Biomais_79 OPS
12,14,16,19,20,21,22,23,24,26,29,30,31,32,33,36,37,39,40,41,44,45,46,49,50,52,
12,14,16,19,20,21,22,23,24,26,29,30,31,32,33,36,37,39,40,41,44,45,46,49,50,52,
- Nenhuma tag encontrada…
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
Entrevista
Victor Gomes, da Fiergs, explica o funcionamento da Plataforma de Biomassa
MATO GROSSO
EM DESTAQUE
NA BIOMASSA
UMA EMPRESA DO ESTADO SE
CONSOLIDA COMO REFERÊNCIA NA
PRODUÇÃO DE BIOMASSA,
ATENDENDO OS PRINCIPAIS PLAYERS
DO MERCADO. UTILIZANDO RESÍDUOS
FLORESTAIS, TRANSFORMA
MATÉRIA-PRIMA EM ENERGIA DE
ALTA QUALIDADE, COM EFICIÊNCIA E
COMPROMISSO AMBIENTAL
TRANSFORMAÇÃO
TECNOLOGIA DESENVOLVIDA NO
BRASIL UTILIZA RESÍDUO VEGETAL
PARA COMBATE DE ERVAS DANINHAS
MATO GROSSO IN THE
SPOTLIGHT FOR BIOMASS
A STATE-OWNED COMPANY IS ESTABLISHING
ITSELF AS A LEADER IN BIOMASS PRODUCTION,
SERVING THE MAIN PLAYERS IN THE MARKET.
USING FOREST RESIDUES, IT TRANSFORMS RAW
MATERIALS INTO HIGH-QUALITY ENERGY WITH
EFFICIENCY AND ENVIRONMENTAL
COMMITMENT
SUSTENTABILIDADE
BIOENERGIA FLORESTAL JÁ RESPONDE
POR 12% DO CONSUMO ENERGÉTICO
SUMÁRIO
06 | EDITORIAL
Mercado da biomassa
08 | CARTAS
10 | NOTAS
18 | ENTREVISTA
28 | PRINCIPAL
34 | TECNOLOGIA
Moagem por impacto aumenta
o rendimento de biogás
38 | SUSTENTABILIDADE
Bioenergia florestal
42 | TRANSFORMAÇÃO
Biomassa no combate a ervas daninhas
48 | ARTIGO
54 | AGENDA
56 | OPINIÃO
O varejo não pode ser neutro: da
estratégia à transformação
04 www.REVISTABIOMAIS.com.br
EDITORIAL
Direct Drive
Precisão para a
indústria de biomassa.
A capa desta edição destaca a
operação da Lignum Biomassa
no Mato Grosso
MERCADO
DA BIOMASSA
A
reportagem de capa desta edição da Revista REFERÊNCIA BIOMAIS destaca a operação com biomassa no Mato Grosso. A
Lignum Biomassa é uma das empresas do ramo que está fazendo a diferença na região. Começou como uma serraria e diante
da demanda por biomassa tomou a decisão de se dedicar ao novo mercado. Na editoria de Entrevista conversamos com
o Victor Gomes sobre a criação da Plataforma de Biomassa pelo sistema Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do
Sul) em parceria com a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e a SICT (Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande
do Sul). Outras reportagens especiais destacam o potencial energético das árvores, a tecnologia desenvolvida que utiliza a biomassa
lignina kraft no combate às ervas daninhas, a diferença da tecnologia de martelo na trituração de biomassa, entre outras informações
do setor.
BIOMASS MARKET
T
his issue of REFERÊNCIA Biomais features a cover story highlighting the use of native tree biomass in Mato Grosso. Lignum Biomassa
is one of the companies in the Sector that is making a difference in the region. Starting as a sawmill, the Company shifted its focus to
the biomass market in response to demand. In the Interview Section, we spoke with Victor Gomes about the creation of the Biomass
Platform (Plataforma de Biomassa) by the Federation of Industries of Rio Grande do Sul (Fiergs), in partnership with the Federal
University of Santa Maria (UFSM) and the Secretariat of Innovation, Science, and Technology of Rio Grande do Sul (SICT). Other special reports
highlight the energy potential of trees, technology that uses kraft lignin biomass to combat weeds, and differences in hammer mill technology
for biomass shredding, among other industry insights.
EXPEDIENTE
ANO XIII - EDIÇÃO 78 - MARÇO 2026
Diretor Comercial/Commercial Director:
Fábio Alexandre Machado
(fabiomachado@revistabiomais.com.br)
Diretor Executivo/Executive Director:
Pedro Bartoski Jr
(bartoski@revistabiomais.com.br)
Redação/Writing:
Gisele Rossi
(jornalismo@revistabiomais.com.br)
Dep. de Criação/Graphic Design:
Fabiana Tokarski - Supervisão -
Aime Cristine Lima
Letícia Stefanello
(criacao@revistareferencia.com.br)
Dep. Comercial/Sales Departament:
Gerson Penkal
(comercial@revistabiomais.com.br) Fone: +55 (41) 3333-1023
Tradução / Translation: John Wood Moore
Dep. de Assinaturas/Subscription:
(assinatura@revistabiomais.com.br) - 0800 600 2038
Assinaturas Eventos/Subscription Events:
José A. Ferreira - (41) 99203-2091
ASSINATURAS
0800 600 2038
A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora
Rua Maranhão, 502 - Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil
Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023
www.jotaeditora.com.br
A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação mensal e independente,
dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,
produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições
de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,
ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente
ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza
por conceitos emitidos em matérias, artigos, anúncios ou colunas
assinadas, por entender serem estes materiais de responsabilidade de
seus autores. A utilização, reprodução, apropriação, armazenamento
de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e
outras criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente
proibídas sem autorização escrita dos titulares dos direitos autorais,
exceto para fins didáticos.
REVISTA BIOMAIS is a monthly and independent publication, directed
at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues
used for energy generation and cogeneration, research institutions, university
students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/
or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself
responsible for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed
by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,
appropriation, databank storage, in any form or means, of the text, photos
and other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden
without written authorization of the holder of the authorial rights, except for
educational purposes.
SAIBA MAIS
Peletizadora de
alta perfomance
06 www.REVISTABIOMAIS.com.br
CARTAS
PRINCIPAL
O emprego de tecnologia faz toda diferença para produção de pellets de qualidade, como
aponta a reportagem sobre a EHW que está no Brasil e no mundo apresentando soluções.
Claudionor Medeiros – São Paulo (SP)
Foto: divulgação
ENTREVISTA
Achei muito interessante a produção de pellets da borra de café. Como a entrevista trouxe, o apoio do sistema (S) foi
fundamental para desenvolver o produto.
Ricardo Torres - Vitória (ES)
INOVAÇÃO
Incrível a utilidade que tem o bagaço de cana-de-açúcar. Usado até na produção de MDP!
Isabel Arantes – Curitiba (PR)
PESQUISA
Paraná saindo na frente para produção de tecnologia nacional. Um grande investimento!
Moacir Ramalho – Joinville (SC)
Foto: divulgação
www.revistabiomais.com.br
na
mí
energia
biomassa
dia informação
@revistabiomais
/revistabiomais
Publicações Técnicas da JOTA EDITORA
08 www.REVISTABIOMAIS.com.br
NOTAS
PODCAST REFERÊNCIA
O Podcast REFERÊNCIA contou com presenças ilustres
e de grande valor para o segmento florestal em março
de 2026. No primeiro episódio do mês estavam presentes
Wander Hoeger e Alexandre Vian, diretor e gerente
geral da Lignum Biomassa, respectivamente. O segundo
episódio teve a presença da sócia da Bonardi Painéis de
Madeira, Lisiane Tissot, e da executiva de atendimento da
ForMóbile, Valéria Brizola.
Wander Hoeger comentou sobre como conheceu a
engenharia florestal e se aproximou da área.“Tinha um
tio que era engenheiro florestal, que era bem-sucedido
na época. Em 2000 foi oferecido o curso de Engenharia
Florestal, com professores de Cuiabá (MT). Não que tenha
sido uma falta de opção, mas era o que tinha disponível
para a gente. Quando formado, abri um escritório e comecei
a prestar consultoria até uns 5 anos atrás”, explicou
Hoeger.
Já Alexandre Vian abordou como a família e o cunhado
Wander Hoeger foram decisivos na aproximação dele
com a Lignum. “Vou ser muito sincero. Vi a oportunidade
de ficar mais perto das minhas filhas durante a semana.
Mas tudo tem um propósito maior e quando pedimos
orientação a Deus, ele dá essa orientação”, complementou
Vian.
No outro programa, Valéria Brizola contou como o
início profissional está diretamente ligado a ForMóbile:
“Com 22 anos comecei a trabalhar na ForMóbile e das 11
edições da feira, participei de nove. Para se ter uma ideia,
foi a minha segunda experiência profissional e até hoje
estou na empresa. Comecei na parte operacional, atendendo
os clientes e fui crescendo dentro da feira e hoje
trabalho na coordenação da parte comercial”, relembrou
Valéria.
Por fim, Lisiane Tissot contou com a Bonardi Painéis
de Madeira iniciou a parceria com a ForMóbile e como
a empresa tem avaliado as participações ao longo dos
anos: “Estamos na ForMóbile praticamente desde a primeira
edição. Em 2024, fizemos o lançamento da nossa
Linha Bonbord em 2024 e neste ano vamos apresentar
uma novidade, que é o acabamento em verniz dessa
linha. Estamos cheios de energia para a ForMóbile 2026”,
finalizou Lisiane.
Os episódios do Podcast REFERÊNCIA
estão disponíveis no nosso canal do
youtube, que o Leitor pode acessar
através do QR Code:
Wander Hoeger, diretor da
Lignum Biomassa
Lisiane Tissot, sócia da Bonardi
Painéis de Madeira
Alexandre Vian, gerente geral
da Lignum Biomassa
Valéria Brizola, executiva de
atendimento da ForMóbile
Fotos: REFERÊNCIA
TUDO O QUE VOCÊ PRECISA, EM
TODAS AS ETAPAS DO PROCESSO.
10 www.REVISTABIOMAIS.com.br
NOTAS
POTÊNCIA QUE PROCESSA
TECNOLOGIA QUE LUCRA
KIMBERLY-CLARK
RECEBE CERTIFICAÇÃO DE
NEUTRALIZAÇÃO DE
CARBONO
A Kimberly-Clark Brasil recebeu o Certificado de Voluntary
Cancellation, que reconhece o compromisso da companhia com
a neutralização de suas emissões de carbono, em alinhamento
ao 13º ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) da ONU,
ação contra a mudança global do clima. A conquista é resultado
de iniciativas realizadas em suas unidades fabris no país em
Camaçari (BA) e Suzano (SP). Na Bahia, a empresa mantém um
projeto em parceria com a Translogistics, que garantiu a compensação
de 13 toneladas de CO₂ equivalentes, comprovadas
por créditos de carbono certificados pelo MDL (Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo). Já em Suzano, a Kimberly-Clark atua
com a Estre, empresa especializada em serviços ambientais, em
um projeto voltado à neutralização das emissões de transporte
e destinação de resíduos industriais, resultando na compensação
de mais de 187 toneladas de CO₂ equivalentes, gerados na
movimentação interna de resíduos na unidade entre os anos
de 2022 e 2024. A iniciativa utiliza créditos de carbono gerados
pela captura e queima controlada de metano nos aterros da
empresa parceira, enquanto a K-C mantém o compromisso de
Aterro Zero em todas as suas fábricas no país.
Foto: divulgação
Entre em contato e descubra como elevar o
nível do seu sistema de biomassa com a Bruno.
12 www.REVISTABIOMAIS.com.br
+55 49 98813-0343 @brunoindustrial
NOTAS
BRASIL SE MANTÉM COM MATRIZ
ENERGÉTICA DIVERSIFICADA E
SUSTENTÁVEL
A expansão da geração e da transmissão de energia elétrica segue consolidando
uma matriz energética cada vez mais diversificada e renovável no
Brasil. Conforme dados do MME (Ministério de Minas e Energia) a operação de
novas usinas e linhas de transmissão, a eletricidade está chegando com mais
segurança e sustentabilidade à residência de milhares de famílias brasileiras.
Somente em 2025, 137 usinas passaram a operar total ou parcialmente em 17
06
Estados, adicionando 7.467 MW (megawatts) à geração centralizada do país,
dos quais 76% tiveram origem em fontes renováveis, como solar, eólica, biomassa
e hídrica. A fonte solar liderou o crescimento, com 2.816 MW, seguida
pelas termelétricas, com 2.506 MW, e pelos parques eólicos, com 1.889 MW.
As fontes renováveis também tiveram a participação das térmicas a biomassa
e das fontes hídricas que somaram 740 MW e 256 MW, respectivamente, ao
sistema. No nordeste, as gerações solar e eólica responderam, juntas, por
42,9% de toda a expansão nacional, consolidando a região como protagonista
da transição energética brasileira.
Foto: divulgação
14 www.REVISTABIOMAIS.com.br
NOTAS
SISTEMA FIERGS APRESENTA SOLUÇÕES
SOBRE EMISSÕES DE CARBONO
O inventário de emissões de carbono, tradicionalmente usado como diagnóstico, tem sido
adotado como ferramenta para orientar decisões e reduzir impactos ambientais em organizações
públicas e privadas. A mudança de abordagem reflete a crescente pressão por redução de emissões,
em linha com compromissos globais como o Acordo de Paris. A abordagem foi destacada pelo
Senai-RS (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul), integrante do Sistema
Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul), durante palestra na BiotechFair 2026. “O
inventário é um olhar no retrovisor, a chave para um futuro mais sustentável. É como um pano de
fundo para uma grande mudança”, explicou o especialista do IST Q&MA (Instituto Senai de Tecnologia
em Química e Meio Ambiente) Luciano Souto. Na prática, o levantamento desenvolvido pelo
Senai (RS) na sede do Ministério Público em Porto Alegre (RS), permite identificar as principais fontes
de emissão, como consumo de energia elétrica, uso de veículos e geração de resíduos, e direcionar
ações para redução desses impactos. O levantamento é baseado no protocolo GHG, padrão global
para contabilização e gestão de emissões de GEE (gases de efeito estufa). Para Souto, o cenário ideal
é que o setor público invista em mapeamentos em escala territorial, o que pode contribuir para o
desenvolvimento de políticas públicas voltadas à redução das emissões de carbono.
L í d e r e m P i c a d o r e s
Rod. BR 282, Km 346
Campos Novos/SC
Fone/Fax/Whats: (49) 3541.7400
www.planaltopicadores.com.br
comercial@planaltopicadores.com.br
Foto: Lucas Machado
PRODUTOS DESENVOLVIDOS PARA TRANSFORMAR SUA PRODUÇÃO
Uma ampla linha de picadores e projetos completos para pátio dos mais diversos tipos de biomassa.
16 www.REVISTABIOMAIS.com.br
ENTREVISTA
Foto: Assessoria de Imprensa da Fiergs
ENTREVISTA
C
om sólida experiência no desenvolvimento estratégico
e na implementação de centros de ciência
e tecnologia, Victor Gomes atua com diversos
instrumentos de fomento nacionais e internacionais,
alinhados com estratégias de inovação e políticas industriais.
Atual gerente-executivo de Tecnologia e Inovação na
Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul), Victor
tem experiência internacional, e já prestou suporte tecnológico
especializado para mais de 100 empresas no Brasil. Nesta
entrevista para a Revista REFERÊNCIA BIOMAIS ele fala sobre a
Plataforma de Biomassa, ferramenta com foco em bioeconomia,
capaz de conectar oferta e demanda de biomassa com
inteligência estratégica.
VICTOR
GOMES
QUANTIFICANDO A
BIOMASSA
QUANTIFYING BIOMASS
Formação: Engenheiro Mecânico pela UFSC (Universidade Federal de
Santa Catarina); mestre em Simulação a eventos discretos e doutor em
Engenharia Mecânica pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica);
doutor em engenharia mecânica pela Otto-von-Guericke-Universität
Magdeburg (Alemanha)
Education: Bachelor's Degree in Mechanical Engineering from the Federal
University of Santa Catarina (UFSC); Master’s in Discrete Event Simulation and
Ph.D. in Mechanical Engineering from the Aeronautical Technology Institute
(ITA); Ph.D. in Mechanical Engineering from Otto-von-Guericke-Universität
Magdeburg (Germany)
Cargo: Gerente-executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema Fiergs
(Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul)
Function: Executive Manager of Technology and Innovation at the
Federation of Industries of Rio Grande do Sul (Fiergs)
G
omes has solid experience in the strategic development
and implementation of science and
technology centers. He works with various national
and international funding instruments
aligned with innovation strategies and industrial policies. As
the current Executive Manager of Technology and Innovation
at the Federation of Industries of Rio Grande do Sul (Fiergs),
he has provided specialized technological support to over
100 companies in Brazil and has international experience.
In this interview with REFERÊNCIA Biomais, he discusses the
Biomass Platform (Plataforma de Biomassa), a bioeconomy
tool that connects biomass supply and demand with strategic
intelligence.
O que motivou a criação da Plataforma de Biomassa?
A motivação vem de uma leitura de mundo. Vivemos um
momento em que a pressão por descarbonização, a escassez
de insumos tradicionais e a urgência climática criaram
as condições para o surgimento de uma indústria global de
bioprodutos. Essa transição não é uma tendência passageira,
é uma inflexão histórica, e quem não se posiciona diante dela
fica para trás. O Brasil ocupa uma posição privilegiada. Temos
uma matriz energética predominantemente renovável, uma
biodiversidade incomparável e uma cadeia produtiva primária
que gera resíduos com altíssimo potencial de valorização
como biomassa. Reconhecendo isso, a CNI (Confederação
Nacional da Indústria) estabeleceu a descarbonização como a
primeira de suas quatro missões de política industrial para o
período pós-pandemia, um sinal claro de que o tema passou
a integrar o núcleo do desenvolvimento industrial brasileiro.
A partir dessa leitura, minha avaliação foi direta: o Senai (RS)
precisava se posicionar estrategicamente nesse campo. Já
tínhamos competências nesta área instaladas nos Institutos
de Inovação em Polímeros, em Sistemas de Sensoriamento,
de Tecnologia em Química e Meio Ambiente e em Alimentos
e Bebidas, além dos demais Institutos de Tecnologia da Rede
Senai (RS). Havia um potencial imenso esperando ser articulado
sob uma visão unificada de bioeconomia. Ao mesmo
tempo, ao me aprofundar na análise do mercado, identifiquei
uma lacuna crítica: não existia no país uma ferramenta robusta,
atualizada e com foco específico em bioeconomia, capaz de
conectar oferta e demanda de biomassa com inteligência
estratégica. Essa lacuna era, ao mesmo tempo, um problema e
uma oportunidade. Foi a partir daí que decidimos estruturar a
Plataforma de Biomassa.
A criação contou com parceiros?
Ela foi concebida desde o início como uma iniciativa de
articulação de ecossistema, desenvolvida em parceria com
a Ufsm (Universidade Federal de Santa Maria) e com a Sict
(Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia) do Rio Grande
do Sul. O desenho foi intencional: integrar conhecimento
científico, política pública e demanda industrial. Sem essa
triangulação, o impacto seria limitado. O que construímos vai
muito além de um banco de dados. A Plataforma opera como
um instrumento de governança da inovação, conectando
governo, academia, indústria, produtores rurais e cooperativas
em torno de um objetivo comum. É a lógica da quádrupla
hélice funcionando na prática, com o Senai (RS) no centro
dessa articulação. Esse é exatamente o papel que nos cabe. O
horizonte que buscamos é concreto: gerar oportunidades de
negócios, estimular a pesquisa aplicada e posicionar o Estado
gaúcho como referência nacional em bioinovação e economia
de baixo carbono. Mas há uma dimensão ainda maior nessa
iniciativa. Os problemas ambientais não respeitam fronteiras
What motivated the creation of the Biomass Platform
(Plataforma de Biomassa)?
The motivation stems from an understanding of the
global landscape. The pressure for decarbonization, scarcity
of traditional raw materials, and climate emergency have
created conditions conducive to the development of a global
bioproducts industry. This transition is not a passing trend; it is
a historic turning point. Those who fail to respond accordingly
will be left behind. Brazil occupies a privileged position. We
have a predominantly renewable energy mix, unparalleled
biodiversity, and a primary production chain that generates
waste with extremely high biomass potential. The National
Confederation of Industry (CNI) recognized this and established
decarbonization as the first of its four industrial policy missions
for the post-pandemic period. This is a clear sign that the
issue has become central to Brazilian industrial development.
Based on this assessment, my conclusion was straightforward:
Senai (RS) needed to position itself strategically in this field. We
already had established expertise in this area at the Institutes
of Innovation in Polymers, Sensing Systems, Chemical and
Environmental Technology, and Food and Beverages, as well as
other technology institutes within the Senai (RS) network. There
was immense potential waiting to be harnessed under a unified
vision of the bioeconomy. However, as I delved deeper into the
market analysis, I identified a critical gap. There was no robust,
up-to-date tool in the Country that focused specifically on the
bioeconomy and could connect biomass supply and demand
with strategic intelligence. This gap presented both a problem
and an opportunity. It was then that we decided to develop the
Biomass Platform.
Was the initiative developed in partnership with
others?
From the outset, it was conceived as an ecosystem coordination
initiative developed in partnership with the Federal University
of Santa Maria (UFSM) and the Rio Grande do Sul State
Secretariat for Innovation, Science, and Technology (SICT). The
design was intentional: to integrate scientific knowledge, public
policy, and industrial demand. Without this triangulation, the
initiative’s impact would be limited. What we have built goes
far beyond a database. The platform operates as an innovation
governance tool that connects government, academia,
industry, rural producers, and cooperatives around a common
goal. It is the quadruple-helix model in practice, with Senai
(RS) at the center of coordination. This is precisely our role. Our
goal is to generate business opportunities, stimulate applied
research, and establish the State of Rio Grande do Sul as a
national leader in bioinnovation and the low-carbon economy.
However, there is an even greater dimension to this initiative.
Environmental problems do not respect political borders, and
the solutions we develop here have ripple effects that extend to
18 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
19
ENTREVISTA
políticas, e as soluções que desenvolvemos aqui geram um
efeito de transbordamento que alcança outras regiões e países.
Agir localmente com essa consciência global é, para mim,
parte essencial da responsabilidade de quem lidera inovação
neste momento.
Na prática, o processo de construção seguiu quais
etapas?
O processo começou de forma deliberada e estruturada.
A partir de um projeto denominado Bioeconomia – Senai
(RS), em parceria com Ufsm, formamos uma equipe com perfil
essencialmente técnico-científico: especialistas em química,
engenharia de alimentos, economia e áreas correlatas, que
trouxeram a base de conhecimento necessária para compreender
a complexidade do universo da biomassa. Com o avanço
do projeto, essa equipe foi complementada por profissionais
especializados em dados, desenvolvimento de software e
análise de tendências de mercado, ampliando a capacidade de
transformar conhecimento técnico em inteligência aplicada.
O primeiro passo foi construir coletivamente a missão e os objetivos
do projeto. Éramos, naquele momento, ainda bastante
cautelosos no escopo, e foi justamente o avanço do trabalho
que nos revelou a dimensão real do que precisávamos construir.
À medida que buscávamos informações qualificadas para
embasar o projeto, nos deparamos com uma dificuldade que
confirmou a necessidade da iniciativa: a ausência de dados
consistentes e específicos sobre bioeconomia reunidos em
uma única ferramenta. Não havia um ponto de convergência.
A falta de dados consistentes do setor foi determinante
para a criação do sistema?
Essa constatação foi decisiva. Deixou claro que o problema
a ser resolvido era mais profundo do que imaginávamos
inicialmente, e que a Plataforma precisava ser construída com
rigor metodológico desde a sua base. O processo de desenvolvimento
foi organizado em duas fases principais. Na primeira,
realizamos um mapeamento abrangente das fontes de dados
disponíveis, cobrindo a produção agropecuária e pesqueira,
os resíduos industriais e domésticos, além das empresas
atuantes no setor, todas geolocalizadas. Era fundamental
saber o que existia, onde estava e em que volume, antes de
qualquer outra decisão. Na segunda fase, avançamos para a
coleta e a curadoria desses dados, processo que exigiu critério
e atenção técnica rigorosa. A partir daí, desenvolvemos os
painéis de visualização, o layout do ambiente digital e, finalmente,
realizamos a publicação da Plataforma no evento do
South Summit, abril/2025. Em paralelo a todo esse processo,
os próprios especialistas em biomassa da equipe atuaram na
validação contínua das informações e das visualizações produzidas,
garantindo que a inteligência gerada tivesse respaldo
técnico e científico sólido. Do início ao fim, o processo levou
other regions and countries. For me, acting locally with this global
awareness is an essential part of the responsibility of those
leading innovation today.
What steps did the development process actually
follow?
The process began in a deliberate and structured manner.
Based on a project called Bioeconomy - Senai (RS) in partnership
with UFSM, we formed a team of technical and scientific specialists,
including chemists, food engineers, economists, and others,
who understood the complexity of the biomass universe. As the
project progressed, we supplemented this team with professionals
specializing in data, software development, and market
trend analysis. This expanded our capacity to transform technical
knowledge into applied intelligence. First, we collectively
defined the project’s mission and objectives. Initially, we were
quite cautious about the scope, but as the work progressed, we
realized the true scale of what we needed to build. As we sought
reliable information to support the project, we encountered a
challenge that confirmed the need for the initiative: the lack of
consistent, specific data on the bioeconomy gathered in a single
tool. There was no single point of convergence.
Was the lack of consistent data on the Sector a key
factor in creating the system?
This finding was decisive. It made it clear that the problem
to be solved was more profound than we had initially imagined,
and that the Platform needed to be built with methodological
rigor from the ground up. The development process was organized
into two main phases. In the first phase, we conducted a
comprehensive mapping of available data sources, including
agricultural, livestock, and fishing production; industrial and
household waste; and companies operating in the Sector, all of
which were geolocated. It was essential to know what existed,
where it was, and in what volume, before making any other
decisions. In the second phase, we moved on to collecting and
curating this data, a process that required careful judgment
A Plataforma de Biomassa
opera como um instrumento
de governança da inovação,
conectando governo, academia,
indústria, produtores rurais e
cooperativas em torno de um
objetivo comum
aproximadamente um ano. Um prazo que reflete não apenas
a complexidade técnica envolvida, mas o compromisso com a
qualidade que norteou cada etapa da construção.
Qual o objetivo da plataforma?
É transformar dados dispersos em inteligência estratégica.
O Rio Grande do Sul possui um potencial enorme em biomassa,
mas esse potencial ainda é, em grande medida, invisível
para o mercado, para os investidores e para os formuladores
de políticas públicas. A Plataforma existe para mudar isso.
Nosso propósito é mapear, qualificar e dar visibilidade ao que
o Estado realmente tem a oferecer, conectando quem gera
biomassa, como produtores rurais, agroindústrias e cooperativas,
com quem pode utilizá-la para geração de energia,
produção industrial ou desenvolvimento de novos negócios.
Mais do que cruzar dados, queremos reduzir as incertezas técnicas
e econômicas que hoje travam a tomada de decisão em
projetos de bioenergia e bioprodutos. Incerteza é o principal
inimigo do investimento, e a informação qualificada é a melhor
resposta a ela. Mas o objetivo vai além do mercado imediato. A
Plataforma foi concebida para ser um instrumento de apoio à
formulação de políticas públicas, oferecendo ao governo uma
base sólida para decisões de planejamento energético, desenvolvimento
regional e transição para uma economia de baixo
carbono. Quando o poder público decide com mais informação,
os resultados para a sociedade são melhores. Há também
uma dimensão cultural nessa iniciativa. Queremos consolidar
uma nova mentalidade produtiva: a de que biomassa residual,
tanto a partir do cultivo, como do processamento da biomassa,
são ativos estratégicos, não passivos a serem descartados. Essa
mudança de perspectiva é fundamental para que o ecossistema
de bioinovação se desenvolva com solidez e perenidade.
No conjunto, o que buscamos é criar as condições concretas
para que o Rio Grande do Sul avance de forma consistente na
bioeconomia, posicionando o Estado não apenas como produtor
de matéria-prima, mas como protagonista na geração de
valor, conhecimento e soluções sustentáveis para a indústria
nacional e global.
Como é feita a manutenção é a alimentação de dados?
Seguem uma metodologia estruturada, com governança
técnica e validação contínua. Trabalhamos com duas frentes
complementares. A primeira é o uso de dados secundários,
oriundos de bases abertas e oficiais, que passam por processos
de coleta, tratamento, padronização, cruzamento estatístico e
organização georreferenciada antes de entrarem na Plataforma.
Esse fluxo garante consistência metodológica, comparabilidade
e atualização periódica. A segunda frente envolve dados
primários, obtidos diretamente em campo junto a produtores,
associações e atores das cadeias produtivas, em um trabalho
conduzido por pesquisadores parceiros em articulação com
and rigorous technical attention. From there, we developed the
visualization dashboards, the layout of the digital environment,
and finally launched the Platform at the South Summit event in
April 2025. In parallel with this process, the team’s own biomass
experts continuously validated the information and visualizations
produced, ensuring that the intelligence generated had
solid technical and scientific backing. From start to finish, the
process took approximately one year, a timeline that reflects not
only the technical complexity involved but also the commitment
to quality that guided every stage of development.
What is the objective of the platform?
To transform scattered data into strategic intelligence. The
State of Rio Grande do Sul has enormous biomass potential,
yet it remains largely invisible to the market, investors, and
policymakers. The Platform exists to change that. We aim to
map, qualify, and highlight the State’s offerings, connecting
biomass generators, such as rural producers, agribusinesses,
and cooperatives, with those who can use biomass for energy
generation, industrial production, or developing new businesses.
We aim to do more than just cross-reference data; we also
aim to reduce the technical and economic uncertainties that
currently hinder decision-making in bioenergy and bioproducts
projects. Uncertainty is the main enemy of investment, and
reliable information is the best response to it. However, our
goal extends beyond the immediate market. The Platform was
designed to support the formulation of public policy, providing
the government with a solid foundation for decision-making on
energy planning, regional development, and the transition to a
low-carbon economy. When public authorities make decisions
with more information, the results for society are better. There is
also a cultural dimension to this initiative. We aim to promote a
new, productive mindset that views residual biomass, whether
from cultivation or processing, as a valuable resource rather
than a waste product. This shift in perspective is essential for
developing a robust and sustainable bioinnovation ecosystem.
Ultimately, our goal is to establish the conditions that will allow
Rio Grande do Sul to advance in the bioeconomy consistently.
We want to position the State not only as a producer of raw materials
but also as a leader in generating value, knowledge, and
sustainable solutions for national and global industries.
How are data maintenance and input handled?
We follow a structured methodology with technical governance
and continuous validation. We work on two complementary
fronts. First, we collect, process, standardize, statistically
cross-check, and georeferentially organize secondary data from
open and official databases before entering it into the platform.
This workflow ensures methodological consistency, comparability,
and periodic updates. The second involves primary data
obtained directly from producers, associations, and actors in
20 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
21
ENTREVISTA
a equipe técnica do Senai (RS). Esse levantamento é decisivo,
porque valida estimativas, qualifica volumes e esclarece aspectos
logísticos e operacionais que muitas vezes não aparecem
nas bases públicas. Na prática, a Plataforma é mantida de
forma contínua. Isso inclui atualização de bases secundárias
conforme novas publicações oficiais, revisão técnica recorrente
e expansão progressiva do levantamento de dados primários.
É essa combinação entre fonte pública estruturada e validação
em campo, que sustenta a confiabilidade da Plataforma e permite
que ela evolua junto com a dinâmica real do setor.
Qual o papel do Senai (RS) neste processo?
Vai além da liderança técnica. Ele é um papel de responsabilidade
institucional diante de um momento histórico que
exige protagonismo. Em um país com o potencial que o Brasil
tem em bioeconomia, não basta reconhecer as oportunidades.
É preciso ter a capacidade de estruturá-las, e é exatamente isso
que nos cabe fazer. Desde a concepção do projeto, assumimos
a responsabilidade pela estruturação metodológica, tecnológica
e estratégica da Plataforma. Somos uma instituição com
cultura orientada a dados, com profissionais especializados em
ciência de dados, análise estatística, georreferenciamento e
gestão de tecnologia da informação. Essa capacidade instalada
nos permite não apenas coletar informações, mas transformá-
-las em inteligência aplicável. Há uma diferença decisiva entre
ter dados e saber o que fazer com eles, e é precisamente nesse
espaço que a entidade atua. A isso se soma a participação ativa
das nossas equipes de pesquisa e da universidade parceira,
a Ufsm, que contribuem para a produção e a validação dos
dados técnico-científicos. Essa integração entre competência
tecnológica e rigor científico é o que diferencia a Plataforma de
uma simples base de dados, consolidando-a como uma ferramenta
de inteligência territorial de alto valor estratégico para
o Estado. O resultado dessa combinação é uma plataforma
capaz de apoiar decisões de investimento, orientar políticas
públicas, impulsionar projetos de bioenergia e fomentar o desenvolvimento
de novos bioprodutos. Mas o que está em jogo
aqui é maior do que a Plataforma em si. O que está em jogo é o
posicionamento do Rio Grande do Sul como ator relevante na
transição para uma economia de baixo carbono. E o Senai (RS),
ao liderar essa iniciativa, reafirma sua função histórica: ser o elo
entre conhecimento, inovação e desenvolvimento industrial, a
serviço da sociedade e do futuro que precisamos construir.
Qual a representatividade do setor de biomassa na
indústria gaúcha?
Ainda está em processo de consolidação em termos de
participação econômica direta e, até o momento, não existe
um dado setorial isolado que o represente de forma autônoma
dentro do PIB industrial do Estado. Mas seria um equívoco
interpretar essa ausência como irrelevância. Ela revela, na
production chains, as part of a study conducted by partner researchers
in coordination with the technical team at Senai (RS).
This survey is crucial because it validates estimates, quantifies
volumes, and clarifies logistical and operational aspects that
often are not included in public databases. In practice, the platform
is maintained continuously. This includes updating secondary
databases in line with new official publications, conducting
periodic technical reviews, and progressively expanding the
primary data collection. The combination of structured public
sources and field validation underpins the platform’s reliability
and allows it to evolve alongside the Sector’s actual dynamics.
What role does Senai (RS) play in this process?
It goes beyond technical leadership. It is an institutionally
responsible role in a historic moment that calls for leadership. In
a country like Brazil, which has great potential in the bioeconomy,
recognizing the opportunities is not enough. We must
have the capacity to structure them, which is precisely what we
are tasked with doing. From the project’s inception, we have
been responsible for structuring the Platform’s methodological,
technological, and strategic aspects. As a data-driven institution,
we are staffed by professionals specializing in data science,
statistical analysis, georeferencing, and information technology
management. This allows us not only to collect information but
also to transform it into actionable intelligence. There is a decisive
difference between having data and knowing what to do
with it, and it is precisely in this space that our entity operates.
Added to this is the active participation of our research teams
and our partner university, UFSM, which contributes to the
production and validation of technical and scientific data. The
integration of technological expertise and scientific rigor sets
the Platform apart from a simple database and establishes it as
a high-strategic-value territorial intelligence tool for the State.
This combination results in a platform capable of supporting
investment decisions, guiding public policies, driving bioenergy
projects, and fostering the development of new bioproducts.
However, the stakes are higher than just the platform itself. Rio
Grande do Sul’s positioning as a key player in the transition to a
low-carbon economy is at stake. By leading this initiative, Senai
(RS) reaffirms its historic role of serving as the link between
knowledge, innovation, and industrial development for the
benefit of society and the future we need to build.
How significant is the Biomass Sector within Rio Grande
do Sul’s Industrial Sector?
It is still consolidating its direct economic participation. To
date, there is no independent sectoral data representing it within
the State’s industrial GDP. However, interpreting this absence
as a sign of irrelevance would be a mistake. In fact, it reveals
the magnitude of the opportunity yet to be realized. Rio Grande
do Sul has structural conditions that few other Brazilian states
verdade, o tamanho da oportunidade que ainda está por ser
capturada. O Estado gaúcho reúne condições estruturais que
poucos estados brasileiros possuem. Temos um agronegócio
robusto, uma cadeia produtiva florestal consolidada e um volume
expressivo de resíduos agroindustriais e biomassa agrícola
que representam um insumo estratégico para geração energética
e desenvolvimento de novos bioprodutos, como biocombustíveis,
insumos bioquímicos e matérias-primas sustentáveis
para a indústria. Esse conjunto de ativos coloca o Estado em
posição privilegiada para avançar nessa agenda, desde que
haja visão, organização e política pública adequadas. Sinais
concretos desse movimento já estão visíveis. A implantação
de usinas de etanol a partir de cereais e o avanço de refinarias
rumo ao modelo de biorrefinarias demonstram que o interesse
em integrar a biomassa às cadeias industriais como fonte de
energia e matéria-prima inovadora deixou de ser especulativo
e passou a ser operacional. O mercado está se movendo, ainda
que de forma gradual. Há também um alinhamento crescente
entre o setor agroindustrial e as agendas de sustentabilidade,
segurança energética e redução de emissões, o que tem atraído
tanto políticas públicas quanto investimentos privados para
tornar esse mercado mais competitivo e integrado à economia
regional. Esse alinhamento não é acidental. Ele reflete uma
compreensão cada vez mais disseminada de que a transição
produtiva é, ao mesmo tempo, uma necessidade ambiental e
uma vantagem competitiva. De forma pragmática, a biomassa
não é apenas um setor emergente. Ela é um vetor estrutural
de inovação, competitividade e diversificação industrial para
as próximas décadas. Quem se posicionar agora, enquanto
o mercado ainda está sendo estruturado, vai construir uma
vantagem competitiva difícil de ser alcançada por quem entrar
depois.
Qual a principal biomassa do Estado?
A casca de arroz é a biomassa mais emblemática, porque
combina escala produtiva, concentração territorial e uso
já consolidado em projetos de geração. A nossa escala da
rizicultura garante uma oferta relevante de casca de arroz, que
já deixou de ser vista apenas como resíduo e passou a ocupar
um lugar mais maduro na agenda industrial, como insumo
com potencial de aproveitamento energético e de valorização
em diferentes rotas tecnológicas. Mas seria um erro reduzir o
potencial do Estado a uma única fonte. A biomassa florestal,
ligada às cadeias de madeira, papel e celulose, é igualmente
estratégica, tanto pela aplicação energética, quanto pela possibilidade
de avançar para rotas de maior valor agregado, como
biorrefino e novos bioprodutos. Um sinal claro dessa direção é
o movimento tecnológico e industrial em torno do processamento
de insumos de origem florestal e resíduos agroflorestais
para gerar combustíveis e componentes com conteúdo
renovável. Por fim, a cadeia da soja também entra nesse mapa
possess. It has a robust Agribusiness Sector, a well-established
forestry production chain, and significant agro-industrial waste
and agricultural biomass. These resources are strategic inputs
for generating energy and developing new bioproducts, such as
biofuels, biochemicals, and sustainable industrial raw materials.
These assets put the State in a favorable position to advance
this agenda, provided there is adequate vision, organization,
and public policy. Concrete signs of this movement are already
visible. The construction of ethanol plants that use cereals and
the conversion of refineries into biorefineries demonstrate that
integrating biomass into industrial chains as an energy source
and an innovative raw material is no longer speculative, but
operational. The market is changing, albeit gradually. Additionally,
there is a growing alignment between the Agroindustrial
Sector and the agendas of sustainability, energy security, and
emissions reduction. This alignment has attracted public policies
and private investments, making the market more competitive
and integrated into the regional economy. This alignment is no
accident. It reflects the increasingly widespread understanding
that the productive transition is an environmental necessity and
a competitive advantage. In practical terms, biomass is more
than just an emerging sector. Rather, it is a structural driver of
innovation, competitiveness, and industrial diversification for
the coming decades. Those who establish themselves now, while
the market is still developing, will gain a competitive advantage
that will be hard for others to match later on.
What is the State’s primary biomass resource?
Rice husks are the most emblematic source of biomass
because they are produced on a large scale, are concentrated in
specific regions, and are already used in power generation projects.
Our extensive rice cultivation ensures a substantial supply
of rice husks. Rice husks are no longer considered waste; rather,
they have become a prominent part of the industrial agenda as
a feedstock with potential for energy utilization and value creation
across various technological pathways. However, it would
be a mistake to limit the State’s potential to a single source.
Forest biomass, linked to the Forestry, Paper, and Pulp Sectors, is
A ausência de dados
consistentes e específicos
sobre bioeconomia reunidos
em uma única ferramenta
confirmou a necessidade da
iniciativa
22 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
23
ENTREVISTA
com peso, especialmente pelos resíduos e subprodutos do
processamento agroindustrial, que têm potencial tanto para
bioenergia quanto para o desenvolvimento de bioprodutos.
Na prática, o diferencial competitivo do Rio Grande do Sul está
na combinação entre volume, diversidade e logística, que cria
condições reais para projetos industriais estruturantes. E é
justamente essa visão, por cadeias e por viabilidade territorial,
que orienta a priorização das rotas analisadas nesta fase da
Plataforma de Biomassa do Senai (RS).
De que forma a plataforma contribui para a transição
energética?
Contribui ao fazer um movimento essencial: transformar
um potencial difuso, muitas vezes tratado apenas como possibilidade,
em inteligência prática para orientar decisões. Um
dos maiores entraves da transição é a incerteza. Sem clareza
sobre onde está a biomassa, em que volume, com que regularidade,
com que qualidade e com quais condições logísticas,
bons projetos não saem do papel ou nascem subdimensionados.
Ao organizar, qualificar e dar previsibilidade a essas
informações, a Plataforma cria condições concretas para que
iniciativas de bioenergia e bioprodutos avancem com mais
segurança técnica e econômica. Além disso, a Plataforma tem
um papel de articulação. Ao aproximar produtores, agroindústrias,
cooperativas, investidores e formuladores de políticas
públicas, ela fortalece a diversificação da matriz energética
estadual e acelera a lógica da economia circular, reposicionando
resíduos e subprodutos como ativos estratégicos. Esse tipo
de inteligência territorial também contribui para estruturar cadeias
regionais de energia renovável e soluções mais descentralizadas,
com impacto direto em competitividade industrial
e desenvolvimento regional. No horizonte mais estratégico, a
Plataforma apoia a preparação do Estado para a próxima etapa
da transição energética, que é a integração entre bioenergia
e rotas de biorrefino. O avanço industrial de tecnologias que
incorporam insumos de biomassa e resíduos agroflorestais
para produzir combustíveis e componentes com conteúdo
renovável reforça que o tema já ultrapassou o campo conceitual
e entrou na agenda de transformação produtiva. A Plataforma
atua justamente para dar base técnica e racionalidade
econômica a esse movimento, ajudando a orientar prioridades,
reduzir riscos e acelerar investimentos.
E acerca do funcionamento?
Tenho uma avaliação bastante positiva para esta etapa de
implementação. Conseguimos estruturar uma base de dados
consistente e, sobretudo, avançamos no uso predominante
de informações secundárias públicas para a incorporação de
dados primários obtidos diretamente com produtores e entidades
do setor. Esse movimento elevou de forma significativa
a qualidade, a confiabilidade e a utilidade prática das análises
equally strategic for energy applications and advancing toward
higher-value pathways, such as biorefining and new bioproducts.
This is evident in the technological and industrial shift
toward processing forest-based inputs and agroforestry residues
to produce renewable fuels and components. Finally, the soybean
supply chain plays a significant role in this landscape due to
processing residues and byproducts, which have potential applications
in bioenergy and bioproduct development. Rio Grande
do Sul’s competitive edge lies in its ability to combine volume,
diversity, and logistics to create real conditions for structural
industrial projects. This vision, based on supply chains and territorial
viability, guides the prioritization of the routes analyzed in
this phase of the Senai (RS) Biomass Platform.
How does the Platform contribute to the energy transition?
It contributes by performing a crucial function: transforming
a diffuse potential, often treated merely as a possibility, into
practical intelligence to guide decision-making. One of the biggest
obstacles to the transition is uncertainty about where the
biomass is located, in what volume, with what regularity, what
quality, and under what logistical conditions. Good projects
never get off the ground or are launched on too small a scale.
By organizing, qualifying, and providing predictability to this
information, the Platform creates concrete conditions for bioenergy
and bioproduct initiatives to move forward with greater
technical and economic certainty. Furthermore, the Platform
plays a coordinating role. By bringing together producers, agribusinesses,
cooperatives, investors, and public policymakers, it
strengthens the diversification of the State’s energy matrix. It accelerates
the circular economy model, repositioning waste and
byproducts as strategic assets. This type of territorial intelligence
also helps structure regional renewable energy chains and more
decentralized solutions, directly impacting industrial competitiveness
and regional development. From a more strategic
perspective, the Platform supports the State’s preparation for the
next stage of the energy transition: the integration of bioenergy
and biorefinery pathways. The industrial advancement of
technologies that incorporate biomass inputs and agroforestry
residues to produce fuels and components with renewable content
underscores that the topic has moved beyond the conceptual
realm and entered the agenda for productive transformation.
The Platform acts precisely to provide a technical foundation
and economic rationale for this movement, helping to guide
priorities, reduce risks, and accelerate investments.
How is it working?
I have a very positive assessment of this implementation
phase. We have built a consistent database and, most importantly,
have transitioned from relying primarily on secondary
public data to incorporating primary data obtained directly
24 www.REVISTABIOMAIS.com.br
ENTREVISTA
entregues pela Plataforma. Hoje, a Plataforma já cumpre o
papel para o qual foi concebida: organizar, qualificar e tornar
acessível um conjunto de informações estratégicas para o
ecossistema de bioenergia e bioprodutos no Estado gaúcho.
Ao mesmo tempo, por ser uma iniciativa viva e em evolução,
seguimos em aprimoramento contínuo. Estamos ampliando
cadeias mapeadas, refinando visualizações e evoluindo funcionalidades
analíticas, sempre guiados pelo retorno de parceiros
institucionais e do setor produtivo. A Plataforma já se consolida
como ferramenta estratégica, com espaço claro para ganhar
sofisticação nos próximos ciclos.
Qual expectativa com a Plataforma?
Que se consolide como referência em inteligência territorial
sobre biomassa no Estado, apoiando decisões do setor
público e, principalmente, da indústria. Para isso, queremos
ampliar continuamente a base de dados primários, incorporar
novas cadeias produtivas e evoluir o nível de análise, com uma
plataforma cada vez mais integrada, comparável e orientada
a oportunidades concretas. Do ponto de vista estratégico,
esperamos que essa inteligência se traduza em mais investimento,
mais projetos estruturantes e maior valor agregado
no território. A bioeconomia só se sustenta quando ela vira
competitividade industrial, e a Plataforma existe para ajudar a
construir esse caminho. No médio e longo prazo, a nossa ambição
é que ela seja um instrumento estruturante da transição
energética no estado, contribuindo para descarbonização,
segurança energética e posicionamento do Rio Grande do Sul
como referência nacional em bioinovação.
from producers and industry entities. This shift has significantly
improved the quality, reliability, and practical usefulness of the
analyses provided by the platform. The platform already fulfills
its intended role of organizing, qualifying, and making accessible
strategic information for the bioenergy and bioproducts
ecosystem in the State of Rio Grande do Sul. At the same time,
as a living, evolving initiative, we are continuously improving
it. We are expanding mapped supply chains, refining visualizations,
and enhancing analytical capabilities, guided always by
feedback from institutional partners and the Productive Sector.
The Platform has already established itself as a strategic tool
with room to become more sophisticated in the future.
What are your expectations for the Platform?
We expect it to establish itself as a leading source of regional
biomass intelligence, supporting decision-making in the Public
Sector and Industry. To achieve this, we plan to continuously
expand the primary database, incorporate new production
chains, and improve the level of analysis. We want the Platform
to be increasingly integrated, comparable, and focused on concrete
opportunities. Strategically, we hope this intelligence will
translate into increased investment, infrastructure projects, and
added regional value. The bioeconomy is sustainable only when
it translates into industrial competitiveness, and the Platform
exists to pave that path. In the medium and long term, we aspire
for the Platform to serve as a structural instrument for the State’s
energy transition, contributing to decarbonization and energy
security while positioning Rio Grande do Sul as a national benchmark
in bioinnovation.
Alta performance em
produção de biomassa
Tecnologia e robustez para transformar resíduos florestais em
energia sustentável. Dedicação na produção e processamento
de biomassa com qualidade diferenciada.
Há previsão de ampliar o uso dessa Plataforma, ou
levar o modelo para outros Estados?
Sim, há previsão de ampliação. A Plataforma foi concebida
com arquitetura escalável justamente para permitir evolução
contínua, tanto em funcionalidades quanto em abrangência
territorial. Neste momento, nosso foco é consolidar o modelo
no Estado, ampliando o mapeamento com dados primários,
incorporando novas cadeias e fortalecendo as ferramentas de
análise e inteligência. Em paralelo, já trabalhamos na replicação
do modelo em nível nacional, iniciando com a consolidação
de bases secundárias de acesso público para ampliar
rapidamente a cobertura territorial e oferecer uma visão
estruturada do potencial de biomassa no Brasil. Também já
recebemos manifestações de interesse de outros estados para
aprofundar essa expansão. O que torna o modelo replicável é a
combinação entre metodologia técnica, governança institucional
e uso estratégico de dados. A partir da consolidação no Rio
Grande do Sul e dessa primeira expansão nacional, a perspectiva
é estruturar parcerias para ampliar o alcance e fortalecer, de
forma coordenada, a bioeconomia brasileira.
Are there plans to expand the Platform’s use or take the
model to other States?
Yes, there are plans for expansion. The Platform was designed
with a scalable architecture to allow continuous evolution
in functionality and territorial scope. Currently, we are focusing
on consolidating the model within the State, expanding the mapping
with primary data, incorporating new supply chains, and
strengthening the analysis and intelligence tools. In parallel, we
are working to replicate the model nationally, beginning with
consolidating publicly accessible secondary databases to rapidly
expand territorial coverage and provide a structured view of Brazil’s
biomass potential. Other states have also expressed interest
in furthering this expansion. The model is replicable due to its
combination of technical methodology, institutional governance,
and strategic use of data. Building on our consolidation in
Rio Grande do Sul and this initial national expansion, the plan is
to establish partnerships to broaden our reach and strengthen
the Brazilian bioeconomy in a coordinated manner.
Eficiência que
move a energia
do agro
26 www.REVISTABIOMAIS.com.br
PRINCIPAL
BIOMASSA
NATIVA
GRANDE DEMANDA PELO SUPRIMENTO FEZ
EMPRESA DEIXAR A SERRARIA PARA ATUAR
EXCLUSIVAMENTE COM BIOMASSA
FOTOS DIVULGAÇÃO
NATIVE WOOD
BIOMASS
A COMPANY LEFT THE SAWMILL
BUSINESS DUE TO HIGH DEMAND
FOR BIOMASS AND NOW
FOCUSES EXCLUSIVELY ON IT
O
norte do Mato Grosso é um dos grandes polos de
desenvolvimento do Brasil e o setor florestal tem
contribuído para esse crescimento sustentável. O
setor de biomassa ganhou impulso nos últimos
anos com a instalação de grandes agroindústrias na região.
A Lignum Biomassa, sediada em Sinop (MT), contemplada
com o Prêmio REFERÊNCIA Melhores do Ano em 2025, é uma
das empresas que vem se destacando no setor, gerando um
combustível limpo e eficiente que abastece caldeiras de vapor
usadas na agroindústria de transformação. A demanda por
volume de combustível de biomassa em todo o Mato Grosso
teve um crescimento exponencial na última década. Para se ter
uma idéia, somente uma planta, que foi construída na região
de Sinop e começou operar em 2018, já consome diariamente
cerca de 12 mil m³ (metros cúbicos) de cavaco e subprodutos
como pó de serra, o que representa cerca de 100 carretas do
Modelo LS por dia.
N
orthern Mato Grosso is one of Brazil’s major
development hubs, and the Forestry Sector
has contributed to its sustainable growth. In
recent years, the Biomass Sector has gained
momentum with the establishment of large agro-industrial
companies in the Region. Headquartered in Sinop
(MT), Lignum Biomassa is one of the companies that has
stood out in the Sector. The Company received the RE-
FERÊNCIA Best of the Year Award in 2025 and produces
a clean, efficient fuel that powers steam boilers used in
the food processing industry. Demand for biomass fuel
in Mato Grosso has grown exponentially over the past
decade. For example, one plant built in the Sinop Region,
which has been operational since 2018, already consumes
approximately 12,000 cubic meters of wood chips
and byproducts, such as sawdust, daily. This amounts to
about 100 LS-model trucks per day.
28 www.REVISTABIOMAIS.com.br
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
29
PRINCIPAL
Diferente de muitos empresários da região, Wander Hoeger,
diretor executivo e proprietário da Lignum Biomassa, não
é de família de madeireiros, nasceu em Sinop e cursou engenharia
florestal pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso),
onde formou-se em 2005, e logo após atuou como consultor
na área. Se interessou pelo setor madeireiro e em 2011
abriu uma pequena serraria. Após alguns anos já operava duas
unidades de produção na cidade de Sinop, e em 2019 iniciou
a trajetória na biomassa, com a transformação dos resíduos da
serraria em cavacos. Após a pandemia de Covid-19, as vendas
da serraria caíram e então decidiu focar no mercado de biomassa,
e iniciou a operação florestal em 2022. “O aumento da
demanda foi o responsável pela mudança. Até 2021 produzia
cavaco com as sobras da serraria, e não representava muito volume.
Quando aumenta a necessidade de entrega, focamos na
operação na floresta, pois tinha muita madeira sendo desperdiçada”,
lembra Wander.
“O desafio era picar madeira de alta densidade, sair do resíduo
da serraria para implantar operação florestal de supressão
de biomassa, onde encontramos uma variedade de galhos, raízes,
troncos com diâmetros grandes. A indústria de picadores
também evoluiu bastante, se aperfeiçoou. Quando percebi
que havia máquinas que davam para picar essa biomassa, foi
então que demos essa virada, da serraria para biomassa. Hoje
industrializamos a biomassa em forma de cavaco e enviamos
para usinas de etanol, biodiesel, cimento e até para secagem
de grãos. A serraria foi fechada porque para crescer não é só
investimento, precisa também de dedicação para o negócio”,
completa Wander Hoeger.
Unlike many business owners in the Region, Wander
Hoeger, Chief Executive and Owner of Lignum Biomassa,
does not come from a family of forest workers. Born
in Sinop, he studied forestry engineering at the Federal
University of Mato Grosso (UFMT), graduating in 2005.
Shortly thereafter, he began working as a consultant in
the field. Becoming interested in the forest industry, he
opened a small sawmill in 2011. Within a few years, he
was operating two production facilities in Sinop. In 2019,
he began converting sawmill waste into wood chips,
marking his entry into the biomass market. After sales at
the sawmill dropped due to the Covid-19 pandemic, he
decided to focus on the biomass market and began forestry
operations in 2022. “The increase in demand drove
this change,’ he said. Until 2021, the Company produced
wood chips from sawmill scraps, but the volume was minimal.
When the demand increased, we shifted our focus
to forestry operations because a lot of wood was being
wasted,” Hoeger recalls.
“The challenge was chipping high-density wood
and transitioning from sawmill waste to a forestry operation
for biomass harvesting. We encountered a variety
of branches, roots, and large-diameter logs. The chipper
industry has also evolved significantly. I realized there
were machines capable of chipping this biomass when
we shifted from sawing to producing biomass. Today, we
process the biomass into wood chips and ship them to
ethanol, biodiesel, and cement plants, as well as to grain
drying facilities. We closed the sawmill because growth
Até 2021 produzia
cavaco com as
sobras da serraria,
e não representava
muito volume.
Quando aumenta
a necessidade de
entrega, focamos na
operação na floresta
Wander Hoeger,
diretor executivo
O desafio era picar madeira
de alta densidade. A indústria
de picadores também evoluiu
bastante, se aperfeiçoou.
Quando percebi que havia
máquinas que davam para
picar essa biomassa, foi então
que demos essa virada, da
serraria para biomassa
Wander Hoeger,
diretor executivo
CADEIA PRODUTIVA SUSTENTÁVEL
Em sua operação, a Lignum contribui para economia circular
e sustentabilidade do agronegócio. “A própria legislação
ambiental do Mato Grosso, em 2022, teve uma alteração importante
que inseriu diretrizes para que a supressão também
pudesse ser contemplada no plano de suprimentos de biomassa
para indústria. E isso ajudou para que o mercado evoluísse.
Vimos que tinha espaço para trabalhar”, afirma Alexandre Vian,
diretor de operação da Lignum Biomassa, que começou a trabalhar
com o Wander ainda na serraria em 2021, e participou
da transição da empresa para atuação no setor de biomassa.
“A mão de obra foi uma das dificuldades que encontramos.
Conseguimos agregar pessoas que já estavam na região, que
tinham vindo de outros Estados para trabalhar com supressão
nas instalações das usinas no rio Teles Pires, e também fomos
buscar mão de obra em outros Estados do país. Um exemplo
foi a região do Amapá na cidade Laranjal do Jari, por lá houve
o fechamento de uma empresa de celulose e deixou muitos
trabalhadores, que já tinham experiência na aérea florestal
desempregados, com isso viram na região uma alternativa
de continuar no mesmo ramo e também de buscar um futuro
melhor para sua família no norte de Mato Grosso. Muitos
deles trouxeram suas famílias e não pensam em voltar nesse
momento. Atualmente, temos uma mescla de funcionários de
várias regiões do país, temos uma equipe muito determinada,
com pessoas que agregam muito na operação”, destaca Alexandre.
requires more than just investment; it also requires dedication
to the business,” adds Hoeger.
SUSTAINABLE SUPPLY CHAIN
Through its operations, Lignum contributes to the
circular economy and the sustainability of agribusiness.
In 2022, Mato Grosso’s environmental legislation underwent
a significant change, introducing guidelines that
included forest clearing in the biomass supply plan for industry.
This helped the market evolve. We saw an opportunity
to expand,” says Alexandre Vian, Lignum Biomassa’s
Director of Operations, who started working with
Hoeger at the sawmill in 2021 and helped the company
transition to the Biomass Sector.
“Labor was one of the challenges we faced. We brought
in people who were already in the Region, who had
come from other states to clear the plant sites along the
Teles Pires River, and we also sought labor from other states
across the Country. For example, we recruited workers
from the city of Laranjal do Jari in the Amapá Region,
where a pulp mill had closed, leaving many experienced
forestry workers unemployed. They saw the Region as an
opportunity to continue working in the same field and to
build a better future for their families in northern Mato
Grosso. Many of them brought their families and have no
plans to return at this time. Currently, we have a mix of
employees from various regions of the Country. We have
30
www.REVISTABIOMAIS.com.br
REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31
PRINCIPAL
A Lignum atua em toda cadeia produtiva, desde a operação
no campo, passando pelo processamento de alto rendimento,
até a entrega final em grandes indústrias. Com equipamentos
de ponta e equipe especializada, a empresa entrega cavacos
de madeira de origem nativa com alto padrão, com foco em
qualidade, economia e pontualidade.
Na época da serraria a empresa contava com cerca de 15
funcionários, agora na biomassa já são mais de 70 funcionários
e a equipe não para de crescer. O processo é todo mecanizado,
com os picadores na ponta do negócio, o emprego de tratores,
carretas florestais, garras para içamento, pinças de alimentação,
de carregamento, caminhões de piso móvel para entrega.
A empresa tem frota própria para entrega do produto aos
clientes.
A Lignum, assim como a região de Sinop, vem aumentando
sua produção. Com isso novas oportunidades vêm surgindo
através de novas plantas de biocombustíveis e também o
aumento da capacidade instalada das plantas que já existem.
Para atender a demanda, a Lignum busca firmar parcerias e
crescer, com constante aperfeiçoamento de máquinas e mão
de obra, para continuar entregando um combustível de qualidade
para seus clientes.
SUPRESSÃO LEGALIZADA
Wander explica que a supressão acontece nos 20% de área
manejada, conforme é previsto na legislação. Depois que é retirada
a madeira para indústria madeireira é que se aproveita
a biomassa.
a very determined team with people who contribute
greatly to the operation,” Vian notes.
Lignum operates across the entire production chain,
from field operations to high-efficiency processing and
final delivery to large industrial clients. With state-of-the-
-art equipment and a specialized team, Lignum supplies
high-quality chips from native wood sources. The Company
focuses on quality, cost-effectiveness, and timely
delivery.
During the sawmill era, Lignum had about 15 employees.
Now, in the Biomass Sector, the Company has
more than 70 employees, and the team continues to
grow. The entire process is mechanized, with chippers at
the forefront of operations. They utilize tractors, forestry
trailers, lifting grapples, feeding and loading clamps, and
moving-floor trucks for delivery. Lignum has its own fleet
for delivering products to customers.
Like the Sinop Region, Lignum has been increasing its
production. Consequently, new opportunities are emerging
through the development of new biofuel plants and
the expansion of existing installed capacity. To meet this
demand, Lignum is seeking to establish partnerships, improve
its machinery, and expand its workforce to continue
delivering high-quality fuel to its customers.
LEGALIZED CLEARING
As required by law, Hoeger explains that clearing can
only occur on 20% of the managed area. After the forest
A própria legislação
ambiental de Mato
Grosso, em 2022,
teve uma alteração
importante que
ajudou para que o
mercado de biomassa
evoluísse
Alexandre Vian,
diretor de operação
A Lignum atua na retirada dos resíduos florestais da área
e na produção do cavaco de madeira de origem nativa. “Atuamos
em duas frentes de atividade comercial, tanto na indústria
para venda do cavaco, e também com o produtor rural, que
tem a área disponível para realização da supressão e a mecanização
agrícola, para que ele venda o material, a biomassa que
ele tem que dar uma destinação. Com esse trabalho fazemos
supressão das madeiras que não têm valor comercial, transformamos
em cavaco e deixamos a área de uma forma que o
produtor possa usar. Com isso estamos reduzindo as queimadas
desse material e a emissão de fumaça para as cidades que
estão próximas a propriedade, reduzindo inclusive problemas
de saúde na população com a chegada dessa fumaça”, aponta
o empresário.
Com o aumento da demanda e abertura de novos negócios
em torno da biomassa nativa a área para exploração acaba se
expandindo. “Cada vez mais a biomassa nativa vai ficando mais
longe das indústrias, porque as áreas passíveis para abertura
vão se distanciando. É difícil dizer por quanto tempo teremos
biomassa nativa, porque tem muitas variáveis, mas sabemos
que é necessário o plantio de florestas”, alerta Wander.
“A agenda mundial pela transição energética e os caminhos
da industrialização de Mato Grosso também trazem desafio
para biomassa. Mas vejo que temos áreas disponíveis para
ter florestas plantadas no Estado, para atender a demanda por
biomassa do futuro”, acredita Alexandre Vian.
“Estamos aproveitando a biomassa nativa, mas o futuro da
Lignum passa por florestas plantadas. Precisamos plantar para
se perpetuar nesse ramo. É uma direção que temos, para investimento
em plantação de floresta”, conclui Wander Hoeger.
is harvested for the timber, the remaining biomass is utilized.
Lignum is involved in removing forest residues and
producing chips from native wood sources. “We operate
in two commercial sectors: the wood chip industry and
rural producers with land available for clearing and agricultural
mechanization. They sell us the biomass they
need to dispose of. Through this work, we clear wood
with no commercial value, turn it into wood chips, and leave
the area ready for the farmer to use. This reduces the
burning of this material and smoke emissions to nearby
cities, which reduces health problems caused by smoke,”
notes entrepreneur Hoeger.
As demand increases and new businesses centered
on native wood biomass emerge, the area for exploitation
continues to expand. “Sources of native wood biomass
are becoming increasingly distant from industries
because the areas suitable for clearing are moving further
away. It is hard to say how long we will have access
to these areas because there are many variables, and we
know that planting forests is becoming necessary,” Hoeger
warns. “The global agenda for energy transition and
the path of industrialization in Mato Grosso also pose
challenges for biomass. However, I believe that we have
available areas in the State for planted forests to meet
future biomass demand,” says Vian.
“We are utilizing native wood biomass, but Lignum’s
future lies in planted forests. We need to plant in order to
sustain ourselves in this sector. It is the direction in which
we are investing in forest planting,” concludes Hoeger.
32 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
33
TECNOLOGIA
MOAGEM POR
IMPACTO AUMENTA O
RENDIMENTO DE
BIOGÁS
TRITURADORES DE BIOMASSA, COM O PRINCÍPIO
DE TRITURAÇÃO POR IMPACTO COM TECNOLOGIA
DE MOINHO DE MARTELO, REVELAM-SE
VANTAJOSOS EM RELAÇÃO AOS MÉTODOS DE
CORTE E CISALHAMENTO
FOTOS DIVULGAÇÃO TIETJEN
34 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
35
TECNOLOGIA
O
biogás é uma solução promissora que
gera energia a partir de resíduos biológicos
e fontes renováveis. No entanto,
o mercado de biogás enfrenta desafios
devido ao aumento dos custos das matérias-primas.
Neste contexto, maximizar a eficiência do digestor
é crucial para alcançar o rendimento ideal de gás e
fazer bom uso dos recursos limitados.
A maximização do rendimento do biogás de
forma econômica, bem como a operação do sistema
sem erros, destaca-se como uma preocupação
primordial para os proprietários de usinas de biogás.
Os requisitos básicos para a operação lucrativa das
usinas de DA (digestão anaeróbica) passam pelo uso
de equipamentos de redução de tamanho antes da
fermentação nas usinas de biogás, o que oferece
vantagens significativas como: melhor utilização
da capacidade do digestor, à medida que o tempo
de retenção diminui; menos biomassa é necessária;
substratos difíceis de processar tornam-se utilizáveis,
por exemplo, estrume sólido; menos camadas
flutuantes.
No campo do processamento de biomassa agrícola,
trituradores de martelo, como o novo triturador
de biomassa BMS da Tietjen, empresa de origem alemã,
aumentam significativamente o rendimento do
biogás. Instalados em usinas de DA, os equipamentos
de redução de tamanho proporcionam: operação
sem interrupções; baixo custo de peças de desgaste;
fácil manutenção; alta produtividade.
No campo do
processamento de
biomassa agrícola,
trituradores
de martelo,
aumentam
significativamente
o rendimento do
biogás
Triturador de biomassa BMS
TECNOLOGIA APLICADA
O triturador de biomassa BMS é um dos primeiros
dispositivos de redução de tamanho projetado
especialmente para as necessidades das usinas de
DA. O fluxo contínuo de material é uma característica
marcante do triturador de biomassa BMS da Tietjen.
Seu funcionamento estável é caracterizado por um
design de saída inferior, que permite a fácil descarga
dos materiais processados. Ele garante um processo
sem bloqueios nem obstruções pela formação de
pontes do material processado, garantindo um fluxo
contínuo.
O modelo também se caracteriza por sua adaptabilidade.
Com seus diferentes tipos de martelos, ele
pode ser adaptado de forma flexível para processar
diferentes materiais, tornando-o uma solução para
diferentes necessidades agrícolas. Embora seja necessária
uma manutenção regular para um desempenho
ideal, a facilidade de manutenção reduz o tempo de
inatividade e melhora a eficiência.
O BMS oferece uma porta de abertura ampla que
garante acessibilidade, podendo também ser adaptado
às condições no local, variando a abertura de
manutenção em passos de 90° (graus). O rotor pode
ser facilmente substituído usando uma talha transversal,
opcional. Além disso, os martelos e as peças
de desgaste do rotor podem ser usados em ambos os
lados, resultando em uma operação extremamente
econômica.
A produtividade do triturador de biomassa BMS da
Tietjen atinge até 15 toneladas por hora, permitindo
que o triturador atenda às demandas de processamento
de alto volume, aumentando assim a produtividade
geral nas usinas de DA. A Tietjen oferece o BMS
em dois tamanhos, o BMS 1500 e o BMS1200, para
atender tanto às maiores quanto às menores plantas
de DA.
Os trituradores de biomassa, com o princípio operacional
de trituração por impacto com tecnologia de
moinho de martelo, revelam-se vantajosos em relação
aos métodos de corte e cisalhamento. Como a superfície
específica para a degradação micro bacteriana é
ampliada ao máximo e a estrutura da lignina é destruída
ao máximo, a eficiência do triturador de biomassa
BMS se estende ao manuseio de diversos materiais,
como palha, esterco sólido, capim ou madeira.
Foto: divulgação
36 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
37
SUSTENTABILIDADE
BIOENERGIA
FLORESTAL
PUBLICAÇÃO MOSTRA QUE O SETOR DAS ÁRVORES
CULTIVADAS CORRESPONDE A 12% DA MATRIZ
ENERGÉTICA NACIONAL
FOTOS DIVULGAÇÃO
FOREST BIOENERGY
A REPORT SHOWS THAT THE
PLANTED FOREST SECTOR
ACCOUNTS FOR 12% OF THE
DOMESTIC ENERGY MIX
Fotos: IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores
F
onte limpa e renovável, a bioenergia florestal já
responde por 12,09% do consumo energético
brasileiro. Quando se considera apenas o uso
de energia elétrica, os produtos florestais representam
2,69%, uma quantidade suficiente para suprir a
demanda de todas as residências do Estado do Rio de
Janeiro por um ano.
Essas informações fazem parte da publicação: Bioenergia
das árvores cultivadas: energia verde para um
futuro sustentável: produzida pela IBÁ (Indústria Brasileira
de Árvores) em parceria com a EPE (Empresa de Pesquisa
Energética), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária) e Abtcp (Associação Brasileira Técnica de
Celulose e Papel).
A
s a clean, renewable energy source, forest
bioenergy currently meets 12.09%
of Brazil’s energy consumption needs.
When considering electricity use only,
forest products account for 2.69%, enough to meet
the annual household demand in the State of Rio
de Janeiro.
This information is part of the publication:
Bioenergy from Cultivated Trees: Green Energy for
a Sustainable Future, produced by the Brazilian
Tree Industry (IBÁ) in partnership with the Energy
Research Company (EPE), the Brazilian Agricultural
Research Corporation (Embrapa), and the Brazilian
Technical Association of Pulp and Paper (ABTCP).
38 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
39
SUSTENTABILIDADE
O setor de árvores
cultivadas há décadas
demonstra uma gestão
inteligente dos recursos
naturais, promovendo
o desenvolvimento
sustentável
Paulo Hartung,
presidente da IBÁ
Mas o papel da biomassa florestal vai além: há uma
ampla gama de produtos energéticos, desde os já consolidados,
como carvão vegetal, licor preto, cavacos, pellets e
briquetes, até novas soluções, como o gás de síntese para
hidrogênio de baixo carbono, o biometano e os biocombustíveis
líquidos, incluindo etanol 2G e SAFs. Em termos
ilustrativos, há uma biorrefinaria energética baseada em
árvores cultivadas, com capacidade de escalar e de abrir
oportunidades para a transição de baixo carbono.
“O setor de árvores cultivadas há décadas demonstra
uma gestão inteligente dos recursos naturais. São hoje
10,5 milhões de ha (hectares) destinados à produção de
árvores, além de outros 7,01 milhões de ha de mata nativa
conservada por essa indústria. Somos exemplos de como
é possível produzir e preservar, promovendo o desenvolvimento
econômico sustentável, ao mesmo tempo que zelando
pelo futuro de nosso planeta”, alerta Paulo Hartung,
presidente da IBÁ.
However, the role of forest biomass extends
beyond this. There is a wide range of energy products,
including established ones such as charcoal,
black liquor, wood chips, pellets, and briquettes, as
well as new solutions such as synthesis gas for low-
-carbon hydrogen, biomethane, and liquid biofuels,
such as 2G ethanol and sustainable aviation fuels
(SAFs). For example, an energy biorefinery based on
planted forests can scale up and create opportunities
for the low-carbon transition.
“For decades, the Planted Forest Sector has
demonstrated intelligent management of natural
resources. Currently, 10.5 million hectares are
dedicated to tree production, and this industry conserves
an additional 7.01 million hectares of native
forest. We exemplify how production and preservation
can coexist, while safeguarding the future of
our planet,” notes Paulo Hartung, President of IBÁ.
Acesse a publicação na íntegra
pelo QR Code ao lado:
A bioenergia florestal, derivada de produtos como o
licor preto, carvão vegetal e biomassa lenhosa, é usada
tanto pelo setor de árvores cultivadas como também pela
indústria do país. Trata-se de uma alternativa estratégica
para setores que tradicionalmente dependem de combustíveis
fósseis, como siderurgia e mineração, além de
segmentos como o de biocombustíveis para transporte
terrestre e aéreo.
LÍDER EM CARVÃO
O Brasil é líder mundial na produção de carvão vegetal,
utilizado como fonte de calor para gerar ferro-gusa e ferroligas,
por exemplo. Atua também como agente redutor
do minério de ferro na cadeia produtiva do aço verde,
tornando a siderurgia e metalurgia mais sustentáveis. A
construção de um viaduto com aço verde, por exemplo,
pode poupar a emissão de 4 toneladas de CO2eq em relação
a um viaduto similar, usando coque. Da mesma forma,
a bioenergia florestal se mostra cada vez mais presente na
diversificação da matriz de indústrias como a de cimento,
de plástico, alimentícia e cervejeira.
Forest bioenergy, derived from products such as
black liquor, charcoal, and woody biomass, is used
by both the Planted Forest Sector and the Country’s
industry. It is a strategic alternative for sectors that
traditionally depend on fossil fuels, such as steelmaking
and mining, as well as for biofuels used in
land and air transportation.
CHARCOAL LEADER
Brazil is the world leader in charcoal production.
Charcoal is used as a heat source to produce
pig iron and ferroalloys. Charcoal also acts as
a reducing agent for iron ore in the green steel
production chain, making the steel and metallurgy
industries more sustainable. For example, constructing
a viaduct with green steel can reduce CO2
emissions by 4 tons compared to a similar viaduct
built with coke-derived steel. Similarly, forest
bioenergy is playing an increasingly significant role
in diversifying the energy mix of industries such as
cement, plastics, food, and brewing.
40 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
41
TRANSFORMAÇÃO
BIOMASSA NO
COMBATE A
ERVAS
DANINHAS
CIENTISTAS BRASILEIROS DESENVOLVEM MÉTODO PARA
UTILIZAÇÃO DA BIOMASSA RESIDUAL DE LIGNINA
KRAFT QUE É CAPAZ DE GERAR NANOMATERIAIS PARA
O COMBATE DE PLANTAS DANINHAS
FOTOS DIVULGAÇÃO
42 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
43
TRANSFORMAÇÃO
A
lignina kraft, um dos principais subprodutos
do processo de produção de celulose,
já foi vista por décadas como um resíduo
difícil de aproveitar. Descoberta no século
XIX a partir do cozimento químico da madeira, a lignina
apresenta características que a tornam um recurso
estratégico: estabilidade química, resistência térmica,
propriedades antioxidantes, capacidade de absorver
luz UV, ação antibacteriana e antifúngica, além de ser
biodegradável e substituir com eficiência insumos
derivados do petróleo. Ainda assim, apesar de tanto
potencial, sua implementação em escala industrial
enfrenta desafios, especialmente pela complexidade
estrutural do composto e pelos custos financeiros e
ambientais associados ao seu processamento. Segundo
o Inmetro, menos de 2% da lignina produzida globalmente
é reaproveitada em processos de alto valor
agregado, a maior parte é descartada ou queimada
para geração de energia.
Do ponto de vista
ambiental, o uso
de biomassa vegetal
como base para
nanomateriais herbicidas
diminui a dependência
de insumos derivados
de petróleo, o que
representa um avanço
significativo diante das
pressões globais por
descarbonização
É justamente diante desse cenário que pesquisadores
do INCT NanoAgro (Instituto Nacional de
Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura
Sustentável) avançaram com uma proposta de
transformar lignina kraft em ferramenta de combate a
plantas daninhas. A equipe desenvolveu um método
de fracionamento técnico da biomassa vegetal capaz
de gerar nanomateriais a partir de suas diferentes
frações químicas. Esses nanomateriais atuam como
carreadores de moléculas herbicidas, direcionando o
produto com maior precisão para dentro das plantas
e reduzindo a necessidade de aplicação excessiva no
ambiente. O processo já foi patenteado sob coordenação
do professor Leonardo Fraceto, da Unesp (Universidade
Estadual Paulista) Sorocaba (SP), e representa
um passo significativo para tornar a agricultura mais
eficiente e ambientalmente responsável.
Lignina kraft
Representação simplificada da
molécula da lignina kraft
SOLUÇÃO INOVADORA
A tecnologia desenvolvida pelo INCT NanoAgro
também se destaca por contribuir diretamente para
a economia circular, ao propor valorizar um resíduo
abundante que é majoritariamente descartado. Em
vez de ser queimadas ou eliminadas sem aproveitamento,
como acontece com mais de 98% da lignina
residual no mundo, as frações obtidas pelo novo processo
de fracionamento passam a desempenhar um
papel ativo no ciclo produtivo, retornando à cadeia
industrial com alto valor agregado. Essa mudança de
lógica favorece tanto a redução de impactos ambientais
quanto a criação de novos modelos de negócio,
conectando indústria papeleira, setor químico e
agronegócio.
44 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
45
TRANSFORMAÇÃO
Com isso, a proposta do INCT NanoAgro demonstra
que inovação, ciência e sustentabilidade caminham
juntas. Ao transformar um resíduo complexo
em uma ferramenta tecnológica de alto desempenho,
os pesquisadores reforçam a capacidade da ciência
brasileira de propor soluções eficientes para desafios
ambientais e agronômicos. "Nosso papel como INCT
é comunicar à sociedade como essas pesquisas estão
gerando resultados concretos e dialogar com quem
pode transformar essas descobertas em produtos,
especialmente as empresas do agronegócio", conclui o
professor Leonardo Fraceto.
Do ponto de vista ambiental, o uso de biomassa
vegetal como base para nanomateriais herbicidas
diminui a dependência de insumos derivados de
petróleo, o que representa um avanço significativo
diante das pressões globais por descarbonização. A
lignina kraft, com suas propriedades químicas singulares,
possui características intrínsecas que ampliam
a segurança de uso e minimizam riscos associados à
contaminação de solo e água. Além disso, ao funcionar
como carreador, o nanomaterial permite que
o herbicida seja transportado de forma mais direcionada,
reduzindo perdas por deriva, diminuindo a
dispersão no ambiente e potencialmente reduzindo a
dosagem necessária.
A inovação também dialoga com práticas agrícolas
mais inteligentes e com o desafio crescente de controlar
plantas daninhas de forma eficiente, sem aumentar
a pressão sobre ecossistemas naturais. Outro ponto
relevante é o potencial de escalabilidade e adaptação
da tecnologia. Por ser baseada em uma biomassa
amplamente disponível, especialmente em países
como o Brasil, onde o setor de celulose tem papel de
destaque, a solução tem forte aderência a cadeias
produtivas nacionais. A convergência entre pesquisa
científica e aproveitamento de resíduos industriais cria
condições ideais para que o país se torne referência no
desenvolvimento de insumos agrícolas mais seguros e
sustentáveis.
46 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
47
ARTIGO
GERAÇÃO E USO DE
CAVACOS DE MADEIRA
DE RESÍDUOS FLORESTAIS
FOTOS DIVULGAÇÃO
EMERSON MATEUS BEZERRA DA SILVA
Fatec (Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga)
DANIELA RODOLPHO
Fatec (Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga)
RESUMO
A
transição para fontes de energia renováveis
tem se tornado uma prioridade global na
busca por alternativas sustentáveis aos combustíveis
fósseis. Os cavacos de madeira,
derivados de resíduos florestais, emergem como uma
solução promissora para a geração de energia, combinando
viabilidade econômica, eficiência energética e
benefícios ambientais. Este estudo explora detalhadamente
o processo de produção desses cavacos, desde
a coleta da matéria-prima até sua aplicação na geração
de energia térmica e elétrica. Além disso, são analisadas
as implicações ambientais do seu uso, os desafios operacionais
e as perspectivas de crescimento do mercado.
A pesquisa ainda discute políticas públicas, inovações
tecnológicas e estudos de caso de países que lideram a
implementação da biomassa florestal como alternativa
energética.
48 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
49
ARTIGO
INTRODUÇÃO
A crescente preocupação global com a sustentabilidade
e a redução das emissões de gases de efeito
estufa tem impulsionado a busca por alternativas mais
limpas e renováveis aos combustíveis fósseis. Assim, a
biomassa surge como uma solução promissora, capaz
de transformar resíduos orgânicos em energia, reduzir
impactos ambientais e fortalecer a segurança energética
(Silveira, 2019).
A biomassa abrange resíduos agrícolas, florestais
e industriais. Dentre esses, destacam-se os resíduos
florestais, como restos de serrarias, materiais de colheita
e subprodutos da indústria madeireira, que podem ser
convertidos em cavacos de madeira. Esses fragmentos
são utilizados como biocombustível em usinas termelétricas,
caldeiras industriais e sistemas de aquecimento
urbano (Bianchini, 2020).
Esse reaproveitamento impulsiona a economia
circular, ao agregar valor a materiais subutilizados e
reduzir o volume de resíduos destinados a aterros.
Experiências de países como Suécia e Finlândia evidenciam
o papel dos cavacos de madeira na transição para
matrizes energéticas mais sustentáveis, com políticas
públicas eficazes e tecnologias consolidadas (Bianchini,
2020).
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Por que Cavacos de Madeira e como são feitos?
Os cavacos de madeira são fragmentos obtidos de
resíduos florestais e industriais, amplamente utilizados
como biocombustível em razão de sua versatilidade,
disponibilidade e bom desempenho energético. Seu
uso tem crescido consideravelmente em diversos
setores, impulsionado pela busca por fontes renováveis
e pela valorização de resíduos antes subutilizados
(Bianchini, 2020).
Processo de Produção
Para garantir a qualidade e a eficiência do material
final, a produção de cavacos de madeira ocorre em
várias etapas: Coleta de Resíduos Florestais: Biomassa
residual resultante de operações de colheita florestal,
desbaste de plantações e subprodutos industriais, como
cavacos e serragem (Pincelli, 2011). Gerenciar eficiência
esse processo é crucial para minimizar os custos e garantir
que as matérias-primas não se deteriorem antes
do processamento.
Com base na interpretação de
dados, revisão bibliográfica
e estudos de caso do Brasil
e do exterior, constata-se
que os cavacos de madeira
representam uma alternativa
energética robusta, com
elevado potencial de
integração à matriz energética
sustentável
METODOLOGIA DE PESQUISA
No estudo, adotou-se uma abordagem que combina
métodos qualitativos e quantitativos para entender
melhor a produção e o uso dos cavacos de madeira provenientes
de resíduos florestais. O foco foi analisar sua
eficiência energética e contribuição para a sustentabilidade.
Para isso, seguimos quatro estratégias principais:
Pesquisa bibliográfica: buscamos embasamento
teórico a partir da análise de artigos científicos, dissertações
acadêmicas, livros e relatórios técnicos. Isso nos
permitiu compreender melhor os avanços tecnológicos,
os impactos ambientais e as previsões econômicas da
biomassa derivada de cavacos de madeira.
Estudo de casos reais: investigamos experiências
concretas de países que já utilizam biomassa florestal
como fonte de energia, incluindo Suécia, Finlândia e
Brasil. Comparar as políticas impostas por esses países
nos ajudou a identificar vantagens e desafios no uso da
biomassa para geração de energia.
EQUIPAMENTOS
PARA
BIOMASSA
@Nicolettimaq
(15) 9 9729-3181
(15) 3273-2142 | (15) 3273-2090
contato@nicolettimaq.com.br
Rod, Raposo Tavares KM 162
Itapetininga - SP
50 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
51
ARTIGO
Apesar das vantagens, ainda existem desafios a
superar. A logística de transporte, os custos de implantação
e a falta de políticas públicas consistentes limitam
o avanço da biomassa no Brasil. No entanto, experiências
internacionais demonstram que, com planejamento
estratégico, apoio institucional e investimento em
tecnologia, essas barreiras podem ser superadas.
Diante desse cenário, os cavacos de madeira têm
potencial para deixar de ser um subproduto da indústria
e se tornarem uma peça central na transição para
uma matriz energética mais limpa. Com ações coordenadas
entre governo, setor produtivo e sociedade,
é possível consolidar essa biomassa como uma opção
sustentável e promissora para os próximos anos.
Essa é uma versão parcial do artigo, o conteúdo na
íntegra pode ser acessado pelo QR Code ao lado:
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com base na interpretação de dados, revisão
bibliográfica e estudos de caso do Brasil e do exterior,
constata-se que os cavacos de madeira representam
uma alternativa energética robusta, com elevado
potencial de integração à matriz energética sustentável.
Dentre os atributos mais relevantes, destaca-se o seu
desempenho energético: quando submetidos a processos
adequados de secagem, esses fragmentos podem
atingir um poder calorífico entre 8 e 18 MJ/kg, variando
de acordo com a umidade e a densidade do material, o
que os posiciona de forma competitiva frente a outras
formas de biomassa sólida (Bianchini, 2020).
No aspecto ambiental, os benefícios são substanciais.
A substituição progressiva de combustíveis fósseis
por cavacos de madeira possibilita uma expressiva
redução nas emissões de GEE (gases de efeito estufa),
sobretudo CO₂. Segundo Borges (2015), essa substituição
pode gerar reduções de até 80% nas emissões,
contribuindo diretamente para o cumprimento de metas
climáticas e fortalecendo o papel da biomassa como
alternativa limpa e de baixo impacto ambiental.
CONCLUSÃO
O uso de cavacos de madeira como fonte energética
representa mais do que uma alternativa técnica: é
uma estratégia alinhada à sustentabilidade, à economia
circular e à valorização de resíduos florestais. Ao
transformar materiais antes descartados em recursos
energéticos eficientes, reduz-se a pressão sobre os
recursos naturais e amplia-se o uso de fontes limpas e
renováveis.
Os benefícios do uso de cavacos de madeira vão
além do aspecto ambiental. Eles contribuem para a
redução das emissões de carbono, aprimoram a gestão
de resíduos orgânicos e fortalecem cadeias produtivas
regionais. Essa abordagem também gera oportunidades
econômicas, especialmente para setores como a indústria
florestal, papel e celulose, cerâmica e a geração
distribuída de energia.
ROBUSTEZ E
EFICIÊNCIA EM GARRAS
TRAÇADORAS!
J DE SOUZA, LÍDER NO BRASIL E AMÉRICA LATINA
MATRIZ
J de Souza Indústria Metalúrgica LTDA
BR 116 - Nº 5828, KM 247
Área Industrial
+55 49 3226 0511 I +55 49 3226 0722
Lages - Santa Catarina - Brasil
www.jdesouza.com.br
52 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA
UNIDADE 01
SETE LAGOAS - MG
Av. Prefeito Alberto Moura, Nº 2051A - Vale das Palmeiras
UNIDADE 02
IMPERATRIZ - MA
Av. Moacir Campos Milhomem, Nº 12 - Colina Park
UNIDADE 03
LAGES - SC
BR 116 - S/Nº, KM 247 - Área Industrial
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO
E TESTES
SÃO JOSÉ DO CERRITO - SC
Localidade de Bom Jesus
53
AGENDA
MAIO 2026
DESTAQUE
ECOFUSION EXPO 2026
Data: 5 a 7 de maio de 2026
Local: São Paulo (SP)
Informações: https://ecofusionexpo.com/
MAIO 2026
I CARVÃO VERDE BRASIL
Data: 19 e 20 de maio de 2026
Local: Sete Lagoas (MG)
Informações:
https://expominasflorestal.com.br/carvaoverdebrasil/
feira brasileira
de compostagem
Piracicaba (SP)
Local: Instituto Pecege
JULHO 2026
BEUBCE 2026 (EUROPEAN
BIOMASS CONFERENCE AND
EXHIBITION)
Mais informações:
www.composhow.com.br
WASTEENG 26 – XI CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL DE ENGENHARIA PARA
VALORIZAÇÃO DE RESÍDUOS E BIOMASSA
Data: 7 a 10 de julho de 2026
Local: Corunha (Espanha)
Informações: https://wasteeng2026.org/
Data: 19 a 22 de maio
Local: Haia (Holanda)
Informações:
https://www.eubce.com/
Há mais de 40 anos, a EUBCE (Conferência
e Exposição Europeia de Biomassa) tem sido
um espaço para refletir sobre a evolução do
SETEMBRO 2026
setor de biomassa e explorar as tendências
futuras da bioenergia em pesquisa, indústria
e políticas públicas. A edição de 2026 reunirá
1.500 especialistas da academia, da indústria
APBE 2026 (ASIA-PACIFIC BIOMASS
ENERGY EXHIBITION)
Data: 16 a 18 de setembro de 2026
Local: Guangzhou (China)
Informações:
http://www.gzapbe.com/index.php?lang=en
e do setor político de mais de 60 países para
explorar os mais recentes desenvolvimentos
em biomassa, bioenergia e bioeconomia
circular.
Organização:
+55 (16) 98111-6988
+55 (16) 99777-5940
Divulgação:
REVISTA
LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO
+55 (41) 3333 1023 | +55 (41) 99965-3105
54 www.REVISTABIOMAIS.com.br
composhow@dtrip.com.br
comercial@revistarefencia.com.br
OPINIÃO
O VAREJO NÃO PODE SER
NEUTRO: DA ESTRATÉGIA À
TRANSFORMAÇÃO
VEM AÍ!
Foto: divulgação
O
varejo sempre foi um reflexo da sociedade brasileira.
Ele traduz hábitos, revela tendências e materializa
a relação entre consumo, território e cultura. Em
um país marcado por pluralidade e desigualdade
histórica, cresce a expectativa de que empresas do setor atuem
não apenas como fornecedoras de produtos e serviços, mas
como agentes ativos na construção de um futuro mais justo.
Essa responsabilidade começa pela intencionalidade: a clareza
sobre o que se comunica, para quem se comunica e com qual
propósito. Cada mensagem planejada, distribuída e recebida
pelo consumidor final tem o poder de ampliar o acesso e gerar
pertencimento.
Nos últimos anos, a agenda global ESG passou por uma evolução
significativa; conferências internacionais sobre clima, antes
focadas exclusivamente em emissões de gases e preservação
ambiental, passaram a incorporar, a partir de 2021, discussões
sociais relevantes. A sustentabilidade deixou de ser apenas ambiental
para se tornar integrada à justiça social, reconhecendo
que não há futuro sustentável sem inclusão e acesso para todas
as pessoas. No Brasil, essa interdependência é evidente: comunidades
periféricas e populações negras convivem de forma
desproporcional com enchentes, poluição, falta de saneamento
e insegurança alimentar. Reconhecer essas desigualdades é o
primeiro passo para ações que efetivamente transformam vidas
e, consequentemente, a atuação das empresas.
Nesse cenário, o varejo assume um papel estratégico único.
Nenhum outro setor tem a presença diária e a capilaridade
no território nacional. Cada decisão sobre logística, produção,
transporte e oferta de produtos impacta diretamente o cotidiano
das pessoas. Escolhas conscientes, como apoiar fornecedores
locais, investir em descarte adequado, distribuir excedentes
alimentares ou implantar energias limpas, geram benefícios
tangíveis para consumidores e comunidades. Menos iniciativas
pontuais e mais ações completadas, com começo, meio e fim,
são capazes de alterar trajetórias e proporcionar oportunidades
concretas de educação e renda.
A transformação também passa pela construção de narrativas
autênticas. Marcas que representam diversidade e reforçam
brasilidade, validam realidades, fortalecem o pertencimento e
inspiram confiança. Cada narrativa tem o potencial de colocar as
pessoas no centro, mostrar exemplos de superação e destacar
histórias de vidas impactadas. Programas de capacitação profissional
que resultam em emprego formal e desenvolvimento de
carreira, oportunidades de empreendedorismo local e inclusão
produtiva de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade
são expressões concretas desse impacto. Quando o que se
comunica reflete o que se constrói internamente, há legitimidade
do compromisso social e ambiental, fortalecendo também a
confiança dos consumidores.
Reconhecer a diversidade cultural e econômica do país é
dialogar com indústrias, mas sobretudo com fornecedores regionais,
agricultores familiares e criadores locais. Essa proximidade
permite impacto positivo real, contribuindo para a transformação
territorial, ampliando renda e autonomia e promovendo
inclusão social de forma estruturada e duradoura.
A intencionalidade é o fio condutor que conecta todos esses
elementos. Ela transforma inclusão em mudança estrutural, pessoas
em ativos no centro do negócio e liderança em força motriz
de sustentabilidade. Ao discutir o futuro do varejo, não é possível
dissociar comunicação, ESG e equidade racial. O que está
em jogo vai além da reputação ou dos resultados financeiros;
trata-se de criar um ambiente em que todas as pessoas possam
ocupar espaços e participar da construção de decisões.
Transformar vidas, fortalecer territórios e ampliar oportunidades
não é apenas uma escolha ética, é um imperativo
estratégico. Cada ação planejada, desde as pessoas que fazem
uma empresa existir até a gestão de produtos, contribui para
mudanças tangíveis que atravessam gerações.
30 de novembro - CURITIBA (PR)
ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE
MADEIRAS E DERIVADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
APOIO:
Por Claudionor Alves
Diretor de Inclusão & Diversidade e Relações Institucionais do Grupo Carrefour Brasil
Foto: divulgação
56 www.REVISTABIOMAIS.com.br
www
revistareferencia.com.br
comercial@revistareferencia.com.br