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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.087 - 20 de abril de 2026 R$ 20,00
ChatGPT
Agências buscam equilibrar pressão
por eficiência e o valor da criatividade
Em um cenário marcado por instabilidade geopolítica, avanço acelerado da inteligência artificial e mudanças profundas no comportamento do consumidor,
a indústria publicitária está mais do que nunca pressionada a se reinventar. Ao mesmo tempo em que o investimento global cresce e atinge níveis recordes,
as agências enfrentam desafios estruturais como margens comprimidas, modelos de remuneração defasados e a crescente complexidade operacional.
Nesse contexto, equilibrar eficiência, tecnologia e criatividade deixa de ser diferencial e passa a ser condição básica para sustentar relevância e crescimento
em um mercado cada vez mais dinâmico e orientado por dados. Confira depoimentos de lideranças no Especial Agências desta edição. pág. 18
Divulgação
The Group adota ‘Aqui tem’
como novo posicionamento
Aos 31 anos de atividade,
a The Group deixa o
mantra ‘Got to be real’
para adotar o posicionamento
‘Aqui tem’.
O COO Felipe Guntovitch
está à frente da
estratégia que busca
mostrar o portfólio de
serviços da agência e
que o live marketing
está além da ativação.
pág. 14
Diminui o número de
jurados brasileiros
escolhidos pelo
Festival Cannes Lions
Lista parcial tem 23 nomes, ante os 33 selecionados
em 2025. Ainda falta anunciar os
jurados das categorias Creative Brand, Dan
Wieden Titanium e Luxury. Entre presidentes
de júri, o país garantiu três profissionais, o
mesmo volume do ano passado. A 73ª edição
do Festival Internacional de Criatividade Cannes
Lions será realizada na França, entre os
dias 22 e 26 de junho de 2026. pág. 16
Globo aposta em linguagem
nativa digital para as redes
Com memes, trends e
interação em tempo
real, a emissora reformula
sua presença nas
redes sociais e se aproxima
da linguagem dos
usuários. “São equipes
que trabalham muito
próximas aos conteúdos
e aos fãs”, afirma
Samantha Almeida,
diretora de marketing
da TV Globo. pág. 43
João Cotta/Divulgação Globo
Contexto, conteúdo
COPA
2026
PODE LEVAR
75 %
DOS BRASILEIROS
ÀS RUAS
Durante o maior torneio de futebol do mundo, vamos transformar a jornada dos
torcedores em estratégia de marca impactando o público no trajeto, na celebração
e no momento exato em que o coração e a alma dos brasileiros estão na rua.
FORMATOS EXCLUSIVOS
BLASTS
DA TORCIDA
100% dos ativos digitais,
em todo o Brasil, nos dias
que mais importam.
Volume massivo com
frequência dobrada.
EXPERIÊNCIA E
INTERATIVIDADE
Do físico ao digital.
Projetos especiais que
colocam o torcedor
dentro da experiência
com a sua marca.
CURADORIA
EXCLUSIVA
Placares, escalações e
notícias em tempo real.
Um ecossistema de
conteúdo construído para
a audiência que está na rua.
e cobertura histórica.
MARCAS QUE ESTARÃO CONOSCO
editorial
Armando Ferrentini
Os bons pagam pelos maus
Está aberta a temporada dos festivais de publicidade no ano. E começa a largada
para o maior e principal deles, o Cannes Lions, que divulgou na última
semana o line-up com os nomes dos jurados nas categorias da edição de
2026, que será realizada de 22 a 26 de junho na França.
Com o fim do prazo para inscrições de peças, as agências correram contra o tempo
e as novas regras de integridade para validação de trabalhos na premiação.
Após o escândalo da DM9 em 2025, devido à manipulação de imagens e conteúdo
com IA, que levou à cassação do Grand Prix ‘Efficient way to pay’ para Consul
e levantou suspeita sobre uma série de outros cases premiados, que também
foram investigados, o maior festival de criatividade global endureceu as exigências
para comprovação de resultados reais das campanhas.
Fontes do propmark “reclamam” que o processo de inscrição está muito mais
demorado e “difícil”. Elas relatam que ficou bem mais complicado e rigoroso, por
conta dos episódios do ano passado. Agências tiveram de se reunir mais vezes
com o global dos grupos para alinhar os documentos, inclusive realizando calls
com a organização de Cannes.
O reflexo disso pode ser uma possível diminuição no número de trabalhos inscritos
neste ano. Se isso ocorrer, Cannes vai arcar com o ônus de ter um impacto
financeiro. Por outro lado, será a prova de que a organização está disposta a perder
euros agora para não manchar a sua reputação e credibilidade em uma era
de fake news e de inteligência artificial, que mudou o jogo da corrida por Leões.
Entre os pilares do novo padrão de integridade criativa de Cannes, está o sistema
de verificação de informações em duas fases: uma análise manual e outra conduzida
por inteligência artificial. Juntas, elas avaliarão a autenticidade de todas
as alegações feitas nos cases. E o pior: uma agência pode ser banida por até três
anos do festival caso submeta trabalhos falsos, enganosos ou fraudulentos. Uma
consequência que ninguém quer enfrentar. O receio de não conseguir emplacar
inscrições de peças com potencial para ganhar prêmios também paira no ar.
Embora com caráter global, há quem diga que as novas regras de autenticidade
de campanhas estabelecidas pela organização vão atingir em cheio e principalmente
o mercado brasileiro, estopim da crise deflagrada no ano passado.
Ou seja, todos os olhos estarão voltados para nós nesta edição - apesar de ser a
França o País Criativo do Ano, homenagem que o Brasil recebeu no ano passado.
Antes do Cannes Lions, outro prêmio que também movimenta o mercado é o
D&AD. Agendado para os dias 19 e 20 de maio, em Londres, o tradicional festival
de origem inglesa que premia a excelência criativa com os cobiçados Pencils
também anunciou novidades na última semana, com a inclusão de três brasileiros
em sua nova rede de embaixadores, uma medida para aproximar o D&AD das
comunidades criativas espalhadas pelo mundo.
Especial Agências do propmark nesta semana traz os desafios e as incertezas
com o que vem pela frente em ano de eleições, Copa do Mundo, questões geopolíticas
e o uso cada vez maior da IA. Reportagem da editora-assistente
Bruna Magatti mostra que é dentro desse contexto que a indústria segue
equilibrando os custos e os avanços, e a modernidade das operações com o
ativo que nunca morre: a criatividade. Confira o que dizem as lideranças.
Vale lembrar a tendência de alta global a partir de dados da Warc, divulgados
no início do ano, cujas previsões apontam que o investimento global em publicidade
deve crescer 9,1% em 2026, alcançando US$ 1,3 trilhão.
Frase: “As regras são como postes de luz. Se você estiver sóbrio, servem como iluminação.
Se bêbado, como apoio” (David Ogilvy).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
75% dos profissionais dizem que estratégia
precisa se adaptar, aponta Sandbox
Estudo indica pressão por relevância da estratégia diante da IA e de
demandas táticas. Área ganha espaço, mas ainda é vista como dispensável
em cenários de prazo e orçamento.
3ª
Mariana Ferraz é a
nova CMSO da Aviva
Executiva assume marketing e vendas com foco em integração da jornada
do cliente e crescimento da plataforma, em momento de transformação
digital da companhia.
Dani Latérza é a nova VP de operações
de mídia e data da Africa Creative
A executiva passa a integrar o Africa Creative Data, hub da agência voltado
à conexão entre inteligência de dados, mídia e estratégia criativa. O
movimento fortalece a área liderada por Ana Cester (à esquerda na foto),
chief data and transformation officer (CDTO).
4ª
Movimentações incluem novos cargos, promoções e criação de unidades
com foco em IA, dados e integração operacional, refletindo ajustes nas
estruturas do mercado.
5ª
Agências e anunciantes apresentam
novos cargos e unidades
Betano investe em
experiências fora do digital
Marca amplia ativações presenciais para fortalecer relação com torcedores
e reforçar posicionamento ligado ao entretenimento, responsabilidade e
presença no futebol brasileiro.
4 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Especial Agências revela cenário de pressão e reinvenção
18
índice
Cada vez mais pressionadas por resultados, as agências de publicidade
precisam equilibrar vários pratos para provar o seu valor aos clientes. Em uma
indústria marcada por uso crescente de IA, a criatividade também está à prova.
Gemini
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Dia Mundial da Criatividade levanta
reflexões entre líderes do mercado
Data celebrada no dia 21 de abril lembra como
a criatividade é combustível que impulsiona a
propaganda para além do óbvio. Lideranças como
Carla Cancellara, ECD da We e copresidente do Clube
de Criação, refletem sobre a força das ideias. pág. 32
Estadão amplia sua plataforma
de eventos e experiências
A nova agenda reúne fóruns, summits e projetos
proprietários que avançam sobre diferentes verticais,
que abordam desde a inteligência artificial até temas
relacionados à saúde. Luís Fernando Bovo e Daniela
Longo detalham a estratégia. pág. 44
Assinaturas
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Redação
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@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Quem Fez ...........................................................................11
Entrevista ..........................................................................14
Cannes Lions .....................................................................16
Especial Agências .............................................................18
Agências ............................................................................28
Digital ................................................................................29
Mercado .............................................................................32
Marcas ...............................................................................38
ESG no MKT ........................................................................40
Out of Home ......................................................................41
Prêmios..............................................................................42
Mídia ..................................................................................43
Opinião...............................................................................46
Inspiração ..........................................................................47
Click do Alê ........................................................................48
Última Página ....................................................................50
Santander estreia
campanha global
com recorte brasileiro
O CMO Guilherme Bernardes
fala que a campanha ‘Começos
imperfeitos’ se apoia em
personagens reais, incluindo
criadores de conteúdo. Criação da
Publicis ganha leitura local ao se
afastar da conotação negativa do
“jeitinho brasileiro”. pág. 38
6 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Sem título
https://qrfy.io/r/fJhbeyio_a
Sem título
https://qrfy.io/r/fJhbeyio_a
CONFIRA
conexões
última hora
Post: Publicis Groupe celebra
100 anos de conquistas
100 anos de coragem, resiliência e visão!
Gabriela Onofre
INFANTIL
A Canto de Minas apresenta ao mercado Via Lácteos, nova marca (foto acima) que passa a
representar sua linha infantil e integra uma estratégia de reposicionamento na categoria.
O projeto foi estruturado para ampliar a conexão com os baixinhos. Segundo André
Almeida, diretor de criação da Alta Comunicazione, o projeto foi desenvolvido a partir de
uma oportunidade estratégica: “Identificamos espaço para a construção de um território
proprietário capaz de gerar vínculo e valor ao longo do tempo.”
ESPETÁCULO
O C6 Bank, em parceria com a produtora Dueto, lança festival temático dedicado à música
brasileira batizado de C6 no Rock. A primeira edição vai reviver álbuns icônicos
dos anos 1980, além de shows em homenagem a Cazuza e Rita Lee. O evento será realizado
no Parque do Ibirapuera, nos dias 22 e 23 de agosto de 2026.
Uma história linda, de coragem,
resiliência e conquistas. Que os
próximos 100 anos sejam tão inovadores
e vitoriosos quanto os
últimos 100. Obrigada pela
homenagem, propmark!
Andréa Fernandes
Post: Para Frederico Teixeira,
da VML, a ‘ideia genial’ ainda
é um mito romantizado
Dois gigantes!
Carolina Pignata
Duailibi Essencial
Post: Betano investe em experiências
fora do digital
Boa leitura do Guilherme Augusto Figueiredo
e um movimento que diz bastante
sobre o momento do mercado.
Camilo Barros
Post: ABA apresenta gestão para o
triênio 2026-2029
Obrigada pelo carinho de sempre,
@propmark e @aleoliveiraphoto!
ABA
Post: O Boticário lança ‘Despedidas’
para o Dia das Mães
Essa campanha está especial!
Ariana Russi Deschamps
“Sempre temos tempo suficiente se dele fazemos bom uso” (Goethe).
dorinho
LGBTQ+
A Parada SP, organizada pela APOLGBT-SP (Associação da Parada do Orgulho LGBT de São
Paulo), renovou a parceria com a DiaTV em 2026 e anunciou que a emissora online será
responsável pela transmissão ao vivo da 30ª edição do evento no próximo dia 7 de junho.
Acima, a foto da campanha criada para promover o evento deste ano.
CONTRATAÇÃO
A Steal The Look traz Juliana Poli para ser head de expansão e estratégia de marca. O hub de
moda, beleza, finanças e lifestyle soma mais de 23 milhões de pessoas em sua audiência.
INTERNACIONAL
Em parceria com a agência Paim United
Creators, o designer gaúcho Henrique Steyer
(foto ao lado) exibe exposição em Milão, na
Itália, que começa no dia 20 e se encerra no
dia 26 de abril, domingo.
VAREJO
A C&A Brasil acaba de escolher a Wigoo, após
processo de concorrência, para liderar sua
conta de performance. O foco da parceria é a
integração da jornada omnicanal (aplicativo,
e-commerce e as 339 lojas físicas da marca)
por meio de uma operação que envolve
as disciplinas de engenharia de dados e
inteligência artificial.
8 20 de abril de 2026 - jornal propmark
APP
curtas
Julia Magalhães/Divulgação WPP
WPP esColhe André FerrAz PArA o
novo CArgo de ChieF groWth oFFiCer
O grupo WPP acaba de criar o cargo de chief growth officer no Brasil. Quem ocupará a vaga
é André Ferraz (foto), responsável por “fortalecer este novo momento da WPP no mercado
brasileiro”, diz o country manager Stefano Zunino. O executivo enxerga oportunidades
“para quem souber navegar as transformações no consumo de mídia, no papel dos dados
e na adoção de inteligência artificial”, explica. A expectativa é promover soluções de
negócios para responder aos desafios dos clientes e capitalizar o potencial do WPP Open
- modelo de operação integrado às verticais de criatividade, mídia, dados, tecnologia e
commerce da holding. O plano é acelerar a atuação da companhia no mercado brasileiro.
Ferraz pretende combinar leitura comportamental, visão de produto, disciplina comercial
e agilidade de execução para “ajudar os clientes a escalar negócios enquanto desenhamos,
juntos, novos motores de crescimento”. O profissional agrega visão integrada de
plataformas digitais, dados, atenção do usuário e IA aplicada ao negócio, conhecimento
acumulado em passagens por Netflix, Google e Terra. Ferraz tem mais de 20 anos de carreira
e integrou projetos realizados no Brasil e na América Latina.
El OjO 2026 OfErEcE inscriçõEs cOm dEscOntO
Divulgação
d&ad ElEGE três EmBaixadOrEs BrasilEirOs
Divulgação
Festival, que ocorre em novembro, dá 20% de desconto em cadastros feitos até o dia 15 de maio
O pagamento das inscrições para o El Ojo de Iberoamérica, que será realizado entre os
dias 11 e 13 de novembro de 2026, poderá ser feito com 20% de desconto até o dia 15 de
maio. Para confirmar a antecipação, interessados devem baixar um formulário, selecionar
a quantidade, o tipo de inscrição e preencher dados de cobrança. É possível definir quais
peças serão submetidas a partir do dia 1º de julho, quando começa a fase online. Aí os
candidatos deverão se cadastrar no sistema e enviar o código de registro para selecionar
cases e categorias. O festival valoriza a criatividade na América Latina há mais de 28
anos. “Ampliamos fronteiras e estimulamos negócios”, pontua Santiago Keller Sarmiento,
presidente do El Ojo de Iberoamérica.
Schmitt, Joanna e Santos (centro) estão na lista de 26 embaixadores selecionados pelo D&AD
Joanna Monteiro, ex-CCO da FCB Brasil; Mateus de Paula Santos, CCO e fundador da Lobo;
e Gabriel Schmitt, CCO da Grey em Nova York, entraram na lista de embaixadores da
organização D&AD, que promove o D&AD Awards, um dos prêmios mais prestigiados da
publicidade mundial. Ao todo, a relação tem 26 nomes vindos de dez países. Criado para
conectar talentos de indústrias criativas locais à rede de excelência global do D&AD, o programa
engloba hubs na Europa, Ásia Pacífico, América do Norte e América do Sul, incluindo
representantes de Auckland, Berlim, Hamburgo, Hong Kong, Los Angeles, Madrid, Nova
York, Paris, Sydney e Tóquio, além de São Paulo. A 64ª edição do D&AD Awards ocorrerá em
Londres, com 14 jurados brasileiros, entre os dias 19 e 20 de maio de 2026.
sBt E n spOrts tErãO BEm Brasil na cOpa puBlicis crEscE 6,4% nO primEirO tri ‘carminha’ EstrEia nO GlOBOpOp
Lourival Ribeiro/Divulgação SBT
Divulgação
Divulgação
Beting, Nadine, Leifert, Renata e Alexandre Pato estão no time
A empresa de batata frita congelada Bem Brasil patrocinará
a cobertura do SBT e N Sports na Copa do Mundo,
que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México
entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026. Airbnb,
Esportes da Sorte, Friboi, Haleon, McDonald’s, Seara,
Shopee, PagBank e Carrefour já aderiram ao projeto, que
prevê a exibição de 32 partidas narradas e comentadas
por Galvão Bueno, Tiago Leifert, Juninho Paulista, Mauro
Naves, Mauro Beting, Nadine Bastos, Renata Saporito e
Alexandre Pato. Mais de 150 profissionais produzirão
conteúdo multiplataforma. “Esse projeto simboliza
o maior investimento já realizado em uma ação de
promoção da marca”, informa Gustavo Amaral, head de
marketing da Bem Brasil.
Arthur Sadoun, chairman e CEO do Publicis Groupe
O crescimento orgânico do Publicis Groupe aumentou 6,4%
no primeiro trimestre de 2026, para € 4,19 bilhões. A receita
alcançou € 3,46 bilhões, alta de 4,5%. “Superamos a indústria
por quase 20 trimestres consecutivos, apesar do ambiente
macroeconômico volátil”, declara o chairman e CEO
Arthur Sadoun. A América cresceu 13,3%, seguida por Ásia-
-Pacífico (5,9%), América do Norte (4,7%) e Europa (3,9%).
Novos negócios, inteligência artificial e aporte na área de
esportes devem ditar o avanço. A plataforma AdgeAI e a
agência de marketing esportivo 160over90 são aquisições
recentes. “IA continua guiando a nossa evolução, distanciando
competidores e ampliando parcerias”. No dia 8 de
abril, o Publicis Groupe anunciou expansão de acordo entre
Microsoft e Marcel, plataforma de IA do grupo.
Patricia Fontes e Rodolfo Bastos: diversão com segurança
GloboPop é o novo aplicativo gratuito de vídeos verticais
da Globo, que reúne “o que já é relevante em um ambiente
seguro”, pontua o diretor de produtos publishing Rodolfo
Bastos. A plataforma organiza produções originais, trechos
de programas, conteúdos jornalísticos, esportivos e de
entretenimento, além de materiais desenvolvidos com
criadores de conteúdo e nomes do elenco da emissora.
‘Carminha’, derivada de ‘Avenida Brasil’, é um dos exemplos.
A estreia ocorre neste mês de abril com patrocínio
do Magalu, que ainda terá a personagem Lu como criadora
do aplicativo. “A experiência foi pensada para quem quer
se informar, se emocionar e se divertir sem o risco de
esbarrar em conteúdos impróprios”, reitera Patricia Fontes,
head de produtos digitais de entretenimento.
10 20 de abril de 2026 - jornal propmark
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
Grey Brasil
VolVo Car Brasil
Fotos Divulgação
Título: ‘For life’
CEO: Manir Fadel
ECD: andré Gola
Diretor de criação: Fernanda Peka e lucas saicali
Criação: Fernanda Peka e lucas saicali
Aprovação: Felipe Yagi
A campanha tem início com uma publicação no perfil da Volvo no LinkedIn,
em um movimento pensado para inserir o tema em uma plataforma estratégica
para conversas sobre cultura, inovação, propósito e reputação.
A partir daí, a ideia se desdobra em uma série de formatos, incluindo filmes
digitais, mídia OOH e outros pontos de contato.
VMl Brasil
Coral akzoNoBEl
Título: ‘Prompts Coral’
CCO: Dudu Marques
Criação: Fábio sá, Douglas Barreto, Eduardo lautert,
Bianca Gouveia e Beatriz Xerez
Aprovação: Henrique striker, Juliana zaponi e Miriam Germano
Tintas Coral traduz cores em prompts de IA para facilitar a jornada
de escolha do consumidor brasileiro. Plataforma ensina inteligência
artificial a “ver” cores como os humanos veem, possibilitando simulações
realistas da aplicação nos ambientes. O sistema da marca
de tintas traduz o catálogo de mais de 2 mil cores. Ação conta com
influenciadores, arquitetos parceiros e ativações em mídia exterior.
W3haus
GETNET
Título: ‘Quando a gente se junta é mais negócio’
ECD: leandro Pinheiro
Diretor de criação: Dimas Forchetti
Produtora: Modernista Creative Producers
Diretor: Tiago Venturi
Aprovação: Denis De lutiis, Danielle Ceccato e Bruno
de Mello rodrigues
No filme, Rodrigo Faro interage com dois atores que representam
um empreendedor e uma cliente, diante da
decisão sobre como realizar o pagamento de uma compra.
Em uma dinâmica inspirada nos clássicos programas
de namoro, o apresentador conduz a conversa até que a
dupla chegue a um consenso - o uso de uma maquininha
Getnet, entregue por sua assistente de palco.
jornal propmark - 20 de abril de 2026 11
entrevista
felipe guntovitch
COO da The Group
Live marketing não é só ativação
Com tanta volatilidade e transformações
em uma cena marcada pela forte
competitividade e busca por novos
posicionamentos, faz-se necessário que
os ciclos sejam cada vez menores. A The
Group, que completa 31 anos de atividades
em 2026, está substituindo a assinatura
‘Got to be real’, ativada há cerca de dois
anos, para assumir o conceito ‘Aqui tem’.
Segundo o COO Felipe Guntovitch, o mote
traduz a oferta múltipla de serviços da
agência de live marketing que tem no seu
portfólio de clientes marcas como EDP, Basf,
Volkswagen, Natura, Prometeon, Hospital
Einstein e J. Macedo. Com 60 funcionários
fixos, além de equipes arregimentadas
para cada projeto, Guntovitch explica
a mudança: “‘Aqui tem’ é sobre isso: um
posicionamento mais direto, mais atual e
mais conectado com o futuro que estamos
construindo”.
Paulo Macedo
Como define o momento atual da TG e o que motivou esse reposicionamento?
O que muda, na prática, no papel da agência?
Como o live marketing gera valor real para o negócio?
Deixamos de ser apenas uma agência de entrega para nos posicionarmos como
um parceiro estratégico que ajuda a transformar experiências em inteligência
de negócio. Esse movimento nasce de uma combinação entre visão interna e
mudança de mercado. Por um lado, sempre tive uma formação muito orientada a
dados, com background em economia e consultorias, o que naturalmente trouxe
uma inquietação sobre como extrair mais valor dos projetos.
Mensuração é uma exigência?
Sim. O próprio mercado começou a exigir mais mensuração, mais previsibilidade
e uma conexão mais clara entre investimento e resultado. A provocação
central é simples: o evento não pode mais ser tratado como um fim em
si mesmo. Durante muito tempo, o mercado investiu pesado em experiências
que cumpriam seu papel no momento, mas cujo aprendizado se perdia logo
depois. O que estamos construindo é um modelo em que o evento passa a
ser um meio, um gerador de dados, de comportamento e de inteligência que
orienta decisões futuras.
Divulgação
Poderia explicar como será do ponto de vista prático?
Muda o papel da agência. Não se trata apenas de executar bem, mas de estruturar
o que aquela entrega gera depois. Cada projeto passa a alimentar uma
base de conhecimento, permitindo comparar, evoluir e tomar decisões com
mais consistência. O valor deixa de estar só na experiência em si e passa a
estar também no que ela ensina. É isso que diferencia a TG hoje. Continuamos
com o mesmo nível de exigência criativa e operacional, mas adicionamos uma
camada de inteligência que transforma projetos isolados em um sistema contínuo
de aprendizado.
Como será a entrega dessa proposta?
Não entregamos apenas eventos, ajudamos as marcas a entender melhor seu
público, otimizar investimentos e evoluir suas estratégias ao longo do tempo.
Como a agência captura, organiza e usa dados nos projetos de
comunicação que lhe são confiados? Quais métricas realmente
importam hoje no segmento de live marketing?
Para que esse modelo funcione, a gente precisou estruturar uma nova forma de
pensar e operar os projetos. Hoje, cada evento já nasce com uma camada de captura
e leitura de dados desenhada desde o briefing, não como algo complementar,
mas como parte central da estratégia. Um ponto fundamental é a definição
14 20 de abril de 2026 - jornal propmark
“A tecnologia não substitui o olhar
humano; ela potencializa a nossa
capacidade de análise”
de KPIs logo no início. Antes mesmo de pensar na experiência em si, é preciso ter
clareza sobre o que significa sucesso naquele projeto. Isso direciona toda a construção:
que tipo de interação queremos gerar, quais comportamentos buscamos
estimular e quais sinais vão indicar que estamos no caminho certo. Sem essa
definição, qualquer análise posterior perde força.
E o próximo passo?
Mapear a jornada do público dentro da experiência e estruturar a captura dos
dados ao longo desse percurso. O foco deixa de ser apenas o volume e passa a ser
a qualidade: onde as pessoas permanecem mais tempo, quais ativações geram
maior engajamento, onde existe conversão real de comportamento e quais experiências
têm maior potencial de repetição.
E como esses dados são organizados e comparados?
Dentro de uma base proprietária que vem sendo construída projeto a projeto.
Com isso, começamos a sair de decisões baseadas em percepção para decisões
baseadas em evidência, entendendo, por exemplo, quais formatos performam
melhor, como o público se comporta em diferentes contextos e onde estão as
maiores oportunidades de otimização.
A tecnologia entra como meio para viabilizar essa inteligência?
Sim. Utilizamos ferramentas de análise e, cada vez mais, inteligência artificial
para acelerar a leitura de dados, identificar padrões e gerar recomendações. Mas
é importante dizer: a tecnologia não substitui o olhar humano; ela potencializa
a nossa capacidade de análise e tomada de decisão. Do ponto de vista operacional,
isso também muda bastante a dinâmica. Em grandes projetos, conseguimos
capturar volume e consistência de dados, o que fortalece análises mais robustas.
E como ficam as iniciativas mais táticas?
Passamos a ter mais espaço para testar, experimentar e validar hipóteses rapidamente.
O mais relevante é tratar essas duas frentes como complementares
dentro de um mesmo sistema de aprendizado. No fim, o que muda é que a operação
deixa de ser apenas execução e passa a ser também um processo contínuo
de geração de inteligência. Cada projeto não é só uma entrega, é uma oportunidade
de evoluir o próximo.
O que isso muda para o mercado e para o futuro? O que está
mudando no live marketing e o que ainda é subestimado? O
que permanece essencial mesmo com tanta transformação?
O live marketing está passando por uma mudança importante de papel. Durante
muito tempo, ele foi visto principalmente como uma ferramenta de impacto e relacionamento,
muito associado ao momento da experiência. Isso continua sendo
relevante, mas começa a ser insuficiente. O que está mudando é a expectativa
sobre o que fica depois. Hoje, o mercado começa a olhar para o live marketing
não só como um canal de ativação, mas como uma fonte de dados e inteligência
sobre comportamento. E isso ainda é subestimado por muitas marcas. Existe um
investimento alto sendo feito em experiências, mas uma parte significativa do
valor gerado ainda se perde por falta de estrutura para capturar, organizar e usar
essas informações.
E que permanece diante de tantas transformações?
A criatividade continua sendo o ponto de partida, a execução precisa seguir em
alto nível e a sensibilidade para entender o público é insubstituível. A tecnologia
e os dados ampliam a capacidade de decisão, mas não substituem o olhar humano.
No fim, as melhores experiências ainda são aquelas que conseguem combinar
relevância emocional com inteligência estratégica.
Qual é o objetivo com esse novo modelo?
O impacto que buscamos construir com esse novo modelo é justamente aumentar
a relevância do live marketing dentro das decisões de negócio. Fazer com que
ele deixe de ser visto como um investimento pontual e passe a ser tratado como
um ativo contínuo, que evolui ao longo do tempo. Quando isso acontece, a relação
muda: sai o foco em projetos isolados e entra uma lógica de construção, em que
cada entrega contribui para a próxima. Mais do que acompanhar uma tendência,
a ideia é ajudar a redefinir o papel do live marketing, conectando experiência,
dados e decisão de forma mais consistente e sustentável ao longo do tempo.
Qual é o papel estratégico da WPI neste momento da TG? O que
muda, na prática, ao fazer parte de uma rede global de agências
independentes? Como essa conexão amplia repertório, inteligência
e capacidade de entrega?
Para quem está do lado do cliente, fazer parte de uma rede como a WPI significa
acessar um nível maior de repertório e segurança na tomada de decisão. Em um
cenário em que as marcas precisam justificar melhor seus investimentos, contar
com uma agência conectada globalmente reduz o risco e amplia a qualidade das
soluções propostas. A participação na WPI permite que a TG traga referências,
benchmarks e aprendizados de diferentes mercados, evitando que as decisões
sejam baseadas apenas em contexto local ou percepção.
E como afeta a carteira de negócios?
Em propostas mais consistentes, com maior embasamento e menor dependência
de tentativa e erro. Ao mesmo tempo, o fato de ser uma rede de agências
independentes garante algo que é muito valorizado por quem contrata: flexibilidade.
Não existe um modelo engessado ou uma solução padrão global. Cada
projeto é construído de forma aderente à realidade do cliente, com autonomia
para adaptar, ajustar e evoluir conforme a necessidade.
E qual é o ponto de equilíbrio?
Essa combinação entre visão global e execução local traz um equilíbrio importante
entre inovação e viabilidade. O cliente tem acesso ao que está sendo
desenvolvido de mais relevante em outros mercados, mas com uma aplicação
prática, viável e adaptada ao seu contexto. Além disso, existe um ganho claro
de consistência. A troca contínua dentro da rede eleva o nível de planejamento,
criação e operação, o que impacta diretamente na qualidade das entregas. Para
quem está comprando, isso significa menos variabilidade, mais previsibilidade e
maior confiança no resultado.
O que significa o conceito ‘Aqui tem’ dentro da TG? Como ele
traduz esse novo momento da agência? O que ele comunica
para clientes e para o time?
O ‘Aqui tem’ é a síntese do momento que a TG está vivendo. Ele não nasce como
um slogan, mas como uma forma simples e direta de traduzir tudo o que estamos
construindo. Quando a gente fala ‘Aqui tem’, estamos falando de combinação:
Aqui tem estratégia, tem gente, tem tecnologia, tem experiência e tem futuro. É
a ideia de que o valor não está em um único elemento isolado, mas na integração
entre eles.
E esse conceito traduz qual intenção do ponto de vista mercadológico?
Traduz a evolução da agência, porque mostra que não estamos abandonando o
que sempre fizemos bem. A criatividade, a execução e a relação próxima continuam
sendo essenciais.
O que muda?
O que muda é que agora isso vem acompanhado de uma camada mais forte de
inteligência, dados e visão de longo prazo. Para o cliente, ‘Aqui tem’ comunica
consistência e profundidade. Mostra que não se trata apenas de uma entrega
pontual, mas de uma estrutura capaz de gerar valor contínuo, com mais clareza,
mais critério e menos achismo.
“O evento não pode mais ser
tratado como um fim em si”
jornal propmark - 20 de abril de 2026 15
cannes lions
Cai o número de jurados brasileiros
selecionados para o festival de 2026
País tem 23 representantes até o momento; ainda falta anunciar os
jurados das categorias Creative Brand, Dan Wieden Titanium e Luxury
A
73ª edição do Festival Internacional de Criatividade
Cannes Lions, que será realizada na
França, entre os dias 22 e 26 de junho de 2026,
tem 23 jurados brasileiros até o momento. Em 2025,
foram 33 e, no ano anterior, 36. A organização ainda
anunciará os nomes das categorias Creative Brand,
Dan Wieden Titanium e Luxury.
Mas já é certo que Marcel Marcondes, chief
marketing officer global da AB InBev, presidirá a
análise dos trabalhos submetidos na nova área de
Creative Brand. A confirmação foi feita em fevereiro,
com a apresentação dos demais presidentes de
júri deste ano. Rafael Pitanguy, deputy global chief
creative officer da VML, comandará Brand Experience
& Activation; e Rafael Gil, chief creative officer da
Artplan, Industry Craft.
“A experiência desse time em reconhecer trabalhos
inovadores estabelece parâmetros globais de
criatividade para os próximos anos. Os nossos jurados
são cuidadosamente selecionados para sustentar
esse padrão”, comenta em nota Simon Cook, CEO
do Lions.
No ano passado, o Brasil também teve três presidentes
de júri: Keka Morelle, CCO Latam na Ogilvy,
em Outdoor Lions; e Gabriel Schmitt, em Creative
Commerce. Já Ícaro Doria conduziu Print & Publishing
Lions. Ele era presidente e CCO da DM9, mas foi desligado
após Cannes cassar o GP de Creative Data e
um Bronze em Creative Commerce por manipulação
de voz e imagens com inteligência artificial no case
‘Efficient way to pay’, para Consul. A DM9 devolveu
troféus conquistados com ‘Plastic blood’ e ‘Death
gold’, também envolvidos em denúncias.
Para Marian Brannelly, diretora global de premiações
do Lions, o júri deste ano comprova a evolução
da indústria criativa, que está mais interconectada,
diversa e influente nos negócios. “Com mais mercados
representados e um volume crescente de líderes
de marcas e agências independentes, o escopo
deste ano deve garantir que as peças sejam julgadas
por meio de lentes verdadeiramente globais e
contemporâneas”, aponta Marian.
República Dominicana e Venezuela participam
pela primeira vez. Outra novata é a seguradora
francesa Axa, que ganhou 13 Leões com a campanha
‘Three words’ em 2025, incluindo os Grand Prix
de Titanium, Creative Business Transformation e Direct.
A ação passou a incluir as palavras “e violência
doméstica” em apólices residenciais, garantindo a
realocação de vítimas de agressões. África, Pacífico,
Mena (Middle East and North Africa) e América Latina
também serão representados.
Palais des Festivals, na Boulevard de la Croisette, avenida à beira mar em Cannes, onde o evento ocorre desde 1984
JURADOS BRASILEIROS
Nome cargo categoria
Edu LukE Sound creative, Hefty Music & Sound, Brazil Audio & Radio
Brisa VicEntE Co-CEO, Droga5 São Paulo, a part of Accenture Song, Brazil Brand Experience & Activation
andrE athaydE Agency partner, Meta, Brazil Creative B2B
diEgo guErhardt Executive creative director, Fbiz, Brazil Creative Business Transformation
Vinicius B. rEis
Partner and CEO, Crispin, Brazil; and president, Stagwell,
Brazil and Latin America
Creative Effectiveness
tiago aBrEu Chief creative officer, GUT São Paulo, Brazil Digital Craft
rafaEL donato Chief creative officer, Ogilvy, Brazil Entertainment
rogério chaVEs Co-chief creative officer, Africa Creative, Brazil Entertainment Lions for Gaming
tato Bono President, Publicis Production, Brazil Film Craft
ViVianE duartE CEO, Plano Feminino, Brazil Glass: The Lion for Change
MaríLia ZanoLi Chief marketing officer, Kimberly-Clark, Brazil Health & Wellness
rafaEL giL Chief creative officer, Artplan, Brazil Industry Craft
PauLo iLha Co-founder and chief media officer, Galeria Holding, Brazil Media
ELainE rodriguEs Managing director, Golin, Brazil PR
iron Brito Creative director, AlmapBBDO, Brazil Print & Publishing
ary noguEira Creative director, Wieden+Kennedy São Paulo, Brazil Social & Creator
fLaVia Martins Founder and CEO, Diversidade Sustentavel, Brazil Sustainable Development Goals
MariE JuLiE gErBauLd Chief creative officer, David São Paulo, Brazil Outdoor
rafaEL Pitanguy Deputy global chief creative officer, VML, global Brand Experience & Activation
rEnan daMascEna Co-founder and chief strategy officer, Muvuca and Auê, Latam Creative Strategy
Vitor hugo faVEro Global design lead, McCann, global Design
fErnando PELLiZZaro Global executive creative director, AKQA, global Print & Publishing
MarcEL MarcondEs Global chief marketing officer, AB InBev, global Creative Brand
Alê Oliveira
16 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Nova liderança, nova
estrutura, novos clientes.
Tudo pronto para
a próxima vez que você
perguntar "quem fez
essa campanha?".
We. Think Together.
A We está num momento de
mudança real. Novos clientes, nova
liderança e uma nova estrutura
depois da fusão com a LVL.
Marcas como Keeta, JOVI, QI Tech
chegaram para se juntar à BYD,
Cacau Show, EMS, Shopee e muitos
outros clientes.
Talentos como Maurício Almeida,
Carla Cancellara, Flavia Campos,
Ana Luiza Leite, Rui Branquinho,
Bruna Simões, Luca Lima, Carol
Aranha, Thais Possatti, Junior
Ernesto e mais, chegaram em todas
as áreas. Pessoas e marcas que
pensam juntas como a We sempre
fez. Pessoas e marcas que sabem
o valor do que estamos construindo,
tanto que vieram fazer parte disso.
Em meio a tantas novidades, tem
outra coisa importante que também
pode evoluir: a sua opinião sobre a
We. Basta uma ligação, uma reunião
e um cafezinho.
Até porque as melhores conversas
nunca acontecem por e-mail.
Uma agência do
/agenciawe
/agencia-we
Think Together.
especial agências
Entre algoritmos e ideias inovadoras:
o grande dilema do mercado em 2026
Mesmo com crescimento global e recordes no Brasil, agências enfrentam
pressão maior por preço, tecnologia e novos modelos de remuneração
Bruna Magatti
O desafio é manter a relevância onde cliente, remuneração, tecnologia e criatividade ocupam a mesma mesa
O
ano de 2026 traz uma avalanche
de situações: eleições,
Copa do Mundo, questões geopolíticas
intermináveis, aumento
da incerteza reg latória e o uso cada
vez maior da inteligência artificial.
É nesse contexto que as agências
seguem equilibrando os custos e
os avanços, e a modernidade das
operações com o ativo principal: a
criatividade. Dados da Warc, divulgados
no início do ano, deixam claro: o
investimento global em publicidade
deve crescer 9,1% em 2026, alcançando
US$ 1,3 trilhão.
O volume representa o dobro do
registrado no período pós-pandemia
e equivale a cerca de US$ 150 por
pessoa no mundo. Deste montante,
quase 80% dos recursos publicitários
globais já estão concentrados
em plataformas digitais, especialmente
retail media, links patrocinados
e redes sociais.
O estudo aponta uma mudança
estrutural no planejamento de marketing,
com a perda de relevância dos
modelos tradicionais — baseados em
planos estáticos, personas rígidas e
definições fixas de canais — diante de
um cenário mais dinâmico, complexo
e cada vez mais orientado por inteligência
artificial. Em seu lugar, ganha
espaço o chamado ‘systems planning’,
que propõe a criação de sistemas
adaptativos de influência ao longo de
toda a jornada do consumidor.
Nessa lógica, o peso de cada ponto
de contato deixa de ser fixo e passa a
variar conforme o contexto, a categoria
e o perfil do público. A adoção desse
modelo demanda novos frameworks,
ferramentas e, principalmente, uma
mudança de mentalidade — ainda em
estágio inicial no mercado.
O relatório ressalta a urgência de
formar profissionais capazes de integrar
dados, comércio e criatividade,
competências consideradas chaves
para operar plataformas de marketing
baseadas em IA e sustentar resultados
consistentes.
Outro ponto de destaque é o impacto
da busca impulsionada por
inteligência artificial na visibilidade
das marcas. Consumidores passam
a recorrer a mecanismos mais avançados
para realizar pesquisas longas
e complexas, que combinam descoberta,
comparação e decisão em um
único fluxo. Embora esse comportamento
varie de acordo com a categoria
e o contexto, ele já provoca
mudanças relevantes nas estratégias
de conteúdo.
O fortalecimento de canais próprios
e espontâneos também aparece
como fator crítico para a performance
nesse novo ambiente.
InvestImentos
Em 2025, o mercado publicitário
brasileiro movimentou R$ 28,9
bilhões em compra de mídia por
meio das agências, segundo dados
consolidados do Cenp-Meios, índice
auditado que acompanha o volume
financeiro da atividade no país. O
montante representa o maior patamar
desde a criação do estudo, em
2017, e confirma a trajetória de crescimento
do setor. Na comparação
anual, houve avanço de 10% sobre
2024 — ano que já havia registrado
alta de 12,7% em relação a 2023. A
única retração da série ocorreu em
2020, quando o índice caiu 18,97%
sob o impacto da pandemia.
Do total investido, 68% vieram de
campanhas nacionais. Já os aportes
regionais se concentraram principalmente
no Sudeste (19,4%), seguido
por Nordeste (4,5%), Sul (4%), Centro-
-Oeste (2,9%) e Norte (1,1%). Na divisão
por meios, o digital mantém protagonismo,
concentrando 41,5% dos investimentos,
considerando formatos
como display, áudio, busca, social e
vídeo. A televisão — aberta e por assinatura
— aparece logo atrás, com
41,3%, enquanto a mídia exterior responde
por 12,1%. Outros canais, como
cinema, jornais impressos, rádio e
revistas, somam juntos 5,8% da verba
ChatGPT
O investimento
global em
publicidade deve
crescer 9,1% em
2026, alcançando
US$ 1,3 trilhão
publicitária. As previsões da Dentsu já
informavam: o investimento em mídia
deve crescer de US$ 15,98 bilhões
em 2024 para US$ 22,18 bilhões até
2028 no país.
Para Marcia Esteves, presidente
nacional da Abap (Espaço de Articulação
Coletiva do Ecossistema Publicitário),
as principais dores estruturais
das agências brasileiras seguem conhecidas,
mas ficaram mais agudas:
“A primeira é a pressão sobre remuneração
e margem, porque o nível de
entrega exigido cresceu muito e, em
muitos casos, os modelos de contra-
18 20 de abril de 2026 - jornal propmark
tação não acompanharam essa complexidade.
A segunda é o desafio de
manter relevância estratégica num
ambiente em que cliente, plataforma,
consultoria e tecnologia disputam
espaço na mesma mesa. A terceira
é a transformação operacional
trazida pela IA, que mexe em processos,
times, precificação e percepção
de valor”, afirma.
OPORTUNIDADE
Marcia complementa que, por outro
lado, a oportunidade é enorme: redesenhar
o papel da agência. Para ela,
quem conseguir combinar inteligência
estratégica, criatividade, tecnologia
e capacidade real de execução
vai liderar essa agenda. “Hoje, agência
competitiva é a que consegue juntar
três coisas: pensamento estratégico,
excelência criativa e nova capacidade
operacional. Não basta mais somente
ter boas ideias. É preciso transformar
essas ideias em sistema, consistência
e resultado. A agência que fica para
trás é a que ainda opera com estrutura
pesada, excesso de burocracia,
pouca agilidade e uma visão antiga
de valor. O mercado mudou. O cliente
quer menos discurso e mais inteligência
aplicada ao negócio.”
A presidente também opina sobre
a atual pressão por eficiência na
relação com anunciantes. Para ela, o
cliente está mais orientado à performance,
governança e retorno, já as
agências precisaram se tornar mais
disciplinadas, analíticas e mais integradas
ao negócio do anunciante. “O
lado positivo é que isso pode elevar
a relação. O lado delicado é quando
a eficiência passa a ser confundida
com compressão de escopo, prazo e
remuneração. Relações saudáveis são
aquelas em que existe clareza sobre
o que está sendo demandado, como o
valor será entregue e como esse valor
será remunerado”, explica.
Ela desmistifica a ideia de que
o risco de perda de relevância das
agências dentro do ecossistema de
comunicação seja inevitável. “O risco
aparece quando a agência aceita um
papel apenas operacional. Quando
isso acontece, ela perde espaço na
discussão estratégica e vira executora
de demandas fragmentadas. Por
outro lado, quando a agência entende
profundamente o negócio do cliente,
Arthur Nobre/Divulgação Abap
Marcia Esteves: Abap é como um espaço de articulação coletiva e de construção de presente e futuro do ecossistema publicitário
“O cliente quer
menos discurso e
mais inteligência
aplicada ao
negócio”
traduz contexto em direção e usa criatividade
como ferramenta de crescimento,
ela continua extremamente
relevante. A relevância da agência
não desapareceu. O que desapareceu
foi a tolerância do mercado com modelos
acomodados.”
Marcia reitera que o papel da
Abap neste momento é ser um espaço
de articulação coletiva e de
construção de presente e futuro do
ecossistema publicitário, ajudando
o setor a atravessar as transformações
com diálogo, representatividade,
responsabilidade e visão de
longo prazo. “As agendas prioritárias
passam por cinco frentes: sustentabilidade
econômica do modelo de
agência; modernização das relações
e formas de remuneração; avanço
responsável no uso de IA; fortalecimento
institucional da atividade
publicitária e das agências; e formação
de um ambiente mais saudável
para talentos, diversidade e
inovação. A discussão setorial sobre
remuneração e boas práticas de IA,
por exemplo, já ganhou materialidade
em guias e documentos recentes
do mercado, o que mostra que essa
agenda saiu do campo da intenção e
entrou no campo da estruturação. A
Abap tem o papel de contribuir para
que a transformação não seja apenas
tecnológica, mas também institucional
e econômica.”
mENsURAçãO DE DADOs
Um dos maiores desafios atuais
das agências envolve a mensuração
de dados. Em um cenário cada vez
mais fragmentado, com múltiplos
canais, plataformas e jornadas de
consumo não lineares, acompanhar
com precisão o impacto das
campanhas tornou-se uma tarefa
complexa. A dificuldade em integrar
dados, a limitação de métricas padronizadas
e as mudanças nas políticas
de privacidade tornam ainda
mais desafiador comprovar retorno
sobre investimento (ROI) e atribuir
corretamente os resultados. Diante
disso, as agências precisam investir
em tecnologia, inteligência de dados
e novos modelos de atribuição para
garantir análises mais consistentes
e estratégicas. Neste contexto, a IA
toma força, mas há quem diga que
ela traz certos riscos.
Para Marcia, este risco tem mais a
ver com comoditização do que criatividade:
“A IA tende a automatizar parte
importante da produção, da adaptação,
da otimização e até da geração
de alternativas. Isso muda o jogo e
vejo com ótimos olhos para as agências.
O que preserva valor é aquilo que
continua sendo raro: repertório, visão,
sensibilidade cultural, capacidade de
tomar decisão, construir narrativa e
fazer escolhas com impacto de marca.
A criatividade não perde valor porque
existe IA. Ela perde valor quando vira
fórmula. E preservar valor, nesse contexto,
depende de elevar a criatividade
para um nível mais estratégico,
mais humano e mais autoral”.
jornal propmark - 20 de abril de 2026 19
IA impulsiona eficiência, mas exige
reinvenção da criatividade nas agências
Em um cenário de fragmentação e pressão por resultados, a inteligência
artificial acelera processos enquanto reposiciona o valor da criação
Bruna Magatti
Divulgação
As agências enxergam a IA com
otimismo e garantem que a comoditização
só ocorrerá com as
entregas básicas e superficiais, e que,
no final, o poder da criatividade nunca
será afetado, muito pelo contrário:
os profissionais experts em criatividade
serão os mais capacitados para
trabalhar com a inteligência artificial,
criando os melhores prompts e dando
os melhores direcionamentos.
“O valor da criatividade não está na
execução em si, está no pensamento,
na construção de repertório, na capacidade
de gerar ideias que conectem
cultura, negócio e contexto. Para preservar
valor, as agências precisam subir
o nível da entrega. Menos volume
pelo volume, mais inteligência, mais
curadoria e mais capacidade de transformar
dados em insight relevante. A
criatividade que sobrevive é aquela
que resolve problemas de verdade”,
expõe Mauricio Almeida, managing
director da agência We.
“Hoje buscamos profissionais híbridos,
com capacidade de pensar
estrategicamente, interpretar dados
e usar tecnologia como extensão do
processo criativo. Menos execução
mecânica, mais pensamento crítico e
repertório”, diz Almeida.
Vinicius Reis, CEO da Crispin, concorda
que a criatividade relevante é
aquela que foge do óbvio, que nasce
de repertório, de leitura cultural e
de uma compreensão profunda das
marcas e das pessoas, tratando a IA
como um agente de transformação
da infraestrutura de trabalho: “Ela
acelera processos, amplia possibilidades
e aumenta a eficiência. Mas a
capacidade de gerar ideias originais,
construir estratégias consistentes e
sustentar uma marca no longo prazo
ainda depende de repertório, contexto
e sensibilidade, e isso segue sendo
essencialmente humano”, explica.
Reis complementa que as soluções
de IA têm sido muito úteis em etapas
Mauricio Almeida: “Para preservar valor, as agências precisam subir o nível da entrega. Menos volume e mais inteligência
“O que
desapareceu
foi a tolerância
do mercado
com modelos
acomodados”
como pré-produção, testes, exploração
de caminhos criativos e desenvolvimento
de layouts, aumentando a assertividade
antes da execução, além
de apoiar na organização de ideias,
refinamento de textos e na aceleração
de processos operacionais. “Em
alguns casos, já utilizamos IA também
em produções audiovisuais, especialmente
como complemento ao processo
tradicional e que ajuda a otimizar
tempo e recursos. Mas ainda com bastante
critério, porque existem limitações
importantes quando falamos de
craft, construção de linguagem e conexão
cultural mais profunda. Temos
investido em treinamento e desenvolvimento
para que os times saibam
utilizá-la de forma estratégica, ampliando
suas capacidades, sem substituir
o pensamento criativo ou limitar
a construção de ideias próprias. A IA
acelera processos, mas o valor está
em saber quando usar, como usar e,
principalmente, quando não usar.”
Em relação a como os avanços da
tecnologia e a presença da IA afetam
a internalização das agências, Reis
fala que se trata de um movimento
natural de amadurecimento do mercado,
devido ao fato de as marcas
buscarem mais controle de algumas
frentes. “Temos casos como o da 99,
por exemplo, em que existe internalização
de algumas disciplinas,
mas nossa relação é extremamente
próxima, a ponto de, muitas vezes,
as fronteiras ficarem invisíveis. Isso
20 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Divulgação
a área de operações com uma vice-
-presidente dedicada. Essa posição
passa a atuar em sinergia com os demais
VPs e com a managing director/
CFO, conectando atendimento, estratégia,
mídia, gente e gestão, além da
frente financeira, que vem ganhando
um papel cada vez mais estratégico
para garantir mais integração, eficiência
e qualidade nas entregas. Esse
movimento também reflete uma
responsabilidade com a sustentabilidade
do negócio, não só do ponto de
vista financeiro, mas também na forma
como gerimos nossos recursos e,
principalmente, as pessoas.”
Vinicius Reis: “A criatividade relevante é a que foge do óbvio e trata IA como agente de transformação da infraestrutura de trabalho”
acontece quando há confiança e clareza
de papéis. O valor da agência deixa
de estar apenas na execução e passa
a estar, cada vez mais, na qualidade
da decisão criativa, na capacidade de
direcionar, conectar pontos e garantir
que a comunicação gere impacto real
para o negócio”.
Para Gabriela Borges, presidente
da Publicis Brasil, “é importante lembrar
o que revoluções passadas já nos
ensinaram: processos de internalização
sempre existiram, vão e voltam
de acordo com as necessidades de
cada marca e com a própria evolução
do mercado. O que precisamos é
estar preparados para liderar essas
transformações. E acho que muitas
agências têm mostrado essa capacidade,
mudando modelos de atuação
com agilidade e qualidade, e se mantendo
como parceiros estratégicos
indispensáveis para os clientes”.
dores e delícias
No cenário atual da publicidade,
o principal desafio das agências é
encontrar equilíbrio em meio a um
ambiente cada vez mais complexo
e pressionado por eficiência. A necessidade
de conciliar rentabilidade,
investimento em talentos, adoção
de novas tecnologias e revisão dos
modelos de remuneração tornou-se
central para sustentar a competitividade
sem comprometer a qualidade
das entregas. Esse desafio se intensifica
porque, enquanto o escopo de
atuação das agências se expandiu, incorporando
dados, tecnologia, produção
de conteúdo em escala e gestão
de múltiplas plataformas, os modelos
tradicionais de remuneração não
acompanharam essa transformação
na mesma velocidade. O resultado é
uma pressão crescente sobre as margens,
que afeta diretamente a capacidade
de atrair, reter e desenvolver
talentos qualificados.
Ao mesmo tempo, a multiplicação
de canais, formatos e demandas
simultâneas torna a operação mais
sofisticada e exige estruturas mais
integradas. Para responder a esse cenário,
as agências precisam aprimorar
fluxos internos, aumentar a coordenação
entre áreas e eliminar retrabalhos,
garantindo agilidade em processos
cada vez mais complexos. Em um
mercado que exige respostas rápidas
A IA toma força,
mas há quem
diga que ela traz
certos riscos
e entregas consistentes, eficiência
operacional deixou de ser diferencial
e passou a ser condição essencial
para a sustentabilidade do negócio.
Reis alerta que não existe um único
modelo de operação que funcione
para todos os clientes, podendo, sim,
existir uma base, mas, na prática,
cada conta demanda um desenho
próprio, considerando necessidades
de negócio, dinâmica de mercado e
cultura do cliente. “Equilibrar consistência
interna com flexibilidade na
entrega é, hoje, um dos principais
desafios da operação. Foi olhando
para esse cenário que, após quase
12 anos de agência, estruturamos
retenção de talentos
Para Lica Bueno, presidente da Talent,
a retenção de talentos também
é um ponto crítico hoje: “A dificuldade
não vem apenas da concorrência tradicional
do mercado, mas do impacto
dessa nova realidade de inteligência
artificial, que abre novas alternativas
e faz os profissionais repensarem
suas carreiras. Então, no fim das contas,
é um cenário em que a tecnologia,
com certeza, atravessa e transforma
todos esses desafios”.
Já para Renata Bokel, CEO da WMc-
Cann, o ponto mais sensível continua
sendo pessoas: “Tecnologia acelera,
estrutura melhora eficiência, mas
são os talentos que transformam
complexidade em solução de negócio.
O desafio está em operar com
disciplina financeira sem comprometer
a criatividade, a cultura e a
capacidade de inovação. É por isso
que temos trabalhado uma operação
cada vez mais integrada, conectando
estratégia, criação, mídia, dados,
social e e-commerce dentro de uma
lógica end to end”.
Para Gláucia Montanha, CEO da
Artplan e da Convert Digital Business,
é o modelo de remuneração que rege
toda a equação. Quando ele não reflete
o valor real entregue, tudo desaba:
margens encolhem, talentos se desgastam
e a tecnologia vira peso, não
solução. “O mercado ainda troca horas
por valor, mas estamos migrando
para modelos baseados em resultado
e performance. Isso exige coragem
para repensar toda a operação. Meu
foco diário é trazer valor de verdade,
desenvolver pessoas com pensamento
crítico e propósito e usar a tecnologia
para ganhar eficiência sem perder
a alma. Margem não é um ponto de
partida, é a consequência de acertar
jornal propmark - 20 de abril de 2026 21
no todo. Se precisar de mais detalhes,
vale abrir uma lupa para cada um desses
pontos. Hoje, o modelo de remuneração
é o mais crítico: o mercado
ainda não encontrou uma forma consistente
de remunerar o valor real entregue,
seja estratégia, inteligência
de dados, criatividade ou ideias, em
vez do tempo gasto, o que acaba achatando
margens e desalinhando expectativas
com os clientes”, explica.
Ela complementa que também existe
uma escassez de profissionais que
combinem pensamento crítico, adaptabilidade
e visão de negócios: “As novas
gerações buscam propósito e flexibilidade,
mas também precisam de desenvolvimento
técnico, e reter e formar líderes
internos é um esforço constante
que demanda tempo e recurso”.
Ale Oliveira
negócio sustentável
Diego Alonso, presidente da BETC
Havas, chama a atenção para a ideia de
um modelo de negócio sustentável, em
paralelo a um cenário em que os anunciantes
revisitam constantemente os
modelos de remuneração, pressionados
por agendas contínuas de eficiência
e redução de custos. Para ele, em
um momento no qual ferramentas e
tecnologias se tornam cada vez mais
acessíveis e os clientes fragmentam
e migram seus investimentos para
canais digitais, cria-se a percepção de
que estão “gastando menos”: “A lógica,
pela regra de três, parece simples: se
o investimento em mídia diminuiu e a
execução parece mais ágil, o custo de
agência deveria cair proporcionalmente.
Mas, na prática, a realidade operacional
é exatamente o oposto. A complexidade
aumentou: mais canais, mais
formatos, mais dados, mais conteúdo
contínuo e necessidade de personalização
em escala. E, nesse contexto,
a agência passa a ter um papel ainda
mais crítico como trusted advisor do
cliente. Diante disso, o nosso maior
desafio é fazer a transição para um
modelo de value-based pricing, em que
a remuneração esteja conectada ao
valor e ao impacto gerado no negócio,
e não apenas ao volume de entregas”.
Por outro lado, Alonso mostra que
o avanço da tecnologia também abre
espaço para a maior oportunidade
atual das agências. De acordo com
ele, à medida que a tecnologia se torna
commodity, o verdadeiro diferencial,
e também o recurso mais escasso,
passa a ser o talento. Um talento
que deixa de ser apenas capacidade
Gabriela Borges: “Processos de internalização sempre existiram, é preciso estar preparado para liderar essas transformações”
produtiva e passa a ser inteligência
aplicada ao negócio, o que torna sua
valorização dentro dos modelos atuais
ainda mais desafiadora.
“O mercado ainda precisa de quem
orquestre essa complexidade, e nós,
na BETC Havas, temos essa capacidade.
Por isso, acreditamos que a
maior oportunidade está em reforçar
a agência como uma operação
full service, atuando como parceira
estratégica de comunicação e consultora
de negócio, exatamente o que
os clientes ainda buscam. Para isso,
é fundamental operar com agilidade
e aplicar tecnologia de forma inteligente,
não como fim, mas como meio
para gerar eficiência, escala e, principalmente,
resultados de negócio. No
final, a oportunidade está em mudar a
conversa: sair de um modelo baseado
em horas e entregas para um modelo
baseado em valor, impacto e crescimento.
As agências que conseguirem
liderar essa transição, combinando
talento, tecnologia e visão estratégica,
não só vão proteger suas margens,
como também vão ampliar sua
relevância no negócio dos clientes”,
afirma Alonso.
O desafio é
encontrar
equilíbrio em
um ambiente
cada vez mais
complexo
produtos próprios
Lica concorda que a tecnologia e a
IA também abrigam as maiores oportunidades
atuais, tanto para a produtividade
quanto para a ideia de desenvolver
produtos próprios de tecnologia:
“Além disso, há uma oportunidade
imensa na evolução do nosso modelo
de operação. Com a IA absorvendo
mais a parte tática e operacional, a
agência tem a chance de se consolidar
cada vez mais como um parceiro estratégico
de negócios. É essa virada de
chave, saindo da execução pura e indo
para a estratégia, que fará a diferença
e aumentará ainda mais a nossa relevância
dentro dos clientes”, opina.
Outro ponto de destaque em possíveis
oportunidades atuais para as
agências envolve uma demanda clara
por menos fragmentação e mais inteligência
integrada. “Quando a agência
opera como parceira de negócio, e não
apenas como fornecedora de campanha,
ela tem uma avenida enorme de
crescimento”, diz Almeida.
Gabriela concorda: “A maior oportunidade
do momento é simplificar
a complexidade que o cenário de mídias
fragmentadas impõe, com criatividade
e mão no pulso dos negócios
das marcas. Precisamos atuar como
tradutores diante dessa complexidade.
A Publicis é uma grande agência
dentro de um grande grupo e, por
isso, tem capilaridade para entregas
complexas, que eliminam fricções,
trazem maior eficiência financeira,
conexão de dados e escala”.
Renata enfatiza que o foco precisa
estar na integração entre marca, performance
e tecnologia. “O mercado
passou anos separando esses territórios,
como se fossem disciplinas independentes.
Hoje, a oportunidade está
justamente em unir essas frentes de
forma fluida. Marcas precisam cres-
22 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Lica Bueno: A retenção de talentos é um ponto crítico, mas a tecnologia e a IA abrigam as maiores oportunidades atuais
cer no curto prazo, mas também precisam
construir relevância no longo
prazo. As agências que conseguirem
operar nessa convergência terão uma
vantagem competitiva muito grande”,
afirma, complementando que enxerga
essas vantagens em retail media,
creator economy, social commerce e
brandformance, porque são espaços
onde criatividade e resultado se encontram
de forma muito concreta.
protagonismo
Entender o que realmente influencia
a decisão dos clientes na hora de
contratar uma agência tornou-se uma
questão central para o setor. Entre
estratégia, criatividade, tecnologia
e preço, diferentes fatores disputam
protagonismo nesse processo, e a
escolha por um ou outro impacta diretamente
não apenas a competitividade
das agências, mas também sua
capacidade de gerar receita e sustentar
modelos de negócio cada vez mais
complexos.
O cliente escolhe quem demonstra
visão de marca, foco no resultado com
pensamento original e capacidade de
transformar estratégia em execução
criativa relevante, mas, sempre, com
velocidade no retorno. Para as agências,
o que mais pesa atualmente é a
capacidade de unir estratégia, criatividade,
tecnologia e preço para gerar
o impacto que o cliente necessita, por
isso, todos estes fatores deixaram de
ser casos isolados.
Glaucia explica que o cliente sempre
pedirá por agilidade e preço,
mas sempre avaliando qualidade
e criatividade. Por isso, não existe
uma escolha única, tudo depende
da necessidade, do momento e da
maturidade de cada cliente. “Mas o
que fideliza é a percepção de valor:
estratégia que faz sentido, criatividade
que gera impacto real e
tecnologia que entrega eficiência
sem complicar. Clientes maduros
investem em estratégia e criatividade,
pois sabem que preço baixo
sozinho não resolve. Já clientes mais
transacionais priorizam tecnologia
e preço. Nosso papel é saber ler
esse momento e mostrar que o que
realmente pesa é o retorno sobre o
investimento. A grande virada acontece
quando provamos que uma
entrega estratégica e criativa, com
Eficiência
operacional
deixou de ser
diferencial
e passou a
ser condição
essencial
Divulgação
preço correto, gera mais resultado
do que uma entrega barata e rasa.
Meu foco não é competir por preço,
mas educar o cliente a enxergar o
valor da inteligência híbrida.”
Gabriela concorda com essa visão
sobre cada caso ser único: “A verdade
é que os negócios são diferentes, possuem
desafios únicos, e as prioridades
variam a cada caso. Pela lente da eficiência,
preço sempre pesa na balança
e nossa obrigação é considerar o melhor
ROI para as marcas. A publicidade
nunca foi nem será apenas arte. A
grande ideia precisa estar conectada
a resultados e a um custo-benefício
que faça sentido para ambos os lados:
cliente e agência”.
fator preço
Já Lica acredita que o fator preço
continua tendo sua grande fatia de
relevância: “Vemos negociações mais
agressivas, e essa pressão muitas
vezes acaba sendo um fator mais
decisivo do que deveria. Mas, tirando
essa pressão da mesa, entendo que
os verdadeiros fatores de decisão
continuam sendo a dualidade entre
criatividade e estratégia”.
Alonso confirma que o preço pode
não ser o que atrai, mas pode ser o
que barra, acrescentando que, para
seguir a ideia do cliente que escolhe
quem traz visão de marca, foco no
resultado com pensamento original
e capacidade de transformar estratégia
em execução criativa relevante –
sempre com velocidade no retorno, a
tecnologia segue cada vez mais como
o fator mais relevante: “Nenhum
cliente nos contrata ‘por ter uma IA’.
O que eles querem é resultado de
negócio. Em resumo: estratégia e
criatividade seguem sendo os grandes
decisores, tecnologia é o grande
viabilizador e o preço continua sendo
o filtro final. Mas é importante separar
o que é criatividade de verdade do
que é apenas execução. Criatividade
não é volume, nem velocidade, isso a
IA resolve. Criatividade é visão, é repertório,
é a capacidade de conectar
cultura, negócio e pessoas para gerar
impacto real e sustentável”.
Para Renata, o que sustenta a receita
é confiança, que vem de consistência,
entrega e capacidade de gerar
crescimento. A transparência e a
comprovação dos resultados sempre
serão fundamentais para uma relação
de longo prazo. “A criatividade continua
sendo um diferencial enorme,
mas hoje ela precisa vir acompanhada
de capacidade de comprovação. A verdade
bem contada também precisa
ser a verdade bem comprovada.”
‘agência de milhões’
O que seria uma ‘agência de milhões’
(ou até bilhões) em um futuro
próximo? Para os entrevistados,
combinar estes fatores (estratégia,
criatividade, tecnologia e preço),
sem operar de forma fragmentada
e sem perder a identidade, é realmente
fundamental, mas não basta
entregar campanhas. É preciso ajudar
a resolver problemas reais de
crescimento. É preciso se alinhar, de
forma real, aos desafios de negócio
dos seus clientes, hoje muito mais
jornal propmark - 20 de abril de 2026 23
complexos, fragmentados e pressionados
por resultado do que nunca.
O presidente da BETC Havas acredita
que, para que as agências evoluam
seu modelo de negócio neste
momento, é preciso sair de uma lógica
baseada em entregas e horas
para uma lógica baseada em valor,
impacto e crescimento. As agências
que conseguirem fazer essa transição,
inclusive nos modelos de remuneração,
vão proteger margens e
aumentar relevância. Mas ele adverte:
essa evolução não depende só
das agências. Para que seja sustentável,
é essencial que exista, do lado
dos clientes, uma visão de parceria
e uma remuneração alinhada ao
valor gerado, não apenas em campanhas
específicas, mas na construção
da marca e do negócio. “Acredito
muito na evolução para modelos full
service mais inteligentes e flexíveis,
agências capazes de integrar estratégia,
criatividade, tecnologia e execução
em uma única operação, com
competências-chave internas e, ao
mesmo tempo, a capacidade de plugar
parceiros especialistas conforme
a necessidade. Não se trata de
ter tudo, mas de saber orquestrar o
melhor ecossistema.”
prioridade estratégica
O presidente da BETC Havas afirma
que, se tivesse de apontar uma prioridade
estratégica para 2026, seria
acelerar a transformação do modelo,
para operar, de forma consistente,
como uma plataforma de crescimento
para os clientes, por meio de três
frentes: “Primeiro, agilidade tecnológica
real, não só adotar ferramentas,
mas experimentá-las, integrá-las e
construir soluções aplicadas ao negócio
dos clientes, com velocidade e
impacto concreto. Segundo, reforçar
nosso papel como orquestradores
de um modelo full service mais inteligente
e flexível. O mercado nos procura
por essa capacidade de integrar
estratégia, criatividade, dados, conteúdo
e execução. Precisamos fortalecer
esse diferencial, não o diluir,
combinando competências internas
com a capacidade de plugar especialistas
conforme a necessidade. E,
terceiro, ter coragem para evoluir o
negócio. Isso significa mudar perfis,
inclusive começando pelas lideranças
da casa, arriscar com produtos
próprios e construir unidades mais
ágeis, com P&L dedicado, focadas em
Divulgação
Renata Bokel: “O ponto sensível são as pessoas, por isso o foco precisa ser a interação”
áreas como creator economy, dados
e soluções aplicadas. Não como plano
de longo prazo, mas como ação
imediata”, revela.
Para Renata, a prioridade de 2026
é confiança. “Vivemos um momento
em que tecnologia, IA e fragmentação
de canais aceleram tudo, mas
também ampliam ruído, desinformação
e volatilidade. Nesse cenário,
a capacidade de construir marcas
confiáveis, relevantes e comprovadamente
eficazes será o maior
diferencial. Para nós, isso significa
continuar investindo em pessoas,
integração tecnológica e inteligência
de dados, sempre sustentados
pela nossa filosofia de Truth Well
Told. Porque, no fim, a verdade nunca
teve tanto valor.”
Já Glaucia prefere investir no que
é insubstituível: as pessoas. “2026 é
o ano da coragem de precificar o que
realmente transforma o negócio do
cliente. É migrar de vez de ‘custo por recurso’
para ‘ganho por valor entregue’.”
ano promete
Para as agências, não existe uma
demanda única que cresce quando
“Margem não
é um ponto de
partida, é a
consequência de
acertar no todo”
se tem diferentes categorias atendidas.
Para este ano de 2026, que
promete vários eventos e um público
cada vez mais exigente e com
maior retenção de atenção, eles citam
a Copa do Mundo como o grande
‘buzz’ deste primeiro semestre e,
com ele, a urgência de construir presença
de marca antes do evento. “O
maior diferencial que tenho observado
nos últimos anos é a retomada
da preocupação com a construção
de marca, algo que, por um tempo,
ficou totalmente voltado apenas
para resultado de curto prazo. Hoje,
as conversas estão crescendo em
torno da construção de valor, que é
exatamente aquilo de que o mercado
havia se distanciado. As marcas
voltaram a entender que performance,
sem propósito e sem lembrança,
não sustenta crescimento”,
diz Glaucia, afirmando que a Artplan
já conquistou Melitta e Britânia no
primeiro trimestre.
Lica concorda que a Copa do Mundo
seja o grande motor de projetos
neste início de ano: “É um evento que
aquece o mercado como um todo,
impulsionando demandas em quase
todas as disciplinas da agência. O que
estamos vendo é um foco fortíssimo
no ecossistema social e de influência.
Em paralelo a isso, o grande fenômeno
neste início de ano tem sido o retail
media, que despontou com uma
aceleração expressiva e cruzando vários
setores e frentes”. Ela afirma que
a Talent já conquistou Kenvue (detentora
de marcas como Johnson’s
Baby, Listerine, Neutrogena, Tylenol
e Sempre Livre, entre outras) neste
ano, além de assumir como agência
full service para Neutrogena.
Reis compartilha que a Crispin já
começou o ano com ativações de
grande visibilidade durante o Carnaval,
especialmente para marcas
como Guaraná Antarctica e 99, ao
mesmo tempo em que já pensavam
na Copa. “Anunciamos a Fernanda
Gentil como head criativa de Guaraná
Antarctica, novas latas comemorativas
para esse período e ainda teremos
novidades relevantes dentro
dessa mesma plataforma. Também
iniciamos o trabalho com a M. Dias
Branco, grupo que reúne marcas
como Piraquê, Vitarella, Adria, Isabela,
Frontera e Jasmine, conquistada
no fim de dezembro. Estamos
em fase de desenvolvimento das
primeiras campanhas, com lançamentos
previstos para breve e uma
expectativa bastante alta, considerando
a relevância e o potencial de
construção de marca dessa parceria.
Outro destaque foi a nossa primeira
campanha para a Fundação
Bradesco, celebrando seus 70 anos.
Foi um projeto de alta complexidade,
com uma produção robusta.
Levamos mais de 70 pessoas para
filmar em Conceição do Araguaia, no
Pará, trazendo a primeira escola da
fundação como protagonista dessa
história e marcando o início de uma
parceria com forte propósito. Além
24 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Gláucia Montanha: “O modelo de remuneração rege toda a equação”
Diego Alonso: “Quando a tecnologia é commodity, o talento se torna escassez”
disso, lançamos recentemente uma
campanha para a 99Pay e seguimos
ampliando a atuação em diferentes
frentes dentro do ecossistema da
99. Por fim, anunciamos neste mês
a pinHub, nossa nova unidade de
negócios dedicada a OOH, que nasce
como uma evolução das demandas
dos clientes e reforça nosso movimento
de integrar ainda mais dados,
estratégia, criação e execução
em uma das frentes que mais crescem
na comunicação hoje”, conta.
múltiplos formatos
Para Alonso, reality show, campanhas
de social e conteúdo são,
disparado, o que mais cresce: “E não
é social como ‘post de feed’, é social
como ecossistema: produção de
conteúdo original, integração com
influenciadores, projetos que nascem
digital-first e se desdobram em
múltiplos formatos e plataformas.
O movimento dos clientes não tem
muito segredo: eles querem estar
onde as pessoas consomem conteúdo,
com formatos nativos, com criativos
que entendam a linguagem de
cada plataforma”, reflete o CEO da
BETC, que conquistou PicPay (escopo
completo), L’Occitane (escopo
digital, performance, conteúdo e estratégia
social) e AliExpress (escopo
super social content e influência)
neste trimestre. Ele garante que todas
chegaram buscando capacidade
em conteúdo digital, social e influência
em algum aspecto.
Gabriela chama a atenção para
o crescimento acelerado em influência,
área que a Publicis trabalha
em parceria com a BR Media. “E para
este ano seguimos a tendência. De
forma geral, crescemos em escopos
novos, principalmente em tech e social.
Fizemos escolhas importantes
lá atrás e hoje estamos colhendo os
bons resultados”, afirma, também
contando que a agência já conquistou
quatro novas contas: Accor,
Adidas e outras duas que em breve
serão reveladas.
Já Almeida destaca o aumento na
demanda por conteúdo em escala,
social-first e creator economy, além
de projetos conectados a dados e
performance. “Também vemos uma
evolução importante em retail media
e iniciativas mais orientadas à
“O nosso maior
desafio é fazer a
transição para um
modelo de valuebased
pricing”
conversão, mas sem perder o papel
da construção de marca. Os setores
mais ativos foram mobilidade (BYD),
farmacêutica (EMS) e consumo (Shopee),
marcas que estão passando
por transformação ou ganho de participação
no mercado”, conta, também
revelando que Brasilux, Keeta,
Jovi, QI Tech e Novibet escolheram a
We já em 2026.
Por fim, Renata traz para a conversa
uma tendência muito clara
para 2026: o crescimento de demandas
cada vez mais integradas,
concordando que, sim, houve uma
expansão relevante em digital, social,
creator economy, retail media
e projetos orientados por dados, especialmente
aqueles que conectam
construção de marca e performance,
além da demanda por soluções
que unem criatividade, influência,
mídia e inteligência de negócio em
uma mesma estratégia. “Em um momento
importante para a indústria,
marcado pela consolidação entre
Omnicom e IPG, a continuidade e o
fortalecimento da marca McCannreafirmam
a solidez da nossa história,
a relevância do nosso posicionamento
e a confiança construída
com nossos clientes e mercado. É
a confirmação de que marcas icônicas,
com propósito claro e entrega
consistente, seguem ainda mais
fortes em cenários de transformação”,
opina, confirmando também
que a chegada de Rapha Borges
como CCO e a nova frente WMcCann
Agro, são os grandes destaques da
agência que, neste ano, conquistou
100% da mídia da Nestlé e as novas
frentes como ACDelco e-commerce,
pós-vendas Chevrolet e o escopo regional
Sul América da GM.
jornal propmark - 20 de abril de 2026 25
especial agências
‘É um marco inédito que reflete
nossa maturidade operacional’
Para a Africa Creative, agência líder de ranking do Cenp, a
estratégia criativa é o grande diferencial de uma agência atual
Bruna Magatti
A
Africa Creative alcançou, pela
primeira vez, a liderança
do ranking do Cenp-Meios,
consolidando-se como a agência
número um do país em volume de
investimento publicitário. O desempenho
marca um início de 2026 considerado
histórico pela companhia e
reforça seu posicionamento como
parceira estratégica de negócios,
além do reconhecimento criativo
que já acumulava no mercado.
“Historicamente, a Africa Creative
sempre foi reconhecida pelo impacto
de suas ideias. Hoje, ao sermos apontados
como a agência número um do
Brasil no ranking nacional de investimento
de mídia do Cenp-Meios, comprovamos
que somos também o parceiro
de negócios mais sólido do país.
É um marco inédito que reflete nossa
maturidade operacional e a capacidade
de aliar escala e eficiência à nossa
consistência criativa”, afirma Márcio
Santoro, sócio, copresidente e CEO da
Africa Creative.
O executivo destaca que o primeiro
trimestre foi impulsionado tanto
pelo crescimento orgânico das contas
quanto pela aceleração de projetos
ligados ao futebol, especialmente
com a proximidade da Copa
do Mundo. Nesse cenário, as frentes
de retail media e creator economy
lideraram a expansão, já integradas
a narrativas mais amplas de marca.
“Não existe mais ‘digital’ separado;
tudo é experiência”, resume.
No período, a Africa Creative também
avançou em novas conquistas
comerciais, ampliando sua atuação
com a Kimberly-Clark. A agência
passou a atender a marca Intimus
e assumiu a estratégia de mídia de
Huggies e Plenitud.
Equilíbrio opEracional
Para Santoro, o principal desafio
das agências hoje não está em um
único fator, mas na capacidade de
equilibrar diferentes frentes. “Modelo
de remuneração e margem
são discussões constantes, mas o
grande dilema é reter talentos que
dominem tecnologia sem perder
sensibilidade humana”, afirma.
Ele acrescenta que a operação
exige manter a agilidade de uma
startup com a robustez de uma estrutura
full service. Nesse contexto,
a inteligência artificial já ocupa
papel central na rotina da agência,
atuando como uma ‘camada invisível
de potencialização’ em todas as
etapas, da pesquisa ao refinamento
criativo.
Ainda assim, Santoro reforça que
o fator humano ganha ainda mais
Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Márcio Santoro: “A Africa Creative sempre foi reconhecida pelo impacto de suas ideias”
O desempenho
marca um
início de 2026
considerado
histórico pela
companhia
relevância. “A IA faz o trabalho braçal.
O talento foca no insight e na
conexão emocional”, afirma.
Estratégia criativa
Para o executivo, embora estratégia,
tecnologia e preço façam parte
do processo decisório dos clientes,
o diferencial competitivo está
na chamada “estratégia criativa”.
“O preço é uma commodity e muitos
têm tecnologia. O que o cliente valoriza
é a capacidade de usar dados
para construir uma criatividade disruptiva,
que gere conversa e mova o
negócio”, explica.
Santoro também relativiza o risco
de comoditização da criatividade
com o avanço da IA. Segundo ele, a
execução pode se tornar padronizada,
mas a ideia original permanece
insubstituível. “A máquina entrega o
padrão; nós entregamos o inesperado.
IA não tem coragem nem entende
nuances culturais”, diz.
novo padrão
O executivo acredita que o futuro
do setor será definido pela capacidade
de gerar relevância cultural.
“As agências que vão crescer são
aquelas que conseguem entreter
sem interromper e fazer a marca
parte do cotidiano das pessoas”,
afirma.
Ele também aponta o impacto
social real como um fator decisivo,
além do discurso. Como prioridade
estratégica para 2026, Santoro
destaca a consolidação do ecossistema
integrado da Africa Creative,
mantendo o DNA criativo no centro
da operação. A agência também
figura entre as líderes globais
de criatividade, sendo a única latino-americana
presente no ranking
WARC 100 Creative. “Queremos que
o cliente encontre aqui o que há
de mais avançado em tecnologia,
dados e mídia, mas sempre com a
alma de uma agência brasileira”,
conclui.
26 20 de abril de 2026 - jornal propmark
agências
Ação da AlmapBBDO preenche ninho
vazio no Dia das Mães de O Boticário
Amor, orgulho e transformação fortalecem vínculo emocional em
uma das datas com maior representatividade de vendas para a marca
Uma mãe nunca esquece o momento
em que chegou em casa com o
seu bebê nos braços pela primeira
vez. Da alegria à solidão, inesquecível
também é quando o rebento cresce e resolve
morar sozinho. Mesmo consciente
de que filhos batem asas, o sentimento
do “ninho vazio” aperta o coração.
‘Despedidas’ é justamente o tema
escolhido pela AlmapBBDO para a
campanha de O Boticário em comemoração
ao Dia das Mães, em 10 de maio.
A data é uma das mais importantes do
ano para as vendas da marca, lembrada
como opção de presente.
Dados captados por meio de social
listening indicaram que a tristeza
está ligada a 64% das interações sobre
o assunto. O filme tranquiliza as
mães ao mostrar que sempre há recomeços.
“Ser mãe é dominar a arte de
se despedir em cada etapa do cres-
We apela para economia de combustível
em campanha de elétrico da marca BYD
Modelo BYD Dolphin Mini, um dos carros-chefe de vendas da montadora
chinesa no país, ganha segundo filme da série ‘Custa pouco rodar muito’
A
nova campanha criada pela We
para a montadora chinesa de
carros elétricos BYD (Build Your
Dreams) explora os luxos ostentados
por milionários para mostrar que “Se
você não é um deles, melhor ter um
desses: BYD Dolphin Mini”. Parte da
campanha ‘Custa pouco rodar muito’,
o filme apela para a economia de
combustível proporcionada por um de
seus carros-chefe de vendas no Brasil.
“Em tempos de crise do petróleo,
encher o tanque no posto de gasolina
virou coisa de quem tem muito
dinheiro. Ou seja: poucas pessoas no
Brasil. Mas com o BYD Dolphin Mini,
mostramos que custa pouco rodar
muito. Nos dias de hoje isso que é
luxo, né?”, associa Armando Araújo,
Cena de filme que remete a viagens de trem para lembrar transformações de vida
Filme direciona a mensagem da marca para quem quer economia de combustível
Divulgação
Divulgação
cimento, do colo que vira passo, da
roupa que não serve mais, do ninho
que se expande para o mundo”, comenta
Carolina Carrasco, diretora de
branding e comunicação do Boticário
e Quem Disse, Berenice?.
Com trilha inspirada na música ‘The
blower’s daughter’, de Damien Rice, a
produção convida “a reconhecer uma
realidade muitas vezes silenciosa,
mas profundamente presente nas
relações entre mães e filhos”, ressalta
Camilla Massari, chief impact officer
e vice-presidente de atendimento e
negócios da AlmapBBDO. “Despedidas
também são cheias de amor, orgulho
e transformação”, emenda.
Nomes do entretenimento e influência
reverberam a mensagem em
ações on e offline. No YouTube, creators
do universo de filmes e séries
analisam a campanha.
CCO da agência. Em março, a marca
lançou ‘Money’, que calcula quilômetros
rodados em moedas.
Fundada em 1995 na cidade de
Shenzhen, na China, a BYD chegou ao
Brasil em 2014, quando anunciou fábrica
de chassis para ônibus elétricos em
Campinas (SP). Em 2024, iniciou obras
para unidade industrial em Camaçari,
na Bahia, que já emprega quase quatro
mil brasileiros cinco meses após o
início da operação - o maior complexo
industrial da BYD fora da China.
A planta já produziu cerca de 40
mil veículos eletrificados dos modelos
BYD Dolphin Mini, BYD King e BYD Song
Pro. A média de preço do BYD Dolphin
Mini gira em torno de R$ 120 mil, conforme
site da fabricante.
28 20 de abril de 2026 - jornal propmark
digital
Google apresenta segundo relatório de
segurança em anúncios próprio do Brasil
Em 2025, 374,8 milhões de anúncios foram removidos do ar, ante 201
milhões em 2024; no período, 1,3 milhão de contas foram bloqueadas
Divulgação
Top 5 violações
1 Deturpação
2
Abuso da rede
de anúncios
3 Conteúdo sexual
4 Jogos de azar
Violações de políticas de editores
(por volume de página)
409M+ Conteúdo sexual
20.5M+
15.0M+
12.8M+
9.7M+
Conteúdo perigoso ou depreciativo
Conteúdo chocante
Venda e promoção de armas
Jogos de azar online
5M+ Bebidas alcoólicas
5M+ Tabaco
Fonte: Google
5
Encontros
e acompanhantes
2M+ Conteúdo sexualmente explícito
2M+ Malware ou software indesejado
Priscila Couto, líder do programa de trust and safety do
Google: denúncias são sempre revisadas por nós
Vitor Kadooka
zação e esses números vão constar no nosso relatório.”
Segundo o relatório, 99% dos anúncios violadores
são bloqueados antes de serem exibidos. Para sustentar
esse aparato de fiscalização, a plataforma
utiliza o Gemini. Em seu funcionamento, Priscila conta
que existem os “sinais”. Ela explica: “Vamos olhar
sinais gráficos, sinais de escrita, avaliar tudo isso
porque a gente está utilizando modelos de LLMs que
são cada dia mais poderosos. Você consegue pegar
uma série de sinais que, a olho nu, talvez a gente
não identificasse e, com esse contexto, entender se
aquilo é ou não um falso positivo”.
No mesmo contexto de uso de IA, Keerat Sharma,
vice-presidente e diretor-geral de privacidade em
anúncios e segurança do Google, reforçou o papel
do Gemini no combate à publicidade incorreta. “Ele
nos auxilia a analisar a real intenção dos anunciantes.
Nós registramos uma redução de 80% de suspensões
incorretas de anunciantes. Com isso, temos
mais tempo disponível para os humanos fiscalizarem
esses casos que não são totalmente claros.”
Já no campo das políticas, Priscila também esmiúça
os detalhes da atuação da big tech. Para ela, em
analogia direta ao cuidado de uma casa, as políticas
internas do Google funcionam como uma camada
adicional à legislação do país. “Dentro da nossa casa,
além de nós adotarmos e cumprirmos toda a legislação
em vigor do Brasil, a gente também cria regras
próprias, como não andar de sapato dentro de casa,
não fumar dentro de casa, porque a gente quer ali
uma relação mais saudável e melhor para todos que
convivem dentro daquele espaço.”
Como regras mutáveis, a executiva reforça: “As
Desde o ano passado, o Google apresenta o relatório
de segurança em anúncios com dados específicos
do Brasil. Os documentos, que se referem ao
ano anterior, reúnem números de anúncios removidos,
bloqueados antes mesmo de serem exibidos e restritos,
além de outras informações, como categoria de
violação e número de anunciantes irregulares. No relatório
referente a 2025, 374,8 milhões de anúncios foram
removidos de páginas na internet no Brasil. Em 2024,
foram mais de 201 milhões de anúncios retirados do ar.
No recorte global, foram bloqueados ou removidos
mais de 8,3 bilhões de anúncios e suspensas 24,9
milhões de contas, incluindo 602 milhões de anúncios
e 4 milhões de contas associadas a golpes. Já
no Brasil, no mesmo período, o número de contas de
anunciantes bloqueadas foi de 1,3 milhão.
Nesse contexto, Priscila Couto, líder do programa de
trust and safety do Google, explica que a fiscalização
inclui anunciantes internacionais que miram o público
brasileiro. Segundo a executiva, esse é um dos motivos
para o país passar a receber relatórios específicos desde
o ano passado. “Não necessariamente o anunciante
está no Brasil direcionando para a audiência brasileira.
Se ele está em Taiwan, se ele está nos Estados Unidos,
se ele está na França, mas ele quer que o seu anúncio
seja visualizado pela audiência brasileira, ele vai estar
sujeito às nossas regras e a gente vai fazer essa fiscalipolíticas
não são estáticas. Elas são dinâmicas. Elas
vão mudar porque a legislação alterou, foi criada,
porque houve algum avanço dentro da tecnologia
ou mesmo algum clamor social.”
Essa dinâmica também se reflete na análise das
denúncias, que, segundo a executiva, são todas revisadas.
“As pessoas sempre acreditam que não
adianta denunciarem anúncios na nossa plataforma.
Eu sempre bato na tecla que sim, que é importante
que elas denunciem e que essas denúncias
são sempre revisadas por nós. Não existe hipótese
de uma denúncia entrar num limbo.”
A executiva reforça a importância desse processo
contínuo. “Até porque alguma coisa pode passar
despercebida por nós. E pode passar não porque
simplesmente foi um erro nosso, mas porque os
maus atores utilizam técnicas dinâmicas e, uma vez
que a gente entenda que é de fato golpe, aquilo vira
uma regra para todo o nosso sistema.”
Ao final da coletiva, Priscila afirmou: “Vamos conseguir
chegar a 100%? Não, porque estamos falando
de ser humano, e o ser humano é a criatura mais
criativa do universo. É uma eterna briga de gato e
rato. O fraudador também sofistica. Aprendemos
com ele e, assim, vamos”.
Nas tabelas desta matéria, é possível conferir,
por categoria, os cinco tipos de violações mais
recorrentes, detalhando o cenário apresentado:
infrações ligadas aos anúncios, quando o problema
está no conteúdo ou na conduta do anunciante,
e violações relacionadas aos editores, quando
a irregularidade está no ambiente em que esses
anúncios são exibidos.
jornal propmark - 20 de abril de 2026 29
digital
Canva anuncia IA 2.0 e traz maior
evolução da plataforma desde seu início
O Brasil é líder mundial em produção de designs e vídeos
na plataforma, avançando em fluxos de trabalho com IA
Bruna Magatti
O
Canva anunciou em 16 de abril o lançamento do
Canva IA 2.0, atualização que marca a maior evolução
da plataforma desde sua criação, em 2013.
Revelada durante o evento Canva Create, em Los Angeles,
a novidade posiciona a ferramenta como um
sistema completo de trabalho, integrando criação,
colaboração e execução em um único ambiente.
A nova geração da plataforma é impulsionada
por avanços em inteligência artificial e introduz um
modelo mais conversacional e autônomo, permitindo
que usuários e equipes desenvolvam projetos do
briefing à entrega final sem sair do ecossistema do
Canva. A proposta é simplificar fluxos de trabalho e
reduzir a fragmentação entre diferentes ferramentas.
Entre os principais pilares do Canva IA 2.0 está
o design conversacional, que permite gerar peças
editáveis a partir de comandos em linguagem natural,
além da orquestração autônoma, que coordena
diferentes recursos da plataforma para entregar
projetos completos, como campanhas multicanais.
A tecnologia também incorpora inteligência baseada
em objetos, que viabiliza edições precisas sem
comprometer a estrutura do design, e memória ativa,
capaz de aprender preferências e manter consistência
de marca ao longo do tempo.
A atualização também amplia os fluxos de trabalho
com integrações a ferramentas como Slack,
Gmail, Google Drive e Zoom, permitindo centralizar
tarefas como criação de documentos, análise de
informações e produção de conteúdo sem alternar
entre aplicativos. Outras funcionalidades incluem
tarefas automatizadas executadas em segundo plano,
busca integrada à web para geração de conteúdo
estruturado, aplicação automática de identidade
visual com inteligência de marca e o Canva Code 2.0,
que possibilita criar experiências interativas e editar
arquivos HTML diretamente na interface. A empresa
também lançou o modo offline, que permite
trabalhar sem conexão à internet, com sincronização
automática posterior.
O design conversacional do Canva IA 2.0 permite gerar peças editáveis com comandos em linguagem natural
Alberto Ceresa, country manager do Canva no Brasil
ram 1,5 bilhão de designs, considerado o maior volume
entre todos os mercados monitorados. No acumulado
histórico, o Brasil soma 6,9 bilhões de peças criadas. O
desempenho reflete o forte engajamento local com
conteúdo visual, especialmente em formatos dinâmicos.
O país também ocupa a primeira posição global
na criação de vídeos, com quase 200 milhões de produções
registradas até hoje. Nas redes sociais, a presença
é igualmente expressiva: foram 481 milhões de
Divulgação
1 em cada 9 internautas
brasileiros utiliza o
serviço todos os meses
potência digital
Com mais de 250 milhões de usuários mensais
no mundo, o Canva aponta o Brasil como um de seus
mercados mais relevantes, liderando globalmente a
produção de designs e vídeos na plataforma. Segundo
dados da empresa, um em cada nove internautas brasileiros
utiliza o serviço todos os meses, consolidando
o país como um dos principais polos de criação digital.
Nos últimos 12 meses, os usuários brasileiros produzidesigns
desenvolvidos apenas no último ano, reforçando
o papel das plataformas digitais como principal
vitrine de conteúdo no Brasil. Entre os produtos mais
utilizados pelos brasileiros dentro da Visual Suite do
Canva estão recursos voltados a redes sociais, apresentações,
vídeos, cartazes e documentos, evidenciando
a versatilidade da ferramenta para diferentes
contextos, do uso pessoal à comunicação corporativa.
Além disso, o Brasil se destaca pela rápida adoção de
novas tecnologias e aparece na sexta posição global
no uso de ferramentas de inteligência artificial do
Canva, indicando um perfil de usuário aberto à inovação
e à experimentação no ambiente digital.
“Com um em cada nove internautas brasileiros
utilizando o Canva mensalmente, a plataforma se
tornou o sistema central onde o trabalho acontece
no país. A introdução de fluxos de trabalho inteligentes
e conectores permite que empresas locais eliminem
tarefas repetitivas e mantenham a consistência
da marca automaticamente. Isso dá às equipes
brasileiras uma velocidade de execução sem precedentes,
permitindo que foquem menos na ferramenta
e mais no crescimento real de seus negócios”, diz
Alberto Ceresa, country manager do Canva no Brasil.
30 20 de abril de 2026 - jornal propmark
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mercado
Criatividade é o combustível que leva
a propaganda para além da commodity
Profissionais celebram o dia mundial da atividade, nesta terça (21),
como fator essencial às agências para avançar a fronteira do óbvio
Divulgação
Trabalho para a marca Bauducco desenvolvido pela agência Ampfy, que literalmente tirou o pão da cena principal para destacar o papel essencial do ingrediente num sanduba
Paulo Macedo
A
criatividade está umbilicalmente
ligada ao desenvolvimento
humano e isso fica evidente nas
soluções que estabelecem diferenciação
ao longo da história, mesmo
diante de miopias pontuais, que logo
ganham um copidesque capaz de
mudar a história. Criatividade é pilar
consistente da inovação. Em todos os
segmentos, ela exerce influência, muda
parâmetros, descortina novos cenários,
aperfeiçoa linguagens e é vetor
de absorção das tecnologias que
tornam as coisas mais fáceis e ágeis.
A publicidade, que conecta por
meio do seu viés criativo todos os
tipos de negócios existentes, é entusiasta
dessa disciplina e celebra o dia
21 de abril como um combustível que
a impulsiona para bem longe do óbvio.
Por que a criatividade se tornou tão
necessária no cenário atual da comunicação
das marcas com seus clientes?
Rafa Donato, CCO da Ogilvy Brasil,
acredita que o modelo tradicional de
criatividade já não tem mais valor. Ele
esclarece:
“O nome do jogo é atenção. Estamos
competindo por preciosos segundos
de engajamento, uma pequena
risada, um momento de surpresa ou
até indignação e, quem sabe, se tivermos
sorte, um clique. Criatividade não
é mais apenas um filme de 30 segundos,
mas sobre criar um ecossistema
de conteúdos em que a marca está
inserida de forma relevante e apropriada
para cada meio”, diagnostica.
O publicitário mostra como aplica
a criatividade no seu dia a dia na
agência. “Nosso maior desafio é praticar
o desapego. Para estar presente
nas conversas e abraçar as novas
plataformas e canais, temos de abrir
mão do controle da mensagem. Não
é sobre perfeição, mas multiplicação.
O nosso valor está muito mais em entender
o nosso público, na curadoria
dessas novas plataformas, e apostar
em quem sabe fazer barulho.”
Por outro lado, Sophie Schönburg,
VP de criação da BETC Havas, classifica
a criatividade como o coração da
propaganda. “Mas com a quantidade
cada vez mais absurda de conteúdos
nos invadindo por todos os lados, a
propaganda tem de entreter. (Pensemos
que estamos competindo até
com memes. E muitas vezes, eles ganham.)
Por isso, a propaganda precisa
se inserir, tem de gerar conversa,
seja entrando em conversas que já
existem ou pautando novas. Precisa
fazer parte da cultura, se não ela
nem chega a ser vista. Pessoas amam
marcas, mas não amam propaganda.
Ser culturalmente relevante é sobrevivência,
portanto, interrupção, mas
mais continuidade do que as pessoas
estão consumindo e assistindo.”
FILTRO
Em uma cena mercadológica que
contempla o excesso de informação,
não basta aparecer, na expressão de
Rapha Borges, CCO da WMcCann, mas
propor comunicação que faça sentido.
“A criação ajuda a organizar o ruído,
transformar complexidade em clareza
e conectar a marca com algo que realmente
importa para as pessoas. Na
WMcCann, isso está diretamente ligado
ao nosso posicionamento global,
‘Truth well told’. A criatividade aqui
não nasce isolada, é orientada por dados,
entendimento de negócio e um
acompanhamento constante de performance,
garantindo que cada ideia
não só seja relevante, mas funcione
de verdade para o cliente”, detalha.
Borges enfatiza a clareza da ideia
como essencial. “Em um ecossistema
onde tudo se desdobra em múltiplas
plataformas, a criatividade precisa
nascer com força suficiente para se
32 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Andrea Siqueira é sócia e liderança criativa na Ampfy
Carla Cancellara é ECD da We e copresidente do CCSP
Sophie Schönburg é VP de criação da BETC Havas
adaptar sem perder consistência. O
conceito precisa ser simples, reconhecível
e flexível, ao mesmo tempo, capaz
de viver em diferentes linguagens
sem se diluir. Na prática, isso exige
um controle menos sobre a execução
e mais sobre a essência. É garantir
que, independentemente do ponto de
contato, seja uma campanha, um creator
ou uma ativação, a mensagem
precisa continuar alinhada à verdade
da marca. Quando essa base está bem
construída, a criatividade atravessa
qualquer canal com mais eficácia e
consistência.”
EMOÇÃO
Para romper a bolha da mesmice,
a criatividade é a maneira que Marco
Gianelli, o Pernil, CCO da AlmapBBDO,
busca para levar relevância à vida
das pessoas na era de uma quantidade
incontável de plataformas e,
consequentemente, de informações.
“Só assim a gente consegue chegar
ao cérebro e, sobretudo, ao coração
das pessoas. Não existe fórmula,
regra ou manual”, define o criativo.
“Num mundo em que tudo é efêmero,
se algo não gera o resultado esperado,
é muito mais fácil corrigir a rota,
aprender e tentar de novo. No fim,
isso significa ainda mais espaço para
a criatividade”, coloca Pernil.
A emoção é essencial nesse período
da atenção fragmentada. “É como
se nosso “HD mental” operasse no limite
o tempo todo e, nesse cenário, só
aquilo que provoca um pico de emoção
consegue se destacar. É aí que a
criatividade se torna indispensável:
ela é o que faz as marcas romperem
essa enxurrada de conteúdo e serem
lembradas. Na Publicis, a gente busca
“O conceito
precisa ser
simples,
reconhecível
e flexível”
transformar as histórias que as marcas
querem contar em narrativas amplificadas
pela cultura. A campanha da
Capibarra, para Hershey’s, é um bom
exemplo disso. A capivara já era um
fenômeno nacional, nosso papel foi
ressignificar esse repertório de um
modo que fosse relevante para a marca,
para a Páscoa e, principalmente,
para as pessoas”, observa Luis Figueiredo,
ECD da Publicis Brasil.
CONCORRÊNCIA
A criatividade deixou de ser diferencial
para se transformar em infraestrutura
de negócio. A ponderação
é de Dudu Rodrigues, sócio e CCO da
WT.AG. A concorrência pela atenção,
na sua avaliação, requer um olhar
para os personagens e não apenas
para as marcas.
“A disputa atual envolve creators,
Andre Barros, CEO das operações da NWB e NSports
Carlos Fonseca, co-CCO da Dark Kitchen Creatives
Dogura Kozonoe, liderança criativa da MRM Brasil
jornal propmark - 20 de abril de 2026 33
Fotos: Divulgação
Flavio Waiteman é sócio e líder criativo na Tech & Soul
Gica Trierweiler lidera a divisão de estratégia da Bullet
Dudu Rodrigues é sócio e CCO da agência WT.AG
memes, algoritmo, rolagem da tela e
entretenimento infinito. Sem criatividade
não é possível entrar na conversa”,
declara Dudu.
REAL
Sabe a história de que um objetivo
sem um plano de ação é só um sonho?
A pergunta e a resposta são de
Gica Trierweiler, CSO da Bullet. “Vejo
o mesmo acontecendo com a criatividade,
que virou o fim e não o meio.
Insights reais de comportamento,
trocas estratégicas sobre o pulso
do negócio e referências de execução
inovadoras estão no caminho de
entregas criativas que o cliente consegue
implementar de fato”, explica
a executiva, que também menciona
consistência e coragem para chamar
a atenção do público em meio ao que
chama de tsunami de mensagens. “O
excesso de conteúdo configura a saturação
de estímulos.”
No olhar de Samuel Werczler,
creative director da Innova AATB, a
relevância vai precisar de ativos memoráveis.
“Criatividade eficaz é a que
consegue unir originalidade, clareza
estratégica e impacto mensurável.
Criatividade não é fazer algo diferente
a qualquer custo. É expandir território
sem perder identidade. Quanto
mais clara for a essência da marca,
maior a liberdade criativa para adaptar
a mensagem sem descaracterizá-
-la. Hoje, muitas vezes, a força de
uma ideia depende da sua capacidade
de acontecer com agilidade,
ganhar desdobramentos em tempo
real, dialogar com creators, incorporar
tecnologia e até abrir espaço para
participação do público”, ressalta o
criativo da Innova AATB.
“A criatividade
deixa de ser
estética e passa
a ser estratégia
de negócio”
CLAREZA
Especialista em marketing esportivo,
cujos conteúdos evitam
paralisações durante a transmissão
de jogos, André Barros, CEO da N
Sports e NWB, pondera que marcas
que mantêm suas campanhas com
interrupção estão sendo ignoradas.
“Já aquelas que se comunicam envolvidas
pelo entretenimento são
lembradas e escolhidas. A criatividade
só é eficaz quando resolve um
problema real de comunicação.”
A clareza, portanto, como raciocina
a executiva Andrea Siqueira,
sócia e CCO da Ampfy, é o asset para
fazer da criatividade a protagonista
em uma época de produtos e tecnologias
parecidas. “É importante ter
um ponto de vista original e consistente
para as marcas. Ou seja, mais
do que ideias, criar plataformas
Rapha Borges ocupa a posição de CCO da WMcCann
Da Innova AATB, a Canção Alimentos lançou uma campanha nacional com o jogador do Santos Neymar Jr.
34 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Leo Macias assumiu este ano como CCO da Lola\TBWA
O publicitário Luis Figueiredo é ECD da Publicis Brasil Gustavo Bastos é fundador, CEO e CCO da 11:21
de marca que gerem conversas,
atraiam comunidades e façam parte
da cultura”, diz Andrea, que cita
como exemplo a campanha ‘Sanduíche
sem pão é sanduíche?’, para a
Bauducco, uma série de anúncios
que tirou o pão de cena para destacar
o papel essencial do ingrediente.
“Nas peças, os clássicos aparecem
incompletos: hambúrgueres, hot
dogs e sanduíches montados apenas
com recheio.”
CORAGEM
A criatividade se tornou bem de
primeira necessidade para as marcas
e, por isso, deve ser valorizada e
bem remunerada. O pensamento de
Flavio Waiteman, cofundador e CCO
da agência Tech and Soul, reflete a
questão da atenção como o principal
ativo da era tecnológica.
“Quando um ser humano olha
para um conteúdo e se detém nele,
automaticamente esse ato gera dinheiro
para plataformas, leads para
vendas (não quer dizer que vai converter)
ou awareness para marcas.
A atenção é tão finita e escassa e,
por isso, valiosa, que se deve ter
cuidado com audiência e engajamento
fake, realizados por agentes
e robôs. Sendo assim, se cada pessoa
no mundo é abordada por até
600 impactos diários, a estratégia
precisa ser de rouba-monte”, sugere
Waiteman.
O CCO da Tech & Soul também propõe
que a eficácia da criatividade
está em ela ser vista. Uma equação
que muitas vezes bate de frente
com a escassez de atenção de um
ser humano. “São 8 horas dormindo,
2 horas de refeição e 14 horas úteis
“É como se nosso
‘HD mental’
operasse no
limite o tempo
todo”
como fornecedor de atenção para
a indústria algorítmica de comunicação.
Das 14 horas, existem 3.360
momentos de 10 segundos para a
pessoa dar atenção a algum device
eletrônico ou mídia física. Logo, é
uma estratégia de rouba-monte”.
ESCOLHAS
Carla Cancellara, ECD da We e copresidente
do Clube de Criação, conclui
que dados, mídia, tecnologia e IA
estão acessíveis a todo mundo. “Isso
gera um excesso de mensagens que
partem do mesmo lugar. A criatividade
entra para transformar escolhas
estratégicas em algo que as pessoas
consigam enxergar como relevante
para elas e do qual queiram fazer parte”,
afirma.
A ECD da We acredita que a principal
limitação da criatividade é a falta
de coragem para fazer escolhas. “Na
maior parte das vezes, quando queremos
dar check em tudo, aí é que o
risco muito maior está sendo tomado:
falar de tudo com todo mundo, e não
ser relevante para ninguém.”
Criada pela Publicis Brasil, a campanha da Capibarra, para Hershey’s, se transformou em “fenômeno” na data promocional de Páscoa
DIFERENCIAÇÃO
A criatividade não é uma técnica,
departamento ou algo subjetivo que
se restringe a ideias. Nas palavras de
Carlos Fonseca, sócio e co-CCO da Dark
Kitchen Creatives, criatividade é o
próprio negócio.
“Criatividade é diferenciação, é
relevância, é o que faz marcas serem
percebidas e famosas. Em um cenário
de disputa cada vez mais acirrada por
atenção em plataformas, é a criatividade
que impacta a escolha entre
jornal propmark - 20 de abril de 2026 35
Fotos: Divulgação
Álvaro Rodrigues é CEO da operação brasileira da Made Rafael Donato é CCO da Ogilvy no mercado brasileiro Marco Gianelli, o Pernil, é CCO da agência AlmapBBDO
uma marca ou outra. Com o uso de
inteligência artificial também aumentando
a cada dia, a criatividade é o
que tira marcas, negócios e agências
da pasteurização de entregas e conteúdos.
A IA escala, mas é a criatividade
que vira o jogo.”
Já Toni Fernandes, sócio e co-CCO
da Monkey-Land, agência que surgiu
com o fim da lendária F/Nazca
S&S, viu que a decisão do acionista
multinacional de interromper as
atividades era um sinal de que “a
criatividade e a construção de marca
não eram mais prioridades para eles.
Portanto, a Monkey-Land surge com
uma proposta exatamente na contramão
dessa opção”, afirma.
“A Monkey nasceu com o propósito
de usar a criatividade para construir
marcas. A criatividade é ainda mais
fundamental para criar diferença e relevância
para marcas em um mundo
tão igual, tão algoritmizado, tão comoditIzAdo.
(Perceberam o ‘I’ e o ‘A’ da
palavra comoditizado?). A criatividade
humana faz muita diferença para
as marcas. A gente fala isso desde
que nasceu. E é muito bacana ver algo
que falamos há seis anos virando pauta
no SXSW.”
Fernandes, que não tem parentesco
com Fabio Fernandes, criador
da icônica agência F/Nazca S&S, recomenda
que, independentemente
do canal ou da plataforma, para a
criatividade ser eficaz, ela precisa
ser humana e verdadeira.
“Ninguém se apaixona por uma
marca chata que engana as pessoas.
Na Monkey, a gente sempre procura
uma verdade humana por trás de
cada briefing. Porque é essa verdade
que consegue criar uma conexão real
entre a marca e as pessoas.
COMMODITY
Como coração da comunicação
de marketing, de acordo com Álvaro
Rodrigues, sócio e CEO da Made
no Brasil, a criatividade passou de
diferencial para a condição de sobrevivência
do negócio da propaganda.
“Vivemos numa era de abundância
de conteúdo e escassez de relevância,
de atenção. Nunca as marcas
tiveram tantos canais à disposição
e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil
ser genuinamente relevante na
vida das pessoas. Nesse cenário, a
criatividade é o único ativo que não
se comoditiza e que ainda separa
quem conecta de quem só aparece.
“Criatividade
não é um
departamento,
mas uma cultura”
Dados, tecnologia e mídia – todos
esses possuem paridade. Criatividade
não é um departamento, mas
uma cultura”, garante.
“O maior erro que vejo no mercado
é confundir adaptação com tradução.
Não basta pegar uma campanha
de TV e recortar para o Reels.
Cada plataforma tem os próprios
códigos de comportamento e a criatividade
eficaz é aquela que entende
isso sem perder o fio condutor
da marca. Isso exige um trabalho de
estratégia muito bem feito antes.
Quanto mais clara for a ideia central,
mais liberdade criativa os times têm
para explorá-la com autenticidade
em cada ponto de contato”, acrescenta
Rodrigues.
IDEIA
Na guerra pela atenção do con-
A agência WMcCann trouxe o cãozinho Caramelo para um filme solidário do modelo Tracker da montadora General Motors
36 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Samuel Werczler, creative director da Innova AATB Thiago Rodrigues é head de experiência da AKM Toni Fernandes é sócio e co-CCO da Monkey-Land
sumidor, pela percepção de Gustavo
Bastos, CEO e CCO da 11:21, a única
arma que pode realmente fazer a
diferença e furar as bolhas é a boa
ideia: a grande ideia.
“Toda a estratégia de contato
com o público-alvo tem de partir da
grande ideia. É ela que vai fazer a comunicação
grudar na memória e no
coração do consumidor nesses tempos
de dispersão total. Todo resto é
commodity. Por isso se fala que sem
uma boa ideia não acontece nada.”
DISRUPÇÃO
O timing da criatividade não é
cíclico. Portanto, não é que ela tenha
se tornado mais necessária em
2026. “Ela sempre foi o principal fator
de diferenciação entre marcas. O
que mudou foi o contexto. Hoje, as
marcas não competem apenas por
atenção, elas competem por relevância
cultural, todos os dias”, assegura
Leo Macias, CCO da Lola\TBWA.
“Ela sempre foi o principal fator
de diferenciação entre as marcas. O
que mudou foi o contexto. Hoje, as
marcas querem ter essa relevância
cultural. Isso acontece porque o consumidor
mudou. Ele não quer apenas
consumir um produto, ele quer também
consumir a marca. Quer fazer
parte da conversa, quer fazer parte
da experiência. E isso, a comunicação
tradicional sozinha não entrega.
Quando a marca só interrompe,
ela se distancia, e distância hoje é
irrelevância. O nosso papel é esse:
encontrar tensões reais da cultura e
transformar isso em plataformas de
marca. Porque hoje construir marca
não é sobre interromper a conversa,
é sobre merecer fazer parte dela. E
“Construir marca
não é sobre
interromper a
conversa, é sobre
merecer fazer
parte dela”
A MRM construiu o case ‘Desconto do barulho’ para a rede de varejo de decoração e material de construção Leroy Merlin
para isso, além da disrupção, craft
é central para nós. A execução não
é um detalhe, ela é parte da ideia”,
considera Macias.
Em meio às automatizações com
IA, que geram muita escala, mas
que, quando malconduzidas, podem
pasteurizar a comunicação. A criatividade
pode ser o tempero que falta
nessa produção em massa. O conceito
de Dogura Kozonoe, CCO da MRM
Brasil, mostra que a criatividade
ainda é vista como força maior, uma
espécie de mágica capaz de resolver
qualquer problema de negócio.
“Vamos deixar o romantismo de
lado. A criatividade moderna é a
combinação de recursos artísticos,
repertório, inovação, escrita, aplicada
sobre first party data para entender
o consumidor e transformar todos
esses recursos e conhecimento
em soluções concretas de negócio”,
opina o CCO da MRM, que vê a criatividade
entrando como um vetor de
conexão entre conhecimento e entendimento,
com um objetivo claro:
vender.
Na AKM, a criatividade é a matéria-prima
central de todos os projetos.
“Foi exatamente isso que vivemos
no case de Natal da Coca-Cola
Femsa em 2025. Era importante que
fosse algo lindo, impactante e emocionante.
Mas, ao mesmo tempo,
que atendesse ao maior número
de pessoas possível. Pensamos no
conceito ‘O amor que gira o mundo’,
pois o Natal é uma manifestação
definitiva do amor”, afirma Thiago
Rodrigues, head de criação de experiência
da AKM.
jornal propmark - 20 de abril de 2026 37
marcas
Ação global do Santander ganha recorte
brasileiro com ‘Começos imperfeitos’
Com lançamento simultâneo em 27 mercados, Guilherme Bernardes,
CMO do banco, fala que iniciativa “inaugura uma narrativa de marca”
Vitor Kadooka
O
posicionamento global ‘Começa
agora’ foi apresentado ao
mercado em 2024, mas só agora
o Santander leva uma campanha
simultânea aos 27 países em que
atua, entre eles Espanha, seu país
de origem, Chile, Argentina, Estados
Unidos e México.
O CMO do banco no Brasil, Guilherme
Bernardes, em conversa com o
propmark, afirma que “essa é a primeira
vez que todos os países estão,
nesse espaço de duas semanas, lançando
essa mesma campanha”. O Brasil,
vale lembrar, foi o primeiro mercado
a apresentar o posicionamento.
Segundo o executivo, a campanha
‘Começos imperfeitos’ se apoia em
personagens reais, incluindo criadores
de conteúdo, que compartilham
suas histórias. “Como esses começos
foram difíceis e como eles conseguiram
superar e ter sucesso por conta
desses começos.”
No Brasil, a campanha ganha leitura
local ao se distanciar da conotação
negativa do “jeitinho brasileiro”
e tratar o conceito como capacidade
de adaptação diante de adversidades.
“Entra muito do brasileiro, que está
acostumado a superar adversidades
e dificuldades nos começos e, ainda
assim, não desistir.”
Na prática, o conceito, criado pela
Publicis, com mídia no Brasil realizada
por meio da Flame, a unidade de atendimento
exclusiva para o Santander,
se conecta a produtos que viabilizam
esses primeiros passos. “Inicialmente,
a gente está trabalhando com Minhas
Reservas, que é uma forma de investir
a partir de um real. Vamos falar de Pix
parcelado e de cartão de crédito com
pontos, além dos benefícios que você
pode ter com o cartão instantâneo.”
A campanha dialoga diretamente
com jovens, especialmente da geração
Z, que enfrentam pressão por
desempenho e entrada no mercado
de trabalho, mas não se limita a esse
A campanha com conceito criado pela Publicis ganha leitura local ao se afastar da conotação negativa do “jeitinho brasileiro”
Guilherme Bernardes, CMO do Santander: é o único banco global de verdade
público. “O intuito é a gente falar com
todos os públicos, tanto com pessoa
física quanto com pessoa jurídica”. Ele
complementa: “Quando a gente fala
de geração Z aqui, eu acho que a gente
está falando com um público bem
amplo. E toda e qualquer marca, hoje
em dia, tem a necessidade de conectar
com a geração Z”.
A frente de educação também
entra como pilar da narrativa, com o
Santander Open Academy posicionado
como ferramenta para destravar esses
começos. “O Open Academy é uma
Reprodução/YouTube: @SantanderBrasil
entrega muito diferenciada do Santander,
porque a gente oferece cursos
que de fato mudam a vida das pessoas
gratuitamente. Seja você cliente
ou não do banco. E ela não aborda a
educação de maneira etérea, mas de
maneira prática. A forma que vamos
colocar é que a educação é mais uma
das maneiras de te ajudar a superar
essas dificuldades desses começos
imperfeitos.”
Da mesma forma, o Santander
oferece cursos gratuitos para você
estudar alguma disciplina específica.
“Com isso, é possível evoluir rapidamente
na carreira, de posição, porque,
por exemplo, oferecemos um curso de
idiomas que qualifica pessoas para
outros trabalhos num curto prazo.”
Para os próximos movimentos, Bernardes
indica que a campanha marcará
uma mudança mais estrutural na
comunicação do banco. “Mais do que
uma campanha, esse movimento agora
inaugura uma narrativa de marca.
No Brasil, o Santander é o único banco
global de verdade. O que a gente diz
aqui é que somos o único banco que
está presente em 27 países em três
continentes. Queremos explorar esse
DNA global”, finaliza o executivo.
38 20 de abril de 2026 - jornal propmark
esg no mkt
Alê Oliveira
25 anos de Cannes Lions
Tenho cumprido um papel de decodificar
o evento e realizar um roadshow pelo Brasil
Alexis Thuller Pagliarini
Acabo de receber a confirmação da minha inscrição
em mais um Cannes Lions Festival. E
“descubro” que será a 25ª vez que acompanharei
o maior festival de criatividade do mundo.
Já estive por lá com diversos chapéus: como mero
espectador, como palestrante (duas vezes), como
organizador de encontros entre a comunidade brasileira
e o CEO do festival e fazendo cobertura, agora
por meio do nosso propmark.
Nos últimos anos, tenho também cumprido um
papel de decodificar o evento e realizar um roadshow
pelo Brasil, após o festival, numa parceria
com o sistema Sinapro Fenapro. Nesses roadshows,
apresento e comento os cases vencedores, os
insights e as tendências, num trabalho de consolidação
de diversas fontes, inclusive, logicamente, o
report do próprio festival e a excelente cobertura
do propmark.
Mais do que a premiação – superprestigiosa – e
o rico conteúdo, o Cannes Lions Festival funciona
como a consolidação de tendências ao longo do
tempo. Quem acompanha de perto o festival volta
de Cannes com insights e um arsenal de ideias para
repensar seu negócio, suas campanhas, sua forma
de atuar no mercado.
Como exemplo, eu cito a pegada ESG do festival.
Mesmo antes de surgir a sigla, havia um bom número
de inscrições de Jobs institucionais, ligados a ONGs,
de cunho social. Havia, é verdade, críticas sobre prêmios
obtidos por meio dessas campanhas, sabidamente
criadas sem necessariamente um briefing e
sem as limitações das campanhas de empresas ou
produtos, focadas em critérios mercadológicos.
sociedade. Um exemplo é a categoria SDGs – Sustainable
Development Goals (ou ODS – Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável, em português), criada
em 2018 para estimular soluções criativas na busca
pelos objetivos estabelecidos pela ONU, tendo 2030
como deadline. Nessa categoria, são aceitos trabalhos
relacionados a cada um dos 17 ODS.
Ainda dentro da trilha de categorias focadas no
social, há a Glass: The Lion for Change, que reconhece
trabalhos criativos que abordam a desigualdade
e o preconceito, representando e empoderando comunidades
marginalizadas. Isso pode incluir, entre
outros, pessoas com deficiência, pessoas negras e
indígenas, refugiados, requerentes de asilo, pessoas
deslocadas, grupos religiosos minoritários, grupos
étnicos marginalizados, comunidades LGBT+, grupos
socioeconômicos desfavorecidos e pessoas sub-representadas
ou estigmatizadas na sociedade.
Independentemente dessas categorias, voltadas
para os trabalhos ligados a uma causa, é comum termos
jobs premiados também em outras categorias
com essa pegada ESG. Na minha cobertura de 25
anos, costumo identificar o percentual de trabalhos
vinculados aos princípios de ética e respeito socioambiental
que conquistam premiações expressivas.
Há edições em que esses trabalhos superam a
marca de 70% entre todos os premiados. Essa performance
corrobora uma tendência de as marcas reconhecerem
o seu papel para além de vender mais
produtos e aumentar lucros. O estudo Trust Barometer,
do Edelman Group, que pesquisa a confiança em
instituições, atesta que apenas as marcas são consideradas
confiáveis. Nem governos, nem ONGs, nem
mesmo a mídia, são apenas as marcas que superam
a linha de corte que define o nível de confiança.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
Essas campanhas continuam presentes nas inscrições
e nas premiações, mas o que se vê agora
são marcas se envolvendo com causas sociais e ambientais
de forma mais natural, autêntica. Não para
ganhar prêmios, mas para construir imagem sólida
e consistente, em sintonia com as demandas da
Mas essa confiança vem com uma cobrança: espera-se
que as empresas detentoras das marcas façam
algo pela sociedade, além de comercializar bons
produtos. É reconfortante constatar que, nesses 25
anos de Cannes Lions, a escolha pela atenção a ESG
não estava errada. Bora lá pra mais uma cobertura!
40 20 de abril de 2026 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
PUC paranaense usa OOH para promover
seu curso de pós-graduação na era da IA
Ação foi realizada em Nova York e São Francisco, em frente às
sedes de big techs como Microsoft, Meta, Anthropic e OpenAI
Fotos: Divulgação
Em criação da agência 404 Innovation Studio, a PUC paranaense mostra que as IAs usam o conhecimento das universidades
Por meio de uma ação de mídia
exterior em movimento realizada
na segunda semana deste
mês de abril nas cidades de Nova York
e São Francisco, nos Estados Unidos,
em frente às sedes de big techs como
Microsoft, Meta, Anthropic e OpenAI,
a Pontifícia Universidade Católica
do Paraná (PUC/PR) formalizou, por
assim dizer, um convite para as inteligências
artificiais continuarem seus
estudos na universidade.
A iniciativa pontual marcou o lançamento
do conceito ‘A pós pronta
para o mundo pós-IA’, que também
apresentou um novo posicionamento
estratégico para a pós-graduação da
instituição de ensino.
A nova campanha nasceu de um
movimento institucional, de acordo
com o comunicado, “que busca ampliar
a discussão sobre como profissionais,
organizações e instituições
de ensino precisam avançar em um
ambiente permeado por tecnologias
inteligentes”.
A ideia é mostrar para o mercado
que a PUC paranaense está pronta
“para formar profissionais preparados
para atuar em realidades de alta complexidade,
mantendo a centralidade
no ser humano como elemento crítico
da tomada de decisão e da criação”.
“Não vemos a inteligência artificial
como uma ameaça, mas como o espelho
mais avançado da nossa capacidade
intelectual. O universo da educação
não deve competir com a máquina,
mas evoluir em simbiose com ela. Não
estamos apenas ensinando a técnica,
mas a ética, o pensamento crítico e a
visão interdisciplinar que precedem
qualquer linha de código. Toda tecnologia
nasce de ideias e reflexões humanas,
então, o nosso papel é garantir
que o profissional seja o líder dessa
evolução”, explica Marcos Giovanella,
diretor de marketing da PUCPR.
A campanha publicitária é assinada
pela 404 Innovation Studio - a primeira
após a conquista de conta - e as
peças exibem mensagens pensadas
para capturar a atenção de desenvolvedores,
executivos e lideranças das
big techs. As peças trazem mensagens
como: ‘The best copilot for AIs’,
‘No drama llama for your AI’, ‘A tropical
breeze for AIs’ e ‘Open to AIs’, convidando
diretamente as inteligências
artificiais a continuarem seus estudos
na PUC/PR.
Segundo Rafael Caldeira, CCO da
404 Innovation Studio, a ação reforça
o conhecimento gerado dentro da universidade.
“As ferramentas de IA se baseiam
no conhecimento produzido pelas
universidades. Por isso, criamos um
convite para que as próprias IAs continuem
se desenvolvendo no meio
acadêmico - e a PUC/PR é o lugar certo
para isso”, conclui o criativo.
patrocínio
jornal propmark - 20 de abril de 2026 41
prêmios
O Melhor Comercial do Brasil ganha
projeção nacional no Troféu Imprensa
Premiação do SBT reúne lideranças das agências para formação do júri;
executivos vão escolher o filme mais criativo exibido no canal em 2025
Bruna Nunes
No último dia 15, o SBT realizou a
gravação do Troféu Imprensa,
em São Paulo. Neste ano, O Melhor
Comercial do Brasil passa a integrar
a premiação. A iniciativa elege o
filme mais criativo exibido na grade
da emissora ao longo de 2025. “É um
momento histórico em que, principalmente,
os nossos jurados, que são
grandes nomes do mercado publicitário,
vão estar com uma projeção
nacional”, celebra Daniel Abravanel,
diretor estratégico de negócios e rede
do SBT. “Acho que a gente vai mudar
a história do mercado publicitário”,
acrescenta ele.
Uma curadoria inicial define 30
comerciais, que são avaliados por um
júri técnico responsável por chegar
aos três finalistas, que são: ‘Defesa’,
AlmapBBDO para Amstel; ‘Álbum de
fotos’, também da Almap, para O Boticário;
e ‘Casa conectada’, da Galeria
para a Vivo. A 56ª edição do evento
será transmitida simultaneamente
pelo SBT e pela plataforma Disney+ no
próximo domingo (26) e vai revelar os
vencedores.
Para o mercado, a integração é vista
como um movimento que reposiciona
a publicidade dentro de uma vitrine
mais ampla e de escala nacional.
“É o primeiro ano que o Melhor Comercial
do Brasil está integrando o Troféu
Imprensa. Isso coloca a publicidade
brasileira no lugar de destaque que
ela merece, porque o Troféu Imprensa
é o Oscar da TV brasileira. As marcas e
as agências que têm o desafio de se
conectar com o público merecem esse
palco falando com o Brasil todo”, afirma
Benjamin Yung, CEO da DPZ.
A percepção é compartilhada por
outros jurados. “O Troféu Imprensa
é um prêmio icônico, que extrapola
a indústria da publicidade. Trazer o
mercado para dentro desse prêmio
potencializa a indústria e torna o reconhecimento
ainda mais desejável”,
diz Renata Bokel, CEO da WMcCann.
Douglas Silveira, Fernando Duarte, Renata Bokel, Paulo Ilha e Benjamin Yung representando o júri de O Melhor Comercial do Brasil
Na avaliação de Fernando Duarte,
VP de criação da AlmapBBDO, o formato
também eleva o valor simbólico
da conquista. “Já era um dos prêmios
mais legais de ganhar. É uma grande
honra, porque não tem categorias: é
o melhor comercial do Brasil. E ganhar
dentro de um prêmio maior e icônico
como o Troféu Imprensa torna tudo
ainda mais especial”, afirma. Entre os
jurados, um ponto aparece como consenso:
para um comercial ser eleito o
melhor do Brasil, ele precisa estabelecer
conexão real e passar alguma
mensagem. Como resume Yung, “para
se tornar o melhor comercial do Brasil,
ele precisa mexer no coração das
pessoas e ser uma peça memorável
de entretenimento”.
A ideia de conexão também passa
pela relevância da mensagem. “Um
comercial icônico precisa falar de uma
verdade do consumidor brasileiro.
Quando isso acontece, ele ultrapassa
a tela e passa a ser compartilhado de
pessoa para pessoa”, afirma Renata
Bokel. Na prática, significa gerar um
“Acho que a
gente vai mudar
a história
do mercado
publicitário”
Rogerio Pallatta/SBT
impacto emocional. “Ele tem de me
causar alguma coisa. Eu tenho de rir,
pensar ou chorar. No fim, é isso que
define”, diz Fernando Duarte.
Já Paulo Ilha, cofundador e CMO
da Galeria, reforça que o objetivo é
“gerar emoção e criar um momento
que fique na memória das pessoas”,
afirma. Douglas Silveira, CMO da GUT,
complementa ao destacar: “tem uma
probabilidade muito grande de criar
lembrança e gerar resultado”.
O júri reúne 12 profissionais do
mercado publicitário e de negócios:
Armando Araújo, CCO da We; Benjamin
Yung, CEO da DPZ; Claudio Kalim, CEO
da Tech & Soul; Douglas Silveira, CMO
da GUT; Eduardo Marques, CCO da VML;
Fabiano Beraldo, head de produção
integrada da Fbiz; Fábio Saad, VP de
mídia e dados da YouDare; Fernando
Duarte, VP de criação da AlmapBBDO;
Guilherme Medici, diretor de criação
da MRM Brasil; Paulo Ilha, cofundador
e CMO da Galeria; Renata Bokel, CEO
da WMcCann; e Rodrigo Jatene, CCO
Latam da W+K.
42 20 de abril de 2026 - jornal propmark
mídia
Redes sociais da Globo se destacam ao
adotar linguagem de memes e fandoms
Samantha Almeida, diretora de marketing da emissora, explica viral
sobre os ‘adms da Glô’ em perfis de frentes como o ‘BBB’ e Globoplay
Fotos: Globo/João Cotta e Reprodução
Post do ‘BBB’ publicado no Instagram da emissora Samantha Almeida, diretora de marketing da TV Globo Exemplo de tweet publicado no perfil oficial da Globo
Bruna Nunes
As redes sociais da TV Globo, Globoplay e ‘Big
Brother Brasil’ chamaram a atenção do público
nos últimos meses. O motivo? A adoção de
uma linguagem nativa digital, baseada em memes,
participação em trends e interações em tempo real.
Na prática, é como se passassem a operar sob uma
lógica em que os perfis falam mais como usuários do
que como ‘a TV Globo’.
No X (ex-Twitter), por exemplo, cada conteúdo
ligado a uma programação ganha a assinatura de
um ‘adm’ específico. O responsável pelas publicações
da novela ‘Três Graças’ se apresenta como
‘ADM 3G’, comenta cenas em tempo real e interage
diretamente com o público, criando uma dinâmica
de coparticipação que acaba aumentando o engajamento.
Comuns das redes sociais, os apelidos surgem
dos próprios seguidores. “Cara, com certeza a
Globo contratou um adm cronicamente online”, escreveu
um deles. “Será que a Globo contratou uma
nova equipe de produção de conteúdo? É alguém do
Twitter”, questionou outro.
Os ‘adms da Glô’
Afinal, quem é o ‘adm da Glô’? Ao propmark, Samantha
Almeida, diretora de marketing da TV Globo,
explica que essa virada está ancorada em uma operação
“100% dedicada ao digital e às redes sociais”.
O modelo integra social listening, produção de conteúdo
nativo e gestão de interações em tempo real,
com foco na geração de conversa pública em torno
dos conteúdos.
A executiva destaca que o pulo do gato é não tratar
o digital isoladamente, mas como extensão da
TV. “A televisão é nosso ponto de partida, o gatilho
de massa. As redes entram como continuidade dessa
onda criada, expandindo o ecossistema e encontrando
os targets fragmentados por interesse que
a televisão reuniu, mantendo os grupos aquecidos”,
afirma ela, que acrescenta: “Não é sobre entrar em
todas as conversas, é sobre saber em quais faz sentido
estar”, explicou Samantha.
Essa estratégia, detalha ela, opera em duas frentes
principais: agendamento e memória. O avanço
passa pela produção de conteúdos pensados desde
a origem para o ambiente digital. São campanhas
estruturadas, com investimento em mídia, distribuição
e formatos próprios. Um exemplo citado é a
série criada com Marcelo Adnet e Kenya Sade para o
Lollapalooza, que funcionou como aquecimento de
audiência antes mesmo da transmissão.
Já em relação ao tom, outro ponto perceptível
para quem acompanha as contas, a Globo adota
uma abordagem que parte do conteúdo e o reconfigura
em cada plataforma, mirando os fãs. “Os ‘adms
da Glô’ são verdadeiras celebridades, profissionais
talentosíssimos! Porém, para além dos criativos
‘cronicamente online’, nosso interesse é fomentar
a cultura de fandom nas páginas, numa lógica integrada,
ágil e conectada em tempo real”, comenta
Samantha.
“São equipes que trabalham muito próximas aos
conteúdos e aos fãs, com alta capacidade de produção
de conteúdo e conhecimento da nossa grade,
aliado a muito repertório digital”, continua ela.
resultadOs pOsitivOs
Dados compartilhados com a reportagem mostram
que, no primeiro trimestre, as páginas da TV
Globo somaram mais de 33 bilhões de visualizações,
alta de 259,8% em relação a 2025, além de 1,4 bilhão
de interações (+193%) e cerca de 50 milhões de comentários
(+200%). Desde janeiro, a empresa afirma
alcançar mais de 130 milhões de pessoas por semana,
considerando linear e digital.
Tamanha conexão e troca com a audiência é automaticamente
positiva para os negócios, como aponta
a diretora de marketing. “Para além da geração
de conversa pública e relevância cultural, uma operação
social first integrada ao conteúdo traz novas
oportunidades comerciais, como personagens como
Maria de Fátima, que realizou ações comerciais dentro
do próprio universo da história”.
“As conversas que têm viralizado entre os adms
de programas diferentes deixam claro para a audiência
que não é uma Glô, mas uma Glô para cada
momento”, reitera Samantha. “O reconhecimento do
público de que não se trata de uma única voz, mas
de equipes conectadas culturalmente, operando em
tempo real, anima a interagir porque sabe-se que
cada resposta recebida é única, daquele momento,
numa relação de exclusividade”, finaliza ela.
jornal propmark - 20 de abril de 2026 43
mídia
Estadão amplia aposta em eventos
para reforçar ecossistema de conteúdo
Com agenda expandida para 2026, o veículo une experiências,
branded content e curadoria editorial para conectar marcas e audiência
Bruna Nunes
Em um cenário em que eventos
estão cada vez mais importantes
nas estratégias de marcas,
veículos de mídia do mercado brasileiro
passaram a investir no setor.
Diante desse cenário, o Estadão
ampliou sua plataforma de experiências
com o objetivo de fortalecer
sua imagem como hub que articula
conteúdo, negócios e influência.
A nova agenda reúne fóruns, summits
e projetos proprietários que
avançam sobre diferentes verticais,
que abordam desde a inteligência
artificial até temas relacionados à
saúde. A proposta, segundo o veículo,
responde a uma mudança estrutural:
em um mercado saturado por entregas
fragmentadas, ambientes que
combinam curadoria, networking e
profundidade são valorizados.
Daniela Longo, gerente de eventos
do Estadão, explica que o braço
de experiências já ocupa posição
estratégica dentro da operação, pois
“funciona como um hub de conexão
entre marcas, conteúdo e audiência,
potencializando todas as nossas
plataformas”. A meta, conta ela, não
está apenas no crescimento em volume,
mas na consolidação como
uma das principais verticais de monetização
premium do grupo.
Editoral x BrandEd
O modelo proposto pelo Estadão
busca manter o equilíbrio entre conteúdo
editorial e interesses comerciais.
O que se mostra relevante, pois
a credibilidade passa a ser um ativo
central para que o branded content
ganhe relevância e espaço.
De acordo com Daniela, esse equilíbrio
é sustentado por três frentes:
curadoria editorial independente,
governança entre áreas e transparência
com a audiência. “Profundidade
editorial, para nós, não é discurso,
é construção de valor. Ela se traduz
em formatos especiais como: séries
Luís Fernando Bovo, diretor do Estadão Blue Studio, e a executiva Daniela Longo
Painel do ‘Estadão Summit: saúde e bem-estar’, um dos eventos da vertical do veículo
de conteúdo multiplataforma (texto,
vídeo, áudio), painéis com curadoria
de especialistas e tom analítico, e
projetos proprietários com narrativa
contínua (não peças isoladas)”, resume
a executiva.
Ela conta que, em métricas, isso
se reflete na atenção qualificada da
audiência, associação de marca com
autoridade e confiança e na geração
de leads estratégicos, especialmen-
Sérgio Carvalho/Divulgação
Divulgação
“Funciona como
um hub de
conexão entre
marcas, conteúdo
e audiência”
te em eventos. No fim, o resultado se
torna bastante positivo.
“Hoje, não falamos mais só com
‘setores’, mas com comunidades de
interesse e comportamento. Isso
permite que as marcas participem
de conversas mais legítimas, que falem
com públicos mais engajados e
que estejam inseridas em contextos
que fazem sentido”, detalha a gerente
de eventos do Estadão.
Na prática, essa lógica reposiciona
o branded content dentro dos
eventos. Em vez de inserções pontuais,
o formato passa a se estruturar
continuamente com desdobramentos
em múltiplas plataformas. Séries
de conteúdo, painéis com especialistas
e projetos proprietários são
alguns dos formatos adotados. “Para
chegar a esses novos eventos, o Estadão
fez uma ampla pesquisa em
setores carentes de ações de credibilidade
e aliou isso a uma audiência
que já frequenta as nossas propriedades”,
continua.
A leitura é compartilhada por Luís
Fernando Bovo, diretor do Estadão
Blue Studio. “Os eventos são hoje
uma extensão natural do nosso papel
como mediadores de conversas
relevantes. Evoluímos para um modelo
que integra conteúdo, experiência
e soluções de comunicação para
marcas que querem participar ativamente
dos debates que moldam o
país”, acrescenta ele.
O avanço do Estadão no território
de experiências também reposiciona
o veículo em um cenário competitivo
mais amplo. Para Daniela, no entanto,
o movimento não deve ser lido como
uma entrada em um novo mercado,
mas como uma consequência natural
da força editorial. “Eu diria o oposto.
Todos esses players estão cada vez
mais tentando se apropriar de conteúdo
de qualidade para atrair parceiros
comerciais. O core dos eventos é
conteúdo. E o conteúdo é o que move
o Estadão. No fim do dia, isso é o que
atrai investimento”, conclui.
44 20 de abril de 2026 - jornal propmark
mídia
Kallas levará fachadeira publicitária ao
Edifício São João, no centro de São Paulo
No período de obras de restauro, com duração prevista de 18 meses,
o prédio receberá telas de proteção patrocinadas em suas fachadas
A
Kallas Mídia OOH apresentou o
projeto de mídia em fachadeira
no Edifício São João, no centro
de São Paulo, durante o processo de
restauro do imóvel conduzido pela
iniciativa privada, com foco em sua
valorização histórica. A estrutura terá
mais de 2,4 mil m² de área publicitária
voltada ao Vale do Anhangabaú e ficará
instalada por cerca de 18 meses.
A iniciativa utiliza telas de proteção
de obras como suporte de mídia,
em um modelo que conecta publicidade,
financiamento urbano e preservação
patrimonial. O projeto foi
aprovado pela Prefeitura de São Paulo
e prevê exclusividade de uma marca
na ocupação do espaço durante o pe-
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
Fachadeira será instalada no Edifício São João, antiga sede do Banco do Brasil
Divulgação
ríodo. A operação é realizada em parceria
com a Tivio Capital, responsável
pelo ativo e pelo acordo com o poder
público. O edifício integra o portfólio
do fundo imobiliário TVRI11.
“Mais do que ativo de mídia, o projeto
conecta marcas à cidade e contribui
para a preservação de edifício
histórico em um dos pontos mais simbólicos
de São Paulo. É uma iniciativa
que integra comunicação, urbanismo
e impacto urbano em uma mesma
estrutura”, afirma Rodrigo Moreira
Kallas, CEO da Kallas Mídia OOH. “Acreditamos
que o OOH evolui quando passa
a participar da dinâmica da cidade
e não apenas da sua paisagem”, completa
o CEO da empresa de OOH.
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jornal propmark - 20 de abril de 2026 45
opinião
Divulgação
Além do digital: o valor
da experiência física
Fernando Ligório
Nos últimos anos, o setor de ativações e live
marketing no Brasil vem operando em um
patamar próximo de R$ 100 bilhões anuais,
segundo o ‘Anuário brasileiro de live marketing’. Os
números evidenciam não apenas a retomada após
a pandemia, mas a consolidação de um modelo de
comunicação cada vez mais relevante, com rápida
recuperação a partir de 2021.
Essa resiliência não é casual. Em um ambiente
hiperconectado, no qual marcas disputam a atenção
em feeds saturados, o live marketing ganha relevância
justamente por oferecer aquilo que o digital não
entrega por completo: experiência sensorial, presença,
emoção e vínculo humano.
Em um mundo de estímulos infinitos e atenção
fragmentada, experiências ao vivo funcionam como
pontos de ruptura, capazes de gerar memórias mais
duradouras e associações mais profundas entre
pessoas e marcas.
Mas há um ponto fundamental nessa evolução. O
live marketing deixou de ser uma ação isolada. Hoje,
faz parte de um ecossistema híbrido, em que o físico
gera impacto emocional enquanto o digital amplifica,
registra e prolonga a experiência. Os dados coletados
ao longo da jornada passam a retroalimentar
estratégias de CRM, mídia e conteúdo.
As empresas já compreenderam essa mudança,
que marca a transição do tático para o estratégico,
do pontual para o contínuo e do impacto imediato
para o relacionamento de longo prazo.
Se antes o live marketing era visto como ação de
visibilidade, hoje ocupa um papel mais amplo no mix
de comunicação. Passa a ser plataforma de construção
de marca, ferramenta de relacionamento e ponto
de contato relevante na jornada do consumidor.
Os objetivos também evoluíram. Sai de cena a lógica
baseada apenas em alcance ou volume de mídia espontânea.
Entra em foco a profundidade da conexão,
com prioridade para a qualidade da experiência, o
tempo de permanência e o engajamento emocional.
A métrica deixa de ser “quantos viram” e passa a ser
“quem viveu e como viveu”.
Outra transformação está na passagem do discurso
para a vivência do propósito. O live marketing
se tornou o espaço onde o posicionamento da marca
é colocado à prova, e valores como diversidade, sustentabilidade
e inovação precisam ser experimentados
na prática.
No ambiente físico, não há filtro. Incoerências
aparecem com rapidez, o que tem levado as marcas
a criarem experiências mais autênticas e alinhadas
ao discurso. Nesse contexto, a experiência isolada
dá lugar a uma jornada phygital, que integra os
momentos pré, durante e pós-evento. O contato
presencial é precedido por ações que constroem expectativa
e seguido de conteúdos que prolongam a
conversa e fortalecem o relacionamento.
Mesmo com esse olhar mais humano, há espaço
para dados e performance. KPIs definidos desde o
briefing, integração com BI e análises de ROI e ROE
ajudam a justificar investimentos e a pensar em
escala. Criatividade e dados deixam de competir e
passam a atuar de forma complementar.
À medida que o live marketing se consolida
como território de marca, as agências passam por
uma mudança de posicionamento. De fornecedoras,
tornam-se parceiras estratégicas, atuando mais em
cocriação e com maior envolvimento na definição de
estratégia. Isso exige entendimento profundo da
marca, do negócio e da cultura dos clientes. Não por
acaso, o live marketing ganhou protagonismo dentro
das estruturas corporativas, com áreas dedicadas
a brand experience.
Esse movimento se reflete no crescimento das
experiências imersivas no Brasil, que transformam
conteúdos em vivências capazes de gerar conexão
emocional profunda e que se desdobram no digital,
ampliando alcance e relevância.
Fernando Ligório
é CEO do Grupo 4ZERO4
“Em um cenário
dominado por telas,
o live marketing
segue provando que
a experiência física
continua sendo um
ativo estratégico
para as marcas”
46 20 de abril de 2026 - jornal propmark
inspiração
Como uma boa millennial,
sinto saudades
Fotos: Arquivo Pessoal
O segredo de conviver bem com o digital é, ironicamente, manter um
pé no analógico e naquilo que originou a técnica: o “fazer manual”
Katy Miranda
Especial para propmark
Sinto falta de coisas que (talvez) a geração Z reconheça em um filme cult
antigo: a expectativa de levar um VHS da locadora na sexta-feira e torcer
para ele ser razoavelmente bom; o ritual de virar o disco para ouvir o lado B
ou a paciência quase meditativa de esperar uma foto ser revelada para saber se
finalmente alguém saiu de olho aberto.
Naquelas ocasiões, os sons, as imagens e o tempo tinham textura. Hoje, apesar
de admirar a riqueza de possibilidades, tudo parece uma linha reta, infinita e perfeitamente
lisa — o que é ótimo para a escala e usabilidade de sistemas, mas péssimo
para a nossa humanidade imperfeita.
Minha trajetória começou na publicidade e desaguou no design digital. Passei
anos ouvindo que “a criatividade precisa de tempo para maturar”. Mas, na prática, o
que vemos é uma corrida armamentista de ferramentas: se a IA faz em segundos e
o software acelera o processo, por que você ainda precisa de três dias para pensar?
É aqui que o filósofo Byung-Chul Han me dá um “sacode” necessário em sua
‘Sociedade do cansaço’. Ele discorre sobre como deixamos de ser explorados por
chefias para nos tornarmos os próprios carrascos na “sociedade do desempenho”,
ansiando por produtividade até no descanso. O ócio virou um pecado em busca de
redenção, e a pausa virou perda de tempo.
Embora eu veja diariamente que modelos de linguagem avançados
demonstram capacidades cognitivas impressionantes, a tecnologia ainda
não tem consciência; nós é que precisamos ter.
Não se trata de virar as costas para a evolução tecnológica — até porque eu adoro
um bom pixel e algumas das facilidades de que usufruímos —, mas de ser gentil
consigo mesma e entender que a velocidade da máquina não é a velocidade do
pensamento humano. Mais do que nunca, precisamos do que a artista Jenny Odell
chama de “resistência à economia da atenção”, esse ato revolucionário de redirecionar
nosso olhar para o que não gera engajamento instantâneo, mas gera vida.
Para mim, o segredo de conviver bem com o digital é, ironicamente, manter um
pé no analógico e naquilo que originou a técnica: o ‘fazer manual’. É encontrar o
que nos alimenta de verdade. Pode ser o tempo gasto em uma pintura que demora
dias para ganhar forma, a leitura da primeira página de um livro físico em uma
livraria barulhenta ou o simples ato de olhar para o céu antes de decidir se leva o
guarda-chuva, em vez de consultar a assistente virtual.
Essas pequenas “fugas” são o combustível para a alma florescer e se encontrar.
Sem pausa, não há contraste e, sem contraste, o design da vida fica sem graça,
chapado, sem profundidade.
A velocidade tecnológica só deixa de ser aflitiva quando descobrimos para onde voltar.
O meu “voltar” é para o toque, para o imperfeito, para o que é lento e se faz presente.
Antes de seguir para o próximo texto, por favor, pause. Mesmo que às vezes
pareça o contrário, o mundo não vai acabar se você demorar cinco minutos a mais
para divagar. Na verdade, talvez ele comece a fazer muito mais sentido.
Katy Miranda, head of design e AI products da Ruler Studio
jornal propmark - 20 de abril de 2026 47
click do alê
Portland realiza 8ª temporada
No último dia 11 de abril, no Maxi Studio, na Barra Funda, em São
Paulo, foi realizada a 8ª temporada da Portland, ecossistema criativo
fundado por Bruno Höera que desde 2017 funciona como agência
e rede de conexões para novos talentos da comunicação. Aberto a
jovens, profissionais em transição de carreira e pessoas 50+, já conta
com mais de 300 ‘Portlanders’ inseridos em agências e marcas
de referência. O processo seletivo desta edição, realizado em forma
de reality show, contou com 680 candidatos e teve a Repense
como uma das patrocinadoras. “Acompanho de perto a construção
de um projeto que, mais do que um evento, se tornou um verdadeiro
termômetro do futuro do nosso mercado. Estamos especialmente
animados em apoiar esse ecossistema, nos enriquecer nas
trocas com os novos talentos e ampliar a lente da diversidade que
já é aplicada aos nossos processos”, afirma Otávio Dias, fundador e
CEO da Repense. Bruno Höera, fundador e diretor de criação da Portland,
destacou a importância do apoio: “Parceiros como a Repense
são absolutamente vitais para a realização das temporadas, tanto
para a viabilização material e logística da iniciativa quanto para a
absorção dos novos talentos descobertos, razão primeira e última
da nossa existência”. A banca avaliadora da 8ª temporada contou
com representantes de empresas como Repense, CazéTV, Itaú, The
Walt Disney Company, Droga5, Edelman, VML, Holding Clube, Oficina
e Brain Company.
Bruno Höera, fundador da Portland
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Divulgação
Portland talks: ‘De produtores a CEOs’, com Bruno Höera (Portland), Beto Cintra (Mojo),
Leticia Stankus (Irapuru), Adipe Neto (Brain), Leticia Frungillo (Lets Produções) e Marco
Silva (Pavão)
Portland Talks: ‘Comunidade’, com Liliane Ferrari (mediadora), Bianca Tenenberg
(Repense), Jader Damasio (Holding Clube), Fernanda Schmid (Oficina) e Renata Simon
(VBSO Advogados)
Wadjla Tuany, finalista desta edição
Gabi Telles, da PI Storyselling
Krysse Mello (Barry Company), Mari Cobra e Giuliana Eira
(la Cobra)
Equipe Repense: Dani Chagas, Adriano Passos, Bianca
Tennemberg e Rafael Anjos
Victor Van der Vem (finalista), Victor Cruz (finalista), Luli
Liebert (Lado C), Vitória Garcel (finalista), Ana Santos
(finalista) e Caio Sonoda (finalista)
Oitava temporada do Portland
48 20 de abril de 2026 - jornal propmark
João Camargo, CEO da TMC
Ana Couto, da Agência Ana Couto
Fotos: Sérgio Greif
Antonio Jorge Alaby Pinheiro, presidente do Grupo de
Mídia do Rio
Conecta TMC Rio debate influência, inovação
e desenvolvimento do Brasil
O Conecta TMC Rio, realizado no início do mês, no Edifício
Touring, na Praça Mauá, região central do Rio de
Janeiro, reuniu lideranças públicas, empresariais e da
comunicação para debater temas como digitalização
da administração pública, infraestrutura energética,
inteligência artificial e o papel da comunicação no
desenvolvimento do país. No painel ‘Influência que
transforma: como líderes estão moldando o Brasil do
presente e do futuro’, o debate evidenciou que a combinação
entre inovação tecnológica, infraestrutura, investimentos
e comunicação estratégica será decisiva
para o desenvolvimento do Brasil. As lideranças defenderam
maior integração entre setor público e privado
para acelerar transformações e reduzir desigualdades.
Criador do Ecossistema Esfera Brasil e CEO da TMC, o
empresário João Camargo comentou sobre o papel
da comunicação e do jornalismo na formação da opinião
pública e no desenvolvimento regional. Camargo
apresentou a expansão da TMC, que atualmente reúne
cerca de cem jornalistas e presença em diversas capitais
brasileiras. “O propósito da TMC é levar a notícia
que importa para as pessoas e estimular a participação
da sociedade na vida pública. Hoje estamos com
cerca de cem jornalistas e o rádio continua crescendo
entre 3% e 4% ao ano. É um meio forte, especialmente
nos grandes centros”. O executivo também destacou
o compromisso da TMC com a valorização do Rio de
Janeiro, incentivando investimentos, turismo e desenvolvimento
econômico. “Queremos falar das belezas
do Rio, incentivar investimentos e fortalecer o desenvolvimento
econômico da cidade”, finalizou.
Rafael Lazarini, CEO da DA20 e da Live Nation
Entertainment
Andrew Hancock, CEO da INC Capital
Maíra Gama, chefe de redação da TMC
Magno Navarro, jornalista da TMC, foi o mestre de
cerimônias
Gustavo Maciel, gerente-geral do Parque Bondinho
Pão de Açúcar
Alexandre Nogueira (presidente da Light), João Camargo (CEO da
TMC), Julio Lopes (deputado federal PP/RJ) e Aguinaldo Ballon
(presidente da Cedae)
jornal propmark - 20 de abril de 2026 49
última página
Divulgação
Nasa
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
Flavio Waiteman
A
Nasa conseguiu algo inédito nesse século. Repetir
um feito científico realizado pela última
vez no século passado, em 1972: levar astronautas
para uma órbita lunar e trazê-los de volta em
segurança à Terra.
O projeto Artemis (SLS/Orion) está sendo desenvolvido
há 15 anos ao custo de 2 bilhões de dólares
por lançamento, para repetir algo já feito na década
de 1960 (projeto Apollo), ao custo de 360 milhões de
dólares (mais ou menos esses mesmos 2 bilhões em
dólares atualizados).
Em linhas gerais simplificadas, o ser humano fez
algo incrível, deixou de fazer e com o tempo esqueceu
como se fazia.
Investiu novamente tempo, talento e dinheiro
para repetir algo já alcançado.
Vale para foguetes, pirâmides, desenvolvimento
de vacinas e qualquer atividade que deixamos de dar
atenção. Vale para comunicação, por exemplo.
As marcas que esquecem como é fazer por deixarem
de acreditar em comunicação gastam muito
mais e perdem tempo.
Se esquecemos como se faz, toda a evolução e a
inovação se perdem.
‘For all mankind’ é uma série na Apple TV em sua
quarta temporada que conta a história da corrida
espacial se ela não tivesse parado repentinamente.
As duas primeiras temporadas são imperdíveis.
O fato é que o ser humano para de evoluir quando
se desinteressa por algo. E, depois, não se lembra
sequer como aquela obra de engenharia humana foi
concebida.
Hoje grande parte do trabalho da Nasa é fazer engenharia
reversa do que foi criado nos anos 1940 e
1950 para, então, poder evoluir.
Nenhum egípcio sabe exatamente como foram
criadas as pirâmides.
Uma obra tão descomunal de engenharia não
teve sequer sua história contada de geração em
geração.
Comunicação lida com seres humanos que também
estão em constante evolução.
Se vai continuar evoluindo ou se vai esquecer de
tudo o que o trouxe até aqui, veremos.
Pesquisas científicas nos avisam sobre a diminuição
cognitiva geral devido à profusão das telas.
O scroll é o novo zap e a atenção é fragmentada
em milhares de momentos diários monetizáveis.
E monetizáveis por empresas sem nenhum vínculo
com o ser humano. Nenhuma responsabilidade.
Em meio a tanta informação, hoje não há anticorpos
efetivos sequer para identificar se algo é real ou
inventado.
O senso crítico e o raciocínio precisam voltar a ser
utilizados de maneira urgente, antes que caiam em
desuso e esqueçamos como chegamos até aqui.
Dizem que os primeiros reis da Inglaterra em
900 depois de Cristo encontraram ruínas de casas
de banho com colunas e pinturas sofisticadíssimas
de um povo que lá viveu mil e quinhentos
anos antes deles.
Eles não sabiam quem eram. Hoje sabemos que se
tratava dos romanos. O que não se usa, se esquece.
“O ser humano
para de evoluir
quando
se desinteressa
por algo”
50 20 de abril de 2026 - jornal propmark