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Biomais_79 OPS

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Entrevista

Victor Gomes, da Fiergs, explica o funcionamento da Plataforma de Biomassa

MATO GROSSO

EM DESTAQUE

NA BIOMASSA

UMA EMPRESA DO ESTADO SE

CONSOLIDA COMO REFERÊNCIA NA

PRODUÇÃO DE BIOMASSA,

ATENDENDO OS PRINCIPAIS PLAYERS

DO MERCADO. UTILIZANDO RESÍDUOS

FLORESTAIS, TRANSFORMA

MATÉRIA-PRIMA EM ENERGIA DE

ALTA QUALIDADE, COM EFICIÊNCIA E

COMPROMISSO AMBIENTAL

TRANSFORMAÇÃO

TECNOLOGIA DESENVOLVIDA NO

BRASIL UTILIZA RESÍDUO VEGETAL

PARA COMBATE DE ERVAS DANINHAS

MATO GROSSO IN THE

SPOTLIGHT FOR BIOMASS

A STATE-OWNED COMPANY IS ESTABLISHING

ITSELF AS A LEADER IN BIOMASS PRODUCTION,

SERVING THE MAIN PLAYERS IN THE MARKET.

USING FOREST RESIDUES, IT TRANSFORMS RAW

MATERIALS INTO HIGH-QUALITY ENERGY WITH

EFFICIENCY AND ENVIRONMENTAL

COMMITMENT

SUSTENTABILIDADE

BIOENERGIA FLORESTAL JÁ RESPONDE

POR 12% DO CONSUMO ENERGÉTICO




SUMÁRIO

06 | EDITORIAL

Mercado da biomassa

08 | CARTAS

10 | NOTAS

18 | ENTREVISTA

28 | PRINCIPAL

34 | TECNOLOGIA

Moagem por impacto aumenta

o rendimento de biogás

38 | SUSTENTABILIDADE

Bioenergia florestal

42 | TRANSFORMAÇÃO

Biomassa no combate a ervas daninhas

48 | ARTIGO

54 | AGENDA

56 | OPINIÃO

O varejo não pode ser neutro: da

estratégia à transformação

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br



EDITORIAL

Direct Drive

Precisão para a

indústria de biomassa.

A capa desta edição destaca a

operação da Lignum Biomassa

no Mato Grosso

MERCADO

DA BIOMASSA

A

reportagem de capa desta edição da Revista REFERÊNCIA BIOMAIS destaca a operação com biomassa no Mato Grosso. A

Lignum Biomassa é uma das empresas do ramo que está fazendo a diferença na região. Começou como uma serraria e diante

da demanda por biomassa tomou a decisão de se dedicar ao novo mercado. Na editoria de Entrevista conversamos com

o Victor Gomes sobre a criação da Plataforma de Biomassa pelo sistema Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do

Sul) em parceria com a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e a SICT (Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande

do Sul). Outras reportagens especiais destacam o potencial energético das árvores, a tecnologia desenvolvida que utiliza a biomassa

lignina kraft no combate às ervas daninhas, a diferença da tecnologia de martelo na trituração de biomassa, entre outras informações

do setor.

BIOMASS MARKET

T

his issue of REFERÊNCIA Biomais features a cover story highlighting the use of native tree biomass in Mato Grosso. Lignum Biomassa

is one of the companies in the Sector that is making a difference in the region. Starting as a sawmill, the Company shifted its focus to

the biomass market in response to demand. In the Interview Section, we spoke with Victor Gomes about the creation of the Biomass

Platform (Plataforma de Biomassa) by the Federation of Industries of Rio Grande do Sul (Fiergs), in partnership with the Federal

University of Santa Maria (UFSM) and the Secretariat of Innovation, Science, and Technology of Rio Grande do Sul (SICT). Other special reports

highlight the energy potential of trees, technology that uses kraft lignin biomass to combat weeds, and differences in hammer mill technology

for biomass shredding, among other industry insights.

EXPEDIENTE

ANO XIII - EDIÇÃO 78 - MARÇO 2026

Diretor Comercial/Commercial Director:

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo/Executive Director:

Pedro Bartoski Jr

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Redação/Writing:

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Letícia Stefanello

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Dep. Comercial/Sales Departament:

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Tradução / Translation: John Wood Moore

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ASSINATURAS

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A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora

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dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas e alternativas,

produtores de resíduos para geração e cogeração de energia, instituições

de pesquisa, estudantes universitários, órgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se responsabiliza

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exceto para fins didáticos.

REVISTA BIOMAIS is a monthly and independent publication, directed

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself

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and other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden

without written authorization of the holder of the authorial rights, except for

educational purposes.

SAIBA MAIS

Peletizadora de

alta perfomance

06 www.REVISTABIOMAIS.com.br



CARTAS

PRINCIPAL

O emprego de tecnologia faz toda diferença para produção de pellets de qualidade, como

aponta a reportagem sobre a EHW que está no Brasil e no mundo apresentando soluções.

Claudionor Medeiros – São Paulo (SP)

Foto: divulgação

ENTREVISTA

Achei muito interessante a produção de pellets da borra de café. Como a entrevista trouxe, o apoio do sistema (S) foi

fundamental para desenvolver o produto.

Ricardo Torres - Vitória (ES)

INOVAÇÃO

Incrível a utilidade que tem o bagaço de cana-de-açúcar. Usado até na produção de MDP!

Isabel Arantes – Curitiba (PR)

PESQUISA

Paraná saindo na frente para produção de tecnologia nacional. Um grande investimento!

Moacir Ramalho – Joinville (SC)

Foto: divulgação

www.revistabiomais.com.br

na

energia

biomassa

dia informação

@revistabiomais

/revistabiomais

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

08 www.REVISTABIOMAIS.com.br



NOTAS

PODCAST REFERÊNCIA

O Podcast REFERÊNCIA contou com presenças ilustres

e de grande valor para o segmento florestal em março

de 2026. No primeiro episódio do mês estavam presentes

Wander Hoeger e Alexandre Vian, diretor e gerente

geral da Lignum Biomassa, respectivamente. O segundo

episódio teve a presença da sócia da Bonardi Painéis de

Madeira, Lisiane Tissot, e da executiva de atendimento da

ForMóbile, Valéria Brizola.

Wander Hoeger comentou sobre como conheceu a

engenharia florestal e se aproximou da área.“Tinha um

tio que era engenheiro florestal, que era bem-sucedido

na época. Em 2000 foi oferecido o curso de Engenharia

Florestal, com professores de Cuiabá (MT). Não que tenha

sido uma falta de opção, mas era o que tinha disponível

para a gente. Quando formado, abri um escritório e comecei

a prestar consultoria até uns 5 anos atrás”, explicou

Hoeger.

Já Alexandre Vian abordou como a família e o cunhado

Wander Hoeger foram decisivos na aproximação dele

com a Lignum. “Vou ser muito sincero. Vi a oportunidade

de ficar mais perto das minhas filhas durante a semana.

Mas tudo tem um propósito maior e quando pedimos

orientação a Deus, ele dá essa orientação”, complementou

Vian.

No outro programa, Valéria Brizola contou como o

início profissional está diretamente ligado a ForMóbile:

“Com 22 anos comecei a trabalhar na ForMóbile e das 11

edições da feira, participei de nove. Para se ter uma ideia,

foi a minha segunda experiência profissional e até hoje

estou na empresa. Comecei na parte operacional, atendendo

os clientes e fui crescendo dentro da feira e hoje

trabalho na coordenação da parte comercial”, relembrou

Valéria.

Por fim, Lisiane Tissot contou com a Bonardi Painéis

de Madeira iniciou a parceria com a ForMóbile e como

a empresa tem avaliado as participações ao longo dos

anos: “Estamos na ForMóbile praticamente desde a primeira

edição. Em 2024, fizemos o lançamento da nossa

Linha Bonbord em 2024 e neste ano vamos apresentar

uma novidade, que é o acabamento em verniz dessa

linha. Estamos cheios de energia para a ForMóbile 2026”,

finalizou Lisiane.

Os episódios do Podcast REFERÊNCIA

estão disponíveis no nosso canal do

youtube, que o Leitor pode acessar

através do QR Code:

Wander Hoeger, diretor da

Lignum Biomassa

Lisiane Tissot, sócia da Bonardi

Painéis de Madeira

Alexandre Vian, gerente geral

da Lignum Biomassa

Valéria Brizola, executiva de

atendimento da ForMóbile

Fotos: REFERÊNCIA

TUDO O QUE VOCÊ PRECISA, EM

TODAS AS ETAPAS DO PROCESSO.

10 www.REVISTABIOMAIS.com.br



NOTAS

POTÊNCIA QUE PROCESSA

TECNOLOGIA QUE LUCRA

KIMBERLY-CLARK

RECEBE CERTIFICAÇÃO DE

NEUTRALIZAÇÃO DE

CARBONO

A Kimberly-Clark Brasil recebeu o Certificado de Voluntary

Cancellation, que reconhece o compromisso da companhia com

a neutralização de suas emissões de carbono, em alinhamento

ao 13º ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) da ONU,

ação contra a mudança global do clima. A conquista é resultado

de iniciativas realizadas em suas unidades fabris no país em

Camaçari (BA) e Suzano (SP). Na Bahia, a empresa mantém um

projeto em parceria com a Translogistics, que garantiu a compensação

de 13 toneladas de CO₂ equivalentes, comprovadas

por créditos de carbono certificados pelo MDL (Mecanismo de

Desenvolvimento Limpo). Já em Suzano, a Kimberly-Clark atua

com a Estre, empresa especializada em serviços ambientais, em

um projeto voltado à neutralização das emissões de transporte

e destinação de resíduos industriais, resultando na compensação

de mais de 187 toneladas de CO₂ equivalentes, gerados na

movimentação interna de resíduos na unidade entre os anos

de 2022 e 2024. A iniciativa utiliza créditos de carbono gerados

pela captura e queima controlada de metano nos aterros da

empresa parceira, enquanto a K-C mantém o compromisso de

Aterro Zero em todas as suas fábricas no país.

Foto: divulgação

Entre em contato e descubra como elevar o

nível do seu sistema de biomassa com a Bruno.

12 www.REVISTABIOMAIS.com.br

+55 49 98813-0343 @brunoindustrial



NOTAS

BRASIL SE MANTÉM COM MATRIZ

ENERGÉTICA DIVERSIFICADA E

SUSTENTÁVEL

A expansão da geração e da transmissão de energia elétrica segue consolidando

uma matriz energética cada vez mais diversificada e renovável no

Brasil. Conforme dados do MME (Ministério de Minas e Energia) a operação de

novas usinas e linhas de transmissão, a eletricidade está chegando com mais

segurança e sustentabilidade à residência de milhares de famílias brasileiras.

Somente em 2025, 137 usinas passaram a operar total ou parcialmente em 17

06

Estados, adicionando 7.467 MW (megawatts) à geração centralizada do país,

dos quais 76% tiveram origem em fontes renováveis, como solar, eólica, biomassa

e hídrica. A fonte solar liderou o crescimento, com 2.816 MW, seguida

pelas termelétricas, com 2.506 MW, e pelos parques eólicos, com 1.889 MW.

As fontes renováveis também tiveram a participação das térmicas a biomassa

e das fontes hídricas que somaram 740 MW e 256 MW, respectivamente, ao

sistema. No nordeste, as gerações solar e eólica responderam, juntas, por

42,9% de toda a expansão nacional, consolidando a região como protagonista

da transição energética brasileira.

Foto: divulgação

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br



NOTAS

SISTEMA FIERGS APRESENTA SOLUÇÕES

SOBRE EMISSÕES DE CARBONO

O inventário de emissões de carbono, tradicionalmente usado como diagnóstico, tem sido

adotado como ferramenta para orientar decisões e reduzir impactos ambientais em organizações

públicas e privadas. A mudança de abordagem reflete a crescente pressão por redução de emissões,

em linha com compromissos globais como o Acordo de Paris. A abordagem foi destacada pelo

Senai-RS (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul), integrante do Sistema

Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul), durante palestra na BiotechFair 2026. “O

inventário é um olhar no retrovisor, a chave para um futuro mais sustentável. É como um pano de

fundo para uma grande mudança”, explicou o especialista do IST Q&MA (Instituto Senai de Tecnologia

em Química e Meio Ambiente) Luciano Souto. Na prática, o levantamento desenvolvido pelo

Senai (RS) na sede do Ministério Público em Porto Alegre (RS), permite identificar as principais fontes

de emissão, como consumo de energia elétrica, uso de veículos e geração de resíduos, e direcionar

ações para redução desses impactos. O levantamento é baseado no protocolo GHG, padrão global

para contabilização e gestão de emissões de GEE (gases de efeito estufa). Para Souto, o cenário ideal

é que o setor público invista em mapeamentos em escala territorial, o que pode contribuir para o

desenvolvimento de políticas públicas voltadas à redução das emissões de carbono.

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Foto: Lucas Machado

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ENTREVISTA

Foto: Assessoria de Imprensa da Fiergs

ENTREVISTA

C

om sólida experiência no desenvolvimento estratégico

e na implementação de centros de ciência

e tecnologia, Victor Gomes atua com diversos

instrumentos de fomento nacionais e internacionais,

alinhados com estratégias de inovação e políticas industriais.

Atual gerente-executivo de Tecnologia e Inovação na

Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul), Victor

tem experiência internacional, e já prestou suporte tecnológico

especializado para mais de 100 empresas no Brasil. Nesta

entrevista para a Revista REFERÊNCIA BIOMAIS ele fala sobre a

Plataforma de Biomassa, ferramenta com foco em bioeconomia,

capaz de conectar oferta e demanda de biomassa com

inteligência estratégica.

VICTOR

GOMES

QUANTIFICANDO A

BIOMASSA

QUANTIFYING BIOMASS

Formação: Engenheiro Mecânico pela UFSC (Universidade Federal de

Santa Catarina); mestre em Simulação a eventos discretos e doutor em

Engenharia Mecânica pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica);

doutor em engenharia mecânica pela Otto-von-Guericke-Universität

Magdeburg (Alemanha)

Education: Bachelor's Degree in Mechanical Engineering from the Federal

University of Santa Catarina (UFSC); Master’s in Discrete Event Simulation and

Ph.D. in Mechanical Engineering from the Aeronautical Technology Institute

(ITA); Ph.D. in Mechanical Engineering from Otto-von-Guericke-Universität

Magdeburg (Germany)

Cargo: Gerente-executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema Fiergs

(Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul)

Function: Executive Manager of Technology and Innovation at the

Federation of Industries of Rio Grande do Sul (Fiergs)

G

omes has solid experience in the strategic development

and implementation of science and

technology centers. He works with various national

and international funding instruments

aligned with innovation strategies and industrial policies. As

the current Executive Manager of Technology and Innovation

at the Federation of Industries of Rio Grande do Sul (Fiergs),

he has provided specialized technological support to over

100 companies in Brazil and has international experience.

In this interview with REFERÊNCIA Biomais, he discusses the

Biomass Platform (Plataforma de Biomassa), a bioeconomy

tool that connects biomass supply and demand with strategic

intelligence.

O que motivou a criação da Plataforma de Biomassa?

A motivação vem de uma leitura de mundo. Vivemos um

momento em que a pressão por descarbonização, a escassez

de insumos tradicionais e a urgência climática criaram

as condições para o surgimento de uma indústria global de

bioprodutos. Essa transição não é uma tendência passageira,

é uma inflexão histórica, e quem não se posiciona diante dela

fica para trás. O Brasil ocupa uma posição privilegiada. Temos

uma matriz energética predominantemente renovável, uma

biodiversidade incomparável e uma cadeia produtiva primária

que gera resíduos com altíssimo potencial de valorização

como biomassa. Reconhecendo isso, a CNI (Confederação

Nacional da Indústria) estabeleceu a descarbonização como a

primeira de suas quatro missões de política industrial para o

período pós-pandemia, um sinal claro de que o tema passou

a integrar o núcleo do desenvolvimento industrial brasileiro.

A partir dessa leitura, minha avaliação foi direta: o Senai (RS)

precisava se posicionar estrategicamente nesse campo. Já

tínhamos competências nesta área instaladas nos Institutos

de Inovação em Polímeros, em Sistemas de Sensoriamento,

de Tecnologia em Química e Meio Ambiente e em Alimentos

e Bebidas, além dos demais Institutos de Tecnologia da Rede

Senai (RS). Havia um potencial imenso esperando ser articulado

sob uma visão unificada de bioeconomia. Ao mesmo

tempo, ao me aprofundar na análise do mercado, identifiquei

uma lacuna crítica: não existia no país uma ferramenta robusta,

atualizada e com foco específico em bioeconomia, capaz de

conectar oferta e demanda de biomassa com inteligência

estratégica. Essa lacuna era, ao mesmo tempo, um problema e

uma oportunidade. Foi a partir daí que decidimos estruturar a

Plataforma de Biomassa.

A criação contou com parceiros?

Ela foi concebida desde o início como uma iniciativa de

articulação de ecossistema, desenvolvida em parceria com

a Ufsm (Universidade Federal de Santa Maria) e com a Sict

(Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia) do Rio Grande

do Sul. O desenho foi intencional: integrar conhecimento

científico, política pública e demanda industrial. Sem essa

triangulação, o impacto seria limitado. O que construímos vai

muito além de um banco de dados. A Plataforma opera como

um instrumento de governança da inovação, conectando

governo, academia, indústria, produtores rurais e cooperativas

em torno de um objetivo comum. É a lógica da quádrupla

hélice funcionando na prática, com o Senai (RS) no centro

dessa articulação. Esse é exatamente o papel que nos cabe. O

horizonte que buscamos é concreto: gerar oportunidades de

negócios, estimular a pesquisa aplicada e posicionar o Estado

gaúcho como referência nacional em bioinovação e economia

de baixo carbono. Mas há uma dimensão ainda maior nessa

iniciativa. Os problemas ambientais não respeitam fronteiras

What motivated the creation of the Biomass Platform

(Plataforma de Biomassa)?

The motivation stems from an understanding of the

global landscape. The pressure for decarbonization, scarcity

of traditional raw materials, and climate emergency have

created conditions conducive to the development of a global

bioproducts industry. This transition is not a passing trend; it is

a historic turning point. Those who fail to respond accordingly

will be left behind. Brazil occupies a privileged position. We

have a predominantly renewable energy mix, unparalleled

biodiversity, and a primary production chain that generates

waste with extremely high biomass potential. The National

Confederation of Industry (CNI) recognized this and established

decarbonization as the first of its four industrial policy missions

for the post-pandemic period. This is a clear sign that the

issue has become central to Brazilian industrial development.

Based on this assessment, my conclusion was straightforward:

Senai (RS) needed to position itself strategically in this field. We

already had established expertise in this area at the Institutes

of Innovation in Polymers, Sensing Systems, Chemical and

Environmental Technology, and Food and Beverages, as well as

other technology institutes within the Senai (RS) network. There

was immense potential waiting to be harnessed under a unified

vision of the bioeconomy. However, as I delved deeper into the

market analysis, I identified a critical gap. There was no robust,

up-to-date tool in the Country that focused specifically on the

bioeconomy and could connect biomass supply and demand

with strategic intelligence. This gap presented both a problem

and an opportunity. It was then that we decided to develop the

Biomass Platform.

Was the initiative developed in partnership with

others?

From the outset, it was conceived as an ecosystem coordination

initiative developed in partnership with the Federal University

of Santa Maria (UFSM) and the Rio Grande do Sul State

Secretariat for Innovation, Science, and Technology (SICT). The

design was intentional: to integrate scientific knowledge, public

policy, and industrial demand. Without this triangulation, the

initiative’s impact would be limited. What we have built goes

far beyond a database. The platform operates as an innovation

governance tool that connects government, academia,

industry, rural producers, and cooperatives around a common

goal. It is the quadruple-helix model in practice, with Senai

(RS) at the center of coordination. This is precisely our role. Our

goal is to generate business opportunities, stimulate applied

research, and establish the State of Rio Grande do Sul as a

national leader in bioinnovation and the low-carbon economy.

However, there is an even greater dimension to this initiative.

Environmental problems do not respect political borders, and

the solutions we develop here have ripple effects that extend to

18 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

19



ENTREVISTA

políticas, e as soluções que desenvolvemos aqui geram um

efeito de transbordamento que alcança outras regiões e países.

Agir localmente com essa consciência global é, para mim,

parte essencial da responsabilidade de quem lidera inovação

neste momento.

Na prática, o processo de construção seguiu quais

etapas?

O processo começou de forma deliberada e estruturada.

A partir de um projeto denominado Bioeconomia – Senai

(RS), em parceria com Ufsm, formamos uma equipe com perfil

essencialmente técnico-científico: especialistas em química,

engenharia de alimentos, economia e áreas correlatas, que

trouxeram a base de conhecimento necessária para compreender

a complexidade do universo da biomassa. Com o avanço

do projeto, essa equipe foi complementada por profissionais

especializados em dados, desenvolvimento de software e

análise de tendências de mercado, ampliando a capacidade de

transformar conhecimento técnico em inteligência aplicada.

O primeiro passo foi construir coletivamente a missão e os objetivos

do projeto. Éramos, naquele momento, ainda bastante

cautelosos no escopo, e foi justamente o avanço do trabalho

que nos revelou a dimensão real do que precisávamos construir.

À medida que buscávamos informações qualificadas para

embasar o projeto, nos deparamos com uma dificuldade que

confirmou a necessidade da iniciativa: a ausência de dados

consistentes e específicos sobre bioeconomia reunidos em

uma única ferramenta. Não havia um ponto de convergência.

A falta de dados consistentes do setor foi determinante

para a criação do sistema?

Essa constatação foi decisiva. Deixou claro que o problema

a ser resolvido era mais profundo do que imaginávamos

inicialmente, e que a Plataforma precisava ser construída com

rigor metodológico desde a sua base. O processo de desenvolvimento

foi organizado em duas fases principais. Na primeira,

realizamos um mapeamento abrangente das fontes de dados

disponíveis, cobrindo a produção agropecuária e pesqueira,

os resíduos industriais e domésticos, além das empresas

atuantes no setor, todas geolocalizadas. Era fundamental

saber o que existia, onde estava e em que volume, antes de

qualquer outra decisão. Na segunda fase, avançamos para a

coleta e a curadoria desses dados, processo que exigiu critério

e atenção técnica rigorosa. A partir daí, desenvolvemos os

painéis de visualização, o layout do ambiente digital e, finalmente,

realizamos a publicação da Plataforma no evento do

South Summit, abril/2025. Em paralelo a todo esse processo,

os próprios especialistas em biomassa da equipe atuaram na

validação contínua das informações e das visualizações produzidas,

garantindo que a inteligência gerada tivesse respaldo

técnico e científico sólido. Do início ao fim, o processo levou

other regions and countries. For me, acting locally with this global

awareness is an essential part of the responsibility of those

leading innovation today.

What steps did the development process actually

follow?

The process began in a deliberate and structured manner.

Based on a project called Bioeconomy - Senai (RS) in partnership

with UFSM, we formed a team of technical and scientific specialists,

including chemists, food engineers, economists, and others,

who understood the complexity of the biomass universe. As the

project progressed, we supplemented this team with professionals

specializing in data, software development, and market

trend analysis. This expanded our capacity to transform technical

knowledge into applied intelligence. First, we collectively

defined the project’s mission and objectives. Initially, we were

quite cautious about the scope, but as the work progressed, we

realized the true scale of what we needed to build. As we sought

reliable information to support the project, we encountered a

challenge that confirmed the need for the initiative: the lack of

consistent, specific data on the bioeconomy gathered in a single

tool. There was no single point of convergence.

Was the lack of consistent data on the Sector a key

factor in creating the system?

This finding was decisive. It made it clear that the problem

to be solved was more profound than we had initially imagined,

and that the Platform needed to be built with methodological

rigor from the ground up. The development process was organized

into two main phases. In the first phase, we conducted a

comprehensive mapping of available data sources, including

agricultural, livestock, and fishing production; industrial and

household waste; and companies operating in the Sector, all of

which were geolocated. It was essential to know what existed,

where it was, and in what volume, before making any other

decisions. In the second phase, we moved on to collecting and

curating this data, a process that required careful judgment

A Plataforma de Biomassa

opera como um instrumento

de governança da inovação,

conectando governo, academia,

indústria, produtores rurais e

cooperativas em torno de um

objetivo comum

aproximadamente um ano. Um prazo que reflete não apenas

a complexidade técnica envolvida, mas o compromisso com a

qualidade que norteou cada etapa da construção.

Qual o objetivo da plataforma?

É transformar dados dispersos em inteligência estratégica.

O Rio Grande do Sul possui um potencial enorme em biomassa,

mas esse potencial ainda é, em grande medida, invisível

para o mercado, para os investidores e para os formuladores

de políticas públicas. A Plataforma existe para mudar isso.

Nosso propósito é mapear, qualificar e dar visibilidade ao que

o Estado realmente tem a oferecer, conectando quem gera

biomassa, como produtores rurais, agroindústrias e cooperativas,

com quem pode utilizá-la para geração de energia,

produção industrial ou desenvolvimento de novos negócios.

Mais do que cruzar dados, queremos reduzir as incertezas técnicas

e econômicas que hoje travam a tomada de decisão em

projetos de bioenergia e bioprodutos. Incerteza é o principal

inimigo do investimento, e a informação qualificada é a melhor

resposta a ela. Mas o objetivo vai além do mercado imediato. A

Plataforma foi concebida para ser um instrumento de apoio à

formulação de políticas públicas, oferecendo ao governo uma

base sólida para decisões de planejamento energético, desenvolvimento

regional e transição para uma economia de baixo

carbono. Quando o poder público decide com mais informação,

os resultados para a sociedade são melhores. Há também

uma dimensão cultural nessa iniciativa. Queremos consolidar

uma nova mentalidade produtiva: a de que biomassa residual,

tanto a partir do cultivo, como do processamento da biomassa,

são ativos estratégicos, não passivos a serem descartados. Essa

mudança de perspectiva é fundamental para que o ecossistema

de bioinovação se desenvolva com solidez e perenidade.

No conjunto, o que buscamos é criar as condições concretas

para que o Rio Grande do Sul avance de forma consistente na

bioeconomia, posicionando o Estado não apenas como produtor

de matéria-prima, mas como protagonista na geração de

valor, conhecimento e soluções sustentáveis para a indústria

nacional e global.

Como é feita a manutenção é a alimentação de dados?

Seguem uma metodologia estruturada, com governança

técnica e validação contínua. Trabalhamos com duas frentes

complementares. A primeira é o uso de dados secundários,

oriundos de bases abertas e oficiais, que passam por processos

de coleta, tratamento, padronização, cruzamento estatístico e

organização georreferenciada antes de entrarem na Plataforma.

Esse fluxo garante consistência metodológica, comparabilidade

e atualização periódica. A segunda frente envolve dados

primários, obtidos diretamente em campo junto a produtores,

associações e atores das cadeias produtivas, em um trabalho

conduzido por pesquisadores parceiros em articulação com

and rigorous technical attention. From there, we developed the

visualization dashboards, the layout of the digital environment,

and finally launched the Platform at the South Summit event in

April 2025. In parallel with this process, the team’s own biomass

experts continuously validated the information and visualizations

produced, ensuring that the intelligence generated had

solid technical and scientific backing. From start to finish, the

process took approximately one year, a timeline that reflects not

only the technical complexity involved but also the commitment

to quality that guided every stage of development.

What is the objective of the platform?

To transform scattered data into strategic intelligence. The

State of Rio Grande do Sul has enormous biomass potential,

yet it remains largely invisible to the market, investors, and

policymakers. The Platform exists to change that. We aim to

map, qualify, and highlight the State’s offerings, connecting

biomass generators, such as rural producers, agribusinesses,

and cooperatives, with those who can use biomass for energy

generation, industrial production, or developing new businesses.

We aim to do more than just cross-reference data; we also

aim to reduce the technical and economic uncertainties that

currently hinder decision-making in bioenergy and bioproducts

projects. Uncertainty is the main enemy of investment, and

reliable information is the best response to it. However, our

goal extends beyond the immediate market. The Platform was

designed to support the formulation of public policy, providing

the government with a solid foundation for decision-making on

energy planning, regional development, and the transition to a

low-carbon economy. When public authorities make decisions

with more information, the results for society are better. There is

also a cultural dimension to this initiative. We aim to promote a

new, productive mindset that views residual biomass, whether

from cultivation or processing, as a valuable resource rather

than a waste product. This shift in perspective is essential for

developing a robust and sustainable bioinnovation ecosystem.

Ultimately, our goal is to establish the conditions that will allow

Rio Grande do Sul to advance in the bioeconomy consistently.

We want to position the State not only as a producer of raw materials

but also as a leader in generating value, knowledge, and

sustainable solutions for national and global industries.

How are data maintenance and input handled?

We follow a structured methodology with technical governance

and continuous validation. We work on two complementary

fronts. First, we collect, process, standardize, statistically

cross-check, and georeferentially organize secondary data from

open and official databases before entering it into the platform.

This workflow ensures methodological consistency, comparability,

and periodic updates. The second involves primary data

obtained directly from producers, associations, and actors in

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

21



ENTREVISTA

a equipe técnica do Senai (RS). Esse levantamento é decisivo,

porque valida estimativas, qualifica volumes e esclarece aspectos

logísticos e operacionais que muitas vezes não aparecem

nas bases públicas. Na prática, a Plataforma é mantida de

forma contínua. Isso inclui atualização de bases secundárias

conforme novas publicações oficiais, revisão técnica recorrente

e expansão progressiva do levantamento de dados primários.

É essa combinação entre fonte pública estruturada e validação

em campo, que sustenta a confiabilidade da Plataforma e permite

que ela evolua junto com a dinâmica real do setor.

Qual o papel do Senai (RS) neste processo?

Vai além da liderança técnica. Ele é um papel de responsabilidade

institucional diante de um momento histórico que

exige protagonismo. Em um país com o potencial que o Brasil

tem em bioeconomia, não basta reconhecer as oportunidades.

É preciso ter a capacidade de estruturá-las, e é exatamente isso

que nos cabe fazer. Desde a concepção do projeto, assumimos

a responsabilidade pela estruturação metodológica, tecnológica

e estratégica da Plataforma. Somos uma instituição com

cultura orientada a dados, com profissionais especializados em

ciência de dados, análise estatística, georreferenciamento e

gestão de tecnologia da informação. Essa capacidade instalada

nos permite não apenas coletar informações, mas transformá-

-las em inteligência aplicável. Há uma diferença decisiva entre

ter dados e saber o que fazer com eles, e é precisamente nesse

espaço que a entidade atua. A isso se soma a participação ativa

das nossas equipes de pesquisa e da universidade parceira,

a Ufsm, que contribuem para a produção e a validação dos

dados técnico-científicos. Essa integração entre competência

tecnológica e rigor científico é o que diferencia a Plataforma de

uma simples base de dados, consolidando-a como uma ferramenta

de inteligência territorial de alto valor estratégico para

o Estado. O resultado dessa combinação é uma plataforma

capaz de apoiar decisões de investimento, orientar políticas

públicas, impulsionar projetos de bioenergia e fomentar o desenvolvimento

de novos bioprodutos. Mas o que está em jogo

aqui é maior do que a Plataforma em si. O que está em jogo é o

posicionamento do Rio Grande do Sul como ator relevante na

transição para uma economia de baixo carbono. E o Senai (RS),

ao liderar essa iniciativa, reafirma sua função histórica: ser o elo

entre conhecimento, inovação e desenvolvimento industrial, a

serviço da sociedade e do futuro que precisamos construir.

Qual a representatividade do setor de biomassa na

indústria gaúcha?

Ainda está em processo de consolidação em termos de

participação econômica direta e, até o momento, não existe

um dado setorial isolado que o represente de forma autônoma

dentro do PIB industrial do Estado. Mas seria um equívoco

interpretar essa ausência como irrelevância. Ela revela, na

production chains, as part of a study conducted by partner researchers

in coordination with the technical team at Senai (RS).

This survey is crucial because it validates estimates, quantifies

volumes, and clarifies logistical and operational aspects that

often are not included in public databases. In practice, the platform

is maintained continuously. This includes updating secondary

databases in line with new official publications, conducting

periodic technical reviews, and progressively expanding the

primary data collection. The combination of structured public

sources and field validation underpins the platform’s reliability

and allows it to evolve alongside the Sector’s actual dynamics.

What role does Senai (RS) play in this process?

It goes beyond technical leadership. It is an institutionally

responsible role in a historic moment that calls for leadership. In

a country like Brazil, which has great potential in the bioeconomy,

recognizing the opportunities is not enough. We must

have the capacity to structure them, which is precisely what we

are tasked with doing. From the project’s inception, we have

been responsible for structuring the Platform’s methodological,

technological, and strategic aspects. As a data-driven institution,

we are staffed by professionals specializing in data science,

statistical analysis, georeferencing, and information technology

management. This allows us not only to collect information but

also to transform it into actionable intelligence. There is a decisive

difference between having data and knowing what to do

with it, and it is precisely in this space that our entity operates.

Added to this is the active participation of our research teams

and our partner university, UFSM, which contributes to the

production and validation of technical and scientific data. The

integration of technological expertise and scientific rigor sets

the Platform apart from a simple database and establishes it as

a high-strategic-value territorial intelligence tool for the State.

This combination results in a platform capable of supporting

investment decisions, guiding public policies, driving bioenergy

projects, and fostering the development of new bioproducts.

However, the stakes are higher than just the platform itself. Rio

Grande do Sul’s positioning as a key player in the transition to a

low-carbon economy is at stake. By leading this initiative, Senai

(RS) reaffirms its historic role of serving as the link between

knowledge, innovation, and industrial development for the

benefit of society and the future we need to build.

How significant is the Biomass Sector within Rio Grande

do Sul’s Industrial Sector?

It is still consolidating its direct economic participation. To

date, there is no independent sectoral data representing it within

the State’s industrial GDP. However, interpreting this absence

as a sign of irrelevance would be a mistake. In fact, it reveals

the magnitude of the opportunity yet to be realized. Rio Grande

do Sul has structural conditions that few other Brazilian states

verdade, o tamanho da oportunidade que ainda está por ser

capturada. O Estado gaúcho reúne condições estruturais que

poucos estados brasileiros possuem. Temos um agronegócio

robusto, uma cadeia produtiva florestal consolidada e um volume

expressivo de resíduos agroindustriais e biomassa agrícola

que representam um insumo estratégico para geração energética

e desenvolvimento de novos bioprodutos, como biocombustíveis,

insumos bioquímicos e matérias-primas sustentáveis

para a indústria. Esse conjunto de ativos coloca o Estado em

posição privilegiada para avançar nessa agenda, desde que

haja visão, organização e política pública adequadas. Sinais

concretos desse movimento já estão visíveis. A implantação

de usinas de etanol a partir de cereais e o avanço de refinarias

rumo ao modelo de biorrefinarias demonstram que o interesse

em integrar a biomassa às cadeias industriais como fonte de

energia e matéria-prima inovadora deixou de ser especulativo

e passou a ser operacional. O mercado está se movendo, ainda

que de forma gradual. Há também um alinhamento crescente

entre o setor agroindustrial e as agendas de sustentabilidade,

segurança energética e redução de emissões, o que tem atraído

tanto políticas públicas quanto investimentos privados para

tornar esse mercado mais competitivo e integrado à economia

regional. Esse alinhamento não é acidental. Ele reflete uma

compreensão cada vez mais disseminada de que a transição

produtiva é, ao mesmo tempo, uma necessidade ambiental e

uma vantagem competitiva. De forma pragmática, a biomassa

não é apenas um setor emergente. Ela é um vetor estrutural

de inovação, competitividade e diversificação industrial para

as próximas décadas. Quem se posicionar agora, enquanto

o mercado ainda está sendo estruturado, vai construir uma

vantagem competitiva difícil de ser alcançada por quem entrar

depois.

Qual a principal biomassa do Estado?

A casca de arroz é a biomassa mais emblemática, porque

combina escala produtiva, concentração territorial e uso

já consolidado em projetos de geração. A nossa escala da

rizicultura garante uma oferta relevante de casca de arroz, que

já deixou de ser vista apenas como resíduo e passou a ocupar

um lugar mais maduro na agenda industrial, como insumo

com potencial de aproveitamento energético e de valorização

em diferentes rotas tecnológicas. Mas seria um erro reduzir o

potencial do Estado a uma única fonte. A biomassa florestal,

ligada às cadeias de madeira, papel e celulose, é igualmente

estratégica, tanto pela aplicação energética, quanto pela possibilidade

de avançar para rotas de maior valor agregado, como

biorrefino e novos bioprodutos. Um sinal claro dessa direção é

o movimento tecnológico e industrial em torno do processamento

de insumos de origem florestal e resíduos agroflorestais

para gerar combustíveis e componentes com conteúdo

renovável. Por fim, a cadeia da soja também entra nesse mapa

possess. It has a robust Agribusiness Sector, a well-established

forestry production chain, and significant agro-industrial waste

and agricultural biomass. These resources are strategic inputs

for generating energy and developing new bioproducts, such as

biofuels, biochemicals, and sustainable industrial raw materials.

These assets put the State in a favorable position to advance

this agenda, provided there is adequate vision, organization,

and public policy. Concrete signs of this movement are already

visible. The construction of ethanol plants that use cereals and

the conversion of refineries into biorefineries demonstrate that

integrating biomass into industrial chains as an energy source

and an innovative raw material is no longer speculative, but

operational. The market is changing, albeit gradually. Additionally,

there is a growing alignment between the Agroindustrial

Sector and the agendas of sustainability, energy security, and

emissions reduction. This alignment has attracted public policies

and private investments, making the market more competitive

and integrated into the regional economy. This alignment is no

accident. It reflects the increasingly widespread understanding

that the productive transition is an environmental necessity and

a competitive advantage. In practical terms, biomass is more

than just an emerging sector. Rather, it is a structural driver of

innovation, competitiveness, and industrial diversification for

the coming decades. Those who establish themselves now, while

the market is still developing, will gain a competitive advantage

that will be hard for others to match later on.

What is the State’s primary biomass resource?

Rice husks are the most emblematic source of biomass

because they are produced on a large scale, are concentrated in

specific regions, and are already used in power generation projects.

Our extensive rice cultivation ensures a substantial supply

of rice husks. Rice husks are no longer considered waste; rather,

they have become a prominent part of the industrial agenda as

a feedstock with potential for energy utilization and value creation

across various technological pathways. However, it would

be a mistake to limit the State’s potential to a single source.

Forest biomass, linked to the Forestry, Paper, and Pulp Sectors, is

A ausência de dados

consistentes e específicos

sobre bioeconomia reunidos

em uma única ferramenta

confirmou a necessidade da

iniciativa

22 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

23



ENTREVISTA

com peso, especialmente pelos resíduos e subprodutos do

processamento agroindustrial, que têm potencial tanto para

bioenergia quanto para o desenvolvimento de bioprodutos.

Na prática, o diferencial competitivo do Rio Grande do Sul está

na combinação entre volume, diversidade e logística, que cria

condições reais para projetos industriais estruturantes. E é

justamente essa visão, por cadeias e por viabilidade territorial,

que orienta a priorização das rotas analisadas nesta fase da

Plataforma de Biomassa do Senai (RS).

De que forma a plataforma contribui para a transição

energética?

Contribui ao fazer um movimento essencial: transformar

um potencial difuso, muitas vezes tratado apenas como possibilidade,

em inteligência prática para orientar decisões. Um

dos maiores entraves da transição é a incerteza. Sem clareza

sobre onde está a biomassa, em que volume, com que regularidade,

com que qualidade e com quais condições logísticas,

bons projetos não saem do papel ou nascem subdimensionados.

Ao organizar, qualificar e dar previsibilidade a essas

informações, a Plataforma cria condições concretas para que

iniciativas de bioenergia e bioprodutos avancem com mais

segurança técnica e econômica. Além disso, a Plataforma tem

um papel de articulação. Ao aproximar produtores, agroindústrias,

cooperativas, investidores e formuladores de políticas

públicas, ela fortalece a diversificação da matriz energética

estadual e acelera a lógica da economia circular, reposicionando

resíduos e subprodutos como ativos estratégicos. Esse tipo

de inteligência territorial também contribui para estruturar cadeias

regionais de energia renovável e soluções mais descentralizadas,

com impacto direto em competitividade industrial

e desenvolvimento regional. No horizonte mais estratégico, a

Plataforma apoia a preparação do Estado para a próxima etapa

da transição energética, que é a integração entre bioenergia

e rotas de biorrefino. O avanço industrial de tecnologias que

incorporam insumos de biomassa e resíduos agroflorestais

para produzir combustíveis e componentes com conteúdo

renovável reforça que o tema já ultrapassou o campo conceitual

e entrou na agenda de transformação produtiva. A Plataforma

atua justamente para dar base técnica e racionalidade

econômica a esse movimento, ajudando a orientar prioridades,

reduzir riscos e acelerar investimentos.

E acerca do funcionamento?

Tenho uma avaliação bastante positiva para esta etapa de

implementação. Conseguimos estruturar uma base de dados

consistente e, sobretudo, avançamos no uso predominante

de informações secundárias públicas para a incorporação de

dados primários obtidos diretamente com produtores e entidades

do setor. Esse movimento elevou de forma significativa

a qualidade, a confiabilidade e a utilidade prática das análises

equally strategic for energy applications and advancing toward

higher-value pathways, such as biorefining and new bioproducts.

This is evident in the technological and industrial shift

toward processing forest-based inputs and agroforestry residues

to produce renewable fuels and components. Finally, the soybean

supply chain plays a significant role in this landscape due to

processing residues and byproducts, which have potential applications

in bioenergy and bioproduct development. Rio Grande

do Sul’s competitive edge lies in its ability to combine volume,

diversity, and logistics to create real conditions for structural

industrial projects. This vision, based on supply chains and territorial

viability, guides the prioritization of the routes analyzed in

this phase of the Senai (RS) Biomass Platform.

How does the Platform contribute to the energy transition?

It contributes by performing a crucial function: transforming

a diffuse potential, often treated merely as a possibility, into

practical intelligence to guide decision-making. One of the biggest

obstacles to the transition is uncertainty about where the

biomass is located, in what volume, with what regularity, what

quality, and under what logistical conditions. Good projects

never get off the ground or are launched on too small a scale.

By organizing, qualifying, and providing predictability to this

information, the Platform creates concrete conditions for bioenergy

and bioproduct initiatives to move forward with greater

technical and economic certainty. Furthermore, the Platform

plays a coordinating role. By bringing together producers, agribusinesses,

cooperatives, investors, and public policymakers, it

strengthens the diversification of the State’s energy matrix. It accelerates

the circular economy model, repositioning waste and

byproducts as strategic assets. This type of territorial intelligence

also helps structure regional renewable energy chains and more

decentralized solutions, directly impacting industrial competitiveness

and regional development. From a more strategic

perspective, the Platform supports the State’s preparation for the

next stage of the energy transition: the integration of bioenergy

and biorefinery pathways. The industrial advancement of

technologies that incorporate biomass inputs and agroforestry

residues to produce fuels and components with renewable content

underscores that the topic has moved beyond the conceptual

realm and entered the agenda for productive transformation.

The Platform acts precisely to provide a technical foundation

and economic rationale for this movement, helping to guide

priorities, reduce risks, and accelerate investments.

How is it working?

I have a very positive assessment of this implementation

phase. We have built a consistent database and, most importantly,

have transitioned from relying primarily on secondary

public data to incorporating primary data obtained directly

24 www.REVISTABIOMAIS.com.br



ENTREVISTA

entregues pela Plataforma. Hoje, a Plataforma já cumpre o

papel para o qual foi concebida: organizar, qualificar e tornar

acessível um conjunto de informações estratégicas para o

ecossistema de bioenergia e bioprodutos no Estado gaúcho.

Ao mesmo tempo, por ser uma iniciativa viva e em evolução,

seguimos em aprimoramento contínuo. Estamos ampliando

cadeias mapeadas, refinando visualizações e evoluindo funcionalidades

analíticas, sempre guiados pelo retorno de parceiros

institucionais e do setor produtivo. A Plataforma já se consolida

como ferramenta estratégica, com espaço claro para ganhar

sofisticação nos próximos ciclos.

Qual expectativa com a Plataforma?

Que se consolide como referência em inteligência territorial

sobre biomassa no Estado, apoiando decisões do setor

público e, principalmente, da indústria. Para isso, queremos

ampliar continuamente a base de dados primários, incorporar

novas cadeias produtivas e evoluir o nível de análise, com uma

plataforma cada vez mais integrada, comparável e orientada

a oportunidades concretas. Do ponto de vista estratégico,

esperamos que essa inteligência se traduza em mais investimento,

mais projetos estruturantes e maior valor agregado

no território. A bioeconomia só se sustenta quando ela vira

competitividade industrial, e a Plataforma existe para ajudar a

construir esse caminho. No médio e longo prazo, a nossa ambição

é que ela seja um instrumento estruturante da transição

energética no estado, contribuindo para descarbonização,

segurança energética e posicionamento do Rio Grande do Sul

como referência nacional em bioinovação.

from producers and industry entities. This shift has significantly

improved the quality, reliability, and practical usefulness of the

analyses provided by the platform. The platform already fulfills

its intended role of organizing, qualifying, and making accessible

strategic information for the bioenergy and bioproducts

ecosystem in the State of Rio Grande do Sul. At the same time,

as a living, evolving initiative, we are continuously improving

it. We are expanding mapped supply chains, refining visualizations,

and enhancing analytical capabilities, guided always by

feedback from institutional partners and the Productive Sector.

The Platform has already established itself as a strategic tool

with room to become more sophisticated in the future.

What are your expectations for the Platform?

We expect it to establish itself as a leading source of regional

biomass intelligence, supporting decision-making in the Public

Sector and Industry. To achieve this, we plan to continuously

expand the primary database, incorporate new production

chains, and improve the level of analysis. We want the Platform

to be increasingly integrated, comparable, and focused on concrete

opportunities. Strategically, we hope this intelligence will

translate into increased investment, infrastructure projects, and

added regional value. The bioeconomy is sustainable only when

it translates into industrial competitiveness, and the Platform

exists to pave that path. In the medium and long term, we aspire

for the Platform to serve as a structural instrument for the State’s

energy transition, contributing to decarbonization and energy

security while positioning Rio Grande do Sul as a national benchmark

in bioinnovation.

Alta performance em

produção de biomassa

Tecnologia e robustez para transformar resíduos florestais em

energia sustentável. Dedicação na produção e processamento

de biomassa com qualidade diferenciada.

Há previsão de ampliar o uso dessa Plataforma, ou

levar o modelo para outros Estados?

Sim, há previsão de ampliação. A Plataforma foi concebida

com arquitetura escalável justamente para permitir evolução

contínua, tanto em funcionalidades quanto em abrangência

territorial. Neste momento, nosso foco é consolidar o modelo

no Estado, ampliando o mapeamento com dados primários,

incorporando novas cadeias e fortalecendo as ferramentas de

análise e inteligência. Em paralelo, já trabalhamos na replicação

do modelo em nível nacional, iniciando com a consolidação

de bases secundárias de acesso público para ampliar

rapidamente a cobertura territorial e oferecer uma visão

estruturada do potencial de biomassa no Brasil. Também já

recebemos manifestações de interesse de outros estados para

aprofundar essa expansão. O que torna o modelo replicável é a

combinação entre metodologia técnica, governança institucional

e uso estratégico de dados. A partir da consolidação no Rio

Grande do Sul e dessa primeira expansão nacional, a perspectiva

é estruturar parcerias para ampliar o alcance e fortalecer, de

forma coordenada, a bioeconomia brasileira.

Are there plans to expand the Platform’s use or take the

model to other States?

Yes, there are plans for expansion. The Platform was designed

with a scalable architecture to allow continuous evolution

in functionality and territorial scope. Currently, we are focusing

on consolidating the model within the State, expanding the mapping

with primary data, incorporating new supply chains, and

strengthening the analysis and intelligence tools. In parallel, we

are working to replicate the model nationally, beginning with

consolidating publicly accessible secondary databases to rapidly

expand territorial coverage and provide a structured view of Brazil’s

biomass potential. Other states have also expressed interest

in furthering this expansion. The model is replicable due to its

combination of technical methodology, institutional governance,

and strategic use of data. Building on our consolidation in

Rio Grande do Sul and this initial national expansion, the plan is

to establish partnerships to broaden our reach and strengthen

the Brazilian bioeconomy in a coordinated manner.

Eficiência que

move a energia

do agro

26 www.REVISTABIOMAIS.com.br



PRINCIPAL

BIOMASSA

NATIVA

GRANDE DEMANDA PELO SUPRIMENTO FEZ

EMPRESA DEIXAR A SERRARIA PARA ATUAR

EXCLUSIVAMENTE COM BIOMASSA

FOTOS DIVULGAÇÃO

NATIVE WOOD

BIOMASS

A COMPANY LEFT THE SAWMILL

BUSINESS DUE TO HIGH DEMAND

FOR BIOMASS AND NOW

FOCUSES EXCLUSIVELY ON IT

O

norte do Mato Grosso é um dos grandes polos de

desenvolvimento do Brasil e o setor florestal tem

contribuído para esse crescimento sustentável. O

setor de biomassa ganhou impulso nos últimos

anos com a instalação de grandes agroindústrias na região.

A Lignum Biomassa, sediada em Sinop (MT), contemplada

com o Prêmio REFERÊNCIA Melhores do Ano em 2025, é uma

das empresas que vem se destacando no setor, gerando um

combustível limpo e eficiente que abastece caldeiras de vapor

usadas na agroindústria de transformação. A demanda por

volume de combustível de biomassa em todo o Mato Grosso

teve um crescimento exponencial na última década. Para se ter

uma idéia, somente uma planta, que foi construída na região

de Sinop e começou operar em 2018, já consome diariamente

cerca de 12 mil m³ (metros cúbicos) de cavaco e subprodutos

como pó de serra, o que representa cerca de 100 carretas do

Modelo LS por dia.

N

orthern Mato Grosso is one of Brazil’s major

development hubs, and the Forestry Sector

has contributed to its sustainable growth. In

recent years, the Biomass Sector has gained

momentum with the establishment of large agro-industrial

companies in the Region. Headquartered in Sinop

(MT), Lignum Biomassa is one of the companies that has

stood out in the Sector. The Company received the RE-

FERÊNCIA Best of the Year Award in 2025 and produces

a clean, efficient fuel that powers steam boilers used in

the food processing industry. Demand for biomass fuel

in Mato Grosso has grown exponentially over the past

decade. For example, one plant built in the Sinop Region,

which has been operational since 2018, already consumes

approximately 12,000 cubic meters of wood chips

and byproducts, such as sawdust, daily. This amounts to

about 100 LS-model trucks per day.

28 www.REVISTABIOMAIS.com.br

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

29



PRINCIPAL

Diferente de muitos empresários da região, Wander Hoeger,

diretor executivo e proprietário da Lignum Biomassa, não

é de família de madeireiros, nasceu em Sinop e cursou engenharia

florestal pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso),

onde formou-se em 2005, e logo após atuou como consultor

na área. Se interessou pelo setor madeireiro e em 2011

abriu uma pequena serraria. Após alguns anos já operava duas

unidades de produção na cidade de Sinop, e em 2019 iniciou

a trajetória na biomassa, com a transformação dos resíduos da

serraria em cavacos. Após a pandemia de Covid-19, as vendas

da serraria caíram e então decidiu focar no mercado de biomassa,

e iniciou a operação florestal em 2022. “O aumento da

demanda foi o responsável pela mudança. Até 2021 produzia

cavaco com as sobras da serraria, e não representava muito volume.

Quando aumenta a necessidade de entrega, focamos na

operação na floresta, pois tinha muita madeira sendo desperdiçada”,

lembra Wander.

“O desafio era picar madeira de alta densidade, sair do resíduo

da serraria para implantar operação florestal de supressão

de biomassa, onde encontramos uma variedade de galhos, raízes,

troncos com diâmetros grandes. A indústria de picadores

também evoluiu bastante, se aperfeiçoou. Quando percebi

que havia máquinas que davam para picar essa biomassa, foi

então que demos essa virada, da serraria para biomassa. Hoje

industrializamos a biomassa em forma de cavaco e enviamos

para usinas de etanol, biodiesel, cimento e até para secagem

de grãos. A serraria foi fechada porque para crescer não é só

investimento, precisa também de dedicação para o negócio”,

completa Wander Hoeger.

Unlike many business owners in the Region, Wander

Hoeger, Chief Executive and Owner of Lignum Biomassa,

does not come from a family of forest workers. Born

in Sinop, he studied forestry engineering at the Federal

University of Mato Grosso (UFMT), graduating in 2005.

Shortly thereafter, he began working as a consultant in

the field. Becoming interested in the forest industry, he

opened a small sawmill in 2011. Within a few years, he

was operating two production facilities in Sinop. In 2019,

he began converting sawmill waste into wood chips,

marking his entry into the biomass market. After sales at

the sawmill dropped due to the Covid-19 pandemic, he

decided to focus on the biomass market and began forestry

operations in 2022. “The increase in demand drove

this change,’ he said. Until 2021, the Company produced

wood chips from sawmill scraps, but the volume was minimal.

When the demand increased, we shifted our focus

to forestry operations because a lot of wood was being

wasted,” Hoeger recalls.

“The challenge was chipping high-density wood

and transitioning from sawmill waste to a forestry operation

for biomass harvesting. We encountered a variety

of branches, roots, and large-diameter logs. The chipper

industry has also evolved significantly. I realized there

were machines capable of chipping this biomass when

we shifted from sawing to producing biomass. Today, we

process the biomass into wood chips and ship them to

ethanol, biodiesel, and cement plants, as well as to grain

drying facilities. We closed the sawmill because growth

Até 2021 produzia

cavaco com as

sobras da serraria,

e não representava

muito volume.

Quando aumenta

a necessidade de

entrega, focamos na

operação na floresta

Wander Hoeger,

diretor executivo

O desafio era picar madeira

de alta densidade. A indústria

de picadores também evoluiu

bastante, se aperfeiçoou.

Quando percebi que havia

máquinas que davam para

picar essa biomassa, foi então

que demos essa virada, da

serraria para biomassa

Wander Hoeger,

diretor executivo

CADEIA PRODUTIVA SUSTENTÁVEL

Em sua operação, a Lignum contribui para economia circular

e sustentabilidade do agronegócio. “A própria legislação

ambiental do Mato Grosso, em 2022, teve uma alteração importante

que inseriu diretrizes para que a supressão também

pudesse ser contemplada no plano de suprimentos de biomassa

para indústria. E isso ajudou para que o mercado evoluísse.

Vimos que tinha espaço para trabalhar”, afirma Alexandre Vian,

diretor de operação da Lignum Biomassa, que começou a trabalhar

com o Wander ainda na serraria em 2021, e participou

da transição da empresa para atuação no setor de biomassa.

“A mão de obra foi uma das dificuldades que encontramos.

Conseguimos agregar pessoas que já estavam na região, que

tinham vindo de outros Estados para trabalhar com supressão

nas instalações das usinas no rio Teles Pires, e também fomos

buscar mão de obra em outros Estados do país. Um exemplo

foi a região do Amapá na cidade Laranjal do Jari, por lá houve

o fechamento de uma empresa de celulose e deixou muitos

trabalhadores, que já tinham experiência na aérea florestal

desempregados, com isso viram na região uma alternativa

de continuar no mesmo ramo e também de buscar um futuro

melhor para sua família no norte de Mato Grosso. Muitos

deles trouxeram suas famílias e não pensam em voltar nesse

momento. Atualmente, temos uma mescla de funcionários de

várias regiões do país, temos uma equipe muito determinada,

com pessoas que agregam muito na operação”, destaca Alexandre.

requires more than just investment; it also requires dedication

to the business,” adds Hoeger.

SUSTAINABLE SUPPLY CHAIN

Through its operations, Lignum contributes to the

circular economy and the sustainability of agribusiness.

In 2022, Mato Grosso’s environmental legislation underwent

a significant change, introducing guidelines that

included forest clearing in the biomass supply plan for industry.

This helped the market evolve. We saw an opportunity

to expand,” says Alexandre Vian, Lignum Biomassa’s

Director of Operations, who started working with

Hoeger at the sawmill in 2021 and helped the company

transition to the Biomass Sector.

“Labor was one of the challenges we faced. We brought

in people who were already in the Region, who had

come from other states to clear the plant sites along the

Teles Pires River, and we also sought labor from other states

across the Country. For example, we recruited workers

from the city of Laranjal do Jari in the Amapá Region,

where a pulp mill had closed, leaving many experienced

forestry workers unemployed. They saw the Region as an

opportunity to continue working in the same field and to

build a better future for their families in northern Mato

Grosso. Many of them brought their families and have no

plans to return at this time. Currently, we have a mix of

employees from various regions of the Country. We have

30

www.REVISTABIOMAIS.com.br

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 31



PRINCIPAL

A Lignum atua em toda cadeia produtiva, desde a operação

no campo, passando pelo processamento de alto rendimento,

até a entrega final em grandes indústrias. Com equipamentos

de ponta e equipe especializada, a empresa entrega cavacos

de madeira de origem nativa com alto padrão, com foco em

qualidade, economia e pontualidade.

Na época da serraria a empresa contava com cerca de 15

funcionários, agora na biomassa já são mais de 70 funcionários

e a equipe não para de crescer. O processo é todo mecanizado,

com os picadores na ponta do negócio, o emprego de tratores,

carretas florestais, garras para içamento, pinças de alimentação,

de carregamento, caminhões de piso móvel para entrega.

A empresa tem frota própria para entrega do produto aos

clientes.

A Lignum, assim como a região de Sinop, vem aumentando

sua produção. Com isso novas oportunidades vêm surgindo

através de novas plantas de biocombustíveis e também o

aumento da capacidade instalada das plantas que já existem.

Para atender a demanda, a Lignum busca firmar parcerias e

crescer, com constante aperfeiçoamento de máquinas e mão

de obra, para continuar entregando um combustível de qualidade

para seus clientes.

SUPRESSÃO LEGALIZADA

Wander explica que a supressão acontece nos 20% de área

manejada, conforme é previsto na legislação. Depois que é retirada

a madeira para indústria madeireira é que se aproveita

a biomassa.

a very determined team with people who contribute

greatly to the operation,” Vian notes.

Lignum operates across the entire production chain,

from field operations to high-efficiency processing and

final delivery to large industrial clients. With state-of-the-

-art equipment and a specialized team, Lignum supplies

high-quality chips from native wood sources. The Company

focuses on quality, cost-effectiveness, and timely

delivery.

During the sawmill era, Lignum had about 15 employees.

Now, in the Biomass Sector, the Company has

more than 70 employees, and the team continues to

grow. The entire process is mechanized, with chippers at

the forefront of operations. They utilize tractors, forestry

trailers, lifting grapples, feeding and loading clamps, and

moving-floor trucks for delivery. Lignum has its own fleet

for delivering products to customers.

Like the Sinop Region, Lignum has been increasing its

production. Consequently, new opportunities are emerging

through the development of new biofuel plants and

the expansion of existing installed capacity. To meet this

demand, Lignum is seeking to establish partnerships, improve

its machinery, and expand its workforce to continue

delivering high-quality fuel to its customers.

LEGALIZED CLEARING

As required by law, Hoeger explains that clearing can

only occur on 20% of the managed area. After the forest

A própria legislação

ambiental de Mato

Grosso, em 2022,

teve uma alteração

importante que

ajudou para que o

mercado de biomassa

evoluísse

Alexandre Vian,

diretor de operação

A Lignum atua na retirada dos resíduos florestais da área

e na produção do cavaco de madeira de origem nativa. “Atuamos

em duas frentes de atividade comercial, tanto na indústria

para venda do cavaco, e também com o produtor rural, que

tem a área disponível para realização da supressão e a mecanização

agrícola, para que ele venda o material, a biomassa que

ele tem que dar uma destinação. Com esse trabalho fazemos

supressão das madeiras que não têm valor comercial, transformamos

em cavaco e deixamos a área de uma forma que o

produtor possa usar. Com isso estamos reduzindo as queimadas

desse material e a emissão de fumaça para as cidades que

estão próximas a propriedade, reduzindo inclusive problemas

de saúde na população com a chegada dessa fumaça”, aponta

o empresário.

Com o aumento da demanda e abertura de novos negócios

em torno da biomassa nativa a área para exploração acaba se

expandindo. “Cada vez mais a biomassa nativa vai ficando mais

longe das indústrias, porque as áreas passíveis para abertura

vão se distanciando. É difícil dizer por quanto tempo teremos

biomassa nativa, porque tem muitas variáveis, mas sabemos

que é necessário o plantio de florestas”, alerta Wander.

“A agenda mundial pela transição energética e os caminhos

da industrialização de Mato Grosso também trazem desafio

para biomassa. Mas vejo que temos áreas disponíveis para

ter florestas plantadas no Estado, para atender a demanda por

biomassa do futuro”, acredita Alexandre Vian.

“Estamos aproveitando a biomassa nativa, mas o futuro da

Lignum passa por florestas plantadas. Precisamos plantar para

se perpetuar nesse ramo. É uma direção que temos, para investimento

em plantação de floresta”, conclui Wander Hoeger.

is harvested for the timber, the remaining biomass is utilized.

Lignum is involved in removing forest residues and

producing chips from native wood sources. “We operate

in two commercial sectors: the wood chip industry and

rural producers with land available for clearing and agricultural

mechanization. They sell us the biomass they

need to dispose of. Through this work, we clear wood

with no commercial value, turn it into wood chips, and leave

the area ready for the farmer to use. This reduces the

burning of this material and smoke emissions to nearby

cities, which reduces health problems caused by smoke,”

notes entrepreneur Hoeger.

As demand increases and new businesses centered

on native wood biomass emerge, the area for exploitation

continues to expand. “Sources of native wood biomass

are becoming increasingly distant from industries

because the areas suitable for clearing are moving further

away. It is hard to say how long we will have access

to these areas because there are many variables, and we

know that planting forests is becoming necessary,” Hoeger

warns. “The global agenda for energy transition and

the path of industrialization in Mato Grosso also pose

challenges for biomass. However, I believe that we have

available areas in the State for planted forests to meet

future biomass demand,” says Vian.

“We are utilizing native wood biomass, but Lignum’s

future lies in planted forests. We need to plant in order to

sustain ourselves in this sector. It is the direction in which

we are investing in forest planting,” concludes Hoeger.

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33



TECNOLOGIA

MOAGEM POR

IMPACTO AUMENTA O

RENDIMENTO DE

BIOGÁS

TRITURADORES DE BIOMASSA, COM O PRINCÍPIO

DE TRITURAÇÃO POR IMPACTO COM TECNOLOGIA

DE MOINHO DE MARTELO, REVELAM-SE

VANTAJOSOS EM RELAÇÃO AOS MÉTODOS DE

CORTE E CISALHAMENTO

FOTOS DIVULGAÇÃO TIETJEN

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35



TECNOLOGIA

O

biogás é uma solução promissora que

gera energia a partir de resíduos biológicos

e fontes renováveis. No entanto,

o mercado de biogás enfrenta desafios

devido ao aumento dos custos das matérias-primas.

Neste contexto, maximizar a eficiência do digestor

é crucial para alcançar o rendimento ideal de gás e

fazer bom uso dos recursos limitados.

A maximização do rendimento do biogás de

forma econômica, bem como a operação do sistema

sem erros, destaca-se como uma preocupação

primordial para os proprietários de usinas de biogás.

Os requisitos básicos para a operação lucrativa das

usinas de DA (digestão anaeróbica) passam pelo uso

de equipamentos de redução de tamanho antes da

fermentação nas usinas de biogás, o que oferece

vantagens significativas como: melhor utilização

da capacidade do digestor, à medida que o tempo

de retenção diminui; menos biomassa é necessária;

substratos difíceis de processar tornam-se utilizáveis,

por exemplo, estrume sólido; menos camadas

flutuantes.

No campo do processamento de biomassa agrícola,

trituradores de martelo, como o novo triturador

de biomassa BMS da Tietjen, empresa de origem alemã,

aumentam significativamente o rendimento do

biogás. Instalados em usinas de DA, os equipamentos

de redução de tamanho proporcionam: operação

sem interrupções; baixo custo de peças de desgaste;

fácil manutenção; alta produtividade.

No campo do

processamento de

biomassa agrícola,

trituradores

de martelo,

aumentam

significativamente

o rendimento do

biogás

Triturador de biomassa BMS

TECNOLOGIA APLICADA

O triturador de biomassa BMS é um dos primeiros

dispositivos de redução de tamanho projetado

especialmente para as necessidades das usinas de

DA. O fluxo contínuo de material é uma característica

marcante do triturador de biomassa BMS da Tietjen.

Seu funcionamento estável é caracterizado por um

design de saída inferior, que permite a fácil descarga

dos materiais processados. Ele garante um processo

sem bloqueios nem obstruções pela formação de

pontes do material processado, garantindo um fluxo

contínuo.

O modelo também se caracteriza por sua adaptabilidade.

Com seus diferentes tipos de martelos, ele

pode ser adaptado de forma flexível para processar

diferentes materiais, tornando-o uma solução para

diferentes necessidades agrícolas. Embora seja necessária

uma manutenção regular para um desempenho

ideal, a facilidade de manutenção reduz o tempo de

inatividade e melhora a eficiência.

O BMS oferece uma porta de abertura ampla que

garante acessibilidade, podendo também ser adaptado

às condições no local, variando a abertura de

manutenção em passos de 90° (graus). O rotor pode

ser facilmente substituído usando uma talha transversal,

opcional. Além disso, os martelos e as peças

de desgaste do rotor podem ser usados em ambos os

lados, resultando em uma operação extremamente

econômica.

A produtividade do triturador de biomassa BMS da

Tietjen atinge até 15 toneladas por hora, permitindo

que o triturador atenda às demandas de processamento

de alto volume, aumentando assim a produtividade

geral nas usinas de DA. A Tietjen oferece o BMS

em dois tamanhos, o BMS 1500 e o BMS1200, para

atender tanto às maiores quanto às menores plantas

de DA.

Os trituradores de biomassa, com o princípio operacional

de trituração por impacto com tecnologia de

moinho de martelo, revelam-se vantajosos em relação

aos métodos de corte e cisalhamento. Como a superfície

específica para a degradação micro bacteriana é

ampliada ao máximo e a estrutura da lignina é destruída

ao máximo, a eficiência do triturador de biomassa

BMS se estende ao manuseio de diversos materiais,

como palha, esterco sólido, capim ou madeira.

Foto: divulgação

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37



SUSTENTABILIDADE

BIOENERGIA

FLORESTAL

PUBLICAÇÃO MOSTRA QUE O SETOR DAS ÁRVORES

CULTIVADAS CORRESPONDE A 12% DA MATRIZ

ENERGÉTICA NACIONAL

FOTOS DIVULGAÇÃO

FOREST BIOENERGY

A REPORT SHOWS THAT THE

PLANTED FOREST SECTOR

ACCOUNTS FOR 12% OF THE

DOMESTIC ENERGY MIX

Fotos: IBÁ - Indústria Brasileira de Árvores

F

onte limpa e renovável, a bioenergia florestal já

responde por 12,09% do consumo energético

brasileiro. Quando se considera apenas o uso

de energia elétrica, os produtos florestais representam

2,69%, uma quantidade suficiente para suprir a

demanda de todas as residências do Estado do Rio de

Janeiro por um ano.

Essas informações fazem parte da publicação: Bioenergia

das árvores cultivadas: energia verde para um

futuro sustentável: produzida pela IBÁ (Indústria Brasileira

de Árvores) em parceria com a EPE (Empresa de Pesquisa

Energética), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa

Agropecuária) e Abtcp (Associação Brasileira Técnica de

Celulose e Papel).

A

s a clean, renewable energy source, forest

bioenergy currently meets 12.09%

of Brazil’s energy consumption needs.

When considering electricity use only,

forest products account for 2.69%, enough to meet

the annual household demand in the State of Rio

de Janeiro.

This information is part of the publication:

Bioenergy from Cultivated Trees: Green Energy for

a Sustainable Future, produced by the Brazilian

Tree Industry (IBÁ) in partnership with the Energy

Research Company (EPE), the Brazilian Agricultural

Research Corporation (Embrapa), and the Brazilian

Technical Association of Pulp and Paper (ABTCP).

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39



SUSTENTABILIDADE

O setor de árvores

cultivadas há décadas

demonstra uma gestão

inteligente dos recursos

naturais, promovendo

o desenvolvimento

sustentável

Paulo Hartung,

presidente da IBÁ

Mas o papel da biomassa florestal vai além: há uma

ampla gama de produtos energéticos, desde os já consolidados,

como carvão vegetal, licor preto, cavacos, pellets e

briquetes, até novas soluções, como o gás de síntese para

hidrogênio de baixo carbono, o biometano e os biocombustíveis

líquidos, incluindo etanol 2G e SAFs. Em termos

ilustrativos, há uma biorrefinaria energética baseada em

árvores cultivadas, com capacidade de escalar e de abrir

oportunidades para a transição de baixo carbono.

“O setor de árvores cultivadas há décadas demonstra

uma gestão inteligente dos recursos naturais. São hoje

10,5 milhões de ha (hectares) destinados à produção de

árvores, além de outros 7,01 milhões de ha de mata nativa

conservada por essa indústria. Somos exemplos de como

é possível produzir e preservar, promovendo o desenvolvimento

econômico sustentável, ao mesmo tempo que zelando

pelo futuro de nosso planeta”, alerta Paulo Hartung,

presidente da IBÁ.

However, the role of forest biomass extends

beyond this. There is a wide range of energy products,

including established ones such as charcoal,

black liquor, wood chips, pellets, and briquettes, as

well as new solutions such as synthesis gas for low-

-carbon hydrogen, biomethane, and liquid biofuels,

such as 2G ethanol and sustainable aviation fuels

(SAFs). For example, an energy biorefinery based on

planted forests can scale up and create opportunities

for the low-carbon transition.

“For decades, the Planted Forest Sector has

demonstrated intelligent management of natural

resources. Currently, 10.5 million hectares are

dedicated to tree production, and this industry conserves

an additional 7.01 million hectares of native

forest. We exemplify how production and preservation

can coexist, while safeguarding the future of

our planet,” notes Paulo Hartung, President of IBÁ.

Acesse a publicação na íntegra

pelo QR Code ao lado:

A bioenergia florestal, derivada de produtos como o

licor preto, carvão vegetal e biomassa lenhosa, é usada

tanto pelo setor de árvores cultivadas como também pela

indústria do país. Trata-se de uma alternativa estratégica

para setores que tradicionalmente dependem de combustíveis

fósseis, como siderurgia e mineração, além de

segmentos como o de biocombustíveis para transporte

terrestre e aéreo.

LÍDER EM CARVÃO

O Brasil é líder mundial na produção de carvão vegetal,

utilizado como fonte de calor para gerar ferro-gusa e ferroligas,

por exemplo. Atua também como agente redutor

do minério de ferro na cadeia produtiva do aço verde,

tornando a siderurgia e metalurgia mais sustentáveis. A

construção de um viaduto com aço verde, por exemplo,

pode poupar a emissão de 4 toneladas de CO2eq em relação

a um viaduto similar, usando coque. Da mesma forma,

a bioenergia florestal se mostra cada vez mais presente na

diversificação da matriz de indústrias como a de cimento,

de plástico, alimentícia e cervejeira.

Forest bioenergy, derived from products such as

black liquor, charcoal, and woody biomass, is used

by both the Planted Forest Sector and the Country’s

industry. It is a strategic alternative for sectors that

traditionally depend on fossil fuels, such as steelmaking

and mining, as well as for biofuels used in

land and air transportation.

CHARCOAL LEADER

Brazil is the world leader in charcoal production.

Charcoal is used as a heat source to produce

pig iron and ferroalloys. Charcoal also acts as

a reducing agent for iron ore in the green steel

production chain, making the steel and metallurgy

industries more sustainable. For example, constructing

a viaduct with green steel can reduce CO2

emissions by 4 tons compared to a similar viaduct

built with coke-derived steel. Similarly, forest

bioenergy is playing an increasingly significant role

in diversifying the energy mix of industries such as

cement, plastics, food, and brewing.

40 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

41



TRANSFORMAÇÃO

BIOMASSA NO

COMBATE A

ERVAS

DANINHAS

CIENTISTAS BRASILEIROS DESENVOLVEM MÉTODO PARA

UTILIZAÇÃO DA BIOMASSA RESIDUAL DE LIGNINA

KRAFT QUE É CAPAZ DE GERAR NANOMATERIAIS PARA

O COMBATE DE PLANTAS DANINHAS

FOTOS DIVULGAÇÃO

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43



TRANSFORMAÇÃO

A

lignina kraft, um dos principais subprodutos

do processo de produção de celulose,

já foi vista por décadas como um resíduo

difícil de aproveitar. Descoberta no século

XIX a partir do cozimento químico da madeira, a lignina

apresenta características que a tornam um recurso

estratégico: estabilidade química, resistência térmica,

propriedades antioxidantes, capacidade de absorver

luz UV, ação antibacteriana e antifúngica, além de ser

biodegradável e substituir com eficiência insumos

derivados do petróleo. Ainda assim, apesar de tanto

potencial, sua implementação em escala industrial

enfrenta desafios, especialmente pela complexidade

estrutural do composto e pelos custos financeiros e

ambientais associados ao seu processamento. Segundo

o Inmetro, menos de 2% da lignina produzida globalmente

é reaproveitada em processos de alto valor

agregado, a maior parte é descartada ou queimada

para geração de energia.

Do ponto de vista

ambiental, o uso

de biomassa vegetal

como base para

nanomateriais herbicidas

diminui a dependência

de insumos derivados

de petróleo, o que

representa um avanço

significativo diante das

pressões globais por

descarbonização

É justamente diante desse cenário que pesquisadores

do INCT NanoAgro (Instituto Nacional de

Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura

Sustentável) avançaram com uma proposta de

transformar lignina kraft em ferramenta de combate a

plantas daninhas. A equipe desenvolveu um método

de fracionamento técnico da biomassa vegetal capaz

de gerar nanomateriais a partir de suas diferentes

frações químicas. Esses nanomateriais atuam como

carreadores de moléculas herbicidas, direcionando o

produto com maior precisão para dentro das plantas

e reduzindo a necessidade de aplicação excessiva no

ambiente. O processo já foi patenteado sob coordenação

do professor Leonardo Fraceto, da Unesp (Universidade

Estadual Paulista) Sorocaba (SP), e representa

um passo significativo para tornar a agricultura mais

eficiente e ambientalmente responsável.

Lignina kraft

Representação simplificada da

molécula da lignina kraft

SOLUÇÃO INOVADORA

A tecnologia desenvolvida pelo INCT NanoAgro

também se destaca por contribuir diretamente para

a economia circular, ao propor valorizar um resíduo

abundante que é majoritariamente descartado. Em

vez de ser queimadas ou eliminadas sem aproveitamento,

como acontece com mais de 98% da lignina

residual no mundo, as frações obtidas pelo novo processo

de fracionamento passam a desempenhar um

papel ativo no ciclo produtivo, retornando à cadeia

industrial com alto valor agregado. Essa mudança de

lógica favorece tanto a redução de impactos ambientais

quanto a criação de novos modelos de negócio,

conectando indústria papeleira, setor químico e

agronegócio.

44 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

45



TRANSFORMAÇÃO

Com isso, a proposta do INCT NanoAgro demonstra

que inovação, ciência e sustentabilidade caminham

juntas. Ao transformar um resíduo complexo

em uma ferramenta tecnológica de alto desempenho,

os pesquisadores reforçam a capacidade da ciência

brasileira de propor soluções eficientes para desafios

ambientais e agronômicos. "Nosso papel como INCT

é comunicar à sociedade como essas pesquisas estão

gerando resultados concretos e dialogar com quem

pode transformar essas descobertas em produtos,

especialmente as empresas do agronegócio", conclui o

professor Leonardo Fraceto.

Do ponto de vista ambiental, o uso de biomassa

vegetal como base para nanomateriais herbicidas

diminui a dependência de insumos derivados de

petróleo, o que representa um avanço significativo

diante das pressões globais por descarbonização. A

lignina kraft, com suas propriedades químicas singulares,

possui características intrínsecas que ampliam

a segurança de uso e minimizam riscos associados à

contaminação de solo e água. Além disso, ao funcionar

como carreador, o nanomaterial permite que

o herbicida seja transportado de forma mais direcionada,

reduzindo perdas por deriva, diminuindo a

dispersão no ambiente e potencialmente reduzindo a

dosagem necessária.

A inovação também dialoga com práticas agrícolas

mais inteligentes e com o desafio crescente de controlar

plantas daninhas de forma eficiente, sem aumentar

a pressão sobre ecossistemas naturais. Outro ponto

relevante é o potencial de escalabilidade e adaptação

da tecnologia. Por ser baseada em uma biomassa

amplamente disponível, especialmente em países

como o Brasil, onde o setor de celulose tem papel de

destaque, a solução tem forte aderência a cadeias

produtivas nacionais. A convergência entre pesquisa

científica e aproveitamento de resíduos industriais cria

condições ideais para que o país se torne referência no

desenvolvimento de insumos agrícolas mais seguros e

sustentáveis.

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47



ARTIGO

GERAÇÃO E USO DE

CAVACOS DE MADEIRA

DE RESÍDUOS FLORESTAIS

FOTOS DIVULGAÇÃO

EMERSON MATEUS BEZERRA DA SILVA

Fatec (Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga)

DANIELA RODOLPHO

Fatec (Faculdade de Tecnologia de Taquaritinga)

RESUMO

A

transição para fontes de energia renováveis

tem se tornado uma prioridade global na

busca por alternativas sustentáveis aos combustíveis

fósseis. Os cavacos de madeira,

derivados de resíduos florestais, emergem como uma

solução promissora para a geração de energia, combinando

viabilidade econômica, eficiência energética e

benefícios ambientais. Este estudo explora detalhadamente

o processo de produção desses cavacos, desde

a coleta da matéria-prima até sua aplicação na geração

de energia térmica e elétrica. Além disso, são analisadas

as implicações ambientais do seu uso, os desafios operacionais

e as perspectivas de crescimento do mercado.

A pesquisa ainda discute políticas públicas, inovações

tecnológicas e estudos de caso de países que lideram a

implementação da biomassa florestal como alternativa

energética.

48 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

49



ARTIGO

INTRODUÇÃO

A crescente preocupação global com a sustentabilidade

e a redução das emissões de gases de efeito

estufa tem impulsionado a busca por alternativas mais

limpas e renováveis aos combustíveis fósseis. Assim, a

biomassa surge como uma solução promissora, capaz

de transformar resíduos orgânicos em energia, reduzir

impactos ambientais e fortalecer a segurança energética

(Silveira, 2019).

A biomassa abrange resíduos agrícolas, florestais

e industriais. Dentre esses, destacam-se os resíduos

florestais, como restos de serrarias, materiais de colheita

e subprodutos da indústria madeireira, que podem ser

convertidos em cavacos de madeira. Esses fragmentos

são utilizados como biocombustível em usinas termelétricas,

caldeiras industriais e sistemas de aquecimento

urbano (Bianchini, 2020).

Esse reaproveitamento impulsiona a economia

circular, ao agregar valor a materiais subutilizados e

reduzir o volume de resíduos destinados a aterros.

Experiências de países como Suécia e Finlândia evidenciam

o papel dos cavacos de madeira na transição para

matrizes energéticas mais sustentáveis, com políticas

públicas eficazes e tecnologias consolidadas (Bianchini,

2020).

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Por que Cavacos de Madeira e como são feitos?

Os cavacos de madeira são fragmentos obtidos de

resíduos florestais e industriais, amplamente utilizados

como biocombustível em razão de sua versatilidade,

disponibilidade e bom desempenho energético. Seu

uso tem crescido consideravelmente em diversos

setores, impulsionado pela busca por fontes renováveis

e pela valorização de resíduos antes subutilizados

(Bianchini, 2020).

Processo de Produção

Para garantir a qualidade e a eficiência do material

final, a produção de cavacos de madeira ocorre em

várias etapas: Coleta de Resíduos Florestais: Biomassa

residual resultante de operações de colheita florestal,

desbaste de plantações e subprodutos industriais, como

cavacos e serragem (Pincelli, 2011). Gerenciar eficiência

esse processo é crucial para minimizar os custos e garantir

que as matérias-primas não se deteriorem antes

do processamento.

Com base na interpretação de

dados, revisão bibliográfica

e estudos de caso do Brasil

e do exterior, constata-se

que os cavacos de madeira

representam uma alternativa

energética robusta, com

elevado potencial de

integração à matriz energética

sustentável

METODOLOGIA DE PESQUISA

No estudo, adotou-se uma abordagem que combina

métodos qualitativos e quantitativos para entender

melhor a produção e o uso dos cavacos de madeira provenientes

de resíduos florestais. O foco foi analisar sua

eficiência energética e contribuição para a sustentabilidade.

Para isso, seguimos quatro estratégias principais:

Pesquisa bibliográfica: buscamos embasamento

teórico a partir da análise de artigos científicos, dissertações

acadêmicas, livros e relatórios técnicos. Isso nos

permitiu compreender melhor os avanços tecnológicos,

os impactos ambientais e as previsões econômicas da

biomassa derivada de cavacos de madeira.

Estudo de casos reais: investigamos experiências

concretas de países que já utilizam biomassa florestal

como fonte de energia, incluindo Suécia, Finlândia e

Brasil. Comparar as políticas impostas por esses países

nos ajudou a identificar vantagens e desafios no uso da

biomassa para geração de energia.

EQUIPAMENTOS

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BIOMASSA

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50 www.REVISTABIOMAIS.com.br REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

51



ARTIGO

Apesar das vantagens, ainda existem desafios a

superar. A logística de transporte, os custos de implantação

e a falta de políticas públicas consistentes limitam

o avanço da biomassa no Brasil. No entanto, experiências

internacionais demonstram que, com planejamento

estratégico, apoio institucional e investimento em

tecnologia, essas barreiras podem ser superadas.

Diante desse cenário, os cavacos de madeira têm

potencial para deixar de ser um subproduto da indústria

e se tornarem uma peça central na transição para

uma matriz energética mais limpa. Com ações coordenadas

entre governo, setor produtivo e sociedade,

é possível consolidar essa biomassa como uma opção

sustentável e promissora para os próximos anos.

Essa é uma versão parcial do artigo, o conteúdo na

íntegra pode ser acessado pelo QR Code ao lado:

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com base na interpretação de dados, revisão

bibliográfica e estudos de caso do Brasil e do exterior,

constata-se que os cavacos de madeira representam

uma alternativa energética robusta, com elevado

potencial de integração à matriz energética sustentável.

Dentre os atributos mais relevantes, destaca-se o seu

desempenho energético: quando submetidos a processos

adequados de secagem, esses fragmentos podem

atingir um poder calorífico entre 8 e 18 MJ/kg, variando

de acordo com a umidade e a densidade do material, o

que os posiciona de forma competitiva frente a outras

formas de biomassa sólida (Bianchini, 2020).

No aspecto ambiental, os benefícios são substanciais.

A substituição progressiva de combustíveis fósseis

por cavacos de madeira possibilita uma expressiva

redução nas emissões de GEE (gases de efeito estufa),

sobretudo CO₂. Segundo Borges (2015), essa substituição

pode gerar reduções de até 80% nas emissões,

contribuindo diretamente para o cumprimento de metas

climáticas e fortalecendo o papel da biomassa como

alternativa limpa e de baixo impacto ambiental.

CONCLUSÃO

O uso de cavacos de madeira como fonte energética

representa mais do que uma alternativa técnica: é

uma estratégia alinhada à sustentabilidade, à economia

circular e à valorização de resíduos florestais. Ao

transformar materiais antes descartados em recursos

energéticos eficientes, reduz-se a pressão sobre os

recursos naturais e amplia-se o uso de fontes limpas e

renováveis.

Os benefícios do uso de cavacos de madeira vão

além do aspecto ambiental. Eles contribuem para a

redução das emissões de carbono, aprimoram a gestão

de resíduos orgânicos e fortalecem cadeias produtivas

regionais. Essa abordagem também gera oportunidades

econômicas, especialmente para setores como a indústria

florestal, papel e celulose, cerâmica e a geração

distribuída de energia.

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EFICIÊNCIA EM GARRAS

TRAÇADORAS!

J DE SOUZA, LÍDER NO BRASIL E AMÉRICA LATINA

MATRIZ

J de Souza Indústria Metalúrgica LTDA

BR 116 - Nº 5828, KM 247

Área Industrial

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Lages - Santa Catarina - Brasil

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UNIDADE 01

SETE LAGOAS - MG

Av. Prefeito Alberto Moura, Nº 2051A - Vale das Palmeiras

UNIDADE 02

IMPERATRIZ - MA

Av. Moacir Campos Milhomem, Nº 12 - Colina Park

UNIDADE 03

LAGES - SC

BR 116 - S/Nº, KM 247 - Área Industrial

CENTRO DE DESENVOLVIMENTO

E TESTES

SÃO JOSÉ DO CERRITO - SC

Localidade de Bom Jesus

53



AGENDA

MAIO 2026

DESTAQUE

ECOFUSION EXPO 2026

Data: 5 a 7 de maio de 2026

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://ecofusionexpo.com/

MAIO 2026

I CARVÃO VERDE BRASIL

Data: 19 e 20 de maio de 2026

Local: Sete Lagoas (MG)

Informações:

https://expominasflorestal.com.br/carvaoverdebrasil/

feira brasileira

de compostagem

Piracicaba (SP)

Local: Instituto Pecege

JULHO 2026

BEUBCE 2026 (EUROPEAN

BIOMASS CONFERENCE AND

EXHIBITION)

Mais informações:

www.composhow.com.br

WASTEENG 26 – XI CONFERÊNCIA

INTERNACIONAL DE ENGENHARIA PARA

VALORIZAÇÃO DE RESÍDUOS E BIOMASSA

Data: 7 a 10 de julho de 2026

Local: Corunha (Espanha)

Informações: https://wasteeng2026.org/

Data: 19 a 22 de maio

Local: Haia (Holanda)

Informações:

https://www.eubce.com/

Há mais de 40 anos, a EUBCE (Conferência

e Exposição Europeia de Biomassa) tem sido

um espaço para refletir sobre a evolução do

SETEMBRO 2026

setor de biomassa e explorar as tendências

futuras da bioenergia em pesquisa, indústria

e políticas públicas. A edição de 2026 reunirá

1.500 especialistas da academia, da indústria

APBE 2026 (ASIA-PACIFIC BIOMASS

ENERGY EXHIBITION)

Data: 16 a 18 de setembro de 2026

Local: Guangzhou (China)

Informações:

http://www.gzapbe.com/index.php?lang=en

e do setor político de mais de 60 países para

explorar os mais recentes desenvolvimentos

em biomassa, bioenergia e bioeconomia

circular.

Organização:

+55 (16) 98111-6988

+55 (16) 99777-5940

Divulgação:

REVISTA

LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO

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OPINIÃO

O VAREJO NÃO PODE SER

NEUTRO: DA ESTRATÉGIA À

TRANSFORMAÇÃO

VEM AÍ!

Foto: divulgação

O

varejo sempre foi um reflexo da sociedade brasileira.

Ele traduz hábitos, revela tendências e materializa

a relação entre consumo, território e cultura. Em

um país marcado por pluralidade e desigualdade

histórica, cresce a expectativa de que empresas do setor atuem

não apenas como fornecedoras de produtos e serviços, mas

como agentes ativos na construção de um futuro mais justo.

Essa responsabilidade começa pela intencionalidade: a clareza

sobre o que se comunica, para quem se comunica e com qual

propósito. Cada mensagem planejada, distribuída e recebida

pelo consumidor final tem o poder de ampliar o acesso e gerar

pertencimento.

Nos últimos anos, a agenda global ESG passou por uma evolução

significativa; conferências internacionais sobre clima, antes

focadas exclusivamente em emissões de gases e preservação

ambiental, passaram a incorporar, a partir de 2021, discussões

sociais relevantes. A sustentabilidade deixou de ser apenas ambiental

para se tornar integrada à justiça social, reconhecendo

que não há futuro sustentável sem inclusão e acesso para todas

as pessoas. No Brasil, essa interdependência é evidente: comunidades

periféricas e populações negras convivem de forma

desproporcional com enchentes, poluição, falta de saneamento

e insegurança alimentar. Reconhecer essas desigualdades é o

primeiro passo para ações que efetivamente transformam vidas

e, consequentemente, a atuação das empresas.

Nesse cenário, o varejo assume um papel estratégico único.

Nenhum outro setor tem a presença diária e a capilaridade

no território nacional. Cada decisão sobre logística, produção,

transporte e oferta de produtos impacta diretamente o cotidiano

das pessoas. Escolhas conscientes, como apoiar fornecedores

locais, investir em descarte adequado, distribuir excedentes

alimentares ou implantar energias limpas, geram benefícios

tangíveis para consumidores e comunidades. Menos iniciativas

pontuais e mais ações completadas, com começo, meio e fim,

são capazes de alterar trajetórias e proporcionar oportunidades

concretas de educação e renda.

A transformação também passa pela construção de narrativas

autênticas. Marcas que representam diversidade e reforçam

brasilidade, validam realidades, fortalecem o pertencimento e

inspiram confiança. Cada narrativa tem o potencial de colocar as

pessoas no centro, mostrar exemplos de superação e destacar

histórias de vidas impactadas. Programas de capacitação profissional

que resultam em emprego formal e desenvolvimento de

carreira, oportunidades de empreendedorismo local e inclusão

produtiva de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade

são expressões concretas desse impacto. Quando o que se

comunica reflete o que se constrói internamente, há legitimidade

do compromisso social e ambiental, fortalecendo também a

confiança dos consumidores.

Reconhecer a diversidade cultural e econômica do país é

dialogar com indústrias, mas sobretudo com fornecedores regionais,

agricultores familiares e criadores locais. Essa proximidade

permite impacto positivo real, contribuindo para a transformação

territorial, ampliando renda e autonomia e promovendo

inclusão social de forma estruturada e duradoura.

A intencionalidade é o fio condutor que conecta todos esses

elementos. Ela transforma inclusão em mudança estrutural, pessoas

em ativos no centro do negócio e liderança em força motriz

de sustentabilidade. Ao discutir o futuro do varejo, não é possível

dissociar comunicação, ESG e equidade racial. O que está

em jogo vai além da reputação ou dos resultados financeiros;

trata-se de criar um ambiente em que todas as pessoas possam

ocupar espaços e participar da construção de decisões.

Transformar vidas, fortalecer territórios e ampliar oportunidades

não é apenas uma escolha ética, é um imperativo

estratégico. Cada ação planejada, desde as pessoas que fazem

uma empresa existir até a gestão de produtos, contribui para

mudanças tangíveis que atravessam gerações.

30 de novembro - CURITIBA (PR)

ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE

MADEIRAS E DERIVADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

APOIO:

Por Claudionor Alves

Diretor de Inclusão & Diversidade e Relações Institucionais do Grupo Carrefour Brasil

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