Compostagem_02
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PROCESSOS
INTELIGENTES,
SOLUÇÕES
SUSTENTÁVEIS
Conheça os sistemas
automatizados que
transformam resíduos em
recursos valiosos com alta
eficiência energética
Ano I • Nº02
Abril 2026
ENTREVISTA - Maria Paula Volpi trata da importância
da pesquisa acadêmica para compostagem
S U M Á R I O
08 | EDITORIAL
14
10 | CARTAS
12 | NOTAS
14 | ENTREVISTA
10
20 | PRINCIPAL
24 | TECNOLOGIA
28 | TRANSFORMAÇÃO
20
32 | ARTIGO
24
34 | AGENDA
28
04
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Ano I • Nº02
Abril 2026
E D I T O R I A L
PROCESSOS
INTELIGENTES,
SOLUÇÕES
SUSTENTÁVEIS
Conheça os sistemas
automatizados que
transformam resíduos em
recursos valiosos com alta
eficiência energética
Na capa dessa
edição a MVT,
indústria italiana
com tecnologias
exclusivas para
compostagem
ENTREVISTA - Maria Paula Volpi trata da importância
da pesquisa acadêmica para compostagem
EXPEDIENTE
ANO I - EDIÇÃO 02 - ABRIL 2026
Diretor Comercial
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fabiomachado@revistareferencia.com.br
Diretor Executivo
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Redação
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CONSTANTE NA BUSCA POR TECNOLOGIAS E INOVAÇÕES, SEJA EM COMPOSTAGEM,
BIOMASSA OU PROCESSAMENTO DE RESÍDUOS. OFERECEMOS SOLUÇÕES ALINHADAS ÀS
MAIS ALTAS EXIGÊNCIAS DO MERCADO, INDEPENDENTEMENTE DA SUA NECESSIDADE.
UM FUTURO
MAIS FÉRTIL
O
investimento em compostagem deixou de ser
apenas uma pauta ecológica para se consolidar
como um pilar estratégico da bioeconomia.
Tratar resíduos orgânicos como
matéria-prima é o caminho mais seguro para garantir a
eficiência das cadeias produtivas e a vitalidade do solo.
Ao direcionar recursos para infraestrutura e tecnologia
neste setor, não resolvemos apenas um passivo ambiental;
construímos a base de um futuro mais competitivo,
rentável e sustentável. O amanhã exige pragmatismo e
ação. Nessa edição conheça as soluções tecnológicas de
ponta da MVT (Mion Ventoltermica), informações sobre
utilização de resíduos bovinos, as novidades no uso de
lodo de esgoto e uma entrevista com a professora doutora
Maria Paula Cardeal da Esalq/USP (Escola Superior
de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São
Paulo), sobre a importância da pesquisa e da academia
no desenvolvimento da compostagem. Excelente leitura.
A Revista REFERÊNCIA COMPOSTAGEM
é uma publicação da JOTA Editora
Rua Maranhão, 502 - Água Verde
CEP 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil
Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023
A Revista REFERÊNCIA COMPOSTAGEM - é uma publicação bimestral e
independente, dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em
madeira e compostagem, instituições de pesquisa, estudantes universitários,
orgãos governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos,
direta e/ou indiretamente ligados ao segmento de compostagem. A Revista
REFERÊNCIA COMPOSTAGEM não se responsabiliza por conceitos emitidos
em matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes
materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução,
apropriação, armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou
meio, dos textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA
COMPOSTAGEM são terminantemente proibidos sem autorização escrita
dos titulares dos direitos autorais, exceto para fins didáticos.
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xC xA R T A S
Principal
João Carlos Silveira, Campinas (SP)
Foto: divulgação
Grande trabalho da Sutil em oferecer essas
soluções e transformar o que para muitos era
dejeto em produto e lucro.
Entrevista
Lívia Marcondes, Ponta Grossa (PR)
Tomita é uma sumidade no setor. De suma
importância ter ele como primeiro entrevistado
da publicação. É muito conhecimento.
Foto: divulgação
Resultados
Estêvão Gouveia, Betim (MG)
Foto: divulgação
As pesquisas são muito importantes para mostrar
que as compostagens, em todas as suas formas,
podem ser soluções específicas para cada setor.
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xN xO T A S
Foto: divulgação
Estudo de compostagem
compostagem urbana
Embora a coleta seletiva seja uma prática consolidada na maioria dos condomínios
paulistas, a compostagem ainda representa um grande desafio. Um levantamento
do Lellolab, laboratório de inovação da Lello Condomínios, revela que
somente 2,6% dos prédios realizam o processamento de resíduos orgânicos, apesar
de 56,3% deles possuírem viabilidade técnica para tal. O potencial é imenso, considerando
que cerca de 45% do lixo gerado nesses locais é composto por materiais
orgânicos, como restos de alimentos e podas de jardim, que hoje sobrecarregam
aterros sanitários desnecessariamente. A importância de avançar para um modelo
de gestão de três frações é estratégica para a sustentabilidade urbana. Em 2023, um estudo em 300 condomínios
registrou 23 mil toneladas de resíduos orgânicos que poderiam ter sido transformados em adubo para as próprias
áreas verdes das unidades e dos bairros vizinhos. Como os condomínios verticalizados concentram populações
equivalentes a pequenos bairros, a adoção da compostagem local reduziria drasticamente as emissões de gases
de efeito estufa e os custos de destinação de resíduos. Entretanto, a transição para este modelo circular enfrenta
gargalos significativos, como limitações de infraestrutura, falta de conhecimento técnico e a necessidade de
engajamento coletivo. Além dos prédios com espaço próprio, outros 41,1% poderiam destinar seus orgânicos para
cooperativas e empresas especializadas. Segundo Filipe Cassapo, diretor do Lellolab, o condomínio funciona como
um microterritório urbano: quando a mudança de comportamento ocorre dentro de seus muros, os efeitos positivos
na qualidade de vida e na educação ambiental são rapidamente ampliados para toda a cidade. Exemplos práticos,
como o de um condomínio em Mogi das Cruzes (SP), demonstram que o sucesso da iniciativa depende mais
de ajustes culturais do que de grandes investimentos. Com orientação contínua e o estabelecimento de uma rotina
de descarte correto, o empreendimento conseguiu reduzir significativamente o envio de lixo aos aterros em apenas
três meses. Especialistas reforçam que, além dos benefícios ecológicos, a compostagem fortalece a consciência
social e ajuda a combater o desperdício de alimentos, transformando a gestão de resíduos em um ciclo de valorização
ambiental.
Na letra da lei
A gestão de resíduos sólidos nas licitações municipais enfrenta um dilema
jurídico entre a exigência de local para descarte e a preservação da
competitividade. De um lado, a Súmula 15 do TCE-SP (Tribunal de Contas
do Estado de São Paulo) veda a exigência de cartas de anuência de
aterros sanitários como requisito de habilitação, por considerar que isso
impõe compromissos de terceiros que restringem o número de participantes.
Por outro lado, a administração pública não pode ignorar a Lei
12.305/2010, que proíbe o descarte a céu aberto, exigindo que o vencedor
do certame garanta uma destinação ambientalmente adequada e lícita
para os resíduos. Para conciliar esses pontos, a jurisprudência recente sugere
que a carta de anuência não seja exigida no ato da habilitação, mas
sim como um compromisso a ser formalizado após a escolha do vencedor e antes da assinatura do contrato. No
entanto, limitar o edital ao uso exclusivo de aterros sanitários pode ser um erro estratégico e jurídico. A legislação
ambiental veda o lançamento in natura, mas não obriga o uso exclusivo de aterros, abrindo espaço para soluções
tecnológicas que transformem o lixo em ativo econômico, como a produção de adubo, biocombustíveis ou
a incineração para geração de energia. Essa abertura nos editais é respaldada pela Lei de Liberdade Econômica
(Lei 13.874/2019), que proíbe a administração pública de redigir enunciados que impeçam a inovação ou a adoção
de novas tecnologias. Ao permitir que os licitantes apresentem soluções alternativas ao aterro, o município cumpre
o objetivo fundamental da nova Lei de Licitações: incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.
Casos internacionais, como o uso de esgoto humano para combustível de aviação, demonstram que o lixo de hoje
pode ser a matéria-prima valiosa de amanhã. Por fim, os municípios devem manter cautela redobrada, pois os
danos ambientais decorrentes de descartes inadequados são imprescritíveis perante a justiça. A seleção de uma
proposta deve focar no menor preço imediato e no ciclo de vida do objeto e na segurança jurídica a longo prazo.
Ao adotar critérios que validem tanto o aterro tradicional quanto tecnologias inovadoras, a gestão pública protege
o erário contra futuras indenizações e alinha a infraestrutura urbana às demandas de um mundo em constante
transformação tecnológica e ambiental.
Foto: divulgação
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xE xN T R E V I S T A
Teoria
e prática
MARIA PAULA
CARDEAL VOLPI
Foto: divulgação
Atransformação de resíduos em energia
e biofertilizantes é hoje um pilar da economia
circular. Para aprofundar o tema,
conversamos com a professora doutora
Maria Paula Cardeal Volpi, especialista em
bioprocessos e digestão anaeróbia. Com sólida
trajetória acadêmica nacional e internacional,
ela estuda como a ciência integra compostagem
e biodigestão na prática. Nesta entrevista, a
pesquisadora detalha os avanços na valorização
de resíduos agroindustriais, os desafios da variabilidade
dos materiais orgânicos e o enorme
potencial do Brasil na transição energética e na
busca por sistemas agrícolas mais sustentáveis.
ATIVIDADE:
Professora doutora na Esalq/USP
(Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz, da Universidade
de São Paulo), atuando na área de
bioprocessos, digestão anaeróbia e
valorização de resíduos orgânicos
para produção de bioenergia. É
graduada em Biotecnologia pela
Ufscar (Universidade Federal de
São Carlos), mestre em Engenharia
Química e doutora em Ciências
(Bioenergia) pela Unicamp
(Universidade Estadual de Campinas).
Realizou pós-doutorado na
Universidade de Birmingham (Reino
Unido) e na Unicamp. Suas pesquisas
concentram-se no aproveitamento
de resíduos agroindustriais para
produção de biogás, biometano e
biofertilizantes, contribuindo para
o desenvolvimento de sistemas
agrícolas mais sustentáveis e para a
transição energética.
CONTE-NOS SOBRE SUA FORMAÇÃO
ACADÊMICA E TRAJETÓRIA PROFISSIONAL?
Sou graduada em Biotecnologia pela
Ufscar, fiz meu mestrado em Engenharia Química
na Unicamp e posteriormente concluí o
doutorado em Bioenergia pela mesma universidade.
Durante minha trajetória acadêmica
sempre estive envolvida com temas relacionados
à bioenergia e ao aproveitamento
de resíduos orgânicos. Mais recentemente
realizei um período de pós-doutorado na Universidade
de Birmingham, no Reino Unido, e
outro na Unicamp, com foco em processos de
produção de biogás. Atualmente atuo como
professora doutora na Esalq/USP, onde desenvolvo
pesquisas na área de bioprocessos,
digestão anaeróbia e valorização de resíduos
agroindustriais, além de atuar no ensino e
em projetos de extensão voltados à gestão
sustentável de resíduos.
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E N T R E V I S T A
DE FORMA SURGIU O INTERESSE PELA
ÁREA DE COMPOSTAGEM E BIODIGESTÃO?
Surgiu ainda durante a pós-graduação,
quando comecei a trabalhar com o aproveitamento
energético de resíduos orgânicos.
Sempre me chamou atenção o fato de que
grande parte dos resíduos produzidos na agricultura
e nas cidades ainda é tratada como
um problema, quando na verdade pode ser
uma fonte importante de energia e nutrientes.
A digestão anaeróbia e a compostagem são
duas tecnologias muito interessantes, porque
permitem transformar resíduos em produtos
úteis, como biogás, biofertilizantes e composto
orgânico, contribuindo para sistemas
produtivos mais circulares e sustentáveis. Com
o tempo, fui ampliando o olhar também para
a integração dessas rotas de tratamento.
QUAIS OS PRINCIPAIS MARCOS DE SUA
CARREIRA ATÉ AQUI?
Um dos marcos importantes foi justamente
a consolidação da minha formação na
área de bioenergia durante o doutorado, que
direcionou minha carreira científica. Outro
momento relevante foi a experiência internacional
durante o pós-doutorado no Reino
Unido, que ampliou muito minha visão sobre
pesquisa e colaboração científica, além de
me permitir ter contato com outro processo
de valorização de resíduos que é a pirólise.
Dessa forma, vejo que digestão anaeróbia,
compostagem, pirólise, são tecnologias que
se complementam para o desenvolvimento de
um mundo mais sustentável, com valorização
de resíduos, produção de energia e biofertilizantes.
Mais recentemente, destaco minha
atuação como professora na Esalq/USP, onde
tenho tido a oportunidade de estruturar linhas
de pesquisa relacionadas ao aproveitamento
de resíduos orgânicos, além de orientar
alunos e desenvolver projetos que conectam
ciência, agricultura e sustentabilidade.
E ACERCA DA IMPORTÂNCIA DA PESQUI-
SA EM COMPOSTAGEM E BIODIGESTÃO
DENTRO DA UNIVERSIDADE?
A universidade tem um papel fundamental
no desenvolvimento e na avaliação científica
dessas tecnologias. Compostagem e
biodigestão são processos conhecidos, mas
ainda existem muitos desafios relacionados
à otimização dos processos, à adaptação a
diferentes tipos de resíduos e à viabilidade
técnica e econômica em diferentes escalas.
Além disso, a universidade também é um
espaço importante para formar profissionais
capacitados para atuar na gestão de resíduos
e na transição para sistemas produtivos mais
sustentáveis. A pesquisa permite gerar conhecimento
científico, testar novas abordagens e
apoiar a implementação dessas tecnologias
na sociedade.
EXISTEM AVANÇOS RECENTES EM PES-
QUISAS QUE TRAZEM EFEITOS PRÁTICOS
PARA O APROVEITAMENTO DO RESÍDUO
AGROINDUSTRIAL?
Nossas pesquisas buscam entender
melhor como diferentes resíduos agroindustriais
podem ser utilizados em processos
A pesquisa
permite gerar
conhecimento
científico, testar
novas abordagens
e apoiar a
implementação
dessas tecnologias
na sociedade
30 de novembro - CURITIBA (PR)
ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE
MADEIRAS E DERIVADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
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xE xN T R E V I S T A
de digestão anaeróbia para produção de
biogás e geração de digestato com potencial
fertilizante. Também investigamos formas de
integrar diferentes rotas de valorização de
resíduos, como a combinação de biodigestão
com outras tecnologias de tratamento. Esses
estudos contribuem para melhorar o aproveitamento
energético dos resíduos e ao mesmo
tempo devolver nutrientes ao solo, o que é
particularmente relevante para sistemas agrícolas
que buscam reduzir o uso de insumos
externos e aumentar a sustentabilidade dos
ciclos produtivos. Acredito que para agora, o
importante é entender como o digestato se
comporta no solo, e usar tecnologias complementares
para melhorar ainda mais a
disponibilização de nutrientes.
A COMPOSTAGEM E A BIODIGESTÃO PO-
DEM TRABALHAR JUNTAS?
Essas duas tecnologias podem ser vistas
como processos complementares dentro de
um sistema de gestão integrada de resíduos.
A biodigestão anaeróbia permite recuperar
energia na forma de biogás, enquanto a compostagem
pode ser utilizada para estabilizar
materiais orgânicos e produzir composto com
aplicação agrícola. Em muitos casos, inclusive,
o digestato gerado na biodigestão pode
passar por um processo de compostagem
para melhorar sua estabilidade e qualidade
agronômica. Dessa forma, é possível aproveitar
tanto o potencial energético quanto o
potencial fertilizante dos resíduos orgânicos.
QUAIS SÃO OS MAIORES DESAFIOS EN-
FRENTADOS ATUALMENTE NA PESQUISA
SOBRE RESÍDUOS ORGÂNICOS?
Um dos principais desafios é a grande variabilidade
dos resíduos orgânicos. Diferentes
fontes de resíduos apresentam composições
muito distintas, o que influencia diretamente o
desempenho dos processos biológicos. Outro
ponto importante é a necessidade de integrar
conhecimento técnico, viabilidade econômica
e políticas públicas adequadas para que
essas tecnologias sejam implementadas em
maior escala. Ainda existe também um desafio
relacionado à conscientização e à gestão
adequada dos resíduos na origem.
A biodigestão
anaeróbia permite
recuperar energia
na forma de
biogás, enquanto
a compostagem
pode ser utilizada
para estabilizar
materiais orgânicos
e produzir
composto com
aplicação agrícola
QUE PERSPECTIVAS FUTURAS ENXERGA
PARA O ESTUDO E APLICAÇÃO DA COM-
POSTAGEM E BIODIGESTÃO NO BRASIL?
O Brasil tem um potencial enorme nessa
área, principalmente devido à grande disponibilidade
de resíduos agrícolas e agroindustriais.
A tendência é que tecnologias de valorização
de resíduos ganhem cada vez mais
espaço dentro de uma lógica de economia
circular e transição energética. Acredito que
veremos uma expansão do uso de biodigestores
em propriedades rurais, agroindústrias
e também em sistemas de gestão de resíduos
urbanos. Ao mesmo tempo, a compostagem
continuará sendo uma solução importante
para o tratamento de resíduos orgânicos e
produção de insumos agrícolas. A integração
dessas estratégias pode contribuir significativamente
para tornar os sistemas produtivos
mais eficientes e sustentáveis.
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P R I N C I P A L
Tecnologia em
evolução
contínua
AUTOMAÇÃO, EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E
CONTROLE AMBIENTAL DEFINEM SISTEMAS
DE REFERÊNCIA NO SETOR DE COMPOSTAGEM
Fotos: divulgação Mion Ventotermica
Ahistória da compostagem é também a história
da relação entre a humanidade e a natureza.
Desde os primeiros processos rudimentares
de transformação da matéria orgânica
até aos sistemas industriais de alta tecnologia, o setor
evoluiu como resposta à necessidade de equilíbrio
entre produção, consumo e preservação ambiental. O
que outrora era visto apenas como resíduo tornou-se
um recurso precioso, capaz de gerar energia, fertilidade
e sustentabilidade. As empresas que se dedicam a
este segmento trazem consigo a responsabilidade técnica
e o peso de uma tradição que une ciência e consciência
ecológica. É neste cenário que a MVT® (Mion
Ventoltermica Depurazioni) construiu a sua trajetória,
transformando décadas de experiência em soluções
que refletem inovação, rigor e compromisso com o futuro.
Fundada em 1968 pelo Cavalier Pieralberto Mion e
hoje dirigida pelo CEO Paolo Mion, a MVT® consolidou-se
como uma das principais referências internacionais
em sistemas automatizados para o tratamento
de resíduos, de biomassas e purificação do ar. A empresa
construiu a sua identidade sobre três pilares: inovação,
sustentabilidade ambiental e foco no cliente. Enrique
Prudenzo, engenheiro químico da companhia com
mais de 25 anos de experiência no desenvolvimento e
na construção de instalações de tratamento e recuperação
de resíduos na Europa e na América Latina, destaca
que a paixão pelo trabalho e a atenção ao meio
ambiente guiam todas as atividades rumo à plena satisfação
do cliente.
Ao longo de mais de 50 anos de atividade, a MVT®
alcançou marcos significativos. Foram construídas mais
de 5.400 instalações em mais de 40 países, com tecnologias
exclusivas que se tornaram elementos distintivos
de competitividade. A criação de um laboratório
interno de pesquisa e desenvolvimento permitiu testar
soluções e desenvolver processos inovadores que resultaram
em patentes e sistemas próprios. Esta estrutura
reforça a capacidade da empresa de responder às exigências
ambientais e de oferecer soluções adaptadas a
diversos contextos normativos e climáticos.
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P R I N C I P A L
A produção interna é considerada estratégica. A fábrica
de Maserada Sul Piave ocupa cerca de 40 mil m²
(metros quadrados) e dispõe de equipamentos de alta
tecnologia para carpintaria metálica e montagem final
dos sistemas. Este modelo garante controle direto dos
processos, elevados padrões de qualidade e flexibilidade
na personalização. Atualmente, a estrutura está em
expansão com mais 6 mil m², confirmando a intenção
de aumentar a capacidade produtiva e responder à
crescente demanda internacional.
No mercado global de compostagem, a MVT® é reconhecida
como um dos principais atores. A liderança é
sustentada por tecnologia própria, soluções sob medida
e uma rede consolidada de colaboradores locais. A
presença internacional é ampla, com projetos em mais
de 40 países e forte atividade nas Américas Central
e do Sul. Brasil, Colômbia, Equador, Chile e Argentina
são mercados estratégicos, onde a empresa atua com
equipes internas e representantes locais. “Garantimos
proximidade com o cliente, rapidez de intervenção e
suporte técnico contínuo da consultoria ao pós-venda”,
enaltece Enrique. A empresa está também presente em
toda a Europa, na Austrália e nos EUA (Estados Unidos
da América), com projetos desenvolvidos em diversas
áreas de aplicação.
Entre as referências internacionais,destacam-se
projetos de grande envergadura. Na Croácia, foi construída
uma instalação de bioestabilização de resíduos
sólidos urbanos e produção de composto com capacidade
para 50 mil toneladas por ano, que dobra durante
a temporada turística. Em Singapura, a MVT® construiu
a maior instalação de bioestabilização e biossecagem
de resíduos sólidos urbanos para a produção de CDR
(combustível derivado de resíduos), com capacidade
para 220 mil toneladas por ano.
Na Itália, o projeto de Roma tornou-se um ponto de
referência, com capacidade para 460 mil toneladas por
ano para bioestabilização e biossecagem de resíduos
sólidos urbanos para a produção de CDR.
O portfólio da empresa vai além da compostagem.
A MVT® desenvolve sistemas automatizados para a recuperação
e o tratamento de resíduos e para a purificação
do ar. Entre estes, encontram-se instalações de
compostagem, processos de bioestabilização aeróbica
ultra-acelerada de resíduos orgânicos em biocélula, sistemas
de bioestabilização e biossecagem de resíduos
sólidos urbanos para a produção de CDR, unidades de
tratamento de odores com scrubbers e biofiltros, sistemas
de separação aeráulica como o EOLO e soluções
de aspiração e filtração de ar contra o pó. A oferta é
complementada por softwares exclusivos que permitem
a gestão e a otimização dos processos, mesmo remotamente,
com suporte de teleassistência.
O coração das soluções é o software da própria
O sistema
MVT® combina
automação,
sustentabilidade e
alto desempenho,
reforçando a nossa
competitividade
MVT®, que integra sondas, PLC e plataforma de controle.
Este sistema gerencia em tempo real os processos
de compostagem, biossecagem e tratamento dos gases
de exaustão, criando condições ideais para acelerar a
degradação biológica. A tecnologia garante eficiência,
continuidade operacional e forte controle ambiental,
com redução das emissões, gestão eficaz dos odores e
mínima produção de lixiviado. “O sistema MVT® combina
automação, sustentabilidade e alto desempenho,
reforçando a nossa competitividade”, explica Enrique.
Do ponto de vista técnico, os sistemas da MVT®
distinguem-se pelo alto nível de automação, eficiência
energética e confiabilidade. As biocélulas são estruturas
fechadas e impermeáveis, com piso aerado, que
permitem o tratamento em condições controladas de
temperatura, umidade e oxigenação. O monitoramento
contínuo e a gestão via software garantem processos
rápidos e uniformes, independentes das condições climáticas.
A integração com sistemas avançados de tra-
tamento de ar é outro elemento distintivo. Os scrubbers
reduzem poluentes e odores por meio de absorção físico-química,
enquanto os biofiltros utilizam a ação de
microrganismos para assegurar emissões atmosféricas
reduzidas.
O resultado é um sistema altamente automatizado,
eficiente e sustentável, com baixo impacto ambiental,
mínima produção de lixiviado e custos operacionais reduzidos.
Esta combinação de tecnologia e inovação posiciona
a MVT® como uma referência mundial no setor
de compostagem e tratamento de resíduos. O serviço
pós-venda é considerado essencial. A empresa oferece
teleassistência e supervisão remota para monitorar e
otimizar o desempenho das instalações em tempo real.
Além disso, disponibiliza serviços de manutenção que
asseguram eficiência contínua e intervenções rápidas
quando necessário. Esta abordagem garante valor a
longo prazo para os clientes e fortalece a confiança nas
soluções propostas.
Enrique Prudenzo,
engenheiro químico da MVT
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Abril 2026 23
T E C N O L O G I A
Com implantação gradual
compostagem ganha
espaço na
pecuária
Tecnologia permite começar com baixo investimento,
reduzir dependência externa e melhorar a eficiência do
sistema ao longo do tempo, especialmente em projetos
de confinamento
Fotos: divulgação/ Araunah
Oagronegócio brasileiro é um setor consolidado
na produção de alimentos no
mundo, com números impressionantes.
Somente no último ano, as exportações
alcançaram US$ 169,2 bilhões, equivalente a 48,5%
de tudo o que o país exportou no período. O mesmo
setor também destaca-se no desenvolvimento de
técnicas sustentáveis como a produção de energia
renovável e o melhor uso dos resíduos.
Dentre as tecnologias mais promissoras está a
compostagem. “A compostagem deixa de ocupar
apenas um espaço lateral dentro da fazenda. Em
muitas propriedades, ela passa a ser tratada como
parte de uma estratégia mais ampla de rentabilidade
e resiliência”, analisa João Suss, CEO da Araunah
Tech, empresa líder de mercado em projetos de compostagem
para o agronegócio.
O tema tem despertado maior interesse informa-
ção nos últimos anos, mas tem muito espaço para
crescer. Somente na pecuária, em confinamentos de
bovinos de corte, segundo dados da Scot Consultoria,
há 2,69 milhões de toneladas de esterco gerado anualmente.
“Esse material é riquíssimo para ser usado
nas próprias fazendas para conservação das pastagens”,
exemplifica João, lembrando que 85% das
pastagens do Brasil tem algum nível de degradação,
segundo a Embrapa.
Quando analisado o total de rebanho, o país
conta com 238 milhões de cabeças de gado, sendo
que cada uma produz em média 25 kg de esterco ao
dia (ou 5kg de matéria seca), portanto, os números
mostram o grande horizonte para implantação da
compostagem. “Houve um importante avanço na
consciência e implantação do tratamento e reutilização
de resíduos, mas ainda há um grande espaço a
explorar”, analisa o executivo.
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Janeiro 2026 25
T E C N O L O G I A
É POSSÍVEL ALUGAR MÁQUINAS
Quem não quer investir de forma
gradual e precisa aprender a tecnologia,
pode valer-se do aluguel das máquinas
necessárias para desenvolver o projeto.
Segundo o CEO da Araunah, João Suss,
essa é uma prestação de serviço que
atrai novos entrantes na compostagem e
cresce ano a ano.
As máquinas procuradas para locação
são revolvedoras e distribuidoras
de 2,5m a 4m (metros) com alta performance.
Elas são responsáveis pela
homogeneização, distribuição uniforme
e enleiramento dos materiais. “O aluguel
de máquinas é uma forma de escalar a
compostagem sem comprometer o fluxo
de caixa”, compara João e completa
que todo investimento deve ser feito com
base no planejamento feito por quem
conhece a tecnologia.
IMPLANTAÇÃO GRADUAL
Diante desse gigante que é o agronegócio e
sua predisposição às tecnologias sustentáveis, qual
barreira ainda impede a ampliação da compostagem?
Para João, o produtor ainda desconhece as
facilidades de implantação. “É possível começar sem
uma estrutura pesada logo no início”, comenta o
representante da Araunah. Ele explica que em muitas
propriedades a compostagem tem sido implantada
de forma gradual, em uma escala compatível com a
realidade da fazenda. “Ao invés de concentrar grande
investimento na largada, o produtor monta uma operação
ajustada ao seu momento, valida o processo
na prática e amplia a estrutura conforme o sistema
amadurece”, explica João.
Esse foi o caso de Eduardo Petrus Segeren, de
Aguaí (SP), que tinha receio de investir sem conhecer
a operação na prática. “Quando entramos de forma
mais gradual, ficou mais fácil ajustar o processo e
avançar com segurança”, lembra Segeren. A empresa
começou com uma máquina de entrada, uma
revolvedora pequena, além do trator. Atualmente
trabalham com uma máquina três vezes maior e com
um trator mais potente. “Os resultados no campo
Eduardo Seregen, produtor
impulsionaram essas aquisições”, aponta Eduardo.
O investimento gradual derruba uma das barreiras
de entrada na compostagem, porém, é imprescindível
que se tenha o projeto completo em toda a sua
extensão, explica o CEO da Araunah Tech. “Projetos
bem dimensionados mostram que é possível começar
menor, aprender com a operação e reduzir o risco
de errar no investimento”, assegura. Para que seja
efetivo, esse projeto depende que cada etapa da
operação seja dimensionada com base na realidade
da fazenda. “O diagnóstico dos resíduos disponíveis,
o planejamento da estrutura, a definição do manejo
e da logística interna evitam erros comuns, como
excesso de investimento, baixa eficiência do processo,
perda de material, além das reformas desnecessárias”,
explica João com base na experiência da
empresa que está há 10 anos no segmento trazendo
segurança ao produtor.
A lógica está muito menos sobre montar estrutura
e mais sobre gerar resultado. O produtor não investe
para simplesmente fazer composto. “Ele investe para
melhorar o solo, ganhar eficiência, reduzir parte da
dependência externa e construir uma base produtiva
mais estável”, garante João.
Quem sente essa economia no bolso é o produtor
Ricardo Lemos de Delfinópolis (MG). “Quando o
fertilizante sobe e o mercado aperta, produzir parte
da fertilidade dentro da propriedade faz diferença.
Isso dá mais tranquilidade para planejar”, aponta
Ricardo. O produtor explica que nesta safra 25/26
parte do plantio foi feito com base em fertilizantes
organominerais sem adubação de base na linha. “O
plano de adubação foi realizado por consultores da
Araunah, com a utilização do nosso esterco, mais
bagaço de cana-de-açúcar, gesso, fosfato reativo
e Ulexita, mais uma complementação de 200 kg de
KCI”, revela Ricardo sobre a receita que enriqueceu
os solos de plantio.
No momento atual, com muitas incertezas externas,
especialmente pelas guerras no Oriente Médio,
há um ambiente de insumos caros e mercado incerto.
Esse conjunto de benefícios pesa cada vez mais no
sistema produtivo. Quanto maior a pressão sobre os
custos e menor a previsibilidade do mercado, mais
valor ganha a capacidade de construir fertilidade
dentro da própria porteira. A compostagem deixa de
ser uma alternativa e passa a ser uma estratégia de
gestão.
Ricardo Lemos, produtor
BENEFÍCIOS DA COMPOSTAGEM
NO AGRONEGÓCIO
• Redução de custos e dependência de fertilizantes
• Aproveitamento de resíduos
• Melhoria da fertilidade e estrutura do solo
• Aumento da eficiência no uso de nutrientes
• Maior previsibilidade de custos ao longo do
ciclo
• Integração com sistemas produtivos (lavoura
e pecuária)
• Ganho de eficiência operacional na fazenda
• Valorização econômica de subprodutos
internos
• Redução de perdas e passivos ambientais
• Sustentabilidade do projeto
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Janeiro 2026 27
T R A N S F O R M A Ç Ã O
O Elo Perdido da
Compostagem Termofílica
Industrial:
Valorização do Serviço de Tratamento e
Transformação de Resíduos Orgânicos
Fotos: divulgação
Fernando Carvalho Oliveira
Engenheiro agrônomo, mestre e doutor em Solos e Nutrição de Plantas
pela USP/Esalq, sócio-diretor da Biossolo Agricultura & Ambiente S.S.,
Membro do Conselho Deliberativo da Abisolo e responsável técnico pela
Tera Ambiental Ltda
Fernanda Latanze Mende
Engenheira agrônoma, mestre (USP/Cena) e doutora em Solos e
Nutrição de Plantas pela USP/Esalq, coordenadora técnica da Abisolo
Jonas Jacob Chiaradia
Engenheiro agrônomo, mestre (Ufla) e doutor em Solos e Nutrição
de Plantas (USP/Esalq,) sócio-diretor da Biossolo Agricultura
& Ambiente S.S.
Atualmente, a vasta maioria das empresas
do segmento se autodefine como indústrias
de fertilizantes orgânicos e condicionadores
de solo. Essa abordagem
as leva a aceitar resíduos de terceiros a custos
relativamente baixos, como se fossem insumos
convencionais, quando na verdade são materiais
que exigem tratamento técnico, manejo adequado
e, frequentemente, balanceamento no processo
natural de blendagem. Negligenciar os custos envolvidos
nessa etapa compromete a viabilidade do
negócio e desvaloriza o relevante serviço prestado
pela compostagem.
A agricultura brasileira, embora pujante, é
intrinsecamente cíclica e sujeita aos altos e baixos
da conjuntura geopolítica e econômica. Tradicionalmente
mineralista, ela recorre aos fertilizantes
orgânicos e condicionadores de solos apenas
quando o mercado está favorável, não os tratando
como insumos essenciais. A sazonalidade dos cultivos,
somada à volatilidade dos preços dos fertilizantes
minerais, influenciados por fatores internacionais
como crises logísticas, conflitos armados e
variações cambiais, torna o mercado agrícola um
terreno instável. Essa dependência acentuada das
flutuações de demanda e preço expõe o modelo
de negócio vigente das compostagens a vulnerabilidades
significativas.
Observa-se, assim, que a indústria de compostagem
clama por uma nova visão de mercado.
Urge valorizar a essência de sua atividade: os
serviços de tratamento de resíduos. Trata-se de
agentes fundamentais da economia circular, responsáveis
pelo aproveitamento de materiais que,
de outra forma, sobrecarregariam aterros sanitários
ou gerariam impactos ambientais negativos
causados por descartes inadequados.
É inegável a contribuição ambiental da indústria
da compostagem: essas empresas transformam
passivos em ativos, mitigam emissões e
devolvem matéria orgânica, nutrientes e microrganismos
benéficos ao solo de forma sustentável.
Além disso, a preocupação com a qualidade e
segurança dos insumos agrícolas obtidos é e deve
ser uma prioridade inegociável. No entanto, percebe-se
que, na corrida para vender seus produtos,
as empresas do segmento acabam desvalorizando
o serviço fundamental que oferecem aos geradores
de resíduos. Esse serviço, intrinsecamente
ligado à sustentabilidade ambiental e à gestão
responsável de materiais, merece ser reconhecido
e precificado de forma justa.
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Abril 2026 29
T R A N S F O R M A Ç Ã O
Considerem-se alguns desafios inerentes ao
tratamento de resíduos orgânicos, como o elevado
teor de água. Resíduos como lodo de esgoto e lodos
diversos de tratamento de efluentes industriais
e agroindustriais chegam à compostagem com
umidade média de 80%; outros resíduos, como
restos de alimentos inservíveis pré e pós-consumo,
apresentam teores de água superiores a 90%, o
que significa que grande parte da massa recebida
é composta apenas por água e menos da metade
das massas processadas se converte, de fato, em
produto acabado.
Adicionalmente, a concorrência de estercos de
aves e bovinos confinados, cuja geração e comercialização
não estão sujeitas às mesmas exigências
legais de licenciamento ambiental e das
normativas do Ministério da Agricultura e Pecuária,
impõe uma distorção de mercado. A geração
é amplamente dispersa, e o cliente muitas vezes
encontra uma granja próxima oferecendo esterco
cru a custos inferiores, sem os controles sanitários,
ambientais e de qualidade exigidos das empresas
de compostagem, que arcam com investimentos
e responsabilidades significativas para operar
legalmente.
Isso não é apenas
uma questão de
sustentabilidade
ambiental, mas também
de racionalidade
econômica e gestão
eficiente de recursos
Jonas Jacob Chiaradia,
engenheiro agrônomo
É fundamental destacar que o pleno atendimento
às exigências ambientais para licenciamento,
que incluem uma gestão rigorosa da geração
de odores, a proteção dos recursos ambientais no
entorno da planta de compostagem e a pacífica
coexistência com as populações circunvizinhas,
demanda investimentos pesados por parte do
empreendedor. A saúde financeira da atividade,
como em qualquer outro negócio, é primordial
para a viabilidade e perenidade de qualquer
empreendimento neste setor. Além disso, a compostagem
desempenha uma importante função
socioambiental, garantindo um destino sustentável
aos resíduos gerados pela promoção do bem-estar
das populações, preservando recursos naturais, e
gerando empregos e divisas para o Estado, contribuindo
diretamente para o desenvolvimento local
e a qualidade de vida.
Diante disso, faz-se imperativo que os empresários
do setor de compostagem reavaliem
seu modelo de negócio. Não se trata apenas de
fábricas de fertilizante, mas, antes de tudo, de solucionadores
de problemas ambientais, parceiros
estratégicos na gestão de resíduos e promotores
da economia circular.
É crucial entender que aterros sanitários são
espaços cada vez mais nobres no Brasil e no
planeta. Resíduos com qualquer potencial de
aproveitamento para compostagem e obtenção
de insumos agrícolas, que atendam aos requisitos
ambientais em vigor, devem, de forma preferencial,
ser destinados por seus geradores às
empresas de compostagem. Isso não é apenas
uma questão de sustentabilidade ambiental, mas
também de racionalidade econômica e gestão
eficiente de recursos.
A valorização do serviço de tratamento de resíduos
deve se tornar um pilar central da estratégia
de precificação e posicionamento no mercado.
Ao fazê-lo, não só se garantirá uma maior estabilidade
econômica para os empreendimentos,
desvinculando-os excessivamente das flutuações
do mercado agrícola, mas também se reforçará a
identidade como agentes de transformação ambiental.
Propõe-se, assim, focar na entrega de valor
completo: desde a solução ambiental robusta
e certificada para os geradores de resíduos até a
produção de insumos agrícolas de alta qualidade.
É essa visão integrada que garantirá a sustentabilidade
e o reconhecimento que a indústria merece.
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Abril 2026 31
xA xR T I G O
Tratamento de resíduo
ruminal bovino
com cinzas de madeira por
processo de compostagem
Fotos: divulgação
Viviane Correia Santos
Ifbaiano (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano)
RESUMO
Dentre os resíduos sólidos, o resíduo ruminal
bovino e as cinzas de madeira podem gerar
grande impacto ambiental se não tratados e
dispostos de forma adequada. Com isso, objetivou-se
estudar o processo de compostagem para
o tratamento de resíduo ruminal bovino incorporando
cinzas de madeira, utilizando-se o método convencional,
a fim de se conhecer a qualidade do composto
produzido em cada tratamento. O sistema de compostagem
utilizado foi por meio do método convencional.
As proporções de resíduo ruminal bovino e
cinzas de madeira, em volume, misturados formando
os diferentes compostos: C1 (100% resíduo ruminal),
C2 (70% de resíduo ruminal + 30% de cinzas de madeira
e C3 (50% de resíduo ruminal + 50% de cinzas
de madeira). O composto orgânico final enquadrou-se
como fertilizante orgânico conforme os valores estabelecidos
pela Instrução Normativa número 25 MAPA
e assim, é uma forma de adubação orgânica que
quando usada de forma adequada pode ser altamente
eficiente para produção vegetal, que dentre outros,
apresenta grande potencial para trazer benefícios ao
meio ambiente.
INTRODUÇÃO
O Brasil se estabeleceu como potência na produção
e exportação de carne bovina. Esse desenvolvimento
contribui significativamente para geração de
grandes quantidades de resíduos sólidos e líquidos,
produzidos desde a extração da matéria-prima até as
Já as cinzas de
madeiras na
agricultura é
ecologicamente viável
e economicamente
interessante,
justamente pela
sua capacidade de
retenção de umidade e
de correção da acidez
etapas do processo industrial, como o resíduo ruminal
bovino. Esse resíduo é um dos resíduos gerados
em matadouros e/ou frigoríficos que requer especial
atenção no que se refere ao seu gerenciamento, devido
à elevada umidade do material e a dificuldade de
destino do mesmo (Salomão et al., 2018).
Na indústria frigorífica são gerados resíduos
sólidos como: conteúdo ruminal bovino, carcaças e
os resíduos líquidos: águas residuais da lavagem de
carcaças e equipamentos, resíduos de sangue. Esses
resíduos devem receber tratamentos específicos para
que sejam dispostos sem riscos de causar impactos
negativos ao meio ambiente (Moreira, 2012, Salomão
et al., 2018).
O resíduo ruminal pode ser distribuído para os
proprietários rurais, cabendo aos mesmos o melhor
destino destes resíduos em sua propriedade, comumente
a produção de compostos e incorporação ao
solo.
Alguns estudos (Trautmann-Machado et al., 2011;
Silva et al., 2011; Salomão et al., 2018) demonstram o
potencial do resíduo ruminal bovino na melhoraria
das condições químicas e físicas do solo, uma vez que
apresenta elevados teores de matéria orgânica.
Sua composição é basicamente de forrageiras
(capim) parcialmente digeridas, utilizadas na alimentação
animal, e ainda sal mineral, fornecido como
complementar alimentar aos animais. Assim, por
ser material basicamente orgânico, é passível de ser
tratado por meio de processos como a compostagem.
Trabalhos como os de Salomão et al. (2018) e Machado
(2011) relatam o potencial uso de resíduos do
rumem bovino na produção de compostagem.
Ainda, ressaltam-se as diferenças composicionais
entre o resíduo ruminal bovino e esterco bovino, que
pode ser explicada pelo fato do esterco ter sofrido
todos os processos de fermentação microbiana e
digestivos (digestão gástrica, absorção de nutrientes
pelo intestino delgado e a absorção de eletrólitos
pelo intestino grosso), enquanto no resíduo ruminal
bovino o processo de fermentação e digestão não são
completos, originando um material pouco alterado,
com grande quantidade de hemicelulose e lignina,
elevando a relação carbono/nitrogênio (Salomão et
al., 2018).
Já as cinzas de madeiras na agricultura é ecologicamente
viável e economicamente interessante, justamente
pela sua capacidade de retenção de umidade
e de correção da acidez (Wermuth, 2019). É bastante
utilizada na agricultura, principalmente pelos elevados
teores de potássio. Por apresentarem elevados
teores de cálcio e o magnésio pode contribuir para a
correção da acidez dos solos (Arruda et al., 2016).
Essa é uma versão parcial desse
conteúdo, o material completo pode
ser acessado pelo QR Code ao lado:
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Abril 2026
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A G E N D A
MAI26
Icaw - Semana Internacional de
Conscientização sobre Compostagem 2026
A Icaw (Semana Internacional de Conscientização sobre Compostagem,
na sigla em inglês) é a maior e mais abrangente campanha de
educação e conscientização do setor de compostagem, celebrada
mundialmente todos os anos durante a primeira semana completa de
maio. A missão é simples, mas poderosa: unir as pessoas para compartilhar
os benefícios da compostagem de matéria orgânica e do
uso do composto para construir um solo mais saudável. Do concurso
de cartazes no outono aos milhares de eventos e atividades durante a
semana, a Icaw inspira ações em todos os níveis. Comunidades, escolas,
governos e empresas promovem celebrações que destacam todos
os tipos de compostagem, desde pequenas iniciativas domésticas até
operações comerciais em grande escala, mostrando que todos podem
contribuir para a criação de um futuro mais sustentável.
Data: 3 a 9
Local: Online
Informações: https://compostfoundation.org/icaw-home/
MAI26
AGO26
Waste Management Europe
Durante três dias, na V edição, o Waste Management Europe reunirá
novamente formuladores de políticas, líderes da indústria, startups,
investidores e instituições, criando um ecossistema de colaboração e
inovação para enfrentar alguns dos maiores desafios ambientais do
mundo. De tecnologias de reciclagem de ponta a projetos de gestão de
resíduos em larga escala e iniciativas de Waste-to-Energy, o WME 2026
acelera mudanças positivas, fomenta parcerias estratégicas e apresenta
soluções inovadoras que moldam o futuro da gestão sustentável de
recursos.
Data: 19 a 21
Local: Bolonha (Itália)
Informações: https://www.cewep.eu/waste-management-europe/
Composhow 2026
A Composhow é a primeira feira brasileira dedicada exclusivamente à
compostagem, realizada em Piracicaba (SP). O evento reúne especialistas,
empresas e gestores públicos para debater soluções técnicas,
regulatórias e práticas voltadas ao tratamento de resíduos orgânicos.
Com palestras, demonstrações e exposição de equipamentos, a feira
promove inovação, troca de conhecimento e fortalecimento da economia
circular, destacando a compostagem como estratégia essencial
para sustentabilidade e valorização dos resíduos.
Data: 18 a 20
Local: Piracicaba (SP)
Informações: https://composhow.com.br/
feira brasileira
de compostagem
Piracicaba (SP)
Local: Instituto Pecege
Mais informações:
www.composhow.com.br
OUT26
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Eco Expo
A Eco Expo, que ocorre no Expo Center Norte, em São Paulo (SP), consolida-se
como o principal ponto de encontro da América Latina para
o setor de sustentabilidade e saneamento. Com foco em inovação, a
feira apresenta, desde maquinários pesados para reciclagem, até soluções
de bioenergia. Mais do que uma exposição, o ambiente promove
debates estratégicos sobre políticas ambientais e ESG, conectando
marcas globais a soluções locais. É um evento indispensável para
profissionais que buscam eficiência operacional aliada ao impacto
ambiental positivo.
Data: 20 a 22
Local: São Paulo (SP)
Informações: https://ecoexpo.com.br/o-evento/
Organização:
+55 (16) 98111-6988
+55 (16) 99777-5940
composhow@dtrip.com.br
Divulgação:
REVISTA
LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO
+55 (41) 3333 1023 | +55 (41) 99965-3105
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