edição de 1º de junho de 2026
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propmark.com.br ANO 62 - Nº 3.093 - 1º de junho de 2026 R$ 20,00
Credibilidade editorial da imprensa
ganha valor na era da hiperconexão
Nunca houve tanta informação disponível e, ao mesmo tempo, tamanha desinformação circulando. Em meio ao avanço da IA e das redes sociais, veículos de
comunicação defendem que ética, apuração e checagem seguem como diferenciais decisivos do jornalismo. A reportagem do propmark ouviu lideranças
de diversas frentes para entender como o setor adapta linguagem, formatos e escala sem abrir mão da credibilidade. Enquanto IA e creators transformam
o ecossistema de mídia, executivos reforçam que autoridade editorial, conexão com novas audiências e capacidade de gerar confiança se tornam ativos
ainda mais valiosos em um ambiente marcado por excesso de conteúdo e algoritmos. Em 1º de junho, comemora-se o Dia da Imprensa no Brasil. pág. 12
Magnific
Globo elenca suas bases
para a sustentabilidade
Divulgação
Estadão celebra jurados
do Brasil no Cannes Lions
Alê Oliveira
Be Nice conecta marcas
com expertise no agro
Divulgação
Mais do que meio ambiente, diretrizes envolvem pessoas,
olhar para grupos não representados e, no caso de
um canal de mídia, destaque na programação, como
afirma o diretor Manuel Belmar. pág. 18
Parte dos 32 jurados brasileiros escalados pelo Estadão
esteve presente em evento de confraternização na semana
passada, em São Paulo. Marcaram presença Flavia
Saraiva, Essio Floridi e Álvaro Rodrigues. pág. 31
Formada há dois anos por Fernanda Kubiack, Fernando
Garros e Ubiratan Fontoura, a agência uniu a experiência
dos sócios em propaganda para se tornar uma autoridade
no agronegócio no Brasil. pág. 10
editorial
Armando Ferrentini
O valor da imprensa
O
jornalismo profissional, finalmente, voltou a ser valorizado. Em tempos de
fadiga digital, fake news, multiplicidade de canais, com muitos conteúdos
duvidosos circulando pela internet, as pessoas começam a perceber novamente
a importância de checar a fonte de informação do conteúdo que muitas
vezes recebem pelos grupos de WhatsApp e de procurar notícias confiáveis em
sites e portais jornalísticos de credibilidade.
Neste 1º de junho, comemora-se o Dia da Imprensa no Brasil. Para além da
ideia de homenagear a data e falar do papel do jornalismo na sociedade —
além de representar o quarto poder, você já deve ter ouvido, caro leitor, que
sem imprensa livre não teríamos publicidade e vice-versa —, o propmark publica
nesta edição reportagem especial assinada pela repórter Bruna Nunes,
que investigou como a confiança nas marcas jornalísticas foi retomada após
certo período de descrença.
Em um cenário repleto de criadores de conteúdo, em que as redes sociais redefiniram
a velocidade e o volume de informações, profissionais da área e lideranças
do Estadão, Globo, Record e UOL afirmam que o jornalismo nunca foi tão importante
para distinguir o conteúdo confiável da desinformação.
É neste ponto da encruzilhada que os pilares do jornalismo ético — como a apuração
e a checagem — se tornam ainda mais vitais. “Nunca houve tanta produção
de conteúdo e, ao mesmo tempo, nunca foi tão valioso ter marcas capazes de
gerar confiança”, resume Eurípedes Alcântara, diretor de jornalismo do Estadão.
E credibilidade, vale lembrar, não se ganha do dia para a noite depois de ficar
famoso. Jornais centenários também, como Folha e O Globo, levaram décadas
para construir reputação, bem como o propmark, que no último dia 21 de maio
completou 61 anos de circulação como o veículo pioneiro no trade de propaganda
e marketing. Óbvio que mudanças e adaptações precisaram ser feitas pela mídia
e continuam em curso, para atender à nova era da efemeridade.
Veículos como Capricho, Elle, Billboard e g1 mostram como renovaram sua linguagem
para falar com as novas gerações, apostando em redes, curadoria editorial
e experiências impressas, comprovando que o jovem ainda consome jornalismo
e enterrando o discurso de que a mídia tradicional ia morrer e perder sua força.
Além de análises e depoimentos cirúrgicos de especialistas do ecossistema de
mídia, o leitor vai encontrar na matéria detalhes curiosos sobre os primeiros registros
de imprensa, lá no distante Império Romano. Vale a leitura.
Copa do Mundo
Foi dada a largada para a Copa do Mundo. Ou melhor, duas delas. Primeiro, a da
Fifa, que a partir do próximo dia 11 promove o maior espetáculo de futebol do planeta,
e depois vem a Copa da propaganda global, com o início do maior e principal
festival de todos, o Cannes Lions International Festival of Creativity, que neste
ano ocorre de 22 a 26 de junho na França, e que o propmark vai cobrir in loco,
como sempre fez quando o evento ainda era em Veneza, Itália.
No último dia 28, o Estadão, representante oficial de Cannes no Brasil, reuniu
parte do mercado no tradicional almoço dos jurados, que funciona como uma
espécie de start do festival. Desde maio, este veículo publica entrevistas com os
profissionais com insights e esquenta para os júris. Acompanhe.
Frase: “Uma imprensa livre pode, é claro, ser boa ou ruim, mas, certamente sem
liberdade, a imprensa sempre será ruim” (Albert Camus).
1ª
2ª
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
‘Antes, a propaganda era a alma
3ª
do negócio. Agora, a estratégia
é que é’, diz Nizan Guanaes
Nizan Guanaes reflete sobre transformação da publicidade, reputação
digital e o avanço da IA na comunicação. Executivo também aborda o
papel estratégico das marcas em um mercado cada vez mais orientado
por dados e cultura.
RZK Digital anuncia Michelle Vieira
como gerente financeira
Executiva assume gestão financeira da companhia com foco em
governança, estruturação de processos internos e sustentação
do crescimento da operação.
Premiação divulga lista de finalistas em categorias ligadas a inovação,
impacto, propósito e estratégia, reunindo marcas, agências e projetos
de diferentes setores.
4ª
Campanha criada pela Lola\TBWA conecta futebol e churrasco ao
calendário esportivo de 2026, com estratégia multiplataforma
estrelada por Ronaldinho Gaúcho.
5ª
Saiba quem são os finalistas
do II Prêmio Patrocínio Brasil
Maturatta escala Ronaldinho Gaúcho
como ‘bruxo do churrasco’
Copa do Mundo já movimenta agências
e marcas no Brasil antes do apito inicial
Mercado publicitário acelera planejamento para a Copa de 2026 com foco
em dados, creators, experiência, social listening e atuação em tempo real
durante o torneio.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 3
índice
propmark
propmark.com.br
Dia da Imprensa traz
reflexões sobre o
papel do jornalismo
Reportagem ouviu lideranças
de veículos de comunicação
e especialistas em mídia, que
falam como o jornalismo
profissional é fundamental
para distinguir conteúdo
confiável de desinformação
na era das redes sociais.
12
Magnific
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
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tel. (11) 2065 0737
Epic Universe redefine a experiência
dos parques após um ano da estreia
Um ano depois da inauguração, o Universal Epic
Universe se consolida como um dos motores
de crescimento da Universal Orlando Resort no
mercado brasileiro e faz jus ao nome: o parque passa a
ideia de algo épico, extraordinário. pág. 28
Broders considera clima tenso no
setor de produção e reforça equipe
O sócio-diretor Rodrigo Furlan fala que ser uma
produtora independente no país hoje é uma tensão
constante. Para reforçar seu time, ele trouxe Laura
Carvalho (ex-BETC Havas), na foto ao centro, junto com
a sócia e produtora-executiva Clara Gattone. pág. 23
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................5
Curtas .................................................................................8
Quem Fez ...........................................................................9
Entrevista ..........................................................................10
Mídia ..................................................................................12
Agências ............................................................................20
Produtoras ........................................................................23
Negócios & Consumo ........................................................24
Cannes Lions .....................................................................31
Out of Home ......................................................................36
Negócios & Sustentabilidade ...........................................38
Opinião...............................................................................39
Inspiração ..........................................................................43
ESG no MKT ........................................................................44
Click do Alê ........................................................................45
Última Página ....................................................................46
Almar conecta dados
à estratégia de
marketing no varejo
Criada em 2017, a agência de
marketing/consultoria atua na
interseção entre estratégia de
marca, CRM, programas de
fidelidade, inteligência
de dados e experiências para o
varejo, conforme explica a CEO
Vanessa Moço pág. 20
4 1º de junho de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Post: Ary Nogueira é contratado pela
WMcCann
Esse é sinistro!
Sabrina Mesquita
Gigante!
Simone Sánchez Mena
IGAMING
A WT.AG é a nova responsável pela estratégia de social media da VBET no Brasil. A agência
assume o planejamento e a gestão das redes sociais da marca global de iGaming (foto
acima), que amplia sua presença no mercado brasileiro. O escopo inclui iniciativas com
creators e ativações digitais com foco em aquisição, engajamento e retenção de usuários.
MARCA
Rádio Mix tem nova identidade visual para a cobertura da Copa. Com logos inspirados nas
cores do Brasil, emissora aposta em plano multiplataforma, unindo rádio, digital e ao vivo.
ESTáGIO
A FutureBrand anuncia a 5ª edição do Embrace, de estágio para estudantes universitários
pretos e pardos. Em cinco anos, contou com mais de 600 inscritos e 23 candidatos aprovados.
Post: ‘Comunidade virou palavra gasta
no marketing’, diz Gabriel Felix
Orgulho tremendo de você, ícone fashion,
rockstar e geniozinho dos memes!
Kátia M
Post: “Antes, a propaganda era a alma
do negócios. Agora, a estratégia
é que é”
A propaganda nunca foi a alma do
negócio. Mas o negócio era a alma da
propaganda. A pergunta é: por que deixou
de ser?
Luís Daniel Brito
Duailibi Essencial
Post: Click do Alê: propmark celebra
61 anos
Super Armando e tantas outras pessoas
queridas!
Paula Ganem
Craques!
Hugo Rodrigues
Parabéns!
Felipe Simi
“Onde a imprensa é livre e todo homem é capaz de ler, tudo está salvo”.
(Thomas Jefferson)
dorinho
PARCERIA
Presente em 26 estados e com mais de 85 mil oportunidades de mídia, a Kallas Mídia OOH
anuncia parceria com a B&C, de mídia out of home do Rio de Janeiro. Com o acordo, a Kallas
passa a comercializar portfólio que inclui busdoors, backbus, taxidoors, empenas digitais e
estáticas, painéis rodoviários, envelopamentos (foto acima) e ativos digitais.
NEGÓCIO
Felicidade Collective assume a comunicação da Purcom. Será responsável pela estruturação
da comunicação institucional e presença digital da empresa brasileira de poliuretano.
CICLO
Após deixar a sociedade da New Vegas
em 2025, o empreendedor e publicitário
Ian Black (foto à esquerda) anuncia o
lançamento da Black Sheep, com o plano
de apoiar pequenas e médias agências
em decisões de gestão, posicionamento,
operação, cultura, rentabilidade e
inteligência artificial.
IMPOSTO
Para celebrar o dia livre de impostos no
próximo dia 6 de junho, iniciativa do CDL/
BH, a Komuh e Ilha Crossmídia criam
campanha para a Drogaria Araujo, que está
completando 120 anos em 2026.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 5
*
curtas
Paulo Pinto/Divulgação Agência Brasil
Itaú traz show de MarIah Carey ao BrasIl
Reprodução/Instagram: @itau
Justiça contesta aprovação da cppu
para construir Boulevard em sp
A Justiça barrou o Boulevard São João, no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João
(foto), no centro de São Paulo, conhecido como ‘Times Square paulistana’. A juíza Celina
Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, contestou a decisão da Comissão de
Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Urbanismo
e Licenciamento, que já tinha aprovado o projeto. Ainda cabe recurso. A liminar paralisou
a instalação de painéis de led nos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida,
Galeria Sampa e New York e projeções no Edifício Independência II, endereço do Bar Brahma
- pertencente à Fábrica de Bares, dona também do Bar Léo, Riviera e Bar dos Arcos.
O grupo financia o projeto em parceria com a Prefeitura de São Paulo e o governo do
estado. O aporte é estimado em R$ 6 milhões. Cerca de 70% do tempo de exibição deve ser
destinado a conteúdo cultural, educativo e institucional, além da restauração de espaços
e oferta de wi-fi público. O restante deve ficar com publicidade. Procurada pelo propmark,
a Prefeitura de São Paulo respondeu que “a Procuradoria-Geral do Município (PGM) ainda
não foi notificada da decisão e, assim que for comunicada, estudará as medidas cabíveis”.
folha e Uol assInaM aCordo CoM openaI
Levart/Unsplash
Turnê ‘Christmas Time’ está confirmada para São Paulo e Rio de Janeiro no mês de novembro
O estádio do Palmeiras, na região Oeste de São Paulo, recebe a turnê ‘Christmas Time’, da cantora
Mariah Carey, no dia 17 de novembro. No Rio de Janeiro, o show natalino ocorrerá na área
externa da Farmasi Arena, no dia 21 do mesmo mês. A iniciativa é do Itaú Live com estratégia
da 30e e Galeria. Os espetáculos foram divulgados com ação inspirada em memes sobre o
“descongelamento” da artista. Teasers nas redes sociais, conteúdos produzidos por creators,
inserções na programação da rádio MIX, peças de OOH e DOOH compõem o plano de mídia. “O
Itaú Live nasce para criar experiências que vão além do palco. Ao transformar um meme global
em uma ativação urbana, conseguimos antecipar as conversas e a emoção do show”, diz
Rodrigo Montesano, superintendente de experiências e conexões de marcas do Itaú Unibanco.
Usuários do ChatGPT terão acesso a resumos de reportagens de ambas as publicações
Parceria da OpenAI com Folha de S.Paulo e UOL permitirá que mais de 900 milhões
de usuários ativos semanais do ChatGPT em todo o mundo acessem resumos de
reportagens de ambas as publicações. O acordo “reforça a importância do jornalismo
profissional”, lembra Sérgio Dávila, diretor de redação da Folha. “As plataformas de
IA se beneficiam de fontes confiáveis de notícias”, reforça Paulo Samia, CEO do UOL.
“Queremos oferecer respostas mais úteis, atuais e relevantes”, promete Varun Shetty,
vice-presidente de parcerias de mídia da OpenAI. A aliança já existe nos Estados
Unidos, Reino Unido, França e Alemanha. Os recursos Codex, ChatGPT Enterprise e API
poderão apoiar o trabalho jornalístico.
agênCIa UMa expande atUação wMCCann proMove na área de negóCIos InfInItaMente vIra onMa
Divulgação
Divulgação
Divulgação
Ronaldo Ferreira: oito viagens com grupos de até 500 pessoas
A agência Uma Diversidade Criativa, integrada à Agaxtur
e ao Grupo Águia Branca, comemora 30 anos no mercado
de live marketing com a conquista de projetos para Icatu
Seguros, DKT South America, Catupiry e Serasa Experian, que
envolvem convenções nacionais e internacionais, ativações
e serviços em feiras e congressos. Na operação de viagens
de incentivo e experiências internacionais, com Agaxtur
Mice, a empresa celebra aumento de mais de 50% no volume
de ações em 2026. “Só neste primeiro semestre já fechamos
oito viagens de incentivo internacionais para Estados
Unidos, Europa, Caribe, África e América Latina, com grupos
de até 500 participantes, atendendo empresas dos setores
financeiro, farmacêutico, seguros, benefícios e incentivos
corporativos”, conta o sócio-fundador Ronaldo Ferreira.
Janaina Yana, Renata Bokel e Fernanda Duca: relações sólidas
Janaina Yana e Fernanda Duca foram promovidas a
VPs de negócios da WMcCann. Elas trabalhavam anteriormente
como diretoras da área. “São lideranças
fundamentais para o momento da agência e para
os próximos passos que vamos dar”, valida a CEO
Renata Bokel. “A construção de marcas relevantes
acontece a partir da combinação entre criatividade,
cultura e relações sólidas com clientes e times”, frisa
Janaina. Fernanda Duca encara a nova fase “como
uma oportunidade de contribuir ainda mais para
uma WMcCann integrada, estratégica e conectada às
transformações do mercado, sempre com foco em
construir soluções que gerem impacto real para os
clientes”, reforça.
Natália Costa, fundadora da Onma: além de impactos pontuais
A agência de brand experience Infinitamente passa a se
chamar Onma (Olhar Novo Manifestado pela Arte), que
chega com o convite para que as experiências “construam
cultura e influenciem como as pessoas se relacionam com
uma marca”, pede Natália Costa, que fundou a empresa ao
lado de Alexei Pinheiro. Com projetos para CCXP, Rock in Rio
e Cannes Lions, a empresa anunciou o rebranding no Rio2C,
realizado no Rio de Janeiro entre os dias 26 e 31 de maio de
2026. Fundada em 2013, a agora Onma se posiciona como
um ateliê de brand art experience, e lança a metodologia
proprietária Ondas, que estrutura experiências conforme
a qualidade do pensamento, curadoria e intenção por trás
de cada projeto. A identidade visual da empresa vai do azul
e verde ao rosa e vermelho.
8 1º de junho de 2026 - jornal propmark
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
Team X - OmnicOm
Mercedes-Benz Vans
Fotos Divulgação
Título: ‘Inboxing Sprinter. As possibilidades que movem você’
CEO: Mauricio Gallian
Diretor de criação: Leandro Pozza
Diretor de arte: João Paulo Manzano
Redator: Leandro Luiz
Produtora: dFFr 1111
Áudio: s de samba
Aprovação: alessandra souza, clarissa silva e rubia Pereira
Campanha consiste em uma série imersiva que coloca o espectador literalmente
dentro da Van, transformando dados complexos e tutoriais técnicos,
incluindo os da nova versão 100% elétrica, em uma experiência visual
dinâmica e conectada à rotina real de motoristas e frotistas. O objetivo
é aproximar profissionais e gestores de frota da tecnologia da marca.
reF+
sHeIn
Título: ‘Dia dos Namorados’
CCO: renato Pereira
Produtora: Black door
Diretor e roteirista: Gabriel Freitas
Fotógrafo: Leo Kawabe
Aprovação: rodrigo eimori e Maria clara Leite
A iniciativa traz Luísa Sonza como protagonista e embaixadora de
uma fashion collab em parceria com a varejista digital, unindo moda
e uma sofisticada estratégia de meios para potencializar o desempenho
da marca em uma das datas mais importantes do varejo.
A cantora vive uma versão moderna do cupido, ajudando homens e
mulheres na escolha de presentes.
Trendsy
cna
Título: ‘Hora de voar’
CEO: Theo Lima
Diretor de criação: João Oberlaender
Diretora de estratégia: Pauline Gras
Estratégia: Isadora diógenes, sofia Beatriz e Felipe cardoso
Produção: Juliana Lima e Victor Ferrari
Aprovação: eduardo Guedes, nicadan Galvão, ana sá e daniela damasceno
A minissérie traduz, em linguagem afetiva, uma observação que professores
de idioma fazem todos os dias em sala de aula: existe um momento em
que entender deixa de ser suficiente, e a pessoa precisa começar a falar com
gente para que a fluência se consolide. O conceito estratégico, que envolveu
estudo realizado pela BOX18/24, foi conduzido pela agência Tech & Soul e CNA.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 9
entrevista
Fernanda KubiacK
Sócia e diretora de operações e atendimento da Be Nice to People
Agro vai além do repertório
publicitário tradicional
Responsável por 25% do PIB brasileiro, o
agronegócio ainda investe timidamente
em publicidade. Mas, com a transformação
das commodities em produtos de
consumo pela indústria, o fôlego que vem
das matérias-primas dos produtores traz
múltiplas possibilidades de comunicação.
Nas palavras de Fernanda Kubiack, da Be
Nice to People, agência que nasceu há dois
anos com expertise no agro e que acaba de
formalizar a BeAgro, há um avanço do B2B
para o B2C, porque as “marcas perceberam
que reputação, branding e percepção
pública passaram a impactar diretamente
os negócios”. A executiva diz ainda que,
além da publicidade e suas especificidades
de marketing, como questões legais na
área de defensivos, o agro investe de
forma robusta em live marketing, como o
Agrishow, e tem o desafio de fortificar o
branding na relação com a União Europeia.
Paulo Macedo
Quais são as necessidades para uma agência de publicidade
prospectar a comunicação de uma marca do agronegócio?
A primeira é entender que o agro não é um segmento homogêneo. Existe uma
tendência de olhar para o agronegócio como um único mercado, mas ele é extremamente
fragmentado e complexo. Máquinas, insumos, armazenagem, cooperativas,
proteína animal, agricultura de precisão, revendas, biológicos, serviços
financeiros… cada um desses universos possui dinâmicas próprias de decisão,
timing e relacionamento. Além disso, o agro exige algo que vai além do repertório
publicitário tradicional: entendimento de contexto. É preciso compreender
calendário agrícola, crédito rural, comportamento do produtor, regionalidades, logística
e até clima. Muitas decisões de comunicação no agro são diretamente impactadas
por fatores que não existem em outros mercados. Então, antes de prospectar,
uma agência precisa construir legitimidade. O agro percebe rapidamente
quando alguém está apenas ‘falando sobre o setor’ sem realmente entendê-lo.
Divulgação
Esse segmento requer uma comunicação mais B2B?
Historicamente sim, porque grande parte das relações do agro acontece entre
indústria, revendas, cooperativas e produtores. Mas hoje o cenário está mudando
bastante. O agro continua sendo muito orientado ao relacionamento e à
venda consultiva, mas as marcas perceberam que reputação, branding e percepção
pública passaram a impactar diretamente os negócios. Isso fez o agro
evoluir para uma comunicação mais ampla. O produtor rural de hoje consome
conteúdo digital, acompanha influenciadores, compara marcas e pesquisa
tecnologia como qualquer outro consumidor contemporâneo. Então o agro
deixou de ser apenas técnico. Ele também passou a ser emocional, aspiracional
e reputacional.
E como conectar esse ambiente B2B com o B2C?
Esse é um movimento interessante do setor. Muitas marcas do agro começaram
a entender que, mesmo sendo essencialmente B2B, também disputam
narrativas no ambiente público. E isso impacta contratação, reputação institucional,
atração de talentos, relacionamento com investidores e até percepção
internacional. Além disso, várias empresas do agro possuem produtos ou
desdobramentos diretamente ligados ao consumidor final. Cooperativas, alimentos,
proteínas, lácteos, café, vinho, madeira, energia, biocombustíveis…
tudo isso cria uma ponte natural entre os dois mundos. O desafio é traduzir
a complexidade técnica do agro em uma linguagem que gere conexão sem
perder credibilidade.
10 1º de junho de 2026 - jornal propmark
“Muitos grupos, inclusive
internacionais, estão lançando
operações com expertise no agro”
Por que o agro, apesar do share de 25% do PIB, tem participação
tímida nos investimentos em publicidade no Brasil?
Porque o agro cresceu historicamente muito mais orientado por produto, distribuição
e relacionamento comercial do que por branding. Durante muitos anos, a
lógica do setor foi extremamente técnica. A prioridade era produtividade, performance
agronômica e venda consultiva. Isso criou uma cultura menos voltada à
construção de marca em larga escala. Aliada a isso está a mentalidade de valor
nas decisões de investimentos em marketing. Para muitas empresas, estar presente
de forma mais ostensiva e robusta em uma feira traz mais ROI do que fazer
uma campanha de mídia, por exemplo. Mas isso vem mudando rapidamente.
Hoje existe uma percepção muito maior de que posicionamento, diferenciação e
reputação impactam diretamente o valor percebido e a competitividade. Principalmente
em mercados mais disputados e tecnológicos.
Esse fenômeno é regional ou faz parte da cultura global do
agronegócio?
Faz parte da cultura global do agro. Quando observamos grandes players internacionais,
percebemos que muitos também historicamente investiram mais em
trade, relacionamento e presença técnica do que em publicidade tradicional. O
que muda de país para país é o estágio de maturidade desse movimento de branding.
E o Brasil está acelerando bastante nisso.
Poderia explicar como a especialização é importante para uma
agência ter aderência no segmento?
No agro, especialização não é nicho. É condição de aderência. O produtor percebe
rapidamente quando a comunicação é genérica. Porque o setor possui códigos
próprios. Linguagem própria. Timing próprio. Uma campanha pode fracassar simplesmente
porque ignorou uma janela de safra, uma realidade regional ou um
momento de crédito. Então, especialização significa reduzir ruído e aumentar
legitimidade. Não basta saber comunicar. É preciso entender o que está sendo
comunicado e para quem aquilo realmente importa. Muitos grupos, inclusive internacionais,
estão lançando operações com expertise no agro.
O que foi observado por você e seus sócios, Ubiratan Fongoura
e Fernando Garros, para fazer essa aposta?
Percebemos uma desconexão importante entre a sofisticação do agronegócio e
a forma como parte do mercado publicitário ainda enxergava o setor. O agro brasileiro
se tornou extremamente tecnológico, complexo e estratégico. Costumamos
brincar aqui na agência dizendo que é onde o “Brasil é a Tesla”. Mas muitas
vezes ainda era tratado com uma comunicação simplificada ou excessivamente
padronizada. Nós três já vínhamos de décadas trabalhando com marcas do segmento
e percebíamos que existia espaço para uma operação que unisse profundidade
estratégica, repertório criativo e entendimento real do agro. A BeAgro,
por exemplo, que é nosso núcleo dedicado ao agronegócio de forma multidisciplinar,
nasce justamente dessa leitura.
Uma operação especializada no agro precisa ter oferta de design,
endomarketing e outras disciplinas B2B?
Precisa. Porque o agro é um ecossistema muito amplo. A comunicação não termina
na campanha. Ela passa por concessionárias, equipes comerciais, cooperativas,
representantes, eventos, treinamento, employer branding e relacionamento
interno. Muitas empresas do agro possuem operações gigantescas e descentralizadas.
Então disciplinas como endomarketing, design estratégico, live marketing
e comunicação corporativa se tornam fundamentais. Isso explica também o
porquê de criamos um núcleo dedicado ao agro, que é a BeAgro. Nele dedicamos
skills e expertises desse segmento, para que tenhamos entregas com maior profundidade.
Podemos ter, além de publicitários, engenheiros agrônomos, professores
universitários, traders e eventualmente até produtores rurais.
O agro tem muitas restrições legais em relação à publicidade.
Poderia explicar os setores e como isso limita?
Principalmente defensivos agrícolas, biológicos e algumas categorias técnicas
possuem regras muito rígidas. Existem limitações regulatórias, exigências de
bula, questões ambientais, comunicação de segurança, registros e compliance.
Isso exige muito cuidado estratégico e jurídico na construção das campanhas.
E, na prática, o conhecimento prévio dessas regras agiliza muito o dia a dia. Isso evita
retrabalho e permite criar com mais inteligência dentro dos limites existentes.
E as oportunidades de mídia?
O agro é muito interessante porque ele mistura mídia extremamente segmentada
com canais de massa. Existem portais técnicos, influenciadores especializados,
rádios regionais, feiras, cooperativas, grupos de WhatsApp - que hoje são o
principal veículo disseminador de informações no agronegócio brasileiro, eventos
e mídia OOH muito relevante em regiões agrícolas. Ao mesmo tempo, o setor
passou a ocupar espaço em plataformas digitais, streaming e grandes campanhas
institucionais. É um ambiente de mídia muito rico para quem entende como
o produtor realmente consome informação.
Como analisar a mídia fora do óbvio no agro?
Primeiro, entendendo que o agro é altamente territorial. Muitas vezes uma mídia
regional extremamente bem posicionada gera mais resultado do que grandes
campanhas nacionais. Além disso, o agro possui momentos específicos de atenção.
Uma feira, um dia de campo, uma janela de compra ou até uma safra frustrada
mudam completamente a receptividade da comunicação. Então, de novo,
mídia no agro não é só alcance. É contexto.
E as oportunidades em live marketing combinadas com aproveitamento
de mídia em eventos, como a Agrishow?
São enormes. No agro, feiras não são apenas exposição. São ambientes reais
de decisão de compra. A Agrishow (maior feira do setor na América do Sul), por
exemplo, mistura branding, relacionamento, networking, demonstração técnica,
geração de leads e fechamento de negócio ao mesmo tempo. Poucos mercados
possuem eventos com esse nível de impacto comercial e institucional simultaneamente.
Ocasiões como essa são fundamentais para construir narrativas interessantes,
porque é uma confluência de disciplinas em um mesmo lugar, ao
mesmo tempo. E em um mundo de iguais, as ativações ajudam a construir autenticidade
para uma marca em um evento.
A agenda de eventos do agro é múltipla, o ano todo. Como a Be
Nice trata essa oportunidade e quais são as datas imprescindíveis?
Nós tratamos como parte estratégica do calendário das marcas. Para setor de
defensivos, algumas são mais importantes. Para implementos e máquinas, já
são outras. Agrishow, Expointer, Show Rural, Bahia Farm Show, Tecnoshow, Hortitec,
Coopavel, Fenagra e Andav, entre muitas outras, não são apenas eventos.
Elas estruturam o ritmo do setor. Grande parte das decisões comerciais, lançamentos
e ativações acontece em torno desse calendário.
E como contribuir para o agro que exporta? Especialmente agora
que a União Europeia assinou acordo com o Mercosul?
Isso amplia a importância de branding, reputação e ESG. O agro brasileiro vai
precisar comunicar não apenas produtividade, mas rastreabilidade, sustentabilidade,
tecnologia e segurança. A comunicação passa a ter papel estratégico internacional.
Porque historicamente há uma compreensão equivocada a respeito
do agronegócio brasileiro no mundo. É uma questão de falta de leitura correta de
dados, transparência e de marketing mesmo. Mostrar que o Brasil não é apenas
o maior produtor e exportador de alimentos e insumos para o mundo, mas é o
maior conservador e protetor da biodiversidade rural, uma questão estratégica
para o país. Temos dados incríveis sobre isso e precisamos nos apropriar como
“marca Brasil” desse discurso.
“O agro percebe quando
alguém está apenas ‘falando
sobre o setor’ sem entendê-lo”
jornal propmark - 1º de junho de 2026 11
mídia
Em tempos de IA e comunicação nas
redes, imprensa reafirma seu valor
Veículos defendem apuração, checagem e adaptação a novas
linguagens para manter relevância em meio ao crescimento do digital
Bruna Nunes
Os primeiros registros de algo
próximo ao trabalho da imprensa
são de 59 a.C., quando Júlio
César ordenou a criação da Acta Diurna,
uma publicação oficial do Império
Romano exposta em locais públicos
com notícias do dia. As informações
iam das conquistas militares aos nascimentos,
casamentos e novas leis, e
para produzi-la, os chamados Correspondentes
Imperiais eram enviados
às províncias do Império. Não à toa, a
história é associada à origem do jornalismo.
Atualmente, a importância da
imprensa é reconhecida pela Lei nº
9.831 e nesta segunda-feira (1º), celebra-se
o Dia da Imprensa no Brasil.
A data, anunciada pelo Senado em
1999, marca o lançamento do Correio
Braziliense, em 1808, que embora impresso
fora do território nacional, em
Londres, era editado por Hipólito José
da Costa e é considerado “o primeiro
jornal genuinamente brasileiro”.
Entre a Acta Diurna e o Correio Braziliense
são quase dois milênios, marcados
por muitas transformações no
exercício da atividade, mas também
pela mesma premissa de registrar e
informar. Para isso, alguns pilares seguem
básicos: ética, apuração e checagem
de informações.
Com os saltos tecnológicos, os
meios de comunicação foram se renovando,
o impresso e a televisão dividiram
espaço com sites e portais, e a
evolução continuou até a chegada das
redes sociais, que redefiniram a velocidade
e o volume de informações.
Nesse novo cenário, porém, nem sempre
as fontes são jornalísticas. A nova
era, inclusive, inaugura uma nova figura
no ecossistema de comunicação,
os criadores de conteúdo digital.
Há quem pense que, com tanta
gente falando sobre tudo ao mesmo
tempo, a relevância da imprensa estaria
abalada, mas profissionais da área
e lideranças de veículos não hesitam
Dia 1º de junho é nacionalmente reconhecido como o Dia da Imprensa; a data é respaldada pela Lei nº 9.831
em declarar que o jornalismo nunca
foi tão importante. Afinal, nem tudo
que está publicado é necessariamente
correto, e o volume de informações
ampliou também o espaço para a
desinformação. É aí que os pilares do
jornalismo ético — como a apuração e
a checagem — se tornam ainda mais
essenciais. “Nunca houve tanta produção
de conteúdo e, ao mesmo tempo,
nunca foi tão valioso ter marcas capazes
de gerar confiança”, resume Eurípedes
Alcântara, diretor de jornalismo
do Estadão.
Um levantamento do ‘Digital News
Report 2025’, publicado pelo Reuters
Institute for the Study of Journalism,
ajuda a ilustrar: 58% das pessoas se
mostraram preocupadas com a dificuldade
de distinguir verdade de mentira
online. No mesmo levantamento,
quando precisam verificar uma alegação
suspeita, 38% dos entrevistados
recorrem a uma fonte de notícias em
que confiam.
Paulo Samia, CEO do UOL, reforça
que apesar de a tecnologia amplificar
o acesso à informação, ela também
intensifica o desafio de distinguir
“fato de opinião, apuração de especulação
e conteúdo confiável de desinformação”.
Esse valor encontra respaldo no
comportamento do próprio público.
Em estudo da Locaweb realizado em
celebração ao Dia Mundial da Internet,
42% dos brasileiros apontam sites e
blogs como suas principais fontes de
Unsplash
“Nunca foi tão
valioso ter marcas
capazes de gerar
confiança”
12 1º de junho de 2026 - jornal propmark
Edu Moraes/Divulgação Record
Divulgação
Mariana Pekin/Divulgação UOL
Antonio Guerreiro, VP de jornalismo da Record
Eurípedes Alcântara, diretor de jornalismo do Estadão
Paulo Samia, CEO do UOL: “Temos muitos talentos”
informação, mesmo num contexto
dominado por feeds algorítmicos. Profundidade
é apontada como principal
vantagem por 68,4% dos entrevistados,
seguida de credibilidade (61,8%)
e organização da informação (51,2%).
As inevitáveis redes
“A disputa por atenção exige inovação
na forma, sem jamais comprometer
o conteúdo. Precisamos ser ágeis,
multiplataforma e orientados por dados
de consumo, mas mantendo sempre
a essência do jornalismo: rigor,
independência e responsabilidade
editorial”. A avalição de Antonio Guerreiro,
vice-presidente de jornalismo
da Record, ajuda a desenhar como o
jornalismo pode adaptar linguagens e
formatos para diferentes audiências,
sem abrir mão da profundidade e da
apuração que os diferencia.
Na Globo, essa adaptação já é parte
da estratégia editorial. O time de jornalismo
busca conexão com o público
em todas as frentes, TV aberta, TV por
assinatura, rádio, sites e redes sociais,
ajustando linguagens e formatos
para cada plataforma, “mas mantendo
como base princípios inegociáveis:
rigor, responsabilidade e credibilidade”.
Formatos como vídeos verticais,
cortes para redes sociais e conteúdos
mais visuais e dinâmicos já integram
a operação. “Aprender a dialogar com
novos públicos é fundamental e o limite
deve ser fazer isso sem abrir mão
de princípios essenciais do jornalismo”,
resume a empresa.
Para Alcântara, do Estadão, a imprensa
não precisa competir com
creators replicando o mesmo modelo.
“O desafio é entender como as audiências
consomem informação hoje
e adaptar formatos, distribuição e
experiência sem abrir mão dos princípios
editoriais”, comenta. Ele ainda
ressalta: “Os veículos precisam ser
mais multiplataforma, mais visuais
e mais próximos das conversas contemporâneas.
Precisam entender que
disputar atenção hoje também envolve
linguagem, formato e distribuição”.
“Um creator publica uma opinião.
Uma redação profissional publica um
fato verificado. Essa distinção não é
pequena, ela é estrutural. E o público,
cada vez mais exposto à desinformação,
aprende a valorizar essa diferença”,
concorda Guerreiro.
iA POde ser rePÓrter?
Atualmente, a inteligência artificial
é a tecnologia que mais acende o
debate sobre o futuro do jornalismo,
isso porque existe o temor de que a IA
substitua o trabalho dos jornalistas. A
tese se enfraquece justamente pelos
pilares abordados anteriormente e já
refletidos no mercado: a criatividade
e o olhar humano não conseguem
ser replicados por máquinas. Para os
quatro veículos entrevistados pelo
propmark, a IA é aliada, desde que
com contornos bem definidos.
Na Globo, por exemplo, a tecnologia
contribui em etapas operacionais
como monitoramento de informações,
organização de dados e apoio
à produção, sempre com supervisão
humana e sem uso para textos opinativos
ou editoriais. No Estadão, o
jornal propmark - 1º de junho de 2026 13
uso é dedicado à tradução, transcrição,
roteiros de vídeo e sugestão de
títulos. “Hoje em dia, não usamos IA
para criação efetiva de conteúdos.
Entendemos que não é o momento”,
reitera Alcântara. No UOL, a tecnologia
auxilia em pesquisa, análise de dados
e estruturação de textos, sempre com
critérios editoriais claros. Já na Record,
estende-se também à produção
visual para TV e à otimização do fluxo
entre televisão e digital.
Samia afirma que a tecnologia não
chega a alcançar “discernimento, sensibilidade,
ética e responsabilidade
editorial”, e a decisão final sobre apuração,
contexto e publicação “precisa
continuar nas mãos dos jornalistas”.
Alcântara, do Estadão, concorda ao
dizer que a checagem de conteúdos
produzidos ou manipulados por inteligência
artificial “ainda depende de
critérios editoriais, contexto, interpretação
e validação jornalística”, e a
decisão final sobre credibilidade e veracidade
segue sendo humana. Para
ele, “a tecnologia acelera e amplia a
capacidade de análise, mas a decisão
final sobre credibilidade, relevância e
veracidade da informação segue sendo
humana”.
A PRÓXIMA GERAÇÃO
Se o futuro do jornalismo passa
pela tecnologia, passa também pelos
futuros talentos da comunicação.
A decisão do Supremo Tribunal Federal,
em 2009, que derrubou a obrigatoriedade
do diploma de jornalismo
para o exercício da profissão, abriu
caminho para um ecossistema de comunicação
mais plural, mas também
mais discutível, principalmente no
que diz respeito à contratação por
parte dos veículos.
Se por um lado a medida ampliou
o acesso à profissão, por outro escancarou
a importância da formação jornalística
como garantia de rigor, ética
e responsabilidade editorial. É nesse
cenário que investir na próxima geração
de jornalistas passa a ser uma
necessidade estratégica.
O Estadão mantém o programa
Focas desde 1990. Em 53 edições, já
foram formados mais de 1,5 mil alunos
em áreas como jornalismo, jornalismo
econômico, esportivo e, mais recentemente,
jornalismo de saúde. Com
participantes de Angola, Alemanha,
Argentina, EUA e Portugal, o programa
ultrapassou as fronteiras nacionais.
“Investir em capacitação é essencial
Redação do ‘Jornal Nacional’, da Globo, que busca conexão com o público em todas as frentes, desde a TV aberta às redes sociais
Fotografia da redação atual do jornal Estadão, onde o desafio é entender como as audiências consomem a informação hoje
para garantir profissionais preparados
não apenas tecnicamente, mas
também alinhados aos princípios éticos
e editoriais da profissão”, comenta
Alcântara.
Na Globo, a formação se estrutura
pelo Estagiar e pela Academia Led
de Jornalismo, com alcance que se estende
pelas afiliadas em todo o país.
Esse trabalho começa na formação
e se estende à valorização de profissionais
nas emissoras e afiliadas em
todo o país. O ecossistema robusto
da Globo e sua presença nacional
permitem identificar e impulsionar talentos
em diferentes regiões, promovendo
diversidade de olhares e renovação
constante”, explica a empresa.
Na Record, parcerias acadêmicas e
estágios práticos nas redações compõem
o caminho. “Estimulamos a diversidade
de vozes e a renovação de
perspectivas, essenciais para refletir
“Os veículos
precisam ser mais
multiplataforma,
mais visuais e
mais próximos”
Fotos: Divulgação
a complexidade da sociedade brasileira”,
afirma Guerreiro. “O jornalismo se
aprende fazendo, ao lado de profissionais
experientes”, reforça ele.
No UOL, o desenvolvimento interno
é tratado como continuidade de uma
trajetória de três décadas. “Temos
muitos talentos dentro de casa e valorizamos
o desenvolvimento contínuo
das equipes para acompanhar a evolução
do consumo de informação, das
plataformas e das tecnologias”, diz
Samia. Para ele, “o futuro do jornalismo
passa justamente pela combinação
entre experiência editorial, capacidade
de adaptação e entendimento
das novas dinâmicas digitais.”
Guerreiro aponta a dimensão que
conecta o presente ao passado mais
longo da profissão. A nova geração
deve herdar “rigor, ética, independência,
e saber aplicá-los com as ferramentas
e linguagens do seu tempo”.
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14 1º de junho de 2026 - jornal propmark
mídia
Veículos renovam linguagem para falar
com os jovens das gerações Z e Alpha
Revistas como Elle e Billboard apostam em redes, curadoria editorial e
experiências impressas, mostrando que o jovem consome jornalismo
Bruna Nunes
Fotos: Divulgação
Que atire a primeira pedra o jornalista
que nunca escutou que
o jovem de hoje não lê mais. O
discurso recorrente é causado principalmente
pela discussão sobre
a hiperconexão das gerações mais
novas. Atualmente, 99% dos jovens
brasileiros de 15 a 17 anos têm perfil
em ao menos uma plataforma digital,
passam em média quase quatro horas
por dia nas redes e, ainda assim, 46%
consomem notícias diariamente, segundo
o Painel TIC 2025.
Talvez a média não anime de primeira,
mas é importante lembrar que
hoje a notícia também chega pelo
feed, pelo vídeo curto, pelo grupo
de WhatsApp e, claro, pelo resultado
da própria busca. O levantamento
mostra que as principais fontes de
informação diária entre jovens de 16
a 24 anos são redes sociais, com 65%;
aplicativos de mensagem (49%); rádio
e TV, com 43%; e jornais e revistas, alcançando
25%.
Uma pesquisa do Reuters Institute
realizada em 2025 reafirma o cenário,
e 39% do público de 18 a 24 anos afirmou
usar as redes sociais como principal
fonte de notícias. Em resumo,
o jovem não necessariamente parou
Capa impressa da Capricho com Rayssa Leal
Camila Zana, CMO da Billboard Brasil: “Décadas construindo autoridade”
de se informar, apenas não acessa
mais a imprensa de uma única maneira,
e é nisso que os veículos precisam
prestar atenção se querem alcançar
este público.
O g1, que completa 20 anos em
2026, publica cerca de 11 mil conteúdos
por mês em plataformas como X,
Facebook, Instagram, TikTok e YouTube,
adaptando linguagem e formato a
cada rede, por exemplo. Essa adequação
acabou aproximando o veículo de
leitores da geração Z e Alpha.
“Acreditamos que o jovem segue
“Jovens percebem
rapidamente
quando uma
marca força
uma conversa”
Andréa Martinelli, editora-chefe da Capricho: “A gente adapta formatos”
Capa da revista Billboard Brasil com a artista Jisoo
interessado em se manter informado,
valorizando a notícia em tempo real,
consumindo múltiplas plataformas ao
mesmo tempo, com formatos e uma
linguagem mais direta, sem abrir mão
da credibilidade e da isenção. Nesse
contexto, o jornalismo profissional
reforça seu papel, e o g1 se destaca
como um importante elo nessa conexão”,
comenta a equipe de comunicação
do portal.
A editoria de jogos, que conta com
atividades interativas, como o ‘labirinto’,
cresceu 55% em visualizações
em 2025, enquanto educação e entretenimento
figuram entre as de maior
interesse jovem. Projetos como o podcast
‘g1 ouviu’ e ‘O assunto’ também
se tornaram uma ponte para interação
e aproximação do veículo com o
público.
“Talvez a pergunta não seja ‘o jovem
lê?’, mas ‘o jornalismo está conseguindo
falar a língua dessa audiência
sem simplificar demais as coisas?’”. A
reflexão, de Andréa Martinelli, editora-chefe
da Capricho, mostra que para
veículos que dialogam diretamente
com esse público, a missão não é muito
diferente, mas a presença nas plataformas
não basta de nada se o diálogo
não evoluir junto. No veículo, por
exemplo, assuntos que fazem sentido
16 1º de junho de 2026 - jornal propmark
Capa da Elle View impressa com Nanda Tsunami
Capa do quadro ‘g1 ouviu’ , que tem alcance entre os jovens
Susana, publisher e diretora editorial da Elle Brasil: “Experiências mais táteis”
para a vida da audiência, como saúde
mental, política, identidade, comportamento
e direitos, costumam gerar
mais engajamento.
“A gente adapta formatos, mas
sem tentar ‘imitar’ uma geração. Acho
que os jovens percebem rapidamente
quando uma marca força uma conversa.
Nosso trabalho é acompanhar
transformações culturais sem perder
identidade”, explica a editora. Para
ela, “existe uma tendência histórica
de tratar adolescentes e jovens como
um público desinteressado ou superficial,
quando, na prática, eles estão
discutindo temas complexos o tempo
inteiro”.
Camila Zana, CMO da Billboard Brasil,
acredita que o pilar central está na
autoridade editorial. “O jovem não parou
de ler. Ele só ficou mais exigente,
e nós achamos ótimo. As pessoas estão
saturadas de conteúdo sem contexto,
de algoritmo que entrega o que
você quer ouvir em vez do que você
precisa saber. A imprensa que sobrevive
é a que assume ponto de vista,
tem curadoria e não foge da responsabilidade
pelo que publica.”
A percepção faz todo o sentido.
Uma pesquisa da Heineken em parceria
com a Box1824 mostra que 42,9%
dos brasileiros já não conseguem
distinguir o que é seu gosto próprio
do que foi sugerido por algoritmos, e
48,9% afirmam querer depender menos
dessas recomendações.
A Billboard, conhecida pelos Charts
— rankings que medem o desempenho
de músicas e artistas nas plataformas
e nas vendas —, consolidou a
relação do veículo com jovens amantes
de música. “Quando a gente diz
que um artista é relevante, isso tem
um peso diferente. Esse peso vem de
décadas construindo autoridade sobre
música. E autoridade, em 2026, é
o ativo mais escasso do ecossistema
de informação”, disserta.
Impresso de volta à moda
“Depois de anos vivendo dentro de
feeds infinitos e conteúdo acelerado,
parte da nova geração começou a valorizar
experiências mais táteis, mais
lentas e mais reais”, observa Susana
O jogo Labirinto 1 está disponível no site e app do g1
Fotos: Divulgação
“O jovem não
parou de ler. Ele
só ficou mais
exigente, e nós
achamos ótimo”
Barbosa, publisher e diretora editorial
da Elle Brasil.
Em abril deste ano, a revista resolveu
estrear a Elle View no papel.
Até então exclusivamente digital, as
edições dedicadas ao público jovem
ganharam uma versão física que funciona
inclusive como uma espécie de
almanaque com palavra cruzadas, joguinhos,
espaço para memórias e cartela
de adesivos. “A decisão nasceu do
pedido do público. Era comum sempre
pedirem uma versão impressa de alguma
digital que tínhamos publicado.
Transformar a Elle View em papel era
quase uma maneira de materializar
um universo que já existia digitalmente”,
comenta a diretora.
O movimento impresso já vinha
sendo resgatado no mercado. Após
uma década exclusivamente online,
a Capricho voltou ao impresso em
dezembro de 2024 com duas edições
anuais.
Na Billboard Brasil, o impresso
também ocupa um lugar estratégico.
“Quando um jovem compra uma edição
da Billboard Brasil, ele não está só
comprando uma revista. Está fazendo
um gesto de pertencimento, de coleção,
de afeto por um artista ou por
um momento da cultura. O impresso,
em 2026, não compete com o digital.
Ele ocupa um lugar que o digital simplesmente
não consegue preencher”,
acrescenta Camila.
A publisher da Elle aponta que erro
histórico está em confundir mudança
de hábito com desinteresse. “O crescimento
do Substack, por exemplo,
mostra justamente uma busca por
conteúdo em texto, mais autoral e
aprofundado. Nós temos hoje a Ctrl +
Elle, nossa newsletter na plataforma,
e vemos um engajamento muito forte
ali”, conta.
Para ela, o diferencial é que “esse
público não separa mais cultura, comportamento,
moda, política, tecnologia
e entretenimento da maneira
tradicional. Tudo acontece ao mesmo
tempo”. As novas gerações cresceram
hiperestimuladas e, por isso, “quando
encontram autenticidade, propósito
e linguagem própria, o engajamento
costuma ser muito profundo”.
O jovem está online, consumindo e
disposto a se aprofundar, e o jornalismo
pode se tornar um caminho ideal.
“O jornalismo precisa ajudar as pessoas
a entender o mundo, não apenas
acompanhar o que está acontecendo
nele”, finaliza Andréa.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 17
mídia
Globo reforça engajamento à pauta da
sustentabilidade com plano até 2030
Campanha com Beatriz Reis e William Bonner fala de energia renovável,
mas se estende ao compliance, questões de gênero e pessoas negras
Paulo Macedo
Educação, cujo engajamento tem
como marca o Festival Led; questão
racial, visível na pauta do
Negritudes; e também os chamados
não representados, como o perfil
LGBTQIA+, mulheres, pessoas negras
e com deficiência, com percentual de
83%. Tudo está na pauta ESG da Globo.
Os dados completos estão presentes
no Relatório de Sustentabilidade
de 2025, lançado na semana passada,
que mostra, na expressão de Manuel
Belmar, diretor de produtos digitais,
financeiro e jurídico da Globo, que as
“narrativas produzidas pela empresa
seguiram ultrapassando as telas e
gerando transformações reais”. Quer
dizer que ESG não está relacionada
apenas às questões ambientais.
O comunicado da empresa exibe
números que ratificam o que Belmar
define como um “um exercício de
responsabilidade e consistência”. Por
exemplo, “mais de 99% da energia
consumida pela Globo já vinha de fontes
renováveis e a empresa alcançou
o marco de 100% no início de 2026,
antecipando a meta de energia limpa
prevista na Agenda 2030”.
“O período também registrou o
menor índice histórico de resíduos
enviados para aterros sanitários, inferior
a 10% do total gerado”, detalha
o relatório, que tem uma campanha
publicitária em exibição na sua grade
estrelada por Beatriz Reis e William
Bonner.
A escolha dos protagonistas foi
justicada: “No ‘BBB’, Beatriz transformou
moda em conversa sobre reaproveitamento
ao usar roupas feitas com
sacos de lixo e materiais recicláveis. Já
Bonner protagonizou um dos momentos
mais comentados da apuração das
eleições de 2022, quando o barulho de
uma latinha durante a transmissão ao
vivo viralizou nas redes”.
Belmar explica o foco. “A sustentabilidade
na Globo orienta decisões,
fortalece nossa solidez empresarial e
amplia nossa capacidade de gerar impacto
real na sociedade brasileira. Os
avanços apresentados neste relatório
mostram que é possível crescer, manter
relevância e, ao mesmo tempo,
contribuir de forma concreta para um
futuro mais justo, diverso e sustentável
para o país.”
A Globo chama a atenção para
como a pauta ESG está na sua telinha.
“As narrativas produzidas seguiram
ultrapassando as telas e gerando
transformações reais. ‘Vale Tudo’,
por exemplo, contribuiu para um aumento
de 50% nos pedidos de pensão
alimentícia via Defensoria Pública
e para um crescimento de 150% nas
buscas por informações sobre o Alcoólicos
Anônimos. Já no Jornalismo, a
“Produzimos
mais de 125
mil minutos de
conteúdo sobre
temas sociais
e ambientais”
Maginific
cobertura da COP30 mobilizou milhões
de pessoas, com 170 horas de conteúdo
exibido na TV Globo e na Globo-
News e 491 matérias publicadas no g1.
O ‘Fato ou Fake’ também ampliou sua
relevância no combate à desinformação,
registrando crescimento de 304%
nas checagens e aumento de 76% na
audiência.”
Belmar coloca como o relatório de
2025 foi estruturado. “O documento
evoluiu em maturidade. Adotamos
a lógica da dupla materialidade, conectando
dois vetores essenciais: o
impacto que geramos no ambiente
e na sociedade e, ao mesmo tempo,
os riscos e oportunidades que esses
temas representam para o negócio.
Esse processo envolveu a escuta de
18 1º de junho de 2026 - jornal propmark
Beatriz Reis e o jornalista William Bonner são os protagonistas da campanha que faz referência às práticas ambientais da Globo
760 stakeholders, oito grupos de interesse
e dezenas de especialistas.
O relatório está organizado a partir
dos nossos seis compromissos alinhados
aos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável da ONU, com indicadores
auditados e comparáveis, seguindo
padrões internacionais como GRI e
SASB”, afirma.
O diretor de negócios digitais detalha
os pilares. “O primeiro é a prestação
de contas concreta. Trabalhamos
com indicadores mensuráveis, auditorias
independentes e metas públicas,
o que nos permite monitorar avanços
reais, como a redução das emissões
de carbono desde 2019 e o uso de
energia renovável na operação.”
Belmar vai adiante: “O segundo pilar
é o impacto do conteúdo. A Globo
tem uma grande capacidade de mobilização:
produzimos mais de 125 mil
minutos de conteúdo sobre temas sociais
e ambientais e alcançamos praticamente
toda a população brasileira,
com 98% de cobertura. O terceiro
pilar é a transparência e aprendizado
contínuo. Reconhecemos desafios e
tratamos a sustentabilidade como
um processo dinâmico, com evolução
permanente”.
Quais os pontos mais sensíveis que
foram observados? Belmar responde:
“Um dos principais avanços da estruturação
de uma Agenda ESG na Globo
foi justamente ampliar a nossa capacidade
de identificar desafios de forma
mais estruturada, especialmente
com a adoção da dupla materialidade.
Entre eles, estão desafios típicos de
uma empresa com a escala e o impacto
da Globo”.
Manuel Belmar: “Em 2025, a Globo cedeu R$ 165,3 mi em mídia para ações sociais”
O vetor ambiental, na observação
de Belmar, avança de forma consistente
e antecipa metas.
“Na dimensão social, um desafio
importante é mensurar com cada vez
mais precisão o impacto do conteúdo.
Também temos desafios ligados
à nossa capacidade de influenciar a
indústria, como o fortalecimento da
cadeia de fornecedores, o uso responsável
de novas tecnologias e a
necessidade permanente de adaptação
a um cenário regulatório e climático
cada vez mais dinâmico. A gente
costuma dizer que a agenda ESG da
Reprodução
Divulgação
“A publicidade
não pode ser
retórica, vazia. Ela
precisa traduzir
uma atuação
responsável”
Globo não é sobre a Globo em si, mas
sobre nossa capacidade de mobilizar
a indústria e a sociedade através de
nossos conteúdos e ações. A sustentabilidade,
para nós, é uma agenda em
construção contínua, que exige consistência,
transparência e capacidade
de dividir esse aprendizado.”
A questão climática é sintomática
à sociedade civil. Mas o processo,
como esclarece Belmar, deve ser tratado
com total senso de urgência.
“Avançamos na nossa operação.
Desde fevereiro deste ano, toda a
energia de nossas operações é de
fontes renováveis e ampliamos práticas
de economia circular em larga
escala, alcançando a meta Aterro
Zero em abril, antecipando a nossa
meta para 2030. Como empresa de
mídia, temos a capacidade de traduzir
temas complexos em informação
acessível emobilizadora. A cobertura
da COP30, por exemplo, gerou mais
de 170 horas de conteúdo e quase 500
matérias, levando o debate climático
para milhões de brasileiros de forma
didática e conectada ao cotidiano. Ou
seja, atuamos em duas frentes complementares.
Redução de impacto e
amplificação de consciência.”
O executivo da Globo também
menciona como o relatório de sustentabilidade
ajuda as marcas a terem
elementos para um posicionamento
de política ESG. “Ele oferece um conjunto
estruturado de dados, métricas
e exemplos de impacto que ajudam
a transformar assuntos relacionados
à sustentabilidade em um território
concreto para as marcas. Temos diretrizes
claras de publicidade responsável,
monitoramento e integração entre
conteúdo e marcas”, afirma.
Belmar conclui mostrando como a
publicidade, por meio das agências e
anunciantes, pode contribuir para a
sustentabilidade não ser um exercício
retórico. “A publicidade não pode ser
retórica, vazia. Ela precisa traduzir
uma atuação responsável. Tratamos
publicidade como extensão da nossa
responsabilidade institucional.
Em 2025, cedemos R$ 165,3 milhões
em mídia para campanhas sociais e
veiculamos o equivalente a R$ 472,2
milhões em campanhas institucionais
próprias, muitas delas conectadas diretamente
a temas ESG, como saúde,
inclusão, combate ao preconceito e
crise climática. Além disso, integramos
marcas a conteúdos que geram
impacto real.”
jornal propmark - 1º de junho de 2026 19
agências
Almar leva dados e comunidades à
estratégia de relacionamento no varejo
Vanessa Moço, fundadora e CEO da agência, defende que programas
de relacionamento avancem do desconto para a construção de vínculo
Vitor Kadooka
Vanessa de Santis Moço, CEO da Almar: “Os projetos precisam gerar resultados”
Divulgação
“O que vemos é
um gap entre o
que as marcas
sabem e o que
elas conseguem
ativar”
A
Almar nasceu para enfrentar um
descompasso que Vanessa Moço
identificou ao longo de sua
trajetória no mercado. Enquanto empresas
concentravam investimentos
em dados, tecnologia e performance,
a relação com o consumidor seguia,
muitas vezes, tratada de forma fragmentada
e restrita a ações pontuais.
Fundada em 2017, a agência de
marketing/consultoria atua na interseção
entre estratégia de marca, CRM,
programas de fidelidade, inteligência
de dados, comunidades e experiências
para o varejo. Para isso, combina
leitura de comportamento, gestão
de comunidades, personalização de
jornadas e programas de relacionamento.
Segundo Vanessa, ao longo de
sua trajetória, a consultoria impactou
mais de 120 mil consumidores e estruturou
3,2 milhões de interações entre
marcas e seus públicos.
O avanço desse tipo de demanda
acompanha uma mudança de papel
dos shoppings, um dos principais
eixos de atuação da Almar. Para Vanessa,
“o principal movimento que
conduz esse trabalho é a mudança de
papel do shopping: de um espaço essencialmente
transacional para uma
plataforma de relacionamento e experiência”.
A questão central deixou
de ser apenas atrair fluxo e passou a
envolver a capacidade de ampliar o
tempo e a qualidade da relação com
o cliente.
Na prática, a executiva afirma que
as marcas chegam à consultoria com
uma demanda recorrente: “Como criar
um programa de relacionamento adequado
à minha marca?” A pergunta
se desdobra, segundo ela, na necessidade
de transformar dados em uma
solução permanente dentro da operação.
“Existe hoje um volume enorme
de informação disponível, mas muitas
empresas ainda têm dificuldade em
traduzir esses dados em decisões estratégicas
e experiências personalizadas.
O que vemos na prática é um gap
entre o que as marcas sabem e o que
elas conseguem, de fato, ativar na jornada
do consumidor”, explica.
Esse movimento ainda tem espaço
para amadurecer no mercado brasileiro.
Vanessa cita dados da Associação
Brasileira de Shopping Centers
(Abrasce) de 2025: menos de 30% dos
shoppings do país têm iniciativas estruturadas
de relacionamento. Entre
os que já contam com programas desse
tipo, mais da metade teria criado
as iniciativas nos últimos quatro anos.
A Almar tem desenvolvido projetos
em diferentes operações de shoppings
e administradoras, com presença
em estados como Rio de Janeiro, São
Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Entre
os clientes estão Shopping Leblon,
Rio Design, Pátio Paulista e Pátio Batel.
Com a Ancar Ivanhoe, a agência
atua desde 2020 em programas como
Rio Design Mais, Meu Pátio e Living
Jardim Sul.
No Rio Design Barra, o programa
Rio Design Mais é apontado pela executiva
como um dos cases mais longevos
da consultoria. Segundo Vanessa,
o projeto “foi um dos pioneiros nesse
mercado e está ativo há seis anos,
uma importante referência ao tema
e com ótimos resultados ano a ano”.
Em outros projetos, o desenho
muda conforme o território da marca.
“No Pátio Batel, por exemplo, trabalhamos
a construção de experiências
alinhadas ao universo do luxo, perspectiva
regional e com foco em exclusividade
e segmento premium. No
Jardim Sul, a ênfase esteve no fortalecimento
do senso de pertencimento e
da conexão com a comunidade local e
vizinhança”, descreve Vanessa.
A discussão também tem impacto
direto em performance. “No fim do
dia, os projetos precisam gerar resultados”,
afirma Vanessa. Segundo
ela, em operações mais maduras, os
programas estruturados chegam a
representar até 30% do faturamento
associado às vendas, além de gerar
aumento de até 150% no ticket médio
com estratégias de segmentação.
A executiva, que foi painelista no
São Paulo Innovation Week 2026, também
defende que, no varejo, marcas
avancem de uma lógica baseada apenas
em conversão para um modelo que
incorpore pertencimento, identificação
e qualidade da experiência. “Mais
recentemente, essa leitura evoluiu
para o que eu chamo de era soul driven.
Acredito que o mercado está passando
por uma transição relevante:
saímos de uma lógica exclusivamente
orientada a dados, o que chamamos de
data driven, para um modelo que também
incorpora dimensões emocionais,
como pertencimento, conexão, experiências
e significado”, afirma.
20 1º de junho de 2026 - jornal propmark
agências
Márcio Borges deixa WMcCann Rio de
Janeiro e Alê Braga assume liderança
Executivo estava no comando do escritório carioca há dez anos, e
permanecerá até o dia 30 de junho para concluir processo de transição
A
WMcCann Rio de Janeiro confirmou
a saída de Márcio Borges.
Ele comandou a operação na
última década e acumula um total
de 16 anos de trabalho na agência.
Borges permanecerá na companhia
até o dia 30 de junho para
contribuir com o processo de transição
feito ao lado de Alê Braga, chief
product officer (CPO) da WMcCann e
líder da WMcCann Agro. O executivo
passa a liderar o escritório.
Segundo a agência, a decisão de
Borges aconteceu em comum acordo.
O profissional planeja projetos
acadêmicos e de mercado.
Visibilidade
Na gestão de Márcio Borges, a
operação conquistou prêmios nos
festivais Cannes Lions, New York Fes-
Divulgação
Márcio Borges planeja projetos acadêmicos e de mercado após 16 anos na WMcCann
tivals, El Ojo, El Sol, FIAP, London Festival,
Clio Awards, MMA e Colunistas.
Entre os reconhecimentos, está
um Ouro no Cannes Lions, conquistado
com a campanha do primeiro
Papai Noel preto. O case foi desenvolvido
para a Coca-Cola.
Borges foi eleito Executivo de
Agência do Ano pela Associação Brasileira
de Propaganda (ABP) e Profissional
do Ano pelo Prêmio Colunistas
Brasil.
agro
A WMcCann Agro foi lançada em
março. O primeiro cliente é a fabricante
de tratores, colheitadeiras e
outros equipamentos agrícolas John
Deere. A unidade se encarrega ainda
de elaborar estudos proprietários.
Um deles é ‘A verdade do Agro’.
Arc, do Publicis Groupe, apresenta novos
profissionais para a área de criação
Thayna Neves, Sofia Hibino e Renato Oliveira integram equipe
multidisciplinar, atenta à cultura, ao craft e às experiências de marca
As diretoras de arte Thayna Neves e Sofia Hibino acabam de
chegar à criação da Arc, área liderada pelo diretor-executivo
José Spagnuolo. A agência de experiências do Publicis Groupe
recebe também Renato Oliveira, que comandará a equipe de design.
A Arc é presidida por Marilia Queiroz.
“Estamos construindo um time cada vez mais integrado, multidisciplinar
e atento à cultura, ao craft e às experiências que as
marcas precisam gerar hoje”, conta José Spagnuolo.
Divulgação
Carreiras
Renato Oliveira tem passagens por AKM, DM9 e TracyLocke Brasil,
onde atuou em posições de coordenação e liderança em design
ao longo dos últimos anos.
Thayna Neves trabalhou na extinta DM9, além de Euphoria
Creative e TracyLocke Brasil. Já criou para Claro, KFC, Burger King,
Dasa e JHSF.
Sofia Hibino traz experiência adquirida na AKM a partir de diferentes
frentes, incluindo projetos voltados à comunicação visual, construção
de conceitos e desenvolvimento criativo para as marcas.
Thayna Neves, José Spagnuolo, Sofia Hibino e Renato Oliveira: time integrado e multidisciplinar
jornal propmark - 1º de junho de 2026 21
agências
Lola\TBWA nomeia Aldo Pini para
as funções de COO e CSO da operação
Executivo atuava como chief transformation officer da rede BBDO nos
últimos quatro meses; BBDO e TBWA fazem parte da holding Omnicom
Aldo Pini é o novo COO e CSO da Lola\TBWA, agência resultante
da união de Lew’Lara\TBWA e DM9, após a fusão das holdings
Omnicom e Interpublic Group (IPG), confirmada em dezembro
de 2025. Pini atuou como chief transformation officer da rede BBDO
nos últimos quatro meses. As redes BBDO e TBWA fazem parte da
holding Omnicom.
“É muito especial essa chegada porque representa o reencontro
de uma dupla que trabalhou junta por anos e compartilha uma visão
parecida. Aldo traz profundidade e capacidade de conectar pessoas
e oportunidades”, comenta Carol Boccia, CEO da Lola\TBWA, que trabalhou
com Pini na Africa Creative por aproximadamente seis anos.
Divulgação
Missão
A mudança se desenrolou de forma alinhada, “olhando para o fortalecimento
coletivo das operações”, declara Filipe Bartholomeu,
sócio, CEO e presidente da AlmapBBDO.
Pini participou de projetos de integração estratégica e desenvolvimento
do ecossistema da rede BBDO. Ele trabalhou na WPP em
2016, ano em que chegou à Y&R Brasil no cargo de CCO. Em 2022, foi
transferido para Nova York (EUA), onde assumiu posição global.
Um ano depois, se juntou à LePub, do Publicis Groupe, como chief
strategy officer (CSO), onde permaneceu até janeiro de 2026.
Aldo Pini e Carol Boccia se reencontram na Lola\TBWA após parceria na Africa Creative
BR Media desenvolve estudo para medir
a influência dos criadores de conteúdo
Agência do Publicis Groupe analisou mais de 109 mil publicações,
10 categorias e 11 datas na pesquisa ‘Observatório da influência’
A
empresa de marketing de influência
BR Media, do Publicis
Groupe, lançou a pesquisa ‘Observatório
da influência’, que analisou
mais de 109 mil publicações, 10
categorias e 11 datas sazonais para
estabelecer padrões capazes de
medir a influência no Brasil. “Sem
um número de referência sólido,
qualquer leitura dependia mais de
intuição e de crença do que de dados
reais”, situa Thiago Bispo, presidente
da BR Media.
O estudo contempla a leitura de métricas
de profundidade, incluindo talkability
(conversas e significado), shareability
(compartilhamento), save rate
(retenção de conteúdo) e favorabilidade
(sentimento positivo).
Métricas de profundidade ajudam a mensurar a influência dos criadores de conteúdo
Magnific
No setor de finanças e seguros, o
TikTok atingiu 9,11% de engajamento,
mas é o Instagram Reels que lidera o
save rate (3,91%).
“Quem olha só para o engajamento
superficial subvaloriza o impacto
real da influência”, avisa Andrea Cabral,
diretora de data insights da BR
Media. TikTok, Reels, Feed e Stories
cumprem papéis diferentes. Estratégias
que utilizam apenas um formato
perdem parte da jornada.
No calendário comercial, a Black
Friday alcança picos de shareability
de 15,8%. Os usuários atuam como
curadores de ofertas. Já os eventos
esportivos registram taxa de engajamento
anual de 5,2% e lideram a
atenção ativa.
22 1º de junho de 2026 - jornal propmark
produtoras
Sócio da Broders fala que clima é tenso
no setor e reforça equipe com ex-BETC
Rodrigo Furlan trouxe Laura Carvalho como diretora de cena e criativa;
conselheiro da Apro cita desconforto em relação a produtoras in-house
Kelly Dores
Ser uma produtora independente
no mercado brasileiro hoje
é uma tensão constante entre
agilidade e escala. A declaração de
Rodrigo Furlan, sócio-diretor da Broders,
dá um sinal de como está tensa
a relação entre produtoras, agências
e marcas no mercado publicitário.
Em abril, a Apro (Associação Brasileira
da Produção de Obras Audiovisuais)
foi signatária de carta aberta da
Aliança Mundial de Produtoras Independentes,
que cobrou mais “transparência”
nas concorrências, uma vez
que, quando a agência inclui a própria
in-house de produção na disputa, ela
passa a ter posição mais privilegiada.
Furlan, que está no conselho da
Apro, afirma que a estrutura independente
precisa segurar uma cultura
de prazos indecentes de pagamento.
“Principalmente para quem fatura R$
8 milhões ao ano com suporte de capital
próprio. O maior desafio é manter
a sustentabilidade”, ressalta ele.
Para se manter no jogo, o executivo
trouxe para a Broders Laura Carvalho
(ex-BETC Havas) como diretora
de cena e criativa, com a ideia de
impulsionar conteúdos social first. “A
Laura é uma realizadora, uma diretora
que atua como estrategista, criativa
e vai para o set. Ela fortalece um
pensamento que a gente chama de
content-first: projetos que nascem
digitais e performam como conteúdo
concebido para viver na plataforma
desde a origem.”
Furlan acrescenta que o repertório
de Laura é forte, com trabalhos
já feitos para Spotify, Gillette, TikTok,
Meta, Samsung e outras marcas
atendidas em agências, e liderança
em Hubs TikTok para algumas contas.
“Continuamos produzindo campanhas
globais e filmes robustos, mas
paramos de enxergar o social como
desdobramento. É no social que acontece
o maior ponto de contato entre
marcas e consumidores, portanto é
Rodrigo Furlan, sócio-diretor da Broders, Laura Carvalho e Clara Gattone, sócia e produtora-executiva da empresa
natural que as produções estejam
mais inseridas nessa nova lógica de
consumo”, explica.
Três projetos recentes traduzem
a Broders atualmente. O primeiro é
a campanha de iFood Hits, que levou
Rodrigo Faro para o Metrô de São
Paulo e simulou uma trend famosa
para construir uma mensagem. “O
segundo são as recentes promos da
Disney (maior cliente hoje da produtora),
como a campanha de 20 anos de
Hannah Montana para divulgar os novos
produtos do Disney+ e entrar nas
conversas dos fãs. O terceiro e último
foi uma transmissão ao vivo no TikTok
do Spotify com a comunidade da Lela
Brandão, Camila Fremder e outros
criadores de podcasts relevantes.”
“A estrutura
independente
precisa segurar
uma cultura de
prazos indecentes
de pagamento”
Em relação às discussões da indústria
audiovisual, o sócio-diretor da
Broders avalia que o uso ético e responsável
de inteligência artificial nas
produções e a melhoria dos prazos de
pagamento estão evoluindo. Porém,
destaca que o tema mais sensível,
que é a presença das produtoras in-
Divulgação
-house dentro das agências, gera um
desconforto, já que os envolvidos são
também clientes. “Em março, a Apro
lançou - com apoio da Abap e da ABDC
- o Guia de Boas Práticas para Concorrências
Audiovisuais. É um passo
concreto no esforço de garantir mais
transparência, equidade e proteção
nessas relações comerciais.”
Furlan afirma que o ano começou
“animado” com as expectativas para a
Copa do Mundo e que a Broders já bateu
60% da meta com uma média praticamente
diária de novos pedidos.
A perspectiva é excelente. “Eventos
desta magnitude sempre impulsionam
a economia da atenção e movimentam
a produção de conteúdo, sobretudo
na internet”, finaliza ele.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 23
negócios & consumo
ECA digital traz maior responsabilidade
às plataformas na publicidade infantil
Lei, já em vigor, é para evitar direcionamento dos algoritmos, mas não
pega agências de surpresa devido às regras do Conar, Conanda e CDC
Magnific
O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente chega para dar parâmetro e evitar que a publicidade ultrapasse limites impostos pelo marco legal na comunicação para menores
Paulo Macedo
Com a entrada em vigor em 1º de
março deste ano, do ECA Digital
(Estatuto Digital da Criança e do
Adolescente), agências, anunciantes e
instituições atentas ao compliance de
conteúdo estão ligadas nas restrições
impostas ao chamado data profiling,
metodologia que faz direcionamento
da comunicação mercadológica com
base nas preferências pessoais, ou
seja, o histórico das buscas realizadas
pelos perfis, rastros de comportamento
e dados pessoais, por exemplo.
Mirar no histórico não é mais permitido
nos anúncios.
Ao dar um Google, logo aparecem
dicas de como “o mercado publicitário
precisou migrar da lógica de performance
aplicada em dados individuais
para uma coerência focada na proteção
da audiência”. Entidades, como
o Instituto Alana, estão de olho nos
avanços da publicidade nos canais
digitais. O Alana lançou o livro ‘Crianças
e adolescentes primeiro: Como o
ECA Digital virou o jogo da proteção
online no Brasil’, reflexo do seu engajamento
institucional nesse tema,
que terminou resultando no marco
legal (15.211/2025), em vigor há cerca
de três meses.
A executiva Dindi Coelho, VP de produto
da Mutato, fala que a agência já
trata a questão em sinergia com cuidados
de processos e recomendações
do Conar.
“Já seguíamos os princípios da autorregulamentação
publicitária e do
próprio ECA original, que sempre vedaram
apelo direto à criança, o uso de
linguagem imperativa e a exploração
da credulidade infantil. O que o ECA Digital
fez foi traduzir para o ambiente
online o que a gente já entendia como
dever ético no offline”. A Mutato, ainda
na expressão de Dindi, orienta seu
time criativo para construir conteúdos
com foco no público 18+.
“Mídia comportamental para menores
de 18 anos sai da mesa de forma
estrutural, porque a comunicação não
está endereçada a essa audiência em
primeiro lugar. Lookalikes baseados
em comportamento, segmentação
por interesse derivada de navegação
“Lookalikes
baseados em
comportamento
ficam fora do
planejamento”
24 1º de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Thayssa Szymanskyj é diretora de estratégia na 404 Innovation Studio, do Grupo Galeria
Dindi Coelho é vice-presidente de produto na Mutato, marca de digital do WPP
e técnicas de perfilamento emocional
ficam fora do planejamento por princípio,
e a vedação que o ECA Digital traz
se sobrepõe naturalmente a uma prática
que já era nossa.”
YouTube, TikTok, Instagram, Facebook,
Kwai, Pinterest, X e lojas de apps
precisam estar antenados à verificação
e à atribuição das plataformas,
como lembra Dindi. Em sua opinião, as
agências cuidam da criação, tom, gatilhos
emocionais, referência cultural e
do ambiente de mídia, mas com pensamento
e calibragem voltados para
falar com adultos. Lembrando que a
regulação técnica final é da Agência
Nacional de Proteção de Dados.
“O que está em jogo nos próximos
meses é a definição dos chamados
sinais de idade, que devem ser fornecidos
pelos sistemas operacionais
para as plataformas. O papel da
agência é confiar nos sinais que essas
plataformas oferecem, configurar as
campanhas com as restrições mais
protetivas disponíveis em cada ferramenta
e auditar resultados. A orientação
interna é assumir o pior cenário:
se há margem de dúvida, a campanha
roda como se houvesse menores presentes.
É mais conservador do que a
lei pede e é a postura que a gente entende
como compatível com a responsabilidade
de quem está construindo
cultura”, detalha Dindi.
Adaptação é o resumo da ópera
que Felipe Andrade, ECD da WT.AG,
propõe para os integrantes da área
criativa da agência. Ele não vê a nova
regra como barreira à criatividade,
mas como processo de maturidade do
ecossistema.
“Organiza o
que o mercado
responsável já
deveria estar
fazendo”
“O mercado inteiro precisou rever
processos, principalmente em relação
a dados, segmentação e comunicação
com públicos mais jovens. Hoje existe
uma preocupação muito maior em entender
o contexto da campanha desde
o início: para quem ela fala, onde
ela circula, como a mensagem chega
e quais interpretações ela pode gerar.
Isso impacta briefing, estratégia,
mídia, criação e escolha de creators”,
diz Andrade, que tem feito coaching
interno para afiar o grupo.
“Temos reforçado bastante que a
comunicação precisa partir mais do
contexto, interesse real e relevância
cultural do que de qualquer leitura excessiva
de comportamento individual.
Isso vale tanto para mídia quanto
para criação. Na prática, as conversas
ficaram mais integradas entre
Felipe Andrade atua como ECD na agêcia WT.AG
O jurista Fernando Bousso é CEO do escritório b/luz
Fernando Alonso é vice-presidente da Africa Creative
jornal propmark - 1º de junho de 2026 25
Fotos: Divulgação
Sabrina Almeida é diretora de novos negócios da Vitrio Silvia Vidigal é cofundadora e diretora da agência Index Valéria Desideri é head de conteúdo da Ogilvy Brasil
estratégia, mídia, criação e cliente
para evitar decisões isoladas focadas
apenas em performance. Hoje existe
um olhar mais atento para formatos,
linguagem, mecânicas de engajamento
e até timing de determinadas campanhas”,
destaca Andrade, que nota
maior cuidado nos marketing teams.
“Percebo um cuidado muito maior
das marcas em relação à exposição,
ao tipo de mensagem e à transparência
da publicidade quando envolve
creators menores de idade. Hoje
existe uma preocupação legítima
em evitar exageros, estímulos inadequados
de consumo ou formatos
que confundam entretenimento
com propaganda.”
O receptivo na Ampfy para a extensão
do ECA ao universo digital foi tranquilo,
como deixa claro Sergio Brotto,
chief media & data officer da agência.
A formalização veio ao encontro do
conjunto de cuidados que já faziam
parte das práticas da Ampfy.
“Tanto as normas sobre publicidade
direcionada a crianças quanto
as que tratam da participação de
menores em produção publicitária já
orientavam nosso trabalho. O Código
de Defesa do Consumidor (CDC), as
resoluções do Conselho Nacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente
(Conanda) e as diretrizes do Conar
sempre estiveram no nosso radar. O
CDC já definia como abusiva qualquer
publicidade que se aproveite da deficiência
de julgamento da criança. O
Conanda detalhou isso em 2014, listando
os elementos que caracterizam
comunicação mercadológica dirigida
a menores. E o Conar estabelecia que
“Mídia
comportamental
para menores de
18 sai da mesa de
forma estrutural”
nenhum anúncio deve dirigir apelo imperativo
de consumo diretamente à
criança. Nesse sentido, a lei chega menos
como uma ruptura e mais como
uma atualização bem-vinda, que organiza
o que o mercado responsável
já deveria estar fazendo”, esclarece
Brotto, ressaltando que as obrigações
estão direcionadas às plataformas.
“Esse era o vácuo real: não havia
instrumento legal que as responsabilizasse
de maneira clara pelo ambiente
que constroem e pelos algoritmos
que operam. A agência sempre dependeu
das ferramentas que essas
plataformas disponibilizam para parametrizar
públicos e restringir alcance.
Agora as plataformas têm obrigação
legal de tornar esses mecanismos
mais robustos e transparentes, e isso
melhora a equação para todos.”
O conteúdo precisa ser adequado a
todos. Brotto explica como a criação
da Ampfy está sendo orientada para
não gerar dicotomias.
“A publicidade comportamental
é uma ferramenta eficiente, mas o
critério de proteção ao menor sempre
veio antes da otimização de performance.
O que muda agora é que
essa postura deixa de ser uma escolha
de cada agência e passa a ser
exigência legal para as plataformas
que entregam essa mídia. Para nós,
na prática, é uma confirmação do
caminho que já seguíamos”, opina
Brotto, que faz menção ao fenômeno
dos influencers mirins.
“Surgiu em um mercado em transformação
acelerada, em que a informalidade
abriu espaço para práticas
que os meios tradicionais nunca teriam
permitido. Na TV, por exemplo, a
participação de crianças em publicidade
sempre seguiu critérios claros
de produção, supervisão e adequação
de conteúdo. Por atuarmos em categorias
especialmente sensíveis nesse
tema, como refrigerantes e snacks de
PepsiCo, adotamos bastante os processos.
Nosso objetivo é garantir que
toda a comunicação seja planejada e
veiculada de forma responsável. Além
dos controles junto ao YouTube, Instagram
e TikTok, contamos com auditorias
externas realizadas pela KPMG.”
EFETIVIDADE
As restrições algorítmicas têm
impacto direto na otimização do alcance,
o que gera uma preocupação
com perda de efetividade. A ponderação
de Thayssa Szymanskyj, diretora
de estratégia da 404 Innovation
Studio, prossegue com “as restrições
representam uma reflexão fundamental
sobre métricas e qualidade da
comunicação”.
“Em tempos em que 85% do conteúdo
digital não retém mais do que
2,5 segundos de atenção, efetividade
pouco tem a ver com volume e alcance,
mas sim com relevância e profundidade.
O ECA Digital opera pelo princípio
do ‘acesso provável’, o que significa
que não basta declarar que uma campanha
é direcionada a adultos — o que
a lei avalia é o risco daquele conteúdo
ser exposto a menores”, diz Thayssa.
A maturação já estava em andamento.
Mas a formalização do ECA
Digital acelera uma mudança de postura
inevitável. O alerta é de Silvia
Vidigal, cofundadora e diretora da
26 1º de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
O executivo Vinicius Facco é CEO da agência New Vegas Sergio Brotto é chief media & data officer da Ampfy O criativo Vitor Knijnik é co-CEO da Snack, da Biosphera
Index, que acrescenta: “Não dá mais
para olhar só para performance ou
alcance sem considerar responsabilidade
e contexto. Isso faz a gente rever
processos, linguagem, segmentação
e principalmente conversas com
clientes. Temos sido mais criteriosos
principalmente em campanhas com
potencial alcance de menores”.
A verificação, como observa Silvia,
é um dos desafios dos agentes
de comunicação no universo digital.
“As plataformas vêm evoluindo nas
ferramentas de restrição e classificação,
mas existe também uma
responsabilidade das marcas e das
agências em considerar isso desde
o planejamento da campanha. Hoje
temos um olhar muito mais atento
para configuração de audiência, formato,
creator escolhido, contexto da
entrega e natureza da mensagem.
Temos trabalhado com critérios
mais cuidadosos na participação de
creators menores de idade, principalmente
em relação à exposição,
linguagem, rotina de produção e adequação
comercial das campanhas.”
ESSÊNCIA
Marco fundamental para a indústria
da comunicação mercadológica,
no olhar de Fernando Alonso, VP de
talentos e influência digital da Africa
Creative, a legislação traz um norte
regulatório indispensável.
“O fim da segmentação comportamental
para menores de 18 anos exige
que a publicidade volte a fazer o que
faz de melhor: focar na essência da
mensagem e no contexto - e não apenas
no algoritmo. Hoje existe um cuidado
muito maior em relação à segmentação
e ao uso de dados quando
envolve menores, e o mercado está
caminhando para uma comunicação
mais transparente e consciente. Nosso
foco está em construir uma narrativa
transparente, que engaje pelo
valor da ideia e pela adequação do
conteúdo”, contextualiza o executivo
da Africa Creative.
Por outro lado, Fernando Bousso,
CEO do escritório B/Luz Advogados,
com expertise no universo de tecnologia,
inovação e regulação digital,
coloca que o ECA Digital traz três eixos
principais: governança e prestação de
contas, mecanismos de aferição de
idade e transparência.
“Na prática, isso significa que
campanhas digitais cujas páginas
ou ambientes possam ser acessados
por menores – mesmo que esse não
seja o público-alvo – precisam ser
analisadas sob essa ótica. O mesmo
vale para iniciativas com elementos
gamificados, que têm maior potencial
de atrair esse público e, por isso, podem
exigir a adoção de mecanismos
de aferição de idade proporcionais ao
risco envolvido. Para as agências, isso
exige uma revisão das estratégias de
mídia programática e remarketing.
Qualquer segmentação que utilize sinais
comportamentais – e.g., histórico
de navegação, interesses inferidos,
padrões de consumo de conteúdo
– precisa ser avaliada com atenção
quando há probabilidade de alcançar
menores”, detalha Bousso.
“É impossível eu dissociar meu papel
de publicitário do meu papel de pai
de um menino de 5 anos”. A declaração
“A lei chega
menos como
uma ruptura
e mais como
uma atualização
bem-vinda”
de Vinicius Facco, CEO da New Vegas,
mostra que casa de ferreiro não pode
ser espeto de pau.
“Então, antes de falar como agência,
preciso dizer: eu sou favorável
a essa atualização. Sou favorável à
restrição do uso de redes sociais por
crianças e pré-adolescentes, sobretudo
quando a gente olha o impacto que
essas plataformas têm na autoestima,
na saúde mental e no desenvolvimento
psicológico das crianças.”
Mãe de duas crianças, Valéria Desideri,
head de conteúdo e influência
da Ogilvy Brasil, afirma que “a adaptação
ao ECA Digital também exige
olhar atento para as ferramentas de
controle parental”.
“Elas são oferecidas pelas plataformas,
monitoramento das atividades
online e orientação constante sobre
os riscos e o uso seguro da internet.
Crianças e adolescentes precisam ser
conscientizados sobre a importância
da privacidade, da segurança online e
como identificar e reportar conteúdos
nocivos ou abusivos.”
Sabrina Almeida, conhecida como
Sassá, diretora de novos negócios e
marketing da Vitrio, fala de mudança
cultural. “Temos reforçado discussões
entre as áreas de estratégia, mídia,
conteúdo e dados para revisar práticas,
principalmente em campanhas
com potencial alcance de menores de
idade”, afirma.
“O ECA Digital chega num momento
importante porque a creator economy
cresceu muito rápido”, finaliza
o publicitário Vitor Knijnik, co-CEO da
Snack, estúdio engajado desde a sua
criação no modelo feed first.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 27
negócios & consumo
Epic Universe completa um ano e inicia
novo patamar de diversão em Orlando
Com investimento bilionário e cinco universos temáticos, Epic Universe
redefine a experiência dos parques em Orlando após primeiro ano de operação
Fotos: Divulgação
Inaugurado em 22 de maio de 2025, o Epic Universe já se destaca no mercado brasileiro
Cosmos Fountain Show: espetáculo de fontes em frente ao Helios Grand Hotel
Bruna Magatti
O
que acontece quando Orlando
oferece um novo parque a
turistas e locais que já estão
acostumados com a magia e a diversão
que a cidade pode oferecer? Um
ano após sua inauguração oficial, o
Universal Epic Universe já se consolidou
como um dos principais motores
de crescimento da Universal Orlando
Resort no mercado brasileiro e faz
jus ao nome escolhido: o parque se
empenhou em passar a ideia de algo
épico, extraordinário. Após 10 anos
de preparação, mais de 7 bilhões de
dólares em investimentos, a novidade
ousada foi inaugurada em 22
de maio de 2025, impulsionando o
interesse de turistas e operadores
do Brasil ao apostar em uma nova
era da Universal, que traz experiências
imersivas, tecnologia avançada
e maior tempo de permanência dos
visitantes em Orlando, e até mesmo
para os locais que desejaram conhecer
a novidade, movimentando a economia
local.
A cidade recebeu 76,7 milhões de visitantes,
superando o volume do ano
anterior em 1,8% e mantendo o local
na posição de destino mais visitado
dos Estados Unidos. Durante este primeiro
ano de atividade, foram 736,3
mil turistas vindos do Brasil, tornando
o país o maior visitante do parque em
relação à América Latina, seguido de
Argentina, México e Colômbia.
Desde a abertura, o Epic Universe
ajudou a transformar o posicionamento
da Universal no segmento de
férias completas. Antes vista por muitos
turistas como uma parada complementar
nos roteiros de Orlando, a
operação passou a ganhar protagonismo
nas viagens de brasileiros aos
Estados Unidos. Entre os reflexos
desse movimento está o aumento da
adesão ao ingresso “All Parks”, válido
por 14 dias e criado para ampliar a
flexibilidade de visita aos quatro parques
do complexo. A operação passou
por ajustes desde a inauguração. Inicialmente,
a Universal trabalhou com
capacidade reduzida para priorizar
conforto e fluidez na experiência dos
visitantes. Atualmente, o equilíbrio
operacional permite uma circulação
mais tranquila, embora a recomendação
siga sendo reservar ao menos
dois dias para explorar todas as áreas
do Epic Universe.
Foram 736,3 mil
turistas vindos
do Brasil, sendo
o maior visitante
do parque em
relação à América
Latina
dicionais Island of Adventure e Universal
Studios. O parque reúne cinco
áreas temáticas: Celestial Park, Super
Nintendo World, Dark Universe, How to
Train Your Dragon – Isle of Berk e, para
os amantes da saga Harry Potter, o
The Wizarding World of Harry Potter –
Ministry of Magic, que é mais um ponto
obrigatório.
O conceito de imersão total se consolidou
como um dos principais diferenciais
apontados pelos visitantes
ao longo do primeiro ano de operação.
É possível que o visitante se transporte
de um universo para outro de forma
completa, desde a ambientação,
a caracterização da equipe, os sons e
até os cheiros das comidas e bebidas
oferecidas na área. A experiência do
5 universos, 5 propostas
A proposta do Epic é trazer algo
completamente diferente dos traparque
termina no Cosmos Fountain
Show, um show noturno de fontes no
lago central do Celestial Park, combinando
jatos de água dançantes, luzes
coloridas sincronizadas e uma trilha
sonora épica inspirada nas cinco áreas
temáticas do parque.
o mais requisitado
O parque temático também dobrou
o tamanho da Universal Orlando
Resort, integrando o Universal Helios
Grand Hotel, que está localizado dentro
do parque, com vista para o Celestial
Park e que até faz parte do cenário
do Cosmos Fountain Show. O hotel
entra na categoria premium do complexo
e oferece entrada exclusiva aos
visitantes do parque. Para conhecer a
novidade, é preciso entrar na fila: as
reservas se encontram esgotadas no
momento.
de olho no futuro
Com o Epic Universe, a Universal
está longe de descansar. A empresa
já anunciou novidades, como a nova
montanha-russa no parque Universal
Studios, baseada na franquia ‘Velozes
e Furiosos’ para 2027, e um novo parque
no Reino Unido em 2031, além de
novas experiências com o tema Pokémon
para sua unidade no Japão.
28 1º de junho de 2026 - jornal propmark
negócios & consumo
Jadlog contrata Isabella Ferrentini
como diretora de marketing e ESG
Com mais de 20 anos de carreira, executiva
construiu trajetória voltada ao setor de growth,
reputação de marca e liderança corporativa
A
Jadlog anunciou Isabella Ferrentini como nova
diretora de marketing e ESG. A executiva
chega com a missão de fortalecer o posicionamento
da marca, acelerar estratégias de crescimento
e liderar as iniciativas de sustentabilidade da
companhia alinhadas às diretrizes globais do Grupo
Geopost. Na nova função, Isabella será responsável
pelas estratégias de marketing, publicidade
e branding da Jadlog, além de atuar na integração
das ações comerciais aos objetivos de expansão de
receita da empresa. A executiva também passa a
liderar as políticas ESG da companhia, com foco na
implementação de práticas sustentáveis e no avanço
das metas ambientais do grupo.
Com mais de 20 anos de experiência nas áreas
de marketing e comunicação, Isabella construiu car-
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
reira voltada à reputação de marca, estratégias de
growth e liderança corporativa. Antes de chegar à
Jadlog, a executiva ocupou cargos de liderança em
empresas como Gulf Combustíveis, LG Electronics,
ADP e Telefónica.
A contratação acontece em um momento de
expansão operacional da Jadlog. Recentemente,
a empresa inaugurou um novo hub logístico no
bairro de Perus, em São Paulo. “Chego à Jadlog
com muito entusiasmo, com o objetivo de fortalecer
o posicionamento da empresa e garantir que a
eficiência operacional aportada pelo novo hub se
converta em percepção de valor e confiança para
os nossos clientes e os consumidores finais, além
de reforçar as ações ESG”, afirma a nova diretora
da Jadlog.
Isabella Ferrentini: missão de fortalecer a marca
Divulgação
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jornal propmark - 1º de junho de 2026 29
negócios & consumo
Disney amplia programa de benefícios
para brasileiros com novos parceiros
A Disney ampliou o programa
Disney+ Benefícios no Brasil e
se tornou a primeira plataforma
de streaming do país a oferecer
vantagens permanentes para
assinantes. A iniciativa passa a
incluir benefícios em categorias
como mobilidade, delivery, música
e experiências presenciais, em
parceria com 99, 99Food e Spotify. O
Disney+ Benefícios está disponível
imediatamente para assinantes no
Brasil. Em entrevista ao propmark,
Juliana Oliveira, VP de Disney+ no
Brasil, fala sobre a novidade.
Divulgação
Bruna Magatti
COTIDIANO
O programa já contava com ações
em parceria com a Cinemark e o Mundo
Pixar, e agora amplia sua atuação para
serviços ligados ao cotidiano dos consumidores.
Entre os benefícios, assinantes
terão acesso a cupons mensais de 50%
de desconto em corridas da 99 e pedidos
no 99Food durante 12 meses. Já no Spotify,
novos usuários poderão resgatar até
três meses gratuitos do plano Premium,
enquanto ex-assinantes elegíveis terão
direito a dois meses sem custo. Além
dos descontos, o Disney+ Benefícios
seguirá oferecendo experiências exclusivas
ligadas às franquias da marca, incluindo
pré-estreias, sorteios e eventos
especiais. Entre as próximas ativações
previstas estão ações relacionadas ao
lançamento de ‘Toy Story 5’.
PROPOSTA DIFERENCIADA
Ser o primeiro streaming a lançar
um programa permanente de benefícios
no Brasil não é o resultado de
uma estratégia deliberada de aprofundar
o vínculo e o engajamento com
nossos assinantes. O nosso foco com
este programa vai muito além de me-
lhorias no “churn”. É sobre construir
uma proposta de valor diferenciada,
oferecendo experiências e benefícios
dentro e fora da tela.
ASSINANTE bRASIlEIRO
O que observamos com muita atenção
é a profundidade da relação que o
assinante brasileiro já tem com as franquias
Disney. Esse é um público que não
consome conteúdo passivamente, ele
se engaja, compartilha, debate, vai ao
cinema, compra produtos, participa de
eventos. Existe um fandom genuíno que
transcende a tela muito antes de qualquer
programa de benefícios existir. O
que o Disney+ Benefícios faz é reconhecer
esse comportamento e construir
uma estrutura à altura dele. Quando o
consumidor já demonstra que quer viver
a Disney além do app, nossa obrigação é
criar os caminhos para isso. Os benefícios
são esses caminhos.
jORNADA CIRCulAR
Benefícios podem ser copiados. O
ecossistema Disney, não. O que não é
replicável é o fato de que, no Disney+
Benefícios, podemos oferecer experiências
que não estão à venda, como
a participação em uma pre-estreia de
Juliana Oliveira, VP de Disney+: “Somos o país que prova o conceito para a região”
‘Toy Story 5’. A jornada que estamos
criando é circular: o assinante assiste,
usa, experiencia e volta. O entretenimento
não termina quando a tela
apaga. Essa é a proposta de valor que
nenhum outro streaming consegue entregar
com a mesma profundidade.
mATuRIDADE DIgITAl
O Brasil não foi escolhido por acaso,
foi escolhido por mérito. Estamos falando
de um dos mercados com maior maturidade
digital da América Latina, com
uma base de fãs extraordinariamente
engajada e uma relação afetiva muito
forte com as histórias e franquias Disney.
O brasileiro cresce com a Disney,
e esse vínculo emocional se traduz em
comportamentos muito concretos: engajamento
nas redes, participação em
eventos, interesse em experiências ao
vivo, grande base de assinantes no Disney+.
Além do Brasil, mercados como
México e Argentina também fazem
parte do rollout da iniciativa na região,
o que reforça a relevância estratégica
da América Latina como um todo para a
companhia. Mas o fato de o Brasil liderar
esse movimento diz muito sobre o
nível de confiança que a Disney deposita
no nosso mercado. Somos o país que
prova o conceito para a região.
mAgIA
A visão de longo prazo é que o Disney+
Benefícios se torne a referência
de como uma plataforma de streaming
pode se relacionar com seu assinante
de forma contínua, significativa e
emocionalmente conectada. Não queremos
ser lembrados como mais um
programa de vantagens. Queremos ser
o programa que está presente no dia a
dia das pessoas, e que carrega consigo
a magia, a emoção e a força das histórias
que a Disney conta há mais de cem
anos. Esse é o horizonte. E o Brasil está
liderando esse caminho.
30 1º de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Festival potencializa negócios apoiados
pela criatividade gerada por agências
Estadão reúne alguns jurados escolhidos para representar o mercado
brasileiro na 73ª edição do evento que começa no dia 22 de junho
Paulo Macedo
Abriga por Leões concedidos
pelo Festival Internacional de
Criatividade Cannes Lions, por
assim dizer, já começou para o mercado
brasileiro.
O Estadão, que há 25 anos atua
como representante oficial da maior
competição publicitária mundial no
país, promoveu na última quinta-feira
(28), em São Paulo, um evento de confraternização
com parte dos jurados
que vão analisar os trabalhos inscritos,
uma espécie de despedida oficial.
Este ano, a Informa, organizadora
do festival realizado desde 1953, ainda
não comunicou o volume de trabalhos
que vão disputar os prêmios. No ano
passado, foram mais de 26 mil inscrições,
das quais 3% acabaram distinguidas
com algum Leão (Ouro, Prata e
Bronze) e Grand Prix. O Brasil assegurou
95 troféus. Apesar do DM9gate, a
criatividade brasileira não ficou com
sua reputação comprometida, mas o
problema acendeu os filtros da organização
para o que é fato ou fake com
exigências mais contundentes para
lastro do que é inscrito.
Jurado da área Film Lions, que
deu origem ao festival, o publicitário
Álvaro Rodrigues, CEO da Made, deu
algumas sugestões para os jurados
presentes em uma palestra na qual
enfatizou que a criatividade brasileira
é reconhecida globalmente e é um
ativo que traz uma responsabilidade
maior para o país.
“Os nossos criativos e outros profissionais
estão espalhados pelo
mundo. Temos conhecimento”, afirma
o criativo, que acrescenta: “A criatividade
é um ativo que traz responsabilidade
maior para o país. Temos nomes
de peso espalhados pelo mundo. Conhecemos
bem as culturas e a conectividade
entre elas. Além de competirmos,
temos um know-how que faz
a diferença”. Rodrigues recomenda
atenção às métricas do festival, mas
sem descartar valores pessoais.
Mauro Ramalho (Entertainment); Álvaro Rodrigues; Essio Floridi; Flavia Martins (Sustentainable Goals) e Rafael Gil (Industry Craft)
“Conhecemos
bem as culturas
e a conectividade
entre elas”
Alê Oliveira
Em 2026, ano da 73ª edição do
Cannes Lions, o Estadão emplacou 32
profissionais do Brasil para analisar
trabalhos nas áreas e categorias. Dos
quais, 21 atuarão presencialmente no
Palais des Festivals a partir do dia 22
de junho para definir os prêmios. E
outros 11 nomes atuaram de forma remota
na configuração das shortlists.
Rodrigues esteve em Cannes pela
primeira vez em 1998, como integrante
do grupo de Young Lions, quando
estava na FCB. “Esta é minha quarta
participação no júri e justamente na
categoria que deu origem ao festival.
Filme é uma responsa e um privilégio“,
destaca o CEO da Made, observando
que o festival mudou muito na forma,
categoria, relevância e tamanho.
“Este ano vai ser especial para a indústria;
vai refinar critérios. A maneira
de inscrição de peças já mudou com a
exigência de anuência clara e rigorosa.
O fato de ser jurado significa que quem
está naquela sala vai ser responsável
por uma tendência. Isso é diferente
de ganhar prêmio. É uma responsabilidade
para o mercado mundial. Minha
experiência me ensina que temos de
saber disseminar a cultura de um país
em determinada peça. Não podemos
perder um potencial Leão por falta
de visão do fit local. Globalização exige
esse foco na potência local. Afinal,
Cannes passou a ser um evento de
negócios que são potencializados pela
criatividade das agências.”
Na abertura do evento, o executivo
Essio Floridi, CCO do Estadão, divisão
responsável pelos negócios do grupo
de mídia e pela gestão do festival,
nesse caso com a colaboração direta
de Clélia Salgado, comentou que o trabalho
de seleção de nomes para o júri
exige muita atenção.
“A criatividade é um elemento
fundamental para o negócio. Temos
muitos nomes para analisar. Cannes
premia apenas 3% das 26 mil inscrições”,
destaca Floridi. O Brasil encerrou
a sua participação no Cannes
Lions 2025 em segundo lugar, atrás
dos Estados Unidos. É o quinto com o
maior número de delegados.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 31
cannes lions
‘O Brasil segue tendo potencial
para se destacar’
Diego Guerhardt, diretor-executivo de
criação da Fbiz, julgará peças inscritas
em Creative Business Transformation
Lions. Esta é a primeira vez que o
executivo participa de um júri do
festival. Guerhardt atribui a escolha ao
seu olhar para além da comunicação
tradicional. “A criatividade deixa de
ser apenas mensagem e passa a atuar
como força de mudança”, observa.
Ademais, está animado em participar
de conversas capazes de moldar a
criatividade global. As chances do
Brasil são alvissareiras. “Existe uma
combinação entre repertório cultural,
social e pensamento estratégico
que faz com que o país continue
competitivo”, acredita.
Diego Guerhardt: visão estratégica, conexão humana e transformação concreta
Divulgação
Janaina Langsdorff
EstrEia
Esta será a minha primeira vez como
jurado. Cannes sempre fez parte da minha
vida profissional. Existe algo muito
significativo em, agora, ajudar a conduzir
conversas que contribuem para
definir os rumos da criatividade global.
Recebi esse convite com empolgação e
responsabilidade.
motor
Acredito que a minha escolha tenha
relação com uma visão de criatividade
que vai além da comunicação
tradicional. Ao longo da minha
carreira, sempre me interessei por
projetos non-traditional. E Creative
Business Transformation é uma
categoria que exige trabalhos com
esse olhar mais amplo, em que a criatividade
deixa de ser apenas mensagem
e passa a atuar como força de
mudança dentro das organizações.
riquEza
O Cannes Lions reúne profissionais
de diferentes culturas, mercados e
perspectivas. Existe uma oportunidade
rica de entender como a criatividade
está evoluindo. Também tenho
curiosidade para perceber quais
serão os temas e transformações
que vão atravessar os trabalhos. E,
claro, estou animado para participar
das discussões de júri de perto. Imagino
que seja uma experiência intensa,
provocadora e inspiradora.
qualidadE
Espero encontrar trabalhos que
ampliem a percepção sobre o que a
criatividade é capaz de fazer dentro
dos negócios. Não apenas ideias bem
executadas, mas projetos com profundidade,
relevância cultural e impacto
duradouro. Acredito que os cases mais
fortes serão aqueles capazes de unir
visão estratégica, conexão humana e
transformação concreta.
rEquisitos
Transformação real exige continuidade
e não apenas ação pontual.
Vivemos um cenário de tensões econômicas,
culturais e sociais, o que
torna tudo mais complexo. As marcas
precisam equilibrar resultado
de negócio com relevância cultural,
inovação e responsabilidade. Por
isso, os trabalhos mais interessantes
acabam sendo aqueles que conseguem
integrar criatividade ao negócio,
gerando impacto de maneira
consistente e sustentável.
rEfErência
Posso destacar trabalhos de Renault
(‘Plug inn for business’), Axa
(‘Three words’) e um case de Piñatex,
de uma parceria entre a Dole
Sunshine Company com a Ananas
Anam. São projetos que, à sua maneira,
ampliam a forma como pensamos
inovação, sociedade e sustentabilidade.
parâmEtros
Um case dessa categoria precisa
criar impacto real no negócio, na cultura
da empresa, na experiência das pessoas
e na forma como aquela organização
se posiciona. É uma categoria que olha
para a criatividade de maneira mais
profunda e estrutural. Visão estratégica,
relevância cultural, consistência e
capacidade de gerar mudança contínua
fazem diferença.
autEnticidadE
Existe uma combinação entre repertório
cultural, social e pensamento
estratégico que faz com que o país continue
competitivo. Isso em um cenário
mundial em que Cannes reconhece cada
vez mais trabalhos muito bons, vindos
de diferentes regiões, o que torna a disputa
ainda mais acirrada. Acredito que
o Brasil segue tendo potencial para se
destacar pela maneira como consegue
conectar criatividade e impacto de forma
autêntica.
32 1º de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘Campanhas impecáveis
não geram mudança real’
Representante brasileira na área
Sustainable Development Goals
do Cannes Lions, Flavia Martins é
fundadora e CEO da consultoria
Diversidade Sustentável, que
oferece apoio a empresas
em estratégias de marketing,
comunicação, governança e DE&I.
Também é escritora e poeta com
13 livros publicados, incluindo o
livro solo ‘Rosa do deserto’ (Patuá,
2021). “Também sou mentora do
Instituto Pactuá para lideranças
negras e do programa ‘Nós por
Elas’ para mulheres. E também sou
conselheira do Movimento bStory,
que nasce com o propósito de dar
protagonismo à geração 50+.”
Flavia Martins é fundadora e CEO da consultoria Diversidade Sustentável
Divulgação
Paulo Macedo
criatividade
O ser humano tem um potencial
imensurável de criatividade. Igualmente
imensurável é a capacidade de
milhões de seres humanos na face da
Terra inovando para simplesmente sobreviver.
Ideias incríveis nascem da necessidade.
Nós celebramos, enquanto
essas pessoas lutam por mais um dia.
Espero sair de Cannes com a real magnitude
dessas centenas de cases submetidos
e, a partir desse olhar expandido,
conseguir que mais empresas abracem
esse tipo de iniciativa.
Planos
Minha expectativa é que vejamos
trabalhos que não apenas materializem
os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável,
mas que avancem em modo
muito rápido as pautas desse plano
de ação global adotado pela ONU em
2015. Estamos a apenas quatro anos de
2030, e cada movimento importa. Tem
um peso enorme chegar à shortlist,
conquistar um Leão, alcançar um Grand
Prix. Nessa categoria, esse peso é sinônimo
de impacto. Queremos, sim, estar
comovidos diante do inimaginável. Mas
a alma sai diferente sabendo que esse
inimaginável transforma a vida de milhões
ou bilhões de pessoas.
cateGoria
Sustainable Development Goals (Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável)
é amplamente reconhecida como
a mais corajosa do festival. Não por
acaso, impacto e resultados são 50%
da nota. E a resposta imediata a essa
inversão positiva de olhares é a transformação
real como passaporte para
Cannes e suas premiações. Ao longo de
minha carreira, especialmente nos últimos
anos, como CMO do Pacto Global
da ONU, vi de perto como a criatividade
pode ser um ativo estratégico. Mas
essa proximidade nos mantém alertas
para casos como os de propósito-washing:
quando iniciativas e campanhas
“Vou analisar
evidências e
desafiar narrativas
superficiais”
impecáveis não geram mudança real.
visÃo
Meu olhar para essa categoria é o
de alguém que viveu na prática o desafio
de engajar mais de 2 mil empresas
em torno dos ODS. Existem complexidades,
desafios e riscos múltiplos.
É por isso que, quando a criatividade
consegue navegar esse mundo aliando
autenticidade e impacto, alcançamos
o extraordinário.
conteXto
Levo a perspectiva de alguém que
trabalhou diretamente com o tema do
ponto de vista corporativo, que entende
os desafios reais que as empresas
enfrentam ao tentar alinhar negócios e
propósito. Estarei aberta para aprender
o que cada par meu traz a partir de suas
ricas experiências.
critÉrio
Vou questionar, analisar evidências
e desafiar narrativas que pareçam superficiais.
ia
Extraordinária. Mas é uma tecnologia.
Uma ferramenta. Não é essência.
Não é propósito. Ela é meio. Não é fim.
valor
A reputação brasileira em criatividade
é extraordinária e bem merecida.
Tivemos aprendizados por acontecimentos
recentes? Sim. E reconhecer é
o primeiro passo para seguir em frente
com ainda mais sabedoria e grandeza.
Uma magnitude que se deve a gerações
de criativos brasileiros que entenderam
que criatividade é ferramenta de
transformação.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 33
cannes lions
“Eficiência não se resume à conversão”
Marcela de Masi, diretora-executiva
de branding e comunicação do
Grupo Boticário, é novata no júri
do festival. Ela estreia na categoria
Creative Commerce Lions. A
executiva valoriza a criatividade que
aparece “como motor do negócio,
com soluções que parecem
inevitáveis depois que a gente vê,
mas que só existem porque alguém
teve a coragem de pensar diferente”,
indica. Para além de conversão
e performance, cases dessa área
precisam explorar os avanços da
tecnologia, dados, venda digital,
social commerce, entretenimento
e outras soluções capazes de
“aproximar marcas e consumidores
de forma mais fluida e relevante.”
Marcela de Masi: ideias que transformam o patamar entre conexão e performance
Divulgação
Janaina Langsdorff
Novata
Esta será a minha primeira vez como
jurada do Cannes Lions. É um desejo realizado
e uma grande responsabilidade.
CoNvite
Atuei em produção de filmes, agências
e, agora, em marketing. Essa vivência
multidisciplinar me permite contribuir
para discussões com um novo
olhar. A criatividade tem um papel fundamental
na construção de valor real
para as marcas, pessoas e negócios.
Em Creative Commerce, essa visão se
torna ainda mais necessária, uma vez
que reconhece ideias capazes de elevar
o patamar entre conexão e conversão.
PersPeCtiva
Espero que seja uma experiência
de aprendizado, troca e inspiração.
Tenho a expectativa de conhecer os
trabalhos que estão movimentando a
indústria e entender quais ideias estão
ajudando a elevar a régua do mercado.
CaNdidatos
Os melhores cases serão aqueles
que conseguirem comprovar efetividade,
gerar fidelidade e explorar o
potencial das novas possibilidades
que vêm redesenhando a categoria
- dos avanços em tecnologia e dados
à venda digital, ao social commerce,
entretenimento e a outros formatos
capazes de aproximar marcas e consumidores
de forma mais fluida e relevante.
Espero ver trabalhos que não
tratem a comunicação apenas como
conversão ou performance.
jorNada
Eficiência não se resume à conversão
imediata. A criatividade pode
simplificar jornadas, remover barreiras,
criar novas formas de interação
e transformar a relação entre marcas
e consumidores. A jornada de compra
passa por descoberta, desejo, escolha,
experiência e relacionamento.
Cada um desses pontos pode ser uma
oportunidade para tornar a experiência
mais memorável.
“A criatividade
pode simplificar
jornadas, remover
barreiras e criar
novas formas de
interação”
exemPlos
Os trabalhos que mais chamam a
minha atenção são aqueles em que
a criatividade aparece não como camada
estética, mas como motor do
negócio, com soluções que parecem
inevitáveis depois que a gente vê,
mas que só existem porque alguém
teve a coragem de pensar diferente.
Ideias que destravam uma barreira de
compra, aproximam a marca de uma
comunidade, reinventam um canal ou
transformam dados e tecnologia em
experiências mais humanas.
ChaNCes
Um case de Creative Commerce
precisa combinar ideia, execução e
resultado. Deve partir de um insight
forte, apresentar uma solução criativa
diferenciada e demonstrar como essa
ideia foi capaz de otimizar a jornada do
consumidor e gerar sucesso comercial
mensurável. Mais do que apresentar
bons números, precisa evidenciar como
cada ponto de contato foi pensado,
qual era o objetivo da iniciativa, quais
barreiras foram removidas e de que
forma a ideia contribuiu para a marca,
para o negócio e para as pessoas.
reCoNheCimeNto
O mercado brasileiro tem uma capacidade
muito particular de criar a
partir de contextos complexos, com
velocidade, criatividade e entendimento
cultural. O Brasil é um país
criativo, com uma relação muito viva
entre marcas, consumo, tecnologia,
varejo e comportamento, e isso tem
se refletido no reconhecimento internacional
da nossa indústria.
34 1º de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘Hoje, mídia não é mais
apenas amplificação’
A transformação da indústria da
comunicação, o avanço da inteligência
artificial e a pressão crescente
por resultados de negócio estão
redefinindo os critérios de excelência
criativa no Cannes Lions. Prestes a
retornar ao júri após sua primeira
participação em 2018, Paulo Ilha,
sócio-fundador e CMO da Galeria.ag.,
analisa como a categoria de mídia se
tornou mais sofisticada e estratégica
nos últimos anos. Na entrevista, ele
fala sobre o novo papel da mídia na
construção de experiências criativas
e o que diferencia campanhas
apenas bem executadas de trabalhos
realmente premiáveis.
Paulo Ilha: “Para voltarmos a liderar em Cannes, a mídia deve ser protagonista”
Guido Cashmere
Bruna Magatti
EXPECTATIVAS
São muito grandes, porque será
minha segunda participação no júri.
A primeira foi em 2018. E de lá para
cá, o mercado e a indústria se transformaram
muito, especialmente a indústria
de mídia, que é uma das que
tiveram maior transformação nos
últimos anos. A categoria de mídia,
da minha primeira participação no
júri para agora, se sofisticou demais,
porque o ecossistema de mídia se
tornou muito mais complexo em poucos
anos, com mais tecnologia como
aliada na construção das estratégias
das marcas e, especialmente, na geração
de resultado das campanhas e no
impacto no negócio. Hoje, mídia não
é mais apenas amplificação. Em muitos
casos, ela passou a ser a própria
construção da experiência criativa e
da relevância cultural.
EXCELÊNCIA CRIATIVA
No passado, a excelência criativa
poderia ser apenas uma peça brilhante
ou uma ideia brilhante muito
bem executada. Hoje isso não é mais
suficiente para que algo seja considerado
excelente. Criatividade sem impacto
já não sustenta excelência em
Cannes. O melhor trabalho do mundo
precisa combinar ideia poderosa,
execução sofisticada e efeito concreto
no negócio. Hoje é importante que
uma ideia gere conversa e tenha uma
conexão cultural com as pessoas;
em relação a como essa ideia se conecta
com a mídia. É ainda mais importante
que exista integração entre
as plataformas. Também é importante
que o resultado seja mensurável e
de fato gerado.
to do consumidor ou de uma tensão
cultural, e a partir disso desenvolver
e apresentar uma excelência criativa
claramente reconhecível, com escala
de execução e impacto consistente,
real e comprovado no negócio da
marca. O melhor trabalho do mundo é
aquele que combina verdade humana,
potência criativa, relevância cultural
e impacto real no negócio — tudo ao
mesmo tempo.
BRASIL
De maneira geral, o Brasil é sempre
muito forte em Cannes. Além de ser
uma potência criativa conectada com
cultura, o Brasil tem profissionais que
estão entre os mais bem preparados
do mundo para integrar complexidade
e conduzir governança das marcas, ou
seja, para integrar mídia com creator
economy, social e velocidade de execução.
O fato de o mercado brasileiro
ser full-service é o que sempre posicionou
o país como linha de frente ou
com grande relevância no mercado.
O resultado de negócio gerado pelas
BOM TRABALHO
Um trabalho bem executado resolve
um briefing, uma necessidade
do cliente. Agora, um trabalho para
ser premiável precisa ter muito mais
do que isso. É necessário que a campanha
tenha origem a partir de uma
verdade genuína de comportamenideias
tem uma participação fundamental
dentro do festival, logo, é importante
que o Brasil também acompanhe
essa sofisticação.
DESAFIO
Entendo que o desafio é fazer com
que as ideias, ainda assim, sejam mais
orientadas para a geração de negócio
dos clientes e gerem resultados cada
vez mais expressivos. Para isso, é necessário
cada vez mais aproveitar o
fato de o Brasil ter um modelo de agência
absolutamente integrado. A mídia
tem o mesmo nível de protagonismo
que a criação ou, ao menos, deveria ter
na nossa indústria para que ela seja
uma potência. À medida que se desenvolve
mais a mídia, o Brasil se torna
cada vez mais imbatível no mercado
global, porque entendo que, criativamente,
o Brasil já é parte da liderança
global. Para o mercado brasileiro voltar
a liderar em Cannes, a mídia precisa ser
ainda mais protagonista nas agências
e marcas, e estar cada vez mais conectada
com a ideia criativa em si.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 35
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
JCDecaux atrai Itaú, Uber, Ambev, iFood
e Mercado Livre para ativações na Copa
‘Canarinhos iFood’ é projeto da marca com as suas pelúcias inspiradas
no mascote da seleção; Coca-Cola e Puma também marcam presença
Paulo Macedo
De acordo com o executivo João
Binda, diretor-comercial da JC-
Decaux, a Copa do Mundo da Fifa
está movimentando a empresa de mídia
exterior.
Ele ressalta que o OOH tem papel
comprovado em grandes eventos e
usa uma pesquisa coordenada pela
Offerwise que destaca que 85% dos
entrevistados consideram relevante
acompanhar conteúdos, como resultados,
contagens regressivas, placares
ao vivo e informações sobre a
agenda de jogos pelos relógios de rua.
“Por isso, estamos com contagem
regressiva e teremos placar em tempo
real para todos os jogos do Brasil”,
afirma Binda.
A JCDecaux tem cinco marcas patrocinadoras:
Itaú, Uber, Ambev, iFood
e Mercado Livre. Com Puma e Coca-Cola
tem projetos especiais, assim como
com o iFood, por meio do que Binda
chama de conteúdos dinâmicos. Essas
marcas vão contar com quatro pilares
que Binda elenca:
1) “Duas horas exclusivas para os
cotistas antes dos jogos do Brasil -
momento de pico de audiência nas
ruas, no metrô, supermercados e nos
principais hubs de transporte - em
mais de 2 mil faces digitais em São
Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza,
Belém e Campinas (SP)”;
2) “Parceria com a TNT Sports de
conteúdo editorial que surgiu da
oportunidade de unir a JCDecaux, líder
global em OOH, com a TNT Sports,
a marca esportiva com o maior engajamento
digital do Brasil, para
transformar o ambiente urbano em
um ponto de encontro dos torcedores,
levando o clima do torneio,
Projeto especial da JCDecaux em relógio instalado em ponto estratégico da Avenida Paulista (SP), para campanha da marca iFood
informações importantes e serviços
para a audiência”;
3) “Como a JCDecaux está em 80
países, incluindo EUA, México e Canadá,
os anunciantes também poderão
exibir campanhas nos mobiliários
urbanos e aeroportos em todas as
cidades-sede da competição, acompanhando
os torcedores em diferentes
etapas da jornada de deslocamento e
no entorno dos estádios. Essa solução
exclusiva é viabilizada por meio da
Displayce, plataforma (DSP) de compra
de mídia programática em DOOH
que pertence ao grupo. Isso permite
a compra e a gestão de mídia em
tempo real e de acordo com situações
dinâmicas - resultados, condições de
tráfego e meteorológicas, venda de
produtos, fluxo de pessoas”;
4) “Projetos especiais e experiências
de marca, realmente um diferencial
do OOH em relação a todos
os outros meios, que inclui ativações
em estações de metrô, relógios
de rua com cenografias exclusivas
e ambientação para marcas
no Aeroporto de Guarulhos, entre
outras possibilidades”.
As possibilidades físicas e digitais
para as marcas patrocinadoras
da JCDecaux no Mundial de 2026
contam com o embasamento da
Offerwise: 75% dos torcedores disseram
que vão se deslocar pelas cidades
para assistir a algum jogo da
Divulgação
“Anunciantes
poderão exibir
campanhas nos
mobiliários
urbanos e
aeroportos
em todas as
cidades-sede
da competição”
patrocínio
PATROCINIO OOH_VALE.indd 1 13/05/26 21:10
36 1º de junho de 2026 - jornal propmark
Copa. “O que fortalece a presença,
a visibilidade e a cobertura do OOH
nas ruas, no metrô, em supermercados
e em aeroportos”, enfatiza Binda.
O executivo diz ainda que 87%
concordam que a mídia exterior é
fundamental para criar o clima do
torneio nos ambientes urbanos.
“Isso ocorre porque o OOH já faz
parte da rotina de milhões de pessoas
que vivem nas cidades e está presente
no dia a dia da audiência, com
credibilidade e de forma não invasiva.
Segundo ele, o mix entre OOH e DOOH
permite dinamismo e contextualização
em tempo real.
“É ter a mensagem certa, na hora
certa, no lugar certo e, principalmente,
para o público certo. Outra frente
muito importante e exclusiva do OOH
são as ativações físicas - as verdadeiras
experiências de marca -, que proporcionamos
para os nossos clientes
junto a agências e parceiros”, diz.
O diretor-comercial da JCDecaux
menciona as pelúcias da campanha
‘Canarinhos iFood’, que integra os
projetos e conteúdos dinâmicos em
São Paulo: “A marca aposta na memória
afetiva dos torcedores para
celebrar os títulos conquistados
pelo Brasil na história. Para isso, ativamos
um relógio na Avenida Paulista
e outro na Avenida Brigadeiro
Faria Lima, além de realizar uma entrega
de mídia grande em relógios
de rua e metrô para anunciar com
exclusividade no OOH o lançamento
da campanha”.
Binda continua, agora com a
O diretor-comercial da JCDecaux, João Binda, ressalta possibilidades para os anunciantes no Méxixo, Canadá e Estados Unidos
ação para Puma: “A marca é uma
das patrocinadoras do Neymar e
fechou uma diária exclusiva em um
dos nossos principais e mais novos
formatos do metrô (icônico led curvo
da Estação Pinheiros, na Linha
4-Amarela), mais relógios digitais de
São Paulo, além de veicular a campanha
nos mobiliários/MUPIs do Rio
de Janeiro, no entorno do Museu do
Amanhã, local onde ocorreu o anúncio
da convocação da seleção. Primeiro,
veiculamos um criativo que
torcia pela convocação do Neymar,
e assim que anunciaram sua convocação,
trocamos para um criativo
que celebrava a sua ida para mais
“Estamos com
contagem
regressiva e
teremos placar
em tempo real
para todos os
jogos do Brasil”
A marca esportiva Puma faz uso do inventário da JCDecaux para promover sua presença na Copa com o seu patrocinado Neymar
Fotos: Divulgação
uma Copa. Muitas pessoas ficaram
sabendo em primeira mão sobre a
convocação do Neymar através dessa
campanha em nossos ativos”.
Para a Coca-Cola, Binda lembra que
a ativação une tecnologia, experiência
de marca, interatividade, entretenimento
e conexão com o público.
“Reforçando a paixão e a tradição
do álbum de figurinhas da Copa. A ativação
foi montada no saguão da Estação
Paulista, da Linha 4-Amarela do
metrô, onde uma máquina com tela
interativa fotografa o passageiro e
insere sua imagem no formato clássico
do álbum. Ao final da interação, o
participante recebe uma garrafa de
Coca-Cola e a foto em seu celular via
WhatsApp para postar nas redes sociais
- isso demonstra o potencial da
integração de diferentes soluções
de OOH em um mesmo ambiente.
Para complementar a ação, também
estamos com um projeto especial
- relógio de rua com cenografia da
campanha - na Avenida Paulista.
Os canais de mídia estão atentos
às oportunidades. A JCDecaux traz
para as marcas a possibilidade do clima
das ruas e das métricas digitais
por meio da mídia programática.
“Em um contexto como a Copa, em
que milhões de torcedores circulam e
se encontram nas ruas, metrôs e supermercados
para assistir aos jogos
na casa de amigos e familiares, em bares,
restaurantes, e espaços públicos,
o OOH se torna um ponto de conexão
entre audiência, marcas, serviços e
experiências urbanas”, conclui Binda.
jornal propmark - 1º de junho de 2026 37
negócios & sustentabilidade
Alê Oliveira
O ROI da natureza
Ricardo Esturaro
Para os céticos do mercado que separam riscos
climáticos de resultados financeiros, os números
de um relatório da PwC traduzem a urgência:
55% do PIB mundial, o equivalente a US$ 58
trilhões, dependem diretamente da natureza. Se os
ecossistemas colapsarem, mais da metade da economia
global simplesmente para.
Esse cenário ganha contornos críticos quando
institutos meteorológicos alertam para o risco de
um “super” El Niño.
Com o fenômeno ameaçando mais uma vez desregular
as temperaturas e chuvas em escala planetária,
a degradação ambiental deixa de ser um
debate abstrato e se consolida como um passivo
financeiro real e um risco operacional crítico para
qualquer corporação.
A prova de que esse risco não é hipotético ficou
evidente na tragédia das enchentes no Rio Grande
do Sul. O fechamento do Aeroporto Internacional de
Porto Alegre por meses estrangulou a malha logística,
impactando profundamente a economia regional.
No mesmo estado, as crises se alternam: dados
da Farsul mostram que, de 2020 a 2024, as estiagens
provocaram perdas de R$ 117 bilhões no campo, enquanto
a indústria e os serviços do setor somaram
prejuízos que ultrapassam R$ 319 bilhões.
Essa vulnerabilidade não é exclusividade do
agronegócio. Quando chuvas fortes atingem a região
metropolitana de São Paulo, levantamentos da
FecomercioSP apontam que um único dia de alagamentos
severos pode custar até R$ 110 milhões em
perdas para o varejo. Sem a conservação das bacias
urbanas e aportes em drenagem natural sustentável,
o comércio paulista seguirá refém do clima.
Para interromper esse ciclo de prejuízos, as lideranças
empresariais e governamentais precisam
mudar a abordagem. É aqui que o maior aliado atende
pelo nome de Soluções Baseadas na Natureza
(NbS, na sigla em inglês), ações que utilizam a própria
infraestrutura dos ecossistemas para resolver
desafios de negócios e da população. Investir em
NbS é puro cálculo de ROI.
O modelo tradicional foca na infraestrutura cinza
(asfalto, ferro e concreto), que deprecia e exige manutenção
constante. Já a infraestrutura verde, como
o solo preservado para absorver água e florestas
para regular o clima, se regenera e se valoriza, reduzindo
custos operacionais no longo prazo.
Grandes indústrias já entenderam essa matemática.
Empresas de bebidas e saneamento que investem
na restauração de bacias hidrográficas reduzem
gastos com tratamento químico, pois a própria
natureza faz a filtragem da água. Da mesma forma,
adotar a agricultura regenerativa ajuda as cadeias
de suprimentos contra secas severas.
O que está claro é que a deterioração ambiental
impõe à sociedade riscos materiais expressivos que
continuam se acumulando. Dados do WWF apontam
que as populações de vida selvagem, um termômetro
da saúde dos ecossistemas, diminuíram quase
70% nas últimas décadas.
Esse declínio drástico afeta a disponibilidade de
recursos básicos para a população e para o mercado.
Diante dessa realidade, executivos precisam
mapear as vulnerabilidades de suas operações para
transformar riscos em oportunidades de inovação,
espaço onde as NbS ocupam papel estratégico.
Para o ecossistema corporativo e de marketing,
a conclusão é direta: tratar a natureza como um recurso
infinito ou adereço institucional é um grave
erro de alocação de capital.
O valuation e a perenidade das marcas dependerão
diretamente da resiliência climática de suas
cadeias de suprimentos. Integrar o capital natural
ao planejamento estratégico não é filantropia; é a
garantia de vantagem competitiva, valor de marca
e sustentabilidade financeira.
Ricardo Esturaro
é escritor, administrador de empresas
e especialista em marketing, estratégia
e sustentabilidade
ricardo@esturaro.com
“O valuation e a
perenidade das
marcas dependerão
diretamente da
resiliência climática
de suas cadeias de
suprimentos”
38 1º de junho de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
A ascensão do B2A
Auana Sonsin e Mariana Novaes
No ecossistema da comunicação moderna, um
novo intermediário redefiniu a fronteira entre
marcas e pessoas.
Ele não tem rosto, não dorme e processa bilhões de
dados por segundo: as LLMs (Large Language Models).
Se na última década o desafio era o SEO, hoje o
jogo é o GEO (Generative Engine Optimization). Para
ser citada, recomendada e compreendida por IAs
como Gemini ou ChatGPT, a comunicação precisa
romper com os silos departamentais.
A sinergia entre relações públicas, conteúdo e
marketing de influência deixou de ser uma “boa prática”
para se tornar a infraestrutura de sobrevivência
das marcas.
As inteligências artificiais não buscam apenas
palavras-chave, buscam contexto e autoridade.
De nada adianta uma marca investir milhões em
campanhas de conteúdo e influência se o seu alicerce
institucional digital for inexistente ou fragmentado.
As LLMs operam por meio de grafos de conhecimento.
Elas conectam pontos: se um influenciador
de autoridade afirmar que o “produto X” é sustentável
e o RP da marca consolidar espaços em veículos
de economia discutindo ESG, a IA “validará” essa informação
como um fato semântico.
Nessa dinâmica, o RP fornece a autoridade factual,
enquanto conteúdo e influência fornecem a
verossimilhança social.
Imagine uma marca de roupas lançando uma linha
sustentável de baixo custo.
Enquanto o RP consolida a autoridade da marca
em portais de negócios discutindo a transparência
da cadeia de suprimentos, conteúdo e influência
acionam criadores especializados em slow fashion
para testar a qualidade e a durabilidade das peças,
assim como a veracidade dos materiais em reviews.
Quando o usuário perguntar à IA sobre qual marca é
sustentável e acessível, a plataforma cruzará o dado
institucional com a prova social da comunidade.
Para que uma marca seja rastreável, ela precisa
emitir sinais coerentes. Quando as áreas de conteúdo
e influência atuam desalinhadas do RP, a marca
gera ruído.
E a IA, diante de informações contraditórias ou
dispersas, tende à neutralidade ou, pior, à omissão.
Como o novo consumidor trocou a pesquisa por links
com perguntas diretas, as marcas que não ocuparem
o espaço latente das IAs simplesmente não
existirão na resposta final.
Por isso, RP, conteúdo e influência não podem mais
caminhar apartados, com estratégias, execuções e
mensurações em slides diferentes. Enquanto as relações
públicas constroem a fundação da verdade (o
que a marca é), conteúdo e influência constroem a
percepção social (o que as pessoas dizem que ela é).
Na era das LLMs, esses pilares fundiram-se. A
reputação algorítmica é o resultado de uma marca
que entendeu que precisa ser lida corretamente pelas
máquinas para ser desejada pelas pessoas.
A inteligência artificial não inventa reputações,
ela as sintetiza a partir dos rastros.
Em um mundo governado pelo B2A (Business-to-
-AI), uma comunicação fragmentada condena a marca
à invisibilidade.
O maior risco, a partir de agora, não é apenas cair
no algoritmo do cancelamento, mas ser ignorado
pela inteligência que passou a decidir o que o mundo
deve consumir.
Auana Sonsin
é content designer da 404
Innovation Studio
Mariana Novaes
é connections designer da 404
Innovation Studio
“As marcas que
não ocuparem o
espaço latente das
IAs simplesmente
não existirão na
resposta final”
jornal propmark - 1º de junho de 2026 39
opinião
Divulgação
Influência com propósito
Nelcina Tropardi
O
marketing de influência consolidou-se como
um dos pilares centrais da comunicação
moderna e da estratégia de crescimento das
marcas. No Brasil, líder global em número de influenciadores
no Instagram e terceiro colocado em
plataformas como TikTok e YouTube, essa estratégia
deixou de ser uma tendência para se tornar um
motor econômico. O 2026 Industry Pulse Report
(em português, Relatório de Tendências da Indústria
2026), da Integral Ad Science (IAS) e YouGov,
mostra que o marketing de influência cresce quatro
vezes mais rápido do que o mercado de mídia
tradicional. Além disso, dados do Goldman Sachs
indicam que o mercado global da creator economy
deve praticamente dobrar até 2027, atingindo a
marca de US$ 480 bilhões. Contudo, essa pujança
traz consigo desafios proporcionais a sua escala,
exigindo que marcas e criadores atuem sob o signo
da responsabilidade.
Ainda segundo a IAS, 78% dos profissionais de mídia
dizem que o marketing de influência será cada
vez mais relevante; no entanto, 82% afirmam que
brand safety e suitability do creator serão critérios
decisivos. Não basta mais olhar apenas para o
alcance e o engajamento métrico; é preciso haver
adequação do perfil do criador aos valores da marca.
Como temos defendido na ABA, a influência responsável
não é apenas um acessório de campanha, mas
o alicerce para construir reputações duradouras em
um ambiente digital saturado e altamente volátil.
Com a sanção da nova Lei nº 15.325/2026 em janeiro
de 2026, o Brasil passou a reconhecer oficialmente
o influenciador digital como profissão, dentro de um
escopo mais amplo de atuação multimídia. A iniciativa
marca um ponto de virada na regulamentação
do marketing de influência, alterando não apenas o
enquadramento legal, mas também a forma como o
mercado passa a enxergar a influência digital. Atuar
como influencer deixa de ser um improviso e passa
a exigir estrutura, responsabilidade e critérios mais
claros, inclusive quanto à transparência publicitária,
às obrigações contratuais e à responsabilização por
práticas irregulares.
Porém, precisamos entender que nem sempre os
influenciadores, principalmente os micros e nanos
que estão crescendo, conhecem regras de publicidade,
LGPD ou Conar, o que aumenta significativamente
os riscos jurídicos e reputacionais para as marcas.
É papel do anunciante, tal qual está descrito no ‘Guia
de publicidade por influenciadores digitais’, do Conar
e que contou com apoio da ABA, envidar os maiores
esforços e adotar as melhores práticas para informar
o influenciador sobre os cuidados que devem
acompanhar a divulgação do conteúdo publicitário e
zelar pelo cumprimento das regras, ou seja, treinar e
bem orientar o influenciador contratado acerca das
regras vigentes para garantia da regularidade do
conteúdo publicitário à luz da legislação e das normas
éticas do Conar.
Já o ‘Guia global sobre marketing de influência’,
da ABA/WFA, destaca cinco princípios fundamentais
para o marketing de influência: transparência, autenticidade,
responsabilidade, adequação ao público
e conformidade legal. Defendemos a advertência
de conteúdo publicitário de forma clara e visível. É
indicada ainda a adoção de cláusulas contratuais robustas,
due diligence rigorosa e monitoramento contínuo
dos conteúdos publicados pelo influencer, reconhecendo
que a responsabilidade não se encerra na
assinatura do contrato. Afinal, um perfil com milhões
de curtidas pode ser um ambiente de risco se estiver
atrelado à desinformação ou a conteúdos nocivos.
Essas e outras iniciativas da ABA, como webinares,
reuniões e posicionamentos que endossam as
boas práticas da publicidade responsável feita por
influenciadores digitais apontam o caminho para
transformar o marketing de influência em um ativo
de confiança, garantindo um mercado sustentável,
ético e verdadeiramente conectado com as pessoas.
Quando as marcas investem em parcerias baseadas
em transparência e propósito, elas não apenas protegem
a sua imagem, mas constroem confiança e
fortalecem o vínculo com o consumidor final.
Nelcina Tropardi
é presidente da ABA e VP jurídico,
corporate affairs, compliance,
inclusão e diversidade, ESG, gestão
de risco e comunicação corporativa
do Carrefour
“Influência
responsável não é
apenas um acessório
de campanha, mas
o alicerce para
construir reputações
duradouras”
40 1º de junho de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
Como criar relevância
em tempos de incerteza
Ana Kuroki
Eu não acredito que exista uma fórmula única para
criar relevância. Se existisse, provavelmente
já teria sido automatizada, escalada e transformada
em template copiável por aí.
O que existe são elementos que ajudam a construí-la.
Mas nunca a garantem. Tenho uma obsessão
pessoal por simplificar as coisas até o seu estado
mais essencial. O mínimo viável da verdade. E quando
penso em relevância em tempos incertos, duas
palavras me vêm à cabeça: consistência e clareza.
Consistência é repetição. É permanecer. É aparecer
de novo e de novo. Clareza é saber exatamente por que
você está aparecendo. Porque a presença sem clareza
vira ruído, e o mundo já está suficientemente barulhento.
Isso vale para marcas, empresas, crenças e pessoas
- especialmente agora que vivemos um tempo em que
todos produzem conteúdo, opinião, imagens e histórias
o tempo inteiro. Nunca foi tão fácil falar - e talvez nunca
tenha sido tão difícil dizer algo que realmente permaneça.
Mas queria sair um pouco do universo do Marketing
e olhar para isso por outro lugar: a arte.
Há algum tempo, jornalistas e curadores vêm falando
sobre uma espécie de esgotamento no mercado
da arte contemporânea. Não apenas econômico, causado
pelas instabilidades geopolíticas ou financeiras,
mas também por um desgaste mais profundo: crise
criativa, aceleração excessiva, ansiedade produtiva,
exaustão mental, pressão por eficiência constante…
As tensões são familiares:
custo x entrega,
tempo x produtividade,
mercado x inspiração.
E talvez esse seja exatamente o dilema das marcas
hoje:
resultado x construção,
volume x valor,
performance x significado.
No fundo, antes de sermos marcas, negócios ou
estratégias, somos humanos tentando criar alguma
coisa em meio ao caos. Existe um tecido invisível
conectando todos nós: um mundo hiperestimulado,
imprevisível, intoxicado de informação
e com baixíssima tolerância ao silêncio. Por isso,
talvez a crise de relevância não seja uma crise de
marketing - talvez seja uma crise de clareza humana.
Vivemos tão ocupados reagindo ao mundo que
perdemos a capacidade de entender qual é, de fato,
o nosso papel dentro dele.
E foi pensando nisso que me lembrei de uma
experiência criada pela Marina Abramović chamada
Cleaning the House. Uma imersão radical
que pode durar duas semanas e envolve silêncio,
jejum, ausência total de tecnologia, isolamento
de estímulos e exercícios extremos de presença
física e mental.
A proposta não é produtividade e nem inspiração
- é limpeza. Como se, antes de criar qualquer
coisa relevante, fosse preciso primeiro remover o
excesso, o ruído, o vício em resposta imediata, a
contaminação da opinião alheia ou a necessidade
constante de performar. Um reboot humano. Nunca
tive coragem de fazer essa imersão, mas já vivi
experiências parecidas o suficiente para entender
o valor delas. E às vezes penso em como seria
interessante aplicar algo semelhante às marcas.
Não literalmente, mas conceitualmente.
E se, por um momento, uma marca esquecesse
os concorrentes, as trends, os KPIs trimestrais, o
benchmark, a volumetria de conteúdo e a obsessão
por alcance; e voltasse para uma pergunta
brutalmente simples: se eu estivesse inaugurando
meu mundo hoje, sobre o que eu gostaria de
falar? Ou, talvez mais importante: estou a serviço
de quê? Porque, para mim, relevância não é atenção,
nem distinção e nem presença constante.
Relevância é utilidade com significado. É clareza
de papel, é entender para quem você existe, por
que existe e qual vazio real você ocupa no mundo.
Ana Kuroki
é CSO da Africa Creative
“ A presença sem
clareza vira ruído,
e o mundo já está
suficientemente
barulhento”
jornal propmark - 1º de junho de 2026 41
opinião
Divulgação
Por que a ocupação
dos espaços urbanos
redefiniu a mídia
Sandro Moretti
O
reconhecimento da Mude Wellness Media no
World Out of Home Organization 2026 não representa
apenas a indicação de uma empresa
brasileira a uma das principais premiações globais
de mídia exterior. Ela simboliza uma mudança profunda
sobre o futuro do OOH. A mídia nas ruas não
será definida apenas por audiência, tecnologia e
digitalização, será definida pela capacidade de as
marcas gerarem impacto real. Muitos mobiliários
urbanos foram pensados para exposição publicitária,
um ativo de mídia, mas as cidades mudaram, o
comportamento das pessoas mudou na relação entre
marcas e ocupação do espaço público.
A disputa não é mais por atenção; é por relevância.
O consumidor convive diariamente com milhares
de estímulos. A lógica da interrupção começa a
perder espaço para a lógica da utilidade. As marcas
mais relevantes da próxima década não serão as
que aparecem mais. Serão as que conseguem melhorar
experiências, facilitar rotinas e gerar conexão
emocional em ambientes reais. O espaço físico virou
protagonista, é um dos poucos territórios em que a
marca não disputa atenção com algoritmo. Ela disputa
presença através da vivência.
Quando uma marca patrocina um mobiliário urbano
esportivo, para prática de atividade física, ou
viabiliza uma aula ao ar livre e incentiva a ocupação
saudável de orlas e parques ou transforma um espaço
público em um ambiente de encontro e bem-
-estar, ela deixa de ocupar espaço pela mídia e passa
a ocupá-lo por significado. Esse talvez seja um dos
movimentos mais relevantes que o mercado anunciante
começa a enxergar com mais clareza. O OOH
sempre foi um meio de alcance massivo, construção
de awareness e presença territorial. Agora ele sobe
um degrau e passa a atuar como uma plataforma
capaz de unir branding, experiência, contexto e impacto
social em uma mesma entrega.
Esse é o principal simbolismo da indicação da
Mude ao WOO: mostrar que sustentabilidade não
pode ser tratada apenas como uma pauta ambiental
abstrata. Sustentabilidade é pensar em estruturas
duráveis, inteligentes e úteis para a população.
Também é refletir sobre como as marcas ocupam as
cidades, deixando legado. O mobiliário urbano faz
parte da arquitetura das cidades. São estruturas
que convivem diariamente com milhões de pessoas
e que, justamente por isso, precisam entregar mais
do que visibilidade, precisam entregar benefício.
Por isso, desenvolvemos um modelo em que as
marcas financiam ecossistemas de bem-estar. Nesse
formato, o ativo deixa de ser apenas um suporte
de mídia e passa a funcionar como infraestrutura
urbana de impacto positivo. E isso muda completamente
a relação entre marca e consumidor. Quando
existe entrega concreta, a percepção também
muda. O consumidor não apenas lembra da marca.
Ele passa a respeitá-la porque ela melhorou o seu
ambiente, incentivou uma experiência positiva ou
facilitou sua rotina.
No digital, muitas vezes, as marcas disputam
atenção em ambientes saturados, marcados pela
interrupção. Já no espaço urbano — especialmente
em territórios ligados a esporte, lazer e wellness
— existe uma predisposição emocional completamente
diferente. As pessoas estão mais presentes,
mais abertas e mais conectadas ao momento. Talvez
seja exatamente por isso que vemos cada vez mais
marcas buscando territórios positivos de conexão.
O crescimento da wellness economy, o avanço das
discussões sobre saúde mental, longevidade e qualidade
de vida, e a própria transformação do comportamento
urbano, apontam para uma mudança
importante: as cidades estão se consolidando como
uma das principais plataformas de construção de
marca da próxima década.
E isso exige uma nova visão do mercado anunciante.
Não se trata apenas de estar em todos os lugares.
Trata-se de liderar os lugares que realmente
importam emocionalmente para as pessoas. A indicação
brasileira ao WOO reforça que projetos urbanos
podem unir mídia, experiência, ESG, engenharia,
impacto social e resultado de negócio dentro de um
mesmo ecossistema. Porque, no fim, talvez esse
seja o principal aprendizado desse movimento:
O futuro do OOH não será apenas mais digital.
Será mais humano.
Sandro Moretti
é CSO da Mude
“As marcas mais
relevantes da
próxima década
não serão as que
aparecem mais.
Serão as que
conseguem melhorar
experiências”
42 1º de junho de 2026 - jornal propmark
inspiração
O mundo vai mudar...
Você vai assistir a essa transformação ou vai fazer parte dela?
A era dos builders começou e ela não vai esperar
Daniel Victorino
Especial para o propmark
Nós estamos vivendo o maior momento de
criação tecnológica da história humana.
E a maioria das pessoas ainda não percebeu.
Não estou falando de hype. Estou falando
de soluções e empresas com impacto real hoje.
A Goldman Sachs projeta que o mercado de
software vai chegar a US$ 780 bilhões até 2030,
crescendo 13% ao ano. Mais de 60% desse mercado
será dominado por agentes de IA. Não ferramentas
tradicionais, e sim agentes autônomos
que executam tarefas com intervenção mínima.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, escreveu
recentemente que a geração atual de IA pode,
em 1 a 2 anos, construir autonomamente a próxima
geração de sistemas de inteligência artificial.
Leia essa frase de novo. Entenda o que ela
significa.
Isso não é ficção científica. Isso é futuro praticamente
garantido chegando em breve! Na
China, recentemente, eu vi algo que me marcou
profundamente. Não foi uma tecnologia específica.
Foi a energia. Era como se cada pessoa que
eu encontrava soubesse que este é o momento.
Que a janela está aberta e quem construir agora
vai definir as próximas décadas.
E sabe o que é mais bonito? Essa janela está
aberta para todo mundo.
O custo de inferência em IA caiu mais de
95% em 18 meses. Modelos que custavam uma
fortuna para rodar hoje são acessíveis para uma
startup de dois fundadores numa garagem em
São Paulo, em Lagos, em Jacarta. A barreira de
entrada nunca foi tão baixa. O potencial nunca
foi tão alto.
Steve Yegge, um dos engenheiros mais respeitados
do Vale do Silício, argumenta no ensaio
Software Survival 3.0 que a IA pode construir praticamente
qualquer software sob demanda. Mas
faz uma observação que me ficou na cabeça: a
demanda por software novo é insaciável e efetivamente
infinita. Nossa ambição sempre vai
superar a cognição disponível.
Isso significa que não falta espaço. Sobra. Mas
aqui está o ponto que importa: espaço existe
para quem constrói, quem não espera permissão para começar. Não para quem
assiste, e eu chamo isso de a era dos builders. É a era de quem pega ferramentas
de IA e cria algo que não existia ontem, e de quem olha para uma indústria inteira
e pensa: isso pode ser 10 vezes melhor.
Na Galaxies, é exatamente isso que estamos fazendo. Construindo synthetic
personas, representações estatisticamente precisas de consumidores reais, que
permitem que empresas testem campanhas, produtos e decisões em velocidade
que a pesquisa tradicional nunca permitiu.
Não porque é uma ideia bonita. Porque 71% dos pesquisadores de mercado já
esperam que respostas sintéticas dominem a indústria nos próximos três anos e
porque uma indústria de US$ 153 bilhões está se reestruturando em tempo real.
Quando o cofundador da OpenAI fala que “taste” é a nova habilidade essencial,
ele está dizendo algo profundo: máquinas geram qualquer coisa agora. O
que não podem gerar é julgamento, ponto de vista e a capacidade de olhar para
centenas de opções e saber qual importa, ou seja, saber o que merece ser construído.
E esse é o papel dos builders.
Não importa de onde você é. Não importa o tamanho da sua empresa, pois o
que importa é se você está construindo.
As ferramentas estão aí. O conhecimento está acessível e os custos caíram.
A única coisa que falta é decisão. Você vai assistir a essa transformação ou vai
fazer parte dela? A era dos builders começou e ela não vai esperar.
Daniel Victorino, co-founder e CEO da Galaxies
Fotos: Arquivo Pessoal
jornal propmark - 1º de junho de 2026 43
esg no mkt
Alê Oliveira
O redesenho das
agências mineiras
Em 2026, a grande “novidade” é, logicamente,
a inteligência digital, que provoca um tsunami
Alexis Thuller Pagliarini
E
o ‘Design Thinking Propaganda – 10 anos depois’
começou! O Sinapro MG reuniu aproximadamente
20 agências expressivas do mercado de Minas
Gerais para uma sessão concentrada de design
thinking visando a uma profunda reflexão sobre a
atuação das agências daquele estado e uma busca
por insights que forneçam caminhos para uma melhora
de performance dessas agências.
Não é a primeira vez que esse esforço acontece.
Em 2016 (daí o estudo atual se referir a “10 anos depois”)
aconteceu um movimento semelhante, quando
as agências tiveram a oportunidade de, coletivamente,
colocar para fora suas dúvidas e dores para,
depois, repensar sua atuação e praticar mudanças
para melhorias. Envolvido na primeira iniciativa, fui
escolhido, por meio da minha Criativista ESG4, para
moderar a sessão atual de design thinking e consolidar
os resultados junto ao Sinapro MG.
Em 2016, a grande “novidade” era a avalanche digital
que invadia nossas vidas e o marketing. Redes
sociais, SEO, e-commerce e muitas outras inovações
que criaram o tal marketing digital. As agências
precisavam se posicionar nesse novo emaranhado
de soluções para seus clientes. Mas essa não era a
única grande preocupação das agências.
As agências precisam resgatar a atratividade
junto aos formandos saídos das faculdades. Essa
renovação é muito importante para uma constante
oxigenação das agências. Por sua vez, as agências
têm muito a contribuir com a capacitação de novos
profissionais, levando a realidade do mercado para
dentro das escolas, mesclando o ambiente acadêmico
com o lado profissional.
Sem querer dar spoiler aqui, não há dúvida de
que essa aproximação do meio acadêmico com as
agências é algo que já está no radar e apareceu fortemente
no estudo realizado. Aliás, os alunos, que
acompanhariam a atividade como ouvintes, foram
convidados a participar ativamente, fazendo uma
das apresentações de insights.
Com relação à sessão coletiva de brainstorming,
vale ressaltar que a etapa de entendimento, parte
integrante do chamado “duplo diamante” do design
thinking, contou com diversas referências nacionais
e internacionais.
Entre elas foi destaque a matéria de capa da edição
de 20 de abril de 2026 do propmark, sob o título
“Agências buscam equilibrar pressão por eficiência
e o valor da criatividade”. As opiniões e comentários
constantes da matéria foram bastante úteis para o
esforço de entendimento da situação.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
Havia uma crescente perda de protagonismo,
uma baixa atratividade de talentos – que passaram
a procurar lugar das sexies startups e big techs –,
formatos de relacionamento e remuneração junto
aos clientes, além de outras questões que incomodavam
as agências. Agora, em 2026, a grande “novidade”
é, logicamente, a inteligência digital, que
provoca um novo tsunami e, consequentemente, um
momento de dúvidas e dores renovadas.
As dinâmicas aconteceram dentro da UNI-BH,
que cedeu espaço para a atividade, além de mobilizar
alunos para acompanhar a sessão de design
thinking. Esse envolvimento da academia com o
mercado de publicidade não é à toa.
Como resultado do Design Thinking Propaganda
– MG, obtivemos insights poderosos, advindos dos
donos e diretores de agências mineiras, os quais
certamente serão compartilhados aqui no nosso
propmark. Em última instância, esse foi um esforço
de sustentabilidade das agências. Sustentabilidade
vista de forma holística, de sobrevivência mesmo.
Há outras regiões do Brasil dispostas a efetivar
estudo semelhante. Será muito rico compararmos
expectativas e insights gerados de diferentes realidades.
No fim, o que esperamos é contribuir para
o desenvolvimento sustentável da atividade das
agências de publicidade, que geram uma das melhores
propagandas do mundo.
44 1º de junho de 2026 - jornal propmark
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Essio Floridi, CCO do Estadão e representante oficial do Cannes Lions no Brasil
Álvaro Rodrigues (Made), jurado em Film e CEO da Made
Estadão reúne jurados do Cannes Lions 2026
Sob a liderança do CCO Essio Floridi, o Estadão, representante oficial do Cannes Lions no Brasil, promoveu o tradicional almoço de confraternização e networking com
os jurados brasileiros no festival deste ano. O evento, que ocorreu em São Paulo no último dia 28, teve como destaque a apresentação de Álvaro Rodrigues, jurado de
Film e CEO da Made.
Andre Athayde (Meta), jurado em Creative B2B
Marie Julie Gerbauld (David), jurada em Outdoor
Rogério Chaves (Africa), jurado em Entertainment Gaming
Tiago Abreu (GUT), jurado em Digital Craft
Diego Guerhardt (Fbiz), jurado em Creative Business Transformation
Tato Bono (Publicis) e Luciana Pessoa (Lado), juradas em Film Craft
Peter de Albuquerque (Pedal), jurado em PR
Vitor Hugo Favero (WMcCann), jurado em Design
Camila Moleta (More GRLS), jurada em Design
jornal propmark - 1º de junho de 2026 45
última página
Divulgação
O tempo como moeda
no centro das decisões
Edmar Bulla
é fundador da Croma Consultoria
Edmar Bulla
Durante muito tempo, o debate sobre comportamento
do consumidor esteve ancorado em
preço, qualidade e diferenciação de produtos.
Hoje, esse tripé já não sustenta sozinho as decisões
de compra. Um fator ganhou protagonismo silencioso
e decisivo: o tempo.
Em um cotidiano cada vez mais pressionado por
múltiplas demandas, o consumidor passou a atribuir
valor não apenas ao que compra, mas ao quanto
aquela escolha respeita sua rotina, reduz esforço e
elimina fricções.
Dados recentes sobre hábitos de consumo no
Brasil mostram que rapidez na entrega, simplicidade
no processo de compra e clareza na comunicação
deixaram de ser diferenciais para se tornarem pré-
-requisitos.
A maioria das pessoas declara sentir falta de
tempo no dia a dia e demonstra preferência clara
por marcas que “resolvem” em vez de exigir longos
caminhos de decisão. O consumidor não quer mais
comparar exaustivamente. Ele quer confiança suficiente
para decidir rápido.
Esse movimento revela uma mudança estrutural
no conceito de valor. Se antes o valor era percebido
pela soma entre benefício funcional e preço, hoje ele
passa a incluir custos invisíveis, como tempo investido,
esforço cognitivo e energia emocional.
Quanto maior a complexidade da jornada, menor
o valor percebido, ainda que o produto seja competitivo.
Em outras palavras: o consumidor penaliza
marcas que o fazem perder tempo.
Sob a ótica do comportamento, isso não é impaciência,
mas adaptação. Em um ambiente saturado
de estímulos, o cérebro humano busca atalhos.
Decisões mais rápidas são resultado de confiança,
previsibilidade e experiências consistentes. Marcas
que entendem isso constroem jornadas orientadas
por micromomentos, antecipam dúvidas e reduzem
a necessidade de esforço ativo por parte do consumidor.
Esse novo cenário também redefine o papel da
comunicação. Não basta informar; é preciso organizar
a informação de forma intuitiva, contextual e
acionável. Mensagens longas, genéricas ou excessivamente
técnicas afastam. O consumidor valoriza
clareza, linguagem direta e sinais objetivos de que
aquela escolha cabe no seu tempo disponível. A comunicação
deixa de ser persuasiva no sentido clássico
e passa a ser facilitadora.
Outro ponto central é a confiança. Quando o tempo
é escasso, errar custa caro. Por isso, marcas que
constroem relações consistentes ao longo do tempo
ganham vantagem competitiva: elas reduzem o risco
percebido e aceleram decisões futuras. Fidelidade,
nesse contexto, não é apego emocional apenas,
mas é economia de tempo.
Para empresas e marcas, a implicação é clara:
competir apenas por preço ou produto é insuficiente.
O verdadeiro diferencial está em desenhar experiências
que respeitem o ritmo real das pessoas.
Isso envolve processos mais fluidos, menos etapas,
escolhas guiadas e soluções pensadas a partir da
vida concreta do consumidor, não apenas da lógica
interna do negócio.
No fundo, o que se observa é uma inversão poderosa,
a de que o consumidor não está disposto
a adaptar sua vida às marcas. Espera, ao contrário,
que as marcas se adaptem à sua vida. Quem compreender
que o tempo virou moeda, e talvez a mais
valiosa delas, estará melhor posicionado para construir
relevância, preferência e crescimento sustentável
no competitivo mapa do consumo.
“O consumidor não
está disposto a
adaptar sua vida às
marcas. Espera, ao
contrário, que as
marcas se adaptem
à sua vida”
46 1º de junho de 2026 - jornal propmark