edição de 18 de maio de 2026
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propmark.com.br ANO 61 - Nº 3.091 - 18 de maio de 2026 R$ 20,00
Luciana Carranca
Copa do Mundo
de 2026 será a
mais real time
e a primeira
na era da IA
A Copa do Mundo de 2026 será totalmente
social first e a primeira na era da inteligência
artificial. O torneio mais real time da história
coloca o meio digital e a TV em confronto direto
pelo posto de rei da mídia. Para além da briga
por audiência, campanhas, ativações, projetos
de out of home e os esforços das marcas estão
descritos neste especial de aniversário de 61 anos
do propmark, celebrado em 21 de maio. A edição
conta com artigos e artes de nomes do mercado. O
Mundial, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e
México, entre os dias 11 de junho e 19 de julho, deve
movimentar US$ 40,9 bilhões no PIB e US$ 10,5 bilhões
na publicidade global, segundo a Warc. A seleção
brasileira começa a corrida pelo hexacampeonato em
partida contra o Marrocos no dia 13 de junho. pág. 28
FORMATOS ICÔNICOS
ISSO É NEOOH
Torre de LED Dupla Face - Aeroporto Internacional de Brasília - DF
O mercado chama de especial. Para nós, é padrão.
Cada formato é desenhado sob medida para o ambiente.
Pensado para capturar atenção de verdade.
Criamos sistemas de impacto.
Em escala.
Integrados.
Consistentes.
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Isso é NEOOH.
DWELL TIME DE VERDADE
Mega LED - Rede de academias Bodytech
ISSO É NEOOH
Nem todo impacto é igual. Tem mídia que você nem vê passando.
E tem mídia que permanece.
A NEOOH posiciona sua marca onde o tempo desacelera.
Onde as pessoas não estão de passagem. Estão presentes.
Sem pressa. Sem distração. Sem ruído.
Aeroportos. Parques. Orlas. Academias. Terminais. Salas VIP.
Ambientes de permanência longa e atenção real.
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Isso é NEOOH.
LOCALIZAÇÕES PREMIUM
ISSO É NEOOH
Totem Digital - Orla TotalPass - São Paulo
Nem todo lugar vale a sua marca.
A NEOOH está presente em ambientes premium, seguros e controlados.
Onde a experiência importa e a atenção acompanha.
Aeroportos. Parques. Orlas. Academias. Terminais. Salas VIP.
Locais onde as pessoas escolhem estar.
Aqui, o impacto acontece com contexto e a audiência tem qualidade.
E mais: quando o ambiente é controlado, o dado também é.
Perfil, fluxo, permanência. Tudo medido com precisão. Comprovado.
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Isso é NEOOH.
EXPERIÊNCIAS OUT OF THE BOX
Projeto especial Anfiteatro -- Parque Villa-Lobos -- São Paulo
ISSO É NEOOH
Experiência de verdade vai além do formato.
Ela acontece quando o ambiente permite.
Quando as pessoas estão abertas. Quando o momento importa.
Na NEOOH, cada projeto transforma presença em conexão.
E conexão em memória. Em ambientes onde as pessoas estão
seguras. Presentes. Disponíveis. Aqui, a marca deixa de ser
coadjuvante e vira protagonista.
Muito mais presença.
Muito mais atenção.
Muito mais impacto.
Isso é NEOOH.
PERCEPÇÃO POSITIVA DE MARCA
ISSO É NEOOH
Testeira LED - Terminal BTG Pactual - Aeroporto Internacional de Guarulhos - São Paulo
Nem toda exposição constrói valor.
Tem marca que só aparece. E tem marca que se valoriza.
O ambiente importa. E muito.
Na NEOOH, sua marca está inserida em contextos premium, seguros e qualificados.
Onde a experiência é positiva. E a percepção acompanha.
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Ambientes que elevam tudo ao redor. Inclusive a sua marca.
Porque percepção se constrói com contexto.
Aqui, sua marca aparece para milhões. E se valoriza a cada impacto.
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AUDIÊNCIA DIVERSIFICADA
Mega LED 360º - Terminal Rodoviário Tietê - São Paulo
ISSO É NEOOH
Nem toda audiência é igual.
A NEOOH conecta marcas com diferentes perfis,
contextos e momentos.
Da mais alta segmentação à audiência de massa.
São milhares de telas digitais, em todos os estados
do país. Uma rede que acompanha a jornada real das
pessoas. Onde quer que elas estejam.
Presença inteligente e estratégica.
É mais que alcance. É relevância em cada contato.
Aqui, sua marca fala com milhões.
E se conecta com cada um.
Muito mais presença.
Muito mais atenção.
Muito mais impacto.
Isso é NEOOH.
editorial
Armando Ferrentini
A mão pesada do Estado brasileiro
Semanas antes da ordem de interromper a produção da fábrica da Ypê por suspeita de
contaminação bacteriana (a Justiça suspendeu liminarmente a ordem), a Anvisa (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária) havia multado este jornal por suposta publicidade
de tabaco. Claro que não concordamos e vamos à Justiça. A história foi a seguinte. Publicamos
no portal do propmark em 23 de outubro de 2019 notícia intitulada “Philip Morris propõe debate
sobre alternativas ‘melhores que o cigarro’”, mostrando a ação publicitária da empresa
sob o mote ‘Precisamos falar’.
Como veículo mais longevo na cobertura do mercado publicitário, completando 61 anos nesta
edição recorde com 164 páginas, entendemos naquele momento e continuamos entendendo
que tal notícia era sim do interesse do nosso público leitor. E por isso a publicamos com foco no
que interessa sob o ponto de vista da publicidade, divulgando o filme publicitário da campanha
e informando que a peça foi produzida pela Damasco Filmes sob a direção de Fábio Brandão.
Lendo a matéria, nota-se que essa iniciativa da Philip Morris foi motivada pela discussão
levantada pela Anvisa em agosto daquele ano sobre os malefícios à saúde dos ditos cigarros
eletrônicos. A Anvisa havia feito duas audiências públicas a esse respeito e a Philip
Morris em contrapartida lançou tal filme publicitário. Insistimos que isso é sim assunto
para o propmark, o que não quer dizer que concordemos com a existência de cigarros
eletrônicos (não concordamos) ou que consideramos os mesmos menos prejudiciais à
saúde que o próprio cigarro.
Quando estamos divulgando uma campanha publicitária, porque isto é parte do nosso ofício
jornalístico, não nos cabe avaliar o conteúdo de determinada campanha publicitária. Sequer
teríamos expertise para averiguar se cigarros eletrônicos são mais ou menos prejudiciais à
saúde. Não somos laboratório químico. Cabe-nos, isto sim, mostrar aos nossos leitores o que
grandes empresas – como a Philip Morris – estão colocando no ar em termos de publicidade.
A título exemplificativo, se um fabricante de pneus alardeia em sua publicidade que seu mais
novo lançamento tem mais aderência e maior durabilidade que outros modelos, não é obrigação
de um jornal especializado em publicidade provar se esta afirmação publicitária procede
ou não. Pode-se cobrar isso de um veículo de comunicação especializado em pneus, mas não
de quem tem como foco jornalístico os bastidores da publicidade. O que a Anvisa fez conosco
foi censura prévia, pois de agora em diante ficará muito difícil a qualquer jornalista da nossa
redação publicar novas matérias sobre o assunto, eis que a multa aplicada a fórceps foi desproporcional
ao ocorrido.
Esta mesma Anvisa agora aplicou a mão pesada do Estado em cima do fabricante da marca
de detergentes mais bem avaliada pelo público consumidor. Assim como a multa que recebemos
nos chocou pelo despropósito em se multar quem só está fazendo seu dever de ofício
que é noticiar, igualmente chocou a todo brasileiro de bom senso a desproporcionalidade da
ordem dada pela Anvisa de suspensão imediata da produção fabril da Ypê.
Ainda bem que a Justiça agiu rápido e manteve a produção da fábrica funcionando até
que haja mais esclarecimentos. Independentemente de questões políticas que pululam
nas redes sociais sobre a real motivação da Anvisa, tendo em vista doação feita pela Ypê
à campanha de reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro, salta aos olhos o poderio de
uma canetada da Anvisa.
No nosso caso, a canetada veio da gerente-geral da Anvisa. Nada de órgão colegiado ou
ao menos duas pessoas assinando o ato. Uma única pessoa teve autonomia de nos multar
porque entendeu que teríamos excedido nosso dever de informar. Mas é de se perguntar
se esta pessoa tem algum conhecimento sobre os assuntos tratados por veículos especializados
e segmentados. Isso precisa mudar e urgente. O mesmo rigor com que a Anvisa
trata a iniciativa privada precisa dela ser exigido quando toma suas decisões monocráticas
contra quem quer que seja.
A agência sanitária do país deveria ter procedimentos internos com mais de uma alçada para
decisões que afetam a vida das empresas privadas que, nunca é demais lembrar, dão muito
mais empregos que todos os órgãos públicos juntos.
Edição recorde de páginas
Parabéns a todas as pessoas envolvidas com esta edição comemorativa do aniversário de 61
anos do propmark com recorde de 164 páginas. Kelly Dores, Paulo Macedo, Janaina Langsdorff,
Alê Oliveira, Bruna Magatti, Bruna Nunes, Vitor Kadooka, Lucas Boccatto e José Carlos Boanerges
(redação); Mel Floriano (comercial); Lidineia Vieira Maciel, Thais Freitas, Paulo Alonso, Cris,
Camila, Eduardo, Marcos e Ailton (áreas administrativas); Marcelo Silva (TI); Adelson Justino,
Eliane, José Silvestre, Odair, Feijão, Renato, Geo, Luiz, Thiago, Marineide, Bel e Gabriela (gráfica);
Nelson Morgado (expedição); e a Maysa e Renato, em nome da equipe da empresa SPDL,
que faz com que o propmark chegue às suas mãos.
* Este editorial foi escrito excepcionalmente por Tiago Ferrentini, publisher do propmark
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
2026 redefine marketing digital
com mais ROI, IA e queda do social media
Estudo ‘Panorama agências e profissionais de mídias sociais no Brasil’, da
mLabs, mostra que o atual modelo operacional reforça a necessidade de
redefinir o papel do social media no Brasil.
3ª
Dia das Mães: a proposta
do comercial viral do Boticário
Criada pela AlmapBBDO, ‘Despedidas’ ultrapassou 40 milhões de
visualizações orgânicas em apenas cinco dias; executivos explicam
processo criativo da campanha.
Itaú promove pré-venda
para amistoso entre Brasil e Panamá
Patrocinador oficial das seleções brasileiras de futebol, banco oferecerá
acesso antecipado a ingressos para clientes e promoção com viagem
para Ibiza ao lado de Ronaldo Fenômeno. A ação faz parte do movimento
‘Torcendo feito você’.
4ª
As mudanças passam tanto por reorganizações de lideranças quanto pela
criação de novas áreas e reforço de equipes. Com novo comando na BETC
Havas e contratação em massa da DPZ, mercado ajusta modelos.
5ª
Veja as movimentações
da semana no mercado publicitário
Suba revela perfis de torcida no Brasil
e alerta marcas para erro estratégico na Copa 2026
Levantamento analisou 5,7 mil vídeos no TikTok e mostra que marcas
precisam adaptar campanhas esportivas às diferenças regionais para
evitar desperdício de verba.
8 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Rogerio Pallatta/Divulgação SBT
índice
Edição especial de 61
anos do propmark faz
um raio X da Copa
Análises e ilustrações de
criativos de agências (como
ao lado, na criação de
Leo Macias, CCO da Lola\
TBWA) trazem o olhar e
expectativa do mercado
com a proximidade da Copa
do Mundo de 2026.
28
Estrela das transmissões do SBT,
Galvão Bueno fala sobre expectativa
O narrador esportivo
mais famoso do
país vai liderar as
transmissões dos
jogos no SBT e N
Sports. “Eu tive o
privilégio de narrar
dois títulos do Brasil,
que marcaram a
minha vida e a
história do nosso
futebol. E 2026 me
desperta a mesma
expectativa”. pág. 22
Alê Oliveira
ABA leva Ana Fontes a encontro da
Confraria das Mulheres Dirigentes
Leo Macias
Sandra Martinelli, CEO da ABA; Ana Fontes, fundadora
da Rede Mulher Empreendedora; e Nelcina Tropardi,
presidente da ABA, no 15º encontro da Confraria das
Mulheres Dirigentes de Entidades. Ana falou sobre sua
carreira e empoderamento feminino. pág. 142
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
www.propmark.com.br/signup
assinaturas@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0737
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
Propmark inicia série com os jurados
brasileiros no Cannes Lions 2026
Um dos fundadores da Gana e com 25 anos de
carreira, Ary Nogueira é o primeiro entrevistado
do projeto. Novo diretor-executivo de criação da
WMcCann, ele fala sobre suas expectativas para o júri
de Social & Creator, entre outros temas. pág. 140
Editorial ............................................................................8
Conexões ..........................................................................12
Curtas ................................................................................14
Quem Fez ..........................................................................18
D&AD .................................................................................20
Entrevista .........................................................................22
Especial propmark 61 anos .............................................28
Agências ...........................................................................138
Cannes Lions ....................................................................140
Mercado ............................................................................142
Mídia .................................................................................152
Opinião..............................................................................155
Out of Home .....................................................................156
ESG no MKT .......................................................................158
Inspiração .........................................................................159
Click do Alê .......................................................................160
Última Página ...................................................................162
Vencedores dos Lápis do prestigiado
D&AD serão conhecidos esta semana
Os resultados com os
ganhadores dos Lápis do
D&AD 2026 saem nesta
quarta-feira (20). O renomado
festival será realizado em
Londres, com novidades.
Vinte brasileiros estão nos
júris da premiação. pág. 20
‘Não se pode virar as costas
para o futuro’, diz Nizan Guanaes
Referência na construção
da publicidade brasileira,
Nizan reflete sobre as
transformações da indústria,
a evolução do papel da
comunicação nos negócios
e fala sobre sua NizAI, criada
para “democratizar o trabalho
para as próximas gerações,
por meio da IA”. pág. 146
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
10 18 de maio de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
cOllAb
Renner e Guaraná Antarctica se
unem em parceria que envolve
coleção com olhar que resgata a
nostalgia relacionada ao ato de
torcer. A campanha é estrelada pelo
streamer Brino e a influenciadora
digital Laura Brito. “Estamos
juntando grandes paixões brasileiras
em uma coleção e trazendo isso
de uma maneira muito autêntica
para o universo da moda”, resume a
executiva Renata Altenfelder, CMO da
Renner (na foto ao lado).
PerfOrMANce
A Taboola apresenta o estudo ‘A
vantagem agêntica no marketing
de performance: garantindo
crescimento incremental além de
search e social’, que revela que 76%
dos anunciantes registram ganhos
de performance com a IA agêntica
(sistemas autônomos para otimizar
conversões) e que 86% dos líderes
de marketing investiriam até 1/4
dos orçamentos para a open web
se houvesse automação similar às
redes sociais.
Carta
O pioneirismo e a longevidade provam
a solidez de uma trajetória incrível.
As histórias do propmark e da publicidade
no Brasil possuem uma conexão
perene, que fortalece diariamente cada
elo do nosso mercado. Esse legado
construído diariamente pelo veículo é
celebrado pelo Instituto Verificador de
Comunicação e parabenizamos a todos
que fazem parte desta história. Feliz
61 anos, e que venham muitos outros,
sempre com sucesso e prosperidade!
Pedro Silva
Presidente-executivo/CEO - IVC Brasil
e board member - IFABC
Post: Creators, fandom e cultura
pop: a engrenagem de marketing
da Netflix
Obrigada pela oportunidade de contar
mais!
Jana Borges
Duailibi Essencial
Errata
Na edição 3.090, de 11/5/2026,
uma imagem da campanha
‘Cupons em jogo’, criada pela GUT
para o Mercado Livre, foi utilizada
para ilustrar a capa e matéria, mas
a ação em questão não chegou a
ser veiculada.
Diferentemente do que foi publicado
na edição 3.090, a grafia correta
do nome do criador da Turma
da Mônica é Mauricio de Sousa.
“A seleção brasileira é uma seleção sem vícios: não fuma, não bebe, nem joga”.
(José Simão)
dorinho
refOrçOS
Ary Nogueira e Milena Zindeluk chegam à WMcCann como diretores-executivos de criação
(ECD). Eles passam a integrar a liderança criativa e responderão a Rapha Borges (na foto
à direita), chief creative officer (CCO) da agência. As contratações fazem parte de um
movimento estratégico de fortalecimento criativo da agência. “Ary e Milena são dois talentos
que elevam qualquer lugar por onde passam, tanto pelo olhar criativo quanto pela forma
como constroem cultura”, diz Borges. Milena retorna à WMcCann, depois de mais de uma
década. Ela tem passagens pela Africa Creative, NBS e Fbiz. Já Nogueira cofundou a Gana, em
2020 e, mais recentemente, atuou como diretor de criação na Wieden+Kennedy São Paulo.
APOSTA
Com Copa do Mundo e eleições no mesmo
ano, 2026 deve ser um dos períodos mais
desafiadores para as marcas no Brasil.
Assim sendo, a agência AnaCouto lançou o
estudo ‘Grandes apostas 2026’. “As marcas
disputam atenção em um ambiente
emocionalmente carregado, acelerado e
altamente fragmentado. O estudo ajuda
organizações e canais a entenderem que
não basta apenas aumentar presença ou
volume de comunicação. É preciso construir
relevância cultural, gerar pertencimento e
criar experiências que façam sentido para as
pessoas”, destaca a executiva Ana Couto (na
foto à esquerda).
12 18 de maio de 2026 - jornal propmark
curtas
Brasil não terá jurado em luxury lions
A publicidade brasileira não
terá representantes no júri da
categoria Luxury na 73ª edição
do Festival Internacional de
Criatividade Cannes Lions, que
será realizada na França entre
os dias 22 e 26 de junho de 2026.
Pum Lefebure, cofundadora
e diretora criativa da agência
Design Army nos Estados
Unidos, presidirá o julgamento
dos trabalhos inscritos na área,
lançada em 2024. O júri é formado
por profissionais vindos de
Esquire, Team One, Maison BETC,
Tiffany, Balmain, Kering, Moët
Hennessy e VML. Pum Lefebure
foi escolhida por contribuir para
construção de marca e design,
além de trabalho de reputação
global no mercado de luxo,
Pum Lefebure, cofundadora e diretora criativa da
agência Design Army nos Estados Unidos
Adarsh Chauhan/ Unsplash
moda e estilo de vida. O Brasil terá 24 jurados, incluindo Rafael Gil (Industry Craft),
Marcel Marcondes (Creative Brand) e Rafael Pitanguy (Brand Experience & Activation)
entre presidentes de júris.
Reprodução
GooGle AlcAnçA US$ 1,5 tri e é A mArcA
mAiS vAlioSA Do KAntAr BrAnDZ 2026
Google (US$ 1,5 trilhão), Apple (US$ 1,4 trilhão), Microsoft (US$ 1,1 trilhão) e Amazon (US$ 1
trilhão) lideram o ranking Kantar BrandZ das cem marcas mais valiosas do mundo, que somam
o montante de US$ 13,1 trilhões, alta de 22% em relação ao ano anterior. Após quatro
anos encabeçados pela Apple, o Google retoma a dianteira pela primeira vez desde 2018.
O crescimento de 57% foi puxado por esforços em inteligência artificial e infraestrutura.
“A IA está acelerando o crescimento das marcas, mas também elevando a complexidade
do marketing”, alerta Martin Cena, CEO da Kantar Brasil. No 15º lugar, o ChatGPT, da OpenAI,
cresceu 285%, um dos maiores avanços já observados na história do BrandZ. Marcas asiáticas
passaram a representar 23%. Entre chinesas, estão Tecent (8º lugar, US$ 251 bilhões,
+45%), Alibaba (19º lugar, US$ 122 bilhões, +51%), ICBC (57º lugar, US$ 52 bilhões, +49%), Ping
An (71º lugar, US$ 37 bilhões, +41%), Banco Agrícola da China (76º, US$ 36 bilhões, +54%) e
Xiaomi (81º, US$ 32 bilhões). “O que estamos vendo, particularmente em marcas chinesas,
é velocidade e execução. Elas interpretam os sinais do consumidor rapidamente e têm a
disciplina para agir de forma decisiva”, diz Cena. O Mercado Livre é a única marca latino-
-americana presente, em 49º lugar e valor de quase US$ 54,9 bilhões.
Carlo anCelotti partiCipa de filme da Volks
Técnico da seleção brasileira em filme criado pela AlmapBBDO sob o embalo de ‘O amanhã’
O italiano Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, participa de ‘Sonho’, campanha da
AlmapBBDO para Volkswagen, patrocinadora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF),
que incentiva a torcida pelo hexacampeonato no embalo do samba-enredo ‘O amanhã’,
de João Araújo e Didi. O mote do filme produzido pela Anonymous Brasil é ‘A gente sonha
porque confia’. Ancelotti aparece a bordo do Novo Tiguan. Para Livia Kinoshita, diretora de
marketing da Volkswagen do Brasil e América do Sul, a ação fala sobre confiança, “valor que
a Volkswagen constrói com os brasileiros há 73 anos”. Marco Giannelli (Pernil), CCO da Almap-
BBDO, confirma “o sentimento de confiança que Ancelotti inspira, retratado em seu livro
sobre sua vitoriosa trajetória no futebol europeu”. A 23ª edição da Copa do Mundo ocorrerá
nos Estados Unidos, Canadá e México entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026.
Crispin fortaleCe atendimento juliana amBold Chega à artplan sp BrandteCh integra reCursos humanos
Divulgação
Divulgação
Divulgação
Divulgação
Lia Turato, Wilson Negrini e Camila Ribeiro: integração
Lia Turato e Camila Ribeiro são as novas diretoras de
atendimento da Crispin. As executivas responderão
a Wilson Negrini, vice-presidente de atendimento
e novos negócios da agência. Com passagens por
Talent, Africa e LePub, Lia assume as contas das
marcas McCain e M. Dias Branco. Camila Ribeiro,
que já trabalhou na Santa Clara, Africa e Mutato,
conduzirá projetos para Delícia, Guaraná Antarctica,
Lenovo, Motorola e Forno de Minas. A expectativa é
de que ambas reforcem o momento de consolidação
e crescimento da Crispin, sob o posicionamento ‘Criatividade
coletiva’, que integra criatividade, negócios
e construção de valor para os clientes.
Gláucia Montanha e Juliana Ambold: governança eficiente
A nova head de operações e projetos (PMO) da Artplan
São Paulo é Juliana Ambold. Ela se reportará à CEO
Gláucia Montanha. “Um PMO é formado por operações,
projetos, processos e fluxos de trabalho. Este formato
trabalha com uma governança mais eficiente”, define
Juliana. Gláucia espera avanço na forma de sustentar
crescimento. “A área de PMO é muito relevante nesse
contexto, trazendo disciplina, organização e previsibilidade”,
declara. Juliana já passou por Africa Creative,
Box1824, Pereira & O’Dell Brasil, Tribal Worldwide e
DPZ&T, além de Itaú Unibanco. Assina ainda projetos de
governança de processos para Natura, Vivo, Red Bull,
Electrolux, Fiat, Jeep e BRF.
Francisco Garcia, Fernanda Soares e Luis Constantino
A Oliver Latin America terá Fernanda Soares como head of
people, cargo que a executiva já ocupa na consultoria de
marketing analytics e data science DP6, pertencente ao
Brandtech Group, ao lado de Oliver e Jellyfish. “Fernanda
representa mais um passo na sinergia entre as empresas
do Brandtech no Brasil”, explica Luis Constantino, CEO da
Oliver Latin America. Troca de experiências para escalar boas
práticas devem ajudar a fortalecer “autonomia, diversidade
e colaboração com foco em inovação, agilidade e excelência
na entrega”, pontua Fernanda. Francisco Garcia, copresidente
da Oliver Latin America e CFO do Brandtech Group no Brasil,
lembra que “esse movimento faz parte da evolução da nossa
agenda de pessoas no Brasil”.
14 18 de maio de 2026 - jornal propmark
conteúdo de marca
o que o PicPay revela sobre o
consumidor na copa do mundo 2026?
Com o evento, empresa mostra como o PicPay Ads pode conectar
dados de consumo para antecipar tendências e orientar campanhas
No cenário atual, em que dados são decisivos
para o desempenho das marcas, a vantagem
competitiva está cada vez mais ligada
à capacidade de antecipar o comportamento do
consumidor. Mais do que medir percepção, entender
intenção e cruzá-la com hábitos reais de
compra pode ser o diferencial. E é nesse espaço
que o PicPay Ads avança com sua ferramenta de
pesquisas proprietárias, o PicPay Research.
A iniciativa se apoia em uma base de mais de
67 milhões de usuários únicos, com uma alta frequência
no aplicativo e possibilidade de impacto
por anunciantes ao longo da jornada financeira do
seu consumidor. Combinando dados financeiros,
comportamentais e sociodemográficos em uma
escala pouco comum no mercado, o PicPay Research
permite ir além das pesquisas tradicionais,
conectando o que o consumidor diz com o que
ele efetivamente faz, trazendo um diferencial
relevante para anunciantes que precisam tomar
decisões rápidas e embasadas. Na prática, os
estudos são entregues em até duas semanas e
atingem mais de 90% de significância estatística,
garantindo confiabilidade sem comprometer a
velocidade.
Felipe Julião, executivo de Ads do PicPay, deixa
claro que, enquanto institutos tradicionais
perguntam, o PicPay observa. Esses milhões de
usuários são uma lente sobre o comportamento
financeiro real do Brasil, e, consequentemente,
daquilo que pode ser oferecido para os anunciantes
e agências, que passam a tomar decisões baseadas
no que as pessoas de fato fazem no seu
dia a dia. “Acreditamos que o dado isolado não resolve
nada. Saber que alguém tem 30 anos, mora
em São Paulo e se interessa por esporte, não te
conta muita coisa, mas saber que essa mesma
pessoa usa Pix todo dia, tem um padrão de gasto
em delivery que cresceu nos últimos dois meses
e acabou de comprar uma TV, é outra história. O
PicPay Ads permite cruzar dados sobre quem a
pessoa é e como ela escolhe viver a vida dela. O
impacto disso para o anunciante é direto. Ele deixa
de impactar pessoas que parecem ter o perfil
desejado, e passa a falar com quem realmente faz
sentido, na hora certa. Isso é eficiência de mídia.”
Um exemplo recente, focado na Copa do Mundo,
mostra como esses dados podem se transformar
em estratégia. Realizada entre 22 e 24 de janeiro
com 567 respondentes, a pesquisa revelou que
80% dos usuários pretendem assistir ao torneio.
No contexto de consumo, 77% dos respondentes
O PicPay Research vai além do tradicional ao conectar o que o consumidor diz com o que ele efetivamente faz
os estudos são entregues
em até duas semanas e
atingem mais de 90% de
significância estatística
devem assistir aos jogos em casa, principalmente
ao lado de familiares (67%). Na preparação para o
evento, o timing de compra aparece pulverizado:
31% pretendem adquirir produtos na semana de
estreia, enquanto 42% se antecipam entre um e
três meses antes. Já os principais gatilhos de decisão
são claros: 67% apontam descontos e preços
baixos como fator decisivo, seguidos por parcelamentos
atrativos (30%), qualidade do produto
(21%) e cashback (17%). Já nos meios de pagamento,
pix e cartão de crédito lideram, ambos com
57% de preferência.
Durante o evento, o apetite por novas marcas
chama atenção. Cerca de 80% dos usuários afirmam
que provavelmente irão experimentar uma nova
marca na Copa, enquanto 70% dizem que anúncios
relacionados ao torneio têm alta chance de capturar
sua atenção. Nesse contexto, campanhas com
temática do evento, aliadas a ofertas e condições
de pagamento, tendem a performar melhor.
Para Alexandre Moshe, VP de Audiências e
Ecossistema do PicPay, o diferencial está no que
acontece depois da coleta. “O PicPay não é só um
canal de mídia. É um ambiente onde o consumidor
paga, compra, investe e se relaciona com marcas.
Divulgação
Quando cruzamos o que ele diz na pesquisa com
o que ele faz no Pix, no crédito, no Shop, mapeamos
uma jornada que nenhum instituto tradicional
consegue enxergar. Isso muda o jogo para o
anunciante.”
Além da pesquisa, PicPay Ads oferece outras
soluções para tornar as campanhas mais robustas,
como audiências de personas, geolocalização,
brand lift e campaign insights, formando um ciclo
contínuo de inteligência. Na prática, os insights
acompanham toda a campanha, permitindo ajustes
e otimizações em tempo real.
O pioneirismo em Financial Media no Brasil coloca
o PicPay Ads em uma posição de vantagem
no mercado. Ao longo dos últimos dois anos, cada
campanha realizada alimentou essa inteligência
com insights sobre formato, horário, segmento
e contexto. “Acumulamos conhecimento sobre
onde estão as melhores oportunidades e como
construir uma campanha que respeita o usuário
enquanto entrega resultado para o anunciante.
Mesmo que um concorrente tenha uma base
grande de usuários amanhã, vai precisar de tempo
para chegar nesse nível de maturidade. Isso
não se compra, se constrói ao longo do tempo”,
explica Julião.
A plataforma já atende mais de 100 anunciantes,
entre médias e grandes marcas, além de
agências, com estratégias adaptadas a cada perfil.
O ponto de partida é sempre o mesmo: entender
qual dor de negócio o anunciante quer resolver.
“A lógica é usar o dado certo para resolver o
problema certo”, resume o executivo de Ads.
jornal propmark - 18 de maio de 2026 15
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
the juju
Mube
Fotos Divulgação
Título: ‘o relógio do sabiá’
CCO: Renato simões
Diretores de arte: danilo Carvalho, arthur Ravasio e
Marlon barreto
Redatores: Renato simões, Mateus oliveira e Mike Mendes
Produtora de som: da House
Aprovação: Flavia Velloso
O Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia convida à reflexão
sobre a complexa relação entre a natureza e o ambiente urbano.
O sabiá representa a adaptação da vida natural ao ambiente
urbano e convida o público a repensar cidades mais harmoniosas
e a visitar a exposição ‘A terceira margem da cidade:
Paulo Mendes da Rocha e os desafios da vida no planeta’.
LOLA\tBWA
banCo do bRasiL
Título: ‘A força do agro vem da nossa gente’
CCO: Leo Macias
Diretores de criação: Jailma Ribeiro e Guilherme branco
CMO: Renata Valio
Aprovação cliente: Paula sayão, bruna Ferraz e andré Giancotti
A campanha traduz o entendimento de que o agro é movido por pessoas,
desde o produtor que acredita na colheita e investe em cada
safra, até os parceiros especializados do BB que orientam, aconselham
e estão presentes no dia a dia do campo. O planejamento de
mídia contempla várias frentes do agro, como o patrocínio ao programa
‘Viver sertanejo’, da TV Globo.
AfricA creAtive
estadão
Título: ‘Profetas sintéticos’
Head de Design: Hugo aranha
Head de arte: Cleber Pereira
Ideia criativa e VP de conteúdo: Patricia Colombo
Aprovação: Monalisa sorio, Regina Fogo e Luis Fernando bovo
Projeto é uma plataforma gratuita do Estadão Blue Studio que detecta
perfis de IA que exploram a vulnerabilidade espiritual sem
transparência. O projeto, criado pela Africa Creative, combina inteligência
artificial com análise humana para avaliar indícios de
uso de conteúdo gerado por IA em publicações de cunho espiritual.
18 18 de maio de 2026 - jornal propmark
d&ad
Festival muda dinâmica da premiação
e indaga se a criatividade está viva
Com a campanha ‘Creativity: dead or alive?’, D&AD faz provocação sobre
uso de IA; 20 brasileiros estão nos júris desta edição que começa dia 19
Kelly Dores
Depois do cobiçado Leão de Cannes,
um dos prêmios de criatividade
que o mercado publicitário
brasileiro – e global – mais almeja ganhar
é um Lápis (Pencil) do prestigiado
D&AD, que será realizado em 19 e 20
de maio (os jurados já se reúnem dias
antes), em Londres, no South Bank
Centre, que fica ao lado de ícones ingleses
como o Big Ben e a London Eye.
Com alcance global, o festival da
organização britânica sem fins lucrativos,
de renome mundial, focada em
promover a excelência no design e na
publicidade, tem toda uma aura britânica
em torno dele. Começando pela
localização até a sua fama de ser uma
das premiações com rigor mais elevado
para distribuir troféus.
No D&AD, o jurado não tem uma
“cota” para premiar trabalhos, como
pode acontecer em outros festivais,
já que não há o compromisso exclusivamente
com lucro. A organização é
voltada para retroalimentar o ecossistema
com educação continuada,
com masterclasses e programas gratuitos,
como o Shift e o New Blood.
Como todo ano, a barra da criatividade
é alta nos júris das diversas categorias
do festival. Em 2026, a caça
aos Lápis começa em meio a questões
estruturais da indústria após polêmicas
de cases no ano passado, envolvendo
o uso indevido de IA nos trabalhos,
cujo estopim foi o escândalo da
DM9 com a campanha ‘Efficient way to
pay’, criada para Consul, que teve GP e
prêmios cassados devido à manipulação
de imagens e conteúdo.
Não à toa, o D&AD promoveu neste
ano a campanha ‘Creativity: dead or alive?’
Afinal, a criatividade está viva ou
morta? A IA vai matar a criatividade?
Levantando questões como essas, ao
longo dos meses a ação comprovou que
a criatividade está viva, incentivando
o mercado a superar medos como “O
cliente pode não gostar”, “Vou esperar
permissão” ou “Not trusting your gut”.
A corrida para a conquista de Lápis começa em meio a questões estruturais da indústria publicitária, devido à IA
O Brasil conta com
três presidentes
de júri na 64ª
edição do D&AD
mônia de premiação específica.
O Brasil conta com três presidentes
de júri na 64ª edição do D&AD: Dulcidio
Caldeira (Boiler Films), presidente em
Production Design; Gilvana Viana (MugShot),
que vai liderar os trabalhos em
Sound Design & Use of Music; e Claudio
Lima (WOW Gaming Ventures), em Gaming
& Virtual Worlds, sendo o primeiro
brasileiro a presidir essa categoria.
Lima foi um dos nomes da série espe-
Divulgação
Vinte brasileiros participam dos júris
no D&AD 2026. Uma das mudanças nesta
edição, que terá diversas sessões, como
‘Jury insights’, ‘President’s lectures’ e
keynotes, é a dinâmica do anúncio dos
vencedores. Na quarta-feira 20, o festival
promoverá o evento ‘Yellow Pencils:
why they won’, em que os presidentes
de júri compartilharão os detalhes de
suas decisões, explicando por que os
trabalhos se destacaram e o que significa
excelência criativa no mais alto nível.
Os vencedores de Lápis Amarelo
não serão convidados ao palco durante
a apresentação, porém terão a
oportunidade de retirar seus Yellow
Pencils ao longo da noite. Os Lápis
Pretos e as Empresas do Ano serão
anunciados em setembro, em cericial
do propcast com os jurados, disponível
no YouTube do propmark.
Em 2025, inicialmente, o país havia
conquistado 46 Lápis no festival,
número que foi reduzido para 44,
após o D&AD retirar dois Wood Pencils
conquistados pela DM9 com o case
‘Plastic blood’, que também esteve no
centro das polêmicas. Na época, a organização
destacou que “como o uso
de IA não foi declarado, as inscrições
são consideradas enganosas e violam
os termos e condições do D&AD”.
No board da entidade, estão nomes
como o de Lisa Smith, global chief design
officer na Uncommon e atual presidente
da D&AD; Tim Lindsay, que ocupa
o post de chairman, e David Patton, que
assumiu em fevereiro último como CEO.
20 18 de maio de 2026 - jornal propmark
fa zer parte
da publicidade
brasileira há
tanto tempo
é para poucos.
ELECTROLUX, LÍDER DE VENDAS
EM ELETRODOMÉSTICOS.
e falamos isso
com conhecimento
de causa.
TIXAN YPÊ,O SABÃO EM PÓ Nº 1
EM VENDAS NO BRASIL.
A propaganda mudou muito desde que o propmark
começou a cobrir o mercado e a DPZ passou a fazer
parte dele.
Mas, mesmo depois de tantas décadas, uma coisa
continua intacta: o poder das grandes ideias.
Ideias que vendem. Que fazem marcas crescerem.
Foi assim que nossos clientes alcançaram resultados
históricos.
Como Tixan Ypê, que desbancou o líder da categoria
para se tornar o sabão em pó mais vendido do país.
E a Electrolux, que, ano após ano, se consolida como
a marca de eletrodomésticos mais comprada do Brasil.
Há 61 anos, a história da propaganda é contada nas
páginas do propmark.
E, há 58, a DPZ ajuda a escrever boa parte dela.
onde
marcas
crescem
©2026 SHARE VOLUME. FONTE: RETAIL INDEX EVOLUTION. FY’25 (JAN-DEZ 2025). TOTAL BRASIL. MERCADO: CP 196 - SABÕES E DETERGENTES EM PÓ - MARCA T. BR INA + C&C.
entrevista
Galvão bueno
Empresário, jornalista e narrador esportivo
‘Copa do Mundo nunca
é só mais um evento’
Fotos: Rogerio Pallatta/Divulgação SBT
Um vendedor de emoções. De verdade, com responsabilidade e sem perder a
dimensão do fato. Assim, Galvão Bueno, de 75 anos, principal narrador esportivo do
Brasil, define seu papel. Na Copa do Mundo deste ano vai liderar as transmissões
da Fifa no SBT e na N Sports. Será sua 14ª Copa e ele espera ver o país campeão.
Em seu período de Rede Globo, onde ficou por cerca de 43 anos, com 13 Copas e
600 corridas de Fórmula 1, o Brasil foi campeão do mundo em duas delas (1994 e
2002). Ele não se considera um influencer e admite que não tem metodologia para
seus famosos bordões. E dá valor à publicidade: “Trabalhei de perto com grandes
profissionais e sei a qualidade que existe aqui. Eu sou da época de nomes como
Washington Olivetto, Nizan Guanaes e tive o privilégio de conhecer e até ser amigo
de alguns deles. O Brasil tem talento demais nessa área”. Confira sua entrevista.
22 18 de maio de 2026 - jornal propmark
/LEOAG_BRASIL
LEO-BRASIL
ENQUANTO
TODO MUNDO ESTÁ
OCUPADO FALANDO,
A GENTE RESOLVEU
ESCUTAR.
Já reparou que hoje em dia todo mundo
adora falar?
Falar alto, falar rápido, falar sem parar.
A Leo pensa diferente.
Enquanto todo mundo fala,
a gente escolheu escutar.
Escutar as pessoas. As mudanças.
Os detalhes.
Escutar as ambições de negócios
dos nossos clientes.
E compreender até o que não estava dito.
Porque é só assim que se criam marcas
que vão ser ouvidas pelos consumidores.
Cada trabalho nasceu da escuta profunda
do mercado, da cultura, das pessoas.
Foi assim que transformamos conversas
em ideias. E ideias em impacto.
Se você quer ser escutado de verdade,
fale com a gente.
Paulo Macedo
Qual a sua expectativa para a Copa do Mundo de 2026 após estar
presente em 13 dessas competições desde 1974?
Copa do Mundo nunca é só mais um evento. Essa agora vai ser a minha 14ª Copa do
Mundo. E posso dizer que cada uma tem uma história, um momento que a seleção
está vivendo. Eu tive o privilégio de narrar dois títulos do Brasil, momentos que
marcaram a minha vida e a história do nosso futebol. E 2026 me desperta a mesma
expectativa. Eu sempre digo que das 22 edições que já existiram, 4 países sozinhos
já venceram 16 títulos: Brasil com 5, Itália com 4, Alemanha com 4 e Argentina com
3. Então não dá para não considerar sempre essas seleções como favoritas. Eu
acredito que o Brasil tem, sim, chances de ir longe.
“A publicidade funciona melhor
quando fortalece o espetáculo,
e não quando tenta se impor”
No rádio, a voz é essencial. E você passou por esse meio. Mas num
canal de mídia que exibe imagens, qual a importância da locução
para chamar a atenção do telespectador para o conteúdo exibido?
Eu sempre digo que eu sou um vendedor de emoções. Meu papel em uma transmissão
é passar para o telespectador toda emoção que aquele jogo pode proporcionar.
Às vezes a câmera mostra um detalhe e o narrador ajuda o telespectador a
entender por que aquele detalhe importa. Uma boa narração não descreve o óbvio.
Ela enriquece o espetáculo. Mas, ao mesmo tempo, me sinto também como um
equilibrista. Não posso deixar de me ater à realidade dos fatos. Estou sempre andando
no fio da navalha, dosando a emoção com o que de fato está acontecendo.
O que você usa como métrica para atrair e cativar a audiência?
Eu nunca pensei a comunicação por fórmula. Sempre pensei por conexão. O público
percebe quando há verdade, quando há emoção real, quando há informação e
quando há paixão. A minha “métrica” sempre foi sentir se eu estou levando o torcedor
para dentro do acontecimento. Se ele está vibrando comigo, sofrendo comigo,
sentindo-se parte daquele momento. Porque audiência não se conquista gritando
mais alto. Se conquista gerando identificação.
O locutor endossa o envolvimento das marcas com o público?
Sem dúvida. Comunicação é confiança. E quando há credibilidade, a mensagem ganha
força. A emoção aproxima. E a marca quer isso: conexão. Quando a comunicação
é autêntica, ela potencializa o vínculo entre marca e público.
O testemunhal no rádio exigia credibilidade. Na TV acontece o mesmo?
Mais ainda. Porque na televisão, além da voz, há a imagem. As pessoas estão vendo
você. Credibilidade é tudo. Sem credibilidade não existe comunicação duradoura,
nem no jornalismo, nem no entretenimento, nem na publicidade.
Os bordões ajudam na fidelização do público e também das marcas?
Acredito que tudo isso cria uma memória afetiva. Acabou entrando na cultura popular.
Eu nunca trouxe um bordão de casa, mas, ainda assim, quando uma expressão
entra na cultura, ela passa a ter valor também para as marcas. Porque marca
gosta de reconhecimento, de lembrança, de repertório emocional.
Esses bordões são criados naturalmente ou há equipe por trás?
Eu vou te contar que nunca pensei em criar nenhum bordão. Foi tudo sempre natural.
Eu nunca sentei numa mesa para dizer “vou inventar um bordão”. Eles surgiram
porque o jogo pediu. Porque a emoção pediu. E talvez seja por isso que ficaram. “Sai
que é tua” foi porque naquela angústia do jogo o Taffarel não saía do gol. “Quem é
que sobe?” foi um jogo contra a Inglaterra, na Copa do Mundo, na emoção de uma
bola aérea. “É teste pra cardíaco” então nem se fala, é exatamente o sentido da
frase, surgiu em um momento de emoção extrema. E tudo isso ficou e foi sendo
repetido não só por mim, mas pelas gerações seguintes. Hoje ainda é muito bacana
ver que até crianças que não viveram a Copa de 1994, por exemplo, usando o “É
tetra” pra comemorar alguma conquista.
Como encara a publicidade no esporte?
Como parte do ecossistema. O esporte não existe sem patrocinador. Mas eu sempre
digo: a publicidade funciona melhor quando fortalece o espetáculo, e não
quando tenta se impor sobre ele. Quando está integrada, ela ajuda a construir.
24 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Como se vê no papel de garoto-propaganda?
Com naturalidade, desde que haja coerência. Sempre procurei estar associado a
marcas em que eu acredito. Isso é fundamental. Porque minha imagem é construída
em cima de confiança e credibilidade.
Como se sente sendo um dos grandes influencers do país?
Eu não me considero um influencer. Não gosto do termo até porque sou de uma geração
que nem usava essa palavra. Eu prefiro trabalhar a confiança que as pessoas
têm no meu trabalho para divulgar o que eu gosto e acredito.
Quais campanhas mais gostou de fazer?
As que tinham verdade. As que me permitiam ser eu. Quando a campanha entende
a personalidade do comunicador, ela funciona melhor.
O que acha da publicidade brasileira?
A publicidade brasileira sempre foi referência mundial. Trabalhei de perto com
grandes profissionais e sei a qualidade que existe aqui. Eu sou da época de nomes
como Washington Olivetto, Nizan Guanaes e tive o privilégio de conhecer e até ser
amigo de alguns deles. O Brasil tem talento demais nessa área.
Como está se sentindo no SBT para esta Copa?
Estou feliz demais. Muito motivado. Existe um simbolismo bonito nisso tudo. Eu
acho que todo brasileiro é um pouco supersticioso. Do tri em 1970 para o tetra em
1994 foram quantos anos? Vinte e quatro. Agora quantos anos temos desde o penta,
em 2002? Vinte e quatro também! Aí está… eu acredito, sim, que temos chances
de ir longe. Como eu sempre digo: a seleção brasileira tem de estar sempre
entre as favoritas, pela história que carrega. Estar vivendo isso no SBT, na casa do
Silvio Santos — e eu sempre digo: a bênção, seu Silvio — é muito especial. Eu narrei
Copa pela primeira vez em 1974, num pool de Gazeta, Record e Bandeirantes; em
1978 na Record; e, a partir de 1982, na Globo, até 2022. Mas me faltava uma Copa no
SBT. Então isso, para mim, tem um significado muito grande.
Como trabalha a sua imagem?
Com coerência. Sempre foi assim. Minha imagem é extensão da minha trajetória.
Não é personagem. Eu sempre fui um profissional que se preocupa muito em entregar
o melhor para o telespectador. Um dos grandes mestres da minha carreira
foi o Boni, um gênio. Ele me dizia, sempre depois de uma grande transmissão, do
jeito dele: “Foi muito bom hoje, mas não se esqueça que amanhã sempre pode ser
melhor”. E eu levo isso para a vida, pessoal e profissional.
A voz, aliada à emoção, envolve a audiência?
É a essência disso tudo. Voz sem emoção é técnica. Emoção sem verdade é exagero.
É isso que quero dizer quando falo que me sinto um equilibrista. Preciso transmitir
emoção sem fugir da realidade.
Como é a preparação para narrar uma Copa?
Copa do Mundo é diferente de tudo. E eu sempre tratei assim. A preparação começa
muito antes de a bola rolar. Começa estudando, acompanhando, conversando, ouvindo,
revendo histórias, reativando memórias. Porque uma Copa não é só escalação e
estatística. É contexto, é história, é rivalidade, é emoção. As pessoas veem a emoção
no ar, o grito, o momento do gol…, mas por trás disso existe muita preparação. Eu
tenho a minha equipe, que vai sempre me ajudar a ir atrás de informações, de contextos,
e nós vamos discutindo tudo pra entregar o melhor resultado. São pessoas que
estão comigo há várias Copas e em quem eu confio muito. Agora, tem uma coisa que
não está em caderno nenhum. É o sentimento do momento. Porque quando a bola
rola, entra aquilo que eu sempre vivi como narrador: eu não estou ali só para contar
o que aconteceu. Eu estou ali para transmitir o tamanho daquele instante. Eu já disse
muitas vezes: eu me vejo como um vendedor de emoções. Mas emoção com verdade.
Emoção com responsabilidade. Sem perder a dimensão do fato. E talvez o mais bonito
da Copa seja isso: por mais Copas que eu tenha vivido, eu nunca tratei nenhuma como
rotina. Cada uma tem a sensação da primeira. Porque você pode estar diante de um
momento que o Brasil vai lembrar para sempre. E isso muda tudo.
O que te entusiasma no SBT?
O time que está sendo formado para essa cobertura me deixa muito entusiasmado.
Porque Copa do Mundo é um trabalho de equipe. E nós teremos uma equipe muito
forte in loco nos dez jogos que vamos transmitir direto dos estádios, incluindo
todos os jogos do Brasil, com Alexandre Pato e Mauro Beting nos comentários,
Nadine Basttos na arbitragem, e grandes repórteres: Mauro Naves, André Hernan
e João Venturi. É um time experiente, talentoso e apaixonado por futebol. E o projeto
ainda tem uma equipe forte que vai trabalhar aqui do Brasil, com mais 22 jogos
comandados por Tiago Leifert, com Juninho Paulista e Nadine Basttos nos comentários.
Ou seja, é uma operação grande, séria, pensada para fazer uma cobertura
à altura de uma Copa do Mundo. Se o ciclo pode se repetir? Eu diria: tomara. E por
que não?
Como está sendo atuar em parceria com a N Sports?
Muito especial. É um projeto que olha para frente. Inovador, moderno, apaixonado
por esporte. E isso me atrai. Também tem um valor ainda maior por eu ser sócio da
N Sports, participando da construção desse projeto. Estamos focados agora em entregar
a melhor Copa do Mundo junto com o SBT e, a partir daí, investir em tornar a N
Sports um canal cada vez mais relevante no mundo do esporte. Já contamos com uma
programação robusta para esse momento no canal, que traz talentos como Wallace
Neguerê, Isa Labate e Gabi Martins, e seguimos avançando com uma presença multiplataforma,
que inclui TV por assinatura, Fast TV, YouTube e redes sociais.
E atuar no streaming?
O streaming me atrai porque amplia possibilidades. Linguagem nova, público novo,
dinâmica nova. E eu sempre gostei de desafios.
O futebol é a paixão nacional? Como um título pode motivar o país?
O futebol é a grande paixão nacional, sim. E uma Copa do Mundo tem um poder raro:
ela une o Brasil. Une gente que pensa diferente, que vive realidades diferentes,
mas que veste a mesma camisa. Um título mundial não resolve os problemas do
país, claro que não. Mas ele mexe com a autoestima de um povo. Dá alegria, dá
orgulho, dá confiança. E isso tem um valor enorme. Eu vi isso em 1994, vi em 2002…
e quem viveu aquilo sabe do que eu estou falando.
26 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Rommel Vaz, diretor
de arte sênior da BETC
Havas: “A Copa do Mundo
é sempre um momento
para todo mundo marcar
um gol e todo tipo de gol:
crescimento profissional, ter
momentos emocionantes
com a família ou amigos,
e até começar um novo
negócio... a melhor das
Copas seria uma em
que todos os brasileiros
teriam o próprio Puskás”.
Brasileiro tenta acreditar na conquista
do hexacampeonato. Será que ele vem?
Quando o propmark surgiu em 1965 pelas mãos de Armando
Ferrentini, o Brasil já ostentava o bicampeonato mundial de futebol
Janaina Langsdorff
Um hiato de 24 anos separa o tricampeonato
de 1970 do tetra de
1994. O mesmo intervalo pode
aproximar o penta de 2002 do hexa de
2026. Será que ele vem? A menos de
um mês da 23ª edição da Copa do Mundo,
que ocorrerá nos Estados Unidos,
Canadá e México entre os dias 11 de junho
e 19 de julho de 2026, o brasileiro
renova a esperança.
Neste especial de aniversário de
61 anos do propmark, celebrado nesta
quinta-feira (21), a vitória é certa.
Campanhas históricas, ações de marcas
e agências, cobertura de mídia,
experiências ativadas pelo live marketing,
a visibilidade do meio out of
home (OOH) e a análise de especialistas
- além de artigos de convidados e
ilustrações de profissionais de criação
das agências - correm pelas páginas
seguintes, transportando o leitor para
o ar celebrativo de uma data imbuída
no maior evento esportivo do planeta.
Desta vez, um total de 104 partidas
serão disputadas por 48 equipes. Antes
eram 32. México e África do Sul darão
o pontapé inicial no estádio Azteca,
na Cidade do México. O vencedor
do Mundial será conhecido no MetLife
28 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Stadium, em Nova Jersey (EUA).
A seleção brasileira perdeu para a
França por 2 a 1 no amistoso realizado
em Boston (EUA), no dia 26 de março.
Para compensar, venceu a Croácia por
3 a 1 em outro duelo preparatório, no
Camping World Stadium, em Orlando
(EUA), no dia 31 do mesmo mês. Bom
lembrar, ou não, que a Croácia eliminou
o Brasil da Copa do Catar, em 2022.
O time de Luka Modrić venceu por 4 a
2 nos pênaltis.
Os jogadores brasileiros ainda terão
amistosos contra o Panamá, no
Maracanã (RJ), no próximo dia 31 de
maio. E contra o Egito, no Huntington
Bank Field, em Cleveland (EUA), no dia
6 de junho. A convocação oficial dos
atletas será anunciada nesta segunda-feira
(18). O Brasil estreia contra o
Marrocos no MetLife Stadium no dia 13
de junho, às 19h (horário de Brasília).
Participa do Grupo C, que ainda tem
Haiti e Escócia.
Esta é a primeira vez que canarinhos
são treinados por um italiano.
Carlo Ancelotti entra para a lista que
tem Píndaro de Carvalho (1930), Luiz
Vinhaes (1934), Adhemar Pimenta
(1938), Flávio Costa (1950), Zezé Moreira
(1954), Vicente Feola (1958 e 1966),
Aymoré Moreira (1962), Mário Zagallo
(1970, 1974 e 1998), Cláudio Coutinho
(1978), Telê Santana (1982 e 1986), Sebastião
Lazaroni (1990), Carlos Alberto
Parreira (1994 e 2006), Luiz Felipe Scolari
(2002 e 2014), Dunga (2010) e Tite
(2018 e 2022).
apito iniCial
Quando o propmark surgiu em 1965
pelas mãos de Armando Ferrentini,
o Brasil já ostentava o bicampeonato
mundial de futebol. “Driblador de
manés”, Garrincha liderou o olé de 3 a
1 sobre a Tchecoslováquia - país posteriormente
dividido entre República
Tcheca e Eslováquia - na final da Copa
do Mundo do Chile, em 1962, com Vavá,
Amarildo, Zito, Didi, Nilton Santos,
Djalma Santos e Gilmar. Foi a Copa das
reprises e do videoteipe. Pelé estava
machucado. Mesmo assim, é o maior
artilheiro da seleção em finais de
Copa com Vavá.
Quatro anos antes, na Copa de
1958 - o ano da bossa nova e dos “50
anos de progresso em cinco anos de
governo”, de Juscelino Kubitschek, o
JK, presidente do Brasil entre 1956 e
1961 -, Pelé, então com 17 anos, expôs
a sua genialidade ao mundo. Ajudou a
desbancar os donos da casa, os sue-
Só 33% dos torcedores confiam no hexacampeonato, segundo pesquisa do Datafolha realizada com 2.004 pessoas de 136 cidades
cos, por 5 a 2. “O ombro está aqui. Pode
chorar!”, disse o goleiro Gylmar dos
Santos Neves ao garoto. “É isso que eu
queria. Jogar de azul. É a cor do manto
de Nossa Senhora Aparecida”, agradeceu
Paulo Machado de Carvalho, chefe
da delegação brasileira à época.
Os registros estão na ‘Biografia das
Copas - o maior espetáculo da Terra
no rádio, na TV e nos jornais’, do jornalista
Thiago Uberreich. Inesquecível,
a taça Jules Rimet foi erguida pelo
zagueiro Hideraldo Luís Bellini. Ele
eternizou o gesto de levantar o troféu
sobre a cabeça.
Constelação
Em retrospecto, o Brasil ganhou na
Suécia em 1958, no Chile em 1962, no
México em 1970, nos Estados Unidos
em 1994 e na Coreia do Sul e Japão
em 2002. Foi vice-campeão em 1950,
quando perdeu para o azarão Uruguai
em pleno Maracanã recém-inaugurado
no Rio de Janeiro; e em 1998,
na derrota para os “Bleus” da França,
país-sede do evento daquele ano. As
infernais testadas de Zinedine Zidane,
o “Zizou”, aclamadas no Stade de France,
em Saint-Denis, em Paris, não saem
Futebol arte
Nos primeiros torneios, a camisa
da seleção brasileira era branca. E
já foi azul também. A amarelinha só
seria adotada na Suíça, em 1954 - coda
cabeça dos brasileiros.
“O trauma da derrota apagou da
minha mente boa parte daquele jogo.
Vi mais de 200 mil pessoas entrarem
em pânico e o time emudeceu. Saí
do Maracanã aos prantos”. Esse é um
trecho do testemunho ocular de Jô
Soares, que tinha só 12 anos quando
assistiu atônito a Celeste Olímpica
afundar o Brasil no Maracanã. A lembrança
está no primeiro volume de ‘O
livro de Jô - Uma autobiografia desautorizada’,
escrito com Matinas Suzuki
Jr. e lançado em 2017.
Jô Soares teve a oportunidade de
entrevistar o goleiro Barbosa, que
carregou a culpa pelo fracasso até
hoje engasgado da história do futebol
brasileiro. “O uruguaio saiu na frente
dele, Barbosa fechou o ângulo para
impedir o cruzamento da bola para o
interior da área, e ele colocou a bola
justamente no pequeno espaço entre
a trave e o goleiro brasileiro”, defendeu
Jô em suas memórias. O segundo
e derradeiro gol foi marcado por Alcides
Ghiggia. A entrevista foi ao ar
no ‘Jô Soares Onze e Meia’, no SBT, em
1998. Jô morreu em 2022.
A dor do que ficou conhecido como
Magnific
Maracanazo em 1950 se repetiu em
2014, com o fatídico Mineiraço. O
Brasil voltou a sediar a Copa 64 anos
depois. Mas amargou goleada de 7 a
1 na semifinal realizada no Mineirão,
em Belo Horizonte (MG), no dia 8 de
julho de 2014. O adversário foi a Alemanha,
tetracampeã da edição. Se
serve de consolo, a seleção brasileira
já teve um placar favorável de 7 a 1
contra a Suécia, em 1950.
Tragédias à parte, o Brasil entrou
nos gramados de todos os Mundiais
desde 1930 - em 1942 e 1946, a competição
não ocorreu devido à Segunda
Guerra Mundial (1939 a 1945).
A ideia de montar um campeonato
com seleções nacionais veio de Jules
Rimet, o terceiro presidente da Federação
Internacional de Futebol, fundada
em 1904. A Fifa celebrará o centenário
da Copa entre os dias 13 de junho
e 21 de julho de 2030. Os anfitriões serão
Espanha, Portugal e Marrocos.
30 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Magnific
Brasileiros assistirão à primeira partida da seleção no dia 13 de junho às 19h (horário de Brasília), contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey (EUA)
nhecida como a “Copa das goleadas”.
A média era de 5,38 gols por partida.
Mas quase não se sabia os resultados
das rodadas. Torcedores tinham de ir
até as redações dos jornais - principal
fonte de notícias - para saber o que
estava acontecendo.
O rádio divulgava apenas boletins,
mas viria a ser o principal meio para
ouvir uma transmissão. Ela veio em
1938, na voz do pernambucano Leonardo
Gagliano Neto, da Rádio Clube
do Brasil, no Rio de Janeiro. O mundo
estava às vésperas da Segunda Guerra
Mundial, deflagrada com a invasão
da Polônia pela Alemanha em setembro
do ano seguinte.
O tricampeonato foi especial. No
México de 1970, o Brasil consagrou
o “futebol arte”. O mundo se rendia
aos pés de Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino.
Com chute do meio de campo
e até cabeçada milagrosamente defendida
pelo goleiro Gordon Banks,
da Inglaterra, o Rei levou o Brasil à
final no campo do Azteca, com vitória
por 4 a 1 sobre a Itália - que, aliás,
não consegue se classificar para
uma Copa desde 2014.
Logo vieram contratos publicitários
com Café Pelé, Puma, Rayovac,
Nokia, Pepsi, Emirates Airlines, Louis
Vuitton e televisores Colorado RQ. Humilde
e carismático, o homem dos mil
gols se recusou a promover bebidas
alcoólicas, cigarros, jogos de azar e
mensagens de cunho religioso e político.
Os princípios empenhados pelo
Atleta do Século são retratados por
José Fornos Rodrigues, o Pepito, que
assumiu a gestão da marca Pelé em
1971. A trajetória está descrita nas páginas
de ‘Pelé, o legado desconhecido’.
As agências McCann Erickson e
Thompson, à época, travaram batalha
com o governo para inserir patrocinadores
no que seria posteriormente
considerado o melhor Mundial da história.
Esso e Gillette, por exemplo, deram,
assim, o chute inaugural em suas
táticas de comunicação.
Um só coração
“Pra frente Brasil. Salve a seleção”.
Quem viveu nos anos de 1970 sabe a
força desses versos. A música de Miguel
Gustavo se transformou no hino
do tricampeonato, até hoje evocada
à revelia de seu uso político. Eram os
“anos de chumbo”. Transmitida ao vivo
pela TV, via satélite, a Copa do México
estreou nos televisores coloridos do
país. Foi a primeira vez que o brasileiro
viu um jogador erguer a taça. A missão
foi incumbida ao lateral-direito e
capitão Carlos Alberto Torres.
Na mídia, o levante repetia atitudes
tão intensas quanto a celebração
de um gol. Anúncios em jornais
chegaram a sugerir que as pessoas
tirassem o som das TVs para manter o
ouvido grudado nos rádios. Tantas vozes
marcaram a narração esportiva.
Entre TV e rádio, estão Fiori Gigliotti,
Fernando Solera, Luciano do Valle, Walter
Abrahão, Galvão Bueno, Silvio Luiz,
Luiz Noriega, José Carlos Cicarelli, José
Silvério, Oliveira Andrade e Osmar Santos.
Quem diria, áudios e cenas memoráveis
estão hoje ao alcance das mais
diversas telas.
O Brasil não ganhou a Copa de 1982,
na Espanha. Mas a seleção de Telê
Santana, com Zico, Sócrates, Falcão,
entre outros craques, permanece no
coração do torcedor. O vacilo contra a
Itália - com o algoz Paolo Rossi furando
a zaga brasileira rumo à vitória por
3 a 2 - ainda é difícil de engolir. Factível,
porém, foi o pioneirismo da Globo ao
obter exclusividade das transmissões
da Copa, acirrando a rivalidade com
adversários nos anos subsequentes.
Dono do SBT e naquela época também
da Record, em parceria com o
fundador Paulo Machado de Carvalho,
Silvio Santos criou o mote ‘Unidos
venceremos’, enquanto a Globo
trouxe ‘Mexicoração’ e inovou com o
tira-teima, recurso de TV para lances
duvidosos, apresentado em 1986.
A evolução entraria em campo na
Copa da Rússia, em 2018, com a adoção
do árbitro de vídeo, o VAR (Video
Assistant Referee), ferramenta oficial
de arbitragem com poder de influenciar
a decisão do juiz.
Desabafo
“É tetra, é tetra, é tetra”, berrava
Galvão Bueno. Ao seu lado, Pelé, igualmente
em êxtase. Após 24 anos do tricampeonato,
o Brasil voltou a vencer
uma Copa. Temperado pelo gosto acre
da revanche, o triunfo sobre os italianos
chegou com decisão nos pênaltis.
Na quinta cobrança, Roberto Baggio
chutou a bola longe do travessão. No
dia 17 de julho de 1994, em Los Angeles
(EUA), o Brasil de Romário, Bebeto e
Taffarel finalmente despachou a Squadra
Azzurra, e se tornou tetracampeão.
O técnico Mário Jorge Lobo Zagallo,
então com 62 anos, bateu recorde. O
“velho lobo” ganhou como jogador em
1958 e 1962; treinador em 1970; e coordenador
do técnico Carlos Alberto
Parreira, em 1994.
Quem não se lembra do gol “embala
nenê” em partida contra a Holanda?
A gorduchinha enterrada no fundo das
redes parecia um “cala a boca” às críticas.
A performance do time era questionada
o tempo todo. Mesmo assim, o
título foi tão real quanto o plano econômico
articulado pelo ministro da Fazenda
Fernando Henrique Cardoso, no
governo do presidente Itamar Franco.
A nova moeda, o real, estabilizou os
índices de hiperinflação vivenciados
32 18 de maio de 2026 - jornal propmark
no início da década de 1990. Do futebol
para as pistas de Fórmula 1, o tetra
foi dedicado ao piloto Ayrton Senna,
morto no dia 1º de maio de 1994, aos
34 anos, durante corrida pelo Grande
Prêmio de San Marino, no circuito de
Ímola, na Itália.
Após a campanha acachapante de
1998, a quinta estrela chegaria em
2002, nas madrugadas da Copa do
Japão e Coreia do Sul. A consagração
veio contra a Alemanha do goleiro
Oliver Kahn e o meia Michael Ballack.
Cercado de dúvidas, o time de Felipão,
com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho
Gaúcho, Roberto Carlos e Rivaldo
surpreendeu. Foram sete partidas
disputadas. Todas vencidas. Ronaldo
Nazário era o retrato da resiliência.
Superou uma grave contusão no joelho
e, com corte de cabelo “Cascão” e
tudo, marcou dois gols na final e terminou
como artilheiro.
No total, o Fenômeno emplacou
oito e alcançou a marca de 12 gols em
Copas, feito antes guardado por Pelé.
O Rei viu o pentacampeonato de perto
e abraçou cada jogador. O capitão Cafu
é o único a participar de três finais
consecutivas - hoje estrela campanhas
para Johnnie Walker, McDonald’s
e Superbet, e comenta jogos.
Embaixador da Fifa, acompanhou
no último mês de fevereiro o tour da
taça da Copa do Mundo, que passou
por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília,
com apoio da Coca-Cola, que patrocina
a competição há quase cinco
décadas.
Reprodução/Instagram @brasil
Camisa da seleção brasileira, que foi alvo de polêmica envolvendo a frase ‘Vai, Brasa’
JeJum
O Brasil encara hoje um jejum de
títulos. A Itália venceu na Alemanha
em 2006; a Espanha, na África do Sul
em 2010; a Alemanha, no Brasil em
2014; a França, na Rússia em 2018; e a
Argentina, no Catar em 2022 - mesmo
ano em que Pelé morreu, aos 82 anos.
A despeito da sequência de tropeços,
a Copa segue como o maior espetáculo
do mundo, capaz de reunir pessoas
em torno dos ideais de superação intrínsecos
ao esporte introduzido no
Brasil pelo inglês Charles Miller em
1894.
Em 3 de março, cem dias do evento,
a Fifa lançou pôster para lembrar
a potência do futebol em unir nações,
mesmo em tempos de polarização e
intenções beligerantes. A expectativa
é receber cerca de 6,5 milhões de torcedores
nos estádios e engajar outros
seis bilhões por meio dos canais de
mídia. No Brasil, a paixão pelo futebol
permanece inabalável.
O país receberá o Mundial Feminino,
de 24 de junho a 25 de julho de
2027, a primeira edição do torneio na
América do Sul. O interesse das mulheres
por Copas aumentou de 58%
em 2014 para 71% em 2025, quando o
estudo ‘Women and sports 2026’ foi
realizado pelo Ibope Repucom.
Súmula
A Copa do Mundo de 2026 deve
movimentar US$ 40,9 bilhões no PIB
globalmente. Mas o investimento na
publicidade mundial indica trajetória
de queda. A previsão é aportar US$
10,5 bilhões, aquém do valor de US$
12,6 bilhões registrado na Rússia em
2018. Na comparação com a Copa de
2022, no Catar, o incremento é de apenas
1,1%. Os dados são da consultoria
de pesquisa Warc, do grupo britânico
Informa, que realiza o festival Cannes
Lions.
A mídia continua entrando em bola
dividida. O relatório ‘Global Ad Trends:
Fifa World Cup 2026’ mostra que a
Copa do Catar alcançou 2,87 bilhões de
pessoas por pelo menos um minuto,
mas o alcance da TV linear caiu 11,9%
em comparação com 2018.
Desta vez, jogos exibidos fora do
horário nobre na Europa, Oriente Médio
e Ásia devem alçar oportunidades
para além da transmissão ao vivo.
“Marcas vão se engajar com fãs durante
e depois do término das disputas.
Os planos de mídia incluirão plataformas
capazes de se beneficiar com
as conversas sem o ônus de disputar
direitos, dos criadores de conteúdo
aos podcasts”, sinaliza Alex Brownsell,
head of content da Warc Media.
O Brasil reproduz lance parecido.
A TV sai na frente, com 72% da intenção
de audiência, mas as plataformas
estão no pé com 63% do favoritismo.
CazéTV, que exibirá as 104 partidas,
é um exemplo. A disparada da mídia
está diluída. “O torcedor não depende
mais de uma única tela. Isso significa
repensar presença e comunicação”,
sugere Salomão Araújo, vice-presidente
comercial da rede de afiliados e
marketing de performance Rakuten
Advertising, autora do estudo ‘Affiliate
intelligence’.
Cerca de 62% dos torcedores pretendem
acompanhar resultados, comentários
e conteúdos no WhatsApp,
Instagram, TikTok e YouTube. O Globo-
Play é mencionado por 40% dos participantes
da pesquisa realizada com
503 pessoas entre 18 e 70 anos.
Será essa a Copa do conteúdo digital
first? O YouTube acredita já ter
desmontado a arquibancada passiva.
A plataforma do Google garante que
56% dos fãs de esportes no Brasil agora
preferem acompanhar comentários
na internet que na TV tradicional.
Segundo o relatório ‘A revolução no
futebol’, 73% assistem ou interagem
com análises esportivas de criadores
semanalmente e 82% compartilham
experiências em eventos esportivos
pelo menos uma vez por mês na rede.
“A ascensão de canais como CazéTV,
que atingiu o marco de um bilhão de
visualizações no Mundial de Clubes de
2025, prova que o público escolheu o
YouTube como seu estádio”, comenta
Bruno Telloli, gerente de cultura e tendências
do YouTube.
Globo e SBT - que detêm os direitos
de transmissão do Mundial com
CazéTV no digital -, também sabem
que o embate extrapola o tempo regulamentar.
O canal Ge TV, lançado
pela Globo no YouTube em 2025, transmitirá
de forma gratuita 32 jogos no
Globoplay e em diferentes parceiros e
plataformas de distribuição.
Mais de 30 marcas já anunciaram
na plataforma que, em seis meses, alcançou
mais de 40 milhões de pessoas
e 190 milhões de horas consumidas.
YouTube, Instagram e TikTok totalizam
4,7 bilhões de visualizações. A Globo
transmitirá um total de 55 partidas, e
o SBT e N Sports, 32.
A Kantar joga no mesmo time. Levantamento
mostra hegemonia da
TV aberta (73%), mantida por sua capilaridade
geográfica. Depois vêm TV
por assinatura (39%), streaming (31%),
redes sociais (23%) e rádio (4%). Esse
último conserva a sua característica
de cobertura em locais remotos. Mas
cresce o interesse por notícias (68%),
memes e redes sociais (50%), vídeos
de melhores momentos (38%) e estatísticas
(32%).
OlhO nO lance
Ao mesmo tempo em que comemora
um gol visto na transmissão da TV,
o torcedor conversa sobre a partida
no WhatsApp (47%), confere memes
nas redes sociais (38%) e pede comida
por aplicativos de delivery (29%). Os
dados são do Instituto Qualibest.
Muitos ainda ficarão de olho nas
bets. De acordo com a Kantar, 37% dos
brasileiros apostarão em resultados
de partidas (51%), número de gols
(26%), campeão da Copa (18%), lances
específicos (10%) e artilheiro (8%).
Streamings estão no encalço. Oferecem
“interatividade, conteúdo sob demanda
e acesso a análises em tempo
real”, confirma Fernanda Bassanello,
diretora de brand da Kantar Brasil.
Tecnologias digitais, gamificação e
interatividade com quizzes e enquetes
podem ampliar vantagens na briga ferrenha
por atenção. Abordagens repetidas
inundaram a Copa do Catar. As mar-
34 18 de maio de 2026 - jornal propmark
O capitão
convocou.
Você vai ficar
de fora?
Participação válida para pessoas físicas maiores de 18 anos, mediante a compra mínima de R$ 50,00 nas lojas participantes em território nacional e cadastro realizado no site
www.botaprajogoselect.com.br ou via WhatsApp (11) 3506-8271 (enviando a palavra “participar”), no período de 18/5/2026 a 26/6/2026 (horário de Brasília). Caso, no mesmo
comprovante fiscal válido, conste(m) produto(s) Ambev acelerador(es), o participante ganhará um número da sorte extra por comprovante cadastrado. Não serão considerados, para fins
de participação, os valores correspondentes a bebidas alcoólicas com teor alcoólico superior a 13 graus Gay-Lussac, bem como fumo e seus derivados. Os sorteios serão realizados com
base nas extrações da Loteria Federal dos dias 3, 10, 17 e 24/6 e 1/7/2026. Guarde todos os comprovantes fiscais de compra cadastrados. Antes de participar, leia o regulamento, consulte
as lojas participantes e os produtos Ambev aceleradores no site. Certificado de Autorização SPA/ME nº 04.048998/2026.
Ano - 1954 Ano - 1954
Local - Local Suiça- Suiça
Campeão Campeão - Alemanha - Alemanha
Ano - 1958 Ano - 1958
Local - Local Suécia - Suécia
Campeão Campeão - Brasil - Brasil
Ano - 1966 Ano - 1966
Local - Local Inglaterra - Inglaterra
Campeão Campeão - Inglaterra - Inglaterra
Ano - 1994 Ano - 1994
Local - Local EUA - EUA
Campeão Campeão - Brasil - Brasil
Ano - 1938 Ano - 1938
Local - Local França - França
Campeão Campeão - Itália- Itália
Ano - 1998 Ano - 1998
Local - Local França - França
Campeão Campeão - França - França
Ano - 1970 Ano - 1970
Local - Local México - México
Campeão Campeão - Brasil - Brasil
Ano - 1986 Ano - 1986
Local - Local México - México
Campeão Campeão - Argentina - Argentina
Ano - 1934 Ano - 1934
Local - Local Itália- Itália
Campeão Campeão - Itália- Itália
Ano - 1990 Ano - 1990
Local - Local Itália- Itália
Campeão Campeão - Alemanha - Alemanha
Ano - 1982 Ano - 1982
Local - Local Espanha - Espanha
Campeão Campeão - Itália- Itália
Ano - 1978 Ano - 1978
Local - Local Argentina - Argentina
Campeão Campeão - Argentina - Argentina
Ano - 1962 Ano - 1962
Local - Local Chile- Chile
Campeão Campeão -
Brasil - Brasil
Ano - 1950 Ano - 1950
Local - Local Brasil - Brasil
Campeão Campeão - Uruguai - Uruguai
Ano - 2014 Ano - 2014
Local - Brasil Local - Brasil
Campeão Campeão - Alemanha - Alemanha
Ano - 1930 Ano - 1930
Local - Uruguai Local - Uruguai
Campeão Campeão - Uruguai - Uruguai
36 1836 de maio 18 de de maio 2026 de - 2026 jornal - jornal propmark propmark
Ano - 2018 Ano - 2018
Ano - 2018
Local - Local Rússia
- Local Rússia
- Rússia
Campeão Campeão - França
Campeão - França
- França
Ano - 1974 Ano - 1974
Ano - 1974
Local - Local Alemanha
- Local Alemanha
- Alemanha
Campeão Campeão - Alemanha
Campeão - Alemanha
- Alemanha
Ano - 2006 Ano - 2006
Ano - 2006
Local - Local Alemanha
- Local Alemanha
- Alemanha
Campeão Campeão - Itália
Campeão - Itália
- Itália
Ano - 2002 Ano - 2002
Ano - 2002
Local - Local Japão - Local Japão e Coreia - Japão e Coreia do e Sul
Coreia do Sul
do Sul
Campeão Campeão - Brasil
Campeão - Brasil
- Brasil
Ano - 2022 Ano - 2022
Ano - 2022
Local - Local Catar
- Local Catar
- Catar
Campeão Campeão - Argentina
Campeão - Argentina
- Argentina
Ano - 2010 Ano - 2010
Ano - 2010
Local - Local África - Local África do Sul
- África do Sul
do Sul
Campeão Campeão - Espanha
Campeão - Espanha
- Espanha
Logos: Seeklogo Logos: Seeklogo e FreeImages
e FreeImages
Mapa: Magnific
Mapa: Magnific
jornal jornal propmark propmark - 18 de - 18 maio de de maio 2026 de 2026 37
37
ChatGPT
Jogos ganham estatísticas, análises, memes, comentários e uma infinidade de conteúdos que saem dos maiores estádios de futebol do mundo e se espalham para o campo digital
cas falaram mais do torneio e deixaram
a sua identidade e posicionamento no
escanteio. A Kantar recomenda definir
promessas com símbolos e cores proprietárias,
manter guidelines aplicáveis
e alinhados aos parceiros.
Na trave
Desde que o Brasil conquistou a
Copa de 2002, a identificação dos brasileiros
com a seleção enfraqueceu.
Para além das eliminações nas quartas
de final nos anos de 2006, 2010,
2018 e 2022 - e na semifinal do Mundial
de 2014 - jogadores que atuam
em outros países acentuam a ruptura.
Só 33% confiam no hexacampeonato,
segundo pesquisa do Instituto Datafolha
realizada com 2.004 pessoas de
136 cidades em junho de 2025. Esse
é o menor indicador da série iniciada
em 1994.
Os jovens estão mais otimistas e
puxam o consumo de conteúdo alastrado
nas redes sociais. O burburinho
da internet incide nas marcas. Coca-
-Cola (75%), Nike (65%), Adidas (62%),
Itaú (48%), Visa (46%), Guaraná Antarctica
(44%), McDonald’s (43%), Mercado
Livre (42%), Vivo (41%), Ambev
(39%), Rexona (38%), Budweiser (36%),
iFood (35%), Qatar Airways (33%) e
Amazon (32%) são as mais lembradas,
segundo o Qualibest.
Mas no jogo truncado, pode surgir
um cartão vermelho. Os brasileiros
rejeitaram a expressão ‘Vai, Brasa’,
que estampava a camisa lançada pela
Nike - fornecedora oficial de material
esportivo da seleção brasileira -, no
dia 21 de março. Críticos alegam que
os brasileiros não utilizam o termo
“brasa” para se referir ao país.
A polêmica esquentou, e a Confederação
Brasileira de Futebol (CBF)
barrou a frase. Mesmo assim, 35%
dos brasileiros planejam comprar o
modelo oficial e 24% tendem a optar
por similares, de acordo com o Qualibest.
O preço também joga contra.
A camisa de jogador custa R$ 750,
nas versões amarela ‘canary’ ou
azul ‘Jordan’ do segundo uniforme.
A Copa do Mundo
de 2026 deve
movimentar US$
40,9 bilhões no
PIB globalmente
tamento da plataforma de experiências
Musicalize, do Grupo Dreamers, é
essencial captar sentimentos de brasilidade,
esperança e vibração. Marcas
atentas à criatividade do brasileiro
- de roupas e comidas aos memes - podem
criar recordações inesquecíveis.
Embora oportuna, a transformação
de hábitos de consumo arma jogadas
desconcertantes para os estrategistas
de plantão. Com ‘O jogo fora de campo:
Decisões, marcas e consumo do brasileiro
na preparação para a Copa do
Mundo 2026’, a empresa de insights
de consumo MindMiners avisa que 34%
das mil pessoas ouvidas consideram
mudar comportamentos e 43% adaptam
compras conforme a ocasião. “Isso
indica um ambiente extremamente
Prelúdio
As abordagens das marcas devem
proporcionar entretenimento, com
música e diversão, para aliviar tensões
cotidianas e reavivar o espírito
coletivo. Ademais, as pessoas querem
fazer parte da torcida. De acordo com
o Brands People & Music (BPM), levansensível
a estímulos de marca, preço
e conveniência”, declara Rosana Camilotti,
diretora de excelência do cliente
e expansão da MindMiners.
Embora redutos da torcida, bares,
restaurantes e locais públicos (22%)
cedem espaço para o ambiente doméstico
(57%). Petiscos (57%), carnes
para churrasco (51%), snacks (46%),
pizza (40%), refrigerantes (76%) e
cervejas (75%) dominam escolhas.
Promoções e descontos (47%), ações
criativas (39%), prêmios e sorteios
(39%) e campanhas divertidas (34%)
entram no pacote.
Produtos colecionáveis também
são convocados. “Um em cada três
brasileiros demonstra interesse por
álbuns de figurinhas, embalagens especiais
ou brindes, mostrando que o
evento também pode prolongar essa
experiência”, informa Fábia Silveira,
gerente de pesquisa do Instituto Qualibest.
Mas contar histórias que emocionam
ainda é o principal motivador
para quem acredita na conquista do
hexacampeonato. Raul Seixas lembra
em ‘Prelúdio’ que ‘Sonho que se sonha
só é só um sonho. Sonho que se sonha
junto é realidade’.
40 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
A bola é o
coração do jogo
Leo Macias
A
bola é o símbolo mais evidente do futebol.
Mas, para mim, ela nunca foi apenas uma
bola. Ela é o coração do jogo. No instante em
que o juiz apita, algo começa a pulsar. O primeiro
toque é a primeira batida, e a partir dali cada passe,
cada aproximação, cada segundo em campo
ganha ritmo. É desse pulso que nasce a emoção.
Quando pensei nessa imagem, ela veio assim.
Um coração cercado por espinhos. Espinhos que
carregam a ansiedade, a dúvida que acompanha
cada lance, a incerteza de não saber até onde vamos.
Eles apertam, tensionam, lembram que nada
está garantido.
Mas o coração segue. E em algum momento ele
se abre. De dentro nascem rosas. Porque, mesmo
atravessados por tudo isso, existe algo que permanece.
Uma confiança quase invisível, quase
silenciosa, de que vai dar certo.
E quando floresce, não é só o jogo. Floresce a
alegria, floresce o encontro, floresce essa conexão
inexplicável com pessoas que nunca vimos,
mas que naquele instante sentem exatamente o
mesmo.
Talvez seja isso que o futebol faz. Ele não acontece
só no campo. Ele acontece dentro da gente,
no ritmo de um coração que insiste em continuar
batendo.
Leo Macias
é CCO da Lola\TBWA
42 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Douglas Barreto e Eduardo Lautert, respectivamente diretor de arte e redator da VML Brasil: “A Copa do Mundo
deixou de ser só campeonato e virou conteúdo, pulsando em múltiplas telas numa disputa fora de campo também.
O tático não é mais só papo de comentarista, virou entrega de always on: dos bastidores aos reacts, das análises aos
memes, tudo é jogo jogado. As marcas mudaram o jogo e a regra é disputar não só a bola, mas a atenção. E assim, deixar
de fazer publicidade nas placas da beira de campo para fazer comunicação na timeline - no aquecimento, no jogo e no
pós-jogo. E como toda Copa tem uma estreia, pela primeira vez a inteligência artificial tá escalada não só distribuindo
jogo, mas lendo, recriando, comentando e antecipando os lances. Olho na tela e em todo resto”.
Marcas entram em campo prometendo
experiências emocionais para audiência
Patrocinador histórico da seleção brasileira, o Itaú estruturou sua
atuação para o Mundial a partir da plataforma ‘Torcendo feito você’
Kelly Dores
Os jogadores das 48 seleções de
futebol participantes da Copa
do Mundo de 2026 entrarão em
campo dividindo a bola não só com
os adversários, mas também com as
marcas patrocinadoras, parceiras e
apoiadoras oficiais do Mundial da Fifa,
que prometem momentos históricos
para a audiência. Maior evento esportivo
do mundo, o torneio mexe com
sentimentos genuínos como emoção,
paixão e mobiliza torcedores pelos
quatro cantos do planeta, sendo considerado
um território poderoso para
as marcas se conectarem com o público
e construírem memórias afetivas.
Aqui no Brasil, empresas de segmentos
variados vão investir pesado
em ativações durante os 39 dias de
Copa, que neste ano será realizada de
11 de junho a 19 de julho no México, Estados
Unidos e Canadá.
Patrocinador histórico da seleção
brasileira, o Itaú estruturou sua atuação
a partir da plataforma ‘Torcendo
feito você’. Para o banco, o futebol
extrapola o campo. “Ele organiza conversas,
influencia comportamentos
e está profundamente conectado ao
cotidiano das pessoas. Por isso, nossa
estratégia nasce de uma leitura aprofundada
das jornadas dos consumidores
nesse período atípico, em que
emoções, consumo, deslocamento e
44 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Juliana Cury: “Estamos olhando para diversas arenas”
O craque Ronaldo está na campanha do Itaú ‘Torcendo feito você’, que terá presença relevante na mídia
tomadas de decisão se intensificam,
integrando marca, negócio, experiência
e relacionamento ao longo de
toda a jornada do torcedor. Estamos
olhando para os diversos contextos
e arenas comerciais relevantes para
as pessoas ao longo dessas jornadas
para atuar com produtos, benefícios
e experiências que sejam de fato importantes
para diferentes tipos de
torcedores”, explica Juliana Cury, CMO
do Itaú Unibanco.
O Itaú estará nas transmissões da
TV Globo, com o objetivo de garantir
alcance e consistência. Por outro
lado, busca ampliar relevância e proximidade
ao renovar a parceria com
a CazéTV, “que nos permite participar
da experiência do futebol de forma
mais conversacional, digital e interativa,
refletindo o papel crescente da
segunda tela na forma como o jogo é
vivido hoje”.
A marca também entra em campo
com soluções como meios de pagamento,
Pix no WhatsApp, Itaú Shop e
programas de relacionamento que,
segundo o banco, passam a ser facilitadores
da experiência de torcer,
seja no consumo do dia a dia, seja em
momentos de maior envolvimento
emocional.
Patrocinador oficial de todas as
seleções brasileiras de futebol, masculinas
e femininas, desde 2008, a trajetória
do Itaú com a seleção evoluiu
de uma estratégia focada em visibilidade
de marca para uma plataforma
consistente de construção de relacionamento
e geração de valor. “Ao longo
do tempo, aprendemos a explorar
todo o ecossistema desse patrocínio,
da seleção principal às categorias de
base, como um ativo estratégico de
longo prazo”, destaca a CMO.
Segundo a executiva, o Itaú Unibanco
mantém uma relação contínua
com o futebol brasileiro e acompanha
a jornada das seleções em grandes
torneios e no dia a dia, em amistosos
e competições menores. “Esse é um
dos pilares mais sólidos da nossa estratégia
de marca, pois nos conecta
diretamente a um dos maiores símbolos
de identidade nacional e orgulho.”
Ela ressalta que, ao longo dos anos,
a parceria foi evoluindo em linha com
as transformações do país e do comportamento
do torcedor. “Tivemos
ciclos mais centrados na emoção coletiva
e outros em que reforçamos
atributos como confiança e consistência.
Mais recentemente, incorporamos
de forma estruturada a dimensão digital
e conversacional, reconhecendo
que o futebol também é vivido nas
plataformas, nas redes e na interação
em tempo real”.
Juliana afirma que o banco não
trata o patrocínio como um ativo de
exposição, mas como uma plataforma
viva de construção de relevância, que
exige consistência ao longo do tempo,
mas também atualização constante
na forma de se comunicar e de gerar
valor para as pessoas.
Para a Copa do Mundo de 2026, a
mensagem central é ‘Torcendo feito
“Em vez de tentar
uniformizar a
torcida, buscamos
refletir a
pluralidade”
você’, que nasce de uma leitura muito
clara sobre o momento atual: não
existe mais um único jeito de torcer.
Em síntese, a meta é posicionar o Itaú
como um parceiro presente em todas
as jornadas.
“A nossa comunicação parte exatamente
desse ponto. Em vez de tentar
uniformizar a torcida, buscamos
refletir essa pluralidade. Queremos
representar o torcedor que se planeja
para acompanhar a seleção de perto,
aquele que transforma cada jogo em
um momento coletivo, o empreendedor
que encontra oportunidades de
negócio nesse período e o público que
vive o futebol no ambiente digital,
participando das conversas, criando
conteúdo e interagindo em tempo
real”, avalia Juliana.
O principal objetivo é reforçar a
principalidade do Itaú na vida dos
clientes. “Queremos seguir construindo
uma relação cada vez mais profunda
com eles, por isso vamos mostrar
que quanto mais usam o Itaú, mais
nossos clientes têm benefícios e ex-
periências especiais. A Copa funciona
como um catalisador de relacionamento,
criando uma oportunidade
única de fortalecer marca, gerar vínculo
e impulsionar negócios de forma
integrada. Esperamos impacto em
três frentes complementares: fortalecimento
de marca, engajamento
dos clientes e geração de negócios”,
destaca a CMO.
Do ponto de vista de marca, a visão
é ampliar a relevância e a diferenciação
em um território central da cultura
brasileira. “No relacionamento, queremos
estimular o uso recorrente dos
nossos canais, produtos e benefícios.
E, no negócio, esperamos resultados
em frentes como meios de pagamento,
Itaú Shop e adesão às promoções.
Essa leitura é feita de forma integrada,
conectando cultura, comportamento
e resultado.”
De acordo com Juliana Cury, o Itaú
terá uma presença relevante em mídia,
com uma estratégia que combina
o alcance da TV aberta com a conversação,
a proximidade e a contextualização
das plataformas digitais, além
de ações em redes sociais e outros
pontos de contato.
“As ativações já começaram de forma
incremental e ganham intensidade
ao longo do tempo, pois tratamos
esse território não como um evento
pontual, mas como uma plataforma
contínua de conexão com as pessoas,
com impacto de longo prazo para
a marca e para o negócio”, pontua a
executiva.
jornal propmark - 18 de maio de 2026 45
propmark 61 anos
Ambev aposta em campanhas para
resgatar sentimento de ‘Brasil campeão’
Com marcas como Budweiser, Brahma e Guaraná Antarctica, empresa
amplia ecossistema, com presença em vários canais de distribuição
Fotos: Divulgação
Leandro Mendonça: “Bares reforçam sua relevância”
Kelly Dores
Os barzinhos estão entre os locais
mais escolhidos pelos brasileiros
para assistir aos jogos da Copa do
Mundo. Sempre foi assim e neste ano
não deve ser diferente. Em São Paulo,
maior capital do país, tem determinados
estabelecimentos que lotam em dias de
partidas da seleção brasileira. Festas e
ativações em geral devem ganhar também
uma audiência importante. Para a
categoria cervejeira, é um momento de
maior consumo, que exige presença das
marcas em diferentes canais. Afinal, é
difícil quem não toma uma cervejinha
numa partida de futebol.
A Ambev, parceira do Mundial há décadas,
enfatiza que a Copa da Fifa tem
um selo único na cultura brasileira e
estará presente nessa jornada ao lado
dos consumidores com um ecossistema
ampliado, dos bares às casas, passando
por festas e ativações pelo país.
“Em 2026, ampliamos essa atuação
com um ecossistema que combina
experiência, inovação e conveniência,
expandindo a presença em pontos de
venda, fortalecendo a execução com
parceiros e capturando novas ocasiões
Objetivo da companhia é ampliar as ocasiões de celebração e tornar a Copa uma experiência ainda mais conectada
de consumo com um portfólio adaptado
a diferentes momentos”, afirma Leandro
Mendonça, diretor de eventos e experiências
da Ambev.
Dentro desse contexto, a empresa
acredita que os bares têm um papel
fundamental na economia e, durante
a Copa, serão o verdadeiro estádio dos
brasileiros. “Como espaços centrais de
conexão, pertencimento e experiências
coletivas que só o futebol proporciona,
os bares reforçam sua relevância ao
longo do torneio. Ao lado de seus parceiros,
a companhia potencializa essas
ocasiões, fortalecendo o bar como ponto
de encontro e ampliando o consumo
em momentos-chave da competição”,
ressalta ele.
Entre os projetos, Mendonça informa
que um dos destaques será a Arena Nº1,
liderada pela Brahma, que transforma
cinco capitais brasileiras em arquibancadas,
com transmissão dos jogos da
seleção, shows e ativações imersivas.
Com Budweiser, o objetivo é celebrar
o esporte em sua dimensão
global. Em 2026, a marca completa 40
anos de parceria com a Fifa. O legado
ganha forma em uma coleção de seis
garrafas de alumínio exclusivas, que
homenageiam edições históricas —
incluindo a Copa do Mundo de 2002,
quando o Brasil foi pentacampeão.
Já Guaraná Antarctica lançou uma
edição limitada de latas colecionáveis
inspiradas nos mantos históricos
da seleção brasileira, celebrando as
conquistas de 1958, 1962, 1970, 1994 e
2002, e resgatando o orgulho nacional.
O lançamento faz parte da campanha
‘Sede de torcer é coisa nossa’
e se materializou em uma experiência
visual no Parque Bondinho Pão de
Açúcar — que amanheceu, no dia 27 de
abril, ‘vestido’ com o manto.
“Nosso portfólio acompanha o torcedor
em diferentes momentos: da
torcida mais tradicional às novas formas
de celebrar. Para além de Brahma,
Budweiser e Guaraná Antarctica, Michelob
Ultra aparece como uma opção leve
e equilibrada para diferentes ocasiões,
Flying Fish convida o consumidor a explorar
novas experiências, e Zé Delivery
garante praticidade, conectando tudo
isso com conveniência, onde e quando o
torcedor quiser”, diz o diretor da Ambev.
“Mais do que campanhas, nosso
objetivo é ampliar as ocasiões de
celebração e tornar a Copa uma ex-
periência ainda mais conectada, coletiva
e relevante para os brasileiros”,
completa ele. O executivo lembra que
existe hoje uma geração inteira que
ainda não viveu um Brasil campeão
do mundo e “é esse sentimento que
queremos ajudar a resgatar e potencializar,
com um portfólio que reflete
as diferentes formas de viver a Copa”.
Para engajar a torcida brasileira,
Brahma está com a campanha ‘Tá liberado
acreditar’, convidando o torcedor a se
reconectar com a confiança e a mística
do futebol brasileiro, aquele que surpreende,
emociona e transforma qualquer
jogo em um momento inesquecível. Já
Guaraná Antarctica reforça esse território
da brasilidade ao celebrar o jeito
“originalmente emocionado” de torcer.
“Mais do que inflamar a torcida, queremos
ajudar a transformar cada jogo
em um momento coletivo, vivido com
intensidade e com a energia única que
só o brasileiro tem”, salienta Mendonça.
“Nossa estratégia é estar presente
em toda a jornada do torcedor, do
aquecimento ao apito final, garantindo
que cada momento de celebração seja
acompanhado pelas nossas marcas”,
finaliza o executivo.
48 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Bradesco escala Ronald Nazário em ação
para gerar identificação com o futebol
Banco aposta em promoções e construção de narrativa para entrar
no clima da Copa, com campanha “robusta” e integrada na mídia
Fotos: Divulgação
José Mauricio Lilla: “Presença em momento relevante”
Ronald é o rosto da campanha que divulga a promoção que levará 50 clientes para assistir aos jogos da Copa
Kelly Dores
O
Bradesco aposta em promoções
e na construção de narrativa para
entrar no clima da Copa, considerada
um território naturalmente
potente no Brasil. “A mobilização já
existe, cultural, emocional e coletiva,
e o nosso papel é dar sentido a ela
dentro da relação com o cliente, tornando
essa conexão mais próxima e
relevante”, ressalta José Mauricio Lilla,
head de comunicação do Bradesco.
Para 2026, o banco organizou a
atuação em duas frentes complementares.
A primeira é a promoção
‘Cartão que dá jogo’, em parceria com
a Visa, que conecta o uso do cartão a
experiências ligadas ao campeonato.
A cada R$ 200 em compras, os clientes
acumulam números da sorte para
participar dos sorteios.
“O grande destaque é que 50 clientes
serão premiados com viagens,
com direito a acompanhante, para
assistir aos jogos do Brasil na Copa do
Mundo de 2026, uma experiência única,
que traduz nosso objetivo de aproximar
o cliente de algo que, muitas
vezes, parece distante. Além disso, a
promoção contempla outros prêmios
e benefícios ao longo da jornada.”
A iniciativa ganha escala com uma
campanha multiplataforma, protagonizada
por Ronald Nazário (filho do
craque Ronaldo) como cliente-propaganda,
trazendo identificação com o
universo do futebol e reforçando o
cartão como o “craque da família”.
A segunda frente de atuação do
Bradesco é de construção de narrativa.
“Vamos usar um ativo que já é da
casa, dando continuidade com nossos
clientes-propaganda, para contar
essa história a partir de um olhar mais
conectado ao momento das pessoas,
um movimento que amplia a presença
da marca para além do futebol em si.
A comunicação entra para dar clareza
a essas duas camadas, mas o centro
da estratégia é o valor que conseguimos
entregar na experiência”, diz Lilla.
O head de comunicação do banco
lembra que a Copa do Mundo já mobiliza
o brasileiro por si só e que o papel
da marca não é criar essa emoção,
mas viabilizar que o cliente se conecte
com ela de forma mais próxima. A
“50 clientes
serão premiados
com viagens,
com direito a
acompanhante”
comunicação parte dessa lógica.
“De um lado, tangibilizamos essa
conexão por meio da promoção, transformando
o uso cotidiano em acesso
a experiências. De outro, trabalhamos
uma narrativa que olha para esse momento
como um espaço de encontro,
de conexão entre as pessoas. É nesse
contexto que entram nossos clientes-
-propaganda, ajudando a traduzir essa
história de forma mais próxima da
cultura e do dia a dia. Mais do que falar
de futebol, a ideia é estar presente
em um momento social relevante,
com uma proposta que faça sentido
dentro da relação com o cliente.”
Na visão de Lilla, a Copa funciona
como um acelerador, enquanto o
foco é construir relevância de forma
consistente, conectando estratégia
de negócio e comunicação. “O retorno
vem quando conseguimos transformar
o uso cotidiano dos nossos produtos
em valor percebido. Isso vale tanto
para a frente promocional quanto
para a construção de narrativa: são
duas camadas que se complementam
para fortalecer atributos como utilidade
e proximidade”, diz ele.
O executivo destaca que o Bradesco
trabalha em uma campanha
robusta e integrada na mídia, que
acompanha essa lógica estratégica,
reforçando uma estratégia de construção
perene, que valoriza a consistência
em um território já tão relevante
para o brasileiro. Toda a ação ganha
vida na TV, no digital, nas redes sociais
e em formatos out of home. “Para a
campanha com Visa, as ativações começaram
ainda no pré-Copa, com o
lançamento da promoção em novembro
de 2025, e seguem até o campeonato”,
ressalta Lilla.
50 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
‘Sou brasileiro roxo’ é o conceito que
permeia toda estratégia da Vivo na Copa
Campanha criada pela Africa Creative aposta em uma linguagem
emocional para traduzir a energia do verdadeiro torcedor no país
Fotos: Divulgação
Sabrina Romero: “Escolhemos a dedo a trilha sonora”
Com um storytelling emocional, a narrativa da comunicação busca unificar diferentes perfis de torcida
Kelly Dores
O
insight que conduz a estratégia
da Vivo é que o clima de
Mundial é capaz de reaproximar,
mobilizar e reconectar o brasileiro
com a seleção, independentemente
do desempenho em campo.
Com um storytelling emocional
como fio condutor da campanha, a
marca busca traduzir e amplificar
essa paixão por meio do conceito
‘Sou brasileiro roxo’.
“Nossa narrativa buscou unificar
diferentes perfis de torcida. Colocamos
nossos embaixadores conectados
ao enredo como parte dessa
torcida. Vini Jr., Taís Araujo, Gabriel
Medina, Italo Ferreira e Rayssa Leal,
que ajudam a dar o tom apaixonado
e verdadeiro da relação dos brasileiros
com a seleção desde o primeiro
filme, estarão com a marca durante
todo o projeto para reforçar a grandiosidade
desse sentimento e do
Mundial. Para complementar essa
proposta, escolhemos a dedo a trilha
sonora, uma versão inédita do clássico
‘Sangrando’, de Gonzaguinha”,
explica Sabrina Romero, diretora de
marca e comunicação da Vivo.
O start foi dado com um filme
lançado no dia 2 de abril, criado pela
Africa Creative, que apostou em uma
linguagem emocional para traduzir
a energia do verdadeiro torcedor. A
marca partiu de situações reais do
dia a dia, que representam um autêntico
brasileiro roxo, como as ruas
pintadas, os grupos de mensagens,
o amigo que vira comentarista, a
família reunida no sofá, a pausa no
trabalho para ver o jogo, as superstições
e os abraços espontâneos. “A
trilha sonora também ajuda a dar
o tom da emoção que queremos
transmitir em toda a nossa campanha”,
diz a executiva.
Sabrina ressalta que a estratégia
é composta por vários filmes,
incluindo cinco filmetes de 15 segundos,
que vão expandir ainda mais
o universo do brasileiro roxo com
situações que retratam bem a relação
do torcedor com a paixão
nacional. “Daqui até o início do
evento, vamos lançar novas peças
e filmes que vão ampliar essa narrativa
e trazer ainda mais conexão
com o público”. Nos canais digitais, a
empresa de telecomunicações terá
cobertura do pré-evento e produção
de conteúdos durante o Mundial
com o influenciador Tomer Savóia,
apaixonado por futebol.
Já as lojas vão trazer o clima do
Mundial com ambientações que conectam
os clientes ao espírito do
brasileiro roxo. “Outra novidade é o
tour especial do Canarinho, mascote
oficial da seleção brasileira, pelas
lojas da Vivo. Durante o período pré-
-evento, 12 lojas em cidades de todas
as regiões do país vão receber o personagem
para esquentar a torcida e
mandar boas energias para o nosso
time”, ressalta a diretora da Vivo.
Outra frente contempla as marcas
de acessórios. “A i2Go, que faz parte
da Vivo, já chegou como patrocinadora
oficial da seleção. Teremos uma
coleção de acessórios de tecnologia
em parceria com a CBF, com design
inspiracional e atemporal para que
os torcedores possam estar conectados
com nosso time, inclusive com
seus acessórios de tecnologia. Serão
capas, alças, cabos, powerbanks, headphones
e vários outros acessórios
com design exclusivo e totalmente
alinhados às necessidades do dia a
dia. Já com Ovvi teremos uma coleção
especial focada em lifestyle do torcedor”,
detalha Sabrina.
A Vivo é patrocinadora oficial da
seleção brasileira de futebol desde
2005 e “a longevidade dessa parceria
por si só já é um reflexo direto da
importância estratégica do esporte
para a marca”.
Segundo a executiva, foi traçada
uma estratégia 360°, que está considerando
os hábitos de consumo do
brasileiro quando se trata de conteúdo
esportivo, incluindo toda a questão
do digital. Não à toa, a operadora
será patrocinadora das transmissões
dos 104 jogos na CazéTV. “Entendemos
que fazia mais sentido estarmos em
um canal digital em uma das edições
mais conectadas do Mundial, já que
os espectadores lidam, diariamente,
com a atenção fragmentada e esse
canal tem sido um dos principais para
conseguir conversar com quem acompanha
esse tipo de evento.”
52 18 de maio de 2026 - jornal propmark
UM JORNAL
COM 61 anos.
UMA AGÊNCIA
com
3 MESES.
E
A
M E S M A
P A I X Ã O
P O R
C R I A T I V I D A D E .
Uma homenagem
com carinho da Lola
ao Propmark pelo
seu aniversário.
propmark 61 anos
‘Encontro’ entre os mascotes Lek Trek e
Canarinho dá visibilidade extra à Sadia
Os dois ícones da cultura brasileira protagonizam campanha da
marca como uma ‘dupla de ataque’ da seleção; estratégia é transversal
Fotos: Divulgação
Luiz Franco: “Brasil com S de Sadia”
Companhia aposta em narrativa proprietária construída a partir da união dos mascotes Canarinho e Lek Trek
Kelly Dores
A
Sadia ganha visibilidade extra
nesta Copa com uma narrativa
proprietária a partir do encontro
entre o Lek Trek (mascote da marca
Sadia) e o Canarinho (mascote oficial
da seleção brasileira de futebol), dois
ícones presentes na memória afetiva
de muitos brasileiros, que passam a
protagonizar a campanha como uma
‘dupla de ataque’ da seleção.
“Esse conceito ganhou força desde
o primeiro filme lançado na TV durante
a penúltima convocação antes do
Mundial, em horário nobre, e evolui
agora para uma série de filmes que
conectam celebrações típicas do futebol
ao portfólio da marca”, destaca
Luiz Franco, diretor de marketing e
inovação da MBRF, detentora da Sadia.
Patrocinadora das seleções brasileiras
até 2030 e fornecedora oficial
de proteína animal – cerca de cem
toneladas durante todo o ciclo da
parceria –, com presença no dia a dia
dos atletas e em ativos de alta visibilidade,
como ônibus oficiais, uniformes
de treino, vestiários e outros pontos
de contato com o público, a Sadia informa
ter preparado um ecossistema
completo de ativações para a Copa do
Mundo de 2026, que combina presença
institucional, campanhas criativas
e experiências de marca.
A estratégia de comunicação contempla
outras campanhas em TV,
digital e redes sociais, ações de live
marketing, presença nos pontos de
venda com embalagens comemorativas,
produtos temáticos e inovações
conectadas com a ocasião de consumo
dos jogos. “O objetivo é garantir
uma presença transversal, que conecta
branding, consumo e cultura de
forma consistente ao longo de todo o
período do patrocínio”, afirma Franco.
A comunicação parte de um insight
genuíno do comportamento brasileiro:
o futebol é uma experiência coletiva
e torcer é algo que se vive junto.
“A partir disso, construímos uma plataforma
de mensagens que conectam
emoção e identidade nacional, traduzida
na assinatura ‘Brasil com S de Sadia’.
Existe aqui um olhar importante
para o orgulho de ser brasileiro – do
nosso jeito, na nossa língua, Brasil
“A nossa
expectativa é que
o consumidor viva
a Copa do Mundo
com a Sadia”
com ‘S’ e não ‘Brazil’. Estamos valorizando
a nossa cultura e, claro, promovendo
a marca”, reforça o executivo.
Há ainda mensagens mais espontâneas
usadas em conteúdos digitais,
como o “bate no peito”, expressão
tipicamente brasileira que captura
a emoção, o orgulho e a intensidade
da torcida. “Esses conceitos se desdobram
no slogan ‘Sua torcida pede
Sadia”, que é uma variável de ‘Seu dia
pede Sadia’, posicionamento da marca
que reitera a parceria com os consumidores
em todos os momentos, dos
cotidianos até os mais especiais.”
O diretor de marketing e inovação
da MBRF lembra que esta é a maior
edição da história do Mundial, com
mais jogos e maior duração, o que
amplia significativamente as oportunidades
de visibilidade, engajamento
e impacto nos negócios. “O futebol
cria oportunidades orgânicas de socialização
e consumo, e há ainda uma
tendência de mercado pelo consumo
dentro do lar neste ano”, diz.
Levantamento da NielsenIQ apontou
que os horários dos jogos e fatores
como o evento acontecer no
inverno e em parte das férias escolares
colaboram com a projeção de
que muitos brasileiros se reunirão em
casa para assistir aos jogos.
“Refeições prontas, pizzas e lanches,
por exemplo, já aumentaram
entre as intenções de compra. São
alimentos que fazem parte do portfólio
da Sadia e que serão inseridos
naturalmente nas reuniões, junto a
outras categorias-chave, como cortes
para churrasco, petiscos congelados
e frios. A nossa expectativa é que o
consumidor viva a Copa do Mundo
com a Sadia, transformando a marca
em um elemento quase indissociável
da experiência de torcer pelo Brasil.”
54 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Visa potencializa patrocínio por meio
de campanha proprietária e de parceiros
‘Vai de Visa e viva o clima da Copa do Mundo da Fifa sem perrengue’ é
o fio condutor das ativações e da estratégia de comunicação da marca
Fotos: Divulgação
Carla Mita: “As ativações acontecem de forma contínua”
Conceito da campanha busca mostrar como a Visa pode ajudar a evitar imprevistos na hora de pagar
Se tem Copa do Mundo, tem patrocínio
de Visa. A associação da
marca ao torneio da Fifa é fortíssima.
Tanto que a companhia considera
o Mundial uma plataforma central
na estratégia para se conectar com
consumidores, clientes e parceiros.
No Brasil, essa atuação se estrutura
a partir da campanha ‘Vai de Visa e
viva o clima da Copa do Mundo da Fifa
sem perrengue’, que mostra como a
Visa pode ajudar a evitar imprevistos
na hora de pagar, seja em compras do
dia a dia ou durante a experiência do
evento.
“Para engajar o público, iniciamos
uma competição nas redes sociais
com um time de 11 creators (como Ciclopin,
Lara Santana e Camila Pudim),
que mostram como a Visa facilita a
preparação da torcida no dia a dia.
Os seguidores são convidados a criar
os próprios conteúdos e, ao final, nós
premiaremos dois influenciadores e
dois consumidores com um pacote
completo de viagem para assistir à
grande final do torneio”, conta Carla
Mita, vice-presidente de marketing da
Visa do Brasil.
Além disso, a marca ativa o patrocínio
por meio de um ecossistema amplo
de campanhas em parceria com
os emissores. A executiva explica que
esse modelo é viabilizado pela estratégia
de repasse de patrocínio, que
permite que clientes e parceiros utilizem
os ativos globais da Visa, como
a Fifa, em suas iniciativas. “São mais
de dez campanhas no Brasil, sendo
uma proprietária e nove desenvolvidas
com parceiros como Nomad, Wise,
Bradesco, Carrefour, Movida, Porto
Bank, Sicredi, Sicoob e Banco do Brasil,
ampliando o acesso a benefícios, promoções
e experiências relacionadas
ao evento”, afirma.
A atuação também inclui iniciativas
proprietárias ligadas à experiência
dos fãs, como acesso antecipado
a ingressos e experiências exclusivas,
além de projetos que conectam
o evento a territórios culturais. “Um
exemplo é a coleção global ‘A arte do
sorteio’, que reúne artistas de diferentes
partes do mundo, incluindo o
brasileiro Fabrizio Lenci, traduzindo o
universo do futebol por meio da arte.
A Visa também investe em iniciativas
“À medida que
nos aproximamos
do torneio, as
ações ganham
mais intensidade”
de impacto social que utilizam o esporte
como ferramenta de inclusão e
conexão, ampliando o legado do torneio
para além do campo”, reforça a
VP de marketing.
Um exemplo é a aliança com a organização
Street Soccer USA e o Bank
of America para a implementação
dos Visa Street Soccer Parks. “Essa
iniciativa já se expandiu para mais de
16 cidades e impactou mais de 75 mil
participantes. Os parques funcionam
como polos comunitários que usam o
esporte como ferramenta de inclusão
e transformação.”
A comunicação da Visa parte de
um entendimento de que o torneio vai
além do que acontece em campo. “O
foco está na experiência coletiva: na
forma como as pessoas se encontram,
se organizam e constroem rituais em
torno da Copa do Mundo. Dentro dessa
lógica, a Visa se posiciona como uma
facilitadora desses momentos, com
soluções de pagamento que funcionam
de forma simples, rápida e segura
em diferentes situações”, frisa ela.
Na mídia, a campanha proprietária
‘Vai de Visa e viva o clima da Copa do
Mundo da Fifa sem perrengue’ prevê
veiculação em serviços de streaming,
ativações especiais em mídia exterior,
além de presença robusta em canais
digitais com o time de 11 influenciadores
e creators no Instagram e TikTok.
“As ativações acontecem de forma
contínua e já vêm sendo construídas
desde 2025, com marcos como a exposição
do troféu no Brasil. Agora, à medida
que nos aproximamos do torneio,
as ações ganham mais intensidade,
especialmente no ambiente digital e
em iniciativas voltadas ao público final”,
ressalta a executiva. KD
jornal propmark - 18 de maio de 2026 55
propmark 61 anos
Para Diageo, a melhor jogada é celebrar
a Copa do Mundo com responsabilidade
Primeira companhia de bebidas destiladas a atuar como apoiadora
oficial do torneio nas Américas entra em campo com duas marcas
Fotos: Divulgação
Guilherme Martins: “É uma presença contínua”
Diageo fará ativações com Smirnoff e Johnnie Walker para estar no centro da celebração de forma relevante
Kelly Dores
A
Copa do Mundo de 2026 marca
um momento histórico para a
Diageo: é a primeira companhia
de bebidas destiladas a atuar como
apoiadora oficial do torneio nas Américas.
“Para nós, isso vai muito além de
presença de marca, é uma plataforma
de cultura, celebração e negócio”, celebra
Guilherme Martins, VP de marketing
e inovação da Diageo Brasil.
No país, a estratégia ganha vida
com duas marcas do portfólio: Smirnoff
e Johnnie Walker. A vodca entra
com uma leitura contemporânea da
celebração, com a Seleçoff: um projeto
que transforma a diversidade
da Copa em experiência, com 48 caipiroskas
inspiradas nos países participantes,
48 jingles diferentes, conteúdo
e uma presença relevante na
Arena Brasileira, colocando o ritual de
assistir aos jogos no centro.
Já Johnnie Walker traz uma narrativa
mais profunda, conectando
progresso e tempo. “Lançamos um
whisky inédito de 24 anos, inspirado
no intervalo entre grandes conquistas
do futebol brasileiro, do tri ao
tetra e do penta até os dias atuais. A
campanha ‘Tudo que é grandioso leva
tempo’ ganha força com conteúdos
protagonizados pelo Cafu e com uma
plataforma de experiências, incluindo
um leilão beneficente que já está no
ar, permitindo que o público acesse
esse líquido raro dentro de um contexto
único”, detalha Martins.
Considerando a Copa um dos maiores
momentos de encontro, quando as
pessoas se reúnem, assistem juntas,
comentam, vivem o jogo, com um prazer
renovado de estar junto, Smirnoff
traduz isso de forma leve e cultural. “A
Seleçoff convida o consumidor a sair
do automático, experimentar novos
sabores e celebrar essa diversidade
do drink preferido dos brasileiros, a
caipiroska, seja com versões com ou
sem álcool. É sobre transformar cada
jogo em um momento coletivo mais
interessante e muito mais divertido”,
explica o VP de marketing e inovação
da Diageo Brasil.
Johnnie Walker explora um território
mais emocional, trabalhando a
tensão entre o otimismo do brasileiro
“É sobre
transformar
cada jogo em um
momento coletivo
mais divertido”
e a expectativa real em relação ao resultado.
A campanha aborda a ideia de
que o progresso faz parte da jornada
e grandes conquistas exigem tempo.
“O keep walking é sobre seguir em
frente e acreditar, independentemente
do cenário. E o Cafu traduz muito
isso na nossa campanha. Ele passou
por nove peneiras até virar jogador e
nunca desistiu. Há 24 anos, ele foi o
último a levantar a taça pelo Brasil e
agora foi o primeiro a tocar na nossa
garrafa rara, simbolizando a grandeza
do tempo nessa jornada rumo à vitória.
É essa mensagem de esperança
e de progresso que queremos passar
para os brasileiros. No fim, é sobre
ressignificar o que é torcer: celebrar,
estar junto e continuar acreditando...
do nosso jeito.”
Para o executivo, o retorno do investimento
em uma Copa do Mundo
vem de diferentes frentes: relevância
cultural, conexão com o consumidor e,
naturalmente, impacto em negócio.
As ativações já começaram e ganham
escala ao longo de toda a jornada do
torneio. As marcas estão presentes
em conteúdo, digital, experiências,
bares parceiros e grandes eventos
como a Arena Brasileira e Torcida Nº1.
“É uma presença contínua, pensada
para acompanhar o consumidor do
pré ao pós-jogo. Em mídia, temos campanhas
robustas no ar para as duas
marcas, com desdobramentos em
diferentes formatos e canais, sempre
conectando storytelling com experiência
real. Mas o principal é a posição
que queremos ocupar: estar no centro
da celebração da Copa de forma relevante.
E fazer isso com responsabilidade.
O nosso direcionador é muito
claro — a melhor jogada é comemorar
com responsabilidade — e isso guia a
nossa atuação”, afirma Martins.
58 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Cimed constrói plataforma de marketing
para explorar diferentes frentes na Copa
Patrocinadora oficial das seleções brasileiras de futebol trabalha com
o slogan ‘Onde tem Brasil, tem Cimed’ para gerar conexão emocional
Kelly Dores
A
Cimed enxerga a Copa do Mundo
como uma das maiores plataformas
de construção de marca
e comunicação, com potencial de conexão
direta com o brasileiro. Patrocinadora
oficial das seleções brasileiras
de futebol (masculina e feminina)
desde 2016, a marca desenvolveu um
plano “bastante robusto” para 2026,
com uma abordagem 360°.
“A ideia é construir uma plataforma
completa de marketing, explorando
diferentes frentes da Cimed ao longo
do campeonato. Isso inclui desde
conteúdo proprietário, lançamentos
de produtos temáticos e collabs, até
ativações físicas - como a ambientação
dos nossos escritórios e fábricas,
levando o clima da seleção para dentro
da companhia. Também estare-
Bola oficial da Fifa, Adidas ocupa top 3
das marcas mais associadas ao torneio
Anunciante adotou uma abordagem que envolve lifestyle e integração
cultural, posicionando a camisa do Time Brasil como um item de moda
Você sabe quais são as marcas patrocinadoras
da Copa do Mundo de
2026 mais associadas ao torneio?
O top 3 é ocupado por Coca-Cola (75% dos
entrevistados), seguida por Nike (65%)
e Adidas (62%), segundo pesquisa da
Qualibest. Na sequência aparecem Itaú
(48%), Visa (46%), Guaraná Antarctica
(44%), McDonald’s (43%), Mercado Livre
(42%) e Vivo (41%), entre outras.
Marca da bola oficial da Copa, a
Adidas é a parceira mais antiga da
Fifa, desde 1970, tendo sido responsável
por todas as bolas do torneio
de lá para cá. Em 2026, a marca será
fornecedora oficial das bolas e materiais
esportivos, prometendo modelos
mais sustentáveis e tecnológicos.
Cliente da Publicis Brasil, a Adidas já
realizou várias ações antes do Mundial,
Carmed Seleções Surpresa, primeiro
produto da Cimed para a Copa do Mundo
mos presentes nos Estados Unidos
durante os jogos do Brasil, com uma
programação especial. Nosso objetivo
é posicionar a Cimed como protagonista
em toda a jornada, não apenas
como patrocinadora, mas como uma
Divulgação
Raphael Vicente e o coletivo Dance Maré no show de Shakira com a camisa Time Brasil
antecipando o clima da Copa do Mundo
de 2026 e iniciando uma nova fase em
sua comunicação no país. “Em vez de
limitar sua presença aos gramados e
campanhas puramente esportivas, a
Fotos: Divulgação
João Adibe: “Teremos uma comunicação
integrada, com alto impacto na mídia”
marca que vive o futebol junto com o
brasileiro”, revela o CEO João Adibe.
A comunicação parte de um território
que já vem sendo construído
pela marca: o orgulho de ser brasileiro.
O slogan ‘Onde tem Brasil, tem
marca adotou uma abordagem que envolve
lifestyle e integração cultural. Ao
posicionar a camisa do Time Brasil (lançada
pela marca em parceria com o Comitê
Olímpico do Brasil) como um item
Cimed’ resume a ideia. “Queremos
reforçar essa conexão emocional com
o país, valorizando o que é nosso e
mostrando que a Cimed está ao lado
do brasileiro em todos os momentos
- especialmente nos de maior paixão,
como o futebol. É uma mensagem
direta, mas potente, que fala sobre
pertencimento, identidade e força nacional”,
destaca o executivo.
De acordo com o CEO da Cimed, o
foco é ganhar relevância, ampliar alcance
e fortalecer o vínculo da marca
com o consumidor.
“Para isso, teremos uma comunicação
integrada, com campanhas de
alto impacto na mídia, combinadas a
uma estratégia consistente de conteúdo
e engajamento. As ativações
começam antes mesmo do início dos
jogos, aproveitando o aquecimento
natural do público.”
de moda e um símbolo da identidade
nacional em espaços de alto alcance
global do entretenimento, a Adidas tem
construído uma conexão emocional
profunda com o público antes mesmo
do apito inicial do Mundial”, diz Guilherme
Godinho, diretor-executivo de estratégia
da Publicis Brasil.
Duas ações exemplificam essa atuação
de ocupar espaços não óbvios.
Colocando a estética nacional sob os
holofotes da indústria cinematográfica
internacional, a atriz Alice Carvalho
marcou presença em noite de gala do
cinema em Los Angeles usando a camisa
do Time Brasil. Já no megashow
de Shakira em Copacabana (RJ), foi a
vez de o influenciador Raphael Vicente
e o coletivo Dance Maré vestirem a
camisa da marca.
KD
60 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
O quase fim
do futebol
Marco Giannelli (Pernil)
O
futebol já não é mais o mesmo. Os jogadores
não têm mais amor à camisa; são uma cambada
de mercenários mimados. Nossas cinco
estrelas já não impõem mais respeito. Quer saber?
Já foi o tempo que eu ligava para a Copa do Mundo.
Bom… mas só até sair o primeiro gol do Brasil.
Muitos dizem que o futebol perdeu o seu encantamento.
Ainda que haja um bom fundo de verdade,
qualquer um que tenha um filho, sobrinho ou enteado
que ficou com os olhos inchados como os de um
lêmure depois da última Copa percebe que a paixão
continua em algum lugar ali (nem precisamos falar
do álbum de figurinhas).
Comigo não foi diferente. Minha primeira lembrança
de uma Copa do Mundo denuncia a minha
idade e o meu pé frio: a de 1982. Até hoje, ao menos
na minha memória, foi a melhor seleção que eu vi
jogar. E também a minha maior decepção e tristeza
(e olha que eu tive o desprazer de viver o 7 a 1). Acho
que isso é normal. A pouca idade atribui aos nossos
pequenos traumas grandes sombras.
O carrasco, para quem não lembra, se chamava
Paolo Rossi, autor dos três gols da Itália. Ironicamente,
mais de três décadas depois, tive a chance de conhecê-lo
ao vivo, num set de filmagem. Ao longo de
dois dias, passamos horas conversando em alguma
língua equidistante de português, espanhol e italiano.
Foi ali que ele me confidenciou que aquela seleção
brasileira era mesmo espetacular, mas tinha um
grande defeito: o salto alto. E que, por mais que você
tenha a melhor equipe, a arrogância (ou o excesso
de autoconfiança, se preferir) invariavelmente cobra
o seu preço. Uma lição que levei para a Almap e
para a vida.
Profissionalmente, eu sempre adorei criar para
a Copa do Mundo, por ser um momento em que todas
as marcas disputam o mesmo território. Isso
faz com que as concorrentes da sua empresa de
automóveis, por exemplo, não sejam apenas as outras
montadoras, mas potencialmente todos os que
querem a sua atenção nesse período. Destacar-se é
difícil, mas extremamente motivador.
Porque o posicionamento de uma empresa precisa
funcionar meio como a Teoria dos Jogos: você não
pensa só no seu movimento, mas também em como
os outros vão agir. E lá ficamos nós, desenhando estratégias
nos vidros das janelas para tentar resolver
essa equação — a referência é ‘Uma Mente Brilhante’,
mas o meme da Nazaré confusa também serve.
Alguns exemplos? Sua marca patrocina a CBF, o
que lhe dá direito, além do logo na camisa, ao Canarinho
Pistola e ao Ancelotti. Mas outras meia dúzia
de marcas têm as mesmas propriedades. Como usar
os mesmos elementos com uma narrativa e um residual
diferentes? Ter o Ronaldo nessa época do ano é
um enorme privilégio. Mas o que fazer com ele para
se destacar das outras nove marcas das quais ele
também é embaixador?
Isso sem falar na própria estratégia de marketing.
Como vender vodca num evento em que se
consome prioritariamente cerveja? Como enfrentar
o maior banco patrocinador, com um elenco cheio de
celebridades? Mas calma, que essa guerra está só
no início. Porque, quando a Copa começa, o imprevisível
entra em campo: o mascote que é comparado
ao Gasparzinho ou ao Zé Gotinha, o polvo que acerta
resultados, a Larissa Riquelme, o “que lambança” ou
“virou passeio, amigo”… e por aí vai.
É nesse momento que você precisa ser rápido,
porque a notícia envelhece em 24 horas. Mas, ao mesmo
tempo, precisa ter a maturidade de saber COMO e,
principalmente, SE aquela oportunidade se conecta
ao tom e ao território da sua marca. Porque, na ânsia
de mostrar que a sua agência é rápida e hypada, surgem
ideias genéricas e sem conexão nenhuma.
De qualquer maneira, a oportunidade é maravilhosa.
E, para um nerd de propaganda como eu,
grandes campanhas podem ser tão emocionantes
quanto os grandes jogos.
Então que venha a Copa do Mundo. E que, no fim
de tudo, a gente possa comemorar o tão sonhado
hexa com um copo de Johnnie Walker 24 anos ou uma
CaipiSmirnoff na mão, sentado no banco do carona
de um VW (afinal, se beber, não dirija), comendo um
Doritos comprado na Amazon com o cartão Bradesco,
usando o Malbec Black Legend do Kaká… e, bom,
melhor parar por aqui antes que isso pareça um merchan
(ainda que discretíssimo). Boa Copa do Mundo.
E sorte para todos nós.
Marco Giannelli (Pernil)
é CCO da AlmapBBDO
62 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Estéfani Rocha, art director da DPZ: “Para essa ilustração, fugi do conceito de ‘pátria’ e busquei a Mátria: a força
feminina e ancestral que sustenta a nossa cultura popular. Ela carrega uma bola dourada como quem segura um
filho ou o próprio sustento. É a personificação de quem realmente move as massas e mantém viva a fé no milagre do
último minuto. É um lembrete de que a comunicação mais potente é aquela que se enxerga no espelho. Representar o
futebol através do sagrado é entender que o brasileiro não apenas assiste ao jogo, ele tem fé. Para o mercado, Mátria
é o reconhecimento de que a nossa maior riqueza não está nos títulos, mas na nossa estética e origem. A publicidade
precisa ter a coragem de ser visceralmente brasileira. Ela tem a identidade de quem nunca deixa de acreditar”.
Mais do que vitrine, marcas são parte
das tradições das Copas do Mundo
Para reconhecer a atuação do mercado publicitário no torneio, a
redação selecionou 12 campanhas emblemáticas da história do evento
Bruna Nunes
Em 1930, quando a Copa do Mundo
realizou sua primeira edição em
Montevidéu, no Uruguai, o torneio
já atraía suas primeiras estratégias
de marketing e a conquista da seleção
local virou uma oportunidade para
propagandas.
Os primeiros registros históricos
mostram anúncios em jornais e cartazes
espalhados pela cidade, como
fez o Extrato de Malte Montevideano
ao publicar declarações dos atletas
vinculando seu rendimento físico ao
produto. Também há o caso da Bayer,
que utilizou o capitão José Nasazzi em
peças de Cafiaspirina. Outros exemplos
incluem as lâminas de barbear
Ben-Hur, que celebraram a vitória e
destacaram a ‘boa aparência’ dos
jogadores em um anúncio no jornal
Mundo Uruguayo, além da Shell Mex
Uruguay, que já explorou o potencial
do próprio evento como estratégia,
parabenizando o país pela realização
do torneio e pela inauguração do Estádio
Centenário.
Hoje, 96 anos depois da primeira
edição, em seu portal oficial a própria
Fifa (Federação Internacional de Futebol)
reconhece e descreve a Copa
como “a plataforma de marketing
internacional mais eficaz” e alcança
milhões de pessoas em mais de 200
países ao redor do mundo.
Marketing de eMboscada
Além de se tornar o maior palco do
futebol, a Copa também se mostrou
um terreno fértil para o chamado
‘marketing de emboscada’. Com a estratégia
certa, até mesmo as marcas
que não entram com patrocínio ganham
visibilidade.
Um dos exemplos mais marcantes
envolve um brasileiro e aconteceu na
edição de 1970, no México, a primeira
Copa transmitida em cores para todo
o mundo, diga-se de passagem. Pelé,
já consolidado como o maior ícone
global do futebol, foi protagonista
de uma campanha da Puma e apareceu
em campo amarrando uma chuteira
da marca, com direito a um close
da câmera. O gesto quebrou um
acordo informal, apelidado de ‘Pacto
Pelé’, entre os irmãos Adolf e Rudolf
Dassler, os fundadores da Adidas e da
Puma, respectivamente, que haviam
64 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Minigarrafas especiais para a Copa do Mundo, lançadas em 2014 pela Coca-Cola
Ludmilla, João Gomes e Kawe em filme da música ‘Mostra tua força, Brasil’ , do Itaú
Primeira bola assinada pela Adidas, a ‘Telstar’, e a bola da edição de 2026, a ‘Trionda’
Ronaldo Fenômeno estrelando a peça ‘Torcida número 1’‘, da cerveja Brahma
optado por não disputar o patrocínio
do jogador. A ação foi idealizada por
Hans Henningsen, representante da
marca, e ofereceu cerca de US$ 120
mil a Pelé.
No Brasil, uma das campanhas
mais emblemáticas desse tipo aconteceu
na década de 1990. Mesmo sem
o patrocínio oficial, a Brahma levou
seu slogan de ‘número 1’ para as arquibancadas
durante a Copa de 1994,
e o símbolo tomou conta da torcida,
aparecendo nas transmissões e conquistando
a audiência durante os jogos.
O paradoxo é que a cerveja oficial
do evento era a Kaiser, detentora de
cotas nas transmissões da TV, com
suas ações ‘restritas’ aos intervalos
comerciais. Na competição seguinte,
‘Torcida número 1’ já havia se tornado
uma marca registrada, fazendo parte
inclusive da comemoração de gols do
jogador Ronaldo Fenômeno.
Em 2025, a Africa Creative trouxe
o ex-atacante de volta à marca e
atualizou o símbolo, que, desta vez,
são dedos cruzados, como incentivo à
torcida para a Copa de 2026. Ainda na
campanha, em participação no podcast
Denílson Show, Ronaldo contou a
origem: “Quando eu ganhei a primeira
Bola de Ouro, a Brahma fez uma campanha.
A partir daí, eu só celebrava gol
assim. Virou uma marca registrada
durante toda a minha carreira”.
Bolas patrocinadas
Desde 1970, as bolas do campeonato
passaram a ser fornecidas pela
Adidas. A primeira foi a Telstar, cujo
nome une ‘televisão’ e ‘estrela’ em
inglês, desenvolvida com os clássicos
gomos pretos e brancos para facilitar
a visualização nas transmissões
da época, que foi repetida em 1974.
De lá para cá, cada edição ganhou
um modelo com nome e identidade
próprios, sempre inspirados no país-
-sede: a Tango, de 1978, homenageou
a dança argentina; a Azteca, de 1986,
trouxe desenhos inspirados em murais
astecas; a Etrusco, de 1990, remeteu
a uma civilização que habitou
a Itália antes de Roma.
A Tricolore, de 1998, foi a primeira
bola multicolorida da história das Copas,
incorporando o vermelho, o azul e
o branco da bandeira francesa. Em 2014,
a Brazuca teve o nome escolhido pelos
próprios brasileiros, em votação que
reuniu 77,8% dos votos para o termo.
Para 2026, a bola se chama Trionda.
O nome une o prefixo “tri”, em referência
aos três países-sede, e ‘onda’, uma
alusão à tradicional ‘ola’ feita pelos
torcedores nas arquibancadas. Além
da função como a principal ferramenta
do esporte, a bola da Copa se tornou
ao longo das décadas uma das peças
de merchandising mais reconhecidas e
um símbolo do esporte mundial.
ações tradicionais
Desde 1970, a Panini conseguiu
criar uma tradição ao lançar um álbum
de figurinhas do torneio. Segundo
a agência Reuters, em 2014 a editora
chegou a imprimir 40 milhões de
figurinhas por dia em sua fábrica, e o
Brasil disparava com colecionadores.
Ao longo das décadas, diversos
anunciantes souberam criar as próprias
tradições. Como analisa Márcio
Santoro, sócio, copresidente e CEO
da Africa Creative, “campanhas que
viram amuleto ou parte do ritual
do jogo são as que deixam o legado
mais forte”, e marcas que entendem
isso se tornam praticamente sinônimos
de Copa.
A Coca-Cola transformou tampinhas
em moeda de troca por minigarrafinhas
nos anos 1980 e relançou
a ação em 2014, com versões
em alumínio decoradas com bandeiras
dos países-sede. Em 2002, o
McDonald’s resolveu investir em um
cardápio especial durante o período
do torneio e apostou em sanduíches
com a temática de países. Até hoje,
faz parte do ritual dos consumidores
ir ao ‘Méqui’ provar os lanches de
cada edição.
Muitas coleções surgiram e passaram,
mas o ato de colecionar virou estratégico
para os anunciantes e uma
memória afetiva para os clientes. E a
estratégia se mantém atual. Para a
Copa de 2026, a Budweiser lançou garrafas
de alumínio colecionáveis com
referências às edições mais marcantes
do torneio e o próprio McDonald’s
firmou parceria inédita com a Panini
para distribuir figurinhas nos combos,
por exemplo.
trilha sonora
Um evento com tal magnitude
merece a própria trilha sonora, e a
Fifa tem tradição em músicas oficiais
a cada Copa, como é o caso de ‘Waka
waka (This time for Africa)’, de Shakira,
a música de Copa do Mundo mais
assistida de todos os tempos, com
mais de 3,8 bilhões de visualizações
no YouTube.
No Brasil, porém, as músicas dos
anunciantes também disputam
esse espaço. Jingles e canções temáticas
deixaram suas marcas e
conquistaram os brasileiros para
além dos comerciais. O caso mais
emblemático é o do Itaú, que desde
2014, com criação da Africa Creative,
mantém ‘Mostra tua força, Brasil’,
interpretada ao longo dos anos por
cantores como Jairzinho, Anitta,
Thiaguinho, Fabio Brazza, Ludmilla,
João Gomes, Timbalada e Kawe, sempre
com o mesmo refrão.
Confira a seguir 12 campanhas emblemáticas
para o Mundial.
jornal propmark - 18 de maio de 2026 65
Puma King - Pelé (1970)
Idealizada por Hans Henningsen, representante
da Puma
Adidas e Puma tinham um acordo informal para não
contratar Pelé. O chamado ‘Pacto Pelé’ foi criado
pelos donos das marcas, Adolf e Rudolf Dassler, que
eram irmãos, e firmaram o acordo para evitar uma
disputa milionária. O jogador usou suas chuteiras na
Copa do México e pediu um tempo ao árbitro antes
de uma partida para amarrar os cadarços diante das
câmeras. O cinegrafista da transmissão, também
contratado pela Puma, deu o zoom, com o detalhe
de ser a primeira Copa televisionada em cores, e os
telespectadores viram o gesto em tempo real. O Brasil
venceu por 4 a 2, Pelé se tornou embaixador da marca
e as vendas do calçado, o Puma King, dispararam.
Fiat Uno – Lazaroni em Turim (1990)
Agência: MPM Propaganda
Pouco antes do início da Copa de 1990, o técnico
Sebastião Lazaroni protagonizou um comercial da
Fiat gravado em Turim, sede da montadora e palco de
alguns jogos da seleção. Na peça, Lazaroni estaciona
um Fiat Uno em local proibido e é abordado por um
policial italiano. Ele tenta explicar que é brasileiro,
que é o técnico da seleção e que o Uno que dirige
é fabricado no Brasil e exportado para a Itália. O
guarda responde com ironia: “Lazaroni, brasileiro,
técnico da seleção brasileira, guiando um Uno
brasileiro? Prazer, eu sou o papa”. A eliminação nas
oitavas de final para a Argentina, por 1 a 0, deu ao
comercial uma lembrança reforçada e incentivou
piadas que acompanharam o treinador por anos.
Brahma – Número 1 (1991–1999/2025)
Agência: Fischer
Em 1991, o slogan da Brahma se tornou um gesto:
o dedo indicador levantado, como quem pede
‘mais uma’ no bar. Na Copa de 1994, o símbolo foi
estampado até mesmo em camisetas da torcida e
a marca patrocinou Romário, Bebeto, Raí, Zinho e
Jorginho, e o jingle ‘Vai Brasil dá um show, mete a
bola na rede, e mata a minha sede de gol, mais um’
ficou na memória dos torcedores. Com Ronaldo, em
1998, uma campanha celebrou o jogador como o
‘Número 1’ do mundo, e o gesto entrou no repertório
de comemoração de gol do Fenômeno.
Nike – Aeroporto (1998/2018)
Agência: Wieden+Kennedy
Em 1998, às vésperas da Copa da França, a Nike
lançou um filme em que jogadores da seleção,
entre eles Ronaldo e Romário, transformaram o
Aeroporto Internacional do Galeão num campo de
futebol improvisado, ao som da música ‘Mais que
nada’. Vinte anos depois, com a Copa da Rússia
se aproximando, a marca resgatou a campanha.
Ronaldo voltou ao aeroporto para refazer um
chute que, no original, havia sido atrapalhado
pelos postes de organização de filas, mas desta vez
completou a jogada.
68 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Pepsi – Sumô (2002)
Agência: BBDO
Às vésperas da Copa do Japão e Coreia do
Sul, a Pepsi reuniu Beckham, Roberto Carlos,
Raúl, Verón, Buffon, Emmanuel Petit, Rui Costa
e Edgar Davids num campo improvisado no
Japão. No entanto, do outro lado estavam
lutadores de sumô. O prêmio em disputa era
uma caixa de refrigerante da marca. O filme
ganhou repercussão por apostar no contraste
entre a habilidade dos jogadores e a Pepsi, que
não era patrocinadora oficial da Copa, usou a
peça para competir pela atenção do público,
mesmo sem citar o torneio diretamente.
Guaraná Antarctica – O Pesadelo de
Maradona (2006)
Agência: Duda Propaganda
Pensar em Diego Armando Maradona é pensar em
rivalidade, em Argentina contra Brasil, em décadas de
duelos dentro de campo e disputas na torcida. Mas
em 2006, em uma campanha do Guaraná Antarctica
para a Copa, o mundo pareceu invertido e o craque
argentino apareceu vestindo a camisa da seleção
brasileira cantando um trecho do Hino Nacional. O
momento, a princípio estranho, se revelou na verdade
um pesadelo, e o filme mostra Maradona acordando
com a tradicional camisa azul e branca, atordoado
por ter bebido guaraná em excesso.
Skol – Trave (2006)
Agência: F/Nazca
E se o cara que inventou a trave tivesse bebido Skol?
Foi com essa premissa que a F/Nazca apostou no
humor e criou uma ‘Trave redonda’ para a Copa de
2006. No comercial, Brasil e Argentina disputam uma
final acirrada até que a Argentina marca. O locutor
interrompe a cena: “Se o cara que inventou a trave
bebesse Skol, ela não seria assim”. A câmera volta ao
jogo, e as traves agora têm pés, se movimentam e
bloqueiam todos os chutes argentinos. O Brasil vence.
O comercial foi filmado no Maracanã com mais de
1.500 figurantes, em dois dias de gravação.
Adidas – José +10 (2006)
Agência: 180 Amsterdam (180\TBWA)
O sonho de qualquer criança que já jogou bola na
rua é escolher o time que quiser. Esse foi o cenário
retratado na peça ‘José +10’ para a Adidas às
vésperas da Copa da Alemanha. No filme, José e seu
amigo Pedro se revezam na escalação e convocam
Zidane, Beckham, Kaká, Cissé, Robben, Riquelme e o
jovem Messi, todos patrocinados pela marca, além
de lendas como Beckenbauer e Platini, recriados em
imagens antigas combinadas com cenas novas. O
comercial termina com a mãe gritando da janela
para chamar o filho de volta pra casa.
70 18 de maio de 2026 - jornal propmark
conteúdo de marca
Shell Select lança promoção Bota pra Jogo
e convoca o capitão do penta para entrar
em campo com os consumidores.
Com Cafu como embaixador, Shell Select transforma paradas cotidianas
em chance de ganhar bolas e kits históricos.
Shell Select lança promoção Bota pra Jogo e convoca
o capitão do penta para entrar em campo com os
consumidores. Com Cafu como embaixador, rede de
conveniência transforma paradas cotidianas em chance
de ganhar bolas e kits históricos.
A Shell Select, referência no mercado de conveniência
com mais de 1,2 mil lojas espalhadas pelo Brasil, acaba
de lançar a campanha nacional Bota pra Jogo, uma
ação que une o universo do futebol ao dia a dia dos
consumidores. Para dar o pontapé inicial, a marca escolheu
um nome que dispensa apresentação: Cafu, lateral
direito campeão mundial em 1994 e em 2002, um dos
jogadores mais icônicos da história do futebol brasileiro
e mundial.
A campanha começa no dia 18 de maio e traz uma
mecânica simples. A cada R$ 50 em compras nas lojas
Shell Select ou Shell Café, o consumidor garante um
número da sorte para concorrer a mil bolas de futebol
e 25 kits exclusivos de minibolas históricas. O cadastro
pode ser feito pelo site botaprajogoselect.com.br ou
pelo WhatsApp da promoção. Quem incluir cervejas
Ambev na compra ganha um número extra, dobrando
as chances de ser premiado.
A escolha de Cafu como embaixador não foi por acaso.
Mais do que um ex-jogador de alto nível, ele carrega
uma história que ressoa com qualquer torcedor brasileiro.
Esteve no elenco de 1994, em que o Brasil ganhou
sofrido da Itália nos pênaltis, e viveu a tranquilidade do
título conquistado em tempo normal em 2002, contra a
Alemanha no Japão. É exatamente esse repertório que
a campanha explora, conectando memória afetiva
e emoção ao ato simples de parar em uma loja de
conveniência, fazer uma compra e entrar em campo
por um prêmio.
“Nosso objetivo é consolidar Shell Select e Shell Café
como destinos de conveniência definitivos durante a
Copa do Mundo, oferecendo não apenas produtos de
qualidade, mas uma experiência que conecte o consumidor
à emoção de cada partida. Queremos que o cliente sinta
que, ao entrar em nossas lojas, ele já está ganhando,
seja pela praticidade do nosso serviço ou pela chance
real de levar para casa um pedaço da história do futebol,
oferecendo o combo perfeito entre snacks, bebidas e a
vibração única desse período”, afirma Gustavo Campos,
diretor de negócios da Shell Select.
A campanha se desdobra em filmes, stories e outros
conteúdos nativos para redes sociais, todos desenvolvidos
para soar como conversa real.
Cafu aparece na loja Shell Café explicando sobre a
promoção, com a naturalidade e a simplicidade que se
conecta com os brasileiros. A campanha estará
presente em rádios, portaisde esporte e mídia OOH,
além da participação de influenciadores, como o
Armandinho.
Para o consumidor, a promoção chega em um momento
em que o clima de futebol já tomou conta do país.
Parar na Shell Select ou no Shell Café para tomar
um café ou pegar um lanche passa a ter um significado
a mais: a chance de levar para casa um pedaço da
história do esporte mais amado pelo brasileiro.
Coca-Cola – O abraço de alma (2014)
Agência: David
Em 1978, na final da Copa disputada em
Buenos Aires, o fotógrafo Ricardo Alfieri
registrou Victor Dell’Aquila, que teve os dois
braços amputados aos 12 anos, invadindo o
gramado para comemorar o título argentino
ao lado do lateral Alberto Tarantini e do goleiro
Ubaldo Fillol. A imagem foi batizada pela
revista El Gráfico de ‘O abraço de alma’. Quase
36 anos depois, a Coca-Cola reuniu o trio
novamente. O filme documentou o reencontro
entre os três protagonistas da cena, mas desta
vez com a taça do Mundial presente.
Itaú – Mostra tua força, Brasil (2014/2018/
2022)
Agência: Africa Creative
Em 2014, o Itaú lançou a música ‘Mostra tua força, Brasil’
para a Copa do Mundo disputada no Brasil. Interpretada
pelo cantor Jairzinho e criada pela Africa Creative,
a música foi além dos intervalos comerciais e virou
trilha sonora da torcida. Em 2018, a campanha voltou
adaptada e com novas vozes: Anitta, Thiaguinho e Fabio
Brazza. Em 2022, Ludmilla, João Gomes, Timbalada
e Kawe também regravaram o jingle, e mesmo que
reproduzido em diferentes versões, mantém o refrão
“Mostra tua força, Brasil, e amarra o amor na chuteira,
que a garra da torcida inteira, vai junto com você, Brasil”.
Sadia – #JogaPraMim (2014)
Agência: F/Nazca S&S
Em 2014, a Sadia lançou sua primeira
campanha como patrocinadora da
CBF com protagonistas mirins. Na
peça, crianças que nasceram depois do
pentacampeonato de 2002 pediram à
seleção que jogasse por elas, já que nunca
tinham visto o Brasil ser campeão. Criado
pela F/Nazca Saatchi & Saatchi, o filme
gerou a hashtag JogaPraMim e tomou as
redes sociais.
Budweiser – Bring Home The Bud (2022)
Agências: Wieden+Kennedy (Nova York e São
Paulo) e Africa Creative
Às vésperas da Copa no Catar, a Budweiser, patrocinadora
oficial, foi surpreendida pela decisão de proibir a venda de
bebidas alcoólicas nos estádios apenas 48 horas antes do
início da competição. Como solução, a marca anunciou
que todo o estoque destinado às arenas seria entregue ao
país campeão. A ‘Bring home the Bud’ foi acompanhada
nas redes sociais até a vitória da Argentina, que ficou com
a cerveja. O case foi reconhecido com o Titanium Lions no
Cannes Lions de 2023.
72 18 de maio de 2026 - jornal propmark
dentsu.com
Parabéns, Propmark.
E aproveite os 61 anos,
porque o tempo
passa rápido.
Uma homenagem da dentsu, do alto dos seus 124 anos.
D
E
N
T
Fale com a gente: comunicacao@dentsu.com
S
U
propmark 61 anos
Relevância se
constrói com escuta
Rafaela Queiroz
As Copas do Mundo sempre ocuparam um lugar
muito especial na minha memória afetiva. Quando
penso nas últimas edições, a primeira imagem
que me vem à cabeça não é apenas a do jogo ou do resultado
em campo, mas da casa cheia. Amigos chegando
mais cedo, família reunida, a televisão ligada muito
antes do apito inicial e aquele clima de expectativa coletiva
que começa dias antes da estreia do Brasil.
Há também o cheirinho de carne vindo da churrasqueira,
a mesa farta, as conversas paralelas, as
risadas e os abraços a cada gol. A Copa, para mim,
sempre foi um grande ritual de convivência.
É nesse período que muitos de nós sentimos,
de forma mais intensa, o orgulho de sermos brasileiros.
Vestir a camisa verde e amarela, enfeitar a
casa, pintar o rosto ou simplesmente compartilhar
mensagens e memes faz parte de um movimento
espontâneo de pertencimento.
Mesmo em momentos desafiadores do país, a
Copa funciona como um catalisador de esperança,
leveza e conexão. É um evento que quebra a rotina,
cria temas comuns e nos convida a celebrar juntos,
independentemente de diferenças sociais, políticas
ou culturais.
Essa experiência que descrevo não é individual.
Ela se repete em milhões de lares pelo Brasil, cada
um com a própria versão, mas todos com o mesmo
pano de fundo: encontro, alegria e emoção compartilhada.
E é justamente por isso que a Copa do Mundo é
tão relevante não apenas do ponto de vista esportivo,
mas também do ponto de vista cultural e social.
Ela nos deixa mais abertos, mais disponíveis emocionalmente
e mais propensos a trocar experiências,
inclusive com marcas.
Do ponto de vista do mercado, esse contexto cria
uma oportunidade única. Durante a Copa, as pessoas
estão mais receptivas a mensagens que dialoguem
com esse sentimento de união e celebração.
As marcas que conseguem entender esse estado
de espírito, escutar o contexto cultural em tempo
real e se inserir de forma genuína nas conversas
tendem a criar conexões muito mais profundas.
Não se trata apenas de visibilidade, mas de relevância.
O consumidor não quer ser interrompido. Ele
quer se sentir parte de algo maior.
Nas últimas Copas, vimos exemplos claros de
como ações bem construídas conseguem transformar
campanhas em experiências memoráveis.
Marcas que convidam o público para celebrar,
compartilhar, torcer e criar histórias junto com elas
conseguem ir além do produto e ocupar um espaço
afetivo. Em um mundo cada vez mais saturado de informação
e estímulos, isso faz toda a diferença.
Para esta Copa, minhas expectativas seguem
nessa direção. Espero ver um mercado ainda mais
atento ao contexto cultural, às dinâmicas sociais
e ao papel que as marcas podem desempenhar
como facilitadoras de encontros e experiências
positivas.
A tecnologia, os dados, as redes sociais e os novos
formatos abrem inúmeras possibilidades, mas o
centro continua sendo o mesmo: pessoas buscando
conexão, emoção e significado.
Assim como na minha lembrança pessoal da casa
cheia, da família reunida e da alegria compartilhada,
acredito que a Copa segue sendo um dos raros
momentos em que o Brasil inteiro vibra em sintonia.
Para as marcas, o verdadeiro desafio e também
a maior oportunidade estão em saber escutar
esse momento, participar dele de forma genuína
e transformá-lo em experiências que façam parte
da vida das pessoas, dentro e fora dos 90 minutos
de jogo.
Rafaela Queiroz
é copresidente da Leo
74 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Globo quer engajar e criar
conexões em tempo real
O papel da Globo é fazer o país
se vestir de Copa e isso vai muito
além da transmissão dos jogos. Esse
princípio norteia o pensamento
de Renato Ribeiro, diretor de
esportes da Globo, cuja ideia é
estabelecer conexão por meio
de um ecossistema integrado
de plataformas, cada um na sua
linguagem, expandindo o assunto
para além do esporte. “A Copa
atravessa nossos canais e programas
de jornalismo e entretenimento.
É por isso que, até uma prova de
esqui alpino pode virar fantasia de
Carnaval. O que as Olimpíadas de
Inverno têm a ver com o Carnaval? A
Globo conecta”. Veja a sua entrevista.
Divulgação
Repórter e correspondente, desde 2018 Renato Ribeiro é diretor de esportes da Globo
Paulo Macedo
OMNICHANNEL
A Globo promove, explica, dá contexto
e cria conexão em torno da
competição. É isso que transforma
um evento esportivo em um acontecimento
cultural. E quando a Copa vira
cultura, ela deixa de falar apenas com
quem já assistiria aos jogos de qualquer
forma. A gente amplia o público,
inclui novos olhares, desperta interesse
em quem talvez não estivesse
naturalmente conectado ao esporte,
gerando mais valor para a Copa e para
o futebol como um todo. Trabalhamos
para entregar a melhor experiência
para o público, em múltiplos formatos
e linguagens, com emoção e credibilidade,
algo que está no nosso DNA há
décadas.
ALÉM DA TRANSMISSÃO
A Copa será assunto nos programas
de esporte, jornalismo e entretenimento.
O ‘Globo Esporte’ será apresentado
dos Estados Unidos, por Fred
Bruno e Alex Escobar. No ‘Jornal Nacional’,
Renata Vasconcellos vai trazer as
informações mais importantes do dia
direto da Times Square, no coração
de Nova York. Programas matinais de
entretenimento, como o ‘Mais Você’,
‘Encontro’ e ‘É de Casa’ terão séries
com temáticas sobre Copas do Mundo,
assim como os telejornais de rede,
‘Jornal Nacional’, ‘Jornal Hoje’, ‘Jornal
da Globo’, ‘Bom Dia Brasil’ e ‘Hora Um’,
além do ‘Fantástico’. Os esportivos,
como o ‘Esporte Espetacular’ e o ‘Globo
Esporte’, já exibem produções voltadas
à competição. Está no ar, aos
sábados no intervalo da novela das
nove e uma versão completa no ‘EE‘
de domingo, o especial em oito episódios
‘Identidade Copa’, com brasileiros
que têm uma conexão umbilical com
a competição. Em junho também serão
exibidas produções especiais em
horário nobre, como ‘Convocadas’,
mostrando o dia a dia de algumas mulheres
de jogadores de futebol, e outro
especial mostrando os bastidores
do último ano de preparação da seleção
brasileira. Durante a Copa, Karine
Alves vai ancorar uma parte do ‘Esporte
Espetacular’ seguindo a seleção
brasileira, e Tiago Medeiros comandará
o quadro ‘Churrascopa’, levando
o churrasco típico brasileiro para esquentar
o clima, antes de a bola começar
a rolar.
CANAL fECHADO
No sporTV, toda a programação
estará dedicada à Copa. Dos Estados
Unidos, o ‘Seleção’ estreia no dia 6 de
junho, sob o comando de Andre Rizek,
trazendo informações e debates todos
os dias com comentários de Felipão,
técnico do pentacampeonato
mundial em 2002, e dos ex-jogadores
Felipe Melo, Paulo Nunes, Renato Augusto
e Andrés D’Alessandro. Nas manhãs,
estreia o ‘Partiu Copa’, que vai
aquecer o público para as partidas do
dia, diretamente dos Estúdios Globo,
com apresentação da Joanna de Assis,
Kelly Costa e Maurício Paulucci. Antes
de o torneio começar, duas produções
especiais com boa dose de humor
serão exibidas, o ‘Copa e Cozinha’ e o
‘Chama o VAR’.
INTERNET
A primeira Copa do Mundo da Ge
TV será vivida intensamente, com sua
linguagem mais descontraída e irreverente,
e uma parceria inédita com
a Play9, o “2026 Convocados”, que traz
uma lógica centrada em criadores de
conteúdo, conversas em tempo real
e leitura constante do contexto cultural.
E todos os canais e conteúdos
poderão ser acessados de onde o público
quiser, pelo Globoplay. No digital,
o ge.globo vai trazer: dados em tempo
real, estatísticas, vídeos, linguagem
própria, conversa, interatividade e leitura
cultural do que está acontecendo
76 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Quem
pensa grande
não aparece em
qualquer lugar.
Há 61 anos, o Propmark é o lugar de quem
pensa grande. De quem faz da publicidade
brasileira uma referência para o mundo.
A OOH Brasil acredita nisso: quem pensa
grande aparece no lugar certo, deixa sua
marca e faz história.
Parabéns, Propmark.
O melhor mesmo é pensar grande.
Belo Horizonte • Rio de Janeiro • Fortaleza • Recife • Natal • João Pessoa • Aracaju
dentro e fora de campo. Nas redes
sociais dos canais e plataformas da
Globo, uma produção de conteúdo vertical
e especial está sendo preparada
para manter o público
engajado e
informado durante
todo o evento.
DIFERENCIAL
A força de um
ecossistema que
combina ofertas
gratuitas e pagas,
com linguagens e
formatos diferentes
na TV aberta, no streaming, no digital,
nas afiliadas e também em OOH.
Cada plataforma fala com públicos
específicos, mas todas fazem parte
da mesma narrativa. A TV Globo é reconhecidamente
a oferta histórica e
gratuita das Copas, desde a década de
1970, gerando impacto e um alcance
absolutamente incomparáveis, acessível
a todos os brasileiros, oferecendo
uma experiência ao vivo e simultânea,
ampliando público e conectando
pessoas. Já o sporTV pensa em quem
quer viver a Copa intensamente, com
programação 100% dedicada. E o digital
surge forte nesta Copa com novas
propostas de valor, linguagens e formatos,
conectando e abrindo conversa
com os influenciadores e o público.
TECNOLOGIA
É parte central dessa jornada. Investimos
continuamente em inovação
para melhorar a experiência do
torcedor. Na TV aberta, vamos inaugurar
as primeiras soluções em interatividade
com o início da DTV+; no digital,
“A Copa é um
evento sempre
capaz de produzir
recordes em cima
de recordes”
nosso foco está em qualidade e diminuição
de latência. Mais do que transmitir
partidas, vamos transformar a
Copa do Mundo em um acontecimento
cultural, usando
a força do nosso
time, do nosso
ecossistema e da
tecnologia para
fazer o país inteiro
se vestir de Copa.
AUDIÊNCIA
O conteúdo ao
vivo tem uma capacidade
única de
engajar e criar conexões em tempo
real, como poucos outros formatos
conseguem. No Brasil, o futebol está
no DNA do brasileiro e a Copa é um
evento sempre capaz de produzir
recordes em cima de recordes, imagens
e experiências que ficam na história.
E isso acontece porque não se
trata apenas de esporte, é também
cultura, identidade, emoção coletiva
e ritual social.
EXPECTATIVA
Na Copa de 2022, a nossa cobertura
chegou a mais de 170 milhões de
pessoas e os jogos da seleção alcançaram,
em média, 70 milhões de brasileiros
em uma única partida. Esta é
uma Copa diferente, a maior de todos
os tempos, com mais jogos e mais
seleções envolvidas. E também com
direitos mais pulverizados. A indústria
está aprendendo a lidar com essa
nova realidade. Na Globo, preparamos
uma experiência completa para continuar
criando valor para o esporte
e para as marcas que apoiam o seu
desenvolvimento. A Copa do Mundo é
um evento que mobiliza os brasileiros,
especialmente em dias de jogo da seleção
brasileira.
TImE
Por volta de 500 profissionais da
Globo estão envolvidos nessa cobertura,
sendo cerca de 120 deles in loco.
ESTRUTURA
A Globo estará presente em todos
os lugares onde
houver história a
ser contada, seja
nos jogos, nos arredores
ou nos movimentos
culturais
em torno da Copa.
Nossas equipes
foram divididas
com objetivos específicos.
Teremos
sete equipes de
reportagem acompanhando
a seleção brasileira, oito
cobrindo os jogos das outras seleções,
além das três equipes da Ge TV, uma
equipe acompanhando o Ronaldinho
Gaúcho, outra com o Tiago Medeiros no
‘Churrascopa’, além de duas equipes itinerantes
do sporTV e quatro repórteres
do site. Essas equipes vão percorrer os
três países-sede, seguindo, cada uma,
seu propósito nessa cobertura.
“Jogos da seleção
alcançaram, em
média, 70 milhões
de brasileiros
em uma única
partida”
Magnific
BRASIL
Nosso grande estúdio estará no
Brasil, nos Estúdios Globo, e vai recriar
um estádio em um enorme painel de
200m², no estúdio de produção virtual,
com o primeiro painel desse tipo da
América Latina. Esse estádio da Globo
vai centralizar todas as informações
do evento e contar todas as histórias,
com a ajuda da torcida através
de mosaicos, infláveis, bandeirões,
entre outros elementos. Desse estúdio
serão ancoradas as transmissões
da TV Globo feitas do Brasil, além dos
programas ‘Central da Copa’ (TV Globo)
e ‘Partiu Copa’
(sporTV).
NARRADORES
Na TV Globo,
Everaldo Marques
narra os jogos do
Brasil, acompanhado
por um time de
comentaristas de
altíssimo nível. Outros
narradores da
Globo, como Gustavo
Villani, Renata Silveira, Luiz Carlos
Jr., Paulo Andrade e Dandan Pereira
também vão narrar in loco para TV
Globo e sporTV. Temos grandes nomes
envolvidos na cobertura. Ronaldinho
Gaúcho atuará como embaixador do
projeto na TV Globo, aparecendo em
experiências e conteúdos especiais
pela América do Norte, ampliando o
alcance cultural da Copa. No programa
78 18 de maio de 2026 - jornal propmark
A propaganda
é a alma
dos negócios.
Há 61 anos,
o Propmark
é a voz.
O Propmark completa 61 anos. Parabéns ao veículo
e a Armando Ferrentini, diretor-presidente e
publisher, por mais de seis décadas comunicando o
que é mais relevante no mercado de comunicação.
‘Seleção’, no sporTV, feito diretamente
de Nova York, o técnico do pentacampeonato
mundial em 2002, Felipão, vai
se revezar com Renato Augusto e o
argentino Andrés D’Alessandro como
comentarista do ‘Seleção’, ancorado
por André Rizek ao vivo, direto de Nova
York, que terá ao seu lado, no elenco
fixo da atração, os comentaristas Felipe
Melo e Paulo Nunes. Em parceria
inédita entre Play9 e Globo, teremos
o “2026 Convocados”, que vai levar a
Copa para o centro da cultura digital.
CREATORS
Nesse projeto, contamos com 26
grandes influenciadores in loco e no
Brasil, com linguagens ligadas ao
futebol, humor, comportamento e
lifestyle, além de nomes da própria
Globo e da Ge TV, como Denílson e
Jorge Iggor, que vão mobilizar outros
2 mil micro e nanoinfluenciadores espalhados
por todo o Brasil, garantindo
diversidade regional, pluralidade de
olhares e conexão
com diferentes comunidades.
CONTEÚDO
A Copa atravessa
toda a programação
das plataformas
da Globo.
Entre os programas
feitos direto
dos Estúdios Globo,
a ‘Central da
Copa’, na TV Globo,
com o carisma de
Tadeu Schmidt, a irreverência e o bom
humor de Fábio Porchat e a experiência
dentro das quatro linhas da craque
Tamires, medalhista de Prata olímpica
em 2024 com a seleção brasileira; e o
‘Partiu Copa’, no sporTV, antecedendo
o primeiro jogo do dia. Já o ‘Seleção’,
também do sporTV, ganha uma roupagem
de Copa do Mundo, direto de
Nova York.
“Todo o
ecossistema
da Globo está
preparado para
dialogar com
os variados
públicos”
ESQUENTA
Dos Estados Unidos, o ‘Seleção’ estreia
no dia 6 de junho, sob o comando
de André Rizek, trazendo informações
e debates todos os dias, até a final;
nas manhãs, o ‘Partiu Copa’ inicia o
aquecimento para as partidas do dia,
diretamente dos Estúdios Globo, com
apresentação da Joanna de Assis,
Kelly Costa e Maurício Paulucci. Antes
de o torneio começar, duas produções
especiais com boa dose de humor serão
exibidas, como ‘Copa e Cozinha’,
em que Fabio Porchat recebe ex-
-jogadores para abordar experiências
e histórias de Copas do Mundo e degustar
a culinária de países que têm
tradição no torneio;
e o ‘Chama o
VAR’, humorístico
que reproduz uma
mesa redonda que
analisa grandes
polêmicas que seriam
evitadas se a
ferramenta tecnológica
já existisse
na época. Na Ge TV,
estreou em abril o
programa semanal
‘Hexa Neles’,
sempre exibido de
forma inédita às terças-feiras, apresentado
por Denilson e com a participação
do comentarista Rafael Sobis.
GIGANTISMO
Vai ser a maior Copa de todos os
tempos, com o maior número de seleções,
ocorrendo em três países simultaneamente,
e é um dos poucos eventos
capazes de parar todo o Brasil. A
Copa une as famílias, os amigos, reúne
todos para uma vivência coletiva,
acompanhada por todos, do Oiapoque
ao Chuí. Para isso, a TV Globo é o veículo
capaz de levar os jogos e conteúdos,
ao vivo e para todos, ao mesmo
tempo. E se prepara, como faz há décadas,
para oferecer a melhor e mais
completa experiência aos brasileiros.
E em uma edição com os direitos mais
pulverizados, todo o ecossistema da
Globo está pronto para dialogar com
variados públicos, mantendo o engajamento
de forma consistente e disponível
onde ele estiver.
STREAMING
Estamos produzindo conteúdo,
com parcerias estratégicas como o
projeto entre a Play9 e a Ge TV, que
tem uma linguagem muito próxima
da cultura jovem. É um movimento
que envolve creators, influenciadores
e talentos que já fazem parte do dia
a dia desse público, produzindo conteúdos
variados e distribuídos nas
plataformas em que essas audiências
estão. Fred Bruno, por exemplo, estará
no país-sede não apenas para apresentar
o ‘Globo Esporte’, mas também
para produzir
conteúdos exclusivos
para as redes
sociais. Estamos
desenvolvendo
quadros e séries
especiais pensados
especificamente
para o consumo
digital, além
de ampla produção
de conteúdo e vídeos
verticais para
as redes da Globo.
Com iniciativas
como a DTV+, ampliamos as possibilidades
de interação, integração entre
TV e digital e participação do público,
criando experiências mais vivas e coletivas.
TV AbERTA
Segue sendo um espaço de grande
alcance entre os jovens, concentrando
audiências que, somadas à força
do digital, potencializam ainda mais
“Com iniciativas
como a DTV+,
ampliamos as
possibilidades
de interação,
integração entre
TV e digital”
Magnific
o impacto da Copa. E todos os canais
e plataformas se encontram no Globoplay,
em que o público poderá acessar
de onde quiser.
EXPERIÊNCIA
O ponto de partida de qualquer decisão
continua sendo entregar a melhor
experiência para os brasileiros,
oferecendo uma jornada completa,
que envolve o público antes, durante e
depois do jogo. Então, nossas equipes
trabalham no storytelling multiplataforma
e são pensadas para atuar de
forma integrada para dar agilidade,
eficiência e consistência a todo projeto.
Fred, por exemplo, estará no ‘Globo
Esporte’, nas redes
e na Ge TV, que poderá
ser vista no
Globoplay e parceiros.
Vale reforçar
que, por questões
de direitos, a Ge TV
não estará no You-
Tube.
OPERAçãO
A operação é
mais complexa,
com três países-
-sede, novos canais
Globo transmitindo jogos, mais
produção de conteúdo in loco e do
Brasil e o projeto “2026 Convocados”,
fruto da parceria entre Globo (Ge TV)
e Play9. A Globo tem um ecossistema
robusto e segue aperfeiçoando as
entregas em todas as dimensões: tecnologia,
cobertura, time, linguagens e
formatos, e as equipes acompanham
essa evolução para fazer a melhor e
mais adequada entrega.
80 18 de maio de 2026 - jornal propmark
O NOSSO
OLHAR
ATRAI
MILHÕES
DE OLHARES.
Não vendemos apenas
mídia exterior.
Vendemos milhões
de olhares.
MAIS QUE MÍDIA,
CONEXÃO REAL.
OLHAR INTERNO
É preciso ter um olhar
interno para enxergar
o que move as pessoas.
OLHAR ESTRATÉGICO
Analisamos, planejamos
e conectamos sua marca
ao lugar certo, na hora certa.
OLHAR ATENTO
Estamos atentos a cada
detalhe para transformar
presença em resultado.
propmark 61 anos
Onde você
estava quando...
Flavio Waiteman
O
futebol sempre dá lições que a gente não esquece,
pois as aprendemos a partir de sentimentos
que começam no estômago. A emoção
do esporte vai diretamente para o âmago da gente e
só depois sobe para o intelecto. É isso que o esporte,
e mais precisamente o futebol, provoca nos seres
humanos. É no interior da gente, entre o estômago,
os pulmões e pontadas doloridas no coração, que
sentimos estados de alteração extremos que vão do
medo, pânico e dor da perda ao entusiasmo, euforia
e orgulho. Mais orgânico que isso, impossível.
Onde você estava quando Baggio errou o pênalti?
O que estava fazendo quando Bebeto comemorou
seu gol balançando um bebê invisível no colo? Entretanto,
você também se lembra onde estava quando
a sequência de gols da Alemanha foi acontecendo na
Copa do Mundo do Brasil, não é mesmo? Como doeu
aquilo!
Você se lembra desses momentos, pois a gente
não esquece daquilo que mexe na nossa alma. E o futebol
mexe, remexe e bagunça. E ensina. São lições
tão intensas que ganham o direito de não serem
esquecidas. Segundo meu pai, que viu o Pelé jogar
várias vezes contra o América de Rio Preto, o segredo
do melhor de todos os tempos era a sua visão
de jogo. Pelé estava sempre “um segundo e meio à
frente de todos os outros jogadores”, me disse seu
Rubens Waiteman. Só ele via com antecedência o
que poderia acontecer e, ao ver, sabia o que deveria
fazer com seu talento imenso. Com essa explicação,
aprendi que não há brasileiro mais especial do que
Pelé e nem jogador de futebol melhor do que ele. Durante
anos, tentei desenvolver esse superpoder de
ver tudo um segundo e meio antes dos outros.
Em 1982, na Copa da Espanha, experimentei o
peso insuportável do primeiro fracasso coletivo nacional
perante o mundo. Como aquela seleção brasileira
poderia perder um jogo ou uma Copa? Demorei
anos para entender que nem tudo no mundo é exatamente
do jeito que a gente quer. O fato em si pode
ser, e geralmente é, maior do que o desejo de uma
nação inteira. Aprendi naquela atrasada grotesca do
Cerezo que decepção é algo que deve ser experimentado
com intensidade, porém, de maneira breve. No
dia seguinte tem outro jogo, outro campeonato.
Parmalat compra o Palmeiras. Deixo de torcer para
o time da família, por ele ter se “vendido” para uma
marca de leite. Aprendi com o futebol que alguns limites
são necessários para preservar a cultura e a
alma das coisas. Não se deve ultrapassá-los.
Em 2018, um goleiro pega no celular em partida
válida para o Campeonato Brasileiro. Uma ação
para Uber junto com Athletico Paranaense. Foi uma
alegria criar e executar com o time maravilhoso da
Tech&Soul um case reverenciado no mundo todo
como exemplo do uso do futebol para ativação
publicitária. Aprendi que o futebol tem o poder de
desarmar as pessoas deixando-as mais autênticas,
sinceras e abertas a ideias originais.
Corinthians coloca a estrela de Davi na sua camisa
em 2021. O time que havia tirado todas elas abre
exceção para lembrar as vítimas do Holocausto,
numa ação da T&S para o Memorial do Holocausto.
Um simples gesto se torna um movimento global de
vários times em diversos países. Ainda hoje, sempre
no mês de novembro, vários times no mundo passam
a fazer esse aviso e a lembrança sobre a intolerância.
Aprendi que qualquer comunicação precisa
acontecer primeiro no coração das pessoas para depois
subir à cabeça e mudar algo nela. A alma sempre
vai ser a alma do negócio da criatividade.
Copa do Mundo de 2026. Acredito que devemos
ter alguns aprendizados valiosos nesse evento. Enquanto
o mundo se separa cada vez mais, enquanto
a honra, a elegância e a empatia vão se tornando fenômenos
isolados e raros, a Copa de 2026 vai acontecer
em três países diferentes, que até dois anos
atrás eram ótimos vizinhos. Não são mais. A confiança
se foi. O mundo vai estar de olho nessa Copa
e alguns fatos que vão acontecer marcarão nossa
época e você vai lembrar deles para sempre. Porém,
vejo com otimismo esse evento, pois quando a gente
menos espera, o esporte costuma ser um agente
de boas mudanças. Vai Brasil!
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
82 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Globo vai unir a publicidade com live
marketing para produzir experiência
25 marcas serão as patrocinadoras do ecossistema multiplaforma
da emissora com oferta de escala, simultaneidade e alcance nacional
Paulo Macedo
A
executiva Manzar Feres, diretora
de negócios da Globo, fala que
a emissora vai vestir o Brasil de
Copa bem antes do primeiro apito.
“Para o público, esse aquecimento se
traduz em conteúdos especiais que
criam uma atmosfera emocional e
cultural que mobiliza o país. Já para
as marcas, é o início da jornada de
relacionamento com o consumidor.
Temos o maior projeto comercial multiplataforma
do mercado brasileiro,
um plano sustentado na combinação
de alcance massivo, alta frequência,
atenção qualificada e uma narrativa
integrada em todas as telas do nosso
ecossistema.”
Algumas dessas traduções são as
ações de out of home programadas.
Uma delas será a Arena Globo, que,
nas palavras de Manzar, é a expressão
mais direta da conexão da Globo com
o torcedor brasileiro.
“Instalada na marquise do Parque
Ibirapuera, em São Paulo, será um espaço
gratuito, aberto e democrático
de encontro, celebração e experiência,
com transmissão dos jogos do
Brasil e experiências pensadas para
fortalecer o vínculo do torcedor com
a Copa do Mundo. Os patrocínios e projetos
de licenciamento do espaço estão
em negociação. A Globo também é
media partner de outras experiências
de live marketing, como a Arena Brasileira
(também no Ibirapuera), da Arena
Copacabana (no Rio de Janeiro) e
da Arena Nº1 (iniciativa da Brahma em
Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre,
Goiânia e Recife). Esses movimentos
materializam a capacidade de mobilização,
construída ao longo de décadas
de relação genuína com os brasileiros,
que faz da Globo um agente único na
transformação de grandes eventos
em experiências compartilhadas, dentro
e fora das telas.”
Para viabilizar a cobertura do ecossistema
Globo, 25 marcas fecharam
negócio com o grupo.
A executiva Manzar Feres, diretora de negócios da Globo: “Capacidade de mobilização”
“Em uma combinação que mostra
um equilíbrio muito claro entre
anunciantes consolidados e novos
players interessados em falar com
o país inteiro em um momento de
enorme relevância cultural, Ambev,
Itaú, Unilever, CAOA, Amazon.com.br,
XP, BYD, Grupo Petrópolis, Superbet,
Apple, Coca Cola, McCain, Havan, Betano,
BETMGM, Ademicon, Zé Delivery,
STIHL, OpenAI, Localiza, Medley, Suvinil,
Caixa, JBS e Claro são as marcas parceiras
da Copa nas plataformas Globo.
Em um cenário de crescente fragmentação
e na maior Copa do Mundo
da história, a Globo é o único parceiro
capaz de reunir o Brasil com escala,
simultaneidade e profundidade nacional”,
explica Manzar.
“O modelo
comercial da
Globo parte
de uma lógica
de cocriação
e parceria”
Divulgação
A Globo considera a interação com
influenciadores um fator-chave para
ampliar frequência e participar das
conversas em tempo real. “Algo fundamental
em um evento com o dinamismo
e a pulsação cultural de uma
Copa do Mundo. No momento, estão
sendo desenhadas ações customizadas
em social com os influenciadores
das marcas patrocinadoras das transmissões
nas plataformas Globo”.
“Além disso, também a partir desse
entendimento, desenvolvemos em
parceria com a Play9 o projeto ‘2026
Convocados’, que incorpora a lógica
dos creators de forma estruturada e
estratégica à cobertura dos bastidores
da competição. O projeto reúne 26
influenciadores âncoras e uma rede
de cerca de 2 mil micro e nano creators
distribuídos por todo o Brasil, que
vão trazer olhares e vivências diferentes
da Copa do Mundo, ampliando
capilaridade, diversidade de olhares
e presença contínua nas redes. Nesse
contexto, as marcas patrocinadoras
do projeto passam a participar da
narrativa de maneira integrada, com
ativações pensadas para gerar conversa
e engajamento em tempo real,
sempre com segurança de marca e
total alinhamento aos objetivos de
comunicação de cada parceiro”, assegura
Manzar.
A promessa de ROI da emissora
combina alcance, frequência, atenção
qualificada e narrativa integrada.
Quais marcas terão conteúdos customizados
na grade de programação?
Manzar responde: “O modelo comercial
da Globo parte de uma lógica
de cocriação e parceria. Todas as marcas
parceiras têm acesso a conteúdos
e formatos passíveis de customização,
desenhados de acordo com seus
objetivos de comunicação, tanto na
grade dos canais quanto nas plataformas
digitais. Trabalhamos com um
processo de escuta ativa e construção
conjunta, ajustando linguagem,
formato e presença editorial sempre
que possível”.
84 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Sua marca na rotina
de quem vive o maior
campeonato de futebol.
Mais de 3.2 milhões de visitas por dia.
Terminais urbanos de ônibus em São Paulo, Brasília e Recife.
87% consomem alimentos / bebidas
enquanto estão assistindo
os jogos de futebol
54% costumam
pedir delivery
58% têm interesse em
promoções das marcas
durante o campeonato
RZK Insights | Pesquisa realizada, de forma anônima via Wi-Fi, em 40 terminais urbanos de ônibus em São Paulo
e 1 em Brasília | Mais de 17 mil entrevistados | 99% de nível de confiança
comercial@rzkdigital.com.br
propmark 61 anos
O resgate da
emoção coletiva
Melissa Vogel
A
primeira Copa do Mundo de que tenho memória
é a de 1982, realizada na Espanha. Eu tinha
uns oito anos e, como tantas crianças, fui atravessada
por aquele ambiente vibrante, mesmo sem
entender exatamente o que estava acontecendo ao
meu redor. Pela primeira vez, talvez, tive a percepção
de que nem sempre o melhor time será o campeão.
O que ficou marcado na minha memória não foi apenas
o futebol bonito e plástico de nomes como Zico,
Sócrates e Falcão - já que aquela seleção encantava,
mas infelizmente não passou da segunda fase de
grupos (o formato à época era diferente do atual).
Mesmo assim, aquela geração deixou algo muito
maior. Vendo sob a perspectiva de hoje, é possível
perceber que a Copa do Mundo tem essa capacidade
de nos ensinar, desde cedo, sobre resiliência e de
que o resultado em si não dá conta de explicar tudo.
Um lembrete de que estamos em constante processo
de aprendizado, crescimento e transformação.
Lembro de cantarmos de forma uníssona o ‘Pra
frente Brasil’, um jingle criado para a Copa de 1970,
que já não era mais apenas uma campanha publicitária,
mas parte indissociável do próprio ambiente
em que vivíamos. Para mim, aquele evento imenso
ganhava forma em um artefato simples: o Naranjito,
mascote da edição de 1982, que se materializava,
na minha vivência, em uma laranja de plástico que
virava copo, no qual eu podia beber qualquer coisa.
Sem perceber, era exatamente assim que a Copa se
consolidava: muito além das partidas, ela estava
viva nos sons, nos objetos e nos pequenos rituais. No
fim das contas, é um torneio em que um país inteiro
vive, junto, a expectativa, a alegria e a frustração. E
é a essência da construção coletiva que fortalece o
nosso tecido social.
Sob uma lente analítica, fica evidente o quanto
o campeonato é um território fértil para o engajamento
popular. O ato de torcer e celebrar em conjunto
cria o que chamamos de audiências coletivas,
um movimento que altera o padrão de consumo de
conteúdo da sociedade. O entretenimento passa a
ser compartilhado em praticamente todos os ambientes
de convivência: bares, restaurantes, locais
de trabalho, casa de amigos ou nas próprias residências,
com uma dinâmica capaz de promover um resgate
da emoção coletiva de um vínculo nacional. Ou
seja: um ambiente muito propício para a construção
de marcas, que exige dos profissionais do mercado
uma visão baseada em empatia, racionalidade e intuição
para dialogar com o público.
Quando penso nas lembranças de Copas do Mundo,
percebo como as marcas que souberam ler esse
sentimento se eternizaram com campanhas que
ultrapassam a barreira do consumo e viram cultura.
Em 1994, inesquecível ano do tetra, era impossível
não ser contagiado pelo jingle da Brahma, que
nos consagrava como “número 1”. Em 1998, a Nike
inovou ao colocar Ronaldo e a turma driblando livremente
por um aeroporto ao som de ‘Mas que nada’,
capturando a nossa essência de forma magistral.
Anos depois, em 2006, a mesma marca trouxe a
campanha ‘Joga bonito’, elevando o futebol à categoria
de arte e traduzindo o estilo de vida brasileiro.
Outra campanha que nos convocou com o emocionante
‘Mostra tua força Brasil’ foi a do Itaú Unibanco,
em 2014.
Olhando para frente e projetando expectativas
para a edição de 2026, acredito que o mercado publicitário
enfrentará um desafio ainda mais fascinante
em um cenário em que o sucesso se definirá
por quem conseguir estabelecer conexões genuínas.
Minha expectativa é a de que as marcas atuem
como mediadoras de um grande encontro cultural,
utilizando sua força para promover mensagens que
unam as pessoas, com a criação de espaços para
que este ritual social continue acontecendo.
Torço para que a nossa premiada criatividade
brasileira continue construindo narrativas capazes
de atravessar o tempo, como os jingles que até hoje
consigo cantarolar. E sabemos fazer isso muito bem.
Que esses momentos sejam capazes de marcar, com
a mesma força, novas crianças e adultos, despertando
neles essa mesma emoção genuína.
Melissa Vogel
é presidente do Cenp (Fórum da Autorregulação
do Mercado Publicitário)
86 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
SBT considera estratégica a transmissão
mutiplataforma do mundial de seleções
Daniel Abravanel fala que na tela social audiência conversa e consome
as marcas que estarão na grade comercial da emissora na competição
Paulo Macedo
A
base de apoio do SBT na Copa de 2026 ficará
nos Estados Unidos, em Nova Jersey, onde está
o MetLife Stadium, palco de oito jogos, incluindo
a final. Com 48 países presentes na competição,
como explica Daniel Abravanel, diretor estratégico
de negócios e rede da emissora, a ideia para entregar
uma cobertura à altura da maior Copa de todos
os tempos é mobilizar profissionais do jornalismo,
do esporte e do entretenimento, com equipes de
reportagens nos três países-sede (que também
incluem México e Canadá) e no Brasil, e integrar a
expertise em plataformas digitais da N Sports “para
entregar uma experiência completa”.
Os anunciantes que asseguraram lugar na grade
comercial no evento são Airbnb, Bem Brasil, Carrefour,
Esportes da Sorte, Friboi, Haleon, Hyundai,
McDonald’s, Pagbank, Seara e Shopee. “A receptividade
do mercado demonstra a atratividade do
projeto e a aderência às necessidades das marcas
parceiras”, enfatiza Abravanel, que planeja a entrega
de uma experiência positiva para a audiência e
resultados para os negócios dos clientes.
“Projetos do gênero estão em desenvolvimento
e serão anunciados oportunamente. Mas é certo
que haverá formatos diversificados com as marcas
parceiras, incluindo ações de merchandising, inserções
e ativações de grande visibilidade na grade
de programação”, afirma Abravanel, que prossegue:
“Os investimentos estão alinhados à dimensão do
projeto e ao potencial do evento. A expectativa é de
um retorno consistente, tanto em audiência quanto
em resultados comerciais, dentro das metas estabelecidas.”
Será a Copa da multicanalidade. “Criadores
de conteúdo devem fazer parte da estratégia
de alcance, pois contribuem para tornar o evento
pessoal e acessível e levam a transmissão para
a tela social, onde a audiência já está conversando
e consumindo. Para garantir uma estratégia
alinhada, os times de marketing de SBT e N Sports
vão desenvolver soluções criativas e personalizadas
para conectar marcas parceiras e audiência, dentro
das normas do evento. Nosso projeto tem como
foco principal a transmissão de 32 jogos, das fases
classificatórias até a final, na TV aberta, que ainda
lidera como principal meio de consumo da Copa do
Mundo. Se vier o hexacampeonato, e ainda na voz
do Galvão Bueno, na tela do SBT, será indescritível”,
prevê Abravanel.
O executivo do SBT esclarece ainda que o mundial
Fotos: Alê Oliveira e Rogério Pallatta/Divulgação
Daniel Abravanel é diretor estratégico de negócios e rede do SBT, que faz aposta na multinacalidade na Copa de 2026
Tiago Leifert vai ser a voz identificada com os jovens
de seleções não começa no jogo de estreia. O SBT,
desde que confirmou a compra do projeto em consórcio
com a N Sports, vem fazendo ativações.
“Mas já está em curso na expectativa e na mobilização
que antecedem o evento. Como aquecimento,
estreou em março o ‘Galvão FC’, programa semanal
que mistura debate sobre futebol nacional e mundial
com entretenimento, música e interação com
a plateia. Toda a campanha da Copa envolve uma
comunicação intensiva on air e nos meios digitais,
e nossas chamadas darão ênfase a esse evento histórico.
O pré-jogo inclui toda uma programação com
a equipe do canal e as marcas parceiras, e aproveitaremos
as oportunidades para construir soluções
criativas e que entretenham o telespectador.”
No conceito de Abravanel, a Copa do Mundo
da Fifa é mais do que um mero acelerador de audiência
para os canais de mídia. E com o SBT não é
diferente.
“A Copa é um importante motor para a indústria
da comunicação, tradicionalmente associada ao
crescimento do investimento em mídia”, pondera.
“Mas, é muito mais do que um acelerador de audiência
da televisão ou dos meios de comunicação
em geral. A Copa movimenta a economia dos países,
estimula o consumo e fortalece a cadeia de varejo.
As pessoas compram televisores novos e roupas
para torcida, se reúnem para comer, beber e torcer
juntas, consomem produtos e as notícias sobre as
seleções e seus países”, acrescenta Abravanel.
88 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
A Copa mudou, e a
publicidade também
Juliana Pileggi Suplicy
A
Copa do Mundo sempre foi mais do que futebol:
é emoção, ritual, identidade e conversa
em escala global. Para marcas, é um território
de grandes oportunidades, mas também de desafios.
Não basta estar presente.
É preciso ser relevante. E, cada vez mais, isso
passa pela capacidade de criar experiências que se
conectem com o consumidor de forma genuína.
Ao longo das últimas edições, vimos como a competição
evoluiu não só dentro de campo, mas também
na forma como as marcas se posicionam, se
conectam com o público e transformam a emoção e
o momento em estratégia.
Em um cenário em que o consumidor está cada
vez mais seletivo, a relevância deixou de ser uma
consequência do investimento e passou a ser resultado
de estratégia.
As marcas que entendem esse contexto conseguem
construir presença real, não apenas mídia. É
quando a marca sai do intervalo comercial e entra
na vida das pessoas, tornando-se assunto no bar, na
mesa do almoço, no grupo de WhatsApp, no feed e
nas conversas espontâneas que surgem a cada jogo.
É quando a campanha passa a ser experiência,
memória e conexão. Na prática, a Copa é uma grande
oportunidade de brand experience.
Um exemplo recente foi uma ativação realizada
para a Lenovo, inspirada no universo do futebol, dentro
de uma campanha de incentivo voltada ao time
de vendas, distribuidores e parceiros.
A ação passou por Porto Alegre, São Paulo e Campinas
e transformou a iniciativa em um momento
de conexão presencial, com cenografia, espaço dedicado
à interação e um desafio de embaixadinhas,
conduzido por atletas de freestyle football.
Esse tipo de experiência gera conversa, engaja
o público e transforma uma campanha de incentivo
em conexão.
Esse movimento é visível quando olhamos para
as últimas Copas.
Se antes o foco estava concentrado em grandes
filmes publicitários e patrocínios tradicionais, hoje a
audiência se fragmentou, o consumo de conteúdo
mudou e o impacto passou a depender menos de
uma peça única e mais de uma construção consistente
de presença cultural.
A Copa deixou de ser apenas um momento de comunicação
e passou a ser um ecossistema completo
de interação, com múltiplos canais, linguagens e
oportunidades em tempo real.
Para essa edição, a expectativa é que essa disputa
por atenção seja ainda mais intensa - e já está
sendo. O consumidor está mais crítico e menos tolerante
a ações vazias.
Ao mesmo tempo, está mais aberto a marcas que
entregam experiências relevantes, participação, entretenimento
e conexão genuína. Isso deve impulsionar
ativações cada vez mais híbridas, integrando
presencial e digital, com ações desenhadas para gerar
envolvimento e se desdobrar naturalmente em
conteúdo.
Juliana Pileggi Suplicy
é CEO da AKM
90 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
N Sports está alinhada às abordagens
multigeracional e multiplataforma
Empresa acredita que o conteúdo é o principal meio global
de acesso à Copa, que considera o maior espetáculo do futebol
Paulo Macedo
O executivo André Barros é CEO das operações das marcas N Sports e NWB
“Para toda
uma geração,
não existe
Copa sem
o Galvão”
Divulgação
Nas palavras de André Barros, CEO
da N Sports, que adquiriu os direitos
de transmissão da Copa
de 2026 em consórcio com o SBT, a
expressão “O conteúdo é rei” (content
is king) é verdadeira, mas a sua distribuição
é a rainha e é ela quem manda.
Por quê? Ele responde:
“O conteúdo é o principal meio de
acesso das nações ao maior espetáculo
do futebol mundial, porém a
plataforma pela qual ele é distribuído
faz toda a diferença, desde seu formato,
tempo e tom de voz até a forma
de fazer com que as pessoas o encontrem.
Nesse contexto, o papel da N
Sports na Copa do Mundo é ampliar e
democratizar esse acesso, com uma
abordagem multigeracional e multiplataforma,
levando ao público brasileiro
as emoções, experiências, notícias
e melhores momentos do evento,
além das transmissões dos jogos, dos
quais os direitos são compartilhados
com o SBT”, afirma.
Barros, que também é CEO da NWB,
esclarece que os nichos consolidam a
fragmentação midiática e requerem
cuidado com a atenção das audiências:
“Acabamos ganhando uma atenção
muito mais qualificada desses
grupos de pessoas que têm uma maior
aderência ao nosso conteúdo e tom
de voz”, ele explica, enfatizando o
papel do celular, que já se consolidou
como a segunda tela para a maioria
das pessoas durante as transmissões
esportivas.
“Quem consegue se adaptar com
mais agilidade a esse comportamento
tende a atrair mais a atenção
da audiência. Na N Sports, estamos
estruturando um projeto robusto
de conteúdo multiplataforma para
que, além dos jogos, o público acompanhe
as seleções, os confrontos, os
países-sede, curiosidades, bastidores
e informações nas redes sociais.
Dentro do ecossistema do grupo,
o Desimpedidos também terá um papel
importante, traduzindo os principais
acontecimentos em conteúdos
com humor, conectados à linguagem
das redes.”
E essa conexão é aceleradora das
audiências dos canais envolvidos com
transmissão e cobertura. “Trata-se do
maior evento esportivo do mundo,
que mobiliza o globo, altera rotinas
dos países e concentra a atenção do
público de forma única, especialmente
nos jogos da seleção brasileira. É
um momento de altíssimo interesse
coletivo, o que potencializa o alcance
de qualquer plataforma que detenha
esses direitos.”
“Como referência, de novembro
de 2025 até o momento, tivemos um
crescimento de 57% nas redes sociais
nesse período pós-anúncio da N
Sports como emissora oficial da Copa
do Mundo”, afiança Barros.
“Para a N Sports, esse é um projeto
desenvolvido em parceria com o SBT,
com atuação conjunta na operação
dos direitos de transmissão, sempre
com foco em entregar o melhor produto
ao público brasileiro. Adquirimos
os direitos de todos os jogos do Brasil,
reunimos Galvão Bueno e Tiago Leifert
como as vozes da nossa cobertura,
criamos uma identidade própria para
o projeto e estruturamos uma grade
de conteúdo que amplia a experiência
além das partidas”, afirma.
Entre as iniciativas que estão no
ar, destacam-se o programa ‘Galvão
FC’, exibido ao vivo no SBT às segundas-feiras
e reprisado na N Sports às
terças, e o ‘Campeão do Mundo com
Galvão’, que tem trechos no ‘Galvão FC’
e versão completa na N Sports.
Em relação às expectativas, Barros
afirma: “Existe uma conexão
emocional gigante do brasileiro com
o Galvão, e apostamos muito nessa
relação. Para toda uma geração, não
existe Copa sem o Galvão. São 13 Copas
conduzindo a seleção e vendendo
as emoções do futebol para todo o
Brasil. O futebol é um dos esportes
mais praticados e o Brasil é um grande
representante histórico para todo
o mundo. Ter um evento desta magnitude
nas nossas plataformas gera
bastante expectativa e, seguramente,
vai trazer excelentes impactos
para o futuro da N Sports”.
A tendência é que a Copa de 2026
seja cada vez mais distribuída entre
diferentes plataformas. “Em 2022, o
streaming começou a conquistar um
espaço mais relevante, e em 2026
esse cenário evoluiu e colocou as
plataformas digitais no centro da
conversa, com uma fragmentação
maior dos direitos de transmissão e
uma atenção mais dividida entre os
diferentes meios. Isso faz com que a
audiência esteja mais pulverizada, de
acordo com as preferências”, finaliza.
92 18 de maio de 2026 - jornal propmark
V I R A L I Z A M O S T U D O
propmark 61 anos
Copa não aceita replay
Juliana Martellotta
A
cada quatro anos, vemos um ciclo conhecido
de grandes produções, narrativas emocionais,
trilhas épicas e um discurso de união
que já nasce familiar. Funciona? Às vezes. Mas dificilmente
marca.
A Copa sempre produziu campanhas inesquecíveis
e nenhuma delas nasceu de fórmula.
Basta olhar para trás. Nike transformou a Copa
em espetáculo com filmes como ‘Airport’ e ‘Write
the future’, elevando o futebol a um território quase
cinematográfico, em que o destino de um jogador
mudava em segundos.
A Adidas trouxe uma leitura mais pop e coletiva,
conectando música, cultura e esporte de um jeito
que expandiu o alcance das campanhas.
E, no Brasil, trabalhos como ‘Mostra tua força, Brasil’,
do Itaú, mostraram que, quando existe verdade,
não é preciso exagerar para engajar todo um país.
Nenhuma dessas campanhas tentava repetir a
anterior. Todas entendiam o momento e o público
em que estavam inseridas, e é por isso que continuam
sendo lembradas.
Ao longo da minha trajetória, acompanhando de
perto a construção de campanhas e a evolução das
produtoras, fica claro que o mercado amadureceu
tecnicamente, mas ainda escorrega na tentação de
repetir o que já deu certo.
Só que a lógica da cultura não funciona assim. O
que emociona hoje não é uma versão melhorada do
que emocionou ontem, mas sim algo que consegue
capturar o agora.
A Copa de 2026 amplia esse desafio. Mais jogos,
mais países, mais telas, um mundo de cabeça
para baixo e, consequentemente, menos atenção
concentrada.
Não existe mais aquele momento único em que
todo mundo está olhando para o mesmo lugar.
Nesse cenário, inovar não significa inventar
algo mirabolante, significa ter coragem de fazer
escolhas menos óbvias e entender que craft é
também pensamento e que execução é parte
central da estratégia.
No dia a dia do Boiler Hub, essa é uma discussão
constante.
Como criar estruturas que não apenas produzam
bem, mas que ajudem a provocar caminhos novos?
Como sair do lugar seguro quando o briefing, muitas
vezes, já vem carregado de referências prontas?
A resposta, quase sempre, está em ampliar repertório
e tensionar o processo, em questionar o
formato antes mesmo de executar, construir junto
com agência e cliente desde o início.
Nunca tivemos tanta referência e nunca foi tão
difícil se destacar. Hoje, o maior risco é repetir a fórmula
da estética épica, a trilha crescente, o locutor
rouco e dramático.
Se existe uma oportunidade real em 2026, ela
está justamente em parar de tentar recriar o que já
funcionou e assumir o risco de fazer diferente, mesmo
que isso signifique ser mais simples, distanciando-se
do passado.
A Copa não aceita replay, talvez seja exatamente
por isso que ela continue sendo o melhor momento
para o mercado se reinventar.
Juliana Martellotta
é sócia e produtora-executiva da Boiler Filmes
94 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Jovem Pan aposta em ecossistema para
gerar entregas aos anunciantes na Copa
O CEO Roberto Araújo está finalizando a comercialização das cotas
de publicidade para as transmissões pelo sinal de rádio e no YouTube
Paulo Macedo
A
Rádio Jovem Pan, com sede operacional na
cidade de São Paulo, mas com rede nacional
para a transmissão do seu sinal, une, no seu
fluxo de produção de conteúdo esportes, notícias e
música, estrelas da sua grade de programação. Uma
das referências brasileiras em termos de futebol, a
emissora adquiriu os direitos de transmissão dos
jogos da Copa no rádio e, a partir disso, desenhou,
na expressão do executivo Roberto Araújo - CEO da
emissora, “um projeto multiplataforma que vai muito
além das partidas”.
“Nosso objetivo é construir uma narrativa completa,
antes, durante e depois da Copa. Estamos
integrando equipes, ampliando investimentos em
conteúdo e fortalecendo nossa grade com programas
como o ‘Pan na área’, além de estruturar uma
cobertura robusta, que entregue relevância, dinamismo
e conexão com o público em todas as frentes”,
afirma.
As expectativas, de acordo com Araújo, “são extremamente
positivas”. Segundo ele, a Copa “segue
sendo o maior evento esportivo do mundo e um fenômeno
cultural de enorme engajamento”. Assim
sendo, “a Jovem Pan tem tradição na cobertura do
torneio, com narradores de identidade marcante e
comentaristas reconhecidos pela qualidade de análise.
Esperamos altos níveis de audiência, forte interação
digital e uma entrega consistente de valor
para as marcas, conectando emoção, entretenimento
e relevância em tempo real”.
A Jovem Pan terá “operação de grande porte”,
com cobertura in loco nos jogos e uma retaguarda
completa no Brasil. Entre os nomes da cobertura estão
os jornalistas Felippe Facincani e Julia Ballarini.
“Também teremos presença internacional, com
equipes nos Estados Unidos — incluindo Miami e
Orlando — acompanhando de perto a energia das
torcidas e produzindo conteúdo original. É uma estrutura
pensada para garantir capilaridade, agilidade
e qualidade na entrega. A cobertura mobiliza uma
equipe multidisciplinar, com jornalistas, narradores,
comentaristas, produtores, diretores, profissionais
técnicos, time digital, especialistas em dados e influenciadores.
Vamos ter repórteres in loco acompanhando
não apenas a seleção brasileira, mas também
outras e pautas relevantes, garantindo uma
cobertura ampla e aprofundada.”
Araújo explica que a Jovem Pan terá um verdadeiro
ecossistema integrado “que une tradição e inovação
para entregar uma experiência completa, tanto
Emissora vai ter equipes presenciais nos Estados Unidos e suporte no Brasil para transmissão do conteúdo
“O objetivo é construir
uma narrativa completa,
antes, durante e
depois da Copa”
Roberto Araújo é CEO da Rádio Jovem Pan
Fotos: Divulgação
na transmissão quanto na produção de conteúdo
para diferentes plataformas”, ressalta.
“As cotas seguem em comercialização até meados
de maio, mas já contamos com marcas relevantes
dos segmentos de apostas, varejo, mercado financeiro
e automotivo. São empresas que enxergam
na Copa uma oportunidade estratégica de conexão
em larga escala e reconhecem na Jovem Pan uma
plataforma com tradição e audiência qualificada.
Por questões contratuais, os valores não são divulgados,
mas podemos afirmar que são investimentos
significativos e alinhados à dimensão do projeto”,
detalha o executivo da Jovem Pan.
A entrega foi pensada de forma 360°. Araújo
enfatiza que não se trata apenas de inserções comerciais
durante os jogos, mas de um ecossistema
completo que inclui pré-jogo, pós-jogo, programas
especiais, ativações digitais e presença estratégica
nas redes sociais.
“As marcas estão integradas à narrativa, com
formatos que vão além da publicidade tradicional,
gerando experiências mais autênticas e relevantes.
Além disso, contamos com mídia avulsa para reforço
e sustentação das campanhas. O YouTube será
o grande desafio. São muitos outros canais que
também farão a cobertura da Copa, mas apostamos
muito na qualidade do nosso time de comentaristas
e repórteres. Entendemos que a descontração
é uma demanda do público em geral, e
temos isso”, finaliza.
96 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
De ‘Write the future’
ao prompt criativo
Marcia Esteves
Tem algo de ritual coletivo nas Copas do Mundo
que o mercado publicitário brasileiro nunca
soube resistir. E faz bem em não resistir. A
cada quatro anos, a indústria para, respira fundo
e testa os próprios limites criativos. O evento não
é só esporte. É um espelho do estado da arte da
comunicação.
Em 2010, na África do Sul, ‘Write the future’, da
Nike, redefiniu o que uma peça de Copa poderia
ser. Estrelado por Ronaldo, Rooney e Ribéry, o filme
entrou para a história não pelo produto, mas pela
narrativa: o que está em jogo não é uma partida, é
um destino. Por aqui, as cervejarias já dominavam
o território emocional do torcedor, e Ambev e Skol
construíram campanhas que viraram pauta de botequim,
tanto quanto os jogos.
Em 2014, a Copa sediada no Brasil colocou nosso
país no centro do mundo, e o mercado publicitário
viveu meses de euforia criativa que terminaram na
ressaca moral do inesquecível 7 x 1.
Itaú, Skol, Nike Brasil e dezenas de marcas investiram
pesado em produções de encher os olhos. O
mercado aprendeu, naquele inverno de junho, que a
emoção é um ativo volátil. Campanhas construídas
sobre a promessa do hexa viraram lição de humildade.
E de planejamento de cenário.
Já as Copas de 2018 e 2022 aceleraram o que já
era inevitável: o digital tomou o centro. Neymar
rolando no chão virou meme antes de virar campanha.
Marcas que demoraram 48 horas para reagir
ficaram irrelevantes. O tempo real passou a
ser a unidade de medida da relevância. Agências
e clientes descobriram, na marra, que Copa do
Mundo é também uma maratona de war room e
que ter estrutura de criação em tempo real não é
diferencial, é infraestrutura.
Com todo esse histórico, chegamos a 2026. E
o jogo mudou de forma mais radical do que em
qualquer transição anterior. A Copa nos Estados
Unidos, Canadá e México tem um fator ainda pouco
calculado e explorado: fuso horário generoso para
o Brasil. Jogos acessíveis, audiência mais fácil, consumo
maior. Isso, somado ao formato com 48 seleções
e 104 partidas, cria uma janela de ativação
publicitária inédita em extensão. Mais tempo de
antena, mais momentos de pico e mais oportunidades
de conexão. Mas o que verdadeiramente diferencia
2026 é o que acontece nos bastidores das
agências. Pela primeira vez, uma Copa do Mundo
chega com inteligência artificial como ferramenta
operacional consolidada no mercado criativo.
Personalização em escala já não é só experimento,
é expectativa. Marcas que antes faziam uma
peça sobre a Copa agora podem fazer 50 variações
relevantes para 50 perfis diferentes, em tempo real,
com custo compatível. O desafio deixou de ser “ter
uma ideia boa” e passou a ser “ter direção criativa
forte o suficiente para dar identidade a um volume
de conteúdo que nenhuma equipe humana produziria
sozinha”.
O streaming reconfigurou a cadeia de distribuição.
A disputa pela atenção do torcedor vai acontecer
simultaneamente em múltiplas plataformas, e a
marca que só comprou o intervalo do jogo vai perder
o torcedor que assistiu tudo pelo celular, sem ver um
segundo de publicidade convencional.
Segundo especialistas do setor, o investimento
publicitário associado à Copa de 2026 no Brasil deve
superar todas as edições anteriores em volume absoluto.
Mas precisamos ter cuidado. Volume sem estratégia
é ruído. O mercado que sair na frente não
será o que gastou mais, será o que entendeu primeiro
que esta é a primeira Copa nativa do ecossistema
de IA. E que, nesse ecossistema, velocidade sem
identidade não é relevância. É apenas spam com
produção cara. A lição das últimas edições é clara:
Copa não perdoa improviso, mas recompensa generosamente
quem chega preparado. Faltam poucos
meses. O apito já tocou.
Marcia Esteves
é presidente da Abap (Espaço de Articulação Coletiva do
Ecossistema Publicitário)
98 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Um jornal
que já tinha fãs
muito antes
de ter likes.
Parabéns, Propmark, pelos 61 anos.
Há 61 anos, o Propmark acompanha
a história da nossa indústria.
Um jornal que viu a propaganda
mudar de esquema tático inúmeras
vezes, que cobriu o Tri, o Tetra,
o Penta e que sempre soube separar
quem faz firula de quem entra em
campo para resolver o jogo.
Coincidência ou não, a We nasceu
exatamente no ano do Penta: 2002.
Desde então, a gente se recusa
a jogar na retranca e sente um
orgulho gigante cada vez que
a nossa agência é convocada para
as manchetes de vocês.
E a gente sempre vem com um
time de peso, seja nos talentos,
seja na carteira de clientes.
Parabéns, Propmark, por mais
um ano de história e por mais
uma Copa. Mantendo a tradição,
que venha o Hexa.
Uma agência do
/agenciawe
/agencia-we
Think Together.
Brasilux | Bridgestone | BYD | Cacau Show | EMS | Grupo Boticário | Grupo Petrópolis | JOVI | Keeta | Novibet | QI Tech | SBT | Shopee
propmark 61 anos
CazéTV vai transmitir 104 jogos da Copa,
50% com exclusividade no YouTube
Canal terá como cotistas as empresas Ambev, Bet365, Betnacional,
Coca-Cola, Decolar, GM, iFood, Itaú, KTO, Mercado Livre e Vivo
Fotos: Divulgação
A repórter Barbara Coelho, Ronaldo Fenômeno, Casimiro e Romário durante a final da Copa do Mundo de Clubes: atrações da grade da Cazé TV no YouTube e streaming
Paulo Macedo
Interação em tempo real e linguagem mais próxima
do público, no YouTube. É assim que a CazéTV se
posiciona para a transmissão da Copa do Mundo da
Fifa deste ano. Fenômeno do audiovisual brasileiro
no segmento esportivo, o canal vai transmitir os 104
jogos da Copa, com cerca de 50% das partidas em exclusividade
no YouTube, esclarece o head de conteúdo
Felipe Tebet. “A ideia é interação em tempo real e
uma linguagem mais próxima da audiência.”
“A Copa do Mundo de 2026 acontece em um momento
de mudança no consumo de conteúdo esportivo
no Brasil, com o crescimento das plataformas
digitais como ponto central de acesso ao torneio.
Pela primeira vez, em mais de quatro décadas, a tela
principal da Copa do Mundo no Brasil será no digital”,
destaca o executivo.
“Um dos pilares das transmissões da CazéTV é a
relação com a comunidade. O chat faz parte da experiência:
o público comenta, reage, participa e influencia
o clima da transmissão. É pela temperatura
do chat que as decisões são tomadas ao vivo, mas
também são os comentários do chat que ajudam a
definir programação, novas lives, decisões de proridade
de cobertura em competições tão amplas e
com tantas decisões a serem tomadas”, diz Tebet.
“A experiência do fã não
acaba quando o jogo
termina. Ele segue em
outros ambientes”
Guilherme Beltrão e Chico Moedas: cobertura da Copa
Essa proximidade com o chat, nas palavras de Tebet,
também acontece fora da tela. “E, na Copa, vai
ganhar um espaço físico para que essa conexão se
estabeleça diretamente, na Casa CazéTV”, revela. “A
comunidade, liderada pelo chat, inclui também os
criadores de conteúdo, as marcas que patrocinam
as competições e fazem parte das conversas, os ex-
-jogadores que estão presentes nas transmissões
ou palpitam e comemoram nas redes sociais, os jogadores
em atividade que participam das resenhas.
A transmissão é construída em conjunto, com todos
os elementos que compõem o ecossistema da Copa
do Mundo”, prossegue Tebet.
As marcas patrocinadoras são: Ambev, Bet365,
Betnacional, Coca-Cola, Decolar, GM, iFood, Itaú, KTO,
Mercado Livre e Vivo. “A CazéTV será a única detentora,
no Brasil, dos direitos de uso de imagens oficiais
da Copa do Mundo nas redes sociais, incluindo gols,
melhores momentos e entrevistas. O time de redes
sociais vai trabalhar integrado ao de transmissões,
numa equipe única, sabendo que a experiência do
fã não acaba quando o jogo termina. Ele segue
em outros ambientes. As redes sociais, muitas vezes,
são os pontos de descoberta que despertam
o interesse e levam o torcedor a uma transmissão
ao vivo para viver as emoções da Copa na CazéTV”,
finaliza Tebet.
100 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Memórias que ficam,
previsões que movem
Sandra Martinelli
Falar de Copa do Mundo é, para mim, falar de
memória afetiva. É um daqueles poucos eventos
capazes de suspender o tempo, reorganizar
prioridades e nos lembrar, com força, de que pertencemos
a algo maior. A Copa não é só futebol. É
emoção compartilhada, é identidade, é história sendo
escrita. Dentro e fora de campo. Para o Brasil, o
país que tem o futebol como paixão nacional, a Copa
é também uma grande oportunidade para o marketing
se conectar com esse espetáculo de cultura,
diversidade e emoção.
Neste ano veremos uma Copa profundamente
marcada pelo uso da tecnologia, pela inteligência
artificial e por novas formas de engajamento. A experiência
do torcedor já não se limita ao estádio ou à
televisão. Ela acontece em múltiplas telas, em tempo
real, de forma personalizada e interativa. Marcas
que souberem entender esse novo comportamento
terão uma oportunidade extraordinária de criar conexões
genuínas com as pessoas.
Mas, no fim, a Copa continua sendo sobre emoção,
sobre encontros, sobre histórias que atravessam
gerações. Sobre aquele momento em que o
mundo inteiro parece parar e tudo o que existe é
a bola rolando. Dias atrás, lendo um post do conselheiro
da ABA, Daniel Aguado, CMO da Fundação
Dom Cabral, relembrando uma campanha de
marketing que ele fez para a TAM na Copa do Mundo
de 2014, me peguei revisitando também o passado
e relembrando de algumas Copas que vivi e,
dentre essas lembranças, um dos momentos mais
marcantes da minha trajetória.
Quem tem mais de 40 anos em marketing certamente
tem no currículo boas campanhas de Copa do
Mundo para lembrar. Mas essa, para mim, foi especial.
Criamos no Santander Banespa uma memorável
campanha com os jogadores da Copa de 2006. Aquele
time de ouro que a gente amava ver jogar: Robinho,
Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Cafú,
Roberto Carlos e Kaká. Jogadores que carregavam
não só talento, mas história, identidade e uma conexão
genuína com o brasileiro.
Era um momento especial. O Brasil respirava futebol,
expectativa, orgulho. Eu estava grávida da minha
Antônia. E a nossa ambição era clara: não fazer
apenas uma campanha oportunista, mas criar uma
conexão verdadeira com as pessoas, usando um dos
maiores ativos culturais do país – o futebol.
Reunir esse time foi um desafio enorme de negociação,
de timing, de construção criativa. Mas, acima
de tudo, foi um exercício de sensibilidade: entender
o papel da marca Santander Banespa naquele contexto
e respeitar a paixão do país. Mais do que usar
ídolos, queríamos traduzir o sentimento coletivo.
Mais do que visibilidade, buscávamos relevância. E
foi aí que tudo fez sentido.
A campanha ganhou força porque não era só sobre
futebol. Era sobre pertencimento, orgulho, sobre
estar junto em um momento que mobilizava o país
inteiro. Grandes campanhas não nascem apenas de
boas ideias. Elas nascem de contexto, coragem e,
principalmente, da capacidade de conectar marcas
a algo maior do que elas mesmas. E nosso time de
marketing, comandado pelo VP Armando Pompeu,
entregou tudo isso!
Há campanhas que marcam pelo resultado, outras,
pela emoção. E há aquelas que conseguem fazer
as duas coisas ao mesmo tempo. Essa foi uma
delas. Nossa agência era a McCann, de Adriana Cury.
Os filmes ainda podem ser encontrados no YouTube
e vale a pena assistir com o olhar de hoje e perceber
como aquela construção continua atual.
Foi um privilégio viver isso de perto. E uma lembrança
que reforça, todos os dias, por que escolhi
trabalhar com marketing.
Que venha 2026. Com novas histórias, novas emoções.
E, quem sabe, novos capítulos inesquecíveis
para guardarmos na memória.
Sandra Martinelli
é CEO da ABA e membro do Executive Committee da WFA
jornal propmark - 18 de maio de 2026 101
propmark 61 anos
Rádios do Grupo Bandeirantes propõem
atuação integrada e multiplataforma
As marcas patrocinadoras são Bet Esporte, Mobil, Betano, Sicoob, Grupo
Souza Lima, Grupo Euro17, Votorantim, Hydro, Hoteis.com e Motiva
Paulo Macedo
Denis Gavazzi, diretor de esportes do Grupo Bandeirantes
“Teremos uma
equipe robusta
na Copa do Mundo
e na retaguarda,
em São Paulo”
do a permanência do ouvinte. Esse
modelo fortalece o hábito do acompanhamento
ao vivo, característico da
Copa do Mundo, e maximiza a entrega
para os parceiros comerciais”, afirma
Amanda.
Por outro lado, Denis Gavazzi, diretor
de esportes do Grupo Bandeirantes
de Comunicação, destaca que a
preparação é de time grande.
“Teremos uma equipe robusta na
Copa do Mundo e na retaguarda, em
São Paulo. Tudo vem sendo conduzi-
Fotos: Divulgação
Amanda Andrade, diretora-geral das rádios do Grupo Band
as cortinas e começa
o espetáculo”. Com essa
“Abrem-se
frase, o locutor Fiori Gigliotti,
uma lenda do rádio esportivo brasileiro,
iniciava as transmissões dos jogos
dos campeonatos de São Paulo, das
competições nacionais do país e também
das Copas do Mundo. Durante 16
anos, sua voz deu vida à grade esportiva
da Rádio Bandeirantes. Seus sucessores
no grupo, como a também lenda
José Silvério e o atual âncora Ulisses
Costa, porém, herdaram a responsabilidade
de conduzir o espetáculo nas
ondas desse meio que deixou de ser
sintonizado apenas nos aparelhinhos
que grudavam no ouvido para se multiplicar
no digital.
E, neste ano de 2026, o Grupo
Bandeirantes de Comunicação está
antenado com a Copa do Mundo que
será realizada entre junho e julho
nos Estados Unidos, México e Canadá.
A transmissão da competição vai
envolver 120 jogos, 60 na Rádio Bandeirantes
e outros 60 na BandNews
FM. As marcas que vão dar apoio
comercial às emissoras serão Betano,
Bet Esporte, Grupo Euro 17, Grupo
Souza Lima, Hoteis.com, Hydro,
Mobil, Motiva, Sicoob e Votorantim
Cimentos.
“A entrega foi desenhada de forma
integrada e multiplataforma, garantindo
escala, frequência e relevância
de marca ao longo de toda a jornada
da Copa do Mundo de 2026. O projeto
se inicia antes mesmo de a bola rolar,
com a presença no sorteio oficial dos
grupos, nos Estados Unidos, onde fomos
a única rádio brasileira presente
in loco, gerando material exclusivo e
entrevistas de alto impacto, incluindo
o presidente Donald Trump, o que
reforça nosso acesso e linha editorial
diferenciada. A veiculação contempla
a cobertura dos amistosos preparatórios
das seleções, a divulgação de
escalações em tempo real e a produção
contínua de conteúdo com histórias,
bastidores e memória de outras
edições do mundial”, explica a executiva
Amanda Andrade, diretora-geral
das rádios do Grupo Bandeirantes de
Comunicação.
Durante o torneio, como enfatiza
Amanda, “a entrega se expande com
transmissões ao vivo dos jogos, com
equipes dedicadas e narrações exclusivas;
programação especial no
pré e pós-jogo, ampliando o tempo
de exposição das marcas; forte amplificação
digital, com presença ativa
nas redes sociais e distribuição
sob demanda; e projetos especiais
de branded content e ativações com
talentos e audiência.”
A expectativa é de crescimento
consistente de audiência e engajamento
ao longo do torneio. “O projeto
se apoia em uma cobertura robusta,
com transmissões simultâneas nas
principais rádios do Grupo, oferecendo
narrações distintas e exclusivas para
cerca de 60 jogos em cada emissora
(Rádio Bandeirantes e BandNews FM),
potencializando o consumo e ampliando
de forma estratégica e integrada,
com foco em ampliar o alcance, a relevância
e a conexão com o público.
O projeto aposta em uma operação
multiplataforma, que combina transmissão
ao vivo, programação especial
e forte presença digital. As expectativas
são as melhores possíveis. Temos
expertise em cobertura de eventos
grandiosos. A audiência vai acompanhar
o mundial em formato inédito,
sediado em três países e com 48 seleções
(antes eram 32), mas com o mesmo
compromisso com os ouvintes”,
esclarece Gavazzi.
“Teremos profissionais de microfone
e da área técnica à disposição, além
de estúdios para cada uma das rádios
e contratação de posições nos estádios.
É uma Copa que tem alto custo
de produção. A logística sempre é um
desafio e, em se tratando de moeda
estrangeira, isso faz com que tenhamos
um plano bem detalhado para
respeitar orçamentos. Estaremos
bem cobertos com narração, comentários
e reportagens”, acrescenta.
102 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
É Copa do Mundo.
Tá ligado? É pi#$@.
Toni Fernandes
Semifinal da Copa do Mundo Fifa 2014. Quem
já criou para o maior evento de futebol do
mundo sabe: o patrocinador oficial da Copa
do Mundo Fifa não pode falar apenas “Copa”. (Perdão,
dona Fifa.) E quem não é patrocinador oficial
não pode nem falar “Copa”. (Sorry novamente.)
Bem, voltando. Quer dizer, indo. Fui de ônibus para
BH cantando: “Morro do Dendê é ruim de invadir,
nós com os alemão vamô se divertir”. Como diria
André Rizek: “Coragem, Felipão. O meio de campo
da Alemanha não marca muito. Deixa os 3 volantes
para depois”. A torcida estava empolgada, a crítica
esportiva iludida e a propaganda refletia um pouco
as características do nosso ainda menino Ney:
alegria e ousadia.
Naquele ano, participei de duas campanhas. Uma
para um patrocinador oficial da seleção brasileira,
‘Joga pra mim’, da Sadia, e outra para um patrocinador
não oficial da festa dos brasileiros, ‘Bem-vindo
às nossas redondezas’, da Skol. A campanha da Sadia,
criada pelo Fabio Fernandes, mostrava crianças
falando: “Eu tenho 8 anos, eu tenho 12 anos, eu nunca
vi o Brasil ser campeão. Joga pra mim”. A segunda
campanha, da Skol, mostrava a torcida brasileira recebendo
italianos, ingleses, argentinos e franceses
com versões redondas dos hinos adversários. Propaganda
moleque, propaganda arte, criada no terrão
das salinhas de criação. Sorte nossa que a versão da
Alemanha nunca foi produzida. Ufa!
Bem, amigos da Rede Globo, falamos ao vivo de
BH. Criou-se um clima terrível no saguão do aeroporto
(voltei de avião, upgrade). A TV do embarque
mostrava o velório ao vivo: David Luiz chorando, a
carta da Dona Lúcia. Cadê o Olodum? Sumiu. Se o
Felipão — que é o Felipão — não estava preparado
para o 7x1, imagina então a propaganda? A alegria
virou tristeza e a ousadia virou medo. Se está
ruim agora, imagina depois da Copa, só para não
perder o meme da época. Aliás, se tem uma coisa
em que o brasileiro é hexa é na capacidade de rir
de si mesmo. Ninguém no planeta Terra consegue
produzir meme melhor do que o brasileiro. A gente
ganha a Copa do Mundo de meme sem escalar
volante, só com o Chico Buarque triste e o Chico
Buarque feliz. Pode abraçar o rei e gritar: acabou,
acabou, é tetra.
Alguns exemplos históricos: depois da derrota
para a França na final da Copa de 1998, nasceu o
meme/fake news/teoria da conspiração “se soubessem
o que aconteceu, ficariam enojados”. Depois do
7x1, então, o brasileiro foi mais rápido do que Müller
e Klose juntos. Era canarinho pistola para um lado,
bruxa do 7x1 com Felipão de Dona Clotilde do outro,
resgate de um episódio dos Simpsons prevendo a
derrota do Brasil para a Alemanha, zagueiro chorão
etc. Sobrou até para as propagandas. A Sadia foi a
primeira marca a se posicionar. O #JogaPraMim virou
#TamoJuntinho.
Mas o que explica essa alegria nas pernas e nos
dedos do brasileiro na tristeza? Senta que lá vem
história: o complexo de vira-lata do brasileiro foi
uma expressão criada pelo escritor Nelson Rodrigues
e se referia originalmente ao trauma sofrido
pelos brasileiros na Copa de 1950, quando o escrete
canarinho foi derrotado pelo Uruguai em pleno
Maracanã, episódio conhecido como Maracanaço.
Um famoso naming rights de antigamente. Já a expressão
“seleção canarinho” e a camiseta amarela
surgiram para aposentar a camiseta branca de 50,
considerada um amuleto de azar. O famoso rebranding
dos tempos atuais. O vira-latismo nasceu em
1950 e renasceu com o caramelo nas redes sociais. A
camisa canarinho voltou agora e renasceu na internet
com o canarinho de 3 pernas de IA.
O brasileiro tem uma capacidade inacreditável
de sofrer “chorrindo”. E o que a propaganda aprende
com o 7x1? Que as marcas têm de estar preparadas
para todos os cenários possíveis e impossíveis.
Mas pode ter certeza: nenhuma marca, nenhum war
room, nenhuma campanha é à prova de brasileiro.
A gente é o Pelé da criatividade. Pode escalar 3 volantes,
ninguém segura. Então, marcas, coragem. É
Copa do Mundo, amigo. Tá ligado? É pi#$@.
Toni Fernandes
é sócio e diretor de criação da Monkey-land
jornal propmark - 18 de maio de 2026 103
propmark 61 anos
TMC traz dinâmica para sua audiência
consumir informação sobre o evento
Uber, Betano, Friboi e Seara são as cotistas master da emissora, que
está no mercado buscando marcas de apoio à sua grade comercial
Paulo Macedo
Do grupo Camargo de Comunicação,
a Rádio TMC (ex-Transamérica)
é focada nas disciplinas do
jornalismo, opinião, esportes e negócios.
E está otimista para a transmissão
da Copa do Mundo deste ano, a
primeira da nova marca radiofônica.
A liderança do seu projeto será do
narrador Eder Luiz, em parceria com
o comentarista Benjamin Back. Para
viabilizar sua estratégia, o executivo
Augusto Dolenga Neto, que ocupa a
posição de diretor de conteúdo, afirma
que a emissora já atraiu as marcas
Uber, Betano, Friboi e Seara, a cotista
master, mas que ainda busca fechar
cotas de apoio.
“Se, na Copa do Catar, a Fifa informou
engajamento de aproximadamente
5 bilhões de pessoas, incluindo
as várias mídias (televisão linear, TV
digital, mídias sociais e plataformas
próprias), as projeções da entidade
para este Mundial estimam 20% a
mais. Ou seja: estamos com as melhores
das expectativas”, antecipa Dolenga,
que faz uma aposta na equipe da
TMC no evento.
“Teremos um time experiente e
com identidade forte no rádio. Na
narração, contamos com nomes como
Eder Luiz, referência em emoção e
ritmo no dial. Nos comentários, a proposta
é unir leitura de jogo com opinião
relevante, com participações de
Benjamin Back e José Calil, além dos
ex-jogadores Dodô e Dentinho, que
trazem a visão de quem viveu o campo.
Além disso, vamos ter participações
especiais ao longo da Copa, com
nomes que ajudam a ampliar o olhar
sobre o jogo — seja com análise, bastidores
ou conexão com a torcida. É um
time pensado para enriquecer a experiência
de quem acompanha, dentro e
fora de campo.”
Dolenga explica que a TMC já deu
início à programação especial, para
além do noticiário esportivo. “Acabamos
de estrear a série ‘Histórias da
O narrador Eder Luiz e o jornalista Benjamim Back vão conduzir as transmissões da Copa na rede liderada pela Rádio TMC
Copa’, projeto editorial que revisita
momentos marcantes da trajetória
da seleção brasileira, em contagem
regressiva para a edição de 2026. As
reportagens diárias revelam bastidores,
personagens e casos pouco conhecidos
do grande público, em uma
abordagem que combina memória,
contexto e análise, trazendo conteúdos
que exploram não apenas os jogos,
mas também os elementos que
ajudam a construir a história da Copa
fora de campo. A veiculação acompanha
marcos da contagem regressiva
rumo ao Mundial: a primeira reportagem
foi ao ar há 50 dias da Copa.”
Essa iniciativa, de acordo com Dolenga,
faz a plataforma reforçar sua
estratégia multiplataforma e amplia
a presença na cobertura esportiva,
com a ideia de conectar informação e
memória em um dos momentos mais
relevantes do calendário do futebol
mundial.
“Vamos explorar todas as nossas
potencialidades. A TMC é um ecossistema
multiplataforma que abrange
rádio, portal de notícias e redes
sociais, com transmissões ao vivo,
“Teremos um
time experiente
e com identidade
forte no rádio”
Divulgação
entrevistas em vídeo, podcasts sob
demanda e atualizações digitais em
tempo real”, ele explica, lembrando
que as ações de live marketing fazem
parte do planejamento.
“Estamos estudando ativações
no Brasil e também em mercados
com forte presença de brasileiros,
especialmente nos Estados Unidos. A
proposta inclui fan zones, espaços de
convivência, transmissões ao vivo e
experiências de marca conectadas ao
conteúdo e aos nossos talentos. Esses
projetos serão viabilizados principalmente
por patrocínios e parcerias
estratégicas, criando oportunidades
relevantes para marcas que queiram
participar da Copa de forma mais próxima
do público.”
Todos os anunciantes terão conteúdos
customizados e a transmissão
contará com influencers. “Nossa proposta
é conectar talentos, conteúdo
e marcas dentro do contexto da Copa,
respeitando a linguagem de cada plataforma
e de cada creator. Os influencers
poderão participar de coberturas
especiais, entradas ao vivo e conteúdos
proprietários”, finaliza.
104 18 de maio de 2026 - jornal propmark
LIVE MARKETING & BRAND EXPERIENCE
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propmark 61 anos
Lucas Andrade, diretor de arte na AlmapBBDO: “A Copa é o único evento do mundo que vira briefing em todas as
agências. Patrocinando ou hackeando, todas as marcas disputam cada centímetro da conversa. Por isso, para a gente,
a Copa começa muito antes de a bola rolar”.
Marketing de oportunidade é saída
para promover marcas sem infringir lei
Burger King e Pepsi, que não são patrocinadores oficiais, apresentam
campanhas sem associações a propriedades registradas do evento
Vitor Kadooka
No mês passado, a Pepsi apresentou
a campanha ‘Football nation’,
com Vini Jr. e David Beckham. Há
quem interprete como uma campanha
de Copa do Mundo, mas a comunicação
é certeira, não há associação direta ao
campeonato, e foi proposital.
Conhecida como marketing de
emboscada, previsto na Lei Geral do
Esporte (Lei n° 14.597/2023), a veiculação
de ações de comunicação
que se aproveitam de contextos de
marcas registradas, como a Copa do
Mundo, pode gerar implicações jurídicas
para os envolvidos na criação
da campanha. “A lei tipifica a emboscada
por associação e por intrusão,
o que reduz a zona cinzenta e aumenta
a previsibilidade de punição”,
esclarece José Mauro, professor de
MBAs da FGV.
Marcelo Toledo, professor de marketing
esportivo da ESPM, explica
que, juridicamente, o marketing de
emboscada “é associação de evento,
quando você cria uma narrativa visual
ou contextual que aponta o torneio
sem autorização. Criativamente,
quanto mais a campanha depende
do evento para fazer sentido, mais
ela é emboscada”. Mas há exceções e
caminhos para não se perder o lugar
na conversa. “Se você remove o contexto
do jogo e a ideia ainda funciona,
está seguro. Eu posto ‘Domingo
é dia de se reunir com quem ama’ e
funciona sempre. Se digo ‘Domingo é
“Durante a Copa,
as melhores
marcas não
tentam parecer
patrocinadoras”
106 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
José Mauro, professor de MBAs da FGV: gerar conexão
Isis Koelle, docente da FIA Business School: compliance
Marcelo Toledo, professor de marketing esportivo da ESPM
dia de se reunir assistindo o Brasil’,
aí virou emboscada porque depende
totalmente do jogo.”
Foi desta forma que a Pepsi entrou.
No filme, a narrativa traz uma nova
“nação do futebol” criada por David
Beckham, na qual os fãs decidem as
regras. Em uma delas, é decidido que
o futebol deve ser chamado de “football”
em inglês, no lugar de “soccer”,
como é chamado nos Estados Unidos,
um dos países-sede da Copa, ao lado
de México e Canadá.
Para desviar de associações ao
campeonato, a marca optou por utilizar
as cores da própria marca e vetou
logos, símbolos e palavras registradas
da Fifa ou da Copa do Mundo.
A legislação, antes de 2012, tratava
o marketing de emboscada de forma
indireta, por propriedade industrial,
concorrência desleal e direitos de exploração
comercial do evento. A Lei
Pelé, de 1998, já dava às entidades de
práticas desportivas o direito de “negociar,
autorizar e proibir”, em seu texto
oficial, e fixar, transmitir ou retransmitir
imagem de eventos esportivos,
mas ainda não tipificava o marketing
de emboscada.
O marco específico veio com a Lei
Geral da Copa (12.663/2012). Ela foi
criada para a Copa das Confederações
de 2013 e a Copa do Mundo de 2014, a
qual definiu “símbolos oficiais”, “locais
oficiais de competição” e “parceiros
comerciais da Fifa”, além de criar proteção
especial às marcas da entidade.
Nessa regra, o marketing de emboscada
apareceu em duas modalidades:
por associação e por intrusão. O Artigo
32 tratava da divulgação de marcas,
produtos ou serviços por associação
direta ou indireta com os eventos ou
símbolos oficiais, sem autorização da
Fifa. O Artigo 33 abordava a exposição
de marcas ou atividades promocionais
não autorizadas nos locais dos eventos.
A pena prevista era detenção de
três meses a um ano ou multa.
Esse regime, porém, era temporário.
A própria Lei Geral da Copa dizia
que os tipos penais dos Artigos 30 a
36 vigorariam apenas até o dia 31 de
dezembro de 2014.
Em 2016, o modelo foi replicado na
Lei nº 13.284, ligada aos Jogos Olímpicos
e Paralímpicos do Rio. A norma
também previu marketing de emboscada
por associação e por intrusão,
agora em relação aos Jogos e às entidades
organizadoras, com a mesma
pena: detenção de três meses a um
ano ou multa. Também era um regime
temporário, com vigência até o
dia 31 de dezembro de 2016.
A mudança estrutural veio em
2023, com a Lei Geral do Esporte,
sob o nº 14.597. Ela deixou de tratar o
tema apenas como exceção para megaeventos
e incorporou o marketing
de emboscada ao direito esportivo
de forma permanente. Os Artigos 170
e 171 enquadram, respectivamente, o
marketing de emboscada por associação
e por intrusão, também com
pena de detenção de três meses a
um ano ou multa.
Em 2012 e 2016, a proteção era especial,
temporária e feita sob medida
para Copa e Olimpíada. Desde 2023, o
Brasil passou a ter uma regra geral
e permanente para eventos esportivos,
não limitada à Fifa ou ao COI.
“Empresas de
médio porte
podem incorrer
em crimes por
desconhecimento”
“Você pode usar cores, comportamentos
e emoções, que são livres. A
eficácia vem da estrutura narrativa,
não dos ativos. Eu crio uma campanha
sobre a angústia da espera antes
de um confronto, o caos da decisão e
a alegria ou tristeza do resultado”,
exemplifica Toledo, da ESPM.
Isis Koelle, professora da FIA Business
School, utiliza o que chama
de “teste da percepção”: “Se um
consumidor desinformado concluir
naturalmente que aquela marca é
parceira do evento, a comunicação
falhou no compliance”.
“A distinção não é uma linha nítida,
mas uma ‘zona cinzenta’ onde
o jurídico e o criativo se cruzam. Por
isso, o que tenho observado é uma
polarização. Marcas com assessorias
conservadoras recuaram para temas
genéricos de “paixão nacional”, enquanto
marcas sofisticadas passaram
a investir em inteligência de campanha.
Elas mapeiam com precisão onde
termina o domínio público e começa a
propriedade protegida”, observa Isis.
A mudança ocorre no momento
em que os profissionais da área jurídica
passam a participar do processo.
Antes, eles revisavam apenas no
final. Hoje, estruturas preparadas incorporam
o jurídico desde o briefing.
“Criação nasce dentro de um perímetro
seguro e, curiosamente, isso gera
campanhas mais criativas, pois a restrição
obriga a inovação”, situa Isis.
Como benchmarking, o Duolingo,
que não patrocina oficialmente a
Copa, anunciou em novembro de 2022,
no Mundial do Catar, o patrocínio ao
Qatar F.C., time de futebol amador de
jornal propmark - 18 de maio de 2026 107
Itaguaí, do Rio de Janeiro. A campanha
‘O outro Qatar’ foi criada pela Jotacom.
Isis deixa um alerta para empresas
de médio porte. “Sem estrutura especializada,
podem incorrer em crimes por
desconhecimento. A cultura de compliance
em comunicação no Brasil ainda
precisa fechar esse ‘gap’ rapidamente.”
Outro case vem do Burger King.
Divulgado em suas redes sociais, um
vídeo compara o preço de figurinhas
do álbum da Copa com seus produtos,
usando a ausência de Neymar na seleção
como gancho. “É um marketing de
oportunidade cirúrgico: usaram fatos
jornalísticos e a cultura popular para
vender produto. As que saem mais fortes
são as que têm coragem de ter uma
voz própria. No fim das contas, duas semanas
após o apito final, o consumidor
lembrará de quem o fez rir ou refletir, e
não necessariamente de quem gastou
mais em cota de patrocínio ou elenco”,
adverte Isis.
Alguns conceitos ajudam a disciplinar
uma estratégia de marketing
inteligente, porém segura. Para Isis,
muitas vezes, esse cuidado resulta em
campanhas mais poderosas que as dos
patrocinadores.
“O princípio é: o direito protege a expressão,
não a ideia. Ninguém detém o
monopólio sobre o conceito de vitória
ou a cultura do futebol. Sendo assim, é
possível ativar o imaginário da seguinte
forma: a abstração permite evocar
a experiência (o país parado, as ruas
vazias, a TV ligada) sem usar marcado-
O ex-jogador David Beckham estrelou campanha da Pepsi; Vini Jr., que pode ser escalado para a seleção brasileira, também participa
res registrados; a metáfora, na minha
visão, é um dos recursos mais subutilizados.
Por exemplo, quando marcas de
construção falam em ‘erguer legados’
durante a Copa do Mundo, ativam o
imaginário sem invadir propriedades.
A conexão é feita na mente do consumidor;
o repertório cultural, como a
‘pelada na rua’, a ‘chuteira no pescoço’,
é patrimônio coletivo. Marcas que dominam
essa iconografia conseguem
tangibilizar mais ‘o futebol’ do que
patrocinadores oficiais que, às vezes,
ficam engessados no uso burocrático
de seus ativos. O valor real não está no
ativo que você comprou, mas na ideia
que você teve.”
Reprodução/YouTube @Pepsi
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Sob o ângulo da IA, Isis aponta
uma assimetria entre a remoção
de conteúdos por meio da tecnologia,
que leva segundos, e a análise
humana, que pode demorar até 48
horas. “Quando o conteúdo volta,
a conversa já acabou”, aponta. De
qualquer maneira, o ideal é se proteger
juridicamente. “É preciso registrar
o raciocínio criativo. Se uma
IA derrubar um conteúdo legítimo
(falso positivo), essa documentação
é o único instrumento para recuperá-lo”,
conclui.
José Mauro, da FGV, apresenta soluções.
“Se você fala sobre comportamento
cultural, o sistema vê como
conteúdo editorial, não marketing. Por
isso, o post sobrevive. A sua marca entra
organicamente na conversa porque
não está vendendo durante o evento,
está analisando o fenômeno humano
que o evento provoca. É a diferença
entre ‘aproveite nosso produto no
jogo’ (removível) e ‘por que brasileiro
faz isso durante o jogo?’ (persistente)”.
O especialista sintetiza: “Campanha
segura não infringe. Campanha eficaz
gera conexão e memória. Durante a
Copa, as melhores marcas não tentam
parecer patrocinadoras; elas encontram
um território próprio na cultura do
evento e se tornam relevantes por isso”.
Fotos: Divulgação
Cena de vídeo do Burger King remete à ausência de Neymar na seleção brasileira
Duo, mascote do Duolingo, veste camisa do clube fluminense amador chamado Qatar
108 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
A gente vai assistir à
Copa em qual bolha?
Marie Alonso
Esses dias perguntei a uns amigos: “A Copa do
Mundo já começou na bolha de vocês? Porque
na minha, nem parece que vai ser este ano”. Cada
um trouxe uma perspectiva diferente e eu fiquei
com isso na cabeça.
Prestes a fazer 50 anos, às vezes me pego nostálgica,
pensando sempre como antigamente esses
grandes eventos eram mais divertidos e aguardados.
Havia todo um planejamento, uma expectativa
que era coletiva. Confesso que enquanto escrevo
essas linhas, me dá até um pouco de raiva de mim
mesma, pois parece falta de entusiasmo ou falta de
adaptação à vida de hoje. Por outro lado, pode ser
excesso de repertório. Afinal, são 12 edições de Copa
do Mundo vividas.
Mas meu ponto é: havia toda uma comoção mesmo
muito antes de a Copa começar, as pessoas se
reuniam para ver amistosos, para ver o sorteio das
chaves, nós nos apressávamos para organizar em
qual casa assistiríamos qual partida. Sem falar no
bolão que, dependendo da turma, não era apenas
um, mas vários. A essa altura, todos nós já estaríamos
em contagem regressiva. A sensação que eu
tenho é que nossa atenção convergia para a Copa,
da mesma forma que a gente se reunia na frente de
uma TV ou de um telão.
Se, por um lado, perdemos a capacidade de nos
envolver de corpo e alma em alguma coisa, dado
o tanto de distrações simultâneas e os muitos assuntos
urgentes nas nossas vidas, a Copa parece
ter sido diluída entre acontecimentos mundiais catastróficos
e outros tantos eventos culturais. Tudo
isso, agravado pelos algoritmos que nos alienam em
torno dos mesmos assuntos de interesse.
Olhando em retrospecto, a Copa do Brasil foi, talvez,
a última grande Copa vivida sob uma lógica predominantemente
broadcast. Mesmo que as redes
sociais já existissem, o evento ainda orbitava em
torno da transmissão linear, da narrativa centralizada,
da audiência sincronizada. Fora que ela acontecia
no Brasil, então, era impossível não se envolver. E
nosso envolvimento foi ambíguo e intenso.
Foi a Copa da fricção entre celebração e contestação.
O “imagina na Copa” virou síntese de uma
contradição brasileira: ao mesmo tempo orgulho
de sediar o maior evento do mundo e o questionamento
profundo sobre nossas prioridades públicas.
Já o “todo dia é um 7 a 1” passou a ser o nosso novo
parâmetro de derrota.
O 7x1 virou um trauma memético instantâneo,
processado pela internet em tempo real. Talvez tenha
sido um dos primeiros grandes eventos brasileiros
metabolizados coletivamente nessa linguagem
de meme. Até aqui, meu sentimento era que estávamos
“todos ligados na mesma emoção, que tudo era
um só coração”. Chegamos em 2018 e essa edição,
pra mim, foi um turning point. Mas sigo o raciocínio
- talvez você concorde comigo. Nesse ano, tive
a oportunidade de trabalhar num briefing para criar
a campanha de um grande patrocinador da Copa do
Mundo. Dado o contexto sociopolítico do Brasil, do
trauma que revivíamos toda vez que a seleção entrava
em campo, a complexidade estava posta.
Em resposta a isso, trouxemos uma perspectiva
para a campanha em que o protagonista não era o camisa
9 ou a seleção, e sim, o técnico Tite. O que parecia
um movimento ousado, vimos se repetir ao longo da
competição. A Copa deixou de organizar atenção apenas
em torno dos protagonistas históricos, grandes
seleções ou estrelas tradicionais e passou a distribuí-
-la entre narrativas culturalmente potentes: países
improváveis, trajetórias pessoais, novas tecnologias
(VAR) e histórias de bastidores que competiam taco
a taco com o próprio jogo como centro da conversa.
Narrativas periféricas ganharam força e foram sendo
consumidas em canais, formatos e públicos diferentes.
Aqui, a gente já tinha um teaser do que vinha pela
frente em 2022, quando, pela primeira vez, a Copa foi
moldada pela lógica do TikTok, da recomendação algorítmica
e do consumo verticalizado. O jogo já não era
necessariamente assistido do começo ao fim. Ele era
recortado, remixado e redistribuído. E, se essa hiperpersonalização
da experiência já nos deu a sensação
de que cada um tinha vivido uma Copa, imagina em
2026, com a inteligência artificial fomentando cada
vez mais ativações conversacionais e conteúdo responsivo
em tempo real? Em meio a tantos estímulos
individualizados, o que colocamos em risco é a nossa
capacidade de viver e criar memórias coletivas, algo
tão fundamental para nós enquanto seres humanos. E,
se a gente parar para pensar, a Copa nunca foi só sobre
futebol, mas sobre aquilo que ela nos fazia viver juntos.
Marie Alonso
é chief strategy officer da LePub São Paulo
jornal propmark - 18 de maio de 2026 109
propmark 61 anos
Das Copas que eu vivi
e o que me ensinaram
Quentin Mahé
Copa do Mundo não é um evento esportivo. É um
experimento de emoção coletiva em escala global
— e um dos melhores laboratórios de comportamento
humano que temos a sorte de vivenciar
a cada quatro anos. Digo isso depois de ter vivido
Copas desde 1994, em dois países, dos dois lados
da torcida. Sou francês, vivo no Brasil há mais de 13
anos e trabalho com estratégia de marca há mais de
quatro Copas. Para mim, Copa é sempre desculpa de
futebol para algo muito maior.
Copa suspende regras normais da emoção pública.
Adultos choram na rua. Estranhos se abraçam. Cidades
param — e o silêncio pode ser tão ensurdecedor
quanto o grito da torcida. Em 1998, tinha 12 anos
e estava no batizado de uma prima, no calor do sul
da França. A seleção venceu o Brasil por 3 a 0 na final.
Fomos buzinar pelo centro da cidade até altas horas.
Era a primeira estrela da história, em casa. Naquela
noite vi pela primeira vez o que Copa faz: transforma
um batizado numa festa histórica, uma cidade numa
arquibancada, um país numa só pessoa.
Em 2014, meu segundo ano em São Paulo, vivi o
oposto. O 7x1. Depois do apito, descendo a Rua Augusta
em silêncio absoluto com alguns amigos.
Pessoas sentadas na calçada olhando para o nada,
algumas chorando. Aquilo não era tristeza de derrota
esportiva. Era um país processando algo sobre si.
Naquele jogo não só se encerrava uma era futebolística
— desabava um jeito do Brasil se reconhecer
no mundo. No Brasil, mais do que em qualquer outro
lugar, futebol é identidade. E quando a identidade
vacila, o silêncio fala mais alto que qualquer gol.
Em 2022, minha família francesa chegou ao Brasil
um dia antes da final. Assistimos ao lado de 15 brasileiros,
nenhum deles torcendo pela França. Morri e
ressuscitei umas cinco vezes. Perdemos nos pênaltis
— de novo a amargura de injustiça, como em 2006
contra a Itália. Mas o que ficou não foi a derrota, foi
a riqueza de estar fora do meu país e ainda em casa.
A zoeira e a consolação mútua potencializaram o
momento, consolidando meu pertencimento binacional:
a França como meu país, o Brasil como minha
casa. O que fica não são os placares. São os padrões.
A alegria de 1998 foi sobre reafirmar o quanto nossas
diferenças nos unem. O silêncio de 2014 foi o luto por
um traço de identidade. A final de 2022 foi sobre pertencimento
binacional. Copa revela o que as pessoas
guardam fundo — e libera com uma intensidade que
nenhum outro evento replica. Para quem trabalha
com marcas, isso vale ouro. Copa não é audiência —
é estado emocional coletivo. E é exatamente aí que
as marcas memoráveis são construídas.
Da nossa pesquisa na Monks, ‘A era dos fandoms:
Modo torcida’, um dado resume o desafio de 2026:
47% dos torcedores pagariam para não ver marcas
durante o jogo. Quanto mais a Copa vira negócio,
mais o torcedor sente que a experiência que amava
está sendo truncada. A pergunta que toda marca
deveria se fazer não é “quanto investiremos em patrocínio?”
— é “que legitimidade temos para acrescentar
valor ao que o torcedor já sente?”
As campanhas que carrego como referência
respondem a essa segunda pergunta. ‘José+10’, da
Adidas, capturou o sonho de qualquer menino que já
escalou um time de pelada. O ‘Joga bonito’, da Nike,
virou movimento de marca sem ser patrocinadora
oficial. O #TudoPelaSeleção, do Guaraná Antarctica
— que ajudei a planejar na F/Nazca —, não simulou
um gesto patriótico: suspendeu a exportação de
verdade. E o #TamoJuntson, da Skol, traduziu o que
todo brasileiro sentia, mas ninguém tinha dito: Copa
é sobre o jeito como o Brasil inteiro se reúne, não só
sobre a seleção.
Nenhuma entrou no futebol comprando espaço.
Todas entraram com o futebol — conquistando lugar
na emoção do momento. Em 2026, sem sede única
e com 48 seleções do México ao Canadá. Qual será a
emoção dominante por aqui ou por lá, ninguém sabe
ao certo ainda. Estarei no Brasil durante a maior parte
da Copa e na França para a final, apostando que
minha seleção chegará lá. O que aprendi em todas
essas Copas é simples: as pessoas não lembram do
que as marcas disseram. Lembram do que sentiram
e com quem. As marcas que se destacaram são as
que entenderam e souberam participar dessa emoção
coletiva, de forma relevante e legítima.
Quentin Mahé
é head of strategy and connections na Monks do Brasil
110 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
André Gola, ECD da Grey: “A Copa do Mundo é aquele momento em que tudo gira em torno de um único assunto.
Por algumas semanas, ela deixa de ser só um evento e passa a ocupar a cabeça de todo mundo. Mesmo quem não
gosta de futebol acaba envolvido, seja pelos encontros que os jogos provocam, seja pelas conversas que surgem
em qualquer lugar. Com as marcas acontece o mesmo. Até aquelas que não têm relação com o esporte acabam, de
alguma forma, fazendo parte desse movimento”.
Seleção brasileira ainda mobiliza o país?
O impacto da torcida nas campanhas
Com um país polarizado e as novas gerações, executivos opinam sobre
como a relação do brasileiro com a seleção e a Copa afeta a publicidade
Bruna Magatti
Em um país em que a Copa do Mundo
sempre funcionou como catalisador
de emoções coletivas, a
relação entre o brasileiro e a seleção
brasileira passa por um momento de
transformação. Se em edições anteriores
o time nacional ocupava de
forma quase automática o centro do
imaginário popular — mobilizando ruas,
famílias e marcas em torno de um
sentimento de unidade —, hoje o cenário
é mais complexo, fragmentado e
influenciado por fatores que vão além
das quatro linhas.
Resultados esportivos recentes,
mudanças no comportamento do consumidor,
polarização política e novas
dinâmicas sociais alteraram a forma
como parte da população se conecta
com a equipe nacional. Para o mercado
publicitário, essa mudança representa
tanto um desafio quanto uma
oportunidade.
Para os executivos das agências, é
evidente que a relação do público com
o evento mudou, mas o evento não,
fazendo com que muitos confundam
o amor pela seleção com o amor pela
Copa. Afinal, o ritual das pessoas continua
vivo: assistir ao jogo, juntar amigos
e família, fazer churrascos e resenhas.
Para o Brasil, a Copa é uma ocasião
cultural, que afeta o emocional do país.
E isso se torna uma oportunidade para
as marcas, pois reduz a dependência da
performance dentro de campo e abre
um território cultural muito maior. A
marca deixa de jogar só no gramado.
E passa a existir na vida que acontece
em volta do jogo.
Ao mesmo tempo, parte do público
mais jovem se conecta com o futebol
de maneira diferente. Ele acompanha
clubes internacionais, consome conteúdo
de creators, vê jogos em múltiplas
plataformas e vive o futebol como cultura
digital, meme, moda e lifestyle. A
seleção continua sendo relevante, mas
divide espaço com outros repertórios.
Um dos fatores que mais mobilizam
as agências hoje é a polarização. Nos
últimos anos, por exemplo, o uniforme
da seleção, que sempre foi um símbolo
de união nacional, em determinado
momento passou a carregar camadas
A marca deixa
de jogar só no
gramado e passa
a existir no que
acontece em
volta dele
112 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Analu Santos: polarização não muda o poder da Copa do Mundo para a publicidade
Fernando Musa: com explosão de conteúdo, é a Copa mais real time de todas
de significado político. Isso impacta a
forma como as pessoas se relacionam
com esse símbolo e, consequentemente,
como as marcas se aproximam dele.
Analu Santos, vice-presidente de
estratégia da Lola\TBWA, fala sobre
o tema: “A polarização, que tem sido
tão presente na nossa sociedade, está
pautando também a nossa relação com
a seleção: nunca se esperou tão pouco
da seleção brasileira do ponto de vista
de resultados. Mas a conversa polarizada
não muda o fato de que a Copa do
Mundo é o maior evento mobilizador de
atenção do mundo”, afirma.
“Aqui, a Copa vai além e permeia
o imaginário de todos os brasileiros,
independentemente de região, classe
social: desde aqueles que podem planejar
assistir ao campeonato in loco,
aqueles que se organizam para melhorar
a infraestrutura de casa para
assistir os jogos, aqueles que vão para
as ruas tematizar de verde e amarelo
suas vizinhanças, aqueles que esperam
preencher o álbum de figurinhas,
aqueles que querem se vestir de verde
e amarelo, aqueles que vão assistir de
casa, de bares, da rua etc. São muitas
oportunidades de conexão para as
marcas e que, necessariamente, geram
resultado de negócio”, assegura Analu.
Para as marcas, isso significa que
a associação ao território da seleção
precisa ser mais cuidadosa, mais sensível
e mais autêntica. Por outro lado,
se a conexão está menos em cima da
entidade (CBF) e mais na identidade
brasileira, Stephanie Campbell, CSO e
Daniel Martinez/Divulgação Tech&Soul
Flavio Waiteman: até o técnico não ser brasileiro é interessante no storytelling da Copa
co managing director da YouDare, traz
um insight interessante: “Não é sobre
a paixão incondicional pela seleção
brasileira de futebol; é sobre o lifestyle
da brasilidade e como futebol se insere
nesse contexto em uma celebração coletiva.
As marcas que acompanharam
esse pensamento pararam de tentar
‘unir o Brasil’ (um desafio político impossível
nos dias de hoje) e passaram
a celebrar o orgulho de ser brasileiro.”
“O foco saiu do Hino Nacional e foi
para o churrasco, a resenha e a estética
do Brazilcore, que nasce de uma
expressão gringa, mas representa a
O público mais
jovem se conecta
com o futebol
de uma maneira
diferente
forma mais raiz de ser brasileiro com
‘S’. A política é um campo minado, focar
em comportamentos coletivos é o
caminho mais seguro e eficaz”, afirma.
Wilson Negrini, VP de atendimento
e novos negócios da Crispin, concorda:
“A Copa, na minha percepção, vem se
tornando menos sobre a seleção em
si e mais sobre o brasileiro, seus rituais
e a forma única como vive o futebol.
Isso amplia o território de atuação
das marcas, mas também aumenta a
complexidade, já que estamos falando
de um país diverso, com diferentes
contextos culturais, regionais e comportamentais.
Por isso, mais uma vez,
a integração entre estratégia, dados e
leitura cultural se torna essencial para
interpretar o contexto em tempo real e
orientar decisões mais assertivas.”
Flavio Waiteman, cofundador e CCO
da Tech&Soul, traz outros pontos para a
conversa: “Pela primeira vez temos um
não brasileiro como técnico da seleção
em Copa. Isso deve ser um ponto interessante
no storytelling da Copa. Futebol
é resultado. Um pouco do desânimo
com a seleção se deve à falta de resultados
interessantes. Se aparecem bons
resultados, voltam a alegria, a emoção
e a torcida revive. Até o drama, na medida
certa, ajuda. Estamos desacostumados
com coisas boas vindas de dentro
de campo, só isso. Tem tudo para
mudar. Afinal, é uma Copa do Mundo.”
Pessimismo x otimismo
Em um evento global movido por
emoção e imprevisibilidade como a
jornal propmark - 18 de maio de 2026 113
Fotos: Divulgação
Guilherme Godinho: será uma Copa com recorde de engajamento do torcedor
Luana Gallizzi: ganha relevância quem navega bem pela multiplicidade de vozes
Copa do Mundo, marcas e agências
sabem que toda campanha entra em
campo sob dois cenários possíveis: vitória
e euforia ou derrota e frustração.
Mais do que antecipar resultados, o
desafio hoje está em construir estratégias
capazes de dialogar com diferentes
estados de espírito do torcedor
sem parecer artificial, oportunista ou
desconectado do sentimento coletivo.
Em um ambiente onde cada jogo pode
mudar o humor do país em poucas horas,
o planejamento deixou de significar
controle total e passou a representar
flexibilidade criativa.
Para especialistas do mercado,
campanhas que dependem exclusivamente
do placar já nascem vulneráveis.
Quando a comunicação enxerga a Copa
apenas pelo resultado esportivo, limita-se
a comemorar vitórias ou silenciar
nas derrotas. Já quando se entende o
torneio como fenômeno cultural, feito
de encontros, rituais, conversas e memórias
compartilhadas, surgem narrativas
mais consistentes e duradouras.
Nesse contexto, ainda há espaço para
ousadia, desde que acompanhada de
sensibilidade e leitura de momento. O
limite ético e estratégico está justamente
em reagir ao contexto sem tentar
sequestrá-lo.
“Sem ousadia não há resultado. A
cautela pode significar não fazer parte
da festa. O limite ético sempre vai existir,
mas não pode inibir. É preciso definir
uma forma e ter personalidade. Seguir
o que foi planejado e reagir rápido. Ninguém
entra mais em campo sem ter
mapeado todas as possibilidades. Pode
ser celebrando a vitória ou até brincando
com a derrota, desde que seja autêntico.
O consumidor quer ser poupado
da mesmice”, diz Andre Gomes, chief
business officer da BETC Havas.
O head de estratégia da Artplan explica
como é possível lidar com a imprevisibilidade
do evento: “Pode ser feito
com matrizes de risco e playbooks de
comunicação pré-aprovados para diferentes
desfechos. Porém, mesmo
desenhando cenários, sabemos por
experiência que sempre existe a chance
de nos depararmos com algo que
não estava no radar e pode envolver
dilemas estratégicos, emocionais ou
até mesmo éticos. Acredito que, em
situações como essas, o primeiro critério
para guiar qualquer decisão é o
respeito ao sentimento do público e
aos valores da marca. Reagir a acontecimentos
inesperados é excelente
quando gera entretenimento leve, mas
é perigoso quando flerta com o deboche
ou toca em feridas emocionais.
A ousadia é muito necessária para se
destacar; no entanto, não pode ser polêmica
vazia, mas sim a capacidade de
hackear a cultura de forma inteligente
e com alta sensibilidade social. Muita
cautela pode tornar a marca invisível,
mas ousadia sem estratégia pode virar
um case de crise”, diz Paulo Vita.
O futurO das cOpas
A Copa do Mundo de 2026 chega
com novidades importantes e já traz
um novo desafio: a necessidade de
Campanhas que
dependem do
placar já nascem
vulneráveis
estratégias de mídia ainda mais apuradas
diante da pulverização do tema.
“E não se trata apenas das transmissões
oficiais descentralizadas. Basta
observar o volume de canais, criadores
e influenciadores que também passam
a falar sobre o assunto. A tendência é
de um ambiente ainda mais saturado,
com um volume massivo de conteúdos
circulando sobre o campeonato. Nesse
cenário, ganha relevância quem consegue
navegar bem por essa multiplicida-
114 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Priscila Bernardi: a próxima Copa deve ser ainda mais multiplataforma e estratégica
Wilson Negrini: a Copa é menos sobre a seleção em si e mais sobre o brasileiro
Essa será a ‘Copa
das primeiras
vezes’, para as
pessoas e para
as marcas
Magnific
de de vozes, com foco, contexto e precisão
na distribuição das mensagens”,
alerta Luana Gallizzi, head de mídia da
AlmapBBDO.
Quem vai além sobre a questão é
Luiz Fernando Musa, CEO da Ogilvy e
fundador, sócio e chairman da David:
“Além disso, tudo indica um volume ainda
maior de marcas participando ativamente
da conversa, junto com uma
explosão de conteúdo em múltiplas
plataformas, impulsionada por creators,
influenciadores e dinâmicas cada
vez mais descentralizadas. Até aqui, já
é a Copa mais real time, mais ao vivo e
mais social-first de todas”, crava.
A recomendação é clara: a Copa deixou
de ser algo que se assiste. Virou
algo que se vive. E a edição de 2026
deve ser uma das mais complexas e
interessantes do ponto de vista de comunicação.
Haverá mais jogos, mais seleções
e países para sediar. E isso pode,
sim, aumentar a dispersão da atenção
e criar mais momentos de conversa ao
longo de todo o torneio. Mas haverá um
ambiente de mídia diferente.
A Copa de hoje acontece ao mesmo
tempo na televisão, no streaming, nas
redes sociais e nos criadores de conteúdo.
A mediação do futebol deixou de
ser exclusiva da imprensa esportiva
tradicional. Temos novos players de
transmissão e de cobertura, muitos
deles com linguagem mais jovem e formatos
menos tradicionais.
Ao mesmo tempo, influenciadores
e creators passaram a ocupar espaço
informativo, comentando jogos,
analisando lances e participando da
construção da narrativa do torneio. E
claro: é a primeira Copa da inteligência
artificial, e ela impacta desde o planejamento
das campanhas até o monitoramento
das conversas e a produção
de conteúdo em tempo real.
Isso muda a velocidade com que
marcas conseguem interpretar o que
está acontecendo e reagir culturalmente.
Por fim, o público não é mais
apenas um espectador. Ele comenta,
reage, cria memes, faz conteúdo e dita
a narrativa.
“Essa certamente será a Copa do
entretenimento e de uma série de primeiras
vezes, para as pessoas e para as
marcas. Serão 48 seleções, com mais
jogos, mais conteúdo e mais histórias
para contar antes, durante e depois do
evento. Para o brasileiro, que faz meme
de tudo, é um prato cheio. Certamente
será uma Copa com recordes de engajamento
do torcedor brasileiro, esteja
sua marca celebrando um patrocínio
ou tentando hackear alguma coisa, é
crucial entender o sentimento atual do
torcedor para não acabar numa crise”,
opina Guilherme Godinho, diretor-executivo
de estratégia da Publicis Brasil.
A previsão sobre o futuro das Copas
fica a cargo de Priscila Bernardi, business
director da Cheil Brasil: “A próxima
Copa deve ser ainda mais multiplataforma,
com consumo fragmentado
entre TV, streaming, social e creators.
O consumo de conteúdo esportivo via
plataformas digitais cresce ano a ano,
especialmente entre os mais jovens. E,
por fim, a maturidade do mercado. As
marcas estão mais estratégicas, mais
orientadas por dados e menos dependentes
de grandes apostas únicas. A
tendência é ver campanhas mais integradas,
com presença contínua e menos
picos isolados. No fim do dia, a Copa
continua sendo o maior palco de conexão
emocional do país — um momento
de diversão, expectativa e encontro.
E isso, para marcas e agências, segue
sendo uma oportunidade única.”
jornal propmark - 18 de maio de 2026 115
propmark 61 anos
Coincidência é destino
com sotaque brasileiro
Sergio Gordilho
Tem algo que acontece neste país de quatro em
quatro anos que escapa da lógica e entra direto
no território da fé. Talvez porque, para nós, brasileiros,
o futebol nunca tenha sido só futebol.
É espelho. E eu falo também do meu lugar: sou
baiano. E na Bahia acreditar nunca foi um exercício
racional.
Copa, para mim, nunca foi somente um calendário
esportivo - é um calendário de vida.
Copa é esse ritual raro em que todo mundo vira
íntimo por 90 minutos.
Quando ressurgem as camisas de 1994, de 2002,
a do símbolo do café, ou o amarelo desbotado de
1982... Não são uniformes, são biografias. São mensagens
que enviamos para o mundo - é quando a
gente veste a memória para empurrar a esperança.
As únicas camisas novas são das crianças. Talvez
porque nelas ainda caiba todo o futuro.
Porque, no Brasil, coincidência é só outro nome
para destino com sotaque.
A cada quatro anos viramos matemáticos do misticismo.
Encontramos sinais, padrões, repetições.
Um Nobel de matemática para um país inteiro.
A lógica duvida, mas o torcedor prefere acreditar.
E acreditar, por aqui, não é ingenuidade. É estratégia
de sobrevivência.
A Copa não é sobre o que faz sentido. É sobre o
que faz sentir: é aquele milésimo de segundo entre
o chute e a rede em que o país inteiro prende a respiração
ao mesmo tempo.
Nenhum outro evento sincroniza um país assim.
É exatamente aí que as marcas entram em campo.
A Copa não é um intervalo comercial, é o conteúdo
da vida das pessoas naquele período.
Aliás, intervalo comercial é o que acontece entre
duas Copas, porque durante a Copa o país inteiro
está em horário nobre.
É final de novela. É sábado à noite esperando descobrir
quem matou Odete Roitman com o final do
‘BBB’ e junto com a final de ‘Game of thrones’.
Marcas que entendem isso deixam de interromper
e passam a ser escaladas na nossa memória
emocional.
Porque, da mesma maneira que você abraça um
desconhecido ao seu lado no momento do gol e leva
essa amizade improvável para sempre, isso também
vale para as marcas que estavam torcendo ao seu
lado.
Mas existe uma diferença enorme entre aparecer
na conversa e ser convidado para ela.
Consumidor é audiência. Comunidade é pertencimento.
E pertencimento não se compra, se constrói.
No fim, a Copa é o momento em que o Brasil ensaia
a versão mais otimista de si mesmo. É quando
um país inteiro decide, ao mesmo tempo, voltar a
acreditar em si.
Quando a bola rola, o Brasil deixa de ser mapa.
Vira memória em construção, vira futuro em disputa,
vira possibilidade coletiva.
E daqui a alguns anos, quando lembrarmos desta
Copa, não vamos lembrar apenas dos gols. Vamos
lembrar de quem esteve ao nosso lado quando o
país inteiro voltou a sonhar junto.
Sergio Gordilho
é sócio, copresidente e CCO da Africa Creative
116 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
Na primeira Copa da era da IA, disputa
entre marcas se acelera em tempo real
2026 traz a nova fase da publicidade esportiva, em que tecnologia,
monitoramento e agilidade criativa definem quem entra na conversa
Edivan Rosa/Divulgação Brivia Group
Fotos: Divulgação
Henrique Rojas: monitoramento é leitura de contexto Viviana Maurman: conteúdo real time é a prioridade Sergio Brotto: social listening e war room antecipam risco
Bruna Magatti
O
mercado vive a primeira Copa do Mundo da era
das inteligências artificiais. Isso não é pouca
coisa. Ela ajuda a identificar padrões de conversa,
detectar mudanças rápidas no humor do público e
apontar oportunidades de reação criativa, enquanto
o evento ainda está acontecendo. Mas tão importante
quanto ler o que está ocorrendo é ter flexibilidade
estratégica para agir sobre essa leitura. A Copa é um
território extremamente dinâmico. Ou seja, cada jogo
ou movimento de um envolvido no evento pode modificar
o cenário. Um jogador vira herói da noite para o dia,
um meme atravessa o país em minutos.
O conteúdo real time se torna o coração da agência
no momento da Copa, que normalmente tem autonomia
para executar ideias em minutos. Para isso,
a tecnologia dos dados torna-se fundamental. Viviana
Maurman, VP de mídia da Dentsu, mostra que a agência
iniciou os trabalhos em 2025, dentro deste segmento:
“A Navegg, nossa empresa de data provider, já distribuiu
aos nossos clientes estudos de audiência do evento.
Temos clientes que lançarão produtos e outros que
já estão com suas estratégias prontas. Também teremos
o Global Media Planner para trazer mais eficiência
e aumentar a eficácia das ações de mídia, tudo em tempo
real e integrado ao dentsu.connect 4.0.”
Para exemplificar o processo, o CEO da Africa Creative
explica como a agência usa o hub de data para
monitorar o sentimento das redes no segundo em que
as coisas acontecem, por meio da parceria da Sadia e
Qualy com a Rebeca Andrade: “O insight veio de uma
entrevista dela durante as Olimpíadas dizendo que
pensava em receitas antes das provas; agimos rápido
e transformamos um comentário espontâneo em uma
estratégia poderosa de marca”, diz Márcio Santoro.
Hoje não dá mais para acompanhar a Copa apenas
por volume de menções ou audiência. Henrique Rojas,
chief strategy officer da Peppery, do Brivia Group, acredita
que o monitoramento atual da Copa em tempo
real deixou de ser só ‘social listening’ e passou a ser
leitura de contexto.
Ele estrutura isso em três camadas principais. “A
primeira é o monitoramento de conversas em tempo
real, ferramentas de social listening, dashboards de
tendências e acompanhamento de picos de volume e
sentimento. Isso nos dá o termômetro imediato: o que
está sendo dito, por quem e com qual intensidade. A
segunda camada é a leitura cultural. Nem toda alta de
volume vira oportunidade de marca. Por isso, cruzamos
dados com repertório, entendendo se aquele assunto
tem aderência com o território da marca ou se é só ruído
momentâneo. Aqui entra muito o papel do time criativo
e de conteúdo, quase como curadoria do que vale
reagir. E a terceira camada é totalmente operacional.
Não adianta identificar a oportunidade se a marca não
consegue responder rápido. Por isso, trabalhamos com
guidelines predefinidos, cenários mapeados e até ‘territórios
de resposta’ já aprovados. Isso permite ganhar
velocidade sem abrir mão de consistência. Aproveitar o
evento não é sobre reagir a tudo, mas sim saber exatamente
quando entrar, com qual tom e, principalmente,
quando ficar de fora”, afirma Rojas.
Sergio Brotto, VP de mídia & partner da Ampfy, compartilha
a dinâmica da agência: “Para acompanhar a
visibilidade e a percepção das marcas em tempo real
durante os jogos, utilizamos uma combinação de ferramentas
de social listening, como o painel da Stilingue,
que monitora de forma estruturada as conversas sobre
o evento, incluindo torcedores, jogadores, patrocinadores,
temas e o Brandwatch, com queries customizadas
para termos e hashtags proprietárias dos nossos clientes,
garantindo profundidade na leitura de marca. Essa
estrutura é operada em formato de war room, com monitoramento
contínuo de picos de menção, sentimento
e trending topics, permitindo identificar rapidamente
oportunidades culturais, como memes, jogadas ou narrativas
emergentes, e transformá-las em ações de real
time marketing, além de antecipar riscos e orientar
ajustes estratégicos ao longo da campanha”.
Para Wilson Negrini, VP de atendimento e novos
negócios da Crispin, um ecossistema que cruza social
listening, dados de mídia, análise de reputação e
leitura de concorrência em tempo real é importante,
mas o ponto central não é a ferramenta, e sim como
esses sinais são interpretados. Por isso, ele destaca a
importância da estruturação de war rooms, apoiadas
por dashboards que integram social listening, trending
topics e performance de mídia em tempo real.
“Isso nos dá uma leitura rápida do que está acontecendo
e a partir disso entender o contexto por trás
dos dados, identificar quais conversas têm potencial
de escala e quais fazem sentido para cada marca. O
que realmente gera impacto é a capacidade de transformar
dados em decisão, e decisão em relevância,
no timing e no território certo.”
jornal propmark - 18 de maio de 2026 117
propmark 61 anos
Copa, memórias &
construção de marca
Déa Fernandes
Sempre acreditei que marcas se constroem resolvendo
dores reais das pessoas. Mas, acima
de tudo, elas se constroem nas paixões que as
pessoas escolhem viver. Poucos territórios deixam
isso tão evidente quanto o esporte, um espaço em
que a emoção é genuína e coletiva. Dentro dele, a
Copa do Mundo ocupa um lugar único.
A Copa é contexto. E é nele que as marcas deixam
de disputar a atenção e começam a construir significado.
A Copa é paixão. E por isso não funciona como mídia
tradicional. Ela não é assistida. Ela é vivida.
Minhas lembranças de Copa não são de campanhas,
são de momentos. Lembro da primeira vez em que
entendi o que significava ocupar esse território. Era
1994, meu segundo ano da faculdade de publicidade e
propaganda.
Durante a Copa, o Brasil foi tomado por uma ação de
guerrilha da Brahma que me marcou profundamente.
Eles não eram patrocinadores oficiais, mas decidiram
não assistir de fora. O gesto do número 1 começou a
aparecer dentro de campo, nas comemorações e entrevistas.
Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Bebeto.
Ao mesmo tempo, mãos infláveis com o número 1
tomaram arquibancadas, ruas e festas. Era impossível
assistir a um jogo sem ver aquilo. E tinha a música. O
gesto virava som. O som virava memória. A marca estava
integrada ao momento. Aquilo me marcou pela
leitura de contexto e pela coragem de entrar em um
território que não era seu. Fiquei com uma certeza clara:
eu queria ter feito aquilo.
Anos depois, já na Ambev, passei a viver esse território
de perto. Entrei em 2001 para liderar eventos e
promoções, um ano de preparação para a Copa. Pouco
tempo depois, estava no Japão, na Copa das Confederações,
primeiro grande momento do Guaraná Antarctica
como patrocinador da seleção. Ali, a energia não se
explicava, se vivia.
E que seleção. Ronaldo, Romário, Rivaldo, Roberto
Carlos, Cafu. Havia uma responsabilidade extra: o Guaraná
Antarctica assumia o lugar da Coca‐Cola como
patrocinadora da CBF. A presença no uniforme era só o
começo. A marca precisava estar em todos os pontos
da experiência. Um trabalho invisível para quem vê de
fora, mas essencial para a construção de percepção.
Também organizamos a recepção da seleção com
o pentacampeonato. Uma celebração vivida pelo país
inteiro. Algumas coisas não se explicam. Ficam.
No universo de cerveja, a Copa nunca dura só um
mês. Ela começa muito antes. Os camarotes da Brahma
sempre tiveram esse território como centro. Em
um deles, trouxemos Maradona. Um encontro improvável,
desses que só acontecem quando o ambiente
está preparado.
Marcas se constroem nos momentos que ninguém
esquece. Trabalhando com bebidas, isso sempre foi
evidente. Os encontros começam antes do jogo e se
transformam em celebração.
O mercado de bebidas ocupa um lugar central
nesses rituais. Faz parte do encontro e da memória.
Presença bem construída vira lembrança. Lembrança,
com o tempo, vira significado.
Olhando para 2026, o cenário é outro. A atenção se
fragmentou. A produção de conteúdo se multiplicou.
Surge uma camada que muda o jogo: os creators. Eles
não apenas amplificam a Copa, mas moldam como ela
é vivida, fragmentando narrativas e distribuindo experiências
em tempo real.
A conversa deixa de ser centralizada e isso redefine
o papel das marcas. Participar desse território hoje
exige mais do que presença. Exige repertório, consistência
e a capacidade de construir junto com quem já
tem a atenção. Porque, em meio a tanto volume, o que
continua raro é o significado.
A Copa de 2026 acontece em um ambiente mais
competitivo do que nunca. Mais marcas, mais plataformas,
mais formatos. As pessoas seguem vivendo
a Copa intensamente. É nesse território que tudo se
decide: contexto, consistência e presença legítima.
No fim, o que atravessa o tempo é o que fez sentido.
A Copa continua sendo um palco poderoso. E, cada
vez mais, um teste de quem consegue transformar
presença em significado. E deixar, de fato, uma marca.
Déa Fernandes
é chief revenue & growth officer do Publicis Groupe Brasil
118 18 de maio de 2026 - jornal propmark
ONZE
SESSENTA
EUM
ONZEVINTEUM
propmark 61 anos
Hannah Prado e Letícia Fonseca Holanda, respectivamente senior art director e senior copywriter da
Monks: “A ilustração funciona como um manifesto visual do futebol em sua essência, feito de traço, suor e história,
com uma estética manual que valoriza o gesto e a verdade do jogo. Elementos dos países-sede, como a bandana
dos Estados Unidos, o poncho do México e as chuteiras do Canadá, se integram à camisa da seleção brasileira e
ao legado de Marta, compondo um imaginário coletivo que atravessa fronteiras. Seja na busca pelo hexa ou pela
primeira estrela da seleção feminina no próximo ano, ao colocar uma jovem torcedora como protagonista desse futuro
plural, a ilustração celebra o fato de que, quando a bola rola, as fronteiras se dissolvem, as diferenças dão lugar ao
pertencimento e o mundo inteiro para, unido pelo mesmo sentimento”.
Live marketing testa potencial para
engajar a torcida pela seleção brasileira
Experiências de marca, e não meras ativações, são capazes de conectar
as pessoas por meio de encontros que se transformam em lembranças
Bruna Nunes
A
Copa do Mundo começa antes mesmo dos
jogos oficiais. Lojas lotadas de camisas da
seleção brasileira, ruas pintadas de verde e
amarelo, organização de encontros para assistir
às partidas e a disputa das marcas por espaço na
conversa do torcedor sinalizam que é ‘ano de Copa’.
Desta vez, no entanto, o clima parece menos eufórico,
e já existem levantamentos que confirmam o
sentimento. Uma pesquisa da Genial, facilitada pela
Quaest, aponta que 54% dos brasileiros não estão
animados com o campeonato, outros 32% se dizem
pouco animados, e apenas 12% afirmam estar muito
animados. O estudo foi realizado entre os dias 10 e
13 de abril deste ano e consultou presencialmente
cerca de 2.004 participantes de todo o país.
A preocupante ‘epidemia da solidão’ impulsionada
pelo excesso de tecnologia, o desempenho da
seleção nos últimos torneios e questões sociopolíticas
atuais estão entre os possíveis causadores da
apatia. Curioso notar que o setor de experiências
transforma encontros presenciais em ferramentas
capazes de reaquecer a relação do público com o
120 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Heloisa Santana: “O desafio é consolidar métricas”
Mundial. “Chegando mais perto da época, com todas
as movimentações, as ações de brand experience
têm exatamente esse poder de ajudar a conectar
e de tornar presente o espírito da Copa do Mundo”,
avalia Marcelo Lenhard, CEO da Hands.ag.
Os números do ‘Segundo Anuário Brasileiro de Live
Marketing’ ajudam a explicar o movimento. O setor
movimentou cerca de R$ 100 bilhões no último ano,
impulsionado por eventos corporativos, ativações de
marca, promoções e experiências proprietárias. Uma
pesquisa da Ilumeo indica que a proximidade com
uma marca pode ser até 4,5 vezes mais relevante do
que o entretenimento em si, apontando que experiências
presenciais e vínculos emocionais tendem a
ganhar ainda mais valor em eventos de porte coletivo.
Para Heloisa Santana, presidente da Associação
de Marketing Promocional (Ampro), o
marketing de experiência ganha relevância por
responder a uma demanda humana por conexão
real. “A Copa do Mundo é, por essência, um evento
coletivo e abre uma oportunidade única para as
marcas criarem espaços de pertencimento, onde
Cris Pereira: “Ativação se torna parte da experiência”
“0 brand experience tem
esse poder de ajudar a
conectar e de se fazer
presente o espírito da Copa”
as pessoas compartilham emoções, narrativas
e memórias”, afirma. Ela avalia que mais do que
entreter, “o papel do live marketing é reconectar
pessoas entre si e com as marcas, gerando vínculos
que o ambiente digital, isoladamente, não
consegue entregar com a mesma intensidade,
especialmente em um contexto esportivo, que já
nasce emocional e coletivo”.
A executiva destaca que estudos como o da
Ilumeo comprovam que, independentemente do
papel crescente do digital para a data, o presencial
continua sendo “onde a mágica acontece de
verdade”. “As ações mais potentes são aquelas
que já nascem fortes no físico. O digital entra depois,
como uma extensão, ajudando a amplificar,
Denise Garrido: “Mediadoras de encontros”
registrar e continuar a conversa. No fim do dia, é
sobre criar momentos que façam sentido para as
pessoas estarem ali de verdade”, disserta ela. E se
a oportunidade já é certa, a pergunta que fica é: O
quão desafiador é criar experiências em um evento
que, por si só, já é a grande experiência?
Aquecimento
A tentativa de reconstruir o clima da Copa
antecipa e leva a experiência para além dos momentos
oficiais do torneio. Em vez de esperar o
calendário de jogos começar, as marcas já vêm
ocupando diferentes espaços para ativar o tema.
A Adidas, responsável pela bola oficial desta
edição do torneio, promoveu ação no Parque Ibirapuera,
em São Paulo. A marca, parceira esportiva do
parque a partir de 2026, iniciou as ativações ainda
no ano passado com uma experiência ligada à Trionda,
instalada na programação de Natal. O espaço,
assinado pela Valiant, reuniu desafios interativos e
distribuição de brindes próximos à árvore natalina. A
ideia segue a lógica que também aparece em outros
Enricco Benetti: “É quase uma prova de humanidade”
Fabiana Schaeffer: “Escala não é repetição”
Albano Neto: “De ‘grande evento’ para ‘grande rede’”
jornal propmark - 18 de maio de 2026 121
Fotos: Divulgação
Guilherme Stucchi: “Não é só localização, é narrativa”
Andrea Pitta: “O importante é interagir”
Marcelo Lenhard: “Mais transversal e menos vertical”
“As ações mais potentes
são aquelas que já
nascem fortes no físico.
O digital entra depois”
delo da catedral, aquele evento único, monumental,
centralizado, já não dá conta de uma sociedade em
que os pontos de encontro se multiplicaram e se
fragmentaram”, acrescenta Albano Neto, CSO, CCO e
partner da Score Agency.
João Ribeiro, CEO da Sherpa42, parte da mesma
premissa, e complementa a ideia de que o intuito
não é escolher como ocupar cada espaço, mas garantir
o controle da experiência. “Não pensamos
mais no evento de forma isolada, mas sim como um
ecossistema. Isso significa estruturar a presença da
marca em múltiplos pontos e canais — sejam bares,
pontos da marca pelo mundo, como no México, com
iniciativas no Parque Chapultepec.
Logo depois, a estratégia ganhou uma dimensão
ainda maior com a ‘Arena Trionda’, criada pela Atenas.ag
no Shopping Eldorado, também em São Paulo.
Aberta de outubro a dezembro do ano passado, a
ativação convidou o público a revisitar a história das
Copas a partir da bola e reuniu projeções, espaços
interativos, produtos oficiais, personalização e espaços
de lifestyle com peças assinadas por artistas
como César Valença e Will Cypriano.
Os eventos de futebol são automaticamente
associados a ambientes ligados ao esporte, como
parques e bares, em que os telespectadores se reúnem
para assistir aos jogos. Esses espaços já fazem
parte da cultura da torcida, mas as possibilidades
são infinitas.
Em abril, na Avenida Paulista, em São Paulo, o Méqui
1000 transformou a sua fachada para apresentar
o menu ‘Seleções do Méqui’, os clássicos sanduíches
inspirados em seleções, que neste ano incluiu Espanha,
Argentina, Alemanha, México, Estados Unidos
e Itália, além de um combo Brasil completo. A ação,
com projeto de live marketing e brand experience
da Faro.ag e criação da Galeria.ag, também teve festa
de lançamento com participação do ex-jogador
Cafu e convidados.
O case exemplifica a pluralidade dos pontos de
encontro. Onde menos se imagina, há uma oportunidade
para reter as sensações experimentadas
pela torcida. A pulverização é vista pelo setor de
brand experience como um desafio para a distribuição
de experiências. Mas pode ser também
uma oportunidade.
Para Guilherme Stucchi, sócio-diretor da Faro.
ag, o caso do Méqui ilustra essa lógica. “A pulverização
dos pontos de encontro não enfraqueceu o live
marketing, ela sofisticou o jogo. Hoje, não se trata
mais de concentrar audiência, mas de ativar relevância
onde a cultura já está acontecendo”, afirma.
“A gente precisa parar de pensar em ‘grande
evento’ e começar a pensar em ‘grande rede’. O moparceiros
ou espaços urbanos — sob uma lógica muito
clara de consistência de linguagem e replicabilidade
de execução”, comenta.
O digital é inimigO?
Denise Garrido, CEO e fundadora da Atenas.ag,
acredita que o live marketing funciona como uma
ferramenta capaz de criar o que ela chama de “infraestrutura
emocional para as marcas”. “Em datas
como a Copa, marcas deixam de ser apenas emissoras
de mensagem e passam a ser mediadoras de
encontros”, diz ela ao refletir sobre o impacto da internet
nas ativações. “O digital amplia, registra, distribui
e prolonga. Mas o ponto de partida continua
sendo o encontro humano”, disserta.
Cris Pereira Heal, VP de clientes e mercado da Batux,
argumenta que uma ativação que “funciona de
verdade”, na verdade, deixa de parecer ativação. “A
Copa ainda é uma das poucas ocasiões em que as
pessoas querem estar juntas, e isso é muito potente.
O live marketing entra como facilitador desse
encontro. Quando essa dinâmica funciona bem, não
Fachada do restaurante ‘Méqui 1000’, na Avenida Paulista, em São Paulo, com as cores do Brasil em ação da Faro. ag
122 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Juliana Pileggi: “A cauda longa vai além do tema central” João Ribeiro: “Escala é sinônimo de consistência” Luciana Furtado: “Flexibilidade é estratégia”
“Quando a experiência
é melhor do que o
jogo, ela se sustenta
independentemente
do resultado”
rentemente da Copa do Catar, em 2022, quando os
horários fragmentaram o ritual coletivo. “O futebol
continua sendo um dos poucos momentos que criam
permissão social para o encontro. Nesse contexto,
o papel do live marketing não é vender produtos. É
oferecer o pretexto para que esse encontro aconteça”,
observa ela.
Para Enricco Benetti, o valor do presencial também
passa por um movimento cultural mais amplo.
A saturação de conteúdos gerados por inteligência
artificial faz com que as pessoas passem
a valorizar cada vez mais o que é real. “O ao vivo
Exposição de bolas da Adidas para edições da Copa do Mundo, na Arena Trionda, realizada no fim do ano passado
Divulgação
parece ativação e se torna parte da experiência”,
explica.
“O live marketing precisa ler o território com precisão.
Marcas que chegam sem essa leitura perdem
tempo e orçamento. As que entendem o ambiente
e criam a partir dele constroem presença de verdade”,
concorda Patrícia Gerard, chief business officer
da TV1.
E se a Copa se espalha e vira estratégia, a necessidade
de reconectar pessoas explica esse potencial.
“A solidão virou um problema estrutural do nosso
tempo. Os chamados ‘terceiros lugares’ — espaços
onde a vida social acontecia espontaneamente —,
estão desaparecendo”, aponta Albano Neto. Para ele,
a Copa cria uma permissão social cada vez mais rara:
gritar, vibrar e estar junto. “Quando a marca entende
isso, ela deixa de ser patrocinadora da Copa e passa
a ser viabilizadora de algo que as pessoas realmente
precisam.”
Essa leitura é compartilhada por Patrícia Gerard,
que aponta um fator comportamental específico
desta edição. Os jogos acontecem à noite, difeganha
uma nova força. Ele passa a ser quase uma
prova de humanidade, um espaço onde as coisas
acontecem de verdade, sem filtro, sem edição”, reflete
o co-CEO da BFerraz.
Marília Queiroz, presidente da Arc, lembra que “as
marcas assumem o papel de anfitriãs do encontro.
Elas criam o contexto, sustentam o espaço e garantem
que o ritual aconteça”. Isso, para a executiva, é o
que faz com que os clientes passem a ser lembrados
pelo que proporcionam.
Como manter o Clima
Outro ajuste importante está na forma como
as ativações são desenhadas para sobreviver ao
resultado dentro de campo. Mesmo sendo a seleção
com mais títulos, o Brasil não vence uma Copa
desde 2002. A dependência do placar, segundo os
especialistas, é uma das armadilhas mais comuns
para o mercado. “Se a experiência depender de
um gol para funcionar, muito provavelmente ela
vai falhar”, situa Guil Salles, CEO da Oito. Para ele, o
torcedor não vai à rua só para ver o jogo, mas para
pertencer e contar que estava lá. “O produto real é
o encontro. A partida é quase consequência”, complementa.
Para Luciana Furtado, CEO da Mind, a solução
é desenhar jornadas capazes de se adaptar em
tempo real. As ativações mais consistentes, segundo
ela, são aquelas ancoradas em territórios
mais amplos e resilientes, incluindo celebração,
brasilidade, cultura, gastronomia e ritual de torcida.
“Quando a ideia está centrada apenas na
vitória, ela fica vulnerável. Quando está centrada
no comportamento e na emoção coletiva, ela continua
relevante mesmo diante de frustrações esportivas.
Em um evento como a Copa, flexibilidade
não é detalhe, é estratégia”, diz.
Juliana Pileggi Suplicy, CEO da AKM, concorda, e
aponta que “quando a experiência é melhor do que o
jogo, ela se sustenta independentemente do resultado.
No fim, o engajamento vem da vivência, não do
placar”. A agência foi responsável pelo slogan ‘Jun-
jornal propmark - 18 de maio de 2026 123
Fotos: Divulgação
Marília Queiroz: “As marcas anfitriãs do encontro”
Guil Salles: “Se depender de um gol, vai falhar”
Patrícia Gerard: “O jogo é o gatilho, não o produto”
tos num só ritmo’, para a Copa que foi realizada no
Brasil em 2014.
Já Lenhard, da Hands.ag, oferece uma perspectiva
diferente. Para ele, a dependência do resultado da seleção
brasileira já não é o único termômetro da Copa.
Isso, segundo ele, acontece porque o próprio torcedor
mudou. Há duas décadas, o brasileiro se conectava
ao futebol global exclusivamente pelo campeonato.
Mas hoje, o futebol ganha força. “Na final da última
Copa, entre Argentina e França, percebi que, há 30
anos, ninguém torceria para ninguém porque o Brasil
não estava lá. E eu mesmo estava torcendo para a Argentina
do Messi, porque eu achava que ele merecia
ganhar uma Copa do Mundo”, exemplifica o executivo.
OperaçãO e resultadOs
Fabiana Schaeffer, CSO da Netza&Co e presidente
da International Advertising Association (IAA) no
Brasil, explica que toda a operação para o evento
está ancorada em regulação, operação e mensuração.
Ela lembra que o maior risco, muitas vezes,
não está no uso direto, mas na associação indevida
percebida pelo consumidor, e que esse território exige
tanto cuidado jurídico quanto disciplina criativa.
“Ativar em escala durante uma Copa significa lidar
com múltiplos territórios, fluxos intensos de público,
segurança, mobilidade, fornecedores e necessidade
de resposta rápida. A execução precisa ser extremamente
coordenada”, explica.
No campo regulatório, as restrições vão além dos
símbolos e marcas e chegam até a linguagem da
comunicação. “As regras da Fifa sobre uso de marca
e ambush marketing são mais rígidas do que boa
parte do mercado imagina. Termos como ‘Mundial’ e
‘Copa do Mundo’ isolados também são marcas protegidas.
Agências que criam nomes de ações, hashtags
e materiais temáticos sem essa clareza correm
risco real”, alerta Patrícia Gerard.
Na área operacional, o desafio está em executar
com consistência em múltiplos pontos simultâneos
sem perder qualidade à medida que a escala cresce.
Andrea Pitta, CEO da Fibra.ag, reforça que a leitura
“Presença física e
curtida no Instagram
são experiências
completamente
diferentes e precisam
ser avaliadas de
formas diferentes”
do contexto local é insubstituível nesse processo,
mas outros eventos de grande escala já preparam o
mercado. “Creio que, de fato, a segurança seja o ponto
principal que, eventualmente, pode trazer algum
desafio maior para a criação e operacionalização
dos eventos em cada partida”, pondera.
Já na mensuração, o desafio é traduzir experiência
em valor de negócio de forma cada vez mais comparável.
“Presença física e curtida no Instagram são
experiências completamente diferentes e precisam
ser avaliadas de formas diferentes”, diz Guil Salles,
que cita como referência iniciativas internacionais
que medem sucesso por tempo de permanência e
qualidade de interação, não por volume de posts.
Heloisa Santana, da Ampro, reconhece o avanço
do setor, mas aponta que o caminho ainda é longo.
“O desafio é consolidar métricas que conectem experiência
a resultados, de forma cada vez mais evidente
e comparável. É um setor que evoluiu muito nos
últimos anos, mas que demanda ajustes estruturais
para operar com todo o seu potencial”, finaliza.
Ativação da Adidas no Parque Ibirapuera, em São Paulo, realizada durante o Natal de 2025, para promover a Trionda
124 18 de maio de 2026 - jornal propmark
propmark 61 anos
A Copa dos
influenciadores
Maiara Garbin
Eu cresci vendo Copa do Mundo do jeito mais
clássico possível: TV ligada, sala cheia e a sensação
de que todo mundo estava assistindo à
mesma coisa, ao mesmo tempo. Era um evento coletivo,
quase ritualístico. A transmissão era o centro, e
tudo acontecia ao redor dela.
Anos depois, o digital entrou em campo como
segunda tela. Um espaço para comentar o jogo em
tempo real, dividir opiniões e reagir junto. Mas esse
papel evoluiu. E evoluiu rápido. Hoje, a segunda tela
já não é apenas o digital em si. Ela tem rosto, linguagem
e audiência própria. São os influenciadores.
E isso muda profundamente a forma como a gente
vive a Copa.
Não é mais sobre abrir uma rede social para ver
o que estão falando. É sobre ir direto em alguém.
Aquela pessoa que você sabe que vai traduzir o jogo
do seu jeito, com repertório, sensibilidade e linguagem.
É quem solta o meme primeiro, faz a leitura
mais afiada, inspira o look da torcida, simplifica a
tática ou entrega o react que resume exatamente
o sentimento coletivo.
A segunda tela deixou de ser um lugar. Virou curadoria.
Virou gente. Na prática, os creators deixaram
de ser complemento e passaram a ocupar uma posição
central na experiência. E essa dinâmica já não
acontece só da tela para fora. Cada vez mais, eles
estão dentro do próprio evento. As detentoras de
direitos entenderam isso rápido. Nas últimas edições,
passaram a credenciar e levar influenciadores
para cobrir os jogos in loco, muitas vezes em número
comparável, ou até superior, ao de jornalistas.
Não é um detalhe operacional. É uma transformação
estrutural. Quando o creator ocupa o espaço
físico da cobertura, ele não está apenas reagindo ao
jogo. Ele passa a construir o olhar sobre ele. Vive o
bastidor, acessa espaços antes restritos e traduz
tudo em tempo real para uma audiência que confia
na sua leitura. A segunda tela deixa de ser coadjuvante.
Em muitos momentos, assume o protagonismo.
Nesse cenário, o digital deixa de ser apenas
meio e vira linguagem de influência.
Estar online já não diferencia ninguém. O diferencial
está em dar significado ao que acontece,
conectando repertório, contexto e comunidade.
É exatamente isso que os influenciadores fazem.
Não se trata só de alcance. Trata-se de afinidade. De
transformar audiência em vínculo.
A Copa, então, se expande. Deixa de ser um evento
esportivo e vira um território de cultura digital. Um
espaço onde futebol encontra moda, gastronomia,
humor e comportamento. Tem creator ensinando receita
para o dia de jogo. Outro sugerindo looks. Outro
explicando tática de forma simples. E outro transformando
cada lance em conteúdo compartilhável
em segundos. É mais fragmentado, sem dúvida. Mas
também mais rico, mais diverso e, principalmente,
mais contínuo.
Porque a velocidade virou parte da experiência. A
cultura digital não espera o apito final. O que acontece
em campo ganha novas leituras imediatamente.
Muitas vezes, a conversa mais interessante não
está na transmissão, mas na forma como ela é reinterpretada
minutos depois. É esse fluxo que mantém
a Copa viva muito além dos 90 minutos. Para as
marcas, isso não é só tendência. É uma nova forma
de atuação.
Não basta mais estar na Copa do jeito tradicional.
A presença precisa acontecer dentro dessas narrativas,
ao lado de quem já tem atenção e confiança.
Isso exige menos controle e mais colaboração real.
Exige entender o creator como parte estratégica da
construção de significado. Mais do que escolher influenciadores,
é sobre cocriar com eles. Reconhecer
que cada creator é, ao mesmo tempo, canal, editor
e intérprete do seu tempo. E que o impacto de uma
ação não está só na visibilidade, mas na capacidade
de entrar, com naturalidade, em conversas que já
estão acontecendo.
No fim, é sobre conexão. Sobre entender que a
atenção não está mais concentrada em um único
lugar, mas distribuída em diferentes pontos que se
conectam. E que são as pessoas que organizam essa
experiência e definem o que realmente importa.
A Copa dos influenciadores não substitui a transmissão.
Ela amplia. E amplia tanto que, em muitos
momentos, é ali que a experiência ganha forma. Se
antes a gente assistia ao jogo e corria para o digital
para comentar, hoje a gente assiste com os influenciadores.
E, muitas vezes, é a partir deles que o jogo
continua existindo. A segunda tela agora tem @. E é
ela que dita o ritmo dessa Copa.
Maiara Garbin
é sócia & COO da Mudah
jornal propmark - 18 de maio de 2026 125
propmark 61 anos
Divulgação
Kleyton Mourão, ECD da We: “Em meio a uma multidão de bolas de futebol idênticas, perfeitas e industriais, uma
única bola de pano e meia surge no centro. Com costuras aparentes e formas imperfeitas, ela carrega história, afeto e
identidade. A imagem traduz como o esporte, impulsionado por eventos globais como a Copa, se tornou comoditizado
e massificado, mas evidencia que aquilo que é feito à mão, com alma, ainda preserva valor, autenticidade e poder de
destaque justamente por ser único. Como o futebol brasileiro, como a propaganda brasileira”.
OOH amplifica o clamor das ruas
e enaltece o senso de coletividade
Mídia out of home ganha protagonismo ao conectar presença urbana
e conteúdo em tempo real, abrindo oportunidades de interações
Vitor Kadooka
Cada país possui a própria forma
de acompanhar a Copa do Mundo.
Em alguns mercados, a competição
não ocupa lugar na cultura popular,
seja pela ausência da seleção
local ou pelo protagonismo de outras
modalidades esportivas. No Brasil,
o cenário é diferente. Pintar ruas de
verde e amarelo, reunir amigos em
bares, utilizar buzinas, bandeiras e
vuvuzelas faz parte da experiência
coletiva do torneio. A Copa historicamente
extrapola o ambiente televisivo
e transforma cidades em espaços
de convivência e torcida.
É justamente nessa ocupação física
das ruas que o out of home encontra
oportunidades. A força da Copa
ocorre e se amplifica nas ruas, mas
não nasce da mídia. O evento reorganiza
grandes capitais e pequenos
municípios, altera rotinas, deslocamentos
e paisagens. Nesse contexto,
o setor de mídia externa se posiciona
como um dos principais meios para
marcas, patrocinadoras ou não, participarem
dessa conversa cultural.
É no deslocamento cotidiano que
o OOH acompanha o comportamento
das pessoas. “A Copa sempre sai da TV
e ocupa a cidade. O OOH amplifica esse
movimento porque está exatamente
onde isso acontece: na rua, no encontro.
O diferencial do digital out of
home (DOOH) hoje é acompanhar o dia
das pessoas. A cidade muda depois de
um jogo — e a comunicação pode mudar
junto”, afirma Paulo Queiroz, CEO
da RZK Digital.
Richard Albanesi, CEO da The Led,
lembra que “o comportamento do
brasileiro na Copa sempre foi físico.
Ele não acontece no feed. Ele acontece
na rua, no bar, no deslocamento, no
encontro coletivo”.
Felipe Davis, CEO da OOH Brasil, reforça
a rua como território central. “É
na rua que o brasileiro pinta a calçada,
pendura bandeira e transforma o
espaço em ambiente de futebol. O out
of home ajuda a organizar e amplificar
esse movimento, sem tirar a espontaneidade.”
Segundo Davis, a forma como o
futebol ocupa as cidades muda de
acordo com a região. “Em Belo Horizonte,
passa pelo bar e pela resenha;
no Nordeste, vemos estádios cheios e
recordes de público; no Rio, a orla vira
arquibancada a céu aberto. Quando o
OOH espelha esses rituais, ele reacende
o clima de Copa nas cidades.”
Para Ricardo Cabianca, diretor de
marketing da C2R Mídia, a capilarida-
“É na rua que
o brasileiro
pinta a calçada
e pendura
bandeira”
de é um dos principais ativos do meio.
“O ônibus percorre bairros, conecta
regiões e conversa com diferentes camadas
da população ao longo do dia.
Ao ocupar esses espaços com uma
narrativa consistente, o OOH ativa o
senso coletivo.”
Essa jornada contínua ajuda a ex-
126 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Richard Albanesi, CEO da The Led: não acontece no feed
Marcelo Pacheco, CSO da Eletromidia: mais qualificada
Sandro Moretti, CSO da Mude: entrega massiva
plicar a relevância estrutural do setor.
Dados do estudo ‘Inside OOH’, da Kantar
Ibope Media, mostram que a mídia
externa é o segundo meio mais consumido
no Brasil, com alcance de 89%
da população.
Ao mesmo tempo, a lógica de presença
começa a se expandir para ambientes
em que o tempo de atenção é
mais qualificado. “Esta Copa favorece
a circulação de público em ambientes
de maior qualidade de tempo de
atenção, como shoppings, edifícios residenciais
e aeroportos, como Congonhas,
que assumem papel estratégico:
não apenas amplificar mensagens,
mas sustentar o clima da Copa com
consistência”, afirma Vicente Varela,
diretor-comercial e de marketing da
Helloo.
TEMPO REAL
Mas ocupar as ruas já não basta.
Em um ambiente em que o humor da
torcida muda em questão de minutos,
o diferencial competitivo passa a ser
a capacidade de leitura e a resposta
em tempo real.
“Durante a Copa, comunicação neutra
não funciona. Ou a marca entra no
“O que ganha
relevância é o
que reage ao
momento, ao
jogo, ao humor”
clima ou passa despercebida. Quem
não reage rápido fica irrelevante. O
que ganha relevância é o que reage
ao momento, ao jogo, ao humor da
torcida”, afirma Queiroz.
Ele acrescenta que essa dinâmica
altera o próprio papel do meio.
“Quando bem usado, o DOOH deixa de
ser ambientação e passa a prestar
serviço: informação em tempo real
sobre o evento, integrada ao contexto
da cidade.”
A busca por utilidade prática durante
os jogos já apareceu em edições
anteriores do torneio. No Mundial de
Passageiros circulam em espaço montado pela JCDecaux Brasil no metrô de São Paulo, que exibe campanha da Nike para o uniforme reserva da seleção brasileira em 2026
jornal propmark - 18 de maio de 2026 127
Fotos: Divulgação
Felipe Davis, CEO da OOH Brasil: espontaneidade
Paulo Queiroz, CEO da RZK Digital: sempre sai da TV
Daniel Simões, CEO da Streetwise: criar experiências
2022, no Catar, a JCDecaux Brasil realizou
uma ação com a Vivo para exibir
informações das partidas em tempo
real nos relógios de rua de São Paulo.
Marcelo Pacheco, CSO da Eletromidia,
reforça a investida. “Conteúdos
em tempo real, como placares,
notícias e escalações integradas às
campanhas, capturam o interesse
imediato e garantem atenção mais
qualificada.”
Para Sandro Moretti, CSO da
Mude, a presença em áreas de convivência
ajuda a aproximar marcas
do comportamento espontâneo da
torcida. “Aproveitamos a presença
única nas principais orlas e parques
do país para combinar uma entrega
massiva de mídia OOH com experiências”,
afirma.
Moretti conta que conteúdos leves
e contextualizados tendem a ganhar
força durante o torneio. “Curiosidades,
estatísticas, informações sobre
jogos e resultados ajudam a manter
as pessoas atualizadas e conectadas
ao evento”, diz.
A utilidade passa a ser, portanto,
um dos principais vetores de relevância.
Segundo Silvia Ramazzotti,
diretora de marketing da JCDecaux
Brasil, “85% das pessoas consideram
importante que o OOH mostre placares
ao vivo, e 87% acreditam que a
mídia exterior é fundamental para
construir o clima da Copa”.
Nesse ambiente de alta disputa
por atenção, a eficiência criativa também
ganha peso. “Peças reconhecidas
em até dois segundos têm 54% mais
chance de serem lembradas, e o uso
consistente de elementos de marca
Mostrar
placares ao vivo
é importante
para 85% das
pessoas, segundo
a JCDecaux
pode elevar essa lembrança em 35%”,
afirma a executiva.
Na prática, essa mecânica exige
estruturas mais sofisticadas de
leitura do comportamento. Na RZK,
Queiroz destaca o projeto ‘Voz do
torcedor’, que “acompanha diariamente
a percepção das pessoas
sobre a Copa em ambientes de mobilidade”.
O avanço tecnológico sustenta
essa evolução. “Com dados e tecnologia,
é possível trabalhar segmentação
e adaptar mensagens de
forma dinâmica, tornando as campanhas
mais contextuais”, afirma
Varela.
CULTURA
Mas relevância operacional, sozinha,
não garante conexão emo-
Silvia Ramazzotti, da JCDecaux: placar
Ricardo Cabianca, da C2R: coletivo
Leonardo Chebly, da NEOOH: conexão
Vicente Varela, da Helloo: estratégico
128 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Campanha da Vivo, de 2022, foi veiculada em relógio de rua de São Paulo; a comunicação, com o mascote da seleção, prestava serviço com informações de datas das partidas
cional. Em um evento altamente
simbólico como a Copa, as marcas
também disputam pertencimento
cultural.
Na edição de esportes da pesquisa
‘Era dos fandoms: Modo torcida’,
realizada pela Monks, 77% dos brasileiros
afirmam enxergar o futebol
como um dos maiores símbolos da
identidade nacional. “O que faz a diferença,
na minha visão, é a mensagem
que conversa com o jeito real
que o brasileiro vive o futebol no dia
a dia”, afirma Davis. Cabianca segue
a mesma linha. “A comunicação mais
eficaz não é a que fala sobre a Copa,
é a que faz a pessoa se sentir parte
dela.”
Leonardo Chebly, CEO da NEOOH, inclui
diferentes contextos de consumo.
“Parques, aeroportos, academias, ambientes
de trabalho e varejo deixam
de ser pontos de impacto e passam a
ser plataformas de ativação.”
Essa construção emocional acontece
em paralelo a uma mudança
estrutural no comportamento da
audiência. Dados da GlobalWebIndex
mostram que 74% dos fãs de esporte
usam redes sociais para acompanhar
conteúdos esportivos, enquanto 61%
consomem highlights e clipes. A experiência
não linear, fragmentada, combina
rua, mobile e diferentes telas.
Nesse cenário, o papel do OOH
deixa de ser apenas impacto visual e
passa a funcionar como ponte entre
ambiente físico e experiência digital.
“Estamos integrando conteúdo,
dados e o ambiente mobile, alcançando
mais de 35 milhões de pessoas”,
afirma Pacheco.
A jornada, antes concentrada nos
90 minutos de jogo, se dilui ao longo
do dia. “As marcas podem se conectar
no antes, durante e pós-partidas, impactando
o consumidor em diferentes
momentos”, explica Varela.
PERMANÊNCIA
Com a fragmentação da atenção
e a ampliação dos pontos de contato,
o mercado passa a disputar
não apenas alcance, mas também
tempo de permanência, interação e
experiência.
“Conseguimos ‘pintar’ as ruas de
forma dinâmica, acompanhando a
jornada da audiência desde a rotina
até a celebração. O out of home deixa
de ser uma tela e passa a operar
como uma infraestrutura inteligente”,
afirma Pacheco.
Entre as iniciativas da Eletromidia,
estão produtos como MUB+, os
‘Blasts da torcida’ e a ‘Arena brasileira’,
no Parque Ibirapuera, em São
Paulo, que reúne transmissões de
jogos e ativações presenciais.
A JCDecaux Brasil aposta em
escala e conteúdo, com parcerias
como a realizada com a TNT Sports e
ativações em aeroportos como Guarulhos
e Brasília.
Já a Helloo estrutura um ecossistema
integrado que combina mídia,
conteúdo e experiência, incluindo
projetos em consórcio com UOL e
NEOOH, além de ativações em shoppings
e espaços de troca de figurinhas
patrocinados por marcas como
Visa e Coca-Cola.
Outras abordagens exploram a
interação direta com o público. “Se
bancos forem transformados em
gols, é possível criar experiências
que geram engajamento imediato”,
afirma Daniel Simões, CEO da Streetwise.
A Mude aposta em orlas e parques,
enquanto a NEOOH desenvolve
projetos proprietários para
patrocinadores. Para Moretti, a
presença em áreas de convivência
ajuda a aproximar marcas do comportamento
espontâneo da torcida.
“Aproveitamos a presença única nas
principais orlas e parques do país
para combinar uma entrega massiva
de mídia OOH com experiências
ligadas ao futebol e à torcida brasileira”,
diz.
LEGADO
Se o evento ocorre a cada quatro
anos, as inovações impulsionadas
por ele tendem a ultrapassar esse
ciclo e se consolidar no mercado. A
Copa funciona como acelerador de
práticas que, depois de testadas em
larga escala, passam a integrar o repertório
permanente do setor.
“Quando a mídia está integrada
— rua, transporte, varejo e convivência
—, ela deixa de ser pontual
e passa a construir um ambiente”,
explica Albanesi.
Para Davis, esse impacto também
é percebido no território urbano. “O
OOH não só participa da festa, como
deixa um legado. Pode incentivar o comércio
local, abrir espaço para artistas
e reforçar identidades regionais.”
No longo prazo, essa convergência
entre mídia, cidade e comportamento
tende a beneficiar não apenas o
setor de comunicação, mas também
comércio, cultura e espaços urbanos.
A Copa continua sendo um fenômeno
essencialmente coletivo e urbano. O
que muda é a sofisticação das ferramentas
usadas para acompanhar
esse movimento. Entre dados, mobile,
conteúdo em tempo real e experiências
físicas, o OOH tenta ocupar
não apenas as ruas, mas também a
jornada emocional do torcedor.
jornal propmark - 18 de maio de 2026 129
propmark 61 anos
Quando o mundo se
encontra outra vez
Priscila Pellegrini
A
Copa do Mundo sempre teve uma dimensão
afetiva. Antes de ser um grande evento global
ou um território de negócios, ela é um momento
de encontro. Desde criança, carrego a memória
de ver as pessoas reunidas em torno de um mesmo
propósito: torcer, celebrar, vibrar juntas. Eu morava
em uma rua sem saída e, em época de Copa, ela se
transformava: bandeiras pintadas, amigos reunidos,
famílias nas portas de casa e uma sensação bonita
de comunidade.
Essa força de união é uma das coisas mais marcantes
da Copa. Por algumas semanas, diferenças
ficam em segundo plano. Pessoas de times, opiniões
e histórias distintas se encontram diante de uma
mesma emoção. Talvez por isso as lembranças sejam
tão fortes: elas não estão ligadas apenas aos resultados,
mas às pessoas com quem estávamos, aos
lugares onde assistimos e às histórias que ficaram.
Uma das minhas memórias profissionais mais
especiais foi na Copa de 2010, na África do Sul, quando
participei da operação que levou um grupo da
Ambev para acompanhar os três primeiros jogos
do Brasil. Eram cerca de 150 revendedores, em uma
viagem de incentivo por cidades como Johannesburgo,
Cidade do Cabo e Durban. Foi uma experiência
intensa, não só pela dimensão do projeto, mas pela
forma como aquele grupo viveu tudo junto. A Copa
tem esse poder: transformar uma viagem, uma campanha
ou uma ação de relacionamento em memória.
Outra lembrança afetiva foi a Copa de 2014,
no Brasil, que vivi como torcedora. Fui à abertura
e ao encerramento, assisti a jogos com meu filho
ainda pequeno e meu marido. A Copa atravessa a
vida da gente em várias camadas: infância, família,
trabalho, país, emoção e pertencimento. Para o
nosso mercado, ela representa um dos momentos
mais estratégicos do calendário. Poucos eventos
concentram tanta atenção, emoção e conversa pública.
A edição de 2026 será ainda mais simbólica:
será a primeira Copa com 48 seleções e três países-
-sede, Canadá, México e Estados Unidos, além de
104 jogos. Teremos mais tempo de exposição, mais
narrativas, mais comunidades mobilizadas e mais
oportunidades para as marcas construírem presença
cultural. A Copa de 2022 mostrou a dimensão
desse fenômeno. De acordo com a Fifa, cerca de 5
bilhões de pessoas se envolveram com o torneio
em diferentes plataformas e dispositivos. Nas
redes sociais, segundo dados da Nielsen citados
pela entidade, foram 93,6 milhões de publicações,
262 bilhões de alcance acumulado e 5,95 bilhões
de engajamentos. Para 2026, a Warc estima que o
torneio injete US$ 10,5 bilhões no mercado global
de publicidade. É um número enorme, mas também
um alerta: quanto maior a disputa pela atenção,
maior precisa ser a relevância.
Minha expectativa é que tenhamos uma Copa
mais competitiva e criativa também fora de campo.
As marcas vão precisar atuar em tempo real, ler contexto,
reagir com sensibilidade e criar conteúdo que
faça sentido para a emoção daquele momento. Não
basta entrar na conversa; é preciso merecer estar
nela. Isso passa por dados, escuta, comportamento,
influenciadores, experiências imersivas e uma presença
menos oportunista e mais autêntica.
A Nielsen mostra que cerca de 80% dos fãs navegam
em redes sociais ou usam algum aplicativo
durante os jogos, reforçando que a Copa já não acontece
em uma única tela. Ela acontece na televisão,
no celular, no bar, na loja, no grupo de WhatsApp, no
meme, no creator, na troca de figurinhas do álbum e
na experiência que a marca consegue criar em torno
desse sentimento coletivo. A mesma pesquisa fala
que 59% dos fãs de futebol escolheriam o produto
de um patrocinador em vez de uma marca rival, se
preço e qualidade fossem os mesmos.
Vejo que as marcas que vão se destacar em 2026
serão aquelas capazes de transformar atenção em
vínculo. As que entenderem a Copa apenas como
mídia talvez consigam aparecer. Mas as que entenderem
a Copa como cultura, encontro, emoção e
pertencimento terão a chance de permanecer. Mais
do que ocupar espaços, será preciso criar memórias.
Priscila Pellegrini
é CEO e sócia da Holding Clube
130 18 de maio de 2026 - jornal propmark
As pessoas certas,
no lugar ideal,
para as conversas
que inspiram:
wellness
sustentabilidade
autoconhecimento
comunidade
pertencimento
consciência
Em 2025 foram:
23.145.658
de impactos
Fale com a gente:
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17 milhões
de seguidores
engajados
com a sua
marca
propmark 61 anos
Jota Campos e Vinicius Montes, redator e diretor de arte da Africa Creative: “A maior Copa de todos os
tempos. As maiores seleções do mundo vivendo seu auge. O favoritismo definitivamente está do outro lado. Qualquer
um teria medo. Mas quem já venceu isso cinco vezes não é qualquer um. A torcida ganha das estatísticas, não
importam as circunstâncias. As marcas também acreditam nisso e se juntaram não só à seleção, mas a cada brasileira
e brasileiro que, independentemente do discurso, vai torcer pelo Brasil (mesmo que em segredo). Por isso, usamos
como referência um dos episódios mais icônicos do esporte americano: o momento em que um jogador finge jogar
uma bola no rosto de Kobe Bryant, lenda do basquete estadunidense e mundial, que simplesmente não reage, não
se assusta, nem se intimida. Porque, seja qual for o comentário, positivo ou negativo, nossa resposta será dada em
campo em forma de desarme, drible e gol. Até a final. Essa é a hexa mentality”.
Copa do Mundo já movimenta agências
e marcas no Brasil antes do apito inicial
Com foco em dados, creators e experiências além do futebol, mercado
publicitário integra estratégias para lidar com um novo público
Bruna Magatti
A
Copa do Mundo de 2026 já mobiliza
o mercado publicitário brasileiro
muito antes do apito inicial. Em
um país historicamente apaixonado por
futebol, as agências se preparam para
orientar marcas em um cenário mais
complexo do que em edições anteriores:
a conexão emocional com a seleção
brasileira segue poderosa, mas divide
espaço com novos interesses do público,
como as festas em torno dos jogos,
o consumo impulsionado por encontros
entre amigos e a busca por experiências
que vão além das quatro linhas.
Nesse contexto, criatividade, dados
em tempo real e sensibilidade
cultural serão decisivos para transformar
o torneio em relevância de marca.
A Copa do Mundo de 2026 deve injetar
US$ 10,5 bilhões no mercado publicitário
global, segundo levantamento da
Warc Media. Apesar do volume expressivo,
o estudo aponta uma redução no
impacto incremental do torneio sobre
o crescimento da indústria em comparação
a edições anteriores.
Executivos explicam como as agências
estão desenhando estratégias
para 2026, equilibrando entusiasmo
e frustração conforme o desempenho
da seleção, preparando campanhas
para diferentes desfechos dentro de
campo e monitorando oportunidades
que surgem a cada rodada. Também
entram em pauta temas como o papel
do marketing de influência, os projetos
já estruturados por grandes marcas,
os times multidisciplinares escalados
para a cobertura da competição
e as novas formas de ativar o interesse
do brasileiro, seja pelo futebol, pela
convivência social ou pelo espetáculo
global que a Copa representa.
Para as agências, a preparação
para a Copa já começou há algum tempo
e hoje acontece de forma muito
mais integrada do que em edições anteriores.
Executivos explicam que não
se trata mais de pensar apenas na
campanha ou na ativação de ocasião.
A Copa virou plataforma que envolve
conteúdo, experiência, social media,
A Copa de 2026
deve injetar
US$ 10,5 bilhões
na publicidade
global
132 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Divulgação
Rodrigo Pirim / Divulgação Africa Creative
Agatha Kim: estratégia integrada traz valor às marcas
Africa 94, divisão da Africa Creative desenhada para operar na conexão entre a publicidade e realidade esportiva
creators, dados, varejo e performance
funcionando ao mesmo tempo.
Neste contexto, algumas perguntas
são fundamentais para as agências,
a principal delas envolve qual é
o papel da marca nesse território e
como ela pode se conectar de forma
relevante com a cultura que se forma
ao redor do evento. É aí que entra a
mudança na dinâmica de atenção do
público.
“Isso faz com que a agência opere
quase como um war room contínuo,
que começa meses antes e se intensifica
durante os jogos. Do ponto de
vista de estrutura, esse movimento
começa mais estratégico e vai ganhando
velocidade. O planejamento
entra primeiro, definindo direcionamentos.
A criação traduz isso em
ideias. E, conforme o evento se aproxima,
áreas como social, conteúdo, mídia
e dados assumem um protagonismo
maior, com decisões cada vez mais
dinâmicas e em tempo real”, afirma
Agatha Kim, CSO da WMcCann.
“O atendimento, nesse contexto, garante
a integração entre todas essas
frentes. O papel da estratégia é garantir
que, mesmo nessa velocidade, tudo
esteja conectado a uma verdade consistente
de marca”, contextualiza.
Para Enricco Benetti, co-CEO, CCO
e partner da BFerraz, na prática, as
áreas mais mobilizadas são planejamento
estratégico, criação, conteúdo,
social listening, mídia, experiência de
marca, influência, dados e trade. “Isso
porque a oportunidade não está apenas
em ‘estar na conversa’, mas em
transformar atenção em relacionamento,
conversão e valor de marca.
Cada vez mais vemos as marcas estruturando
plataformas contínuas que
conectam pré, durante e pós-evento.
Ou seja, a Copa deixa de ser um pico
isolado de comunicação e passa a ser
um motor de crescimento dentro da
estratégia da marca.”
Em cima da hora
Albano Neto, CSO, CCO & partner da
Score Agency, revelou que a agência
começou os trabalhos em setembro do
ano passado e, para alguns clientes globais,
isso ainda foi em cima da hora. “Os
toolkits de Copa para Budweiser, Michelob
Ultra e Havaianas já estavam sendo
construídos enquanto muita gente nem
Andrea Siqueira: estratégia integrada é fundamental
A pergunta para
as agências é:
qual é o papel
das marcas neste
território?
Fotos: Divulgação
tinha pensado no assunto. Copa mobiliza
a agência inteira. Tem uma primeira
onda mais de pensamento: estratégia,
criação, desenho dos toolkits de brand
e shopper, MPDV, promoção, ativação.
Depois vem a onda de mão na massa:
operações, digital, produção rodando
em volume alto. E 2026 é especial porque
a escala é outra. Mais de oito clientes
ativando Copa simultaneamente.”
Quem confirma a eficácia da estratégia
integrada é Andrea Siqueira,
CCO & partner da Ampfy, e afirma que
ela está sendo usada em um cliente
novo na casa com uma importante
campanha no período da Copa do
Mundo: a Flying Fish, a nova cerveja
saborizada da Ambev.
“Junto com o time de BI e monitoramento,
estamos organizando
squads preparados para engajar as
audiências em tempo real e, dessas
interações, buscar novos insights
para alimentar a campanha de um
jeito contínuo. Outro cliente na casa
com campanha para ser ativada na
Copa do Mundo é Lay’s, da Pepsico. A
plataforma ‘Onde tem Lay’s, tem Jogo’
possibilita muitas ideias de mídia ao
longo da jornada dos torcedores, observando
o comportamento das comunidades”,
afirma Andrea.
Márcio Santoro, sócio, copresidente
e CEO da Africa Creative, traz a experiência
da agência, que lançou em
dezembro a Africa 94, uma operação
independente em parceria com a 94
Marketing & Football, dedicada exclusivamente
a conectar marcas ao
universo do futebol de forma genuína.
“A Africa 94 foi desenhada para
operar na intersecção entre a publici-
jornal propmark - 18 de maio de 2026 133
dade e a realidade esportiva. Enquanto
a Africa Creative contribui com seu
histórico de campanhas icônicas relacionadas
ao universo, com clientes
como Brahma, Budweiser, Vivo e Itaú,
e uma relação profunda com Copas do
Mundo; a 94 Marketing & Football possui
sócios com larga experiência no
futebol, dentro e fora de campo, como
Denílson Show, viabilizando aporte, visão
técnica, relacionamento com atletas
e ex-atletas e o entendimento dos
bastidores da bola”, diz Santoro.
Stephanie Campbell, CSO e co-managing
director da YouDare, explica
que o evento envolve estratégias
tanto para as marcas patrocinadoras
quanto para as que não são. Ela conta
que na YouDare, para ambos os casos,
o foco é a construção de um comms
planning integrado.
“Para as marcas patrocinadoras,
precisamos nos certificar da melhor
utilização dos assets, com o cuidado
de não cair na mesmice da forma e
códigos usados pelo mercado. Já para
as marcas não patrocinadoras, temos
o desafio de entrar na conversa e na
cultura de forma relevante e engajadora
mesmo com as limitações impostas
por não se ter assets de marca
da seleção ou da Fifa. Para isso acontecer,
temos de mobilizar todas as
áreas, mas com destaque para mídia e
BI, que serão responsáveis por encontrar
oportunidades para que os times
de criação e conteúdo possam chegar
às melhores ideias”, afirma Stephanie.
O papel das marcas
Enquanto 48 seleções disputam a
taça em campo, as marcas começam
a disputar a atenção, a preferência e
a relevância. Espera-se que cinco bilhões
de espectadores acompanhem
a competição, representando uma
das maiores oportunidades da década
para as marcas que desejam construir
diferenciação e conexão em
escala global. De acordo com a Kantar,
no Brasil, 77% dos consumidores
pretendem acompanhar o torneio.
Porém, em 2022, o mundo viu uma
explosão de conteúdos, campanhas
e ativações durante a Copa no Catar.
Isso resultou em uma saturação
de códigos visuais e narrativas repetidas.
A Kantar analisou as campanhas
e ações durante o evento de 2022 e
notou algo em comum: as marcas
centravam suas comunicações mais
na Copa do que em si mesmas. Ou seja,
em vez de fortalecer suas identidades,
Torcida inflamada no digital torna o ambiente mais complexo que em outras edições
acabaram diluindo suas mensagens.
Além disso, a falta de consistência
com a ambição da marca sem ativar o
próprio posicionamento ou se conectar
com as necessidades de seus consumidores
também foi algo que se fez
presente na última Copa.
Sobre o papel das marcas no evento,
a opinião é unânime: elas não podem
ser intrusas. A Copa não é sobre
a marca, mas sim, sobre as pessoas
e o que elas estão vivendo naquele
momento. “Relevância antes de protagonismo.
O nosso trabalho é ajudar
o cliente a entrar na ocasião sem
parecer um intruso. Porque a marca
‘dona’ da Copa não existe. O que
existe é uma marca que sabe potencializar
o que as pessoas já querem
viver, que facilita o encontro, amplia
a celebração e cria uma nova camada
dentro do ritual. As boas ativações
parecem fazer parte da Copa. As ruins
interrompem a Copa para falar de si
mesmas”, opina Neto. A comunicação
mais potente é aquela que ajuda o
torcedor a viver melhor aquele momento,
seja oferecendo acesso, conveniência,
benefícios, conteúdo relevante
ou experiências memoráveis.
Para Benetti, existe um elemento
fundamental nesse processo que é a
leitura cultural. “A Copa não é só um
evento esportivo, é um fenômeno
social que mobiliza símbolos, humor,
tensões e paixões do país inteiro.
Então orientar uma marca a entrar
nesse território passa muito por entender
o clima cultural daquele momento,
o humor das pessoas, as conversas
que estão acontecendo e qual
papel faz sentido para a marca dentro
desse contexto”, destaca, trazendo
também o ponto da imprevisibilidade
do evento. O futebol é ao vivo e
o ao vivo molda as conversas. Um gol
inesperado, uma derrota, uma grande
atuação ou até um meme podem
mudar completamente o tom da conversa
em questão de minutos.
“Por isso, hoje trabalhamos muito
com planejamento adaptativo: cenários
criativos previamente desenhados,
estruturas de monitoramento
em tempo real e equipes prontas
para reagir com velocidade e sensibilidade.
No fim das contas, as marcas
que funcionam melhor na Copa não
são necessariamente as que falam
mais alto. São as que conseguem ler
o momento, respeitar o ritual coletivo
do torcedor e se integrar à experi-
Magnific
ência de forma relevante e natural.”
pegar carOna
O consumidor percebe rapidamente
quando uma marca está
ali só para pegar carona, sem uma
ideia que a coloque com relevância
dentro da conversa. É fundamental
entender o contexto atual, ter agilidade,
porque o timing certo é tudo, e
ser fiel aos valores da marca. Quem
mais brilha não é necessariamente
patrocinador, mas quem entende
melhor o momento e consegue se
integrar de forma natural ao que
está acontecendo.
Andre Gomes, chief business officer
da BETC Havas, vai além: “O consumidor
percebe rapidamente quando
uma marca está ali só para pegar
carona, sem uma ideia que a coloque
com relevância dentro da conversa.
É fundamental entender o contexto
atual, ter agilidade, porque o timing
certo é tudo, e ser fiel aos valores da
marca”, afirma.
Stephanie traz exemplos concretos
de marcas que operam desta
forma: “O iFood, por exemplo, que
tem a vocação de entregar tudo que
o brasileiro mais ama para deixar a
134 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Mario Coelho/Artplan
Andre Gomes: marca que ‘pega carona’ é identificada
Stephanie Campbell: mobiliza quem patrocina ou não
Paulo Vita: sem estratégia, a Copa pode virar uma crise
experiência da Copa do Mundo ainda
mais incrível. Ou Decolar, que é sobre
destinos e consegue usar os jogos
para promover ofertas contextualizadas
para os países em campo. O
importante é a marca ser fiel à sua
vocação ao mesmo tempo em que
se conecta com os contextos e conversa
ao redor do evento. O segredo
é a relevância contextual com propósito.”
Ao mesmo tempo em que a Copa
do Mundo é uma oportunidade de
comunicação, se não for pensada de
maneira estratégica, ela também
Em 2022, as
marcas focaram
mais na Copa
do que em si
mesmas, de
acordo com
a Kantar
pode se tornar uma crise ou uma digressão
estratégica para as marcas
e, consequentemente, um desperdício
de investimento. Paulo Vita,
head de estratégia da Artplan, alerta
que é muito comum ver marcas
alimentando a saturação de códigos
visuais repetitivos, diluindo suas
identidades para se encaixarem no
tema do evento.
“Se a marca tem um posicionamento
claro, como ela o expressa no
contexto do futebol? Como esse posicionamento
poderia agregar valor
à experiência do torcedor? Qual vocação
natural da marca poderia ser
ativada na Copa? Criar uma utilidade,
um serviço ou gerar entretenimento
de qualidade? Essas são perguntas-
-chave para qualquer marca que
busca fazer um movimento de comunicação
coerente e com significado
relacionado ao evento”.
O executivo cita também a importância
de diversificar os canais para
navegar de maneira mais dinâmica
no consumo multitelas, estando
presente na jornada de forma fluida,
mais autêntica e interessante para
quem é impactado.
Magnific
136 18 de maio de 2026 - jornal propmark
agências
Havas muda sua governança no Brasil
com Erh Ray passando a chairman
A executiva Camila Nakagawa retorna para a BETC como CEO
e copresidente, função que vai dividir com o CFO Diego Alonso
Paulo Macedo
O CFO Diego Alonso vai dividir a copresidência da agência com a também CEO Camila Nakagawa e Erh Ray assume como chairman
A
holding francesa Havas está
com nova configuração no Brasil,
com plano de tornar a sua
governança regional mais fluida e o
plano de dar sustentação para uma
nova fase de crescimento da agência.
Assim sendo, trouxe de volta ao país a
executiva Camila Nakagawa, que possui
18 anos de carreira com passagens
em operações globais da TBWA, Publicis
e WPP. Ela atuou há cerca de 10
anos na BETC Havas Brasil e também
foi uma das líderes da Havas Prose on
Pixels (Havas POP).
Camila vai dividir com o CFO Diego
Alonso a função de copresidente,
mas terá a responsabilidade de ser a
CEO da unidade brasileira do Havas,
que permanece no top 5 das maiores
compradoras de mídia do país,
a 4ª colocada no ranking do Cenp de
2025 por meio de clientes como TIM,
Citroën, Olla, Naldecon, Puma, Veja,
Vanish, Qualitá Pets, GPA, Hershey’s,
Banco Pan, Hering, Alelo, Petra e, por
exemplo, O Globo. Atualmente tem
cerca de 450 funcionários nos escritórios
de São Paulo e Rio de Janeiro.
Camila também vai trazer a experiência
que adquiriu nos últimos dois anos
no headquarter do Havas, em Paris,
com tecnologia, inteligência artificial,
prospecção de novos negócios, dados,
produção, ferramentas, atendimento
e relacionamento com as marcas.
A definição do nome de Camila,
como esclarece o agora chairman Erh
Ray, começou a ser configurada com a
saída de Carol Boccia no fim de 2025.
Apesar da indicação local, o Havas já
estava disposto a dar uma chance
para a executiva devido ao seu conhecimento
do mercado brasileiro, ao
entrosamento com Ray e à cultura regional
da BETC. E, claro, à experiência
acumulada na holding.
“O Brasil é um dos mercados mais
estratégicos e criativos do Grupo Havas
- e a chegada da Camila traz o perfil
de liderança moderna que o mercado
demanda atualmente: visão global,
entendimento do mercado brasileiro
e dos desafios de negócio dos nossos
clientes. Saber como tecnologia/IA,
dados, mídia e criatividade se integram
para atender às necessidades
dos clientes é fundamental no cenário
atual, e a experiência global da Camila
nos aproxima desse conhecimento
aplicado”, afirma Jorge Percovich, CEO
da organização para a América Latina.
Com criatividade no centro, a agência
vai definir o planejamento para seu
portfólio de marcas. Por esta razão, o
fundador da BETC Havas no Brasil, o
publicitário Erh Ray, passa a concentrar
sua atuação, a partir de agora, na
função de chairman, na visão estratégica
e institucional da agência, como
“A chegada da
Camila traz o
perfil de liderança
moderna que
o mercado
demanda”
Divulgação
enfatiza o comunicado distribuído
pelo grupo. Nas palavras de Erh, sua
agenda deixa de contemplar a “cozinha”
para focar no “restaurante”.
“A partir de agora, assumo a posição
de chairman, um movimento que
me permite seguir contribuindo de
forma estratégica com a agência que
fundei e ajudei a construir ao longo
dos últimos 12 anos, com foco na visão
institucional, nas relações de longo
prazo e na preservação do DNA criativo
que sempre definiu a BETC Havas”,
destaca Ray.
“Para liderar a operação executiva,
temos o retorno de Camila Nakagawa
como copresidente e CEO, ao lado do
Diego Alonso, que permanece como
copresidente e CFO. A Camila conhece
138 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Reprodução
Criada por Erh Ray nos anos 1990, quando atuava na equipe criativa da DM9, a campanha ‘Mamíferos’, para a marca Parmalat, chegou aos 30 anos no último dia 14 de maio
profundamente a cultura da agência e
chega extremamente preparada para
conduzi-la para a sua próxima fase. O
meu maior compromisso agora é ajudar
a fazer dessa transição algo muito
bem construído para ela, para a agência
e para todos os nossos parceiros”,
destaca Erh Ray, acrescentando sua
visão sobre criatividade.
“Vou ter mais tempo para uma série
de coisas. A parte criativa da agência
já tem uma rotina e ela é exercida
pelos vice-presidentes, ECDs e diretores
de criação. Sem dúvida, vou estar
mais próximo da criação para dar
mais condições para esses talentos.
Mas, principalmente, quero dar atenção
à agência como instituição. E isso
vai além da criação. Envolve compra
de mídia, novas ferramentas, buscar
novos talentos em outras áreas. Com
a velocidade do mundo atual, a chance
de ser atropelado é grande. Como
chairman vou maturar coisas, planejar
melhor e pensar a agência para os
próximos anos e não para as próximas
semanas. Como fundador, quero deixar
um legado. O que eu sei é que a velocidade
e o ciclo das empresas estão
cada vez mais rápidos. Por isso, temos
“Terei tempo
para pensar.
Nesse momento
estamos muito
táticos”
de renovar o ciclo”, ele coloca.
No olhar de Ray, não é factível
estar direcionado para os próximos
passos do negócio sem um legado.
“Poderíamos ter definido um nome
no mercado e, com tantas fusões e
aquisições, há disponibilidade. Quando
começamos a observar os talentos
da casa, o nome da Camila fluiu naturalmente.
Ela praticamente nasceu na
BETC. Claro, tem uma história na Unilever,
por exemplo, mas teve um bom
desenvolvimento aqui que, naquela
época, ainda era uma startup com 30
funcionários. Agora, está pronta. Ela
conhece a cultura do grupo e da operação
local”, afirmou.
Ray fala com carinho do período
em que Camila atuou na agência. À
época lhe disse que não tinha gostado
da decisão de sair e que estava
magoado, mas ela não se esquivou
de prever que voltaria. “Camila chega
para uma posição de confiança e isso
é fundamental. Seu talento vai levar a
BETC Havas para uma fase de crescimento.
Como chairman vou contribuir
para esse processo.”
Atuando como CEO e CCO nos últimos
anos, Ray não planeja no momento
trazer uma liderança criativa para
esse lugar. “Sempre tivemos VPs. Mas
eles atuam como CCOs. Não se trata
de nomenclatura, mas da entrega.
Nunca vou ficar part time. Vou ter outra
agenda, mas em prol da agência.
Terei tempo para pensar mais estrategicamente.
Nesse momento estamos
muito táticos. Quero observar o que
as marcas estão pensando para o seu
futuro e como os cenários indicam
esses caminhos. Sair do óbvio tático
que é no que a maioria das agências
e clientes está mergulhada. O plano é
não entrar no universo das consultorias
e oferecer maior inteligência para
propor criatividade.”
Erh Ray quer tirar tempo para a
vida corporativa, mas sem ocupar lugar
das pessoas que cumprem essa
rotina. Um dos planos é mostrar como
o modelo brasileiro é eficaz por ter todas
as disciplinas orquestradas num
único fornecedor. “Estamos na quarta
colocação do ranking de compra de
mídia. Mas já fomos a primeira. Todas
as agências conhecem essas disciplinas
e, como a BETC, estão capacitadas
para clarear esses temas para os CEOs
e chairmen”, ele finaliza.
jornal propmark - 18 de maio de 2026 139
cannes lions
‘Ideia e efetividade caminham juntas’
Diretor de arte por formação, Ary
Nogueira foi um dos fundadores
da Gana em 2020 e acumula 25
anos de carreira na publicidade.
Ele, que acaba de ser contratado
pela WMcCann como diretorexecutivo
de criação, vai participar
como jurado do Cannes Lions
2026 na área Social & Creator.
Para Nogueira, o festival continua
sendo um dos lugares mais
importantes para entender o
comportamento, a cultura e
o futuro da comunicação. Ele
ressalta que isso é especial. O
criativo abre a série do propmark
que traz os insigths dos brasileiros
que estão nos júris de Cannes, que
será realizado de 22 a 26 de junho.
Ary Nogueira: “Existe um entendimento mais amplo sobre construção de marca”
Divulgação
Paulo Macedo
EXPECTATIVAS
Altíssimas. Cannes sempre acaba
sendo um termômetro muito forte
de para onde a indústria está caminhando,
seja em tecnologia, comportamento,
redes sociais ou IA. Acho que
2026 junta tudo isso de uma forma
muito intensa. Existe uma curiosidade
enorme para entender como as
marcas e as ideias vão responder a
esse momento de transformação tão
acelerada. E, pessoalmente, há uma
emoção extra por ser minha primeira
vez como jurado. Poder viver o festival
pelo lado de dentro e entender como
essas discussões acontecem é algo
muito especial.
CATEGORIA
Social & Creator talvez seja hoje um
dos lugares mais interessantes para
entender a comunicação contemporânea.
Tudo vira conversa. E, quando
vira conversa, a publicidade inevitavelmente
presta atenção. As redes
sociais e os creators mudaram a forma
como as pessoas se relacionam
com marcas, cultura e conteúdo. Por
isso existe uma curiosidade enorme
em entender como agências e marcas
do mundo inteiro estão trabalhando
esse território.
PREPARAÇÃO
Tenho revisitado trabalhos premiados,
estudado os critérios de
avaliação e mergulhado bastante no
histórico de Social & Creator. Com o início
dos julgamentos individuais, essa
preparação fica ainda mais prática.
Você começa a exercitar mais profundamente
os critérios da categoria e
construir um olhar ainda mais cuidadoso
para os próximos rounds. Também
tenho conversado bastante com
profissionais de conteúdo, mídia e
planejamento, principalmente porque
essa é uma categoria em que ideia e
efetividade caminham muito juntas.
“Quando vira
conversa, a
publicidade
inevitavelmente
presta atenção”
tes até agora foi perceber a diversidade
de perfis dentro do júri. Temos
creators, profissionais de agências,
pessoas de plataformas como TikTok
e Google, além de representantes
de marcas e grupos internacionais.
E acho que essa mistura é extremamente
rica para a categoria.
CRITÉRIO
Sempre vai ser a força da ideia. O
mais interessante é perceber quando
a campanha nasce de um comportamento
real das pessoas e das plataformas,
e não quando uma campanha
tradicional simplesmente ganha um
corte vertical. Também acho impor-
mISTuRA
Uma das coisas mais interessantante
olhar para aquilo que foi realmente
construído no mundo real, não
apenas para o que está muito bem
apresentado em um videocase. Outro
ponto, principalmente em um festival
global, é o contexto cultural.
CRIATIVIDADE
Existe um entendimento mais amplo
sobre construção de marca, cultura
e comunicação. Quando o festival
convida profissionais de tecnologia,
creators, executivos de marketing e
plataformas para participarem das
conversas e dos júris, mostra que as
boas ideias acontecem de forma mais
coletiva. A comunicação não pode
existir apenas para alimentar o próprio
mercado publicitário. Ela precisa
gerar conexão real com as pessoas.
REPuTAÇÃO
Continuo acreditando muito na
força brasileira. O Brasil ainda é uma
referência global em repertório cultural
e capacidade de gerar ideias que
impactam o mundo inteiro.
140 18 de maio de 2026 - jornal propmark
mercado
Ana Fontes vai a encontro da Confraria
das Mulheres Dirigentes de Entidades
CEO e fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) contou sobre
a sua história de superação em evento promovido pela ABA, em SP
Kelly Dores
Realizado em 8 de maio, em São
Paulo, o 15º encontro da Confraria
das Mulheres Dirigentes
de Entidades, iniciativa criada pela
ABA (Associação Brasileira de Anunciantes)
para fortalecer a liderança
feminina do mercado por meio de
conexões, contou com a presença de
Ana Fontes, CEO e fundadora da Rede
Mulher Empreendedora (RME), organização
social dedicada à capacitação
de mulheres em situação de vulnerabilidade
que já atendeu mais de 10,5
milhões de brasileiras. Reconhecida
como uma das lideranças mais influentes
do país, Ana fez uma palestra
inspiradora na ocasião, falando sobre
questões que desafiam o universo
feminino, como a síndrome da impostora,
e contou sobre os obstáculos
que enfrentou na construção da sua
carreira, principalmente devido a preconceito
de gênero e origem humilde.
“Eu sou de uma família muito pobre,
nasci no sertão de Alagoas, de pai
e mãe semianalfabetos. Migramos de
Alagoas para São Paulo em 1970, porque
teve uma seca muito grande. Dois
irmãos meus morreram ainda pequenos
e fomos para Diadema. Cresci lá.
Eu tinha o sonho de ser apresentadora
do ‘Jornal Nacional’. Enfim, fui fazer
faculdade aos trancos e barrancos,
não consegui jornalismo no primeiro
momento, me formei em publicidade.
Foi uma jornada bastante complexa,
porque eu trabalhava e estudava. Eu
trabalho desde os 11 anos de idade,
registrada desde os 14 anos. Não é
nenhum romantismo, eu não gosto
de romantizar a desigualdade, mas é
a minha história, é o que é. Eu juntava
dois, três meses de salário para pagar
uma mensalidade”, relembrou ela.
Para trabalhar em publicidade, Ana
largou o emprego com vendas, mesmo
para ganhar menos. “Ingressei
na indústria automotiva para ser estagiária
da área de publicidade e propaganda.
Naquele ano, entraram 30
Ana Fontes falou sobre questões que desafiam o universo profissional feminino, como a síndrome da impostora
estagiários e eu fui a única estagiária
efetivada. Fiquei muito feliz.”
Segundo ela, enfrentou muitos percalços
na vida. “Poderia ficar algumas
horas aqui falando dos perrengues,
mas vou me concentrar em algumas
questões mais importantes”. E contou
sobre um episódio em que estava concorrendo
a uma vaga em uma empresa
da indústria automotiva.
“Era uma promoção interna. Eu ia
virar executiva pela primeira vez. E
estávamos eu e mais dois homens na
etapa final. Para dar uma lapidada no
currículo, fiz por conta própria um estágio
fora do Brasil para poder aprender
inglês com uma licença não remunerada.
Daí, o diretor da área virou pra
mim e falou: ‘Nossa, menina, você tem
uma performance ótima, mas pena
que você é mulher, né?’ Eu não tinha
elementos para responder esse tipo
de argumentação e a minha resposta
para ele foi: ‘Mas o que você precisa
que uma mulher não pode fazer?’ E ele
falou: ‘Eu preciso de alguém que bata
na mesa, de alguém que seja agressivo.
E preciso de alguém que faça as
pessoas cumprirem os objetivos.’ E eu,
muito tolamente, respondi para ele:
‘Mas eu posso conseguir os mesmos
objetivos sem bater na mesa, sem
gritar com as pessoas.’ Vocês acham
que eu consegui a vaga? Não. Foi um
homem quem conseguiu.”
A fundadora da RME lembrou que,
dois anos depois, conseguiu uma outra
vaga no marketing e, no fim, a carreira
deu certo. “Esse foi apenas um
episódio para mostrar o quanto é violento
esse processo como um todo”.
Depois de passar por outras organizações,
ela começou a empreender.
“Eu abri meu primeiro negócio em
2008, uma plataforma de recomendações
positivas na internet. Era o
oposto do Reclame Aqui, porque eu
gostava de coisa positiva, que traz
as pessoas para perto, mas foi muito
difícil eu abrir com outros dois sócios,
e eu acho uma outra coisa bem importante
falar sobre os erros. Porque
senão as pessoas ficam com a sensação
de que tudo dá certo sempre, em
todos os momentos, e não dá. E assim,
eu quebrei a cara nesse primeiro ne-
Alê Oliveira
gócio. Deu tudo muito errado”.
No entanto, foi através desse negócio
que Ana conseguiu ser selecionada
para um programa social da FGV, que
ajudava mulheres que tinham pequenos
negócios, e, a partir daí, deu início
à RME. “Eu comecei a escrever sobre o
que estava aprendendo em um blog.
E, quando fui ver, tinha umas 110 mil
pessoas assinando o blog. Porque eu
fiz publicidade, mas depois, quando
eu estava trabalhando na Volkswagen,
eu fiz a segunda faculdade e me
formei em jornalismo. Daí, veio o Facebook
e, na página, as mulheres conseguiam
escrever para mim. Teve um
post com 1.500 comentários, em cinco
minutos. Tudo foi acontecendo na
rede de uma forma muito orgânica.”
Hoje, a Rede Mulher Empreendedora
está em mais de dois mil municípios.
“O que a gente faz com essas
mulheres? A gente dá educação através
de cursos, capacitações dos mais
diversos modelos, presenciais, online.
E uma mulher impacta a outra. Hoje,
já contamos com grandes marcas que
financiam os nossos trabalhos.”
142 18 de maio de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
O 15º encontro da Confraria das Mulheres Dirigentes de Entidades, que ocorreu em São Paulo, contou com a participação de líderes de diversas áreas da comunicação
Sandra (ABA), Kelly Dores (propmark), Nelcina (ABA) e Regina Bucco (Aner)
Time ABA: Márcia Santos, Eliane Parra, Sandra Martinelli, Meire Werneck e Patrícia Souza
Patrícia Alexandre (Sinapro-SP), Marici Ferreira (Abral), Sandra Martinelli (ABA), Ana
Fontes (RME), Melissa Vogel (Cenp) e Fabi Soriano (Central de Outdoor)
Ana Boyadjian (Somos Prateados), Ana Celina Bueno (Fenapro), Mariana Panhoni (Abap),
Sandra Martinelli (ABA), Marcia Esteves (Abap), Nelcina Tropardi (ABA) e Regina Bucco (Aner)
jornal propmark - 18 de maio de 2026 143
mercado
‘Antes, a propaganda era a alma do
negócio. Agora, a estratégia é que é’
Victor Affaro/Divulgação
Nizan Guanaes: “Não dá para saber como será o setor daqui a dez anos. Mas sei o que ele será se não se modificar’
Se o baiano realmente tem o molho, quem pode comprovar é Nizan
Guanaes. Para ele, esse ‘molho’ foi fundamental para a publicidade
brasileira e para disseminar a cultura popular na criação. Referência
central na construção da publicidade brasileira contemporânea,
ele atravessou diferentes ciclos do mercado sempre antecipando
movimentos que hoje se tornaram padrão. Da criação da DM9,
que redefiniu a cultura criativa e empresarial das agências no país,
à consolidação do Grupo ABC, sua trajetória atual traz a NizAI para
democratizar seu trabalho para as próximas gerações, por meio da IA.
Nesta entrevista, Nizan reflete sobre as transformações da indústria,
a evolução do papel da comunicação nos negócios, os desafios de
reputação na era digital e o futuro, que, apesar de parecer estranho
e medonho, ele deixa claro: não se pode virar as costas para o futuro.
146 18 de maio de 2026 - jornal propmark
12ª Copa de Golfe Empresarial GoWhere
Em sua 12ª edição, o torneio de golfe mais comentado do circuito
empresarial, organizado pela GoWhere e promovido pela
Jovem Pan, retorna a um dos mais tradicionais e bem estruturados
clubes de golfe do Brasil, o Terras de São José.
Um evento histórico para 500 convidados, entre jogadores,
empresários e personalidades, que desfrutarão de atrações
e experiências exclusivas de Lifestyle e Gastronomia
para toda a família em um sábado inesquecível.
9º Concurso GoWhere Gastronomia Jovens Talentos
Para promover o intercâmbio entre as melhores universidades do país,
chefs renomados e as principais empresas do setor alimentício,
o Grupo GoWhere irá organizar a 9ª edição do Concurso GoWhere
Gastronomia de Jovens Talentos, o maior concurso gastronômico do Brasil.
O projeto mais uma vez será realizado no formato consagrado
de Websérie de grande audiência, com episódios de 30 minutos para
o YouTube e diversos desdobramentos estratégicos de grande alcance
em todos os canais digitais da GoWhere.
ELEITO
O MELHOR
VEÍCULO DO
SEGMENTO
DE LUXO
Prêmio Veículos de Comunicação,
do GRUPO PROPMARK
“A melhor forma de lidar com a inteligência
artificial é estar do lado dela, não contra”
Bruna Magatti
PASSADO X PRESENTE
Antigamente havia uma cultura de
donos. Hoje, a propaganda é tocada,
em boa parte, por executivos.
Naquela época, a gente era criatividade
junto com o negócio. A DPZ era
isso. E eu cheguei a São Paulo com
uma visão também de exacerbar a
cultura popular. Eu vim da Bahia, e
isso me ajudou muito nesse caminho
do popular. Não é à toa que há
uma presença baiana na publicidade,
sobretudo na publicidade de
marketing político. É gente que sabe
falar com o povo.
ESTRATEGISTA
Eu sempre tive essa visão da estratégia
no centro, isso não mudou. Mas
isso estava dentro de um ambiente
de agência em que a publicidade era
o grande foco, a grande prioridade.
Nesse contexto, PR, ponto de venda,
narrativa, tudo isso estava um
pouco mais distante. Alguns de nós,
como Washington, Marcello Serpa,
eu, Fábio Fernandes, tínhamos isso
na cabeça, mas não estava estruturado.
À medida que houve toda essa
mudança do mundo, das formas de
fazer, em que agora Davi desafia Golias,
e o problema de Golias é como
vencer Davi, essas grandes estruturas
das agências estão carregadas
de custo. E aí vi claramente que era
preciso fazer uma reengenharia. Estou
fazendo isso pela terceira vez.
A primeira foi trazer uma agência
da Bahia, a DM9, e torná-la, na sua
primeira década, absolutamente o
maior player do mercado, inclusive
em prêmios e crescimento. Depois
eu vendi a DM9, saí e montei, mais
à frente, um grupo de comunicação,
o Grupo ABC. O ABC ficou entre os 20
maiores do mundo e aí eu vendi para
a Omnicom, no maior deal do mercado
brasileiro. O meu terceiro passo
é a N.ideias, focada em estratégia e
com estrutura leve.
ALMA DO NEGÓCIO
Antes, a propaganda era a alma do
negócio. Agora, a estratégia é que é
a alma do negócio. Muitas das coisas
que eu fiz tinham estratégias bem
estruturadas por trás. Em ‘Mamífero’
da Parmalat, por exemplo, o
coração das mães já era da Nestlé.
Quem pode mudar o comportamento
da mãe? As crianças, que queriam
os bichinhos de pelúcia. Nossa estratégia
foi por aí. Já em ‘Pipoca e
Guaraná’, a gente buscou romper o
domínio da Coca-Cola. Toda vez que
você ia pedir uma pizza, pedia Coca-
-Cola; toda vez que ia comer pipoca,
pedia Coca-Cola. Nossa estratégia
era mudar isso com alimentos que
combinam tanto quanto. Foi um sucesso
tão grande que, anos depois, o
Guaraná Antarctica continuou repetindo
a estratégia. Enfim, eu trouxe
e fortaleci o que já fazia antes. E, vamos
combinar: Mauro Salles, Geraldo
Alonso, Petrônio Corrêa, todos esses
caras eram, na realidade, grandes
estrategistas. Um dos caras que eu
mais admiro, o Júlio Ribeiro, era um
estrategista fabuloso e dava a bola
rolando para a criação chutar.
MARCAS
A marca é que encontra sua melhor
estratégia para o objetivo pretendido.
Há vezes em que a melhor estratégia
é não anunciar. Tem vezes,
como no mundo da moda, que a melhor
estratégia é fazer experiências
com o consumidor, como eventos
e patrocínios. Há vezes em que se
comunicar é ter a enorme disciplina
para ficar em silêncio. Há tantas
opções de fazer, tantas formas, que
não dá para achar que é só raciocínio
publicitário. No digital, já há
outro raciocínio. O out of home se
sofisticou de um jeito inacreditável.
N.IDEIAS
As lideranças pedem para que as
mensagens de suas empresas sejam
levadas aos seus públicos com
clareza e efetividade., e que a gente
crie uma estratégia de acordo com
tudo isso. A gente escuta muito a
empresa, faz imersão profunda,
entende os recursos que ela tem
e depois atua. Como estrategista,
a gente organiza os objetivos de
acordo com o que o cliente busca,
sabendo que ele nem sempre tem
razão, quem tem razão é o cliente
do cliente.
O DILEMA DAS EMPRESAS
O dilema de reputação hoje tem de ser
quase uma obsessão. Um post, como
aconteceu com a Bud Light, pode prejudicar
uma companhia inteira. Nunca
foi tão importante ter parceiros de PR,
monitoramento digital, ter capacidade
de mudar o discurso, pensar como
o outro. Outra questão importante
são os novos concorrentes. Antes, os
concorrentes eram do seu setor. Todos
nadavam na mesma raia. Agora
vem uma empresa de tecnologia que
provoca disrupção em outros setores.
Banco competia com banco, hoje
compete com fintechs, plataformas.
Os hotéis competem com o Airbnb; o
transporte público, com o Uber. Isso
vale para todas as indústrias.
POLARIZAÇÃO
A marca não deve entrar em polarização.
Eu não vejo a Apple fazendo isso
como marca, se posicionando em momentos
turbulentos. A marca não deve
ser neutra em valores, mas se meter
em política traz custos enormes.
COPA DO MUNDO
O brasileiro racionaliza até o jogo
começar. Depois, vira emoção, entra
no clima de Copa. Então é torcer pelo
Brasil, mas focar mais na torcida,
porque ela não é imprevisível e ela
é o nosso consumidor.
NIZAI
Não posso contar muito ainda, pois
estamos em fase de testes. A ideia
surgiu porque meus amigos estavam
perguntando ao ChatGPT como escrever
textos e fazer coisas no meu
estilo. Vi nisso uma oportunidade de
negócios e também uma forma muito
efetiva de mergulhar nessa incrível
novidade, que já está mudando tudo,
e saber operá-la. A melhor forma de
lidar com a inteligência artificial é
estar do lado dela, não contra. A NizAI
será também uma forma acessível de
democratizar meu trabalho pelo Brasil
todo e compartilhar a visão de uma
geração que teve menos recursos,
mas, talvez por isso, mais criatividade.
FUTURO
A mensagem para o jovem criativo que
quer construir uma carreira longa na
publicidade é: estudar administração
e estratégia, muita estratégia, autores
como Philip Kotler, para entender as
empresas e as dinâmicas do mercado.
E estudar profundamente inteligência
artificial, fazer curso mesmo. Não dá
para saber como será o setor daqui a
dez anos. Mas sei o que ele será se não
se modificar. Ele será uma terra arrasada.
O setor não deve ter medo do futuro,
mas precisa caminhar com ele. Porque,
se você virar as costas para o futuro, o
futuro será inclemente com você.
“O out of home se sofisticou
de um jeito inacreditável”
148 18 de maio de 2026 - jornal propmark
mercado
ABA e Conar lançam guias para condução
de dados, IA e marketing de influência
Entidades alertam para controle de ameaças regulatórias, reputacionais
e de confiança no uso de tecnologias e geração de conteúdo
A
Associação Brasileira de Anunciantes
(ABA) e o Conselho Nacional
de Autorregulamentação
Publicitária (Conar) lançaram documentos
para nortear condutas éticas.
O ‘Guia de boas práticas para uso de
dados e IA no marketing’, da ABA, foi
elaborado em parceria com a VLK Advogados
e o apoio da AlmapBBDO, Globo
e Unilever.
“O uso de dados tornou-se o verdadeiro
combustível para a aplicação
de sistemas de IA que já fazem
parte das rotinas de criação, planejamento
e compra de mídia dos
anunciantes”, situa Sandra Martinelli,
CEO da ABA. A executiva aponta
a necessidade de garantir gover-
nança, com controles proporcionais
aos riscos do uso da tecnologia,
sejam regulatórios, reputacionais
ou de confiança. “Isso vai desde publicidade
enganosa e discriminação
algorítmica até violações de privacidade,
direitos autorais e direitos
de personalidade”, adverte. O documento
terá versão em inglês, disponibilizada
pela World Federation of
Advertisers (WFA) a 56 associações.
A ABA integra o Executive Committee
da organização.
Conar
Publicado pelo Conar em 2020, o
‘Guia de marketing e publicidade por
influenciadores digitais’, alerta hoje
para a complexidade de um ambiente
repleto de múltiplos atores, o que
exige “maior atenção ao cumprimento
da legislação e das normas éticas da
publicidade”, sugere Bruno Bonfanti,
coordenador do Grupo de Trabalho Digital
do Conar.
O documento incorporou recomendações
sobre inteligência artificial.
Para o presidente em exercício do
conselho de conteúdo, João Luiz Faria
Netto, o trabalho representa um
avanço para a autorregulamentação
publicitária, enquanto Juliana Albuquerque,
vice-presidente executiva
do Conar, ressalta a credibilidade de
influenciadores e marcas na produção
de conteúdo.
Guias norteiam condutas éticas
Magnific
jornal propmark - 18 de maio de 2026 149
mercado
‘Comunidade virou palavra gasta no
marketing’, diz Gabriel Félix, da Antro
Precisamos parar de perseguir
a cartilha do ‘como viralizar’ e
começar a construir potencial viral.
A visão é de Gabriel Felix, sóciofundador
e líder criativo da Antro,
especialista em memes e redes,
que vai além. “Confesso que não
gosto muito da forma pragmática
de enxergar o meme como uma
‘ferramenta de propaganda’.
Enxergo o meme muito mais
como linguagem, como caminho”,
diz ele, que formaliza neste ano
o lançamento da Antro, cuja
rede gera mais de 1,5 bilhão de
impressões por mês. Para Felix,
a palavra comunidade também
foi sequestrada para descrever
qualquer base de seguidores.
Gabriel Felix: “Meme é cultura em seu estado mais lapidado”
Divulgação
Kelly Dores
MeMe
Meme é cultura em seu estado
mais lapidado, tudo que a gente estudou
em propaganda nos últimos 50
anos era uma marca tentando achar
um código que funcionasse com muita
gente, vejo que o meme é o código
já funcionando, nascendo sem briefing,
verba ou pequenos ajustes. É o
povo escrevendo no espelho do povo.
A diferença é que antes esse espelho
ficava num bar, numa fila de ônibus,
numa conversa de padaria, agora ele
fica no print, no reels, no canal do zap.
South AMericA MeMeS
Trabalho com isso desde a South
America Memes, há mais de uma década.
O que eu vi nesse tempo todo é
que a cultura popular sempre vem antes
da cultura institucional. O meme
do bar vira bordão da novela, que vira
case de agência, que vira tese de faculdade.
A pesquisa acadêmica chega
três anos depois falando que aquilo
era importante. Quem mexe com
meme já sabia, está nas trincheiras
da internet observando cada traço
cultural tomar forma.
MArcAS
Confesso que não gosto muito
da forma pragmática de enxergar
o meme como uma ‘ferramenta de
propaganda’. Enxergo o meme muito
mais como linguagem, como caminho.
Quando a marca trata o meme como
ferramenta, o resultado é aquele post
‘silence brand’ que todo mundo já viu.
Para surfar a onda, o básico é o que o
mercado demora para aceitar: quando
você quer aprender piano, vai atrás
de um professor de piano... Quando a
marca quer se comunicar de um jeito
adaptado à internet de hoje, ela precisa
ir atrás de quem faz isso na prática,
de quem fala com milhões de pessoas
todos os dias. Vejo um movimento
crescente de marcas aprendendo isso
na prática, buscando creators e “mememakers”
que estão por trás das
maiores linhas editoriais do país.
virAl
A outra camada é essa: precisamos
parar de perseguir a cartilha do
‘como viralizar’ e começar a construir
potencial viral. Potencial viral não é
fórmula. É usar a mesma linguagem, o
mesmo tom, as mesmas referências,
o mesmo vocabulário, a mesma ótica,
o mesmo design que o público já usa,
tudo calibrado para o momento em
que aquilo está sendo comunicado. A
marca precisa fazer parte da raiz do
conteúdo, não ser o apetrecho colocado
em cima. Na maioria das vezes,
você vai alcançar um público maior
proporcionando o entretenimento do
que sendo o entretenimento.
pAlAvrA SequeStrAdA
Comunidade virou palavra gasta no
marketing. Todo mundo usa, quase ninguém
sabe do que está falando… A palavra
foi sequestrada para descrever
qualquer base de seguidores, e hoje
comunidade só vale quando sobra:
quando o algoritmo te abandona, a
mídia paga acaba e o influenciador vai
para o concorrente. Aí você descobre
se tinha comunidade ou só audiência.
Trabalhamos com comunidade há mais
de uma década. Dez anos atrás, a South
America Memes já operava grupos com
mais de 1 milhão de pessoas produzindo
dez mil postagens por mês. Muita
dessa galera continua com a gente até
hoje, seja como seguidor, colaborador
ou admin. Não é número de inscritos,
e sim relação no longo prazo, algo que
a pessoa leva para a vida. Dependendo
do tamanho e engajamento da comunidade,
o conteúdo se perpetua lentamente
ou se alastra como um incêndio.
150 18 de maio de 2026 - jornal propmark
REDE
Hoje a Antro carrega mais de 60 comunidades
na rede. Tem desde o ‘Pack
de Figurinhas’, criado por um grande
amigo nosso e fundador
do ‘Rolê Aleatório’,
que em menos
de seis meses
se tornou o maior
canal de WhatsApp
em língua portuguesa,
com mais
de 11 milhões de
seguidores, até a
‘PromoSAM’, maior
canal de afiliados
do WhatsApp no
Brasil. Trabalhamos
com conteúdo
pet, religioso, relacionamento, esportes,
figurinhas, vendas. Pensamos
conteúdo sempre em escala. A regra é
simples: comunidade não se compra,
se constrói no tempo.
SURGIMENTO
A Antro tomou forma institucional
no começo deste ano, mas já vem se
construindo há muito tempo. Tudo que
fizemos na internet foi pavimentando
o caminho para esse projeto existir. Lá
em 2017, fomos os primeiros, através
da South America Memes, a bater nas
portas das agências ensinando o que
era meme, coisa sobre a qual grande
parte do mercado não fazia a mínima
ideia. Depois veio o Memeawards e
outros projetos que ajudaram a consolidar
esse campo e puxar a atenção
do mercado para ele. A Antro é a forma
institucional de um trabalho que a
gente já faz há mais de uma década.
É um modelo que se prova todo dia.
Para ter ideia, só nos últimos 12 meses
crescemos mais de 20 milhões de
seguidores nas nossas comunidades,
num momento da internet em que
esse tipo de crescimento está acontecendo
cada vez menos, principalmente
nessa escala. Hoje a rede gera mais
de 1,5 bilhão de impressões por mês
bRaçO cRIaTIvO
A gente se enxerga como um braço
criativo do mercado, pronto para ajudar
em qualquer estágio de processo
de criação de conteúdo, projeto físico
ou digital. A ideia é transformar alcance
e capacidade de viralização em
obra concreta. O posicionamento cabe
numa expressão: desobediência criativa.
Se o mercado vai pela cartilha, a
gente vai pela cultura.
“A Antro
tomou forma
institucional no
começo deste
ano, mas já vem
se construindo há
muito tempo”
DESObEDIêNcIa cRIaTIva
Desobediência criativa, na prática,
é a gente provando para a marca, na
função de especialista, mostrando
que conhece o público
muito bem,
que comunica com
ele todo dia, e os
números estão aí
para provar. A partir
desse lugar, a
proposta é trazer
uma abordagem
que a marca não
estava esperando.
Não adianta produzir
algo que só faça
sentido dentro da
bolha da marca,
porque esse conteúdo não vai chegar
em lugar nenhum. A gente quer
mostrar o trabalho acontecendo na
prática, chegando nas pessoas. Para
isso dar certo, gastamos tempo produzindo
estudos das redes todos os
dias, rodando pesquisas internas, acumulando
repertório. No fundo, é sobre
trazer uma visão recente, um modo de
pensar que ninguém tinha colocado
ali antes, que permite a marca se comunicar
de uma forma diferente com
o público dela.
OpERaçãO MODUlaR
Funcionamos como uma operação
modular, podemos ser plugados em
qualquer estágio do processo criativo
da marca. Seja no começo, ajudando a
dar forma à ideia. No meio, construindo
as bases do projeto, as diretrizes,
o formato. No final, entregando o conteúdo
dentro das nossas redes para
virar resultado real. Dentro disso, a
entrega se organiza em três eixos: o
primeiro é criação, produzimos conteúdo
com potencial viral, dentro e fora
da plataforma, com um time de criativos
que vive esse mercado todo dia.
O segundo é distribuição. Operamos a
maior rede independente de canais de
WhatsApp no Brasil, com alcance orgânico
construído ao longo de anos. O
terceiro é inteligência. A gente produz
pesquisas, estuda comportamento e
tem um jeito próprio de fazer isso.
caNaIS
Os nomes que a gente pode citar
publicamente começam pela South
America Memes, que é a pedra fundadora
de tudo que a Antro construiu. A
SAM hoje é a maior rede de memes do
TikTok no Brasil, com 7 milhões de seguidores
na plataforma, e é uma das
referências mais antigas de cultura
de meme no país. Dentro do Whats-
App atuamos em alguns segmentos,
no nicho pet, a gente opera canais que
somam mais de 1,5 milhão de seguidores.
No nicho religioso, passamos de
3 milhões. No afiliado, a PromoSam é
o maior canal de afiliados do Whats-
App no país. No humor, Lixeira Memes
e Brazil Posting são canais de alta rotatividade
diária e base consolidada.
O Pack de Figurinhas, hoje dentro da
rede Antro, é um dos maiores canais
de WhatsApp em língua portuguesa,
com mais de 11 milhões de seguidores.
DNa
A Antro nasce para entender qual
é a próxima onda antes de ela virar
massa. O TikTok é um exemplo claro.
Quando a plataforma começou a viralizar
lá fora e ainda nem tinha chegado
com força no Brasil, a gente já
estava estudando-a na prática. Foi
mais de um ano de imersão antes da
explosão, e o resultado é que a SAM
hoje é a maior rede de memes do TikTok
no Brasil, com 7 milhões de seguidores.
No TikTok, a gente opera numa
lógica parecida com a do Instagram,
mas com uma regra que faz diferença:
cada rede tem linguagem própria e
recebe conteúdo pensado para ela. A
gente não copia e cola o que fez numa
plataforma para jogar na outra. A linha
editorial é construída em conjunto,
mas cada rede
ganha sua particularidade,
e é
isso que explica os
resultados orgânicos
que superam
as expectativa
todo mês: a gente
produz conteúdo
na linguagem da
rede, falando das
referências que a
rede está vivendo
naquele momento.
O WhatsApp é
a nossa maior fonte de estudos atualmente,
a rede não possui um feed
para disputar, buscamos sempre a
demanda caso a caso para a criação
de novas comunidades. Cada canal
existe porque tem uma audiência real
pedindo aquele conteúdo específico, e
a gente calibra a linha editorial. A rede
cresce quando todo esse encaixe é
preciso, não necessariamente quando
aumentamos o volume de postagens.
“Copa e
eleição são os
dois maiores
acionadores
de conteúdo
na internet
brasileira”
cOpa E ElEIçãO
Copa e eleição são os dois maiores
acionadores de conteúdo na internet
brasileira, arriscaria dizer que são os
dois momentos que um meme supera
a velocidade da luz viajando por toda a
rede! Para Copa, a expectativa é de volume
histórico, a Antro está entrando
com força, fechamos uma parceria editorial
com a Cazé TV que já começou a
render conteúdos em conjunto, e estamos
estruturando frentes específicas
para marcas que querem se posicionar
dentro de comunidades que respiram
esporte. Esporte é um dos temas que
mais rendem na nossa rede, e a gente
quer explorar isso em todas as formas
possíveis: cobertura em tempo real,
conteúdo editorial colaborativo, ativações
de marca dentro dos canais.
Para eleição, a postura é oposta. Essa
é uma posição da casa, não é improviso
de 2026. Desde 2018, especialmente
dentro da SAM, restringimos conteúdo
político dentro dos nossos grupos e
redes. Sabemos como uma fala, um
recorte, uma opinião pode alastrar rápido
dentro de uma rede desse tamanho,
e a gente leva essa responsabilidade
a sério. Nossa linha é apartidária,
não menciona candidato, não inflama
público para lado nenhum. Isso não
significa que a gente apaga o tema. Dá
para produzir conteúdo sobre o sentimento
do eleitor, sobre a experiência
de ir votar num domingo, sobre o clima
coletivo do ano eleitoral.
pRIMEIRO TRI
O primeiro trimestre
foi o melhor
da história da
casa. A SAM e todas
as nossas redes
passaram por
um momento de
expansão forte, e
a Antro entrou no
ano consolidando
posicionamento,
fechando parcerias
e abrindo
frentes novas de projeto. Sobre concorrência,
a resposta é direta: a Antro
não participa. A gente está num
momento diferente, atualmente nosso
foco é colaboração com marcas e
projetos autorais. Estamos lançando
projetos em cocriação com parceiros
e projetos totalmente próprios,
construídos do zero, como o MemeXP,
evento que ocorreu no dia 13 de maio,
Dia Nacional do Meme.
jornal propmark - 18 de maio de 2026 151
mídia
Com 11 patrocinadores, SBT e N Sports
anunciam comunicação para Copa 2026
Com Walace Neguerê e Carol Barcellos, emissora apresentou time
de jornalistas e comentaristas que participarão das transmissões
Bruna Magatti
O evento foi a primeira reunião do time de jornalistas e comentaristas que farão as reportagens dentro e fora de campo
Dentre as novidades, SBT e N Sports anunciaram 11 patrocinadores durante a coletiva realizada no dia 12 de maio
No dia 12 de maio, o SBT anunciou
seu plano de comunicação para
a Copa do Mundo 2026, trazendo
as novidades da programação. A
primeira fase da estratégia anunciou
Galvão Bueno e Tiago Leifert como pilares
da transmissão.
“Estaremos todos juntos e tenho
a honra de estar fazendo a minha décima
quarta Copa do Mundo. Eu sempre
disse: ‘me faltava a casa de Silvio
Santos’”, afirmou Galvão, durante
participação em vídeo. “A imagem vai
ser igual para todo mundo, o sinal chegará
para todos, televisão, streaming
etc. Acho que o nosso caso é apostar
na companhia que temos. As pessoas
em casa precisam se perguntar ‘por
que eu vou assistir o SBT?’ e eu acredito
que é porque elas se sentirão em
casa, apostarão no time que está fazendo
a transmissão e sairão satisfeitas
e engajadas com o que estamos
fazendo”, opina Tiago Leifert.
Agora, a emissora, em parceria com
a N Sports, anunciou seu time completo
de transmissão, com a presença de
Walace Neguerê e Carol Barcellos, que
farão o ‘Balanço da Copa’, um programa
diário com as informações pré, durante
e pós jogos, fechando o dia com
o balanço da competição. “Vim para
São Paulo especialmente para este
projeto, assinei o contrato exclusivamente
para este projeto neste fim de
semana”, conta Carol. “Vamos pegar
tudo o que acontece no dia e vamos
trazer nossa emoção, vibrando, criticando
e com certeza vamos ser campeões”,
diz Walace.
A equipe também será composta
por Mauro Naves, André Hernan, Isa
Labate, Nina Galiotte, André Galvão,
Flavio Winicki, Mano, Renata Saporito,
Gabi Martins, João Venturi, Alexandre
Pato, Nadine Basttos, Mauro Betting e
Juninho Paulista, que farão as reportagens
dentro e fora de campo, análises
e comentários.
A coletiva contou com Daniel Abravanel
- diretor de negócios do SBT;
Barbara Guimarães - CBO da N Sports;
Tiago Galassi - diretor de esportes do
SBT e André Barros - CEO da N Sports.
“SBT e N Sports são uma parceria
importante que começou no meio do
ano passado, quando percebemos que
era possível. E conseguimos. Da parte
do SBT, voltamos com o esporte após
cinco anos. Conseguimos falar com o
brasileiro de forma leve, fácil e com
emoção. É isso que está no DNA da
emissora e o futebol é exatamente
isso”, diz Galassi. “É uma honra chegar
ao ápice do esporte e transmitir uma
Copa do Mundo. E termos a oportunidade
de abrir essa frente com a TV
paga, com o SBT fazendo a entrega
robusta na TV aberta, acaba sendo um
jeito diferente de apresentar o conteúdo,
trazendo a questão multigeracional
e a nossa narrativa que vem do
Rogério Pallatta/SBT
digital”, conta Barros.
A cobertura dos 32 jogos estará
disponível na TV aberta e no streaming
gratuito +SBT, enquanto a N
Sports exibirá os jogos na TV por assinatura.
A emissora anunciou também
seu time de patrocinadores, contando
com 11 marcas: Airbnb, Bem Brasil, Carrefour,
Esportes da Sorte, Friboi, Haleon,
Hyundai, McDonald’s, Pagbank,
Seara e Shopee.
152 18 de maio de 2026 - jornal propmark
mídia
Open IA, Amazon e Apple estreiam
patrocínio da Copa de 2026 da TV Globo
Com 25 marcas, emissora realizou sua coletiva de imprensa
no dia 14 apresentando plano de comunicação para o evento
Bruna Magatti
Na quinta-feira (14) a TV Globo apresentou
seu plano de comunicação
para a Copa do Mundo 2026. Moderado
por Fábio Porchat, o encontro
anunciou 25 marcas patrocinadoras para
a transmissão (Ambev, Itaú, Unilever,
Caoa, Amazon, XP, BYD, Grupo Petrópolis,
Superbet, Apple, Coca-Cola, McCain,
Havan, Betano, BETMGM, Ademicon, Zé
Delivery, STIHL, OpenAI, Localiza, Medley,
Suvinil, Caixa, JBS e Claro).
Durante a coletiva de imprensa,
o time escalado para as mais de mil
horas de programação foi apresentado:
Everaldo Marques comandará as
transmissões dos jogos da seleção
brasileira, além dos comentaristas Denílson,
Cristiane Rozeira, Júnior e Ana
Thaís Matos. A cobertura também será
feita pelos repórteres Carlos Gil, Débora
Gares, Felipe Brisolla, Kiko Menezes
e Pedro Bassan. Já Alex Escobar, Karine
Alves e Duda Dalponte participarão
das entradas ao vivo para TV Globo e
Sportv. “Apesar de ter ficado mexido
com a saída de Luís Roberto, que está
cuidando da saúde e não participará, é
uma oportunidade que estou agarrando
e venho recebendo muito carinho
do público”, diz Marques.
Para a cobertura internacional, estarão
os narradores Gustavo Villani e
Renata Silveira. No Brasil, Vinicius Rodrigues
e Rogério Corrêa vão comandar
transmissões direto dos estúdios. Já
Paulo Andrade trabalhará em esquema
híbrido entre TV Globo e Sportv na fase
de grupos, seguindo depois para a América
do Norte nas etapas eliminatórias.
No time de comentaristas, Caio Ribeiro
e Roger Flores estarão presentes
nos países-sede, enquanto Alline
Calandrini, Richarlyson e Rafinha atuarão
do Brasil, este último também em
formato híbrido entre TV Globo e Sportv.
A emissora também anunciou uma
nova tecnologia de ‘baixa latência’
para as transmissões no Globoplay,
com o objetivo de diminuir o delay
para o espectador.
A coletiva marcou o anúncio do time de jornalistas e comentaristas que vão participar das mais de mil horas de transmissão
A cobertura traz ecossistema com TV aberta, digital, streaming, redes sociais e creators
Ge TV
A Ge TV transmitirá 32 jogos pelo
Globoplay, em sua primeira cobertura
para o evento. A proposta é adotar
uma linguagem mais descontraída,
sem abrir mão da informação. Mariana
Spinelli, Sofia Miranda, Bruno Formiga
e Fred Bruno estarão nos países-
-sede, enquanto Jorge Iggor, Luana
Maluf, Jordana Araújo, André Balada e
Rodrigo Capita participarão da cobertura
no Brasil.
O Globoplay
contará com nova
tecnologia para
diminuir delay
Manoella Mello/Divulgação Globo
Uma novidade da Ge TV será o
programa ‘Radar da seleção’, exibido
durante o torneio, exceto nos dias de
jogos do Brasil. O formato trará debates
e resenhas, além dos destaques
da competição. O braço terá ainda
uma parceria com a Play9 para compor
time de influenciadores, e o Globo
Pop trará os cortes dos conteúdos
em tempo real.
“O assunto da Copa do Mundo
estará presente em praticamente
nossa programação inteira neste
período. É o maior ecossistema que
já estruturamos para este evento,
além da nossa programação digital,
que nesta edição traz a parceria
com a Play9 para agregar um time
de influenciadores aqui e nos Estados
Unidos. Com isso, temos a oportunidade
de explorar vários formatos
comerciais”, conta Cadu Ventura,
diretor de excelência em vendas da
TV Globo.
ATiVAções de mArkeTinG
A TV Globo também prepara a ‘Arena
Globo’, realizada no Parque do Ibirapuera,
com experiências e ativações,
e loja com produtos licenciados.
154 18 de maio de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
Anvisa vs. Ypê – o
ringue das reputações
Flavio ferrari
briga, não há vencedores. Há os
que perdem mais e há os que perdem
“Numa
menos.”
Fiquei surpreso com a reação inicial da maioria
dos consumidores da Ypê nas redes sociais, quando
a Anvisa divulgou o resultado de sua inspeção e
suspendeu a fabricação e a distribuição de um lote
de produtos da marca, ordenando seu recolhimento
(em 7/5/26).
Cerca de 80% das manifestações foram em defesa
da marca e 40% delas afirmaram tratar-se de
uma decisão política (não técnica), como revelou
uma sondagem preliminar realizada pela SocialData,
utilizando a IA Grok.
A afirmação “confio mais na Ypê do que na Anvisa”
foi recorrente.
Ilações políticas à parte, essa reação confirma a
importância da reputação como ativo de uma marca,
principalmente em momentos de crise.
A Ypê ganhou o primeiro “round” da disputa reputacional.
A atitude defensiva de seu stakeholder principal
(o consumidor) ofereceu à Ypê o tempo necessário
para planejar e executar medidas para a contenção
da crise, controlando a narrativa.
Se a empresa reagiu bem ou não, é outra questão.
Mas uma lição importante que esse episódio nos
deixa é a de que nesse tipo de disputa não há vencedores
absolutos.
Uma análise da reputação digital antecipativa
das marcas (RDA SocialData, em 12/5/26) indicou
que, antes desse episódio, o IRD (índice de Reputação
Digital) da Ypê era claramente superior ao da
Anvisa.
Nesta análise foram consideradas algumas dimensões:
Governança; Ética; Transparência, Qualidade
de produtos; Serviços; Atendimento, Influência;
Presença na mídia; Reconhecimento público, Apreço;
Simpatia; e Conexão emocional e confiança.
A pontuação média da Ypê, antes da crise, era de
8,1, contra 6,7 da Anvisa (referendando a afirmação
dos consumidores).
Cinco dias após a repercussão da decisão da Anvisa
e da reação inicial da Ypê, a reputação de ambas
as organizações havia sido impactada negativamente
(–1,3 pontos da Ypê contra –0,6 da Anvisa).
Ypê, embora mantendo-se firme nas dimensões
de Reconhecimento e Conexão Emocional, perdeu
pontos em Transparência e Atendimento, comprometendo
a Confiança. A Anvisa foi afetada pela politização
do caso em sua dimensão mais vulnerável
- Apreço; Simpatia; e Conexão Emocional -, com perdas
menores em outras dimensões.
O episódio revelou uma assimetria de natureza
do risco: a Ypê tem vulnerabilidade operacional com
potencial de reparo (qualidade pode ser restaurada);
a Anvisa tem vulnerabilidade institucional de
natureza política, cujo prazo de recuperação é incerto
e cuja solução não está nas mãos do próprio
órgão. Esse é, talvez, o achado mais importante da
análise estendida.
A Ypê poderia haver priorizado o atendimento
aos consumidores e sido mais transparente em suas
respostas iniciais.
A Anvisa poderia ter atenuado a percepção do
viés político, oferecendo maior protagonismo inicial
ao Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo
— ligado ao governo de Tarcísio de Freitas (um aliado
político de Bolsonaro), que participou da inspeção e
decisão.
O desenrolar dos acontecimentos trará novos ensinamentos.
Flavio Ferrari
é fundador do hub SocialData e
professor de análise estratégica de
cenários futuros da ESPM
flavio.ferrari@unit34.com.br
“Nesse tipo
de disputa não
há vencedores
absolutos”
jornal propmark - 18 de maio de 2026 155
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Desafio da cena urbana requer cuidado
do outdoor com a mídia regenerativa
Ideia é fazer com que o meio possa avançar a fronteira da publicidade
e oferecer uma contribuição concreta para as grandes cidades
Fotos: Alê Oliveira e Magnific
O executivo Halisson Pontarola, presidente da Central de Outdoor, afirma que há caminhos para equilibrar ordenamento urbano, inovação e desenvolvimento econômico
Paulo Macedo
O
desafio permanece desde que a
Lei Cidade Limpa foi sancionada
em São Paulo pelo então prefeito
Gilberto Kassab, em 2007. A ideia de
trazer para a mídia out of home o compliance
com a paisagem urbana trouxe
tensão, argumentos e conflitos
devido à inércia do segmento em relação
ao avanço tecnológico. Hoje, os
canais desse trade têm uma consciência
azeitada para a questão ambiental
e tratam a questão sem paixão para
estarem conectados com o discurso
da regeneração urbana. No ano passado,
a Central de Outdoor trouxe ao Brasil
Tom Goddard, presidente da World
Out of Home Organization (WOO), para
alinhar essa visão com as lideranças.
“O conceito de mídia regenerativa
parte da ideia de que o OOH pode ir
além da publicidade e contribuir de forma
concreta para melhorar os espaços
urbanos. A diferença para a sustentabilidade
tradicional é justamente essa:
não basta apenas reduzir impactos
negativos, mas gerar impacto positivo
para a cidade”, pondera Halisson Pontarola,
presidente da Central de Outdoor,
que levou Goddard no ano passado ao
IBO (International Billboard Operations)
para mostrar como o mercado brasileiro
está alinhado com o avanço tecnológico
e se tornando referência global
nesse tema.
“No caso da mídia exterior, isso significa
pensar em projetos que ajudem
a qualificar o ambiente urbano, seja
com iluminação, mobiliário, paisagismo,
conservação do entorno ou apoio
a ações culturais e sociais. A lógica é
entender que o OOH já faz parte da
paisagem e da vida urbana, então ele
precisa assumir responsabilidades
sobre como essa cidade é percebida
e vivida pelas pessoas”, diz Pontarola.
Essa responsabilidade deve estar
presente na mídia externa devido à
sua presença maciça na vida das pessoas
nas ruas. Que são públicas, fruto
do pagamento de tributos.
“O OOH faz parte da paisagem urbana
e, consequentemente, também influen-
“O ponto central
não deveria
ser ‘proibir
ou liberar’,
mas construir
critérios”
patrocínio
PATROCINIO OOH_VALE.indd 1 13/05/26 21:10
156 18 de maio de 2026 - jornal propmark
O meio out of home discute globalmente sua convivência harmônica para não agredir a paisagem urbana, mas ser integrante do contexto urbano que vive era de transformação
cia a experiência das pessoas na cidade.
A responsabilidade do setor passa justamente
por ocupar os espaços urbanos
com mais critério, qualidade e respeito
ao entorno. Isso envolve distanciamento
adequado entre peças, conservação
das estruturas, segurança técnica, manutenção
constante e cuidado com patrimônio
histórico e arquitetura local.
Hoje existe uma compreensão muito
maior de que o OOH também precisa
colaborar com a cidade. Um painel bem
planejado pode ajudar na iluminação de
uma região, melhorar a organização visual
de um espaço ou até contribuir com
projetos de revitalização urbana.”
Pontarola esclarece que a exposição
de publicidade nos inventários de
OOH pode conviver com as propostas
de arquitetura e meio ambiente.
“O problema nunca foi a existência
da publicidade em si, mas a ausência
de critérios em alguns momentos da
história das cidades. Hoje existe um
entendimento maior de que qualidade
é mais importante do que quantidade.
Quando existe estudo técnico,
controle de luminosidade, rarefação e
integração estética, a mídia exterior
pode até valorizar determinados espaços
urbanos”, adverte o executivo,
lembrando que a transformação passa
pela cultura do próprio mercado.
“Nos últimos anos, o setor amadureceu
e começou a entender que responsabilidade
urbana também é uma
forma de fortalecer o próprio negócio.
Quando o OOH contribui para cidades
mais organizadas, seguras e visualmente
equilibradas, ele melhora sua
relação com a sociedade, com o poder
público e com os anunciantes. Isso
gera valor para todo o ecossistema.”
O OOH, nas palavras de Pontarola,
pode ocorrer por meio de praças de
convivência, mobiliário urbano, iluminação,
paisagismo, projetos de mobilidade
limpa, intervenções artísticas,
recuperação de fachadas e campanhas
de utilidade pública.
“Em Curitiba, um exemplo é o
‘Projeto Gentileza Urbana – Praça de
Carregamento de Veículos Elétricos’,
vencedor do Prêmio Central 2025 na
categoria Projetos Sustentáveis. A
iniciativa criou um espaço de recarga
para veículos elétricos com energia
solar, tecnologia e design urbano,
pensado também como área de convivência
e integração com a cidade.”
Uma das soluções de comunicação
adaptadas à cena urbana é o
aproveitamento de artistas como a
dupla Os Gêmeos, Nunca e Kobra, que
levam a arte às empenas de prédios.
Pontarola explica: “Quando bem
planejadas, elas podem transformar
fachadas degradadas em elementos
de comunicação visual mais organizados
e até artisticamente relevantes
para a cidade. Mas não existe um único
formato ideal. Mobiliário urbano,
painéis digitais, projetos especiais
e fachadas inteligentes também podem
contribuir bastante, desde que
respeitem os critérios técnicos, arquitetônicos
e urbanísticos. O mais
importante é que o formato esteja
integrado ao contexto urbano e não
seja implantado apenas pela lógica de
ocupação comercial”.
O que ainda pode ser explorado
pelo OOH quando se coloca a tecnologia
a serviço dessa mídia? O presidente
da Central de Outdoor responde:
“O potencial ainda é enorme, o
avanço do DOOH, da programática e
da inteligência de dados abriu possibilidades
muito interessantes para o
setor. Hoje já é possível desenvolver
campanhas dinâmicas, contextualizadas
e conectadas em tempo real ao
comportamento das pessoas. Além
disso, a tecnologia também pode fortalecer
o papel urbano da mídia exterior,
oferecendo informações úteis
sobre trânsito, clima, mobilidade e
serviços públicos.”
Não dá para abrir mão do modelo
anterior, que ainda é predominante
no país, mas exigiu mudança de
atitude. “O OOH tradicional ainda possui
relevância e enorme alcance no
Brasil, o que muda agora é a lógica
de operação do setor. O mercado começa
a migrar de uma visão baseada
apenas em quantidade para uma visão
muito mais focada em qualidade,
curadoria e responsabilidade urbana.
A tendência é que formatos tradicionais
convivam com soluções digitais,
inteligentes e mais integradas ao
ambiente urbano”, detalha Pontarola,
deixando claro que a Lei Cidade Limpa
pode ser aprimorada, já que a Prefeitura
de São Paulo está lançando a Times
Square local.
“O debate mostra que as cidades
precisam encontrar caminhos para
equilibrar o ordenamento urbano, a
inovação e o desenvolvimento econômico.
O ponto central não deveria ser
‘proibir ou liberar’, mas construir critérios
técnicos para determinados tipos
de projeto. Isso inclui curadoria urbana,
limites claros de luminosidade, estudos
de impacto visual, preservação
arquitetônica e contrapartidas.”
jornal propmark - 18 de maio de 2026 157
esg no mkt
Alê Oliveira
60+
O mercado devia dar mais atenção aos
sessentões (e setentões, oitentões...)
Alexis Thuller Pagliarini
E
o nosso propmark consolida sua condição de
60+. Wow! Um veiculo especializado passando
dos 60 não é pra qualquer um. Aliás, um profissional
ativo no nosso meio com mais de 60 é também
algo raro. Como me enquadro nessa categoria
e também estudo o mercado da chamada silver age
(mercado dos maduros), me sinto especialmente
feliz com mais esse marco na história do nosso
propmark.
Na verdade, o mercado devia dar mais atenção
aos sessentões (e setentões, oitentões...). Tenho
lido que os mais velhos podem ocupar um espaço
significativo no campo da IA, por exemplo. Pelo simples
fato de sermos capazes de formular questões
– e avaliar seu output – melhor do que as gerações
Z ou Alpha.
De fato, os mais jovens nasceram habituados
com a facilidade da internet, das respostas rápidas,
mas também com a pouca profundidade de análise.
Formular um prompt mais elaborado e assertivo
exige repertório e capacidade de se aprofundar em
temas coerentes com o briefing.
E isso pode, sim, ser uma habilidade dos mais velhos.
Mas será que o mercado está realmente atento
a isso? Será que teremos mais grisalhos convivendo
com jovens nas agências e nos departamentos de
marketing dos clientes? Mas a reflexão que merece
uma análise mais profunda é como ainda se desdenha
do mercado do 60+. A proporção de brasileiros
com 60 anos ou mais saltou de 11,3% em 2012 para
16,1% em 2024, segundo o IBGE.
Em números absolutos, essa faixa etária cresceu
de 22 milhões para 34,1 milhões de pessoas em 12
anos — um aumento de 53,3%. Para se ter uma ideia
da velocidade dessa transformação, em 2012, quase
metade dos brasileiros tinha menos de 30 anos. Em
2024, esse percentual caiu para 41,9%. A pirâmide
etária se inverte diante dos nossos olhos. E não se
trata apenas de quantidade. A expectativa de vida
do brasileiro chegou a 76,6 anos em 2024, e quem
atinge os 60 anos vive, em média, mais 22,6 anos.
Ou seja, estamos falando de uma geração com décadas
de vida ativa pela frente — e com dinheiro para
gastar. O grupo dos 60+ movimenta anualmente
cerca de R$ 2 trilhões, respondendo por aproximadamente
25% do consumo das famílias brasileiras.
O rendimento médio de quem trabalha nessa faixa
etária é de R$ 3.108 mensais — 14,6% superior à média
geral da população. E mais: o rendimento por
hora dos trabalhadores com 60 anos ou mais chega
a R$ 25,60 — quase o dobro dos R$ 13,30 pagos à faixa
de 14 a 29 anos.
Diante desse cenário, o que faz o marketing brasileiro?
Insiste em ignorar essa realidade. Hoje, 63%
dos negócios têm os millennials como alvo, e, a cada
dez consumidores brasileiros acima de 55 anos, quatro
sentem falta de produtos e serviços voltados
para eles. No Brasil, ainda há um forte estigma social
que impede a priorização do público sênior pelas
marcas, que voltam suas estratégias comerciais
exclusivamente para os consumidores mais jovens,
perdendo oportunidades de atender a um público
com hábitos estabelecidos e bom poder de compra.
O preconceito etário — o etarismo — não é apenas
injusto; é economicamente irracional. Quatro
em cada dez consumidores acima de 55 anos sentem
falta de produtos e serviços voltados para eles,
e 56% dos mais velhos não estão satisfeitos com o
que o mercado oferece em vestuário.
É demanda reprimida à espera de quem tiver a
inteligência de enxergá-la. O perfil do idoso mudou:
hoje ele não fica mais em casa. São ativos, viajam,
namoram, estudam e estão preocupados com a beleza
e com o viver bem.
Ignorá-los não é apenas um erro estratégico —
é tratar como invisível quem financia boa parte da
economia do país. Fica então a dica ao nosso sessentão
propmark: vamos abrir mais pautas para esse
importante segmento. E que venham muitos mais
anos de relevância para o propmark!
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
158 18 de maio de 2026 - jornal propmark
inspiração
A mulher que me ensinou a não...
Minha mãe não desmoronou. Seguiu carregando os mesmos valores
que os dois cultivaram juntos, sem cerimônia, sem manual
Fernanda Kubiack
Especial para o propmark
Quando me perguntam quem me inspira, a
resposta que vem não é a que as pessoas esperam.
Não é uma CEO conhecida, não é uma
executiva de capa de revista, não é nenhuma figura
do mercado que eu admire de longe. A resposta que
vem é uma mulher que nunca deu palestra, nunca
publicou um artigo, nunca sentou num painel sobre
liderança feminina. É a minha mãe.
Mas para chegar até ela, preciso passar pelo meu
pai. Ele morreu aos 50 anos. Ataque fulminante, sem
aviso, sem explicação que fizesse sentido até hoje.
Deixou quatro mulheres debaixo do mesmo teto: minha
mãe, eu e mais duas irmãs. Mas deixou também
algo que ele havia construído durante toda a vida: a
certeza de que a gente precisava saber se virar. Sejam
fortes. Sejam independentes. Não se vitimizem. Não
criem situações confortáveis demais para não precisar
crescer. Ele nunca disse isso como discurso de
formatura. Foi nas atitudes, dia após dia.
O que poderia ter virado tragédia, e sentimentalmente
foi, virou estrutura. Minha mãe não desmoronou.
Seguiu carregando os mesmos valores que os dois
cultivaram juntos, sem cerimônia, sem manual. Foi ela
quem nos ensinou a nos organizar, a falar com clareza,
a atravessar a turbulência sem perder o rumo. E foi o
que nos tornamos.
As três irmãs que saíram dessa casa são líderes.
Cada uma no seu campo, cada uma com seu jeito. O
que temos em comum não é a carreira, nem a sorte.
É o repertório: você não precisa de permissão para
ocupar espaço. Você não precisa de aval para ser o
que você já é.
Eu penso nisso com frequência quando estou dentro
do mercado de publicidade.
Porque o mercado ainda pede permissão a nós. Não de forma explícita, isso seria
mais simples de combater. Ele pede de formas sutis e contínuas. Pede quando
interrompe uma mulher no meio de uma reunião e ninguém ao redor pisca. Pede
quando alguém resume o que ela acabou de dizer, como se a fala original precisasse
de uma versão mais palatável. Pede quando um argumento técnico é recebido
como sintoma emocional: ela está estressada, deve ser hormônio, ela leva as
coisas muito a sério. Pede quando uma decisão tomada por uma mulher precisa
circular por mais uma camada de validação antes de virar real.
Esse pedido de aval é silencioso e não para.
Quando fundei a Be Nice, uma das primeiras coisas que fiz, antes de ter cliente,
antes de ter receita consistente, foi construir a estrutura que transfere seriedade
a uma empresa. Contabilidade, jurídico, contratos, processos, inscrição
nos sindicatos do mercado, metodologia própria, identidade visual, cultura. Não
porque alguém pediu. Porque eu sabia que uma agência que quer ser levada a
sério precisa se comportar como uma agência séria desde o primeiro dia. Sem
esperar. Sem pedir licença.
Meus dois sócios reconheceram que eu era a profissional mais apta para construir
isso. Não precisei disputar o espaço. Mas eu sei que essa não é a realidade
da maioria. Sei que há mulheres competentes sendo gerenciadas por homens que
sabem menos. Sei que há ideias boas sendo creditadas a quem não as teve. Sei
que há lideranças de vitrine, aquelas em que o cargo existe, mas a autonomia não
acompanha o título.
O que meus pais me deram foi a ausência desse filtro interno que nos faz hesitar
antes de agir. Esse filtro que sussurra: será que posso? Será que vão me deixar?
Será que estou pronta? Cresci aprendendo a identificá-lo e desmontá-lo antes que
ele travasse qualquer movimento.
Inspiração, pra mim, não é admirar alguém de longe. É carregar um aprendizado
que muda a forma como você age quando ninguém está olhando. É o que te faz
entrar numa sala sem pedir licença, sentar na cadeira que é sua e falar sem esperar
a vez que nunca vai ser oferecida.
Minha mãe nunca precisou de aval. E foi exatamente isso que ela passou para
frente, sem discurso, sem post no LinkedIn.
Em 61 anos de propmark, o mercado de publicidade mudou em quase tudo. O
que ainda precisa se reinventar é a forma como lida com quem chegou, construiu,
entregou e ainda assim precisa provar. Uma ideia boa não tem gênero. Uma decisão
firme não precisa de segunda assinatura. E liderança feminina não é pauta de
data comemorativa.
É estrutura. É o que se constrói quando alguém, em algum momento da sua
formação, te olha nos olhos e diz, sem rodeios, sem floreios, sem condições:
Toca ficha.
Essa frase é da minha mãe e está tatuada no pulso da minha irmã.
Fernanda Kubiack é sócia-fundadora e diretora de operações e atendimento
da Be Nice, agência de comunicação e branding com sede em Porto Alegre/RS
Fotos: Arquivo Pessoal
jornal propmark - 18 de maio de 2026 159
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Jornal propmark
celebra 61 anos
A história desse veículo pioneiro na cobertura jornalística
especializada do mercado de propaganda,
marketing e mídia no Brasil começou com a
coluna ‘Asteriscos’, assinada por Armando Ferrentini
no jornal paulistano Diário Popular, evoluindo
com o passar dos anos para Caderno Propaganda
& Marketing, e hoje é a consagrada publicação
propmark, sob o comando do executivo Tiago Ferrentini.
O jornal foi o primeiro representante da
imprensa brasileira a cobrir o principal evento do
mercado da comunicação mundial, o Festival Internacional
de Criatividade Cannes Lions, o que ocorre
ininterruptamente desde 1971. Além do fundador
Armando Ferrentini e do publisher Tiago Ferrentini,
a seleção do propmark conta com os profissionais
Kelly Dores (editora-chefe), Janaina Langsdorff e
Paulo Macedo (editores), Alê Oliveira (editor de
fotografia), Bruna Magatti (editora-assistente),
Bruna Nunes e Vítor Kadooka (repórteres), José
Carlos Boanerges (revisor) e Lucas Bocatto (editor
de arte), além da gerente de contas, Mel Floriano.
Armando Ferrentini, fundador do propmark
Fotos: Alê Oliveira
O propmark é liderado pelo publisher Tiago Ferrentini
Armando com sua mulher Clarice Ferrentini
Time do jornal na sede do propmark, localizada no bairro do Cambuci, em São Paulo
Tiago Ferrentini com a equipe de redação no espaço gráfico da Editora Referência
160 18 de maio de 2026 - jornal propmark
seleção propmark
Nome: Tiago Ferrentini
Cargo: publisher
Nome: Kelly Dores
Cargo: editora-chefe
Nome: Mel Floriano
Cargo: gerente de contas
Nome: Paulo Macedo
Cargo: editor
Nome: Janaina Langsdorff
Cargo: editora
Nome: Bruna Magatti
Cargo: editora-assistente
Nome: Bruna Nunes
Cargo: repórter
Nome: Vítor Kadooka
Cargo: repórter
Nome: José Carlos Boanerges
Cargo: revisor
Nome: Lucas Boccatto
Cargo: editor de arte
Nome: Alê Oliveira
Cargo: editor de fotografia
jornal propmark - 18 de maio de 2026 161
última página
Alê Oliveira
Minha primeira
polêmica por aqui
Stalimir Vieira
Há 50 anos, quando eu ainda engatinhava em
propaganda, perambulando entre pequenas
agências gaúchas, recebi uma proposta de
sociedade. Foi de um camarada, digamos, invisível
para os publicitários que se achavam estrelas.
Seu nome é ou era (nunca mais soube dele) Pedro
Oliveira. O nome da agência era Só Propaganda. Por
isso, eu, imediatamente, passei a tratá-lo de Pedrinho
Só.
A sede era numa salinha, de um prédio decadente,
numa rua de comércio popular, onde pairava um
permanente cheiro de pastel frito, acompanhado
pela gritaria dos camelôs.
Mas eu estava empolgado, pois iria assumir a
“direção” de criação da casa. Isso implicava liderar
um velho artefinalista, encostado por ali havia anos,
e, vez ou outra, um boxeador aposentado, que sabia
desenhar e vinha fazer um frila.
Bem, o fato é que, com o passar dos dias, percebi
que não havia clientes para qualquer proposta criativa,
a única coisa que me interessara, ao aceitar o
convite.
Deixei, então, a freguesia a cargo do artefinalista
e do boxeador-desenhista, e comecei a pesquisar
possibilidades para ganharmos alguma projeção.
E fiquei sabendo de uma entidade, que reunia algumas
poucas agências, pequenas, mas com a ambição
de conquistar mais associados.
O nome era Cedampa (Centro de Apoio a Médias e
Pequenas Agências), que queria ser uma espécie de
Abap dos menos favorecidos.
Havia uma queixa recorrente de que, nas licitações
de contas públicas do governo federal, as
escolhas sempre se limitavam ao topo do ranking,
concentrado em São Paulo e no Rio de Janeiro. Imediatamente,
propus ao Pedrinho Só que nos associássemos
à entidade, mas não apenas isso. Que
fundássemos, também, o capítulo do Rio Grande
do Sul e, ainda, que nos oferecêssemos como agência-voluntária
para criar uma campanha para a tal
Cedampa.
Ele concordou. Não lembro se nos associamos,
não lembro de termos fundado capítulo nenhum,
mas lembro que fiz uma campanha que, naturalmente,
não veiculou em parte alguma. Aliás, em apenas
um veículo: o Caderno de Propaganda & Marketing.
Não como anúncios, mas como carta de leitor,
ilustrada. Sim, antecipando uma prática que se tornaria
corriqueira em Cannes, peguei aqueles fantasmas,
fiz umas fotocópias horrorosas, juntei num
envelope, escrevi uma carta, e mandei para o jornal.
Era uma campanha ousada, que desafiava as
grandes agências, o governo e a própria Abap, pela
discriminação com as pequenas e médias.
O Armando Ferrentini podia ter jogado tudo aquilo
no lixo, inclusive até porque contrariava os interesses
comerciais do Caderno, sem falar da precariedade
daquelas reproduções.
Mas o seu espírito de jornalista falou mais alto,
e ele publicou, como parte de seu editorial, um dos
anúncios, como se se tratasse, de fato, de uma campanha,
iniciativa de uma pequena agência de Porto
Alegre.
Emendava o comentário de que reconhecia o
valor criativo do trabalho, embora discordasse totalmente
do teor da campanha. E, ainda, fez uma gozação
no final: xerox não é o forte da Só Propaganda.
Esse foi o embrião da minha relação com o Armando
e com o hoje propmark.
Cerca de dez anos depois, eu assinava o meu primeiro
artigo no jornal, num espaço chamado ‘Entre
aspas’. Não menos polêmico, claro.
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
“Armando Ferrentini
podia ter jogado
tudo aquilo no lixo.
Mas o seu espírito
de jornalista
falou mais alto”
162 18 de maio de 2026 - jornal propmark
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