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Florestal_284 OPS

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DESTAQUE

Entrevista: Fernando Branco traz experiência e conhecimento para a presidência da ABAF

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SUMÁRIO

58

EFICIÊNCIA,

INOVAÇÃO E

PRODUTIVIDADE

MAIO 2026

18 Editorial

20 Cartas

22 Bastidores

24 Notas

42 Frases

44 Entrevista

56 Coluna

58 Principal

64 Incêndios

70 Desenvolvimento

78 Silvicultura

84 Carbono

90 Artigo

96 Agenda

98 Espaço Aberto

64

84

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

39 Açokorte

19 BKT

23 Bruno

25 Carrocerias Bachiega

89 Composhow 2026

55 D’Antonio Equipamentos

10 Denis Cimaf

02 Dinagro

29 DRV Ferramentas

49 Duffatto Viveiro Florestal

75 Engeforest

100 Envimat

17 Envu

67 Equilíbrio Equipamentos

87 ExpoMinas 2026

47 Feldermann Forest

69 Felipe Diesel

51 Fex

85 Forestmax 2026

77 Fratex

04 Himev

33 J de Souza

83 Kades Forest

14 LDA Equipamentos

95 Lignum Latin America

31 Máquina Solo

93 Motocana

37 Planalto Picadores

99 Prêmio REFERÊNCIA

73 RDC Agrotec

71 Recimac

53 Reflorestar Serviços Florestais

57 Roder Máquinas

35 Rodovale

21 Rotary-Ax

08 Sergomel

27 Sparta Brasil

45 TMO

41 Tracbel

12 Unifértil

43 Vantec

06 Vermeer

81 Woodtech

16 www.referenciaflorestal.com.br



EDITORIAL

Força para crescer

A indústria nacional e a silvicultura brasileira compartilham a mesma

raiz: a resiliência. Assim como uma árvore de alta performance, que enfrenta

intempéries climáticas e estresses hídricos para converter luz em fibra de

qualidade, nossas fábricas e implementos transformam desafios macroeconômicos

em competitividade global. É uma simbiose perfeita, onde o valor da

nossa base florestal deixa de ser apenas a madeira bruta para se tornar inteligência

aplicada e tecnologia de ponta. Valorizar a indústria nacional no setor

florestal é reconhecer que o cerne do nosso desenvolvimento está na capacidade

de processar localmente o que o solo nos entrega com tanta generosidade.

Quando o campo e a planta industrial operam em equilíbrio, como

um sistema de mosaico planejado, o resultado é um ecossistema produtivo

robusto e duradouro. Na capa dessa edição a Roder, com sua linha completa

de soluções para corte e transporte florestal, do desenvolvimento da indústria

florestal paulista na luta contra incêndios, às novidades do mercado de

carbono, e uma entrevista exclusiva com Fernando Branco, novo presidente

da ABAF (Associação Baiana das Empresas de Base Florestal), que leva sua

experiência na Bracell para a liderança da associação. Excelente leitura!

2

1

Na capa dessa edição

a Roder, com soluções

completas para corte e

logística florestal

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVIII • Nº284 • Maio 2026

DESTAQUE

9 772359 465052 0 0 2 8 4

Entrevista: Fernando Branco traz experiência e conhecimento para a presidência da ABAF

MÁXIMA EFICIÊNCIA

NO TALHÃO

IMPLEMENTOS DE ALTA

PERFORMANCE GARANTEM

PRODUTIVIDADE E

SEGURANÇA NA FLORESTA

MAXIMUM EFFICIENCY

IN THE PLOT

HIGH-PERFORMANCE

IMPLEMENTS ENSURE

PRODUCTIVITY AND

SAFETY IN THE FOREST

A LONG WAY

TOGETHER

THE STRENGTH TO GROW

Brazil’s domestic industry and forestry share the same foundation: resilience.

Just as a high-performance tree withstands harsh weather and water

stress to convert light into high-quality fiber, our factories and equipment

transform macroeconomic challenges into global competitiveness. It is a perfect

symbiosis in which the value of our forest base extends beyond raw timber

to encompass applied intelligence and cutting-edge technology. Valuing

the domestic industry in the Forestry Sector means recognizing that the core

of our development lies in our ability to process locally what the soil so generously

provides. When the field and the industrial plant operate in balance, like

a planned mosaic, the result is a robust, enduring, productive ecosystem. On

the cover of this issue is Roder, with its complete line of solutions for forestry

harvesting and transport. Other stories include: the development of São

Paulo’s forestry industry in the fight against wildfires; the latest news from

the carbon market; and an exclusive interview with Fernando Branco, the new

president of the Bahian Association of Forest-Based Companies (ABAF), who

brings his experience at Bracell to the leadership of the Association. Pleasant

reading!

EXPEDIENTE

ANO XXVIII - EDIÇÃO 284 - MAIO 2026

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Vinicius Santos

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Gabriel Dalla Costa Berger

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Aime Cristine Lima

Letícia Stefanello

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

assinatura@revistareferencia.com.br

0800 600 2038

Assinaturas Eventos / Subscription Events

José A. Ferreira

(41) 99203-2091

ASSINATURAS

Entrevista com

Fernando Branco,

novo presidente

da ABAF

0800 600 2038

Periodicidade Advertising

GARANTIDA GARANTEED

Veículo filiado a:

O avanço das florestas comerciais

na agricultura familiar gaúcha

3

A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,

themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

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CARTAS

DESTAQUE Entrevista: Lucía Basso apresenta os desafios e conquistas da produção florestal no Uruguai

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

• • • • • • • • • • • • • •

DO BRASIL

Capa da Edição 283 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de abril de 2026

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVIII • Nº283 • Abril 2026

INOVAÇÃO, ROBUSTEZ

E CONFIANÇA

TECNOLOGIA APLICADA EM

SOLUÇÕES FLORESTAIS

MARCAM 10 ANOS DE

EXPANSÃO DE INDÚSTRIA

CATARINENSE

INNOVATION, ROBUSTNESS

AND RELIABILITY

TECHNOLOGY APPLIED TO FORESTRY

SOLUTIONS MARKS 10 YEARS OF

EXPANSION FOR SANTA CATARINA-

-BASED INDUSTRY

PARA O MUNDO

PRINCIPAL

Por Cesar Martins, Ponta Grossa (PR)

Muito sucesso a Feldermann! Empresa nacional, inovadora e que trabalha

em prol do setor.

ENTREVISTA

Foto: divulgação

Por Rodrigo Molinari, Betim (MG)

Muito bom ver um país pequeno como o Uruguai tendo no florestal um

potencial de crescimento e desenvolvimento.

GESTÃO

Por Patrícia Costa, Alto Garças (MT)

A profissionalização do segmento florestal é a chave para o seu contínuo

crescimento. Tecnologia e capacitação precisam estar presentes em tudo

que envolve a silvicultura.

Foto: divulgacão

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20 www.referenciaflorestal.com.br

Revista Referência Florestal

@referenciaflorestal

@revistareferencia9702

E-mails, críticas e sugestões podem ser

enviados também para redação

jornalismo@revistareferencia.com.br

Mande sua opinião sobre a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL

ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.

rotaryax

rotaryaxoficial



BASTIDORES

Revista

DOMÍNIO ABSOLUTO

NA BIOMASSA.

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

PODCAST

Recebemos na JOTA EDITORA, o diretor da Resinas

Jardim, Israel Jardim, para o PODCAST sobre o uso

de resinas de pinus, ao lado do diretor comercial da

Revista REFERÊNCIA, Fábio Machado.

PARCERIA

Em visita a empresa Rotary-Ax, o diretor comercial

da Revista REFERÊCIA Fábio Machado, esteve

junto com Bruna Polo, diretora da Rotary-Ax, para

alinhamento dessa edição de Maio/26 e também da

renovação da parceria para o biênio 2026/2027.

22 www.referenciaflorestal.com.br

ALTA

CRESCIMENTO DA META

A CNI revisou para cima a projeção de crescimento

do PIB brasileiro em 2026, elevando a estimativa

de 1,8% para 2%. O otimismo, detalhado

no Informe Conjuntural do 1º Trimestre, também

alcança a indústria, com alta esperada de 1,6%.

Segundo o diretor de Economia da CNI, Mário

Sérgio Telles, o ajuste reflete o vigor da indústria

extrativa (petróleo e minério), a revisão positiva

na safra agropecuária e o fortalecimento do setor

de serviços. Com o setor industrial liderando a retomada,

os dados sinalizam um cenário de maior

resiliência e competitividade para a economia

nacional este ano.

MAIO 2026

AUTO-SABOTAGEM NACIONAL

O orçamento de 2025 registrou despesas de R$ 5,39

trilhões, mas o avanço das emendas parlamentares e

dos juros da dívida travou investimentos essenciais.

Relatório do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos)

aponta que áreas como saúde, educação

e meio ambiente perderam recursos para políticas

que favorecem a concentração de riqueza. Apesar de

avanços fiscais distributivos, como a taxação de dividendos,

o instituto critica renúncias fiscais a setores

poluentes e pouco inovadores. O balanço revela que

a execução orçamentária ainda prioriza a manutenção

de desigualdades em detrimento de direitos

sociais básicos.

BAIXA

+55 49 98813-0343



NOTAS

Podcast REFERÊNCIA

O Podcast REFERÊNCIA contou com

presenças ilustres e de grande valor para

o segmento florestal em abril de 2026. No

primeiro episódio do mês estava presente a

sócia da Santa Rosa Florestal, Gabriela Cibulski

Breda (foto de cima). O segundo episódio teve

a presença do fundador e diretor da empresa

Resinas Jardim, Israel Jardim (foto de baixo).

Gabriela contou como esteve desde cedo

inserida dentro da Santa Rosa, fundada pelo

pai, Nelso Cibulski, e com isso se aproximou

também do setor florestal. “Isso me deu vontade

de fazer uma faculdade nesse ramo para

poder auxiliar o negócio”, explicou.

Após a graduação em Negócios Internacionais

e Comércio Exterior pela PUC-RS (Pontifícia

Universidade Católica do Rio Grande do

Sul) e começar a carreira fora da Santa Rosa,

Gabriela decidiu voltar para a empresa em

2015 e desde então tem seguido os passos do

pai no comando da empresa.

“Continuamos a ser uma empresa familiar

e enxuta, mas temos a capacidade de qualquer

parceria que a gente firmar, a gente consegue

dar conta. Temos maquinário de ponta,

tecnologia da indústria”, complementou.

No outro programa, Jardim explicou o

processo para retirada da resina das árvores

e do derivado deste composto que é o breu,

atualmente, responsável por 85% do mercado

da empresa, especialmente para o setor de

tintas.

Jardim também detalhou como a família

migrou da produção de cebolas para começar

a cultivar pinus, até que em 2008 nasceu a

Resinas Jardim. “Acho que o principal vetor do

nosso crescimento primário foram governança,

inovação e a execução”, resumiu o

empresário.

Os episódios completos o Leitor pode

conferir no canal do youtube da

Revista REFERÊNCIA:

Fotos: REFERÊNCIA

24 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

ROBUSTEZ COM A

MELHOR EQUIPE.

Minas no topo

O setor florestal brasileiro consolidou sua expansão ao atingir a marca de 10,5 milhões de ha (hectares) de árvores

plantadas, além de conservar outros 7 milhões de ha de matas nativas. Segundo o relatório anual da IBÁ (Indústria Brasileira

de Árvores), o desempenho produtivo foi impulsionado pela geração de 25,5 milhões de toneladas de celulose, resultando

em exportações que somaram US$ 15,7 bilhões. Esse cenário reafirma o Brasil como o maior exportador mundial de

celulose, ocupando também o segundo lugar no ranking de produção global. No âmbito estadual, Minas Gerais destaca-se

como o protagonista nacional, concentrando 2,2 milhões de ha de eucalipto, o que representa cerca de 27% da área total

cultivada no país. Essa liderança é reflexo de uma sólida tradição na produção de carvão vegetal e celulose, setores que

recebem investimentos contínuos. Além disso, o Brasil mantém a liderança isolada na produção mundial de carvão vegetal,

alcançando 6,6 milhões de toneladas e superando nações como Etiópia e Nigéria. A tecnologia desempenha um papel

crucial nesse crescimento, com o uso de imagens de satélite e soluções de sensoriamento remoto para o mapeamento e

gestão sustentável das áreas. Parcerias com empresas de inovação permitem um monitoramento rigoroso, garantindo que

a alta produtividade caminhe lado a lado com a preservação ambiental. Esse suporte tecnológico tem sido o diferencial

para manter a competitividade brasileira frente às exigências do mercado internacional por produtos de origem renovável.

Com a crescente demanda global por soluções sustentáveis, as perspectivas para o setor permanecem altamente positivas.

A combinação de clima favorável, avanços em genética florestal e processos industriais eficientes posiciona o Brasil como

uma referência estratégica na bioeconomia. O fortalecimento de polos regionais, como o mineiro, assegura que o país continue

expandindo sua participação nos mercados de papéis, painéis de madeira e outros derivados florestais nos próximos

anos.

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NOTAS

Força do norte

A edição de 2026 da Norte Show, realizada em Sinop (MT), consolidou-se como um

dos maiores eventos do agronegócio brasileiro, encerrando com uma projeção recorde

de R$ 4 bilhões em negócios. O evento reuniu 410 expositores e atraiu um público

expressivo, registrando mais de 30 mil visitantes logo no primeiro dia. Além da movimentação

financeira, a feira se destacou como uma vitrine tecnológica, apresentando

inovações em máquinas, genética e softwares de gestão, reforçando o papel da região

como um polo de produtividade e inovação no campo.

Apesar do otimismo comercial, o encerramento do evento também trouxe debates sobre desafios logísticos e infraestruturais

que impactam o setor. Um dos temas centrais foi a suspensão do projeto da Ferrogrão pelo TCU (Tribunal de Contas da

União), ferrovia estratégica que ligaria Sinop ao porto de Miritituba (PA) para reduzir custos de exportação. Palestras e debates

durante a feira abordaram a necessidade de segurança jurídica, políticas públicas e o uso de tecnologias para garantir a rentabilidade

dos produtores diante das oscilações nos preços das commodities.

A Revista REFERÊNCIA esteve presente na feira para prestigiar clientes e parceiros, como Bachiega, DRV, Lignum Biomassa,

Sindusmad/MT (Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte do Estado de Mato Grosso), Roder, Rodovale, Rotary-Ax e Vantec

Máquinas. Fábio Machado, diretor comercial da Revista REFERÊNCIA, comentou sobre a importância da feira. “É um evento

que fortalece o trabalho do segmento de base florestal no Mato Grosso. Com certeza estará no calendário da Revista REFERÊN-

CIA como um marco do fortalecimento do nosso setor”, exaltou Fábio.

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NOTAS

Vista do alto

A tecnologia está transformando o manejo na Amazônia com o lançamento do plugin Netflora para o software QGIS.

Desenvolvido pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Acre em parceria com o Fundo JBS pela Amazônia,

o sistema utiliza IA (Inteligência Artificial) para realizar inventários florestais com alta precisão. A grande novidade

é a democratização da ferramenta: antes restrita a quem dominava linguagens de programação, agora ela pode ser

operada por qualquer profissional técnico através de uma interface visual amigável.

A solução elimina a necessidade de lidar com scripts complexos de Python, permitindo que a própria IA execute a

segmentação de copas das árvores com rigor estatístico. O processo começa com o upload de ortofotos captadas por

drones, que servem de base para os algoritmos treinados reconhecerem características botânicas específicas. O sistema

identifica espécies de interesse comercial e indica sua localização exata, criando um mapa digital detalhado da floresta.

O uso desses algoritmos geoespaciais permite a semiautomatização do planejamento florestal, mantendo níveis de

exatidão equivalentes aos métodos tradicionais da engenharia, mas com uma eficiência operacional muito superior. Ao

substituir parte do levantamento manual por sensores remotos, a ferramenta garante uma análise minuciosa da cobertura

vegetal sem as dificuldades logísticas do trabalho de campo convencional em áreas densas.

Com o Netflora, a principal vantagem para o setor é a drástica redução de custos e tempo. Ao diminuir a necessidade

de grandes equipes em solo e o uso intensivo de GPS em áreas de difícil acesso, a tecnologia torna o manejo sustentável

mais viável economicamente. É a inteligência artificial servindo como aliada estratégica para aliar produtividade à

conservação da floresta amazônica.

Fotos: divulgação

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NOTAS

GARRAS

TRAÇADORAS

Burocracia que atrasa

Fotos: divulgação

GARRA TRAÇADORA COM GIRO 360°, IDEAL PARA

OPERAÇÕES COM MADEIRAS NATIVAS.

O TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu manter a suspensão da análise dos estudos de viabilidade para a construção

da Ferrogrão (EF-170), ferrovia projetada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA). A decisão atende a um pedido do MPF

(Ministério Público Federal), que argumenta a necessidade de aguardar a conclusão dos novos estudos socioambientais e das

consultas prévias junto aos povos indígenas e comunidades tradicionais afetadas pelo traçado do projeto.

A suspensão interrompe temporariamente o processo de concessão de uma das obras de infraestrutura mais aguardadas

e polêmicas do agronegócio brasileiro. A ferrovia é vista pelo setor produtivo como essencial para reduzir o custo do frete e

aumentar a competitividade das exportações de grãos pelo Arco Norte. No entanto, o imbróglio jurídico estende-se devido

aos impactos ambientais, especialmente pelo fato de o traçado atravessar o Parque Nacional do Jamanxim, o que gerou

ações no STF (Supremo Tribunal Federal). No tribunal, os ministros consideraram que dar continuidade ao processo de análise

sem as garantias socioambientais adequadas poderia gerar insegurança jurídica e riscos financeiros ao Estado. A decisão

reforça a tese de que os estudos originais, realizados há anos, precisam de atualizações rigorosas que contemplem as novas

exigências climáticas e o respeito aos territórios protegidos, evitando que o projeto seja paralisado futuramente por novas

decisões judiciais.

Com essa manutenção da suspensão, o cronograma da Ferrogrão sofre mais um atraso, sem uma data definida para a

retomada do leilão de concessão. O governo e as entidades do setor agora dependem do avanço das tratativas coordenadas

pelo Ministério dos Transportes e da validação das consultas públicas para tentar destravar o projeto. Enquanto isso, o transporte

da safra mato-grossense continuará dependente da BR-163, mantendo o debate sobre a logística sustentável no centro

das atenções.

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NOTAS

ForestMax 2026

O ForestMax consolida-se como um dos eventos de campo

mais relevantes para a silvicultura, reunindo inovações tecnológicas

de ponta voltadas para a cultura do eucalipto em um cenário

prático. O encontro visa integrar produtores rurais, gestores

do setor florestal e empresas, proporcionando a demonstração

de soluções diretamente no horto. Com ênfase em resultados

tangíveis, o evento permite que os participantes observem o

real desempenho de maquinários, clones e técnicas de manejo

em diversas fases do ciclo de desenvolvimento florestal.

Um dos pilares diferenciais da programação é a demonstração

dinâmica de processos e equipamentos. Afastando-se dos

modelos de feiras tradicionais restritas a pavilhões, o ForestMax

conduz o público para o coração da operação, abrangendo

desde o preparo do solo e o plantio mecanizado até o manejo

de irrigação e estratégias de controle de pragas. Essa dinâmica

prática torna mais clara a compreensão de como a mecanização

é capaz de otimizar custos operacionais e elevar a precisão das

atividades em campo, requisitos fundamentais para garantir a

competitividade no setor.

Nesta edição de 2026, o evento será realizado entre os dias

04 e 06 de agosto, em Brasília (DF). A escolha da capital federal

é estratégica, facilitando a logística de acesso para profissionais

do Brasil e de toda a América Latina. O ambiente é propício para

a realização de networking qualificado, permitindo que congressistas

debatam tendências de mercado, segurança jurídica

e a relevância da silvicultura para a nova economia verde. O propósito

central é converter conhecimento técnico avançado em

estratégias de negócio práticas para o segmento produtivo.

Pedro Francio Filho, diretor da Francio Soluções Florestais,

ressalta que a expectativa para este ano é dobrar o número

de participantes em relação ao ano anterior, levando soluções

aplicáveis ao cotidiano de quem atua diretamente na atividade.

“Teremos os maiores especialistas em eucalipto do Brasil conosco,

teremos uma palestra com o biólogo Richard Rasmussen que

está fazendo um documentário sobre o eucalipto, e apresentaremos

o nosso protocolo na íntegra, em um passo a passo

detalhado para alcançar a máxima produtividade florestal”,

valoriza Pedro.

Somado aos renomados nomes de peso, a grade contará

ainda com seis novas palestras, um cronograma completo

desenvolvido pelo time da Francio para que o profissional

participante saia do evento pronto para elevar o patamar da

silvicultura de eucalipto. “Nosso trabalho tem sido reconhecido

nacional e internacionalmente e o ForestMax é uma representação

disso. Nesse ano, por exemplo, teremos, ao final de um

dos dias um happy hour com o apoio da cervejaria paraguaia

Munich, que é cliente da consultoria e tem o eucalipto, produzido

nas fazendas Campos Morombi, do mesmo grupo, de forma

sustentável, como fonte de energia para sua linha de produção”,

destaca Pedro Francio Filho.

Foto: Francio Soluções Florestais

34 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Começo animador

As exportações de madeira do Pará começaram

2026 em alta. De acordo com levantamento da

Aimex (Associação das Indústrias Exportadoras de

Madeira do Estado do Pará), com base em dados

do Comex Stat, do MDIC (Ministério da Indústria,

Comércio Exterior e Serviços), o Estado exportou,

em janeiro, US$ 23,6 milhões em produtos da

posição 44 da NCM/SH, que engloba madeira e seus

subprodutos.

O resultado representa crescimento de 106,25%

em relação a janeiro de 2025, quando o volume

exportado somou US$ 11,4 milhões. Em peso, o

avanço foi de 3,98%, passando de 22,8 milhões para

23,7 milhões de quilos. O preço médio por tonelada

também apresentou recuperação, saindo de US$

502,39 em janeiro de 2025 para US$ 1.003,48 em

janeiro de 2026.

Entre os principais produtos exportados,

destaque para a madeira perfilada (pisos, decking,

tacos e frisos), que saltou de US$ 4,4 milhões para

US$ 16,4 milhões, um crescimento de 271,15%. A

madeira simplesmente serrada também registrou

aumento expressivo de 60,2% em valor, alcançando

US$ 5 milhões. Por outro lado, a madeira em bruto

apresentou retração de 41,05% em valor e 35,89%

em peso, enquanto painéis de fibras e compensados

também tiveram queda nas exportações.

Os EUA (Estados Unidos da América) se

consolidaram como principal destino da madeira

paraense, com crescimento de 327,42% nas

compras em janeiro de 2026, totalizando US$ 9,2

milhões. O país respondeu por 38,94% de toda

a pauta exportadora do estado no período. Na

sequência aparecem Holanda (alta de 245,5%),

França (46,72%) e Dinamarca (208,15%). Já a Índia

apresentou retração de 35,15% no valor importado.

O mercado europeu, considerado em bloco, registrou

crescimento de 108,7% em valor. Países como

Portugal (+443,07%), República Tcheca (+334,07%) e

Dinamarca (+208,15%) ampliaram significativamente

suas aquisições.

No cenário nacional, o Pará foi o único entre

os principais Estados exportadores a apresentar

crescimento expressivo. Enquanto as exportações

brasileiras de madeira recuaram 16,9% em valor em

janeiro de 2026, o Pará mais que dobrou sua receita

no período. Estados como Paraná (-35,7%), Santa

Catarina (-15,57%) e São Paulo (-29,16%) registraram

queda.

Fotos: divulgação

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NOTAS

Jubileu mineiro

A Amif (Associação Mineira da Indústria Florestal) celebrou em abril, seus 50 anos de atuação com um evento

carbono neutro, marcado pela posse do novo Conselho Deliberativo para o período 2026-2030. Realizada em Belo

Horizonte (MG), a comemoração reuniu autoridades, empresários e representantes do setor produtivo, consolidando

o protagonismo da agroindústria florestal mineira na agenda climática e no desenvolvimento sustentável. A cerimônia

teve como destaque a posse de Júlio Ribeiro, CEO da Cenibra, como presidente do Conselho Deliberativo da Amif, ao

lado da presidente executiva Adriana Maugeri (foto), que permanece à frente da gestão da entidade. O evento também

simbolizou um novo ciclo estratégico para o setor, com foco em inovação, bioeconomia e fortalecimento institucional.

Além do caráter comemorativo, a celebração foi planejada para ser carbono neutro,

com a mensuração, redução e compensação de todas as emissões de gases

de efeito estufa geradas, reforçando, na prática, o compromisso da Amif com

uma economia de baixo carbono.

“A gente construiu, ao longo desses anos, uma prova concreta de que é

possível produzir muito e conservar muito ao mesmo tempo. Esse é o desenvolvimento

sustentável que queremos para o país. O setor florestal está presente

em mais de 814 municípios mineiros, levando desenvolvimento econômico e

aquecimento da economia regional a praticamente todo o Estado, ao mesmo

tempo que é a atividade produtiva que mais conserva vegetação nativa em todo

Estado”, afirmou Adriana Maugeri.

Fotos: divulgação

38 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Parceria fortalecida

O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, defendeu durante o XLII Encontro Econômico

Brasil-Alemanha na Feira de Hannover, que o Brasil possui um potencial estratégico para se tornar o principal

parceiro da Alemanha na área de biocombustíveis. A meta apresentada pela entidade é ambiciosa: dobrar o volume

do comércio bilateral entre as duas nações nos próximos cinco anos, saltando dos atuais US$ 20 bilhões para US$ 40

bilhões anuais, impulsionado pela transição energética.

Para concretizar essa parceria, Alban propôs a criação de um projeto-piloto focado em biocombustíveis que

permita uma avaliação qualitativa e técnica do setor. O objetivo é desmistificar a percepção negativa de alguns países

europeus que, equivocadamente, associam a produção brasileira de combustíveis renováveis a riscos ambientais. A

indústria brasileira busca apresentar dados transparentes que comprovem a sustentabilidade e a eficiência de fontes

como o etanol de milho e o agave na descarbonização global.

Além da energia, a pauta destacou a relevância dos minerais críticos, essenciais para a indústria de alta tecnologia

e para a fabricação de baterias. O posicionamento da CNI é claro no sentido de que o Brasil não deseja ser apenas um

exportador de matéria-prima bruta. A estratégia visa o processamento interno desses recursos para agregar valor à cadeia

produtiva, atraindo investimentos alemães para o desenvolvimento de tecnologias e plantas industriais completas

em solo brasileiro.

Por fim, a liderança industrial ressaltou que a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia será o principal

motor para essa integração econômica. Para o setor produtivo, o tratado, somado a novos acordos para evitar a dupla

tributação, trará a segurança jurídica necessária para que empresas alemãs expandam sua presença no Brasil. Essa

cooperação é vista como fundamental para garantir a competitividade industrial diante dos desafios geopolíticos e da

necessidade urgente de soluções sustentáveis.

Fotos: divulgação

40 www.referenciaflorestal.com.br



FRASES

Foto: divulgação

Estamos construindo, de

forma conjunta, caminhos que

permitam o uso responsável

dos recursos naturais, dentro

da legalidade, assegurando

previsibilidade para as

indústrias e contribuindo para

o desenvolvimento sustentável

do estado

Gleisson Tagliari, presidente do Cipem (Centro

das Indústrias Produtoras e Exportadoras de

Madeira do Estado de Mato Grosso) em reunião

sobre o desenvolvimento da produção de

biomassa no Mato Grosso

“Precisamos de alta

resolução para melhor

determinar as condições de

compensação da reserva

legal e definir quem tem

direito ao PRA (Programa de

Regularização Ambiental).

Essa parceria vai aperfeiçoar

a implementação da CRA

(Cadastro Rural Ambiental)”

Garo Batmanian, presidente do SFB (Serviço

Florestal Brasileiro) sobre a utilização de imagens

em alta definição para monitoramento de áreas

“Estamos em um cenário

em que não conseguimos

enxergar uma semana à

frente, o que torna ainda

mais desafiador tomar

decisões que envolvem

ciclos de 7, 15 ou 20

anos”

Ailson Loper, diretor-executivo da APRE

(Associação Paranaense de Empresas de Base

Florestal) sobre a falta de previsibilidade gerada

pelas tensões internacionais no Oriente Médio

42 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

Foto: Luís Guimarães

Experiência

PARA GERIR

Management experience

C

om mais de duas décadas de atuação no setor

de papel e celulose, o novo líder do Conselho

Diretor da ABAF (Associação Baiana das Empresas

de Base Florestal) assume o cargo com o desafio

de integrar a cadeia produtiva e fortalecer a sustentabilidade

no Estado. Sua trajetória é marcada por uma profunda imersão

na gestão de operações complexas e na mediação de diálogos

institucionais entre a indústria e órgãos reguladores. Nesta

entrevista exclusiva, Fernando Branco, que também atua como

gerente de tesouraria da Bracell, detalha suas prioridades à

frente da entidade. Ele analisa os gargalos logísticos da Bahia, as

oportunidades no mercado de carbono e o papel estratégico da

integração lavoura-pecuária-floresta para o pequeno produtor.

T

he new Chair of the Bahian Association of Forest-

-Based Companies (ABAF) Administrative Council

has over two decades of experience in the pulp

and paper industry. He takes on the role with the

challenges of integrating the production chain and

strengthening sustainability in the State. His career is marked by

his involvement in managing complex operations and mediating

institutional dialogues between the industry and regulatory

agencies. In this exclusive interview, Fernando Branco, who also

serves as the Treasury Manager at Bracell, details his priorities

as the Association’s leader. He discusses Bahia’s logistical bottlenecks,

opportunities in the carbon market, and the strategic role

of crop-livestock-forest integration for small-scale producers.

ENTREVISTA

Fernando

Branco

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Economista formado pela UCSal (Universidade Católica do Salvador)

e tem especializações em gestão de finanças,gestão fiscal

e periícia judicial e extrajudicial. Atual gerente de Financeiro da

Bracell Bahia, asusmiu recentemente como presidente da ABAF

(Associação Baiana das Empresas de Base Florestal ) e preside

também o Sindpacel, além de atuar como conselheiro fiscal do

Cofic (Comitê de Fomento Industrial do Polo de Camaçari). Com 29

anos de experiência em tesouraria de indústrias multinacionais,

construiu uma trajetória sólida marcada por liderança, governança

e expertise financeira no setor industrial.

Holds a degree in Economics from the Catholic University of Salvador

(UCSal), has specialized in financial and tax management, and

has judicial and extrajudicial expertise. He is currently the Financial

Manager at Bracell Bahia and has recently taken on the role of

President of the Bahian Association of Forest-Based Companies

(ABAF). He also chairs Sindpacel and serves as a fiscal advisor to

the Industrial Development Committee of the Camaçari Industrial

Complex (Cofic). His 29 years of experience in treasury management

at multinational companies have built him a solid career

marked by leadership, governance and financial expertise in the

Industrial Sector.

44 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

>> Que momento mais te marcou em sua trajetória na Bracell?

Há mais de 20 anos na minha trajetória na Bracell, acumulei

diversos aprendizados, tanto em experiências técnicas - como

operações financeiras, expansões, aquisições e treinamentos -,

quanto em gestão, por meio de treinamentos ou na execução

de tarefas cotidianas. No entanto, o mais marcante tem sido

trabalhar em um grupo com imensa diversidade cultural. Já

atuei em multinacionais em que a exposição a profissionais

e culturas estrangeiras se limitava quase exclusivamente à

nacionalidade da matriz. Na Bracell, tenho a oportunidade de

colaborar com profissionais e culturas de diversas partes do

mundo. Trata-se de um aprendizado que transcende o âmbito

profissional: para mim, é uma lição de vida rara, encontrada

em poucos lugares.

What moment has left the deepest impression on you

during your time at Bracell?

Over the course of my 20-year career at Bracell, I have

gained a wealth of knowledge through technical experiences,

such as financial operations, expansions, acquisitions,

and training, as well as management experience through

formal education and day-to-day tasks. However, the most

memorable aspect has been working with a highly diverse

group of people. Previously, I worked at multinational companies

where exposure to foreign professionals and cultures

was limited almost exclusively to those of the parent

company’s nationality. At Bracell, I have the opportunity to

collaborate with professionals from around the world. This

transcends the professional sphere and is a rare life lesson

found in few places.

Desde 2015, trazendo

inovação e desenvolvimento

de soluções personalizadas,

para as mais diversas

necessidades do mercado.

>> O choque de cultura foi teu grande desafio?

O início das operações da Bracell (Grupo RGE) no Brasil ocorreu

na Bahia, em outubro de 2003. Juntei-me ao Grupo em

março de 2005, menos de 2 anos após sua chegada ao país.

Esse marco coincidiu com o processo de ampliação da produção

na Bahia, iniciado em 2006 com a construção da Linha 2 da

Bracell Bahia Specialty Cellulose - unidade de produção de celulose

solúvel de alta qualidade em Camaçari (BA). Concluído

em 2008, o projeto trouxe profissionais asiáticos de outras unidades

do grupo. A diferença cultural exigiu resiliência para gerenciar

os desafios e manter a equipe motivada. Havia visões

distintas sobre relações de trabalho, estrutura organizacional

e hierarquia. Esse foi meu maior desafio em gestão cultural:

apesar de minha experiência em multinacionais americanas e

francesas, as diferenças culturais pesaram e ainda tínhamos

um fuso horário de 11h (horas) e uma demanda intensa de trabalho

— gerenciávamos uma unidade operacional enquanto

construíamos uma nova, algo inédito em minha carreira. Foi

difícil e desafiador, mas alcançamos os resultados esperados.

Esse período inicial proporcionou um aprendizado valioso para

aquisições e expansões subsequentes da Bracell no Brasil nos

últimos anos.

>> A carga de experiência frente à Bracell vai influenciar sua

gestão na ABAF?

Atuo como executivo no segmento de papel e celulose há

mais de 20 anos. Durante a trajetória, tive oportunidade de

conhecer diversas áreas do setor, inclusive as operações florestais.

Por diversas vezes trabalhei na defesa de crédito para

operações de financiamento e nessa atividade é importante

conhecer um pouco de toda a cadeia produtiva. O meu papel

como presidente do Conselho Diretor da ABAF é de conectar

os especialistas de cada área para dialogar, acompanhar os assuntos

de interesse e, conjuntamente, propor inovações, melhorias

e novas soluções para o setor florestal da Bahia. Para

além das minhas atividades como executivo em tesouraria,

onde o relacionamento bancário é uma atividade institucional,

tenho trabalhado em instituições de apoio ao setor produtivo

desde 2014, inicialmente como Conselheiro Fiscal em entidades

como Cofic (Comitê de Fomento Industrial de Camaçari),

46 www.referenciaflorestal.com.br

Was culture shock your biggest challenge?

Bracell (RGE Group) began operations in Bahia, Brazil, in

October 2003. I joined the Group in March 2005, less than

two years after its arrival in Brazil. This milestone coincided

with the production expansion process in Bahia, which

began in 2006 with the construction of Line 2 at Bracell

Bahia Specialty Cellulose, a high-quality soluble cellulose

production unit in Camaçari, Bahia. Completed in 2008, the

Project brought in Asian professionals from other groups

within the unit. The cultural differences required resilience

to manage the challenges and keep the team motivated.

There were differing views on labor relations, organizational

structure, and hierarchy. Despite my experience at American

and French multinationals, the cultural differences

were my greatest challenge in cultural management. We

also had an 11-hour time difference and an intense workload;

we were managing an operational unit while building

a new one, which was unprecedented in my career. It was

challenging, but we achieved our goals. This initial period

provided valuable lessons for Bracell’s subsequent acquisitions

and expansions in Brazil in recent years.

Will your experience at Bracell influence your leadership

at ABAF?

I have worked as an executive in the pulp and paper

industry for over 20 years. Throughout my career, I have

gained experience in various areas of the Sector, including

forestry operations. I have also worked in credit analysis

for financing operations. In that role, it is important to

have a broad understanding of the entire production chain.

As Chair of the ABAF Administrative Council, my role is

to bring together experts from each area, engage them

in dialogue, monitor issues of interest, and propose joint

innovations, improvements, and new solutions for Bahia’s

Forestry Sector. In addition to my work as a treasury

executive, where banking relationships are an institutional

function, I have worked in institutions supporting the

Productive Sector since 2014. Initially, I served on the Audit

Committee at entities including the Camaçari Industrial

Development Committee (Cofic), the Business Union of

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ENTREVISTA

Sindpacel (Sindicato das Indústrias do papel, celulose, papelão,

pasta de madeira para papel e artefatos de papel e papelão do

Estado da Bahia) e na própria ABAF. Em 2024, após 9 anos no

Conselho Fiscal do Sindpacel, a maior parte como presidente

desse conselho, aceitei o desafio de me tornar presidente

do sindicato para o mandato 2024-2027. Portanto, em abril

completei 2 anos nessa atividade institucional de presidir um

sindicato empresarial de um dos setores mais importantes

da economia baiana, com interfaces com a Fieb (Federação

das Indústrias do Estado da Bahia), com a CNI (Confederação

Nacional da Indústria), sindicatos do setor em outros Estados,

etc. Essa experiência institucional, com o suporte dos mais 20

anos como executivo, ajudará na nova função institucional de

Presidente do Conselho Diretor da ABAF, iniciada no mês março,

após 10 anos no Conselho Fiscal. A história do Sindpacel

se repetiu na ABAF. A minha expectativa e objetivo de gestão

é poder defender os interesses das associadas e contribuir

para a melhoria do desenvolvimento sustentável do setor de

árvores plantadas na Bahia, através do diálogo, transparência

e governança compartilhada.

>> De que maneira a ABAF pretende estreitar a relação entre

as grandes indústrias e o pequeno produtor no fomento florestal?

Mantemos uma interlocução constante com os poderes Legislativo,

Executivo e Judiciário, bem como com a sociedade

civil e as comunidades locais. Essa sinergia nos permite contribuir

ativamente para políticas públicas que fomentam o

crescimento e desenvolvimento do nosso Estado. Ao operar

principalmente em quatro polos estratégicos - sul e extremo

sul, sudoeste, oeste e Litoral Norte - geramos empregos qualificados,

renda e arrecadação municipal, alcançando inclusive

as regiões mais remotas. A entidade trabalha para o fortalecimento

da agenda social como parte do desenvolvimento sustentável,

unindo temas sociais, econômicos e ambientais em

fóruns e projetos conjuntos com entidades como Fieb e Faeb.

Isso inclui reduzir entraves para o crescimento sustentável e

promover ações que beneficiem municípios e comunidades

onde atuam. O Plano Bahia Florestal 2033 é um bom exemplo

de como a associação pretende atrair novos investimentos,

fortalecer a cadeia produtiva, estimular o plantio sustentável

de madeira para uso múltiplo e incluir pequenos e médios produtores

(e processadores) de madeira para ampliar benefícios

Paper, Pulp, Cardboard, Wood Pulp for Paper, and Paper

and Cardboard Products Industries of the State of Bahia

(Sindpacel), and ABAF itself. In 2024, after nine years on

the Sindpacel Audit Committee, most of them as Chairman,

I accepted the challenge of becoming the Business Union’s

President for the 2024–2027 term. In April, I celebrated

two years in this institutional role, leading a business union

in one of Bahia’s most important economic sectors and

liaising with the Federation of Industries of the State of

Bahia (Fieb), the National Confederation of Industry (CNI),

and Sector Business Unions in other States. My experience

working at this institution, combined with my 20-plus years

as an executive, will be valuable in my new role as Chair of

the ABAF Administrative Council. I assumed this position in

March after serving on the Audit Committee for 10 years.

Sindpacel’s history has repeated itself at ABAF. I intend to

defend the interests of our members and promote sustainable

development in Bahia’s Planted Forest Sector through

dialogue, transparency, and shared governance.

How does ABAF plan to strengthen the relationship

between large industries and small-scale producers to

promote forestry?

We maintain constant dialogue with the legislative, executive,

and judicial branches, as well as civil society and local

communities. This collaboration enables us to contribute

to public policies that promote growth and development in

our State. By operating primarily in four strategic regions,

the South, Far South, Southwest, West, and Northern

Coast, we generate skilled jobs, income, and municipal tax

revenue, reaching even the most remote areas. As part of

sustainable development, ABAF works to strengthen the

social agenda by bringing together social, economic, and

environmental issues in forums and through joint projects

with entities such as FIEB and FAEB. This includes reducing

barriers to sustainable growth and promoting actions that

benefit the municipalities and communities where they operate.

The Bahia Florestal 2033 Plan exemplifies how ABAF

intends to attract new investments, strengthen the production

chain, encourage the sustainable planting of timber

for multiple uses, and include small- and medium-sized

forest product producers and processors to expand socioeconomic

benefits. According to ABAF’s publication, Bahia

MUDAS DE

Pinus taeda

TEMOS TAMBÉM

• Araucária Enxertada

Produção precoce de pinhão

• Nativas spp.

• Eucalyptus spp.

• Erva-Mate

A carência de infraestrutura não é uma dificuldade exclusiva

do setor florestal, mas de todo o setor produtivo brasileiro

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BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC

48 www.referenciaflorestal.com.br



ENTREVISTA

Are ABAF and its members prepared for the new demands

of the global carbon credit market?

ABAF serves as a technical and institutional coordinator,

aligning Bahia’s Planted Forest Sector with the climate

agenda. ABAF strengthens sustainability among its memsocioeconômicos.

De acordo com a publicação Bahia Florestal

2025 (Ano-Base 2024) realizada pela associação, em 2024 o

setor florestal da Bahia gerou 26,5 mil empregos diretos. Os

segmentos de silvicultura, colheita, papel e celulose representaram

66,3% dessa geração de empregos e as associadas ABAF

contribuíram com 51% desse total, ou seja, 13.563 empregos

diretos. A atividade florestal leva benefícios socioeconômicos

para regiões distantes dos polos de desenvolvimento, atingindo

municípios de pequeno porte e com pouca atividade de

geração de empregos. As associadas, através das suas áreas

de relações institucionais e relações com comunidades, atuam

de forma ativa no diálogo e na promoção de desenvolvimento

nessas regiões. Programas de fomento florestal incluem também

pequenos produtores via ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta).

>> A região que abrange os associados da entidade possui

infraestrutura logística adequada?

Da perspectiva da indústria florestal, os principais desafios

estruturais se concentram em infraestrutura, logística e ambiente

regulatório. O escoamento da produção florestal ainda

sofre com rodovias de baixa qualidade, ferrovias subutilizadas

e portos com gargalos, o que eleva o custo de transporte e

reduz a competitividade internacional dos produtos derivados

da madeira. A carência de infraestrutura não é uma dificuldade

exclusiva do setor florestal, mas de todo o setor produtivo

brasileiro. A retomada de investimentos em infraestrutura é

um dos maiores desafios que precisam ser superados para

eliminar os gargalos existentes em toda a cadeia produtiva,

sobretudo no Estado da Bahia, já que tratamos do campo de

perspectivas da ABAF.

>> O Estado pode se consolidar como o principal polo florestal

do país?

A Bahia ocupa atualmente o quarto lugar no ranking nacional

de área plantada com eucalipto, com cerca de 700 mil ha (hectares),

atrás de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo,

representando 14% do total nacional. O Estado já é um polo

relevante para celulose e madeira industrial, com 98% da produção

de madeira oriunda de árvores plantadas em áreas degradadas,

contribuindo com 6% do PIB baiano. Para superar os

líderes e tornar a Bahia o principal polo florestal, é necessária

a implementação de plano para melhorar a competitividade

da Bahia nessa atividade. As ações chave incluem: Ampliação

da área plantada explorando a disponibilidade de hectares

de áreas degradadas, priorizando recuperação ambiental,

mitigação climática e consequentemente garantindo a sustentabilidade;

Intensificar uso múltiplo da madeira (para diversos

segmentos, como celulose, mineração, construção, energia),

foco na ILPF para inclusão de pequenos e médios produtores;

Melhoria da infraestrutura logística; e maior fluidez dos processos

de licenciamento ambiental. A ABAF deverá atuar no

sentido de conectar os diferentes stakeholders do setor florestal,

com o objetivo de fomentar as ações chaves listadas acima

em prol da consolidação da Bahia como um grande polo do

segmento de árvores plantadas brasileiro.

50 www.referenciaflorestal.com.br

Florestal 2025 (Base Year 2024), the Forestry Sector in

Bahia generated 26,500 direct jobs in 2024. The forestry,

harvesting, paper, and pulp segments accounted for 66.3%

of this job creation, and ABAF members contributed 51%

of this total, or 13,563 direct jobs. Forestry activities bring

socioeconomic benefits to regions far from development

hubs, reaching small municipalities with limited job creation.

Through their institutional and community relations

departments, member companies engage in dialogue and

promote development in these regions. Forestry development

programs also include small-scale producers via

Integrated Crop-Livestock-Forestry (ILPF).

Does the Region that covers the Association’s members

have adequate logistics infrastructure?

From the forestry industry’s perspective, the main

structural challenges center on infrastructure, logistics,

and the regulatory environment. Poor-quality highways,

underutilized railways, and bottlenecked ports still plague

the distribution of forest products, increasing transportation

costs and reducing the international competitiveness

of forest-based products. This infrastructure deficit is not

exclusive to the Forestry Sector but affects the entire Brazilian

Productive Sector. Resuming infrastructure investments

is one of the greatest challenges to overcome to eliminate

bottlenecks throughout the production chain, especially in

the State of Bahia, which is the focus of ABAF.

Can the State become the Country’s leading forestry hub?

Bahia currently ranks fourth in the national ranking of areas

planted with eucalyptus, with approximately 700,000

hectares, behind Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, and

São Paulo. The State accounts for 14% of the national total.

Bahia is already a major hub for pulp and industrial wood

products. Ninety-eight percent of the State’s forest product

production comes from trees planted in degraded areas.

This Sector contributes 6% of Bahia’s GDP. To surpass the

leaders and establish Bahia as the leading forestry hub, a

plan must be implemented to enhance the State’s competitiveness

in this Sector. Key actions include: 1) Expand the

planted area by leveraging the availability of degraded

land and prioritizing environmental restoration and climate

mitigation to ensure sustainability. 2) Intensify the multiple

uses of wood for various sectors, such as pulp, mining,

construction, and energy, with a focus on ILPF to include

small and medium-sized producers. 3) Improve logistics

infrastructure. 4) Streamline environmental licensing processes.

ABAF should connect various forestry stakeholders

to promote the above key actions and consolidate Bahia as

a major hub for the Brazilian Planted Forest Sector.

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ENTREVISTA

>> A ABAF e seus associados estão preparados para as novas

exigências do mercado global de créditos de carbono?

A ABAF atua como articuladora técnica e institucional para alinhar

o setor de árvores plantadas baiano à agenda climática,

fortalecendo a sustentabilidade entre suas associadas e ampliando

a compreensão pública sobre o papel ecológico do setor.

Sua estratégia combina boas práticas de manejo, medição

de carbono, programas de compensação e comunicação voltada

para governos, empresas e sociedade. A associação promove

o uso de sistemas de manejo silvicultural de alta produtividade,

com foco em preservação de áreas nativas, proteção

de cursos d’água e conservação do solo nas propriedades de

suas empresas associadas. As associadas da ABAF preservam

cerca de 400 mil ha de áreas naturais em suas propriedades,

além de 700 mil ha de árvores plantadas para fins industriais,

reforçando a função desses empreendimentos na manutenção

de biodiversidade e serviços ambientais. A entidade instituiu

o: Programa ABAF de Reflorestamento e Compensação de

Carbono; que possibilita o cálculo de emissões de CO₂ de

eventos ou atividades e a compensação por meio de plantio

de mudas nativas, com emissão de certificados detalhando

quantidade de carbono sequestrado e locais de reflorestamento.

Até dezembro de 2023, esse programa já havia viabilizado o

plantio de mais de 15 mil de mudas nativas, com potencial de

remoção de mais de 700 toneladas de CO₂ da atmosfera, o que

ajuda a neutralizar emissões de atividades econômicas e eventos

públicos. Esse projeto conta com eventos parceiros como:

Index (Feira da Indústria da Bahia), Constru Nordeste, Prêmio

Fieb de Sustentabilidade, Flipelô, Congresso de Direito e Sustentabilidade,

etc. No plano da comunicação, produz e divulga

materiais institucionais explicando que florestas plantadas

desempenham papel estratégico na captura de carbono, na

substituição de produtos fósseis e na diversificação econômica

sustentável, especialmente no contexto do Dia da Silvicultura

e de eventos como feiras agropecuárias, e-Agro e Fenagro. Em

parcerias com governo, universidades e organizações ambientais,

a associação também promove rodas de conversa, planos

estratégicos (como o Bahia Florestal 2033) e iniciativas de formação

de profissionais, reforçando perante a opinião pública

que o setor pode ser aliado na transição para uma economia

de baixo carbono.

>> Onde estarão as maiores oportunidades para a base florestal

baiana na próxima década?

A Bahia tem cerca de 700 mil ha com árvores plantadas e ocupa

a quarta posição nacional nesse tipo de cultivo. As empresas

associadas à ABAF respondem por aproximadamente 74%

dessa área, o que mostra concentração, escala e capacidade

de organização para crescimento. O setor representa 6% do

PIB estadual, com potencial para dobrar a área plantada atual.

O futuro do setor de árvores plantadas na Bahia tende a ser de

expansão, mas com foco em sustentabilidade, recuperação de

áreas degradadas e atração de novos investimentos. A recuperação

de áreas degradadas oferece potencial multiplicador

para a silvicultura atual, alinhando metas climáticas globais

e demandas por madeira sustentável. Os sinais mais fortes

52 www.referenciaflorestal.com.br

bers and broadens public understanding of the Sector’s

ecological role. Its strategy combines the best management

practices, carbon measurement, offset programs,

and communication efforts targeting governments,

businesses, and society. ABAF promotes high-productivity

silvicultural management systems that focus on preserving

native areas, protecting waterways, and conserving

soil on its members’ properties. ABAF members preserve

approximately 400,000 hectares of natural areas on their

properties, in addition to 700,000 hectares of trees planted

for industrial purposes. This reinforces the role of these

enterprises in maintaining biodiversity and environmental

services. ABAF established the ABAF Reforestation and

Carbon Offset Program, which calculates CO₂ emissions

from events or activities and offsets them by planting

native seedlings. The program issues certificates detailing

the amount of carbon sequestered and the reforestation

sites. As of December 2023, the program had facilitated

the planting of over 15,000 native seedlings, which have

the potential to remove more than 700 tons of CO₂ from

the atmosphere. This helps offset emissions from economic

activities and public events. This project partners with

events such as: Index (Bahia Industry Fair), Constru Nordeste,

the Fieb Sustainability Award, Flipelô, and the Law

and Sustainability Congress. In terms of communication,

the Association produces and disseminates institutional

materials that explain the strategic role of planted forests

in carbon sequestration, replacing fossil fuels, and achieving

sustainable economic diversification. These materials

are particularly relevant for Forestry Day and events such

as agricultural fairs, e-Agro, and Fenagro. In partnership

with the government, universities, and environmental

organizations, the Association promotes roundtable discussions,

strategic plans such as the Bahia Florestal 2033, and

professional training initiatives. These efforts reinforce the

message to the public that the Sector can be an ally in the

transition to a low-carbon economy.

Where will the greatest opportunities lie for Bahia’s

Planted Forestry Sector over the next decade?

Bahia has approximately 700,000 hectares of planted

trees and ranks fourth nationally in this type of cultivation.

Companies affiliated with ABAF account for about 74% of

this area, demonstrating their concentration, scale, and

organizational capacity for growth. The Sector currently

accounts for 6% of the State’s GDP and has the potential to

double the planted area. The future of Bahia’s Planted Forest

Sector is likely to be one of expansion, with a focus on

sustainability, the restoration of degraded areas, and the

attraction of new investments. Restoring degraded areas

has multiplier potential for current forestry and aligns with

global climate goals and the demand for sustainable wood.

The Bahia Florestal 2033 Plan is the strongest indicator of

this expansion. The Plan seeks to expand the production

chain, integrate small and medium-sized producers, and

leverage the State’s logistics more effectively. Growing

Operações de colheita

com máxima eficiência

e alta performance

Tecnologia e precisão

na colheita

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operação

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e eficientes

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ENTREVISTA

apontam para o Plano Bahia Florestal 2033, que busca ampliar

a cadeia produtiva, integrar pequenos e médios produtores e

aproveitar melhor a logística do Estado. A demanda crescente

por madeira no Brasil e no mundo, o uso múltiplo da madeira,

a conexão com a bioeconomia, a ILPF e o potencial de descarbonização,

são fatores que deverão impulsionar o crescimento

do setor de árvores plantadas na Bahia na próxima década.

>> A entidade contribui com as pautas de ESG dentro das empresas

associadas?

Com um histórico sólido em sustentabilidade, nossas empresas

operam em conformidade com os ODS da ONU e os mais

altos padrões de certificação global. Esse compromisso é reforçado

pela atuação conjunta das dez estaduais florestais sob

a chancela da IBÁ. Por meio de um grupo de trabalho técnico

e permanente, unimos inteligência e especialistas para elevar

constantemente os critérios de ESG em nossa cadeia produtiva.

>> Classifica como importante as empresas florestais se associarem

à ABAF?

Com 22 anos de trajetória, a associação congrega empresas

florestais, produtores e fornecedores com o propósito de fortalecer

a atividade florestal e promover o uso múltiplo da madeira,

priorizando a inclusão de produtores e processadores de

madeira. Nossa atuação é pautada pela defesa da silvicultura

e pelo desenvolvimento sustentável, pautada por uma governança

sólida que inclui o Conselho Diretor e Grupos de Trabalho

estratégicos. Por meio de uma ampla rede de cooperação

- que abrange, desde esferas governamentais e legislativas, até

a academia e a sociedade civil - promovemos as potencialidades

do setor como motor de crescimento e desenvolvimento

para o país. A essência da ABAF reside na colaboração estratégica

entre suas associadas, que compartilham experiências

em pilares ambientais, sociais e econômicos. Com participação

ativa em 45 fóruns nacionais e locais, a entidade atua como

uma ponte de conhecimento, conectando as demandas do

setor às melhores soluções. Essa inteligência coletiva, somada

à expertise de nossos especialistas, permite propor e viabilizar

projetos que reduzem entraves burocráticos e fomentam um

ambiente de negócios favorável ao crescimento sustentável da

base florestal.

demand for wood in Brazil and worldwide, wood’s multiple

uses, its connection to the bioeconomy and ILPF, and its

potential for decarbonization are expected to drive growth

in Bahia’s Planted Forest Sector over the next decade.

Does ABAF contribute to ESG guidelines within its member

companies?

With a solid track record in sustainability, our companies

operate in accordance with the UN SDGs and the

highest global certification standards. This commitment

is reinforced by the joint efforts of the ten state forestry

companies under the IBÁ umbrella. Through a permanent

technical working group, we bring together experts and

specialists to continuously raise ESG standards throughout

our production chain.

Is it important for forestry companies to join ABAF?

With 22 years of experience, ABAF unites forestry companies,

producers, and suppliers to strengthen the Forestry

Sector and promotes the various uses of wood. The

organization prioritizes the inclusion of wood producers

and processors. The defense of forestry and sustainable

development guides our work. We have solid governance,

including an Administrative Council and strategic working

groups. Through a broad network of cooperation spanning

government and legislative spheres, academia, and civil

society, we promote the Sector’s potential as an engine of

growth and development for the Country. The essence of

ABAF lies in the strategic collaboration among its members,

who share experiences across environmental, social,

and economic pillars. By actively participating in 45 national

and local forums, ABAF acts as a knowledge bridge,

connecting the Sector’s needs with the best solutions. This

collective intelligence, combined with the expertise of our

specialists, enables us to propose and implement projects

that reduce bureaucratic barriers and foster a business

environment conducive to the sustainable growth of the

Forestry Sector.

Disco de corte para Feller

• Disco de Corte para Feller

conforme modelo ou amostra,

fabricado em aço de alta

qualidade;

• Discos com encaixe para

utilização de até 20

ferramentas, conforme

diâmetro externo do disco;

• Diâmetro externo e encaixe

central de acordo com padrão

do cabeçote;

•Discos especiais;

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ferramentas de 4 lados

Prestamos serviços de usinagem, caldeiraria e soldagem em peças e equipamentos conforme

desenho ou amostra. Fabricação e manutenção em pistões hidráulicos.

Usinagem Caldeiraria Soldagem

O futuro do setor de árvores plantadas na Bahia tende a ser de

expansão, mas com foco em sustentabilidade, recuperação de

áreas degradadas e atração de novos investimentos

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COLUNA

Nem todo acidente

é falta de técnica

O que está por trás dos acidentes no manejo de vegetação e

por que a decisão no campo é o ponto crítico da segurança

Gabriel Berger

GB Manejo de Árvores – Educação Profissional

e Corporativa

Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho

gbmanejodearvores.com.br

gabriel@gbmanejodearvores.com.br

Foto: divulgação

O

PROBLEMA NÃO ESTÁ ONDE

NORMALMENTE SE PROCURA

O manejo de vegetação evoluiu. As empresas

investiram em máquinas, equipamentos,

procedimentos e capacitação. Ainda assim, os

acidentes continuam acontecendo. Esse cenário revela um ponto

importante: o problema não está apenas na execução.

Se estivesse, bastaria treinar mais, reforçar normas e exigir

o uso correto dos equipamentos. Mas, na prática, equipes

tecnicamente capacitadas continuam expostas a situações de

risco — não por desconhecimento, mas por decisão. Saber

executar não garante saber decidir. A técnica orienta o “como

fazer”, mas o manejo, em campo, exige definir se deve fazer e

em quais condições fazer.

O MANEJO COMEÇA NA LEITURA DO CENÁRIO

O manejo não acontece em ambiente controlado. Cada

árvore apresenta uma condição. Cada terreno impõe limites.

Cada ambiente traz riscos próprios. Por isso, a atividade não

pode ser conduzida apenas como aplicação de procedimento. É

necessário interpretar o cenário antes da ação:

• avaliar estabilidade;

• identificar riscos;

• reconhecer limites operacionais;

• confrontar a situação com as diretrizes da empresa;

O problema é que essa etapa, muitas vezes, não é tratada

como parte da técnica. O profissional sabe operar. Conhece o

procedimento. Mas nem sempre foi formado para estruturar

a decisão. E quando a decisão não é estruturada, ela passa a

depender da percepção individual. É nesse ponto que a variabilidade

se instala — e, com ela, o risco.

condição que não deveria ser aceita. O problema não está apenas

na execução, mas na decisão que antecede a intervenção.

SEGURANÇA COMO CAPACIDADE DE DECISÃO

Se o acidente é resultado de comportamento, a prevenção

não pode estar baseada apenas em regra. É necessário desenvolver

a capacidade de decisão. Isso significa formar profissionais

capazes de:

• analisar o ambiente;

• reconhecer limites;

• interpretar riscos com clareza;

• agir em conformidade com os procedimentos.

Não por obrigação. Mas por compreensão. Quando essa

capacidade não existe, o procedimento vira referência distante.

Quando existe, ele se torna critério real de decisão. Por isso, é

possível afirmar: os acidentes são evitáveis. Eles não acontecem

por acaso. São consequência de escolhas feitas no campo.

E comportamento não é fixo. Pode ser desenvolvido, ajustado e

fortalecido por meio de formação adequada.

O PONTO DE MUDANÇA

O manejo evolui quando o profissional deixa de ser apenas

executor e passa a ser agente de decisão. É nesse momento

que a segurança deixa de depender de fiscalização e passa a

fazer parte da forma de pensar.

No manejo de vegetação, o resultado não é definido apenas

pelo que se faz. Ele é definido, principalmente, pela forma

como se decide agir diante de cada situação. E é nessa decisão

que, de fato, se define a segurança da operação.

QUANDO O COMPORTAMENTO ASSUME O CONTROLE

Grande parte dos acidentes não está associada à ausência

de norma ou falha de equipamento. Está associada a decisões

tomadas mesmo diante de condições inadequadas. Situações

comuns no campo:

• pressa para concluir a atividade;

• confiança baseada em experiências anteriores;

• adaptação informal do procedimento;

O profissional reconhece o risco, mas decide seguir. Essa

decisão não é técnica. É comportamental. O acidente não começa

na execução. Começa no momento em que se aceita uma

Foto: divulgação

56 www.referenciaflorestal.com.br



PRINCIPAL

EFICIÊNCIA, INOVAÇÃO

E PRODUTIVIDADE

Soluções versáteis de fabricação nacional

oferecem alto desempenho e baixo custo de

manutenção para o setor florestal

Fotos: Emanoel Caldeira

58 www.referenciaflorestal.com.br Maio 2026 59



PRINCIPAL

N

o cenário atual da silvicultura brasileira, a competitividade

não se limita à qualidade do material

genético ou às condições edafoclimáticas privilegiadas.

O verdadeiro diferencial competitivo tem

se deslocado, cada vez mais, para a eficiência

dentro do talhão e no pátio, onde a mecanização desempenha o

papel de protagonista. Nesse contexto, a valorização de soluções

desenvolvidas nacionalmente ganha contornos estratégicos. Equipamentos

projetados sob a ótica das particularidades do terreno,

do clima e das espécies cultivadas no Brasil, como o eucalipto e o

pinus, oferecem uma resposta muito mais precisa às demandas de

produtividade e baixo custo de manutenção. A engenharia nacional,

ao compreender as severas condições de operação do nosso

setor, entrega robustez e agilidade que muitas vezes superam as

adaptações de máquinas estrangeiras, consolidando a soberania

tecnológica do setor de base florestal no país.

Uma das expoentes desse movimento é a Roder Brasil. Fundada

em 2002 pelos irmãos Dyme Anderson Roder e Jeferson Roder, a

empresa nasceu com o propósito claro de desenvolver soluções

de engenharia aplicadas à mecanização florestal. Ao longo de mais

de duas décadas, a Roder consolidou sua atuação no mercado por

meio de uma combinação rara de conhecimento técnico profundo

e uma proximidade genuína com as necessidades reais do campo.

“Nossa jornada sempre foi pautada por ouvir quem está no comando

da máquina. Entender o gargalo da operação na ponta é o que

nos permite desenvolver equipamentos que elevam o patamar de

rentabilidade do nosso cliente”, assegura Dyme Roder, sócio-fundador

da empresa.

Efficiency, Innovation,

and Productivity

Versatile, domestically manufactured

solutions offer high performance and low

maintenance costs for the Forestry Sector

I

n today’s Brazilian forestry landscape, competitiveness

depends on more than just the quality of genetic material

and favorable soil and climate conditions. The true

competitive edge is increasingly shifting toward efficiency

within the plot and in the yard, where mechanization

plays a leading role. In this context, the value of domestically

developed solutions becomes strategic. Equipment designed with

Brazil’s specific terrain, climate, and cultivated species, such as

eucalyptus and pine, in mind offers a much more precise response

to demands for productivity and low maintenance costs. Domestic

engineering understands the harsh operating conditions of the

Forestry Sector and delivers robust, agile machinery that often

surpasses foreign machines in capability. This consolidates the

Sector’s technological sovereignty in the Country.

One of the leading examples of this movement is Roder

Brasil. Founded in 2002 by brothers Dyme Anderson Roder and

Jeferson Roder, Roder Brasil was established to develop engineering

solutions for forestry mechanization. For over two decades,

Roder has strengthened its market presence by combining deep

Com sede própria em Pardinho, no interior de São Paulo, a

estrutura da Roder impressiona pela capacidade produtiva e organizacional.

São 20 mil m² (metros quadrados) de área total no parque

industrial, com 3 mil m² de área construída dedicados à fabricação

de um portfólio que atende, desde o pequeno produtor, até os grandes

players do mercado de papel, celulose e biomassa. A empresa

especializou-se no desenvolvimento, fabricação e comercialização

de equipamentos voltados à colheita, processamento e movimentação

florestal, atuando como um parceiro estratégico para

o aumento da eficiência operacional e segurança nas operações.

EQUIPAMENTOS DE PONTA

O grande destaque do portfólio da Roder é sua linha de garras,

com ênfase especial na garra traçadora. Trata-se de um implemento

hidráulico essencial para operações que exigem agilidade e precisão

milimétrica, projetado para integrar funções ao cortar, segurar e

movimentar as toras em uma única operação. Essa versatilidade

otimiza o fluxo de trabalho no campo e elimina etapas que, anteriormente,

demandavam máquinas ou processos adicionais.

O diferencial tecnológico dessa solução reside justamente no

sistema de corte integrado por sabre, desenvolvido para proporcionar

cortes rápidos e limpos, mesmo sob condições severas de

poeira e resina. Para Dyme Roder, a engenharia por trás desses

componentes é o que garante a durabilidade exigida pelo mercado

brasileiro. “Desenvolvemos o conjunto de corte para que a

manutenção seja simples e rápida. No setor florestal, cada minuto

de máquina parada é um prejuízo direto na planilha do produtor,

por isso nossa garra foi pensada para oferecer o máximo de disponibilidade

mecânica possível”, garante Dyme.

Essa disponibilidade é sustentada pela integração técnica entre

os componentes de corte e o implemento, fruto de uma sinergia

estratégica com parceiros de referência como a Rotary-Ax. Para seu

diretor industrial, Victor Hugo Shinohara, essa colaboração vai muito

além do simples fornecimento de peças, consolidando-se como

uma união focada em elevar o padrão de resistência do setor. “Unir

a expertise da Roder em equipamentos robustos com a precisão

tecnológica dos nossos materiais nos permite entregar soluções de

alto rendimento, fundamentais para garantir a confiança do cliente

final”, destaca Victor.

O impacto direto dessa parceria técnica é percebido na eficiência

do sabre, cujo diferencial reside na combinação entre

Dyme Anderson Roder e Jeferson Roder, irmãos fundadores da empresa

technical knowledge with a genuine understanding of the field’s

real needs. “Our journey has always been guided by listening to

those who operate the machines. Understanding the bottlenecks in

on-site operations allows us to develop equipment that increases

our customers’ profitability,” says Dyme Roder, the Company’s

founding partner.

Roder’s facilities are impressive in terms of both production

capacity and organizational efficiency. Headquartered in Pardinho,

in the interior of São Paulo, the Company has 3,000 square meters

of built-up area dedicated to manufacturing a product portfolio

that serves everyone from small producers to major players in the

paper, pulp, and biomass markets. The 20,000-square-meter industrial

park has 3,000 square meters dedicated to manufacturing

a product portfolio that serves everyone from small producers to

major players in the paper, pulp, and biomass markets. Roder specializes

in developing, manufacturing, and marketing equipment

for harvesting, processing, and forest handling. The Company acts

as a strategic partner to increase operational efficiency and safety.

STATE-OF-THE-ART EQUIPMENT

The highlight of Roder’s portfolio is its line of grapples, especially

the tracer grapple. This essential hydraulic attachment is

designed for operations requiring agility and pinpoint precision.

It integrates cutting, gripping, and handling functions into a single

operation. This versatility optimizes workflow and eliminates the

need for additional machines or processes.

This solution’s technological edge lies in its integrated saber-

-blade cutting system, which was developed to deliver fast, clean

cuts even in severe dust and resin conditions. For Dyme Roder,

the engineering behind these components ensures the durability

demanded by the Brazilian market. “We developed the cutting

assembly so that maintenance is simple and quick. In the Forestry

Sector, every minute of machine downtime results in a direct loss

for the producer, which is why our grapple was designed to offer

maximum mechanical availability,” says Dyme Roder.

This availability is supported by the technical integration of

the cutting components and the implement, resulting from a

strategic partnership with leading companies such as Rotary-Ax.

According to Victor Hugo Shinohara, the Industrial Director for

Rotary-Ax, this collaboration goes far beyond simply supplying

parts. It is a partnership focused on raising the industry’s durability

60 www.referenciaflorestal.com.br

Maio 2026

61



PRINCIPAL

engenharia de materiais e design funcional. De acordo com Victor,

o componente conta com tratamento térmico exclusivo para suportar

o esforço lateral e a alta frequência de corte, o que minimiza

vibrações e reduz drasticamente o desgaste prematuro. “Para o

produtor, o resultado final dessa soma de forças é uma operação

mais fluida e uma redução expressiva no custo operacional por

hora trabalhada, reforçando a vantagem competitiva da tecnologia

nacional”, revela Victor.

Além das garras, a Roder tem avançado no segmento de derrubada

com o lançamento do Feller CFD-40. Projetado para escavadeiras

de 20 a 35 toneladas. Este equipamento é uma resposta

à necessidade de alto desempenho em operações intensivas e

florestas densas. Utilizando aços de alta performance como o STREX

700 e base em HARDOX, o Feller combina resistência extrema com

um peso operacional otimizado, permitindo cortes rápidos através

de seu disco de alta rotação e um sistema de acumulação, que reduz

drasticamente os ciclos operacionais.

Complementando a linha de implementos, o Cabeçote multifuncional

e a linha de rotatores, com destaque para o RR550,

reforçam a verticalização da qualidade da marca. O Rotator RR550,

disponível nas versões para movimentação (RR550/2) e para esforços

de corte (RR550/7), oferece um torque de 4.000 Nm e giro

contínuo de 360° (graus), garantindo controle preciso sobre cargas

de até 55 toneladas estáticas.

Embora a fabricação própria seja o coração da Roder, a empresa

também atua como uma ponte para o que há de melhor na

tecnologia global. A representação exclusiva da marca italiana FAE

no Brasil é um exemplo disso. Através dessa parceria, a Roder traz

ao mercado soluções como o FAE PT200, um transportador sobre

esteiras de alta performance.

Equipado com motor CAT C4.4 Acert, o PT200 é ideal para

manejo e recuperação de áreas florestais, criação de aceiros para

prevenção de incêndios e operações em terrenos desafiadores,

como solos moles ou inclinações de até 45°. A tecnologia Sonic

integrada ajusta automaticamente o desempenho do equipamento,

otimizando o consumo de combustível e produtividade. “A parceria

com a FAE nos permite oferecer uma solução completa. Onde

No setor florestal, cada

minuto de máquina parada

é um prejuízo direto na

planilha do produtor, por

isso nossa garra foi pensada

para oferecer o máximo de

disponibilidade mecânica

Dyme Roder, sócio-fundador da Roder

standards. “By combining Roder’s expertise in robust equipment

with the technological precision of our materials, we can deliver

high-performance solutions that are essential for ensuring the

confidence of our end customers,” Shinohara points out.

The direct impact of this technical partnership is evident in the

saber’s efficiency, which stems from its combination of materials

engineering and functional design. According to Shinohara, the

component undergoes exclusive heat treatment to withstand

lateral stress and a high cutting frequency. This minimizes vibrations

and drastically reduces premature wear. “For the producer,

the end result of this combined effort is smoother operations and

significantly reduced operating costs per hour, which reinforces

the competitive advantage of domestic technology,” the Industrial

Director reveals.

In addition to grapples, Roder has made strides in the felling

segment with the launch of the Feller CFD-40. It is designed for

excavators ranging from 20 to 35 tons. This equipment addresses

the need for high performance in intensive operations and dense

forests. Using high-performance steels such as STREX 700 and

HARDOX, the Feller combines extreme strength with an optimized

operating weight. It enables rapid cuts with its high-speed disc-

-and-chain system, drastically reducing operating cycles.

The multifunctional head and the line of rotators, notably the

RR550, round out the attachment line and further reinforce the

brand’s commitment to quality. The RR550 rotator is available

in two versions: one for handling (RR550/2) and one for cutting

forces (RR550/7). It offers 4,000 Nm of torque and 360° continuous

rotation, ensuring precise control over loads of up to 55 static tons.

While in-house manufacturing is at the heart of Roder, the

Company also acts as a bridge to the best global technology. Exclusive

representation of the Italian brand FAE in Brazil exemplifies

this approach. Through this partnership, Roder offers solutions like

the FAE PT200, a high-performance tracked transporter.

a mecanização tradicional encontra limites físicos de terreno ou

espaço, o PT200 entrega agilidade e segurança, especialmente em

áreas de difícil acesso”, explica Dyme.

EXPANSÃO E FUTURO

O momento atual da Roder é de franco crescimento e investimento.

A empresa está finalizando uma nova expansão física de

2.500 m² em seu parque industrial, chegando a 6 mil m² totais. Esta

nova área abrigará um moderno showroom de equipamentos, uma

nova ala comercial e um espaço ampliado para estoque de peças

e produtos acabados. Este investimento é um passo fundamental

para sustentar o crescimento projetado para os próximos anos e

melhorar ainda mais o atendimento ao cliente, garantindo pronta

entrega e suporte técnico ágil.

Toda essa movimentação tem um alvo claro: o ano de 2027.

Será nesta data que a Roder Brasil completará 25 anos de fundação.

O plano para o jubileu de prata envolve o aumento da capacidade

produtiva e a consolidação de novas tecnologias em automação

florestal. “Chegar aos 25 anos como uma empresa 100% nacional e

líder em vários segmentos é um orgulho imenso. Para 2027, nosso

plano é entregar ao mercado uma Roder ainda mais tecnológica,

focada em inteligência de dados aplicada aos implementos e na

expansão da nossa presença em mercados internacionais”, comemora

Dyme Roder.

A trajetória da Roder Brasil é a prova de que a engenharia

nacional tem competência de sobra para liderar a mecanização

do campo. Com um portfólio que une a força das garras e feller de

disco próprios à tecnologia de ponta da representação FAE, a empresa

se posiciona como um elo vital na cadeia produtiva de base

florestal, transformando o desafio da colheita e movimentação em

uma oportunidade de crescimento sustentável para seus clientes.

The PT200 is equipped with a CAT C4.4 Acert engine and is

ideal for forest management and restoration, creating firebreaks

for fire prevention, and operations on challenging terrain, such

as soft ground or slopes of up to 45°. Integrated Sonic technology

automatically adjusts the equipment’s performance to optimize

fuel consumption and productivity. “The partnership with FAE

allows us to offer a complete solution. Where traditional mechanization

encounters physical limitations of terrain or space,

the PT200 delivers agility and safety, especially in hard-to-reach

areas,” explains Dyme Roder.

EXPANSION AND THE FUTURE

Roder is currently experiencing strong growth and investment.

The Company is finalizing a 2,500-square-meter expansion at its

industrial park, bringing the total area to 6,000 square meters.

The new space will house a modern equipment showroom, a new

sales wing, and an expanded storage area for parts and finished

products. This investment is a key step toward sustaining projected

growth in the coming years and improving customer service

by ensuring prompt delivery and responsive technical support.

All of this activity has a clear goal: the year 2027. On this date,

Roder Brasil will celebrate its 25th anniversary. The silver jubilee

plan involves increasing production capacity and consolidating

new technologies in forestry automation. “Reaching our 25th

anniversary as a 100% Brazilian company and a leader in various

segments is a source of immense pride. For 2027, we plan to

deliver a more technologically advanced Roder to the market,

with a focus on data intelligence and expanding our presence in

international markets,” says Dyme Roder.

Roder Brasil’s trajectory proves that Brazilian engineering

has the expertise to lead the mechanization of the Agricultural

Sector. With a portfolio combining the strength of its grapple

and disc feller heads with the cutting-edge technology of its FAE

representation, Roder Brasil positions itself as a vital link in the

forestry production chain. The Company transforms the challenges

of harvesting and handling into opportunities for its customers to

grow sustainably.

62 www.referenciaflorestal.com.br

Maio 2026

63



INCÊNDIOS

Escudo

VERDE

Integração e a tecnologia reduziram em 44% os

incêndios florestais em 2025

Fotos: divulgação

O

setor florestal de São Paulo encerra o ciclo de

2025 com uma vitória expressiva que redefine

os parâmetros de gestão de riscos ambientais

no Brasil. Em um ano marcado por desafios

climáticos persistentes, a área de florestas

plantadas afetada por incêndios no Estado registrou uma

queda drástica de 44% em relação ao período anterior. Mais

do que um número isolado, a redução reflete a maturidade

de um ecossistema de proteção que une tecnologia de ponta,

inteligência de dados e uma articulação institucional sem precedentes

entre o poder público e a iniciativa privada.

De acordo com Fernanda Abilio, diretora-executiva da

Florestar – Indústria Florestal Paulista, os indicadores de 2025

são fruto de uma mudança de patamar na eficiência operacional.

O número de ocorrências caiu de 2.000 registros em 2024

para 1.200 neste ano. No entanto, o dado que mais impressiona

os especialistas é a agilidade das equipes: o tempo médio

entre a detecção de um foco e a chegada da brigada ao local

foi de apenas 29 minutos. “Considerando a vasta distribuição

territorial das florestas em São Paulo, essa marca é admirável

e demonstra que o setor não apenas monitora, mas reage

com precisão cirúrgica”, assegura Fernanda.

Para sustentar esses resultados, as empresas associadas

à Florestar operam hoje o que se consolidou como uma das

maiores infraestruturas privadas de prevenção e combate a

incêndios da América Latina. O arsenal mobilizado em solo

paulista conta com pelo menos 3 mil brigadistas altamente

capacitados, 500 veículos de apoio rápido e uma frota de 240

caminhões-pipa posicionados estrategicamente. Além disso,

a manutenção preventiva é constante, com a execução de

mais de 30 mil km (quilômetros) de aceiros anualmente, além

de faixas de terra desnudadas de vegetação que funcionam

como barreiras físicas à propagação das chamas.

A tecnologia atua como o sistema nervoso dessa operação.

Centrais de monitoramento equipadas com torres de alta

definição utilizam algoritmos de IA (Inteligência Artificial) para

identificar colunas de fumaça em frações de segundos, disparando

alertas automáticos. Essa estrutura cobre atualmente

mais de 1 milhão de ha (hectares) de áreas produtivas e nativas,

mas, em 2025, o alcance foi expandido: por meio de parcerias,

o setor passou a monitorar também 840 mil ha de UCs

(Unidades de Conservação) sob gestão do governo do Estado.

64 www.referenciaflorestal.com.br Maio 2026 65



INCÊNDIOS

RETROSPECTO

O ano de 2025 será lembrado como o marco da formalização

institucional do setor. A assinatura do Acordo de Cooperação

com a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura

e Logística) transformou uma relação de colaboração histórica

em uma política de estado. Este acordo permitiu que as centrais

de inteligência das empresas privadas fossem integradas

diretamente aos gestores das UCs paulistas. “Este foi um

passo fundamental para a proteção do patrimônio ambiental

público. Ao identificarmos um foco em tempo real dentro de

uma área de preservação do estado e encaminharmos o alerta

instantaneamente, evitamos que pequenos focos evoluam

para incêndios de proporções catastróficas”, adverte Fernanda.

Dentro dessa mesma estratégia, foi oficializado o PAM

Florestal (Programa de Auxílio Mútuo). O programa instituiu

uma governança clara para a cooperação entre as empresas,

respeitando a autonomia individual, mas garantindo que, em

grandes emergências, os recursos sejam mobilizados de forma

coordenada.

Essa união também estreitou os laços com a Defesa Civil,

o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar Ambiental. Atualmente,

os órgãos públicos participam de reuniões técnicas

periódicas e realizam visitas às centrais das empresas para

alinhar fluxos de comunicação. Essa transparência operacional

permite que o Estado conheça o potencial bélico do setor

privado e saiba exatamente onde e como acioná-lo em casos

de risco à sociedade ou a infraestruturas críticas.

A prevenção eficaz começa

na conversa com o vizinho

da floresta. Esse trabalho de

formiguinha é o que reduz o

número de ignições causadas

por descuido humano

Fernanda Abilio,

diretora-executiva da Florestar –

Indústria Florestal Paulista

66 www.referenciaflorestal.com.br



INCÊNDIOS

Considerando a vasta

distribuição territorial das

florestas em São Paulo, essa

marca é admirável e demonstra

que o setor não apenas monitora,

mas reage com precisão

cirúrgica

Fernanda Abilio,

diretora-executiva da Florestar –

Indústria Florestal Paulista

CONSCIENTIZAÇÃO SOCIAL

A Florestar entende que a tecnologia e os caminhões-pipa

são a última linha de defesa; a primeira linha é a conscientização.

Em 2025, o braço social das empresas florestais intensificou

o diálogo com as comunidades do entorno. Levantamentos

da associação identificaram que mais de 500 comunidades

foram diretamente atendidas por ações educativas.

Ao todo, mais de 15 mil pessoas participaram de treinamentos

e palestras que ensinam desde a identificação de

riscos até rotinas seguras de manejo de fogo em áreas rurais.

O setor também atuou como um multiplicador da campanha

estadual SP Sem Fogo, garantindo que as orientações oficiais

chegassem às regiões mais suscetíveis. “A prevenção eficaz

começa na conversa com o vizinho da floresta. Esse trabalho

de formiguinha é o que reduz o número de ignições causadas

por descuido humano”, pontua Fernanda.

HORIZONTE 2026

Buscando o constante aprimoramento, o setor realizou

em 2025 um intercâmbio técnico no Chile. O país, que enfrentou

incêndios históricos na última década, desenvolveu

68 www.referenciaflorestal.com.br

modelos de integração entre governo, empresas e comunidades

que hoje servem de referência global. O aprendizado

chileno sobre protocolos operativos robustos e engajamento

pleno já está sendo incorporado ao planejamento de 2026 da

Florestar.

As prioridades para o próximo ano envolvem a materialização

de treinamentos conjuntos ainda mais complexos e o

avanço no fluxo de comunicação com outros setores produtivos

e órgãos públicos. O calendário de 2026 já prevê rotinas

preventivas intensificadas antes do período de estiagem,

visando consolidar a tendência de queda nos índices de incêndios.

Ao final de 2025, o setor florestal paulista deixa um legado

claro: a sustentabilidade da silvicultura é indissociável da

proteção do território. A integração demonstrada pelo PAM

Florestal e pelo acordo com a Semil prova que, quando a inteligência

privada e a governança pública caminham juntas,

o resultado é um Estado mais resiliente e uma natureza mais

protegida. O planejamento para o futuro já está em curso,

com a certeza de que a prevenção é o investimento mais rentável

para o setor e para a sociedade paulista.

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DESENVOLVIMENTO

Floresta

MAIS VIVA

Equilíbrio entre florestas plantadas e nativas

promove biodiversidade outrora descartada

Fotos: divulgação

70 www.referenciaflorestal.com.br



DESENVOLVIMENTO

SERVIÇO DE INVENTÁRIO

FLORESTAL COM UAV-LiDAR

Serviço de inventário e pulverização

Reduza em 70% a mão-de-obra com

amostragem de campo

O

setor de árvores cultivadas no Brasil consolidou,

em 2024, uma posição de hegemonia

global que transcende a mera extração de

matéria-prima. Com uma receita bruta que

atingiu a marca histórica de R$ 240 bilhões, a

indústria florestal não apenas impulsiona a balança comercial,

mas estabelece o país como o principal player mundial na

produção de celulose. Atualmente, o território nacional abriga

10,5 milhões de ha (hectares) de maciços florestais, compostos

majoritariamente por gêneros como eucalipto e pinus.

Contudo, a magnitude desses números traz consigo uma responsabilidade

proporcional: gerenciar o impacto ambiental

de uma floresta que, embora plantada pelo homem, interage

profundamente com os ecossistemas originais.

O estigma que outrora rotulava as plantações industriais

como desertos verdes, como são tratadas erroneamente as

extensões de monocultura supostamente estéreis para a vida

selvagem, vem sendo desconstruído por novos paradigmas de

manejo e pesquisas acadêmicas rigorosas. O que se observa

hoje é uma rede de convivência complexa, onde a fauna nativa

utiliza os talhões comerciais como corredores de fluxo,

refúgio e área de forrageamento, desafiando a visão simplista

de que a silvicultura e a conservação são caminhos excludentes.

A grande virada de chave para a biodiversidade no setor

florestal reside na arquitetura das paisagens manejadas. A silvicultura

moderna abandonou os blocos maciços e contínuos

para adotar o sistema de plantio em mosaico. Neste arranjo,

as áreas de produção são estrategicamente intercaladas com

APPs (Áreas de Preservação Permanente) e RLs (Reservas

Legais). De acordo com dados consolidados, as empresas do

setor são responsáveis pela conservação de cerca de 6,7 milhões

de ha (hectares) de vegetação nativa, uma área equivalente

ao território de muitos países europeus.

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DESENVOLVIMENTO

Essa configuração cria os chamados corredores ecológicos,

permitindo que a fauna transite entre fragmentos

isolados de mata original. O plantio comercial deixa de ser

uma barreira intransponível para se tornar uma zona de transição

e abrigo. Segundo o Relatório Anual da IBÁ (Indústria

Brasileira de Árvores) 2025, o monitoramento sistemático

dessas áreas já registrou a presença de mais de 8 mil espécies

de animais e plantas circulando nesses ambientes. É notável

a presença de predadores de topo, como onças e grandes

gaviões, cuja sobrevivência depende de vastos territórios de

vida, sinalizando que a estrutura do mosaico oferece recursos

mínimos de sobrevivência.

“As florestas plantadas são uma realidade incontornável e,

para quem atua na linha de frente da conservação, é preciso

encarar essa questão com pragmatismo. Em um cenário idealizado,

não teríamos a intervenção humana em larga escala,

mas vivemos em um mundo que demanda recursos”, pondera

o biólogo Mauro José, especialista em conservação ambiental.

Para ele, o cerne da questão não é a existência da plantação,

mas como ela pode ser aprimorada para salvaguardar a vida

silvestre. Mauro ressalta, entretanto, que o caminho ainda é

longo. “Essas florestas tendem a favorecer espécies generalistas.

Elas são aliadas, mas nunca substituirão a complexidade

de uma floresta primária. O desafio é refinar os testes para

que a coexistência seja cada vez mais equilibrada”, completa

Mario.

A aceitação da fauna a essa realidade não é passiva; trata-

-se de um processo de adaptação forçada pela fragmentação

dos biomas originais. Estudos conduzidos pela Embrapa (Empresa

Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Florestas e pela

SEB (Sociedade de Ecologia do Brasil) indicam que a biodiversidade

dentro dos plantios dá um salto qualitativo quando o

manejo permite o desenvolvimento do sub-bosque (a vegetação

nativa rasteira e arbustiva que cresce sob a proteção das

copas das árvores plantadas).

Essa camada inferior funciona como um microssistema

vital, oferecendo proteção a pequenos mamíferos, anfíbios e

insetos. Levantamentos realizados pela Casa da Floresta em

regiões de intensa atividade silvicultural, como o Mato Grosso

do Sul, revelaram que a manutenção desse sub-bosque é o

fator determinante para que espécies emblemáticas, como o

tamanduá-bandeira e o lobo-guará, utilizem o eucaliptal. Para

esses animais, a floresta plantada oferece um refúgio térmico

crucial contra o calor extremo e uma rota de caça segura contra

predadores ou ameaças humanas em áreas abertas.

RESILIÊNCIA GENÉTICA

Enquanto a fauna se adapta ao ambiente, a própria base

biológica da indústria passa por um processo de transformação

acelerada via ciência. Com o agravamento da crise

climática, o setor investe bilhões de reais no desenvolvimento

de clones mais resilientes. O objetivo dos centros de pesquisa

hoje não é apenas maximizar o IMA (Incremento Médio

Anual), mas garantir que as árvores suportem estresses hídricos

prolongados e resistam a novas pragas que emergem com

as mudanças de temperatura.

Escala de produção é uma demanda

de mercado, mas a sustentabilidade

do negócio a longo prazo depende da

nossa capacidade de moldar materiais

genéticos que prosperem sob novas

condições de chuva e calor

Mauro José,

biólogo e especialista

em Conservação Ambiental

74 www.referenciaflorestal.com.br



DESENVOLVIMENTO

Essas florestas tendem

a favorecer espécies

generalistas. O desafio é

refinar os testes para que a

coexistência seja cada vez

mais equilibrada

Mauro José,

biólogo e especialista

em conservação ambiental

“O grande paradigma atual é a adaptação climática. Escala

de produção é uma demanda de mercado, mas a sustentabilidade

do negócio a longo prazo depende da nossa capacidade

de moldar materiais genéticos que prosperem sob novas

condições de chuva e calor”, explica José. Ele define o viveiro

moderno como um centro de inteligência biológica, onde a

escolha do material genético é feita sob medida para a integração

ao ecossistema específico de cada região, visando a

eficiência no uso da água e a resistência sistêmica.

IMPACTO AMBIENTAL

Embora a conversão de áreas originais em silvicultura

altere a hidrologia e a dinâmica do solo, pesquisadores defendem

uma análise comparativa do impacto. As florestas

plantadas cumprem o papel fundamental de retirar a pressão

de exploração sobre as matas nativas. Ao oferecer uma fonte

renovável e legal de madeira, carvão vegetal e celulose, o

setor desestimula o desmatamento ilegal de ecossistemas

primários.

Para o biólogo Mauro José, a atividade regulamentada é

uma barreira contra o crime ambiental. “É preferível termos

plantios que obedeçam a protocolos rigorosos de conservação

e gerem impactos previstos e controlados do que continuarmos

assistindo ao avanço da fronteira ilegal sobre áreas

de preservação. Se o investimento em silvicultura responsável

fosse ainda mais incentivado, a pressão sobre o que resta de

mata nativa certamente diminuiria”, argumenta Mauro. Ele

defende que parte dos lucros recordes do setor seja continuamente

reinvestida em pesquisas de desenvolvimento biossustentável.

Além da proteção indireta, o setor oferece um serviço

ecossistêmico de escala global: a descarbonização. Estima-se

que as áreas cultivadas e conservadas pelas empresas do

ramo no Brasil estoquem cerca de 4,5 bilhões de toneladas de

CO 2

e (gás carbônico equivalente). Em um mundo que busca

desesperadamente metas de emissão líquida zero, o setor

florestal brasileiro surge como um dos maiores sumidouros de

carbono do planeta.

O horizonte dos próximos anos para a indústria de árvores

cultivadas é de expansão, com a produção de celulose já ultrapassando

25 milhões de toneladas anuais. O desafio reside

em manter esse ritmo de crescimento econômico sem perder

o ajuste fino do monitoramento ambiental.

A meta não é apenas produzir fibra para papel, embalagens

ou tecidos, mas garantir que cada novo hectare plantado

contribua para a manutenção da biodiversidade. O incentivo

ao crescimento da fauna e a preservação rigorosa das APPs e

RLs são, hoje, ativos tão valiosos quanto a própria madeira.

A silvicultura brasileira entra em 2026 não apenas como uma

potência econômica, mas como um laboratório vivo de como

a tecnologia e a ciência podem mediar a relação entre o desenvolvimento

humano e a preservação da vida.

76 www.referenciaflorestal.com.br



SILVICULTURA

Silvicultura e

DIVERSIFICAÇÃO

O avanço das florestas comerciais na agricultura

familiar gaúcha

Fotos: divulgação

78 www.referenciaflorestal.com.br Maio 2026 79



SILVICULTURA

Aconsolidação das florestas comerciais no Rio

Grande do Sul tem se mostrado uma estratégia

de diversificação de renda essencial

para a agricultura familiar. Longe de competir

com as culturas tradicionais, o plantio de

maciços florestais em solos de menor aptidão agrícola ou

terrenos declivosos permite a otimização da propriedade,

convertendo áreas subutilizadas em ativos econômicos de

longo prazo para produtores de grãos e pecuaristas.

Nesse cenário, a atuação da Emater/RS-Ascar (Empresa

de Assistência Técnica e Extensão Rural/Associação Sulina

de Crédito e Assistência Rural) transcende a assistência

básica, focando na viabilidade técnica e na gestão de

ativos florestais. O suporte oferecido pela extensão rural

abrange, desde a escolha do material genético e controle

fitossanitário, até o cumprimento das legislações ambientais

vigentes. Como o ciclo florestal exige planejamento

plurianual, o acompanhamento técnico é o que garante

que a floresta comercial atue como uma poupança verde

para a sucessão familiar, sem comprometer a segurança

alimentar da propriedade.

INTEGRAÇÃO

No norte do Estado, o sistema silvipastoril ganha

destaque como solução para a pecuária de leite e corte.

Sérgio Morgensten, extensionista da Emater/RS-Ascar em

Novo Barreiro (RS), enfatiza que o componente florestal

atua diretamente no conforto térmico do rebanho. “O

sombreamento é um diferencial para o bem-estar animal,

refletindo na produtividade e gerando uma segunda fonte

de receita para o produtor”, explica Sérgio. Espécies como

o pinus, por exemplo, atendem a múltiplos mercados,

desde a indústria moveleira e de pallets, até o setor de

bioenergia.

Controle total das suas cargas

com LogMeter e BulkMeter

O sombreamento é um diferencial para o bem-estar animal,

refletindo na produtividade e gerando uma segunda fonte de receita

para o produtor

Sérgio Morgensten,

extensionista da Emater/RS-Ascar

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Volume Sólido

Características biométricas dos troncos

Controle de Empilhamento

Volume da Carga

Distribuição por altura e quadrante

Volume Residual

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SILVICULTURA

Garras Florestais

Acácia-negra:

Vale do Caí e

região sul

Pinus: Serra

Gaúcha e Litoral

Médio

Mini Skidders

MAPA DA PRODUÇÃO DE

EUCALIPTO, PINUS E ACÁCIA-

NEGRA NO ESTADO DO RIO

GRANDE DO SUL

Eucalipto:

metade sul e

Costa Doce

Atualmente, a instituição integra o projeto Integra RS,

uma parceria estratégica entre a Rede ILPF (Integração

Lavoura Pecuária Floresta), Embrapa (Empresa Brasileira

de Pesquisa Agropecuária), Seapi (Secretaria da Agricultura,

Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação) e o

setor privado. Segundo Antonio Carlos Leite de Borba,

coordenador de silvicultura da Emater/RS-Ascar, o foco

está na implementação de URs (Unidades de Referência)

que demonstrem a viabilidade da integração floresta-pecuária

nas diferentes regionais do Estado, validando o

componente florestal como alternativa sustentável de uso

da terra.

82 www.referenciaflorestal.com.br

O MAPA DA PRODUÇÃO: EUCALIPTO, PINUS

E ACÁCIA-NEGRA

O parque florestal plantado no Rio Grande do Sul é

liderado por três espécies principais, com vocações regionais

distintas:

• Eucalipto: com forte concentração na Metade Sul e

Costa Doce, sustenta as cadeias de celulose, papel e biomassa

para energia.

• Pinus: predominante na Serra Gaúcha e Litoral Médio,

abastece o polo moveleiro, serrarias e a indústria de

extração de resina.

• Acácia-negra: tradicional no Vale do Caí e região sul,

atende à indústria de curtumes (extração de tanino) e ao

mercado de exportação de cavacos.

FOMENTO E SEGURANÇA NO INVESTIMENTO

Uma modalidade que tem reduzido os riscos para o

pequeno produtor é o fomento florestal. Nesse sistema,

o agricultor recebe mudas de alta performance e suporte

técnico especializado, garantindo a liquidez da madeira ao

final do ciclo com preços baseados nas cotações de mercado.

Diferente do manejo de matas nativas, a silvicultura

comercial é uma atividade de precisão: plantada, monitorada

e colhida sob objetivos industriais claros. Ao integrar

produção e sustentabilidade, o setor florestal gaúcho deixa

de ser uma atividade isolada para se tornar um pilar de

resiliência econômica no campo.

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CARBONO

Rigor que gera

VALOR

20

26

A estruturação do mercado regulado

transforma preservação ambiental em ativo

financeiro estratégico para o Brasil

Fotos: divulgação

O

mercado regulado de carbono no Brasil

ultrapassou a barreira do debate institucional

para se consolidar como uma

variável macroeconômica palpável,

influenciando diretamente as matrizes

de custo, a competitividade industrial e as condições de

captação de recursos. A estruturação do SBCE (Sistema

Brasileiro de Comércio de Emissões) estabeleceu o alicerce

normativo, mas o foco agora recai sobre a dinâmica

de precificação implícita e a disputa pela captura de valor

entre os diferentes elos da cadeia.

Um dos movimentos mais significativos, e por vezes

subestimado, é a flexibilização estrutural dos mecanismos

de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento

e Degradação Florestal). Ao admitir que resultados

subnacionais sejam remunerados independentemente

de um desempenho agregado nacional para fluxos internacionais,

o Brasil promove uma guinada estratégica.

Esta medida não é meramente burocrática; ela visa antecipar

liquidez ao permitir que ativos gerados em níveis

regionais, anteriormente estagnados, ingressem no fluxo

financeiro.

04 06

AGOSTO

84 www.referenciaflorestal.com.br



CARBONO

Essa decisão impacta frontalmente a formação

do preço. Como novos mercados carecem de liquidez

imediata, o reconhecimento de ativos preexistentes

reduz o risco de um sistema travado no arranque da

implementação, o gargalo comum em outras jurisdições.

Simultaneamente, o rigor técnico dos protocolos de MRV

(Monitoramento, Relato e Verificação) torna-se o pilar de

credibilidade. Em um mercado global que frequentemente

aplica descontos a créditos de integridade duvidosa, o

Brasil busca mitigar esse deságio de confiança através de

um padrão técnico mais robusto, evitando que a incerteza

funcione como um imposto sobre o ativo.

Diferente do sistema europeu (Emissions Trading

System), que baseia sua precificação na descarbonização

industrial e energética sob uma trajetória regulatória

previsível, o modelo brasileiro é essencialmente híbrido.

O país integra a lógica industrial a critérios territoriais

de preservação florestal via REDD+. Esta escolha é um

divisor de águas: posiciona o Brasil como um fornecedor

de larga escala frente às pressões regulatórias internacionais,

como o mecanismo de ajuste de carbono da CBAM

(União Europeia), mas exige um escrutínio muito superior

sobre questões de adicionalidade e permanência dos

créditos.

EXPO

A FEIRA MINEIRA DA INDÚSTRIA FLORESTAL

O Brasil florestal se

encontrará em Minas!

20 E 21

DE MAIO

DE 2026

DIA 20: 7H00 ÀS 12H20

DIA 21: 8H00 ÀS 12H20

EXPO

3

19 A 21

DE MAIO 2026

13H ÀS 19H | PQ. DE EXPOSIÇÕES

SETE LAGOAS | MINAS GERAIS

EDIÇÃO

MINEIRA

Encontro de Inovações e

Tecnologias Florestais

20 E 21

DE MAIO

DE 2026

DIA 20: 7H00 ÀS 12H20

DIA 21: 8H00 ÀS 12H20

A comercialização desses

créditos garantiria ao

Brasil o fôlego financeiro

necessário para honrar o

Acordo de Paris e atingir

a meta de reduzir o

desmatamento em 98%

até 2050

Daniel Nepstad,

diretor-executivo do EII

18 E 19

DE MAIO

DE 2026

DIA 18 | 13H00 ÀS 18H20

DIA 19 | 8H00 ÀS 12H20

5º ENCONTRO BRASILEIRO

DE SEGURANÇA, SAÚDE

OCUPACIONAL E

PROCESSO FLORESTAL

A FEIRA MINEIRA DA INDÚSTRIA FLORESTAL

Open bar

& Open food

Para informações acesse: expominasflorestal.com.br

18 E 19

DE MAIO

DE 2026

DIA 18 | 13H00 ÀS 18H20

DIA 19 | 8H00 ÀS 12H20

20 DE MAIO DE 2026

CONFRATERNIZAÇÃO OFICIAL

DA EXPO MINAS FLORESTAL

REALIZAÇÃO

PATROCÍNIO MASTER

APOIO MASTER

PARCEIRO INSTITUCIONAL

86 www.referenciaflorestal.com.br



CARBONO

feira brasileira

de compostagem

Piracicaba (SP)

Local: Instituto Pecege

O cenário apresenta um trade-off evidente: a escala

brasileira pode atrair um prêmio de valorização, mas

qualquer falha na governança resultará em penalização

de preços. Soma-se a isso o desafio da repartição de valor

em um sistema descentralizado. A abertura para projetos

estaduais e subnacionais amplia a capilaridade e a eficiência,

mas introduz uma complexidade regulatória atípica

em sistemas maduros, gerando assimetrias entre o setor

produtivo, governos e intermediários.

O que se desenha não é uma mímica dos modelos

estrangeiros, mas um mercado autônomo, ancorado na

base florestal e em uma governança distribuída. Se o rigor

técnico prevalecer, a vantagem ambiental será convertida

em um ativo financeiro capaz de atrair capital climático

massivo. Contudo, se a credibilidade for comprometida,

o mercado operará com descontos que serão absorvidos

pela economia real. A janela regulatória até o final de

2026 é, portanto, o cronômetro final para definir o real

valor de mercado do carbono brasileiro.

VALOR DO CARBONO

Levantamento do EII (Earth Innovation Institute)

revela que a adoção do modelo de REDD+ jurisdicional

pode injetar, em média, US$ 1,4 bilhão anuais na economia

dos estados da Amazônia Legal. O sistema, que

remunera resultados efetivos na redução de emissões

por desmatamento e degradação, projeta uma captação

total entre US$ 10,8 bilhões e US$ 21,6 bilhões até 2030,

a depender das oscilações do preço do carbono no mercado

internacional (estimado entre US$ 10 e US$ 20 por

tonelada).

A magnitude financeira do novo modelo impressiona

pelo comparativo histórico: em apenas 2 anos, o REDD+

jurisdicional superaria os US$ 2 bilhões arrecadados pelo

Fundo Amazônia ao longo de 16 anos de existência. As

estimativas indicam que o fluxo de recursos deve ser liberado

a partir de 2026, condicionado à regulamentação

das políticas estaduais e à comprovação da queda nos

índices de desmatamento. Somente as reduções já verificadas

entre 2023 e 2024 teriam o potencial de gerar US$

1,7 bilhão logo no primeiro ano de operação plena.

Para Daniel Nepstad, diretor-executivo do EII, o mecanismo

jurisdicional representa a solução de curto prazo

mais robusta para enfrentar a crise climática global. “A

comercialização desses créditos garantiria ao Brasil o fôlego

financeiro necessário para honrar o Acordo de Paris

e atingir a meta de reduzir o desmatamento em 98% até

2050”, aponta Daniel. Atualmente, nove estados brasileiros

(Acre, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso,

Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí e Tocantins) já avançam

na estruturação e implementação de seus programas

para capturar esse capital climático.

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ARTIGO

A SALINIDADE

afeta o desenvolvimento e a

sobrevivência de mudas clonais

de Eucalyptus urograndis?

Fotos: divulgação

BARBARA GOMES MOURA

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

MARIANA DE SOUZA SANTOS

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

MYCHAEL MARCOS SILVA GOMES

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

GABRIELA CASTELO BRANCO OLIVEIRA

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

FRANCIELLY DA GUIRRA BERNARDO

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

MARCIO VINICIUS DA SILVA SANTOS

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

AUGUSTO DE LIMA BARBOSA

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

ANDRÉA DE VASCONCELOS FREITAS PINTO

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

HUGO HENRIQUE COSTA DO NASCIMENTO

UFAL (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS)

90 www.referenciaflorestal.com.br Maio 2026 91



ARTIGO

que favorecem sua utilização em programas de reflorestamento

e recuperação de áreas degradadas (Siviero et al.,

2019). No entanto, a expansão da cultura para regiões com

limitações ambientais torna essencial a compreensão dos

fatores que restringem seu desempenho, especialmente a

salinidade do solo.

A salinização, frequentemente associada ao manejo inadequado

da irrigação e às condições climáticas de regiões

semiáridas, compromete o crescimento vegetal ao afetar

processos fisiológicos fundamentais, como absorção de água,

trocas gasosas e equilíbrio iônico (Schossler et al., 2012; Taiz

et al., 2017). Esses efeitos variam entre espécies e genótipos,

tornando a avaliação da tolerância diferencial um aspecto

central para o manejo sustentável.

Nesse contexto, o híbrido Eucalyptus urograndis (Eucalyptus

urophylla× Eucalyptus grandis) destaca-se como o material

genético mais utilizado no Brasil, devido à sua elevada

produtividade, adaptação e resistência a estresses bióticos e

abióticos (Cardoso et al., 2019). Apesar disso, a resposta de

RESUMO

O

eucalipto desempenha papel importante

em programas florestais no Brasil, principalmente

no setor madeireiro, destinando-se à

indústria de celulose e siderurgia, além de

se destacar por suas vantagens frente a outras

espécies florestais cultivadas. Apesar de suas vantagens

silviculturais, o desempenho do eucalipto pode ser significativamente

limitado por estresses abióticos, sendo a salinidade

do solo um dos principais fatores restritivos em determinadas

regiões. As principais causas do processo de salinização dos

solos estão ligadas as características ambientais e/ou antrópicas,

mas independente da origem, afetam o rendimento dos

cultivos e afetam as características químicas e físicas do solo.

O estudo teve como objetivo avaliar o comportamento ecofisiológico

de mudas de Eucalyptus urograndisGG680 submetidas

a diferentes níveis de concentração salina visando identificar

limites de tolerância e subsidiar práticas de manejo em

ambientes sujeitos à salinidade. O trabalho foi conduzido no

Laboratório de Tecnologia de Produção, localizado no Campus

de Engenharias e Ciências Agrárias, da UFAL (Universidade

Federal de Alagoas). Adotou-se o delineamento experimental

em blocos casualizados, contendo cinco tratamentos salinos:

um controle (sem adição de sal) 0, 50, 100, 150 e 200 mM

(Milimolar). Ao final do período experimental, foram avaliados

a área foliar, a integridade da membrana (porcentagem

absoluta, porcentagem relativa e porcentagem de danos à

membrana), os pigmentos fotossintéticos, além da produção

de matéria seca dos seguintes órgãos: folha, caule, sistema

radicular, total e a relação raiz/parte aérea. Os resultados

comprovaram que a salinidade compromete o desenvolvimento

de mudas Eucalyptus urograndisGG680, com início dos

efeitos deletérios a partir de 100 mM de NaCl. Esses resultados

indicam que o clone apresenta sensibilidade moderada

ao estresse salino, devendo ser recomendado para plantio

em áreas com baixa salinidade ou sob manejo que minimize o

acúmulo de sais no solo, a fim de assegurar o adequado estabelecimento

das plantas.

INTRODUÇÃO

A expansão das florestas plantadas de eucalipto no Brasil,

iniciada na década de 1960, consolidou a espécie como base

de importantes cadeias produtivas, incluindo energia, celulose

e produtos madeireiros (Costa e Oliveira, 2019). Segundo

o SNIF (Sistema Nacional de Informação), no ano de 2022, o

país contabilizava mais de 7,3 milhões de ha (hectares) plantados,

demonstrando a relevância econômica e estratégica da

cultura.

Além do valor produtivo, o eucalipto apresenta elevada

plasticidade fenotípica, rápido crescimento e ampla adaptação

a diferentes condições edafoclimáticas, características

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K

AUTOCARREGÁVEL FLORESTAL

MKF 6060

MAIS RESULTADO, MENOS MANUTENÇÃO

Momento de Carga: 6.000 kg.m

Alcance Horizontal: 6,00 metros

Alcance Vertical: 9,50 metros

Ângulo de Giro: 360° de giro

Capacidade de Carga da carreta: 12.000 kg

www.motocana.com.br

92 www.referenciaflorestal.com.br Maio 2026 93



ARTIGO

clones específicos às condições de estresse salino ainda não

é completamente compreendida.

Estudos prévios demonstram variação significativa na

tolerância à salinidade entre espécies e materiais genéticos

de eucalipto (Nasim et al., 2007; Freitas et al., 2012; Lopes,

2012), porém há escassez de informações para clones amplamente

utilizados, como o Eucalyptus urograndisGG680.

Essa lacuna limita o desenvolvimento de estratégias de

manejo mais eficientes, especialmente em áreas suscetíveis

à salinização.

Diante disso, este estudo teve como objetivo avaliar o

comportamento ecofisiológico de mudas do clone GG680

de Eucalyptus urograndis submetidas a diferentes níveis de

salinidade, visando identificar limites de tolerância e subsidiar

práticas de manejo em ambientes sujeitos à salinidade.

No entanto, a expansão da cultura

para regiões com limitações

ambientais torna essencial a

compreensão dos fatores que

restringem seu desempenho,

especialmente a salinidade do solo

Essa é uma versão parcial desse artigo, o material completo

pode ser acessado pelo QR Code ao lado:

94 www.referenciaflorestal.com.br



AGENDA

AGENDA 2026

JUNHO

2026

AGO

2026

FOREST MAX

Imagem: reprodução

II Seminário Internacional de

Sensoriamento Remoto aplicado à

Mensuração Florestal

Data: 9 a 12

Local: Vitória (ES)

Informações: https://remoteforestbrazil.

com.br/2026/

AGOSTO

2026

O Forest Max consolida-se como um dos principais eventos

técnicos de campo voltados à silvicultura de alta performance.

Com foco prático, o encontro reúne produtores, gestores e

especialistas para demonstrar inovações em genética, manejo

de solo e mecanização florestal. Em um cenário de custos

elevados de insumos em 2026, o evento ganha relevância

estratégica ao debater a eficiência no uso de fertilizantes e a

otimização da produtividade do eucalipto. É o ambiente ideal

para o networking qualificado e para a visualização de soluções

tecnológicas aplicadas diretamente no horto.

LODOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS ORGÂNICOS, COMPOST BARN E ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTO

Forest Max

Data: 4 a 6

Local: Brasília (DF)

Informações:

https://forestmax.com.br/

Imagem: reprodução

Lignum Latin America

Data: 15 a 17

Local: Pinhais (PR)

Informações:

https://lignumlatinamerica.com/

SETEMBRO

2026

SET

2026

LIGNUM

A Lignum Latin America consolidou-se, ao longo de uma

década, como referência na transformação, beneficiamento,

preservação, energia, biomassa, uso da madeira e manejo

florestal. O evento tornou-se um dos principais encontros

do setor na América Latina e o ponto alto da Semana

Internacional da Madeira. Na edição de 2024, a feira

superou expectativas ao reunir mais de 12 mil visitantes

qualificados, vindos de 21 estados brasileiros e 22 países,

além de 165 expositores. Os números recordes reforçaram

sua relevância para o mercado e confirmaram seu papel

como espaço de negócios e inovação.

96 www.referenciaflorestal.com.br



ESPAÇO ABERTO

O

colunista da Forbes Bryan Robinson, PhD e autor de: Chained to the

Desk in a Hybrid World - A Guide to Balance; publicou um artigo no

portal de negócios reunindo dicas e insights de dez especialistas

sobre o futuro do trabalho em 2026. Quero discutir um pouco sobre

as tendências mais valiosas que eles listam aqui neste texto.

Segundo o autor, embora a IA (Inteligência Artificial) esteja dominando tanto os

debates como os aspectos técnicos do trabalho (para não falar dos investimentos),

habilidades humanas passam a ser cada vez mais valiosas. Isso significa que as soft

skills vão passar a ser encaradas como power skills, extremamente necessárias e

responsáveis por diferenciais profissionais preparados para novos desafios. O autor

fala de habilidades como inteligência emocional, criatividade, resiliência, curiosidade

e influência social.

A meu ver, a IA deixou de ser promessa e passou a ser infraestrutura. Então,

se a pergunta é “o que vai continuar sendo exclusivamente ou prioritariamente

humano?”, a resposta está nas power skills, que serão o ponto mais valorizado do

trabalho moderno. Paradoxalmente, quanto mais tecnologia usamos, mais valiosas

se tornam as habilidades que não podem ser automatizadas. E o profissional do

presente e do futuro não é o que compete com a IA, mas o que sabe trabalhar com

ela, usando-a como amplificadora de sua capacidade.

VEM AÍ!

Foto: divulgação

Tendências para

2026

Por Henrique Calandra,

fundador do WallJobs, empresa

de tecnologia brasileira

que oferece soluções

automatizadas para contratos

de estágio, autor do livro:

Inteligência Artificial Generativa

para Iniciantes; e palestrante

de grandes ecossistemas como

InovaBRA e Distrito.

Qual é o futuro do

trabalho? E por que

o potencial humano

nunca perderá seu valor

98 www.referenciaflorestal.com.br

A RETENÇÃO DE FUNCIONÁRIOS SERÁ REPENSADA

Segundo o autor, as avaliações de desempenho anuais estão desaparecendo.

Em seu lugar, entram rotinas de feedback contínuo e integrado por tecnologia, com

ajuda da IA para sinalizar momentos e contextos. E para reter talentos, será essencial

alinhar as ambições pessoais dos colaboradores com os objetivos da empresa.

Isso demonstra que trabalhar com políticas rígidas, sem planos de carreira maleáveis

e com metas desconectadas de um propósito maior, com transparência com os

colaboradores, é o mesmo que mandar seus talentos em busca de novos empregos.

O que surge é um novo modelo de gestão de pessoas, que preza pelo desenvolvimento

personalizado e alinhamento entre os objetivos do negócio e as ambições

do profissional. O trabalho remoto ou híbrido se torna um benefício e um

diferencial. Segundo o artigo na Forbes, trabalho remoto passa a ser um diferencial

competitivo, assim como a tendência de flexibilidade para o horário do trabalho.

O que vemos no cenário nacional segue essa linha, porém, com foco no retorno ao

presencial, pelo fortalecimento de questões como a cultura da empresa e maior

controle das entregas. Ainda assim, flexibilidade será vista, cada vez mais, como

privilégio a colaboradores que cumprem responsavelmente com prazos, reuniões e

compromissos.

O RH COM MAIS IMPACTO NO DIA A DIA

Os departamentos de RH (Recursos Humanos) deixam de ser apenas administrativos

e ganham foco em impacto escalável, com ferramentas tecnológicas integradas

(e IA realizando as tarefas repetitivas), dando espaço para os profissionais

de RH trabalharem em conexões, orientação e desenvolvimento de talentos. Neste

ponto, estou 100% de acordo. Aqui percebemos que organizações que ainda têm

seu RH focado em processos burocráticos vão sofrer nesse novo cenário, principalmente,

com ferramentas de IA. Precisamos permitir que ferramentas digitais e IAs

assumam tarefas operacionais para que os profissionais de RH atuem nas conexões

humanas, no engajamento e na formação de lideranças.

Não há como dizer de outra forma: o RH do futuro é menos administrativo e

muito mais estratégico, analítico e humano. A conclusão é que o mundo do trabalho

de hoje já exige algo que antes parecia opcional: a capacidade de se reinventar,

o aprimoramento em nome da performance, sem deixar de lado as características

pessoais fundamentais e as melhores características de cada colaborador. Não tenha

dúvida. No presente e no futuro, o diferencial competitivo é humano.

30 de novembro - CURITIBA (PR)

ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE

MADEIRAS E DERIVADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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