05 - Jornal Paraná Maio 2026
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OPINIÃO
Etanol entrará com
força no mundo do diesel
Choque de energia deve impulsionar o desenvolvimento
de equipamentos movidos a biocombustíveis
J.R. Mendonça de Barros
Estamos muito próximos
de completar três
meses de conflito no
Oriente Médio e ainda
sem perspectiva de um cessarfogo,
mesmo após a visita de
Trump à China. Os estoques
disponíveis de petróleo nos países
consumidores estão se reduzindo,
o que eleva chances
de novas altas de preços de
combustíveis e da imposição
de restrições ao consumo. Em
consequência, várias tendências
deverão se consolidar.
Chamo a atenção para algumas
delas.
Devem avançar a pesquisa e a
produção de petróleo fora do
Golfo Pérsico, especialmente
nas Américas e na África, enfraquecendo
ainda mais a Opep.
Vai se intensificar a utilização
de equipamentos já disponíveis
mais eficientes do ponto de
vista energético, como é o caso
de aviões da Embraer, que
economizam pelo menos 25%
de combustível em relação aos
modelos mais antigos.
Fora dos Estados Unidos, a eletrificação
da frota de veículos
vai avançar, especialmente empurrada
pelas empresas chinesas.
No Brasil, por exemplo, é
estonteante a velocidade da
captura de mercado a partir de
importações e da sua produção
doméstica, com boa aceitação
do consumidor.
Com a utilização de baterias, o
uso otimizado de energia solar
e eólica avançará, superando a
estacionalidade da produção e
permitindo ajustes na gestão
do despacho dos sistemas de
energia elétrica.
Como vem apontando Jacyr da
Costa Filho, o desenvolvimento
de equipamentos movidos a
biocombustíveis crescerá de
forma importante. Aqui no Brasil,
já temos algumas linhas interessantes
de avanço. Na última
edição do Agrishow, os
grandes produtores de tratores
anunciaram para 2027 equipamentos
totalmente movidos a
etanol, fugindo do diesel.
A partir da exitosa experiência
do carro flex, que se deveu ao
desenvolvimento da Bosch e
da Magneti Marelli nos motores
movidos à gasolina, estamos
no limiar da utilização em larga
escala de etanol nos motores a
diesel.
A Bosch está na reta final de
testes do sistema dual flex, no
qual os atuais propulsores passam
a contar com a injeção de
Em resumo, o etanol vai adentrar com força no
mundo do diesel, ampliando simultaneamente a
descarbonização e a nossa independência energética.
etanol, sem alteração dos mesmos.
Nos testes realizados até
agora, a utilização do biocombustível
está variando entre
35% e 60%.
Na mesma direção, a Wärtsilä
está testando a utilização de
até 100% de etanol em equipamentos
estacionários e a
Maersk já testou com sucesso
diversas combinações de etanol
e “bunker”, inclusive também
uma versão 100% biocombustível.
2
Jornal Paraná
EVENTO
Workshop discute viabilidade
do biogás e biometano
Paraná tem potencial e políticas
que viabilizam projetos, além de
tecnologia, matéria-prima
dentro das usinas e mercado
Em busca de opções de
investimento, o setor
sucroenergético do Paraná
realizou um
workshop sobre biogás no segmento
paranaense, dia 14 de
maio, no Auditório Sesi, em Maringá.
A organização foi da Superintendência
Geral de Gestão
Energética (Supen), Alcopar, Federação
das Indústrias do Estado
do Paraná (FIEP), Federação
da Agricultura do Estado do
Paraná (FAEP), Instituto de Desenvolvimento
Rural do Paraná
(IDR-Paraná), CIBiogás e Associação
Brasileira do Biogás e
Biometano (ABiogás).
O objetivo foi discutir políticas
públicas de incentivo e discutir
caminhos para ampliar os investimentos
em projetos de biogás
e biometano nas usinas
sucroenergéticas do Estado, envolvendo
os diferentes agentes
da cadeia produtiva, mostrar o
panorama nacional, o mercado
existente e o posicionamento do
governo federal sobre o assunto,
além de identificar gargalos,
oportunidades e mecanismos
de incentivo capazes de
acelerar a transição energética e
a valorização energética dos resíduos
gerados pela cadeia sucroalcooleira
“O Workshop buscou estimular
a articulação institucional entre
governo, indústria, setor agropecuário,
instituições de pesquisa
e agentes financeiros e
subsidiar a formulação de políticas
públicas e ações estruturantes
que viabilizem o desenvolvimento
do biogás e do biometano
no estado, contribuindo
para o aproveitamento do potencial
regional desta fonte renovável.
Buscamos mostrar que o
Paraná tem potencial adormecido
e políticas que viabilizam
esses projetos, além de tecnologia,
matéria-prima e mercado”,
afirmou Thiago Olinda,
coordenador de gás natural e
biocombustíveis da Supen.
O Paraná é o terceiro estado
com maior volume de biogás
atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.
Por outro lado, atualmente,
o Paraná conta com 25 usinas
de cana-de-açúcar em operação.
Apesar da relevância do
setor para a economia estadual
e do elevado potencial energético
associado à produção de
resíduos agrícolas e industriais,
apenas uma unidade produz
biometano em escala comercial.
O cenário evidencia um
amplo espaço para expansão da
bioenergia no Estado.
Estudos e levantamentos técnicos
debatidos durante o workshop
apontam que o potencial
teórico do setor sucroenergético
paranaense supera 500 milhões
de metros cúbicos de biogás
por dia, consolidando o Paraná
como um dos estados brasileiros
com maior capacidade de
crescimento neste mercado estratégico.
Segundo os palestrantes,
o aproveitamento desse
potencial pode contribuir diretamente
para a descarbonização
da economia, ampliação da segurança
energética, atração de
investimentos, geração de empregos
e fortalecimento da
competitividade industrial e
agroindustrial paranaense. A
agenda está alinhada às diretrizes
do Plano Estadual de Biogás
e Biometano do Paraná e do
Plano Estadual de Descarbonização
da Economia Paranaense,
instrumentos estratégicos
conduzidos pelo Governo do
Estado para estimular soluções
energéticas de baixo carbono e
promover o desenvolvimento
sustentável.
Participaram da abertura do
evento o presidente da Alcopar,
Miguel Tranin, o diretor secretário
da Faep, Livaldo Gemin, o representante
da FIEP, Carlos
André Fiuza, e o superintendente
geral da Supen, Sandro Vieira.
O presidente da Alcopar, Miguel
Tranin falou sobre a visão do setor
sucroenergético paranaense.
“Foi uma oportunidade de discutir
o potencial do setor e quem
sabe, viabilizar um novo negócio.
Estamos estudando este
potencial com as facilidades e
alternativas já existentes dentro
das usinas, gerando opções de
renda e emprego”, destacou
Tranin. “No setor sucroenergético,
a matéria-prima já está
dentro das usinas e o conhecimento
do setor também. O próximo
passo é transformar resíduos
em oportunidade e posicionar
o setor mais uma vez
como protagonista da transição
energética brasileira”, complementou
Thiago Olinda.
Na sequência Daiana Gotardo,
diretora técnica da CIBiogás, falou
sobre o potencial do biogás
no setor sucroenergético; Thiago
Santovito, diretor executivo
da Abiogás, Thiago Olinda,
coordenador de gás natural e
biocombustíveis da Supen, e
Rodrigo Becegato, assessor
técnico do SEIC, participaram
do painel Políticas Públicas de
Incentivo ao Biogás e ao Biometano.
Do painel Mercado Consumidor
de Biometano participaram
Ana Paula Feitoza, gerente institucional
da Compagas, Fábio
Bearzi, diretor de inovação da
AESA, e Luana Defavere Fortes,
diretora de operações da
Cetric.
O último painel do dia, Financiamento
de Projetos, contou com
os palestrantes Silvio Cézar
Ávila, do BRDE, Pierre Emmanuel
Moussafir CEO da Eren
Biogás Brasil, Maurício Abi-Chahin,
diretor do departamento de
Gás Natural Substituto do Ministério
de Minas e Energia. “O Ministério
de Minas e Energia
apoia o biometano, que tem
grande potencial de crescimento.
Ele é importante para a
transição energética, colabora
de maneira importante para
descarbonização da indústria, é
importante no planejamento e a
infraestrutura de gás natural
pode contribuir para o crescimento
do biometano e é uma
externalidade positiva que gera
renda empregos e oportunidades”,
finalizou Abi-Chahin.
O biogás é uma fonte de energia
limpa e renovável produzida a
partir da decomposição de matéria
orgânica como restos de
alimentos, esterco de animais,
plantas e até mesmo esgoto,
em um ambiente sem oxigênio.
Já o biometano é um biocombustível
produzido a partir do
tratamento e purificação do biogás,
com elevado teor de metano
obtido por meio da digestão
anaeróbica de matérias orgânicas
como resíduos agropecuários
urbanos, industriais e
efluentes. O biometano, por sua
alta pureza e composição, reúne
características que o torna intercambiável
ao gás natural com
todas as suas aplicações, podendo
substituir o diesel na frota
pesada e na descarbonização
industrial.
Jornal Paraná 3
CTC
Nova geração de
biotecnologia é aprovada
Após a conclusão dos trâmites legais pela CTNBio,
a previsão de chegada ao mercado é na safra 2026/27
OCentro de Tecnologia
Canavieira (CTC)
recebeu a aprovação
da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) para o primeiro
even-to da VerdPRO2,
nova geração de cana-deaçúcar
geneticamente modificada
desenvolvida pela companhia.
"A aprovação marca um novo
avanço da biotecnologia no
setor sucroenergético brasileiro
e amplia o portfólio de
soluções voltadas ao aumento
da produtividade e à sustentabilidade
dos canaviais", diz
César Barros, CEO do CTC.
A tecnologia VerdPRO2 foi
desenvolvida para enfrentar
dois dos principais desafios
agronômicos da cultura: a
broca-da-cana e o manejo de
plantas daninhas. Presente
em praticamente todos os canaviais
do país, a broca provoca
perdas estimadas em
cerca de R$ 8 bilhões por
ano, afetando produtividade,
peso da cana e teor de açúcar.
Já o controle de plantas daninhas
demanda mais de R$ 6
bilhões anuais em herbicidas
e operações agrícolas.
Resultado de um amplo ciclo
de pesquisa, validação técnica
e análise regulatória, a tecnologia
VerdPRO2 inaugura uma
abordagem mais integrada,
unindo proteção genética contra
pragas e maior eficiência
operacional no campo. Na
prática, a solução amplia o
controle da praga, simplifica o
manejo de plantas invasoras
como grama-seda, capim colonião,
capim colchão e braquiária,
reduz riscos de fitotoxicidade,
oferece maior estabilidade
ao longo do ciclo da
cultura e contará com mais de
14 produtos.
Após a conclusão dos trâmites
legais, a previsão de chegada
ao mercado é na safra
2026/27. A introdução da tecnologia
se será realizada em
proximidade com os clientes,
com o intuito de demonstrar
seus benefícios e valor no canavial.
Essa etapa combina a
experimentação com acompanhamento
técnico próximo,
capturando as necessidades
de manejo dos clientes e gerando
dados em condições
reais de cultivo sobre os benefícios
da tecnologia.
A chegada da VerdPRO2 reforça
o pioneirismo do CTC no
desenvolvimento de biotecnologias
e a evolução em relação
à primeira geração lançada pela
companhia em 2017, além de
impulsionar a estratégia do
CTC em desenvolver soluções
capazes de dobrar a produtividade
da cana-de-açúcar até
2040, combinando genética,
biotecnologia, novas formas de
plantio e manejo.
4 Jornal Paraná
MEIO AMBIENTE
Santa Terezinha lança
o Semeando o Verde 2026
São mais de 1.400 alunos, em 29 escolas de 16 municípios do Paraná e Mato Grosso
do Sul, participando das atividades educativas
Realizado há 14 edições,
o projeto de
educação socioambiental
da Usina Santa
Terezinha, proporciona Palestra
Educativa e Concurso
Cultural com Premiações para
1.456 alunos da rede municipal
de educação do Paraná e
Mato Grosso do Sul.
Neste ano, as crianças do 4º
Ano do Ensino Fundamental de
29 escolas de 16 municípios
dos dois estados desenvolverão,
nos meses de maio e
junho, cartazes com colagem
de material reciclável abordando
o tema: Quem mora
aqui? Usina e Biodiversidade
em harmonia. A intenção desta
edição é promover o cuidado
com a biodiversidade,
destacando a preservação
ambiental de espécies, a reciclagem
e o combate a incêndios
criminosos.
Para auxiliar no desenvolvimento
do tema, a Usina Santa
Terezinha realizará a entrega
de cartilha personalizada, com
atividades lúdicas de jogos e
passatempos para cada criança
participante: Juntos pela
Vida - Protegendo Nossa Biodiversidade
e Lavouras do Fogo.
A cartilha tem como propósito
evidenciar a biodiversidade
brasileira, fauna da região
noroeste do Paraná e
prevenção de incêndios. O
material de 40 páginas é um
apoio para o desenvolvimento
do Concurso Cultural.
Na premiação, programada
para junho, todas as escolas
participantes receberão uma
Smart TV e uma placa de
agradecimento pelo apoio e
participação nesta ação socioambiental
e todos os alunos
participantes serão contemplados
com as camisetas,
a cartilha Juntos Pela Vida, os
clipes personalizados para
mochilas e as mudas de árvores
nativas ou frutíferas. Os
professores orientadores participantes
são contemplados
com camisetas e ecobags
personalizadas e 100% dos
participantes recebem também
certificados de participação
com hora-atividade.
No concurso, os cartazes produzidos
pelos alunos participantes
serão avaliados pela
equipe da Usina Santa Terezinha
e os 29 alunos vencedores
são premiados com
medalhas e bicicletas! Já os 29
professores orientadores dos
alunos vencedores também
serão premiados e receberão
um moderno Smartwatch.
O objetivo do Semeando o
Verde é contribuir com a formação
inclusiva, participativa e
responsável de alunos e professores,
buscando a promoção
da criatividade e inovação
para o desenvolvimento sustentável.
O projeto é elaborado de
acordo com indicadores de
Sustentabilidade da Usina Santa
Terezinha, como Princípios
do Pacto Global, ODS (Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável)
e Normas GRI (Global
Reporting Initiative).
Em 14 anos, o Projeto já contemplou
mais de 44 mil crianças,
de 59 escolas em 26
municípios da região de atuação
da UST. Desde a 1ª edição
do projeto, o Semeando o
Verde conta com a parceria do
IAT – Instituto Água e Terra e do
IDR – Instituto de Desenvolvimento
Rural do Paraná –
IAPAR-EMATER.
Em 2025, o Semeando o
Verde foi vencedor do Prêmio
Sesi ODS – Categoria Ambiental
– Grande Indústria, promovido
pelo Sistema Fiep (Federação
das Indústrias do Estado
do Paraná) - Sesi (Serviço Social
da Indústria). O Projeto
também é contemplado com o
Selo Sesi ODS e Selo da Impactacim,
promovido pelo Instituto
Acim (Associação Comercial
e Empresarial de Maringá/PR).
6 Jornal Paraná
Sobre a Usina Santa Terezinha
A Usina de Açúcar Santa Terezinha
Ltda. foi fundada em
1964, é uma empresa brasileira
de capital fechado com negócios
no setor sucroenergético,
presente no Paraná e Mato
Grosso do Sul. A história da
companhia iniciou no município
de Maringá (PR), onde está
instalada a primeira Unidade
Produtiva, a sede corporativa e
o terminal logístico da Empresa.
Hoje, a empresa conta com
sete unidades produtivas, localizadas
em Maringá, Paranacity,
Terra Rica, Rondon, Cidade Gaúcha,
Ivaté e Tapejara produzindo
e comercializando açúcar
VHP, etanol (anidro e hidratado)
e bioeletricidade, além de uma
biofábrica de mudas pré-brotadas
em São Tomé e um terminal
rodoferroviário de
fertilizantes em Paranaguá.
A Usina Santa Terezinha tem
em seu quadro mais de 7,5 mil
pessoas distribuídas em 35
municípios dos dois estados,
mantendo-se assim como uma
das maiores empresas do segmento
de açúcar e etanol da região
Sul do Brasil, com
operações agroindustriais alinhadas
aos indicadores de Sustentabilidade.
Unidos Contra o Fogo
Desde 2011, a empresa é signatária,
de forma voluntária, do
Pacto Global da ONU (Organização
das Nações Unidas), firmando-se
compromissos com
a Agenda 2030 da ONU e que
podem ser consultados em
seus Relatórios de Sustentabilidade
publicados desde 2012.
São mais de 10 anos de evolução
em sua jornada ESG,
que pode ser acompanhada de
forma pública, no site da empresa,
pelos seus stakeholders.
A Usina Santa Terezinha há
anos não faz uso do fogo para
colheita da cana-de-açúcar e,
como a comunidade, é vítima
desse crime. Para ajudar na
solução do problema, a usina,
todos os anos, desenvolve a
campanha “Unidos Contra o
Fogo”, um alerta contra incêndios
criminosos.
Por meio dessa ação, pessoas
da comunidade podem fazer
denúncias indicando responsável
ou responsáveis pelo
fogo nas lavouras ou proximidades.
Todos podem enviar informações,
fotos ou vídeos da
ação criminosa para: (44)
99737-7018 ou (17) 98139-
9936.
Após verificação e comprovação
do conteúdo, a pessoa que
fez a denúncia, pode receber
uma recompensa de R$
10.000,00.
Com a denúncia e ajuda da população,
todos ganham contribuindo
para a preservação de
saúde e vida de famílias rurais;
conservação da biodiversidade
e de áreas de preservação permanente;
e produtividade nas
lavouras.
Jornal Paraná 7
ENERGIA
Biodiesel promete mudar demanda
interna e impulsionar setor
Recorde de safra de soja, nova lei em vigor e disputa no mercado
movimenta segmento do insumo mais exportado do Brasil
Asafra 2025/26 está
projetada para bater
recorde de 178 milhões
de toneladas,
conforme a Companhia Nacional
de Abastecimento (Conab),
e, ainda assim, a queda projetada
de 13,3% no preço médio
da soja pressiona a rentabilidade,
com a margem por hectare
despencando de R$ 2.325
para R$ 1.219. Produzir mais e
ganhar menos é a equação que
o setor tenta resolver.
Cerca de 80% da soja processada
se transforma em farelo e
20% em óleo. Sem um mercado
robusto para esse óleo,
há um limite estrutural para o
crescimento da cadeia. O biodiesel
surgiu, nesse contexto,
como a peça que faltava. Ele
absorve o excedente de óleo,
viabiliza mais esmagamento,
gera mais farelo, e este, por
sua vez, alimenta a cadeia de
proteína animal. É um ciclo
que, até pouco tempo atrás,
operava em escala insuficiente
para alterar a equação do setor.
A partir de 2024, esse mercado
mudou de forma estrutural. As
leis estabelecem metas crescentes
de mistura obrigatória
de biodiesel ao diesel: 15% a
partir de março de 2025, 16%
em março de 2026, chegando
a 20% em março de 2030. O
calendário tem a força de lei,
embora, como veremos, a execução
esteja mais lenta do que
o cronograma prometido.
“As tecnologias de agricultura
de precisão para aplicação localizada
e na dose adequada
impulsionam ainda mais esse
processo”, afirma Fellipe Parreira,
responsável por Portfólio
e Acesso no Grupo GIROAgro.
O impacto sobre o esmagamento
é direto. O esmagamento
de soja segue em expansão
desde 2023, impulsionado
principalmente pela retomada e
ampliação da mistura obrigatória
de biodiesel. A Safras &
Mercado revisou para cima a
previsão de esmagamento para
61,8 milhões de toneladas em
2026 (alta de 6% sobre o ano
anterior) sustentada por margens
industriais que não eram
observadas há bastante tempo.
Abiove e representantes da cadeia
produtiva defendem que a
cada ponto percentual na mistura
haja uma expansão de
aproximadamente 3,59% nos
empregos da categoria; cada
R$1 investido em biodiesel retorna
à economia multiplicado:
R$ 4,40.
Com a aprovação do B16 (esta
é a sigla que discrimina a proporção
de biodiesel misturado
ao diesel fóssil: 16%), a demanda
pelo combustível exigiria
o esmagamento equivalente
a cerca de 872 milhões de
sacas de soja só para abastecer
a produção de biodiesel. O
salto em relação ao B15 representa
um acréscimo de aproximadamente
90 milhões de
sacas adicionais, que é quase
o dobro de tudo que o Paraná
produz em uma safra. A capacidade
produtiva instalada de
biodiesel saltou para 3,4 milhões
de sacas de soja por dia
para abastecer as usinas em
plena operação, em 2025.
O que essa nova dinâmica representa
para quem está na
ponta da cadeia, o produtor
rural, é talvez o aspecto menos
discutido, mas potencialmente
o mais transformador. O Brasil
está deixando de ser apenas o
"celeiro do mundo" para se tornar
a sua "usina verde", com o
valor agregado ficando dentro
do país e gerando 2,28 milhões
de empregos.
Mais concretamente, o preço
da soja no Brasil passa a depender
também de variáveis
energéticas, criando um descolamento
parcial em relação
à Bolsa de Chicago. Para o
produtor, isso pode significar
mais opções de comercialização
e menos dependência de
um mercado externo que,
como 2025 demonstrou com
clareza, pode punir safras recordes
com preços em queda.
O caminho, porém, não
está pavimentado. Para sustentar
a expansão da demanda
por biodiesel até 2030, o setor
projeta investimentos da ordem
de R$ 52,5 bilhões em
novas usinas e unidades de
esmagamento.
“Estamos em um ciclo onde
quem estiver tecnicamente
amparado e bem informado
terá condições de superar as
turbulências. É hora de investir
em conhecimento e proximidade
com quem conhece o
solo, a planta e o mercado”,
complementa Leonardo Sodré,
CEO do Grupo GIROAgro.
8 Jornal Paraná
FERTILIZANTES
IAC orienta como driblar a alta nos preços
Crise internacional exige uso
racional de insumos e maior
eficiência nos investimentos
agrícolas
Adisparada nos preços
dos fertilizantes, provocada
pela guerra
entre Estados Unidos e
Irã, ameaça a agricultura brasileira
e pode desencadear uma
crise histórica. Com a previsão
de valores recordes para os fertilizantes,
o setor enfrenta riscos
que podem repercutir em toda
a economia nacional, independentemente
da transferência
dos custos ao consumidor final.
Nesse cenário, agricultores precisam
aumentar a eficiência no
uso dos insumos.
Para apoiá-los, o Instituto Agronômico
(IAC), de Campinas, divulga
três ações essenciais
para melhor direcionar os investimentos
e manter a produtividade.
A primeira recomendação
é realizar análise de solo
para fazer uso racional e sob
prescrição dos fertilizantes escassos
ou caros para a sua
condição de solo. A segunda
orientação é adotar boas práticas
agrícolas que favoreçam a
eficiência de uso dos insumos
pelas culturas. A terceira é utilizar
calcário - insumo de baixo
custo e produzido no Brasil -
que prepara o solo para o melhor
aproveitamento dos nutrientes
aplicados e dos já disponíveis
no solo.
"Nosso objetivo é orientar estrategicamente
os agricultores
diante da muito provável alta
nos preços dos fertilizantes,
consequência da guerra que,
além de inviabilizar rotas de
transporte e encarecer os insumos,
também vem comprometendo
a infraestrutura de produção",
afirma Heitor Cantarella,
pesquisador da área de
solos e vice-coordenador do
IAC, da APTA (Diretoria de Pesquisa
dos Agronegócios), da
Secretaria de Agricultura e
Abastecimento do Estado de
São Paulo.
A análise de solo é a ação fundamental
que permite conhecer
exatamente o que precisa ser
reposto pontualmente. Com esse
diagnóstico, o investimento
será no produto correto e na
dose necessária. A segunda
medida a ser adotada é a calagem,
que potencializa o aproveitamento
da adubação ao
melhorar a disponibilidade e eficiência
dos nutrientes. Essa
técnica traz diversos benefícios
agrícolas a custo acessível, já
que o calcário é um recurso
abundante no Brasil graças às
grandes reservas existentes, o
que garante investimento bem
inferior em comparação aos insumos
importados.
Ao ser incorporado ao solo, o
calcário corrige sua acidez, tornando-o
mais favorável ao
crescimento das plantas. Além
disso, neutraliza a toxidez do
alumínio, que em excesso compromete
o desenvolvimento radicular
da planta. Com menor
acidez e toxidez, as raízes passam
a crescer com maior profundidade
e vigor. A prática
também fornece cálcio e magnésio,
nutrientes essenciais à
nutrição vegetal, e aumenta a
fertilidade do solo ao ampliar a
disponibilidade de fósforo e de
outros elementos, favorecendo
a absorção pelas culturas.
Segundo Cantarella, as boas
práticas agrícolas têm o conceito
4C: dose certa, época
certa, fertilizante certo e local
certo. E o agricultor precisa se
atentar a cada um desses fatores
para não perder dinheiro. A
proposta da economia circular
também integra as orientações
do IAC. "O produtor pode ainda
usar o que ele tem em sua propriedade,
como é o caso dos
estercos e compostos", orienta.
Segundo Cantarella, para além
de antever desafios no setor em
que atua e desenvolver previamente
soluções, uma instituição
de pesquisa como o IAC
tem também esse papel de recorrer
aos seus pacotes tecnológicos
para orientar estrategicamente
os agricultores em
circunstâncias como a atual,
em que o conflito coloca o mercado
mundial diante de um desafio
geopolítico, fora do eixo das
programações científicas agronômicas
que, em geral, consideram
aspectos relacionados
ao ambiente, recursos naturais,
sustentabilidade, qualidade e
produtividade agrícola.
Por que momento requer ajustes no uso de fertilizantes?
O Brasil importa cerca de 80%
dos fertilizantes usados e boa
parte desses passam pelo Estreito
de Ormuz, uma das rotas
marítimas mais estratégicas do
mundo, bloqueada em meio às
negociações diplomáticas entre
as partes envolvidas no conflito.
Por este Estreito passa grande
volume de petróleo mundial,
principal matéria-prima de fertilizantes
nitrogenados.
Com essa situação, as empresas
no Brasil sequer conseguem
antecipar os preços dos
fertilizantes aos agricultores,
pois não sabem a que custo serão
importados e por quanto as
matérias-primas chegarão ao
país. "Para ilustrar essa situação,
o enxofre, matéria-prima
de vários fertilizantes, principalmente
os fosfatados, já aumentou
cerca de 300% a 400%
desde o início da guerra", comenta
Cantarella.
Nesse contexto, caso os agricultores
consigam repassar aos
seus produtos o aumento desse
aumento de produção, o resultado
deve impactar a inflação,
com consumidores pagando
mais caro. Se eles não conseguirem
fazer esse repasse,
muito provavelmente suas dívidas
crescerão, o que também
impactará a situação do país.
"Outro complicador é que o cenário
de preços elevados de
fertilizantes ocorre em um período
em que os preços de
commodities agrícolas estão
deprimidos. Para contribuir
nesse cenário, o IAC lança mão
de conhecimentos já desenvolvidos
e consolidados e reforça
as orientações com soluções
factíveis para que os produtores
possam enfrentar os desafios
nessa época de crise",
comenta o especialista em
solos no Brasil
Jornal Paraná 9
PIONEIRISMO
Combustível do Futuro impulsiona
autossuficiência energética
Marco legal com potencial de destravar R$ 260 bilhões em investimentos até 2037 reduz
dependência de importações e estará no centro dos debates da Fenasucro & Agrocana e FenaBio
OBrasil reforça seu pioneirismo
na transição
energética global. Ao
demonstrar na prática
como é possível substituir derivados
de petróleo e criar uma
matriz limpa e cada vez mais
autossuficiente, o País assume
a vanguarda de um movimento
que hoje pauta as maiores economias
do mundo. Os próximos
saltos tecnológicos e industriais
dessa liderança nacional
serão o foco das discussões
na Fenasucro & Agrocana
e do espaço de conferência do
evento, FenaBio, entre 11 e 14
de agosto de 2026, no Centro
de Eventos Zanini, em Sertãozinho/SP.
O destaque brasileiro vai além
da pauta ambiental e se sustenta
em uma realidade econômica
sólida. O setor produtivo,
hoje, atua amparado por diretrizes,
como a Lei do Combustível
do Futuro, que trouxe a previsibilidade
jurídica necessária para
destravar cerca de R$ 260 bilhões
em investimentos privados
até 2037. Esse cenário
comprova a maturidade da indústria,
que trabalha ativamente
para modernizar biorrefinarias,
reduzir a dependência de combustíveis
fósseis importados e
blindar o mercado interno contra
oscilações internacionais.
Para o diretor da Fenasucro &
Agrocana, Paulo Montabone, o
contexto atual consolida uma
evolução histórica que coloca o
Brasil à frente do mercado
mundial. “Se formos voltar um
pouco na história, o Proálcool
foi criado justamente como resposta
à crise do petróleo de
1973, num plano nacional de
independência oficializado em
1975. Hoje, entendemos que
essas grandes ofertas de biocombustíveis,
que começaram
com a cana, passaram pelo
biodiesel e agora recebem o
complemento do milho, vão,
num curto espaço de tempo,
fazer com que a gente 'limpe' os
combustíveis fósseis por meio
da mistura. Eles vão agredir
menos o meio ambiente, prolongando
a vida deles”, destaca.
Para sustentar essa vanguarda,
a produção encontra
suporte financeiro no Renova-
Bio, política nacional que consolida
os Créditos de
Descarbonização (CBIOs).
Para 2026, a Agência Nacional
do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP) estabeleceu
a meta de aquisição de
Credenciamento e vendas FenaBio
O credenciamento para a 32ª
Fenasucro & Agrocana, gratuito
e destinado a visitantes, está
aberto e pode ser realizado por
meio do site oficial do evento.
Também está aberta a venda de
ingresso para a 2ª edição da FenaBio,
que pode ser adquirido
neste link: https://www.fenasucro.com.br/pt-br/fenabio.html.
FENASUCRO & AGROCANA -
Reconhecida como a maior feira
do mundo voltada à cadeia produtiva
da bioenergia, a 32ª edição
da Fenasucro & Agrocana
deve reunir, em 2026, visitantes
de mais de 80 países, mais de
600 marcas expositoras, com
os principais fabricantes nacionais
e internacionais de equipamentos,
soluções e tecnologias
voltadas à produção de biocombustíveis
e energia limpa.
RenovaBio e o motor financeiro
A feira é promovida pela RX Brasil,
com apoio exclusivo do
CEISE Br, e se consolidou como
a principal plataforma de conexão
entre a indústria fornecedora
e os compradores do setor
bioenergético.
Em 2026, paralelo à feira, também
ocorrerá o 13º Congresso
Latino-Americano da ATALAC,
evento internacional que reúne
profissionais da América Latina
e Caribe, realizado pela STAB
(Sociedade dos Técnicos Açucareiros
e Alcooleiros do Brasil).
Mais informações no site
www.fenasucro.com.br.
48,09 milhões de CBIOs.
“Na prática, eles funcionam
como um ativo financeiro atrelado
ao desempenho ambiental,
transformando eficiência e
sustentabilidade em receita
adicional, instrumento indispensável
para alavancar inovações
tecnológicas no setor”,
explica Montabone. Ainda de
acordo com ele, é fato que os
CBIOs se consolidaram como
uma das principais engrenagens
de financiamento da
transição energética brasileira,
acelerando investimentos em
eficiência, automação e expansão
da capacidade produtiva
das biorrefinarias.
Expectativa pelo
E32 e B16
É justamente na estratégia de ‘limpar’ a matriz fóssil
apontada por Montabone que se apoia a expectativa
de ampliação das misturas nos combustíveis. A expectativa
do setor é pela ampliação do etanol anidro
na gasolina para 32% (E32) e do biodiesel no diesel
fóssil para 16% (B16), ainda no primeiro semestre de
2026.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira,
esse avanço tem o potencial de reduzir em aproximadamente
500 milhões de litros por mês a necessidade
de importação de combustíveis fósseis.
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Jornal Paraná
DOIS
PONTOS
Renegociação
Em um quadro fiscal já preocupante,
o projeto de lei para
renegociação de dívidas dos
produtores rurais pode ter um
impacto financeiro para a
União de cerca de R$ 150 bilhões
somente em 2027 e
provocar efeitos estruturais
sobre o Plano Safra e o crédito
rural nos próximos anos.
O custo para a União chega a
R$ 817 bilhões ao longo dos
próximos 13 anos, segundo
cálculos da equipe econômica.
A estimativa é de que o
volume de dívidas potencialmente
alcançadas pela proposta
chegue a cerca de R$
1,39 trilhão.
Com pressa e a máquina na mão, Lula anuncia subvenção bilionária para conter o
preço da gasolina. Não surpreendeu ninguém o fato de o governo ter anunciado um
subsídio bilionário para a gasolina. O diesel já tinha sido alvo de medidas para mitigar
a alta nos preços do petróleo em março e, em abril, foi a vez do gás de cozinha e do
querosene de aviação. Faltava a gasolina para completar a tabela de intervenção que
marca os anos eleitorais e que já se tornou mais uma tradição ruim na política brasileira.
Subsídio
Cooperativas
As cooperativas brasileiras,
representadas pelo Sistema
OCB, formalizaram suas propostas
para o cenário político
de 2026, focando em fortalecer
o setor como motor de
desenvolvimento econômico
e social. Principais Eixos e
Demandas (2026): as cooperativas
pedem reforço no crédito
rural (Plano Safra - R$
674 bilhões, com foco em
custeio e investimentos para a
agricultura familiar), com garantia
de recursos e taxas
compatíveis para a agropecuária,
além da inclusão direta
das cooperativas como beneficiárias;
Reforma Tributária e
Segurança Jurídica; Implementação
do Plano ABC+,
regulação do mercado de carbono
e efetivação do Cadastro
Ambiental Rural (CAR); Investimentos
em logística de escoamento
e ampliação de
conectividade no meio rural e
fortalecimento do papel das
cooperativas de crédito na
gestão de recursos municipais,
visando o desenvolvimento
regional.
O balanço global de açúcar
está “mais ou menos equilibrado”
e os preços do adoçante
dependerão muito do
consumo de etanol no Brasil
na safra 2026/27, já que uma
maior fabricação do biocombustível
pode reduzir a oferta
de matéria-prima para o alimento,
afirmou o presidenteexecutivo
da Copersucar, Tomás
Manzano.
Petrobras
Mercado
A Petrobras encerrou o primeiro
trimestre de 2026
como a petroleira mais lucrativa
do mundo entre as
empresas do setor com valor
de mercado acima de US$
50 bilhões. No período, a estatal
registrou lucro líquido
de US$ 6,25 bilhões, superando
companhias internacionais
como a Shell (US$
5,69 bilhões) e a Exxon
Mobil (US$ 4,18 bilhões). O
levantamento foi elaborado
pela Elos Ayta. Assim, a Petrobras
assumiu a liderança
em um ranking que reúne as
maiores empresas de petróleo
e gás listadas no Brasil e
no exterior.
Fertilizantes
A manutenção das tensões no
Oriente Médio e as restrições
às exportações por grandes
players globais estabeleceram
um novo paradigma de incerteza
para o agronegócio mundial
em 2026. O bloqueio
parcial e as dificuldades logísticas
no Estreito de Ormuz,
por onde transitam cerca de
40% das exportações mundiais
de fertilizantes nitrogenados,
provocaram um avanço
imediato nos preços das
commodities minerais e colocam
em xeque a segurança
alimentar global. Com a continuidade
do conflito, para
além da escalada dos preços
e consequente inflação do
custo de produção, há risco
concreto de desabastecimento,
apontam analistas de mercado
e indústrias.
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Jornal Paraná
"Super El Niño"
O mundo pode presenciar
um "ano particularmente severo"
de incêndios florestais
alimentados pelas mudanças
climáticas e por uma ocorrência
potencialmente forte
do fenômeno climático El
Niño, após recordes registrados
no início de 2026 recorde.
Mais de 150 milhões
de hectares – pouco menos
que a área do Amazonas –
queimaram em todo o globo
nos primeiros meses de
Calor extremo
2026. Os incêndios florestais
causaram uma devastação
50% maior do que a média
para esta época do ano, e a
área queimada por incêndios
florestais em todo o mundo é
mais de 20% maior do que o
recorde anterior estabelecido
desde o início do monitoramento
em 2012.
Com alta probabilidade de
um El Niño superintenso, 2º
semestre pode ser ainda pior.
O calor extremo está levando
os sistemas agroalimentares
globais ao limite, ameaçando
os meios de subsistência e a
saúde de mais de 1 bilhão de
pessoas. As informações
são de um novo relatório
das agências de alimentação
e de meteorologia da
ONU (Organização das Nações
Unidas). A FAO (Organização
das Nações Unidas
para Alimentação e Agricultura)
e a OMM (Organização
Meteorológica Mundial) afirmaram
que as ondas de calor
estão se tornando mais
frequentes, intensas e prolongadas,
prejudicando as
colheitas, a pecuária, a
pesca e as florestas. O aumento
deste fenômeno é um
dos efeitos mais evidentes
da mudança climática
provocada pelas atividades
humanas.
A Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab) divulgou
o primeiro levantamento
de cana-de-açúcar
para a safra 2026/27, com
uma produção estimada em
709,1 milhões de toneladas,
5,3% superior à da temporada
2025/26 e, se confirmada,
segunda maior da série
histórica da estatal, atrás
apenas da de 2023/24. Segundo
a companhia, a perspectiva
de uma produção
maior se sustenta pela melhora
na produtividade e na
expectativa de uma maior
área a ser colhida na temporada.
As condições climáticas
observadas em 2025
devem ter reflexos positivos
nas lavouras desta safra e
contribuir para um aumento
de 3,4% da produtividade
média nacional, para 77,753
toneladas por hectare. A área
destinada à colheita também
deve aumentar 1,9%, diz a
Conab, para 9,1 milhões de
hectares. Se confirmada, será
a maior área colhida da série
histórica da estatal.
A demanda por biodiesel no Brasil deve crescer 7,2% em 2026, chegando a 10,4 milhões
de m³, segundo relatório da StoneX, impulsionada pela maior mistura (B15) e pelo dinamismo
econômico. Caso o aumento da mistura para B16 (16%) seja adotado, a demanda
por biodiesel pode crescer ainda mais, chegando a 10,76 milhões de m³, alta
anual de 10,9%. O crescimento do biodiesel reflete tanto o aumento da mistura quanto
a maior demanda por diesel no país, além da busca por alternativas que reduzam a dependência
externa.
Safra de cana
Demanda
Etanol de milho
A Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab) disse
que o Brasil registrou, na safra
2025/26 de cana-de-açúcar
sua maior produção de
etanol da série histórica da
estatal. Serão 37,5 bilhões de
litros, 0,8% acima do fabricado
na safra anterior, conforme
a Conab. A alta é influenciada
pela maior produção do etanol
de milho, que cresceu
29,8% na comparação com a
safra 2024/25, chegando a
10,17 bilhões de litros. Já o
volume de etanol de cana-deaçúcar
diminuiu 6,9% na
mesma base de comparação,
para 27,33 bilhões de litros.
O etanol de milho representa
hoje pouco mais de 27% da
produção total do combustível
no país, de acordo com a
Conab. Dos 37,5 bilhões de
litros de etanol produzidos no
país, a Conab estima que
14,09 bilhões de litros são de
etanol anidro - misturado à
gasolina - e 23,41 bilhões de
litros são de etanol hidratado,
vendido diretamente nas
bombas de postos de combustível.
Jornal Paraná
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