edição de 30 de março de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.084 - 30 de março de 2026 R$ 20,00
Retail media impulsiona verbas
e consolida ecossistema no varejo
O retail media, a chamada mídia de varejo, deixou de ser tendência para se tornar um dos pilares mais estratégicos da publicidade global. As estimativas da
Coresight Research já trazem um panorama para 2026: o mercado global de retail media deverá atingir US$ 203,9 bilhões neste ano, crescendo 14% ao ano.
Com avanço acelerado, integração entre dados, IA e lojas físicas, e forte expansão no Brasil, esse novo ecossistema transforma o ponto de venda em mídia
— e redefine como marcas influenciam, se conectam e convertem consumidores. Além disso, abre novas oportunidades de monetização para varejistas e
amplia a precisão das estratégias de marketing. Entenda por que esse movimento já mudou o jogo. pág. 18
Divulgação
Freepik
Marketing da GM busca
conectar inovação e valor
Gustavo Aguiar assume
o marketing da GM
na América do Sul em
meio à transformação
do setor e defende que
“o papel do marketing
é reduzir a distância,
transformar a complexidade
em benefício
claro e conectar a
marca a contextos que
façam sentido na vida
das pessoas”. pág. 14
Mercado analisa
impressões deixadas
pela 40ª edição
do festival SXSW
Profissionais presentes no evento realizado
em Austin, no Texas (EUA), entre os dias 12 e 18
de março, saíram com a certeza de que a inteligência
artificial não é só ferramenta e sim parte
do processo de transformação de sistemas
operacionais, modelos de negócios e fluxos de
trabalho, redefinindo a própria identidade das
pessoas diante do avanço sobre habilidades
estritamente humanas. pág. 30
SBT atrai nove anunciantes
para patrocinar Copa 2026
Shopee, Friboi, Carrefour,
Seara, Esportes da
Sorte, Airbnb, Pagbank,
Haleon e McDonald’s
confirmaram participação
na grade comercial
para a transmissão de
32 jogos do Mundial. As
atrações são os narradores
Galvão Bueno e
Tiago Leifert. Alessandra
Ribeiro comanda a área
de negócios. pág. 39
Alê Oliveira
editorial
Armando Ferrentini
Hora da mídia do varejo
Ir ao supermercado sempre foi e continuará sendo um programa de família,
entre colegas ou mesmo solitário. Independentemente dos diferentes níveis
de consumo, no geral, as pessoas passam pelo menos uma vez por semana
em um mercadinho da esquina (ou hipermercados, que estão com lojas cada vez
mais presentes nos bairros) para comprar um produto de última hora que faltou
na despensa ou para espiar uma promoção do dia. Muitas vezes o consumidor vai
acompanhado dos familiares, amigos ou até por colegas de trabalho, durante o
providencial intervalo do almoço. Difícil um brasileiro que não tenha esse hábito.
Aliás, estudos mostram que a famosa ‘compra do mês’ está cada vez mais fracionada.
A frequência de idas ao supermercado tem se tornado maior e os carrinhos
menores, com os brasileiros abandonando o tradicional costume de fazer uma
única grande compra mensal. Hoje, os consumidores (principalmente as donas
de casa) optam por reposições semanais ou idas quase diárias para aproveitar
promoções e garantir itens frescos.
Atualmente, 33% dos brasileiros vão ao supermercado uma vez por semana e 29%
mais de uma vez nesse período, segundo pesquisa de 2025 da Neogrid feita em
parceria com o Opinion Box. Apenas 25% preferem o intervalo de 15 dias.
Um dado importante do levantamento ‘Consumo em tempos de inflação e repriorização’
é que 64,3% da população realiza suas compras exclusivamente em mercados
físicos. Outros 31,4% adotam um modelo híbrido, combinando lojas físicas
e online, e apenas 4,3% compram exclusivamente pela internet.
A pesquisa mostra também que 43% dos consumidores consideram a experiência
de caminhar pelos corredores e encher o carrinho como um momento prazeroso,
enquanto para 34% a atividade é uma obrigação. É nesse contexto que o retail
media, a chamada mídia do varejo, cresce em proporções aceleradas no Brasil e
no mundo, com soluções online e offline para as marcas no PDV.
Especial nesta edição mostra como a estratégia de retail media vai além da compra
de mídia no varejo e passou a ser considerada um plano fundamental para
gerar receita para marcas e coletar dados primários preciosos dos consumidores.
O movimento traz impactos para todo o mercado. O momento é considerado um
ponto de inflexão para os anunciantes terem clareza sobre a escala e a adequação
das oportunidades. No caso das agências, a hora é de reorganização interna para
dar mais espaço para a estratégia. Enquanto o out of home é considerado um canal
perfeito para viabilizar esse cross media.
As estimativas da Coresight Research para 2026 indicam que o mercado global de
retail media deverá atingir US$ 203,9 bilhões neste ano, crescendo 14% ao ano. Além
de ser um canal de mídia, gerar mais vendas em função dos dados e análises mais
claras do comportamento do consumidor nos PDVs, o retail é potente para construir
marca. Players como Assaí e Magalu são cases bem-sucedidos que sabem aproveitar
bem as soluções de retail media, com novos modelos de mensuração, alto fluxo
de consumidores e megalojas com painéis de LED e alta tecnologia.
No relatório da Coresight Research, quatro fatores impulsionam o setor: a expansão
de formatos de funil completo; a alta demanda por soluções direcionadas; o maior
valor dos dados primários; e os avanços na execução em ambientes online e offline.
O consumo está em transformação, porém o prazer de fazer compras não muda. É
nesse cenário que o mercado tem crescentes oportunidades com o retail media.
As gerações mais novas não vão saber, por exemplo, como era legal ir ao Mappin,
no centro de São Paulo, ícone do varejo nas décadas de 1970 a 1990, mas esse é um
assunto para outro editorial. Fique de olho: há vários outros ‘Mappins’ para explorar.
Frase: “Não somos ricos pelo que temos, e sim pelo que não precisamos ter”
(Immanuel Kant).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
INVIAN lança Nexus para integrar
planejamento e compra de mídia OOH
Plataforma reúne dados, inventário e execução de campanhas em um
único ambiente. Proposta busca ampliar transparência, eficiência e acesso
ao mercado de mídia out of home.
3ª
Humano ou máquina? SXSW 2026 discute
os limites da conexão entre IA e pessoas
Festival em Austin reforça a IA como complemento, não substituição, e
destaca a importância das conexões humanas diante da automação de
processos e transformações no trabalho.
Havaianas une Bruna Marquezine
e João Gomes em ação sobre pares
brasileiros
Campanha ‘Pares originais do Brasil’ explora combinações associadas à
cultura nacional, como praia e água de coco ou feira e pastel, para reforçar a
ideia de que certos encontros se tornam parte do imaginário coletivo. Criada
pela Galeria.ag, a comunicação combina TV, digital e OOH.
4ª
Uso de IA acelera produção, reduz custos e amplia receita na creator
economy. Ferramentas passam a atuar também em conversão, cobrança
e gestão de negócios digitais.
5ª
Como a IA transforma creators
em microempresas digitais
Abotts e APP Brasil
realizam o Streaming Ads
Encontro reuniu mercado para discutir monetização no streaming, com
foco em dados, fragmentação de audiência e desafios de estratégia em
ambiente multiplataforma.
4 30 de março de 2026 - jornal propmark
conteúdo de marca
Pioneiro em financial media no país, PicPay
Ads amplia possibilidades ao acompanhar
jornada completa do consumidor
Banco digital ganha protagonismo ao transformar experiência de consumidor
em resultados para as marcas e agências com mensuração do funil completo
O
PicPay vem ampliando a atuação
para além dos serviços financeiros
ao transformar seu aplicativo
em uma plataforma que integra consumo
e mídia. Com o avanço do PicPay
Ads, que inaugurou o Financial Media
no país, e a evolução do PicPay Shop,
o banco passa a concentrar, dentro
do mesmo ambiente, toda a jornada
do usuário — da descoberta à conversão
— conectando dados financeiros e
comportamento de compra.
Parte dessa estratégia passa pelo
novo PicPay Shop, que reúne no aplicativo
categorias como eletrônicos,
eletrodomésticos, beleza e utilidades
domésticas, além de serviços como
passagens aéreas, hospedagens, delivery
de mercado e restaurantes, além
de ingressos para cinema e eventos.
A proposta é consolidar, em um único
ambiente, diferentes momentos de
consumo do usuário.
“Nosso foco é consolidar o PicPay
como um hub de consumo que acompanha
o usuário em diferentes momentos
da jornada, com uma experiência fluida
e integrada a todo ecossistema. Isso
aumenta a recorrência e o engajamento
da base, ao mesmo tempo em que
amplia a geração de dados e contexto
sobre comportamento e intenção de
compra. Na prática, criamos um ambiente
mais eficiente para conectar
marcas e consumidores, com mais relevância
e potencial de conversão”, avalia
Alexandre Moshe, VP Executivo de Audiência
e Ecossistemas do PicPay.
Nesse cenário, o PicPay Ads ganha
protagonismo ao viabilizar campanhas
contextualizadas com mensuração de
ponta a ponta do funil, permitindo que
marcas acompanhem todo o percurso
do consumidor dentro do mesmo ambiente
— diferentemente de plataformas
que operam em etapas fragmentadas.
A estratégia combina dados de
consumo e comportamento financeiro,
característica do chamado Financial
O PicPay reúne mais de 67 milhões de clientes, sendo 42,7 milhões ativos
Media, que alavanca informações sobre
compras e movimentação financeira
do consumidor para oferecer
uma leitura mais precisa de hábitos
e intenções. O movimento posiciona o
PicPay entre os players financeiros da
América Latina que vêm estruturando
ofertas de mídia proprietária integradas
ao ambiente transacional.
“A recorrência é um dos nossos
maiores trunfos. Nossos usuários interagem
com o aplicativo, em média, 35
vezes por mês — seja para pagar, comprar
ou investir. Isso nos permite criar
audiências mais precisas e entregar
anúncios mais contextuais, o que eleva
a qualidade e a relevância da comunicação
para o consumidor e, consequentemente,
os resultados de mídia para o
anunciante e as agências”, explica Felipe
Julião, executivo de Ads do PicPay.
Como a estratégia ganha
esCala na prátiCa
Para viabilizar essa proposta, o PicPay
atua em três frentes: parceria
consultiva com marcas e agências, desenvolvimento
de insights a partir de
dados proprietários e comprovação de
resultados com cases de campanhas de
grandes parceiros, como Magalu e Latam.
“Nossa principal tarefa é atuar de
forma consultiva. O maior trabalho tem
Foto: Leo Braga
sido educar o mercado sobre o potencial
único de conectar marcas a consumidores
em momentos de alta atenção,
com base em dados financeiros. Por
isso, trabalhamos lado a lado com anunciantes
e agências para demonstrar, na
prática, como essa abordagem gera
resultados superiores, com taxas de clique
(CTR) em média 70% superiores ao
benchmark de mercado”, afirma Julião.
O sucesso desta estratégia pode
ser visto em datas sazonais de alto
apelo comercial, como a Semana do
Consumidor, reforçam na prática a
potência desse ecossistema ao concentrar
picos relevantes de intenção
de compra e engajamento.
Na edição mais recente, realizada
entre 13 e 16 de março, o PicPay,
em parceria com grandes varejistas
como Natura, Casas Bahia, Electrolux
e Fast Shop, apostou em condições
que incluíam parcelamento em até
24 vezes sem juros, cupons de até R$
1.000 e cashback de até 25% para impulsionar
resultados. O desempenho
superou as expectativas: o volume
de pedidos foi mais de quatro vezes
maior que o registrado em dias comuns,
enquanto a base de consumidores
cresceu 132%, com destaque
para a entrada de novos clientes,
responsáveis por 80% das compras.
O resultado ficou quatro vezes acima
da média do e-commerce no período,
com o Pix se consolidando como principal
meio de pagamento ao registrar
alta de 41% nas transações, evidenciando
a capacidade da plataforma
de conectar marcas a consumidores
altamente propensos à conversão em
momentos-chave do varejo.
a segurança, o pioneirismo
e a inovação
O PicPay oferece hoje um portfólio
completo de produtos e serviços financeiros
e não financeiros para pessoas
físicas e empreendedores, integrando
pagamentos, crédito, investimentos,
seguros e soluções de consumo e conveniência
em um único aplicativo.
Esse avanço é sustentado pela
escala da operação e pelo engajamento
da base. O PicPay reúne mais
de 67 milhões de clientes, sendo 42,7
milhões ativos, e encerrou 2025 com
R$10,3 bilhões em receita e lucro líquido
ajustado de R$502 milhões.
O volume total transacionado (TPV)
chegou a R$550 bilhões no período,
reforçando o potencial do aplicativo
como plataforma de consumo e mídia.
A trajetória inclui ainda a adoção
de tecnologias como Open Finance e
inteligência artificial, além do pioneirismo
em transações via QR Code antes
da popularização do Pix.
Sempre à frente das novidades
tecnológicas no setor financeiro, o PicPay
foi o primeiro player financeiro
da América Latina a entrar no mercado
de Ads, devido a três fatores estratégicos:
o valor incomparável de dados
proprietários (first-party) de comportamento
financeiro; a escala, com
mais de 42 milhões de usuários ativos
e altamente engajados; e a oportunidade
de transformar a atenção plena
do usuário durante sua jornada financeira
em um canal de mídia eficiente e
inovador para as marcas.
jornal propmark - 30 de março de 2026 5
índice
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propmark.com.br
Retail media consolida
as estratégias das
marcas no varejo
Terceira onda da publicidade
global, a chamada mídia do
varejo avança em termos
de relevância nos planos
dos anunciantes. Para 2026,
a Coresight Research prevê
investimento global de até
US$ 203,9 bilhões no canal,
crescendo 14% ao ano.
18
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Jor na lis ta res pon sá vel
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ESPM Lide Corporate Academy surge
para formar liderança executiva
A ESPM e o Lide se uniram para lançar projeto que
combina a experiência acadêmica da instituição
com a rede de relacionamento do Lide. Dalton Pastore
(ESPM) e Doria Neto (Lide) explicam todas as fases
do programa para alta liderança executiva. pág. 38
TV1 conquista Atlas.One com
foco em marketing de incentivo
A gestão da conta ficará a cargo de Fabíola Aguiar, que
vai usar como ponto de partida o comportamento
para a ocupação de um território que considera
estratégico em um mercado que, globalmente,
faturou cerca de US$ 60 bilhões em 2025. pág. 34
Redação
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Alê Oliveira
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Quem Fez ...........................................................................11
Entrevista ..........................................................................14
ESG no MKT ........................................................................16
Especial Retail Media .......................................................18
SXSW ...................................................................................30
Agências ............................................................................34
Out of Home ......................................................................37
Mercado .............................................................................38
Mídia ..................................................................................39
Marcas ...............................................................................40
Opinião...............................................................................41
Inspiração ..........................................................................42
Negócios & Sustentabilidade ..........................................43
Click do Alê ........................................................................44
Última Página ....................................................................46
Central de Outdoor
realiza o OOH Summit
Brasil 2026
Para Fabi Soriano, diretora-executiva
da entidade, o evento reforça
o compromisso da Central de
Outdoor em preparar o setor para
os próximos desafios. Na ocasião,
foi apresentado o ‘Manifesto
do OOH: O setor se organiza, o
mercado avança’. pág. 44
6 30 de março de 2026 - jornal propmark
Sem título
https://qrfy.io/r/fJhbeyio_a
CONFIRA
ATIVAÇÕES EM TODO O PAÍS
conexões
última hora
Post: Gana e Oju unificam operações
Parabéns!
Tiago Ribeiro
CULTURA
A Biosphera.ntwk anuncia a chegada de Cássia Soumaili (na foto acima com o CEO Bazinho
Ferraz, presidente e fundador da network, a quem vai se reportar) como nova chief people,
culture e performance officer. A executiva vai liderar a estratégia de pessoas do ecossistema
nas frentes de talentos, desenvolvimento, cultura, carreira, design organizacional e performance.
SAÚDE
Chega à sua 31ª edição, entre os dias 19 e 22 de maio, no São Paulo Expo, a Hospitalar 2026.
O evento vai concentrar mais de 1.200 marcas expositoras em uma área de 100 mil m² e vai
acolher delegações de mais de 55 países, com destaque para a participação inédita de Sri Lanka
e Filipinas. A organização é da Informa Markets, a mesma empresa sediada no Reino Unido, que
adquiriu em 2024 o controle do Festival Internacional de Criatividade - Cannes Lions.
PRODUÇÃO
A Sugarcane Filmes anuncia a chegada
do diretor de cena Diogo Comum e da
produtora-executiva Elisa Mello, na foto ao
lado com o diretor Igor Selingarde. “Acredito
muito na força das ideias quando elas
nascem de encontros certos. Sinto que,
com eles, a gente se aproxima ainda mais
de trabalhos relevantes, que conectam de
verdade com agências, clientes e o público.
Estou muito empolgado com o que vem
pela frente”, comenta Igor Selingarde.
Elisa teve passagens pela AlmapBBDO,
Taterka, NeogamaBBH, Iconoclast e Santa
Transmedia. Diogo já dirigiu filmes para as
marcas Nubank, Honda, Samsung e Heinz,
além de ter colaborado com produtoras
como Rising Director e Czar.
Post: Claudio Lima estreia videocast
‘Creativity: dead or alive?’
Todos os dias no Brasil o cemitério de
ideias ganha uma nova cova. Quantas
vezes o orçamento da campanha tem
80% do investimento focado em mídia,
e os 20% que sobram vão para produção
e outras coisas mais?
Victor Mota
Post: Havaianas une Bruna Marquezine
e João Gomes
Arrasou, Havaianas!
Rosangela Viana
Post: Interior paulista é laboratório
para as marcas testarem formatos e
Duailibi Essencial
dorinho
estratégias
Trabalho incrível, um orgulho para
Campinas! Parabéns ao Fauze Abdouch
e todo o seu time!
Valéria Barini De Santis
Sou muito fã!
Luisa Pires
Três que se completam. Parabéns, Fauze
Abdouch, Guilherme Stucchi e Victor
Brentegani!
Luiz Felipe Salles
“Evento é tudo aquilo que eventual é” (Mário Chamie).
PRODUÇÃO 2
A Tropical Film reforça sua liderança executiva com Thais Urenha, que assume a posição de
head of business em momento de expansão da produtora, que está completando cinco anos.
Thais está na foto acima com Gabriel Dagostini e Rog Souza (de boné).
COPA
A Monks Film, da S4 Capital, e o Disney+ anunciaram o documentário em longa-metragem
‘Chasing the dream’, que contará com transmissão global na plataforma de streaming.
O projeto vai acompanhar a Copa do Mundo da Fifa 2026 com abordagem cinematográfica.
8 30 de março de 2026 - jornal propmark
curtas
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IA já é PArte do trABAlho de 82% doS
PuBlIcItárIoS, dIz eStudo do IAB BrASIl
A inteligência artificial se tornou imperativa no trabalho de 82% dos profissionais de
publicidade. O dado está na segunda edição da pesquisa ‘Decodificando os desafios da
IA no mercado de publicidade digital’, realizada pelo Interactive Advertising Bureau, o
IAB Brasil, em parceria com a Nielsen. O índice era de 69% em 2025. “Se no ano passado a
discussão estava concentrada no potencial da IA para impulsionar a criatividade, agora
vemos um avanço claro para um uso mais estruturado e estratégico. Estamos falando de
uma mudança na fundação das organizações”, indica Denise Porto Hruby (foto), CEO do IAB
Brasil. Nos últimos três anos, a utilização de IA pulou de 67% para 88%, melhorando eficiência
(80%), velocidade (79%), decisão (56%) e experiência (43%). Depois, chegou à análise
de dados e geração de insights (90%) e criação de conteúdo (73%). Hoje, já desenvolve
sistemas de marketing (34%), influenciando a arquitetura das operações. “Observamos
um movimento consistente de evolução dos indicadores, com as empresas começando a
ir além da automatização de tarefas operacionais. Esse avanço exige maior maturidade
analítica”, atesta Sabrina Balhes, managing director da Nielsen. O levantamento entrevistou
135 profissionais de agências, consultorias, veículos e plataformas no mês de março.
Two SideS realiza Power of PrinT 2026
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MulhereS São 60% no MarkeTing
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Entidade valoriza mídia impressa em evento gratuito e online marcado para o dia 16 de abril
Força de trabalho está centrada em pessoas de 29 a 38 anos, da classe B, em São Paulo
Fernanda Abreu (Endemol Shine Brasil), Lulu Skantze (Storytime Magazine) e Regina Bucco
(Associação Nacional dos Editores de Revistas – Aner) participam do seminário Power
of Print 2026, realizado pela ONG Two Sides em formato online e gratuito no dia 16 de
abril entre 10h e 12h. Defensora da mídia impressa, a entidade apresentará a experiência
das profissionais na utilização do meio para construir marcas. O debate será mediado
por Grace Cunha (ESPM). Tem patrocínio da Plural Indústria Gráfica e Sylvamo do Brasil. O
Power of Print é correalizado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), Aner,
ESPM e propmark, com apoio institucional de entidades da comunicação, propaganda e
marketing. A Two Sides também preconiza o uso consciente do papel e da impressão.
A força de trabalho do mercado da comunicação é majoritariamente feminina. As mulheres
equivalem a 60% dos 169.545 profissionais de marketing e publicidade ouvidos pela
plataforma Insights Hub, da Serasa Experian. “As leituras demográfica, socioeconômica e
comportamental ajudam as companhias na estruturação de estratégias mais assertivas
de atração e retenção”, aponta a gerente de RH Fernanda Guglielmi. O estrato social
mostra liderança da classe B (50,3%), seguida da C (31,8%), D (9,1%) e A (8,1%). Pessoas
de 29 a 38 anos perfazem 45,5% da amostra. As faixas de 39 a 48 anos (29%) e de 18 a 28
anos (13,7%) vêm na sequência. Já a distribuição demográfica é encabeçada por São Paulo
(36%), Paraná (9,7%), Santa Catarina (5,6%) e Rio Grande do Sul (5,5%).
See iT Be iT eScolhe TrêS BraSileiraS Score agency chega a nova york gana aBSorve oju
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Projeto já orientou mais de 150 pofissionais desde 2014
Beatriz Fiori (Gut São Paulo), Micaelle Lages (Thecode) e
Priscila Ramos de Sousa (Area 23, EUA) são as brasileiras
selecionadas para o See It Be It, programa do Cannes Lions
voltado a acelerar “a carreira de mulheres e pessoas
não binárias”, frisa Frank Starling, diretor de diversidade,
equidade e inclusão (DEI) do Lions. O treinamento é realizado
durante o festival, que ocorrerá entre os dias 22 e 26
de junho, na França. Essa edição terá 20 profissionais da
criação de 15 mercados, incluindo as estreantes Sérvia e
Coreia do Sul. Leena Gupta (Talented Agency, da Índia) e
Natasha Lashly (Piña Colada, da Venezuela) são tutoras do
projeto, que já orientou mais de 150 mulheres e pessoas
não binárias de 44 mercados desde a sua criação, em 2014.
Equipe celebra expansão sob o conceito ‘Re/Shape.AI’
A América do Norte é o próximo destino da Score Agency,
agência de brand e shopper experience do ecossistema
Biosphera.ntwk - já presente na Colômbia e na Argentina. O
novo escritório em Nova York (EUA) chega com o conceito
‘Re/Shape.AI’, que traduz a promessa de redesenhar experiências.
“Estamos estruturando uma operação potencializada
por inteligência artificial”, declara Carolina Vanuci, CEO da
Score nos Estados Unidos e no México, e CBO no Brasil. A
liderança de projetos internacionais passa a ser centralizada
em estrutura dedicada a operações na América do Norte,
América Latina e iniciativas globais, enquanto o Brasil ganha
um escopo ainda mais integrado. Agência do Ano no Ampro
Awards, a Score acumula mais de 500 reconhecimentos.
Inaiara e Tatiana: estrutura criativa e estratégica mais potente
A agência Gana, presidida por Tatiana Marinho, absorveu a
Oju, empresa de conteúdo comandada por Inaiara Florêncio.
Ambas serão sócias e co-CEOs. As áreas de estratégia, criação,
conteúdo e inovação foram unificadas sob a marca Gana,
que completa cinco anos e ganha nova roupagem encampada
por pluralidade e movimento. A expansão endereça “uma
estrutura criativa e estratégica mais completa”, diz Tatiana
Marinho, enquanto Inaiara destaca “a capacidade de operar
de forma integrada e mais potente”. Globo e Kolene entram
para o portfólio, que já tem Kuat, além de projetos especiais
para Neutrogena, SBP, Avon e Unilever (Seda e Fofo). Em 2025,
os sócios Ary Nogueira e Felipe Silva, fundadores da agência,
deixaram o negócio, que cresceu cerca de 30% ante 2024.
10 30 de março de 2026 - jornal propmark
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
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Novibet
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Título: ‘Camisa pesada’
CCO: Armando Araújo
ECDs: Carlos Schleder e Kleyton Morão
Redatores: Guigo oliva e otávio Mastrogiuseppe
Diretores de arte: leonardo brito e Paulo Almeida PA
Produtora: F/Naka vídeo Produção
Diretor: Fernando Yamanaka
Aprovação: Carlos Freitas e bruna Caldas
Para celebrar o momento da nova patrocinadora máster do Santos, a
marca promoveu ativações durante o clássico contra o Corinthians, que
terminou com um empate, na Vila Belmiro, em partida válida pelo Campeonato
Brasileiro. A We mostrou o vídeo ‘Onde nascem lendas, chega uma
novidade’, que resgata a história e o legado da camisa santista.
AfrIcA creAtIve
SADiA
Título: ‘Copa 2026’
CCO: Sergio Gordilho
CO-CCO: Nicholas bergantin
Diretor de criação: Rafael Carvalho
Produtora de imagem: Massai
Aprovação: Manoel Martins, luiz Franco e Marina Secaf
Presentes na memória afetiva de muitos brasileiros, os icônicos
mascotes Lek Trek e Canarinho são anunciados como dupla de ataque
da seleção. A parceria, que vai até 2030, contempla fornecimento
oficial de proteínas para os atletas das seleções brasileiras de
futebol; lançamento de embalagens e produtos comemorativos; e
presença de marca em ônibus, uniformes de treino e vestiários.
IN-HOUSe
Swile
Título: ’era Swile que faltava ’
Head of brand: Fernando borsatto e thaís Cezarini
Redator: lucas ericlyn
Produtora: Areia Filmes
Diretora de cena: Fernanda Dias
Compositores: Fernando borsatto e lucas ericlyn
Social media: Rosario Romay
A Swile, empresa francesa de benefícios corporativos, acaba de lançar no Brasil
uma campanha que marca uma mudança de posicionamento estratégico
no país, após atingir 1 milhão de usuários. O projeto traz a participação do
cantor Saulo Fernandes, que gravou o conteúdo sonoro no seu estúdio em
Salvador. A produção recorreu à inteligência artificial como solução criativa.
jornal propmark - 30 de março de 2026 11
entrevista
Gustavo aGuiar
CMO da General Motors na América do Sul
‘O legado só gera valor
quando continua relevante’
Com passagens pelos segmentos de bens
de consumo, tecnologia e mobilidade
urbana, Gustavo Aguiar assume o
marketing da General Motors na América
do Sul em um momento de transformação
do setor automotivo, marcado pela
eletrificação, conectividade e aumento
da concorrência global. O executivo tem
como desafio traduzir essa evolução para o
consumidor, fortalecer a relevância em um
ambiente mais fragmentado e, ao mesmo
tempo, respeitar o legado global e nacional
da GM. “Hoje, muitas empresas evoluíram
rapidamente em tecnologia, mas nem
sempre na mesma velocidade na tradução
de valor para o consumidor”, afirma ele.
Aguiar pretende fortalecer o papel do
marketing como motor de crescimento
e reduzir a distância entre inovação e
percepção de valor. Confira os detalhes na
entrevista ao propmark.
Bruna Nunes
Você assume a cadeira de CMO em um momento de transformação
da GM. Quais são as prioridades imediatas para a
América do Sul?
A transformação da GM é clara. O desafio é garantir que ela seja percebida com
a mesma clareza pelo consumidor. Nossas prioridades passam por três frentes:
relevância de marca, suficiência de presença via nosso portfólio e comunicação
e construção de valor. Hoje, o marketing opera em um ambiente muito mais
complexo, com mais canais, mais dados e mais pressão por resultado. O risco é
responder a isso com volume, quando o que realmente faz diferença é diferenciação
e consistência. Nosso foco é fazer o suficiente, com originalidade, qualidade
e disciplina, garantindo que cada investimento contribua para a construção de
marca e geração de resultado. Marketing só cria valor quando transforma evolução
em diferença e preferência.
Divulgação
No seu anúncio, a marca fala sobre você assumir o posto “na
nova era da mobilidade”. O que seria essa nova era?
A nova era começa quando a mobilidade deixa de ser apenas produto e passa a
ser solução e sistema. O carro evolui para uma plataforma conectada, integrada
ao ecossistema do consumidor, combinando eletrificação, conectividade,
serviços e experiência contínua. Quando ultrapassamos 1 milhão de veículos
conectados com OnStar na América do Sul, fica evidente que a relação com o
cliente muda de forma estrutural. Não é mais só sobre deslocamento, mas sobre
assistência, segurança, entretenimento e personalização em tempo real.
Essa transformação amplia o papel da marca e exige uma comunicação mais
multicanal, clara e contínua.
A companhia fala em acelerar a inovação e aprofundar a conexão
com o consumidor. Como esses dois pilares se traduzem, na
prática, na estratégia de marketing?
14 30 de março de 2026 - jornal propmark
“Nosso foco é fazer o
suficiente, com originalidade,
qualidade e disciplina”
Inovação só se torna relevante quando é percebida e consumida. Hoje, muitas
empresas evoluíram rapidamente em tecnologia, mas nem sempre na mesma
velocidade na tradução desse valor para o consumidor. O papel do marketing
é reduzir essa distância, transformando complexidade em benefício claro e
conectando a marca a contextos que façam sentido na vida das pessoas. Ao
mesmo tempo, operamos com uma lógica integrada. Cada ponto de contato
precisa contribuir tanto para a construção de marca quanto para o resultado
de negócio. Mais do que escolher entre branding e performance, o desafio é
integrar os dois de forma consistente.
Sua trajetória passa por categorias muito diversas, de bens de
consumo à mobilidade. O que você traz do seu repertório para
o contexto automotivo?
Trago principalmente a disciplina de construção de marca com visão de longo
prazo, o uso consistente de dados para tomada de decisão e a conexão entre
criatividade e resultado. Em diferentes categorias, aprendemos que marca
forte melhora performance, eficiência e reduz fricção ao longo da jornada. No
automotivo, isso é ainda mais relevante, porque se trata de uma decisão de
alto envolvimento, que combina emoção, racionalidade e confiança. Quando
produto, cultura, experiência e comunicação estão alinhados, a decisão se torna
mais natural para o consumidor.
A GM tem um legado forte no Brasil, especialmente com a Chevrolet.
Como equilibrar esse patrimônio de marca com a necessidade
de renovação?
O legado é um ativo estratégico, mas só gera valor quando continua relevante.
A Chevrolet construiu uma relação de confiança ao longo de gerações, e isso reduz
barreiras e aumenta a predisposição à escolha. Ao mesmo tempo, relevância
exige evolução constante, acompanhando mudanças de tecnologia, comportamento
e canais. Nossa abordagem é usar essa base de confiança para sustentar
um novo ciclo, conectando passado, presente e futuro de forma consistente.
Confiança abre a porta, mas é a presença e relevância que sustenta a escolha.
Em um cenário de entrada de novas montadoras e aumento da
concorrência global, onde o marketing pode gerar diferenciação
real para a GM?
A diferenciação hoje está menos em ações isoladas e mais na capacidade de
construir consistência e relevância ao longo de toda a jornada. Em um ambiente
com mais opções e mais informação, o consumidor valoriza clareza e
coerência. O marketing cria vantagem quando consegue alinhar produto, experiência,
comunicação e rede em uma proposta única e consistente. Mais do
que ampliar presença, o foco é reduzir fricção e tornar a decisão mais natural
e simples para o consumidor.
O mercado passa por uma mudança estrutural, com eletrificação,
novos modelos de uso e conscientização sobre a agenda
ESG. Como isso impacta a narrativa da marca?
Essa transformação exige que a comunicação seja cada vez mais conectada à
realidade da operação. Eletrificação, conectividade e ESG não são apenas temas
de discurso, são elementos que influenciam a decisão do consumidor. O papel
do marketing é garantir que a narrativa reflita com clareza o impacto real que a
marca entrega. Em um ambiente de maior transparência e informação, coerência
se torna o principal fator de credibilidade.
A experiência do consumidor tem sido central no discurso da
companhia. Onde estão hoje os principais pontos que representam
isso?
O consumidor hoje chega mais informado e com expectativas mais claras. Ele já
pesquisou, comparou e formou opinião antes de entrar na concessionária. Isso
exige uma jornada mais integrada, em que canais digitais, rede e serviços funcionem
de forma consistente. A experiência precisa ser fluida e sem fricção, porque
é nesse momento que a percepção de valor se consolida.
A inteligência artificial vem ganhando espaço nos processos
criativos e de mídia. Como você enxerga o papel da IA na operação
de marketing da GM?
A inteligência artificial traz ganhos importantes de eficiência, velocidade e capacidade
analítica. Ela permite entender melhor o comportamento do consumidor,
personalizar conteúdo e otimizar investimentos. Ao mesmo tempo, o diferencial
continua sendo a capacidade de interpretar contexto e tomar decisões com clareza
estratégica. A IA potencializa a execução, mas a direção continua sendo definida
pelas pessoas.
Olhando para os próximos anos, qual é a ambição para o marketing
da GM no Brasil e que tipo de comunicação você espera
construir?
Nossa ambição é posicionar o marketing como um motor de crescimento cada
vez mais relevante para o negócio. Isso significa construir uma comunicação culturalmente
relevante, consistente ao longo do tempo e conectada ao resultado.
O foco é combinar criatividade, dados e integração para fortalecer a marca e
apoiar a decisão do consumidor. Crescimento sustentável vem de consistência,
não de ações pontuais
Hoje a empresa trabalha em parceria com alguma agência?
Sim, trabalhamos com parceiros estratégicos que apoiam tanto a construção
de marca quanto as iniciativas ligadas à rede de concessionários. Mais do que a
estrutura, o importante é o modelo de trabalho, baseado em integração, alinhamento
estratégico e responsabilidade compartilhada por resultado.
Quais são esses parceiros estratégicos?
WMcCann, Dentsu e Publicis (Cadillac).
Vocês veem o investimento em experiências de marca, presença
em eventos e patrocínios como estratégico?
Sim, porque esses são momentos em que as pessoas estão mais engajadas e
abertas à conexão com as marcas. A presença em eventos, esporte e entretenimento
permite que a comunicação ocorra de forma mais natural e relevante.
O importante é garantir que essas iniciativas estejam alinhadas à estratégia e
contribuam para fortalecer a percepção de valor da marca.
Podemos esperar ver a GM em diferentes espaços em 2026?
Sim, com foco em relevância e consistência. Estamos presentes em plataformas
como Fórmula 1 e Copa do Mundo porque são momentos de grande atenção e
conexão emocional. Ao mesmo tempo, seguimos avançando no portfólio e na
construção de marca. A lógica não é estar em todos os lugares, mas nos lugares
que fazem sentido para a estratégia.
O marketing da GM trabalha diretamente com quais outras
áreas da empresa?
O marketing atua de forma integrada com áreas como produto, engenharia, CRM,
pós-venda e rede. Isso é essencial porque a percepção de marca é construída ao
longo de toda a jornada. Quando há alinhamento entre as áreas, a experiência se
torna mais consistente e a marca mais forte.
Qual balanço você faz do seu trabalho como CMO até agora?
Tem sido um período de construção de base e alinhamento. O foco foi trazer mais
clareza estratégica, fortalecer a consistência da marca e aumentar a conexão
entre marketing e negócio. Avançamos na presença em plataformas relevantes
e na evolução da narrativa da marca. Ainda há muito a fazer, mas estamos construindo
uma base sólida para sustentar crescimento no longo prazo.
“Mais do que escolher entre
branding e performance, o desafio
é integrar os dois com consciência”
jornal propmark - 30 de março de 2026 15
esg no mkt
Alê Oliveira
Obrigado, Amy Webb!
“Eu diria que os critérios ESG fazem parte
dessas macrotendências mais sólidas”
Alexis Thuller Pagliarini
Perto de 1.500 pessoas aguardando a apresentação
de Amy Webb no SXSW, com seus esperados
mapas de tendências. Mas o que aconteceu
foi surpreendente. Amy abriu sua sessão não com
slides ou estatísticas, mas com música fúnebre, velas
e lenços de papel distribuídos na entrada. O “falecido”
era o próprio relatório anual de tendências
tecnológicas.
Vestida com uma capa preta, ela declarou para a
plateia: “Estamos reunidos aqui hoje para celebrar e
lembrar a vida do relatório de tendências”. Mas por
que essa atitude drástica? A justificativa de Amy é
direta: “O mundo está mudando rápido demais, e
um PDF estático de tendências se torna obsoleto
imediatamente”. Em vez de perguntar quais tecnologias
importam mais individualmente, ela passou
a perguntar o que acontece quando vários sistemas
amadurecem ao mesmo tempo e começam a remodelar
negócios, trabalho, saúde, comércio e a vida
cotidiana juntos.
Em vez de tendências isoladas, o novo framework
de Amy prioriza convergências — a interseção de
múltiplas forças tecnológicas, sociais e econômicas
que criam transformações muito mais significativas
do que qualquer tendência isolada poderia alcançar.
E foram três convergências destacadas por
Amy: 1- Augmentação Humana: Interfaces cérebro-
-computador e edição genética levantam questões
críticas sobre desigualdade biológica e o futuro da
capacidade humana — alguns indivíduos poderão
em breve ser literalmente mais capazes do que outros,
criando uma lacuna para a qual os frameworks
sociais e legais atuais não estão preparados. 2- Nova
Equação do Trabalho: Esta convergência aborda o
que ocorre quando fábricas totalmente automatizadas
e sistemas de IA agêntica desvalorizam o trabalho
humano. Amy propõe um modelo alternativo,
onde atividades historicamente invisíveis — como
cuidado, mentoria e construção de comunidade —
seriam economicamente reconhecidas. 3- Terceirização
Emocional: Amy argumenta que as pessoas
sempre recorreram a outras para conforto, terapia,
direção e companhia — e o que está mudando é que
as máquinas estão cada vez mais assumindo esses
papéis.
O recado final de Amy foi um desafio direto aos
líderes organizacionais: o problema real não é a tecnologia
em si, mas a falta de visão estratégica para
lidar com múltiplas disrupções simultâneas. Como
ela afirmou: “Tendências dizem o que está mudando;
convergências dizem o que é inevitável”. Mas o
ponto que gostaria de destacar nesse texto é esse
questionamento que ela levanta sobre tendências.
Eu sempre fui ligado em tendências e já apresentei,
aqui mesmo, neste espaço, análises de tendências
de diversas fontes.
Mas, bastavam alguns poucos meses para a gente
se frustrar com as tais tendências. Amy acerta
ao identificar a luta inglória que é vislumbrar o que
é realmente relevante para apoiar o planejamento
estratégico de uma marca ou empresa. O mais
importante agora é estabelecer um panorama minimamente
previsível, mas manter flexibilidade para
mudanças. Mas há macrotendências que parecem
superar essa volatilidade. Puxando a brasa para a
minha sardinha, eu diria que os critérios ESG fazem
parte dessas macrotendências mais sólidas.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
Alguns dirão que Trump e sua turma quebram
essa minha teoria, já que se mostram negacionistas,
desdenhando as ameaças climáticas e as ações afirmativas
em favor de grupos minorizados. Mas não
podemos desconsiderar o que está acontecendo
nos países mais conscientes e mesmo nas empresas
americanas mais empáticas, que não desistiram
do seu alinhamento ESG, entendendo que o respeito
socioambiental e a governança ética garantem lucratividade
e longevidade aos negócios.
Fica aqui, então, meu agradecimento à Amy por
relativizar o poder das tendências, mas também
meu alerta para que as convergências basilares da
ética e do respeito sejam sempre consideradas.
16 30 de março de 2026 - jornal propmark
twosides.org.br
especial retail media
A mídia que vende: retail media redefine
investimentos e disputa bilhões em 2026
O segmento avança globalmente, integra dados, IA e lojas físicas
e redefine a forma como marcas constroem relevância e conversão
Bruna Magatti
Não é mais novidade como a
estratégia de retail media se
tornou uma das prioridades
para CMOs, sendo considerada muito
mais do que a ‘terceira onda da
publicidade’, mas sim, uma extensão
do trade marketing para um pilar de
discussões de conselho que compete
com os maiores players globais. Este
mercado evoluiu de uma tendência
impulsionada pelos Estados Unidos
e pela China para um fenômeno global,
com os investimentos na Europa
crescendo agora ao dobro da taxa do
mercado de publicidade digital em
geral, que, de acordo com análise da
Warc, vai ultrapassar o investimento
combinado em TV linear e conectada.
Por isso, é um momento fundamental
para os anunciantes terem
clareza sobre a escala e a adequação
da oportunidade de retail media. As
estimativas da Coresight Research
já trazem um panorama para 2026:
o mercado global de retail media deverá
atingir US$ 203,9 bilhões neste
ano, crescendo 14% ao ano. No relatório,
quatro fatores impulsionam esse
crescimento: a expansão de formatos
de funil completo; a crescente demanda
por soluções direcionadas e
mensuráveis; o maior valor dos dados
primários; e os avanços na execução
em ambientes online e offline.
De acordo com a empresa de pesquisa,
a ideia do funil completo “expandirá
o papel da mídia de varejo
para além dos investimentos focados
em performance, abrangendo
alocações mais amplas de marketing
de marca e de topo de funil, e incorporando
as RMNs ao planejamento
de mídia principal, juntamente com
os canais tradicionais”. Na jornada
de compra, os benefícios ao consumidor
– como cupons aplicados no checkout
ou brindes após o pagamento –
costumam vir na fase de pagamento.
Agora, a ideia é antecipar a conversão
ao ativar o desejo de compra desde
O mercado global de retail media deverá atingir US$ 203,9 bilhões neste ano, de acordo com estimativas da Coresight Research
“A prioridade do
momento é menos
superficialidade
e mais significado
e presença”
Divulgação
os primeiros cliques, influenciando a
decisão de compra desde o momento
da descoberta.
Em 2026, espera-se que os varejistas
usem recompensas já nas
páginas de produtos, nas listagens
de categorias e até em canais de
aquisição externos, como afiliados
e influenciadores. Também entre as
previsões da Coresight Research,
está o fato de que a mídia em lojas
físicas ganhará impulso à medida
que os varejistas transformam seus
espaços em redes de mídia de alto
valor, destacando um dado revelado
em uma pesquisa de dezembro de
2025: 37% dos compradores adquiriram
um produto promovido por meio
de canais em lojas físicas, como áudio,
vídeo, smartphones ou displays
estáticos.
Em um podcast realizado pela
eMarketer, a analista Sarah Marzano
afirmou: “Em 2026, veremos varejistas
reestruturando suas equipes de mídia
para aproximá-las de suas operações
principais”. De acordo com ela, “cada
vez mais, os varejistas estão percebendo
que dominar a mídia de lojas
físicas será uma parte indispensável
para o crescimento, e isso está tornando
as coisas mais complicadas”.
Durante a conversa, foi debatido
que, para coordenar ativações em loja
e abri-las para anunciantes de mídia
de varejo, especialistas afirmam que
os varejistas precisam integrar suas
diferentes áreas de atuação. Este
18 30 de março de 2026 - jornal propmark
crescimento acontece em um momento
complexo, onde a atenção e a confiança
se tornaram recursos escassos,
ao mesmo tempo que pessoas estão
oscilando entre consumir conteúdo
online e buscar, cada vez mais, experiências
fora da tela. Isso mostra que,
na relação entre marca e consumidor,
a prioridade do momento é menos
superficialidade e mais significado e
presença. É baseado nessa ideia que
o retail media torna-se o ponto de virada
como um dos espaços mais relevantes
para a marca se apresentar. E
dentro do varejo – onde acontece a decisão,
comparação e experimentação
e no qual o consumidor constrói entendimento
sobre o produto e valida
escolhas –, o retail media vira o maior
agente para essa validação.
Já a rápida expansão do retail
media e sua crescente presença em
canais on-site, off-site, CTV e lojas físicas
criou um cenário de mensuração
fragmentado, no qual o desempenho
é relatado de forma inconsistente
entre os varejistas. Essa falta de comparabilidade
emergiu como uma barreira
estrutural para anunciantes que
buscam escalar seus investimentos
em mídia de varejo com confiança.
A expectativa é que o mercado
caminhe em direção a um ecossistema
de mídia de varejo mais padronizado,
transparente e com mensuração
independente.
No Brasil, dados da Comscore mostram
que o crescimento de retail
media já é uma grande realidade. Em
2025, o setor de retail media alcançou
81% da população digital brasileira, o
equivalente a 105 milhões de visitantes
únicos, e se tornou uma das principais
apostas do varejo e da publicidade
para impactar consumidores no momento
decisivo da jornada de compra.
O país reúne algumas características
muito favoráveis: um varejo altamente
digitalizado, grande volume
de dados transacionais e um ecossistema
de marketplaces bastante competitivo.
Um destaque importante é
como o retail media começa a evoluir
para um modelo omnicanal, em que a
mídia acompanha o consumidor também
dentro da loja física, por meio de
telas digitais, áudio in-store e outros
pontos de contato conectados a dados
de compra. Outro diferencial do
Brasil é a proximidade entre varejo
e serviços financeiros. Muitos varejistas
operam também com carteiras
digitais e soluções de pagamento, o
Fabiana Manfredi: incrementalidade é ouro
que amplia a capacidade de entender
o comportamento do consumidor e
criar audiências muito qualificadas
para os anunciantes.
Para Mariana Meinberg, presidente
do comitê de retail media do IAB Brasil
e gerente corporativa de estratégia e
growth no Magalu Ads, o forte crescimento
do retail media no Brasil explica-se,
essencialmente, por uma virada
de chave estratégica no modelo de
negócio. A principal aceleração se deu
pelo fato de a área de mídia ter aberto
uma oportunidade inédita para os
varejistas e empresas que detêm um
conhecimento e relacionamento com
o consumidor para monetizar os seus
espaços. Tudo isso, aproveitando a
evolução da IA no processo.
“Se eu tivesse de apontar a maior
mudança estrutural que isto trouxe
para a publicidade digital, diria que
o retail media transformou o ponto
de venda (ou de transação) no próprio
ponto de mídia, viabilizando a mensuração
de ciclo completo (closed-loop
measurement). A publicidade deixa
de ser baseada em inferências genéricas
ou cookies de terceiros e passa
a ser orientada pela intenção de
compra real”, explica ela, enfatizando
que, no varejo – onde historicamente
se opera com margens muito apertadas
–, o retail media representa uma
linha de negócios de alta rentabilidade.
“Deixou de ser apenas sobre vender
produtos e passou a ser sobre
proporcionar espaços para as marcas
mostrarem a sua relevância ao longo
Em 2025, o setor
de retail media
alcançou 81% da
população digital
brasileira
EntrE dados E objEtivos
Do ponto de vista das agências, o
crescimento do segmento faz parte
de uma combinação entre pressão
por eficiência de mídia, uso crescente
de dados próprios pelos varejistas,
restrições cada vez maiores ao uso
de dados de terceiros e o amadurede
toda a jornada do consumidor”,
afirma Mariana.
Segundo ela, as categorias brasileiras
que mais lideram o investimento
em retail media são as chamadas
endêmicas: aquelas em que o próprio
ambiente de varejo é o destino final
da jornada de compra, seja no modelo
1P ou 3P, como as de CPG (bens de
consumo, alimentos e bebidas) e as
de eletrônicos, mas chama a atenção
para um movimento interessante: a
entrada das não endêmicas.
“Empresas dos setores financeiro,
de telecomunicações e até automotivo
passaram a olhar para o retail
media como um canal estratégico.
O que atrai esses anunciantes é a
possibilidade de ativar dados reais
de comportamento de consumo e
alcançar audiências altamente qualificadas.
Essa é uma vantagem que
poucos ambientes digitais conse-
Fotos: Divulgação
Mariana Meinberg: o ponto de venda agora é o ponto de mídia
guem oferecer com a mesma profundidade”,
diz.
Mas, como o retail media ainda
está em uma fase de hiperaceleração,
é natural que muitas marcas enfrentem
desafios de maturidade. Um dos
mais comuns é tratar o canal apenas
como ferramenta de conversão.
“Quando a avaliação se limita ao ROAS
imediato ou ao volume de cliques,
perde-se a oportunidade de medir o
impacto real do investimento (como
incrementalidade de vendas, atração
de novos consumidores e construção
de marca no longo prazo)”, alerta.
Mariana traz o desalinhamento
interno e a tendência de delegar decisões
totalmente à inteligência artificial
como outros pontos recorrentes.
“Retail media exige integração entre
marketing, trade, e-commerce e tecnologia,
mas muitas empresas ainda
operam em silos, o que gera sobreposição
de investimentos e perda de
eficiência. Soma-se a isso uma exploração
ainda limitada dos formatos e
redes disponíveis — muitas marcas
continuam concentradas apenas na
busca patrocinada, sem testar estratégias
de funil completo.”
jornal propmark - 30 de março de 2026 19
cimento real do e-commerce e dos
marketplaces por aqui. É o que diz
Grazziani Colombo, VP de performance,
AI & commerce do Publicis Groupe
no Brasil. “A mudança estrutural mais
importante, na minha leitura, é que a
mídia passou a acontecer dentro do
ambiente de compra. Antes, a publicidade
influenciava a jornada de longe;
agora ela atua no exato momento em
que a pessoa está decidindo. O varejista
virou canal de venda, dono dos
dados e operador de mídia ao mesmo
tempo. Isso muda a dinâmica do mercado
publicitário de forma profunda.”
Ao trazer o mercado para a conversa
e refletir se a operação de
retail media está mais ligada a
marketing, comercial ou como unidade
de negócios independente, Cyril
Marchal, CEO da Unlimitail Latam, opina
que reduzir apenas a um desses
pilares é simplificar demais o que ele
realmente representa. Para ele, monetização
sem relevância vira apenas
aluguel de inventário, fidelização
sem resultado se transforma em
relacionamento vazio e dados sem
ativação são só informação parada.
“O verdadeiro valor está em conectar
as três frentes em um ciclo virtuoso,
usando dados para gerar performance
para as marcas, melhorar a
experiência do shopper e, ao mesmo
tempo, criar uma nova fonte de receita
para o varejista. E, apesar de
estar em um momento importante
da jornada, decidir sobre retail media
apenas como um canal de conversão,
elimina toda a lógica de construção
de marcas fortes a longo prazo. Retail
media é um canal complementar
a TV, digital, OOH, CTV e vem para somar
na jornada de comunicação.”
Já Colombo é enfático: “Do lado do
anunciante, isso ainda varia bastante.
Em muitas marcas, retail media
começou dentro de e-commerce ou
trade, porque era lá que já existia
relação direta com os varejistas. O
problema é que, quando fica só em
trade, a visão costuma ser tática, focada
em promoção e sell-out. Quando
fica só em mídia, falta a conexão com
negociação comercial e sortimento.
Algumas marcas mais maduras já
estão criando áreas dedicadas de
commerce media, que sentam entre
marketing, trade e comercial e
conseguem ter uma visão mais completa.
Mas a verdade é que a maioria
ainda opera de forma fragmentada. O
desafio não é só decidir onde o retail
Cyril Marchal: mudança total no investimento em marketing
media se encaixa no ecossistema,
mas garantir que quem cuida dele tenha
acesso ao dado de mídia, ao dado
de sell-out e à negociação comercial
ao mesmo tempo”, afirma o VP.
Em relação aos objetivos, primeiramente
se pensa na monetização
incremental, depois o uso estratégico
dos dados como diferencial competitivo
e, por fim, o fortalecimento
da relação com marcas e sellers. Mas
destaca: “Nas operações mais evoluídas,
esses objetivos já não são tratados
separadamente”, complementa.
Fabiana Manfredi, CEO da Impulso
(braço de soluções de mídia do Grupo
RD Saúde, controlador das redes Raia
e Drogasil), traz outra análise sobre a
questão, ao mostrar a empresa como
exemplo de que os fatores se complementam
para que uma operação
de retail media seja bem-sucedida.
“Embora atuemos integrados ao comercial
e ao marketing, ter uma estrutura
própria é o que nos permite
orquestrar a jornada completa digital
e ominichannel, da inteligência à
incrementalidade, de uma forma que
áreas tradicionais não conseguiriam.
Somos um grande impulsionador de
geração de preferência e construção
de marca, e também de aceleração
de sell out, de forma exponencial”.
A CEO confirma as tendências do
ano para o segmento, ao informar
que a empresa opera o funil completo,
usando o digital para gerar
awareness, além das mais de 3.500
lojas para consolidar a experiência e
“Retail media é a
integração entre
marketing, trade,
e-commerce e
tecnologia”
diências qualificadas, estratégias
personalizadas e mensuráveis, em
um canal destino de compra.”
Para o mercado e as agências, já
não é um movimento sutil. “Parte
das verbas que antes iam para ações
com mensuração precária, aquele dinheiro
de trade que ninguém sabia
direito o retorno, está migrando
para formatos digitais dentro do varejo,
onde dá para segmentar e medir
com mais precisão. O retail media
acaba ocupando um espaço que fica
entre trade, performance e branding,
e isso mexe com a estrutura de
negócio de todo mundo envolvido”,
afirma o VP da Publicis.
Mas ele também opina que, no
Brasil, o que mais trava a operação
é a cultura e a organização interna.
“Quem é dono da operação? Como se
define o modelo de atuação? Onde
fica o P&L? Essas perguntas ainda
não têm resposta clara em muitas
empresas. Tecnologia e educação
do mercado são desafios reais também,
mas tendem a andar mais rápido
conforme a estrutura interna se
resolve. O problema é que solucionar
a estrutura interna é sempre a
parte mais lenta”, encerra Colombo.
Para o CEO da Unlimitail, retail
media não está mudando apenas
o trade marketing, está reorganizando
a lógica de investimento em
marketing – ou working budget –
como um todo. “Isso exige uma integração
muito maior entre áreas
como marketing, comercial e finana
conversão. “A incrementalidade é o
nosso ‘padrão ouro’: não entregamos
apenas cliques, entregamos a prova
de que aquela exposição gerou uma
venda que não aconteceria sem o
anúncio. A integração total das métricas
(closed-loop) é o que separa o
retail media de qualquer outra mídia
digital generalista.”
Sobre o fato de o retail media estar
alterando a forma como verbas
de trade marketing são distribuídas,
Fabiana afirma que não há dúvidas
de que isso já é uma realidade. “Ao
oferecer ciência de dados e mensuração
precisa, o varejista deixa
de ser um ‘custo de prateleira’ para
ser uma plataforma de insights/
preferências, comunicação e resultados
de negócio indispensável. O
investimento torna-se previsível: a
indústria para de investir em ‘tiros
no escuro’ e passa a investir em au-
Grazziani Colombo: a mídia acontece dentro da compra
Fotos: Divulgação
20 30 de março de 2026 - jornal propmark
ças, porque todos os investimentos
passam a ser analisados com o
mesmo objetivo, gerar crescimento
e eficiência. Quando esses orçamentos
deixam de operar em estruturas
isoladas e passam a trabalhar de
forma integrada, as ativações ficam
mais consistentes, a presença de
marca mais qualificada e o impacto
em vendas muito mais claro.”
Ele também concorda que a cultura
é o maior desafio do segmento:
“O verdadeiro desafio está em alinhar
varejo, indústria, agências e times
internos em torno de metas comuns,
linguagem compartilhada e critérios
claros de mensuração. Retail media
é um jogo de colaboração entre diferentes
atores do ecossistema, e quem
conseguir estruturar essa governança
com consistência vai liderar a próxima
fase do mercado. A palavra da
vez para as lideranças de marketing
é a orquestração disso tudo”, afirma.
Brasil x EUa
Para os brasileiros, não é recomendável
comparar a fase de expansão
acelerada do país com a operação
consolidada dos Estados Unidos. Colombo
lembra que, internacionalmente,
a Amazon sozinha criou um padrão
de referência que praticamente obrigou
o resto do mercado a se profissionalizar,
por isso, o ecossistema americano já trabalha
com clean rooms de forma recorrente,
tem uma padronização bem mais
avançada de métricas e os anunciantes
já enxergam o retail media como investimento
permanente. Porém, no Brasil,
ainda existe heterogeneidade.
“Cada varejista mede de um jeito,
estrutura a operação de forma diferente
e o mercado anunciante ainda
está aprendendo a alocar verba nesse
canal com consciência. Falta também
uma referência de mensuração cross-
-retailer, algo que nos EUA já começou
a ser resolvido. O potencial brasileiro é
enorme, mas a gente precisa resolver
governança e processo antes de comparar
de igual pra igual”, diz Colombo.
Marchal concorda que a comparação
não é possível, visto que mercados
como o dos EUA evoluíram muito
a partir do e-commerce e, no Brasil,
95% das vendas ainda acontecem
no varejo físico, com um fluxo enorme
de consumidores nas lojas. “Isso
cria uma oportunidade única de desenvolvimento
de ativações dentro
do ambiente físico, com projetos de
digitalização das lojas e uso de telas
Tendências: funil completo, a crescente por soluções mensuráveis, foco em dados primários e integração do online e offline
que, em muitos casos, ainda não foram
explorados com a mesma intensidade
em outros mercados.”
“O varejista virou
canal de venda,
dono dos dados e
operador de mídia
ao mesmo tempo”
tadas quase em tempo real com base
em sinais reais de comportamento do
shopper, disponibilidade de produto,
dinâmica de preço, histórico de compra
e intenção de consumo. “Nos mercados
mais maduros, como os Estados Unidos,
essa evolução já impacta diretamente
as vendas. Plataformas utilizam IA
para recomendação de produtos, chatbots
de compra assistida e promoções
personalizadas, criando experiências
muito mais relevantes para o shopper
e aumentando a eficiência das campanhas
para as marcas”, justifica Marchal.
A CEO da Impulso exemplifica na
prática a potência da IA nas operações:
“Utilizamos a IA como o motor
de orquestração estratégica para
transformar dados first-party anonimizados
em crescimento real de receita.
Focamos na automação inteligente de
lances e verba, que processa sinais de
conversão em tempo real para maxi-
Freepik
ia: fUtUro oU caUtEla?
A inteligência artificial já se tornou
um dos principais motores de evolução
do retail media, permitindo processar
grandes volumes de dados de
comportamento em tempo real e otimizar
campanhas com muito mais precisão:
da identificação de audiências
com maior propensão à compra até o
ajuste automático de lances, formatos
e criativos, além da mensuração.
A IA ajuda a entender melhor o impacto
das campanhas ao longo de toda
a jornada do consumidor, conectando
interações digitais com a compra efetiva,
inclusive no ambiente físico. Com
isso, fica mais viável avançar em métricas
como incrementalidade e atribuição
omnicanal. O recente relatório da IAB
Brasil sobre o impacto da inteligência
artificial no retail media mostra justamente
essa mudança de patamar: a tecnologia
tende a assumir grande parte
da execução e da otimização operacional
das campanhas. Já o fator humano
vai se concentrar cada vez mais na estratégia,
na governança de dados e na
construção de valor para as marcas.
Do ponto de vista mercadológico, o
CEO da Unlimitail demonstra que a relevância
está no fato de a IA começar
a conectar três dimensões que historicamente
estavam separadas: mídia,
sortimento e contexto de compra, permitindo
que campanhas sejam ajusmizar
a eficiência de cada campanha,
garantindo que o investimento seja
direcionado para onde há maior probabilidade
de venda. Avançamos também
na personalização preditiva, utilizando
modelos de propensão de compra para
antecipar as necessidades da audiência
e em IA generativa para criativos
dinâmicos (DCO), o que nos permite
escalar comunicações personalizadas
em minutos. Nosso diferencial reside
no fechamento do ciclo de atribuição
(closed-loop), conectando o digital ao
ponto de venda físico para isolar a incrementalidade
e garantir que o retail
media seja um pilar central e mensurável
do plano de negócios de nossos
parceiros”, conta Fabiana.
Mas o VP da Publicis faz um alerta
que se torna recorrente nas agências:
a importância de separar o que
já funciona e o que ainda é mais promessa
do que entrega. “Onde a IA
muda o jogo hoje, concretamente, é
na otimização automática de lances
e alocação de orçamento em tempo
real. Isso já gera resultado tangível
em operações com volume. Personalização
criativa em escala ainda está
em um estágio mais experimental
e a previsão de resultados depende
muito da qualidade dos dados que alimentam
o modelo. O risco é a marca
tratar IA como se fosse uma solução
mágica, quando na verdade o impacto
dela é proporcional à maturidade
da operação que a sustenta. Sem um
bom dado e sem processo claro, IA
não salva nada, lembra Colombo.
jornal propmark - 30 de março de 2026 21
especial retail media
A convergência entre retail media e OOH
torna-se estratégica na jornada de compra
NEOOH e ABOOH falam sobre como o plano de convergência entre
a rua e as lojas é fundamental no impacto e decisão do consumidor
Fotos: DIvulgação
Andrea Weiss: in-store está se
integrando ao OOH
Hugo Vieira: o grande movimento é a
digitalização do espaço físico
Cristiano Tassinari: integração de dados,
mídia e presença física
Felipe Viante: expansão das redes digitais
dentro das redes de varejo
Brurna Magatti
Em 2026, o mercado publicitário vive
um ponto de inflexão: a convergência
entre o out of home (OOH)
e o retail media deixa de ser tendência
e passa a estruturar uma nova lógica
de comunicação — mais próxima da
conversão, orientada por dados e integrada
à jornada real do consumidor.
Para os especialistas em OOH, uma das
maiores tendências em retail media
neste ano está na expansão das redes
de mídia próprias dos varejistas, na
maior integração entre mídia online e
comunicação nas lojas físicas, no crescimento
do DOOH (digital out of home)
dentro de ambientes de varejo, além
de avanços em mensuração e atribuição
de vendas e no uso cada vez mais
sofisticado de dados proprietários
para segmentação e planejamento de
campanhas. “O OOH entrega presença
física, atenção e impacto no mundo
real. O retail media agrega dados de
compra e proximidade com o momento
da decisão. A soma dessas duas
forças transforma o ponto de venda
em um ambiente de comunicação extremamente
eficiente. Na prática, a
loja virou mídia e passou a fazer parte
da jornada completa do consumidor”,
afirma Hugo Vieira, COO da NEOOH, que
concorda que o próximo grande movimento,
já em andamento, está justamente
na digitalização do espaço
físico, com telas digitais em lojas, ativações
inteligentes e integração com
dados de comportamento e mobile.
“Quando conectamos presença física,
dados e tecnologia, criamos um ambiente
de comunicação extremamente
poderoso. O OOH entra com alcance,
atenção e impacto. O retail media
acrescenta dados e proximidade com
a decisão de compra”, acrescenta.
Se a mídia OOH conecta marcas
às pessoas em suas jornadas fora de
casa, o retail media in-store é uma
extensão natural do processo, afinal,
visitar um supermercado, farmácia ou
loja de conveniência faz parte da rotina
semanal da maioria das pessoas.
Mas daí surge a pergunta: retail media
in-store é OOH? O out of home tradicional
(que sempre esteve associado a
vias públicas, com painéis de grande
formato e mobiliário urbano, transporte
e seus terminais, aeroportos,
shoppings e elevadores) agora começa
a ser visto em ambientes de autocuidado,
saúde, bem-estar e consumo
“Estamos
assistindo a uma
convergência
natural entre
retail media
e OOH”
diário – clínicas, academias, farmácias,
supermercados, lojas de conveniência,
postos de serviço e outros estabelecimentos
comerciais –, que passam a
ser equipados com telas e sistemas de
comunicação próprios. Trata-se de um
plano de comunicação que começa na
rua, passa pelos elevadores e segue
para dentro das lojas.
Para Andrea Weiss, CEO da Associação
Brasileira Mídia Out Of Home
- ABOOH, o retail media in-store cria
uma área de interseção cada vez
maior com o OOH, especialmente
com a expansão de telas digitais
em ambientes de varejo. “Quando
falamos de comunicação dentro da
loja — como telas digitais, redes de
mídia em supermercados ou farmá-
cias — estamos diante de um território
híbrido, onde dados do varejo e
mídia digital out of home começam
a se integrar”. Já para Felipe Viante,
sócio-diretor da b.drops e presidente
da ABOOH, esse movimento amplia o
papel da mídia no ponto de venda:
“Estamos assistindo a uma convergência
natural entre retail media e
OOH, especialmente com a expansão
das redes digitais dentro dos
ambientes de varejo. São espaços
de grande fluxo de pessoas, com potencial
crescente de segmentação e
mensuração. Para os anunciantes,
isso significa a possibilidade de impactar
o consumidor muito próximo
do momento de decisão de compra”.
E o conceito de retail media já evoluiu
muito além do e-commerce. Quem
afirma isso é Cristiano Tassinari, CEO
da Retail Media. “O retail media evoluiu
rapidamente de um modelo focado
apenas em mídia dentro do e-commerce
para um ecossistema muito
mais amplo. Hoje vemos a integração
entre dados de compra, mídia digital e
presença física nas lojas. A tendência
é que as redes de mídia dos varejistas
avancem cada vez mais para formatos
digitais in-store e DOOH.”
22 30 de março de 2026 - jornal propmark
31 3
especial retail media
Assaí se destaca com novos modelos de
mensuração e alto fluxo de consumidores
Rede implementou novas ferramentas para o acompanhamento
do impacto das campanhas oferecendo análises mais detalhadas
Divulgação
Com 40 milhões de clientes circulando mensalmente em suas lojas, o Assaí Atacadista tornou-se um case de sucesso ao apostar na audiência qualificada no momento da compra
Bruna Magatti
O
retail media avança no mercado
brasileiro a reboque de
redes varejistas que enxergaram,
no próprio ponto de venda, uma
poderosa plataforma de comunicação.
Entre elas, o Assaí Atacadista
desponta como um dos casos mais
relevantes — especialmente por unir
escala massiva, capilaridade física
e alto fluxo de consumidores. Com
cerca de 40 milhões de clientes circulando
mensalmente em suas lojas,
o Assaí construiu um ativo valioso:
audiência qualificada em momento
de compra, fortalecendo sua estratégia
de retail media e oferecendo aos
anunciantes a oportunidade de conectar
os seus produtos no momento
de decisão de compra.
Agora, a atacadista avança em
sua estratégia de retail media ao
implementar novos modelos de mensuração
para o acompanhamento
do impacto das campanhas nas vendas
e na construção de marca dentro
do ambiente de loja. A iniciativa permite
acompanhar com maior precisão
o desempenho das ativações realizadas,
oferecendo análises mais detalhadas
sobre o impacto das ações na
jornada de compra dos consumidores,
consolidando o Assaí como uma plataforma
de negócios relevante para
anunciantes.
Metodologia
Para medir e analisar as campanhas,
o Assaí considera dois fatores:
construção de marca e impacto comercial.
Entre os principais indicadores
analisados está o cruzamento das
métricas de awareness, por meio de
clientes que tiveram contato com as
ativações e por meio das interações
nos canais digitais, ação que indica à
marca o quanto a campanha aumentou
o conhecimento do produto, melhorou
a imagem frente ao cliente e
impulsionou a intenção de compra.
Já para o indicador de performance,
o Assaí cruza dados de exposição das
campanhas com as vendas realizadas
nas lojas, permitindo identificar a variação
de receita, participação na categoria
e conversão após a ativação.
No ambiente físico é comparado o
desempenho de unidades que receberam
ativações com outras lojas de
perfil e região semelhantes que não
participaram da campanha. Já no digital,
é comparado o comportamento
de clientes impactados e não impactados
pelas campanhas, utilizando os
canais proprietários da rede, como o
app Meu Assaí, que reúne mais de 16
milhões de cadastros, além de CRM,
redes sociais e site, ampliando as possibilidades
de segmentação e personalização
das campanhas.
A estratégia ainda inclui ações per-
“Ampliamos as
possibilidades de
ativação dentro
do ambiente
de loja”
sonalizadas, como conteúdos patrocinados
em redes sociais, posts e stories
impulsionados, além de ativações
com influenciadores, sempre apoiadas
por segmentações que combinam
dados demográficos, localização
e comportamento de consumo dos
clientes. O brand lift também contempla
os entregáveis do Assaí dentro da
estratégia de retail media, que usa
como base pesquisas direcionadas
aos clientes impactados pelas campanhas,
e os resultados são comparados
24 30 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Análise permite acompanhar com maior precisão o desempenho das ativações
O Assaí cruza dados de exposição das campanhas com as vendas realizadas nas lojas
com as respostas de um grupo que
não foi impactado pelos anúncios.
“O diferencial do retail media está
na capacidade de conectar mídia e
venda no mesmo ambiente. Nosso
objetivo é oferecer às marcas não
apenas visibilidade, mas evidências
concretas do impacto das campanhas
no comportamento de compra e no
crescimento das vendas. Isso é possível
graças ao uso de dados primários,
o first-party data, que nos permite
compreender melhor a jornada do
cliente e gerar insights mais precisos
do que os disponíveis em mídias tradicionais”,
afirma Marly Yamamoto, CMO
do Assaí.
Resultados
A eficácia dessa estrutura já é visível
em casos recentes, tanto que uma
das marcas líderes de azeites no Brasil
registrou incremento na receita de
12 pontos percentuais nas três lojas
Assaí onde a ação foi realizada após
dois meses e meio de campanha, combinando
ativações digitais e estáticas
no ambiente de loja como pórticos de
led, mega-banners e stoppers, entre
outras peças. Já uma das principais
Marly Yamamoto: “Temos acesso aos dados primários de mais de 20 milhões de clientes”
marcas de café nacional obteve um
incremento de 4 pontos percentuais
na receita nas lojas em que foi ativada
em apenas 15 dias de ativação por
meio de circuito de telas digitais, pórtico
de led, totens e stoppers digitais.
Em ambos os casos, a mensuração foi
viabilizada pelo cruzamento direto
entre a exposição dos ativos e os dados
de vendas das unidades testadas,
comparando com as lojas espelho,
utilizando as métricas de awareness
e performance.
“Desde o início da nossa operação
de retail media, em 2024, temos ampliado
as possibilidades de ativação
dentro do ambiente de loja. Hoje conseguimos
combinar presença física
nas lojas, canais digitais próprios e inteligência
de dados baseada em comportamento
de compra, para oferecer
aos anunciantes mais visibilidade e
resultados no momento mais decisivo
da jornada do consumidor, com foco
em performance. Temos acesso aos
dados primários de missão de compra
e comportamento dentro das lojas de
mais de 20 milhões de clientes, o que
garante uma vantagem competitiva
aos anunciantes”, finaliza Marly.
O brand lift também contempla os entregáveis do Assaí
O app Meu Assaí, com 16 milhões de cadastros, é usado na mensuração digital
jornal propmark - 30 de março de 2026 25
especial retail media
Magalu transforma a Avenida Paulista
em case de sucesso de retail media
Galeria Magalu, no Conjunto Nacional, mostra na prática como
a estratégia de retail gera receita fundamental para a marca
Olavo Martins
Com a operação iniciada em dezembro de 2025, a megaloja de 4 mil m² reúne mais de 70 painéis de led e diversos espaços disponíveis para ativações das marcas
Bruna Magatti
No momento em que o retail
media se consolida como uma
das principais apostas do varejo
global, o Magazine Luiza dá um
passo estratégico que redefine o
papel da loja física. A inauguração
da megaloja na Avenida Paulista — a
chamada Galeria Magalu —, em dezembro
de 2025, não é apenas uma
expansão imobiliária, mas um marco
na transformação do varejo em
plataforma de mídia. Instalada no
tradicional Conjunto Nacional, a nova
unidade nasce com um conceito claro:
ser muito mais do que um ponto
de venda. Com cerca de 4 mil m² e
expectativa de até 90 mil visitantes
por mês, o espaço foi desenhado para
funcionar como um hub de experiência,
conteúdo e publicidade.
A proposta reflete uma mudança
estrutural no varejo: transformar
fluxo de consumidores em audiência
qualificada — e, consequentemente,
em inventário de mídia, tornando-
-se um perfeito case de sucesso de
retail media no país. O espaço reúne:
telas de led e circuitos digitais; áreas
exclusivas para marcas; palcos para
creators e produção de conteúdo e
integração com live commerce e canais
digitais. O objetivo da empresa é
transformar o local em um verdadeiro
‘playground de marcas’ e projeta que
apenas a venda de mídia dentro da
loja será capaz de pagar o investimento
em cerca de um ano e meio.
“A Galeria Magalu é a materialização
do ecossistema de varejo do
Grupo Magalu reunido em um único
espaço, pensado para oferecer
um conceito inovador de “loja de
experiências”. Lá, cada ambiente
foi cuidadosamente criado para se
tornar uma vitrine dinâmica e inovadora,
ou, como costumamos dizer,
criamos um verdadeiro parque
de diversões para as marcas. Uma
dessas inovações é a Casa da Lu,
ambiente que traz para o físico todos
os cômodos da casa de uma das
maiores influenciadoras virtuais do
mundo, com mais de 34 milhões de
seguidores nas redes sociais. Lá, as
marcas podem expor seus produtos
em um ambiente aberto ao público
e realizar ativações. Logo na inauguração,
por exemplo, tivemos como
Em 2025, o
Magalu Ads
cresceu 54% em
suas receitas
26 30 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Olavo Martins
O Magalu Ads possui um time de operações dedicado aos anunciantes
Instalada no Conjunto Nacional, Galeria Magalu é mais do que um ponto de venda
A proposta reflete uma mudança estrutural no varejo: transformar fluxo de consumidores em audiência qualificada
Celia Goldstein: “O retail media se tornou um elemento central na estratégia da loja”
nua dos nossos produtos e pelo uso
de inteligência de dados, que ajudam
a aumentar a conversão. Ou seja,
cada vez mais o retail media amplia
seu papel estratégico de gerador de
receita dentro da companhia. Além
disso, temos um grande diferencial,
que é a nossa multicanalidade, e o
retail media do Magalu Ads permite
às marcas se beneficiarem desse diferencial,
estando no app, site e lojas
físicas”, afirma a executiva.
Após a inauguração da Galeria Magalu,
a empresa expandiu sua operação
e alcançou uma marca importante:
“Levamos retail media para todos
Forte aumento
no retorno para
os anunciantes:
39% no consumo
médio por
anunciante e 22%
no ticket médio
parceiros Coral, Samsung e Electrolux.
A megaloja ainda conta com
um conjunto de mais de 70 painéis
de led e outros espaços disponíveis
para ativações das marcas, como a
praça central, que já recebeu os produtos
de Natal da Disney por meio
da Pop Up Store, além de cada uma
das nossas marcas de varejo (Magalu,
KaBuM!, Netshoes, Época Cosméticos
e Estante Virtual), que também
oferecem espaços comercializáveis
e áreas de destaque de produto.
Com todas essas ferramentas, o retail
media se tornou um elemento
central na estratégia da loja. Vemos
cada vez mais a oportunidade de as
marcas gerarem experiência e a loja
física virou realmente um ‘palco’.
Então é exatamente isso, estamos
dando este palco a elas, seja através
das experiências, dos espaços
disponíveis ou dos painéis de led”,
conta Celia Goldstein, diretora de
Ads do Magalu.
Hoje, com uma mídia digital integrada
a um sistema dinâmico, o
Magalu Ads possui um time de operações
dedicado aos anunciantes auxiliando
em como tornar as campanhas
mais relevantes de acordo com seus
objetivos, seja de negócio ou de comunicação.
A plataforma ocupa um
pilar essencial no ciclo estratégico
de 2026 da empresa, que contempla
um ecossistema oferecido para mais
de 33 milhões de clientes ativos. “No
ano passado, o Magalu Ads cresceu
54% em suas receitas, com forte
aumento no retorno para os anunciantes:
39% no consumo médio por
anunciante e 22% no ticket médio.
Esses resultados mostram que as
marcas parceiras estão ampliando o
uso dos nossos serviços de retail media,
sustentado pela melhoria contíos
painéis de TV das nossas mais de
1.200 lojas físicas espalhadas pelo
país. A megaloja nos ensina diariamente
novas formas de nos conectar
com os consumidores e gerar valor
para as marcas, que evoluem junto
conosco nesse aprendizado e inovação
constantes”, revela Celia.
jornal propmark - 30 de março de 2026 27
especial retail media
‘O que o mercado busca
agora é comparabilidade’
Em um cenário cada vez mais
orientado por performance,
incrementalidade e eficiência, a
discussão aponta para um futuro
em que o retail media deixa de
ser experimento para se tornar
infraestrutura essencial dentro do
varejo. À frente desse movimento,
em que a tecnologia se torna o
centro da equação, está Richard
Albanesi, CEO da The Led, uma das
empresas que vêm estruturando
e escalando o conceito de mídia
dentro das lojas físicas por meio de
tecnologia, dados e integração com
o digital. Nesta entrevista, Albanesi
analisa a evolução do retail media
no Brasil, os desafios de mensuração
e transparência, a comparação com
mercados mais maduros como os
Estados Unidos e o papel crescente
da inteligência artificial na operação
e otimização das campanhas.
Bruna Magatti
Evolução
O crescimento do retail media
no Brasil é consequência direta de
três fatores: maturidade digital do
varejo, pressão por novas fontes de
receita e necessidade de mídia mais
próxima da conversão. O varejo passou
a entender que possui um ativo
extremamente valioso: audiência
com intenção de compra real. A mudança
estrutural mais relevante foi
transformar o ponto de venda em
inventário de mídia mensurável. Antes,
a loja era tratada apenas como
canal de escoamento. Hoje, ela também
é um canal de comunicação estruturado,
com capacidade de gerar
receita incremental e dados estratégicos.
O retail media desloca parte
do investimento do topo do funil
para o momento da decisão.
objEtivo
O objetivo começa na monetização,
mas não termina nela. A monetização
é a porta de entrada porque
cria receita incremental, mas o que
sustenta o modelo no longo prazo é
dado estruturado e governança comercial.
Quando o varejista organiza
audiência, mensuração e inventário
de forma integrada, ele cria uma
vantagem competitiva difícil de
replicar. A fidelização ocorre como
Richard Albanesi: “O erro é tratar retail media como extensão de trade marketing”
consequência de previsibilidade e
transparência.
brasil X Eua
O Brasil está em estágio de consolidação,
enquanto os EUA já operam
em escala massiva com players como
Amazon e Walmart Media. Nos EUA, o
retail media já é tratado como unidade
estratégica de negócio. No Brasil, ainda
estamos em fase de estruturação
e padronização. A oportunidade aqui
é grande porque o varejo físico ainda
concentra mais de 90% das compras,
o que cria um território enorme para o
in-store media. Estamos alguns passos
atrás em maturidade, mas com potencial
de crescimento acelerado.
Divulgação
Métricas
O IAB tem recomendações importantes,
principalmente em métricas
digitais. O desafio maior está na
integração entre digital e físico. O
que o mercado busca agora é comparabilidade:
métricas que permitam
ao anunciante avaliar o retail media
com a mesma lógica que avalia outros
canais. A consolidação virá com
integração de dados e modelos claros
de atribuição.
intEgração
Existe, mas a qualidade dessa integração
depende de infraestrutura.
O varejo que já possui CRM estruturado,
programa de fidelidade ativo
28 30 de março de 2026 - jornal propmark
e base de first-party data consegue
conectar campanhas digitais com
comportamento em loja com muito
mais precisão. Isso inclui cruzamento
de mídia com sell-out, uso
de cupons identificáveis, integração
com app e leitura de jornada omnicanal.
No ambiente in-store, a tecnologia
permite mensurar
exposição,
fluxo e comportamento
por ponto
de venda. Quando
isso é integrado
à camada de dados
do varejista,
cria-se uma visão
mais completa da
jornada, da exposição
à conversão.
O que diferencia
os players maduros
não é apenas ter dados, mas
ter governança sobre esses dados.
Integração real exige padronização,
estrutura tecnológica e modelo claro
de atribuição. Sem isso, a conexão
entre online e físico fica superficial. O
retail media só atinge seu potencial
máximo quando a loja deixa de ser
um canal isolado e passa a operar
como extensão mensurável do ecossistema
digital.
Transparência
A transparência deve ser sistema,
o elemento mais importante de
todos. Ela começa na comprovação
de entrega: cada tela instalada precisa
estar conectada a um sistema
de gestão que valide veiculação,
tempo de exposição e integridade
operacional. Sem infraestrutura
centralizada, não há rastreabilidade.
O segundo ponto é uma metodologia
clara. O anunciante precisa entender
como audiência é estimada, exposição
é medida e impacto é calculado.
Métrica opaca enfraquece o canal. O
terceiro pilar é o cruzamento com resultados
de venda. Sempre que possível,
a campanha deve ser analisada
sob a ótica de incrementalidade, não
apenas de impressões. Isso envolve
integração com dados de sell-out e
relatórios estruturados. Em redes
mais maduras, já se trabalha com
dashboards contínuos e pós-buy
detalhado, igual ao digital. Esse é o
caminho para consolidar confiança e
escalar investimento. O retail media
se fortalece quando entrega previsibilidade,
não apenas visibilidade.
“Retail media
não é só ativação
de preço, é
construção de
presença no
momento da
decisão”
OrganizaçãO das marcas
Estamos vendo maior integração
entre trade marketing, mídia digital e
times de dados. Antes, o trade cuidava
do físico e a mídia cuidava do digital.
O retail media exige visão integrada.
Algumas empresas já criaram células
específicas para o
retail media, principalmente
grandes
indústrias. A reorganização
passa
por quebrar silos.
ErrOs
O primeiro erro
é tratar o retail
media como extensão
de trade
marketing tradicional.
Quando a
marca enxerga o
canal apenas como espaço promocional,
ela limita o potencial estratégico
da ferramenta. O retail media não
é só ativação de preço, é construção
de presença no momento da decisão.
O segundo erro é não adaptar o conteúdo
ao contexto do ponto de venda.
Comunicação pensada para TV ou
social não necessariamente performa
dentro da loja. O ambiente é diferente,
o tempo de exposição é diferente
e o consumidor está em outra
etapa da jornada. Sem adequação de
mensagem, o resultado fica abaixo
do potencial. Outro erro recorrente é
entrar no canal sem meta clara. Muitas
marcas investem sem definir se
o objetivo é sell-out imediato, ganho
de share, lançamento de produto ou
construção de categoria. Sem clareza
estratégica, a mensuração fica
difusa. Também vemos marcas operando
de forma fragmentada, com
digital de um lado e trade do outro. O
retail media exige integração entre
essas áreas. Se o time não conversa
internamente, o canal perde eficiência.
Por fim, há o erro de não olhar
para a incrementalidade. Se a marca
não mede impacto real sobre venda
adicional, corre o risco de apenas
redistribuir verba já existente, sem
gerar crescimento efetivo.
TEndências dE 2026
A primeira tendência é a consolidação.
O mercado tende a caminhar
para redes mais estruturadas, com
inventário integrado e modelo comercial
mais padronizado. Agências
e anunciantes buscam escala nacional
com governança clara. A segunda
tendência é a aplicação mais sofisticada
de inteligência artificial. Não
apenas para criação de conteúdo,
mas para otimização de investimento
por loja, ajuste dinâmico de campanha
e previsão de performance
com base em histórico de dados. A
terceira tendência é maior exigência
por mensuração de resultado. O
anunciante está mais criterioso. Impressão
e exposição deixam de ser
suficientes; o foco passa a ser impacto
real em venda e incrementalidade
comprovada. Outra frente importante
é a integração entre físico e digital.
O varejo que conseguir conectar
CRM, app, mídia in-store e dados de
sell-out de forma estruturada vai
capturar maior fatia do investimento.
Por fim, o retail media tende a deixar
de ser tratado como experimento
e passar a ser visto como infraestrutura
permanente de mídia dentro do
varejo. Isso muda o orçamento, a governança
e a prioridade estratégica
dentro das empresas.
incrEmEnTalidadE
É central para a maturidade do
canal. Sem comprovação de impacto
real, o investimento se limita à redistribuição
de verba. O mercado quer
saber se a campanha gerou venda
adicional e não apenas deslocou consumo.
A integração total de métricas
ainda está em construção, mas a busca
por incrementalidade já é realidade.
Ela é o que sustenta o crescimento
consistente do
canal e consolida
a confiança do
anunciante.
ia
Ela está deixando
de ser ferramenta
criativa
e passando a ser
ferramenta de eficiência
operacional.
Hoje já é usada
para ajustar
campanhas em tempo real com base
em fluxo de loja, horário, performance
histórica e comportamento de
venda por ponto de venda. Isso permite
alterar prioridade de produto,
intensidade de exposição e até criativo
sem esperar o fim da campanha.
Outro uso relevante está na previsão
de performance. Com base em
histórico de sell-out, sazonalidade e
“A oportunidade
aqui é grande
porque o varejo
físico ainda
concentra mais
de 90% das
compras”
perfil da loja, a IA consegue indicar
onde determinada campanha tende
a performar melhor. Isso evita pulverização
de investimento e melhora a
alocação de verba. Também vemos
aplicação na adaptação de conteúdo.
Peças criadas para TV ou digital
passam por ajustes automáticos de
formato, tempo e dinâmica para se
adequarem ao ambiente in-store,
que tem outra lógica de atenção. O
próximo estágio é a integração total
entre mídia e venda. A IA passa
a identificar padrões de correlação
entre exposição e incremento de
categoria, ajudando a calibrar campanhas
futuras com mais precisão.
Isso já está acontecendo, via computer
vision, uma câmera integrada à
tela de retail media in-store, consegue
identificar gênero, faixa etária,
cor de cabelo e mais algumas características
e trocar, em tempo real, a
comunicação da tela de acordo com
quem está na frente dela.
OOH
O crescimento tende a ser consistente.
O e-commerce já opera em
ambiente totalmente mensurável,
mas o varejo físico ainda concentra
a maior parte da conversão no Brasil.
Isso significa que existe um território
enorme de decisão acontecendo
em loja. Telas in-store e DOOH
conectadas ao varejo têm uma
vantagem clara: estão posicionadas
no momento de maior intenção de
compra. Isso reduz a dispersão de
mídia e aumenta
a relevância
contextual. Além
disso, com infraestrutura
tecnológica
adequada,
esses formatos
deixam de ser
apenas exibição e
passam a operar
como inventário
integrado, com
gestão centralizada,
controle
de entrega e cruzamento com venda.
O crescimento vai depender de
dois fatores: escala e governança.
Redes que conseguirem padronizar
operação, integrar dados e oferecer
transparência terão vantagem competitiva.
Retail media fora do e-commerce
não é extensão do digital. É a
expansão estratégica do território
da decisão.
jornal propmark - 30 de março de 2026 29
sxsw
Humanidade no divã? IA reprograma
essência, hábitos e vínculos afetivos
Festival deixa de especular tendências e assume incertezas diante do
ritmo de avanço da inteligência artificial sobre capacidades humanas
Janaina Langsdorff
O
South by Southwest (SXSW), festival
de inovação que foi realizado
em Austin, no Texas, entre os
dias 12 e 18 de março de 2026, deixa a
impressão de que a humanidade caiu
no divã. Parece imersa em um conflito
induzido pelo avanço da inteligência
artificial. “Que tipo de humano você
quer deixar de legado para essa nova
era?”, questiona Ana Kuroki, CSO da
Africa Creative.
A executiva vê um abismo entre
máquinas e humanos. “Há novas
plataformas, agentes, dispositivos,
ferramentas, startups e techs bombando,
enquanto a inteligência emocional,
social e relacional, a imaginação,
criatividade, pensamento crítico,
cultura e a liderança estão em crise.
Fico preocupada em produzir muito
mais rápido do que a nossa capacidade
de nos preparar ou intencionar impactos.
Ou simplesmente nos atentar
para crescer - cabeça, coração, corpo e
espírito”, desabafa.
Para além de habilidades individuais,
o ser humano reaprende a operar
como um sistema que combina repertório,
ferramentas, dados e agentes
a fim de ampliar sua capacidade de
pensar, decidir e executar. “O valor
passa a estar na forma como cada
um desenha e evolui esse sistema
porque, quando a execução se torna
abundante, o diferencial passa a ser a
arquitetura. Não é só o trabalho que
muda. É a própria definição de indivíduo”,
ratifica Déa Fernandes, chief
revenue & growth officer do Publicis
Groupe Brasil.
Consequências e cuidados na adoção
da inteligência artificial foram
abordados de forma mais madura. Fernanda
Tedde, CEO da Fbiz, menciona a
Interação com máquinas autônomas ainda assusta empresas que precisam reconfigurar sistemas de negócios e fluxos de trabalho
conferência ‘The great flip: Why every
industry is running backwards’, realizada
no dia 16 de março pela diretora
de computação e tecnologia do Future
Today Strategy Group (FTSG), Sam Jordan,
que levantou mudanças mais profundas
ditadas pela IA. “Os sistemas
invisíveis, que organizam decisões,
consumo e comportamento, estão
sendo reconfigurados”, confirma.
Além de acelerar operações, a IA
organiza o modo de se fazer projetos,
de gerar descobertas e definir o papel
dos profissionais. “Nesse último pipeline,
apareceu um ponto recorrente:
ao mesmo tempo em que automatizamos
processos e reduzimos fricções,
passamos a demandar ainda mais capacidades
humanas como julgamento,
repertório e senso crítico, habilidades
que emergem da experiência e da
“Quando tudo
fica mais fácil,
a gente começa
a exigir menos
de si mesmo”
Freepik
memória, e que a IA ainda não consegue
replicar”, pondera Fernanda.
AceitAção
Acostumado a declarar tendências,
desta vez o SXSW assumiu incertezas.
“A tecnologia segue avançando
em ritmo acelerado, mas o foco passou
a ser como todas essas mudanças
estão nos impactando”, observa
Daniela Graicar, co-CEO da Pros, agência
de relações públicas adquirida
pela holding norte-americana de comunicação
Stagwell em 2024.
Daniela cita a sessão ‘Emerging tech
trend report’, apresentada no dia 14 de
março pela futurista e fundadora do
Future Today Institute, Amy Webb, que
decretou a morte dos relatórios convencionais
de tendências. “O futuro já
não pode mais ser explicado por listas
patrocínio exclusivo
EMOTION
DRIVEN
30 30 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Fotos: Divulgação
Ana Kuroki, da Africa Creative: legado para nova era
Mariana Corradi, da Africa Creative: verdade individual
Gláucia Montanha, da Artplan: sentir e se importar
isoladas porque tudo acontece ao mesmo
tempo e se influencia de forma sistêmica”,
comenta a executiva da Pros.
Não basta a marca ocupar um território,
“é preciso construir narrativas mais
complexas, que conectem tecnologia,
comportamento e cultura”, emenda.
O CEO da consultoria Signal e Cipher,
Ian Beacraft, que comandou
o painel ‘How to design a company
that AI can’t outpace’ no dia 16 de
março, assinalou uma ressalva. “Ele
mostrou que, ao otimizar tudo com
IA, estamos eliminando fricções
fundamentais para a construção de
repertório, intuição e pensamento
crítico. Em um mundo obcecado por
eficiência, talvez o diferencial esteja
justamente em criar experiências
que exigem mais presença e menos
passividade”, sugere Daniela.
Nem tudo precisa ser rápido, fácil
ou automatizado. Confiança, engajamento
e conexão passam a ter significados
distintos, por exemplo, na
rotina de trabalho de uma agência
de PR criativo. “Alcance não garante
relevância, engajamento não garante
vínculo e presença não garante confiança.
Em um ambiente cada vez mais
mediado por algoritmos e IA, o papel
do PR se fortalece como um construtor
de relações reais”, avalia.
Pecado caPital
Inteligência artificial ou inteligência
preguiçosa? Essa foi a provocação
que o SXSW suscitou em Antonio
Fadiga, presidente da Artplan e sócio
do Grupo Dreamers. “A inteligência artificial
deixou de ser assunto e virou
ferramenta básica e isso traz ganhos
de produtividade. Mas quando tudo
fica mais fácil, a gente começa a exigir
menos de si mesmo”, adverte.
O raciocínio pronto sucumbe à primeira
resposta, enfraquecendo o ímpeto
de superação, algo perigoso para
os trabalhos de estratégia e criação,
“porque o diferencial nunca esteve na
resposta mais rápida, mas na capacidade
de ir além do óbvio”. Fadiga propõe
“usar a IA para expandir o pensamento
e não para encurtar o caminho
até algo que apenas funciona”.
Inércia nunca fez bem. “Sem exploração,
o nosso cérebro perde a vitalidade”.
A frase dita por Izzat Jarudi, cofundador
e CEO da Edifii, edtech que usa inteligência
artificial e neurociência para ajudar
estudantes a tomar decisões, chamou
a atenção de Gláucia Montanha, CEO da
Artplan, durante a sessão ‘AI & the brain:
As we embrace AI, let’s not forget our
minds’, no dia 12 de março. “A conversa
já não é mais sobre o que a tecnologia
pode fazer, e sim sobre o que estamos
fazendo com ela”, conclui.
Transformadas em commodity, soluções
automatizadas pela IA devem
permanecer à sombra de conexões
humanas. Gláucia lembra do comentário
feito por Henry Coutinho-Mason no
painel ‘Multiplayer futures: Co-creating
a vision of SXSW 2030’, ministrado
no dia 13 de março.
“Na era da IA, propósito será o ativo
estratégico mais importante”, disse o
especialista em tendências. “Precisamos
voltar a ser agentes transformadores
de comportamento e cultura.
Não vamos competir por quem tem o
algoritmo mais rápido, mas por quem
inspira as pessoas a pensar, sentir e
Antonio Fadiga, da Artplan e Grupo Dreamers: inércia
Thiago Bispo, da BR Media: negócios movidos a cultura
Guilherme Martins, da Diageo: contar boas histórias
jornal propmark - 30 de março de 2026 31
Fotos: Divulgação
Fernanda Tedde, da Fbiz: reconfiguração
Karina Milaré, da Reds Research: empatia
Stella Pirani, da VML: testar, errar e refazer
Daniela Graicar, da Pros: mais presença
se importar”, instiga Gláucia.
De qualquer forma, tratar a inteligência
artificial como infraestrutura
e não vantagem competitiva é indício
de amadurecimento. “O que diferencia
não é mais a tecnologia em si, mas a
capacidade de aplicá-la com clareza
e leitura de contexto. Tecnologia sem
empatia afasta”, reitera Karina Milaré,
CEO e fundadora da Reds Research, do
grupo de pesquisa de mercado HSR
Specialist Researchers.
Segundo ela, entender emoção e
intenção não é soft skill. Virou requisito
técnico, especialmente para atender
às exigências das novas gerações
- tema de vários painéis. Os jovens
não seguem marcas e sim pessoas.
Compram por impulso, escassez e pertencimento.
São caçadores de experiências
passíveis de confiança e senso
de comunidade. “Métricas e métodos
precisam evoluir na mesma velocidade.
O valor migra da produção para a
interpretação. O que falta não é capacidade.
É propósito”, acredita Karina.
Estudo da HSR Specialist Researchers
apresentado no painel ‘Quando
a IA cria, a emoção sente?’ durante a
SP House - espaço montado em Austin
pelo governo de São Paulo, que recebeu
mais de 31 mil pessoas e gerou 58
horas de conteúdo entre os dias 13 e
16 de março - mostra que campanhas
publicitárias com IA podem gerar até
21% mais respostas emocionais que
peças comuns.
A pesquisa examinou 27 campanhas
de 18 marcas, e combinou mais
de três mil entrevistas com aproximadamente
119 mil leituras emocionais
captadas por reconhecimento
de microexpressões faciais. Uma das
soluções aplicadas no projeto foi o
‘KPI AdTest’, que utiliza códigos faciais
para medir reações a campanhas criadas
com e sem inteligência artificial.
As respostas endossam o trabalho
da cientista de inteligência artificial
Rana el Kaliouby, apresentado pelo
SXSW no painel ‘Why the future of AI
must be human centric’, no dia 15 de
março. Os estudos de Rana comprovam
que mais de 90% da comunicação
emocional acontece por meio de expressões
faciais, gestos e tom de voz.
“A IA já está no coração da nossa operação.
Não como acessório, mas como
lógica de trabalho”, atesta Karina.
A Reds Research apresentou um
novo formato para distribuição de pesquisas,
com resultados publicados em
uma plataforma onde o agente de IA do
cliente consulta os dados diretamente
e recebe respostas personalizadas.
“Quando a relação entre marca e consumidor
é mediada por sistemas autônomos,
confiança deixa de ser atributo
e passa a ser métrica. Já estamos incorporando
isso e, em breve, teremos estudo
inédito sendo lançado”, promete.
Incômodos
A dicotomia entre humanos e tecnologia
alcançou neste ano um campo
mais desconfortável. “Sem perceber,
estamos delegando à tecnologia espaços
que antes eram exclusivamente
nossos, inclusive os afetivos. Não
é mais ‘Como a tecnologia pode nos
ajudar?’, mas ‘O que estamos abrindo
mão ao deixá-la entrar?’. Esse, para
mim, é o tema mais urgente”, indica
Stella Pirani, CSO da VML Brasil.
Novata no SXSW, Grazi Sbardelotto,
sócia e vice-presidente da Pmweb,
empresa de CRM do grupo WPP, saiu do
evento com a certeza de que “quanto
mais a inteligência artificial avança,
mais o foco se volta para o humano”.
“Não vamos
competir por
quem tem o
algoritmo mais
rápido”
Do Spotify e Unilever à WPP e Disney,
conversas de setores diversos repetiram
conceitos ligados à saúde social,
pertencimento e à intromissão de
máquinas em espaços estritamente
humanos. “A tecnologia está avançando
muito rápido, mas o entendimento
sobre o lugar do humano ainda está
sendo construído”, concorda Grazi, que
notou a ausência de temas geopolíticos
e sobre o gasto de energia pela IA.
Sem o centro de convenções, que
abrigou o evento por 39 anos e agora
passa por reforma iniciada em abril de
2025, com previsão de conclusão em
2029, o SXSW imprimiu esforços extras
no garimpo de painéis. “Era preciso escolher
bem o que assistir e aceitar o
que ficaria de fora”, relata Tais Santos,
diretora de estratégia da VML Brasil.
O insight apreendido é sobre ritmo.
“A curva de aceleração da tecnologia
já é muito maior do que a nossa capacidade
de nos adaptar. Desta vez, o
festival pareceu reconhecer isso provocando
menos especulação sobre o
que está por vir e mais atenção ao que
já está posto”, admite.
Já o território ardiloso da regulamentação
da IA foi grifado por Thiago
Bispo, presidente da empresa de
marketing de influência BR Media, do
Publicis Groupe. “Scott Galloway trouxe
provocações sobre o futuro dessa
guerra e da economia criativa com IA”,
pontua. Galloway é professor de marketing
da Stern School of Business na
New York University (NYU), empreendedor,
coapresentador do podcast ‘Pivot’
e apresentador de ‘Prof G’, ‘Prof G Markets’
e ‘Raging moderates’. Integrou o
painel ‘Raging moderates live with James
Talarico’, no dia 14 de março.
“O provocativo conceito de ‘AI washing’,
trazido por Scott Galloway, resume
o descompasso de um mercado
saturado pelo discurso ‘AI-first’, mas
ainda tímido na transformação dos
modelos de negócio”, critica Eduardo
Megale, COO da Talent. Discurso e prática
se contradizem. Tão latente quanto a
oportunidade é o desconhecimento sobre
o tema, o que “exige furar a bolha do
hype para entender o que é valor real”.
cultura
A 40ª edição do SXSW aglutinou
pela primeira vez as agendas dos festivais
de Music, Film & TV e Innovation
sob o conceito ‘All together now’. “A
atmosfera única de Austin faz com
que a inovação não esteja apenas
nos palcos, transformando o SXSW em
experiência e conexão”, frisa Megale,
da Talent. O convite para vivenciar comunidades
criativas diversas veio da
ânsia de expandir conexões.
“A cultura virou o principal motor
dos negócios. A convergência entre
Innovation, Music e Film deixou claro
que não existe mais separação entre
indústria criativa e tecnologia”, atenta
Thiago Bispo, da BR Media, que participou
do painel ‘Building brands in the
attention economy’ ao lado de Juliana
Elia, CSO da Publicis Brasil, e Paolla
32 30 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Déa Fernandes, do Publicis Groupe: definição de indivíduo
Minotelli, head de mídia, conteúdo e
martech da Opella, no dia 18 de março.
“A economia da atenção exige marcas
cada vez mais humanas e conectadas.
As melhores ideias ainda nascem da
mistura entre pessoas, contextos e
repertórios”, sinaliza Bispo.
O atrito não é meramente técnico,
mas ontológico. Vai do consenso institucional
até inverdades individuais.
“Ao abandonarmos a crença nas instituições
como curadoras da realidade, o
coletivo deixa de ser uma unidade para
se tornar a soma de subjetividades,
muitas vezes performáticas. Como
construir relevância em um mundo
onde a verdade não é mais um solo
comum, mas uma escolha individual?”,
reflete Mariana Corradi, vice-presidente
de estratégia da Africa Creative.
Verdade e confiança foram as
palavras que mais se repetiram nas
palestras acompanhadas por Tais
Santos, da VML Brasil. Discernir a realidade
do conteúdo manipulado por
IA é uma tarefa cada vez mais complexa,
o que eleva a responsabilidade
da propaganda e do marketing. “Saí
de Austin com a sensação de que o
mercado precisa parar de tratar esses
temas como pauta de crise e começar
a encará-los como estratégia de longo
prazo. Confiança, hoje, é o recurso
mais escasso”, alerta.
O estímulo à cultura maker tomou
as ruas e corredores dos principais
hotéis - entre eles Hilton, JW Marriott
e Fairmont -, que receberam os headliners
do SXSW. Fica o convite à criação,
conexões, o senso de pertencimento e
a construção de vínculos reais passam
a ser determinantes de bem-estar, em
um mundo cada vez mais solitário e
mediado por tecnologia”, analisa.
No dia seguinte, foi a vez do CMO da
Diageo estrear no palco do SXSW. Ele
participou da sessão ‘Excess is out. Intention
is in. How can brands navigate
shifting consumer appetites toward
moderation?’, com Carla Buzasi, CEO
da empresa de tendências Worth Global
Style Network (WGSN), e a empreendedora
e conselheira Renata Vichi,
ex-CEO do Grupo CRM, detentor das
marcas Kopenhagen, Brasil Cacau e
Kop Koffee - adquirido pela Nestlé em
2023. A discussão girou em torno da
intencionalidade nas decisões de consumo.
A orientação é consumir melhor,
com mais contexto e presença.
O papel das marcas será criar
experiências capazes de aproximar
pessoas e não apenas disputar atenção.
Conectar e não interromper, espatrocínio
exclusivo
Eduardo Megale, da Talent: AI washing e descompasso
em vez do consumo passivo de produtos,
ideias ou soluções.
“O risco lá fora está tão imprevisível
que o festival parecia nos convocar
a construir o próprio lugar nisso
tudo: testar, errar e refazer”, repara
Stella Pirani, da VML Brasil. David Rogier,
fundador e CEO da MasterClass,
sintetizou essa inflexão no painel ‘The
future of storytelling in the age of AI’,
assistido por Stella no dia 15 de março.
“O melhor professor é o arrependimento”,
conclui Rogier.
Diretrizes
“O SXSW é único porque traz uma
leitura de comportamento e cultura
nesse mundo de transformações intensas.
Isso gera reflexões potentes
sobre o papel das marcas”, diz Guilherme
Martins, vice-presidente de inovação
e marketing da Diageo Brasil.
Ficou ainda mais evidente que
marketing não é só lógica. É magia.
“Isso nos reconecta com a essência
da profissão: contar boas histórias e
construir universos que fazem sentido
para as pessoas. A performance
precisa existir. Mas é o lado emocional
que faz o nosso olho brilhar, e o do
consumidor também”.
Martins ressalta o painel ‘Social health
trends and predictions: Connection
is the new frontier’, apresentado
pela cientista social Kasley Killam no
dia 12 de março. “A ideia de que saúde
não é só física ou mental, mas também
social, traz uma lente importante para
o que vivemos. A qualidade das nossas
“As melhores
ideias ainda
nascem da
mistura entre
pessoas,
contextos e
repertórios”
Grazi Sbardelotto, da Pmweb: achar o lugar do humano
tabelecer significado e não apenas
volume, garantir relevância na vida
dos consumidores e não só ocupar
espaços - essas são as lições que
Martins compartilhará com o seu
time. “O SXSW foi uma experiência
autêntica, com um ambiente aberto,
cheio de trocas, com uma agenda
fluida, gente interessante, arte na
rua e muita cultura. Um lembrete
potente de que, no fim, tudo isso é
sobre conexão humana”, finaliza.
O executivo participou também
da terceira edição do TakeOff, painel
conduzido por Marcelo Lenhard, CEO
da Hands.ag, na SP House, no dia 16 de
março. Fernanda Antonelli, diretora-
-comercial para agências da Globo;
Ricardo Longo, diretor de marketing
da Avenue; e Tannia Fukuda, diretora
de marketing da Seara, integraram a
conversa, que ajudou a embasar dez
diretrizes de marketing.
São elas: fandoms e a profundidade
de relacionamento num mundo multicanal;
o impacto das IAs assumindo
narrativas sociais e de marcas; a fricção
intencional como contraponto estratégico
à hiperpersonalização dos algoritmos;
da audiência à participação, o
fim do consumo passivo; cultura como
infraestrutura, não ativação pontual;
criadores são extensão, não mídia; consistência
operacional como ativo de reputação;
simplicidade radical como resposta
à sobrecarga cognitiva; design
como sistema de decisão, não como
camada estética; e o “mágico” como
diferencial num mundo “lógico demais”.
EMOTION
DRIVEN
jornal propmark - 30 de março de 2026 33
agências
TV1 formaliza incentivo com Atlas.One
A Atlas.One é a mais nova
marca do Grupo TV1com foco
em marketing de incentivo,
viagens corporativas e eventos
internacionais. A gestão será da
executiva Fabíola Aguiar, que vai
usar como ponto de partida o
comportamento para a ocupação
de um território que considera
estratégico em um mercado que
contabilizou globalmente em
2025 cerca de US$ 60 bilhões e
que tem expectativa de dobrar
o volume até 2030. “No Brasil, o
setor de viagens corporativas
bateu recorde em 2025, com
faturamento de R$ 147,8 bilhões,
crescimento de 6,3% em relação
ao ano anterior”, ela detalha.
Fabíola Aguiar: “O trabalho da Atlas.One é uma curadoria personalizada”
Divulgação
NEGÓCIO
A projeção para 2026 é de R$ 158
bilhões, com crescimento de 7%. Os
clientes que mais demandam programas
de incentivo são empresas de
grande porte, principalmente acima
de 5 mil funcionários, com destaque
para setor farmacêutico, agronegócio
e tecnologia. O investimento médio
por pessoa em viagens nacionais gira
entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, e no cenário
internacional concentra-se na faixa
de US$ 5 mil a US$ 8 mil por participante,
segundo a Pesquisa Anual de
Viagens de Incentivo (Pavi) da Alagev.
VIAGEM
É o melhor prêmio porque cria memória,
e memória cria vínculo. Nenhum
bônus financeiro ou presente material
tem a capacidade de gerar o nível de
pertencimento que uma experiência
compartilhada produz. A neurociência
já demonstrou que experiências ativam
circuitos de memória de longo prazo de
forma muito mais intensa do que recompensas
materiais. A própria pesquisa
da Alagev confirma isso: entre os impactos
mais significativos das viagens
de incentivo apontados pelos clientes
estão o desenvolvimento pessoal e
profissional do premiado, a melhoria da
cultura da empresa e das relações de
trabalho e a qualidade de vida.
VALOR
Isso não é subjetivo. É resultado
mensurável. Quando uma pessoa volta
de uma viagem de incentivo bem
construída, ela não volta só com fotos.
Volta com uma narrativa sobre
si mesma dentro daquela empresa. E
isso tem impacto direto em retenção,
cultura e performance.
“Impacto direto
em retenção,
cultura e
performance”
cional e de exclusividade que amplifica
o sentimento de reconhecimento. Mas
o evento em si é só um dos elementos.
EXPERIÊNCIA
O que clientes e agências mais
buscam de diferente nas viagens de
incentivo são experiências únicas e
marcantes, seguidas de networking,
transformação pessoal e bem-estar
do convidado. O que transforma uma
viagem em experiência memorável é
a curadoria: o que acontece antes do
embarque, como a pessoa é recebida,
quais conexões são criadas ao longo da
jornada, e como esse impacto é sustentado
depois do retorno. São experiências
que o participante simplesmente
não conseguiria vivenciar sozinho ou
RECHEIO
O ideal é aquele que gera desejo antes,
durante e depois. Não basta levar
as pessoas a um destino bonito. É preciso
construir uma jornada com camadas
de significado. Eventos esportivos de
grande escala, como Fórmula 1, Copa do
Mundo ou Olimpíadas, funcionam muito
bem porque carregam uma carga emoem
família, pelo nível de exclusividade
e acesso que só um programa de incentivo
bem estruturado proporciona.
O trabalho da Atlas.One é exatamente
essa curadoria personalizada.
DESTINOS
O Nordeste sempre foi e continua
sendo um destino muito querido no
Brasil, especialmente a Bahia. No internacional,
a Europa segue com grande
apelo, mas percebo uma demanda
crescente por destinos que provoquem
mais, como África do Sul e Emirados
Árabes. O que mudou é que as empresas
estão menos presas ao destino óbvio.
CENÁRIO
O ambiente externo é adverso, o que
mantém uma organização em movimento
é a qualidade das suas relações
internas. ROI e retorno por objetivo são
hoje as principais métricas que os clientes
exigem: o mercado amadureceu, e
não basta mais fazer uma viagem bonita.
É preciso provar que ela gerou resultado.
É aí que a Atlas.One atua.
34 30 de março de 2026 - jornal propmark
agências
Crispin contrata Ana Clara Grana para
a nova vice-presidência de operações
Movimento assegura gestão integrada e governança em momento de
expansão da agência, que dobrou o quadro de funcionários em 2025
Um mês após adotar o nome Crispin em substituição
a Crispin Porter + Bogusky (CP+B), agência do
grupo Stagwell liderada pelo CEO Vinicius Reis e
o co-CEO André Kassu anuncia a criação da vice-presidência
de operações, que será ocupada por Ana Clara
Grana. O cargo reflete a expansão do negócio, que
chega aos 12 anos de operação. Em 2025, dobrou o seu
staff e subiu da 48ª para a 21ª posição no ranking de
agências, segundo dados do Ibope citados pela Crispin.
“Entendemos que sustentar esse patamar exige
estrutura e clareza de processos. Estamos fortalecendo
a nossa governança para atender demandas
cada vez mais complexas, sem abrir mão da agilidade
e da cultura criativa que nos trouxeram até
aqui”, declara Reis. A Crispin anunciou o conceito
‘Criatividade coletiva’ no último mês de fevereiro.
O trabalho de Ana Clara Grana pretende funcionar
como um motor para a criatividade e os resultados
dos clientes. “Em uma parceria alinhada e
complementar com os demais líderes, o meu foco
é trazer eficiência e visão sistêmica para cada conta”,
diz. Ana Clara terá ao seu lado os VPs Marcela
Ferreira (dados e mídia), Renata Serafim (estraté-
Ana Clara Grana ao centro com equipe: parceria com líderes para trazer mais eficiência e visão sistêmica aos clientes
gia e dados) e Wilson Negrini (atendimento e novos
negócios), além da managing director Cassandra
Rudinger. A executiva foi sócia e presidente da The
Juju por quatro anos. Já atendeu 99 e passou por
AlmapBBDO e Wieden+Kennedy.
A agência, fundada nos Estados Unidos em 1988,
Divulgação
era controlada pela canadense MDC Partners, que se
fundiu com o Stagwell, de Mark Penn, em 2021. Hoje,
é a principal operação do grupo na América Latina.
Entre os clientes, estão 99, Delícia, JBS, McCain, Forno
de Minas, Lenovo, Motorola, Cerveja Original, Guaraná
Antarctica, Zeekr e M. Dias Branco.
Marie Alonso reforça eixo de cultura
e assume como CSO da LePub São Paulo
Áreas de estratégia e conteúdo estão sob
o escopo da executiva, que atua como CSO
nas agências do Publicis Groupe desde 2020
Divulgação
A
nova chief strategy officer (CSO) da LePub
São Paulo é Marie Alonso. Em seu escopo de
trabalho, estão as disciplinas de estratégia e
conteúdo, eixo de cultura da agência pertencente ao
Publicis Groupe.
O trabalho de monitoramento e leitura de fenômenos
culturais ganha reforço com a expertise de
Marie, que já conduziu times multidisciplinares em
projetos para marcas globais e locais.
Pensamento analítico, sensibilidade e entendimento
de hábitos são os pilares de seu trabalho,
que conecta estratégia à execução criativa respeitando
conexões humanas e o direcionamento
dos dados. Já a área de estratégia preserva a
autenticidade das mensagens transmitidas pelas
marcas, endereçando consistência e relevância na
rotina dos consumidores.
Marie atua como CSO nas agências do Publicis
Groupe desde 2020. A executiva passou por Leo, Performics
e headquarter do Publicis Groupe. Agora CSO
da LePub São Paulo, será responsável por estruturar
equipes com profissionais de formações e repertórios
variados a fim de expandir a diversidade de olhares e
enriquecer a interpretação de quadros culturais.
Ela ainda trabalhará para fortalecer o papel
transversal da área de estratégia junto às demais
disciplinas. O objetivo é alinhar o posicionamento
global da rede com projetos capazes de situar as
marcas dos clientes no centro da cultura e do cotidiano
das pessoas.
Marie Alonso já atuou em projetos para marcas globais
jornal propmark - 30 de março de 2026 35
agências
WT.AG assume a comunicação de ‘social’
do programa Influenciador Magalu
Iniciativa transforma criadores de conteúdo e empreendedores digitais
em donos da própria loja online dentro do marketplace da varejista
A
gigante do varejo Magalu quer
conectar creators com seu modelo
de empreendedorismo digital
por meio do programa Influenciador
Magalu, que integra seu ecossistema
de negócios. A comunicação da iniciativa
foi confiada à agência WT.AG com
a ideia de transformar criadores de
conteúdo e empreendedores digitais
no mar- ketplace da marca. O trabalho
inclui gestão de conteúdo, relacionamento
com a comunidade e creators,
além do desenvolvimento de campanhas
integradas ao longo do ano. O trabalho
contempla ainda a construção
de narrativas orientadas por dados e
performance, com foco na geração de
negócios.
“O Magalu foi pioneiro nesse mercado
quando lançou o Magazine
Você, há 15 anos. Hoje, enxergamos
uma oportunidade gigante de dar o
Divulgação
Dudu Rodrigues, sócio e CCO da WT.AG, com o executivo da Magalu Eduardo Ghisleni
Filme é estrelado pelo ator global Nicolas Prattes, tutor
na vida real que inspira a narrativa para o antiparasitário oral
próximo passo e redesenhar o social
commerce no Brasil”, afirma Eduardo
Ghisleni, head de social commerce do
Magalu.
“O Influenciador Magalu chega
exatamente para unir conversão de
vendas e awareness, entregando um
valor inédito para as marcas e sellers
do nosso ecossistema, enquanto continuamos
a desenvolver a creator economy”,
ele acrescenta.
“Nosso trabalho é estruturar essa
comunicação com linguagem nativa
das plataformas, estratégia consistente
e foco em conversão. Quando o
social nasce como ponto de partida,
ele deixa de ser apenas um canal e se
torna um motor real de crescimento”,
esclarece Dudu Rodrigues, CCO e sócio
da agência, responsável pelo grupo
de profissionais que estarão no atendimento
criativo à marca.
Mestiça cria conceito para a marca de
pets Simparic do portfólio da Zoetis
No ano em que celebra uma década de atuação
no mercado, Simparic - marca de antiparasitário
oral para cães da Zoetis - lança campanha
para apresentar a extensão da linha e anunciar o
novo produto Simparic Trio, que protege cães de parasitas
internos e externos.
Assinada pela agência Mestiça, a estratégia de
comunicação aposta na conexão emocional entre
responsáveis e pets e no conceito ‘Família Simparic.
Diga sim para o amor’.
O filme, protagonizado pelo ator Nicolas Prattes,
pai de pet na vida real, possui narrativa inspirada
em sua história, ao contar cada ‘sim’ importante de
sua vida. Combinando storytelling e construção de
marca, o plano de comunicação envolve ainda conteúdos
digitais com o veterinário e influenciador Leo
Duarte, ampliando a conversa nas redes sociais ao
longo dos próximos meses.
“A campanha marca um novo momento para a
A relação do ator Nicolas Prattes com cães inspira a Mestiça na criação da campanha para o novo Simparic Trio
linha no país, ampliando a presença de Simparic na
rotina dos responsáveis e reforçando nosso compromisso
com o bem-estar animal. Queremos construir
uma comunicação cada vez mais próxima e relevante,
que fortaleça a relação de confiança com quem
Divulgação
escolhe cuidar de seus pets todos os dias”, explica
Simone Leiderman, diretora da unidade de negócios
da marca. “Buscamos equilibrar emoção e estratégia
para reforçar a autoridade”, completa Paulo Sanna,
CEO da Mestiça.
36 30 de março de 2026 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Código de ética da mídia exterior mostra
que o canal não é inimigo das cidades
Transparência e responsabilidade também estão entre os pilares da
autorregulação divulgada pela Central de Oudoor no OOH Summit
Paulo Macedo
Com cerca de 11% do market share
dos investimentos dos anunciantes
em compra de mídia, o segmento
de mídia exterior está estimulando
a aplicação de boas práticas por
meio do Manifesto do OOH Brasileiro,
lançado neste mês em São Paulo. O
presidente da Central de Outdoor, Halisson
Pontarola, explica que o código
de compliance funciona como uma
proposta de parametrização baseada
em princípios que orientam a adequação
da publicidade ao ambiente humano,
partindo do entendimento de
que ela não é inimiga das cidades.
“Essa adequação envolve não
apenas critérios arquitetônicos, respeitando
a paisagem urbana, mas
também uma transformação mais
ampla na forma como a comunicação
se insere no espaço público. Isso
inclui o redesenho das estruturas, o
compromisso com a arquitetura, com
a rarefação e com a compreensão
das especificidades de cada cidade.
O objetivo é que a mídia exterior deixe
de ser percebida como um elemento
isolado e passe a integrar o conjunto
urbano de maneira harmônica, qualificada
e responsável”, destaca Halisson
Pontarola, presidente da Central
de Outdoor, que elenca dez pontos
sobre os princípios da autorregulação
do trade.
“Distanciamento entre peças –
garantir espaçamento adequado
entre estruturas, preservando a
clareza visual e o campo de visão urbano;
rarefação – aplicar o conceito
de “menos é mais”, priorizando qualidade
em vez de excesso de mensagens;
entorno cuidado – assumir
responsabilidade pela manutenção
Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, apresentou o manifesto durante a edição de 2026 do OOH Summit
“Reocupação
ordenada,
qualificada ao
desenvolvimento
da cidade”
Alê Oliveira
e valorização do espaço ao redor das
estruturas; conservação – manter
os equipamentos em bom estado,
com atenção à estética e à integridade
visual; segurança – assegurar
conformidade técnica, estrutural e
elétrica, seguindo normas e certificações;
compromisso social – destinar
espaços para campanhas de
utilidade pública e apoiar causas
sociais; sustentabilidade – adotar
práticas ambientais responsáveis,
como gestão de resíduos e eficiência
energética; transparência – utilizar
métricas confiáveis e práticas
comerciais éticas; legalidade – cumprir
a legislação vigente e respeitar
áreas protegidas e patrimônios históricos;
questão profissional – atuar
com governança, responsabilidade
técnica e altos padrões de mercado.”
Por que o manifesto é necessário
nesse momento e como ele vai se adequar
às diretrizes da Lei Cidade Limpa,
criada à época para colocar limites
naquilo que muitos entendiam como
algo agressivo à paisagem urbana?
Pontarola responde: “Se, no passado,
o foco foi a organização e a limpeza
da paisagem urbana, um objetivo que
foi alcançado, agora o desafio passa a
ser a reocupação de forma ordenada,
qualificada e alinhada ao desenvolvimento
da cidade, valorizando a atividade
econômica e ampliando as possibilidades
de participação no setor.”
patrocínio
jornal propmark - 30 de março de 2026 37
mercado
ESPM e Lide se unem para promover a
formação de alta liderança executiva
Iniciativa aposta na troca entre executivos e na prática contínua para
lidar com transformações tecnológicas e novas exigências de gestão
Fotos: Evandro Macedo
Dalton Pastore, presidente da ESPM: “Discutir dilemas reais, antecipar tendências”
Doria Neto, CEO do Lide: “Democratizar esse conhecimento de forma mais acessível”
Bruna Nunes
Dalton Pastore, presidente da
ESPM, sintetiza a razão para a
criação do ESPM Lide Corporate
Academy, iniciativa desenvolvida
com o Lide (Grupo de Líderes Empresariais),
afirmando que “Aprender ao
longo da vida deixou de ser uma opção
e passou a ser uma condição para
liderar com relevância”.
O projeto combina a experiência
acadêmica da instituição com a rede
de relacionamento do Lide, para, segundo
João Doria Neto, CEO do Lide,
criar um ambiente que extrapole a
lógica tradicional de sala de aula.
“Nossa proposta é preparar executivos
para liderar com ainda mais
capacidade e visão estratégica, ajudando-os
a antecipar tendências, interpretar
as transformações globais e
traduzir essas mudanças em decisões
concretas para suas organizações”,
detalha ele.
A criação da academy parte de
uma percepção comum entre as duas
instituições. O perfil da liderança
empresarial mudou e, automaticamente,
as exigências sobre quem
toma decisões também passam por
mudanças.
Pastore explica que o momento
“A proposta não
é oferecer cursos
tradicionais, mas
experiências de
aprendizado”
tes, com a intenção de aproximar teoria
e prática e estimular discussões
aplicáveis ao cotidiano das organizações.
“A proposta não é oferecer cursos
tradicionais, mas experiências de
aprendizado mais profundas e estratégicas”,
afirma Doria Neto.
A academy também reforça a ideia
de que a formação executiva deixa de
ser esporádica para passar a integrar
a própria trajetória de liderança. Para
Pastore, esse movimento está diretamente
ligado à complexidade do
cenário atual. “Liderar hoje significa
tomar decisões em cenários de alta
incerteza, lidar com transformações
tecnológicas rápidas e conduzir organizações
cada vez mais complexas”,
diz o presidente da ESPM.
Há uma previsão de experiências
atual demanda mais do que domínio
técnico. “Executivos em posições C-
-level precisam de um ambiente de
aprendizado que vá além do conteúdo
técnico. Eles precisam discutir
dilemas reais, antecipar tendências
e refletir sobre inovação, sucessão e
governança”, afirma.
Na avaliação de Doria Neto, o
movimento não está necessariamente
ligado à ausência de oferta, mas a
uma mudança na demanda. Segundo
ele, cresce entre executivos a busca
por formações mais aprofundadas,
capazes de conectar contexto e estratégia
de negócios. “Há uma demanda
por uma preparação mais avançada,
que permita compreender as transformações
globais e construir estratégias
para capitalizar as oportunidades”,
disserta.
A primeira fase se inicia com três
programas: Strategic Foresight para
Líderes Visionários, voltado à leitura
de futuros e construção de visão de
longo prazo; Next Gen: Sucessão, Governança
e Legado em Famílias Empresárias;
e Inovação, Criatividade e
Liderança em Tempos de IA, que discute
os impactos da tecnologia sobre a
gestão e a tomada de decisão.
A metodologia privilegia turmas
reduzidas e a troca entre participaninternacionais,
com foco em imersões
e contato com outros ecossistemas
de inovação e gestão. A presença
global do Lide, que já possui atuação
internacional em 28 países, deve viabilizar
agendas com instituições e
lideranças em diferentes mercados.
No longo prazo, a ESPM Lide Corporate
Academy mira na consolidação como
uma “plataforma de referência na formação
de alta liderança no Brasil e na
América Latina”, combinando conteúdo
acadêmico, experiência prática e
networking qualificado.
“Queremos criar um ambiente em
que executivos possam refletir sobre
o futuro dos negócios, compartilhar
experiências e construir repertório
para liderar transformações relevantes”,
afirma Pastore.
“A ideia é, no momento certo,
democratizar esse conhecimento de
forma mais acessível e estruturada,
para que um número cada vez maior
de empreendedores e líderes possa
se beneficiar”, complementa Doria
Neto.
“O programa acaba de ser lançado.
As imersões vão acontecer, mas ainda
está em fase de discussão qual desenho
melhor atende à demanda de
mercado identificada”, finaliza o presidente
da ESPM.
38 30 de março de 2026 - jornal propmark
mídia
SBT garante nove patrocinadores para
a Copa de 2026 com receita de R$ 400 mi
Emissora ainda busca mais dois patrocinadores, um na área
automobilística e outro em bet, além do ‘Top de 5 segundos’
Fotos: Alê Oliveira
O narrador e apresentador Galvão Bueno já tem 13 mundiais no currículo e foi bem-sucedido nas competições de 1994 e 2002, em que o Brasil se sagrou campeão
Paulo Macedo
O
SBT volta a transmitir uma Copa
do Mundo após 28 anos. E esse
retorno será em grande estilo.
A emissora vai transmitir 32 partidas
da competição que começa no dia 11
de junho e envolve três países-sede:
Estados Unidos, México e Canadá. E
tem a esperança de exibir na sua tela
da TV aberta e em outros formatos como
streaming e canal no YouTube os
oito jogos da seleção brasileira, caso
o escrete do professor Carlo Ancelloti
chegue à final no dia 19 de julho no
MetLife Stadium, localizado em East
Rutherford, Nova Jersey, na região
metropolitana de Nova York, EUA.
A área comercial da emissora já
comercializou nove das 11 cotas disponíveis.
Também falta assegurar a
marca do ‘Top de 5 segundos’. Daniel
Abravanel, diretor-executivo de negócios
e rede do SBT, elenca os anunciantes
já garantidos para a operação,
que exigiu investimento de R$ 150 milhões
para comprar os direitos da Fifa:
Galvão Bueno ao lado do executivo Daniel Abravanel e do narrador Tiago Leifert
O valor bruto com
base no preço de
tabela passa de
R$ 2,5 bilhões
Shopee, Carrefour, Friboi, Esportes da
Sorte, Haleon, McDonald’s, Seara, Pagbank
e Airbnb. Abravanel explica que
a Copa vai garantir uma receita de
aproximadamente R$ 400 milhões. O
SBT espera comercializar os três espaços
vagos até o fim desta semana.
O Top de 5 segundos está avaliado em
R$ 35 milhões e as cotas de participação,
em R$ 30 milhões. Além de outras
oportunidades de negócios.
“O valor bruto com base no preço
de tabela passa dos R$ 2,5 bilhões. A
despesa com o evento em três países
é elevada, mas estamos no ponto de
equilíbrio”, afirma Abravanel, que assumiu
a posição atual no SBT há cerca
de dois meses. Ele trabalha com a
vice-presidente de negócios e finanças,
Alessandra Ribeiro, que também
esteve presente na apresentação do
projeto do SBT para o Mundial da Fifa.
‘A Copa que o Brasil quer ver é no
SBT ‘ é o slogan oficial da rede na Copa.
Além do ‘Haja coração’ Galvão Bueno,
a equipe de transmissão terá os jornalistas
Mauro Betting, Mauro Naves e
Alessandra Saporito. Além da analista
de arbitragem Nadine Santos. Leifert
divide com Bueno as transmissões
desse projeto, que Abravanel define
como sendo a cara do SBT.
“Temos uma identificação com o
povo brasileiro e essa será a nossa
marca nessa Copa, com profissionais
que têm essa mesma pegada.”
jornal propmark - 30 de março de 2026 39
marcas
Mercado tenta decifrar reação ao ‘Vai,
Brasa’ em camisa da Nike para a seleção
Especialistas explicam como movimento pode amplificar reações
negativas e pontos de tensão sobre identidade ao símbolo brasileiro
Vitor Kadooka
Reprodução/Instagram: @brasil
Divulgação
A
nova camisa da seleção brasileira,
criada pela Nike para a
Copa do Mundo que começa em
junho, gerou repercussão nas redes
sociais desde o lançamento, no dia 21
de março. O modelo passou a ser alvo
de críticas pelo uso da expressão ‘Vai,
Brasa’ em referência ao país, além da
presença do logotipo da Jordan Brand
no uniforme variante.
Assinada pela designer brasileira
Rachel Danti, a peça propõe uma releitura
contemporânea da identidade da
seleção, dialogando com códigos do
streetwear. A escolha estética, no entanto,
dividiu opiniões entre torcedores,
que questionam o afastamento
de elementos mais tradicionais associados
à camisa.
“Os símbolos tidos como culturais
e sociais ganham esse status a partir
da compreensão, da identificação e
da validação que o público atribui a
eles, que fazem parte da identidade
das pessoas e das suas comunidades”,
afirma Maria Carolina Cavalcante Dias,
professora de comunicação e publicidade
e da pós-graduação em negócios
e marketing da ESPM.
Segundo a especialista, mudanças
que não dialogam com esse repertório
tendem a gerar rejeição. “No caso da
realização de mudanças não acordadas
com as comunidades às quais determinados
símbolos pertencem, elas
podem não ser validadas por esse público”,
completa. Nas redes, parte dos
usuários aponta que a expressão não
é amplamente utilizada no cotidiano,
o que indicaria um descompasso na
tradução da cultura brasileira em um
símbolo tão representativo.
De acordo com um estudo da doutora
em marketing e professora da FGV,
Lilian Carvalho, em parceria com a Polis
Consulting, no ambiente online, especificamente
nas redes sociais, o sentimento
de reprovação foi observado em
75% das menções ao tema, entre os dias
21 e 25 de março, em plataformas como
Centro da polêmica é o uso da expressão ‘Vai, Brasa’
“Vivemos um
momento social
no Brasil onde
estamos nos
observando com
mais cuidado”
tiva, o presidente da CBF, Samir Xaud,
declarou que não terá ‘Vai, Brasa’ no
uniforme. Segundo a colunista do UOL
Alicia Klein, a expressão, que chegou
a aparecer nos meiões e na parte interna
da camisa, deixou de ser exibida
na peça e passou a figurar apenas na
coleção promocional. Procurada pela
reportagem, a Nike não retornou até o
momento de publicação desta matéria.
Maria também aponta que o momento
atual influencia a percepção. “Vivemos
um momento social no Brasil onde
estamos nos observando com mais
cuidado, elaborando mais sobre a nossa
identidade”, diz. A adoção do logo da Jordan
Brand, já presente em outras inicia-
A cantora Ludmila participou da campanha de lançamento
Instagram, Facebook e X (ex-Twitter).
O estudo analisou 180 mil posts relacionados
à nova camisa desde o seu
lançamento. Dentro desse recorte, a
pesquisadora destaca que 40% dos
usuários demonstraram “raiva” e 32%
“nojo” especialmente em relação ao
termo “Brasa”. Ainda segundo o levantamento,
apenas 3% dos posts fizeram
menção positiva ao tema, com sentimento
de “alegria”, e os demais 22%
foram classificados como neutros.
Tiago Leifert, por exemplo, comentou
no programa ‘Tiagol’ que “o negócio
do ‘Vai, Brasa’ realmente é um
problema. Na pesquisa da Nike apareceu
‘Vai Brasa’ por causa desses social
media desgraçados do Instagram”.
Por outro lado, circulam publicações
que resgatam o uso do termo pela
própria CBF em comunicações anteriores,
como durante a última Copa do
Mundo. Em uma postagem de 2022, no
X, a CBF, por meio de seu perfil oficial,
publicou “Vamos juntos, meu Brasa!”
Esse tipo de reação pode, inclusive,
impactar decisões da própria comunicação.
Dias após a repercussão negativas
da Nike no futebol, também entrou
no debate. Enquanto parte do público vê
a escolha como uma aproximação com
o universo do streetwear, outros interpretam
como um desvio da identidade
clássica da seleção brasileira.
A campanha de lançamento também
contou com a participação da cantora
Ludmilla, integrante do squad da
Nike, que aparece como um dos rostos
da divulgação, reforçando a estratégia
da marca de se aproximar da cultura
pop e de um público mais jovem.
Nesse cenário, a tentativa de aproximação
com novos códigos culturais
pode ter efeitos distintos. “Os dois
efeitos são possíveis. O que é necessário
observar é o contexto no qual
esses novos símbolos são introduzidos
e como as mudanças são implementadas”,
afirma a professora.
A especialista reforça que o envolvimento
do público é central nesse
processo. “O público cria os significados
junto com as marcas. As escolhas
precisam se manter representativas
da identidade central para evitar a
descaracterização”, conclui.
40 30 de março de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
Moderação redefine
consumo na economia
da intenção
Guilherme Martins
O
SXSW é um raro ponto de encontro onde não se
fala apenas de tendências — discute-se o que
está moldando a cultura contemporânea. Este
ano participei de algumas conversas muito diferentes,
mas que, curiosamente, convergiam para um
mesmo ponto: a forma como vivemos, consumimos
e nos relacionamos está mudando profundamente.
Em um mundo de estímulo infinito, a escassez
deixou de ser de informação. Hoje, a escassez é de
atenção, presença e intenção. E é exatamente nesse
contexto que surge uma pergunta essencial para
marcas e consumidores: não mais o que consumir,
mas por que e como consumir?
No painel ‘Excess is in. Intention is out’, de que
participei no SXSW, discutimos um conceito que tem
orientado muito da minha forma de ver o mundo hoje:
consumir com intenção. Vivemos cercados por feeds
infinitos, notificações constantes, novidades surgindo
a cada minuto. Nesse cenário, a moderação deixa de
ser uma escolha individual e passa a ser uma habilidade
para navegar a vida moderna. Durante décadas
associamos consumo à expansão e à abundância, mas
hoje começamos a perceber que valor e significado
surgem quando há intenção por trás das escolhas.
Essa reflexão também nos leva a um ponto fundamental:
consumo é, antes de tudo, social. Uma
das ideias que mais me chamaram a atenção recentemente
vem do trabalho da pesquisadora Kasley
Killam. No livro ‘Social health: The key to a longer, healthier,
and happier life’, ela descreve a saúde social
como um determinante fundamental do bem-estar
humano e da longevidade.
Assim como cuidamos da saúde física e mental, a
qualidade das nossas relações e conexões também
impacta diretamente a nossa qualidade de vida. Em
outras palavras, socializar não é apenas agradável,
é estrutural para o nosso bem-estar. E muitos dos
momentos em que essas conexões acontecem passam
justamente por experiências culturais mediadas
por marcas.
Marcas existem para criar e impulsionar rituais
sociais. Criam espaços de encontro, experiências
compartilhadas e memórias coletivas. Ao longo
da história, muitas das experiências que marcam
a nossa vida — celebrações, encontros entre amigos,
conquistas, histórias que começam e histórias
que terminam — acontecem em contextos de
convivência, de socialização, de troca.
O ponto nunca foi apenas o produto. O ponto sempre
foi a experiência humana que acontece ao redor
dele. Quando falamos de consumo responsável, portanto,
não estamos falando apenas de limites, mas
de qualidade da experiência. Consumir com intenção
é transformar momentos comuns em momentos
significativos. É trocar quantidade por qualidade.
Excesso por conexão.
Intenção, nesse contexto, deixa de ser apenas
uma atitude individual e passa a ser também uma
oportunidade cultural para as marcas. Porque marcas
que entendem o valor da moderação não reduzem
a experiência, elas a qualificam. Na prática, isso
significa oferecer caminhos e escolhas que incentivem
um consumo mais consciente e equilibrado. Na
indústria de bebidas, por exemplo, isso passa por
algo que construímos culturalmente ao longo de
muitos anos: a ideia de apreciar, saborear e socializar.
A cultura do copo, do gelo, do drinque bem preparado,
da pausa para brindar e conversar.
Mais do que estimular o consumo em si, trata-se de
valorizar o ritual, o momento compartilhado e a qualidade
da experiência. Quando as marcas ajudam a criar
esse tipo de cultura, elas ampliam as possibilidades de
escolha das pessoas e reforçam que moderação e prazer
não são opostos — são, muitas vezes, parte da mesma
experiência. Em um mundo de estímulo infinito, talvez
seja justamente essa capacidade de transformar
consumo em cultura, e cultura em conexão, que torne
as marcas verdadeiramente relevantes.
Guilherme Martins
é CMO da Diageo
guilherme.martins@diageo.com
“Consumir
com intenção
é transformar
momentos comuns
em momentos
significativos”
jornal propmark - 30 de março de 2026 41
inspiração
Sempre me inspirei em gente
Fotos: Arquivo Pessoal
No fundo, o que sempre me moveu foi escutar com atenção
suficiente para entender o problema real e decidir a partir daí
Roberta Raduan
Especial para o propmark
Inspiração, para mim, nunca foi uma ideia abstrata. Nunca veio de livros,
grandes personalidades ou momentos extraordinários. Sempre teve mais a
ver com gente. Com estar perto, ouvir, entender, trocar e transformar isso
em decisão e ação.
Venho de uma família totalmente ligada à saúde. Meu pai e um dos meus irmãos
seguiram a medicina. Minha mãe escolheu a psicologia. Meu outro irmão
construiu sua trajetória no varejo e, mais tarde, migrou para o varejo de saúde.
Cresci vendo diferentes formas de atuação profissional, mas todas ligadas por
algo em comum: cuidar de pessoas.
Sempre me senti confortável em navegar sem mapa. Descobrir, desbravar,
atravessar territórios novos. Essa disposição, acho, vem da herança dos meus
avós imigrantes. Pessoas que tiveram de reconstruir suas histórias do zero e
aprenderam que é raro ter todas as respostas antes de começar – ou recomeçar
– algo.
Essa aprendizagem, passada de geração a geração, guiou minhas escolhas
profissionais. Comecei na hotelaria, onde servir bem não é discurso, é prática
diária. Depois migrei para o marketing e a comunicação, passando pela consultoria,
pelo empreendedorismo e assumindo os desafios da inovação.
Sempre me senti curiosamente atraída pelo que o novo pode representar
para a comunicação e para os negócios. Não por modismo, mas pela vontade
de experimentar, fazer diferente e buscar o melhor.
Comunicação, para mim, nunca foi sobre falar mais alto, mas sobre escutar
melhor. Entender antes de propor. Ouvir antes de conduzir. E, quando é hora,
agir com clareza para resolver problemas reais, independentemente da dimensão
deles.
No fundo, o que sempre me moveu foi escutar com atenção suficiente para
entender o problema real e decidir a partir daí.
Muito antes disso, ganhar nome e virar customer experience, já era uma
prática para mim. Estar próxima de clientes, viver seus desafios, cuidar de suas
marcas, trabalhar com equipes diversas e construir relações que se sustentam
no tempo.
Foi por isso que me alinhei naturalmente ao marketing e à comunicação de
saúde praticados na Klick Health. Aqui, a comunicação em healthcare integra
ciência, criatividade, dados, tecnologia e cultura em um único sistema, capaz de
entregar resultados de negócio, relevância cultural e impacto positivo na vida
das pessoas. Vidas humanas estão no centro, e somos movidos por elas com
curiosidade, empreendedorismo, responsabilidade social e foco na transformação.
Menos discurso, mais consistência.
No fim, inspiração, para mim, é gente de verdade. Suas histórias, suas necessidades
e, como profissional na indústria de comunicação de healthcare, o
que é possível fazer para informar e ajudar a transformar, cuidar e, a partir daí,
sempre que possível, contribuir para que vidas sejam salvas.
Roberta Raduan é managing director da Klick Health LatAm
42 30 de março de 2026 - jornal propmark
negócios & sustentabilidade
Alê Oliveira
Sem governança
global hídrica, o risco
se torna sistêmico
Ricardo Esturaro
Meses após os Estados Unidos oficializarem
sua saída de 66 organizações internacionais,
31 delas vinculadas à ONU, os efeitos
desse movimento começam a redesenhar a arquitetura
e a capacidade operacional da governança
ambiental global.
A água está no centro desse risco. Trata-se de
um recurso que não reconhece fronteiras: correntes
oceânicas, ciclos hidrológicos, poluição plástica e
aquecimento dos mares são fenômenos interdependentes
que exigem cooperação científica, padronização
de dados e coordenação multilateral.
Quando São Paulo enfrenta reservatórios vazios
no fim do verão, Teerã raciona água, a Cidade do
Cabo flerta com o “Dia Zero” e Los Angeles convive
com secas crônicas, fica evidente que a crise hídrica
é global, ainda que seus impactos sejam locais.
Com o enfraquecimento da governança global,
todos perdem. Organismos multilaterais sustentam
redes de observação, integram dados de satélites e
embarcações científicas, desenvolvem metodologias
comuns e viabilizam comparações históricas.
São a infraestrutura invisível que transforma ciência
em previsibilidade econômica.
Nesse contexto, o Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas ocupa papel central. Funciona
como uma bússola ambiental, organizando
o melhor conhecimento científico disponível. Suas
análises sobre aquecimento dos oceanos e eventos
extremos orientam governos, investidores e seguradoras.
Fragilizá-lo amplia a incerteza justamente
quando os eventos climáticos se tornam mais frequentes
e economicamente devastadores.
Sem dados confiáveis, a precificação de riscos e
ativos se aproxima de um exercício de adivinhação,
expondo carteiras a choques climáticos súbitos e
não precificados. E imprevisibilidade é um dos piores
cenários para os negócios.
A crise do lixo plástico nos oceanos evidencia
esse desafio. O impasse nas negociações de um
tratado global contra a poluição plástica revela
não apenas divergências técnicas, mas a dificuldade
política de alinhar interesses diante de um
problema que cresce em escala exponencial. Sem
um acordo global, permanecemos reféns de ações
fragmentadas.
O lixo produzido em um país atravessa oceanos,
afeta ecossistemas, impacta cadeias produtivas e
a saúde humana. Para grandes empresas, isso se
traduz em insegurança jurídica e ineficiência operacional:
em vez de um padrão global claro, há um
mosaico de legislações desconexas e pressões regulatórias
assimétricas.
Um estudo publicado na revista Journal of Hazardous
Materials, coordenado por pesquisadores brasileiros,
reforça a dimensão do problema. A pesquisa
compilou mais de 6 mil registros de contaminação
por lixo em ambientes aquáticos em todos os continentes.
Áreas “extremamente sujas” foram identificadas
em todas as regiões, com exceção da Antártida.
Os plásticos representam cerca de 68% de todo o
lixo encontrado globalmente.
Esse cenário expõe, simultaneamente, uma
oportunidade e uma responsabilidade para o setor
privado. Em um ambiente de governança global
enfraquecida, apoiar ciência aplicada, tecnologia
ambiental e startups voltadas à água deixa de ser
filantropia. Torna-se estratégia de negócio e gestão
de risco.
Em um mundo marcado por escassez hídrica,
volatilidade climática e desconfiança institucional,
reputação não se constrói com promessas,
mas com escolhas e resultados. A licença social
para operar não virá da comunicação; dependerá
de ações consistentes e impactos verificáveis. O
descaso com a água cobrará seu preço e impactará
os negócios com seguros mais caros, cadeias
interrompidas, ativos desvalorizados e consumidores
mais atentos.
Ricardo Esturaro
é escritor, administrador de empresas
e especialista em marketing, estratégia
e sustentabilidade
ricardo@esturaro.com
“O descaso com a
água cobrará seu
preço e impactará
os negócios com
seguros mais caros”
jornal propmark - 30 de março de 2026 43
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Halisson Pontarola e Fabi Soriano,
respectivamente presidente e diretora-
-executiva da Central de Outdoor
OOH Summit Brasil
A primeira edição do OOH Summit Brasil, uma nova versão do principal encontro promovido pela Central de Outdoor, ocorreu de 17 a 19 de março, no Villa Blue Tree, em
São Paulo. O evento marcou o lançamento oficial do ‘Manifesto do OOH’, documento conduzido pela entidade, que integra o Plano Nacional de Autorregulação das
afiliadas e estabelece diretrizes que orientam a atuação responsável das empresas exibidoras em todo o país. Mais de mil pessoas estiveram presentes, incluindo
líderes, especialistas e profissionais do setor, para debater o papel do OOH nas cidades, sua evolução e as perspectivas futuras para o meio no país.
Tom Goddard, presidente da WOO
Bruno Pompeu (Nirooh), Marco Frade (Invian Metrics), Marco Muñoz (AdsmovilOOH),
José Delgado (Broadsign) e Leonardo Pereira (ActionOOH)
Luiz Lara (Cenp), Regina Augusto (Cenp), Felipe Davis (OOH Brasil e Central de
Outdoor) e Sérgio Pompilio (Conar)
Aline Velha (Nubank), Daniela Pereira (Unilever), Nelcina Tropardi (Carrefour e ABA)
e Lucia Bittar (Samsung)
44 30 de março de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Richard Albanesi e Kelson Schmitt (The Led)
Amanda Vettorazzo (vereadora SP), Felipe Davis (Central de
Outdoor), Sergio Ávila Rizzo (consultor em OOH), Regina
Monteiro (CPPU), Halisson Pontarola (Central de Outdoor) e
Leandro Formigone (Central de outdoor e Sepex)
Gustavo Silva (NEOOH), Fabi Soriano (Central de
Outdoor) e Leo Chebly (NEOOH)
Audrey Buglian (Abap Brasília), Adriana Machado (Abap
MG), Márcia Esteves (Abap Nacional), Fabi Soriano
(Central de Outdoor) e Thiago Façanha (Abap CE)
Michel Alcoforado, antropólogo e PhD em Antropologia
do Consumo
Richard Albanesi (The Led), Giovanna Miranda (PepsiCo),
Fabi Soriano (Central de Outdoor), Luciana Serra
(Acessooh), Aline de Pádua (Cadastra)
Nicolás Chereau (Prourbe Medios), Valério Junkes
(Central de Outdoor) e Guilhermo de Lella (ALOOH)
Melissa Vogel (Objet Trouvé)
Anderson Carvalho (Boticário), Rodrigo Rodrigues
(OpusMultipla), Jerusa Menegaldo (J.Silva Painéis), Rafael
Nishida (Monks) e Sueli Loiola (Leroy Merlin)
Simone Moura (Central de Outdoor), Fabi Soriano
(Central de Outdoor), Mariana Cruz (Agência ERA)
e Débora Martins Leite (Central de Outdoor)
Gardenia Brito de Assis Barros (USP), Dorinho Bastos
(propmark), Afonso Abelhão (APP Brasil), Mel Floriano
(propmark) e Chico Preto (CHICOOH)
Equipe ABA no OOH Summit Brasil: Márcia Santos, Meire
Werneck, Lucia Bittar (ABA/Samsung), Nelcina Tropardi
(ABA/Carrefour), Sandra Martinelli e Eliana Parra
Marco Frade (Invian Metrics) e Vicente Varela (Helloo)
Ricardo Bastos (Dreammedia) e Alex Daniel (Vex)
OOH Summit Brasil recebeu mais de mil participantes
jornal propmark - 30 de março de 2026 45
última página
Alê Oliveira
Uma campanha única
Stalimir Vieira
Sempre nesta época, entre março e maio,
sinto vontade de homenagear o Neil Ferreira
e o José Zaragoza. Ambos já morreram, mas
a campanha mais emblemática continua vivinha
da Silva.
Criada em 1979, ela se mantém, mesmo sem investimentos
em mídia há quase 40 anos, como se
tivesse sido criada ontem. Com a mesma força de
apelo e a mesma eficácia nos resultados.
Faz muito tempo que deixou de ser só propaganda.
Tornou-se o caso mais bem-sucedido de institucionalização
simbólica já produzido pela publicidade
brasileira. E, ainda, virou verbete.
No Brasil, todo adulto sabe do que se trata quando
lê ou ouve sobre o “leão”, especialmente nesse
período do ano, em que temos de entregar as nossas
declarações de renda.
Não há outra campanha, por mais premiada, por
mais longeva, que tenha alcançado esse nível de
consolidação na memória coletiva.
Mesmo quando falamos de um “Garoto Bombril”,
que ficou décadas no ar, ninguém passou, por exemplo,
a chamar de Bombril uma ideia brilhante ou dizer
que alguém passou um Bombril no passado para
que seja esquecido.
No caso de outro belíssimo conceito – “Não é nenhuma
Brastemp” –, vale lembrar que a agência teve
o mérito de pescá-lo numa pesquisa com consumidoras.
Já existia na boca do povo.
É justo, portanto, atribuir uma condição excepcional
à campanha do leão do Imposto de Renda.
Pesou para isso, claro, o fato de a Receita Federal
ser conta da DPZ, numa fase espetacular da agência,
e a criação ter ficado aos cuidados de profissionais
também excepcionais, como o Neil e o Zara.
As novas gerações talvez nem tenham consciência
do que isso significa, mesmo usando o “leão”
como referência ao Imposto de Renda. Sequer imaginam
de onde ele veio.
Quando ingressei na DPZ, no fim de 1980, a campanha
ainda estava fresca. O anúncio “O leão é manso,
mas não é bobo” tinha acabado de sair, e a agência
vibrava com o sucesso.
Até um redator júnior podia e queria usar o leão
quando tivesse uma chance. Lembro de uma mala-
-direta que criei para o Itaú, dirigida aos clientes que
não haviam aplicado em um fundo de investimento
que abatia no IR.
Era quase um alltype: “Não aplicou esse ano?
Tudo bem, no ano que vem você aproveita”. Na lateral
direita da peça, aparecia só um rabinho do leão,
como se ele tivesse acabado de passar.
O leão servia para tudo o que se referisse ao acerto
de contas com o Fisco, e rapidamente deixou de
pertencer apenas à campanha publicitária da Receita
Federal.
A imprensa adotou o conceito com vontade. Jornais
publicavam cadernos com dicas de “como domar
o leão” ou “como evitar a mordida do leão”.
Sem campanha ativa, a mídia manteve o símbolo
vivo. O próprio sistema incorporou o signo: o carnê-
-leão, para recolhimento mensal do imposto, segue
existindo até hoje, agora em versão digital.
Ou seja, nasceu em berço pra lá de analógico e
hoje reina no digital.
O leão deu cara à Receita Federal. Provavelmente
respondia a um briefing simples: acabar com a zona
que era declarar renda e pagar imposto no Brasil.
Para resolver o problema, chamaram duas feras.
E o leão foi criado.
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
“É justo atribuir
uma condição
excepcional à
campanha do
leão do Imposto
de Renda”
46 30 de março de 2026 - jornal propmark
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