Revista Analytica Ed. 141 - Março 2026
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EDITORIAL
A ciência analítica vive um momento singular.
Em um cenário marcado por exigências
regulatórias cada vez mais rigorosas,
avanço tecnológico acelerado e demandas
crescentes por sustentabilidade, a
capacidade de medir, interpretar e garantir
a confiabilidade dos dados tornou-se
fundamental na ciência aplicada. É nesse
contexto que a análise química reafirma
sua relevância estratégica para a indústria,
para a pesquisa e para a sociedade.
A edição 141 da Revista Analytica chega
ao leitor com um conjunto de artigos que
refletem essa diversidade e profundidade,
conectando fundamentos técnicos, desafios
regulatórios e aplicações emergentes.
Entre os destaques está o artigo “Validação
de Processos na Indústria Farmacêutica
– Evolução Histórica no Âmbito
Regulatório”, que analisa a evolução
das diretrizes internacionais e o papel
de organismos como FDA, EMA, ICH e
ANVISA na construção de um arcabouço
que sustenta a produção segura de medicamentos,
com foco em gerenciamento
de risco, Quality by Design e verificação
contínua de processo.
Também se destaca o estudo “Avaliação
do Potencial Adsorptivo da Semente
de Moringa oleifera para Corantes
Têxteis”, que explora uma abordagem
sustentável para mitigação da poluição
hídrica, evidenciando o potencial de soluções
naturais no tratamento de efluentes.
Revista
Outro ponto relevante é a estreia da
seção Técnicas Gerais de Laboratório,
assinada por Cristiane Monteiro. No
artigo inaugural, a autora aborda a validação
analítica como elemento central
da confiabilidade regulatória, com foco
nos parâmetros críticos que sustentam a
qualidade dos dados.
É, porém, na conexão com a prática que
esta edição ganha ainda mais força. O
conteúdo percorre temas diretamente
ligados ao cotidiano de laboratórios
analíticos e industriais, como a escolha
entre HPLC, UPLC e UHPLC, cromatografia
por exclusão de tamanho, uso de
geradores de gases em cromatografia
gasosa e avanços em espectrometria de
massas de alta resolução, incluindo suas
implicações regulatórias. Esse conjunto
evidencia como a evolução instrumental
amplia as fronteiras da análise química e
sustenta a confiabilidade dos resultados
em diferentes contextos.
Ao mesmo tempo, a edição amplia o olhar
para questões que extrapolam a técnica,
incorporando discussões sobre segurança
no uso de produtos químicos, eficiência
industrial, o papel da inteligência artificial
no suporte à conformidade regulatória
e à gestão de processos laboratoriais,
além do controle de volume e
tempo como fator crítico de rendimento
na indústria de alimentos.
Ano 24 - Edição 141 - Março 2026
Carlos Eduardo R. Costa - Editor Chefe
Os artigos reunidos convergem para um
ponto central, a qualidade analítica
como base de todo o desenvolvimento
científico e tecnológico. Em um ambiente
orientado por dados, medir com
precisão continua sendo o que sustenta
decisões consistentes.
Ao final, registramos nosso agradecimento
aos parceiros, clientes, autores,
colaboradores e leitores que caminham
conosco na construção contínua da
Revista Analytica. O apoio, a confiança e o
compromisso de cada um são fundamentais
para fortalecer este espaço dedicado
à ciência analítica e à disseminação do
conhecimento técnico no Brasil.
Boa leitura.
Carlos Eduardo R. Costa
Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:
FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS | MEIO AMBIENTE | BIOTECNOLOGIA | LIFE SCIENCE
Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.
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Editor Responsável: Carlos Eduardo R. Costa | redacaoanalytica@futurlab.com.br
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Impressão: Gráfica Forma Certa | Periodicidade: Bimestral
Revista
Ano 24 - Edição 141 - Março 2026
ÍNDICE
ARTIGO 1 08
Josiane dos Santos da Silva, Andreas Sebastian Loureiro Mendez
01 Editorial
05 Agenda
06 Publique na Analytica
VALIDAÇÃO DE PROCESSOS NA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA –
EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO ÂMBITO REGULATÓRIO
ARTIGO 2 38
Gabrielle Montes da Rocha, Ísis Preste Formiga, Isabella Caroline Carvalho dos Santos, Daniela
Santos Silva, Verônica Cristina Pêgo Fiebig Aguiar
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ADSORTIVO DA SEMENTE
DE MORINGA OLEIFERA PARA CORANTES TÊXTEIS
51
Blog dos Cientistas
Espectrometria de Massas 54
Indústria de Alimentos – Processos e Desafios 61
58
HPLC Insights
63
P&D Analítico e Farmacotécnico
Logística e Inteligência Artificial na Saúde 66
2
Revista Analytica | Março 2026
Técnicas Gerais de Laboratório 71
68
73
Química no Meio Ambiente
Em Foco
Revista
Ano 24 - Edição 141 - Março 2026
ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES
ordem alfabética
Anunciante
pág.
ALFA
2ª CAPA
BCQ 4ª CAPA / 41
CRAL 3ª CAPA / 03
FCE PHARMA 23
GREINER 07
NOVA ANALITICA 11
TERATEC 19
VEOLIA 15
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Conselho Editorial
Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular da Escola de Química da Escola de
Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA)
do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional
de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki, Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de
Medeiros, Profª. Depto. de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública do INCQS
da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.
4
Revista Analytica | Março 2026
Colaboraram nesta Edição:
Maria Mayara Saraiva de Sousa, Maurício Ferreira da Rosa, Junior Romeo Deoti, Daniele Fernanda de Oliveira Rocha, Rogerio Aparecido Machado, Ingrid Ferreira Costa.
agenda
ANUGA SELECT BRAZIL – FEIRA DE ALIMENTOS E TENDÊNCIAS
Data: 7 a 9 de abril de 2026
Local: Distrito Anhembi – SP
Foco:Mercado de alimentos e bebidas com forte componente de inovação e tecnologia produtiva.
Mais Informações:anuga-brazil.com.br
FCE PHARMA 2026
Data:1 a 3 de junho de 2026
Local: São Paulo, SP (São Paulo Expo)
Foco: Feira farmacêutica, indústria, tecnologia e serviços.
Mais Informações: fcepharma.com.br
REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA (SBQ) 2026
Data:15 a 18 de junho de 2026
Local: Campinas, SP
Foco: Congresso científico nacional em química
Mais Informações: www.sbq.org.br/49ra/
COBBIND 2026 – II CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOTECNOLOGIA INDUSTRIAL
Data: 6 a 19 de agosto de 2026
Local: Campos do Jordão, SP
Foco: Biotecnologia industrial
Mais Informações:https://abeq.org.br/congressos/
Revista Analytica | Março 2026
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Revista
Ano 24 - Edição 141 - Março 2026
PUBLIQUE NA ANALYTICA
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levando em conta uma média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores
disponibilizarem seu material em outras publicações.
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Revista Analytica | Março 2026
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Carlos Eduardo R. Costa – Redação
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Artigo 1
VALIDAÇÃO DE PROCESSOS NA INDÚSTRIA
FARMACÊUTICA – EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO
ÂMBITO REGULATÓRIO
Autores:
Josiane dos Santos da Silva
"Josiane dos Santos da Silva é farmacêutica pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Possui
mais de dois anos de experiência na indústria
farmacêutica, com atuação nas áreas de validação e
assuntos regulatórios."
Andreas Sebastian Loureiro Mendez
“Andreas Sebastian Loureiro Mendez é Professor na
Faculdade de Farmácia – UFRGS e junto ao PPGCF –
UFRGS, com experiência na indústria farmacêutica nas
áreas de controle de qualidade e garantia da qualidade”
8
Revista Analytica | Março 2026
Resumo:
A validação de processos
é uma ferramenta
essencial para garantia da
qualidade de processos
produtivos e relacionados,
estando diretamente
vinculada à qualidade
do produto. No contexto
de medicamentos e de
indústria farmacêutica,
infere-se que há relação
direta com a eficácia e
segurança do produto farmacêutico
obtido. O presente
trabalho analisou
a evolução das diretrizes
regulatórias da validação
de processos no Brasil e
no mundo, com foco no
Food and Drug Administration
(FDA - EUA), European
Medicines Agency
(EMA - Europa), diretrizes
internacionais dos guias
da International Council of
Harmonisation - ICH (Q7,
Q8, Q9 e Q10) e Agência
Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA - Brasil),
além da atuação da Organização
Mundial da Saúde
(OMS). A partir de uma
revisão narrativa da literatura,
foi possível identificar
marcos históricos,
técnicos e regulatórios
que moldaram as práticas
atuais, evidenciando a
transição de abordagens
reativas para estratégicas,
baseadas em gerenciamento
de risco e controle
contínuo, especialmente
com a incorporação de
conceitos como Quality by
Design (QbD) e Validação
Contínua de Processo. O
trabalho também aponta
tendências futuras
relacionadas à indústria,
como o uso de inteligência
artificial e análise de
dados em tempo real,
reforçando a necessidade
de adaptação regulatória
diante dessas inovações.
Palavras-chave: Validação
de processos, Indústria
farmacêutica, FDA,
EMA, OMS, ANVISA, Quality
by Design, Indústria 4.0
Abstract:
Process validation is an
essential tool to ensure
the quality of a productive
and related process, being
directly linked to product
quality. In this context of
medicines and the pharmaceutical
industry, it can
be inferred that there is a
direct relationship with
efficacy and safety of the
pharmaceutical product
obtained. This present
study has analyzed the
evolution of regulatory
guidelines for process
validation in Brazil and
worldwide, focusing on
the Food and Drug Administration
(FDA - USA),
European Medicines
Agency (EMA - Europe),
international guidelines
from the International
Council of Harmonization
- ICH (Q7, Q8, Q9 and
Q10) and the Agência
Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA - Brazil),
in addition to the role
of the World Health Organization
(WHO). Based
on a narrative review of
the literature, it was possible
to identify historical,
technical and regulatory
milestones that shaped
current practices, evidencing
the transition
from reactive to strategic
approaches, based on
risk management and
continuous control, especially
with the incorporation
of concepts such as
Quality by Design (QbD)
and Continuous Process
Validation. The work also
points out future trends
related to the industry,
such as the use of artificial
intelligence and real-time
data analysis, reinforcing
the need for regulatory
adaptation in the face of
these innovations. .
Keywords: Process validation,
Pharmaceutical
industry, FDA, EMA,
WHO, ANVISA, Quality by
Design, Industry 4.0.
Introdução:
A produção de medicamentos
na indústria farmacêutica
é um processo
sequencial de operações
que transforma matéria-
-prima, por meio de processos
químicos e físicos,
em produtos destinados
à melhoria da saúde,
sendo estes conformes
aos padrões de qualidade
(LACHMAN; HANNA;
LIN, 2001). Para que um
medicamento seja viável
para consumo, ele deve
ter três características
fundamentais: eficácia,
referente à ação terapêutica
no alvo desejado;
segurança, relacionada
à ausência de toxicidade
significativa e minimização
de efeitos colaterais;
e estabilidade, quando
se mantém suas propriedades
físico-químicas
durante o armazenamento
e o prazo de validade
do produto.
A indústria farmacêutica
é alvo de intensas
fiscalizações e regulamentações
por órgãos
governamentais, com o
objetivo de vetar a possibilidade
de erros que
possam comprometer a
saúde humana (ALEEM
et al., 2002; ALENCAR et
al., 2004). Deste modo,
é fundamental a utilização
de ferramentas de
qualidade que assegurem
o controle de todas
as etapas do processo
Revista Analytica | Março 2026
9
Artigo 1
10
Revista Analytica | Março 2026
produtivo para garantir
a conformidade e qualidade
de medicamentos.
Para isso, é utilizado um
Sistema de Qualidade
no ciclo de vida do produto,
o qual deve abranger
as Boas Práticas de
Fabricação (BPF), em
inglês Good Manufacture
Practice (GMP) (PINTO;
KANEKO; OHARA, 2015).
Sendo assim, há uma
crescente importância da
adoção de metodologias
em validação, garantindo
Atributos Críticos de
Qualidade (ACQ) dos
produtos, sendo formalizado
por documentações
robustas, garantindo um
processo de fabricação
com similaridade e qualidade
(UNITED STATES,
FOOD AND DRUG ADMI-
NISTRATION, 1984). A
validação de processo,
portanto, é um elemento
essencial no Sistema de
Qualidade Farmacêutica,
responsável por garantir
a segurança e a qualidade
dos medicamentos. Ela
envolve a avaliação de
todas as atividades, desde
os testes iniciais, seguido
da produção e produto
final envolvendo etapas
críticas da fabricação. Seu
objetivo é fornecer evidências
documentadas
da consistência e reprodutibilidade
da produção.
É amplamente utilizada
em indústrias farmacêuticas,
biotecnológicas,
de dispositivos médicos
e insumos, envolvendo
o monitoramento e análise
contínua do desempenho
dos processos,
sendo não apenas uma
prática consolidada,
mas uma exigência legal
imposta pelos órgãos
reguladores. Muitas
vezes, a validação necessita
de ajustes ou alterações
em parâmetros de
fabricação para garantir
que os medicamentos
atendam aos padrões
de qualidade exigidos
(ALAGARSAMY, GUPTA,
PRABHU, 2016).
Assim, o presente trabalho
adquire relevância
ao abordar a evolução
histórica da validação
de processo nos principais
órgãos reguladores
internacionais, como a
Food and Drug Administration
(FDA), European
Medicine Agency (EMA), e
as diretrizes internacionais
dos guias da International
Council of Harmonisation
– ICH, além
da Organização Mundial
da Saúde (OMS), de
caráter não regulatório,
numa contextualização
conjunta aos impactos
frente aos profissionais
da área de produção,
controle e insumos de
medicamentos regulados
pela Agência
Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA). Neste
contexto, por meio de
uma revisão de literatura,
questiona-se: Quais
foram as evoluções da
validação de processo
na indústria farmacêutica
frente às principais
agências regulatórias
internacionais e como
isso influenciou a ANVI-
SA até os dias atuais?
Quais são as tendências
aplicadas à validação de
processo no futuro?
AUTOMAÇÃO PARA
PROTEÔMICA
Principais benefícios:
- Automação comtpleta do preparo de
amostras para proteômica de plasma
- Plataforma aberta, configurável para
diferentes protocolos
- Maior produtividade e reprodutibilidade,
comparadas a fluxos manuais
Artigo 1
12
Revista Analytica | Março 2026
METODOLOGIA
Neste trabalho, foi
adotada uma revisão
bibliográfica focada
na evolução da validação
de processo e seus
impactos regulatórios
no Brasil e no mundo.
Para isso, foram utilizados
materiais diversos
como livros, trabalhos
publicados, artigos
científicos, monografias,
dissertações, teses
ou resoluções regulatórias
de órgãos governamentais
entre outros,
como fonte de pesquisa
(MATTOS, 2015).
Neste contexto, foi adotada
uma metodologia
de revisão narrativa de
literatura, utilizando a
seguinte combinação
dos descritores como
metodologia de pesquisa
primária: “process
validation”, “pharmaceutical
industry”, “Good
Manufacture Practices”
OR “GMP” e NOT “analytical”
nas bases de dados
PubMed, ScienceDirect,
Web of Science e Google
Scholar. Além disso,
foram incluídos documentos
de metodologias
primárias e secundárias
como teses, dissertações,
documentos técnicos,
livros especializados
sobre o tema e diretrizes
publicadas pelos órgãos
regulamentadores como
FDA, EMA, ICH, ANVISA e
não regulatória, como a
OMS. Para a seleção dos
materiais, foram incluídos
aqueles que abordaram a
validação de processo na
indústria farmacêutica,
regulamentações e guias
técnicos emitidos pelos
órgãos citados e que
fossem publicadas em no
período de 2000 a 2025.
No entanto, foram excluídos
trabalhos que não
tratavam diretamente
da temática citada. Além
disso, foi realizada uma
análise retrospectiva das
legislações vigentes e não
vigentes sobre o tema
nos guias publicados
pela FDA, EMA, ANVISA e
revisão dos documentos
emitidos pela OMS.
VALIDAÇÃO DE PRO-
CESSOS – HISTÓRICO
REGULATÓRIO
Surgimento da Validação
de Processo
Segundo a RDC de n°
658/2022, o termo “validação”
tem como significado
o ato de confirmar
algo como verdadeiro,
correto ou aceitável.
Aplicada às Boas Práticas
de Fabricação de
Medicamentos, este tem
como ação de provar que
qualquer procedimento,
processo, equipamento,
material, atividade ou
sistema opera dentro dos
parâmetros aceitáveis
e estabelecidos previamente,
assegurando
consistência de um produto
com os padrões de
qualidade exigidos por
normas regulatórias.
Sendo assim, em meados
de 1962, a exigência
de um processo produtivo
com maior robustez
devido aos graves
efeitos relacionados a
teratogenicidade ao uso
da Talidomida (NASH;
WACHTER, 2003) - medicamento
desenvolvido
para induzir sonolência
com o enantiômero R(+)
thalidomide, mas identificado
como causa raíz de
malformações congênitas
em recém-nascidos na
Europa Ocidental (UNI-
TED STATES. FOOD AND
DRUG ADMINISTRATION,
2021) com o enantiômero
S(-)-thalidomide. A
forma racêmica do medicamento
- R(+),S(-)-thalidomide
- foi amplamente
distribuída sob nome
comercial “Distaval” na
Alemanha Ocidental, sem
o devido conhecimento
específico da mistura dos
estereoisômeros (VAR-
GESSON, 2015). A Figura
1 apresenta os estereoisômeros
do medicamento,
bem como a
forma comercial em que
era distribuído.
Esse episódio levou o
então presidente dos
Estados Unidos, John F.
Kennedy, nos anos 1961 a
1963, realizasse a aprovação
das Emendas Kefauver-Harris
à Lei FD&C
(Food, Drug and Cosmetic
Act), exigindo comprovação
de eficácia e tornando
obrigatório o relato de
efeitos adversos à exposição
do tratamento (NASH;
WACHTER, 2003).
Figura-1: A. Estruturas químicas dos estereisômeros com enantiômeros R(+)-thalidomide e
S(-)-thalidomide. B. Imagem do medicamento comercial “Distaval” 25 mg, comercializado pela
empresa Chemie Grunenthal, Alemanha. (Fonte: Adaptado de Vargesson (2015))
A partir deste cenário,
em 1963 é aprovado
o documento current
Good Manufacture Practice
(cGMP), que regula
as Boas Práticas de Fabricação
de medicamentos
acabados, ressaltando a
necessidade das indústrias
de realizarem uma
ação preventiva em
substituição da reativa,
por meio de controles
de qualidade. Isto fez
com que o processo
de monitoramento e
inspeção da agência
aos fabricantes ocorresse
em ciclos bienais,
evidenciando não conformidades
graves no
início da ação. Naquele
período, a amostragem
era realizada somente
no produto acabado
de medicamentos com
alto valor de mercado
ou que pudessem
haver maiores efeitos
clínicos. No entanto, era
notável a ocorrência de
inúmeras notificações
de medicamentos não
conformes mesmo com
o controle de qualidade
aprovando o produto
acabado, redirecionando
a agência regulatória
a verificar não somente
a produção final e sim
o processo como todo
(NASH; WACHTER, 2003).
Revista Analytica | Março 2026
13
Artigo 1
14
Revista Analytica | Março 2026
Desse modo, Ted Byers e
Bud Loftus, ambos membros
da FDA, introduziram
pela primeira vez o termo
ao comitê da agência na
década de 1970, demonstrando
necessidade de
aumentar a qualidade e
melhoria de produção de
medicamentos parenterais
de grande volume na
indústria farmacêutica por
meio de coletas e avaliações
de dados. O objetivo
era garantir a conformidade
de todo o processo
do produto farmacêutico,
atendendo lotes de produto
acabado e execuções
repetidas (VOYKELATOS,
2022; MCCORMICK; SAN-
DERS, 2022).
Ano Normativa Atribuições
1962 Emendas Kefauver-Harris à Lei
FD&C (Food, Drug and Cosmetic
Act),
1963 Current Good Manufacture
Practice
Neste contexto, os esforços
foram totalmente
contemplados em indústrias
de medicamentos
parenterais, mas, expandido
ferozmente a todas as
indústrias de cuidados à
saúde. No período, ambos
os autores fizeram publicações
de artigos sobre
“Design for Quality”, abordando
uma maior atenção
aos processos de produção
e “Validation and Stability”,
abordando exigências
necessárias para que o
processo fosse validado
(NASH; WACHTER, 2003).
Obrigatoriedade de
documento comprobatório
relatando
eficácia
Realização de ação
preventiva por controle de
qualidade de produto
acabado
1974 Design for Quality Artigo relatando a
necessidade de maior
atenção aos processos
produtivos
1978 Validation and Stability Artigo relatando a
necessidade de uma base
legal para processos
validados
1987
Guideline on General Principles of
Process Validation
Primeira publicação oficial
sobre Validação de Processo
Quadro 1. Evolução do surgimento da Validação de Processo, a partir do FDA como
órgão regulamentador.
Fonte: Elaborado pela autora (2025)
Deste modo, devido a
inúmeras dúvidas relacionadas
à nova perspectiva
e as conformidades exigidas
à indústria farmacêutica,
em 1987 a FDA
publica o “Guideline on
General Principles of Process
Validation”, o primeiro
documento relatando
o termo “validação de
processo”, abrangendo
não somente produtos
considerados estéreis e
não estéreis, mas também
medicamentos e produtos
médicos (UNITED
STATES. FOOD AND DRUG
ADMINISTRATION, 1987).
O Quadro 1 apresenta a
evolução ocorrida cronologicamente
no órgão
regulador americano.
Evolução Histórica e
Técnica da Validação de
Processo na FDA
É notável verificar que
após a publicação da FDA
no documento “Current
Good Manufacturing Pratice
Regulations to Finished
Pharmaceuticals” e “Good
Manufacturing Practice
Regulations for Medical
Devices”, correspondendo
Artigo 1
16
Revista Analytica | Março 2026
às regulamentações 21
CFR Part 210, 211 e 820,
a relação das indústrias
farmacêuticas diante do
início da nova diretriz
na produção de medicamentos
pudesse gerar
inúmeras dúvidas. Em
resposta a estas incertezas,
a agência americana
publicou, em 1987, o “Guideline
on General Principles
of Process Validation”,
respondendo questões
e esclarecendo necessidades
das empresas que
relataram dificuldades em
adequar-se à nova proposta.
O documento traz
à tona diversos termos
essenciais relacionados
à validação de processo,
descritos no Quadro 2. O
termo dado a validação
neste documento foi
“estabelecer evidências
documentadas que forneçam
um alto grau de
garantia de que um processo
específico produzirá
consistentemente um
produto que atenda às
suas especificações e atributos
de qualidade pré-
-determinados” (UNITED
STATES FOOD AND DRUG
ADMINISTRATION,1987).
Após o lançamento do
“Guideline on General
Principles of Process Validation”
em 1987, muitas
indústrias de produtos
farmacêuticos ainda se
encontravam em fase
de adaptação ao novo
regime regulatório. Neste
período, ocorreram
inúmeras falhas nos
processos de validação,
verificando que ainda
ocorria liberação de
lotes de medicamentos
com processos não validados
ou validados de
forma inadequada. Tais
falhas resultaram em
erros e desvios no produto
acabado, fazendo
com que a FDA enviasse
cartas regulatórias (warning
letters) apontando
as necessidades e atenção
às conformidades
estabelecidas, de acordo
com o cGMP (NASH;
WACHTER, 2003). Desta
forma, um caso notável
ocorrido em 1993 envolvendo
a empresa Barr
Laboratories, na qual a
FDA moveu uma ação
por não cumprimento
das Boas Práticas de
Fabricação (cGMP), verificando
a necessidade
de um estudo de maior
robustez envolvendo a
validação de processo,
e também, limpeza.
Em resposta a ação, o
laboratório moveu uma
declaração para que se
obtivesse clareza sobre
os padrões necessários
ao estudo de validação
(BURGESS, 1993). Dessa
forma, visto a lacuna
existente em relação a
diretrizes mais precisas
para que ocorresse uma
robustez nos protocolos
e relatórios de validação,
em 1996, a FDA lança
uma revisão ao documento
cGMP 21 CFR Part
210 & 211, estabelecendo
a definição formal da
Validação de Processo,
descrita como: “A validação
de processo é uma
função da garantia da
qualidade que ajuda a
garantir a qualidade do
medicamento, fornecendo
evidências documentadas
de que o processo
de fabricação cumpre as
especificações pré-determinadas
e característica
de qualidade”.
Também, adicionou a
seção §211.220, que estabeleceu
a necessidade
da validação de sistemas
computadorizados, com
impacto as Boas Práticas
de Fabricação; etapas
críticas como mistura,
compressão, envase
e rotulagem; quantidade
mínima de lotes
para validar o processo
e obrigatoriedade de
revalidação a cada nova
mudança. A revisão também
atribuiu por meio da
seção §211.22 ao setor de
Controle de Qualidade,
a responsabilidade da
realização da análise do
processo a ser validado,
consolidando seu papel
prático ao sistema de
qualidade farmacêutica.
Termo
Qualificação de Instalação
Qualificação de desempenho do processo
Qualificação de desempenho do produto
Validação Prospectiva
Validação Retrospectiva
Protocolo de Validação
Pior Caso
Quadro 2. Definições essenciais da Validação de Processo, de acordo com o
“Guideline on General Principles of Process Validation” de 1987.
Fonte: Elaborado pela autora (2025)
Definição
Comprovação na qual equipamento e/ou
sistema opera dentro dos limites e
tolerâncias estabelecidas.
Verificação de que o processo é eficaz e
reprodutível dentro dos parâmetros
definidos.
Verifica a segurança e confiabilidade a partir
de testes de que o produto final atende a todos
os requisitos necessários para que possa ser
liberado para uso.
Validação realizada antes do lançamento de
novo produto com revisões e testes que
podem afetar características do produto.
Validação de produto já lançado a partir de
dados de produção, testes e controle.
Um plano escrito declarando como a
validação será conduzida, incluindo
parâmetros de teste, características do
produto, equipamento de produção e pontos
de decisão sobre o que constitui resultados
de teste aceitáveis.
Um conjunto de condições que abrangem
limites e circunstâncias de processamento
superior e inferior, incluindo aquelas dentro
de procedimentos operacionais padrão, que
apresentam a maior chance
de falha de processo ou produto quando
comparado a condições ideais. Tais
condições não
necessariamente induzem a falha de produto
ou processo.
Em 2004, a FDA lança
a iniciativa intitulada
“Pharmaceutical cGMP for
the 21st Century: A risk-
-based approach”, tendo
como objetivo modernizar
o sistema regulatório
farmacêutico. Nisto, foi
estabelecido um Guia
de Política de Conformidades
nomeada como
“Process Validation Requiremets
for Drug Products
and Active Pharmaceutical
Ingredients Subject
to Pre-Market Approval”,
estabelecendo a importância
de um desenho
do processo e avaliação
de dados no ciclo de vida
do produto - desenvolvimento
até a validade. É
válido ressaltar também
que neste documento
ocorre a primeira aparição
do termo “Quality by
Design” (QbD), verificando
a necessidade de projetar
um medicamento
com um desenho efetivo
e eficiente em relação ao
processo produtivo.
Em 2011, a FDA publicou
uma nova orientação
sobre Validação de Processo
sob nome “Process Validation:
General Principles
Revista Analytica | Março 2026
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Artigo 1
18
Revista Analytica | Março 2026
and Practices”, incorporando
novas atribuições
dos guias do International
Conference of Harmonisation
(ICH) - um grupo
de agências regulatórias
mundiais que harmonizam
técnicas na produção
de medicamentos para
garantir segurança, confiabilidade
e qualidade
em todos os estágios. O
Quadro 3 elucida estes
estágios com base nas
novas mudanças.
A necessidade da revisão
deu-se devido às atualizações
nos processos produtivos
verificadas desde
a publicação oficial de
1987. Nele, são descritas
três etapas necessárias
para a validação do processo
com suas devidas
descrições, apresentando
um ciclo de vida contínuo
(UNITED STATES FOOD
AND DRUG ADMINISTRA-
TION, 2011), sendo:
• Etapa 1: Design do Processo
(Process Design)
• Etapa 2: Qualificação
do Processo (Process
Qualification)
Etapa Descrição Condições
1. Design do Processo
(Process Design)
2. Qualificação do
Processo (Process
Qualification)
3. Verificação Continuada
do Processo (Continued
Process Verification)
É definido o processo de
fabricação por meio de
atividades de desenvolvimento
e escalonamento (scale-up),
entregando de forma constante
a produção com Parâmetros
Críticos do Processo (PCP) e
Atributos Críticos de Qualidade
(ACQ), identificadas e
avaliadas por análises
multivariadas
Determinar que o processo é
capaz produzir, de forma
reprodutível, um produto
apropriado para comercialização
Garantir a qualificação de
instalação e operação na fase 1 e
desempenho, com métrica
estatística ao estudo, na fase 2
dos equipamentos e utilidades
Garantir a manutenção do
estado de validação no processo
ao longo do tempo com o uso de
estatística.
• Etapa 3: Verificação Continuada
do Processo (Continued
Process Verification)
Evolução Histórica e
Técnica da Validação de
Processo na EMA
Após a aprovação da
“Emendas Kefauver-Harris
à Lei FD&C (Food, Drug and
Cosmetic Act)”, observou-
-se uma maior rigidez nos
fabricantes farmacêuticos,
especialmente no que diz
Não é necessário atender as Boas Práticas
de Fabricação, mas deve-se documentar
todo o processo, de acordo com o ICH Q10.
Dados da escala piloto e/ou laboratorial
podem estimar a variabilidade. Também é
verificado nesta etapa os pontos
significativos nos equipamentos. O projeto
e espaço deve estar de acordo com o ICH
Q8
É necessário a descrição de um protocolo
com parâmetros operacionais, dados a serem
coletados, testes e critérios de aceitação
significativos, o plano de amostragem
necessário, indicadores de desempenho, o
status da validação de métodos analíticos do
processo e revisão dos envolvidos.
É necessário estabelecer um programa de
coleta de dados continuamente para
garantir o status validado do processo, de
acordo com os Atributos Críticos de
Qualidade, verificando variações e
indicando melhorias em intralotes e
interlotes. Pode ser de dados do processo,
reclamações, desvios ou Relatórios de Não
Conformidade (RNCs). Estes dados podem
servir para melhoria de Controle em
Processo ou revisão de parâmetros
operacionais.
Manutenções preventivas e calibrações
estão no escopo, sendo verificada a
necessidade de requalificação quando há
necessidade.
Quadro 3. Estágios da validação de processo descritas no Guidance for Industry -
Process Validation: General Principles and Practices 2011.
Fonte: Elaborado pela autora (2025)
a respeito à comprovação
da eficácia e segurança
dos medicamentos. Desta
forma, como resposta ao
grave episódio envolvendo
a Talidomida, a European
Economics Comission
(EEC), constituída
inicialmente pelos países
Bélgica, Alemanha, França,
Itália, Luxemburgo e Países
Baixos também passou a
adotar medidas regulatórias
mais restritivas (LÓPEZ
RODRÍGUEZ, 2021).
Artigo 1
20
Revista Analytica | Março 2026
Assim, em 1965, estabelece
a Diretiva 65/65/
EEC, fornecendo a base
necessária para o regulamento
farmacêutico,
estabelecendo definições
necessárias, como:
especialidade farmacêutica,
medicamento, substância,
fórmula oficinal e
magistral. Já as Diretivas
75/318/EEC e 75/319/EEC
tinham como objetivo
harmonizar legislações
de Estados-membros da
União Europeia no que
diz respeito à produção
e controle de qualidade
de medicamentos.
Segundo as regulamentações
publicadas, foi
estabelecido critérios
para testes de qualidade
integrando protocolos
analíticos que incluíam:
ensaios físico-químicos
para matérias-primas,
produtos intermediários
e produtos acabados;
ensaios microbiológicos;
ensaios toxicológicos
como: oncológicos, de
função reprodutora ou de
toxicidade fetal. Também
foram exigidos ensaios
clínicos com o objetivo de
demonstrar a segurança
e eficácia terapêutica.
Desta forma, em 1991,
a ECC publica uma nova
diretriz, sendo esta
91/356/EEC adaptando
o progresso produtivo
de 75/318/EEC e 75/319/
EEC. Essa diretriz foi responsável
pelo conceito
de “Boas Práticas de
Fabricação” no âmbito da
Comunidade Europeia,
determinando que os
processos de produção
de medicamentos sejam
feitos de acordo com a
conformidade pré-estabelecida.
É importante
ressaltar que, pela primeira
vez, a EEC passou a
utilizar a palavra “validação”,
conforme descrito
no Artigo 10°. Este artigo
estabelece que a produção
de um medicamento
deve ser validada, estabelecer
fases críticas ao
processo, além de prever
a necessidade de revalidações
periódicas.
Diante das dificuldades
de estabelecer pareceres
de nível obrigatório entre
os Estados-membros, a
EEC verificou a necessidade
de criação de um
órgão regulamentador
oficial e centralizado para
que pudesse realizar as
decisões de maneira mais
uniforme e ordenada na
União Europeia (LÓPEZ
RODRÍGUEZ, 2021).
Sendo assim, em 1995
é fundada a European
Medicines Agency - EMA
pelo Regulamento de
n° 2309/93, obsoletando
as regulamentações
anteriores e unificando o
controle e avaliação de
medicamentos no bloco
europeu (EUROPEAN
ECONOMIC COMMUNI-
TY, 1993). A partir deste
contexto, a validação de
processo passou a ser
norteada por documentos
técnicos - Note for
Guidance -, discorridos ao
longo do tempo.
A primeira orientação
específica sobre o
tema foi apresentada
no documento CPMP/
QWP/848/96, em 1996,
que definiu a validação
de processo como um
meio de garantir e fornecer
provas documentais
de que os processos (dentro
de seus parâmetros
especificados) são capazes
de produzir consistentemente
um produto
acabado com qualidade
exigida. É notável que a
apresentação desse pri-
meiro guia evidenciou
a exigência regulatória
para que possa se ter uma
validação de processo
mais robusta. Este documento
relaciona o desenvolvimento
de medicamentos
e fases críticas
do processo, desafiando
as indústrias farmacêuticas
a adquirir robustez
e reprodutibilidade ao
processo. O guia delimita
que a validação deve ser
feita em três fases: escala
laboratorial no desenvolvimento
farmacotécnico,
definindo pontos críticos
do processo; piloto,
envolvendo uma escala
de no mínimo 10% da
capacidade de produção,
que delimita os processos
críticos ocorridos em
maior proximidade às
reais e a escala industrial
ou de produção, que
deve ser realizada três
lotes consecutivos em
100% da escala, comprovando
a robustez e reprodutibilidade
do processo.
Sendo assim, no Anexo I
deste mesmo documento,
relata o esquema
necessário para realizar
uma validação de processo
robusta, incluindo:
descrição detalhada do
processo com parâmetros
críticos, especificação
do produto acabado,
dossiê analítico, Controle
em Processo (CEP) para
avaliação dos critérios
de aceitação e plano de
amostragem necessário.
Após estas informações,
é discorrido um relatório
final com as informações
discorridas com os dados,
certificados de análise e
registro de produção. Ao
final do relatório, é dado
um parecer com desvios,
se encontrados, e propostas
medidas preventivas
e corretivas ao processo
para assegurar a qualidade
e conformidade
do processo (EUROPEAN
MEDICINES AGENCY,
2001).
Visto a necessidade de
se definir diretrizes para
processos não padronizados,
mencionados no
guia anterior, é publicado
em 2004 o documento
CPMP/QWP/2054/03,
que trouxe orientações
necessárias ao tema,
abordando a definição
de processos não
padronizados, incluindo
fabricação de métodos
especializados, utilização
de novas tecnologias e
métodos de esterilização
não convencionalmente
normalizado. Em relação
à validação de processo,
no Anexo II deste documento
são dadas as informações
necessárias para
estes tipos de processo
mencionados anteriormente,
salientando que
deve-se desenvolver
abordagens de validação
que considerem as
particularidades dos processos
e que garantam
conformidade aos medicamentos
produzidos.
Após as publicações dos
guias ICH Q8, Q9 E Q10
pelo International Council
of Harmonisation,
a European Medicine
Agency (EMA) verifica
a necessidade de atualizar
o conceito de
validação de processo
e adequar as diretrizes
do CPMP/QWP/848/96.
Deste modo, publica
a EMA/CHMP/CVMP/
QWP/809114/2009 em
2010, introduzindo
conceitos delineados
pelas publicações propostas
pelos ICH sobre
Tecnologia Analítica de
Revista Analytica | Março 2026
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Artigo 1
22
Revista Analytica | Março 2026
Processo (PAT), “Quality
by Design” (QbD) e Teste
de Liberação em Tempo
Real (RTRT). Além disso,
menciona pela primeira
vez o termo “Verificação
Continuada de Processo”,
apresentando uma
alternativa moderna ao
processo de validação
de três lotes consecutivos
e a necessidade de
maior alinhamento aos
guias mencionados.
Em 2012, para alinhar
os guias previamente
publicados às informações
mais atualizadas,
a EMA publica a EMA/
CHMP/CVMP/QWP/
BWP/70278/2012, que
substituiu os guias
anteriores e se mantém
como legislação atual
sobre validação de processo
no grupo europeu
em relação a produtos
acabados. Entre as principais
mudanças que
ocorreram em relação
às anteriores, é notável
salientar que neste guia
há maiores detalhes da
abordagem tradicional
de validação de processo
para medicamentos
de forma farmacêutica
sólida, sendo no mínimo
10% da escala máxima
ou 100.000 unidades,
considerando o que for
maior. Para outros tipos
de formas farmacêuticas,
o lote-piloto deve ser
justificado dependendo
da análise de risco considerando
a criticidade
do produto. Há também
a definição robusta de
“Verificação Continuada
de Processo”, como sendo
uma abordagem em
tempo real baseada na
ciência e no risco para
verificar e demonstrar
que um processo opera
dentro dos parâmetros
especificados predefinidos
produz consistentemente
material que
atende a todos os seus
atributos críticos de qualidade
(CQAs) e requisitos
de estratégias de controle.
Também, seria uma
alternativa à validação de
processo tradicional na
qual o desempenho do
processo de fabricação é
continuamente avaliado
e monitorado (ICH Q8).
É introduzido a possibilidade
de uma
abordagem híbrida
dependendo do processo,
combinando
práticas da validação
tradicional e continuada,
dependendo da
estratégia produtiva
adotada pela indústria.
Também é pontuado o
termo design do espaço
(design space), sendo
necessário validar o
local que o equipamento
ocupa assegurando
que o produto atende
aos Atributos Críticos
de Qualidade definidos.
O documento também
determina que, caso
ocorra um scale -up –
passagem de escala,
no caso laboratorial a
produtiva, esta deve se
manter conforme sem
perder seus parâmetros
de qualidade além de
que, deve se associar
uma necessidade de
revalidação caso ocorra
um aumento de escala,
não sendo necessário
se a parte já validada
do processo é independente
ao que está sendo
aumentado.
Artigo 1
24
Revista Analytica | Março 2026
No Anexo I do referido
documento, foi incorporada
informações
sobre o esquema de
verificação continuada
de processo, sendo
necessário a adição de
um esquema contendo
monitoramento dos
lotes podendo ser no
formato on-line, medição
onde a amostra é
desviada do processo
de fabricação e pode
ser retornada ao fluxo;
in-line , onde a amostra
é analisada dentro do
fluxo do processo e não
removida dele; e at-line,
a qual é removida,
isolada e analisada em
proximidade imediata
com o fluxo do processo,
com seus devidos
parâmetros delineados;
número e tamanho de
amostras; frequência
do monitoramento;
detalhes dos métodos
analíticos aplicados;
critérios de aceitação;
dados com ferramentas
estatísticas para verificação
de processos em
nível comercial.
Ano Documento Impacto
1965 Diretiva 65/65/EEC Definiu especialidade
farmacêutica, medicamento,
substância, fórmula oficinal e
magistral
1975 Diretiva 75/318/EEC Declarou harmonização de
produção e controle de qualidade
de
medicamentos; introdução de
testes físico-químicos,
microbiológicos e toxicológicos
1975
1991
1995
1996
Diretiva 75/319/EEC
Diretiva 91/365/EEC
Fundação da EMA -
Regulamento 2309/93
CPMP/QWP/848/96
Por fim, no Anexo II
deste respectivo documento,
traz especificações
detalhadas sobre
medicamentos especializados,
incluindo: inaladores
pressurizados;
suspensões e emulsões;
Complementou a 75/318/EEC
com exigências para ensaios
clínicos de segurança e eficácia
Introduziu o conceito de Boas
Práticas de Fabricação (BPF) e
exigência de validação de
processos e revalidações
Criação da European
Medicines Agency (EMA),
centralizando
regulamentações na Europa
Primeira definição de validação
de processo; inserção de três
fases de validação (laboratório,
piloto e produção); plano de
amostragem e critérios de
métodos analíticos
2004 CPMP/QWP/2054/03 Direcionamento para processos
de fabricação não padronizados;
novas tecnologias e esterilizações
não convencionais
2010 EMA/CHMP/CVMP/QWP/
80 9114/2009
2012 EMA/CHMP/CVMP/QWP
/B WP/70278/2012
Atualização de conceitos como
QbD, PAT e RTRT; Introdução ao
conceito de Verificação
Continuada de
Processo
Versão vigente contendo
atualização geral de validação de
processo, introduz abordagem
híbrida; design space; ampliação
sobre Verificação Continuada de
Processo e
monitoramento contínuo
(online e in-line)
Quadro 4. Evolução da Validação de Processo na European Medicines Agency – EMA.
Fonte: Elaborado pela autora (2025)
formas farmacêuticas
de liberação modificada;
medicamentos com
dose unitária menor
que 2% da composição;
medicamentos parenterais
a base de polímeros
biodegradáveis, pre-
parações lipossomais,
preparações micelares
e preparações nanoparticuladas
(EUROPEAN
MEDICINES AGENCY,
2014). O Quadro 4 elucida
sobre a evolução da
validação de processo na
principal agência regulatória
europeia - EMA.
Evolução da International
Council for Harmonisation
of Technical
Requirements for Pharmaceuticals
for Human
Use – ICH
Figura 2. Etapas de elaboração de Guias do ICH
Fonte: Adaptado de Lima (2024)
Após o movimento da
unificação regulatória na
Europa voltado à padronização
de regulamentações
para produtos farmacêuticos,
a Organização Mundial
da Saúde (OMS), por
meio da Conferência das
Autoridades Regulatórias
de Medicamentos, promoveu
em 1989 um encontro
com o objetivo de
estimular a consolidação
de normas e práticas de
fabricação mais robustas
no âmbito global, motivado
pelo sucesso europeu.
Como resultado desta iniciativa,
em 1990 ocorre a
fundação da International
Council for Harmonisation
of Technical Requirements
for Pharmaceuticals for
Human Use - ICH, com o
objetivo de unificar requisitos
técnicos necessários
para o registro de medicamentos
de uso humano,
reunindo os três principais
mercados farmacêuticos
mundiais: Estados Unidos
(FDA), Europa (EMA)
e Japão (PMDA/MHLW)
(BRANCH, 2005).
O ICH visa uniformizar a
interpretação, aplicação
e exigências regulatórias,
neste sentido, são criados
guias em um processo
de 5 etapas, sendo após,
desenvolvido por especialistas
técnicos para que
sejam aplicadas as etapas
necessárias até a sua
implementação na etapa
5. Hoje, há um quantitativo
de 72 guias e estão organizados
em quatro grandes
áreas, sendo: E - Eficácia; S
- Segurança; M - Multidisciplinaridade
e Q - Qualidade,
sendo esta a categoria
de maior interesse para os
propósitos deste trabalho
(BRANCH, 2005; LIMA,
2024). Na Figura 2 é descrito
as etapas de elaboração
destes documentos.
No âmbito da Validação
de Processo, as principais
diretrizes utilizadas
são ICH Q7, Q8, ICH Q9 e
ICH Q10.
Diretriz ICH Q7 - Boas
Práticas de Fabricação de
Insumos Farmacêuticos
De acordo com o documento
Q7 Concept Paper
(1998), havia no período
diversas diretrizes sobre
Revista Analytica | Março 2026
25
Artigo 1
26
Revista Analytica | Março 2026
Boas Práticas de Fabricação
publicadas por diferentes
entidades regulatórias,
resultando em
abordagens diferentes
para cada entidade sanitária.
Desta forma, uma
iniciativa internacional
liderada pela Pharmaceutical
Inspection Co-operation
Scheme (PIC/S) visava
harmonizar estas exigências,
envolvendo países
da União Europeia, Ásia
e América do Norte. Esta
harmonização visava a
criação de uma única diretriz
de BPF a nível global,
facilitando a conformidade,
promovendo a proteção
à saúde e facilitando
o comércio internacional
(INTERNATIONAL CONFE-
RENCE ON HARMONISA-
TION, 1998).
Desta forma, é aprovada
para consulta pública no
ano 2000 a diretriz ICH Q7,
estabelecendo uniformidade
sobre Boas Práticas
de Fabricação, incluindo
a validação de processo,
reforçando a obrigatoriedade
das indústrias de
se obter documentações
robustas e validadas para
avaliação de processos de
medicamentos. Entre os
requisitos fundamentais,
destaca-se a necessidade
de que os parâmetros
críticos do processo; os
critérios de aceitação
e o tipo de validação
adotado (retrospectiva,
prospectiva ou simultânea)
(ICH Q7, 2000, seção
12.1 e 12.2; PRABHU, LEE
e YU, 2015). Além disso, é
obrigatório a elaboração
de um relatório técnico
contendo o resumo dos
dados obtidos, as análises
estatísticas e conclusões à
consistência do processo
(ICH Q7, 2000, seção 12.2).
Outro aspecto essencial
é a qualificação de equipamentos,
que deve ser
realizada por meio de
três etapas: Qualificação
de Instalação (QI), na
qual assegura que o local
onde o equipamento será
instalado está em conformidade
com os requisitos
técnicos; Qualificação de
Operação (QO) verifica
se o equipamento tem
funcionalidade operacional
pretendida em todas
as faixas operacionais
especificadas e Qualificação
de Desempenho
(QD) que comprova que
o equipamento executa
suas funções de maneira
eficaz e reprodutível,
conforme os critérios
definidos nas especificações
técnicas (ICH Q7,
2000, Seção 12.3).
No tópico 12.4 do ICH Q7,
A Validação de Processo
é definida como a evidência
documentada de
que o processo, operado
dentro de parâmetros
estabelecidos, pode funcionar
de forma eficaz e
reprodutível para produzir
um intermediário
ou acabado que atenda
às suas especificações
e atributos de qualidade
predeterminados. O
documento descreve
três abordagens para a
condução da validação,
sendo prospectiva, que
deve ser realizada antes
da distribuição comercial
do medicamento;
simultânea, aplicável
quando há um número
limitado de produção de
um medicamento, quando
o processo já validado
sofre modificações
modificação pontual e,
também, retrospectiva,
sendo permitida somente
quando há um processo
robusto e estável,
sem alterações significativas
na qualidade do
produto ao longo de um
histórico produtivo.
De acordo com o tópico
12.5, é necessário que a
validação seja executada
por meio de um Programa
de Validação de Processo,
contendo informações
sobre qual validação será
implementada, sendo que
a prospectiva ou simultânea
deve realizar as ações
por meio de três lotes consecutivos.
Para a validação
retrospectiva, é necessário
a coleta de dados representativos
de dez a trinta
lotes consecutivos, permitindo
a análise estatística
da consistência e reprodutibilidade
do processo
produtivo (ICH Q7, 2000).
Atualmente, este documento
encontra-se em
status de Implementação,
sendo a Etapa 5.
Diretriz ICH Q8 - Desenvolvimento
Farmacêutico
Em 2003, identificou-se
a necessidade de harmonizar
as diretrizes
Parâmetro Definição
Qualidade
Risco
Gestão
referentes ao desenvolvimento
farmacêutico
entre os principais reguladores
mundiais, FDA
e EMA. Como resultado,
foi elaborada uma nova
diretriz contendo as
especificações técnicas
exigidas pelos três membros
fundadores: Estados
Unidos, Europa e Japão.
Sendo assim, em novembro
de 2004, foi homologado
o ICH Q8, com
foco na padronização do
desenvolvimento farmacêutico.
A adoção formal
pelos países regulados
ocorreu posteriormente
sendo: a FDA e EMA, em
maio de 2006, e a MHLW
em setembro deste mesmo
ano (FERREIRA, 2014;
ICH, 2009).
Conjunto de propriedades intrínsecas de uma
substância ou medicamento, com sustentação em
seu processo de fabricação, e em quaisquer
processos de apoio, que, quando combinados,
satisfazem os critérios pré-determinados
necessários para assegurar a o que se destina
Combinação da probabilidade de ocorrência
de dano (ou resultado indesejado) e a
gravidade desse dano
Estabelecimento de procedimentos sistemáticos
para a avaliação, controle, comunicação (dentro
e fora da organização) e revisão interativa dos
riscos para a qualidade da substância ou do
medicamento ao longo do ciclo de vida do
produto (durante o desenvolvimento e processo
de fabricação)
Quadro 5. Definição de termos descritos no ICH Q9 - Gestão de Risco da Qualidade.
Fonte: Adaptada de Elder (2018)
De acordo com Ferreira
(2014), o objetivo deste
documento é orientar
sobre o ciclo de vida do
produto, abrangendo
todas as suas etapas
- desde o desenvolvimento
até possível
obsolescência -, aplicando
melhoria contínua e
assegurando que o produto
desenvolvido permanece
em controle no
processo. Este controle
contínuo é chamado de
Verificação Continuada
de Processo (VCP). Neste
contexto, o documento
destaca que, para se
obter entendimento de
todo o processo, este
deve ser controlado e
monitorado, avaliando
parâmetros críticos
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Artigo 1
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a partir de evidência
estatística, uma vez que
estes fatores podem
afetar a qualidade do
medicamento.
Além disso, a diretriz enfatiza
o conceito de QbD,
que promove uma abordagem
sistemática com
foco em ACQ entre insumos
e equipamentos e
também, introduz o sobre
Design Space, ou Espaço
de Design, a qual define
a faixa de parâmetro de
processo – como temperatura,
tempo, velocidade
de agitação entre outros
- dentre a qual deve se
garantir a qualidade do
produto final (ICH, 2009).
Desde a sua publicação,
a ICH Q8 passou por duas
revisões. A primeira, denominada
R(1), foi notificada
e publicada em novembro
de 2008 e corresponde ao
anexo à Parte II do documento,
com o objetivo de
fornecer esclarecimentos
aos membros sobre
a aplicação prática dos
conceitos apresentados. A
segunda revisão, denominada
R(2), teve caráter editorial,
com finalidade de
corrigir títulos de figuras
em páginas específicas do
documento, sem alterar
seu conteúdo técnico (ICH,
2009). Atualmente, este
documento encontra-se
em status de Implementação,
sendo a Etapa 5.
Diretriz ICH Q9 - Gestão
de Risco de Qualidade
Com o objetivo de promover
um sistema de
qualidade robusto na
área farmacêutica, reconheceu-se,
em julho de
2003, a necessidade de
desenvolver uma diretriz
que integrasse o conhecimento
técnico-científico
e gerenciamento de risco,
com objetivo de melhorar
a aplicação de avaliação
de risco e reduzir a subjetividade
(FERREIRA, 2014).
De acordo com Elder e
colaboradores (2018),
um gerenciamento de
risco eficaz é fundamental
para a verificação de
prováveis problemas que
se verificam em todo o
ciclo de vida do produto,
desde o desenvolvimento
à comercialização. Para
atingir esse propósito, a
diretriz propõe o uso de
termos específicos com
suas respectivas definições,
elucida a tomada de
decisão e define responsabilidades
atribuídas às
indústrias e às autoridades
reguladoras. Com a
harmonização conceitual,
a tomada de decisões
passa a ser mais estruturada,
possibilitando maior
precisão na identificação
da causa raiz do problema
e contribuindo para a
melhoria contínua.
Neste contexto, em
Novembro de 2005, foi
homologada a diretriz
ICH Q9, que se destaca
pela consolidação de
conceitos e terminologias
relacionadas a qualidade,
risco e gestão,
entre outros elementos
fundamentais. O Quadro
5 apresenta os principais
termos definidos na diretriz
(ELDER et. al, 2018;
FERREIRA, 2014; INTER-
NATIONAL COUNCIL OF
HARMONISATION, 2020).
De acordo com Ferreira
(2024, p. 126), a diretriz
ICH Q9 é essencial
para garantir a fabricação
segura e eficaz
de medicamentos, ao
mesmo tempo corrobo-
ra estratégias aplicadas
em gerenciamento de
riscos, conferindo maior
robustez à validação de
processo. Além disso, a
aplicação do conceito
de QbD permite a identificação
e controle de
ACQ, os quais podem
influenciar diretamente
na produção de
um medicamento e
posteriormente a um
paciente. Desta forma,
o QbD torna-se um pilar
importante para uma
abordagem moderna e
científica da validação
de processos.
No Anexo II do ICH -
Artigo II.1, destaca-se
que a revisão periódica
do produto é um componente
essencial da
validação de processo,
uma vez que permite a
identificação da necessidade
de revalidação,
alteração na amostragem
ou mudança de
parâmetros relacionados
ao equipamento.
Nele, também define o
termo de controle de
mudanças, que deve
prever a revalidação do
processo caso ocorra
alterações significativas
no estudo de desenvolvimento
ou fabricação
de um medicamento.
Já o Artigo II.6, também
do ICH, enfatiza que a validação
de processo deve
ser inserida no gerenciamento
de risco aplicado
ao produto, sendo necessário:
verificar o escopo
do processo; identificar as
atividades consideradas
de maior risco para realizar
amostragens, monitoramento
ou a necessidade
de uma revalidação e
apontar etapas críticas do
processo para que possam
ser apossadas a um
estudo (INTERNATIONAL
COUNCIL OF HARMO-
NISATION, 2020). Atualmente,
este documento
encontra-se em status de
Implementação,
este a Etapa 5.
sendo
Diretriz ICH Q10 - Sistema
de Qualidade Farmacêutica
Dando continuidade à
proposta de promover um
sistema de qualidade farmacêutica
harmonizada, o
ICH Q10 foi homologado
em novembro de 2005,
indo ao complemento das
diretrizes anteriores, ICH Q8
e ICH Q9, cuja conjunção
havia iniciado em julho de
2003. A diretriz tem como
objetivo a padronização
global do sistema de qualidade
na área farmacêutica,
utilizando terminologias
relacionadas a normas
internacionais existentes,
como ISO 9000, ISO
9001:2000, ISO 9004, ISO
13485:2003 além de outras
diretrizes do próprio ICH
(FERREIRA, 2014). =
Sob a ótica da validação
de processo, o item
1.6.1 da diretriz enfatiza
necessidade de uma
gestão de conhecimento,
visando a compreensão
do produto e o processo
em todo seu ciclo
de vida. Essa gestão visa
consolidar a compreensão
técnico-científica do
processo e do produto
para a elaboração de
um estudo de validação
robusto. No item 3.1.2, o
ICH Q10 trata da transferência
de tecnologia
tendo como visão a
transmissão de conhecimento
entre produto
e produção para que
possa ter o objetivo
final, o medicamento.
Revista Analytica | Março 2026
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Artigo 1
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Esta transferência é o
elemento-chave para
que se possa obter uma
abordagem sólida na
validação de processo.
Já no item 3.2.1 aborda
a necessidade de implementação,
por parte da
indústria farmacêutica,
de um sistema de monitoramento
do desempenho
do processo. Tal
sistema é essencial para
que se possa obter dados
e garantir um ambiente
controlado de produção,
desta forma, verifica-se
estratégias inovadoras e
disruptivas aplicadas à
validação e garantia da
qualidade (INTERNATIO-
NAL COUNCIL OF HAR-
MONISATION, 2008). Atualmente,
este documento
encontra-se em status de
Implementação, sendo
este a Etapa 5.
Evolução Histórico-Técnico
da Validação de
Processo na Organização
Mundial da Saúde
Fundada em 7 de abril
de 1948, a Organização
Mundial da Saúde (OMS)
é uma agência especializada
das Nações Unidas
que atua como autoridade
coordenadora em
assuntos internacionais
de saúde, promovendo
disseminação de conteúdo
baseado em evidência
(PEREIRA, 2009). Dessa
forma, a OMS tem como
atribuições principais
estabelecer e manter
vínculos institucionais
com as Nações Unidas
por meio das administrações
sanitárias, oferecer
assistência técnica
aos Estados-membros e
promover o progresso
contínuo na área da saúde
pública. Sua atuação
é vinculada a adesão
voluntária dos países,
os quais podem decidir
por sua entrada ou saída,
desde que estejam de
acordo com os princípios
e normas constitucionais
(WORLD HEALTH ORGA-
NIZATION, 1948).
A validação de processo
foi incorporada ao escopo
da Organização Mundial
da Saúde no ano de
1992, por meio do documento
WHO Technical
Report Series (WHO TRS)
n° 823. Nesse relatório,
destaca-se a exigência
de que os países importadores
assegurem que
as indústrias farmacêuticas
exportadoras operem
em conformidade
com as Boas Práticas de
Fabricação, não somente
para garantir a qualidade
dos medicamentos,
mas também para evitar
contrabandos, fraudes e
itens falsificados. Neste
primeiro documento,
destaca-se a utilização da
ISO 9000 ao 9004 para a
referida revisão. No Anexo
1 do referido documento,
especificamente
no item 5, se estabelece a
definição de validação de
processo que tem necessidade
de protocolos
previamente definidos.
Tais protocolos devem
ser elaborados com base
em estudos e demonstrar
que o processo é capaz
de atingir, de forma consistente,
os resultados
esperados. Esses estudos
podem ser realizados
de forma prospectiva
ou retrospectiva, sendo
obrigatório, em casos
de introduções de novas
formulações, evidenciar a
capacidade do processo
em manter sua reprodutibilidade
e desempenho.
Alterações significativas
nos processos produtivos,
por sua vez, devem
ser revalidadas.
Em 1996, a Organização
Mundial da Saúde publicou
uma nova edição do
WHO TRS, sob número 863,
que conferiu orientações e
promoções ao conceito de
validação de processo. No
Anexo 6 deste documento,
são descritos de forma
mais estruturada os diferentes
tipos de validação,
sendo de caráter experimental
(prospectiva e concorrente),
análise de dados
históricos (retrospectiva) e
revalidação – quando há
mudanças em materiais,
processo, equipamentos,
área produtiva ou
de caráter periódico. Nas
experimentais é necessário
verificar as estratégias
de amostragem, ensaio
de simulação do processo,
ensaios desafiadores
para verificar a robustez e
parâmetros físicos do processo.
Em análise de dados
históricos, são analisados
todos os dados históricos
disponíveis dos lotes
produzidos, utilizando
gráficos estatísticos para
tal ação, dessa forma, avalia-se
se os dados se mantêm
dentro dos limites de
controle. Neste tipo de
validação, também se verifica
reclamações, rejeições,
retornos e reações adversas
e se não houver relatos
de problemas, o processo
está retrospectivamente
validado. O documento
também destaca a importância
da definição da
equipe responsável pela
execução da validação,
suas responsabilidades e
qualificações. No item 5,
o documento recomenda
que a validação ocorra nos
três primeiros lotes e que
a aprovação seja feita pelo
controle de qualidade. No
item 6, há um esquema
sugerido de protocolo
de validação para que os
Estados-membros, a qual
deve ter, a aprovação do
protocolo, o desenho, a
qualificação de instalação
entre outros requisitos.
Já a publicação de 2003,
por meio do WHO TRS n°
908, no Anexo 4 introduz
de forma mais sistematizada
a exigência a qual
as empresas tenham um
Plano Mestre de Validação.
Esse plano deve contemplar
todas as etapas de
qualificação, sendo projeto
(Design Qualification –
DQ), seguida de instalação
(Installation Qualification
– IQ), operação (Operational
Qualification – OQ),
finalizando na validação
de processo, a qual deve
atender a especificações
por Atributos Críticos de
Qualidade (ACQ). Reforça,
também, que qualquer
mudança significativa deve
passar por revalidação.
Após três anos, em 2006 a
OMS publica WHO TRS n°
937 na qual o tema referido
está no Anexo 4, Apêndice
7. É dado ressaltar
que neste documento há
um maior aporte de itens,
a qual atua como guia
suplementar, trazendo
atualizações referentes ao
documento anterior, retratando
com maior robustez
os tipos de validação já
citados. O termo Controle
de Mudanças é citado pela
primeira vez como documento
obrigatório para o
processo de validação, o
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qual avalia o impacto de
qualquer alteração sobre o
processo validado.
Em 2014, a OMS publica
o TRS n° 986, cujo Anexo
2 trata dos princípios
fundamentais das Boas
Práticas de Fabricação. A
validação encontra-se no
item 4, a qual os estudos
de validação devem estar
devidamente documentados
e disponíveis para
consulta, a fim de garantir
os requisitos de qualidade
estabelecidos.
A última publicação da
organização relacionado
ao tema ocorreu em
2020, por meio do WHO
TRS n° 1025, sendo o Anexo
2, evidenciando que
a validação de processo
deve ser realizada após
as etapas de qualificação,
o número de lotes e o
tamanho de lote devem
fazer parte da análise de
risco, visto anteriormente
ao processo de validação.
Evolução Histórica e
Técnica da Validação de
Processo na ANVISA
No Brasil, com a adoção
gradual das Boas Práticas
de Fabricação (BPF)
aplicadas por indústrias
internacionais, foi estabelecido
por meio da
Portaria n° 16/1995, da
Secretaria de Vigilância
em Saúde do Ministério
da Saúde (SVS/MS),
esta passou a conceder
elementos básicos
para a fabricação de
medicamentos no país,
sendo marco inicial de
exigência regulatória
nacional (BOFF et. al,
2023). Embora as BPF já
estivessem incluídas no
escopo da qualidade - e
por consequência, a validação-,
a Portaria não
faz menção ao termo
“validação”, o que resultou
na sua não incorporação
pelas indústrias
brasileiras à época.
Desta forma, o conceito
passou a ser incorporado
somente em 1998, com a
homologação da Portaria
SVS/MS nº 686/1998.
Nesta norma, a validação
é definida como: “Ação
documentada para provar
que um procedimento,
processo, equipamento,
material, atividade
ou sistema, realmente
conduz aos resultados
esperados.” (BOFF et. al,
2023; BRASIL, 1998)
Embora o termo seja
considerado aos requisitos
de BPF e Controle
de Estabelecimentos de
Produtos para Diagnóstico
de uso “in-vitro”, a Portaria
já refletia a evolução nas
exigências regulatórias
verificadas pelas agências
internacionais e reconhecendo
como elemento
fundamental no controle
do processo. Desta forma,
em 1999 ocorre o marco
na área da saúde regulatória
com a criação da
ANVISA, sendo a agência
principal na regulamentação
de medicamentos no
país (BOFF et. al, 2023).
Em 2001, como parte do
fortalecimento regulatório,
ocorre a homologação
da Resolução da
Diretoria Colegiada (RDC)
n° 134/2001, revogando a
Portaria n°16/1995. Neste
documento, a validação
de processo é escopo de
uma parte fundamental
do gerenciamento da
qualidade na fabricação
de medicamentos,
determinando termos e
formatos já citados, como
validação retrospectiva,
concorrente e prospectiva,
sendo incorporados
a um Plano Mestre de
Validação e seus estudos
mantidos a um Relatório,
além da necessidade de
revalidar processos total
ou parcialmente quando
há alterações (BOFF, 2023;
BRASIL, 2001).
No Artigo 19.1.3 da RDC
134/2001 é informado, pela
primeira vez em documentos
regulatórios brasileiros,
o termo validação de processo,
sendo um elemento
adicional às BPF e aplicado
a qualquer tipo de produção
de medicamentos,
indicando que se encontra
em controle adequado e
reprodutível. O Artigo 19.5
estabelece os pré-requisitos
necessários para que a
validação de processo seja
de boa performance, como
por exemplo a necessidade
de que os equipamentos
utilizados na produção e os
instrumentos de controle,
como também a formulação,
devem ser qualificados.
Menciona também
que as utilidades (água, ar,
nitrogênio, energia elétrica,
etc.), além das operações
de suporte, como limpeza e
sanitização de equipamentos
e instalações, devem
também ser validadas.
Tipo de processo
Processo Novo
Processo rotineiro para a produção de
produto estéril
Produção rotineira para a produção de
produto não estéril
Comprimidos de baixa dose e cápsulas contendo
substâncias altamente ativas: validação da
mistura e granulação em relação à uniformidade
do conteúdo.
No artigo 19.6 são descritas
abordagens para
que ocorra uma validação
prospectiva e concorrente,
sendo:
• Teste abrangente do
produto, com definição
de amostragem;
• Simulação das condições
do processo para
produtos estéreis, garantindo
esterilidade no produto
acabado;
•Pior caso (worst case), a
qual verifica faixas de aceitação
para que o produto
final atenda suas respectivas
especificações e
• Controle dos parâmetros
do processo, para
garantir confiabilidade.
Requisitos de validação
Todo novo processo deve ser validado
antes de ser aprovado para produção de
rotina.
Todos os processos que afetam a esterilidade
e o ambiente de fabricação devem ser
validados; especialmente o processo de
esterilização.
Outros comprimidos e cápsulas: validação da
operação de compressão dos comprimidos e
enchimento das cápsulas em relação à
uniformidade do peso
Quadro 6. Exemplo de prioridades para um programa de validação de processo produtivo.
Fonte: ANVISA (2001)
Neste mesmo artigo, é
abordado uma análise
estatística para comprovar
que processo opera
dentro dos limites de
controle estabelecidos.
É importante salientar
que protocolos e relatórios
formais não foram
detalhados na norma,
mas reforça a necessidade
de conduzir validações
no processo de um
medicamento. O Quadro
6 há um exemplo
de abordagens básicas
aplicadas à validação de
um processo produtivo.
Em 2003, uma nova atualização
de BPF foi implementada
por meio da RDC
n° 210/2003, substituindo
a RDC n° 134/2001. Assim
como a antecessora, aborda
os requisitos de vali-
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Revista Analytica | Março 2026
dação (BOFF et. al, 2023),
desta forma, mantendo e
reforçando os requisitos
para elevar os padrões
nacionais ao nível dos
padrões internacionais.
Com a homologação da
RDC n° 17/2010, observou-
-se um avanço regulatório
aplicada a validação de processo,
ocorrendo inclusões
de elementos necessários,
como inclusão do controle
de mudanças para casos
de revalidação e desvios,
caracteres que influenciam
o controle de um processo
(BRASIL, 2010)
Publicada nove anos após
a RDC n°17/2010, a RDC
n° 301/2019 se caracteriza
por harmonizar nos aspectos
regulatórios internacionais,
como PIC/S, FDA
e EMA as brasileiras. Nela,
a validação de processo
é inserida a um Sistema
de Gestão de Qualidade
Farmacêutica (antes GQ) e
reforça a obrigatoriedade
de que todos os processos
críticos devem ser validados
e analisados em toda a
produção. Ocorre a publicação
conjunta também
da Instrução Normativa
(IN) n° 47/2019, com disposições
no Capítulo III a
abordagem de validação
conforme padrões de
qualidade e segurança ao
paciente, sendo baseada
em ciência e risco, exemplificando
por meio de
dosagem, tamanho do
lote, verificação continuada
do processo e etc (BRA-
SIL, 2019a; BRASIL, 2019b).
Atualmente, a regulamentação
vigente no Brasil
é a RDC n° 658/2022 e
IN n° 138/2022, revogando
a RDC n°301/2019 e IN
n°47/2019. As resoluções
trouxeram poucas alterações,
apenas refinando
o Sistema de Gestão da
Qualidade Farmacêutica
(SGQ) e destacando procedimentos
como o Sistema
de Ações Preventivas
e Corretivas (CAPA), fortalecendo
o gerenciamento
de risco e a amostragem
mais extensiva (BRASIL,
2022a; BRASIL, 2022b).
O Quadro 7 apresenta
um resumo cronológico
das principais diretrizes
aplicadas na validação de
processo no Brasil com
suas respectivas definições
e como deve ser
conduzida na fabricação
de medicamentos.
Tendências futuras na
validação de processo:
Indústria 4.0 e desafios
regulatórios
De acordo com Mathi e
colaboradores (2020), a
validação define um processo
de modelo ideal,
verificando desempenho
com um quantitativo de
dados robustos, conferindo
confiança e aplicação.
As abordagens
contemporâneas de validação
de processo têm
como principal objetivo
a coleta sistemática de
dados e evidências que
comprovem que o processo
está mantido em
estado de controle contínuo,
sendo capaz de
produzir, de forma consistente,
medicamentos
de qualidade, seguros
e eficazes, durante toda
a vida útil do produto
destinado ao mercado
comercial (BINGGELI et.
al, 2018).
Com a tendência de
maior incorporação de
tecnologia na indústria
farmacêutica, o avanço
da Indústria 4.0 entre os
três estágios de validação
podem ser realizados
de forma mais rápida
e/ou simultânea devido
a coleta de dados de
forma real. Isto permite
que a validação seja um
processo contínuo, baseado
em modelos digitais
e inteligência artificial
(ARDEN et. al, 2021).
Normativa Definição Ação
RDC n° 134/2001
RDC n° 210/2003
RDC n° 17/2010
Ato documentado que atesta
que qualquer procedimento,
processo, equipamento,
material, operação ou sistema
realmente conduza aos
resultados esperados.
Ato documentado que atesta
que qualquer procedimento,
processo, equipamento,
material, operação ou sistema
realmente conduza aos
resultados esperados.
Ato documentado que atesta
que qualquer procedimento,
processo, equipamento,
material, atividade ou sistema
realmente e consistentemente
leva aos resultados esperados.
A validação de processo deve ser
conduzida desde as etapas iniciais de
desenvolvimento até a produção
industrial. Pode ser realizada por meio
de abordagem prospectiva ou
concorrente, ambas fundamentadas
em estudos experimentais
relacionados ao produto e às
condições do processo.
Alternativamente, pode-se empregar a
abordagem retrospectiva, baseada na
análise de dados históricos
provenientes de lotes previamente
fabricados sob condições validadas.
Todo novo processo deve ser validado
antes de sua liberação para a produção
rotineira, por meio de abordagens
prospectiva, concorrente e/ou
retrospectiva, conforme aplicável. A
validação deve assegurar a
identificação e o controle dos pontos
críticos do processo. Deve-se criar um
PMV.
O projeto de validação deve abranger
Procedimentos Operacionais Padrão
(POPs), as especificações do produto,
o Protocolo Mestre de Validação
(PMV), bem como os protocolos e
relatórios referentes às etapas de
validação e qualificação dos
processos e sistemas envolvidos
A modernização tem
objetivo de aumentar a
confiança no processo
produtivo e acelerar o
lançamento de novos
medicamentos, no
entanto, representa também
um desafio regulatório
ao regular sistemas
automatizados e ricos
em dados, muitas vezes
com pouca supervisão
direta, assim, exigindo
novas abordagens por
parte das agências sanitárias
mundiais. Enquanto
algumas indústrias
farmacêuticas ainda
operam com tecnologias
RDC n°
301/2019 e IN n°
47/2019
RDC n°
658/2022 e IN n°
138/2022
Ação de provar, de acordo
com os princípios das BPF,
que qualquer procedimento,
processo, equipamento,
material, atividade ou sistema
realmente leva aos resultados
esperados. Os estudos de
validação devem ser feitos
sempre que uma nova fórmula
ou método de preparação for
adotado, bem como mudanças
de equipamento ou materiais,
demonstrando que a controle
do processo
Evidência documentada de
que um processo, operado
dentro dos parâmetros préestabelecidos,
pode
desempenhar suas funções
efetivamente e
reprodutivamente para a
produção de um medicamento
dentro de suas especificações
e atributos de qualidade préestabelecidos.
Os estudos devem ser realizados
sempre que houver adoção de uma
nova fórmula, método de preparação,
mudança de equipamento ou de
materiais, com o objetivo de
demonstrar a manutenção da
qualidade do produto. Deve-se
estabelecer um Sistema de Qualidade
Farmacêutica (SQF), incorporando as
Boas Práticas de Fabricação (BPF) e o
gerenciamento de riscos da qualidade.
A validação tradicional utiliza um
número definido de lotes produzidos
sob condições rotineiras para
confirmar a reprodutibilidade, com
base em análise de risco, PCPs, ACQs
e critérios de aceitação. Já a
Verificação Continuada do Processo,
podendo ser aplicável via Quality by
Design, utiliza ferramentas como PAT
e controle estatístico multivariado.
Independentemente da abordagem, a
verificação continuada deve ser
mantida
Quadro 7. Normativas aplicadas a validação de processos para a indústria de medicamentos
no Brasil.
Fonte: Adaptada de Boff (2023)
da Indústria 2.0, outras já
migraram para sistemas
mais avançados, criando
um cenário com diferentes
níveis tecnológicos,
podendo até estar dentro
da mesma empresa,
sendo necessário regu-
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Revista Analytica | Março 2026
lações flexíveis que acomodem
tanto os métodos
tradicionais como
inovadores (ARDEN et
al, 2021; UNITED STATES.
FOOD AND DRUG ADMI-
NISTRATION, 2019).
CONCLUSÃO
A validação de processo
deixou de ser uma exigência
pontual e passou
a integrar de forma
estratégica o Sistema de
Qualidade Farmacêutica.
A partir da evolução das
diretrizes da FDA, EMA,
ICH e ANVISA e também
pela organização não
regulamentadora OMS,
observou-se uma transição
para abordagens
baseadas em ciência,
risco e melhoria contínua,
com destaque para
conceitos como Quality
by Design (QbD) e Verificação
Continuada de
Processo (VCP).
No Brasil, a ANVISA tem
avançado na harmonização
com padrões internacionais,
culminando
na RDC n° 658/2022, que
reforça a obrigatoriedade
da validação em processos
críticos e incorpora
elementos modernos de
monitoramento e gestão
da qualidade. Apesar dos
avanços, ainda há desafios
relacionados à implementação
prática dessas
diretrizes, especialmente
em ambientes com limitações
estruturais.
Com a chegada da Indústria
4.0, a validação tende
a se tornar cada vez mais
digital, integrada e em
tempo real. Nesse contexto,
o papel das agências
reguladoras será fundamental
para equilibrar
inovação e segurança,
garantindo processos
mais eficientes, rastreáveis
e confiáveis.
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Revista Analytica | Março 2026
37
Artigo 2
AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ADSORTIVO
DA SEMENTE DE MORINGA OLEIFERA
PARA CORANTES TÊXTEIS
38
Revista Analytica | Março 2026
Autores:
Gabrielle Montes da Rocha
Ísis Preste Formiga
Isabella Caroline Carvalho dos Santos
Daniela Santos Silva
Verônica Cristina Pêgo Fiebig Aguiar
Colégio Técnico “Antônio Teixeira Fernandes”
– Colégio Univap
Resumo
Diante da evolução
no sistema industrial,
ocorreu o aumento da
população e consequentemente
o consumo
de produtos industrializados,
intensificando
a geração de efluentes
e causando o descarte
errôneo desses resíduos
nos corpos de água, afetando
a biota marinha,
saúde populacional e o
setor agrícola. A poluição
aquática pode ser
observada por meio da
coloração da água, que
adquire o aspecto do
corante despejado nela,
resultando em danos à
fauna e flora, gerando
produtos tóxicos. Ademais,
a poluição hídrica
do meio desses efluentes
é prejudicial devido
a composição química
dos corantes, os quais
possuem metais pesados
de meia-vida longa
que corroboram para
a degradação do meio
ambiente. Através disso,
a pesquisa científica
visa compreender qual a
eficiência das sementes
de Moringa oleifera para
a remoção de efluentes
têxteis descartados
inadequadamente em
recursos hídricos, os
quais prejudicam os
ecossistemas aquáticos.
A M. oleifera destaca-
-se por seu potencial
coagulante e adsorvente,
presente em suas
sementes e cascas, oferecendo
uma alternativa
sustentável e acessível,
por meio de suas propriedades
bioadsorventes,
remoção de poluentes
em meio aquoso, e
fácil cultivo em áreas
versáteis, como semiáridas
e tropicais. Tais
características da planta,
podem ser atribuídas
a fatores da sua composição,
em que proteínas
e compostos bioativos
são capazes de interagirem
com moléculas
de corantes e partículas
suspensas, promovendo
coagulação e floculação.
A fim de avaliar a eficácia
da planta na adsorção
de corantes têxteis,
em especial o azul de
metileno, analisou-se
o comportamento nos
seguintes parâmetros
químicos: Tempo de
contato, controle de pH.
Ademais, os ensaios realizados
contaram com
os pH 2,0; 4,0 e 7,0 para
análise da eficiência de
remoção em diferentes
tempos de agitação,
iniciando em 5 minutos
e terminando em
90 minutos, resultando
em 72 amostras por ser
realizado em triplicada,
garantindo a veracidade
dos resultados. Posteriormente,
realizou-se
a espectrofotometria
dos ensaios, uma técnica
analítica que mede
a interação entre luz
e uma substância em
solução, determinando
a quantidade de luz que
a amostra absorve ou
transmite em comprimentos
de ondas, e obteve-se
que em meio neutro
(pH 7) os resultados
foram inferiores a 20%,
demonstrando uma
baixa interação entre
adsorvente e adsorbato.
Através dos resultados
obtidos, evidenciou-se
que o meio ácido, especialmente
no pH 4, a M.
oleifera teve seu potencial
adsortivo favorecido
em virtude que quanto
menor o pH em relação
ao ponto de carga
zero, melhor interação
entre as cargas elétricas
presentes, juntamente
com os processos de
floculação e coagulação
que se sobressaíram
a adsorção. Torna-se
notório que o processo
de adsorção natural é
eficaz na mitigação dos
impactos ambientais de
indústrias e residências,
proporcionando uma
estratégia financeiramente
viável e ambientalmente
responsável,
já que com emprego de
técnicas naturais como
o uso da Moringa oleifera
não apenas corrobora
para a proteção ambiental,
mas também promove
a inclusão social ao
disponibilizar uma tecnologia
simples e eficaz
que pode ser utilizada
em comunidades locais.
O presente estudo reforça
a relevância de alternativas
sustentáveis
para a preservação dos
ecossistemas, redução
de riscos à saúde pública
e adequação a leis e
resoluções ambientais.
Palavras-chaves: Moringa
oleifera. Adsorção.
Azul de metileno. Corantes
têxteis.
Abstract
As a result of the evolution
of the industrial system,
population growth
and, consequently, the
consumption of industrialized
products, the
generation of effluents
and leading to the
improper disposal of this
waste into water resources
increased, affecting
marine biota, population
health, and the
agricultural sector. The
environmental pollution
can be observed through
the coloration of the
water, which takes on
the appearance of the
dye poured into it, resulting
in harm to fauna
and flora and generating
toxic products. Furthermore,
water pollution
from these effluents is
harmful due to the chemical
composition of
the dyes, which contain
heavy metals with long
half-lives that contribute
to environmental degradation.
Therefore, scientific
research demands to
understand the effectiveness
of Moringa oleifera
seeds in removing textile
Revista Analytica | Março 2026
39
Artigo 2
40
Revista Analytica | Março 2026
effluents improperly
disposed of in water
resources, which harm
aquatic ecosystems. M.
oleifera stands out for
its coagulant and adsorbent
potential, present in
its seeds and husk, offering
a sustainable and
affordable alternative
through its bioadsorbent
properties, pollutant
removal in aqueous
media, and easy cultivation
in diverse areas,
such as semiarid and
tropical regions. These
plant characteristics can
be attributed to factors
in its composition, in
which proteins and bioactive
compounds are
capable of interacting
with dye molecules and
suspended particles, promoting
coagulation and
flocculation. To evaluate
the plant's effectiveness
in adsorbing textile dyes,
especially methylene
blue, its behavior was
analyzed under the
following chemical parameters:
contact time and
pH control. Furthermore,
the tests performed
included pH 2.0; 4.0 and
7.0 for analyzing removal
efficiency at different
agitation times, starting
at 5 minutes and ending
at 90 minutes, resulting
in 72 aliquots as it was
performed in triplicate,
ensuring the veracity of
the results. Subsequently,
the tests were performed
using spectrophotometry,
an analytical technique
that measures
the interaction between
light and a substance in
solution, determining
the amount of light
absorbed or transmitted
by the sample at different
wavelengths. In a
neutral medium (pH 7),
the results were less than
20%, demonstrating low
interaction between the
adsorbent and adsorbate.The
results obtained
showed that in an acidic
medium, especially at
pH 4, M. oleifera had its
adsorption potential
favored because the
lower the pH in relation
to the zero charge point,
the better the interaction
between the electrical
charges present, together
with the flocculation
and coagulation
processes that stood out
in adsorption. It is clear
that the natural adsorption
process is effective
in mitigating the
environmental impacts
of industries and residences,
providing a
financially viable and
environmentally responsible
strategy. The use of
natural techniques such
as Moringa oleifera not
only contributes to environmental
protection
but also promotes social
inclusion by providing
a simple and effective
technology that can be
used in local communities.
This study reinforces
the importance of sustainable
alternatives for
preserving ecosystems,
reducing public health
risks, and complying
with environmental laws
and regulations.
Key words: Moringa oleifera.
Adsorption. Methylene
blue. Textile dyes.
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Artigo 2
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Revista Analytica | Março 2026
Introdução
A partir da evolução industrial,
que ganhou maior
relevância após a segunda
metade do século XX,
torna-se evidente o surgimento
de novas tecnologias
que, embora tenham
impulsionado o desenvolvimento
econômico,
também intensificaram os
impactos negativos sobre
os ecossistemas (Silva
et al., 2021). Entre esses,
o ambiente marinho se
apresenta como um dos
mais vulneráveis, devido
ao descarte inadequado
de resíduos industriais,
ricos em corantes e substâncias
químicas persistentes
(Zhang et al., 2023).
Esses poluentes, ao se acumularem,
comprometem
a biodiversidade aquática,
alteram processos ecológicos
naturais e podem
gerar efeitos tóxicos de
longo prazo, afetando
desde microrganismos até
níveis mais altos da cadeia
alimentar, promovendo
desequilíbrios tróficos e
comprometendo a resiliência
dos ecossistemas
(Silva et al., 2021).
Figura 1. Trajeto do corante descartado inadequadamente.
Fonte: Lin et al., 2023.
Assim, destaca-se o setor
têxtil como um dos mais
poluentes, responsável
por liberar grandes volumes
de efluentes contaminados
por corantes,
como o azul de metileno,
que, além de comprometer
a qualidade da água,
contém metais pesados
de meia-vida longa -
Cobre, cobalto, níquel,
crômio, entre outros -
capazes de se acumular
nos organismos aquáticos
(Escobar, 2019). Esse
processo de bioacumulação
desencadeia sérios
impactos, uma vez que
interfere diretamente nos
níveis tróficos e intensifica
a toxicidade ao longo
da cadeia alimentar (Lellis
et al., 2019).
Diante disso, tornou-
-se imprescindível a
aplicação de técnicas
voltadas à remoção
desses poluentes, destacando-se
a Moringa
oleifera, que apresenta
propriedades bioadsorventes
em suas sementes
e cascas, atuando
por meio de interações
entre cargas elétricas
distintas que permitem
a fixação dos corantes
(Reck et al., 2019).
Nesse prisma, insere-
-se a Moringa oleifera,
uma espécie arbórea
da família Moringaceae,
reconhecida por sua alta
capacidade de adsorção
de corantes têxteis em
recursos hídricos, contribuindo
significativamente
para a mitigação
de impactos ambientais
e para a melhoria da
qualidade de vida nos
sistemas globais (Özcan,
2020). A aplicação dessa
planta como agente
natural de tratamento
torna-se ainda mais
relevante por seu caráter
sustentável, visto
que possui eficiência
e praticidade ao baixo
custo de obtenção e
manutenção (Costa;
Furmanski; Dominguini,
2015). Além disso, sua
ampla adaptabilidade
a diferentes condições
climáticas, como regiões
semiáridas, tropicais e
de alta umidade, favorece
o cultivo em larga
escala, fortalecendo seu
potencial de utilização
como adsorvente verde
em substituição a
métodos convencionais,
frequentemente caros e
ambientalmente agressivos
(Lopes; Roledo;
Reis, 2022).
Os corantes têxteis
podem ser classificados
de acordo com sua
estrutura química, modo
de fixação e tipo de fibra
utilizada (Almeida; Dilarri;
Corso, 2016). Quanto
à sua natureza, destaca-
-se que eles podem ser
divididos em sintéticos,
constituídos por polímeros
orgânicos, e naturais,
baseados em proteínas
e celulose (Guaratini;
Zanoni, 2000). Complementando
essa perspectiva,
Gil (2015) ressalta
que os corantes são
formados por um cromóforo,
responsável pela
coloração, e por grupos
funcionais, que permitem
a ligação às fibras. A
presença desses grupos
funcionais e íons confere
elevada estabilidade ao
corante, dificultando sua
degradação tanto biológica
quanto físico-química
(Almeida; Dilarri;
Corso, 2016).
A priori, a adsorção, um
processo físico-químico
amplamente estudado,
consiste na acumulação
de partículas na superfície
de um sólido, ligado
diretamente as interações
eletrostáticas com relação
às distintas cargas iônicas
- Moringa catiônica
(+) e azul de metileno
aniônico (-) - sendo sua
eficiência diretamente
influenciada por variáveis
como pH do meio, área
superficial disponível,
temperatura, tamanho
molecular do adsorbato,
além da quantidade e
natureza do adsorvente
utilizado (Barbosa, 2018).
Dessa forma, a otimização
desses parâmetros é fundamental
para garantir
maior rendimento no tratamento
de efluentes têxteis
(Almeida, 2015). Por
conseguinte, a remoção
de corantes por adsorção
não apenas contribui para
a redução de impactos
ambientais, mas também
está alinhada a critérios
de saúde pública, uma
vez que melhora a qualidade
da água e auxilia no
atendimento às normas
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Artigo 2
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ambientais, como aquelas
relacionadas à Demanda
Bioquímica de Oxigênio
(DBO), parâmetro essencial
para a manutenção
do equilíbrio em corpos
d’água (Pizato et al., 2017).
Nesse contexto, os resíduos
industriais carregados
de efluentes têxteis configuram-se
como grandes
problemas ecológicos,
uma vez que apresentam
elevada toxicidade e persistência
química, o que
os torna difíceis de serem
degradados naturalmente
(Pecora, 2014). A toxicidade
desses corantes afeta especialmente
os organismos
marinhos, o grupo mais
prejudicado, comprometendo
a cadeia alimentar
e resultando em efeitos
mutagênicos e carcinogênicos
que intensificam
os danos ao ecossistema
(Okoya et al., 2020). Assim, a
determinação de métodos
eficazes para a remoção de
corantes deve considerar
não apenas a eficiência,
mas também fatores como
custo-benefício, acessibilidade
e praticidade de
aplicação (Munchen et
al., 2015). Nesse sentido,
destaca-se novamente a
Moringa oleifera como
alternativa promissora,
pois, além de seu fácil cultivo,
apresenta propriedades
físico-químicas adsortivas
eficientes para a remoção
de efluentes em meios
aquosos, utilizando de forma
sustentável suas cascas
e sementes como bioadsorventes
(Escobar, 2019).
Nas últimas décadas,
observa-se uma intensificação
no interesse
científico e tecnológico
pelo desenvolvimento
e aplicação de adsorventes
alternativos de
baixo custo, motivada,
principalmente, pela
necessidade de soluções
sustentáveis e economicamente
viáveis para o
tratamento de efluentes
(Pecora, 2014). Diante
disso, esses materiais
podem ser classificados
em três grandes categorias:
Adsorventes de
origem natural, como
madeira, carvão e argilas,
resíduos e subprodutos
industriais, exemplo das
cinzas voláteis e da lama
vermelha e resíduos ou
subprodutos de origem
agrícola, que incluem
sementes, cascas de
sementes e restos lignocelulósicos,
como o
sabugo de milho (Gupta
et al., 2009).
As sementes de Moringa
oleifera tem recebido
grande destaque como
potencial adsorvente,
visto que se trata de
um resíduo agrícola de
fácil obtenção (Pecora,
2014). Além de seu aproveitamento
como biomaterial
para processos
de adsorção, a Moringa
oleifera apresenta ampla
versatilidade de uso em
diferentes setores industriais,
incluindo as áreas
alimentícia, farmacêutica,
cosmética e de nutrição
animal e humana, em função
de suas propriedades
bioativas, como atividade
antioxidante, antimicrobiana
e coagulante (Ueda
Yamaguchi et al., 2021).
No cenário nacional
ambiental, o estudo das
poluições hídricas fundamenta-se
em normas
ambientais previamente
estabelecidas, como a
Lei nº 9.433/1997 (Lei
das Águas), que institui
a Política Nacional de
Recursos Hídricos; a Lei
nº 9.605/1998 (Lei de
Crimes Ambientais), que
dispõe sobre sanções
penais e administrativas
derivadas de condutas
lesivas ao meio ambiente;
e a Resolução CONAMA
nº 357/2005, a qual define
padrões e diretrizes de
qualidade para corpos de
água e estabelece limites
para o lançamento de
efluentes em ecossistemas
aquáticos (Santin;
Berndsen; Manoel, 2023).
Figura 2: Impactos de efluentes nos recursos hídricos.
Fonte: As autoras, 2025.
Ademais, o presente
estudo fundamenta-se
em uma revisão bibliográfica
abrangente, voltada
à adsorção de corantes
têxteis por distintos
métodos, com o objetivo
de reunir e sistematizar
o maior número possível
de informações que subsidiem
o desenvolvimento
prático da pesquisa. A
adsorção tem se consolidado
como uma técnica
amplamente explorada
no tratamento de efluentes
industriais devido à
sua eficiência, baixo custo
operacional e versatilidade
em diferentes condições
experimentais. O
procedimento laboratorial
foi realizado a partir
da coleta de sementes
de Moringa oleifera,
seguidas por etapas
de lavagem, secagem
e moagem, de modo a
garantir a obtenção de
partículas com granulometria
adequada para o
processo de adsorção.
Após o preparo do material
adsorvente, foram
conduzidos onze (11)
ensaios em triplicata,
nos quais se realizou o
controle do pH em diferentes
faixas (2, 4 e 7),
a fim de avaliar a influência
desse parâmetro
na eficiência adsortiva.
Os resultados obtidos
foram analisados por
meio de espectrofotometria,
possibilitando
a quantificação da
remoção do corante e a
comparação da eficácia
do material em distintas
condições experimentais
(Escobar, 2019).
Revista Analytica | Março 2026
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Artigo 2
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Revista Analytica | Março 2026
Em síntese, a pesquisa
realizada detém como
principais objetivos analisar
a capacidade adsortiva
da Moringa oleifera
para a redução de impactos
ambientais, além de
verificar como os corantes
têxteis prejudicam
os ecossistemas. Nesse
contexto, o estudo visa
demonstrar como ocorre
a adsorção pela semente
da espécie referenciada
acima através da interação
com o corante têxtil.
Metodologia
O trabalho desenvolveu-
-se a partir de uma revisão
integrativa da literatura
sobre o potencial
adsortivo da semente
de Moringa oleifera na
remoção de corantes
têxteis em meio aquoso.
A pesquisa foi realizada
entre janeiro de 2025 a
junho de 2025 desenvolveu-se
a partir de uma
revisão integrativa da
literatura sobre a Moringa
Oleifera, priorizando-se
nas publicações, dentro
dos últimos 20 anos,
temas como eficiência
de absorção, propriedades
químicas, físicas e
biológicas, estrutura e
demais assuntos relacionados.
Ademais, para a
construção da pesquisa
utilizaram-se artigos científicos,
teses/dissertações,
trabalhos de conclusão de
curso (TCC), repositórios,
livros e revistas, os quais
estão disponíveis em
plataformas como ScienceDirect,
SciELO, Unicesumar,
Instituto Brasileiro
de Estudos Ambientais
(IBEAS), Conexão Água,
Uni Funec, Google Acadêmico,
Revista Virtual
de Química, repositórios
UEM, UTFPR, UFSC, UFPB,
UTFPR, UFERSA, UFSM,
UFT, UFU, UFPE, UNESP e
UNIesp. Foram utilizadas
as palavras-chave: Moringa
oleifera, adsorventes
in natura, ensaios adsortivos,
corantes têxteis,
capacidade adsortiva,
impactos corantes têxteis
e espectrofotometria.
Foram encontrados em
torno de 900 artigos por
palavra-chave. A partir da
análise de cada artigo, as
autoras obtiveram dados
suficientes para o desenvolvimento
do principal
tópico: O potencial adsortivo
da Moringa O. com
os corantes têxteis e os
impactos ambientais.
Parte experimental
Foi realizado um procedimento
experimental
de ensaios adsortivos no
laboratório de química
do Colégio Técnico Antônio
Teixeira Fernandes
- Colégio Univap Centro
entre os dias 12 e 15 de
agosto a fim de comprovar
a revisão literária.
A princípio, foram considerados
o pH do meio
reacional e o tempo de
contato entre adsorvente-adsorvato
para análise.
Foram considerados
os pHs (2;4 e 7) e a quantidade
de tempo (5 min,
10 min, 15 min, 20 min,
30 min, 45 min, 60 min,
90 min), todos os ensaios
foram feitos em triplicata
juntamente com o
grupo controle que não
passou pelo processo
de adsorção, totalizando
72 amostras. No preparo
do adsorvente, foram
utilizadas amostras de
Moringa oleifera fornecidas
pelo ICT- Unesp em
São José dos Campos,
nas quais foram lavadas,
descascadas e secadas
em uma estufa nas condições
de 60° durante 24
horas e após o tempo,
foram retiradas, trituradas
com um almofariz
e pistilo e transferidas
novamente para a estufa
com as mesmas condições.
A dupla secagem
ocorre para que nenhuma
outra partícula atrapalhe
a interação entre
adsorvente-adsorvato.
Para a preparação da
solução do corante,
foram pesados 0,1g de
pó de azul de metileno
em uma balança analítica
e diluídos em 100 ml
de água e por fim, transferidos
para um balão
volumétrico, possuindo
uma concentração de 1
mg/ml. Ademais, alterados
com ácido sulfúrico o
pH das amostras de água
até o valor de parâmetro.
Para cada ensaio, foram
adicionados em um
béquer 0,1g de pó da
Figura 3: Fluxograma de processo adsortivo.
Fonte: As autoras, 2025.
semente de moringa,
1 ml de corante e 9 ml
de água e foi colocado
em agitador magnético
durante determinado
tempo de contato. Após
isso, as amostras foram
depositadas em alíquotas
de 10 ml e transferidas
em uma centrífuga
e passaram pela centrifugação
durante 5
minutos a 3000 rpm. Por
fim, o sobrenadante foi
analisado em um espectrofotômetro
no modo
absorbância em λ=664
nm. A partir dos valores
da absorbância, foi calculado
a média entre as
amostras feitas em triplicata
e posteriormente
o desvio padrão para a
construção do gráfico.
Resultado e discussão
Diante do contexto
hodierno, com a crescente
evolução tecnológica,
a poluição por
corantes têxteis encontra-se
perceptível, uma
vez que eles são classificados
como substâncias
nocivas ao meio
ambiente (Zhang et al.,
2023). A partir disso,
evidencia-se a imprescindível
necessidade
de soluções acessíveis
para mitigar os impactos
aos ecossistemas.
Revista Analytica | Março 2026
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Artigo 2
Nesse prisma, o gráfico A
apresenta como as diferentes
amostras analisadas,
com pH 2,0; 4,0; 7,0, alteram
ao longo do tempo
o rendimento adsotivo,
evidenciando que os teste
de pH 4 mostraram uma
queda constante, indicando
que a concentração
diminuía com o tempo de
contato entre adsorvente
e adsorvato. Contudo, o pH
7 mostrou-se quase inalterado,
ocasionando apenas
uma maior dispersão.
Figura 4: Cascas e sementes da Moringa oleifera.
Fonte: As autoras, 2025.
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Revista Analytica | Março 2026
Em suma, o gráfico B
demonstra a diferença
percentual da concentração
de azul de metileno
nos referidos pH anteriores,
com relação ao tempo
e concentração inicial
(tempo de 0 minutos,
referência de 1 mg/mL).
Logo, é possível analisar
que os pH 2 e 4, elevaram-se
a 60% de remoção
do corantes, no entanto,
apenas as amostras de pH
4 se mantiveram constantes,
atingindo o equilíbrio.
Além disso, no pH 7 não
ocorreu mudanças significativas,
obtendo valores
inferiores a 20%.
Figura 5: Tempo versus Concentração final representado pelo gráfico (A) e Tempo versus
Diferença Absoluta da Concentração representado pelo gráfico (B).
Fonte: As autoras, 2025.
Ao comparar os resultados
obtidos com a literatura
referencial de Pecora
(2014), observa-se que
estão parcialmente em
conformidade, uma vez
que ele indica o pH ideal
próximo entre 2,5 e 4,5. Tal
divergência de comportamento
com relação ao pH 2
pode ser associada a diversos
fatores experimentais
físico-químicos, visto que,
em condições ácidas, ocorre
intensa protonação dos
grupos funcionais presente
na Moringa oleifera, o que
tende a reduzir a interação
eletrostática com o azul de
metileno que possui caráter
aniônico, além de favorecer
a competição entre os íons
de H+. Em relação ao pH
7, indica-se limitações na
aplicação, demonstrando
necessidade de ajuste pré-
vio do meio básico para ácido,
para que os processos
cumpram a maior remoção
do corante têxtil.
Ademais, o excesso de
acidez pode induzir alterações
na propriedade
coagulante da M. oleifera,
comprometendo sua eficiência
no processo. Fatores
operacionais, como
dosagem do coagulante,
intensidade de agitação,
tempo de contato e a
eficácia da centrifugação,
também podem ter contribuído
para a divergência
observada, já que a
formação incompleta ou
a ressuspensão de flocos
interferem diretamente na
etapa de separação.
Portanto, nos ensaios
realizados, ao avaliar os
parâmetros de pH em
função do tempo, notou-
-se que maiores tempos
de contato favorecem a
rápida adsorção, efeito o
qual é atribuído às propriedades
coagulantes e
adsorventes das sementes
da Moringa oleifera,
as quais são capazes de
alterar o comportamento
Figura 6: pH versus Absorbância.
Fonte: As autoras, 2025.
Figura 7: Comparação da adsorção entre
as diferentes agitações.
Fonte: As autoras, 2025.
do corantes têxteis no
meio analisado. Nesse
viés, em meios ácidos, foi
evidenciado maior eficiência,
visto que em pH 7
os resultados não ultrapassaram
20%, corroborando
com o estudo de
Pecora (2014), que indicou
as faixas adequadas
entre pH 2,5 e 4,5 para
remoção de corantes.
Em síntese, a utilização
da Moringa oleifera como
adsorvente natural é eficiente
por conta de suas
propriedades, atribuídas
a seus grupos funcionais
que possuem capacidade
antioxidante, adsorvente
e bioativas. Além
disso, as sementes e
folhas são ricas em ácido
graxo, proteínas e vitaminas,
os quais contribuem
para a hidratação
e antioxidação da planta.
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Revista Analytica | Março 2026
Logo, do ponto de vista
ambiental, a utilização da M.
oleifera é promissora, pois
reduz significativamente os
impactos aos ecossistemas
com relação a concentração
de corantes, e tratar-se
de uma fonte renovável,
baixo custo e com potencial
de reaproveitamento
agrícola ou cimenteiro dos
resíduos sólidos gerados
após o processo.
Conclusão
A partir dos resultados
obtidos neste estudo acerca
das propriedades físico-
-químicas da Moringa oleifera,
conclui-se que essa
espécie vegetal apresenta
elevado potencial para
aplicação como adsorvente
na remoção de corantes
têxteis presentes em corpos
hídricos, com destaque
para o corante azul de
metileno, que constituiu o
principal objeto de análise
deste trabalho.
Os resultados indicaram
que condições de pH ácido,
especialmente em torno
de 4, apresentaram maior
eficiência no processo de
remoção. Observou-se que
a adsorção foi otimizada
quando a solução-teste foi
preparada na proporção
de 0,1 g de sementes para
9 mL de água destilada,
ajustada ao referido pH.
Verificou-se, ainda, a atuação
conjunta dos mecanismos
de adsorção, coagulação
e floculação, sendo
estes dois últimos predominantes.
Tal comportamento
pode ser atribuído
à trituração das sementes
durante os experimentos,
a qual proporcionou o
aumento da área superficial
de contato, favorecendo
a eficiência do processo,
além de potencializar as
propriedades coagulantes
intrínsecas da M. oleifera.
Dessa forma, conclui-se
que a Moringa oleifera
configura-se como uma
alternativa sustentável,
de fácil cultivo e baixo
custo, para o tratamento
de efluentes têxteis,
apresentando-se como
uma solução promissora
na mitigação dos impactos
ambientais provocados
pela indústria têxtil
e na preservação dos
ecossistemas aquáticos
e do meio ambiente em
sua totalidade.
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Moringa oleifera Lam para remoção do corante amarelo
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Angola e Estados Unidos da América. Seqüência Estudos
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treatment technologies: A review. Environmental
Advances, v. 5, p. 100203, 2023.
Blog dos Cientistas
POR QUE UTILIZAR GERADOR DE GASES
EM CROMATOGRAFIA GASOSA?
O gerador de gases é
um componente crucial
para o funcionamento
adequado do sistema,
fornecendo os gases
necessários para a operação
da cromatografia.
Antes de mais nada, a
Cromatografia Gasosa é
uma técnica de separação
que utiliza um gás
como fase móvel e uma
coluna contendo uma
fase estacionária para
separar os componentes
voláteis e semi-voláteis
de uma mistura com
base em suas diferentes
interações com essas
fases. Dessa forma, um
componente essencial
para o funcionamento
eficaz da CG é o fornecimento
de gases de
alta pureza e fluxo controlado.
Neste artigo,
exploraremos os motivos
pelos quais o uso
de geradores de gases
é vantajoso na CG, os
diferentes tipos disponíveis,
suas aplicações,
manutenção e como
solucionar problemas
comuns relacionados a
esses sistemas.
Vantagens do Gerador
de Gases
Os geradores de gases
oferecem uma série de
vantagens em comparação
com cilindros de
gás tradicionais, o que
os torna uma escolha
atrativa para sistemas de
cromatografia gasosa:
Disponibilidade contínua:
Os geradores de
gases fornecem uma fonte
de gás ininterrupta, eliminando
a necessidade
de trocar cilindros de gás
e evitando interrupções
no processo analítico.
Economia de espaço:
Os geradores de gases
ocupam menos espaço
do que os cilindros de
gás, tornando-os ideais
para laboratórios com
espaço limitado.
Revista Analytica | Março 2026
51
Blog dos Cientistas
Segurança: O uso de gera-
ser descartados ou reci-
dores de gases elimina os
clados ao fim da sua vida
riscos associados ao arma-
útil. Os geradores também
zenamento e manuseio de
utilizam fontes renová-
cilindros de gás pressuriza-
veis como água e ar para
do, reduzindo o potencial
produção assim como são
de vazamentos e acidentes.
projetados para serem
energeticamente eficien-
Pureza do gás: Os gera-
tes, reduzindo o consumo
dores de gases podem
de energia do laboratório.
fornecer gases de alta
pureza, garantindo resul-
Por que utilizar Gerador
tados analíticos precisos
de Gases em Cromato-
e reprodutíveis.
grafia Gasosa?
Controle de fluxo: Os
Tipos de Geradores de
geradores de gases
Gases
permitem um controle
preciso do fluxo de gás,
facilitando a otimização
das condições cromatográficas
e melhorando a
eficiência da análise.
Sustentabilidade: Ao
eliminar a necessidade de
Existem diferentes tipos
de geradores de gases
disponíveis para atender
às necessidades específicas
dos laboratórios de
cromatografia gasosa:
1. Geradores de hidrogênio:
Fornecem hidrogê-
2. Geradores de nitrogênio:
Fornecem nitrogênio
para operações de purga,
make-up e gás de arraste,
bem como para detectores
específicos, como o detector
de ionização por chama
(FID) e o detector de nitrogênio-fósforo
(NPD).
transportes
frequentes
nio para gás de arraste e
52
Revista Analytica | Março 2026
de cilindros, reduzem a
emissão de CO2 além de
minimizar a geração de
cilindros, que precisariam
formação da chama no
detector de ionização
em chama (FID) e outros
detectores específicos.
3. Geradores de ar zero:
Fornecem ar comprimido
isento de óleo para a
operação de detectores
Blog dos Cientistas
de cromatografia gasosa
que requerem ar comprimido
limpo e seco.
Manutenção do Gerador
de Gases
Para garantir o desempenho
adequado e a longevidade
do gerador de
gases, é importante realizar
manutenção regular,
incluindo:
Verificação e ajuste do
fluxo de gás conforme
necessário
• Substituição de filtros e
membranas de purificação
de ar conforme recomendado
pelo fabricante.
• Monitoramento por
meio de indicativos, como
por exemplo, ruídos na
linha de base ou alarme
do próprio equipamento.
• Para evitar acúmulos de
sujeira e contaminação é
recomendada a inspeção
e limpeza periódica de
componentes internos,
desde que seja feito por
profissionais qualificados.
Solução de Problemas
De fato, alguns problemas
comuns relacionados
ao uso de geradores
de gases em CG incluem
baixo fluxo de gás, falta
de manutenção e
vazamentos. Portanto,
para solucionar esses
problemas, é importante
realizar verificações
regulares, seguir as instruções
do fabricante e,
se necessário, entrar em
contato com o suporte
técnico para assistência
adicional.
Conclusão
Em suma, a integração de
geradores de gases em
laboratórios de análise
química é altamente vantajosa.
Eles não só suportam
uma ampla gama
de aplicações analíticas,
como também proporcionam
economias financeiras
significativas e promovem
práticas sustentáveis.
Sendo assim, estes benefícios
combinados fazem
dos geradores de gases
uma escolha estratégica
para laboratórios comprometidos
com a eficiência
e a sustentabilidade.
Ingrid Ferreira Costa
Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas. Possui formação em Química, Ciências Farmacêuticas, Gestão da Qualidade e
Cosmetologia. É Especialista em Gestão de Projetos de Inovação e Sustentabilidade. Auditora em normas do Sistema de Gestão da Qualidade.
Membro da Comissão Técnica de Divulgação do CRQ-IV/SP e de comitês nacionais da ABNT. Reconhecida como LinkedIn Top Voice 2024 e
LinkedIn Creator 2022. Contato: contato@biochemie.com.br
Revista Analytica | Março 2026
53
Espectrometria de Massas
ALTA RESOLUÇÃO EM EFS: O GC-ORBITRAP
ESTÁ PRONTO PARA O PRÓXIMO MOVIMENTO
REGULATÓRIO
54
Revista Analytica | Março 2026
Na última edição, discutimos
os fundamentos da tecnologia
Orbitrap e os atributos
que permitem quantificação
e descoberta simultâneas
em uma única análise.
Vimos como a alta resolução
de massa deixou de ser
apenas uma ferramenta de
pesquisa e passou a ocupar
espaço estratégico na rotina
regulatória, especialmente
nas áreas de segurança alimentar
e ambiental. Neste
mês, direcionamos o olhar o
upgrade de GC-MS de massa
nominal para um instrumento
com alta resolução e
exatidão de massa.
Palavras-chave: GC-MS
HRAM; segurança alimentar;
análise não direcionada;
regulação.
Tradicionalmente, a avaliação
resíduos de pesticidas
foi conduzida por abordagens
direcionadas, utilizando
GC-MS de quadrupolo
simples ou, em casos mais
críticos, sistemas QQQ.
Essas estratégias continuam
válidas, mas partem de
uma premissa limitante:
monitora-se apenas aquilo
que já se conhece.
Entretanto, o nível de
exigência em segurança
ambiental e alimentar
(EFS, do inglês environmental
and food safety)
está em constante evolução,
tornando insuficiente
discriminar compostos
apenas com base no íon
precursor e íons confirmadores.
O foco principal
costuma recair sobre
o limite de detecção.
Estratégias como aprimoramento
do preparo de
amostra e otimização de
colunas cromatográficas
permitem alcançar níveis
de ng/kg. No entanto,
matrizes complexas como
leite continuam desafiadoras,
com lipídios, proteínas
e outros interferentes
competindo no espectro.
Atualmente, laboratórios
que atendem às exigências
do Ministério
da Agricultura e Pecuária,
da Agência Nacional
de Vigilância Sanitária
e de mercados internacionais
enfrentam pressões
adicionais: limites
máximos de resíduos
cada vez mais baixos,
matrizes mais complexas
e maior rigor na
confirmação analítica.
Nesse contexto, sistemas
com resolução unitária
não diferenciam
compostos isobáricos.
Ou seja, espécies com
mesma massa nominal
(por exemplo, m/z 300).
A confirmação passa a
depender quase exclusivamente
do padrão
de fragmentação e do
tempo de retenção. É
justamente nesse ponto
que a alta resolução
oferece maior segurança
na quantificação.
A tecnologia Orbitrap
reúne os atributos clássicos
para quantificação:
seletividade, sensibilidade
e robustez, adicionando
alta resolução e
exatidão de massa. Isso
permite a real discriminação
de analitos, mesmo
que apresentem a
mesma massa nominal.
Na prática, três impactos
são imediatos: redução
significativa de falsos
positivos, maior confiança
na confirmação regulatória
e ampliação da
capacidade de triagem
(screening). Não se trata
apenas de detectar resíduos
em alimentos, mas
de assegurar, com maior
robustez técnica, que o
sinal observado corresponde
exatamente ao
composto reportado.
obtém-se fragmentação
rica e compatível com
bibliotecas históricas,
somada à massa exata
de cada fragmento. O
resultado é uma confirmação
estrutural muito
mais robusta.
Um exemplo dessa transição
tecnológica é a
análise de 162 pesticidas
em leite utilizando GC
acoplado à espectrometria
de massas de alta
resolução (HRAM) no
Espectrometria de Massas
sistema Orbitrap Exploris
GC.1 O estudo demonstra
seletividade aprimorada,
com separação de interferentes
que coincidiriam
em massa nominal. O
cromatograma de íons
extraídos em massa exata
(erro menor que 5ppm)
reduz significativamente
o ruído químico. Além disso,
levanta uma discussão
mais ampla sobre o papel
da HRAM na confiabilidade
analítica moderna
(Figura 1).
Tradicionalmente,
quando falamos em
alta resolução, pensamos
imediatamente em
LC-HRAM. No entanto, a
GC também pode operar
nesse patamar confirmatório.
Com ionização
por elétrons (EI), padrão
clássico da GC, combinada
à alta resolução,
Figura 1. (A) Cromatograma de íons extraídos (XIC) de 162 resíduos em leite enriquecido
com 0.005 mg/kg. Detalhe do primeiro composto eluído mevinphos (B) e o último
composto eluído deltamethrin (C).1
Revista Analytica | Março 2026
55
Espectrometria de Massas
Os critérios para quantificação
seguiram o guia
SANTE/11813/2017:
1. Dois íons por analito
(com erro menor que 5
ppm) e razão sinal/ruído
de 3:1;
2. Íon precursor e confirmador
sobrepostos no
cromatograma;
Figura 2. Cromatograma de íons extraídos do fipronil com espectro, padrão isotópico e
fragmentos em amostra enriquecida a 0.005 mg/kg. Tela do software Trace Finder.1
3. Comparação de tempos
de retenção (±0,1
min) com padrões na
mesma sequência;
4. Comparação da razão
de íons com padrões analíticos
na mesma sequência
(±30%).
O estudo atingiu níveis
regulatórios com boa
reprodutibilidade e resposta
linear. A figura 2 mostra
as diversas informações
obtidas para cada um dos
162 analitos, ilustrando
com o fipronil. Mesmo
em baixíssima concentração
é possível confirmar a
identidade do composto
pelo erro de massa do
precursor, padrão isotópico,
razão de íons e ainda
comparação de padrão de
fragmentação com biblioteca
espectral.
Sistemas de massa nominal
podem ser suficientes
para entregar resultados
adequados às exigências
regulatórias atuais
em EFS. No entanto, em
matrizes complexas e sob
limites cada vez mais restritivos,
a necessidade de
confirmação inequívoca e
triagem ampliada de contaminantes
transforma
a alta resolução em uma
escolha estratégica e, em
muitos casos, preventiva.
No próximo artigo, continuaremos
no contexto
regulatório, discutindo
como estruturar um fluxo
de trabalho completo
para EFS utilizando alta
resolução com maior
enfoque na análise de
compostos desconhecidos
e comparação com
experimentos SRM/MRM.
Referências
1 Thermo Scientific. Simultaneous screening and quantitation
of pesticides residue in milk at trace level using
high resolution Orbitrap GC-MS AN65607-EN 1219C
56
Revista Analytica | Março 2026
Daniele Fernanda de Oliveira Rocha
Bacharela em Química Tecnológica pela PUC-Campinas, Mestra e Doutora em Química Orgânica, e pós-doutorado em Espectrometria de Massas pela Unicamp.
Pós-doutorado em proteômica pelo The Scripps Research Institute - La Jolla, California. Especialista em LC-MS e GC-MS para Química ambiental e de alimentos;
Ciências forenses, toxicologia e bioanalítica; Produtos naturais e metabolômica; Indústria farmacêutica; Petróleo, geoquímica orgânica e biocombustíveis.
Atualmente é Gerente de Produtos em Espectrometria de Massas na Nova Analítica (revendedor autorizado Thermo Fisher Scientific).
HPLC Insights
HPLC POR EXCLUSÃO DE TAMANHO
(SEC/GPC) – CONCEITOS E APLICAÇÕES
58
Revista Analytica | Março 2025
A cromatografia por
exclusão de tamanho
(SEC/GPC) é uma ferramenta
indispensável para
caracterização de macromoléculas,
com ampla
aplicação em bioanálises,
farmacêutica, polímeros e
ciência dos materiais.
A cromatografia por
exclusão de tamanho,
também conhecida como
SEC (Size-Exclusion Chromatography)
ou GPC (Gel
Permeation Chromatography),
é uma técnica
poderosa utilizada para a
separação de moléculas
com base em seu tamanho
hidrodinâmico ou
peso molecular. Diferente
das formas mais comuns
de HPLC que dependem
de interações químicas
(como polaridade ou
hidrofobicidade), a SEC
se baseia exclusivamente
em exclusão física, sendo
amplamente utilizada na
análise de proteínas, polímeros,
peptídeos, polissacarídeos
e agregados.
Este artigo explora os fundamentos
da SEC/GPC,
seus mecanismos de separação,
componentes do
sistema, vantagens e limitações,
além das aplicações
mais relevantes em bioanálises,
indústria farmacêutica
e materiais poliméricos.
1. Fundamentos da SEC/
GPC
Na SEC, os analitos são
separados de acordo com
seu volume de exclusão,
ou seja, sua capacidade
de penetrar nos poros da
fase estacionária.
• Moléculas maiores não
entram nos poros e eluem
mais rapidamente.
• Moléculas menores
penetram nos poros e,
portanto, têm tempo de
retenção maior.
Não há interação química
significativa com
a fase estacionária – a
separação ocorre exclusivamente
por tamanho
efetivo em solução (volume
hidrodinâmico).
O termo GPC é mais
comum em aplicações
com solventes orgânicos
e polímeros sintéticos,
enquanto SEC é usado
para biomoléculas e sistemas
aquosos.
2. Mecanismo de Separação
por Exclusão
A coluna cromatográfica
é preenchida com partículas
porosas de gel
(sílica ou polímero reticulado).
A separação segue
este princípio:
• A fase móvel carrega a
amostra através da coluna.
• Analitos grandes passam
entre os poros e
saem primeiro.
• Analitos pequenos penetram
mais profundamente
nos poros e demoram
mais para eluir.
HPLC Insights
A separação depende de:
• Diâmetro efetivo dos
poros do gel
• Forma da molécula (não
apenas peso molecular)
• Condições do solvente
(pH, força iônica, viscosidade)
3. Componentes do Sistema
Cromatográfico
3.1. Colunas
• Colunas de SEC aquosa:
para proteínas, peptídeos,
polissacarídeos
• Colunas de GPC orgânica:
para polímeros sintéticos,
materiais plásticos
• Poros calibrados para
diferentes faixas de peso
molecular (ex: 100–10⁶ Da)
3.2. Fase Móvel
• SEC: tampões neutros ou
fisiológicos (PBS, Tris-HCl)
• A fase móvel deve manter
a molécula solubilizada
e em conformação nativa
3.3. Detectores
• RI (Índice de refração):
comum em GPC de
polímeros
• UV/Vis: para biomoléculas
com cromóforos (proteínas,
ácidos nucleicos)
• LS (Light Scattering):
para determinação absoluta
de massa molar
• MS: menos comum, mas
possível com SEC acoplada
a ESI-MS
4. Aplicações da SEC/GPC
4.1. Proteínas e Biomoléculas
• Determinação de massa
aparente (monômeros,
dímeros, agregados)
• Análise de pureza, estabilidade
e perfil de agregação
4.2. Polímeros Sintéticos
• Determinação de distribuição
de peso molecular
(Mw, Mn, PDI)
• Controle de qualidade
de matérias-primas
• Estudo de degradação
térmica ou oxidativa
4.3. Produtos Farmacêuticos
• Análise de vacinas,
anticorpos monoclonais
(mAbs), conjugados
• Estudos de formulação e
estabilidade de biológicos
• Comparabilidade entre
lotes (biossimilares)
4.4. Polissacarídeos,
Gomas e Produtos
Naturais
• Determinação de tamanho
e pureza de polissacarídeos
e mucilagens
• GPC: solventes orgânicos
como THF, tolueno,
clorofórmio, DMF
• Estudos de degradação
por estresse ou
armazenamento
• Controle de qualidade
em alimentos, cosméticos
e farmacêuticos naturais
Revista Analytica | Março 2025
59
HPLC Insights
5. Vantagens da Cromatografia
por Exclusão
de Tamanho
• Técnica não destrutiva
• Separação rápida e reprodutível
baseada apenas
em tamanho
• Pode ser usada para
estimativa de peso molecular
e homogeneidade
• Compatível com biomoléculas
frágeis e polímeros
sintéticos complexos
• Facilmente acoplável a
detectores múltiplos (UV,
RI, LS, viscosidade)
6. Limitações e Cuidados
• Baixa capacidade de resolução
fina, moléculas de
tamanho muito próximo
podem não ser separadas
• Não aplicável para moléculas
interativas com a
matriz (ex: adsorção indesejada)
• Interpretação depende
de calibração adequada
(curvas padrão ou detecção
absoluta)
• Exige controle rigoroso
da temperatura e viscosidade
da fase móvel
• O tamanho hidrodinâmico
nem sempre reflete o
peso molecular exato
Conclusão
A cromatografia por
exclusão de tamanho
(SEC/GPC) é uma ferramenta
indispensável
para caracterização de
macromoléculas, com
ampla aplicação em bioanálises,
farmacêutica,
polímeros e ciência dos
materiais. Sua natureza
suave, seletiva e robusta
permite determinar com
precisão o tamanho e o
comportamento conformacional
de moléculas
grandes em solução.
Quando utilizada corretamente,
com colunas
adequadas e calibração
apropriada, a SEC/
GPC proporciona dados
críticos para o desenvolvimento,
controle e
garantia de qualidade de
moléculas complexas.
Referências Bibliográficas
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Liquid Chromatography. Wiley.
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& Related Technologies.
• ASTM D5296-19. Standard Test Method for Molecular
Weight Averages and Molecular Weight Distribution
of Polystyrene by High Performance Size-Exclusion
Chromatography.
• USP General Chapter <129> SEC for Protein Analysis
• ICH Q6B. Specifications: Test Procedures and Acceptance
Criteria for Biotechnological/Biological Products.
60
Revista Analytica | Março 2025
Edwin Bueno
Engenheiro químico e especialista em cromatografia, com mais de 13 anos de experiência no desenvolvimento de métodos analíticos.
Atualmente é diretor técnico da Atuallabs e consultor técnico de grandes indústrias, dedica-se a otimizar processos, garantir a
qualidade analítica e disseminar boas práticas laboratoriais, contribuindo para a excelência do setor.
Indústria de Alimentos - Processos e Desafios
DO CAMPO À RECEPÇÃO: O RIGOR NO
CONTROLE DE VOLUME E TEMPO COMO
PILAR DO RENDIMENTO INDUSTRIAL
No artigo anterior, discutimos
os fundamentos
da qualidade do leite. No
entanto, de nada serve
obter um leite com excelentes
índices de proteína
e gordura na fazenda
se, no trajeto até a indústria
ou no momento da
recepção, perdemos o
controle sobre esse patrimônio.
Para que o leite
entregue toda a sua funcionalidade
na produção
de iogurtes ou queijos, a
eficiência deve ser medida
em duas moedas:
tempo e precisão.
tindo que o leite chegue à
indústria com tempo hábil
para o processamento.
Quando a logística é eficiente
e permite o processamento
no mesmo dia
da coleta, preservamos a
integridade da caseína
e da gordura. O atraso
nesse processo permite
que bactérias psicrotróficas
comecem a degradar
essas estruturas e a acidificar
o leite, o que compromete
diretamente o
rendimento industrial e
a vida útil (shelf-life) do
produto final.
"comprado" no campo
pode mascarar falhas
graves. É fundamental
implementar o atesto
industrial: comparar
o volume coletado no
campo com o que realmente
entra na fábrica.
Para uma gestão de
excelência, a indústria
deve utilizar:
• Balanças rodoviárias
para pesagem do
caminhão.
• Medidores de vazão
precisos na recepção.
O Fator Tempo: A Corrida
Contra a Degradação
A qualidade do leite é
perecível. Uma vez coletado,
o relógio começa
a correr contra a ação
bacteriana. O ideal é que
a coleta não ultrapasse o
ciclo de 48 horas, garan-
A Gestão do Volume:
Onde muitos erram
Um ponto crítico onde
muitas indústrias sofrem
perdas invisíveis é na
conferência do volume.
Calcular o rendimento
apenas pelo que foi
• Cálculo por densidade
para converter massa em
volume com exatidão.
Hoje, o mercado trabalha
com um percentual
de atesto aceitável de
0,5%. Em uma planta
que recebe 10.000 litros/
Revista Analytica | Março 2026
61
Indústria de Alimentos - Processos e Desafios
dia, a variação máxima
desejada entre o campo
e a recepção é de apenas
50 litros. Ultrapassar
esse índice acende um
alerta: o erro está na
medição dos tanques de
expansão? O agente de
coleta precisa de treinamento?
Ou há desperdício
físico na plataforma
de recepção?
Eficiência Hídrica: O
Indicador da Sustentabilidade
Medir o leite recebido é
também o primeiro passo
para gerir outro recurso
escasso: a água. Em 2026,
a pressão ambiental e os
custos de tratamento
exigem que cada litro de
água seja contabilizado.
Atualmente, plantas
modernas e automatizadas
operam com
um consumo de 1,5
litros de água para
cada 1 litro de leite
processado. Indústrias
menos automatizadas
não devem ultrapassar
a marca de 2 litros de
água por litro de leite.
Para otimizar esses
números, a gestão deve
questionar:
1. O sistema de CIP (Cleaning
In Place) está adequadamente
dimensionado?
2. Existe recuperação da
água de enxágue ou de
retorno?
3. O pré-enxágue está
sendo excessivo, jogando
dinheiro pelo ralo?
Conclusão: Dados em
Tempo Real para Decisão
Tudo o que se mede,
pode-se melhorar. O
foco da indústria moderna
deve ser a obtenção
de dados em tempo
real. Identificar qual
rota de coleta apresenta
maior quebra de volume
ou qual setor da fábrica
está elevando o consumo
de água permite
intervenções rápidas.
Garantir que o leite chegue
rápido, seja medido
com precisão e processado
com economia de
recursos é o que separa
as indústrias lucrativas
daquelas que apenas
"sobrevivem" ao mercado.
Afinal, sem controle
de processo, não há qualidade
que se sustente.
Thiago Valente Pires
Tecnólogo em laticínios com 19 anos de experiência. Atuou por mais de 10 anos na indústria e como gerente comercial na Novonesis.
Hoje é gestor de operações no Laticínios Mutumilk, com foco em inovação e eficiência.
62
Revista Analytica | Março 2026
P&D Analítico e Farmacotécnico
HPLC, UPLC OU UHPLC: COMO ESCOLHER
A PLATAFORMA CERTA COM BASE EM
CRITÉRIOS TÉCNICOS E ECONÔMICOS
A discussão entre HPLC,
UPLC e UHPLC costuma
começar por uma pergunta
simples, “qual é
mais rápido”. Na prática,
a escolha certa quase
nunca é apenas velocidade.
Ela envolve o equilíbrio
entre desempenho
cromatográfico, robustez
operacional, transferibilidade
de método,
exigências regulatórias
e, principalmente, custo
total por amostra ao longo
do tempo.
Nos últimos anos, a evolução
do hardware, das
colunas e das rotinas de
validação consolidou um
cenário em que HPLC,
UPLC e UHPLC podem
coexistir no mesmo laboratório,
cada um com
um papel claro, desde o
controle de qualidade de
rotina até aplicações de
alta complexidade em biofarmacêuticos
e impurezas
em níveis traço.
Antes de tudo, o que
muda de verdade
HPLC é a plataforma mais
difundida e, em muitos
ambientes, a mais tolerante
a rotinas com alta
variabilidade de matriz
e carga de trabalho. Já
UPLC e UHPLC aparecem
quando o laboratório precisa
extrair mais eficiência
por unidade de tempo,
normalmente com colunas
de partículas menores
e sistemas capazes de
operar em pressões mais
altas, além de volumes
extracoluna menores.
Tecnicamente falando, há
um resumo a um ponto
objetivo, pressões típicas
de HPLC até cerca de 6.000
psi (cerca de 400 bar) e
UPLC chegando a aproximadamente
15.000 psi
(cerca de 1000 bar), como
referência prática de classe
de equipamento, com
variações entre modelos.
A literatura técnica reforça
o fundamento, reduzir o
tamanho de partícula e
elevar a capacidade de
pressão aumenta eficiência
e produtividade, mas
cobra seu preço em exigência
de instrumentação,
controle de dispersão e
cuidado com aquecimento
por atrito, especialmente
em métodos rápidos.
O ponto que separa um
bom método de um
método excelente, dispersão
extracoluna
Em muitos projetos, o
ganho prometido por
UHPLC não aparece na
prática porque o sistema
não “enxerga” a coluna, ele
enxerga coluna mais tudo
o que vem antes e depois
dela. Volume de conexão,
célula do detector, tubulação,
injetor e dwell volume
podem alargar picos e
destruir eficiência quando
se trabalha com partículas
sub 2 µm e diâmetros internos
pequenos.
Se você está escolhendo
plataforma para métodos
de rotina, essa é uma pergunta
decisiva: meu laboratório
consegue manter,
no dia a dia, a disciplina
de baixa dispersão que
UHPLC exige?
Revista Analytica | Março 2026
63
P&D Analítico e Farmacotécnico
64
Revista Analytica | Março 2026
Critérios técnicos, como
decidir sem cair em
generalidades
1) Resolução e seletividade
necessárias
Se a separação é “fácil” e a
matriz é estável, HPLC costuma
entregar desempenho
suficiente com maior
tolerância operacional.
Se você precisa de mais
capacidade de pico, mais
resolução em menos tempo,
ou está comprimindo
gradientes, UHPLC começa
a fazer sentido.
2) Janela de robustez
do método
Métodos muito sensíveis
a pequenas variações de
fluxo, composição, temperatura
e dwell volume
sofrem mais em migração
entre plataformas. Isso
não impede a transferência,
mas exige estratégia:
escalonamento geométrico,
atenção a dwell
volume, aquecimento,
diferenças de retenção
induzidas por pressão e
pequenas mudanças de
seletividade associadas
ao tamanho de partícula.
3) Compatibilidade
com detecção e com a
aplicação
Em LC-MS, por exemplo,
UHPLC pode melhorar
produtividade, mas também
pode aumentar
exigência de limpeza,
consistência de preparo
e estabilidade do sistema,
além de aumentar
risco de entupimento.
Revisões recentes destacam
como o desenho do
sistema, diagnósticos instrumentais
e evolução de
detectores fazem parte
do “pacote” UHPLC, não é
só trocar a coluna.
Critérios econômicos,
o que entra no custo
por amostra
Aqui é onde a decisão
costuma ficar clara.
Capex e vida útil operacional:
UHPLC, em
geral, exige bombas,
válvulas e selos projetados
para pressões
mais altas e caminhos
fluidos mais estreitos.
Isso pode elevar investimento
inicial e custo de
manutenção, principalmente
em laboratórios
com múltiplos turnos e
matrizes “sujas”. A própria
literatura técnica
ressalta que elevar pressão
e reduzir partículas
impõe desafios tecnológicos
e operacionais.
Opex, solvente, tempo
de instrumento e
consumíveis: UHPLC
tende a reduzir tempo
de corrida e consumo
de solvente por análise
quando bem implementado,
o que impacta
diretamente custo
variável e capacidade
instalada. Em contrapartida,
colunas e filtros
podem ser mais críticos,
e a disciplina de preparo
e filtração vira parte do
custo real do método.
Produtividade real, não
teórica
Se o gargalo do seu laboratório
é fila de amostras
e disponibilidade de
instrumento, UHPLC
pode pagar a conta. Se
o gargalo é preparo de
amostra, liberação documental,
revisão de resultado,
ou instabilidade
de matriz, a velocidade
extra pode não se converter
em ganho efetivo.
Um roteiro prático de
decisão, direto para a
bancada
Escolher HPLC tende a
ser mais racional quando:
• a resolução necessária é
moderada e o método já
é robusto
• o laboratório roda
matrizes complexas com
maior risco de contaminação
do sistema
P&D Analítico e Farmacotécnico
• a prioridade é estabilidade,
facilidade de manutenção
e menor sensibilidade
a dispersão extracoluna
• há grande legado de
métodos e necessidade
de transferibilidade ampla
Escolher UPLC ou
UHPLC tende a ser mais
racional quando:
• existe pressão por
throughput e redução de
tempo de corrida
• há necessidade de
maior eficiência, picos
mais estreitos e melhor
capacidade de separação
• o laboratório consegue
controlar volumes
extracoluna, conexões,
dwell volume e boas
práticas de filtração
• o ganho de produtividade
reduz custo por amostra de
forma mensurável
Um detalhe conceitual
relevante, UPLC é um
termo associado a marca,
enquanto UHPLC é usado
de forma mais genérica
para sistemas e abordagens
de alta pressão e
baixa dispersão, com foco
em desempenho.
Validação, transferência
e a conversa com o
regulatório
Independentemente da
plataforma, a pergunta
regulatória é a mesma:
o método demonstra
desempenho adequado
ao atributo medido, com
evidências de validação
consistentes. O guia ICH
Q2 permanece como
referência central para
selecionar e avaliar características
de performance
e testes de validação,
especialmente quando
se fala em mudanças
de método e gestão de
variação pós aprovação.
Na prática, quando você
migra HPLC para UHPLC,
ou o inverso, o risco não
é “perder o método”, é
introduzir mudanças
não intencionais, por
exemplo efeitos de dwell
volume em gradientes,
aquecimento por atrito
e pequenas diferenças
de seletividade. Isso é
administrável, mas precisa
estar no plano, não
no improviso.
Considerações finais
A escolha entre HPLC,
UPLC e UHPLC deve ser
guiada por análise objetiva
de risco, desempenho e
custo total de propriedade.
Em muitos laboratórios,
a decisão mais estratégica
não é substituir
completamente o HPLC,
mas posicionar UHPLC
de forma seletiva, nos
métodos em que eficiência
e produtividade
realmente agregam
valor mensurável.
A decisão estratégica
deve estar baseada na
capacidade de alinhar
desempenho técnico,
robustez regulatória e
viabilidade econômica.
Carlos Eduardo Rodrigues Costa
Farmacêutico industrial com 20 anos de experiência em gestão em diversas áreas na indústria farmacêutica, incluindo Controle de
Qualidade, P&D e Validação de Processos. Especialista em otimização e melhoria contínua, com domínio em instrumentação analítica
avançada e desenvolvimento de produtos.
Revista Analytica | Março 2026
65
Logística e Inteligência Artificial na Saúde
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A CONFORMIDADE
REGULATÓRIA EM LABORATÓRIOS:
NOVAS POSSIBILIDADES DIANTE DA RDC 978
66
Revista Analytica | Março 2026
Quando a ANVISA publicou
a RDC nº 978, de 6 de
junho de 2025, estabelecendo
novos requisitos
técnico-sanitários para o
funcionamento de serviços
que executam exames
de análises clínicas,
o setor percebeu rapidamente
que não se tratava
apenas de uma atualização
normativa. A resolução
reforçou um ponto
central para laboratórios
e serviços diagnósticos,
a necessidade de rastreabilidade,
evidência operacional
e governança
sobre processos críticos.
Na prática, atender à RDC
978 significa garantir controle
contínuo sobre uma
série de rotinas operacionais
essenciais para a confiabilidade
analítica. Entre
elas estão a calibração de
equipamentos, manutenção
preventiva, higienização
de superfícies e
ambientes, gestão documental,
controle de qualidade
e monitoramento
de indicadores. O desafio
é que, historicamente,
grande parte dessas atividades
ainda depende de
planilhas, registros manuais
e acompanhamento
humano constante.
Foi justamente nesse
ponto que começamos
a explorar, na NurionHub
Health Tech, como
a inteligência artificial
poderia apoiar instituições
de saúde e laboratórios
a transformar
exigências regulatórias
em processos mais
estruturados, inteligentes
e auditáveis. Em vez
de tratar a RDC apenas
como uma obrigação
documental, passamos
a utilizá-la como um
verdadeiro mapa operacional
da qualidade.
Em projetos conduzidos
pela NurionHub, estruturamos
modelos de
automação baseados
Logística e Inteligência Artificial na Saúde
em inteligência artificial
capazes de monitorar
continuamente processos
críticos exigidos pela
norma. Um exemplo claro
é o controle de calibração
e manutenção de equipamentos
laboratoriais.
Sistemas inteligentes
passaram a acompanhar
prazos, emitir alertas
preventivos, registrar
evidências e gerar relatórios
automáticos prontos
para auditorias.
Outro caso relevante
envolve a gestão de higienização
de superfícies e
ambientes laboratoriais,
atividade essencial para
a segurança e a Esse tipo
de estrutura também se
mostrou extremamente
útil para programas de
qualidade e acreditação,
como ONA (Organização
Nacional de Acreditação)
e PALC (Programa de
Acreditação de Laboratórios
Clínicos), que exigem
rastreabilidade, indicadores
e evidências contínuas
de controle operacional.
Além do ganho regulatório,
os impactos operacionais
também são relevantes.
Ao reorganizar fluxos
de trabalho com base
em dados estruturados e
automação inteligente,
observamos em alguns
projetos reduções de até
37% nos custos operacionais
de determinados
setores, principalmente
pela otimização de equipes,
redução de retrabalho
e eliminação de controles
redundantes.
Mais do que uma tendência
tecnológica, a inteligência
artificial começa a
se consolidar como uma
verdadeira infraestrutura
de governança para serviços
de saúde e laboratórios
analíticos. Normas
como a RDC 978 deixam
claro que o futuro da
conformidade não está
apenas no registro de
processos, mas na capacidade
de monitorá-los
continuamente, gerar
evidências e transformar
dados em decisões operacionais
mais seguras.
Nesse contexto, a IA deixa
de ser apenas uma
ferramenta de inovação e
passa a assumir um papel
estratégico, garantir que
qualidade, eficiência e
conformidade caminhem
juntas dentro das organizações
de saúde e dos
ambientes laboratoriais.
Dr. Cristhian Roiz
Autor de vários artigos e um nome de referência no setor de transporte de cargas da saúde e regulamentações, é fundador do Programa de
Qualificação do Transporte para Saúde (PQTS), uma iniciativa que visa a melhoria contínua dos processos de transporte e armazenamento
de produtos da saúde por meio da capacitação, auditorias e consultorias especializadas, e do curso de Formação de Auditores Especialistas.
Esse curso já capacitou profissionais em 11 estados brasileiros e internacionalmente, consolidando-se como uma das principais formações
para aqueles que buscam especialização em auditorias e consultorias para o transporte de materiais biológicos e medicamentos.
Revista Analytica | Março 2026
67
Química no Meio Ambiente
PRODUTO QUÍMICO – PERIGO PARA LEIGOS
Os produtos químicos
os produtos de limpe-
impermeabilização. Ape-
naturais ou produzidos
za, como detergentes,
nas lembrando um caso
pelo ser humano, pos-
sabões, xampus, ceras,
aqui no Brasil, estava
suem várias característi-
dentre uma infinidade.
ocorrendo a impermea-
cas e finalidades.
bilização e na cozinha o
Porém, o uso de produtos
fogão estava aceso, foi o
Porém, temos que usá-los
químicos exige atenção
suficiente para o incên-
para nossa preservação e
de quem fabrica e princi-
dio de grande proporção.
qualidade de vida.
palmente de quem usa,
e geralmente, não detém
Podemos também con-
Temos alimentos que são
conhecimento
apurado
siderar um ato de leigo,
produtos químicos natu-
do produto a ser utilizado.
mas criminoso neste caso,
rais, veja o mel que a abe-
adicionar álcool a uma
lha produz, é uma subs-
Quantos não foram os
bebida, sem ter o conhe-
tância produzida através
incêndios em casas ou
cimento que o álcool,
de reações químicas por
apartamentos devido a
chamado quimicamente
este inseto fundamental
falta de cuidado do profis-
de metílico, é nocivo e até
da natureza. Sendo este
sional que fazia imperme-
mortal ao ser humano.
produto um dos alimen-
abilização de estofados e
tos naturais mais conhe-
mesmo dos responsáveis
Os gases são vitais para
cidos do planeta.
pelos imóveis.
o ser humano, e se errarmos,
fatais.
Outras substâncias, o
Neste caso específico, há
ser humano desenvol-
o manuseio de solventes
Necessitamos do gás oxi-
veu para melhoria da
orgânicos derivados do
gênio produzido na natu-
68
Revista Analytica | Março 2026
qualidade de sua vida.
Como exemplos clássicos
petróleo que são altamente
inflamáveis na
reza ou artificialmente,
para sobrevivermos.
Química no Meio Ambiente
Porém, um gás deriva-
vencedores, mas perde-
chuveiro, tem acelerada a
do de um átomo que
dores, pois não foi com
reação do cloro e por sua
se encontra na coluna
7A da tabela periódica,
família dos halogênios,
é mundialmente conhe-
ele, gás cloro, que houve
o armistício.
Mas, descobriu-se com
vez estando o ambiente
fechado, chegou-se a
quase óbito.
cido, o cloro.
O seu início no mundo
não foi por uma causa
nobre, foi usado como
primeira arma química na
Primeira Guerra Mundial.
O poder asfixiante dele
mostrou-se mortal, deixando
sequelas inimagináveis
nas pessoas que
esse gás uma forma
excelente de sanear o
ambiente contaminado
com seres nocivos a saúde
humana.
Portanto, apenas assinalando,
sabe-se desde
a segunda década do
século XX, que cloro é
perigoso.
Temos desde décadas
atrás a limpeza da água
de piscinas com substâncias
a base de cloro,
uma das mais conhecidas
o hipoclorito de
cálcio, sólido, diferente
do hipoclorito de sódio
que é líquido, e comumente
vendido como
saneante doméstico.
tinham contato direto
com ele.
Para a guerra das trincheiras,
como ficou conhecida
a Primeira Grande Guer-
Também já tivemos casos,
onde, pessoas foram limpar
o box de banho em
seus banheiros, utilizando
produtos a base de
hipoclorito de sódio, que
Na reação do hipoclorito
de cálcio com a água,
ocorre a hidrólise deste
sal, formando como um
dos produtos o ácido
ra, não conseguiu fazer
nenhum dos lados serem
quando em contato com
a agua quente, do próprio
hipocloroso, muito reativo
com matéria orgânica.
Revista Analytica | Março 2026
69
Química no Meio Ambiente
A diluição deste produto
deve obedecer ao indicado
pelo fabricante para
desinfecção da água de
uma piscina, evitando
assim contaminação das
pessoas por contato com
excesso de cloro na água.
O excesso do produto da
reação deste em sal em
água pode gerar asfixia
desde que mal ventilado.
A água que recebemos
na maior parte do Brasil
pela torneira, através da
empresa responsável
pelo saneamento da
cidade, é sempre clorada.
O cálculo é exato, assim
você poder abrir e tomar
a água corrente, sem problema
do excesso do cloro.
O uso de qualquer produto
químico exige
atenção, principalmente
se este for direcionado
a nós, especificamente
nosso corpo físico.
Não vamos esquecer, de
um outro uso catastrófico
de produto químico,
relatado aqui mesmo,
números atrás.
Fenol no rosto de um
homem, para fins estéticos,
o final foi lamentável.
Nunca nos esqueçamos,
de que a vantagem de
usar um produto químico,
é o seu uso com o
devido esclarecimento.
Neste mundo globalizado
e informatizado,
com informações a um
simples toque de dedo
de uma tela ou tecla
de computador, proporcionar
a perda ou
perder a vida de forma
fútil e irresponsável, é
sim verdadeiramente,
uma ignorância digital.
70
Revista Analytica | Março 2026
Rogerio Aparecido Machado
Bacharel em Química com atribuições tecnológicas - (1987), latu sensu em Qualidade na área de Engenharia (1991), mestrado em
Saneamento Ambiental pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1999) e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São
Paulo (2003). Atualmente é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Faculdade São Bernardo do Campo além de Químico
Responsável do Instituto Presbiteriano Mackenzie.
Técnicas Gerais de Laboratório
VALIDAÇÃO ANALÍTICA: PILAR ESTRATÉGICO DA
CONFIABILIDADE REGULATÓRIA
Validar é provar, com
importantes que devem
revela o real compor-
evidência estatística e
ser avaliados e devem
tamento do método na
racional técnico, que o
conversar entre si, garan-
rotina industrial.
método responde ao
tindo uma análise confi-
que se propõe medir.
ável na sua validação.
Entre todos os ensaios,
Na indústria, a validação
a robustez merece des-
analítica é uma etapa
A seletividade, por
taque. E ela é um item
obrigatória para submis-
exemplo,
demonstra
que infelizmente ainda
são regulatória, seguindo
que o método distingue
é muito subestimado. A
a RDC 166/2017.
o analito de possíveis
rotina contém variações
interferentes, degradan-
provenientes de dife-
É ela que sustenta aná-
tes e matriz. A linearida-
rentes analistas, lotes
lises de teor, impurezas,
de garante proporciona-
de reagentes, colunas
produtos de degrada-
lidade entre resposta e
cromatográficas, tempe-
ção, estudos de estabi-
concentração. A precisão
ratura ambiente e tempo
lidade e investigações
evidencia
reprodutibi-
de preparo de soluções. E
de desvios. É válido
lidade. A exatidão con-
é aí que a robustez entra
dizer que um método
firma proximidade com
de forma a garantir que,
validado apoia decisões
o valor verdadeiro. E,
mesmo com pequenas
críticas que impactam
por fim, a robustez tes-
variações, o seu método
desde o registro até a
ta a resistência frente a
será capaz de manter
segurança do paciente.
pequenas variações do
seu desempenho. Testar
método analítico.
deliberadamente
essas
Seletividade,
linearida-
variações reduz retraba-
de, precisão, exatidão,
Cada parâmetro ava-
lho futuro, evita abertura
robustez. Esses termos
não são apenas itens
de checklist. São dados
liado responde a uma
pergunta: o dado é confiável?
E essa avaliação
de desvios recorrentes e
fortalece a previsibilidade
do processo.
Revista Analytica | Março 2026
71
Técnicas Gerais de Laboratório
Uma outra etapa da
validação analítica que
merece muita atenção
é a degradação forçada,
que revela o comportamento
da molécula sob
estresse ácido, básico,
oxidativo, térmico e
fotolítico, permitindo
avaliar a seletividade
real do método e antecipar
possíveis impurezas
relevantes. Além de
cumprir requisito normativo,
essa etapa gera
conhecimento científico
sobre o produto.
É necessário entender
que uma validação bem
conduzida não apenas
aprova método, mas
previne problemas na
rotina do controle de
qualidade. E, em um
cenário regulatório cada
vez mais rigoroso quanto
à integridade de dados,
validar um método também
significa validar a
confiabilidade do sistema
que o suporta, seguindo
rigorosamente o ALCOA
++. Rastreabilidade, controle
de acesso, trilha de
auditoria e revisão crítica
são partes integrantes
do processo, garantindo
confiabilidade e segurança
no seu resultado final.
É muito rotineiro enxergar
a validação analítica como
uma etapa isolada no
ciclo de vida do método.
Na prática, ela deve ser
entendida como parte de
um processo contínuo.
Mudanças pós-registro,
transferências analíticas,
alterações de fornecedor
ou ajustes de especificação
exigem reavaliação
crítica. A validação é dinâmica
porque o contexto
industrial é dinâmico.
Quando tratada estrategicamente,
ela deixa de ser
obrigação documental e
passa a ser ferramenta de
solidez técnica.
No fim, validar não é
apenas atender à norma.
É importante assegurar
que cada decisão baseada
naquele método
esteja sustentada por
ciência, estatística e
responsabilidade e que
esse método garanta
uma análise confiável.
72
Revista Analytica | Março 2026
Cristiane Monteiro Pinto
Farmacêutica e mestra em Ciências Farmacêuticas pela UFMG. É apaixonada por cromatografia e excelência analítica. Atua
em laboratório desde 2009, com foco em HPLC e validação analítica, sempre comprometida com segurança, conformidade e
melhoria contínua.
Em Foco
CRYO.S DA GREINER BIO-ONE GARANTEM PRESERVAÇÃO
DE AMOSTRAS E RASTREABILIDADE SEGURA EM
APLICAÇÕES LABORATORIAIS E DE BIOBANCO
A preservação da integridade das
amostras é um pilar para a confiabilidade
dos resultados em laboratórios
de pesquisa, diagnóstico e biobancos.
Para atender a essa demanda,
a linha de tubos criogênicos Cryo.s
da Greiner Bio-One foi desenvolvida
para garantir o armazenamento
seguro, a rastreabilidade e a estabilidade
das amostras em temperaturas
extremas de até –196 °C.
Fabricados em polipropileno de alta
pureza, os tubos são certificados
como livres de DNase, RNase, DNA
Tubos criogênicos padrão: ideais
Tubos para biobanco: desenvolvi-
humano, metais pesados e ftalatos,
para rotinas consolidadas, pos-
dos especialmente para automação
o que reduz o risco de interferências.
suem área branca para escrita
e otimização de espaço, atendem
A resistência química e térmica do
manual durável e base autossus-
a requisitos rigorosos de padroni-
material ajuda a preservar a inte-
tentável para um manuseio mais
zação, armazenamentos de longo
gridade de diversas amostras como
fácil e seguro em racks.
prazo e auditorias.
células, tecidos, bactérias, fluidos
biológicos. Além disso, o sistema de
Tubos com código de barras e
A linha Cryo.s reafirma o compromis-
fechamento com tampa de rosca
Datamatrix: voltados para aplica-
so com a qualidade, apoiando labora-
(interna ou externa) minimiza consi-
ções com alto volume de amostras
tórios na geração de dados confiáveis
deravelmente os riscos de vazamen-
e que necessitem de rastreabilida-
e na proteção integral das amostras.
tos e de contaminação cruzada.
de segura, oferecem tripla codificação
(linear, Datamatrix ECC200
Como a correta identificação é um
fator crítico para a qualidade analítica,
a linha oferece soluções para
variados níveis de complexidade:
e escrita alfanumérica) para
integração eficiente com scanners
e plataformas LIMS, reduzindo
falhas humanas.
Para mais informações:
Tel.: +55 19 3468 9600
E-mail: info@br.gbo.com
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Revista Analytica | Março 2026
73
Em Foco
INOVAÇÃO E PRECISÃO EM SISTEMAS DE DRUG
DELIVERY: A LINHA DE CANETAS INJETORAS NEST
O mercado de sistemas injetáveis
para administração parenteral
tem apresentado crescimento
consistente, impulsionado pela
expansão do cuidado domiciliar
(home care) e pela crescente
prevalência de doenças crônicas
que demandam terapias de uso
contínuo, como diabetes mellitus
e obesidade, especialmente no
contexto de análogos de GLP-1 e
insulinas. Nesse cenário, a NEST
desenvolve e fornece sistemas
de drug delivery que associam
precisão metrológica, segurança
operacional e otimização da experiência
do paciente.
Projeto Orientado ao Usuário e à
74
Revista Analytica | Março 2026
Segurança Terapêutica
As canetas injetoras NEST são
projetadas com foco na adesão
terapêutica e na mitigação de
riscos associados à administração
subcutânea. A utilização de agulhas
ultrafinas, aliada a mecanismos de
acionamento intuitivos, contribui
para a redução da dor percebida e
da fobia de agulhas, além de minimizar
eventos adversos relacionados a
erros de dosagem e acidentes perfurocortantes.
O design do dispositivo
prioriza a reprodutibilidade da dose
e a confiabilidade do sistema ao longo
de todo o ciclo de uso.
Flexibilidade Industrial e Aplicação
em Ambientes de Manipulação
Os sistemas NEST distinguem-se
pela elevada adaptabilidade a diferentes
contextos produtivos, abrangendo
desde operações industriais
em larga escala até ambientes de
manipulação magistral de injetáveis:
Em Foco
• Compatibilidade Normativa: Os
dispositivos são compatíveis com
cartuchos padrão de 3 mL, em conformidade
com as normas internacionais
ISO 11608-2 e ISO 11608-3,
assegurando interoperabilidade e
padronização industrial.
• Escalabilidade de Produção: As
canetas descartáveis podem ser
integradas a linhas automatizadas
de envase e montagem, bem como
montadas manualmente de forma
eficiente para produções de menor
volume, mantendo níveis elevados
de vedação, integridade do sistema
e segurança técnica.
• Precisão de Dosagem: Fabricados
em polímero ABS de grau técnico,
os dispositivos apresentam visor
de alta visibilidade e incrementos
mínimos de 1 UI (0,01 mL), atendendo
a protocolos terapêuticos que
exigem controle rigoroso de dose e
alta repetibilidade.
Amplitude de Indicações Tera-
diabetes e obesidade, as canetas
injetoras NEST constituem uma
plataforma tecnológica aplicável a
múltiplas especialidades clínicas.
• Endocrinologia: Administração
de hormônio do crescimento humano
(hGH) e paratormônio (PTH).
• Reprodução Humana Assistida:
Aplicações envolvendo FSH e folitropina
alfa.
• Medicina de Emergência: Administração
de epinefrina (adrenalina)
em dose única para o tratamento
de reações anafiláticas.
• Saúde Masculina: Terapias injetáveis
para disfunção erétil.
Conformidade Regulatória e
Garantia de Qualidade
As canetas injetoras NEST contam
com aprovação da Food and Drug
Administration (FDA), evidenciando
aderência aos requisitos
padrões de qualidade, rastreabilidade
e desempenho, aspectos
essenciais para empresas que
operam em mercados regulados
e demandam robustez técnica em
seus fornecedores.
No Brasil, a linha NEST Farma é
representada com exclusividade
pela Perfecta, empresa com mais
de seis décadas de atuação no
fornecimento de soluções para
laboratórios e indústrias farmacêuticas.
Essa parceria combina
a expertise tecnológica da NEST
com a capacidade logística, o
suporte técnico especializado e
o conhecimento regulatório da
Perfecta, garantindo segurança
no fornecimento e alinhamento às
exigências do mercado nacional.
pêuticas
Embora a maior demanda esteja
concentrada em terapias para
regulatórios internacionais aplicáveis
a dispositivos médicos. Essa
conformidade assegura elevados
Para mais informações:
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WhatsApp: +55 11 2965-6722
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Revista Analytica | Março 2026
75
Em Foco
MICROSCÓPIO: CONHEÇA AS PARTES E
FUNÇÕES DO SEU EQUIPAMENTO
Para operar um microscópio com
eficiência, é fundamental compreender
cada um de seus componentes e
funções. O microscópio é composto
por partes que trabalham em conjunto,
desde o sistema de iluminação,
componentes mecânicos, até
as objetivas e oculares, cada peça
tem um papel crucial na formação e
observação da imagem. Na sequência
iremos abordar as principais partes
que compõem um microscópio.
76
Revista Analytica | Março 2026
Base e Estativa: A base é a estrutura
inferior do microscópio, enquanto a
estativa é a estrutura vertical. Juntas,
elas formam a estrutura mecânica do
microscópio, onde todos os demais
componentes são montados.
Sistema de Iluminação: Responsável
por iluminar a amostra, geralmente
composto por uma lâmpada ou led,
controle de intensidade e botão de
liga/desliga. A iluminação pode ser
incidente (episcópica) ou transmitida
(diascópica), dependendo do tipo de
equipamento e aplicação. Também é
possível utilizar filtros para alterar a
temperatura de cor da iluminação.
Lente de Campo: Projetada para
tornar paralelos os raios de luz
provenientes da lâmpada, proporcionando
uma iluminação uniforme
e homogênea sobre a amostra.
Condensador e Diafragma: Responsável
por direcionar os raios de luz
da lente de campo para a amostra e
objetiva. Normalmente é combinado
com um diafragma que controla a
quantidade de luz que irá passar pelo
conjunto. O ajuste é feito de acordo
com a objetiva em uso, regulando a
iluminação e o contraste da imagem,
importante para diferentes tipos de
amostras e técnicas de observação.
Objetivas: As objetivas são responsáveis
pela ampliação da imagem
da amostra. O aumento desejado é
selecionado através do revólver de
objetivas. As ampliações normalmente
variam de 4 até 100 vezes,
que quando combinada com a
ampliação da ocular, resultará na
ampliação total do microscópio.
Tubo Ocular: Contém prismas e/ou
espelhos que direcionam a imagem
ampliada da objetiva até as oculares.
Nele estão os ajustes de interpupilar
(distância entre os olhos) e dioptria
(diferença de visão dos olhos), permitindo
a personalização da visualização
para diferentes usuários. O
tubo ocular pode ainda conter uma
saída para acoplar câmera.
Oculares: As oculares são as lentes
através das quais o usuário observa
a imagem ampliada. Elas também
contribuem para a ampliação total
do microscópio, trabalhando em
conjunto com as objetivas. Normalmente
as oculares possuem ampliação
de 10 até 16 vezes. Ao combinar
uma ocular de 10 com uma objetiva
de 100, a ampliação total do microscópio
será de 1000 vezes.
Platina e Charriot: A platina é a
superfície onde a lâmina com a
amostra é colocada, sendo o charriot
o dispositivo que permite a
movimentação da lâmina sobre a
platina, para que o usuário possa
visualizar a lâmina por completo.
Macrométrico e Micrométrico: O
macrométrico é responsável pelo
ajuste grosso do foco no microscópio,
movimentando a platina para cima
ou para baixo, normalmente utilizado
com a objetiva de menor ampliação.
Enquanto o micrométrico possui
maior precisão e faz o ajuste fino,
podendo ser utilizado com todas as
objetivas durante a focalização.
Para mais informações sobre microscopia,
suporte técnico e manutenção
para seu microscópio, entre em
contato com a Teratec.
MICROSCÓPIO: COMO EXTRAIR O MELHOR
DO SEU EQUIPAMENTO
Em Foco
Para obter o melhor desempenho
de um microscópio é fundamental
conhecer os recursos disponíveis e
utilizá-los da maneira correta. Nesta
matéria iremos explorar algumas
boas práticas de microscopia que
ajudarão tanto na focalização como
na preservação do microscópio.
Preparo inicial:
Altura da Platina: utilizando o
macrométrico, posicione a platina
totalmente para baixo, isso facilita a
inserção e a centralização da lâmina.
Seleção da Objetiva: selecione a
objetiva de menor ampliação para
iniciar, facilitando a obtenção do
foco inicial.
Centralização da Amostra: coloque
a lâmina na platina e utilize o
charriot para centralizar a amostra
sob a objetiva.
Iluminação: ligue a iluminação do
microscópio e ajuste a intensidade
conforme necessário. Verifique se
há filtros selecionados ou algo obstruindo
a iluminação.
Condensador e Diafragma: verifique
se o condensador está posicionado
o mais próximo possível da
lâmina e ajuste o diafragma para que
esteja totalmente aberto.
Dioptria: Se o microscópio possuir
ajuste de dioptria, deixe-o na posição
intermediária, o ajuste será feito
depois. Este recurso tem o objetivo
de compensar a diferença de visão
entre os olhos.
Focalizando no microscópio:
Foco inicial: utilize o macrométrico
e micrométrico para focalizar a
amostra, comece observando apenas
pela ocular que não possuir ajuste de
dioptria. No caso de equipamentos
com dois ajustes de dioptria, priorize
o olho dominante para ajustar o foco.
Ajuste de Dioptria: Ajuste a dioptria
para o outro olho, garantindo que
ambos os olhos estejam focados
corretamente. Este ajuste é realizado
fechando o olho que foi priorizado
na etapa anterior, ajustando o foco
agora apenas pela dioptria.
Distância Interpupilar: Ajuste a distância
dos olhos até obter uma única
imagem nítida.
Intensidade de Iluminação: controle
a iluminação para encontrar a
intensidade correta que precisa para
a amostra.
Diafragma de Íris: ajuste o diafragma
para controlar a quantidade de
iluminação, melhorando a definição
da imagem e o contraste.
Selecionando as Objetivas: Para
observar a amostra com uma
ampliação maior, utilize o revólver
para selecionar a próxima objetiva.
Em seguida, use apenas o micrométrico
para ajustar o foco. Repita as
duas etapas anteriores sempre que
mudar de objetiva.
Objetiva de 100 vezes e Óleo de
Imersão: Após focalizar corretamente
com as objetivas menores,
aplique uma pequena gota de óleo
de imersão sobre a lâmina e troque
para a objetiva de 100 vezes. Utilize
apenas o micrométrico para ajustar
o foco final. Observe se a objetiva é
preparada para uso de óleo.
Cuidados após o uso:
Após finalizar o uso do microscópio,
abaixe totalmente a platina e selecione
a objetiva de menor ampliação.
A intensidade da iluminação deve
ser reduzida antes de desligar o
equipamento, com o objetivo de preservar
a vida útil da lâmpada. Caso o
microscópio seja compartilhado com
outros usuários, é recomendado que
os ajustes de interpupilar e dioptria
retornem para as posições intermediárias.
Não se esqueça de remover a
lâmina e limpar o óleo de imersão da
objetiva caso tenha sido utilizado.
Seguindo essas etapas, você ajudará
a manter o microscópio em
ótimas condições, garantindo seu
bom funcionamento e disponibilidade
para futuras análises.
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suporte técnico e manutenção
para seu microscópio, entre em contato
com a Teratec.
Revista Analytica | Março 2026
77
Em Foco
ÁGUA ULTRAPURA PARA LABORATÓRIO: TENDÊNCIAS
REGULATÓRIAS E CONFORMIDADE FARMACÊUTICA
As exigências regulatórias para
água ultrapura em laboratórios
farmacêuticos nunca foram tão
rigorosas — e quem não se adaptar
pode pagar um preço alto em
auditorias, resultados comprometidos
e não conformidades.
Normas USP atualizadas, controle
cada vez mais estrito de
Carbono Orgânico Total (TOC),
controle microbiológico rigoroso
e evidência documental de que
cada etapa do processo está sob
controle — do monitoramento
contínuo de TOC à prevenção de
biofilmes, passando pela sanitização
validada e pela rastreabilidade
exigida em auditorias cada vez
mais detalhadas.
E as tendências apontam para
confiáveis, auditorias mais tranquilas
e resultados analíticos
mais precisos.
Sua operação está preparada para
esse novo nível de exigência?
Saiba mais e entenda como garantir
conformidade de ponta a ponta:
https://www.latam.veoliawatertechnologies.com/pt/agua-ultrapu-
monitoramento
microbiológi-
um cenário ainda mais exigente:
ra-para-laboratorio
co contínuo e rastreabilidade
digital de dados: esse é o novo
padrão que a indústria farmacêutica
precisa dominar.
maior automação, integração com
plataformas digitais, revalidações
frequentes e uma abordagem que
une conformidade regulatória à
sustentabilidade operacional.
Garantir a qualidade da água
ultrapura vai muito além da pureza
química. Envolve validação de
sistemas, integridade de dados,
Laboratórios que já entenderam
esse movimento estão saindo
na frente — com processos mais
78
Revista Analytica | Março 2026
AUTOMAÇÃO PARA PREPARO DE AMOSTRAS
EM PROTEÔMICA DE PLASMA
Em Foco
A proteômica de plasma tem se
consolidado como uma ferramenta
poderosa para a descoberta
de biomarcadores e a compreensão
de processos fisiológicos e
patológicos. Devido à sua coleta
minimamente invasiva e ampla
disponibilidade na prática clínica,
o plasma é uma matriz altamente
relevante para estudos biomédicos
em larga escala.
A espectrometria de massas (MS)
é considerada o padrão-ouro
para análises proteômicas, permitindo
a identificação e quantificação
simultânea de milhares
de proteínas. Entretanto, a preparação
das amostras continua
sendo um dos principais desafios
para garantir reprodutibilidade,
produtividade e padronização
nos fluxos de trabalho.
A automação surge como uma solução
estratégica para superar essas
limitações, reduzindo a intervenção
manual e aumentando a consistência
entre experimentos.
A plataforma de automação
Fluent, integrada ao módulo
Resolvex® i300, permite automatizar
etapas críticas do preparo de
amostras, incluindo lise, digestão
enzimática e purificação de peptídeos,
em um workflow padronizado
e altamente reprodutível. O sistema
Workflow automatizado para análise proteômica de plasma, desde a preparação das amostras
dentro do Fluent, integrado com o Resolvex i300, para as etapas de “desalting” e “dry-down” dos
peptídeos, até a aquisição e processamento dos dados.
Thermo Scientific Orbitrap Exploris
BioPharma Platform
Configuração da worktable do Fluent utilizada para preparação de amostras para análise
proteômica em formato de placas, permitindo processamento paralelo e padronizado de
dezenas de amostras.
Confidently characterize
without compromise
combina manipulação automatizada
de líquidos com • Peptide módulos Mapping dedirial
e espectrometria de massas,
Ao integrar automação laborato-
• Intact Protein Analysis
cados para extração • Aggregate em fase sólida essa solução amplia o throughput,
analysis
e processamento • Charge de partículas Variant Analysis reduz a variabilidade experimental
e torna a proteômica de plasma
• Glycan Analysis
magnéticas, proporcionando • RNA Oligonucleotide maior Analysis
mais robusta, escalável e eficiente
eficiência operacional. • Gene Therapy Analysis
• Host Cell Protein Analysis para aplicações em pesquisa biomédica
e medicina translacional.
• Multi-Attribute Method
Com essa abordagem,
• Antibody
é possível
Drug Conjugate Analysis
preparar de dezenas de amostras Saiba mais em:
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permitindo escalar estudos proteômicos
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descoberta de biomarcadores.
Revista Analytica | Março 2026
79
Em Foco
EXISTEM MILHARES DE VARIÁVEIS NO SEU
LABORATÓRIO. A ESCOLHA DO SEU PARCEIRO
NÃO DEVERIA SER UMA DELAS.
11 Marcas Fortes. Um Ecossiste-
sistema de Soluções. Somos a
Quando você escolhe o Ecossiste-
ma Integrado. A solução completa
para quem não pode parar.
A gestão de um laboratório moderno
é um desafio de precisão. Da
coleta de sangue à análise molecular,
cada etapa exige ferramentas
específicas, logística impecável e
garantia de qualidade.
Muitos parceiros ainda enfrentam o
risco da fragmentação: uma "colcha
única indústria capaz de entregar
11 marcas proprietárias, cada
uma desenvolvida para garantir
performance máxima em sua etapa
da rotina:
• Absorve • Bionaky • Copertina
• Cralclean • Cralplast • Craltech
• Peguepet • Pontura • Precision
• Sensitive • Vacuplast
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pela segurança. Você ganha
a tranquilidade de saber que a
engenharia do tubo conversa perfeitamente
com a da centrífuga,
que a logística é unificada e que o
padrão de qualidade é o mesmo.
Simplifique sua gestão. Potencialize
sua rotina. Escolha a Cral.
CRAL – SUA PARCEIRA DE NEGÓCIOS
80
Revista Analytica | Março 2026
de retalhos" de fornecedores que
não conversam entre si, gerando
incompatibilidades técnicas e gargalos
operacionais.
É aqui que a escolha se torna óbvia.
A Cral construiu mais do que um
portfólio; construímos um Ecos-
Essa integração permite que
grandes parceiros e profissionais
de saúde contem com um padrão
único de qualidade do início ao fim
do processo. Da coleta precisa à
análise microscópica, da proteção
individual à biossegurança.
CRAL - Suprindo a saúde com qualidade e inovação desde 1977
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