edição de 6 de abril de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.085 - 6 de abril de 2026 R$ 20,00
Processo criativo nas agências
passa por reconfiguração estrutural
Diante de IA, creators e plataformas, a criação amplia seu escopo, deixando de se concentrar apenas na própria área e se expandindo para um ecossistema
mais amplo e colaborativo. Em especial desta edição, lideranças de Artplan, Crispin, Tech&Soul, Talent, DPZ, BETC Havas, WMcCann, Publicis Brasil, Africa
Creative, VML e Ogilvy analisam como a atividade criativa passa a operar de forma mais integrada a dados, cultura e negócio, em um cenário marcado pela
multiplicidade de formatos, pela aceleração das entregas e pela crescente pressão por resultado. Nesse contexto, a criação deixa de atuar só na execução e
assume um papel ainda mais estratégico, voltado à definição de direção, ao estabelecimento de critérios e à garantia de consistência das marcas. pág. 14
Contagious analisa
disputa por atenção
Divulgação
Freepik
Ganhar a atenção dos consumidores com a multiplicidade
de meios se tornou um desafio. O cenário exige novos
formatos e comunicação sem estereótipos. Ju Elia, CSO da
Publicis Brasil, fala sobre a atenção hiperfocada. pág. 34
Ge TV prepara cobertura
para a Copa do Mundo
Estevam Avellar/Divulgação Globo
Canal digital estreia ‘Hexa neles’ neste mês de abril e
terá atração inédita no torneio a partir de 11 de junho.
Eduardo Gabbay, diretor de canais esportivos da Globo,
detalha estratégia de exibição gratuita de jogos. pág. 10
Produtoras formam hubs
para ganhar maior escala
Estruturas coletivas e unidades internas das holdings
refletem a busca por eficiência, escala e integração na
produção publicitária. Segmento busca concentrar talentos
e expertises para enfrentar um cenário competitivo
e cada vez mais fragmentado. pág. 30
editorial
Armando Ferrentini
Criação é tudo
Capacidade de gerar ideias originais, úteis e valiosas, conectando conceitos
existentes de maneira inovadora para resolver problemas. A visão
da IA sobre o conceito de criatividade é simples e direta. Parece fácil,
mas não é. Ser criativo nos dias de hoje vale ouro. Sempre foi importante, claro.
Mas agora, com a inteligência artificial automatizando vários processos,
trazendo escala e pensando por nós também, uma big idea pode ser decisiva
para mudar o jogo.
Mais do que nunca, o trabalho criativo é o que fará a diferença no mercado. Em
tempos de IA, a preocupação de muitos sobre a ameaça de tomada de empregos
pela inteligência artificial não desapareceu por completo. Há setores em que humanos
podem sim ser substituídos pelas máquinas. Os robôs humanoides, por
exemplo, estão sendo projetados para fazer trabalhos domésticos.
Na publicidade, no jornalismo, na economia criativa em geral, o talento das pessoas
continuará sendo valorizado. Afinal, criar algo diferente, enxergar um ângulo
diverso e contar boas histórias são qualidades humanas que nem o melhor
prompt resolve.
A IA até pode ajudar na criação de um conceito, mas é o olhar humano que distinguirá
uma ideia realmente original e inovadora. Ter um insight baseado em
cultura popular também é uma atribuição de quem possui repertório e o dedo no
pulso do consumidor.
Veja que interessante depoimento publicado na internet de uma executiva com
carreira consolidada no setor tech nos Estados Unidos que havia migrado para
technical marketing. Segundo ela, agora precisa criar muito conteúdo tech, vídeos,
blogs e papers sobre o tema, mas estava enfrentando dificuldade e queria
aprender mais sobre storyteller. E pedia uma dica de um bom framework para
estudar a estrutura de storytelling.
O testemunho comprova que ser um bom contador de histórias não é para todos.
E nem mesmo a IA pode resolver tudo em todos os momentos. Tem uma hora que
é você com você mesmo. Ser criativo é uma função solitária. Trata-se de uma
habilidade que até pode ser treinada e aprimorada, quanto mais faz, melhor fica.
Mas, fundamentalmente, trata-se de talento.
Por isso, a área de criação continua sendo o coração das agências. O cartão de
visitas, digamos assim. Óbvio que todos os departamentos são peças-chaves
para o negócio das marcas. Não há uma boa agência hoje sem uma área de mídia
forte, por exemplo. Contudo, é a área de criação que conecta as demais.
O Especial Lideranças Criativas desta edição mostra que a criação representa o
ponto de convergência entre todas as áreas. Com tanta gente na mesa do cliente,
vale lembrar que a agência criativa continua puxando a grande ideia.
“Tem muito mais gente participando do processo criativo hoje. E quanto mais
gente na mesa, mais o cliente precisa de alguém que enxergue o todo. A agência
criativa é quem melhor pode fazer isso”, declarou Pedro Araújo, CCO da DPZ, ao
repórter Vitor Kadooka.
Confira no especial depoimentos imperdíveis de executivos de algumas das
principais agências do mercado, que falam sobre carreira, criatividade e trazem
pontos de vista importantes sobre o novo papel da criação para a publicidade em
tempos de IA, creators e novas disciplinas.
Outro destaque da edição é matéria sobre o trabalho do Instituto Baccarelli, que
transforma a vida de jovens na Favela de Heliópolis (SP) com cultura e música.
Frase: “A maioria dos homens de negócios é incapaz de pensamentos criativos
porque não consegue escapar à tirania da razão” (David Ogilvy).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Central de Outdoor promove
o OOH Summit Brasil 2026
Evento reuniu mais de mil profissionais em São Paulo para discutir
evolução do OOH, com foco em dados, tecnologia e novas dinâmicas
de consumo no ecossistema de mídia.
3ª
Mercado apresenta ajustes
e redesenha estruturas de operação
Agências, produtoras e empresas de mídia anunciam reestruturações
e novos modelos operacionais, com foco em eficiência,
escala e integração entre estratégia, criação e execução.
Campanha alerta para uso de emoji de
urso em ataques misóginos nas redes
Projeto ‘Além do emoji’, da Bistrô, transforma experiência real em
iniciativa educativa sobre misoginia digital. Plataforma reúne conteúdos,
dados e orientações para identificar códigos de violência simbólica
e ampliar o letramento no ambiente online.
4ª
Emissora apresenta estratégia para a Copa de 2026, com equipe liderada
por Galvão Bueno e Tiago Leifert, pacote comercial aberto e foco em
ampliar participação de marcas na transmissão.
5ª
SBT propõe a Copa
que o Brasil quer ver
Agentes de IA avançam no comércio
e redefinem a estratégia de consumo
Agentes automatizados passam a mediar compras e impactam publicidade,
jornada e experiência. Projeções indicam mudanças estruturais no varejo e
maior foco na recomendação algorítmica.
4 6 de abril de 2026 - jornal propmark
índice
Área de criação das
agências expande
escopo de atuação
No Especial Lideranças Criativas
desta edição executivos falam
sobre a reconfiguração do
mercado para atender às novas
demandas dos clientes diante
da IA, creators e mais canais de
mídia. O que não muda, porém,
é a importância da criatividade.
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14
Alê Oliveira
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Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
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Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
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Biosphera.ntwk discute tendências
e lança o Report SXSW 2026
O Innovation Sessions reuniu lideranças do mercado
para debater aprendizados do festival. Na foto, Luciana
Marcelino (HSM Management); Dilma Campos (Nossa Praia);
Jef Martins (Biosphera.ntwk); Rodrigo Torres (Biosphera.
ntwk); e Bianca Sousa (Biosphera.ntwk). pág. 44
Instituto Baccarelli transforma
Favela de Heliópolis com cultura
O diretor de marketing e comercial João Almeida está
à frente das iniciativas do instituto para promover
inclusão aos jovens da comunidade de São Paulo, por
meio de cultura e música. O Baccarelli foi criado em
1996, após um incêndio na favela. pág. 28
@propmark
propmark
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................9
Entrevista ..........................................................................10
Quem Fez ...........................................................................12
Especial Lideranças Criativas ..........................................14
Mídia ..................................................................................27
Mercado .............................................................................28
Produtoras ........................................................................30
Out of Home ......................................................................33
Pesquisas ..........................................................................34
ESG no MKT ........................................................................39
Opinião...............................................................................40
Inspiração ..........................................................................43
Click do Alê ........................................................................44
Última Página ....................................................................46
Divulgação
Marqueteiro político
Omar Caldas estreia
espaço no propmark
Com 20 anos de carreira na criação
de agências como WMcCann e
Ogilvy, publicitário migrou para o
marketing político. O estrategista
criativo chefe da OCA Marketing
escreve em seu primeiro artigo
sobre como é criar para o
mercado público. pág. 41
6 6 de abril de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
PROmOÇÃO
A executiva Mariane Fernandes (na foto acima com Lucas Feltes e Bruno Luiz) está
assumindo a liderança estratégica das contas com foco em integração, eficiência e
crescimento sustentável na WT.AG.
REFORÇO
A Made, do CEO Álvaro Rodrigues, anuncia a chegada de Deborah Katz como head de negócios
e operações do escritório no Rio de Janeiro.
Post: SBT propõe a Copa que o Brasil
quer ver
Copa do Mundo é com Galvão, não
adianta.
Paulo Becker
Post: Camisa da seleção: por que
mudanças geram tanta reação do
público
O ponto de discussão não foi a mudança,
foi o desconhecimento do esporte,
do target e dos sinais entre eles.
Gus Macedo
Camisa pavorosa. Ninguém chama o
Brasil de Brasa.
Plural Mix
Post: ‘O legado só gera valor quando
continua relevante’, diz Gustavo
Aguiar, CMO da GM
Gigante!
Raquel Arruda
Post: Score Agency chega a Nova
York
Muito sucesso!
Gustavo Silva Leitão
Post: Código de ética da mídia exterior
mostra que o canal não é inimigo
das cidades
Parabéns à Central e ao presidente por
essa ação.
Michele Oliveira
CRIATIVIDADE
A Eletromidia reforça seu time com Werner Pöcke na nova posição de diretor-executivo de
criação. O foco será criar uma estrutura de colaboração para aproximar as possibilidades, que
englobe aprimoramento de formatos, recursos, tecnologias e boas práticas.
Duailibi Essencial
“Nunca fiz nada que valesse a pena por acidente; nem nenhuma das minhas
invenções aconteceu por acidente; todas aconteceram por meio de muito trabalho”
(Thomas Edison).
dorinho
PRODUÇÃO
A Boiler Filmes, do Boiler Hub, terá Sheila Santos (foto acima) para a área de atendimento.
A profissional chega à produtora para atuar na interface entre clientes e equipe de produção.
SAÚDE
O Estadão cria hub de conteúdo e fórum sobre doenças raras. ‘Diálogo raro’, do seu Blue
Studio, que une a plataforma editorial e o segmento de eventos para impulsionar o
debate sobre doenças raras e acesso à saúde. “A proposta é acompanhar a evolução desse
ecossistema”, afirma Luís Fernando Bovo, diretor do Estadão Blue Studio.
VAREJO
Com 21 anos de operação como centro de
compras B2B, o Mega Polo (foto à esquerda),
em SP, amplia seu papel no mercado,
posicionando-se como um hub de inovação,
tecnologia, conteúdo e negócios para o
atacado de moda. O fluxo mensal é próximo
de 1 milhão de pessoas, com picos de até 60
mil visitantes em um único dia. “O comércio
vive de fluxo. Então, o que nós estamos
preservando aqui é justamente o fluxo.
A estratégia não é substituir a moda, mas
ampliar o ecossistema, trazer inovação e criar
novas oportunidades de negócios para os
lojistas”, afirma Antônio Almeida, gestor de
marketing dos shoppings Mega e Plaza.
8 6 de abril de 2026 - jornal propmark
curtas
Sergio Orozco/ Unsplash
globo atrai 9 marcas para patrocinar as
transmissões da conmebol libertadores 2026
PagBank, Claro, Bet365, Hyundai, Itaú e BetMGM integram a lista de patrocinadores da Globo para as transmissões
da Conmebol Libertadores 2026. A fase de grupos começa nesta terça-feira (7) e o vencedor da competição
será conhecido em novembro. Amstel, Novibet e Red Bull também aderiram à estratégia e ocupam cotas
comerciais em diferentes espaços ao longo da cobertura. O plano está dividido em um total de 11 oportunidades.
A Globo detém os direitos de transmissão do torneio na TV aberta e no YouTube, com o canal Ge TV. Também haverá
exibição digital por meio do Globoplay e do ge.globo. A partir das oitavas de final, a Ge TV amplia o trabalho
de cobertura com transmissões em todas as suas plataformas. Na última edição do campeonato, mais de 112,5
milhões de pessoas acompanharam as partidas pela emissora. A final entre Flamengo e Palmeiras registrou a
maior audiência do torneio na Globo desde 2019. Bateu ainda recorde na Ge TV, com destaque para o público de
até 34 anos, que representou 55% da audiência.
SBT conTraTa MarcuS chiSco
Divulgação
WMS adere noMe da Marca gloBal WPP Media
Divulgação
Executivo deve conduzir área comercial do SBT News rumo a alianças duradouras no mercado
Marcus Chisco é o novo diretor-comercial do SBT News. O executivo promete “construir negócios
e desenvolver alianças comerciais duradouras, transformando a empresa em uma
plataforma relevante para o mercado publicitário”. A expectativa de Daniel Abravanel,
diretor de negócios e Rede do SBT, é “consolidar o canal como uma plataforma cada vez
mais competitiva, inovadora e conectada às demandas do mercado, ampliando as oportunidades
de negócio de forma consistente”. Chisco tem mais de 35 anos de carreira. Foi
vice-presidente comercial e de marketing da CNN, e um de seus fundadores no Brasil.
Passou ainda por MTV, Globosat, Grupo Record e Futurum Capital, com atuação voltada ao
desenvolvimento de negócios no ecossistema de startups brasileiras.
Carolina Buzeto: evolução da capacidade de transformar dados em inteligência preditiva
No Brasil há cinco anos, a WPP Media Services (WMS), negócio de mídia presidido por
Carolina Buzetto, passa a se chamar WPP Media, plataforma global do grupo alavancada
por inteligência artificial. A sigla WMS deixa de existir. A decisão integra a estratégia de
recuperação de crescimento Elevate28. A WPP Media, que já havia absorvido o GroupM em
2025, administra cerca de US$ 64 bilhões em aportes de mídia ao ano em mais de 80 mercados.
No Brasil, a EssenceMediacom e i-Cherry continuarão a atender clientes com equipes
dedicadas, só que sob o guarda-chuva da WPP Media, que “representa a evolução natural
de um projeto pioneiro, que agora fortalece a nossa capacidade de transformar dados em
inteligência preditiva”, comenta Carolina. A executiva comanda mais de 800 profissionais.
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iveTe Sangalo divulga BradeSco enTidade denuncia alTo cuSTo de inScriçõeS PuBliciS noMeia ceo Para lePuB SP
Ivete Sangalo foi escolhida por presença
e relevância cultural
O Bradesco
patrocina a turnê
‘Clareou’, iniciada
neste sábado (4)
em Florianópolis
(SC). Recife,
Rio de Janeiro,
São Paulo, Belo
Horizonte, Fortaleza,
Salvador,
Ribeirão Preto,
Campinas e
Lisboa são os
próximos destinos.
A primeira
temporada
reuniu cerca de
55 mil pessoas
em 2025. A
parceria foi
anunciada nas redes do banco e da cantora - que é cliente
do Bradesco há mais de 30 anos. Ivete foi escolhida pela
sua presença nacional e pela relevância na cultura dos
brasileiros. A estratégia, que representa uma evolução na
forma de comunicação da marca, prevê ações em diferentes
segmentos, regiões e faixas etárias.
Só 11% das indies brasileiras já ganharam troféu em Cannes
As agências independentes representam 93% do mercado,
mas apenas 23% já inscreveram peças no Cannes Lions.
Em 2025, houve queda de 17%, agravada pela taxa de
câmbio e diminuição de margens operacionais. Os dados
são do Círculo das Agências Independentes, que estima
novo recuo induzido pelo elevado custo de inscrição das
campanhas em festivais internacionais. “As barreiras de
entrada precisam ser revistas”, pede Felipe Silva, fundador
do Círculo das Agências Independente]s e ECD da agência
Blast. Apenas 11% das indies brasileiras já ganharam Leão.
Com subsídio, o volume de inscrições poderia chegar a 300
peças. Considerando a taxa média brasileira de 3,9% de
conversão em Cannes, o percentual de agências independentes
premiadas saltaria para 21,5%.
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Gabriela Onofre e Marina Pires: veia criativa e cultural contínua
O Publicis Groupe Brasil nomeou Marina Pires como presidente
da LePub São Paulo. O comando interino da agência estava
a cargo de Andrea Fernandes, chief revenue & growth officer
do grupo. “A LePub tem uma veia criativa que nasce do profundo
entendimento das pessoas e se traduz em relevância
cultural”, lembra Gabriela Onofre, CEO do Publicis Groupe
Brasil. A perspectiva é que Marina apoie a expansão da rede
global. “O Brasil é um dos mercados mais ricos culturalmente
e mais ambiciosos criativamente, e isso exige liderança à
altura”, diz Bruno Bertelli, CEO e CCO da LePub Worldwide. “O
desafio é garantir que a criatividade deixe de ser episódica
e passe a operar de forma contínua no negócio”, comenta
Marina, que atuou como managing director da Monks nos
últimos três anos. Ela começa seu trabalho no dia 4 de maio.
Thiago Pompeia / Divulgação
jornal propmark - 6 de abril de 2026 9
entrevista
Eduardo Gabbay
diretor de canais esportivos da Globo
‘A Copa mobiliza todo o
ecossistema da Globo’
A Ge TV terá papel central no plano
de cobertura da Globo para a Copa do
Mundo, que será realizada nos Estados
Unidos, México e Canadá entre os dias
11 de junho e 19 de julho de 2026. Em
abril, estreia o programa ‘Hexa neles’, e
a emissora ainda prepara uma atração
inédita durante o torneio. O canal digital
transmitirá de forma gratuita 32 jogos no
Globoplay e em diferentes parceiros e
plataformas de distribuição. Cerca de 500
profissionais do esporte da Globo estarão
envolvidos na cobertura da Copa em
todas as plataformas, sendo 113 in loco.
A Ge TV deve marcar gol certo. Mais de
30 marcas já anunciaram na plataforma
que, em seis meses, atingiu mais de 40
milhões de pessoas e 190 milhões de horas
consumidas. YouTube, Instagram e TikTok
totalizam 4,7 bilhões de visualizações. Só o
conteúdo do YouTube reúne 1,8 bilhão.
Janaina Langsdorff
O que motivou o lançamento da Ge TV, em 2025?
A motivação principal é sempre a busca por oferecer a melhor e mais ampla experiência
para o público. O canal nasce como uma evolução da oferta esportiva
da Globo, fortalecendo o nosso ecossistema e virando mais uma janela de distribuição
para um portfólio amplo de direitos esportivos. A Ge TV é mais uma opção
para o público acessar o conteúdo de onde quiser. O canal chega para ser mais
uma opção de consumo de grandes competições e eventos, gratuitos e ao vivo,
com uma linguagem mais leve, unindo esporte e entretenimento, sem abrir mão
da informação e da credibilidade. Para dar voz a esse projeto, apostamos em uma
equipe de talentos conectados ao digital.
Por que o formato como um canal digital, gratuito?
A escolha parte de uma leitura estratégica do comportamento do público e do
ecossistema já consolidado da Globo. A empresa já conta com uma presença robusta
e complementar entre TV aberta, TV por assinatura, plataformas digitais
e outras frentes, o que permite ampliar o alcance de forma consistente. Nesse
contexto, a Ge TV surge como uma oportunidade de conexão com uma audiência
que está cada vez mais presente no ambiente online — especialmente o público
Estevam Avellar/Divulgação Globo
mais jovem, que já está habituado a consumir conteúdo aberto. O canal nasce
como uma extensão natural desse portfólio, reforçando a vocação da Globo de
falar com todos os públicos, independentemente de onde estejam. Mais do que
um novo ponto de contato, o canal digital gratuito contribui para gerar valor para
consumidores, anunciantes, distribuidores, detentores de direitos, ligas e clubes,
ao expandir alcance, engajamento e relevância do conteúdo esportivo.
Como atrair pessoas que querem ir além do jogo?
Toda a oferta de conteúdo, seja na TV aberta, nos canais por assinatura, sites,
redes sociais e em todo o ecossistema da Globo, valoriza a jornada de consumo
do público — que não se limita ao resultado do jogo. O torcedor também quer
participar da conversa, quer análise e contexto, bastidores, debates, reações da
torcida, memes e cultura digital. Então, o canal combina transmissões ao vivo,
pré e pós-jogo, mesas de debate, programas e lives, e conteúdo de redes sociais.
O jogo continua sendo o principal, mas o ecossistema de conversa em torno dele
também está no centro.
Há estreias?
No fim de janeiro, entrou no ar junto com o Brasileirão o ‘Tropa Ge TV’, primeiro
programa exclusivo do canal, uma oportunidade de manter a conversa para
10 6 de abril de 2026 - jornal propmark
“Cerca de 500 profissionais
do esporte da Globo estarão
envolvidos na cobertura da Copa”
além das transmissões, com quadros que dialogam com o que está em pauta na
internet. Temos Bruno Formiga sentado à mesa com 11 torcedores; Jorge Iggor
formando listas de times inusitados; e Sofia Miranda indo às ruas, na entrada dos
estádios, nos clubes, para ouvir torcedores, interagindo de um jeito mais informal.
Em abril estreia ‘Hexa neles’, programa de entrevistas com Denilson e o comentarista
Rafael Sobis como aquecimento para a Copa do Mundo. Acabamos de
anunciar a criação de uma unidade dentro da área de Canais Esportivos da Globo
dedicada à Ge TV, com a contratação de Mariana de Felippes, nova head do canal.
Como o ambiente digital molda pautas e conteúdos?
O ambiente digital permite experimentar formatos e interagir com o público em
tempo real, e tudo isso influencia o ritmo de apresentação, a linguagem mais
direta e informal, na integração com redes sociais e a participação do público nas
transmissões, além de dar a oportunidade de fazer cortes rápidos para distribuir
em várias plataformas. A lógica principal é pensar o conteúdo já preparado para
circular no ecossistema digital. É um espaço aberto para a experimentação.
A Ge TV detém hoje os direitos de quais torneios?
Temos a Copa Conmebol Libertadores, Brasileirão Série A (masculino e feminino),
Copa do Brasil, Supercopa do Brasil e Intercontinental, além de jogos das seleções
brasileiras (masculina e feminina). Há também eventos de diferentes modalidades,
como NFL, Liga das Nações de Vôlei, Superliga, Rio Open, WSL e SLS. Além disso,
exibimos recentemente as Olimpíadas de Inverno. Esses eventos aparecem
no canal em transmissões, cobertura editorial e conteúdos complementares.
Quais as ofertas da Ge TV para o mercado publicitário?
Mais de 30 marcas já anunciaram na Ge TV. O nosso diferencial está na capacidade
de integrar as narrativas das marcas ao nosso conteúdo, das coberturas e transmissões
à reverberação nas redes sociais, incluindo ações com o nosso time de
narradores e comentaristas, parte dele agenciado pela Viu. Temos a nosso favor
todo o conhecimento do time de negócios da Globo na criação e desenvolvimento
de ações comerciais contextualizadas, garantindo que as marcas sejam parte
das histórias e que as pessoas tenham a melhor experiência. Os projetos são
adequados ao porte e à estrutura de cada competição, levando em conta características
individuais. Não temos um formato único em relação à quantidade de
cotas e entregas. A ampliação da atuação para diferentes modalidades se reflete
também em ofertas para o mercado publicitário, reforçando a nossa estratégia
de democratizar o esporte e abrir novas oportunidades para as marcas.
Quem está no time de narradores e comentaristas?
A equipe fixa conta com os narradores Jorge Iggor e Marcelo Ferrantini; os hosts
Mariana Spinelli e Fred Bruno; os comentaristas Bruno Formiga, Luana Maluf,
André Balada e Gabriel Farias; e os repórteres e apresentadores Jordana Araújo,
Sofia Miranda, Pedro Rocha e Ludi Cianci. Há mais de 20 colaboradores para coberturas
específicas.
Como será a cobertura da Ge TV na Copa do Mundo?
O canal digital fará a transmissão gratuita de 32 jogos no Globoplay e em diferentes
parceiros e plataformas de distribuição. Além das transmissões, que serão
realizadas do Brasil, a Ge TV terá conteúdos exclusivos e a participação de Fred
Bruno, Mariana Spinelli, Bruno Formiga e Sofia Miranda direto dos países-sede. Temos
um projeto especial, em parceria com a Play9, que prevê cobertura inédita e
digital first, impulsionada por 2.026 influenciadores. A ação integrada à Ge TV vai
estimular uma narrativa interativa e contemporânea, garantindo aos anunciantes
presença nessa grande conversa de forma inovadora e completa, e ao público
a possibilidade de acompanhar conteúdo da Copa em diversas linguagens.
Terão estúdios nos EUA, México e Canadá?
Cerca de 500 profissionais do esporte da Globo estarão envolvidos na cobertura da
Copa em todas as plataformas, 113 deles in loco, direto dos países-sede do evento. No
Brasil, como sempre acontece, a Globo terá um estúdio especial construído para o
evento, além de outros estúdios adaptados para a cobertura da Copa, com cenografia
e programas dedicados. Nos Estados Unidos, teremos uma estrutura própria. Para a
Ge TV, muito conteúdo será produzido para os seus canais e, na equipe de transmissão,
Jorge Iggor comanda a narração aqui do Brasil. Bruno Formiga fará comentários
direto de Nova York; Mariana Spinelli acompanha a movimentação da seleção
brasileira; e Sofia Miranda mostra os destaques dos jogos das demais seleções. A
programação da Ge TV também contará com um programa inédito durante o torneio.
A escolha de três países-sede dificulta a logística?
Um evento desse tamanho e que acontece, nesse caso, em países diferentes,
traz o desafio da logística. Ao mesmo tempo, amplia as possibilidades de cobertura,
com histórias diferentes acontecendo simultaneamente. A estratégia será
trabalhar com equipes distribuídas e produção integrada. A Copa mobiliza todo o
ecossistema da Globo e, nesta edição, vai colocar o público em uma viagem pelas
culturas, costumes e curiosidades dos Estados Unidos, México e Canadá.
Onde o canal está presente?
A Ge TV nasceu multiplataforma e esse é o seu DNA. Atualmente, está no Globoplay,
no YouTube, no ge.globo, em TVs conectadas, como Samsung TV Plus, LG
e TCL, e em operadoras, como Claro, Vivo, Oi e Sky, além da plataforma Zapping.
Também está no TikTok e Instagram. O plano é seguir sendo distribuído por diversos
canais e plataformas.
Quais os concorrentes e diferenciais da Ge TV?
Hoje, existe um ecossistema muito dinâmico de conteúdo esportivo digital, em
constante evolução. Mais do que concorrentes diretos, todas as plataformas
disputam, principalmente, a atenção e a retenção do público — esse é o grande
desafio do mercado. A Ge TV se diferencia ao unir a força editorial, jornalística
e de direitos esportivos da Globo com uma linguagem mais leve, irreverente e
conectada ao entretenimento. Há um compromisso claro com a qualidade da
informação e com a apuração dos fatos, característica do jornalismo da Globo,
mas traduzido em um formato que dialoga com o público. A Ge TV busca trazer
a notícia em primeiro lugar, mas de forma acessível, estimulando conversa, debate
e proximidade. Conteúdos que poderiam ser percebidos como mais densos
ganham uma abordagem descontraída, sem abrir mão da relevância.
Qual é a audiência do canal hoje?
Em seis meses, a Ge TV alcançou mais de 40 milhões de pessoas e teve 190 milhões
de horas consumidas pelo público. Nas redes sociais (YouTube, Instagram
e TikTok), já soma 4,7 bilhões de visualizações, sendo 1,8 bilhão só nos conteúdos
do YouTube. Na plataforma, as transmissões ao vivo atingiram 564 milhões de visualizações,
e a base de inscritos chegou à marca de 14 milhões, registrando um
crescimento de 118% desde a estreia. No TikTok, o perfil conquistou dois milhões
de seguidores, enquanto o Instagram tem 1,6 milhão. O confronto entre Flamengo
e PSG, pela decisão da Copa Intercontinental, é o conteúdo mais assistido do
canal até o momento, com 33 milhões de visualizações. A transmissão atingiu um
pico de 5,7 milhões de espectadores simultâneos, ocupando a terceira posição no
ranking mundial de transmissões ao vivo mais assistidas da história do YouTube,
e o maior número de curtidas no YouTube Brasil. Os conteúdos ao vivo também
evidenciam a relação entre a Ge TV e a audiência mais jovem. Do público que
consome as lives do canal no YouTube, 56% têm até 34 anos.
Qual é o plano para expandir a audiência?
O esporte continua sendo um dos conteúdos mais consumidos no digital e o desejo
é expandir continuamente a audiência e a distribuição da Ge TV, que foi pensada
para evoluir junto com os hábitos de consumo do fã de esporte. A distribuição
multiplataforma, o conteúdo ao vivo e interativo e as parcerias comerciais e
tecnológicas são pilares que nos guiam nessa evolução.
“Temos um projeto especial, que
prevê cobertura inédita e digital first,
impulsionada por 2.026 influenciadores”
jornal propmark - 6 de abril de 2026 11
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
ISLA
Alice
Fotos: Divulgação
Título: ‘Você luta pela sua saúde. A gente também’
Head of art: cassio Moron
Redatores: Ricardo John e Alex Villena
Diretor de arte: Gustavo Rates
Produtora: Damn Good Advice
Aprovação: Mariana Montoaneli, larissa Ferreira e Ana Beatriz Rosa
Operadora faz uma leitura honesta dos desafios enfrentados pelos usuários
para reafirmar seu propósito de tornar o mundo mais saudável e
construir uma marca que se diferencia pelo que faz, não apenas pelo que
diz. A campanha ocupa espaços em jornais de grande circulação, revistas
de negócios e rádio, com patrocínio de boletins de saúde.
pAIm UnIteD CreAtOrS
uSAFlex
Título: ‘Viver pede conforto’
CCO: Rodrigo Pinto
Heads de criação: leonardo Torres e clarissa Barreto
Criação e conteúdo: Danielle Bittencourt, Thais Kolling e Bruna
Bordman
Aprovação: Manuela cardona e Berta Wilbert
Campanha combina experiência urbana, influência, conteúdo e merchan
em TV para ampliar a conexão emocional com consumidoras.
A estratégia de influência foi desenvolvida com a contribuição da
agência Cely, com foco em ampliar o alcance da ativação e conectar
a narrativa da campanha ao ambiente digital e a diferentes momentos
da rotina da cliente.
ALmApBBDO
BRADeScO
Título: ‘Bradesco & Agro. isso que é dupla raiz’
CCO: Pernil
Diretores de criação: eduardo Vares e Philippe Degen
Criação: Bernardo Silveira e Marcelo carvalho
Aprovação: Nathalia Garcia, José Mauricio lilla, Paulo
Marcio Batista, Daniela Fachini e Beatriz chedid
Campanha fala com produtores rurais de todos os portes e
em todas as regiões do Brasil. Estruturada como uma plataforma
de comunicação perene, seguirá o calendário agrícola
em momentos-chave: garantir a safra, com foco no crédito
rural; impulsionar o negócio, estimulando investimentos e
soluções como o consórcio para modernização e expansão.
12 6 de abril de 2026 - jornal propmark
especial lideranças criativas
Entre autoria e orquestração, o novo
papel da criação com IAs e creators
Criativos em posições C-level descrevem como as agências reposicionam a
área de criação em busca de uma maior integração com negócio, cultura,
dados, novas disciplinas do mercado e tecnologias como IA generativa
Unsplash
Mais do que produzir, cabe ao criativo decidir o que merece existir. Nesse contexto, a área de criação passa a operar como filtro do que vai funcionar para os clientes
Vitor Kadooka
Se existe um ponto em comum entre
os líderes de criação ouvidos
pelo propmark, é a ideia de que a
criatividade deixou de ocupar, ou pelo
menos de aparentar ocupar, um lugar
isolado dentro das agências. Já não
se trata apenas do momento em que
uma campanha ganha forma, mas da
área responsável por organizar sentido
em um cenário mais complexo,
pulverizado e exigente.
Essa mudança passa, primeiro, por
uma revisão do próprio objetivo da publicidade.
Se houve um tempo em que
estar em todos os lugares era praticamente
uma meta em si, hoje a repetição
já não sustenta atenção. A lógica da
interrupção perde força à medida que
cresce a disputa por tempo e interesse.
Dados do estudo ‘Media reactions
2020’, da Kantar Ibope Media, mostram
que os anúncios considerados
relevantes são preferidos por 75%
do público. Nesse contexto, a criação
passa a operar como filtro. Mais do
que produzir, cabe ao criativo decidir
o que merece existir. O conceito
precisa funcionar, responder a um
problema real de negócio e encontrar
ressonância com as pessoas.
Outro ponto recorrente entre os
executivos é a percepção de que o
processo criativo deixou de ser um
território exclusivo da agência. A criação
continua coletiva, mas em outra
escala. Hoje, envolve creators, plataformas,
dados em tempo real e inteligência
artificial.
Segundo relatório da Goldman Sachs
‘The creator economy’, de 2023, o
setor deve atingir US$ 480 bilhões até
o ano que vem, quase dobrando seu
tamanho à época, de US$ 250 bilhões.
A inteligência artificial acelera
A criatividade
deixou de ocupar,
ou pelo menos de
aparentar ocupar,
um lugar isolado
dentro das
agências
esse movimento. O relatório ‘Global
artificial intelligence study’, da PwC,
projeta que a IA pode contribuir com
até 14% do PIB global até 2030.
Diante desse cenário, o papel da
agência também muda. Em vez de
única autora, passa a operar como
organizadora de um sistema criativo
mais amplo. Em algumas falas, aparece
como orquestradora; em outras,
como guardiã da marca, fio condutor
ou filtro. Mudam as metáforas, mas a
ideia central se repete, que é garantir
coerência num ambiente distribuído.
Esse deslocamento tem efeitos
práticos. O conceito precisa nascer
mais aberto e adaptável, capaz de se
desdobrar em diferentes formatos sem
perder sentido. Ao mesmo tempo, a responsabilidade
não diminui. Pelo contrário.
Em um sistema mais aberto, alguém
precisa responder pela integridade da
ideia e pela coerência da marca.
14 6 de abril de 2026 - jornal propmark
especial lideranças criativas
Ideias precisam manter a força em
diferentes formatos e plataformas
Para Fabrício Pretto, co-CCO da Africa Creative, a criação é o sistema
nervoso central da agência, uma mentalidade que atravessa todas as áreas
“O no Reels de um creator e
conceito precisa ser potente
o suficiente para funcionar
no intervalo do ‘Jornal Nacional’ com
a mesma potência”. É neste tom que
Fabrício Pretto, co-CCO da Africa Creative,
resume o momento da criação
publicitária, em que a ideia precisa
atravessar formatos, linguagens e
contextos sem perder força.
Para ele, a mudança passa pela
forma como as ideias são construídas.
“O jogo ficou mais rápido e o campo
aumentou. Antes a gente construía
monumentos; hoje criamos ecossistemas
com vários formatos.”
Nesse cenário, o controle criativo
muda de lógica. “Deu lugar à curadoria.
A gente não impõe como o creator
fala; nós damos a ele a direção
para que ele fale a verdade da marca
com a própria voz. A responsabilidade
também subiu de patamar. Com
dados e IA, não temos mais desculpa
para não saber o que funciona. O
resultado não é mais medido em ‘cliques’,
mas no impacto real na cultura
e no faturamento.”
Ao mesmo tempo, ele reforça que o
uso de dados e tecnologia não substitui
o papel do criativo. “A IA, para nós,
é uma ferramenta que agiliza o rascunho
para sobrar mais tempo para
a grande ideia. No fim do dia, a máquina
processa, mas quem sente — e
quem faz o consumidor sentir — é o
ser humano.”
Essa visão se conecta à forma
como Pretto enxerga a atuação da
agência em um ambiente mais distribuído.
Para ele, não há oposição entre
autoria e orquestração.
“Não existe dicotomia aqui. Somos
as duas coisas. A agência continua
sendo a detentora da alma da marca:
o creator traz o frescor, a plataforma
traz o contexto, a IA traz a escala; mas
a agência traz o significado.”
“Se você tem vários instrumentos
tocando sozinhos, você tem barulho.
A agência garante que a música seja
uma sinfonia, não um ruído. Somos
Fabrício Pretto, co-CCO da Africa Creative: “O jogo ficou mais rápido, o campo aumentou. Criamos ecossistemas com vários formatos”
nós que criamos o fio condutor e o
conceito que sobrevive ao tempo.”
CARREIRA
Essa leitura se apoia em uma trajetória
construída a partir da direção de
arte e da busca por ideias que partem
de tensões reais. “Sou diretor de arte
de formação, comecei a carreira no
Rio Grande do Sul e vim para São Paulo
há 10 anos. Sempre busquei ideias que
gerassem debate e insights verdadeiros
a partir de tensões humanas.”
Depois de sete anos liderando a
criação da David São Paulo, ele chegou
à Africa Creative para atuar, ao lado de
Rog Chaves, como co-CCO de marcas
como Natura e Vivo.
Ao longo desse percurso, Pretto
“A IA para nós é
uma ferramenta
que agiliza o
rascunho para
sobrar mais
tempo para a
grande ideia”
Divulgação
estrutura uma visão de criação baseada
em três princípios. “Tudo é design.
Da marca ao processo interno, se não
é funcional e não é bonito, não comunica.
Prêmio é consequência, nunca
o objetivo — o foco é o problema do
cliente. Criatividade sem resultado
é apenas decoração. E o terceiro é a
constância: criatividade é algo que
tem de ser regado todos os dias.”
Em paralelo ao que apontam outros
líderes do setor, ele reforça: “A
criação é o sistema nervoso central
da agência. Ela não é mais um departamento;
é a mentalidade que atravessa
o comercial, o planejamento
e a mídia. Hoje, o papel da criação é
traduzir a complexidade do mundo em
simplicidade absoluta.” VK
jornal propmark - 6 de abril de 2026 15
especial lideranças criativas
‘O critério precisa ser ainda mais forte
e protegido, inclusive no uso da IA’
Na Artplan, Roberta Moraes defende uma criação pronta para
um ambiente em que as ideias já não surgem apenas na agência
Ao longo da carreira, Roberta Moraes passou
por diferentes frentes até chegar à posição
atual e atribui a essa trajetória um olhar mais
amplo sobre a função e sobre o papel que ocupa hoje
como diretora-executiva de criação na Artplan,
do Grupo Dreamers.
“Participei de projetos de reposicionamento de
grandes marcas, ajudei a estruturar uma agência
independente, a Suno, e criei o próprio estúdio
criativo, quando isso ainda não era tão comum”,
afirma.
Com esse histórico, sua leitura sobre negócio,
processo e linguagem sustenta a defesa de uma
criação menos presa a modelos tradicionais e
mais preparada para responder a um cenário em
que as ideias se espalham por múltiplos agentes,
plataformas e formatos. “Sempre acreditei em
criação a favor do negócio. Não como limitação,
mas como força. Fazer a diferença na percepção
de marca, virar ponteiro e ocupar um espaço cultural”,
diz a criativa.
Para ela, essa visão também passa pela experiência
fora do modelo tradicional de agência,
que ajudou a flexibilizar o olhar sobre o processo
criativo. “Ter experimentado modelos fora do tradicional
de agência também foi importante. Isso
me fez olhar o processo de criação de forma menos
engessada”, analisa a diretora-executiva de criação
da Artplan.
IA
Esse ponto ganha ainda mais peso no contexto
atual, em que a inteligência artificial acelera etapas,
escala campanhas e pressiona o mercado por
volume e rapidez. “Hoje, com a inteligência artificial
acelerando tudo, eu valorizo ainda mais repertório
e vivência”. No mesmo cenário, ela avalia: “A criação
perdeu o monopólio, mas não perdeu a relevância.
Na verdade, ganhou um papel mais estratégico”.
Essa mudança, para Roberta, exige outro tipo
de atuação. Em um passado em que o valor da
criação se concentrava em originar conceitos
e conduzir a execução de ponta a ponta, hoje o
desafio passa por filtrar, proteger e dar direção
em um ambiente com múltiplas contribuições. “O
critério precisa ser ainda mais forte e protegido,
inclusive no uso da IA para que não tenha excesso
de coisa genérica bem executada.”
Nesse panorama, a agência estende seu papel.
Roberta espera e executa para além de uma criação
centralizada. “A agência relevante é a que consegue
orquestrar um ecossistema criativo mais
Roberta Moraes, diretora-executiva na Artplan: “Sempre acreditei em criação a favor do negócio”
“Alguém precisa
garantir que tudo
faça sentido e
construa marca
de verdade”
Divulgação
amplo, envolvendo creators, plataformas, inteligência
artificial e os próprios times dos clientes.”
Isso, no entanto, não elimina a autoria. Segundo
ela, a agência segue responsável por definir
direção e visão criativa, ao mesmo tempo em que
assume a orquestração da execução. “[A agência]
também precisa ser orquestradora na execução,
porque hoje a ideia vive em muitos lugares ao
mesmo tempo. E manter coerência dentro de um
sistema distribuído virou essencial.”
Essa lógica impacta também a origem dos conceitos,
que passam a exigir mais flexibilidade desde
o início. “O conceito precisa nascer mais inteligente.
Não pode depender de uma execução só. Tem de
funcionar em diferentes formatos, linguagens e velocidades,
sem se diluir.”
Para Roberta, no fim, “alguém precisa garantir que
tudo faça sentido e construa marca de verdade”. VK
16 6 de abril de 2026 - jornal propmark
twosides.org.br
especial lideranças criativas
‘A criação é o motor da agência. Eu diria
ser a coisa mais importante? Sim e não’
Otavio Schiavon, VP da BETC Havas, defende integração para garantir
consistência; segundo ele, a criação nunca deixou de ser coletiva
Antes de chegar à vice-presidência
de criação da BETC Havas,
Otavio Schiavon, ainda no interior
de São Paulo, já tinha certeza de
que queria ser criativo publicitário.
Mais intuição do que plano estruturado,
como ele mesmo descreve. Foi
no Fest’Up, ainda na faculdade, que
veio o primeiro choque de realidade
e também o impulso que definiria o
início da carreira.
“Lá atrás, em Lins, interior de São
Paulo, eu tinha certeza de que queria
ser um criativo publicitário. Talvez
mais feeling do que certeza. Mas que
tinha, tinha. Na faculdade, também
no interior, lá pelo terceiro ano, fui
apresentado ao Fest’Up… Tomei todos
os choques de realidade possíveis.
Descobri o quão difícil seria entrar
em uma boa agência. Eu tinha de dar
‘o gás’. E não tinha Red Bull na época.
Meti as caras e, no ano seguinte, estava
lá eu de volta ao Fest’Up, vencendo
o concurso que dava um estágio em
uma grande agência.”
De lá para cá, Schiavon diz ter
construído a trajetória sem um plano
rígido, guiado mais pelas pessoas
com quem trabalhou do que por movimentos
calculados. “A partir daí, fiz
o que gostava, sem pensar muito no
próximo passo. Errei, acertei, mas
sempre tive a sorte de contar com
pessoas que me inspiravam e me
ensinavam ao meu redor. Chefes, duplas,
parceiros e parceiras. Pessoas
que não só me deram oportunidades,
mas também me deram a mão”,
diz o VP da BETC Havas.
Esse olhar coletivo aparece também
na forma como ele entende a
criação hoje. Para Schiavon, a propaganda
precisa ir além da interrupção.
“Como todo apaixonado pelo que faz,
eu sempre consumi muito a profissão…
Hoje, a gente não se cansa de
repetir que a propaganda não deve
ser uma interrupção. Ela precisa ser
relevante, fazer rir, fazer chorar, fazer
pensar. Hoje, eu tenho certeza disso. E
tinha certeza também ontem.”
Otavio Schiavon, VP de criação da BETC Havas: “Fiz o que gostava, sem pensar muito no próximo passo”
MOTOR
Na agência, ele resume o papel da
criação de forma direta como um motor
de automóvel. O executivo utiliza
uma analogia que traduz como enxerga
o funcionamento do sistema.
“A criação é o motor da agência.
Eu diria ser a coisa mais importante?
Sim e não. Em uma rápida analogia
à Fórmula 1 de 2026 (sim, sou
desses), de nada adianta um Adrian
Newey projetando uma Aston Martin
com requintes espetaculares
de inovações aerodinâmicas se o
motor da Honda entrega 50 km/h a
menos que as outras equipes e vibra
a ponto de comprometer a integridade
física de um Fernando Alonso
da vida. A agência precisa ter uma
“Lá atrás, em
Lins, interior de
São Paulo, eu
tinha certeza
de que queria
ser um criativo
publicitário”
Divulgação
coisa funcionando e contribuindo
para a outra.”
Nessa linha, para Schiavon, a criação
nunca deixou de ser coletiva. O
que mudou foi a escala dessa colaboração.
“Antes, a agência já orquestrava
diretor, fotógrafo, produtora,
mídia etc. Hoje, esse ecossistema
ficou exponencialmente maior: creators,
plataformas, IA, dados em
tempo real e times internos mais robustos.
Não é uma mudança, é uma
expansão.”
Na prática, isso impacta a forma
como os conceitos são pensados. “O
conceito precisa nascer mais aberto
e adaptável. Mas, de novo, isso sempre
foi a máxima que, em teoria, sempre
buscamos”, conclui o criativo. VK
18 6 de abril de 2026 - jornal propmark
especial lideranças criativas
Criação que funciona: aliar criatividade
a insights verdadeiramente humanos
Para Vinicius Fernandes, da Crispin, o valor da criatividade está menos
na execução e mais na capacidade de resolver problemas de negócio
O
deslocamento marcou a trajetória de Vinicius
Fernandes, diretor de criação da Crispin. Mais do
que geográficas, as mudanças moldaram seu
repertório e a forma como enxerga o papel da criação
dentro da agência. Com passagens por mercados
como Salvador, São Paulo, Boston e Nova York, suas
experiências consolidaram uma visão menos dependente
de formato e mais centrada na capacidade de
se manter relevante em diferentes contextos.
Fernandes fala que esse percurso ajudou a desenvolver
uma leitura mais atenta ao ambiente e, principalmente,
às pessoas. “Ensinou-me a ler bem o ambiente
e, principalmente, a buscar insights que sejam
verdadeiramente humanos, os que funcionam independentemente
do formato, do canal ou do mercado.”
Hoje, à frente da criação na Crispin, o foco se
afasta de ideias apenas interessantes e se aproxima
daquilo que funciona na prática. “Elas precisam
ser relevantes, aplicáveis e capazes de funcionar em
diferentes contextos, mantendo consistência e impacto
na execução”, diz o criativo.
Ele aponta uma mudança de perspectiva ao deixar
de enxergar a criação como entrega e passar a
tratá-la como ferramenta. Para Fernandes, essa virada
altera não só a forma de construir uma ideia,
mas também os critérios de avaliação do que funciona.
“E, mais recentemente, passei a entender que a
forma de conduzir a criação mudou. Com mais gente
participando do processo, o papel do criativo, seja
em Nova York ou São Paulo, passa menos por centralizar
a execução e mais por definir bem a direção: estabelecer
o conceito, os critérios e o território para
que diferentes frentes consigam contribuir com
autonomia, sem perder consistência de mensagem.”
Dentro da agência, isso se traduz em uma atuação
mais integrada. O executivo pondera que a criação
precisa atravessar outras áreas desde o início,
conectando estratégia, mídia e dados. “Hoje, o papel
da criação é transformar objetivos de negócio em
ideias que realmente funcionem, não só chamem a
atenção, mas também respondam de forma clara às
necessidades das marcas, seja vender mais, ganhar
relevância ou fortalecer posicionamento”. Ou seja,
“ela deixa de ser uma área isolada e passa a atravessar
toda a agência, trabalhando junto com estratégia,
mídia e dados desde o início. É isso que garante
que o que foi planejado se sustente na execução”.
PAPEL CENTRAL
O diretor de criação da Crispin propõe que a agência
mantenha um papel central, mas precisa operar
de forma mais distribuída, assumindo tanto a ideia
Vinicius Fernandes, diretor da Crispin: “Recentemente entendi que a forma de conduzir a criação mudou”
“Hoje, o papel da criação
é transformar objetivos
de negócio em ideias
que realmente
funcionem, não só
chamem a atenção”
Divulgação
quanto a organização do ecossistema em que ela
será executada. “Seguimos responsáveis pelo conceito
central e pela direção criativa, mas também
por estruturar esse ecossistema, garantindo que
diferentes frentes trabalhem de forma conectada.”
Isso impacta diretamente o desenvolvimento do
conceito, que precisa nascer preparado para diferentes
desdobramentos. Além disso, a condução do
processo também muda, com menos foco em controle
total e mais em definição de parâmetros.
“Em vez de acompanhar cada detalhe da execução,
o foco passa a ser definir bem a direção, o tom
de voz, o território da marca e os critérios de qualidade,
para que diferentes parceiros atuem com autonomia,
dentro de um mesmo caminho.”
No conjunto, Fernandes amarra que o resultado
passa a ser compartilhado. “Com mais agentes
envolvidos, o sucesso depende de uma construção
conjunta, com a agência garantindo integração e
qualidade na entrega.”
VK
jornal propmark - 6 de abril de 2026 19
especial lideranças criativas
‘A agência criativa continua sendo quem
puxa as grandes ideias e orquestra tudo’
Pedro Araújo, CCO da DPZ, afirma que é indispensável entender os
recursos do cliente, conectar os parceiros certos e garantir coerência
Com formação múltipla em estúdios
criativos de diferentes
portes, Pedro Araújo, CCO da DPZ,
garante que ter construído a base de
sua carreira no fazer criativo contribuiu
para uma gestão mais atenta
aos processos, inclusive aos detalhes.
“Fui aprendendo a olhar mais para
a estratégia e o negócio com o tempo,
mas minha formação é de quem
escreve, de quem cria. Ter passado
muitos anos criando antes de liderar
foi importante. As equipes criativas
percebem quando o líder entende o
trabalho e se importa com a qualidade
dele”, ressalta ele.
Com um perfil proativo, Araújo afirma
que prefere antecipar movimentos
a reagir a eles. Para o executivo,
a relação entre empresas e agências
está em constante evolução, com
clientes buscando parceiros que entendam
seus desafios de negócio e
entreguem soluções mais simples —
ainda que o contexto torne o trabalho
mais complexo.
“Foi essa busca por simplicidade
e agilidade que alimentou o boom
das agências independentes a partir
de meados da década passada, com
clientes trocando grandes estruturas
por operações mais leves e próximas.
E depois veio o movimento inverso:
marcas querendo reunir tudo num
único parceiro, buscando coerência e
escala. Os dois movimentos parecem
opostos, mas nascem da mesma necessidade:
ter do lado alguém que
resolva, não que complique. Cada
mudança na minha carreira foi, de
alguma forma, uma tentativa de me
posicionar antes desses movimentos
se consolidarem.”
Nesse cenário, ele entende que o
papel da criação também se desloca.
De uma área isolada, passa a atuar
como ponto de convergência dentro
da agência, conectando diferentes
disciplinas desde o início do processo.
“É um papel muito mais integrado.
É preciso entender de negócio, mídia,
dados, produção e plataformas. A
Pedro Araújo, CCO da DPZ: “A criação hoje é o ponto de convergência entre todas as áreas. O maior desafio é ter ideias relevantes”
criação hoje é o ponto de convergência
entre todas essas áreas. E o maior
desafio não é ter ideias criativas, mas
ter ideias viáveis e que sejam relevantes
para o negócio e para as pessoas.”
Com mais agentes participando do
processo criativo, Araújo avalia que
cresce a necessidade de uma visão
mais ampla. Para ele, a agência segue
responsável por puxar as grandes
ideias, mas se torna indispensável
pela capacidade de organizar esse
ecossistema.
“Tem muito mais gente participando
do processo criativo hoje. E
quanto mais gente na mesa, mais o
cliente precisa de alguém que enxergue
o todo. A agência criativa é quem
melhor pode fazer isso. Ela continua
sendo quem puxa as grandes ideias,
mas o que a torna indispensável é a
capacidade de orquestrar: entender
os recursos do cliente, conectar os
“Quanto mais
gente na mesa,
mais o cliente
precisa de alguém
que enxergue
o todo”
Divulgação
parceiros certos e garantir que a marca
se mova com coerência em todas
as frentes.”
É nesse ponto que a metáfora da
orquestra se consolida. Mais do que
executar cada peça, cabe à criação
garantir que todos os elementos trabalhem
em conjunto, sem perder unidade.
“Um bom conceito é aquele que
funciona num filme e também nos
conteúdos de creators, em ativações
de varejo e em banners de programática”,
avalia o CCO da DPZ.
Com isso, o critério criativo também
muda. “Ele deixa de ser aprovar peças
e passa a ser garantir a consistência
da mensagem em todos os lugares,
respeitando as peculiaridades de cada
formato”. Ele finaliza: “E a responsabilidade
sobre o resultado, inevitavelmente,
fica mais compartilhada, o que
exige mais confiança entre agência,
cliente e parceiros.” VK
20 6 de abril de 2026 - jornal propmark
especial lideranças criativas
Do banner ao sistema de ideias, carreira
internacional traz visão mais conceitual
CCO da Ogilvy, Rafael Donato relaciona sua trajetória à forma como
enxerga a criação, escanteando formatos e mais orientada por conceito
Rafael Donato, CCO da Ogilvy Brasil: “Tive o privilégio de aprender o jeito inglês de criar: rabiscando centenas de conceitos”
Rafael Donato, CCO da Ogilvy
Brasil, começou a sua carreira
em Los Angeles, nos Estados
Unidos, no momento em que o mercado
se concentrava na criação de
banners, nos idos da década de 1990
- quando “o e-commerce ainda engatinhava”.
Posteriormente, já em Londres, a
experiência na Miami Ad School imprimiu
uma virada mais estrutural
na forma de pensar da criação. “Foi
ali que minha cabeça realmente explodiu.
Tive o privilégio de aprender o
jeito inglês de criar: rabiscando centenas
de conceitos, desenhando roughs
em folhas de caderno e passando
por incontáveis reviews criativos.”
O contato com uma publicidade
mais conceitual e orientada por
ideia, e não por formato, passa a
ditar sua trajetória. “Era uma publicidade
extremamente conceitual,
com humor ácido e uma obsessão
enorme por craft.”
Esse repertório ganha contorno
ao chegar ao Brasil, em um momento
de transição do mercado. Segundo
Donato, a experiência internacional
ajudou a sustentar um olhar menos
formatado em meio à mudança de
lógica da indústria. “Quando me mudei
para o Brasil, esse jeito ‘desformatado’
de pensar caiu muito bem
num momento de transformação do
nosso mercado: da publicidade tradicional
para marcas com propósito,
do comercial de TV para o case da
ideia, do digital para o social native.”
Como um dos exemplos citados
pelo executivo, o trabalho que realizou
com o Burger King, durante sua
passagem pela David São Paulo, é,
na sua visão, a consolidação da sua
experiência. “Ideias desformatadas,
saindo do social, indo para a TV, para
plataformas de e-commerce”, ele
descreve.
A partir dessa trajetória, Donato
argumenta que a criação continua
a ser o centro da agência, mas com
uma atuação mais ampla. O executivo
elabora: “Porque é ela que transforma
estratégia em cultura, atenção
em relevância e uma marca em
algo desejável”.
AUTORES
Ao mesmo tempo, ele aponta
uma mudança no escopo do trabalho.
“Não se trata mais só de fazer
campanhas. Trata-se de construir
sistemas de ideias que possam viver
em múltiplos canais, formatos
e velocidades.”
“Trata-se
de construir
sistemas de ideias
que possam viver
em múltiplos
canais”
Divulgação
Como um processo que não se
restringe à agência, “a criação publicitária
passou a acontecer de
forma mais distribuída, envolvendo
creators, plataformas, inteligência
artificial e até estruturas internas
das marcas”, analisa Donato.
A autoria, segundo ele, também se
redefine. “Continuamos sendo autores,
mas menos no sentido de monopolizar
a execução e mais no sentido
de definir a visão, o conceito e o território
criativo.”
VK
jornal propmark - 6 de abril de 2026 21
especial lideranças criativas
Trajetória no mercado digital antecipa
uma visão de criação mais integrada
CCO da Publicis Brasil, Mauro Ramalho defende uma área de
criação menos linear e mais conectada a plataformas, dados e cultura
A
trajetória de Mauro Ramalho,
CCO da Publicis Brasil, começa
fora do caminho tradicional da
publicidade. Desde o início, sua atuação
esteve ligada ao digital, em um
momento em que o mercado ainda
concentrava esforços em formatos
mais tradicionais. “Minha trajetória foi
não linear. Sempre apostei no digital.
Enquanto o mundo falava de publicidade
tradicional, eu enxergava o futuro
digital. Meu ingresso no mercado
já foi por uma das principais agências
digitais do mundo, a AgênciaClick.”
Esse ponto de partida ajuda a explicar
por que a criação, no cotidiano
do executivo, está menos ligada a
formatos e mais à transformação
dos próprios ambientes em que a
comunicação acontece. Ao longo da
carreira, essa lógica se manteve, com
passagens por diferentes agências e
mercados. “Sempre olhei para esse
caminho da transformação e de tudo
o que estava adiante. Passei por outras
agências sempre buscando transformar
esses ambientes”, diz ele.
A experiência internacional reforça
esse percurso. Entre Toronto e Detroit,
enquanto atuava na Organic, e depois
em São Francisco, na AKQA, Ramalho
ampliou o contato com modelos mais
integrados entre tecnologia, dados e
criação. Antes disso, havia passado
pela McCann no Brasil, consolidando
uma trajetória que alterna mercados
e estruturas com diferentes níveis
de maturidade digital. “Voltei ao Brasil
para ingressar na Cubo, uma das
agências mais disruptivas da sua época.
Também passei pela R/GA e FCB,
até chegar na Publicis Brasil, onde
hoje busco trazer esse caminho de
disrupção.”
Essa sequência de movimentos
não segue uma progressão linear de
cargos, mas uma lógica de escolha.
“Eu consegui alçar voos maiores porque
sempre fiz apostas não óbvias na
profissão. Isso me alavancou na carreira
e moldou muito a minha visão e
as minhas decisões de criação.”
Mauro Ramalho, CCO da Publicis: “Meu ingresso no mercado foi por uma das principais agências digitais do mundo, a AgênciaClick”
As apostas, segundo o CCO da Publicis,
passam por uma aproximação
constante com tecnologia e novos
formatos, o que orienta sua forma de
pensar campanhas e soluções. “Prezo
e sempre prezei por trazer uma visão
voltada à tecnologia e mais disruptiva
nos formatos. Campanhas 360, com
um olhar mais digital, mais tecnológico”,
detalha o criativo.
FRAGMENTAÇÃO
Essa base ajuda a entender como
ele enxerga o papel da criação
“Prezo e sempre
prezei por trazer
uma visão voltada
à tecnologia e
mais disruptiva
nos formatos”
Divulgação
hoje. Em um ambiente mais fragmentado,
a área deixa de operar
de forma reativa e passa a atuar
de maneira mais propositiva dentro
do negócio. “Com a fragmentação
dos canais e com as conversas
acontecendo em múltiplos meios,
a criação deixou de ter um papel
passivo, de simplesmente responder
a um briefing. Ela se tornou uma
disciplina que imagina oportunidades
dentro dos clientes e constrói
ideias mais conectadas ao que está
acontecendo agora, à cultura.” VK
22 6 de abril de 2026 - jornal propmark
especial lideranças criativas
Em meio à pulverização de mensagens,
marcas precisam permanecer intactas
CCO da Talent, Gustavo Victorino defende que a agência deve garantir
consistência e propósito na construção das marcas em tempos de IA
Em um cenário em que mensagens se multiplicam
nas diferentes plataformas, linguagens e formatos,
manter a consistência de marca se torna um
dos principais desafios da comunicação. Para Gustavo
Victorino, CCO da Talent, é nesse contexto que o papel
da agência se redefine. Para além da autoria de
ideias, passa a ser responsável por garantir unidade.
“Como guardiões da marca, nossa missão é assegurar
que, mesmo com mensagens pulverizadas
em diferentes meios e linguagens, a identidade e o
propósito do cliente permaneçam intactos”, diz ele.
A partir desse princípio, Victorino entende que a
agência mantém um papel central, ainda que mais
distribuído. “A agência continua sendo o berço do
conceito e da estratégia de marca. Nós propomos
a ideia central e a partir daí, assumimos o papel de
orquestradores de um ecossistema complexo.”
Nesse modelo, a abertura para creators, plataformas
e tecnologia não enfraquece a atuação da agência,
desde que haja direção clara. Sem esse alinhamento, o
risco é a comunicação perder coerência e diluir o posicionamento
da marca ao longo dos pontos de contato.
“Podemos, e devemos, somar a expertise de creators,
a agilidade das plataformas e o potencial da
tecnologia, mas cabe à agência garantir que todos
esses movimentos estejam a serviço de uma construção
sólida.”
Esse exercício constante de direção, em que há
espaço para colaboração, demanda um norte bem definido.
“Assim como um diretor de arte necessita de
espaço para imprimir sua visão dentro de um norte
claro, nós damos autonomia aos parceiros desse ecossistema,
mas mantemos o rigor sobre a mensagem.”
Essa visão foi construída com uma trajetória de
26 anos de carreira, entre agências como DPZ, Leo,
AlmapBBDO, DM9, Wieden+Kennedy e Publicis, além
de uma experiência internacional na DDB Colômbia.
Ao longo desse percurso, o criativo acompanhou de
perto a transformação do modelo tradicional de publicidade
para uma lógica mais distribuída e orientada
por múltiplos canais.
“Há uma decisão estratégica que tomei e que me
trouxe muitos frutos: sempre mudei de agência buscando
trabalhar com profissionais que eu admirava.
Essa bússola elevou meu repertório e me tornou um
profissional mais completo e plural.”
A vivência em diferentes mercados e momentos
da indústria também reforçou a importância da
adaptação. “Vivi a propaganda antes do celular e
acompanhei a transição do analógico para o digital
em tempo real. Isso te obriga a se reinventar constantemente”,
destaca o CCO da Talent.
Gustavo Victorino, CCO da Talent: “Nossa capacidade de inventar torna-se o maior diferencial competitivo”
“Podemos, e devemos,
somar a expertise de
creators, a agilidade das
plataformas e o potencial
da tecnologia”
Divulgação
VISÃO DE CRIAÇÃO
Ao mesmo tempo, consolidou uma percepção que
orienta sua visão de criação até hoje: a de que a essência
de uma ideia permanece, independentemente
do contexto. “Mergulhar em outros mercados e
culturas diferentes me ensinou algo valioso: as plataformas
e contextos podem mudar, mas a essência
de uma grande ideia é universal.”
Nesse cenário, em que a inteligência artificial
amplia a produção e tende a padronizar entregas,
Victorino defende que a criatividade se torna ainda
mais relevante — justamente por ser um dos poucos
elementos capazes de garantir diferenciação
e autenticidade. “A criação é o coração da agência.
Em um cenário onde a inteligência artificial começa
a pasteurizar as entregas, a nossa capacidade de
inventar torna-se o maior diferencial competitivo”,
ressalta o criativo.
VK
jornal propmark - 6 de abril de 2026 23
especial lideranças criativas
Na T&S, filtro do criativo inibe distração
e ajuda cliente a manter foco no negócio
Para Flavio Waiteman, é nesse território que a criatividade das agências
influencia resultados das marcas e encontra o seu papel no longo prazo
Criar todos os dias algo interessante o suficiente
para seguir relevante. É assim que Flavio Waiteman,
cofundador e CCO da Tech&Soul, resume a
própria trajetória, uma lógica que associa à estratégia
de Sherazade, personagem de ‘As mil e uma noites’,
que sobrevive ao contar histórias continuamente.
Waiteman atrela essa ideia de continuidade à
forma como enxerga a criação como um exercício
constante de repertório, atenção e permanência.
“Minha trajetória foi baseada na estratégia de
Sherazade: todos os dias, criar uma história interessante
para manter a cabeça no lugar. Tem dado
certo nos últimos 30 anos.”
Essa visão ajuda a entender por que, para o criativo,
a criatividade não se limita a gerar campanhas
ou peças. “Acredito na criatividade como força capaz
de moldar o comportamento humano. Creio
firmemente que a comunicação pode evitar erros já
cometidos por outros, impulsionar indústrias e colaborar
com o desenvolvimento humano em saúde,
educação e cultura”, destaca Waiteman.
Dentro da Tech&Soul, esse viés orienta a atuação
da criação, ainda que de forma integrada a outras
áreas. Ao comparar a área à cozinha de um restaurante,
ele aponta para uma função central, responsável
pela entrega, mas que depende de um sistema
ao redor para acontecer. Se essa “cozinha” operava
com maior controle sobre o que era servido, atualmente
o cenário é outro. A fragmentação dos canais,
a entrada de novos agentes e a ampliação das possibilidades
de produção tornam a ideia de autoria
isolada menos viável.
Assim, para o criativo, o valor da agência não
está mais em ser dona exclusiva das ideias, mas em
participar de construções mais amplas. “Uma ótima
agência de publicidade sempre vai ser coautora de
algo. Nunca dona solitária de qualquer sucesso. É
melhor ser coautor de ideias maravilhosas do que
único criativo de algo irrelevante, como já dizia Washington
Olivetto”, observa o CCO da Tech&Soul.
Essa mudança reposiciona a agência como uma
estrutura mais estratégica e consultiva, capaz de
liderar e organizar diferentes frentes de comunicação.
Diante da multiplicidade de canais e formatos,
a atuação passa a envolver coordenação e articulação
entre parceiros.
Flavio Waiteman, cofundador e CCO da Tech&Soul: “Minha estratégia tem dado certo nos últimos 30 anos”
“Acredito na criatividade
como força capaz de
moldar o comportamento
humano”
Divulgação
TIPOS DE AGÊNCIAS
“Existem vários tipos de agências hoje. A agência
de publicidade como conhecemos está cada vez
mais estratégica e consultiva em sua criatividade.
Ela acaba liderando e orquestrando os demais parceiros
de comunicação dos clientes nos infinitos
canais disponíveis hoje.”
Nesse contexto, concentrar todas as disciplinas
dentro da agência deixa de ser uma ambição realista.
Waiteman entende que a colaboração com outras
empresas e com estruturas internas dos clientes é
uma consequência natural desse cenário.
“Ou seja, é quase impossível manter todas as disciplinas
de comunicação existentes dentro da agência.
É natural a agência líder colaborar com outras
empresas de comunicação ou estruturas internas
dos clientes.”
Se a criação deixa de ser centralizada, o papel
da agência ganha outra camada: a de filtro. Em um
ambiente com mais possibilidades do que nunca,
o desafio deixa de ser apenas produzir e, sim, passa
a ser escolher. “Cortar as distrações e colaborar
com o cliente para manter o foco no que interessa”,
finaliza Waiteman.
VK
24 6 de abril de 2026 - jornal propmark
especial lideranças criativas
Para Frederico Teixeira, da VML, a ‘ideia
genial’ ainda é um mito romantizado
Ao lado de Denon Oliveira, dupla de ECDs da agência aponta
consistência, parceria e processo como base da área de criação
Frederico Teixeira, ECD da VML
Brasil, enfatiza que um dos primeiros
aprendizados de sua carreira
foi abandonar uma das ideias
mais romantizadas da profissão.
“No começo da carreira, existe o mito
da ‘ideia genial’. E, com o tempo,
percebi que isso é uma falácia. Pode
até começar na sua cabeça, mas sem
perseverança, coletividade e consistência,
nada acontece.”
Seu início passa por diferentes
escritórios no Rio de Janeiro, até chegar
à Ogilvy Rio e, depois, à Young &
Rubicam, onde acompanhou de perto
as transformações da agência ao longo
dos anos — processo que culmina
hoje na VML. Permanecer no mesmo
ambiente por tanto tempo, segundo
ele, proporcionou uma perspectiva
pouco comum. “E me deu uma perspectiva
rara: acompanhar de perto a
construção de uma cultura criativa
ao longo do tempo”, observa Teixeira.
Esse olhar sobre continuidade
e construção também aparece na
trajetória de Denon Oliveira, ECD da
VML Brasil, que construiu sua carreira
de forma progressiva dentro
da mesma estrutura. Após início
em agências menores e passagem
pela AlmapBBDO, chegou à Young
& Rubicam em 2012, acompanhando
sua transformação em VMLY&R
e, posteriormente, VML. “Optei por
seguir um caminho diferente: fazer
esse mesmo movimento, mas com a
intenção de crescer onde eu estava.
Em determinado momento da carreira,
entendi que o diferencial deixa
de ser a premiação pontual e passa
a ser consistência, histórico, confiança
e contribuição para a cultura da
agência”, recorda Oliveira.
Se Teixeira questiona o mito da
ideia isolada, Oliveira reitera a importância
da construção contínua e
coletiva. Para ele, o trabalho em dupla
é parte central desse processo.
“Acredito no modelo de duplas como
base da criação em uma agência.
Em 2016, o Fred Teixeira chegou para
Denon Oliveira e Frederico Teixeira, ECDs da VML Brasil: “Compartilhamos a mesma visão de carreira e valorizamos trabalho em dupla”
formar dupla comigo e, de lá para cá,
seguimos juntos.”
TRABALHO EM DUPLA
Ao longo dos anos, a parceria se
consolidou não apenas na execução
de campanhas, mas na construção de
uma visão comum sobre criação. Oliveira
descreve que a dupla pensa em
propaganda “de forma muito semelhante”.
“Compartilhamos a mesma
visão de carreira, ambição criativa e
valorizamos profundamente o trabalho
em dupla”, afirma.
Essa lógica também orienta a forma
como ambos entendem o papel da
criação dentro da agência. Para Teixeira,
a área tem função de construção
“Acredito no
modelo de duplas
como base da
criação em uma
agência”
Divulgação
cultural. “A criação tem a função de
construir cultura, algo que norteia
não só quem faz parte dela, mas as
outras áreas também.”
Oliveira complementa a discussão
ao deslocar o foco da execução
para a definição da ideia. “O diferencial
já não está em ‘como fazer’, mas
em ‘o que fazer’, na força da ideia e,
principalmente, na capacidade de
sustentá-la com consistência ao
longo do tempo.”
Essa consistência, segundo ele,
também passa por uma mudança
estrutural na forma como a criação
acontece hoje. “A agência deixou de ser
aquele lugar onde a ideia ‘nasce pronta’
e depois só é desdobrada.” VK
jornal propmark - 6 de abril de 2026 25
especial lideranças criativas
Criação ganha papel mais estratégico
em cenário de maior complexidade
Na WMcCann, os novos desafios do processo criativo são de negócios,
cultura e relevância, observa o CCO da agência, Rapha Borges
Rapha Borges, CCO da WMcCann: “Sair de agência foi a melhor forma de entender como uma agência respira”
Na WMcCann, os desafios dos
clientes transgridem a comunicação
e exigem relevância.
Não se trata mais apenas de dar forma
a campanhas, mas de participar
de decisões que envolvem negócio,
cultura e construção de marca. É
nesse contexto que Rapha Borges,
em sua segunda passagem pela
agência, ocupa hoje a cadeira de CCO.
“De caráter de negócio, de cultura,
de relevância. A criação precisa
estar sentada nessa mesa desde
o começo, não só no final para dar
forma. Criar hoje é entender mais. É
ouvir mais. É se envolver mais cedo.
É ter coragem de dizer não quando
for preciso e sensibilidade para encontrar
caminhos possíveis dentro
de cenários difíceis.”
A leitura do executivo parte de
uma mudança prática, mas também
de percurso. Ao longo da carreira,
Borges passou por diferentes momentos
dentro e fora da publicidade,
e foi justamente ao se afastar do cotidiano
da agência que ampliou a forma
de enxergar o processo criativo.
“Sair de agência foi a melhor forma
de entender como uma agência
respira. Foi quando decidi me afastar
que consegui enxergar o todo”,
lembra ele.
A partir desse distanciamento,
passou a observar a criação fora do
ambiente tradicional, em áreas como
cultura, entretenimento e tecnologia.
Isso ajudou a consolidar uma
visão menos centrada na execução
e mais no fluxo das ideias. “Ali havia
ideias acontecendo o tempo inteiro,
vivas, em movimento”, relembra.
Esse repertório influencia diretamente
a forma como ele enxerga a
criação. Em sua visão, a área deixou
de ser apenas o ponto onde as ideias
nascem e passou a assumir um papel
de direção dentro da agência.
“A criação é dar sentido no meio
do ruído. É olhar para um briefing
que muitas vezes vem apertado,
confuso, cheio de expectativas diferentes,
e conseguir encontrar uma
linha que organize tudo isso em algo
simples e forte.”
SALINHA
Ao mesmo tempo que a ideia continua
sendo o centro, novas exigências
aparecem, principalmente com
o surgimento de novas mãos criativas.
“A boa ideia continua sendo o
centro. Mas agora ela não pode ser
só boa. Ela precisa funcionar, precisa
fazer sentido para a marca, para
as pessoas e para o tempo em que
a gente está vivendo. A criação saiu
“O trabalho
continua sendo
o mesmo. Mas
o caminho até
ele mudou”
Divulgação
da salinha. Antes, a ideia nascia ali
dentro, ganhava forma e depois ia
para o mundo. Hoje, o mundo também
cria.”
Com mais agentes participando,
o papel da agência também se desloca.
“A agência passa a ser quem
organiza o caos. Quem entende o
que faz sentido dentro de tantas
possibilidades. Quem garante que
exista uma linha, um pensamento,
uma identidade.”
Borges enfatiza: “O trabalho continua
sendo o mesmo. Mas o caminho
até ele mudou.” VK
26 6 de abril de 2026 - jornal propmark
mídia
SBT apresenta novidades na grade de
entretenimento para o mês de abril
A emissora detalhou as novas fases de programas como ‘Fábrica de
casamentos’, parceria com o Disney+, ‘Comédia SBT’ e ‘Viva a noite’
Bruna Nunes
No dia 30 de março, o SBT reuniu
imprensa e convidados para
apresentar, em coletiva realizada
em São Paulo, as novidades da sua
grade de entretenimento. O encontro,
realizado em formato híbrido, antecipou
detalhes de estreias e novas
fases de programas que passam a
integrar a programação da emissora
nas próximas semanas.
Entre os destaques estão a nova
temporada do ‘Fábrica de casamentos’,
agora exibida simultaneamente
na TV aberta e no streaming em
parceria com o Disney+, a estreia do
‘Comédia SBT’ nas noites de sábado e
a reformulação do ‘Viva a noite’, que
retorna com nova fase sob o comando
de Luiz Ricardo.
A nova temporada do ‘Fábrica de
casamentos’ estreou em 1º de abril,
com transmissão simultânea no SBT
e no Disney+, com produção assinada
pela Formata. A nova fase traz como
principal novidade a chegada de Ana
Furtado ao comando da atração, além
da ampliação da experiência multiplataforma,
com versões estendidas
no streaming, incluindo bastidores e
cenas inéditas.
O programa mantém o time original
com Beca Milano, Lucas Anderi e
Mari Dedivitis, e passa a apostar em
uma ambientação em estúdio, com
ajustes de linguagem e narrativa. A
temporada terá 12 episódios semanais,
preservando a dinâmica central
de acompanhar casais na realização
do casamento em sete dias.
“É um projeto em que eu estou
muito feliz em voltar após 4 anos. E
é uma mudança radical: o ‘Fábrica’
está vindo com muita emoção. Teve
um processo de internalização, com
imersão no cenário que era externo
e veio para o estúdio”, afirma Marcelo
Kestenbaum, diretor do programa.
“É um sentimento de pura alegria.
É um programa que inspira, emociona,
humaniza. Eu chorei praticamente
Coletiva do reality ‘Fábrica de casamentos’, que terá transmissão simultânea no SBT e Disney+ e será apresentado por Ana Furtado
em todos os episódios e estou muito
feliz com a forma como fui recebida
por todos. Eu não poderia ter escolhido
um projeto mais especial. Quero
agradecer muito ao SBT e ao Disney+
também”, celebrou a apresentadora
Ana Furtado, que retorna à TV aberta.
Já o ‘Comédia SBT’ estreou em 4 de
abril, às 21h30, ocupando as noites de
sábado com uma proposta centrada
no “humor espontâneo e na interação
com o público”. A atração será comandada
por Victor Sarro e Rodrigo Capella,
com participação de Xaropinho.
Gravado em diferentes espaços do
complexo da emissora, o programa
mistura quadros inéditos, bastidores,
desafios e participações especiais,
com uma estética dinâmica inspirada
no chamado ‘programa pirata’.
“O ‘Comédia SBT’ tem uma proposta
diferente, com humor irreverente que
conversa diretamente com o público.
Investir em novos talentoS. É assim
que seguimos evoluindo, com projetos
que dialogam com o público de
“Projetos que
dialogam com o
público de hoje,
sem abrir mão da
essência do SBT”
hoje, sem abrir mão da essência do
SBT”, destaca Mauro Lissoni, diretor
artístico do SBT. Victor Sarro destacou
a liberdade criativa do projeto: “É o
primeiro programa em que temos a
chance de criar algo e os artistas da
casa estão topando. As pessoas estão
nos apoiando no estilo do ‘Comédia’.
O importante é que não queremos rir
das pessoas, mas rir com elas”.
O ‘Viva a noite’ segue na programação
de sábado, às 22h30, agora em
uma nova fase que combina elementos
clássicos do formato com uma
Rogerio Pallatta/SBT
proposta mais atual. Sob o comando
de Luiz Ricardo, a atração aposta na
mistura de música, humor, personagens
e interação com o público.
Durante a coletiva, o apresentador
destacou o desafio de conduzir um
projeto anteriormente comandado
por nomes como Silvio Santos e Gugu.
“Ninguém está pensando em mudar
o programa, vamos sempre seguindo
a sua essência. É um desafio
muito grande, já que Silvio Santos e
Gugu são insubstituíveis. A palavra
que define a atração é ‘diversão’.
Quem tiver oportunidade, assista!
Está sensacional”, declarou ele durante
a apresentação.
“‘Viva a noite’ é mais do que um
programa, é um clássico da TV brasileira
que marcou gerações. Trazer esse
formato de volta, com leitura atual e
conectada ao público de hoje, reforça
o compromisso em valorizar grandes
sucessos e, ao mesmo tempo, seguir
inovando na nossa programação”,
complementou Mauro Lissoni.
jornal propmark - 6 de abril de 2026 27
mercado
Instituto Baccarelli transforma Favela
de Heliópolis com cultura e música
Projeto idealizador de orquestra e coral amplia atuação, reforça impacto
social por meio da educação musical e mobiliza empresas por apoio
Bruna Nunes
Em outubro de 2025, João Almeida,
diretor de marketing e comercial
do Instituto Baccarelli, foi homenageado
com o Troféu Garra de Inclusão e
Diversidade na 24ª edição do Prêmio
Contribuição Profissional da APP Brasil.
A premiação reconhece a atuação da
instituição na transformação social de
jovens em Heliópolis, na zona sul de São
Paulo, por meio da música. A reportagem,
junto com o editor de fotografia,
Alê Oliveira, foi até a sede para conhecer
de perto o trabalho do projeto.
Criado em 1996, após um incêndio
que deixou centenas de famílias
desamparadas na favela, o Instituto
Baccarelli se consolidou como um dos
principais projetos de transformação
social por meio da cultura no país. A
iniciativa surgiu a partir de uma ação
do maestro Silvio Baccarelli e começou
com aulas de música para 36 crianças.
Hoje, conta com cerca de 1.600 alunos.
Localizado na Estrada das Lágrimas,
o núcleo em Heliópolis reúne
mais de 300 turmas e quatro grupos
artísticos, com destaque para a Orquestra
Sinfônica Heliópolis, considerada
a primeira orquestra formada
em uma favela. A atuação dos grupos
tem ampliado o alcance do projeto
em diferentes circuitos culturais, e
em 2025, por exemplo, a orquestra
e o Coral Jovem Heliópolis participaram
da programação do The Town
e mantiveram agenda em espaços
como unidades do Sesc e o Theatro
Municipal de São Paulo, além de colaborações
com instituições como a
Orquestra Sinfônica do Estado de São
Paulo (Osesp).
O instituto também mantém outras
formações, como o Coral Heliópolis,
o Coral Jovem Heliópolis e a Orquestra
Juvenil Heliópolis. Os músicos
e cantores são formados dentro do
próprio programa pedagógico e, em
muitos casos, passam a integrar profissionalmente
os corpos artísticos da
instituição.
Registro de João Almeida e Eliana Vilches ao lado dos alunos da turma de pré-coral do Instituto Bacarelli, durante visita do propmark
O pOder da cultura
A formação começa ainda na infância
e acompanha o desenvolvimento
dos alunos ao longo dos anos, como
explica João Almeida. “Eles entram
muito pequenos. Quando chegam aos
6 anos, vão para o pré-coral, aprendem
a cantar, a se apresentar. Depois escolhem
um instrumento, e seguem até a
prática orquestral”. O modelo, destaca
ele, exige permanência e disciplina, o
que se torna um verdadeiro incentivo
para os participantes do projeto, que
conseguem ampliar seus horizontes.
“A nossa luta é fazer com que eles não
desistam”, diz.
O percurso inclui musicalização
infantil, canto coral, prática coletiva
e individual de instrumentos e, posteriormente,
a inserção em grupos
artísticos. “Eles passam aqui quatro,
cinco dias por semana, muitas vezes
o dia inteiro, no contraturno escolar. É
um processo contínuo, de formação e
convivência”, detalha Almeida.
A exigência de vínculo com a educação
formal é inegociável. “Para ser aluno
do Baccarelli, precisa estar matriculado
na escola. É uma exigência nossa
para não desconectar a formação artística
da educação”, explica Almeida.
Além dos docentes, o Baccarelli conta
com psicólogos contratados para fazer
o acompanhamento dos alunos.
Em 2022, a instituição também passou
a gerir 12 unidades dos Centros Educacionais
Unificados (CEUs), em parceria
com a Secretaria Municipal de Educação
de São Paulo. Hoje, são cerca de 140 mil
pessoas atendidas, em atividades que
vão além da música e incluem esporte,
cultura e lazer. Ao todo, são cerca de
6,6 milhões de atendimentos anuais.
Em 2024, o instituto também assumiu
a gestão de dez Escolas Municipais de
Ensino Fundamental (EMEFs), dentro do
projeto Escola Aberta.
Parte desse processo passa também
pelo investimento em infraestrutura.
O Teatro Baccarelli, recém-con-
“A nossa luta
é fazer com
que eles não
desistam”
Alê Oliveira
28 6 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
João Almeida, diretor de marketing e comercial, e Eliana Vilches, gerente de marketing
Turmas de alunos do Instituto Bacarrelli ensaiando um número em aula de coral
Todo o acervo de instrumentos e materiais para estudo fica no Instituto
Orquestra Sinfônica Heliópolis durante ensaio para apresentação no Teatro Baccarelli
cluído em Heliópolis, amplia o acesso
à cultura e à visibilidade da produção
local. Com capacidade para 533 pessoas
e projeto acústico de padrão internacional,
o espaço foi concebido para
receber tanto os grupos do instituto
quanto programações externas. “O
teatro foi pensado para não ser excludente.
Aqui não tem camarote, ninguém
é melhor do que ninguém. A favela
ocupa a primeira fila”, diz Almeida.
“Muita gente aqui nunca tinha entrado
em um teatro. Existe uma barreira cultural,
de pertencimento. O que a gente
faz é mostrar que esse espaço também
é deles”, continua o executivo.
Além da formação artística, o impacto
do Baccarelli aparece em trajetórias
individuais. Ex-alunos seguem
carreira internacional ou ingressam
no ensino superior, enquanto outros
permanecem ligados ao próprio instituto.
“Quando um aluno sai depois de
anos aqui, às vezes é porque passou
em medicina na USP ou foi tocar em
uma orquestra fora do país. O que a
gente busca fazer aqui é dar acesso
ao que essas crianças provavelmente
não teriam”, reflete Almeida.
Apoio
A operação do instituto combina
recursos de leis de incentivo, como
Fachada do Instituto Baccarelli, localizado na Estrada das Lágrimas, em Heliópolis
Lei Rouanet, ProAC, FumCad e ProMac,
com investimento do setor privado.
A Unilever lidera como patrocinadora
master. No pacote ouro estão
atualmente BTG Pactual, B3 e Instituto
Motiva. Já na cota prata aparecem
marcas como Kinea (Itaú), Alelo,
Zurich, Mercedes-Benz e Pró-Vida. Entre
os patrocinadores bronze estão
Bradesco, Ticket, Santander, Banco
BV, EMS, Grupo GPS e Instituto Marina
e Flávio Guimarães.
Apesar da rede de apoio, a demanda
segue acima da capacidade
atual. “O problema não é a doação
em si, é a recorrência. A gente precisa
de continuidade para manter
“O problema não
é a doação em si,
é a recorrência. A
gente precisa de
continuidade”
o projeto funcionando e conseguir
crescer”, afirma Almeida.
“O instituto atende hoje cerca de
1.650 crianças e oferece três refeições
por dia. É uma estrutura grande”,
completa. Segundo ele, há cerca
de 500 alunos em lista de espera.
Além de oferecer as refeições, o restaurante
Baccarelli contratou mães
da própria favela para a cozinha. Para
a geração desses empregos, o projeto
oferece cursos de culinária para as
colaboradoras.
É possível apoiar o Instituto Baccarelli
por diferentes frentes, tanto por
pessoas físicas quanto por empresas.
No caso individual, as contribuições
podem ser feitas por meio de doação
direta, pontual ou recorrente, ou via
doação incentivada, com destinação
de até 6% do Imposto de Renda
devido, sem custo adicional. Já para
pessoas jurídicas, há oportunidades
de patrocínio estruturadas, com cotas
e contrapartidas que viabilizam a
manutenção das atividades culturais
e educacionais do instituto, além de
iniciativas ligadas ao Teatro Baccarelli.
“Existem muitas possibilidades
de parceria. As empresas podem trazer
clientes, desenvolver experiências
aqui dentro. É uma troca que gera valor
para todos”, finaliza Almeida.
jornal propmark - 6 de abril de 2026 29
produtoras
Setor audiovisual se organiza em hubs
e grupos para ganhar escala no mercado
Estruturas coletivas e unidades internas das holdings refletem a
busca por eficiência, escala e integração na produção publicitária
Adrieny Magalhães
A
produção publicitária atravessa
um momento de reorganização.
Em um cenário marcado por
maior fragmentação de formatos,
pressão por eficiência e crescimento
da demanda por conteúdo, produtoras
independentes têm passado a se
organizar em hubs e grupos que reúnem
diferentes empresas e talentos
sob uma mesma estrutura.
O movimento busca ampliar a capacidade
de atuação, compartilhar recursos
e fortalecer o posicionamento
estratégico das produtoras no mercado.
Ao mesmo tempo, grandes grupos
globais de comunicação também vêm
reorganizando suas operações internas
de produção para lidar com a necessidade
de escala e integração com
dados, mídia e criatividade.
Nesse contexto, o mercado passa
a conviver com diferentes modelos de
estruturação da produção, que respondem
a desafios semelhantes: aumento
do volume de conteúdo, maior
complexidade de projetos e necessidade
de eficiência operacional.
TALENTOS
Entre produtoras independentes, a
formação de grupos tem sido impulsionada
pela combinação de talentos
e pela ampliação do portfólio criativo
disponível para o mercado.
Para Alexandre Lucas, CEO do MOD
Group — composto pelas produtoras
Modernista, Jet e Alchemist.Land —, a
reunião de diferentes expertises responde
a um cenário mais competitivo
e fragmentado.
“Nosso maior asset são os talentos
que reunimos dentro de uma mesma
estrutura, em diferentes áreas de
atuação. Assim, num mercado cada
vez mais pulverizado e competitivo,
passou a fazer sentido unir forças
criativas que antes atuavam isoladamente”,
ele afirma.
Segundo Alexandre Lucas, o movimento
tem caráter estratégico. “Essa
A produção audiovisual vive um novo capítulo para tornar a oferta de serviços mais dinâmica no mercado publicitário
união de talentos é um movimento
estratégico. Diretores de cena têm
suas características próprias. Assim,
faz sentido reunir diferentes talentos
para, num roster maior e mais
diverso, conseguir oferecer ao mercado
publicitário uma ampla gama de
possibilidades dentro de uma mesma
estrutura.”
A complementariedade entre empresas
também permite ampliar o
tipo de projeto disputado. No caso
do MOD Group, as diferentes especializações
das empresas possibilitam a
atuação conjunta em projetos.
“Temos três empresas bem distintas:
uma produtora de filmes (Modernista),
um estúdio de IA e design (Alchemist)
e uma empresa de conteúdo
digital (Jet). A gente procura trazer
diferentes expertises de acordo com
a necessidade, muitas vezes unindo
mais de uma empresa do grupo em
um mesmo projeto”, diz Lucas.
Além da ampliação de repertório
criativo, fatores operacionais também
influenciam o modelo de organização.
O funcionamento financeiro da
atividade de produção é um dos desafios
estruturais do setor. “A maior dificuldade
de operação de uma produtora
de filmes é justamente o modelo
de negócio. Afinal, nós antecipamos
os pagamentos de todos os fornecedores
antes de recebermos pelo trabalho
entregue. Isso significa que a
operação financeira precisa ser muito
bem gerida”, explica Alexandre Lucas.
CURADORIA CRIATIVA
Outro fator que impulsiona a formação
de hubs está relacionado à
necessidade de planejamento estratégico
de carreira para diretores e
produtoras.
Para Juliana Martellotta, CEO do
Boiler Hub, o ambiente atual exige
mais organização e direcionamento
estratégico. “O mercado ficou mais
complexo, mais fragmentado e também
mais pressionado financeiramente”,
afirma.
Segundo ela, a multiplicação de
formatos e a pressão sobre prazos e
“O mercado
ficou mais
complexo,
mais
fragmentado”
Freepik
orçamentos aumentaram a necessidade
de planejamento. “Hoje temos
mais formatos (filme, conteúdo,
social, branded, entretenimento),
orçamentos mais pulverizados e prazos
mais curtos”. Nesse contexto, a
criação de estruturas coletivas pode
ajudar a organizar o posicionamento
de talentos no mercado. “Hoje não
basta ter somente a estrutura administrativa
em um backoffice, é preciso
planejar o posicionamento de cada
produtora e construir a carreira dos
diretores com visão de longo prazo.”
De acordo com Juliana, a criação do
hub não surgiu como resposta defen-
30 6 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Alexandre Lucas, CEO do MOD, composto pela Modernista, Jet e Alchemist.Land
Juliana Martellotta, CEO do Boiler Hub: “Participar de projetos de diferentes portes”
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
siva ao mercado. “No caso do Boiler
Hub, não foi uma resposta defensiva
ao mercado, mas uma decisão clara de
posicionamento: criar uma estrutura
capaz de unir talentos sob um mesmo
guarda-chuva, sem perder identidade
criativa nem excelência na entrega.”
O modelo também busca ampliar a
atuação estratégica das produtoras
junto às agências e anunciantes. “O
Boiler Hub deixa de ser apenas executor
e passa a ser parceiro criativo e
estratégico.”
Segundo ela, a organização coletiva
permite ampliar a capacidade de
disputar projetos de diferentes perfis.
“Ao reunir diferentes produtores-executivos,
coordenadores e diretores,
com repertórios e olhares distintos,
conseguimos participar de projetos
de diferentes portes, formatos e níveis
de complexidade.”
CONHECIMENTO E ESTRUTURA
Nos hubs, a colaboração entre produtoras
vai além da divisão de custos
administrativos.
Juliana afirma que o modelo permite
ampliar a circulação de conhecimento
e repertório criativo. “O que
torna o Boiler Hub único entre os
modelos tradicionais de backoffice
é justamente a veia criativa e a inteligência
comercial e estratégica
que oferecemos.”
Na prática, isso se reflete em trocas
frequentes entre profissionais
das diferentes empresas. “Diretores
trocam referências e visões entre si.
Coordenadores compartilham novas
tecnologias, ferramentas e soluções
de produção.”
Segundo a executiva, a estrutura
também contribui para maior estabilidade
em ciclos de mercado. “Existe
C
M
Y
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história na
propaganda
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jornal propmark - 6 de abril de 2026 31
Fotos: Divulgação
A executiva Tato Bono é presidente da Publicis Production no mercado brasileiro
Rafael Nasser, CEO da WPP Production Brazil: “Operação globalmente conectada”
uma maior capacidade de atravessar
ciclos de mercado com mais estabilidade”.
Ela avalia que o movimento
aponta para um processo mais amplo
de reorganização do setor. “O mercado
de produção está entrando em uma
fase de maturidade organizacional.”
ESCALA E INTEGRAÇÃO
Enquanto produtoras independentes
formam hubs, grandes grupos globais
também têm reorganizado suas
operações internas de produção.
No caso do Publicis Groupe, a produção
passou a integrar de forma
mais direta o núcleo estratégico da
operação. Segundo Tato Bono, presidente
da Publicis Production, a mudança
acompanha a transformação
do mercado. “A fragmentação das
audiências e a alta demanda de conteúdo
fizeram com que a produção
deixasse de ser uma área apenas de
execução para fazer parte do núcleo
estratégico”, afirma.
De acordo com ela, o grupo tem
centralizado suas capacidades de produção
em uma única estrutura global.
“Hoje, os producers fazem parte de
uma network com gestão financeira e
de talentos, além de promover a troca
de conhecimento fundamental entre
os mercados.”
A integração com outras áreas
também influencia a forma de estruturar
projetos. “Quando temos gestão
sobre o ecossistema completo
de produção do cliente, somando a
integração com dados, mídia e criação,
conseguimos introduzir a produção
dentro do racional estratégico
desde o início.”
Segundo Bono, isso contribui para
maior eficiência. “Mais planejamento
em produção significa redução de
custos, otimização de processos e
consistência criativa”. A reorganização
também envolve investimento
em tecnologia e novas formas de gestão
de conteúdo.
Na WPP, a criação da WPP Production
reuniu capacidades que antes estavam
distribuídas entre diferentes agências
do grupo. Segundo Rafael Nasser, CEO
da WPP Production Brazil, a mudança
buscou integrar essas operações em
uma estrutura global conectada.
“Historicamente, nossas capacidades
de produção estavam distribuídas
entre as agências, operando de forma
isolada. A mudança para a WPP Production
consolida essa expertise em
uma operação globalmente conectada”,
afirma.
A estrutura também incorpora
tecnologias baseadas em inteligência
artificial para gestão de fluxos de
trabalho e distribuição de conteúdo.
“O WPP Open tem operado como o cérebro
de nossas entregas, usando IA
para automatizar tarefas rotineiras,
gerenciar recursos e distribuir conteúdo
em tempo real.”
Segundo Nasser, a reorganização
responde à crescente demanda por
volume e velocidade de produção.
“Existe essa demanda enorme, quase
insaciável, por conteúdo — mais
canais, mais formatos, mais versões,
o dia todo, todos os dias.”
“Existe essa
demanda enorme,
quase insaciável,
por conteúdo”
CONVENIÊNCIA
Apesar da expansão das estruturas
internas de produção nas holdings,
executivos afirmam que o relacionamento
com produtoras independentes
permanece relevante.
Para Nasser, o modelo não busca
substituir parcerias externas. “A
nossa intenção não é internalizar todas
as etapas de produção. Continuaremos
a valorizar e a colaborar com
produtoras independentes e talentos
externos.”
Tato também aponta a importância
da colaboração com o mercado. “A
intenção não é, e nunca será, deixar
de trabalhar com produtoras independentes.
O que queremos é fazer com
que o mercado de produção cresça
como um todo.”
Nesse cenário, a reorganização da
produção — seja por meio de hubs
independentes ou estruturas internas
de grandes grupos — indica uma
adaptação do setor a um ambiente
de maior complexidade e volume de
conteúdo.
Para Juliana, o processo reflete
uma mudança mais ampla na lógica
da indústria. “A produção publicitária
deixou de ser vista apenas como uma
atividade criativa para se tornar também
um negócio que exige planejamento
de longo prazo.”
O QUE MUDA?
A formação de hubs entre produtoras
independentes e a reorganização
das estruturas internas das holdings
indicam uma transformação na forma
como a produção é pensada dentro do
mercado publicitário.
Se antes a produção aparecia majoritariamente
como etapa final da
cadeia criativa, hoje passa a ser integrada
desde o planejamento estratégico
dos projetos, conectada a dados,
mídia e tecnologia.
Ao mesmo tempo, a ampliação do
volume de conteúdo e a multiplicação
de formatos têm exigido estruturas
capazes de operar com mais escala e
eficiência.
Diferentes modelos passam a
coexistir no setor — desde hubs independentes
que reúnem talentos e
especializações até unidades globais
de produção integradas às operações
das grandes redes de comunicação.
Em comum, esses arranjos refletem
a tentativa da indústria de reorganizar
processos e capacidades para
lidar com um ambiente de produção
mais fragmentado e exigente.
32 6 de abril de 2026 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Hershey’s envelopa vagões do VLT
no Rio de Janeiro para ação de Páscoa
Eletromidia também é responsável pela expansão do projeto
Abrigo Amigo, em parceria com a Claro, incluindo 200 unidades
Fotos: Divulgação
VLT do Rio de Janeiro teve ação da Hershey’s e a Capibarra, mascote criada para Páscoa
A operadora de telecomunicações Claro ativa o Abrigo Amigo na capital fluminense
O
VLT Carioca, empresa da plataforma
trilhos da Motiva, se uniu
à marca de chocolates Hershey’s
para uma ativação especial de Páscoa
no centro do Rio de Janeiro. A parceria
transformou um dos trens do sistema
no ‘VLT Capivara’, intervenção temática
que chamou a atenção de quem
circulou pela região central da capital
fluminense até a semana passada.
A composição recebeu um envelopamento
inspirado na personagem
Capibarra, mascote criada pela
Hershey’s para a campanha de Páscoa
deste ano e que representa a proposta
de trocar os ovos por barras de
chocolate para presentear ainda mais
pessoas.
No topo da parte frontal do veículo
foram instaladas grandes orelhas de
capivara, criando um visual inusitado
e divertido que reforça o caráter urbano
e interativo da ação.
A estrutura metálica instalada no
trem teve dimensões de 2,7 metros de
comprimento e cerca de 60 centímetros
de altura e largura. O revestimento,
em pelúcia na cor caramelo, contou
com proteção contra fogo e água,
garantindo segurança e durabilidade
durante o período de circulação do
veículo, que tem saídas da Rodoviária
Novo Rio para a Praça 15 e Aeroporto
Santos Dumont.
A campanha contou com a expertise
da Eletromidia em OOH para
ampliar sua presença nas cidades.
“Campanhas que nascem com um
forte componente cultural ganham
ainda mais potência quando ocupam
o espaço urbano. A capivara já
faz parte do imaginário coletivo dos
brasileiros e, ao levar esse personagem
para diferentes pontos da cidade,
o projeto consegue se conectar
de forma orgânica com a rotina das
pessoas, ampliando o alcance e a
presença da marca no cotidiano”,
destaca o executivo Marcelo Pacheco,
CSO da Eletromidia.
“A ação faz parte da nova campanha
da Hershey’s, que propõe uma
abordagem bem-humorada ao substituir
o coelhinho por um animal que já
se tornou símbolo do imaginário urbano
brasileiro: a capivara. Batizada de
Capibarra, a mascote traduz o espírito
coletivo e descontraído do país e reforça
a principal mensagem da marca
para a Páscoa: compartilhar chocolate
e multiplicar gestos de carinho”,
esclarece o comunicado.
“Criar
experiências
urbanas mais
humanas”
ABRIGO
Em outra frente, a Eletromidia lançou
também na capital fluminense o
projeto Abrigo Amigo, com previsão
de ter 200 unidades em funcionamento
até o fim deste ano, iniciativa que
conta com apoio da Claro. Por enquanto,
há 22 unidades, localizadas entre o
centro, zona sul e norte. Além disso,
o projeto já conta com cinco pontos
em estações do VLT Carioca (Antônio
Carlos, 7 de Setembro, Saara, Candelária
e São Bento). Os abrigos receberão
atualização tecnológica para se transformarem
em Abrigo Amigo Claro,
com novos sistemas que ampliam a
conectividade e a eficiência operacional,
de acordo com a comunicação da
Eletromidia.
“Para nós, da Claro, é um orgulho
colocar nossa infraestrutura a serviço
de um projeto que une tecnologia
e cuidado com as pessoas. Essa parceria
representa muito mais do que
conectar abrigos; é sobre usar nossa
rede para criar experiências urbanas
mais humanas, inclusivas e seguras.
Cada chamada de vídeo feita em um
Abrigo Amigo Claro é sustentada por
uma rede de fibra e 5G de alta performance,
garantindo que ninguém
fique desamparado em momentos de
vulnerabilidade”, destaca a executiva
Ane Lopes, diretora de marca e comunicação
da Claro.
“O Abrigo Amigo Claro traduz, na
prática, o papel que o out of home
pode exercer para além da comunicação,
assumindo também uma função
social relevante. Queremos que cada
ponto de mídia possa ser também um
ponto de acolhimento, atenção e cuidado”,
coloca José Carlos Angelucci Jr.,
CRO da Eletromidia, reforçando que a
visibilidade do Rio “amplia o alcance e
a potência da iniciativa”.
patrocínio
jornal propmark - 6 de abril de 2026 33
pesquisas
Contagious mostra que o excesso de
informação gera pobreza de atenção
Tudo se resume à relevância em segundos: ou a marca faz sentido
imediatamente ou não existe, como observa Juliana Pileggi (AKM)
Freepik
O tempo é escasso para as pessoas se dividirem diante da oferta de mídia cada vez mais abundante e diversificada, tornando mais complexo o planejamento estratégico
Paulo Macedo
A
análise da consultoria de inteligência
mercadológica Contagious
Radar, do ecossistema Cannes
Lions, foi a fundo em um tema que está
deixando o universo da publicidade de
cabelo em pé: como chamar a atenção
dos consumidores em uma era na qual
a multiplicidade de meios, ofertas de
conteúdo e tempo exíguo das pessoas
para as ofertas midiáticas pode manter
a atividade eficaz e adequada?
Tempo realmente é dinheiro, diz o
provérbio popular. Ou seja, comprar
o tempo das pessoas é despendioso.
Mesmo antes dessa revolução midiática,
a repetição era essencial para
fechar a conta. Nesse momento, a assertividade
é primordial e conta com
profusão de dados para evitar os tiros
de canhão. A precisão exige o uso de
drones, por assim dizer, que vão direto
ao alvo. Sem desperdício.
Mas, para ocorrer a monetização
do tempo dos consumidores, é preciso
algo mais do que a construção de
mensagens sedutoras. O contexto das
abordagens está assumindo contornos
que descartam os estereótipos
de gaveta e projetos de prateleira
não adaptados à realidade prevista
pelos teóricos da comunicação como o
canadense Marshall McLuhan, que vislumbrou
nos anos 1960 a internet e o
complexo ecossistema digital de hoje.
‘Sumidouro da atenção’, da Contagious
Radar, explora a ideia de que o
engajamento artificial não está na
pauta dos consumidores. Por quê?
Não há disponibilidade suficiente para
esse luxo cada vez mais caro. Isso
causa apreensão na indústria, principalmente
nos anunciantes.
De acordo com o estudo, seriam
necessários 16 anos de visualização
contínua para assistir a todo o conteúdo
da Netflix. Estima-se que 30 mil
horas de conteúdo sejam carregadas
no YouTube a cada hora. No TikTok, 16
mil vídeos são postados por minuto.
“Uma abundância de informação cria
uma pobreza de atenção. A oferta de
conteúdo atingiu níveis quase infinitos,
enquanto a demanda – nossa capacidade
de consumi-lo – permaneceu
estática. E a oferta só aumenta”, resume
a Contagious.
Claro, a seletividade é o filtro usado
pelos consumidores, que buscam o
que realmente lhes interessa nesses
canais. Dá trabalho, mas essas plataformas
só ganharam musculatura devido
às oportunidades geradas pelas
características de nichos/clusters.
A Contagious prossegue: “A IA está
intensificando esse dilúvio. Em 2025, o
Spotify removeu 75 milhões de faixas
geradas por IA de sua plataforma. O
TikToker Khaby Lame vendeu sua marca
e imagem por quase um bilhão de
dólares, abrindo caminho para que um
gêmeo digital produza conteúdo 24
horas por dia, 7 dias por semana”.
A análise esclarece que nas plataformas
de streaming há uma abundância
de opções, mas que se transforma
em um dilema: “não há nada de
bom para assistir”. “Então, nos refugiamos
em entretenimento eficiente
com rolagem infinita em loops curtos.
Nas redes sociais, formatos já reduzidos
são divididos em pequenos trechos,
na esperança de levar os espectadores
de volta à fonte – mas, muitas
vezes, eles se tornam a experiência
principal. Na China, a audiência total
de microdramas chegou a 830 milhões
em 2025, com ‘From rags to rank
one’ alcançando mais de 2 bilhões de
visualizações em seus 105 episódios
(nenhum dos quais tem mais de três
minutos).”
Os formatos enxutos estão ganhando
forma. A China é o benchmark global
das narrativas curtíssimas. A Con-
34 6 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Juliana Pileggi Suplicy é a CEO da AKM: experiências
Ju Elia, CSO da Publicis, usa pesquisa para ver a atenção
Carolina Silva é head de estratégia da agência David
tagious informa que a americana Fox
Entertainment está fechando acordo
com a produtora de microdramas Dhar
Mann Studios para ter esse produto
entre as suas ofertas. No Brasil, a Rede
Globo está apostando em novela vertical
com as personagens Juquinha e
Lorena, que vivem um casal na novela
‘Três Graças’. O spin-off começou a ser
exibido no TikTok na semana passada.
A P&G, por sua vez, fez uma parceria
com a Dentsu Entertainment para
lançar ‘The golden pear affair’, uma
micronovela que promove sua marca
de desodorante Native. O conteúdo é
pago: cerca de 10 dólares americanos.
A Contagious constata que o tempo
escasso está movimentando os canais.
A análise pondera que “a competição
pela atenção é acirrada. E, como em
qualquer batalha darwiniana, apenas
os mais aptos sobrevivem. Há uma
grande diferença entre alguém consumir
um clipe de cinco segundos seu e
assistir a um vídeo de 20 minutos e... te
conhecer. Nessa analogia, as marcas só
lucram com aqueles que comparecem
ao encontro. Pessoas com milhões de
seguidores fazem encontros com fãs
e não conseguem nem cinco pessoas”.
CONQUISTA
Atenção atualmente não é negociada,
ou comprada, como adverte
Lucas Feltes, CEO da WT.AG. “Ela é conquistada”,
resume. “Hoje, as pessoas
são extremamente seletivas. Não
competimos mais por espaço, mas por
atenção qualificada. Se não há valor
imediato seja utilidade, entretenimento
ou identificação, a mensagem
simplesmente não entra. Além disso,
operamos com criatividade orientada
por comportamento: o que performa
“A competição
pela atenção
é acirrada”
organicamente guia o que deve escalar.
Isso garante eficiência e reduz desperdício
de atenção. No fim, não se trata
de falar mais ou aparecer mais, mas
de construir presença com relevância
ao longo do tempo”, acrescenta.
Desde Gutenberg, o volume de
meios cresce, mas a disputa atingiu
um limite físico com as redes sociais,
destaca Vitor Knijnik, co-CEO da Snack
Content. “O conflito real não é a sobrecarga
de informação, mas a obsolescência
da interrupção. A linguagem
tradicional da publicidade perdeu a primazia
da eficiência que tinha quando
o público estava restrito a poucos breaks
comerciais. Hoje, a marca só existe
se for conteúdo. Se ela não se entende
como uma produtora de narrativa com
linguagem nativa, ela simplesmente
não participa da conversa. Não se trata
mais de ‘fazer propaganda’, mas de
Ricardo John é sócio e responsável pela criação da Isla
Caio Del Manto, cofundador da Euphoria Creative
O executivo Enricco Benetti é co-CEO e CCO da BFerraz
jornal propmark - 6 de abril de 2026 35
Fotos: Divulgação
Kika Brandão ocupa a posição de CEO no Estudio Eixo
Maiara Garbin, sócia e head de operações da Mudah
Silvia Vidigal é cofundadora e diretora da agência Index
ocupar o tempo das pessoas com relevância,
entretenimento ou utilidade.”
Propaganda e conteúdo estão na
mesma jornada faz tempo. Nesse
sentido, Gabriel Borges, o GB, que é co-
-founder & strategy da Ampfy, observa
que há 75 anos a publicidade e a TV
coexistem devido à publicidade.
“O que determina se esse acordo
funciona não é a presença da propaganda.
É a qualidade do conteúdo ao
redor dela. Quando a audiência cai, cai
porque o programa é ruim, não porque
tem intervalo comercial. Ninguém troca
de canal fugindo do anúncio quando
o programa que vem depois vale a
volta”, destaca GB, que vai adiante:
“Esse princípio não mudou. O que
mudou foi a escala da escolha. A
atenção das pessoas não diminuiu,
ela se pulverizou entre plataformas,
formatos e algoritmos que disputam
os mesmos olhos e os mesmos segundos.
Hoje a pessoa não decide entre
quatro canais, ela decide entre infinitas
opções. E nesse ambiente, a propaganda
que se apoia apenas no modelo
de interrupção vai ficando cada vez
mais cara e cada vez menos eficiente.”
ATENÇÃO
Para Enricco Benetti, co-CEO e CCO
da BFerraz, há dificuldade para capturar
a atenção. “A publicidade hoje
não disputa apenas espaço de mídia.
Ela disputa tempo de vida. Nunca foi
tão difícil conquistar alguns segundos
de atenção genuína”. Guilherme
Jotapê, diretor de planejamento da
Vitrio, prossegue: “É bizarro perceber
que ainda tem propaganda que tenta
vencer o tempo do consumidor pelo
cansaço e interrupção de um contexto
cheio de estímulos artificiais”.
“A propaganda já
não disputa mais
espaço; espaço,
na verdade,
sobra.
A disputa real
é por atenção”
Kika Brandão, CEO do Estudio Eixo,
conclui: “Estamos vivendo um contexto
de esgotamento coletivo. O excesso
de informação, de estímulos, de
consumo e de telas, o que muitos já
chamam de brain rot, evidencia um
ritmo de vida que o nosso cérebro
simplesmente não consegue acompanhar”.
“Num mundo de excessos é que
tem de reinar a criatividade com
ideias que realmente ultrapassem
essa nuvem de informação à qual
as pessoas são submetidas no dia a
dia. A propaganda precisa ser relevante
para entreter e não ser só mais
uma dentro dessa nuvem, mas sim
ultrapassá-la”, propõe Ricardo John,
sócio e CEO da Isla, sobre as dificuldades
enfrentadas pela indústria da
propaganda para reter a atenção do
consumidor.
Rodrigo Pinto é diretor criativo da Paim United Creators
Mauro Rabello é vice-presidente da Innocean Brasil
Felipe Luchi é sócio e diretor de Cena da Santeria
36 6 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
O profissional de criação Phil Daijó é ECD da Galeria
Gabriel Borges (GB) é co-founder & strategy da Ampfy
O publicitário Gustavo Bastos é CEO e CCO da 11:21
FRAGMENTAÇÃO
Na avaliação de Ricardo Dolla, co-
-CCO da Asia, a fragmentação complicou
o jogo, mas oferece oportunidades.
“Hoje existem muito mais lugares
para as ideias viverem, cada um com
suas limitações, esperando uma ideia
vir inovar e subverter a mídia. Trabalhamos
mídia e criação completamente
integradas. Às vezes você nem sabe
quem é quem.”
A grande ideia é a única capaz de
furar a bolha, nas palavras de Gustavo
Bastos, CEO da 11:21. “É ela que vai fazer
a comunicação grudar na memória e no
coração do consumidor nesses tempos
de dispersão total. Todo resto é commodity”,
afirma.
Para Otavio Schiavon, VP de criação
da BETC Havas, o momento não
só fragmenta a atenção, mas redefine
completamente o valor do tempo.
“Quando a marca cria algo que faz sentido
dentro da vida e da cultura das
pessoas, ela deixa de competir com a
atenção e passa a fazer parte do que
elas já querem consumir. Precisamos
ser diretos e nos adequar aos contextos.
Nem toda mensagem precisa
dizer tudo, nem todo formato precisa
durar mais do que o necessário.”
Volume em excesso fragmenta.
Juliana Ferraz, sócia-diretora e RP da
Holding Clube, pensa desse modo,
porque é a forma como os algoritmos
trabalham para entregar essas comunicações.
“O timing correto, a conexão
com diferentes contextos sociais e
culturais e a legitimidade dentro do
discurso fazem toda a diferença nessa
busca por atenção.”
Por outro lado, o excesso de estímulos
é muito maior do que a capacidade
de absorção das pessoas no olhar de
“O modelo de
interrupção vai
ficando cada vez
mais caro”
Silvia Vidigal, cofundadora e diretora
da Index. “A propaganda já não disputa
mais espaço; espaço, na verdade, sobra.
A disputa real é por atenção.”
O tempo não para. Não marca hora
nem gosta de perder tempo. Alimentar
as telas com conteúdo sob medida
é um desafio. “A publicidade segue
sendo interruptiva, como sempre foi,
não importa qual seja a tela. Cabe a
nós, deixar a mensagem e a imagem
tão inesperadas e memoráveis que
elas deixem de ser percebidas como
uma distração e, sim, como o assunto”,
raciocina Felipe Luchi, diretor de
cena e sócio da Santeria.
Na avaliação de Maiara Garbin, sócia
e head de operações da Mudah, o convívio
com a televisão e o atual consumo
multitelas torna a absorção mais complexa.
“É por isso que acreditamos que
o propósito da publicidade precisa ir
O gaúcho Vitor Knijnik é co-CEO da Snack Content
Lucas Feltes, da WT.AG, recomenda e usa a criatividade
Profissional de criação, Ricardo Dolla é co-CCO da Asia
jornal propmark - 6 de abril de 2026 37
Ju Ferraz é sócia-diretora e relações públicas da Holding Clube
A luta por atenção é uma necessidade em um cenário cada vez mais competitivo
Isabel Coletta comanda as operações da MRM no Brasil
Freepik
Fotos: Divulgação
além, entregando não só a mensagem
de marca, mas também trazendo entretenimento
e despertando curiosidade
na audiência. Vemos cada vez mais a
necessidade de transformar esse conteúdo
em uma experiência.”
“O primeiro passo para se destacar
em meio ao ruído é básico: investir em
conexão humana. O estudo ‘A new era of
storytelling’ (Meta + Kantar + CreativeX,
2024), que analisou 56 mil criações e 13
bilhões de impressões, apontou que
campanhas com a simples presença humana
têm efetividade 81% maior. Não
é à toa o sucesso dos influenciadores.
O segundo ponto que eu apontaria é o
resgate da autenticidade. Ser humano,
imperfeito e único gera mais conexão
do que perseguir a perfeição algorítmica.
Há um movimento de homogeneização
digital de linguagens, estéticas e
identidades”, recomenda Zé Pedro Paz,
co-CEO da DZ Estúdio.
A abundância de informação, meios
e oportunidades midiáticas, como observa
Isabel Coletta, COO da MRM Brasil,
mostra que “o que está em disputa
hoje não é só visibilidade. É disponibilidade
mental, relevância cultural e
permissão para entrar (cada vez mais
disputada) na rotina das pessoas”.
Carolina Silva, head de estratégia
da David, argumenta que agências e
marcas devem se desafiar a entender
comportamentos e motivações humanas
que surgem - ou se intensificam
- nesse novo cenário. “Lutar por atenção
permanece sendo sobre relevância
e conexão. Uma boa ideia que cativa
as pessoas porque é uma verdade,
desperta algo, traz identificação.”
Na expressão de Caio Del Manto,
cofundador da Euphoria Creative, o
principal inimigo das marcas hoje é a
apatia. “Na prática, a abundância de
meios, plataformas e influenciadores
criou escassez de atenção. E isso muda
completamente a lógica da propaganda.
Não basta aparecer, não basta
impactar, não basta repetir. Se a ideia
não atravessa a barreira da indiferença
quase instantaneamente, ela simplesmente
não existe. Então, quando
falamos de tempo, não estamos falando
só de duração de peça ou frequência.
Estamos falando de quanto tempo
da vida de alguém a marca merece
ocupar. E isso muda três coisas importantes
na forma como a gente cria.”
Diretor-executivo de criação e sócio
da Galeria, Phil Daijó vê como problema
a indiferença. “As pessoas estão sobrecarregadas
com conteúdos irrelevantes”.
Rodrigo Pinto, diretor criativo
da Paim United Creators, afirma que a
cena está saturada. “Até as gerações
mais jovens têm buscado conexão e
alternativas a essa infodemia e ao
tal do brain rot”. Mauro Rabello, VP de
business e desenvolvimento da Innocean
Brasil, fala que é resultado de
“scrolling infinito, multitela, trabalho
acelerado, IA e a própria vida acontecendo
ao mesmo tempo”.
A Publicis Brasil conduziu no ano
passado uma pesquisa com a Nielsen,
BR Media e Consumoteca para explorar
os diferentes tipos de atenção.
Trabalho que Ju Elia, CSO da agência,
observa como fator de mudança: a
passagem para a atenção hiperfocada.
“Agora entendemos que existem
dois outros tipos de atenção: a flexível
e a fragmentada”, afirma.
“Montamos a estratégia para as marcas
dos clientes a partir dessa perspectiva.
Desenvolvendo um ecossistema de
comunicação robusto, pensando essa
jornada, esses momentos diferentes e
que a construção e a somatória deles
todos é que formam a visão e, de fato,
quebram o silo da falta de atenção dos
consumidores”, acrescenta.
Para finalizar, a propaganda, no
foco estratégico de Juliana Pileggi Suplicy,
CEO da AKM, “não está concorrendo
só com outras marcas, está competindo
com a vida acontecendo”. Ela
continua: “Nunca houve tanta mídia
disponível, e nunca foi tão difícil gerar
impacto real. O jogo mudou: o alcance
deixou de ser diferencial. Hoje, tudo se
resume à relevância em segundos. Ou
a marca faz sentido imediatamente
ou simplesmente não existe”.
38 6 de abril de 2026 - jornal propmark
esg no mkt
Alê Oliveira
Inovação consciente
“Foi muito bom ver a importância dada
à responsabilidade socioambiental”
Alexis Pagliarini
Na semana passada, foi realizado o 11º Congresso
de Inovação da Indústria, um grande evento,
que ocupou o Golden Hall do WTC Events
Center, em São Paulo, por dois dias. O evento é organizado
pela CNI e pelo Sebrae, sob iniciativa da
MEI – Mobilização Empresarial pela Inovação, tendo
a agência Capacità como produtora. Trata-se de um
evento bienal, disposto a discutir a inovação da indústria
em alto nível.
E foi muito bom ver a importância dada à
responsabilidade socioambiental e aos procedimentos
éticos. Começando pelo tema central do
evento: Coexistir – Entre o ecológico e o digital. Essa
discussão sobre as ferramentas digitais – cada vez
mais poderosas – e sua relação com os humanos e
o meio ambiente tem sido a tônica de eventos de
todas as áreas.
O SXSW, recém-realizado, foi um dos eventos que
trouxeram os valores humanos para a discussão do
impacto da inovação, principalmente da IA.
Essa preocupação é muito oportuna, já que, em
última instância, o que deve valer – sempre – é o
bem-estar humano. De nada adianta inovar se não
for para melhorar a qualidade de vida. Em se tratando
do 11º Congresso de Inovação da Indústria, o
evento em si foi objeto de uma preocupação de alinhamento
aos critérios ESG.
E a minha Criativista ESG4 teve a sorte de ser escolhida
para contribuir nesse processo. E como um
evento pode se alinhar às melhores práticas ESG?
Tudo começa com o estabelecimento de compromissos.
No evento em questão, os compromissos estabelecidos
foram: Ambientais: Evento planejado para
reduzir impactos e promover práticas sustentáveis.
• Zero Plástico: Eliminação de plásticos descartáveis
no fornecimento de água aos participantes.
• Prioridade Digital: Redução de materiais impressos,
priorizando o digital. • Cenografia Consciente:
Uso de materiais reciclados e com destinação social
após o evento. • Carbono Neutro: Compensação das
emissões de CO². • Gestão de Resíduos: Implementação
de protocolos para tratamento e destinação
responsável de todo o material gerado.
Sociais: Ambiente diverso, acolhedor e respeitoso
para todos. • Acessibilidade Plena: Inclusão e
suporte a pessoas com deficiência. • Comunicação
Inclusiva: Tradução em Libras nas duas plenárias. •
Legado Social: Doação de materiais cenográficos. •
Cuidado Integral: Seguro de evento garantido para
todos os participantes e fornecedores.
Governança: Relações conduzidas com ética,
transparência e responsabilidade. • Ética contratual:
Contratações formalizadas. • Espaços Sustentáveis:
Local alinhado a práticas ESG. • Engajamento Estratégico:
Mobilização de patrocinadores, palestrantes
e público nas práticas sustentáveis do evento. • Consultoria
Especializada: Suporte técnico para garantir
a eficácia das ações ESG. • Accountability: Transparência
total por meio de um Relatório ESG detalhado
após o evento. Assumidos os compromissos, todas
as etapas de produção do evento devem refletir os
pontos de conformidade. E assim foi.
O conteúdo do evento, logicamente, esteve em linha
com os temas relacionados aos princípios éticos
e de responsabilidade socioambiental.
Transição energética e climática, Capital humano,
Transição ecológica, Combustíveis sustentáveis,
Biodiversidade, Circularidade, Biotecnologia,
Integração entre bioeconomia e inovação para uma
indústria sustentável, Saúde, Competitividade aliada
à Sustentabilidade, entre outros, foram temas
presentes nos painéis de alto nível apresentados
no evento. Iniciativas como essa trazem esperança
num mundo conturbado e instável.
E participar ativamente desse processo nos enche
de orgulho. Que líderes empresariais e organizadores
de eventos se espelhem neste exemplo!
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
jornal propmark - 6 de abril de 2026 39
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A IA não é o perigo
Bia Ambrogi
Passei os últimos meses mergulhada no estudo
da inteligência artificial, seu impacto na
humanidade e, especialmente, no audiovisual,
minha área de atuação. Acompanho ativamente
a discussão sobre regulação no Brasil, incluindo o
Projeto de Lei 2.338/2023, junto à Frente IA Responsável,
que reúne mais de 45 entidades da economia
criativa. O tema é fascinante, complexo e transformador.
Foi essa inquietação que me levou a aprofundar
meus estudos cursando MBA em IA aplicada
a negócios e pós-graduação em neurociências do
comportamento. Isso porque, antes de entender as
máquinas, precisamos entender quem as cria e as
controla: o cérebro humano.
E é com convicção que afirmo: a IA não é o perigo.
O perigo é o poder concentrado e o pensamento terceirizado.
A inteligência artificial é uma ferramenta
de enorme capacidade. Amplia produtividade, acelera
aprendizado, cruza dados, organiza informações,
projeta cenários e executa tarefas repetitivas. Processa
milhões de dados em segundos. Entrega velocidade,
previsibilidade e eficiência. Funciona como
uma inteligência estendida, um copiloto cognitivo
de alto desempenho.
Hoje passamos, em média, 2,5 horas por dia buscando
informação. Isso equivale a quase um dia
por semana. Esse ganho poderia significar jornadas
mais curtas e melhor qualidade de vida. Está aí mais
um forte argumento a favor do fim da jornada 6x1.
Mas o sistema permitiria? Aqui entramos no ponto
central: a estrutura do capitalismo contemporâneo,
cada vez mais digital e concentrado. O problema
não é a tecnologia, mas como seus ganhos são
distribuídos. Não é a IA que vai roubar seu emprego.
É o mesmo modelo que historicamente concentrou
riqueza no topo enquanto utilizou a base como força
produtiva. A tecnologia muda, mas a lógica de
acumulação permanece. Muitos produzem, poucos
concentram.
Hoje, o ativo mais valioso não é a terra nem o
ouro, são os dados. Vivemos o que Byung-Chul Han
chama de regime da informação: uma forma de poder
baseada no controle e na previsão de comportamentos
por meio de dados. O poder já não depende
apenas da posse dos meios de produção, mas da
capacidade de monitorar, influenciar e antecipar decisões
sociais e econômicas.
Nesse contexto surge a IA. Em ‘Império da IA’,
Karen Hao aponta um discurso recorrente: apenas
grandes empresas e governos teriam capacidade
técnica e moral para controlar essa tecnologia “para
o bem da humanidade”. Mas essa narrativa também
legitima a concentração de poder tecnológico nas
mãos de poucos.
A IA é construída sobre dados e algoritmos. E
algoritmos não são neutros. Operam dentro de parâmetros
definidos por interesses econômicos e
estratégicos. Ajustam padrões, aprendem com dados,
mas sempre dentro de limites previamente estabelecidos.
Não têm consciência, intenção ou ética
própria. Podem reproduzir vieses sociais, políticos e
culturais, o que reforça a importância de regulação
e transparência.
Mas a discussão não é apenas estrutural. É também
individual.
A IA pode torná-lo mais competitivo, mais criativo
e mais produtivo. Pode ser uma assistente de altíssima
performance, um “acelerador de brainstorm”,
uma extensão do seu córtex pré-frontal. Ela executa.
Ela potencializa. Mas também pode atrofiar.
Se você delega totalmente o pensamento crítico,
a análise e a criatividade, reduz o exercício cognitivo.
E função não exercida enfraquece. A IA não é boa
nem ruim. Assim como a eletricidade, que pode fritar
o ovo que vai te alimentar ou causar um choque
que vai te eletrocutar.
A ferramenta é neutra. O uso não.
Seria ingênuo dizer que tudo depende apenas do
indivíduo, ignorando a força estrutural de um sistema
que vende facilidade enquanto concentra poder.
Trabalhos repetitivos serão substituídos. Mas
novas oportunidades surgirão. A história mostra
que cada revolução tecnológica elimina funções e
cria outras. Estamos diante de uma matriz potente
de novas profissões, novas especializações e novos
modelos de negócio ricos em possibilidades.
A questão não é se a IA vai substituir humanos.
A questão é: vamos usá-la como extensão da nossa
inteligência ou como substituição do nosso pensar?
A IA não é a vilã. A vilã é a concentração de poder
e a escolha humana sempre induzida ao mínimo
esforço.
O futuro não será definido pela tecnologia. Será
definido por quem a controla e pela forma como escolhemos
utilizá-la.
Bia Ambrogi
é presidente da Apro+Som
bia.ambrogi@apromaissom.org
“A IA pode ser
uma assistente
de altíssima
performance, um
‘acelerador de
brainstorm’, uma
extensão do seu
córtex pré-front”
40 6 de abril de 2026 - jornal propmark
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Omar Caldas
é estrategista criativo chefe da
OCA Marketing
Troquei Leão por voto
Omar Caldas
Durante mais de 20 anos de carreira, estive na
criação de grandes agências como WMcCann,
Ogilvy e FCB. Atuei como redator e também liderei
equipes em campanhas para Chevrolet, Claro e
Nestlé, entre outros grandes clientes.
Então por que abrir mão do conforto de um mercado
mais glamouroso para ir para o marketing político?
Não foi por acaso. Foi escolha.
O mercado privado já não me dava mais aquele
mesmo frio na barriga. Virou processo demais, aprovação
demais e cada vez menos impacto real. Construção
de marca virou exceção. E prêmio? Deixou de
ser diferencial.
Todo mundo disse que eu estava arriscando demais.
E estavam certos.
Entrei em um novo mercado, sabendo que teria de
construir minha carreira do zero. De novo. O marketing
político tem uma régua diferente.
É sobre construir reputação em tempo real, onde
tudo é medido o tempo inteiro. Não existe prêmio de
consolação ou segundo lugar. Ou você vence a eleição
ou vence a eleição.
E foi exatamente esse tipo de pressão que trouxe
de volta o frio na barriga.
Aqui não é só sobre convencer alguém a comprar. É
sobre convencer alguém a acreditar. Menos etapas de
aprovação, mas com mais responsabilidade.
Planejamento, criação e mídia têm um peso
maior. E a narrativa é determinante. Aqui tudo é
mais exposto. Mais real. Um deslize derruba. Um
acerto pode virar o jogo.
E o trabalho de verdade está na rua, ajudando a
decidir quem vai cuidar da saúde, da educação e da
segurança de milhares, às vezes milhões de pessoas.
E isso muda o peso do que você faz.
Eu não deixei minha experiência para trás,
trouxe comigo para a linha de frente inteligência
de marca, criatividade, storytelling e o craft das
grandes agências.
Porque o eleitor está cansado de discurso vazio,
campanhas engessadas e promessas recicladas.
É um mercado tradicional, sim. Mas com espaço
para quem entrega de verdade.
Hoje, estou construindo minha história com as
campanhas de nomes como Alessandro Molon, Tabata
Amaral e Deltan Dallagnol.
E também com a maior virada de um segundo turno
do Brasil: 30 pontos percentuais em 15 dias, na eleição
de Léo Moraes, prefeito de Porto Velho.
Na publicidade tradicional, a gente constrói marcas
que as pessoas amam. No marketing político, a
gente constrói narrativas nas quais as pessoas confiam
o próprio futuro.
O glamour dos prêmios internacionais ficou para
trás. Hoje, meu Leão é a urna com uma vitória no domingo
de eleição.
“O mercado privado
já não me dava mais
aquele mesmo frio
na barriga. Virou
processo demais,
aprovação demais
e cada vez menos
impacto real”
jornal propmark - 6 de abril de 2026 41
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Bets e o futuro do
marketing no Brasil
Sandra Martinelli
A
economia digital tem produzido, nos últimos
anos, alguns dos mercados mais dinâmicos e
desafiadores da atualidade.
Nesse cenário, destacam-se setores de forte
potencial econômico que estimulam o avanço de
padrões elevados de governança, transparência e
responsabilidade institucional, como o segmento de
apostas esportivas online, conhecido popularmente
como bets.
Trata-se de um mercado em crescimento global
que, no Brasil, vive um momento decisivo após a regulamentação
estabelecida pela Lei nº 14.790/2023.
No primeiro ano de operação sob o novo ambiente
regulatório, 25,2 milhões de brasileiros realizaram
apostas online em plataformas autorizadas, segundo
balanço divulgado em janeiro de 2026 pela Secretaria
de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
A regulamentação estabeleceu novos padrões de
governança, fiscalização e arrecadação, criando um
ambiente mais previsível para operadores licenciados
e ampliando a proteção ao consumidor.
Ao lado da legislação, instrumentos de autorregulação
também têm papel relevante. Um exemplo
é o Anexo X do Código Brasileiro de Autorregulamentação
Publicitária do Conar, que contou com contribuição
da ABA por meio de sua participação no Grupo
de Trabalho de Apostas. O documento estabelece
parâmetros claros para comunicação responsável,
incluindo regras de identificação publicitária, restrições
de público e alertas obrigatórios sobre jogo
responsável.
Nesse contexto, a ABA, única entidade que há
66 anos representa o mercado anunciante brasileiro,
exerce papel importante na construção de
referências éticas compartilhadas para o setor.
A transparência das mensagens publicitárias, a
proteção a grupos vulneráveis e o compromisso
com boas práticas são pilares fundamentais para
fortalecer a confiança entre empresas, consumidores
e sociedade.
A entidade acompanha a evolução desse mercado
em diálogo permanente com reguladores, autoridades
e organismos de autorregulação. O tema,
inclusive, integra a Plataforma ABA 2030, agenda
estratégica que orienta as ações da instituição para
os próximos anos.
Em 2026, a ABA dá um passo relevante ao receber
sua primeira associada do setor de apostas: a
Flutter, um dos maiores grupos globais de apostas
esportivas e entretenimento online. A chegada da
companhia reforça a importância da participação de
operadores regulados em ambientes institucionais
comprometidos com ética, transparência e responsabilidade
na comunicação.
A integração de empresas desse segmento ao
ecossistema da entidade contribui para ampliar o
diálogo e fortalecer padrões de governança em um
setor que passa por rápida transformação.
Comunicação responsável não significa restringir
a atividade econômica, mas assegurar que ela
ocorra de forma clara, ética e alinhada ao interesse
coletivo, informando com transparência, promovendo
entretenimento de forma responsável e respeitando
as diretrizes estabelecidas pelo ambiente
regulatório.
À medida que o mercado brasileiro evolui, torna-
-se cada vez mais evidente que a combinação entre
regulamentação eficaz, autorregulação e atuação
responsável das empresas é essencial para proteger
consumidores, fortalecer a confiança no setor e
ampliar a canalização das apostas para operadores
licenciados.
O futuro do marketing, especialmente em setores
regulados, passa justamente por esse equilíbrio entre
inovação, responsabilidade e compromisso institucional
com o desenvolvimento sustentável do mercado.
Sandra Martinelli
é CEO da ABA (Associação Brasileira
de Anunciantes) e membro do
Executive Committee da WFA
“Comunicação
responsável não
significa restringir
a atividade
econômica, mas
assegurar que ela
ocorra de forma
clara e ética”
42 6 de abril de 2026 - jornal propmark
inspiração
Onde nasce a coragem?
Empreender, para mim, sempre foi menos sobre perseguir um
resultado e mais sobre ter coragem de construir algo novo
Por Vinícius Fagundes
Especial para o propmark
Quando me convidaram para escrever sobre o que me inspira,
minha primeira reação foi pensar nas referências clássicas.
Grandes empresários, líderes admirados, pessoas que
construíram histórias extraordinárias. Aqueles nomes que aparecem
em biografias, palestras e listas de sucesso.
Mas quanto mais eu pensava sobre o tema, mais percebia que
estava olhando para o lugar errado. Minhas maiores inspirações
nunca estiveram em palcos ou capas de revista. Elas sempre estiveram
muito mais perto do que eu imaginava. Dentro da minha
casa.
Meu pai é filho adotivo. Perdeu os pais muito cedo e, ainda jovem,
precisou aprender a se virar sozinho. A vida não lhe ofereceu
muitos atalhos. O que ofereceu foi a necessidade de desenvolver
coragem e resiliência.
Quando se casou com minha mãe, eles começaram a construir
juntos uma família. Vieram três filhos e, com eles, muitas escolhas
difíceis. Meus pais abriram mão de diversas coisas ao longo dos
anos para garantir aquilo que consideravam mais importante: a
melhor educação escolar que podiam oferecer para nós.
Meu pai sempre foi inquieto. Mesmo trabalhando, buscava maneiras
de empreender para complementar a renda da casa. Testava
ideias, arriscava, tentava novamente. Nem sempre dava certo,
mas havia algo muito claro naquele exemplo diário. A vontade de
não se acomodar diante das dificuldades.
Com ele aprendi cedo que coragem não significa ausência de
medo. Significa seguir em frente apesar dele. Minha mãe, por sua
vez, sempre foi uma mulher à frente do seu tempo. Trabalhadora
incansável e dona de um otimismo que nunca parecia se esgotar.
Nunca havia tempo ruim para ela. Sempre enxergando o copo
meio cheio e sempre acreditando que as coisas podem melhorar.
Foi também ela quem, muitos anos atrás, insistiu para que eu
estudasse tecnologia. Lembro-me de ouvir dela que aquilo seria
o futuro. Na época talvez eu não tivesse dimensão do impacto
daquela frase. Hoje percebo o quanto aquele incentivo ajudou a
moldar minha trajetória.
Ao longo da vida também aprendi muito com minha mulher,
Juliana. Com ela entendi algo importante sobre inspiração e motivação.
Muitas vezes associamos realização apenas ao empreender
ou ao construir grandes negócios. Mas a verdade é que aquilo que
move cada pessoa pode nascer em lugares muito diferentes.
A motivação é algo profundamente individual. O que inspira
uma pessoa não precisa servir de régua ou comparação para outra. Cada história
tem o próprio ritmo, as próprias prioridades e as próprias definições de
realização.
Foi justamente essa combinação de exemplos que acabou moldando minha
forma de enxergar o mundo e o trabalho. Crescer vendo resiliência, otimismo
e coragem dentro de casa me deu confiança para sair do caminho mais óbvio
e seguir pela jornada do empreendedorismo. Foi assim quando fundei a Yourviews,
dando meus primeiros passos nesse universo, e continua sendo assim
até hoje. Empreender, para mim, sempre foi menos sobre perseguir um resultado
e mais sobre ter coragem de construir algo novo.
Na BonifiQ, o que me inspira todos os dias é justamente essa construção
coletiva. A ideia de criar uma empresa em que as pessoas se sintam parte real
da jornada. Onde cada colaborador entenda que não está apenas executando
tarefas, mas ajudando a construir algo maior.
Queremos transformar a forma como varejistas e consumidores se relacionam
com loyalty no Brasil. E fazer isso não apenas com tecnologia, mas com
propósito, cultura e senso de pertencimento.
No fim das contas, percebi que inspiração não precisa vir de histórias distantes
ou trajetórias extraordinárias.
Às vezes ela nasce de exemplos silenciosos. Com os quais convivemos todos
os dias sem perceber que estão moldando nossa forma de enxergar o mundo.
No meu caso, ela começou dentro de casa.
Vinícius Fagundes, fundador e CEO da BonifiQ
Fotos: Arquivo Pessoal
jornal propmark - 6 de abril de 2026 43
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Divulgação
Dilma Campos, CEO
da Nossa Praia e CSO
da Biosphera.ntwk, e
Guilherme Martins,
VP de marketing e
inovação da Diageo
Biosphera.ntwk debate tendências e lança o Report SXSW 2026
A Biosphera.ntwk realizou a edição especial Biosphera Innovation Sessions SXSW 2026, um encontro presencial e exclusivo que reuniu algumas das principais lideranças
do mercado publicitário para discutir, sob uma ótica estratégica e aplicada, os principais aprendizados e tendências apresentados no SXSW 2026, realizado em Austin, nos
Estados Unidos. Em parceria com a Hibou Pesquisas & Insights, o evento trouxe ao centro do debate uma análise inédita sobre como as tendências globais observadas
no festival se conectam com o contexto e as oportunidades do mercado brasileiro. A programação contou com a participação de executivos e especialistas de destaque,
incluindo Guilherme Martins (VP de marketing e inovação da Diageo), Carlos Octavio (diretor de Data/AI, partnerships e architecture da Globo), Simone Kliass (cofundadora
e conselheira da XRBR), Julia Saluh (diretora de relações internacionais e comércio exterior da InvestSP), Poliana Abreu (CKO da HSM, Singularity Brazil e Learning Village),
Felipe Bratfisch (fundador e CEO da Spons), Dilma Campos (CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk) e Ligia Mello (sócia e CSO da Hibou). Durante o encontro, foi realizado
o lançamento oficial do Report SXSW 2026: Insights globais à moda brasileira, desenvolvido em parceria com a Nossa Praia, Hibou Pesquisas & Insights, HSM, Singularity
Brazil e Learning Village. O material sintetiza os principais sinais de transformação, de inteligência artificial e cultura a novos modelos de negócio, com direcionamentos
práticos para empresas, marcas e lideranças no país. O evento foi realizado no último dia 27, na Biosphera House, em São Paulo.
Luciana Marcelino, relações públicas e coordenadora editorial da HSM Management;
Dilma Campos, CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk; Jef Martins, head of
communications da Biosphera.ntwk; Rodrigo Torres, communications & content
manager da Biosphera.ntwk; e Bianca Sousa, communications analyst da Biosphera.ntwk
Felipe Bratfisch, CEO e fundador da Spons; Stefan Habergritz, partner, head of
marketing & comms para Brazil & South America da KPMG; e Erica Priscila, diretora de
growth da Biosphera.ntwk
Alberto Carneiro, consultor da HSM; Poliana Abreu, CKO da HSM, Singularity Brasil e
Learning Village; e Valter Bahia, consultor da HSM
Violeta Noya, CEO e fundadora da Bebot Digital; e Ana Ferraz, CBO da Biosphera.ntwk
44 6 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Patrícia Blecker, head of trade MKT and innovations da Mondelez; Barbara Scormin,
head de shopper MKT & ativações da Diageo; Carolina de Oliveira, diretora de negócios
da Score; e Albano Neto, CSO da Score Agency
Erica Priscila, diretora de growth da Biosphera.ntwk; Mariana Lima Bazello, diretoraexecutiva
de negócios omni-commerce da Biosphera.ntwk; João Peixoto, head de inovação
da Zwork Brasil; e Caetano Maffra, product marketing and GTM manager da Meta
Julia Saluh, diretora de relações internacionais e comércio
exterior da InvestSP
Alvaro Machado, CSO da HSM
Simone Kliass, consultora de inovação no audiovisual,
confundadora e conselheira da XRBR
Claudia Ramires, gerente de negócios da Score; Blanda
Grazzi, diretora-geral de estratégia da Score; Eduardo
Bezerra, shopper & catman Sr. manager da Reckitt
Benckiser; e Albano Neto, CSO da Score Agency
Cássia Soumali, chief people, culture & performance
officer da Biosphera.ntwk; Danilo Dalmazo, coordenador
de eventos do Santander; Roberta Covre, diretora
de contas da BFerraz, empresa do ecossistema
Biosphera.ntwk; e Oscar Moraes, da BFerraz
Eduardo Brunoro, interactive business director da Biosphera.
ntwk; Rebeca Nishioka, marketing & communications
manager da Suvinil; e William Gibini, especialista de trade
marketing, comunicação e marketing da Suvinil
Carlos Octavio,
diretor de
data & IA,
partnerships e
architecture da
Globo
Poliana Abreu,
CKO da HSM,
Singularity
Brasil e Learning
Village
jornal propmark - 6 de abril de 2026 45
última página
Divulgação
Ao pessoal do fundão
Flavio Waiteman
Fui convidado pelo One Show para participar do
júri de The Indies, uma nova categoria que separa
as agências independentes do mundo todo
dos grandes grupos internacionais. O One Show é um
prêmio organizado por uma entidade sem fins lucrativos
dedicada à criatividade, publicidade e design,
o que faz todo sentido, pois assim pode focar na
qualidade do que é premiado em vez do crescimento
exponencial das inscrições.
Eles tiveram a sensibilidade de perceber agora
aquilo que será óbvio em algum momento no nosso
futuro: o trabalho criativo precisa ser visto como
algo especial, delicado, importante e, por isso, bem
remunerado e é difícil ter um resultado excepcional
sendo comprado, pago e tratado como commodity
ou economia de escala.
Essa delicadeza foi acompanhada por uma ação
concreta: nessa categoria The Indies, a inscrição da
peça é mais em conta e são apenas dez por agência
e um júri separado de 15 criativos fundadores
de agências, julgando todas as disciplinas, como se
fosse um festival à parte. E, principalmente, longe
dos movimentos políticos e dos departamentos de
prêmios de grandes holdings.
Tem coerência.
Essa separação entre gigantes com centenas de
escritórios e orçamento ilimitado e as oficinas mais
autorais coloca um holofote sobre o nosso mercado.
Isso vai ficar claro em algum momento.
Pois quando entra luz num ambiente é impossível
desver o que ficou notório: a financeirização da indústria
está em movimento de autofagia acelerada.
Monstros de planilhas comendo estrategistas,
criativos e empresas que permitiram essa planificação
do que é um terreno acidentado, perigoso e desafiante.
Asfaltaram o Rally Paris Dakar. Inventaram
ROIs para tudo. Só que não, né?
Criatividade na publicidade foi criada e alimentada
pelos caras geniais que eram desajustados
sociais, especialistas em seres humanos e cabeças-
-duras talentosos. Essa turma também gosta de
dinheiro, porém não estão dispostos a fazer “qualquer”
coisa por ele. Essa é uma baita diferença.
No trabalho das indies, fica claro de onde saiu
essa aura de banda de garagem que acaba tocando
no rádio e fazendo sucesso. Estão por lá a galera do
fundão que fazia algum barulho, tinha dificuldade
em passar de ano, andava de busão, matava aula e
lia tudo o que caía nas mãos.
O bom humor está lá também. Coragem de cliente
e gol de placa idem expressos nos anúncios inscritos.
Bom de ver esse movimento.
Essa turma desajustada deve compor a melhor
parte do time que tornou a publicidade uma indústria
global. O problema é que quando alguém inventa
uma coisa bacana vem outro alguém e quer dar
“escala”. Essa palavra, escala, é implacável com qualquer
boa ideia. Às vezes é como encaixar um círculo
dentro de um quadrado.
Quando financeirizam uma atividade de craft
automaticamente corre-se o risco de se perder a
alma do negócio. E a alma é a alma do negócio. Não
dá para vendê-la, nem por 29 músicas de sucesso. Se
até banco quer ser menos banco para ser próximo
das pessoas, por que essa busca desenfreada por
gigantismo?
A física nos mostra que quando a estrela é gigante,
o próximo passo – matemático – é o colapso de
um buraco negro que engole toda a luz ao redor.
O One Show pensou nisso. E fico feliz que a organização
do festival tenha visto a Tech&Soul aqui no
Brasil e, no caso, esse que vos fala, para participar
desse momento reflexivo e propositivo da volta do
pensamento craftianiano para a publicidade em
contraponto ao Godzilla feito de planilhas. Vida longa
à turma do fundão.
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“Essa turma
desajustada
deve compor a
grande parte do
time que tornou a
publicidade uma
indústria global”
46 6 de abril de 2026 - jornal propmark
16 ABRIL 8h30
às
13h
TRANSAMERICA COLLECTION
Goiânia
O encontro de quem cria,
quem publica e quem anuncia.
O CenpHub Goiânia será uma manhã de imersão, networking e troca de
experiências, que reunirá lideranças locais e nacionais, para debater sobre o
tema Brasil Plural: como a publicidade pode impulsionar o desenvolvimento
econômico e gerar transformação social, além de valorizar a força cultural e o
espírito empreendedor das marcas brasileiras.
Confira os temas que serão abordados:
Brasil Plural: a força das marcas
locais na economia, na cultura e
na comunicação
Novas jornadas de consumo: fluxos
de investimento e métricas na era
cross-media
Da comunicação às parcerias
Agro em modo global: a potência
estratégicas: a nova lógica de
brasileira que nasce no campo
valor e relações sustentáveis
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