edição de 27 de abril de 2026
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.088 - 27 de abril de 2026 R$ 20,00
ChatGPT
Internalizar serviços de marketing
vira movimento pendular com a IA
Não é novidade que os anunciantes montam estruturas internas para desenvolver serviços antes confiados às suas agências de propaganda. O fenômeno
ganhou musculatura há cerca de três anos, como atestam pesquisas da WFA e da ANA, e causou apreensão no setor. A chegada da IA também contribuiu para o
crescimento dessa tendência. Porém, lideranças do mercado observam que hoje as escolhas para abertura de hubs in-house se concentram mais em tecnologia,
dados e inteligência de negócios, por exemplo. A ideia criativa permanece como principal asset das agências na gestão de marcas. Alguns clientes, como destaca
Alessandra Visintainer, managing director da GUT, estão inclusive invertendo a rota e voltando a centralizar suas operações nas agências. pág. 20
Edivan Rosa/Divulgação Brivia
Brivia Group se consolida
como martech integrada
O CEO Marcio Coelho
ressalta a missão
híbrida do grupo, que
reúne marcas como
Peppery, Pravy e Heads:
“Hoje, somos uma
empresa que desenha
estratégia, constrói
soluções, executa
com base em dados e
amplifica experiências
por meio de comunicação”.
pág. 12
Série ‘Por dentro das
agências’ mostra
influência do conteúdo
na propaganda
O mercado da comunicação transformou a
área de conteúdo em guardiã da cultura brasileira.
A série ‘Por dentro das agências’ do
propmark destrincha a evolução da disciplina,
que ganha cada vez mais influência entre as
expertises hoje à disposição das marcas. O
avanço requer acompanhamento rigoroso dos
profissionais e responsabilidade de plataformas
e criadores de conteúdo. pág. 36
Sondagem revela retrato
salarial das agências
Estudo do Sistema
Nacional das Agências
de Propaganda
indica tempo médio de
permanência de quatro
anos por colaborador.
“Home office e modelo
híbrido permitem que
profissionais atuem
para qualquer mercado”,
diz Ana Celina
Bueno, presidente da
Fenapro. pág. 33
Divulgação
FORMAÇÃO PARA
LÍDERES
GLOBAIS
A ESPM LIDE Corporate Academy vai formar líderes no setor privado,
unindo a excelência acadêmica da ESPM ao acesso direto aos maiores
líderes empresariais do país, por meio do LIDE.
O resultado são programas para alta liderança, voltados a C-levels,
empresários e executivos em ascensão.
Saiba mais:
Programas:
Gestão de Inovação e Liderança
em Tempos de IA
OS QUE DECIDEM, TRANSFORMAM O FUTURO
editorial
Armando Ferrentini
Bons e fortes
O
aparato tecnológico das agências é impressionante. A fala de uma fonte
do propmark que traz um olhar de fora da indústria - ela está chegando
agora ao mercado publicitário por meio de uma grande marca, que vem se
tornando também um anunciante importante - resume como as agências no país
se ‘equipam’ e se mantêm up to date com as tendências tecnológicas que varrem
o mercado feito um tsunami. Ficam os bons e os fortes.
O discurso que tentaram colar no mercado de que as agências não tinham preparo
tecnológico não pegou. Se houve falha no passado, visto que certas operações
não acreditaram no potencial do digital e não se transformaram a tempo,
ficando para trás, algumas pelo caminho, fechando as portas, as agências de hoje
mostram que seus hubs tecnológicos estão à altura do job.
Nos últimos anos, a eficiência das agências tem sido colocada à prova a todo momento.
No passado, era mais fácil, dirão os mais antigos. As margens eram maiores
e não havia a multiplicidade de canais nem as redes sociais. Com o digital,
também veio a onda de mensuração e performance que quase cegou o mercado
por resultados a todo custo.
Felizmente, o tempo e as pesquisas provaram que dados sem criatividade aplicada
nas estratégias de comunicação são pura commodity, e o que realmente traz
resultado para as marcas é a combinação dos dois pilares.
Com essa onda de dúvidas geradas sobre a eficácia das agências, também surgiu
no mercado há cerca de cinco anos o movimento dos anunciantes pela internalização
de serviços de marketing. Pesquisa realizada pela WFA (World Federation
of Advertisers) em 2023 junto com a The Observatory International apontou que
56% dos entrevistados esperavam transferir em três anos mais produção digital
de agências externas para operação in-house e 33% planejavam deslocar mais
produção offline, entre outros indicadores.
Nesse hiato de tempo, o movimento se manteve pendular e amadureceu, como
mostra reportagem especial do editor Paulo Macedo. A matéria também escancara
uma realidade: a criação é a área em que os anunciantes não conseguem
internalizar.
A execução criativa e a construção de marca de longo prazo continuam demandando
o olhar de uma agência com pensamento de inteligência de marca. Ou
seja, o ativo criativo que constrói marcas é inerente às agências e, nunca como
antes, está sendo reconhecido como tal.
A tendência elevou o nível de exigência sobre as agências, porém, à medida que
a complexidade cresce, especialmente com o avanço da IA, “as marcas voltam a
demandar das agências aquilo que não conseguem replicar internamente: visão
estratégica”, ressalta Eduardo Megale, COO da Talent. Confira esse e outros depoimentos
de lideranças ouvidas pelo propmark.
Especial de aniversário do jornal pioneiro do trade
Em 21 de maio, o propmark completa 61 anos em atividade. São seis décadas de
circulação ininterrupta no impresso e online desde 1998, consolidando sua posição
como veículo mais longevo do trade. A tradição do jornal (que se mantém atual)
é inigualável. São cinco décadas de cobertura do Cannes Lions, por exemplo.
E para marcar a data, a redação prepara uma edição especial de aniversário sobre
o assunto mais quente do momento: a Copa do Mundo de 2026. A confiança no
Brasil pode até estar baixa, com apenas 29% dos brasileiros acreditando no hexa,
segundo o Datafolha, mas essa promete ser a maior Copa de toda a história, com
recorde de jogos e expectativa de alto impacto econômico. Não fique de fora da
edição, que circula em 18 de maio!
Frase: “Uma jogada pode mudar o mundo” (frase atribuída a Zico).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
Parceria inclui skin inspirada no modelo 911 GT3 e atualização temática
de corrida em Wild Rift. Ação combina conteúdos no jogo e ativações com
creators e imprensa em eventos presenciais.
3ª
Riot Games confirma colaboração
com Porsche para League of Legends
Estadão amplia aposta em eventos
para reforçar ecossistema de conteúdo
Veículo expande agenda de fóruns e projetos proprietários para integrar
conteúdo, negócios e audiência. Estratégia inclui diferentes verticais e
busca fortalecer a operação de experiências.
Canva anuncia IA 2.0 e marca
maior evolução da plataforma
desde o lançamento
Atualização apresentada no Canva Create introduz recursos de IA para
criação, colaboração e execução em um único ambiente. Nova versão
inclui design conversacional, automação de tarefas e integração com
ferramentas externas.
4ª
Cobertura da Copa de 2026 envolve múltiplas plataformas, com
transmissões gratuitas, novos programas e participação de cerca
de 500 profissionais. Ge TV terá papel central na estratégia.
5ª
‘A Copa mobiliza todo o ecossistema
da Globo’, diz Eduardo Gabbay
‘O Melhor Comercial do Brasil’ estreia
no Troféu Imprensa e reconhece setor
Premiação do SBT reúne jurados do mercado para eleger o filme mais
criativo exibido em 2025. O júri conta com 12 profissionais do mercado
publicitário e de negócios.
4 27 de abril de 2026 - jornal propmark
índice
propmark
propmark.com.br
Internalização de
serviços de marketing
vive nova fase com IA
Lideranças do mercado
publicitário ouvidas pelo
propmark afirmam que
o movimento é pendular,
com tendência de alguns
clientes voltarem também a
centralizar os serviços com
as agências novamente.
20
ChatGPT
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Alê Oliveira
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
www.propmark.com.br/signup
assinaturas@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0737
Luiz Calainho direciona o L21 Corp
para negócios na economia criativa
Grupo liderado pelo executivo tem marcas de mídia
como a Mix FM Rio e a Paradiso FM, além do portal
Vírgula. O Blue Note, licenciamento da casa de jazz
americana, no Rio e em SP, é uma das empresas do
negócio, que faz ainda a gestão de musicais. pág. 34
Tech&Soul e Moma Propaganda
se unem na criação do T&S Group
Holding é formada pela T&S, a produtora audiovisual
Arapiraca Filmes e a VidaOOH. A Moma se junta
à estrutura, mas mantém atuação independente.
Claudio Gora, Flavio Waiteman, Claudio Kalim e Fico
Meirelles celebram o nascimento do grupo. pág. 14
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................7
Curtas .................................................................................8
Quem Fez ...........................................................................10
Entrevista ..........................................................................12
Agências ............................................................................14
Marcas ...............................................................................17
Mercado .............................................................................20
Por dentro das agências ..................................................36
Digital ................................................................................44
Opinião...............................................................................46
Out of Home ......................................................................49
ESG no MKT ........................................................................50
Inspiração ..........................................................................51
Click do Alê ........................................................................52
Última Página ....................................................................54
Em 2025, Investimento
publicitário foi de
R$ 95,2 bi, mostra Ibope
O marco foi divulgado na edição do
Radar AdInsights. O avanço de 8,2%
em relação ao ano anterior revela
uma mudança estrutural. Paula
Carvalho, diretora-comercial
do Ibope, analisa a transformação
na forma como as pessoas
consomem mídia. pág. 31
6 27 de abril de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Post: Criatividade é o combustível
que leva a propaganda para além
da commodity
Um prazer estar tão bem acompanhado
nesta matéria com tema tão atual e
importante.
Gustavo Bastos
Bela imagem!
Andre Kieling
ESTRUTURA
A Air+Atomo anuncia um novo momento com a consolidação de sua atuação em três frentes
complementares no audiovisual. A empresa já trabalha para clientes como Vivo, Unilever,
Samsung, Jeep, Peugeot, Natura, Grupo Boticário, Sinch, Hi-Chew e Jovi, além de produtoras
audiovisuais e agências nacionais e internacionais. Na foto acima: André de Souza, Roberta
Frederico (que se junta ao grupo nesta nova fase), Marcos ‘Boca’ Ceravolo e Caio Montanari.
“Estruturamos plataformas que permitem escalar conteúdo com consistência e eficiência,
garantindo aderência à identidade de marca”, afirmam os sócios.
CRIATIvIdAdE
A quarta edição do Influent Summit está agendada para os dias 24 e 25 de junho e a agência
responsável será a BTO+, entrando à frente da estratégia e execução. O evento será realizado
pela primeira vez no Expo Center Norte.
IMAGEM
A apresentadora Adriane Galisteu (foto à
esquerda) é a embaixadora da Elgin para a
linha de cuidados pessoais. A campanha conta
com OOH e um vídeo que está sendo exibido
nos trailers de 20 salas de cinema em São
Paulo, nas sessões dos filmes ‘Michael’ e ‘O
Diabo veste Prada 2’.
Post: Juliana Leite participa do
terceiro episódio do videocast
‘Creativity: dead or alive?
Arrasa!
House of Grace
Maravilhosa e necessária!
Bruninha Cicolino
Lindeusa!
Thaty
Duailibi Essencial
dorinho
Post: Luciana Haguiara está no
segundo episódio do videocast
‘Creativity: dead or alive?’
Admiro muito!
Beatriz Lorente
Sou fã, amo!
Helena Oliveira
Adorei!
Juliana
“Alguns homens da criação são vulcões extintos” (David Ogilvy).
TECNOLOGIA
Há cerca de três anos na RZK Digital, Claudia
de Armas foi promovida à posição de CTO da
empresa especializada em mídia out of home.
Agora, será responsável por liderar estratégia
tecnológica, inovação, desenvolvimento de
produtos e evolução digital da RZK.
COPA
O Grupo de Atendimento e Negócios (GAN) reuniu as lideranças (foto acima) para discutir
como as marcas podem potencializar negócios nos esportes e na Copa do Mundo nos EUA,
Canadá e México. Os C-levels de agências, anunciantes e mídia colocaram na pauta suas
expectativas e discutiram estratégias de negócio no contexto esportivo. A mediação do
evento ‘O marketing esportivo no Brasil: Como apoiar as marcas e negócios da Copa do
Mundo 2026’ foi de Fábio Meneghati, sócio e CEO da Greenz, que recentemente assumiu
como co-CEO do GAN ao lado de Juliana Vilhena Nascimento, CEO da entidade.
jornal propmark - 27 de abril de 2026 7
curtas
Reprodução/Instagram Oprah Winfrey
avança o projeto da ‘times square paulistana’
Paulo Pinto/Divulgação Agência Brasil
festivaL Cannes LiOns HOmenageia
OpraH Winfrey COm O LiOnHeart 2026
Oprah Winfrey (foto) é a homenageada do Cannes LionHeart 2026. Apresentadora, atriz, produtora
e empresária norte-americana, ela se junta à lista que, nos últimos anos, teve a ativista
paquistanesa Malala Yousafzai, em 2022; o fundador da marca de roupas Patagonia, Yvon
Chouinard, em 2023; a jornalista filipina Maria Ressa, em 2024; e a rapper afegã Sonita Alizadeh,
em 2025. Oprah subirá ao palco do Lumière Theatre, no Palais des Festivals - que recebe
o festival desde 1984 -, no dia 23 de junho, às 10h. “A influência de Oprah supera a mídia. Ela
usa continuamente a sua plataforma para promover outras pessoas, desafiando perspectivas
e inspirando mudanças. O seu sólido comprometimento no uso responsável de sua influência
ajudou a criar oportunidades em escala global, materializando o verdadeiro espírito do
LionHeart”, declara em nota Philip Thomas, chairman do Lions. A 73ª edição do Festival Internacional
de Criatividade Cannes Lions será realizada na França entre os dias 22 e 26 de junho de
2026 com 23 jurados brasileiros até o momento. Em 2025, foram 33 e, no ano anterior, 36.
A organização ainda anunciará os nomes da categoria Luxury. Os brasileiros Marcel Marcondes
(AB InBev), Rafael Pitanguy (VML) e Rafael Gil (Artplan) presidirão os júris de Creative Brand,
Brand Experience & Activation e Industry Craft, respectivamente.
stagWell integra BoB e crispin
Divulgação
Cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, local que deve abrigar o Boulevard São Paulo
Termo de cooperação assinado pelo governo e prefeitura de São Paulo no dia 22 de abril
avança na criação do Boulevard São João, no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João,
projeto apelidado de ‘Times Square paulistana’. O plano é ter quatro painéis de led com
70% do tempo de exibição destinado a conteúdo cultural, educativo e institucional, além
da restauração de espaços e oferta de wi-fi público. O restante ficará com publicidade. O
aporte é estimado em R$ 6 milhões, bancado pela empresa Fábrica de Bares. A iniciativa
está ancorada no Artigo 50 da Lei Cidade Limpa, que permite intervenções urbanas
financiadas por empresas em troca de inserções publicitárias controladas. A obra deve ser
concluída em até quatro meses.
Nathan Leitão, Vinicius B. Reis, Gabriel Netto e Renyer Santos: parceria é motor de crescimento
O grupo Stagwell, dono da Crispin, acaba de integrar a agência de performance Bob
à sua rede na América Latina. O intuito de Vinicius B. Reis, CEO da Crispin e presidente
da Stagwell América Latina, é “unir a potência criativa da Crispin com a excelência em
inteligência de dados e performance da Bob para criar um motor de crescimento”. A
combinação de forças “potencializa o impacto do trabalho e amplia a nossa atuação”,
reitera o CEO Renyer Santos, que fundou a Bob em 2014, e hoje tem Gabriel Netto (CMDO)
e Nathan Leitão (COO) como sócios. Parceira do Google, a Bob atuará no atendimento
de Lenovo e Motorola. Terá um hub fixo na Crispin, formado por 30 profissionais que
atuarão de forma integrada.
serena Williams endossa Heineken 0.0 latam ativa ‘todo mundo no rio’ itaú patrocina a tenista naná silva
Reprodução
Divulgação
Divulgação
Serena Williams confraterniza com jogadores de padel
A ex-tenista Serena Williams, dona de 23 títulos de Grand
Slam, passa a atuar como embaixadora global de Heineken
0.0. O acordo reforça o posicionamento da marca em unir
pessoas no mundo físico, desta vez, por meio do padel, misto
de tênis e squash. Serena vê Heineken 0.0 como “uma
opção sem álcool que ainda me permite continuar ativa,
seguir em movimento e me conectar com novas pessoas”.
Ela surpreendeu jogadores que reservaram partidas de
padel por meio do recurso ‘Open Match by Heineken 0.0’ na
plataforma Playtomic, em Miami (EUA), na primeira edição
do ‘Unexpected doubles’. “Acreditamos que os momentos
mais recompensadores acontecem quando as pessoas
se mantêm ativas, sociáveis e abertas a novas conexões”,
pontua Nabil Nasser, global head de Heineken.
Ação de OOH integra plano com conteúdo multiplataforma
‘Todo Mundo no Rio 2026’ tem a Latam Airlines Brasil
como companhia aérea oficial do evento, que terá show
de Shakira, na Praia de Copacabana, no dia 2 de maio.
Operação aérea especial, experiências, mídia OOH e
conteúdo multiplataforma ativam o patrocínio, que vai
até 2028. “O nosso compromisso é ir além do transporte
e contribuir para uma experiência completa, conectando
pessoas, culturas e emoções”, comenta Mariana Karrer,
head de marketing da Latam Brasil. Graphene Brasil, estrutura
formada pelas agências WMcCann e MRM Brasil para
atender a Latam, é a responsável pela estratégia de mídia
e a criação de peças. A operadora já teve um aumento de
30% nas buscas por passagens para embarque no dia do
show, em comparação com a edição anterior.
Naná Silva se tornou a mais jovem tenista a entrar no WTA
Nauhany Silva, a “Naná”, acaba de entrar para o time
de tenistas patrocinados pelo Itaú Unibanco, que já
tem Bia Haddad, Carlos Alcaraz e Victória Barros. “Ter
o Itaú como novo patrocinador, com todo o suporte
para o meu desenvolvimento dentro e fora da
quadra, é muito importante”, diz a paulistana, que em
2024, aos 14 anos, se tornou a mais jovem tenista a
ingressar no ranking profissional da Women’s Tennis
Association (WTA). Hoje ela faz parte do circuito
profissional. “Acompanhamos de perto o surgimento
de uma nova geração do tênis brasileiro”, lembra
Rodrigo Montesano, superintendente de experiências
e conexões de marca do Itaú Unibanco, que apoia o
tênis brasileiro há 50 anos.
8 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Sem título
https://qrfy.io/r/fJhbeyio_a
Sem título
https://qrfy.io/r/fJhbeyio_a
CONFIRA
comercial@mude.fit
instadamude
mude.fit
CONFIRA
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
Grey Brasil
Ambev/beeS
Fotos Divulgação
Título: ‘Sun tables’
ECD: Andre Gola
Diretores de criação: Fernanda Peka e Lucas Saicali
Diretores de arte: dani Keiko e Tomaz Saavedra
Redatora: Luana Silva
Aprovação: matheus Farabotti Pinto e cecilia Zuppo Zaccarelli
Mais do que uma promoção, esta ação reposiciona a mesa como
um território de mídia e interação, usando o próprio contexto do
bar como parte da mecânica. Em vez de combater o desconforto
das mesas ao sol, a ação converte-o em gatilho de engajamento,
criando uma experiência que une surpresa, conveniência e incentivo
direto ao consumo.
GUT sãO paUlO
TINder
Título: ‘Tudo recomeça com um match’
CCO e sócio: bruno brux
CCO: Tiago Abreu
ECDs: rainor marinho e Sofia calvit
Aprovação: cleo Long, maria Fernanda Zanusso e maya Aragão
A ação é baseada em uma narrativa que transforma términos em
novos começos, reforçando seu papel como facilitador de conexões
para quem está recomeçando a vida amorosa. A proposta é simples:
dar aos registros passados um novo significado, recriando fotos
antigas com matches atuais, intermediados pelo Tinder, que quer
reforçar o app como um local seguro, leve e divertido.
almapBBDO
brAdeSco
Título: ‘craque do banco’
CCO: Pernil
Vice-presidentes de criação: Fernando duarte e Henrique
del Lama
Diretores-executivos de criação: Felipe cury e Philippe degen
Aprovação: renato camargo, José mauricio Lila e
Tatiana Tamashiro
Ronald Nazário, que é DJ, filho do Fenômeno e, agora, o novo
cliente-propaganda da marca, atua como protagonista do
projeto. A comunicação apresenta o conceito de que, na hora
de escolher o cartão do banco, ele é o craque da família, em
uma narrativa leve e bem-humorada que dialoga com o universo
do futebol.
10 27 de abril de 2026 - jornal propmark
conteúdo de marca
coolab assina criação e produção da nova
campanha de carolina Herrera no Brasil
Para apresentar o 212 VIP Rosé Cab, a peça traz Bruna Marquezine
e Angélica em um clima nostálgico dentro de um táxi
A
Carolina Herrera apresenta para o mercado
brasileiro o 212 VIP Rosé Cab, nova fragrância
em edição limitada. Para marcar o lançamento,
a marca aposta em uma campanha criada e executada
pela Coolab, protagonizada por Bruna Marquezine
e Angélica, com foco em awareness entre a
Gen Z e consumidores ligados a lifestyle urbano, moda
e comportamento. Desenvolvida a partir de uma
estratégia integrada, a campanha parte do conceito
‘o que acontece no táxi, fica no táxi’, transformando
o veículo no principal elemento narrativo da ação. O
táxi surge como espaço de encontros, confidências
e mistério, conectando a proposta sensorial da fragrância
a uma atmosfera de desejo, espontaneidade
e vida noturna.
No filme, Bruna Marquezine inicia a narrativa ao
entrar no carro, aplicar o perfume e deixar o frasco
no banco traseiro, dando início a uma sequência
de conexões ao longo da noite. Angélica aparece
no desfecho, reforçando o tom de cumplicidade e
encerrando a história com uma assinatura de surpresa.
A participação de Angélica também adiciona
um componente nostálgico à campanha. Ícone dos
Divulgação
Filme recria a atmosfera
de nova York, cidade
símbolo da linha 212
anos 1980 e 1990 com o sucesso ‘Vou de Táxi’, a apresentadora
resgata uma referência pop amplamente
reconhecida pelo público e alinhada ao storytelling
da ação.
Com estética urbana e noturna, o filme recria a
atmosfera de Nova York, cidade símbolo da linha 212.
“Ele parte desse fluxo de histórias que atravessa a
noite. Encontros intensos, espontâneos e, muitas
vezes, íntimos. O perfume conecta essas cenas,
enquanto Bruna e Angélica, ícones de diferentes
gerações, surgem como cúmplices desses momentos”,
detalha Henrique Reis, gerente de conteúdo da
Coolab e co-criador da campanha.
A atuação da agência envolveu todas as etapas
do projeto, da estratégia criativa à produção e execução.
A agência assinou o racional estratégico,
construção narrativa, curadoria de talentos, direção
criativa, produção e integração dos desdobramentos
em social media, PR e ativações. A campanha
será veiculada no Brasil em diferentes frentes,
incluindo filme, redes sociais, TikTok, ações de relações
públicas e iniciativas de street marketing.
Marca foca em awareness entre a Gen Z e consumidores ligados a lifestyle urbano, moda e comportamento
A peça traz Bruna Maquezine e Angélica e aposta na nostalgia dos anos 80 e 90 com a música ‘Vou de Táxi’
jornal propmark - 27 de abril de 2026 11
entrevista
Marcio coelho
CEO do Brivia Group
‘A criatividade continua central’
O Brivia Group, que se tornou grupo
há cinco anos, vem trabalhando seu
posicionamento como martech ao
estruturar um modelo que integra
dados, tecnologia, criatividade e
performance nas soluções que oferece.
Com seis operações no Brasil e presença
internacional em Lisboa, o grupo reúne
marcas como Peppery, Pravy e Heads. A
incorporação da Pravy, neste ano, amplia
a frente de customer experience e o
uso de inteligência artificial em jornadas
digitais, enquanto movimentos recentes,
como a conquista da conta da Azul
Linhas Aéreas pela Peppery, indicam
avanço em grandes anunciantes. Na
entrevista a seguir, o CEO Marcio Coelho
detalha a estratégia de crescimento, o
papel do M&A e a ambição de consolidar
um modelo híbrido entre consultoria,
tecnologia e comunicação.
Vitor Kadooka
O mercado tem visto uma aproximação entre agências, consultorias
e empresas de tecnologia. Onde a Brivia se posiciona
hoje nesse cenário?
Nós nos posicionamos exatamente na interseção desses três mundos. Não
acreditamos mais em fronteiras rígidas entre agência, consultoria e tecnologia.
O cliente precisa de parceiros que entendam de negócio, dominem dados
e saibam transformar isso em experiências relevantes. A Brivia nasceu da
tecnologia e do customer experience, mas evoluiu incorporando capacidade
consultiva e de comunicação. Hoje, somos uma empresa que desenha estratégia,
constrói soluções, executa com base em dados e amplifica experiências
por meio de comunicação, tudo de forma integrada.
A Brivia vem reforçando seu posicionamento como martech.
O que, na prática, muda no modelo de negócio do grupo
nessa nova fase?
Quando ampliamos nosso posicionamento como uma empresa de martech
services, deixamos de atuar apenas na execução de comunicação para assumir
um papel mais estratégico, conectado à geração de valor para o negócio
Edivan Rosa/Divulgação Brivia
dos clientes. Isso significa integrar dados, tecnologia, criatividade e performance
em uma mesma entrega. Nosso modelo passa a ser mais orientado a
plataformas, produtos e soluções escaláveis, com recorrência e mensuração
clara de resultados. É uma evolução que exige atualização de conhecimento
e novas competências, mas que também amplia significativamente o impacto
que conseguimos gerar.
A Brivia vem crescendo por meio de aquisições e já reúne
diferentes operações no portfólio. Qual é a lógica por trás
dessa estratégia de M&A?
Nossa estratégia de M&A sempre foi orientada pela necessidade de complementaridade.
Buscamos empresas com competências que aceleram nossa
visão de martech services, seja em tecnologia, comunicação, dados, performance
ou experiência. Não se trata apenas de crescer em escala, mas de
ampliar nossa capacidade de entrega de forma consistente. Cada aquisição
precisa fortalecer o ecossistema do grupo e gerar sinergia real, tanto do ponto
de vista de oferta quanto de cultura.
A compra da Pravy reforça a frente de customer experience. Que
tipo de entrega passa a ser possível a partir dessa integração?
12 27 de abril de 2026 - jornal propmark
“Mais do que preencher lacunas, queremos
antecipar movimentos do mercado”
A integração nos permite crescer, de forma ainda mais significativa, em jornadas
de experiência mais sofisticadas e orientadas por dados e inteligência artificial.
Passamos a ter uma capacidade ainda maior de mapear, desenhar e otimizar
toda a jornada do cliente, conectando pontos de contato e personalizando interações
em escala. Isso se traduz em experiências mais relevantes, aumento de
conversão e construção de relacionamento de longo prazo com os consumidores.
O grupo projeta novas aquisições? Que lacunas vocês ainda
buscam preencher?
Estamos atentos a oportunidades que reforcem principalmente nossas capacidades
em experiência, inteligência artificial, data intelligence e plataformas.
Também olhamos com bastante atenção para empresas que tragam
diferenciais em criatividade. Mais do que preencher lacunas, queremos antecipar
movimentos do mercado e estar preparados para o que será essencial
nos próximos anos.
A chegada de novos clientes, como a Azul, sinaliza um avanço
em determinados setores. Existe um foco prioritário de
mercado para crescimento?
Temos avançado em setores como varejo, bens de consumo, financeiro e
infraestrutura, que são intensivos em dados e experiência. Nosso foco, no
entanto, não está restrito a segmentos específicos, mas muito mais ligado
à maturidade digital das empresas. Buscamos parceiros que entendam a importância
de integrar tecnologia, dados e criatividade para crescer. Esses são
os clientes com os quais conseguimos gerar mais valor.
Como o Orqstra funciona?
O Orqstra é o primeiro produto proprietário do grupo e foi concebido para resolver
um dos grandes dilemas do marketing, que é a capacidade de mensuração
de resultados e impacto. Trata-se de uma plataforma que integra dados,
inteligência e execução para orientar, de maneira estruturada, toda a jornada
de marketing, desde a estratégia, passando pela criação e culminando na
execução de campanhas efetivas. É uma solução que, essencialmente, ajuda a
entregar performance e conversão. A plataforma é capaz de conectar diferentes
fontes de informação, aplicando modelos analíticos e, assim, criando modelos
preditivos, que orientam líderes de marketing em tomadas de decisão
com assertividade. Acredito que um dos grandes diferenciais do Orqstra está
na capacidade de transformar dados em ação de maneira contínua, gerando
eficiência e melhores resultados. É a materialização prática do conceito de
marketing experience modeling (evolução do marketing mix modeling).
O Creative Score e os novos recursos apresentados recentemente
indicam um avanço na análise de peças criativas. Isso
muda o papel da criatividade dentro das campanhas?
Muda no sentido de potencializar, não de substituir. A criatividade continua
sendo central, mas passa a ser mais informada por dados. Com ferramentas
como o Creative Score, conseguimos entender com mais precisão o que
funciona e por quê. Isso permite ciclos mais rápidos de aprendizado e otimização.
A criatividade deixa de ser apenas intuitiva e passa a ser também
orientada por evidências, o que eleva a qualidade das entregas.
A Brivia tem defendido uma integração mais profunda entre
dados, tecnologia e experiência. Por que essa integração
ainda é um desafio para as empresas?
A jornada de consumo não é mais linear, o que faz o paradigma de silos de
informações entre as áreas das organizações ser um problema ainda maior.
Isso significa que precisamos quebrar culturas e apresentar novas formas de
enxergar o marketing, a comunicação e a tecnologia. Ou seja, é um desafio
tanto tecnológico quanto cultural. Muitas empresas ainda operam com estruturas
fragmentadas, onde dados, marketing e tecnologia não conversam
de forma fluida. Além disso, há questões relacionadas à governança de dados,
maturidade analítica e adoção de novas ferramentas que precisam ser
constantemente revistas. Não podemos olhar o mercado como uma receita
de bolo escrita em pedra. Integrar tudo isso exige investimento, mudança de
mindset e uma liderança disposta a promover essa transformação.
Como a entrada de Juliana Vilhena como CRO muda a operação
comercial do grupo?
A chegada da Juliana traz uma visão ainda mais estruturada e orientada a
crescimento para a área comercial. Ela fortalece nossa capacidade de organizar
a oferta de soluções, melhorar a previsibilidade de receita e aprofundar
o relacionamento com clientes estratégicos.
Olhando para os próximos anos, qual é a ambição da Brivia:
ser uma grande martech global, uma consultoria de negócios
ou um novo modelo híbrido?
Como diz o nosso manifesto, “sejamos esse organismo vivo que se adapta
não só ao que somos, mas tudo o que podemos ser. Sejamos a solidez do passado
sem nunca temer o futuro”. A Brivia continuará sendo esse organismo
vivo e adaptável, que leva aos seus clientes aquilo que eles precisam para
serem marcas que crescem e perseveram. Queremos ser reconhecidos como
uma empresa capaz de impactar o crescimento dos clientes por meio da integração
de estratégia, tecnologia, dados e criatividade. Não se trata apenas
de escala global, mas de relevância. Queremos liderar essa transformação no
mercado, ajudando empresas a operarem de forma mais inteligente, conectada
e orientada a resultados.
“Não podemos olhar o mercado como
uma receita de bolo escrita em pedra”
jornal propmark - 27 de abril de 2026 13
agências
T&S Group nasce com Moma Propaganda,
Tech&Soul, Arapiraca Filmes e VidaOOH
Operação independente projeta expansão de 40% em 2026, a partir de
entregas potencializadas pela sinergia de expertises entre os negócios
A
Tech&Soul se uniu à Moma
Propaganda para formar o T&S
Group, holding independente
que nasce com a expectativa de
crescer 40% em 2026. Claudio Kalim
e Flavio Waiteman são co-CEOs do
novo grupo, composto pela agência
Tech&Soul, a produtora audiovisual
Arapiraca Filmes e a empresa de
planejamento e execução de out of
home VidaOOH.
A Moma se junta à estrutura, mas
manterá atuação independente,
sem troca societária. Com 18 anos
de mercado, a agência é liderada
pelo CEO e sócio Fico Meirelles e
atende Porsche, Kia, Syngenta e
Banco Mercedes.
União
“Queremos preservar a singula-
Daniel Martinez/Divulgação T&S Group
Claudio Gora, Flavio Waiteman, Claudio Kalim e Fico Meirelles: atuação independente
ridade de cada empresa e, a partir
disso, potencializar o que cada uma
tem de melhor para gerar entregas
mais completas e consistentes e
um crescimento sustentado para
as empresas”, declara Claudio Kalim,
fundador e CEO da Tech&Soul e
co-CEO do T&S Group. O movimento
chega no mês em que a Tech&Soul
celebra nove anos de atividade.
“A Moma sempre acreditou no
modelo de agência independente,
com menos camadas de decisão e
mais proximidade com os clientes.
Ao integrar o T&S Group, ampliamos
a nossa capacidade de entrega,
acessando novas expertises e ferramentas,
e mantendo a liberdade
criativa que faz parte do nosso DNA”,
comenta Fico Meirelles, CEO e sócio
da Moma.
Manga Costa e Bibika Gouveia formam
a nova dupla de criação da VML Brasil
Agência contratou Manga e promoveu Bianca “Bibika” Gouveia, que
atuarão em projetos integrados para diferentes clientes da agência
A
diretora de arte Manga Costa
acaba de chegar à VML para
trabalhar ao lado da redatora
recém-promovida Bianca “Bibika”
Gouveia. O movimento forma uma dupla
“talentosa, inquieta e conectada
com cultura, tecnologia e resultados”,
diz Eduardo Marques, CCO da VML Brasil.
Elas atuarão em projetos para diferentes
clientes da operação.
Manga e Bibika já atuaram juntas na
Wieden+Kennedy. “A gente se conheceu
lá atrás, ainda no começo da trajetória,
e agora chegamos com mais repertório
e vontade de fazer trabalhos que realmente
mexam com as pessoas”, pontua
Manga. “Queremos contribuir com ideias
que unam craft, relevância cultural e resultado
para os clientes”, declara Bibika.
Divulgação
Manga Costa e Bibika Gouveia: mais repertório para ideias com craft e relevância cultural
A nova dupla passa a atuar no time
de criação da VML Brasil, colaborando
em projetos para diferentes clientes
da operação. A carreira de Manga denota
olhar apurado para direção de
arte, consistência visual e trabalhos
que dialogam com cultura, diversidade
e inovação, em diferentes formatos
e plataformas. Já Bibika consolida
perfil como criativa versátil, com vocação
para storytelling e social, além
de escrita contemporânea e conectada
com a linguagem da audiência.
A expectativa é de que ambas reforcem
o compromisso da VML em
investir em profissionais que entreguem
ideias integradas, culturalmente
relevantes e com impacto para os
negócios dos clientes.
14 27 de abril de 2026 - jornal propmark
agências
Artplan assume comunicação do
segmento de cozinha da Britânia
Times integrados de planejamento, criação, mídia e conteúdo
trabalharão para fortalecer a relevância da marca nos lares brasileiros
A
Artplan assumiu a publicidade da linha de
cozinha da marca Britânia. Planejamento estratégico
e desenvolvimento de campanhas
estão no escopo de trabalho, que pretende “traduzir
atributos funcionais em uma comunicação clara,
relevante e consistente, capaz de sustentar a diferenciação
no longo prazo e gerar impacto real no negócio”,
comenta Gláucia Montanha, CEO da Artplan.
O objetivo da comunicação é mostrar as facilidades
proporcionadas pelos produtos e fortalecer
o elo com os consumidores, que continuarão sendo
convidados a “britâniar”. “A chegada da Artplan marca
um novo ciclo na Britânia. Buscamos um parceiro
que entendesse a nossa essência de marca democrática
e inovadora, mas que nos desafiasse. A expertise
da agência em criar campanhas memoráveis
e integradas está em total sintonia com os nossos
objetivos de marketing para os próximos anos”, de-
Produtos da Britânia prometem facilidade no dia a dia de consumidores que valorizam soluções cada vez mais práticas
fende Emanuelle Ramalhete Henche, head de marketing
e comunicação da Britânia.
Segundo a empresa, o mercado brasileiro de eletroportáteis
vive momento de expansão, puxado por
Reprodução
praticidade. A expectativa é integrar times dedicados
em planejamento, criação, mídia e conteúdo para fortalecer
os valores de inovação e tradição da marca,
além da relevância da Britânia nos lares brasileiros.
jornal propmark - 27 de abril de 2026 15
agências
Expertise no agronegócio é a receita da
Be Nice to People para seu crescimento
Com dois anos de atividade, empresa já figura no ranking do Cenp
entre as 20 maiores do mercado gaúcho de publicidade em 2025
Paulo Macedo
Responsável por 25% das riquezas
produzidas no Brasil, com
um volume anual de aproximadamente
R$ 3,2 trilhões, o agronegócio
é o principal pilar econômico do
país, que traz possibilidades para a
comunicação, mesmo não sendo um
segmento anunciante de grandes volumes.
Porém, quando se observa as
commodities usadas em produtos de
consumo, como o cervejeiro, o agro
está presente. Outros mercados,
como o automobilístico, interagem
com o setor e marcam presença na
grade da TV Globo, conhecido como
‘Agro é tech, agro é pop, agro é tudo’.
Além disso, o agro possibilita ações
de live marketing em eventos como
o Agrishow, que será realizado entre
os dias 27 de abril e 1º de maio, com
mais de R$ 14 bilhões em volume de
negócios.
Apesar de estar no B2B, o agro faz
uso da publicidade, sobretudo nessa
relação do trade com o varejo. Agências
como a gaúcha Be Nice to People,
com pouco mais de dois anos de
atividade, construíram autoridade no
agro devido ao conhecimento setorial,
com atendimento a marcas como
a multinacional norueguesa Yara (fertilizantes),
Husqvarna (equipamentos
profissionais), Viqua Irriga (irrigação)
e Helm (defensivos agrícolas).
“Ao contrário de mercados urbanos,
onde o digital domina, o agro
valoriza o contato direto, a confiança
construída no olho no olho e a reputação
que se consolida com presença
consistente no território”, resume a
executiva Fernanda Kubiack, sócia e
diretora de atendimento, que atua
ao lado dos também sócios Fernando
Garros (criatividade e planejamento)
e Ubiratan Fontoura (negócios). A
agência está crescendo e em breve
chega a São Paulo.
“A chave é conhecer as personas
do agro. Não se pode generalizar, pois
cada plantio e cada região da cadeia
A Stara busca na publicidade o fortalecimento da sua marca
de valor do agro possui características
diferentes. Nesse sentido, a agência
entende que as marcas precisam
intensificar outras disciplinas do
marketing para sensibilizar o target
rural”, enfatiza Garros, lembrando que
em 24 meses a Be Nice to People já
está listada entre as 20 maiores do
ranking do Cenp no Rio Grande do Sul.
Entre essas disciplinas está a mídia
out of home. Nas palavras de Fernanda,
uma opção que ativa, por exemplo, os
ambientes de feiras do agro. “Para divulgar
o fertilizante Scyon, da Helm,
foi utilizado o recurso de iluminação
de led na peça, mostrando a eficiência
do produto na facilitação da
fotossíntese da planta, dando a ela
mais energia. Já para outro produto,
o defensivo Cifrão, também da Helm,
foi utilizado um frontlight duplo próximo
às feiras, com o impacto de um
aplique despejando moedas, lembrando
a alta produtividade. O OOH é
uma mídia essencial para o agro, que
permite uma integração das marcas
nos grandes eventos”, afirma.
“É importante que o produtor
“Não é possível
contar somente
com o digital no
agronegócio”
Fernanda Kubiack, Fernando Garros e Ubiratan Fontoura
Fotos: Divulgação
perceba os benefícios do produto
de forma mais clara e impactante
no offline. E nesse sentido, a parceria
com a agência tem nos dado esse
resultado”, afirma Cristiane Andrade,
coordenadora de comunicação e
marketing da Helm no mercado brasileiro.
Nas palavras de Garros, “a criatividade
aliada a uma proposta de valor
clara são fundamentais para as marcas
no agronegócio, pois trata-se de
um ambiente de grandes inovações
tecnológicas, mas que são rapidamente
comoditizadas. Por isso a necessidade
de ações 360º.”
Garros acrescenta: “Não é possível
contar somente com o digital no
agronegócio. O produtor rural possui
hábitos muito particulares, como a
conversa na cooperativa, a visita nas
feiras e exposições. Isso passa longe
de um post ou um Google Ads”. Fernanda
finaliza: “Existe a hora de falar
tecnicamente do produto, e existe
a hora de impactar sensorialmente,
para gerar lembrança. No agronegócio,
as duas coisas têm de coexistir.”
16 27 de abril de 2026 - jornal propmark
marcas
Netflix e McDonald’s lançam campanha
global inspirada em ‘Stranger things’
Diretora sênior de parcerias de marketing da Netflix para a América Latina
explica que a cultura dos fãs latinos tornou-se um destaque para as marcas
Fotos: Divulgação
Carol Baracat: a América Latina molda tendências
‘Stranger things: Histórias de 85’ leva os consumidores a uma missão especial para salvar o McDonald’s de Hawkins
Bruna Magatti
A
Netflix e o McDonald’s anunciaram
uma parceria global
que traz a edição especial do
McLanche Feliz, ‘Stranger things:
Histórias de 85’, marcando a estreia
da nova série animada da franquia. O
Brasil será um dos primeiros mercados
a receber a experiência inédita,
ao lado de outros 16 países da América
Latina, reforçando a relevância
estratégica da região para as duas
marcas. A parceria integra a estratégia
global de brand partnerships
da Netflix, criada para expandir suas
produções para além do streaming
e transformar universos de sucesso
em experiências físicas e interativas
no cotidiano do público.
A campanha será lançada por etapas
em 60 países, começando em abril
e terminando no fim de setembro. Na
América Latina - junto com o Canadá -,
a experiência estará disponível de 28
de abril a 1º de junho.
Com a escolha do Brasil e da América
Latina para iniciar o lançamento,
a Netflix mostra a importância crucial
dos países latinos para o negócio, não
apenas no engajamento com o conteúdo
audiovisual, mas também em
acordos publicitários. A região traz
a intensidade da relação do fã, e, de
acordo com a empresa de streaming,
o público latino já provou o quanto
pode ser apaixonado e participar ativamente,
comentando, recriando e
amplificando. Carol Baracat, diretora
sênior de parcerias de marketing da
Netflix para a América Latina, explica
que, para as marcas, isso é extremamente
relevante, pois podem operar
em um contexto onde o engajamento
é alto e qualitativo, e, por isso, o time
de marketing da empresa saiu de um
modelo mais tático para uma abordagem
claramente estratégica, em que
as campanhas com parceiros passam
a ser uma extensão direta do conteúdo
em termos de visibilidade, experiência
do fã e construção de valor.
“Hoje, trabalhamos com um ecossistema
mais estruturado e integrado
também aos times de publicidade e
licenciamento de produto. A América
Latina, nesse contexto, se consolidou
como um mercado onde é possível
testar, escalar e aprofundar esse modelo
com muita consistência”, revela.
“A América Latina não é apenas um
mercado relevante em termos de audiência,
é uma região que influencia a
conversa global, que molda tendências,
que valoriza sua cultura. O nível
de engajamento, participação e força
O público latino
já provou o
quanto pode
ser apaixonado
e participar
ativamente
cultural das nossas histórias feitas
aqui é significativamente alto. Isso
cria um ambiente onde iniciativas
globais como essa performam bem
localmente por uma razão simples:
a Netflix cuida para que haja sentido
e complementaridade com aquilo de
que os próprios fãs já gostam e falam.
Começar por este ponto é reconhecer
uma região que amplifica, interpreta
e dá novas camadas às histórias e às
coisas que não necessariamente se
originam aqui”, afirma Carol.
UMA EDIÇÃO ESPECIAL
Inspirada no universo de ‘Stranger
things: Histórias de 85’, a campanha
leva os consumidores a
uma missão especial para salvar o
McDonald’s de Hawkins. Na narrativa,
criaturas misteriosas invadiram
a cidade e tomaram conta de um
dos pontos de encontro mais queridos
da turma. Cada McLanche Feliz
temático contará com embalagem
exclusiva inspirada na animação,
além de 12 brinquedos colecionáveis
dos personagens, distribuídos em
lançamentos com dois novos itens
por semana, incentivando novas
visitas às lojas. A experiência também
inclui um livro de atividades
temático e um QR code que libera
conteúdo digital exclusivo, com
acesso a um jogo interativo em que
os participantes ajudam a salvar Hawkins
e o McDonald’s dos monstros.
Para Carol, essa oferta híbrida já
é parte da expectativa das pessoas:
“As experiências mais relevantes
são aquelas que conseguem encaixar
diferentes pontos de contato de
forma fluida, sem interrupções. No
caso dessa campanha, isso se traduz
na combinação entre produto físico,
elementos colecionáveis e uma camada
digital que expande a narrativa.
Esse tipo de abordagem não só
aumenta o tempo de interação com
a marca, mas também cria oportunidades
adicionais de engajamento e
compartilhamento”, afirma.
jornal propmark - 27 de abril de 2026 17
mercado
Internalização de serviços de marketing
permanece em alta, menos na criação
Nas palavras de Eduardo Megale (Talent), mercado saiu de uma
discussão binária e foi para um modelo mais híbrido e sustentável
Freepik
Marcas anunciantes passaram a internalizar atividades antes confiadas às agências, principalmente nas áreas de analytics e também na execução tática de mídia programática
Paulo Macedo
Pesquisa realizada pela WFA
(World Federation of Advertisers)
em 2023 junto com a The
Observatory International detalhou
uma forte tendência entre os anunciantes:
a internalização de serviços
de marketing antes confiados a agências
atuantes no diversificado negócio
da comunicação de marketing.
A análise mostrou que 56% dos entrevistados
esperavam transferir em
três anos mais produção digital de
agências externas para operação in-
-house; 33% planejavam mais produção
offline; 22% esperavam transferir
mais trabalho de estratégia de dados
para suas estruturas; e 11% planejavam
transferir mais tarefas de gestão
de dados, insights e análises para
equipes próprias.
Os resultados foram baseados em
respostas de 45 empresas, com um
gasto anual anual em publicidade de
US$ 60 bilhões. “A ascensão da agência
interna é uma das grandes mudanças
na forma como as marcas gerenciam
suas necessidades de comunicação.
Embora o custo tenha sido um dos
fatores dessa tendência, operações
bem-sucedidas demonstram que podem
trazer benefícios como a rapidez
de resposta”, disse Stephan Loerke,
CEO da WFA. O que não se terceiriza, é
a criatividade; a ideia.
Nesse hiato de tempo, o movimento
permanece, mas amadureceu, nas
palavras de Grasiela Scalioni, CEO da
Lápis Raro. “O que vemos hoje é muito
diferente daquela onda de cinco
anos atrás. O discurso era de ruptura:
cortar custos, ganhar velocidade, assumir
o controle dos dados”, ela explica,
lembrando que “80% dos grandes
anunciantes mantêm alguma forma
de operação interna. O movimento
migrou da execução tática de mídia
programática e conteúdo social para
áreas mais estratégicas: data science,
analytics, inteligência de negócio.
A execução criativa e a construção
de marca de longo prazo, por sua vez,
continuam demandando o olhar de
uma agência com pensamento de inteligência
de marca”.
A tendência elevou o nível de exigência
sobre as agências no olhar
de Eduardo Megale, COO da Talent.
“Eu acredito que o mercado saiu de
uma discussão binária, ou seja, internalizar
ou terceirizar e foi para um modelo
mais híbrido sustentável. O que
vemos, inclusive em cases recentes,
é que o movimento é pendular: empresas
acabam internalizando buscando
eficiência e controle, mas à medida
que a complexidade cresce, especialmente
com o advento da IA, elas
voltam a demandar das agências
aquilo que não conseguem replicar
internamente: visão estratégica,
“O que vemos
hoje é muito
diferente daquela
onda de cinco
anos atrás”
20 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Alessandra Visintainer ocupa a posição de managing director da GUT São Paulo
Grasiela Scalioni, CEO da agência Lápis Raro: “80% mantêm operações internas”
integração e repertório criativo. Eu
acrescentaria mais um ponto que é
atmosfera que a agência pode permitir
para contribuir nos desafios de
cada business”, afirma.
O mix de alto potencial criativo,
estratégias robustas e uma visão de
mídia orientada pela criatividade é
a tríade de Alessandra Visintainer,
managing director da GUT. Mas ela
acredita no movimento contrário à
internalização de serviços, com os
anunciantes voltando a centralizar
suas operações nas agências.
“Vejo que as agências utilizam tecnologia
para aprimorar a efetividade
e se concentram em oferecer o que
apenas elas podem proporcionar: alto
potencial criativo, estratégias robustas
e uma visão de mídia orientada
pela criatividade. Com isso, a tendência
é que a internalização diminua,
demandando mais especialistas para
atender às necessidades cada vez
mais complexas do mercado”, coloca
Alessandra.
Na avaliação de Cleber Paradela,
co-managing director e VP de innovation
da YouDare, agência do Grupo
Dreamers, “o movimento de in-house
versus agência sempre foi pendular”.
“Acredito que o movimento de
internalização dos anunciantes agora
ocorre de um jeito mais maduro.
No começo, muita marca trazia o time
pra dentro olhando pra corte de custo
e agilidade. Hoje a conversa mudou.
Os anunciantes entenderam que algumas
áreas, principalmente observando
first-party data, inteligência
de dados, performance e CRM, precisam
estar coladas no negócio pra fazer
diferença de verdade. Então não é
mais aquele ‘vou internalizar tudo’. É
“Internalização
dos anunciantes
agora ocorre de
um jeito mais
maduro”
mais cirúrgico. O que faz sentido ficar
dentro, fica. O que depende de repertório,
de olhar de fora, de tecnologia
específica, continua com o parceiro.
E o trabalho acaba sendo orquestrado
por in-house junto com agências
externas especialistas”, observa Paradela.
O tom maduro caminha em igualdade
de condições com a gestão híbrida,
mas sem necessariamente a
substituição das agências. “Não se
trata mais de escolher entre fazer
tudo internamente ou terceirizar,
mas de entender com mais clareza o
que faz sentido estar dentro de casa
e o que ganha valor quando desenvolvido
em parceria. Esse equilíbrio
tem se mostrado mais eficiente do
ponto de vista operacional e criativo”,
destaca Bruno Deos, fundador da
Montag School.
Beto Campos, co-CEO da We: “Abordagem pragmática”
Cleber Paradela é uma das lideranças da YouDare
Bruno Deos é fundador da Montag School
jornal propmark - 27 de abril de 2026 21
Fotos: Divulgação
Daniel Alencar é CEO da operação da marca Pupila O executivo Eduardo Megale é COO da Talent Fabio Meneghati lidera a Greenz, da qual é fundador
O movimento de internalizar serviços
ainda existe, mas ele mudou
muito ao longo da última década, na
expressão de Beto Campos, co-CEO da
We. “Anos atrás, internalizar era quase
um ‘mantra’ para quem quisesse agilizar
processos. A ideia era trazer tudo
para dentro da empresa e ponto. Hoje,
percebo que a abordagem dos clientes
é mais pragmática: eles internalizam
o que faz mais sentido pontualmente
para as áreas e objetivos de negócio.
Ou seja, internalizar segue em alta,
mas hoje é menos sobre estar fisicamente
dentro do cliente, e mais sobre
incorporar valores, pactuar objetivos
e estar realmente inserido no negócio
do cliente. O controle e a proximidade
física são importantes, mas não resolvem
sozinhos o desafio de construir
valor de marca em um ambiente cada
vez mais saturado.”
Eficiência é a chave para o foco
in-housing de algumas marcas. “Tem
um dado do Gartner que resume bem:
o orçamento de marketing encolheu
quase 30% entre 2020 e 2024. Ao
mesmo tempo, 71% dos profissionais
dizem que seus times produzem dez
vezes mais conteúdo do que há cinco
anos. Então você tem menos dinheiro
e muito mais entrega. A internalização
ganhou força aí: não como uma
grande decisão estratégica, mas
como resposta a uma pressão real. As
agências estão sentindo isso, estão
correndo atrás”, detalha Daniel Alencar,
CEO da Pupila.
“As marcas estão tentando sobreviver
a uma conta que não fecha.
Estão buscando na tecnologia uma
operação que produza mais com
“Reconfiguração
do papel da
agência: menos
operacional e
mais estratégica”
mais previsibilidade. Sem isso, a internalização
só muda o endereço do
problema”, afirma Alencar.
Fábio Meneghati, CEO e sócio da
Greenz, também fala de inversão da
rota, pelo menos na sua agência. “Vivemos
um movimento consistente
de ampliação de escopo dentro dos
nossos clientes. Em diversos casos,
atividades que estavam internalizadas
voltaram a ser executadas pela
agência”, afirma.
Na Greenz, segundo Meneghati, a
combinação de pressão por performance
e uso estratégico de IA tem reforçado
o papel da agência, e não reduzido.
“Isso se reflete, inclusive, em
crescimento real de escopo: de 2025
para 2026, ampliamos nossa atuação
em praticamente todas as contas, inclusive
naquelas em que não éramos
full service. Mais do que uma substituição,
o que estamos vendo é uma
reconfiguração do papel da agência:
menos operacional e mais estratégica,
mais integrada e cada vez mais
orientada a resultados.”
Cleber Paradela, da YouDare, vê reequilíbrio
devido a problemas que não
estavam no radar. “Variação abrupta
de headcounts não mapeados, choque
cultural, custo de talento, dificuldade
de manter gente boa, troca
criativa, tecnologia que muda toda
hora, e aquela sensação de estar
sempre olhando pra dentro e perdendo
repertório. O que a gente vê é que
cliente mantém em casa o que é core
(dado, performance, canal próprio), e
volta a se apoiar em agência e parceiro
especializado para estratégia,
para as campanhas grandes, para os
projetos que exigem fôlego criativo”,
finaliza.
Os times internos dos anunciantes estão mais focados em operações que exigem respostas de estratégias de curto prazo
Freepik
22 27 de abril de 2026 - jornal propmark
ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE
ANUNCIANTES
mercado
IA motiva serviços in-house, mas não
cria conexão emocional, real e humana
A ponte com as estratégias agile, de acordo com Inaiara Florêncio, da
Gana, é o conhecimento das ambiguidades que são restritas às pessoas
Freepik
Uma ideia que é inegociável na internalização é o compartilhamento coletivo da ideia killer, mesmo na era da inteligência artificial, que contribui para a terceirização
Paulo Macedo
O
movimento de internalização
continua, mas ele vem evoluindo.
Hoje, não se trata mais de
substituir as agências, e sim de reorganizar
papéis dentro de um modelo
mais integrado. O conceito é da executiva
Isabella Cinopoli, chief operating
officer da Leo, que também observa
que a IA (inteligência artificial) contribui
para acelerar esse processo
ao facilitar a execução e dar mais autonomia
para os times internos dos
clientes. Ela vai adiante:
“Mas, ao mesmo tempo, aumentou
o nível de complexidade. Hoje, não
basta produzir mais, é preciso produzir
melhor e com mais contexto.
Nesse cenário, o papel da agência se
fortalece como parceira estratégica e
de negócio. Mais do que entregar campanhas,
passamos a contribuir com
leitura de mercado, entendimento de
comportamento e construção de soluções
que gerem impacto real. Na Leo,
acreditamos que, em um mundo em
que todos falam, escutar faz a diferença.
É essa escuta, combinada com
repertório criativo e visão de negócio,
que nos permite atuar lado a lado com
os clientes, ajudando a transformar
dados, cultura e tecnologia em decisões
mais relevantes.”
O que é inegociável em todas as
iniciativas é a ideia killer. Ela mata
qualquer tom especulativo que muitos
trazem como o recente fenômeno
da IA na proposta in-housing. A IA não
pode ser usada como resposta algorítmica
em nome da transparência exigida
nos dias de hoje. Inaiara Florêncio,
sócia e co-CEO da Gana, constatou em
2025 que muitas empresas aceleraram
esse movimento pressionadas
pela necessidade de implementar IA
nas suas operações, com foco em velocidade
e eficiência.
“A IA entra como uma camada importante,
quase como uma bifurcação.
Ela otimiza tempo, acelera entregas
e aumenta (e muito) a capacidade
produtiva. Mas expõe uma mudança
no nosso mercado: o valor deixa de
estar na execução e passa a estar no
impacto gerado. Hoje, não faz mais
sentido cobrar pela ferramenta em
si, mas sim pelos resultados que ela
viabiliza, seja em negócio, marca ou
performance. É aí que a criatividade
se torna ainda mais valiosa”, destaca
Inaiara, que entende que o valor da
ideia “está ligado a vivência, contexto,
cultura e comportamento”.
“São dimensões que a IA não acessa
na profundidade humana. Ela pode
apoiar, organizar, sugerir, mas existe
um limite. É como usar IA como psicólogo:
ajuda em alguma medida, mas
não resolve na raiz. Criar conexão
emocional real ainda depende de leitura
humana”, afirma Inaiara.
“Criar conexão
emocional real
ainda depende de
leitura humana”
24 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Isabella Cinopoli é COO (chief operating officer ) da Leo, marca do Publicis Groupe
A executiva Inaiara Florêncio é sócia e co-CEO da agência de comunicação Gana
O modelo híbrido cede lugar à rigidez
da opção pela internalização,
agora mais restrita às funções operacionais
e de execução, na visão de
Isabel Coletta, COO da MRM Brasil. Mas
a IA reposiciona o papel das agências.
“No caso da MRM, isso significa atuar
na interseção entre criatividade,
estratégia, tecnologia e dados para
construir jornadas e experiências
que geram crescimento e relações
mais significativas entre marcas e
consumidores. A IA acelerou a internalização
de algumas atividades mais
padronizáveis e também aumentou
a pressão por eficiência. Ao mesmo
tempo, ela ampliou a complexidade
do ecossistema digital, elevando a
necessidade de parceiros capazes de
integrar tecnologia, dados e criatividade
de forma estratégica. Ou seja, a
IA não reduz o papel das agências - ela
reforça a importância de um papel
mais consultivo e integrado”, afirma
Isabel.
A IA foi uma aceleradora brutal
para serviços internos ficarem mais
robustos. Na análise de Luciana Zappala,
co-CEO e COO da Pullse, “tudo
o que é repetitivo, previsível e escalável
está sendo internalizado”. Ela
ressalta que a IA “reduziu a barreira
de entrada para produção criativa e
geração de conteúdo. Coisas que antes
exigiam uma agência hoje podem
ser feitas por um time interno com as
ferramentas certas”.
Então os clientes estão deixando
de trabalhar com agências? Luciana
Zappala responde: “Não, eles estão
mudando o tipo de relação. Existe até
um leve contramovimento. Muitas
empresas internalizaram e perceberam
que ganharam controle, mas
“A diferenciação
some. A
comunicação vira
commodity”
perderam visão. Ter ferramenta não é
ter estratégia. Ter IA não é ter diferenciação.
IA sem direção gera volume,
não valor. Então o que vemos hoje é
o cliente trazendo a agência de volta,
mas não para executar, e sim para
pensar, estruturar e resolver problemas
mais complexos”.
A IA não altera a direção, mas
amplia a capacidade dos dois lados.
O pensamento da executiva Anna
Sant’Anna, head de atendimento e negócios
da Artplan, revela que rotinas
são passíveis de estar no ambiente
in-housing.
“A IA desbloqueia novas possibilidades.
Permite criatividade, experimentação
e projetos ambiciosos, redução
de custo, tempo e capacidade
operacional. E reforça a importância
de parceiros capazes de transformar
tecnologia em diferencial.”
Isabel Coletta, da MRM Brasil: “Internalização continua”
Luciana Zappala atua como co-CEO e COO na Pullse
Anna Sant’Anna, head de atendimento da Artplan
jornal propmark - 27 de abril de 2026 25
Fotos: Divulgação
Vinicius Facco é CEO e sócio da empresa New Vegas Lucas Patricio é sócio-diretor e cofundador da GMD O executivo André Chueri é CEO e sócio da Ampfy
Antes de falar sobre internalização,
que é considerada natural por Vinicius
Facco, CEO e sócio da New Vegas,
é preciso olhar para a migração de
profissionais de agência para dentro
dos anunciantes. “Isso amplia a compreensão
do cliente sobre o que pode
ou não ser feito internamente, tornando
mais fácil e seguro internalizar
algumas demandas”. Na era da IA generativa,
Facco acredita que aumenta
o repertório dentro dos clientes.
“Estratégia e criação deixam de ser
territórios exclusivos das agências
e passam a circular com mais fluidez
dentro das empresas, que têm uma
vantagem relevante de conhecimento
do próprio negócio.”
Baratear custo internalizando
serviços é como Lucas Patricio, sócio-
-diretor e cofundador da GMD, analisa
o tema. “Com IA, acredito que o roteiro
será o mesmo. Empresas que entendem
que adoção de IA é fundamental
para seus negócios até podem internalizar,
mas logo vão entender que o
potencial é tão grande que é inevitável
contar com as agências para amplificar
esse potencial.”
O que a IA não resolve é estratégia.
A afirmação é de André Chueri, CEO e
sócio da Ampfy, que viu recentemente
o modelo de compra de mídia das scale-ups
virar referência. “E muitos grandes
anunciantes foram no mesmo
caminho e copiaram: internalizaram
parte ou todo o escopo que tinham
com agências. Com as plataformas
digitais construindo interfaces cada
vez mais autossuficientes para vender
mídia, não só para grandes anunciantes,
mas para qualquer um com
cartão de crédito. Foi a tempestade
perfeita.”
Chueri diz ainda que o lado humano
continua sendo o que separa uma
marca que tem algo a dizer de uma
que apenas produz mesmice. “Quando
todo mundo usa as mesmas ferramentas
com os mesmos prompts, o
resultado tende a se parecer. A diferenciação
some. A comunicação vira
commodity.”
Para Bazinho Ferraz, presidente
e fundador da Biosphera.ntwk e da
Atmosphera&Partners.Co, não se trata
mais sobre trazer tudo para dentro
de casa, e sim sobre ganhar controle
estratégico.
“A IA, sem dúvida, potencializou
essa tendência ao dar mais autonomia
operacional para as marcas. Mas
também aumentou a complexidade
— porque ter acesso à tecnologia não
significa saber integrá-la, orquestrá-
-la e extrair valor real. É nesse ponto
que as agências evoluem de executoras
para parceiras estratégicas e operacionais,
capazes de atuar dentro do
ecossistema do cliente. Na Biosphera.
ntwk, por exemplo, estruturamos
nossa oferta justamente para isso:
combinamos mais de 120 soluções em
tech, IA, marketing, sales e consulting,
criando squads sob medida e bespoke
units que se integram aos times internos
e operam com fluidez”, afirma.
Por outro lado, Ferraz vê amadurecimento
na adesão aos serviços internalizados.
“Hoje, as empresas estão
muito mais criteriosas: internalizam
o que é core — principalmente dados,
performance e algumas camadas de
conteúdo — e buscam parceiros para
“A IA entra como
uma camada
importante,
quase como uma
bifurcação”
ampliar capacidade, repertório e inovação.
O modelo que prevalece é híbrido
e mais sofisticado.”
Ferraz vai adiante: “O que existe
hoje é uma busca por parceiros que
consigam centralizar com inteligência,
sem engessar. As empresas querem
simplificar a gestão e reduzir a
fragmentação, mas sem perder flexibilidade.
Por isso, cresce a demanda
por modelos de one-stop-shop mais
evoluídos, como o da Biosphera.ntwk,
que funciona como uma network completa
capaz de centralizar diferentes
necessidades de forma integrada. A
lógica deixa de ser terceirizar tudo ou
internalizar tudo e passa a ser orquestrar
— e quem consegue oferecer integração
real, escala e especialização,
lidera esse novo momento.”
A tendência de internalização já
não é uma unanimidade, como pondera
André Chueri, da Ampfy. “As mesmas
startups e scale-ups que um dia
dispensaram as agências estão recorrendo
a elas de novo, principalmente
para estratégia de comunicação e
criação. Porque escalar uma campanha
é diferente de construir uma marca”,
argumenta.
Chueiri não crava se o processo
de internalização ainda é ou deixou
de ser tendência. “O mercado está
num momento de ajuste, não de virada.
Cada empresa está encontrando
o próprio equilíbrio entre o que faz
sentido ter dentro de casa e o que
faz sentido terceirizar, e esse cálculo
muda conforme o momento do negócio,
o tamanho da operação e, principalmente,
a maturidade do time interno”,
finaliza o CEO da Ampfy.
26 27 de abril de 2026 - jornal propmark
mercado
Gestão interna não elimina o papel das
agências, mas traz maior especialização
Alessandra Visintainer, da GUT, acredita que a IA pode agilizar feedbacks,
permitindo aos clientes serem mais precisos nas suas avaliações
Freepik
A crença era que a IA traria para dentro das empresas o que a inteligência real faz, mas não basta usar o ChatGPT para criar um texto, observa Daniel Alencar, da Pupila
Paulo Macedo
A
velocidade das mudanças tecnológicas,
somada aos desafios
de transformação da sociedade
como um todo, faz e, corretamente,
provoca a pergunta: o que posso
ou o que posso fazer diferente
neste momento? A indagação do
executivo Luiz Fernando Musa, CEO
da Ogilvy e fundador da David, faz sentido
para a indústria da comunicação
como um todo devido às demandas
de respostas cada vez mais rápidas
para o envolvimento dos consumidores
com as marcas, seus produtos e
seus serviços. As dúvidas buscam certezas
na era sprint que, porém, aceita
correções de rota sem sentimento de
culpa por decisões aparentemente
corretas.
Musa enfatiza ser legítimo afirmar
que qualquer anunciante - ou mesmo
as agências - está buscando a melhor
forma de operar e agregar valor.
“Temos a capacidade de nos perguntar
se há necessidade de estarmos
apegados a este ou aquele modelo e
entender o que é possível fazer hoje.
Nada carrega também o peso do definitivo
ou de uma forma que será a
correta num prazo maior. A capacidade
de adaptar e continuar adaptando
e questionando é o ponto”, pondera
Musa que, no entanto, acredita que a
inteligência artificial afeta a relação
das agências com as marcas.
“Se entendermos que uma agência
é um parceiro estratégico do negócio
e do resultado, este questionamento
é nosso também, em saber como fazer
a diferença, quais os outputs estamos
trazendo e como estamos tangibilizando
esta relação/parceria. Sim, a IA
como pilar estratégico, de eficiência,
de performance, de transformação
também social, econômica e comercial
cria a necessidade completa de
avaliarmos e seguirmos avaliando
enquanto tudo vai se transformando.
É muito mais um movimento contínuo
do que a busca por uma resposta correta
e definitiva.”
O CEO da Ogilvy considera precoce
uma visão otimista para o contraponto
entre internalização x centralização.
“A busca é pelo modelo que
mais te serve neste momento, qual é
mais adequado, qual é mais relevante
para o cenário de hoje. E amanhã
pode ser outra decisão ou uma revisão.
A pergunta é mais qual parceiro
preciso nesta jornada ao meu lado.
Qual tem ou terá mais instrumentos
e a capacidade de adaptação necessária.
Quem me ajuda a pensar e
questionar e com quais ferramentas.
Acho que precisamos sair da fase de
buscar mais respostas e certezas e
olhar para quem me ajuda a pensar
e questionar. Saindo do ‘ponto final’
para a ‘interrogação’. Frases mais
“A busca é pelo
modelo que mais
te serve neste
momento, qual é
mais adequado”
28 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Mauro Rabello é vice-presidente de negócios e desenvolvimento da Innocean Brasil
O executrivo Luiz Fernando Musa é CEO da Ogilvy Brasil e fundador da rede David
curtas e decisões mais rápidas e assertivas
com a capacidade de mudar
e ajustar”, explica Musa.
Já Alessandra Visintainer, managing
director da GUT, vê que a IA pode
agilizar feedbacks, mas traz uma necessidade
básica para uma provável
redução de sistemas in-housing. “A
tendência é que a internalização diminua,
demandando mais especialistas
para atender às necessidades cada
vez mais complexas do mercado.”
Internalização não é surpresa para
o Hyundai Motor Group, grupo coreano
controlador da montadora Hyundai
e que tem no seu portfólio a agência
global Innocean, com operação no
mercado brasileiro. Mauro Rabello,
VP de negócios e desenvolvimento da
agência no país, afirma que a IA “democratizou
a execução, reduziu custos e
deu às áreas de marketing um nível
de autonomia que, até pouco tempo
atrás, dependia quase integralmente
das agências. Mas é justamente aqui
que mora o perigo”, afirma.
Dados da ANA (Associação Nacional
de Anunciantes dos EUA), trazidos
por Philippe Capouillez, CEO da Sioux,
mostram que a internalização já é
realidade para grande parte das empresas,
mas isso não eliminou o papel
das agências. “Ao contrário, reforçou a
necessidade de colaboração mais inteligente
entre times internos e parceiros
especializados.”
O CEO da Sioux alerta ainda que
três fatores reforçam a opção pelo
sistema in-housing: pressão por eficiência
(custo/ROI), necessidade de
velocidade (cultura, social, always-on)
e dependência crescente de dados,
tecnologia e IA.
“O erro está em tratar esse cenário
“A economia
da atenção
não perdoa
solução com
data vencida”
como uma disputa binária. Não é. A
internalização representa, na verdade,
a maturidade de um mercado que
passou a organizar melhor aquilo que
precisa estar perto do negócio e aquilo
que exige repertório externo, especialização
e visão ampliada. Quando
olhamos com mais cuidado, o que
está em curso não é uma substituição
total, mas uma reconfiguração”, afirma
Capouillez.
O movimento é dinâmico, mas não
homogêneo. Esse é o ponto que Marcus
Paim, sócio e fundador da Paim,
enfatiza. Mas recomenda cuidado
com a economia da atenção, que, na
sua expressão, não perdoa soluções
com data de validade vencida.
“Desde que começamos a desembarcar
da era do exagero na ênfase
de performance como um fim em si,
a construção de vínculos das marcas
Philippe Capouillez ocupa o cargo de CEO na Sioux
Marcelo Namura atua como co-CEO na agência Bold
Marcus Paim é sócio e fundador da agência Paim
jornal propmark - 27 de abril de 2026 29
Fotos: Divulgação
Luis Constantino é CEO & CCO da Oliver na área Latam Marcos Bittencourt é VP de negócios da agência Vitrio Rafael Tadashi é sócio e head de negócios da AKM
com o consumidor requer linguagem
fluida e viva em todas as manifestações.
Não é uma lei imutável, mas dá
para perceber que a indispensável
dose de ousadia é fruto mais fácil de
uma relação sem hierarquia”, destaca
Paim, ressaltando que é quase uma
questão de lei da gravidade.
“Inovar é um desafio maior quando
se sabe tudo o que se pensa no andar
de cima. Há gente excelente em
todos os times e formatos. Mas, por
mais talentosos que sejam os profissionais,
o trabalho em circuito fechado
tende a sofrer uma influência
natural, e às vezes demasiado condicionamento,
das convicções prontas
e das inércias da organização. Um
papel essencial da agência externa
é exercer a coragem de acrescentar
questionamentos, percepções,
ideias, estratégias e linguagens não
óbvias e, por isso, com maior vigor
persuasivo. No mínimo, criar alternativas
aos caminhos que nascem pré-
-aprovados”, acrescenta Paim.
Na interpretação de Marcelo Namura,
co-CEO da Bold, a era do ‘faço
tudo dentro de casa para economizar’
já foi percebida como ineficiente. Ele
diz ainda que a gestão de times qualificados
e manter visão estratégica
com criatividade fresca não é simples.
“Vejo um mercado em que a IA nivelando
o jogo na execução técnica,
coloca valor agora na curadoria e no
pensamento crítico. As marcas estão
internalizando a operação com suas
demandas táticas e recorrendo às
agências para visão estratégica e entrega
disruptiva”, coloca Namura.
“Nesse novo lugar a agência tem
“A era do ‘faço
tudo dentro
de casa para
economizar’
já foi percebida
como
ineficiente”
um papel muito mais estratégico no
que tange à solução para a comunicação
da marca (entrega de valor agregado)
do que uma fábrica de peças
(entrega de valor operacional)”, afirma
Namura.
Internalizar é uma movimentação
que não parou, mas que mudou de
perfil. O lembrete é de Marcos Bittencourt,
vice-presidente de negócios
da Vitrio, do ecossistema biosphera.
ntwk, que menciona a chegada da IA
nesse caleidoscópio.
“Acho que aqui é enxergar o copo
meio cheio em vez de vê-lo meio vazio.
Porque quanto mais fácil executar,
mais difícil é decidir bem e é exatamente
aqui que nos destacamos. A meu
ver, ganhamos destaque e relevância
quando tratamos os dados como infraestrutura
organizacional, fazemos
uma leitura mais estratégica aplicada
ao negócio e entregamos soluções
criativas”, especifica Bittencourt.
Não existe uma tendência linear,
mas escolha estratégica. O pensamento
de Rafael Tadashi, sócio e head
de negócios e tecnologia da agência
de brand experience AKM, mostra que
essa decisão depende da maturidade,
do tamanho e dos objetivos de cada
anunciante. Mas ele não acredita que
a IA pesou o pé no acelerador.
“A exploração das ferramentas de
IA ainda não acontece em um nível
que garanta, ao mesmo tempo, criatividade,
qualidade e operação na altura
da entrega final. Há muito trabalho
humano envolvido antes, durante e
depois de qualquer caminho que a IA
ajuda a encurtar. Automatizar etapas
não é o mesmo que substituir o processo
criativo e estratégico como um
todo”, destaca.
Tadashi afirma que quem internaliza,
ganha controle. “Esse é o argumento
mais consistente do lado do
anunciante: visibilidade sobre o fluxo,
sobre os dados, sobre as decisões do
dia a dia. Para empresas com estrutura
e maturidade para isso, faz sentido.
Mas o controle operacional não se traduz
automaticamente em resultado
de negócio. E é exatamente aí que a
agência segue sendo indispensável.”
Tem gente que internaliza e conta
com players que orientam essa
configuração nas empresas, especialmente
na publicidade. É o caso
da Oliver, liderada na América Latina
pelo executivo Luis Constantino nas
posições de CEO e CCO. “Há um volume
significativo de iniciativas voltadas à
otimização de áreas como produção,
dados e CRM. Por outro lado, cresce
ainda mais a demanda por especialização
em disciplinas essenciais para
o negócio, como estratégia, conteúdo
e criatividade”, cita Constantino,
que acredita que o modelo ideal depende
da realidade, das necessidades
e das ambições de cada cliente.
“É justamente nesse ponto que
empresas como a Oliver desempenham
um papel fundamental: não
apenas na gestão dessas operações,
mas também no desenho e redesenho
contínuo dos modelos, garantindo
que estejam sempre alinhados aos
objetivos do negócio. Há disciplinas
nas quais o cliente busca maior controle,
como dados e CRM, nas quais a
IA atua como um grande facilitador”,
finaliza Constantino.
30 27 de abril de 2026 - jornal propmark
mercado
Investimento em publicidade cresce
8,2% e soma R$ 95,2 bi em 2025, diz Ibope
Segundo o levantamento, a alta foi impulsionada por fragmentação
de mídia, avanço das telas e maior sofisticação na tomada de decisão
Vitor Kadooka
O
crescimento do investimento
publicitário no Brasil em 2025,
que alcançou R$ 95,2 bilhões,
não pode ser lido apenas como um
dado positivo de mercado. O marco
foi divulgado pelo Ibope na edição
de 2025 do Radar AdInsights. O avanço
de 8,2% em relação ao ano anterior
revela uma mudança estrutural.
Em um ambiente de mídia cada vez
mais fragmentado, investir deixou
de ser apenas uma decisão de presença
e passou a ser uma exigência
competitiva.
Ao longo do ano, o comportamento
foi consistente. Os maiores picos se
concentraram no início do calendário
e no último mês, mas o movimento
não se restringiu a datas específicas.
Na prática, isso indica um mercado
que opera de forma contínua, pressionado
pela necessidade de manter
relevância em múltiplos pontos de
contato.
Paula Carvalho, diretora-comercial
do Ibope, analisa que essa transformação
está diretamente ligada à
forma como as pessoas consomem
mídia. A multiplicação de telas e a sobreposição
de hábitos, como assistir à
TV enquanto navega no celular ou interage
em outras plataformas, redefiniram
a lógica de planejamento. “Nunca
foi tão difícil ser mídia como hoje.
Antes você tinha um plano que podia
seguir; hoje você precisa entender
muitos cenários e variáveis para ver o
que realmente tem impacto”, afirma.
DISTRIBUIÇÃO
O reflexo desse cenário aparece
também na distribuição dos investimentos.
Setores ligados à tecnologia
e ao consumo de dispositivos ganharam
protagonismo, com destaque
para Eletros e Informática, que cresceu
33%. Dentro desse grupo, categorias
como celulares e tablets avançaram
94%. A proximidade de eventos
de grande audiência, como a Copa do
Divulgação
Paula Carvalho, diretora-comercial do Ibope: nunca foi tão difícil ser mídia como hoje
11%
33%
14%
15%
18%
Eletros e Informática Viagem e Turismo Cultura e Lazer Educação Telecomunicações
“Hoje você
precisa entender
muitos cenários
e variáveis”
Mundo, tende a intensificar esse movimento,
mas a base da transformação
já está consolidada.
“A fragmentação não pode paralisar
a marca. Pelo contrário: ela aumenta
a importância da publicidade
bem feita, para o target certo, para
a pessoa certa”, aponta Paula.
A consequência é uma mudança
na lógica de investimento. Se antes
o foco estava na ocupação de espaço,
agora passa a ser a qualidade da
inserção e a capacidade de gerar conexão.
Isso vale tanto para grandes
anunciantes, que precisam calibrar a
saturação de suas campanhas, quanto
para empresas menores, que dependem
de decisões mais assertivas.
Ferramentas como o Digital Ad
Insights surgem como tentativa de
aprofundar a leitura do ambiente digital,
especialmente em um contexto
marcado pelo crescimento do programático
e pela complexidade das
jornadas. Desenvolvido pelo Ibope, o
produto funciona como um desdobramento
do monitoramento tradicional,
com foco no digital e em leituras mais
granulares do mercado.
“O Ad Insights é um produto recente
que a gente tem para o mercado,
porque precisava sinalizar esse
ecossistema digital, que é extremamente
complexo. Ele é um mergulho
no ambiente digital e consegue trazer
essas microtendências ao longo
do ano”. Paula finaliza: “É muito bom
ter muitos dados, mas eles precisam
ser acionáveis. Eu preciso transformar
isso em negócio”.
jornal propmark - 27 de abril de 2026 31
mercado
Ampro destaca reconfiguração das
viagens corporativas e potencial do país
Setor está aquecido e destinos antes consolidados internacionalmente
enfrentam barreiras práticas, abrindo espaço para novas alternativas
Levantamento da Alagev (Associação Latino
Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas),
feito em parceria com a FecomercioSP,
mostra que o mercado de viagens corporativas
movimentou cerca de R$ 12 bilhões em 2025 no
país, maior patamar da série histórica. O setor segue
aquecido e coloca o Brasil no mapa de destinos das
empresas globais, diante de incertezas geopolíticas
no cenário internacional e no aumento de custos.
Para a Ampro (Associação de Marketing Promocional),
o movimento reflete uma reconfiguração
importante. “Mais do que novos destinos, as empresas
estão buscando ambientes que ofereçam consistência
operacional, previsibilidade e experiências
com significado. O Brasil reúne atributos muito competitivos
nesse sentido, especialmente pela combinação
entre escala, diversidade e criatividade”, afirma
Heloísa Santana, presidente da entidade.
A executiva destaca que o diferencial brasileiro
está na capacidade de transformar experiências em
conexão real com as pessoas, um aspecto cada vez
mais valorizado no cenário internacional. “As experiências
precisam gerar conexão. O Brasil tem uma
vocação natural para isso. A nossa cultura, a forma
de receber e a diversidade que oferecemos tornam
o país especialmente preparado para entregar experiências
mais humanas, que é exatamente o que o
mercado global começa a valorizar com mais força.”
Para Ronaldo Ferreira, sócio-fundador da um.a
Diversidade Criativa, destinos antes consolidados
passaram a enfrentar barreiras práticas, abrindo espaço
para novas alternativas. “O mundo ficou mais
restritivo. Há destinos muito populares que deixaram
de ser considerados por questões de segurança,
logística ou percepção. Isso muda completamente a
lógica das escolhas e faz com que as empresas passem
a buscar caminhos mais previsíveis e seguros,
principalmente para viagens e eventos que envolvam
seus clientes ou colaboradores”, diz.
A mudança já é percebida por operadores do setor.
Segundo Aldo Leone, CEO do Grupo Agaxtur, há
uma revisão na forma como as empresas planejam
suas ações de relacionamento e incentivo. “As empresas
e as pessoas estão mais criteriosas. Existe
uma preocupação maior com segurança, com previsibilidade
e com o retorno do investimento. O Brasil
entra como uma alternativa que consegue equilibrar
esses fatores sem abrir mão da experiência”, afirma.
“O crescimento da infraestrutura turística no Brasil
multiplicou o número de destinos e ampliou a capacidade
de atendimento. Regiões que antes contavam
com poucos hotéis passaram a concentrar uma
Heloísa Santana: “Brasil reúne atributos competitivos”
Igor Tobias: “O Brasil está sendo testado”
oferta extensa e diversificada, o que contribuiu para
tornar a viagem mais acessível e, ao mesmo tempo,
mais competitiva”, completa ele.
A avaliação é que o avanço do Brasil nesse cenário
dependerá menos do potencial e mais da capacidade
de organização do setor, da qualificação
das empresas e do fortalecimento de uma narrativa
consistente no mercado internacional. “O Brasil
não está só entrando no radar — está sendo testado.
Criatividade sem disciplina operacional pode
funcionar no turismo de lazer, mas não sustenta o
Fotos: Divulgação
Aldo Leone: “Existe uma preocupação com segurança”
Ronaldo Ferreira: “O mundo ficou mais restritivo”
mercado de incentivos. Vencer esse jogo exige consistência,
escala e estabilidade — sem improviso.
Quando corrigirmos essa equação, deixamos de ser
alternativa e passamos a ser escolha”, reforça Igor
Tobias, managing director da MCI Group.
Heloisa Santana ressalta que a Ampro atua como
uma entidade que consolida a visão do setor de
marketing de experiência, promovendo boas práticas,
estimulando o diálogo entre os diferentes elos
da cadeia e contribuindo para o desenvolvimento e
a competitividade do mercado no Brasil.
32 27 de abril de 2026 - jornal propmark
mercado
Média salarial nas agências fica em
R$ 4,3 mil, aponta sondagem da Fenapro
Levantamento realizado pelo Sistema Nacional das Agências de
Propaganda, com dados da Celerh, reúne 91 empresas de 23 estados
Bruna Nunes
O
salário médio nas agências de
publicidade é de R$ 4.318 para
cargos não executivos, mostrou
a sondagem do Sistema Nacional das
Agências de Propaganda (formado
pela Fenapro, 19 Sinapros e três delegacias).
Realizado no último trimestre
de 2025, com levantamento da consultoria
Celerh e com auditoria independente,
o estudo reúne dados de
91 empresas de 23 estados e mapeia
mais de 200 funções, além de práticas
relacionadas a benefícios, modelo de
trabalho e gestão de pessoas.
O perfil das participantes ajuda a
contextualizar o número: 65% das empresas
têm até 30 colaboradores, 25%
operam com equipes de 31 a 99 pessoas
e apenas 10% ultrapassam a marca
de cem funcionários. O recorte evidencia
um mercado majoritariamente
composto por pequenas e médias
operações, com dinâmicas próprias
de contratação, retenção de talentos
e estrutura de custos.
“Essa média salarial de R$ 4.318
mostra uma realidade dos municípios
e estados brasileiros. Quando você
olha o perfil das agências que responderam,
percebe que o estudo traduz
majoritariamente mercados regionais,
com pequenas e médias agências”,
afirma Ana Celina Bueno, presidente
da Fenapro. Na avaliação da
executiva, a relevância da sondagem
está justamente em dar visibilidade
a um segmento que historicamente
opera com menor acesso a dados estruturados.
“Essas agências não teriam
capital para contratar pesquisas
próprias. Então, a gente cumpre um
papel de fornecer dados para subsidiar
a gestão”, diz.
Para a presidente, ao abrir informações
sensíveis como salários, benefícios
e práticas internas, o levantamento
também evidencia um movimento de
maior maturidade e colaboração entre
as empresas participantes. A adesão de
agências de diferentes regiões indica
Ana Celina: “A gente cumpre um papel de fornecer dados para subsidiar a gestão”
uma disposição crescente em compartilhar
parâmetros para fortalecer a
gestão no setor. Nesse contexto, a regionalidade
aparece não apenas como
característica estrutural, mas como
fator competitivo. Segundo Ana, esse
processo fortalece cadeias produtivas
inteiras. “Tem todo um ecossistema das
mídias locais, das pequenas mídias alternativas,
das gráficas, das produtoras
e de áreas correlatas que se fortalecem
nos mercados locais”, diz.
A sondagem também evidencia mudanças
consolidadas nas relações de
trabalho. Entre as agências participantes,
78% operam em regime híbrido ou
remoto e 70% adotam horário flexível.
O avanço desses modelos ampliou o
acesso a talentos e reduziu barreiras
geográficas, mas também intensificou
a competição entre mercados. “O
fato de trabalhar em home office ou
Divulgação
Os benefícios
representam
entre 30% e 40%
do custo total
híbrido oportuniza que as pessoas trabalhem
para qualquer mercado. Se eu
não me submeter, em alguns cargos
estratégicos, a pagar o salário que os
grandes mercados pagam, eu não vou
reter ninguém”, afirma a presidente.
Na prática, a remuneração passa a
ser analisada em conjunto com o pacote
total oferecido ao colaborador.
Os benefícios representam entre 30%
e 40% do custo total, e o levantamento
mostra que, embora auxílios de
curto prazo como saúde e alimentação
estejam bem estabelecidos, ferramentas
de retenção de longo prazo,
como previdência privada, seguem
subutilizadas. Entre as práticas mais
comuns estão day off no aniversário
(61%), incentivo à educação (40%), plano
de academia (30%), além de ações
voltadas à saúde mental e licença-
-maternidade estendida.
Os dados de gestão de pessoas
também chamam a atenção. O turnover
nas agências é de 3,76%, abaixo da
média de mercado, com tempo médio
de permanência de quatro anos por
colaborador. Paralelamente, 59% das
agências afirmam contar com avaliação
de desempenho e programa de
desenvolvimento individual, enquanto
48% possuem plano de cargos e salários.
Agências líderes avançam ainda
para uma gestão baseada em people
analytics, conectando métricas individuais
aos resultados de negócio. “A
gente não via, historicamente, política
de desenvolvimento das pessoas em
agência. Então, isso eu achei muito
positivo”, afirma Ana Celina.
Outro dado relevante é a composição
de gênero. As mulheres representam
59% dos colaboradores das agências
pesquisadas, e 40,6% ocupam cargos de
liderança. Para a presidente da Fenapro,
o avanço é significativo, embora ainda
desigual entre as áreas. “A publicidade
foi sempre dominada por homens, principalmente
na área de criação. A gente
está vendo esse quadro virar”, celebra
Ana, a primeira mulher a ocupar o cargo
de presidente da Fenapro.
jornal propmark - 27 de abril de 2026 33
mercado
L21 Corp: foco na economia criativa
Criada há 26 anos, a L21Corp tem
a liderança do CEO Luiz Calainho,
um negócio de R$ 380 milhões,
em 2026, com foco na economia
criativa. O grupo tem marcas
de mídia como a Mix FM Rio e
a Paradiso FM, além do portal
Vírgula, com cerca de dois milhões
de usuários únicos por mês. O
Blue Note, licenciamento da casa
de jazz americana, no Rio e São
Paulo, é uma das empresas mais
notórias, assim como a gestão de
musicais por meio da Aventura,
como o campeão de bilheteria
‘Mama mia’. Naming rights estão
no radar. A mais nova iniciativa
chega em agosto, com o Nubank,
no Conjunto Nacional (SP).
O empresário Luiz Calainho é CEO da L21 Corp, negócio de R$ 380 milhões, com projetos de namin
Paulo Macedo
ECONOMIA CRIATIVA
Desde o início da L21 Corp, no
ano de 2000, definimos como foco
de atuação o universo da economia
criativa. Este ano, teremos um faturamento
de aproximadamente R$ 380
milhões com os nossos negócios, que
amadureceram muito nesse período
e nos deram expertise únicas no
segmento. A economia criativa movimenta
mais de R$ 400 bilhões por
ano no Brasil, equivalente a 3% do PIB
nacional, que está próximo dos R$ 12
trilhões.
PORTFÓLIO
Temos várias verticais na holding.
No campo da mídia temos o portal
Vírgula, de cultura pop com foco em
música, um dinossauro da internet
brasileira, que tive o privilégio de ter
como sócio no início o Tutinha, da Jovem
Pan. Foi nosso primeiro negócio,
em 2001, que hoje acumula dois milhões
de usuários únicos por mês. As
emissoras Mix FM Rio, rede da qual
somos uma das afiliadas, com 1,2 milhão
de ouvintes para público jovem/
adulto, além de ser a emissora oficial
do Rock in Rio e do show ‘No Rio’, que
este ano traz Shakira, que eu tive
oportunidade de lançar no mercado
brasileiro nos meus tempos de executivo
na Sony Music. Outra rádio é a
Paradiso FM, para público adulto, também
no Rio. Temos o Noites Cariocas,
na área de festivais; o licenciamento
do Blue Note, com casas no Rio e São
Paulo; temos a Suba MSK, em parceria
com a Fabiana Bruno da Suba, no setor
de influência; a Musickeria, gravadora
do grupo, que tem o Samba Book, com
mais de 300 mil seguidores, e a vertente
de agência de publicidade, para
criar engajamento com música em
projetos de cobranding, uma espécie
de branded content. Temos muitos
outros negócios.
MUSICAIS
O Brasil já é o terceiro maior produtor
de teatro musical do mun-
do, atrás apenas dos mercados da
Inglaterra e dos Estados Unidos. A
Aventura, que lidera esse braço do
grupo, já produziu mais de 60 espetáculos
entre os quais ‘Chacrinha’,
‘Rock in Rio’, ‘Elis, o musical’, ‘Mama
mia’, ‘A noviça rebelde’, ‘Hair’ e ‘Espelho
mágico’, que celebra os 60 anos
da Rede Globo com estreia no Rio em
maio, após temporada explosiva em
SP. Vamos reestrear este ano o consagrado
‘Mama mia’. E estamos preparando
‘Piaf’, com estreia prevista
para o próximo mês de setembro, e
‘Viva a vida é uma festa’, em collab
com a Pixar/Disney.
TEATROS
Na realidade, chamamos de equipamentos
culturais, porque, muito
mais do que um lugar destinado ao
teatro, são locais com espectro multidisciplinar
para abrigar projetos musicais,
games, literatura, arte, moda
etc. São espaços para movimentar a
economia criativa com apoio essencial
da iniciativa privada.
“A publicidade
já entendeu
que entregar
conteúdo às
marcas agrega
valor”
34 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Divulgação
Isso não acontece à toa; dá resultado.
g right como o BTG Pactual Hall, em São Paulo, e o Teatro TotalEnergies, no Rio de Janeiro
NAMING RIGHTS
Temos no Rio o Teatro Riachuelo,
com as lojas Riachuelo, com mais de
mil assentos; o Teatro TotalEnergies,
antigo Teatro Adolfo Bloch, no edifício
que abrigou o grupo Manchete no
Rio; há três anos criamos a Ecovilla
Ri Happy, no Jardim Botânico carioca.
Desde 2024, estamos investindo
muito em São Paulo e o resultado é
o sucesso da Arena B3, um naming
com a Bolsa de Valores e 200 lugares;
o BTG Pactual Hall, com capacidade
para 1.200 pessoas, que ocupa o antigo
espaço do Teatro Alpha; e o Teatro
YouTube, inaugurado em 2025 em
parceria com o Google da Califórnia
e o Google Brasil, dentro da Galeria
Magalu, no Conjunto Nacional de São
Paulo, na Avenida Paulista, mesmo
local do Blue Note, que também vai
abrigar uma parceria com o Nubank,
novo equipamento cultural.
IMERSIVo
Sim! Defino o nosso 7º equipamento,
em associação com o Nubank,
como um local para exposições de
conteúdos imersivos. Não podemos
revelar o naming right desse espaço,
mas ele vai ocupar uma área de 2.700
metros quadrados com pé direito de
10 metros. O que posso adiantar é
que sua inauguração será em agosto,
com uma exposição imersiva sobre a
vanguardista Tarsila do Amaral com o
título de ‘Um mundo de Tarsila’.
“Seja nos
esportes ou nas
artes, o naming
right permite
a elevação do
padrão
MoDELo
O naming right com o Nubank é
um benchmark de um modelo de
negócios que já existe no mundo,
como o Superblue Miami, próximo ao
Rubell Museum; o Arte Museum, de
Nova York, e o Ateliê des Lumières,
em Paris, por exemplo. No Brasil, é
uma nova solução de entretenimento
interativo, com muita tecnologia
embarcada. Não posso esquecer da
SIM São Paulo, a semana internacional
dedicada à música, que é uma
espécie de SXSW da música. Existe há
dez anos e em 2026 sai do Memorial
da América Latina para ser uma ocupação
no Conjunto Nacional.
NEGÓCIo
A produção de conteúdo é de excelência,
em que a arte, o pensamento
inovador e a criatividade sempre serão
soberanos. A partir desse ponto,
a ideia é conectar esses projetos a
grandes marcas e patrocinadores.
PUBLICIDADE
A conexão das marcas com as artes
e os espetáculos sempre será fundamental.
A publicidade já entendeu que
entregar conteúdo às marcas, ou seja,
algo que vai além das campanhas,
agrega valor. Produzimos conteúdos
de excelência com apoio das agências
e dos anunciantes. Como empresário
da economia criativa, vejo cada vez
mais que existem marcas que entendem
o conteúdo como essencial ao
seu mix de comunicação. Posso citar a
Heineken, a Bradesco Seguros e o BTG
Pactual como algumas que possuem
essa visão. Elas compreendem de maneira
profunda e perspicaz o quanto
o conteúdo pode fazer a diferença na
mente e no coração dos seus consumidores.
Essa é a tríade: conteúdo de
excelência, grandes marcas e público.
RESULTADo
A capacidade econômica permite
investimento e, consequentemente,
amplifica a arte e a cultura. Quem
patrocina, passa a ter um ativo emocional
que é poderoso para encantar
o público final.
TANGÍVEL oU INTANGÍVEL
Cem por cento tangível. A economia
criativa representa 3% do PIB brasileiro.
Portanto, um meganegócio.
ESSENCIAL
Seja nos esportes ou nas artes, o
naming right permite a elevação do padrão.
Isso significa a entrega de um produto
melhor. Para a empresa, porque
ela se apresenta como agente que produz
cultura em alto nível, mas também
pela exposição nas jornadas editorial e
de PR, atreladas a muitos conteúdos.
Isso significa que o banco está associado
a todas as manifestações artísticas
que acontecem no BTG Pactual Hall. O
naming right é uma ferramenta killer.
É um formato campeão no Brasil; não
há nada dentro da economia criativa
global comparável ao que fazemos no
nosso país. O mundo conecta melhor
o potencial das marcas com os esportes.
Mas, na arte, somos benchmark. Já
parou para pensar no que a Rock Word
faz com o Rock in Rio e The Town, que
conecta a música de maneira incrível
com as marcas presentes entre os
patrocinadores? Marcas fazem parte
do show. Não só pela viabilização, mas
porque agregam seus conteúdos ao espetáculo.
ATIVAÇÃo
Sim! As ativações são conteúdos
próprios que oferecem possibilidades
de conexão. As marcas fazem parte
do negócio. Porque a economia criativa
é um veículo de branding. A arte
sempre estará no seu lugar soberano,
mas a economia criativa traz as marcas
para a construção de jornadas
por meio de capacidade financeira e
benefícios para a roda que gira em
torno desse ecossistema.
PRIMEIRo MUNDo
A economia criativa brasileira, incluindo
nesse espectro a publicidade,
não tem nada comparável no mundo.
Nossa capacidade de criar não tem
compação. Só na música, temos mais
de 300 gêneros.
MÚSICA
Minha experiência de 11 anos na
Sony Music me mostrou que a música
é uma inspiração para a segmentação.
Os gêneros brasileiros conversam
com públicos diferentes. É um instrumento
campeão para a segmentação
das marcas. A publicidade sabe disso.
jornal propmark - 27 de abril de 2026 35
por dentro das agências
Conteúdo ganha influência na publicidade
e vira guardião da cultura brasileira
Evolução da disciplina pressupõe profissionalização, postura idônea de
creators, monitoramento de conversas e responsabilidade das plataformas
Freepik
Criadores espalham conteúdo com rapidez pelas plataformas, o que exige monitoramento contínuo das agências para preservar valores de marca e respeitar os consumidores
Janaina Langsdorff
A
profissão de multimídia foi
sancionada sob a Lei n° 15.325
em janeiro. A expectativa é
profissionalizar o trabalho exercido
por criadores de conteúdo, área que
ganha espaço nas agências. “A regulamentação
é um passo importante
porque estabelece parâmetros mínimos
de remuneração e transparência
e cria um ambiente mais estruturado
para relações comerciais. Isso tende a
reduzir a informalidade”, diz Ian Black,
vice-presidente de comunidades e influência
da WMcCann.
O novo enquadramento legal engloba
o desenvolvimento de interfaces
digitais, criação de portais e sites,
animações, jogos eletrônicos, publicações
digitais, gestão de recursos e
redes sociais e direção de conteúdo
audiovisual. Agências, clientes, criadores
e plataformas passam a ter mais
segurança para fechar negócios.
“O mercado de influência só cresce e
vemos níveis diferentes de profissionalismo.
A nova lei valoriza quem atua de
forma responsável”, concorda Fernanda
Grams, head de conteúdo da BETC Havas.
O marco jurídico contempla conteúdos
criados com planejamento,
coleta, pesquisa, avaliação, seleção,
interpretação e organização de fontes.
Edição, roteirização, sonorização,
produção e direção também integram
o escopo de trabalho. O profissional
multimídia será responsável pelo
controle, reprodução, publicação e
inserção de publicidade. “A lei dá mais
legitimidade aos creators. Na prática,
organiza uma atividade que já é amplamente
exercida”, reitera Mariana
Hasselmann, diretora-executiva de
conteúdo da DPZ.
Reconhecer o creator como agente
econômico “contribui para regras
mais claras sobre direitos e responsabilidades,
além de fortalecer relações
contratuais entre marcas, creators e
agências”, insiste Thiago Bispo, presidente
da BR Media, do Publicis Groupe.
Michele Gruc, diretora-geral de estratégia,
dados e conteúdo da Crispin,
também chama a atenção para idoneidade
“em contratos, entregas e
práticas de mercado”, enquanto Marie
Alonso, chief strategy officer da LePub
São Paulo, responsável pelas áreas de
estratégia e conteúdo da agência,
ressalta a construção de “bases mais
sólidas para parcerias de longo prazo”.
Ponte entre marcas e cultura,
influenciadores são escolhidos pelas
agências conforme conexão real
com a audiência, valores e territórios
compatíveis com a marca, camadas
de influência alinhadas com os desafios
do cliente, consistência criativa,
ausência de comportamentos problemáticos,
alcance, métricas de engajamento,
credibilidade, ineditismo,
qualidade de conteúdo, histórico de
comportamento, compliance e disaster
check para descobrir possíveis riscos
reputacionais.
36 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Cantora Ivete Sangalo em campanha desenvolvida pela WMcCann para a cerveja Itaipava, do Grupo Petrópolis, durante o Carnaval, com mensagem potencializada pelo conteúdo
Cuidados
Apesar do avanço, ainda há lacunas.
Patrícia Colombo, vice-presidente
de conteúdo da Africa Creative, questiona
o uso do termo profissional de
multimídia e não influenciador ou
creator, nomenclaturas já conhecidas.
“Outro ponto é que, da maneira como
o texto está estruturado hoje, pode
gerar impactos trabalhistas em outras
categorias historicamente afetadas
por transformações no ambiente
de mídia, como jornalistas e radialistas”,
aponta a executiva.
Crise de identidade profissional e
relações de trabalho frágeis afetam a
saúde mental de influenciadores, definição
cada vez mais rejeitada, de acordo
com o estudo ‘Vozes da influência’,
da empresa de pesquisas Reglab e da
organização Redes Cordiais. Os termos
criador de conteúdo ou comunicador
parecem mais amistosos diante dos
estigmas ligados à superficialidade e
publicidade indiscriminada.
Acompanhar a velocidade de evolução
das tecnologias é fundamental
para evitar que a produção de conteúdo
explore a vulnerabilidade dos
usuários e manipule a informação em
escala. O Projeto de Lei 2.338/23, que
prevê diretrizes para o uso de inteligência
artificial no Brasil, é uma das
iniciativas mais importantes em tramitação
hoje. “Mais do que novas leis,
precisamos de regulação consistente
e fiscalização contínua para equilibrar
inovação, responsabilidade das plataformas
e proteção aos usuários”, reivindica
Patrícia.
Políticas internas de ética, identificação
de publicidade, códigos de conduta
para creators e auditoria de conteúdo
e histórico de comportamento
são as medidas elencadas por Ian Black,
da WMcCann, para conter abusos
de influenciadores despreparados ou
maliciosos. “Estamos sempre alinhados
às definições dos órgãos de autorregulamentação
que atuam de forma
diligente”, assegura Black.
Embora ainda em aprimoramento,
práticas regulatórias “já foram desenvolvidas
pelo mercado”, lembra
Thiago Bispo, da BR Media. Fernanda,
“Se algo não sair
como o esperado,
o caminho é
reconhecer
rapidamente”
da BETC Havas, alerta para a necessidade
de se acompanhar as publicações.
“A autorregulação e o cuidado
das agências e marcas com quem elas
escolhem trabalhar fazem muita diferença
para manter um ambiente mais
seguro”, ratifica.
Para além de regras, plataformas,
agências e marcas não podem ignorar
o espólio já legado pela área de influência.
“Trabalhamos com critérios de
transparência, sinalização de publicidade
e escolha responsável de creators.
Isso ajuda a garantir relações
mais equilibradas com o público e a
preservar a credibilidade das marcas”,
garante Michele, da Crispin.
Montadora da Stellantis, Leapmotor chegou ao Brasil com ação planejada pela BETC Havas, que reúne 40 pessoas na área de conteúdo
jornal propmark - 27 de abril de 2026 37
Fotos: Divulgação
Projeto idealizado pela Crispin aproxima as batatas McCain do universo dos gamers
A LePub São Paulo também é rigorosa
com a curadoria. Tem ainda
“monitoramento constante e códigos
de conduta claros, priorizando segurança
e respeito”, afirma Marie Alonso.
AmeAçAs
Riscos podem ser gerenciados com
ajustes de tom e comportamento,
processos de aprovação adequados,
acompanhamento de conversas e integração
entre conteúdo, área jurídica
e relações públicas. A correta leitura
de fenômenos culturais e sociais, a
gestão ativa de comunidades e a atuação
preventiva em possíveis crises
preservam o alinhamento entre marca,
contexto e o comportamento das
audiências. Estratégias consonantes
com o território da marca também
afastam adversidades e guardam a
reputação das empresas.
Apesar da ânsia de participar de
conversas em evidência, precipitação
não ajuda. A recomendação é ser fiel
aos valores pregados pela companhia
para fugir de armadilhas. “Não precisa
ter opinião sobre todo e qualquer assunto.
Precisa saber quando a conversa
é relevante”, sugere Michele, da Crispin.
Fidelidade ao propósito da marca
é imperativo para Patrícia, da Africa
Creative. “Qualquer movimento criativo
de conteúdo precisa estar ancorado
no posicionamento e objetivos
de negócio. A partir daí, o trabalho
é entender os interesses do target
‘Embaixadove’, ação realizada para Dove, marca da Unilever, é destaque da BR Media
Catraquinha uniu Mastercard e o Metrô de São Paulo em campanha da WMcCann
e encontrar maneiras criativas de
conectar essas agendas, gerando
entretenimento, relevância cultural
e, ao mesmo tempo, apresentando o
produto ou serviço”, corrobora.
Na outra ponta, consistência amarra
intenções legítimas de se aproximar
das comunidades. Equilibrar liberdade
criativa com proteção de marca
pressupõe uma seleção sensata de
creators. A BR Media analisa imagem,
discurso e guidelines, além de utilizar
inteligência artificial para primeiro
filtro de brand fit. Avaliação de risco
e escuta ativa entram ainda no escopo
da LePub São Paulo com princípios
editoriais e alinhamento jurídico.
“Tudo começa pelo respeito às pessoas
e aos contextos sociais. Isso evita
ultrapassar limites que possam gerar
interpretações negativas”, observa
Marie Alonso. Conteúdo relevante também
pede coragem para testar soluções
a partir do mapeamento de ameaças.
“Se algo não sair como o esperado,
o caminho é reconhecer rapidamente,
ajustar a rota e desenhar um plano de
atuação responsável”, propõe.
ArApucAs
Temas sensíveis exigem governança
editorial e leitura de contexto
aportados por neutralidade institucional,
percepção de tensões emergentes
e protocolos de resposta com
guia de atuação para community
managers e times de atendimento.
38 27 de abril de 2026 - jornal propmark
“Acompanhamos de perto os perfis
envolvidos nos projetos para garantir
a segurança das marcas e a coerência
de discurso”, indica Wagner Ximenes,
diretor de conteúdo da Leo.
Em outubro, o brasileiro retorna
às urnas para eleger presidente da
República, governadores, senadores,
deputados federais e estaduais. A polarização
delimita um campo minado.
“A estratégia é manter a comunicação
alinhada ao território das marcas e
evitar discussões político-partidárias,
inclusive na escolha de influenciadores”,
orienta Fernanda, da BETC Havas.
Previsibilidade deve ganhar atenção
redobrada para desconsiderar perfis
politizados e fortalecer o brand safety.
Avaliar ameaças significa, por
exemplo, utilizar ferramentas de social
listening para reconhecer pautas,
códigos visuais, cores e fake news
possivelmente relacionadas a um determinado
espectro ideológico. Esse
trabalho “ajuda a orientar marcas
sobre quando participar de determinadas
conversas e quando optar por
uma postura institucional ou neutra”,
certifica Bispo, da BR Media.
Supla estrela o ‘Dia dos Papitos’ em ação da BETC Havas para a marca Olla, da Reckitt
Divulgação
Diretrizes
Cuidado com a marca, impacto
criativo, aprendizado contínuo e
construção de confiança norteiam
o trabalho da área de conteúdo das
agências. Antes de entrar nas conversas
é preciso conectar cultura e
temas prementes aos interesses das
pessoas em linguagem e formatos
adequados a cada plataforma. “Esse
trabalho parte de entender o que
move as conversas e como as pessonos
permanentes à reputação da empresa”,
avisa Michele, da Crispin.
A Africa Creative opera ao lado da
área de Talents, que lidera a frente de
celebridades e influenciadores. “Ava-
Dos debates políticos a comentários
rotineiros, os dados reproduzem
o humor das redes. E acendem o farol
vermelho ao sinal de turbulências.
“Um erro de imagem pode causar daliamos
com bastante critério os nomes
que integram squads e projetos”,
valida Patrícia Colombo. No dia a dia, o
time dispara um briefing com objetivos
de negócio, metas da campanha e
budget para influenciadores.
Em seguida, a Talents examina os
dados e avalia performance, perfil demográfico,
afinidade com a marca, posicionamento
do creator e possíveis
crises. Agenda, orçamento, calendário
de produção e publicações organizam
as entregas. Resultados são acompanhados
por meio de relatórios de
performance com aprendizados para
próximas ações.
Leo possui times divididos
em unidades de negócios
DPZ tem dupla criativa e
profissional de conteúdo
A
Leo possui times alocados em
unidades de negócios conforme
as marcas atendidas,
e todos respondem à liderança de
conteúdo. Essa estrutura permite
uma atuação integrada às demais
áreas da agência, garantindo consistência
nas narrativas e proximidade
com as estratégias de cada
cliente. Wagner Ximenes comanda a
área ao lado dos copresidentes Rafaela
Queiroz e Fabio Brito, e do CCO
Vinicius Stanzione. Nove pessoas
são dedicadas à divisão, que atende
Fiat, Jeep, Ram, Club Social, Nespresso,
7Days e Samsung.
Em 2025, a área de conteúdo da
Leo lançou a edição especial ‘Pulse
Abarth Stranger Things’, para a Fiat;
cobriu o Salão do Automóvel e a
CCXP; desenvolveu campanha para
Trident no The Town; apresentou a
edição especial ‘Oreo Selena Gomez’
com evento para fãs e missão no
TikTok; e posicionou Fiat e Club Social
no Lollapalooza.
Divulgação
Wagner Ximenes, diretor de conteúdo
da Leo: atuação integrada e consistência
Neste ano de 2026, trabalhou no
retorno de Ram Dakota ao Brasil; levou
Club Social Snack ao Nordeste; e
estreitou a conexão da marca 7Days,
da Mondelez, com o público.
Na DPZ, o conteúdo faz parte
da criação e é composto por
estrategistas de conteúdo,
influência, community managers
e perfis criativos fluentes em social
media. A diretora-executiva
de conteúdo Mariana Hasselmann
responde ao CCO Pedro Araújo. Os
times estão dispostos em trios
compostos pela dupla criativa e
um profissional da disciplina de
conteúdo.
Com 30 pessoas, a equipe integra
as diretoras de conteúdo Julia
Cortizo, Grazielle Gervasio e Rafaela
Caixeta. Cada uma delas lidera uma
equipe dedicada a um determinado
grupo de clientes. Entre eles,
estão Renault, XP, Mars (Pedrigree,
Whiskas, Snickers e M&Ms), Petra,
Grupo Campari, Nescafé, Polenghi,
Seguros Unimed e Garnier.
Em 2025, a agência criou a
campanha ‘Hidratante para quem
odeia hidratante’, para Garnier,
premiada no TikTok Ad Awards; co-
Divulgação
Mariana Hasselmann, diretora-executiva
de conteúdo da DPZ: influência e criação
locou Campari no tapete vermelho do
Cannes Lions; e inaugurou o TikTok
Shop da marca Ypê. Em 2026, veio
#CarnaPetra, estrelado pela cantora
Marina Sena.
jornal propmark - 27 de abril de 2026 39
as se relacionam com as marcas para
transformar sinais em narrativas relevantes”,
reforça Ximenes, da Leo.
Uma linha editorial coerente com
a identidade da marca e integrada à
estratégia, criação, planejamento e
dados permite ajustar rotas e evoluir
o conteúdo com base na resposta do
público. “Integrar paixões e narrativas
às conversas nas plataformas sociais
garante presença relevante nas comunidades”,
confirma Fernanda Grams,
da BETC Havas.
A tríade relevância cultural, autenticidade
do creator e posicionamento
de marca se repete na rotina da BR
Media. “O objetivo é produzir conteúdos
que sejam percebidos como naturais”,
conta Bispo. Michele Gruc, da
Crispin, assinala a postura honesta
diante da sobrecarga de telas. “O brasileiro
passa, em média, nove horas
por dia conectado. Se não há uma contribuição
real, o melhor é não entrar.
Segurança de marca, hoje, é consistência
na prática. Não só no discurso”,
adverte. “Conteúdo não é volume, é
intenção”, emenda Marie Alonso, da
LePub São Paulo.
Bússola da área de conteúdo, cultura
e comportamento do target definem
o que é ser social first e estar
conectado à creator economy. “São
critérios inegociáveis para qualquer
ideia criada para as plataformas”, ensina
Patrícia Colombo, da Africa Creative.
O trabalho demanda habilidades híbridas
entre estratégia, criatividade e
cultura digital. Interpretação correta
de movimentos sociais, adaptação de
formatos nativos para redes sociais,
gestão de comunidades, conversação
em tempo real, análise de dados,
leitura de performance e integração
com a mídia e criação endereçam a
capacidade de operar ciclos rápidos
de aprendizado, aspecto latente em
ambientes ditados por algoritmos.
Habilidades
Da produção de posts para a construção
de um sistema, o conteúdo
avança com profissionais capazes
de “reunir estratégia editorial e narrativa
de marca, curadoria e gestão
de influenciadores, identificação de
tendências culturais, gestão de comunidades
e análise de resultados”, enumera
Fernanda, da BETC Havas.
O escopo exige conhecimento sobre
formação, movimentos e hábitos das
comunidades, fluência em plataformas
e formatos - de vídeos curtos e social
storytelling a projetos multiplataforma.
Na lógica da creator economy,
autenticidade e relevância são fatores
tão importantes quanto alcance. Alavanca
de negócio, o conteúdo supera
o caráter execucional. “É a combinação
entre pensamento estratégico, leitura
de dados e sensibilidade cultural que
define um bom profissional de conteúdo”,
resume Michele, da Crispin.
Criatividade, craft e curiosidade
aumentam a lista. Vai além do domínio
de linguagem. A LePub seleciona
profissionais capazes de aplicar “criatividade
desde a estratégia até a
execução”, atesta Marie Alonso. “Tem
de gostar de cultura, comportamento
e de observar, com curiosidade
infindável, como as pessoas vivem,
consomem e se expressam”, endossa
Patrícia, da Africa Creative.
Ximenes, da Leo, engrossa o coro.
“O especialista em conteúdo precisa
estar naturalmente conectado às
principais plataformas sociais, atento
às tendências, curioso por novos
formatos, influenciadores e formas
de contar histórias.”
Jogo de cintura e ousadia podem
WMcCann opera com sistema
transversal e loop de dados
A
WMcCann atua com sistema
transversal de conteúdo,
orientado por loop de dados.
Assim, transforma estratégia de
marca em presença cultural contínua
nas plataformas. O sistema
está dividido entre as frentes de
content strategy, content creative,
community e influence e content
amplification e analytics.
A área responde à vice-presidência
de conteúdo e influência, com
lideranças distribuídas entre as unidades
de negócio. Cada uma delas
tem condução própria, responsável
por operação, gestão do time e relacionamento
com as marcas.
Esse modelo permite proximidade
com o cliente sem perder a visão
central da área, que reúne cerca de
50 profissionais entre analistas,
supervisores, coordenadores e gerentes.
Chevrolet, Seara, Banco do
Brasil, Itaipava e TNT, L’Oréal Paris,
Mastercard, Opella, Nestlé e John
“Segurança de
marca, hoje, é
consistência na
prática. Não só
no discurso”
aprofundar as raízes do conteúdo na
estrutura de expertises das agências.
“Boa parte do nosso dia a dia é provocar
olhares, lidar com resistências,
mudar fluxos de trabalho, educar e
mostrar o valor dessa disciplina. Esperar
que demandas cheguem até
você é querer derrubar um muro com
um palito de dente. Essa construção
leva tempo”, situa Patrícia.
A destreza incide na sinergia com
a criação, guardiã das ideias e da integridade
das marcas, enquanto o
conteúdo incorpora ideias à lógica
das plataformas. O elo permite “adaptar
conceitos criativos para formatos
sociais, desenvolver extensões de
Ian Black, VP de comunidades e influência da WMcCann: time de 50 profissionais
Deere estão entre os clientes.
Para Mastercard, desenvolveu plataforma
de comunicação sobre mobilidade
urbana com o personagem
Catraquinha, em collab com o perfil
do Metrô de São Paulo. No Carnaval, a
iniciativa ganhou parceria com o Grupo
Petrópolis. Foram feitas ativações
campanha nas plataformas, produzir
conteúdo always on e social first”, explica
Ian Black, da WMcCann.
O pensamento social first guarda
na dupla conteúdo e criação a fórmula
para dar vida a interações na internet.
Parte da entrega, “o conteúdo, muitas
vezes, assume papel central, e não
apenas como um desdobramento”,
comenta Marie Alonso, da LePub São
Paulo. A integração ocorre “com linguagem
nativa sem perder o craft”,
comprova Mariana, da DPZ.
Thiago Bispo, da BR Media, adiciona
o trabalho da área de estratégia, que
delimita o território narrativo e os objetivos
da marca. “A criação desenvolve
os formatos e linguagens que fazem
sentido dentro das plataformas
e para os criadores envolvidos. Essa
dinâmica permite construir campanhas
que respeitam a autenticidade
dos influenciadores”, sustenta.
Já foi o tempo em que o conteúdo
era apenas uma etapa posterior à campanha.
“Muitas vezes, nasce junto com
a ideia criativa e permite expandir a
história da marca em diferentes plataformas”,
diferencia Michele, da Crispin.
Divulgação
com influenciadores e distribuição
de água. A agência liderou a estratégia
de Itaipava, do Grupo Petrópolis,
no Carnaval; divulgou a redução
de preços do Allegra, antialérgico
da Opella; e ativou L’Oréal Paris nos
‘Ensaios da Anitta’, pelo segundo
ano consecutivo.
40 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Africa Creative cria berço de ideias que já
nascem com potência para o ambiente social
O
time de conteúdo da Africa
Creative está disposto em
uma unidade independente,
mas com atuação transversal. É
formado por criativos híbridos
que, na etapa estratégica, trabalham
com planejamento e mídia.
Na fase de criação, atuam com diretores
de arte e redatores.
A vice-presidente de conteúdo
Patrícia Colombo comanda uma
equipe de cerca de 30 profissionais
dedicados a projetos para
Itaú, Vivo, Sadia, Qualy, Mitsubishi,
Grupo Pão de Açúcar e Kimberly-
-Clark.
Ao lado dos co-CCOs, a executiva
transforma a agência em berço
de ideias que já nascem com
potência para o ambiente social.
Essa interação ganhou força nos
últimos dois anos. Patrícia ainda
atua próxima da área de Talents,
liderada por Fernando Alonso.
Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Patrícia Colombo, vice-presidente de conteúdo da Africa Creative: sinergia com Talents
Na relação de cases, estão
‘Tá feito com Fernanda Torres’ e
‘Feito de Fernandas’, ambos para
Itaú, esse último em parceria
com a Globo; e “One second ads”,
para Budweiser, case vencedor do
Grand Prix na categoria de Audio &
Radio no Cannes Lions 2025, entre
outras premiações.
A Copa do Mundo, realizada nos
Estados Unidos, Canadá e México,
entre os dias 11 de junho e 19
de julho, esquenta os projetos
desenhados para este primeiro
semestre de 2026, com entregas
criativas e operação de war room
dedicada ao social.
Os esforços se voltam para a
construção de plataformas e narrativas
capazes de acompanhar
o ritmo das conversas em tempo
real, combinando planejamento
estratégico com agilidade operacional.
BETC Havas atua com Havas Play e área de
estratégia para captar pulso de conversas
A
BETC Havas opera por meio da Havas Play, unidade de
entretenimento e cultura especializada em conteúdo,
gestão de comunidades e influência. A estrutura
responde à área de estratégia.
Os líderes são Gustavo Leite, vice-presidente de estratégia;
Elen Posse, diretora de operações e transformação;
Fernanda Grams, head de conteúdo e influência; e as diretoras
de conteúdo Renata Randall e Natalia Moreno.
Eles conduzem o trabalho realizado por 40 pessoas para
Reckitt (Veja, Vanish, Olla, Jontex, Finish, Luftal, Sustagen,
Harpic e Naldecon), Stellantis (Citroën, Peugeot e Leapmotor),
Grupo L’Occitane, Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus,
Vitru Educação, Tena, AliExpress, Lactalis, JDE (Café Pilão) e
Bet365. A lista supera 30 marcas.
Em 2025, a agência ativou o patrocínio anual da Citroën
à turnê Tardezinha, do cantor Thiaguinho; planejou a chegada
da montadora Leapmotor ao Brasil; realizou o ‘SAC do
ex’ para Bom Ar com Vitor DiCastro e o ‘Dia do Papito’ para
Olla com Supla; montou ações para Veja; criou persona para
Vanish; e inseriu Pilão no TikTok.
Em janeiro último, trouxe ‘Apelidos sem vergonha’ para
o Carnaval de Olla; experiências sensoriais no Camarote
N1 para Veja; a mininovela de SBP sobre dengue no Kwai,
estrelada por Gkay; e campanha de Jontex sobre prazer e
direitos das mulheres.
Fernanda Grams, head de conteúdo e influência da BETC Havas: mais de 30 marcas atendidas
Divulgação
jornal propmark - 27 de abril de 2026 41
BR Media Group reúne 450 especialistas
entre as frentes BR Media, Farol e Mis
A
BR Media completa 14 anos em
2026. Sob o guarda-chuva BR
Media Group - que abrange BR
Media (marketing de influência), Farol
(casting) e Mis (plataforma de micro
e nanoinfluenciadores) - estão cerca
de 450 especialistas em estratégia,
conteúdo, dados, criação, tecnologia
e gestão de creators. A BR Media
passou a integrar o Publicis Groupe
em 2025.
Thiago Bispo preside a operação,
que ainda tem o vice-presidente de
growth Renan Della Matta, a vice-presidente
de operações Maria Fernanda
Laudisio de Lucca, a diretora-executiva
comercial Thais Semmer, o diretor-
-executivo de estratégia Alan Alves,
o diretor-executivo de inovação e
líder do Mis Thiago Nery, e a diretora
de estratégia corporativa Marcela
Magluta.
A BR Media acaba de lançar o Creator
360, solução que integra o capital
social dos criadores a uma lógica
Thiago Bispo, presidente da BR Media: empresa trabalha na estruturação de novos formatos de conteúdo e projetos proprietários
de compra por CPM para aumentar a
precisão dos investimentos. É uma
solução end-to-end com a promessa
de lógica de mídia garantida.
Está em curso a estruturação de
novos formatos de conteúdo e projetos
proprietários com creators. Unilever,
99, Mercado Livre, ByteDance
(TikTok), Visa, Colgate, Bayer e Pepsi-
Co estão entre os clientes atendidos.
Alê Oliveira
‘Embaixadove’, para Dove, da Unilever,
é um dos destaques de 2025. A
ação superou o engajamento do setor
em 142%, número 19% acima do histórico
da marca.
LePub São Paulo
destaca projetos
para aplicativo
e presença da
Heineken na F-1
O
case que exemplifica o trabalho
da LePub na área de
conteúdo vem da Heineken,
marca que deu origem à história da
agência, em 2020. Em abril do ano
passado, a campanha ‘Bar dating’
comunicou o lançamento do aplicativo
Hei App, com celebridades, influenciadores
de nicho e captação
de conteúdo em tempo real.
Sete meses depois, recorreu a
um parceiro de branded content
para chancelar uma promoção de
câmeras analógicas ao lado da plataforma
de mídia Notthesamo. As
inscrições bateram recorde.
Já o patrocínio da marca holan-
desa ao GP de Fórmula 1 - realizado
no autódromo de Interlagos, em
São Paulo, em novembro de 2025
- incluiu eventos com celebridades,
influenciadores e cobertura
de conteúdo ao vivo. Teve ainda
o anúncio da cerveja Lager Spritz.
Para além de famosos, integrou
influenciadores regionais, especialistas
em coquetelaria e produção
de conteúdo nativo.
A LePub tem oito profissionais
dedicados à área de conteúdo. Heineken,
Mondelez (Trident Global,
Oreo), C&A, Truss e projetos para o
Grupo Boticário estão no escopo de
clientes.
Thiago Pompeia/Divulgação LePub São Paulo
Marie Alonso, chief strategy officer da LePub São Paulo: recorde na ação do Hei App
42 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Crispin integra conteúdo, estratégia
e dados para garantir desempenho
Sob os pilares de estratégia de conteúdo, criadores
e influência e produção de conteúdo proprietário,
a área de conteúdo da Crispin integra
soluções para a construção de pautas orientadas por
análise de comportamento, performance e relevância
cultural.
O trabalho é transversal e conecta diferentes expertises
desde o início para gerar consistência estratégica
e impacto real nos resultados. Sob a liderança
da diretora-geral de estratégia, dados e conteúdo
Michele Gruc estão 25 pessoas, que atuam para Mc-
Cain, Forno de Minas, M.Dias Branco (Piraquê, Vitarella,
Isabella, Jasmine, Frontera e Adria) e Delícia.
A parceria da marca de batatas congeladas McCain
e PlayStation é um dos cases mais recentes. A plataforma
de conteúdo estruturada pela agência ativou
o coletivo “Os colegas”, formado por Mount, Calango,
Capjoga, Galaxy e Mr. Fall, porta-vozes aclamados no
universo dos games. O projeto incorporou transmissões
de gameplay na Twitch e presença em eventos,
evoluindo para uma construção de longo prazo.
Outras ações devem ser anunciadas no segundo
semestre, com o lançamento de campanhas dedicadas
ao universo digital.
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
Michele Gruc, diretora-geral de estratégia, dados e conteúdo da Crispin: solidez estratégica e impacto real
Divulgação
C
M
Y
CM
MY
CY
CMY
K
Quem faz
história na
propaganda
merece ser visto.
E no Canal Markket,
(Vivo 611 e Claro 692) você encontra
mais um jeito de assistir ao Grandes
Nomes da Propaganda, conteúdo feito
para quem não só acompanha o
mercado, mas ajuda a transformá-lo.
Exibição:
Sábados, 18h30
Reprise domingos, 15h40
e segundas, 14h30.
NOTÍCIAS DIÁRIAS NO PORTAL E SITE:
GRANDESNOMESDAPROPAGANDA.COM.BR GRANDESNOMESDAPROPAGANDA @PROGRAMAGNP /PORTALGNP
jornal propmark - 27 de abril de 2026 43
digital
Influenciadora e atriz, Thai de Mello usa
a criatividade para ativar anunciantes
Ela já construiu narrativas de Prada, Gucci, Dior, Renner, Havaianas,
Electrolux, Melissa, Hering e Nubank para traduzir comportamentos
Paulo Macedo
Cada vez mais nichado, o segmento
de influência traz personagens
que muitas vezes não acumulam
milhões de seguidores. É o caso da
atriz, escritora e creator do universo
da moda Thai de Mello, que tem cerca
de 200 mil seguidores nas redes sociais.
Ela está em cartaz em São Paulo
com o espetáculo ‘Como é que eu vim
parar aqui?’, apresentado pela marca
Nubank Ultravioleta, mas tem feito
barulho em ações para marcas de
universos distintos, como Prada, Gucci,
Dior, Renner, Havaianas, Electrolux,
Melissa, Hering e Nubank.
Nas suas palavras, o caminho que
construiu para atrair agências e anunciantes
é pautado pela tradução de
comportamento, desejo e identidade
cultural. “No palco levo questões que
interessam diretamente ao mercado
publicitário, como autenticidade, coerência
de imagem, compatibilidade
entre criadora de conteúdo e marca,
legitimidade em temas sensíveis e
o valor cultural de parcerias que vão
além da simples exposição”, ela esclarece,
lembrando que sua busca
contempla, como criadora digital,
deixar de ser apenas mídia e passar
“a ocupar um espaço mais complexo e
estratégico na relação entre marcas,
audiência e cultura”.
Autenticidade e vida real. Ela é casada
há 15 anos e é mãe de dois filhos,
que deram liga em ação para a Renner.
“Quando uma marca entra numa conversa
como maternidade, autoestima,
saúde emocional ou qualquer outro
assunto íntimo da vida das pessoas,
ela precisa saber por que está falando
daquilo e qual é a legitimidade dessa
fala. O público percebe muito rápido
quando existe só oportunismo estético.
Acho que o caminho mais honesto
é abrir espaço para a complexidade,
não tentar simplificar demais e trabalhar
com pessoas que realmente têm
vivência e verdade naquela conversa”,
afirma.
Thai de Mello está em turnê com espetáculo patrocinado por Nubank Ultravioleta
“No digital,
muitas vezes
as pessoas
entendem sua
potência só
pela lente do
conteúdo”
Divulgação
Thai lembra que quando a proposta
é um collab da marca com influencers,
há a necessidade de entrar mais
profundamente na construção do
que está sendo proposto. Por quê?
Ela responde: “Numa campanha, você
empresta imagem, contexto e interpretação.
Quando existe participação
em produto, estética e narrativa, você
não está só comunicando algo pronto,
está ajudando a dar forma àquilo.
E isso muda tudo, porque a entrega
fica mais orgânica, mais coerente e
mais próxima daquilo que a audiência
reconhece como verdadeiro em você”.
O mesmo acontece quando os projetos
são desenvolvidos para marcas
globais como Prada (ela está de volta
com a segunda versão do filme ‘O diabo
veste Prada’), Gucci e Dior.
“Marcas com códigos muito fortes
sabem que imagem não é só aparência;
é contexto, tom, comportamento,
percepção. Então a escolha precisa
considerar menos quem fala com
muita gente e mais quem sustenta
esse universo com coerência. Acredito
que quando a curadoria é realmente
cuidadosa, a campanha ganha
uma camada de legitimidade e de
sofisticação que o público percebe,
mesmo que não verbalize isso de
maneira técnica”, argumenta Thai,
enfatizando que o mercado de influência
está sendo cobrado pelas agências
e anunciantes por mais entrega
de KPIs, visão de processos e governança.
“Tem muita ação que faz sentido
no papel, atende ao briefing, cumpre
cronograma, entrega números, mas
não gera conversa real nem deixa
marca na percepção pública. Acho
que isso acontece quando o processo
fica muito correto e pouco sensível.
O público não responde só à organização,
responde à coerência. Quando
existe coerência entre marca, creator,
momento e mensagem, o resultado
costuma ser mais potente do que
qualquer fórmula.”
Estar no palco é uma reflexão para
o direcionamento da carreira de Thai
de Mello. Em sua avaliação, há uma
diferença entre o mundo dos algoritmos,
que ditam a comunicação digital,
e a exposição pública no palco.
Seu trabalho está em cartaz no Teatro
Santos Augusta, até o dia 6 de maio.
“No digital, muitas vezes as pessoas
entendem sua potência só pela
lente do conteúdo. No ao vivo, entram
corpo, tempo, escuta, atenção e sustentação
de narrativa. Nenhuma parceria
é totalmente unilateral. Mas,
quando a adaptação começa a apagar
aquilo que faz você ser você, a conexão
se enfraquece. E isso prejudica o
creator e a própria marca, porque o
público sente quando a fala perdeu
verdade”, ela finaliza.
44 27 de abril de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
O que está por trás do
avanço do OOH no país?
Marco Aurelio de Souza
Um enorme movimento de profissionalização,
presença de grandes players, expansão expressiva
de pontos de exibição, fortes processos
para digitalização e busca de métricas, imenso
potencial para campanhas cross media e presença
em vários momentos da jornada dos consumidores.
Esse conjunto superlativo de fatores é fundamental
para o crescimento significativo que a mídia out of
home (OOH) vivencia nos últimos anos. De acordo
com o painel do Cenp-Meios, é a segunda mídia que
mais cresce no Brasil atualmente, atrás apenas da
internet. Adicionalmente, já é a terceira no share do
bolo publicitário, com participação de 12,1% e faturamento
de R$ 2,36 bilhões.
Esse avanço do OOH possibilita, paralelamente, a
conquista de importante espaço nas estratégias de
mídia dos anunciantes, por meio de contratos milionários
em alguns casos. Nesse sentido, a verificação
dos dados no out of home também ganhou relevância
na equação e o IVC participa desse fluxo há dez
anos, período de muita evolução. Em nenhum setor
de atividade econômica há aumento de investimentos
se não houver segurança e transparência. A compra
de mídia segue essa lógica de mercado e o OOH
não foge à regra. Em meio aos avanços tecnológicos,
digitalização das telas, venda programática e entregas
personalizadas, recursos mais antigos, como o
checking fotográfico, já não são mais suficientes e
eficazes para assegurar métricas complexas em torno
do número real de exibições.
Hoje, a mídia out of home conta com auditoria de
OOH bem estruturada e capaz de aferir com segurança
o inventário das empresas, facilitando muito
o planejamento. Contudo, a auditagem foi além e
permite a verificação das entregas de publicidade
em equipamentos estáticos e digitais, por meio da
auditoria de campanhas, garantindo que a exposição
contratada foi realmente concretizada. Afinal,
em todos os meios podem ocorrer imprevistos. Assim,
o mercado conta com garantia tanto dos números
referentes aos inventários quanto dos dados
de veiculação. O componente auditagem se soma a
outros fatores favoráveis do OOH, pavimentando o
caminho para crescimento contínuo, consistente e
sustentável. A mídia out of home passou por muitas
transformações para colher grandes frutos. O IVC
não somente acompanhou de perto, como contribuiu
para esse fenômeno que se tornou o OOH. Essa
trilha é possível graças às empresas do segmento,
sérias e comprometidas com a transparência. Não à
toa os serviços de auditoria foram abraçados por dezenas
de veículos associados ao Instituto, incluindo
os principais players do país.
Assim como a própria mídia, a auditagem moderna
também segue viva e dinâmica. Nesse sentido,
o próximo passo já está sendo preparado. Trata-se
da auditoria de vendas programáticas do digital out
of home (DOOH), que vai ao encontro do modelo automatizado
de negociação, cada vez mais presente
com a digitalização das telas. Novamente, o engajamento
de agências, veículos e anunciantes, bem
como do ecossistema programático, será imprescindível
para que a auditagem ofereça ao mercado
todo o valor agregado possível.
Em uma equação que vem sendo bem-sucedida
na busca proativa de soluções, no fim do dia, os veículos
do OOH querem oferecer ao mercado números
confiáveis e padronizados para ampliar a visibilidade
e a credibilidade do meio. Já as agências buscam
o máximo de indicadores baseados em critérios
técnicos, além de ágeis no processo de compra
para facilitar planejamento e execução. Por sua vez,
anunciantes não abrem mão de ambientes seguros
para a reputação das marcas e transparentes para
a destinação dos investimentos publicitários, consonante
com suas normas de compliance, mesmo
quando é preciso mitigar divergências.
Sob qualquer perspectiva, a auditoria independente
ajuda o OOH a continuar sua expansão, seja
proporcionando melhores condições para o desempenho
das campanhas, oferecendo dados confiáveis
e padronizados ou favorecendo a atuação ética, responsável
e com alto padrão nos critérios técnicos.
Marco Aurelio de Souza
é gerente de auditoria de projetos
de mídia do IVC
“Recursos mais
antigos, como o
checking fotográfico,
já não são mais
suficientes e
eficazes para
assegurar
métricas complexas”
46 27 de abril de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
O que o ECA Digital
exige das marcas
Roberta Sirota
O
modelo que sustentou boa parte da publicidade
digital nos últimos anos acaba de se
tornar obsoleto para quem fala com menores
de idade. Desde 17 de março último, com a entrada
em vigor do ECA Digital, o Brasil deixou claro que a
proteção de crianças e adolescentes no ambiente
online não é mais uma discussão, é uma exigência. E,
na prática, isso significa o fim de um atalho amplamente
utilizado pelo mercado.
Sejamos francos: durante muito tempo, parte da
indústria pegou um “atalho” para falar com crianças
e adolescentes. Ferramentas programáticas desenhadas
para o público adulto, e que eram manejadas
segundo uma lógica simples: rastrear, perfilar
e perseguir o usuário. Um modelo construído para
adultos, mas aplicado indiscriminadamente ao público
jovem. Agora, essa lógica não se sustenta mais.
A nova legislação proíbe explicitamente o uso de
técnicas de perfilamento para direcionamento de
campanhas a menores. O recado é simples e direto:
não se pode mais basear a estratégia em dados pessoais
de crianças. A reação inicial de parte do mercado,
ainda que previsível, é preocupante. Diante da
impossibilidade de rastrear, alguns têm optado por
recuar. Mas ignorar a geração Alpha e a geração Z
não é uma alternativa estratégica. Muito pelo contrário.
Dados de mercado mostram que crianças e
adolescentes influenciam até 95% das decisões de
compra dentro de casa. Não se trata apenas de consumo
direto, mas de influência real sobre categorias
que vão de bens essenciais a escolhas familiares
mais complexas. Em outras palavras: esse público
não é periférico, ele é central.
A questão, portanto, não é se as marcas devem
se comunicar com esse público, mas como. E é aqui
que a mudança mais relevante acontece. Saímos de
uma lógica centrada em “quem é o usuário” para
uma lógica baseada em “onde e em que contexto
ele está”. A era do dado individual dá lugar à era da
adequação contextual.
Isso não é uma limitação tecnológica, é uma evolução.
Hoje já é plenamente possível compreender
comportamentos e interesses de uma geração a
partir de seus interesses: universos como games,
creators, conteúdos de entretenimento e comunidades
digitais. Ambientes em que a conexão acontece
de forma orgânica, sem necessidade de coleta de
dados pessoais.
Na prática, isso significa operar sob princípios
reais de privacy by design - a preocupação com a
privacidade dos dados desde a concepção de qualquer
novo projeto ou serviço: entregar relevância
sem invadir privacidade, construir presença sem
depender de rastreamento, e garantir brand safety
de forma estrutural, não reativa. Mas existe
um ponto que o mercado ainda subestima e que
precisa entrar no centro dessa conversa. A publicidade
não financia apenas vendas. Ela financia a
própria internet.
Se marcas éticas recuam diante da regulação
e deixam de investir em ambientes seguros voltados
ao público jovem, o efeito não é neutralidade,
é desequilíbrio. A receita dos criadores e veículos
responsáveis diminui, enquanto ambientes menos
regulados e sem compromisso com qualidade ganham
espaço. O resultado é uma internet mais desigual.
De um lado, conteúdos seguros e educativos
restritos a quem pode pagar. Do outro, uma massa
de jovens exposta a ecossistemas sem curadoria,
sem proteção e sem responsabilidade.
Por isso, é importante todos entenderem que
o ECA Digital não veio para limitar o mercado, mas
para reposicioná-lo, distinguindo, de forma definitiva,
quem está disposto a evoluir de quem seguirá
operando em zonas cinzentas. Para as marcas,
o desafio e a oportunidade são claros: abandonar
a dependência de dados pessoais e elevar o nível
de inteligência, criatividade e responsabilidade na
construção da conexão com esse público. Até porque
não se trata de dados, mas de relevância. E a
relevância, agora, precisa vir, incondicionalmente,
acompanhada de responsabilidade.
Roberta Sirota
é country manager da
Kidscorp Brasil
“Sejamos francos:
durante muito
tempo, parte da
indústria pegou
um ‘atalho’ para
falar com crianças
e adolescentes”
jornal propmark - 27 de abril de 2026 47
opinião
Divulgação
Marcas que constroem
cultura e confiança
Guilherme Martins
O
marketing vive uma de suas fases mais estratégicas.
Mais do que impulsionar vendas ou
ampliar participação de mercado, cabe hoje
às marcas um papel ainda mais relevante: construir
valor, gerar confiança e estabelecer conexões genuínas
com a sociedade.
O consumidor contemporâneo mudou. Ele é mais
informado, mais consciente e mais exigente. Busca
marcas que dialoguem com seus valores, que entendam
o contexto cultural em que está inserido e
que sejam capazes de oferecer experiências significativas.
O marketing deixa de ser apenas uma ferramenta
de comunicação e passa a ocupar posição
central na construção de reputação, relevância e
crescimento sustentável.
Marcas mais fortes são aquelas que conseguem
ler a cultura, compreender as transformações do
comportamento humano e traduzir essas mudanças
em experiências, narrativas e propostas de valor
consistentes ao longo do tempo. É o que seguimos
fazendo na Diageo e o que, como presidente do Conselho
Superior da ABA, vejo a entidade reforçar em
todas as suas comunicações e iniciativas: não se
trata apenas de acompanhar tendências, mas de
interpretar movimentos sociais, novas formas de
consumo e expectativas que emergem em uma sociedade
em constante evolução.
Esse olhar cultural é o que permite às marcas
permanecerem relevantes e, ao mesmo tempo,
construírem vínculos duradouros com as pessoas.
Ao mesmo tempo, vivemos a consolidação de
uma nova era orientada por dados, inteligência artificial
e novas dinâmicas de mídia. A tecnologia ampliou
nossa capacidade de conhecer o consumidor,
personalizar jornadas e escalar resultados. Mas, em
meio a tanta velocidade, um princípio permanece
inegociável: confiança. Dados, criatividade e inovação
precisam caminhar lado a lado com ética, transparência
e responsabilidade.
O uso responsável da inteligência artificial, a
proteção de dados, a integridade da informação e
a segurança das marcas tornaram-se temas centrais
para o futuro do marketing. Diante disso, a
governança deixa de ser uma agenda paralela e
passa a ser parte da própria estratégia de crescimento.
É justamente nessa interseção entre inovação e
responsabilidade que a ABA desempenha um papel
essencial para o mercado brasileiro. Como entidade
que representa os anunciantes, a associação tem
a missão de fomentar boas práticas, fortalecer a
autorregulamentação e promover um ambiente de
negócios cada vez mais transparente, ético e preparado
para os desafios do presente e do futuro. E foi
com essa visão que lançamos este ano a Plataforma
ABA 2030, que vai orientar as ações da entidade nos
próximos cinco anos.
Entendemos que, mais do que acompanhar as
transformações do setor, precisamos liderá-las.
O marketing tem hoje a oportunidade – e a responsabilidade
– de influenciar positivamente não apenas
resultados de negócio, mas também a forma
como as marcas se posicionam diante da sociedade,
da cultura e das novas demandas de consumo consciente.
Hoje, o CMO está diretamente conectado à agenda
estratégica do board, à inovação, à reputação
corporativa e à construção de valor de longo prazo.
Liderar marketing, neste momento, significa liderar
crescimento com propósito.
As marcas que vão prosperar nos próximos anos
serão aquelas capazes de equilibrar performance e
propósito, tecnologia e sensibilidade humana, escala
e relevância cultural. Serão as que entenderem
que confiança é, talvez, o ativo mais valioso que podem
construir.
Porque negócios crescem com estratégia. Marcas
crescem com relevância. Mas, legados são construídos
com confiança.
Guilherme Martins
é presidente do Conselho Superior da ABA
e VP de marketing e inovação da Diageo
“Entendemos
que, mais do que
acompanhar as
transformações do
setor, precisamos
liderá-las”
48 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
pinHub é a unidade da Crispin dedicada
às campanhas para a mídia exterior
Impacto urbano motivou a agência a abrir o núcleo, por meio da
integração de dados, estratégia, criação e agilidade operacional
Paulo Macedo
Meio que responde por cerca de
11% do investimento em mídia
no mercado brasileiro, o out of
home está mobilizando outra agência
a criar uma unidade especializada no
canal. A Crispin, dos sócios Vinicius
Reis (CEO) e André Kassu (co-CEO), lançou
a pinHub, dando vida à expertise
construída nos últimos anos que definem
como projetos de “complexidade
e grande impacto urbano”. O lançamento
da 99Food contribuiu para a
formalização devido à demanda volumosa
de peças criativas.
“Hoje, o OOH não é só um meio de
presença. Ele tem um papel cada vez
mais relevante dentro das campanhas,
tanto na construção de marca quanto
na geração de resultados de negócio.
Modelos mais fragmentados tendem a
reduzir a velocidade, dificultar a consistência
da mensagem e limitar a capacidade
de ajuste ao longo da campanha.
E o que o OOH exige hoje é exatamente
o contrário: agilidade, precisão na escolha
de canais, formatos e contextos,
e uma leitura constante de dados para
otimização. Nosso papel é liderar e orquestrar
esse ecossistema, conectando
diferentes parceiros, tecnologias
e especialistas a partir de uma visão
estratégica única. Nosso papel não é
centralizar tudo, mas garantir direção,
integração e alinhamento de ponta a
ponta”, destaca Reis.
O CEO da Crispin explica que o
pinHub terá adequação ao perfil do
país devido às diferentes dinâmicas
entre regiões. “Ter proximidade com a
estratégia da marca ajuda a garantir
mais coerência e relevância na forma
como ela se manifesta em cada praça.
Nosso objetivo é justamente elevar o
Vinicius Reis, João Sant’Anna, Fabíola Thomal, Marcelo Marujo e André Kassu celebram a nova unidade da Crispin para o canal OOH
“Nosso papel
é liderar e
orquestrar esse
ecossistema”
papel do OOH, trazendo mais inteligência,
mais integração e mais cuidado na
execução. Trata-se de combinar criatividade,
dados e contexto para que a
marca esteja nos lugares certos, da
forma certa, no momento certo.”
A relevância para as marcas, segundo
Reis, é uma das características
do OOH. “O meio ocupa cada vez mais
um papel estratégico na jornada do
consumidor. Hoje, atua como ponto de
contato relevante que conecta marcas
ao cotidiano das pessoas, tanto
em grandes centros quanto em contextos
regionais específicos. Com o
uso de dados de mobilidade, comportamento
e localização, o canal ganha
precisão e contextualização, permitindo
que as marcas se insiram de forma
mais relevante e oportuna na vida das
pessoas, contribuindo diretamente
para a construção de marca.”
A integração entre OOH e digital
ampliou o potencial do meio, principalmente
pela possibilidade de mensuração
em tempo real e otimização
Divulgação
contínua das campanhas.
“A combinação entre dados, tecnologia
e inteligência territorial permite
desenvolver campanhas mais contextualizadas,
adaptadas a diferentes públicos,
regiões e momentos. Isso abre
espaço para um craft mais sofisticado
em cada formato e para a produção
de um volume maior de peças com
mensagens customizadas, ampliando
as possibilidades criativas e tornando
o OOH um canal ainda mais relevante
na construção de narrativas de marca.
Em alguns casos, o OOH também se
torna um canal de experiência, capaz
de expandir e tangibilizar as mensagens
das campanhas”, finaliza Reis,
enfatizando o valor da criatividade.
patrocínio
jornal propmark - 27 de abril de 2026 49
esg no mkt
Alê Oliveira
A sustentabilidade
das agências
Empresas listadas na Bolsa, por exemplo,
têm a obrigação de reportar suas ações ESG
Alexis Thuller Pagliarini
Na edição da semana passada do propmark, donos
e diretores de agências foram questionados
sobre o modelo de atuação das agências,
suas dores e oportunidades. As conclusões já eram
sabidas por muitos e não são novidade. A remuneração,
por exemplo.
modelos de atuação e redesenhar suas entregas. A
criatividade, mesmo que auxiliada pela IA, continua
sendo a variável mãe da agência, mas ela precisa
vir acompanhada de estratégia e capacidade de
embarcar tecnologia, garantindo entregas mensuráveis.
Junto com a construção de imagem – um
ativo reconhecido das agências desde sempre – vem
agora uma cobrança maior por resultado.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
O mercado publicitário brasileiro desenvolveu
um modelo de remuneração baseado, fundamentalmente,
no desconto padrão – percentual repassado
pelos veículos de parte do valor referente à veiculação
autorizada por meio das agências. Esse formato
prevaleceu por décadas – e ainda é utilizado – contribuindo
grandemente para a qualidade da publicidade
brasileira, reconhecida no mundo inteiro.
Não à toa, as agências brasileiras estão sempre
entre as de melhor performance nas premiações
internacionais. Com o advento das soluções digitais
por meio de plataformas, que insistem em ignorar
o modelo de remuneração autorregulamentado via
Cenp, os sistemas de contratação de agências e as
consequentes formas de remuneração nem sempre
deixam as agências em boa condição de continuar
prestando serviços de qualidade, diante da complexidade
de hoje.
A pressão pelo nível de entrega aumentou, mas a
remuneração não acompanhou. A forma de contratação
e remuneração de agências é, portanto, uma
variável preocupante. Outra variável significativa é
a relevância da agência junto ao cliente, que agora
lida com plataformas digitais, consultorias especializadas,
tecnologia. A agência procura se encaixar no
meio disso tudo, tentando continuar se apresentando
como orquestradora desse ferramental, tendo a
criatividade como norteadora das ações.
A transformação operacional exigida pelo tsunami
digital é agora forçada novamente pela avalanche
da IA, que mexe em processos e, principalmente,
na percepção de valor. E as agências entram então
em um novo turbilhão, que exige repensar seus
“O cliente quer menos discurso e mais inteligência
aplicada ao negócio”, diz a matéria do propmark.
Isso tudo tem a ver, em última instância, com
sustentabilidade. Refiro-me à sustentabilidade, de
forma holística, como sobrevivência das agências.
Quem não conseguir fazer a devida leitura dessas
demandas e um consequente redesenho da sua
operação, vai ficar para trás.
No meio disso tudo, faltou destacar também a
necessidade de se aplicar uma gestão mais ética e
transparente, além de responsabilidade socioambiental.
Isso não é uma exigência específica para
as agências, mas de todas as formas de se fazer
negócios. Empresas listadas na Bolsa, por exemplo,
têm a obrigação de reportar suas ações ESG, em paralelo
aos seus resultados financeiros. Certamente,
essas empresas pressionarão suas agências a um
alinhamento aos mesmos princípios aos quais estão
submetidas. O mesmo acontece com empresas exportadoras.
A partir deste ano, a União Europeia exige a comprovação
formal de que os produtos importados
não sejam oriundos de áreas desmatadas. Mas não
só essas empresas estão mais criteriosas na escolha
de suas agências. Os princípios do capitalismo
consciente, felizmente, estão sendo adotados por
um número crescente de empresas.
Essa onda também chega às agências, que estão
sendo pressionadas a se alinhar a esses critérios,
sob risco de serem preteridas por outras mais conscientes.
De fato, as agências precisam de um redesenho
da sua atuação. E ele será fundamental para
sua sustentabilidade.
50 27 de abril de 2026 - jornal propmark
inspiração
Alucinações humanas
Talvez a questão não seja se a IA vai substituir o nosso pensamento,
mas como usá-la de forma que continuemos pensando
Felipe Piris
Especial para o propmark
Alguns meses atrás, decidi mudar a relação com o meu cabelo e explorar o
que é, de fato, ter cabelo cacheado. Como toda jornada de descoberta, comecei
testando produtos, brasileiros e internacionais. E, aproveitando uma
viagem a Austin, resolvi buscar algo diferente por lá.
Seguindo um hábito que muitos de nós já incorporamos - e que talvez nem seja
o mais adequado para a chamada era agêntica -, abri o ChatGPT e perguntei qual
produto eu deveria comprar em Austin para cabelo cacheado.
No lugar de exercitar um processo cognitivo mais amplo, como conversar com
amigos, ver vídeos, pesquisar tendências, comparar fórmulas, ou até entender melhor
a estrutura capilar e os estudos por trás disso, eu reduzi todo esse caminho a
uma única pergunta. E transformei a decisão em uma resposta gerada por IA.
Isso, claro, abre uma série de perguntas: Como o ChatGPT chegou a essa resposta?
Esse produto é, de fato, o melhor para o meu tipo de cabelo? O que ficou de fora
do processo? Qual foi o critério? E talvez a mais importante: o que acontece com
o meu processo cognitivo quando faço isso? Estou, de alguma forma, atrofiando o
meu cérebro?
E foram essas perguntas que me motivaram a investigar o tema ao longo deste
ano, especialmente no SXSW. Desenhei uma trilha bastante específica para entender
como usar a IA de forma a amplificar o pensamento, e não substituir ou empobrecer
o processo cognitivo, além de mapear quais avanços já existem para nos
ajudar a chegar nesse ponto de equilíbrio.
O primeiro passo foi entender os tipos de IA e um conceito fundamental: o de
tecnologia de propósito geral (general purpose technology). Embora não seja o significado
da sigla GPT, ele descreve com bastante precisão o papel das IAs generativas
que usamos hoje, muitas delas, já presentes no nosso celular.
De forma bem simplificada, essa evolução passa pelo conhecido caminho entre
artificial intelligence, machine learning, deep learning e, mais recentemente, generative
AI. Não é algo que surgiu do nada, mas uma construção contínua, que ganhou
crescimento exponencial com a GenAI.
Dentro dessa trajetória, alguns marcos mudam completamente o jogo. O transformer,
em 2017, redefine a forma como os modelos compreendem linguagem e
contexto. Em 2022, o ChatGPT não representa uma ruptura isolada, mas o momento
em que essa tecnologia finalmente chega às mãos das pessoas e começa a alterar
comportamentos em escala. Mais recentemente, modelos mais avançados, como
o Claude, ampliam a capacidade de reasoning e sinalizam a próxima camada: sistemas
baseados em agentes.
O ponto central é que essas tecnologias mais populares são, por natureza, generalistas.
Foram criadas para fazer muitas coisas bem, não necessariamente para
serem excelentes em uma coisa específica. E isso ajuda a explicar o exemplo do início:
receber uma resposta rápida não significa receber a melhor resposta possível.
Modelos de IA generativa não são determinísticos. Eles trabalham com reasoning,
construindo respostas a partir do que parece mais coerente com base em padrões
já aprendidos e dentro de um tempo curto de resposta. Isso é extremamente
eficiente. Mas pode ser limitado quando o objetivo é aprofundar, tensionar ideias
ou construir um pensamento mais próprio.
Somado a isso, existe o viés de confirmação. Um conceito clássico da psicologia
que, aplicado à tecnologia, ganha novas camadas. O modelo parte do framing da
pergunta e tende a acompanhar esse raciocínio. Muitas vezes, não para confrontar,
mas para concordar.
Testei isso na prática quando perguntei: “É uma boa ideia criar conteúdo sobre
produtos para pessoas carecas, certo?”. Mesmo sendo quase absurdo, a resposta
seguiu validando a premissa.
E voltamos à pergunta central: tudo isso afeta o nosso processo cognitivo? Tudo
indica que sim.
Em uma palestra chamada ‘Brainwave breakthroughs: The next healthcare frontier’,
pesquisadores apresentaram avanços em Brain-Computer Interfaces (BCIs)
que já conseguem identificar padrões cerebrais e auxiliar em tratamentos, reabilitação
motora e recuperação de traumas. Mas o ponto mais provocador surge
quando se discute o impacto da IA no cérebro humano.
Assim como o computador mudou nossa relação com a escrita, o Waze afetou
nossa noção espacial e as redes sociais impactaram nossa atenção, começam a
surgir indícios de que o uso constante da IA pode influenciar nossa capacidade de
atenção, tomada de decisão e pensamento crítico. Ainda são sinais iniciais, que
exigem mais pesquisa, mas eles já estão aí.
Então, se a IA impacta nosso processo cognitivo e se os modelos com os quais
interagimos carregam vieses e limites, o que fazer?
Talvez a questão não seja se a IA vai substituir o nosso pensamento, mas como
usá-la de forma que continuemos pensando. Com mais eficiência, sim, mas sem
abrir mão da complexidade.
E talvez esse seja o ponto central: não é sobre usar menos IA. É sobre usá-la
melhor. Se fizer sentido, compartilhe com alguém que também esteja tentando
entender este momento ou que, assim como eu, viva cercado de perguntas demais.
Felipe Piris, diretor de marketing do Publicis Groupe Brasil
Fotos: Arquivo Pessoal
jornal propmark - 27 de abril de 2026 51
click do alê
SBT reúne publicitários e celebridades
no Prêmio ‘O Melhor Comercial do Brasil’
No dia 15 de abril, o SBT reuniu profissionais da publicidade, artistas, jornalistas
e personalidades para a gravação do Troféu Imprensa, que neste ano passou a
integrar o Prêmio ‘O Melhor Comercial do Brasil’ (OMCDB). A categoria voltada ao
mercado publicitário contou com cinco jurados na etapa final de votação: Benjamin
Yung, CEO da DPZ; Douglas Silveira, CMO da GUT; Fernando Duarte, VP de criação
da AlmapBBDO; Paulo Ilha, CMO da Galeria; e Renata Bokel, CEO da WMcCann.
Halph Silva, gerente de marketing da Vivo, e Ágata Bresil, branding manager de O
Boticário, representaram marcas finalistas. Daniel Abravanel, diretor estratégico
de negócios e rede do SBT, comentou sobre o trabalho do júri: “Selecionar os finalistas
foi desafiador para o corpo de jurados, considerando o alto nível criativo
dos comerciais concorrentes. Esse resultado reforça a relevância da publicidade
nacional, capaz de produzir campanhas de grande impacto”. A cerimônia de
premiação, apresentada por Patrícia Abravanel e Celso Portiolli, foi gravada nos
estúdios do Centro de Televisão Anhanguera, sede do Sistema Brasileiro de Televisão,
em Osasco (SP). O evento contou com a participação de celebridades como
Galvão Bueno, William Bonner, Luciano Huck, Ana Maria Braga, Silvia Abravanel,
Simone Mendes e Sandra Annenberg, entre outros.
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Divulgação/SBT
Os jurados de OMCDB: Douglas Silveira, CMO da GUT; Fernando Duarte, VP de criação
da AlmapBBDO; Renata Bokel, CEO da WMcCann; Paulo Ilha, CMO da Galeria; e
Benjamin Yung, CEO da DPZ
Cerimônia de premiação foi apresentada por Celso Portiolli e Patrícia Abravanel
Amauri Soares, head da TV Globo; Daniela Abravanel
Beyruti, CEO do SBT; a apresentadora Ana Maria Braga e o
ator Alexandre Nero
Galvão Bueno, narrador
Renata Bokel (WMcCann)
Benjamin Yung (DPZ)
Daniela Abravanel Beyruti (SBT)
William Bonner, jornalista e apresentador
52 27 de abril de 2026 - jornal propmark
Divulgação/SBT
Ágata Bresil (O Boticário)
Luciano Huck, apresentador
Silvia Abravanel, apresentadora
Fernando Duarte (AlmapBBDO)
Gloria Pires, atriz
Paulo Ilha (Galeria)
Danilo Gentili, apresentador
Halph Silva (Vivo)
Alexandre Nero, ator
Douglas Silveira (GUT)
Os apresentadores Erick Jacquin, Helena
Rizzo e Henrique Fogaça
Daniela Abravanel Beyruti (SBT), a jornalista
Sandra Annenberg, e a apresentadora
Rebeca Abravanel
jornal propmark - 27 de abril de 2026 53
última página
Alê Oliveira
Os melhores ouvintes
vão ficar órfãos
Stalimir Vieira
A
Rádio Eldorado vai acabar. Será que é porque
os melhores ouvintes acabaram? Ou será que
eles se tornaram tão poucos, que ficaram desinteressantes
para os anunciantes?
O fato é que a chamada audiência qualificada
perdeu completamente a relevância para os investimentos
em mídia.
Tenho me queixado aqui de vez em quando de
não ver um anúncio da Honda ou do Chivas na Piauí.
São marcas que eu consumo, e que cresceriam ainda
mais no meu conceito se ajudassem a manter momentos
de preciosa leitura.
Aliás, se a Piauí não tivesse um Mecenas e um
grupo aguerrido de assinantes, já teria ido para o beleléu.
Outro dia, comentei que me mantenho como
cliente da Honda, só por causa da primeira experiência
que tive com o produto, há 16 anos.
Se dependesse de ser alcançado por seus anúncios,
hoje, não teria a menor ideia do que a marca
anda fazendo. Um bom anúncio de página inteira da
Toyota, na Piauí, provavelmente, me balançaria.
Mas o fato relevante e triste é que vão terminar
com a Eldorado como se ela não valesse nada. Porque
o “mercado” pensa assim: se não “escala”, não
vale a pena. E o que é que escala, normalmente? Preciso
falar?
O fim da Eldorado não é o fim do rádio, porque o
meio continua aí. É, na verdade, mais uma derrota
do bom gosto e da qualidade cultural, como apelo
de audiência.
Antigamente, as grandes marcas tinham uma
verba institucional, que ajudava a sustentar meios
e programações voltados a contribuir com a elevação
do nível da informação oferecida ao brasileiro,
através da mídia.
Onde foi parar essa verba tão importante? Foi
pro varejo ordinário do digital? Durante anos, a Varig
manteve, no Brasil inteiro, uma seleção musical
primorosa, patrocinando em diversas emissoras, o
programa ‘Varig dona da noite’.
Por desmandos e abusos, a companhia quebrou,
mas a sua imagem institucional continua viva e admirada
até hoje.
Nenhuma outra empresa aérea brasileira conseguiu
repetir a façanha. Todas são mal avaliadas.
E o que fazem contra isso, em termos de comunicação?
Nada.
Preferem ficar duelando valores de tarifas com
os clientes nas plataformas de venda de passagens.
A Eldorado é vítima desse mal que assola o mercado,
que fere e mata toda profissão exercida com amor,
dedicação, cuidado, pesquisa e respeito por mentes
educadas.
A urgência estúpida em torno de índices que
atendam metas de remuneração do capital, como
prioridade, trata toda essa obra, construída com delicadeza
e esmero, como entulho imprestável.
Eu atendi a Eldorado na minha agência, eu criei
o slogan ‘A rádio dos melhores ouvintes’, eu sabia
do que estava falando, eu vi o João Lara Mesquita
trabalhando.
Era moldado para aquela tarefa, de transformar
uma emissora de rádio brasileira numa referência
comparável com o que melhor se faz em rádio no
mundo civilizado.
O fim da Eldorado não é apenas “culpa” dos novos
padrões de consumo de mídia, é consequência dos
novos padrões de pensar os negócios.
Esse jeito estúpido, que aposta no efêmero escalável,
que não tem compromisso em gerar nada,
além de dinheiro, rápido.
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
“O fato relevante
e triste é que vão
terminar com a
Eldorado como se
ela não valesse nada”
54 27 de abril de 2026 - jornal propmark
PROPMARK DIGITAL
OU IMPRESSO
QUEM ASSINA SABE TUDO QUE
ACONTECE NO MERCADO.
ESCOLHA O SEU PACOTE
MENSAL SÓ DIGITAL: R$ 28,00
ANUAL SÓ DIGITAL: R$ 250,00
ANUAL DIGITAL+ IMPRESSO: R$ 400,00
OS PLANOS ANUAIS PODEM SER PARCELADOS EM ATÉ 6X SEM JUROS
ASSINATURAS@PROPMARK.COM.BR | (11) 2065.0738
W W W . P R O P M A R K . C O M . B R