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Revista Analytica Ed. 142 - Maio 2026

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Genie, após adquiri-la da Scientific Industries – os fabricantes do icônico Vortex-Genie,

juntamente com homogeneizadores de esferas, disruptores celulares, rotadores e agitadores, e

incubadoras rotativas. Essa expansão estratégica amplia significativamente as capacidades

em preparação de amostras e amplia a variedade de produtos disponíveis.

Isso significa um portfólio OHAUS mais completo, uma vasta e abrangente gama de

acessórios para otimizar o desempenho e a utilidade dos equipamentos, suporte técnico

contínuo, garantia e peças de reposição, além de um fluxo de trabalho mais suave e

eficiente com soluções integradas projetadas para oferecer suporte a cada etapa do

processo de preparação de amostras – desde o manuseio e pesagem precisa à análise confiável.

Os equipamentos Genie são projetados para uso contínuo e ininterrupto, minimizando o

risco de falhas durantes as pesquisas vitais e reduzindo seu Custo Total de

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garantindo tempo mínimo de inatividade e mantendo seu laboratório funcionando

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‣ Farmacêuticas e biofarmacêuticas

‣ Laboratórios de pesquisas acadêmicas

‣ Diagnósticos hospitalares e clínicos

‣ Ciências da vida (DNA/RNA, proteômica, biologia molecular)

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Desde a mistura diária até a homogeneização exigente – o Genie apoia todos os fluxos de trabalho.


EDITORIAL

Revista

Ano 24 - Edição 142 - Maio 2026

A ciência analítica atravessa um momento

particularmente estratégico. Em diferentes segmentos

industriais, laboratoriais e regulatórios,

cresce a pressão por métodos mais robustos,

decisões mais rápidas e resultados capazes de

sustentar inovação, segurança e competitividade.

Ao mesmo tempo, novas demandas ambientais,

desafios regulatórios mais complexos e a

incorporação acelerada de inteligência artificial,

automação e plataformas avançadas de caracterização

transformam a dinâmica dos laboratórios

e ampliam o protagonismo da química analítica,

da espectrometria de massas, da cromatografia

e das ciências de materiais.

Essa transformação aparece de forma clara na

edição 142 da Revista Analytica.

Abrimos esta edição com dois trabalhos científicos

que reforçam a amplitude e a capacidade

transversal da análise instrumental aplicada

a diferentes setores produtivos. O primeiro

artigo aborda a análise estereomicroscópica de

minerais e tecidos de filtragem, correlacionando

variabilidade mineralógica, desempenho operacional

e aplicações geometalúrgicas no beneficiamento

mineral. O estudo demonstra como

ferramentas de caracterização rápida podem

ampliar a compreensão sobre comportamento

mineralógico, eficiência de filtragem e tomada

de decisão em processos industriais cada vez

mais complexos.

Na sequência, apresentamos um estudo sobre

o potencial do chuchu como matéria-prima

para produção de bioplástico sustentável. O

trabalho discute a extração e caracterização

do amido da biomassa vegetal, avaliando

propriedades físico-químicas, biodegradação

e viabilidade de aplicação em materiais alternativos

aos polímeros derivados do petróleo. O

tema reforça o avanço das pesquisas voltadas

à bioeconomia, aos materiais renováveis e ao

desenvolvimento de soluções alinhadas às

demandas ambientais contemporâneas.

A matéria de capa desta edição destaca o

movimento estratégico da Perfecta com a

ampliação da atuação da NEST Biotechnology

no Brasil. O conteúdo apresenta os impactos

dessa expansão para os segmentos de biotecnologia,

diagnóstico, pesquisa aplicada e indústria

farmacêutica, além do avanço da empresa em

soluções voltadas a drug delivery, dispositivos

médicos e canetas injetoras certificadas para

aplicações terapêuticas complexas. O cenário

evidencia o fortalecimento regional das cadeias

ligadas a cultivo celular, consumíveis laboratoriais,

desenvolvimento farmacêutico e tecnologias

aplicadas à saúde.

A edição também aborda temas técnicos e regulatórios

de elevada relevância para o setor analítico.

Em “FDA publica novo draft guidance para

especificações de impurezas em antibióticos”,

discutimos os novos direcionamentos regulatórios

relacionados à caracterização de impurezas,

robustez metodológica e estratégias analíticas

aplicadas a moléculas complexas obtidas por

fermentação e processos semissintéticos.

Em “O inimigo invisível: como as nitrosaminas

estão redefinindo a segurança dos medicamentos”,

analisamos a transformação regulatória e

científica provocada pelas nitrosaminas, além

do papel central da cromatografia líquida e da

espectrometria de massas no monitoramento

dessas impurezas em níveis traço.

Os avanços instrumentais também ganham

espaço nesta edição. O artigo “Fenômeno

RASER amplia limites da resolução espectral em

RMN” explora uma das evoluções recentes mais

relevantes da ressonância magnética nuclear,

enquanto “Proteômica tumoral baseada em

espectrometria de massas na oncologia translacional”

discute aplicações analíticas avançadas

na caracterização molecular tumoral e no desenvolvimento

de biomarcadores.

A espectrometria de massas aparece novamente

em “A caneta do câncer além da cirurgia: a espectrometria

de massas no momento da decisão”,

texto que amplia a discussão sobre análises em

tempo real, ionização ambiente e integração

entre geração de dados analíticos e tomada de

decisão clínica.

Esta edição também reúne conteúdos voltados

à eficiência industrial e ao desenvolvimento analítico.

Em “Eficiência analítica e sustentabilidade

otimizam o P&D farmacêutico”, discutimos a

integração entre PAT, inteligência artificial, Green

Analytical Chemistry e estratégias analíticas

Carlos Eduardo R. Costa - Editor Chefe

modernas aplicadas à indústria farmacêutica.

Já o artigo “Estratégias Analíticas Aplicadas ao

Controle de CIP para Otimização de Custos e

Eficiência Industrial em Laticínios” aborda o uso

de indicadores químicos, microbiológicos e

operacionais para aprimorar processos de higienização

industrial.

Os fundamentos cromatográficos aparecem em

“pH, pKa, pKb e pI na Cromatografia Líquida, Fundamentos

e Aplicações”, enquanto “Validação de

Métodos de SPE para Conformidade Regulatória”

reforça a importância da robustez analítica e da

validação metodológica em técnicas de preparo

de amostras.

A edição ainda traz reflexões importantes sobre

logística sanitária, reorganizações estratégicas

no mercado global de instrumentação analítica

e desafios ambientais relacionados à presença

de poluentes farmacêuticos na água.

Agradecemos aos leitores, parceiros, clientes,

articulistas, pesquisadores e colaboradores que

seguem fortalecendo a Revista Analytica como

espaço técnico de atualização, debate e disseminação

científica.

Boa leitura.

Carlos Eduardo R. Costa

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS | MEIO AMBIENTE | BIOTECNOLOGIA | LIFE SCIENCE

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

Para novidades na área de instrumentação analítica, controle de qualidade e pesquisa, acessem nossas redes sociais:

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EXPEDIENTE

Realização: Futurlab

Editor Responsável: Carlos Eduardo R. Costa | redacaoanalytica@futurlab.com.br

Assinaturas: Daniela Faria (11) 98357-9843 | assinatura@futurlab.com.br

Comercial: Joao Domingues (11) 98357-9852 | comercial@futurlab.com.br

Comercial: Daniele Nogueira (11) 98140-8900 | comercial3@futurlab.com.br

Coordenação de Arte: FC DESIGN - contato@fcdesign.com.br

Impressão: Gráfica Printi | Periodicidade: Bimestral


ÍNDICE

Revista

Ano 24 - Edição 142 - Maio 2026

28 ARTIGO

08

CIENTÍFICO I

ANÁLISE ESTEREOMICROSCÓPICA

DE MINERAIS E TECIDOS DE

FILTRAGEM: CORRELAÇÕES

MINERALÓGICAS COM A

PERFORMANCE E APLICAÇÕES

GEOMETALÚRGICAS

Autores: Maria Raquel de Lima Barbosa, Pedro

Mendes dos Santos, Ana Maria Guilherme Bailon,

Verner da Silva Moraes, Edmar Geraldo dos

Santos, Luiz Henrique Tequila Coelho.

MATÉRIA DE CAPA

DRUG DELIVERY EM

ESCALA GLOBAL:

COMO A NEST BIOTECHNOLOGY

AMPLIA O AVANÇO DOS DISPOSITIVOS

DE AUTOADMINISTRAÇÃO NO BRASIL

16

ARTIGO CIENTÍFICO II

POTENCIAL DO CHUCHU

COMO MATÉRIA-PRIMA

PARA PRODUÇÃO DE

BIOPLÁSTICO SUSTENTÁVEL

Autoras: Esther Hadassa Correa; Fernanda Santos

de Oliveira; Gabriela Almeida Silva Santos; Daniela

Santos Silva; Verônica Cristina Pêgo Fiebig.

01 - Editorial

05 - Agenda

06 - Publique na Analytica

34 - Blog dos Cientistas

39 - Espectrometria de Massas

50 - HPLC Insights

55 - Indústria de Alimentos – Processos e Desafios

61 - Logística e Inteligência Artificial na Saúde

64 - Química e Meio Ambiente

66 - Radar Ciêntifico I

71 - Radar Ciêntifico II

76 - Técnicas Gerais de Laboratório

78 - Tendência Regulatória

82 - Em Foco

44

ESPECIAL - MERCADO &

TECNOLOGIA

REORGANIZAÇÕES ESTRATÉGICAS

E NOVAS TECNOLOGIAS

MOVIMENTAM O MERCADO

ANALÍTICO GLOBAL

58

P&D ANALÍTICO E

FARMACOTÉCNICO

EFICIÊNCIA ANALÍTICA E

SUSTENTABILIDADE OTIMIZAM O

P&D FARMACÊUTICO

Autor: Editorial Analytica.

Autor: Carlos Eduardo Rodrigues Costa.



Revista

Ano 24 - Edição 142 - Maio 2026

ÍNDICE REMISSIVO DE ANUNCIANTES

ordem alfabética

Anunciante pág. Anunciante pág.

ALFA 07

GREINER 21

BCQ

4ª CAPA

NOVA ANALITICA 37

CRAL 27

OHAUS

2ª / 3ª CAPA

FCE PHARMA 49

FUTURE PHARMA 43

TERATEC 02

VEOLIA 15

Esta publicação é dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores:

FARMACÊUTICO | ALIMENTÍCIO | QUÍMICO | MINERAÇÃO | AMBIENTAL | COSMÉTICO | PETROQUÍMICO | TINTAS | MEIO AMBIANTE | LIFE SCIENCE

Os artigos assinados sâo de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente a opinião da Editora.

4

Revista Analytica | Maio 2026

Conselho Editorial

Carla Utecher, Pesquisadora Científica e chefe da seção de controle Microbiológico do serviço de controle de Qualidade do I.Butantan - Chefia Gonçalvez Mothé, Prof ª Titular da Escola de Química da Escola de

Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQ-USP - Fernando Mauro Lanças, Profª. Titular da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA)

do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA / Unicamp - Marcos E berlin, Profª de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional

de Especteometria de Massas - Margarete Okazaki, Pesquisadora Cientifica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de

Medeiros, Profª. Depto. de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Maria Tavares, Profª do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes Pesquisadora titular em Saúde Pública do INCQS

da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldinho Dantas, Diretor Presidente de OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness.

Colaboraram nesta Edição:

Maria Mayara Saraiva de Sousa, Maurício Ferreira da Rosa, Junior Romeo Deoti, Daniele Fernanda de Oliveira Rocha, Rogerio Aparecido Machado, Ingrid Ferreira Costa.


agenda

FCE PHARMA 2026

Data:1 a 3 de junho de 2026

Local: São Paulo, SP (São Paulo Expo)

Mais Informações: fcepharma.com.br

FCE COSMETIQUE 2026

Data:1 a 3 de junho de 2026

Local: São Paulo, SP (São Paulo Expo)

Mais Informações: fcecosmetique.com.br

REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA (SBQ) 2026

Data:15 a 18 de junho de 2026

Local: Campinas, SP

Mais Informações: www.sbq.org.br/49ra/

CONGRESSO CONSULFARMA 2026

Data: 2 a 4 de julho de 2026

Local: Distrito Anhembi, São Paulo (SP)

Mais Informações: congresso.consulfarma.com

COBEQ-IC 2026, CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA QUÍMICA

Data: 27 a 30 de julho de2026

Local: Faculdade de Engenharia Química UNICAMP, Campinas (SP)

Mais informações: eventos.galoa.com.br/cobeq-ic-2026

COBBIND 2026 – II CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOTECNOLOGIA INDUSTRIAL

Data: 6 a 19 de agosto de 2026

Local: Campos do Jordão, SP

Mais Informações: cobbind.com.br

65º CONGRESSO BRASILEIRO DE QUÍMICA (CBQ 2026)

Data: 10 a 13 de novembro de 2026

Local: Nova Petrópolis (RS)

Mais informações: www.abq.org.br/cbq/

26º CBECIMAT, CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS

Data: 22 a 26 de novembro de 2026

Local: Costão do Santinho, Florianópolis (SC)

Mais informações: www.cbecimat.com.br

Revista Analytica | Maio 2026

5


Revista

Ano 24 - Edição 142 - Maio 2026

PUBLIQUE NA ANALYTICA

Normas de publicação

A Revista Analytica, em busca de novidades em divulgação científica, disponibiliza abaixo as normas

para publicação de artigos aos autores interessados.

Bimestralmente, a Revista Analytica publica

editoriais, artigos originais, revisões, casos

educacionais, resumos de teses etc. Os editores

levarão em consideração para publicação toda

e qualquer contribuição que possua correlação

com as análises industriais, instrumentação e o

controle de qualidade.

Os manuscritos deverão ser escritos em

português (ortografia oficial), com Abstract

detalhado em inglês. O Resumo e o

Abstract deverão conter as palavras-chave

e keywords, respectivamente.

Todas as fotos, ilustrações, gráficos, desenhos

e fórmulas que comporem o artigo, devem ser

enviados separadamente, em alta resolução

e com os devidos créditos, para uma perfeita

reprodução. Todas deverão estar devidamente

identificadas e com a indicação no texto de

onde deverão ser colocadas.

Os trabalhos deverão ser enviados por e-mail,

ordenados em título, nome e sobrenomes

completos dos autores e nome da instituição

onde o estudo foi realizado. Além disso, o

nome do autor correspondente, com endereço

completo, telefone e e-mail. Seguidos por

Resumo, Palavras-chave, Abstract, Keywords,

Introdução, Materiais e Métodos, Parte

Experimental, Resultados, Discussão, Conclusão,

Agradecimentos e Referências bibliográficas.

As referências deverão constar no texto de

acordo com as normas ABNT.

Evite utilizar abstracts como referências.

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analisadas pelo comitê editorial. Os autores

deverão informar todo e qualquer conflito

de interesse existente, em particular aqueles

de natureza financeira relativo a companhias

interessadas ou envolvidas em produtos ou

processos que estejam relacionados com a

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Após a aprovação do artigo, os autores

deverão preencher e assinar o termo de

compromisso enviado pela redação, atestando

a originalidade do artigo, bem como a

participação de todos os envolvidos.

Observação: É importante frisar que a Revista Analytica não informa a previsão sobre quando o artigo será publicado. Isso se deve ao fato

que, tendo em vista a revista também possuir um perfil comercial – além do técnico cientifico -, a decisão sobre a publicação dos artigos pesa

nesse sentido. Além disso, por questões estratégicas, a revista é bimestral, o que incorre a possibilidade de menos artigos serem publicados –

levando em conta uma média de três artigos por edição. Por esse motivo, não exigimos artigos inéditos – dando a liberdade para os autores

disponibilizarem seu material em outras publicações.

6

Revista Analytica | Maio 2026

ENVIE SEU TRABALHO

Carlos Eduardo R. Costa – Redação

redacaoanalytica@futurlab.com.br

CASO PRECISE DE INFORMAÇÕES ADICIONAIS, ENVIE UM E-MAIL PARA A REDAÇÃO.



Artigo 1

ANÁLISE ESTEREOMICROSCÓPICA DE MINERAIS

E TECIDOS DE FILTRAGEM: CORRELAÇÕES

MINERALÓGICAS COM A PERFORMANCE E

APLICAÇÕES GEOMETALÚRGICAS

STEREOMICROSCOPIC ANALYSIS OF MINERALS AND FILTRATION

FABRICS: MINERALOGICAL CORRELATIONS WITH PERFORMANCE AND

GEOMETALLURGICAL APPLICATIONS

Autores:

Maria Raquel de Lima Barbosa1

Pedro Mendes dos Santos2

Ana Maria Guilherme Bailon3

Verner da Silva Moraes⁴

Edmar Geraldo dos Santos⁵

Luiz Henrique Tequila Coelho⁶

1Engenheira de Produção, Técnica de Processo de Laboratório Pleno, Laboratório

de Desenvolvimento de Processo, Samarco Mineração, Mariana, Minas Gerais.

2 Bacharel em Administração, Supervisor Laboratórios, Samarco Mineração,

Mariana, Minas Gerais.

3Engenheira Metalúrgica, Engenheira Especialista, Samarco Mineração,

Anchieta, ES.

⁴ Técnico em Metalurgia, Laboratorista Físico Metalúrgico Pleno, Laboratório de

Desenvolvimento de Processo, Samarco Mineração, Mariana, Minas Gerais

⁵Técnica em Metalurgia e Química, Técnica de Processo de Laboratório Pleno,

Laboratório de Desenvolvimento de Processo, Samarco Mineração, Mariana,

Minas Gerais.

⁶Engenheiro Geólogo, Consultor de Mineralogia, Teqbet, Belo Horizonte,

Minas Gerais.

8

Revista Analytica | Maio 2026

Resumo

Este trabalho tem como

objetivo avaliar a variabilidade

mineralógica

presente nas rochas da

Samarco Mineração por

meio do uso do estereomicroscópio,

correlacionando

essa variabilidade

com a performance

do material durante o

processo de beneficiamento

mineral. Sendo

um equipamento capaz

de analisar minerais

opacos, translúcidos e

transparentes, o Laboratório

de Desenvolvimento

de Processo (LDP) de

Germano expandiu sua

aplicação para além da

caracterização mineralógica,

investigando

também os tecidos de

filtragem. A análise

busca compreender o

desempenho desses

tecidos, identificando

níveis de obstrução,

suas causas e a tipologia

mineralógica associada,

visando otimizar o processo

de filtragem e a

eficiência operacional.


Palavras-chave: Variabilidade

Mineralógica;

Desempenho de Filtragem;

Beneficiamento Mineral;

Eficiência Operacional.

Abstract

This study aims to evaluate

the mineralogical variability

present in the rocks

of Samarco Mineração

using a stereomicroscope,

correlating this variability

with the material's performance

during the mineral

beneficiation process. As a

device capable of analyzing

opaque, translucent, and

transparent minerals, the

Process Development Laboratory

(LDP) in Germano

has expanded its application

beyond mineralogical

characterization to also

investigate filtration fabrics.

The analysis seeks to understand

the performance of

these fabrics by identifying

obstruction levels, their

causes, and the associated

mineralogical typology,

with the goal of optimizing

the filtration process and

operational efficiency.

Keywords: Mineralogical

Variability; Filtration Performance;

Mineral Beneficiation;

Operational Efficiency.

1 INTRODUÇÃO

A mineralogia dos minérios

de ferro brasileiros

é amplamente variável,

influenciando diretamente

o desempenho das

operações de beneficiamento

mineral. Segundo

Coelho [1,2], as principais

tipologias encontradas

incluem minérios

hematíticos martíticos e

especularíticos no Quadrilátero

Ferrífero (MG),

microcristalinos em

Carajás (PA) e Corumbá

(MS), além dos minérios

hidratados, também presentes

no Quadrilátero

Ferrífero. Essa diversidade

mineralógica impacta

significativamente etapas

como moagem, flotação

e filtragem, exigindo um

conhecimento aprofundado

das características

intrínsecas dos materiais

processados.

Segundo Barbosa et al.

[3], apesar da variedade

de tipos de minérios e da

diversificação dos produtos

gerados nos processos

de concentração,

alguns aspectos fundamentais

devem ser rigorosamente

observados,

como a caracterização

mineralógica aplicada,

que inclui a identificação

das fases minerais presentes,

morfologia das

partículas, grau de liberação,

porosidade e a presença

de slime coating.

Esses fatores exercem

influência direta sobre a

eficiência das operações

de beneficiamento.

Revista Analytica | Maio 2026

9


Artigo 1

No contexto atual, a

de Processos (LDP) da

tras de rochas e tecidos

crescente

complexida-

unidade de Germano,

empregados em testes

de das frentes de lavra

tem utilizado o este-

industriais. A intenção é

e a intensificação dos

desafios operacionais

tornam imprescindível

o reconhecimento detalhado

das zonas mineralizadas

que alimentam

a usina. A presença

de rochas intrusivas e

minerais contaminantes,

por exemplo, pode

reomicroscópio para a

caracterização de amostras

de rochas e tecidos

de filtragem. Essa ferramenta

tem se mostrado

eficiente na identificação

de minerais indesejáveis,

no mapeamento

de litologias intrusivas e

na avaliação do grau de

fornecer subsídios técnicos

para a otimização do

processo de filtragem, a

partir de um entendimento

mais aprofundado

da mineralogia que

influencia diretamente

o desempenho operacional

da planta.

afetar negativamente a

qualidade do concentrado

e comprometer o

desempenho de equipamentos,

como os filtros

de disco e esteira. Nesse

cenário, ferramentas de

caracterização rápida e

precisa ganham importância

estratégica [3].

Visando melhorar o

obstrução dos tecidos,

fatores críticos para a

eficiência do processo

de filtragem de rejeitos.

Diante disso, o presente

trabalho tem como

objetivo principal correlacionar

as tipologias

mineralógicas observadas

nas frentes de lavra

da Samarco com a per-

2 METODOLOGIA

As análises foram conduzidas

no Laboratório

de Desenvolvimento de

Processo (LDP) da unidade

Germano, utilizando

estereomicroscópio com

lupa binocular e câmera

de 5x para registro fotográfico.

As etapas metodológicas

envolveram:

diagnóstico e a tomada

de decisão operacional,

formance dos tecidos

de filtragem, utilizando

• Triagem de amostras de

a Samarco Mineração,

como base análises

rochas e tecidos de fil-

por meio do Laborató-

estereomicroscópicas

tragem provenientes de

10

Revista Analytica | Maio 2026

rio de Desenvolvimento

conduzidas em amos-

testes industriais;


• Separação e observação

de grãos minerais

(>3 grãos por amostra,

quando possível; <1%

considerado traço);

• Estimativa visual da

proporção mineralógica

totalizando 100%;

As durezas dos minerais

foram classificadas

com base na Escala de

Mohs (Tabela 1). O protocolo

seguiu as referências

metodológicas

padrões [2,3].

3 RESULTADOS E DIS-

Tabela 1. Escala de Mohs

Dureza Mineral

1 Talco

2 Gipsita

3 Calcita

4 Fluorita

5 Apatita

6 Ortoclásio

7 Quartzo

8 Topázio

9 Coríndon

10 Diamante

• Avaliação das propriedades

físicas (cor, brilho,

CUSSÃO

3.1 Análise das frentes

Fonte: Samarco Mineração Laboratório de

Desenvolvimento de Processo Germano

LDP (2024).

hábito, arredondamen-

de lavra

to) e do comportamento

As análises estereomi-

magnético com ímã de

croscópicas de amostras

800 gauss;

provenientes das frentes

de lavra permitiram

• Identificação de mine-

identificar uma ampla

rais principais (ex.: mar-

gama de minerais, tanto

tita, goethita, moscovita,

de interesse econômi-

quartzo, filossilicatos) e de

minerais correlacionados;

co quanto associados

ou contaminantes.

Dentre os minerais

Figura 3. (a) Especularita; (b) Martita;

(c) Goethita Botrioidal; (d) Goethita

Anfibolítica; (e) Limonita (Goethita Terrosa);

(f) Moscovita; (g) Rutilo; (h) Quartzo; (i)

Filossilicatos (Gibbsita e Caulinita).

• Análise de tecidos filtrantes

antes e após a fil-

mais frequentemente

observados destacam-

Fonte: Samarco Mineração Laboratório de

Desenvolvimento de Processo Germano

LDP (2024).

tragem, com observação

-se a martita, goethita

de colmatação, obstru-

(nas formas botrioidal,

covita, rutilo e filossili-

ção da trama e acúmulo

terrosa e anfibolítica),

catos como gibbsita e

de partículas ultrafinas.

limonita, quartzo, mos-

caulinita (Figura 3).

Revista Analytica | Maio 2026

11


Artigo 1

Foram também observadas

litologias com

aparência

ferruginosa,

mas sem valor econômico,

como rochas

pertencentes ao Xisto

Nova Lima ou dolomitos

intensamente

alterados. Essas rochas,

embora apresentem

coloração marrom e

elevados teores de Fe³+

Figura 4. (a) Tecido Filtrante Macroscopicamente Limpo; (b) Tecido Filtrante

Macroscopicamente Limpo; (c) Tecido Filtrante Estereomicroscopicamente Limpo; (d) Tecido

Filtrante Macroscopicamente Após a Filtragem; (e) Tecido Filtrante Macroscopicamente Após

a Filtragem; (f) Tecido Filtrante Estereomicroscopicamente Após a Filtragem

Fonte: Samarco Mineração Laboratório de Desenvolvimento de Processo Germano

LDP (2024).

identificados em análises

químicas, não possuem

minerais ferrosos

em quantidades representativas

para fins

de beneficiamento. O

estereomicroscópio, ao

permitir a visualização

direta da assembleia

mineralógica,

possi-

Figura 5.(a), (b), (c), (d), (e) Tecido Filtrante Estereomicroscopicamente Obstruido Após a

Filtragem.

bilitou diagnosticar a

Fonte: Samarco Mineração Laboratório de Desenvolvimento de Processo Germano

LDP (2024).

presença de matéria

orgânica fina e manganês

— identificados por

A caracterização deta-

suficiente para definir

reações com água oxi-

lhada dessas frentes

a viabilidade de bene-

genada — associados a

demonstrou que o sim-

ficiamento. A análise

12

Revista Analytica | Maio 2026

essas litologias estéreis.

ples teor de ferro não é

mineralógica

qualitati-


va, portanto, é essencial

para validar os resultados

químicos e evitar o

envio de material estéril

à usina, o que pode prejudicar

o rendimento

global do processo

3.2 Análise do tecido de

filtragem

Em paralelo à caracterização

mineralógica das

frentes, foram avaliadas

amostras de tecidos de

filtragem utilizados em

testes industriais com misturas

de rejeito arenoso e

lama. Um dos principais

testes analisados envolveu

a adição de 15% de

lama à mistura de alimentação

da filtragem. Esse

teste foi interrompido

precocemente devido ao

aumento progressivo da

umidade da torta, maior

dificuldade de desprendimento

e risco de transbordamento

no tanque

de alimentação [4].

Figura 6.Fotomicrografia dos Minerais Responsáveis Pela Obstrução do Tecido Filtrante

Estereoecopicamente. Lupa Binocular, Aumento 35X. Câmera 5X.

Fonte: Samarco Mineração Laboratório de Desenvolvimento de Processo Germano

LDP (2024).

As fotomicrografias obtidas

(Figuras 4, 5 e 6) mostraram

obstruções evidentes

nas tramas dos tecidos

após a operação, com

acúmulo de partículas

ultrafinas, principalmente

filossilicatos, aderidas às

fibras do tecido. A análise

estereomicroscópica foi

fundamental para evidenciar

o processo de colmatação

que, à primeira vista,

não era perceptível na

inspeção macroscópica.

A correlação entre a

mineralogia da lama e a

obstrução do tecido indicou

que certos minerais,

como gibbsita, caulinita e

moscovita, possuem papel

crítico na redução da eficiência

de filtragem. Essas

partículas finas e lamelares

se acumulam nos poros

do tecido, dificultando a

drenagem e aumentando

a retenção de água na

torta, o que compromete

a produtividade da planta.

Revista Analytica | Maio 2026

13


Artigo 1

14

Revista Analytica | Maio 2026

A análise mineralógica

dos tecidos, portanto,

mostrou-se eficaz como

ferramenta de diagnóstico

rápido para a

identificação das causas

de falhas no processo

de filtragem, possibilitando

ações corretivas

como ajustes na malha

de lavra, escolha adequada

de tecidos ou

modificação na composição

da alimentação.

CONCLUSÃO

A análise mineralógica

desempenha um papel

fundamental no entendimento

das características

dos materiais

ao longo de todo o

processo produtivo,

desde a frente de lavra

até o porto. Dentre os

diversos métodos disponíveis,

cada um com

suas particularidades e

peculiaridades, o estereomicroscópio

(lupa

binocular) se destaca

como um equipamento

estratégico e indispensável

para um conhecimento

minucioso das

rochas. O estereomicroscópio

se diferencia

pelo seu valor, assertividade

e pela amplitude

de possibilidades que

oferece para a caracterização

mineralógica.

Sua utilização permite

não apenas uma avaliação

detalhada da

assembleia mineralógica

presente nas frentes

de lavra, como também

proporciona respostas

ágeis e precisas para o

beneficiamento mineral

e a filtragem do produto

final. Dessa forma, a

lupa binocular é essencial

para garantir uma

análise eficiente e confiável

em todas as etapas

do processo, viabilizando

decisões assertivas

que impactam diretamente

a qualidade e a

eficiência operacional.

Sua capacidade de fornecer

respostas rápidas

e detalhadas reforça

sua relevância como

ferramenta estratégica

para o sucesso das operações

minerais.

Agradecimentos

Os autores agradecem a

Samarco Mineração pelo

suporte e incentivo e a

todos que contribuíram

para este trabalho, em

especial a equipe do

Laboratório de Desenvolvimento

de Processo

de Germano.

REFERÊNCIAS

1 Coelho LH. Rendimento na Sinterização em Função da

Mineralogia do Sinter Feed [dissertação de mestrado].

Ouro Preto: Universidade Federal de Ouro Preto; 2002.

2 Dana JD. Manual de Mineralogia. Rio de Janeiro:

Livros Técnicos e Científicos, 1984.

3 Barbosa MIM, Bertolina LC, Nuemann R, Schneider

CL, Neto AA. Caracterização Tecnológica de Minérios.

Rio de Janeiro: CETEM,2010.

4 Vieira MG, Silva AB Neto GBV, Cunha MS, Nascimento TJS,

Matos VE. Testes Industriais de Filtragem Com Misturas de

Rejeito e Lama. In: Congresso ABM; 2024; São Paulo, Brasil



Artigo 2

POTENCIAL DO CHUCHU COMO

MATÉRIA-PRIMA PARA PRODUÇÃO DE

BIOPLÁSTICO SUSTENTÁVEL

Autores:

Esther Hadassa Correa;

Fernanda Santos de Oliveira;

Gabriela Almeida Silva Santos;

Daniela Santos Silva;

Verônica Cristina Pêgo Fiebig

Colégio Técnico “Antônio Teixeira Fernandes”

– Colégio Univap

16

Revista Analytica | Maio 2026

Resumo

O uso intensivo de plásticos

convencionais,

derivados do petróleo,

representa um dos maiores

desafios ambientais

da atualidade, devido à

sua baixa biodegradabilidade

e longa persistência

no meio ambiente. Esses

materiais contribuem

significativamente para a

poluição dos solos, oceanos

e até do ar, sendo

responsáveis pela contaminação

de organismos

marinhos e pela presença

de microplásticos e nanoplásticos

em diferentes

níveis da cadeia alimentar.

Estudos recentes já

identificaram partículas

plásticas em tecidos

humanos, inclusive no

cérebro, evidenciando

que a poluição plástica

ultrapassa barreiras

biológicas e ambientais.

Diante desse cenário, torna-se

essencial o desenvolvimento

de alternativas

sustentáveis, como os

bioplásticos, produzidos

a partir de fontes renováveis

e biodegradáveis,

como amido, celulose,

resíduos alimentares e

subprodutos agrícolas,

que apresentam degradação

mais eficiente em

comparação aos plásticos

derivados do petróleo.

Apesar dos benefícios

ambientais, os bioplásticos

ainda enfrentam

desafios quanto ao custo

de produção e às limitações

de desempenho

técnico, especialmente

em relação à resistência

mecânica e durabilidade.

Entretanto, os avanços

científicos têm aprimorado

suas propriedades

físicas e químicas, tornando-os

mais competitivos

e adequados a diferentes

aplicações. Entre

as formulações mais

estudadas destacam-se

aquelas compostas por

amido e glicerol (também

conhecido comercialmente

como glicerina),

que apresentam


boa biodegradabilidade,

estabilidade térmica, flexibilidade,

transparência

e maleabilidade, características

desejáveis para

uso em embalagens e

filmes biodegradáveis. O

amido, matriz polimérica

natural, renovável, biodegradável,

abundante e

de baixo custo, é amplamente

encontrado em

fontes vegetais como

milho, mandioca, batata

e chuchu. Sua estrutura,

composta por amilose

e amilopectina, permite

a formação de filmes

transparentes e flexíveis;

porém, devido à sua rigidez

e fragilidade, é necessária

a adição de plastificantes,

como o glicerol,

que reduzem as interações

intermoleculares e

aumentam a flexibilidade

e resistência do material.

Ainda assim, filmes de

amido apresentam sensibilidade

à água e alta

permeabilidade ao vapor,

problemas que vêm sendo

minimizados pelo uso

de aditivos, como vinagre

e celulose, e pelo controle

de variáveis de processamento,

como tempo

e temperatura de aquecimento.

Considerando

esse contexto, o presente

estudo teve como objetivo

extrair, caracterizar

e analisar o amido do

chuchu (Sechium edule)

para avaliar sua viabilidade

como matéria-prima

na produção de bioplásticos.

O chuchu destaca-

-se como biomassa de

baixo custo, fácil cultivo

e ampla disponibilidade

no Brasil, podendo ser

produzido com adubação

orgânica, o que reduz

impactos ambientais e

custos agrícolas. Os resultados

demonstraram

que o amido extraído

do chuchu apresenta

comportamento térmico

semelhante ao do amido

de milho, boa solubilidade

em água, capacidade

de formação de gel e

degradação relativamente

rápida no solo, revelando-se

uma alternativa

promissora, sustentável e

economicamente viável

para a substituição dos

plásticos convencionais.

Palavras-chave: Bioplástico.

Chuchu. Sechium edule.

Abstract

The intensive use of conventional

plastics derived

from petroleum represents

one of the greatest

environmental challenges

today, due to their low

biodegradability and long

persistence in the environment.

These materials

contribute significantly to

the pollution of soil, oceans

and even the air, being

responsible for the contamination

of marine organisms

and for the presence

of microplastics and nanoplastics

at different levels

of the food chain. Recent

studies have already identified

plastic particles in

human tissues, including

in the brain, showing that

plastic pollution surpasses

biological and environmental

barriers. In view of

this scenario, the development

of sustainable alternatives,

such as bioplastics

produced from renewable

and biodegradable sources,

such as starch, cellulose,

food residues and

agricultural by-products,

becomes essential, as they

present more efficient

degradation compared to

petroleum-derived plastics.

Despite the environmental

benefits, bioplastics

still face challenges

regarding production cost

Revista Analytica | Maio 2026

17


Artigo 2

18

Revista Analytica | Maio 2026

and technical performance

limitations, especially

in relation to mechanical

resistance and durability.

However, scientific advances

have improved their

physical and chemical

properties, making them

more competitive and

suitable for different applications.

Among the most

studied formulations are

those composed of starch

and glycerol (also known

commercially as glycerin),

which present good

biodegradability, thermal

stability, flexibility, transparency

and malleability,

desirable characteristics

for use in biodegradable

packaging and films. Starch,

a natural, renewable,

biodegradable, abundant

and low-cost polymeric

matrix, is widely found

in plant sources such as

corn, cassava, potato

and chayote. Its structure,

composed of amylose and

amylopectin, allows the

formation of transparent

and flexible films; however,

due to its rigidity and

fragility, it is necessary

to add plasticizers such

as glycerol, which reduce

intermolecular interactions

and increase flexibility

and resistance of the

material. Even so, starch

films present sensitivity to

water and high vapor permeability,

problems that

have been minimized by

the use of additives such as

vinegar and cellulose, and

by the control of processing

variables, such as time

and heating temperature.

Considering this context,

the present study aimed to

extract, characterize and

analyze the starch from

chayote (Sechium edule)

to evaluate its viability

as a raw material in the

production of bioplastics.

Chayote stands out as a

low-cost biomass, easy to

cultivate and widely available

in Brazil, and it can

be produced with organic

fertilization, which reduces

environmental impacts

and agricultural costs. The

results demonstrated that

the starch extracted from

chayote presents thermal

behavior similar to corn

starch, good solubility in

water, gel-forming capacity

and relatively fast

degradation in soil, revealing

itself as a promising,

sustainable and economically

viable alternative

for the replacement of

conventional plastics.

Keywords: Bioplastic.

Chayote. Sechium edule.

Introdução

O uso do plástico, material

acessível e de baixo

custo cuja ampla difusão

se deve à facilidade de

consumo, gera sérios problemas

ambientais por ser

não biodegradável, pois é

formado por polímeros —

macromoléculas resultantes

da união covalente de

monômeros — altamente

poluentes, que podem

levar até 200 anos para

se degradar, causando

impactos como a contaminação

de animais

marinhos de médio porte

por ingestão acidental,

que provoca falsa saciedade,

ou por intoxicação

por compostos como

Bisfenol A e Ftalato (Belo

et al., 2021). Devido à sua

alta durabilidade, fato

que o torna um poluente

persistente, o plástico

fragmenta-se em micro

e nanoplásticos que contaminam

solos, rios, oceanos

e até o ar que respiramos.

Estudos realizados

em São Paulo mostram

que foram encontrados

plásticos até no cérebro

humano, o local mais protegido

do corpo, evidenciando

que nada está livre

dessa poluição (Junior,

2025). Nesse cenário, tor-


na-se essencial investir

em materiais alternativos

e sustentáveis, como os

bioplásticos — produzidos

a partir de polímeros

compostáveis e biodegradáveis

(amidos, celulose,

resíduos alimentares e

subprodutos agrícolas)

— uma alternativa viável

para reduzir a poluição

ambiental e seus impactos

(Almeida; Silva, 2023).

Os resultados do estudo

Análise de aceitação do

bioplástico em uma amostra

de agentes do setor de

plástico, de Felipe e Seiber

(2023), revelam atitude

ainda negativa quanto ao

uso de bioplásticos entre

os entrevistados, destacando

como principais

barreiras as preocupações

com o conflito entre segurança

alimentar e uso de

terras agrícolas, além do

desempenho técnico e do

alto custo de produção.

Apesar disso, os bioplásticos

destacam-se por

oferecerem vantagens

ambientais, como a redução

das emissões de dióxido

de carbono (CO₂) e o

aprimoramento da gestão

de resíduos sólidos, sendo

compostos por commodities

agrícolas como

amido, milho e celulose;

nesse contexto, inserem-

-se no conceito de bioeconomia,

que promove

crescimento econômico

aliado à conservação dos

recursos naturais e promove

formas de consumo

ambientalmente responsáveis

(Zulian, 2024). A

biodegradação dos bioplásticos

ocorre pela ação

de microrganismos que os

convertem em dióxido de

carbono, água e biomassa,

processo acelerado

por condições adequadas

de umidade e temperatura;

materiais com xilana e

amido são hidrofílicos e

úteis em sistemas de liberação

de fármacos, mas

exigem controle de solubilidade

e, embora menos

resistentes, apresentam

boa estabilidade térmica

e rápida degradação no

solo (Vasconcelos, 2022).

No bioplástico, o amido

funciona como uma

matriz polimérica de

origem renovável e biodegradável,

mas sua fragilidade

requer a adição de

plastificantes (como o glicerol)

para melhorar sua

flexibilidade e resistência

mecânica, além de outros

aditivos (como vinagre e

celulose) para auxiliar em

sua transformação em um

material similar ao plástico

convencional, porém

mais sustentável do que

os plásticos derivados de

petróleo (Feroldi et al.,

2024). Por ser de baixo

custo e amplamente disponível,

o amido tem despertado

interesse como

matéria-prima para filmes

biodegradáveis, especialmente

quando obtido de

fontes não convencionais

de biomassas de baixo

valor agregado, que surgem

como alternativas

promissoras, embora

esses filmes ainda apresentem

sensibilidade à

água, alta permeabilidade

ao vapor e baixa resistência

mecânica, limitações

que podem ser superadas

pela adição de plastificantes

que reduzem interações

intermoleculares e

aumentam a flexibilidade

e o desempenho do bioplástico

(Santana et al.,

2025). Além de ser uma

matéria-prima abundante,

não tóxica, biodegradável,

comestível e de baixo

custo de comercialização,

o amido está disponível

em todo o mundo e possui

elevada capacidade

de formação de gel e de

filmes transparentes (Carniel

et al., 2023).

Revista Analytica | Maio 2026

19


Artigo 2

20

Revista Analytica | Maio 2026

Inserido no contexto da

busca por matérias-primas

sustentáveis ricas em

amido para a produção

de bioplásticos, o chuchu

(Sechium edule) destaca-

-se como biomassa natural

de baixo custo — com

valor médio inferior a R$

2,00/kg — e ampla disponibilidade,

configurando-

-se como matéria-prima

economicamente viável

para essa finalidade (CEA-

GESP, 2024). É um vegetal

pouco exigente quanto à

fertilidade do solo, capaz

de se desenvolver em

diferentes ambientes e

relativamente tolerante

à acidez, dispensando

grandes quantidades

de insumos agrícolas,

podendo ser suprido

por adubação orgânica,

como esterco curtido ou

húmus de minhoca (EMA-

TER-DF, [s.d.]). Apresenta

ainda efeitos anticancerígenos,

antidiabéticos,

antioxidantes e anti-inflamatórios

(Gottems,

2025) e, embora possua

baixo teor de amido (cerca

de 2,8%), compensa

essa limitação pelo alto

rendimento por área —

superior a 150 toneladas

por hectare ao ano — e

pela facilidade de cultivo

e colheita em grande parte

do território brasileiro

(Costa; Júnior; Baú, 2021).

O chuchu (Sechium edule)

tem se destacado como

alternativa promissora na

produção de bioplásticos

por suas características

físico-químicas e ampla

disponibilidade, sendo

que Costa et al. (2021)

mostraram que o amido

extraído apresenta

comportamento térmico

semelhante ao do amido

de milho, maior solubilidade

em água e menor

absorção de umidade,

fatores que favorecem

a produção de filmes

biodegradáveis, especialmente

com aditivos

como borra de café e óleo

de buriti, que melhoram

o desempenho térmico

e a biodegradabilidade.

Além disso, um projeto

do Colégio Estadual de

Tupandi (2024) investigou

a viabilidade de produzir

bioplásticos a partir dessa

biomassa, mostrando que

o material se decompõe

no solo em aproximadamente

180 dias, em

contraste com os plásticos

convencionais, que

podem levar mais de 500

anos para se degradar.

Complementando esses

dados, Lucena et al. (2023)

demonstraram que o amido

pode gerar filmes com

propriedades mecânicas

e de barreira promissoras,

com boa resistência térmica

e potencial para substituir

plásticos convencionais

em embalagens

de alimentos, reforçando

a importância de fontes

alternativas e renováveis,

enquanto Martins et al.

(2023) exploraram a transformação

de resíduos de

chuchu em farinhas funcionais,

evidenciando a

viabilidade de aproveitar

integralmente o alimento

e reduzir desperdícios na

produção do bioplástico.

A fim de investigar o

potencial do chuchu na

produção de bioplásticos,

desenvolveu-se um

estudo com etapas teórica

e experimental. Na fase

bibliográfica, consultaram-se

artigos científicos

e publicações disponíveis

em plataformas como

Google Acadêmico,

SciELO e PubMed, para

embasar metodologias,

propriedades do amido e

formulações testadas. Na

etapa prática, realizou-se

a extração do amido do


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Artigo 2

22

Revista Analytica | Maio 2026

chuchu por trituração,

peneiração e decantação,

avaliando-se diferentes

formulações para o bioplástico.

Os experimentos

ocorreram no Colégio

Técnico Univap – e no

Instituto de Pesquisa

e Desenvolvimento da

Univap (IP&D), onde as

amostras foram analisadas

quanto à textura,

resistência mecânica e

tempo de secagem, identificando

as combinações

mais promissoras para

futuras aplicações.

Nesse contexto, este

estudo tem como objetivo

produzir um bioplástico

a partir do chuchu

e avaliar sua viabilidade

como matéria-prima, oferecendo

uma alternativa

sustentável, uma vez que

se trata de um material

natural, de baixo custo e

amplamente disponível,

cuja baixa demanda muitas

vezes leva ao descarte

recorrente. Dessa forma,

a pesquisa busca apresentar

uma opção para

substituir os plásticos

convencionais, responsáveis

por grande poluição

ambiental, ao mesmo

tempo em que contribui

para a redução do desperdício

de alimentos,

aproveitando uma biomassa

frequentemente

descartada (Bassi et al,

2024), e para a mitigação

dos impactos ambientais

associados à produção e

ao descarte desses materiais,

alinhando-se a práticas

de sustentabilidade.

Metodologia

Para o presente trabalho,

foi inicialmente realizada

uma pesquisa bibliográfica

sob a orientação da

professora responsável.

Elaborou-se uma lista contendo

25 temas a serem

investigados, e cada integrante

da equipe analisou,

no mínimo, três artigos

distintos por tópico. As

principais fontes consultadas

foram artigos científicos

obtidos na plataforma

Google Acadêmico, complementados

por materiais

técnicos acessados

por meio do Google, priorizando

publicações dos

últimos cinco anos que

abordassem a extração

de amido e a produção

de bioplásticos a partir de

matérias-primas vegetais.

A etapa experimental foi

conduzida nos laboratórios

do Colégio Técnico

Univap e do Instituto

de Pesquisa e Desenvolvimento

da Univap

(IP&D). Foram adquiridos

três exemplares de chuchu

(Sechium edule) no

supermercado Dia, os

quais foram utilizados no

mesmo dia da compra

para garantir a integridade

do material. Os frutos

foram cortados ao meio

e submetidos à extração

manual da mucilagem

por fricção entre as

metades. Em seguida,

um dos frutos foi selecionado

para pesagem em

balança analítica. Após a

pesagem, o material foi

cortado em pequenos

pedaços, mantendo-se

a casca, e triturado em

liquidificador doméstico

(Philips Walita) com 100

mL de água destilada,

até a obtenção de uma

mistura homogênea.

Na primeira tentativa

de separação do amido,

empregou-se o método

de filtração a vácuo;

entretanto, devido à baixa

taxa de sedimentação

observada, optou-se por

realizar peneiramento

seguido de decantação

sob refrigeração por 24

horas. Após esse período,


o líquido sobrenadante

foi cuidadosamente

descartado, e o amido

depositado no fundo

dos béqueres foi removido

e transferido para

uma placa de Petri de

vidro. A secagem ocorreu

em estufa a 60 °C, e

o material seco foi armazenado

em placa de Petri

plástica com tampa para

evitar contaminação e

absorção de umidade.

Para a confecção do bioplástico,

2 g de amido

foram misturados a 20 mL

de água destilada, glicerina

bidestilada e vinagre

de álcool, variando-se as

proporções e o tempo de

aquecimento: (i) 1 mL de

glicerol e 1 mL de vinagre,

aquecidos por 9 minutos;

(ii) a mesma formulação,

aquecida por 4 minutos; e

(iii) 0,5 mL de glicerol e 1

mL de vinagre, aquecidos

por 4 minutos. As misturas

foram preparadas em

béquer, aquecidas sobre

tripé com tela de amianto

e bico de Bunsen em chama

completa, sob agitação

contínua com bastão

de vidro, até adquirirem

aspecto translúcido e

consistência gelatinosa.

Após o aquecimento, as

misturas foram agitadas

por mais 2 minutos fora

da chama e vertidas em

placas de Petri, sendo

espalhadas para formar

filmes de aproximadamente

1 mm de espessura.

Os filmes foram

deixados para secar à

temperatura ambiente

por três dias e, posteriormente,

levados à estufa

para garantir a remoção

da umidade residual.

Após a secagem total, os

filmes formados foram

cuidadosamente removidos

das placas de Petri

com o auxílio de uma

espátula e armazenados

para posterior análise.

Após a secagem total, os

filmes formados foram

cuidadosamente removidos

das placas de Petri

com o auxílio de uma

espátula e armazenados

para posterior análise.

Para o teste de solubilidade,

uma amostra do

bioplástico foi imersa em

cerca de 50 mL de água

à temperatura ambiente

por 54 dias. Os recipientes

foram agitados manualmente

uma vez ao dia. Ao

final do período, analisou-

-se a integridade do filme,

observando alterações

visuais como cor, textura

e presença de resíduos.

Resultados e Discussão

Durante a extração do

amido, a substituição

da filtração a vácuo pela

peneiração, seguida de

decantação sob refrigeração,

resultou em separação

mais eficiente da polpa

e maior rendimento de

amido, além de prevenir

a formação de fungos. A

filtração a vácuo apresentou

desempenho inferior,

possivelmente devido à

dificuldade de formação

de um bolo filtrante consistente

em soluções de

maior densidade, como

o extrato de chuchu, e à

retenção de resíduos no

sistema, provenientes

tanto de partículas que

não atravessam o filtro

quanto do próprio material

filtrante. Esses fatores

comprometem a eficiência

do processo, evidenciando

a necessidade de

métodos mais adequados

à extração de amido

de matrizes vegetais com

alta umidade (Silva et

al., 2021). A refrigeração

durante a decantação

contribuiu para melhor

sedimentação das partículas

e inibição do

crescimento de fungos,

enquanto a peneiração

promoveu separação

Revista Analytica | Maio 2026

23


Artigo 2

24

Revista Analytica | Maio 2026

física mais homogênea

entre as fases sólida e

líquida. Essa adaptação

metodológica resultou

em maior rendimento e

amido de melhor pureza,

corroborando observações

de Costa et al. (2021),

que relataram ganhos

expressivos ao substituir

métodos de filtração

pressurizada por processos

físicos de separação

em amidos vegetais.

O chuchu selecionado

para a determinação do

teor de amido apresentou

massa de 431,567 g, medida

em balança analítica.

Após o processo de extração,

obteve-se uma massa

de 4,153 g de amido. Com

base nesses valores, o

rendimento do processo

foi calculado por meio da

Equação 1:

O chuchu (Sechium

edule) apresentou teor

de amido de 0,96% em

relação à massa total.

Embora poucos estudos

abordem sua extração,

Panchal e Singh (2024)

relatam rendimentos

de até 21,6% por métodos

físicos e 0,5% por

métodos químicos,

destacando a influência

da técnica empregada.

O rendimento inferior

obtido neste estudo

pode ser atribuído à

estrutura do chuchu, e

de tubérculos ricos em

amido, como batata e

mandioca, além do elevado

teor de umidade e

baixa concentração de

sólidos totais, que dificultam

a recuperação

do polímero (Souza et

al., 2022).

Durante a produção do

bioplástico, observou-

-se a gelatinização do

amido na mistura de

amido, água e glicerina,

evidenciada pela

mudança de coloração

de branco para translúcido

esverdeado e pela

formação de um gel

viscoso. Esse processo,

decorrente da ruptura

das ligações de hidrogênio

e do rearranjo

das cadeias amiláceas

sob calor e umidade, é

essencial para a formação

da matriz polimérica

em bioplásticos amiláceos

(Gong et al., 2024).

O material foi vertido

em placas de Petri (0,5

- 2 mm de espessura) e

apresentou forte adesão

à superfície. Após

repouso por três dias

em condições ambiente,

os filmes foram

submetidos à secagem

em estufa a 60 °C para

remoção da umidade

residual e preservação

da integridade estrutural.

Portanto, para identificar

a interferência do

glicerol e o tempo de

aquecimento nas amostras,

foi produzido três

amostras, como mostra

a tabela a seguir:

A análise dos três ensaios

resultou na obtenção de

bioplásticos predominantemente

transparentes,

com regiões amareladas

em algumas amostras.

Alguns filmes apresentaram

rasgos parciais mais

acentuados, atribuídos à

dificuldade de remoção

das placas de Petri. A

amostra 1 exibiu aspecto

quebradiço e rígido, com

formação de filme, embora

apresentasse áreas

danificadas. A amostra 3

mostrou rigidez acentuada,

ausência de elasticidade

e superfície viscosa.

Esses resultados indicam

que, nas amostras 1 e 3,


parte da glicerina pode

não ter sido devidamente

incorporada à rede polimérica,

favorecendo a

migração e o acúmulo de

plastificante livre, além de

aumentar a afinidade por

água (Sirbu et al., 2021).

A amostra 2 apresentou

o melhor desempenho,

formando um filme mais

transparente, elástico,

maleável e resistente, o

que sugere melhor miscibilidade

entre o polímero

e o plastificante, pois concentrações

excessivas ou

a distribuição inadequada

do plastificante em filmes

de amido aumentam a

umidade e a solubilidade,

reduzindo as propriedades

térmicas e mecânicas,

corroborando a hipótese

de que, embora essencial

à formação do bioplástico,

o plastificante pode

tornar-se um fator de fragilidade

quando não controlado

adequadamente

(Sirbu et al., 2021).

Fonte: As Autoras (2025)

Imagem 1 - Amostras dos bioplásticos correspondentes às formulações da Tabela 1.

Fonte: As Autoras (2025)

Para avaliar a solubilidade

dos bioplásticos, as

amostras foram imersas

em um recipiente aberto

contendo água da torneira

por 54 dias, sem troca

de água. Ao final do experimento,

observou-se

redução do volume das

amostras e leve turvação

da água, indicando dissolução

parcial e perda

de plastificantes, como o

glicerol. Esse comportamento

é característico de

filmes à base de amido,

em razão da migração

de plastificantes e da

solubilização da matriz

polimérica ao longo do

tempo de exposição. Na

ausência de reticulação

ou aditivos hidrofóbicos,

o amido apresenta alta

afinidade por água, o

Imagem 2 - Amostras dos bioplásticos

obtidos.

Fonte: As Autoras (2025)

que promove inchaço e

degradação estrutural

(Vieira et al., 2023). A

seguir, apresenta-se o

aspecto visual do material

ao término do ensaio.

Revista Analytica | Maio 2026

25


Artigo 2

26

Revista Analytica | Maio 2026

Conclusão

Os experimentos laboratoriais

demonstraram

que o chuchu (Sechium

edule) tem potencial

como fonte alternativa

de amido para a produção

de bioplásticos.

Embora o rendimento

de extração tenha sido

baixo, o material apresentou

propriedades físico-químicas

adequadas à

formulação de filmes biodegradáveis.

O resultado

reforça a importância de

utilizar matérias-primas

vegetais, renováveis e de

baixo custo para reduzir

a dependência de polímeros

sintéticos e os

impactos ambientais do

descarte de plásticos.

No entanto, recomenda-

-se a realização de ajustes

metodológicos nos

processos de extração

do amido, bem como na

escolha e proporção dos

plastificantes utilizados,

visando otimizar tanto

o rendimento quanto às

características mecânicas,

térmicas e de barreira

dos bioplásticos

obtidos. Estudos futuros

podem explorar também

a incorporação de

aditivos naturais, como

fibras vegetais ou óleos

essenciais, para aprimorar

a estabilidade e a

biodegradabilidade do

material, consolidando

o uso do Sechium edule

como uma promissora

alternativa sustentável

na indústria.

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para redução da poluição ambiental. Repositório

da UFERSA, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufersa.

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noticia/2024/12/22/estado-lider-na-producao-de-chuchu-

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objectstorage.sa-saopaulo-1.oci.customer-oci.com/p/

OQwcvnO-c63O08Gc2Kv4OTbJttj5ik60dguiDIyy-

Q0wuo5SWn-jHOLW9wNbylNqI/n/grcmlesydpcd/b/

dtysppobjmntbkp01/o/media/doity/submissoes/artigo-

-67933c593606bd7b433f72065b2e931256fd167f-segundo_arquivo.pdf

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-noticias/-/noticia/101194207/artigo--poluicao-porplastico-um-desafio-global.

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tecali2023/626599-obtencao-de-farinhas-de-residuos-

-de-chuchu-sechium-edule-e-de-cenoura-daucus-carota-l-de-um-refeitorio-unive/.

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em: [https://scientiaplena.emnuvens.com.br/sp/article/

view/8419/2847] Acesso em: 13 out. 2025.

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Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia

de Bioprocessos e Biotecnologia) – Universidade

Tecnológica Federal do Paraná, Dois Vizinhos, 2024.

Disponível em: http://repositorio.utfpr.edu.br/

jspui/handle/1/34946. Acesso em: 3 maio 2025.



Santé Health

Canada Canada

Medical Device Licence

Licence Number:

First Issue Date:

This Licence is issued in accordance with the

Medical Devices Regulations, Section 36,

for the following medical device:

Application Number:

Numéro de la demande:

XINWU DISTRICT

WUXI, JIANGSU

CHINA

214112

112619

2025/01/30

Device Class/Classe de l'instrument: 2

Licence Name/Nom de l'homologation:

PEN INJECTOR

Licence Type/Type d'homologation:

WUXI NEST BIOTECHNOLOGY CO., LTD.

NO. 530 XIDA ROAD, MEICUN INDUSTRIAL PARK

No d'homologation:

Première date de délivrance:

La présente homologation est délivrée en vertu

de l'article 36 du Règlement sur les instruments

médicaux pour l'instrument médical suivant:

Manufacturer Name & Address/Nom du fabricant & adresse

Colin Foster, Director, Bureau of Medical Device Licensing Services

Directeur, Bureau des services d’homologation des instruments médicaux

_________________________________________________________

LN/NH: 112619

Family / Famille

Medical Devices Directorate

Direction des instruments médicaux

Homologation d'un instrument médical

Manufacturer ID:

386010

Identificateur du fabricant:

163489

Wuxi NEST Biotechnology Co., Ltd.

℅ Ryan Li, Consultant

ICAS Group

No.155 Pingbei Road, Minhang District

Shanghai, 201109, China

U.S. Food & Drug Administration

10903 New Hampshire Avenue D o c I D # 0 4 0 1 7 . 0 7 . 0 2

Silver Spring, MD 20993

www.fda.gov

August 15, 2024

Re: K240961

Trade/Device Name: Disposable Pen Injector Assembly

Regulation Number: 21 CFR 880.5860

Regulation Name: Piston Syringe

Regulatory Class: Class II

Product Code: FMF

Dated: July 16, 2024

Received: July 16, 2024

Dear Ryan Li:

We have reviewed your section 510(k) premarket notification of intent to market the device referenced above

and have determined the device is substantially equivalent (for the indications for use stated in the enclosure)

to legally marketed predicate devices marketed in interstate commerce prior to May 28, 1976, the enactment

date of the Medical Device Amendments, or to devices that have been reclassified in accordance with the

provisions of the Federal Food, Drug, and Cosmetic Act (the Act) that do not require approval of a premarket

approval application (PMA). You may, therefore, market the device, subject to the general controls

provisions of the Act. Although this letter refers to your product as a device, please be aware that some

cleared products may instead be combination products. The 510(k) Premarket Notification Database

available at https://www.accessdata.fda.gov/scripts/cdrh/cfdocs/cfpmn/pmn.cfm identifies combination

product submissions. The general controls provisions of the Act include requirements for annual registration,

listing of devices, good manufacturing practice, labeling, and prohibitions against misbranding and

adulteration. Please note: CDRH does not evaluate information related to contract liability warranties. We

remind you, however, that device labeling must be truthful and not misleading.

If your device is classified (see above) into either class II (Special Controls) or class III (PMA), it may be

subject to additional controls. Existing major regulations affecting your device can be found in the Code of

Federal Regulations, Title 21, Parts 800 to 898. In addition, FDA may publish further announcements

concerning your device in the Federal Register.

Additional information about changes that may require a new premarket notification are provided in the FDA

guidance documents entitled "Deciding When to Submit a 510(k) for a Change to an Existing Device"

(https://www.fda.gov/media/99812/download) and "Deciding When to Submit a 510(k) for a Software

Change to an Existing Device" (https://www.fda.gov/media/99785/download).

Wuxi NEST Biotechnology Co., Ltd.

℅ Ryan Li, Consultant

ICAS Group

No.155 Pingbei Road, Minhang District

Shanghai, 201109, China

Re: K240774

Trade/Device Name: Pen Injector

Regulation Number: 21 CFR 880.5860

Regulation Name: Piston Syringe

Regulatory Class: Class II

Product Code: FMF

Dated: March 19, 2024

Received: March 21, 2024

Dear Ryan Li:

U.S. Food & Drug Administration

10903 New Hampshire Avenue D oc ID# 0 401 7 . 0 6 . 1 0

Silver Spring, MD 20993

www.fda.gov

June 18, 2024

We have reviewed your section 510(k) premarket notification of intent to market the device referenced above

and have determined the device is substantially equivalent (for the indications for use stated in the enclosure)

to legally marketed predicate devices marketed in interstate commerce prior to May 28, 1976, the enactment

date of the Medical Device Amendments, or to devices that have been reclassified in accordance with the

provisions of the Federal Food, Drug, and Cosmetic Act (the Act) that do not require approval of a premarket

approval application (PMA). You may, therefore, market the device, subject to the general controls

provisions of the Act. Although this letter refers to your product as a device, please be aware that some

cleared products may instead be combination products. The 510(k) Premarket Notification Database

available at https://www.accessdata.fda.gov/scripts/cdrh/cfdocs/cfpmn/pmn.cfm identifies combination

product submissions. The general controls provisions of the Act include requirements for annual registration,

listing of devices, good manufacturing practice, labeling, and prohibitions against misbranding and

adulteration. Please note: CDRH does not evaluate information related to contract liability warranties. We

remind you, however, that device labeling must be truthful and not misleading.

If your device is classified (see above) into either class II (Special Controls) or class III (PMA), it may be

subject to additional controls. Existing major regulations affecting your device can be found in the Code of

Federal Regulations, Title 21, Parts 800 to 898. In addition, FDA may publish further announcements

concerning your device in the Federal Register.

Additional information about changes that may require a new premarket notification are provided in the FDA

guidance documents entitled "Deciding When to Submit a 510(k) for a Change to an Existing Device"

(https://www.fda.gov/media/99812/download) and "Deciding When to Submit a 510(k) for a Software

Change to an Existing Device" (https://www.fda.gov/media/99785/download).

Certificate number

192322.241127

File number

A29180

Initial issue date

2024-11-27

Cycle start date

2024-11-27

Effective date

2024-11-27

Expiry date

2027-11-26

Xinwu District, Wuxi 214112 CHINA

Page 1 of 3

MDSAP

Form-ULID-000724 Issue: 6.0

2023 UL LLC. All rights reserved.

UL and the UL Solutions logo are

trademarks of UL LLC © 2023

Facility ID: F007679

UL LLC, UL Solutions medical and regulatory services issues this certificate to the Firm named above, after

assessing the Firm’s quality system and finding it in conformance per the defined scope with respect to:

ISO 13485:2016

EN ISO 13485:2016/A11:2021

Design, Development, Production and Distribution of Pen Injector, Disposable Pen

Injector Assembly for Further Manufacturing of Drug-Delivery Products.

Certificate with Addendum(s) totals 3 pages.

Authorized by:

Paul Daysh

Operations manager – Medical Regulatory

Check certificate status: here

This quality system registration is included in UL’s Product iQ directory and applies to the provision of

goods and/or services as specified in the scope of registration from the address(es) shown. By issuance of

this certificate, the firm represents that it will maintain its registration in accordance with the applicable

requirements. This certificate is not transferrable and remains the property of UL Solutions.

UL LLC, UL Solutions medical regulatory services UL LLC

is an MDSAP Recognized Auditing Organization 333 Pfingsten Road

Northbrook, IL 60062-2096 USA

10600 m2 Cl

3600 m 2

www.cell-nestbio.com

Certificações da empresa:

ISO 9001, ISO 13485, ISO 11137,

FDA, CE, e Licença de Fabricação

de Dispositivos Médicos

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2300 m 2

Ambiente controlado

para fabricação de

canetas injetoras

20 +

Certificações

Profissionais e

Distinções

Certificate

of Registration

WUXI NEST BIOTECHNOLOGY CO.,LTD

No.530, Xida Road, Meicun Industrial Park

https://produtos.perfectalab.com.br/canetas-injetoras-nest


www.cell-nestbio.com

Cartucho

3 agulhas descartáveis

4 agulhas descartáveis Cartucho

Certificações

SAIBA MAIS

CHINA

Class II Medical Device

Registration Certificate

USA 510(k)

No. K240774

CANADA MDL Licence

No. 112619

Indonesia Imported Medical

Device Registration Certificate

PB-UMKU:

051223002876400010018

MALAYSIA

Medical Device

Registration

No. GC5557925-207253

Feedback

Força inicial da injeção

BRAZIL Medical Device

Registration

No. 80102519343

0.0075-1.0mL

<20N

MDSAP

USA / CANADA /

AUSTRALIA /

JAPAN / BRAZIL

Caneta injetora

Adequada para terapias injetáveis de longo

prazo, como a insulina aspart.

Disponível em 8/48/50/60/70/75/80 UI, com

personalização específica para cada indicação.

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Caneta Injetora

Descartável

CHINA

CDE: B20230000891 /

B20240000529

CHINA

Class II Medical Device

Registration Certificate

0.005-1.0mL

USA 510(k)

No. K240961

USA DMF No. 40744

Precisão da dose

≤10 N

60 IU

>10 N 60 IU

CANADA MDL

Licence No. 113733

Indonesia Imported Medical

Device Registration Certificate

PB-UMKU

051223002876400010025

01

MDSAP

USA / CANADA /

AUSTRALIA /

JAPAN / BRAZIL

02

Finish

Embalagem em bandeja Embalada em caixa com tampa

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Descartável TSA

Para injeção de insulina, agonistas do receptor

de GLP-1, hormônio folículo-estimulante (FSH)

e medicamentos relacionados, tais como

insulina degludec, semaglutida, liraglutida e

Gonal-F, utilizados principalmente no

tratamento da diabetes, no controle do peso e

na terapia assistida para infertilidade.

Disponível em 36/37/50/60/70/72/74/75/80 UI,

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Standard Tape

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Intervalo de dose de injeção

Feedback sonoro

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Força inicial de injeção

Precisão da dose

0.01-1.0mL

≤15N

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Automática

Pré-preenchida

A agulha permanece totalmente escondida,

reduzindo o medo da agulha e aumentando

o sucesso da injeção.

SAIBA MAIS

Instruções de Operação - Modelo de 3 passos

Retire a tampa da caneta

Segure-a na vertical contra o

local da injeção e destranque-a

Pressione o botão

traseiro para ativar

Retire a tampa da caneta

Pressione o local da injeção

para ativar

T

Profundidade de inserção da agulha

Força de bloqueio de proteção

Distância de segurança da agulha

Feedback da injeção

1.0mL Long PFS

0.2-1.0mL

29 G TW or Larger

≥96.5%

≤30N(Two Step);≤30N(Three Step)

≤10s

6mm±2mm

≥60N

≥4.5mm

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Montagem de Cartuchos

Zero volume residual, zero contaminantes, zero risco.

● Processo de siliconização reticulada

● Óleo de silicone aderido de forma

uniforme e estável

● Processo de moldagem avançado

SAIBA MAIS

Amplamente utilizado para rápidas

amostras em P&D, em produção

piloto de pequena e média escala,

desenvolvimento de processos e

validação de produtos.

A máquina de fechamento e preenchimento

é compatível com diversos

materiais (por exemplo, vidro, COC,

COP) para seringas pré-preenchidas,

cartuchos e frascos.

Projetada para enchimento estéril

em escala laboratorial, a máquina de

fechamento oferece soluções otimizadas

para produtos líquidos e pode

acomodar cartuchos, seringas pré-

-preenchidas e outros recipientes.

Máquina de fechamento

Máquina de fechamento e preenchimento

https://produtos.perfectalab.com.br/canetas-injetoras-nest


Blog dos Cientistas

VALIDAÇÃO DE MÉTODOS DE SPE PARA

CONFORMIDADE REGULATÓRIA

34

Revista Analytica | Maio 2026

A validação de métodos

analíticos desempenha

um papel crucial na

garantia da qualidade

e da confiabilidade dos

resultados obtidos em

laboratórios analíticos.

Sendo assim, quando

se trata de técnicas de

preparação de amostras,

como a Extração em Fase

Sólida (SPE), a validação

adequada é essencial

para garantir que os

resultados atendam aos

requisitos regulatórios

estabelecidos pelas

agências governamentais.

Neste artigo, exploraremos

os princípios da

validação de métodos de

SPE para conformidade

regulatória, destacando

os parâmetros e critérios

mais importantes a

serem considerados nesse

processo.

Importância da Validação

de Métodos de SPE

Antes de mais nada,

a validação de métodos

de Extração em

Fase Sólida (SPE) é um

processo crucial para

garantir a confiabilidade,

a precisão e a

robustez dos resultados

analíticos. Portanto,

assegura-se que a

validação do método

SPE desenvolvido ou

adaptado adequa-se

para o seu propósito

específico, fornecendo

dados confiáveis e de

alta qualidade.

Validação de Métodos

de SPE

A validação de métodos

de extração em fase

sólida (SPE) é essencial

para garantir a confiabilidade

das análises

químicas. Este processo

inclui a definição de

objetivos, otimização


Blog dos Cientistas

das condições de extração,

determinação de

limites de detecção e

quantificação, avaliação

da linearidade, precisão,

exatidão, recuperação,

seletividade, robustez

e estabilidade da fase

estacionária. Sendo

assim, documentar

todos os procedimentos

e resultados é crucial

para a rastreabilidade e

replicabilidade do método.

Após conclusão, a

validação determina se

o método atende aos

critérios estabelecidos,

tornando-o adequado

para uso rotineiro em

análises químicas.

Parâmetros de Validação

de Métodos de SPE

• Seletividade: refere-se à

capacidade de separar os

analitos de outros componentes

da matriz da amostra.

Ou seja, demonstra-se

a capacidade de extração

seletiva dos analitos de

interesse, mesmo na presença

de interferentes.

• Linearidade: avalia-se

construindo uma curva

de calibração usando

padrões analíticos em

diferentes concentrações.

A resposta do detector

deve ser proporcional à

concentração dos analitos

ao longo de uma faixa de

concentração específica.

• Precisão e Exatidão:

A precisão refere-se à

variação entre replicatas

de uma série de amostras,

enquanto a exatidão

refere-se à proximidade

dos resultados obtidos

com o valor verdadeiro.

Por isso, avalia-se ambos

os parâmetros realizando

testes de repetibilidade e

reprodutibilidade.

• Limite de Detecção

(LOD) e Limite de

Quantificação (LOQ): O

LOD e o LOQ são determinados

experimentalmente

e representam

as concentrações mais

baixas de analitos que

podem ser detectadas

e quantificadas com

precisão pelo método

de SPE.

Procedimentos de

Validação de Métodos

de SPE

Os procedimentos de

validação de métodos de

SPE geralmente seguem

um conjunto de etapas

bem definidas, conforme

descrito abaixo:

Revista Analytica | Maio 2026

35


Blog dos Cientistas

36

Revista Analytica | Maio 2026

• Desenvolvimento do

Método: Antes de iniciar

a validação, é necessário

desenvolver e otimizar

o método de SPE para

garantir sua eficiência e

seletividade na extração

dos analitos de interesse.

Isso envolve a seleção

adequada do sorvente,

otimização dos parâmetros

experimentais e avaliação

da sensibilidade

do método.

• Estabelecimento dos

Critérios de Aceitação:

Antes de iniciar os

estudos de validação, é

importante estabelecer

critérios de aceitação

para cada parâmetro a

ser avaliado. Esses critérios

são baseados nos

requisitos regulatórios e

nas especificações analíticas

necessárias para o

método ser considerado

adequado para o propósito

pretendido.

• Estudo de Seletividade:

O estudo de seletividade

avalia a capacidade do

método de SPE de extrair

seletivamente os analitos

de interesse da matriz

da amostra. Realiza-se

geralmente comparando

os cromatogramas das

amostras de matriz bruta

e das amostras processadas

pela SPE para garantir

que não haja interferências

significativas.

• Determinação da

Linearidade: Verifica-se

a linearidade do método

construindo uma curva

de calibração utilizando

padrões analíticos em

diferentes concentrações.

Sendo assim, a resposta

do detector deve

ser proporcional à concentração

dos analitos

ao longo de uma faixa de

concentração específica.

• Avaliação da Precisão

e Exatidão: Avalia-se a

precisão e a exatidão do

método realizando testes

de repetibilidade e reprodutibilidade.

Portanto,

isso envolve a análise de

múltiplas replicatas de

amostras em diferentes

dias, por diferentes analistas

e com diferentes lotes

de reagentes.

• Determinação do Limite

de Detecção (LOD) e

Limite de Quantificação

(LOQ): O LOD e o LOQ

são determinados experimentalmente

utilizando

padrões analíticos em baixas

concentrações. O LOD

é definido como a menor

concentração de analito

que pode ser detectada

com uma certa probabilidade.

Enquanto o LOQ

é a menor concentração

que pode ser quantificada

com precisão.

Documentação e Relatório

de Validação

Uma vez concluídos os

estudos de validação, é

essencial documentar

todos os resultados e preparar

um relatório detalhado

que descreva os

procedimentos realizados

e os resultados obtidos.

Dessa forma, o relatório

de validação geralmente

inclui as seguintes seções:


SUA IDENTIFICAÇÃO

MICROBIOLÓGICA

AINDA LEVA DIAS?

E tem alto custo com reagentes?

O DESAFIO DO

CONTROLE

MICROBIOLÓGICO

Metodos

levam dias

Alto custo

operacional

Dependência de

testes bioquímicos

Atrasos na

liberação

de lotess

Diagnósticos

tardios

UMA NOVA REALIDADE

NA MICROBIOLOGIA

A tecnologia MALDI-TOF identifica microrganismos

em minutos com rapidez, precisão e alta

confiabilidade por meio do perfil proteico

Amostra Preparação Análise Resultado

Identificação rápida, precisa e confiável

para o seu laboratório

POR QUE ESCOLHER O MALDI-TOF DA ZYBIO ?

Fluxo otimizado

Aplicações clínicas avançadas

Reagentes prontos


Blog dos Cientistas

• Introdução: Uma breve

descrição do método

de SPE validado e sua

finalidade, bem como

uma visão geral dos

procedimentos de validação

realizados.

• Descrição do Método:

Detalhes sobre o método

de SPE, incluindo a

composição do sorvente,

os parâmetros experimentais

otimizados e

qualquer modificação

ou adaptação específica

do método.

• Resultados da Validação:

Uma análise

detalhada dos resultados

obtidos durante os estudos

de validação, incluindo

dados brutos, análise

estatística e interpretação

dos resultados em relação

aos critérios de aceitação

estabelecidos.

• Conclusões: Uma avaliação

geral da adequação

e robustez do método

de SPE validado com

base nos resultados da

validação. Sendo assim,

devemos discutir qualquer

desvio significativo

dos critérios de aceitação,

juntamente com possíveis

ações corretivas.

• Recomendações: Recomendamos

considerar

precauções ou considerações

especiais durante a

implementação do método

de SPE em laboratório

para seu uso futuro.

• Anexos: Documentação

adicional, como

cromatogramas, curvas

de calibração, protocolos

de validação e qualquer

outra informação relevante

que apoie os resultados

apresentados no relatório.

Conclusão

Em suma, a validação

de métodos de SPE para

conformidade regulatória

é um processo complexo

que exige cuidado e atenção

aos detalhes. Sendo

assim, ao seguir os procedimentos

adequados

e documentar cuidadosamente

os resultados,

os laboratórios analíticos

podem garantir a confiabilidade

e a robustez de

seus métodos de preparação

de amostras, atendendo

assim aos requisitos

regulatórios estabelecidos

pelas agências governamentais.

Portanto,

revisar periodicamente

os métodos validados é

importante para garantir

que permaneçam adequados

às necessidades

analíticas em constante

evolução e às regulamentações

atualizadas.

38

Revista Analytica | Maio 2026

Ingrid Ferreira Costa

Bacharel em Química com Atribuições Tecnológicas. Possui formação em Química, Ciências Farmacêuticas, Gestão da Qualidade e

Cosmetologia. É Especialista em Gestão de Projetos de Inovação e Sustentabilidade. Auditora em normas do Sistema de Gestão da Qualidade.

Membro da Comissão Técnica de Divulgação do CRQ-IV/SP e de comitês nacionais da ABNT. Reconhecida como LinkedIn Top Voice 2024 e

LinkedIn Creator 2022. Contato: contato@biochemie.com.br


Espectrometria de Massas

A CANETA DO CÂNCER ALÉM DA CIRURGIA:

A ESPECTROMETRIA DE MASSAS NO MOMENTO

DA DECISÃO

Nas últimas semanas, a

tecnologia desenvolvida

pela pesquisadora Lívia

Eberlin voltou ao centro

das discussões científicas.

A brasileira foi reconhecida

pela Forbes como uma das

mulheres mais poderosas

do Brasil — um indicativo

do alcance e da relevância

dessa inovação. Mais do

que uma solução voltada

à cirurgia oncológica, a

proposta levanta uma discussão

mais ampla sobre

o papel da espectrometria

de massas na ciência aplicada:

até que ponto a análise

precisa estar separada

do momento da decisão?

Palavras-chave: ionização

ambiente; HRAM; fingerprinting;

inteligência artificial;

análise estatística; Orbitrap.

A MasSpec Pen, dispositivo

conhecido também

como “caneta do

câncer” emprega uma

estratégia revolucionária:

identificação de

células cancerígenas

em poucos segundos,

por meio da caracterização

química do

tecido em tempo real.

É a utilização de um

espectrômetro de massas

dentro do centro

cirúrgico. O dispositivo

reduz a dependência

de fluxos analíticos

sequenciais e aproxima

a geração de dados da

tomada de decisão.

Atualmente, a avaliação

de margens cirúrgicas

ainda depende,

em grande parte, de

análises histopatológicas

realizadas fora

do campo operatório.

Esse processo, além de

demandar tempo, evidencia

uma limitação

estrutural: a necessidade

de interromper

o procedimento para

obter uma resposta

analítica. Além disso,

o tempo de resposta

pode ultrapassar uma

hora, interrompendo

o fluxo cirúrgico e, em

muitos casos, ainda

deixa margem para

incertezas. A integração

proporcionada

pelo dispositivo busca

justamente minimizar

essa lacuna.

Revista Analytica | Maio 2026

39


Espectrometria de Massas

Do ponto de vista ins-

é direcionada ao espec-

A tecnologia já foi ava-

trumental, a ausência de

trômetro de massas. A

liada em centenas de

uma etapa cromatográfica

pode parecer contraintuitiva.

No entanto,

o uso de analisadores

de alta resolução e alta

exatidão de massas,

como o Orbitrap, permite

a discriminação entre

espécies isobáricas e a

redução de interferências

de matriz com elevado

grau de seletividade.

Nesse contexto, parte

da complexidade tradicionalmente

atribuída à

separação é transferida

para a capacidade analítica

do próprio espectrômetro

de massas.

ionização ocorre em

uma interface adaptada,

com formação de

íons semelhantes aos

observados em electrospray,

como [M+H] + ,

[M+Na] + + e [M+K] + . O

espectro obtido representa

um fingerprinting

molecular característico

da amostra analisada.

A interpretação desse

perfil molecular depende

da aplicação de métodos

estatísticos multivariados

e modelos preditivos

construídos a partir de

bases de dados robustas.

Dessa forma, a classifica-

pacientes, demonstrando

alta precisão na diferenciação

entre tecidos

saudáveis e tumorais em

diversos tipos de câncer.

Embora o uso clínico

da MasSpec Pen ainda

esteja em avaliação

junto à Food and Drug

Administration (FDA), o

princípio que sustenta a

tecnologia é amplamente

aplicável. A possibilidade

de realizar análises

rápidas, com mínima

preparação de amostra e

caráter pouco invasivo, é

relevante em diferentes

contextos. Isso inclui:

A caneta atua como um

sistema integrado de

amostragem e extração:

uma microgota de sol-

ção do tecido deixa de

ser apenas qualitativa e

passa a ser suportada por

critérios quantitativos e

• Autenticidade e segurança

de alimentos

Identificação de adulte-

vente entra em contato

probabilísticos, frequen-

rações, fraudes e conta-

com o tecido, promove a

temente associados a

minações

diretamente

40

Revista Analytica | Maio 2026

extração de metabólitos

e lipídios e, em seguida,

técnicas de aprendizado

de máquina.

no ponto de inspeção,

sem necessidade de


Espectrometria de Massas

envio ao laboratório ou

destruição de amostras

de alto valor agregado.

• Análise forense e toxicologia

Triagem rápida de substâncias

químicas, drogas

de abuso ou contaminantes

em superfícies e na

própria pele do indivíduo.

Figura 1. (A) O dispositivo MasSpec Pen é conectado diretamente à interface integrada ao

espectrômetro de massas Orbitrap Exploris. (B) A análise com o dispositivo é acionada por

um pedal que se comunica diretamente com os sistemas de controle da interface.1

• Diagnósticos clínicos

não invasivos

Avaliação de biomarcadores

diretamente na

pele ou em fluidos biológicos,

com potencial

para triagens rápidas.

• Pesquisa biológica e

ambiental

Análise de organismos

vivos ou amostras sensíveis

sem destruição

da amostra.

Em comum, esses cenários

compartilham a

necessidade de respostas

confiáveis em intervalos

cada vez menores. Essa é

uma demanda que vem

Figura 2. (Visão em corte da MasSpec Pen, mostrando os canais para entrada de água, ar e

amostra direcionados para a entrada do Espectrômetro de Massas. 1

impulsionando o avanço

de técnicas de ionização

ambiente e o uso de espectrometria

de massas de alta

resolução, dispensando o

uso de cromatografia.

Revista Analytica | Maio 2026

41


Espectrometria de Massas

Nesse contexto, sistemas

baseados em Orbitrap se

destacam por viabilizar

abordagens nas quais a

seletividade analítica é

alcançada diretamente

no espectro de massas,

reduzindo a dependência

de etapas adicionais

de separação e ampliando

as possibilidades de

aplicação fora do laboratório

tradicional.

Mais do que um novo dispositivo,

a MasSpec Pen

ilustra uma evolução no

papel da espectrometria

de massas: de ferramenta

predominantemente confirmatória

para um recurso

Figura 3. Espectros de massas adquiridos com MasSpec Pen a partir de um câncer seroso

ovariano de baixo grau e um ovário normal.1

capaz de contribuir diretamente

com a tomada de

decisão instantânea.

O desenvolvimento dessa

tecnologia também

evidencia a criatividade

e a capacidade da ciência

brasileira de gerar

soluções com impacto

internacional, conectando

conhecimento fundamental

em química analítica

a aplicações práticas

e aplicadas diretamente

para o bem-estar e saúde

humana. O avanço não

está apenas em medir

com maior precisão, mas

em tornar essa medida

disponível quando ela

realmente faz diferença.

Referência:

1.Thermo Scientific. A MasSpec Pen nas mãos de cirurgiões.

Nota de aplicação CS90796-PT-BR-0724.

42

Revista Analytica | Maio 2026

Daniele Fernanda de Oliveira Rocha

Bacharela em Química Tecnológica pela PUC-Campinas, Mestra e Doutora em Química Orgânica, e pós-doutorado em Espectrometria de Massas pela Unicamp.

Pós-doutorado em proteômica pelo The Scripps Research Institute - La Jolla, California. Especialista em LC-MS e GC-MS para Química ambiental e de alimentos;

Ciências forenses, toxicologia e bioanalítica; Produtos naturais e metabolômica; Indústria farmacêutica; Petróleo, geoquímica orgânica e biocombustíveis.

Atualmente é Gerente de Produtos em Espectrometria de Massas na Nova Analítica (revendedor autorizado Thermo Fisher Scientific).



Especial - Mercado & Tecnologia

REORGANIZAÇÕES ESTRATÉGICAS E NOVAS

TECNOLOGIAS MOVIMENTAM O MERCADO

ANALÍTICO GLOBAL

Aquisição da Plasmion pela Shimadzu e venda da divisão de microbiologia da Thermo Fisher

refletem mudanças no posicionamento tecnológico e operacional do setor de life science

Por Editorial Analytica

44

Revista Analytica | Maio 2026

O mercado global de

instrumentação analítica

e life science continua

atravessando um

ciclo de reorganização

estratégica marcado

por aquisições direcionadas,

especialização

tecnológica e revisão

de portfólios corporativos.

Nos últimos meses,

duas movimentações

envolvendo importantes

players internacionais

chamaram atenção do

setor: a aquisição da alemã

Plasmion GmbH pela

Shimadzu Corporation e

o acordo firmado entre

a Thermo Fisher Scientific

e o fundo europeu

Astorg para venda da

divisão global de microbiologia

da companhia.

Imagem ilustrativa

Embora possuam naturezas

distintas, ambas as

operações evidenciam

tendências relevantes

para o ecossistema

laboratorial, incluindo

fortalecimento de plataformas

analíticas especializadas,

expansão de

tecnologias voltadas à

espectrometria de massas

e crescente interesse

de investidores em segmentos

considerados

estratégicos dentro do

mercado de life science.


Especial - Mercado & Tecnologia

O cenário também reforça

uma transformação estrutural

importante no setor

analítico global, caracterizada

pela combinação

entre consolidação corporativa,

automação laboratorial

e desenvolvimento

de workflows mais rápidos

e integrados.

Shimadzu amplia atuação

em tecnologias de

ionização ambiente

A aquisição de 75% da

Plasmion pela Shimadzu

amplia a presença da

companhia japonesa em

tecnologias de ionização

aplicadas à espectrometria

de massas, especialmente

em abordagens voltadas à

análise rápida e à redução

do preparo de amostra.

A Plasmion desenvolve

sistemas de ionização

ambiente compatíveis com

diferentes plataformas de

MS, utilizados em aplicações

envolvendo compostos

voláteis e semivoláteis.

Nos últimos anos, esse

tipo de tecnologia passou

a ganhar espaço em

áreas como:

• monitoramento ambiental;

• food safety;

• análises forenses;

• controle industrial;

• breath analysis;

• triagem rápida de contaminantes.

Dentro dessa evolução

tecnológica, fabricantes de

instrumentação vêm direcionando

investimentos

para workflows capazes de

reduzir etapas analíticas,

aumentar produtividade

operacional e simplificar

rotinas laboratoriais.

Ao mesmo tempo,

cresce o interesse por

sistemas mais flexíveis e

adaptáveis a ambientes

analíticos fora de estruturas

laboratoriais altamente

especializadas.

Especialistas do setor

observam que tecnologias

de ionização

ambiente ainda enfrentam

desafios relacionados

à padronização

metodológica, robustez

em determinadas

matrizes complexas e

consolidação regulatória

em aplicações críticas.

Apesar disso, o avanço

dessas plataformas indica

expansão gradual do

interesse da indústria

por estratégias analíticas

mais ágeis e menos

dependentes de preparo

extensivo de amostra.

Revista Analytica | Maio 2026

45


Especial - Mercado & Tecnologia

46

Revista Analytica | Maio 2026

Mercado de espectrometria

de massas

acelera diversificação

tecnológica

A movimentação ocorre

em um momento de forte

competição tecnológica

no mercado de espectrometria

de massas.

Fabricantes globais vêm

ampliando investimentos

em automação, miniaturização,

inteligência

artificial aplicada ao processamento

de dados e

integração digital de plataformas

analíticas.

Além dos avanços tradicionais

relacionados

à sensibilidade instrumental

e resolução

espectral, o setor passou

a concentrar esforços em

produtividade operacional,

redução de tempo

analítico e simplificação

de workflows.

Dentro dessa dinâmica,

soluções voltadas à análise

direta e à ionização

ambiente vêm recebendo

atenção crescente, principalmente

em aplicações

que exigem respostas

rápidas e menor complexidade

operacional.

Paralelamente, laboratórios

enfrentam pressão

contínua por aumento

de produtividade, rastreabilidade

e redução

de custos operacionais,

fatores que influenciam

diretamente o direcionamento

tecnológico

dos fabricantes.

Thermo Fisher reorganiza

portfólio com

venda da divisão de

microbiologia

Em outra frente, a Thermo

Fisher Scientific

anunciou a venda de

sua divisão global de

microbiologia ao fundo

europeu Astorg. A operação

envolve linhas

relacionadas a meios de

cultura, testes microbiológicos

e soluções

voltadas ao controle

de contaminação em

diferentes segmentos

industriais.

A divisão possui atuação

relevante em áreas como:

• indústria farmacêutica;

• microbiologia industrial;

• alimentos e bebidas;

• controle ambiental;

• laboratórios clínicos;

• monitoramento microbiológico

de processos.

A movimentação sinaliza

uma reorganização

estratégica do portfólio

corporativo da Thermo

Fisher, acompanhando

uma tendência observada

em grandes grupos

internacionais de life

science e instrumentação

científica.


Nos últimos anos,

empresas do setor

passaram a priorizar

investimentos em áreas

consideradas de maior

crescimento tecnológico

e margem operacional,

incluindo bioprocessos,

plataformas

moleculares, terapias

avançadas, automação

laboratorial e soluções

digitais integradas.

Dentro desse cenário,

determinadas unidades

mais especializadas vêm

sendo reposicionadas

como operações independentes

ou direcionadas

a estruturas focadas

em nichos específicos

de mercado.

Fundos especializados

ampliam presença em

life science

Outro aspecto relevante

da operação envolvendo

a Astorg está relacionado

ao aumento da participação

de fundos de investimento

em segmentos

ligados ao mercado laboratorial

e bioindustrial.

Áreas como microbiologia

aplicada, diagnóstico

molecular, controle de

qualidade farmacêutico

e automação laboratorial

vêm sendo consideradas

setores resilientes

e com demanda técnica

crescente.

Esse movimento acompanha

a expansão global

das cadeias biofarmacêuticas,

aumento da

pressão regulatória

sobre controle microbiológico

e crescimento das

exigências relacionadas

à segurança de processos

produtivos.

Enquanto isso, investidores

vêm buscando

operações mais especializadas,

capazes de

atuar com maior foco

tecnológico e operacional

em segmentos laboratoriais

específicos.

Consolidação e especialização

remodelam o

setor analítico

As duas movimentações

reforçam uma transformação

mais ampla no mercado

analítico global. O setor

passa simultaneamente

por consolidação corporativa

e aumento da especialização

tecnológica.

Grandes fabricantes

continuam ampliando

presença em áreas

estratégicas, enquanto

empresas menores e

altamente especializadas

ganham relevância pelo

desenvolvimento de tecnologias

direcionadas a

aplicações específicas.


Especial - Mercado & Tecnologia

48

Revista Analytica | Maio 2026

Esse cenário favorece aquisições

seletivas voltadas

menos à expansão comercial

tradicional e mais à

incorporação de competências

tecnológicas,

propriedade intelectual e

diferenciação operacional.

Em paralelo, cresce a segmentação

do mercado

laboratorial, impulsionada

por demandas relacionadas

à automação,

integração digital, análise

de dados e workflows

de alta produtividade.

Pressão por eficiência

operacional influencia

estratégias globais

Outro fator importante

por trás dessas reorganizações

está relacionado

à crescente pressão por

eficiência operacional nos

laboratórios analíticos.

A necessidade de acelerar

rotinas, reduzir

gargalos analíticos e

ampliar rastreabilidade

vem influenciando diretamente

decisões estratégicas

de fabricantes,

investidores e grupos

multinacionais do setor.

No caso da espectrometria

de massas, cresce o

interesse por tecnologias

capazes de simplificar

o preparo de amostra

e acelerar aquisição

de dados.

Já em microbiologia

aplicada, as tendências

envolvem automação

de processos, monitoramento

contínuo, digitalização

laboratorial e

redução do tempo de

liberação analítica.

Dentro dessa evolução,

o mercado de life

science passa a operar

em um ambiente cada

vez mais orientado por

integração tecnológica,

produtividade e especialização

analítica.

Movimentações sinalizam

transformação

contínua do ecossistema

laboratorial

Embora as operações

anunciadas possuam

objetivos distintos, ambas

refletem mudanças estruturais

importantes no setor

global de instrumentação

analítica e life science.

Para laboratórios, fabricantes

e profissionais da área

analítica, o cenário indica

continuidade dos investimentos

em automação,

plataformas avançadas de

espectrometria de massas,

microbiologia aplicada e

soluções voltadas à eficiência

operacional.

Ao mesmo tempo, as

reorganizações corporativas

demonstram que

o mercado laboratorial

internacional continua em

transformação acelerada,

impulsionado por inovação

tecnológica, pressão regulatória

e mudanças no perfil

operacional das demandas

analíticas globais.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K


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HPLC Insights

PH, PKA, PKB E PI NA CROMATOGRAFIA

LÍQUIDA – FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES

Na cromatografia líquida,

o entendimento profundo

das propriedades

químicas dos analitos

é um dos pilares para o

sucesso de separações

eficientes, reprodutíveis

e robustas. Entre essas

propriedades, pH, pKa,

pKb e pI desempenham

papéis fundamentais,

influenciando diretamente

a forma química dos

compostos, sua retenção,

seletividade e estabilidade

cromatográfica.

50

Revista Analytica | Maio 2026

Neste artigo, exploraremos

detalhadamente

esses conceitos, suas diferenças

e aplicações práticas

no desenvolvimento

e otimização de métodos

cromatográficos.

1. Entendendo o pH

O pH é uma medida da

acidez ou basicidade de

uma solução aquosa.

• pH baixo (0–6): ambiente

ácido

• pH neutro (7): equilíbrio

ácido-base (água pura)

• pH alto (8–14): ambiente

básico

Na cromatografia líquida,

o pH da fase móvel

controla:

• A forma ionizada ou

neutra dos analitos

• A estabilidade da fase

estacionária (principalmente

em colunas de

sílica C18)

• A retenção e a seletividade

2. Entendendo o pKa

O pKa é o valor de pH no

qual 50% de uma molécula

está ionizada e 50%

está na forma neutra. Ele

está relacionado à força

de um ácido.

• Ácidos fortes têm pKa

muito baixo

• Ácidos fracos têm pKa

mais elevado

Importância na cromatografia:

• Quando pH < pKa, o

ácido está principalmente

na forma neutra

→ mais retenção em

RP-HPLC

• Quando pH > pKa,

o ácido está principalmente

ionizado →

menor retenção


HPLC Insights

Saber o pKa dos analitos

permite selecionar o pH

da fase móvel ideal para

maximizar a resolução e

reprodutibilidade.

3. Entendendo o pKb

O pKb é o valor relacionado

à força de uma base.

• Bases fortes têm pKb

baixo, bases fracas têm

pKb elevado.

Importância na cromatografia:

• Quando pH > pKb, a

base está principalmente

neutra → mais retenção

• Quando pH < pKb, a base

está principalmente ionizada

→ menor retenção

Conhecer o pKb é essencial

no ajuste de métodos

para compostos básicos,

especialmente em farmacêuticos

e bioanálises.

4. Entendendo o pI

(Ponto Isoelétrico)

O pI é o pH no qual uma

molécula (tipicamente

uma proteína ou peptídeo)

tem carga elétrica

líquida igual a zero.

• pH < pI → a molécula é

positivamente carregada

• pH > pI → a molécula é

negativamente carregada

Importância na cromatografia:

• No pI, a solubilidade

da molécula é mínima,

favorecendo agregação

ou precipitação

• Longe do pI, a molécula

está carregada,

melhorando solubilidade

e separação

O conhecimento do pI

é crucial para métodos

como HPLC, IEC (cromatografia

de troca iônica)

e SEC (cromatografia de

exclusão por tamanho).

5. Como pH, pKa, pKb e

pI Influenciam a Cromatografia?

5.1 Controle da forma

iônica dos analitos

O pH da fase móvel

determina se o analito

estará em sua forma ionizada

ou neutra:

• Forma neutra →

aumenta retenção em

cromatografia de fase

reversa (RP-HPLC)

• Forma ionizada →

reduz retenção, aumenta

eluibilidade

A forma química predominante

impacta:

• Hidrofobicidade relativa

(↑ retenção na RP-HPLC)

• Interações secundárias

(troca iônica, HILIC)

Exemplo prático: Um ácido

fraco (pKa ≈ 4,5) será

neutro em pH 3,0 (retido)

e ionizado em pH 6,0

(eluirá mais rapidamente).

5.2 Previsão de seletividade

e interação com a

fase estacionária

A forma do analito determina

suas interações

dominantes:

• Compostos neutros se

comportam predominantemente

via forças hidrofóbicas

(interações de

van der Waals) → melhor

separação em fase reversa

• Compostos ionizados

podem sofrer interação

eletrostática com grupos

residuais da fase estacionária,

alterando perfil de

retenção e largura de pico

Revista Analytica | Maio 2026

51


HPLC Insights

52

Revista Analytica | Maio 2026

Dica: Trabalhar com o analito

na forma neutra muitas

vezes aumenta a seletividade

entre compostos de

estrutura similar.

5.3 Estabilidade da

fase estacionária

O pH da fase móvel também

afeta a integridade da

coluna cromatográfica:

• pHs extremos (<2 ou

>8 para sílica tradicional)

podem degradar a

coluna, por isso sempre

realizar a seleção da coluna

de acordo com o uso

atual ou futuro

• Utilizar colunas específicas

(Ex.: fases híbridas ou

polímero-modificadas)

é obrigatório para trabalhar

em pH extremo

Impacto: A degradação

da coluna reduz a eficiência,

altera tempos de

retenção e gera silanol

ativo residual, prejudicando

a análise.

5.4 Evitar agregação de

proteínas

No pH igual ou muito

próximo ao pI, proteínas

e peptídeos:

• Perdem carga líquida

• Tendem a precipitar ou

formar agregados, prejudicando

a separação

Solução: Sempre ajustar

o pH da fase móvel para

pelo menos 1–2 unidades

acima ou abaixo do

pI, garantindo solubilidade

adequada durante

análise de biomoléculas.

5.5 Compatibilidade

com LC-MS

A análise acoplada à

espectrometria de massas

(LC-MS) requer atenção

especial:

• O pH influencia a ionização

dos analitos na interface

(ionização ESI/APCI)

• Soluções muito ácidas

ou básicas podem prejudicar

a eficiência da fonte

de ionização

• Uso de tampões

voláteis como ácido

fórmico, ácido acético,

amônia e formiato de

amônio é crucial

Objetivo: Manter condições

de pH que favoreçam

ionização eficiente e

estabilidade dos analitos

sem comprometer a sensibilidade

da detecção

em MS.

6. Estratégias Práticas de

Aplicação

6.1 Ajustar o pH para

maximizar a forma predominante

Trabalhar com o pH

ajustado garante que o

analito esteja predominantemente

na forma

desejada, seja neutro ou

ionizado. Regra prática:

• Para ácidos → escolha

pH 2 unidades abaixo

do pKa.

• Para bases → escolha

pH 2 unidades acima do

pKb.

Conclusão: Isso minimiza

variação na distribuição

de espécies químicas

durante a análise.

6.2 Evitar regiões de

transição (pH ≈ pKa/

pKb)

Se o pH da fase móvel estiver

muito próximo do pKa

ou pKb o analito existirá

em múltiplas formas (neutra

e ionizada). Isso gera:


HPLC Insights

• Picos largos

• Redução da eficiência de

separação

• Maior variabilidade em

tempos de retenção

Conclusão: Evitar trabalhar

em pH ±0,5 unidades

do pKa ou pKb sempre

que possível.

6.3 Escolher tampões

apropriados

A seleção de um tampão

adequado é fundamental

para manter a

estabilidade do pH da

fase móvel e garantir

reprodutibilidade analítica.

Logo:

• Ácido fórmico (pKa

3,8): adequado para pH

entre 2,5 e 4,5

• Acetato de amônio

(pKa 4,8): adequado

para pH entre 3,8 e 5,8

• Amônia (pKa 9,2): utilizada

para ajustes em pHs

alcalinos

Conclusão: O intervalo

de pKa do tampão próximo

ao pH desejado (±1

unidade)

6.4 Avaliar solubilidade

e estabilidade do analito

Além da retenção, ajustar

o pH influencia:

• Estabilidade química

(evitar degradação ácida

ou alcalina)

• Solubilidade, especialmente

para proteínas,

peptídeos e compostos

bioativos

Conclusão: Testes preliminares

de estabilidade e

solubilidade em diferentes

pHs são recomendados

durante o desenvolvimento

do método.

7. Aplicações Setoriais

de pH, pKa, pKb e pI na

Cromatografia Líquida

A compreensão dos conceitos

de pH, pKa, pKb e

pI permite adaptar estratégias

analíticas específicas

para cada setor,

otimizando retenção,

seletividade, solubilidade

e robustez dos métodos

cromatográficos.

7.1. Setor Farmacêutico

• Ajuste estratégico do

pH da fase móvel para

controlar a forma ionizada

ou neutra de fármacos,

aumentando a retenção

ou promovendo a eluibilidade

conforme necessário

• Previsão da estabilidade

química de princípios ativos

sensíveis a condições

de pH extremo

• Desenvolvimento de

métodos robustos para

análise de impurezas e

degradação, minimizando

variabilidade analítica

Impacto: Maior precisão

e reprodutibilidade em

controle de qualidade e

desenvolvimento de formulações

farmacêuticas.

7.2. Setor de Produtos

Naturais

• Controle do pH para

otimizar a solubilidade

de compostos bioativos,

como flavonoides, alcaloides

e terpenos

• Ajuste da fase móvel

para melhorar a separação

de misturas complexas,

levando em conta

o pKa dos compostos

naturais

• Minimização da degradação

de compostos

sensíveis através de

escolha criteriosa do pH

da fase móvel

Revista Analytica | Maio 2026

53


HPLC Insights

Impacto: Maior eficiência

na purificação, identificação

e quantificação

de compostos naturais

de interesse comercial ou

farmacológico.

7.3. Setor de Biotecnologia

e Bioquímica

• Ajuste do pH para trabalhar

longe do ponto isoelétrico

(pI) de proteínas

e peptídeos, prevenindo

agregação e melhorando

a eficiência de separação

• Utilização de valores de

pKa e pKb para selecionar

condições de retenção

ideais em HPLC, IEC (troca

iônica) ou SEC (exclusão

de tamanho)

• Preservação da estabilidade

estrutural de

biomoléculas durante o

processo analítico

Impacto: Maior sucesso

em purificações, estudos

de estabilidade e caracterizações

de proteínas e

biomarcadores.

7.4. Setor de Nutrição e

Saúde Animal

• Previsão da forma predominante

dos nutrientes e

fármacos veterinários em

diferentes segmentos do

trato gastrointestinal animal

(rúmen, estômago,

intestino), com base no

pKa e pH local

• Avaliação da biodisponibilidade

oral de ingredientes

ativos em função de sua

ionização e lipofilicidade

• Otimização de estratégias

de formulação de

suplementos e medicamentos

veterinários,

garantindo eficácia nutricional

e terapêutica

Impacto: Melhor desempenho

nutricional e farmacológico

de produtos

destinados à produção

animal e saúde veterinária.

Conclusão

Dominar os conceitos

de pH, pKa, pKb e pI na

cromatografia líquida é

essencial para analistas

que buscam desenvolver

métodos robustos, eficientes

e confiáveis. Esses

parâmetros, quando compreendidos

e aplicados de

forma estratégica, tornam

a otimização analítica mais

racional, precisa e cientificamente

fundamentada.

Referências

• Snyder, L. R., Kirkland, J. J., & Dolan, J. W. (2011). Introduction

to Modern Liquid Chromatography. Wiley.

• Neue, U. D. (1997). HPLC Columns: Theory, Technology,

and Practice. Wiley-VCH.

• Harris, D. C. (2015). Quantitative Chemical Analysis.

W.H. Freeman and Company.

• United States Pharmacopeia (USP), General Chapter

<621> Chromatography.

• ICH Q2(R1) – Validation of Analytical Procedures: Text

and Methodology.

54

Revista Analytica | Maio 2026

Edwin Bueno

Engenheiro químico e especialista em cromatografia, com mais de 13 anos de experiência no desenvolvimento de métodos analíticos.

Atualmente é diretor técnico da Atuallabs e consultor técnico de grandes indústrias, dedica-se a otimizar processos, garantir a

qualidade analítica e disseminar boas práticas laboratoriais, contribuindo para a excelência do setor.


Indústria de Alimentos - Processos e Desafios

ESTRATÉGIAS ANALÍTICAS APLICADAS

AO CONTROLE DE CIP PARA OTIMIZAÇÃO

DE CUSTOS E EFICIÊNCIA INDUSTRIAL

EM LATICÍNIOS

Aplicação de indicadores químicos e operacionais na redução de consumo de água, energia e

insumos químicos

Resumo

A higienização por Clean-in-Place

(CIP) representa

uma das etapas

mais críticas dentro da

indústria láctea, impactando

diretamente a

segurança dos alimentos,

a eficiência operacional

e os custos industriais.

O elevado consumo de

água, energia térmica e

produtos químicos torna

indispensável a adoção

de estratégias analíticas

capazes de monitorar e

otimizar os processos de

limpeza industrial. Neste

contexto, o controle

analítico de parâmetros

como condutividade, pH,

temperatura, concentração

química, turbidez e

indicadores microbiológicos

possibilita maior

precisão operacional,

redução de desperdícios

e aumento da confiabilidade

sanitária dos equipamentos

produtivos.

Além da eficiência sanitária,

o controle adequado

dos sistemas CIP possui

influência direta sobre a

estabilidade fermentativa

na produção de queijo

muçarela, especialmente

em processos que utilizam

culturas sensíveis à

ação de bacteriófagos. O

presente artigo aborda a

aplicação de ferramentas

analíticas no gerenciamento

de sistemas CIP

em indústrias lácteas,

destacando sua influência

na eficiência dos

processos, na redução de

custos operacionais e na

estabilidade produtiva.

1. Introdução

A crescente busca por

eficiência operacional

e redução de custos

na indústria láctea tem

impulsionado a adoção

de ferramentas analíticas

voltadas ao controle dos

processos industriais.

Entre estes processos, os

sistemas de higienização

Clean-in-Place (CIP) assumem

papel estratégico,

uma vez que influenciam

diretamente a segurança

microbiológica, a estabilidade

produtiva e o

consumo de recursos

industriais.

Os sistemas CIP são responsáveis

pela limpeza

interna de tanques, tubulações,

pasteurizadores,

silos e demais equipamentos

sem necessidade

de desmontagem, garantindo

padronização sanitária

e maior segurança

operacional. Entretanto,

sua operação inadequada

pode resultar em elevados

consumos de água, energia

térmica e produtos

químicos, além de comprometer

a eficiência da

higienização e aumentar

riscos de contaminação

microbiológica.

Revista Analytica | Maio 2026

55


Indústria de Alimentos - Processos e Desafios

56

Revista Analytica | Maio 2026

Em muitas indústrias

lácteas, os custos associados

aos ciclos de CIP

representam parcela

significativa dos custos

indiretos de produção,

especialmente devido ao

consumo de soda cáustica,

ácido nítrico, água

quente e energia térmica.

2. Relação entre Eficiência

de CIP e Performance

da Fermentação

Na produção de queijo

muçarela, a eficiência

dos sistemas de higienização

Clean-in-Place

(CIP) possui influência

direta sobre a estabilidade

da fermentação láctica

e, consequentemente,

sobre a produtividade

industrial e o rendimento

do processo.

O controle inadequado

da higienização em pontos

críticos do processo,

como caminhões isotérmicos,

silos de estocagem,

pasteurizadores, queijomáticas,

drenoprensas e

carrinhos de fermentação,

favorece a permanência

de resíduos orgânicos e

contaminantes microbiológicos

capazes de comprometer

a atividade das

culturas lácteas utilizadas

na fabricação.

Entre os principais riscos

microbiológicos associados

às falhas de higienização

destaca-se a presença

de bacteriófagos, vírus

capazes de infectar bactérias

ácido-lácticas utilizadas

como culturas starter.

A incidência de bacteriófagos

pode provocar

redução parcial ou total

da atividade fermentativa,

comprometendo diretamente

o desempenho

industrial da produção de

muçarela.

Em diversos casos industriais,

o fermento é tratado

como o problema,

quando na realidade o

fator limitante encontra-

-se na eficiência sanitária

do processo.

3. Fluxograma – Relação

entre falhas de CIP

e perdas industriais

CIP ineficiente

Resíduos orgânicos e

contaminação microbiológica

Presença e propagação

de bacteriófagos

Ataque às culturas starter

thermo-

(Streptococcus

philus)

Redução da atividade fermentativa

Fermentação lenta ou

paralisada

Maior tempo de processo

Perda de produtividade e

rendimento

Aumento do custo industrial

da muçarela

4. O CIP Como Ferramenta

Estratégica de

Eficiência Industrial

Em muitos casos, os sistemas

CIP ainda não recebem

dentro das indústrias

lácteas a importância

estratégica necessária,

sendo frequentemente

tratados apenas como

uma etapa operacional

de higienização. Entretanto,

o impacto do CIP

ultrapassa a segurança

sanitária, influenciando

diretamente fatores

como rendimento industrial,

estabilidade fermentativa,

consumo de

insumos e qualidade final

do produto.

Os custos relacionados à

higienização industrial

normalmente representam

valores relativamente

baixos quando


Indústria de Alimentos - Processos e Desafios

comparados ao volume

total processado,

podendo girar em torno

de R$ 0,01 por litro de

leite processado. Ainda

assim, falhas na gestão

e controle dos parâmetros

de limpeza podem

gerar perdas significativamente

superiores.

A escolha de fornecedores

tecnicamente qualificados,

aliada à validação

contínua dos produtos

químicos utilizados, torna-se

fundamental para

garantir que os parâmetros

estabelecidos

em ficha técnica sejam

efetivamente aplicados

dentro da rotina operacional

da indústria.

5. Benefícios do Controle

Analítico de CIP

• Redução do consumo

de água;

• Otimização do uso de

produtos químicos;

• Redução do tempo de

processo;

• Maior estabilidade da

fermentação;

• Aumento da produtividade

industrial;

• Melhoria do rendimento

da muçarela;

• Maior padronização da

qualidade final.

6. Conclusão

Os sistemas de higienização

Clean-in-Place (CIP)

exercem papel estratégico

dentro da indústria

láctea, indo muito além

de uma simples etapa

operacional de limpeza.

Sua eficiência possui

influência direta sobre a

estabilidade microbiológica,

a performance fermentativa,

o rendimento

industrial e os custos de

produção da muçarela.

A aplicação de estratégias

analíticas voltadas

ao monitoramento dos

sistemas CIP demonstra

ser fundamental para

assegurar maior confiabilidade

operacional,

redução de desperdícios

e estabilidade produtiva.

Dessa forma, o CIP deve

ser tratado como uma

ferramenta estratégica

de gestão industrial,

sendo parte essencial da

performance produtiva

e econômica das indústrias

lácteas modernas.

“A eficiência sanitária

de uma indústria não

deve ser medida apenas

pela limpeza visual

dos equipamentos, mas

pela sua capacidade de

garantir estabilidade

produtiva, performance

fermentativa e consistência

industrial.”

Referências Bibliográficas Sugeridas

FOX, P. F.; McSWEENEY, P. L. H. Dairy Chemistry and

Biochemistry. Springer.

WALSTRA, P. Dairy Science and Technology. CRC Press.

BRASIL. Ministério da Agricultura – Regulamentos Técnicos

de Boas Práticas de Fabricação.

SILVA, N. et al. Manual de Métodos de Análise Microbiológica

de Alimentos.

Thiago Valente Pires

Tecnólogo em laticínios com 19 anos de experiência. Atuou por mais de 10 anos na indústria e como gerente comercial na Novonesis.

Hoje é gestor de operações no Laticínios Mutumilk, com foco em inovação e eficiência.

Revista Analytica | Maio 2026

57


P&D Analítico e Farmacotécnico

EFICIÊNCIA ANALÍTICA E SUSTENTABILIDADE

OTIMIZAM O P&D FARMACÊUTICO

58

Revista Analytica | Maio 2026

Durante muito tempo,

produtividade analítica

e sustentabilidade

foram tratadas como

objetivos paralelos na

indústria farmacêutica.

O cenário atual começa

a alterar essa lógica.

Recentemenmte, principalmente

nesses últimos

anos, a combinação

entre Process Analytical

Technology, inteligência

artificial, Green Analytical

Chemistry e estratégias

de desenvolvimento

baseadas em risco

passou a transformar o

próprio conceito de eficiência

analítica.

O laboratório assume

um papel ativo na construção

de processos

mais robustos, preditivos

e sustentáveis.

O avanço do controle

em tempo real

A expansão das estratégias

de Process Analytical

Technology, PAT,

consolidou uma mudança

importante na rotina

industrial. Técnicas

espectroscópicas in-line,

como NIR, Raman e FTIR,

associadas à quimiometria

e aos modelos multivariados,

passaram a

permitir monitoramento

contínuo de variáveis

críticas de processo.

Na prática, isso reduz

a dependência de análises

exclusivamente

laboratoriais realizadas


P&D Analítico e Farmacotécnico

após a produção. O controle

migra para dentro

do processo produtivo,

permitindo ajustes em

tempo real e reduzindo

desvios operacionais.

Essa abordagem fortalece

conceitos como Real-

-Time Release Testing,

RTRT, no qual determinados

atributos críticos

de qualidade podem ser

monitorados continuamente

durante a fabricação,

diminuindo etapas

tradicionais de liberação.

O impacto é técnico e

operacional; com redução

de consumo energético,

menor descarte

de lotes, diminuição

do retrabalho analítico

e ganho expressivo de

produtividade industrial.

ATP e QbD ampliam a

robustez analítica

A publicação da diretriz

ICH Q14 consolidou

uma das mudanças mais

relevantes do desenvolvimento

analítico moderno.

O método analítico deixa

de ser construído apenas

para atender parâmetros

finais de validação

e passa a ser desenhado

a partir de um objetivo

analítico claramente definido,

o Analytical Target

Profile, ATP.

Esse conceito aproxima

definitivamente o

desenvolvimento analítico

dos princípios de

Quality by Design, QbD.

Em vez de validar um

método apenas ao final

do desenvolvimento, a

tendência atual prioriza

compreensão científica,

gerenciamento de risco

e conhecimento aprofundado

das variáveis

críticas do método.

Técnicas como UHPLC,

LC-MS/MS de alta resolução

e ferramentas

avançadas de modelagem

estatística ganham

espaço nesse contexto,

especialmente em

métodos destinados à

análise de impurezas,

produtos de degradação,

nitrosaminas e formulações

complexas.

O resultado é um método

mais robusto ao longo

do ciclo de vida, com

menor necessidade de

retrabalhos regulatórios

e maior previsibilidade

de desempenho.

Inteligência artificial

chega ao laboratório

analítico

A incorporação de inteligência

artificial e machine

learning ao ambiente analítico

deixou de ser apenas

uma discussão conceitual.

Modelos preditivos já

começam a ser utilizados

para otimização

cromatográfica, avaliação

de tendências,

tratamento de dados

espectrais, detecção de

desvios e construção de

modelos quimiométricos

mais robustos.

Revista Analytica | Maio 2026

59


P&D Analítico e Farmacotécnico

Na farmacotécnica, essas

ferramentas também

avançam rapidamente

em aplicações ligadas à

otimização de operações

unitárias, definição de

parâmetros críticos de

processo e desenvolvimento

de formas farmacêuticas

complexas.

A tendência acompanha o

conceito de Indústria 5.0,

no qual automação, análise

de dados e tomada de

decisão assistida coexistem

com conhecimento

técnico especializado.

Essas tecnologias ampliam

capacidade analítica, velocidade

de interpretação e

eficiência operacional.

Green Analytical Chemistry

ganha protagonismo

técnico

A Green Analytical Chemistry

deixou de ocupar

apenas um espaço institucional

ou ambiental

nas discussões do setor

farmacêutico.

Atualmente, reduzir solventes

orgânicos, diminuir

tempo de corrida

cromatográfica, simplificar

preparo de amostras

e minimizar geração de

resíduos representam

também ganhos técnicos

e econômicos relevantes.

A adoção crescente de

UHPLC exemplifica essa

transformação. Além de

melhorar resolução e

sensibilidade analítica, a

técnica reduz significativamente

consumo de solventes

e tempo de análise.

Ferramentas como

AGREE, GAPI e Analytical

Eco-Scale começam a ser

utilizadas para mensurar

o impacto ambiental dos

métodos analíticos de forma

objetiva e comparável.

O movimento acompanha

uma pressão crescente

por processos industriais

mais eficientes, alinhados

às metas globais de sustentabilidade

e racionalização

operacional.

Uma nova lógica para

o desenvolvimento farmacêutico

A convergência entre

PAT, ATP, QbD, inteligência

artificial e Green

Analytical Chemistry

redefine o papel estratégico

do desenvolvimento

analítico dentro da

indústria farmacêutica.

O método analítico

moderno não deve apenas

gerar resultados confiáveis.

Ele precisa contribuir

para processos mais

rápidos, sustentáveis,

inteligentes e economicamente

viáveis.

Com isso, eficiência

analítica e sustentabilidade

passam a integrar

a mesma estratégia de

desenvolvimento tecnológico

e competitividade

industrial.

60

Revista Analytica | Maio 2026

Carlos Eduardo Rodrigues Costa

Farmacêutico industrial com 20 anos de experiência em gestão em diversas áreas na indústria farmacêutica, incluindo Controle de

Qualidade, P&D e Validação de Processos. Especialista em otimização e melhoria contínua, com domínio em instrumentação analítica

avançada e desenvolvimento de produtos.


Logística e Inteligência Artificial na Saúde

TRANSPORTE TERRESTRE PARA SAÚDE

NO BRASIL

A construção de um novo marco técnico para a segurança logística sanitária

O transporte terrestre

para a saúde sempre foi

um dos pilares mais críticos

e, ao mesmo tempo,

menos padronizados de

toda a cadeia assistencial

brasileira. Durante anos,

hospitais, laboratórios,

indústrias farmacêuticas,

operadores logísticos,

distribuidores e serviços

diagnósticos aprenderam

a conviver com um

cenário regulatório fragmentado,

no qual diferentes

órgãos estabelecem

exigências técnicas

específicas, porém sem

uma norma estruturante

única que consolide

requisitos operacionais

mínimos para a logística

terrestre da saúde.

Essa realidade começa

agora a avançar para um

novo patamar técnico.

Com a formação de um

Grupo de Trabalho (GT)

no âmbito do ABNT/

CB-16 - Comitê Brasileiro

de Transportes e

Tráfego da Associação

Brasileira de Normas

Técnicas - inicia-se oficialmente

uma força-tarefa

voltada à discussão

de recomendações

técnicas aplicáveis ao

transporte terrestre de

produtos regulados

para saúde no Brasil.

E essa discussão vai muito

além do transporte de

materiais biológicos.

Estamos falando de uma

cadeia extremamente

ampla, sensível e estratégica,

que envolve medicamentos,

produtos para

saúde, materiais biológicos,

resíduos com potencial

infectante, roupas

hospitalares contaminadas,

embalagens técnicas,

monitoramento térmico,

rastreabilidade operacional,

higienização veicular,

qualificação operacional

e biossegurança logística.

Atualmente, o transporte

terrestre para saúde opera

sob um ecossistema

regulatório complexo,

envolvendo simultaneamente

exigências da

ANVISA, ANTT, Vigilâncias

Sanitárias estaduais

Revista Analytica | Maio 2026

61


Logística e Inteligência Artificial na Saúde

62

Revista Analytica | Maio 2026

e municipais, além de

referências técnicas

internacionais aplicáveis

ao transporte terrestre

de produtos perigosos,

materiais biológicos e

sistemas de embalagem,

incluindo recomendações

da Organização Mundial

da Saúde (OMS) e as Pack

Instructions da ICAO/

IATA utilizadas mundialmente

como referência

técnica para especificação

e desempenho de

embalagens destinadas

ao transporte seguro de

substâncias biológicas e

produtos regulados.

Na prática, isso significa

que a segurança de uma

única amostra laboratorial

ou de um medicamento

termolábil depende diretamente

de diversos fatores

integrados, como:

- qualificação da embalagem

utilizada;

- tempo e estabilidade

da rota;

- monitoramento de temperatura;

- segregação sanitária da

carga;

- higienização das superfícies

veiculares;

- classificação de risco do

material transportado;

- capacitação dos profissionais

envolvidos;

- adequação e compatibilidade

do veículo utilizado;

- conformidade das

embalagens com critérios

técnicos reconhecidos

internacionalmente.

O desafio é sistêmico.

E justamente por isso,

a aproximação entre

especialistas do setor e

a ABNT representa um

ganho estratégico para

toda a cadeia da saúde.

A construção de recomendações

técnicas

nacionais poderá trazer

benefícios diretos para

todos os stakeholders

envolvidos:

- pacientes, por meio de

maior segurança diagnóstica

e terapêutica;

- hospitais e laboratórios,

com redução de

riscos operacionais e

perdas assistenciais;

- transportadoras especializadas,

com critérios

técnicos mais claros e

padronizados;

- indústrias farmacêuticas

e diagnósticas, com

maior previsibilidade

operacional;

- órgãos reguladores e

fiscalizadores, por meio de

referências harmonizadas

para auditorias e inspeções;

- e o próprio mercado,

que evolui para um

cenário de maior maturidade

técnica e segurança

operacional.

Um dos pontos mais

relevantes dessa discussão

envolve também

o transporte terrestre

de roupas hospitalares

limpas e contaminadas.

Embora muitas vezes


Logística e Inteligência Artificial na Saúde

tratado apenas como

atividade de apoio operacional,

esse processo

representa componente

crítico da biossegurança

assistencial.

A RDC ANVISA nº 6/2012

estabelece requisitos

claros para segregação

entre roupas limpas

e sujas, utilização de

veículos apropriados e

prevenção de contaminação

cruzada durante

o transporte.

Casos recentes de repercussão

pública envolvendo

falhas no transporte de

enxoval hospitalar evidenciam

que o tema possui

impacto sanitário real e

demanda maior padronização

técnica nacional.

Outro aspecto importante

envolve a rastreabilidade

operacional e a

integridade dos sistemas

utilizados na cadeia

logística terrestre da saúde.

Em um cenário cada

vez mais dependente de

sistemas digitais, aplicativos

de monitoramento,

telemetria e controle

térmico, torna-se indispensável

discutir rastreabilidade,

integridade de

registros e confiabilidade

operacional das evidências

logísticas.

O Brasil possui hoje uma

oportunidade importante

de avançar para um

novo nível de maturidade

técnica no transporte terrestre

sanitário.

Mais do que criar documentos,

essa força-tarefa

representa a possibilidade

de estruturar bases

sólidas para uma logística

terrestre em saúde verdadeiramente

validada,

segura, auditável e alinhada

às necessidades

reais da cadeia assistencial

brasileira.

Após mais de uma década

acompanhando os desafios

do setor, torna-se evidente

que a construção coletiva

entre especialistas técnicos,

mercado, indústria e ABNT

pode representar um divisor

de águas para a logística

terrestre da saúde no país.

O desafio é grande.

Mas a necessidade é ainda

maior.

Dr. Cristhian Roiz

Autor de vários artigos e um nome de referência no setor de transporte de cargas da saúde e regulamentações, é fundador do Programa de

Qualificação do Transporte para Saúde (PQTS), uma iniciativa que visa a melhoria contínua dos processos de transporte e armazenamento

de produtos da saúde por meio da capacitação, auditorias e consultorias especializadas, e do curso de Formação de Auditores Especialistas.

Esse curso já capacitou profissionais em 11 estados brasileiros e internacionalmente, consolidando-se como uma das principais formações

para aqueles que buscam especialização em auditorias e consultorias para o transporte de materiais biológicos e medicamentos.

Revista Analytica | Maio 2026

63


Química no Meio Ambiente

POLUENTES DA ÁGUA AINDA SEM CONTROLE

64

Revista Analytica | Maio 2026

Não existe sombra de

dúvida de que a água é

o principal líquido para a

existência humana.

Boa parte de nosso corpo é

água, e ela, água, compõe

o principal líquido dentro

de nosso corpo, o sangue.

Numa forma bem

simples de raciocinar,

deveríamos mantê-la

sempre disponível e na

melhor qualidade para

nosso consumo e até

mesmo para nossos afazeres

domésticos e também

porque não dizer,

para os devidos fins

industriais para nossa

qualidade de vida.

Porém, sabemos que a

realidade, hoje, século XXI,

é bem diferente do que

deveria ser neste idealismo

descrito anteriormente.

Usamos até hoje, a água,

para afastar esgoto de

dentro de nossas casas,

chegando assim aos rios

e até oceanos.

Um ponto precisa ser elucidado,

quando uma pessoa

leiga diz ou até mesmo

escreve que a água está

chegando ao fim.

Esta heresia, citada por

quem esquece o que é o

planeta onde vive é realmente

de se lamentar.

Não é possível a água

acabar, pois ela não sai

do planeta. Precisaria de

muitos ônibus espaciais

ou caminhões pipas espaciais

para isto ocorrer.

(perdão pela licença poética/científica/absurda)

A disponibilidade de água

potável é que está cada

vez mais difícil, isto sim, e

por consequência de nossos

atos perante ao uso

que fazemos dela.

Neste artigo, queremos

salientar um problema

de saúde pública, que

não é exclusividade nosso,

mas praticamente de

todos os países.

Pessoas no planeta inteiro,

fazem uso, quando

necessário e indicado,

de medicamentos como

antibióticos, hormônios,

antitérmicos, antinflamatórios

e outros.

A realidade é que em

todo o mundo são encontrados

resíduos destas

substâncias nas águas

de mananciais e mesmo,

creiam, após tratamento

para se tornarem potável.

Porque nos atrevemos a

citar o mundo todo, pois

o tratamento convencional

para potabilidade

da água, não consegue

remover tais substâncias.

Não é impossível retirá-las

da água, mas o

custo é completamente

inviável na atualidade.

Requer processo de alto

custo, como por exemplo

membranas especiais e

carvão ativado.

O problema, que pode

parecer simples, como

não jogar estes medicamentos

na água, não é o

principal ponto. A grande

questão é que nós seres

humanos quando consumimos

estes produtos,


excretamos parte deles na

nossa urina e até mesmo

fezes, em alguns casos.

Portanto, atualmente,

consumimos estes produtos

farmacêuticos, não

porque queremos, mas

porque precisamos, então

nós somos os geradores

do problema na água que

nós mesmos consumimos.

Claro que o descarte de restos

destes produtos deve

ser feito da forma correta.

O ideal seria retornar, numa

logística reversa, para o

fabricante, o qual deveria se

incumbir da destinação correta

do material, evitando

assim a poluição ambiental.

Chamamos a atenção para

isto, pois, nos esmeramos

em produzir substâncias

deste tipo no mundo todo,

no intuito de melhorar a

qualidade de nossa vida,

mas este “efeito colateral”,

em países como o nosso é

algo crescente e alarmante.

Não temos legislação no

país sobre o controle efetivo

na água potável referente

a estas substâncias.

Temos que também citar,

que hormônios, por exemplo,

não são apenas advindos

de medicamentos

ministrados, mas também

de origem natural do ser

humano, que os excreta

no seu esgoto doméstico,

de forma naturalíssima.

Tomemos por lógica que,

se a população aumenta,

o problema aumenta

de forma concomitante,

quase que matemática.

Pessoa sensíveis a estes

hormônios, antibióticos,

antinflamatórios e

outros podem ter seus

quadros de saúde agravados

quando estiverem,

por exemplo com

enfermidades complexas,

segundo estudos já

realizados pelo mundo.

Química no Meio Ambiente

Infelizmente, este é um

problema antigo, que

requer seriedade no

tratamento para sua

solução, ou no mínimo

diminuição, pois, alguns

problemas de aparecimento

de enfermidades,

e porque não dizer, uma

das piores para o ser

humano, como a carcinogênese,

em muitos casos,

procuramos a causa e

não encontramos.

Melhorar a qualidade de

vida é o intuito de qualquer

ser humano, porém,

precisamos saber de onde

vem os problemas e enfaticamente

estudar e trabalhar

para mitigar situações

que podem ser minoradas

através da tecnologia.

Este é uma situação, onde

na nossa parca opinião,

caberia bem incentivo fiscal

para elucidação deste

problema de saúde pública

no Brasil e no mundo.

Rogerio Aparecido Machado

Bacharel em Química com atribuições tecnológicas - (1987), latu sensu em Qualidade na área de Engenharia (1991), mestrado em

Saneamento Ambiental pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1999) e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São

Paulo (2003). Atualmente é professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Faculdade São Bernardo do Campo além de Químico

Responsável do Instituto Presbiteriano Mackenzie.

Revista Analytica | Maio 2026

65


Radar Científico I

PROTEÔMICA TUMORAL BASEADA EM

ESPECTROMETRIA DE MASSAS NA ONCOLOGIA

TRANSLACIONAL: AVANÇOS ANALÍTICOS,

APLICAÇÕES E DESAFIOS LABORATORIAIS

Por Editorial Analytica

66

Revista Analytica | Maio 2026

Resumo

A proteômica baseada

em espectrometria de

massas vem ampliando

sua relevância na oncologia

translacional devido à

capacidade de caracterizar

alterações funcionais

associadas à progressão

tumoral, resposta terapêutica

e mecanismos

de resistência a medicamentos.

O avanço de

plataformas analíticas de

alta resolução, associado

ao desenvolvimento de

workflows automatizados

e ferramentas bioinformáticas,

vem permitindo

a análise aprofundada de

proteínas, fosfoproteínas

e biomarcadores em tecidos

tumorais fresh-frozen

e formalin-fixed paraffin-embedded

(FFPE). O

presente artigo discute os

avanços recentes da proteômica

tumoral aplicada

à pesquisa translacional,

enfatizando o papel da

espectrometria de massas

na identificação de

proteínas de superfície

celular, vias de sinalização

fosforiladas e componentes

do microambiente

tumoral. Também

são abordadas aplicações

em medicina de precisão,

desenvolvimento biofarmacêutico,

integração

com inteligência artificial

e os desafios relacionados

à padronização analítica,

reprodutibilidade interlaboratorial

e validação

clínica de biomarcadores

proteômicos. O cenário

atual demonstra crescimento

consistente da

proteômica funcional na

oncologia, consolidando

a espectrometria de

massas como ferramenta

estratégica para pesquisa

translacional e desenvolvimento

terapêutico.

Palavras-chave: proteômica

tumoral; espectrometria

de massas; oncologia

translacional; LC-MS/

MS; biomarcadores.

1 Introdução

A oncologia translacional

vem passando por

mudanças significativas

impulsionadas pelo crescimento

das tecnologias

ômicas aplicadas à caracterização

molecular tumoral.

Embora a genômica tenha

ocupado posição central

nas últimas décadas, a

proteômica baseada em

espectrometria de massas

passou a ganhar destaque

devido à sua capacidade

de avaliar alterações

funcionais diretamente

relacionadas ao fenótipo

celular e à atividade biológica

dos tumores.

Diferentemente da análise

genômica, que avalia

alterações no DNA ou no

RNA, a proteômica permite

investigar proteínas

efetivamente expressas,

modificações pós-traducionais

e estados

funcionais celulares. Esse

aspecto possui elevada


Radar Científico I

relevância na oncologia,

considerando que muitos

processos relacionados

à progressão tumoral,

resistência terapêutica e

interação com o sistema

imune dependem diretamente

da dinâmica proteica

intracelular.

Nos últimos anos, avanços

instrumentais em

plataformas de cromatografia

líquida acoplada à

espectrometria de massas

tandem (LC-MS/MS)

ampliaram significativamente

a profundidade

analítica da proteômica

aplicada à pesquisa

translacional. Sistemas

Orbitrap, time-of-flight

(TOF) e tecnologias híbridas

passaram a oferecer

maior sensibilidade,

resolução e velocidade

de aquisição de dados,

permitindo análises

quantitativas mais robustas

mesmo em amostras

complexas e com baixo

volume proteico.

Há, também, o crescimento

de workflows de

aquisição independente

de dados (DIA, Data

Independent Acquisition)

e ferramentas

bioinformáticas associadas

ao uso de inteligência

artificial vem

aumentando a capacidade

de interpretação

de grandes volumes de

dados proteômicos.

Nesse contexto, plataformas

recentes voltadas

à proteômica tumoral

passaram a integrar

análises de proteínas

de superfície celular,

fosfoproteômica, biomarcadores

imunológicos

e mecanismos de

resistência terapêutica

em uma única abordagem

analítica. O avanço

dessas aplicações possui

impacto direto em laboratórios

de pesquisa

translacional, centros

oncológicos, biofarmacêuticas

e setores de

desenvolvimento de

terapias-alvo.

O presente artigo analisa

os avanços recentes

da proteômica tumoral

baseada em espectrometria

de massas, destacando

aplicações laboratoriais,

desafios técnicos e

perspectivas futuras para

a oncologia translacional.

2 Evolução da proteômica

baseada em espectrometria

de massas

A evolução da proteômica

moderna está diretamente

associada ao desenvolvimento

de técnicas

de ionização suaves e

sistemas instrumentais de

alta resolução. O avanço

da ionização por electrospray

(ESI) e matrix-assisted

laser desorption ionization

(MALDI) possibilitou

a análise de biomoléculas

complexas sem degradação

significativa da estrutura

proteica.

Posteriormente, o desenvolvimento

de analisadores

Orbitrap e TOF ampliou

a resolução espectral, precisão

de massa e capacidade

de identificação proteica

em matrizes biológicas

complexas.

Na oncologia translacional,

essas melhorias permitiram

ampliar a identificação de

proteínas diferencialmente

expressas em tumores

sólidos, hematológicos

e tecidos metastáticos. A

espectrometria de massas

passou então a desempenhar

papel importante na

descoberta de biomarcadores

e na caracterização

molecular de tumores.

Revista Analytica | Maio 2026

67


Radar Científico I

68

Revista Analytica | Maio 2026

Outro avanço importante

foi a consolidação de

estratégias bottom-up

proteomics, nas quais

proteínas são submetidas

à digestão enzimática,

geralmente utilizando

tripsina, seguida pela

análise dos peptídeos

gerados em LC-MS/MS.

Essa abordagem possibilitou

maior profundidade

analítica, identificação

proteica em larga

escala e melhor desempenho

quantitativo.

Atualmente, workflows

proteômicos podem

identificar milhares de

proteínas em uma única

corrida cromatográfica,

permitindo análises

mais abrangentes de

vias celulares associadas

à proliferação tumoral,

apoptose, angiogênese

e invasão metastática.

3 Aplicações da proteômica

tumoral na oncologia

translacional

3.1 Identificação de biomarcadores

Uma das aplicações

mais relevantes da proteômica

tumoral está

relacionada à identificação

de biomarcadores

preditivos, prognósticos

e diagnósticos.

A análise quantitativa

de proteínas permite

identificar assinaturas

moleculares associadas

à progressão tumoral,

agressividade clínica e

resposta terapêutica.

Biomarcadores proteômicos

vêm sendo investigados

em diferentes

tipos tumorais, incluindo

câncer de mama, pulmão,

próstata, melanoma

e glioblastoma.

Além disso, proteínas de

superfície celular passaram

a receber atenção especial

devido ao potencial como

alvos terapêuticos para

anticorpos monoclonais e

imunoterapias.

3.2 Fosfoproteômica

aplicada à resposta

terapêutica

A fosfoproteômica

representa uma vertente

especializada da proteômica

voltada à análise

de proteínas fosforiladas

envolvidas em cascatas

de sinalização celular.

Na oncologia, vias como

PI3K/AKT/mTOR, EGFR,

HER2 e MAPK possuem

importância central na

proliferação tumoral e

resistência terapêutica.

A análise do estado

de fosforilação dessas

proteínas permite compreender

mecanismos

funcionais associados à

resistência adquirida a

terapias-alvo e quimioterápicos.

Podemos considerar que

a fosfoproteômica pode

auxiliar na identificação de

pacientes mais propensos

a responder a determinados

tratamentos.

3.3 Caracterização do

microambiente tumoral

Outra aplicação relevante

está relacionada ao estudo

do microambiente

tumoral.

A interação entre células

tumorais, células imunes,

fibroblastos e matriz

extracelular influencia

diretamente a progressão

da doença e a resposta

terapêutica.


Radar Científico I

A proteômica espacial

vem sendo utilizada para

mapear proteínas associadas

à resposta inflamatória,

escape imunológico

e recrutamento

celular dentro do tumor.

Essa abordagem possui

relevância crescente no

desenvolvimento de

imunoterapias e terapias

celulares.

4 Uso de tecidos FFPE

na proteômica translacional

O uso de tecidos formalin-fixed

paraffin-embedded

representa um

avanço importante na

aplicabilidade clínica da

proteômica.

Hospitais e laboratórios

de anatomia patológica

armazenam grandes volumes

de amostras FFPE,

criando oportunidades

para estudos retrospectivos

em larga escala.

Historicamente, a formalização

química

induzida pela formalina

dificultava análises proteômicas

devido à reticulação

proteica.

Entretanto, avanços em

protocolos de extração

proteica, digestão enzimática

e preparo de

amostras vêm reduzindo

essas limitações.

Atualmente, workflows

modernos conseguem

recuperar informações

quantitativas relevantes

mesmo em tecidos armazenados

há anos.

Esse cenário amplia significativamente

a disponibilidade

de amostras para

pesquisa translacional

e validação de biomarcadores.

5 Integração da proteômica

com inteligência

artificial

O crescimento da proteômica

de larga escala

aumentou substancialmente

o volume de dados

gerados nos laboratórios.

A interpretação desses

dados passou a depender

cada vez mais de

ferramentas computacionais

avançadas.

Algoritmos de machine

learning e inteligência

artificial vêm sendo

utilizados para identificação

de padrões proteômicos,

classificação

tumoral e construção de

modelos preditivos.

A integração entre proteômica,

transcriptômica,

metabolômica e dados

clínicos possibilita análises

mais abrangentes da

biologia tumoral.

Além disso, ferramentas

bioinformáticas modernas

auxiliam na identificação

de proteínas diferencialmente

expressas,

vias metabólicas alteradas

e potenciais biomarcadores

clínicos.

Esse avanço também

aumenta a demanda por

profissionais especializados

em bioinformática

aplicada à espectrometria

de massas.

6 Desafios analíticos e

laboratoriais

Apesar dos avanços tecnológicos,

a proteômica

tumoral ainda enfrenta

desafios importantes

relacionados à padronização

analítica e validação

clínica.

Revista Analytica | Maio 2026

69


Radar Científico I

70

Revista Analytica | Maio 2026

A variabilidade pré-

-analítica permanece

como um dos principais

fatores de interferência

nos resultados.

Aspectos como coleta,

armazenamento, fixação

tecidual e preparo de

amostra podem impactar

diretamente a qualidade

dos dados proteômicos.

Soma-se a isso que diferenças

instrumentais

entre laboratórios dificultam

a reprodutibilidade

interlaboratorial.

Outro desafio relevante

está relacionado à validação

clínica de biomarcadores

identificados em

estudos exploratórios.

Embora milhares de proteínas

diferencialmente

expressas sejam descritas

em estudos proteômicos,

apenas uma pequena

parcela alcança aplicação

clínica validada.

Esse cenário reforça a

necessidade de protocolos

mais robustos, harmonização

metodológica e

estudos multicêntricos.

7 Conclusão

A proteômica tumoral

baseada em espectrometria

de massas vem consolidando

sua importância

na oncologia translacional

devido à capacidade

de investigar alterações

funcionais associadas à

progressão tumoral e resposta

terapêutica.

O avanço de plataformas

analíticas de alta

resolução, aliado à

evolução da bioinformática

e da inteligência

artificial, ampliou

significativamente a

profundidade analítica

das abordagens proteômicas

modernas.

Aplicações envolvendo

biomarcadores, fosfoproteômica

e análise

do microambiente

tumoral vêm fortalecendo

o papel da espectrometria

de massas na

pesquisa oncológica e

no desenvolvimento

biofarmacêutico.

Apesar dos desafios relacionados

à padronização

e validação clínica, o cenário

atual indica expansão

contínua da proteômica

funcional em laboratórios

translacionais, centros

oncológicos e indústrias

biofarmacêuticas.

A tendência aponta para

integração crescente

entre tecnologias ômicas,

inteligência artificial

e workflows automatizados,

consolidando a

proteômica como ferramenta

estratégica na

medicina de precisão.

Referências

AEBERSOLD, R.; MANN, M. Mass-spectrometric

exploration of proteome structure and function.

Nature, v. 537, p. 347-355, 2016.

ALTELAANI, H. et al. Mass spectrometry in cancer

biomarker discovery and validation. Clinical Proteomics,

v. 18, n. 1, p. 1-15, 2021.

MANN, M.; KULAK, N. A.; NAGARAJ, N. The coming

age of complete, accurate, and ubiquitous proteomes.

Molecular Cell, v. 49, n. 4, p. 583-590, 2013.

NCI. National Cancer Institute. Proteomics and cancer

research. Disponível em: https://www.cancer.

gov. Acesso em: 5 maio 2026.

SAPIENT. Tumor protein mapping and translational

proteomics workflows. Disponível em: https://

sapient.bio. Acesso em: 5 maio 2026.

ZHANG, B. et al. Proteogenomic characterization of

human colon and rectal cancer. Nature, v. 513, p. 382-

387, 2014.


FENÔMENO RASER AMPLIA LIMITES DA

RESOLUÇÃO ESPECTRAL EM RMN

Radar Científico II

Avanços recentes em ressonância magnética nuclear elevam precisão analítica e desafiam

limitações instrumentais clássicas

Por Editorial Analytica

Resumo

A ressonância magnética

nuclear, RMN, permanece

entre as principais

técnicas analíticas utilizadas

na caracterização

estrutural de moléculas

orgânicas, biomoléculas

e sistemas complexos.

Apesar de sua relevância

histórica, limitações relacionadas

à sensibilidade

espectral, sobreposição

de sinais e resolução

continuam representando

desafios importantes

em aplicações avançadas.

Nos últimos anos,

o fenômeno conhecido

como RASER, sigla para

Radiofrequency Amplification

by Stimulated

Emission of Radiation,

emergiu como uma das

abordagens mais promissoras

para amplificação

coerente de sinais

nucleares em RMN. O

fenômeno baseia-se

na emissão estimulada

de radiofrequência

em sistemas hiperpolarizados,

permitindo

aumento significativo da

intensidade espectral e

redução de alargamentos

de linha. Estudos

recentes demonstram

potencial para aplicações

em metabolômica,

química supramolecular,

análise farmacêutica e

investigação estrutural

de sistemas altamente

complexos. Este artigo

discute os fundamentos

físico-químicos do efeito

RASER, os mecanismos

envolvidos na emissão

estimulada em radiofrequência,

os avanços instrumentais

recentes e as

perspectivas analíticas

associadas à nova geração

de experimentos em

RMN de alta resolução.

Palavras-chave: ressonância

magnética nuclear,

RASER, espectroscopia,

hiperpolarização,

química analítica.

1 Introdução

A ressonância magnética

nuclear consolidou-se

como uma das técnicas

mais relevantes da química

analítica moderna

devido à sua elevada

capacidade de fornecer

informações estruturais

detalhadas sem destruição

da amostra. Desde sua

introdução em aplicações

químicas e bioquímicas,

a técnica tornou-se indispensável

em áreas como

síntese orgânica, metabolômica,

desenvolvimento

farmacêutico, análise de

materiais e investigação

biomolecular.

Entretanto, apesar da

sofisticação instrumental

alcançada nas últimas

décadas, desafios persistem.

A baixa sensibilidade

intrínseca da RMN

continua sendo uma

limitação importante,

especialmente em sistemas

de elevada com-

Revista Analytica | Maio 2026

71


Radar Científico II

72

Revista Analytica | Maio 2026

plexidade molecular ou

em amostras com baixa

concentração analítica.

Além disso, fenômenos

de sobreposição espectral

e alargamento de

linha comprometem a

resolução necessária para

identificação precisa de

compostos estruturalmente

semelhantes.

Avanços recentes envolvendo

hiperpolarização

nuclear e fenômenos

de emissão estimulada

em radiofrequência passaram

a atrair atenção

crescente da comunidade

científica. Entre esses

fenômenos destaca-se o

RASER, sigla derivada de

Radiofrequency Amplification

by Stimulated

Emission of Radiation.

O fenômeno RASER apresenta

analogia conceitual

com processos observados

em lasers e masers,

porém aplicado ao

domínio da radiofrequência

em sistemas nucleares

hiperpolarizados. A

capacidade de produzir

amplificação coerente

de sinais de RMN vem

sendo considerada uma

das evoluções mais relevantes

da espectroscopia

nuclear nos últimos anos.

2 Fundamentos da ressonância

magnética nuclear

A RMN baseia-se na interação

entre momentos

magnéticos nucleares

e um campo magnético

externo. Núcleos

com spin diferente de

zero, como ^1H, ^13C

e ^31P, comportam-se

como pequenos dipolos

magnéticos capazes de

assumir diferentes estados

energéticos quando

submetidos a um campo

magnético estático.

A aplicação de pulsos de

radiofrequência promove

transições entre esses

estados energéticos. Após

a excitação, os núcleos

retornam ao equilíbrio

emitindo sinais detectáveis

pelo espectrômetro.

As frequências observadas

dependem diretamente

do ambiente

eletrônico local dos

núcleos, produzindo os

chamados deslocamentos

químicos. Essas informações

tornam possível

inferir aspectos estruturais

detalhados das

moléculas analisadas.

Apesar da elevada capacidade

informacional da

técnica, a diferença populacional

entre os estados

energéticos nucleares é

extremamente pequena

em condições térmicas

convencionais. Essa característica

limita a intensidade

dos sinais detectados.

3 Hiperpolarização e

aumento de sensibilidade

Com o objetivo de superar

limitações de sensibilidade,

diversas estratégias

de hiperpolarização

vêm sendo desenvolvidas

nas últimas décadas.

Esses métodos buscam

aumentar artificialmente

a diferença populacional

entre estados nucleares,

elevando significativamente

a intensidade dos

sinais observados.

Entre as principais abordagens

destacam-se:


• polarização dinâmica

nuclear, DNP

• parahidrogênio induzido,

PHIP

• SABRE, Signal Amplification

by Reversible

Exchange

• hiperpolarização óptica

Essas técnicas permitem

aumentos de sensibilidade

superiores a

milhares de vezes em

comparação aos experimentos

convencionais

de RMN.

gidas, o sistema nuclear

passa a emitir sinais

coerentes autoamplificados

dentro do circuito

ressonante da sonda de

RMN. O resultado é a

geração espontânea de

oscilações extremamente

estreitas e intensas.

Fisicamente, o fenômeno

ocorre devido à interação

entre magnetização

transversal hiperpolarizada

e o circuito ressonante

do detector.

Radar Científico II

5 Impacto sobre resolução

espectral

O principal interesse analítico

associado ao RASER

está relacionado ao ganho

de resolução espectral.

Em sistemas convencionais

de RMN, diversos fatores

contribuem para o alargamento

das linhas espectrais:

• inhomogeneidades de

campo magnético

• relaxação transversal

• acoplamentos complexos

• efeitos de troca química

A elevada polarização

nuclear obtida nessas

condições cria ambiente

favorável para ocorrência

de fenômenos coletivos

coerentes, incluindo o

efeito RASER.

4 O fenômeno RASER

O RASER consiste em

um processo de emissão

estimulada coerente de

radiofrequência gerado

espontaneamente em sistemas

hiperpolarizados.

Quando determinadas

condições de ganho e

acoplamento são atin-

Diferentemente da emissão

convencional observada

em RMN térmica, o

RASER produz:

• elevada coerência temporal

• redução significativa de

largura de linha

• amplificação espontânea

do sinal

• estabilidade espectral

diferenciada

Essas características

ampliam consideravelmente

a capacidade

analítica da técnica.

A emissão coerente associada

ao RASER reduz parte

desses efeitos, permitindo

obtenção de sinais

extremamente estreitos.

Estudos recentes demonstraram

resolução significativamente

superior na

observação de:

• deslocamentos químicos

muito próximos

• acoplamentos spin-spin

de baixa intensidade

• sistemas metabólicos

complexos

• moléculas com elevada

densidade espectral

Revista Analytica | Maio 2026

73


Radar Científico II

74

Revista Analytica | Maio 2026

Esse avanço possui

impacto direto na interpretação

estrutural de

compostos complexos.

6 Aplicações emergentes

O crescimento recente

das pesquisas envolvendo

RASER está associado ao

potencial de aplicação em

diferentes áreas da química

analítica e bioanalítica.

6.1 Metabolômica

Misturas metabólicas

apresentam elevada

complexidade espectral.

A melhoria da resolução

permite identificar

metabólitos antes mascarados

por sobreposição

de sinais.

6.2 Desenvolvimento

farmacêutico

A técnica pode ampliar

a capacidade de caracterização

estrutural de

fármacos, impurezas e

produtos de degradação

presentes em baixas

concentrações.

6.3 Química supramolecular

Sistemas supramoleculares

frequentemente apresentam

pequenas diferenças

conformacionais difíceis

de resolver em RMN convencional.

O RASER pode

melhorar significativamente

essa discriminação.

6.4 Estudos dinâmicos

A elevada coerência

espectral favorece investigações

relacionadas à

dinâmica molecular e processos

de troca química.

7 Desafios instrumentais

e limitações

Apesar do potencial analítico,

a aplicação prática

do RASER ainda enfrenta

desafios importantes.

7.1 Dependência de

hiperpolarização

O fenômeno depende de

níveis elevados de polarização

nuclear, frequentemente

obtidos por técnicas

complexas e de alto

custo instrumental.

7.2 Estabilidade experimental

Oscilações espontâneas

podem apresentar sensibilidade

a pequenas

variações instrumentais

e ambientais.

7.3 Complexidade operacional

A integração entre métodos

de hiperpolarização

e espectrômetros de alta

resolução exige controle

experimental sofisticado.

7.4 Escalabilidade analítica

Grande parte dos estudos

ainda permanece

restrita ao ambiente

acadêmico e experimental,

com limitada

implementação em rotinas

laboratoriais.

8 Perspectivas futuras

Os avanços recentes indicam

que o RASER pode

representar uma das principais

transformações da

RMN contemporânea.

A tendência atual envolve

integração entre:

• hiperpolarização mais

eficiente

• sondas de alta sensibilidade

• algoritmos avançados de

processamento espectral

• inteligência computacional

aplicada à interpretação

de sinais


Radar Científico II

Além disso, a miniaturização

de sistemas e

o desenvolvimento de

espectrômetros compactos

podem ampliar

o acesso a tecnologias

de RMN avançada.

Outro ponto relevante

envolve aplicações biomédicas

e diagnóstico

molecular, especialmente

em sistemas metabólicos

complexos.

9 Considerações físico-

-químicas

Do ponto de vista físico-químico,

o RASER

representa um fenômeno

particularmente relevante

porque aproxima

a RMN de processos

coletivos coerentes tradicionalmente

associados

à óptica quântica.

A emissão estimulada

em radiofrequência evidencia

como sistemas

nucleares hiperpolarizados

podem apresentar

comportamento

coletivo organizado,

ampliando discussões

relacionadas à coerência

quântica, relaxação e

dinâmica de spin.

Essa situação reforça o

papel da físico-química

moderna na interpretação

de fenômenos

emergentes associados à

espectroscopia avançada.

10 Conclusão

O fenômeno RASER

representa um dos avanços

mais sofisticados

da espectroscopia de

ressonância magnética

nuclear nos últimos anos.

A capacidade de produzir

amplificação coerente de

sinais nucleares hiperpolarizados

amplia significativamente

o potencial

analítico da técnica.

Os ganhos em resolução

espectral, precisão estrutural

e sensibilidade posicionam

o RASER como

ferramenta promissora

para aplicações em química

analítica, farmacêutica,

metabolômica e

bioquímica estrutural.

Embora limitações instrumentais

e operacionais

ainda restrinjam aplicações

rotineiras, os avanços

recentes indicam tendência

clara de expansão

do campo, especialmente

com o desenvolvimento

de novas estratégias de

hiperpolarização e integração

computacional.

O RASER representa uma

nova etapa na compreensão

da interação entre

spin nuclear, coerência

coletiva e análise molecular

de alta precisão.

Referências

ARDENKJAER-LARSEN, J. H. et al. Increase in signal-

-to-noise ratio of >10,000 times in liquid-state NMR.

Proceedings of the National Academy of Sciences, v.

100, n. 18, p. 10158-10163, 2003.

BLOCH, F. Nuclear induction. Physical Review, v. 70, n.

7-8, p. 460-474, 1946.

DAGYS, M. et al. Nuclear spin masers and RASER effects

in hyperpolarized systems. Analytical Chemistry, v. 97,

n. 16, p. 11234-11245, 2025.

LEVITT, M. H. Spin Dynamics: Basics of Nuclear Magnetic

Resonance. 2. ed. Chichester: Wiley, 2008.

PRAVDIVTSEV, A. N. et al. Observation of RASER activity

in chemically hyperpolarized nuclear spin systems.

Nature Communications, v. 5, p. 5455, 2014.

WARREN, W. S. The usefulness of NMR quantum computing.

Science, v. 277, n. 5332, p. 1688-1690, 1997.

Revista Analytica | Maio 2026

75


Técnicas Gerais de Laboratório

O INIMIGO INVISÍVEL:

COMO AS NITROSAMINAS ESTÃO REDEFININDO

A SEGURANÇA DOS MEDICAMENTOS

76

Revista Analytica | Maio 2026

Durante décadas, a qualidade

farmacêutica esteve

centrada no controle do

princípio ativo, na pureza

e na dose administrada.

No entanto, uma classe de

impurezas praticamente

imperceptível alterou profundamente

esse cenário:

as nitrosaminas. Mesmo

presentes em níveis traço,

essas substâncias passaram

a ser tratadas como

risco crítico devido ao seu

potencial carcinogênico,

exigindo uma revisão

abrangente das estratégias

analíticas e regulatórias.

A partir de 2018, quando

nitrosaminas foram

identificadas em medicamentos

amplamente

utilizados, o tema deixou

de ser uma preocupação

pontual e passou a

demandar respostas globais

coordenadas. Desde

então, autoridades

sanitárias têm ampliado

continuamente as exigências

para avaliação

e controle dessas impurezas,

estabelecendo

limites cada vez mais

rigorosos e abordagens

fundamentadas em gestão

de risco (EMA, 2025).

Um avanço relevante ocorreu

com a atualização da

diretriz do FDA em 2024,

que passou a diferenciar

as nitrosaminas clássicas

daquelas diretamente

relacionadas à estrutura

do fármaco, conhecidas

como NDSRIs. Essa evolução

conceitual ampliou

significativamente o escopo

de monitoramento,

evidenciando que o risco

pode estar associado tanto

a fatores externos, como

matérias-primas e processos,

quanto à própria natureza

química do princípio

ativo (FDA, 2024).

Nesse contexto, a Cromatografia

Líquida de Alta

Eficiência (HPLC), especialmente

quando acoplada

à espectrometria de massas,

consolidou-se como

uma ferramenta indispensável.

A necessidade de

detectar compostos em

níveis de partes por bilhão

exige métodos altamente

sensíveis e seletivos,

capazes não apenas de

quantificar, mas também

de investigar rotas de

formação e degradação.

Essa capacidade analítica

permite não só atender

às exigências regulatórias,


Técnicas Gerais de Laboratório

mas também antecipar

riscos e orientar decisões

estratégicas ao longo do

desenvolvimento e da

vida útil do medicamento.

Além do aspecto técnico,

o controle de nitrosaminas

evidencia uma

transformação mais

ampla: a transição de

um modelo reativo para

uma abordagem preditiva

de qualidade. Atualizações

recentes de

agências internacionais

reforçam essa tendência,

com revisões contínuas

dos limites de ingestão

aceitável e expansão do

conhecimento toxicológico,

consolidando o

monitoramento como

um processo dinâmico e

permanente (EMA, 2024;

TGA, 2026).

Dessa forma, as nitrosaminas

deixaram de ser

apenas uma impureza

emergente e passaram

a representar um novo

paradigma na indústria

farmacêutica. Mais do

que atender requisitos

regulatórios, trata-se de

incorporar uma cultura

de vigilância contínua,

na qual ciência analítica,

inovação tecnológica

e responsabilidade

sanitária caminham de

forma integrada.

“No cenário atual,

garantir a qualidade de

um medicamento não é

apenas confirmar o que

está presente. É, sobretudo,

compreender e

controlar aquilo que não

deveria estar.” Cristiane

Monteiro Pinto

Referências

Food and Drug Administration (FDA). Control of

Nitrosamine Impurities in Human Drugs – Guidance for

Industry (Revision 2). Silver Spring: U.S. Food and Drug

Administration; 2024.

European Medicines Agency (EMA). Nitrosamine

impurities in human medicinal products – Guidance for

marketing authorisation holders. Amsterdam: European

Medicines Agency; atualização contínua, acesso em 2025.

European Medicines Agency (EMA). Questions and

answers for marketing authorisation holders/applicants

on nitrosamine impurities. Amsterdam: European Medicines

Agency; atualização contínua, acesso em 2024.

Therapeutic Goods Administration (TGA). Nitrosamine

impurities: acceptable intake limits. Canberra: Therapeutic

Goods Administration; atualização contínua,

acesso em 2026.

Cristiane Monteiro Pinto

Farmacêutica e mestra em Ciências Farmacêuticas pela UFMG. É apaixonada por cromatografia e excelência analítica. Atua

em laboratório desde 2009, com foco em HPLC e validação analítica, sempre comprometida com segurança, conformidade e

melhoria contínua.

Revista Analytica | Maio 2026

77


Tendência Regulatória

FDA PUBLICA NOVO DRAFT GUIDANCE PARA

ESPECIFICAÇÕES DE IMPUREZAS EM ANTIBIÓTICOS

Por Editorial Analytica

78

Revista Analytica | Maio 2026

A Food and Drug Administration

(FDA) publicou

recentemente um novo

draft guidance voltado ao

estabelecimento de especificações

de impurezas em

antibióticos obtidos por

fermentação e processos

semissintéticos, ampliando

o foco regulatório sobre

estratégias analíticas,

caracterização de impurezas

orgânicas e robustez

metodológica em produtos

antimicrobianos. O

documento possui impacto

direto sobre laboratórios

de controle de qualidade,

desenvolvimento analítico,

assuntos regulatórios

e fabricantes de insumos

farmacêuticos ativos (IFAs).

O guia contempla aplicações

relacionadas a

NDAs, ANDAs, DMFs

tipo II e determinados

produtos OTC contendo

antibióticos, reforçando

a necessidade de

abordagens analíticas

mais abrangentes para

monitoramento de

substâncias relacionadas,

produtos de degradação

e contaminantes

oriundos dos processos

fermentativos.

Embora o documento

ainda esteja em consulta

pública, o conteúdo

sinaliza uma tendência

regulatória importante

no fortalecimento dos

requisitos de caracterização

química e controle

de pureza para moléculas

antibióticas complexas.

Complexidade estrutural

amplia desafios

analíticos

Diferentemente de muitos

fármacos sintéticos

clássicos, antibióticos

produzidos por fermentação

apresentam

elevada complexidade

estrutural e heterogeneidade

química. O próprio

processo biotecnológico

pode gerar compostos

relacionados estruturalmente

semelhantes ao

ativo principal, incluindo

metabólitos secundários,

variantes biossintéticas

e subprodutos do

processo produtivo.

Essa característica

aumenta significativamente

os desafios

analíticos associados à

separação, identificação

e quantificação de impurezas.

No caso de antibióticos

semissintéticos, a complexidade

se amplia ainda

mais devido às etapas

químicas adicionais de

modificação molecular

após fermentação, que

podem introduzir novos

perfis de degradação ou

contaminantes de síntese.


Tendência Regulatória

O FDA destaca que métodos

tradicionais podem

não ser suficientes para

caracterizar adequadamente

determinadas

classes de impurezas,

especialmente em moléculas

de elevada complexidade

cromatográfica.

Guia reforça necessidade

de métodos indicativos

de estabilidade

Entre os pontos centrais

do draft guidance

está a expectativa de

utilização de métodos

analíticos indicativos

de estabilidade capazes

de detectar alterações

químicas relevantes ao

longo do ciclo de vida

do produto.

Na prática, isso reforça a

importância de metodologias

com elevada seletividade

e resolução cromatográfica,

particularmente

em técnicas como:

• HPLC;

• UHPLC;

• LC-MS;

• LC-MS/MS;

• cromatografia quiral;

• métodos ortogonais de

caracterização estrutural.

A tendência acompanha

um movimento regulatório

global de maior exigência

em relação à capacidade

discriminatória

dos métodos analíticos

utilizados em controle de

qualidade farmacêutico.

O documento também

sugere atenção especial

à avaliação de produtos

de degradação formados

durante armazenamento,

transporte e

exposição a condições

de estresse.

LC-MS/MS ganha relevância

em investigação

de impurezas

Embora a cromatografia

líquida com detecção

UV continue sendo

amplamente utilizada

no controle de antibióticos,

o avanço da espectrometria

de massas

vem ampliando sua presença

em estudos regulatórios

relacionados à

identificação estrutural

de impurezas.

O uso de LC-MS/MS possui

relevância crescente em

investigações envolvendo:

• impurezas desconhecidas;

• substâncias relacionadas

em baixos níveis;

• produtos de degradação

oxidativa;

• compostos isoméricos;

• resíduos provenientes

da fermentação.

A abordagem permite

maior confiança na elucidação

estrutural e fortalece

estudos de perfil

de impurezas exigidos

em submissões regulatórias

internacionais.

Nos últimos anos, a incorporação

de plataformas

Orbitrap e QTOF em laboratórios

farmacêuticos

passou a reduzir limitações

históricas associadas

à identificação de

compostos minoritários

em matrizes complexas.

Revista Analytica | Maio 2026

79


Tendência Regulatória

80

Revista Analytica | Maio 2026

Impacto regulatório em

DMFs e genéricos

O draft guidance também

possui impacto relevante

sobre fabricantes de IFAs

e empresas envolvidas na

submissão de Drug Master

Files (DMFs) tipo II.

O FDA reforça a necessidade

de detalhamento

mais robusto dos perfis de

impurezas associados tanto

ao processo fermentativo

quanto às etapas semissintéticas

posteriores.

Para fabricantes de

medicamentos genéricos

submetidos via

ANDA, a expectativa é de

maior rigor na demonstração

de equivalência

do perfil de impurezas

em relação ao medicamento

de referência.

Isso pode aumentar a

demanda por estudos

comparativos aprofundados,

métodos cromatográficos

mais seletivos e

estratégias adicionais de

caracterização estrutural.

Além disso, empresas que

trabalham com transferência

analítica e escalonamento

industrial podem

enfrentar necessidade de

reavaliação de limites especificados

anteriormente

em dossiês regulatórios.

Tendência regulatória

acompanha histórico

recente de impurezas

farmacêuticas

O fortalecimento regulatório

relacionado a

impurezas farmacêuticas

vem ocorrendo de forma

consistente desde os alertas

globais envolvendo

nitrosaminas, solventes

residuais e contaminantes

genotóxicos em diferentes

classes terapêuticas.

Embora antibióticos

apresentem particularidades

relacionadas à

origem fermentativa, o

novo guia demonstra

que agências regulatórias

vêm ampliando a expectativa

sobre o nível de

conhecimento químico

exigido dos fabricantes.

Esse movimento também

acompanha avanços instrumentais

que tornaram

tecnicamente viável detectar

impurezas em níveis

cada vez menores.

Na prática, a capacidade

analítica dos laboratórios

passou a influenciar diretamente

estratégias regulatórias,

desenvolvimento

farmacêutico e gestão de

risco da qualidade.

Pressão sobre validação

analítica e conhecimento

do processo

Outro aspecto relevante

do documento é a ênfase

no entendimento

do processo produtivo

como parte integrante

da estratégia de controle

de impurezas.


Tendência Regulatória

O FDA reforça que o

conhecimento aprofundado

das rotas de fermentação,

matérias-primas,

reagentes e etapas semissintéticas

é essencial para

prever potenciais contaminantes

e definir especificações

adequadas.

Esse cenário fortalece

conceitos alinhados ao

Quality by Design (QbD)

e ao gerenciamento de

risco aplicado ao desenvolvimento

farmacêutico.

Consequentemente, áreas

de desenvolvimento analítico

e desenvolvimento

farmacotécnico tendem

a atuar de maneira mais

integrada na definição de

estratégias de controle.

Além disso, a expectativa

regulatória sobre

validação metodológica

continua aumentando,

especialmente em parâmetros

relacionados à

seletividade, robustez,

precisão em baixos níveis

e capacidade indicativa

de estabilidade.

Movimento pode

influenciar futuras revisões

farmacopeicas

Especialistas do setor avaliam

que o draft guidance

poderá influenciar futuras

atualizações em compêndios

oficiais e monografias

farmacopeicas relacionadas

a antibióticos.

Historicamente, mudanças

regulatórias publicadas

pelo FDA acabam

repercutindo em revisões

técnicas conduzidas por

organizações como USP,

EP e JP.

Isso pode gerar, nos próximos

anos, revisões em

critérios de aceitação,

métodos cromatográficos

oficiais e exigências relacionadas

à caracterização

de impurezas específicas.

Para laboratórios farmacêuticos,

o cenário

reforça a necessidade

de acompanhamento

contínuo das atualizações

regulatórias

internacionais e investimento

em capacidade

analítica avançada.

O período para envio de

comentários públicos ao

draft guidance permanece

aberto até 22 de

junho de 2026.

Referências

FDA. Establishing impurity specifications for antibiotics.

Draft Guidance for Industry. U.S. Food and Drug

Administration, 2026. Disponível em: https://www.fda.

gov. Acesso em: 6 maio 2026.

ICH. Q3A(R2): Impurities in new drug substances. International

Council for Harmonisation, 2006.

ICH. Q3B(R2): Impurities in new drug products. International

Council for Harmonisation, 2006.

JENKE, D. R. Extractables and leachables considerations

for pharmaceutical products. Journal of Pharmaceutical

Sciences, v. 96, n. 10, p. 2566-2581, 2007.

KLICK, S.; MUELLER, B. Analytical challenges in impurity

profiling of antibiotics. Journal of Chromatography A, v.

1635, p. 461701, 2021.

SWARTZ, M. E.; KRULL, I. S. Analytical method development

and validation. New York: Marcel Dekker, 2018.

UNITED STATES PHARMACOPEIA. USP General Chapters.

Rockville: USP Convention, 2025.

WATSON, D. G. Pharmaceutical analysis: a textbook for

pharmacy students and pharmaceutical chemists. 4.

ed. London: Elsevier, 2020.

Revista Analytica | Maio 2026

81


Em Foco

PERFECTA ANUNCIA NOVA SUBSIDIÁRIA

DA NEST BIOTECHNOLOGY NO BRASIL E

AMPLIA ATUAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA

E INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

A Perfecta anuncia um novo avanço

estratégico em sua trajetória nos

setores laboratoriais e de biotecnologia:

o estabelecimento da

operação da NEST Biotechnology

no Brasil, fortalecendo uma parceria

iniciada em 2021 e ampliando o

acesso do mercado latino-americano

às soluções da marca.

Com presença consolidada nos

Estados Unidos, na Europa e na

Ásia, a NEST expande agora sua

atuação na América Latina por

meio da estrutura e da experiência

da Perfecta no mercado brasileiro.

O movimento acompanha

o crescimento regional das áreas

de cultivo celular, diagnóstico

molecular, pesquisa aplicada e

indústria farmacêutica.

82

Revista Analytica | Maio 2026

A parceria entre as empresas começou

em 2021, quando a Perfecta

passou a representar e distribuir as

linhas NEST no Brasil. Desde então,

a marca ampliou sua presença em

laboratórios, universidades, centros

de pesquisa e indústrias farmacêuticas,

acompanhando a crescente

demanda por consumíveis laboratoriais

e por soluções voltadas a

aplicações críticas.

Reconhecida globalmente pela fabricação

de consumíveis laboratoriais e

soluções para cultivo celular, a NEST

possui um portfólio amplo voltado

a aplicações em pesquisa científica,

biologia molecular, diagnóstico in

vitro, bioprocessos e farmacêutica.

Entre os produtos de destaque estão

frascos e placas para cultivo celular,

tubos de centrífuga, pipetas sorológicas,

microplacas e soluções para

ambientes controlados.

Com a consolidação da nova companhia,

novas linhas passam a

integrar o portfólio disponibilizado

ao mercado brasileiro, incluindo

canetas injetoras e embalagens

voltadas à indústria farmacêutica

— segmentos estratégicos nos

quais a Perfecta ainda não atuava

diretamente. A expansão representa

um importante avanço no posicionamento

da empresa na cadeia

farmacêutica e biotecnológica.


Em Foco

“A evolução dessa parceria é resul-

Sobre a NEST: A Wuxi NEST Life Scien-

incluindo América do Norte, Europa,

tado do crescimento consistente da

ce & Technology Co., Ltd., fundada em

Sudeste Asiático, Oriente Médio,

marca no mercado brasileiro e da

2009, criou a marca NEST e se dedica

Japão, Coreia do Sul e Índia.

demanda crescente por soluções de

à filosofia de "fabricar consumíveis

alto padrão técnico para aplicações

de alta qualidade e criar uma marca

Para mais informações acesse:

em pesquisa, diagnóstico e pro-

de renome internacional". Há muitos

https://www.cell-nestbio.com/

dução farmacêutica”, afirma Oscar

anos, a empresa concentra-se na pes-

Gundim Jr., sócio-diretor da Perfecta.

quisa, desenvolvimento e fabricação

Sobre a Perfecta: A Perfecta é reco-

de produtos na área de ciências da

nhecida pela qualidade e pioneirismo

Segundo a empresa, o estabeleci-

vida. A NEST possui uma sala limpa

na produção de lâminas e lamínulas

mento da NEST do Brasil permitirá

Classe 100.000 de 10.600 m², uma

para microscopia e pela comercializa-

maior proximidade com clientes

sala limpa Classe 10.000 de 3.600 m²

ção e distribuição de artigos para labo-

da América Latina, fortalecimento

e uma oficina de controle de canetas

ratório nacionais e importados para as

logístico, ampliação do suporte

injetoras de 2.300 m². Com processos

mais diversas aplicações.

técnico e maior disponibilidade

de produção consolidados, equipa-

de produtos para aplicações labo-

mentos de produção profissionais e

Conta com uma gama completa de

ratoriais e industriais.

uma equipe de gestão experiente, a

produtos para laboratórios incluindo

empresa obteve as certificações ISO

lâminas e lamínulas, vidraria, artigos

Além da expansão do portfólio, o

9001, ISO 13485, ISO 11137, FDA, CE e

plásticos, produtos para biologia

movimento reforça a estratégia da

a licença para produção de dispositi-

molecular e acessórios para diversas

Perfecta de atuar de forma mais

vos médicos, tornando-se uma forne-

aplicações em hospitais, universida-

integrada às transformações do

cedora líder de serviços abrangentes

des, laboratórios de análises e pesqui-

setor, especialmente em áreas liga-

no setor de ciências da vida na China,

sa, indústrias químicas, alimentícias,

das à terapia celular, biofármacos,

com atuação em diversas áreas.

farmacêuticas, saneamento, agrone-

diagnóstico molecular e produção

gócio entre outros.

farmacêutica avançada.

A marca NEST continua a expandir-

-se para mercados internacionais.

A sua rede de representantes e dis-

“A chegada dessa nova etapa da

Com o crescente volume de negócios

tribuidores está presente em todo

NEST ao Brasil amplia nossa capaci-

no exterior, a presença da NEST

território nacional, sempre prontos

dade de oferecer soluções alinhadas

abrange as Américas, a Europa, o

para atender os diversos segmentos

às exigências técnicas e regulatórias

Oriente Médio e o Leste Asiático.

do mercado.

do mercado atual, contribuindo

Em 2013, foi oficialmente inaugu-

para o desenvolvimento do setor na

rada uma filial nos EUA. Em 2022,

Para mais informações acesse:

região”, complementa Oscar.

foram estabelecidas subsidiárias

https://www.perfectalab.com.br/

em Rotterdam (Holanda), Sharjah

Com a iniciativa, a Perfecta consolida

(Emirados Árabes Unidos) e Tóquio

sua posição entre as empresas brasi-

(Japão), e um novo armazém foi

leiras em expansão no segmento de

concluído no oeste dos Estados Uni-

consumíveis laboratoriais e soluções

dos, oferecendo aos clientes serviços

para pesquisa, diagnóstico e indústria

farmacêutica, conectando o

mercado nacional a fabricantes com

relevância internacional.

integrados de armazenamento,

transporte e vendas. Atualmente,

os produtos NEST são vendidos em

diversos países e regiões do mundo,

Para mais informações:

www.perfectalab.com.br

WhatsApp: +55 11 2965-6722

vendas@perfectalab.com.br

Revista Analytica | Maio 2026

83


Em Foco

CONTAMINANTES EMERGENTES EM

LABORATÓRIOS: DESAFIOS E SOLUÇÕES NA

PURIFICAÇÃO DE ÁGUA PARA LIFE SCIENCES

Pureza da água em um novo

vo para processos laboratoriais e

• LC-MS (Cromatografia Líquida

cenário de complexidade

para a confiabilidade dos resulta-

acoplada à Espectrometria de Mas-

Nos laboratórios de Life Sciences, a

qualidade da água é um fator crítico

para garantir a confiabilidade dos

resultados analíticos e experimentais.

No entanto, a presença crescente

de contaminantes emergentes,

como microplásticos, pesticidas

e APIs (Ingredientes Farmacêuticos

Ativos), está redefinindo os padrões

dos científicos. Sua presença está

associada tanto ao avanço da

indústria quanto ao aumento da

complexidade das cadeias produtivas

e do consumo global de produtos

químicos e farmacêuticos.

Entre os principais contaminantes

emergentes estão:

sas) → aumento de ruído de fundo,

interferências e falsos positivos

• PCR → inibição de enzimas e comprometimento

da amplificação

• Cultura de células → efeitos citotóxicos,

alterações no crescimento

celular e resultados inconsistentes

de pureza exigidos.

Esses contaminantes, muitas vezes

presentes em concentrações extremamente

baixas, podem interferir

diretamente em técnicas altamente

sensíveis como LC-MS, PCR e

cultura de células — tornando

indispensável o uso de tecnologias

avançadas de purificação.

• Microplásticos, que podem atuar

como vetores de contaminantes

químicos e interferir em análises

físicas e químicas

• APIs (Ingredientes Farmacêuticos

Ativos), frequentemente

presentes em traços, mas com alto

potencial de interferência analítica

Além disso, a variabilidade na

qualidade da água de alimentação

(feed water) e a limitação dos sistemas

tradicionais de purificação

tornam ainda mais difícil garantir

níveis consistentes de pureza ao

longo do tempo.

Outro desafio importante é que

O desafio: contaminantes emergentes

e impacto nas análises

laboratoriais

• Pesticidas e compostos orgânicos

persistentes, que apresentam

elevada estabilidade e resistência

à degradação

muitos desses contaminantes não

são completamente removidos

por tecnologias convencionais,

exigindo abordagens mais sofisti-

84

Revista Analytica | Maio 2026

Os contaminantes emergentes

são substâncias que, até recentemente,

não eram amplamente

monitoradas, mas que hoje

representam um risco significati-

Mesmo em concentrações extremamente

baixas (nível de traços), esses

contaminantes podem impactar diretamente

aplicações críticas, como:

cadas e integradas. Isso aumenta

a complexidade operacional dos

laboratórios, que precisam equilibrar

precisão analítica, eficiência e

conformidade regulatória.


Em Foco

Diante desse cenário, torna-se

• Pré-tratamento para remoção de

de purificação avançada deixou de

essencial adotar soluções que não

partículas e cloro

ser um diferencial e passou a ser

apenas eliminem esses contami-

uma necessidade.", afirma Alexandre

nantes, mas que também garantam

• Osmose reversa para redução de

Cunha, Gerente Comercial, Tecnolo-

consistência, rastreabilidade e

sais dissolvidos e contaminantes

gias e Produtos, Water Tech,

controle ao longo de todo o pro-

orgânicos

cesso de purificação.

PURELAB* Chorus: uma nova

• Deionização para alta resistividade

geração de purificação para

É justamente nesse ponto que

LifeSciences

abordagens mais avançadas

• Filtração ultrafina e ultravioleta

— baseadas na integração de

(UV) para eliminação de microrga-

O portfólio PURELAB* Chorus repre-

tecnologias e no conceito de

nismos e compostos orgânicos

senta a evolução dos sistemas de

múltiplas barreiras — se tornam

purificação de água para laborató-

fundamentais para assegurar a

Essa combinação permite remover

rios que operam em ambientes de

qualidade da água exigida em

uma ampla gama de contaminan-

alta exigência analítica, como os que

aplicações críticas.

tes, incluindo aqueles de difícil

enfrentam diariamente a presença

detecção, garantindo água adequa-

de contaminantes emergentes.

Como a Veolia soluciona esse desafio

da para aplicações críticas.

Uma plataforma projetada para a

Para lidar com a complexidade

Pureza para análises sensíveis

complexidade atual

dos contaminantes emergentes,

a Veolia, especialista em solu-

Para aplicações como LC-MS e PCR,

A solução responde às deman-

ções completas de purificação

a qualidade da água ultrapura

das crescentes dos laboratórios

de água laboratorial, desenvolve

é essencial. Soluções dedicadas

modernos de Life Sciences, onde a

tecnologias para a ciência

e

garantem baixos níveis de TOC (Car-

variabilidade dos contaminantes e

adota a estratégia de múltiplas

bono Orgânico Total), endotoxinas

a sensibilidade das técnicas analí-

barreiras, combinando diferen-

e partículas, assegurando resulta-

ticas exigem um nível de controle

tes tecnologias de purificação

dos confiáveis e reprodutíveis.

que sistemas convencionais não

para garantir níveis máximos de

conseguem oferecer.

qualidade da água.

"A qualidade da água não é apenas

um parâmetro técnico — é a base

Sua arquitetura modular e tecnologia

Estratégia de múltiplas barreiras

sobre a qual toda a confiabilidade

integrada permitem entregar água

científica é construída. Em um cená-

ultrapura com consistência e rastre-

Essa abordagem integra tecnologias

como:

rio de contaminantes cada vez mais

complexos, contar com tecnologia

abilidade, independentemente da

qualidade da água de alimentação.

Revista Analytica | Maio 2026

85


Em Foco

Tecnologias integradas para remoção

de contaminantes emergentes

Aplicações críticas suportadas pelo portfólio PURELAB*Chorus

Aplicação Parâmetro crítico Como a solução Veolia atua

O PURELAB* Chorus combina em

uma única plataforma:

LC-MS

TOC ultrabaixo, ausência de

interferentes

Tratamento UV + deionização avançada

PCR Ausência de inibidores enzimáticos Filtração de alta precisão + UV

• Osmose reversa de alto

desempenho para remoção de

Cultura de células Endotoxinas, metais traço Osmose reversa + deionização

microplásticos, APIs, pesticidas

e compostos orgânicos de maior

Preparo de reagentes Pureza consistente e reprodutível Monitoramento em tempo real

massa molecular

• Deionização avançada garantindo

resistividade de até 18,2 MΩ·cm

• Tratamento UV para fotodegradação

de compostos orgânicos

residuais e controle microbiológico,

resultando em TOC ultrabaixo

• Filtração final de alta precisão

para retenção de partículas

e microrganismos, assegurando

água adequada para as aplicações

mais sensíveis

Monitoramento inteligente e

conformidade regulatória

• Acompanhamento em tempo

real de parâmetros como resistividade,

TOC e condutividade

• Geração de relatórios e registros

de qualidade para conformidade

com GLP, GMP e normas ISO

• Rastreabilidade completa do processo,

essencial para auditorias e

certificações em Life Sciences

Conclusão

Frente ao avanço dos contaminantes

emergentes, garantir a pureza da

água em laboratórios de Life Sciences

exige mais do que tecnologias

isoladas — exige uma abordagem

integrada, inteligente e rastreável.

Contar com a tecnologia certa é o

primeiro passo para garantir que

seus resultados reflitam a realidade

— e não a interferência da água.

Cada laboratório tem necessidades

específicas. Se você quer entender

qual solução de purificação de

água é a mais adequada para as

suas aplicações, seja para LC-MS,

PCR, cultura de células ou qualquer

outro processo crítico, nossos

especialistas estão prontos para

orientar você. Entre em contato

e descubra como a Veolia pode

transformar a qualidade da água

no seu laboratório.

86

Revista Analytica | Maio 2026

O PURELAB* Chorus oferece um sistema

de monitoramento contínuo

e inteligente da qualidade da água,

projetado para atender laboratórios

que operam sob rigorosos requisitos

regulatórios:

A Veolia traduz essa abordagem em

uma plataforma moderna e confiável,

capaz de atender às exigências

das aplicações mais sensíveis, desde

LC-MS e PCR até cultura de células e

preparo de reagentes críticos.


Em Foco

CRYO.S DA GREINER BIO-ONE GARANTEM

PRESERVAÇÃO DE AMOSTRAS E

RASTREABILIDADE SEGURA EM APLICAÇÕES

LABORATORIAIS E DE BIOBANCO

A preservação da integridade das

amostras é um pilar para a confiabilidade

dos resultados em laboratórios

de pesquisa, diagnóstico

e biobancos. Para atender a essa

demanda, a linha de tubos criogênicos

Cryo.s da Greiner Bio-One

foi desenvolvida para garantir

o armazenamento seguro, a

rastreabilidade e a estabilidade

das amostras em temperaturas

extremas de até –196 °C.

Fabricados em polipropileno de

alta pureza, os tubos são certificados

como livres de DNase, RNase,

DNA humano, metais pesados e

ftalatos, o que reduz o risco de

interferências. A resistência química

e térmica do material ajuda a

preservar a integridade de diversas

amostras como células, tecidos,

bactérias, fluidos biológicos. Além

disso, o sistema de fechamento

com tampa de rosca (interna ou

externa) minimiza consideravelmente

os riscos de vazamentos e

de contaminação cruzada.

Tubos criogênicos padrão:

ideais para rotinas consolidadas,

possuem área branca para escrita

manual durável e base autossustentável

para um manuseio mais

fácil e seguro em racks.

Tubos com código de barras

e Datamatrix: voltados para

aplicações com alto volume de

amostras e que necessitem de

rastreabilidade segura, oferecem

Tubos para biobanco: desenvolvidos

especialmente para automação

e otimização de espaço,

atendem a requisitos rigorosos

de padronização, armazenamentos

de longo prazo e auditorias.

A linha Cryo.s reafirma o compromisso

com a qualidade, apoiando

laboratórios na geração de dados

confiáveis e na proteção integral

das amostras.

tripla codificação (linear, Data-

Como a correta identificação é um

fator crítico para a qualidade analítica,

a linha oferece soluções para

variados níveis de complexidade:

matrix ECC200 e escrita alfanumérica)

para integração eficiente

com scanners e plataformas LIMS,

reduzindo falhas humanas.

Para mais informações:

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Revista Analytica | Maio 2026

87


Em Foco

MICROSCÓPIO: ÓLEO DE IMERSÃO

O óleo de imersão é um recurso

comum na microscopia, principalmente

em laboratórios de análise,

porém muitos usuários não sabem

ao certo a sua função e muitas vezes

é utilizado de forma equivocada. Este

fluido é utilizado com a objetiva de

maior aumento do microscópio, geralmente

com 100 vezes de ampliação.

Sua função é otimizar a resolução e o

contraste da imagem, agindo como

um meio de imersão que preenche o

espaço entre a lente objetiva e a lâmina,

permitindo que a luz se propague

de forma mais eficiente.

88

Revista Analytica | Maio 2026

Esse óleo possui um índice de refração

similar ao do vidro das lâminas

de microscopia, o que minimiza a

refração da luz quando ela passa de

um meio para o outro. Esse processo

reduz as perdas de luz, permitindo

uma maior quantidade de luz alcançar

a lente da objetiva. Como resultado,

a resolução da imagem é melhorada

significativamente, tornando visíveis

detalhes que seriam indistinguíveis

sem o uso do óleo, como estruturas

celulares pequenas e padrões de

superfícies. Além disso, o óleo de imersão

também contribui para melhorar a

profundidade de campo e o contraste

da imagem, proporcionando uma

visualização mais clara e detalhada.

Como utilizar:

Objetivas: O óleo de imersão deve

ser usado somente nas objetivas

que possuem a especificação "Oil",

que geralmente são as 100 vezes.

Aplicação: Posicione o revólver de

objetivas na posição intermediária,

entre a última objetiva utilizada e a

objetiva “Oil”. Coloque uma pequena

gota de óleo sobre a lâmina onde

a amostra está preparada. Posicione

a objetiva de imersão sobre a lâmina

com óleo.

Evite excesso de óleo, a aplicação

excessiva pode danificar as objetivas

ou causar infiltração em outras

partes do microscópio.

Focalização: Utilize o micrométrico

para focalizar e ajuste a iluminação

e o diafragma para obter a

melhor imagem.

Não retorne para as objetivas anteriores:

Após o uso do óleo, evite retornar

às objetivas que não possuem essa

especificação, pois elas não são feitas

para entrar em contato com o óleo.

Limpeza: Após o uso, retire o excesso

de óleo com um lenço de papel

macio, sem pressionar ou esfregar

a lente. Apenas toque suavemente

para absorver o excesso de óleo.

Com esses cuidados, você conseguirá

obter imagens mais nítidas e preservar

seu microscópio por mais tempo.

Manutenção Preventiva:

Microscópios que utilizam óleo de

imersão exigem cuidados especiais

e manutenções preventivas periódicas

para garantir o bom funcionamento

e a preservação das lentes.

O uso frequente de óleo pode

resultar em resíduos que, se não

limpos corretamente, podem danificar

as objetivas, obstruir as lentes

ou até afetar outros componentes

do microscópio. Além disso, o óleo

pode acumular sujeira ou até endurecer

com o tempo, prejudicando a

qualidade da imagem. Por isso, é

fundamental realizar manutenções

preventivas periódicas com uma

empresa especializada.

Para mais informações sobre microscopia,

suporte técnico e manutenção

para seu microscópio, entre em

contato com a Teratec.


Em Foco

NA ROTINA LABORATORIAL, A PRECISÃO DO

DIAGNÓSTICO COMEÇA NA CONFIABILIDADE

DO CONSUMÍVEL

Confiança de quem fabrica:

A Cral decidiu reduzir essa margem

Quando você abastece sua opera-

Padrão absoluto e Selo de

a zero.

ção com Cralplast, você elimina as

Qualidade Cral.

A excelência de um laboratório

moderno se mede nos detalhes

que sustentam toda a rotina. Da

coleta ao processamento analítico,

a integridade de cada etapa

exige descartáveis com vedação

perfeita, esterilidade comprovada

e rigor geométrico consistente.

Na linha Cralplast, os principais

itens são produzidos aqui, na nossa

fábrica — sob controle direto de

processo, padrão e testes. E para

completar o portfólio, reunimos

soluções que seguem o mesmo

nível de exigência, sempre com um

único compromisso: entregar previsibilidade

na sua bancada.

incertezas da base. O frasco veda de

primeira. A leitura se mantém estável.

E a qualidade deixa de ser uma promessa

— vira um padrão controlado.

Eleve o padrão da sua rotina.

Confie em quem fabrica e garante

a qualidade.

O mercado conhece o custo da

variação: falhas de lote, problemas

de encaixe e inconsistências que

travam a operação e aumentam o

risco na cadeia do diagnóstico.

O que mantém tudo no mesmo

nível é o Selo de Qualidade Cral: o

crivo que valida cada item da linha,

do recebimento ao uso, garantindo

padronização, biossegurança e

desempenho na prática.

CRAL - Suprindo a saúde com qualidade e inovação desde 1977

Empresa certificada ISO 9001:2015 / ISO 13485:2016

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Revista Analytica | Maio 2026

89


Em Foco

O DESAFIO DO CONTROLE MICROBIOLÓGICO

Sua Identificação Microbiológica

Ainda Leva Dias? E tem alto custo

com reagentes?

Métodos convencionais levam dias

para entregar resultados, geram

alto custo operacional e dependem

de testes bioquímicos complexos.

O impacto se reflete diretamente

na liberação de lotes e no atraso

do diagnóstico de infecções, comprometendo

decisões clínicas e a

eficiência do laboratório.

Conheça a solução que transforma

o controle microbiológico

do seu laboratório.

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Time-of-Flight (MALDI-TOF)

transforma a rotina do laboratório:

permite a identificação de microrganismos

em minutos, com base

no seu perfil proteico, eliminando a

dependência de testes bioquímicos

e reduzindo custos operacionais.

Preparo de amostra simplificado, que precisam de rapidez, precisão e

reagentes prontos para uso e aplicações

clínicas avançadas. Uma e no diagnóstico de infecções.

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lentos e custosos pela tecnologia

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e rápido, do recebimento da amostra

até o resultado final em minutos. cional reduzido.

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Revista Analytica | Maio 2026


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plataformas magnéticas e opções de múltiplos movimentos, projetados para se

encaixar em incubadoras.

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