Florestal_283 OPS
16,18,20,22,24,26,28,30,32,38,40,42,44,46,48,52,53,54,55,57,58,60
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DESTAQUE
Entrevista: Lucía Basso apresenta os desafios e conquistas da produção florestal no Uruguai
INOVAÇÃO, ROBUSTEZ
E CONFIANÇA
TECNOLOGIA APLICADA EM
SOLUÇÕES FLORESTAIS
MARCAM 10 ANOS DE
EXPANSÃO DE INDÚSTRIA
CATARINENSE
INNOVATION, ROBUSTNESS
AND RELIABILITY
TECHNOLOGY APPLIED TO FORESTRY
SOLUTIONS MARKS 10 YEARS OF
EXPANSION FOR SANTA CATARINA-
-BASED INDUSTRY
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SUMÁRIO
50
CRESCIMENTO
SÓLIDO
ABRIL 2026
08 Editorial
10 Cartas
12 Bastidores
14 Notas
34 Frases
36 Entrevista
48 Coluna
50 Principal
56 Créditos de Carbono
62 Tecnologia
68 Gestão
76 Investimento
82 Artigo
88 Agenda
90 Espaço Aberto
68
76
ANUNCIANTES DA EDIÇÃO
35 Agroceres
09 BKT
13 Bruno
15 Carrocerias Bachiega
71 Composhow 2026
79 D’Antonio Equipamentos
02 Dinagro
61 2Exfire
19 DRV Ferramentas
39 Duffatto Viveiro Florestal
65 Engeforest
92 Envimat
27 Envimat
07 Envu
69 ExpoMinas 2026
49 Feldermann Forest
83 Felipe Diesel
47 Francio Soluções Florestais
04 Himev
29 J de Souza
73 Lignum Latin America 2026
33 Máquina Solo
81 Motocana
67 Neutraliza
59 Planflora
91 Prêmio REFERÊNCIA 2026
85 RDC Agrotec
41 Reflorestar Serviços Florestais
23 Rodovale
11 Rotary-Ax
31 Sergomel
17 Sparta Brasil
21 Timberwolf
43 TMO
45 Unibrás
25 Unifertil
87 Valfer Ferramentas
37 WDS Pneumática
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EDITORIAL
Contínuo, forte e
sustentável
Na mesma toada em que as árvores que crescem rápido demais, sem
raízes firmes, tornam-se frágeis diante das tempestades; no mundo dos
negócios as tomadas de decisão que avançam sem planejamento podem
perder solidez. O verdadeiro vigor está no equilíbrio: raízes profundas
que garantem estabilidade, troncos que sustentam o peso das mudanças
e copas que se abrem para novas oportunidades e horizontes. O crescimento
empresarial, assim como o das florestas, deve ser contínuo, mas
guiado por estratégia, inovação e responsabilidade. Só assim será possível
enfrentar os ventos globais e florescer com força duradoura. Nessa
edição, celebramos junto com a Feldermann os 10 anos de contribuição
para o segmento de base florestal com tecnologia aplicada no campo, os
investimentos que serão feitos para o desenvolvimento de silvicultura
de nativas, uma visão jurídica sobre créditos de carbono e também uma
entrevista exclusiva com Lucía Basso, presidente da SPF (Sociedade de
Produtores Florestais) do Uruguai, que tem desenvolvido com excelência
a silvicultura no país vizinho. Excelente leitura!
CONTINUOUS, STRONG, AND SUSTAINABLE
Just as trees that grow too quickly without firm roots become fragile in
the face of storms, decisions made without proper planning in the business
world can lack a solid foundation. True vigor lies in balance: deep roots to
ensure stability, trunks to bear the weight of change, and canopies to open
up to new opportunities and horizons. Like forests, businesses must grow
continuously, guided by strategy, innovation, and responsibility. Only then
will businesses be able to weather global winds and flourish with lasting
strength. In this issue, we celebrate Feldermann’s 10 years of contributions
to the Forestry Sector with technology applied in the field and investments
in the development of native forestry. We also present a legal perspective
on carbon credits and an exclusive interview with Lucía Basso, President
of the Society of Forest Producers of Uruguay (SPF). Basso has excelled in
advancing forestry in our neighboring country. Pleasant reading!
EXPEDIENTE
ANO XXVIII - EDIÇÃO 283 - ABRIL 2026
Diretor Comercial / Commercial Director
Fábio Alexandre Machado
fabiomachado@revistareferencia.com.br
Diretor Executivo / Executive Director
Pedro Bartoski Jr
bartoski@revistareferencia.com.br
Redação / Writing
Vinicius Santos
jornalismo@revistareferencia.com.br
Colunista
Gabriel Dalla Costa Berger
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Fabiana Tokarski - Supervisão
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Letícia Stefanello
criacao@revistareferencia.com.br
Tradução / Translation
John Wood Moore
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fone: +55 (41) 3333-1023
Depto. de Assinaturas / Subscription
assinatura@revistareferencia.com.br
0800 600 2038
Assinaturas Eventos / Subscription Events
José A. Ferreira
(41) 99203-2091
2
Entrevista com
Lucía Basso,
presidente da SPF
ASSINATURAS
0800 600 2038
Periodicidade Advertising
GARANTIDA GARANTEED
Veículo filiado a:
1
Na capa dessa edição a
Feldermann, que leva
inovação, robustez e
versatilidade para o
campo
Alterações na forma da tributação pode
afetar mercado de créditos de carbono
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
www.referenciaflorestal.com.br
Ano XXVIII • Nº283 • Abril 2026
DESTAQUE
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Entrevista: Lucía Basso apresenta os desafios e conquistas da produção florestal no Uruguai
INOVAÇÃO, ROBUSTEZ
E CONFIANÇA
TECNOLOGIA APLICADA EM
SOLUÇÕES FLORESTAIS
MARCAM 10 ANOS DE
EXPANSÃO DE INDÚSTRIA
CATARINENSE
INNOVATION, ROBUSTNESS
AND RELIABILITY
TECHNOLOGY APPLIED TO FORESTRY
SOLUTIONS MARKS 10 YEARS OF
EXPANSION FOR SANTA CATARINA-
-BASED INDUSTRY
3
A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,
dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,
instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,
ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente
ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor
Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em
matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais
de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,
armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos
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terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos
direitos autorais, exceto para fins didáticos.
Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication
directed at the producers and consumers of the good and services of the
lumberz industry, research institutions, university students, governmental
agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked
to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself
responsible for the concepts contained in the material, articles or columns
signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,
themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage
under any form or means of the texts, photographs and other intellectual
property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited
without the written authorization of the holders of the authorial rights.
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A LONG WAY
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Projetado para as aplicações mais exigentes, o FORESTLAND é o mais recente e
inovador pneu diagonal da BKT para o setor agroflorestal, mas também pode ser
utilizado em algumas operações agrícolas, como paisagismo e silagem. A sua carcaça
de poliéster e composto específico da banda de rodagem tornam-no particularmente
resistente a cortes e lacerações, enquanto a parede lateral robusta garante um longo
ciclo de vida do produto. As principais características do FORESTLAND são excelente
tração em terrenos brandos, boa aderência em qualquer solo graças aos blocos rígidos
e reforçados da banda de rodagem, um alto nível de estabilidade graças à forte
construção dos talões e propriedades de autolimpeza superiores.
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CARTAS
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
DESTAQUE
Entrevista: Igor Dutra de Souza destaca importância da mecanização na silvicultura do país
FORÇA, RESISTÊNCIA
E EFICIÊNCIA
IMPLEMENTOS LEVES QUE CARREGAM
MAIS MADEIRA, REDUZEM CUSTOS
OPERACIONAIS E MAXIMIZAM
RESULTADOS
DO BRASIL
Capa da Edição 282 da
Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,
mês de março de 2026
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Ano XXVIII • Nº282 • Março 2026
STRENGTH, ENDURANCE
AND EFFICIENCY
LIGHTWEIGHT IMPLEMENTS THAT CARRY
MORE WOOD REDUCE OPERATING
COSTS AND MAXIMIZE RESULTS
PARA O MUNDO
PRINCIPAL
Por Andrea Borges Ferreira, Campinas (SP)
Equipamentos de qualidade que facilitam o transporte e garantem a segurança
do motorista são garantia de sucesso na logística da floresta.
ENTREVISTA
Por César Amaral de Souza, Betim (MG)
Especialistas como Igor mostram que mais que máquinas, a gestão
de pessoas está diretamente ligada ao sucesso do trabalho. Mais que
estrutura e máquinas.
Foto: divulgação
ECONOMIA
Por Rogério Nakonesky, Cuiabá (MT)
Bem acima de uma visão interna do setor, esses dados mostram que o manejo
florestal sustentável é uma porta de sucesso para a economia de muitos Estados
brasileiros.
Foto: divulgacão
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BASTIDORES
Revista
Foto: REFERÊNCIA
Foto: REFERÊNCIA
A FORÇA QUE IGNORA OS
OBSTACULOS
CONVITE
A REFERÊNCIA FLORESTAL foi convidada para ir ao
Uruguai pela empresa KMC Max para visitar uma operação
em campo do equipamento tanque de guerra para várias
soluções no setor florestal. O diretor comercial da Revista
Fábio Machado, foi muito bem recebido pelos diretores da
KMC MAX, Alejo Maisonnave e Alex Gorissen.
PODCAST
Para a gravação do Podcast REFERÊNCIA,
recebemos no nosso estúdio, a diretora da
Santa Rosa Florestal, Gabriela Cibulski Breda,
que participou junto com o diretor comercial
da Revista REFERÊNCIA, Fábio Machado.
JUROS SELIC
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ALTA
ABRIL 2026
TRANSPORTE MAIS CARO
O Comitê de Política Monetária confirmou, nesta reunião
de março, o início do ciclo de flexibilização monetária ao
Um levantamento da TruckPag mostra que o preço médio
reduzir a taxa Selic em 0,25% ponto percentual, passando
do diesel no Brasil atingiu R$ 7,22 no meio de março,
a vigorar agora aos 14,75% ao ano. A decisão marca uma
frente aos R$ 5,74 registrados no fim de fevereiro, início
inflexão relevante após meses de aumentos e manutenção
dos juros, refletindo a melhora gradual do cenário
da guerra no Oriente Médio. Os dados são baseados em
mais de 143 mil transações em 4.664 postos, 94% deles
inflacionário doméstico. Ainda assim, o movimento evidencia
uma postura cautelosa do Banco Central do Brasil,
em rodovias, sendo que 81,9% das compras foram feitas
por caminhões nos últimos 30 dias. Na última semana,
diante de um ambiente global ainda incerto, especialmente
pelos conflitos no Oriente Médio e seus potenciais
a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis) já havia apontado alta de 11% em
impactos sobre os preços dos combustíveis. O corte atual
relação à semana anterior. Os preços oficiais da ANP
tem menos efeito imediato e mais importância como sinalização
de trajetória futura, influenciando expectativas
são divulgados semanalmente, após coleta nos três
primeiros dias úteis, o que pode atrasar a percepção de
de consumidores, empresários e agentes financeiros.
variações bruscas.
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NOTAS
Podcast REFERÊNCIA
O Podcast REFERÊNCIA contou com presenças
ilustres e de grande valor para o segmento florestal em
março de 2026. No primeiro episódio do mês estavam
presentes Wander Hoeger e Alexandre Vian, diretor e
gerente geral da Lignum Biomassa, respectivamente. O
segundo episódio teve a presença da sócia da Bonardi
Painéis de Madeira, Lisiane Tissot, e da executiva de
atendimento da ForMóbile, Valéria Brizola.
Wander Hoeger comentou sobre como conheceu a
engenharia florestal e se aproximou da área.“Tinha um
tio que era engenheiro florestal, que era bem-sucedido
na época. Em 2000 foi oferecido o curso de Engenharia
Florestal, com professores de Cuiabá (MT). Não que
tenha sido uma falta de opção, mas era o que tinha
disponível para a gente. Quando formado, abri um
escritório e comecei a prestar consultoria até uns 5 anos
atrás”, explicou Hoeger.
Já Alexandre Vian abordou como a família e o cunhado
Wander Hoeger foram decisivos na aproximação dele
com a Lignum. “Vou ser muito sincero. Vi a oportunidade
de ficar mais perto das minhas filhas durante a
semana. Mas tudo tem um propósito maior e quando
pedimos orientação a Deus, ele dá essa orientação”,
complementou Vian.
No outro programa, Valéria Brizola contou como o
início profissional está diretamente ligado a ForMóbile:
“Com 22 anos comecei a trabalhar na ForMóbile e das
11 edições da feira, participei de nove. Para se ter uma
ideia, foi a minha segunda experiência profissional e até
hoje estou na empresa. Comecei na parte operacional,
atendendo os clientes e fui crescendo dentro da feira
e hoje trabalho na coordenação da parte comercial”,
relembrou Valéria.
Por fim, Lisiane Tissot contou com a Bonardi Painéis
de Madeira iniciou a parceria com a ForMóbile e como
a empresa tem avaliado as participações ao longo dos
anos: “Estamos na ForMóbile praticamente desde a primeira
edição. Em 2024, fizemos o lançamento da nossa
Linha Bonbord em 2024 e neste ano vamos apresentar
uma novidade, que é o acabamento em verniz dessa linha.
Estamos cheios de energia para a ForMóbile 2026”,
finalizou Lisiane.
Wander Hoeger, diretor da
Lignum Biomassa
Alexandre Vian, gerente geral
da Lignum Biomassa
Os episódios completos o Leitor pode conferir
no canal do youtube da Revista REFERÊNCIA:
Lisiane Tissot, sócia da Bonardi
Painéis de Madeira
Valéria Brizola, executiva de
atendimento da ForMóbile
Fotos: REFERÊNCIA
14 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
ForestMax 2026 - A ciência na prática
O ForestMax consolida-se como um dos principais eventos de campo dedicados ao setor de silvicultura, reunindo em um
ambiente prático as maiores inovações tecnológicas para a cultura do eucalipto. O encontro é desenhado para conectar produtores
rurais, gestores florestais e empresas do setor, permitindo que as soluções sejam demonstradas diretamente no campo.
Com foco em resultados reais, o evento permite que os participantes visualizem o desempenho de máquinas, clones e manejos
em diferentes estágios de desenvolvimento da floresta.
Um dos pilares centrais do evento é a demonstração dinâmica de equipamentos e processos. Diferente de feiras tradicionais
em pavilhões, o ForestMax leva o público para dentro da operação florestal, abordando desde o preparo do solo e o plantio
mecanizado até às tecnologias de irrigação e combate a pragas. Essa abordagem prática facilita a compreensão sobre como a
mecanização pode reduzir custos operacionais e aumentar a precisão das atividades no campo, fatores essenciais para a competitividade
do setor.
Nesta edição de 2026, o evento terá lugar no dia 04 a 06 de agosto, em Brasília (DF). A escolha do local é estratégica, por ser
a capital do país e facilitar o acesso de profissionais não só do Brasil, mas de toda América Latina. O ambiente é propício para o
networking qualificado, onde os congressistas podem discutir tendências de mercado, segurança jurídica e o papel da silvicultura
na nova economia verde. O foco central é transformar a informação técnica de ponta em estratégia de negócio aplicável para o
setor produtivo.
Pedro Francio Filho, diretor da Francio Soluções Florestais, destaca que para esse ano o a expectativa é de dobrar o número
de presentes em relação ao ano anterior e levar soluções para o dia a dia de quem está diretamente ligado a atividade. “Teremos
os maiores especialistas em eucalipto do Brasil conosco, teremos uma palestra com o biólogo Richard Rasmussen que está
fazendo um documentário sobre o eucalipto, e apresentaremos o nosso protocolo na íntegra, em um passo a passo detalhado
para alcançar a máxima produtividade florestal”, valoriza Pedro.
Além dos nomes destacados, serão seis novas palestras, um roteiro completo montado pelo time da Francio para que o
profissional que participe do evento saia do evento pronto para impulsionar a silvicultura de eucalipto. “Nosso trabalho tem
sido reconhecido nacional e internacionalmente e o ForestMax é uma representação disso. Nesse ano, por exemplo, teremos, ao
final de um dos dias um happy hour com o apoio da cervejaria paraguaia Munich, que é cliente da consultoria e tem o eucalipto,
produzido nas fazendas Campos Morombi, do mesmo grupo, de forma sustentável, como fonte de energia para sua linha de
produção”, ressalta Pedro.
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NOTAS
Queda nos juros
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) considerou correta, mas insuficiente, a decisão do Copom (Comitê de
Política Monetária) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual. Para a entidade, o corte não é capaz de reverter a
queda da atividade econômica, destravar investimentos ou aliviar o endividamento, já que a política monetária continua
excessivamente restritiva. O diagnóstico é de que a economia segue penalizada pela cautela do BC (Banco Central).
O presidente da CNI, Ricardo Alban, argumenta que a inflação está em desaceleração e as expectativas permanecem
dentro da meta, o que justificaria cortes mais expressivos. Ele defende que o BC intensifique a redução dos juros já na
próxima reunião, em abril, para criar melhores condições de investimento, reduzir o endividamento das famílias e recolocar
o país em trajetória de crescimento. “Flexibilizar os juros é condição imprescindível para recuperar produtividade e
bem-estar social”, aponta Ricardo
Os dados reforçam esse posicionamento: o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em
12 meses até fevereiro caiu para 3,81%, e as projeções futuras seguem dentro do intervalo de tolerância da meta. Apesar
disso, a Selic em 14,75% ao ano mantém os juros reais em 10,4%, bem acima da taxa neutra estimada em 5% pelo próprio
Banco Central. A CNI calcula que a taxa de equilíbrio deveria estar próxima de 10,1%, o que mostra que a Selic atual é
mais restritiva do que o necessário para controlar a inflação.
Mesmo após o corte, o Brasil continua com os maiores juros reais entre 17 países analisados. A CNI avalia que, apesar
das incertezas externas, como os conflitos envolvendo EUA (Estados Unidos da América), Israel e Irã, há espaço para
cortes mais robustos sem comprometer a estabilidade de preços. Assim, a entidade pressiona por uma política monetária
menos contracionista, capaz de estimular investimentos e acelerar a retomada econômica.
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o trabalho no campo.
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NOTAS
Manejo que dá lucro
O Dia Internacional das Florestas, celebrado em 21 de março, destaca a relevância da preservação e do uso sustentável
dos ecossistemas florestais. Em Mato Grosso, o setor de base florestal se consolidou como exemplo de que é possível
conciliar produção, geração de renda e conservação da biodiversidade, mostrando que desenvolvimento econômico e
proteção ambiental podem caminhar juntos.
Segundo Ednei Blasius, presidente do Cipem (Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado
de Mato Grosso), a data é uma oportunidade para ampliar o diálogo com a sociedade e reforçar o papel estratégico do
setor na agenda ambiental. Ele ressalta que a produção florestal em Mato Grosso é realizada com responsabilidade, respeitando
a legislação e garantindo renda para milhares de famílias, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação da
biodiversidade e para o desenvolvimento sustentável do Estado.
Com mais de 5 milhões de ha (hectares) de áreas manejadas e potencial de expansão para 6 milhões ha, Mato Grosso
se destaca como polo nacional de produção de madeira nativa oriunda de manejo sustentável. A atividade é a principal
base econômica em 44 municípios, gerando cerca de 10,5 mil empregos diretos e até 30 mil indiretos, além de movimentar
R$ 3,2 bilhões em 2025, com forte presença nos mercados interno, interestadual e internacional.
Além da relevância econômica, o setor desempenha papel essencial na conservação ambiental e no impacto social.
O manejo sustentável mantém a floresta em pé, ajuda a combater o desmatamento ilegal e garante qualidade de vida
para comunidades inteiras que dependem da atividade. Para fortalecer ainda mais esse modelo, Blasius defende políticas
públicas que incentivem a produção legal, investimentos em tecnologia e infraestrutura, além da valorização da madeira
certificada como parte da solução climática e da construção de uma economia de baixo carbono.
Foto: divulgação
20 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Identidade brasileira
O SFB (Serviço Florestal Brasileiro), em parceria com a UNB (Universidade de Brasília), desenvolveu
uma pesquisa inovadora no LPF (Laboratório de Produtos Florestais) capaz de diferenciar
a origem da madeira de pau-brasil (Paubrasilia echinata), distinguindo exemplares coletados em
florestas nativas daqueles provenientes de reflorestamento. O estudo, apresentado recentemente, é
fruto de uma dissertação de mestrado do Instituto de Química da UnB.
O projeto utilizou técnicas avançadas de análise química, como a NIRS (Espectroscopia no Infravermelho
Próximo, em inglês) e a espectrometria de massas por DART-TOF-MS (Espectrometria
de Massa por Análise Direta em Tempo Real com Analisador de Tempo de Voo), uma técnica de
ionização ambiente que permite análise rápida, sem preparo de amostra (sólidos, líquidos ou gases)
em pressão atmosférica. A primeira avalia a interação da radiação infravermelha com a matéria, enquanto
a segunda identifica substâncias ao fragmentar moléculas e medir cada parte, funcionando
como uma espécie de impressão digital química do material.
Com o uso do NIRS e de 100 amostras reais provenientes de apreensões, foi possível alcançar
um índice de acerto de 99% na distinção entre madeira nativa e plantada. Já na diferenciação das
linhagens genéticas, ambos os métodos registraram índices superiores a 80%, demonstrando grande
precisão e confiabilidade.
Essa capacidade de identificar a origem da madeira pode trazer benefícios importantes, como
maior segurança jurídica para produtores que investem no plantio da espécie, valorização de iniciativas
legais de cultivo e apoio às ações de fiscalização do comércio. O pau-brasil, muito procurado
no mercado internacional para a fabricação de arcos de violino de alto valor agregado, é classificado
desde 1992 como espécie ameaçada de extinção, o que torna o avanço científico ainda mais relevante
para sua preservação.
Foto: divulgação
Foto: divulgação
22 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Registro do trabalho
O SFB (Serviço Florestal Brasileiro) inaugurou no Museu Nacional da República, em Brasília (DF), a exposição: O Brasil
das Florestas - 20 anos do Serviço Florestal Brasileiro -. A mostra celebra duas décadas de atuação do órgão e apresenta, em
linguagem visual, a trajetória de gestão, conservação e uso sustentável das florestas públicas federais. O acervo reúne mapas,
registros históricos, materiais da xiloteca e obras de arte que aproximam o conhecimento técnico dos saberes tradicionais.
Com curadoria do Departamento de Artes Visuais da Universidade de Brasília, a exposição convida o público a refletir sobre
a floresta como matéria, memória e imaginação. A proposta é valorizar tanto a ciência quanto as práticas das comunidades
extrativistas e dos trabalhadores do manejo florestal, reforçando a importância da integração entre saberes acadêmicos
e populares na construção da política florestal brasileira.
Durante a cerimônia de abertura, o diretor-geral do SFB, Garo Batmanian, apresentou um balanço das duas décadas de
atuação do órgão. Ele destacou que o Brasil possui cerca de 1,6 milhão de ha (hectares) de florestas públicas sob concessão,
com regras de manejo baseadas na ciência e voltadas à geração de trabalho e renda. O manejo comunitário foi apontado
como um dos pilares dessa trajetória, fortalecendo cadeias da bioeconomia e reduzindo a pressão pelo desmatamento ilegal.
A celebração contou com depoimentos de trabalhadores da floresta, como Anizaldo Ferreira de Souza, da Floresta
Nacional do Jamari, que relatou como o modelo de concessão transformou sua vida profissional e familiar. A ministra Marina
Silva também ressaltou o papel das instituições e das comunidades na consolidação da política florestal, destacando que os
avanços são fruto de políticas públicas bem estruturadas e da participação de quem vive e maneja a floresta há gerações. Representantes
de órgãos ambientais, ex-diretores do SFB e comunidades extrativistas também foram homenageados durante
o evento.
Mais que fertilizantes,
cultivamos parcerias
de valor
Nutrição Personalizada para reflorestar o futuro
Foto: Ascom/MMA
unifertil.com.br | @unifertilfertilizantes
24 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Luta contra o fogo
A Reflore/MS (Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas),
representada pelo diretor-executivo Dito Mário, com o Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de
Mato Grosso do Sul,) na sede da instituição, para alinhar estratégias e definir a parceria para o lançamento da XIV
Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais em Mato Grosso do Sul e da Jornada Florestal. Além
do planejamento da campanha e jornada, foram discutidos os encaminhamentos do treinamento de SCI (Sistema
de Comando de Incidentes), que capacita profissionais para gerenciar emergências, desastres e grandes ocorrências
de forma integrada, organizada e eficiente.
Segundo Dito Mário, diretor-executivo da Reflore (MS), o encontro teve como foco a organização do lançamento
de forma estratégica. “Definimos as responsabilidades de cada instituição para que possamos realizar um
grande evento de lançamento. Neste ano, vamos divulgar todas as ações previstas e esperamos contar com a
presença da imprensa e de diversos parceiros, para que a campanha alcance quem realmente precisa”, destacou
Dito.
Dito Mário também ressaltou o alinhamento sobre o treinamento em SCI, realizado anualmente em parceria
com o Senar (MS), o Sistema Famasul e o Corpo de Bombeiros. “Estamos organizando as datas e os ajustes necessários,
pois dependemos da disponibilidade dos bombeiros que ministrarão o treinamento. Também precisamos
comunicar nossas empresas associadas para o recrutamento dos participantes”, explicou Dito.
A Jornada Florestal Reflore (MS) é uma iniciativa da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores
de Florestas Plantadas que aproxima acadêmicos e técnicos do mercado de trabalho. Com foco na expansão
da silvicultura em Mato Grosso do Sul, o evento promove imersão técnica, visitas a empresas associadas
e oportunidades de emprego no setor florestal. Já a Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais
tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre os riscos dos incêndios e fortalecer a cultura da prevenção,
especialmente em áreas com florestas plantadas.
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NOTAS
São Paulo forte
O agronegócio paulista iniciou 2026 com saldo positivo no comércio exterior. Nos dois primeiros meses do ano,
o setor registrou superávit de US$ 2,79 bilhões, resultado de US$ 3,76 bilhões em exportações e US$ 0,97 bilhão em
importações, segundo dados da SAA (Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado) de São Paulo. Entre os
principais segmentos da pauta exportadora, os produtos florestais tiveram papel relevante, respondendo por 15,3%
das exportações do agro paulista, com US$ 576,34 milhões embarcados no primeiro bimestre. Desse total, 67,8% correspondem
à celulose e 26,9% ao papel, consolidando o setor como um dos pilares da balança comercial agrícola do
Estado.
De acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o resultado reflete a diversidade
produtiva e a competitividade da agroindústria paulista no mercado internacional. “O resultado do primeiro bimestre
confirma a força e a diversidade do agro paulista no comércio internacional. São Paulo reúne produção, indústria e
tecnologia, o que permite ao Estado manter um desempenho sólido nas exportações mesmo em um cenário global
desafiador”, alerta Geraldo.
Análises do setor indicam que as exportações florestais paulistas seguiram tendência semelhante à observada no
Brasil como um todo, mesmo diante das incertezas comerciais e das discussões internacionais sobre tarifas. Dados
consolidados do comércio exterior apontam que, entre 2024 e 2025, as exportações do setor florestal registraram retração
de 5,1% em valor FOB em São Paulo, enquanto no Brasil a queda foi de 4,8%.
Entre os principais produtos exportados pela indústria florestal paulista estão celulose, painéis reconstituídos de
madeira, papel e resinas e derivados. A análise da variação do valor FOB entre 2024 e 2025 indica comportamento semelhante
ao observado no agregado do setor, com pequenas diferenças entre o desempenho paulista e o nacional. No
caso da celulose, principal produto da pauta florestal, a retração foi de 3,6% em São Paulo, praticamente alinhada ao
resultado nacional, que registrou queda de 3,5%.
Nos painéis reconstituídos de madeira, São Paulo apresentou crescimento de 17,4%, enquanto no Brasil o segmento
registrou retração de 1% no mesmo período. Para papel, a redução foi mais acentuada no estado, com queda de
10,2%, frente a 2,4% no Brasil. Já no segmento de resinas e derivados, o desempenho foi semelhante entre as duas
escalas, com retração de 2,1% em São Paulo e 2,6% no Brasil.
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NOTAS
Impacto direto
O mercado global de fertilizantes enfrenta uma nova escalada de preços em 2026, com a ureia registrando
altas expressivas que já superam os 35%. Esse movimento é impulsionado pela instabilidade geopolítica no Oriente
Médio, que afeta rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e eleva o custo do gás natural, insumo essencial na
fabricação de nitrogenados. O impacto é imediato nas cotações internacionais, elevando o preço da tonelada de US$
485 para a casa dos US$ 550 em poucos dias.
Para o Brasil, o cenário é desafiador devido à extrema dependência externa, já que o país importa quase 98%
dos fertilizantes que consome. Após atingir o recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas importadas em 2025,
o agronegócio nacional permanece vulnerável a variações cambiais e crises logísticas globais. Essa exposição direta
transforma qualquer tensão diplomática entre grandes potências em um aumento imediato nos custos de produção
dentro das fazendas brasileiras.
No setor florestal, a pressão é sentida especialmente no cultivo de eucalipto, onde os fertilizantes representam,
em média, 31% do custo total de implantação. A alta dos insumos eleva o investimento por hectare e coloca em
risco o retorno financeiro de novos projetos, forçando empresas a revisarem seus cronogramas de expansão. Como
a adubação é determinante para a produtividade da madeira, o desafio atual é manter o crescimento das florestas
sem comprometer a viabilidade econômica.
Essa realidade atinge em cheio o Vale da Celulose, em Mato Grosso do Sul, polo que concentra 24% da produção
nacional e possui cerca de 1,4 milhão de ha (hectares) plantados. Municípios como Três Lagoas (MS) veem seus
custos de manejo subirem, impactando a competitividade de uma região que depende de fertilização rigorosa para
sustentar a indústria de papel e celulose. Além do setor florestal, culturas como soja, milho e cana também enfrentam
redução nas margens de lucro e revisões estratégicas.
Diante da instabilidade entre EUA (Estados Unidos da América) e Irã, o agronegócio brasileiro entra em um ciclo
de alerta que exige planejamento técnico rigoroso. O momento demanda um manejo mais racional de insumos e
a busca por máxima eficiência produtiva para mitigar a alta dos custos. Produzir no Brasil continua sendo viável,
mas o cenário atual impõe uma gestão financeira e agronômica muito mais precisa para sobreviver às oscilações do
mercado internacional.
Foto: divulgação
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NOTAS
Biomassa nativa em debate
Foto: divulgação
Uma instrução normativa da Sema-MT (Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso) tem gerado controvérsia
ao autorizar que grandes consumidores utilizem madeira de supressão vegetal (desmate legalizado) como biomassa.
A medida, que contraria o Código Florestal, é o tema central de uma audiência pública convocada pelo Ministério
Público para o mês de abril. O setor de reflorestamento alerta que a norma fere a legislação ambiental brasileira e
coloca em risco as exportações do Estado, já que o mercado internacional rejeita produtos ligados ao desmatamento.
Conforme o Código Florestal, grandes consumidores que utilizam mais de 24 mil metros estéreos por ano devem
recorrer apenas a florestas plantadas ou ao manejo florestal planejado. No entanto, os dados de 2025 revelam um
cenário preocupante em Mato Grosso: do total de 14,16 milhões de m3 (metros cúbicos) de biomassa consumidos, apenas
47,5% vieram de reflorestamento. Isso indica que a maioria do insumo utilizado no Estado possui origens que não
são tornadas públicas ou fiscalizadas com transparência.
A Arefloresta (Associação dos Reflorestadores de Mato Grosso) questiona a capacidade do órgão ambiental em
monitorar o transporte de milhões de metros cúbicos de madeira nativa e aponta um contrassenso estratégico. Entre
2022 e 2024, o uso de biomassa nativa superou em 55% o consumo de madeira plantada. Para as associações do setor,
incentivar a extração nativa em detrimento do reflorestamento vai na contramão da descarbonização da economia e
ignora o enorme potencial silvicultural do Estado.
O plantio de florestas, como o eucalipto, é essencial para reduzir a pressão sobre os ecossistemas nativos e garantir
a recuperação ambiental. Atualmente, os associados da Arefloresta mantêm mais de 74 mil ha (hectares) de florestas
plantadas, oferecendo uma alternativa sustentável para secadores de grãos e indústrias de etanol. A validação do desmate
legalizado para fins industriais acaba desestimulando novos investimentos em florestas comerciais e compromete
a imagem sustentável do agronegócio mato-grossense.
32 www.referenciaflorestal.com.br
FRASES
Foto: Semadesc (MS)
O Mato Grosso do Sul construiu
um ambiente extremamente
favorável ao desenvolvimento do
setor florestal, com segurança
jurídica, políticas públicas
consistentes e compromisso com a
sustentabilidade. Ribas do Rio Pardo
(MS) é hoje um símbolo desse novo
ciclo de crescimento, baseado em
inovação, geração de emprego e
respeito ao meio ambiente
Jaime Verruck, secretário da Semadesc
(Secretaria de Meio Ambiente,
Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e
Inovação) sobre o desenvolvimento do vale da
celulose no Mato Grosso do Sul
C
M
Y
CM
MY
“Antes, a gente vivia de bicos
e não tinha segurança. Com
a concessão, tenho carteira
assinada, equipamento de
proteção, treinamento e a
certeza de que o trabalho
que faço respeita a floresta.
Isso mudou a minha vida e a
da minha família”
Anizaldo Ferreira de Souza, mateiro da Floresta
Nacional do Jamari (RO), que participa de manejo
na área de concessão da floresta
“O manejo sustentável
garante renda para
milhares de famílias e
contribui diretamente
para a conservação da
biodiversidade. Defender
o setor é defender
o desenvolvimento
sustentável do nosso
Estado”
Ednei Blasius, presidente do Cipem (Centro
das Indústrias Produtoras e Exportadoras de
Madeira do Estado de Mato Grosso) sobre
desenvolvimento econômico do Estado
CY
CMY
K
34 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
Floresta uruguaia
EM EVIDÊNCIA
Uruguayan Forestry
in the Spotlight
O
setor florestal uruguaio consolidou-se nas últimas
décadas como um dos pilares da economia nacional,
responsável por uma significativa parcela das
exportações e pela geração de milhares de empregos
diretos e indiretos. A trajetória desse segmento é marcada por
políticas de Estado consistentes, investimentos contínuos e uma
forte integração entre sustentabilidade e competitividade. Para
compreender melhor os avanços, desafios e perspectivas da área,
conversamos com uma das principais vozes do setor. Na segunda
metade desta entrevista, Lucía Basso, presidente da SPF (Sociedade
de Produtores Florestais), compartilha sua experiência, visão
estratégica e reflexões sobre o papel da madeira e da integração
regional no futuro da economia florestal do Uruguai.
O
ver the past few decades, the Uruguayan Forestry
Sector has become one of the pillars of the national
economy. It accounts for a significant share of
exports and generates thousands of direct and
indirect jobs. Its trajectory has been shaped by
consistent government policies, ongoing investments, and the integration
of sustainability and competitiveness. To better understand
the Sector’s progress, challenges, and prospects, we spoke with one
of its leading voices. In this interview, Lucia Basso, President of the
Society of Forest Producers (SPF), shares her experience, strategic
vision, and reflections on the role of wood and regional integration
in the future of Uruguay’s forestry economy.
Foto: divulgação
ENTREVISTA
Lucía Basso
ATIVIDADE/ ACTIVITY:
Engenheira Forestal formada no marco da Lei Forestal de 1989,
iniciou carreira na Direção General Forestal do MGAP (Ministerio
de Ganadería, Agricultura y Pesca), atuando em projetos e controle
de forestações. Foi auditora líder FSC (Forest Stewardship Council)
e Programme Manager LATAM (América Latina) & Espanha na SGS
Qualifor. Entre 2005 e 2025, desempenhou funções de Asset Manager
em fundos internacionais (RMK Timberland Group, BTG Pactual,
GreenWood Resources, Liberty Mutual), administrando ativos
de até 40.000 ha (hectares). Fundadora da Plantesia Forest Asset
Management, criou o primeiro Fideicomiso Forestal Financiero de
Oferta Pública. Desde 2005 integra a SPF (Sociedad de Productores
Forestales), onde foi eleita presidente em 2023 e reeleita em 2025.
Lucia Basso is a Forestry Engineer who graduated in 1989, when
the Forestry Law was enacted. She began her career at the General
Forestry Directorate of the Ministry of Livestock, Agriculture, and
Fisheries (MGAP), where she worked on afforestation projects and
oversight. She served as a lead Forest Stewardship Council (FSC)
auditor and program manager for Latin America and Spain at
SGS Qualifor. From 2005 to 2025, she was an asset manager for
international funds, including RMK Timberland Group, BTG Pactual,
GreenWood Resources, and Liberty Mutual. She managed assets
of up to 40,000 hectares. As the founder of Plantesia Forest Asset
Management, she established the first publicly offered Uruguayan
Forest Financial Trust. Since 2005, she has been a member of the
Uruguayan Forest Producers Association (SPF), and she was elected
President in 2023 and reelected in 2025.
36 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
>> Conte-nos acerca da sua trajetória profissional e os principais
marcos de sua carreira até chegar à presidência da SPF
(Sociedade de Produtores Florestais)?
Formei-me em 1989, quando foi aprovada a Lei Florestal. Em
1990 ingressei na Direção Geral Florestal do Ministério da
Pecuária, Agricultura e Pesca, responsável pela execução da
lei no Uruguai. Trabalhei no estudo de projetos e controle de
florestamentos para pagamento de subsídios, experiência
que me permitiu conhecer em profundidade a legislação e
percorrer todas as zonas florestais do país. Após 12 anos de
serviço, decidi migrar para a iniciativa privada. Tornei-me auditora
líder FSC, realizando auditorias no Uruguai, Argentina e
Chile para o programa Qualifor. Um ano depois fui convocada
como Programme Manager para América Latina e Espanha.
Em 2005, com a chegada dos primeiros fundos de investimento
e pensão americanos ao Uruguai, fui contratada pelo RMK
Timberland Group como Asset Manager. A partir daí trabalhei
com diversos fundos (RMK TG, BTG Pactual, GreenWood Resources,
Liberty Mutual Insurance, Santa Marta Brasil), sempre
responsável por ativos entre 20 mil e 40 mil ha (hectares).
Permaneci 20 anos nesse ambiente corporativo até que, com
a venda dos ativos da Liberty Mutual, decidi fundar minha
própria empresa de gestão de ativos florestais, a Plantesia
Forest Asset Management, criando um Fideicomisso Florestal
Financeiro de Oferta Pública. Ainda em 2005 fui convidada a
integrar a diretiva da SPF, onde atuei ativamente até ser eleita
presidente em março de 2023, sendo reeleita em 2025. Sou
também presidente honorária do PEFC (Programa para o Reconhecimento
da Certificação Florestal) há vários anos.
>> Como tem sido seu caminho e os maiores desafios de seu
segundo mandato à frente da SPF?
Posso definir como um caminho de muito aprendizado e
uma forma de agradecer ou devolver ao setor florestal e ao
meu país as oportunidades que me deram. Realmente uma
experiência muito enriquecedora, e cheia de desafios, tanto
do ponto de vista pessoal, como profissional. Embora o setor
florestal em nosso país esteja sólido e maduro, os desafios
e a melhoria contínua estão sempre presentes. Como principais
desafios neste segundo período é seguir trabalhando
sobre aspectos que afetam diretamente o setor, como a visão
estratégica e que a política de Estado se mantenha, e que as
regras do jogo sigam sendo claras. Não nos esqueçamos que o
Uruguai leva a Lei Florestal como política de Estado pelo nono
governo consecutivo. Isso tem sido chave para a atração de
investidores tanto nacionais como estrangeiros. Para isso é
fundamental continuar o diálogo com o setor público a partir
do âmbito privado. Também é um grande desafio melhorar
aspectos logísticos. Que se siga investindo tanto no setor
portuário como na rede viária. Outro tema importante é a
consolidação do complexo florestal em suas diferentes fases,
coordenação de trabalhos e projetos de pesquisa entre setor
público e privado e temas de inovação, além de tecnologia
(hidrogênio verde, biomassa e energias renováveis), entre
outros.
38 www.referenciaflorestal.com.br
Can you tell us about your professional background and
the key milestones in your career that led to your appointment
as President of the Society of Forest Producers
(SPF)?
I graduated in 1989, the year the Forestry Law was
enacted. The following year, I joined the General Forestry
Directorate of the Ministry of Livestock, Agriculture, and
Fisheries, which was responsible for enforcing the Law
in Uruguay. I conducted project studies and monitored
afforestation efforts for subsidy payments. This experience
allowed me to gain in-depth knowledge of the legislation
and travel throughout the Country’s forest areas. After
12 years of service, I moved to the Private Sector. And for
the Qualifor Program, I became a lead FSC auditor and
conducted audits in Uruguay, Argentina, and Chile. A year
later, I was appointed Program Manager for Latin America
and Spain. In 2005, when the first American investment
and pension funds arrived in Uruguay, the RMK Timberland
Group hired me as an asset manager. I then worked with
various funds, including RMK TG, BTG Pactual, GreenWood
Resources, Liberty Mutual Insurance, and Santa Marta
Brasil. I was responsible for assets ranging from 20,000 to
40,000 hectares. Furthermore, I remained in this corporate
environment for twenty years until the sale of Liberty
Mutual’s assets prompted me to found my own forest asset
management company, Plantesia Forest Asset Management.
I created a publicly offered forest financial trust. In
2005, I was invited to join the SPF board, where I served
until my election as President in March 2023, for which
I was reelected in 2025. I have also been an Honorary
President of the Program for the Endorsement of Forest
Certification (PEFC) for several years.
What has your journey been like, and what have the
biggest challenges been in your second term as head of
the SPF?
I would describe it as a journey of great learning, as well as
an opportunity to give back to the Forestry Sector and my
Country for the opportunities they have given me. It has
truly been a very enriching experience, full of challenges
from personal and professional standpoints. Although
our Country’s Forestry Sector is solid and mature, there is
always a need for continuous improvement. The main challenges
in this second term are continuing to work on issues
that directly affect the Sector, such as maintaining a strategic
vision, ensuring consistent state policy, and keeping the
rules clear. Notably, Uruguay has maintained the Forestry
Law as state policy for nine consecutive governments. This
has been key to attracting both domestic and foreign investors.
To this end, it is essential to continue the dialogue
with the Public Sector from the Private Sector’s perspective.
Improving logistics is also a major challenge. We must
continue to invest in the port and the road networks. Other
important issues include consolidating the Forestry Sector
across its various stages, coordinating work and research
MUDAS DE
Pinus taeda
TEMOS TAMBÉM
• Araucária Enxertada
Produção precoce de pinhão
• Nativas spp.
• Eucalyptus spp.
• Erva-Mate
viveiro_florestal_duffatto
BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC
ENTREVISTA
>> Qual sua visão geral sobre o panorama atual do setor florestal
no Uruguai e a importância da madeira na economia
do país?
O setor florestal uruguaio já é um setor consolidado no
país. Por exemplo, em 2025, o setor florestal reafirmou sua
posição como um pilar do comércio exterior uruguaio, com
exportações totais do setor que alcançaram os US$ 2.666
milhões. A celulose se posicionou como o segundo produto
mais exportado da economia nacional em 2025, com vendas
de US$ 2.307 milhões. Isso representou 17% do total de bens
exportados pelo país. Mas há outros dados que também
marcam a relevância atual do setor na economia uruguaia.
Em 2025, a consultora Exante apresentou um informe sobre:
A Contribuição do complexo florestal à economia uruguaia;
no qual assinala que a cadeia florestal gerou um valor bruto
de produção de US$ 4.114 milhões e um valor agregado total
de US$ 4.700 milhões, o que equivale a 5,8% do PIB (produto
interno bruto) nacional. Por outro lado, o setor gera 23.179
empregos diretos e, considerando impactos indiretos e induzidos,
dá suporte a 45.982 postos de trabalho, ou seja, cerca
de 2,7% do total de ocupados na economia. Além disso, paga
remunerações diretas de US$ 775 milhões, com um salário
médio anual de aproximadamente US$ 33.400, o que é significativamente
superior à média do setor privado. Tudo isso se
produz utilizando 1.065.000 hectares, o que representa 6,6%
da superfície agropecuária do país. Ou seja, com uma participação
relativamente baixa no uso do solo, o setor tem uma
incidência macroeconômica muito elevada. A madeira hoje
não é apenas um insumo industrial: é um componente estrutural
do crescimento, da exportação e da geração de emprego
no Uruguai.
>> De que maneira o Uruguai conseguiu equilibrar a competitividade
produtiva com as exigências de sustentabilidade e
certificações internacionais?
O desenvolvimento florestal uruguaio é o resultado de uma
política de Estado de longo prazo iniciada com a Lei Florestal
de 1987, que definiu solos de prioridade florestal e promoveu
a atividade em terras de menor aptidão agrícola. Como
mencionei, atualmente o país conta com 1,16 milhões de
hectares florestados, com um crescimento médio anual de
projects between the Public and Private Sectors, and
launching innovation initiatives, including technology such
as green hydrogen, biomass, and renewable energy.
What is your overall view of the current state of the
Forestry Sector in Uruguay, as well as the importance of
timber to the Country’s economy?
The Uruguayan Forestry Sector is well-established. In 2025,
for example, the Sector reaffirmed its position as a pillar of
Uruguayan foreign trade, with total exports reaching $2.67
billion. Pulp was the second most exported product in the
domestic economy that year, with sales reaching $2.31
billion. This represented 17% of the Country’s total exports.
Other data also highlight the Sector’s importance to the
Uruguayan economy. In 2025, the consulting firm Exante
published a report titled The Contribution of the Forestry
Complex to the Uruguayan Economy. The report noted that
the Forestry Sector generated a gross production value of
$4.11 billion and a total value added of $4.7 billion. This
equaled 5.8% of the national GDP. Furthermore, the Sector
generated 23,179 direct jobs, supporting 45,982 jobs in
total when considering indirect and induced impacts. This
represents about 2.7% of the total workforce in the economy.
Additionally, the Sector pays direct wages of $775
million, with an average annual salary of approximately
$33,400, significantly higher than the Private Sector average.
All of this production uses only 1,065,000 hectares,
representing just 6.6% of the Country’s agricultural land.
In other words, despite its relatively low land usage, the
Sector has a high macroeconomic impact. Today, timber is
not merely an industrial input; it is a structural component
of growth, exports, and job creation in Uruguay.
How has Uruguay managed to balance productive
competitiveness with the demands of sustainability and
international certifications?
Uruguay’s forestry development is the result of a long-term
government policy that began with the 1987 Forestry Law.
This law designated lands for forestry and promoted activities
on land with lower agricultural suitability. Currently,
the Country has 1.16 million hectares of forested land, with
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A madeira hoje não é apenas um insumo industrial: é um
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ENTREVISTA
2,7% nas últimas duas décadas. A expansão foi planejada e
territorialmente descentralizada, concentrando-se principalmente
em departamentos como Rivera, Tacuarembó, Río
Negro e Paysandú. Do ponto de vista produtivo, a extração de
madeira alcançou em 2024 os 22,7 milhões de m3 (metros cúbicos),
quatro vezes mais que há 20 anos, impulsionada pela
consolidação industrial. No entanto, essa expansão esteve
acompanhada por altos padrões ambientais e pela rastreabilidade
exigida pelos mercados internacionais. As plantações
florestais no Uruguai estão certificadas em 90% pelos selos
internacionais FSC e PEFC. Um componente interessante
relacionado com a competitividade e a sustentabilidade é a
integração energética. Em 2024, a geração elétrica com base
em biomassa florestal foi de 4.500 GWh (gigawatts por hora),
e o fornecimento à rede nacional representou 12% da geração
elétrica do país, aportando energia renovável e estável.
Além disso, a lenha continua sendo uma fonte relevante no
consumo residencial e produtivo. Esse modelo demonstra
que a sustentabilidade não é um fator acessório, mas parte
do próprio desenho produtivo: manejo em solos definidos,
integração industrial, economia circular e forte inserção em
mercados que exigem padrões ambientais rigorosos.
>> E sobre os principais desafios regulatórios e ambientais
que a associação e os produtores enfrentam atualmente no
país?
Os principais desafios podem ser sintetizados em quatro eixos.
O primeiro é a manutenção de normas claras e estáveis.
O setor florestal opera com ciclos produtivos de 10 a 20 anos,
o que requer um marco regulatório previsível e sustentado
no tempo. O Uruguai construiu seu desenvolvimento sobre
a base da Lei Florestal e políticas de Estado de longo prazo,
mas é fundamental preservar essa estabilidade normativa. A
previsibilidade é uma condição chave para sustentar investimentos
industriais como os que já foram instalados e para
atrair novos projetos em madeira sólida, papel e biomassa.
Em segundo lugar, está a necessidade de o setor contar com
uma infraestrutura adequada. A cadeia florestal depende
criticamente de uma logística eficiente. Embora o país tenha
avançado em infraestrutura ferroviária e portuária, é imprescindível
continuar investindo em rotas nacionais, estradas rurais,
portos e acessos logísticos, para otimizar custos e manter
competitividade frente a outros países produtores. O desafio
não é apenas manter a infraestrutura atual, mas antecipar-
-se a cenários de expansão produtiva. Como terceiro ponto,
gostaria de assinalar a necessidade de que os trâmites e processos
administrativos sejam ágeis. Este é outro desafio relevante
para nós: melhorar a eficiência dos processos administrativos
vinculados a autorizações ambientais, habilitações e
aprovações de projetos. A indústria florestal cumpre padrões
ambientais exigentes e está acostumada a operar sob controles
rigorosos, mas a agilidade nos procedimentos é chave para
que os investimentos avancem em tempos compatíveis com a
dinâmica dos mercados internacionais. Reduzir tempos administrativos
não implica flexibilizar exigências, mas sim tornar
an average annual growth rate of 2.7% over the past two
decades. This expansion has been planned and geographically
decentralized, with a main focus on departments
such as Rivera, Tacuarembó, Río Negro, and Paysandú.
From a production standpoint, timber harvesting reached
22.7 million cubic meters in 2024, four times more than
20 years ago, driven by industrial consolidation. However,
this expansion was accompanied by high environmental
standards and the traceability required by international
markets. Ninety percent of Uruguay’s forest plantations
are certified by international FSC and PEFC standards. An
interesting aspect related to competitiveness and sustainability
is energy integration. In 2024, 4,500 GWh of electricity
were generated from forest biomass, accounting for
12% of the Country’s electricity generation and providing
renewable and stable energy to the national grid. Furthermore,
firewood remains a significant source of energy for
residential and industrial consumption. This model shows
that sustainability is an integral part of the production system:
management of designated lands, industrial integration,
a circular economy, and strong market penetration in
sectors demanding strict environmental standards.
What are the main regulatory and environmental challenges
that the association and producers currently face
in the Country?
The main challenges can be summarized into four key
areas. The first is maintaining clear and stable regulations.
The Forestry Sector operates on production cycles of 10
to 20 years and requires a consistent, predictable regulatory
framework. Uruguay has based its development on
the Forestry Law and long-term government policies, so
it is crucial to maintain this regulatory stability. Predictability
is essential for sustaining industrial investments,
such as those already in place, and for attracting new
projects in solid wood, paper, and biomass. The second
challenge is the Sector’s need for adequate infrastructure.
The forestry chain critically depends on efficient logistics.
While the Country has made progress in improving its
railway and port infrastructure, continued investment in
domestic routes, rural roads, ports, and logistics access is
essential to optimize costs and maintain competitiveness
against other producing countries. The challenge lies not
only in maintaining the current infrastructure, but also in
anticipating production expansion scenarios. Third, I would
like to highlight the need for streamlined administrative
procedures and processes. Improving the efficiency of
administrative processes related to environmental permits,
licensing, and project approvals is another significant
challenge for us. While the forestry industry complies with
demanding environmental standards and is accustomed
to operating under strict controls, streamlined procedures
are essential for ensuring that investments move forward
at a pace compatible with international market dynamics.
Reducing administrative processing times does not mean
42 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
os processos mais eficientes. E finalmente, mas não por isso
menos relevante, está o tema da competitividade. Em um
contexto global cada vez mais dinâmico, onde competidores
regionais expandem sua produção florestal, o Uruguai deve
trabalhar na redução de custos logísticos e operacionais. A
competitividade não depende unicamente do tipo de câmbio
ou da produtividade do bosque, mas de fatores estruturais
como transporte, energia, cargas tributárias e eficiência operacional.
Melhorar esses aspectos permitirá ao setor acessar
novas oportunidades em mercados que exigem qualidade,
rastreabilidade, sustentabilidade e preços competitivos.
relaxing requirements; rather, it means making processes
more efficient. Lastly, there is the issue of competitiveness.
In an increasingly dynamic global context where regional
competitors are expanding their forestry production, Uruguay
must reduce logistics and operational costs. Competitiveness
depends on structural factors such as transportation,
energy, tax burdens, and operational efficiency, not
just exchange rates or forest productivity. Improving these
aspects will enable the Sector to access new markets that
demand quality, traceability, sustainability, and competitive
prices.
>> Existem perspectivas reais de expansão e novos investimentos
em celulose, papel e biomassa no Uruguai para os
próximos anos?
As perspectivas são concretas e estão respaldadas por projetos
já em execução. Neste ano começarão a operar pelo
menos três grandes investimentos no segmento de madeira
sólida. A Lumin está terminando a construção de uma nova
planta de compensado em Melo, com US$ 140 milhões de
investimento, capacidade de 164 mil m³ anuais e vai gerar
aproximadamente 320 empregos. A Urufor está ampliando
sua indústria por meio de uma planta de serraria e secagem
em Rivera, com um investimento próximo de US$ 100 milhões,
que duplicará a capacidade produtiva existente. E a
Braspine está instalando outra planta de serraria de pinho em
Rivera, com capitais brasileiros, investimento de cerca de US$
100 milhões e geração de 400 empregos. Em paralelo, o setor
de celulose opera com três grandes plantas industriais, duas
delas da UPM e uma da Montes del Plata, que consolidaram
a escala exportadora do país. Desde uma perspectiva macroeconômica,
em nosso último Desayuno Forestal voltamos
a apresentar um cenário de expansão de 500 mil hectares
adicionais, mantendo uma estrutura logística similar, e isso
poderia elevar a contribuição do setor a mais de 8,5% do PIB,
gerar cerca de 65 mil empregos na economia e aumentar significativamente
as exportações e o valor agregado. Isso indica
que o crescimento não é especulativo: existe base territorial,
infraestrutura instalada e experiência industrial para continuar
expandindo a cadeia florestal.
>> Que fatores mantêm o Uruguai como um destino atraente
e seguro para o capital florestal estrangeiro?
O Uruguai combina uma série de atributos pouco frequentes
na região. Em primeiro lugar, estabilidade institucional e
segurança jurídica, com regras claras e continuidade nas políticas
públicas florestais desde há quase quatro décadas. Esse
também é um desafio: manter essa estabilidade e contribuir
para a segurança nos investimentos. Em segundo lugar, infraestrutura
e escala industrial já consolidadas, que permitem
operar em um ecossistema produtivo desenvolvido, com logística
portuária e ferroviária adaptada a grandes volumes de
exportação. Em terceiro lugar, produtividade e rentabilidade
comprovadas. Como mencionei, o setor gera US$ 4.275 de valor
agregado por hectare e apresenta um valor agregado por
44 www.referenciaflorestal.com.br
What are the prospects for expansion and new investments
in pulp, paper, and biomass in Uruguay over the
next few years?
The prospects are concrete and backed by ongoing
projects. At least three major investments in the solid
wood segment will begin operations this year. Lumin is
finishing construction on a new plywood plant in Melo.
The plant received a US$140 million investment and
will have an annual capacity of 164,000 m³. It will also
generate approximately 320 jobs. Urufor is expanding its
operations with a sawmill and drying plant in Rivera. This
project will require nearly US$100 million in investments
and will double existing production capacity. Braspine is
installing a pine sawmill in Rivera with Brazilian capital.
This project will cost around US$100 million and create
400 jobs. Meanwhile, the Pulp Sector operates three large
industrial plants: two owned by UPM and one by Montes
del Plata. These plants have consolidated the Country’s
export scale. At our latest Desayuno Forestal, we presented
a scenario of expanding by an additional 500,000 hectares
while maintaining a similar logistics structure. This could
increase the Sector’s contribution to over 8.5% of GDP, generate
approximately 65,000 jobs, and significantly increase
exports and added value. These developments suggest that
growth is not speculative; there is sufficient land, infrastructure,
and industrial experience to continue expanding
the Forestry Sector.
What factors make Uruguay an attractive and secure
destination for foreign forestry investments?
Uruguay possesses a number of attributes that are rare in
the Region. First is institutional stability and legal certainty,
with clear rules and continuity in public forestry policies
for nearly four decades. Maintaining this stability and
contributing to investment security is also a challenge.
Second is well-established infrastructure and industrial
scale, which allow operations within a developed production
ecosystem with port and rail logistics adapted
to large export volumes. Third is proven productivity and
profitability. As I mentioned, the Sector generates $4,275
in value added per hectare and has a value added per
worker of over $117,000 annually, which is far above that
of other agro-industrial complexes. Additionally, the Sector
A SOLUÇÃO EFICAZ, ECONÔMICA
E SUSTENTÁVEL NO MANEJO DAS
FORMIGAS CORTADEIRAS
Controle eficaz de saúvas e
quenquéns, de forma segura e
econômica.
0800 180 3000
R. Uruguai, 2100, Pq. Ind. Cel Quito
Junqueira - Ribeirão Preto - SP
ENTREVISTA
trabalhador superior a US$ 117 mil anuais, muito acima de
outros complexos agroindustriais. Além disso, o setor aporta
de forma direta US$ 337 milhões em impostos e contribuições
à seguridade social, cifra que sobe para US$ 715 milhões
considerando impactos totais, o que reflete sua plena integração
à economia formal. Pode-se dizer que o Uruguai oferece
estabilidade, escala, produtividade, inserção internacional e
padrões ambientais alinhados com as exigências globais. Essa
combinação explica por que continua sendo um destino confiável
e atraente para o investimento florestal de longo prazo.
>> Gostaria de deixar alguma mensagem aos empresários e
líderes do setor no Brasil sobre o futuro da integração florestal
na região?
Entendo que a integração florestal regional já seria uma necessidade
competitiva! O futuro da integração florestal em
nossa região depende da capacidade que tenhamos de deixar
de nos ver apenas como competidores e começar a nos consolidar
como um bloco estratégico. Brasil, Uruguai, Argentina,
Paraguai e Chile têm condições extraordinárias para se posicionar
juntos como uma das regiões florestais mais competitivas,
sustentáveis e inovadoras do mundo. A integração florestal
regional não significa perder identidade nem liderança
nacional; significa ganhar escala, eficiência, previsibilidade
e influência global. Implica avançar em agendas comuns: infraestrutura
logística como corredores fluviais e rodoviários,
aspectos de harmonização normativa, inovação tecnológica,
bioeconomia, rastreabilidade, sustentabilidade e abertura coordenada
de mercados. Hoje o mundo não demanda apenas
madeira, celulose ou biomateriais: demanda soluções climáticas,
energia renovável, captura de carbono e produção responsável.
E aí nossa região tem uma oportunidade histórica.
Se conseguirmos construir uma visão compartilhada entre o
setor privado, os governos, a academia e as organizações técnicas,
podemos transformar o setor florestal regional em um
verdadeiro motor de desenvolvimento, emprego de qualidade
e competitividade internacional. O futuro não está somente
em produzir mais; está em nos integrarmos melhor, inovarmos
mais rápido e mostrarmos ao mundo que a América do
Sul pode liderar a nova economia florestal sustentável.
contributes $337 million directly in taxes and social security,
a figure rising to $715 million when considering total
impacts. This reflects the Sector’s full integration into the
formal economy. Uruguay offers stability, scale, productivity,
international integration, and environmental standards
aligned with global requirements. This combination is why
Uruguay remains a reliable and attractive destination for
long-term forestry investment.
Would you like to share a message with Brazilian business
and industry leaders regarding the future of forestry
integration in the Region?
I believe regional forestry integration is a competitive
necessity. The future of forestry integration in our region
depends on our ability to stop viewing each other as competitors
and start consolidating as a strategic bloc. Brazil,
Uruguay, Argentina, Paraguay, and Chile are in an excellent
position to present themselves as one of the world’s most
competitive, sustainable, and innovative forestry regions.
Regional forestry integration does not mean losing national
identity or leadership. Rather, it means gaining scale,
efficiency, predictability, and global influence. It involves
advancing common agendas, such as logistics infrastructure
(e.g., river and road corridors), regulatory harmonization,
technological innovation, the bioeconomy, traceability,
sustainability, and the coordinated opening of markets.
Today, the world demands more than just wood, pulp, and
biomaterials; it demands climate solutions, renewable
energy, carbon capture, and responsible production. Here,
our Region has a historic opportunity. By building a shared
vision among the Private Sector, Governments, Academia,
and Technical Organizations, we can transform the Regional
Forestry Sector into a true engine of development,
quality employment, and international competitiveness.
The future does not only lie in producing more, but also
in integrating better, innovating faster, and showing the
world that South America can lead the new sustainable
forest economy.
20
26
04 06
AGOSTO
Pode-se dizer que o Uruguai oferece estabilidade, escala,
produtividade, inserção internacional e padrões ambientais
alinhados com as exigências globais
46 www.referenciaflorestal.com.br
COLUNA
Formação técnica no
manejo de árvores
Gabriel Berger
GB Manejo de Árvores – Educação Profissional
e Corporativa
Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho
gbmanejodearvores.com.br
gabriel@gbmanejodearvores.com.br
Foto: divulgação
Capacitar no manejo de árvores é estruturar decisões técnicas, reduzir riscos e
integrar segurança, qualidade e ambiente
Aformação profissional no manejo de árvores, no
contexto de empresas florestais, não pode ser
tratada como um processo pontual ou exclusivamente
operacional. Trata-se de uma construção
estruturada de conhecimento que conecta
técnica, decisão e responsabilidade em ambientes onde o
risco está sempre presente.
O manejo não se resume à execução de intervenções
como poda, condução ou supressão. Cada ação realizada em
campo gera impactos diretos sobre a segurança das equipes,
a integridade das áreas manejadas, o equilíbrio ambiental e a
qualidade do trabalho entregue. Por isso, a capacitação precisa
ir além do “como fazer” e avançar para o “por que fazer”
e “quando fazer”.
A formação técnica assume papel central na construção
de uma mentalidade profissional orientada por critérios.
Segurança não pode ser tratada como etapa ou exigência
formal. Ela precisa ser incorporada como base permanente
de decisão. Isso só ocorre quando o profissional compreende
os riscos, reconhece os cenários e possui repertório técnico
para agir com clareza.
A educação estruturada permite reduzir a variabilidade
operacional, um dos principais fatores associados a falhas
no manejo. Quando diferentes profissionais interpretam um
mesmo cenário de formas distintas, aumenta-se a probabilidade
de decisões inconsistentes, retrabalho, acidentes e
impactos ambientais. A formação atua diretamente na padronização
do raciocínio técnico, criando referências comuns
para análise e execução.
Outro ponto crítico é a integração entre os diferentes
níveis da operação. O manejo de árvores envolve desde equipes
de campo até lideranças técnicas e gestores. Quando a
formação não é estruturada de forma abrangente, surgem
desconexões entre planejamento, execução e controle.
Programas consistentes de capacitação alinham linguagem,
critérios e expectativas, fortalecendo a organização técnica
do processo.
A capacitação contínua também é indispensável. O ambiente
florestal é dinâmico: variam as espécies, as condições
de terreno, os objetivos de manejo e as exigências ambientais.
A atualização periódica evita a repetição de práticas inadequadas
e amplia a capacidade de adaptação das equipes
frente a novos cenários.
Além disso, a formação cumpre papel fundamental na
mitigação de riscos legais e ambientais. A compreensão
das normas aplicáveis, das autorizações necessárias e das
responsabilidades envolvidas permite que as intervenções
sejam realizadas com critério, reduzindo exposição a penalidades
e danos ambientais.
No entanto, o principal resultado da capacitação não está
apenas na conformidade técnica, mas na construção de consciência.
Profissionais bem formados não executam tarefas
de forma automática. Eles analisam o contexto, identificam
variáveis críticas e tomam decisões fundamentadas. Essa
capacidade de julgamento é o que diferencia uma execução
mecânica de uma atuação técnica responsável.
A educação, portanto, não deve ser vista como custo
ou obrigação. Trata-se de um investimento estruturante,
que sustenta a evolução do manejo como processo técnico.
Ela reduz riscos operacionais, melhora a consistência das
intervenções e contribui para resultados mais previsíveis e
sustentáveis.
Quando a formação é conduzida com método, continuidade
e profundidade, os resultados deixam de ser pontuais e
passam a ser sistêmicos. A segurança deixa de depender de
fiscalização e passa a ser comportamento. A qualidade deixa
de ser verificação posterior e passa a ser padrão incorporado.
A produtividade deixa de competir com a segurança e
passa a ser consequência de decisões bem estruturadas.
Capacitar é estruturar decisões. É desenvolver profissionais
capazes de compreender a complexidade do manejo
e atuar com responsabilidade técnica. E, acima de tudo, é
garantir que cada intervenção realizada seja resultado de
análise, critério e consciência — e não de improviso.
Foto: divulgação
L
Lâmina Frontal V-Shear
www.feldermann.com.br
Subsolador
Florestal
S600
L
48 www.referenciaflorestal.com.br
PRINCIPAL
Crescimento
SÓLIDO
Solid Growth
A State of Santa Catarina-based
company is celebrating 10 years
of innovations, international
expansion, and solutions for
the Forestry Sector
Empresa catarinense celebra 10 anos
com inovação, expansão internacional e
soluções para o setor florestal
Fotos: divulgação Ferldermann
50 www.referenciaflorestal.com.br Abril 2026 51
PRINCIPAL
O
setor florestal brasileiro tem vivenciado
uma demanda crescente por máquinas e
implementos nacionais capazes de atender às
necessidades específicas do segmento. Nesse
cenário, a Feldermann, empresa sediada em
Santa Catarina, consolidou-se como uma referência em soluções
tecnológicas voltadas para o preparo de solo e manejo
florestal, celebrando em março de 2026 uma década de atuação
marcada por inovação, expansão e presença internacional.
Fundada em 2016, a Feldermann iniciou suas atividades
com o desenvolvimento de um subsolador de pneus, fruto
de testes realizados na região sul do país. “Começamos em
março de 2016 com o desenvolvimento de um subsolador de
pneus. Iniciamos os testes por conta própria, sem capital”,
relembra Felipe Sepulveda, diretor de operações. A primeira
máquina foi um protótipo, seguida por uma segunda versão
que conquistou seu primeiro cliente no Rio Grande do Sul.
Esse primeiro implemento abriu o mercado e levou a empresa
a atender grandes players como Dexco, Suzano e Eldorado.
Entre 2017 e 2020, a empresa ampliou gradualmente sua
atuação. Durante a pandemia, em 2020/2021, houve uma expansão
significativa, com pedidos acima de 30 subsoladores,
que a Feldermann conseguiu atender graças ao fortalecimento
de sua estrutura produtiva. Esse período marcou a transição
da empresa de uma operação emergente para uma fornecedora
consolidada no mercado florestal.
Acompanhando o ritmo de crescimento, a Feldermann investiu
em sua estrutura física. Em 2022, ocupava um pavilhão
de 900 m² (metros quadrados), ampliado posteriormente para
1.100 m². Hoje, a empresa opera em um moderno pavilhão
de 4 mil m², refletindo a evolução da marca. “Estamos em
um pavilhão quatro vezes maior, com potencial de ampliação
contínuo e quase 60 funcionários no grupo”, orgulha-se Felipe.
T
he Brazilian Forestry Sector has experienced
growing demand for domestic machinery and
tools that can meet the segment’s specific needs.
Against this backdrop, Feldermann has established
itself as a leader in technological solutions
for soil preparation and forest management. Headquartered
in the State of Santa Catarina, the Company is celebrating a
decade of operations in March 2026, marked by innovation,
expansion, and an international presence.
Founded in 2016, Feldermann began operations by
developing a tire subsoiler, the result of tests conducted in
Southern Brazil. “We started in March 2016 with the development
of a tire subsoiler. We began testing on our own, without
capital,” recalls Felipe Sepulveda, Director of Operations. The
first machine was a prototype, followed by a second version
that won over its first customer in Rio Grande do Sul. This
initial product opened up the market and led the Company to
work with major players such as Dexco, Suzano, and Eldorado.
Between 2017 and 2020, the Company gradually expanded
its operations. There was significant expansion
during the pandemic in 2020 and 2021, with orders for over
30 subsoilers. Feldermann was able to fulfill these orders
thanks to the strengthening of its production structure. This
period marked the Company’s transition from an emerging
operation to an established supplier in the forestry market.
To keep pace with its growth, Feldermann has invested in
its physical infrastructure. In 2022, the Company occupied a
900-square-meter facility that was later expanded to 1,100
square meters. Today, the Company operates from a modern
4,000-square-meter facility that reflects its evolution. “We
are in a facility that is four times larger, with potential for
continued expansion, and we have nearly 60 employees in
the group,” Sepulveda notes proudly.
Um diferencial estratégico da Feldermann é a verticalização
de sua produção. Cerca de 85% dos processos, incluindo
usinagem, solda, pintura e montagem, são realizados internamente,
garantindo maior controle de qualidade e agilidade
nos prazos de entrega. Apenas serviços de corte e dobra são
terceirizados. Essa escolha permite atender demandas específicas
do mercado florestal, caracterizado por peças pesadas
e volumes variáveis, que exigem flexibilidade e precisão. Essa
decisão também fortalece a independência da empresa frente
a fornecedores externos, assegurando maior estabilidade em
períodos de alta demanda.
A empresa ampliou seu portfólio para além dos subsoladores,
incluindo adubadeiras, pulverizadores, distribuidores
de iscas e soluções customizadas. Atualmente, são cerca
de 25 produtos diferentes, sendo 15 de linha padrão e 10
desenvolvidos sob medida para clientes. Essa diversificação
reforça a capacidade da Feldermann de adaptar suas soluções
às diferentes realidades regionais do Brasil, atendendo
tanto o mercado do sul, com forte uso de tratores de esteira,
quanto o centro-oeste, onde predominam grandes áreas de
cultivo florestal.
Entre os destaques está o modelo AP 400, que integra
adubação e pulverização em um único equipamento. “O AP
400 faz o serviço conjugado e tem se destacado bastante dentro
das grandes indústrias por sua versatilidade e eficiência”,
afirma Felipe. O implemento simboliza a vocação da empresa
para inovação e eficiência, oferecendo soluções que reduzem
custos e aumentam a produtividade dos clientes. Além disso,
o AP 400 viabilizou oportunidades para novos mercados, inclusive
fora do setor florestal, como empresas agrícolas que
estão investindo em biomassa para etanol de milho.
É uma década de muito
trabalho, desafios e
conquistas que valorizamos e
nos impulsionam para o futuro
Felipe Sepulveda,
diretor de operações
da Feldermann
A strategic advantage of Feldermann is its vertically
integrated production. About 85% of processes, including
machining, welding, painting, and assembly, are performed
in-house, ensuring greater quality control and faster delivery
times. Only cutting and bending services are outsourced.
This approach enables the Company to meet the specific
demands of the forestry market, which is characterized by
heavy parts and variable volumes and requires flexibility and
precision. It also strengthens the Company’s independence
from external suppliers, ensuring greater stability during
periods of high demand.
Feldermann has expanded its portfolio beyond subsoilers
to include fertilizer spreaders, sprayers, bait dispensers, and
customized solutions. Currently, there are approximately 25
products for clients, 15 standard and 10 custom-developed.
This diversification reinforces Feldermann’s ability to adapt its
solutions to Brazil’s diverse regional realities. The Company
serves both the Southern market, where crawler tractors are
widely used, and the Midwest, where large areas of forestry
cultivation predominate.
One of the highlights is the AP 400 model, which combines
fertilization and spraying into one piece of equipment.
“The AP 400 excels at both tasks and has become a standout
in large companies thanks to its versatility and efficiency,”
says Sepulveda. This implement symbolizes the Company’s
commitment to innovation and efficiency by offering solutions
that reduce costs and increase customer productivity.
Additionally, the AP 400 has opened up opportunities in
new markets, including ones outside the Forestry Sector. For
example, agricultural companies are investing in corn ethanol
production using biomass.
52 www.referenciaflorestal.com.br Abril 2026 53
PRINCIPAL
EXPANSÃO NACIONAL
A expansão da Feldermann não se limitou à sede em
Santa Catarina. Em 2024, a empresa inaugurou uma filial em
Três Lagoas (MS), estrategicamente localizada para atender à
crescente demanda da região, impulsionada pela instalação
da fábrica da Suzano, Arauco e Bracell e pela expansão da
Eldorado. Atualmente, são aproximadamente 150 máquinas
da Feldermann em operação apenas no Mato Grosso do Sul,
dentro de um total de cerca de 650 unidades em campo no
Brasil.
A filial garante proximidade com os clientes e fortalece
o pós-venda, oferecendo manutenção preventiva e corretiva
com peças originais e suporte técnico especializado. Essa
estratégia reforça a confiança dos clientes e assegura maior
durabilidade dos equipamentos. A empresa também estuda a
abertura de novas filiais no interior de São Paulo, região com
forte presença florestal e grande potencial de mercado. Essa
expansão nacional demonstra a preocupação da Feldermann
em estar próxima dos clientes, oferecendo implementos de
qualidade e acompanhamento técnico e soluções de longo
prazo.
PRESENÇA INTERNACIONAL
Nos últimos anos, a Feldermann ampliou significativamente
sua atuação internacional, exportando para países
como Paraguai, Colômbia, Angola, Indonésia e Camboja. Em
Angola, foram enviados sete conjuntos de lâminas e subsoladores
S600 em uma operação de grande porte. No Camboja,
dois conjuntos de subsoladores e adubadores estão em
fase de embarque. “O potencial internacional é gigantesco”,
prospecta Felipe.
Essa expansão global é resultado de uma estratégia de
posicionamento bem-sucedida, apoiada na participação
em feiras e eventos como a ExpoForest, que projetaram a
marca internacionalmente. Além disso, a empresa conseguiu
competir com soluções de marcas estrangeiras, oferecendo
melhorias adaptadas ao mercado local e conquistando espaço
em países emergentes com forte demanda por mecanização
florestal. A presença internacional reforça a capacidade da
Feldermann de se adaptar a diferentes realidades e de oferecer
soluções competitivas em escala global.
DOMESTIC EXPANSION
Feldermann’s expansion was not limited to its headquarters
in Santa Catarina. In 2024, the Company opened a branch
in Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, strategically located to
meet the Region’s growing demand, driven by the expansion
of factories operated by Suzano, Arauco, Bracell, and Eldorado.
Currently, approximately 150 Feldermann machines are
in operation in Mato Grosso do Sul, representing about 25%
of the 650 units in use across Brazil.
The Branch ensures proximity to customers and strengthens
after-sales service by offering preventive and corrective
maintenance with original parts and specialized technical
support. This strategy reinforces customer confidence and
ensures greater equipment durability. Feldermann is also
considering opening new branches in São Paulo’s interior,
a region with a strong forestry presence and significant
market potential. This national expansion demonstrates
Feldermann’s commitment to being close to its customers
and offering quality equipment, technical support, and long-term
solutions.
INTERNATIONAL PRESENCE
Feldermann has significantly expanded its international
operations in recent years, exporting to countries such as
Paraguay, Colombia, Angola, Indonesia, and Cambodia. As
part of a large-scale operation in Angola, seven sets of S600
blades and subsoilers were shipped.
Currently, two sets of subsoilers and fertilizer spreaders
are being shipped to Cambodia. “The international potential
is enormous,” says Sepulveda.
This global expansion is the result of a successful positioning
strategy supported by participation in trade shows
and events, such as ExpoForest. These events have raised the
Company’s international profile. Additionally, the Company
has managed to compete with foreign brands by offering
improvements tailored to the local market, gaining a foothold
in emerging countries with a high demand for forestry
mechanization.
Feldermann’s international presence reinforces its ability
to adapt to diverse realities and offer competitive solutions
globally.
SUBSOLADOR
S600
ADUBADOR E
PULVERIZADOR
AP 400
INOVAÇÃO E FUTURO
Ao completar 10 anos de atuação, a Feldermann reafirma
seu compromisso com a inovação e a qualidade. A empresa
projeta um futuro promissor, com planos de expansão tanto
no Brasil quanto no exterior, mantendo a essência de atender
com proximidade e personalização cada cliente. “No dia
14 março a empresa completou 10 anos. É uma década de
muito trabalho, desafios e conquistas que valorizamos e nos
impulsionam para o futuro”, comemora Felipe.
Com um portfólio diversificado, produção verticalizada e
presença internacional crescente, a Feldermann se consolida
como uma das principais referências no setor florestal brasileiro.
Mais do que máquinas, a empresa entrega soluções
completas, capazes de transformar o preparo de solo e impulsionar
a produtividade de seus clientes.
Ao projetar os próximos anos, a Feldermann busca consolidar
o aprendizado de sua trajetória e ampliar sua contribuição
para o setor florestal. A experiência acumulada mostra
que inovação, qualidade e proximidade com os clientes têm
sido elementos centrais para sustentar o desenvolvimento
da empresa. Ao celebrar uma década de atividades, a Feldermann
reafirma seu compromisso em apoiar práticas produtivas
responsáveis e em fortalecer o papel da indústria brasileira
na construção de soluções sustentáveis para o futuro.
O AP 400 faz o serviço
conjugado e tem se
destacado bastante
dentro das grandes
indústrias por sua
versatilidade e
eficiência
Felipe Sepulveda,
diretor de operações
da Feldermann
INNOVATION AND THE FUTURE
As Feldermann marks its 10th anniversary, the Company
reaffirms its commitment to innovation and quality. The
Company envisions a promising future with plans to expand
in Brazil and abroad while maintaining its core focus on providing
personalized, attentive service to each customer. “On
March 14, we celebrated 10 years of operation. It has been a
decade of hard work, challenges, and achievements that we
value and that propel us toward the future,” said Sepulveda.
With its diversified portfolio, vertically integrated production,
and growing international presence, Feldermann
has become a leading player in the Brazilian Forestry Sector.
The Company delivers more than just machines; it provides
complete solutions that can transform soil preparation and
boost customers’ productivity.
As it looks ahead to the coming years, Feldermann seeks
to build on the lessons learned from its journey and expand
its contribution to the Forestry Sector. Experience has shown
that innovation, quality, and close relationships with customers
are central to sustaining the Company’s growth. As
Feldermann celebrates a decade of operations, it reaffirms its
commitment to supporting responsible production practices
and strengthening the Brazilian industry’s role in developing
sustainable solutions for the future.
54 www.referenciaflorestal.com.br Abril 2026 55
CRÉDITOS DE CARBONO
Reforma
TRIBUTÁRIA
Alterações na forma da tributação pode afetar
mercado de créditos de carbono
Fotos: divulgação
O
mercado de créditos de carbono é uma das
principais ferramentas criadas pela comunidade
internacional para enfrentar a crise
climática. Sua origem remonta ao Protocolo
de Kyoto, em 1997, quando se estabeleceu
a possibilidade de países e empresas compensarem emissões
de GEE (gases de efeito estufa) por meio da compra
de créditos gerados em projetos de redução ou remoção de
carbono. Com o Acordo de Paris, em 2015, esse mecanismo
ganhou escala global e passou a ser visto como instrumento
ambiental e oportunidade econômica.
O Brasil, com sua vasta cobertura florestal e potencial
em energias renováveis, possui vantagens naturais incomparáveis.
Projetos de reflorestamento, agricultura regenerativa
e soluções baseadas na natureza têm colocado o país
em posição estratégica para liderar esse mercado. A consolidação
do setor é vista como um dos pilares para transformar
a vantagem ambiental em ativo econômico, atraindo
investimentos e fortalecendo a bioeconomia.
56 www.referenciaflorestal.com.br Abril 2026 57
CRÉDITOS DE CARBONO
O perigo é tratar créditos de
carbono como commodities
financeiras comuns, ignorando
sua função regulatória e
ambiental
Tomás Colacino Daudt de Oliveira,
advogado tributário especialista no tema
O clone de Eucalyptus grandis
Planflora GPC23 tem excelente
desempenho na industrialização
de móveis, esquadrias, molduras,
painéis, compensados e usos na
construção civil.
Entretanto, a reforma tributária do consumo, inaugurada
pela Emenda Constitucional número 132/2023, trouxe
incertezas que podem comprometer esse objetivo. O novo
sistema substitui PIS (Programa de Integração Social),Cs
(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social),
ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços),
ISS (Imposto sobre Serviços) e IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados) por dois tributos de base ampla: a CBS
(Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal,
e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência
subnacional. Ambos incidem sobre operações onerosas
com bens, serviços e direitos. É justamente nesse último
termo que reside o problema. Créditos de carbono são juridicamente
ativos intangíveis negociáveis e, dependendo da
regulamentação infraconstitucional, podem ser enquadrados
como direitos sujeitos à incidência de IBS e CBS.
O risco é de tributação em cascata em um mercado que
depende de margens estreitas e alta liquidez. Originadores
de créditos, como projetos florestais, energias renováveis
ou agricultura regenerativa, historicamente não eram alcançados
por tributos sobre consumo. A legislação recente
havia afastado PIS e das receitas da venda de créditos, sinalizando
incentivo. Com a CBS, essa proteção perde eficácia
se não for replicada.
Intermediários, que nesse caso podem ser traders,
plataformas e instituições financeiras, também enfrentam
impacto. A incidência de tributos sobre cada operação
pode elevar custos, reduzir volumes e incentivar a migração
para jurisdições mais eficientes. “O perigo é tratar créditos
de carbono como commodities financeiras comuns, ignorando
sua função regulatória e ambiental”, alerta Tomás
Colacino Daudt de Oliveira, advogado tributário especialista
no tema.
Do lado da demanda, empresas que compram créditos
para compensação voluntária ou cumprimento de metas
regulatórias podem ver o custo efetivo da compensação
aumentar. Cria-se um paradoxo: penalizar fiscalmente o
comportamento ambientalmente desejável, em contradição
com a lógica da transição energética.
A experiência internacional mostra caminhos distintos.
Na União Europeia, créditos e permissões não sofrem incidência
de IVA (Imposto sobre Valor Agregado)na emissão
primária. As transferências são tratadas como operações
financeiras, muitas vezes fora do campo do imposto sobre
valor agregado, justamente para evitar distorções de preço.
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico) sustenta que instrumentos de precificação
de carbono não devem ser tratados como bens ou serviços
sujeitos à tributação sobre consumo, sob pena de comprometer
os sinais de preço da política climática.
+tecnologia
+genética
+ciência
NA PRODUÇÃO DE MUDAS
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CRÉDITOS DE CARBONO
Esse debate não é novo. Desde os primeiros anos do
mercado de carbono, especialistas alertam que a tributação
inadequada pode comprometer sua eficiência. Países que
conseguiram consolidar seus sistemas, como os membros
da União Europeia, o fizeram com regimes tributários neutros
ou favoráveis, reconhecendo que créditos de carbono
não são simples mercadorias, mas instrumentos de política
ambiental. O Brasil, ao avançar em sua reforma tributária,
precisa decidir se seguirá essa lógica ou se permitirá que a
insegurança regulatória fragilize o mercado.
Sem uma exceção explícita ou regime específico, o risco
é evidente: projetos deixam de sair do papel, transações
migram para o exterior e o país perde protagonismo em um
mercado no qual possui vantagens naturais incomparáveis.
A reforma tributária foi concebida para modernizar o sistema
fiscal. Para o mercado de carbono, no entanto, modernizar
significa reconhecer que nem todo direito negociável
deve ser tratado como consumo, especialmente quando ele
existe para corrigir falhas de mercado e internalizar externalidades
ambientais. O tempo da regulamentação infraconstitucional
será decisivo e para o mercado de carbono,
neutralidade tributária não basta.
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TECNOLOGIA
Tanque de
GUERRA
Remodelada, máquina florestal é relançada
mantendo sua robustez, potência e
versatilidade na operação floresta
Fotos: divulgação
AKMC MAX nasce de uma história singular:
sua base tecnológica remonta aos veículos
militares desenvolvidos pela FMC (Food
Machinery Corporation), que criaram o lendário
M113, utilizado pelo Exército dos EUA
(Estados Unidos da América) na Guerra do Vietnã. Esse
transporte blindado sobre esteiras, reconhecido por sua
robustez, mobilidade em terrenos extremos e baixo impacto
no solo, tornou-se referência mundial. Décadas depois,
essa engenharia foi adaptada para aplicações civis, especialmente
no setor florestal, dando origem a máquinas capazes
de enfrentar os ambientes mais desafiadores. Agora,
a KMC MAX revitaliza esse legado, trazendo ao mercado
uma plataforma moderna, versátil e multiuso, desenhada
para o século XXI.
A equipe da Revista REFERÊNCIA FLORESTAL foi convidada
a participar de uma exibição exclusiva da máquina
em operação na região de Minas, no Uruguai. O evento
contou com a presença de representantes de grandes empresas
do segmento de base florestal, que puderam observar
de perto o desempenho impressionante da KMC MAX
em terrenos acidentados e situações de alta exigência.
A demonstração evidenciou a força e a versatilidade do
equipamento, reforçando sua vocação para se tornar uma
solução de referência no setor.
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Abril 2026 63
TECNOLOGIA
O que mais me impressiona
é que ela mantém o
baixo impacto no solo
e pode ser adaptada
para várias situações
no segmento florestal:
limpeza de área, combate a
incêndios, colheita. É uma
multiplataforma
Alex Gorissen,
Sócio da KMC MAX
Alex Gorissen, sócio da KMC MAX, destaca que a
essência da máquina permanece fiel ao conceito militar
de robustez e adaptabilidade, mas agora com tecnologia
atualizada: “Toda estrutura básica dessa máquina vem de
um tanque de guerra, efetivamente o M113, feito pela
FMC na década de 1960 para a Guerra do Vietnã. Estamos
redesenhando tudo para trazer ao século XXI. O que mais
me impressiona é que ela mantém o baixo impacto no solo
e pode ser adaptada para várias situações no segmento
florestal: limpeza de área, combate a incêndios, colheita. É
uma multiplataforma”, destaca Alex.
A versatilidade é um dos pontos centrais. A máquina
pode receber diferentes configurações de cabine e motor,
além de suportar implementos frontais e traseiros, como
trituradores, garras e tanques de água para combate ao
fogo. Essa flexibilidade garante que o equipamento seja
utilizado o ano inteiro, maximizando o retorno sobre o
investimento. “Ela pode trabalhar em declives de até 60%
frontal e 30% lateral sem dificuldade. O sistema de tração
cria uma área de contato única, garantindo estabilidade e
conforto. É uma máquina que combina força extraordinária
com baixo impacto ambiental, que dá tranquilidade e
confiança para o operador realizar suas atividades. Pode-
-se dizer que muitas vezes escolhemos rotas na floresta, a
KMC MAX escolhe direções”, enaltece Alex.
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TECNOLOGIA
As marcas tradicionais fabricam em volume e para tarefas
específicas, mas há um mercado de prestadores de serviços que
precisam de equipamentos versáteis. Essa é a nossa aposta
Alejo Maisonnave,
CEO da KMC MAX
Alejo Maisonnave, CEO da KMC MAX, complementa a
visão estratégica da empresa com a ideia de conservar o
coração da máquina, o trem de rodagem com suspensão
independente em cada roda de apoio, e ainda melhorar
toda a parte motriz com motores Volvo, versões de 5L
(litros) com 240 cv (cavalos) e 8L com 340 cv, motores
Poclain para a transmissão e bombas LINDE para os cabeçotes.
As cabines serão produzidas nos EUA, envolvendo
toda a tecnologia, modernidade e conforto para que o
operador tenha segurança em sua atividade, criando assim
uma máquina forte, robusta, moderna e multipropósito.
“As marcas tradicionais fabricam em volume e para tarefas
específicas, mas há um mercado de prestadores de serviços
que precisam de equipamentos versáteis. Essa é a
nossa aposta”, garante Alejo.
Produzida no Uruguai, a KMC MAX será exportada para
toda a América Latina e América do Norte, tendo em sua
estrutura a história de uma máquina feita para qualquer
desafio e a experiência acumulada ao longo das mais de
seis décadas de atuação. “Ninguém combina esteira metálica
com suspensão independente. Nossa máquina tem
uma flotabilidade superior, suporta terrenos muito acidentados
e declives extremos. É uma solução única para o
setor florestal”, exalta Alejo.
Assim, a KMC MAX se apresenta como uma síntese
de história militar e inovação tecnológica, unindo força,
robustez e versatilidade em uma plataforma que promete
transformar o mercado florestal e abrir novas possibilidades
em construção, energia e combate a incêndios. A
demonstração em Minas, Uruguai, reforçou essa percepção:
diante de representantes das maiores empresas do
setor, a máquina mostrou que está pronta para enfrentar
os desafios da silvicultura moderna e se consolidar como
referência em desempenho e adaptabilidade.
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GESTÃO
Dados facilitam
DESENVOLVIMENTO
Fotos: divulgação
Gestão estratégica de ativos de
mecanização da silvicultura ampliam a
competitividade do eucalipto no Brasil
O
eucalipto consolidou-se como uma das
cadeias mais competitivas da silvicultura
brasileira. Essa posição de destaque resulta
da combinação entre alta produtividade e
forte mecanização das operações, fatores
que garantem margens positivas mesmo em cenários de
custos crescentes e incertezas comerciais. Os dados do Projeto
Campo Futuro, conduzido pela CNA (Conselho da Agricultura
e Pecuária do Brasil) e pelo Senar (Serviço Nacional
de Aprendizagem Rural), mostram que a cultura mantém
perspectivas sólidas de retorno, sustentadas pela eficiência
operacional alcançada nas últimas décadas, especialmente
no uso de máquinas, tecnologia e mão de obra qualificada.
Em comparação com outras espécies florestais, como
a seringueira, o eucalipto apresenta um nível muito mais
elevado de mecanização. Enquanto na heveicultura a parti-
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GESTÃO
feira brasileira
de compostagem
Piracicaba (SP)
Local: Instituto Pecege
Mais informações:
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cipação da mão de obra no COE (Custo Operacional Efetivo)
chega a 82%, no eucalipto esse índice é de apenas 28%.
Essa diferença reduz a vulnerabilidade à escassez de trabalhadores
e às oscilações salariais, mas traz outro desafio: o
peso significativo do maquinário nos custos, especialmente
nas operações de implantação, manejo e colheita. O estudo
evidencia esse contraste, mostrando como o eucalipto se
destaca pela menor dependência de mão de obra e maior
participação de máquinas e insumos na estrutura de custos.
A mecanização, quando bem gerida, funciona como
um verdadeiro escudo para o produtor. Ela protege a rentabilidade,
garante regularidade operacional e amplia o
potencial produtivo das áreas. No entanto, sem qualificação
adequada, manutenção preventiva ou planejamento consistente,
o efeito pode ser inverso: custos elevados, máquinas
ociosas e perda de eficiência. O setor florestal, mesmo com
forte mecanização, depende de equipes preparadas para
operar equipamentos complexos, interpretar dados e ajustar
processos com precisão. Essa realidade amplia o peso
estratégico da capacitação.
Operadores bem treinados reduzem desperdícios,
evitam retrabalhos, prolongam a vida útil das máquinas
e utilizam melhor recursos como combustível e insumos.
A mecanização não
elimina a necessidade de
qualificação; ao contrário,
exige profissionais cada vez
mais preparados para lidar
com operações complexas e
decisões estratégicas
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GESTÃO
Máquinas mal dimensionadas,
uso ineficiente ou manutenção
irregular podem elevar
significativamente o custo por
metro cúbico, comprometendo
margens que hoje são
saudáveis
Todos esses fatores estão diretamente ligados ao custo final
da madeira produzida. Em algumas regiões, como Curvelo
(MG), o maquinário chega a representar 49% do COE. Esse
dado evidencia que a gestão desses ativos é crítica para
manter a competitividade. Máquinas mal dimensionadas,
uso ineficiente ou manutenção irregular podem elevar significativamente
o custo por metro cúbico, comprometendo
margens que hoje são saudáveis.
Boas práticas de gestão incluem planejamento operacional
detalhado por talhão, renovação racional da frota e
contratação estratégica de serviços terceirizados em períodos
de maior demanda. Além disso, é essencial o monitoramento
constante de indicadores como horas trabalhadas,
paradas e consumo de máquinas. Essa disciplina operacional
permite identificar gargalos, otimizar recursos e garantir
maior previsibilidade nos resultados.
O setor, contudo, não enfrenta somente desafios internos.
A imposição de tarifas anunciada pelos Estados Unidos
sobre produtos florestais trouxe instabilidade ao mercado e
reforçou a necessidade de eficiência interna. Embora parte
dos produtos tenha sido retirada da medida, a mensagem é
clara: o ambiente global continuará exigindo custos otimizados,
operação enxuta e produtividade crescente. Nesse
contexto, a competitividade do eucalipto depende da sua
capacidade produtiva e da gestão estratégica dos ativos
que sustentam a operação.
A combinação de alta mecanização, mão de obra
qualificada e gestão eficiente de máquinas fortalece a
competitividade do eucalipto mesmo em cenários adver-
72 www.referenciaflorestal.com.br
GESTÃO
sos. Produtores que monitoram indicadores, investem em
capacitação e aprimoram processos conseguem produzir
mais madeira por hectare, reduzir custos por metro cúbico
e se posicionar de forma mais sólida no mercado nacional e
internacional.
O futuro da silvicultura brasileira passa pela capacidade
de transformar ativos em vantagem competitiva. No caso
do eucalipto, isso significa reconhecer que máquinas, tecnologia
e pessoas são elementos indissociáveis de uma gestão
eficiente. A mecanização não elimina a necessidade de
qualificação; ao contrário, exige profissionais cada vez mais
preparados para lidar com operações complexas e decisões
estratégicas.
Em um cenário de custos elevados e pressões externas,
a gestão estratégica de ativos torna-se a base da competitividade.
O eucalipto mostra que é possível combinar
produtividade, eficiência e sustentabilidade, desde que os
produtores estejam atentos à disciplina operacional e à
valorização da mão de obra especializada. Essa é a chave
para manter margens positivas e garantir que a silvicultura
brasileira continue ocupando posição de destaque no mercado
global.
LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO
74 www.referenciaflorestal.com.br
INVESTIMENTO
Madeira Tropical
SUSTENTÁVEL
Programa impulsiona
silvicultura nativa
com ciência,
inovação e geração
de empregos
Fotos: divulgação
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Julho 2024
77
INVESTIMENTO
O
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) anunciou investimento
de R$ 24,9 milhões em recursos não reembolsáveis
do Funtec (Fundo Tecnológico)
para o PP&D-SEM (Programa de Pesquisa e
Desenvolvimento em Silvicultura com Espécies Nativas), programa
voltado à silvicultura de espécies nativas. Somam-se
até R$ 5,9 milhões em contrapartidas não financeiras e pelo
menos R$ 2,8 milhões em contrapartidas financeiras. Os
aportes ocorrerão ao longo de cinco anos na primeira fase,
que pode se estender por até 30 anos. O objetivo é impulsionar
inovação e avanço tecnológico no setor, fortalecendo
a bioeconomia e o desenvolvimento sustentável do país,
além de consolidar o Brasil como referência internacional
em manejo florestal e uso responsável da terra.
Na abertura do evento de lançamento pano, Nabil Kadri,
superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES,
destacou a prioridade institucional da agenda florestal.
“Desde 2023, nós conseguimos construir uma plataforma
muito complexa, o BNDES Florestas, que envolve recursos
financeiros, instrumentos não financeiros e parcerias com
diversas instituições. Chegamos a 2026 com uma carteira
que já mobilizou R$ 7 bilhões, com geração estimada de 70
mil empregos e expectativa de plantar mais de 280 milhões
de árvores. Em 3 anos de trabalho, estamos entregando um
plano de plantio de mais de uma árvore por habitante do
Brasil”, afirmou Nabil. O superintendente ainda que reforçou
que o BNDES defendes que que o segmento de restauração
de espécies nativas seja visto como um motor de desenvolvimento
econômico nos territórios. “É importante reafirmar
esses compromissos publicamente para que fique muito claro
o nosso esforço para o desenvolvimento dessa agenda”,
apontou Nabil.
O presidente da entidade, Aloizio Mercadante, ressaltou
que transformar a silvicultura de nativas em atividade
econômica de escala é investir em ciência e inovação. “Com
esse projeto, queremos ampliar a capacidade de gerar renda,
empregos e valor nos territórios e, ao mesmo tempo,
contribuir para a conservação das florestas e o fortalecimento
da bioeconomia do país.”
O PP&D-SEN prevê 14 Sítios de Estudo de Longa Duração
na Amazônia e Mata Atlântica, com 30 espécies prioritárias.
Também serão criados seis Polos de Referência. “Os Polos de
Referência são importantes porque são essas áreas que vão
gerar resultados primeiro”, explicou o professor Ricardo Viani,
do Conselho Diretivo do programa. A proposta parte da
necessidade de políticas públicas que incentivem o plantio
em larga escala de espécies nativas de alto valor econômico,
ainda pouco exploradas comercialmente. Apesar da crescente
procura por madeira de alta qualidade, as plantações
comerciais de nativas ainda estão em fase inicial, diante de
seu enorme potencial.
Temos que chegar ao produtor
com um pacote tecnológico
robusto que possa atender
suas expectativas, porque
o trabalho é de longo
prazo. Quando se trata de
restauração florestal, existe
uma flexibilidade maior.
Mas, na produção, a gente
não pode errar
Daniel Piotto,
professor da Universidade
Federal do Sul da Bahia
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conforme modelo ou amostra,
fabricado em aço de alta
qualidade;
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utilização de até 20
ferramentas, conforme
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desenho ou amostra. Fabricação e manutenção em pistões hidráulicos.
Além de suprir a demanda por madeira nativa, a silvicultura
contribui para reduzir desmatamento ilegal, conservar
biodiversidade, aumentar sequestro de carbono e gerar
empregos e renda. A coordenação técnica é dividida entre
Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), responsável
pela Amazônia, e UFSCar (Universidade Federal de
São Carlos), à frente da Mata Atlântica. A FAI-UFSCar (Fundação
de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico
e Tecnológico) cuida da gestão administrativa e financeira.
“Nosso papel, enquanto fundação de apoio, é dar segurança
e agilidade aos pesquisadores para que eles possam dedicar
todo o seu tempo à pesquisa”, alertou o diretor Targino Filho.
Ele destacou que o projeto pode alterar a participação
do Brasil na produção mundial de madeira tropical, hoje de
apenas 10%.
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Abril 2026 79
ENERGIA
Precisamos de escala para que
a silvicultura de nativas deixe
de ser uma atividade de nicho e
torne-se parte central da agenda
de uso da terra no Brasil
Selma Beltrão,
diretora da Embrapa
O projeto, ao reunir instituições de pesquisa, fundações
de apoio, universidades e empresas privadas, cria um ecossistema
de colaboração que fortalece a ciência aplicada e
a inovação tecnológica. A expectativa é que, ao longo das
próximas décadas, o PP&D-SEN se torne referência internacional
em silvicultura de espécies nativas, colocando o Brasil
em posição de liderança na produção sustentável de madeira
tropical e na construção de uma bioeconomia robusta e
inclusiva. O impacto esperado vai além da geração de empregos
e renda: trata-se de criar uma nova lógica de uso da
terra, em que a floresta nativa deixa de ser apenas um patrimônio
ambiental e passa a ser também um ativo econômico
estratégico para o futuro do país. Essa visão de longo prazo,
apoiada por ciência e inovação, pode transformar profundamente
a forma como o Brasil se posiciona no cenário global,
conciliando conservação e desenvolvimento.
A reitora da UFSCar, Ana Beatriz de Oliveira, reforçou:
“Temos o compromisso de trabalhar em defesa dessa pauta,
assim como defenderemos sempre a ciência, a tecnologia
e a educação como caminhos para a nossa soberania”,
enalteceu Ana. Para Selma Beltrão, diretora da Embrapa,
é preciso dar escala à silvicultura de nativas e ampliar o
programa para outros biomas. Carolle Alarcon, da Coalizão
Brasil, acrescentou: “Esse projeto permite consolidar as bases
estruturais para uma nova economia florestal ancorada
em ciência, inovação, coordenação institucional e visão de
longo prazo. Precisamos de escala para que a silvicultura de
nativas deixe de ser uma atividade de nicho e torne-se parte
central da agenda de uso da terra no Brasil”, expôs Selma.
O professor Daniel Piotto, da Universidade Federal do
Sul da Bahia, defendeu o uso comercial das nativas. “A silvicultura
no Brasil é bem evoluída, mas ainda focada em monocultivo
de espécies exóticas. Estamos em um processo de
mudança de paradigma, com entrada de novas tecnologias e
maior diversidade de produtos florestais”, ressaltou Daniel.
A professora Fátima Piña-Rodrigues, da UFSCar, destacou a
coragem do BNDES em apoiar um modelo participativo. “Temos
um conselho gestor formado por técnicos e representantes
de todos os parceiros e instituições envolvidas. Esse
trabalho de longo prazo vai gerar um banco de dados que
ficará como herança para a silvicultura nacional”, valorizou
Fátima.
Representantes do setor privado apontaram a necessidade
de aprimorar a legislação para dar previsibilidade.
“Precisamos ter certeza de que vamos conseguir colher
essas espécies nativas”, salientou Filemom Mokochinski, da
Ibemapar. O professor Luiz Estraviz, da USP (Universidade
de São Paulo), defendeu mudanças no ambiente econômico
e institucional. Noemi Leão, da Embrapa Amazônia Oriental,
reforçou que o apoio da iniciativa privada é essencial.
Márcio Costa, engenheiro do BNDES, destacou: “Estamos
vivendo um momento de efervescência no setor de restauração
florestal no Brasil. A atual carteira do BNDES mostra a
pujança e a capacidade do setor privado de participar desses
projetos.”
Entre os resultados esperados estão protocolos de manejo,
produção de sementes de qualidade, pesquisas de melhoramento
genético e formação de uma rede nacional de
pesquisadores. “Talvez o maior ganho desse projeto seja o
número de pessoas que serão capacitadas e formadas para
atuar com espécies nativas. Meu sonho é que, com essa
rede qualificada, a madeira tropical se torne para o Brasil
o que o eucalipto já foi”, declarou Fátima Piña-Rodrigues.
O programa também busca simplificar o arcabouço legal e
reduzir riscos de plantio. “Lá na frente, podemos ter produtores
rurais adotando soluções de silvicultura nas suas áreas
de baixa aptidão agrícola”, projetou Márcio Costa. Daniel
acrescentou: “Temos que chegar ao produtor com um pacote
tecnológico robusto que possa atender suas expectativas,
porque o trabalho é de longo prazo. Quando se trata de
restauração florestal, existe uma flexibilidade maior. Mas, na
produção, a gente não pode errar”, concluiu o professor.
SE O DESAFIO É FLORESTAL,
A RESPOSTA É MOTOCANA.
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O MAIOR
ALCANCE DA
CATEGORIA
SABA MAS
80 www.referenciaflorestal.com.br Abril 2026 81
ARTIGO
Desempenho de substratos
comerciais sobre a qualidade de
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82 www.referenciaflorestal.com.br Abril 2026 83
ARTIGO
INTRODUÇÃO
Em 2023, no Brasil, a área total de florestas plantadas
ultrapassou 10 milhões de ha (hectare), e destes, 1,92 milhão
de ha correspondem a áreas com espécies do gênero
Pinus, o equivalente a 19% da área plantada (IBÁ, 2024),
demonstrando a grande importância econômica deste
gênero para a silvicultura brasileira. No contexto atual,
segundo o mesmo autor, a região sul do Brasil permanece
como a principal fornecedora de madeira de pinus, representando
89% do total, e os Estados de Santa Catarina e
Paraná possuem uma área plantada de 719 e 710 mil ha,
respectivamente.
A produtividade média nacional do pinus foi estimada
em 30,9 m³.ha−¹.ano−¹, com ciclo de rotação médio de 14,7
anos (IBÁ, 2024). Entretanto, no Estado de Santa Catarina
a produtividade pode alcançar 42,5 m³.ha−¹.ano−¹ (ACR,
2022).
RESUMO
O
cultivo do pinus no Brasil vem conquistando
espaço cada vez maior, e dado o potencial
da espécie e consequente expansão da área
plantada com Pinus taeda, surge maior demanda
por mudas, e para atender essa necessidade
do mercado, os viveiristas precisam maximizar a
produção, aumentando a qualidade e reduzindo custos. No
que se refere à produção de mudas de alta qualidade, destaca-se
a escolha do substrato. Entretanto, a espécie apresenta
carência de informações robustas sobre a influência
deste na qualidade das mudas. Diante deste cenário, o
objetivo do presente estudo foi avaliar a influência de diferentes
tipos de substratos comerciais sobre a qualidade das
mudas. No experimento foram testados os seguintes substratos
comerciais: T1 – 100% Carolina Soil; T2 – 100% Mecplant;
T3 – 100% Rohrbacher; T4 – 100% Pilar; T5 – 50%
Amafibra + 50% Mecplant. Foram mensurados os seguintes
parâmetros: altura da parte aérea (H), diâmetro do coleto
(DC), massa seca da parte aérea (MSPA), massa seca radicular
(MSR), massa seca total (MST), quociente de robustez
(H/DC) e Índice de Qualidade de Dickson (IQD). Os dados
foram submetidos à análise de variância e modelos de
regressão linear. Os substratos comerciais que resultaram
em mudas de alta qualidade foram T1 – Carolina Soil, T2 –
Mecplant e T3 – Rohrbacher, com IQD de 0,19; 0,17 e 0,20,
respectivamente. Ressalta-se que os resultados e recomendações
obtidos retratam um conjunto de técnicas adotadas
em um determinado viveiro, com suas particularidades,
sendo válidos apenas para essas condições de manejo. Conclui-se
que os substratos comerciais T1 – Carolina Soil, T2
– Mecplant e T3 – Rohrbacher apresentaram desempenho
superior, produzindo mudas de alta qualidade.
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84 www.referenciaflorestal.com.br Abril 2026 85
ARTIGO
Para atender essa
necessidade do
mercado, os viveiristas
precisam maximizar a
produção, aumentando
a qualidade e reduzindo
custos
A principal função do substrato é sustentar e fornecer
condições adequadas para o crescimento e desenvolvimento
das mudas, assim como os nutrientes necessários
ao crescimento da planta, sendo isento de sementes de
plantas invasoras, pragas e fungos patogênicos, evitando-
-se a necessidade de sua desinfestação (Wendling; Dutra;
Grossi, 2006). Além disso, um substrato adequado deve
apresentar características físicas, como porosidade e capacidade
de retenção de água adequadas, e características
químicas como pH, condutividade elétrica, capacidade
de troca catiônica, matéria orgânica e relação C/N, que
atendam à demanda da espécie a ser produzida (Delarmelina
et al., 2013; Valenzuela et al., 2014). Ainda, o substrato
utilizado no viveiro influencia diretamente os custos
de produção da muda (González-Orozco et al., 2018).
Comercialmente há várias formulações de substratos
disponíveis no mercado, que atendem às especificações
técnicas exigidas como qualidade, homogeneidade e
estabilidade do produto, conforme as necessidades dos
viveiristas, trazendo garantias em adquirir um insumo
confiável e que proporcionará a produção de mudas de
elevado padrão (Embrapa, 2020).
A versão completa desse artigo pode
ser acessada pelo QR Code ao lado:
O gênero Pinus possui mais de 100 espécies e, no
Brasil, é amplamente cultivado há décadas, especialmente
nas regiões sul e sudeste, destacando-se o Pinus taeda
L., nativo dos EUA (Estados Unidos da América), devido à
sua versatilidade de usos (Aguiar; Sousa; Shimizu, 2014)
e rusticidade, que garantem resultados favoráveis de
crescimento rápido mesmo em condições edafoclimáticas
adversas, quando comparada a outras espécies (Gomes et
al., 2016; Shimizu et al., 2018).
O cultivo do pinus no Brasil vem conquistando espaço
cada vez maior e, dado o potencial da espécie e consequente
expansão da área plantada com Pinus taeda, surge
maior demanda por mudas. Para atender essa necessidade
do mercado, os viveiristas precisam maximizar a produção,
aumentando a qualidade e reduzindo custos.
Na área florestal, um dos fatores de grande influência
no estabelecimento dos povoamentos é a qualidade da
muda, tendo em vista que esta afeta diretamente a produtividade
e qualidade destes (Silva et al., 2014; Wilsen
Neto; Botrel, 2009). Para classificar uma muda como de
alta qualidade, consideram-se alguns atributos como sanidade,
diâmetro do coleto, altura da parte aérea da muda,
desenvolvimento do sistema radicular e lignificação do
caule (Pezzutti; Caldato, 2011). Entretanto, tais variáveis
podem ser afetadas por diversos fatores silviculturais,
com destaque para a escolha do substrato, que pode
influenciar desde a germinação da semente até o crescimento
das mudas, constituindo um dos fatores mais relevantes
na fase inicial em viveiro (Dutra et al., 2012).
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AGENDA
AGENDA 2026
Imagem: reprodução
AGENDA 2026
ABRIL
2026
MAI
2026
EXPO MINAS FLORESTAL
JUNHO
2026
XLVII Reunião de Filiadas do PROTEF
Data: 28 a 29
Local: Belo Oriente (MG)
Informações: https://doity.com.br
28a-reuniao-tecnica-do-protef-ipef
MAIO
2026
A Expo Minas Florestal é a principal feira da indústria do setor
florestal, reunindo todos os elos da cadeia de valor, desde o
manejo sustentável até a produção de diversos produtos. O
evento mostra como práticas responsáveis contribuem para a
geração de renda, conservação ambiental e desenvolvimento
econômico. Com foco em inovação, a feira apresenta tecnologias
e serviços que estão moldando o futuro da produção de
carvão verde e da bioeconomia, além de destacar o papel
da madeira cultivada na fabricação de produtos como o aço
verde. A programação inclui eventos técnicos conduzidos por
especialistas, com debates sobre tendências de mercado e
estratégias para fortalecer o setor. Essas discussões ampliam o
conhecimento e oferecem oportunidades de atualização para
profissionais e empresas.
II Seminário Internacional de
Sensoriamento Remoto aplicado à
Mensuração Florestal
Data: 9 a 12
Local: Vitória (ES)
Informações: https://remoteforestbrazil.
com.br/2026/
AGOSTO
2026
ASSINE AS PRINCIPAIS
REVISTAS DO SETOR
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DAS NOVIDADES!
V Encontro Brasileiro de Segurança
Florestal
Data: 18 e 19
Local: Sete Lagoas (MG)
Informações: https://expominasflorestal.
com.br/encontrodeseguranca/
Expo Minas Florestal
Data: 19 a 21
Local: Sete Lagoas (MG)
Informações:
https://expominasflorestal.com.br/
MAIO
2026
AGO
2026
FOREST MAX
O Forest Max consolida-se como um dos principais
eventos técnicos de campo voltados à silvicultura de
alta performance. Com foco prático, o encontro reúne
produtores, gestores e especialistas para demonstrar
inovações em genética, manejo de solo e mecanização
florestal. Em um cenário de custos elevados de insumos
em 2026, o evento ganha relevância estratégica ao
debater a eficiência no uso de fertilizantes e a otimização
da produtividade do eucalipto. É o ambiente ideal para o
networking qualificado e para a visualização de soluções
tecnológicas aplicadas diretamente no horto.
Imagem: reprodução
Forest Max
Data: 4 a 6
Local: Brasília (DF)
Informações:
https://forestmax.com.br/
Lignum Latin America
Data: 15 a 17
Local: Pinhais (PR)
Informações:
https://lignumlatinamerica.com/
SETEMBRO
2026
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ESPAÇO ABERTO
Lições da silvicultura
MODERNA
Por Nilson Batista Bueno,
Técnico Florestal pelo Colégio
Florestal de Irati (PR), tem
formação em Administração e
MBA em logística e passou por
Klabin, Girassol Agrícola e atua
na Lufer
Experiência mostra
como mecanização
e gestão estratégica
redefiniram a
silvicultura brasileira
90 www.referenciaflorestal.com.br
Asilvicultura brasileira passou por transformações profundas nas
últimas décadas. O que antes era marcado por operações manuais,
com motosserras e grandes contingentes de trabalhadores,
evoluiu para processos altamente mecanizados, capazes
de reduzir custos, aumentar a eficiência e ampliar a segurança.
Essa transição não ocorreu de forma imediata: foi resultado de experiências
acumuladas, da busca por soluções práticas e da capacidade de adaptação
de profissionais que viveram intensamente essa realidade. Entre eles, Nilson
Batista Bueno se destaca por mais de 30 anos dedicados ao setor, testemunhando
e participando de cada etapa dessa mudança.
Nilson iniciou sua trajetória ainda adolescente, estudou na escola florestal
de Irati (PR), que é uma referência na formação de profissionais há
décadas e começou sua carreira profissional como operador de motosserra,
e rapidamente assumiu funções de liderança. “Na semana seguinte já peguei
capacete, luva e comecei o treinamento. Em pouco tempo me tornei líder
de turno”, relembra Nilson. Ao coordenar turmas de derrubada de eucalipto,
chegou a administrar mais de 200 trabalhadores, produzindo dezenas de
milhares de m3 (metros cúbicos) de madeira por ano. Essa experiência lhe
ensinou que produtividade depende tanto de técnica quanto de gestão de
pessoas, e que liderança exige disciplina e organização.
Com o avanço da mecanização, Nilson acompanhou a transição de um
modelo baseado em esforço manual para operações com máquinas de
grande porte. Ele destaca que essa mudança foi decisiva para a eficiência.
“Antigamente precisávamos de 200 pessoas para fazer o trabalho. Hoje, 10
conseguem realizar a mesma tarefa”, compara Nilson. A mecanização reduziu
acidentes, aumentou a qualidade da madeira e transformou o eucalipto
de subproduto em insumo principal da indústria. Essa virada exigiu adaptação
cultural e visão estratégica, pois não bastava adquirir equipamentos: era
necessário planejar processos e treinar equipes.
O especialista também acumulou experiência em logística e transporte,
atuando na padronização de caminhões e motoristas, além de organizar
operações em diferentes Estados. Em sua análise, a gestão eficiente não se
resume a ampliar recursos, mas a utilizá-los com racionalidade. “Se a gestão
colocar mais cinco máquinas, sua produção não vai dobrar. Ela aumenta
30% ou 40%, porque surgem novos problemas mecânicos e operacionais”,
exemplifica o profissional. Essa percepção reforça a importância de alinhar
investimentos à capacidade real de execução, evitando custos desnecessários
e desperdícios.
Outro aprendizado relevante foi a necessidade de integrar produção e
mercado. Ao participar da criação de setores de comercialização de toras
e do desenvolvimento de serrarias, Nilson viu como a indústria precisou
se reinventar para absorver novos volumes e tipos de madeira. Essa experiência
mostrou que a gestão florestal exige visão sistêmica: não basta
produzir, é preciso garantir canais de consumo e agregar valor ao produto.
Ele também acompanhou a expansão do papel longa vida, que depende da
combinação de fibras de eucalipto e pinus, exemplo de como a inovação tecnológica
redefine a importância das espécies cultivadas.
Ao longo da carreira, Nilson percebeu mudanças profundas na mão de
obra. “Na minha época todo mundo queria aprender. Hoje é difícil encontrar
quem aceite ficar no campo por 12h (horas). Muitos jovens não querem
se afastar da cidade e da conectividade”, observa Nilson. Essa constatação
aponta para um desafio atual da silvicultura: atrair e reter profissionais qualificados
em um ambiente cada vez mais tecnológico, mas ainda marcado
por exigências de campo.
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