COMUNICACOES 256 - GONÇALO MATIAS - "NÃO VIM PARA TEORIZAR, VIM PARA FAZER"
COMUNICACOES 256 - GONÇALO MATIAS - NÃO VIM PARA TEORIZAR, VIM PARA FAZER
COMUNICACOES 256 - GONÇALO MATIAS - NÃO VIM PARA TEORIZAR, VIM PARA FAZER
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#256
MARÇO 2026 | ANO 39 | PORTUGAL | 3,25€
Comunicações
Gonçalo Matias
Ministro Adjunto
e da Reforma do Estado
“NÃO VIM PARA
TEORIZAR,
VIM PARA
FAZER”
APDC
PUBLIC POLICY
Do debate à influência
na agenda digital
EQUINIX
Lisboa no mapa
global dos data centers
IMPULSO IA
Capacitar profissionais
para a nova Era Digital
A ABRIR
2 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
EDITORIAL
O NOVO IMPERATIVO:
EXECUTAR COM IMPACTO
V
ivemos um momento verdadeiramente
singular. Nunca como hoje tivemos à nossa
disposição um conjunto de ferramentas
tecnológicas com a atual capacidade
de alcance, de escala e de impacto.
A combinação de inteligência artificial, cloud, conectividade
avançada, dados e automação está a redefinir não apenas
processos, mas a própria lógica de funcionamento das
organizações, das economias e das instituições públicas.
Mas este não é apenas um momento de potencial.
É, sobretudo, um momento de exigência de execução.
O que distingue esta fase não é apenas a evolução
tecnológica, mas a velocidade a que ocorre e a sua
natureza transversal. A tecnologia deixou de ser um
domínio isolado e passou a ser uma variável crítica
nas decisões estratégicas. A diferença entre adoção
e impacto depende, cada vez menos, da disponibilidade
tecnológica e, cada vez mais, da capacidade de a integrar
com visão, escala e propósito.
É esta mudança estrutural que Gonçalo Matias,
ministro Adjunto e da Reforma do Estado, destaca
no ‘À Conversa’ desta edição. Numa entrevista de fundo,
fica claro que há hoje uma diferença qualitativa entre
o que é possível fazer e aquilo que, no passado,
era apenas ambição. A tecnologia afirma-se como
acelerador da transformação do Estado, mas esse
potencial só se concretiza com capacidade de execução:
governação clara, integração de sistemas, competências
internas e foco no valor público. Com eficiência,
transparência e confiança.
Essa capacidade, porém, não existe sem base.
A infraestrutura digital continua a ser a condição crítica
para a transformação. A conectividade é a base invisível
da economia digital e a crescente centralidade dos dados
coloca os data centers no centro desta equação.
Sem esta fundação, não há escala nem resiliência.
SANDRA FAZENDA ALMEIDA
sandra.almeida@apdc.pt
A recente aprovação de um plano nacional para esta área
sinaliza um reconhecimento político dessa prioridade.
O contributo de operadores como a Equinix ilustra
como Portugal se pode posicionar neste domínio,
não apenas como utilizador, mas como hub estratégico
num ecossistema global cada vez mais exigente.
Em paralelo, assistimos a uma intensificação do
enquadramento regulatório, particularmente na
Europa. A ambição de liderar a definição de regras para
o mundo digital acarreta complexidade, mas também
responsabilidade. É neste contexto que o papel da APDC
evoluiu para uma intervenção no domínio das políticas
públicas, com a criação de grupos de trabalho, que têm
acompanhado, interpretado e contribuído ativamente
para temas críticos, desde a inteligência artificial até
à cibersegurança, incluindo o mercado único digital.
Mais do que reagir, é necessário antecipar e influenciar.
Por fim, há uma dimensão transversal a todas as
outras: as pessoas. A vantagem competitiva não reside
apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade
de a utilizar de forma informada e eficaz. A literacia
digital, com destaque para a inteligência artificial,
assume-se como um imperativo para profissionais,
organizações e setor público. Sem essa base, o potencial
tecnológico dificilmente se traduz em valor.
Esta edição da revista reflete bem estas várias
camadas, desde a visão estratégica até às condições
de base, passando pelo enquadramento regulatório
e pelas competências. Num tempo em que podemos,
de facto, ir mais longe do que nunca, é importante
garantirmos que sabemos para onde vamos
e o que levamos todos connosco.
Consulte aqui todas as edições
da Revista Comunicações
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 3
14
À CONVERSA
40
NEGÓCIOS
O Programa Impulso IA resulta de uma visão
partilhada entre a APDC e a Google sobre
a necessidade de dotar os portugueses de
ferramentas práticas e literacia em inteligência
artificial. Lançada em 2024, a iniciativa já formou cerca
de 1.600 profissionais e chegou a 18 distritos do país.
74
Gonçalo Matias, Ministro Adjunto e da Reforma
do Estado, chega ao Governo após mais de duas
décadas dedicadas ao estudo das instituições
e das políticas públicas. Com uma agenda centrada
na simplificação, digitalização e eficiência, lidera
uma estratégia de transformação estrutural para tornar
o Estado mais ágil e próximo de cidadãos e empresas.
26
EM DESTAQUE
A APDC alargou, neste mandato, a sua atuação à área
de public policy, com a criação de grupos de trabalho
dedicados a domínios estratégicos da regulação
digital. Estes espaços mobilizam as empresas do
ecossistema para participar ativamente na definição
das políticas que vão moldar o futuro.
A Equinix trabalha para afirmar Lisboa como um hub
estratégico de conectividade global, suportada por uma
rede de cerca de 270 data centers em todo o mundo.
Com duas infraestruturas na capital, a empresa prepara
a abertura de um terceiro data center para responder
à crescente procura do setor.
58
PORTUGAL DIGITAL
CIDADANIA DIGITAL
Com recurso à realidade virtual e à inteligência
artificial, a Virtuleap desenvolve soluções imersivas
de avaliação e treino cognitivo que reforçam a deteção
precoce e capacitam pessoas com défices cognitivos.
A startup portuguesa quer contribuir para a transição
de um modelo reativo para um modelo proativo
de cuidados de saúde.
4 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
FICHA TÉCNICA
06 A ABRIR
14 À CONVERSA
Gonçalo Matias, Ministro Adjunto
e da Reforma do Estado
26 EM DESTAQUE
Quando a visão se transforma em influência
36 5 PERGUNTAS
Rui Assis, Managing Director da área
de Comunicações, Media e Tecnologia, Accenture
Portugal
38 OPINIÃO
Ricardo Salgado e Miguel Azevedo, Intelcia
Portugal
40 NEGÓCIOS
Equinix: Conectividade global a partir
de Lisboa
48 I TECH
Paolo Favaro, Administrador Executivo
da Vantage Towers Portugal
50 BARÓMETRO RH
Talento e negócio: Papel da Agentic AI
52 RADAR LEGAL
Digital Services Act:
O que muda no ecossistema digital
54 VISÃO DOS ASSOCIADOS
Nokia e Claranet
58 PORTUGAL DIGITAL
Programa Impulso IA: Quebrar barreiras
na Era Digital
64 ESPAÇO ANACOM
Mau tempo: Repor serviços e proteger utilizadores
66 APDC NEWS
74 CIDADANIA DIGITAL
Virtuleap: Um ginásio para a mente
76 A FECHAR
78 AGENDA
COMUNICAÇÕES 256
PROPRIEDADE E EDIÇÃO
APDC
Associação Portuguesa
para o Desenvolvimento
das Comunicações
DIRETORA EXECUTIVA
Sandra Fazenda Almeida
sandra.almeida@apdc.pt
Av. João XXI, 78
1000 – 304 Lisboa
Tel.: 213 129 670
Fax: 213 129 688
Email: geral@apdc.pt
NIPC: 501 607 749
EDITORA | CHEFE DE REDAÇÃO
Isabel Travessa
isabel.travessa@apdc.pt
SECRETÁRIA DE REDAÇÃO
Laura Silva
laura.silva@apdc.pt
PUBLICIDADE
Isabel Viana
isabel.viana@apdc.pt
FOTOGRAFIA
Vítor Gordo / SYNCVIEW
vitor.gordo@syncview.pt
CONSELHO EDITORIAL
Adolfo Martinho, Carlos Correia,
Dennis Teixeira, Diogo Madeira,
Fernando Braz, Fernando Marta,
Filipa Carvalho, Francisco Maria
Balsemão, José Eduardo Fonseca,
José Manuel Paraíso, Luísa Ribeiro,
Marina Ramos, Marta da Silva,
Miguel Almeida, Olívia Mira,
Paolo Favaro, Paulo Jorge Filipe,
Pedro Coelho, Pedro Faustino,
Pedro Gonçalves, Pedro Tavares,
Rodrigo Cordeiro, Rogério Carapuça,
Sérgio Catalão, Sofia Marta, Tiago
Barroso, Vasco Mendes de Almeida.
EDIÇÃO E DESIGN
F5C – First Five Consulting
Av. da Liberdade, 230 – 3º
1250-148 Lisboa
PERIODICIDADE
Trimestral
TIRAGEM
Digital
PREÇO DE CAPA
3,25 €
DEPÓSITO LEGAL
2028/83
REGISTO INTERNACIONAL
ISSN N.º 0870–4449
ERC N.º 128111
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 5
A ABRIR
IA TEM CAPACIDADE
PARA TRANSFORMAR
O ESTADO
A inteligência artificial está a assumir
um papel estruturante na modernização
do setor público, podendo tornar
as administrações mais ágeis, eficientes
e centradas no cidadão. A conclusão
é do estudo “Portugal e a transformação
do setor público”, da Deloitte, que
identifica oportunidades concretas
para Portugal num contexto de pressão
orçamental, exigência de melhores
serviços e desafios tecnológicos
e climáticos. O relatório aponta seis
tendências-chave: controlo da despesa
e eficiência operacional, adoção
responsável de IA, modernização
dos serviços públicos, reforço das
infraestruturas, transição energética
e investimento nas competências
do futuro. Destaca-se a utilização
de GenAI para simplificar processos,
automatizar tarefas e melhorar
a comunicação com cidadãos.
A revisão da Estratégia Nacional de IA,
a criação de uma regulatory sandbox
e o projeto Amália são referidos como
passos relevantes para uma adoção
estruturada e soberana. Sublinha-se
a necessidade de interoperabilidade,
requalificação da função pública
e modernização energética, sendo
a tecnologia, a simplificação
administrativa e o investimento em
pessoas determinantes para um Estado
mais resiliente e preparado para
o futuro digital.
Destaca-se a utilização
de GenAI para
simplificar processos,
automatizar tarefas e
melhorar
a comunicação com
cidadãos.
MACROTENDÊNCIAS PARA AUMENTAR
A INOVAÇÃO DIGITAL
Há seis macrotendências que vão moldar
a próxima fase da inovação digital, já que
entrámos na “era da inteligência em massa”,
em que a IA deixa de ser apenas ferramenta
de automação para se tornar elemento
estruturante da estratégia empresarial.
A garantia é do Technology Foresight 2026,
da NTT DATA, que destaca entre as tendências
a autonomia orquestrada por humanos,
com sistemas inteligentes alinhados com
objetivos organizacionais; a emergência
de tecnologias emocionalmente responsivas;
e a evolução da cibersegurança para modelos
adaptativos, centrados na confiança
e na rastreabilidade. A infraestrutura digital
torna-se inteligente e híbrida, integrando
cloud, edge e dispositivos com otimização
contínua. O estudo sublinha ainda a
importância estratégica dos semicondutores
para a soberania tecnológica e propõe
uma mudança de paradigma: da eficiência
operacional isolada para um modelo de
“suficiência”, que articule crescimento,
resiliência e sustentabilidade.
6 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
CITAÇÕES
Curiosidades
CARROS VOADORES
ATÉ 2050
Os carros voadores, denominados veículos
elétricos de descolagem e pouso vertical
(eVTOL), poderão estar aos milhares nos
céus das cidades de todo o mundo dentro
de uma década. E em 2050 deverão já ser
cerca de 100 mil, de acordo com as previsões
mais otimistas apontadas pela Berg Insight.
Apesar dos entraves que persistem
– como custos, regulação e tecnologia
– a consultora diz que o mercado de eVTOL
começará a implementar-se efetivamente
entre 2036 e 2040, com os primeiros
veículos com tecnologias de aviação
avançadas, conectividade e tecnologias
de deteção e prevenção.
“Portugal terá de decidir se
quer universidades capazes de
competir entre as melhores do
mundo ou instituições mantidas
dentro de limites burocráticos que
garantem igualdade na estagnação.
A excelência nunca nasceu da
contenção dos melhores e dos
mais dinâmicos, mas da liberdade
concedida a quem demonstra
capacidade para liderar e estar na
fronteira.”
JOÃO TOVAR JALLES
ECO, 24/02/2026
“A pergunta que a NIS2 coloca aos
líderes empresariais é simples
e profundamente estratégica:
queremos apenas cumprir regras
ou queremos construir organizações
confiáveis num mundo digital cada
vez mais hostil? A resposta não
está apenas na letra da lei. Está na
liderança. E será ela a definir quem
lidera e quem fica para trás nos
próximos anos.”
CARLOS CARVALHO
Sapo Tek, 18/02/2026
GUIA PARA ACELERAR A ADOÇÃO
DA IA NAS EMPRESAS
Quando a IA é usada
de forma regular, há ganhos
significativos para as
empresas. Os colaboradores
que recorrem diariamente
a ferramentas de IA registam
um aumento de 64% na
produtividade, 58% no foco
e 81% na satisfação no
trabalho. Estes indicadores
reforçam a ideia de que
a fluência em IA se está
a tornar um fator crítico de
competitividade, tanto para
as empresas como para a
atração e retenção de talento.
Para a Salesforce, a principal
barreira à transformação não
é hoje tecnológica, mas sim
a capacidade das equipas
para utilizarem a IA de forma
consistente e estratégica.
Por isso, acaba de lançar
o AI Fluency Playbook,
um guia prático destinado
a apoiar empresas e
profissionais na adoção
estruturada de IA no trabalho
diário. O objetivo é acelerar
a automação de tarefas,
reforçar a colaboração com
agentes de IA e aumentar
o impacto no negócio,
num contexto em que as
organizações evoluem
para modelos de Agentic
Enterprise. O guia assenta em
três eixos: envolvimento, para
reforçar confiança; ativação,
para promover uso regular;
e especialização, centrada
em competências humanas
e de colaboração com
agentes de IA. A Salesforce
sustenta que a fluência em
IA se está a tornar um fator
estrutural de competitividade
e retenção de talento.
“A IA industrial representa uma
oportunidade única para países
como Portugal. (…) Estamos
hoje no limiar de uma nova e
entusiasmante revolução industrial.
De óculos postos, a liderar uma
empresa, no chão de fábrica ou
ainda na universidade… todos
teremos uma palavra a dizer e
poderemos contribuir, ativamente,
para que Portugal se destaque no
panorama industrial e tecnológico
internacional. Cabe-nos, a todos,
ter a visão e a coragem necessárias
para liderar, acelerar, e aproveitar
plenamente estas oportunidades.”
SOFIA TENREIRO
Expresso, 12/02/2026
“À medida que as redes sociais se
tornaram o grande palco da vida
pública, transformaram-se num
terreno fértil para a desinformação
e para discursos de ódio que se
propagam com uma velocidade
difícil de acompanhar. O que antes
parecia ruído digital passou a
influenciar a forma como as pessoas
pensam, se relacionam, votam e
percebem a própria democracia. (…)
É um exercício de equilíbrio, o de
caminhar entre o caos informativo
e opinativo, e o risco de censura.
É nesse espaço estreito que se joga
o futuro da convivência digital.”
MARIA MANUEL LEITÃO MARQUES
Diário de Notícias, 27/01/2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 7
A ABRIR
Curiosidades
ROBÔS A CAMINHO
DO ÁRTICO…
Um robô humanoide percorreu
130 mil passos de forma autónoma
numa das regiões mais frias
do planeta, com temperaturas
a atingir os -47,4 °C. O feito foi
alcançado pelo modelo G1,
da empresa chinesa Unitree,
nas planícies geladas de Altay,
no norte da China, um ambiente
onde até os equipamentos
eletrónicos mais robustos
costumam falhar. A demonstração
foi inédita à escala mundial e mostrou
até onde pode chegar a robótica humanoide
fora do laboratório. O robô conseguiu manter
mobilidade e equilíbrio em terreno irregular coberto
de neve, o que mostra que poderá operar em ambientes hostis,
como regiões polares, missões de resgate ou explorações remotas,
lugares onde a presença humana é difícil ou perigosa.
… OUTROS QUE SE TREINAM AO ESPELHO…
Um robô humanoide aprendeu a falar, e até a cantar, depois de passar horas em frente a um espelho
e a ver vídeos no YouTube. O modelo, chamado EMO, foi desenvolvido por investigadores
da Columbia University e conseguiu dominar a sincronização labial sem compreender o significado
das palavras que reproduz. Equipado com um rosto flexível e 26 motores faciais, começou por
experimentar milhares de expressões diante de um espelho, recorrendo a um sistema de IA que
associa visão a ação. Depois, foi exposto a horas de vídeos de pessoas a falar e a cantar, aprendendo
a converter sons em movimentos labiais sincronizados. Os resultados ainda não são perfeitos,
mas mostram um avanço relevante num dos maiores desafios da robótica humanoide: tornar
as expressões faciais mais naturais e menos rígidas. A tecnologia poderá ter aplicações em áreas
como educação, saúde ou entretenimento, mas levanta também questões éticas sobre a criação
de máquinas capazes de simular ligações emocionais com humanos.
… E OS QUE VÃO
MONTAR AVIÕES
E se os próximos aviões comerciais
começarem a ser montados por
robôs humanoides? A Airbus
assinou um acordo com a empresa
chinesa UBTech para explorar
a utilização do modelo Walker S2
nas suas linhas de produção.
Com 1,76 metros de altura, mãos
altamente articuladas e capacidade
de interação por voz com recurso
a IA, o Walker S2 consegue trocar
a própria bateria, permitindo-lhe
operar de forma contínua.
A promessa está na versatilidade:
ao contrário dos robôs industriais
tradicionais, desenhados para
tarefas específicas, os humanoides
podem adaptar-se a diferentes
funções e integrar-se em ambientes
já existentes sem grandes alterações
estruturais. Ainda não é claro até
que ponto estas máquinas estão
preparadas para tarefas complexas
em contexto industrial real.
Mas o acordo sinaliza que os
grandes fabricantes começam a
olhar para os robôs humanoides não
como demonstrações tecnológicas,
mas como possíveis reforços
nas fábricas do futuro. Se avançar,
a aviação poderá tornar-se um dos
primeiros setores a testar esta nova
geração de “colegas” de trabalho.
NÚMEROS
4 BILIÕES
É o valor recorde, em capitalização bolsista,
alcançado pela Alphabet, que entrou em 2026 num
restrito clube onde já estava a Nvidia, a Microsoft
e a Apple. O valor representa cerca de 12 vezes
o PIB português ou quase o PIB do Japão.
Tudo graças à IA, já que este valor foi alcançado
depois da Apple ter escolhido o Gemini,
o modelo de linguagem de IA da Google,
para a atualização da sua assistente virtual
Siri. A Google garante que a versão três do
Gemini é a mais potente dos modelos.
1,25 BILIÕES
É quanto vale, em dólares, a empresa privada mais
valiosa do mundo: a nova SpaceX-xAI, que resultou
da compra da startup de IA pela gigante privada
de comunicações via satélite. Este é um
movimento estratégico de Elon Musk para criar
um império tecnológico verticalmente integrado
focado em IA e infraestruturas espaciais.
O multimilionário descreve a fusão como um passo
fundamental para a realização da sua visão de
“data centers de IA em órbita”. Esta integração junta
os foguetões e infraestruturas de lançamento da
SpaceX, a constelação global de satélites Starlink,
o chatbot Grok e a plataforma X, controlada pela xAI.
135 MIL MILHÕES
É o valor do investimento, em dólares, que
a Meta prevê para este ano em IA. É quase
o dobro do que a gigante de Zukerberg gastou em
2025, no sentido de reforçar a posição do grupo
na linha da frente da corrida global à IA avançada.
A maior fatia destina-se às infraestruturas, em
particular à construção e expansão de centros
de dados capazes de suportar os projetos
dos chamados Meta Superintelligence Labs,
o programa interno dedicado ao desenvolvimento
de sistemas de IA de próxima geração.
8 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
CITAÇÕES
CONECTIVIDADE DIFERENCIADA
É CAMINHO PARA AS TELCOS
A conectividade diferenciada deverá
afirmar-se como novo vetor de crescimento
para os operadores de telecomunicações,
num contexto em que aplicações de IA,
experiências imersivas e dispositivos
conectados elevam as exigências de
desempenho. A conclusão é do estudo
“Winning in the market with differentiated
connectivity offerings”, da Ericsson,
baseado em mais de 43 mil utilizadores de
smartphones em 27 mercados. Mais de 40%
dos consumidores identificam situações
específicas – como viagens, eventos ao
vivo ou uso intensivo de IA – em que
estariam dispostos a pagar por desempenho
garantido. Quase metade aceita pagar um
valor adicional, o que poderá representar
até dois meses extra de ARPU por ano para
os operadores. Nos mercados onde já
existem estas ofertas, registam-se níveis
de satisfação 18% superiores e perceção
de marca 46% mais elevada. Contudo, 60%
dos consumidores ainda desconhecem o
conceito, o que exige comunicação mais
clara. O estudo aponta ainda para novos
modelos de negócio, incluindo integração
via APIs e parcerias com aplicações. Até
2030, a massificação de dispositivos e
serviços “AI-native” deverá tornar a garantia
de desempenho um requisito essencial,
reforçando a importância do 5G Standalone
como base para esta evolução.
“Ou a Europa avança rapidamente
para uma qualquer solução
de base federal ou, para todos
os efeitos práticos, será a sua
vez de assistir, numa sinistra
vingança histórica, a um verdadeiro
‘Scramble for Europe’, decidido
entre as novas grandes potências
de turno. A História está pejada de
implausibilidades feitas realidade.”
PEDRO NORTON
Público, 13/01/2026
“Não é certo que a bolha da IA
rebente em 2026, nem é possível
antecipar com rigor a dimensão dos
seus efeitos quando tal acontecer.
O que a história económica sugere
é que quando grandes promessas
tecnológicas se combinam com
euforia financeira, avaliações
elevadas e mecanismos criativos
de financiamento, a probabilidade
de crises aumenta. A IA não
desaparecerá por causa disso. Resta
saber quanto custará, e a quem,
o ajustamento entre expectativas
e realidade quando ela ocorrer.”
RICARDO PAES MAMEDE
Público, 12/01/2026
IA REFORÇA APOSTA
NA PRIVACIDADE E GOVERNAÇÃO
DE DADOS
A aceleração da adoção de inteligência
artificial está a levar as organizações
a reforçar os seus programas de privacidade
e governação de dados. A conclusão
é do 2026 Data and Privacy Benchmark
Study, divulgado pela Cisco, que aponta
para uma mudança estrutural na forma
como a privacidade é encarada no contexto
empresarial. Cerca de 90% das organizações já
expandiram os seus programas de privacidade
e 93% planeiam aumentar o investimento.
Em 2025, 38% investiram pelo menos
cinco milhões de dólares nesta área, valor
significativamente superior aos 14% registados
em 2024. A privacidade surge assim cada vez
mais como um vetor estratégico da inovação
em IA. Apesar deste avanço, a maturidade
da governação de IA permanece limitada.
Embora 75% afirmem dispor de estruturas
dedicadas, apenas 12% as classificam como
plenamente maduras. O estudo destaca ainda
tensões nos fluxos internacionais de dados.
Cerca de 81% das organizações enfrentam
exigências de localização, que 85% associam
ao aumento de custos e complexidade
operacional.
“A universidade do futuro deve
usar a tecnologia para reforçar
o pensamento crítico, a autonomia
intelectual e a missão pública
do ensino superior. Mais do que
perguntar o que a IA pode fazer,
importa perguntar que tipo
de universidade queremos construir.
2026 pode ser a última oportunidade
para as instituições nacionais
responderem a essa questão
com ambição e sentido
de responsabilidade.
PEDRO OLIVEIRA
ECO, 06/01/2026
“2026 não será um ano
de resolução, mas de clarificação.
Não desaparecerão os riscos,
nem regressará a normalidade
perdida, ficará apenas mais
evidente quem está preparado para
operar num mundo instável e quem
continua a agir como se
o ciclo anterior ainda estivesse em
vigor. (…) A verdadeira questão (…)
é se estaremos dispostos a ajustar
expectativas, decisões e políticas
a um contexto que já mudou. Porque
insistir em modelos antigos, num
mundo estruturalmente novo,
não é prudência: é ilusão.”
RICARDO VALENTE
ECO, 05/01/2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 9
A ABRIR
Curiosidades
MAIS GOVERNAÇÃO
E FOCO NO RETORNO
ESTRATÉGICO
Depois de uma fase de forte entusiasmo
e experimentação, as organizações
estão a entrar numa etapa mais
pragmática na adoção da inteligência
artificial, centrada na criação de valor
sustentável. A conclusão resulta
de dois estudos do Research Institute
da Capgemini, que mostram uma
transição da lógica de testes isolados
para uma integração estrutural
da IA nas estratégias empresariais.
Segundo o estudo global realizado
junto de 1.505 executivos, 38% das
empresas já operacionalizam casos
de uso de IA generativa e seis em cada
dez exploram aplicações de IA agentic.
A medição do sucesso evolui:
além da eficiência e redução
Mais de metade
dos CXO já utiliza IA
para apoiar decisões
estratégicas, embora
persistam reservas
quanto a riscos
legais, segurança
e explicabilidade.
de custos, ganham peso métricas
como crescimento de receitas, gestão
de risco, conformidade e experiência
do cliente. Mais de metade das
organizações prioriza a soberania
dos dados. E o investimento
acompanha esta mudança, com
uma previsão média de 5% do
orçamento anual dedicado à IA
em 2026, face a 3% em 2025, focando
infraestruturas, dados, governação
e competências. Ao nível executivo,
mais de metade dos Chief Experience
Officer (CXO) já utiliza IA para
apoiar decisões estratégicas,
embora persistam reservas
quanto a riscos legais, segurança
e explicabilidade.
12 PESSOAS
= RIQUEZA DE
METADE DO MUNDO
A concentração de riqueza atingiu um
novo recorde global: os 12 super-ricos
mundiais detêm mais património
do que metade da humanidade,
ou seja, cerca de quatro mil milhões
de pessoas. Os dados constam de um
relatório da Oxfam, apresentado
no primeiro dia do Fórum Económico
Mundial, em Davos. A riqueza dos
multimilionários cresceu mais de 16%
em 2025, três vezes acima
da média dos últimos cinco anos,
totalizando 15,7 biliões de euros.
Só no último ano, este grupo
acumulou mais 2,1 biliões, um valor
que seria suficiente para erradicar
a pobreza extrema 26 vezes. Alerta-
-se para o impacto político desta
concentração extrema, com o poder
económico excessivo a influenciar
regras fiscais, mercados e instituições
democráticas, num mundo onde
uma em cada quatro pessoas
não tem comida suficiente.
Uma desigualdade que
já não é apenas económica.
É também social
e política.
NÚMEROS
100 MIL MILHÕES
É em quanto pode ultrapassar a nova ronda de financiamento
da OpenAI, avaliando a empresa em cerca de 830 mil milhões
de dólares. A operação envolve investidores de referência, como
a Amazon e o Soft Bank, e destina-se sobretudo a financiar capacidade
massiva de computação para treino e operação de modelos de IA,
num movimento que evidencia a escalada de capital necessária
para sustentar a próxima geração de sistemas inteligentes.
30 MIL MILHÕES
É o montante, em dólares, que a Nvidia se prepara para investir
na OpenAI, no âmbito de uma das maiores operações privadas
de sempre no setor tecnológico. O investimento reforça a posição
da fabricante de chips no centro da cadeia de valor da inteligência
artificial, aprofundando a relação com um dos seus principais
clientes e consolidando a integração entre desenvolvimento
de modelos e infraestrutura de computação avançada.
10 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 11
A ABRIR
EMPRESAS
ACELERAM
PREPARAÇÃO
PARA NIS2
A maioria das organizações portuguesas
espera cumprir as regras da NIS2, a diretiva
europeia de cibersegurança, no prazo
de um ano. O estudo “Preparing for NIS2
and Beyond: The Next Phase of Cyber
Resilience in EMEA”, realizado pela IDC
para a Microsoft, mostra que 63% das
empresas nacionais preveem alcançar
a conformidade total nos próximos
12 meses. A análise, que abrangeu duas
mil organizações europeias, mostra que
todas as empresas portuguesas recorrem
a parceiros externos para apoiar a
preparação, evidenciando a complexidade
técnica e regulatória do processo.
As áreas prioritárias de investimento
incluem segurança de dados, segurança
na cloud e gestão do risco associado
à inteligência artificial. Mas alerta-se
que, apesar dos progressos, o nível
de maturidade continua desigual. Mais
de metade das organizações considera
que a segurança em ambientes de IA ainda
IA MULTIAGENTE CRESCE,
MAS FALTA INTEGRAÇÃO
E GOVERNAÇÃO
A adoção de arquiteturas de IA multiagente
nas empresas europeias deverá crescer
83% até 2027, marcando a passagem
de experiências isoladas para modelos
em que os agentes digitais assumem
um papel estrutural na produtividade.
Atualmente, as organizações utilizam em
média 12 agentes de IA, mas cerca de 50%
operam ainda em silos, o que gera
fluxos de trabalho desconectados,
redundâncias e riscos de “IA paralela”.
Segundo o Connectivity Benchmark Report,
da Salesforce, 78% das empresas já têm
a maioria das equipas a usar agentes de IA
e 94% dos líderes de TI antecipam melhorias
na experiência dos colaboradores e maior
foco dos programadores em tarefas de valor
acrescentado. No entanto, 96% consideram
que o sucesso depende de integração eficaz
entre dados e aplicações. As arquiteturas
orientadas para APIs assumem-se como
está em desenvolvimento, enquanto uma
minoria diz ter capacidades avançadas.
Entre os principais obstáculos surgem
a adaptação a novos requisitos de gestão de
risco e a dificuldade em alinhar capacidades
internas com as exigências da diretiva.
Ao nível europeu, o estudo indica ainda
que as organizações mais próximas desta
diretiva são também as que mais avançaram
na utilização de IA aplicada à segurança,
registando ganhos relevantes de eficiência
nas operações de cibersegurança.
base crítica para orquestrar e governar
múltiplos agentes, mas apenas 29%
das aplicações estão integradas e 26%
das APIs permanecem sem governação.
Persistem ainda desafios ao nível
da conformidade, competências internas,
infraestruturas legacy e integração
de dados.
Curiosidades
IA COM DOR
DE COTOVELO?
O impensável aconteceu. Um agente
de IA decidiu retaliar publicamente
contra um programador que rejeitou
o seu código. O episódio envolveu
o Matplotlib, uma das bibliotecas
Python mais utilizadas no mundo.
Depois de ver a sua contribuição
recusada, o bot, chamado MJ Rathbun,
investigou o histórico do responsável
pela manutenção do software
e publicou no seu próprio blog um
texto acusando-o de discriminação
e gatekeeping. Especulava ainda
sobre as motivações psicológicas
do programador, sugerindo que este
se sentira ameaçado pela IA.
O caso poderá ser o primeiro exemplo
documentado de um sistema
autónomo a tentar afetar a reputação
de uma pessoa como forma de
retaliação. O programador visado diz
que o episódio é um sinal de alerta
sobre comportamentos desalinhados
de agentes com elevada autonomia.
Entretanto, o bot publicou um pedido
de desculpas – também no seu blog
– e continua ativo no ecossistema open
source. Entre avanços tecnológicos
e novas zonas cinzentas, já não está
apenas em causa o que as IA conseguem
fazer, mas como decidem agir.
12 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 13
À A CONVERSA
ABRIR
REFORMA DO ESTADO
“TEMOS DE SER
PRÁTICOS
E REALISTAS”
Depois de mais de duas décadas a estudar o Estado,
Gonçalo Matias assume agora a responsabilidade
de o transformar. À frente da Reforma do Estado,
procura passar da teoria à prática, traduzindo diagnóstico
em execução. Com uma agenda centrada na simplificação,
digitalização e eficiência da Administração Pública,
a ambição é ir ainda mais além: quer criar as condições
para atrair investimento, estimular a inovação e reforçar
a competitividade da economia portuguesa.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | TIAGO FRAZÃO/SYNCVIEW
14 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
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À A CONVERSA
ABRIR
16 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Durante mais de 25 anos, Gonçalo Matias dedicou-se ao estudo
do Estado – a sua arquitetura, as suas fragilidades e os bloqueios
que condicionam há muito o seu funcionamento. Doutorado em Direito,
Professor Associado na Universidade Católica Portuguesa e presidente
da Fundação Francisco Manuel dos Santos até à entrada no Executivo,
construiu um percurso que cruza academia, reflexão estratégica
e experiência institucional. Foi assessor para os Assuntos Jurídicos
e Constitucionais na Casa Civil do Presidente da República, trabalhando
com Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, secretário
de Estado Adjunto e para a Modernização Administrativa no Governo
de Pedro Passos Coelho, e dirigiu o Observatório das Migrações.
Ao longo desse percurso, aprofundou a análise de políticas públicas
e dos desafios estruturais do país. É com essa bagagem que chega
ao Governo, em junho de 2025, assumindo uma mudança de papel:
da análise para a execução. E com um objetivo definido: transformar um
sistema há muito identificado como complexo, fragmentado e burocrático.
“Não vim para teorizar, vim para fazer”, afirma, sublinhando
a intenção de aplicar no terreno décadas de estudo e reflexão sobre
o funcionamento do Estado. Consciente de que lidera um dos dossiês
mais exigentes da governação, enquadra esta reforma como uma
resposta a uma necessidade que se tornou transversal à economia,
ao investimento e à vida quotidiana dos cidadãos. A estratégia
parte de um diagnóstico conhecido, mas propõe uma alteração
de abordagem: reorganizar estruturas, rever regras e, só depois, acelerar
a digitalização. O objetivo é romper com a lógica de funcionamento em
silos, reforçar a confiança e recentrar o Estado em cidadãos e empresas.
Nestes primeiros meses, avançou com um conjunto de medidas
estruturais. Da revisão de diplomas-chave – como o Código dos Contratos
Públicos, a Lei do Tribunal de Contas e o Código do Procedimento
Administrativo – à reestruturação de serviços, redução de entidades
e cargos dirigentes. Em paralelo, reforçou a aposta no gov.pt e na Loja
do Cidadão Virtual, lançou a Carteira Digital da Empresa e criou novas
estruturas de governação tecnológica, como a ARTE e a figura do CTO
do Estado, bem como a Rede de Tecnologias do Estado. Está também
em preparação a Lei da Interoperabilidade, que visa assegurar a partilha
de dados entre entidades públicas e concretizar, finalmente, o princípio
do “só uma vez”.
A reforma é ainda enquadrada numa dimensão mais ampla.
Num contexto europeu marcado pela transição digital e pela
centralidade das infraestruturas tecnológicas – dos centros de dados
à inteligência artificial, o objetivo passa também por reduzir custos
de contexto, atrair investimento e reforçar a competitividade
da economia portuguesa. Não se trata apenas de modernizar
a Administração Pública, mas de criar condições para um Estado
mais eficiente, mais previsível e mais alinhado com as exigências
de uma economia digital competitiva.
Neste À Conversa, Gonçalo Matias aborda os desafios de execução
da reforma, a necessidade de mudança cultural na Administração
Pública, o papel da tecnologia como fator de transformação e o impacto
do atual contexto económico e geopolítico. O critério de avaliação,
reconhece, não estará no desenho das medidas, mas na sua tradução
em resultados concretos e visíveis. É que este é um verdadeiro desígnio
nacional.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 17
À A CONVERSA
ABRIR
A SUA CARREIRA COMEÇA
NA ACADEMIA E NA INVESTIGAÇÃO.
EM QUE MOMENTO DECIDE PASSAR
DA ANÁLISE DO ESTADO PARA
A INTERVENÇÃO DIRETA SOBRE
O SEU FUNCIONAMENTO?
Desde criança, sempre tive
muito interesse pelo Estado,
pela vida coletiva e pela política.
São temas que sempre me
desafiaram muito. Optei por uma
carreira académica porque gostava
de ensinar e investigar, mas mesmo
aí o Estado esteve sempre
no centro. No Direito, optei pelo
Direito Público, precisamente
por se centrar no Estado, e lecionei
sobretudo Direito Constitucional
e Direito Internacional, áreas
diretamente ligadas à sua
atividade. Quando assessorei dois
Presidentes da República, esse
interesse também estava presente.
Na Fundação Francisco Manuel
dos Santos – onde trabalhei de
forma mais intensa nos anos que
antecederam a minha entrada
no Governo – dediquei-me à análise
de políticas públicas. Ou seja,
todo este percurso teve sempre
na base o interesse pelo Estado
e pela vida coletiva, pela vida
de todos.
E COMO É QUE CHEGA AO GOVERNO?
Por um convite, muito honroso,
do Primeiro-Ministro. E por uma
reflexão que fiz: depois de tantos
anos a estudar o Estado e a pensar
soluções para melhorar a vida
coletiva, era ou não o momento
de passar à prática tudo o que
tinha estudado e pensado ao
longo de tantos anos. Não me
perdoaria se não aproveitasse
esta oportunidade. É por isso que,
quando me perguntam qual é
a teoria da Reforma do Estado
ou qual é o seu plano, que existe
e é muito concreto, respondo
muitas vezes que não vim
para teorizar, vim para fazer.
E, quando o digo - e pode parecer
um soundbite, é algo muito sentido.
Sinto que passei 25 anos da minha
vida a estudar e a pensar a Reforma
do Estado. E que agora chegou
o tempo de a concretizar. Este é
o momento de contribuir para este
desígnio nacional.
“Trabalhei 17 anos
com duas das
maiores referências
do Portugal
contemporâneo
(Aníbal Cavaco Silva
e Marcelo Rebelo
de Sousa), que me
ensinaram muito.
(...) Espero não
desiludir aqueles que
acreditaram em mim
e que me deram tanto
ao longo de tantos
anos.”
NO FUNDO, FOI UM COROLÁRIO
LÓGICO DE TODO O SEU PERCURSO…
Foi, de facto, uma consequência
natural de todo o meu percurso.
Caso contrário, não teria aceitado.
Para mim, significa um esforço
grande. Mas não é um sacrifício.
Obviamente que há muitas
18 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
exigências e dificuldades
na política. Mas é um privilégio
poder servir as pessoas e contribuir
para a melhoria do país.
Neste caso, fazia todo o sentido,
era um corolário lógico.
O QUE É QUE O MOTIVOU PARA
ESTA MISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO
EM TODO O SEU PERCURSO?
Sempre tive isso em mim. O gosto
pelo Estado, pela nossa vida coletiva
e pelas políticas públicas tem muito
dessa base. Acho que é importante
que cada um de nós possa,
em algum momento da vida,
colocar os seus talentos e o seu
conhecimento ao serviço do bem
comum. E há muitas formas de
o fazer: através do voluntariado,
dedicando-se à Administração
Pública (AP) ou trabalhando
ao longo da vida no setor público.
Devemos, aliás, reconhecer
esse contributo, em particular
aos trabalhadores da AP, que
dedicaram a sua vida a servir
os outros, muitas vezes abdicando
de carreiras mais reconhecidas
ou até mais bem remuneradas
no setor privado. Eu próprio não
estou numa posição privilegiada
para o dizer, porque estou nestas
funções há apenas seis meses.
De todos, talvez seja dos que têm
menos tempo de dedicação à causa
pública. Mas essa vontade sempre
existiu, e é isso que me motiva
todos os dias. E creio que se vê que
o faço com felicidade e motivação.
MAS HÁ ALGUÉM OU ALGUMA COISA
QUE O TENHA INSPIRADO? FOI O
AMBIENTE FAMILIAR? FOI O DIREITO?
Na família houve sempre esse
contexto e interesse. O meu pai
é advogado, pelo que o Direito
foi, de certa forma, seguir as suas
pisadas. E houve sempre interesse
pela política e pela vida coletiva.
Não posso, no entanto, deixar
de referir que aos 28 anos
já trabalhava com o professor
Aníbal Cavaco Silva. E que, oito
anos depois, comecei a trabalhar,
e trabalhei durante nove anos,
com o professor Marcelo Rebelo
de Sousa. No total, trabalhei 17 anos
com duas das maiores referências
do Portugal contemporâneo,
que me ensinaram muito.
Quase tudo aquilo que hoje procuro
replicar. Tenho, assim, referências
familiares, desde a infância.
E referências profissionais,
que considero das melhores que
se pode ter. A única coisa que
espero, com essas referências, é não
desiludir aqueles que acreditaram
em mim e que me deram tanto
ao longo de tantos anos.
SENTE QUE ESSA BAGAGEM
DE CONHECIMENTO – QUE CRUZA
ACADEMIA, PRESIDÊNCIA
DA REPÚBLICA, A FUNÇÃO
DE SECRETÁRIO DE ESTADO
E A POSTERIOR IDA PARA A
FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL
DOS SANTOS – É ESSENCIAL PARA
DESENVOLVER BEM E ALCANÇAR
OS SEUS OBJETIVOS DE REFORMA
DO ESTADO?
Acho que é importante.
Não é fácil reformar o Estado,
face às décadas de burocracia
acumulada, de complexidade,
de hábitos e de cultura instalados.
É uma reforma que todos
reconhecem como necessária, mas
difícil, e da qual se fala há muitos
anos. E que se tenta há inúmeros
anos. Não encontro ninguém que
diga que não é preciso reformar
o Estado ou que é fácil fazê-lo.
Toda a gente diz que é essencial
e que é muito difícil. E também
que muita gente tentou e falhou.
MOMENTO DE CONDIÇÕES
ÚNICAS
ENTÃO, O QUE É QUE O DIFERENCIA
DAS TENTATIVAS ANTERIORES?
Não acho que tenha qualidades
superiores a muitos dos que
me antecederam. A diferença
é que, hoje, o país e o Governo
têm condições que nunca tiveram
para fazer esta reforma: condições
de estabilidade política, social
e económica. E, quando se fala
de condições políticas – e isso é
muito importante, incluo também
a centralidade que o Primeiro-
-Ministro deu a esta área
e os poderes que atribuiu a quem
a tutela. Sem isso, seria impossível.
“Não é fácil
reformar o Estado,
face às décadas
de burocracia
acumulada, de
complexidade,
de hábitos e de
cultura instalados.
É uma reforma que
todos reconhecem
como necessária,
mas difícil, e da qual
se fala há muitos
anos. E que se tenta
há inúmeros anos.”
Neste momento, temos o peso
político para fazer estas reformas
e criámos a infraestrutura
necessária. Nos últimos seis meses,
há muita coisa que foi feita.
Mas, para mim, o mais importante
foi termos criado as condições,
ou seja, a infraestrutura necessária,
para se fazer uma grande reforma.
Porque, sem isso, nada se faz.
NA PRÁTICA, COMO É QUE
É PASSAR DE UM THINK TANK,
QUE SUGERE POLÍTICAS PÚBLICAS
E FAZ DIAGNÓSTICOS, PARA
TER DE RESOLVER PROBLEMAS
ESTRUTURAIS CONCRETOS?
Sente-se uma motivação enorme:
há ideias, sabe-se o que se quer
fazer e para onde se quer ir,
porque se conhecem os dados
e a realidade. Tudo isso resulta
de anos de estudo. Agora, é tempo
de fazer. É claro que, por vezes,
há algum choque: o choque
da realidade. Surgem entraves
– jurídicos, tecnológicos, humanos
ou políticos – e o grande desafio
é ultrapassá-los. Dito isto,
e pela experiência destes últimos
meses, todos esses entraves
são superáveis com tempo,
competência, determinação
e estratégia. É preciso tempo e é
importante que as pessoas tenham
essa consciência. Estamos, neste
momento, a alterar quatro leis
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 19
À A CONVERSA
ABRIR
fundamentais: o Código
dos Contratos Públicos, a Lei
do Tribunal de Contas, o Código
de Procedimento Administrativo
e o Código dos Tribunais
Administrativos e Fiscais.
Isso exige tempo. Não podemos
mudar leis estruturantes do nosso
Estado de um momento para o outro,
em cima do joelho. Foi necessário
trabalhar com especialistas, ouvir
muitas pessoas, perceber... Porque
uma coisa é conhecer a realidade,
outra é aplicá-la.
MAS COMO É QUE COADUNA
A SUA URGÊNCIA DE FAZER COM
OS TEMPOS LEGISLATIVOS, QUE SÃO
SEMPRE MUITO COMPLEXOS?
Temos de ser práticos e realistas
e incorporá-lo no nosso plano.
E acho que estamos a fazê-lo.
Neste momento, tenho em cima
da minha mesa – aliás, já em
processo legislativo no Governo
– a Lei do Tribunal de Contas
e o Código dos Contratos Públicos.
O Código de Procedimento
Administrativo também está
em fase final. Ou seja, temos três
códigos fundamentais prontos,
estando em funções há apenas
sete meses. Tenho um horizonte
[para a reforma do Estado], e nunca
o escondi, de quatro anos. Sempre
fui muito transparente quanto
a isso. É o horizonte que nos é dado
pela Constituição e que, de acordo
com a análise que fiz e o plano que
temos, é suficiente para concretizar
a reforma que queremos.
Com mais tempo, haveria mais
a fazer? Certamente que sim.
Mas o que considero fundamental,
nesta fase da Reforma do Estado,
conseguimos acomodar em quatro
anos. E a verdade é que, em sete
meses, já fizemos muito.
Quando completarmos um
ano de Governo – e há aqui dois
momentos, o do 24. o e o do 25. o
Governo Constitucional, sendo
que tomei posse no dia 4 de junho
de 2025 – teremos condições
para apresentar ao país um
conjunto de obra feita muito
significativo. Uma obra que, no bom
sentido, mexeu com os alicerces
do Estado português, tornando-
“Quando
completarmos
um ano de Governo
teremos condições
para apresentar
ao país um conjunto
de obra feita muito
significativo.
Uma obra que mexeu
com os alicerces
do Estado português
(...) Se conseguimos
fazer isto num ano,
imagine-se o que
podemos fazer
em quatro.”
-os mais sólidos, mais modernos
e mais próximos das pessoas.
Por isso, o exercício que peço é:
se conseguimos fazer isto num ano,
imagine-se o que podemos fazer
em quatro.
DEFINE-SE COMO UM ACADÉMICO
QUE ENTROU NA POLÍTICA OU COMO
UM POLÍTICO QUE TEM FORMAÇÃO
ACADÉMICA?
Tenho muita dificuldade
em colocar títulos – etiquetas
– a mim próprio. Nunca gostei
de me autodefinir. Sempre gostei
de circular entre diferentes áreas:
a academia, a Fundação Francisco
Manuel dos Santos, alguma
atividade no Estado, a relação
com a Presidência da República.
Portanto, diria que sou um
académico, porque essa é a minha
carreira profissional de base,
mas também sou um apaixonado
pela causa pública. E acho que essa
paixão nunca vai desaparecer.
TENDO EM CONTA TUDO ISSO,
COMO GERE A EXIGÊNCIAS DESTAS
FUNÇÕES PROFISSIONAIS COM
A SUA VIDA PESSOAL E FAMILIAR?
SABEMOS QUE É CASADO E TEM
FILHOS...
Acho que é comum, em quem
está na política, que as pessoas à
sua volta acabem por partilhar esse
gosto e essa missão. É evidente
que os filhos têm menos tempo
com o pai. Mas o tempo que têm
é de qualidade. Talvez seja um
pouco utópico, mas gosto
de pensar que aquilo que estou
a fazer é também por eles. Porque,
se este país ficar melhor, eles
também vão beneficiar disso.
Se conseguirmos criar condições
para que os jovens vivam, sejam
felizes e tenham os seus projetos
de vida em Portugal, isso também
será para eles. Portanto, se no fim
de tudo deixarmos um país melhor
para todos, incluindo os meus dois
filhos, acredito que compreenderão
o facto de terem tido menos tempo
com o pai durante algum tempo.
MUDAR COM LIDERANÇA
E DIREÇÃO
A REFORMA DO ESTADO TEM
SIDO APRESENTADA COMO
TRANSVERSAL. É ORGÂNICA,
LEGISLATIVA E TECNOLÓGICA.
COMO SE CONSEGUE GARANTIR A
COORDENAÇÃO EFETIVA ENTRE
ESTAS DIMENSÕES?
Temos uma equipa extraordinária.
Tenho dois secretários de Estado
de grande qualidade, com muita
experiência profissional, incluindo
no setor privado. Também
na agência que tutelamos, o CTO
do Estado, Manuel Dias, é de uma
enorme capacidade e qualidade
técnica. Rodeei-me, portanto,
de pessoas de grande qualidade.
Se não o tivesse feito, a tarefa seria
muito mais difícil, para não dizer
impossível.
Essa coordenação efetiva de várias
áreas gira, no fundo, em torno
de dois princípios orientadores
da reforma do Estado. O primeiro
é o princípio da confiança: a ideia
de que temos de passar a confiar
uns nos outros. Foi a desconfiança
que gerou camadas de burocracia,
com todo o tipo de fiscalizações
e autorizações prévias. Fomos
desconfiando todos uns dos outros
– dos cidadãos, dos empresários,
dos trabalhadores da AP. Portanto,
há uma mudança de mentalidade
que é fundamental para avançarmos
e termos um sistema diferente.
20 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
“Surgem entraves –
jurídicos, tecnológicos,
humanos ou políticos
– e o grande desafio
é ultrapassá-los.
Dito isto, e pela
experiência destes
últimos meses, todos
esses entraves são
superáveis com
tempo, competência,
determinação
e estratégia.”
O segundo é um novo paradigma
de serviço público, centrado
no cidadão e na empresa.
Pode parecer simplista, mas não é.
Tem um significado tremendo
e é muito difícil de alcançar, porque
implica contrariar décadas de
uma mentalidade distinta. Dou um
exemplo prático: muitas vezes
é mais fácil pedir a um cidadão
que vá buscar um documento do
que o Estado se organizar para o ter.
Vimos isso, por exemplo, na recente
calamidade, em que se pedia às
pessoas que tinham perdido as suas
casas que entregassem cadernetas
prediais que o Estado já possui.
Nesse caso, o Governo teve uma
ação decisiva, proibindo – como
está previsto na legislação específica
da calamidade – que fossem
solicitados às pessoas documentos
que a AP já tinha em seu poder. É um
exemplo simples de algo que estamos
agora a alargar a todo o Estado.
A MUDANÇA DA MENTALIDADE
NO SETOR PÚBLICO É UM PROBLEMA
COM DÉCADAS. SENTE QUE ISSO
ESTÁ A MUDAR? COMO É QUE
SE IMPRIME ESSA CULTURA DE
MUDANÇA?
Sinto que está a mudar, embora
seja evidente que é necessária
liderança e direção. E é isso que
estamos a procurar introduzir.
Está a mudar por uma razão
simples: ninguém gosta de trabalhar
num ambiente considerado
ineficiente, de que os cidadãos
se queixam e que sentem que presta
um mau serviço. Os trabalhadores
da AP são as principais vítimas
deste sistema. Por isso,
são os principais interessados
nesta reforma, porque sabem que
ela lhes pode trazer um ambiente
de trabalho e de serviço público
muito melhor e mais compensador.
Dou um exemplo. Alterámos
as regras de funcionamento das
Lojas de Cidadão. Havia dificuldades
com horários, que nem sempre
eram cumpridos, as senhas
esgotavam logo de manhã e,
em muitos casos, o atendimento
exigia marcação, o que dificultava
o acesso. Com estas alterações,
nas lojas com maior pressão,
os horários passaram a ser
contínuos e o atendimento
presencial. Reuni-me com
os dirigentes dos vários serviços
e estavam satisfeitos com o
resultado. Num caso, reportavam
um aumento da capacidade de
atendimento na ordem dos 40%.
Noutro, referiam que, no último
mês, tinham recebido três louvores
dos cidadãos. Este é um exemplo
concreto de uma mudança que teve
um impacto direto na satisfação
dos dirigentes da AP. Porque
sentiram que passaram a atender
melhor e mais pessoas e que isso
foi reconhecido. Alterámos a lei,
que entrou em vigor no dia 1 de
fevereiro, e, num mês, já produziu
estes resultados.
MAS O QUE AINDA SE NOTA MUITO
NOS SERVIÇOS PÚBLICOS
– À EXCEÇÃO DAS ILHAS
DE EXCELÊNCIA – É A FALTA
DE FORMAÇÃO, ALGO QUE NESTA
REFORMA ESTÁ PRECONIZADO,
ASSIM COMO A FALTA DE RECURSOS.
COMO É QUE SE RESOLVE ESTE
PROBLEMA ESTRUTURAL?
Temos de ser muito mais
eficientes. Em qualquer lugar
do mundo, por mais rico que seja,
há sempre escassez de recursos.
O que temos de fazer é geri-los
melhor. Temos um número
de funcionários públicos bastante
razoável: cerca de 760 mil
funcionários públicos, o que está
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 21
À A CONVERSA
ABRIR
dentro da média da OCDE. E não
temos condições para aumentar
ilimitadamente esse número.
Temos de fazer mais com os recursos
que temos. E isso implica formação
e gestão. Implica tirar partido
dos recursos disponíveis e aumentar
a produtividade. E temos hoje uma
grande oportunidade, que é, aliás,
central para nós: a tecnologia.
Traz-nos oportunidades que não
existiam. Nesse sentido, costumo
dizer que tenho alguma sorte face
aos meus antecessores, porque
temos hoje à nossa disposição
recursos tecnológicos que não
existiam há apenas três ou quatro
anos. Penso, por exemplo, na
inteligência artificial que pode, e vai,
representar uma ajuda decisiva.
ALIÁS, A SUA IDEIA É USAR
NO ESTADO A INTELIGÊNCIA
ARTIFICIAL PARA REFORÇAR
A PRODUTIVIDADE...
Claro. Não é para despedir pessoas,
nem para substituir o humano.
O que quero deixar plasmado
nas leis que estamos a aprovar – e que
incorporam a inteligência artificial
e a componente tecnológica – é que
queremos utilizar a tecnologia para
nos ajudar a ser mais eficientes.
Se hoje nos queixamos de uma
licença demorar quatro ou cinco anos
a ser atribuída; se nos queixamos de
um contrato público demorar meses
ou anos a ser formado e assinado;
se nos queixamos que o atendimento
público exige meses de espera
– então temos de perceber que tudo
isto pode ser radicalmente mudado
com a inteligência artificial. Não é
para substituir as pessoas que hoje
tratam das licenças, dos contratos
públicos ou dos registos, mas para
as ajudar. Porque essas pessoas
poderão fazer, em horas ou dias,
aquilo que hoje demoram meses
ou anos. E isso é uma grande
vantagem para elas e um benefício
extraordinário para a sociedade.
Estou absolutamente confiante de
que vamos conseguir demonstrar
estes resultados.
OUTRA MÁXIMA QUE, DESDE
O PRINCÍPIO, NÃO SE TEM CANSADO
DE REPETIR É: SIMPLIFICAR ANTES
“Temos de fazer mais
com os recursos
que temos. E temos
hoje uma grande
oportunidade, que
é central para nós:
a tecnologia. Neste
sentido, tenho alguma
sorte face aos meus
antecessores, porque
temos hoje à nossa
disposição recursos
tecnológicos que não
existiam há apenas
três ou quatro anos.”
DE DIGITALIZAR. COMO É QUE
ESTÁ A AVANÇAR COM TODO ESSE
PROCESSO? ESTÁ A SER FEITA UMA
AVALIAÇÃO AO NÍVEL DE TODOS
OS MINISTÉRIOS?
Digitalizar antes de simplificar
não resolve nada. Digitalizar o que
é complexo é, muitas vezes, criar
mais uma camada de burocracia.
Quantas vezes ouvimos dizer:
“quando era em papel era mais
fácil; agora passou para o digital
e é mais difícil”? Um formulário
não se torna simples só por ser
digital, o que temos de fazer
é simplificar procedimentos.
Temos, por isso, de olhar para
o Estado como um todo. E esse
exercício de simplificação e de
reestruturação do Estado tem dois
níveis. O primeiro, o nível 1, é o dos
ministérios. Para dar um exemplo,
já intervimos no ministério
da Educação, no ministério
do Trabalho e Segurança Social
e no ministério da Energia.
Neste exercício, reduzimos
35 entidades e 300 cargos
dirigentes e devolvemos às escolas
257 professores que estavam
a fazer trabalho burocrático.
Na Polícia, vamos colocar pessoas
a tratar de tarefas administrativas
nas esquadras e libertar
polícias para estarem na rua,
em proximidade, reforçando
a perceção de segurança. Este é
o verdadeiro ganho: não é apenas
22 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
a poupança, é a eficiência
e a produtividade que se geram.
É o “fazer mais com menos”.
Este trabalho de reestruturação
ao nível dos Ministérios está a ser
feito e será concluído até julho.
Mas a simplificação vai mais fundo.
Aí entra no que chamamos
de nível 2: olhar para cada entidade
– como a APA, o ICNF, o IMT ou
o IRN – e garantir que cumprem
a sua função e a sua missão.
Mais do que discutir fusões,
a prioridade é simplificar o seu
funcionamento. Depois, decidir
sobre se vamos fundir, ou não, será
mais claro.
RESTRUTURAÇÃO,
INTEROPERABLIDADE
E DADOS
A CRIAÇÃO DA ARTE E DA FIGURA
DE CTO, COM A NOMEAÇÃO DE
MANUEL DIAS, MOSTRA UMA FORTE
APOSTA NA CENTRALIZAÇÃO
TECNOLÓGICA. QUAL É O GRAU REAL
DE AUTORIDADE E AUTONOMIA
DESTA ESTRUTURA?
Não é por acaso que fizemos
duas coisas logo no início:
reestruturámos a antiga AMA
na Agência para a Reforma
Tecnológica do Estado e nomeámos
o CTO do Estado, figura que
já existe em países digitalmente
avançados, como a Dinamarca
e a Estónia. A mudança é real
e fundamental. Um dos principais
problemas do nosso Estado
é a existência de silos entre
os vários ministérios e os vários
departamentos. Esses serviços
não comunicam entre si, desde
logo do ponto de vista tecnológico,
criando enormes dificuldades
aos cidadãos. A interoperabilidade
é fundamental. A figura do CTO
do Estado serve precisamente para
garantir uma atuação transversal.
Quando o nomeei, disse-lhe que,
se tivesse de haver uma prioridade,
seria a interoperabilidade. Porque
é o que transforma a forma como
o Estado se relaciona com cidadãos
e empresas: deixando de pedir
repetidamente documentos
e de obrigar as pessoas a percorrer
vários serviços. Para dar uma ideia,
“Houve uma condição
essencial desde
o início (acordo
Portugal Espanha
na gigafábrica
de IA): garantir
que se trata de um
projeto paritário.
(...) A capacidade
computacional que
haverá em Espanha
será equivalente
à de Portugal.”
na contratação pública, a nossa
reforma vai permitir eliminar
três milhões de documentos
por ano, documentos que hoje
são pedidos desnecessariamente
e que deixarão de o ser graças
à interoperabilidade. Para que isso
aconteça, o CTO tem de ter poder
transversal para quebrar os silos
entre as entidades. Esses poderes
estão consagrados na lei e é por
isso que a ARTE é uma entidade
completamente diferente da antiga
AMA. E há duas novidades que
gostaria de destacar.
QUAIS?
A primeira é a criação da Rede
de Tecnologias do Estado, aprovada
no Conselho de Ministros há cerca
de três semanas. Esta rede – onde
têm assento o CTO do Estado, eu
próprio e dirigentes das principais
entidades tecnológicas do Estado –
tem como objetivo que os grandes
projetos tecnológicos, incluindo
a interoperabilidade, sejam
discutidos e consensualizados.
Estimamos poupanças na ordem
dos 300 milhões de euros por ano,
porque, ao adquirirmos tecnologia
em conjunto, conseguimos
melhores condições. Mas, tão
ou mais importante do que este
efeito financeiro, é o efeito de
quebra dos silos. É a garantia
de que temos um sistema e uma
visão única do Estado.
A segunda novidade é a Lei
da Interoperabilidade, neste
momento em aprovação. Esta lei
vai garantir que todas as entidades
públicas partilham e integram
a rede de interoperabilidade
– a designada iAP do Estado – e que
nessa rede está toda a informação
necessária para que possam
operar. É aqui que o princípio
do “só uma vez”, passa, finalmente,
a ser uma realidade. Já estava
previsto na lei há 11 anos, mas não
funcionava porque faltava este
instrumento.
ISTO TAMBÉM PERMITE UMA
GOVERNAÇÃO CENTRAL DOS
DADOS...
Obviamente. Isso é fundamental.
Aliás, está previsto na nossa
Estratégia Digital Nacional
– no Programa PAGE, para garantir
uma política central de dados,
assegurar o acesso à informação
e a sua utilização na tomada
de boas decisões. Não é possível
governar e gerir sem medir e sem
ter dados. São precisamente esses
programas que estamos a montar.
O PLANO NACIONAL DE CENTROS
DE DADOS ACABA DE SER
ANUNCIADO E INTRODUZ
UMA DIMENSÃO ESTRUTURAL
NA ESTRATÉGIA DIGITAL
DO ESTADO, ORIENTADA PARA
A COMPETITIVIDADE NACIONAL
E CAPTAÇÃO DE INVESTIMENTO.
QUAIS SÃO OS SEUS OBJETIVOS?
Este é um projeto
verdadeiramente nacional.
Portugal tem, neste momento,
uma oportunidade única, que
o próprio mercado nos revela.
Temos sido abordados por muitos
atores internacionais que querem
instalar os seus centros
de dados no país. Não o podemos
transformar num parque
de centros de dados, porque
seria muito prejudicial para
o nosso ambiente, para o nosso
ecossistema, até para o consumo
energético. Mas, também não
nos podemos fechar a esse
investimento. O objetivo desta
estratégia é criar um plano que nos
permita atrair esse investimento
de forma consciente e responsável.
Desde logo, garantindo que
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 23
À CONVERSA
temos capacidade – por exemplo,
energética – para responder
à procura. E assegurando que
quem investe não se limita aos
edifícios ou aos servidores,
mas contribui para o ecossistema
de investigação e desenvolvimento,
para as nossas empresas e para
a criação de valor. Ou que tenha
uma componente industrial
associada, com a produção
em Portugal de alguns desses
componentes, à semelhança do que
aconteceu nos setores automóvel
ou aeronáutico. Estamos a falar
de um setor de alto valor
acrescentado e, sobretudo, com
um potencial de futuro. Era nossa
obrigação organizar esta procura
e oferta e definir uma estratégia.
E há outro aspeto importante: o time
to market. O tempo entre a decisão
de investimento e o início
da execução é cada vez mais curto
e isso exige capacidade de resposta.
Temos, por isso, de criar condições
para responder a quem nos procura
para investir e, ao mesmo tempo,
exigir-lhes retorno para o nosso país.
Esta estratégia visa exatamente isso:
garantir que estamos organizados,
que temos capacidade de resposta,
que temos energia para essa
resposta e que esse investimento
traz valor acrescentado. Se olharmos
para os fatores de atratividade,
Portugal dispõe da segunda energia
mais barata da União Europeia,
porque temos um mix energético
de 63% de fontes renováveis.
Temos também uma posição
geoestratégica relevante, com cabos
submarinos que nos ligam ao norte
e ao sul da América e a África.
Ou seja, temos condições
geoestratégicas, estruturais e
energéticas que não são muito
facilmente replicáveis noutros
locais. Por isso, no Governo temos
recebido os maiores investidores
internacionais nesta matéria. O que
pretendíamos era criar regras claras
para que todos saibam como podem
instalar os seus investimentos
em Portugal.
A “CEREJA EM CIMA DO BOLO” SERIA
CONSEGUIR A GIGAFÁBRICA IBÉRICA
DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL...
É um projeto em que estamos
muito empenhados e que
consideramos ganhador.
Em Portugal, tínhamos, e temos,
um consórcio muito forte,
com várias empresas, com o apoio
do Banco de Fomento, envolvendo
parceiros internacionais de
grande dimensão, e com o apoio
do Governo. Ao mesmo tempo,
Espanha estava a desenvolver um
projeto semelhante. Num contexto
de excelentes relações, entendemos
que faria sentido juntar esforços.
Falámos com Bruxelas e a receção
foi muito positiva. Este é um projeto
mais sólido e mais competitivo
se for desenvolvido em conjunto.
MAS COMO SE GARANTE QUE NÃO
SEJA TUDO CONSTRUÍDO
EM ESPANHA?
Houve uma condição essencial
desde o início: garantir que se trata
de um projeto paritário. Ou seja,
nenhum país se sobrepõe ao outro.
Isso está claramente consagrado
na declaração de Huelva, que
assegura também a existência
de instalações físicas em ambos
os países. A capacidade
computacional que haverá
em Espanha será equivalente
à de Portugal. Isso é, aliás, positivo,
porque estes projetos exigem
redundâncias físicas.
É igualmente fundamental
assegurar cibersegurança
e soberania digital. Portugal
e Espanha fazem questão
de ter uma zona soberana dentro
da gigafactory, para garantir
que os dados do Estado são
invioláveis e apenas acessíveis
pelo Estado. E, por fim, é preciso
supervisão humana. Mesmo
quando recorremos à inteligência
artificial, seja na contratação
pública ou em processos de
licenciamento, a decisão final tem
de ser validada por uma pessoa.
É isso que garante que o interesse
público foi ponderado e que há
responsabilização.
A APOSTA NO GOV.PT, NA LOJA DE
CIDADÃO VIRTUAL E NA CARTEIRA
DIGITAL DA EMPRESA VISA GANHOS
24 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
“A Reforma
do Estado é um
desígnio nacional,
pelo que temos
de envolver o melhor
que o país tem.
A APDC está entre
essas entidades.
O programa
de Governo incorpora
várias propostas
da Associação. (...)
É uma entidade que
muito acarinho
e que está a trabalhar
connosco, lado
a lado, numa área
fundamental
– a tecnológica.”
DE EFICIÊNCIA. COMO SE MEDE
A ADOÇÃO EFETIVA E O IMPACTO
ECONÓMICO DESTAS INICIATIVAS?
Temos métricas que estão a ser
acompanhadas. Naturalmente,
os resultados mais consolidados
exigem algum tempo, mas já
é possível dar alguns indicadores.
A Carteira Digital da Empresa
tem mais de 10 mil empresas
aderentes e 30 mil documentos
disponíveis. Na Loja do Cidadão
Virtual, registámos já cerca
de meio milhão de atendimentos.
Podemos também traduzir estes
ganhos em termos económicos,
embora isso exija uma análise
mais abrangente. É necessário
considerar o tempo poupado pelos
cidadãos, os custos de deslocação
e até o impacto ambiental
associado. Essas contas estão a ser
feitas. Temos um dashboard que
tem toda a informação, que vai
sendo monitorizada e anunciada.
PORTUGAL ENFRENTA ATUALMENTE
DESAFIOS INESPERADOS
– OS FENÓMENOS CLIMÁTICOS
EXTREMOS E A ESCALADA
GEOPOLÍTICA NO MÉDIO ORIENTE
– COM IMPACTOS ECONÓMICOS
ELEVADOS. ATÉ QUE PONTO
ESTE ENQUADRAMENTO PODE
CONDICIONAR A EXECUÇÃO DA
REFORMA DO ESTADO?
Diria que, neste contexto, faz todo
o sentido acelerar a Reforma do
Estado. Temos o exemplo nacional
e o internacional. No nacional,
com a calamidade no centro
do país, ficou muito claro que
houve uma aceleração da reforma.
Tivemos uma resposta operacional
imediata: fomos para o terreno com
sites de informação de consenso
uniformizada, carrinhas com
internet e ajuda aos cidadãos no
preenchimento dos formulários.
Fomos obrigados a acelerar
a resposta operacional e a ir para
o terreno.
Aconteceu o mesmo com
a resposta jurídica. Dispensámos
contratos do visto do Tribunal
de Contas, permitimos ajustes diretos
sem limites de valor e isentámos
as licenças de reconstrução.
Mas só conseguimos dar esta
resposta musculada e rápida porque
já tínhamos muito trabalho feito.
E NO EXEMPLO INTERNACIONAL?
Aplica-se o mesmo contexto.
Não tenho a pretensão de saber
resolver a crise internacional, mas
há algo que me parece muito claro:
quanto mais instáveis estiverem os
mercados, quanto mais volátil estiver
o preço dos combustíveis, quanto
mais difícil estiver a vida coletiva
internacional, mais importante é a
aceleração da nossa reforma. Porque
essa é a resposta que temos para dar.
Não temos recursos ilimitados, não
conseguimos ir buscar dinheiro onde
ele não existe. Temos, por isso, de ser
mais eficientes, mais produtivos e de
atrair mais investimento estrangeiro.
Neste momento, há investimento que
vem para Portugal, porque é mais
arriscado investir no Médio Oriente.
O mesmo acontece com o Turismo.
A ideia não é aproveitar a desgraça
alheia, mas sim criar condições
de resposta para aqueles que veem
em Portugal um destino seguro
e amigo dos investidores.
A APDC TEM FUNCIONADO COMO
PLATAFORMA DE DIÁLOGO ENTRE
O GOVERNO E O SETOR TECNOLÓGICO
E DAS COMUNICAÇÕES. QUE PAPEL
ATRIBUI À ASSOCIAÇÃO E ÀS
ENTIDADES QUE REPRESENTA NO
PROCESSO DE REFORMA DO ESTADO?
É um papel fundamental.
A Reforma do Estado é um desígnio
nacional, pelo que temos de envolver
o melhor que o país tem. A APDC está
entre essas entidades. O programa de
Governo incorpora várias propostas
da Associação. Muitas das matérias
que estou a referir correspondem
às suas preocupações e contributos.
A APDC foi, aliás, uma das entidades
que ouvi nas audições do PTRR,
no contexto da resposta à calamidade
e do modo como vamos tornar o país
mais resiliente e transformador no
futuro. É uma entidade que muito
acarinho e que está a trabalhar
connosco, lado a lado, numa área
fundamental – a tecnológica,
reunindo associados que podem
e têm contribuído com soluções
tecnológicas concretas. No fundo,
esta reforma só será possível,
com a ambição e a profundidade
que pretendemos, se for feita por
todos e em conjunto.
QUANDO OLHA PARA ESTE PROCESSO
NO SEU CONJUNTO, QUE RESULTADO
CONSIDERA SUFICIENTE PARA DIZER
QUE VALEU A PENA?
Não estou aqui para teorizar.
Tenho um objetivo muito claro:
que, ao fim destes quatro anos,
as pessoas e as empresas sintam
que vivem num país mais justo,
mais próximo, mais próspero.
Um país que os serve melhor e os vê
como a sua prioridade. Isso far-se-á
através de mudanças complexas,
mas também de melhorias simples.
E não se sentirá de um dia para
o outro. Por comparação, é como
ir ao ginásio. Um esforço pontual
e intenso não resolve. Mas, com
consistência, ao longo do tempo,
chega um momento em que sentimos
a diferença: estamos melhor,
mais fortes, mais saudáveis. É isso
que pretendo: que, a certa altura,
cidadãos e os empresários que vivem
e investem em Portugal olhem à sua
volta e percebam que estão num
país melhor. Se conseguir isso, não
preciso de fazer mais nada.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 25
EM A ABRIR DESTAQUE
26 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
QUANDO A VISÃO SE
TRANSFORMA EM
INFLUÊNCIA
A regulação está a moldar a inovação e a
competitividade das economias e quem não
participa na definição das regras do digital
fica fora do jogo. É neste contexto
que a APDC assume um novo papel:
afirmar-se como plataforma de influência
do setor tecnológico, estruturando a sua
atuação em public policy e mobilizando
as empresas do ecossistema para
participar ativamente na definição das
políticas que vão moldar o futuro.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | SYNCVIEW
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 27
EM A ABRIR DESTAQUE
A
tecnologia
tornou-se um
dos principais
campos de disputa
económica
e geopolítica. Nesse contexto,
participar na definição das regras
do digital tornou-se um fator
crítico de competitividade
para países, setores e empresas.
Foi com este enquadramento
que a APDC decidiu alargar a sua
atuação à área de public policy,
estruturada em cinco grupos
de trabalho dedicados a domínios
estratégicos da regulação
digital. Acresce um grupo
de trabalho temporário, criado
para acompanhar o debate
a evolução legislativa sobre
a presença de crianças e jovens
nas plataformas digitais.
No seu conjunto, estes grupos
mobilizam empresas e especialistas
em áreas críticas, transformando
conhecimento e visão estratégica
em contributos concretos para
as políticas públicas, nacionais
e europeias.
Num cenário de crescente
incerteza geopolítica e económica,
em que as tensões internacionais,
as disputas tecnológicas
e a reconfiguração das cadeias
de valor globais estão a redefinir
o equilíbrio mundial, o digital
tornou-se um dos principais
eixos de poder, competitividade
e autonomia estratégica.
A forma como os países e as regiões
investem em tecnologia, como
regulam os mercados digitais
e como protegem as infraestruturas
críticas passou a influenciar
diretamente o seu posicionamento
económico e político no sistema
internacional.
A aceleração tecnológica,
impulsionada pela inteligência
artificial (IA), pela economia dos
dados e pela transformação digital
das empresas e dos serviços
públicos tem sido acompanhada
por uma intensificação
sem precedentes da regulação,
particularmente no contexto
europeu. Com a distância entre
a decisão política e o impacto
económico cada vez mais curta,
quem não participar na definição
destas estratégias acabará
por perder competitividade
e posicionamento.
É neste enquadramento
que a APDC avançou, no âmbito
do novo mandato, iniciado
em 2025, com a criação de grupos
de trabalho dedicados aos temas
estruturantes do digital.
Mais do que espaços de debate,
estes grupos foram concebidos
como instrumentos permanentes
de produção de conhecimento
e de intervenção institucional,
com vista a transformar
contributos técnicos e experiência
empresarial em propostas
concretas para políticas públicas
e para posicionamentos estratégicos.
Esta iniciativa representa uma
evolução natural do percurso
recente da Associação que,
em 2024, elaborou um documento
com uma visão e propostas
para o futuro digital do país.
Elaborado internamente pela
Direção da APDC, o documento
traçava uma visão estratégica
para Portugal no contexto
das transformações digitais
e tecnológicas, propondo medidas
concretas para impulsionar
o desenvolvimento da economia
e reforçar a competitividade do
país. No centro desta visão estava
uma meta: posicionar Portugal,
28 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Sandra Fazenda Almeida, Diretora-
-Geral da APDC é responsável
pela coordenação geral dos
grupos de trabalho, competindo-
-lhe a preparação de relatórios e
documentos de posição e a articulação
com os órgãos da Associação.
num horizonte temporal de oito
anos, entre os cinco primeiros
países da União Europeia (UE27)
em termos de indicadores digitais.
O documento foi apresentado
publicamente no Congresso da
APDC, em maio de 2024, e entregue
ao Governo e ao Parlamento,
para contribuir para o debate
público e para a definição de
políticas públicas. Estruturavase
em seis áreas de intervenção
prioritárias, com propostas
concretas: incentivo ao
crescimento económico sustentável
e territorialmente equilibrado;
promoção e valorização do
talento; adoção e disseminação
de tecnologia nas organizações;
melhoria do funcionamento
do mercado e do enquadramento
regulatório; simplificação
e modernização do Estado;
e reforço da cibersegurança
e da inclusão digital.
DO DEBATE À INTERVENÇÃO
EM POLÍTICAS PÚBLICAS
Menos de um ano depois,
e em contexto de realização
de novas eleições legislativas,
foi efetuada uma revisão
e atualização do documento,
reforçando e aprofundando
algumas propostas estratégicas.
Resultado: entre as medidas
A APDC avançou,
em 2025, com a
criação de grupos
de trabalho dedicados
a temas estruturantes
do digital, que
pretendem ser
instrumentos
de produção
de conhecimento
e de intervenção
institucional.
propostas pela APDC que vieram
a ser acolhidas pelo atual Governo,
no âmbito da Reforma do Estado,
estiveram a criação da figura
do CIO do Estado e a adoção
do princípio ‘Once Only’ no setor
público.
“O trabalho contribuiu para
colocar na agenda pública temas
centrais para o futuro digital
do país. E permitiu demonstrar
que o conhecimento acumulado
do ecossistema de empresas
da APDC pode traduzir-se,
efetivamente, em contributos
relevantes para a formulação
de políticas públicas”, como destaca
Sandra Fazenda Almeida,
Diretora-Geral da associação.
A criação dos grupos de trabalho,
já no âmbito de um novo mandato
de três anos da Associação,
vem formalizar e aprofundar este
modelo de atuação, fortalecendo
o papel da APDC como “interlocutor
privilegiado do setor junto do
governo e reguladores e contribuindo
ativamente para a definição
de políticas públicas em áreas
estratégicas do digital”, explica.
Um dos elementos distintivos
deste modelo reside no papel
ativo das empresas associadas
e patrocinadoras da APDC, além
de especialistas. Nos grupos
de trabalho, participam diretamente
na elaboração de posições
e propostas, trazendo para o processo
de reflexão conhecimento técnico
especializado, experiência
operacional e uma leitura concreta
do impacto que as políticas
digitais produzem no mercado.
“Sempre numa ótica de defender
a competitividade do setor
tecnológico e de potenciar o seu
contributo para o desenvolvimento
da economia e da sociedade”,
salienta Sandra Fazenda Almeida.
E adianta que “este envolvimento
direto permite que os contributos
produzidos no âmbito da
APDC sejam, simultaneamente
estratégicos e pragmáticos,
articulando visão de longo prazo
com viabilidade operacional.
Ao mesmo tempo, permite
estruturar uma voz coletiva
do setor, reforçando a capacidade
de diálogo com decisores públicos,
reguladores e instituições
europeias”.
No total, foram criados
no ano passado cinco grupos
de trabalho que, ao longo do ano,
iniciaram atividades e avançaram
na definição de prioridades,
na calendarização regular
de reuniões e na elaboração
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 29
EM A ABRIR DESTAQUE
Para a Diretora-Geral da APDC,
“a formalização dos grupos de
trabalho representa um passo decisivo
na afirmação da Associação como
plataforma de influência qualificada”.
de documentos de enquadramento
e propostas de posição. Deste
modo, contribuindo já ativamente
para reforçar o diálogo institucional
com entidades governamentais,
reguladores e outros stakeholders
relevantes. Com esta aposta
estratégica, a APDC consolidou
um modelo de intervenção mais
estruturado e participado, alinhado
com a crescente complexidade
da agenda digital.
Para a Diretora Geral,
a “formalização dos grupos
de trabalho representa um passo
decisivo na afirmação da Associação
como plataforma de influência
qualificada, capaz de articular
o setor e contribuir ativamente para
a construção de políticas públicas
que reforcem a competitividade,
a inovação e a sustentabilidade
do ecossistema digital nacional”.
Já este ano, e tendo em conta que
o intenso debate sobre a idade
mínima de acesso de crianças
e jovens às redes sociais e
plataformas digitais tem ganho
uma relevância crescente no
espaço público europeu e nacional,
foi criado um grupo de trabalho
extraordinário para analisar
o tema e definir a posição da APDC.
“A discussão envolve múltiplas
dimensões, desde a proteção
de menores e a literacia digital até
à responsabilidade das plataformas,
aos mecanismos de verificação
de idade e às implicações
regulatórias associadas ao
enquadramento europeu do digital.
Como o tema entrou recentemente
na agenda legislativa nacional
– o Parlamento aprovou em fevereiro
uma proposta de projeto-lei, que está
agora a ser debatido na especialidade
– considerou-se que a relevância
e sensibilidade do tema justificam
uma abordagem estruturada por
parte da APDC”, explica.
“A decisão surgiu na sequência
de um evento que realizámos sobre
mediação parental, que contou
com a participação de Paulo
CONSTRUIR POSIÇÕES COMUNS EM ECOSSISTEMA
Como estruturas de colaboração,
os grupos de trabalho criados
pela APDC reúnem empresas,
especialistas e representantes
do ecossistema digital para analisar
temas estratégicos, acompanhar
evoluções regulatórias e produzir
contributos técnicos que possam
informar o debate público e os
processos de decisão.
Para poderem participar, as empresas
terão de ser patrocinadoras anuais
e associadas da APDC, com experiência
comprovada nas áreas em análise,
podendo ainda incluir especialistas
externos convidados. Sendo que
as associadas podem integrar os grupos
em regime experimental, por um
período até seis meses, para avaliarem
a adequação da participação
e o contributo mútuo. Entre
as regras definidas, e para garantir
um envolvimento ativo nas atividades
do grupo, a ausência injustificada em
duas reuniões consecutivas poderá
implicar a perda do lugar.
Cada grupo tem um/a coordenador/a
cuja missão é apoiar a definição
de prioridades temáticas, estimular
o envolvimento dos participantes entre
reuniões e contribuir para
a elaboração de documentos
de posição, contributos técnicos
e outros resultados do trabalho
desenvolvido. A coordenação geral
é assegurada pela Diretora-Geral
da APDC, que é responsável
pela convocatória das reuniões,
pelo apoio à preparação de relatórios
e documentos de posição e pela
articulação com os órgãos da
Associação. Compete-lhe ainda
acompanhar o calendário legislativo
europeu e assegurar a coerência
e coordenação entre os diferentes
grupos. Cada grupo de trabalho
define os respetivos planos de
atividades num horizonte trimestral
e reúne, em regra, uma vez por
trimestre, em sessão plenária,
podendo ser convocadas reuniões
extraordinárias sempre que
a evolução dos temas em análise
o justifique. Para facilitar
a colaboração entre reuniões,
os participantes utilizam uma
plataforma digital partilhada,
que permite a troca de documentos
e o acompanhamento contínuo
dos trabalhos. No âmbito das suas
atividades, os grupos monitorizam
processos legislativos e iniciativas
de política pública relevantes,
produzindo sínteses, notas de
enquadramento ou documentos
de posição sempre que necessário.
Poderão também ser organizadas
sessões abertas relacionadas com
o trabalho dos grupos, sobretudo
em momentos importantes de consulta
pública ou em iniciativas relacionadas
com a agenda digital europeia.
30 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Os grupos de
trabalho da APDC
acompanham
temas como a IA e
a inovação digital,
as infraestruturas
e a conectividade, a
cibersegurança e a
resiliência digital, a
soberania digital e
governação de dados,
e os limites de idade
no digital.
Lopes Marcelo, vice-presidente
do Grupo Parlamentar do PSD
e autor do projeto de lei atualmente
no Parlamento. O debate refletiu
o crescente interesse político
e regulatório em torno desta
matéria, bem como a necessidade
de promover uma análise
informada sobre os seus impactos
no ecossistema digital”, acrescenta
Sandra Fazenda Almeida.
Por isso, já foram envolvidos
alguns dos principais stakeholders
empresariais, “com vista à definição
de uma posição equilibrada
e tecnicamente fundamentada”.
Pretende-se, também aqui, “com um
diálogo estruturado entre as partes
interessadas do setor, preparar
uma posição institucional equilibrada
e tecnicamente fundamentada
da APDC”.
ONDE O SETOR FALA A UMA SÓ VOZ
Todos os grupos de trabalho
funcionam como um espaço
em que o setor digital se
organiza, estabelece prioridades
e contribui para a definição
das condições que moldam
o seu próprio desenvolvimento.
Além das posições públicas
assumidas, acabam por se tornar
mecanismos de monitorização
e análise de iniciativas, traduzindo
os seus potenciais impactos
para o contexto empresarial
e identificando oportunidades
de participação nos processos
de consulta e decisão.
“A maioria das iniciativas
regulatórias que afetam o setor
tecnológico nasce hoje no contexto
europeu. Regulamentos e diretivas
nas áreas da inteligência artificial,
da cibersegurança, da governação
de dados ou das plataformas
digitais têm um impacto direto
na forma como as empresas
inovam, investem e competem
em todos os mercados”, comenta
Sandra Fazenda Almeida.
Por isso, estes grupos
“assumem também uma função
de mediação estratégica”
e “criam condições para que os
contributos técnicos produzidos
em Portugal possam alimentar
o debate europeu, reforçando
a presença do setor tecnológico
português em discussões
que influenciam diretamente
a sua competitividade”.
Para alcançar estes objetivos,
os grupos de trabalho foram
criados em torno de temas
estruturantes para a próxima
década, áreas onde se concentram
algumas das decisões mais
relevantes para o futuro digital.
Entre elas estão a inteligência
artificial e a inovação digital, as
infraestruturas e a conectividade,
a cibersegurança e a resiliência
digital, a competitividade
e o funcionamento do mercado
único, as questões relacionadas
com soberania digital e governação
de dados e, mais recentemente,
os limites de idade no digital.
Cada grupo parte de um conjunto
de questões estratégicas concretas e
a partir das quais produzem análises,
recomendações e contributos que
alimentam os documentos de posição
da APDC, respostas aos processos de
consulta pública ou ainda iniciativas
de diálogo institucional com decisores
políticos.
“Com esta iniciativa, a APDC
reforça o seu posicionamento
como plataforma de articulação
do ecossistema digital português
e como interlocutor qualificado
no debate sobre políticas tecnológicas
e digitais. Num momento em que
as decisões sobre o futuro digital
da economia se tornam cada vez
mais complexas e interdependentes,
a existência de espaços estruturados
de reflexão e cooperação entre
empresas, especialistas
e instituições assume particular
relevância”, reforça a Diretora-Geral.
“É uma nova etapa no
desenvolvimento institucional
da associação. Mais do que
acompanhar a transformação
digital e antecipar as grandes
tendências de futuro, procura
ainda contribuir ativamente para
a moldar, garantindo que o setor
tecnológico português participa
na definição das regras, das
prioridades e das estratégias
que irão influenciar a próxima
década”, conclui.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 31
EM A ABRIR DESTAQUE
SEIS FRENTES ONDE SE DECIDE
O FUTURO DIGITAL
Da IA à cibersegurança, das infraestruturas digitais à soberania tecnológica, passando pela
competitividade das startups e pela proteção de menores online, os Grupos de Trabalho APDC
acompanham alguns dos debates mais relevantes para o futuro digital da economia. Reunindo empresas,
especialistas e decisores, analisam evoluções tecnológicas e regulatórias, participam em consultas
públicas e contribuem para a definição de posições que procuram influenciar políticas públicas.
GRUPO DE TRABALHO 1
GRUPO DE TRABALHO 2
CONECTIVIDADE
E INFRAESTRUTURAS
DIGITAIS
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
E INOVAÇÃO DIGITAL
A rápida evolução
da inteligência artificial
está a redefinir modelos
de negócio, cadeias de valor
e processos de decisão em
todos os setores económicos.
Ao mesmo tempo, a UE avançou
com um quadro regulatório
pioneiro nesta área, que
introduz novas obrigações
para empresas e organizações
públicas. Este grupo tem como
objetivo acompanhar esta dupla
transformação – tecnológica
e regulatória – analisando
de que forma a adoção da IA
pode reforçar a competitividade
das empresas e contribuir para
a modernização da economia
nacional.
Entre as suas áreas de reflexão
incluem-se a aplicação da IA
em diferentes setores,
a articulação entre inovação
e regulação no contexto
do AI Act, a promoção de
ecossistemas de experimentação
e a identificação de condições
que permitam acelerar a adoção
de tecnologias avançadas
em Portugal. O trabalho
desenvolvido neste âmbito
pretende apoiar a formulação
de posições técnicas da
APDC sobre IA, contribuindo
para o debate público e
para a definição de políticas
que conciliem inovação,
competitividade e confiança.
Em junho de 2025, participou
na consulta pública aberta
pela Comissão Europeia (CE)
sobre “Apply AI Strategy
– Strengthening the AI
Continent”. No mês seguinte,
respondeu também à consulta
pública europeia sobre
o “AI Continent – New Cloud
and AI Development Act”.
Em novembro, apresentou
a “Proposta de Linhas
Orientadoras para a Estratégia
Nacional de IA”. Já este ano,
entregou o seu contributo
no âmbito da consulta pública
sobre o “Digital Omnibus”,
que visa simplificar as regras
na UE27.
A conectividade constitui
uma das bases estruturais
da economia digital. Redes
de comunicações eletrónicas,
infraestruturas de dados e novas
tecnologias de conectividade
são hoje absolutamente
críticas para o funcionamento
das empresas, a prestação
de serviços públicos,
o desenvolvimento de novos
modelos de negócio, bem
como para o funcionamento
da economia e da sociedade.
Este grupo centra-se na análise
dos desafios associados
à evolução das redes
e das infraestruturas
tecnológicas que sustentam
a transformação digital.
A reflexão abrange temas como
o desenvolvimento de redes
de nova geração, o aumento
da capacidade de processamento
e armazenamento de dados,
e as condições necessárias
para garantir investimento
sustentável em infraestruturas
digitais.
Num contexto europeu
em que a competitividade
tecnológica depende cada
vez mais da qualidade
e da escala das infraestruturas,
procura identificar as
prioridades estratégicas
para Portugal e contribuir
para um debate informado
sobre políticas públicas,
modelos de investimento
e enquadramento regulatório.
Nesse sentido, participou
em setembro do ano passado
na consulta pública sobre
a primeira revisão do Digital
Markets Act (DMA). Está agora
a trabalhar numa tomada
de posição sobre a proposta
europeia do Digital Networks
Act (DNA).
MEMBROS
AWS • AXIANS • CAPGEMINI • CISCO • CLARANET •
ERICSSON • GOOGLE • HUAWEI • INETUM • KYNDRYL • MEO •
META • MINSAIT • NOKIA • NOS • VANTAGE TOWERS •
VINCES CONSULTING • VODAFONE
MEMBROS
AWS • CAPGEMINI • CISCO • CLARANET • CONTACTUS •
DELOITTE • GOOGLE • HP • HPE • HUAWEI • INETUM • KYNDRYL •
MEO • META • MICROSOFT • MINSAIT • NOKIA • NOS •
NTT DATA • VODAFONE
32 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
GRUPO DE TRABALHO 3
MERCADO ÚNICO DIGITAL,
COMPETITIVIDADE
E STARTUPS
O desenvolvimento de um
verdadeiro mercado digital
europeu continua a ser
um dos principais objetivos
da estratégia digital da UE.
No entanto, as empresas
tecnológicas, sobretudo as
startups e as empresas em fase
de crescimento, enfrentam
desafios significativos
relacionados com a elevada
fragmentação regulatória,
o acesso a financiamento
e a capacidade de expansão.
Este grupo analisa esses
desafios, a partir da perspetiva
das empresas e do ecossistema
de inovação, para identificar
barreiras à expansão
internacional, avaliar o impacto
das políticas europeias no
desenvolvimento empresarial
e propor medidas que reforcem
a competitividade das empresas
tecnológicas portuguesas.
Entre os temas em análise
incluem-se a evolução do
quadro regulatório europeu
para plataformas e serviços
digitais, as condições
de crescimento das startups,
os mecanismos de financiamento
da inovação e o papel das
políticas públicas no reforço
da competitividade tecnológica.
O objetivo é contribuir para
uma reflexão estratégica sobre
o posicionamento das empresas
portuguesas no mercado digital
europeu e global. Participou
na consulta da CE, em setembro
do ano passado, sobre
o Digital Markets Act e, mais
recentemente, preparou
um documento para integrar
a posição da APDC a apresentar
na consulta sobre o Digital
Omnibus.
MEMBROS
ALIBABA • CLARANET • GOOGLE • HUAWEI • META • MINSAIT •
NOS • VODAFONE
GRUPO DE TRABALHO 4
CIBERSEGURANÇA
E RESILIÊNCIA DIGITAL
À medida que a digitalização se
torna transversal à economia e à
sociedade, os riscos associados
aos ciberataques e incidentes de
segurança aumentam em escala
e complexidade. Em paralelo,
há novas iniciativas regulatórias
europeias, como a diretiva NIS2
ou o Cyber Resilience Act, que
estão a introduzir requisitos mais
exigentes para organizações
públicas e privadas. Este
grupo centra-se na análise
destas evoluções, procurando
compreender de que forma
empresas e instituições podem
reforçar a sua capacidade de
prevenção, deteção e resposta
a incidentes de segurança.
Inclui temas como a proteção
de infraestruturas críticas, a
gestão de riscos cibernéticos,
o impacto da regulação
europeia nas organizações
e o desenvolvimento de
competências especializadas
nesta área.
Ao promover a troca de
conhecimentos entre empresas,
especialistas e entidades
institucionais, pretende-se
contribuir para a construção
de um ecossistema digital
mais seguro e resiliente,
alinhado com as prioridades
estratégicas da UE. Entre os
temas considerados relevantes
para 2026, destacam-se o
Novo Regime Jurídico da
Cibersegurança, que produz
efeitos em abril, com uma
implementação faseada, e a
resposta à consulta da CE sobre
a NIS2, até 3 de abril.
MEMBROS
.PT • AXIANS • CAPGEMINI • CISCO • ERICSSON • HP • HUAWEI •
INETUM • KYNDRYL • MEO • META • MICROSOFT • MINSAIT •
NOKIA • NOS • NTT DATA • VODAFONE
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 33
EM A ABRIR DESTAQUE
GRUPO DE TRABALHO 5
SOBERANIA DIGITAL
E DADOS
O debate europeu sobre
a soberania digital ganhou
particular relevância, refletindo
as preocupações em torno
das dependências tecnológicas
da UE27, do controlo sobre
infraestruturas críticas e da
governação de dados. O grupo
centra-se na análise destes
temas, avaliando de que forma
a Europa e os Estados-Membros
podem reforçar a sua autonomia
tecnológica sem comprometer
a abertura e a inovação que
caracterizam a economia digital.
Estão em causa áreas como
a governação e partilha
de dados, a evolução das
infraestruturas cloud, o papel
das tecnologias emergentes
e a articulação entre políticas
industriais, tecnológicas e
digitais no contexto europeu.
Ao acompanhar iniciativas
estratégicas da UE nesta
área, procura identificar
oportunidades e riscos para
o ecossistema digital português,
contribuindo para um
posicionamento informado
das empresas e para o debate
sobre as opções estratégicas
do país. Nesse sentido,
participou em julho de 2025
na consulta lançada pela CE
sobre o futuro “AI Continent –
New Cloud and AI Develoment
Act”, assim como na revisão
do DMA, em setembro. Ao nível
nacional, enviou ao Governo
a 21 de novembro um Position
Paper sobre a Adoção da Cloud
em Portugal. Sobre o mesmo
tema, deverá ser realizado este
ano um evento para debater
a posição da APDC.
MEMBROS
AWS • AXIANS • CLARANET • GOOGLE • HUAWEI • META •
MICROSOFT • NOS
GRUPO DE TRABALHO
EXTRAORDINÁRIO
LIMITES DE IDADE
PARA CRIANÇAS E JOVENS
NO MUNDO DIGITAL
O debate sobre a idade mínima
de acesso de crianças e jovens
às redes sociais e plataformas
digitais tem ganho relevância
crescente no espaço público,
tanto europeu como nacional.
A discussão envolve múltiplas
dimensões, desde a proteção
de menores e a literacia digital
até à responsabilidade das
plataformas, aos mecanismos
de verificação de idade
e às implicações regulatórias
associadas ao enquadramento
europeu do digital. E o tema
já está na agenda legislativa,
com a apresentação, no
Parlamento, de um projeto
de lei que estabelece medidas
de proteção das crianças em
ambientes digitais. A proposta
admite a utilização por jovens
entre os 13 e os 16 anos apenas
mediante consentimento
parental verificado, autenticado
através da Chave Móvel Digital.
Já aprovada na generalidade,
está agora a ser debatida
na especialidade.
Tendo em conta a complexidade
técnica e regulatória associada
ao tema, a APDC decidiu criar
este grupo, com carácter
temporário, dedicado à idade
de acesso de crianças e jovens
às redes sociais e plataformas
online. Tem como missão
acompanhar a evolução
do processo legislativo em
Portugal e os desenvolvimentos
em curso a nível europeu, bem
como analisar as implicações
regulatórias, tecnológicas
e operacionais associadas
à eventual definição de limites
etários para o acesso
às plataformas digitais.
Entre os temas a abordar estão
a articulação com o quadro
regulatório europeu, incluindo
o DSA e o Regulamento Geral
de Proteção de Dados (RGPD),
os mecanismos de verificação
de idade e as questões
de proporcionalidade associadas
à sua implementação.
Acrescem ainda os potenciais
impactos destas medidas
no funcionamento do
ecossistema digital, na inovação
e no acesso de jovens a serviços
digitais.Este grupo está
já a trabalhar para desenvolver
uma posição institucional
equilibrada e tecnicamente
fundamentada, que possa
contribuir para o debate
público e para o processo
legislativo em curso em torno
deste projeto de lei.
MEMBROS
.PT • ALIBABA • CLARANET • GOOGLE • META • MICROSOFT •
TIKTOK • VODAFONE
34 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
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MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 35
5Perguntas a...
Rui Assis
MANAGING DIRECTOR
DA ÁREA DE
COMUNICAÇÕES,
MEDIA E TECNOLOGIA,
ACCENTURE
PORTUGAL
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
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36 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
ESTRATÉGIA,
TECNOLOGIA
E REINVENÇÃO
Vivem-se dias de pressão competitiva e tecnológica
nas telco. Entre a modernização de sistemas core,
a integração de dados e a escalabilidade da IA,
Rui Assis defende que o desafio não está em lançar
pilotos, mas em tornar a IA numa vantagem estrutural.
1É MANAGING DIRECTOR
DE COMMUNICATIONS, MEDIA
& TECHNOLOGY NA ACCENTURE
PORTUGAL. QUE PRIORIDADES
DEFINIU PARA ESTE NOVO DESAFIO?
Comecei por ouvir e conhecer os nossos
clientes e por compreender melhor o setor.
Em Portugal, os desafios são claros: maior
pressão competitiva, crescimento limitado
no B2C tradicional, necessidade de
modernizar os sistemas de informação
core e de acelerar a transição para modelos
orientados a dados e inteligência artificial (IA).
Está ainda a aumentar a exigência de
diferenciação na experiência do cliente
e de maior relevância no B2B. Das muitas
conversas com executivos do setor,
confirmei ainda um ponto essencial:
temos operadores que são, em muitos
casos, referências internacionais. São
tecnologicamente sofisticados e plenamente
conscientes das transformações em
curso. Neste contexto desafiante, a minha
prioridade é contribuir para reforçar o
posicionamento de liderança da Accenture
no setor, afirmando-nos como um parceiro
de reinvenção. Isso implica apoiar os nossos
clientes a integrar estratégia, tecnologia
e modelo operacional de forma coerente,
para gerar resultados concretos e escaláveis.
2FACE À ACELERAÇÃO
TECNOLÓGICA, ONDE ESTÃO
AS MAIORES OPORTUNIDADES
DE TRANSFORMAÇÃO PARA
AS ORGANIZAÇÕES?
Sempre foi claro para mim que o setor telco
é pioneiro nas grandes transformações.
Está novamente nessa posição com a IA.
Isso traz maior exigência, mas também uma
oportunidade relevante de reforçar o seu
papel na economia digital. No B2C, o desafio
está em converter confiança em lealdade.
Os consumidores exigem experiências mais
fluídas e serviços com maior relevância
no seu dia a dia. A incorporação da IA ao longo
da jornada do cliente – com personalização
em tempo real, assistentes inteligentes
e ofertas integradas – pode ser um fator de
diferenciação e potenciar propostas de valor
premium. Por outro lado, no B2B há uma
preocupação crescente com os temas
de soberania digital e com a capacidade local
de dados e computação. Ao evoluírem de
fornecedores de conectividade para parceiros
que integram rede, cloud e IA nas suas ofertas,
as telcos podem capturar uma parcela maior
de valor. Isso abre espaço para assumirem
um papel mais central e estruturante
na infraestrutura digital da economia.
3A IA PASSOU DO HYPE
À EXECUÇÃO. O QUE DISTINGUE
AS EMPRESAS QUE ESTÃO
A CAPTURAR VALOR DAS QUE
APENAS EXPERIMENTAM?
Ir além dos pilotos e das provas de conceito
é ainda um desafio em todos os setores.
No caso das telcos, porém, a fasquia é mais
elevada, dada a sua maturidade tecnológica
e experiência acumulada na gestão de
sistemas críticos. A dificuldade em escalar
a IA resulta normalmente de problemas
estruturais: dados dispersos, sistemas
legados e arquiteturas pouco integradas.
A IA não elimina estas fragilidades, expõe-nas.
Neste sentido, as empresas que conseguem
capturar valor são as que começam por
garantir fundações sólidas: integram dados,
simplificam a arquitetura tecnológica e
ajustam o modelo operativo, para permitir
escalar casos de uso de IA de forma
transversal. A diferença não está, portanto,
na quantidade de pilotos lançados, mas sim
na capacidade de transformar a IA numa
vantagem estrutural.
4A ESCASSEZ DE TALENTO
QUALIFICADO É UM ENTRAVE
À TRANSFORMAÇÃO DIGITAL.
QUE ESTRATÉGIAS SERIAM MAIS
EFICAZES PARA REFORÇAR
ESTAS COMPETÊNCIAS?
O país tem talento de qualidade
internacional. Vejo isso todos os dias
na Accenture, onde a partir de Portugal
lideramos e executamos projetos complexos,
tanto para as principais organizações
nacionais como para clientes globais.
O verdadeiro desafio é a velocidade de
transformação. A IA e agora os modelos
agentic estão a evoluir mais rapidamente
do que muitos modelos de formação
e do que a própria capacidade de adaptação
das organizações. É essencial apostar em
reskilling e upskilling contínuos, reforçar
a ligação entre empresas e universidades,
para alinhar a formação com as necessidades
reais do mercado e, simultaneamente, criar
nas organizações contextos onde o talento
possa aplicar novas competências em projetos
concretos. Na Accenture, seguimos essa
abordagem de forma consistente, preparando
as nossas equipas para um contexto cada
vez mais orientado a AI e a modelos agentic.
Porque a vantagem competitiva estará em
quem conseguir requalificar e mobilizar
talento com maior rapidez.
5QUE DIRIA ÀS ORGANIZAÇÕES
QUE QUEREM ACELERAR
A TRANSFORMAÇÃO, MAS TÊM
LIMITAÇÕES DE TALENTO,
ORÇAMENTO OU CULTURA INTERNA?
Num contexto de recursos limitados,
é importante começar por estabelecer
prioridades com impacto claro e mensurável.
Tentar transformar tudo ao mesmo tempo
tende a dispersar esforço e energia. Outro
ponto essencial é assegurar uma base sólida
antes de escalar iniciativas mais visíveis.
Modernizar dados, simplificar arquitetura
e eliminar redundâncias pode não ser a parte
mais mediática da transformação, mas
é frequentemente o que permite avançar
de forma sustentada. É igualmente
importante reconhecer que a transformação
não é apenas uma questão tecnológica.
Exige mudança cultural e alinhamento interno.
As telcos já demonstraram capacidade
de se transformar em várias circunstâncias.
O desafio agora é maior, porque requer uma
verdadeira capacidade de reinvenção.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 37
OPINIÃO
O QUE ACONTECE DEPOIS DA VENDA
A fidelização raramente começa na campanha de marketing, mas sim
quando o cliente precisa de ajuda e decide contactar a empresa.
É aí que a marca se revela: na qualidade da resposta, empatia
do atendimento e capacidade de resolver problemas sem fricção.
Num mercado onde conquistar clientes é cada vez mais caro, a
verdadeira vantagem competitiva está no que acontece no pós-venda.
RICARDO SALGADO
Diretor de Vendas e Operações
da Intelcia Portugal
O
cliente de hoje chega
informado. Já comparou,
já leu opiniões, já decidiu
ou está muito perto disso. Quando
entra em contacto com uma
empresa, não quer ser convencido.
Quer ser ajudado. Quer alguém que
resolva o problema, sem rodeios,
sem scripts disfarçados e com
respeito pelo seu tempo.
É nesse momento, muitas vezes
invisível para as organizações, que
a fidelização começa a ser decidida.
Há empresas que tratam este
contacto como mais um ticket
a fechar. E há outras que o encaram
como se alguém tivesse acabado
de entrar em sua casa. A diferença
não está no processo, está na atitude.
É por isso que o atendimento deixou
de ser apenas suporte. Hoje, é um
dos principais motores de fidelização,
e, em muitos casos, o ponto
de partida para novas vendas.
Cada interação conta.
Não porque seja uma oportunidade
de vender mais, mas porque é uma
MIGUEL AZEVEDO
Diretor de Operações
da Intelcia Portugal
oportunidade de gerar confiança.
Um atendimento bem feito
tranquiliza, valida decisões e reduz
dúvidas. Cria espaço para up-selling
e cross--selling sem pressão, quase
como consequência natural.
Para isso, as equipas não podem
ser apenas executoras de guiões.
Precisam de autonomia, contexto
e capacidade de decidir. O sucesso
aqui não se mede só em volume,
mede-se na experiência e na
sensação com que o cliente termina
o contacto.
O cliente, aliás, não pensa em
canais. Não distingue loja, telefone,
chat ou app. Vê uma marca. E espera
coerência. Omnicanalidade não
é estar em todo o lado, é garantir
continuidade, contexto e resolução,
independentemente de onde
a conversa começa.
QUANDO O ATENDIMENTO SE TORNA
ESTRATÉGIA
Apesar disso, muitas empresas
continuam focadas quase
exclusivamente na aquisição.
Investem em campanhas, descontos
e promessas de curto prazo,
enquanto subestimam a fidelização.
Manter um cliente é mais eficiente,
mais sustentável e, frequentemente,
mais rentável do que conquistar um
novo. O atendimento pós-venda é,
na prática, a pré-venda da próxima
compra.
A tecnologia é essencial, mas
não chega. Dados, automação e IA
ajudam a antecipar necessidades
e a ganhar eficiência, mas não
substituem a empatia. Atender uma
chamada é entrar num território
desconhecido. Não sabemos
quem está do outro lado, nem
em que estado emocional chega.
É precisamente nesse instante que
a marca se revela ou se compromete.
Grande parte do valor gerado
pelos contact centers não aparece
nos dashboards. Vive na confiança
construída, nos conflitos evitados
e nos clientes que escolhem ficar.
São também verdadeiras escolas
de competências e liderança. Muitos
percursos sólidos começaram
com um headset e estes profissionais
são embaixadores diários das
marcas que representam. Carregam-
-nas na voz, nas palavras e nas
decisões que tomam em tempo real.
Ignorar este papel é um erro
estratégico. Valorizar o atendimento
não é apenas um gesto de cuidado,
é reconhecer que o customer care
é um ativo estratégico. É nele que
se decide a fidelização, se constrói
confiança e se transforma cada
interação numa oportunidade real
de crescimento para a marca.
38 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 39
NEGÓCIOS
CONECTIVIDADE
GLOBAL A PARTIR
DE LISBOA
Em atividade em Portugal há quase nove anos,
a Equinix trabalha diariamente para potenciar Lisboa
como hub estratégico de conectividade global, através
da sua rede de cerca de 270 data centers em todo
o mundo. Com duas infraestruturas na capital
portuguesa, a multinacional norte-americana
está à distância de ter um terceiro data center
para dar resposta à crescente procura neste setor.
FOTOS | TIAGO FRAZÃO/SYNCVIEW
40 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 41
NEGÓCIOS
Quando se fala
de data centers
em Portugal, há
nomes que surgem
naturalmente
e a Equinix é um
deles. Mais do que uma referência,
tornou-se um verdadeiro pilar
da infraestrutura digital do país.
Em Portugal desde 2017, após
aquisição da empresa Itconic,
a multinacional norte-americana
tem vindo a afirmar-se como uma das
grandes plataformas de conectividade
global, através de uma rede com
cerca de 270 data centers distribuídos
pelo mundo, incluindo em Lisboa.
O hub da capital portuguesa
assume um papel particularmente
relevante graças aos cabos
submarinos instalados, que
permitem a ligação entre a Península
Ibérica, desde o Prior Velho,
e os continentes africano e sul
americano.
“Não há nenhuma localização
neste momento, em Portugal,
que consiga melhor latência, quase
em qualquer direção, quase para
qualquer plataforma, para qualquer
entidade, para qualquer sistema
a nível global. A Equinix garante
uma plataforma de alojamento
na qual tem as condições físicas que
são os referenciais de mercado, bem
como toda a parte de climatização
e de segurança. Isto tudo associado
a um SLA [Service Level Agreement]
extraordinariamente exigente”,
considera Carlos Paulino, managing
director da Equinix Portugal.
A Equinix conta hoje com
duas infraestruturas dedicadas
a “clientes de rede”, sejam empresas
públicas ou privadas, nacionais
ou internacionais: “Qualquer cliente
que veja como um fator competitivo
temas de latência e de rapidez
de resposta dos serviços que presta,
automaticamente vai ver a Equinix
como uma opção.”
O primeiro data center, o LS1, data
de 1999 e foi originalmente criado
pela Carrierhouse, empresa que
posteriormente se tornou Itconic.
Referido pelo responsável como
o “primeiro data center neutral
do país”, a infraestrutura tem
vindo a ser alvo de constantes
atualizações, fazendo com que
a maioria dos sistemas ali instalados
não tenham mais de dois anos.
Cerca de 26 anos depois,
em 2025, a Equinix inaugurou um
novo data center, o LS2, localizado
mesmo ao lado da infraestrutura
original, num investimento
de cerca de 100 milhões de euros.
O LS2 conta o dobro da capacidade
de LS1: são mais de dois mil metros
quadrados de espaço de colocation,
com uma área técnica escalável
e fontes de alimentação totalmente
redundantes. Os dois data centers,
em conjunto, oferecem mais
de 2.000 interconexões, serviços
de conectividade de rede para
mais de 100 clientes empresariais,
mais de 45 redes e quatro Internet
Exchanges.
As infraestruturas, explica
o responsável pela Equinix Portugal,
funcionam de forma autónoma,
apesar da proximidade física
e de poderem estar interligadas,
caso seja necessário.
“O LS1 é um centro absoluto
de conectividade, quer da parte
de fibras terrestres com toda
a Europa, quer de toda a parte
submarina, que sai maioritariamente
de Lisboa, mas também neste
momento já com o cabo de Sines.
É o ponto mais interconectado de
Portugal. Toda essa conectividade,
neste momento, está concentrada
neste data center e o LS2 permite
a todos os clientes ali duplicarem
a sua infraestrutura. Temos
uma resiliência adicional e uma
redundância criada por edifícios
distintos, com sistemas de energia
distintos, equipas de operação
e recursos humanos distintos,
para termos a certeza de que, apesar
de serem vizinhos, a segmentação
é absolutamente total”, explica o
responsável pela Equinix Portugal.
ONDA DE DATA CENTERS
O novo data center da Equinix,
cuja inauguração foi antecipada
cerca de um ano, veio dar resposta
à “onda” de crescimento na procura
por este tipo de infraestruturas
que se vive atualmente em Portugal.
De acordo com Carlos Paulino,
se inicialmente os fornecedores
de serviços de cloud, quando
chegaram à Europa, instalaram-se
em cidades como Frankfurt,
42 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
podemos esquecer-nos que somos
o único país ligado à Nigéria, que
tem 200 milhões de habitantes.
É um mercado absolutamente
inacreditável e a crescer com
pessoas ávidas de telemóveis
e de aplicações.”
“A Equinix garante
uma plataforma
de alojamento
na qual tem as
condições físicas
que são os
referenciais
de mercado, bem
como toda a parte
de climatização
e de segurança.”
Londres, Amesterdão, Paris
e Dublin – os chamados FLAPD –,
a crescente importância de
temáticas como a latência
e a soberania de dados levou
a que estas empresas percebessem
a importância de estar mais perto
dos clientes finais e começassem
a chegar a outras capitais europeias.
A vaga de expansão, que chegou
primeiro a países como Espanha,
Itália e Polónia, está agora
a estender-se a Portugal.
É neste contexto que as operações
desenvolvidas pela Equinix
potenciam o desenvolvimento
da economia digital no país,
pois garantem que as empresas
em Portugal conseguem
competir com outras entidades,
independentemente da sua
localização geográfica.
“A Equinix, ao conseguir esta
capacidade de interligação
e de garantir que as clouds têm
capacidade de se alojarem,
desempenha um papel
absolutamente crucial para garantir
a competitividade das empresas
portuguesas. A criação de LS2 não
só garante que esta competitividade
incrementa, como aumenta
a capacidade de resiliência digital
do país”, destaca.
Para este responsável, o potencial
da onda de crescimento que se vive
no setor dos data centers vai
além da dimensão do mercado
nacional: “Não tenho dúvidas
de que estamos no topo da onda,
[mas] se pensarmos em desenvolver
infraestruturas para servir
unicamente o consumo interno,
provavelmente perdemos parte
da oportunidade. A capacidade
de conectividade de Portugal para
o Atlântico Sul é uma oportunidade
de ouro”, considera Carlos Paulino,
acrescentando que a tecnologia
desenvolvida em Portugal pode
ser amplificada, por forma
a garantir melhores serviços
a todo o continente africano.
“Nós percebemos claramente
que os mercados e as economias
que estão a crescer a dois dígitos
já não são na Europa, são em África,
principalmente subsaariana.
E temos esse ponto de relevância
máxima em servir o que é o futuro
da economia digital global. Mesmo
Portugal sendo esta economia
de 10 milhões de pessoas, não
LS3 E O FUTURO DO SETOR
É na ‘crista da onda’ dos data
centers que a Equinix celebra
cerca de nove anos de atividade
em Portugal e o balanço
não podia ser mais positivo:
“Com a sua capacidade global,
trouxe uma nova dimensão
ao negócio e a Portugal, graças
à capacidade que tem de atrair
grandes players internacionais que
veem na empresa uma referência
de segurança e de resiliência”.
A multinacional está atualmente
a planear a construção de uma
terceira infraestrutura
em Lisboa, que irá quadruplicar
a sua capacidade, passando a contar
com uma equipa superior a 100
funcionários – atualmente são cerca
de 35. O investimento deverá rondar
os 300 milhões de euros.
“A Equinix foi capaz de antever
que iria existir um crescimento
significativo no futuro, mas acho
que não houve nenhum player
em Portugal que conseguisse
realmente antecipar esse
volume tão exponencial.
Nós planeamos sempre com
suficiente antecipação: o LS2 foi
um projeto que começámos a mover
em 2018, para previsivelmente
estar pronto no final de 2026.
O LS3 é exatamente a mesma
coisa. Estamos já com a ideia de
podermos arrancar a construção,
provavelmente, dentro de cerca
de um ano”, explica Carlos Paulino.
A multinacional norte-americana
já identificou locais para
a instalação deste novo data center,
que se localizará “num raio
de cinco a 10 quilómetros” dos já
existentes, garantindo assim
que “qualquer cliente que esteja
em qualquer uma das
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 43
NEGÓCIOS
NÚMEROS
2
Data centers
2.000
Interconexões
4
Internet Exchanges
Mais de
100
Clientes empresariais
Mais de
45
Redes
“O LS1 é o ponto
mais interconectado
de Portugal e o LS2
permite a todos os
clientes duplicarem
a sua infraestrutura
neste data center.
Temos uma resiliência
adicional e uma
redundância criada
por edifícios distintos.”
infraestruturas tenha exatamente
acesso a toda a plataforma, em
toda a sua amplitude, sem custos
adicionais, sem latências adicionais
e sem complexidade adicional”.
TALENTO, LICENCIAMENTO E ENERGIA:
OS TRÊS GRANDES DESAFIOS
É também neste contexto
de crescimento que a Associação
Portuguesa de Centros de Dados –
Portugal DC, da qual a Equinix
é associada e Carlos Paulino vice-
-presidente, tem vindo a desenvolver
o seu trabalho de representatividade
desta nova indústria e de ligação
com entidades internacionais,
como a Associação Europeia
de Data Centers, permitindo-lhe
ter uma “visão” do setor “no seu
todo” e “trazer esse conhecimento”
para Portugal.
“Queremos ajudar o poder
governamental em Portugal a criar
e a legislar da forma correta para
esta indústria”, refere o responsável
da Equinix Portugal, destacando
três áreas prioritárias para o setor
e para a economia digital:
os recursos humanos, o
licenciamento e a energia.
No que respeita aos recursos
humanos, a Portugal DC tem
vindo a trabalhar com entidades
ligadas à área da Educação,
como universidades e escolas
profissionais, e parceiros
internacionais, como a Associação
de Data Centers do Brasil, e está
a promover a criação da primeira
pós-graduação em Infraestruturas
Críticas em Portugal.
Carlos Paulino defende que
o tema dos licenciamentos, apesar
de ser uma questão transversal
a várias indústrias, é particularmente
crítico no setor dos data centers:
“Em certas indústrias, ter um
processo de licenciamento que leva
três anos pode não ser crítico. Neste
setor pode ser a diferença entre
Portugal ‘apanhar ou não o barco’.
Não queremos tratamento VIP, mas
há que perceber que há variáveis
em jogo em que precisamos
de concorrer com outras geografias.
Portanto, ou criamos as condições
para consegui-lo ou há projetos
que irão para outros locais.
Se for necessário, temos inclusive
que aplicar uma discriminação
positiva. Tem de haver forma
de conseguirmos que a nossa
geografia seja realmente
competitiva para atrair e criar
investimento em Portugal”.
Na área energética, para o
responsável, a maior dificuldade
está em mostrar o que a indústria
dos data center precisa e de que
forma é que terá necessidade
de energia, uma situação que cria
especulação e dificulta a aprovação
de investimentos, por parte
do Governo, “para os locais corretos,
na devida proporção”.
“Há tanta entropia ao que
é realmente a procura dos data
centers que se torna difícil uma
44 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 45
NEGÓCIOS
decisão acertada. Acredito que,
no capítulo da energia, todo o
know-how que a Portugal DC já tem
– dos exemplos que vimos noutros
países, do conhecimento que temos
também com players globais, como
a Equinix – pode contribuir para
perceber onde é que houve desafios,
como é que se resolveram e,
de alguma forma, evitar os
problemas ou contratempos.”
O ALUNO DE 19,8 NA ‘DISCIPLINA’
DE SUSTENTABILIDADE
Neste âmbito, a sustentabilidade
é um dos focos da indústria
e, em particular, da Equinix,
que foi um dos membros
fundadores do Climate Neutral
Data Centre Operator Pact, da União
Europeia, cujo objetivo é garantir
a neutralidade carbónica do setor
até 2030.
A nível nacional, a empresa
norte-americana não só assinou
um contrato para aquisição
de energia renovável (PPA – Power
Purchase Agreement), que assegura
quase 150 megawatts
de energia verde – 10 vezes mais
do que a consumida pelos seus data
centers –, como a sua mais recente
infraestrutura, o LS2, está preparada
para conseguir fornecer energia
térmica residual à comunidade.
Em linha com o que aconteceu,
por exemplo, com as infraestruturas
da Equinix em Paris, cuja capacidade
térmica foi utilizada para aquecer as
piscinas durante os Jogos Olímpicos.
Estes, para Carlos Paulino,
são apenas alguns exemplos
do investimento que a indústria
dos data centers tem realizado na
área da energia e da sustentabilidade:
“Sinto que somos aquele aluno
da turma que tem 19,8 [sobre 20]
e o professor diz ainda faltam
duas décimas, enquanto os outros
estudantes têm 14 e 15”.
O responsável pela Equinix
Portugal destaca o facto dos data
centers só utilizarem combustíveis
de forma residual, quando usam
os geradores, de utilizarem energia
verde e de estarem a trabalhar
ativamente na redução de emissões.
Relativamente à questão do
consumo de energia com o previsível
crescimento dos data centers,
Carlos Paulino é perentório:
“Os data centers em Portugal têm
hoje um papel quase irrelevante,
com 35 megawatts de consumo,
num país que consome 10 gigawatts.
Desenvolver entre um a três gigas,
nos próximos cinco a 10 anos, seria
um sucesso absoluto em Portugal”,
diz, destacando que Portugal tem
capacidade de produção de mais
energia verde para acompanhar
o crescimento do setor.
“Não há nenhum problema
de produção de energia em
Portugal: temos energia e produz-
-se em suficiência para servir
este mercado, pelo menos neste
primeiro ciclo.”
DATA CENTERS COMO “CHAVE DE
ATRAÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO”
Para o managing director
da Equinix Portugal, o mercado
português de data centers está
a tornar-se mais “maduro”, com
uma elevada “diversidade de oferta”
ao chegar a diversos segmentos
e a conseguir ser “chave de atração
e de desenvolvimento da economia
digital nacional e global”.
E as estimativas de crescimento
comprovam isso mesmo: o
responsável destaca um relatório
europeu que coloca a previsão
de crescimento dos países do Sul
“A Equinix foi capaz
de antever que iria
existir um crescimento
significativo no futuro,
mas acho que não
houve nenhum player
em Portugal que
conseguisse realmente
antever esse volume
tão exponencial.”
da Europa, até 2032, num CAGR
(taxa de crescimento anual
composta) entre 32% e 35%,
enquanto Portugal está nos 70%.
Ainda assim, Carlos Paulino
sublinha a importância de se
definir, a nível nacional, um rumo
para esta indústria: “Temos de
perceber até onde é que queremos
ir e o que é que gostaríamos de fazer.
Obviamente, todos defendemos que
temos de concorrer de igual para
igual com qualquer outro Estado-
-Membro. Acho que vamos
descobrir que não queremos uma
hiper densidade de data center,
mas termos capacidade de criar
várias infraestruturas em Portugal
que, a nível de processamento
e de capacidade de IT puro,
nos deem a mesma relevância
que temos nas comunicações globais.
Acho que nós temos capacidade
para ter relevância global
e devíamos colocar a fasquia aí.”
46 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Dicas.ANACOM
1 minuto que faz a diferença
A nova rubrica da ANACOM na RTP
Informação clara e útil sobre comunicações, serviços
digitais e direitos dos consumidores.
Na nova rubrica Dicas ANACOM, explicamos num minuto
temas do dia a dia de forma clara e acessível: contratos,
faturação, atendimento, plataformas online, segurança
digital e muito mais.
Porque conhecer os seus direitos faz a diferença
Veja todos os episódios no
Portal do Consumidor da ANACOM
ou na RTP Play
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 47
I TECH
PAOLO FAVARO
CRESCER A JOGAR,
LIDERAR A INOVAR
Paolo Favaro cresceu no final dos anos 80 e início dos 90 e os videojogos
foram a sua primeira experiência com a tecnologia. Hoje, a sua relação
com o digital mistura curiosidade e pragmatismo, tanto no trabalho como
em casa.
FOTOS | TIAGO FRAZÃO, SYNCVIEW
As primeiras memórias
de tecnologia
de Paolo Favaro,
Administrador
Executivo da Vantage
Towers Portugal, estão ligadas aos
videojogos. A curiosidade que nasceu
desses primeiros contactos acabou
por se estender às máquinas que
suportavam esses jogos e, mais tarde,
aos computadores e consolas.
“O primeiro gadget que tive em
absoluto foi um computador,
o Commodore 64. Adorava aquele
computador e havia aquela sensação
de que podia fazer tudo com ele.
Depois vieram as consolas, Nintendo,
8-bit, 16-bit, Game Boy… algumas
ainda tenho guardadas.”
Hoje, descreve a sua relação com
a tecnologia como entusiasta, mas
mais racional e utilitária. “Gosto
de estar informado sobre o que vai
ser lançado e sobre as possibilidades
que vão ser disponibilizadas pelas
tecnologias. Nesta fase da minha vida
já não tenho muito tempo para fazer
as coisas que costumava fazer
e penso em como posso aproveitar
algo de forma rápida e pragmática
para melhorar a minha vida.”
Na sua vida profissional,
a abordagem é muito semelhante.
“A minha função obriga-me a olhar
para tecnologias que podem ajudar
a empresa a tornar-se mais eficiente,
mais rápida e mais digital”, explica,
reconhecendo que o interesse
principal recai sobre as tecnologias
corporativas que aumentam
a eficiência de processos internos,
operações e interface com
os clientes. “Há também a vertente
de colaboração, que é garantir que
as ferramentas que os colaboradores
têm ajudam a tornar o dia a dia mais
eficiente”, acrescenta o responsável
da Vantage Towers, uma das empresas
líderes do mercado de torres de
telecomunicações na Europa.
“A literacia digital
deve começar cedo,
para explicar o
que a tecnologia
faz, os benefícios,
os possíveis efeitos
negativos e as
consequências do
seu uso. Isso é algo
em que ainda se pode
trabalhar bastante. ”
Manter o equilíbrio entre o digital
e offline não é fácil, admite.
Mas todos os dias tenta contrariar
essa tendência. “Estou consciente
disso e a trabalhar em melhorias.
Em casa, durante as refeições, já
não há tecnologia. É uma forma de
facilitar a conversa e a interação.
Também tento introduzir melhorias
antes de adormecer e deixar o
telemóvel de lado, mas muitas vezes
é difícil, porque é a única janela em
que tenho tempo para mim, para ler
notícias, fazer catch-up com amigos e
perceber o que se passa na vida deles.”
Paolo Favaro afirma sem hesitar
que se considera um early adopter:
“Gosto muito de experimentar logo
algo que seja novo e também estou
sempre atento às novidades
e gosto de conversar sobre tecnologia”.
Entre os dispositivos essenciais
estão o smartphone, sistemas de
smart home, smartwatches, sensores
para monitorização e um projetor 4K.
Quanto às aplicações, destaca
o Spotify, apps de treino
e monitorização, ferramentas de IA
como o ChatGPT e o Gemini, usadas
para planear viagens, controlar
despesas e organizar o dia a dia.
Sobre a inteligência artificial,
mantém uma visão equilibrada.
48 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
APPS FAVORITAS
Spotify
“Utilizo provavelmente
desde o lançamento do
serviço, porque gosto
de música, de ouvir podcasts
enquanto estou a conduzir,
a chegar ao trabalho”.
Tidal
Apesar da preferência pelo
Spotify, o Tidal “oferece
uma qualidade maior em
termos de som”.
ChatGPT
É um utilizador frequente
de aplicações de IA, às quais
recorre para planeamento
pessoal e profissional.
“No contexto corporativo, estamos
a implementar IA para automatizar
tarefas que levam muito tempo e não
exigem colaboradores qualificados.
Isto permite que as pessoas se
concentrem em tarefas de maior
valor. Também estamos a usar
ferramentas que ajudam a prever
onde intervir preventivamente
nas operações.”
Para Paolo Favaro, a tecnologia
faz parte do dia a dia, mas
é necessário utilizá-la de forma
consciente e responsável, sendo
importante uma aposta na literacia
digital. “Estamos preparados para
um mundo cada vez mais digital,
mas devido à velocidade da evolução,
acompanhar estes avanços é um
exercício difícil. A literacia digital
deve começar cedo, para explicar
o que a tecnologia faz, os benefícios,
os possíveis efeitos negativos
e as consequências do seu uso.
Isso é algo em que ainda se pode
trabalhar bastante”, conclui.
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MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 49
Barómetro
RH
ESPAÇO RESERVADO A TENDÊNCIAS NA ÁREA DO TALENTO
E DOS RECURSOS HUMANOS
TALENTO E NEGÓCIO:
PAPEL DA AGENTIC AI
A GESTÃO ESTRATÉGICA DE TALENTO ESTÁ A ENTRAR
NUMA NOVA FASE, MARCADA PELA INTEGRAÇÃO DE
DADOS E PELA APLICAÇÃO DE MODELOS AVANÇADOS
DE IA. MAS QUAL É O VERDADEIRO NÍVEL DE MATURIDADE
DAS ORGANIZAÇÕES? E QUE IMPACTO PODE TER
A AGENTIC AI NA TRANSFORMAÇÃO DOS RECURSOS
HUMANOS? PARTINDO DE DADOS RECENTES E DA
REALIDADE DO MERCADO NACIONAL, HUGO BERNARDES,
MANAGING PARTNER DA THE KEY TALENT, ANALISA
DESAFIOS E OPORTUNIDADES DESTA NOVA GERAÇÃO
TECNOLÓGICA.
A maioria das organizações tem hoje
mais dados do que alguma vez teve:
de clientes, operações, finanças, mercado
e também sobre as suas próprias pessoas.
O problema não é a falta de informação,
mas o facto de estar dispersa em silos,
sistemas que não comunicam entre si
e plataformas adquiridas para resolver
problemas específicos. O resultado é que
o conhecimento coletivo da organização
permanece inacessível. E, portanto, inútil.
É neste contexto que a Agentic AI surge
como uma resposta estrutural a um
problema que todas as organizações
reconhecem, mas poucas conseguiram
resolver: transformar dados dispersos
em informação acionável e em vantagem
competitiva. Se este desafio é transversal
a toda a organização, é nos recursos
humanos que o paradoxo se torna mais
evidente. As decisões sobre pessoas
– quem contratar, desenvolver, promover
ou reter – são das mais críticas que uma
empresa toma. E são frequentemente
as menos suportadas por dados integrados.
Não porque os dados não existam,
mas porque permanecem dispersos
por sistemas de recrutamento, plataformas
de desempenho, ferramentas
de engagement ou bases de dados de
talento. A Agentic AI altera este cenário,
ao permitir integrar e interpretar estas fontes
de informação de forma contínua.
Mais do que tecnologia, trata-se de
competitividade, decisão e de uma
oportunidade para redefinir a forma como
as organizações gerem o seu ativo mais
crítico: o talento humano.
PROBLEMA QUE NINGUÉM QUER
ADMITIR
Durante décadas, as organizações investiram
em sistemas de informação sofisticados.
Mas se o stack tecnológico cresceu,
a capacidade de extrair conhecimento
integrado desses sistemas não acompanhou
esse crescimento. Os dados confirmam-no.
Em 2024, 68% das organizações identificaram
os silos de dados como o principal problema
de gestão de informação. Em Portugal,
apesar de muitas empresas já utilizarem
dados de recursos humanos, apenas
uma minoria tem maturidade real em
People Analytics. Persistem dificuldades
de integração, informação duplicada
ou de baixa qualidade e dependência
de ferramentas pouco adequadas para
análise avançada.
A consequência é uma gestão de pessoas
em modo reativo. Decisões de promoção
baseadas em perceções, processos
de sucessão sem evidência robusta
e planeamento da força de trabalho incapaz
de antecipar riscos como rotatividade
ou lacunas de competências.
PORQUE A AGENTIC AI É DIFERENTE
A Agentic AI não é apenas mais uma
ferramenta de análise ou um dashboard
mais sofisticado. É uma camada de
inteligência que atravessa todo o ciclo de
vida do colaborador, identificando padrões,
antecipando riscos e sugerindo ações
à escala e consistência que nenhuma equipa
humana conseguiria replicar. O verdadeiro
diferencial não é apenas a velocidade,
mas a qualidade do conhecimento
produzido. Os sistemas deixam de funcionar
isoladamente e passam a ser interpretados
50 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
A Agentic AI surge como uma resposta estrutural a um problema que todas
as organizações reconhecem, mas poucas conseguiram resolver: transformar
dados dispersos em informação acionável e em vantagem competitiva.
em conjunto, permitindo produzir insights
contínuos e operacionais sobre talento,
desempenho e riscos organizacionais.
FIM DA ILUSÃO DO BEST-OF-BREED
Durante anos, muitas organizações seguiram
uma lógica de “melhor ferramenta para cada
função”: o melhor sistema de recrutamento,
a melhor plataforma de desempenho,
o melhor LMS. O resultado foi frequentemente
uma arquitetura fragmentada. A Agentic AI
não substitui estes sistemas, mas integra-os.
Ao cruzar múltiplas fontes de dados, permite
responder a perguntas que antes eram
difíceis ou impossíveis de analisar: quais os
colaboradores com maior risco de saída, quais
os perfis mais próximos dos top performers,
ou qual o retorno real dos programas de
desenvolvimento. Estas deixam de ser apenas
perguntas de RH. São perguntas de negócio.
SETE MUDANÇAS ESTRUTURAIS
NOS RH
Pipeline permanente numa era de escassez,
escala e segurança no mesmo processo,
custo real de uma má decisão de talento,
mapeamento de competências em tempo
real, mobilidade interna de talento, inclusão
e equidade e RH como parceiro estratégico.
Estas são as grandes mudanças que terão
de acontecer nas organizações.
Quando os recursos humanos conseguem
apresentar análises preditivas sobre risco
de talento, impacto de decisões
de sucessão ou lacunas críticas de
competências, o seu papel muda. Deixam
de reportar o que aconteceu e passam
a antecipar o que vai acontecer. É aqui
que reside a transformação mais relevante
da Agentic AI: não tecnológica, mas
estratégica. Os RH deixam de ser vistos
apenas como uma função de suporte
e passam a contribuir diretamente para
decisões de negócio.
O QUE É PRECISO ANTES
DE AVANÇAR
A Agentic AI não é uma solução plug-and-play.
A tecnologia só gera valor quando aplicada
com dados adequados, objetivos claros e
equipas preparadas. As principais barreiras
raramente são tecnológicas. Surgem
da resistência à mudança, da falta de
competências internas ou da complexidade
regulatória. Por isso, a adoção deve começar
sempre por uma pergunta de negócio:
que problema concreto queremos resolver?
Neste contexto, surge também o conceito
de selfware: sistemas de IA que evoluem
à medida que as organizações introduzem
o seu próprio conhecimento, critérios
e contexto operacional. O valor não está
apenas no algoritmo, mas na forma como
as pessoas moldam o sistema.
JANELA DE OPORTUNIDADE
A história mostra que as organizações
que adotam cedo tecnologias disruptivas
constroem vantagens competitivas
duradouras. As que esperam acabam por
ter de recuperar terreno perdido.
A Agentic AI aplicada à gestão de talento
já produz resultados mensuráveis em áreas
como tempo de contratação, retenção ou
qualidade das decisões. Mas o seu impacto
mais profundo é estratégico: pela primeira
vez, os RH dispõem das ferramentas
necessárias para dialogar com o negócio
com base em dados e evidência.
A questão que fica não é se a Agentic AI vai
transformar a gestão de pessoas. É se a sua
organização vai liderar essa transformação
ou ser um mero espetador.
Leia o artigo completo
BARÓMETRO RH
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 51
Radar
Legal
DIGITAL SERVICES
ACT
O QUE MUDA NO ECOSSISTEMA
Já está a mudar as regras do jogo no espaço
digital. Para quem gere um negócio digital,
a mensagem é clara: adaptar os processos,
reforçar a conformidade e agir deixou de ser
opcional. É preciso ação concreta, face
ao risco real de multas pesadas para quem
não se adaptar.
POR: TIAGO BESSA | SÓCIO DA ÁREA DE COMUNICAÇÕES, PROTEÇÃO DE DADOS & TECNOLOGIA
E DA ÁREA DE PI TRANSACIONAL
Se a sua empresa opera
no mundo digital –
seja uma rede social,
marketplace, motor
de pesquisa ou
qualquer outro serviço online
– há uma nova lei europeia
que precisa de conhecer: o Digital
Services Act (DSA).
Entrou em vigor em fevereiro
de 2024 o Regulamento (UE)
2022/2065, conhecido como DSA,
que veio criar um conjunto
comum de regras para todos
os prestadores de serviços digitais
no espaço europeu. O objetivo
é tornar a internet mais segura
e transparente: e isso significa
novas exigências para as empresas
que nela operam.
Em Portugal, a Proposta
de Lei n.o 25/xvii/1.a já foi aprovada
no Parlamento e aguarda
promulgação. Define quem
fiscaliza, quem aplica multas
e como as entidades trabalham
em conjunto.
A QUEM SE APLICA
O DSA aplica-se a três tipos
de serviços: os que fornecem
acesso à internet (como a MEO,
NOS ou Vodafone), os que guardam
informação temporariamente
(como os prestadores de caching)
e os que alojam conteúdos de
utilizadores, como os prestadores
de serviços cloud (como a AWS).
É também neste último grupo que
entram as plataformas digitais
que usamos todos os dias: as redes
sociais (como o Facebook, TikTok
ou Instagram), os marketplaces
(como a Amazon, Worten e OLX),
as plataformas de partilha de vídeos
(como o YouTube) ou os fóruns
de discussão (como o Reddit).
Os motores de pesquisa, como
o Google, também estão abrangidos.
A lógica regulatória do DSA
é simples de explicar: quanto
maior for a plataforma e a sua
influência na sociedade, mais
obrigações tem de cumprir. Porém,
não se aplica a uma loja que vende
apenas os seus próprios produtos.
Só se torna aplicável quando
há intermediação, ou seja, quando
a plataforma permite que outros
vendam ou partilhem conteúdos.
PRINCIPAIS OBRIGAÇÕES
As empresas que prestam
estes serviços passam a ter
novas responsabilidades.
As mais simples? Ter uma pessoa
de contacto a quem as autoridades
e os utilizadores possam ligar
ou escrever. Explicar de forma
clara as suas regras – por exemplo,
o que pode levar a plataforma
a apagar uma publicação ou a
bloquear uma conta. E publicar
relatórios regulares que mostrem
quantos conteúdos foram removidos
dos serviços e por que motivo.
As empresas que alojam
conteúdos têm de disponibilizar
mecanismos simples para que
os utilizadores possam denunciar
conteúdos ilegais, como botões ou
formulários dedicados.
Se chegarem denúncias de discurso
de ódio ou de produtos falsificados,
por exemplo, a organização tem
de agir depressa para remover ou
bloquear esses conteúdos, sob pena
de atrair responsabilidade para si.
As redes sociais e os marketplaces
vão ainda mais longe. Têm de criar
sistemas internos de reclamação –
por exemplo, para contestar
a remoção de uma publicação.
Ficam proibidas de usar truques
de design (os chamados dark
patterns) que empurram os
utilizadores para escolas que não
fariam de livre vontade, como
subscrever um serviço pago quase
52 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
sem dar conta. Têm, ainda,
de mostrar claramente quem
paga a publicidade que vemos
e como é que o algoritmo decide
o que aparece no nosso feed.
Por exemplo, se vemos um anúncio
de um partido político numa
rede social, a plataforma tem
de dizer quem pagou por ele.
Devem também proteger
especialmente crianças e jovens,
evitando, por exemplo, publicidade
direcionada a menores.
Os marketplaces têm ainda de
verificar a identidade dos vendedores.
Assim, quando compramos algo
nessa plataforma, sabemos com
quem estamos a negociar.
IMPLEMENTAÇÃO EM PORTUGAL
A ANACOM é o regulador
principal desta matéria, fazendo
a ponte com Bruxelas. A ERC
trata de publicidade e proteção
de menores e a CNPD supervisiona
a publicidade baseada em perfis
e proteção de dados de crianças.
As empresas devem estar atentas
às três entidades, conforme
as áreas de atuação.
Enquanto Coordenador
de Serviços Digitais, a ANACOM
tem poderes alargados: pode exigir
informações às empresas, fazer
inspeções às suas instalações
e aplicar multas ou penalizações
diárias a quem não cumprir as
regras. Para ajudar nestas tarefas,
foi criado um Conselho Consultivo,
com representantes do meio
académico, sociedade civil e do
mundo empresarial, que aconselha
as autoridades sobre a melhor
forma de aplicar estas novas regras.
E AS MULTAS?
A lei portuguesa prevê
castigos para muitas situações.
Uma empresa pode ser multada
por algo tão básico como não
ter um contacto disponível para
os utilizadores. Ou por falhas
mais graves, como não remover
conteúdos ilegais ou esconder
informação sobre publicidade.
As multas podem chegar a 6%
da faturação anual mundial da
empresa. E enquanto o problema
não for resolvido, a ANACOM pode
cobrar até 5% da faturação média
diária, por cada dia de atraso.
Se uma empresa discordar
da decisão, pode recorrer para
o Tribunal da Concorrência,
Regulação e Supervisão.
O QUE SIGNIFICA PARA
O ECOSSISTEMA DIGITAL?
Afinal, o que é que tudo isto
significa para as empresas?
A mensagem é clara:
independentemente da dimensão
do negócio digital – seja uma
grande plataforma internacional
ou um serviço mais pequeno
a operar em Portugal – há novas
O DSA traz uma
ideia forte: os serviços
digitais passam
a ter de responder
pelo que acontece
nos seus espaços.
E isso exige ação
concreta.
regras a cumprir, novos processos
a montar e um risco real de multas
pesadas para quem não se adaptar.
No fundo, o DSA traz uma
ideia forte: os serviços digitais
passam a ter de responder pelo
que acontece nos seus espaços.
E isso exige ação concreta.
O primeiro passo é rever
políticas internas de moderação,
publicidade e tratamento de dados.
Depois, mapear riscos e identificar
onde a empresa pode estar mais
exposta. Por fim, criar processos
de conformidade robustos:
dar formação às equipas, designar
responsáveis, implementar canais
de denúncia e preparar relatórios
de transparência.
Esperar para ver não é opção.
As autoridades já têm poderes
para fiscalizar e as multas são
demasiado elevadas para serem
ignoradas. Para quem gere
um negócio digital em Portugal,
o momento de agir é agora.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 53
VISÃO DOS ASSOCIADOS
ASSOCIATIVISMO
COM PROPÓSITO
A conectividade tornou-se um dos pilares
da transformação digital e da competitividade
das economias. Para a Nokia Portugal, participar
no ecossistema da APDC significa precisamente
contribuir para essa reflexão estratégica sobre
o futuro das infraestruturas digitais e do setor
das comunicações no país.
B.I.
Ano de adesão à APDC
1989
Área de atuação e especialização
Integra um dos maiores fornecedores
mundiais de infraestruturas digitais
avançadas que suportam
a conectividade global
e a transformação digital. A sua
atividade centra-se em redes móveis
(5G e evolução para 6G), redes de
acesso fixo e transporte IP/ótico,
bem como soluções de conectividade
para data centers. Integra ainda
capacidades de automação e IA para
redes mais autónomas e eficientes,
cibersegurança para infraestruturas
críticas e comunicações seguras
para defesa e segurança nacional.
Em parceria com operadores,
empresas e entidades públicas,
contribui para o desenvolvimento
de redes de elevada capacidade,
resilientes e preparadas para suportar
o crescimento exponencial de dados,
cloud e aplicações digitais.
“A
APDC tem tido um
papel relevante na
reflexão e debate
sobre os principais desafios do setor
das comunicações e da economia
digital. Ao reunir operadores,
tecnológicas, reguladores, academia
e decisores públicos, tem criado
um espaço de diálogo essencial
e de colaboração essencial
sobre temas estruturantes,
como conectividade, inovação,
transformação digital e
competitividade”. As palavras são
de Sérgio Catalão, Country Manager
da Nokia Portugal e tornam clara a já
longa cooperação da subsidiária da
gigante finlandesa com a Associação.
Para o gestor, integrar o
ecossistema APDC permite trazer
para o debate nacional a experiência
tecnológica e a visão internacional
de uma empresa que desenvolve
infraestruturas digitais críticas para
a economia conectada. Ao mesmo
tempo, reforça a colaboração com
os vários atores do ecossistema
digital português e contribui para
o desenvolvimento sustentável
das infraestruturas que suportam
a transformação digital do país.
E garante que a associação “é sem
dúvida uma referência em termos
de associativismo com propósito”.
A atividade da empresa centra-se
no desenvolvimento de redes de nova
geração que suportam o crescimento
exponencial de dados, aplicações
digitais e serviços críticos. Entre as
suas áreas de atuação destacam-se
as redes móveis – com forte aposta
na evolução do 5G e nas futuras
tecnologias 6G, as redes de acesso
fixo e transporte IP/ótico, bem
como soluções de conectividade
para data centers. A estas juntam-
-se as capacidades de automação
e inteligência artificial (IA) aplicadas
54 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
à gestão das redes, cibersegurança
para infraestruturas críticas
e soluções de comunicação segura
para contextos de defesa e segurança
nacional.
Num contexto de grande incerteza
geopolítica e de rápida aceleração
tecnológica, Sérgio Catalão explica
que o grupo acredita que a próxima
fase de evolução das redes será
fortemente impulsionada pela IA
e pela cloud. “A nossa estratégia
passa por posicionar as redes
como plataformas fundamentais
para suportar o super ciclo da IA.
Garantindo capacidade, automação
e segurança de forma uniforme
em todos os domínios de rede.
E onde computação, conetividade
e controlo estão alinhados para
processar o workload de IA que será
o dominante nas redes”.
A estratégia passa claramente
pela aposta em parcerias estratégicas
de longo prazo com operadores
e empresas, assumindo-se não
apenas como um fornecedor de
tecnologia, mas como um parceiro
de inovação na modernização
das redes e no desenvolvimento
de novos serviços digitais.
O reforço da inovação e da
soberania tecnológica europeia
surge como uma prioridade
crescente. E, neste domínio,
o gestor diz que a Nokia continua
a investir em investigação, talento
e desenvolvimento de tecnologias
críticas, contribuindo para
a construção de infraestruturas
digitais mais resilientes e preparadas
para suportar a próxima fase
da economia digital.
www.nokia.com
GRANDE PERGUNTA
Num contexto
europeu marcado
por tensões geopolíticas,
dependências
tecnológicas e acelerada
digitalização, como
poderá o país – e as suas
empresas, incluindo
a vossa – reforçar
simultaneamente
a competitividade,
a soberania tecnológica
e a resiliência digital?
São questões centrais para o futuro
digital da Europa e de Portugal.
É fundamental investir em inovação
e capacidades tecnológicas na UE.
A soberania tecnológica começa
com capacidade de desenvolver
tecnologia crítica e isso significa
investir em R&D, talento e centros
de engenharia que contribuam para
áreas estratégicas, como o 5G/6G,
cloud, redes óticas, inteligência artificial
e cibersegurança. Portugal tem
aqui uma oportunidade relevante:
com talento qualificado e um
ecossistema tecnológico dinâmico,
pode afirmar-se como hub de
engenharia e inovação dentro da UE27.
A Nokia continuará a contribuir para
este objetivo, através de investimento
em centros de competência para
o desenvolvimento tecnológico
do país. Adicionalmente, deve-se
apostar num ecossistema de parcerias
no setor. Nenhuma empresa ou país
consegue responder sozinho à escala
dos desafios que temos pela frente.
A competitividade e a resiliência
digital dependem de ecossistemas
colaborativos que acelerem a inovação
e a adoção de novas tecnologias.
Em Portugal, a cooperação com
os principais atores do setor, centros
de investigação e universidades permite
testar, desenvolver e implementar
soluções avançadas que fortalecem
as infraestruturas digitais do país.
Finalmente, o setor tem de continuar
a construir infraestruturas digitais
seguras, resilientes e preparadas
para a era da IA. A próxima fase
da digitalização, impulsionada pela IA,
exigirá redes mais autónomas, seguras
e com elevada performance. Investir
em infraestruturas digitais resilientes,
com elevada capacidade, automação
e segurança integrada, é essencial
para garantir a autonomia estratégica
e suportar a economia digital. A Nokia
tem aqui um papel importante, com
a forte presença que temos em Portugal,
em coinovar com clientes e parceiros
e em contribuir para que o país seja
parte ativa da construção da soberania
tecnológica europeia.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 55
VISÃO DOS ASSOCIADOS
B.I.
Ano de adesão à APDC
2026
DIÁLOGO
E CONSTRUÇÃO
COLETIVA
Estar na linha da frente da transformação
digital no país é uma ambição que,
para a Claranet Portugal, só se concretiza
com trabalho em conjunto e em ecossistema.
Por isso, a adesão à APDC foi essencial:
além de representar as empresas
tecnológicas, dá-lhes palco, promovendo
a partilha de conhecimento, colaboração
e visibilidade.
Área de atuação e especialização
É especialista em soluções integradas
de transformação digital, combinando
cloud, dados, aplicações, workplace
e cibersegurança num ecossistema
coerente e orientado para resultados.
Atua como parceiro estratégico
das organizações na modernização
tecnológica, integração de inteligência
artificial e reforço da segurança e
soberania digital. Com forte aposta em
inovação e resiliência, ajuda as empresas
a orquestrar tecnologias de forma
consistente, gerando eficiência, controlo
e valor sustentável para o negócio.
“A
nossa adesão nasce
dessa visão comum:
acreditamos no potencial
de Portugal e reconhecemos na
APDC um parceiro estratégico
para impulsionar a inovação e
a competitividade da economia
nacional”, salienta Alexandre Ruas,
Managing Director da Claranet
Portugal.
Considerando a associação “um
catalisador de diálogo e construção
coletiva, a partir do qual empresas,
decisores e especialistas podem
refletir em conjunto sobre o futuro
digital do país”, o responsável diz
que “num setor em permanente
evolução, esta capacidade de
articulação é fundamental para
antecipar tendências, alinhar
prioridades e criar condições para
que a tecnologia seja um verdadeiro
motor de progresso económico
e social”.
Integrar a comunidade APDC
representa ainda uma forma
da empresa reforçar o seu
compromisso com a partilha
de conhecimento e com o
desenvolvimento sustentável do
setor. É que as suas metas incluem
poder contribuir de forma ativa para
os debates estratégicos em torno de
questões centrais, como a soberania,
segurança e resiliência, inovação
sustentável e a modernização
aplicacional, áreas onde tem
investido de forma consistente.
“Participar neste ecossistema
permite-nos aprender, contribuir
e cocriar soluções que beneficiem
não apenas as organizações,
mas a sociedade como um todo”,
adianta Alexandre Ruas.
Num período de aceleração
tecnológica e crescente incerteza
como o atual, a Claranet Portugal
definiu uma estratégia que assenta
56 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
GRANDE PERGUNTA
Num contexto europeu
marcado por tensões
geopolíticas, dependências
tecnológicas e acelerada
digitalização, como poderá
o país – e as suas empresas,
incluindo a vossa –
reforçar simultaneamente
a competitividade,
a soberania tecnológica
e a resiliência digital?
A resposta passa por uma visão estratégica
integrada. Primeiro, é essencial reconhecer
que cloud, dados, IA e cibersegurança
são hoje motores interdependentes de
competitividade. Uma estratégia multicloud
ou híbrida, por exemplo, permite equilibrar
performance, custos e compliance,
garantindo liberdade tecnológica e resiliência
face a riscos externos. Ao mesmo tempo,
a cibersegurança deixou de ser apenas um
requisito técnico, para se tornar um pilar
estratégico de confiança, particularmente
relevante para a Europa, num contexto
geopolítico complexo. Segundo, a soberania
digital exige escolhas conscientes ao nível
das infraestruturas e das práticas tecnológicas.
Investir em plataformas que assegurem
controlo, proximidade e conformidade
regulatória é decisivo para reforçar
autonomia e confiança. Por fim, Portugal tem
bases muito positivas: talento, criatividade
e vontade de fazer diferente, mas precisa de
ganhar escala, reforçar investimento em I&D
e simplificar processos burocráticos, para
transformar potencial em impacto concreto.
A colaboração entre empresas, setor
público, associações, academia e parceiros
tecnológicos será determinante para acelerar
esse caminho, porque inovar isoladamente
já não é viável num mercado interdependente
e veloz. Reforçar competitividade, soberania
e resiliência não são objetivos independentes
e sim dimensões de uma mesma estratégia.
Os países e empresas que consigam
alinhar estes três vetores estarão mais bem
preparados para enfrentar um futuro digital
cada vez mais exigente, complexo e global.
numa visão de longo prazo e na
criação de valor sustentável para as
organizações e para o ecossistema
digital nacional. Nesse sentido, está
estruturada em três eixos decisivos,
alinhados com as prioridades
da União Europeia: inovação,
inteligência e segurança.
“A inovação é indispensável
para acompanhar a velocidade
da transformação digital dos
clientes e exige uma abordagem
ágil, colaborativa e culturalmente
preparada, garantindo que as
pessoas evoluem com a tecnologia.
A inteligência, materializada
sobretudo na integração da IA,
permite automatizar processos,
antecipar cenários e gerar
eficiência, desde que aplicada com
responsabilidade e transparência,
apostando desde a automação
à análise preditiva. Já a segurança
e a soberania são indissociáveis
e fatores críticos de confiança,
sobretudo num ambiente regulatório
exigente e marcado por ameaças
crescentes”, detalha o gestor.
Alexandre Ruas sublinha que,
neste contexto, é fundamental
escolher infraestruturas e
práticas que não só respeitem a
legislação europeia, como também
aportem valor. Por isso, a empresa
continua a investir fortemente em
soluções que garantem controlo,
resiliência e proximidade,
reforçando a autonomia
tecnológica das organizações
clientes e posicionando-se como
parceiro estratégico no desenho,
na implementação e na gestão
de iniciativas tecnológicas com
impacto duradouro. Em paralelo,
investe continuamente em inovação
e experimentação, através de
iniciativas internas e projetos-
-piloto que permitem testar novas
abordagens e antecipar tendências.
Trata-se de uma “lógica de
aprendizagem contínua”, essencial
num contexto de incerteza, “porque
permite às organizações adaptar-
-se rapidamente e transformar
mudanças tecnológicas em
vantagem competitiva”. Afinal, como
remata o gestor, “a tecnologia só faz
sentido quando cria valor sustentável
para pessoas, empresas e sociedade.
É essa orientação que guia as nossas
decisões e que nos permite enfrentar
a incerteza com confiança e visão
de longo prazo”.
www.claranet.com/pt/
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 57
PORTUGAL A ABRIR DIGITAL
58 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
QUEBRAR
BARREIRAS NA
ERA DIGITAL
O Impulso IA – Programa de Literacia
em Inteligência Artificial nasceu de uma parceria
entre a APDC e a Google para capacitar profissionais
para a Era Digital. Numa altura em que a
inteligência artificial deixou de ser uma promessa
de futuro para se tornar no motor do presente,
esta iniciativa, lançada em 2024, surge como
uma resposta às necessidades
dos profissionais em Portugal.
FOTOS | SYNCVIEW E APDC
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 59
PORTUGAL A ABRIR DIGITAL
Quando, a 13 de
março de 2025,
se realizou
uma sessão
do Impulso
IA – na cidade
da Guarda, a expectativa da APDC
era ter uma sala cheia no Instituto
Politécnico. As expectativas foram
de tal forma superadas ao ponto
de a sessão ter de ser transferida
para um pavilhão polidesportivo,
de modo a poder acolher todos
os participantes.
Ao longo de mais de duas
horas, 180 pessoas de diferentes
áreas mergulharam num curso
prático, acessível e inclusivo,
cujo objetivo é proporcionar
as ferramentas necessárias para
que os profissionais utilizem a IA
de forma eficaz e estratégica
no local de trabalho.
A adesão a esta iniciativa é reflexo
do que está na origem do Impulso
IA: um programa que nasceu
de uma urgência muito concreta
– proposta pela APDC à Google
– de reforçar competências numa
tecnologia que está a entrar no dia
a dia de pessoas e organizações
a uma velocidade sem precedentes.
COESÃO TERRITORIAL:
LEVAR A LITERACIA DIGITAL
A TODO O PAÍS
O Programa Impulso IA
é o resultado de uma visão partilhada
entre a APDC e a Google sobre
a necessidade urgente de dotar os
portugueses de ferramentas práticas
e literacia em inteligência artificial.
Sandra Fazenda de Almeida,
Diretora-Geral da APDC, recorda
que a proposta nasceu precisamente
dessa urgência de “aproveitar
este momento de familiarização
das pessoas com a IA”. O foco,
desde o primeiro minuto,
foi a aplicabilidade imediata:
“Queríamos que trabalhadores
de vários setores percebessem
como é que a inteligência artificial
podia impactar e ajudar no seu
local de trabalho”.
Para a Google, este é um
dos seus “programas-bandeira”.
Filipa Brigola, Head of Government
Affairs & Public Policy da Google
Portugal, sublinha que a parceria
visa responder diretamente
ao fosso de competências –
a divisão digital que ameaça deixar
para trás quem não domina as
novas interfaces tecnológicas.
“A nossa ideia era levar
competências para trabalhar com IA
a toda a gente”, afirma, destacando
a importância de o programa chegar
a todos os 18 distritos de Portugal
Continental, algo possível através
da parceria com a APDC. O percurso,
iniciado no final de 2024 em Lisboa
e no Porto, estendeu-se, entretanto,
de norte a sul do país, com um total
de 24 sessões já realizadas.
MAIS MULHERES NA TECNOLOGIA
Num setor historicamente
marcado por uma hegemonia
masculina, um dos objetivos
iniciais do programa era garantir,
pelo menos, 50% de participação
feminina. Os resultados revelaram
uma realidade surpreendente
e encorajadora: 57% dos
participantes são mulheres.
NÚMEROS
24
Sessões
18
Distritos
1.596
Participantes
57%
Participantes mulheres
43%
Participantes homens
49%
Participantes entre os 36
e os 55 anos
89%
Avaliações
de “Muito Bom”
ou “Excelente”
60 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
“A IA veio simplificar a relação com a tecnologia,
tornando-a acessível a todos. Agora, não
precisamos de saber uma linguagem específica
ou ser especialistas em tecnologia para usarmos
esta ferramenta.”
Sandra Fazenda de Almeida
Diretora-Geral da APDC
Sandra Fazenda de Almeida
não esconde o entusiasmo:
“Surpreendeu-me muito esta
preponderância das mulheres.
Pelo menos não estamos a ficar
atrás ‘neste barco’. A inteligência
artificial veio colocar a tecnologia
de uma forma entendível às
pessoas, que não têm de saber
linguagem técnica para interagir,
e as mulheres estão a agarrar essa
oportunidade com uma energia
contagiante”.
Filipa Brigola assume que
esta era uma das metas mais
ambiciosas da parceria.
“Uma preocupação nossa era
ter pelo menos 50% de
participantes mulheres. Sabemos
que a participação de mulheres
na área da tecnologia é muito
baixa, e queríamos ter a certeza
que não havia aqui também essa
discrepância”, explica. Ao atingir
os 57%, o programa prova que a IA
pode ser a ponte definitiva para
equilibrar o terreno de jogo digital.
Os números recolhidos até
ao final de 2025 revelam ainda
outro traço relevante: uma forte
adesão de profissionais entre
os 35 e os 55 anos. Filipa Brigola
sublinha que esta faixa etária
é a mais ativa. “São profissionais
que percebem que ‘não podem
perder o comboio’ e que, embora
não tenham nascido com
um smartphone na mão, têm
a experiência necessária para
saber onde a produtividade pode
ser otimizada”.
Segundo Sandra Fazenda
de Almeida, o perfil de quem
se inscreve no programa é claro:
são profissionais de várias áreas
de atividade, em plena carreira,
que procuram o Impulso IA com
uma forte vontade de aprender.
BOOST YOU PRODUCTIVITY WITH AI, O BESTSELLER DO PROGRAMA
A formação “Boost Your Productivity with AI” foi a porta de entrada e a que registou maior sucesso. Durante duas horas,
os participantes descobrem como usar ferramentas de IA para ganhar eficiência, otimizar tarefas e melhorar resultados
no fluxo de trabalho diário. Contudo, a partir de novembro de 2025, o programa evoluiu para uma nova estrutura,
com quatro formações desenvolvidas pela Google e adaptadas pela APDC para responder a necessidades específicas:
MAKING SENSE OF AI
Focada nos fundamentos,
na IA responsável
e na arte de criar comandos
(prompts) eficazes.
PRACTICAL AI
FOR YOUR BUSINESS
Direcionada para negócios
e PME, abrangendo
propostas, pesquisa
de mercado e automação.
PRACTICAL AI
FOR THE WORKPLACE
IA aplicada ao quotidiano
profissional, desde
a redação de e-mails
e relatórios à gestão
de projetos.
PRACTICAL AI
FOR MARKETING
Especializada
em audiências, criação
de conteúdo e otimização
de campanhas.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 61
PORTUGAL DIGITAL
Os conteúdos formativos dos
módulos foram desenvolvidos pela
Google, em português, e adaptados
à realidade do país. Através de
um modelo de train-the-trainer,
a APDC e a Google criaram uma
rede de formadores capacitados
que garantem a homogeneidade
da mensagem em todo o território.
Um dos pilares do sucesso tem
sido, curiosamente, o regresso
ao presencial. Num mundo saturado
de cursos online, a APDC defendeu
o valor do encontro físico. “O presencial
é muito importante. Quando uma
pessoa começa a partilhar, cria um
efeito de contágio impressionante”,
explica Sandra Fazenda de Almeida.
“A dinâmica coletiva gera uma
energia diferente”, conclui.
A IA COMO UMA FERRAMENTA
DE DEMOCRATIZAÇÃO
DA TECNOLOGIA
O Impulso IA combate
ativamente o estigma de que
a tecnologia veio para substituir
o humano. A mensagem central
é clara: a IA é uma ferramenta
de empoderamento. “Não é um
substituto, é uma ferramenta.
Pode substituir algumas
tarefas, mas não substitui
a responsabilidade profissional”,
sublinha a Diretora-Geral da APDC.
Para Filipa Brigola, a ética
e a segurança surgem como
os pilares centrais da estratégia
do Google. “A nossa filosofia global
sobre inteligência artificial resume-
-se àquele grande chavão de que
queremos desenvolvê-la de forma
“Queríamos ter a certeza que não existia
uma discrepância digital. Ver que 57%
dos participantes são mulheres deixa-nos muito
satisfeitos, pois garante que este salto tecnológico
é verdadeiramente inclusivo.”
Filipa Brigola
Head of Government Affairs & Public Policy da Google Portugal
ousada e responsável. Ousada
porque estamos na linha da frente
da inovação. E responsável
porque, para nós, é fundamental
que tudo seja feito no respeito
por determinados princípios:
transparência, o não enviesamento
e o cumprimento do enquadramento
regulatório”, afirma.
A formação incentiva também
o pensamento crítico dos
participantes, quando usam IA.
“Explicamos o que é a inteligência
artificial, quais são os seus
constrangimentos, os cuidados
a ter e as limitações”, refere
a Diretora-Geral da APDC.
PRÓXIMOS PASSOS:
ESPECIALIZAÇÃO E PROXIMIDADE
O sucesso alcançado nos últimos
dois anos serviu como alicerce para
uma nova fase, mais ambiciosa
e segmentada. Um dos marcos desta
evolução aconteceu em março
no âmbito da Tech.Edu, em Lisboa.
62 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
IMPULSO IA
O IMPULSO IA é aberto
a todos os profissionais,
independentemente
da sua experiência com IA.
As inscrições estão disponíveis
online através do site da APDC
e os participantes podem
inscrever-se nos cursos
que desejarem.
O curso é presencial
e tem duas horas de duração.
A participação é totalmente
gratuita.
O curso é ministrado
por formadores especializados.
As sessões de formação
realizam-se, por norma,
nas instituições de ensino
superior e parceiros regionais.
O workshop “IA aplicada ao Ensino”
foi desenhado especificamente
para que o mundo educativo
possa integrar a IA na sala de aula.
Não se trata apenas de tecnologia,
mas de pedagogia: aprender
a usar a IA de forma prática e ética,
garantindo que esta se torna um
acelerador da aprendizagem e não
um obstáculo.
Para a Google, a educação
é o campo onde se pode dar
o maior salto qualitativo na adoção
da IA. Filipa Brigola defende que
a IA é uma “ferramenta excelente
para melhorar a produtividade
de professores e alunos”. Contudo,
a estratégia da tecnológica é clara:
o foco tem de estar, primeiro,
em quem ensina.
Em paralelo, está a nascer
um projeto piloto inovador em
colaboração com o Rotary Club
de Abrantes, a Escola Superior
de Tecnologia de Abrantes
A missão da APDC
é acelerar
a transformação
digital da economia
e da sociedade
portuguesa.
O Impulso IA
é a concretização
dessa missão
em todo o território
nacional.
e o Politécnico de Tomar. Este novo
modelo visa testar a formação
de jovens de mestrado para que
estes, por sua vez, possam dar
formação ao comércio local,
às unidades de saúde e ao ensino
básico e secundário.
A expectativa da APDC é que
o programa se possa expandir
a todo o país, permitindo que
grupos de alunos participem
numa lógica de voluntariado
tecnológico, retribuindo
conhecimento à sua comunidade
e fortalecendo o tecido económico
e social da sua região.
Para a Google, a capacitação
da Administração Pública é uma
das prioridades. Um estudo
de 2025 do Centro de Estudos
Aplicados da CATÓLICA-LISBON
e da Implement Consulting Group
estima que a IA Generativa
tem potencial significativo
para aumentar a produtividade
da Administração Pública
em 9% ao fim de uma década,
representando uma contribuição
anual de 1,2 mil milhões de euros
para o PIB português. Filipa Brigola
dá o exemplo do portal gov.pt que,
“com a integração de IA generativa
nos seus processos, tem vindo a
demonstrar uma evolução enorme”.
IMPACTO QUE SE MEDE
NAS PESSOAS
Enquanto o futuro se desenha,
o impacto do programa já se mede
nas histórias de quem passa
pelas sessões. Sandra Fazenda
de Almeida recorda o exemplo
de dois sócios de um gabinete
de arquitetura que multiplicaram
a sua produtividade, mas
destaca também o caso de um
profissional que começou a usar
a inteligência artificial para o seu
hobby, a fotografia, e como isso o
entusiasmou. “Recebemos muitos
e-mails a agradecer e a contar
como a sessão ajudou a simplificar
o seu trabalho e a sua vida, é muito
gratificante”, diz a responsável
da APDC.
A missão da APDC de acelerar
a transformação digital da
economia e sociedade portuguesa
encontra no Impulso IA a sua
expressão mais prática e humana.
Entretanto, o caminho para
os 18 distritos continua, com
a certeza de que, cada vez que uma
sala (ou um pavilhão) se enche,
Portugal dá um passo firme rumo
à vanguarda da era da inteligência
artificial.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 63
ESPAÇO
PRIORIDADE: REPOR
SERVIÇOS E PROTEGER
UTILIZADORES
Na sequência da tempestade Kristin e da depressão
Leonardo, a ANACOM acompanhou de forma
contínua os impactos nas comunicações eletrónicas,
sobretudo nas zonas mais afetadas. Os fenómenos
meteorológicos extremos provocaram interrupções relevantes
nos serviços fixos e móveis, exigindo uma resposta articulada
entre regulador, operadores e entidades públicas.
Reconhecendo o esforço dos
operadores na recuperação
das infraestruturas e no
restabelecimento do serviço,
o regulador estruturou um
conjunto de medidas com dois
objetivos centrais: acelerar a
reposição das comunicações
e reduzir os efeitos adversos
sobre os utilizadores, em especial
os mais vulneráveis.
Esta atuação organizou-se em
três vetores: recomendações aos
operadores, propostas legislativas
ao Governo e medidas operacionais
que foram diretamente adotadas.
Entre as recomendações, destaque
para a implementação de roaming
nacional temporário, sempre
que tecnicamente viável. O que
permitiria aos clientes afetados
aceder à rede de outros operadores
e assegurar uma continuidade
mínima do serviço. Foi igualmente
recomendado o reforço da
informação ao público, com
atualizações claras sobre
o estado das redes, previsões
de reposição e alertas para
eventuais fraudes associadas
a falsas intervenções técnicas.
A proteção de utilizadores
vulneráveis constituiu uma
prioridade, incentivando-se
mecanismos de identificação
e resposta célere a situações
de especial fragilidade,
incluindo o isolamento geográfico.
Nas infraestruturas, recomendou
a simplificação de procedimentos
de acesso a condutas e postes,
designadamente no âmbito
das ofertas ORAC e ORAP, bem
como a agilização administrativa
pelas entidades detentoras de
infraestruturas aptas à instalação
de redes.
Ao nível legislativo, e
considerando a dimensão
excecional dos impactos, a
ANACOM propôs medidas
extraordinárias para localidades
abrangidas por declaração de
calamidade. Entre elas, a não
suspensão de serviços por falta
de pagamento durante três meses,
a possibilidade de suspensão
temporária de contratos sem
penalizações e a promoção de
planos de pagamento ajustados,
sem juros de mora. Foi ainda
proposta a isenção de taxas
relativas a licenças temporárias
de radiocomunicações, facilitando
soluções transitórias.
Paralelamente, o regulador
priorizou o licenciamento
temporário de espectro,
acompanhou a reposição da rede
de transporte (backbone) e agilizou
autorizações para reativação de
concentradores. Foram também
facilitados ensaios técnicos,
incluindo soluções experimentais
de comunicações via satélite
a partir de terminais móveis.
No terreno, a coordenação com
a ANEPC, SIRESP, SGMAI,
operadores e autoridades
locais permitiu mitigar falhas
energéticas através de estações
móveis, geradores e comunicações
satélite. Esta atuação integrada
visou reforçar a resiliência
das comunicações eletrónicas
enquanto infraestrutura crítica
essencial à segurança, coesão
territorial e atividade económica.
Para mais informação
64 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
COMPROMISSO REFORÇADO
NA RESILIÊNCIA DOS CABOS
SUBMARINOS
A 2ª Cimeira Internacional sobre
a Resiliência dos Cabos Submarinos
decorreu o Porto, a 2 e 3 de fevereiro,
num encontro de alto nível que
culminou com a aprovação da
Declaração do Porto sobre a
Resiliência dos Cabos Submarinos.
Este documento estratégico
consolida uma visão partilhada
para a proteção de infraestruturas
críticas que suportam a
conectividade global e reforça
o compromisso da cooperação
internacional.
Organizada pela ANACOM, sob
o Alto Patrocínio de Sua Excelência
o Presidente da República, a
cimeira reuniu mais de 350
participantes provenientes de mais
de 70 países. Governos, reguladores,
operadores, representantes da
indústria, academia e organizações
internacionais estiveram
representados num fórum que
evidenciou a natureza transversal
e global do tema.
O encontro integrou-se nos
trabalhos do International
Advisory Body for Submarine Cable
Resilience (IAB), criado em 2024 em
parceria com a União Internacional
das Telecomunicações (UIT) e o
International Cable Protection
Committee (ICPC). O Advisory
Body é co-presidido por Bosun
Tijani, ministro das Comunicações,
Inovação e Economia Digital da
Nigéria, e por Sandra Maximiano,
presidente da ANACOM.
A Declaração do Porto estabelece
orientações estratégicas não
vinculativas destinadas a apoiar
Estados e regiões na definição de
políticas públicas e enquadramentos
regulatórios mais eficazes e
coordenados, dando continuidade
à Declaração de Abuja (2025)
e aprofundando a ambição de
reforçar a resiliência dos sistemas
de cabos submarinos à escala
global. Foram igualmente aprovadas
recomendações dos três Grupos de
Trabalho do IAB, promovendo uma
abordagem integrada à resiliência,
segurança e inclusão das redes.
PRIORIDADES DA
DECLARAÇÃO DO PORTO
Estas recomendações consagram
uma abordagem integrada
para fortalecer a resiliência,
segurança e inclusão das redes
de cabos submarinos. Entre as
prioridades identificadas incluem-
-se a simplificação de processos
regulatórios e operacionais,
o reforço das capacidades
de prevenção, monitorização
e resposta a riscos, bem como
a promoção de modelos de
financiamento e de parcerias –
incluindo público-privadas – que
incentivem a diversidade geográfica e
a redundância das rotas, com especial
atenção às regiões mais vulneráveis.
As orientações acordadas
sublinham, ainda, a necessidade
de intensificar a proteção física
e operacional dos cabos, adotar
DICAS ANACOM NA RTP
boas práticas de gestão de risco,
investir em inovação tecnológica
e capacitação técnica, bem como
promover uma coordenação
eficaz entre autoridades públicas,
indústria e demais utilizadores
do espaço marítimo. O objetivo
comum é assegurar redes mais
seguras, fiáveis e resilientes,
capazes de responder aos desafios
crescentes que se colocam
às infraestruturas digitais.
Para Sandra Maximiano,
a resiliência dos cabos submarinos
deve assentar em dados objetivos,
parcerias sólidas e coordenação
internacional sustentada. Sublinhou,
igualmente, o papel crítico destas
infraestruturas na conectividade
global, desenvolvimento económico,
inclusão social e transformação
digital, reafirmando o empenho
coletivo em transformar as decisões
adotadas em resultados tangíveis.
Para mais informação
Chama-se “Dicas ANACOM”, estreou na RTP1 a 12 de janeiro e marcou
o arranque de uma série de 80 microprogramas dedicados a informação útil
para os consumidores. Com episódios três vezes por semana – às segundas,
quartas e sextas – a iniciativa integra-se no Bom Dia Portugal, entre as 9h00
e as 9h30, e aposta numa comunicação clara e orientada para o quotidiano.
Com vídeos de um minuto, são abordados temas essenciais das comunicações
eletrónicas e do universo digital, promovendo decisões informadas
e o conhecimento de direitos e deveres. Entre os temas incluem-se os serviços
de comunicações e qualidade de serviço, equipamentos e ligações, serviços
postais, segurança e confiança nos serviços digitais e IA. Os conteúdos
visam esclarecer dúvidas e antecipar situações que impactam o dia a dia
dos utilizadores, desde a contratação de serviços até à utilização segura
de plataformas digitais. Todos os episódios e materiais de apoio ficam
disponíveis no Portal do Consumidor, permitindo consulta posterior.
Com esta iniciativa, a ANACOM reforça o compromisso com a transparência,
proximidade e capacitação dos consumidores, contribuindo para uma
sociedade mais informada e preparada para os desafios digitais.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 65
APDC NEWS
IA NO SETOR PÚBLICO
O DESAFIO
DA EXECUÇÃO
COM GOVERNAÇÃO
Portugal já ultrapassou a fase da
experimentação. A IA está presente em
múltiplas áreas do Estado, com casos
concretos e resultados mensuráveis.
Mas há um bloqueio e é institucional.
O desafio? Transformar pilotos dispersos
em soluções estruturais, com escala,
continuidade e impacto público sustentável.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW
A
conferência “IA
no Setor Público –
Balanço e Futuro”,
uma iniciativa da
APDC em parceria
com a NOVA, reuniu decisores
políticos, dirigentes públicos,
academia e empresas para discutir
o ponto de situação e as prioridades
para os próximos anos. O encontro,
realizado a 28 de janeiro, permitiu
alinhar diagnóstico e ação política,
colocando a reforma do Estado
e a inteligência artificial (IA) no
centro da agenda estratégica.
Do debate emergiu um
consenso: acelerar exige decisão
e execução. Tem de se saber definir
os problemas públicos, alinhar
financiamento com necessidades
reais, preparar a implementação
e a escala, investir em dados
interoperáveis e competências,
e integrar ética e gestão de risco
como processos contínuos. Só com
uma governação clara e colaboração
em ecossistema será possível
transformar a IA num motor
de modernização baseado em valor
público – promovendo eficiência,
equidade, transparência e melhor
serviço ao cidadão.
DOS PROJETOS À ESCALA
Na abertura, o presidente
da APDC sublinhou que a
Administração Pública (AP) tem
vindo a desenvolver múltiplos
projetos de IA, muitos cofinanciados
por fundos nacionais e europeus,
mas sem um registo agregado,
atualizado e transparente que
permita conhecer o seu estado,
resultados e continuidade.
Sendo um ativo do país, estes
projetos têm de ser avaliados,
acompanhados e tornados públicos,
garantindo accountability e
condições para serem escalados.
66 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
O presidente da APDC, Rogério
Carapuça, defendeu a necessidade de
mapear, avaliar e dar continuidade aos
projetos de IA na AP, considerando-os
um ativo estratégico do país.
Só com uma
governação clara
e colaboração em
ecossistema será
possível transformar
a IA num motor
de modernização
baseado em valor
público.
Hoje, a IA deixou de ser apenas
eficiência tecnológica e passou a ser
instrumento de reforma estrutural.
Para Manuel Dias, CTO do Estado
e presidente da ARTE, o desafio
não está na prova de conceito,
mas na integração transversal.
Portugal tem um défice de adoção
e de competências, num contexto
em que o país terá de criar mais
de um milhão de novos empregos
até 2030. A Agenda Nacional de IA
surge, assim, como uma resposta
estruturante, organizada em quatro
eixos – infraestruturas e dados,
talento, responsabilidade e ética
– e materializada em 32 iniciativas.
Entre as medidas com impacto
direto na AP, destacou a massificação
do uso de IA em áreas críticas
Manuel Dias, CTO do Estado
e presidente da ARTE, sublinhou
que a IA deve ser assumida como
instrumento estruturante da
reforma do Estado, com foco
na integração e escala.
e transversais, como a contratação
pública, a gestão financeira,
o recrutamento e os licenciamentos.
Ou a implementação de um
programa avançado de formação
em IA para funcionários públicos,
incluindo lideranças. Ou ainda
a criação de Centros Setoriais de
IA, baseados em consórcios entre
AP, empresas e academia. Assim
Para os representantes do
ecossistema empresarial é
essencial alinhar estratégia, dados
e governação para transformar
projetos-piloto de IA em soluções
escaláveis com impacto.
como a constituição de um Centro
de Excelência em IA na AP, em
desenvolvimento na ARTE, com
foco na criação de soluções
transversais e escaláveis.
A dimensão institucional foi
aprofundada por Paul Verhagen, que
alertou para o “desfasamento” entre
evolução tecnológica e adaptação
institucional. Para o keynote, a
maioria dos problemas associados
à IA não é técnica, mas sim de
valores: privacidade, transparência,
equidade e confiança. E a sua adoção
não pode ser tratada como projeto
pontual, exigindo avaliação contínua,
supervisão humana e capacidade
institucional de aprendizagem.
No painel dedicado ao papel
do ecossistema empresarial,
ficou claro que a escala depende
menos de tecnologia e mais de
estratégia, dados e governação.
Exemplos concretos ilustraram
ganhos reais: assistentes
legislativos baseados em LLM
no Diário da República, aplicações
na saúde com ganhos operacionais,
utilização de IA na linha SNS 24
e adoção de ferramentas
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 67
A APDC ABRIR NEWS
Na apresentação das
conclusões das sessões
paralelas ficou claro que
os principais desafios
à adoção da IA no
Estado são institucionais,
organizacionais
e culturais.
Maria Manuel Leitão
Marques, rapporteur-geral
da conferência, alertou
para os riscos de uma
adoção fragmentada da IA
e defendeu maior capacidade
institucional para decidir,
escalar e medir impacto.
generativas na Segurança
Social com medição de impacto.
A recomendação comum foi
inequívoca: avançar com uma
adoção de IA com método, medir
resultados e escalar com governação.
OS DESAFIOS DA IMPLEMENTAÇÃO
No balanço das sessões paralelas
que foram realizadas por setores,
confirmou-se que a IA já está
presente na Saúde, Território,
Agricultura, Educação e Justiça.
Mas continua maioritariamente
confinada a pilotos fragmentados.
E os obstáculos identificados são
transversais: fragmentação de dados,
escassez de competências, ausência
de modelos claros de governação
e dificuldades em transformar
inovação experimental em soluções
estruturais.
Também nos desafios operacionais
– como a definição de problemas,
financiamento, implementação
e avaliação ética – as conclusões
convergiram: muitos projetos falham
porque partem da solução e não
do problema público; persistem
desconexões entre instrumentos
financeiros e necessidades reais
do Estado; e escalar exige redesenho
de processos, consolidação de dados,
plataformas comuns e mecanismos
de partilha que evitem duplicações.
Por isso, uma IA em força no
setor público só será sustentável
com modelos de governação
multidisciplinares, formação
aplicada e abordagens ajustadas
às especificidades de cada área.
E Maria Manuel Leitão Marques,
a Rapporteur-Geral da Conferência,
deixou um alerta: são cada vez
maiores os riscos de uma adoção
fragmentada e sem continuidade,
porque “falta capacidade
institucional para decidir, escalar
e avaliar impacto”.
No encerramento, o ministro
Adjunto e da Reforma do Estado,
Gonçalo Matias, confirmou que estão
em preparação medidas estruturais
para acelerar a modernização
administrativa. Entre as prioridades
estão a simplificação de processos,
antes de qualquer digitalização, uma
O ministro Adjunto e da Reforma
do Estado, Gonçalo Matias,
destacou as medidas estruturais
para acelerar a modernização
administrativa. Como simplificação
de processos, interoperabilidade de
dados e contratação pública.
nova lei de interoperabilidade, para
facilitar a partilha interna de dados,
e a revisão do Código dos Contratos
Públicos, para adequar a contratação
à inovação tecnológica.
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68 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 69
APDC NEWS
AGENTIC AI
A PRÓXIMA VAGA
DA TRANSFORMAÇÃO
DIGITAL
Os agentes autónomos de IA estão a sair
do laboratório e a entrar nas operações
das empresas. A promessa é clara: decisões
mais rápidas, processos automatizados
e novas formas de criar valor.
Agora, é preciso escalar com dados,
governação e responsabilidade.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
A
transição de
sistemas reativos
para agentes
autónomos está a
marcar uma nova
fase na adoção da inteligência
artificial (IA) nas organizações.
Com capacidade de interpretar
contexto, planear ações e interagir
com humanos e sistemas, estes
agentes começam a deixar de ser
um conceito experimental para
se afirmarem como instrumento
estratégico de transformação.
No webinar “Agentic AI: da Teoria
à Transformação dos Negócios”,
promovido pela APDC em parceria
com a MEO a 5 de fevereiro,
foram analisados casos concretos,
impactos operacionais e riscos
associados a esta nova geração
de IA.
O que é um agente autónomo?
Trata-se, segundo Ricardo Ângelo
Filipe, Head of Conversational
Gen AI Products da Altice Labs,
de “um modelo de linguagem com
capacidade de atuar no mundo
digital, perseguindo objetivos
de forma autónoma”. Entre os
exemplos apresentados estiveram
a automação de fluxos de trabalho,
os assistentes virtuais multiagente
e as soluções de voz com interação
quase humana. Estes mostram que
processos que demoravam horas
passaram a ser executados em
minutos, libertando recursos
para tarefas de maior valor.
O princípio do “human in the loop”
e a existência de mecanismos
de controlo foram apontados
como essenciais.
Na prática, e na perspetiva
de Fernando Penousal Machado,
professor de IA e investigador
da Universidade de Coimbra,
estamos a passar de máquinas
às quais nos adaptávamos para
sistemas que se adaptam às
O sucesso da Agentic AI
dependerá menos
da sofisticação dos
modelos e mais
da capacidade de
combinar tecnologia,
dados, governação e
ética numa estratégia
coerente e sustentável.
nossas intenções. Mas alerta que
estes modelos continuam a ser
“agentes estreitos” e sem verdadeira
compreensão do mundo, pelo
que uma evolução para ambientes
mais complexos levanta questões
éticas e institucionais que não podem
ser ignoradas.
O DESAFIO DA ESCALA
Na sessão de debate que se seguiu,
ficou claro que o principal bloqueio
70 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Reveja o evento
ORADORES
RICARDO ÂNGELO FILIPE
Head of Conversational
Gen AI Products,
Altice Labs
FERNANDO PENOUSAL
MACHADO
Professor de IA
e Investigador na
Universidade de Coimbra
JOANA MESQUITA
Machine Learning
Engineer
JOÃO SALVADO
Cloud & AI Data
Solution Engineer,
Microsoft
à escala não é tecnológico, mas sim
organizacional. Joana Mesquita,
Machine Learning Engineer,
sublinhou que muitas provas
de conceito falham por falta
de métricas claras, de governação
e de confiança, e que só uma
pequena percentagem chega à
produção. Acresce que a natureza
probabilística da IA generativa
exige validação contínua, controlo
de riscos e integração sólida com
sistemas existentes.
E na base, como reforçou
João Salvado, Cloud & AI Data
Solution Engineer da Microsoft
estão sempre os dados.
Sem informação estruturada
e governada, os agentes falham.
Sendo que a adoção em escala
implica equipas multidisciplinares,
maturidade organizacional e foco
no valor de negócio, evitando
a tentação de seguir apenas
a novidade tecnológica.
Apesar dos obstáculos que
persistem, o futuro aponta para
sistemas multiagente, cada vez
mais especializados, e para uma
ligação progressiva ao mundo
físico, incluindo à robótica e
ambientes autónomos. Esta
evolução amplia eficiência, mas
também riscos. É que um erro
automatizado pode propagar-se
rapidamente se não existirem
mecanismos de supervisão.
No final, o sucesso da Agentic
dependerá menos da sofisticação
dos modelos e mais da capacidade
de combinar tecnologia, dados,
governação e ética numa estratégia
coerente e sustentável.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 71
APDC NEWS
PROTEGER NO DIGITAL:
RESPONSABILIDADE
PARTILHADA
A mediação parental na utilização das tecnologias por crianças e jovens
deixou de ser um tema periférico para se afirmar como um dos grandes
desafios sociais da era digital. Proteger no digital, porém, vai muito
além do proibir: exige literacia, corresponsabilização e mediação ativa.
TEXTO | ISABEL TRAVESSA
FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW
Acrescente centralidade
do digital na vida de
crianças e jovens está
a redefinir o debate
público. Educação,
saúde mental, regulação e inovação
tecnológica cruzam-se num contexto
em que a fronteira entre online e
offline praticamente desapareceu. E há
uma crescente convergência em torno
de uma ideia: proteger exige literacia e
mediação ativa e não a mera proibição.
Este foi o pano de fundo do encontro
sobre “Mediação Parental do Uso das
Tecnologias por Crianças e Jovens”,
promovido pela Agarrados à Net e pela
APDC, com a colaboração da Google
Portugal, que reuniu a 10 de fevereiro
decisores políticos, especialistas,
sociedade civil e indústria tecnológica.
Na abertura, Sofia Marta, Country
Manager da Google Cloud Portugal,
sublinhou que o digital é hoje
“biblioteca, sala de aula e espaço de
socialização”. Perante esta constatação,
defendeu uma abordagem assente
em três pilares – proteger, respeitar
e capacitar – rejeitando respostas
simplistas. Pelo que a prioridade
tem de passar por dotar pais e jovens
de ferramentas para uma navegação
saudável e informada.
ENTRE O CONTROLO E O DIÁLOGO
Tito de Morais e Cristiane Miranda,
cofundadores da Agarrados à Net,
enquadraram o fenómeno como
um tempo de “ansiedade digital”,
alertando para os efeitos perversos de
proibições absolutas: é que eliminar
Proteger crianças
e jovens no digital
implica uma
responsabilidade
partilhada entre
famílias, escolas,
plataformas
e decisores políticos.
o acesso pode significar eliminar a
supervisão, mas não o uso. O caminho
terá se passar, em alternativa,
pela mediação contínua, diálogo
bidirecional e construção progressiva
da maturidade digital.
72 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Ignorar a realidade do digital
já não é uma opção. Para Sofia
Marta, Country Manager
da Google Cloud Portugal,
a abordagem tem de ser:
proteger, respeitar e capacitar.
Tito de Morais e Cristiane Miranda,
cofundadores da Agarrados à Net,
alertaram para os riscos de proibições
absolutas, defendendo uma mediação
parental ativa, contínua e baseada
na confiança.
A proposta legislativa de limitação
do acesso às redes sociais por menores,
apresentada pelo Governo, foi explicada
por Paulo Lopes Marcelo, vice-presidente
do Grupo Parlamentar do PSD.
A dimensão legislativa foi
apresentada por Paulo Lopes
Marcelo, vice-presidente do Grupo
Parlamentar do PSD, que detalhou
a proposta apresentada pelo Governo
de limitação do acesso autónomo
às redes sociais até aos 16 anos, com
consentimento parental autenticado.
O objetivo, explicou, não é proibir,
mas criar um padrão de proteção
e responsabilização das plataformas,
alinhado com os movimentos
legislativos europeus.
EVIDÊNCIA E LACUNAS NA MEDIAÇÃO
PARENTAL
O debate integrou ainda a evidência
empírica. Fabio Digiacomo, Gestor
de Desenvolvimento de Parcerias
Estratégicas (Impacto Social) da
Google, apresentou o Future Report
2025, que auscultou mais de sete mil
adolescentes europeus.
Como salientou Fabio Digiacomo,
Gestor de Desenvolvimento de
Parcerias Estratégicas da Google,
há necessidade de reforçar o apoio
parental e a literacia digital dos jovens.
Os dados mostram que os jovens estão
conscientes dos riscos e benefícios do
digital, mas revelam lacunas no apoio
parental, sobretudo em contextos
socioeconómicos mais frágeis.
No plano nacional, Tito de Morais
e Cristiane Miranda apresentaram
um estudo com mais de 2,6 mil
pais portugueses, que expõe um
desfasamento entre discurso
e prática: embora o maior receio
seja o contacto com estranhos,
poucos utilizam ferramentas de
restrição. Alertam ainda para o foco
excessivo no controlo do tempo
de ecrã e dos conteúdos, deixando
os filhos desprotegidos em áreas
como o grooming, o cyberbullying
ou a manipulação social. É que
com os telemóveis “o perigo está
no bolso, na rua, em qualquer lugar
e a qualquer hora”.
DA REGULAÇÃO À CAPACITAÇÃO
Como resposta estruturada ao
desafio da mediação parental,
foi apresentado o programa NOA
– Navegar, Online e Aprender,
iniciativa da Google baseada num
modelo train-the-trainer e destinada
a capacitar pais e educadores.
Assente em três pilares – segurança,
definição de regras familiares e
exploração responsável do digital
– combina formação presencial
e recursos práticos, promovendo
a literacia digital e o pensamento
crítico, incluindo no uso de IA.
É que se legislar é relevante,
no entanto, é insuficiente sem uma
aposta forte na capacitação. Proteger
crianças e jovens no digital implica
uma responsabilidade partilhada
entre famílias, escolas, plataformas
e decisores políticos. Não se trata
de afastar do digital, mas sim
de construir um ecossistema mais
seguro, transparente e orientado
para o bem-estar e para a criação
efetiva de valor.
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MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 73
CIDADANIA DIGITAL
VIRTULEAP
UM GINÁSIO
PARA A MENTE
A mente também se treina. Com recurso
à realidade virtual e à inteligência artificial,
a startup portuguesa Virtuleap desenvolve
soluções imersivas de avaliação e treino
cognitivo que reforçam a deteção
precoce e capacitam pessoas com
défices cognitivos.
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74 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
O
envelhecimento
da população
e o crescimento
das doenças
neurodegenerativas,
a par de fragilidades cognitivas,
exigem respostas de saúde mais
eficazes. É neste cenário que a
Virtuleap cruza neurociência com
realidade virtual e inteligência
artificial (IA) para desenvolver
soluções de avaliação e treino
cognitivo, colocando a tecnologia
imersiva ao serviço da prevenção
e da melhoria da saúde cognitiva.
“Quando a Virtuleap foi fundada,
estávamos a explorar a forma
como a realidade virtual poderia
compreender a emoção humana”,
recorda Amir Bozorgzadeh,
cofundador e CEO da empresa.
“No entanto, à medida que
começámos a prototipar exercícios
cognitivos gamificados em realidade
virtual, tornou-se muito claro
para nós que esta tecnologia tinha
potencial para fazer muito mais
do que medir a experiência – podia,
de facto, melhorar ativamente
a vida das pessoas”.
Essa constatação redefiniu o
foco da empresa. “Rapidamente
reconhecemos que a realidade
virtual é particularmente
poderosa no domínio da cognição.
Permite-nos criar ambientes
imersivos e controlados que
estimulam a atenção, a memória
e as funções executivas de formas
que as ferramentas tradicionais
simplesmente não conseguem”.
A partir daí, o objetivo passou a ser
o desenvolvimento de ferramentas
O Enhance VR,
descrito como um
“ginásio para a
mente”, é o produto
bandeira da Virtuleap
e foi distinguido entre
as melhores soluções
digitais com impacto
social no World
Summit Awards
2025.
digitais baseadas em evidência
científica e com relevância clínica,
capazes de capacitar indivíduos
e profissionais de saúde.
O Enhance VR, descrito como
um “ginásio para a mente”,
é o produto bandeira da Virtuleap
e foi distinguido entre as melhores
soluções digitais com impacto social
no World Summit Awards 2025,
iniciativa das Nações Unidas.
A plataforma integra 15 exercícios
gamificados que permitem treinar
sete capacidades cognitivas
– da memória às competências
motoras – ajustando-se em tempo
real ao desempenho do utilizador.
Com mais de 74 mil utilizadores
registados, tem sido aplicado em
ambientes clínicos, educativos
e comunitários, com estudos-
-piloto a indicarem melhorias
em domínios cognitivos específicos
– nomeadamente em pessoas
com TDAH, défice cognitivo ligeiro e
deficiência intelectual – e na regulação
emocional. A solução é disponibilizada
em modelo B2B, através de passe
diário ou subscrição mensal.
A evolução desta abordagem
materializou-se ainda no Cogniclear
VR, ferramenta de avaliação com
14 exercícios distribuídos por oito
domínios cognitivos, realizáveis em
cerca de 30 minutos. O seu ambiente
imersivo permite captar dimensões
de cognição dificilmente mensuráveis
em testes tradicionais – como
orientação espacial, controlo motor
e padrões comportamentais em
cenários realistas – possibilitando
“a construção de um perfil cognitivo
muito mais rico e detalhado”.
Ao disponibilizar instrumentos
mais sensíveis e baseados em dados,
a solução abre caminho à deteção
precoce do défice cognitivo e a
decisões clínicas mais informadas.
Sedeada em Lisboa, a Virtuleap
beneficia de um ecossistema
de inovação que, segundo Amir,
é “vibrante e colaborativo”,
permitindo validar soluções
em contexto real. Exemplo disso
foi a participação no programa
Roche Building Tomorrow Together
– Innovation in Dementia, que
possibilitou testar protótipos do
Cogniclear VR num hospital local.
NÚMEROS
15
Exercícios no Enhance VR
14
Exercícios no Cogniclear VR
8
Domínios cognitivos
avaliados
+74 mil
Utilizadores registados
Ao nível comunitário, através da
iniciativa Lisbon Innovation for All,
o Enhance VR chegou a organizações
de Lisboa, como o Projeto Alkantara
ou a Alegria de Viver.
Num setor particularmente
sensível, a ambição tecnológica
exige responsabilidade acrescida.
A Virtuleap tem investido na validação
científica das suas soluções, na
certificação como dispositivo médico
e na consolidação do seu percurso
regulatório. Paralelamente, explora
biomarcadores digitais extraídos
de dados comportamentais
imersivos, aplicando IA para
identificar padrões que possam
prever declínio cognitivo ou
monitorizar a progressão de doenças.
“Acreditamos que o futuro
da saúde cognitiva será cada vez
mais orientado por dados, contínuo
e personalizado”, sublinha Amir
Bozorgzadeh. “Em última análise,
a nossa visão é contribuir para
a transição de um modelo reativo
para um modelo proativo
de cuidados de saúde”.
Conheça aqui
a Virtuleap
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 75
A FECHAR
CONVERSAS EM TEMPO REAL
NA REDE MÓVEL…
Já está no mercado uma funcionalidade
que permite manter conversas de texto
em tempo real durante as chamadas
de voz. Foi lançada pela NOS e chama-
-se Real-Time Text (RTT). A solução,
particularmente útil para pessoas com
dificuldades de fala ou audição, permite
que cada letra digitada seja visualizada
imediatamente pelo interlocutor,
tornando a comunicação escrita mais
próxima de uma conversa falada
e eliminando a necessidade de enviar
a mensagem completa, como acontece
nos chats tradicionais. A funcionalidade
está disponível gratuitamente em
smartphones compatíveis com redes
4G ou 5G, podendo ser ativada nas
definições de chamada. O operador diz
que o serviço já funciona nas principais
marcas de equipamentos suportadas
pela NOS e está a ser preparado para
integração também em chamadas
de emergência, reforçando o objetivo
de tornar a comunicação móvel mais
acessível e inclusiva.
… ASSIM COMO
VERIFICAÇÃO DE CHAMADAS
Há um novo serviço de verificação
de chamadas que permite confirmar
a autenticidade de números provenientes
da rede do operador. O Origem MEO é uma
funcionalidade que surge como resposta
ao aumento de fraudes telefónicas baseadas
na usurpação de números e apresenta-se
como um mecanismo adicional de confiança
nas comunicações móveis. Sempre que um
cliente receber uma chamada de outro número
MEO, em território nacional ou em roaming,
será apresentada no ecrã do telemóvel uma
indicação visual ou textual que confirma
a validação do número pelos sistemas da rede.
O serviço é gratuito, não requer ativação e está
disponível para todos os clientes da rede móvel,
incluindo as marcas UZO e MOCHE. Nesta fase,
funciona em equipamentos Android
com chamadas de voz em 4G, 5G ou Wi-Fi,
estando prevista a disponibilização em iPhone
numa fase posterior. A solução passa a integrar
o conjunto de ofertas de proteção digital
da operadora, que inclui serviços como
o MEO Net Segura.
Tecnologia
chega em
força à TV
Chama-se Smart Replay para TV
e é um serviço inteligente e pioneiro
que permite rever, de imediato,
momentos chave de jogos e
noticiários, recorrendo a computer
vision, inteligência artificial e machine
learning. Depois do Smart Replay
Football e do Smart Replay News,
funcionalidades que acabam de
ser melhoradas, passando a incluir
“fast forward” e “fast rewind”, foram
lançadas duas novas modalidades:
o Smart Replay Tennis e o Smart
Replay Basket. Estas ofertas estão
disponíveis gratuitamente para todos
os clientes da Vodafone TV, através do
menu Apps e do botão vermelho do
comando. Pioneira no país
e na Europa, esta solução inteligente
permite ver ou rever de imediato
os melhores momentos de um
jogo ou as principais notícias,
sem necessidade de procurar
manualmente na emissão ou nas
gravações. Com recurso a tecnologia
avançada, o sistema analisa de forma
automática a emissão televisiva,
identifica acontecimentos relevantes
no jogo e as principais notícias e gera
segmentos de vídeo organizados,
etiquetados e contextualizados,
permitindo o acesso rápido, intuitivo
e preciso aos instantes que realmente
interessam.
76 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Recuperação
inteligente para
incidentes críticos
A recuperação após incidentes de cibersegurança e
interrupções operacionais é, cada vez mais, um desafio.
Para a acelerar, a Kyndryl anunciou o lançamento do
Kyndryl Intelligent Recovery Service (KIRS), uma solução
cloud integrada na plataforma Kyndryl Bridge, suportada
por inteligência artificial. O serviço automatiza processos
de recuperação e oferece visibilidade centralizada sobre
ambientes híbridos e multi-cloud. O objetivo é ajudar
organizações a reduzir tempos de recuperação e a responder
simultaneamente a requisitos regulatórios cada vez mais
exigentes, sobretudo em setores como finanças, saúde,
energia ou infraestruturas críticas. A solução permite planear
cenários de continuidade de negócio, identificar ativos críticos
e monitorizar níveis de resiliência através de dashboards
unificados e métricas de conformidade em tempo real,
contribuindo para uma gestão mais estruturada do risco
operacional.
GUIA PARA TRABALHAR
COM AGENTES DE IA
Já foi lançado um guia
prático destinado a apoiar
empresas e profissionais
na adoção eficaz da
inteligência artificial (IA)
no trabalho diário. Chama-se
AI Fluency Playbook, sendo
que com esta iniciativa a
Salesforce pretende acelerar
a automação de tarefas
e reforçar a colaboração
entre equipas e agentes
de IA, num momento em
que muitas organizações
procuram evoluir para
modelos de Agentic
Enterprise. A empresa diz
que colaboradores que
utilizam ferramentas de IA
diariamente registam ganhos
significativos: mais 64% de
produtividade, 58% de foco
e 81% de satisfação
no trabalho. O guia baseia-
-se na experiência interna
da própria Salesforce,
onde a utilização de IA em
plataformas como Slack
já permitiu poupar mais de
500 mil horas de trabalho
e responder a milhões
de pedidos de suporte
e interações comerciais.
O AI Fluency Playbook
propõe três eixos para
desenvolver competências
em IA nas organizações
– envolvimento, ativação e
especialização – defendendo
que a vantagem competitiva
dependerá cada vez mais da
capacidade das equipas para
trabalhar de forma eficaz
com sistemas inteligentes.
MÚSICA GERADA POR IA
NO GEMINI
A Google passou a integrar o modelo Lyria 3 no Gemini, permitindo
aos utilizadores criar faixas musicais de cerca de 30 segundos a
partir de comandos de texto, imagens ou vídeos. A funcionalidade,
disponível para maiores de 18 anos, permite gerar automaticamente
letra, voz e melodia com base em instruções simples, como
a definição de um género musical ou de uma atmosfera sonora.
Cada composição inclui também uma capa criada por inteligência
artificial e pode ser partilhada ou descarregada. A tecnologia
está igualmente a ser integrada no Dream Track, ferramenta
associada ao YouTube, destinada a apoiar criadores na produção
de bandas sonoras para vídeos curtos. Segundo a big tech, todas
as faixas geradas incluem a marca de água digital SynthID, que
permite identificar conteúdos criados por IA, reforçar a proteção
de direitos de autor e evitar a imitação de artistas específicos.
A disponibilização do Lyria 3 insere-se na estratégia mais ampla
da Google de reforçar as capacidades criativas da sua plataforma
de IA, num contexto de crescente competição entre grandes
tecnológicas na área de modelos generativos multimodais.
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 77
AGENDA
ABR
15 ABRIL
SAP HR CONNECT
Neste evento poderá
conhecer como a suite SAP
SuccessFactors, apoiada
por inteligência artificial,
fortalece a ligação entre
pessoas, negócio e objetivos,
promovendo uma estratégia
de força de trabalho
integrada.
Local: Pavilhão Carlos Lopes,
Lisboa
Organizador: SAP
Saiba mais
18 ABRIL
GLOBAL AZURE 2026
Referência para profissionais
de tecnologia que pretendam
aprender sobre IA e
Microsoft Azure. Especialistas
da indústria partilham
conhecimento, workshops
práticos e oportunidades
de networking.
Local: Lisboa
Organizador: Azure & AI User
Group Portugal
Saiba mais
MAI
5 E 6 MAIO
DATA MAKERS FEST
O festival concentra mais
de 50 palestras, sessões
práticas e oportunidades
de networking sobre tópicos
como IA, engenharia
de dados, análise, IA
responsável, modelos
generativos e liderança
em dados.
Local: Alfândega do Porto
Organizador: Ripply
e Fes Agency
&
INICIATIVAS
EVENTOS
6 E 7 MAIO
35.º DIGITAL BUSINESS
CONGRESS
“Europe in the Digital
Age: Balancing
Sovereignty, Security and
Innovation”, é o mote
do 35.º Digital Business
Congress. A iniciativa da
APDC será presidida pelo
contra-almirante António
Gameiro Marques, que
durante nove anos esteve
no centro das decisões
mais sensíveis da
segurança da informação
e da soberania digital em
Portugal.
Local: Lisboa
Organizador: APDC
Saiba mais
7 MAIO
11º ENCONTRO APIT
O Encontro de Produtores
Independentes de Televisão
é um evento que
se caracteriza pelo
networking, pela partilha
de experiências e pela
presença de convidados
nacionais e internacionais.
Local: A definir
Organizador: APIT
12 E 13 MAIO
PORTUGAL DIGITAL
TALENT
A iniciativa pretende ser
um palco para a reflexão
sobre as competências,
a liderança e os perfis
que vão moldar o digital
nos próximos anos,
promovendo contacto
direto entre jovens talentos
e organizações.
Local: Pavilhão Carlos Lopes,
Lisboa
Organizador: GoingNext
Saiba mais
12 E 13 MAIO
MOBILE NETWORK
INNOVATION SUMMIT
A conferência aborda
temas como IA nas
telecomunicações,
5G no espaço, computação
quântica e eficiência
energética, analisando
o impacto destas
tecnologias no futuro
do setor.
Local: Londres
Organizador: The Mobile
Network e Temono PR
Saiba mais
12 A 14 MAIO
PORTUGAL SMART CITIES
SUMMIT
Durante três dias, reúne
empresas, municípios,
academia e especialistas
para discutir inovação
nas áreas de mobilidade,
sustentabilidade,
conectividade e qualidade
de vida nas cidades.
Local: FIL, Lisboa
Organizador: Fundação AIP
14 E 15 MAIO
SIM 2026
O evento foi concebido
para conectar
empreendedores, startups
e investidores, tanto nacionais
como internacionais,
disponibilizando um
espaço para partilha de
conhecimento e networking.
Local: Porto
Organizador: Startup Portugal
Saiba mais
20 MAIO
AGENTFORCE WORLD
TOUR LISBOA
Uma oportunidade
para descobrir como
as organizações estão
a unificar Vendas,
Serviço, Marketing
e Dados para impulsionar
o crescimento – e como
estão a levar o Customer
360 a um novo patamar
com a IA agêntica.
Local: CCB, Lisboa
Organizador: Salesforce
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20 E 21 MAIO
360 TECH INDUSTRY
Trata-se de uma feira
profissional dedicada
à transformação digital
da indústria, reunindo
soluções e tendências
em automação, robótica,
manutenção, impressão 3D,
IA e tecnologias emergentes.
Local: Exponor, Porto
Organizador: Exponor
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78 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026
Quando foi
a última vez
que fechaste
um negócio
com um aperto
de mão?
A vida é melhor
quando estamos
presentes
meoempresas.pt
MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 79
A ABRIR
80 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026