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Revista Analytica Ed. 141 - Março 2026

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EDITORIAL

A ciência analítica vive um momento singular.

Em um cenário marcado por exigências

regulatórias cada vez mais rigorosas,

avanço tecnológico acelerado e demandas

crescentes por sustentabilidade, a

capacidade de medir, interpretar e garantir

a confiabilidade dos dados tornou-se

fundamental na ciência aplicada. É nesse

contexto que a análise química reafirma

sua relevância estratégica para a indústria,

para a pesquisa e para a sociedade.

A edição 141 da Revista Analytica chega

ao leitor com um conjunto de artigos que

refletem essa diversidade e profundidade,

conectando fundamentos técnicos, desafios

regulatórios e aplicações emergentes.

Entre os destaques está o artigo “Validação

de Processos na Indústria Farmacêutica

– Evolução Histórica no Âmbito

Regulatório”, que analisa a evolução

das diretrizes internacionais e o papel

de organismos como FDA, EMA, ICH e

ANVISA na construção de um arcabouço

que sustenta a produção segura de medicamentos,

com foco em gerenciamento

de risco, Quality by Design e verificação

contínua de processo.

Também se destaca o estudo “Avaliação

do Potencial Adsorptivo da Semente

de Moringa oleifera para Corantes

Têxteis”, que explora uma abordagem

sustentável para mitigação da poluição

hídrica, evidenciando o potencial de soluções

naturais no tratamento de efluentes.

Revista

Outro ponto relevante é a estreia da

seção Técnicas Gerais de Laboratório,

assinada por Cristiane Monteiro. No

artigo inaugural, a autora aborda a validação

analítica como elemento central

da confiabilidade regulatória, com foco

nos parâmetros críticos que sustentam a

qualidade dos dados.

É, porém, na conexão com a prática que

esta edição ganha ainda mais força. O

conteúdo percorre temas diretamente

ligados ao cotidiano de laboratórios

analíticos e industriais, como a escolha

entre HPLC, UPLC e UHPLC, cromatografia

por exclusão de tamanho, uso de

geradores de gases em cromatografia

gasosa e avanços em espectrometria de

massas de alta resolução, incluindo suas

implicações regulatórias. Esse conjunto

evidencia como a evolução instrumental

amplia as fronteiras da análise química e

sustenta a confiabilidade dos resultados

em diferentes contextos.

Ao mesmo tempo, a edição amplia o olhar

para questões que extrapolam a técnica,

incorporando discussões sobre segurança

no uso de produtos químicos, eficiência

industrial, o papel da inteligência artificial

no suporte à conformidade regulatória

e à gestão de processos laboratoriais,

além do controle de volume e

tempo como fator crítico de rendimento

na indústria de alimentos.

Ano 24 - Edição 141 - Março 2026

Carlos Eduardo R. Costa - Editor Chefe

Os artigos reunidos convergem para um

ponto central, a qualidade analítica

como base de todo o desenvolvimento

científico e tecnológico. Em um ambiente

orientado por dados, medir com

precisão continua sendo o que sustenta

decisões consistentes.

Ao final, registramos nosso agradecimento

aos parceiros, clientes, autores,

colaboradores e leitores que caminham

conosco na construção contínua da

Revista Analytica. O apoio, a confiança e o

compromisso de cada um são fundamentais

para fortalecer este espaço dedicado

à ciência analítica e à disseminação do

conhecimento técnico no Brasil.

Boa leitura.

Carlos Eduardo R. Costa

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS | MEIO AMBIENTE | BIOTECNOLOGIA | LIFE SCIENCE

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

Para novidades na área de instrumentação analítica, controle de qualidade e pesquisa, acessem nossas redes sociais:

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EXPEDIENTE

Realização: Futurlab

Editor Responsável: Carlos Eduardo R. Costa | redacaoanalytica@futurlab.com.br

Assinaturas: Daniela Faria (11) 98357-9843 | assinatura@futurlab.com.br

Comercial: Joao Domingues (11) 98357-9852 | comercial@futurlab.com.br

Comercial: Daniele Nogueira (11) 98140-8900 | comercial3@futurlab.com.br

Coordenação de Arte: FC DESIGN - contato@fcdesign.com.br

Impressão: Gráfica Forma Certa | Periodicidade: Bimestral


Revista

Ano 24 - Edição 141 - Março 2026

ÍNDICE

ARTIGO 1 08

Josiane dos Santos da Silva, Andreas Sebastian Loureiro Mendez

01 Editorial

05 Agenda

06 Publique na Analytica

VALIDAÇÃO DE PROCESSOS NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA –

EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO ÂMBITO REGULATÓRIO

ARTIGO 2 38

Gabrielle Montes da Rocha, Ísis Preste Formiga, Isabella Caroline Carvalho dos Santos, Daniela

Santos Silva, Verônica Cristina Pêgo Fiebig Aguiar

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ADSORTIVO DA SEMENTE

DE MORINGA OLEIFERA PARA CORANTES TÊXTEIS

51

Blog dos Cientistas

Espectrometria de Massas 54

Indústria de Alimentos – Processos e Desafios 61

58

HPLC Insights

63

P&D Analítico e Farmacotécnico

Logística e Inteligência Artificial na Saúde 66

2

Revista Analytica | Março 2026

Técnicas Gerais de Laboratório 71

68

73

Química no Meio Ambiente

Em Foco



Revista

Ano 24 - Edição 141 - Março 2026

ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES

ordem alfabética

Anunciante

pág.

ALFA

2ª CAPA

BCQ 4ª CAPA / 41

CRAL 3ª CAPA / 03

FCE PHARMA 23

GREINER 07

NOVA ANALITICA 11

TERATEC 19

VEOLIA 15

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS | MEIO AMBIANTE | LIFE SCIENCE

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

Conselho Editorial

Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular da Escola de Química da Escola de

Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA)

do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional

de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki, Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de

Medeiros, Profª. Depto. de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública do INCQS

da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.

4

Revista Analytica | Março 2026

Colaboraram nesta Edição:

Maria Mayara Saraiva de Sousa, Maurício Ferreira da Rosa, Junior Romeo Deoti, Daniele Fernanda de Oliveira Rocha, Rogerio Aparecido Machado, Ingrid Ferreira Costa.


agenda

ANUGA SELECT BRAZIL – FEIRA DE ALIMENTOS E TENDÊNCIAS

Data: 7 a 9 de abril de 2026

Local: Distrito Anhembi – SP

Foco:Mercado de alimentos e bebidas com forte componente de inovação e tecnologia produtiva.

Mais Informações:anuga-brazil.com.br

FCE PHARMA 2026

Data:1 a 3 de junho de 2026

Local: São Paulo, SP (São Paulo Expo)

Foco: Feira farmacêutica, indústria, tecnologia e serviços.

Mais Informações: fcepharma.com.br

REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA (SBQ) 2026

Data:15 a 18 de junho de 2026

Local: Campinas, SP

Foco: Congresso científico nacional em química

Mais Informações: www.sbq.org.br/49ra/

COBBIND 2026 – II CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOTECNOLOGIA INDUSTRIAL

Data: 6 a 19 de agosto de 2026

Local: Campos do Jordão, SP

Foco: Biotecnologia industrial

Mais Informações:https://abeq.org.br/congressos/

Revista Analytica | Março 2026

5


Revista

Ano 24 - Edição 141 - Março 2026

PUBLIQUE NA ANALYTICA

Normas de publicação

A Revista Analytica, em busca de novidades em divulgação científica, disponibiliza abaixo as normas

para publicação de artigos aos autores interessados.

Bimestralmente, a Revista Analytica publica

editoriais, artigos originais, revisões, casos

educacionais, resumos de teses etc. Os editores

levarão em consideração para publicação toda

e qualquer contribuição que possua correlação

com as análises industriais, instrumentação e o

controle de qualidade.

Os manuscritos deverão ser escritos em

português (ortografia oficial), com Abstract

detalhado em inglês. O Resumo e o

Abstract deverão conter as palavras-chave

e keywords, respectivamente.

Todas as fotos, ilustrações, gráficos, desenhos

e fórmulas que comporem o artigo, devem ser

enviados separadamente, em alta resolução

e com os devidos créditos, para uma perfeita

reprodução. Todas deverão estar devidamente

identificadas e com a indicação no texto de

onde deverão ser colocadas.

Os trabalhos deverão ser enviados por e-mail,

ordenados em título, nome e sobrenomes

completos dos autores e nome da instituição

onde o estudo foi realizado. Além disso, o

nome do autor correspondente, com endereço

completo, telefone e e-mail. Seguidos por

Resumo, Palavras-chave, Abstract, Keywords,

Introdução, Materiais e Métodos, Parte

Experimental, Resultados, Discussão, Conclusão,

Agradecimentos e Referências bibliográficas.

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acordo com as normas ABNT.

Evite utilizar abstracts como referências.

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analisadas pelo comitê editorial. Os autores

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de interesse existente, em particular aqueles

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interessadas ou envolvidas em produtos ou

processos que estejam relacionados com a

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Após a aprovação do artigo, os autores

deverão preencher e assinar o termo de

compromisso enviado pela redação, atestando

a originalidade do artigo, bem como a

participação de todos os envolvidos.

Observação: É importante frisar que a Revista Analytica não informa a previsão sobre quando o artigo será publicado. Isso se deve ao fato

que, tendo em vista a revista também possuir um perfil comercial – além do técnico cientifico -, a decisão sobre a publicação dos artigos pesa

nesse sentido. Além disso, por questões estratégicas, a revista é bimestral, o que incorre a possibilidade de menos artigos serem publicados –

levando em conta uma média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores

disponibilizarem seu material em outras publicações.

6

Revista Analytica | Março 2026

ENVIE SEU TRABALHO

Carlos Eduardo R. Costa – Redação

redacaoanalytica@futurlab.com.br

CASO PRECISE DE INFORMAÇÕES ADICIONAIS, ENVIE UM E-MAIL PARA A REDAÇÃO.


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Artigo 1

VALIDAÇÃO DE PROCESSOS NA INDÚSTRIA

FARMACÊUTICA – EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO

ÂMBITO REGULATÓRIO

Autores:

Josiane dos Santos da Silva

"Josiane dos Santos da Silva é farmacêutica pela

Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Possui

mais de dois anos de experiência na indústria

farmacêutica, com atuação nas áreas de validação e

assuntos regulatórios."

Andreas Sebastian Loureiro Mendez

“Andreas Sebastian Loureiro Mendez é Professor na

Faculdade de Farmácia – UFRGS e junto ao PPGCF –

UFRGS, com experiência na indústria farmacêutica nas

áreas de controle de qualidade e garantia da qualidade”

8

Revista Analytica | Março 2026

Resumo:

A validação de processos

é uma ferramenta

essencial para garantia da

qualidade de processos

produtivos e relacionados,

estando diretamente

vinculada à qualidade

do produto. No contexto

de medicamentos e de

indústria farmacêutica,

infere-se que há relação

direta com a eficácia e

segurança do produto farmacêutico

obtido. O presente

trabalho analisou

a evolução das diretrizes

regulatórias da validação

de processos no Brasil e

no mundo, com foco no

Food and Drug Administration

(FDA - EUA), European

Medicines Agency

(EMA - Europa), diretrizes

internacionais dos guias

da International Council of

Harmonisation - ICH (Q7,

Q8, Q9 e Q10) e Agência

Nacional de Vigilância

Sanitária (ANVISA - Brasil),

além da atuação da Organização

Mundial da Saúde

(OMS). A partir de uma

revisão narrativa da literatura,

foi possível identificar

marcos históricos,

técnicos e regulatórios

que moldaram as práticas

atuais, evidenciando a

transição de abordagens

reativas para estratégicas,

baseadas em gerenciamento

de risco e controle

contínuo, especialmente

com a incorporação de

conceitos como Quality by

Design (QbD) e Validação

Contínua de Processo. O

trabalho também aponta

tendências futuras

relacionadas à indústria,

como o uso de inteligência

artificial e análise de

dados em tempo real,

reforçando a necessidade

de adaptação regulatória

diante dessas inovações.

Palavras-chave: Validação

de processos, Indústria

farmacêutica, FDA,

EMA, OMS, ANVISA, Quality

by Design, Indústria 4.0


Abstract:

Process validation is an

essential tool to ensure

the quality of a productive

and related process, being

directly linked to product

quality. In this context of

medicines and the pharmaceutical

industry, it can

be inferred that there is a

direct relationship with

efficacy and safety of the

pharmaceutical product

obtained. This present

study has analyzed the

evolution of regulatory

guidelines for process

validation in Brazil and

worldwide, focusing on

the Food and Drug Administration

(FDA - USA),

European Medicines

Agency (EMA - Europe),

international guidelines

from the International

Council of Harmonization

- ICH (Q7, Q8, Q9 and

Q10) and the Agência

Nacional de Vigilância

Sanitária (ANVISA - Brazil),

in addition to the role

of the World Health Organization

(WHO). Based

on a narrative review of

the literature, it was possible

to identify historical,

technical and regulatory

milestones that shaped

current practices, evidencing

the transition

from reactive to strategic

approaches, based on

risk management and

continuous control, especially

with the incorporation

of concepts such as

Quality by Design (QbD)

and Continuous Process

Validation. The work also

points out future trends

related to the industry,

such as the use of artificial

intelligence and real-time

data analysis, reinforcing

the need for regulatory

adaptation in the face of

these innovations. .

Keywords: Process validation,

Pharmaceutical

industry, FDA, EMA,

WHO, ANVISA, Quality by

Design, Industry 4.0.

Introdução:

A produção de medicamentos

na indústria farmacêutica

é um processo

sequencial de operações

que transforma matéria-

-prima, por meio de processos

químicos e físicos,

em produtos destinados

à melhoria da saúde,

sendo estes conformes

aos padrões de qualidade

(LACHMAN; HANNA;

LIN, 2001). Para que um

medicamento seja viável

para consumo, ele deve

ter três características

fundamentais: eficácia,

referente à ação terapêutica

no alvo desejado;

segurança, relacionada

à ausência de toxicidade

significativa e minimização

de efeitos colaterais;

e estabilidade, quando

se mantém suas propriedades

físico-químicas

durante o armazenamento

e o prazo de validade

do produto.

A indústria farmacêutica

é alvo de intensas

fiscalizações e regulamentações

por órgãos

governamentais, com o

objetivo de vetar a possibilidade

de erros que

possam comprometer a

saúde humana (ALEEM

et al., 2002; ALENCAR et

al., 2004). Deste modo,

é fundamental a utilização

de ferramentas de

qualidade que assegurem

o controle de todas

as etapas do processo

Revista Analytica | Março 2026

9


Artigo 1

10

Revista Analytica | Março 2026

produtivo para garantir

a conformidade e qualidade

de medicamentos.

Para isso, é utilizado um

Sistema de Qualidade

no ciclo de vida do produto,

o qual deve abranger

as Boas Práticas de

Fabricação (BPF), em

inglês Good Manufacture

Practice (GMP) (PINTO;

KANEKO; OHARA, 2015).

Sendo assim, há uma

crescente importância da

adoção de metodologias

em validação, garantindo

Atributos Críticos de

Qualidade (ACQ) dos

produtos, sendo formalizado

por documentações

robustas, garantindo um

processo de fabricação

com similaridade e qualidade

(UNITED STATES,

FOOD AND DRUG ADMI-

NISTRATION, 1984). A

validação de processo,

portanto, é um elemento

essencial no Sistema de

Qualidade Farmacêutica,

responsável por garantir

a segurança e a qualidade

dos medicamentos. Ela

envolve a avaliação de

todas as atividades, desde

os testes iniciais, seguido

da produção e produto

final envolvendo etapas

críticas da fabricação. Seu

objetivo é fornecer evidências

documentadas

da consistência e reprodutibilidade

da produção.

É amplamente utilizada

em indústrias farmacêuticas,

biotecnológicas,

de dispositivos médicos

e insumos, envolvendo

o monitoramento e análise

contínua do desempenho

dos processos,

sendo não apenas uma

prática consolidada,

mas uma exigência legal

imposta pelos órgãos

reguladores. Muitas

vezes, a validação necessita

de ajustes ou alterações

em parâmetros de

fabricação para garantir

que os medicamentos

atendam aos padrões

de qualidade exigidos

(ALAGARSAMY, GUPTA,

PRABHU, 2016).

Assim, o presente trabalho

adquire relevância

ao abordar a evolução

histórica da validação

de processo nos principais

órgãos reguladores

internacionais, como a

Food and Drug Administration

(FDA), European

Medicine Agency (EMA), e

as diretrizes internacionais

dos guias da International

Council of Harmonisation

– ICH, além

da Organização Mundial

da Saúde (OMS), de

caráter não regulatório,

numa contextualização

conjunta aos impactos

frente aos profissionais

da área de produção,

controle e insumos de

medicamentos regulados

pela Agência

Nacional de Vigilância

Sanitária (ANVISA). Neste

contexto, por meio de

uma revisão de literatura,

questiona-se: Quais

foram as evoluções da

validação de processo

na indústria farmacêutica

frente às principais

agências regulatórias

internacionais e como

isso influenciou a ANVI-

SA até os dias atuais?

Quais são as tendências

aplicadas à validação de

processo no futuro?


AUTOMAÇÃO PARA

PROTEÔMICA

Principais benefícios:

- Automação comtpleta do preparo de

amostras para proteômica de plasma

- Plataforma aberta, configurável para

diferentes protocolos

- Maior produtividade e reprodutibilidade,

comparadas a fluxos manuais


Artigo 1

12

Revista Analytica | Março 2026

METODOLOGIA

Neste trabalho, foi

adotada uma revisão

bibliográfica focada

na evolução da validação

de processo e seus

impactos regulatórios

no Brasil e no mundo.

Para isso, foram utilizados

materiais diversos

como livros, trabalhos

publicados, artigos

científicos, monografias,

dissertações, teses

ou resoluções regulatórias

de órgãos governamentais

entre outros,

como fonte de pesquisa

(MATTOS, 2015).

Neste contexto, foi adotada

uma metodologia

de revisão narrativa de

literatura, utilizando a

seguinte combinação

dos descritores como

metodologia de pesquisa

primária: “process

validation”, “pharmaceutical

industry”, “Good

Manufacture Practices”

OR “GMP” e NOT “analytical”

nas bases de dados

PubMed, ScienceDirect,

Web of Science e Google

Scholar. Além disso,

foram incluídos documentos

de metodologias

primárias e secundárias

como teses, dissertações,

documentos técnicos,

livros especializados

sobre o tema e diretrizes

publicadas pelos órgãos

regulamentadores como

FDA, EMA, ICH, ANVISA e

não regulatória, como a

OMS. Para a seleção dos

materiais, foram incluídos

aqueles que abordaram a

validação de processo na

indústria farmacêutica,

regulamentações e guias

técnicos emitidos pelos

órgãos citados e que

fossem publicadas em no

período de 2000 a 2025.

No entanto, foram excluídos

trabalhos que não

tratavam diretamente

da temática citada. Além

disso, foi realizada uma

análise retrospectiva das

legislações vigentes e não

vigentes sobre o tema

nos guias publicados

pela FDA, EMA, ANVISA e

revisão dos documentos

emitidos pela OMS.

VALIDAÇÃO DE PRO-

CESSOS – HISTÓRICO

REGULATÓRIO

Surgimento da Validação

de Processo

Segundo a RDC de n°

658/2022, o termo “validação”

tem como significado

o ato de confirmar

algo como verdadeiro,

correto ou aceitável.

Aplicada às Boas Práticas

de Fabricação de

Medicamentos, este tem

como ação de provar que

qualquer procedimento,

processo, equipamento,

material, atividade ou

sistema opera dentro dos

parâmetros aceitáveis

e estabelecidos previamente,

assegurando

consistência de um produto

com os padrões de

qualidade exigidos por

normas regulatórias.

Sendo assim, em meados

de 1962, a exigência

de um processo produtivo

com maior robustez

devido aos graves

efeitos relacionados a

teratogenicidade ao uso

da Talidomida (NASH;

WACHTER, 2003) - medicamento

desenvolvido

para induzir sonolência

com o enantiômero R(+)

thalidomide, mas identificado

como causa raíz de


malformações congênitas

em recém-nascidos na

Europa Ocidental (UNI-

TED STATES. FOOD AND

DRUG ADMINISTRATION,

2021) com o enantiômero

S(-)-thalidomide. A

forma racêmica do medicamento

- R(+),S(-)-thalidomide

- foi amplamente

distribuída sob nome

comercial “Distaval” na

Alemanha Ocidental, sem

o devido conhecimento

específico da mistura dos

estereoisômeros (VAR-

GESSON, 2015). A Figura

1 apresenta os estereoisômeros

do medicamento,

bem como a

forma comercial em que

era distribuído.

Esse episódio levou o

então presidente dos

Estados Unidos, John F.

Kennedy, nos anos 1961 a

1963, realizasse a aprovação

das Emendas Kefauver-Harris

à Lei FD&C

(Food, Drug and Cosmetic

Act), exigindo comprovação

de eficácia e tornando

obrigatório o relato de

efeitos adversos à exposição

do tratamento (NASH;

WACHTER, 2003).

Figura-1: A. Estruturas químicas dos estereisômeros com enantiômeros R(+)-thalidomide e

S(-)-thalidomide. B. Imagem do medicamento comercial “Distaval” 25 mg, comercializado pela

empresa Chemie Grunenthal, Alemanha. (Fonte: Adaptado de Vargesson (2015))

A partir deste cenário,

em 1963 é aprovado

o documento current

Good Manufacture Practice

(cGMP), que regula

as Boas Práticas de Fabricação

de medicamentos

acabados, ressaltando a

necessidade das indústrias

de realizarem uma

ação preventiva em

substituição da reativa,

por meio de controles

de qualidade. Isto fez

com que o processo

de monitoramento e

inspeção da agência

aos fabricantes ocorresse

em ciclos bienais,

evidenciando não conformidades

graves no

início da ação. Naquele

período, a amostragem

era realizada somente

no produto acabado

de medicamentos com

alto valor de mercado

ou que pudessem

haver maiores efeitos

clínicos. No entanto, era

notável a ocorrência de

inúmeras notificações

de medicamentos não

conformes mesmo com

o controle de qualidade

aprovando o produto

acabado, redirecionando

a agência regulatória

a verificar não somente

a produção final e sim

o processo como todo

(NASH; WACHTER, 2003).

Revista Analytica | Março 2026

13


Artigo 1

14

Revista Analytica | Março 2026

Desse modo, Ted Byers e

Bud Loftus, ambos membros

da FDA, introduziram

pela primeira vez o termo

ao comitê da agência na

década de 1970, demonstrando

necessidade de

aumentar a qualidade e

melhoria de produção de

medicamentos parenterais

de grande volume na

indústria farmacêutica por

meio de coletas e avaliações

de dados. O objetivo

era garantir a conformidade

de todo o processo

do produto farmacêutico,

atendendo lotes de produto

acabado e execuções

repetidas (VOYKELATOS,

2022; MCCORMICK; SAN-

DERS, 2022).

Ano Normativa Atribuições

1962 Emendas Kefauver-Harris à Lei

FD&C (Food, Drug and Cosmetic

Act),

1963 Current Good Manufacture

Practice

Neste contexto, os esforços

foram totalmente

contemplados em indústrias

de medicamentos

parenterais, mas, expandido

ferozmente a todas as

indústrias de cuidados à

saúde. No período, ambos

os autores fizeram publicações

de artigos sobre

“Design for Quality”, abordando

uma maior atenção

aos processos de produção

e “Validation and Stability”,

abordando exigências

necessárias para que o

processo fosse validado

(NASH; WACHTER, 2003).

Obrigatoriedade de

documento comprobatório

relatando

eficácia

Realização de ação

preventiva por controle de

qualidade de produto

acabado

1974 Design for Quality Artigo relatando a

necessidade de maior

atenção aos processos

produtivos

1978 Validation and Stability Artigo relatando a

necessidade de uma base

legal para processos

validados

1987

Guideline on General Principles of

Process Validation

Primeira publicação oficial

sobre Validação de Processo

Quadro 1. Evolução do surgimento da Validação de Processo, a partir do FDA como

órgão regulamentador.

Fonte: Elaborado pela autora (2025)

Deste modo, devido a

inúmeras dúvidas relacionadas

à nova perspectiva

e as conformidades exigidas

à indústria farmacêutica,

em 1987 a FDA

publica o “Guideline on

General Principles of Process

Validation”, o primeiro

documento relatando

o termo “validação de

processo”, abrangendo

não somente produtos

considerados estéreis e

não estéreis, mas também

medicamentos e produtos

médicos (UNITED

STATES. FOOD AND DRUG

ADMINISTRATION, 1987).

O Quadro 1 apresenta a

evolução ocorrida cronologicamente

no órgão

regulador americano.

Evolução Histórica e

Técnica da Validação de

Processo na FDA

É notável verificar que

após a publicação da FDA

no documento “Current

Good Manufacturing Pratice

Regulations to Finished

Pharmaceuticals” e “Good

Manufacturing Practice

Regulations for Medical

Devices”, correspondendo



Artigo 1

16

Revista Analytica | Março 2026

às regulamentações 21

CFR Part 210, 211 e 820,

a relação das indústrias

farmacêuticas diante do

início da nova diretriz

na produção de medicamentos

pudesse gerar

inúmeras dúvidas. Em

resposta a estas incertezas,

a agência americana

publicou, em 1987, o “Guideline

on General Principles

of Process Validation”,

respondendo questões

e esclarecendo necessidades

das empresas que

relataram dificuldades em

adequar-se à nova proposta.

O documento traz

à tona diversos termos

essenciais relacionados

à validação de processo,

descritos no Quadro 2. O

termo dado a validação

neste documento foi

“estabelecer evidências

documentadas que forneçam

um alto grau de

garantia de que um processo

específico produzirá

consistentemente um

produto que atenda às

suas especificações e atributos

de qualidade pré-

-determinados” (UNITED

STATES FOOD AND DRUG

ADMINISTRATION,1987).

Após o lançamento do

“Guideline on General

Principles of Process Validation”

em 1987, muitas

indústrias de produtos

farmacêuticos ainda se

encontravam em fase

de adaptação ao novo

regime regulatório. Neste

período, ocorreram

inúmeras falhas nos

processos de validação,

verificando que ainda

ocorria liberação de

lotes de medicamentos

com processos não validados

ou validados de

forma inadequada. Tais

falhas resultaram em

erros e desvios no produto

acabado, fazendo

com que a FDA enviasse

cartas regulatórias (warning

letters) apontando

as necessidades e atenção

às conformidades

estabelecidas, de acordo

com o cGMP (NASH;

WACHTER, 2003). Desta

forma, um caso notável

ocorrido em 1993 envolvendo

a empresa Barr

Laboratories, na qual a

FDA moveu uma ação

por não cumprimento

das Boas Práticas de

Fabricação (cGMP), verificando

a necessidade

de um estudo de maior

robustez envolvendo a

validação de processo,

e também, limpeza.

Em resposta a ação, o

laboratório moveu uma

declaração para que se

obtivesse clareza sobre

os padrões necessários

ao estudo de validação

(BURGESS, 1993). Dessa

forma, visto a lacuna

existente em relação a

diretrizes mais precisas

para que ocorresse uma

robustez nos protocolos

e relatórios de validação,

em 1996, a FDA lança

uma revisão ao documento

cGMP 21 CFR Part

210 & 211, estabelecendo

a definição formal da

Validação de Processo,

descrita como: “A validação

de processo é uma

função da garantia da

qualidade que ajuda a

garantir a qualidade do

medicamento, fornecendo

evidências documentadas

de que o processo

de fabricação cumpre as

especificações pré-determinadas

e característica

de qualidade”.


Também, adicionou a

seção §211.220, que estabeleceu

a necessidade

da validação de sistemas

computadorizados, com

impacto as Boas Práticas

de Fabricação; etapas

críticas como mistura,

compressão, envase

e rotulagem; quantidade

mínima de lotes

para validar o processo

e obrigatoriedade de

revalidação a cada nova

mudança. A revisão também

atribuiu por meio da

seção §211.22 ao setor de

Controle de Qualidade,

a responsabilidade da

realização da análise do

processo a ser validado,

consolidando seu papel

prático ao sistema de

qualidade farmacêutica.

Termo

Qualificação de Instalação

Qualificação de desempenho do processo

Qualificação de desempenho do produto

Validação Prospectiva

Validação Retrospectiva

Protocolo de Validação

Pior Caso

Quadro 2. Definições essenciais da Validação de Processo, de acordo com o

“Guideline on General Principles of Process Validation” de 1987.

Fonte: Elaborado pela autora (2025)

Definição

Comprovação na qual equipamento e/ou

sistema opera dentro dos limites e

tolerâncias estabelecidas.

Verificação de que o processo é eficaz e

reprodutível dentro dos parâmetros

definidos.

Verifica a segurança e confiabilidade a partir

de testes de que o produto final atende a todos

os requisitos necessários para que possa ser

liberado para uso.

Validação realizada antes do lançamento de

novo produto com revisões e testes que

podem afetar características do produto.

Validação de produto já lançado a partir de

dados de produção, testes e controle.

Um plano escrito declarando como a

validação será conduzida, incluindo

parâmetros de teste, características do

produto, equipamento de produção e pontos

de decisão sobre o que constitui resultados

de teste aceitáveis.

Um conjunto de condições que abrangem

limites e circunstâncias de processamento

superior e inferior, incluindo aquelas dentro

de procedimentos operacionais padrão, que

apresentam a maior chance

de falha de processo ou produto quando

comparado a condições ideais. Tais

condições não

necessariamente induzem a falha de produto

ou processo.

Em 2004, a FDA lança

a iniciativa intitulada

“Pharmaceutical cGMP for

the 21st Century: A risk-

-based approach”, tendo

como objetivo modernizar

o sistema regulatório

farmacêutico. Nisto, foi

estabelecido um Guia

de Política de Conformidades

nomeada como

“Process Validation Requiremets

for Drug Products

and Active Pharmaceutical

Ingredients Subject

to Pre-Market Approval”,

estabelecendo a importância

de um desenho

do processo e avaliação

de dados no ciclo de vida

do produto - desenvolvimento

até a validade. É

válido ressaltar também

que neste documento

ocorre a primeira aparição

do termo “Quality by

Design” (QbD), verificando

a necessidade de projetar

um medicamento

com um desenho efetivo

e eficiente em relação ao

processo produtivo.

Em 2011, a FDA publicou

uma nova orientação

sobre Validação de Processo

sob nome “Process Validation:

General Principles

Revista Analytica | Março 2026

17


Artigo 1

18

Revista Analytica | Março 2026

and Practices”, incorporando

novas atribuições

dos guias do International

Conference of Harmonisation

(ICH) - um grupo

de agências regulatórias

mundiais que harmonizam

técnicas na produção

de medicamentos para

garantir segurança, confiabilidade

e qualidade

em todos os estágios. O

Quadro 3 elucida estes

estágios com base nas

novas mudanças.

A necessidade da revisão

deu-se devido às atualizações

nos processos produtivos

verificadas desde

a publicação oficial de

1987. Nele, são descritas

três etapas necessárias

para a validação do processo

com suas devidas

descrições, apresentando

um ciclo de vida contínuo

(UNITED STATES FOOD

AND DRUG ADMINISTRA-

TION, 2011), sendo:

• Etapa 1: Design do Processo

(Process Design)

• Etapa 2: Qualificação

do Processo (Process

Qualification)

Etapa Descrição Condições

1. Design do Processo

(Process Design)

2. Qualificação do

Processo (Process

Qualification)

3. Verificação Continuada

do Processo (Continued

Process Verification)

É definido o processo de

fabricação por meio de

atividades de desenvolvimento

e escalonamento (scale-up),

entregando de forma constante

a produção com Parâmetros

Críticos do Processo (PCP) e

Atributos Críticos de Qualidade

(ACQ), identificadas e

avaliadas por análises

multivariadas

Determinar que o processo é

capaz produzir, de forma

reprodutível, um produto

apropriado para comercialização

Garantir a qualificação de

instalação e operação na fase 1 e

desempenho, com métrica

estatística ao estudo, na fase 2

dos equipamentos e utilidades

Garantir a manutenção do

estado de validação no processo

ao longo do tempo com o uso de

estatística.

• Etapa 3: Verificação Continuada

do Processo (Continued

Process Verification)

Evolução Histórica e

Técnica da Validação de

Processo na EMA

Após a aprovação da

“Emendas Kefauver-Harris

à Lei FD&C (Food, Drug and

Cosmetic Act)”, observou-

-se uma maior rigidez nos

fabricantes farmacêuticos,

especialmente no que diz

Não é necessário atender as Boas Práticas

de Fabricação, mas deve-se documentar

todo o processo, de acordo com o ICH Q10.

Dados da escala piloto e/ou laboratorial

podem estimar a variabilidade. Também é

verificado nesta etapa os pontos

significativos nos equipamentos. O projeto

e espaço deve estar de acordo com o ICH

Q8

É necessário a descrição de um protocolo

com parâmetros operacionais, dados a serem

coletados, testes e critérios de aceitação

significativos, o plano de amostragem

necessário, indicadores de desempenho, o

status da validação de métodos analíticos do

processo e revisão dos envolvidos.

É necessário estabelecer um programa de

coleta de dados continuamente para

garantir o status validado do processo, de

acordo com os Atributos Críticos de

Qualidade, verificando variações e

indicando melhorias em intralotes e

interlotes. Pode ser de dados do processo,

reclamações, desvios ou Relatórios de Não

Conformidade (RNCs). Estes dados podem

servir para melhoria de Controle em

Processo ou revisão de parâmetros

operacionais.

Manutenções preventivas e calibrações

estão no escopo, sendo verificada a

necessidade de requalificação quando há

necessidade.

Quadro 3. Estágios da validação de processo descritas no Guidance for Industry -

Process Validation: General Principles and Practices 2011.

Fonte: Elaborado pela autora (2025)

a respeito à comprovação

da eficácia e segurança

dos medicamentos. Desta

forma, como resposta ao

grave episódio envolvendo

a Talidomida, a European

Economics Comission

(EEC), constituída

inicialmente pelos países

Bélgica, Alemanha, França,

Itália, Luxemburgo e Países

Baixos também passou a

adotar medidas regulatórias

mais restritivas (LÓPEZ

RODRÍGUEZ, 2021).



Artigo 1

20

Revista Analytica | Março 2026

Assim, em 1965, estabelece

a Diretiva 65/65/

EEC, fornecendo a base

necessária para o regulamento

farmacêutico,

estabelecendo definições

necessárias, como:

especialidade farmacêutica,

medicamento, substância,

fórmula oficinal e

magistral. Já as Diretivas

75/318/EEC e 75/319/EEC

tinham como objetivo

harmonizar legislações

de Estados-membros da

União Europeia no que

diz respeito à produção

e controle de qualidade

de medicamentos.

Segundo as regulamentações

publicadas, foi

estabelecido critérios

para testes de qualidade

integrando protocolos

analíticos que incluíam:

ensaios físico-químicos

para matérias-primas,

produtos intermediários

e produtos acabados;

ensaios microbiológicos;

ensaios toxicológicos

como: oncológicos, de

função reprodutora ou de

toxicidade fetal. Também

foram exigidos ensaios

clínicos com o objetivo de

demonstrar a segurança

e eficácia terapêutica.

Desta forma, em 1991,

a ECC publica uma nova

diretriz, sendo esta

91/356/EEC adaptando

o progresso produtivo

de 75/318/EEC e 75/319/

EEC. Essa diretriz foi responsável

pelo conceito

de “Boas Práticas de

Fabricação” no âmbito da

Comunidade Europeia,

determinando que os

processos de produção

de medicamentos sejam

feitos de acordo com a

conformidade pré-estabelecida.

É importante

ressaltar que, pela primeira

vez, a EEC passou a

utilizar a palavra “validação”,

conforme descrito

no Artigo 10°. Este artigo

estabelece que a produção

de um medicamento

deve ser validada, estabelecer

fases críticas ao

processo, além de prever

a necessidade de revalidações

periódicas.

Diante das dificuldades

de estabelecer pareceres

de nível obrigatório entre

os Estados-membros, a

EEC verificou a necessidade

de criação de um

órgão regulamentador

oficial e centralizado para

que pudesse realizar as

decisões de maneira mais

uniforme e ordenada na

União Europeia (LÓPEZ

RODRÍGUEZ, 2021).

Sendo assim, em 1995

é fundada a European

Medicines Agency - EMA

pelo Regulamento de

n° 2309/93, obsoletando

as regulamentações

anteriores e unificando o

controle e avaliação de

medicamentos no bloco

europeu (EUROPEAN

ECONOMIC COMMUNI-

TY, 1993). A partir deste

contexto, a validação de

processo passou a ser

norteada por documentos

técnicos - Note for

Guidance -, discorridos ao

longo do tempo.

A primeira orientação

específica sobre o

tema foi apresentada

no documento CPMP/

QWP/848/96, em 1996,

que definiu a validação

de processo como um

meio de garantir e fornecer

provas documentais

de que os processos (dentro

de seus parâmetros

especificados) são capazes

de produzir consistentemente

um produto

acabado com qualidade

exigida. É notável que a

apresentação desse pri-


meiro guia evidenciou

a exigência regulatória

para que possa se ter uma

validação de processo

mais robusta. Este documento

relaciona o desenvolvimento

de medicamentos

e fases críticas

do processo, desafiando

as indústrias farmacêuticas

a adquirir robustez

e reprodutibilidade ao

processo. O guia delimita

que a validação deve ser

feita em três fases: escala

laboratorial no desenvolvimento

farmacotécnico,

definindo pontos críticos

do processo; piloto,

envolvendo uma escala

de no mínimo 10% da

capacidade de produção,

que delimita os processos

críticos ocorridos em

maior proximidade às

reais e a escala industrial

ou de produção, que

deve ser realizada três

lotes consecutivos em

100% da escala, comprovando

a robustez e reprodutibilidade

do processo.

Sendo assim, no Anexo I

deste mesmo documento,

relata o esquema

necessário para realizar

uma validação de processo

robusta, incluindo:

descrição detalhada do

processo com parâmetros

críticos, especificação

do produto acabado,

dossiê analítico, Controle

em Processo (CEP) para

avaliação dos critérios

de aceitação e plano de

amostragem necessário.

Após estas informações,

é discorrido um relatório

final com as informações

discorridas com os dados,

certificados de análise e

registro de produção. Ao

final do relatório, é dado

um parecer com desvios,

se encontrados, e propostas

medidas preventivas

e corretivas ao processo

para assegurar a qualidade

e conformidade

do processo (EUROPEAN

MEDICINES AGENCY,

2001).

Visto a necessidade de

se definir diretrizes para

processos não padronizados,

mencionados no

guia anterior, é publicado

em 2004 o documento

CPMP/QWP/2054/03,

que trouxe orientações

necessárias ao tema,

abordando a definição

de processos não

padronizados, incluindo

fabricação de métodos

especializados, utilização

de novas tecnologias e

métodos de esterilização

não convencionalmente

normalizado. Em relação

à validação de processo,

no Anexo II deste documento

são dadas as informações

necessárias para

estes tipos de processo

mencionados anteriormente,

salientando que

deve-se desenvolver

abordagens de validação

que considerem as

particularidades dos processos

e que garantam

conformidade aos medicamentos

produzidos.

Após as publicações dos

guias ICH Q8, Q9 E Q10

pelo International Council

of Harmonisation,

a European Medicine

Agency (EMA) verifica

a necessidade de atualizar

o conceito de

validação de processo

e adequar as diretrizes

do CPMP/QWP/848/96.

Deste modo, publica

a EMA/CHMP/CVMP/

QWP/809114/2009 em

2010, introduzindo

conceitos delineados

pelas publicações propostas

pelos ICH sobre

Tecnologia Analítica de

Revista Analytica | Março 2026

21


Artigo 1

22

Revista Analytica | Março 2026

Processo (PAT), “Quality

by Design” (QbD) e Teste

de Liberação em Tempo

Real (RTRT). Além disso,

menciona pela primeira

vez o termo “Verificação

Continuada de Processo”,

apresentando uma

alternativa moderna ao

processo de validação

de três lotes consecutivos

e a necessidade de

maior alinhamento aos

guias mencionados.

Em 2012, para alinhar

os guias previamente

publicados às informações

mais atualizadas,

a EMA publica a EMA/

CHMP/CVMP/QWP/

BWP/70278/2012, que

substituiu os guias

anteriores e se mantém

como legislação atual

sobre validação de processo

no grupo europeu

em relação a produtos

acabados. Entre as principais

mudanças que

ocorreram em relação

às anteriores, é notável

salientar que neste guia

há maiores detalhes da

abordagem tradicional

de validação de processo

para medicamentos

de forma farmacêutica

sólida, sendo no mínimo

10% da escala máxima

ou 100.000 unidades,

considerando o que for

maior. Para outros tipos

de formas farmacêuticas,

o lote-piloto deve ser

justificado dependendo

da análise de risco considerando

a criticidade

do produto. Há também

a definição robusta de

“Verificação Continuada

de Processo”, como sendo

uma abordagem em

tempo real baseada na

ciência e no risco para

verificar e demonstrar

que um processo opera

dentro dos parâmetros

especificados predefinidos

produz consistentemente

material que

atende a todos os seus

atributos críticos de qualidade

(CQAs) e requisitos

de estratégias de controle.

Também, seria uma

alternativa à validação de

processo tradicional na

qual o desempenho do

processo de fabricação é

continuamente avaliado

e monitorado (ICH Q8).

É introduzido a possibilidade

de uma

abordagem híbrida

dependendo do processo,

combinando

práticas da validação

tradicional e continuada,

dependendo da

estratégia produtiva

adotada pela indústria.

Também é pontuado o

termo design do espaço

(design space), sendo

necessário validar o

local que o equipamento

ocupa assegurando

que o produto atende

aos Atributos Críticos

de Qualidade definidos.

O documento também

determina que, caso

ocorra um scale -up –

passagem de escala,

no caso laboratorial a

produtiva, esta deve se

manter conforme sem

perder seus parâmetros

de qualidade além de

que, deve se associar

uma necessidade de

revalidação caso ocorra

um aumento de escala,

não sendo necessário

se a parte já validada

do processo é independente

ao que está sendo

aumentado.



Artigo 1

24

Revista Analytica | Março 2026

No Anexo I do referido

documento, foi incorporada

informações

sobre o esquema de

verificação continuada

de processo, sendo

necessário a adição de

um esquema contendo

monitoramento dos

lotes podendo ser no

formato on-line, medição

onde a amostra é

desviada do processo

de fabricação e pode

ser retornada ao fluxo;

in-line , onde a amostra

é analisada dentro do

fluxo do processo e não

removida dele; e at-line,

a qual é removida,

isolada e analisada em

proximidade imediata

com o fluxo do processo,

com seus devidos

parâmetros delineados;

número e tamanho de

amostras; frequência

do monitoramento;

detalhes dos métodos

analíticos aplicados;

critérios de aceitação;

dados com ferramentas

estatísticas para verificação

de processos em

nível comercial.

Ano Documento Impacto

1965 Diretiva 65/65/EEC Definiu especialidade

farmacêutica, medicamento,

substância, fórmula oficinal e

magistral

1975 Diretiva 75/318/EEC Declarou harmonização de

produção e controle de qualidade

de

medicamentos; introdução de

testes físico-químicos,

microbiológicos e toxicológicos

1975

1991

1995

1996

Diretiva 75/319/EEC

Diretiva 91/365/EEC

Fundação da EMA -

Regulamento 2309/93

CPMP/QWP/848/96

Por fim, no Anexo II

deste respectivo documento,

traz especificações

detalhadas sobre

medicamentos especializados,

incluindo: inaladores

pressurizados;

suspensões e emulsões;

Complementou a 75/318/EEC

com exigências para ensaios

clínicos de segurança e eficácia

Introduziu o conceito de Boas

Práticas de Fabricação (BPF) e

exigência de validação de

processos e revalidações

Criação da European

Medicines Agency (EMA),

centralizando

regulamentações na Europa

Primeira definição de validação

de processo; inserção de três

fases de validação (laboratório,

piloto e produção); plano de

amostragem e critérios de

métodos analíticos

2004 CPMP/QWP/2054/03 Direcionamento para processos

de fabricação não padronizados;

novas tecnologias e esterilizações

não convencionais

2010 EMA/CHMP/CVMP/QWP/

80 9114/2009

2012 EMA/CHMP/CVMP/QWP

/B WP/70278/2012

Atualização de conceitos como

QbD, PAT e RTRT; Introdução ao

conceito de Verificação

Continuada de

Processo

Versão vigente contendo

atualização geral de validação de

processo, introduz abordagem

híbrida; design space; ampliação

sobre Verificação Continuada de

Processo e

monitoramento contínuo

(online e in-line)

Quadro 4. Evolução da Validação de Processo na European Medicines Agency – EMA.

Fonte: Elaborado pela autora (2025)

formas farmacêuticas

de liberação modificada;

medicamentos com

dose unitária menor

que 2% da composição;

medicamentos parenterais

a base de polímeros

biodegradáveis, pre-


parações lipossomais,

preparações micelares

e preparações nanoparticuladas

(EUROPEAN

MEDICINES AGENCY,

2014). O Quadro 4 elucida

sobre a evolução da

validação de processo na

principal agência regulatória

europeia - EMA.

Evolução da International

Council for Harmonisation

of Technical

Requirements for Pharmaceuticals

for Human

Use – ICH

Figura 2. Etapas de elaboração de Guias do ICH

Fonte: Adaptado de Lima (2024)

Após o movimento da

unificação regulatória na

Europa voltado à padronização

de regulamentações

para produtos farmacêuticos,

a Organização Mundial

da Saúde (OMS), por

meio da Conferência das

Autoridades Regulatórias

de Medicamentos, promoveu

em 1989 um encontro

com o objetivo de

estimular a consolidação

de normas e práticas de

fabricação mais robustas

no âmbito global, motivado

pelo sucesso europeu.

Como resultado desta iniciativa,

em 1990 ocorre a

fundação da International

Council for Harmonisation

of Technical Requirements

for Pharmaceuticals for

Human Use - ICH, com o

objetivo de unificar requisitos

técnicos necessários

para o registro de medicamentos

de uso humano,

reunindo os três principais

mercados farmacêuticos

mundiais: Estados Unidos

(FDA), Europa (EMA)

e Japão (PMDA/MHLW)

(BRANCH, 2005).

O ICH visa uniformizar a

interpretação, aplicação

e exigências regulatórias,

neste sentido, são criados

guias em um processo

de 5 etapas, sendo após,

desenvolvido por especialistas

técnicos para que

sejam aplicadas as etapas

necessárias até a sua

implementação na etapa

5. Hoje, há um quantitativo

de 72 guias e estão organizados

em quatro grandes

áreas, sendo: E - Eficácia; S

- Segurança; M - Multidisciplinaridade

e Q - Qualidade,

sendo esta a categoria

de maior interesse para os

propósitos deste trabalho

(BRANCH, 2005; LIMA,

2024). Na Figura 2 é descrito

as etapas de elaboração

destes documentos.

No âmbito da Validação

de Processo, as principais

diretrizes utilizadas

são ICH Q7, Q8, ICH Q9 e

ICH Q10.

Diretriz ICH Q7 - Boas

Práticas de Fabricação de

Insumos Farmacêuticos

De acordo com o documento

Q7 Concept Paper

(1998), havia no período

diversas diretrizes sobre

Revista Analytica | Março 2026

25


Artigo 1

26

Revista Analytica | Março 2026

Boas Práticas de Fabricação

publicadas por diferentes

entidades regulatórias,

resultando em

abordagens diferentes

para cada entidade sanitária.

Desta forma, uma

iniciativa internacional

liderada pela Pharmaceutical

Inspection Co-operation

Scheme (PIC/S) visava

harmonizar estas exigências,

envolvendo países

da União Europeia, Ásia

e América do Norte. Esta

harmonização visava a

criação de uma única diretriz

de BPF a nível global,

facilitando a conformidade,

promovendo a proteção

à saúde e facilitando

o comércio internacional

(INTERNATIONAL CONFE-

RENCE ON HARMONISA-

TION, 1998).

Desta forma, é aprovada

para consulta pública no

ano 2000 a diretriz ICH Q7,

estabelecendo uniformidade

sobre Boas Práticas

de Fabricação, incluindo

a validação de processo,

reforçando a obrigatoriedade

das indústrias de

se obter documentações

robustas e validadas para

avaliação de processos de

medicamentos. Entre os

requisitos fundamentais,

destaca-se a necessidade

de que os parâmetros

críticos do processo; os

critérios de aceitação

e o tipo de validação

adotado (retrospectiva,

prospectiva ou simultânea)

(ICH Q7, 2000, seção

12.1 e 12.2; PRABHU, LEE

e YU, 2015). Além disso, é

obrigatório a elaboração

de um relatório técnico

contendo o resumo dos

dados obtidos, as análises

estatísticas e conclusões à

consistência do processo

(ICH Q7, 2000, seção 12.2).

Outro aspecto essencial

é a qualificação de equipamentos,

que deve ser

realizada por meio de

três etapas: Qualificação

de Instalação (QI), na

qual assegura que o local

onde o equipamento será

instalado está em conformidade

com os requisitos

técnicos; Qualificação de

Operação (QO) verifica

se o equipamento tem

funcionalidade operacional

pretendida em todas

as faixas operacionais

especificadas e Qualificação

de Desempenho

(QD) que comprova que

o equipamento executa

suas funções de maneira

eficaz e reprodutível,

conforme os critérios

definidos nas especificações

técnicas (ICH Q7,

2000, Seção 12.3).

No tópico 12.4 do ICH Q7,

A Validação de Processo

é definida como a evidência

documentada de

que o processo, operado

dentro de parâmetros

estabelecidos, pode funcionar

de forma eficaz e

reprodutível para produzir

um intermediário

ou acabado que atenda

às suas especificações

e atributos de qualidade

predeterminados. O

documento descreve

três abordagens para a

condução da validação,

sendo prospectiva, que

deve ser realizada antes

da distribuição comercial

do medicamento;

simultânea, aplicável

quando há um número

limitado de produção de

um medicamento, quando

o processo já validado

sofre modificações

modificação pontual e,

também, retrospectiva,


sendo permitida somente

quando há um processo

robusto e estável,

sem alterações significativas

na qualidade do

produto ao longo de um

histórico produtivo.

De acordo com o tópico

12.5, é necessário que a

validação seja executada

por meio de um Programa

de Validação de Processo,

contendo informações

sobre qual validação será

implementada, sendo que

a prospectiva ou simultânea

deve realizar as ações

por meio de três lotes consecutivos.

Para a validação

retrospectiva, é necessário

a coleta de dados representativos

de dez a trinta

lotes consecutivos, permitindo

a análise estatística

da consistência e reprodutibilidade

do processo

produtivo (ICH Q7, 2000).

Atualmente, este documento

encontra-se em

status de Implementação,

sendo a Etapa 5.

Diretriz ICH Q8 - Desenvolvimento

Farmacêutico

Em 2003, identificou-se

a necessidade de harmonizar

as diretrizes

Parâmetro Definição

Qualidade

Risco

Gestão

referentes ao desenvolvimento

farmacêutico

entre os principais reguladores

mundiais, FDA

e EMA. Como resultado,

foi elaborada uma nova

diretriz contendo as

especificações técnicas

exigidas pelos três membros

fundadores: Estados

Unidos, Europa e Japão.

Sendo assim, em novembro

de 2004, foi homologado

o ICH Q8, com

foco na padronização do

desenvolvimento farmacêutico.

A adoção formal

pelos países regulados

ocorreu posteriormente

sendo: a FDA e EMA, em

maio de 2006, e a MHLW

em setembro deste mesmo

ano (FERREIRA, 2014;

ICH, 2009).

Conjunto de propriedades intrínsecas de uma

substância ou medicamento, com sustentação em

seu processo de fabricação, e em quaisquer

processos de apoio, que, quando combinados,

satisfazem os critérios pré-determinados

necessários para assegurar a o que se destina

Combinação da probabilidade de ocorrência

de dano (ou resultado indesejado) e a

gravidade desse dano

Estabelecimento de procedimentos sistemáticos

para a avaliação, controle, comunicação (dentro

e fora da organização) e revisão interativa dos

riscos para a qualidade da substância ou do

medicamento ao longo do ciclo de vida do

produto (durante o desenvolvimento e processo

de fabricação)

Quadro 5. Definição de termos descritos no ICH Q9 - Gestão de Risco da Qualidade.

Fonte: Adaptada de Elder (2018)

De acordo com Ferreira

(2014), o objetivo deste

documento é orientar

sobre o ciclo de vida do

produto, abrangendo

todas as suas etapas

- desde o desenvolvimento

até possível

obsolescência -, aplicando

melhoria contínua e

assegurando que o produto

desenvolvido permanece

em controle no

processo. Este controle

contínuo é chamado de

Verificação Continuada

de Processo (VCP). Neste

contexto, o documento

destaca que, para se

obter entendimento de

todo o processo, este

deve ser controlado e

monitorado, avaliando

parâmetros críticos

Revista Analytica | Março 2026

27


Artigo 1

28

Revista Analytica | Março 2026

a partir de evidência

estatística, uma vez que

estes fatores podem

afetar a qualidade do

medicamento.

Além disso, a diretriz enfatiza

o conceito de QbD,

que promove uma abordagem

sistemática com

foco em ACQ entre insumos

e equipamentos e

também, introduz o sobre

Design Space, ou Espaço

de Design, a qual define

a faixa de parâmetro de

processo – como temperatura,

tempo, velocidade

de agitação entre outros

- dentre a qual deve se

garantir a qualidade do

produto final (ICH, 2009).

Desde a sua publicação,

a ICH Q8 passou por duas

revisões. A primeira, denominada

R(1), foi notificada

e publicada em novembro

de 2008 e corresponde ao

anexo à Parte II do documento,

com o objetivo de

fornecer esclarecimentos

aos membros sobre

a aplicação prática dos

conceitos apresentados. A

segunda revisão, denominada

R(2), teve caráter editorial,

com finalidade de

corrigir títulos de figuras

em páginas específicas do

documento, sem alterar

seu conteúdo técnico (ICH,

2009). Atualmente, este

documento encontra-se

em status de Implementação,

sendo a Etapa 5.

Diretriz ICH Q9 - Gestão

de Risco de Qualidade

Com o objetivo de promover

um sistema de

qualidade robusto na

área farmacêutica, reconheceu-se,

em julho de

2003, a necessidade de

desenvolver uma diretriz

que integrasse o conhecimento

técnico-científico

e gerenciamento de risco,

com objetivo de melhorar

a aplicação de avaliação

de risco e reduzir a subjetividade

(FERREIRA, 2014).

De acordo com Elder e

colaboradores (2018),

um gerenciamento de

risco eficaz é fundamental

para a verificação de

prováveis problemas que

se verificam em todo o

ciclo de vida do produto,

desde o desenvolvimento

à comercialização. Para

atingir esse propósito, a

diretriz propõe o uso de

termos específicos com

suas respectivas definições,

elucida a tomada de

decisão e define responsabilidades

atribuídas às

indústrias e às autoridades

reguladoras. Com a

harmonização conceitual,

a tomada de decisões

passa a ser mais estruturada,

possibilitando maior

precisão na identificação

da causa raiz do problema

e contribuindo para a

melhoria contínua.

Neste contexto, em

Novembro de 2005, foi

homologada a diretriz

ICH Q9, que se destaca

pela consolidação de

conceitos e terminologias

relacionadas a qualidade,

risco e gestão,

entre outros elementos

fundamentais. O Quadro

5 apresenta os principais

termos definidos na diretriz

(ELDER et. al, 2018;

FERREIRA, 2014; INTER-

NATIONAL COUNCIL OF

HARMONISATION, 2020).

De acordo com Ferreira

(2024, p. 126), a diretriz

ICH Q9 é essencial

para garantir a fabricação

segura e eficaz

de medicamentos, ao

mesmo tempo corrobo-


ra estratégias aplicadas

em gerenciamento de

riscos, conferindo maior

robustez à validação de

processo. Além disso, a

aplicação do conceito

de QbD permite a identificação

e controle de

ACQ, os quais podem

influenciar diretamente

na produção de

um medicamento e

posteriormente a um

paciente. Desta forma,

o QbD torna-se um pilar

importante para uma

abordagem moderna e

científica da validação

de processos.

No Anexo II do ICH -

Artigo II.1, destaca-se

que a revisão periódica

do produto é um componente

essencial da

validação de processo,

uma vez que permite a

identificação da necessidade

de revalidação,

alteração na amostragem

ou mudança de

parâmetros relacionados

ao equipamento.

Nele, também define o

termo de controle de

mudanças, que deve

prever a revalidação do

processo caso ocorra

alterações significativas

no estudo de desenvolvimento

ou fabricação

de um medicamento.

Já o Artigo II.6, também

do ICH, enfatiza que a validação

de processo deve

ser inserida no gerenciamento

de risco aplicado

ao produto, sendo necessário:

verificar o escopo

do processo; identificar as

atividades consideradas

de maior risco para realizar

amostragens, monitoramento

ou a necessidade

de uma revalidação e

apontar etapas críticas do

processo para que possam

ser apossadas a um

estudo (INTERNATIONAL

COUNCIL OF HARMO-

NISATION, 2020). Atualmente,

este documento

encontra-se em status de

Implementação,

este a Etapa 5.

sendo

Diretriz ICH Q10 - Sistema

de Qualidade Farmacêutica

Dando continuidade à

proposta de promover um

sistema de qualidade farmacêutica

harmonizada, o

ICH Q10 foi homologado

em novembro de 2005,

indo ao complemento das

diretrizes anteriores, ICH Q8

e ICH Q9, cuja conjunção

havia iniciado em julho de

2003. A diretriz tem como

objetivo a padronização

global do sistema de qualidade

na área farmacêutica,

utilizando terminologias

relacionadas a normas

internacionais existentes,

como ISO 9000, ISO

9001:2000, ISO 9004, ISO

13485:2003 além de outras

diretrizes do próprio ICH

(FERREIRA, 2014). =

Sob a ótica da validação

de processo, o item

1.6.1 da diretriz enfatiza

necessidade de uma

gestão de conhecimento,

visando a compreensão

do produto e o processo

em todo seu ciclo

de vida. Essa gestão visa

consolidar a compreensão

técnico-científica do

processo e do produto

para a elaboração de

um estudo de validação

robusto. No item 3.1.2, o

ICH Q10 trata da transferência

de tecnologia

tendo como visão a

transmissão de conhecimento

entre produto

e produção para que

possa ter o objetivo

final, o medicamento.

Revista Analytica | Março 2026

29


Artigo 1

30

Revista Analytica | Março 2026

Esta transferência é o

elemento-chave para

que se possa obter uma

abordagem sólida na

validação de processo.

Já no item 3.2.1 aborda

a necessidade de implementação,

por parte da

indústria farmacêutica,

de um sistema de monitoramento

do desempenho

do processo. Tal

sistema é essencial para

que se possa obter dados

e garantir um ambiente

controlado de produção,

desta forma, verifica-se

estratégias inovadoras e

disruptivas aplicadas à

validação e garantia da

qualidade (INTERNATIO-

NAL COUNCIL OF HAR-

MONISATION, 2008). Atualmente,

este documento

encontra-se em status de

Implementação, sendo

este a Etapa 5.

Evolução Histórico-Técnico

da Validação de

Processo na Organização

Mundial da Saúde

Fundada em 7 de abril

de 1948, a Organização

Mundial da Saúde (OMS)

é uma agência especializada

das Nações Unidas

que atua como autoridade

coordenadora em

assuntos internacionais

de saúde, promovendo

disseminação de conteúdo

baseado em evidência

(PEREIRA, 2009). Dessa

forma, a OMS tem como

atribuições principais

estabelecer e manter

vínculos institucionais

com as Nações Unidas

por meio das administrações

sanitárias, oferecer

assistência técnica

aos Estados-membros e

promover o progresso

contínuo na área da saúde

pública. Sua atuação

é vinculada a adesão

voluntária dos países,

os quais podem decidir

por sua entrada ou saída,

desde que estejam de

acordo com os princípios

e normas constitucionais

(WORLD HEALTH ORGA-

NIZATION, 1948).

A validação de processo

foi incorporada ao escopo

da Organização Mundial

da Saúde no ano de

1992, por meio do documento

WHO Technical

Report Series (WHO TRS)

n° 823. Nesse relatório,

destaca-se a exigência

de que os países importadores

assegurem que

as indústrias farmacêuticas

exportadoras operem

em conformidade

com as Boas Práticas de

Fabricação, não somente

para garantir a qualidade

dos medicamentos,

mas também para evitar

contrabandos, fraudes e

itens falsificados. Neste

primeiro documento,

destaca-se a utilização da

ISO 9000 ao 9004 para a

referida revisão. No Anexo

1 do referido documento,

especificamente

no item 5, se estabelece a

definição de validação de

processo que tem necessidade

de protocolos

previamente definidos.

Tais protocolos devem

ser elaborados com base

em estudos e demonstrar

que o processo é capaz

de atingir, de forma consistente,

os resultados

esperados. Esses estudos

podem ser realizados

de forma prospectiva

ou retrospectiva, sendo

obrigatório, em casos

de introduções de novas

formulações, evidenciar a

capacidade do processo


em manter sua reprodutibilidade

e desempenho.

Alterações significativas

nos processos produtivos,

por sua vez, devem

ser revalidadas.

Em 1996, a Organização

Mundial da Saúde publicou

uma nova edição do

WHO TRS, sob número 863,

que conferiu orientações e

promoções ao conceito de

validação de processo. No

Anexo 6 deste documento,

são descritos de forma

mais estruturada os diferentes

tipos de validação,

sendo de caráter experimental

(prospectiva e concorrente),

análise de dados

históricos (retrospectiva) e

revalidação – quando há

mudanças em materiais,

processo, equipamentos,

área produtiva ou

de caráter periódico. Nas

experimentais é necessário

verificar as estratégias

de amostragem, ensaio

de simulação do processo,

ensaios desafiadores

para verificar a robustez e

parâmetros físicos do processo.

Em análise de dados

históricos, são analisados

todos os dados históricos

disponíveis dos lotes

produzidos, utilizando

gráficos estatísticos para

tal ação, dessa forma, avalia-se

se os dados se mantêm

dentro dos limites de

controle. Neste tipo de

validação, também se verifica

reclamações, rejeições,

retornos e reações adversas

e se não houver relatos

de problemas, o processo

está retrospectivamente

validado. O documento

também destaca a importância

da definição da

equipe responsável pela

execução da validação,

suas responsabilidades e

qualificações. No item 5,

o documento recomenda

que a validação ocorra nos

três primeiros lotes e que

a aprovação seja feita pelo

controle de qualidade. No

item 6, há um esquema

sugerido de protocolo

de validação para que os

Estados-membros, a qual

deve ter, a aprovação do

protocolo, o desenho, a

qualificação de instalação

entre outros requisitos.

Já a publicação de 2003,

por meio do WHO TRS n°

908, no Anexo 4 introduz

de forma mais sistematizada

a exigência a qual

as empresas tenham um

Plano Mestre de Validação.

Esse plano deve contemplar

todas as etapas de

qualificação, sendo projeto

(Design Qualification –

DQ), seguida de instalação

(Installation Qualification

– IQ), operação (Operational

Qualification – OQ),

finalizando na validação

de processo, a qual deve

atender a especificações

por Atributos Críticos de

Qualidade (ACQ). Reforça,

também, que qualquer

mudança significativa deve

passar por revalidação.

Após três anos, em 2006 a

OMS publica WHO TRS n°

937 na qual o tema referido

está no Anexo 4, Apêndice

7. É dado ressaltar

que neste documento há

um maior aporte de itens,

a qual atua como guia

suplementar, trazendo

atualizações referentes ao

documento anterior, retratando

com maior robustez

os tipos de validação já

citados. O termo Controle

de Mudanças é citado pela

primeira vez como documento

obrigatório para o

processo de validação, o

Revista Analytica | Março 2026

31


Artigo 1

32

Revista Analytica | Março 2026

qual avalia o impacto de

qualquer alteração sobre o

processo validado.

Em 2014, a OMS publica

o TRS n° 986, cujo Anexo

2 trata dos princípios

fundamentais das Boas

Práticas de Fabricação. A

validação encontra-se no

item 4, a qual os estudos

de validação devem estar

devidamente documentados

e disponíveis para

consulta, a fim de garantir

os requisitos de qualidade

estabelecidos.

A última publicação da

organização relacionado

ao tema ocorreu em

2020, por meio do WHO

TRS n° 1025, sendo o Anexo

2, evidenciando que

a validação de processo

deve ser realizada após

as etapas de qualificação,

o número de lotes e o

tamanho de lote devem

fazer parte da análise de

risco, visto anteriormente

ao processo de validação.

Evolução Histórica e

Técnica da Validação de

Processo na ANVISA

No Brasil, com a adoção

gradual das Boas Práticas

de Fabricação (BPF)

aplicadas por indústrias

internacionais, foi estabelecido

por meio da

Portaria n° 16/1995, da

Secretaria de Vigilância

em Saúde do Ministério

da Saúde (SVS/MS),

esta passou a conceder

elementos básicos

para a fabricação de

medicamentos no país,

sendo marco inicial de

exigência regulatória

nacional (BOFF et. al,

2023). Embora as BPF já

estivessem incluídas no

escopo da qualidade - e

por consequência, a validação-,

a Portaria não

faz menção ao termo

“validação”, o que resultou

na sua não incorporação

pelas indústrias

brasileiras à época.

Desta forma, o conceito

passou a ser incorporado

somente em 1998, com a

homologação da Portaria

SVS/MS nº 686/1998.

Nesta norma, a validação

é definida como: “Ação

documentada para provar

que um procedimento,

processo, equipamento,

material, atividade

ou sistema, realmente

conduz aos resultados

esperados.” (BOFF et. al,

2023; BRASIL, 1998)

Embora o termo seja

considerado aos requisitos

de BPF e Controle

de Estabelecimentos de

Produtos para Diagnóstico

de uso “in-vitro”, a Portaria

já refletia a evolução nas

exigências regulatórias

verificadas pelas agências

internacionais e reconhecendo

como elemento

fundamental no controle

do processo. Desta forma,

em 1999 ocorre o marco

na área da saúde regulatória

com a criação da

ANVISA, sendo a agência

principal na regulamentação

de medicamentos no

país (BOFF et. al, 2023).

Em 2001, como parte do

fortalecimento regulatório,

ocorre a homologação

da Resolução da

Diretoria Colegiada (RDC)

n° 134/2001, revogando a

Portaria n°16/1995. Neste

documento, a validação

de processo é escopo de

uma parte fundamental

do gerenciamento da

qualidade na fabricação

de medicamentos,

determinando termos e

formatos já citados, como

validação retrospectiva,

concorrente e prospectiva,

sendo incorporados

a um Plano Mestre de


Validação e seus estudos

mantidos a um Relatório,

além da necessidade de

revalidar processos total

ou parcialmente quando

há alterações (BOFF, 2023;

BRASIL, 2001).

No Artigo 19.1.3 da RDC

134/2001 é informado, pela

primeira vez em documentos

regulatórios brasileiros,

o termo validação de processo,

sendo um elemento

adicional às BPF e aplicado

a qualquer tipo de produção

de medicamentos,

indicando que se encontra

em controle adequado e

reprodutível. O Artigo 19.5

estabelece os pré-requisitos

necessários para que a

validação de processo seja

de boa performance, como

por exemplo a necessidade

de que os equipamentos

utilizados na produção e os

instrumentos de controle,

como também a formulação,

devem ser qualificados.

Menciona também

que as utilidades (água, ar,

nitrogênio, energia elétrica,

etc.), além das operações

de suporte, como limpeza e

sanitização de equipamentos

e instalações, devem

também ser validadas.

Tipo de processo

Processo Novo

Processo rotineiro para a produção de

produto estéril

Produção rotineira para a produção de

produto não estéril

Comprimidos de baixa dose e cápsulas contendo

substâncias altamente ativas: validação da

mistura e granulação em relação à uniformidade

do conteúdo.

No artigo 19.6 são descritas

abordagens para

que ocorra uma validação

prospectiva e concorrente,

sendo:

• Teste abrangente do

produto, com definição

de amostragem;

• Simulação das condições

do processo para

produtos estéreis, garantindo

esterilidade no produto

acabado;

•Pior caso (worst case), a

qual verifica faixas de aceitação

para que o produto

final atenda suas respectivas

especificações e

• Controle dos parâmetros

do processo, para

garantir confiabilidade.

Requisitos de validação

Todo novo processo deve ser validado

antes de ser aprovado para produção de

rotina.

Todos os processos que afetam a esterilidade

e o ambiente de fabricação devem ser

validados; especialmente o processo de

esterilização.

Outros comprimidos e cápsulas: validação da

operação de compressão dos comprimidos e

enchimento das cápsulas em relação à

uniformidade do peso

Quadro 6. Exemplo de prioridades para um programa de validação de processo produtivo.

Fonte: ANVISA (2001)

Neste mesmo artigo, é

abordado uma análise

estatística para comprovar

que processo opera

dentro dos limites de

controle estabelecidos.

É importante salientar

que protocolos e relatórios

formais não foram

detalhados na norma,

mas reforça a necessidade

de conduzir validações

no processo de um

medicamento. O Quadro

6 há um exemplo

de abordagens básicas

aplicadas à validação de

um processo produtivo.

Em 2003, uma nova atualização

de BPF foi implementada

por meio da RDC

n° 210/2003, substituindo

a RDC n° 134/2001. Assim

como a antecessora, aborda

os requisitos de vali-

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33


Artigo 1

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Revista Analytica | Março 2026

dação (BOFF et. al, 2023),

desta forma, mantendo e

reforçando os requisitos

para elevar os padrões

nacionais ao nível dos

padrões internacionais.

Com a homologação da

RDC n° 17/2010, observou-

-se um avanço regulatório

aplicada a validação de processo,

ocorrendo inclusões

de elementos necessários,

como inclusão do controle

de mudanças para casos

de revalidação e desvios,

caracteres que influenciam

o controle de um processo

(BRASIL, 2010)

Publicada nove anos após

a RDC n°17/2010, a RDC

n° 301/2019 se caracteriza

por harmonizar nos aspectos

regulatórios internacionais,

como PIC/S, FDA

e EMA as brasileiras. Nela,

a validação de processo

é inserida a um Sistema

de Gestão de Qualidade

Farmacêutica (antes GQ) e

reforça a obrigatoriedade

de que todos os processos

críticos devem ser validados

e analisados em toda a

produção. Ocorre a publicação

conjunta também

da Instrução Normativa

(IN) n° 47/2019, com disposições

no Capítulo III a

abordagem de validação

conforme padrões de

qualidade e segurança ao

paciente, sendo baseada

em ciência e risco, exemplificando

por meio de

dosagem, tamanho do

lote, verificação continuada

do processo e etc (BRA-

SIL, 2019a; BRASIL, 2019b).

Atualmente, a regulamentação

vigente no Brasil

é a RDC n° 658/2022 e

IN n° 138/2022, revogando

a RDC n°301/2019 e IN

n°47/2019. As resoluções

trouxeram poucas alterações,

apenas refinando

o Sistema de Gestão da

Qualidade Farmacêutica

(SGQ) e destacando procedimentos

como o Sistema

de Ações Preventivas

e Corretivas (CAPA), fortalecendo

o gerenciamento

de risco e a amostragem

mais extensiva (BRASIL,

2022a; BRASIL, 2022b).

O Quadro 7 apresenta

um resumo cronológico

das principais diretrizes

aplicadas na validação de

processo no Brasil com

suas respectivas definições

e como deve ser

conduzida na fabricação

de medicamentos.

Tendências futuras na

validação de processo:

Indústria 4.0 e desafios

regulatórios

De acordo com Mathi e

colaboradores (2020), a

validação define um processo

de modelo ideal,

verificando desempenho

com um quantitativo de

dados robustos, conferindo

confiança e aplicação.

As abordagens

contemporâneas de validação

de processo têm

como principal objetivo

a coleta sistemática de

dados e evidências que

comprovem que o processo

está mantido em

estado de controle contínuo,

sendo capaz de

produzir, de forma consistente,

medicamentos

de qualidade, seguros

e eficazes, durante toda

a vida útil do produto

destinado ao mercado

comercial (BINGGELI et.

al, 2018).


Com a tendência de

maior incorporação de

tecnologia na indústria

farmacêutica, o avanço

da Indústria 4.0 entre os

três estágios de validação

podem ser realizados

de forma mais rápida

e/ou simultânea devido

a coleta de dados de

forma real. Isto permite

que a validação seja um

processo contínuo, baseado

em modelos digitais

e inteligência artificial

(ARDEN et. al, 2021).

Normativa Definição Ação

RDC n° 134/2001

RDC n° 210/2003

RDC n° 17/2010

Ato documentado que atesta

que qualquer procedimento,

processo, equipamento,

material, operação ou sistema

realmente conduza aos

resultados esperados.

Ato documentado que atesta

que qualquer procedimento,

processo, equipamento,

material, operação ou sistema

realmente conduza aos

resultados esperados.

Ato documentado que atesta

que qualquer procedimento,

processo, equipamento,

material, atividade ou sistema

realmente e consistentemente

leva aos resultados esperados.

A validação de processo deve ser

conduzida desde as etapas iniciais de

desenvolvimento até a produção

industrial. Pode ser realizada por meio

de abordagem prospectiva ou

concorrente, ambas fundamentadas

em estudos experimentais

relacionados ao produto e às

condições do processo.

Alternativamente, pode-se empregar a

abordagem retrospectiva, baseada na

análise de dados históricos

provenientes de lotes previamente

fabricados sob condições validadas.

Todo novo processo deve ser validado

antes de sua liberação para a produção

rotineira, por meio de abordagens

prospectiva, concorrente e/ou

retrospectiva, conforme aplicável. A

validação deve assegurar a

identificação e o controle dos pontos

críticos do processo. Deve-se criar um

PMV.

O projeto de validação deve abranger

Procedimentos Operacionais Padrão

(POPs), as especificações do produto,

o Protocolo Mestre de Validação

(PMV), bem como os protocolos e

relatórios referentes às etapas de

validação e qualificação dos

processos e sistemas envolvidos

A modernização tem

objetivo de aumentar a

confiança no processo

produtivo e acelerar o

lançamento de novos

medicamentos, no

entanto, representa também

um desafio regulatório

ao regular sistemas

automatizados e ricos

em dados, muitas vezes

com pouca supervisão

direta, assim, exigindo

novas abordagens por

parte das agências sanitárias

mundiais. Enquanto

algumas indústrias

farmacêuticas ainda

operam com tecnologias

RDC n°

301/2019 e IN n°

47/2019

RDC n°

658/2022 e IN n°

138/2022

Ação de provar, de acordo

com os princípios das BPF,

que qualquer procedimento,

processo, equipamento,

material, atividade ou sistema

realmente leva aos resultados

esperados. Os estudos de

validação devem ser feitos

sempre que uma nova fórmula

ou método de preparação for

adotado, bem como mudanças

de equipamento ou materiais,

demonstrando que a controle

do processo

Evidência documentada de

que um processo, operado

dentro dos parâmetros préestabelecidos,

pode

desempenhar suas funções

efetivamente e

reprodutivamente para a

produção de um medicamento

dentro de suas especificações

e atributos de qualidade préestabelecidos.

Os estudos devem ser realizados

sempre que houver adoção de uma

nova fórmula, método de preparação,

mudança de equipamento ou de

materiais, com o objetivo de

demonstrar a manutenção da

qualidade do produto. Deve-se

estabelecer um Sistema de Qualidade

Farmacêutica (SQF), incorporando as

Boas Práticas de Fabricação (BPF) e o

gerenciamento de riscos da qualidade.

A validação tradicional utiliza um

número definido de lotes produzidos

sob condições rotineiras para

confirmar a reprodutibilidade, com

base em análise de risco, PCPs, ACQs

e critérios de aceitação. Já a

Verificação Continuada do Processo,

podendo ser aplicável via Quality by

Design, utiliza ferramentas como PAT

e controle estatístico multivariado.

Independentemente da abordagem, a

verificação continuada deve ser

mantida

Quadro 7. Normativas aplicadas a validação de processos para a indústria de medicamentos

no Brasil.

Fonte: Adaptada de Boff (2023)

da Indústria 2.0, outras já

migraram para sistemas

mais avançados, criando

um cenário com diferentes

níveis tecnológicos,

podendo até estar dentro

da mesma empresa,

sendo necessário regu-

Revista Analytica | Março 2026

35


Artigo 1

36

Revista Analytica | Março 2026

lações flexíveis que acomodem

tanto os métodos

tradicionais como

inovadores (ARDEN et

al, 2021; UNITED STATES.

FOOD AND DRUG ADMI-

NISTRATION, 2019).

CONCLUSÃO

A validação de processo

deixou de ser uma exigência

pontual e passou

a integrar de forma

estratégica o Sistema de

Qualidade Farmacêutica.

A partir da evolução das

diretrizes da FDA, EMA,

ICH e ANVISA e também

pela organização não

regulamentadora OMS,

observou-se uma transição

para abordagens

baseadas em ciência,

risco e melhoria contínua,

com destaque para

conceitos como Quality

by Design (QbD) e Verificação

Continuada de

Processo (VCP).

No Brasil, a ANVISA tem

avançado na harmonização

com padrões internacionais,

culminando

na RDC n° 658/2022, que

reforça a obrigatoriedade

da validação em processos

críticos e incorpora

elementos modernos de

monitoramento e gestão

da qualidade. Apesar dos

avanços, ainda há desafios

relacionados à implementação

prática dessas

diretrizes, especialmente

em ambientes com limitações

estruturais.

Com a chegada da Indústria

4.0, a validação tende

a se tornar cada vez mais

digital, integrada e em

tempo real. Nesse contexto,

o papel das agências

reguladoras será fundamental

para equilibrar

inovação e segurança,

garantindo processos

mais eficientes, rastreáveis

e confiáveis.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Revista Analytica | Março 2026

37


Artigo 2

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ADSORTIVO

DA SEMENTE DE MORINGA OLEIFERA

PARA CORANTES TÊXTEIS

38

Revista Analytica | Março 2026

Autores:

Gabrielle Montes da Rocha

Ísis Preste Formiga

Isabella Caroline Carvalho dos Santos

Daniela Santos Silva

Verônica Cristina Pêgo Fiebig Aguiar

Colégio Técnico “Antônio Teixeira Fernandes”

– Colégio Univap

Resumo

Diante da evolução

no sistema industrial,

ocorreu o aumento da

população e consequentemente

o consumo

de produtos industrializados,

intensificando

a geração de efluentes

e causando o descarte

errôneo desses resíduos

nos corpos de água, afetando

a biota marinha,

saúde populacional e o

setor agrícola. A poluição

aquática pode ser

observada por meio da

coloração da água, que

adquire o aspecto do

corante despejado nela,

resultando em danos à

fauna e flora, gerando

produtos tóxicos. Ademais,

a poluição hídrica

do meio desses efluentes

é prejudicial devido

a composição química

dos corantes, os quais

possuem metais pesados

de meia-vida longa

que corroboram para

a degradação do meio

ambiente. Através disso,

a pesquisa científica

visa compreender qual a

eficiência das sementes

de Moringa oleifera para

a remoção de efluentes

têxteis descartados

inadequadamente em

recursos hídricos, os

quais prejudicam os

ecossistemas aquáticos.

A M. oleifera destaca-

-se por seu potencial

coagulante e adsorvente,

presente em suas

sementes e cascas, oferecendo

uma alternativa

sustentável e acessível,

por meio de suas propriedades

bioadsorventes,

remoção de poluentes

em meio aquoso, e

fácil cultivo em áreas

versáteis, como semiáridas

e tropicais. Tais

características da planta,

podem ser atribuídas

a fatores da sua composição,

em que proteínas

e compostos bioativos

são capazes de interagirem

com moléculas

de corantes e partículas

suspensas, promovendo

coagulação e floculação.

A fim de avaliar a eficácia

da planta na adsorção

de corantes têxteis,

em especial o azul de

metileno, analisou-se

o comportamento nos

seguintes parâmetros

químicos: Tempo de

contato, controle de pH.

Ademais, os ensaios realizados

contaram com

os pH 2,0; 4,0 e 7,0 para

análise da eficiência de

remoção em diferentes

tempos de agitação,

iniciando em 5 minutos

e terminando em

90 minutos, resultando

em 72 amostras por ser

realizado em triplicada,


garantindo a veracidade

dos resultados. Posteriormente,

realizou-se

a espectrofotometria

dos ensaios, uma técnica

analítica que mede

a interação entre luz

e uma substância em

solução, determinando

a quantidade de luz que

a amostra absorve ou

transmite em comprimentos

de ondas, e obteve-se

que em meio neutro

(pH 7) os resultados

foram inferiores a 20%,

demonstrando uma

baixa interação entre

adsorvente e adsorbato.

Através dos resultados

obtidos, evidenciou-se

que o meio ácido, especialmente

no pH 4, a M.

oleifera teve seu potencial

adsortivo favorecido

em virtude que quanto

menor o pH em relação

ao ponto de carga

zero, melhor interação

entre as cargas elétricas

presentes, juntamente

com os processos de

floculação e coagulação

que se sobressaíram

a adsorção. Torna-se

notório que o processo

de adsorção natural é

eficaz na mitigação dos

impactos ambientais de

indústrias e residências,

proporcionando uma

estratégia financeiramente

viável e ambientalmente

responsável,

já que com emprego de

técnicas naturais como

o uso da Moringa oleifera

não apenas corrobora

para a proteção ambiental,

mas também promove

a inclusão social ao

disponibilizar uma tecnologia

simples e eficaz

que pode ser utilizada

em comunidades locais.

O presente estudo reforça

a relevância de alternativas

sustentáveis

para a preservação dos

ecossistemas, redução

de riscos à saúde pública

e adequação a leis e

resoluções ambientais.

Palavras-chaves: Moringa

oleifera. Adsorção.

Azul de metileno. Corantes

têxteis.

Abstract

As a result of the evolution

of the industrial system,

population growth

and, consequently, the

consumption of industrialized

products, the

generation of effluents

and leading to the

improper disposal of this

waste into water resources

increased, affecting

marine biota, population

health, and the

agricultural sector. The

environmental pollution

can be observed through

the coloration of the

water, which takes on

the appearance of the

dye poured into it, resulting

in harm to fauna

and flora and generating

toxic products. Furthermore,

water pollution

from these effluents is

harmful due to the chemical

composition of

the dyes, which contain

heavy metals with long

half-lives that contribute

to environmental degradation.

Therefore, scientific

research demands to

understand the effectiveness

of Moringa oleifera

seeds in removing textile

Revista Analytica | Março 2026

39


Artigo 2

40

Revista Analytica | Março 2026

effluents improperly

disposed of in water

resources, which harm

aquatic ecosystems. M.

oleifera stands out for

its coagulant and adsorbent

potential, present in

its seeds and husk, offering

a sustainable and

affordable alternative

through its bioadsorbent

properties, pollutant

removal in aqueous

media, and easy cultivation

in diverse areas,

such as semiarid and

tropical regions. These

plant characteristics can

be attributed to factors

in its composition, in

which proteins and bioactive

compounds are

capable of interacting

with dye molecules and

suspended particles, promoting

coagulation and

flocculation. To evaluate

the plant's effectiveness

in adsorbing textile dyes,

especially methylene

blue, its behavior was

analyzed under the

following chemical parameters:

contact time and

pH control. Furthermore,

the tests performed

included pH 2.0; 4.0 and

7.0 for analyzing removal

efficiency at different

agitation times, starting

at 5 minutes and ending

at 90 minutes, resulting

in 72 aliquots as it was

performed in triplicate,

ensuring the veracity of

the results. Subsequently,

the tests were performed

using spectrophotometry,

an analytical technique

that measures

the interaction between

light and a substance in

solution, determining

the amount of light

absorbed or transmitted

by the sample at different

wavelengths. In a

neutral medium (pH 7),

the results were less than

20%, demonstrating low

interaction between the

adsorbent and adsorbate.The

results obtained

showed that in an acidic

medium, especially at

pH 4, M. oleifera had its

adsorption potential

favored because the

lower the pH in relation

to the zero charge point,

the better the interaction

between the electrical

charges present, together

with the flocculation

and coagulation

processes that stood out

in adsorption. It is clear

that the natural adsorption

process is effective

in mitigating the

environmental impacts

of industries and residences,

providing a

financially viable and

environmentally responsible

strategy. The use of

natural techniques such

as Moringa oleifera not

only contributes to environmental

protection

but also promotes social

inclusion by providing

a simple and effective

technology that can be

used in local communities.

This study reinforces

the importance of sustainable

alternatives for

preserving ecosystems,

reducing public health

risks, and complying

with environmental laws

and regulations.

Key words: Moringa oleifera.

Adsorption. Methylene

blue. Textile dyes.


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Artigo 2

42

Revista Analytica | Março 2026

Introdução

A partir da evolução industrial,

que ganhou maior

relevância após a segunda

metade do século XX,

torna-se evidente o surgimento

de novas tecnologias

que, embora tenham

impulsionado o desenvolvimento

econômico,

também intensificaram os

impactos negativos sobre

os ecossistemas (Silva

et al., 2021). Entre esses,

o ambiente marinho se

apresenta como um dos

mais vulneráveis, devido

ao descarte inadequado

de resíduos industriais,

ricos em corantes e substâncias

químicas persistentes

(Zhang et al., 2023).

Esses poluentes, ao se acumularem,

comprometem

a biodiversidade aquática,

alteram processos ecológicos

naturais e podem

gerar efeitos tóxicos de

longo prazo, afetando

desde microrganismos até

níveis mais altos da cadeia

alimentar, promovendo

desequilíbrios tróficos e

comprometendo a resiliência

dos ecossistemas

(Silva et al., 2021).

Figura 1. Trajeto do corante descartado inadequadamente.

Fonte: Lin et al., 2023.

Assim, destaca-se o setor

têxtil como um dos mais

poluentes, responsável

por liberar grandes volumes

de efluentes contaminados

por corantes,

como o azul de metileno,

que, além de comprometer

a qualidade da água,

contém metais pesados

de meia-vida longa -

Cobre, cobalto, níquel,

crômio, entre outros -

capazes de se acumular

nos organismos aquáticos

(Escobar, 2019). Esse

processo de bioacumulação

desencadeia sérios

impactos, uma vez que

interfere diretamente nos

níveis tróficos e intensifica

a toxicidade ao longo

da cadeia alimentar (Lellis

et al., 2019).

Diante disso, tornou-

-se imprescindível a

aplicação de técnicas

voltadas à remoção

desses poluentes, destacando-se

a Moringa

oleifera, que apresenta

propriedades bioadsorventes

em suas sementes

e cascas, atuando

por meio de interações

entre cargas elétricas

distintas que permitem

a fixação dos corantes

(Reck et al., 2019).


Nesse prisma, insere-

-se a Moringa oleifera,

uma espécie arbórea

da família Moringaceae,

reconhecida por sua alta

capacidade de adsorção

de corantes têxteis em

recursos hídricos, contribuindo

significativamente

para a mitigação

de impactos ambientais

e para a melhoria da

qualidade de vida nos

sistemas globais (Özcan,

2020). A aplicação dessa

planta como agente

natural de tratamento

torna-se ainda mais

relevante por seu caráter

sustentável, visto

que possui eficiência

e praticidade ao baixo

custo de obtenção e

manutenção (Costa;

Furmanski; Dominguini,

2015). Além disso, sua

ampla adaptabilidade

a diferentes condições

climáticas, como regiões

semiáridas, tropicais e

de alta umidade, favorece

o cultivo em larga

escala, fortalecendo seu

potencial de utilização

como adsorvente verde

em substituição a

métodos convencionais,

frequentemente caros e

ambientalmente agressivos

(Lopes; Roledo;

Reis, 2022).

Os corantes têxteis

podem ser classificados

de acordo com sua

estrutura química, modo

de fixação e tipo de fibra

utilizada (Almeida; Dilarri;

Corso, 2016). Quanto

à sua natureza, destaca-

-se que eles podem ser

divididos em sintéticos,

constituídos por polímeros

orgânicos, e naturais,

baseados em proteínas

e celulose (Guaratini;

Zanoni, 2000). Complementando

essa perspectiva,

Gil (2015) ressalta

que os corantes são

formados por um cromóforo,

responsável pela

coloração, e por grupos

funcionais, que permitem

a ligação às fibras. A

presença desses grupos

funcionais e íons confere

elevada estabilidade ao

corante, dificultando sua

degradação tanto biológica

quanto físico-química

(Almeida; Dilarri;

Corso, 2016).

A priori, a adsorção, um

processo físico-químico

amplamente estudado,

consiste na acumulação

de partículas na superfície

de um sólido, ligado

diretamente as interações

eletrostáticas com relação

às distintas cargas iônicas

- Moringa catiônica

(+) e azul de metileno

aniônico (-) - sendo sua

eficiência diretamente

influenciada por variáveis

como pH do meio, área

superficial disponível,

temperatura, tamanho

molecular do adsorbato,

além da quantidade e

natureza do adsorvente

utilizado (Barbosa, 2018).

Dessa forma, a otimização

desses parâmetros é fundamental

para garantir

maior rendimento no tratamento

de efluentes têxteis

(Almeida, 2015). Por

conseguinte, a remoção

de corantes por adsorção

não apenas contribui para

a redução de impactos

ambientais, mas também

está alinhada a critérios

de saúde pública, uma

vez que melhora a qualidade

da água e auxilia no

atendimento às normas

Revista Analytica | Março 2026

43


Artigo 2

44

Revista Analytica | Março 2026

ambientais, como aquelas

relacionadas à Demanda

Bioquímica de Oxigênio

(DBO), parâmetro essencial

para a manutenção

do equilíbrio em corpos

d’água (Pizato et al., 2017).

Nesse contexto, os resíduos

industriais carregados

de efluentes têxteis configuram-se

como grandes

problemas ecológicos,

uma vez que apresentam

elevada toxicidade e persistência

química, o que

os torna difíceis de serem

degradados naturalmente

(Pecora, 2014). A toxicidade

desses corantes afeta especialmente

os organismos

marinhos, o grupo mais

prejudicado, comprometendo

a cadeia alimentar

e resultando em efeitos

mutagênicos e carcinogênicos

que intensificam

os danos ao ecossistema

(Okoya et al., 2020). Assim, a

determinação de métodos

eficazes para a remoção de

corantes deve considerar

não apenas a eficiência,

mas também fatores como

custo-benefício, acessibilidade

e praticidade de

aplicação (Munchen et

al., 2015). Nesse sentido,

destaca-se novamente a

Moringa oleifera como

alternativa promissora,

pois, além de seu fácil cultivo,

apresenta propriedades

físico-químicas adsortivas

eficientes para a remoção

de efluentes em meios

aquosos, utilizando de forma

sustentável suas cascas

e sementes como bioadsorventes

(Escobar, 2019).

Nas últimas décadas,

observa-se uma intensificação

no interesse

científico e tecnológico

pelo desenvolvimento

e aplicação de adsorventes

alternativos de

baixo custo, motivada,

principalmente, pela

necessidade de soluções

sustentáveis e economicamente

viáveis para o

tratamento de efluentes

(Pecora, 2014). Diante

disso, esses materiais

podem ser classificados

em três grandes categorias:

Adsorventes de

origem natural, como

madeira, carvão e argilas,

resíduos e subprodutos

industriais, exemplo das

cinzas voláteis e da lama

vermelha e resíduos ou

subprodutos de origem

agrícola, que incluem

sementes, cascas de

sementes e restos lignocelulósicos,

como o

sabugo de milho (Gupta

et al., 2009).

As sementes de Moringa

oleifera tem recebido

grande destaque como

potencial adsorvente,

visto que se trata de

um resíduo agrícola de

fácil obtenção (Pecora,

2014). Além de seu aproveitamento

como biomaterial

para processos

de adsorção, a Moringa

oleifera apresenta ampla

versatilidade de uso em

diferentes setores industriais,

incluindo as áreas

alimentícia, farmacêutica,

cosmética e de nutrição

animal e humana, em função

de suas propriedades

bioativas, como atividade

antioxidante, antimicrobiana

e coagulante (Ueda

Yamaguchi et al., 2021).

No cenário nacional

ambiental, o estudo das

poluições hídricas fundamenta-se

em normas


ambientais previamente

estabelecidas, como a

Lei nº 9.433/1997 (Lei

das Águas), que institui

a Política Nacional de

Recursos Hídricos; a Lei

nº 9.605/1998 (Lei de

Crimes Ambientais), que

dispõe sobre sanções

penais e administrativas

derivadas de condutas

lesivas ao meio ambiente;

e a Resolução CONAMA

nº 357/2005, a qual define

padrões e diretrizes de

qualidade para corpos de

água e estabelece limites

para o lançamento de

efluentes em ecossistemas

aquáticos (Santin;

Berndsen; Manoel, 2023).

Figura 2: Impactos de efluentes nos recursos hídricos.

Fonte: As autoras, 2025.

Ademais, o presente

estudo fundamenta-se

em uma revisão bibliográfica

abrangente, voltada

à adsorção de corantes

têxteis por distintos

métodos, com o objetivo

de reunir e sistematizar

o maior número possível

de informações que subsidiem

o desenvolvimento

prático da pesquisa. A

adsorção tem se consolidado

como uma técnica

amplamente explorada

no tratamento de efluentes

industriais devido à

sua eficiência, baixo custo

operacional e versatilidade

em diferentes condições

experimentais. O

procedimento laboratorial

foi realizado a partir

da coleta de sementes

de Moringa oleifera,

seguidas por etapas

de lavagem, secagem

e moagem, de modo a

garantir a obtenção de

partículas com granulometria

adequada para o

processo de adsorção.

Após o preparo do material

adsorvente, foram

conduzidos onze (11)

ensaios em triplicata,

nos quais se realizou o

controle do pH em diferentes

faixas (2, 4 e 7),

a fim de avaliar a influência

desse parâmetro

na eficiência adsortiva.

Os resultados obtidos

foram analisados por

meio de espectrofotometria,

possibilitando

a quantificação da

remoção do corante e a

comparação da eficácia

do material em distintas

condições experimentais

(Escobar, 2019).

Revista Analytica | Março 2026

45


Artigo 2

46

Revista Analytica | Março 2026

Em síntese, a pesquisa

realizada detém como

principais objetivos analisar

a capacidade adsortiva

da Moringa oleifera

para a redução de impactos

ambientais, além de

verificar como os corantes

têxteis prejudicam

os ecossistemas. Nesse

contexto, o estudo visa

demonstrar como ocorre

a adsorção pela semente

da espécie referenciada

acima através da interação

com o corante têxtil.

Metodologia

O trabalho desenvolveu-

-se a partir de uma revisão

integrativa da literatura

sobre o potencial

adsortivo da semente

de Moringa oleifera na

remoção de corantes

têxteis em meio aquoso.

A pesquisa foi realizada

entre janeiro de 2025 a

junho de 2025 desenvolveu-se

a partir de uma

revisão integrativa da

literatura sobre a Moringa

Oleifera, priorizando-se

nas publicações, dentro

dos últimos 20 anos,

temas como eficiência

de absorção, propriedades

químicas, físicas e

biológicas, estrutura e

demais assuntos relacionados.

Ademais, para a

construção da pesquisa

utilizaram-se artigos científicos,

teses/dissertações,

trabalhos de conclusão de

curso (TCC), repositórios,

livros e revistas, os quais

estão disponíveis em

plataformas como ScienceDirect,

SciELO, Unicesumar,

Instituto Brasileiro

de Estudos Ambientais

(IBEAS), Conexão Água,

Uni Funec, Google Acadêmico,

Revista Virtual

de Química, repositórios

UEM, UTFPR, UFSC, UFPB,

UTFPR, UFERSA, UFSM,

UFT, UFU, UFPE, UNESP e

UNIesp. Foram utilizadas

as palavras-chave: Moringa

oleifera, adsorventes

in natura, ensaios adsortivos,

corantes têxteis,

capacidade adsortiva,

impactos corantes têxteis

e espectrofotometria.

Foram encontrados em

torno de 900 artigos por

palavra-chave. A partir da

análise de cada artigo, as

autoras obtiveram dados

suficientes para o desenvolvimento

do principal

tópico: O potencial adsortivo

da Moringa O. com

os corantes têxteis e os

impactos ambientais.

Parte experimental

Foi realizado um procedimento

experimental

de ensaios adsortivos no

laboratório de química

do Colégio Técnico Antônio

Teixeira Fernandes

- Colégio Univap Centro

entre os dias 12 e 15 de

agosto a fim de comprovar

a revisão literária.

A princípio, foram considerados

o pH do meio

reacional e o tempo de

contato entre adsorvente-adsorvato

para análise.

Foram considerados

os pHs (2;4 e 7) e a quantidade

de tempo (5 min,

10 min, 15 min, 20 min,

30 min, 45 min, 60 min,

90 min), todos os ensaios

foram feitos em triplicata

juntamente com o

grupo controle que não

passou pelo processo

de adsorção, totalizando

72 amostras. No preparo

do adsorvente, foram

utilizadas amostras de


Moringa oleifera fornecidas

pelo ICT- Unesp em

São José dos Campos,

nas quais foram lavadas,

descascadas e secadas

em uma estufa nas condições

de 60° durante 24

horas e após o tempo,

foram retiradas, trituradas

com um almofariz

e pistilo e transferidas

novamente para a estufa

com as mesmas condições.

A dupla secagem

ocorre para que nenhuma

outra partícula atrapalhe

a interação entre

adsorvente-adsorvato.

Para a preparação da

solução do corante,

foram pesados 0,1g de

pó de azul de metileno

em uma balança analítica

e diluídos em 100 ml

de água e por fim, transferidos

para um balão

volumétrico, possuindo

uma concentração de 1

mg/ml. Ademais, alterados

com ácido sulfúrico o

pH das amostras de água

até o valor de parâmetro.

Para cada ensaio, foram

adicionados em um

béquer 0,1g de pó da

Figura 3: Fluxograma de processo adsortivo.

Fonte: As autoras, 2025.

semente de moringa,

1 ml de corante e 9 ml

de água e foi colocado

em agitador magnético

durante determinado

tempo de contato. Após

isso, as amostras foram

depositadas em alíquotas

de 10 ml e transferidas

em uma centrífuga

e passaram pela centrifugação

durante 5

minutos a 3000 rpm. Por

fim, o sobrenadante foi

analisado em um espectrofotômetro

no modo

absorbância em λ=664

nm. A partir dos valores

da absorbância, foi calculado

a média entre as

amostras feitas em triplicata

e posteriormente

o desvio padrão para a

construção do gráfico.

Resultado e discussão

Diante do contexto

hodierno, com a crescente

evolução tecnológica,

a poluição por

corantes têxteis encontra-se

perceptível, uma

vez que eles são classificados

como substâncias

nocivas ao meio

ambiente (Zhang et al.,

2023). A partir disso,

evidencia-se a imprescindível

necessidade

de soluções acessíveis

para mitigar os impactos

aos ecossistemas.

Revista Analytica | Março 2026

47


Artigo 2

Nesse prisma, o gráfico A

apresenta como as diferentes

amostras analisadas,

com pH 2,0; 4,0; 7,0, alteram

ao longo do tempo

o rendimento adsotivo,

evidenciando que os teste

de pH 4 mostraram uma

queda constante, indicando

que a concentração

diminuía com o tempo de

contato entre adsorvente

e adsorvato. Contudo, o pH

7 mostrou-se quase inalterado,

ocasionando apenas

uma maior dispersão.

Figura 4: Cascas e sementes da Moringa oleifera.

Fonte: As autoras, 2025.

48

Revista Analytica | Março 2026

Em suma, o gráfico B

demonstra a diferença

percentual da concentração

de azul de metileno

nos referidos pH anteriores,

com relação ao tempo

e concentração inicial

(tempo de 0 minutos,

referência de 1 mg/mL).

Logo, é possível analisar

que os pH 2 e 4, elevaram-se

a 60% de remoção

do corantes, no entanto,

apenas as amostras de pH

4 se mantiveram constantes,

atingindo o equilíbrio.

Além disso, no pH 7 não

ocorreu mudanças significativas,

obtendo valores

inferiores a 20%.

Figura 5: Tempo versus Concentração final representado pelo gráfico (A) e Tempo versus

Diferença Absoluta da Concentração representado pelo gráfico (B).

Fonte: As autoras, 2025.

Ao comparar os resultados

obtidos com a literatura

referencial de Pecora

(2014), observa-se que

estão parcialmente em

conformidade, uma vez

que ele indica o pH ideal

próximo entre 2,5 e 4,5. Tal

divergência de comportamento

com relação ao pH 2

pode ser associada a diversos

fatores experimentais

físico-químicos, visto que,

em condições ácidas, ocorre

intensa protonação dos

grupos funcionais presente

na Moringa oleifera, o que

tende a reduzir a interação

eletrostática com o azul de

metileno que possui caráter

aniônico, além de favorecer

a competição entre os íons

de H+. Em relação ao pH

7, indica-se limitações na

aplicação, demonstrando

necessidade de ajuste pré-


vio do meio básico para ácido,

para que os processos

cumpram a maior remoção

do corante têxtil.

Ademais, o excesso de

acidez pode induzir alterações

na propriedade

coagulante da M. oleifera,

comprometendo sua eficiência

no processo. Fatores

operacionais, como

dosagem do coagulante,

intensidade de agitação,

tempo de contato e a

eficácia da centrifugação,

também podem ter contribuído

para a divergência

observada, já que a

formação incompleta ou

a ressuspensão de flocos

interferem diretamente na

etapa de separação.

Portanto, nos ensaios

realizados, ao avaliar os

parâmetros de pH em

função do tempo, notou-

-se que maiores tempos

de contato favorecem a

rápida adsorção, efeito o

qual é atribuído às propriedades

coagulantes e

adsorventes das sementes

da Moringa oleifera,

as quais são capazes de

alterar o comportamento

Figura 6: pH versus Absorbância.

Fonte: As autoras, 2025.

Figura 7: Comparação da adsorção entre

as diferentes agitações.

Fonte: As autoras, 2025.

do corantes têxteis no

meio analisado. Nesse

viés, em meios ácidos, foi

evidenciado maior eficiência,

visto que em pH 7

os resultados não ultrapassaram

20%, corroborando

com o estudo de

Pecora (2014), que indicou

as faixas adequadas

entre pH 2,5 e 4,5 para

remoção de corantes.

Em síntese, a utilização

da Moringa oleifera como

adsorvente natural é eficiente

por conta de suas

propriedades, atribuídas

a seus grupos funcionais

que possuem capacidade

antioxidante, adsorvente

e bioativas. Além

disso, as sementes e

folhas são ricas em ácido

graxo, proteínas e vitaminas,

os quais contribuem

para a hidratação

e antioxidação da planta.

Revista Analytica | Março 2026

49


Artigo 2

50

Revista Analytica | Março 2026

Logo, do ponto de vista

ambiental, a utilização da M.

oleifera é promissora, pois

reduz significativamente os

impactos aos ecossistemas

com relação a concentração

de corantes, e tratar-se

de uma fonte renovável,

baixo custo e com potencial

de reaproveitamento

agrícola ou cimenteiro dos

resíduos sólidos gerados

após o processo.

Conclusão

A partir dos resultados

obtidos neste estudo acerca

das propriedades físico-

-químicas da Moringa oleifera,

conclui-se que essa

espécie vegetal apresenta

elevado potencial para

aplicação como adsorvente

na remoção de corantes

têxteis presentes em corpos

hídricos, com destaque

para o corante azul de

metileno, que constituiu o

principal objeto de análise

deste trabalho.

Os resultados indicaram

que condições de pH ácido,

especialmente em torno

de 4, apresentaram maior

eficiência no processo de

remoção. Observou-se que

a adsorção foi otimizada

quando a solução-teste foi

preparada na proporção

de 0,1 g de sementes para

9 mL de água destilada,

ajustada ao referido pH.

Verificou-se, ainda, a atuação

conjunta dos mecanismos

de adsorção, coagulação

e floculação, sendo

estes dois últimos predominantes.

Tal comportamento

pode ser atribuído

à trituração das sementes

durante os experimentos,

a qual proporcionou o

aumento da área superficial

de contato, favorecendo

a eficiência do processo,

além de potencializar as

propriedades coagulantes

intrínsecas da M. oleifera.

Dessa forma, conclui-se

que a Moringa oleifera

configura-se como uma

alternativa sustentável,

de fácil cultivo e baixo

custo, para o tratamento

de efluentes têxteis,

apresentando-se como

uma solução promissora

na mitigação dos impactos

ambientais provocados

pela indústria têxtil

e na preservação dos

ecossistemas aquáticos

e do meio ambiente em

sua totalidade.

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Blog dos Cientistas

POR QUE UTILIZAR GERADOR DE GASES

EM CROMATOGRAFIA GASOSA?

O gerador de gases é

um componente crucial

para o funcionamento

adequado do sistema,

fornecendo os gases

necessários para a operação

da cromatografia.

Antes de mais nada, a

Cromatografia Gasosa é

uma técnica de separação

que utiliza um gás

como fase móvel e uma

coluna contendo uma

fase estacionária para

separar os componentes

voláteis e semi-voláteis

de uma mistura com

base em suas diferentes

interações com essas

fases. Dessa forma, um

componente essencial

para o funcionamento

eficaz da CG é o fornecimento

de gases de

alta pureza e fluxo controlado.

Neste artigo,

exploraremos os motivos

pelos quais o uso

de geradores de gases

é vantajoso na CG, os

diferentes tipos disponíveis,

suas aplicações,

manutenção e como

solucionar problemas

comuns relacionados a

esses sistemas.

Vantagens do Gerador

de Gases

Os geradores de gases

oferecem uma série de

vantagens em comparação

com cilindros de

gás tradicionais, o que

os torna uma escolha

atrativa para sistemas de

cromatografia gasosa:

Disponibilidade contínua:

Os geradores de

gases fornecem uma fonte

de gás ininterrupta, eliminando

a necessidade

de trocar cilindros de gás

e evitando interrupções

no processo analítico.

Economia de espaço:

Os geradores de gases

ocupam menos espaço

do que os cilindros de

gás, tornando-os ideais

para laboratórios com

espaço limitado.

Revista Analytica | Março 2026

51


Blog dos Cientistas

Segurança: O uso de gera-

ser descartados ou reci-

dores de gases elimina os

clados ao fim da sua vida

riscos associados ao arma-

útil. Os geradores também

zenamento e manuseio de

utilizam fontes renová-

cilindros de gás pressuriza-

veis como água e ar para

do, reduzindo o potencial

produção assim como são

de vazamentos e acidentes.

projetados para serem

energeticamente eficien-

Pureza do gás: Os gera-

tes, reduzindo o consumo

dores de gases podem

de energia do laboratório.

fornecer gases de alta

pureza, garantindo resul-

Por que utilizar Gerador

tados analíticos precisos

de Gases em Cromato-

e reprodutíveis.

grafia Gasosa?

Controle de fluxo: Os

Tipos de Geradores de

geradores de gases

Gases

permitem um controle

preciso do fluxo de gás,

facilitando a otimização

das condições cromatográficas

e melhorando a

eficiência da análise.

Sustentabilidade: Ao

eliminar a necessidade de

Existem diferentes tipos

de geradores de gases

disponíveis para atender

às necessidades específicas

dos laboratórios de

cromatografia gasosa:

1. Geradores de hidrogênio:

Fornecem hidrogê-

2. Geradores de nitrogênio:

Fornecem nitrogênio

para operações de purga,

make-up e gás de arraste,

bem como para detectores

específicos, como o detector

de ionização por chama

(FID) e o detector de nitrogênio-fósforo

(NPD).

transportes

frequentes

nio para gás de arraste e

52

Revista Analytica | Março 2026

de cilindros, reduzem a

emissão de CO2 além de

minimizar a geração de

cilindros, que precisariam

formação da chama no

detector de ionização

em chama (FID) e outros

detectores específicos.

3. Geradores de ar zero:

Fornecem ar comprimido

isento de óleo para a

operação de detectores


Blog dos Cientistas

de cromatografia gasosa

que requerem ar comprimido

limpo e seco.

Manutenção do Gerador

de Gases

Para garantir o desempenho

adequado e a longevidade

do gerador de

gases, é importante realizar

manutenção regular,

incluindo:

Verificação e ajuste do

fluxo de gás conforme

necessário

• Substituição de filtros e

membranas de purificação

de ar conforme recomendado

pelo fabricante.

• Monitoramento por

meio de indicativos, como

por exemplo, ruídos na

linha de base ou alarme

do próprio equipamento.

• Para evitar acúmulos de

sujeira e contaminação é

recomendada a inspeção

e limpeza periódica de

componentes internos,

desde que seja feito por

profissionais qualificados.

Solução de Problemas

De fato, alguns problemas

comuns relacionados

ao uso de geradores

de gases em CG incluem

baixo fluxo de gás, falta

de manutenção e

vazamentos. Portanto,

para solucionar esses

problemas, é importante

realizar verificações

regulares, seguir as instruções

do fabricante e,

se necessário, entrar em

contato com o suporte

técnico para assistência

adicional.

Conclusão

Em suma, a integração de

geradores de gases em

laboratórios de análise

química é altamente vantajosa.

Eles não só suportam

uma ampla gama

de aplicações analíticas,

como também proporcionam

economias financeiras

significativas e promovem

práticas sustentáveis.

Sendo assim, estes benefícios

combinados fazem

dos geradores de gases

uma escolha estratégica

para laboratórios comprometidos

com a eficiência

e a sustentabilidade.

Ingrid Ferreira Costa

Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas. Possui formação em Química, Ciências Farmacêuticas, Gestão da Qualidade e

Cosmetologia. É Especialista em Gestão de Projetos de Inovação e Sustentabilidade. Auditora em normas do Sistema de Gestão da Qualidade.

Membro da Comissão Técnica de Divulgação do CRQ-IV/SP e de comitês nacionais da ABNT. Reconhecida como LinkedIn Top Voice 2024 e

LinkedIn Creator 2022. Contato: contato@biochemie.com.br

Revista Analytica | Março 2026

53


Espectrometria de Massas

ALTA RESOLUÇÃO EM EFS: O GC-ORBITRAP

ESTÁ PRONTO PARA O PRÓXIMO MOVIMENTO

REGULATÓRIO

54

Revista Analytica | Março 2026

Na última edição, discutimos

os fundamentos da tecnologia

Orbitrap e os atributos

que permitem quantificação

e descoberta simultâneas

em uma única análise.

Vimos como a alta resolução

de massa deixou de ser

apenas uma ferramenta de

pesquisa e passou a ocupar

espaço estratégico na rotina

regulatória, especialmente

nas áreas de segurança alimentar

e ambiental. Neste

mês, direcionamos o olhar o

upgrade de GC-MS de massa

nominal para um instrumento

com alta resolução e

exatidão de massa.

Palavras-chave: GC-MS

HRAM; segurança alimentar;

análise não direcionada;

regulação.

Tradicionalmente, a avaliação

resíduos de pesticidas

foi conduzida por abordagens

direcionadas, utilizando

GC-MS de quadrupolo

simples ou, em casos mais

críticos, sistemas QQQ.

Essas estratégias continuam

válidas, mas partem de

uma premissa limitante:

monitora-se apenas aquilo

que já se conhece.

Entretanto, o nível de

exigência em segurança

ambiental e alimentar

(EFS, do inglês environmental

and food safety)

está em constante evolução,

tornando insuficiente

discriminar compostos

apenas com base no íon

precursor e íons confirmadores.

O foco principal

costuma recair sobre

o limite de detecção.

Estratégias como aprimoramento

do preparo de

amostra e otimização de

colunas cromatográficas

permitem alcançar níveis

de ng/kg. No entanto,

matrizes complexas como

leite continuam desafiadoras,

com lipídios, proteínas

e outros interferentes

competindo no espectro.

Atualmente, laboratórios

que atendem às exigências

do Ministério

da Agricultura e Pecuária,

da Agência Nacional

de Vigilância Sanitária

e de mercados internacionais

enfrentam pressões

adicionais: limites

máximos de resíduos

cada vez mais baixos,

matrizes mais complexas

e maior rigor na

confirmação analítica.

Nesse contexto, sistemas

com resolução unitária

não diferenciam

compostos isobáricos.

Ou seja, espécies com

mesma massa nominal

(por exemplo, m/z 300).

A confirmação passa a

depender quase exclusivamente

do padrão

de fragmentação e do

tempo de retenção. É

justamente nesse ponto

que a alta resolução

oferece maior segurança

na quantificação.


A tecnologia Orbitrap

reúne os atributos clássicos

para quantificação:

seletividade, sensibilidade

e robustez, adicionando

alta resolução e

exatidão de massa. Isso

permite a real discriminação

de analitos, mesmo

que apresentem a

mesma massa nominal.

Na prática, três impactos

são imediatos: redução

significativa de falsos

positivos, maior confiança

na confirmação regulatória

e ampliação da

capacidade de triagem

(screening). Não se trata

apenas de detectar resíduos

em alimentos, mas

de assegurar, com maior

robustez técnica, que o

sinal observado corresponde

exatamente ao

composto reportado.

obtém-se fragmentação

rica e compatível com

bibliotecas históricas,

somada à massa exata

de cada fragmento. O

resultado é uma confirmação

estrutural muito

mais robusta.

Um exemplo dessa transição

tecnológica é a

análise de 162 pesticidas

em leite utilizando GC

acoplado à espectrometria

de massas de alta

resolução (HRAM) no

Espectrometria de Massas

sistema Orbitrap Exploris

GC.1 O estudo demonstra

seletividade aprimorada,

com separação de interferentes

que coincidiriam

em massa nominal. O

cromatograma de íons

extraídos em massa exata

(erro menor que 5ppm)

reduz significativamente

o ruído químico. Além disso,

levanta uma discussão

mais ampla sobre o papel

da HRAM na confiabilidade

analítica moderna

(Figura 1).

Tradicionalmente,

quando falamos em

alta resolução, pensamos

imediatamente em

LC-HRAM. No entanto, a

GC também pode operar

nesse patamar confirmatório.

Com ionização

por elétrons (EI), padrão

clássico da GC, combinada

à alta resolução,

Figura 1. (A) Cromatograma de íons extraídos (XIC) de 162 resíduos em leite enriquecido

com 0.005 mg/kg. Detalhe do primeiro composto eluído mevinphos (B) e o último

composto eluído deltamethrin (C).1

Revista Analytica | Março 2026

55


Espectrometria de Massas

Os critérios para quantificação

seguiram o guia

SANTE/11813/2017:

1. Dois íons por analito

(com erro menor que 5

ppm) e razão sinal/ruído

de 3:1;

2. Íon precursor e confirmador

sobrepostos no

cromatograma;

Figura 2. Cromatograma de íons extraídos do fipronil com espectro, padrão isotópico e

fragmentos em amostra enriquecida a 0.005 mg/kg. Tela do software Trace Finder.1

3. Comparação de tempos

de retenção (±0,1

min) com padrões na

mesma sequência;

4. Comparação da razão

de íons com padrões analíticos

na mesma sequência

(±30%).

O estudo atingiu níveis

regulatórios com boa

reprodutibilidade e resposta

linear. A figura 2 mostra

as diversas informações

obtidas para cada um dos

162 analitos, ilustrando

com o fipronil. Mesmo

em baixíssima concentração

é possível confirmar a

identidade do composto

pelo erro de massa do

precursor, padrão isotópico,

razão de íons e ainda

comparação de padrão de

fragmentação com biblioteca

espectral.

Sistemas de massa nominal

podem ser suficientes

para entregar resultados

adequados às exigências

regulatórias atuais

em EFS. No entanto, em

matrizes complexas e sob

limites cada vez mais restritivos,

a necessidade de

confirmação inequívoca e

triagem ampliada de contaminantes

transforma

a alta resolução em uma

escolha estratégica e, em

muitos casos, preventiva.

No próximo artigo, continuaremos

no contexto

regulatório, discutindo

como estruturar um fluxo

de trabalho completo

para EFS utilizando alta

resolução com maior

enfoque na análise de

compostos desconhecidos

e comparação com

experimentos SRM/MRM.

Referências

1 Thermo Scientific. Simultaneous screening and quantitation

of pesticides residue in milk at trace level using

high resolution Orbitrap GC-MS AN65607-EN 1219C

56

Revista Analytica | Março 2026

Daniele Fernanda de Oliveira Rocha

Bacharela em Química Tecnológica pela PUC-Campinas, Mestra e Doutora em Química Orgânica, e pós-doutorado em Espectrometria de Massas pela Unicamp.

Pós-doutorado em proteômica pelo The Scripps Research Institute - La Jolla, California. Especialista em LC-MS e GC-MS para Química ambiental e de alimentos;

Ciências forenses, toxicologia e bioanalítica; Produtos naturais e metabolômica; Indústria farmacêutica; Petróleo, geoquímica orgânica e biocombustíveis.

Atualmente é Gerente de Produtos em Espectrometria de Massas na Nova Analítica (revendedor autorizado Thermo Fisher Scientific).



HPLC Insights

HPLC POR EXCLUSÃO DE TAMANHO

(SEC/GPC) – CONCEITOS E APLICAÇÕES

58

Revista Analytica | Março 2025

A cromatografia por

exclusão de tamanho

(SEC/GPC) é uma ferramenta

indispensável para

caracterização de macromoléculas,

com ampla

aplicação em bioanálises,

farmacêutica, polímeros e

ciência dos materiais.

A cromatografia por

exclusão de tamanho,

também conhecida como

SEC (Size-Exclusion Chromatography)

ou GPC (Gel

Permeation Chromatography),

é uma técnica

poderosa utilizada para a

separação de moléculas

com base em seu tamanho

hidrodinâmico ou

peso molecular. Diferente

das formas mais comuns

de HPLC que dependem

de interações químicas

(como polaridade ou

hidrofobicidade), a SEC

se baseia exclusivamente

em exclusão física, sendo

amplamente utilizada na

análise de proteínas, polímeros,

peptídeos, polissacarídeos

e agregados.

Este artigo explora os fundamentos

da SEC/GPC,

seus mecanismos de separação,

componentes do

sistema, vantagens e limitações,

além das aplicações

mais relevantes em bioanálises,

indústria farmacêutica

e materiais poliméricos.

1. Fundamentos da SEC/

GPC

Na SEC, os analitos são

separados de acordo com

seu volume de exclusão,

ou seja, sua capacidade

de penetrar nos poros da

fase estacionária.

• Moléculas maiores não

entram nos poros e eluem

mais rapidamente.

• Moléculas menores

penetram nos poros e,

portanto, têm tempo de

retenção maior.

Não há interação química

significativa com

a fase estacionária – a

separação ocorre exclusivamente

por tamanho

efetivo em solução (volume

hidrodinâmico).

O termo GPC é mais

comum em aplicações

com solventes orgânicos

e polímeros sintéticos,

enquanto SEC é usado

para biomoléculas e sistemas

aquosos.

2. Mecanismo de Separação

por Exclusão

A coluna cromatográfica

é preenchida com partículas

porosas de gel

(sílica ou polímero reticulado).

A separação segue

este princípio:

• A fase móvel carrega a

amostra através da coluna.

• Analitos grandes passam

entre os poros e

saem primeiro.

• Analitos pequenos penetram

mais profundamente

nos poros e demoram

mais para eluir.


HPLC Insights

A separação depende de:

• Diâmetro efetivo dos

poros do gel

• Forma da molécula (não

apenas peso molecular)

• Condições do solvente

(pH, força iônica, viscosidade)

3. Componentes do Sistema

Cromatográfico

3.1. Colunas

• Colunas de SEC aquosa:

para proteínas, peptídeos,

polissacarídeos

• Colunas de GPC orgânica:

para polímeros sintéticos,

materiais plásticos

• Poros calibrados para

diferentes faixas de peso

molecular (ex: 100–10⁶ Da)

3.2. Fase Móvel

• SEC: tampões neutros ou

fisiológicos (PBS, Tris-HCl)

• A fase móvel deve manter

a molécula solubilizada

e em conformação nativa

3.3. Detectores

• RI (Índice de refração):

comum em GPC de

polímeros

• UV/Vis: para biomoléculas

com cromóforos (proteínas,

ácidos nucleicos)

• LS (Light Scattering):

para determinação absoluta

de massa molar

• MS: menos comum, mas

possível com SEC acoplada

a ESI-MS

4. Aplicações da SEC/GPC

4.1. Proteínas e Biomoléculas

• Determinação de massa

aparente (monômeros,

dímeros, agregados)

• Análise de pureza, estabilidade

e perfil de agregação

4.2. Polímeros Sintéticos

• Determinação de distribuição

de peso molecular

(Mw, Mn, PDI)

• Controle de qualidade

de matérias-primas

• Estudo de degradação

térmica ou oxidativa

4.3. Produtos Farmacêuticos

• Análise de vacinas,

anticorpos monoclonais

(mAbs), conjugados

• Estudos de formulação e

estabilidade de biológicos

• Comparabilidade entre

lotes (biossimilares)

4.4. Polissacarídeos,

Gomas e Produtos

Naturais

• Determinação de tamanho

e pureza de polissacarídeos

e mucilagens

• GPC: solventes orgânicos

como THF, tolueno,

clorofórmio, DMF

• Estudos de degradação

por estresse ou

armazenamento

• Controle de qualidade

em alimentos, cosméticos

e farmacêuticos naturais

Revista Analytica | Março 2025

59


HPLC Insights

5. Vantagens da Cromatografia

por Exclusão

de Tamanho

• Técnica não destrutiva

• Separação rápida e reprodutível

baseada apenas

em tamanho

• Pode ser usada para

estimativa de peso molecular

e homogeneidade

• Compatível com biomoléculas

frágeis e polímeros

sintéticos complexos

• Facilmente acoplável a

detectores múltiplos (UV,

RI, LS, viscosidade)

6. Limitações e Cuidados

• Baixa capacidade de resolução

fina, moléculas de

tamanho muito próximo

podem não ser separadas

• Não aplicável para moléculas

interativas com a

matriz (ex: adsorção indesejada)

• Interpretação depende

de calibração adequada

(curvas padrão ou detecção

absoluta)

• Exige controle rigoroso

da temperatura e viscosidade

da fase móvel

• O tamanho hidrodinâmico

nem sempre reflete o

peso molecular exato

Conclusão

A cromatografia por

exclusão de tamanho

(SEC/GPC) é uma ferramenta

indispensável

para caracterização de

macromoléculas, com

ampla aplicação em bioanálises,

farmacêutica,

polímeros e ciência dos

materiais. Sua natureza

suave, seletiva e robusta

permite determinar com

precisão o tamanho e o

comportamento conformacional

de moléculas

grandes em solução.

Quando utilizada corretamente,

com colunas

adequadas e calibração

apropriada, a SEC/

GPC proporciona dados

críticos para o desenvolvimento,

controle e

garantia de qualidade de

moléculas complexas.

Referências Bibliográficas

• Barth, H. G., & Boyes, B. E. (1990). Modern Size-Exclusion

Liquid Chromatography. Wiley.

• Hong, P., Koza, S., & Bouvier, E. S. (2012). Size-exclusion

chromatography for the analysis of protein biotherapeutics

and their aggregates. Journal of Liquid Chromatography

& Related Technologies.

• ASTM D5296-19. Standard Test Method for Molecular

Weight Averages and Molecular Weight Distribution

of Polystyrene by High Performance Size-Exclusion

Chromatography.

• USP General Chapter <129> SEC for Protein Analysis

• ICH Q6B. Specifications: Test Procedures and Acceptance

Criteria for Biotechnological/Biological Products.

60

Revista Analytica | Março 2025

Edwin Bueno

Engenheiro químico e especialista em cromatografia, com mais de 13 anos de experiência no desenvolvimento de métodos analíticos.

Atualmente é diretor técnico da Atuallabs e consultor técnico de grandes indústrias, dedica-se a otimizar processos, garantir a

qualidade analítica e disseminar boas práticas laboratoriais, contribuindo para a excelência do setor.


Indústria de Alimentos - Processos e Desafios

DO CAMPO À RECEPÇÃO: O RIGOR NO

CONTROLE DE VOLUME E TEMPO COMO

PILAR DO RENDIMENTO INDUSTRIAL

No artigo anterior, discutimos

os fundamentos

da qualidade do leite. No

entanto, de nada serve

obter um leite com excelentes

índices de proteína

e gordura na fazenda

se, no trajeto até a indústria

ou no momento da

recepção, perdemos o

controle sobre esse patrimônio.

Para que o leite

entregue toda a sua funcionalidade

na produção

de iogurtes ou queijos, a

eficiência deve ser medida

em duas moedas:

tempo e precisão.

tindo que o leite chegue à

indústria com tempo hábil

para o processamento.

Quando a logística é eficiente

e permite o processamento

no mesmo dia

da coleta, preservamos a

integridade da caseína

e da gordura. O atraso

nesse processo permite

que bactérias psicrotróficas

comecem a degradar

essas estruturas e a acidificar

o leite, o que compromete

diretamente o

rendimento industrial e

a vida útil (shelf-life) do

produto final.

"comprado" no campo

pode mascarar falhas

graves. É fundamental

implementar o atesto

industrial: comparar

o volume coletado no

campo com o que realmente

entra na fábrica.

Para uma gestão de

excelência, a indústria

deve utilizar:

• Balanças rodoviárias

para pesagem do

caminhão.

• Medidores de vazão

precisos na recepção.

O Fator Tempo: A Corrida

Contra a Degradação

A qualidade do leite é

perecível. Uma vez coletado,

o relógio começa

a correr contra a ação

bacteriana. O ideal é que

a coleta não ultrapasse o

ciclo de 48 horas, garan-

A Gestão do Volume:

Onde muitos erram

Um ponto crítico onde

muitas indústrias sofrem

perdas invisíveis é na

conferência do volume.

Calcular o rendimento

apenas pelo que foi

• Cálculo por densidade

para converter massa em

volume com exatidão.

Hoje, o mercado trabalha

com um percentual

de atesto aceitável de

0,5%. Em uma planta

que recebe 10.000 litros/

Revista Analytica | Março 2026

61


Indústria de Alimentos - Processos e Desafios

dia, a variação máxima

desejada entre o campo

e a recepção é de apenas

50 litros. Ultrapassar

esse índice acende um

alerta: o erro está na

medição dos tanques de

expansão? O agente de

coleta precisa de treinamento?

Ou há desperdício

físico na plataforma

de recepção?

Eficiência Hídrica: O

Indicador da Sustentabilidade

Medir o leite recebido é

também o primeiro passo

para gerir outro recurso

escasso: a água. Em 2026,

a pressão ambiental e os

custos de tratamento

exigem que cada litro de

água seja contabilizado.

Atualmente, plantas

modernas e automatizadas

operam com

um consumo de 1,5

litros de água para

cada 1 litro de leite

processado. Indústrias

menos automatizadas

não devem ultrapassar

a marca de 2 litros de

água por litro de leite.

Para otimizar esses

números, a gestão deve

questionar:

1. O sistema de CIP (Cleaning

In Place) está adequadamente

dimensionado?

2. Existe recuperação da

água de enxágue ou de

retorno?

3. O pré-enxágue está

sendo excessivo, jogando

dinheiro pelo ralo?

Conclusão: Dados em

Tempo Real para Decisão

Tudo o que se mede,

pode-se melhorar. O

foco da indústria moderna

deve ser a obtenção

de dados em tempo

real. Identificar qual

rota de coleta apresenta

maior quebra de volume

ou qual setor da fábrica

está elevando o consumo

de água permite

intervenções rápidas.

Garantir que o leite chegue

rápido, seja medido

com precisão e processado

com economia de

recursos é o que separa

as indústrias lucrativas

daquelas que apenas

"sobrevivem" ao mercado.

Afinal, sem controle

de processo, não há qualidade

que se sustente.

Thiago Valente Pires

Tecnólogo em laticínios com 19 anos de experiência. Atuou por mais de 10 anos na indústria e como gerente comercial na Novonesis.

Hoje é gestor de operações no Laticínios Mutumilk, com foco em inovação e eficiência.

62

Revista Analytica | Março 2026


P&D Analítico e Farmacotécnico

HPLC, UPLC OU UHPLC: COMO ESCOLHER

A PLATAFORMA CERTA COM BASE EM

CRITÉRIOS TÉCNICOS E ECONÔMICOS

A discussão entre HPLC,

UPLC e UHPLC costuma

começar por uma pergunta

simples, “qual é

mais rápido”. Na prática,

a escolha certa quase

nunca é apenas velocidade.

Ela envolve o equilíbrio

entre desempenho

cromatográfico, robustez

operacional, transferibilidade

de método,

exigências regulatórias

e, principalmente, custo

total por amostra ao longo

do tempo.

Nos últimos anos, a evolução

do hardware, das

colunas e das rotinas de

validação consolidou um

cenário em que HPLC,

UPLC e UHPLC podem

coexistir no mesmo laboratório,

cada um com

um papel claro, desde o

controle de qualidade de

rotina até aplicações de

alta complexidade em biofarmacêuticos

e impurezas

em níveis traço.

Antes de tudo, o que

muda de verdade

HPLC é a plataforma mais

difundida e, em muitos

ambientes, a mais tolerante

a rotinas com alta

variabilidade de matriz

e carga de trabalho. Já

UPLC e UHPLC aparecem

quando o laboratório precisa

extrair mais eficiência

por unidade de tempo,

normalmente com colunas

de partículas menores

e sistemas capazes de

operar em pressões mais

altas, além de volumes

extracoluna menores.

Tecnicamente falando, há

um resumo a um ponto

objetivo, pressões típicas

de HPLC até cerca de 6.000

psi (cerca de 400 bar) e

UPLC chegando a aproximadamente

15.000 psi

(cerca de 1000 bar), como

referência prática de classe

de equipamento, com

variações entre modelos.

A literatura técnica reforça

o fundamento, reduzir o

tamanho de partícula e

elevar a capacidade de

pressão aumenta eficiência

e produtividade, mas

cobra seu preço em exigência

de instrumentação,

controle de dispersão e

cuidado com aquecimento

por atrito, especialmente

em métodos rápidos.

O ponto que separa um

bom método de um

método excelente, dispersão

extracoluna

Em muitos projetos, o

ganho prometido por

UHPLC não aparece na

prática porque o sistema

não “enxerga” a coluna, ele

enxerga coluna mais tudo

o que vem antes e depois

dela. Volume de conexão,

célula do detector, tubulação,

injetor e dwell volume

podem alargar picos e

destruir eficiência quando

se trabalha com partículas

sub 2 µm e diâmetros internos

pequenos.

Se você está escolhendo

plataforma para métodos

de rotina, essa é uma pergunta

decisiva: meu laboratório

consegue manter,

no dia a dia, a disciplina

de baixa dispersão que

UHPLC exige?

Revista Analytica | Março 2026

63


P&D Analítico e Farmacotécnico

64

Revista Analytica | Março 2026

Critérios técnicos, como

decidir sem cair em

generalidades

1) Resolução e seletividade

necessárias

Se a separação é “fácil” e a

matriz é estável, HPLC costuma

entregar desempenho

suficiente com maior

tolerância operacional.

Se você precisa de mais

capacidade de pico, mais

resolução em menos tempo,

ou está comprimindo

gradientes, UHPLC começa

a fazer sentido.

2) Janela de robustez

do método

Métodos muito sensíveis

a pequenas variações de

fluxo, composição, temperatura

e dwell volume

sofrem mais em migração

entre plataformas. Isso

não impede a transferência,

mas exige estratégia:

escalonamento geométrico,

atenção a dwell

volume, aquecimento,

diferenças de retenção

induzidas por pressão e

pequenas mudanças de

seletividade associadas

ao tamanho de partícula.

3) Compatibilidade

com detecção e com a

aplicação

Em LC-MS, por exemplo,

UHPLC pode melhorar

produtividade, mas também

pode aumentar

exigência de limpeza,

consistência de preparo

e estabilidade do sistema,

além de aumentar

risco de entupimento.

Revisões recentes destacam

como o desenho do

sistema, diagnósticos instrumentais

e evolução de

detectores fazem parte

do “pacote” UHPLC, não é

só trocar a coluna.

Critérios econômicos,

o que entra no custo

por amostra

Aqui é onde a decisão

costuma ficar clara.

Capex e vida útil operacional:

UHPLC, em

geral, exige bombas,

válvulas e selos projetados

para pressões

mais altas e caminhos

fluidos mais estreitos.

Isso pode elevar investimento

inicial e custo de

manutenção, principalmente

em laboratórios

com múltiplos turnos e

matrizes “sujas”. A própria

literatura técnica

ressalta que elevar pressão

e reduzir partículas

impõe desafios tecnológicos

e operacionais.

Opex, solvente, tempo

de instrumento e

consumíveis: UHPLC

tende a reduzir tempo

de corrida e consumo

de solvente por análise

quando bem implementado,

o que impacta

diretamente custo

variável e capacidade

instalada. Em contrapartida,

colunas e filtros

podem ser mais críticos,

e a disciplina de preparo

e filtração vira parte do

custo real do método.

Produtividade real, não

teórica

Se o gargalo do seu laboratório

é fila de amostras

e disponibilidade de

instrumento, UHPLC

pode pagar a conta. Se

o gargalo é preparo de

amostra, liberação documental,

revisão de resultado,

ou instabilidade

de matriz, a velocidade

extra pode não se converter

em ganho efetivo.

Um roteiro prático de

decisão, direto para a

bancada

Escolher HPLC tende a

ser mais racional quando:

• a resolução necessária é

moderada e o método já

é robusto

• o laboratório roda

matrizes complexas com

maior risco de contaminação

do sistema


P&D Analítico e Farmacotécnico

• a prioridade é estabilidade,

facilidade de manutenção

e menor sensibilidade

a dispersão extracoluna

• há grande legado de

métodos e necessidade

de transferibilidade ampla

Escolher UPLC ou

UHPLC tende a ser mais

racional quando:

• existe pressão por

throughput e redução de

tempo de corrida

• há necessidade de

maior eficiência, picos

mais estreitos e melhor

capacidade de separação

• o laboratório consegue

controlar volumes

extracoluna, conexões,

dwell volume e boas

práticas de filtração

• o ganho de produtividade

reduz custo por amostra de

forma mensurável

Um detalhe conceitual

relevante, UPLC é um

termo associado a marca,

enquanto UHPLC é usado

de forma mais genérica

para sistemas e abordagens

de alta pressão e

baixa dispersão, com foco

em desempenho.

Validação, transferência

e a conversa com o

regulatório

Independentemente da

plataforma, a pergunta

regulatória é a mesma:

o método demonstra

desempenho adequado

ao atributo medido, com

evidências de validação

consistentes. O guia ICH

Q2 permanece como

referência central para

selecionar e avaliar características

de performance

e testes de validação,

especialmente quando

se fala em mudanças

de método e gestão de

variação pós aprovação.

Na prática, quando você

migra HPLC para UHPLC,

ou o inverso, o risco não

é “perder o método”, é

introduzir mudanças

não intencionais, por

exemplo efeitos de dwell

volume em gradientes,

aquecimento por atrito

e pequenas diferenças

de seletividade. Isso é

administrável, mas precisa

estar no plano, não

no improviso.

Considerações finais

A escolha entre HPLC,

UPLC e UHPLC deve ser

guiada por análise objetiva

de risco, desempenho e

custo total de propriedade.

Em muitos laboratórios,

a decisão mais estratégica

não é substituir

completamente o HPLC,

mas posicionar UHPLC

de forma seletiva, nos

métodos em que eficiência

e produtividade

realmente agregam

valor mensurável.

A decisão estratégica

deve estar baseada na

capacidade de alinhar

desempenho técnico,

robustez regulatória e

viabilidade econômica.

Carlos Eduardo Rodrigues Costa

Farmacêutico industrial com 20 anos de experiência em gestão em diversas áreas na indústria farmacêutica, incluindo Controle de

Qualidade, P&D e Validação de Processos. Especialista em otimização e melhoria contínua, com domínio em instrumentação analítica

avançada e desenvolvimento de produtos.

Revista Analytica | Março 2026

65


Logística e Inteligência Artificial na Saúde

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A CONFORMIDADE

REGULATÓRIA EM LABORATÓRIOS:

NOVAS POSSIBILIDADES DIANTE DA RDC 978

66

Revista Analytica | Março 2026

Quando a ANVISA publicou

a RDC nº 978, de 6 de

junho de 2025, estabelecendo

novos requisitos

técnico-sanitários para o

funcionamento de serviços

que executam exames

de análises clínicas,

o setor percebeu rapidamente

que não se tratava

apenas de uma atualização

normativa. A resolução

reforçou um ponto

central para laboratórios

e serviços diagnósticos,

a necessidade de rastreabilidade,

evidência operacional

e governança

sobre processos críticos.

Na prática, atender à RDC

978 significa garantir controle

contínuo sobre uma

série de rotinas operacionais

essenciais para a confiabilidade

analítica. Entre

elas estão a calibração de

equipamentos, manutenção

preventiva, higienização

de superfícies e

ambientes, gestão documental,

controle de qualidade

e monitoramento

de indicadores. O desafio

é que, historicamente,

grande parte dessas atividades

ainda depende de

planilhas, registros manuais

e acompanhamento

humano constante.

Foi justamente nesse

ponto que começamos

a explorar, na NurionHub

Health Tech, como

a inteligência artificial

poderia apoiar instituições

de saúde e laboratórios

a transformar

exigências regulatórias

em processos mais

estruturados, inteligentes

e auditáveis. Em vez

de tratar a RDC apenas

como uma obrigação

documental, passamos

a utilizá-la como um

verdadeiro mapa operacional

da qualidade.

Em projetos conduzidos

pela NurionHub, estruturamos

modelos de

automação baseados


Logística e Inteligência Artificial na Saúde

em inteligência artificial

capazes de monitorar

continuamente processos

críticos exigidos pela

norma. Um exemplo claro

é o controle de calibração

e manutenção de equipamentos

laboratoriais.

Sistemas inteligentes

passaram a acompanhar

prazos, emitir alertas

preventivos, registrar

evidências e gerar relatórios

automáticos prontos

para auditorias.

Outro caso relevante

envolve a gestão de higienização

de superfícies e

ambientes laboratoriais,

atividade essencial para

a segurança e a Esse tipo

de estrutura também se

mostrou extremamente

útil para programas de

qualidade e acreditação,

como ONA (Organização

Nacional de Acreditação)

e PALC (Programa de

Acreditação de Laboratórios

Clínicos), que exigem

rastreabilidade, indicadores

e evidências contínuas

de controle operacional.

Além do ganho regulatório,

os impactos operacionais

também são relevantes.

Ao reorganizar fluxos

de trabalho com base

em dados estruturados e

automação inteligente,

observamos em alguns

projetos reduções de até

37% nos custos operacionais

de determinados

setores, principalmente

pela otimização de equipes,

redução de retrabalho

e eliminação de controles

redundantes.

Mais do que uma tendência

tecnológica, a inteligência

artificial começa a

se consolidar como uma

verdadeira infraestrutura

de governança para serviços

de saúde e laboratórios

analíticos. Normas

como a RDC 978 deixam

claro que o futuro da

conformidade não está

apenas no registro de

processos, mas na capacidade

de monitorá-los

continuamente, gerar

evidências e transformar

dados em decisões operacionais

mais seguras.

Nesse contexto, a IA deixa

de ser apenas uma

ferramenta de inovação e

passa a assumir um papel

estratégico, garantir que

qualidade, eficiência e

conformidade caminhem

juntas dentro das organizações

de saúde e dos

ambientes laboratoriais.

Dr. Cristhian Roiz

Autor de vários artigos e um nome de referência no setor de transporte de cargas da saúde e regulamentações, é fundador do Programa de

Qualificação do Transporte para Saúde (PQTS), uma iniciativa que visa a melhoria contínua dos processos de transporte e armazenamento

de produtos da saúde por meio da capacitação, auditorias e consultorias especializadas, e do curso de Formação de Auditores Especialistas.

Esse curso já capacitou profissionais em 11 estados brasileiros e internacionalmente, consolidando-se como uma das principais formações

para aqueles que buscam especialização em auditorias e consultorias para o transporte de materiais biológicos e medicamentos.

Revista Analytica | Março 2026

67


Química no Meio Ambiente

PRODUTO QUÍMICO – PERIGO PARA LEIGOS

Os produtos químicos

os produtos de limpe-

impermeabilização. Ape-

naturais ou produzidos

za, como detergentes,

nas lembrando um caso

pelo ser humano, pos-

sabões, xampus, ceras,

aqui no Brasil, estava

suem várias característi-

dentre uma infinidade.

ocorrendo a impermea-

cas e finalidades.

bilização e na cozinha o

Porém, o uso de produtos

fogão estava aceso, foi o

Porém, temos que usá-los

químicos exige atenção

suficiente para o incên-

para nossa preservação e

de quem fabrica e princi-

dio de grande proporção.

qualidade de vida.

palmente de quem usa,

e geralmente, não detém

Podemos também con-

Temos alimentos que são

conhecimento

apurado

siderar um ato de leigo,

produtos químicos natu-

do produto a ser utilizado.

mas criminoso neste caso,

rais, veja o mel que a abe-

adicionar álcool a uma

lha produz, é uma subs-

Quantos não foram os

bebida, sem ter o conhe-

tância produzida através

incêndios em casas ou

cimento que o álcool,

de reações químicas por

apartamentos devido a

chamado quimicamente

este inseto fundamental

falta de cuidado do profis-

de metílico, é nocivo e até

da natureza. Sendo este

sional que fazia imperme-

mortal ao ser humano.

produto um dos alimen-

abilização de estofados e

tos naturais mais conhe-

mesmo dos responsáveis

Os gases são vitais para

cidos do planeta.

pelos imóveis.

o ser humano, e se errarmos,

fatais.

Outras substâncias, o

Neste caso específico, há

ser humano desenvol-

o manuseio de solventes

Necessitamos do gás oxi-

veu para melhoria da

orgânicos derivados do

gênio produzido na natu-

68

Revista Analytica | Março 2026

qualidade de sua vida.

Como exemplos clássicos

petróleo que são altamente

inflamáveis na

reza ou artificialmente,

para sobrevivermos.


Química no Meio Ambiente

Porém, um gás deriva-

vencedores, mas perde-

chuveiro, tem acelerada a

do de um átomo que

dores, pois não foi com

reação do cloro e por sua

se encontra na coluna

7A da tabela periódica,

família dos halogênios,

é mundialmente conhe-

ele, gás cloro, que houve

o armistício.

Mas, descobriu-se com

vez estando o ambiente

fechado, chegou-se a

quase óbito.

cido, o cloro.

O seu início no mundo

não foi por uma causa

nobre, foi usado como

primeira arma química na

Primeira Guerra Mundial.

O poder asfixiante dele

mostrou-se mortal, deixando

sequelas inimagináveis

nas pessoas que

esse gás uma forma

excelente de sanear o

ambiente contaminado

com seres nocivos a saúde

humana.

Portanto, apenas assinalando,

sabe-se desde

a segunda década do

século XX, que cloro é

perigoso.

Temos desde décadas

atrás a limpeza da água

de piscinas com substâncias

a base de cloro,

uma das mais conhecidas

o hipoclorito de

cálcio, sólido, diferente

do hipoclorito de sódio

que é líquido, e comumente

vendido como

saneante doméstico.

tinham contato direto

com ele.

Para a guerra das trincheiras,

como ficou conhecida

a Primeira Grande Guer-

Também já tivemos casos,

onde, pessoas foram limpar

o box de banho em

seus banheiros, utilizando

produtos a base de

hipoclorito de sódio, que

Na reação do hipoclorito

de cálcio com a água,

ocorre a hidrólise deste

sal, formando como um

dos produtos o ácido

ra, não conseguiu fazer

nenhum dos lados serem

quando em contato com

a agua quente, do próprio

hipocloroso, muito reativo

com matéria orgânica.

Revista Analytica | Março 2026

69


Química no Meio Ambiente

A diluição deste produto

deve obedecer ao indicado

pelo fabricante para

desinfecção da água de

uma piscina, evitando

assim contaminação das

pessoas por contato com

excesso de cloro na água.

O excesso do produto da

reação deste em sal em

água pode gerar asfixia

desde que mal ventilado.

A água que recebemos

na maior parte do Brasil

pela torneira, através da

empresa responsável

pelo saneamento da

cidade, é sempre clorada.

O cálculo é exato, assim

você poder abrir e tomar

a água corrente, sem problema

do excesso do cloro.

O uso de qualquer produto

químico exige

atenção, principalmente

se este for direcionado

a nós, especificamente

nosso corpo físico.

Não vamos esquecer, de

um outro uso catastrófico

de produto químico,

relatado aqui mesmo,

números atrás.

Fenol no rosto de um

homem, para fins estéticos,

o final foi lamentável.

Nunca nos esqueçamos,

de que a vantagem de

usar um produto químico,

é o seu uso com o

devido esclarecimento.

Neste mundo globalizado

e informatizado,

com informações a um

simples toque de dedo

de uma tela ou tecla

de computador, proporcionar

a perda ou

perder a vida de forma

fútil e irresponsável, é

sim verdadeiramente,

uma ignorância digital.

70

Revista Analytica | Março 2026

Rogerio Aparecido Machado

Bacharel em Química com atribuições tecnológicas - (1987), latu sensu em Qualidade na área de Engenharia (1991), mestrado em

Saneamento Ambiental pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1999) e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São

Paulo (2003). Atualmente é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Faculdade São Bernardo do Campo além de Químico

Responsável do Instituto Presbiteriano Mackenzie.


Técnicas Gerais de Laboratório

VALIDAÇÃO ANALÍTICA: PILAR ESTRATÉGICO DA

CONFIABILIDADE REGULATÓRIA

Validar é provar, com

importantes que devem

revela o real compor-

evidência estatística e

ser avaliados e devem

tamento do método na

racional técnico, que o

conversar entre si, garan-

rotina industrial.

método responde ao

tindo uma análise confi-

que se propõe medir.

ável na sua validação.

Entre todos os ensaios,

Na indústria, a validação

a robustez merece des-

analítica é uma etapa

A seletividade, por

taque. E ela é um item

obrigatória para submis-

exemplo,

demonstra

que infelizmente ainda

são regulatória, seguindo

que o método distingue

é muito subestimado. A

a RDC 166/2017.

o analito de possíveis

rotina contém variações

interferentes, degradan-

provenientes de dife-

É ela que sustenta aná-

tes e matriz. A linearida-

rentes analistas, lotes

lises de teor, impurezas,

de garante proporciona-

de reagentes, colunas

produtos de degrada-

lidade entre resposta e

cromatográficas, tempe-

ção, estudos de estabi-

concentração. A precisão

ratura ambiente e tempo

lidade e investigações

evidencia

reprodutibi-

de preparo de soluções. E

de desvios. É válido

lidade. A exatidão con-

é aí que a robustez entra

dizer que um método

firma proximidade com

de forma a garantir que,

validado apoia decisões

o valor verdadeiro. E,

mesmo com pequenas

críticas que impactam

por fim, a robustez tes-

variações, o seu método

desde o registro até a

ta a resistência frente a

será capaz de manter

segurança do paciente.

pequenas variações do

seu desempenho. Testar

método analítico.

deliberadamente

essas

Seletividade,

linearida-

variações reduz retraba-

de, precisão, exatidão,

Cada parâmetro ava-

lho futuro, evita abertura

robustez. Esses termos

não são apenas itens

de checklist. São dados

liado responde a uma

pergunta: o dado é confiável?

E essa avaliação

de desvios recorrentes e

fortalece a previsibilidade

do processo.

Revista Analytica | Março 2026

71


Técnicas Gerais de Laboratório

Uma outra etapa da

validação analítica que

merece muita atenção

é a degradação forçada,

que revela o comportamento

da molécula sob

estresse ácido, básico,

oxidativo, térmico e

fotolítico, permitindo

avaliar a seletividade

real do método e antecipar

possíveis impurezas

relevantes. Além de

cumprir requisito normativo,

essa etapa gera

conhecimento científico

sobre o produto.

É necessário entender

que uma validação bem

conduzida não apenas

aprova método, mas

previne problemas na

rotina do controle de

qualidade. E, em um

cenário regulatório cada

vez mais rigoroso quanto

à integridade de dados,

validar um método também

significa validar a

confiabilidade do sistema

que o suporta, seguindo

rigorosamente o ALCOA

++. Rastreabilidade, controle

de acesso, trilha de

auditoria e revisão crítica

são partes integrantes

do processo, garantindo

confiabilidade e segurança

no seu resultado final.

É muito rotineiro enxergar

a validação analítica como

uma etapa isolada no

ciclo de vida do método.

Na prática, ela deve ser

entendida como parte de

um processo contínuo.

Mudanças pós-registro,

transferências analíticas,

alterações de fornecedor

ou ajustes de especificação

exigem reavaliação

crítica. A validação é dinâmica

porque o contexto

industrial é dinâmico.

Quando tratada estrategicamente,

ela deixa de ser

obrigação documental e

passa a ser ferramenta de

solidez técnica.

No fim, validar não é

apenas atender à norma.

É importante assegurar

que cada decisão baseada

naquele método

esteja sustentada por

ciência, estatística e

responsabilidade e que

esse método garanta

uma análise confiável.

72

Revista Analytica | Março 2026

Cristiane Monteiro Pinto

Farmacêutica e mestra em Ciências Farmacêuticas pela UFMG. É apaixonada por cromatografia e excelência analítica. Atua

em laboratório desde 2009, com foco em HPLC e validação analítica, sempre comprometida com segurança, conformidade e

melhoria contínua.


Em Foco

CRYO.S DA GREINER BIO-ONE GARANTEM PRESERVAÇÃO

DE AMOSTRAS E RASTREABILIDADE SEGURA EM

APLICAÇÕES LABORATORIAIS E DE BIOBANCO

A preservação da integridade das

amostras é um pilar para a confiabilidade

dos resultados em laboratórios

de pesquisa, diagnóstico e biobancos.

Para atender a essa demanda,

a linha de tubos criogênicos Cryo.s

da Greiner Bio-One foi desenvolvida

para garantir o armazenamento

seguro, a rastreabilidade e a estabilidade

das amostras em temperaturas

extremas de até –196 °C.

Fabricados em polipropileno de alta

pureza, os tubos são certificados

como livres de DNase, RNase, DNA

Tubos criogênicos padrão: ideais

Tubos para biobanco: desenvolvi-

humano, metais pesados e ftalatos,

para rotinas consolidadas, pos-

dos especialmente para automação

o que reduz o risco de interferências.

suem área branca para escrita

e otimização de espaço, atendem

A resistência química e térmica do

manual durável e base autossus-

a requisitos rigorosos de padroni-

material ajuda a preservar a inte-

tentável para um manuseio mais

zação, armazenamentos de longo

gridade de diversas amostras como

fácil e seguro em racks.

prazo e auditorias.

células, tecidos, bactérias, fluidos

biológicos. Além disso, o sistema de

Tubos com código de barras e

A linha Cryo.s reafirma o compromis-

fechamento com tampa de rosca

Datamatrix: voltados para aplica-

so com a qualidade, apoiando labora-

(interna ou externa) minimiza consi-

ções com alto volume de amostras

tórios na geração de dados confiáveis

deravelmente os riscos de vazamen-

e que necessitem de rastreabilida-

e na proteção integral das amostras.

tos e de contaminação cruzada.

de segura, oferecem tripla codificação

(linear, Datamatrix ECC200

Como a correta identificação é um

fator crítico para a qualidade analítica,

a linha oferece soluções para

variados níveis de complexidade:

e escrita alfanumérica) para

integração eficiente com scanners

e plataformas LIMS, reduzindo

falhas humanas.

Para mais informações:

Tel.: +55 19 3468 9600

E-mail: info@br.gbo.com

Site: www.gbo.com.br

Revista Analytica | Março 2026

73


Em Foco

INOVAÇÃO E PRECISÃO EM SISTEMAS DE DRUG

DELIVERY: A LINHA DE CANETAS INJETORAS NEST

O mercado de sistemas injetáveis

para administração parenteral

tem apresentado crescimento

consistente, impulsionado pela

expansão do cuidado domiciliar

(home care) e pela crescente

prevalência de doenças crônicas

que demandam terapias de uso

contínuo, como diabetes mellitus

e obesidade, especialmente no

contexto de análogos de GLP-1 e

insulinas. Nesse cenário, a NEST

desenvolve e fornece sistemas

de drug delivery que associam

precisão metrológica, segurança

operacional e otimização da experiência

do paciente.

Projeto Orientado ao Usuário e à

74

Revista Analytica | Março 2026

Segurança Terapêutica

As canetas injetoras NEST são

projetadas com foco na adesão

terapêutica e na mitigação de

riscos associados à administração

subcutânea. A utilização de agulhas

ultrafinas, aliada a mecanismos de

acionamento intuitivos, contribui

para a redução da dor percebida e

da fobia de agulhas, além de minimizar

eventos adversos relacionados a

erros de dosagem e acidentes perfurocortantes.

O design do dispositivo

prioriza a reprodutibilidade da dose

e a confiabilidade do sistema ao longo

de todo o ciclo de uso.

Flexibilidade Industrial e Aplicação

em Ambientes de Manipulação

Os sistemas NEST distinguem-se

pela elevada adaptabilidade a diferentes

contextos produtivos, abrangendo

desde operações industriais

em larga escala até ambientes de

manipulação magistral de injetáveis:


Em Foco

• Compatibilidade Normativa: Os

dispositivos são compatíveis com

cartuchos padrão de 3 mL, em conformidade

com as normas internacionais

ISO 11608-2 e ISO 11608-3,

assegurando interoperabilidade e

padronização industrial.

• Escalabilidade de Produção: As

canetas descartáveis podem ser

integradas a linhas automatizadas

de envase e montagem, bem como

montadas manualmente de forma

eficiente para produções de menor

volume, mantendo níveis elevados

de vedação, integridade do sistema

e segurança técnica.

• Precisão de Dosagem: Fabricados

em polímero ABS de grau técnico,

os dispositivos apresentam visor

de alta visibilidade e incrementos

mínimos de 1 UI (0,01 mL), atendendo

a protocolos terapêuticos que

exigem controle rigoroso de dose e

alta repetibilidade.

Amplitude de Indicações Tera-

diabetes e obesidade, as canetas

injetoras NEST constituem uma

plataforma tecnológica aplicável a

múltiplas especialidades clínicas.

• Endocrinologia: Administração

de hormônio do crescimento humano

(hGH) e paratormônio (PTH).

• Reprodução Humana Assistida:

Aplicações envolvendo FSH e folitropina

alfa.

• Medicina de Emergência: Administração

de epinefrina (adrenalina)

em dose única para o tratamento

de reações anafiláticas.

• Saúde Masculina: Terapias injetáveis

para disfunção erétil.

Conformidade Regulatória e

Garantia de Qualidade

As canetas injetoras NEST contam

com aprovação da Food and Drug

Administration (FDA), evidenciando

aderência aos requisitos

padrões de qualidade, rastreabilidade

e desempenho, aspectos

essenciais para empresas que

operam em mercados regulados

e demandam robustez técnica em

seus fornecedores.

No Brasil, a linha NEST Farma é

representada com exclusividade

pela Perfecta, empresa com mais

de seis décadas de atuação no

fornecimento de soluções para

laboratórios e indústrias farmacêuticas.

Essa parceria combina

a expertise tecnológica da NEST

com a capacidade logística, o

suporte técnico especializado e

o conhecimento regulatório da

Perfecta, garantindo segurança

no fornecimento e alinhamento às

exigências do mercado nacional.

pêuticas

Embora a maior demanda esteja

concentrada em terapias para

regulatórios internacionais aplicáveis

a dispositivos médicos. Essa

conformidade assegura elevados

Para mais informações:

www.perfectalab.com.br

WhatsApp: +55 11 2965-6722

vendas@perfectalab.com.br

Revista Analytica | Março 2026

75


Em Foco

MICROSCÓPIO: CONHEÇA AS PARTES E

FUNÇÕES DO SEU EQUIPAMENTO

Para operar um microscópio com

eficiência, é fundamental compreender

cada um de seus componentes e

funções. O microscópio é composto

por partes que trabalham em conjunto,

desde o sistema de iluminação,

componentes mecânicos, até

as objetivas e oculares, cada peça

tem um papel crucial na formação e

observação da imagem. Na sequência

iremos abordar as principais partes

que compõem um microscópio.

76

Revista Analytica | Março 2026

Base e Estativa: A base é a estrutura

inferior do microscópio, enquanto a

estativa é a estrutura vertical. Juntas,

elas formam a estrutura mecânica do

microscópio, onde todos os demais

componentes são montados.

Sistema de Iluminação: Responsável

por iluminar a amostra, geralmente

composto por uma lâmpada ou led,

controle de intensidade e botão de

liga/desliga. A iluminação pode ser

incidente (episcópica) ou transmitida

(diascópica), dependendo do tipo de

equipamento e aplicação. Também é

possível utilizar filtros para alterar a

temperatura de cor da iluminação.

Lente de Campo: Projetada para

tornar paralelos os raios de luz

provenientes da lâmpada, proporcionando

uma iluminação uniforme

e homogênea sobre a amostra.

Condensador e Diafragma: Responsável

por direcionar os raios de luz

da lente de campo para a amostra e

objetiva. Normalmente é combinado

com um diafragma que controla a

quantidade de luz que irá passar pelo

conjunto. O ajuste é feito de acordo

com a objetiva em uso, regulando a

iluminação e o contraste da imagem,

importante para diferentes tipos de

amostras e técnicas de observação.

Objetivas: As objetivas são responsáveis

pela ampliação da imagem

da amostra. O aumento desejado é

selecionado através do revólver de

objetivas. As ampliações normalmente

variam de 4 até 100 vezes,

que quando combinada com a

ampliação da ocular, resultará na

ampliação total do microscópio.

Tubo Ocular: Contém prismas e/ou

espelhos que direcionam a imagem

ampliada da objetiva até as oculares.

Nele estão os ajustes de interpupilar

(distância entre os olhos) e dioptria

(diferença de visão dos olhos), permitindo

a personalização da visualização

para diferentes usuários. O

tubo ocular pode ainda conter uma

saída para acoplar câmera.

Oculares: As oculares são as lentes

através das quais o usuário observa

a imagem ampliada. Elas também

contribuem para a ampliação total

do microscópio, trabalhando em

conjunto com as objetivas. Normalmente

as oculares possuem ampliação

de 10 até 16 vezes. Ao combinar

uma ocular de 10 com uma objetiva

de 100, a ampliação total do microscópio

será de 1000 vezes.

Platina e Charriot: A platina é a

superfície onde a lâmina com a

amostra é colocada, sendo o charriot

o dispositivo que permite a

movimentação da lâmina sobre a

platina, para que o usuário possa

visualizar a lâmina por completo.

Macrométrico e Micrométrico: O

macrométrico é responsável pelo

ajuste grosso do foco no microscópio,

movimentando a platina para cima

ou para baixo, normalmente utilizado

com a objetiva de menor ampliação.

Enquanto o micrométrico possui

maior precisão e faz o ajuste fino,

podendo ser utilizado com todas as

objetivas durante a focalização.

Para mais informações sobre microscopia,

suporte técnico e manutenção

para seu microscópio, entre em

contato com a Teratec.


MICROSCÓPIO: COMO EXTRAIR O MELHOR

DO SEU EQUIPAMENTO

Em Foco

Para obter o melhor desempenho

de um microscópio é fundamental

conhecer os recursos disponíveis e

utilizá-los da maneira correta. Nesta

matéria iremos explorar algumas

boas práticas de microscopia que

ajudarão tanto na focalização como

na preservação do microscópio.

Preparo inicial:

Altura da Platina: utilizando o

macrométrico, posicione a platina

totalmente para baixo, isso facilita a

inserção e a centralização da lâmina.

Seleção da Objetiva: selecione a

objetiva de menor ampliação para

iniciar, facilitando a obtenção do

foco inicial.

Centralização da Amostra: coloque

a lâmina na platina e utilize o

charriot para centralizar a amostra

sob a objetiva.

Iluminação: ligue a iluminação do

microscópio e ajuste a intensidade

conforme necessário. Verifique se

há filtros selecionados ou algo obstruindo

a iluminação.

Condensador e Diafragma: verifique

se o condensador está posicionado

o mais próximo possível da

lâmina e ajuste o diafragma para que

esteja totalmente aberto.

Dioptria: Se o microscópio possuir

ajuste de dioptria, deixe-o na posição

intermediária, o ajuste será feito

depois. Este recurso tem o objetivo

de compensar a diferença de visão

entre os olhos.

Focalizando no microscópio:

Foco inicial: utilize o macrométrico

e micrométrico para focalizar a

amostra, comece observando apenas

pela ocular que não possuir ajuste de

dioptria. No caso de equipamentos

com dois ajustes de dioptria, priorize

o olho dominante para ajustar o foco.

Ajuste de Dioptria: Ajuste a dioptria

para o outro olho, garantindo que

ambos os olhos estejam focados

corretamente. Este ajuste é realizado

fechando o olho que foi priorizado

na etapa anterior, ajustando o foco

agora apenas pela dioptria.

Distância Interpupilar: Ajuste a distância

dos olhos até obter uma única

imagem nítida.

Intensidade de Iluminação: controle

a iluminação para encontrar a

intensidade correta que precisa para

a amostra.

Diafragma de Íris: ajuste o diafragma

para controlar a quantidade de

iluminação, melhorando a definição

da imagem e o contraste.

Selecionando as Objetivas: Para

observar a amostra com uma

ampliação maior, utilize o revólver

para selecionar a próxima objetiva.

Em seguida, use apenas o micrométrico

para ajustar o foco. Repita as

duas etapas anteriores sempre que

mudar de objetiva.

Objetiva de 100 vezes e Óleo de

Imersão: Após focalizar corretamente

com as objetivas menores,

aplique uma pequena gota de óleo

de imersão sobre a lâmina e troque

para a objetiva de 100 vezes. Utilize

apenas o micrométrico para ajustar

o foco final. Observe se a objetiva é

preparada para uso de óleo.

Cuidados após o uso:

Após finalizar o uso do microscópio,

abaixe totalmente a platina e selecione

a objetiva de menor ampliação.

A intensidade da iluminação deve

ser reduzida antes de desligar o

equipamento, com o objetivo de preservar

a vida útil da lâmpada. Caso o

microscópio seja compartilhado com

outros usuários, é recomendado que

os ajustes de interpupilar e dioptria

retornem para as posições intermediárias.

Não se esqueça de remover a

lâmina e limpar o óleo de imersão da

objetiva caso tenha sido utilizado.

Seguindo essas etapas, você ajudará

a manter o microscópio em

ótimas condições, garantindo seu

bom funcionamento e disponibilidade

para futuras análises.

Para mais informações sobre microscopia,

suporte técnico e manutenção

para seu microscópio, entre em contato

com a Teratec.

Revista Analytica | Março 2026

77


Em Foco

ÁGUA ULTRAPURA PARA LABORATÓRIO: TENDÊNCIAS

REGULATÓRIAS E CONFORMIDADE FARMACÊUTICA

As exigências regulatórias para

água ultrapura em laboratórios

farmacêuticos nunca foram tão

rigorosas — e quem não se adaptar

pode pagar um preço alto em

auditorias, resultados comprometidos

e não conformidades.

Normas USP atualizadas, controle

cada vez mais estrito de

Carbono Orgânico Total (TOC),

controle microbiológico rigoroso

e evidência documental de que

cada etapa do processo está sob

controle — do monitoramento

contínuo de TOC à prevenção de

biofilmes, passando pela sanitização

validada e pela rastreabilidade

exigida em auditorias cada vez

mais detalhadas.

E as tendências apontam para

confiáveis, auditorias mais tranquilas

e resultados analíticos

mais precisos.

Sua operação está preparada para

esse novo nível de exigência?

Saiba mais e entenda como garantir

conformidade de ponta a ponta:

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monitoramento

microbiológi-

um cenário ainda mais exigente:

ra-para-laboratorio

co contínuo e rastreabilidade

digital de dados: esse é o novo

padrão que a indústria farmacêutica

precisa dominar.

maior automação, integração com

plataformas digitais, revalidações

frequentes e uma abordagem que

une conformidade regulatória à

sustentabilidade operacional.

Garantir a qualidade da água

ultrapura vai muito além da pureza

química. Envolve validação de

sistemas, integridade de dados,

Laboratórios que já entenderam

esse movimento estão saindo

na frente — com processos mais

78

Revista Analytica | Março 2026


AUTOMAÇÃO PARA PREPARO DE AMOSTRAS

EM PROTEÔMICA DE PLASMA

Em Foco

A proteômica de plasma tem se

consolidado como uma ferramenta

poderosa para a descoberta

de biomarcadores e a compreensão

de processos fisiológicos e

patológicos. Devido à sua coleta

minimamente invasiva e ampla

disponibilidade na prática clínica,

o plasma é uma matriz altamente

relevante para estudos biomédicos

em larga escala.

A espectrometria de massas (MS)

é considerada o padrão-ouro

para análises proteômicas, permitindo

a identificação e quantificação

simultânea de milhares

de proteínas. Entretanto, a preparação

das amostras continua

sendo um dos principais desafios

para garantir reprodutibilidade,

produtividade e padronização

nos fluxos de trabalho.

A automação surge como uma solução

estratégica para superar essas

limitações, reduzindo a intervenção

manual e aumentando a consistência

entre experimentos.

A plataforma de automação

Fluent, integrada ao módulo

Resolvex® i300, permite automatizar

etapas críticas do preparo de

amostras, incluindo lise, digestão

enzimática e purificação de peptídeos,

em um workflow padronizado

e altamente reprodutível. O sistema

Workflow automatizado para análise proteômica de plasma, desde a preparação das amostras

dentro do Fluent, integrado com o Resolvex i300, para as etapas de “desalting” e “dry-down” dos

peptídeos, até a aquisição e processamento dos dados.

Thermo Scientific Orbitrap Exploris

BioPharma Platform

Configuração da worktable do Fluent utilizada para preparação de amostras para análise

proteômica em formato de placas, permitindo processamento paralelo e padronizado de

dezenas de amostras.

Confidently characterize

without compromise

combina manipulação automatizada

de líquidos com • Peptide módulos Mapping dedirial

e espectrometria de massas,

Ao integrar automação laborato-

• Intact Protein Analysis

cados para extração • Aggregate em fase sólida essa solução amplia o throughput,

analysis

e processamento • Charge de partículas Variant Analysis reduz a variabilidade experimental

e torna a proteômica de plasma

• Glycan Analysis

magnéticas, proporcionando • RNA Oligonucleotide maior Analysis

mais robusta, escalável e eficiente

eficiência operacional. • Gene Therapy Analysis

• Host Cell Protein Analysis para aplicações em pesquisa biomédica

e medicina translacional.

• Multi-Attribute Method

Com essa abordagem,

• Antibody

é possível

Drug Conjugate Analysis

preparar de dezenas de amostras Saiba mais em:

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permitindo escalar estudos proteômicos

e acelerar projetos de

descoberta de biomarcadores.

Revista Analytica | Março 2026

79


Em Foco

EXISTEM MILHARES DE VARIÁVEIS NO SEU

LABORATÓRIO. A ESCOLHA DO SEU PARCEIRO

NÃO DEVERIA SER UMA DELAS.

11 Marcas Fortes. Um Ecossiste-

sistema de Soluções. Somos a

Quando você escolhe o Ecossiste-

ma Integrado. A solução completa

para quem não pode parar.

A gestão de um laboratório moderno

é um desafio de precisão. Da

coleta de sangue à análise molecular,

cada etapa exige ferramentas

específicas, logística impecável e

garantia de qualidade.

Muitos parceiros ainda enfrentam o

risco da fragmentação: uma "colcha

única indústria capaz de entregar

11 marcas proprietárias, cada

uma desenvolvida para garantir

performance máxima em sua etapa

da rotina:

• Absorve • Bionaky • Copertina

• Cralclean • Cralplast • Craltech

• Peguepet • Pontura • Precision

• Sensitive • Vacuplast

ma Cral, você substitui a complexidade

pela segurança. Você ganha

a tranquilidade de saber que a

engenharia do tubo conversa perfeitamente

com a da centrífuga,

que a logística é unificada e que o

padrão de qualidade é o mesmo.

Simplifique sua gestão. Potencialize

sua rotina. Escolha a Cral.

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80

Revista Analytica | Março 2026

de retalhos" de fornecedores que

não conversam entre si, gerando

incompatibilidades técnicas e gargalos

operacionais.

É aqui que a escolha se torna óbvia.

A Cral construiu mais do que um

portfólio; construímos um Ecos-

Essa integração permite que

grandes parceiros e profissionais

de saúde contem com um padrão

único de qualidade do início ao fim

do processo. Da coleta precisa à

análise microscópica, da proteção

individual à biossegurança.

CRAL - Suprindo a saúde com qualidade e inovação desde 1977

Empresa certificada ISO 9001:2015 / ISO 13485:2016

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