edição de 8 de junho de 2026
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propmark.com.br ANO 62 - Nº 3.094 - 8 de junho de 2026 R$ 20,00
No atual marketing de performance,
provar impacto vai além da conversão
Se antes a lógica era baseada em cliques, conversões rápidas e métricas de curto prazo, hoje anunciantes, agências e plataformas buscam modelos mais
sofisticados para medir o impacto real das campanhas nos resultados de negócio, mudando completamente a lógica do marketing de performance no Brasil.
Com R$ 42,7 bilhões investidos em publicidade digital em 2025, segundo o IAB Brasil, o mercado avança para uma nova etapa, em que dados, criatividade,
branding e mensuração precisam atuar de forma integrada para equilibrar eficiência imediata e crescimento sustentável. O desafio agora não é apenas
converter, mas comprovar retorno sobre investimento em toda a jornada do consumidor. pág. 14
Axia Energia avança na
área de entretenimento
Divulgação
Magnific
Divulgação
Nova marca da Eletrobras busca ocupar territórios pouco
explorados pelo setor de energia, adquirindo naming
rights, como explica a diretora Leandra Peres. pág. 10
FlixMedia aposta em
expansão do cinema
Novo diretor-geral da
empresa de mídia,
Cristiano Persona
avalia que há muito
espaço para o cinema
crescer no país, tanto
do ponto de vista
publicitário quanto
da expansão do meio
como entretenimento.
Ele aposta nas
estreias de blockbusters.
pág. 34
AKM chega aos 30 anos
com posição consolidada
Divulgação
Agência de marketing de experiências soma mais de dez
mil projetos para cerca de mil marcas. Juliana P. Suplicy
(CEO) e Celio Ashcar Jr. (sócio) celebram o feito. pág. 29
editorial
Armando Ferrentini
Relações
Se a propaganda é a alma do negócio, o relacionamento é o que move o mercado.
Em uma época em que a inteligência artificial automatiza processos
com eficiência acelerada, ter relações influentes virou moeda de troca. Não
que antes não fosse importante, mas agora vivemos a era da conexão, vide a
relevância que se tem hoje de se conectar com as pessoas nas redes sociais.
Já virou rotina, após encontros profissionais, diálogos como ‘Vamos nos conectar
pelo LinkedIn’ ou ‘Me adiciona no LinkedIn’, por exemplo. Não à toa, a plataforma
consolidou-se como a maior rede profissional do mundo, ultrapassando a marca
de 1 bilhão de membros globalmente.
Mas o contato presencial com as pessoas continua sendo essencial. O tal olho
no olho, o tête-à-tête com alguém, é insubstituível. Conversas presenciais têm o
calor humano, nuances como um olhar diferente ou um balançar de cabeça que
podem dizer tudo. Porém, nada disso acontece em uma call em que as pessoas
estão separadas por telas de computador ou celular.
Óbvio que as teleconferências e lives foram fundamentais durante o período
da pandemia para manter as pessoas em contato e seguem como ferramentas
digitais utilizadas hoje com frequência para reuniões e eventos em que o conferencista
não pode comparecer presencialmente, por exemplo. No entanto, o
networking presencial é a melhor forma de se aproximar do outro, gerar confiança
e parcerias duradouras, permitindo a troca de experiências reais.
A valorização de interações físicas não é coisa só das gerações mais velhas, aliás.
Levantamento do aplicativo Happn mostra que quase metade dos jovens da
geração Z ouvidos (47%) afirma que o ambiente digital influencia negativamente
sua visão afetiva, devido à exposição constante a expectativas consideradas irreais
ou idealizadas. Não à toa testemunhamos o resgate de costumes analógicos.
O “luxo emocional” hoje é dedicar tempo a algo físico e palpável.
No mercado publicitário, esse networking presencial segue efervescente. Não
faltam eventos de todos os portes e para todos os segmentos da indústria. Mesmo
que aparentemente o tempo esteja passando mais rápido – já estamos na
metade do ano –, 2026 sem dúvida é um ano com muitas oportunidades.
Além da Copa do Mundo, que começa no próximo dia 11, o calendário em junho é
reforçado por nada mais nada menos do que o maior festival da publicidade global,
o Cannes Lions, que ocorre na França entre os dias 22 e 26. As movimentações
de negócios em torno do evento são reais.
Quem vai à França já começa a se preparar para uma semana intensa de conteúdo,
caçada aos Leões e muito, mas muito, networking. Vale lembrar que, apesar
da glamourização em torno do festival (é claro que o mar azul da Riviera Francesa
é de encher os olhos), os dias lá em Cannes são de muito trabalho e com conversas
paralelas que podem garantir o faturamento do mês de várias empresas,
bem como abrir portas para negócios. É por isso que relações valem ouro.
Marketing de performance
A presente edição do propmark traz o Especial Marketing de Perfomance, que
mostra o novo momento do setor, com a sofisticação da operação. O cenário é
composto por agências profundamente especializadas, soluções de mídia mais
modernas e abordagens baseadas em privacidade e dados first-party, como explica
Leo Naressi, CEO da DP6 e VP do Comitê de Mensuração do IAB Brasil.
O segmento, porém, vive um paradoxo, uma vez que a performance pode trazer
resultados de curto prazo em tempo real, mas é preciso separar o que é resultado
de curto prazo e o que é ROI real. Confira a visão dos especialistas.
Frase: “Se não vende, não é criativo” (David Ogilvy).
Carta aberta
Reproduzimos abaixo, a pedido do autor, e-mail enviado em 27 de maio por Jens
Olesen (ex-presidente da McCann-Erickson no Brasil e América Latina/Caribe)
para a WMcCann:
“Prezados,
Escrevo-lhes motivado por certa decepção ao constatar que a WMcCann
não veiculou nenhum anúncio por ocasião dos 61 anos do jornal propmark,
tampouco está presente na Copa do Mundo por meio de campanhas de
seus clientes.
O propmark é um dos poucos veículos tradicionais de comunicação do setor
que continuam relevantes, sérios e respeitados, merecendo, por isso, o reconhecimento
e o apoio das grandes agências brasileiras.
Quanto à Copa do Mundo, vale lembrar que foi justamente em 1970 que a
McCann-Erickson, sob minha liderança e com Altino Barros, iniciou o patrocínio
publicitário do evento com um comercial histórico da Gillette estrelado
por Pelé, veiculado mundialmente. Ali começava uma longa tradição em
que diversos clientes da McCann-Erickson passaram a associar suas marcas
ao maior espetáculo esportivo do planeta.
Essa visão pioneira foi uma das razões que mantiveram a McCann-Erickson
na liderança absoluta do mercado brasileiro durante 25 anos consecutivos,
graças à inovação em mídia, criação e planejamento estratégico. Também
fomos pioneiros ao nomear a primeira mulher vice-presidente de uma
agência no Brasil e, posteriormente, na América Latina. Nosso quadro de colaboradores
era composto por cerca de 60% de mulheres e 40% de homens,
algo extremamente avançado para a época.
Ao longo desses anos, conquistamos inúmeros reconhecimentos internacionais,
incluindo prêmios em Cannes, Clio e United Nations Awards. Tive
ainda a honra de ser distinguido pela Ad Age como “Personalidade do Ano”
por 12 anos consecutivos.
No campo social, também tivemos coragem de assumir posições relevantes.
Em parceria com o então Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, produzimos
e veiculamos um comercial denunciando a violência e a morte de
crianças nas imediações da Catedral da Sé. Houve fortes reações e ataques
pessoais, mas, graças ao respaldo de uma agência internacional,
fomos preservados — e, felizmente, aquelas atrocidades cessaram.
Gostaria muito de convidá-los para um almoço no Clube Escandinavo, ocasião
em que poderemos conversar mais profundamente sobre a extraordinária
trajetória da McCann-Erickson, sua liderança incontestável e os desafios
que teremos pela frente, especialmente diante do avanço acelerado da
inteligência artificial.
Espero sinceramente que, no futuro, a WMcCann volte a investir de forma
marcante em grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e
a Fórmula 1 — outro importante projeto trazido ao Brasil pela McCann-
-Erickson.”
Com estima e consideração,
Jens Olesen
jornal propmark - 8 de junho de 2026 3
índice
propmark
propmark.com.br
Marketing de
performance apresenta
novas camadas
Especialistas afirmam que é
preciso separar resultado de
curto prazo do que é ROI
real. Para obter retorno sobre
o investimento, é necessário
um período maior do que os
segundos que uma análise
em tempo real entrega.
14
Magnific
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
www.propmark.com.br/signup
assinaturas@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0737
Marcas criam campanhas para
mobilizar brasileiros pelo hexa
Betano, Brahma, iFood, Itaú, Nike, Mercado Livre
e Rexona estão entre as marcas que reforçam sua
comunicação para engajar o país na Copa do Mundo,
que ocorre nos Estados Unidos, Canadá e México
entre os dias 11 de junho e 19 de julho. pág. 30
São João cresce no país refletindo
reconhecimento cultural da festa
Com estimativa de que os eventos movimentam
cerca de R$ 3,4 bilhões por ano, o protagonismo é
do Nordeste e de cidades como Caruaru e Petrolina
(PE) e Campina Grande (PB). O interesse das marcas
em participar das festas é crescente. pág. 24
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................3
Conexões ...........................................................................6
Curtas .................................................................................7
Entrevista ..........................................................................10
Quem Fez ...........................................................................12
ESG no MKT ........................................................................13
Especial Marketing de Performance ...............................14
Tecnologia .........................................................................23
Negócios & Consumo ........................................................24
Agências ............................................................................29
Marcas ...............................................................................30
Mídia ..................................................................................34
PPA .....................................................................................37
Cannes Lions .....................................................................38
Out of Home ......................................................................42
Inspiração ..........................................................................43
Opinião...............................................................................44
Click do Alê ........................................................................45
Última Página ....................................................................46
PPA cria categoria para estudantes
em parceria com o Movimento Led
Sob o tema ‘O papel da educação na transformação
social’, a nova categoria tem a educação como eixo e
será conectada ao Led, movimento criado pela Globo
e pela Fundação Roberto Marinho para reconhecer
iniciativas inovadoras na área. pág. 37
4 8 de junho de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Post: Publicitários Negros (PN) define
representantes no Cannes Lions
2026
Amei!
Daniela Bueno (Benoit)
NEGÓCIO 1
A Ginga anuncia a chegada de Orfeu Cafés e Azeites Especiais ao seu portfólio de clientes. A
proposta, como explica Pedro Del Priore, CEO da agência, na foto acima, “é evoluir o conceito
de consumidor para comunidade de apreciadores, humanizando a sofisticação do café”.
NEGÓCIO 2
A Rosh passa a atender a Bristol Hotéis & Resorts em uma operação focada em marketing
orientado por dados e fortalecimento da jornada do consumidor. A escolha considerou a
experiência prévia da agência em projetos ligados ao setor de hospitalidade.
NEGÓCIO 3
A Ampfy anuncia a Basf Soluções para Agricultura como sua nova cliente. A agência passa a
ser responsável pela comunicação integrada do portfólio de soluções da empresa no Brasil.
EXPANSÃO
Com 26 anos de mercado, a Dea
Design expande a atuação para
oferecer soluções integradas de
marca, comunicação e design
de espaços, respondendo a
uma demanda crescente por
projetos menos fragmentados.
“As demandas chegam de forma
integrada”, explica Ana Paula
Nemoto, sócia e gestora da
consultoria, na foto à direita.
Post: Brahma promete cerveja grátis
se Brasil conquistar hexa
Realmente, acho que ninguém acredita
no hexa!
Livia Santarelli
Post: Relembre 12 campanhas emblemáticas
para a Copa do Mundo
Legal demais esse conteúdo. Belas lembranças!
Luís Claudio Salvestroni
Post: Click do Alê: Estadão reúne jurados
do Cannes Lions 2026
Maravilhoso!
Carmela Borst
Duailibi Essencial
dorinho
Post: Um ano de Epic Universe: expansão
em Orlando
Veio para mudar tudo em Orlando!
Caroll Almeida
Post: ‘O Brasil segue tendo potencial
para se destacar’, diz Diego
Guerhardt
Brabo, sou fã!
Maressa Aucelli
“Crescemos em tempo de cuidar do futuro das nossas respostas” (Ruth Benedict)
MODELO
Começa a operar a C1st, de Thiago
Mori (ex-Conmebol, Mibr e BBL) e
Vinícius Zuniga (ex-Publicis, Loud e
W7M). A proposta é ser plataforma
de deal flow para conectar marcas
a comunidades.
LATAM
A US Media reforça a operação da WeTransfer
na América Latina com a chegada de Daniele
Oliveira (foto à esquerda). Executiva, com
passagens por BR Media e Kwai, assume
a liderança comercial da plataforma na
região com foco em ambientes premium,
criatividade e atenção qualificada.
CONQUISTA
Com apenas quatro meses de mercado,
a YouDare, agência do Grupo Dreamers,
acaba de conquistar a conta da RD Saúde,
maior grupo de farmácias do país. A agência
assume a comunicação das marcas Raia,
Drogasil, Bwell e Needs.
6 8 de junho de 2026 - jornal propmark
curtas
Ronaldinho Gaúcho tRaz ‘MotoRista 6 estRelas’
Magnific
Divulgação
Pesquisa da OmnicOm media e Fitdance
Orienta a criaçãO de cOmunidades
Não basta só falar de comunidade. Marcas precisam facilitar encontros para criar conexão verdadeira.
Interações personalizadas é que geram pertencimento. Essa é a expectativa de 71% dos
consumidores ouvidos na pesquisa ‘Além do ritmo’, realizada pela Omnicom Media e FitDance,
presente em mais de seis países, com mais de oito mil instrutores, um milhão de aulas, 20
milhões de praticantes e mais de 18 bilhões de visualizações nos canais digitais. Promover bem-
-estar é uma das formas de atrair pessoas esgotadas com a fadiga digital. O estudo mostra que
83% dos brasileiros pretendem praticar mais atividade física em 2026. Música e entretenimento
entram no pacote. Para além de vídeos de 30 segundos, o conteúdo precisa ter recorrência e
vínculo emocional a fim de ser reverberado. “Esta iniciativa já completa um ano e carrega um
histórico consistente de estudos. Começamos a frente de insights para posicionar o grupo como
essa inteligência de dados aplicáveis, sem ficar só na teoria”, conta Ricardo Franken, co-CEO da
Omnicom Media. “O estudo traduz fatores inegociáveis para a FitDance, do cuidado na preparação
de cada aula nas academias à proximidade com o mercado musical, e à conexão direta com
nosso público”, emenda Antonio Abibe, CEO da FitDance. O levantamento surge como guia de
negócios para tomadores de decisão, planners, CMOs e criadores de conteúdo.
bRandloveRs adota o noMe cReatoR ads
Divulgação
Ex-jogador promove ação da Uber para incentivar torcida brasileira pelo hexacampeonato
Passageiros já podem avaliar motoristas da Uber com seis estrelas. Exclusiva para o mercado
brasileiro, a atualização temporária no sistema global de notas da plataforma exalta
“uma paixão cultural”, lembra Pedro Thompson, head de marketing da Uber no Brasil. A
ação assinada pela Wieden+Kennedy incentiva torcedores a acreditar na conquista do
hexacampeonato do país na Copa do Mundo da Fifa, que ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá
e México entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026. O selo ‘Motorista 6 estrelas’
integra a campanha ‘Chega junto’, que ativou o patrocínio da marca à Confederação Brasileira
de Futebol (CBF). Ronaldinho Gaúcho é embaixador da ação divulgada em aeroportos
internacionais. ‘6 estrelas agora na Uber. Disponível apenas em países que já têm cinco
estrelas. Que bom que você está no Brasil’, provocam as peças.
Rapha Avellar: Brasil preparado para construir a próxima geração de creator advertising
A BrandLovers adotou o nome do seu produto carro-chefe, o Creator Ads, que foi lançado
em 2025 e cresceu 500% nos últimos seis meses, puxado por inteligência artificial. No
mesmo período, o ticket médio por campanha subiu 136% entre o segundo trimestre de
2025 e o primeiro trimestre de 2026, indício de que as marcas concentraram verbas na
plataforma. A empresa espera crescer quase cinco vezes em faturamento neste ano. O
plano é exportar o modelo de compra de mídia de creators com IA para o mundo. Estados
Unidos e México já são destinos certos. “O Brasil é o mercado melhor posicionado estrategicamente
para construir a próxima geração de creator advertising”, situa Rapha Avellar,
fundador e CEO do Creator Ads. Mercado Livre, Coca-Cola, L’Oréal e P&G são alguns usuários
da plataforma, que possui mais de 500 mil creators ao redor do mundo.
dojo Ganha conta da KiMbeRly-claRK youdaRe ReestRutuRa áRea Pn teRá 6 RePResentantes no cannes lions
Divulgação
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Os sócios Rodrigo Toledo e Thiago Baron com Eduardo Tracanella
A Dojo é a nova agência responsável por projetos com creators
e always on da Kimberly-Clark Brasil, dona das marcas
Huggies, Intimus, Plenitud e Poise. A decisão ocorreu após
processo de concorrência. A expectativa de Marília Zanoli,
diretora de marketing da companhia, é ampliar a “capacidade
de construir conversas mais relevantes, ágeis e alinhadas
aos desafios do mercado”. O trabalho será implementado
em parceria com as agências David, que atende a parte
criativa de Huggies, Poise e Plenitud; e Africa, que responde
por ações de Intimus e mídia para todas as marcas. “Atuar
nesse segmento é estratégico, especialmente abordando
categorias que acompanham toda a jornada de vida do consumidor”,
diz Rodrigo Toledo, founder e COO da Dojo. Eduardo
Tracanella é transformation partner do projeto.
Yuri Mussoly e Cleber Paradela: criatividade e cultura digital
A YouDare integrou as áreas de criação, conteúdo e influência
sob a liderança de Yuri Mussoly. Já Cleber Paradela
assume o comando da AI Transformation da agência do
Grupo Dreamers. “Conteúdo e influência não são desdobramentos
de uma campanha, são o ponto de partida. Estamos
integrando os times para criar ideias culturalmente
relevantes e criativas”, esclarece a CCO e líder de conteúdo
e influência, Yuri. Em março de 2026, a empresa lançou
a plataforma AI Dare, que possui mais de 50 agentes e
recursos para automação, escala e melhoria de entregas.
“O que estamos construindo aqui não é um departamento
de IA. É uma agência em que qualquer pessoa consegue
usar inteligência artificial para criar, resolver e escalar”,
afirma Paradela.
Nomes foram escolhidos por potencial para ampliar experiências
Jean Oliveira (Start Marketing de Conteúdo e Clubinhu),
Adilson Trindade (Grupo MAP), Leticia Oliveira (W3haus),
Patricio Junior (Publicis), Nathalia Henrique (Itaú e black
h. office) e Rebecca Gomes (Escola Britânica de Artes
Criativas e Tecnologia - Ebac) representarão o coletivo
Publicitários Negros (PN) no Cannes Lions 2026, que
ocorrerá na França entre os dias 22 e 26 de junho. As
credenciais foram obtidas por meio do ERA Programme
(Equity, Representation and Accessibility), iniciativa criada
pelo festival em 2024 para ampliar o acesso de comunidades
sub-representadas ao festival. “O PN não precisa ser
o único caminho para Cannes. Precisamos ser o primeiro
empurrão”, sinaliza Janaina Martins, presidente do conselho
do Publicitários Negros.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 7
30 países.
5 continentes.
1 decisão que muda tudo: a sua.
Quem decide está no LIDE.
Junte-se a nós: www.lide.com.br
entrevista
leandra peres
Diretora de comunicação e marketing institucional na Axia Energia
Transformando uma marca
Outsider no mercado publicitário até
pouco tempo atrás, Leandra Peres
comandou a recente mudança de marca
da gigante Eletrobras para Axia Energia
- um lançamento muito bem-sucedido,
frisa a executiva. Com formação em
jornalismo, Leandra afirma que agora o
desafio é sustentar uma curva crescente
de reconhecimento de marca, de
favorabilidade e de reputação. “E como
fazer isso é o grande desafio, porque a
marca não tem a relação emocional do
consumo imediato”, explica ela. A Tátil
Design criou a nova marca e a Artplan é a
agência responsável pela campanha sob
o conceito ‘O novo vem com energia’. Na
entrevista a seguir, Leandra fala também
sobre como está inserindo a Axia em
territórios diferentes para o setor de
energia, como o do entretenimento, com a
aquisição de naming rights, por exemplo.
Kelly Dores
Como foi a sua chegada à empresa, com toda essa mudança de
posicionamento? Qual foi a sua missão?
Tem uma história de uma empresa com 60 anos, fundamental para o país, que
levou infraestrutura e fez o Brasil ser um país que tivesse energia para viabilizar
crescimento da economia. E fez isso em nome do estado. A empresa foi privatizada
e a grande missão de quem entrou pós-privatização passava por como
entender uma empresa desse tamanho com esse impacto e trazê-la para o momento
atual com uma visão de que o setor elétrico mudou muito. Então, tudo que
a gente tinha de fortaleza foi muito importante para chegar até aqui. A (marca)
Eletrobras tinha 60 anos de história como holding, porque tem várias outras empresas
que formam o grupo.
E de que forma o mercado mudou?
Você sai de um setor que tinha uma grande geradora, que era a Eletrobras, vendendo
para 10, 15 clientes em contratos de 20 anos, e hoje isso acabou. O mercado
está sendo aberto. Então, a empresa geradora vai precisar aprender a ter cliente,
ter produto novo, fazer publicidade, conquistar espaço e mercado, discutir
market share. Tudo isso é um mundo muito novo para uma empresa que tem um
legado de 60 anos. A visão de construção da marca parte disso, como é que você
Divulgação
respeita essa história, mas como também afirma que vai atuar nesse mercado
aberto, competitivo, novo, e com muita mudança tecnológica vindo aí. Como contar
essa história e como atuar daqui para frente.
Como é a participação do governo federal atualmente?
O governo é o maior acionista individual da empresa, mas a participação do governo
é limitada a 10% do capital votante, como para todos os outros acionistas.
A Axia hoje é uma corporation, não tem um sócio que é dono. Todos os acionistas
têm poder decisório na empresa, sempre limitado a 10%.
E como foi a decisão de mudar o nome Eletrobras para Axia?
Não tinha uma obrigação. A gente começou o projeto dizendo o seguinte: “Vamos
ver o que a marca tem, olhar os assets que ela já tem construído, o que é a necessidade
do negócio e vamos entender o grau de mudança”. Quem fez o processo
de mudança da marca conosco, a criação da marca, o diagnóstico, toda parte de
estratégia e design foi a Tátil Design (de Fred Gelli). E quando terminou a fase de
diagnóstico, a gente viu que tinha sentido mudar a marca, o nome.
Por que fazia sentido mudar a marca?
Tinha sentido fazer uma mudança completa. Porque os atributos que a gente
tinha na marca Eletrobras eram atributos às vezes difíceis de mudar, uma em-
10 8 de junho de 2026 - jornal propmark
“As pesquisas mostram que a Axia não perdeu os
atributos da Eletrobras e trouxe mais inovação”
presa estatal, antiga, vista como uma companhia majoritariamente de infraestrutura
dura. E agora precisamos construir atributos de uma empresa privada,
trazer uma camada nova, além de segurança e presença de país, trazer uma
camada de inovação, de modernidade e a gente concluiu que a maneira mais
fácil de fazer isso seria carregar o legado para uma marca nova. E nisso o trabalho
da Tátil e do Fred foi muito impressionante. A gente viu nas pesquisas pós-
-lançamento que a marca não perdeu os atributos que a Eletrobras tinha, como
confiabilidade, segurança energética, de ser uma empresa grande, de fornecer
para o país inteiro. As pesquisas mostram que a Axia manteve esses atributos
e trouxe um pouco mais de inovação, de modernidade, de ser uma marca mais
atual, eu diria assim.
Como vocês chegaram ao novo nome?
Eu descobri que a mudança de nome é uma questão muito mais jurídica do
que criativa. A Tátil olhou mais de cem nomes. Só que há muito impedimento
jurídico de registro em INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), e os
nomes vão caindo. A gente queria um nome a partir da lógica do verbo catalisar.
O centro do novo posicionamento veio dessa visão de como conectar uma
herança que a Eletrobras construiu, uma empresa que ligou o Brasil inteiro,
que criou ao longo da história uma capacidade de integração, e de estar a serviço
de resolver problemas dos clientes ainda hoje. Axia é um nome que vem
do grego. E ele fala muito de ser um eixo de conexão do setor e traz essa ideia
de integração de eixo.
E por que carregaram a palavra energia para a marca?
Ficou Axia Energia porque a gente precisava deixar claro o que é a empresa. Tanto
que a campanha que está no ar (criação da Artplan) faz isso, sob a assinatura:
‘O novo vem com energia’. Tem uma trajetória de construção de marca que tende
a ser até um pouco mais longa, porque ninguém recebe a conta de luz da Axia
Energia, o consumidor recebe da distribuidora. Então, o desafio é explicar que a
Axia fornece energia, mas está um capítulo antes (da distribuição). Ter a visão
das pessoas de que a empresa é um player importante no mercado de energia
e faz isso com energia 100% limpa, geração 100% renovável. E esse é um dos diferenciais
de marca. E é um pouco por isso que a gente está indo pelo mundo do
entretenimento, com naming rights na Marina da Glória e no Teatro Casagrande
no Rio, por exemplo. Entendemos que esse território de entretenimento é interessante
para explorar porque confere à marca simpatia e proximidade com as
pessoas, e não é um território típico do setor elétrico.
E como crises como a da Enel em São Paulo afetam a imagem
do setor?
Quando há episódios relevantes de falta de fornecimento em algum lugar, observa-se
que o indicador de reputação muda. A cadeia é afetada por movimentos de
preço também.
Qual é o plano de mídia atual?
A gente tem um pouco de TV aberta, fechada, out of home e vamos testar alguns
formatos que são diferentes para um setor B2B, como novelas. O canal da Axia no
TikTok também está indo muito bem. Estamos no digital, em portais. Não é uma
campanha gigantesca, o investimento foi de cerca de R$ 15 milhões.
Quais são as agências da Axia?
Artplan é a minha agência de publicidade, que faz inclusive o digital. E trabalhamos
ainda com a Tátil no desenvolvimento da marca. A Artplan está com a conta
desde 2022. E agora estamos em um processo de concorrência, que tem muito
mais a ver com a nossa vontade de entender o mercado do que com a Artplan,
que também participa da disputa. As pessoas sempre me perguntam: “Ah, vocês
não estão felizes com a Artplan?” Estamos felizes com eles, mas havia um desejo
de entender o mercado, provocado, inclusive, pelo conselho, pela diretoria da empresa.
O processo está na fase final e está sendo conduzido pela Scopen.
Como a Copa e as eleições devem impactar o negócio?
Eu acho que no curto prazo vamos enfrentar um mercado publicitário mais caro
e por isso vamos atuar nas janelas. Do ponto de vista macroeconômico, não vejo
impactos diretos, além do que a gente está vivendo no mundo, com um aumento
absurdo de volatilidade e incertezas.
E como está organizado o time de marketing da Axia hoje?
São 50 pessoas para fazer internamente serviços de comunicação, menos publicidade.
A gente produz muito conteúdo de redes sociais: 70% é feito dentro
de casa, e 30% na agência. Comunicação interna é 100% dentro de casa também.
E também vamos acelerar a capacidade de produção audiovisual, porque acho
que flexibilidade de produção de conteúdo faz diferença. E temos a FSB no atendimento
à imprensa.
E hoje quais são os seus maiores desafios à frente da comunicação
de uma marca do tamanho da Axia?
Eu digo que criamos um problema sério. Porque o lançamento da marca foi muito
bem-sucedido. Em atributos de inovação, modernidade, de atualidade, que a
gente imaginava que ia levar muito tempo para construir, a marca se saiu muito
bem neles. Agora não tem desculpa para não fazer essa marca crescer. O desafio
é fazer com que a empresa seja considerada pelas pessoas, sustentar uma curva
crescente de reconhecimento de marca, de favorabilidade e, principalmente,
de reputação. E como fazer isso é o grande desafio, porque a marca não tem a
relação emocional do consumo imediato. Eu acredito que vamos começar a ter
resultados perceptíveis mais amplos daqui a uns cinco anos.
Há quanto tempo a marca foi lançada?
A virada foi em 22 de outubro de 2025.
A empresa tem quantos funcionários?
São 7 mil pessoas ao redor do Brasil inteiro. É uma empresa que construiu cidades
onde não existia nada e hoje tem pessoas trabalhando nos ativos, usinas
e subestações, em que o pai ou o avô trabalhava e agora eles estão lá. É bem
interessante.
E qual é a verba de marketing?
Está em torno de R$ 50 milhões. Eu sou uma entusiasta da marca, acho que não
tem nada parecido com o projeto da Axia Energia no mercado, pela mudança que
a empresa está passando. Para mim, é o maior projeto de transformação corporativa
no Brasil desde os anos 1990, desde a privatização das teles. Você não vê
uma empresa que está entre as dez maiores da Bolsa de Valores no Brasil tendo
a coragem de fazer a transformação que essa empresa está fazendo. Eu acho um
projeto fascinante. Para mim, é o maior projeto da minha carreira.
Conta um pouco da sua história, da sua carreira.
Eu tenho 53 anos, sou jornalista por formação e fui repórter por 20 anos. Eu fui
repórter de economia e trabalhei nas redações, sempre em Brasília, de todos
os jornais praticamente. Passei pela Folha, Estadão, Valor, Globo, fiz um pouco
de TV até que, em 2016, recebi um convite realmente inusitado, que foi quando
no governo do Michel Temer, o Pedro Parente foi convidado para ser presidente
da Petrobras, e ele me convidou para trabalhar com ele. Daí eu falei: “Eu vou
lá ver como é que é”. Foi uma grande oportunidade. Em 2018, ele saiu da Petrobras
e eu tive a chance naquele momento de voltar para a redação. Mas não
tive mais vontade de voltar, não se encaixava, não cabia mais. Depois passei
também pela MBRF e pela B3.
“O desafio é explicar que a Axia fornece
energia, mas está um capítulo antes”
jornal propmark - 8 de junho de 2026 11
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
Grey
KLM
Fotos Divulgação
Título: ‘KLM celebra 80 anos no Brasil’
Presidente & CCO: Manir Fadel
COO: Priscilla Telles
CSO: Mariana Pagano
ECD: André gola
Head de conteúdo: bruno borghi
Aprovação: Julia de Medeiros Pinto, Andrea Ugrin Magalhães, Isabela buosi,
Vinicius Azevedo (Corinthians), André Stepan e Sandor Romanelli
A KLM, companhia aérea holandesa, celebra seus 80 anos de atuação no
Brasil com uma ação assinada pela Grey no fim de maio. Une história, cultura,
esporte e branding. A marca escolheu o jogador holandês Memphis
Depay, atualmente no elenco do Corinthians, como protagonista. O jogador
usou uma headband personalizada com o número 80.
AmplA ComuniCAção
VALe
Título: ‘Se é essencial para o capixaba, tem a ver com a Vale’
Diretor de criação: bruno Reis
Head de criação: Thauana Moreira
Coordenação de criação: Izabella Rodrigues
Criação: Leandro Monjardim e Thales Santos
Aprovação: Renata Valenti, Kmilla Xavier e Vagner bissoli
O filme traz Aldivan e Amanda, pai e filha, colaboradores da Vale no
Espírito Santo, na Unidade Tubarão, refletindo sobre a trajetória da
unidade, destacando exemplos concretos de inovações e a evolução
da empresa além da esfera operacional. Ao completar seis décadas,
a Unidade Tubarão, como explica o comunicado, “está consolidada
como uma das operações mais estratégicas da Vale no Brasil”.
AsiA
o gLobo
Título: ‘Completamos 26 anos de idade. Ou melhor, idoneidade’
CCO: Vico benevides
Co-CCOs: Pedro Reis e Ricardo Dolla
Criação: Daniel Duarte e Rodrigo Cotellessa
Motion Design: Murilo Pontes
Planejamento: Carla Sá, Maysa Tatikava e Melanie Swidrak
Aprovação: Tiago Afonso, Ricardo Mendes Lima e Ana Paula Valença
Para celebrar seus 26 anos, o jornal Valor Econômico está com uma campanha
que reforça o papel do veículo, que se consolidou como leitura obrigatória
pelo rigor, profundidade e relevância, e ganha vida em anúncios impressos,
além de desdobramentos para social e digital. ‘São 26 anos, 9.496 dias, 227.904
horas, 820.454.400 segundos de vida’, diz um dos títulos dos anúncios.
12 8 de junho de 2026 - jornal propmark
esg no mkt
Alê Oliveira
Menos mídia,
mais consistência
“Criar experiências. As pessoas aprendem
mais participando do que ouvindo palestras”
Alexis Thuller Pagliarini
O
ESG não perdeu relevância; apenas perdeu
parte do entusiasmo inicial que o cercava. Nos
primeiros anos, muitas empresas correram para
adotar a sigla porque ela representava inovação,
reputação e acesso a investimentos. Houve também
uma forte cobertura da mídia.
Porém, com o tempo, surgiram alguns problemas:
Empresas praticando “greenwashing” (discurso
sem prática). Excesso de relatórios e burocracia.
Uso da sigla ESG sem conexão com resultados reais.
Mudanças econômicas que fizeram muitas organizações
voltarem o foco para questões financeiras imediatas.
O resultado foi um desgaste da marca “ESG”,
mas não dos temas que ela representa. O caminho
não é ressuscitar a moda do ESG.
Talvez a pergunta não seja “como fazer o ESG
voltar a brilhar?”, mas sim: “Como fazer sustentabilidade,
responsabilidade social e boa governança
voltarem a ser percebidas como essenciais para os
negócios?”. O ESG precisava mesmo sair do discurso
e voltar para a vida real. Algumas estratégias
cabíveis:
1. Trocar a sigla pelas histórias. As pessoas se
conectam com histórias, não com siglas. Em vez de
dizer simplesmente “Implementamos um programa
ESG”, dizer: “Reduzimos em 40% o desperdício de
água”. “Contratamos mulheres da comunidade local”.
“As crianças da recreação aprenderam a cuidar
da natureza brincando”. Tangibilizamos assim os resultados;
o impacto fica concreto.
2. Demonstrar retorno financeiro. Uma das razões
do arrefecimento foi a percepção de que ESG gera
apenas custo. É preciso mostrar mais claramente os
benefícios da aplicação ESG: Reduz desperdícios. Diminui
riscos. Aumenta fidelização de clientes. Atrai
– e mantém – talentos. Melhora a reputação. Melhora
o clima dentro das empresas. Quando ESG é apresentado
como ferramenta de gestão, e não apenas
causa social, ele ganha força.
3. Falar de pessoas. O “S” do ESG ainda é pouco explorado.
Temas como: Saúde mental. Inclusão. Educação.
Qualidade de vida. Desenvolvimento infantil.
Engajamento social. São assuntos que geram identificação
imediata.
4. Criar experiências. As pessoas aprendem mais
participando do que ouvindo palestras. Imagine:
Clientes plantando árvores (ou patrocinando o plantio).
Crianças criando hortas. Oficinas de reaproveitamento
de materiais. O ESG, assim, deixa de ser
conceito e vira vivência.
5. Abandonar o tom moralista. Muitas iniciativas
fracassam porque parecem dizer: “Você está fazendo
tudo errado”. Uma abordagem mais eficaz é:
“Existem maneiras mais inteligentes, econômicas e
humanas de fazer as coisas”. Isso gera adesão em
vez de resistência. É preciso deixar claro que ESG é
um processo contínuo e não uma força-tarefa. Por
outro lado, devemos ter em mente que há novas demandas
legais pela aplicação do ESG.
A partir deste ano, empresas listadas na Bolsa
devem apresentar relatórios não financeiros, em
compliance com as práticas de respeito socioambiental
e de governança ética e transparente. Também
a partir deste ano, empresas que exportam
para a Europa devem comprovar que seus produtos
não são oriundos de terras desmatadas. Pensando
de uma forma mais ampla, cresce o número de
consumidores mais conscientes e críticos. Questões
como circularidade, uso de insumos sustentáveis,
embalagens menos agressivas ao meio ambiente,
ganham importância nas decisões de compra. O futuro
do ESG não está em falar mais sobre ESG. Está
em mostrar, de forma simples e mensurável, como
cuidar das pessoas, do planeta e da gestão melhora
a vida e os resultados das organizações.
Talvez seja justamente agora, depois que a moda
passou, que exista espaço para um trabalho mais
sério, profundo e duradouro. Quem continuar atuando
quando os holofotes se apagam costuma ser
quem constrói transformações reais.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
jornal propmark - 8 de junho de 2026 13
especial mkt de performance
Da conversão ao ROI real: o novo
momento do marketing de performance
Com R$ 42,7 bilhões investidos em publicidade digital no Brasil em
2025, mercado consolida IA e busca estratégia para gerar receita
Bruna Magatti
O
mundo atual traz um problema
relevante: o imediatismo
e a fragmentação da atenção.
Soma-se a isso um ‘modus operandis’
relativo à geração Z. E as empresas
perceberam. A nova economia da
atenção coloca o consumidor no centro
da estratégia e exige experiências
personalizadas, inteligência de dados
e confiança para que a operação seja
bem-sucedida. Mas até onde a performance
gera conversão e receita?
O relatório ‘Digital Adspend 2026’,
que considera como referência o ano
de 2025, publicado pela IAB Brasil,
mostrou que os investimentos em
publicidade digital somaram R$ 42,7
bilhões no Brasil em 2025, com um aumento
de 12,7% em relação ao ano anterior.
Por formato, o vídeo lidera, com
49% dos investimentos. Em relação
ao canal de investimento, as redes
sociais seguem como principal (55%).
Já a pesquisa ‘Decodificando os Desafios
da IA no Mercado de Publicidade
Digital’, conduzida pelo IAB Brasil em
parceria com a Nielsen, divulgada em
maio, mostrou que 88% das empresas
brasileiras já usam IA nas operações
de marketing. Três anos atrás, esse
índice era de 67%. Para 82%, a tecnologia
é indispensável para o trabalho. Os
ganhos mais citados estão na camada
operacional: 80% relatam aumento de
eficiência e 79% destacam mais velocidade
nas entregas.
Mas quando se fala em receita e
conversão, os números recuam: apenas
43% apontam melhora na experiência
do cliente, e o uso da IA para tomada
de decisão aparece em 56% dos casos.
Análise de dados e geração de insights
lideram as aplicações mais adotadas,
com 90% de uso entre os entrevistados.
A criação de conteúdo aparece em segundo
lugar, com 73%, ambas sem relação
com qualquer tipo de performance.
Para Leo Naressi, CEO da DP6 e vice-
-presidente do Comitê de Mensuração
do IAB Brasil, o traço que define o momento
atual do marketing de performance
não é mais o crescimento da
verba, e sim a sofisticação de como
ela é operada.
“Agências profundamente especializadas,
soluções de mídia mais modernas
e a internalização de equipes
de mídia dentro das marcas estão subindo
a barra: abordagens baseadas
em privacidade e dados first-party,
colaboração segura de dados com o
varejo (em retail media, por exemplo)
e um investimento crescente no rigor
metodológico da mensuração, com a
avaliação de resultado incremental,
modelagem econométrica (MMMs),
uso de inteligência artificial e atribuição
ao longo de toda a jornada (com
modelos MTA). Esse amadurecimento,
aliás, é resposta direta aos desafios
que o próprio sucesso da performance
criou”, explica.
Naressi afirma que, se de um lado,
o resultado rápido e o baixo custo
inicial dos cliques atraíram mais orçamento
do que demanda, pressionando
o custo por aquisição, do outro, a
centralidade da performance expôs
Divulgação
Leo Naressi: não é sobre o crescimento da verba, mas sim a sofisticação da operação
É preciso separar
o que é resultado
de curto prazo e o
que é ROI real
práticas indesejadas de rastreamento,
que levaram a regulamentações
mais restritivas.
ROI REAL
Para os especialistas e os que operam
na prática, o marketing até pode
ter seus resultados de curto prazo
em tempo real, mas é preciso separar
o que é resultado de curto prazo e o
que é ROI real. Para que aconteça o
retorno sobre o investimento, é necessário
um período muito maior de
análise do que os segundos que uma
análise em tempo real entrega.
“O impacto é um vício cada vez
maior no canal de resposta rápida,
mas que não alimenta uma nova demanda
nem cria novas categorias.
Fica mais fácil responder à liderança
financeira (CFO), que agora senta à
mesa do marketing. No entanto, a
cada ano que passa, fica mais difícil
sustentar o crescimento sem diferenciação.
As estratégias vencedoras
conseguem equilibrar essa necessidade
do número do curto prazo, sem
arriscar o desenvolvimento de longo
prazo, através de modelos de ROI e de
mensuração que consideram branding
e performance e suas complementaridades.
O Comitê de Mensuração do IAB
Brasil foi relançado este ano com o objetivo
de criar novos referenciais estratégicos
e práticos para a evolução
das métricas e de sistemas de mensuração
mais amplos e completos.”
A publicidade digital vem acelerando
a adaptação a um cenário de maior
restrição ao uso de dados de terceiros
e reforço das políticas de privacidade.
Nesse movimento, cresceram os investimentos
em alternativas de coleta
segura, como server-side tracking e
conversion APIs, além de soluções de
identificação anonimizada baseadas
em consentimento.
Também ganharam relevância modelos
de colaboração de dados first-party
em ambientes protegidos, como os data
clean rooms. Ao mesmo tempo, o setor
ampliou o uso de metodologias de mensuração
que dispensam o rastreamento
integral da jornada do consumidor.
Entre elas estão os modelos de mix de
mídia (MMMs), geo lift e testes de grupos
expostos e controle, utilizados para
medir incrementalidade e impacto real
das campanhas em um ecossistema
cada vez mais orientado à privacidade.
‘Com o consentimento necessário,
existe, sim, um impacto imediato e
significativo nas métricas e modelos
de atribuição. Essa evolução necessária
dos modelos de mensuração é
o principal objetivo do Projeto Eidos
do IAB nos Estados Unidos para 2026,
que busca unificar e amadurecer os
padrões em um cenário com a privacidade
em primeiro lugar. Aqui no Brasil,
também estamos envolvidos e participando
do projeto”, explica Naressi.
14 8 de junho de 2026 - jornal propmark
especial mkt de performance
Estratégia deve conectar criatividade,
dados e mensuração de forma integrada
Com foco em performance e branding, agências assumem posição
de parceiras de crescimento em um cenário guiado por métricas e IA
Bruna Magatti
Durante anos, a relação entre marcas
e agências foi guiada, principalmente,
por criatividade, alcance
e construção de imagem. Mas a
ascensão do marketing de performance
transformou essa dinâmica. Em um cenário
orientado por dados, métricas em
tempo real e pressão crescente por retorno
sobre investimento, anunciantes
passaram a exigir resultados cada vez
mais mensuráveis, previsíveis e rápidos.
A mudança reposicionou o papel
das agências, que deixaram de atuar
apenas como parceiras criativas para
assumir uma função estratégica baseada
em análise de dados, otimização
contínua e geração de negócios.
O que antes era apenas uma “entrega
de serviço”, hoje se torna uma relação
em que a agência auxilia a marca
a ler sinais, tomar decisões rápidas e
ajustar a rota durante uma campanha.
E para isso, a agência precisa entender
de KPIs, mensuração e objetivos de negócio,
para que ocorra o equilíbrio perfeito
entre branding e performance.
“A agência deixou de ser apenas
executora de mídia para atuar como
parceira de crescimento, com responsabilidade
direta sobre geração de
demanda e eficiência do investimento.
Hoje, decisões são tomadas diariamente
com base em dados. Isso exige
transparência, integração com CRM e
profundo entendimento do negócio do
cliente. Em outras palavras, a agência
passou a funcionar como uma extensão
da área de marketing e vendas. A
Greenz, por exemplo, possui success
fee em 90% dos seus contratos. É
parte intrínseca do nosso modelo de
negócio”, explica Gabriel Bernardi, vice-
-president of growth, media and social
performance na Greenz.
Para as agências, branding e performance
não competem, mas sim
se potencializam. Enquanto a performance
pode capturar a demanda
existente, o branding é capaz de criar
as demandas futuras. De acordo com
Viviana Maurman, vice-presidente de
mídia da Dentsu e IProspect, equilibrar
branding e performance em um
cenário tão pressionado por ROI exige
ampliar a forma como olhamos para o
próprio retorno.
“ROI não pode ser apenas o resultado
imediato; precisa considerar
também a capacidade da marca de
gerar desejo, construir relevância e
sustentar crescimento ao longo do
tempo. Na prática, o equilíbrio acontece
quando usamos a inteligência da
performance para otimizar em tempo
real, sem abrir mão da força do branding
para construir preferência, confiança
e intenção de compra.”
“Uma frente acelera o resultado; a
outra sustenta esse resultado ao longo
do tempo. Por isso, a mensuração
precisa ser mais híbrida, combinando
indicadores de curto prazo com métricas
de marca, incrementalidade e
contribuição ao longo da jornada. No
fim, branding e performance precisam
operar juntos: um captura a demanda
de hoje; o outro ajuda a construir a
Divulgação
Caroline Gayo: performance sem construção de marca fica mais cara e menos sustentável
O que antes era
uma ‘entrega
de serviço’, hoje
é relação de
confiança
demanda de amanhã”, afirma Viviana.
Caroline Gayo, head de mídia da
Mutato e WPP, traz o exemplo na prática:
“Aqui na Mutato, que faz parte da
WPP, uma das perguntas que orienta
nosso pensamento estratégico é:
‘olhando para os nossos objetivos,
qual verdade do consumidor estamos
endereçando?’. É a partir dessa
perspectiva que construímos planos
voltados não apenas para eficiência
e resultado imediato de negócio, mas
também para relevância e impacto
real na vida das pessoas”.
“Performance sem construção de
marca tende a ficar mais cara e menos
sustentável ao longo do tempo.
E branding sem mensuração perde
potência em um ambiente em que o
consumidor toma decisões em tempo
real. O equilíbrio está justamente em
conectar criatividade, dados e distribuição
de forma integrada”, conclui.
Métricas prioritárias
Ao falar sobre quais métricas se tornaram
prioritárias para os anunciantes,
a unanimidade está nas métricas
de qualidade de atenção. Entre as mais
relevantes estão: CAC (Custo de Aquisição
de Cliente); LTV (Lifetime Value);
ROAS incremental; Qualidade do lead;
Share of search; Attention share; Brand
equity e Incremental sales. “O destaque
recente é o Attention share, que mede
quanto da atenção real do consumidor
a marca consegue capturar em um ambiente
cada vez mais saturado de estímulos.
CTR e CPC continuam importantes,
mas hoje são indicadores táticos.
As métricas que realmente orientam
decisões são aquelas que conectam
mídia, atenção e impacto efetivo no
negócio”, afirma Bernardi.
Já Viviana cita o recente estudo
da Dentsu, ‘The brand reset’, sobre
a atenção em vídeo: “A qualidade da
atenção é mais relevante, inclusive,
do que impressões, conectando esse
indicador tanto à construção de marca
quanto aos resultados de vendas.
Os efeitos de longo prazo também
passaram a ganhar espaço junto aos
resultados imediatos”.
Segundo Viviana, “O mesmo estudo
reforça a importância de relacionar
atenção com impacto duradouro
na marca, sem deixar de medir o impacto
nas vendas no curto prazo, ajudando
a justificar investimentos em
branding. O desafio não é escolher
entre uma ou outra, mas medir melhor
como cada uma contribui para o
crescimento do negócio”.
iMediatisMo do cliente
Para as agências, as marcas evoluíram
na mensuração, conectando
dados e construindo visões mais inte-
16 8 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Gabriel Bernardi: a agência tornou-se extensão da área de marketing e vendas
Viviana Maurman: ROI não pode abrir mão do branding, o que constrói confiança
gradas de performance, mas muitas
ainda possuem uma visão superficial,
pois ter boas ferramentas não significa
saber interpretar os dados.
“As lideranças entenderam que
não conseguem extrair tudo o que
possível e pararam de evoluir seus
frameworks de inteligência analítica.
Muitos líderes não entendem como
construir um modelo de trabalho que
gere insights de forma linear, gerando
valor e contribuindo para o negócio.
Em muitas empresas, é nítido um
conformismo com a incapacidade de
evoluir, somada aos custos necessários.
Grande parte possui dashboards
sofisticados, mas continua tomando
decisões com base em métricas descritivas
e investindo muito pouco em
prescrição”, expõe Bernardi.
“Tirando as nativas digitais e as empresas
que trabalham com avaliação
de risco, quais possuem um time de
cientistas de dados focados em comunicação?
Não adianta investir milhões
em construir um data lake e não ter
profissionais próprios ou de terceiros
extraindo insights. Por sorte, os agentes
de IA vão ajudar muito nisso”, diz.
Caroline chama a atenção para o
imediatismo das marcas: “Ainda existe
uma tendência de priorizar resultados
imediatos, mesmo quando eles
não necessariamente refletem uma
construção sustentável de negócio.
As empresas mais maduras são justamente
as que conseguem olhar para
os dados de forma mais ampla, conectando
eficiência de mídia, percepção
de marca, comportamento do consumidor,
reputação social e impacto real
no business”.
Nesse quesito, ela defende que a
transparência virou fundamental, alinhando
desde o início quais resultados
podem ser otimizados rapidamente
e quais dependem de construção
contínua. “A velocidade realmente
aumentou. Com IA, dados em tempo
real e criativos dinâmicos, conseguimos
aprender e ajustar campanhas
muito mais rápido do que antes. É
importante entender que existe
uma diferença importante entre velocidade
e imediatismo. É papel da
agência ajudar o cliente a interpretar
esses sinais com maturidade, evitando
ajustes estratégicos precipitados
com base em dados que ainda não
estão estabilizados. Afinal, decisões
tomadas cedo demais podem comprometer
resultados mais consistentes
no médio e longo prazo.”
“Existe uma
diferença
importante entre
velocidade e
imediatismo”
tinua sendo um velho conhecido do
mercado: conteúdo relevante para o
consumidor. A forma muda (linguagem,
formato, plataforma, dinâmica
de consumo) e as marcas precisam
acompanhar isso, mas o verdadeiro diferencial
continua sendo a capacidade
de entender as verdades, barreiras
e gatilhos do consumidor, para assim
construir mensagens que façam sentido
em cada contexto. No fim, o desafio
não é apenas aparecer mais. É ser
relevante dentro da conversa cultural
que o consumidor já está tendo”.
Para Bernardi, as agências precisam
ajudar seus clientes a olhar para
a experiência de marca e a qualidade
de produto, pois a recomendação de
uma ferramenta de IA não leva em
consideração os milhões de reais investidos
em mídia, ela vai considerar
majoritariamente o que é dito sobre a
marca. “Otimizar a presença da marca
em todos os ambientes em que o consumidor
faz perguntas é imprescindível,
assim como atingir um bom posicionamento
no ranking de Top of Mind
de sua respectiva categoria”, opina.
Viviana vai além: “Há uma evolução
O FATOR Z
A jornada do consumidor ficou
muito menos linear. Hoje, descoberta,
pesquisa, validação e decisão acontecem
em múltiplos ambientes ao
mesmo tempo, especialmente para a
geração Z. Plataformas como TikTok,
creators e ferramentas de IA generativa
estão mudando a lógica tradicional
de busca e influência.
Nesse ponto, Caroline é enfática:
“Acredito que o princípio central conclara
do SEO tradicional para uma lógica
de Search Experience Optimization,
em que o foco deixa de ser apenas
rankear bem no Google e passa a ser
garantir presença e relevância em
múltiplos pontos de entrada, sejam
eles redes sociais ou IA”.
“Em outro estudo recente da Dentsu,
‘Media trends’, focado na geração
Z, essa mudança é descrita como uma
transição para o planejamento algorítmico:
o uso de automação e IA para
identificar microaudiências, expandir
públicos e determinar o melhor conteúdo
para converter cada segmento. Ou
seja, veremos cada vez mais uma integração
entre criação e mídia por meio
da otimização dinâmica de criativos,
com menos peças, porém de maior qualidade
e capazes de se adaptar ao contexto
de cada plataforma. Na prática,
isso significa que as agências estão se
reorganizando para operar com ciclos
rápidos de teste e aprendizado orientados
por algoritmos”, afirma Viviana.
As agências entendem que tecnologia
e dados já não representam um
diferencial competitivo, mas sim a
base de qualquer operação de mídia
madura. Resultado continua sendo
sobre relevância. E relevância passa
por entender comportamento humano,
contexto cultural, verdades sociais
e necessidades reais do consumidor.
A tecnologia otimiza caminhos,
mas a visão estratégica e a criatividade
permanecem indispensáveis para
construir diferenciação.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 17
especial mkt de performance
Vídeos curtos, creators, marketplaces e IA
mudam a lógica da descoberta de marca
Com a atenção fragmentada da geração atual, o mercado passa
a priorizar contexto, recorrência e relevância além do clique
Bruna Magatti
Diante de um consumidor mais conectado, exigente
e disperso, a comunicação passou por uma
transformação profunda. Nesse novo cenário,
performance deixa de ocupar apenas o fim do funil para
se tornar parte central da construção de negócios. O
search tradicional não perdeu relevância, mas perdeu
exclusividade. Ele continua importante quando o consumidor
já tem uma intenção clara. Mas a descoberta
anterior à busca (aquela que forma repertório, desejo
e preferência) hoje acontece muito em vídeo curto,
creators, social, IA e experiências de marca.
Para players do setor, o desafio atual já não é
apenas converter, mas gerar crescimento sustentável,
retenção e relevância em um ambiente digital
altamente competitivo. Nesse contexto, grupos
como DEZ18 e RZK Digital representam uma nova geração
de empresas de performance, que enxergam
dados e branding como elementos complementares
dentro da estratégia de crescimento das marcas.
Paulo Queiroz, CEO da RZK Digital, confirma que o
comportamento da audiência ficou, de fato, menos
linear em relação à descoberta de marcas. Se antes
ele era impactado por uma campanha, buscava a
marca e depois decidia, hoje, ele descobre marcas
no fluxo da vida: no vídeo curto, no conteúdo de creators,
em recomendações algorítmicas, em experiências
físicas, em conversas sociais e cada vez mais
em respostas intermediadas por IA.
“Para a RZK, isso mostra que a disputa não é
apenas por mídia, mas por presença relevante no
cotidiano. Marcas precisam estar nos momentos
reais de deslocamento, rotina, espera e decisão. O
consumidor não separa mais tão claramente ‘online’
e ‘offline’; ele transita entre ambientes físicos e digitais
o tempo todo. A descoberta de marca passa a
depender menos de interrupção e mais de contexto,
frequência e repetição qualificada”, afirma Queiroz.
Por outro lado, Eduardo Mantegazza, fundador e
CEO da DEZ18, traz um ponto relevante: “As marcas
passaram a ter a capacidade de falar diretamente
com sua audiência. As empresas começaram a se
conectar de forma mais direta com seus consumidores,
e a força dessa relação passou a influenciar
também os varejos físicos e marketplaces, que hoje
aceitam novos produtos considerando demandas já
existentes da audiência”.
melhor plataforma
Mas na reflexão sobre quais plataformas concentram
hoje a maior atenção do consumidor, ambos
Paulo Queiroz: a disputa não é apenas por mídia, mas por presença relevante no cotidiano
os executivos pensam na diferença entre atenção
individual e atenção coletiva para chegar a uma resposta.
Apesar de as plataformas digitais de vídeo
curto, social media, streaming, search e mensageria
concentrarem grande parte da atenção fragmentada,
Queiroz chama a atenção para os terminais de
mobilidade, como plataformas de atenção cotidiana:
“Eles conectam bairros, metrô, trem, ônibus, trabalho,
estudo e consumo. São pontos de repetição
diária, em que a marca encontra pessoas reais, em
escala, dentro de um contexto previsível e mensurável.
O mercado tende a olhar muito para a atenção
de tela individual, mas deveria olhar também para
os ambientes onde a vida acontece. É aí que o DOOH
ganha força: ele combina presença física, escala,
contexto e capacidade crescente de mensuração”.
Divulgação
Apesar dos dados
demográficos, o que
mudou o jogo foi
entender comportamento
em tempo real
18 8 de junho de 2026 - jornal propmark
Divulgação
sinal de audiência
Ao falar sobre os sinais de audiência mais valiosos,
é fato que são aqueles que ajudam a entender
quem está presente, em que contexto, com qual
frequência e em qual momento da jornada. “No caso
da RZK, sinais como fluxo por terminal, recorrência,
horário, perfil de público, tempo médio no ambiente,
intenção declarada em pesquisas e dados contextuais
passam a ser fundamentais. O valor está em
combinar volumetria com leitura comportamental.
O mercado está migrando de métricas de entrega
para métricas de atenção e oportunidade real de
contato. O IAB/MRC, por exemplo, já trata atenção
como um campo que envolve sinais como tempo
visível, proeminência, conclusão de vídeo e outros
indicadores de exposição e qualidade, não apenas
impressão bruta”, conta Queiroz.
“Dados demográficos continuam tendo valor, claro,
mas o que realmente mudou o jogo foi a capacidade
de entender comportamento em tempo real. O
consumidor se relaciona com determinados tipos de
segmentos, e hoje existem diferentes qualidades e
quantidades de data points para cruzamento de informações
e microssegmentação, permitindo identificar
intenção de forma mais precisa. Isso é muito
mais preditivo do que simplesmente saber que a
pessoa tem 35 anos e mora em São Paulo. Também
entra nesse contexto o first-party data, que virou
um ativo muito valioso, porque é o dado que a marca
coleta diretamente da relação com o cliente, sem
depender de terceiros”, opina Mantegazza.
Eduardo Mantegazza: o importante é entender em qual momento da jornada você quer interceptar o consumidor
Já Mantegazza traz para a conversa os marketplaces,
que se tornaram plataformas importantes de
descoberta, já com a intenção de compra, e alerta:
“Hoje, o mobile quase sempre representa o último
ponto de contato antes da decisão, e isso muda
bastante a forma de pensar a distribuição. Existe
ainda uma tendência importante: as plataformas
que hoje concentram a atenção das pessoas estão
começando também a vender. Ferramentas de live
shopping dentro das próprias redes sociais, por
exemplo, unem entretenimento e compra no mesmo
ambiente. A tendência é justamente essa: plataformas
que já concentram atenção melhorarem
cada vez mais a experiência de compra. A atenção
ficou mais fragmentada, mas o mais importante é
entender em qual momento da jornada você quer
interceptar o consumidor e se a plataforma entrega
o last mile da compra ou apenas awareness”.
Clique mede uma reação
imediata. A atenção
mede a chance de uma
marca ser percebida,
lembrada e considerada
futuro do mercado
Para o CEO da DEZ18, existem empresas que já são
bastante sofisticadas, que analisam LTV, incrementalidade
e a contribuição marginal de cada canal. Por
outro lado, uma parte relevante do mercado ainda
opera com CTR, CPC e último clique. E isso acaba sendo
um problema, porque essas métricas superficiais
não mostram necessariamente se há geração real
de valor ou apenas otimização para indicadores que,
no fim, não dizem tanto sobre o resultado.
“Acredito, no entanto, que a IA vai acelerar bastante
a adoção de práticas mais avançadas e democratizar
o conhecimento sobre dados. Isso também
deve melhorar a automação da compra de mídia, já
que a IA consegue fazer análises em níveis de granularidade
muito mais rápidos e amplos do que uma
pessoa conseguiria. Além disso, com o avanço dos
modelos de linguagem, ficou mais fácil para gestores
e profissionais estratégicos entenderem resultados
de campanhas e orientarem mudanças de
estratégia. Esse é um valor importante da IA: democratizar
o acesso às ferramentas e reduzir a dependência
de pessoas altamente técnicas para operar
sistemas específicos”, afirma Mantegazza.
O CEO da RZK Digital crava: “Clique mede uma
reação imediata. A atenção mede a chance de uma
marca ser percebida, lembrada e considerada. Para
muitas categorias, especialmente as de alta frequência
e consumo cotidiano, essa diferença é decisiva”,
afirma Queiroz.
O mercado já entende que tecnologia e dados não
representam um diferencial competitivo, mas sim a
base de qualquer operação de mídia madura. Resultado
continua sendo sobre relevância. E relevância
passa por entender comportamento humano, contexto
cultural, verdades sociais e necessidades reais
do consumidor. A tecnologia otimiza caminhos, mas
a visão estratégica e a criatividade permanecem indispensáveis
para construir diferenciação.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 19
especial mkt de performance
Netflix Ads lança estudo de atenção para
anúncios no Brasil e avança no setor
Pesquisa utilizará tecnologia de rastreamento ocular para entender
como espectadores interagem com anúncios exibidos no streaming
Bruna Magatti
Com mais de 35 milhões de espectadores
ativos por mês no Brasil
dentro do plano com anúncios, a
Netflix Ads está ampliando sua operação
publicitária no país e inicia a
medição de atenção no streaming
brasileiro. Desenvolvida em parceria
com a Amplified Intelligence, empresa
global especializada em estudos de
atenção, a iniciativa marca um novo
avanço da plataforma na criação de
métricas voltadas ao mercado publicitário
e busca aprofundar a compreensão
sobre o comportamento dos
espectadores diante dos anúncios
exibidos no serviço.
O estudo será realizado a partir
de um painel ativo de 250 domicílios
brasileiros, compostos por usuários
recrutados da própria audiência da
Netflix. A pesquisa vai analisar o consumo
de conteúdo audiovisual em diferentes
ambientes de mídia, como
TV conectada, TV aberta e plataformas
digitais. Para isso, serão utilizados
sinais físicos e comportamentais
captados por meio de tecnologia de
rastreamento ocular. Os participantes
terão em suas residências um
media hub equipado com software
proprietário da Amplified Intelligence
e câmera HD integrada ao ambiente
doméstico. Segundo a empresa,
todo o processamento ocorre localmente,
sem envio de imagens faciais
para a nuvem, garantindo privacidade
aos participantes.
A iniciativa surge em um cenário
de crescente fragmentação da atenção
dos consumidores entre múltiplas
telas, plataformas e estímulos
digitais. Mais do que identificar se
um anúncio foi exibido, o objetivo da
medição é entender de que maneira
a publicidade efetivamente participa
da experiência de entretenimento
do espectador. Entre os indicadores
analisados estão os segundos de
atenção ativa, quando há engajamento
total do usuário, os segundos
Leo Khede: a verdadeira atenção significa lembrar de algo e gerar conversa e ações
de atenção passiva, a porcentagem
de atenção ativa em relação ao tempo
total do anúncio e os períodos sem
atenção registrada.
Na primeira fase do programa, a
análise também vai considerar variáveis
agregadas como perfil demográfico,
horário de exibição e duração
das campanhas. A métrica principal
será o tempo de atenção ativa, medido
em segundos, e deve servir como
ferramenta para apoiar marcas no
desenvolvimento de campanhas
mais eficientes dentro do ambiente
de streaming. Os primeiros resultados
serão divulgados no segundo
semestre e devem ampliar o debate
sobre novos modelos de mensuração,
atenção e efetividade publicitária no
Divulgação
A iniciativa
marca um avanço
na criação de
métricas voltadas
à publicidade
ecossistema digital. A expectativa é
que o estudo evolua continuamente,
expandindo as possibilidades de análise
sobre contexto e qualidade de
exposição publicitária.
Para Leo Khede, diretor sênior de
publicidade da Netflix para a América
Latina, atenção é a presença, o foco
e a qualidade da exposição durante
a experiência de visualização dos assinantes
do streaming. A verdadeira
atenção significa lembrar de algo
e gerar conversa e ações posteriores.
“O que as marcas já conseguem
perceber, nos quase 4 anos de nossa
operação de publicidade, é que estão
inseridas em momentos reais de
escolha, entretenimento e envolvimento.
Alguns dados desta combinação
já são entregues às marcas, mas,
em breve, entregaremos os segundos
de atenção ativa, métrica que estamos
desenvolvendo com a Amplified
Intelligence e que anunciamos na semana
passada aqui no Brasil.”
O executivo acredita que os streamings
já evoluíram bastante no
objetivo de entregar mídia com eficiência,
mas isso não significa atenção
real. Por isso, o investimento em
mensuração e mídia programática
tornou-se fundamental, e o mercado
precisa pensar não apenas na entrega
e no alcance, mas também na qualidade
de exposição, no contexto e
nos níveis reais de atenção ao longo
da jornada de consumo de entretenimento
audiovisual.
“Mídia programática faz parte da
evolução natural da oferta de publicidade
da Netflix e de como estamos
ampliando as possibilidades de
compra, segmentação e mensuração
dentro do streaming. Acabamos de
anunciar também a integração da
Amazon Audiences, a partir do dia 1º
de junho no Brasil e no México, que é
outro passo importante para conectar
sinais reais de intenção de compra
ao ambiente de TV conectada,
ampliando as possibilidades de performance
para marcas.”
20 8 de junho de 2026 - jornal propmark
especial mkt de performance
Como o Google está trabalhando para
transformar a mensuração de marketing
Com a remoção de quase 375 milhões de anúncios indesejados no
Brasil, empresa pretende ditar as novas tendências de performance
Bruna Magatti
Em 2025, o Google bloqueou ou
removeu 374,8 milhões de anúncios
indesejados direcionados ao
Brasil, revelou a companhia no mês
de abril. No mesmo período, a big tech
também suspendeu 1,3 milhão de
contas no país. As cinco principais violações
no Brasil foram: deturpação,
abuso da rede de anúncios, conteúdo
sexual, jogos de azar, e encontros e
acompanhantes.
Globalmente, em 2025, o Google removeu
ou bloqueou mais de 8,3 bilhões
de anúncios indesejados, restringiu
mais 4,8 bilhões de anúncios e tomou
medidas em mais de 480 milhões de
páginas de editores. Dessas páginas,
os sistemas de aplicação de políticas
baseados em IA da empresa contribuíram
para a detecção e aplicação em
mais de 467 milhões de páginas.
O Google utiliza IA avançada para
identificar e deter anúncios fraudulentos
há algum tempo, porém, desde
o ano passado, o Gemini aperfeiçoou
esse trabalho.
Para Vinicius Zimmer, head de mensuração
do Google Brasil, o comportamento
do anunciante em relação à
cobrança por resultados mensuráveis
mudou muito nos últimos três anos,
com o avanço tecnológico, o maior volume
de dados e a evolução do ecossistema
de soluções de mensuração
open-source. E com esse ‘combo’, a
cobrança se tornou maior pela efetividade
do marketing.
“O Google tem participado ativamente
dessa mudança. Em 2025, levamos
ao mercado o Google Trifecta, um
conjunto de técnicas e metodologias
de Atribuição, MMM e Incrementalidade
focadas em calcular efetivamente
o impacto causado pelos esforços de
marketing. Agora em 2026, adicionamos
ao Trifecta o Google Data Strength,
uma série de ferramentas para
ajudar nossos anunciantes na construção
de uma fundação durável de
dados. Quando conectados às nossas
plataformas de publicidade, esses dados
ampliam o retorno de longo prazo
— funcionando como uma espécie
de juros compostos de marketing —,
extraindo todo o potencial das nossas
soluções de Busca e YouTube”.
“Essa combinação de uma fundação
sólida através do Data Strength
com o Trifecta é fundamental para
que os clientes possam pilotar uma
mensuração mais moderna, agnóstica
e aproximar seus indicadores de
sucesso das métricas reais de negócio”,
afirma Zimmer.
A novidade da empresa, lançada
em maio, durante o Google Marketing
Live (GML), foi o Meridian Studio,
criado para facilitar o trabalho de empresas
e parceiros que queiram rodar
seus estudos de MMM diretamente
dentro do ambiente do Google Cloud.
Isso permite que as marcas executem
até centenas de modelos simultaneamente,
mantendo a personalização e
o controle necessários para transformar
dados complexos em estratégias
de orçamento claras e práticas.
No evento, também foi anun-
Divulgação
Vinicius Zimmer: os dados mostram uma curva crescente na adoção dessas soluções
Em 2025, o Google
restringiu mais
4,8 bilhões de
anúncios
ciado o uso de IA dentro do Google
Analytics, com a chegada do Ask Advisor,
um analista virtual, potencializado
pelo Gemini e sempre ativo,
projetado para desmistificar dados
complexos de marketing e auxiliar no
planejamento proativo de mídia.
Os profissionais agora podem fazer
perguntas e compartilhar preocupações
específicas de investimento,
recebendo explicações e basadas que
constroem a confiança necessária para
tomar decisões de alocação de orçamento
entre diferentes canais.
“O Google Analytics, é altamente
relevante e amplamente utilizado no
Brasil, sendo um dos grandes destaques
globais”, garante Zimmer.
Ele revela também o impacto
dessas soluções automatizadas na
eficiência das campanhas: “Nossos
dados mostram ganhos consistentes
de volume e eficiência, além de uma
curva crescente na adoção dessas
soluções. Por exemplo, anunciantes
que utilizam campanhas Performance
Max (PMax) obtêm um aumento
médio de 13% no total de conversões
incrementais a um custo por ação
(CPA) semelhante. O mesmo vale para
anunciantes que ativam o AI Max em
suas campanhas de Pesquisa, registrando
14% mais conversões mantendo
um CPA ou ROAS similar”.
“Adicionar o Demand Gen a campanhas
existentes de Pesquisa e PMax
entrega um ROAS 10% maior e uma
eficácia de vendas 12% superior em
relação às estratégias sem essa solução.
Esses são alguns dos números
mais gerais, mas temos visto esses
casos de sucesso se materializarem
na prática com diversos parceiros
dos mais diferentes tamanhos e segmentos
de mercado”, afirma Zimmer.
Em relação à privacidade, tema
fundamental ao falarmos de mensuração,
o executivo fala que o Google
possui, hoje, metodologias como o
MMM, que opera com dados agregados,
sem utilizar nenhum tipo de
informação identificável em nível de
usuário, além da nova tecnologia, chamada
Google Tag Gateway.
“Ela permite que os anunciantes enviem
dados de conversões diretamente
de seus servidores, de forma privada e
segura, utilizando nossa tecnologia de
confidential matching (correspondência
confidencial). Isso abre novas maneiras
para as empresas usarem seus
dados primários (first-party data) para
alcançar clientes e medir o impacto de
suas campanhas digitais. A tecnologia
também oferece maior segurança e
transparência, isolando as informações
da empresa durante o processamento
para que ninguém — incluindo
o Google — possa acessar os dados em
processamento”, conta Zimmer.
22 8 de junho de 2026 - jornal propmark
tecnologia
All.In, Evoire e ANK Reputation ajudam
na transição da Meta para a marca Insi
Para evitar problemas com o nome da holding de Mark Zuckerberg e,
consequentemente, comprometer expansão, empresa faz rebrading
Paulo Macedo
Criada no Rio Grande do Sul na década
de 1990, a empresa de tecnologia
Meta teve de tomar uma
atitude pontual e pragmática para
poder dar sequência ao seu processo
de expansão internacional.
Apesar de o registro no Instituto
Nacional da Propriedade Industrial
(Inpi) ser anterior ao da Meta, nome
corporativo que Mark Zuckerberg adotou
para substituir a Facebook Inc. em
2021, e de ter atuação anterior nos Estados
Unidos, resolveu seguir o mote
de Dalva de Oliveira na canção ‘Bandeira
branca’, e optou pela paz.
O imbróglio no início foi parar na
justiça, mas, para evitar um breque
nos planos de internacionalização
para a China, por exemplo, fez acordo
com Zuckerberg para passar a se identificar
como Insi, que opera na América
do Norte, em 20 países da Europa e
outros continentes.
“São mais de 200 clientes em 20
segmentos de mercado no mundo
- 70% deles com receita acima de 1
bilhão de dólares”, esclarece o comunicado.
Nas palavras do executivo
Thiago Zaiden, head de marketing
da Insi, “foram mais de nove meses
construindo algo que, na essência, já
existia dentro da empresa. Passamos
por muitas camadas de reflexão sobre
quem somos, no que acreditamos
e o que entregamos de verdade, até
chegarmos a uma identidade que não
inventou nada: ela revelou. Quando o
conceito ‘Tudo começa dentro’ se materializou,
ficou claro que sempre foi
esse o nosso jeito de operar”.
O ciclo de rebranding teve contribuição
da consultoria All.In, de Eduardo
Tracanela, ex-CMO do Itaú, com
participação da agência Ivoire e da
ANK Reputation. O que significa Insi?
Zaiden explica: “Insi nasce da convergência
de diferentes referências
linguísticas. No latim, in se remete à
essência presente na própria natureza
das coisas. Já no inglês, a marca
Os executivos Telmo Costa, CEO da Insi, e o vice-presidente Claudio Carrara, que participaram do processo de rebranding da marca
evoca conceitos como inside, insight
e intelligence, associados à profundidade,
compreensão e transformação.
Dessa combinação surge uma palavra
única, que sintetiza essência, interioridade
e inteligência aplicada. Em
apenas quatro letras, Insi traduz a
ideia de que toda transformação consistente
começa de dentro para gerar
impacto real no mundo.”
Nesses 35 anos de mercado, a agora
Insi propõe o amadurecimento de
focar não só nas “metas”, mas ainda
mais no entendimento central do negócio
e dos desafios de seus clientes.
“Antes de qualquer solução, existe
a necessidade de compreender
a essência do negócio, identificar o
problema real e reconhecer o que realmente
precisa evoluir. A marca será
única em todos os países em que a
companhia está presente. Chegamos
a este momento porque construímos,
ao longo dos últimos anos, uma base
sólida de crescimento. Foi essa consistência
que nos permitiu ousar e
ampliar o horizonte, entrar na China,
“A marca evoca
conceitos como
inside, insight
e intelligence”
Divulgação
fortalecer a presença na Europa e
nas Américas e levar para o mundo o
que desenvolvemos no Brasil. Mais do
que expansão geográfica, isso se traduz
em mais competitividade para os
nossos clientes em seus respectivos
setores”, destaca o executivo Telmo
Costa, CEO e fundador da Insi.
Como parte do reposicionamento,
de acordo com o comunicado, a Insi
mantém a tagline ‘Digital. Simple.
Human.’ Zaiden observa que, nessa
direção, a marca “ganha ainda mais
relevância ao representar o jeito
de trabalhar da companhia e o seu
propósito”.
“Crescimento humano com tecnologia,
que transcende o tempo e
evolui junto com a empresa. Este movimento
materializa o redesenho dos
modelos de negócio em escala global.
Com a aceleração da inteligência artificial,
automação e uso intensivo de
dados, reforçamos a convicção de que
tecnologia só gera valor quando está
subordinada à estratégia e às pessoas”,
afirma.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 23
negócios & consumo
São João cresce e consolida presença
no calendário estratégico das marcas
Especialistas defendem que empresas atuem na festa com escuta local,
coerência cultural e foco em relacionamento, não apenas exposição
Fotos: Divulgação
À esquerda, vista aérea do São João de Campina Grande em 2025. À direita, Marcela d’Arrochella, sócia e diretora-comercial da Sua Música, durante a edição de 2023 do evento
Vitor Kadooka
O
número é expressivo: mais de 24
milhões de pessoas eram esperadas
nos festejos de São João
no Brasil em 2025. O dado, divulgado
pelo Ministério do Turismo, supera a
projeção anterior de 2024, quando 21,6
milhões eram esperados.
O crescimento reflete o reconhecimento
cultural e econômico da festa.
Em 2023, ela foi oficialmente listada
como manifestação da cultura nacional
pela Lei nº 14.555. À época, o Ministério
estimava que os eventos movimentavam
cerca de R$ 3,4 bilhões por
ano, com protagonismo do Nordeste
e de cidades como Caruaru e Petrolina
(PE) e Campina Grande (PB), municípios
que, segundo estimativas da pasta
à época, ultrapassavam R$ 300 milhões
em impacto econômico individualmente.
No ano seguinte, as quadrilhas juninas
também passaram a ser reconhecidas
como manifestação cultural, pela
Lei nº 14.900.
Junto com o reconhecimento, veio
uma camada crescente de mercado.
Patrícia Andrade, professora de
fundamentos da economia da ESPM,
explica que a transformação ocorre
quando a festa migra dos espaços privados,
residenciais e dos bairros para
o espaço público urbano com racionalização,
concentração de foliões e midiatização,
tornando-se megaevento
com características mercadológicas.
“Quando o público deixa de ser majoritariamente
local, bairro ou paróquia, e
passa a ser regional ou turístico, a festa
ganha caráter espetacular”, afirma.
Na avaliação da docente, a profissionalização
da festa não produz um
efeito único. Ela fortalece economicamente,
mas também pode pressionar
dimensões tradicionais. “Em São
Paulo, algumas festas observadas em
pesquisas demonstram que o período
junino transforma diferentes públicos
e espaços: nações em festa, igreja em
festa, bairro em festa, nordestinos em
festa, escola em festa. Ainda assim, há
resistência cultural do forró tradicional
às investidas mercadológicas do
capitalismo globalizado”, analisa.
Por essa razão, que a entrada das
marcas nesse contexto exige critério.
A professora explica a diferença entre
uma presença legítima e a exploração
comercial. “Com base na realidade
paulistana, a diferença aparece em
três dimensões: presença legítima,
integração com produtores locais,
barracas, artesãos, cozinheiros, apoio
à infraestrutura sem descaracterizar
práticas e coerência simbólica. Já na
exploração comercial, temos padronização
da estética, gourmetização
do arraial, substituição da cultura por
branding e captura da renda por grandes
operadores”, pontua.
ESCALA
A leitura do mercado segue direção
semelhante. Vinicius Machado,
fundador e CEO da Sotaq, observa que
o interesse das marcas não nasce
apenas da força cultural do São João.
“É combinação, mas com uma ordem
que importa. A força cultural sempre
esteve lá. O São João nunca foi pequeno,
ele só não era contado devidamente.
O que mudou nos últimos anos foi
a escala virar visível e mensurável, e o
mercado descobrir que o que ele chamava
de festa de interior é uma das
maiores plataformas de consumo do
país. Quando o número aparece nesse
tamanho, a festa deixa de ser pauta
de calendário sazonal e entra na conversa
de quem decide budget”, avalia.
O comportamento do público no
período também pesa. Ao contrário de
outras datas, o São João cria uma situação
em que a comunicação pode ser
recebida como parte da celebração.
Essa condição, no entanto, exige leitura
local. Segundo o executivo, parte
do mercado ainda recorre a códigos
superficiais. “O erro mais comum
continua sendo o da caricatura, utilizar
o chapéu de palha, a bandeirinha
e um sotaque forçado para dizer que
está no São João. O público percebe
o disfarce na hora, porque a cultura
é vivida por ele todo dia e encenada
pela marca só em junho. Cultura se
compartilha. E o segundo erro, mais
24 8 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Estande do Bradesco para o São João de 2026 de Caruaru, em Pernambuco
José Marcelo Rossi, head de mídia, performance e patrocínios: identidade local
sério, é a marca tratar o Nordeste
como uma praça só”, analisa.
Nesse ponto, os criadores regionais
ganham destaque. O mercado
de influência, especialidade da Sotaq,
não deve ser visto apenas como alternativa
de mídia, segundo Machado.
“O criador regional é um tradutor
cultural. Ele tem uma informação que
nenhum planejamento feito de uma
sala em São Paulo tem, que é o código
vivido. Ele sabe que o São João do Ceará
não é o da Bahia, que Caruaru abre
a temporada antes, que cada cidade
tem sua quadrilha, sua comida e seu
jeito de chamar as coisas. Isso não
está no briefing”, detalha.
CALENDÁRIO
A discussão ganha tração em 2026,
sume que existe um brasileiro médio,
e ele não existe de fato”, diz.
Na prática, essa multiplicidade
muda a forma de planejar mídia, conteúdo
e ativação. “No Ceará, o São João é
capilar, espalhado em circuito e bairro.
Na Bahia, é fracionado entre litoral e
interior, com lógica de destino. Em Pernambuco,
Caruaru já abre tudo no fim
de maio. É a mesma data e são três opecom
a coincidência entre São João e
Copa do Mundo. Para Machado, a sobreposição
enfraquece a lógica de
uma campanha nacional única, já que
cada região combina futebol, festa e
cultura local de um jeito próprio. “O
modelo antigo trabalhava com uma
campanha nacional única que descia
igual para o país inteiro, com uma
adaptação aqui e ali. Esse modelo as-
jornal propmark - 8 de junho de 2026 25
rações distintas”, completa Machado.
Nesse contexto, marcas de diferentes
categorias passaram a disputar
espaço no território junino. A
presença já não se concentra apenas
em alimentos, bebidas e varejo, segmentos
historicamente associados
à festa. Instituições financeiras, plataformas
digitais, veículos de mídia
e empresas com atuação regional
também passaram a tratar o São João
como oportunidade de construção de
vínculo.
Fotos: Divulgação
PRESENÇA
No caso do Bradesco, a festa é
trabalhada como plataforma de relacionamento.
José Marcelo Rossi, head
de mídia, performance e patrocínios
do banco, afirma que a entrada de
uma instituição financeira no São João
precisa se apoiar em conexão cultural
e não apenas em visibilidade. “Na prática,
isso se traduz em ativações que
dialogam com a identidade local, uma
campanha que celebra de forma leve a
conexão entre Campina Grande e Caruaru
e uma estratégia de conteúdo que
prioriza vozes e narrativas da região.
Ao mesmo tempo, oferecemos benefícios
concretos aos clientes, como
condições especiais no Carvalheira na
Fogueira para clientes Bradesco, Bradescard,
Next e Digio”, destaca.
PROPRIEDADES
A movimentação também aparece
entre veículos e plataformas que criaram
as próprias propriedades comerciais
ligadas ao período. Pelo terceiro
ano consecutivo, Salvador recebe o Terraiá,
evento proprietário do Terra. Com
expectativa de reunir mais de cinco
mil pessoas no Museu de Arte Moderna
da Bahia, nos dias 13 e 14 de junho,
a edição de 2026 terá atrações como
Silva, Mariana Aydar, Falamansa e Joyce
Alane, além de ativações culturais, gastronômicas
e experiências de marca. O
evento também incorpora o calendário
da Copa do Mundo, com a transmissão
da estreia do Brasil no torneio.
DIGITALIZAÇÃO
Se os pátios, praças e arraiais
concentram o público presencial, as
transmissões ao vivo transformam o
São João em programação, audiência
e inventário comercial. Em 2026, a Sua
Música passa a reunir, pela primeira
vez, as festas de Campina Grande e
Caruaru em uma mesma cobertura,
conectando os dois principais polos
Edição de 2026 do Terraiá, evento proprietário do Terra, será realizado em Salvador no Museu de Arte Moderna, em 13 e 14 de junho
Patrícia Andrade, professora da ESPM: caráter espetacular
juninos do país em uma operação digital
integrada.
Para Marcela d’Arrochella, sócia e
diretora-comercial da plataforma, a
integração muda a escala da operação
e o lugar simbólico da Sua Música
dentro da festa. “Reunir Campina
Grande e Caruaru na Sua Música é
como convocar Pelé e Maradona para
o mesmo time”, comparou.
A cobertura terá mais de 300 horas
de transmissão ao vivo, 12 apresentadores
e equipes com mais de 60 profissionais
atuando nas duas cidades.
Para as marcas, a entrega combina
transmissão em resolução 4K e escala
nacional. Marcela revela que, em 2025,
a plataforma alcançou mais de 21 milhões
de pessoas.
Em sua visão, a escala da transmissão
ajuda a reposicionar o valor
da cultura regional para o mercado
publicitário. “O regional deixou de
ser nicho. Hoje, ele é protagonista. O
São João é um dos maiores exemplos
dessa transformação. O que nasce no
Nordeste carrega autenticidade, identidade
cultural e conexão emocional,
atributos cada vez mais valorizados
pelo público e pelas marcas”, diz.
Para os anunciantes, a principal
mudança está na passagem do patrocínio
de presença para a participação
em uma operação de conteúdo. “Patrocinar
uma festa é garantir presença.
Participar de um projeto de conteúdo
é construir relevância, entrar na
conversa de verdade e fazer parte da
cultura. Quando uma marca entra em
uma transmissão ao vivo, ela deixa de
Vinicius Machado, fundador e CEO da Sotaq: tradutor cultural
ser apenas patrocinadora e passa a
fazer parte da história. Ela se conecta
com o público antes, durante e depois
do evento, ampliando exponencialmente
seu alcance e suas possibilidades
de interação”, afirma Marcela.
O ponto comum entre as diferentes
estratégias é a tentativa de
ocupar uma data que combina afeto,
território e consumo. Mas, como apontam
Patrícia e Machado, o crescimento
comercial não elimina a necessidade
de contexto. A profissionalização
pode fortalecer o São João ao gerar
investimento, turismo, empregos e
visibilidade para produtores locais,
mas também pode enfraquecer seus
códigos quando marcas chegam com
fórmulas genéricas, pouca escuta e
leitura superficial da cultura.
26 8 de junho de 2026 - jornal propmark
negócios & consumo
Porto Bank amplia a aposta em
gastronomia com patrocínio ao Taste
Banco ocupa a cota master do festival e usa evento para reforçar
benefícios do cartão e presença em territórios de lifestyle
Divulgação
@Viniquefala/Divulgação
Oliver Haider, superintendente de marketing da Porto: “Busca por conectar ao lifestyle”
Espaço de Porto Bank no festival Taste, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo
Bruna Nunes
O
Porto Bank é o patrocinador
master do Taste São Paulo 2026.
Realizado no Parque Villa-Lobos,
em São Paulo, o festival teve programação
entre maio e junho e encerrou
a temporada neste domingo (7). A
edição deste ano marca os dez anos
do evento, considerado uma das principais
plataformas de gastronomia,
entretenimento e cultura da capital
paulista. A participação no festival
conversa com o programa ‘Gastronomia
Porto Bank’, que oferece benefícios
em restaurantes de São Paulo,
Rio de Janeiro e Belo Horizonte, como
reservas exclusivas, sobremesas e
welcome drinks.
Segundo Oliver Haider, superintendente
de marketing da Porto, a escolha
pelo festival faz parte de uma
estratégia de construção de marca
em territórios ligados ao cotidiano e
ao estilo de vida dos clientes. “Sempre
buscamos nos conectar ao lifestyle,
à cultura. Porto patrocina diversas
frentes e o Taste veio para complementar
esses recortes”, afirma Haider.
A presença acompanha um movimento
mais amplo de marcas financeiras
que têm buscado sair de uma relação
estritamente transacional com
o consumidor. No caso do Porto Bank,
a gastronomia funciona como uma
ponte para um relacionamento mais
próximo, ao transformar benefícios
financeiros em experiências aplicadas
ao momento de lazer e consumo.
Durante o evento, clientes do Cartão
Porto Bank tiveram benefícios
como 25% de desconto na compra de
ingressos, entrada exclusiva com fast
pass, prato gratuito nas ativações
dos restaurantes Ristorantino e Casa
Rios, espaços reservados em aulas e
experiências de conteúdo, além de
brindes e ações exclusivas.
A decisão de ativar o Porto Bank,
inclusive, responde à estratégia de
marca da companhia. Segundo Haider,
a empresa avalia quais frentes
têm maior aderência a cada território
de atuação. “A gente analisa o
território onde cada frente da Porto
mais conversa”, afirma. A proposta,
segundo a marca, é fazer com que
o cartão “deixe de ser percebido
apenas como meio de pagamento e
passe a ocupar também um papel de
acesso a experiências”.
Explorar o tErritório
Na avaliação do executivo, o desafio
em participar de um festival como
o Taste é construir presença de marca
“Pensamos em
como facilitar a
experiência do
cliente no próprio
festival”
em equilíbrio ao motivo principal da
ida do público ao evento. Diferentemente
de uma ativação pensada para
ser o centro da experiência, a estratégia
da Porto buscou se integrar ao
próprio percurso do visitante. “As pessoas
não estão indo pela ativação, estão
indo pela experiência do festival.
Por isso, falamos: vamos focar na presença.
Então, desde nossa negociação
com o Taste, nós pensamos em como
facilitar a experiência do cliente no
próprio festival”, afirma.
Essa lógica também aparece na
forma como o Porto Bank distribuiu
sua presença física pelo espaço. A
marca apostou em aplicar sua identidade
visual ao longo do espaço e
ações conectadas a outras apostas
da Porto, como Fórmula 1 e entretenimento.
“É claro, temos também
nossa ativação, mas temos toda uma
presença de marca forte por todo
o festival, uma identidade visual”,
acrescenta Haider.
ativaçõEs
Uma das principais ativações da
marca foi o Concierge Porto Bank,
experiência em formato de quiz que
recomenda restaurantes dentro do
festival a partir das preferências
do participante, como estilo de cozinha,
tipos de pratos e restrições
alimentares. O benefício é gratuito
e pôde ser ativado diretamente pelo
App Porto, mediante apresentação
de QR Code. A ação contou ainda com
uma roleta de brindes, com itens
como bonés, pins temáticos de Fórmula
1, ingressos para o Teatro Porto
e vouchers de desconto em produtos
e serviços da Porto.
Para Haider, “são investimentos de
longo prazo, mas com rentabilidade”,
afirma. Só no primeiro fim de semana
de festival, dados do Porto Bank contabilizaram
19,9 mil pessoas impactadas,
mais de 1,8 mil ingressos vendidos
para clientes da marca e mais de
2,8 mil acessos à área de gastronomia
do app da Porto.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 27
negócios & consumo
WPI estimula eficiência operacional e
profundidade estratégica nas agências
Holding independente tem no mercado brasileiro a The Group e a
Propeg entre as associadas; evento também debate aplicação da IA
Paulo Macedo
Austin, nos Estados Unidos, não
é só música, universidades e
SXSW. A cidade abrigou durante
quatro dias mais de cem profissionais
de agências independentes que
participaram do encontro anual da
WPI (World Wide Partners). Apenas a
Propeg e a The Group, do Brasil, estão
entre as associadas à rede global que
conecta empresas de comunicação e
marketing em quatro continentes.
Representando a TG, o COO Felipe
Guntovitch acompanhou a pauta que
abordou inteligência artificial, transformação
operacional, relações comerciais
e novos modelos de trabalho
em um momento particularmente delicado
para a economia global.
“A edição deste ano aconteceu em
um contexto de desaceleração econômica,
pressão sobre margens, mudanças
aceleradas no comportamento do
consumidor e impacto crescente da
tecnologia sobre o mercado de comunicação.
O tom das conversas refletiu
exatamente isso: menos previsões
futuristas e mais debates práticos
sobre adaptação, eficiência e sustentabilidade
do modelo de negócio das
agências”, frisa Guntovitch, reeleito
como global board member e diretor
da região Latam da entidade.
“A TG ainda recebeu o prêmio Perfect
Partner, reconhecimento concedido
às agências que mais se destacam
em colaboração e construção de
relacionamento dentro do ecossistema
internacional da rede”, afirma.
A inteligência artificial acabou se
tornando o eixo central do encontro,
mas de uma forma diferente do que
vinha aparecendo nos grandes eventos
de tecnologia nos últimos anos.
“A IA deixou de ser tratada como
tendência futurista para ser discutida
como ferramenta operacional já
incorporada ao dia a dia das agências.
As apresentações mostraram plataformas
capazes de automatizar campanhas
a partir da leitura de dados
Vitor Barros, CEO da Propeg e vice-chairman da WPI, e Felipe Guntovitch, da The Group
sociais, análise de comportamento e
identificação de tendências em tempo
real. A lógica apresentada não era
substituir a criatividade humana, mas
aumentar a capacidade operacional,
acelerar entregas e reduzir o tempo
gasto em tarefas repetitivas”, relembra
Guntovitch.
Ao mesmo tempo, o evento trouxe
um contraponto importante ao
entusiasmo irrestrito em torno da
tecnologia. Nas palavras do COO da
TG, um estudo citado durante as apresentações,
atribuído ao MIT, apontava
possíveis impactos do uso excessivo
de IA sobre criatividade, memória e
pensamento crítico.
“A provocação apareceu menos
como rejeição à tecnologia e mais
como um alerta sobre dependência
excessiva. Em vários momentos, executivos
reforçaram que a inteligência
artificial funciona melhor como suporte
ao raciocínio humano, não como
substituição dele”, afirma Guntovitch.
“A IA funciona
melhor como
suporte ao
raciocínio
humano”
Divulgação
A forma como algumas agências
internacionais vêm conduzindo a
adoção dessas ferramentas de IA
internamente chamou a atenção de
Guntovitch. “Em vez de modelos centralizados
e impostos pela liderança,
várias empresas compartilharam experiências
mais horizontais, nas quais
os próprios times identificam aplicações
úteis para IA dentro de seus
fluxos de trabalho. A ideia defendida
era que a adoção cresce quando a tecnologia
resolve problemas concretos
da operação.”
Guntovitch explica que para a TG,
parte do aprendizado passa justamente
por esse equilíbrio entre eficiência
operacional e profundidade
estratégica, utilizando IA para automação,
análise de dados e ganho de
agilidade sem comprometer repertório
criativo e capacidade analítica.
As discussões sobre relações comerciais
também tiveram peso no
evento da WPI. “Em um cenário mais
instável, marcado por tensões internacionais,
pressão econômica e cautela
nos investimentos, ficou evidente
uma mudança na forma como clientes
e agências constroem parcerias. Uma
das apresentações contrapôs modelos
‘transactional’ e ‘intentional’ de
relacionamento. No primeiro, as relações
são guiadas apenas por RFPs,
orçamento e concorrência direta. No
segundo, passam a ser construídas a
partir de entendimento profundo de
negócio, parceria estratégica e visão
compartilhada de crescimentos”, ele
detalha.
O encontro também trouxe discussões
sobre transformação da cultura
organizacional e gestão de talentos.
“Flexibilidade, aprendizado contínuo,
estruturas híbridas e organizações
orientadas por habilidades apareceram
como fatores diretamente ligados
à competitividade. A ideia de ‘continuous
learning’ deixou de aparecer
apenas como discurso de RH e passou
a ser tratada como necessidade operacional”,
finaliza.
28 8 de junho de 2026 - jornal propmark
agências
AKM completa 30 anos e espera crescer
40% no marketing de experiências
Operação soma mais de dez mil projetos para cerca de mil marcas em
três décadas; hoje tem 140 colaboradores e média de 25 clientes fixos
Mais de dez mil projetos para
cerca de mil marcas. Esse é o
saldo dos 30 anos da AKM, que
“nasceu para criar experiências memoráveis
entre marcas e pessoas. A gente
começou no físico, evoluiu com o digital
e hoje opera com uma visão integrada”,
comemora Celio Ashcar Jr., sócio da
operação ao lado de Rodrigo Rivellino.
A agência também atua em projetos
culturais, sociais e incentivados,
com iniciativas para Gerando Falcões,
Pachamama e Vozes das Periferias.
“Poucas agências conseguem atravessar
três décadas com consistência
verdadeira e evolução constante”, observa
a CEO Juliana Pileggi Suplicy.
A AKM surgiu das operações Mix 21
e Aktuell, que se fundiram em 2013,
originando a Aktuellmix. Em 2021,
adotou o nome AKM, em movimento
de integração entre as frentes digital
Africa Creative lança o curta-metragem
‘Guerras invisíveis’ com o rapper L7nnon
Artista participa pela primeira vez de uma obra cinematográfica, que
alerta para distúrbios de saúde mental causados pela violência urbana
O
rapper brasileiro L7nnon participa
do curta-metragem ‘Guerras
invisíveis’, que conta a história
de um jovem forçado a encarar os
conflitos de um mundo distópico ambientado
no Rio de Janeiro. Esta é a
primeira vez que o artista integra uma
obra cinematográfica. A iniciativa de
branded entertainment é assinada
pela Africa Creative, Sweet Filmes,
Kondzilla e HHR.
“A violência hoje está tão normalizada
que virou estatística.
Eu precisava fazer algo que lembrasse
que tem gente real por trás
desses números”, declara L7nnon.
Angerson Vieira, co-CCO da Africa
Creative, ressalta a “oportunidade
de abordar a saúde mental” dentro
Celio Ashcar Jr., Juliana Pileggi Suplicy e Rodrigo Rivellino: experiências memoráveis
Jovem é obrigado a enfrentar violência em um ambiente distópico no Rio de Janeiro
de uma narrativa que mostra o impacto
da violência urbana no bem-
-estar da periferia.
Divulgação
Divulgação
De cenas com hiper-realismo urbano,
a obra tem na música a mistura
do rap com acordes clássicos.
e presencial. Hoje, se posiciona como
agência full service voltada a experiências,
mídia de performance e soluções
que conectam os ambientes online
e offline. Possui 140 colaboradores,
média de 25 clientes fixos, e projeta
crescimento de aproximadamente
40% em relação ao ano anterior.
“A gente não chegou aos 30 anos
fazendo mais do mesmo. Chegamos
porque construímos uma cultura de
pessoas inquietas”, resume Rivellino. A
agência já realizou projetos para Nokia
Trends, Athina Onassis Horse Show, Santander
150 anos, Mastercard Surpreenda
e Hospitality COI para as Olimpíadas Rio
2016, além de ativações no Rock in Rio
e CCXP. A AKM também assina o slogan
‘Juntos num só ritmo’, para a Copa do
Mundo da Fifa de 2014; e a ação ‘Abra a
boca e coma o site’, para Hershey’s, que
ganhou Leão de Prata no Cannes Lions.
Compostos pela orquestra ‘Novo
traço’, com direção de Rafaello Ramundo,
os arranjos foram gravados
ao vivo, em parceria com Papatinho.
“Existem guerras que ninguém
vê e talvez as mais difíceis sejam
justamente as nossas guerras internas”,
lembram Kaique Alves e Thiago
Eva, diretores da Sweet Filmes. “É
um privilégio estar rodeado de profissionais
com vontade de ir além”,
emenda o fundador e produtor-executivo
Kako Tufano.
A produção inclui Adriano Stoor,
Daniel Alves e Fernando Alonso, com
A-Gandaia na composição, mixagem
e finalização do áudio; pós-produção
da Tribbo; color da Bleach Filmes; e
inteligência artificial da Spicy.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 29
marcas
Pelúcias, cerveja grátis e ex-jogadores
tentam animar a torcida pelo hexa
Betano, Brahma, iFood, Itaú, Nike, Mercado Livre e Rexona estão entre as
marcas que criaram campanhas para mobilizar os brasileiros no Mundial
Janaina Langsdorff
As marcas montaram uma força-
-tarefa para convencer o brasileiro
a torcer pela conquista do
hexacampeonato do Brasil na Copa do
Mundo da Fifa, que será realizada nos
Estados Unidos, Canadá e México entre
os dias 11 de junho e 19 de julho de
2026. Só 33% dos brasileiros confiam
na chegada da sexta estrela, de acordo
com pesquisa do Datafolha feita
com 2.004 pessoas de 136 cidades em
junho de 2025. Esse é o menor indicador
da série iniciada em 1994.
A aposta da Betano vem com a certeza
de que ‘Acreditar faz acontecer’. A
plataforma incorporou ação baseada
na cultura gamer. Um solitário personagem
não jogável (Non-Playable Character)
sai do videogame para a vivência
real da Copa ao som de releitura da
música ‘Mr. Lonely’.
“É um contraste que transforma
a emoção do futebol em algo
impossível de programar”, declaram
em nota Felipe Paiva e José
Ferraz, group creative directors da
Wieden+Kennedy São Paulo, agência
criadora da campanha que será veiculada
em 14 países da América do
Sul e Europa. A Betano é apoiadora
do Mundial nessas regiões. A produção
é da Primo Argentina, com pós-
-produção da Nexus Londres.
Ativações com torcedores serão
adaptadas conforme as peculiaridades
de cada mercado. Estão previstos
três ajustes de personagens, que
pretendem “traduzir a emoção crua e
coletiva de ser torcedor”, conta Pablo
Puertas, global marketing director
da Kaizen Gaming, dona da Betano. A
marca retoma parceria com a Fifa realizada
na Copa do Catar, em 2022, e no
Mundial de Clubes de 2025.
Em 31 de maio - dia da goleada do
Brasil por 6 a 2 contra o Panamá, em
amistoso de despedida prévio à ida
do time para os Estados Unidos -, a Betano
coloriu ruas da Lapa e Copacabana,
no Rio de Janeiro. A curadoria é de
Personagem sai de videogame para a vivência real da Copa do Mundo em campanha criada pela Wieden+Kennedy para a Betano
NaLata com os artistas Crânio, Talita
Persi e Leandro Otik. A última partida
preparatória da equipe ocorreu contra
o Egito, no Huntington Bank Field,
em Cleveland (EUA), no dia 6 de junho.
Betano e Effect Sport organizarão
o Festival Futebol & Samba, no
Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu,
em São Paulo, nos dias 13, 19
e 24 de junho. Ingressos podem ser
adquiridos na plataforma Sympla. A
expectativa é receber até seis mil
pessoas por edição.
O espaço transmitirá jogos em telões,
terá ativações de marcas, área
com food trucks e apresentações ao
vivo de samba, pagode e outros ritmos
brasileiros. A Betano ainda patrocina
fan zones na Arena Copacabana,
no Rio de Janeiro; Torcida Alegre, em
Porto Alegre (RS); Festival Na Praia,
em Brasília; e no São João de Campina
Grande, na Paraíba.
Passarinho
Além de Betano, Wieden+Kennedy
traz o conceito ‘Joga solto’ no filme
‘Um passarinho me contou’, para a
Nike, fornecedora oficial de material
esportivo da seleção brasileira. A
produção é inspirada no cantor João
Gomes e seu filho brincando de bola,
imagem que viralizou nos últimos
meses.
“Cresci querendo ser jogador e
vendo o futebol como parte da vida
das pessoas. Na rua, com os amigos,
a família, no estádio. Participar desse
filme foi a realização de mais um sonho.
É muito bom falar de um futebol
mais leve, do jeito brasileiro mesmo,
que faz parte da nossa história desde
criança”, comenta Gomes.
O universo musical nordestino
embala cenas de futebol e imagens
dos jogadores da seleção. “Mais do
que falar apenas sobre o jogo dentro
de campo, queríamos contar uma
história humana, cultural e emocionalmente
verdadeira sobre a forma
como o Brasil vive o futebol”, relata
Renato Aguiar, diretor de marketing
da Fisia, distribuidora oficial da Nike
no Brasil. O filme pode ser assistido
Divulgação
“É um contraste
que transforma
a emoção do
futebol em algo
impossível de
programar”
30 8 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
Carlo Ancelotti e Ronaldo Fenômeno em ação da Africa Creative para a cerveja Brahma
Drones formam Canarinho do iFood no Maracanã (RJ) em amistoso no dia 31 de maio
nos canais da Nike e da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF).
Itaú Unibanco transmitiu a escalação dos jogadores do time de Ancelotti com sinal da Globo em telas da Eletromidia em São Paulo
Mais apostas
A concorrente Superbet lançará
edição limitada da ‘Coleção Super by
Superbet’ no dia 13 de junho, data da
primeira partida da seleção brasileira,
contra o Marrocos, no MetLife Stadium,
em East Rutherford, Nova Jersey (EUA),
às 19h (horário de Brasília). Três mil peças
foram confeccionadas pela estilista
Kananda Soares, da Favela Hype, e
estarão disponíveis nas watch parties
patrocinadas pela empresa. A ação é da
Jnto, com filme assinado por Mlk Brutal,
e inclui camisa em homenagem a Cafu.
A casa de apostas entrou ainda
com a campanha nacional ‘Convoque
os seus’ em criação da GUT estrelada
pelos ex-jogadores Cafu, Zinho,
Renato Gaúcho e Túlio Maravilha. A
direção é de Clovis Mello, com fotografia
de Lucas Mello.
O primeiro filme, ‘A convocação’, foi
veiculado após o anúncio da seleção
brasileira pelo técnico italiano Carlo
Ancelotti no dia 18 de maio. Com o apresentador
João Silva, influenciador e embaixador
da marca, a segunda produção
se chama ‘Passa a bola’ - nome de jogo
em grupo gratuito lançado no dia 2 de
junho. ‘Chute certo’ fecha a estratégia.
A Superbet estruturou também a
pesquisa ‘Termômetro Superbet’, realizada
com o QualiBest para mapear
o sentimento da torcida brasileira. O
levantamento mostrou que um em
cada cinco brasileiros faria convocações
diferentes de Ancelotti.
O estudo foi realizado nos dias 18 e
19 de maio, com 811 pessoas. Os próximos
dados serão gerados após os jogos
da seleção nos dias 13, 19 e 24 de junho.
Cerca de 35% do investimento anual da
companhia está concentrado em ações
acerca do Mundial, validadas pela plataforma
‘Você sente quando é super’.
A bet é patrocinadora master da
transmissão da TV Globo; apoia conteúdo
gerado pela Rádio Mix; e assina
os naming rights do Village Superbet,
no Rio de Janeiro, e da Arena Brasileira,
em São Paulo. Tem ainda parceria
capitaneada pelo Kwai for Business,
unidade de negócios do Kwai, e a
agência Samy, para a produção da série
‘Rota 32’ no Globoplay.
Apresentada pela jornalista Carol
Barcellos, a obra acompanha os bastidores
do Mundial nos Estados Unidos.
Há ainda a Super Kwai Arena, espaços
para ativações montados em Nova
York e Miami. A Romário TV deve gravar
podcast com os ex-jogadores Romário
e Cafu, em Nova York, no dia 15 de junho.
A cobertura do Kwai segue o projeto
“Queríamos
contar uma
história
verdadeira sobre
como o Brasil
vive o futebol”
‘Não-transmissão oficial: futebol além
dos 90 minutos’, idealizado em conjunto
com a agência YouDare, do grupo
Dreamers. A ideia atende ao público
que utiliza o celular como segunda
tela para assistir eventos esportivos.
O ex-jogador Neto dá o seu aval para a
estratégia. O Kwai montou equipe com
mais de 20 criadores nos países-sede e
no Brasil, além de creators selecionados
com o ‘Canal Missão Sports’.
sortudos
Esportes da Sorte propõe que o
brasileiro ‘Torça como um corintiano’.
A sugestão idealizada pela agência
Brenda, com direção de Lucca Meloni
e Adriano Alarcon (Nocandy), é inspirada
na lealdade da Fiel. A marca é
patrocinadora máster do Corinthians.
O filme estreou durante os programas
‘Em família, com Eliana’ e ‘Fantástico’,
da TV Globo, no dia 10 de maio, e
foi transmitido simultaneamente no
telão da Neo Química Arena em par-
jornal propmark - 8 de junho de 2026 31
Fotos: Divulgação
Cena de filme criado pela Wieden+Kennedy para Nike com o conceito ‘Joga solto’
Neymar Jr. e Ronaldo Fenômeno divulgam data dupla 6.6 no Mercado Livre com GUT
tida com vitória do Corinthians por 3
a 2 contra o São Paulo, válida pela 15ª
rodada do Campeonato Brasileiro.
A frase estampou a camisa dos
jogadores. Nas arquibancadas, foram
distribuídas faixas e a torcida subiu um
bandeirão. A marca produziu também a
campanha ‘Convoque’, com Léo Santana,
Jojo Todynho e Marcelinho Carioca.
Na contagem regressiva para a
Copa, a Betsul trouxe o ‘Torcedor roxo’,
que nasceu para “traduzir o sentimento
de quem vive intensamente cada
jogo”, revela Lucas Ferreira, CMO da
Betsul. O comercial foi desenvolvido
com inteligência artificial pela equipe
de marketing da empresa.
De acordo com a Kantar, 37% dos
brasileiros pretendem apostar em
resultados de partidas (51%), número
de gols (26%), campeão da Copa
(18%), lances específicos (10%) e artilheiro
(8%).
Sede de vitória
‘Tá liberado acreditar’. É com essa
mensagem, lançada em 2025 com autoria
da Africa Creative, que Brahma,
marca da Ambev - patrocinadora da
Copa -, incita o torcedor. O movimento
ganhou força no dia 6 de maio com
curta-metragem em que Ronaldo
Fenômeno e Ancelotti aparecem em
cenas gravadas no centro do Rio de
Janeiro. No dia 31 do mesmo mês veio
a promessa de liberar cerveja grátis
para os consumidores caso a seleção
brasileira traga o hexacampeonato.
Brahma “abrasileirou” Ancelotti
no Carnaval e apresentou filme de
‘Tá liberado acreditar’. A campanha
esteve presente na convocação da
seleção brasileira; em edição especial
de jornal com o ‘Rasga a zica’;
Ronaldinho Gaúcho vira “bruxo do churrasco” em filme da Lola\TBWA para Maturada
nas ruas das principais capitais do
país, com ativações nas Arenas Nº
1; e em espaços patrocinados pela
marca. Está ainda nas gôndolas com
a nova embalagem de Brahma, disponível
em latas e garrafas comercializadas
em todo o país.
A Ambev convida também os torcedores
a acreditar no “gol de peixinho”,
com o endosso da cerveja saborizada
Flying Fish - que significa “peixe voador”
-, e filme estrelado pelo apresentador
e jornalista esportivo Lucas
Gutierrez.
Em maio, a Ampfy, agência do
ecossistema Biosphera.ntwk, conquistou
a conta da marca após vencer
processo de concorrência. Já
Budweiser, em parceria com a plataforma
Zé Delivery, resgatou o ‘Bolão
Bud’, com dinâmicas sobre conhecimento
do futebol, criação de ligas,
disputa de rankings e prêmios.
Rexona e iFood
têm coleções
de pelúcias
para mobilizar
torcedores
No lado dos destilados, a Diageo
convida a brindar gols com Johnnie
Walker. Plataforma criada pela empresa
de brand e shopper experience
Score Agency, também pertencente
à Biosphera.ntwk - em parceria com
AlmapBBDO e Octagon - explora o conceito
‘A Copa merece um brinde grandioso’
no varejo, com espaços para
celebrações e estruturas modulares
que simulam um ambiente pré-jogo; e
no digital, com conteúdos e receitas.
Redes de comércio eletrônico e
conveniência entram como extensão
desse fluxo, enquanto as ativações
on trade de Localle Caffè, Pullman
e Gran Mercure transformam o
ato de brindar em espetáculo, com
cartas especiais e momentos de
serviço coreografados.
No terreno dos refrigerantes, a
Coca-Cola cabeceia sozinha. Patrocinadora
da competição há quase cinco
décadas, a marca conduziu em fevereiro
o tour da taça da Copa do Mundo,
que passou por São Paulo, Rio de
Janeiro e Brasília, acompanhada pelo
ex-jogador Cafu, embaixador da Fifa.
No Rio de Janeiro, apresentou remix
de hino da Copa do Mundo de 2026
para a América Latina, composto pelo
DJ e produtor Pedro Sampaio. O cantor
colombiano J Balvin, a cantora e
compositora norte-americana Amber
Mark, o baterista Travis Barker e o
guitarrista Steve Vai criaram a trilha
global com releitura de ‘Jump’, hit de
Van Halen dos anos 1980.
em cena
O ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, o
“bruxo do churrasco”, apresenta campanha
da Lola\TBWA com produção da
Surreal e som da S de Samba, que traz
32 8 de junho de 2026 - jornal propmark
o conceito ‘Futebol chama churrasco,
e essa paixão fica completa com Maturatta’.
A linha de churrasco da Friboi
utilizou a palavra “chama” para criar
associação com o fogo da grelha e o
gesto de reunir amigos.
Com o jogador Vini Jr., Rexona endossa
manifesto divulgado após a
convocação da seleção brasileira. Patrocinadora
oficial da Copa, a marca
de antitranspirantes da Unilever coloca
o torcedor como o ‘Último convocado’.
Ronaldo Fenômeno, embaixador
da marca para o Mundial, participa do
filme criado por Lola Madrid.
Ambos estampam edição limitada
com quatro desodorantes. Ronaldo
divulga a promoção ‘Mascote fenomenal’,
que traz as pelúcias Maple (Canadá),
Zayu (México) e Clutch (Estados
Unidos). Há ainda duas latas ilustradas
pela taça do torneio.
Outra marca da Unilever, o xampu
anticaspa Clear, encampa “Mentaliza e
faz história”, que traz conteúdo sobre
confiança, preparação e performance
para as redes sociais, com Vinicius Junior
e o streamer e influenciador Coringa,
gravado em Madri, na Espanha,
onde mora o camisa 7.
Na tabelinha com Mercado Livre,
Neymar Jr. e Ronaldo promoveram
ofertas e frete grátis em compras
acima de R$ 19, de televisores, smartphones
e itens de moda. Também
criada pela GUT, a ação da data dupla
6.6 convoca o torcedor a se “preparar
para o futebol de um jeito inteligente”,
convida Cesar Hiraoka, diretor sênior
de marketing do Mercado Livre,
que patrocina CazéTV e Casa CazéTV.
Banco
Com a plataforma ‘Torcendo feito
você’, Itaú não fica no banco. Ao lado
da Globo, transmitiu o anúncio da lista
de Ancelotti em telas da Eletromidia
espalhadas por abrigos de ônibus das
avenidas Paulista, Brigadeiro Faria
Lima e Engenheiro Armando de Arruda
Pereira - todas em São Paulo. A ação é
da Africa Creative.
Patrocinador oficial das seleções
brasileiras de futebol, o Itaú Unibanco
levou o sinal da emissora ao vivo
às telas de mobiliário urbano. A ação
ainda estampou a imagem dos 26
jogadores convocados em 1.350 painéis
digitais espalhados pela capital
paulista. O projeto se desdobrou nas
redes sociais em parceria com a Viu,
incluindo conteúdos gerados por creators
parceiros.
Reprodução
Jogador Vini Jr. no filme ‘Último convocado’, da Lola Madrid para Rexona, da Unilever
Ex-jogadores Zinho, Túlio Maravilha, Cafu e Renato Gaúcho em projeto da Superbet
A jogada do banco Mercantil é com
o ex-jogador Roberto Carlos, que está
em ‘Achou que era o outro?’. A agência
mineira Kind Branding assina a
campanha, que foi veiculada nacionalmente
no dia 25 de maio. A mensagem
destaca valores de confiança, proximidade,
credibilidade e simplicidade.
Torcida enTregue
Canarinhos do iFood atiçam torcedores.
A coleção de pelúcias - inspirada nos
títulos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 -
Divulgação
foi lançada no dia 18 de maio e permanece
válida até 26 de junho - ou enquanto
durarem os estoques. O mascote foi desenhado
por drones no Maracanã, no Rio
de Janeiro, durante o amistoso da seleção
brasileira contra o Panamá. Batizado
de ‘A selfie iFood é do Brasil’, o show
teve 1,2 mil dispositivos aéreos.
A empresa une consumidores,
entregadores e estabelecimentos
parceiros sob a estratégia ‘iFood. É
do Brasil. É tudo pra mim’. Há 15 anos
em operação no mercado brasileiro,
a marca é patrocinadora da CBF; e da
CazéTV, desde 2022, onde tem estratégia
de branded content, integração na
programação, ações digitais e conteúdos
voltados à torcida.
Em parceria com a Panini, mantém
loja oficial com entregas a partir de
dez minutos. Promoveu também encontro
para troca de figurinhas no
Parque Ibirapuera, em São Paulo, no
dia 30 de maio. Em 2022, a companhia
entrou para o Guinness Book com a
maior troca de figurinhas do mundo.
Reuniu 1.447 colecionadores em um
único encontro no parque paulistano.
Nem entregadores ficam no escanteio.
O iFood distribuiu bags, jaquetas,
moletons e camisetas UV - itens
oficiais da CBF. Ademais, criou campanhas
com oportunidade de ganho
extra e ativações com transmissão
de partidas. A iniciativa é chancelada
pela frente ‘O jogo começa na rua’.
O impulso dos restaurantes chega
com campanhas, mídia e presença em
pontos de venda, com a expectativa
de envolver mais de dez mil parceiros,
especialmente em São Paulo, Rio de
Janeiro e Belo Horizonte. Os estabelecimentos
serão apoiados pela plataforma
educacional gratuita ‘Trilha
decola’, com orientações conduzidas
por Rapha Silva, especialista em capacitação
de restaurantes parceiros.
No campo adversário, a plataforma
de delivery Keeta chamou o russo Iurii
Torskii, o ‘Feiticeiro do hexa’, para campanha
narrada por Rômulo Mendonça.
A criação é da Suno United Creators. A
marca da chinesa Meituan patrocina
as transmissões esportivas do SBT,
inseriu Galvão Bueno ao seu núcleo de
influenciadores e oferece promoções
diárias de até 50% no aplicativo.
Sai “zica”
A Centauro lançou a ‘Meia antipé-
-frio’, disponível nas cores verde e
amarelo, vendida exclusivamente no
e-commerce da varejista com preço
sugerido de R$ 29,90 o par avulso (verde
ou amarelo) e R$ 49,90 o kit com
dois pares, sendo um de cada cor.
O desejo de sorte vem também
dos céus. Pintada com a bandeira do
Brasil, uma aeronave E2 da companhia
aérea Azul sobrevoou a orla das praias
da Zona Sul do Rio de Janeiro para homenagear
a seleção brasileira. O voo
de “passagem baixa”, manobra em
que o avião reduz intencionalmente a
altitude com autorização do controle
aéreo, foi realizado no dia 30 de maio.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 33
mídia
‘Vejo um ano cheio de oportunidades’
Cristiano Persona substituiu há
poucos meses Adriana Cacace na
direção geral da FlixMedia (maior
comercializadora de mídia cinema
da América Latina) e afirma que a
nova fase coincidiu com o início
de uma temporada muito forte de
blockbusters nos cinemas, com
estreias como ‘Super Mario Galaxy’,
‘Michael’ e ‘O Diabo Veste Prada
2’. O executivo ressalta que sua
gestão será mais de continuidade
e evolução do que de mudanças.
A seguir, ele fala sobre o avanço
do meio e diz acreditar que exista
muito espaço para evolução, tanto
do ponto de vista publicitário
quanto da expansão do cinema
como entretenimento no Brasil.
Cristiano Persona é o novo diretor-geral da FlixMedia: “Lineup relevante em 2026”
Divulgação
Kelly Dores
Nova fase
Essa nova etapa da Flix coincidiu
justamente com o início de uma temporada
muito forte de blockbusters
nos cinemas, especialmente com
estreias como ‘Super Mario Galaxy’,
‘Michael’ e ‘O Diabo Veste Prada 2’. A
coincidência com um lineup tão relevante
acelerou bastante o ritmo da
operação e trouxe um interesse muito
grande das marcas pelo cinema,
movimentando ainda mais nosso dia
a dia. Ao mesmo tempo, como essa
transição vinha sendo planejada há
bastante tempo, atravessamos esse
início de forma muito fluida, com continuidade,
alinhamento e tudo caminhando
da melhor maneira.
coNtiNuidade
Acredito que este momento seja
muito mais de continuidade e evolução
do que de mudanças. Trabalhei
muito próximo da Adriana nos últimos
oito anos e, especialmente, nos
últimos meses. Muitas das transformações
que planejamos para a Flix já
foram implementadas ou ao menos
iniciadas em conjunto. Claro que o
mercado publicitário é extremamente
dinâmico e novas oportunidades surgem
o tempo todo. Já temos discutido
novos caminhos e projetos, embora
muitos deles ainda estejam em estágio
inicial. Mais do que uma mudança
de direção, vejo este momento como
uma evolução natural da companhia.
O foco é fortalecer ainda mais a Flix
como uma empresa de mídia, dados e
tecnologia conectada às transformações
do mercado publicitário.
mídia programática
Cinema deixou de ser um meio
analógico há bastante tempo. A mídia
programática, por exemplo, é um projeto
que tive a oportunidade de liderar
dentro da Flix e que implementamos
há cerca de dois anos. Fomos uma
das primeiras empresas de mídia em
cinema do mundo a integrar seu inventário
a esse modelo, e hoje nossa
operação já se tornou uma referência
entre players do setor. Além do Brasil,
a Flix já trabalha com programática
em toda a América Latina a partir do
modelo que desenvolvemos por aqui.
Temos avançado continuamente na
ampliação das possibilidades comerciais
e isso conversa diretamente
com outro foco importante da empresa
neste momento, que são os dados
e as métricas. Hoje operamos com
programático garantido e queremos
que anunciantes e agências tenham
liberdade total de escolha ao definirem
o cinema em seus planejamentos,
com acesso ao nosso inventário,
métricas consistentes de entrega e
dados robustos de campanha, seja via
programática ou compra direta.
trajetória
Completo oito anos de Flix em julho.
Iniciei como diretor-comercial e,
há quatro anos, assumi a posição de
VP comercial e operações, passando a
liderar áreas como marketing, planejamento,
BI, operações comerciais e o
próprio comercial. Minha relação com
a publicidade começou há cerca de 30
anos, quando saí do interior para São
Paulo para estudar. A partir daí, passei
por agência, veículo e diferentes
experiências no mercado até chegar à
Editora Abril, onde construí uma parte
importante da minha trajetória profissional.
Foi um período de enorme
aprendizado, convivendo com grandes
líderes, colegas talentosos e pessoas
que ajudaram a moldar muito da
minha visão de mercado e de gestão.
peNdular
Costumo dizer que o mercado publicitário
é bastante pendular. Ao longo
desses 30 anos de carreira, vi muitas
transformações e muitas certezas
absolutas deixarem de ser tão absolutas
assim. Vejo o cinema vivendo
um momento interessante. Durante
muitos anos, nós falávamos praticamente
sozinhos sobre atenção, experiência
coletiva e tela grande. Esses
sempre foram atributos centrais do
meio cinematográfico. Mas, nos últi-
34 8 de junho de 2026 - jornal propmark
Divulgação
As expectativas estão altas para estreias de grandes animações como ‘Minions’, ‘Toy Story’ e o live-action de ‘Moana’ , além da volta das franquias ‘Homem-Aranha’ e ‘Vingadores’
mos anos, a indústria como um todo
passou a olhar muito mais para atenção
como métrica real de efetividade.
Hoje vemos TV aberta, streaming, OOH
e diferentes plataformas falando sobre
atenção, impacto e experiência
audiovisual. E isso acaba reforçando
ainda mais os principais atributos do
cinema. Existe hoje uma compreensão
muito clara de que tela grande de
verdade é a do cinema e que poucos
meios conseguem entregar o nível de
atenção que entregamos. O cinema
vem crescendo a dois dígitos nos últimos
anos e acredito que ainda exista
muito espaço para evolução, tanto do
ponto de vista publicitário quanto da
própria expansão do cinema como entretenimento
no Brasil.
market share
Hoje, o cinema representa uma
parcela relativamente pequena do
bolo publicitário brasileiro, algo em
torno de 0,3% a 0,5% do investimento
total em mídia, dependendo da metodologia
e do período analisado. Mas,
na minha visão, o dado mais interessante
não é o tamanho atual do share,
e sim a desproporção entre share
e impacto. Poucos meios conseguem
entregar o nível de atenção, imersão
e lembrança que o cinema entrega.
Quando olhamos mercados mais maduros,
como Reino Unido, França e
Austrália, vemos o cinema ocupando
shares maiores dentro do mix publicitário.
Isso mostra que existe espaço
para crescimento no Brasil, especialmente
conforme o mercado evolui em
frentes como dados, programática,
retail media e mensuração. Além disso,
estamos vivendo uma combinação
muito favorável para o meio, com
lineups extremamente fortes e uma
geração mais jovem valorizando cada
vez mais experiências coletivas e ambientes
premium de atenção.
sem skip
O cinema reúne características
que hoje se tornaram extremamente
valiosas para as marcas: atenção, impacto
audiovisual, ambiente premium
e experiência coletiva. Entregamos
a maior tela, som sempre ligado e
filmes publicitários sem skip em um
contexto de entretenimento e alta
receptividade da audiência. Trabalhamos
com audiência
garantida utilizando
dados oficiais
de bilheteria da
Comscore, otimizando
campanhas
sempre que necessário
para garantir
o volume contratado
pelos anunciantes.
Além disso, o
meio é totalmente
digitalizado e integrado
à programática,
capaz de veicular qualquer
campanha de vídeo que esteja rodando
em TV, streaming ou plataformas
digitais. O cinema entrega tudo isso
em um momento positivo, de lazer e
entretenimento, algo extremamente
valioso no contexto atual. Hoje falamos
com milhões de brasileiros todas
as semanas. Apenas nas três primeiras
semanas de maio, impactamos
mais de dez milhões de pessoas em
nossas salas. Isso equivale ao público
somado de todos os jogos do Campeonato
Brasileiro de Futebol ao longo de
uma temporada inteira.
“Poucos meios
conseguem
entregar o nível
de atenção,
imersão e
lembrança que o
cinema entrega”
União na pUblicidade
A Flix foi construída com a lógica
de criar uma empresa de mídia em
cinema que tivesse espaço para diferentes
exibidores dentro de um mesmo
ecossistema. Mesmo concorrendo
entre si do ponto de vista da exibição,
os exibidores se unem na publicidade
para entregar alcance, cobertura e soluções
mais alinhadas às necessidades
do mercado anunciante. Além disso,
organizar um meio historicamente
fragmentado facilita muito a operação
das marcas e das agências. Hoje,
ao falar com a Flix, o mercado acessa
cerca de 80% do
público de cinema
no Brasil por meio
de uma única operação
comercial.
Nascemos há 15
anos no Brasil e
atualmente estamos
presentes em
12 países da América
Latina seguindo
exatamente essa
mesma lógica.
telas
Hoje contamos com mais de 2.200
telonas espalhadas por todo o Brasil,
além de diferentes oportunidades
comerciais dentro dos cinemas, como
ativações, ações de hall, projetos de
conteúdo e soluções de DOOH.
estreias
As expectativas estão altíssimas.
Estamos vivendo um dos melhores
anos de lineup que já acompanhei no
cinema. É até difícil citar títulos específicos
porque sempre acabamos esquecendo
algum, mas ainda teremos
grandes animações como ‘Toy Story’
e ‘Minions’, o live-action de ‘Moana’,
além da volta às telonas de duas das
maiores franquias de super-heróis da
história, com ‘Homem-Aranha’ e ‘Vingadores’.
Também teremos títulos
extremamente aguardados como ‘A
Odisseia’, ‘Duna: Parte 3’, ‘Verity’ e ‘Dia
D’, entre muitos outros. Julho historicamente
já é um dos períodos mais
fortes do cinema por conta das férias
e porque Hollywood costuma concentrar
nesse momento algumas de suas
maiores produções.
copa e eleições
Sou bastante otimista e vejo um
ano cheio de oportunidades. Copa
do Mundo e eleições naturalmente
movimentam o mercado publicitário
como um todo; isso é inevitável.
Mas temos um lineup extremamente
forte neste ano e muita convicção de
que teremos grandes públicos nos cinemas.
Inclusive, muitas marcas que
tradicionalmente trabalham o tema
Copa, como Brahma e Volkswagen,
já estão utilizando nossas telas em
suas campanhas, então conseguimos
construir boas oportunidades
comerciais mesmo durante esse
período. Sobre eleições, acredito
muito no cinema como um ambiente
brand safety para as marcas. Em
um contexto de polarização crescente
em diferentes plataformas, o
cinema oferece um espaço positivo,
premium e de entretenimento para
a comunicação. Já podemos afirmar
que teremos um crescimento de
dois dígitos no primeiro semestre de
2026, em relação ao mesmo período
de 2025, o que nos deixa bastante
animados para o restante do ano.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 35
mídia
58% dos passageiros de ônibus de SP
buscam promoções de Copa do Mundo
Conduzido pelo RZK Insights, estudo feito em 40 terminais urbanos
de São Paulo revela que 77% pretendem acompanhar os jogos
Pesquisa realizada pela RZK Digital
com 16.740 passageiros
de ônibus em 40 terminais
urbanos de São Paulo revela que
77% dos entrevistados pretendem
acompanhar os jogos do principal
torneio de futebol do ano. O levantamento
também mostra que 58%
têm interesse em promoções de
marcas relacionadas ao evento, 62%
já compraram produtos motivados
pelo campeonato e mais da metade
afirma alterar a rotina de trabalho e
lazer durante o período das partidas.
Conduzido pelo RZK Insights, o estudo
teve nível de confiança de 99% e
margem de erro de 1%. Entre os entrevistados,
33% afirmam que assistirão
aos jogos da seleção brasileira, enquanto
28% pretendem acompanhar
todas as partidas da competição. O
engajamento também se reflete no
comportamento de consumo: 72% disseram
que costumam vestir a camisa
da seleção na hora de torcer.
Quando o assunto é alimentação
durante os jogos, o churrasco lidera
a preferência dos torcedores, citado
por 26% dos participantes. Em seguida
aparecem os salgados, como
pastel e coxinha (19%), doces e sorvetes
(15%), snacks como pipoca, amendoim
e salgadinhos (15%) e bebidas
alcoólicas (14%).
A pesquisa também identificou hábitos
de compra relacionados ao consumo
durante as partidas. Entre os
entrevistados, 44% preferem adquirir
alimentos em lojas físicas, enquanto
38% optam por aplicativos de delivery
e 18% utilizam aplicativos próprios
dos estabelecimentos.
O impacto do torneio na rotina
dos consumidores também chama
a atenção: 51% afirmam mudar compromissos
de trabalho e lazer para
acompanhar os jogos. Sobre os locais
preferidos para assistir às partidas,
29% escolhem bares e restaurantes,
26% preferem reunir amigos e familiares
em casa, 21% acompanham
sozinhos, 13% assistem na empresa
Os dados foram coletados de forma anônima junto aos usuários da rede wi-fi gratuita disponibilizada nos terminais
com colegas de trabalho e 11% optam
por clubes esportivos e sociais.
Os dados foram coletados de forma
anônima junto aos usuários da rede
wi-fi gratuita disponibilizada nos terminais
administrados pela RZK Digital,
em conformidade com a Lei Geral
de Proteção de Dados (LGPD). Ao acessar
a rede, os passageiros respondem
a questionários sobre hábitos de
consumo por meio de perguntas de
múltipla escolha.
“O campeonato muda a rotina da
cidade, deslocamentos, horários e
comportamento. O DOOH está nesses
momentos. Quando bem usado,
deixa de ser ambientação e passa a
prestar serviço: informação em tempo
real sobre o evento, integrada a
51% afirmam
mudar
compromissos de
trabalho e lazer
para acompanhar
os jogos
conteúdo jornalístico e ao contexto
da cidade. Nesse cenário, a mídia deixa
de ser apenas exposição e passa a
ter utilidade. Os dados desta pesquisa
reforçam o potencial de consumo
do público que circula diariamente
nos terminais, que pode e deve ser
explorado por marcas e produtos em
Divulgação
campanhas assertivas. Mais de 82%
deste público passa pelo mesmo terminal
na ida e na volta do seu destino
no mesmo dia, o que reforça a importância
da RZK Digital como um veículo
estratégico para atribuir mais frequência
e lembrança da marca”, afirma
Paulo Queiroz, CEO da RZK Digital.
Ele informa ainda que a RZK estruturou
o projeto ‘Voz do torcedor’, que
acompanha diariamente a percepção
das pessoas sobre o torneio em
ambientes de mobilidade. “A ideia é
transformar essa escuta contínua em
insumo para as marcas, permitindo
que a comunicação reflita o que o torcedor
está sentindo em tempo real —
e não apenas o calendário do evento”,
completa Queiroz.
36 8 de junho de 2026 - jornal propmark
ppa
Globo lança categoria para estudantes
em ação realizada com o Movimento Led
Nova frente propõe campanhas educacionais e terá mentorias, aulas
e workshops para finalistas; vencedor será conhecido em novembro
Fotos: Divulgação
Manzar Feres, diretora de negócios integrados em publicidade da Globo
Suzana Pamplona, da Globo, e Glaucia Montanha, da Artplan e Lovely
Vitor Kadooka
A
Globo anunciou, na terça-feira
(2), a criação de uma categoria
do PPA, o Prêmio Profissionais
do Ano, voltada a estudantes do Brasil
matriculados em cursos de publicidade
ou marketing, maiores de 18
anos. A novidade amplia o escopo da
premiação, criada em 1978 e dedicada
a reconhecer campanhas, talentos e
ideias da publicidade brasileira.
Com o tema ‘O papel da educação
na transformação social’, a nova categoria
tem a educação como eixo e
será conectada ao Led, movimento
criado pela Globo e pela Fundação
Roberto Marinho para reconhecer
iniciativas inovadoras na área.
Válidas até o dia 5 de julho, as
inscrições devem ser individuais, em
dupla ou trio. Um professor deve ser
escolhido para acompanhar o projeto
como monitor. Viridiana Bertolini,
gerente-sênior de valor social da Globo,
explica que os trabalhos deverão
propor uma campanha multiplataforma
pensada para o ecossistema
da Globo.
Após a avaliação inicial, três grupos
serão selecionados para uma
imersão na empresa, com mentorias,
aulas e workshops. Os finalistas desenvolverão
vídeos conceituais, que
serão avaliados pelo júri do PPA em
setembro. O vencedor será anunciado
na cerimônia do prêmio, marcada
para o mês de novembro.
A campanha vencedora será cocriada
com a Globo, produzida e veiculada
nas plataformas da empresa.
“Queremos bater todos os nossos
recordes de inscrições de editais.
Então a gente está contando muito
com o apoio também das universidades”,
disse Viridiana.
Segundo Cristovam Ferrara, diretor
de valor social da Globo, a escolha
do tema acompanha uma trajetória
de mais de 50 anos da companhia na
pauta educacional. Segundo ele, a
educação ocupa papel central nessa
estratégia de iniciativas da Globo ligadas
à área social.
“Essa categoria, que nós vamos
lançar dentro do Prêmio Profissionais
do Ano, na prática, faz parte do
movimento Led Globo”, esclarece. A
proposta é estimular estudantes a
desenvolverem ideias capazes de
responder a desafios reais da educação.
sem susto
Para Manzar Feres, diretora de
negócios integrados em publicidade
“É um prêmio
muito especial
porque não
tem campanha
fantasma”
da Globo, o PPA ocupa um espaço
particular no calendário do mercado
por reconhecer trabalhos que efetivamente
foram ao ar. “É um prêmio
muito especial porque não tem
campanha fantasma. Todas foram
veiculadas na plataforma Globo. A
campanha foi executada, rodou e
apresentou resultado para alguém”,
garante.
Ao comentar a evolução do negócio
publicitário da Globo, Manzar disse
que a empresa tem buscado aprofundar
sua relação com anunciantes
a partir dos desafios de negócio das
marcas. Para ela, a companhia deixa
de atuar apenas como um ecossistema
que cria produtos para o mercado
publicitário para se aproximar
da compreensão dos problemas de
negócio dos clientes.
reflexo
A discussão também passou
pelo uso de dados na construção
de estratégias para marcas. Suzana
Pamplona, diretora de pesquisa e
tendências da Globo, alerta que o desafio
está em transformar dados em
informação útil para o mercado. A
executiva coloca, por exemplo, o estudo
‘Brasil no espelho’ como insumo
para que as marcas se perguntem:
“O quanto estamos conectadas aos
nossos públicos?”.
No debate sobre métricas, Suzana
defende que a escolha dos indicadores
deve partir do objetivo de cada
marca. De acordo com ela, a questão
central é entender “o que faz sentido
para aquela marca e o seu objetivo”,
já que há muitos parâmetros disponíveis.
Glaucia Montanha, sócia e diretora
da Artplan e Lovely, lembra que o
processo exige alinhamento prévio
com o cliente. “Crie um critério que
você alinhe com o cliente porque,
muitas vezes, nem o cliente sabe.
Além da confusão das métricas, a
melhor resposta é qual a pergunta
que você precisa responder”, orienta.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 37
cannes lions
‘Estar do outro lado muda a perspectiva’
Fundador e produtor de som da
Hefty Music & Sound, Edu Luke
já soma mais de 250 prêmios
internacionais, incluindo 69 Leões
em Cannes, com seis Grand Prix
e nove Ouros. Neste ano, ele
acrescenta o papel de concorrente
ao de jurado no Cannes Lions, na
categoria Audio & Radio. Antes
de fundar a empresa, em 2015,
o multi-instrumentista, compositor
e produtor já foi indicado ao
Latin Grammy e construiu sua
trajetória entre a música, o
audiovisual e a publicidade. “Você
deixa de olhar só para ‘como eu
faço para ganhar’ e passa a pensar
‘como eu protejo o valor desse
prêmio’”, comenta.
Edu Luke: “Não me deixo encantar só pela beleza da produção”
Divulgação
Bruna Nunes
jurado
É a primeira vez que eu participo do
Cannes Lions como jurado de categoria.
Estar do outro lado da mesa muda
completamente a perspectiva. Você
deixa de olhar só para “como eu faço
para ganhar” e passa a pensar “como
eu protejo o valor desse prêmio”. A
responsabilidade aumenta muito:
cada decisão ali afeta carreiras, posicionamento
de mercado e, em certa
medida, a história recente da nossa
indústria.
expectativas
Minha expectativa é encontrar trabalhos
que comprovem que Cannes
não é apenas um show de criatividade,
mas um lugar onde se celebra o que
realmente move a agulha no mundo
real. Espero ver ideias em áudio que
sejam ao mesmo tempo simples de
entender e sofisticadas na execução,
que tenham legitimidade de marca e
uma relação clara com algum impacto,
seja de negócio, seja cultural ou social.
E também espero sair de lá com a
régua criativa recalibrada para cima.
audio & radio
Em Audio & Radio, eu espero ver o
som sendo tratado como mídia principal,
não como acessório. Campanhas
que usem áudio para criar experiências
genuínas, em contexto real. Em
especial, quero ver soluções criativas
que consigam fazer muito com pouco,
amplificando mensagens de forma orgânica
e não convencional.
tecNoLoGia
O que realmente pesa é: a IA serviu
à ideia ou a ideia está servindo à
IA? Se a IA foi usada de maneira ética,
transparente e para potencializar
a força da mensagem, por exemplo,
para personalizar experiências em escala
ou viabilizar algo, ótimo. Mas, se
ela aparece só como truque estético
ou fetiche tecnológico, sem impacto
real para o público ou para a marca,
não deve somar pontos na avaliação.
“O que realmente
pesa é: a IA serviu
à ideia ou a ideia
está servindo
à IA?”
critérios
Eu tento sempre olhar para três
blocos: primeiro, a ideia em si: clareza,
originalidade e pertinência ao problema
proposto. Depois, a execução:
como o som foi usado como narrativa,
se há cuidado com casting, design
sonoro, silêncio, timing, contexto de
mídia. Por fim, o impacto: o que isso
mudou no mundo real? A ideia gerou
conversa, resultado de negócio, mudança
de comportamento, ganho de
marca?
reFerÊNcia
Mais do que um case específico,
o tipo de trabalho que me chama a
atenção é aquele em que o som não
está “ilustrando” a ideia, mas é a própria
ideia. Peças que partem de um
insight sonoro poderoso resolvem um
problema real e ainda conseguem ser
simples de entender, mesmo se você
não assistiu ao case. Se, ao ouvir apenas
o áudio, a campanha já faz sentido
e emociona ou provoca, é desse tipo
de trabalho que eu gostaria de ver
mais em Cannes.
o Que Leva
Eu venho de música, palco e estúdio,
mas há muitos anos trabalho
focado em som para marcas, filmes
e publicidade. Isso me dá uma visão
híbrida: ao mesmo tempo em que valorizo
muito o craft, o detalhe de timbre,
a escolha de voz, eu não me deixo
encantar só pela beleza da produção.
No fim do dia, meu olhar está treinado
para fazer uma pergunta simples:
“isso funciona como peça de comunicação?”.
Minha trajetória me ajuda
a identificar quando o som está ali a
serviço da ideia e não como enfeite.
38 8 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘A excelência criativa de Cannes
representa uma recalibração’
Dentro de um cenário que precisa
combinar autenticidade com
resultados de negócio, as relações
públicas, que também ganham
protagonismo no Cannes Lions
2026, se tornaram critérios centrais.
Para Elaine Rodrigues, managing
director da Golin, o futuro da
indústria passa pela capacidade das
marcas de gerar conversas genuínas
e relevância orgânica em meio à
transformação acelerada provocada
pela inteligência artificial e pela
hiperconectividade. Nesta entrevista,
a executiva analisa as mudanças no
padrão de avaliação do festival.
Elaine Rodrigues: “A excelência em RP não segue tendências, mas sim as cria”
Divulgação
Bruna Magatti
Parceiras
Como jurada do Cannes Lions 2026,
minhas expectativas se concentram
em um princípio fundamental: premiar
trabalhos criativos que gerem
resultados de negócios reais e impacto
cultural. O objetivo é demonstrar
o importante papel da mídia espontânea,
reconhecendo que o sucesso
sustentável vem do engajamento genuíno
do público. Devemos defender a
autenticidade e estabelecer um novo
padrão na indústria, em que criatividade
e resultados mensuráveis não
sejam forças opostas, mas sim parceiras
perfeitas.
PassaDO X PreseNTe
A excelência criativa que se manifesta
em Cannes representa uma
recalibração fundamental do que
o festival valoriza, especialmente
para as relações públicas. O filtro
ficou mais rigoroso: o trabalho não
pode apenas interromper a atenção;
ele precisa ressoar e gerar conversas
genuínas. Como jurada, busco
campanhas que evoluam da simples
entrega de resultados para a geração
efetiva de negócios e mudança
cultural. A verdadeira excelência em
relações públicas não se trata de seguir
as tendências existentes, mas
sim de criá-las.
TraBaLHO BOm
Hoje, o diferencial está no impacto
e não na exposição. Embora uma
ação bem executada gere impressões
e alcance, um projeto de relações
públicas premiado deve ser, em
primeiro lugar, autêntico e centrado
na mídia orgânica. Deve possuir
relevância cultural e gerar resultados
mensuráveis, que alterem o
comportamento ou a percepção do
público.
dade reside em moldar um ambiente
de mercado mais saudável e robusto
— um ambiente em que combinamos
ativamente nossa ousadia com rigor
estratégico e responsabilidade com
o resultado. Ao fomentar esse equilíbrio,
redefinimos o padrão do mercado,
demonstrando que relevância
cultural e resultados mensuráveis
caminham juntos.
ia
À medida que a IA transforma
o setor, a autenticidade se torna
nossa moeda mais valiosa. Em um
mundo em que a geração de conteúdo
e a compra de mídia estão facilitadas,
o filtro da “atenção conquistada”
naturalmente se fortaleceu.
Como jurada de RP, busco trabalhos
fundamentados em profunda sensibilidade
humana, entendimento
cultural e pensamento original, em
vez de apenas precisão algorítmica.
Em última análise, o júri exigirá
honestidade absoluta sobre como
as ferramentas de IA são utilizadas,
avaliando-as como parte da integridade
criativa.
BrasiL
O Brasil chega a Cannes 2026 em
um momento crucial e empolgante.
Nosso instinto criativo nato, inteligência
cultural e perspectivas diversas
nos conferem uma vantagem
única na construção de conexões
com o público. Hoje, nossa oportunierrOs
Ao inscrever trabalhos para a categoria
de relações públicas, é crucial
não confundir o potencial de mídia espontânea
com resultados concretos,
alegando um impacto que não foi demonstrado
ou mensurado. Outro problema
frequente é a falha em adaptar
a narrativa para RP; as submissões
devem priorizar a conquista orgânica
e conversas genuínas, em vez de resultados
que se baseiam fundamentalmente
em ações pagas.
TeNDÊNcias
Na área de relações públicas, espero
ver trabalhos que demonstrem mudanças
reais na forma como as pessoas
pensam, sentem ou se comportam
em relação a uma marca ou causa.
Além disso, devemos ver campanhas
altamente integradas e consistentes
em canais orgânicos, próprios e compartilhados.
Por fim, aguardo com expectativa
projetos que deixem de se
limitar a capitalizar momentos culturais
passageiros e passem a construir,
de forma significativa, debates culturais
contínuos.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 39
cannes lions
‘Desafio criativo
deliciosamente complexo’
CCO da David, em São Paulo, a
carioca Marie Julie Gerbauld estará
na banca julgadora de Outdoor. Ela
quer ver ideias que sejam reflexo
do pulso do tempo atual. Em sua
opinião, a publicidade “está em plena
transformação que, à primeira vista,
pode parecer focar muito em processo
e eficiência. Mas é justamente nesse
caldeirão que a criatividade se revela
como nosso bem mais precioso,
aquele que não pode, de forma
alguma, ser pasteurizado”. Marie Julie
também menciona que a “criatividade
é definida por uma paixão intensa e
um talento vibrante”. O ano de 2025
ficou como aprendizado.
Divulgação
Marie Julie Gerbauld é chief creative officer na unidade da agência David em São Paulo
Paulo Macedo
OUTDOOR
Estou ansiosa para ver como a criatividade
vai continuar evoluindo. Espero
ser surpreendida por ideias que
não só usem o meio de forma genial,
mas que também reflitam o pulso do
nosso tempo – a interação com a tecnologia,
a busca por autenticidade e a
capacidade de engajar as pessoas.
OLHAR
O olhar é para o que realmente
importa num cenário cada vez mais
digital e saturado por IA. A categoria
Outdoor é vital porque nos lembra da
força inigualável da presença física.
Em um mundo que clama por conexões
reais, a mídia exterior tem esse
poder de gerar impacto cultural e conversas
em tempo real, literalmente
nas ruas. Outdoor é um desafio criativo
deliciosamente complexo. Exige
uma maestria em ser conciso, interessante
e entregar a mensagem de
forma tão rápida quanto impactante.
PREPARAÇÃO
Intensa e, ao mesmo tempo, um
privilégio imenso. Primeiro, tem a
parte de mergulhar ainda mais nas
tendências globais. Acabo revendo
muitos cases passados, tanto os premiados
quanto os que foram inovadores
por outros motivos, para calibrar
o olhar. E claro, mentalmente, me preparo
para o grande volume de peças,
sem deixar de ter o olhar minucioso
que cada peça exige, na tentativa de
garantir que eu chegue lá com tudo o
que é preciso.
BENEFÍCIO
A interação com os outros jurados
é, sem dúvida, uma das partes mais ricas
do processo. A gente se senta com
profissionais de diferentes mercados,
culturas e especialidades, e essa diversidade
de olhares é fundamental.
Trocar ideias, debater os méritos de
cada peça, defender pontos de vista
e, claro, também ser persuadida por
argumentos consistentes, ajuda a refinar
muito o julgamento. É um apren-
“É crucial deixar
qualquer viés
de lado e estar
genuinamente
aberta ao novo”
dizado constante, em que a discussão
coletiva eleva a qualidade da decisão
final e nos permite ter uma visão muito
mais abrangente e justa da criatividade
global.
REFERÊNCIAS
Meus benchmarks giram em torno
de três pilares principais: primeiro,
imparcialidade e mente aberta. É crucial
deixar qualquer viés de lado e estar
genuinamente aberta ao novo, ao
inesperado. Segundo, rigor e excelência.
Busco peças que demonstrem não
só uma ideia brilhante, mas um craft
impecável e execução que honre essa
ideia. E relevância e impacto.
AVALIAÇÃO
O que considero imprescindível é
uma combinação de originalidade e
impacto real. Não basta ser original;
ela precisa ter poder para mover as
pessoas, gerar conversas ou atingir
um objetivo de marca de maneira
excepcional. Também sou muito
atenta ao uso inteligente do meio.
Especialmente em Outdoor, quero
ver como a peça abraça e potencializa
o ambiente em que está inserida.
O craft é outro ponto inegociável. E,
claro, a relevância cultural: a criatividade
que ecoa o momento em que
vivemos e se conecta de forma autêntica
com a sociedade.
IMAGEM
Tivemos momentos de aprendizado,
sim, não só para o Brasil,
mas para a indústria como um todo
no ano passado. Esses desafios
levaram o nosso mercado a uma
reflexão profunda e coletiva, sobre
transparência e ética, reforçando
esse compromisso.
40 8 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘Não basta ser uma campanha criativa’
Vinicius Reis é novato no júri do
festival. O sócio e CEO da Crispin
e presidente da Stagwell no
Brasil e América Latina analisará
peças inscritas na categoria
Creative Effectiveness Lions,
que “reconhece a criatividade
com consistência estratégica,
criatividade, execução e resultado
de negócio”. O perfil da área vem
ao encontro da trajetória trilhada
pela Crispin nos últimos anos.
“Construímos uma visão integrada
entre criatividade, cultura e
negócios. Acreditamos em ideias
capazes de gerar impacto”, atesta o
executivo, que confia também no
preparo da publicidade brasileira
para ganhar Leões na área.
Divulgação
Vinicius Reis é sócio e CEO da Crispin e presidente da Stagwell no Brasil e América Latina
Janaina Langsdorff
EstrEia
Esta será a minha primeira vez
como jurado. Fazer parte do júri de Creative
Effectiveness tem uma conexão
muito forte com a trajetória da Crispin.
Nos últimos anos, construímos uma
visão integrada entre criatividade, cultura
e negócios. Acreditamos em ideias
capazes de gerar impacto e que podem
surgir da criação, mídia, dados, produto,
conteúdo ou estratégia. Creative
Effectiveness reconhece a criatividade
com consistência estratégica, criatividade,
execução e resultado de negócio.
PrEsEnça
Normalmente vou ao festival com
um olhar voltado para relacionamento,
negócios e oportunidades de expansão.
O Stagwell vem construindo uma
presença relevante em Cannes por
meio do Sport Beach, espaço que chega
ao terceiro ano, reunindo marcas, atletas,
criadores de conteúdo, imprensa,
tecnologia e conversas de negócio. O
projeto cresceu tanto que acabou se
tornando uma unidade de negócios
dentro do grupo. No ano passado, recebemos
mais de sete mil pessoas.
riquEza
Vou viver o festival por uma perspectiva
profunda da premiação e da
indústria criativa. Estou muito curioso
pela troca com os outros jurados. É
um grupo extremamente qualificado,
com lideranças de estratégia, criação,
marketing, mídia e negócios de diferentes
partes do mundo. Essa diversidade
de repertório e perspectivas
certamente vai enriquecer muito a
minha experiência.
qualidadE
Espero ver trabalhos que consigam
equilibrar criatividade, consistência
estratégica e impacto de negócio.
Não basta ser uma campanha criativa
ou culturalmente relevante. O trabalho
precisa demonstrar que aquela
criatividade foi capaz de gerar transformação.
“O desafio é
construir relevância
de forma consistente
em um ambiente
fragmentado”
Prova dE fogo
O desafio é construir relevância de
forma consistente em um ambiente
fragmentado. Criatividade eficiente
não é apenas fazer algo que viralize
ou gere repercussão momentânea.
É desenvolver ideias capazes de se
conectar genuinamente com cultura,
comportamento e negócio. E isso exige
integração entre diferentes áreas,
leitura de contexto, entendimento do
consumidor e visão de longo prazo.
ExEmPlo
O trabalho desenvolvido pela Forsman
& Bodenfors para a Volvo nos últimos
11 anos consegue manter a Volvo
culturalmente relevante, mesmo sendo
uma marca consolidada globalmente.
Eles têm uma capacidade muito interessante
de transformar atributos técnicos
em histórias emocionalmente fortes.
Potência
Os cases mais fortes são aqueles
que conseguem demonstrar impacto
ao longo do tempo. Também acho
importante quando o case consegue
mostrar que os resultados vieram da
força da ideia e da forma como ela foi
construída, e não apenas de investimento
ou escala de mídia.
chancE
O Brasil tem grandes chances de
performar bem. O mercado aprendeu
a operar em um contexto complexo,
competitivo e culturalmente diverso.
Além disso, temos visto marcas
brasileiras cada vez mais dispostas a
construir narrativas de longo prazo,
e não apenas campanhas pontuais.
Esse amadurecimento fortalece o potencial
do país nessa categoria.
jornal propmark - 8 de junho de 2026 41
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
LedWave lança Wetail para integrar
DOOH com inteligência de consumo
Segundo levantamento da RetailX com a Statista, o Brasil
já representa 40% da mídia no varejo na América Latina
A
empresa LedWave formalizou o lançamento da
Wetail, unidade de negócios criada para estruturar
operação integrada entre mídia, tecnologia
e varejo no Brasil e em mercados internacionais
em que a companhia já mantém atuação, como os
Estados Unidos.
A liderança é do executivo Célio Martinez, com
trajetória nos mercados de mídia, dados e tecnologia
e experiência no desenvolvimento de soluções
voltadas à integração de plataformas, performance
e inovação em comunicação digital.
Baseada no conceito de retail live journey, como
esclarece a LedWave, o projeto nasce com a proposta
de conectar mídia em loja, inventário urbano,
dados, inteligência artificial, mídia programática e
comportamento dos consumidores em uma jornada
contínua de influência, relacionamento e conversão.
“A ideia é transformar o que durante anos foi tratado
apenas como ‘mídia em loja’ em uma plataforma
viva de comunicação e geração de receita, capaz de
acompanhar toda a jornada do consumidor de forma
contextual, mensurável e integrada. O movimento
acontece em um momento de expansão acelerada
do setor. Segundo levantamento da RetailX em parceria
com a Statista, o Brasil já representa cerca de
40% desse mercado na América Latina e deve movimentar
mais de US$ 1,06 bilhão até 2025, com crescimento
anual estimado em 43,5% e expectativa de
dobrar de tamanho até 2028”, esclarece o comunicado
encaminhado pela empresa.
“Enquanto o varejo se digitaliza em ritmo acelerado,
a mídia em loja muitas vezes parece viver no
século passado, limitada a telas e mensagens isoladas.
Essa visão fragmentada não apenas subutiliza o
potencial estratégico do varejo como plataforma de
mídia e dados, mas também ignora a complexidade
da jornada do consumidor moderno. Wetail e Retail
Live Journey nascem para questionar esse status
quo. Não se trata mais de empurrar produtos, mas
de viver a jornada com o consumidor. É a vida dentro
desse novo ecossistema de mídia e consumo,
em que cada ponto de contato passa a representar
uma oportunidade de conexão genuína, contextual
e mensurável”, afirma Martinez.
A estrutura da Wetail foi organizada sob uma
Célio Martinez vai liderar a operação da Wetail com plano de explorar o potencial do varejo como canal de mídia
“Conteúdo, métricas,
performance
e relacionamento
com anunciantes”
Divulgação
lógica 360º, conectando infraestrutura tecnológica,
inteligência de mídia, hardware, programática,
conteúdo, métricas, performance e relacionamento
com anunciantes em um ecossistema integrado.
“O modelo também busca responder a desafios históricos
do setor, como falta de escala, baixa padronização,
inventário pouco qualificado e dificuldade
de mensuração de resultados. A nova unidade parte
de um aprendizado já consolidado dentro do próprio
ecossistema da LedWave e da WeOOH, que enfrentaram
e superaram parte dessas dores ao longo dos
últimos anos”, prossegue Martinez.
Para Tiago Brito, CEO da LedWave, o avanço da
integração entre DOOH, dados e plataformas proprietárias
de comunicação deve acelerar uma nova
fase para o setor nos próximos anos, aproximando
definitivamente varejo, mídia e tecnologia.
“Mais do que organizar o ecossistema, queremos
trazer dinamismo para uma jornada conectada de
consumo e transformar um ambiente ainda fragmentado
em uma plataforma ativa, viva e integrada
ao comportamento real do consumidor. O varejo
passa a ocupar um papel cada vez mais estratégico
dentro do ecossistema de mídia e negócios”, afirma.
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42 8 de junho de 2026 - jornal propmark
inspiração
Criar é antecipar o futuro
O tempo passa, os formatos evoluem, mas a essência permanece.
A moda continua sendo uma poderosa ferramenta de expressão cultural
Thomaz Naves
Especial para o propmark
Em 1996, quando idealizei a Semana BarraShopping de Estilo,
muita gente achou que era ousadia demais. Talvez fosse
mesmo. Mas, para mim, a criatividade nunca foi apenas uma
ferramenta de trabalho. Sempre foi uma forma de viver. E naquele
momento, o que me movia era uma convicção muito clara: o Brasil
precisava de uma plataforma que organizasse, projetasse e valorizasse
a sua moda.
A ideia nasceu de uma conversa, como tantas boas ideias
nascem. Ao lado da estilista Mary Zaide, comecei a desenhar o que
viria a ser um novo capítulo para o setor. Levei o projeto adiante
dentro do BarraShopping, com o apoio e a visão estratégica de José
Isaac Peres.
Falar do José Isaac Peres é falar de alguém à frente do seu tempo.
Já naquela época, ele via os shopping centers como plataformas
de comunicação, relacionamento e experiência, e com essa visão
ajudou a transformar o setor no Brasil, criando verdadeiros ecossistemas.
Trabalhar ao seu lado foi uma escola. Com clareza estratégica e
foco em resultado, ele também tinha uma disciplina única na construção
de marca. A assinatura ‘Faça parte desse sucesso’ traduzia
sua filosofia de forma simples e precisa: as pessoas querem estar
próximas de quem constrói algo relevante.
Essa forma de pensar foi determinante para que projetos como
a Semana BarraShopping de Estilo ganhassem força. Porque, no
fundo, não estávamos apenas criando um evento. Estávamos construindo
valor, atraindo marcas, gerando desejo e levando o shopping,
aliás, mais do que o shopping, de certa forma, a própria cidade,
e toda a moda brasileira, a um novo patamar.
A Semana BarraShopping de Estilo nasceu com esse espírito. Não
era apenas sobre desfiles. Era sobre criar valor, gerar movimento,
aproximar marcas, estilistas e público. Era sobre profissionalizar um
mercado que ainda buscava reconhecimento internacional.
Lembro-me de apresentar o projeto com um objetivo que, à época,
parecia ambicioso demais: colocar a moda brasileira no cenário
global. Falávamos em atrair compradores internacionais, em construir
marcas com identidade, em exportar criatividade. Poucos anos
depois, esse movimento começou a se concretizar. O mundo passou
a olhar para o Brasil com mais atenção.
A partir dali, vieram desdobramentos importantes. Criamos o
Morumbi Fashion Brasil, que mais tarde daria origem ao São Paulo
Fashion Week. O mesmo aconteceu com a própria semana carioca,
que evoluiu e se consolidou como o Fashion Rio. Foram movimentos
que ajudaram a estruturar um ecossistema, dando consistência a um setor que
hoje é reconhecido mundialmente. Além disso, criamos o BH Fashion Week, que
chegou a ter duas edições, e o ParkShopping Fashion Week, em Brasília.
Nada disso se constrói sozinho. Tive o privilégio de trabalhar com pessoas extraordinárias
ao longo desse caminho. Roberto Medina, por exemplo, foi um parceiro
criativo fundamental naquele momento, sempre desafiando o óbvio. E Paulo Borges,
que na época atuava como diretor artístico, ajudou a dar forma e linguagem a
esse novo momento.
Mas, acima de tudo, aprendi que grandes transformações nascem da capacidade
de reunir pessoas em torno de uma ideia. Liderar é, essencialmente, conectar. É
reconhecer talentos, incentivar, construir junto. Foi isso que vi nos grandes líderes
com quem trabalhei.
Hoje, ao ver o retorno de uma grande semana de moda ao Rio de Janeiro como
o Rio Fashion Week 2026, sinto que aquele movimento iniciado décadas atrás continua
vivo. A cidade retoma seu protagonismo e revisita um espírito que ajudamos
a construir lá atrás. Um espírito de inovação, de ousadia e de crença no potencial
criativo brasileiro.
O tempo passa, os formatos evoluem, mas a essência permanece. A moda continua
sendo uma poderosa ferramenta de expressão cultural, de geração de negócios
e de conexão com o mundo.
Se existe uma lição que levo dessa trajetória, é simples. Criar, muitas vezes, é
enxergar antes. É acreditar antes. É fazer mesmo quando ainda não parece óbvio.
Foi assim em 1996.
E continua sendo assim até hoje.
Thomaz Naves é VP comercial e de marketing da Times Brasil CNBC e
presidente do Conselho da ABMN
Fotos: Magnific e Arquivo Pessoal
jornal propmark - 8 de junho de 2026 43
opinião
IA agêntica: autonomia
exige governança
Sandra Martinelli
A
emergência da inteligência artificial agêntica
marca uma inflexão importante no papel do
marketing dentro das organizações. As discussões
sobre IA na agenda da WFA Global Marketer
Week 2026, de que participei em abril, em Estocolmo,
deixaram claro que não estamos diante de mais
uma evolução incremental, mas de uma mudança
estrutural na forma como decisões são tomadas e
executadas.
Em um cenário em que sistemas inteligentes
deixam de responder a comandos e passam a atuar
com autonomia – interpretando objetivos, ajustando
rotas em tempo real, otimizando campanhas,
direcionando investimentos e influenciando a forma
como o consumidor acessa e escolhe produtos
e serviços –, o centro de gravidade do marketing é
deslocado da execução para a orquestração, redefinindo
o papel da liderança e exigindo que decisões
automatizadas permaneçam alinhadas à estratégia
e à consistência de marca.
Esse movimento dialoga com a visão da Plataforma
ABA 2030, que posiciona o anunciante como
protagonista de um ecossistema mais integrado,
orientado por dados, eficiência e responsabilidade.
Ao mesmo tempo em que amplia a capacidade
de resposta e a sofisticação das estratégias, a IA
agêntica expõe um ponto crítico, presente nas discussões
internacionais, e que vem sendo trabalhado
pela ABA e seu GT Inteligência Artificial: governança
de IA deixa de ser acessória e passa a ocupar o centro
da agenda das companhias.
Quanto maior o grau de autonomia desses
sistemas, maior a necessidade de transparência,
supervisão e accountability. A tecnologia, por si
só, não garante consistência de marca nem aderência
a princípios éticos ou regulatórios. Esses
elementos continuam sendo responsabilidade
indelegável das lideranças.
A presente reflexão ganha ainda mais relevância
quando observamos o impacto sobre as relações entre
anunciantes, agências e parceiros. A automação
abre espaço para um redesenho dessas relações,
com maior foco em estratégia, criatividade e diferenciação.
Nesse cenário, também se exige novos
modelos de mensuração e remuneração, capazes de
refletir um ambiente em que decisões são distribuídas,
mas precisam permanecer alinhadas a objetivos
de negócio.
Outro ponto que emerge com força é a necessidade
de preparação das lideranças. A capacidade de
formular as perguntas certas e interpretar decisões
automatizadas passa a ser determinante. Mais do
que operar ferramentas, cresce a responsabilidade
de liderar sistemas que aprendem, recomendam e,
em alguns casos, executam decisões. Isso exige direção
clara, critérios definidos e acompanhamento
contínuo. Nesse contexto, a agenda de capacitação
ganha um novo contorno, mais voltado à qualidade
da decisão do que à execução.
A IA agêntica não representa apenas um ganho
de eficiência, mas redefine a dinâmica de poder
dentro do marketing e exige um novo nível de maturidade
organizacional. A Plataforma ABA 2030
aponta justamente para essa evolução, ao reforçar
a importância de governança, transparência e
colaboração como pilares para o futuro do setor.
Em um ambiente cada vez mais automatizado, a
diferenciação estará menos na tecnologia disponível
e mais na qualidade das decisões que orientam
seu uso.
O avanço é inevitável, mas o seu impacto dependerá
da forma como for conduzido. Cabe às
lideranças garantir que essa nova capacidade venha
acompanhada de critérios sólidos e responsabilidade.
É nesse equilíbrio que reside a oportunidade
de transformar a inteligência artificial
em uma alavanca real de valor para o marketing e
para os negócios.
Sandra Martinelli
é CEO da ABA e Membro
do Executive Committee da WFA
“Governança de
IA deixa de ser
acessória e passa
a ocupar o centro
da agenda das
companhias”
44 8 de junho de 2026 - jornal propmark
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Larissa Berbare, Marianna Souza,
Candice Pomi e Fabíola Carvalho
com líderes femininas do
audiovisual na sede do C6 Bank
Apro reúne executivas em programa de mentoria
Com o tema ‘Construção de alianças estratégicas e ferramentas de planejamento’, a Apro (Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais), em parceria com
a Filmbrazil e a ApexBrasil, realizou o 5º Módulo do Programa de Mentoria para lideranças femininas no audiovisual — Visionárias. O evento ocorreu na sede do C6
Bank em São Paulo e foi liderado por Marianna Souza, presidente da Apro e criadora do programa. Candice Pomi, psicóloga e consultora em longevidade, atuou como
curadora do encontro, que teve participações de executivas C-level de produtoras associadas e apresentações das especialistas e mentoras Fabíola Carvalho (The Soul
Hub) e Larissa Berbare (Costura de Saberes).
Larissa Berbare (Costura de Saberes), estrategista de marcas e mentora de marca pessoal
Fabíola Carvalho (The Soul Hub), palestrante e mentora em saúde e inteligência
espiritual para líderes e negócios
Candice Pomi, psicóloga e consultora em longevidade, curadora do programa Visionárias
Candice Pomi, Larissa Berbare, Fabíola Carvalho e Marianna Souza, presidente da Apro
jornal propmark - 8 de junho de 2026 45
última página
Divulgação
Sem Cambridge
analítica
Flavio Waiteman
Ninguém aprende mais rápido e mais profundamente
do que os algoritmos. Eles já estão em
2040.
Emocionalmente, nós estamos em 1920, na época
de temer coisas que não existem, bastando para
isso algumas palavras mágicas que viram chavinhas
no emocional, como: “comunismo”, “pessoas de
bem”, “a verdade prevalecerá”.
Truques semânticos mobilizam multidões como O
Flautista de Hamelin, que enfeitiçou pragas de ratos
primeiro e depois crianças em direção ao desfiladeiro.
Este ano, em novembro, vamos passar por um
momento decisivo em dois países distintos, onde a
supremacia algorítmica trava as suas grandes batalhas
globais. As eleições americanas e a nossa.
As plataformas digitais são as novas caravelas
colonizadoras espalhando espelhinhos hipnóticos
aos índios do continente americano.
O reflexo faz Narciso perder horas no scroll e não
acompanha nada que seja o amor e o ódio.
Já nos são comuns e corriqueiras as realidades
paralelas e que se sobrepõem em universos idem.
Não haverá mais o que documentar, pois não se
mostra o óbvio e o status quo. Quando o escândalo
se normatiza, é só um dia a dia comum que estamos
vivendo.
Os algoritmos, agentes, robôs e plataformas sabem
o que fazer para conseguirem os resultados
que desejam. E isso é cada vez menos notado.
É possível fazer hoje um cardume de salmão votar
no urso que os espera no meio da subida do rio.
Nas últimas eleições, latinos e pretos votaram no
candidato que expulsou latinos e endureceu e burocratizou
regras onde os pretos votam.
O truque virou método, bancado por verbas de publicidade
e uma audiência hipnotizada por dopamina
barata em meio a uma enxurrada de engajamento
robótico. Agentes de IA também fazem reviews de
consumo com comentários.
Após o manifesto dos Palantir, que presume que
a democracia já não atende mais ao objetivo deles
da monopolização total, na estratégia “the winner
takes it all”, a fragilização dos sistemas eleitorais
será o foco.
Quem garante o caminho livre são as palavras:
bicho-papão, homem-do-saco e “sou uma pessoa do
bem”.
O cerco se fecha em países como o Brasil, que deseja
regulamentar as redes. Ou ver livre o seu Pix.
Se acha que exagero um pouco, leia a encíclica do
papa Leão XIV sobre a IA (‘Magnifica humanitas’) e
se pergunte: se a Igreja se recusou a modernizar a
missa e se aproximar das pessoas e da sua vida real,
por que o papa, que é americano, expõe assim a preocupação
sobre as plataformas?
Pedi para a IA sintetizar a Encíclica e ela fez o seu
trabalho:
Em uma frase, a mensagem central de Leão XIV
sobre as redes sociais poderia ser resumida assim:
“O problema não é a tecnologia; o problema é
quando os algoritmos passam a decidir quem somos,
o que pensamos e como nos relacionamos.”
E, por isso, acredito que nunca mais vamos falar
sobre qualquer escândalo envolvendo manipulação
das plataformas digitais, pois quando o escândalo
se normaliza, o escandaloso obtém passe livre e esquisito
se torna quem aponta o problema.
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
“Quando o escândalo
se normaliza,
o escandaloso
obtém passe livre e
esquisito se torna
quem aponta o
problema”
46 8 de junho de 2026 - jornal propmark
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