the Financing of Social Security

(Cofins), advanced to the Senate. In May,

Decree No. 12,451 was published, bringing

more legal certainty by regulating exceptions

to the ban on importing solid waste. Another

important milestone was Decree No. 12,688,

issued in October. This decree established minimum

percentages of recycled material for the

plastics industry to use. This decision created

guaranteed demand where none had existed

before, paving the way for a similar measure in

the Paper and Cardboard Sector, a promise the

Government has yet to fulfill.

Quando a atividade deixa de

ser financeiramente sustentável,

catadores e microempreendedores

migram para outras

oportunidades, provocando um

impacto social massivo

A crise vivida pelos aparistas em 2025 também

expôs a necessidade de maior integração entre

políticas públicas e estratégias empresariais voltadas

à economia circular. Sem mecanismos que

assegurem previsibilidade e remuneração justa,

o setor corre o risco de perder competitividade

internacional e de comprometer avanços conquistados

ao longo das últimas décadas. O Brasil, que

já figurou entre os líderes globais em reciclagem

de papelão, precisa retomar esse protagonismo

com medidas que fortaleçam a base da cadeia e

garantam que o esforço de milhares de trabalhadores

não seja invisibilizado. A construção de um

ambiente regulatório sólido, aliado a incentivos

econômicos e sociais, é o caminho para transformar

a reciclagem em um motor de desenvolvimento

sustentável e inclusão social.

O balanço de 2025 deixa claro que o setor

vive um momento crucial. O Brasil, que já ostentou

taxas de reciclagem de papelão superiores

às da Europa, não pode se acomodar diante do

retrocesso. Para a Anap (Associação Nacional dos

Aparistas de Papel), a solução definitiva passa pela

criação de um marco regulatório específico para

papel e papelão, capaz de garantir a responsabilidade

estendida do produtor e oferecer estabilidade

para toda a cadeia. A PNRS (Política Nacional

de Resíduos Sólidos), em vigor há 15 anos, nunca

foi plenamente aplicada ao setor, e essa lacuna

precisa ser corrigida. Mais do que uma questão

ambiental, trata-se de justiça social e inteligência

econômica. A Anap conclama governo e indústria

a se unirem aos aparistas na construção de um futuro

sustentável e justo para a reciclagem no país.

The 2025 crisis experienced by recyclers

also exposed the need for greater integration

between public policies and business strategies

focused on the circular economy. Without

mechanisms ensuring predictability and

fair compensation, the Sector risks losing its

international competitiveness and jeopardizing

the progress made in recent decades. Brazil,

once a global leader in cardboard recycling,

must regain its leading role by strengthening

the industry’s foundation and ensuring that the

efforts of thousands of workers are not overlooked.

Creating a solid regulatory environment

combined with economic and social incentives

is key to transforming recycling into an engine of

sustainable development and social inclusion.

The 2025 balance sheet makes it clear that

the Sector is at a pivotal point. Brazil, which

once boasted higher cardboard recycling

rates than Europe, cannot accept this setback.

According to the National Association of Paper

Recyclers (Anap), the definitive solution is to

create a regulatory framework specifically for

paper and cardboard. This framework would

ensure extended producer responsibility and

provide stability for the entire chain. The National

Solid Waste Policy (PNRS), in force for 15

years, has never been fully applied to the Sector,

and this gap must be closed. This issue is not

only environmental, but also a matter of social

justice and economic intelligence. Anap calls

on the Government and Industry to collaborate

with recyclers to build a sustainable and equitable

future for recycling in the Country.

50

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E N T R E V I S T A

Foto: divulgação

Mauricio Feldman

Strategy and Sustainability

Formado em Administração com habilitação em Comércio Exterior, com especialização em Engenharia

Econômica e MBA em Marketing, Mauricio Feldman é Superintendente de Vendas da Trombini desde

2023. Ingressou na empresa em 1995, com atuação nas áreas técnica e comercial, incluindo a Gerência

de Vendas do Paraná nos segmentos de papelão ondulado e sacos multifoliados. Antes, trabalhou na área

de Suprimentos da Philip Morris International. Atualmente, lidera as gerências comerciais da Trombini,

com atuação nacional e internacional, além das áreas de pricing e desenvolvimento de produtos.

Mauricio Feldman has a degree in Business Administration with a major in Foreign Trade and a specialization in Economic

Engineering, and an MBA in Marketing. He has been the Sales Superintendent at Trombini since 2023. He joined the Company

in 1995 and has worked in Technical and Commercial areas, including Sales Management in the corrugated cardboard

and multilayer bag segments in Paraná. Previously, he worked in the supplies area at Philip Morris International. He currently

leads Trombini’s Commercial Management, working nationally and internationally in addition to product pricing and

development.

Osetor de papel e embalagens vive

um momento de transformação

marcado pela busca por soluções

sustentáveis, eficiência operacional

e inovação tecnológica. Empresas

com tradição e visão de futuro têm se destacado

ao alinhar competitividade com responsabilidade

socioambiental, ampliando sua presença tanto no

mercado interno quanto externo. A Trombini Embalagens

reforça sua posição como referência nacional,

investindo em tecnologia, expansão e práticas

sustentáveis que fortalecem sua atuação em diferentes

segmentos. Para entender melhor essa trajetória

e os desafios do setor, conversamos com Mauricio

Feldman, Superintendente de Vendas da companhia,

que compartilhou sua experiência e visão sobre o

presente e o futuro da indústria.

Estratégia e

sustentabilidade

T

he Paper Packaging Sector is undergoing

a period of transformation, driven by the

pursuit of sustainable solutions, operational

efficiency, and technological innovation.

Companies that combine tradition with a vision for

the future have distinguished themselves by balancing

competitiveness with social and environmental

responsibility, thereby expanding their presence in

domestic and foreign markets. Trombini Embalagens

reinforces its position as a national benchmark by

investing in technology, expansion, and sustainable

practices that strengthen its performance in different

market segments. To better understand this

trajectory and the challenges facing the Sector, we

spoke with Mauricio Feldman, the Company’s Sales

Superintendent. He shared his experience and his

vision for the industry’s present and future.

Celulose: Seu início de carreira começou ainda na

faculdade?

Mauricio: Sou formado em Administração com

habilitação em Comércio Exterior, especialização em

Engenharia Econômica e MBA em Marketing. Antes

de ingressar na Trombini atuei na área de Suprimentos

– matéria-prima, da multinacional Phillip Morris,

durante aproximadamente 4 anos.

Celulose: Como aconteceu sua chegada à Trombini

e quais foram os principais desafios?

Mauricio: Iniciei como assessor de mercado na Trombini

no ano de 1995, na unidade de Curitiba (PR).

Atuava diretamente nas áreas de desenvolvimento de

produtos, assistência técnica e não conformidades.

Em 2015, conquistei uma oportunidade na gerência

de Vendas do Paraná, onde gerenciava os processos

comerciais envolvendo as produções de papelão

ondulado e sacos multifoliados, tanto do mercado

interno, quanto externo. Desde 2023 atuo como Superintendente

de Vendas, liderando todas as gerências

comerciais, localizadas no Paraná, Santa Catarina,

Rio Grande do Sul e São Paulo, que atendem todo

o Brasil e também o mercado externo. Também sou

responsável pelo gerenciamento das áreas de pricing,

e-commerce e desenvolvimento de produtos.

Celulose: Pode citar quais principais diferenciais

competitivos da Trombini no mercado?

Mauricio: Acredito que nosso principal diferencial

seja a forte cultura de proximidade com o cliente.

Não entregamos apenas embalagens; entregamos

soluções personalizadas, desenvolvidas em parceria

com cada segmento atendido. Nossa tradição de

mais de seis décadas, combinada com investimentos

constantes em tecnologia e inovação, reforça nossa

competitividade em um mercado cada vez mais

exigente. Além disso, destaco a integração vertical do

negócio. A Trombini atua, desde a base florestal, até a

conversão em embalagens, o que nos garante controle

de qualidade, eficiência operacional e segurança no

fornecimento.

Celulose: E sobre o momento atual do mercado

brasileiro de papel kraft e de embalagens?

Mauricio: O mercado brasileiro de papel kraft e

embalagens vive um momento de transformação.

Observamos oscilações típicas de um cenário econô-

Celulose: Did your career begin while you were in

college?

Feldman: I have a degree in Business Administration

with a major in Foreign Trade and a specialization in

Economic Engineering, as well as an MBA in Marketing.

Before joining Trombini, I worked in the raw materials

supply department at the multinational company

Phillip Morris for about four years.

Celulose: How did you come to Trombini, and what

were the main challenges?

Feldman: I started at Trombini in 1995 as a market

advisor at the Curitiba, Paraná, unit. I worked directly

in product development, technical assistance, and noncompliance.

In 2015, I was offered a position in Sales

Management in Paraná. There, I managed commercial

processes for the production of corrugated cardboard

and multi-ply bags for domestic and international

markets. Since 2023, I have served as Sales Superintendent,

leading all commercial management teams

in the States of Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do

Sul, and São Paulo. These teams serve the Brazilian and

the foreign markets. I am also responsible for managing

product pricing, e-commerce, and development.

Celulose: What are Trombini’s main competitive

advantages in the market?

Feldman: I believe our strongest advantage is our

strong culture of customer proximity. We do not just

deliver packaging; we deliver customized solutions

developed in partnership with each segment we serve.

Our tradition of more than six decades, combined with

constant investments in technology and innovation,

reinforces our competitiveness in an increasingly demanding

market. Additionally, I would like to highlight

our business’s vertical integration. Trombini operates

from the forest base through packaging conversion,

ensuring quality control, operational efficiency, and

supply security.

Celulose: What is the current situation in the Brazilian

kraft paper packaging market?

Feldman: The Brazilian kraft paper packaging market is

undergoing a period of transformation. There are fluctuations

typical of a challenging economic scenario, but

at the same time, there is growing structural demand

for sustainable solutions. Replacing less sustainable

materials with paper is a well-established trend. This

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E N T R E V I S T A

mico ainda desafiador, mas ao mesmo tempo há uma

demanda estrutural crescente por soluções sustentáveis.

A substituição de materiais menos sustentáveis

pelo papel é uma tendência consolidada. Isso cria

oportunidades importantes para empresas preparadas,

eficientes e comprometidas com qualidade e competitividade,

como é o caso da Trombini.

Celulose: Houve mudanças nos últimos anos quanto

a demanda do tipo de papel embalagem?

Mauricio: Nos últimos anos, segmentos como alimentos,

agronegócio, bens de consumo e e-commerce têm

sido grandes impulsionadores da demanda. O agronegócio,

especialmente, mantém papel relevante, tanto

pelo mercado interno, quanto pelas exportações.

Já o setor de bens de consumo tem investido cada

vez mais em embalagens sustentáveis, reforçando a

preferência pelo papel como alternativa reciclável e

renovável.

Celulose: O crescimento do e-commerce também

impactou a estratégia da empresa?

Mauricio: O crescimento do e-commerce teve um

impacto muito significativo em nossa estratégia, pois

não se trata apenas de volume adicional de pedidos,

mas de exigências diferentes em termos de logística,

prazos, performance e sustentabilidade. O comércio

eletrônico demanda embalagens que sejam resistentes,

eficientes no transporte, fáceis de manusear e,

ainda, sustentáveis — atributos que a Trombini vem

desenvolvendo de forma contínua para atender às

necessidades desses clientes. Nesse contexto, expandimos

também nossa infraestrutura logística com

a inauguração do novo CD (centro de distribuição)

em São José dos Pinhais (PR), projetado para atender

a esse crescimento. Esse CD, com capacidade para

aproximadamente 2 milhões de m 2 (metros quadrados)

de produtos armazenados, nos permite otimizar

o fluxo logístico, reduzir prazos de entrega e ampliar

a capacidade de resposta às demandas regionais e

nacionais, especialmente em períodos de alta como

a Black Friday, fim de ano e demais datas aquecidas.

Essa estrutura reforça nossa capacidade de oferecer

agilidade, confiabilidade e qualidade operacional aos

nossos clientes, integrando produção e distribuição

de forma mais eficiente e alinhada às tendências do

mercado digital.

creates significant opportunities for companies that

are prepared, efficient, and committed to quality and

competitiveness, such as Trombini.

Celulose: Have there been changes in recent years

in terms of demand for paper packaging?

Feldman: In recent years, segments such as food,

agribusiness, consumer goods, and e-commerce have

driven demand. Agribusiness continues to play an important

role in both the domestic and foreign markets.

On the other hand, the consumer goods segment has

been investing more and more in sustainable packaging,

which reinforces the preference for paper as a

recyclable, renewable alternative.

Celulose: Has the growth of e-commerce also impacted

the Company’s strategy?

Feldman: The growth of e-commerce has had a very

significant impact on our strategy, as it is not just a matter

of additional order volume, but of different requirements

in terms of logistics, deadlines, performance,

and sustainability. E-commerce requires packaging that

is resistant, efficient in transport, easy to handle, and

sustainable, attributes that Trombini has been continuously

developing to meet customers’ needs. In this

context, we have also expanded our logistics infrastructure

by inaugurating a new Distribution Center (DC)

in São José dos Pinhais, Paraná, designed to meet this

growth. This DC, with a capacity of approximately 2

million square meters for stored products, allows us

to optimize logistics flow, reduce delivery times, and

expand our ability to respond to regional and national

demand, especially during peak periods such as Black

Friday, year-end, and other busy dates. This structure

reinforces our ability to deliver agility, reliability, and

operational quality to our customers by integrating

production and distribution more efficiently and in line

with digital market trends.

Celulose: Does Trombini have any sustainability

policies?

Feldman: Sustainability is a central pillar of our strategy

and is present at every stage of our business, from

responsible forest management to the final product.

We use renewable, certified forest resources, promote

recycling and the circular economy, and constantly

seek to reduce the environmental impact of our pro-

Celulose: A Trombini possui políticas na área de

sustentabilidade?

Mauricio: A sustentabilidade é um pilar central da

nossa estratégia e está presente em todas as etapas do

nosso negócio — desde o manejo florestal responsável,

até o produto final. Trabalhamos com base florestal

renovável e certificada, promovemos a reciclagem

e a economia circular, e buscamos constantemente

reduzir impactos ambientais em nossos processos produtivos.

Um exemplo recente é a adoção de soluções

logísticas mais limpas: iniciamos operações com um

caminhão movido a biometano, um combustível renovável

produzido a partir de resíduos orgânicos, que reduz

significativamente as emissões de CO 2

em comparação

aos combustíveis fósseis. Essa iniciativa, pioneira

no segmento de transporte de embalagens no Brasil,

reforça nosso compromisso com a logística sustentável

e com a redução da pegada ambiental na cadeia de

transporte. Além disso, avançamos em programas de

logística reversa, reaproveitamento de aparas, eficiência

energética e certificações ambientais, buscando

sempre soluções que unam desempenho industrial e

responsabilidade socioambiental.

Celulose: A empresa tem realizado investimentos

em tecnologia e expansão?

Mauricio: Sim, a Trombini está em um ciclo intenso

de investimentos em tecnologia, expansão e modernização

industrial, sempre com foco em qualidade,

eficiência e sustentabilidade. Um dos projetos recentes

mais significativos é a ampliação e modernização

da nossa fábrica de papelão ondulado em Fraiburgo

(SC). Com um aporte de cerca de R$ 350 milhões,

essa planta se tornou uma das mais modernas da

América Latina no segmento, ampliando a capacidade

produtiva em cerca de 36% e incorporando tecnologia

de automação de ponta para ganho de eficiência

operacional e qualidade de produção. A unidade é

totalmente automatizada, equipada com sistemas de

última geração e amplia nossa capacidade de atender

a diversos setores, além de incorporar práticas sustentáveis,

como redução de consumo energético e

reaproveitamento de insumos renováveis. Esse investimento

não apenas reforça nossa competitividade no

Brasil, mas também fortalece a infraestrutura logística

e produtiva da Trombini para atuar com excelência no

mercado nacional e internacional.

duction processes. For example, we recently adopted

cleaner logistics solutions. We started operating with

a truck powered by biomethane, a renewable fuel

produced from organic waste. This significantly reduces

CO 2

emissions compared to fossil fuels. This initiative is

pioneering in Brazil’s packaging transport segment and

reinforces our commitment to sustainable logistics and

reducing the environmental footprint of the transport

chain. Additionally, we have made progress in reverse

logistics, scrap reuse, energy efficiency, and environmental

certification programs. We are always seeking

solutions that combine industrial performance with

social and environmental responsibility.

Celulose: Has the Company been investing in technology

and expansion?

Feldman: Yes. Trombini is currently in the midst of an

extensive investment cycle focused on technology, expansion,

and industrial modernization, all while maintaining

a commitment to quality, efficiency, and sustainability.

One of the most significant recent projects

is the expansion and modernization of our corrugated

cardboard factory in Fraiburgo, Santa Catarina. With an

investment of around R$350 million, the plant has become

one of the most modern in Latin America, expanding

production capacity by around 36%. It has also

incorporated cutting-edge automation technology to

improve operational efficiency and production quality.

The fully automated unit is equipped with state-of-the-

-art systems, expanding our capacity to serve various

sectors. It also incorporates sustainable practices, such

as reducing energy consumption and reusing renewable

inputs. This investment reinforces our competitiveness

in Brazil and strengthens Trombini’s logistics and

production infrastructure, enabling us to operate at

A Trombini atua desde a base

florestal, até a conversão em

embalagens, o que nos garante

controle de qualidade, eficiência

operacional e segurança no

fornecimento

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E N T R E V I S T A

Celulose: Quais são os maiores desafios da indústria

de embalagens de papel no Brasil?

Mauricio: Vejo, que além dos desafios estruturais

como volatilidade de custos, energia, logística e

competitividade, um dos maiores pontos estratégicos

do setor é posicionar a embalagem de papel como

um fator essencial dentro da cadeia de valor — e não

apenas como um item de custo. A embalagem precisa

ser reconhecida como um ativo que contribui diretamente

para a venda, para a proteção da marca, para

a eficiência logística e para a experiência do consumidor

final. No e-commerce, por exemplo, ela é muitas

vezes o primeiro ponto de contato físico do cliente

com a marca. O desafio da indústria, portanto, é evoluir

continuamente em inovação, design, performance

e sustentabilidade, demonstrando ao mercado que a

embalagem de papel agrega valor real ao produto e

ao negócio como um todo.

Celulose: Que oportunidades enxerga para a Trombini

no mercado internacional?

Mauricio: O mercado internacional representa oportunidades

importantes, principalmente em nichos que

valorizam qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.

O Brasil possui vantagens competitivas relevantes,

como base florestal renovável e expertise produtiva.

Acredito que há espaço para ampliar nossa presença,

especialmente em mercados que buscam fornecedores

confiáveis e alinhados às práticas ESG. Atualmente,

atendemos mercados importantes na América Latina,

EUA (Estados Unidos da América), Caribe e África do

Sul.

Celulose: Quais são suas perspectivas para o futuro

do setor de papel e embalagens no Brasil e no mundo?

Mauricio: Sou bastante otimista em relação ao futuro

do setor. A agenda global de sustentabilidade favorece

materiais renováveis e recicláveis, como o papel. A

substituição de materiais não biodegradáveis, a expansão

do e-commerce e o crescimento do consumo

consciente são vetores estruturais que devem sustentar

a demanda no médio e longo prazo. Acredito que

o futuro será das empresas que conseguirem unir

eficiência operacional, inovação e responsabilidade

ambiental — pilares que fazem parte da estratégia da

Trombini.

an excellent level in both domestic and international

markets.

Celulose: What are the biggest challenges facing the

Paper Packaging Sector in Brazil?

Feldman: In addition to structural challenges such

as cost volatility, energy, logistics, and competitiveness,

I believe one of the Sector’s most important

strategic points is positioning paper packaging as an

essential factor in the value chain and not just a cost

item. Packaging should be recognized as an asset that

contributes directly to sales, brand protection, efficient

logistics, and the consumer experience. In e-commerce,

for instance, packaging is often the customer’s first

physical point of contact with the brand. Therefore,

the challenge for the Sector is to continuously innovate

in design, performance, and sustainability, and to

demonstrate to the market that paper packaging adds

real value to products and businesses.

Celulose: What opportunities do you see for Trombini

in the international market?

Feldman: The international market offers significant

opportunities, particularly in niches that prioritize quality,

traceability, and sustainability. Brazil has significant

competitive advantages, including a renewable forest

base and production expertise. I believe there is room

to expand our presence, particularly in markets seeking

reliable suppliers aligned with ESG practices. We

currently serve important markets in Latin America, the

United States, the Caribbean, and South Africa.

Celulose: What is your outlook for the future of the

Paper Packaging Sector in Brazil and worldwide?

Feldman: I am very optimistic about the Sector’s future.

The global sustainability agenda favors renewable

and recyclable materials, such as paper. The replacement

of non-biodegradable materials, the growth of

e-commerce, and conscious consumerism are structural

trends that will sustain demand in the medium- and

long-term. I believe the future belongs to companies

that combine operational efficiency, innovation,

and environmental responsibility, the three pillars of

Trombini’s strategy.

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MAIO 2026

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