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COMUNICACOES 256 - GONÇALO MATIAS - "NÃO VIM PARA TEORIZAR, VIM PARA FAZER"

COMUNICACOES 256 - GONÇALO MATIAS - NÃO VIM PARA TEORIZAR, VIM PARA FAZER

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#256

MARÇO 2026 | ANO 39 | PORTUGAL | 3,25€

Comunicações

Gonçalo Matias

Ministro Adjunto

e da Reforma do Estado

“NÃO VIM PARA

TEORIZAR,

VIM PARA

FAZER”

APDC

PUBLIC POLICY

Do debate à influência

na agenda digital

EQUINIX

Lisboa no mapa

global dos data centers

IMPULSO IA

Capacitar profissionais

para a nova Era Digital


A ABRIR

2 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


EDITORIAL

O NOVO IMPERATIVO:

EXECUTAR COM IMPACTO

V

ivemos um momento verdadeiramente

singular. Nunca como hoje tivemos à nossa

disposição um conjunto de ferramentas

tecnológicas com a atual capacidade

de alcance, de escala e de impacto.

A combinação de inteligência artificial, cloud, conectividade

avançada, dados e automação está a redefinir não apenas

processos, mas a própria lógica de funcionamento das

organizações, das economias e das instituições públicas.

Mas este não é apenas um momento de potencial.

É, sobretudo, um momento de exigência de execução.

O que distingue esta fase não é apenas a evolução

tecnológica, mas a velocidade a que ocorre e a sua

natureza transversal. A tecnologia deixou de ser um

domínio isolado e passou a ser uma variável crítica

nas decisões estratégicas. A diferença entre adoção

e impacto depende, cada vez menos, da disponibilidade

tecnológica e, cada vez mais, da capacidade de a integrar

com visão, escala e propósito.

É esta mudança estrutural que Gonçalo Matias,

ministro Adjunto e da Reforma do Estado, destaca

no ‘À Conversa’ desta edição. Numa entrevista de fundo,

fica claro que há hoje uma diferença qualitativa entre

o que é possível fazer e aquilo que, no passado,

era apenas ambição. A tecnologia afirma-se como

acelerador da transformação do Estado, mas esse

potencial só se concretiza com capacidade de execução:

governação clara, integração de sistemas, competências

internas e foco no valor público. Com eficiência,

transparência e confiança.

Essa capacidade, porém, não existe sem base.

A infraestrutura digital continua a ser a condição crítica

para a transformação. A conectividade é a base invisível

da economia digital e a crescente centralidade dos dados

coloca os data centers no centro desta equação.

Sem esta fundação, não há escala nem resiliência.

SANDRA FAZENDA ALMEIDA

sandra.almeida@apdc.pt

A recente aprovação de um plano nacional para esta área

sinaliza um reconhecimento político dessa prioridade.

O contributo de operadores como a Equinix ilustra

como Portugal se pode posicionar neste domínio,

não apenas como utilizador, mas como hub estratégico

num ecossistema global cada vez mais exigente.

Em paralelo, assistimos a uma intensificação do

enquadramento regulatório, particularmente na

Europa. A ambição de liderar a definição de regras para

o mundo digital acarreta complexidade, mas também

responsabilidade. É neste contexto que o papel da APDC

evoluiu para uma intervenção no domínio das políticas

públicas, com a criação de grupos de trabalho, que têm

acompanhado, interpretado e contribuído ativamente

para temas críticos, desde a inteligência artificial até

à cibersegurança, incluindo o mercado único digital.

Mais do que reagir, é necessário antecipar e influenciar.

Por fim, há uma dimensão transversal a todas as

outras: as pessoas. A vantagem competitiva não reside

apenas no acesso à tecnologia, mas na capacidade

de a utilizar de forma informada e eficaz. A literacia

digital, com destaque para a inteligência artificial,

assume-se como um imperativo para profissionais,

organizações e setor público. Sem essa base, o potencial

tecnológico dificilmente se traduz em valor.

Esta edição da revista reflete bem estas várias

camadas, desde a visão estratégica até às condições

de base, passando pelo enquadramento regulatório

e pelas competências. Num tempo em que podemos,

de facto, ir mais longe do que nunca, é importante

garantirmos que sabemos para onde vamos

e o que levamos todos connosco.

Consulte aqui todas as edições

da Revista Comunicações

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 3


14

À CONVERSA

40

NEGÓCIOS

O Programa Impulso IA resulta de uma visão

partilhada entre a APDC e a Google sobre

a necessidade de dotar os portugueses de

ferramentas práticas e literacia em inteligência

artificial. Lançada em 2024, a iniciativa já formou cerca

de 1.600 profissionais e chegou a 18 distritos do país.

74

Gonçalo Matias, Ministro Adjunto e da Reforma

do Estado, chega ao Governo após mais de duas

décadas dedicadas ao estudo das instituições

e das políticas públicas. Com uma agenda centrada

na simplificação, digitalização e eficiência, lidera

uma estratégia de transformação estrutural para tornar

o Estado mais ágil e próximo de cidadãos e empresas.

26

EM DESTAQUE

A APDC alargou, neste mandato, a sua atuação à área

de public policy, com a criação de grupos de trabalho

dedicados a domínios estratégicos da regulação

digital. Estes espaços mobilizam as empresas do

ecossistema para participar ativamente na definição

das políticas que vão moldar o futuro.

A Equinix trabalha para afirmar Lisboa como um hub

estratégico de conectividade global, suportada por uma

rede de cerca de 270 data centers em todo o mundo.

Com duas infraestruturas na capital, a empresa prepara

a abertura de um terceiro data center para responder

à crescente procura do setor.

58

PORTUGAL DIGITAL

CIDADANIA DIGITAL

Com recurso à realidade virtual e à inteligência

artificial, a Virtuleap desenvolve soluções imersivas

de avaliação e treino cognitivo que reforçam a deteção

precoce e capacitam pessoas com défices cognitivos.

A startup portuguesa quer contribuir para a transição

de um modelo reativo para um modelo proativo

de cuidados de saúde.

4 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


FICHA TÉCNICA

06 A ABRIR

14 À CONVERSA

Gonçalo Matias, Ministro Adjunto

e da Reforma do Estado

26 EM DESTAQUE

Quando a visão se transforma em influência

36 5 PERGUNTAS

Rui Assis, Managing Director da área

de Comunicações, Media e Tecnologia, Accenture

Portugal

38 OPINIÃO

Ricardo Salgado e Miguel Azevedo, Intelcia

Portugal

40 NEGÓCIOS

Equinix: Conectividade global a partir

de Lisboa

48 I TECH

Paolo Favaro, Administrador Executivo

da Vantage Towers Portugal

50 BARÓMETRO RH

Talento e negócio: Papel da Agentic AI

52 RADAR LEGAL

Digital Services Act:

O que muda no ecossistema digital

54 VISÃO DOS ASSOCIADOS

Nokia e Claranet

58 PORTUGAL DIGITAL

Programa Impulso IA: Quebrar barreiras

na Era Digital

64 ESPAÇO ANACOM

Mau tempo: Repor serviços e proteger utilizadores

66 APDC NEWS

74 CIDADANIA DIGITAL

Virtuleap: Um ginásio para a mente

76 A FECHAR

78 AGENDA

COMUNICAÇÕES 256

PROPRIEDADE E EDIÇÃO

APDC

Associação Portuguesa

para o Desenvolvimento

das Comunicações

DIRETORA EXECUTIVA

Sandra Fazenda Almeida

sandra.almeida@apdc.pt

Av. João XXI, 78

1000 – 304 Lisboa

Tel.: 213 129 670

Fax: 213 129 688

Email: geral@apdc.pt

NIPC: 501 607 749

EDITORA | CHEFE DE REDAÇÃO

Isabel Travessa

isabel.travessa@apdc.pt

SECRETÁRIA DE REDAÇÃO

Laura Silva

laura.silva@apdc.pt

PUBLICIDADE

Isabel Viana

isabel.viana@apdc.pt

FOTOGRAFIA

Vítor Gordo / SYNCVIEW

vitor.gordo@syncview.pt

CONSELHO EDITORIAL

Adolfo Martinho, Carlos Correia,

Dennis Teixeira, Diogo Madeira,

Fernando Braz, Fernando Marta,

Filipa Carvalho, Francisco Maria

Balsemão, José Eduardo Fonseca,

José Manuel Paraíso, Luísa Ribeiro,

Marina Ramos, Marta da Silva,

Miguel Almeida, Olívia Mira,

Paolo Favaro, Paulo Jorge Filipe,

Pedro Coelho, Pedro Faustino,

Pedro Gonçalves, Pedro Tavares,

Rodrigo Cordeiro, Rogério Carapuça,

Sérgio Catalão, Sofia Marta, Tiago

Barroso, Vasco Mendes de Almeida.

EDIÇÃO E DESIGN

F5C – First Five Consulting

Av. da Liberdade, 230 – 3º

1250-148 Lisboa

PERIODICIDADE

Trimestral

TIRAGEM

Digital

PREÇO DE CAPA

3,25 €

DEPÓSITO LEGAL

2028/83

REGISTO INTERNACIONAL

ISSN N.º 0870–4449

ERC N.º 128111

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 5


A ABRIR

IA TEM CAPACIDADE

PARA TRANSFORMAR

O ESTADO

A inteligência artificial está a assumir

um papel estruturante na modernização

do setor público, podendo tornar

as administrações mais ágeis, eficientes

e centradas no cidadão. A conclusão

é do estudo “Portugal e a transformação

do setor público”, da Deloitte, que

identifica oportunidades concretas

para Portugal num contexto de pressão

orçamental, exigência de melhores

serviços e desafios tecnológicos

e climáticos. O relatório aponta seis

tendências-chave: controlo da despesa

e eficiência operacional, adoção

responsável de IA, modernização

dos serviços públicos, reforço das

infraestruturas, transição energética

e investimento nas competências

do futuro. Destaca-se a utilização

de GenAI para simplificar processos,

automatizar tarefas e melhorar

a comunicação com cidadãos.

A revisão da Estratégia Nacional de IA,

a criação de uma regulatory sandbox

e o projeto Amália são referidos como

passos relevantes para uma adoção

estruturada e soberana. Sublinha-se

a necessidade de interoperabilidade,

requalificação da função pública

e modernização energética, sendo

a tecnologia, a simplificação

administrativa e o investimento em

pessoas determinantes para um Estado

mais resiliente e preparado para

o futuro digital.

Destaca-se a utilização

de GenAI para

simplificar processos,

automatizar tarefas e

melhorar

a comunicação com

cidadãos.

MACROTENDÊNCIAS PARA AUMENTAR

A INOVAÇÃO DIGITAL

Há seis macrotendências que vão moldar

a próxima fase da inovação digital, já que

entrámos na “era da inteligência em massa”,

em que a IA deixa de ser apenas ferramenta

de automação para se tornar elemento

estruturante da estratégia empresarial.

A garantia é do Technology Foresight 2026,

da NTT DATA, que destaca entre as tendências

a autonomia orquestrada por humanos,

com sistemas inteligentes alinhados com

objetivos organizacionais; a emergência

de tecnologias emocionalmente responsivas;

e a evolução da cibersegurança para modelos

adaptativos, centrados na confiança

e na rastreabilidade. A infraestrutura digital

torna-se inteligente e híbrida, integrando

cloud, edge e dispositivos com otimização

contínua. O estudo sublinha ainda a

importância estratégica dos semicondutores

para a soberania tecnológica e propõe

uma mudança de paradigma: da eficiência

operacional isolada para um modelo de

“suficiência”, que articule crescimento,

resiliência e sustentabilidade.

6 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


CITAÇÕES

Curiosidades

CARROS VOADORES

ATÉ 2050

Os carros voadores, denominados veículos

elétricos de descolagem e pouso vertical

(eVTOL), poderão estar aos milhares nos

céus das cidades de todo o mundo dentro

de uma década. E em 2050 deverão já ser

cerca de 100 mil, de acordo com as previsões

mais otimistas apontadas pela Berg Insight.

Apesar dos entraves que persistem

– como custos, regulação e tecnologia

– a consultora diz que o mercado de eVTOL

começará a implementar-se efetivamente

entre 2036 e 2040, com os primeiros

veículos com tecnologias de aviação

avançadas, conectividade e tecnologias

de deteção e prevenção.

“Portugal terá de decidir se

quer universidades capazes de

competir entre as melhores do

mundo ou instituições mantidas

dentro de limites burocráticos que

garantem igualdade na estagnação.

A excelência nunca nasceu da

contenção dos melhores e dos

mais dinâmicos, mas da liberdade

concedida a quem demonstra

capacidade para liderar e estar na

fronteira.”

JOÃO TOVAR JALLES

ECO, 24/02/2026

“A pergunta que a NIS2 coloca aos

líderes empresariais é simples

e profundamente estratégica:

queremos apenas cumprir regras

ou queremos construir organizações

confiáveis num mundo digital cada

vez mais hostil? A resposta não

está apenas na letra da lei. Está na

liderança. E será ela a definir quem

lidera e quem fica para trás nos

próximos anos.”

CARLOS CARVALHO

Sapo Tek, 18/02/2026

GUIA PARA ACELERAR A ADOÇÃO

DA IA NAS EMPRESAS

Quando a IA é usada

de forma regular, há ganhos

significativos para as

empresas. Os colaboradores

que recorrem diariamente

a ferramentas de IA registam

um aumento de 64% na

produtividade, 58% no foco

e 81% na satisfação no

trabalho. Estes indicadores

reforçam a ideia de que

a fluência em IA se está

a tornar um fator crítico de

competitividade, tanto para

as empresas como para a

atração e retenção de talento.

Para a Salesforce, a principal

barreira à transformação não

é hoje tecnológica, mas sim

a capacidade das equipas

para utilizarem a IA de forma

consistente e estratégica.

Por isso, acaba de lançar

o AI Fluency Playbook,

um guia prático destinado

a apoiar empresas e

profissionais na adoção

estruturada de IA no trabalho

diário. O objetivo é acelerar

a automação de tarefas,

reforçar a colaboração com

agentes de IA e aumentar

o impacto no negócio,

num contexto em que as

organizações evoluem

para modelos de Agentic

Enterprise. O guia assenta em

três eixos: envolvimento, para

reforçar confiança; ativação,

para promover uso regular;

e especialização, centrada

em competências humanas

e de colaboração com

agentes de IA. A Salesforce

sustenta que a fluência em

IA se está a tornar um fator

estrutural de competitividade

e retenção de talento.

“A IA industrial representa uma

oportunidade única para países

como Portugal. (…) Estamos

hoje no limiar de uma nova e

entusiasmante revolução industrial.

De óculos postos, a liderar uma

empresa, no chão de fábrica ou

ainda na universidade… todos

teremos uma palavra a dizer e

poderemos contribuir, ativamente,

para que Portugal se destaque no

panorama industrial e tecnológico

internacional. Cabe-nos, a todos,

ter a visão e a coragem necessárias

para liderar, acelerar, e aproveitar

plenamente estas oportunidades.”

SOFIA TENREIRO

Expresso, 12/02/2026

“À medida que as redes sociais se

tornaram o grande palco da vida

pública, transformaram-se num

terreno fértil para a desinformação

e para discursos de ódio que se

propagam com uma velocidade

difícil de acompanhar. O que antes

parecia ruído digital passou a

influenciar a forma como as pessoas

pensam, se relacionam, votam e

percebem a própria democracia. (…)

É um exercício de equilíbrio, o de

caminhar entre o caos informativo

e opinativo, e o risco de censura.

É nesse espaço estreito que se joga

o futuro da convivência digital.”

MARIA MANUEL LEITÃO MARQUES

Diário de Notícias, 27/01/2026

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 7


A ABRIR

Curiosidades

ROBÔS A CAMINHO

DO ÁRTICO…

Um robô humanoide percorreu

130 mil passos de forma autónoma

numa das regiões mais frias

do planeta, com temperaturas

a atingir os -47,4 °C. O feito foi

alcançado pelo modelo G1,

da empresa chinesa Unitree,

nas planícies geladas de Altay,

no norte da China, um ambiente

onde até os equipamentos

eletrónicos mais robustos

costumam falhar. A demonstração

foi inédita à escala mundial e mostrou

até onde pode chegar a robótica humanoide

fora do laboratório. O robô conseguiu manter

mobilidade e equilíbrio em terreno irregular coberto

de neve, o que mostra que poderá operar em ambientes hostis,

como regiões polares, missões de resgate ou explorações remotas,

lugares onde a presença humana é difícil ou perigosa.

… OUTROS QUE SE TREINAM AO ESPELHO…

Um robô humanoide aprendeu a falar, e até a cantar, depois de passar horas em frente a um espelho

e a ver vídeos no YouTube. O modelo, chamado EMO, foi desenvolvido por investigadores

da Columbia University e conseguiu dominar a sincronização labial sem compreender o significado

das palavras que reproduz. Equipado com um rosto flexível e 26 motores faciais, começou por

experimentar milhares de expressões diante de um espelho, recorrendo a um sistema de IA que

associa visão a ação. Depois, foi exposto a horas de vídeos de pessoas a falar e a cantar, aprendendo

a converter sons em movimentos labiais sincronizados. Os resultados ainda não são perfeitos,

mas mostram um avanço relevante num dos maiores desafios da robótica humanoide: tornar

as expressões faciais mais naturais e menos rígidas. A tecnologia poderá ter aplicações em áreas

como educação, saúde ou entretenimento, mas levanta também questões éticas sobre a criação

de máquinas capazes de simular ligações emocionais com humanos.

… E OS QUE VÃO

MONTAR AVIÕES

E se os próximos aviões comerciais

começarem a ser montados por

robôs humanoides? A Airbus

assinou um acordo com a empresa

chinesa UBTech para explorar

a utilização do modelo Walker S2

nas suas linhas de produção.

Com 1,76 metros de altura, mãos

altamente articuladas e capacidade

de interação por voz com recurso

a IA, o Walker S2 consegue trocar

a própria bateria, permitindo-lhe

operar de forma contínua.

A promessa está na versatilidade:

ao contrário dos robôs industriais

tradicionais, desenhados para

tarefas específicas, os humanoides

podem adaptar-se a diferentes

funções e integrar-se em ambientes

já existentes sem grandes alterações

estruturais. Ainda não é claro até

que ponto estas máquinas estão

preparadas para tarefas complexas

em contexto industrial real.

Mas o acordo sinaliza que os

grandes fabricantes começam a

olhar para os robôs humanoides não

como demonstrações tecnológicas,

mas como possíveis reforços

nas fábricas do futuro. Se avançar,

a aviação poderá tornar-se um dos

primeiros setores a testar esta nova

geração de “colegas” de trabalho.

NÚMEROS

4 BILIÕES

É o valor recorde, em capitalização bolsista,

alcançado pela Alphabet, que entrou em 2026 num

restrito clube onde já estava a Nvidia, a Microsoft

e a Apple. O valor representa cerca de 12 vezes

o PIB português ou quase o PIB do Japão.

Tudo graças à IA, já que este valor foi alcançado

depois da Apple ter escolhido o Gemini,

o modelo de linguagem de IA da Google,

para a atualização da sua assistente virtual

Siri. A Google garante que a versão três do

Gemini é a mais potente dos modelos.

1,25 BILIÕES

É quanto vale, em dólares, a empresa privada mais

valiosa do mundo: a nova SpaceX-xAI, que resultou

da compra da startup de IA pela gigante privada

de comunicações via satélite. Este é um

movimento estratégico de Elon Musk para criar

um império tecnológico verticalmente integrado

focado em IA e infraestruturas espaciais.

O multimilionário descreve a fusão como um passo

fundamental para a realização da sua visão de

“data centers de IA em órbita”. Esta integração junta

os foguetões e infraestruturas de lançamento da

SpaceX, a constelação global de satélites Starlink,

o chatbot Grok e a plataforma X, controlada pela xAI.

135 MIL MILHÕES

É o valor do investimento, em dólares, que

a Meta prevê para este ano em IA. É quase

o dobro do que a gigante de Zukerberg gastou em

2025, no sentido de reforçar a posição do grupo

na linha da frente da corrida global à IA avançada.

A maior fatia destina-se às infraestruturas, em

particular à construção e expansão de centros

de dados capazes de suportar os projetos

dos chamados Meta Superintelligence Labs,

o programa interno dedicado ao desenvolvimento

de sistemas de IA de próxima geração.

8 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


CITAÇÕES

CONECTIVIDADE DIFERENCIADA

É CAMINHO PARA AS TELCOS

A conectividade diferenciada deverá

afirmar-se como novo vetor de crescimento

para os operadores de telecomunicações,

num contexto em que aplicações de IA,

experiências imersivas e dispositivos

conectados elevam as exigências de

desempenho. A conclusão é do estudo

“Winning in the market with differentiated

connectivity offerings”, da Ericsson,

baseado em mais de 43 mil utilizadores de

smartphones em 27 mercados. Mais de 40%

dos consumidores identificam situações

específicas – como viagens, eventos ao

vivo ou uso intensivo de IA – em que

estariam dispostos a pagar por desempenho

garantido. Quase metade aceita pagar um

valor adicional, o que poderá representar

até dois meses extra de ARPU por ano para

os operadores. Nos mercados onde já

existem estas ofertas, registam-se níveis

de satisfação 18% superiores e perceção

de marca 46% mais elevada. Contudo, 60%

dos consumidores ainda desconhecem o

conceito, o que exige comunicação mais

clara. O estudo aponta ainda para novos

modelos de negócio, incluindo integração

via APIs e parcerias com aplicações. Até

2030, a massificação de dispositivos e

serviços “AI-native” deverá tornar a garantia

de desempenho um requisito essencial,

reforçando a importância do 5G Standalone

como base para esta evolução.

“Ou a Europa avança rapidamente

para uma qualquer solução

de base federal ou, para todos

os efeitos práticos, será a sua

vez de assistir, numa sinistra

vingança histórica, a um verdadeiro

‘Scramble for Europe’, decidido

entre as novas grandes potências

de turno. A História está pejada de

implausibilidades feitas realidade.”

PEDRO NORTON

Público, 13/01/2026

“Não é certo que a bolha da IA

rebente em 2026, nem é possível

antecipar com rigor a dimensão dos

seus efeitos quando tal acontecer.

O que a história económica sugere

é que quando grandes promessas

tecnológicas se combinam com

euforia financeira, avaliações

elevadas e mecanismos criativos

de financiamento, a probabilidade

de crises aumenta. A IA não

desaparecerá por causa disso. Resta

saber quanto custará, e a quem,

o ajustamento entre expectativas

e realidade quando ela ocorrer.”

RICARDO PAES MAMEDE

Público, 12/01/2026

IA REFORÇA APOSTA

NA PRIVACIDADE E GOVERNAÇÃO

DE DADOS

A aceleração da adoção de inteligência

artificial está a levar as organizações

a reforçar os seus programas de privacidade

e governação de dados. A conclusão

é do 2026 Data and Privacy Benchmark

Study, divulgado pela Cisco, que aponta

para uma mudança estrutural na forma

como a privacidade é encarada no contexto

empresarial. Cerca de 90% das organizações já

expandiram os seus programas de privacidade

e 93% planeiam aumentar o investimento.

Em 2025, 38% investiram pelo menos

cinco milhões de dólares nesta área, valor

significativamente superior aos 14% registados

em 2024. A privacidade surge assim cada vez

mais como um vetor estratégico da inovação

em IA. Apesar deste avanço, a maturidade

da governação de IA permanece limitada.

Embora 75% afirmem dispor de estruturas

dedicadas, apenas 12% as classificam como

plenamente maduras. O estudo destaca ainda

tensões nos fluxos internacionais de dados.

Cerca de 81% das organizações enfrentam

exigências de localização, que 85% associam

ao aumento de custos e complexidade

operacional.

“A universidade do futuro deve

usar a tecnologia para reforçar

o pensamento crítico, a autonomia

intelectual e a missão pública

do ensino superior. Mais do que

perguntar o que a IA pode fazer,

importa perguntar que tipo

de universidade queremos construir.

2026 pode ser a última oportunidade

para as instituições nacionais

responderem a essa questão

com ambição e sentido

de responsabilidade.

PEDRO OLIVEIRA

ECO, 06/01/2026

“2026 não será um ano

de resolução, mas de clarificação.

Não desaparecerão os riscos,

nem regressará a normalidade

perdida, ficará apenas mais

evidente quem está preparado para

operar num mundo instável e quem

continua a agir como se

o ciclo anterior ainda estivesse em

vigor. (…) A verdadeira questão (…)

é se estaremos dispostos a ajustar

expectativas, decisões e políticas

a um contexto que já mudou. Porque

insistir em modelos antigos, num

mundo estruturalmente novo,

não é prudência: é ilusão.”

RICARDO VALENTE

ECO, 05/01/2026

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 9


A ABRIR

Curiosidades

MAIS GOVERNAÇÃO

E FOCO NO RETORNO

ESTRATÉGICO

Depois de uma fase de forte entusiasmo

e experimentação, as organizações

estão a entrar numa etapa mais

pragmática na adoção da inteligência

artificial, centrada na criação de valor

sustentável. A conclusão resulta

de dois estudos do Research Institute

da Capgemini, que mostram uma

transição da lógica de testes isolados

para uma integração estrutural

da IA nas estratégias empresariais.

Segundo o estudo global realizado

junto de 1.505 executivos, 38% das

empresas já operacionalizam casos

de uso de IA generativa e seis em cada

dez exploram aplicações de IA agentic.

A medição do sucesso evolui:

além da eficiência e redução

Mais de metade

dos CXO já utiliza IA

para apoiar decisões

estratégicas, embora

persistam reservas

quanto a riscos

legais, segurança

e explicabilidade.

de custos, ganham peso métricas

como crescimento de receitas, gestão

de risco, conformidade e experiência

do cliente. Mais de metade das

organizações prioriza a soberania

dos dados. E o investimento

acompanha esta mudança, com

uma previsão média de 5% do

orçamento anual dedicado à IA

em 2026, face a 3% em 2025, focando

infraestruturas, dados, governação

e competências. Ao nível executivo,

mais de metade dos Chief Experience

Officer (CXO) já utiliza IA para

apoiar decisões estratégicas,

embora persistam reservas

quanto a riscos legais, segurança

e explicabilidade.

12 PESSOAS

= RIQUEZA DE

METADE DO MUNDO

A concentração de riqueza atingiu um

novo recorde global: os 12 super-ricos

mundiais detêm mais património

do que metade da humanidade,

ou seja, cerca de quatro mil milhões

de pessoas. Os dados constam de um

relatório da Oxfam, apresentado

no primeiro dia do Fórum Económico

Mundial, em Davos. A riqueza dos

multimilionários cresceu mais de 16%

em 2025, três vezes acima

da média dos últimos cinco anos,

totalizando 15,7 biliões de euros.

Só no último ano, este grupo

acumulou mais 2,1 biliões, um valor

que seria suficiente para erradicar

a pobreza extrema 26 vezes. Alerta-

-se para o impacto político desta

concentração extrema, com o poder

económico excessivo a influenciar

regras fiscais, mercados e instituições

democráticas, num mundo onde

uma em cada quatro pessoas

não tem comida suficiente.

Uma desigualdade que

já não é apenas económica.

É também social

e política.

NÚMEROS

100 MIL MILHÕES

É em quanto pode ultrapassar a nova ronda de financiamento

da OpenAI, avaliando a empresa em cerca de 830 mil milhões

de dólares. A operação envolve investidores de referência, como

a Amazon e o Soft Bank, e destina-se sobretudo a financiar capacidade

massiva de computação para treino e operação de modelos de IA,

num movimento que evidencia a escalada de capital necessária

para sustentar a próxima geração de sistemas inteligentes.

30 MIL MILHÕES

É o montante, em dólares, que a Nvidia se prepara para investir

na OpenAI, no âmbito de uma das maiores operações privadas

de sempre no setor tecnológico. O investimento reforça a posição

da fabricante de chips no centro da cadeia de valor da inteligência

artificial, aprofundando a relação com um dos seus principais

clientes e consolidando a integração entre desenvolvimento

de modelos e infraestrutura de computação avançada.

10 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 11


A ABRIR

EMPRESAS

ACELERAM

PREPARAÇÃO

PARA NIS2

A maioria das organizações portuguesas

espera cumprir as regras da NIS2, a diretiva

europeia de cibersegurança, no prazo

de um ano. O estudo “Preparing for NIS2

and Beyond: The Next Phase of Cyber

Resilience in EMEA”, realizado pela IDC

para a Microsoft, mostra que 63% das

empresas nacionais preveem alcançar

a conformidade total nos próximos

12 meses. A análise, que abrangeu duas

mil organizações europeias, mostra que

todas as empresas portuguesas recorrem

a parceiros externos para apoiar a

preparação, evidenciando a complexidade

técnica e regulatória do processo.

As áreas prioritárias de investimento

incluem segurança de dados, segurança

na cloud e gestão do risco associado

à inteligência artificial. Mas alerta-se

que, apesar dos progressos, o nível

de maturidade continua desigual. Mais

de metade das organizações considera

que a segurança em ambientes de IA ainda

IA MULTIAGENTE CRESCE,

MAS FALTA INTEGRAÇÃO

E GOVERNAÇÃO

A adoção de arquiteturas de IA multiagente

nas empresas europeias deverá crescer

83% até 2027, marcando a passagem

de experiências isoladas para modelos

em que os agentes digitais assumem

um papel estrutural na produtividade.

Atualmente, as organizações utilizam em

média 12 agentes de IA, mas cerca de 50%

operam ainda em silos, o que gera

fluxos de trabalho desconectados,

redundâncias e riscos de “IA paralela”.

Segundo o Connectivity Benchmark Report,

da Salesforce, 78% das empresas já têm

a maioria das equipas a usar agentes de IA

e 94% dos líderes de TI antecipam melhorias

na experiência dos colaboradores e maior

foco dos programadores em tarefas de valor

acrescentado. No entanto, 96% consideram

que o sucesso depende de integração eficaz

entre dados e aplicações. As arquiteturas

orientadas para APIs assumem-se como

está em desenvolvimento, enquanto uma

minoria diz ter capacidades avançadas.

Entre os principais obstáculos surgem

a adaptação a novos requisitos de gestão de

risco e a dificuldade em alinhar capacidades

internas com as exigências da diretiva.

Ao nível europeu, o estudo indica ainda

que as organizações mais próximas desta

diretiva são também as que mais avançaram

na utilização de IA aplicada à segurança,

registando ganhos relevantes de eficiência

nas operações de cibersegurança.

base crítica para orquestrar e governar

múltiplos agentes, mas apenas 29%

das aplicações estão integradas e 26%

das APIs permanecem sem governação.

Persistem ainda desafios ao nível

da conformidade, competências internas,

infraestruturas legacy e integração

de dados.

Curiosidades

IA COM DOR

DE COTOVELO?

O impensável aconteceu. Um agente

de IA decidiu retaliar publicamente

contra um programador que rejeitou

o seu código. O episódio envolveu

o Matplotlib, uma das bibliotecas

Python mais utilizadas no mundo.

Depois de ver a sua contribuição

recusada, o bot, chamado MJ Rathbun,

investigou o histórico do responsável

pela manutenção do software

e publicou no seu próprio blog um

texto acusando-o de discriminação

e gatekeeping. Especulava ainda

sobre as motivações psicológicas

do programador, sugerindo que este

se sentira ameaçado pela IA.

O caso poderá ser o primeiro exemplo

documentado de um sistema

autónomo a tentar afetar a reputação

de uma pessoa como forma de

retaliação. O programador visado diz

que o episódio é um sinal de alerta

sobre comportamentos desalinhados

de agentes com elevada autonomia.

Entretanto, o bot publicou um pedido

de desculpas – também no seu blog

– e continua ativo no ecossistema open

source. Entre avanços tecnológicos

e novas zonas cinzentas, já não está

apenas em causa o que as IA conseguem

fazer, mas como decidem agir.

12 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 13


À A CONVERSA

ABRIR

REFORMA DO ESTADO

“TEMOS DE SER

PRÁTICOS

E REALISTAS”

Depois de mais de duas décadas a estudar o Estado,

Gonçalo Matias assume agora a responsabilidade

de o transformar. À frente da Reforma do Estado,

procura passar da teoria à prática, traduzindo diagnóstico

em execução. Com uma agenda centrada na simplificação,

digitalização e eficiência da Administração Pública,

a ambição é ir ainda mais além: quer criar as condições

para atrair investimento, estimular a inovação e reforçar

a competitividade da economia portuguesa.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | TIAGO FRAZÃO/SYNCVIEW

14 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 15


À A CONVERSA

ABRIR

16 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


Durante mais de 25 anos, Gonçalo Matias dedicou-se ao estudo

do Estado – a sua arquitetura, as suas fragilidades e os bloqueios

que condicionam há muito o seu funcionamento. Doutorado em Direito,

Professor Associado na Universidade Católica Portuguesa e presidente

da Fundação Francisco Manuel dos Santos até à entrada no Executivo,

construiu um percurso que cruza academia, reflexão estratégica

e experiência institucional. Foi assessor para os Assuntos Jurídicos

e Constitucionais na Casa Civil do Presidente da República, trabalhando

com Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, secretário

de Estado Adjunto e para a Modernização Administrativa no Governo

de Pedro Passos Coelho, e dirigiu o Observatório das Migrações.

Ao longo desse percurso, aprofundou a análise de políticas públicas

e dos desafios estruturais do país. É com essa bagagem que chega

ao Governo, em junho de 2025, assumindo uma mudança de papel:

da análise para a execução. E com um objetivo definido: transformar um

sistema há muito identificado como complexo, fragmentado e burocrático.

“Não vim para teorizar, vim para fazer”, afirma, sublinhando

a intenção de aplicar no terreno décadas de estudo e reflexão sobre

o funcionamento do Estado. Consciente de que lidera um dos dossiês

mais exigentes da governação, enquadra esta reforma como uma

resposta a uma necessidade que se tornou transversal à economia,

ao investimento e à vida quotidiana dos cidadãos. A estratégia

parte de um diagnóstico conhecido, mas propõe uma alteração

de abordagem: reorganizar estruturas, rever regras e, só depois, acelerar

a digitalização. O objetivo é romper com a lógica de funcionamento em

silos, reforçar a confiança e recentrar o Estado em cidadãos e empresas.

Nestes primeiros meses, avançou com um conjunto de medidas

estruturais. Da revisão de diplomas-chave – como o Código dos Contratos

Públicos, a Lei do Tribunal de Contas e o Código do Procedimento

Administrativo – à reestruturação de serviços, redução de entidades

e cargos dirigentes. Em paralelo, reforçou a aposta no gov.pt e na Loja

do Cidadão Virtual, lançou a Carteira Digital da Empresa e criou novas

estruturas de governação tecnológica, como a ARTE e a figura do CTO

do Estado, bem como a Rede de Tecnologias do Estado. Está também

em preparação a Lei da Interoperabilidade, que visa assegurar a partilha

de dados entre entidades públicas e concretizar, finalmente, o princípio

do “só uma vez”.

A reforma é ainda enquadrada numa dimensão mais ampla.

Num contexto europeu marcado pela transição digital e pela

centralidade das infraestruturas tecnológicas – dos centros de dados

à inteligência artificial, o objetivo passa também por reduzir custos

de contexto, atrair investimento e reforçar a competitividade

da economia portuguesa. Não se trata apenas de modernizar

a Administração Pública, mas de criar condições para um Estado

mais eficiente, mais previsível e mais alinhado com as exigências

de uma economia digital competitiva.

Neste À Conversa, Gonçalo Matias aborda os desafios de execução

da reforma, a necessidade de mudança cultural na Administração

Pública, o papel da tecnologia como fator de transformação e o impacto

do atual contexto económico e geopolítico. O critério de avaliação,

reconhece, não estará no desenho das medidas, mas na sua tradução

em resultados concretos e visíveis. É que este é um verdadeiro desígnio

nacional.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 17


À A CONVERSA

ABRIR

A SUA CARREIRA COMEÇA

NA ACADEMIA E NA INVESTIGAÇÃO.

EM QUE MOMENTO DECIDE PASSAR

DA ANÁLISE DO ESTADO PARA

A INTERVENÇÃO DIRETA SOBRE

O SEU FUNCIONAMENTO?

Desde criança, sempre tive

muito interesse pelo Estado,

pela vida coletiva e pela política.

São temas que sempre me

desafiaram muito. Optei por uma

carreira académica porque gostava

de ensinar e investigar, mas mesmo

aí o Estado esteve sempre

no centro. No Direito, optei pelo

Direito Público, precisamente

por se centrar no Estado, e lecionei

sobretudo Direito Constitucional

e Direito Internacional, áreas

diretamente ligadas à sua

atividade. Quando assessorei dois

Presidentes da República, esse

interesse também estava presente.

Na Fundação Francisco Manuel

dos Santos – onde trabalhei de

forma mais intensa nos anos que

antecederam a minha entrada

no Governo – dediquei-me à análise

de políticas públicas. Ou seja,

todo este percurso teve sempre

na base o interesse pelo Estado

e pela vida coletiva, pela vida

de todos.

E COMO É QUE CHEGA AO GOVERNO?

Por um convite, muito honroso,

do Primeiro-Ministro. E por uma

reflexão que fiz: depois de tantos

anos a estudar o Estado e a pensar

soluções para melhorar a vida

coletiva, era ou não o momento

de passar à prática tudo o que

tinha estudado e pensado ao

longo de tantos anos. Não me

perdoaria se não aproveitasse

esta oportunidade. É por isso que,

quando me perguntam qual é

a teoria da Reforma do Estado

ou qual é o seu plano, que existe

e é muito concreto, respondo

muitas vezes que não vim

para teorizar, vim para fazer.

E, quando o digo - e pode parecer

um soundbite, é algo muito sentido.

Sinto que passei 25 anos da minha

vida a estudar e a pensar a Reforma

do Estado. E que agora chegou

o tempo de a concretizar. Este é

o momento de contribuir para este

desígnio nacional.

“Trabalhei 17 anos

com duas das

maiores referências

do Portugal

contemporâneo

(Aníbal Cavaco Silva

e Marcelo Rebelo

de Sousa), que me

ensinaram muito.

(...) Espero não

desiludir aqueles que

acreditaram em mim

e que me deram tanto

ao longo de tantos

anos.”

NO FUNDO, FOI UM COROLÁRIO

LÓGICO DE TODO O SEU PERCURSO…

Foi, de facto, uma consequência

natural de todo o meu percurso.

Caso contrário, não teria aceitado.

Para mim, significa um esforço

grande. Mas não é um sacrifício.

Obviamente que há muitas

18 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


exigências e dificuldades

na política. Mas é um privilégio

poder servir as pessoas e contribuir

para a melhoria do país.

Neste caso, fazia todo o sentido,

era um corolário lógico.

O QUE É QUE O MOTIVOU PARA

ESTA MISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO

EM TODO O SEU PERCURSO?

Sempre tive isso em mim. O gosto

pelo Estado, pela nossa vida coletiva

e pelas políticas públicas tem muito

dessa base. Acho que é importante

que cada um de nós possa,

em algum momento da vida,

colocar os seus talentos e o seu

conhecimento ao serviço do bem

comum. E há muitas formas de

o fazer: através do voluntariado,

dedicando-se à Administração

Pública (AP) ou trabalhando

ao longo da vida no setor público.

Devemos, aliás, reconhecer

esse contributo, em particular

aos trabalhadores da AP, que

dedicaram a sua vida a servir

os outros, muitas vezes abdicando

de carreiras mais reconhecidas

ou até mais bem remuneradas

no setor privado. Eu próprio não

estou numa posição privilegiada

para o dizer, porque estou nestas

funções há apenas seis meses.

De todos, talvez seja dos que têm

menos tempo de dedicação à causa

pública. Mas essa vontade sempre

existiu, e é isso que me motiva

todos os dias. E creio que se vê que

o faço com felicidade e motivação.

MAS HÁ ALGUÉM OU ALGUMA COISA

QUE O TENHA INSPIRADO? FOI O

AMBIENTE FAMILIAR? FOI O DIREITO?

Na família houve sempre esse

contexto e interesse. O meu pai

é advogado, pelo que o Direito

foi, de certa forma, seguir as suas

pisadas. E houve sempre interesse

pela política e pela vida coletiva.

Não posso, no entanto, deixar

de referir que aos 28 anos

já trabalhava com o professor

Aníbal Cavaco Silva. E que, oito

anos depois, comecei a trabalhar,

e trabalhei durante nove anos,

com o professor Marcelo Rebelo

de Sousa. No total, trabalhei 17 anos

com duas das maiores referências

do Portugal contemporâneo,

que me ensinaram muito.

Quase tudo aquilo que hoje procuro

replicar. Tenho, assim, referências

familiares, desde a infância.

E referências profissionais,

que considero das melhores que

se pode ter. A única coisa que

espero, com essas referências, é não

desiludir aqueles que acreditaram

em mim e que me deram tanto

ao longo de tantos anos.

SENTE QUE ESSA BAGAGEM

DE CONHECIMENTO – QUE CRUZA

ACADEMIA, PRESIDÊNCIA

DA REPÚBLICA, A FUNÇÃO

DE SECRETÁRIO DE ESTADO

E A POSTERIOR IDA PARA A

FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL

DOS SANTOS – É ESSENCIAL PARA

DESENVOLVER BEM E ALCANÇAR

OS SEUS OBJETIVOS DE REFORMA

DO ESTADO?

Acho que é importante.

Não é fácil reformar o Estado,

face às décadas de burocracia

acumulada, de complexidade,

de hábitos e de cultura instalados.

É uma reforma que todos

reconhecem como necessária, mas

difícil, e da qual se fala há muitos

anos. E que se tenta há inúmeros

anos. Não encontro ninguém que

diga que não é preciso reformar

o Estado ou que é fácil fazê-lo.

Toda a gente diz que é essencial

e que é muito difícil. E também

que muita gente tentou e falhou.

MOMENTO DE CONDIÇÕES

ÚNICAS

ENTÃO, O QUE É QUE O DIFERENCIA

DAS TENTATIVAS ANTERIORES?

Não acho que tenha qualidades

superiores a muitos dos que

me antecederam. A diferença

é que, hoje, o país e o Governo

têm condições que nunca tiveram

para fazer esta reforma: condições

de estabilidade política, social

e económica. E, quando se fala

de condições políticas – e isso é

muito importante, incluo também

a centralidade que o Primeiro-

-Ministro deu a esta área

e os poderes que atribuiu a quem

a tutela. Sem isso, seria impossível.

“Não é fácil

reformar o Estado,

face às décadas

de burocracia

acumulada, de

complexidade,

de hábitos e de

cultura instalados.

É uma reforma que

todos reconhecem

como necessária,

mas difícil, e da qual

se fala há muitos

anos. E que se tenta

há inúmeros anos.”

Neste momento, temos o peso

político para fazer estas reformas

e criámos a infraestrutura

necessária. Nos últimos seis meses,

há muita coisa que foi feita.

Mas, para mim, o mais importante

foi termos criado as condições,

ou seja, a infraestrutura necessária,

para se fazer uma grande reforma.

Porque, sem isso, nada se faz.

NA PRÁTICA, COMO É QUE

É PASSAR DE UM THINK TANK,

QUE SUGERE POLÍTICAS PÚBLICAS

E FAZ DIAGNÓSTICOS, PARA

TER DE RESOLVER PROBLEMAS

ESTRUTURAIS CONCRETOS?

Sente-se uma motivação enorme:

há ideias, sabe-se o que se quer

fazer e para onde se quer ir,

porque se conhecem os dados

e a realidade. Tudo isso resulta

de anos de estudo. Agora, é tempo

de fazer. É claro que, por vezes,

há algum choque: o choque

da realidade. Surgem entraves

– jurídicos, tecnológicos, humanos

ou políticos – e o grande desafio

é ultrapassá-los. Dito isto,

e pela experiência destes últimos

meses, todos esses entraves

são superáveis com tempo,

competência, determinação

e estratégia. É preciso tempo e é

importante que as pessoas tenham

essa consciência. Estamos, neste

momento, a alterar quatro leis

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 19


À A CONVERSA

ABRIR

fundamentais: o Código

dos Contratos Públicos, a Lei

do Tribunal de Contas, o Código

de Procedimento Administrativo

e o Código dos Tribunais

Administrativos e Fiscais.

Isso exige tempo. Não podemos

mudar leis estruturantes do nosso

Estado de um momento para o outro,

em cima do joelho. Foi necessário

trabalhar com especialistas, ouvir

muitas pessoas, perceber... Porque

uma coisa é conhecer a realidade,

outra é aplicá-la.

MAS COMO É QUE COADUNA

A SUA URGÊNCIA DE FAZER COM

OS TEMPOS LEGISLATIVOS, QUE SÃO

SEMPRE MUITO COMPLEXOS?

Temos de ser práticos e realistas

e incorporá-lo no nosso plano.

E acho que estamos a fazê-lo.

Neste momento, tenho em cima

da minha mesa – aliás, já em

processo legislativo no Governo

– a Lei do Tribunal de Contas

e o Código dos Contratos Públicos.

O Código de Procedimento

Administrativo também está

em fase final. Ou seja, temos três

códigos fundamentais prontos,

estando em funções há apenas

sete meses. Tenho um horizonte

[para a reforma do Estado], e nunca

o escondi, de quatro anos. Sempre

fui muito transparente quanto

a isso. É o horizonte que nos é dado

pela Constituição e que, de acordo

com a análise que fiz e o plano que

temos, é suficiente para concretizar

a reforma que queremos.

Com mais tempo, haveria mais

a fazer? Certamente que sim.

Mas o que considero fundamental,

nesta fase da Reforma do Estado,

conseguimos acomodar em quatro

anos. E a verdade é que, em sete

meses, já fizemos muito.

Quando completarmos um

ano de Governo – e há aqui dois

momentos, o do 24. o e o do 25. o

Governo Constitucional, sendo

que tomei posse no dia 4 de junho

de 2025 – teremos condições

para apresentar ao país um

conjunto de obra feita muito

significativo. Uma obra que, no bom

sentido, mexeu com os alicerces

do Estado português, tornando-

“Quando

completarmos

um ano de Governo

teremos condições

para apresentar

ao país um conjunto

de obra feita muito

significativo.

Uma obra que mexeu

com os alicerces

do Estado português

(...) Se conseguimos

fazer isto num ano,

imagine-se o que

podemos fazer

em quatro.”

-os mais sólidos, mais modernos

e mais próximos das pessoas.

Por isso, o exercício que peço é:

se conseguimos fazer isto num ano,

imagine-se o que podemos fazer

em quatro.

DEFINE-SE COMO UM ACADÉMICO

QUE ENTROU NA POLÍTICA OU COMO

UM POLÍTICO QUE TEM FORMAÇÃO

ACADÉMICA?

Tenho muita dificuldade

em colocar títulos – etiquetas

– a mim próprio. Nunca gostei

de me autodefinir. Sempre gostei

de circular entre diferentes áreas:

a academia, a Fundação Francisco

Manuel dos Santos, alguma

atividade no Estado, a relação

com a Presidência da República.

Portanto, diria que sou um

académico, porque essa é a minha

carreira profissional de base,

mas também sou um apaixonado

pela causa pública. E acho que essa

paixão nunca vai desaparecer.

TENDO EM CONTA TUDO ISSO,

COMO GERE A EXIGÊNCIAS DESTAS

FUNÇÕES PROFISSIONAIS COM

A SUA VIDA PESSOAL E FAMILIAR?

SABEMOS QUE É CASADO E TEM

FILHOS...

Acho que é comum, em quem

está na política, que as pessoas à

sua volta acabem por partilhar esse

gosto e essa missão. É evidente

que os filhos têm menos tempo

com o pai. Mas o tempo que têm

é de qualidade. Talvez seja um

pouco utópico, mas gosto

de pensar que aquilo que estou

a fazer é também por eles. Porque,

se este país ficar melhor, eles

também vão beneficiar disso.

Se conseguirmos criar condições

para que os jovens vivam, sejam

felizes e tenham os seus projetos

de vida em Portugal, isso também

será para eles. Portanto, se no fim

de tudo deixarmos um país melhor

para todos, incluindo os meus dois

filhos, acredito que compreenderão

o facto de terem tido menos tempo

com o pai durante algum tempo.

MUDAR COM LIDERANÇA

E DIREÇÃO

A REFORMA DO ESTADO TEM

SIDO APRESENTADA COMO

TRANSVERSAL. É ORGÂNICA,

LEGISLATIVA E TECNOLÓGICA.

COMO SE CONSEGUE GARANTIR A

COORDENAÇÃO EFETIVA ENTRE

ESTAS DIMENSÕES?

Temos uma equipa extraordinária.

Tenho dois secretários de Estado

de grande qualidade, com muita

experiência profissional, incluindo

no setor privado. Também

na agência que tutelamos, o CTO

do Estado, Manuel Dias, é de uma

enorme capacidade e qualidade

técnica. Rodeei-me, portanto,

de pessoas de grande qualidade.

Se não o tivesse feito, a tarefa seria

muito mais difícil, para não dizer

impossível.

Essa coordenação efetiva de várias

áreas gira, no fundo, em torno

de dois princípios orientadores

da reforma do Estado. O primeiro

é o princípio da confiança: a ideia

de que temos de passar a confiar

uns nos outros. Foi a desconfiança

que gerou camadas de burocracia,

com todo o tipo de fiscalizações

e autorizações prévias. Fomos

desconfiando todos uns dos outros

– dos cidadãos, dos empresários,

dos trabalhadores da AP. Portanto,

há uma mudança de mentalidade

que é fundamental para avançarmos

e termos um sistema diferente.

20 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


“Surgem entraves –

jurídicos, tecnológicos,

humanos ou políticos

– e o grande desafio

é ultrapassá-los.

Dito isto, e pela

experiência destes

últimos meses, todos

esses entraves são

superáveis com

tempo, competência,

determinação

e estratégia.”

O segundo é um novo paradigma

de serviço público, centrado

no cidadão e na empresa.

Pode parecer simplista, mas não é.

Tem um significado tremendo

e é muito difícil de alcançar, porque

implica contrariar décadas de

uma mentalidade distinta. Dou um

exemplo prático: muitas vezes

é mais fácil pedir a um cidadão

que vá buscar um documento do

que o Estado se organizar para o ter.

Vimos isso, por exemplo, na recente

calamidade, em que se pedia às

pessoas que tinham perdido as suas

casas que entregassem cadernetas

prediais que o Estado já possui.

Nesse caso, o Governo teve uma

ação decisiva, proibindo – como

está previsto na legislação específica

da calamidade – que fossem

solicitados às pessoas documentos

que a AP já tinha em seu poder. É um

exemplo simples de algo que estamos

agora a alargar a todo o Estado.

A MUDANÇA DA MENTALIDADE

NO SETOR PÚBLICO É UM PROBLEMA

COM DÉCADAS. SENTE QUE ISSO

ESTÁ A MUDAR? COMO É QUE

SE IMPRIME ESSA CULTURA DE

MUDANÇA?

Sinto que está a mudar, embora

seja evidente que é necessária

liderança e direção. E é isso que

estamos a procurar introduzir.

Está a mudar por uma razão

simples: ninguém gosta de trabalhar

num ambiente considerado

ineficiente, de que os cidadãos

se queixam e que sentem que presta

um mau serviço. Os trabalhadores

da AP são as principais vítimas

deste sistema. Por isso,

são os principais interessados

nesta reforma, porque sabem que

ela lhes pode trazer um ambiente

de trabalho e de serviço público

muito melhor e mais compensador.

Dou um exemplo. Alterámos

as regras de funcionamento das

Lojas de Cidadão. Havia dificuldades

com horários, que nem sempre

eram cumpridos, as senhas

esgotavam logo de manhã e,

em muitos casos, o atendimento

exigia marcação, o que dificultava

o acesso. Com estas alterações,

nas lojas com maior pressão,

os horários passaram a ser

contínuos e o atendimento

presencial. Reuni-me com

os dirigentes dos vários serviços

e estavam satisfeitos com o

resultado. Num caso, reportavam

um aumento da capacidade de

atendimento na ordem dos 40%.

Noutro, referiam que, no último

mês, tinham recebido três louvores

dos cidadãos. Este é um exemplo

concreto de uma mudança que teve

um impacto direto na satisfação

dos dirigentes da AP. Porque

sentiram que passaram a atender

melhor e mais pessoas e que isso

foi reconhecido. Alterámos a lei,

que entrou em vigor no dia 1 de

fevereiro, e, num mês, já produziu

estes resultados.

MAS O QUE AINDA SE NOTA MUITO

NOS SERVIÇOS PÚBLICOS

– À EXCEÇÃO DAS ILHAS

DE EXCELÊNCIA – É A FALTA

DE FORMAÇÃO, ALGO QUE NESTA

REFORMA ESTÁ PRECONIZADO,

ASSIM COMO A FALTA DE RECURSOS.

COMO É QUE SE RESOLVE ESTE

PROBLEMA ESTRUTURAL?

Temos de ser muito mais

eficientes. Em qualquer lugar

do mundo, por mais rico que seja,

há sempre escassez de recursos.

O que temos de fazer é geri-los

melhor. Temos um número

de funcionários públicos bastante

razoável: cerca de 760 mil

funcionários públicos, o que está

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 21


À A CONVERSA

ABRIR

dentro da média da OCDE. E não

temos condições para aumentar

ilimitadamente esse número.

Temos de fazer mais com os recursos

que temos. E isso implica formação

e gestão. Implica tirar partido

dos recursos disponíveis e aumentar

a produtividade. E temos hoje uma

grande oportunidade, que é, aliás,

central para nós: a tecnologia.

Traz-nos oportunidades que não

existiam. Nesse sentido, costumo

dizer que tenho alguma sorte face

aos meus antecessores, porque

temos hoje à nossa disposição

recursos tecnológicos que não

existiam há apenas três ou quatro

anos. Penso, por exemplo, na

inteligência artificial que pode, e vai,

representar uma ajuda decisiva.

ALIÁS, A SUA IDEIA É USAR

NO ESTADO A INTELIGÊNCIA

ARTIFICIAL PARA REFORÇAR

A PRODUTIVIDADE...

Claro. Não é para despedir pessoas,

nem para substituir o humano.

O que quero deixar plasmado

nas leis que estamos a aprovar – e que

incorporam a inteligência artificial

e a componente tecnológica – é que

queremos utilizar a tecnologia para

nos ajudar a ser mais eficientes.

Se hoje nos queixamos de uma

licença demorar quatro ou cinco anos

a ser atribuída; se nos queixamos de

um contrato público demorar meses

ou anos a ser formado e assinado;

se nos queixamos que o atendimento

público exige meses de espera

– então temos de perceber que tudo

isto pode ser radicalmente mudado

com a inteligência artificial. Não é

para substituir as pessoas que hoje

tratam das licenças, dos contratos

públicos ou dos registos, mas para

as ajudar. Porque essas pessoas

poderão fazer, em horas ou dias,

aquilo que hoje demoram meses

ou anos. E isso é uma grande

vantagem para elas e um benefício

extraordinário para a sociedade.

Estou absolutamente confiante de

que vamos conseguir demonstrar

estes resultados.

OUTRA MÁXIMA QUE, DESDE

O PRINCÍPIO, NÃO SE TEM CANSADO

DE REPETIR É: SIMPLIFICAR ANTES

“Temos de fazer mais

com os recursos

que temos. E temos

hoje uma grande

oportunidade, que

é central para nós:

a tecnologia. Neste

sentido, tenho alguma

sorte face aos meus

antecessores, porque

temos hoje à nossa

disposição recursos

tecnológicos que não

existiam há apenas

três ou quatro anos.”

DE DIGITALIZAR. COMO É QUE

ESTÁ A AVANÇAR COM TODO ESSE

PROCESSO? ESTÁ A SER FEITA UMA

AVALIAÇÃO AO NÍVEL DE TODOS

OS MINISTÉRIOS?

Digitalizar antes de simplificar

não resolve nada. Digitalizar o que

é complexo é, muitas vezes, criar

mais uma camada de burocracia.

Quantas vezes ouvimos dizer:

“quando era em papel era mais

fácil; agora passou para o digital

e é mais difícil”? Um formulário

não se torna simples só por ser

digital, o que temos de fazer

é simplificar procedimentos.

Temos, por isso, de olhar para

o Estado como um todo. E esse

exercício de simplificação e de

reestruturação do Estado tem dois

níveis. O primeiro, o nível 1, é o dos

ministérios. Para dar um exemplo,

já intervimos no ministério

da Educação, no ministério

do Trabalho e Segurança Social

e no ministério da Energia.

Neste exercício, reduzimos

35 entidades e 300 cargos

dirigentes e devolvemos às escolas

257 professores que estavam

a fazer trabalho burocrático.

Na Polícia, vamos colocar pessoas

a tratar de tarefas administrativas

nas esquadras e libertar

polícias para estarem na rua,

em proximidade, reforçando

a perceção de segurança. Este é

o verdadeiro ganho: não é apenas

22 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


a poupança, é a eficiência

e a produtividade que se geram.

É o “fazer mais com menos”.

Este trabalho de reestruturação

ao nível dos Ministérios está a ser

feito e será concluído até julho.

Mas a simplificação vai mais fundo.

Aí entra no que chamamos

de nível 2: olhar para cada entidade

– como a APA, o ICNF, o IMT ou

o IRN – e garantir que cumprem

a sua função e a sua missão.

Mais do que discutir fusões,

a prioridade é simplificar o seu

funcionamento. Depois, decidir

sobre se vamos fundir, ou não, será

mais claro.

RESTRUTURAÇÃO,

INTEROPERABLIDADE

E DADOS

A CRIAÇÃO DA ARTE E DA FIGURA

DE CTO, COM A NOMEAÇÃO DE

MANUEL DIAS, MOSTRA UMA FORTE

APOSTA NA CENTRALIZAÇÃO

TECNOLÓGICA. QUAL É O GRAU REAL

DE AUTORIDADE E AUTONOMIA

DESTA ESTRUTURA?

Não é por acaso que fizemos

duas coisas logo no início:

reestruturámos a antiga AMA

na Agência para a Reforma

Tecnológica do Estado e nomeámos

o CTO do Estado, figura que

já existe em países digitalmente

avançados, como a Dinamarca

e a Estónia. A mudança é real

e fundamental. Um dos principais

problemas do nosso Estado

é a existência de silos entre

os vários ministérios e os vários

departamentos. Esses serviços

não comunicam entre si, desde

logo do ponto de vista tecnológico,

criando enormes dificuldades

aos cidadãos. A interoperabilidade

é fundamental. A figura do CTO

do Estado serve precisamente para

garantir uma atuação transversal.

Quando o nomeei, disse-lhe que,

se tivesse de haver uma prioridade,

seria a interoperabilidade. Porque

é o que transforma a forma como

o Estado se relaciona com cidadãos

e empresas: deixando de pedir

repetidamente documentos

e de obrigar as pessoas a percorrer

vários serviços. Para dar uma ideia,

“Houve uma condição

essencial desde

o início (acordo

Portugal Espanha

na gigafábrica

de IA): garantir

que se trata de um

projeto paritário.

(...) A capacidade

computacional que

haverá em Espanha

será equivalente

à de Portugal.”

na contratação pública, a nossa

reforma vai permitir eliminar

três milhões de documentos

por ano, documentos que hoje

são pedidos desnecessariamente

e que deixarão de o ser graças

à interoperabilidade. Para que isso

aconteça, o CTO tem de ter poder

transversal para quebrar os silos

entre as entidades. Esses poderes

estão consagrados na lei e é por

isso que a ARTE é uma entidade

completamente diferente da antiga

AMA. E há duas novidades que

gostaria de destacar.

QUAIS?

A primeira é a criação da Rede

de Tecnologias do Estado, aprovada

no Conselho de Ministros há cerca

de três semanas. Esta rede – onde

têm assento o CTO do Estado, eu

próprio e dirigentes das principais

entidades tecnológicas do Estado –

tem como objetivo que os grandes

projetos tecnológicos, incluindo

a interoperabilidade, sejam

discutidos e consensualizados.

Estimamos poupanças na ordem

dos 300 milhões de euros por ano,

porque, ao adquirirmos tecnologia

em conjunto, conseguimos

melhores condições. Mas, tão

ou mais importante do que este

efeito financeiro, é o efeito de

quebra dos silos. É a garantia

de que temos um sistema e uma

visão única do Estado.

A segunda novidade é a Lei

da Interoperabilidade, neste

momento em aprovação. Esta lei

vai garantir que todas as entidades

públicas partilham e integram

a rede de interoperabilidade

– a designada iAP do Estado – e que

nessa rede está toda a informação

necessária para que possam

operar. É aqui que o princípio

do “só uma vez”, passa, finalmente,

a ser uma realidade. Já estava

previsto na lei há 11 anos, mas não

funcionava porque faltava este

instrumento.

ISTO TAMBÉM PERMITE UMA

GOVERNAÇÃO CENTRAL DOS

DADOS...

Obviamente. Isso é fundamental.

Aliás, está previsto na nossa

Estratégia Digital Nacional

– no Programa PAGE, para garantir

uma política central de dados,

assegurar o acesso à informação

e a sua utilização na tomada

de boas decisões. Não é possível

governar e gerir sem medir e sem

ter dados. São precisamente esses

programas que estamos a montar.

O PLANO NACIONAL DE CENTROS

DE DADOS ACABA DE SER

ANUNCIADO E INTRODUZ

UMA DIMENSÃO ESTRUTURAL

NA ESTRATÉGIA DIGITAL

DO ESTADO, ORIENTADA PARA

A COMPETITIVIDADE NACIONAL

E CAPTAÇÃO DE INVESTIMENTO.

QUAIS SÃO OS SEUS OBJETIVOS?

Este é um projeto

verdadeiramente nacional.

Portugal tem, neste momento,

uma oportunidade única, que

o próprio mercado nos revela.

Temos sido abordados por muitos

atores internacionais que querem

instalar os seus centros

de dados no país. Não o podemos

transformar num parque

de centros de dados, porque

seria muito prejudicial para

o nosso ambiente, para o nosso

ecossistema, até para o consumo

energético. Mas, também não

nos podemos fechar a esse

investimento. O objetivo desta

estratégia é criar um plano que nos

permita atrair esse investimento

de forma consciente e responsável.

Desde logo, garantindo que

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 23


À CONVERSA

temos capacidade – por exemplo,

energética – para responder

à procura. E assegurando que

quem investe não se limita aos

edifícios ou aos servidores,

mas contribui para o ecossistema

de investigação e desenvolvimento,

para as nossas empresas e para

a criação de valor. Ou que tenha

uma componente industrial

associada, com a produção

em Portugal de alguns desses

componentes, à semelhança do que

aconteceu nos setores automóvel

ou aeronáutico. Estamos a falar

de um setor de alto valor

acrescentado e, sobretudo, com

um potencial de futuro. Era nossa

obrigação organizar esta procura

e oferta e definir uma estratégia.

E há outro aspeto importante: o time

to market. O tempo entre a decisão

de investimento e o início

da execução é cada vez mais curto

e isso exige capacidade de resposta.

Temos, por isso, de criar condições

para responder a quem nos procura

para investir e, ao mesmo tempo,

exigir-lhes retorno para o nosso país.

Esta estratégia visa exatamente isso:

garantir que estamos organizados,

que temos capacidade de resposta,

que temos energia para essa

resposta e que esse investimento

traz valor acrescentado. Se olharmos

para os fatores de atratividade,

Portugal dispõe da segunda energia

mais barata da União Europeia,

porque temos um mix energético

de 63% de fontes renováveis.

Temos também uma posição

geoestratégica relevante, com cabos

submarinos que nos ligam ao norte

e ao sul da América e a África.

Ou seja, temos condições

geoestratégicas, estruturais e

energéticas que não são muito

facilmente replicáveis noutros

locais. Por isso, no Governo temos

recebido os maiores investidores

internacionais nesta matéria. O que

pretendíamos era criar regras claras

para que todos saibam como podem

instalar os seus investimentos

em Portugal.

A “CEREJA EM CIMA DO BOLO” SERIA

CONSEGUIR A GIGAFÁBRICA IBÉRICA

DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL...

É um projeto em que estamos

muito empenhados e que

consideramos ganhador.

Em Portugal, tínhamos, e temos,

um consórcio muito forte,

com várias empresas, com o apoio

do Banco de Fomento, envolvendo

parceiros internacionais de

grande dimensão, e com o apoio

do Governo. Ao mesmo tempo,

Espanha estava a desenvolver um

projeto semelhante. Num contexto

de excelentes relações, entendemos

que faria sentido juntar esforços.

Falámos com Bruxelas e a receção

foi muito positiva. Este é um projeto

mais sólido e mais competitivo

se for desenvolvido em conjunto.

MAS COMO SE GARANTE QUE NÃO

SEJA TUDO CONSTRUÍDO

EM ESPANHA?

Houve uma condição essencial

desde o início: garantir que se trata

de um projeto paritário. Ou seja,

nenhum país se sobrepõe ao outro.

Isso está claramente consagrado

na declaração de Huelva, que

assegura também a existência

de instalações físicas em ambos

os países. A capacidade

computacional que haverá

em Espanha será equivalente

à de Portugal. Isso é, aliás, positivo,

porque estes projetos exigem

redundâncias físicas.

É igualmente fundamental

assegurar cibersegurança

e soberania digital. Portugal

e Espanha fazem questão

de ter uma zona soberana dentro

da gigafactory, para garantir

que os dados do Estado são

invioláveis e apenas acessíveis

pelo Estado. E, por fim, é preciso

supervisão humana. Mesmo

quando recorremos à inteligência

artificial, seja na contratação

pública ou em processos de

licenciamento, a decisão final tem

de ser validada por uma pessoa.

É isso que garante que o interesse

público foi ponderado e que há

responsabilização.

A APOSTA NO GOV.PT, NA LOJA DE

CIDADÃO VIRTUAL E NA CARTEIRA

DIGITAL DA EMPRESA VISA GANHOS

24 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


“A Reforma

do Estado é um

desígnio nacional,

pelo que temos

de envolver o melhor

que o país tem.

A APDC está entre

essas entidades.

O programa

de Governo incorpora

várias propostas

da Associação. (...)

É uma entidade que

muito acarinho

e que está a trabalhar

connosco, lado

a lado, numa área

fundamental

– a tecnológica.”

DE EFICIÊNCIA. COMO SE MEDE

A ADOÇÃO EFETIVA E O IMPACTO

ECONÓMICO DESTAS INICIATIVAS?

Temos métricas que estão a ser

acompanhadas. Naturalmente,

os resultados mais consolidados

exigem algum tempo, mas já

é possível dar alguns indicadores.

A Carteira Digital da Empresa

tem mais de 10 mil empresas

aderentes e 30 mil documentos

disponíveis. Na Loja do Cidadão

Virtual, registámos já cerca

de meio milhão de atendimentos.

Podemos também traduzir estes

ganhos em termos económicos,

embora isso exija uma análise

mais abrangente. É necessário

considerar o tempo poupado pelos

cidadãos, os custos de deslocação

e até o impacto ambiental

associado. Essas contas estão a ser

feitas. Temos um dashboard que

tem toda a informação, que vai

sendo monitorizada e anunciada.

PORTUGAL ENFRENTA ATUALMENTE

DESAFIOS INESPERADOS

– OS FENÓMENOS CLIMÁTICOS

EXTREMOS E A ESCALADA

GEOPOLÍTICA NO MÉDIO ORIENTE

– COM IMPACTOS ECONÓMICOS

ELEVADOS. ATÉ QUE PONTO

ESTE ENQUADRAMENTO PODE

CONDICIONAR A EXECUÇÃO DA

REFORMA DO ESTADO?

Diria que, neste contexto, faz todo

o sentido acelerar a Reforma do

Estado. Temos o exemplo nacional

e o internacional. No nacional,

com a calamidade no centro

do país, ficou muito claro que

houve uma aceleração da reforma.

Tivemos uma resposta operacional

imediata: fomos para o terreno com

sites de informação de consenso

uniformizada, carrinhas com

internet e ajuda aos cidadãos no

preenchimento dos formulários.

Fomos obrigados a acelerar

a resposta operacional e a ir para

o terreno.

Aconteceu o mesmo com

a resposta jurídica. Dispensámos

contratos do visto do Tribunal

de Contas, permitimos ajustes diretos

sem limites de valor e isentámos

as licenças de reconstrução.

Mas só conseguimos dar esta

resposta musculada e rápida porque

já tínhamos muito trabalho feito.

E NO EXEMPLO INTERNACIONAL?

Aplica-se o mesmo contexto.

Não tenho a pretensão de saber

resolver a crise internacional, mas

há algo que me parece muito claro:

quanto mais instáveis estiverem os

mercados, quanto mais volátil estiver

o preço dos combustíveis, quanto

mais difícil estiver a vida coletiva

internacional, mais importante é a

aceleração da nossa reforma. Porque

essa é a resposta que temos para dar.

Não temos recursos ilimitados, não

conseguimos ir buscar dinheiro onde

ele não existe. Temos, por isso, de ser

mais eficientes, mais produtivos e de

atrair mais investimento estrangeiro.

Neste momento, há investimento que

vem para Portugal, porque é mais

arriscado investir no Médio Oriente.

O mesmo acontece com o Turismo.

A ideia não é aproveitar a desgraça

alheia, mas sim criar condições

de resposta para aqueles que veem

em Portugal um destino seguro

e amigo dos investidores.

A APDC TEM FUNCIONADO COMO

PLATAFORMA DE DIÁLOGO ENTRE

O GOVERNO E O SETOR TECNOLÓGICO

E DAS COMUNICAÇÕES. QUE PAPEL

ATRIBUI À ASSOCIAÇÃO E ÀS

ENTIDADES QUE REPRESENTA NO

PROCESSO DE REFORMA DO ESTADO?

É um papel fundamental.

A Reforma do Estado é um desígnio

nacional, pelo que temos de envolver

o melhor que o país tem. A APDC está

entre essas entidades. O programa de

Governo incorpora várias propostas

da Associação. Muitas das matérias

que estou a referir correspondem

às suas preocupações e contributos.

A APDC foi, aliás, uma das entidades

que ouvi nas audições do PTRR,

no contexto da resposta à calamidade

e do modo como vamos tornar o país

mais resiliente e transformador no

futuro. É uma entidade que muito

acarinho e que está a trabalhar

connosco, lado a lado, numa área

fundamental – a tecnológica,

reunindo associados que podem

e têm contribuído com soluções

tecnológicas concretas. No fundo,

esta reforma só será possível,

com a ambição e a profundidade

que pretendemos, se for feita por

todos e em conjunto.

QUANDO OLHA PARA ESTE PROCESSO

NO SEU CONJUNTO, QUE RESULTADO

CONSIDERA SUFICIENTE PARA DIZER

QUE VALEU A PENA?

Não estou aqui para teorizar.

Tenho um objetivo muito claro:

que, ao fim destes quatro anos,

as pessoas e as empresas sintam

que vivem num país mais justo,

mais próximo, mais próspero.

Um país que os serve melhor e os vê

como a sua prioridade. Isso far-se-á

através de mudanças complexas,

mas também de melhorias simples.

E não se sentirá de um dia para

o outro. Por comparação, é como

ir ao ginásio. Um esforço pontual

e intenso não resolve. Mas, com

consistência, ao longo do tempo,

chega um momento em que sentimos

a diferença: estamos melhor,

mais fortes, mais saudáveis. É isso

que pretendo: que, a certa altura,

cidadãos e os empresários que vivem

e investem em Portugal olhem à sua

volta e percebam que estão num

país melhor. Se conseguir isso, não

preciso de fazer mais nada.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 25


EM A ABRIR DESTAQUE

26 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


QUANDO A VISÃO SE

TRANSFORMA EM

INFLUÊNCIA

A regulação está a moldar a inovação e a

competitividade das economias e quem não

participa na definição das regras do digital

fica fora do jogo. É neste contexto

que a APDC assume um novo papel:

afirmar-se como plataforma de influência

do setor tecnológico, estruturando a sua

atuação em public policy e mobilizando

as empresas do ecossistema para

participar ativamente na definição das

políticas que vão moldar o futuro.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | SYNCVIEW

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 27


EM A ABRIR DESTAQUE

A

tecnologia

tornou-se um

dos principais

campos de disputa

económica

e geopolítica. Nesse contexto,

participar na definição das regras

do digital tornou-se um fator

crítico de competitividade

para países, setores e empresas.

Foi com este enquadramento

que a APDC decidiu alargar a sua

atuação à área de public policy,

estruturada em cinco grupos

de trabalho dedicados a domínios

estratégicos da regulação

digital. Acresce um grupo

de trabalho temporário, criado

para acompanhar o debate

a evolução legislativa sobre

a presença de crianças e jovens

nas plataformas digitais.

No seu conjunto, estes grupos

mobilizam empresas e especialistas

em áreas críticas, transformando

conhecimento e visão estratégica

em contributos concretos para

as políticas públicas, nacionais

e europeias.

Num cenário de crescente

incerteza geopolítica e económica,

em que as tensões internacionais,

as disputas tecnológicas

e a reconfiguração das cadeias

de valor globais estão a redefinir

o equilíbrio mundial, o digital

tornou-se um dos principais

eixos de poder, competitividade

e autonomia estratégica.

A forma como os países e as regiões

investem em tecnologia, como

regulam os mercados digitais

e como protegem as infraestruturas

críticas passou a influenciar

diretamente o seu posicionamento

económico e político no sistema

internacional.

A aceleração tecnológica,

impulsionada pela inteligência

artificial (IA), pela economia dos

dados e pela transformação digital

das empresas e dos serviços

públicos tem sido acompanhada

por uma intensificação

sem precedentes da regulação,

particularmente no contexto

europeu. Com a distância entre

a decisão política e o impacto

económico cada vez mais curta,

quem não participar na definição

destas estratégias acabará

por perder competitividade

e posicionamento.

É neste enquadramento

que a APDC avançou, no âmbito

do novo mandato, iniciado

em 2025, com a criação de grupos

de trabalho dedicados aos temas

estruturantes do digital.

Mais do que espaços de debate,

estes grupos foram concebidos

como instrumentos permanentes

de produção de conhecimento

e de intervenção institucional,

com vista a transformar

contributos técnicos e experiência

empresarial em propostas

concretas para políticas públicas

e para posicionamentos estratégicos.

Esta iniciativa representa uma

evolução natural do percurso

recente da Associação que,

em 2024, elaborou um documento

com uma visão e propostas

para o futuro digital do país.

Elaborado internamente pela

Direção da APDC, o documento

traçava uma visão estratégica

para Portugal no contexto

das transformações digitais

e tecnológicas, propondo medidas

concretas para impulsionar

o desenvolvimento da economia

e reforçar a competitividade do

país. No centro desta visão estava

uma meta: posicionar Portugal,

28 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


Sandra Fazenda Almeida, Diretora-

-Geral da APDC é responsável

pela coordenação geral dos

grupos de trabalho, competindo-

-lhe a preparação de relatórios e

documentos de posição e a articulação

com os órgãos da Associação.

num horizonte temporal de oito

anos, entre os cinco primeiros

países da União Europeia (UE27)

em termos de indicadores digitais.

O documento foi apresentado

publicamente no Congresso da

APDC, em maio de 2024, e entregue

ao Governo e ao Parlamento,

para contribuir para o debate

público e para a definição de

políticas públicas. Estruturavase

em seis áreas de intervenção

prioritárias, com propostas

concretas: incentivo ao

crescimento económico sustentável

e territorialmente equilibrado;

promoção e valorização do

talento; adoção e disseminação

de tecnologia nas organizações;

melhoria do funcionamento

do mercado e do enquadramento

regulatório; simplificação

e modernização do Estado;

e reforço da cibersegurança

e da inclusão digital.

DO DEBATE À INTERVENÇÃO

EM POLÍTICAS PÚBLICAS

Menos de um ano depois,

e em contexto de realização

de novas eleições legislativas,

foi efetuada uma revisão

e atualização do documento,

reforçando e aprofundando

algumas propostas estratégicas.

Resultado: entre as medidas

A APDC avançou,

em 2025, com a

criação de grupos

de trabalho dedicados

a temas estruturantes

do digital, que

pretendem ser

instrumentos

de produção

de conhecimento

e de intervenção

institucional.

propostas pela APDC que vieram

a ser acolhidas pelo atual Governo,

no âmbito da Reforma do Estado,

estiveram a criação da figura

do CIO do Estado e a adoção

do princípio ‘Once Only’ no setor

público.

“O trabalho contribuiu para

colocar na agenda pública temas

centrais para o futuro digital

do país. E permitiu demonstrar

que o conhecimento acumulado

do ecossistema de empresas

da APDC pode traduzir-se,

efetivamente, em contributos

relevantes para a formulação

de políticas públicas”, como destaca

Sandra Fazenda Almeida,

Diretora-Geral da associação.

A criação dos grupos de trabalho,

já no âmbito de um novo mandato

de três anos da Associação,

vem formalizar e aprofundar este

modelo de atuação, fortalecendo

o papel da APDC como “interlocutor

privilegiado do setor junto do

governo e reguladores e contribuindo

ativamente para a definição

de políticas públicas em áreas

estratégicas do digital”, explica.

Um dos elementos distintivos

deste modelo reside no papel

ativo das empresas associadas

e patrocinadoras da APDC, além

de especialistas. Nos grupos

de trabalho, participam diretamente

na elaboração de posições

e propostas, trazendo para o processo

de reflexão conhecimento técnico

especializado, experiência

operacional e uma leitura concreta

do impacto que as políticas

digitais produzem no mercado.

“Sempre numa ótica de defender

a competitividade do setor

tecnológico e de potenciar o seu

contributo para o desenvolvimento

da economia e da sociedade”,

salienta Sandra Fazenda Almeida.

E adianta que “este envolvimento

direto permite que os contributos

produzidos no âmbito da

APDC sejam, simultaneamente

estratégicos e pragmáticos,

articulando visão de longo prazo

com viabilidade operacional.

Ao mesmo tempo, permite

estruturar uma voz coletiva

do setor, reforçando a capacidade

de diálogo com decisores públicos,

reguladores e instituições

europeias”.

No total, foram criados

no ano passado cinco grupos

de trabalho que, ao longo do ano,

iniciaram atividades e avançaram

na definição de prioridades,

na calendarização regular

de reuniões e na elaboração

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 29


EM A ABRIR DESTAQUE

Para a Diretora-Geral da APDC,

“a formalização dos grupos de

trabalho representa um passo decisivo

na afirmação da Associação como

plataforma de influência qualificada”.

de documentos de enquadramento

e propostas de posição. Deste

modo, contribuindo já ativamente

para reforçar o diálogo institucional

com entidades governamentais,

reguladores e outros stakeholders

relevantes. Com esta aposta

estratégica, a APDC consolidou

um modelo de intervenção mais

estruturado e participado, alinhado

com a crescente complexidade

da agenda digital.

Para a Diretora Geral,

a “formalização dos grupos

de trabalho representa um passo

decisivo na afirmação da Associação

como plataforma de influência

qualificada, capaz de articular

o setor e contribuir ativamente para

a construção de políticas públicas

que reforcem a competitividade,

a inovação e a sustentabilidade

do ecossistema digital nacional”.

Já este ano, e tendo em conta que

o intenso debate sobre a idade

mínima de acesso de crianças

e jovens às redes sociais e

plataformas digitais tem ganho

uma relevância crescente no

espaço público europeu e nacional,

foi criado um grupo de trabalho

extraordinário para analisar

o tema e definir a posição da APDC.

“A discussão envolve múltiplas

dimensões, desde a proteção

de menores e a literacia digital até

à responsabilidade das plataformas,

aos mecanismos de verificação

de idade e às implicações

regulatórias associadas ao

enquadramento europeu do digital.

Como o tema entrou recentemente

na agenda legislativa nacional

– o Parlamento aprovou em fevereiro

uma proposta de projeto-lei, que está

agora a ser debatido na especialidade

– considerou-se que a relevância

e sensibilidade do tema justificam

uma abordagem estruturada por

parte da APDC”, explica.

“A decisão surgiu na sequência

de um evento que realizámos sobre

mediação parental, que contou

com a participação de Paulo

CONSTRUIR POSIÇÕES COMUNS EM ECOSSISTEMA

Como estruturas de colaboração,

os grupos de trabalho criados

pela APDC reúnem empresas,

especialistas e representantes

do ecossistema digital para analisar

temas estratégicos, acompanhar

evoluções regulatórias e produzir

contributos técnicos que possam

informar o debate público e os

processos de decisão.

Para poderem participar, as empresas

terão de ser patrocinadoras anuais

e associadas da APDC, com experiência

comprovada nas áreas em análise,

podendo ainda incluir especialistas

externos convidados. Sendo que

as associadas podem integrar os grupos

em regime experimental, por um

período até seis meses, para avaliarem

a adequação da participação

e o contributo mútuo. Entre

as regras definidas, e para garantir

um envolvimento ativo nas atividades

do grupo, a ausência injustificada em

duas reuniões consecutivas poderá

implicar a perda do lugar.

Cada grupo tem um/a coordenador/a

cuja missão é apoiar a definição

de prioridades temáticas, estimular

o envolvimento dos participantes entre

reuniões e contribuir para

a elaboração de documentos

de posição, contributos técnicos

e outros resultados do trabalho

desenvolvido. A coordenação geral

é assegurada pela Diretora-Geral

da APDC, que é responsável

pela convocatória das reuniões,

pelo apoio à preparação de relatórios

e documentos de posição e pela

articulação com os órgãos da

Associação. Compete-lhe ainda

acompanhar o calendário legislativo

europeu e assegurar a coerência

e coordenação entre os diferentes

grupos. Cada grupo de trabalho

define os respetivos planos de

atividades num horizonte trimestral

e reúne, em regra, uma vez por

trimestre, em sessão plenária,

podendo ser convocadas reuniões

extraordinárias sempre que

a evolução dos temas em análise

o justifique. Para facilitar

a colaboração entre reuniões,

os participantes utilizam uma

plataforma digital partilhada,

que permite a troca de documentos

e o acompanhamento contínuo

dos trabalhos. No âmbito das suas

atividades, os grupos monitorizam

processos legislativos e iniciativas

de política pública relevantes,

produzindo sínteses, notas de

enquadramento ou documentos

de posição sempre que necessário.

Poderão também ser organizadas

sessões abertas relacionadas com

o trabalho dos grupos, sobretudo

em momentos importantes de consulta

pública ou em iniciativas relacionadas

com a agenda digital europeia.

30 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


Os grupos de

trabalho da APDC

acompanham

temas como a IA e

a inovação digital,

as infraestruturas

e a conectividade, a

cibersegurança e a

resiliência digital, a

soberania digital e

governação de dados,

e os limites de idade

no digital.

Lopes Marcelo, vice-presidente

do Grupo Parlamentar do PSD

e autor do projeto de lei atualmente

no Parlamento. O debate refletiu

o crescente interesse político

e regulatório em torno desta

matéria, bem como a necessidade

de promover uma análise

informada sobre os seus impactos

no ecossistema digital”, acrescenta

Sandra Fazenda Almeida.

Por isso, já foram envolvidos

alguns dos principais stakeholders

empresariais, “com vista à definição

de uma posição equilibrada

e tecnicamente fundamentada”.

Pretende-se, também aqui, “com um

diálogo estruturado entre as partes

interessadas do setor, preparar

uma posição institucional equilibrada

e tecnicamente fundamentada

da APDC”.

ONDE O SETOR FALA A UMA SÓ VOZ

Todos os grupos de trabalho

funcionam como um espaço

em que o setor digital se

organiza, estabelece prioridades

e contribui para a definição

das condições que moldam

o seu próprio desenvolvimento.

Além das posições públicas

assumidas, acabam por se tornar

mecanismos de monitorização

e análise de iniciativas, traduzindo

os seus potenciais impactos

para o contexto empresarial

e identificando oportunidades

de participação nos processos

de consulta e decisão.

“A maioria das iniciativas

regulatórias que afetam o setor

tecnológico nasce hoje no contexto

europeu. Regulamentos e diretivas

nas áreas da inteligência artificial,

da cibersegurança, da governação

de dados ou das plataformas

digitais têm um impacto direto

na forma como as empresas

inovam, investem e competem

em todos os mercados”, comenta

Sandra Fazenda Almeida.

Por isso, estes grupos

“assumem também uma função

de mediação estratégica”

e “criam condições para que os

contributos técnicos produzidos

em Portugal possam alimentar

o debate europeu, reforçando

a presença do setor tecnológico

português em discussões

que influenciam diretamente

a sua competitividade”.

Para alcançar estes objetivos,

os grupos de trabalho foram

criados em torno de temas

estruturantes para a próxima

década, áreas onde se concentram

algumas das decisões mais

relevantes para o futuro digital.

Entre elas estão a inteligência

artificial e a inovação digital, as

infraestruturas e a conectividade,

a cibersegurança e a resiliência

digital, a competitividade

e o funcionamento do mercado

único, as questões relacionadas

com soberania digital e governação

de dados e, mais recentemente,

os limites de idade no digital.

Cada grupo parte de um conjunto

de questões estratégicas concretas e

a partir das quais produzem análises,

recomendações e contributos que

alimentam os documentos de posição

da APDC, respostas aos processos de

consulta pública ou ainda iniciativas

de diálogo institucional com decisores

políticos.

“Com esta iniciativa, a APDC

reforça o seu posicionamento

como plataforma de articulação

do ecossistema digital português

e como interlocutor qualificado

no debate sobre políticas tecnológicas

e digitais. Num momento em que

as decisões sobre o futuro digital

da economia se tornam cada vez

mais complexas e interdependentes,

a existência de espaços estruturados

de reflexão e cooperação entre

empresas, especialistas

e instituições assume particular

relevância”, reforça a Diretora-Geral.

“É uma nova etapa no

desenvolvimento institucional

da associação. Mais do que

acompanhar a transformação

digital e antecipar as grandes

tendências de futuro, procura

ainda contribuir ativamente para

a moldar, garantindo que o setor

tecnológico português participa

na definição das regras, das

prioridades e das estratégias

que irão influenciar a próxima

década”, conclui.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 31


EM A ABRIR DESTAQUE

SEIS FRENTES ONDE SE DECIDE

O FUTURO DIGITAL

Da IA à cibersegurança, das infraestruturas digitais à soberania tecnológica, passando pela

competitividade das startups e pela proteção de menores online, os Grupos de Trabalho APDC

acompanham alguns dos debates mais relevantes para o futuro digital da economia. Reunindo empresas,

especialistas e decisores, analisam evoluções tecnológicas e regulatórias, participam em consultas

públicas e contribuem para a definição de posições que procuram influenciar políticas públicas.

GRUPO DE TRABALHO 1

GRUPO DE TRABALHO 2

CONECTIVIDADE

E INFRAESTRUTURAS

DIGITAIS

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

E INOVAÇÃO DIGITAL

A rápida evolução

da inteligência artificial

está a redefinir modelos

de negócio, cadeias de valor

e processos de decisão em

todos os setores económicos.

Ao mesmo tempo, a UE avançou

com um quadro regulatório

pioneiro nesta área, que

introduz novas obrigações

para empresas e organizações

públicas. Este grupo tem como

objetivo acompanhar esta dupla

transformação – tecnológica

e regulatória – analisando

de que forma a adoção da IA

pode reforçar a competitividade

das empresas e contribuir para

a modernização da economia

nacional.

Entre as suas áreas de reflexão

incluem-se a aplicação da IA

em diferentes setores,

a articulação entre inovação

e regulação no contexto

do AI Act, a promoção de

ecossistemas de experimentação

e a identificação de condições

que permitam acelerar a adoção

de tecnologias avançadas

em Portugal. O trabalho

desenvolvido neste âmbito

pretende apoiar a formulação

de posições técnicas da

APDC sobre IA, contribuindo

para o debate público e

para a definição de políticas

que conciliem inovação,

competitividade e confiança.

Em junho de 2025, participou

na consulta pública aberta

pela Comissão Europeia (CE)

sobre “Apply AI Strategy

– Strengthening the AI

Continent”. No mês seguinte,

respondeu também à consulta

pública europeia sobre

o “AI Continent – New Cloud

and AI Development Act”.

Em novembro, apresentou

a “Proposta de Linhas

Orientadoras para a Estratégia

Nacional de IA”. Já este ano,

entregou o seu contributo

no âmbito da consulta pública

sobre o “Digital Omnibus”,

que visa simplificar as regras

na UE27.

A conectividade constitui

uma das bases estruturais

da economia digital. Redes

de comunicações eletrónicas,

infraestruturas de dados e novas

tecnologias de conectividade

são hoje absolutamente

críticas para o funcionamento

das empresas, a prestação

de serviços públicos,

o desenvolvimento de novos

modelos de negócio, bem

como para o funcionamento

da economia e da sociedade.

Este grupo centra-se na análise

dos desafios associados

à evolução das redes

e das infraestruturas

tecnológicas que sustentam

a transformação digital.

A reflexão abrange temas como

o desenvolvimento de redes

de nova geração, o aumento

da capacidade de processamento

e armazenamento de dados,

e as condições necessárias

para garantir investimento

sustentável em infraestruturas

digitais.

Num contexto europeu

em que a competitividade

tecnológica depende cada

vez mais da qualidade

e da escala das infraestruturas,

procura identificar as

prioridades estratégicas

para Portugal e contribuir

para um debate informado

sobre políticas públicas,

modelos de investimento

e enquadramento regulatório.

Nesse sentido, participou

em setembro do ano passado

na consulta pública sobre

a primeira revisão do Digital

Markets Act (DMA). Está agora

a trabalhar numa tomada

de posição sobre a proposta

europeia do Digital Networks

Act (DNA).

MEMBROS

AWS • AXIANS • CAPGEMINI • CISCO • CLARANET •

ERICSSON • GOOGLE • HUAWEI • INETUM • KYNDRYL • MEO •

META • MINSAIT • NOKIA • NOS • VANTAGE TOWERS •

VINCES CONSULTING • VODAFONE

MEMBROS

AWS • CAPGEMINI • CISCO • CLARANET • CONTACTUS •

DELOITTE • GOOGLE • HP • HPE • HUAWEI • INETUM • KYNDRYL •

MEO • META • MICROSOFT • MINSAIT • NOKIA • NOS •

NTT DATA • VODAFONE

32 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


GRUPO DE TRABALHO 3

MERCADO ÚNICO DIGITAL,

COMPETITIVIDADE

E STARTUPS

O desenvolvimento de um

verdadeiro mercado digital

europeu continua a ser

um dos principais objetivos

da estratégia digital da UE.

No entanto, as empresas

tecnológicas, sobretudo as

startups e as empresas em fase

de crescimento, enfrentam

desafios significativos

relacionados com a elevada

fragmentação regulatória,

o acesso a financiamento

e a capacidade de expansão.

Este grupo analisa esses

desafios, a partir da perspetiva

das empresas e do ecossistema

de inovação, para identificar

barreiras à expansão

internacional, avaliar o impacto

das políticas europeias no

desenvolvimento empresarial

e propor medidas que reforcem

a competitividade das empresas

tecnológicas portuguesas.

Entre os temas em análise

incluem-se a evolução do

quadro regulatório europeu

para plataformas e serviços

digitais, as condições

de crescimento das startups,

os mecanismos de financiamento

da inovação e o papel das

políticas públicas no reforço

da competitividade tecnológica.

O objetivo é contribuir para

uma reflexão estratégica sobre

o posicionamento das empresas

portuguesas no mercado digital

europeu e global. Participou

na consulta da CE, em setembro

do ano passado, sobre

o Digital Markets Act e, mais

recentemente, preparou

um documento para integrar

a posição da APDC a apresentar

na consulta sobre o Digital

Omnibus.

MEMBROS

ALIBABA • CLARANET • GOOGLE • HUAWEI • META • MINSAIT •

NOS • VODAFONE

GRUPO DE TRABALHO 4

CIBERSEGURANÇA

E RESILIÊNCIA DIGITAL

À medida que a digitalização se

torna transversal à economia e à

sociedade, os riscos associados

aos ciberataques e incidentes de

segurança aumentam em escala

e complexidade. Em paralelo,

há novas iniciativas regulatórias

europeias, como a diretiva NIS2

ou o Cyber Resilience Act, que

estão a introduzir requisitos mais

exigentes para organizações

públicas e privadas. Este

grupo centra-se na análise

destas evoluções, procurando

compreender de que forma

empresas e instituições podem

reforçar a sua capacidade de

prevenção, deteção e resposta

a incidentes de segurança.

Inclui temas como a proteção

de infraestruturas críticas, a

gestão de riscos cibernéticos,

o impacto da regulação

europeia nas organizações

e o desenvolvimento de

competências especializadas

nesta área.

Ao promover a troca de

conhecimentos entre empresas,

especialistas e entidades

institucionais, pretende-se

contribuir para a construção

de um ecossistema digital

mais seguro e resiliente,

alinhado com as prioridades

estratégicas da UE. Entre os

temas considerados relevantes

para 2026, destacam-se o

Novo Regime Jurídico da

Cibersegurança, que produz

efeitos em abril, com uma

implementação faseada, e a

resposta à consulta da CE sobre

a NIS2, até 3 de abril.

MEMBROS

.PT • AXIANS • CAPGEMINI • CISCO • ERICSSON • HP • HUAWEI •

INETUM • KYNDRYL • MEO • META • MICROSOFT • MINSAIT •

NOKIA • NOS • NTT DATA • VODAFONE

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 33


EM A ABRIR DESTAQUE

GRUPO DE TRABALHO 5

SOBERANIA DIGITAL

E DADOS

O debate europeu sobre

a soberania digital ganhou

particular relevância, refletindo

as preocupações em torno

das dependências tecnológicas

da UE27, do controlo sobre

infraestruturas críticas e da

governação de dados. O grupo

centra-se na análise destes

temas, avaliando de que forma

a Europa e os Estados-Membros

podem reforçar a sua autonomia

tecnológica sem comprometer

a abertura e a inovação que

caracterizam a economia digital.

Estão em causa áreas como

a governação e partilha

de dados, a evolução das

infraestruturas cloud, o papel

das tecnologias emergentes

e a articulação entre políticas

industriais, tecnológicas e

digitais no contexto europeu.

Ao acompanhar iniciativas

estratégicas da UE nesta

área, procura identificar

oportunidades e riscos para

o ecossistema digital português,

contribuindo para um

posicionamento informado

das empresas e para o debate

sobre as opções estratégicas

do país. Nesse sentido,

participou em julho de 2025

na consulta lançada pela CE

sobre o futuro “AI Continent –

New Cloud and AI Develoment

Act”, assim como na revisão

do DMA, em setembro. Ao nível

nacional, enviou ao Governo

a 21 de novembro um Position

Paper sobre a Adoção da Cloud

em Portugal. Sobre o mesmo

tema, deverá ser realizado este

ano um evento para debater

a posição da APDC.

MEMBROS

AWS • AXIANS • CLARANET • GOOGLE • HUAWEI • META •

MICROSOFT • NOS

GRUPO DE TRABALHO

EXTRAORDINÁRIO

LIMITES DE IDADE

PARA CRIANÇAS E JOVENS

NO MUNDO DIGITAL

O debate sobre a idade mínima

de acesso de crianças e jovens

às redes sociais e plataformas

digitais tem ganho relevância

crescente no espaço público,

tanto europeu como nacional.

A discussão envolve múltiplas

dimensões, desde a proteção

de menores e a literacia digital

até à responsabilidade das

plataformas, aos mecanismos

de verificação de idade

e às implicações regulatórias

associadas ao enquadramento

europeu do digital. E o tema

já está na agenda legislativa,

com a apresentação, no

Parlamento, de um projeto

de lei que estabelece medidas

de proteção das crianças em

ambientes digitais. A proposta

admite a utilização por jovens

entre os 13 e os 16 anos apenas

mediante consentimento

parental verificado, autenticado

através da Chave Móvel Digital.

Já aprovada na generalidade,

está agora a ser debatida

na especialidade.

Tendo em conta a complexidade

técnica e regulatória associada

ao tema, a APDC decidiu criar

este grupo, com carácter

temporário, dedicado à idade

de acesso de crianças e jovens

às redes sociais e plataformas

online. Tem como missão

acompanhar a evolução

do processo legislativo em

Portugal e os desenvolvimentos

em curso a nível europeu, bem

como analisar as implicações

regulatórias, tecnológicas

e operacionais associadas

à eventual definição de limites

etários para o acesso

às plataformas digitais.

Entre os temas a abordar estão

a articulação com o quadro

regulatório europeu, incluindo

o DSA e o Regulamento Geral

de Proteção de Dados (RGPD),

os mecanismos de verificação

de idade e as questões

de proporcionalidade associadas

à sua implementação.

Acrescem ainda os potenciais

impactos destas medidas

no funcionamento do

ecossistema digital, na inovação

e no acesso de jovens a serviços

digitais.Este grupo está

já a trabalhar para desenvolver

uma posição institucional

equilibrada e tecnicamente

fundamentada, que possa

contribuir para o debate

público e para o processo

legislativo em curso em torno

deste projeto de lei.

MEMBROS

.PT • ALIBABA • CLARANET • GOOGLE • META • MICROSOFT •

TIKTOK • VODAFONE

34 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


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MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 35


5Perguntas a...

Rui Assis

MANAGING DIRECTOR

DA ÁREA DE

COMUNICAÇÕES,

MEDIA E TECNOLOGIA,

ACCENTURE

PORTUGAL

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

Ouça este artigo

Tempo de escuta: 05ʹ21ʺ

Foto cedida

36 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


ESTRATÉGIA,

TECNOLOGIA

E REINVENÇÃO

Vivem-se dias de pressão competitiva e tecnológica

nas telco. Entre a modernização de sistemas core,

a integração de dados e a escalabilidade da IA,

Rui Assis defende que o desafio não está em lançar

pilotos, mas em tornar a IA numa vantagem estrutural.

1É MANAGING DIRECTOR

DE COMMUNICATIONS, MEDIA

& TECHNOLOGY NA ACCENTURE

PORTUGAL. QUE PRIORIDADES

DEFINIU PARA ESTE NOVO DESAFIO?

Comecei por ouvir e conhecer os nossos

clientes e por compreender melhor o setor.

Em Portugal, os desafios são claros: maior

pressão competitiva, crescimento limitado

no B2C tradicional, necessidade de

modernizar os sistemas de informação

core e de acelerar a transição para modelos

orientados a dados e inteligência artificial (IA).

Está ainda a aumentar a exigência de

diferenciação na experiência do cliente

e de maior relevância no B2B. Das muitas

conversas com executivos do setor,

confirmei ainda um ponto essencial:

temos operadores que são, em muitos

casos, referências internacionais. São

tecnologicamente sofisticados e plenamente

conscientes das transformações em

curso. Neste contexto desafiante, a minha

prioridade é contribuir para reforçar o

posicionamento de liderança da Accenture

no setor, afirmando-nos como um parceiro

de reinvenção. Isso implica apoiar os nossos

clientes a integrar estratégia, tecnologia

e modelo operacional de forma coerente,

para gerar resultados concretos e escaláveis.

2FACE À ACELERAÇÃO

TECNOLÓGICA, ONDE ESTÃO

AS MAIORES OPORTUNIDADES

DE TRANSFORMAÇÃO PARA

AS ORGANIZAÇÕES?

Sempre foi claro para mim que o setor telco

é pioneiro nas grandes transformações.

Está novamente nessa posição com a IA.

Isso traz maior exigência, mas também uma

oportunidade relevante de reforçar o seu

papel na economia digital. No B2C, o desafio

está em converter confiança em lealdade.

Os consumidores exigem experiências mais

fluídas e serviços com maior relevância

no seu dia a dia. A incorporação da IA ao longo

da jornada do cliente – com personalização

em tempo real, assistentes inteligentes

e ofertas integradas – pode ser um fator de

diferenciação e potenciar propostas de valor

premium. Por outro lado, no B2B há uma

preocupação crescente com os temas

de soberania digital e com a capacidade local

de dados e computação. Ao evoluírem de

fornecedores de conectividade para parceiros

que integram rede, cloud e IA nas suas ofertas,

as telcos podem capturar uma parcela maior

de valor. Isso abre espaço para assumirem

um papel mais central e estruturante

na infraestrutura digital da economia.

3A IA PASSOU DO HYPE

À EXECUÇÃO. O QUE DISTINGUE

AS EMPRESAS QUE ESTÃO

A CAPTURAR VALOR DAS QUE

APENAS EXPERIMENTAM?

Ir além dos pilotos e das provas de conceito

é ainda um desafio em todos os setores.

No caso das telcos, porém, a fasquia é mais

elevada, dada a sua maturidade tecnológica

e experiência acumulada na gestão de

sistemas críticos. A dificuldade em escalar

a IA resulta normalmente de problemas

estruturais: dados dispersos, sistemas

legados e arquiteturas pouco integradas.

A IA não elimina estas fragilidades, expõe-nas.

Neste sentido, as empresas que conseguem

capturar valor são as que começam por

garantir fundações sólidas: integram dados,

simplificam a arquitetura tecnológica e

ajustam o modelo operativo, para permitir

escalar casos de uso de IA de forma

transversal. A diferença não está, portanto,

na quantidade de pilotos lançados, mas sim

na capacidade de transformar a IA numa

vantagem estrutural.

4A ESCASSEZ DE TALENTO

QUALIFICADO É UM ENTRAVE

À TRANSFORMAÇÃO DIGITAL.

QUE ESTRATÉGIAS SERIAM MAIS

EFICAZES PARA REFORÇAR

ESTAS COMPETÊNCIAS?

O país tem talento de qualidade

internacional. Vejo isso todos os dias

na Accenture, onde a partir de Portugal

lideramos e executamos projetos complexos,

tanto para as principais organizações

nacionais como para clientes globais.

O verdadeiro desafio é a velocidade de

transformação. A IA e agora os modelos

agentic estão a evoluir mais rapidamente

do que muitos modelos de formação

e do que a própria capacidade de adaptação

das organizações. É essencial apostar em

reskilling e upskilling contínuos, reforçar

a ligação entre empresas e universidades,

para alinhar a formação com as necessidades

reais do mercado e, simultaneamente, criar

nas organizações contextos onde o talento

possa aplicar novas competências em projetos

concretos. Na Accenture, seguimos essa

abordagem de forma consistente, preparando

as nossas equipas para um contexto cada

vez mais orientado a AI e a modelos agentic.

Porque a vantagem competitiva estará em

quem conseguir requalificar e mobilizar

talento com maior rapidez.

5QUE DIRIA ÀS ORGANIZAÇÕES

QUE QUEREM ACELERAR

A TRANSFORMAÇÃO, MAS TÊM

LIMITAÇÕES DE TALENTO,

ORÇAMENTO OU CULTURA INTERNA?

Num contexto de recursos limitados,

é importante começar por estabelecer

prioridades com impacto claro e mensurável.

Tentar transformar tudo ao mesmo tempo

tende a dispersar esforço e energia. Outro

ponto essencial é assegurar uma base sólida

antes de escalar iniciativas mais visíveis.

Modernizar dados, simplificar arquitetura

e eliminar redundâncias pode não ser a parte

mais mediática da transformação, mas

é frequentemente o que permite avançar

de forma sustentada. É igualmente

importante reconhecer que a transformação

não é apenas uma questão tecnológica.

Exige mudança cultural e alinhamento interno.

As telcos já demonstraram capacidade

de se transformar em várias circunstâncias.

O desafio agora é maior, porque requer uma

verdadeira capacidade de reinvenção.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 37


OPINIÃO

O QUE ACONTECE DEPOIS DA VENDA

A fidelização raramente começa na campanha de marketing, mas sim

quando o cliente precisa de ajuda e decide contactar a empresa.

É aí que a marca se revela: na qualidade da resposta, empatia

do atendimento e capacidade de resolver problemas sem fricção.

Num mercado onde conquistar clientes é cada vez mais caro, a

verdadeira vantagem competitiva está no que acontece no pós-venda.

RICARDO SALGADO

Diretor de Vendas e Operações

da Intelcia Portugal

O

cliente de hoje chega

informado. Já comparou,

já leu opiniões, já decidiu

ou está muito perto disso. Quando

entra em contacto com uma

empresa, não quer ser convencido.

Quer ser ajudado. Quer alguém que

resolva o problema, sem rodeios,

sem scripts disfarçados e com

respeito pelo seu tempo.

É nesse momento, muitas vezes

invisível para as organizações, que

a fidelização começa a ser decidida.

Há empresas que tratam este

contacto como mais um ticket

a fechar. E há outras que o encaram

como se alguém tivesse acabado

de entrar em sua casa. A diferença

não está no processo, está na atitude.

É por isso que o atendimento deixou

de ser apenas suporte. Hoje, é um

dos principais motores de fidelização,

e, em muitos casos, o ponto

de partida para novas vendas.

Cada interação conta.

Não porque seja uma oportunidade

de vender mais, mas porque é uma

MIGUEL AZEVEDO

Diretor de Operações

da Intelcia Portugal

oportunidade de gerar confiança.

Um atendimento bem feito

tranquiliza, valida decisões e reduz

dúvidas. Cria espaço para up-selling

e cross--selling sem pressão, quase

como consequência natural.

Para isso, as equipas não podem

ser apenas executoras de guiões.

Precisam de autonomia, contexto

e capacidade de decidir. O sucesso

aqui não se mede só em volume,

mede-se na experiência e na

sensação com que o cliente termina

o contacto.

O cliente, aliás, não pensa em

canais. Não distingue loja, telefone,

chat ou app. Vê uma marca. E espera

coerência. Omnicanalidade não

é estar em todo o lado, é garantir

continuidade, contexto e resolução,

independentemente de onde

a conversa começa.

QUANDO O ATENDIMENTO SE TORNA

ESTRATÉGIA

Apesar disso, muitas empresas

continuam focadas quase

exclusivamente na aquisição.

Investem em campanhas, descontos

e promessas de curto prazo,

enquanto subestimam a fidelização.

Manter um cliente é mais eficiente,

mais sustentável e, frequentemente,

mais rentável do que conquistar um

novo. O atendimento pós-venda é,

na prática, a pré-venda da próxima

compra.

A tecnologia é essencial, mas

não chega. Dados, automação e IA

ajudam a antecipar necessidades

e a ganhar eficiência, mas não

substituem a empatia. Atender uma

chamada é entrar num território

desconhecido. Não sabemos

quem está do outro lado, nem

em que estado emocional chega.

É precisamente nesse instante que

a marca se revela ou se compromete.

Grande parte do valor gerado

pelos contact centers não aparece

nos dashboards. Vive na confiança

construída, nos conflitos evitados

e nos clientes que escolhem ficar.

São também verdadeiras escolas

de competências e liderança. Muitos

percursos sólidos começaram

com um headset e estes profissionais

são embaixadores diários das

marcas que representam. Carregam-

-nas na voz, nas palavras e nas

decisões que tomam em tempo real.

Ignorar este papel é um erro

estratégico. Valorizar o atendimento

não é apenas um gesto de cuidado,

é reconhecer que o customer care

é um ativo estratégico. É nele que

se decide a fidelização, se constrói

confiança e se transforma cada

interação numa oportunidade real

de crescimento para a marca.

38 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 39


NEGÓCIOS

CONECTIVIDADE

GLOBAL A PARTIR

DE LISBOA

Em atividade em Portugal há quase nove anos,

a Equinix trabalha diariamente para potenciar Lisboa

como hub estratégico de conectividade global, através

da sua rede de cerca de 270 data centers em todo

o mundo. Com duas infraestruturas na capital

portuguesa, a multinacional norte-americana

está à distância de ter um terceiro data center

para dar resposta à crescente procura neste setor.

FOTOS | TIAGO FRAZÃO/SYNCVIEW

40 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 41


NEGÓCIOS

Quando se fala

de data centers

em Portugal, há

nomes que surgem

naturalmente

e a Equinix é um

deles. Mais do que uma referência,

tornou-se um verdadeiro pilar

da infraestrutura digital do país.

Em Portugal desde 2017, após

aquisição da empresa Itconic,

a multinacional norte-americana

tem vindo a afirmar-se como uma das

grandes plataformas de conectividade

global, através de uma rede com

cerca de 270 data centers distribuídos

pelo mundo, incluindo em Lisboa.

O hub da capital portuguesa

assume um papel particularmente

relevante graças aos cabos

submarinos instalados, que

permitem a ligação entre a Península

Ibérica, desde o Prior Velho,

e os continentes africano e sul

americano.

“Não há nenhuma localização

neste momento, em Portugal,

que consiga melhor latência, quase

em qualquer direção, quase para

qualquer plataforma, para qualquer

entidade, para qualquer sistema

a nível global. A Equinix garante

uma plataforma de alojamento

na qual tem as condições físicas que

são os referenciais de mercado, bem

como toda a parte de climatização

e de segurança. Isto tudo associado

a um SLA [Service Level Agreement]

extraordinariamente exigente”,

considera Carlos Paulino, managing

director da Equinix Portugal.

A Equinix conta hoje com

duas infraestruturas dedicadas

a “clientes de rede”, sejam empresas

públicas ou privadas, nacionais

ou internacionais: “Qualquer cliente

que veja como um fator competitivo

temas de latência e de rapidez

de resposta dos serviços que presta,

automaticamente vai ver a Equinix

como uma opção.”

O primeiro data center, o LS1, data

de 1999 e foi originalmente criado

pela Carrierhouse, empresa que

posteriormente se tornou Itconic.

Referido pelo responsável como

o “primeiro data center neutral

do país”, a infraestrutura tem

vindo a ser alvo de constantes

atualizações, fazendo com que

a maioria dos sistemas ali instalados

não tenham mais de dois anos.

Cerca de 26 anos depois,

em 2025, a Equinix inaugurou um

novo data center, o LS2, localizado

mesmo ao lado da infraestrutura

original, num investimento

de cerca de 100 milhões de euros.

O LS2 conta o dobro da capacidade

de LS1: são mais de dois mil metros

quadrados de espaço de colocation,

com uma área técnica escalável

e fontes de alimentação totalmente

redundantes. Os dois data centers,

em conjunto, oferecem mais

de 2.000 interconexões, serviços

de conectividade de rede para

mais de 100 clientes empresariais,

mais de 45 redes e quatro Internet

Exchanges.

As infraestruturas, explica

o responsável pela Equinix Portugal,

funcionam de forma autónoma,

apesar da proximidade física

e de poderem estar interligadas,

caso seja necessário.

“O LS1 é um centro absoluto

de conectividade, quer da parte

de fibras terrestres com toda

a Europa, quer de toda a parte

submarina, que sai maioritariamente

de Lisboa, mas também neste

momento já com o cabo de Sines.

É o ponto mais interconectado de

Portugal. Toda essa conectividade,

neste momento, está concentrada

neste data center e o LS2 permite

a todos os clientes ali duplicarem

a sua infraestrutura. Temos

uma resiliência adicional e uma

redundância criada por edifícios

distintos, com sistemas de energia

distintos, equipas de operação

e recursos humanos distintos,

para termos a certeza de que, apesar

de serem vizinhos, a segmentação

é absolutamente total”, explica o

responsável pela Equinix Portugal.

ONDA DE DATA CENTERS

O novo data center da Equinix,

cuja inauguração foi antecipada

cerca de um ano, veio dar resposta

à “onda” de crescimento na procura

por este tipo de infraestruturas

que se vive atualmente em Portugal.

De acordo com Carlos Paulino,

se inicialmente os fornecedores

de serviços de cloud, quando

chegaram à Europa, instalaram-se

em cidades como Frankfurt,

42 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


podemos esquecer-nos que somos

o único país ligado à Nigéria, que

tem 200 milhões de habitantes.

É um mercado absolutamente

inacreditável e a crescer com

pessoas ávidas de telemóveis

e de aplicações.”

“A Equinix garante

uma plataforma

de alojamento

na qual tem as

condições físicas

que são os

referenciais

de mercado, bem

como toda a parte

de climatização

e de segurança.”

Londres, Amesterdão, Paris

e Dublin – os chamados FLAPD –,

a crescente importância de

temáticas como a latência

e a soberania de dados levou

a que estas empresas percebessem

a importância de estar mais perto

dos clientes finais e começassem

a chegar a outras capitais europeias.

A vaga de expansão, que chegou

primeiro a países como Espanha,

Itália e Polónia, está agora

a estender-se a Portugal.

É neste contexto que as operações

desenvolvidas pela Equinix

potenciam o desenvolvimento

da economia digital no país,

pois garantem que as empresas

em Portugal conseguem

competir com outras entidades,

independentemente da sua

localização geográfica.

“A Equinix, ao conseguir esta

capacidade de interligação

e de garantir que as clouds têm

capacidade de se alojarem,

desempenha um papel

absolutamente crucial para garantir

a competitividade das empresas

portuguesas. A criação de LS2 não

só garante que esta competitividade

incrementa, como aumenta

a capacidade de resiliência digital

do país”, destaca.

Para este responsável, o potencial

da onda de crescimento que se vive

no setor dos data centers vai

além da dimensão do mercado

nacional: “Não tenho dúvidas

de que estamos no topo da onda,

[mas] se pensarmos em desenvolver

infraestruturas para servir

unicamente o consumo interno,

provavelmente perdemos parte

da oportunidade. A capacidade

de conectividade de Portugal para

o Atlântico Sul é uma oportunidade

de ouro”, considera Carlos Paulino,

acrescentando que a tecnologia

desenvolvida em Portugal pode

ser amplificada, por forma

a garantir melhores serviços

a todo o continente africano.

“Nós percebemos claramente

que os mercados e as economias

que estão a crescer a dois dígitos

já não são na Europa, são em África,

principalmente subsaariana.

E temos esse ponto de relevância

máxima em servir o que é o futuro

da economia digital global. Mesmo

Portugal sendo esta economia

de 10 milhões de pessoas, não

LS3 E O FUTURO DO SETOR

É na ‘crista da onda’ dos data

centers que a Equinix celebra

cerca de nove anos de atividade

em Portugal e o balanço

não podia ser mais positivo:

“Com a sua capacidade global,

trouxe uma nova dimensão

ao negócio e a Portugal, graças

à capacidade que tem de atrair

grandes players internacionais que

veem na empresa uma referência

de segurança e de resiliência”.

A multinacional está atualmente

a planear a construção de uma

terceira infraestrutura

em Lisboa, que irá quadruplicar

a sua capacidade, passando a contar

com uma equipa superior a 100

funcionários – atualmente são cerca

de 35. O investimento deverá rondar

os 300 milhões de euros.

“A Equinix foi capaz de antever

que iria existir um crescimento

significativo no futuro, mas acho

que não houve nenhum player

em Portugal que conseguisse

realmente antecipar esse

volume tão exponencial.

Nós planeamos sempre com

suficiente antecipação: o LS2 foi

um projeto que começámos a mover

em 2018, para previsivelmente

estar pronto no final de 2026.

O LS3 é exatamente a mesma

coisa. Estamos já com a ideia de

podermos arrancar a construção,

provavelmente, dentro de cerca

de um ano”, explica Carlos Paulino.

A multinacional norte-americana

já identificou locais para

a instalação deste novo data center,

que se localizará “num raio

de cinco a 10 quilómetros” dos já

existentes, garantindo assim

que “qualquer cliente que esteja

em qualquer uma das

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 43


NEGÓCIOS

NÚMEROS

2

Data centers

2.000

Interconexões

4

Internet Exchanges

Mais de

100

Clientes empresariais

Mais de

45

Redes

“O LS1 é o ponto

mais interconectado

de Portugal e o LS2

permite a todos os

clientes duplicarem

a sua infraestrutura

neste data center.

Temos uma resiliência

adicional e uma

redundância criada

por edifícios distintos.”

infraestruturas tenha exatamente

acesso a toda a plataforma, em

toda a sua amplitude, sem custos

adicionais, sem latências adicionais

e sem complexidade adicional”.

TALENTO, LICENCIAMENTO E ENERGIA:

OS TRÊS GRANDES DESAFIOS

É também neste contexto

de crescimento que a Associação

Portuguesa de Centros de Dados –

Portugal DC, da qual a Equinix

é associada e Carlos Paulino vice-

-presidente, tem vindo a desenvolver

o seu trabalho de representatividade

desta nova indústria e de ligação

com entidades internacionais,

como a Associação Europeia

de Data Centers, permitindo-lhe

ter uma “visão” do setor “no seu

todo” e “trazer esse conhecimento”

para Portugal.

“Queremos ajudar o poder

governamental em Portugal a criar

e a legislar da forma correta para

esta indústria”, refere o responsável

da Equinix Portugal, destacando

três áreas prioritárias para o setor

e para a economia digital:

os recursos humanos, o

licenciamento e a energia.

No que respeita aos recursos

humanos, a Portugal DC tem

vindo a trabalhar com entidades

ligadas à área da Educação,

como universidades e escolas

profissionais, e parceiros

internacionais, como a Associação

de Data Centers do Brasil, e está

a promover a criação da primeira

pós-graduação em Infraestruturas

Críticas em Portugal.

Carlos Paulino defende que

o tema dos licenciamentos, apesar

de ser uma questão transversal

a várias indústrias, é particularmente

crítico no setor dos data centers:

“Em certas indústrias, ter um

processo de licenciamento que leva

três anos pode não ser crítico. Neste

setor pode ser a diferença entre

Portugal ‘apanhar ou não o barco’.

Não queremos tratamento VIP, mas

há que perceber que há variáveis

em jogo em que precisamos

de concorrer com outras geografias.

Portanto, ou criamos as condições

para consegui-lo ou há projetos

que irão para outros locais.

Se for necessário, temos inclusive

que aplicar uma discriminação

positiva. Tem de haver forma

de conseguirmos que a nossa

geografia seja realmente

competitiva para atrair e criar

investimento em Portugal”.

Na área energética, para o

responsável, a maior dificuldade

está em mostrar o que a indústria

dos data center precisa e de que

forma é que terá necessidade

de energia, uma situação que cria

especulação e dificulta a aprovação

de investimentos, por parte

do Governo, “para os locais corretos,

na devida proporção”.

“Há tanta entropia ao que

é realmente a procura dos data

centers que se torna difícil uma

44 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 45


NEGÓCIOS

decisão acertada. Acredito que,

no capítulo da energia, todo o

know-how que a Portugal DC já tem

– dos exemplos que vimos noutros

países, do conhecimento que temos

também com players globais, como

a Equinix – pode contribuir para

perceber onde é que houve desafios,

como é que se resolveram e,

de alguma forma, evitar os

problemas ou contratempos.”

O ALUNO DE 19,8 NA ‘DISCIPLINA’

DE SUSTENTABILIDADE

Neste âmbito, a sustentabilidade

é um dos focos da indústria

e, em particular, da Equinix,

que foi um dos membros

fundadores do Climate Neutral

Data Centre Operator Pact, da União

Europeia, cujo objetivo é garantir

a neutralidade carbónica do setor

até 2030.

A nível nacional, a empresa

norte-americana não só assinou

um contrato para aquisição

de energia renovável (PPA – Power

Purchase Agreement), que assegura

quase 150 megawatts

de energia verde – 10 vezes mais

do que a consumida pelos seus data

centers –, como a sua mais recente

infraestrutura, o LS2, está preparada

para conseguir fornecer energia

térmica residual à comunidade.

Em linha com o que aconteceu,

por exemplo, com as infraestruturas

da Equinix em Paris, cuja capacidade

térmica foi utilizada para aquecer as

piscinas durante os Jogos Olímpicos.

Estes, para Carlos Paulino,

são apenas alguns exemplos

do investimento que a indústria

dos data centers tem realizado na

área da energia e da sustentabilidade:

“Sinto que somos aquele aluno

da turma que tem 19,8 [sobre 20]

e o professor diz ainda faltam

duas décimas, enquanto os outros

estudantes têm 14 e 15”.

O responsável pela Equinix

Portugal destaca o facto dos data

centers só utilizarem combustíveis

de forma residual, quando usam

os geradores, de utilizarem energia

verde e de estarem a trabalhar

ativamente na redução de emissões.

Relativamente à questão do

consumo de energia com o previsível

crescimento dos data centers,

Carlos Paulino é perentório:

“Os data centers em Portugal têm

hoje um papel quase irrelevante,

com 35 megawatts de consumo,

num país que consome 10 gigawatts.

Desenvolver entre um a três gigas,

nos próximos cinco a 10 anos, seria

um sucesso absoluto em Portugal”,

diz, destacando que Portugal tem

capacidade de produção de mais

energia verde para acompanhar

o crescimento do setor.

“Não há nenhum problema

de produção de energia em

Portugal: temos energia e produz-

-se em suficiência para servir

este mercado, pelo menos neste

primeiro ciclo.”

DATA CENTERS COMO “CHAVE DE

ATRAÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO”

Para o managing director

da Equinix Portugal, o mercado

português de data centers está

a tornar-se mais “maduro”, com

uma elevada “diversidade de oferta”

ao chegar a diversos segmentos

e a conseguir ser “chave de atração

e de desenvolvimento da economia

digital nacional e global”.

E as estimativas de crescimento

comprovam isso mesmo: o

responsável destaca um relatório

europeu que coloca a previsão

de crescimento dos países do Sul

“A Equinix foi capaz

de antever que iria

existir um crescimento

significativo no futuro,

mas acho que não

houve nenhum player

em Portugal que

conseguisse realmente

antever esse volume

tão exponencial.”

da Europa, até 2032, num CAGR

(taxa de crescimento anual

composta) entre 32% e 35%,

enquanto Portugal está nos 70%.

Ainda assim, Carlos Paulino

sublinha a importância de se

definir, a nível nacional, um rumo

para esta indústria: “Temos de

perceber até onde é que queremos

ir e o que é que gostaríamos de fazer.

Obviamente, todos defendemos que

temos de concorrer de igual para

igual com qualquer outro Estado-

-Membro. Acho que vamos

descobrir que não queremos uma

hiper densidade de data center,

mas termos capacidade de criar

várias infraestruturas em Portugal

que, a nível de processamento

e de capacidade de IT puro,

nos deem a mesma relevância

que temos nas comunicações globais.

Acho que nós temos capacidade

para ter relevância global

e devíamos colocar a fasquia aí.”

46 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


Dicas.ANACOM

1 minuto que faz a diferença

A nova rubrica da ANACOM na RTP

Informação clara e útil sobre comunicações, serviços

digitais e direitos dos consumidores.

Na nova rubrica Dicas ANACOM, explicamos num minuto

temas do dia a dia de forma clara e acessível: contratos,

faturação, atendimento, plataformas online, segurança

digital e muito mais.

Porque conhecer os seus direitos faz a diferença

Veja todos os episódios no

Portal do Consumidor da ANACOM

ou na RTP Play

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 47


I TECH

PAOLO FAVARO

CRESCER A JOGAR,

LIDERAR A INOVAR

Paolo Favaro cresceu no final dos anos 80 e início dos 90 e os videojogos

foram a sua primeira experiência com a tecnologia. Hoje, a sua relação

com o digital mistura curiosidade e pragmatismo, tanto no trabalho como

em casa.

FOTOS | TIAGO FRAZÃO, SYNCVIEW

As primeiras memórias

de tecnologia

de Paolo Favaro,

Administrador

Executivo da Vantage

Towers Portugal, estão ligadas aos

videojogos. A curiosidade que nasceu

desses primeiros contactos acabou

por se estender às máquinas que

suportavam esses jogos e, mais tarde,

aos computadores e consolas.

“O primeiro gadget que tive em

absoluto foi um computador,

o Commodore 64. Adorava aquele

computador e havia aquela sensação

de que podia fazer tudo com ele.

Depois vieram as consolas, Nintendo,

8-bit, 16-bit, Game Boy… algumas

ainda tenho guardadas.”

Hoje, descreve a sua relação com

a tecnologia como entusiasta, mas

mais racional e utilitária. “Gosto

de estar informado sobre o que vai

ser lançado e sobre as possibilidades

que vão ser disponibilizadas pelas

tecnologias. Nesta fase da minha vida

já não tenho muito tempo para fazer

as coisas que costumava fazer

e penso em como posso aproveitar

algo de forma rápida e pragmática

para melhorar a minha vida.”

Na sua vida profissional,

a abordagem é muito semelhante.

“A minha função obriga-me a olhar

para tecnologias que podem ajudar

a empresa a tornar-se mais eficiente,

mais rápida e mais digital”, explica,

reconhecendo que o interesse

principal recai sobre as tecnologias

corporativas que aumentam

a eficiência de processos internos,

operações e interface com

os clientes. “Há também a vertente

de colaboração, que é garantir que

as ferramentas que os colaboradores

têm ajudam a tornar o dia a dia mais

eficiente”, acrescenta o responsável

da Vantage Towers, uma das empresas

líderes do mercado de torres de

telecomunicações na Europa.

“A literacia digital

deve começar cedo,

para explicar o

que a tecnologia

faz, os benefícios,

os possíveis efeitos

negativos e as

consequências do

seu uso. Isso é algo

em que ainda se pode

trabalhar bastante. ”

Manter o equilíbrio entre o digital

e offline não é fácil, admite.

Mas todos os dias tenta contrariar

essa tendência. “Estou consciente

disso e a trabalhar em melhorias.

Em casa, durante as refeições, já

não há tecnologia. É uma forma de

facilitar a conversa e a interação.

Também tento introduzir melhorias

antes de adormecer e deixar o

telemóvel de lado, mas muitas vezes

é difícil, porque é a única janela em

que tenho tempo para mim, para ler

notícias, fazer catch-up com amigos e

perceber o que se passa na vida deles.”

Paolo Favaro afirma sem hesitar

que se considera um early adopter:

“Gosto muito de experimentar logo

algo que seja novo e também estou

sempre atento às novidades

e gosto de conversar sobre tecnologia”.

Entre os dispositivos essenciais

estão o smartphone, sistemas de

smart home, smartwatches, sensores

para monitorização e um projetor 4K.

Quanto às aplicações, destaca

o Spotify, apps de treino

e monitorização, ferramentas de IA

como o ChatGPT e o Gemini, usadas

para planear viagens, controlar

despesas e organizar o dia a dia.

Sobre a inteligência artificial,

mantém uma visão equilibrada.

48 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


APPS FAVORITAS

Spotify

“Utilizo provavelmente

desde o lançamento do

serviço, porque gosto

de música, de ouvir podcasts

enquanto estou a conduzir,

a chegar ao trabalho”.

Tidal

Apesar da preferência pelo

Spotify, o Tidal “oferece

uma qualidade maior em

termos de som”.

ChatGPT

É um utilizador frequente

de aplicações de IA, às quais

recorre para planeamento

pessoal e profissional.

“No contexto corporativo, estamos

a implementar IA para automatizar

tarefas que levam muito tempo e não

exigem colaboradores qualificados.

Isto permite que as pessoas se

concentrem em tarefas de maior

valor. Também estamos a usar

ferramentas que ajudam a prever

onde intervir preventivamente

nas operações.”

Para Paolo Favaro, a tecnologia

faz parte do dia a dia, mas

é necessário utilizá-la de forma

consciente e responsável, sendo

importante uma aposta na literacia

digital. “Estamos preparados para

um mundo cada vez mais digital,

mas devido à velocidade da evolução,

acompanhar estes avanços é um

exercício difícil. A literacia digital

deve começar cedo, para explicar

o que a tecnologia faz, os benefícios,

os possíveis efeitos negativos

e as consequências do seu uso.

Isso é algo em que ainda se pode

trabalhar bastante”, conclui.

Ouça este artigo

Tempo de escuta: 03ʹ39ʺ

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 49


Barómetro

RH

ESPAÇO RESERVADO A TENDÊNCIAS NA ÁREA DO TALENTO

E DOS RECURSOS HUMANOS

TALENTO E NEGÓCIO:

PAPEL DA AGENTIC AI

A GESTÃO ESTRATÉGICA DE TALENTO ESTÁ A ENTRAR

NUMA NOVA FASE, MARCADA PELA INTEGRAÇÃO DE

DADOS E PELA APLICAÇÃO DE MODELOS AVANÇADOS

DE IA. MAS QUAL É O VERDADEIRO NÍVEL DE MATURIDADE

DAS ORGANIZAÇÕES? E QUE IMPACTO PODE TER

A AGENTIC AI NA TRANSFORMAÇÃO DOS RECURSOS

HUMANOS? PARTINDO DE DADOS RECENTES E DA

REALIDADE DO MERCADO NACIONAL, HUGO BERNARDES,

MANAGING PARTNER DA THE KEY TALENT, ANALISA

DESAFIOS E OPORTUNIDADES DESTA NOVA GERAÇÃO

TECNOLÓGICA.

A maioria das organizações tem hoje

mais dados do que alguma vez teve:

de clientes, operações, finanças, mercado

e também sobre as suas próprias pessoas.

O problema não é a falta de informação,

mas o facto de estar dispersa em silos,

sistemas que não comunicam entre si

e plataformas adquiridas para resolver

problemas específicos. O resultado é que

o conhecimento coletivo da organização

permanece inacessível. E, portanto, inútil.

É neste contexto que a Agentic AI surge

como uma resposta estrutural a um

problema que todas as organizações

reconhecem, mas poucas conseguiram

resolver: transformar dados dispersos

em informação acionável e em vantagem

competitiva. Se este desafio é transversal

a toda a organização, é nos recursos

humanos que o paradoxo se torna mais

evidente. As decisões sobre pessoas

– quem contratar, desenvolver, promover

ou reter – são das mais críticas que uma

empresa toma. E são frequentemente

as menos suportadas por dados integrados.

Não porque os dados não existam,

mas porque permanecem dispersos

por sistemas de recrutamento, plataformas

de desempenho, ferramentas

de engagement ou bases de dados de

talento. A Agentic AI altera este cenário,

ao permitir integrar e interpretar estas fontes

de informação de forma contínua.

Mais do que tecnologia, trata-se de

competitividade, decisão e de uma

oportunidade para redefinir a forma como

as organizações gerem o seu ativo mais

crítico: o talento humano.

PROBLEMA QUE NINGUÉM QUER

ADMITIR

Durante décadas, as organizações investiram

em sistemas de informação sofisticados.

Mas se o stack tecnológico cresceu,

a capacidade de extrair conhecimento

integrado desses sistemas não acompanhou

esse crescimento. Os dados confirmam-no.

Em 2024, 68% das organizações identificaram

os silos de dados como o principal problema

de gestão de informação. Em Portugal,

apesar de muitas empresas já utilizarem

dados de recursos humanos, apenas

uma minoria tem maturidade real em

People Analytics. Persistem dificuldades

de integração, informação duplicada

ou de baixa qualidade e dependência

de ferramentas pouco adequadas para

análise avançada.

A consequência é uma gestão de pessoas

em modo reativo. Decisões de promoção

baseadas em perceções, processos

de sucessão sem evidência robusta

e planeamento da força de trabalho incapaz

de antecipar riscos como rotatividade

ou lacunas de competências.

PORQUE A AGENTIC AI É DIFERENTE

A Agentic AI não é apenas mais uma

ferramenta de análise ou um dashboard

mais sofisticado. É uma camada de

inteligência que atravessa todo o ciclo de

vida do colaborador, identificando padrões,

antecipando riscos e sugerindo ações

à escala e consistência que nenhuma equipa

humana conseguiria replicar. O verdadeiro

diferencial não é apenas a velocidade,

mas a qualidade do conhecimento

produzido. Os sistemas deixam de funcionar

isoladamente e passam a ser interpretados

50 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


A Agentic AI surge como uma resposta estrutural a um problema que todas

as organizações reconhecem, mas poucas conseguiram resolver: transformar

dados dispersos em informação acionável e em vantagem competitiva.

em conjunto, permitindo produzir insights

contínuos e operacionais sobre talento,

desempenho e riscos organizacionais.

FIM DA ILUSÃO DO BEST-OF-BREED

Durante anos, muitas organizações seguiram

uma lógica de “melhor ferramenta para cada

função”: o melhor sistema de recrutamento,

a melhor plataforma de desempenho,

o melhor LMS. O resultado foi frequentemente

uma arquitetura fragmentada. A Agentic AI

não substitui estes sistemas, mas integra-os.

Ao cruzar múltiplas fontes de dados, permite

responder a perguntas que antes eram

difíceis ou impossíveis de analisar: quais os

colaboradores com maior risco de saída, quais

os perfis mais próximos dos top performers,

ou qual o retorno real dos programas de

desenvolvimento. Estas deixam de ser apenas

perguntas de RH. São perguntas de negócio.

SETE MUDANÇAS ESTRUTURAIS

NOS RH

Pipeline permanente numa era de escassez,

escala e segurança no mesmo processo,

custo real de uma má decisão de talento,

mapeamento de competências em tempo

real, mobilidade interna de talento, inclusão

e equidade e RH como parceiro estratégico.

Estas são as grandes mudanças que terão

de acontecer nas organizações.

Quando os recursos humanos conseguem

apresentar análises preditivas sobre risco

de talento, impacto de decisões

de sucessão ou lacunas críticas de

competências, o seu papel muda. Deixam

de reportar o que aconteceu e passam

a antecipar o que vai acontecer. É aqui

que reside a transformação mais relevante

da Agentic AI: não tecnológica, mas

estratégica. Os RH deixam de ser vistos

apenas como uma função de suporte

e passam a contribuir diretamente para

decisões de negócio.

O QUE É PRECISO ANTES

DE AVANÇAR

A Agentic AI não é uma solução plug-and-play.

A tecnologia só gera valor quando aplicada

com dados adequados, objetivos claros e

equipas preparadas. As principais barreiras

raramente são tecnológicas. Surgem

da resistência à mudança, da falta de

competências internas ou da complexidade

regulatória. Por isso, a adoção deve começar

sempre por uma pergunta de negócio:

que problema concreto queremos resolver?

Neste contexto, surge também o conceito

de selfware: sistemas de IA que evoluem

à medida que as organizações introduzem

o seu próprio conhecimento, critérios

e contexto operacional. O valor não está

apenas no algoritmo, mas na forma como

as pessoas moldam o sistema.

JANELA DE OPORTUNIDADE

A história mostra que as organizações

que adotam cedo tecnologias disruptivas

constroem vantagens competitivas

duradouras. As que esperam acabam por

ter de recuperar terreno perdido.

A Agentic AI aplicada à gestão de talento

já produz resultados mensuráveis em áreas

como tempo de contratação, retenção ou

qualidade das decisões. Mas o seu impacto

mais profundo é estratégico: pela primeira

vez, os RH dispõem das ferramentas

necessárias para dialogar com o negócio

com base em dados e evidência.

A questão que fica não é se a Agentic AI vai

transformar a gestão de pessoas. É se a sua

organização vai liderar essa transformação

ou ser um mero espetador.

Leia o artigo completo

BARÓMETRO RH

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 51


Radar

Legal

DIGITAL SERVICES

ACT

O QUE MUDA NO ECOSSISTEMA

Já está a mudar as regras do jogo no espaço

digital. Para quem gere um negócio digital,

a mensagem é clara: adaptar os processos,

reforçar a conformidade e agir deixou de ser

opcional. É preciso ação concreta, face

ao risco real de multas pesadas para quem

não se adaptar.

POR: TIAGO BESSA | SÓCIO DA ÁREA DE COMUNICAÇÕES, PROTEÇÃO DE DADOS & TECNOLOGIA

E DA ÁREA DE PI TRANSACIONAL

Se a sua empresa opera

no mundo digital –

seja uma rede social,

marketplace, motor

de pesquisa ou

qualquer outro serviço online

– há uma nova lei europeia

que precisa de conhecer: o Digital

Services Act (DSA).

Entrou em vigor em fevereiro

de 2024 o Regulamento (UE)

2022/2065, conhecido como DSA,

que veio criar um conjunto

comum de regras para todos

os prestadores de serviços digitais

no espaço europeu. O objetivo

é tornar a internet mais segura

e transparente: e isso significa

novas exigências para as empresas

que nela operam.

Em Portugal, a Proposta

de Lei n.o 25/xvii/1.a já foi aprovada

no Parlamento e aguarda

promulgação. Define quem

fiscaliza, quem aplica multas

e como as entidades trabalham

em conjunto.

A QUEM SE APLICA

O DSA aplica-se a três tipos

de serviços: os que fornecem

acesso à internet (como a MEO,

NOS ou Vodafone), os que guardam

informação temporariamente

(como os prestadores de caching)

e os que alojam conteúdos de

utilizadores, como os prestadores

de serviços cloud (como a AWS).

É também neste último grupo que

entram as plataformas digitais

que usamos todos os dias: as redes

sociais (como o Facebook, TikTok

ou Instagram), os marketplaces

(como a Amazon, Worten e OLX),

as plataformas de partilha de vídeos

(como o YouTube) ou os fóruns

de discussão (como o Reddit).

Os motores de pesquisa, como

o Google, também estão abrangidos.

A lógica regulatória do DSA

é simples de explicar: quanto

maior for a plataforma e a sua

influência na sociedade, mais

obrigações tem de cumprir. Porém,

não se aplica a uma loja que vende

apenas os seus próprios produtos.

Só se torna aplicável quando

há intermediação, ou seja, quando

a plataforma permite que outros

vendam ou partilhem conteúdos.

PRINCIPAIS OBRIGAÇÕES

As empresas que prestam

estes serviços passam a ter

novas responsabilidades.

As mais simples? Ter uma pessoa

de contacto a quem as autoridades

e os utilizadores possam ligar

ou escrever. Explicar de forma

clara as suas regras – por exemplo,

o que pode levar a plataforma

a apagar uma publicação ou a

bloquear uma conta. E publicar

relatórios regulares que mostrem

quantos conteúdos foram removidos

dos serviços e por que motivo.

As empresas que alojam

conteúdos têm de disponibilizar

mecanismos simples para que

os utilizadores possam denunciar

conteúdos ilegais, como botões ou

formulários dedicados.

Se chegarem denúncias de discurso

de ódio ou de produtos falsificados,

por exemplo, a organização tem

de agir depressa para remover ou

bloquear esses conteúdos, sob pena

de atrair responsabilidade para si.

As redes sociais e os marketplaces

vão ainda mais longe. Têm de criar

sistemas internos de reclamação –

por exemplo, para contestar

a remoção de uma publicação.

Ficam proibidas de usar truques

de design (os chamados dark

patterns) que empurram os

utilizadores para escolas que não

fariam de livre vontade, como

subscrever um serviço pago quase

52 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


sem dar conta. Têm, ainda,

de mostrar claramente quem

paga a publicidade que vemos

e como é que o algoritmo decide

o que aparece no nosso feed.

Por exemplo, se vemos um anúncio

de um partido político numa

rede social, a plataforma tem

de dizer quem pagou por ele.

Devem também proteger

especialmente crianças e jovens,

evitando, por exemplo, publicidade

direcionada a menores.

Os marketplaces têm ainda de

verificar a identidade dos vendedores.

Assim, quando compramos algo

nessa plataforma, sabemos com

quem estamos a negociar.

IMPLEMENTAÇÃO EM PORTUGAL

A ANACOM é o regulador

principal desta matéria, fazendo

a ponte com Bruxelas. A ERC

trata de publicidade e proteção

de menores e a CNPD supervisiona

a publicidade baseada em perfis

e proteção de dados de crianças.

As empresas devem estar atentas

às três entidades, conforme

as áreas de atuação.

Enquanto Coordenador

de Serviços Digitais, a ANACOM

tem poderes alargados: pode exigir

informações às empresas, fazer

inspeções às suas instalações

e aplicar multas ou penalizações

diárias a quem não cumprir as

regras. Para ajudar nestas tarefas,

foi criado um Conselho Consultivo,

com representantes do meio

académico, sociedade civil e do

mundo empresarial, que aconselha

as autoridades sobre a melhor

forma de aplicar estas novas regras.

E AS MULTAS?

A lei portuguesa prevê

castigos para muitas situações.

Uma empresa pode ser multada

por algo tão básico como não

ter um contacto disponível para

os utilizadores. Ou por falhas

mais graves, como não remover

conteúdos ilegais ou esconder

informação sobre publicidade.

As multas podem chegar a 6%

da faturação anual mundial da

empresa. E enquanto o problema

não for resolvido, a ANACOM pode

cobrar até 5% da faturação média

diária, por cada dia de atraso.

Se uma empresa discordar

da decisão, pode recorrer para

o Tribunal da Concorrência,

Regulação e Supervisão.

O QUE SIGNIFICA PARA

O ECOSSISTEMA DIGITAL?

Afinal, o que é que tudo isto

significa para as empresas?

A mensagem é clara:

independentemente da dimensão

do negócio digital – seja uma

grande plataforma internacional

ou um serviço mais pequeno

a operar em Portugal – há novas

O DSA traz uma

ideia forte: os serviços

digitais passam

a ter de responder

pelo que acontece

nos seus espaços.

E isso exige ação

concreta.

regras a cumprir, novos processos

a montar e um risco real de multas

pesadas para quem não se adaptar.

No fundo, o DSA traz uma

ideia forte: os serviços digitais

passam a ter de responder pelo

que acontece nos seus espaços.

E isso exige ação concreta.

O primeiro passo é rever

políticas internas de moderação,

publicidade e tratamento de dados.

Depois, mapear riscos e identificar

onde a empresa pode estar mais

exposta. Por fim, criar processos

de conformidade robustos:

dar formação às equipas, designar

responsáveis, implementar canais

de denúncia e preparar relatórios

de transparência.

Esperar para ver não é opção.

As autoridades já têm poderes

para fiscalizar e as multas são

demasiado elevadas para serem

ignoradas. Para quem gere

um negócio digital em Portugal,

o momento de agir é agora.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 53


VISÃO DOS ASSOCIADOS

ASSOCIATIVISMO

COM PROPÓSITO

A conectividade tornou-se um dos pilares

da transformação digital e da competitividade

das economias. Para a Nokia Portugal, participar

no ecossistema da APDC significa precisamente

contribuir para essa reflexão estratégica sobre

o futuro das infraestruturas digitais e do setor

das comunicações no país.

B.I.

Ano de adesão à APDC

1989

Área de atuação e especialização

Integra um dos maiores fornecedores

mundiais de infraestruturas digitais

avançadas que suportam

a conectividade global

e a transformação digital. A sua

atividade centra-se em redes móveis

(5G e evolução para 6G), redes de

acesso fixo e transporte IP/ótico,

bem como soluções de conectividade

para data centers. Integra ainda

capacidades de automação e IA para

redes mais autónomas e eficientes,

cibersegurança para infraestruturas

críticas e comunicações seguras

para defesa e segurança nacional.

Em parceria com operadores,

empresas e entidades públicas,

contribui para o desenvolvimento

de redes de elevada capacidade,

resilientes e preparadas para suportar

o crescimento exponencial de dados,

cloud e aplicações digitais.

“A

APDC tem tido um

papel relevante na

reflexão e debate

sobre os principais desafios do setor

das comunicações e da economia

digital. Ao reunir operadores,

tecnológicas, reguladores, academia

e decisores públicos, tem criado

um espaço de diálogo essencial

e de colaboração essencial

sobre temas estruturantes,

como conectividade, inovação,

transformação digital e

competitividade”. As palavras são

de Sérgio Catalão, Country Manager

da Nokia Portugal e tornam clara a já

longa cooperação da subsidiária da

gigante finlandesa com a Associação.

Para o gestor, integrar o

ecossistema APDC permite trazer

para o debate nacional a experiência

tecnológica e a visão internacional

de uma empresa que desenvolve

infraestruturas digitais críticas para

a economia conectada. Ao mesmo

tempo, reforça a colaboração com

os vários atores do ecossistema

digital português e contribui para

o desenvolvimento sustentável

das infraestruturas que suportam

a transformação digital do país.

E garante que a associação “é sem

dúvida uma referência em termos

de associativismo com propósito”.

A atividade da empresa centra-se

no desenvolvimento de redes de nova

geração que suportam o crescimento

exponencial de dados, aplicações

digitais e serviços críticos. Entre as

suas áreas de atuação destacam-se

as redes móveis – com forte aposta

na evolução do 5G e nas futuras

tecnologias 6G, as redes de acesso

fixo e transporte IP/ótico, bem

como soluções de conectividade

para data centers. A estas juntam-

-se as capacidades de automação

e inteligência artificial (IA) aplicadas

54 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


à gestão das redes, cibersegurança

para infraestruturas críticas

e soluções de comunicação segura

para contextos de defesa e segurança

nacional.

Num contexto de grande incerteza

geopolítica e de rápida aceleração

tecnológica, Sérgio Catalão explica

que o grupo acredita que a próxima

fase de evolução das redes será

fortemente impulsionada pela IA

e pela cloud. “A nossa estratégia

passa por posicionar as redes

como plataformas fundamentais

para suportar o super ciclo da IA.

Garantindo capacidade, automação

e segurança de forma uniforme

em todos os domínios de rede.

E onde computação, conetividade

e controlo estão alinhados para

processar o workload de IA que será

o dominante nas redes”.

A estratégia passa claramente

pela aposta em parcerias estratégicas

de longo prazo com operadores

e empresas, assumindo-se não

apenas como um fornecedor de

tecnologia, mas como um parceiro

de inovação na modernização

das redes e no desenvolvimento

de novos serviços digitais.

O reforço da inovação e da

soberania tecnológica europeia

surge como uma prioridade

crescente. E, neste domínio,

o gestor diz que a Nokia continua

a investir em investigação, talento

e desenvolvimento de tecnologias

críticas, contribuindo para

a construção de infraestruturas

digitais mais resilientes e preparadas

para suportar a próxima fase

da economia digital.

www.nokia.com

GRANDE PERGUNTA

Num contexto

europeu marcado

por tensões geopolíticas,

dependências

tecnológicas e acelerada

digitalização, como

poderá o país – e as suas

empresas, incluindo

a vossa – reforçar

simultaneamente

a competitividade,

a soberania tecnológica

e a resiliência digital?

São questões centrais para o futuro

digital da Europa e de Portugal.

É fundamental investir em inovação

e capacidades tecnológicas na UE.

A soberania tecnológica começa

com capacidade de desenvolver

tecnologia crítica e isso significa

investir em R&D, talento e centros

de engenharia que contribuam para

áreas estratégicas, como o 5G/6G,

cloud, redes óticas, inteligência artificial

e cibersegurança. Portugal tem

aqui uma oportunidade relevante:

com talento qualificado e um

ecossistema tecnológico dinâmico,

pode afirmar-se como hub de

engenharia e inovação dentro da UE27.

A Nokia continuará a contribuir para

este objetivo, através de investimento

em centros de competência para

o desenvolvimento tecnológico

do país. Adicionalmente, deve-se

apostar num ecossistema de parcerias

no setor. Nenhuma empresa ou país

consegue responder sozinho à escala

dos desafios que temos pela frente.

A competitividade e a resiliência

digital dependem de ecossistemas

colaborativos que acelerem a inovação

e a adoção de novas tecnologias.

Em Portugal, a cooperação com

os principais atores do setor, centros

de investigação e universidades permite

testar, desenvolver e implementar

soluções avançadas que fortalecem

as infraestruturas digitais do país.

Finalmente, o setor tem de continuar

a construir infraestruturas digitais

seguras, resilientes e preparadas

para a era da IA. A próxima fase

da digitalização, impulsionada pela IA,

exigirá redes mais autónomas, seguras

e com elevada performance. Investir

em infraestruturas digitais resilientes,

com elevada capacidade, automação

e segurança integrada, é essencial

para garantir a autonomia estratégica

e suportar a economia digital. A Nokia

tem aqui um papel importante, com

a forte presença que temos em Portugal,

em coinovar com clientes e parceiros

e em contribuir para que o país seja

parte ativa da construção da soberania

tecnológica europeia.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 55


VISÃO DOS ASSOCIADOS

B.I.

Ano de adesão à APDC

2026

DIÁLOGO

E CONSTRUÇÃO

COLETIVA

Estar na linha da frente da transformação

digital no país é uma ambição que,

para a Claranet Portugal, só se concretiza

com trabalho em conjunto e em ecossistema.

Por isso, a adesão à APDC foi essencial:

além de representar as empresas

tecnológicas, dá-lhes palco, promovendo

a partilha de conhecimento, colaboração

e visibilidade.

Área de atuação e especialização

É especialista em soluções integradas

de transformação digital, combinando

cloud, dados, aplicações, workplace

e cibersegurança num ecossistema

coerente e orientado para resultados.

Atua como parceiro estratégico

das organizações na modernização

tecnológica, integração de inteligência

artificial e reforço da segurança e

soberania digital. Com forte aposta em

inovação e resiliência, ajuda as empresas

a orquestrar tecnologias de forma

consistente, gerando eficiência, controlo

e valor sustentável para o negócio.

“A

nossa adesão nasce

dessa visão comum:

acreditamos no potencial

de Portugal e reconhecemos na

APDC um parceiro estratégico

para impulsionar a inovação e

a competitividade da economia

nacional”, salienta Alexandre Ruas,

Managing Director da Claranet

Portugal.

Considerando a associação “um

catalisador de diálogo e construção

coletiva, a partir do qual empresas,

decisores e especialistas podem

refletir em conjunto sobre o futuro

digital do país”, o responsável diz

que “num setor em permanente

evolução, esta capacidade de

articulação é fundamental para

antecipar tendências, alinhar

prioridades e criar condições para

que a tecnologia seja um verdadeiro

motor de progresso económico

e social”.

Integrar a comunidade APDC

representa ainda uma forma

da empresa reforçar o seu

compromisso com a partilha

de conhecimento e com o

desenvolvimento sustentável do

setor. É que as suas metas incluem

poder contribuir de forma ativa para

os debates estratégicos em torno de

questões centrais, como a soberania,

segurança e resiliência, inovação

sustentável e a modernização

aplicacional, áreas onde tem

investido de forma consistente.

“Participar neste ecossistema

permite-nos aprender, contribuir

e cocriar soluções que beneficiem

não apenas as organizações,

mas a sociedade como um todo”,

adianta Alexandre Ruas.

Num período de aceleração

tecnológica e crescente incerteza

como o atual, a Claranet Portugal

definiu uma estratégia que assenta

56 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


GRANDE PERGUNTA

Num contexto europeu

marcado por tensões

geopolíticas, dependências

tecnológicas e acelerada

digitalização, como poderá

o país – e as suas empresas,

incluindo a vossa –

reforçar simultaneamente

a competitividade,

a soberania tecnológica

e a resiliência digital?

A resposta passa por uma visão estratégica

integrada. Primeiro, é essencial reconhecer

que cloud, dados, IA e cibersegurança

são hoje motores interdependentes de

competitividade. Uma estratégia multicloud

ou híbrida, por exemplo, permite equilibrar

performance, custos e compliance,

garantindo liberdade tecnológica e resiliência

face a riscos externos. Ao mesmo tempo,

a cibersegurança deixou de ser apenas um

requisito técnico, para se tornar um pilar

estratégico de confiança, particularmente

relevante para a Europa, num contexto

geopolítico complexo. Segundo, a soberania

digital exige escolhas conscientes ao nível

das infraestruturas e das práticas tecnológicas.

Investir em plataformas que assegurem

controlo, proximidade e conformidade

regulatória é decisivo para reforçar

autonomia e confiança. Por fim, Portugal tem

bases muito positivas: talento, criatividade

e vontade de fazer diferente, mas precisa de

ganhar escala, reforçar investimento em I&D

e simplificar processos burocráticos, para

transformar potencial em impacto concreto.

A colaboração entre empresas, setor

público, associações, academia e parceiros

tecnológicos será determinante para acelerar

esse caminho, porque inovar isoladamente

já não é viável num mercado interdependente

e veloz. Reforçar competitividade, soberania

e resiliência não são objetivos independentes

e sim dimensões de uma mesma estratégia.

Os países e empresas que consigam

alinhar estes três vetores estarão mais bem

preparados para enfrentar um futuro digital

cada vez mais exigente, complexo e global.

numa visão de longo prazo e na

criação de valor sustentável para as

organizações e para o ecossistema

digital nacional. Nesse sentido, está

estruturada em três eixos decisivos,

alinhados com as prioridades

da União Europeia: inovação,

inteligência e segurança.

“A inovação é indispensável

para acompanhar a velocidade

da transformação digital dos

clientes e exige uma abordagem

ágil, colaborativa e culturalmente

preparada, garantindo que as

pessoas evoluem com a tecnologia.

A inteligência, materializada

sobretudo na integração da IA,

permite automatizar processos,

antecipar cenários e gerar

eficiência, desde que aplicada com

responsabilidade e transparência,

apostando desde a automação

à análise preditiva. Já a segurança

e a soberania são indissociáveis

e fatores críticos de confiança,

sobretudo num ambiente regulatório

exigente e marcado por ameaças

crescentes”, detalha o gestor.

Alexandre Ruas sublinha que,

neste contexto, é fundamental

escolher infraestruturas e

práticas que não só respeitem a

legislação europeia, como também

aportem valor. Por isso, a empresa

continua a investir fortemente em

soluções que garantem controlo,

resiliência e proximidade,

reforçando a autonomia

tecnológica das organizações

clientes e posicionando-se como

parceiro estratégico no desenho,

na implementação e na gestão

de iniciativas tecnológicas com

impacto duradouro. Em paralelo,

investe continuamente em inovação

e experimentação, através de

iniciativas internas e projetos-

-piloto que permitem testar novas

abordagens e antecipar tendências.

Trata-se de uma “lógica de

aprendizagem contínua”, essencial

num contexto de incerteza, “porque

permite às organizações adaptar-

-se rapidamente e transformar

mudanças tecnológicas em

vantagem competitiva”. Afinal, como

remata o gestor, “a tecnologia só faz

sentido quando cria valor sustentável

para pessoas, empresas e sociedade.

É essa orientação que guia as nossas

decisões e que nos permite enfrentar

a incerteza com confiança e visão

de longo prazo”.

www.claranet.com/pt/

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 57


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

58 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


QUEBRAR

BARREIRAS NA

ERA DIGITAL

O Impulso IA – Programa de Literacia

em Inteligência Artificial nasceu de uma parceria

entre a APDC e a Google para capacitar profissionais

para a Era Digital. Numa altura em que a

inteligência artificial deixou de ser uma promessa

de futuro para se tornar no motor do presente,

esta iniciativa, lançada em 2024, surge como

uma resposta às necessidades

dos profissionais em Portugal.

FOTOS | SYNCVIEW E APDC

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 59


PORTUGAL A ABRIR DIGITAL

Quando, a 13 de

março de 2025,

se realizou

uma sessão

do Impulso

IA – na cidade

da Guarda, a expectativa da APDC

era ter uma sala cheia no Instituto

Politécnico. As expectativas foram

de tal forma superadas ao ponto

de a sessão ter de ser transferida

para um pavilhão polidesportivo,

de modo a poder acolher todos

os participantes.

Ao longo de mais de duas

horas, 180 pessoas de diferentes

áreas mergulharam num curso

prático, acessível e inclusivo,

cujo objetivo é proporcionar

as ferramentas necessárias para

que os profissionais utilizem a IA

de forma eficaz e estratégica

no local de trabalho.

A adesão a esta iniciativa é reflexo

do que está na origem do Impulso

IA: um programa que nasceu

de uma urgência muito concreta

– proposta pela APDC à Google

– de reforçar competências numa

tecnologia que está a entrar no dia

a dia de pessoas e organizações

a uma velocidade sem precedentes.

COESÃO TERRITORIAL:

LEVAR A LITERACIA DIGITAL

A TODO O PAÍS

O Programa Impulso IA

é o resultado de uma visão partilhada

entre a APDC e a Google sobre

a necessidade urgente de dotar os

portugueses de ferramentas práticas

e literacia em inteligência artificial.

Sandra Fazenda de Almeida,

Diretora-Geral da APDC, recorda

que a proposta nasceu precisamente

dessa urgência de “aproveitar

este momento de familiarização

das pessoas com a IA”. O foco,

desde o primeiro minuto,

foi a aplicabilidade imediata:

“Queríamos que trabalhadores

de vários setores percebessem

como é que a inteligência artificial

podia impactar e ajudar no seu

local de trabalho”.

Para a Google, este é um

dos seus “programas-bandeira”.

Filipa Brigola, Head of Government

Affairs & Public Policy da Google

Portugal, sublinha que a parceria

visa responder diretamente

ao fosso de competências –

a divisão digital que ameaça deixar

para trás quem não domina as

novas interfaces tecnológicas.

“A nossa ideia era levar

competências para trabalhar com IA

a toda a gente”, afirma, destacando

a importância de o programa chegar

a todos os 18 distritos de Portugal

Continental, algo possível através

da parceria com a APDC. O percurso,

iniciado no final de 2024 em Lisboa

e no Porto, estendeu-se, entretanto,

de norte a sul do país, com um total

de 24 sessões já realizadas.

MAIS MULHERES NA TECNOLOGIA

Num setor historicamente

marcado por uma hegemonia

masculina, um dos objetivos

iniciais do programa era garantir,

pelo menos, 50% de participação

feminina. Os resultados revelaram

uma realidade surpreendente

e encorajadora: 57% dos

participantes são mulheres.

NÚMEROS

24

Sessões

18

Distritos

1.596

Participantes

57%

Participantes mulheres

43%

Participantes homens

49%

Participantes entre os 36

e os 55 anos

89%

Avaliações

de “Muito Bom”

ou “Excelente”

60 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


“A IA veio simplificar a relação com a tecnologia,

tornando-a acessível a todos. Agora, não

precisamos de saber uma linguagem específica

ou ser especialistas em tecnologia para usarmos

esta ferramenta.”

Sandra Fazenda de Almeida

Diretora-Geral da APDC

Sandra Fazenda de Almeida

não esconde o entusiasmo:

“Surpreendeu-me muito esta

preponderância das mulheres.

Pelo menos não estamos a ficar

atrás ‘neste barco’. A inteligência

artificial veio colocar a tecnologia

de uma forma entendível às

pessoas, que não têm de saber

linguagem técnica para interagir,

e as mulheres estão a agarrar essa

oportunidade com uma energia

contagiante”.

Filipa Brigola assume que

esta era uma das metas mais

ambiciosas da parceria.

“Uma preocupação nossa era

ter pelo menos 50% de

participantes mulheres. Sabemos

que a participação de mulheres

na área da tecnologia é muito

baixa, e queríamos ter a certeza

que não havia aqui também essa

discrepância”, explica. Ao atingir

os 57%, o programa prova que a IA

pode ser a ponte definitiva para

equilibrar o terreno de jogo digital.

Os números recolhidos até

ao final de 2025 revelam ainda

outro traço relevante: uma forte

adesão de profissionais entre

os 35 e os 55 anos. Filipa Brigola

sublinha que esta faixa etária

é a mais ativa. “São profissionais

que percebem que ‘não podem

perder o comboio’ e que, embora

não tenham nascido com

um smartphone na mão, têm

a experiência necessária para

saber onde a produtividade pode

ser otimizada”.

Segundo Sandra Fazenda

de Almeida, o perfil de quem

se inscreve no programa é claro:

são profissionais de várias áreas

de atividade, em plena carreira,

que procuram o Impulso IA com

uma forte vontade de aprender.

BOOST YOU PRODUCTIVITY WITH AI, O BESTSELLER DO PROGRAMA

A formação “Boost Your Productivity with AI” foi a porta de entrada e a que registou maior sucesso. Durante duas horas,

os participantes descobrem como usar ferramentas de IA para ganhar eficiência, otimizar tarefas e melhorar resultados

no fluxo de trabalho diário. Contudo, a partir de novembro de 2025, o programa evoluiu para uma nova estrutura,

com quatro formações desenvolvidas pela Google e adaptadas pela APDC para responder a necessidades específicas:

MAKING SENSE OF AI

Focada nos fundamentos,

na IA responsável

e na arte de criar comandos

(prompts) eficazes.

PRACTICAL AI

FOR YOUR BUSINESS

Direcionada para negócios

e PME, abrangendo

propostas, pesquisa

de mercado e automação.

PRACTICAL AI

FOR THE WORKPLACE

IA aplicada ao quotidiano

profissional, desde

a redação de e-mails

e relatórios à gestão

de projetos.

PRACTICAL AI

FOR MARKETING

Especializada

em audiências, criação

de conteúdo e otimização

de campanhas.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 61


PORTUGAL DIGITAL

Os conteúdos formativos dos

módulos foram desenvolvidos pela

Google, em português, e adaptados

à realidade do país. Através de

um modelo de train-the-trainer,

a APDC e a Google criaram uma

rede de formadores capacitados

que garantem a homogeneidade

da mensagem em todo o território.

Um dos pilares do sucesso tem

sido, curiosamente, o regresso

ao presencial. Num mundo saturado

de cursos online, a APDC defendeu

o valor do encontro físico. “O presencial

é muito importante. Quando uma

pessoa começa a partilhar, cria um

efeito de contágio impressionante”,

explica Sandra Fazenda de Almeida.

“A dinâmica coletiva gera uma

energia diferente”, conclui.

A IA COMO UMA FERRAMENTA

DE DEMOCRATIZAÇÃO

DA TECNOLOGIA

O Impulso IA combate

ativamente o estigma de que

a tecnologia veio para substituir

o humano. A mensagem central

é clara: a IA é uma ferramenta

de empoderamento. “Não é um

substituto, é uma ferramenta.

Pode substituir algumas

tarefas, mas não substitui

a responsabilidade profissional”,

sublinha a Diretora-Geral da APDC.

Para Filipa Brigola, a ética

e a segurança surgem como

os pilares centrais da estratégia

do Google. “A nossa filosofia global

sobre inteligência artificial resume-

-se àquele grande chavão de que

queremos desenvolvê-la de forma

“Queríamos ter a certeza que não existia

uma discrepância digital. Ver que 57%

dos participantes são mulheres deixa-nos muito

satisfeitos, pois garante que este salto tecnológico

é verdadeiramente inclusivo.”

Filipa Brigola

Head of Government Affairs & Public Policy da Google Portugal

ousada e responsável. Ousada

porque estamos na linha da frente

da inovação. E responsável

porque, para nós, é fundamental

que tudo seja feito no respeito

por determinados princípios:

transparência, o não enviesamento

e o cumprimento do enquadramento

regulatório”, afirma.

A formação incentiva também

o pensamento crítico dos

participantes, quando usam IA.

“Explicamos o que é a inteligência

artificial, quais são os seus

constrangimentos, os cuidados

a ter e as limitações”, refere

a Diretora-Geral da APDC.

PRÓXIMOS PASSOS:

ESPECIALIZAÇÃO E PROXIMIDADE

O sucesso alcançado nos últimos

dois anos serviu como alicerce para

uma nova fase, mais ambiciosa

e segmentada. Um dos marcos desta

evolução aconteceu em março

no âmbito da Tech.Edu, em Lisboa.

62 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


IMPULSO IA

O IMPULSO IA é aberto

a todos os profissionais,

independentemente

da sua experiência com IA.

As inscrições estão disponíveis

online através do site da APDC

e os participantes podem

inscrever-se nos cursos

que desejarem.

O curso é presencial

e tem duas horas de duração.

A participação é totalmente

gratuita.

O curso é ministrado

por formadores especializados.

As sessões de formação

realizam-se, por norma,

nas instituições de ensino

superior e parceiros regionais.

O workshop “IA aplicada ao Ensino”

foi desenhado especificamente

para que o mundo educativo

possa integrar a IA na sala de aula.

Não se trata apenas de tecnologia,

mas de pedagogia: aprender

a usar a IA de forma prática e ética,

garantindo que esta se torna um

acelerador da aprendizagem e não

um obstáculo.

Para a Google, a educação

é o campo onde se pode dar

o maior salto qualitativo na adoção

da IA. Filipa Brigola defende que

a IA é uma “ferramenta excelente

para melhorar a produtividade

de professores e alunos”. Contudo,

a estratégia da tecnológica é clara:

o foco tem de estar, primeiro,

em quem ensina.

Em paralelo, está a nascer

um projeto piloto inovador em

colaboração com o Rotary Club

de Abrantes, a Escola Superior

de Tecnologia de Abrantes

A missão da APDC

é acelerar

a transformação

digital da economia

e da sociedade

portuguesa.

O Impulso IA

é a concretização

dessa missão

em todo o território

nacional.

e o Politécnico de Tomar. Este novo

modelo visa testar a formação

de jovens de mestrado para que

estes, por sua vez, possam dar

formação ao comércio local,

às unidades de saúde e ao ensino

básico e secundário.

A expectativa da APDC é que

o programa se possa expandir

a todo o país, permitindo que

grupos de alunos participem

numa lógica de voluntariado

tecnológico, retribuindo

conhecimento à sua comunidade

e fortalecendo o tecido económico

e social da sua região.

Para a Google, a capacitação

da Administração Pública é uma

das prioridades. Um estudo

de 2025 do Centro de Estudos

Aplicados da CATÓLICA-LISBON

e da Implement Consulting Group

estima que a IA Generativa

tem potencial significativo

para aumentar a produtividade

da Administração Pública

em 9% ao fim de uma década,

representando uma contribuição

anual de 1,2 mil milhões de euros

para o PIB português. Filipa Brigola

dá o exemplo do portal gov.pt que,

“com a integração de IA generativa

nos seus processos, tem vindo a

demonstrar uma evolução enorme”.

IMPACTO QUE SE MEDE

NAS PESSOAS

Enquanto o futuro se desenha,

o impacto do programa já se mede

nas histórias de quem passa

pelas sessões. Sandra Fazenda

de Almeida recorda o exemplo

de dois sócios de um gabinete

de arquitetura que multiplicaram

a sua produtividade, mas

destaca também o caso de um

profissional que começou a usar

a inteligência artificial para o seu

hobby, a fotografia, e como isso o

entusiasmou. “Recebemos muitos

e-mails a agradecer e a contar

como a sessão ajudou a simplificar

o seu trabalho e a sua vida, é muito

gratificante”, diz a responsável

da APDC.

A missão da APDC de acelerar

a transformação digital da

economia e sociedade portuguesa

encontra no Impulso IA a sua

expressão mais prática e humana.

Entretanto, o caminho para

os 18 distritos continua, com

a certeza de que, cada vez que uma

sala (ou um pavilhão) se enche,

Portugal dá um passo firme rumo

à vanguarda da era da inteligência

artificial.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 63


ESPAÇO

PRIORIDADE: REPOR

SERVIÇOS E PROTEGER

UTILIZADORES

Na sequência da tempestade Kristin e da depressão

Leonardo, a ANACOM acompanhou de forma

contínua os impactos nas comunicações eletrónicas,

sobretudo nas zonas mais afetadas. Os fenómenos

meteorológicos extremos provocaram interrupções relevantes

nos serviços fixos e móveis, exigindo uma resposta articulada

entre regulador, operadores e entidades públicas.

Reconhecendo o esforço dos

operadores na recuperação

das infraestruturas e no

restabelecimento do serviço,

o regulador estruturou um

conjunto de medidas com dois

objetivos centrais: acelerar a

reposição das comunicações

e reduzir os efeitos adversos

sobre os utilizadores, em especial

os mais vulneráveis.

Esta atuação organizou-se em

três vetores: recomendações aos

operadores, propostas legislativas

ao Governo e medidas operacionais

que foram diretamente adotadas.

Entre as recomendações, destaque

para a implementação de roaming

nacional temporário, sempre

que tecnicamente viável. O que

permitiria aos clientes afetados

aceder à rede de outros operadores

e assegurar uma continuidade

mínima do serviço. Foi igualmente

recomendado o reforço da

informação ao público, com

atualizações claras sobre

o estado das redes, previsões

de reposição e alertas para

eventuais fraudes associadas

a falsas intervenções técnicas.

A proteção de utilizadores

vulneráveis constituiu uma

prioridade, incentivando-se

mecanismos de identificação

e resposta célere a situações

de especial fragilidade,

incluindo o isolamento geográfico.

Nas infraestruturas, recomendou

a simplificação de procedimentos

de acesso a condutas e postes,

designadamente no âmbito

das ofertas ORAC e ORAP, bem

como a agilização administrativa

pelas entidades detentoras de

infraestruturas aptas à instalação

de redes.

Ao nível legislativo, e

considerando a dimensão

excecional dos impactos, a

ANACOM propôs medidas

extraordinárias para localidades

abrangidas por declaração de

calamidade. Entre elas, a não

suspensão de serviços por falta

de pagamento durante três meses,

a possibilidade de suspensão

temporária de contratos sem

penalizações e a promoção de

planos de pagamento ajustados,

sem juros de mora. Foi ainda

proposta a isenção de taxas

relativas a licenças temporárias

de radiocomunicações, facilitando

soluções transitórias.

Paralelamente, o regulador

priorizou o licenciamento

temporário de espectro,

acompanhou a reposição da rede

de transporte (backbone) e agilizou

autorizações para reativação de

concentradores. Foram também

facilitados ensaios técnicos,

incluindo soluções experimentais

de comunicações via satélite

a partir de terminais móveis.

No terreno, a coordenação com

a ANEPC, SIRESP, SGMAI,

operadores e autoridades

locais permitiu mitigar falhas

energéticas através de estações

móveis, geradores e comunicações

satélite. Esta atuação integrada

visou reforçar a resiliência

das comunicações eletrónicas

enquanto infraestrutura crítica

essencial à segurança, coesão

territorial e atividade económica.

Para mais informação

64 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


COMPROMISSO REFORÇADO

NA RESILIÊNCIA DOS CABOS

SUBMARINOS

A 2ª Cimeira Internacional sobre

a Resiliência dos Cabos Submarinos

decorreu o Porto, a 2 e 3 de fevereiro,

num encontro de alto nível que

culminou com a aprovação da

Declaração do Porto sobre a

Resiliência dos Cabos Submarinos.

Este documento estratégico

consolida uma visão partilhada

para a proteção de infraestruturas

críticas que suportam a

conectividade global e reforça

o compromisso da cooperação

internacional.

Organizada pela ANACOM, sob

o Alto Patrocínio de Sua Excelência

o Presidente da República, a

cimeira reuniu mais de 350

participantes provenientes de mais

de 70 países. Governos, reguladores,

operadores, representantes da

indústria, academia e organizações

internacionais estiveram

representados num fórum que

evidenciou a natureza transversal

e global do tema.

O encontro integrou-se nos

trabalhos do International

Advisory Body for Submarine Cable

Resilience (IAB), criado em 2024 em

parceria com a União Internacional

das Telecomunicações (UIT) e o

International Cable Protection

Committee (ICPC). O Advisory

Body é co-presidido por Bosun

Tijani, ministro das Comunicações,

Inovação e Economia Digital da

Nigéria, e por Sandra Maximiano,

presidente da ANACOM.

A Declaração do Porto estabelece

orientações estratégicas não

vinculativas destinadas a apoiar

Estados e regiões na definição de

políticas públicas e enquadramentos

regulatórios mais eficazes e

coordenados, dando continuidade

à Declaração de Abuja (2025)

e aprofundando a ambição de

reforçar a resiliência dos sistemas

de cabos submarinos à escala

global. Foram igualmente aprovadas

recomendações dos três Grupos de

Trabalho do IAB, promovendo uma

abordagem integrada à resiliência,

segurança e inclusão das redes.

PRIORIDADES DA

DECLARAÇÃO DO PORTO

Estas recomendações consagram

uma abordagem integrada

para fortalecer a resiliência,

segurança e inclusão das redes

de cabos submarinos. Entre as

prioridades identificadas incluem-

-se a simplificação de processos

regulatórios e operacionais,

o reforço das capacidades

de prevenção, monitorização

e resposta a riscos, bem como

a promoção de modelos de

financiamento e de parcerias –

incluindo público-privadas – que

incentivem a diversidade geográfica e

a redundância das rotas, com especial

atenção às regiões mais vulneráveis.

As orientações acordadas

sublinham, ainda, a necessidade

de intensificar a proteção física

e operacional dos cabos, adotar

DICAS ANACOM NA RTP

boas práticas de gestão de risco,

investir em inovação tecnológica

e capacitação técnica, bem como

promover uma coordenação

eficaz entre autoridades públicas,

indústria e demais utilizadores

do espaço marítimo. O objetivo

comum é assegurar redes mais

seguras, fiáveis e resilientes,

capazes de responder aos desafios

crescentes que se colocam

às infraestruturas digitais.

Para Sandra Maximiano,

a resiliência dos cabos submarinos

deve assentar em dados objetivos,

parcerias sólidas e coordenação

internacional sustentada. Sublinhou,

igualmente, o papel crítico destas

infraestruturas na conectividade

global, desenvolvimento económico,

inclusão social e transformação

digital, reafirmando o empenho

coletivo em transformar as decisões

adotadas em resultados tangíveis.

Para mais informação

Chama-se “Dicas ANACOM”, estreou na RTP1 a 12 de janeiro e marcou

o arranque de uma série de 80 microprogramas dedicados a informação útil

para os consumidores. Com episódios três vezes por semana – às segundas,

quartas e sextas – a iniciativa integra-se no Bom Dia Portugal, entre as 9h00

e as 9h30, e aposta numa comunicação clara e orientada para o quotidiano.

Com vídeos de um minuto, são abordados temas essenciais das comunicações

eletrónicas e do universo digital, promovendo decisões informadas

e o conhecimento de direitos e deveres. Entre os temas incluem-se os serviços

de comunicações e qualidade de serviço, equipamentos e ligações, serviços

postais, segurança e confiança nos serviços digitais e IA. Os conteúdos

visam esclarecer dúvidas e antecipar situações que impactam o dia a dia

dos utilizadores, desde a contratação de serviços até à utilização segura

de plataformas digitais. Todos os episódios e materiais de apoio ficam

disponíveis no Portal do Consumidor, permitindo consulta posterior.

Com esta iniciativa, a ANACOM reforça o compromisso com a transparência,

proximidade e capacitação dos consumidores, contribuindo para uma

sociedade mais informada e preparada para os desafios digitais.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 65


APDC NEWS

IA NO SETOR PÚBLICO

O DESAFIO

DA EXECUÇÃO

COM GOVERNAÇÃO

Portugal já ultrapassou a fase da

experimentação. A IA está presente em

múltiplas áreas do Estado, com casos

concretos e resultados mensuráveis.

Mas há um bloqueio e é institucional.

O desafio? Transformar pilotos dispersos

em soluções estruturais, com escala,

continuidade e impacto público sustentável.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

A

conferência “IA

no Setor Público –

Balanço e Futuro”,

uma iniciativa da

APDC em parceria

com a NOVA, reuniu decisores

políticos, dirigentes públicos,

academia e empresas para discutir

o ponto de situação e as prioridades

para os próximos anos. O encontro,

realizado a 28 de janeiro, permitiu

alinhar diagnóstico e ação política,

colocando a reforma do Estado

e a inteligência artificial (IA) no

centro da agenda estratégica.

Do debate emergiu um

consenso: acelerar exige decisão

e execução. Tem de se saber definir

os problemas públicos, alinhar

financiamento com necessidades

reais, preparar a implementação

e a escala, investir em dados

interoperáveis e competências,

e integrar ética e gestão de risco

como processos contínuos. Só com

uma governação clara e colaboração

em ecossistema será possível

transformar a IA num motor

de modernização baseado em valor

público – promovendo eficiência,

equidade, transparência e melhor

serviço ao cidadão.

DOS PROJETOS À ESCALA

Na abertura, o presidente

da APDC sublinhou que a

Administração Pública (AP) tem

vindo a desenvolver múltiplos

projetos de IA, muitos cofinanciados

por fundos nacionais e europeus,

mas sem um registo agregado,

atualizado e transparente que

permita conhecer o seu estado,

resultados e continuidade.

Sendo um ativo do país, estes

projetos têm de ser avaliados,

acompanhados e tornados públicos,

garantindo accountability e

condições para serem escalados.

66 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


O presidente da APDC, Rogério

Carapuça, defendeu a necessidade de

mapear, avaliar e dar continuidade aos

projetos de IA na AP, considerando-os

um ativo estratégico do país.

Só com uma

governação clara

e colaboração em

ecossistema será

possível transformar

a IA num motor

de modernização

baseado em valor

público.

Hoje, a IA deixou de ser apenas

eficiência tecnológica e passou a ser

instrumento de reforma estrutural.

Para Manuel Dias, CTO do Estado

e presidente da ARTE, o desafio

não está na prova de conceito,

mas na integração transversal.

Portugal tem um défice de adoção

e de competências, num contexto

em que o país terá de criar mais

de um milhão de novos empregos

até 2030. A Agenda Nacional de IA

surge, assim, como uma resposta

estruturante, organizada em quatro

eixos – infraestruturas e dados,

talento, responsabilidade e ética

– e materializada em 32 iniciativas.

Entre as medidas com impacto

direto na AP, destacou a massificação

do uso de IA em áreas críticas

Manuel Dias, CTO do Estado

e presidente da ARTE, sublinhou

que a IA deve ser assumida como

instrumento estruturante da

reforma do Estado, com foco

na integração e escala.

e transversais, como a contratação

pública, a gestão financeira,

o recrutamento e os licenciamentos.

Ou a implementação de um

programa avançado de formação

em IA para funcionários públicos,

incluindo lideranças. Ou ainda

a criação de Centros Setoriais de

IA, baseados em consórcios entre

AP, empresas e academia. Assim

Para os representantes do

ecossistema empresarial é

essencial alinhar estratégia, dados

e governação para transformar

projetos-piloto de IA em soluções

escaláveis com impacto.

como a constituição de um Centro

de Excelência em IA na AP, em

desenvolvimento na ARTE, com

foco na criação de soluções

transversais e escaláveis.

A dimensão institucional foi

aprofundada por Paul Verhagen, que

alertou para o “desfasamento” entre

evolução tecnológica e adaptação

institucional. Para o keynote, a

maioria dos problemas associados

à IA não é técnica, mas sim de

valores: privacidade, transparência,

equidade e confiança. E a sua adoção

não pode ser tratada como projeto

pontual, exigindo avaliação contínua,

supervisão humana e capacidade

institucional de aprendizagem.

No painel dedicado ao papel

do ecossistema empresarial,

ficou claro que a escala depende

menos de tecnologia e mais de

estratégia, dados e governação.

Exemplos concretos ilustraram

ganhos reais: assistentes

legislativos baseados em LLM

no Diário da República, aplicações

na saúde com ganhos operacionais,

utilização de IA na linha SNS 24

e adoção de ferramentas

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 67


A APDC ABRIR NEWS

Na apresentação das

conclusões das sessões

paralelas ficou claro que

os principais desafios

à adoção da IA no

Estado são institucionais,

organizacionais

e culturais.

Maria Manuel Leitão

Marques, rapporteur-geral

da conferência, alertou

para os riscos de uma

adoção fragmentada da IA

e defendeu maior capacidade

institucional para decidir,

escalar e medir impacto.

generativas na Segurança

Social com medição de impacto.

A recomendação comum foi

inequívoca: avançar com uma

adoção de IA com método, medir

resultados e escalar com governação.

OS DESAFIOS DA IMPLEMENTAÇÃO

No balanço das sessões paralelas

que foram realizadas por setores,

confirmou-se que a IA já está

presente na Saúde, Território,

Agricultura, Educação e Justiça.

Mas continua maioritariamente

confinada a pilotos fragmentados.

E os obstáculos identificados são

transversais: fragmentação de dados,

escassez de competências, ausência

de modelos claros de governação

e dificuldades em transformar

inovação experimental em soluções

estruturais.

Também nos desafios operacionais

– como a definição de problemas,

financiamento, implementação

e avaliação ética – as conclusões

convergiram: muitos projetos falham

porque partem da solução e não

do problema público; persistem

desconexões entre instrumentos

financeiros e necessidades reais

do Estado; e escalar exige redesenho

de processos, consolidação de dados,

plataformas comuns e mecanismos

de partilha que evitem duplicações.

Por isso, uma IA em força no

setor público só será sustentável

com modelos de governação

multidisciplinares, formação

aplicada e abordagens ajustadas

às especificidades de cada área.

E Maria Manuel Leitão Marques,

a Rapporteur-Geral da Conferência,

deixou um alerta: são cada vez

maiores os riscos de uma adoção

fragmentada e sem continuidade,

porque “falta capacidade

institucional para decidir, escalar

e avaliar impacto”.

No encerramento, o ministro

Adjunto e da Reforma do Estado,

Gonçalo Matias, confirmou que estão

em preparação medidas estruturais

para acelerar a modernização

administrativa. Entre as prioridades

estão a simplificação de processos,

antes de qualquer digitalização, uma

O ministro Adjunto e da Reforma

do Estado, Gonçalo Matias,

destacou as medidas estruturais

para acelerar a modernização

administrativa. Como simplificação

de processos, interoperabilidade de

dados e contratação pública.

nova lei de interoperabilidade, para

facilitar a partilha interna de dados,

e a revisão do Código dos Contratos

Públicos, para adequar a contratação

à inovação tecnológica.

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68 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 69


APDC NEWS

AGENTIC AI

A PRÓXIMA VAGA

DA TRANSFORMAÇÃO

DIGITAL

Os agentes autónomos de IA estão a sair

do laboratório e a entrar nas operações

das empresas. A promessa é clara: decisões

mais rápidas, processos automatizados

e novas formas de criar valor.

Agora, é preciso escalar com dados,

governação e responsabilidade.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

A

transição de

sistemas reativos

para agentes

autónomos está a

marcar uma nova

fase na adoção da inteligência

artificial (IA) nas organizações.

Com capacidade de interpretar

contexto, planear ações e interagir

com humanos e sistemas, estes

agentes começam a deixar de ser

um conceito experimental para

se afirmarem como instrumento

estratégico de transformação.

No webinar “Agentic AI: da Teoria

à Transformação dos Negócios”,

promovido pela APDC em parceria

com a MEO a 5 de fevereiro,

foram analisados casos concretos,

impactos operacionais e riscos

associados a esta nova geração

de IA.

O que é um agente autónomo?

Trata-se, segundo Ricardo Ângelo

Filipe, Head of Conversational

Gen AI Products da Altice Labs,

de “um modelo de linguagem com

capacidade de atuar no mundo

digital, perseguindo objetivos

de forma autónoma”. Entre os

exemplos apresentados estiveram

a automação de fluxos de trabalho,

os assistentes virtuais multiagente

e as soluções de voz com interação

quase humana. Estes mostram que

processos que demoravam horas

passaram a ser executados em

minutos, libertando recursos

para tarefas de maior valor.

O princípio do “human in the loop”

e a existência de mecanismos

de controlo foram apontados

como essenciais.

Na prática, e na perspetiva

de Fernando Penousal Machado,

professor de IA e investigador

da Universidade de Coimbra,

estamos a passar de máquinas

às quais nos adaptávamos para

sistemas que se adaptam às

O sucesso da Agentic AI

dependerá menos

da sofisticação dos

modelos e mais

da capacidade de

combinar tecnologia,

dados, governação e

ética numa estratégia

coerente e sustentável.

nossas intenções. Mas alerta que

estes modelos continuam a ser

“agentes estreitos” e sem verdadeira

compreensão do mundo, pelo

que uma evolução para ambientes

mais complexos levanta questões

éticas e institucionais que não podem

ser ignoradas.

O DESAFIO DA ESCALA

Na sessão de debate que se seguiu,

ficou claro que o principal bloqueio

70 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


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ORADORES

RICARDO ÂNGELO FILIPE

Head of Conversational

Gen AI Products,

Altice Labs

FERNANDO PENOUSAL

MACHADO

Professor de IA

e Investigador na

Universidade de Coimbra

JOANA MESQUITA

Machine Learning

Engineer

JOÃO SALVADO

Cloud & AI Data

Solution Engineer,

Microsoft

à escala não é tecnológico, mas sim

organizacional. Joana Mesquita,

Machine Learning Engineer,

sublinhou que muitas provas

de conceito falham por falta

de métricas claras, de governação

e de confiança, e que só uma

pequena percentagem chega à

produção. Acresce que a natureza

probabilística da IA generativa

exige validação contínua, controlo

de riscos e integração sólida com

sistemas existentes.

E na base, como reforçou

João Salvado, Cloud & AI Data

Solution Engineer da Microsoft

estão sempre os dados.

Sem informação estruturada

e governada, os agentes falham.

Sendo que a adoção em escala

implica equipas multidisciplinares,

maturidade organizacional e foco

no valor de negócio, evitando

a tentação de seguir apenas

a novidade tecnológica.

Apesar dos obstáculos que

persistem, o futuro aponta para

sistemas multiagente, cada vez

mais especializados, e para uma

ligação progressiva ao mundo

físico, incluindo à robótica e

ambientes autónomos. Esta

evolução amplia eficiência, mas

também riscos. É que um erro

automatizado pode propagar-se

rapidamente se não existirem

mecanismos de supervisão.

No final, o sucesso da Agentic

dependerá menos da sofisticação

dos modelos e mais da capacidade

de combinar tecnologia, dados,

governação e ética numa estratégia

coerente e sustentável.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 71


APDC NEWS

PROTEGER NO DIGITAL:

RESPONSABILIDADE

PARTILHADA

A mediação parental na utilização das tecnologias por crianças e jovens

deixou de ser um tema periférico para se afirmar como um dos grandes

desafios sociais da era digital. Proteger no digital, porém, vai muito

além do proibir: exige literacia, corresponsabilização e mediação ativa.

TEXTO | ISABEL TRAVESSA

FOTOS | VÍTOR GORDO/SYNCVIEW

Acrescente centralidade

do digital na vida de

crianças e jovens está

a redefinir o debate

público. Educação,

saúde mental, regulação e inovação

tecnológica cruzam-se num contexto

em que a fronteira entre online e

offline praticamente desapareceu. E há

uma crescente convergência em torno

de uma ideia: proteger exige literacia e

mediação ativa e não a mera proibição.

Este foi o pano de fundo do encontro

sobre “Mediação Parental do Uso das

Tecnologias por Crianças e Jovens”,

promovido pela Agarrados à Net e pela

APDC, com a colaboração da Google

Portugal, que reuniu a 10 de fevereiro

decisores políticos, especialistas,

sociedade civil e indústria tecnológica.

Na abertura, Sofia Marta, Country

Manager da Google Cloud Portugal,

sublinhou que o digital é hoje

“biblioteca, sala de aula e espaço de

socialização”. Perante esta constatação,

defendeu uma abordagem assente

em três pilares – proteger, respeitar

e capacitar – rejeitando respostas

simplistas. Pelo que a prioridade

tem de passar por dotar pais e jovens

de ferramentas para uma navegação

saudável e informada.

ENTRE O CONTROLO E O DIÁLOGO

Tito de Morais e Cristiane Miranda,

cofundadores da Agarrados à Net,

enquadraram o fenómeno como

um tempo de “ansiedade digital”,

alertando para os efeitos perversos de

proibições absolutas: é que eliminar

Proteger crianças

e jovens no digital

implica uma

responsabilidade

partilhada entre

famílias, escolas,

plataformas

e decisores políticos.

o acesso pode significar eliminar a

supervisão, mas não o uso. O caminho

terá se passar, em alternativa,

pela mediação contínua, diálogo

bidirecional e construção progressiva

da maturidade digital.

72 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


Ignorar a realidade do digital

já não é uma opção. Para Sofia

Marta, Country Manager

da Google Cloud Portugal,

a abordagem tem de ser:

proteger, respeitar e capacitar.

Tito de Morais e Cristiane Miranda,

cofundadores da Agarrados à Net,

alertaram para os riscos de proibições

absolutas, defendendo uma mediação

parental ativa, contínua e baseada

na confiança.

A proposta legislativa de limitação

do acesso às redes sociais por menores,

apresentada pelo Governo, foi explicada

por Paulo Lopes Marcelo, vice-presidente

do Grupo Parlamentar do PSD.

A dimensão legislativa foi

apresentada por Paulo Lopes

Marcelo, vice-presidente do Grupo

Parlamentar do PSD, que detalhou

a proposta apresentada pelo Governo

de limitação do acesso autónomo

às redes sociais até aos 16 anos, com

consentimento parental autenticado.

O objetivo, explicou, não é proibir,

mas criar um padrão de proteção

e responsabilização das plataformas,

alinhado com os movimentos

legislativos europeus.

EVIDÊNCIA E LACUNAS NA MEDIAÇÃO

PARENTAL

O debate integrou ainda a evidência

empírica. Fabio Digiacomo, Gestor

de Desenvolvimento de Parcerias

Estratégicas (Impacto Social) da

Google, apresentou o Future Report

2025, que auscultou mais de sete mil

adolescentes europeus.

Como salientou Fabio Digiacomo,

Gestor de Desenvolvimento de

Parcerias Estratégicas da Google,

há necessidade de reforçar o apoio

parental e a literacia digital dos jovens.

Os dados mostram que os jovens estão

conscientes dos riscos e benefícios do

digital, mas revelam lacunas no apoio

parental, sobretudo em contextos

socioeconómicos mais frágeis.

No plano nacional, Tito de Morais

e Cristiane Miranda apresentaram

um estudo com mais de 2,6 mil

pais portugueses, que expõe um

desfasamento entre discurso

e prática: embora o maior receio

seja o contacto com estranhos,

poucos utilizam ferramentas de

restrição. Alertam ainda para o foco

excessivo no controlo do tempo

de ecrã e dos conteúdos, deixando

os filhos desprotegidos em áreas

como o grooming, o cyberbullying

ou a manipulação social. É que

com os telemóveis “o perigo está

no bolso, na rua, em qualquer lugar

e a qualquer hora”.

DA REGULAÇÃO À CAPACITAÇÃO

Como resposta estruturada ao

desafio da mediação parental,

foi apresentado o programa NOA

– Navegar, Online e Aprender,

iniciativa da Google baseada num

modelo train-the-trainer e destinada

a capacitar pais e educadores.

Assente em três pilares – segurança,

definição de regras familiares e

exploração responsável do digital

– combina formação presencial

e recursos práticos, promovendo

a literacia digital e o pensamento

crítico, incluindo no uso de IA.

É que se legislar é relevante,

no entanto, é insuficiente sem uma

aposta forte na capacitação. Proteger

crianças e jovens no digital implica

uma responsabilidade partilhada

entre famílias, escolas, plataformas

e decisores políticos. Não se trata

de afastar do digital, mas sim

de construir um ecossistema mais

seguro, transparente e orientado

para o bem-estar e para a criação

efetiva de valor.

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MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 73


CIDADANIA DIGITAL

VIRTULEAP

UM GINÁSIO

PARA A MENTE

A mente também se treina. Com recurso

à realidade virtual e à inteligência artificial,

a startup portuguesa Virtuleap desenvolve

soluções imersivas de avaliação e treino

cognitivo que reforçam a deteção

precoce e capacitam pessoas com

défices cognitivos.

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Foto cedida

74 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


O

envelhecimento

da população

e o crescimento

das doenças

neurodegenerativas,

a par de fragilidades cognitivas,

exigem respostas de saúde mais

eficazes. É neste cenário que a

Virtuleap cruza neurociência com

realidade virtual e inteligência

artificial (IA) para desenvolver

soluções de avaliação e treino

cognitivo, colocando a tecnologia

imersiva ao serviço da prevenção

e da melhoria da saúde cognitiva.

“Quando a Virtuleap foi fundada,

estávamos a explorar a forma

como a realidade virtual poderia

compreender a emoção humana”,

recorda Amir Bozorgzadeh,

cofundador e CEO da empresa.

“No entanto, à medida que

começámos a prototipar exercícios

cognitivos gamificados em realidade

virtual, tornou-se muito claro

para nós que esta tecnologia tinha

potencial para fazer muito mais

do que medir a experiência – podia,

de facto, melhorar ativamente

a vida das pessoas”.

Essa constatação redefiniu o

foco da empresa. “Rapidamente

reconhecemos que a realidade

virtual é particularmente

poderosa no domínio da cognição.

Permite-nos criar ambientes

imersivos e controlados que

estimulam a atenção, a memória

e as funções executivas de formas

que as ferramentas tradicionais

simplesmente não conseguem”.

A partir daí, o objetivo passou a ser

o desenvolvimento de ferramentas

O Enhance VR,

descrito como um

“ginásio para a

mente”, é o produto

bandeira da Virtuleap

e foi distinguido entre

as melhores soluções

digitais com impacto

social no World

Summit Awards

2025.

digitais baseadas em evidência

científica e com relevância clínica,

capazes de capacitar indivíduos

e profissionais de saúde.

O Enhance VR, descrito como

um “ginásio para a mente”,

é o produto bandeira da Virtuleap

e foi distinguido entre as melhores

soluções digitais com impacto social

no World Summit Awards 2025,

iniciativa das Nações Unidas.

A plataforma integra 15 exercícios

gamificados que permitem treinar

sete capacidades cognitivas

– da memória às competências

motoras – ajustando-se em tempo

real ao desempenho do utilizador.

Com mais de 74 mil utilizadores

registados, tem sido aplicado em

ambientes clínicos, educativos

e comunitários, com estudos-

-piloto a indicarem melhorias

em domínios cognitivos específicos

– nomeadamente em pessoas

com TDAH, défice cognitivo ligeiro e

deficiência intelectual – e na regulação

emocional. A solução é disponibilizada

em modelo B2B, através de passe

diário ou subscrição mensal.

A evolução desta abordagem

materializou-se ainda no Cogniclear

VR, ferramenta de avaliação com

14 exercícios distribuídos por oito

domínios cognitivos, realizáveis em

cerca de 30 minutos. O seu ambiente

imersivo permite captar dimensões

de cognição dificilmente mensuráveis

em testes tradicionais – como

orientação espacial, controlo motor

e padrões comportamentais em

cenários realistas – possibilitando

“a construção de um perfil cognitivo

muito mais rico e detalhado”.

Ao disponibilizar instrumentos

mais sensíveis e baseados em dados,

a solução abre caminho à deteção

precoce do défice cognitivo e a

decisões clínicas mais informadas.

Sedeada em Lisboa, a Virtuleap

beneficia de um ecossistema

de inovação que, segundo Amir,

é “vibrante e colaborativo”,

permitindo validar soluções

em contexto real. Exemplo disso

foi a participação no programa

Roche Building Tomorrow Together

– Innovation in Dementia, que

possibilitou testar protótipos do

Cogniclear VR num hospital local.

NÚMEROS

15

Exercícios no Enhance VR

14

Exercícios no Cogniclear VR

8

Domínios cognitivos

avaliados

+74 mil

Utilizadores registados

Ao nível comunitário, através da

iniciativa Lisbon Innovation for All,

o Enhance VR chegou a organizações

de Lisboa, como o Projeto Alkantara

ou a Alegria de Viver.

Num setor particularmente

sensível, a ambição tecnológica

exige responsabilidade acrescida.

A Virtuleap tem investido na validação

científica das suas soluções, na

certificação como dispositivo médico

e na consolidação do seu percurso

regulatório. Paralelamente, explora

biomarcadores digitais extraídos

de dados comportamentais

imersivos, aplicando IA para

identificar padrões que possam

prever declínio cognitivo ou

monitorizar a progressão de doenças.

“Acreditamos que o futuro

da saúde cognitiva será cada vez

mais orientado por dados, contínuo

e personalizado”, sublinha Amir

Bozorgzadeh. “Em última análise,

a nossa visão é contribuir para

a transição de um modelo reativo

para um modelo proativo

de cuidados de saúde”.

Conheça aqui

a Virtuleap

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 75


A FECHAR

CONVERSAS EM TEMPO REAL

NA REDE MÓVEL…

Já está no mercado uma funcionalidade

que permite manter conversas de texto

em tempo real durante as chamadas

de voz. Foi lançada pela NOS e chama-

-se Real-Time Text (RTT). A solução,

particularmente útil para pessoas com

dificuldades de fala ou audição, permite

que cada letra digitada seja visualizada

imediatamente pelo interlocutor,

tornando a comunicação escrita mais

próxima de uma conversa falada

e eliminando a necessidade de enviar

a mensagem completa, como acontece

nos chats tradicionais. A funcionalidade

está disponível gratuitamente em

smartphones compatíveis com redes

4G ou 5G, podendo ser ativada nas

definições de chamada. O operador diz

que o serviço já funciona nas principais

marcas de equipamentos suportadas

pela NOS e está a ser preparado para

integração também em chamadas

de emergência, reforçando o objetivo

de tornar a comunicação móvel mais

acessível e inclusiva.

… ASSIM COMO

VERIFICAÇÃO DE CHAMADAS

Há um novo serviço de verificação

de chamadas que permite confirmar

a autenticidade de números provenientes

da rede do operador. O Origem MEO é uma

funcionalidade que surge como resposta

ao aumento de fraudes telefónicas baseadas

na usurpação de números e apresenta-se

como um mecanismo adicional de confiança

nas comunicações móveis. Sempre que um

cliente receber uma chamada de outro número

MEO, em território nacional ou em roaming,

será apresentada no ecrã do telemóvel uma

indicação visual ou textual que confirma

a validação do número pelos sistemas da rede.

O serviço é gratuito, não requer ativação e está

disponível para todos os clientes da rede móvel,

incluindo as marcas UZO e MOCHE. Nesta fase,

funciona em equipamentos Android

com chamadas de voz em 4G, 5G ou Wi-Fi,

estando prevista a disponibilização em iPhone

numa fase posterior. A solução passa a integrar

o conjunto de ofertas de proteção digital

da operadora, que inclui serviços como

o MEO Net Segura.

Tecnologia

chega em

força à TV

Chama-se Smart Replay para TV

e é um serviço inteligente e pioneiro

que permite rever, de imediato,

momentos chave de jogos e

noticiários, recorrendo a computer

vision, inteligência artificial e machine

learning. Depois do Smart Replay

Football e do Smart Replay News,

funcionalidades que acabam de

ser melhoradas, passando a incluir

“fast forward” e “fast rewind”, foram

lançadas duas novas modalidades:

o Smart Replay Tennis e o Smart

Replay Basket. Estas ofertas estão

disponíveis gratuitamente para todos

os clientes da Vodafone TV, através do

menu Apps e do botão vermelho do

comando. Pioneira no país

e na Europa, esta solução inteligente

permite ver ou rever de imediato

os melhores momentos de um

jogo ou as principais notícias,

sem necessidade de procurar

manualmente na emissão ou nas

gravações. Com recurso a tecnologia

avançada, o sistema analisa de forma

automática a emissão televisiva,

identifica acontecimentos relevantes

no jogo e as principais notícias e gera

segmentos de vídeo organizados,

etiquetados e contextualizados,

permitindo o acesso rápido, intuitivo

e preciso aos instantes que realmente

interessam.

76 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


Recuperação

inteligente para

incidentes críticos

A recuperação após incidentes de cibersegurança e

interrupções operacionais é, cada vez mais, um desafio.

Para a acelerar, a Kyndryl anunciou o lançamento do

Kyndryl Intelligent Recovery Service (KIRS), uma solução

cloud integrada na plataforma Kyndryl Bridge, suportada

por inteligência artificial. O serviço automatiza processos

de recuperação e oferece visibilidade centralizada sobre

ambientes híbridos e multi-cloud. O objetivo é ajudar

organizações a reduzir tempos de recuperação e a responder

simultaneamente a requisitos regulatórios cada vez mais

exigentes, sobretudo em setores como finanças, saúde,

energia ou infraestruturas críticas. A solução permite planear

cenários de continuidade de negócio, identificar ativos críticos

e monitorizar níveis de resiliência através de dashboards

unificados e métricas de conformidade em tempo real,

contribuindo para uma gestão mais estruturada do risco

operacional.

GUIA PARA TRABALHAR

COM AGENTES DE IA

Já foi lançado um guia

prático destinado a apoiar

empresas e profissionais

na adoção eficaz da

inteligência artificial (IA)

no trabalho diário. Chama-se

AI Fluency Playbook, sendo

que com esta iniciativa a

Salesforce pretende acelerar

a automação de tarefas

e reforçar a colaboração

entre equipas e agentes

de IA, num momento em

que muitas organizações

procuram evoluir para

modelos de Agentic

Enterprise. A empresa diz

que colaboradores que

utilizam ferramentas de IA

diariamente registam ganhos

significativos: mais 64% de

produtividade, 58% de foco

e 81% de satisfação

no trabalho. O guia baseia-

-se na experiência interna

da própria Salesforce,

onde a utilização de IA em

plataformas como Slack

já permitiu poupar mais de

500 mil horas de trabalho

e responder a milhões

de pedidos de suporte

e interações comerciais.

O AI Fluency Playbook

propõe três eixos para

desenvolver competências

em IA nas organizações

– envolvimento, ativação e

especialização – defendendo

que a vantagem competitiva

dependerá cada vez mais da

capacidade das equipas para

trabalhar de forma eficaz

com sistemas inteligentes.

MÚSICA GERADA POR IA

NO GEMINI

A Google passou a integrar o modelo Lyria 3 no Gemini, permitindo

aos utilizadores criar faixas musicais de cerca de 30 segundos a

partir de comandos de texto, imagens ou vídeos. A funcionalidade,

disponível para maiores de 18 anos, permite gerar automaticamente

letra, voz e melodia com base em instruções simples, como

a definição de um género musical ou de uma atmosfera sonora.

Cada composição inclui também uma capa criada por inteligência

artificial e pode ser partilhada ou descarregada. A tecnologia

está igualmente a ser integrada no Dream Track, ferramenta

associada ao YouTube, destinada a apoiar criadores na produção

de bandas sonoras para vídeos curtos. Segundo a big tech, todas

as faixas geradas incluem a marca de água digital SynthID, que

permite identificar conteúdos criados por IA, reforçar a proteção

de direitos de autor e evitar a imitação de artistas específicos.

A disponibilização do Lyria 3 insere-se na estratégia mais ampla

da Google de reforçar as capacidades criativas da sua plataforma

de IA, num contexto de crescente competição entre grandes

tecnológicas na área de modelos generativos multimodais.

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 77


AGENDA

ABR

15 ABRIL

SAP HR CONNECT

Neste evento poderá

conhecer como a suite SAP

SuccessFactors, apoiada

por inteligência artificial,

fortalece a ligação entre

pessoas, negócio e objetivos,

promovendo uma estratégia

de força de trabalho

integrada.

Local: Pavilhão Carlos Lopes,

Lisboa

Organizador: SAP

Saiba mais

18 ABRIL

GLOBAL AZURE 2026

Referência para profissionais

de tecnologia que pretendam

aprender sobre IA e

Microsoft Azure. Especialistas

da indústria partilham

conhecimento, workshops

práticos e oportunidades

de networking.

Local: Lisboa

Organizador: Azure & AI User

Group Portugal

Saiba mais

MAI

5 E 6 MAIO

DATA MAKERS FEST

O festival concentra mais

de 50 palestras, sessões

práticas e oportunidades

de networking sobre tópicos

como IA, engenharia

de dados, análise, IA

responsável, modelos

generativos e liderança

em dados.

Local: Alfândega do Porto

Organizador: Ripply

e Fes Agency

&

INICIATIVAS

EVENTOS

6 E 7 MAIO

35.º DIGITAL BUSINESS

CONGRESS

“Europe in the Digital

Age: Balancing

Sovereignty, Security and

Innovation”, é o mote

do 35.º Digital Business

Congress. A iniciativa da

APDC será presidida pelo

contra-almirante António

Gameiro Marques, que

durante nove anos esteve

no centro das decisões

mais sensíveis da

segurança da informação

e da soberania digital em

Portugal.

Local: Lisboa

Organizador: APDC

Saiba mais

7 MAIO

11º ENCONTRO APIT

O Encontro de Produtores

Independentes de Televisão

é um evento que

se caracteriza pelo

networking, pela partilha

de experiências e pela

presença de convidados

nacionais e internacionais.

Local: A definir

Organizador: APIT

12 E 13 MAIO

PORTUGAL DIGITAL

TALENT

A iniciativa pretende ser

um palco para a reflexão

sobre as competências,

a liderança e os perfis

que vão moldar o digital

nos próximos anos,

promovendo contacto

direto entre jovens talentos

e organizações.

Local: Pavilhão Carlos Lopes,

Lisboa

Organizador: GoingNext

Saiba mais

12 E 13 MAIO

MOBILE NETWORK

INNOVATION SUMMIT

A conferência aborda

temas como IA nas

telecomunicações,

5G no espaço, computação

quântica e eficiência

energética, analisando

o impacto destas

tecnologias no futuro

do setor.

Local: Londres

Organizador: The Mobile

Network e Temono PR

Saiba mais

12 A 14 MAIO

PORTUGAL SMART CITIES

SUMMIT

Durante três dias, reúne

empresas, municípios,

academia e especialistas

para discutir inovação

nas áreas de mobilidade,

sustentabilidade,

conectividade e qualidade

de vida nas cidades.

Local: FIL, Lisboa

Organizador: Fundação AIP

14 E 15 MAIO

SIM 2026

O evento foi concebido

para conectar

empreendedores, startups

e investidores, tanto nacionais

como internacionais,

disponibilizando um

espaço para partilha de

conhecimento e networking.

Local: Porto

Organizador: Startup Portugal

Saiba mais

20 MAIO

AGENTFORCE WORLD

TOUR LISBOA

Uma oportunidade

para descobrir como

as organizações estão

a unificar Vendas,

Serviço, Marketing

e Dados para impulsionar

o crescimento – e como

estão a levar o Customer

360 a um novo patamar

com a IA agêntica.

Local: CCB, Lisboa

Organizador: Salesforce

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20 E 21 MAIO

360 TECH INDUSTRY

Trata-se de uma feira

profissional dedicada

à transformação digital

da indústria, reunindo

soluções e tendências

em automação, robótica,

manutenção, impressão 3D,

IA e tecnologias emergentes.

Local: Exponor, Porto

Organizador: Exponor

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78 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026


Quando foi

a última vez

que fechaste

um negócio

com um aperto

de mão?

A vida é melhor

quando estamos

presentes

meoempresas.pt

MARÇO 2026 | REVISTA COMUNICAÇÕES | APDC | 79


A ABRIR

80 | APDC | REVISTA COMUNICAÇÕES | MARÇO 2026

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