edição de 23 de março de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.083 - 23 de março de 2026 R$ 20,00
SXSW 2026 reafirma a soberania do
humano sobre inteligência artificial
Headliners do festival de inovação, que foi realizado em Austin, no Texas (EUA), entre os dias 12 e 18 de março, repetiram o que já virou um mantra: a inteligência
artificial não vai substituir características essencialmente humanas. A insistência responde às incertezas que ainda pairam no ar sobre o futuro das
empresas, do trabalho e de processos criativos. Foram mais de 600 sessões espalhadas pelos hotéis do centro da cidade, conhecida por abrigar uma colônia
urbana de morcegos, que se tornaram ícones da capital texana. Outro símbolo local é o Capitólio (foto), situado na Congress Avenue, palco de shows e ativações
do evento, que neste ano juntou as agendas de Music, Film & TV e Innovation em torno de uma única “vila criativa”. pág. 20
Jordan Hefler/Divulgação SXSW
Leo investe em expansão com
reposicionamento estrutural
Alê Oliveira
AlmapBBDO
lidera ranking
de efetividade
da consultoria
inglesa Warc
Plafatorma ABA 2030 revela os
planos estratégicos da entidade
Alê Oliveira
Rafaela Queiroz e Fábio Brito, presidentes da agência
Leo, comentam a importância do modelo de liderança
colaborativa. Com busca por inovação, melhor relacionamento
com clientes e resultados. pág. 56
A agência brasileira do Omnicom
conquistou o primeiro lugar no ranking
anual da Warc, que elenca as campanhas,
agências, marcas e países mais
efetivos na publicidade. O CEO Filipe
Bartholomeu celebra a conquista. Outras
brasileiras, como GUT (15ª), Droga5 (25ª),
Jotacom (39ª) e David (47ª), aparecem na
lista da empresa global de inteligência
de marketing. pág. 48
Plataforma da entidade, liderada por Nelcina Tropardi e Sandra Martinelli,
surge para consolidar e dar direção à agenda para os próximos anos devido
ao ciclo intenso de transformação na economia e no marketing. pág. 60
/LEOAG_BRASIL
LEO-BRASIL
ENQUANTO
TODO MUNDO ESTÁ
OCUPADO FALANDO,
A GENTE RESOLVEU
ESCUTAR.
Já reparou que hoje em dia todo mundo
adora falar?
Falar alto, falar rápido, falar sem parar.
A Leo pensa diferente.
Enquanto todo mundo fala,
a gente escolheu escutar.
Escutar as pessoas. As mudanças.
Os detalhes.
Escutar as ambições de negócios
dos nossos clientes.
E compreender até o que não estava dito.
Porque é só assim que se criam marcas
que vão ser ouvidas pelos consumidores.
Cada trabalho nasceu da escuta profunda
do mercado, da cultura, das pessoas.
Foi assim que transformamos conversas
em ideias. E ideias em impacto.
Se você quer ser escutado de verdade,
fale com a gente.
editorial
Armando Ferrentini
Relações humanas
As falas dos gurus e palestrantes do South by Southwest 2026 (SXSW), realizado
em Austin, no Texas, na semana passada, giraram em torno das conexões
humanas. A inteligência artificial esteve presente nos painéis, mas
foi uma espécie de coadjuvante. A importância das relações entre as pessoas
prevaleceu na maioria das apresentações.
O recado deixado é o seguinte: não há dúvidas de que a IA é uma ferramenta
que será (já está sendo) amplamente utilizada para acelerar negócios, mas ela
não passa de uma ferramenta, que não vai substituir as pessoas nem será mais
relevante do que o poder do olho no olho.
Pode até parecer um jeito simplista de enxergar o potencial da IA, mas a verdade
é que a curadoria do festival de inovação encontrou um jeito de dizer para a indústria
não perder a capacidade humana que existe em cada um de nós.
Já a futurista Amy Webb destoou um pouco da maioria dos outros painéis, decretando
o fim do seu famoso relatório de tendências sobre tecnologia e apresentando
o ‘Converge outcome 2026’ por acreditar que tudo hoje se trata de convergência,
com “múltiplos ambientes potencializando um ao outro, redistribuindo
poder e valor”. Para ela, este será um ano muito desconfortável.
Outro guru conhecido do SXSW, Rohit Bhargava, fundador e chief trend curator
da Non-obvious Company, destacou que o mercado está sofrendo com medo do
que a IA reserva pela frente, mas reforçou que são as conexões humanas que nos
fazem mais felizes e melhores. Ele também aconselhou as pessoas a abraçarem
mais os outros e criarem relações verdadeiras.
Raja Rajamannar, CMO da Mastercard, fez uma apresentação provocando a
indústria a reimaginar o marketing. Para o executivo, as campanhas das marcas
estão muito parecidas, com os publicitários ainda utilizando conceitos de
décadas atrás. Em sua visão, o mercado demorou muito para acompanhar as
mudanças trazidas pela internet e, se não se apressar, vai ficar obsoleto. Já o
futurista e especialista em tendências Henry Coutinho-Mason convidou o público
a reimaginar um futuro melhor para o trabalho em um mundo cocriado
com a inteligência artificial.
Com mais de 600 sessões, o SXSW teve conferências para todas as preferências.
Artistas como Jane Fonda, Bob Odenkirk e Jamie Lee Curtis foram atrações à parte.
Atriz vencedora do Oscar, Jamie, por exemplo, destacou a importância do caráter
humano das relações, enquanto Odenkirk ressaltou que as histórias continuarão
sendo contadas pelas pessoas.
Mais uma vez, os brasileiros marcaram presença. A SP House, hub de networking
do governo de São Paulo instalado em Austin, teve recorde de participação, com
31 mil visitantes, frente a 15 mil em 2025, representando um crescimento de
107%. Além de shows e ativações, a casa foi palco de diversos painéis.
A Globo realizou três painéis na Casa São Paulo. Levou a Austin nomes como Pedro
Bial, que comandou uma edição especial do ‘Conversa com Bial’ sobre como a
tecnologia influencia a construção de narrativas, enquanto a cultura brasileira
foi o tema do painel do jornalista Nilson Klava. A emissora também apresentou
durante o SXSW a pesquisa ‘Cultura no espelho: como brasileiros enxergam e vivem
a cultura brasileira’.
A Hands.ag, patrocinadora máster da cobertura do propmark no SXSW, promoveu
pelo terceiro ano consecutivo o TakeOff na SP House, com um debate entre quatro
CMOs do mercado brasileiro. A partir das tendências identificadas no festival,
a Hands apresenta à indústria dez diretrizes para o marketing em 2026. Confira
matéria sobre o relatório nesta edição.
Frase: “Precisamos um do outro. IA não se importa com você. Não é real” (Jamie Lee
Curtis, durante sua apresentação no SXSW).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Alessandra Souza é a nova diretora
de marketing da Omoda & Jaecoo
Executiva assume a liderança de marketing da montadora chinesa
em um momento de expansão no Brasil, após trajetória em Peugeot,
Fiat e Stellantis.
3ª
Initiative e Kinesso ampliam alcance em CTV
com estratégia de SPO em campanha da Kibon
Campanha utilizou SPO para acessar inventário premium em CTV e ampliar
alcance. Estratégia reduziu intermediários, gerou ganho incremental e maior
eficiência na compra de mídia.
Como serão as ativações e brindes
do Lollapalooza Brasil 2026?
Com 24 marcas envolvidas, o festival reforça o papel dos eventos como
plataforma de experiência e branding. Patrocinadores, apoiadores e
parceiros ampliam presença com ativações e brindes ao público. Fiat,
Ambev, Samsung, Sadia e Carmed estão entre os anunciantes presentes.
4ª
Ação na convocação da seleção brasileira gerou repercussão nas redes
após exibição do logo invertido, levando o banco aos trending topics do X
(ex-Twitter) em tempo real.
5ª
Itaú usa logo invertido em coletiva da
seleção e distribui descontos a quem interagiu
Hamilton Leão reforça
time da FullHouse
Executivo chega para liderar atendimento da agência da Omnicom, trazendo
experiência em grandes contas e passagens por grupos como Isobar, DPZ e
NeogamaBBH.
jornal propmark - 23 de março de 2026 3
índice
propmark
propmark.com.br
SXSW 2026 destaca
o poder das conexões
mais humanizadas
Com mais de 600 sessões,
festival de inovação reuniu
gurus em Austin, no Texas,
entre os dias 12 e 18 de
março, para falar sobre a
importância das relações
humanas, o papel das
marcas e os limites da IA.
20
Jordan Hefler/Divulgação SXSW
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
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Editor de arte
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Revisão
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Cultura do entropismo é ponto alto
do ‘Future 100’ da VML Intelligence
O estudo liderado pelas diretoras globais da VML
Intelligence, Emma Chiu e Marie Stafford, mostra
que no lugar de uma estética rigorosa, recheada de
padrões, o ideal é absorver a voz das ruas. Stella Pirani
(foto), CSO da VML Brasil, concorda. pág. 50
Transformar clientes em fãs das
marcas é desafio na era fandom
Na “era da indiferença”, a atenção é um recurso escasso.
E o marketing de interrupção tornou-se ineficiente e
caro. A orientação fandom inverte essa lógica: em vez de
perseguir clientes, a marca constrói uma comunidade. A
explicação está no novo livro do executivo Fabio Tambosi
(ex-Adidas e Nike). pág. 58
Divulgação
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................10
Quem Fez ...........................................................................12
Entrevista ..........................................................................14
ESG no MKT ........................................................................18
SXSW ...................................................................................20
Marcas ...............................................................................47
Pesquisas ..........................................................................48
Agências ............................................................................56
Mercado .............................................................................58
Out of Home ......................................................................62
Inspiração ..........................................................................63
Opinião...............................................................................64
Click do Alê ........................................................................65
Última Página ....................................................................66
Dreamers investe na área de
grouth para conectar disciplinas
O Grupo Dreamers acaba de contratar Sully Siena,
na foto com Rodolfo Medina e Antonio Fadiga,
para liderar sua frente de growth. A executiva
tem a missão de estruturar a conexão entre as
diferentes disciplinas do ecossistema. pág. 6
4 23 de março de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
gloBAl
Grupo Sal é escolhido como
parceiro de comunicação da
Bershka no Brasil, marca de moda
da Inditex - proprietário também
de outras marcas, como Zara,
Pull&Bear, Massimo Dutti, Bershka,
Stradivarius, Oysho, Zara Home e
Lefties. Além do Brasil, o Grupo Sal
também dará suporte a demandas
de comunicação da marca no
mercado espanhol. Na foto ao lado,
da esquerda para a direita: Bruno
Lins (sócio e produtor-executivo),
Rod Abranches (sócio e diretor
de criação), Koca Machado (sócia
e diretora-comercial), Juarez
Escosteguy (sócio e diretor de
criação e conteúdo) e Maria Queen
(parceira do Grupo Sal SP). O grupo
também atende Nike, Google e
Waze.
MArCA
A Copa do Mundo Fifa masculina
de 2026 terá crescimento da
receita publicitária: a Warc estima
que o evento vai injetar US$ 10,5
bilhões no mercado.
Post: propmark entrevista: Livia
Marquez, chief managing director
da Convert
A maioral!
Isabella Biasi
Post: Hamilton Leão reforça time da
FullHouse
Que sorte da Fullhouse em ter você no
time, Hamilton Leão! Sucesso.
Marcelo Pereira
Post: SoulCode e iFood lançam projeto
de formação em games e IA para
entregadores
Muito legal!
Odara Skubincan
Post: Alessandra Souza é a nova diretora
de marketing da Omoda &
Jaecoo
Ver mulheres ocupando posições de
Duailibi Essencial
liderança no marketing e no setor automotivo
fortalece a diversidade e inspira
muitas outras profissionais a acreditarem
que esses espaços também são
delas. Sua carreira é um exemplo de
consistência, visão e protagonismo ao
longo dos anos.
Andrea Pitta
We will miss u Ale, enjoy in new adventure
(Sentiremos sua falta, Ale. Aproveite
sua nova aventura!).
Marija Klaic
“Conhece-se a prudência de um homem pela sua paciência” (Salomão).
dorinho
portfólio
A We é a nova agência da Jovi, marca chinesa de smartphones. Passa a liderar estratégia,
planejamento, criação e mídia, on e off, do anunciante no país, apoiando seu processo de
expansão e construção de marca no mercado brasileiro. “Essa conquista reforça a expertise
da agência em apoiar marcas globais que estão construindo relevância cultural no Brasil.
A Jovi tem uma proposta muito clara de inovação e proximidade com o consumidor, e nós
estamos honrados de poder contribuir para a marca neste momento”, comemora o executivo
Fabio Rosinholi, co-CEO da We, na foto acima. Recentemente, a Jovi inaugurou sua primeira
loja física no Brasil, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo.
growth
O Grupo Dreamers contratou Sully Siena
para liderar sua frente de growth. A
executiva tem passagens pela Accenture
Song, Africa Creative, Leo e Outpromo.
Como head de growth, ela terá como foco
estruturar estratégias de cross selling entre
as 18 empresas do ecossistema, a partir
da integração das áreas de comunicação,
conteúdo, entretenimento, tecnologia e
experiência A executiva se reportará a
Antonio Fadiga (na foto à esquerda), sócio
do Grupo Dreamers. O presidente-executivo
Rodolfo Medina afirma que a criação da área
responde a um movimento estratégico da
companhia.
6 23 de março de 2026 - jornal propmark
conteúdo de marca
eletrobras agora é aXIa energia
Maior empresa de energia renovável do Hemisfério Sul passa por
rebranding para liderar uma nova dinâmica de mercado
Provando que é possível trazer
uma identidade renovada para
uma empresa que faz parte da
história do país, a Eletrobras anunciou
o seu novo nome, AXIA Energia, em
outubro de 2025, reafirmando seu lugar
de referência energética. A maior
empresa de energia renovável do Hemisfério
Sul mudou com o objetivo de
consolidar seu posicionamento como
uma companhia inovadora e preparada
para os desafios climáticos, regulatórios
e tecnológicos, e, principalmente,
de mercado – a transição de geradora
e transmissora para plataforma
de soluções baseadas em energia
elétrica responde diretamente a isso.
O projeto de rebranding, com duração
de um ano e meio, foi conduzido
pela Tátil Design e a campanha de lançamento
é da Artplan. A nova marca
destaca os direcionais da nova fase
da companhia, focada em eficiência,
sustentabilidade e valorização de
mercado, consolidando um movimento
de mudança de governança
– iniciada em 2022 – e sua transição
como corporação privada que dobrou
o valor dos investimentos realizados.
Para Leandra Peres - Diretora de
Comunicação e Marketing Institucional
AXIA Energia, a nova marca sintetiza
a integração total da companhia com
todas as suas frentes, que a permite
oferecer uma gama de serviços e oportunidades
para seus clientes, neste momento
de abertura do setor: “Saímos de
um lugar de utility de grande porte, referência
em infraestrutura e segurança
energética, com um legado de mais de
60 anos, para uma plataforma de inteligência
energética estruturadora de
um novo ecossistema aberto, inovador
e dinâmico, articulando ideias, pessoas
e negócios a partir da energia”, explica.
“O maior desafio neste momento
de consolidação da mudança é entregar
o novo com respeito ao legado de
uma marca histórica, com respeito às
pessoas. Por isso, sempre foi fundamental
ter clareza sobre a forma de
comunicar a transição de uma marca
que sempre conectou o Brasil inteiro”,
completa. Um dos pilares da mudança
de marca é transparecer que AXIA
Filme da nova campanha apresenta a mudança do nome para AXIA Energia, mostrando seu valor histórico atrelado à inovação
Energia nasce com orgulho de sua
história de mais de 60 anos e, por sua
forte conexão com o país em seu DNA,
está habilitada para guiar o futuro dinâmico
e democrático do setor.
Da infraestrutura
Do sistema elétrico à
liDerança em soluções
sustentáveis Do futuro
O Brasil é, por natureza, uma potência
energética. Poucos países no mun-
o movimento
consolida a
mudança de
governança,
iniciada em 2022
Divulgação
do reúnem, em um mesmo território,
rios caudalosos, luz do sol em abundância,
ventos constantes, biomassa
diversa e conhecimento técnico acumulado
ao longo de décadas. Enquanto
o mundo corre para descarbonizar
suas matrizes, o país já parte de uma
vantagem competitiva na geração,
onde a maior parte da sua eletricidade
vem de fontes renováveis.
Além disso, o país se destaca no cenário
internacional com custos mais
8 23 de março de 2026 - jornal propmark
Divulgação
baixos que a média global na produção
de energia solar e eólica. Adaptada
a essa realidade, 100% da matriz
de geração da AXIA Energia é limpa e
renovável. Seu portfólio conta atualmente
com 81 usinas, sendo 47 hídricas,
33 eólicas e uma solar, com capacidade
instalada total de 44,4 GW. Na
transmissão, são mais de 74 mil km de
linhas, que deram origem ao Sistema
Integrado Nacional (SIN).
“Temos algo que poucas empresas
no mundo conseguem oferecer hoje:
energia renovável com confiabilidade
24 horas por dia, 7 dias da semana.
Fontes como eólica e solar têm papel
crescente, mas são variáveis. Nesse cenário,
as hidrelétricas funcionam como
grandes baterias naturais do sistema
elétrico, capazes de armazenar energia
e ajustar rapidamente a geração
conforme a necessidade. Hoje, cerca de
98% da energia que geramos vem de hidrelétricas,
o que nos permite entregar
energia limpa com segurança e previsibilidade”,
afirma Leandra, que revela o
compromisso da AXIA Energia em operar
cerca de 40% do sistema de transmissão
até 2028. “Entendemos que o
crescimento das renováveis deve continuar
nos próximos anos, especialmente
com a expansão das eólicas e solares.
Esse movimento traz um desafio importante,
que não é exclusivo do Brasil:
garantir a segurança e a integração do
sistema elétrico diante de fontes que
são variáveis. Isso exige duas coisas. De
um lado, fontes capazes de dar flexibili-
Credito
Leandra Peres: do legado e referência para um ecossistema aberto e inovador
dade ao sistema, como as hidrelétricas,
ciativas voltadas à responsabilidade
onde contamos com mais de 43GW de
socioambiental. Uma das principais
capacidade instalada. De outro, uma
é a Ilha de Germoplasma, que fica no
expansão consistente da infraestrutu-
entorno da Usina Hidrelétrica de Tura
de transmissão para conectar novas
curuí, no Pará. O projeto conserva o
regiões de geração aos centros de con-
DNA amazônico com cerca de 100 mil
sumo. É nesse contexto que a AXIA tem
árvores de 220 espécies nativas espa-
direcionado seus investimentos.”
lhadas por 129 hectares, equivalente a
150 campos de futebol. No laboratório
Performance sustentável
de conservação, já foram produzidas
A AXIA Energia também se destaca
37 milhões de sementes, 800 mil mu-
como um case de sucesso com inidas
que habilitaram o plantio de mais
de 15 mil árvores. Só em 2025, foram
produzidas 7,5 milhões de sementes
e 90 mil mudas, parte delas doadas a
comunidades locais para reflorestamento
e agricultura sustentável na
região Norte do Brasil.
Já o projeto Viveiro Florestal de
Xingó, no sertão alagoano, contribui
para a recuperação da Caatinga com a
preservação de espécies nativas e que
são doadas para a população, produtores
locais e mais de 200 instituições.
Também são desenvolvidas pesquisas
de reprodução e desenvolvimento de
sementes de espécies nativas do bioma,
contribuindo para o retorno da biodiversidade
local. Em 2025 foram doadas
132 mil mudas no Nordeste. Ambas
as iniciativas contribuem para o ciclo
de preservação do clima e reforço da
segurança energética que apenas uma
marca que carrega a energia do novo
século é capaz de articular.
jornal propmark - 23 de março de 2026 9
curtas
Divulgação
CaCau Show traz de volta Coelho Chef
para o protagoniSmo da Sua páSCoa
Com investimento 20% superior ao do ano anterior, campanha assinada pela We ganha
presença multicanal e aposta em filmes modulares para ativar diferentes gatilhos de
compra. O Coelho Chef retorna como protagonista da campanha de Páscoa da Cacau Show,
maior rede de chocolates finos do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, o personagem
conduz a narrativa da marca em um universo de experiências gastronômicas que dá
destaque às linhas Dreams, com ovos de recheios marcantes, e aos produtos com brindes
de personagens exclusivos. Entram em cena presentes inspirados em personagens
como Ursinhos Carinhosos e Snoopy, itens colecionáveis e presentes que transformam o
chocolate em brincadeira, como a mochila com pelúcia, a máquina de bolha de sabão dos
Chocomonstros e a pelúcia de dinossauro. “A Páscoa é uma data especial porque ocupa
um espaço na memória afetiva no consumidor e isso permite uma conexão real da marca
com as pessoas. E, para nós, é inspirador acompanhar o crescimento da Cacau Show”,
afirma Beto Campos co-CEO da We.
chevrolet acomPanha creatorS com SParK
Divulgação
aGÊncia Pororoca lanÇa PodcaSt
Divulgação
Minissérie mostra como a mobilidade elétrica se adapta à rotina urbana no Brasil
Artes e clima estão na pauta do podcast dos âncoras Raphael Vandystadt e Estêvão Ciavatta
‘21 dias. Uma mudança para recarregar você’ é um projeto de conteúdo, desenvolvido pela
agência WMcCann, que acompanha, em tempo real, a adaptação de criadores de conteúdo
à rotina com o SUV Chevrolet Spark, 100% elétrico. Com esse ponto de partida, a Chevrolet
selecionou influenciadores que nunca tiveram carro elétrico para viver essa experiência
durante três semanas com o novo Spark, utilizando o veículo em compromissos pessoais e
profissionais, e compartilhando suas percepções sobre autonomia, recarga, tecnologia, design
e usabilidade. “Transformamos comportamento em estratégia para colocar o produto
dentro da vida real das pessoas”, destaca Fernanda Marin, VP da agência.
A Pororoca, parceria do Grupo Africa e Pindorama Filmes para comunicação de projetos de
sustentabilidade, acaba de lançar um podcast para falar dos desafios da sociedade sob
o olhar da economia, do clima, da alimentação, da ciência, da justiça social e das artes.
Apresentado por Raphael Vandystadt, especialista em comunicação e sustentabilidade, e
pelo cineasta Estêvão Ciavatta, o programa reúne lideranças de diferentes áreas, como
Cândido Bracher, Geyze Diniz, Tasso Azevedo, Preto Zezé, Carlos Papa, Beto Veríssimo e
Fafá de Belém. Os episódios serão publicados quinzenalmente no canal da Pororoca no
YouTube, com estreia prevista para esta segunda-feira (23).
executivoS Se tornam SócioS da hood leo cria camPanha da linha ram daKota cheil Produz minifilmeS Para SamSunG
Divulgação
Divulgação
Divulgação
Alice Motta, Celso Neto, Fernanda Peltier e Marco Arioli
A Hood, agência de brand experience integrante da FlagCX,
anuncia a entrada dos executivos Fernanda Peltier (CCO)
e Celso Neto (CPO), que já atuavam na agência, em seu
quadro societário. O movimento formaliza a liderança que
ambos exerciam na operação e marca uma nova etapa de
consolidação da agência, que chega aos 11 anos registrando
crescimento de mais de 150% em 2025. A marca se apresenta
como uma agência boutique. O modelo de atuação
contempla planejamento, criação, desenvolvimento e
produção de eventos, ativações e projetos especiais com
visão end-to-end. Entre os principais clientes que integram
o portfólio da HOOD estão marcas como Renner, Google,
YouTube, Gemini, Android, MAC, Uber, Comfort e Mizuno.
Ação marca o início da parceria entre montadora e agência
Com a assinatura ‘Pra quem carrega o poder no nome’, a
campanha tem como ponto de partida honrar o legado
construído pela Dakota no Brasil em uma narrativa forte
e emocional. A estratégia da campanha reconhece que
o modelo não é apenas um nome que volta ao mercado,
mas sim, um nome que já nasce carregado de significado,
história e relevância dentro da categoria, atributos que
sustentam sua retomada. O filme de lançamento aposta
em estética cinematográfica e trilha marcante ao som
de ‘Blaze of glory’, clássico de Bon Jovi, reforçando o
protagonismo da picape dentro da categoria. A produção é
da Primo Content, com direção de cena de Alvaro Stocker e
produção de áudio da Jamute.
Audiovisual destaca câmera de bolso do Galaxy S26 Ultra
Como parte do lançamento global do Galaxy S26 Ultra,
a Samsung Brasil apresenta uma série de minifilmes
que destacam recursos inéditos e toda a potência do
novo hardware. Os filmes da ação, ‘Tela de privacidade,
nightography e edição de fotos’, foram capturados com
o aparelho, com criação desenvolvida pela agência Cheil
Brasil, produção da Sagaz Filmes, direção de cena de Daniel
Bontempo e trilha da Blend Audio. Os minifilmes, com cerca
de 15 segundos de duração cada, estão disponíveis nos
canais oficiais da Samsung nas redes sociais. A criação é
do time formado por Marcelo Shalders, Gabriella Farabeli e
Gabriela Peduto, com supervisão do CCO Alexandre Ravagnani
e do diretor de criação Eto Bastos.
10 23 de março de 2026 - jornal propmark
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
AgênciA Live
WISE
Fotos Divulgação
Título: ‘Quem sabe vai de Wise’
ECD: Isabella Pipitone
Diretora de arte: Thamara Maura
Redatora: Fernanda Del Miro
Produtora: Paranoid, com direção de Luis Mermet
Áudio: Loud+
A campanha estrelada pelo sambista Zeca Pagodinho
terá duração de dois anos e a estratégia acompanha
o crescimento da marca no Brasil, que registrou uma
alta de 45% em sua base de clientes em 2025, atingindo
3 milhões de cartões emitidos no país. “Uma potência
muito genuína de conexão e reverberação”, diz a CEO
Aline Rossin.
YoUdAre
DECOLAR
Título: ‘Viajar com tudo’
VP de conteúdo e inovação: Cleber Paradela
VP de criação: Marcelo Bruzzesi
Diretores de criação: Adriana Martins e Juliano Almeida
Produtora: Vetor Zero, com direção de Cisma
Aprovação: Patrícia Mandarino
Os dois filmes principais retratam momentos em que o desejo de
viajar rapidamente se transforma em realidade. Em um deles, o clima
é de praia: surge a vontade de escapar para o litoral e, quase
sem perceber, a viagem já está organizada. No outro, o tema é futebol,
com o ex-jogador Vampeta, conectando o universo da bola à
praticidade na hora de planejar uma viagem.
W+e ProPAgAndA
JETOUR
Título: ‘Drive your future’
Diretor de criação: Rafael Carrieri
Criação: Isabelle Saldanha, Markus Corrêa, Bruno Peres e Rafael Guerreiro
Produtora: Crème Company, com direção de Manimou
RTV: Rodrigo Vinhaes
Aprovação: Henrique Sampaio e Gabriela Gavião
Marca apresenta ao público as campanhas publicitárias dedicadas aos três
SUVs da marca no país, os modelos T1, T2 e S06. Foram produzidos três filmes,
um dedicado a cada veículo, além de desdobramentos em diferentes formatos
de mídia, incluindo peças para televisão, conteúdos digitais, redes sociais,
mídia out of home e ativações com influenciadores.
12 23 de março de 2026 - jornal propmark
entrevista
Marcos Pirozzelli
CEO da Accuracy
Precisão como método de crescimento
Com quase duas décadas de atuação
em live marketing, conteúdo e produção
audiovisual, a Accuracy construiu sua
trajetória combinando criatividade com uma
operação estruturada para entregar resultados
mensuráveis. Fundada em 2008, a agência
atravessou diferentes fases do mercado
e ampliou sua atuação acompanhando a
evolução das demandas das marcas por
integração entre experiência, dados e
performance. À frente da empresa, Marcos
Pirozzelli, CEO da Accuracy, defende que a
consistência do crescimento está diretamente
ligada à capacidade de equilibrar criação
e execução, além de cultivar relações de
longo prazo com os clientes. Na entrevista
a seguir, o executivo fala sobre sua trajetória
até a liderança da empresa, os desafios de
conduzir um negócio que combina operação
e criatividade, o papel crescente dos dados
nas ações de live marketing e as prioridades
estratégicas da agência para os próximos anos.
Adrieny Magalhães
Como você descreve sua trajetória profissional até chegar à
liderança da Accuracy? Quais decisões foram determinantes
nesse caminho?
Diferentemente da maioria do nosso setor, sou administrador de empresas, e
não publicitário. Eu me formei na FEI e fiz MBA na FGV. Nos dez primeiros anos da
minha carreira, atuei no mercado de beleza e higiene pessoal, sendo os últimos
três no Grupo SS, onde participei da fundação da Jequiti. A vontade de começar
algo do zero me impulsionou a aceitar, em 2008, a proposta de fundar uma empresa
de e-learning, que rapidamente evoluiu para uma produtora de conteúdo e
vídeos e, dois anos depois, se desdobrou em uma agência.
A Accuracy atua desde 2008 no mercado de live marketing,
conteúdo e vídeo. O que mudou de forma mais estrutural na
agência ao longo desses anos?
Tivemos um crescimento orgânico e, sobretudo, consistente nesses quase 18
anos. Nesse processo, a formação da liderança aconteceu de maneira gradual,
sempre equilibrando necessidade e oportunidade, o que acabou marcando as diferentes
fases do negócio.
Divulgação
Quais foram os principais desafios de exercer uma posição de liderança
em um negócio criativo e operacional ao mesmo tempo?
Apesar de não ter passado por um programa formal de trainee, na fase gerencial
da minha carreira tive a oportunidade de atuar em diferentes áreas do negócio
— operações, finanças, trade marketing e vendas. Isso me trouxe uma visão mais
holística e ajudou bastante a lidar com esse tipo de desafio, sempre considerando
os dois lados da equação. Sem dúvida, criar e operacionalizar são tarefas bastante
distintas, e o grande desafio está no equilíbrio entre elas. Um exemplo clássico é o
exercício constante de tentativa e erro entre criação e orçamento, especialmente
em processos concorrenciais que normalmente envolvem prazos curtos.
Como você equilibra, no dia a dia, as demandas de gestão, estratégia
e criação em uma agência orientada a resultados?
Com o amadurecimento da nossa estrutura, hoje posso contar com um time C-
-level efetivo. A gestão em si — processos, rotinas e governança, ou seja, o nível
tático da pirâmide — depende pouco de mim, o que me permite dividir o tempo
entre duas frentes principais. De um lado, o estratégico, em que defino junto
com o time os rumos do negócio. Do outro, sigo próximo da operação, não apenas
para colaborar nos projetos mais relevantes, mas também para não perder o
14 23 de março de 2026 - jornal propmark
“Embora já seja quase um clichê, a
inteligência emocional segue sendo central”
pulso da entrega. Embora o time seja responsável pela execução, estar presente
em brainstorms, apresentações de projetos ou mesmo em algumas frentes de
atendimento não só energiza, como também traz uma leitura muito real do que
estamos entregando ao cliente. No fim, isso reflete um pouco do meu perfil e do
DNA da agência, que preza pela disponibilidade e pela simplificação.
A Accuracy se define pela precisão e assertividade. Como esse
conceito se traduz, na prática, na relação com clientes e na entrega
dos projetos?
Por meio da empatia. Colocar-se no lugar do cliente e, de fato, sentir-se parte
do negócio dele é fundamental. Muitas vezes isso significa sair da posição tradicional
de publicitário e assumir a perspectiva do vendedor ou do marqueteiro.
Exercitamos tanto esse olhar que, aliado a relações de longo prazo, não é raro
ouvirmos a frase: “Vocês conhecem mais a gente do que a gente mesmo”.
Em um mercado cada vez mais orientado por dados, eficiência
e mensuração, como o live marketing tem se reposicionado
dentro das estratégias das marcas?
Naturalmente, a tecnologia — nem sempre pela criação de novas ferramentas,
mas pela facilidade de aplicação — tem permitido uma integração cada vez maior
desse tema às nossas atividades. Há alguns anos, por exemplo, todas as nossas
promoções contam com cupons moderados e a cesta de compras decupada, o
que possibilita que o CRM aproveite esses dados de forma inteligente. Na mesma
linha, no campo dos eventos, utilizamos ferramentas que medem o nível de atenção
ou o humor do público ao longo de uma apresentação, ampliando a leitura de
performance para além da percepção subjetiva.
Quais competências você considera hoje essenciais para liderar
equipes em um cenário de pressão por agilidade, escala e
performance?
Embora já seja quase um clichê, a inteligência emocional segue sendo central. A
construção de um bom clima organizacional depende de relações de confiança
e segurança para que, sempre que possível, a serenidade seja o estado padrão,
mesmo em ambientes de alta pressão. Além disso, a multidisciplinaridade contribui
diretamente para o ganho de velocidade. Ter ao menos uma noção das
demais áreas facilita o alinhamento e ajuda a acionar o senso de urgência no
momento certo.
A agência trabalha com uma estrutura própria de casting, estúdio
e produção. Como esse modelo impacta a competitividade
do negócio?
A internalização de processos, sempre que viável, traz ganhos claros de velocidade
e segurança, além de fortalecer o senso de pertencimento do time. Durante a pandemia,
por exemplo, o entrosamento entre a equipe de vídeo e os demais departamentos
foi decisivo para o sucesso das lives e, em um momento extremamente
complexo, representou um diferencial competitivo importante para a Accuracy.
Olhando para 2025, qual projeto melhor representa a evolução da
Accuracy do ponto de vista criativo, estratégico ou de negócios?
Ter criado a Promobol foi, sem dúvida, um grande privilégio para a Accuracy. Foi
uma promoção que, além de bater diversos recordes para o cliente e servir de
base para uma campanha de comunicação muito bem executada pelas agências
da marca, nos permitiu inovar de forma simples e assertiva, exatamente como o
próprio nome sugere.
O que esse projeto ensinou à agência em termos de processo
ou modelo de entrega?
A inovação operacional esteve no modelo híbrido de compre e ganhe. O consumidor
podia resgatar a Omobol em casa, por meio de uma parceria com os Correios
— o que chamamos de “Compre e ganhe delivery” — ou em quase 200 PDVs
espalhados pelo Brasil. Pode parecer simples, mas a inovação está na integração
dos sistemas. Mesmo no PDV, o consumidor se cadastra na plataforma via site
ou WhatsApp, recebe seus números da sorte para as modalidades pertinentes
e ainda tem a opção de resgatar a bola na hora. Assim, atendemos diferentes
perfis de consumidor, garantimos a captura de leads e mantemos o controle de
estoque, algo bem diferente da operação tradicional de ponto de venda.
Como você avalia o comportamento das marcas em 2025: mais
abertas a risco ou mais focadas em eficiência?
Vejo um movimento de experimentação mais controlada, com pilotos menores
que gerem dados de qualidade e permitam escalar ações e investimentos com
maior previsibilidade.
Do ponto de vista de negócios, quais foram os principais desafios
enfrentados pela agência no último ano?
A instabilidade econômica, sem dúvida, limitou o potencial de atuação do mercado
como um todo, e isso não foi uma exclusividade do nosso setor.
Para 2026, quais são as prioridades estratégicas da Accuracy?
Seguimos confiando no nosso posicionamento e reforçando a consistência do
que entregamos, mas com um olhar cada vez mais estratégico para crescimento.
Em 2026, a prioridade é ampliar nossa presença junto a novos clientes, fortalecendo
a estrutura de prospecção e desenvolvimento de negócios da agência
como um todo. Até aqui, a Accuracy construiu sua carteira de forma majoritariamente
orgânica, por indicação, relacionamento e pela confiança gerada nas
entregas — um movimento que sempre fez parte do nosso DNA. A partir de agora,
esse crescimento passa a ser potencializado por uma atuação mais estruturada
de growth, conectando inteligência comercial, conteúdo e relacionamento para
escalar oportunidades sem perder a essência da agência.
Há setores ou formatos que devem ganhar mais relevância no
live marketing nos próximos anos?
Um ponto que observamos ganhando força são os eventos B2B de alto nível.
Com a interação digital consolidada como a principal ponte entre stakeholders
de qualquer negócio, o encontro físico passa a ter a obrigação de ser realmente
memorável. Há anos realizamos o Conecta, evento em que a Unilever recebe os
principais nomes do varejo nacional para discutir tendências e apresentar suas
inovações. Esse tipo de formato, que inclui summits, eventos de PR e imersões
estratégicas para parceiros-chave, deve ganhar ainda mais relevância, tornando-
-se cada vez mais sofisticado e imersivo. Outra tendência clara é o estreitamento
da fronteira entre live marketing e marketing de influência. Cada vez mais veremos
embaixadores mobilizando suas comunidades para espaços de marca e lojas,
eventos de live commerce com creators integrados às ativações físicas e conteúdos
nas redes conectados ao storytelling do evento, do estande ou da ativação.
Que mentalidade executiva será mais exigida dos líderes de
agências nos próximos anos?
Não apenas o nosso mercado, mas o mundo como um todo vive um momento claro
de transformação. Dentro de casa, vemos isso, por exemplo, na edição de vídeo
e motion, que deixa de ser executada exclusivamente por softwares tradicionais
e passa a incorporar, cada vez mais, o uso de prompts. Essas mudanças exigem
velocidade, capacidade de adaptação e a assimilação rápida de eventuais perdas,
para que os negócios consigam evoluir sem perder relevância nem propósito.
“A instabilidade econômica
limitou o potencial de atuação
do mercado como um todo”
jornal propmark - 23 de março de 2026 15
esg no mkt
Alê Oliveira
Redesenho
“Sim, sustentabilidade vista de forma
holística, de sobrevivência mesmo”
Alexis Thuller Pagliarini
Há exatos dez anos, quando eu atuava como
diretor-superintendente da Fenapro – Federação
das Agências de Propaganda, efetivamos o
Design Thinking Propaganda.
Foram 5 encontros regionais envolvendo 160
profissionais de agências (sócios e diretores) com
um desafio único: “Como manter a agência de propaganda
relevante e sustentável hoje e nos próximos
anos”. À época, o grande desafio era adequar o
modelo de atuação da agência ao universo de ferramentas
digitais que ganhavam corpo e atraiam a
atenção de gestores de marketing.
Mas as dores de uma agência não se resumiam ao
rolo compressor digital. Havia muitas outras questões
incômodas. O modelo de remuneração das agências,
por exemplo. Acostumada a rentabilizar sua operação
num modelo de desconto-padrão na veiculação
e percentual sobre os serviços de produção de peças
publicitárias, as agências se desenvolveram de forma
sólida no Brasil, alcançando patamares de qualidade
invejáveis. Basta analisar a performance da propaganda
brasileira nos principais festivais mundo afora.
Estamos sempre entre os três países mais premiados.
A avalanche digital, porém, gerou uma panaceia
que parecia curar todos os males de marketing de
forma objetiva, desdenhando das campanhas publicitárias
focadas na construção e elevação de imagem
de marcas e produtos. O tal do digital marketing
colocou performance e conversão em primeiro
lugar e isso foi música para os ouvidos de CMOs e
gestores de negócios.
O tempo passou e a varinha mágica digital começou
a apresentar seus defeitos e a construção e manutenção
de imagem de marcas voltou a fazer parte
da estratégia de CMOs, valorizando novamente as
campanhas publicitárias convencionais, equilibrando
forças com o digital. Pois bem, isso foi dez anos atrás.
Hoje, temos um novo tsunami invadindo nossas vidas,
com reflexo de enorme impacto no mercado publicitário.
Refiro-me à inteligência artificial. De repente,
vem a sensação de que gerar textos persuasivos e
imagens impactantes pode ser uma tarefa de “qualquer
um” que domine as ferramentas de IA generativa.
Assim como aconteceu com as ferramentas
digitais, anos atrás, a IA passa por um escrutínio do
mercado, com muitas questões a serem resolvidas.
Não se trata de negar essa inovação que impacta
nossas vidas de forma irreversível, mas, isso sim, de
entender formas da convivência com humanos – IA
que sejam boas para os humanos. Não à toa, o SXSW e
outros grandes eventos de inovação têm tratado do
tema humanização com tanto destaque. Tendo esse
panorama de incertezas, estamos – a minha empresa
Criativista ESG4 e Sinapros – resgatando o Design
Thinking Propaganda - Dez Anos Depois. A ideia é aproveitar
a metodologia colaborativa do Design Thinking
para reunir publicitários (donos e diretores de agências)
para, de uma forma concentrada, gerar insights
que contribuam para uma nova revisão de modelos
de atuação das agências. Todo esse esforço que está
sendo articulado, já com adesão de alguns Sinapros,
está focado em um ponto-chave: sustentabilidade.
Sim, sustentabilidade vista de forma holística,
de sobrevivência mesmo. Como disse Amy Webb no
SXSW, não devemos nos preocupar com as tendências
– elas são fluidas e efêmeras – devemos, sim,
nos proteger das tempestades de realidade que
caem sobre nossas cabeças. Não há dúvida que o
modelo de atuação das agências está ao relento, no
meio de uma tempestade iminente. Todos os setores
da economia devem estar constantemente sensíveis
às mudanças de mercado, aptos a pivotar sua atuação
conforme a tempestade que se avizinha. Com as
agências, essa necessidade é ainda mais premente,
por se tratar de um setor que precisa interpretar
as mudanças primeiro, para responder aos anseios
de consumidores, também impactados pelos ciclos
cada vez mais curtos e frequentes da inovação.
Por isso, vem aí o Design Thinking Propaganda –
10 Anos Depois. Seus resultados serão amplamente
divulgados por aqui.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
18 23 de março de 2026 - jornal propmark
Créditos: @zest.ag @fabicph
O TAKEOFF TRANSFORMOU O
SXSW EM 10 DIRETRIZES QUE VÃO
GUIAR O MERCADO EM 2026.
Decodificadas pela Hands via IA generativa e validadas
pelos principais CMOs do país direto de Austin.
Escaneie o QR Code e acesse as 10 diretrizes exclusivas.
sxsw
Humano ou máquina? Festival discute
os limites da conexão entre IA e pessoas
Headliners do evento são categóricos em afirmar que a inteligência
artificial não substituirá características essencialmente humanas
Janaina Langsdorff
Jordan Hefler/Divulgação SXSW
Banner com a “vila criativa” do SXSW
2026 sob uma revoada de morcegos no
entardecer de Austin, famosa por abrigar
uma colônia urbana desses animais, que
se tornaram ícones da cidade
tinho-Mason. Amy Webb, Amy Gallo, Ian
Beacraft e Sandy Carter, nomes carimbados
do evento, também reafirmam
o papel coadjuvante da inteligência
artificial na revolução que ainda está
apenas no começo, com frotas de
agentes de IA já no horizonte.
Houve momentos de descontração
também. O comediante Chris Fleming
transformou um dos auditórios do JW
Marriott em stand-up comedy. Ele brincou
com a sua característica de fazer
humor com movimentos exagerados,
expressões faciais intensas, quedas,
tropeços e gestos inesperados. “Já
quebrei a costela”, disse ele no painel
‘Chaos, craft, and Chris Fleming’ no dia
17 de março. O comediante, ator e produtor
Eric André também participou.
Com o roteirista, produtor e diretor
de televisão Vince Gilligan, a plateia
pôde descobrir curiosidades por trás
das câmeras de ‘Breaking bad’, ‘Better
call Saul’ e ‘Pluribus!’. A atriz Rhea
Seehorn, o compositor Dave Porter, a
figurinista Jennifer Bryan, a produtora
Trina Siopy e a presidente da Sony
Pictures Television Studios, Katherine
Pope, também participaram da sessão
“Albuquerque aftermath: From
‘Breaking bad’ to Pluribus with Rhea
Seehorn, Vince Gilligan, and Key Creatives”,
apresentada no JW Marriott no
dia 14 de março.
Vila criatiVa
O vice-presidente sênior de programação
do South by Southwest (SXSW),
Greg Rosenbaum, abriu o evento no
dia 12 de março repetindo o que a comunidade
global de criatividade vem
ratificando desde que a inteligência
artificial mostrou o seu potencial em
supostamente sequestrar capacidades
intrinsecamente humanas. O
O
South by Southwest (SXSW) foi
realizado em Austin, no Texas,
entre os dias 12 e 18 de março
de 2026. A 40ª edição do festival selou
um receio velado. Máquinas substituirão
humanos? Os gurus da inovação
insistem que não. Até o cineasta
Steven Spielberg disse que a essência
da narrativa permanecerá exclusivamente
humana.
Mas a repetição do mantra evidencia
desconfianças e incertezas que
ainda cercam pessoas, executivos
e trabalhadores dos mais diversos
negócios. Os sete dias de conferências
- e muitas filas - parecem ter sido
direcionados para tranquilizar profissionais
que ainda permanecem com
a pulga atrás da orelha. Os headliners
do evento se preocuparam em repetir
que as máquinas permanecerão à
sombra da soberania humana. Será?
Com mais de 600 sessões, a agenda
não poupou esforços em reiterar
a necessidade de fortalecer as conexões
humanas. “As pessoas socializam
cada vez menos e as famílias não se
sentem mais à mesa juntas para suas
refeições”, aponta a cientista social
Kasley Killam, em painel realizado no
dia 12 de março.
O fascínio por robôs capazes de liberar
humanos - de tarefas domésticas
às que podem ser automatizadas
- acende o farol vermelho quando se
fala na reinvenção de fluxos de trabalho,
ruptura de modelos e estruturas
de negócios, reformulação de linhas
industriais e renovação de experiências
de compra.
“A IA é complemento. Não substituirá
as pessoas”, insiste o futurista e
especialista em tendências Henry Coupatrocínio
exclusivo
EMOTION
DRIVEN
20 23 de março de 2026 - jornal propmark
Amy Price/ Divulgação SXSW
Errich Petersen/ Divulgação SXSW
Greg Rosenbaum: “Centralidade humana acima do impacto da inteligência artificial”
Katherine Pope, Vince Gilligan e Rhea Seehorn em sessão no JW Marriott
Os comediantes Chris Fleming e Eric André em painel realizado no dia 17 de março
conteúdo gerado pelo festival validou
a “centralidade humana acima do impacto
da inteligência artificial”, disse
o executivo, que assumiu o comando
da agenda do evento em 2025 no lugar
de Hugh Forrest.
Austin comprovou a tese da agenda
montada por Rosenbaum. Sem o
centro de convenções, que abrigou o
evento por 39 anos e agora passa por
reforma iniciada em abril de 2025, com
previsão para ser concluída em 2029,
a cidade texana foi transformada em
uma vila criativa, com conferências
espalhadas por hotéis - concentradas
especialmente entre o Hilton, o JW
Marriott e o Fairmont Austin. Da Congress
Avenue ao Capitólio, shows, pré-
-estreias de filmes e documentários,
exposições musicais e ativações agitaram
as ruas com temperaturas que
variaram de três a 30 graus.
“Neste ano de 2026, pela primeira
vez, o festival integrou todas as suas
frentes”, frisa Rosenbaum. Com o conceito
‘All together now’, o evento combinou
as programações de Music, Film
& TV e Innovation, estimulando os participantes
a circular entre diferentes
áreas e comunidades criativas, em vez
de acompanhar apenas um segmento.
A expectativa é abrir as fronteiras do
comportamento, confrontando conexões
humanas com o paradoxo do
isolamento digital. A edição do ano
passado alertou para a epidemia da
solidão deflagrada pela excessiva exposição
às telas.
O convite deixado pelo SXSW 2026 é
para que as pessoas descubram experiências
além da sua expertise profissional.
“Há 40 anos, o SXSW começou
abordando o mundo da música”, lembra
Rosenbaum. Ao longo dos anos,
incorporou o universo dos filmes,
cinema e TV, atraindo profissionais
da indústria de comunicação interessados
em entender a influência de
inovações e tecnologias no trabalho
de construção das marcas. O SXSW
surgiu de debates entre jornalistas
da publicação local The Austin Chronicle.
Roland Swenson, Louis Black, Nick
Barbaro e Louis Jay Meyers são os cofundadores.
Em 2023, o SXSW ganhou
uma edição em Sydney, na Austrália.
Dois anos depois, estreou em Londres.
A montadora Rivian é patrocinadora
master, ao lado de RedBreast, Lilly,
JBL, Carnival, Sam’s Club, Artlist e PWC.
Em 2025, o SXSW foi realizado entre
os dias 13 e 15 de março, com 37.770
visitantes presenciais e 383.783 visualizações
únicas no YouTube. Foram
3.409 palestrantes, 1.712 sessões, 165
festas oficiais e eventos especiais,
representantes de 97 países e 2.583
profissionais de mídia e imprensa credenciados.
O Brasil mantém a tradição
- e é uma das maiores delegações do
evento, com espaço cada vez maior
também no conteúdo.
Thiago Bispo, presidente da BR Media;
Juliana Elia, CSO da Publicis Brasil; e
Paolla Minotelli, head de mídia, conteúdo
e martech da Opella, por exemplo,
analisaram um estudo realizado em
parceria com o Instituto Nielsen, que
deixa recomendações para construir
relevância em um cenário de mídia
fragmentado. O painel ‘Building brands
in the attention economy’ ocorreu
no The Line no dia 18 de março.
Mais Brasil
A SP House recebeu mais de 31 mil
pessoas entre os dias 13 e 16 de março,
alta de 107% em relação aos 15 mil
visitantes de 2025. Instalado na Congress
Avenue, principal avenida da cidade
de Austin, o espaço ultrapassou
58 horas de conteúdo, consolidando
o seu papel como hub de networking
e internacionalização de startups e
empresas paulistas. A casa acolheu o
TakeOff, evento da Hands.
Franklin Costa liderou a curadoria
ao lado de Simone Kliass e Ronaldo
Lemos, na área de tecnologia e inovação;
Dilma Campos e Gustavo Pacete,
em criatividade e marketing; Luciane
Coutinho e Jandaraci Araujo, no segmento
de ESG e impacto; e Caire Aoas
e Aninha de Fátima, nos assuntos de
cultura e artes.
“Dobrar o público em um ano é resultado
de uma estratégia clara de
posicionamento internacional. Estamos
mostrando ao mundo que o esta-
Divulgação
do tem escala, capacidade de articulação
e um ambiente competitivo para
atrair investimentos e gerar oportunidades”,
declara Marília Marton, secretária
da Cultura, Economia e Indústria
Criativas do Estado de São Paulo.
Foram cerca de 250 sessões apresentadas
por lideranças de Adobe,
Disney e Microsoft, entre outras
empresas, que debateram o futuro
da tecnologia, marketing, design e
entretenimento, além de ativações
distribuídas em um espaço de 2,2 mil
metros quadrados, quase o dobro da
edição de 2025, e capacidade para até
600 pessoas simultaneamente. Sob o
tema ‘What makes São Paulo borderless?’,
o novo espaço XR Exhibition
promoveu imersões de realidade estendida,
e o Artists Valley exibiu trabalhos
de arte urbana.
Apenas no primeiro dia, a SP House
atraiu 5,9 mil pessoas, alta de aproximadamente
46% em comparação à edição
anterior. “O recorde logo na abertura
mostra o interesse internacional em
conhecer de perto o que São Paulo tem
produzido em inovação, criatividade e
economia criativa”, diz Marília.
O palco ‘Ideas stage’, por exemplo,
recebeu representantes da Universidade
de São Paulo, do Hospital Israelita
Albert Einstein e do Instituto
Butantan em painel sobre o potencial
de São Paulo para a aplicação de IA na
área de infraestrutura científica e de
saúde, com mediação de Ronaldo Lemos.
Em outra sessão, Eduardo Saron,
presidente da Fundação Itaú, falou
sobre relações humanas. Já o ‘Business
stage’ apresentou iniciativas do
governo de São Paulo voltadas à inovação
e gestão de desafios, incluindo
estratégias para enfrentar eventos
climáticos extremos. Os headliners
do SXSW também passaram pela SP
House. Amy Webb, Amy Gallo, Faith
jornal propmark - 23 de março de 2026 21
Popcorn, Ian Beacraft, Sandy Carter,
Kasley Killam e Neil Redding foram
alguns deles.
Na 39ª edição, que ocorreu de 7 a
15 de março de 2025, a casa recebeu
mais de 15 mil pessoas. Com 1,2 mil
metros quadrados, a fachada do polo
de debates e shows foi ilustrada com
o grafite de Carolina de Luiz Folego Silva.
O muralista Eduardo Kobra assinou
a obra em 2024, quando a casa desembarcou
pela primeira vez em Austin,
atraindo cerca de dez mil visitantes.
Em 2026, a fachada foi assinada pelos
grafiteiros paulistas Rafael Calazans e
André Gorobets.
A SP House é organizada pelo governo
do estado de São Paulo, por
meio da Secretaria da Cultura, Economia
e Indústria Criativas, em parceria
com InvestSP, agência de promoção
de investimentos vinculada à Secretaria
de Desenvolvimento Econômico, e
conta com apoio da Prefeitura de São
Paulo. A iniciativa foi patrocinada por
SP House, na Congress Avenue com a 3rd Street, uma das principais esquinas de Austin
Desenvolve SP, Fundação Itaú, Paçokinha
Gui, IDW, Instituto Butantan, KPMG,
Metrô, Oracle, Prefeitura de São Paulo
por meio da Secretaria Municipal de
Cultura e Economia Criativa, Secretaria
Municipal de Desenvolvimento
Econômico e da Secretaria Municipal
de Turismo, SP Negócios, Adesampa,
SPCine, Prodesp, Sabesp e Toyota.
Divulgação
ó, minas gerais
Outra casa brasileira desembarcou
em Austin neste ano. O estado de Minas
Gerais, por meio da Secretaria de
Estado de Cultura e Turismo (Secult-
-MG), da Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Econômico (Sede-MG)
e da Invest Minas, levou o Minas Day e
a Casa Minas à cidade texana. A iniciativa
foi patrocinada por Codemge, Cemig,
CBMM e FDG com apoio do Sebrae-
-MG e realização do governo de Minas,
Invest Minas, Hiker e Leviatech. A
agência Sherpa42 assina a concepção
estratégica e a produção das ações.
O Minas Day foi realizado no Hotel
The Line no dia 14 de março, com as
presenças de Reynaldo Passanezi, CEO
da Cemig; Bruno Araújo, secretário
executivo de desenvolvimento econômico
de Minas Gerais; Vanice Ferreira,
chefe de gabinete da Codemge; Neil
Patel, fundador da Neil Patel Digital; o
especialista Ronaldo Lemos (ITS Rio);
e Andressa Martins, CEO do Festival
Mundial de Publicidade de Gramado.
A Casa Minas, que foi montada na
Rainey Street entre 14 e 16 de março,
teve comida típica mineira, além de shows
de Nath Rodrigues, Toninho Horta e
Henrique Portugal (Skank), e a exibição
de documentários. ‘Bituca’, sobre Milton
Nascimento, foi um deles. “Construir a
primeira edição da Casa Minas é a ma-
Mercado analisa insights e inspirações
deixados pelo cineasta Steven Spielberg
Steven Spielberg em painel no hotel Hilton na tarde da sexta-feira, dia 13 de março
Divulgação
Acostumado a arrastar multidões
aos cinemas, Steven Spielberg
não fez diferente no South by
Southwest (SXSW). Diante de um auditório
lotado, que aguardou por mais
de duas horas na fila para acessar um
dos principais salões do hotel Hilton -
muitos sem conseguir entrar -, o cineasta
comandou a sessão ‘The big picture
with Steven Spielberg live from
SXSW’, na tarde do dia 13 de março.
Prestes a lançar ‘Disclosure day’,
previsto para estrear nos cinemas em
junho, o diretor de ‘E.T. O Extraterrestre’,
‘Jurassic Park’ e ‘A lista de Schindler’,
entre outros blockbusters, “reafirmou
que a tecnologia, por mais avançada
que seja, nunca substituirá a capacidade
humana de contar histórias que
toquem emocionalmente as pessoas”,
comenta Rafaela Queiroz, copresidente
da Leo, uma das brasileiras na plateia.
O cineasta reconhece o potencial
da IA para reduzir custos e resolver
problemas técnicos de pós-produção,
mas é categórico ao dizer que essa
tecnologia não pode tomar o lugar do
roteirista. A conexão com o público é
selada pelas habilidades humanas.
“Ele destacou como a inteligência artificial
pode ser uma ferramenta poderosa
de amplificação criativa, mas que
a essência da narrativa, o entendimento
profundo de conflito, personagem
e propósito permanecem exclusivamente
humanos”, confirma Rafaela.
O desafio dos criadores em 2026
será manter a essência humana como
bússola em um mundo saturado de
tecnologia, garantindo que a inovação
sirva à história, nunca o contrário.
“A sua mensagem convergiu perfeitamente
com o posicionamento da conferência:
comunicação que importa
é sempre, fundamentalmente, sobre
conexão genuína entre os seres humanos”,
pontua Rafaela.
De filmes e concertos ao ballet e
ópera, Spielberg defendeu a união das
artes. Sobrou até crítica ao ator Timothée
Chalamet, que recentemente comparou
o cinema às artes de nicho como
ópera e dança. Presente na plateia, Mariana
Corradi, vice-presidente de estratégia
da Africa Creative, testemunhou a
resposta de Spielberg sobre a polêmica.
“Somos estranhos uns aos outros. Mas
ao final de um filme ou show, ballet e
ópera também, saímos com as mesmas
emoções. E isso é o que nos une, o que
nos faz humanos”, rebateu o cineasta.
“Eu não uso IA pra nada, não acredito
em IA pra escrever histórias. Eu acredito
em intuição”, emendou ele.
Com ‘Disclosure day’, Spielberg retoma
a temática alienígena, desta vez
centrada em uma trama política. Josh
O’Connor interpreta um administrador
de segurança cibernética que decide
expor segredos de estado. Está em
produção também um longa no estilo
Western filmado no Texas.
Para novos cineastas, a recomendação
de Spielberg é priorizar o espaço
narrativo dos atores em vez de cortes
rápidos, e perceber as necessidades
que cercam o set de filmagens além do
que já foi planejado. Ana Kuroki, CSO da
Africa Creative, também assistiu o painel.
Ela destaca a parte em que Spielberg
fala sobre inspirações vindas dos
medos do cineasta. “Eu era uma criança
que tinha muito medo de muitas coisas.
Mais tarde, descobri que tinha tantos
medos porque minha imaginação é
fenomenal”, disse Spielberg. JL
22 23 de março de 2026 - jornal propmark
terialização de ser uma bússola que
ajuda a nortear e construir as marcas
pelo poder das experiências”, comenta
Edinho Potsch, sócio-fundador da Sherpa42.
O número 42 leva o DNA mineiro
da agência ao combinar o DDD 31, de Belo
Horizonte, com o prefixo 11, de São Paulo.
O conceito explorado foi ‘Hospitalidade
mineira como estratégia de negócios’.
InternacIonalIzação
A Agência Brasileira de Promoção
de Exportações e Investimentos (Apex
Brasil) levou 20 empresas brasileiras
de tecnologia, inovação e economia
criativa ao SXSW 2026. A ação marca o
retorno da Apex ao SXSW. A delegação
reuniu dez startups e dez negócios da
economia criativa, selecionados entre
mais de 500 inscritos.
Uma das selecionadas é a Input Post,
que integrou o Programa Raízes Comex,
Casa Minas é montada pela primeira vez com projeto assinado pela agência Sherpa42
Divulgação
iniciativa da Apex Brasil feita em parceria
com o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A empresa foi reconhecida pelo Prêmio
de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio
Exterior. A produtora cinematográfica
Gancho de Nuvem e a Lampião
Content, voltada a projetos de cinema,
são exemplos vindos da economia criativa.
Studio Z, Viu Cine e Belli Studio
são expoentes da animação, enquanto
Hemodoctor e TecCurar representam a
área de saúde, e a Green Balance. Entre
as startups, estão Dadosfera, SST, IseTool
e Murb.
“Conseguimos trazer um grupo de
empresas que reflete a força e a diversidade
do Brasil, pegando carona em
um dos melhores momentos do país
nos principais prêmios globais”, ressalta
Igor Brandão, general manager da
Apex Brasil na América do Norte. Durante
o festival, as empresas participaram
de mentorias, curadoria de conteúdo,
inteligência de mercado e encontros
com potenciais parceiros internacionais.
As atividades começaram com um
seminário promovido pela AZ Collab,
parceira de mentoria ao lado da Nu-
Leep. A programação incluiu conversa
com Carolina Paiffer, jurada do ‘Shark
Tank Brasil’. Dea Lawrence, copresidente
e publisher da Variety, também se
reuniu com parte da delegação.
Estudo da Globo mostra que só 10%
dos brasileiros se sentem representados
Pedro Bial, Manzar Feres, Carlos Octavio Queiroz e Bruno Bernardes: narrativas e IA
A
Globo apresentou três painéis
na SP House. No dia 15 de março,
o jornalista Nilson Klava, da
Globo, entrevistou a especialista em
dinâmicas no ambiente de trabalho
Amy Gallo, autora do ‘HBR guide to
dealing with conflict’; e Pedro Bial, diretor
artístico do núcleo de documentários
dos estúdios Globo, comandou
uma edição especial do ‘Conversa com
Bial’, em sessão com o tema ‘A influência
da tecnologia na construção
de narrativas’, ao lado da diretora de
negócios integrados em publicidade
Manzar Feres; do diretor de estratégia
de dados da Globo, Carlos Octavio
Queiroz; e do diretor do ‘Fantástico’,
Bruno Bernardes. No dia seguinte,
Klava reuniu a diretora de pesquisa e
conhecimento da Globo, Suzana Pamplona,
e a diretora Leonora Bardini
no painel ‘A cultura brasileira, entre o
imaginário e o cotidiano’.
“Se há uma ideia que atravessa
toda essa conversa é a de que tecnologia
não é um fim em si mesma. Ela é
ferramenta, meio, linguagem, e só faz
sentido quando está a serviço de boas
histórias, de informação de qualidade
e de conexões humanas mais relevantes”,
sublinha Bial. Queiroz enfatiza
que a política de inteligência artificial
da Globo é guiada por transparência
e participação humana no centro, enquanto
Bernardes mostra o suporte
da tecnologia para expandir as possibilidades
de se contar histórias no
jornalismo audiovisual.
“Usamos essas ferramentas para
aprofundar as histórias e criar experiências
mais envolventes para o público,
sem perder o rigor da informação
e a força de uma boa história”, frisa
Bernardes. Já Manzar destacou que,
hoje, “as marcas não querem só aparecer.
Elas querem escolher em quais
conversas desejam estar. O nosso
papel é contextualizar essas presenças,
conectando marcas a histórias
Divulgação
e ambientes que fazem sentido para
o público”.
Na apresentação sobre cultura
brasileira, Suzana apresentou a pesquisa
‘Cultura no espelho’, feita em
parceria com a Quaest com quase
dez mil pessoas. Os dados mostram
a influência da desigualdade e do
repertório familiar na formação da
identidade brasileira. De acordo com
o levantamento, 25% dos brasileiros
não sabem definir o que é cultura;
culinária é fator de identificação, com
destaque para o arroz e o feijão; na
música, os ritmos sertanejo e gospel
dominam playlists, apesar das raízes
entranhadas no samba; faltam símbolos
como Ayrton Senna e Pelé; mídia e
religião estão entre as culturas mais
vivenciadas; apenas 16% leem com
frequência, e a Bíblia é a obra principal;
só 10% se sentem representados
pelas propagandas atuais; museus
e teatros são as atividades menos
praticadas; 2% possuem alto poder
aquisitivo e repertório cultural e 9%
têm alto capital cultural, apesar de
baixo capital econômico. A escolaridade
da mãe e o hábito de leitura na infância
são os principais mecanismos
de mobilidade cultural, superando
carências financeiras.
“Ver o poder transformador da
cultura, capaz de transpor a barreira
da desigualdade econômica, foi uma
grande surpresa da pesquisa. Isso nos
faz compreender por que a transformação
social não acontece sem cultura
e educação”, comenta Suzana. Para
Leonora, a capacidade da televisão
de colocar temas importantes diante
de um público heterogêneo cria um
espaço público de debate e de experiência
cultural imprescindível diante
de um mercado de consumo tão
fragmentado. “O nosso compromisso
é transformar conteúdo em experiências
que conectem e inspirem toda a
sociedade”, pontua Leonora. JL
jornal propmark - 23 de março de 2026 23
sxsw
Raja Rajamannar propõe que mercado
reimagine todas as áreas do marketing
CMO da Mastercard desafia publicitários a criarem “coisas loucas” para
diferenciar as marcas em uma era em que tudo está muito pausterizado
Kelly Dores
– de Austin
Raja Rajamannar, CMO da Mastercard,
fez uma apresentação
provocativa durante o South by
Southwest 2026, realizado em Austin,
no Texas. Ele começou o painel
‘Why saying yes to the unthinkable
works’ dizendo que os publicitários
caíram em uma espécie de zona de
conforto ao perpetuar regras que foram
ditadas há décadas.
Para o executivo, o maior problema
dos negócios e do marketing
é que a indústria demorou muito
para acompanhar as mudanças que
a internet trouxe há cerca de 30 anos.
Rajamannar lembra que ainda hoje
a publicidade utiliza conceitos trazidos
por teóricos como Peter Drucker,
mas quando eles formaram essas
teorias e hipóteses não havia internet,
nem celular ou redes sociais, por
exemplo.
“Absolutamente, não havia arquitetura
tecnológica. Se nós não
mudarmos rápido, nós ficaremos obsoletos.
O risco de irrelevância é tão
grande que está se manifestando
agora. Nós sabemos que muitas empresas
se esvaziaram com a diminuição
dos serviços, o que é assustador.
Muitas empresas estão perdendo
esses serviços”, disse.
Em sua visão, o marketing atual é
decepcionante e há uma grande área
de insegurança (e oportunidade),
uma vez que as campanhas são muito
parecidas e pouco diferenciam as
marcas. “É nessa área de insegurança
que há uma oportunidade para os
publicitários, para os negócios, para
que uma empresa se diferencie, porque
todos os outros estão tentando
parecer como todos os outros.”
Rajamannar também lembrou que
as pessoas tomam decisões de consumo
inconscientes e por lembranças
criadas pelas marcas. “Decisões
de compras não são geradas por lógica.
Essas decisões são geradas por
Raja Rajamannar: “O marketing não é sobre lógica, é sobre mágica”
sentimentos e emoções. A decisão
ocorre de forma subconsciente e por
lembranças duradouras. Isso é um
truque que as empresas estão perdendo”,
destaca o executivo.
Para o CMO da Mastercard, o
marketing precisa reimaginar cada
área, desde pesquisa de mercado,
preços, criação de campanhas até
programas de fidelidade. “É um
mito que as marcas têm a lealdade
dos consumidores hoje em dia”.
E ressaltou que os consumidores
são atraídos pelas emoções e sentimentos.
“As emoções e sentimentos
precisam de uma abordagem muito,
muito diferente do que é lógico para
você. O marketing não é sobre lógica,
é sobre mágica”.
Errich Petersen/Divulgação SXSW
“É um mito que
as marcas têm
a lealdade dos
consumidores
hoje em dia”
Rajamannar considera que o cenário
atual empurra os publicitários
a pensarem em movimentos inimagináveis
e contou sobre um episódio
em sua carreira, quando chegou para
o CEO da Mastercard e propôs tirar o
nome do logotipo da marca.
“Ele olhou para mim e disse: o
que você tomou no café hoje? Isso
é inimaginável, porque nós, como
empresa, somos conhecidos, universais,
3,6 bilhões de consumidores em
todo o mundo têm um Mastercard
e está funcionando perfeitamente.
Por que você quer tirar o nosso
nome do logo”?
O resultado é que hoje 84% das pessoas
no mundo aprovam a marca, que
traz apenas dois círculos entrelaçados,
e reconhecem Mastercard, dona
do conceito ‘Priceless’, criado pela Mc-
Cann e um dos mais bem-sucedidos da
história da propaganda mundial.
Ele destacou que a Mastercard
olha para o mercado e investe em
tudo que é possível fazer para diversificar
o negócio e aproximar o
produto de uma maneira diferente.
“Nós estamos pensando em um plano
que seja totalmente diferente
para o mercado. Abrimos vários restaurantes
pelo mundo. E nós estamos
fazendo coisas loucas, estamos
produzindo música, por exemplo.
Tem várias coisas acontecendo. O
que temos de perguntar é se estamos
nos desafiando.”
O executivo ressaltou que a marca
está tentando encorajar as pessoas
que trabalham na empresa e
também as agências para realmente
começarem a fazer coisas loucas. “E
o principal é que você tem de apreciar
isso. É fácil ridicularizar alguém
que tem uma ideia louca. Mas também
é preciso trazer disciplina e
inspiração, traduzindo os conceitos
para a execução correta. O marketing
precisa guiar o mercado e criar
uma vantagem competitiva muito
sustentável para os negócios. Esse é
o approach”, finalizou ele.
24 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Amy Webb: ‘Será um ano muito
desconfortável. Esteja preparado’
Futurista apresentou o ‘Converge outcome 2026’, um guia para
acelerar e redefinir negócios com base na convergência de tecnologias
Janaina Langsdorff
– de Austin
A
futurista e fundadora do Future
Today Institute, Amy Webb, apresentou
o painel ‘Emerging tech
trend report’ no sábado, dia 14 de março,
terceiro dia do South by Southwest
(SXSW). Ela começou a sessão decretando
a morte dos antigos relatórios
de tendências sobre tecnologia.
Embora muitos documentos tenham
tentado dar sentido ao futuro
dos negócios, tornando os profissionais
mais criativos e eficientes, eles
desconsideravam a convergência de
possibilidades ditadas pela tecnologia,
com “múltiplos ambientes potencializando
um ao outro, redistribuindo
poder e valor”, alerta Amy, que lançou
o ‘Converge outcome 2026’, um guia
para acelerar e redefinir negócios.
“Será um ano muito desconfortável.
Esteja preparado”, avisa.
A convergência analisa múltiplas
tendências, forças, incertezas e catalisadores,
que se cruzam e interagem
para criar uma combinação mais impactante
do que elementos individualmente
estudados. No rastro das
novas tempestades de inovação, está
o que Amy chama de “creative destruction”,
processo no qual novas tecnologias,
negócios e mercados deslocam
modelos já existentes, criando
novos produtos, serviços, métodos
de produção e vendas, trabalhos e
empresas, em detrimento de antigos
sistemas. Ela utilizou o exemplo da
Kodak, atropelada pelo surgimento da
fotografia digital.
“Os relatórios de tendências diziam
‘o que muda hoje’. Já as projeções convergentes
apontam o que será inevitável
amanhã”, compara. Amy aponta
o fenômeno da “living intelligence”,
que emerge quando a inteligência
artificial, os sensores avançados e a
bioengenharia se fundem em um sistema
bidirecional. Os dados fluem dos
sistemas, criando redes adaptativas
que aprendem. “Pela primeira vez na
Amy Webb: “Os relatórios de tendências diziam ‘o que muda hoje’. Já as projeções convergentes apontam o que será inevitável amanhã”
história, alguns humanos serão melhores
que outros. Estamos tentando
navegar por essa tempestade com
confiança”, comenta.
O ‘unlimited labor’ é outra sinalização
endereçada pela era das máquinas
autônomas e agentes de IA.
China e Japão avançam com robôs que
realizam e tomam decisões como humanos.
“A próxima internet não será
feita por você, mas por agentes”. O
uso de sistemas automatizados para
trabalho - em escala, sob demanda e
sem a participação de humanos - deve
remover limites de prazo, atenção e
fadiga. Surge a produção automatizada,
onde fábricas ou operações industriais
totalmente automatizadas
funcionam sem intervenção humana
direta, muitas vezes 24 horas por dia.
É o chamado “lights-out industrial”,
que vem da ideia de que uma planta
fabril pode operar mesmo com as luzes
apagadas.
Amy destaca as características que
“Pela primeira
vez na história,
alguns humanos
serão melhores
que outros”
hoje cercam a conexão humana. Uma
evidência vem do Xiaoice, projeto de
inteligência artificial conversacional
desenvolvido pela Microsoft na China,
lançado em 2014. “Os relacionamentos
se aprofundam na medida em que se
divide momentos pessoais. Quanto
mais alguém compartilha, mais íntimo
se torna o vínculo. A substituição
se torna dependência, que vira controle”,
indica Amy.
Mike Jordan/Divulgação SXSW
A especialista coloca nesse mesmo
pacote o uso crescente do ChatGPT
para abordagens emocionais, muitas
vezes encarado como uma espécie
de terapeuta. Até a religião entra
nesse debate, pois “vivemos em um
mundo louco, cada vez mais online e
sozinhos”. Amy alerta para a criação
do mercado da solidão. “Dependência
se transformou em produto”, adverte.
Amy chama a atenção para o termo
“contribution credit”, sistema
que converte cuidados comprovados,
mentorias e trabalhos comunitários
em valor econômico financiado
pelas instituições e mercados
que dependem desse trabalho, em
vez de impostos. “A empresa mais
valiosa do mundo em 2031 não produzirá
nada. Companhias devem
criar estratégias para novas convergências,
enquanto as pessoas devem
usar a destruição criativa a seu
favor. Se você quer autonomia, tome
iniciativa”, recomenda.
jornal propmark - 23 de março de 2026 25
sxsw
Executivos da NBCUniversal relatam
aspectos da nova era do entretenimento
O chairman do NBCUniversal Media Group comentou que o momento
traz uma grande oportunidade de oferecer experiências ao público
Divulgação SXSW
Andy Cohen e Matt Strauss falaram sobre a influência dos programas de televisão na vida das pessoas e como elas querem participar cada vez mais do universo das séries
Kelly Dores
– de Austin
somos a sociedade mais
conectada na história. Mas,
“Nós
ao mesmo tempo, estamos
desconectados”. Esse paradoxo
fez parte da apresentação de Matt
Strauss, chairman do NBCUniversal
Media Group, da NBCUniversal, durante
painel no South by Southwest 2026,
em Austin, no domingo, dia 15. O executivo
afirmou que a próxima era do
entretenimento não será definida só
pelo que as pessoas assistem, mas
por como participam das histórias.
“A próxima era do entretenimento
não será apenas sobre shows. Será sobre
entrar nos mundos que esses shows
criam”, disse ele. “O streaming de
TV não é suficiente mais. Não porque o
conteúdo não seja ótimo, mas porque
a experiência ao redor do conteúdo
não tem evoluído tão rápido quanto a
vontade dos fãs de participarem das
histórias. Os fãs querem mais.”
Por isso, continuou ele, as pessoas
criam as comunidades de fãs nas redes
sociais para dar continuidade aos
seus shows favoritos. “Quando uma
série acaba, os fãs querem debater.
Não querem simplesmente o fim. Eles
querem ficar naquele mundo.”
O executivo destacou que as franquias
de televisão formam cultura,
formam conversa e, em função disso,
os grupos de mídia devem dar aos fãs
o que eles mais gostam: maneiras diferentes
de se engajar, de participar,
de criar conexão com a história que
eles assistem.
“Estamos vivendo um momento
em que os telespectadores têm acesso
a um conteúdo extraordinário. Não
há melhor hora para estar ao vivo do
que agora. A televisão deve ser fácil,
divertida, personalizada e conectada.”
O chairman do NBCUniversal Media
Group destacou que, quando o grupo
lançou o Peacock (serviço de streaming
da NBCUniversal), em 2020, o
mercado atravessava um momento
difícil em função da mudança no modelo
de negócios da TV linear e, uma
“Quando uma
série acaba, os
fãs não querem
simplesmente
o fim”
vez mais, a plataforma se reinventa
para ampliar a experiência do usuário.
“O Peacock não foi criado para perseguir
outros estúdios. A plataforma
foi criada para reimaginar a televisão,
para expandir o universo da NBC para o
público. Nós criamos uma plataforma
ad-free e agora o foco é direcionado. O
objetivo é criar uma experiência que
ofereça mais formas para o público se
engajar e se manter no universo dos
seus programas favoritos”, ressaltou.
O executivo destacou que os grupos
de mídia que sobreviverão serão
aqueles que oferecerem “recompen-
sas” para o público. Para Strauss, o
momento oferece uma grande oportunidade
de criar experiência para
os fãs. Ele lembrou que o celular é o
aparelho em que as pessoas passam a
maior parte do tempo e, ainda assim,
a maioria das produções é criada para
vídeos no formato horizontal.
“É por isso que o Peacock foi o primeiro
streaming que introduziu vídeo
vertical. E agora estamos expandindo
para incluir vídeo vertical ao vivo e
oferecer uma experiência mais imersiva
para os fãs”, destacou.
O painel também teve a participação
de Andy Cohen, produtor-executivo
da franquia de sucesso ‘The real
housewives’, da NBCUniversal. Entre
outros assuntos, ele falou sobre o impacto
dos programas de televisão na
cultura e como as redes sociais amplificam
a relevância dos shows. “É nas
redes sociais que as conversas continuam,
e elas são responsáveis por
grande parte do impacto das séries.
Elas têm o poder de mudar a opinião
de uma pessoa”, refletiu Cohen.
26 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Henry Coutinho-Mason convida a
produzir futuros colaborativos com IA
Futurista e pesquisador de tendências estuda a migração de processos
arcaicos para um mundo cocriado com a inteligência artificial
Janaina Langsdorff
– de Austin
O
futurista e especialista em tendências
Henry Coutinho-Mason
apresentou a sessão ‘Multiplayer
futures: Co-creating a vision
of SXSW 2030’ na sexta-feira, dia 13 de
março, segundo dia do South by Southwest
(SXSW).
“O único futuro que podemos
fazer é aquele que podemos imaginar”,
diz o especialista reconhecido
por seu trabalho sobre inovação e o
futuro da tecnologia com foco humano.
Henry Coutinho-Mason convida
à reflexão sobre o papel da inteligência
artificial para reimaginar
o futuro do trabalho com empregos
melhores.
O estudioso cita a fintech sueca
Klarna como exemplo de inovação em
experiência do consumidor e novos
modelos de pagamento. A marca ficou
conhecida pela solução “Buy now,
pay later” (BNPL), que funciona como
intermediária entre consumidor e
varejista, oferecendo pagamento parcelado
ou adiado, checkout rápido em
e-commerce e serviços financeiros integrados
ao consumo.
Coutinho-Mason alerta para a automação
do atendimento, mostrando
que substituir humanos por bots pode
prejudicar a experiência do cliente se
a qualidade cair. “A IA é complemento.
Não substituirá as pessoas”, pondera.
Ele menciona ainda as big techs,
IBM, Google, Meta, OpenAI e DeepSeek,
para evidenciar a posição de “grandes
companhias com equipes menores”.
De acordo com ele, a IA deve ser utilizada
para aprimorar as capacidades
individuais das pessoas, endereçando
propósito e motivação para trabalhar
de forma colaborativa.
Já a DeepMind, do Google, mostra
a IA generativa aplicada à descoberta
científica, especialmente na área de
saúde. Pesquisadores usaram sistemas
de inteligência artificial para sugerir
novas hipóteses ou estruturas
Henry Coutinho-Mason em painel no hotel JW Marriott: “Estamos transformando processos medievais em futuros colaborativos”
moleculares que poderiam funcionar
como tratamentos contra o câncer.
Aqui, a inteligência artificial deixa
de apenas analisar dados e passa a
propor soluções testadas e validadas
por cientistas humanos. Antes, a IA
analisava o passado. Agora, ajuda a
inventar o futuro, redefinindo o papel
da tecnologia na pesquisa. “Não se
trata de automação total, mas de ser
bom o suficiente para compartilhar e
discutir”, comenta Coutinho-Mason.
Para além dos pilares de saúde,
ciência e inovação, emerge também
o papel da IA como cocriadora da criatividade.
Essa nova dinâmica de inovação
impulsionada por IA é ilustrada
pela PostVisit.ai, plataforma de cuidado
ao paciente construída em apenas
“A IA é o
amplificador.
Os humanos
são o sinal”
sete dias pelo cardiologista Michał
Nedoszytko durante um hackathon
organizado pela Anthropic, empresa
de pesquisa em inteligência artificial.
O app ajuda os pacientes a revisar
orientações muitas vezes esquecidas
após as consultas.
A IA se transforma em ferramenta
de cocriação para especialistas das
mais diversas áreas, incluindo a pu-
Divulgação
blicidade. Do briefing ao brainstorm,
hoje o processo com IA é capaz de
gerar dezenas de conceitos de campanha
em minutos, transformar uma
ideia em imagem ou storyboard rapidamente
e testar slogans, roteiros
ou layouts antes de investir na produção.
“A IA é o amplificador. Os humanos
são o sinal”, define Henry Coutinho-
-Mason. “Estamos transformando processos
medievais em futuros colaborativos”,
observa.
Henry Coutinho-Mason é autor de
‘Trend-driven innovation’ e coautor
do livro ‘The future normal’ com Rohit
Bhargava, também headliner do SXSW
e especialista em marketing, inovação
e tendências, e fundador da The
Non-Obvious Company.
jornal propmark - 23 de março de 2026 27
sxsw
Serena Williams disse que as pessoas só
realmente fracassam se não tentarem
Ex-tenista e fundadora do Serena Ventures falou que empreendedores
constroem sucesso com falhas e é assim que nos mantemos resilientes
Kelly Dores
– de Austin
Serena Williams: “Ninguém gosta de perder, mas é importante para aprender porque algo não funcionou em determinada direção”
Uma das maiores tenistas de todos
os tempos, vencedora de 23
títulos do Grand Slam, Serena
Williams participou do painel ‘Breaking
barriers, building solutions: meet
the changemakers transforming
health innovation’, no dia 13 de março,
durante o South by Southwest (SXSW),
realizado em Austin, no Texas. Fundadora
do Serena Ventures, ela falou
sobre investimentos que faz para ajudar
a melhorar a vida de grupos sub-
-representados e na área de saúde.
O painel foi mediado por Catherine
Casey Nanda, co-founder do Acumen
America, dedicado a trazer soluções
inovadoras para erradicar a pobreza,
com quem Serena tem iniciativas em
conjunto. Catherine começou a apresentação
dizendo que a equidade de
saúde é um conceito muito simples
e que o background das pessoas não
deveria determinar a qualidade de
saúde que se recebe.
“Mas a realidade nos Estados Unidos
hoje é que o seu CEP determina
mais a sua expectativa de vida do
que seu código genético. Então, dependendo
de onde você mora, haverá
uma diferença de expectativa de vida
de quase 20 anos por causa de acessos
diferentes a médicos, comida,
educação e outros recursos.”
Serena destacou que o que mais
gosta de fazer atualmente é investir.
“Eu estou investindo há mais de 15
anos. Nós fazemos um monte de investimentos
em fundações de grupos
sub-representados, em startups de
mulheres e em empresas que representam
a diversidade. Investimos em
grandes fundadores e grandes pessoas”,
disse a ex-tenista.
Questionada sobre qual conselho
daria para encorajar empreendedores,
Serena ressaltou que não acredita
em fracasso entre as pessoas que
querem empreender. “Se não funcionar
de um jeito, tente de outro. Só realmente
fracassamos se não tentarmos.
Ninguém gosta de perder, mas
é importante para aprender por que
algo não funcionou em determinada
direção. É fundamental mudar a percepção.
Se eu falhei, a ideia é pensar
em como fazer melhor da próxima vez.
Você constrói sucesso com falhas. E é
assim que nos mantemos resilientes,
positivos”, afirmou ela.
Sobre ouvir ‘nãos’, Serena disse que
“todo mundo ouve nãos o tempo todo”
e enfatizou: “Você tem de estar preparado
para ouvir não”. Indagada sobre
qual conselho daria para mulheres
que querem começar o próprio negócio,
Serena disse para que não escutem
ruídos. “Simplesmente bloqueie-
-os. Pessoas que fazem isso tentam,
na verdade, te puxar para baixo.”
A ex-tenista destacou também o
“Todo mundo
ouve nãos. Você
tem de estar
preparado para
ouvir não”
Amanda Stronza/Divulgação SXSW
poder do storytelling. Segundo ela, a
maneira como um empreendedor conta
a sua história é superimportante
para atrair investimentos. “Os empreendedores
precisam ser capazes de
contar sua história de maneira interessante.
Eu quero sentir uma empolgação
da parte deles”.
Participaram ainda do painel Ryan
Dullea, chief category growth officer
da Reckitt, que falou sobre o Reckitt
Catalyst, programa global de impacto
social da multinacional focado em financiar
e mentorar empreendedores
sociais; Mika Eddy, co-founder da Malama
Health, empresa tech com soluções
para ajudar mulheres durante a
maternidade e no pós-parto; e Kwamane
Liddell, founder da ThriveLink,
que usa agentes de IA para expandir
o acesso à saúde.
28 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Amy Gallo ensina a ter conversas
difíceis no ambiente de trabalho
Especialista alerta para a importância de transparência, clareza e
honestidade em avaliações de performance profissional nas empresas
Janaina Langsdorff
– de Austin
A
especialista em dinâmicas no
ambiente de trabalho, Amy
Gallo, comandou o painel ‘Why
work feels so unfair and how hard conversations
help’ na tarde de sábado,
dia 14 de março, terceiro dia do South
by Southwest (SXSW). Percepções
injustas levam a conversas difíceis. É
preciso analisar o que faz as pessoas
recuarem. Abordar pontos sensíveis
é um desafio. Medo, insegurança ou
ansiedade podem ser danosos para as
relações. “Quando não encaramos momentos
controversos criamos vácuos
para visões distorcidas”, aponta Amy.
Para além de capacidades técnicas
ligadas à função do profissional,
a pressão sofrida por lideranças
adiciona mais uma competência à
agenda. “Se as chefias não tiverem
segurança psicológica, como vão ter
cuidado emocional com as suas equipes?”,
questiona Amy. Preparação e
treinamento para assumir riscos são
imprescindíveis. “Todos têm um papel.
É preciso cocriar cultura. Conversas difíceis
pressupõem conexões”, diz.
Uma das recomendações elencadas
por Amy é “mude a sua definição
de sucesso e fracasso. Há muito esforço
aplicado às tentativas de apaziguar
conflitos, e incômodos são crescentes.
Não é possível controlar reações.
Aceite que em algum momento você
pode falhar”, comenta.
Os feedbacks demandam atenção.
Identificar a situação, observar o comportamento,
entender a intenção e
medir o impacto da interação ajudam
a assegurar clareza, objetividade e honestidade
ao falar sobre a performance
de um profissional. “A pessoa precisa
entender o motivo pelo qual está recebendo
uma determinada avaliação.
Pode ser que precise entender o seu
papel na empresa, porque está prestes
a ganhar uma promoção ou porque
precisa mudar algo. Mas não distorça a
realidade, mesmo por bondade”, avisa.
Amy Gallo em sessão no hotel JW Marriott: “Incômodos são crescentes. Aceite que em algum momento você pode falhar”
Transparência é imperativa para
ancorar as consequências das decisões
tomadas. Contribui para reduzir
ambiguidades e informações equivocadas,
facilitando a aceitação dos
apontamentos. “Assuma que o que
você diz é menos transparente do que
você imagina, e que está tendo uma
conversa difícil”, adverte.
Aprimorar o controle emocional
também entra na fórmula para garantir
relacionamentos sadios. Amy
propõe tomar distância da situação,
agindo como um observador externo,
a fim de reduzir reações impulsivas;
exercitar “time travel” para tirar
lições de experiências passadas; e
reinterpretar situações a partir de
perspectivas diferentes.
Praticar conversas difíceis pode
encorajar as pessoas a expressarem
opiniões de forma respeitosa. “Pode
ser com amigos ou até no chuveiro”,
“Conversas
difíceis
pressupõem
conexões”
Jason Bollenbacher/Divulgação SXSW
brinca Amy. “Mostre-se receptivo ao
feedback”, emenda. Ela enumera algumas
frases úteis para aliviar tensões:
“Obrigado, vou refletir sobre isso”;
“Isso não deve ter sido fácil de me falar,
mas estou feliz por você ter dito”;
“Quero ter certeza de que entendi. O
que mais devo considerar?”; e “Há algo
que você gostaria de dizer, mas não
sabe como vou reagir?”. Ela ensina um
truque: “Em vez de feedback, peça um
conselho. É mais fácil para obter uma
resposta”, afirma.
A inteligência artificial acrescenta
camadas de dificuldade. Pode minar
ou corroer a confiança, priorizar eficiência
e velocidade, perder a cordialidade
e falhar ao construir relacionamentos.
Para além das artimanhas
da tecnologia, fica a certeza de que é
preciso “reconhecer a complexidade
de uma situação em vez de evitá-la”,
conclui Amy.
jornal propmark - 23 de março de 2026 29
sxsw
Greg Greenberg aconselha os criativos a
confiarem em seus instintos e emoções
O diretor-executivo de criação da TBWA Media Arts Lab destacou que
craft é sobre escolhas humanas, independentemente da tecnologia
Kelly Dores
– de Austin
Greg Greenberg: “Desafio as pessoas a seguirem os seus instintos, ‘sujarem as suas mãos’ e confiarem no seu coração”
Greg Greenberg, diretor-executivo
de criação da TBWA Media
Arts Lab, agência exclusiva da
Apple, falou sobre a importância das
pessoas durante o painel ‘Craft still
wins: the irreplaceable role of human
instinct, taste, and emotion’, no South
by Southwest (SXSW), realizado na
semana passada em Austin, no Texas.
Ele começou a apresentação mostrando
para a plateia a seguinte frase
de Steve Jobs (fundador da Apple):
“Tecnologia não é nada. O importante
é você ter fé nas pessoas, que são basicamente
boas e espertas – e, se você
der a elas ferramentas, elas farão
coisas maravilhosas”.
Para Greenberg, essas palavras
têm ainda mais significado nos dias
de hoje. Segundo o criativo, trata-se
de uma crença na humanidade. “É
uma crença em nossos gostos pessoais,
em nossos instintos, em nossas
emoções. E, quando você tem o
cuidado e a arte em expressar essas
coisas de uma forma humana, isso
ressoa nas pessoas. A palavra desta
palestra é pessoas.”
Ele reforçou que, independentemente
de onde a tecnologia nos leve,
é necessário acreditar nos nossos
instintos, ressaltando que criação é
sobre as escolhas que fazemos com
a mente, com as mãos e com o coração.
“Não importa onde a tecnologia
nos leva, eu acredito que essas regras
são o que sempre vamos precisar para
criar um trabalho que faça as pessoas
rir, chorar e se surpreender”, pontuou.
O diretor-executivo de criação da
TBWA Media Arts Lab destacou que o
trabalho da agência é guiado por essa
fé nas pessoas, na humanidade, nos
seus gostos, no seu humor, instintos
e qualidades humanas que despertem
o interesse dos consumidores, que os
façam sentir algo. “O craft é realmente
sobre escolhas.”
Segundo ele, foi em função do instinto
do time criativo que a Apple apareceu
na CES, em 2019, com um billboard
nas ruas de Las Vegas, abordando
o tema privacidade com os seguintes
dizeres: ‘What happens on your iPhone,
stays on your iPhone’. Uma peça
que viralizou sem a marca estar necessariamente
presente na feira de
eletrônicos. “Nossos instintos nos disseram
que o contexto, a localização e
a execução iriam provocar um grande
impacto”, disse Greenberg.
O criativo mostrou diversas campanhas
criadas pela agência para a
Apple, como o curta-metragem ‘Someday’
(lançado em 2025), dirigido por
Spike Jonze para promover os AirPods
4 e estrelado por Pedro Pascal, que
protagoniza uma dança contagiante.
“Nosso trabalho é
guiado pela fé nas
pessoas, nos seus
gostos, instintos
e qualidades
humanas”
Nick Piacente/Divulgação SXSW
“Nessa ideia, a arte, a criação, está
em todos os lugares. É realmente divertido,
uma coreografia mágica. Quando
você assiste à coreografia e vê o
Pedro dançar, sente a música, sente o
que é ouvir uma música pelos AirPods.
As pessoas choram, sorriem, sentem
todas as emoções ao mesmo tempo.”
O diretor-executivo de criação da
TBWA Media Arts Lab finalizou o painel
afirmando que a tecnologia deve
ser usada para o progresso, a criação
de filmes, músicas e coisas bonitas, e
que o craft humano afeta as pessoas
de uma forma profunda e traz impacto
verdadeiro para os negócios. “Por
isso, desafio as pessoas a seguirem os
seus instintos, ‘sujarem as suas mãos’
e confiarem no seu coração”.
30 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Kasley Killam avisa que ‘2026 é o ano
do analógico’ nas conexões humanas
Especialista aborda a necessidade de iniciativas capazes de fortalecer
não só a saúde física e mental, mas também o bem-estar social
Janaina Langsdorff
– de Austin
A
cientista social Kasley Killam,
que estuda conexões humanas,
conduziu o painel ‘Social health
trends and predictions: Connection
is the new frontier’, apresentado na
quinta-feira, dia 12 de março, primeiro
dia do South by Southwest (SXSW).
Fundadora da organização sem
fins lucrativos Social Health Labs, dedicada
a fortalecer comunidades e
combater a solidão, Kasley coloca a
saúde social como o terceiro eixo do
bem-estar humano. “A saúde não é
só física e mental. É também social”,
defende a autora do livro ‘The art and
science of connection: Why social health
is the missing key to living longer,
healthier, and happier’.
Desafio de governos e empresas
em todo o mundo, a construção de conexões
genuínas depende do senso de
comunidade e da qualidade dos relacionamentos
- chamado “social prescribing”,
uma das principais tendências
apontadas para 2026. “Não adianta
ter pessoas ao redor se você não
tem elos fortes”, diz Kasley, que alerta
para a epidemia da solidão - agravada
pelo excesso de telas. O tema foi tratado
também no SXSW de 2025.
“As pessoas socializam cada vez
menos e as famílias não se sentam
mais à mesa juntas para as refeições.
Cerca de 16% dos norte-americanos se
sentem solitários. Globalmente, a proporção
é de uma a cada seis pessoas.
Uma média de 8% não possui amigos
próximos”, situa a estudiosa. Segundo
Kasley, até as buscas no Google denunciam
a fragilidade e a insegurança
ao se tentar interagir fisicamente
com outras pessoas. “Como fazer amigos”
e “Onde encontrar pessoas” são
exemplos de perguntas frequentes.
A especialista elenca alguns ambientes
que podem contribuir para
elevar a conscientização sobre a
saúde social. Gerações solitárias podem
ter a escola como espaço capaz
Kasley Killam em sessão do SXSW 2026 apresentada no hotel Hilton: “Vamos exercitar os nossos músculos sociais”
de mudar o curso das interações humanas.
Já as empresas devem investir
em programas para aumentar o
engajamento das equipes. O papel
das big techs é controverso. “Vemos
países banindo as redes sociais para
menores de 16 anos. Cerca de 49% da
geração Z já desenvolve uma relação
emocional com a inteligência artificial
e 37% se vê apaixonada pela companhia
da IA”, adverte Kasley.
Das comunidades, surge o exemplo
dos “super neighborhoods”, de
Paris, movimento comunitário criado
por moradores de um bairro da capital
francesa. Antes distantes, eles
passaram a adotar uma convivência
compartilhada, evidenciando uma das
mais prementes inovações em saúde
“Não adianta
ter pessoas
ao redor se você
não tem elos
fortes”
Divulgação
social. “2026 é o ano do analógico.
Cerca de 29% das pessoas estão ativamente
fazendo mais amigos neste
ano do que em 2025”, conta Kasley.
Segundo ela, o setor de saúde mental
já ultrapassa US$ 380 bilhões e deve
alcançar US$ 530 bilhões até 2030, sugerindo
que o campo emergente de
social health pode seguir trajetória
semelhante. “Acredito que as pessoas
podem ser amadas. Devemos liderar a
saúde social com compaixão e integridade”,
recomenda. “Vamos exercitar
os nossos músculos sociais”, emenda.
A especialista deixa também alertas.
“O sinal amarelo acende quando a IA
suplementa as conexões humanas. Já
o vermelho sinaliza a substituição de
relacionamentos”, avisa.
jornal propmark - 23 de março de 2026 31
CONFIRA
Sem título
https://qrfy.io/r/fJhbeyio_a
Sem título
https://qrfy.io/r/fJhbeyio_a
+
sxsw
Mahmoud Khalil alerta para efeitos da
censura sobre a liberdade de expressão
Ativista palestino condena atos violentos e preserva a consistência de
valores e princípios de justiça em um mundo “exausto e apreensivo”
Janaina Langsdorff
– de Austin
O
ativista palestino Mahmoud
Khalil participou do painel ‘The
guardian in conversation with
Mahmoud Khalil on the cost of dissent’
no domingo, dia 15 de março,
quarto dia do South by Southwest
(SXSW). Betsy Reed, editora do The
Guardian nos EUA, e Baher Azmy, diretor
jurídico do Center for Constitutional
Rights, também integraram a
conferência, que abordou “as consequências
de se expressar opiniões”,
diz Greg Rosenbaum, vice-presidente
sênior de programação do SXSW, que
abriu a palestra.
Em 2024, Mahmoud Khalil foi um
dos negociadores e porta-vozes dos
acampamentos estudantis pró-Palestina
- conhecidos como Gaza Solidarity
Encampment -, organizados na Columbia
University, em Nova York, durante
a guerra em Gaza. A reivindicação
era para que a instituição cortasse
investimentos de empresas ligadas
ao governo israelense. Detido em seu
apartamento em Manhattan por autoridades
de imigração dos EUA (ICE) em
8 de março de 2025, Khalil foi liberado
após um juiz federal considerar a sua
prisão inconstitucional. Ele foi mantido
sob custódia por cerca de cem dias
em uma instalação na Louisiana.
O caso gerou debates sobre liberdade
de expressão, protestos universitários
e imigração, com apoio
público de políticos e organizações de
direitos civis. “Sei que não cometi nenhum
crime. Universidades deveriam
ser locais para pensamentos livres”,
declara Khalil.
Ele perdeu o contato com familiares
e não pôde entrar em contato com
advogados. A perseguição e a intimidação
aos estudantes de origem palestina
aumentaram a tensão agravada
por mais detenções e deportações.
“No início, pensei que fosse um mal-
-entendido, depois pediram revisão
do meu caso. Fui de Nova York para
Betsy Reed, editora do The Guardian nos EUA, Mahmoud Khalil e Baher Azmy, diretor jurídico do Center for Constitutional Rights
Louisiana, Texas, e de volta a Nova
York”, lembra. “Nunca imaginei injustiças.
Daqui a 20 anos vou olhar para
trás e continuarei tendo a certeza de
que isso era mesmo o que eu tinha de
fazer”, emenda.
Khalil compartilhou dependências
do centro em Louisiana com mais de
70 pessoas, “muitas chorando, e sem
conseguir se manifestar”. O medo era
o sentimento mais presente. “Podia
não ter dito nada e alimentar esperanças,
mas senti que tinha um propósito,
tinha de falar”, afirma Khalil.
Justiça, dignidade e segurança são
os clamores vindos dos movimentos
estudantis coordenados com a participação
de Khalil. Ele defende os
princípios da justiça e respeito à vida
humana e acredita na chamada collective
liberation, onde a liberdade de
um grupo está ligada à emancipação
de todos. Khalil condena atos violentos
e preserva a consistência de valores
em um mundo “exausto e apreensivo”.
Mantém ainda postura firme
diante de tentativas de distorções.
“O primeiro
aprendizado é
sobre os nossos
direitos”
Amanda Stronza/Divulgação SXSW
Segundo ele, a sua prisão e tentativa
de deportação estariam sendo
usadas para desencorajar outros estudantes
estrangeiros a participar de
protestos pró-Palestina nos EUA. “Não
quero virar alvo político”, pontua. Ele
teve o apoio de entidades como American
Civil Liberties Union (ACLU), que
luta para assegurar os direitos civis
e liberdades individuais dos Estados
Unidos, e Center for Constitutional
Rights (CCR). “O primeiro aprendizado
é sobre os nossos direitos”, sustenta.
O caso de Khalil ajudou a direcionar
mudanças na opinião pública a respeito
da política de imigração hoje em
vigor nos Estados Unidos. Para ele, o
poder coletivo é capaz de criar consciência
política. Não importa a religião
ou origem da pessoa, e sim a sua dignidade.
“Sei o que é viver sem liberdade
para se manifestar. Nasci e vivi na
Síria por 18 anos”. Ele demonstra preocupação
com os recursos hoje captados
por taxas econômicas que podem
financiar uma guerra que mata “meu
próprio povo”.
34 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Para Rohit Bhargava, as conexões
humanas são o que realmente importa
Kelly Dores
– de Austin
“As pessoas que entendem
outras sempre vencem”.
“Seja um ouvinte melhor”.
“Mostre-se mais”. “Conexões humanas
nos fazem mais felizes e melhores”.
“Seja mais acessível”. Foram conselhos
como esses que Rohit Bhargava,
fundador e chief trend curator da
Non-obvious Company, destacou em
seu painel ‘5 non-obvious secrets of
human connect (for love & profit)’.
O autor do best-seller ‘Non-obvious
megatrends’ ressaltou em sua apresentação
no South by Southwest
2026 que, por mais que as pessoas
busquem respostas sobre o que a tecnologia
nos reserva, o que realmente
importa são as conexões humanas.
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
“Quanto mais tecnologia temos,
menos sabemos o que fazer. Estamos
todos sofrendo, mas são as conexões
humanas que nos fazem mais felizes,
melhores”, ponderou Bhargava. Autor
de várias obras, ele lança em outubro
o livro ‘Future words’, com palavras
que ainda não existem, mas “que provavelmente
serão inventadas”, como:
angorithm; credentropy; riftmonger;
sloptimism e shallowing. “O nosso objetivo
com este livro é ter todas essas
palavras descritas em uma situação
moderna, de uma forma simplificada.
Isso é uma coisa realmente interessante
para fazer, de pensar sobre o
futuro”, disse ele.
O futurista lembrou que tem muita
gente buscando amizade com a inteligência
artificial no lugar de pessoas.
“Vocês precisam se conectar com mais
pessoas e não com a IA para ter uma
vida melhor. Busque abraçar mais o
outro. Isso é muito poderoso. As pessoas
se sentem conectadas com outras
que abordam assuntos difíceis,
que não necessariamente querem falar”,
aconselhou Bhargava. Outra dica
é que todos precisam interagir com
intenção para aproveitar as oportunidades.
“Crie conexões verdadeiras.
Tenha intenção e propósito quando se
dispuser a fazer algo. E eu não estou
falando de dinheiro. Estou falando de
tempo. Invista no seu tempo de maneira
que tenha o melhor resultado.”
Para Bhargava, as pessoas também
precisam controlar situações de desespero.
Segundo ele, nada de bom acontece
em momentos de desespero. “Existem
momentos em nossas vidas em
que todos nós vamos sentir desespero.
Chris Saucedo/Divulgação SXSW
Rohit Bhargava: “Crie conexões verdadeiras”
Mas, quando você deixa o desespero tomar
conta, é muito pouco provável que
boas coisas aconteçam. A mesma coisa
com o trabalho, você não quer contratar
alguém que está desesperado para fazer
qualquer trabalho”, frisou.
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jornal propmark - 23 de março de 2026 35
sxsw
Inteligência artificial é colocada
a serviço de conexões humanas
CMOs da Samsung e Lyft falam sobre o uso de IA para reescrever
códigos de interação entre as pessoas e humanizar a tecnologia
Janaina Langsdorff
– de Austin
É
possível reescrever regras de
conexão humana com IA? Ou essa
ainda é uma conversa olho no
olho? “Apesar de tanto falarmos em
tecnologia e inteligência artificial, o
debate envolvendo questões humanas
está em todo lugar, e as marcas
devem acompanhar e aprender com
as possibilidades abertas”, responde
Allison Stransky, diretora de marketing
da Samsung Electronics América,
no painel ‘How CMOs are rewriting
the rules of connection’, realizado na
quarta-feira, dia 18 de março, sétimo
e último dia do South by Southwest
(SXSW) 2026.
Marty Swant, repórter da Fast Company,
mediou a apresentação, que
ainda teve a presença de Brian Irving,
CMO da plataforma de mobilidade
Lyft. No lugar de especificações técnicas,
Allison imprime ao marketing
da Samsung uma estratégia centrada
no ser humano para potencializar a
autenticidade e a empatia da marca.
A humanização da tecnologia ocorre
por meio da promoção de conexões
emocionais, posicionando os aparelhos
da marca como aliados das pessoas
- direcionamento cunhado sob o
conceito “companion to AI living”. “É
um momento empolgante para aprender,
por mais difícil que possa parecer,
com tudo acontecendo ao mesmo
tempo”, acrescenta.
Para Brian, o desafio é estabelecer
um espaço para experimentar sem
cobranças por produtividade. “Não
se trata do mundo perfeito, mas de
navegar de forma segura”, indica. Segundo
Brian, a cada dólar investido, é
necessário o dobro em treinamento.
“Exploramos IA, mas sempre avaliamos
as melhores soluções para garantir
a conexão humana com a marca.
Precisamos entender as interações”,
comenta Allison.
Ambos concordam que o acesso à
IA aprimora a criatividade aplicada ao
Marty Swant, Allison Stransky e Brian Irving em painel no hotel Hilton: fortalecer a confiança das marcas diante de mudanças
trabalho de marketing, endereçando a
personalização às campanhas a partir
de dados protegidos. Eles acreditam
em mudanças na mensuração. “Há
oportunidades surgindo”, aponta Allison.
Já Irving lembra que “não adianta
inventar novos indicadores, é preciso
entender os parâmetros que virão”.
O executivo percebe que a IA reinventa
processos ao longo de toda a
cadeia de marketing e na gestão das
empresas. Para além de eficiência, a
busca é por “mais relevância”, ressalta.
Lyft e Samsung utilizam a inteligência
artificial do Google, o Gemini,
para apoiar a construção integrada de
estratégias e o plano de crescimento
das companhias. “Não tomamos decisões
em silos”, observa Allison.
“É um momento
empolgante
para aprender”
Divulgação
A executiva testemunha a utilização
cada vez maior de IA em ideias
submetidas ao programa ‘Solve for tomorrow’,
voltado a iniciativas sociais.
“Nos últimos anos, a IA foi incorporada
a muitas soluções sugeridas por
estudantes, que são apoiados pelos
engenheiros da Samsung. Estamos
ajudando a criar gerações responsáveis”,
conta Allison.
A revolução à frente não assusta.
“Na verdade, me sinto desafiada a fortalecer
a confiança da marca diante
de tantas transformações”, admite
Allison. Brian adverte para a “responsabilidade
em se cocriar conteúdo de
qualidade”. Eles reconhecem que a
parceria com as agências de publicidade
é indispensável.
36 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Jamie Lee Curtis fala sobre relações e da
importância de as pessoas se ajudarem
Atriz destacou que IA não proporciona uma conexão real e disse
estar feliz pelo fato de a indústria dar mais espaço para as mulheres
Kelly Dores
– de Austin
Jamie Lee Curtis: “Nós precisamos um do outro e estamos vivendo em uma sociedade que diz o contrário”
Vencedora do Oscar de melhor
atriz coadjuvante em 2023
com o filme ‘Tudo em todo o
lugar ao mesmo tempo’, Jamie Lee
Curtis participou no dia 14 de um painel
no South by Southwest 2026, em
Austin, relembrando a sua carreira e
falando sobre a nova fase de sua vida
como produtora, por meio do seu
selo Comet Pictures.
Em sua apresentação ‘Jamie Lee
Curtis. If not now, when, if not me,
who? Pivoting and manifesting!’,
mediada pelo editor sênior da
Newsweek H. Alan Scott, a atriz e
produtora deixou várias mensagens
sob uma perspectiva humanista. Ela
começou a conversa citando o livro
‘Special topics in calamit physics’,
que fala sobre como imaginamos
que a nossa vida será e aborda como
um momento, por alguns segundos,
pode determinar tudo.
‘Tudo em todo o lugar ao mesmo
tempo’ foi esse momento em minha
vida. Nós filmamos em janeiro de
2020, um pouco antes de a Covid começar.
Filmamos tudo de uma vez, em
um prédio abandonado, em 38 dias.
Não havia trailer para trocarmos de
roupas, por exemplo. Eu nunca imaginei
que aquele filme estranho teria o
impacto que teve.”
Jamie recordou que o elenco esteve
no SXSW em 2022 para divulgar o
longa-metragem quando todos ainda
estavam com medo e assustados
por causa da Covid. “É um filme sobre
amor, humanidade, família e a confusão
do mundo. Tudo encapsulado”,
ressaltou ela.
A atriz destacou que tudo é sobre
o amor. “Eu não estaria aqui se vocês
não amassem filmes e vocês não
estariam aqui se eu não amasse fazer
cinema. É uma arte colaborativa.
Eu amo as pessoas e eu amo contar
histórias.”
Jamie falou que sempre teve interesse
em projetos e só agora conseguiu
lançar a própria produtora e ver o
nome dela (Comet Pictures) nos créditos
de séries como ‘Scarpetta’, lançada
na Prime Video, e estrelada por Nicole
Kidman e pela própria Jamie Lee
Curtis. “A série é sucesso na Amazon
em todo o mundo e eu não estava planejando
fazer um show de televisão. É
um trabalho que envolve muita gente,
uma grande equipe de escritores.”
Ela disse estar muito feliz pelo
fato de o mercado estar dando mais
espaço para mulheres e diretoras de
cinema em uma época em que o presidente
dos Estados Unidos, Donald
Trump, está tentando apagar palavras
como diversidade e inclusão. E destacou
a importância de as pessoas se
“IA não se importa
com você. Não
é real”
ajudarem, conviverem em sociedade,
ressaltando que a IA não faz parte
dessa realidade.
“Nós precisamos um do outro e estamos
vivendo em uma sociedade que
diz o contrário. Estamos em uma sociedade
que fala que podemos depender
da tecnologia. Eu não quero constranger
ninguém, mas levanta a mão
Errich Petersen/Divulgação SXSW
quem teve uma interação com a IA e
sentiu que foi real. IA não se importa
com você. Não é real. Eu costumo dizer
o seguinte: viva com sabedoria e com
amor. Eu não sou uma pessoa religiosa,
mas acredito em Deus”, declarou.
Jamie finalizou o painel dando o
exemplo da princesa Diana, de como
ela foi uma pessoa que valorizou o ser
humano. “Lembro do dia em que ela
se aproximou e tocou um homem que
tinha aids numa época em que ninguém
fazia isso. Então, eu pensei: ela
viveu de uma forma mais inteligente.
E depois pensei: ela morreu bem. E comecei
a aplicar o exemplo dela na minha
vida. Nós somos seres humanos e
cada um tem a capacidade de manifestar
o próprio destino”, concluiu.
jornal propmark - 23 de março de 2026 37
sxsw
Cheryl Miller traz reflexão sobre o poder
de histórias reais para impactar negócios
A documentarista citou a campanha ‘Tormenta’, criada pela AlmapBBDO
para O Boticário, para exemplificar como uma marca pode ser humana
Kelly Dores
– de Austin
podemos ser aceitos por
quem somos, se não sabemos
“Como
quem realmente somos? Esse
é um paradoxo que a maioria das
pessoas vive. É a nossa necessidade
emocional mais profunda”. A documentarista
Cheryl Miller Houser, fundadora
da Creative Breed, trouxe essa
reflexão para o seu painel no South by
Southwest (SXSW).
Na sessão ‘Human-centered
storytelling: Create connection &
community’, Cheryl apresentou três
princípios que considera fundamentais
para as marcas criarem histórias
que conectem as pessoas. São eles:
‘Saiba quem você é e em que acredita’;
‘Seja humano. Seja real’; e ‘Abrace
profundamente quem você é’.
Para ela, toda empresa precisa
criar confiança, lealdade e relevância
dentro das comunidades em que se
inserem. “Quando você sabe quem é
e no que acredita, precisa expressar
isso completamente, seja como uma
empresa, um líder ou como indivíduo.
Você precisa ser humano e se tornar
real”, disse ela.
A executiva citou marcas com narrativas
que são exemplos de como
esses princípios foram bem aplicados.
Entre elas, o curta-metragem brasileiro
‘Tormenta’, lançado para a campanha
de Dia das Mães de O Boticário, em
2024, e desenvolvido pela AlmapBBDO.
Cheryl avalia que marcas podem
parecer humanas e reais contando
histórias que refletem as vidas dos
seus clientes. Segundo ela, isso pode
parecer óbvio, talvez simples, mas
poucas empresas realmente fazem
isso por medo e desconfiança.
Antes de apresentar o filme de O
Boticário, a documentarista pediu que
os brasileiros na plateia se manifestassem
porque queria ouvir um pouco
do espírito brasileiro. Para ela, a campanha
que mostra as dificuldades de
uma mãe no relacionamento com o
Cheryl Miller Houser: “Em todas as nossas relações, se queremos que a pessoa nos compreenda, precisamos entendê-la”
filho adolescente foi muito corajosa
por tocar nesse tema que poucas marcas
abordam, embora pesquisas como
da Harvard mostrem que esta é uma
época muito turbulenta para as mães.
Para Cheryl, o mais incrível é que
O Boticário tenha tido a sensibilidade
de lançar uma campanha para tratar
desse conflito no Dia das Mães enquanto
a maioria das marcas foca em
seus produtos ou nos dá uma visão
idealizada do que é ser mãe.
“Eu concordo totalmente com a
marca. O amor do seu filho não está
quebrado. Quando a tormenta passa,
o amor sobrevive. Com esse filme,
O Boticário está ajudando as mães
e os filhos a perceberem que não
estão sozinhos em suas emoções e
experiências, além de forjar conexão,
comunidade e pertencimento entre
seus clientes.”
A documentarista destacou que
“Conheça quem
você é e em
que acredita.
Seja humano.
Seja real”
importa muito o que as marcas e os
líderes falam, mas importa ainda mais
a maneira como dizem. “Em todas as
nossas relações, se queremos que a
pessoa com quem falamos escute e
nos compreenda, precisamos entendê-la”,
pontuou.
Cheryl lembrou que as pessoas
precisam ser verdadeiras consigo
mesmas e citou uma fras do médico
Divulgação
especialista em cuidados paliativos
Zack Bush, que afirma que, no fim da
vida, ele ouve quase sempre que as
pessoas estavam com medo de serem
elas mesmas porque precisavam
da aprovação de outras pessoas. “Não
vamos esperar até o fim de nossas
vidas para definir quem somos para
agradar às expectativas de outros.”
A documentarista encerrou o
painel ressaltando que, quando as
marcas contam histórias honestas e
se mostram humanas, é possível iluminar
o caminho de outros. “Por isso,
siga esses três princípios básicos que
mostrei hoje. Conheça quem você é e
em que acredita. Seja humano. Seja
real. E se abrace completamente e
profundamente. Eu lhes desafio a serem
guiados por compaixão e amor
por si mesmos e por outros. Como
disse O Boticário, ‘onde há amor, há
beleza’”, encorajou Cheryl.
38 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Ian Beacraft: ‘Execução não é mais
diferencial competitivo, virou commodity’
Futurista especializado em IA no ambiente de trabalho propõe a
redefinição do ecossistema, agora pautado pela inteligência artificial
Janaina Langsdorff
– de Austin
Headliner veterano do South
by Southwest (SXSW), Ian Beacraft,
CEO da consultoria Signal
e Cipher, comandou o painel ‘How to
design a company that AI can’t outpace’
na segunda-feira, dia 16 de março,
quinto dia do festival.
“Tudo muda muito rápido. Ainda
trabalhamos do mesmo jeito, só que
melhor e de um jeito muito mais veloz.
Treinar é a ferramenta básica”, diz o
futurista, que propõe a redefinição do
ecossistema de trabalho, pautado pela
inteligência artificial. O seu campo de
estudo é conhecido por testar tecnologias
emergentes antes mesmo que
elas se popularizem, traduzindo o seu
impacto para a estrutura das empresas
e a produtividade humana. “Enxergar
a IA apenas como uma ferramenta
pode cegar o seu potencial”, analisa.
A recomendação é utilizar IA como
uma espécie de colaborador capaz de
reescrever o sistema de operação e o
modelo de trabalho das companhias.
“Existe uma diferença entre ‘temos
mais de cem agentes’ e ‘agentes são
onde o trabalho acontece agora’”, diz.
Segundo ele, quando os esforços se
voltam para a obtenção de ferramentas,
“você apenas otimiza o passado”.
Mas se entende que “o trabalho acontece
nos agentes, estará redesenhando
o futuro da sua profissão”.
Para ele, as organizações são hoje
moldadas pela física do trabalho humano
- limitadas por tempo, comunicação
e habilidades. “Cada estrutura
na sua empresa é uma resposta a
essas limitações. Se você automatizar
os processos, mas mantiver as velhas
estruturas, terá uma empresa rápida,
mas ainda engessada”, explica. Times
enxutos impulsionados por inteligência
artificial podem alcançar um
desempenho que antes exigia uma
força de trabalho de centenas de funcionários,
além de investimento em
especialistas. Aprendizagem contínua
Ian Beacraft: “O valor agora está em quem sabe decidir obedecendo a hierarquia de operação, design e arquitetura dos negócios”
virou prerrogativa para se adaptar às
mudanças e transpor barreiras.
Ele chama a atenção para os custos
de execução, antes a parte mais
onerosa e demorada das operações,
com programadores, designers, redatores
e analistas para tirar uma
ideia do papel. “Execução não é mais
diferencial competitivo, virou commodity.
O valor agora está em quem
sabe decidir obedecendo a hierarquia
de operação, design e arquitetura dos
negócios. Comece redesenhando o
próprio fluxo de trabalho. Criar cultura
é a próxima fronteira.”
A tese de Beacraft sobre o AI Operating
Systems (AIOs), ou Sistemas
Operacionais de IA, coloca a IA não
apenas como um software, mas sim
“Enxergar a IA
apenas como
uma ferramenta
pode cegar o
seu potencial”
Errich Peterse/Divulgação SXSW
como uma infraestrutura que absorve
e reflete a cultura e a inteligência
coletiva da empresa. “É a mudança de
ferramenta para sistema operacional.
A IA passa a saber o jeito que a empresa
resolve seus desafios, e retém esse
conhecimento, ao contrário de pessoas
que se desligam, e levam com elas
essas informações”, afirma.
Beacraft acredita que a tecnologia
pode aumentar as capacidades humanas
- o chamado “augmented individuals”
ou indivíduos aprimorados tecnologicamente
-, em vez de substituir
trabalhadores. Essa crença se repete
em quase todas as sessões de gurus
da tecnologia convidados para subirem
aos palcos do SXSW 2026, como Amy
Webb, Amy Gallo e Rana el Kaliouby.
jornal propmark - 23 de março de 2026 39
sxsw
Para Bob Odenkirk, as histórias vão
continuar sendo contadas por humanos
Ator ressaltou que faz parte do storytelling as pessoas se emocionarem
com outras; ele também falou sobre oportunidades em épocas de crise
Kelly Dores
– de Austin
Bob Odenkirk: “Não dá para imaginar um cenário em que uma máquina vai te contar uma história”
O
ator Bob Odenkirk, conhecido
principalmente por interpretar
o advogado Saul Goodman nas
séries ‘Breaking bad’ e ‘Better call
Saul’, participou de painel no South by
Southwest 2026, ao lado do time de
direção e produção do longa ‘Normal’,
em que interpreta o xerife Ulysses em
uma cidade do Meio-Oeste americano.
O filme é dirigido por Ben Wheatley e
escrito por Derek Kolstad, com previsão
de lançamento em abril.
Na apresentação, mediada pela
editora sênior da Collider, Perri Nemiroff,
eles falaram sobre os aspectos
e desafios de produzir um filme de
ação. Para o roteirista Derek Kolstad,
uma boa história de ação precisa ter
um storytelling forte e atores que realmente
gostem do gênero. “A ação é
uma extensão da jornada dos atores.
Todos os atores são diferentes.”
Sobre a pressão para a produção
de um filme e a dificuldade de captação
de recursos atualmente na
indústria do cinema, Bob Odenkirk,
que também é roteirista, diretor e
produtor, afirmou que, quando há uma
crise, sempre é possível tirar vantagem.
“Quando as indústrias estão
desesperadas, coisas boas sempre
acontecem. Então, sim, é bom quando
a indústria está em crise. Você pode
tirar vantagem disso.”
Indagados sobre o desafio de levar
as pessoas de volta para o cinema,
Kolstad destacou que o que mais gosta
ao estar em uma sala de cinema,
especialmente em produções de ação
ou horror, é a experiência com a comunidade.
“É muito bom ver a reação do
público, é uma espécie de declaração
quando o filme é satisfatório porque
as pessoas vão dizer: ‘Você precisa ir
ao cinema para ver esse filme’”.
Ben Wheatley ponderou que hoje
o cinema luta contra a influência
massiva da televisão. “A experiência
de ver um filme no cinema é totalmente
diferente. E o que me frustra
muito é que nos últimos anos eu
sinto que as críticas estão vindo
de pessoas que estão assistindo às
produções na televisão ou vendo no
monitor”. Por isso, segundo ele, pelo
fato de hoje o telespectador poder
assistir às produções em vários canais,
é preciso ser mais intencional
do que antes.
“Você precisa construir uma experiência
satisfatória para justificar o
dinheiro que uma pessoa gasta para ir
ao teatro e nós pensamos nisso a cada
passo. A ideia é atrair as pessoas para
assistirem aos filmes juntas”, completou
o produtor Marc Provissiero.
Como não poderia faltar, a influência
da inteligência artificial no
“Quando as
indústrias estão
em crise, coisas
boas sempre
acontecem”
universo do cinema também foi um
dos pontos abordados no painel.
Questionados sobre o melhor ou
pior jeito que a tecnologia pode impactar
as filmagens, Ben Wheatley
afirmou que não há dúvidas de que
a IA pode ser a pior de todas. Para
Bob Odenkirk, as pessoas sempre
Andy Wenstrand/Divulgação SXSW
vão querer ouvir histórias contadas
por outras pessoas. “Isso é parte do
storyteller. Pessoas emocionando
outras pessoas. Não dá para imaginar
um cenário em que uma máquina
vai te contar uma história.”
O ator acrescentou que histórias
devem ser bem contadas nos primeiros
cinco minutos do filme para
segurar o público. “Se você não conseguir
chamar a atenção nos cinco,
dez primeiros minutos da produção,
esquece. Por isso, sempre digo para
quando escritores querem me enviar
um script para pedir opinião que enviem
as primeiras 25 páginas. Porque
se elas não funcionarem, não importa
o que você tem na página 42”, destacou
Odenkirk.
40 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
De respostas erradas a deepfake,
Michelle Lee aponta riscos da IA
Executiva foi a primeira mulher a liderar o Escritório de Patentes e
Marcas dos Estados Unidos (USPTO) em mais de 200 anos de história
Janaina Langsdorff
– de Austin
Michelle Lee, fundadora e
CEO da Obsidian Strategies
(Arquitetos de estratégias
impulsionadas por IA), apresentou
o painel ‘Real-world impact of AI:
Opportunities, risks and intellectual
property oh my!’ na terça-feira, dia
17 de março, sexto dia do South by
Southwest (SXSW).
“A inteligência artificial está mudando
a tecnologia da nossa geração,
viabilizando tarefas complexas
em tempo real. O desafio é encontrar
oportunidades com ética e transparência”,
diz a executiva da consultoria
especializada em orientar empresas,
conselhos de administração e governos
na implementação de estratégias
de inteligência artificial e governança.
Ela é reconhecida no setor de tecnologia
por uma carreira que une
computação, direito e liderança governamental.
Assumiu como diretora
do Escritório de Patentes e Marcas
dos Estados Unidos (USPTO) na edição
de 2015 do SXSW, empossada pela Secretária
de Comércio dos EUA, Penny
Pritzker. Michelle foi a primeira mulher
a liderar a agência em mais de
200 anos de história.
Atuou também como vice-presidente
da Amazon Web Services, onde
liderou o Machine Learning Solutions
Lab e os negócios de visão computacional,
e como vice-consultora geral
e chefe de estratégia de patentes do
Google. Hoje opera como estrategista
de IA voltada para potencializar resultados,
entender riscos regulatórios e
preparar empresas para lidar com as
mudanças no ambiente de negócios.
Saber diferenciar IA de machine learning
é uma das premissas. “Machine
learning fornece subsídios para amplificar
a performance humana com IA”,
diferencia Michelle. Ela cita o exemplo
da Akool, plataforma de IA generativa
especializada em marketing e experiências
visuais, que em parceria com
Michelle Lee: “Inovação é um processo. Mas comece já. Do contrário, terá de enfrentar concorrentes em vantagem na competição”
“As leis estão
se movendo”
morar os seus negócios com a IA. Mas
há riscos”, avisa.
Um deles é a possibilidade de se receber
respostas erradas. Michelle cita
ainda as ameaças vindas da deepfake,
que em questão de minutos pode seduzir
as pessoas com inverdades. As
imagens que circularam em 2023 com
o então papa Francisco vestido com
um casaco puffer branco evidenciam
os perigos de imagens distorcidas
para marcas e governos. “Há consequências
graves para o sistema financeiro”,
acrescenta.
A preocupação ética é premente, e
incide em discriminações e na reputa-
Divulgação
o Harvard Art Museums criou uma
experiência de IA interativa baseada
no quadro ‘Pompadour at her toilette’
(1750), de François Boucher, que faz
parte do acervo de Harvard.
A tecnologia foi utilizada para animar
a pintura, transformada em um
avatar que reproduz feições humanas
em conversas. A estratégia valorizou
a experiência, respeitando a ética e a
integridade do material original.
Na esteira do avanço de modelos
de linguagem está a criação de filmes
e vídeos, que elevam a capacidade da
indústria da comunicação em produzir
campanhas em escala. Exemplos vêm
dos setores de alimentação, seguros,
e-commerce, ciência e pagamentos. A
marca de moda Zelig melhorou a sua
experiência de compra ao permitir
que as pessoas provem peças virtualmente.
“Todos têm chances de aprição
das empresas. A preservação da
propriedade intelectual e das patentes
levanta outro receio latente, pois
“as leis estão se movendo”, aponta. O
debate sobre padrões de originalidade
é tão premente quanto as incertezas
relacionadas à confidencialidade
de informações e à regulamentação e
privacidade de dados.
Michelle sugere que as empresas
selecionem aplicações adequadas de
IA; tracem um plano de dados capaz de
suportar a estratégia de negócios; tenham
especialistas trabalhando lado
a lado; preparem sua força de trabalho
para extrair as potencialidades da IA;
entendam o cenário de leis; monitorem
possíveis ameaças; e fomentem
a cultura corporativa. “Inovação é um
processo. Mas comece já. Do contrário,
terá de enfrentar concorrentes em
vantagem na competição”, avisa.
jornal propmark - 23 de março de 2026 41
sxsw
IA do futuro será capaz de detectar
sentimentos e ler emoções humanas
Rana el Kaliouby tenta ensinar máquinas a captar as feições do
rosto humano, hoje despercebidas em interações mediadas por telas
Amy Price/Divulgação SXSW
Bob Safian e Rana el Kalioub em painel realizado no hotel Hilton, em 15 de março: máquinas precisam aprender a ler emoções a fim de melhorar a sua relação com os humanos
Janaina Langsdorff
– de Austin
A
cientista de inteligência artificial
e empreendedora Rana el
Kaliouby conduziu o painel ‘Why
the future of AI must be human centric’
no domingo, dia 15 de março, quarto dia
do South by Southwest (SXSW). Bob Safian,
apresentador do ‘Rapid response’,
podcast de entrevistas sobre negócios,
fundador do The Flux Group e ex-editor-
-chefe da Fast Company, foi o mediador
da conferência de Innovation.
“A TI reúne pessoas”, diz Rana, autora
da obra ‘Girl decoded’, que relata
a sua história. Do Egito para o Vale do
Silício, ela narra os seus esforços para
fazer com que a tecnologia entenda
emoções. Os estudos de Rana mostram
que o contato humano é não verbal.
“Mais de 90% da comunicação emocional
acontece por meio de expressões
faciais, gestos e tom de voz”, ressalta.
Já as interações digitais feitas
por meio de mensagens, redes sociais
e videoconferências não captam
as sinalizações demonstradas
pelo rosto humano. Para Rana, as
máquinas precisam aprender a ler
emoções a fim de melhorar a sua
relação com os humanos.
Hoje, as interações são mediadas
por telas, que reduzem as pistas
emocionais, enquanto os algoritmos
buscam lógica e dados, tornando
a comunicação fria, enviesada e
desumanizada. “A IA avançou, mas
precisa combinar o lado emocional e
o social”, aponta.
Tá na cara
Segundo a especialista, a próxima
fronteira de desenvolvimento deve remodelar
as inteligências artificiais, que
passarão a ser capazes de reconhecer
as feições humanas. “A IA poderá simular
respostas de forma mais empática”,
analisa. Rana acredita que uma nova
geração de IA, mais responsiva às emoções,
terá mais potencial para alavancar
habilidades e conexões humanas
- e não substituí-las -, além de ajudar a
resolver problemas da sociedade.
“Mais de 90%
da comunicação
emocional
acontece por meio
de expressões
faciais, gestos
e tom de voz”
“Empresas devem encorajar as
pessoas a experimentar ferramentas.
Ter curiosidade para testá-las. Todos
os nossos fluxos de trabalho estão
mudando”, observa. Embora seja uma
ferramenta, a IA não pode ter o seu
caráter de mudança ignorado. “Ela está
abrindo oportunidades”, situa.
Mas essa reconstrução precisa vir
acompanhada de ética, confiança e segurança.
Reconhecer emoções digitais
levanta ainda questões de privacidade
e consentimento. “Essa é a responsabilidade
dos investidores”, avisa
Rana, que é cofundadora da empresa
Affectiva, criada no MIT e dotada de
tecnologia para analisar microexpressões
faciais e sinais emocionais, com
aplicações na publicidade e pesquisa
de mercado, saúde mental, segurança
automotiva e educação digital.
Saúde menTal
Colaboração e comunicação são
skills que podem ser aprimorados.
Ela acredita que a IA precisa entender
como o mundo real funciona e
recomenda mecanismos de controle
e barreiras para que a tecnologia não
tome o lugar de humanos ao tentar, por
exemplo, resolver problemas ligados à
saúde mental.
“Ainda não temos segurança suficiente
para isso. Cada modelo precisa
ser testado. Não gostaria, mas caminhamos
para um mundo onde isso poderá
ser normalizado. Hoje, as pessoas
estão muito solitárias”, avalia.
42 23 de março de 2026 - jornal propmark
sxsw
Jane Fonda alerta para crises da
democracia e do meio ambiente
Atriz inflama a plateia do SXSW com pedidos para que as pessoas se
mobilizem diante de injustiças e do desprezo pela ameaça climática
Janaina Langsdorff
– de Austin
as crises da democracia
e do meio ambiente.
“Vivemos
Ambas estão entrelaçadas e
podem levar a uma catástrofe irreversível.
O tempo está se esgotando. Nunca
vimos isso na história da humanidade.
Acorde”, clama a atriz Jane Fonda.
A ativista de 88 anos transmitiu toda
a sua energia para convocar a plateia
do South by Southwest 2026 a agir. A
convocação ocorreu durante o painel
‘Say it louder: Artists, activism and the
first amendment’, realizado no hotel
Hilton na quarta-feira, dia 18 de março,
sétimo e último dia do festival.
O comediante W. Kamau Bell também
participou da conferência, mediada
por Jessica Herman Weitz, diretora
nacional de engajamento de artistas
e entretenimento na American Civil
Liberties Union (ACLU). “Artistas ameaçam
governos porque criam empatia
com as pessoas. Dizemos a verdade.
Isso assusta e nos transforma em alvos”,
diz Bell. “Permitimos que as pessoas
sonhem”, emenda Jane.
O poder do humor foi outro ponto
levantado, pois “leva as pessoas à reflexão”,
observa Bell, enquanto Jane
lembra a força das novas gerações.
Ela citou os esforços da ativista ambiental
Greta Thunberg. “Vocês estão
se mobilizando, unam essas pessoas”,
comenta Jane.
Para Bell, não cooperar significa
deixar que injustiças se espalhem.
“Agir individualmente movimenta
massas. Protestos têm de causar
desconforto”, alerta. Liberdades de
expressão, de votar, de viver com dignidade,
de ter um ambiente saudável
e de protestar são as reivindicações
defendidas por Jane. “É importante saber
o quanto somos grandes. Isso nos
dá coragem”, pontua Jane.
A vida artística funcionou como
uma espécie de libertação. “Quando
me tornei atriz, me senti livre
de muitas amarras que prendem as
Jane Fonda é recebida no palco do hotel Hilton por W. Kamau Bell e Jessica Herman Weitz: aplausos diante de convite para protestar
“Faça parte da
comunidade.
Temos de
lutar agora”
cement, ou Serviço de Imigração e Alfândega
dos Estados Unidos (Ice), em
janeiro de 2026. Jane descreve o caso
como abuso de poder do governo federal.
“Organize-se como Minneapolis
fez. Faça parte da comunidade. Temos
de lutar agora”, conclama.
Guerra
Jane Fonda protestou contra os
ataques dos EUA e de Israel ao Irã, no
Divulgação
mulheres”, conta Jane, que virou um
marco cultural com a sua atuação em
‘Barbarella’ (1968). Ela interpreta uma
heroína espacial livre, sensual e independente,
conduta que desafiava os
padrões femininos da época.
Dos cinemas para o ativismo, Jane
manifesta indignação com o atual governo
dos Estados Unidos. “Imigrantes
devem buscar descobrir quem são os
seus aliados, capazes de aliviar necessidades
e tensões”, recomenda.
“Pessoas se arrependeram de ter votado
em Trump. Vamos buscar a cura
juntos”, instiga.
Apoiadora do movimento ‘No kings’,
ela sugere estudar e aprender
com o exemplo de resistência e modelo
de ação não violenta coordenada
em Minneapolis, após a morte do
enfermeiro Alex Pretti por agentes do
U.S. Immigration and Customs Enforsábado,
dia 28 de fevereiro. A manifestação
foi realizada no centro de Los
Angeles, logo no domingo, dia 1º de
março. “Estaremos nas ruas amanhã,
nos dias seguintes e nas semanas que
virão para exigir que esta nova guerra
no Oriente Médio pare”, disse.
“Esse ataque é um ato desesperado
e imoral para conseguir pontos
declarando uma vitória. O que Donald
Trump conseguirá é ser declarado
um presidente da guerra. O governo
Trump pode desencadear uma guerra
em nosso nome, mas não com nosso
consentimento. Trump é um homem
triste, desequilibrado. Está em guerra
contra a democracia, contra as famílias
de imigrantes e o meio ambiente”,
pontuou. Jane Fonda é fundadora do
Committee for the First Amendment,
que prepara os artistas e as pessoas
para lutar por seus direitos.
jornal propmark - 23 de março de 2026 43
sxsw
TakeOff reúne executivos do marketing
brasileiro para aprofundar tendências
Painel realizado pela Hands.ag levou líderes da Diageo, Globo, Seara
e Avenue à Casa São Paulo para debater trends apresentadas no SXSW
Divulgação
Marcelo Lenhard (Hands.ag), Guilherme Martins (Diageo), Fernanda Antonelli (Globo), Ricardo Longo (Avenue) e Tannia Fukuda (Seara) durante painel na Casa São Paulo, em Austin
Kelly Dores
– de Austin
Pelo terceiro ano consecutivo,
a Hands.ag realizou, no último
dia 16, o painel TakeOff para
debater as principais tendências
do South by Southwest (SXSW), que
ocorreu em Austin, no Texas, entre
os dias 12 e 18 de março. Moderado
pelo CEO da agência, Marcelo
Lenhard, o debate reuniu quatro
executivos do marketing brasileiro
na Casa São Paulo, hub do governo
paulista instalado em Austin que
funciona como uma espécie de vitrine
do Brasil no festival de inovação.
Lenhard começou o painel com
a discussão sobre o impacto da inteligência
artificial em relação às
narrativas sociais e de marcas. Para
Tannia Fukuda, diretora de marketing
da Seara, não dá para ignorar o
fato de que o mundo vive uma mudança
cultural, em que a IA permeia
essa transformação. No entanto,
ela chamou a atenção para a importância
de as marcas assumirem um
lado mais humano.
“A gente percebe a IA assumindo
cada vez mais uma narrativa. O que
não dá para ignorar é o fato de que,
com essa sociedade em constante
mudança e com essa ampliação da
voz das pessoas através das redes
sociais, é muito importante a marca
ter cada vez mais flexibilidade,
ter cada vez mais um papel humano
“A gente precisa
escolher pautas
que, como marca,
vamos agarrar e
construir valor”
de entendimento, de se colocar de
igual para igual com as pessoas e
poder entender a contribuição que,
de fato, ela vai trazer na vida das
pessoas”, disse Tannia. “A gente precisa
escolher as pautas que, como
marca, vamos abraçar e ajudar a
construir valor para a audiência”,
completou ela.
Por sua vez, Guilherme Martins,
CMO da Diageo Brasil, lembrou que
o mercado de bebidas é regulado e,
ao mesmo tempo, tem uma oportunidade
de criar os próprios códigos
para entender o papel das marcas
na construção do que a empresa
acredita que é o comportamento
aspiracional do futuro das gerações.
Para ele, o marketing responsável
44 23 de março de 2026 - jornal propmark
deve ser aplicado em todos os negócios
de uma forma intencional.
“Na Diageo, a gente quer gastar
mais tempo tomando decisões e
articulando a forma como as nossas
marcas entram nas conversas. O
que queremos é convidar as pessoas
a participarem cada vez mais de
momentos de socialização. A indústria
como um todo pode acelerar o
uso desses equipamentos
como
ferramentas e
não como substituições.
A gente
deve ser mais intencional
através
das marcas que
a gente representa”,
ponderou
Martins.
Aproveitando o
gancho, Fernanda
Antonelli, diretora-comercial
para
agências na Globo,
afirmou que
a emissora tem
uma responsabilidade
gigantesca
sobre o conteúdo
que vai para as ruas, destacando que
a inteligência artificial é muito importante
para escalar os negócios,
a distribuição de conteúdo, mas que
jamais a Globo vai deixar a IA mandar
na narrativa.
“A nossa narrativa é modulada
por nós, por um board de pessoas
que são muito cuidadosas, tanto
no jornalismo quanto no entretenimento,
para que a gente realmente
tenha muita clareza do que vai comunicar
para o Brasil, porque a Globo
acaba gerando muita conversa
com o conteúdo. E essas conversas,
obviamente, precisam ser responsáveis
e são conversas que modulam,
inclusive, o comportamento”, destacou
a publicitária. “No nosso caso,
essa responsabilidade nunca vai ser
entregue para a IA”, completou ela.
Ricardo Longo, diretor de marketing
da Avenue, concluiu o raciocínio
afirmando acreditar que não só as
marcas, mas a sociedade como um
todo precisa ter a responsabilidade
de saber julgar, buscar pontos de
vista diferentes e entender o contraditório.
“Acho que isso também é
uma coisa que a sociedade vai ter de
aprender a evoluir de certa forma”,
refletiu o executivo.
“Jamais a Globo
vai deixar a
IA mandar na
narrativa. Essa
responsabilidade
nunca será
entregue à IA”
Fandoms
Um segundo ponto do debate foi
sobre a estratégia das marcas para
a criação de fandoms. No caso da
Diageo, Martins explicou que marcas
de 200 anos como Johnnie Walker
trazem narrativas humanizadas
através do DNA de seus fundadores.
Em sua visão, outra forma de aproximar
as marcas das comunidades de
fãs são as collabs.
“Com as collabs,
a gente tenta
se aproximar de
públicos que são
importantes para
as marcas. Um
grande exemplo é
uma ativação que
vamos fazer no
Lollapalooza com
a Sabrina Carpenter.
Ela será uma
das embaixadoras
de Johnnie
Walker e a gente
vai criar uma série
de coquetéis.
É um compartilhamento
de
DNA. Tem muita
oportunidade, dá para a gente criar
os nossos fandoms, dá para a gente
participar de fandoms e emprestar
um pouco disso, mas desde que
você saiba o que a parceria pode
adicionar de valor para a marca”,
alertou o CMO da Diageo.
No caso da Globo, Fernanda Antonelli
ressaltou que quando uma
novela é lançada, por exemplo, já
nasce com uma comunidade de fãs
embarcada. “Tudo na Globo é feito
com muito cuidado. Uma novela, por
exemplo, começa a ser pensada um
ano e meio antes do lançamento.
Tudo vem de pesquisa, é muito discutido
e muito aprofundado. As pessoas
estão falando de fandoms agora,
mas a Globo já faz isso há muito
tempo genuinamente e hoje isso é
feito de uma maneira mais fabril”,
observou a executiva.
Tannia Fukuda citou o exemplo de
uma collab que a Seara fez com a Netflix
com o lançamento de uma linha
inspirada em ‘Stranger things’,
trazendo, por exemplo, pizzas de
massa preta remetendo ao mundo
invertido da série. De acordo com a
executiva, o sucesso foi tão grande
que até hoje os produtos continuam
sendo vendidos.
“A ideia surgiu porque fomos
pesquisar os hábitos de consumo
e descobrimos que as pessoas comiam
menos no jantar para fazer
uma quinta refeição para maratonar
séries depois. Daí surgiu a oportunidade
de criar uma linha inteira
de snacks inspirada em ‘Stranger
things’ para as pessoas maratonarem
à noite. Às vezes, as marcas
não têm essa permissividade para
criar conteúdo com a capacidade de
uma Globo ou uma Netflix e também
não têm ainda sua fandom formada,
como é o caso de Johnnie Walker,
que tem mais de 100 anos. Então,
são esses atalhos que criamos para
conseguir chegar também ao objetivo”,
revelou Tannia.
Fricção
Por fim, Marcelo Lenhard trouxe
um terceiro ponto que atravessou
as discussões no SXSW, que é a falta
de fricção nas relações após o surgimento
da IA. Fernanda Antonelli
ponderou que na Globo existe uma
grande preocupação de sempre estimular
o debate entre os brasileiros,
principalmente em um ambiente
tão polarizado
como o atual.
“Se a gente não
propiciar esse debate,
o que a gente
vai virar? A Globo
tem esse papel
também nos debates
eleitorais.
As pessoas precisam
conversar e
podem discordar.
Queremos que as
pessoas tenham
o poder da crítica
também para
melhorar como
sociedade e continuar
aprendendo
a conversar.”
Para a CMO da
Seara, as marcas
têm papel fundamental
nessa discussão. “Esse movimento
é maravilhoso, porque na
verdade é o único jeito que o marqueteiro
consegue se conectar com
o humano. Nas pesquisas, a gente
cutuca mesmo o consumidor, tenta
entender onde dói mais, quais são
as motivações, porque esse é o papel
da marca. A marca precisa ajudar
as pessoas a se desenvolverem.”
“Nós, como
marqueteiros
e gestores de
marcas, temos
de continuar
sendo obcecados
por tensões”
Guilherme Martins avalia que as
boas histórias têm de ter tensão,
mas afirma que se preocupa com
a falta de interesse dos jovens em
exercitar a fricção. “O que me preocupa
são as gerações que já chegam
sem exercitar a fricção. Por isso, eu
sempre volto com a responsabilidade,
o jeito que a gente constrói uma
marca é a forma que a gente expõe
as tensões.”
Ele também expôs um pensamento
sobre o fato de que a tecnologia
pode deixar a sociedade preguiçosa.
“Nós, como marqueteiros e gestores
de marcas, temos de continuar sendo
obcecados por tensões e fricções.
Outra coisa é a utilização de ferramentas
que eliminam as tensões e
podem deixar a sociedade preguiçosa”,
concluiu.
Em resumo, as três primeiras diretrizes
que o TakeOff trouxe para o
mercado foram: ‘Fandoms e a profundidade
de relacionamento em
um mundo multicanal’; ‘O impacto
das IAs assumindo narrativas sociais
e de marcas’; e ‘A fricção intencional
como contraponto estratégico à hiperpersonalização
dos algoritmos’.
Lenhard finalizou
o painel com
a seguinte frase
do CMO global da
Mastercard, Raja
Rajamannar, que
se apresentou no
SXSW: “Marketing
não é sobre lógica,
é sobre mágica”.
E explicou
a escolha: “Essa
frase nos faz lembrar
de algo que é
muito importante
para nós que
trabalhamos com
marketing. Não é
só uma frase feita.
Tem um sentido
muito claro
que eu concordo,
porque acho que a
história da mágica é muito da intuição
humana. E a gente está falando
da nossa capacidade, do nosso lugar
que jamais deixará de existir”, ressaltou
o CEO da Hands.
Conheça, a seguir, as dez diretrizes
para o marketing em 2026 compiladas
pela curadoria da Hands, a
partir das principais tendências do
SXSW e dos debates com os CMOs.
jornal propmark - 23 de março de 2026 45
Diretrizes foram derivadas da curadoria estratégica do
SXSW 2026, insights de campo e debate entre CMOs
1. Fandoms e a profundidade de
relacionamento num mundo multicanal
Entenda o comportamento dos superfãs
para atuar como um verdadeiro parceiro de
experiências em diversas plataformas
A união de grupos de interesse cada vez mais
profundos e segmentados, muito além das
comunidades, gera não só oportunidades,
como um comportamento único que deve
ser entendido. Compreendendo esse cenário
e como atuar em cada uma das frentes – de
mídia e conteúdo a experiências no mundo real
–, marcas que conseguirem participar de forma
natural e genuína, como curadoras ou até
mesmo gerando acessos especiais e exclusivos
a cada um desses universos, ganharão espaço
na mente e no coração desse público – o que se
reverte naturalmente em consumo.
Dez tendências de marketing
para marcas globais
2. O impacto das IAs assumindo narrativas sociais e de marcas
Use o poder das marcas e das ferramentas disponíveis para garantir, ao
mesmo tempo, um ambiente mais seguro e uma comunicação mais eficaz
e “human centric”
A atuação invisível das IAs na curadoria de entrega de conteúdo, sobretudo nas redes
sociais, traz um perigoso grau de nocividade e automatização comportamental, que
pode escalar para uma dissociação da realidade. Nesse ambiente, abre-se tanto a
necessidade de marcas assumirem um papel de balizador das boas práticas, diante de
seu poder de influência, quanto oportunidades de, ao entender esse comportamento
e suas frentes, utilizar as soluções disponíveis de ultrassegmentação e escala para
entregar serviços e mensagens de forma positiva, responsável e efetiva para os negócios.
3. A fricção intencional como
contraponto estratégico à hiperpersonalização
dos algoritmos
Coloque a intencionalidade novamente
no jogo, entendendo o atrito como um
fator necessário e natural para as relações
humanas
Num mundo automatizado em que os sistemas
de inteligência artificial buscam oferecer uma
sensação de conforto, minimizando atritos das
nossas relações e trocas com a máquina, o fator
humano e a busca por essa fricção natural serão
essenciais. É do contraditório e da troca de ideias
que vem o pensar e o repensar que nos ajuda a
encontrar novos caminhos, buscar evoluções e
reforçar conexões reais. Fugir do “você está certo”
automático, transformando a intencionalidade
em um hábito novamente, será fundamental.
4. Da audiência à participação: o fim do
consumo passivo
Convide seu público a construir, modificar
e influenciar a marca — não apenas a
consumi-la
A lógica de emissão-recepção perdeu potência.
As novas dinâmicas exigem participação ativa,
onde o público interfere, adapta e cocria. Isso vale
para produtos, conteúdos e experiências. Marcas
mais relevantes operam como plataformas
abertas, não como sistemas fechados.
6. Criadores são extensão, não mídia
Construa relações de longo prazo com
creators, oferecendo autonomia criativa
sempre que houver alinhamento de valor
O modelo transacional de influência está
saturado. O que gera impacto real são relações
contínuas, onde criadores têm liberdade para
interpretar a marca dentro de seu contexto.
Isso às vezes implica em dividir controle e,
principalmente, valores. A autenticidade deixou
de ser estética e passou a ser estrutural.
7. Consistência operacional como ativo de reputação
Garanta coerência entre discurso, prática e presença em todos os pontos
de contato – inclusive nos sistemas e pontos de venda
A distância entre o que a marca promete e o que ela entrega está cada vez mais
visível e mensurável. Reputação não é mais construída apenas por narrativa, mas por
comportamento verificável. Cada interação, resposta e experiência contribui para um
retrato contínuo da marca – inclusive na garantia de sistemas fluidos de atendimento e
de venda multicanal.
5. Cultura como infraestrutura,
não ativação pontual
Atue dentro da cultura de forma contínua,
relevante e com legitimidade, não apenas
em momentos oportunistas
A presença cultural deixou de ser uma camada
de comunicação e passou a ser base de
crescimento. Marcas precisam participar de
conversas reais, subculturas e movimentos com
consistência e contribuição genuína. Não se trata
de “surfar trends”, mas de construir repertório e
relevância ao longo do tempo.
8. Simplicidade radical como resposta à
sobrecarga cognitiva
Reduza complexidade, ruído e excesso de
informação para aumentar retenção e impacto
Em um ambiente de estímulos infinitos, a clareza
se torna vantagem competitiva. A maioria das
mensagens se perde não por falta de exposição,
mas por excesso de carga cognitiva. Marcas
eficazes serão, cada vez mais, aquelas que
conseguem ser entendidas rapidamente, sentidas
imediatamente e lembradas naturalmente.
9. Design como sistema de decisão, não como camada estética
Utilize o design como ferramenta estratégica para organizar
complexidade, orientar escolhas e construir significado
O papel do design evoluiu de forma silenciosa: deixou de ser acabamento para
se tornar estrutura. Em um mundo onde tecnologia, dados e experiências se
entrelaçam, o design é o elemento que traduz complexidade em clareza. Mais
do que forma, ele define fluxo, prioridade, hierarquia e compreensão. Marcas que
tratam design como sistema conseguem guiar comportamento, reduzir atrito e
amplificar entendimento.
10. O ‘mágico’ como diferencial num mundo ‘lógico demais’
Resgate o poder do encantamento, da surpresa e da emoção como
elementos centrais da construção de marca
Num ambiente cada vez mais otimizado por dados, eficiência e previsibilidade, a
diferenciação não virá da lógica fria, mas do inesperado. Experiências memoráveis
não são totalmente explicáveis, mas são profundamente sentidas. Marcas que
operam apenas no racional competem por atenção, enquanto marcas que
entregam magia constroem lembrança, afeto e preferência duradoura.
patrocínio exclusivo
EMOTION
DRIVEN
46 23 de março de 2026 - jornal propmark
marcas
Cif e Serasa desenvolvem projeto para
limpar nome de inadimplentes do país
Marca da Unilever promove ‘faxina’ que garante prêmios de até R$ 1 mil
semanal e R$ 500 por dia para quitar dívidas de 49,66% da população
Paulo Macedo
A
criatividade realmente não
tem limites, sobretudo quando
traz a simplicidade para unir as
marcas com seus consumidores. A
agência Droga5 recorreu ao listening
das redes sociais para descobrir que
os consumidores, incrédulos com a
possibilidade de limpar o seu nome na
Serasa, faziam memes dizendo que o
produto Cif, do portfólio da Unilever,
teria essa capacidade.
O CCO Rafael Ziggy não perdeu tempo
e, junto com sua equipe na Droga5,
desenvolveu a ação promocional ‘Limpa
nome’ com a ideia de contemplar
três mil consumidores com até R$ 1
mil por semana e R$ 500 por dia para
negociar e quitar dívidas em aberto.
Segundo o Mapa da Inadimplência e
Negociação de Dívidas da Serasa, o
Nissan apresenta ‘Teste de fidelidade’
para consumidores testarem seus SUVs
A cantora sertaneja Naiara Azevedo é a garota-propaganda
escolhida para a comunicação desenvolvida pela agência Lola\TBWA
Confiando na qualidade dos seus
SUVs fabricados, Kicks e Kait, a
montadora Nissan está lançando
o desafio ‘Teste de fidelidade’, que se
estende até o dia 2 de abril nas concessionárias
da marca em todo o território
nacional.
Criado pela agência Lola\TBWA, o
projeto quer colocar à prova a fidelidade
dos consumidores por meio de
um convite para realizar um test drive
nos seus dois modelos e, se, mesmo
assim, eles optarem por comprar um
carro da concorrência, a marca japonesa
dará a eles R$ 500 de bônus.
Nessa ação, o anunciante acredita
que, após o test drive, os clientes
reconhecerão os atributos dos seus
SUVs. Pode ser necessário agenda-
Rafael Ziggy, CCO da Droga5 São Paulo, transforma comentários em campanha
O clássico ‘50 reais’, da cantora Naiara Azevedo, teve releitura feita pela Lola\TBWA
Divulgação
Divulgação
Brasil possui 81,3 milhões de inadimplentes
– 49,66% da população adulta,
com média de R$ 795.
“Cif sempre trabalhou o universo
lúdico e funcional da limpeza, transformando
uma tarefa do dia a dia em
algo leve e divertido. Somado a isso,
temos uma marca atenta às conversas
da sua comunidade”, conta Gabriela
Lairana, gerente sênior de marketing
da Unilever. “‘Cif limpa nome’ e a
nossa parceria com a Serasa nascem
do encontro dessas duas narrativas,
transformando esses comentários
recorrentes em uma ideia criativa e
um benefício para o consumidor”, ela
acrescenta.
“Começamos a campanha respondendo
aos comentários dos ‘Cif lovers‘
e levamos ao extremo com uma edição
especial do produto”, destaca Rafael
Ziggy.
mento prévio em algumas lojas. Cada
participante pode receber apenas
um prêmio, independentemente da
quantidade de testes realizados – o
controle será feito pelo número do
CPF e pelo CNPJ.
Para divulgar as ofertas e a mecânica
da campanha, a Nissan fará
inserções de mídia massiva de comunicação
na televisão e no ambiente
digital.
A campanha conta com a participação
da cantora sertaneja Naiara
Azevedo como garota-propaganda.
Na ação, a artista faz uma releitura do
seu principal sucesso, ‘50 reais’, com a
letra alterada para os “500 reais” no
refrão, fazendo uma alusão à mecânica
da campanha.
jornal propmark - 23 de março de 2026 47
pesquisas
AlmapBBDO lidera o ranking mundial
da Warc na disciplina de efetividade
GUT, Droga5, Jotacom e David também figuram na lista das 100
agências com ações com resultados comprovados para as marcas
Vitor Kadooka
Fotos: Divulgação
‘70 years in Brazil’, da AlmapBBDO para a Volkswagen, retratou Elis Regina com uso de inteligência artificial com sua filha, Maria Rita
Filipe Bartholomeu, da AlmapBBDO: “Conquista que nos deixa muito orgulhosos”
A
AlmapBBDO conquistou o primeiro
lugar no ranking anual da Warc,
que elenca as campanhas, agências,
marcas e países mais efetivos na
publicidade. Outras brasileiras, como
GUT (15ª), Droga5 (25ª), Jotacom (39ª)
e David (47ª), aparecem na lista da empresa
global de inteligência de marketing.
Os destaques de Almap e GUT repetem
o desempenho do ano anterior.
O Brasil também se destaca em
outras frentes do ranking. A GUT lidera
entre as redes independentes,
enquanto a Streetwise, de São Paulo,
aparece como a principal agência independente
de mídia.
Nos cinco primeiros lugares, a Leo,
de Mumbai (Índia), aparece em segundo
lugar, seguida pela Ogilvy londrina,
a americana Mischief @ No Fixed
Address e a DDB de Bogotá (Colômbia).
No recorte global, a campanha
‘Real beauty: How a soap brand created
a global self-esteem movement’,
da Dove, lidera o ranking. McDonald’s
aparece como a marca mais efetiva,
enquanto a Unilever ocupa a primeira
posição nos anunciantes. Entre as
redes, a Ogilvy lidera pelo quarto ano
consecutivo, e a Omnicom figura como
o principal grupo de comunicação.
Ainda como destaque nacional, a
AlmapBBDO conquistou o segundo
lugar na categoria de campanhas
mais efetivas com o case ‘Pedigree
Caramelo’, para a Pedigree, premiado
com o Dan Wieden Titanium no
Cannes Lions do ano passado — categoria
que reúne apenas quatro
trabalhos brasileiros desde 2002. O
trabalho ainda foi eleito por especialistas
e pelo público como vencedor
no Prêmio Melhores do propmark, na
categoria Campanha.
Em seguida, outro destaque da
agência galgou o 21º lugar: criado para
a Volkswagen, o trabalho ‘70 years in
Brazil’. No ano passado, o mesmo case
apareceu na lista de trabalhos mais
criativos da Warc, que avalia a quantidade
de premiações recebidas.
Na sequência, entre as brasileiras,
também em 21º lugar, mais um trabalho
da agência consta na lista. ‘The
privacy gesture’, criado para o Whats-
App, replicava o ato de jogadores de
futebol cobrirem a boca durante partidas
para promover a criptografia de
ponta a ponta do aplicativo.
O Brasil aparece mais oito vezes
no ranqueamento: ‘Handshake hunt’,
da GUT para o Mercado Livre (49º);
‘Taste Lawyers’, da AlmapBBDO em
parceria com Jotacom e Streetwise
(52º); ‘Mother’s Day 2025: Love always
has a plan’, da AlmapBBDO para O Boticário
(52º); ‘T-search’, da Cappuccino
para a Mães da Sé (52º); ‘(Re)search
my body’, da GUT e SoWhat, desta vez
para o Grupo Boticário (64º); ‘Nubank
by Matt LeBlanc’, da Wieden+Kennedy
para o Nubank; ‘Only available in Brazil’,
da David com Initiative e Media
para Dove (83º); e mais um desdobramento
da campanha de Dia das Mães
do Boticário, desta vez ‘Mother’s Day
2024: Storms pass, love remains’, da
AlmapBBDO.
Com McDonald’s na liderança entre
as marcas mais efetivas, as brasileiras
O Boticário, que teve dois trabalhos
na lista de campanhas, conquistou
o 13º lugar, e o Nubank aparece na
29ª posição.
A China, que no ano passado esteve
na 49ª posição, saltou dezenas de posições
e alcançou o topo da lista como
país mais efetivo, retirando a liderança
dos Estados Unidos, que aparecem
em segundo lugar, seguidos pelo Brasil
em terceiro.
Para Filipe Bartholomeu, presidente
e CEO da AlmapBBDO, “ser reconhecida
como a agência mais eficaz do
mundo pelo WARC é uma conquista
que nos deixa muito orgulhosos, pois
traduz exatamente o que acreditamos:
a criatividade como principal
alavanca de crescimento e resultados
para os nossos clientes.
48 23 de março de 2026 - jornal propmark
31 3
pesquisas
Future 100, da VML Intelligence, traz
a estética do entropismo à publicidade
No lugar de um design rigoroso, recheado de padrões, a análise
mostra que a voz das ruas, como o punk, tem lugar e gera valor
Divulgação/Reprodução
A desconstrução do design tradicional pode ambientar no mesão das agências de publicidade a sujeira e a decadência como uma forma estética de gerar novas provocações
Paulo Macedo
A
rede VML, da holding inglesa
WPP, lançou há cerca de um mês
o estudo de tendências ‘Future
100’ para este ano de 2026. A variação
de temas e abordagens é elástica e
vai do luxo à beleza, do retail à inovação,
da saúde à tecnologia.
Chama a atenção, porém, um dos
tópicos da rubrica Cultura: o entropismo.
Está na primeira análise do
estudo liderado pelas diretoras globais
da VML Intelligence, Emma Chiu
e Marie Stafford.
No lugar de uma estética rigorosa,
recheada de padrões e convenções,
por que não absorver a voz das ruas,
como o punk rock fez nos anos 1970,
que gerou provocações a desalinhamentos
industriais como a versão da
canção ‘My way’, clássico do arrumadinho
Frank Sinatra, pelos ingleses
anárquicos do Sex Pistols?
Ou o questionamento disruptivo de
Joãosinho Trinta no desfile da Beija-
-Flor, ‘Ratos e urubus, larguem minha
fantasia!’, de 1989, quando o lixo desafiou
o luxo na Sapucaí? E o grafite?
O entropismo, nas palavras do
‘Future 100’, traz para o mesão das
agências de publicidade o antagonismo
do imaculado e do polido; a
aspereza; a sujeira e a decadência
como tom estético provocador para
a temporada de 2026. É o dadaísmo
moderno ditando tendência para
quem aceita o caos e faz biquinho
para o convencional lógico.
“A marcante exposição do Barbican,
‘Dirty looks: desire and decay
in fashion’ (‘Olhares sujos: desejo
e decadência na moda’), encerrada
no Barbican Centre, em Londres, em
janeiro deste ano, compartilha um
mundo em constante transformação:
a ruptura política e a crise climática
colidem com um verniz algorítmico
“Designers tratam
a sujeira como
uma ferramenta
para o seu
trabalho”
que oferece perfeição sem atrito,
mesmo quando os sistemas do mundo
real falham e se sobrecarregam.
Nesse contexto, as roupas manchadas,
corroídas, desfiadas, deterioradas
ou carbonizadas carregam novos
significados”, atesta o estudo da VML
Intelligence.
Na exposição, acrescenta o ‘Future
100’, “os designers tratam a sujeira
como uma ferramenta para o seu
trabalho e usam a imperfeição como
uma história que expõe a verdade,
expressa desafio, demonstra resiliência
e, talvez acima de tudo, evoca
nossa conexão com a terra”. As redes
sociais automatizam a informação
que chega com críticas sem filtro;
sem edição; sem pudor.
FRAGMENTAÇÃO
O entropismo combina com a estética
da desordem, da deterioração, da
fragmentação e do caos. E está bem
50 23 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Stella Pirani, CSO da VML Brasil: “Transparência sobre o que o produto entrega”
Denon Oliveira, ECD da VML Brasil: “Não soar sintético num mundo dominado por IA”
Eduardo Marques, o Dudu, é CCO da VML Brasil: “Trazer a sujeira, a decadência...”
Fred Teixeira atua como diretor-executivo de criação na operação brasileira da VML
alinhado ao ano de 2026 em um planeta
que está carente de carinho diante
do ódio e da desintegração da natureza.
E, sobretudo, da artificialidade que
ainda ocupa lugar no egocentrismo e
na decadência.
Karen Van Godtsenhoven, curadora
principal da exposição ‘Dirty Looks’,
citada pelo ‘Future 100’, disse que
pode ser o ponto de partida para a regeneração:
“Talvez a sujeira possa ser
uma espécie de libertadora para nós,
daqui para frente”.
Rejeitar a voz popular não faz
parte do repertório da publicidade. A
estética do sujo é a base para a criatividade
e a renovação. A psicóloga
comportamental Jo Hemmings coloca
seu ponto de vista sobre o tema à VML
Intelligence no ‘Future 100’: “A criatividade
se torna uma poderosa válvula
de escape para o controle e o significado;
ela nos ajuda a dar sentido ao
caos, a transformar a ansiedade em
expressão. Em tempos incertos, a inovação
muitas vezes prospera porque
somos forçados a pensar diferente, a
nos adaptar e a encontrar beleza em
lugares inesperados”, afirma.
E Bunny Kinney, diretora-executiva
“Ferramenta de
diferenciação
contra a
‘comoditização
da perfeição’”
criativa global da Dazed Studio, compartilha
suas impressões com a pesquisa
da VML Intelligence: “A criatividade
requer algum tipo de estímulo
emocional para extrair inspiração...
Acho que coisas negativas às vezes
nos dão reações mais fortes”.
“A sujeira é um sinal cultural de que
o status quo chegou ao fim; marcas
que tratam a deterioração como um
briefing para reinvenção se posicionam
como designers do que está por
vir. Ao abraçar a metamorfose — projetando
para a mudança, o reparo e
sistemas regenerativos —, elas sina-
jornal propmark - 23 de março de 2026 51
lizam possibilidades futuras”, acrescenta
Bunny.
A publicidade, porém, já tem aderência
à linguagem. A campanha ‘The
epic split’, de 2013, criação da agência
sueca Forsman & Bodenfors para a
Volvo Trucks, estrelada por Jean-Claude
Van Damme, recorreu à estética
do caos e do extremo para exaltar a
ordem técnica e a precisão de seus caminhões.
O projeto assegurou o Grand
Prix do Film Lions e do Cyber Lions, no
Cannes Lions de 2014.
Fotos: Divulgação
‘Jeito certo’, para Mentos, é comportamento da geração Z, que adora reinventar tarefas do dia a dia e criar tendências nas redes
‘Surreal pops’, para Chupa Chups: homenagem da relação da marca com o surrealismo
BRASIL
A estética entrópica não está distante
dos trópicos. A AlmapBBDO, por
exemplo, mesmo não datando o comercial
‘Tormenta’, para O Boticário,
com o caos da entropia clássica, tratou,
de forma sutil, no documentário
que ganhou o prêmio de Melhor Comercial
do Brasil do SBT, em 2024, da
tensão das relações entre uma mãe
e seu filho. São mais de três minutos,
sem o jeitinho família margarina das
campanhas de mães.
Como essa estética vai influenciar
a publicidade na era da IA? Quem responde
é Eduardo Marques, conhecido
como Dudu, que ocupa o cargo de CCO
da VML no mercado brasileiro.
“O entropismo aparece quase como
resposta natural ao ‘brilho algorítmico’,
essa perfeição polida, sem ruído,
que a tecnologia oferece. A IA é ótima
para gerar imagens impecáveis, mas
o entropismo entra justamente para
trazer a sujeira, a decadência, a imperfeição,
o erro bonito que faz a gente
sentir algo”, afirma.
“Para as marcas, isso muda o jogo:
aquela perfeição absoluta começa a
parecer plástica, distante, um pouco
vazia. As pessoas hoje querem sentir
verdade, não um mundo sem rachaduras.
E não é sobre ‘cancelar’ a IA, pelo
contrário, eu vejo a IA como um ótimo
caminho, sem volta mesmo. A questão
é usar essa tecnologia de um jeito
mais humano, sem essa obsessão
pela imagem perfeita que ninguém
vive na vida real”, comenta Dudu.
“A publicidade passa a valorizar o
que o curador Jon Astbury chama de
‘matéria fora do lugar’: aquele detalhe
que quebra a ordem certinha e cria
um impacto emocional maior, porque
mostra que existe vida ali. Quando a
marca assume o erro, o desgaste, a
imperfeição, ela se aproxima das pessoas.
No fim do dia, estamos falando
de algo simples, mas poderoso: conexão
emocional, verdade, vulnerabilidade.
Marcas que se permitem ser tão
humanas quanto quem está do outro
lado da tela”, encerra Dudu.
Já o ECD da VML Brasil, Denon Oliveira,
com base no que viu no ‘Future 100’,
esclarece que, à medida que a IA deixa
tudo perfeito, limpo e otimizado, o
que é imperfeito, humano e real ganha
valor. “Na publicidade, isso muda
o jogo: sai o visual superproduzido e
entra o que parece de verdade: sujeito
a erro, textura, ruído, improviso. O
valor deixa de estar na produção em si
e passa a estar na sensação de autenticidade.
No fim, não é sobre parecer
imperfeito, é sobre não soar sintético
em um mundo dominado por IA. Se
todo mundo usa IA pra ficar perfeito, a
vantagem passa a ser parecer humano”,
afirma.
CONTRAPONTO
Oliveira diz ainda que essa estética
é um contraponto para uma alternativa
já colocada em prática pelas
pessoas: “Isso não vem da teoria, vem
do comportamento: a galera já trocou
o Instagram polido pelo TikTok mais
espontâneo, o estúdio pelo conteúdo
de gente comum, o roteiro pelo ‘vida
real’. O entropismo dá nome a algo
que já vem acontecendo, a rejeição
da perfeição artificial. Na prática, aparece
em campanhas esteticamente
mais cruas, quase antipublicidade,
que mostram bastidores e processo
em vez de só o resultado final, mesmo
que isso seja pensado estrategicamente”,
afirma.
“A Balenciaga trabalha uma estética
propositalmente ‘feia’, desgastada
e antiluxo; a Diesel aposta em campanhas
com erros, glitch e imperfeições;
a Nike, especialmente em social, usa
conteúdo gerado por usuários, filmagens
curtas e um storytelling menos
polido; e a Apple, também em social,
vem usando conteúdo mais real, filmado
por pessoas comuns”, acrescenta
Oliveira.
Quando tudo fica perfeito demais,
nas palavras de Dudu Marques,
o caos vira autenticidade, que
também acredita que a entropia é
“um contraponto essencial e direto
a essa corrida pela perfeição digital
e por um consumo rápido e descartável.
As pessoas estão cansadas de
viver num feed onde tudo é perfeito,
filtrado, milimetricamente editado”.
“Isso cansa, pressiona e, no limite,
afasta. O entropismo traduz um
futuro ‘disotimista’: ele olha para o
caos, para a escuridão do mundo de
hoje, mas escolhe não se entregar
ao desespero. É quase um treino de
olhar: aprender a enxergar beleza na
impermanência, naquilo que racha,
desbota, envelhece e renasce de
outro jeito”, argumenta o CCO da VML
Brasil.
“Como a psicóloga Jo Hemmings
coloca no relatório, em tempos incertos,
a criatividade fica mais intensa
porque a gente é empurrado a procurar
beleza em lugares improváveis,
justamente para dar algum sentido
ao caos. Essa estética organiza visualmente
um movimento que as
pessoas já vêm fazendo: cansadas
do ‘tudo perfeito o tempo todo’,
elas começam a valorizar o vivido,
o marcado, o imperfeito. E a marca
que entende isso e acompanha esse
movimento ganha relevância de um
jeito muito mais verdadeiro”, se aprofunda
um pouco mais.
FILTRO
A equipe criativa da VML Brasil
está bem alinhada. Frederico Teixeira,
também ECD da agência, pondera
que, na era da inteligência artificial,
a perfeição deixou de ser diferencial,
virou padrão.
52 23 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
No projeto de cocriação da Coca-Cola, a marca abriu mão da perfeição estética
“Layout limpo, imagem impecável,
texto polido: tudo isso a máquina faz
em escala. E quando tudo pode ser impecável,
o que passa a chamar atenção
é justamente o que parece humano,
imperfeito, real. Na publicidade,
isso abre espaço para marcas que
abraçam mais textura, mais verdade
e menos polimento: imagens com ruído,
enquadramentos não ideais, narrativa
que aceita hesitação, pausa,
improviso. A técnica e a ideia continuam
a serviço da marca, mas o caminho
mais eficaz, em muitos casos, deixa
de ser parecer perfeito e passa a ser
parecer vivo, principalmente quando
a audiência já reconhece, de longe,
o brilho ‘plástico’ de algo feito para
agradar o algoritmo”, afirma.
Frederico Teixeira diz ainda que o
entropismo nasce como essa reação
direta a um cenário em que tudo pode
ser artificialmente perfeito. “Ele não é
só uma estética, mas um sinal cultural
de cansaço com o perfeito demais,
com o que soa sintético. As pessoas
já vêm se afastando dessa perfeição:
trocam o feed milimetricamente editado
por formatos mais espontâneos,
o conteúdo de estúdio pelo registro
do dia a dia, o roteiro fechado pelo
‘deixa rolar’”.
Um bom exemplo dessa lógica,
no olhar de Teixeira, é o conteúdo de
TikTok da Ryanair. “A companhia poderia
seguir o caminho óbvio: vídeos institucionais,
imagens polidas de avião
no pôr do sol, trilha emotiva, narrativa
inspiradora. Em vez disso, escolhe justamente
o oposto: vídeos com filtro
tosco no avião, humor ácido, autodepreciação,
cortes bruscos, respostas
irônicas a comentários. Nada ali parece
‘campanha clássica’ de aviação, e
é exatamente por isso que funciona”,
diz o ECD, que prossegue a sua linha de
raciocínio sobre a Ryanair:
“Esse conteúdo abraça o entropismo:
é imperfeito, caótico, às vezes exagerado,
mas soa vivo. A marca abandona
a pose de perfeição corporativa e
se comporta como um usuário comum
da plataforma, jogando com as regras
culturais do TikTok, não com o manual
tradicional de branding. A técnica e a
estratégia estão lá, mas camufladas
em algo que, à primeira vista, parece
improviso. Em um ambiente saturado
de vídeos polidos (muitos já gerados
ou otimizados por IA), o que a Ryanair
entrega é justamente o que se destaca:
uma marca que parece menos máquina
e mais pessoa.”
VAZIO CULTURAL
Stella Pirani, CSO (chief strategic
officer) da VML Brasil, também comenta
sobre como a IA vai se confrontar
com a ideia entrópica de desconstrução
disruptiva que, aliás, acompanha
a comunicação mercadológica desde
que ela se tornou madura e consciente
da sua responsabilidade de antecipar
e conviver com os novos cenários,
inclusive os estéticos.
“Pode ser uma excelente ferramenta
de diferenciação contra o que
estamos chamando de ‘comoditização
da perfeição’. Em um mundo onde
a IA pode gerar qualquer imagem
impecável em segundos, o ‘perfeito’
perde seu poder histórico e sua capacidade
de gerar conexão emocional. A
publicidade deve passar a usar o real
‘Thanks for co-creating para Coca-Cola’: plataforma colaborativa da Coca-Cola
“A entropia serve
para sinalizar
que uma marca
é autêntica”
como um código de presença humana.
Como aponta o relatório, em um cenário
de ‘hyperreality’, em que a linha
entre o real e o gerado desaparece, a
estética da entropia serve para sinalizar
que uma marca é autêntica, resiliente
e capaz de enfrentar a verdade,
em vez de apenas oferecer um ‘brilho
algorítmico’ sem fricção”, pondera
Stella, que se estende ainda na reflexão
sobre a entropia estar enraizada
na matriz popular.
“Sim, ela é a manifestação estética
de uma tensão profunda: a fadiga
da simulação. As pessoas já estão
praticando o que chamamos de ‘truth
literacy’ (alfabetização na verdade),
desenvolvendo um ceticismo saudável
contra os conteúdos excessivamente
curados. O entropismo é
o contraponto ao ‘vazio cultural’ de
uma sociedade bombardeada por
informações e imagens sintéticas,
uma resposta ao desejo de 89% das
pessoas que gostariam que a vida
fosse mais simples e real”, destaca a
executiva.
Stella diz ainda que as pessoas
estão buscando o que é “impermanente”
e “orgânico” como uma forma
de se reconectarem com a própria humanidade,
fugindo da estagnação de
uma cultura que parece ter parado de
‘girar o disco’.
ExEmpLOs
O caso da The Ordinary e sua iniciativa
‘The wikileaks of beauty’, de
acordo com Stella Pirani: “É um bom
exemplo de como transformar a entropia
e a desordem do mercado em
uma vantagem competitiva de confiança”.
Ela diz mais: “Ao decidir expor
algumas verdades da indústria da
beleza, simplificando artigos científicos
complexos e combatendo jargões
de marketing vazios, através da campanha
‘The periodic fable’, a marca
utiliza a honestidade radical para
prever e sanar as preocupações dos
consumidores antes mesmo que elas
surjam”.
A CSO da VML Brasil esclarece que
essa estratégia prova que, “em um
mercado onde a verdade está sob ataque,
a transparência absoluta sobre
o que o produto realmente entrega,
sem as promessas milagrosas e o
visual retocado do passado, é o que
constrói uma lealdade inabalável,
atendendo ao desejo de 86% dos consumidores
que preferem uma publicidade
humilde e honesta a alegações
exageradas”.
CONCLUsÃO
A perfeição é uma utopia, como
descreve o ‘Future 100’ da VML Intelligence.
As camadas sociais, do gueto
e das quebradas, do high society decadente
aos novos milionários da tecnologia,
esbarram na convivência e
nos apelos que tipificam estereótipos.
Desconstruídos pela verdade que está
na voz popular, que inspira a publicidade,
o marketing e as marcas.
jornal propmark - 23 de março de 2026 53
pesquisas
M15 faz análise dos investimentos em
mídia das marcas de cuidado pessoal
O Boticário, Natura e L’Oréal respondem por quase metade dos aportes
no setor, de R$ 515 milhões; mas valor pode ser maior com influencers
Paulo Macedo
Cuidado pessoal ultrapassou a
fronteira da vaidade para se alinhar
ao conceito de qualidade de
vida. As marcas brasileiras e internacionais
estão atentas a esse comportamento
e desenvolvem produtos sob
demanda para todos os perfis de consumo.
E suas agências investem cada
vez mais em ações mercadológicas.
A Africa Creative, por exemplo,
trouxe a atriz Fernanda Souza para a
nova linha ‘Natura Tododia Morango
e Baunilha Dourada’ cuja proposta,
como informa comunicado da agência,
“introduz texturas inéditas ao
portfólio de cuidados diários com uma
estratégia que prioriza o entretenimento
nativo e a criação de conteúdo
orgânico sob o conceito ‘O morango
que vai surpreender todo mundo’”. O
projeto se utiliza do formato das novelinhas
verticais, incluindo uma parceria
inédita com a Globo no TikTok.
A Natura é uma das marcas brasileiras
presentes no relatório da M15,
em parceria com Similarweb, Galaxies
e Stilingue, que também inclui O
Boticário e L’Oréal, como marcas que
investem cerca de 50% dos seus recursos
na mídia digital do segmento.
Segundo a análise, o setor de cuidados
pessoais investiu R$ 515 milhões
em mídia digital no Brasil em 2025.
“Em um cenário marcado por alta
concorrência, crescimento consistente
dos investimentos e plataformas
cada vez mais orientadas por dados,
entender onde, como e com que eficiência
as marcas alocam seus recursos
tornou-se um diferencial estratégico.
É a partir desse contexto, com o objetivo
de mapear os padrões de investimento,
performance e impacto
da publicidade digital na categoria,
que a M15 e seus parceiros lançam o
‘Panorama digital: Personal Care’, um
estudo sobre investimento e retorno
das marcas em mídia digital no mercado
brasileiro de cuidados pessoais”,
detalha o comunicado da empresa.
A Africa Creative desenvolveu ação para marca de beleza Natura e estrelada por Fernanda Souza: aposta em novelinhas verticais
Thiago La Torre é consultor global em estratégia de marketing e curador da M15
“O relatório mostra que, no mercado
de cuidados pessoais, não basta investir
mais, é preciso investir melhor. As
marcas líderes ampliam sua vantagem
ao combinar escala, inteligência de
dados e consistência estratégica, enquanto
os concorrentes precisam ser
muito mais precisos em posicionamento,
canal e mensagem para competir. A
“Não basta
investir mais, é
preciso investir
melhor”
Fotos: Divulgação
mídia digital deixou de ser apenas um
meio de visibilidade e passou a ser um
ativo central de construção de marca e
crescimento”, contextualiza o executivo
Thiago La Torre, consultor global em estratégia
de marketing e curador da M15.
O estudo aponta três fatores para
o mercado digital e a audiência: 1)
Tamanho do mercado: em 2025, o público
digital da categoria atingiu 38
milhões de visitantes únicos mensais,
apresentando um crescimento anual
de 18%; 2) Potencial de crescimento:
no Brasil, apenas 10% das compras de
cosméticos ocorrem online, em comparação
aos 87% na China, o que indica
um vasto potencial de expansão.
3) Eficiência de campanhas: Embora
93% dos trabalhos se foquem
no fundo do funil (conversão direta),
campanhas de reconhecimento de
marca geraram 63% a mais na ativação
em canais físicos e marketplaces.
Thiago La Torre diz ainda que os R$
515 milhões podem ser multiplicados
por quatro, se contemplarem canais
não auditáveis como influenciadores.
54 23 de março de 2026 - jornal propmark
twosides.org.br
agências
Leo equilibra legado e inovação para
fase de expansão e reposicionamento
Parte do Publicis Groupe, empresa destaca impacto da liderança
colaborativa e valorização da criatividade como motor de crescimento
Bruna Nunes
Com 51 anos de atuação no Brasil, a
Leo vive um momento de expansão
e reposicionamento estratégico.
A integração à Leo Constellation,
rede criativa global do Publicis Groupe
lançada em 2025, marca esse movimento
e reforça a conexão da operação
local com uma estrutura internacional
mais ampla.
A operação brasileira, presidida por
Rafaela Queiroz e Fábio Brito, reúne
cerca de 300 colaboradores e atende
marcas como Fiat, Jeep, Mondelēz
(Club Social, Oreo, Trident e 7Days),
Lego, Nespresso, RAM, Samsung,
Spotify, Abbott, Enel, Paramount (Paramount
Pictures, Paramount+, Paramount
Home Entertainment) e Minerva
Foods.
Rafaela Queiroz explica que fazer
parte de um grupo como o Publicis
há três décadas expande o repertório
da agência, mas para a Leo manter a
autonomia da operação é muito importante.
O famoso ‘power of one’,
exemplifica ela, é uma força na hora
de responder às necessidades de negócio,
mas a empresa “tem 100% de
autonomia e trabalha de forma independente
no olhar cultural de como
se relaciona e entrega o seu produto
para os seus clientes”.
“Os nossos clientes procuram, se
relacionam e entendem a cultura da
Leo, mas, como a Rafa falou, a gente
tem um grupo incrível por trás, provavelmente
o grupo mais avançado em
tecnologia e em soluções, e é aí que
capturamos o que o grupo tem de melhor
para a gente levar essa solução
para o cliente”, sintetiza Fábio Brito.
No último ano, a Leo Brasil registrou
um crescimento de 23 pontos percentuais,
além disso, a agência apresentou
um crescimento orgânico de 40%
dentro da base atual de clientes.
crescimento
Para os presidentes, o crescimento
foi resultado da combinação
Rafaela Queiroz e Fábio Brito, presidentes da agência Leo, comentam a importância do modelo de liderança colaborativa
entre o legado criativo e novas capacidades
operacionais. Para Brito,
manter o DNA da agência e entender
seu papel é o mais importante para
manter a relevância da empresa, que
reforça o conceito de “enxergar pessoas,
não consumidores”. Ao mesmo
tempo, Rafaela Queiroz afirma que a
adaptação recente da Leo não rompe
com esse legado, apenas o reposiciona
diante da renovação natural
do mercado.
Segundo ela, a integração com a
Performance, agência nativa digital
do Publicis Groupe, permitiu combinar
criatividade e estratégia com data,
mídia e tecnologia, ampliando a capacidade
de entrega da operação.
Esse movimento também impactou
a dinâmica comercial da agência, que
passou a priorizar o crescimento dentro
das contas já existentes. “A gente
se dedicou muito, no ano passado,
a trabalhar e fazer o crescimento do
nosso portfólio dentro dos nossos
clientes. Ganhamos várias contas,
que a gente tem muito orgulho, mas
o que mais orgulha a gente é que conseguimos
trabalhar, começar a trabalhar
em outras frentes com os nossos
clientes que nós já tínhamos dentro
da casa”, celebra.
Brito acrescenta que a reorganização
também passou pela forma de
estruturar o atendimento. “Eu adicionaria
que, provavelmente, a Leo de
2026 é a que tem um dos maiores portfólios
de marcas e de marcas mais
Alê Oliveira
“Os nossos
clientes procuram
e entendem a
cultura da Leo”
56 23 de março de 2026 - jornal propmark
diversas no seu portfólio. Acho que
isso é muito importante ressaltar.
Nós somos uma casa de praticamente
20 marcas hoje”. Segundo ele, esse desenho
acompanha as particularidades
de cada segmento.
Alê Oliveira
Presidência duPla
Parte dessa transformação está
inegavelmente associada ao modelo
de liderança adotado pela agência,
com presidência compartilhada entre
a dupla. A dinâmica, segundo eles,
alterou não só o processo decisório,
mas também a cultura interna.
Rafaela conta que o valor da
troca em uma posição tradicionalmente
solitária nas agências é um
dos pontos mais positivos. “Tem um
ponto que o Brito fala e é a mais pura
verdade, que normalmente essa cadeira
é muito solitária. Quando você
chega numa posição de presidente,
de CEO, você está ali sozinho. E
é muito bom você ter alguém para
dividir as buchas, sabe?”
Para a executiva, a complementaridade
entre os dois é parte da
força do modelo. Brito também associa
os resultados da operação à
construção dessa parceria. “Foi até
agora a experiência mais legal da
minha vida profissional. Eu fui promovido
a uma carreira de CEO, tendo
um desafio muito grande pela frente.
E o grupo me deu um presente:
a Rafa”, elogia o executivo, que detalha:
“Às vezes eu não tenho uma
solução, mas conversando com ela
cinco minutos eu chego em um lugar
melhor. Que eu não chegaria se
ela não estivesse aqui”.
O escritório da Leo fica localizado no mesmo prédio que outras agências do Grupo Publicis, na cidade de São Paulo
reflexos na equiPe
A lógica de colaboração entre os
dois presidentes foi estendida à estrutura
da agência e passou a orientar a
rotina dos times. A mudança se reflete
em rituais de gestão, na distribuição
de responsabilidades e na tentativa de
reduzir barreiras entre áreas. “Quando
a gente montou o nosso board, por
exemplo, essa foi uma conversa que a
gente teve com eles, que mais do que
o responsável por aquele departamento,
eles tinham uma responsabilidade
com a agência”. Segundo ela, esse entendimento
foi sendo replicado.
Brito reforça que a principal tarefa
da dupla era liderar a transformação
de forma coerente com o discurso. “O
nosso maior desafio era liderar essa
“A criatividade
precisa estar
em tudo o que a
gente faz. Não só
na comunicação”
Divulgação
transformação da empresa, e liderar
é você ter uma visão, como ela falou,
do walk the talk. Eu acho que a gente
precisava não só mostrar a visão, mas
precisava dar o exemplo”. Para ele,
essa diretriz também orientou contratações,
governança e rotina. “Se a
gente quer ter uma agência com esta
pegada, precisamos de pessoas com
esta pegada.”
Entre as práticas adotadas estão
encontros recorrentes com a equipe
e maior abertura entre liderança
e operação. “A gente não tem salas,
por exemplo. Tem a sala pra fazer
reunião, mas ninguém tem sala na
agência porque está todo mundo
sempre disponível pra trocar e conversar”,
conta Rafaela. A executiva
também destaca iniciativas como
o “Café com os presidentes”, um encontro
periódico com grupos de colaboradores,
para ampliar a circulação
de ideias e feedbacks.
Na leitura de Brito, a cultura interna
foi sendo consolidada pela repetição
dessas práticas no cotidiano. “É
menos sobre autoridade e mais sobre
estar disponível e confiança”, resume.
Trecho do filme ‘Prompt’, que mistura cenas reais e elementos gerados por IA para promover o Fiat Toro; criação é da Leo
Todos são criaTivos
Outro eixo da operação é a ampliação
do conceito de criatividade dentro
da agência. Na Leo, a ideia deixa de ser
associada exclusivamente à área de
criação. Lá, todos os colaboradores são
lidos e recebidos como criativos, conta
Rafaela em entrevista ao propmark.
“Nós somos parceiros de solução dos
nossos clientes. Então a criatividade
precisa estar em tudo o que a gente faz,
não só na comunicação”, concorda Brito.
jornal propmark - 23 de março de 2026 57
mercado
Efeito fandom gera troca da compra de
mídia por ecossistema orgânico de fãs
Na era da indiferença, a atenção é um recurso escasso e o marketing de
interrupção tornou-se ineficiente e caro, nas palavras de Fábio Tambosi
Paulo Macedo
Quando o conceito love brand
se consolidou no mercado da
publicidade, criação da Saatchi
& Saatchi, através de seu então CEO,
Kevin Roberts, que escreveu o livro
‘Lovemarks: The future beyond brands’,
a ideia dos fandoms já estava
embutida.
Mas, atualmente, em uma era na
qual influenciadores digitais, ou não,
exercem papel fundamental na missão
de tornar uma marca amada e
desejada, os fandoms migraram dos
famosos fã-clubes do passado para se
transformar em autênticos ecossistemas
de influência com autonomia para
ditar comportamentos e negócios.
Não é por outra razão que os fandoms
estão ganhando espaço no
mundo acadêmico, assim como Roberts
no passado, que levou a ideia
das marcas amadas para a literatura
técnica. O brasileiro Fabio Tambosi
trouxe a sua experiência internacional
como executivo de marketing
em anunciantes como Nike, Nokia,
Saucony, OneFootball, ESL Faceit
Group e Adidas para o livro ‘Fandom,
como transformar clientes em fãs
que impulsionam a sua marca’, lançamento
da editora Europa no país,
mas disponível na Europa e nos Estados
Unidos.
Tambosi mostra, nas suas palavras,
“por que o crescimento sustentável
das marcas não depende
apenas de produtos ou campanhas,
mas da capacidade de criar conexões
emocionais e comunidades engajadas.
O fandom – junção das palavras
em inglês ‘fan’ (fã) + ‘kingdom’ (reino)
– é a força que transforma consumidores
em defensores e marcas
em movimentos culturais”.
O executivo e professor esclarece
que foi responsável por campanhas
que, na sua expressão, “vivem até
hoje no imaginário dos fãs, como
‘Ready for sport’ (Adidas), com Lionel
Messi, Mo Salah, Siya Kolisi, James
Profissional de marketing, professor e escritor, Fabio Tambosi, que atuou na Nike e Adidas, lança livro sobre clientes se tornarem fãs
Harden e David Beckham; ‘The switch’
(Nike), com Cristiano Ronaldo; ‘Play
free’ (Joga Solto), com o Ronaldinho
Gaúcho; e ‘Live legendary’, para a ESL.
O que elas têm em comum?”.
Ele responde: “Nenhuma delas dependia
do produto para vender; elas
criaram identidade. Esses ícones transformaram
audiência em uma comunidade
blindada contra a concorrência”.
Tambosi diz ainda que o tempo reduzido
das pessoas acelera a necessidade
do fandom. “Na era da indiferença,
a atenção é um recurso escasso e
o marketing de interrupção tornou-se
ineficiente e caro. A orientação do
fandom inverte essa lógica: em vez
de perseguir clientes, a marca constrói
uma comunidade que a promove
“O marketing
de interrupção
tornou-se
ineficiente e caro”
Divulgação
organicamente”, afirma, lembrando
do case ‘Ready for sport’, da Adidas.
“Ativou o ‘fandom interno’ ao mobilizar
cerca de 1.700 funcionários e 22
atletas, como Messi e James Harden,
para cocriarem a narrativa e ativarem
a campanha organicamente. Os resultados
provaram a eficiência de trocar
mídia paga por comunidade de fãs:
alcançamos mais de 500 milhões de
visualizações em três meses, impulsionando
um crescimento de 44% em
tráfego de e-commerce e conversão
de 7,2% (vs. 4,7% da média global).”
Ele finaliza: “Minha recomendação
é migrar do modelo de campanhas
para conversas, reduzindo a distância
entre marca e consumidor para um relacionamento
de ‘zero grau’”.
58 23 de março de 2026 - jornal propmark
Criação
Estratégia
Redação
Social Media
Realização:
Apoio:
mercado
Economia exige marketing conectado
Nesse contexto, na expressão de Nelcina Tropardi, ganhar relevância
não é falar mais alto. É ser coerente, gerar confiança e ter impacto real
Alê Oliveira
As executivas Nelcina Tropardi e Sandra Martinelli, respectivamente presidente e CEO da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA): “O marketing hoje é transversal”
A
ABA (Associação Brasileira de
Anunciantes) está lançando a
Plataforma ABA 2030, cujo plano
é consolidar e dar direção à agenda
estratégica da entidade para os próximos
anos. Nelcina Tropardi, presidente
da ABA e VP jurídico, corporate
affairs, compliance, inclusão e diversidade,
ESG, gestão de risco e comunicação
corporativa do Carrefour, mostra
nesta entrevista o cenário econômico
desafiador. “O marketing deixou de
ser apenas um gerador de demanda
e passou a ser uma alavanca de valor
para as empresas como um todo”, ela
destaca. Confira a íntegra da sua entrevista:
O mercado de anunciantes
começa 2026 em um cenário
ainda desafiador. Como você
avalia este momento para o
marketing?
Sim, continua desafiador. O cenário
econômico continua exigindo eficiência,
um marketing cada vez mais
conectado ao negócio. O marketing
deixou de ser apenas um gerador de
demanda e passou a ser uma alavanca
de valor para as empresas como
um todo. Mas, há uma consciência
cada vez maior de que crescimento
sustentável não vem apenas de
corte de custos ou de resultados de
curto prazo. Vivemos a economia da
atenção: excesso de estímulos, muita
tecnologia e consumidores mais
críticos. Nesse contexto, ganhar relevância
não é falar mais alto. É ser coerente,
gerar confiança e ter impacto
real. Então acredito que começamos
2026 com um mercado mais maduro.
O anunciante está mais estratégico,
ele precisou se adaptar para navegar
nesse novo cenário e nosso papel na
ABA é apoiá-lo da melhor forma. Nossas
iniciativas são todas pensadas
para fomentar o marketing respon-
sável como aliado da liberdade de expressão
e da autorregulamentação,
que são bandeiras da entidade.
Como esse novo contexto
muda o papel do marketing
dentro das empresas?
O marketing hoje é transversal. Ele conecta
marca, negócio e sociedade. O
consumidor não separa mais discurso
de prática. Ele observa o todo: produto,
comunicação, postura corporativa,
uso de dados, posicionamento social.
Tudo conta. Por isso, a reputação deixou
de ser algo abstrato e passou a
ser um ativo competitivo. Marcas consistentes
reduzem custo de aquisição,
aumentam lealdade e atravessam
crises com mais força. O desafio para
os líderes de marketing é equilibrar
performance e construção de marca.
Não é mais sobre campanhas isoladas,
mas sobre arquitetura de marca
e visão sistêmica.
A ABA está lançando oficialmente
a Plataforma ABA 2030.
Poderia explicar qual é o propósito
dessa iniciativa?
A Plataforma ABA 2030 surge para
consolidar e dar direção à agenda estratégica
da entidade para os próximos
anos. O marketing está vivendo
um ciclo intenso de transformação,
impulsionado por tecnologia, novos
modelos de mídia, transformações
no comportamento do consumidor e
debates regulatórios cada vez mais
presentes no mercado. A proposta é
apoiar os anunciantes nesse contexto,
organizando os principais temas que
impactam o setor e orientando a atuação
da ABA em estudos, debates, posicionamentos
e iniciativas práticas.
Quais são hoje as frentes prioritárias
da ABA dentro dessa
agenda?
A Plataforma ABA 2030 organiza e co-
60 23 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Nelcina Tropardi, executiva do Carrefour, reeleita como presidente da entidade
Sandra Martinelli, CEO da ABA há mais de uma década
A assembleia foi realizada na sede da entidade, em espaço com naming rights da Artplan
Líderes da nova gestão para o triênio 2026-2029, eleitos durante Assembleia Geral Ordinária
necta os temas estratégicos que já
fazem parte da agenda da ABA com
temas emergentes da contemporaneidade,
como responsabilidade e reputação
para um futuro sustentável;
liderança e articulação de uma agenda
de transparência nas relações entre
marcas e agentes do mercado; antecipação
das disrupções do mercado;
conexão e evolução dos profissionais
de marketing; temas que atuamos em
advocacy, como marketing responsável;
autorregulamentação; defesa da
liberdade de expressão; LGPD; uso ético
da inteligência artificial; defesa do
consumidor; brand safety e combate
às fake news e desinformação; combate
ao etarismo; não ao estereótipo na
publicidade; e temas conectados com
a WFA – World Federation of Advertisers,
entidade global de anunciantes
da qual a ABA é filiada e eu sou membro
do seu executive committee, como
eficácia do marketing; capacidades
e talentos; criatividade e construção
de marca; inteligência artificial. Esses
temas se desdobram em verticais de
atuação que orientam prioridades,
aprofundam discussões e organizam
a atuação da ABA no médio prazo,
como creator economy & marketing
de influência, retail media, promoção
da integridade da informação sobre
mudanças climáticas e da confiança
pública sobre a agenda ambiental,
responsabilidade compartilhada na
cadeia produtiva, consumo consciente
sem perder competitividade e rentabilidade,
biotecnologia, cannabis,
criptomoedas e apostas online, além
de temas relacionados ao novo papel
do CMO. Este ano, inclusive, conquistamos
nossa primeira associada do
mercado de bets, a Flutter. Muitos
desses temas estão conectados e a
Plataforma ABA 2030 tem uma premissa
muito clara no direcionamento
da ABA para atuar em cada um deles.
Acreditamos que temas como confiança,
transparência e responsabilidade
no uso da tecnologia passam a ser
cada vez mais determinantes para a
atuação das marcas.
Que impacto você espera que
a Plataforma ABA 2030 tenha
para o mercado?
Acreditamos que a plataforma pode
contribuir para qualificar o debate sobre
os rumos do marketing no Brasil.
É também um meio de praticarmos o
propósito da ABA, de reforçar o papel
do marketing como uma disciplina
estratégica para o crescimento das
empresas e para relações mais transparentes
com a sociedade. No fim do
dia, discutir tendências, tecnologia,
governança e inovação tem um objetivo
maior: fortalecer a relação de
confiança entre marcas e sociedade. O
marketing tem um grande poder de influência
e ela precisa ser responsável.
Quando promovemos boas práticas,
estimulamos transparência e reforçamos
princípios éticos, estamos contribuindo
para fortalecer a confiança nas
relações entre empresas, consumidores
e plataformas, mas também estamos
mostrando para os anunciantes
que eles podem gerar impacto real na
sociedade. Esse é um caminho que venho
liderando na ABA há mais de uma
década, e a Plataforma 2030 reforça
exatamente essa vocação.
E olhando para frente, quais
são os grandes desafios para os
CMOs?
Hoje o papel do CMO está entre os mais
complexos dentro das organizações.
Existe pressão por ROI, fragmentação
de canais, avanço acelerado da inteligência
artificial e, ao mesmo tempo,
uma responsabilidade cada vez maior
em relação à reputação e à governança.
Eu costumo dizer que o CMO virou
um verdadeiro orquestrador de crescimento
e confiança. Ele precisa dominar
tecnologia, integrar dados, cultura
e experiência, além de liderar times
híbridos – humanos e máquinas – e
garantir que a inovação aconteça com
responsabilidade. É um papel que exige
visão de negócio, capacidade de articulação
e, cada vez mais, governança.
E como a ABA se preparou para
colocar em prática essa nova
agenda da Plataforma ABA
2030?
Nossa agenda é bastante robusta, e
ela só funciona porque temos um time
executivo muito comprometido e lideranças
do mercado que realmente fazem
acontecer. Elegemos agora nossa
nova gestão 2026-2029 e acreditamos
muito na construção coletiva, em ser
um espaço de diálogo para esses líderes,
para que, juntos, possamos endereçar
esses desafios da melhor forma.
Um exemplo é o trabalho com inteligência
artificial que a ABA vem liderando
há quase quatro anos. Criamos o Grupo
de Trabalho Inteligência Artificial em
2022 e, a partir daí, lançamos importantes
documentos, como o ‘Guia ABA
sobre impactos da inteligência artificial
generativa na publicidade’, além
de documentos práticos, como listas
de princípios, infográficos, checklist e
um livro com contribuição de diversas
lideranças do mercado. Nossa atuação
tem como direcionamento o uso ético
e responsável da tecnologia. A partir
deste ano, as iniciativas que já temos
em nossa agenda, como eventos, webinares,
publicações, as reuniões de
comitês e GTs, as parcerias com outras
entidades, a atuação em advocacy, serão
orientadas e alinhadas à Plataforma
ABA 2030.
jornal propmark - 23 de março de 2026 61
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Eletromidia explora programática com
expertise da Place Exchange/Broadsign
Integração reforça a estratégia de compra de mídia no ambiente
digital da empresa ao disponibilizar o seu inventário de 55 mil telas
A
Place Exchange by Broadsign,
plataforma especializada em
Supply-Side Platform (SSP) para
as empresas que exploram o digital
out o home (DOOH) programático,
anunciou na semana passada uma
nova integração com a Eletromidia
tendo o objetivo de ampliar a sua presença
e a da Broadsign no mercado
latino-americano de mídia exterior.
A integração, como explica o
comunicado, permite que o mercado
anunciante acesse, por meio
da metodologia SSP, que funciona
como um marketplace de conexão,
o inventário premium de DOOH da
Eletromidia em escala nacional, utilizando
os mesmos fluxos de compra
que já usam para outros canais digitais
dentro de seus DSPs.
Por meio dessa parceria, compradores
da Place Exchange podem
alcançar audiências em 55 mil telas
digitais, distribuídas em diversos
ambientes premium, como edifícios
residenciais e comerciais, sistemas
de transporte de massa, aeroportos,
mobiliário urbano e shopping centers,
impactando consumidores ao longo
de suas jornadas diárias.
“A Eletromidia oferece uma escala
incomparável no mercado brasileiro
de OOH, com um alcance nacional de
mais de 53 milhões de pessoas por
mês”, esclarece a empresa, que, com
a maior parte de seu inventário digitalizado,
passa a representar mais de
80% da participação total do mercado
de DOOH no Brasil.
“Essa integração oferece aos
anunciantes globais e regionais acesso
programático à rede de OOH mais
abrangente e digitalmente avançada
do Brasil”, afirmou Robert Loftus, VP
de supply partnerships da Place Exchange
by Broadsign.
A métrica programática proposta pela Eletromidia e suas parceiras especializadas destaca a oferta do meio “em escala incomparável”
“A escala da Eletromidia e sua dominância
digital em ambientes urbanos
estratégicos a tornam uma parceira
ideal à medida que a demanda
omnichannel por DOOH programático
continua a acelerar na América Latina”,
acrescenta Loftus.
Essa tendência de expansão é outro
ponto-chave da integração com a
Place Exchange by Broadsign. “Ampliamos
a forma como disponibilizamos o
inventário programático da Eletromidia
ao mercado”, esclarece o executivo
Heitor Estrela Gomes, diretor de
produto e growth da Eletromidia.
“Ao adicionar um parceiro ao nosso
ecossistema, oferecemos mais opções
para que anunciantes acessem
nossas telas com eficiência, automação
e transparência, dentro do ambiente
programático global”, diz.
EXPERTISE
A Place Exchange by Broadsign é a
SSP global líder para mídia OOH (out of
home) programática, apresentando a
maior presença de inventário do setor
em todo o mundo. Como parte da família
de soluções OOH da Broadsign,
a Place Exchange é integrada a DSPs
(Demand-Side Platforms) omnichannel
e especializadas em OOH.
“A plataforma oferece a agências
e anunciantes a oportunidade de
unificar totalmente a compra programática
(garantida e não garantida)
e a mensuração de mídia OOH
com outros canais digitais dentro da
Divulgação
DSP de sua preferência. Isso permite
aproveitar os mesmos fluxos de trabalho,
criativos, relatórios e atribuições
já utilizados para publicidade
online, mobile e outras formas de
mídia digital”, detalha o comunicado
da Eletromidia.
“O conjunto de inventário OOH global
premium da Place Exchange adere
ao seu programa de certificação Place
Exchange Clear, que entrega aos
compradores qualidade, consistência,
transparência e conformidade.
Para parceiros de mídia OOH, a Place
Exchange oferece a oportunidade de
acessar investimentos publicitários
programáticos inexplorados com total
transparência e controle”, afirma o
comunicado.
patrocínio
62 23 de março de 2026 - jornal propmark
inspiração
Silêncio como instrumento de trabalho
Fotos: Arquivo Pessoal
O silêncio não é ausência de criação, é parte fundamental do ritmo. E talvez
o mercado nunca tenha nos ensinado isso: pausar também é potência
Lucas Munhoz
Especial para o propmark
Todo mundo que trabalha com publicidade sabe que a rotina se torna uma
grande competição. É duro falar isso, mas é verdade. Você precisa ser o mais
criativo. Precisa estar no topo.
Precisa trazer as melhores soluções. Precisa “pensar fora da caixa” (desculpe
o termo) o tempo todo. As agências exigem, os clientes exigem, o mercado exige.
Eu sempre fui um criativo do tipo inquieto. Fui ensinado a sempre questionar, explorar
diferentes perspectivas, me mostrar como a pessoa mais criativa da sala (ou
da call).
Ok, isso foi superimportante na minha formação profissional, mas foi exaustivo.
A vida vira um grande pitch e a mentalidade de provação constante vai te consumindo.
O meu instrumento favorito é a bateria, por muitos motivos.
Eu tenho ídolos bateristas, gosto de ter a responsabilidade de ditar o ritmo das
músicas, gosto de me desafiar a improvisar.
Mas, o principal ensinamento que a bateria trouxe para a minha vida foi entender
o poder do silêncio. Sim! O instrumento mais barulhento já inventado pela
humanidade me fez aprender que o silêncio é importante.
É uma bela dicotomia.
Antigamente, quando eu sentava para trabalhar, parecia que eu estava em um
eterno solo de bateria.
Quase como se eu estivesse tocando a introdução de ‘Painkiller’, da banda inglesa
Judas Priest, em loop. Muitas notas. Pedal duplo.
Energia lá em cima. BPM altíssimo. Sempre mostrando que eu posso, que eu
consigo, que eu sou o mais rápido e o mais preciso. E quando você erra uma nota?
Frustração, autocobrança e aquela sensação de incapacidade.
Como baterista ou como criativo, os anos vão passando e você aprende que não
precisa se provar o tempo todo. Pelo contrário, muitas vezes o fato de você querer
se provar o tempo todo até atrapalha o resultado final. Imagina só um mundo onde
Ringo Starr, eterno baterista dos Beatles, tentasse enfiar notas e mais notas em
cada canção?
É preciso entender o seu papel, respeitar o silêncio, respeitar o trabalho de
quem está ao seu lado. Não é sobre o baterista da banda, é sobre a canção. Não é
sobre o criativo, é sobre a campanha.
Não me entenda mal, acelerar é importante. Você precisa ser capaz de acelerar,
mas também precisa saber quando acelerar, e o mais importante: por que acelerar.
E não, eu não acho que essa cultura exaustiva pela performance é culpa dos
profissionais. É o que nos falam, o que nos ensinam, o que nos vendem.
Hoje eu entendo que trabalho criativo não é tocar o tempo inteiro. Não é fazer
barulho para provar que você está ali.
É saber quando entrar, quando sustentar e quando deixar a música respirar.
É no silêncio entre uma nota e outra que a tensão se constrói. É ali que a expectativa
nasce.
O silêncio não é ausência de criação, é parte fundamental do ritmo. E talvez o
mercado nunca tenha nos ensinado isso: pausar também é potência.
Lucas Munhoz é diretor de criação da Bold
jornal propmark - 23 de março de 2026 63
opinião
Alê Oliveira
Construindo hoje o
marketing do futuro
Nelcina Tropardi
O
marketing vive um dos períodos de maior
transformação de sua história. A velocidade
da inovação tecnológica, o avanço da inteligência
artificial, a fragmentação da mídia, as
mudanças no comportamento do consumidor e
a multiplicação dos ambientes digitais estão redesenhando
a forma como marcas se relacionam
com as pessoas.
O consumidor de hoje é mais informado, engajado
e exigente. Ele busca relações de confiança
com as marcas e coloca sua reputação à prova a
cada interação. Nesse cenário, qualquer decisão de
marketing exige cada vez mais critério, escuta ativa
e uma base sólida para sustentar escolhas muitas
vezes complexas.
Integro a liderança da ABA há mais de 20 anos
e, na AGO desta semana, fui reeleita para mais um
mandato como presidente. Ao longo desse período,
temos acompanhado essa evolução de perto, antecipando
desafios, compreendendo novas dinâmicas
de mercado e construindo respostas coletivas que
fortaleçam a indústria de marketing e comunicação.
Como a única entidade que representa os anunciantes
no país, a ABA contribui para essa agenda,
promovendo reflexões estratégicas em eventos,
webinares, debates, livros, guias e manifestação
de advocacy, apoiando os anunciantes para que
se posicionem na vanguarda do marketing global,
sempre com base em princípios de ética e responsabilidade,
valores que orientam a atuação da entidade
há 66 anos e fortalecem o sistema de autorregulamentação.
Foi com esse olhar de futuro, refletido também
em nosso slogan, ‘O futuro passa por aqui’, que lançamos
a Plataforma ABA 2030. Ela é resultado de um
processo de reflexão coletiva com o objetivo de consolidar
uma visão estruturada sobre os temas que
devem orientar a atuação estratégica da ABA nos
próximos cinco anos.
Entre esses temas estão a evolução da mídia e
das plataformas digitais, o uso responsável da inteligência
artificial, a proteção de dados, a mensuração
e a transparência em mídia, o papel crescente dos
influenciadores digitais, o marketing sustentável e
o combate ao greenwashing, além de temas relacionados
à integridade da informação, brand safety e
combate à desinformação. São pautas que já fazem
parte da agenda estratégica da ABA e ganham ainda
mais protagonismo dentro da plataforma.
Ao mesmo tempo, passamos a incorporar outros
temas contemporâneos, como marketing relacionado
a apostas online, criptomoedas, criptoativos
e cannabis. São mercados emergentes e sensíveis
que não podem ficar à margem do debate e também
precisam ter suas comunicações orientadas pelas
melhores práticas de marketing, pela responsabilidade
e pela ética.
Assim como as marcas precisam ter uma governança
clara para organizar responsabilidades,
alinhar decisões e garantir coerência entre o que a
empresa acredita e como ela se posiciona, na ABA
não é diferente. A Plataforma ABA 2030 é resultado
da governança que estruturamos na entidade. Ela
conecta os diferentes temas que trabalhamos e nos
dá mais clareza e consistência sobre como atuar
para apoiar os nossos associados em um ambiente
cada vez mais complexo e regulado.
Nosso objetivo é preparar as lideranças para
tomar decisões melhores em um cenário cada vez
mais dinâmico, complexo e desafiador. Por isso, a
plataforma é um convite à ação coletiva, porque o
futuro do marketing não será construído de forma
isolada, mas por meio da colaboração entre todo o
ecossistema de comunicação e marketing.
E construir o futuro do marketing é, em última
instância, contribuir para uma comunicação mais
responsável, relevante e conectada com as necessidades
do nosso tempo.
Porque o futuro já passou por aqui!
Nelcina Tropardi
é presidente da ABA e VP jurídico,
corporate affairs, compliance, inclusão
e diversidade, ESG, gestão de risco e
comunicação corporativa do Carrefour
presidencia@aba.com.br
“Nosso objetivo
é preparar as
lideranças para
tomar decisões
melhores em um
cenário cada vez
mais dinâmico”
64 23 de março de 2026 - jornal propmark
click do alê
Sabrina Guzzon e Martin Montoya lançam livro
No último dia 18 de março, Sabrina Guzzon e Martin
Montoya, sócios na consultoria estratégica Truths,
lançaram o livro ‘Qual é a sua verdade? – A corrida do
ouro do planejamento de marca’ (Editora Labrador).
A obra sistematiza a metodologia da empresa fundada
pelos autores em 2024, e propõe um retorno à disciplina
estratégica como base para marcas relevantes
e duradouras. O evento, que contou com apoio institucional
do Grupo de Planejamento, reuniu amigos
e parceiros de mercado na Livraria da Vila, na Vila
Madalena, em São Paulo. Após a sessão de autógrafos,
foi realizado o debate ‘A verdade como estratégia’,
marcando a 1ª edição de 2026 da Strategy Talks, encontros
promovidos pelo GP para debater temas relevantes
com diferentes expoentes do mercado. Participaram
desse primeiro ciclo, mediado por Amanda
Agostini, presidente do GP; os autores Sabrina Guzzon
e Martin Montoya; Sérgio Bairon, da USP; e Caroline Ferraz,
da Ambev.
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Sérgio Bairon, Caroline Ferraz (Ambev), Martin Montoya, Sabrina Guzzon (ambos da Truths) e Amanda Agostini
(Grupo de Planejamento)
Fotos: Divulgação
Martin Montoya (Truths), Mônica Charoux (Ch2
Comunicação Estratégica), Guido Puch e Sabrina
Guzzon (Truths)
Martin Montoya (Truths), Paulo Camossa (Piraporanó)
e Sabrina Guzzon (Truths)
Martin Montoya e Sabrina Guzzon (ambos da Truths)
Martin Montoya, Márcio Rodrigues (Galeria), Sabrina
Guzzon (Truths)
Eduardo Nasi (Almapbbdo, Renata Bonilha (consultora),
Sergio Bairon (Usp), Sabrina Guzzon (Truths)
Amanda Agostini (Grupo de Planejamento)
Andreia Kalvon (Fespsp), Cecilia Novaes (A Arte da Marca),
Ken Fujioka (Ada Strategy)
Martin Montoya (Truths), Caroline Ferraz (Ambev),
Marcelo Tolentino (Avenues) e Sabrina Guzzon (Truths)
Irene Knoth (Ik Creative Branding), Luiz Buono (Fábrica),
Ken Fujioka (Ada Strategy)
Após a sessão de autógrafos, os autores participaram do debate ‘A verdade como estratégia’, promovido pelo Grupo de Planejamento, com a presença de amigos e parceiros de mercado
jornal propmark - 23 de março de 2026 65
última página
Divulgação
A grande exaustão
Flavio Waiteman
Ei, filho, sente-se aqui. Acalme-se. Vamos falar
sobre esses tempos que vivemos com uma
impressão coletiva de cansaço da inovação. Impossível
acompanhar a velocidade do que aparece a
todo momento e da realidade humana de estar perdendo
aquilo que nunca se conheceu.
Sim, inovação é só uma ideia que te vendem ou
que você compra e a maioria delas nunca acontece
de fato. Metaverso? Óculos virtuais? Segway? Todo
ser humano tem medo do que vai acontecer e esse
medo é maior do que o sentimento que você tem
quando o fato acontece. Não tema. Tanto.
Não vamos passar correndo pela existência afogados
em ácido gástrico e sentindo que perdemos o
show mesmo com o badge no pescoço e em frente
ao palco.
Esse mal moderno em se manter ultra-atualizado
é uma cerca imaginária que toda vez que a gente
passa por ela, ela aumenta e fica mais distante. Na
verdade, poucas invenções serão tão úteis quanto a
Benzetacil e a vacina contra a dengue.
Você é humano, meu querido. E um ser humano
pode ter outras ideias além da obrigação de inovar.
Ideias de preguiça, por exemplo.
Se nem a realidade é mais igual para todos. Se o
elétron, quando observado, pode ser onda, e quando
ninguém olha, ele pode ser partícula, vemos que
respostas simples para problemas complexos são
um mal moderno. Se nem a física é mais confiável
com essa coisa quântica incompreensível, imagine a
indústria das novidades fantásticas como funciona.
Não se sinta pressionado a cortar, maximizar, escalar,
o tempo todo. Não coloque o mundo, o planeta
e seus recursos no sistema que alguém inventou e
virou natural. A sua vida, e me refiro ao seu tempo em
minutos e segundos, não foi dada a você para ser sistematizada,
escalada, ebitidizada. Os recursos naturais
e neurais possuem uma fronteira. E o quentinho
de estar do lado de cá da fronteira é bom também.
Respire um pouco. Durante um tempo, sem telas
e pergunte a você mesmo o que você sabe sobre as
coisas.
Pense em tudo o que já conquistou, em vez de
listar o que falta. O que você faria hoje se fosse embora
daqui amanhã? Pois, na verdade, isso é uma das
hipóteses válidas.
Tem horas que andar por aí sem pensar em nada
pode ser a coisa mais inovadora que você pode fazer.
Mesmo porque um agente de IA estará fazendo as
coisas para você. Deixa com ele. Inclusive treine-o
para deglutir as novidades e para te apresentar na
próxima semana. Preguiça.
Não se sinta ultrapassado. Pois esse conceito não
existe mais na idade da autoautomatização. Não se
sinta culpado por não assistir à última palestra da
mais recente ex-executiva do C-level, que descobriu
que estamos fritos, pois a essa altura já não teremos
acesso às mais profundas tecnologias, e os
assuntos sobre os quais conversam em uma língua
criada para só elas entenderem.
Em resumo, meu filho, você não vai conseguir
competir com alguém que não dorme, não se alimenta
organicamente, nada sente ou socializa, com
exceção da curta duração dos créditos que você
compra que na verdade servem para girar a roda. E,
para terminar, cuidado com as palavras: em especial
fique atento quando usarem disrupção. Destruir
tudo para colocar algo no lugar nos deu esse mundo
que temos hoje. Engraçado quando dizem que nós,
humanos, precisamos salvar o mundo e vemos as
campanhas de conscientização sobre atitudes que
visam a salvar o planeta que está aí há 4 bilhões de
anos, enquanto nós aparecemos nos últimos 30 segundos
dessa história toda.
Sem pressa, tudo bem se sentir exausto.
A Mãe Natureza é uma criminosa contumaz que
já tentou destruir o ser humano pelo menos oito vezes
em eventos de extinção em massa. Dia desses,
depois de tanto tentar, ela consegue. Então querido,
relaxa.
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“Não se sinta
pressionado
a cortar,
maximizar,
escalar, o
tempo todo”
66 23 de março de 2026 - jornal propmark
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