Florestal_285 OPS
16,18,20,22,24,26,32,34,36,38,40,44,45,46,47,50,52,56,58,60,63,64,65,66,67,68,69.,70,71,72,74,76,85,86,88,91,92,94,98
16,18,20,22,24,26,32,34,36,38,40,44,45,46,47,50,52,56,58,60,63,64,65,66,67,68,69.,70,71,72,74,76,85,86,88,91,92,94,98
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DESTAQUE
Entrevista: Júnior Ramirez e os desafios do crescimento da silvicultura no Mato Grosso do Sul
GENÉTICA FLORESTAL
DE PONTA
VIVEIRO ALIA MANEJO
PRECISO E PESQUISA PARA
CRIAR FLORESTAS
PRODUTIVAS E RESISTENTES
CUTTING-EDGE
FOREST GENETICS
THE NURSERY COMBINES PRECISE
MANAGEMENT AND RESEARCH
TO CREATE PRODUCTIVE
AND RESILIENT FORESTS
HÁ MAIS DE 20 ANOS
NO MERCADO
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SUMÁRIO
JUNHO 2026
42
O DNA DA
PRODUTIVIDADE
08 Editorial
10 Cartas
12 Bastidores
14 Notas
28 Frases
30 Entrevista
40 Coluna
42 Principal
48 ILPF
54 Silvicultura
62 Evento
84 Manejo
90 Artigo
96 Agenda
98 Espaço Aberto
48
62
ANUNCIANTES DA EDIÇÃO
09 BKT
15 Bruno
17 Carrocerias Bachiega
99 Composhow 2026
87 D’Antonio Equipamentos
29 Denis Cimaf
79 Diamond Imóveis
02 Dinagro
21 DRV Ferramentas
41 Duffatto Viveiro Florestal
75 Engeforest
23 Envimat
100 Envimat
07 Envu
53 Fex
55 Forestmax 2026
93 Fratex
95 Hallco South America
57 Hetron Soluções
04 Himev
25 J de Souza
81 Lignum Latin America
33 Máquina Solo
89 Motocana
61 Penz Saur
59 Planflora
13 Ponsse
83 Prêmio REFERÊNCIA
73 Recimac
35 Roder Máquinas
31 Rodovale
11 Rotary-Ax
19 Sparta Brasil
49 Unibrás
37 Unifértil
27 Vantec
39 Vermeer
77 WBM Technology
51 WDS Pneumática
06 www.referenciaflorestal.com.br
EDITORIAL
Alta exigência,
alta produtividade
A silvicultura moderna exige rigor. Longe do empirismo, o sucesso de
uma floresta comercial hoje é medido detalhadamente em micras e frações
genéticas. Da calibração de precisão nos viveiros à escolha cirúrgica
de clones de alta performance, a tecnicidade dita o ritmo do mercado de
base florestal. Não falamos apenas de plantar, mas de engenharia viva.
Em um setor de ciclos longos, qualquer falha operacional é um prejuízo
amplificado no futuro. É a precisão milimétrica no manejo que garante a
máxima produtividade e mitiga os riscos. O futuro florestal pertence, definitivamente,
à ciência aplicada. Nessa edição, o Leitor conhece um pouco
mais da técnica e expertise tecnológica aplicada à produção de mudas da
Duffato Viveiro Florestal, as novidades do manejo florestal sustentável,
informações sobre ILPF, a cobertura completa da Expo Minas Florestal e
uma entrevista exclusiva com Júnior Ramirez, presidente da Reflore-MS
(Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas
Plantadas), apresentando o cenário de crescimento da silvicultura no
Estado. Ótima leitura.
HIGH STANDARDS, HIGH PRODUCTIVITY
Modern forestry demands precision. Rather than relying on guesswork,
the success of a commercial forest is now measured in detail, down
to microns and genetic fractions. Technical expertise sets the pace of the
forest-based market, from precision calibration in nurseries to the meticulous
selection of high-performance clones. It is not just about planting;
it is about living engineering. In an industry with long cycles, any operational
failure results in amplified future losses. It is millimetrically precise
management that ensures maximum productivity and mitigates risks. The
future of forestry definitely belongs to applied science. Readers will learn
more about the technical and technological expertise applied to production
and seedlings at Duffato Viveiro Florestal; the latest developments
in sustainable forest management; information on ILPF; comprehensive
coverage of Expo Minas Florestal; and an exclusive interview with Júnior
Ramires, President of the Mato Grosso do Sul Association of Planted Forest
Producers and Consumers (Reflore-MS). Ramirez presents the growth
outlook for forestry in the State. Pleasant reading!
2
Entrevista com
Júnior Ramirez,
presidente da
Reflore (MS)
1
Na capa dessa edição a
Duffatto viveiro florestal,
referência na produção de
mudas de pinus, araucária
e nativas
Desenvolvimento estruturado da
atividade florestal
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
www.referenciaflorestal.com.br
Ano XXVIII • Nº285 • Junho 2026
DESTAQUE
Entrevista: Júnior Ramirez e os desafios do crescimento da silvicultura no Mato Grosso do Sul
GENÉTICA FLORESTAL
DE PONTA
VIVEIRO ALIA MANEJO
PRECISO E PESQUISA PARA
CRIAR FLORESTAS
PRODUTIVAS E RESISTENTES
CUTTING-EDGE
FOREST GENETICS
THE NURSERY COMBINES PRECISE
MANAGEMENT AND RESEARCH
TO CREATE PRODUCTIVE
AND RESILIENT FORESTS
3
EXPEDIENTE
ANO XXVIII - EDIÇÃO 285 - JUNHO 2026
Diretor Comercial / Commercial Director
Fábio Alexandre Machado
fabiomachado@revistareferencia.com.br
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Pedro Bartoski Jr
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Colunista
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ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente
ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor
Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em
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de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,
armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos
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direitos autorais, exceto para fins didáticos.
Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication
directed at the producers and consumers of the good and services of the
lumberz industry, research institutions, university students, governmental
agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked
to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself
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themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage
under any form or means of the texts, photographs and other intellectual
property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited
without the written authorization of the holders of the authorial rights.
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CARTAS
Capa da Edição 284 da
Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,
mês de maio de 2026
A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product
www.referenciaflorestal.com.br
Ano XXVIII • Nº284 • Maio 2026
DESTAQUE Entrevista: Fernando Branco traz experiência e conhecimento para a presidência da ABAF
MÁXIMA EFICIÊNCIA
NO TALHÃO
IMPLEMENTOS DE ALTA
PERFORMANCE GARANTEM
MAXIMUM EFFICIENCY
PRODUTIVIDADE E
IN THE PLOT
SEGURANÇA NA FLORESTA
HIGH-PERFORMANCE
IMPLEMENTS ENSURE
PRODUCTIVITY AND
SAFETY IN THE FOREST
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DO BRASIL
PARA O MUNDO
PRINCIPAL
Por David Vasconcelos, Piên (PR)
Unificar a expertise de duas empresas é essencial para o desenvolvimento do
segmento. Isso entrega o melhor para quem mais precisa: quem está no campo!
ENTREVISTA
Por Olívia Garcia Lopes, Três Lagoas (MS)
A renovação da gestão areja e traz novas ideias para a associação. A
Abaf é muito importante e continua sendo liderada, acima de tudo, pela
competência.
Foto: divulgação
CARBONO
Por Henrique Marques, Botucatu (SP)
Regras bem definidas são a chave para garantir o bom desenvolvimento das atividades.
Transformar o potencial do mercado de carbono em realidade começa por aí.
Foto: divulgacão
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rotaryaxoficial
BASTIDORES
Revista
IMPULSIONANDO A
PRÓXIMA GERAÇÃO
DE SOLUÇÕES
FLORESTAIS
Foto: REFERÊNCIA
Foto: REFERÊNCIA
Foto: REFERÊNCIA
Desde a colheita de alto desempenho até
o plantio de alta qualidade, a Ponsse
apresenta novas soluções projetadas
para atender às demandas da silvicultura
moderna na América Latina.
VISITA
O diretor comercial da Revista
REFERÊNCIA, Fábio Machado, esteve
visitando a nova sede da empresa
DRV, na cidade de Campo Largo (PR).
Ele foi recebido pela diretora da DRV,
Liliane Cordeiro e pelo gerente de
marketing Fabiano Mendes.
ENCONTRO
Durante a feira Norte Show, muito
encontro com clientes e amigos do
setor de biomassa e florestal, no stand
da Vantec Máquinas, que levou o seu
Picador Kong para demonstrações.
FEIRA
O diretor comercial da Revista
REFERÊNCIA FLORESTAL, Fábio
Machado, marcou presença na
feira Norte Show em Sinop (MT),
para acompanhar o crescimento do
mercado de biomassa na região.
ALTA
JUNHO 2026
ALÍVIO NA ESTRADA
PRODUÇÃO MAIS CARA
O novo subsídio ao diesel anunciado pelo Governo
Federal deve reduzir temporariamente os custos
das transportadoras brasileiras, principalmente das
empresas com grandes frotas e elevado consumo de
combustível. A medida prevê uma subvenção de até
R$ 0,3515 por litro, em meio à pressão internacional
sobre o petróleo causada pelo conflito no Oriente
Médio. Segundo a NTC&Logística, o diesel representa
cerca de 35% do valor do frete, tornando o combustível
um dos principais fatores de impacto nos custos logísticos.
Na prática, uma transportadora que consome
100 mil litros por mês pode economizar até R$ 35 mil
mensais, caso o desconto seja totalmente repassado
ao preço final.
A disparada dos preços dos fertilizantes no mercado internacional,
intensificada pelo conflito no Oriente Médio,
tem pressionado os custos de produção agrícola no Brasil
e deteriorado as relações de troca dos produtores rurais.
A avaliação é da StoneX, que destaca impactos diretos no
mercado doméstico devido à forte dependência brasileira
de insumos importados. O avanço mais expressivo ocorre
entre os fertilizantes nitrogenados. Desde o início da
crise, os preços CFR da ureia subiram cerca de 63% no
Brasil. No mesmo período, o SAM (sulfato de amônio)
acumulou alta próxima de 30%, enquanto o NAM
(nitrato de amônio) registrou valorização de aproximadamente
60%, elevando a preocupação do setor com o
aumento dos custos para a próxima safra.
A SOLUÇÃO TUDO-EM-UM PARA UM PLANTIO
EXCEPCIONAL E DE ALTA QUALIDADE
A Buffalo Planter é uma solução inovadora para o reflorestamento
mecanizado. Ela prepara o solo, planta mudas e realiza a irrigação, tudo
em um único processo contínuo. Construída sobre o confiável forwarder
Ponsse Buffalo, a Buffalo Planter atende à crescente demanda do
mercado por plantio florestal mecanizado e apoia esforços de
reflorestamento eficientes em larga escala, impulsionados por fatores
ambientais, econômicos e tecnológicos. À medida que o plantio florestal
evolui do trabalho manual tradicional para métodos mecanizados
avançados, a Buffalo Planter lidera o caminho rumo a um futuro mais
sustentável.
FEITO PARA DESCASCAR
O cabeçote harvester DH7 é uma solução desenvolvida
especialmente para a colheita eficiente de eucalipto. Projetado para
as exigentes condições do eucalipto, o DH7 oferece desempenho
confiável de corte, alimentação e descascamento em um único
conjunto robusto. Projetado para lidar com troncos tortuosos e
desafiadores, garante produtividade consistente e resultados
precisos. Equipado com sistemas avançados da Ponsse e recursos
opcionais, o DH7 atende às operações modernas de colheita de alto
desempenho e responde à crescente demanda por processamento
eficiente de eucalipto.
BAIXA
12 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Podcast REFERÊNCIA
O Podcast REFERÊNCIA contou com presenças ilustres e de
grande valor para o segmento florestal em maio de 2026. No primeiro
episódio do mês estava presente o Regional Manager F&B
da Andritz Brasil, José Martins. O segundo episódio teve a presença
de Paulo Vicente Jorge e Andressa Cechetto, da Plantag do
Brasil, além do sócio-fundador da Mademape, Luciano Zatti.
Martins analisou o mercado mundial de pellets e como ele
tem sido impulsionado pelo aumento da demanda por energias
renováveis. Dentro desse cenário, o gerente regional da Andritz
apontou que o Brasil tem um papel fundamental para suprir
essa demanda global.
“Pesquisas recentes apontam que o mercado de biomassa
deve crescer 7,21% entre 2024 e 2033. Além disso, somente o
mercado de pellets não-madeira deve expandir 7,1% até 2033.
Esses índices mostram que a América Latina está consolidando
seu papel no cenário global, e países como Brasil, Chile e Argentina
seguem liderando esse movimento”, analisou Martins.
Para o futuro do segmento, Martins avalia que as indústrias
precisam estar cada vez mais adaptadas para produzirem pellets
de biomassa com diferentes compostos - até pelo crescimento
da demanda interna por essas fontes de energia.
No outro programa, Paulo Vicente Jorge relembrou os 40
anos de experiência na Plantag e como a empresa se instalou e
se consolidou no Brasil desde o início dos anos 2000. O gerente
de negócios da empresa ainda detalhou as principais soluções
oferecidas pela companhia ao mercado brasileiro.
“O Natureline é um produto à base d’água e está muito
voltado para a construção, em especial no uso da madeira na
construção, seja pinus, eucalipto ou qualquer outra madeira.
Você pode aplicar em qualquer madeira, pode aplicar por spray,
por rolo, pincel, não precisa de nenhum equipamento especial,
é muito simples a aplicação do produto, e a gente vê isso como
uma oportunidade grande”, analisou.
Já a coordenadora administrativa financeira da Plantag,
Andressa Cechetto, destacou o foco em inovação que a empresa
busca desenvolver no mercado nacional. “Ao mesmo tempo
que a gente trabalha nessa inovação tecnológica, somos totalmente
livres para criar um produto aqui voltado para o mercado
brasileiro, às necessidades brasileiras. Não necessariamente
trazer um produto pronto da Europa e vender no Brasil”.
Por fim, Zatti relatou sobre a parceria da Mademape com
a Plantag, iniciada em 2025, e como ela se desenvolveu desde
então. “Trabalhamos com os produtos deles pulverizados em
todos os nossos painéis, com todos os testes realizados, e deu
super certo. Quando precisamos eles têm material em estoque,
com um pós-venda excelente”.
Os episódios completos
o Leitor pode conferir
no canal do youtube da
Revista REFERÊNCIA:
José Martins, Regional Manager F&B
da Andritz Brasil
Andressa Cechetto, da
Plantag do Brasil
Paulo Vicente Jorge, da
Plantag do Brasil
Luciano Zatti,
sócio-fundador da Mademape
Fotos: REFERÊNCIA
14 www.referenciaflorestal.com.br
+55 49 98813-0343
NOTAS
Setor protege genética florestal
O setor brasileiro de árvores cultivadas deu um passo crucial para a sua sustentabilidade com a consolidação do Banco
de Conservação de Germoplasma de Eucalyptus e Corymbia. A iniciativa foi o centro das discussões em um encontro
técnico realizado em Florestal (MG), reunindo especialistas e representantes das dez grandes empresas participantes do
projeto, como Suzano, Klabin e Bracell. Conduzido pelo IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestas), SIF (Sociedade
de Investigações Florestais) e IBÁ (Industria Brasileira de Árvores), o projeto nasce com o propósito claro de blindar a
base genética que sustenta o futuro do melhoramento florestal no país.
A estratégia foi desenhada a partir de um mapeamento rigoroso que identificou 25 espécies prioritárias das duas famílias,
selecionadas por sua relevância técnica e disponibilidade de material. Para mitigar riscos climáticos e biológicos, as
populações foram distribuídas e implantadas em múltiplas regiões geográficas do Brasil. Essa descentralização estratégica
em diferentes ambientes não apenas amplia a representatividade ambiental do projeto, mas também garante melhores
condições para a sobrevivência e reprodução das espécies.
A condução desses plantios respeita os conceitos clássicos da conservação genética, focando na manutenção da
diversidade ao longo das gerações por meio do uso de múltiplas progênies. O caráter colaborativo do projeto se fortalece
com a parceria de grandes universidades e institutos de pesquisa, que já abrigam parte dessas populações em suas áreas
experimentais. Esse ecossistema científico assegura o monitoramento técnico necessário para manter o potencial evolutivo
de todo o material coletado.
Muito além de um depósito de sementes, esse esforço coordenado cria uma rede de segurança para os programas
de melhoramento florestal de longo prazo. Ao estreitar os laços entre a indústria e a academia, o projeto consolida um
modelo de cooperação que historicamente colocou a silvicultura nacional no topo do mercado global, garantindo a produtividade
e o abastecimento das indústrias de forma sustentável para as próximas décadas.
Fotos: divulgação
16 www.referenciaflorestal.com.br
NOTAS
Eucalipto em foco
O Cedagro (Centro de Desenvolvimento do Agronegócio),
a Abaf (Associação Baiana de Empresas de Base
Florestal) e a UFRB (Universidade Federal do Recôncavo
Baiano) promovem de 12 a 14 de agosto de 2026, na
sede da Faeb (Federação da Agricultura e Pecuária da
Bahia), no bairro do Comércio, em Salvador (BA), o VI
Congresso Brasileiro de Eucalipto – VI CBE. Está é a
segunda vez que Salvador recebe esse evento que tem
como objetivo principal discutir e sugerir alternativas de
solução para os principais desafios que afetam o setor
florestal, bem como mostrar os avanços científicos e tecnológicos
e as novas exigências de mercado e de oportunidades
de negócios.
“O CBE é um dos mais importantes fóruns brasileiros
de inovação tecnológica, atualização e intercâmbio
técnico e empresarial que integra os agentes da cadeia
produtiva da madeira, representados pelos segmentos
de insumos, produção, logística, indústria, comercialização,
exportação e pelas instituições de crédito, pesquisa,
extensão, ensino, fomento, entre outros”, explica o presidente
do Cedagro, Gilmar Dadalto.
O evento está em sintonia com o trabalho que a Abaf
vem desenvolvendo na Bahia. “Além de informar sobre
importantes tópicos para a diversificação e sustentabilidade
da atividade agropecuária, o objetivo da Abaf
é estimular a produção e processamento da madeira
plantada para uso múltiplo. A Bahia ainda não produz (e
processa) a madeira plantada suficiente para atender a
demanda do estado e muito disso se dá pela falta de conhecimento
sobre o setor. Trabalhamos, inclusive, para a
inclusão dos pequenos e médios produtores e processadores
de madeira, visando o atendimento da demanda
por móveis, peças e partes de madeira na Bahia – hoje
atendida, na sua maior parte, por outros Estados brasileiros”,
acrescenta Wilson Andrade, diretor-executivo da
Abaf.
Mais informações sobre o evento e inscrições podem
ser realizadas em: www.congressoeucalipto.com.br
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Excelência em Trituração Florestal
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NOTAS
Sabres Bravo:
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Lista ameaça agronegócio
Parlamentares e pesquisadores alertaram, em reunião conjunta na Câmara dos Deputados, sobre os graves
impactos econômicos da revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras pelo Ministério do Meio Ambiente.
A proposta em discussão na Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) classifica como invasoras espécies que
sustentam a economia e o abastecimento do país, como o eucalipto, o pinus, a braquiária e a tilápia. Caso o texto
avance sem alterações, essas cadeias produtivas fundamentais correm o risco de perder licenciamentos ambientais
e sofrer restrições severas de cultivo.
Diante do impasse, o setor produtivo defende a urgência na aprovação do Projeto de Lei número 5900/25, que
retira a exclusividade do MMA sobre o tema e exige manifestação prévia e vinculante do Ministério da Agricultura
e Pecuária. Entidades como a CNA (Comissão Nacional de Biodiversidade) e a Abimci (Associação Brasileira da
Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) criticam o desequilíbrio na representatividade da Conabio, onde
o setor privado detém poucas cadeiras face ao peso das ONGs. Parlamentares argumentam que decisões regulatórias
desse porte não podem considerar apenas o viés ecológico, ignorando a sobrevivência de mercados que geram
milhões de empregos.
Do lado técnico, engenheiros florestais e institutos de pesquisa como o Ipef (Instituo de Pesquisa e Estudos
Florestais) apresentaram dados que relativizam o potencial invasor dessas culturas em escala comercial. Estudos
mostram que dinâmicas ecológicas locais, como a presença de formigas nativas, atuam como barreiras naturais
eficazes contra a dispersão indesejada de sementes de eucalipto. O manejo silvicultural brasileiro já é amplamente
conhecido e controlado, o que assegura a contenção dos plantios dentro dos limites das propriedades produtivas
sem causar danos aos biomas vizinhos.
O Crea/SC (conselho Regional de Engenharia e Agronomia) também manifestou preocupação com os reflexos
regionais da medida, especialmente na região sul, onde a silvicultura de pinus, eucalipto e acácia impulsiona frotas,
indústrias e exportações bilionárias. A entidade destaca que pequenas propriedades e grandes complexos industriais
dependem diretamente da segurança jurídica dessas culturas para manter seus investimentos. Uma proibição
ou restrição desmedida desestabilizaria o desenvolvimento regional em Estados que têm na madeira a base de sua
arrecadação tributária.
Ao final do debate, o consenso entre os participantes apontou para a necessidade de paralisar a tramitação
da lista até que estudos socioeconômicos profundos sejam realizados de forma integrada com a academia e com
o governo federal. O agronegócio reforça que apoia as políticas de conservação da biodiversidade, mas exige que
as normas sejam compatíveis com a realidade de um país líder global na produção de alimentos e fibras renováveis.
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NOTAS
Proteção às nativas
A presença constante da madeira na rotina da sociedade impulsiona uma demanda global que já atinge 1,6 bilhão de
m3 (metros cúbicos) anuais e pode dobrar até 2050, segundo a Embrapa Florestas. Diante desse crescimento acelerado,
a silvicultura comercial assume um papel altamente estratégico. O cultivo de maciços florestais planejados surge como
a principal alternativa para suprir o consumo do mercado, aliviando de forma direta a pressão exploratória sobre os
ecossistemas nativos.
No cenário nacional, dados do SNIF (Sistema Nacional de Informações Florestais) apontam que o Brasil produziu
cerca de 200 milhões de m3 de toras industriais em 2024, sendo que 94% desse total foi originado em florestas plantadas,
que ocupam meros 1,4% do território. Esse panorama desconstrói o mito de que o setor prejudica a vegetação original.
Conforme destaca Ailson Loper, diretor executivo da Apre Florestas (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal)
e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), o plantio de pinus e eucalipto consolidou-se de forma sustentável
sobre áreas anteriormente degradadas e preteridas por outras culturas.
Além de mitigar a pressão sobre as matas nativas, a atividade florestal opera sob rígidas exigências legais, demandando
que os produtores da região sul reservem ao menos 20% de suas terras para preservação. Dados da IBÁ (Indústria
Brasileira de Árvores) indicam que o país soma 10,5 milhões de ha (hectares) cultivados para 7 milhões de ha de
ecossistemas naturais conservados. Na média nacional, isso significa que para cada 1 ha de floresta comercial estabelecido
pelas empresas, cerca de 0,7 ha de vegetação nativa é protegido. O Estado do Paraná apresenta indicadores ainda mais
expressivos desse equilíbrio ambiental nas áreas manejadas por empresas associadas à Apre Florestas. Na região, a
proporção atinge a marca de quase 1 ha destinado à conservação para cada 1 ha produtivo, totalizando cerca de 564 mil
ha de áreas protegidas mantidas pelo setor privado. O estudo bienal da associação confirma que a silvicultura paranaense
consegue conciliar com sucesso a alta eficiência industrial com a manutenção de florestas nativas em patamares
equivalentes.
Os benefícios práticos do setor vão além do fornecimento de matéria-prima renovável, englobando o estoque
contínuo de carbono, a formação de corredores ecológicos e a geração de 2,6 milhões de empregos diretos e indiretos.
A combinação de rigoroso controle técnico, viabilidade econômica e compromisso socioambiental valida o modelo de
negócios da base florestal no campo. Como defende Loper, demonstrar que produtividade e preservação coexistem de
forma harmônica aponta o caminho mais racional para o desenvolvimento das próximas gerações.
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NOTAS
Silvicultura impulsiona economia nacional
O setor de árvores cultivadas consolidou um cinturão
produtivo altamente tecnificado no Brasil, com polos
industriais e florestais de destaque em Minas Gerais,
Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Essa expansão territorial é impulsionada por índices de
produtividade que figuram entre os maiores do mundo.
Com a marca de 34,4 m³ de incremento médio anual por
hectare, o eucalipto brasileiro reflete décadas de investimento
em melhoramento genético, manejo de precisão e
tecnologia, garantindo ciclos curtos e extrema competitividade
no mercado externo.
Para o produtor rural, as florestas comerciais representam
uma estratégia robusta de diversificação de
portfólio e aumento de renda. A introdução do eucalipto
em áreas com menor aptidão agrícola ou por meio de
sistemas integrados consolida a resiliência econômica das
propriedades. Esse movimento transforma o maciço florestal
em um ativo de alto valor, perfeitamente alinhado
ao dinamismo do agronegócio e capaz de suprir a crescente
demanda global por matérias-primas renováveis.
O peso dessa cadeia produtiva reflete-se diretamente
na balança comercial e na macroeconomia. Em 2024,
a indústria florestal movimentou uma receita bruta de
R$ 240 bilhões, impulsionada por recordes históricos de
operação. Com 25,5 milhões de toneladas de celulose
produzidas, o país manteve a vice-liderança global e o
topo das exportações do insumo. No mesmo período, a
fabricação de papel alcançou 11,3 milhões de toneladas,
enquanto a produção de painéis de madeira somou 9,7
milhões de m3 (metros cúbicos), alcançando o maior nível
da série histórica.
A escala de produção do segmento gera impactos
sociais transformadores, especialmente no interior do
país, ao descentralizar o desenvolvimento. As operações
silviculturais e fabris sustentaram 717,9 mil empregos diretos
no último ano. Ao analisar a cadeia de forma ampla,
englobando a rede de fornecedores de maquinário pesado,
serviços indiretos e o efeito renda nas comunidades, a
indústria de base florestal é responsável por movimentar
até 3,86 milhões de postos de trabalho.
Do ponto de vista da sustentabilidade, a expansão das
áreas de plantio ocorre essencialmente sobre pastagens
com algum nível de degradação, entregando serviços
ambientais críticos para o clima. A atividade promove a
recuperação física do solo, assegura a proteção dos recursos
hídricos e realiza a captura em larga escala de GEE
(gases de efeito estufa). Combinando alta rentabilidade e
responsabilidade ecológica, a silvicultura firma-se como
protagonista indispensável na transição global para a nova
economia de baixo carbono.
Fotos: divulgação
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NOTAS
Fenômeno climático desafia o Brasil
Modelos climáticos recentes indicam a possibilidade de formação de um El Niño intenso entre os anos de 2026 e
2027, impulsionado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial. Embora o fenômeno não represente
uma catástrofe global inevitável, sua capacidade de alterar a circulação atmosférica tropical modifica significativamente
os regimes de temperatura e chuvas no mundo todo, mesmo que prever sua força exata com antecedência ainda seja
um complexo desafio científico.
No território brasileiro, os impactos dessa anomalia são historicamente desiguais e exigem cautela redobrada no planejamento
das operações no campo. Enquanto a região sul costuma enfrentar um aumento considerável nos volumes
de chuva, o norte e o nordeste frequentemente lidam com secas severas que afetam o manejo da terra e a silvicultura,
lembrando que a atmosfera não responde de forma idêntica em todos os eventos e sofre forte influência de outros fatores
oceânicos.
A preocupação atual ganha ainda mais força diante do histórico recente de extremos climáticos no país, que abrange
desde enchentes no sul até secas na Amazônia e incêndios florestais de grande proporção. Fenômenos de variabilidade
natural, como o El Niño, agora atuam sobre uma atmosfera globalmente mais quente e com maior energia, o que pode
agravar a severidade desses eventos críticos para a integridade dos ecossistemas e para a indústria de base.
Contudo, a dimensão dos impactos climáticos esbarra de forma direta na realidade social e territorial das regiões
afetadas. Os desastres não são desencadeados exclusivamente pela escassez extrema ou pelo excesso de chuvas, mas
pela interação direta desses eventos físicos com infraestruturas inadequadas, falta de drenagem e vulnerabilidades locais,
evidenciando que a mitigação de danos exige tanto adaptação estrutural quanto monitoramento meteorológico.
Foto: divulgação
26 www.referenciaflorestal.com.br
FRASES
Foto: divulgação
O setor florestal evoluiu muito
nas últimas décadas. Hoje existe
monitoramento permanente,
manejo responsável,
acompanhamento técnico e
protocolos científicos para
controle da dispersão. As
empresas trabalham com
planejamento e gestão ambiental
rigorosos, o que demonstra que
essa questão está sendo tratada
de forma eficiente
Ailson Loper, diretor executivo da Apre Florestas
(Associação Paranaense de Empresas de Base
Florestal) em discussão na Câmara Federal sobre
regulamentações na silvicultura
“Nosso modelo
de manejo integra
tecnologia de ponta,
monitoramento
contínuo e proteção
da biodiversidade para
garantir uma operação
cada vez mais eficiente,
responsável e alinhada
às demandas globais de
sustentabilidade”
“Que as florestas
plantadas cresçam cada
vez mais, de forma
sustentável e que
possamos nos tornar
cada vez mais uma
referência positiva para
o Brasil”
Fábio de Paula, gerente de Sustentabilidade da
Eldorado Brasil Celulose
Thales Fernandes, secretário de
agricultura de Minas Gerais na abertura
da Expo Minas Florestal
28 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
Foto: divulgação
Expansão,
sustentabilidade e
CRESCIMENTO
Expansion, sustainability,
and growth are key issues
ENTREVISTA
O
Estado de Mato Grosso do Sul consolida um
ciclo histórico de expansão em sua silvicultura,
impulsionado pela chegada de gigantes
como do segmento de celulose. Este avanço
acelerado, porém, impõe importantes desafios em infraestrutura
logística, gargalos sociais nos municípios, adoção de novas
tecnologias e formação de mão de obra qualificada. Para
detalhar o atual panorama e as reais perspectivas do setor,
conversamos nesta entrevista exclusiva com Júnior Ramires,
presidente da Reflore-MS (Associação Sul-Mato-Grossense de
Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas).
T
he State of Mato Grosso do Sul is experiencing
a historic period of expansion in its Forestry
Sector due to the arrival of major players in the
pulp industry. However, this rapid growth poses
significant challenges for logistics infrastructure, municipal
social bottlenecks, the adoption of new technologies, and
the training of a skilled workforce. In this exclusive interview,
we speak with Luiz Calvo Ramires Jr., President of the Mato
Grosso do Sul Association of Planted Forest Producers and
Consumers (Reflore/MS), to provide a detailed overview of the
current landscape and the Sector’s real prospects.
Júnior
Ramires
ATIVIDADE/ ACTIVITY:
Sócio Diretor das Empresas Ramires e CEO da Ramires Reflortec S/A,
presidente da Reflore/MS - Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores
e Consumidores de Florestas Plantadas - Conselheiro da IBÁ (Indústria
Brasileira de Árvores). Atuou como Coordenador da Câmara
Setorial de Florestas Plantadas no Mato Grosso do Sul, foi Presidente
da Câmara Setorial de Florestas Plantadas no Mapa e vice-presidente
da IBÁ. Participou do corpo de membros da CTE (Câmara Técnica Especializada)
na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da
República, para elaboração do Plano Nacional de Florestas Plantadas.
Managing Partner at Empresas Ramires, the Chief Executive of
Ramires Reflortec S/A, and President of the Mato Grosso do Sul
Association of Planted Forest Producers and Consumers (REFLORE/
MS). He is also a Councilor of the Brazilian Tree Industry (IBÁ). He
has served as Coordinator of the planted forest sectoral chamber in
Mato Grosso do Sul and as President of the planted forest sectoral
chamber at MAPA. Furthermore, he has also served as Vice-President
of IBÁ. Additionally, he was a member of the Specialized Technical
Chamber (CTE) at the Secretariat of Strategic Affairs of the Presidency
of the Republic, where he worked on developing the National Plan for
Planted Forests.
30 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
>> Como avalia o atual momento e o futuro próximo do
setor florestal em Mato Grosso do Sul?
Avalio com bastante otimismo. O Estado aprendeu com o
passado. Sempre preconizamos que a expansão das florestas
precisa estar atrelada ao consumo. No passado, Mato
Grosso do Sul sofreu com uma grande expansão florestal
que acabou não recebendo os investimentos industriais
correspondentes. Agora vivemos exatamente o contrário:
o discurso de não incentivar a floresta sem ter o consumo
funcionou nos últimos anos. Vemos o futuro do negócio
florestal com muito otimismo, não só pelos investimentos
industriais em andamento, mas também pelos já previstos.
Percebemos um crescimento contínuo garantido para o
Estado por, pelo menos, os próximos 10 anos.
>> O que explica esse crescimento tão expressivo? É investimento
público, privado, ou uma visão de potencial?
É uma conjunção de todos esses fatores. O poder público
teve vontade de atuar a favor do negócio, e o Estado já
tinha uma aptidão natural e muito espaço para crescer.
Quando os projetos começaram, tínhamos cerca de 9
milhões de ha (hectares) de pastagens degradadas, o que
mostrava um potencial inexplorado imenso. A organização
do setor produtivo por meio de associações facilitou
a comunicação: mostramos ao poder público o potencial
que precisava ser explorado e levamos essa informação ao
mercado. Além disso, o crescimento do setor aqui tem um
ganho ambiental enorme, pois estamos recuperando solos
de pastagens degradadas com florestas. Então, foram fatores
econômicos, ambientais e sociais muito favoráveis que
se orquestraram para esse desenvolvimento.
>> Com gigantes como Suzano, Arauco e Eldorado olhando
para o Mato Grosso do Sul, como a Reflore atua para
equilibrar as responsabilidades e as dores desse crescimento
acelerado?
A responsabilidade aumentou muito. No início, nosso foco
era organização, atração de investimentos e políticas públicas,
como a desoneração da licença ambiental em 2007 e o
How do you assess the current situation and the near
future of the Forestry Sector in Mato Grosso do Sul?
I am very optimistic. The State has learned from the
past. We have always argued that forest expansion
must be linked to consumption. In the past, Mato
Grosso do Sul experienced major forest expansion that
ultimately failed to attract corresponding industrial investments.
Now, we are experiencing the opposite. Our
approach of not encouraging forest expansion without
ensuring consumption has worked in recent years. We
are optimistic about the future of the forestry business,
not only because of current industrial investments but
also because of those planned. We foresee sustained
growth for the State for at least the next ten years.
What accounts for such significant growth? Is it due to
public or private investment, or a vision of the Sector’s
potential?
It is a combination of all these factors. The Government
was willing to support the industry, and the State had
a natural aptitude for it and plenty of room to grow.
When the projects began, we had about nine million
hectares of degraded pastureland with immense
untapped potential. Organizing the Productive Sector
through associations facilitated communication. We
showed the Government the potential that needed to
be realized and brought that information to the market.
Furthermore, the growth of this Sector has huge environmental
benefits because we are restoring degraded
pasturelands with forests. Thus, favorable economic,
environmental, and social factors came together to
drive this development.
How does Reflore balance the responsibilities and
challenges of this rapid growth with giants like Suzano,
Arauco, and Eldorado looking toward Mato Grosso
do Sul?
Our responsibilities have increased significantly. Initially,
we focused on organization, attracting investments,
Vemos o futuro do negócio florestal com muito otimismo,
não só pelos investimentos industriais em andamento,
mas também pelos já previstos. Percebemos um
crescimento contínuo garantido para o Estado por,
pelo menos, os próximos 10 anos
32 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
primeiro Plano Estadual de Florestas. Hoje, a Reflore completou
mais de 20 anos. Começamos com seis associados
e hoje somos mais de vinte, incluindo todos esses grandes
players. Nosso foco mudou para a infraestrutura social
dos municípios e a logística. Temos um déficit habitacional
enorme nas cidades que recebem esses investimentos e
falta de mão de obra qualificada. Atuamos fortemente
também no controle de pragas e na nossa campanha anual
de combate a incêndios (já na 14ª edição, premiada nacionalmente),
pois, com o aumento das áreas plantadas,
os riscos são maiores. Tivemos até que nos reestruturar
internamente, criando um conselho de administração com
sete empresas para ter mais capilaridade na busca por
soluções.
>> O setor florestal é muito cobrado quanto à sustentabilidade.
Como a associação ajuda a manter o padrão de
excelência ambiental no Estado?
Como comentei, tínhamos perto de 10 milhões de ha de
pastagens degradadas. Até o momento, temos mais de 2
milhões de ha plantados com florestas, e ainda há muito
espaço para crescer recuperando essas áreas. Substituir
pastagem degradada por floresta já é um grande ganho
ambiental e de sustentabilidade; não precisamos desmatar
ou avançar sobre áreas de proteção. Um dado muito importante
dos últimos 10 anos mostra que a pecuária perdeu
cerca de 5 milhões de ha. Desses, 2 a 3 milhões migraram
para a agricultura, e um pouco mais de 1 milhão para
a floresta. O mais interessante é que as áreas de proteção
ambiental cresceram em cerca de 500 mil ha nesse mesmo
período. Isso ocorre porque o setor florestal e o agronegócio
moderno obedecem rigorosamente à legislação e às
certificações. Então, crescemos em produção e, ao mesmo
tempo, crescemos em áreas de proteção no Estado.
>> Em relação à logística, como avalia projetos como a
Rota da Celulose para escoar a produção?
A logística sempre foi o grande gargalo do crescimento,
e a Reflore atua fortemente junto aos poderes estadual
e federal nessa pauta. O leilão de concessão da Rota da
Celulose foi um passo importantíssimo. Embora ainda seja
um projeto cujos efeitos práticos mais intensos devam
aparecer nos próximos 5 anos, o caminho já foi traçado. O
governo estadual também tem feito investimentos em vias
secundárias importantes e em rodovias não pavimentadas,
como a MS-320 em Três Lagoas (MS) e a ligação entre
Camapuã (MS) e Ribas do Rio Pardo (MS). Acreditamos
que, com a iniciativa privada assumindo as rodovias via
concessões, as coisas vão caminhar na velocidade que o
setor necessita.
>> Tratando também de mão de obra, quais ações a Reflore
tem promovido para qualificar profissionais, além
dos já conhecidos treinamentos de combate a incêndios?
Atuamos como um elo. Temos uma grande parceria com o
and public policies, such as the 2007 reduction in
environmental licensing fees and the first State Forest
Plan. Today, Reflore has been in operation for over 20
years. We started with six members and now have more
than twenty, including all of these major players. Our
focus has shifted to municipal social infrastructure and
logistics. There is a massive housing shortage in the
cities receiving these investments, as well as a lack of
skilled labor. We are heavily involved in pest control and
our annual firefighting campaign, now in its 14th year
and nationally recognized, as the risks increase with
the expansion of planted areas. We even restructured
internally, creating an Administrative Council comprising
seven companies, to expand our reach in the search
for solutions.
The Forestry Sector is under significant pressure to be
sustainable. How does the Association help maintain
high environmental standards in the State?
As I mentioned, we had nearly 10 million hectares of
degraded pastureland. To date, we have planted over
two million hectares of forests, and there is still plenty
of room to grow by restoring these areas. Replacing
degraded pastureland with forests is a significant environmental
and sustainability gain. We do not need to
deforest or encroach on protected areas. An important
statistic from the last 10 years shows that livestock
farming has lost about 5 million hectares. Of those, 2 to
3 million hectares have been converted to agriculture,
and just over 1 million hectares to forests. Interestingly,
environmental protection areas grew by about 500,000
hectares during that same period. This is because the
Forestry Sector and modern agribusiness strictly comply
with applicable legislation and certification requirements.
Thus, we have increased production while
expanding protected areas in the State.
Regarding logistics, how would you evaluate projects
like the Pulp Route for transporting goods?
Logistics has always been a major obstacle to growth,
and Reflore collaborates closely with State and Federal
authorities on this issue. The concession auction for the
Pulp Route was a significant step forward. Although
the project’s most significant practical effects are not
expected to materialize for another five years, the
groundwork has already been laid. The State Government
has also invested in key secondary roads and
unpaved highways, such as the MS-320 in Três Lagoas
and the connection between Camapuã and Ribas do Rio
Pardo. We believe that with the Private Sector taking
over the highways through concessions, progress will be
made at the pace the Sector needs.
Speaking of the workforce, what other training initiatives
has Reflore promoted besides the well-known
34 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) na formação
de técnicos agrícolas, e com o Corpo de Bombeiros nos
cursos de SCI (Sistema de Comando de Incidentes) para
gestão de crises de incêndio. Além disso, estamos tentando
coordenar os treinamentos das próprias empresas
associadas para que elas treinem profissionais para o mercado
como um todo, e não apenas para si mesmas. Outra
ação forte são as nossas jornadas florestais: anualmente,
levamos turmas de alunos de Engenharia Florestal e de
técnicos do Senar para conhecerem na prática a operação
das empresas, do plantio ao viveiro e à indústria. É uma
ponte direta importante entre a academia e o mercado de
trabalho.
>> Existem avanços tecnológicos e tendências chamando
a atenção para impulsionar ainda mais o setor?
A mecanização é o maior avanço e uma necessidade urgente
devido à escassez de mão de obra. Como o relevo
do Mato Grosso do Sul é muito plano, conseguimos aplicar
a mecanização de forma muito eficiente. O uso de drones
é constante, assim como o monitoramento por imagens.
Temos cerca de 200 torres de vigilância equipadas com
câmeras e IA (Inteligência Artificial) para detectar fumaça
e prevenir incêndios, tudo de forma cooperada entre as
empresas. Outro avanço fundamental é o uso de inimigos
naturais para o controle de pragas, com fábricas de bioagentes
se instalando na região. Isso é essencial para combater
as pragas de forma sustentável e evitar a queda de
produtividade das florestas.
>> De que forma o setor tem lidado com o impacto social
nas cidades que recebem essas indústrias e sofrem explosões
populacionais do dia para a noite?
Esse é um ponto crucial. Contratamos recentemente
uma consultoria para mapear as demandas sociais e de
infraestrutura nos 14 principais municípios florestais do
Estado, como a região de Ribas do Rio Pardo, Água Clara,
Santa Rita do Pardo (MS), entre outras. Antes, o setor era
reativo; agora queremos ser proativos. Para se ter uma
ideia, durante as obras em Ribas do Rio Pardo, cerca de
firefighting programs?
We act as a link. We have a significant partnership with
the National Rural Learning Service (Senar) to train
agricultural technicians and with the Fire Department
to deliver Incident Command System (ICS) courses in
fire crisis management. Additionally, we are trying to
coordinate training programs with our member companies
so they can train professionals for the market as
a whole, not just for themselves. Another key initiative
is our forestry field trips. Every year, we bring groups
of forestry engineering students and Senar technicians
to observe firsthand how companies operate, from
planting and nursery operations to industry. These trips
establish a direct connection between academia and
the job market.
Are there technological advancements and trends that
have drawn attention to further boost the Sector?
Mechanization is the biggest advancement and an
urgent necessity due to the labor shortage. Since the
terrain of Mato Grosso do Sul is flat, we can apply
mechanization efficiently. Drones and image-based
monitoring are used constantly. We have about 200 surveillance
towers equipped with cameras and AI to detect
smoke and prevent fires. Companies cooperate to
make this possible. Another key advancement is the use
of natural enemies for pest control. Bioagent factories
are setting up in the Region. This method is essential for
sustainably combating pests and preventing a decline in
forest productivity.
How has the Sector addressed the social impact on cities
that host these companies and experience sudden
population surges?
That is a crucial point. We recently hired a consulting
firm to assess the social and infrastructure needs of the
State’s 14 main forestry municipalities. These include
the Ribas do Rio Pardo Region, as well as Água Clara
and Santa Rita do Pardo, among others. Previously, the
Sector was reactive, but now we want to be proactive.
Mais que fertilizantes,
cultivamos parcerias
de valor
Nutrição Personalizada para reflorestar o futuro
Acreditamos que, com a iniciativa privada assumindo
as rodovias via concessões, as coisas vão caminhar na
velocidade que o setor necessita
unifertil.com.br | @unifertilfertilizantes
36 www.referenciaflorestal.com.br
ENTREVISTA
45 mil CPFs passaram por lá, em uma cidade que tinha 20
mil habitantes. A Suzano construiu 900 casas, mas faltava
escola para as famílias. Resultado: para o ano letivo de
2026, o município precisou abrir 2 mil novas vagas escolares.
Esse mapeamento, que durará cerca de seis meses, vai
nos mostrar exatamente onde precisamos acionar o poder
público, municipal, estadual ou federal, para construir creches,
hospitais e áreas de lazer, garantindo um crescimento
ordenado para essas comunidades.
>> Para fechar, quais são as perspectivas e prioridades
futuras da Reflore (MS)?
Nossa meta original, estabelecida lá atrás, era atingir 1
milhão de ha plantados até o ano de 2030. Furamos essa
meta e a alcançamos já em 2018. Em 2026 passamos dos
2 milhões de ha. A perspectiva agora é que, para atender
toda a demanda da indústria que está se instalando e expandindo
aqui, precisaremos chegar a 3 milhões de ha. Se
formos rápidos, acredito que podemos alcançar esse próximo
1 milhão de ha entre 5 a 10 anos, para suprir o que
já temos no radar. Para o leitor entender o tamanho desse
cenário: temos duas unidades da Suzano e uma unidade
da Eldorado operando em Três Lagoas, somando três grandes
operações na cidade. A nossa quarta indústria é o Projeto
Cerrado, da Suzano, recém-inaugurado em Ribas do
Rio Pardo. Temos também a construção da Arauco, em Inocência
(MS), e, em fase final de licenciamento ambiental, a
fábrica da Bracell, em Bataguassu (MS). Após a conclusão
da Arauco, prevista para 2027, o próximo passo provável já
será a instalação em Bataguassu.
>> Mas como andam as obras de todas essas empresas
anunciadas?
Tudo isso é o que já está anunciado e fortemente organizado.
E estamos falando apenas da celulose, que consome
mais de 90% dessa produção. Além dela, temos o setor
de siderurgia a carvão vegetal, a biomassa para a agroindústria
em geral, e um segmento que vem crescendo
bastante: o etanol de milho, que é um grande consumidor
de madeira no Estado. Temos também a indústria de MDF
em Água Clara se abastecendo desse maciço. Caminhamos
para a nossa quinta indústria de celulose, com a sexta em
licenciamento. E os projetos não param por aí: já existe
o licenciamento para a duplicação da Eldorado em Três
Lagoas. Além disso, as fábricas de Ribas, Inocência e Bataguassu,
que estão estruturando suas primeiras linhas, já
nascem preparadas para uma futura segunda linha de produção.
Por isso afirmo com segurança que, pelos próximos
10 anos, o centro da indústria de base continuará sendo
Mato Grosso do Sul. Nosso trabalho na associação é tentar
diversificar essas atividades para além da celulose, consolidando
o setor florestal de forma geral. Se não houver
percalços no caminho, o futuro próximo do Estado será de
uma expansão gigantesca e de crescimento contínuo.
For example, around 45,000 people moved to Ribas
do Rio Pardo during construction, increasing the City’s
population from 20,000. Suzano built 900 homes, but
there were not enough schools for the new residents.
Consequently, for the 2026 school year, the municipality
had to open 2,000 new school spots. This mapping
project, which will take about six months, will show us
exactly where we need to engage the local, state, or
federal government to build daycare centers, hospitals,
and recreational areas. This will ensure the orderly
growth of these communities.
To wrap up, what are Reflore’s prospects and priorities?
Our original goal was to reach one million hectares
of planted forests by 2030. We surpassed that goal in
2018. By 2026, we will have surpassed 2 million hectares.
The current outlook is that, to meet the demand
from industries setting up and expanding here, we will
need to reach 3 million hectares. If we act swiftly, I
believe we can plant the remaining 1 million hectares
within the next 5 to 10 years. To give the reader a sense
of scale, we have two Suzano and one Eldorado plant
operating in Três Lagoas, for a total of three major
operations in the City. Our fourth industrial facility is
Suzano’s recently inaugurated Cerrado Project in Ribas
do Rio Pardo. We also have the Arauco plant under construction
in Inocência and the Bracell plant in Bataguassu,
which is in the final stages of environmental licensing.
Once the Arauco plant is completed, scheduled for
2027, the next likely step will be the construction of the
plant in Bataguassu.
But how are all these announced projects progressing?
Talking about pulp, which accounts for over 90% of
planted forest production. In addition, there is the
charcoal steel industry, biomass for agribusiness in
general, and a growing segment, corn ethanol. It is a
major consumer of wood in the State. The MDF industry
in Água Clara also sources from this forest. We are
moving toward our fifth pulp mill, and the sixth is in
the licensing process. The projects do not stop there.
Licensing is underway for Eldorado’s expansion in Três
Lagoas. Furthermore, the plants in Ribas, Inocência,
and Bataguassu are being built with provisions for a
second production line, even though they are currently
setting up their first production lines. For these reasons,
I can confidently state that Mato Grosso do Sul will
remain the heart of the primary industry for the next 10
years. At the Association, our work is to diversify these
activities beyond pulp and consolidate the Forestry
Sector as a whole. Assuming there are no setbacks, the
State’s near future will be one of massive expansion and
continuous growth.
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Lubrificação do conjunto de corte: um detalhe que define desempenho, segurança e vida útil
Foto: divulgação
N
o manejo da vegetação, muitos fatores influenciam
diretamente a produtividade e a segurança em
campo. Entre eles, um dos mais importantes — e
muitas vezes negligenciado — é a lubrificação adequada
do conjunto de corte.
Sabre, corrente e pinhão trabalham sob alta rotação, atrito
constante e exposição contínua a partículas de madeira, poeira e
resíduos vegetais. Sem lubrificação eficiente, o desgaste acelera,
a temperatura aumenta e os riscos operacionais se tornam ainda
maiores. Mais do que preservar a máquina, lubrificar corretamente
significa garantir cortes mais eficientes, reduzir esforços desnecessários
do operador e manter a operação dentro de padrões
seguros e profissionais.
O PAPEL DA LUBRIFICAÇÃO NO DESEMPENHO
OPERACIONAL
O óleo aplicado no conjunto de corte tem a função de reduzir
o atrito entre corrente e sabre durante o funcionamento da máquina.
Essa película lubrificante evita superaquecimento, reduz o
desgaste prematuro e melhora o rendimento do corte.
Quando a lubrificação está inadequada, alguns sinais costumam
aparecer rapidamente:
- Aquecimento excessivo do sabre;
- Desgaste irregular da corrente;
- Maior esforço durante o corte;
- Produção excessiva de fumaça;
- Travamentos e perda de desempenho.
Além disso, máquinas operando sem a devida lubrificação
tendem a exigir mais do motor, aumentando consumo de combustível,
vibração e necessidade de manutenção corretiva.
LUBRIFICAÇÃO E SEGURANÇA CAMINHAM JUNTAS
A segurança operacional depende diretamente das condições
das máquinas utilizadas. Uma corrente superaquecida ou trabalhando
sob atrito excessivo pode romper, desalojar do sabre ou
comprometer a estabilidade do corte. Em operações com motopoda,
qualquer falha operacional aumenta significativamente o risco
da atividade.
Por isso, a inspeção do sistema de lubrificação deve fazer parte
da rotina diária das equipes, juntamente com a verificação de corrente,
freio, tensão, afiação e demais itens de segurança.
camente a eficiência da lubrificação.
Outro ponto importante é observar as condições climáticas e
o tipo de operação. Ambientes mais quentes, operações contínuas
e madeiras mais densas podem exigir atenção ainda maior quanto
ao nível e distribuição do óleo.
BOAS PRÁTICAS EM CAMPO
Algumas medidas simples ajudam a aumentar significativamente
a vida útil do conjunto de corte:
- Conferir diariamente o nível do óleo lubrificante;
- Verificar se o sistema de lubrificação está funcionando
corretamente;
- Limpar canaletas do sabre e orifícios de passagem de óleo;
- Manter a corrente corretamente tensionada;
- Utilizar correntes afiadas e compatíveis com a máquina;
- Evitar trabalhar com o sabre pressionado excessivamente
na madeira;
- Realizar o rodízio periódico do sabre.
A soma dessas práticas reduz falhas, melhora a qualidade do
corte e contribui para operações mais seguras e produtivas.
EFICIÊNCIA OPERACIONAL COMEÇA NOS DETALHES
Em muitas operações, problemas atribuídos à máquina ou ao
desempenho da equipe têm origem em falhas simples de manutenção
preventiva. A lubrificação do conjunto de corte é um exemplo
claro disso.
Quando tratada com atenção e rotina adequada, ela contribui
diretamente para:
- Maior vida útil dos componentes;
- Redução de custos com manutenção;
- Melhor rendimento operacional;
- Aumento da segurança das equipes;
- Maior confiabilidade nas operações de manejo.
Eficiência e segurança não dependem apenas de grandes
estruturas ou máquinas modernas. Muitas vezes, os resultados começam
justamente nos detalhes que sustentam a operação todos
os dias em campo.
MUDAS DE
Pinus taeda
TEMOS TAMBÉM
• Araucária Enxertada
Produção precoce de pinhão
• Nativas spp.
• Eucalyptus spp.
• Erva-Mate
ESCOLHA CORRETA DO ÓLEO FAZ DIFERENÇA
Nem todo óleo oferece desempenho adequado para motosserras
e motopodas. O ideal é utilizar lubrificantes específicos para
conjunto de corte, desenvolvidos para suportar alta aderência e
rotação elevada.
Óleos inadequados ou reaproveitados podem comprometer o
funcionamento da bomba de óleo, gerar resíduos e reduzir drasti-
Foto: divulgação
viveiro_florestal_duffatto
BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC
40 www.referenciaflorestal.com.br
PRINCIPAL
O DNA da
PRODUTIVIDADE
Empresa catarinense desponta
como referência ao combinar o alto
rendimento do pinus e araucária de
produção precoce e nativas para
recuperação e restauração ambiental
The DNA of
Productivity
A Santa Catarina company is emerging as a leader
by combining the high yield of early-maturing
pine and araucaria with native species to promote
environmental recovery and restoration
Fotos: Emanoel Caldeira
N
o vasto e competitivo cenário do agronegócio e
da produção de base florestal brasileira, a etapa
fundamental que dita o sucesso ou o fracasso
de todo um ciclo produtivo de décadas ocorre
nos primeiros meses de vida de uma planta. Os
viveiros florestais operam como verdadeiras maternidades de
alta tecnologia, onde a genética de ponta e o manejo milimétrico
se encontram para garantir que as florestas do futuro sejam
mais produtivas, resilientes e sustentáveis. É exatamente neste
ecossistema de altíssima exigência técnica que a Duffatto Viveiro
Florestal consolidou sua autoridade.
Com sede localizada no município de Monte Castelo (SC), no
planalto norte de Santa Catarina, a empresa construiu ao longo
das últimas duas décadas um legado de excelência no setor. Hoje,
figura no seleto rol de associadas da ACR (Associação Catarinense
de Empresas Florestais), a Duffatto atende, desde o mercado
estritamente comercial das grandes indústrias de celulose e
madeira, até projetos de recuperação ambiental e paisagismo
em toda região.
I
n the vast and competitive landscape of Brazilian
agribusiness and forestry production, the first months
of a plant’s life determine the success or failure
of an entire decades-long production cycle. Forest
nurseries operate as high-tech maternity wards
where advanced genetics and precise management ensure
that future forests are more productive, resilient, and sustainable.
Duffatto Viveiro Florestal has precisely established its
authority within this highly technical ecosystem.
Headquartered in Monte Castelo, Santa Catarina, in the
northern highlands of the State, the Company has built a
legacy of excellence in the Sector over the past two decades.
Today, Duffatto is a member of the select group of companies
affiliated with the Santa Catarina Association of Forestry Companies
(ACR) and serves a wide range of clients, from large
pulp and sawn wood companies in the strictly commercial
market to environmental restoration and landscaping projects
throughout the Region.
42 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 43
PRINCIPAL
A envergadura da operação é traduzida em números robustos
e em uma capilaridade logística estratégica. “A Duffatto Viveiro
Florestal está há 22 anos no mercado produzindo mudas florestais
de alto valor agregado e de excelência genética”, enaltece Maicon
Duffecky, diretor da empresa. “Nós, de Monte Castelo, estamos
produzindo em torno de 7 milhões de mudas por ano de pinus
segunda geração Smurfit West Rock, que conseguimos atender
em um raio de aproximadamente 200 km (quilômetros) da nossa
região. Contamos com uma área de produção de 18 ha (hectares)
de área de viveiro, sendo 6 ha de estufas e casas de vegetação,
que são áreas protegidas para produção e condução das mudas
com maior segurança possível. Nos últimos 24 meses, entregamos
mais de 20 milhões de mudas produzidas”, enumera Maicon.
The scale of the operation is reflected in robust figures and
strategic logistical reach. “Duffatto has been in the market
for 22 years, producing high-value forest seedlings of genetic
excellence,” says Maicon Duffecky, the Company’s Managing
Director. “At Monte Castelo, we produce around seven million
second-generation Smurfit West Rock pine seedlings per year.
We can supply them within a radius of approximately 200
kilometers of our Region. Our 18-hectare nursery production
area includes six hectares of greenhouses and propagation
houses. These protected areas are designed to ensure the
safest possible production and care of the seedlings. Over
the past 24 months, we have delivered more than 20 million
seedlings,” Duffecky explains.
PINUS DE ALTA PERFORMANCE
O Estado de Santa Catarina é um dos maiores polos da
indústria madeireira e papeleira do Brasil, demandando um fornecimento
contínuo de matéria-prima de altíssima qualidade. O
portfólio da Duffatto reflete diretamente essa vocação industrial,
cultivando sementes certificadas de eucalyptus e, principalmente,
de pinus (Pinus taeda e Pinus elliottii).
O grande destaque comercial e o carro-chefe do viveiro é o
pinus, com genética aprimorada, desenvolvido para maximizar o
retorno dos silvicultores e das indústrias. Como detalha o diretor
Maicon Duffecky: “A nossa produção responde por 70% na linha
do pinus de segunda geração West Rock Rigesa. Este material
genético foi desenvolvido para entregar alto volume de produção
de madeira e excelência em qualidade do material. A segunda
geração Smurfit West Rock pode entregar até 51 toneladas por
hectare/ano, dependendo do índice de sítio e das condições
edafoclimáticas de cada região plantada”, ressalta Maicon.
HIGH-PERFORMANCE PINE
The State of Santa Catarina is one of the largest hubs
of Brazil’s sawn wood and paper companies and requires
a continuous supply of the highest-quality raw materials.
Duffatto’s portfolio reflects this industrial focus by cultivating
certified eucalyptus and, mainly, pine (Pinus taeda and Pinus
elliottii) seeds.
The nursery’s main commercial product is pine featuring
improved genetics designed to maximize returns for forest
managers and the industry. As Director Duffecky explains: “Our
production accounts for 70% of the West Rock Rigesa second-
-generation pine line. This genetic material was developed to
deliver high wood production volumes and excellent material
quality. Depending on the site index and the edaphoclimatic
conditions of each planted region, the second-generation
Smurfit West Rock can yield up to 51 tons per hectare per
year,” Duffecky emphasizes.
Alcançar uma produtividade de 51 toneladas por hectare
ao ano exige mais do que um bom clima e um solo adequado
(fatores que compõem o chamado ‘índice de sítio’); exige um
pacote tecnológico embarcado na muda. Porém, a genética por
si só não garante a sobrevivência e o vigor no campo. A etapa de
viveiro requer protocolos quase laboratoriais. “Aqui no viveiro
trabalhamos com um controle de qualidade muito rigoroso no
processo de produção, onde temos o processo de classificação e
de padronização, para que possamos ir muito além da genética
com o cuidado das plantas, e assim entregar um produto de
qualidade superior para os nossos clientes”, detalha Maicon. Essa
assessoria técnica oferecida pela Duffatto se estende para além
das porteiras do viveiro, acompanhando o cliente, desde a fase
de implantação, até a manutenção e o manejo florestal contínuo.
CIÊNCIA, ENXERTIA E PRECOCIDADE
Se o pinus representa o volume e a tração industrial da Duffatto,
a Araucária Enxertada (Araucaria angustifolia) é a obra-prima
tecnológica e biológica da empresa. Símbolo do sul do Brasil e
espécie ameaçada, a araucária tradicionalmente leva de 12 a 15
anos, ou mais, para começar a produzir os primeiros pinhões,
além de atingir alturas que dificultam sobremaneira a colheita,
tornando o seu cultivo comercial um desafio de longuíssimo prazo.
Para contornar essa barreira biológica, a Duffatto atua como
multiplicadora oficial de uma tecnologia revolucionária desenvolvida
pela Embrapa Florestas e pela UFPR (Variedades fêmeas:
BRS 405, BRS 406 e BRS 407; Variedades machos: BRS 426, BRS
427 e BRS 428). Trata-se de uma técnica de enxertia altamente
complexa, que une o vigor de uma planta jovem à maturidade
biológica de uma árvore secular. O resultado é rastreado por
tecnologia contemporânea: cada muda vendida pela Duffatto é
acompanhada por um QR Code na etiqueta, permitindo que o
produtor ateste a autenticidade e a procedência do clone.
However, achieving a productivity of 51 tons per hectare
per year requires more than just a good climate and suitable
soil, the factors that make up the so-called “site index.” It also
requires a technological package embedded in the seedling.
However, genetics alone does not guarantee survival and vigor
in the field. The nursery stage requires near-laboratory protocols.
“Here at the nursery, we have rigorous quality control
procedures in place during the production process. We classify
and standardize our products to deliver superior quality to our
customers,” Duffecky explains. Duffatto’s technical support
extends beyond the nursery doors, accompanying clients from
planting to maintenance and ongoing forest management.
SCIENCE, GRAFTING, AND EARLY MATURITY
The pine species represents Duffatto’s volume and industrial
drive. The grafted araucaria (Araucaria angustifolia)
is the Company’s technological and biological masterpiece.
Traditionally, the araucaria, a symbol of southern Brazil and
an endangered species, takes 12 to 15 years—or more—to
produce its first pine nuts. It also grows to great heights, making
harvesting extremely difficult and turning its commercial
cultivation into a long-term challenge.
To overcome this biological barrier, Duffatto acts as an
official multiplier of a revolutionary technology developed by
Embrapa Florestas and Ufpr (Female varieties: BRS 405, BRS
406 and BRS 407; Male varieties: BRS 426, BRS 427 and BRS
428). This highly complex grafting technique combines the
vigor of a young plant with the biological maturity of a centuries-old
tree. The result is tracked using modern technology:
Each seedling sold by Duffatto has a QR code on the label that
allows growers to verify the clone’s authenticity and origin.
Duffecky explains the engineering behind this fascinating
process to both foresters and academics: “We specialize in
44 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026
45
PRINCIPAL
Maicon Duffecky detalha a engenharia por trás desse processo,
que fascina tanto silvicultores quanto acadêmicos: “Trabalhamos
com a produção de mudas florestais e trazemos essa questão
da araucária enxertada. Somos os multiplicadores dessa tecnologia.
Dentro da enxertia da araucária buscamos a produtividade de
pinhões. Trabalhamos com três pilares: a super produtividade, a
precocidade e a estrutura mais baixa”, revela Maicon.
O diretor da Duffatto oferece uma verdadeira aula de biologia
aplicada para explicar como essa prática contorna a natureza. “Na
enxertia da araucária trabalhamos aqui no viveiro com um porta-
-enxerto, que é uma planta jovem com 2 anos de viveiro, que tem
todo o vigor de absorção de água e nutrientes. Nela, enxertamos
um pequeno tecido vegetal que é coletado da copa do pinheiro,
que chamamos de tecido adulto ou maduro. Esse tecido tem a
idade da árvore. Aqui temos um tecido vegetal que copiou todas
as características genéticas daquela árvore-mãe e já nasce com a
idade que o pinheiro tem. Se o pinheiro tem 80 anos, a planta já
nasceu com praticamente 80 anos. Então ela nasce madura. A hora
que ela tiver um galho que aguente o peso de uma pinha, ela vai
começar a produzir”, resume o diretor sobre a técnica aplicada.
producing forest seedlings and are bringing the issue of grafted
araucaria to the forefront. We are the multipliers of this
technology. Within araucaria grafting, our goal is to increase
pine nut productivity. Our work is based on three pillars: super
productivity, early maturity, and a lower canopy structure,”
states Duffecky.
The Duffatto Director provides a real-life example of applied
biology to demonstrate how this practice works with nature.
“When grafting araucaria trees, we use a rootstock—a young
plant that has been in the nursery for two years and is highly
efficient at absorbing water and nutrients—here at the nursery.
We graft a small piece of plant tissue collected from the pine
tree’s crown onto it, which we call adult or mature tissue. This
tissue is the same age as the tree. This tissue has copied all the
genetic characteristics of the mother tree and is the same age
as the original pine tree. If the pine tree is 80 years old, the
plant was practically 80 years old when it was born. It is born
mature. The moment it has a branch strong enough to support
the weight of a pinecone, it will begin to produce,” the Director
summarizes, describing the applied technique.
RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
O compromisso com a flora brasileira se reflete na vasta
diversidade mantida nas estufas em Monte Castelo. Muito além
das cultivares de interesse estritamente madeireiro, a Duffatto é
uma peça chave em projetos de mitigação de impacto e restauração
de biomas. “Além do nosso foco nas exóticas, trabalhamos
com mais de 120 espécies de mudas nativas para projetos de
recuperação ambiental, e trabalhamos com mudas de erva-mate
e frutíferas nativas com grande orgulho”, relata o diretor. O
portfólio oficial lista mais de 50 variedades de amplo destaque
comercial e paisagístico, englobando as mais diversas cores de
ipês (branco, rosa, roxo, amarelo), cedro rosa, jacarandá mimoso,
além de jabuticabeiras, pitangueiras, entre inúmeras outras. Essa
diversidade atende demandas de reposição florestal obrigatória,
criação de corredores ecológicos, arborização urbana e formação
de pomares em propriedades rurais de todos os portes.
SUSTENTABILIDADE E O PAPEL EDUCACIONAL
A operação do viveiro se destaca pela eficiência energética
e pela gestão hídrica. A estrutura é totalmente autossustentável
em energia elétrica, tendo sua própria geração energética por
meio de um amplo parque de painéis solares. A água, recurso
mais do que crítico em qualquer sistema de irrigação de mudas,
recebe tratamento especial: a empresa conta com um sistema
de captação e reutilização da água da irrigação, recolhendo e
reaproveitando o excedente hídrico em um sistema de circuito
fechado que elimina o desperdício.
Para Maicon Duffecky, o conhecimento gerado no interior das
estufas deve ser compartilhado para formar as próximas gerações
de silvicultores e engenheiros. “No nosso processo de produção,
também disponibilizamos espaços para programas de educação
corporativa, onde recebemos várias instituições de ensino de
renome nacional na nossa empresa. Fazemos isso para transmitir
o conhecimento das nossas atividades práticas, integrando com o
que vem das academias, para mostrar que temos o compromisso
com a sustentabilidade: buscar o conhecimento e, também,
transmitir para sociedade”, orgulha-se Maicon.
ENVIRONMENTAL RESTORATION
The commitment to Brazilian flora is reflected in the vast
diversity maintained in the Monte Castelo greenhouses. Far
beyond wood-related cultivars, Duffatto plays a key role in
impact mitigation and biome restoration projects. “In addition
to our focus on exotic species, we work with over 120 species
of native seedlings for environmental restoration projects.
We take great pride in working with yerba mate and native
fruit tree seedlings,” reports the Director. The official portfolio
lists more than 50 varieties of significant commercial and
landscape value. These varieties encompass the most diverse
colors of ipê trees (white, pink, purple, and yellow), pink
cedar, mimoso jacaranda, jabuticaba, and pitanga trees, as
well as countless others. This diversity meets the demands of
mandatory reforestation, the creation of ecological corridors,
urban tree planting, and the establishment of orchards on
rural properties of all sizes.
SUSTAINABILITY AND THE EDUCATIONAL ROLE
The nursery’s operations are notable for their energy
efficiency and water management. The facility is completely
self-sufficient in electricity, generating its own power through
a large array of solar panels. Water, a critical resource for
seedling irrigation, is treated specially: the Company collects
and reuses excess water in a closed-loop system that eliminates
waste.
According to Duffecky, the knowledge generated in the
greenhouses must be shared to educate the next generation
of forest managers and engineers. “In our production process,
we provide spaces for corporate education programs where
we host various nationally renowned educational institutions.
We do this to share knowledge about our practical activities
and integrate it with knowledge from academia to demonstrate
our commitment to sustainability by seeking and sharing
knowledge with society,” says Duffecky proudly.
46 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026
47
ILPF
Conhecimento
COMPARTILHADO
Resultados de mais de 20 anos de pesquisas em
ILPF (Integração-Lavoura-Pecuária Floresta) são
catalogados em livro
Fotos: divulgação
48 www.referenciaflorestal.com.br
0800 180 3000
R. Uruguai, 2100, Pq. Ind. Cel Quito
Junqueira - Ribeirão Preto - SP
ILPF
O
s resultados de pesquisas, validação em
campo, comunicação e transferência de tecnologias
realizadas pela Embrapa (Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Pecuária
Sudeste e parceiros durante 20 anos de trabalho
publicados no livro: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
- Cultivando o Futuro. A publicação lançada engloba ciência,
inovação e experiência para ajudar o produtor rural e o técnico
que deseja assumir o desafio de implantar modelos integrados
de produção. Essas estratégias planejadas para aumentar a produtividade
com sustentabilidade das propriedades brasileiras
sejam pequenas, médias ou grandes.
De acordo com os editores Alberto Bernardi, Alexandre
Rossetto Garcia, José Alberto Portugal e José Ricardo Pezzopane,
pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, os sistemas
integrados são estratégia de produção agropecuária para
enfrentar os desafios da sociedade brasileira e global nas próximas
décadas, como o crescimento populacional, as mudanças
climáticas e a escassez de recursos. “Esse conjunto de tecnologias
é a materialização do conceito de que produzir e preservar
não são atividades antagônicas, mas sim, as duas faces da
moeda da sustentabilidade futura”, destacam os editores no
prefácio da obra.
São 20 capítulos, com 77 autores de vários centros de pesquisa
da Embrapa e instituições parceiras, garantindo uma visão
ampla sobre a ILPF, desde a implantação até o processo de
avaliação e os benefícios ambientais, econômicos e sociais.
Para o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre
Berndt, o conteúdo do livro fornece soluções para apoiar o
cumprimento das metas ambientais e climáticas estabelecidas
globalmente, alinhando-se os compromissos nacionais como
o Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às
Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de
Baixa Emissão de Carbono na Agricultura) e o PNCPD (Programa
Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas
de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis), além de
compromissos internacionais, como o Acordo de Paris e os Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização
das Nações Unidas). “O livro reforça a necessidade de integrar
a segurança alimentar com a mitigação de emissões de GEE
(gases de efeito estufa), estratégias de adaptação às mudanças
climáticas, preservação do solo e da água, e conservação da
biodiversidade”, observa Alexandre.
A obra pode ser usada como uma ferramenta científica e de
informação para transformar a realidade, como uma produção
de alimentos em harmonia com a conservação ambiental.
O livro reforça a necessidade
de integrar a segurança
alimentar com a mitigação
de emissões de GEE (gases
de efeito estufa), estratégias
de adaptação às mudanças
climáticas, preservação do solo
e da água, e conservação da
biodiversidade
Alexandre Berndt,
chefe-geral da Embrapa Pecuária
Sudeste
Foto: Vanderley Porfirio da Silva
50 www.referenciaflorestal.com.br
ILPF
Esse conjunto de tecnologias é a materialização do conceito de
que produzir e preservar não são atividades antagônicas, mas sim, as
duas faces da moeda da sustentabilidade futura
Alberto Bernardi, Alexandre Rossetto Garcia,
José Alberto Portugal e José Ricardo Pezzopane,
editores do livro
SOLUÇÃO PARA UMA AGROPECUÁRIA TROPICAL
Ocupando hoje aproximadamente 17 milhões de ha (hectares),
o sistema ILPF tem potencial para ser implantado em
mais de 100 milhões dos 159 milhões de ha de pastagens do
país – muitos deles com algum nível crítico de degradação –
renovando essas áreas em polos altamente produtivos.
Para o presidente-executivo da Rede ILPF, Francisco Matturro,
a ILPF é a solução brasileira para a agropecuária tropical
e apresenta uma conexão cada vez mais acentuada e virtuosa
com as cadeias de valor de alimentos e energia renovável
dos sistemas agroindustriais. Vale lembrar que o sistema ILPF
está ancorado no desenvolvimento da atividade agrícola, pecuária
e de florestas plantadas em uma mesma área, em um
processo de poupança efeito-terra e que ao produtor oferece
diversidade de renda de curto, médio e longo prazo. O fato é
que a ILPF deu certo no Brasil devido ao moderno modelo de
produção que não domina os trópicos, seus desafios e oportunidades.
De modo contrário ao senso comum, o sistema ILPF apresenta
opções para pequenas propriedades rurais. Nesta jornada,
o maior desafio é mostrar esse perfil de produtor que
a ILPF também tem inserido em sua operação, com potencial
para diversificar a renda do produtor de menor porte, com
base nas atividades que ele já desenvolve.
A ILPF ainda é protagonista e indutora de sustentabilidade
ambiental, social e econômica. O balanço de carbono no sistema
é positivo, porque promove de maneira eficiente o sequestro
e a absorção de carbono. Além disso, A ILPF tem o diferencial
de fazer com que a operação agropecuária seja vista
e compreendida de maneira ampla, integrada, e não de forma
isolada, o que contribui para melhor tomada de decisão.
O livro é gratuito e pode ser acessado
pelo QR Code:
52 www.referenciaflorestal.com.br
SILVICULTURA
Fortalecendo a
ESTRUTURA
20
26
Câmara setorial de florestas plantadas do Estado
do Tocantins abre portas para o desenvolvimento
estruturado da atividade florestal
Fotos: divulgação
O
processo de consolidação de novas fronteiras
silviculturais no Brasil ganhou um capítulo
decisivo na região norte. Durante a realização
da Agrotins 2026, consolidada como a maior
vitrine de tecnologia agropecuária daquela
porção do país, foi chancelado o decreto governamental que
oficializa a criação da Câmara Setorial de Florestas Plantadas
do Estado do Tocantins. A assinatura ocorreu de forma emblemática
no espaço institucional da Sinobras (Siderúrgica
Norte Brasil), reunindo em um mesmo ecossistema deliberativo
os principais líderes do setor produtivo florestal,
investidores e o primeiro escalão das pastas reguladoras e de
fomento do governo estadual.
Mais do que um rito burocrático, o estabelecimento
desta Câmara Setorial atende a uma demanda histórica por
governança unificada. O principal propósito do colegiado é
instituir uma mesa permanente de diálogo técnico e estratégico
entre o poder público, indústrias de base florestal e associações
classistas. A meta central é alinhar os incentivos de
mercado com políticas públicas de ordenamento territorial,
desenhando planos de metas que confiram previsibilidade
jurídica, atração de novos aportes de capital e, sobretudo,
garantam a sustentabilidade ambiental de uma atividade que
se expande aceleradamente pelo bioma local.
04 06
AGOSTO
54 www.referenciaflorestal.com.br
SILVICULTURA
O fórum de instalação da Câmara Setorial não se limitou
às formalidades e ingressou imediatamente nas discussões
operacionais complexas que impactam o dia a dia das
empresas de silvicultura. O núcleo central das primeiras
deliberações girou em torno da otimização dos fluxos de
licenciamento ambiental para plantios e plantas de processamento.
A mesa de debates contou com a participação ativa
do secretário estadual do Meio Ambiente, Marcelo Lelis; do
secretário da Agricultura, Frederico Sodré; e do presidente
do Naturatins (Instituto da Natureza do Tocantins), Cledson
Lima, além de engenheiros e técnicos especialistas da Seagro
(Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura).
A presença unificada desses gestores sinaliza o esforço
do executivo estadual em desatar nós normativos e simplificar
a burocracia sem abrir mão do rigor de proteção
ecológica. O entendimento compartilhado pelo comitê é de
que a silvicultura de alta performance necessita de um fluxo
previsível para a emissão de licenças, permitindo que os
cronogramas de plantio e colheita coincidam perfeitamente
com as janelas climáticas da região e com as demandas das
indústrias consumidoras de biomassa.
Para Juliane Costa, gerente florestal da Sinobras, a criação
do órgão colegiado pavimenta o caminho para uma integração
setorial sem precedentes. “Esse momento é de suma
importância para falarmos sobre a Câmara Técnica e sobre a
relevância de reunir o governo, a iniciativa privada e as demais
entidades correlatas para discutir de forma madura as
estratégias que vão robustecer o mercado silvicultural dentro
Soluções inteligentes
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Conhecimento técnico e inovação para oferecer uma
linha completa de serviços e produtos voltados
à lubriicação.
Nosso diferencial está no atendimento técnico exclusivo,
garantindo eeciência operacional, aumento da vida útil
dos equipamentos e a satisfação dos nossos clientes.
O mercado de florestas
plantadas do Tocantins possui
uma necessidade latente de
crescimento, e o território
estadual detém plenas condições
de área e infraestrutura para
essa expansão
@hetronsolucoes
Juliane Costa,
gerente florestal da Sinobras
56 www.referenciaflorestal.com.br
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+ 5 5 2 7 9 9 5 1 8 - 6 1 4 6
SILVICULTURA
A criação desta Câmara Setorial configura-se como um avanço
extraordinário justamente por colocar lado a lado a sociedade,
corporações investidoras, agências de fiscalização e o Executivo para
mapear gargalos, debelar ineficiências e projetar rotas tecnológicas que
maximizem o desenvolvimento do Estado
Ian Corrêa,
vice-presidente de Operações do Grupo Aço Cearense
O clone de Eucalyptus grandis
Planflora GPC23 tem excelente
desempenho na industrialização
de móveis, esquadrias, molduras,
painéis, compensados e usos na
construção civil.
do Estado. A nossa proposta, enquanto Sinobras, é funcionar
como uma casa de fortalecimento, sinergia e de amplo
compartilhamento de conhecimento técnico. O mercado de
florestas plantadas do Tocantins possui uma necessidade
latente de crescimento, e o território estadual detém plenas
condições de área e infraestrutura para essa expansão”, alertou
Juliane.
A relevância da nova estrutura institucional ganha tração
macroeconômica quando avaliada sob a ótica da transição
energética e do suprimento de indústrias pesadas. Na vanguarda
desse processo, o eucalipto cultivado em solo tocantinense
desempenha papel crucial como matriz de carbono renovável
para a produção de aço verde, substituindo o carvão
mineral importado. A consolidação da cadeia de suprimento
de madeira passa, obrigatoriamente, pelas discussões técnicas
coordenadas pela recém-criada câmara.
Ian Corrêa, vice-presidente de Operações do Grupo Aço
Cearense, detalhou a relevância estratégica da matéria-prima
e os objetivos estruturais que o grupo empresarial projeta
com o novo fórum. “O Grupo Aço Cearense atua sob a premissa
fundamental de fomentar o desenvolvimento regional
das praças onde mantém operações. Atualmente, já operamos
com um segmento de silvicultura bastante expressivo,
contudo, ainda há de se superar uma série de desafios operacionais
e, inclusive, um desconhecimento generalizado por
parte da sociedade civil a respeito do rigor técnico do cultivo
florestal”, argumentou Ian.
O executivo expandiu a análise demonstrando como o
cultivo atende a múltiplos mercados adjacentes, gerando um
efeito multiplicador no PIB (Produto Interno Bruto) regional.
“No nosso arranjo industrial, o eucalipto possui um papel
nobre ao ser processado como biorredutor indispensável
na produção siderúrgica do aço. Contudo, essa cultura vai
muito além: ela é vital para ancorar a sustentabilidade e
suprir energeticamente outros setores de peso no Tocantins,
a exemplo do complexo de grãos da soja e das usinas de etanol.
A criação desta Câmara Setorial configura-se como um
avanço extraordinário justamente por colocar lado a lado a
sociedade, corporações investidoras, agências de fiscalização
e o Executivo para mapear gargalos, debelar ineficiências e
projetar rotas tecnológicas que maximizem o desenvolvimento
do Estado”, assegura Ian.
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SILVICULTURA
O DIAGNÓSTICO ESTATÍSTICO DA ATIVIDADE
FLORESTAL NO TOCANTINS
De acordo com o levantamento oficial da Pevs (Produção
da Extração Vegetal e da Silvicultura), publicado pelo IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Tocantins
encerrou o balanço do ciclo mapeado com uma área florestal
plantada consolidada de 74.676 ha (hectares).
O estudo técnico aponta uma dominância quase absoluta
do gênero Eucalyptus, que perfaz 65.752 ha da área
cultivada, o equivalente a 86% de todo o maciço florestal
do Estado. Em contrapartida, as florestas de Pinus ocupam
um nicho restrito de modestos 75 ha, enquanto outras variedades
florestais complementam o cenário com 8,849 ha,
tendo como polos de destaque as cidades de São Bento do
Tocantins (TO), Angico (TO) e São Miguel do Tocantins (TO).
No segmento do eucalipto direcionado para aproveitamento
volumétrico em metros cúbicos, as principais praças produtoras
foram lideradas por Goiatins (TO), Araguaína (TO) e
pela capital, Palmas (TO).
No que tange à extração vegetal e produtos nativos, a
economia florestal demonstrou forte capilaridade regional e
expressivo retorno financeiro, movimentando cifras multimilionárias
na base econômica tocantinense. O estado apurou a
extração de 347.074 metros cúbicos de lenha nativa, gerando
um valor bruto de produção que tangenciou a marca de R$
23 milhões, seguida de perto pela colheita de 11.473 metros
cúbicos de madeira nativa em tora. Os produtos não madeireiros
de forte traço extrativista mantiveram protagonismo
socioeconômico: a cadeia de valor da amêndoa de babaçu
gerou mais de R$ 8,2 milhões de receita (segundo maior ativo
extrativo do estado), impulsionada pelas produções de Tocantinópolis
e Darcinópolis. O pequi também se posicionou
como pilar financeiro, aportando R$ 4 milhões à economia
rural através da colheita de 3.065 toneladas do fruto, com
os maiores carregamentos oriundos de Pugmil e Chapada de
Areia, complementando-se com a queima de 1.370 toneladas
de carvão vegetal nativo.
Por fim, os indicadores de volume da silvicultura comercial
ratificam o gigantismo e o perfil marcadamente industrial
do setor no Tocantins, cujo volume total de madeira em tora
oriunda de florestas cultivadas atingiu a impressionante marca
de 4,9 milhões de m 3 (metros cúbicos).
Desse montante global monitorado pelo IBGE, a madeira
em tora de eucalipto voltada para finalidades industriais
diversas e processamento mecânico respondeu pela fatia
majoritária de 4,54 milhões de m 3 . O suprimento logístico
voltado para o abastecimento do parque de papel e celulose
absorveu o volume de 408 mil m3. Fechando o balanço de
ativos cultivados, o segmento de energia registrou a produção
de 47.828 m 3 de lenha oriunda de plantios manejados,
distribuída entre 34.981 m 3 de base de eucalipto e 12.841 m 3
de outras espécies comerciais exóticas.
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EVENTO
Minas
FOREST
Primeira feira do segmento florestal em Minhas
Gerais abre portas para o mercado
Fotos: divulgação
Aprimeira edição da Expo Minas Florestal foi
realizada entre os dias 19 e 21 de maio, em
Sete Lagoas (MG), no Parque de Exposições
Juscelino Kubistschek. Segundo a organização,
a feira atraiu um público de 7.406
visitantes, composto por empresários, produtores, executivos,
pesquisadores e técnicos, oriundos de 19 Estados
brasileiros e 14 países, incluindo nações como Finlândia,
Japão, África do Sul, além de diversos mercados da América
do Sul. Essa expressiva presença nacional e internacional
transformou o ambiente em um espaço estratégico
para a geração de novos negócios, prospecção de parcerias
e acesso a inovações de ponta.
O evento reuniu 117 expositores que apresentaram
as principais soluções em máquinas, insumos, equipamentos
e serviços voltados para a modernização da
atividade florestal. Para viabilizar a feira e consolidar sua
estrutura, a organização contou com o apoio institucional
da Prefeitura de Sete Lagoas, do Sindicato dos Produtores
Rurais local, do Sistema Faemg/Senar, além da Secretaria
de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Governo de
Minas Gerais e da Amif (Associação Mineira da Indústria
Florestal).
Além da feira de negócios, a programação técnica paralela
reuniu mais de 500 participantes durante a Semana
Mineira da Indústria Florestal. Especialistas de renome
e lideranças do setor debateram temas urgentes como
produtividade, sustentabilidade, segurança operacional e
transformação digital. As discussões foram divididas em
fóruns temáticos de peso, como o V Encontro Brasileiro
de Segurança e Saúde Ocupacional e Processo Florestal,
o Viveirotech, o Carvão Verde Brasil e o Evolution, focado
em inovações tecnológicas. A agenda contou ainda com
uma visita de campo que movimentou o mercado devido
ao lançamento mundial de uma plantadeira florestal.
De acordo com a organização, o grande diferencial da
feira foi justamente o perfil do público participante, marcado
por profissionais com alto poder de decisão e forte
interesse em investimentos tecnológicos. Essa dinâmica
reflete a própria relevância de Minas Gerais no cenário
nacional, já que o estado detém a maior área de florestas
plantadas do país, com 2,3 milhões de ha (hectares).
62 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 63
EVENTO
AÇOKORTE
A empresa paulista com mais de 60 anos
de história levou todas as suas soluções para
o mercado mineiro. Apresentada por Mario
Martinez, CEO da empresa, a faca com tempera
parcial foi a grande novidade apresentada
pela Açokorte na feira. “Essa faca com tempera
parcial tem como diferencial o não estilhaçamento
da peça: caso seja danificada, ela
não se rompe inteira, gerando risco de dano
ao picador, apenas lasca, que não compromete
a operação”, detalhou Mario.
DINAGRO
A isca formicida resistente a água da Dinagro
é uma referência do setor florestal e é
símbolo de proteção para as florestas. Maria
Fernanda Simões, consultora técnica da Dinagro,
valorizou a importância do mercado
mineiro para a Dinagro. “O controle das formigas
cortadeiras é um desfio muito grande
para as florestas plantadas, que alimentam as
indústrias locais, e por isso temos o mercado
mineiro com grande valor para a Dinagro. Fazer
parte dessa cadeia produtiva é um motivo
de grande orgulho”, conclui Maria.
BACHIEGA
Com mais de 50 anos de história, a Bachiega
é uma das líderes em piso móvel para
transporte de biomassa e madeira no Brasil.
Fabio Bachiega, diretor da Bachiega, destacou
a importância do mercado de Minas Gerais
para a empresa. “Minas já foi o segundo mercado
mais importante do país para a nossa
empresa, há pouco mais de 15 anos. com o
carvão vegetal, e agora, com uma queda do
mercado de carvão, a madeira que se tornaria
carvão, agora será usada como cavaco e
biomassa, que reabre esse mercado para a
Bachiega”, esclarece Fabio.
DRV INDÚSTRIA
No ano que completa 15 anos, a DRV
levou uma linha completas para o mercado
florestal, que são facas, sabres, coroas, disco
de feller e muito mais. Diego Ricardo Vieira,
diretor da DRV, enalteceu a participação na
feira mineira. “Impossível não estar aqui nesse
ano. Foram anos de muitas lutas que levaram
a conquistas maravilhosas. É uma trajetória
cheia de pessoas competentes e qualificadas,
que nos ajudaram a construir essa história
linda”, relembrou Diego sobre as conquistas
da empresa.
BRUNO
“Aqui ainda está começando e tem muito
para crescer”, apontou Angelo Henz, diretor
da Bruno. A Bruno Industrial oferece soluções
de alta performance focadas no setor florestal,
especializando-se no processamento
pesado e na movimentação de madeira. Sua
linha de picadores e sistemas automatizados
garante máxima eficiência na transformação
de toras e resíduos florestais em bioenergia.
“Para a feira trouxemos o Thor, picador que já
é destaque em outras regiões e pode atender
com excelência aqui em Minas Gerais”, destacou
Angelo.
ENVIMAT
Com soluções que vão de movimentação
de carga, trituração e até compostagem, a
Envimat esteve presente na feira para mostrar
seu catálogo e expandir ainda mais seu mercado
em Minas Gerais. “Representamos com exclusividade
a Sennebogen no Brasil, máquinas
que no pátio ou no talhão garantem a gestão
correta da madeira”, apontou Felipe Amaral,
consultor técnico da Envimat. Já Edimilson da
Silva, também consultor técnico, apresentou a
CBI, que tem excelência na trituração de madeira.
“É uma máquina robusta, com opções
de 700 cv (cavalos) a 1200 cv de potência, que
entrega o que mais importa para o cliente:
alta produtividade no campo”, complementou
Edimilson.
64 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 65
EVENTO
ENVU
A Envu Florestas, empresa com soluções
completas para manejo de pragas na silvicultura,
teve em seu estande na feira, mais que
produtos, uma série de palestras e apresentações
sobre sua linha de produtos. Matheus
Zorzetto, gerente de distribuição da Envu,
compartilhou o que a Envu levou para a feira.
“Temos um portifólio completo para o cuidado
com a floresta, em todas as etapas, como
Block, Fordor, Esplanade e Attinix, que auxiliam
na proteção e melhor desenvolvimento
da floresta”, explanou Matheus.
FRATEX
Empresa é referência em tecnologia de
forjados, integrando processos próprios de
forjaria, usinagem e tratamento térmico, a
gaúcha Fratex levou para a feira suas soluções
para o segmento florestal, como explicou Cléber
Scheffer. “Viemos para esse evento prestigiar
os nossos clientes e também apresentar
toda nossa excelência em forjados, usinados e
mangueiras hidráulicas, que atendem ao setor
com a mais alta qualidade há mais de duas
décadas”, expôs Cléber.
FELDERMANN
A Feldermann, que foi capa da edição de
abril da Revista REFERÊNCIA FLORESTAL, é especialista
em equipamentos para limpeza de
área e preparação do solo. Felipe Sepulveda,
diretor da Feldermann, comentou sobre as novidades
da empresa e as possibilidades que o
mercado mineiro apresenta. “Nossa novidade
para a feira é o limpa trilho traseiro com disco
de feller que é um parceiro ideal para o nosso
subsolador S200. Acredito que esses equipamentos
se adequem muito bem às demandas
do mercado local e vão entregar ótimos resultados
no campo”, assegurou Felipe.
HALLCO
Empreendedorismo e criatividade são a
essência da empresa que criou o primeiro
sistema de piso móvel da história: a Hallco.
O fundador precisava de uma solução para o
transporte de dejetos animais que eram usados
como adubo em sua fazenda, assim em
1968 foi criada a patente desse pioneirismo
no mercado. Marcos França, diretor da Hallco
América do Sul, destaca essa criatividade e
a presença da marca no Brasil. “Se não fosse
esse estalo de criatividade não teríamos uma
história de quase 60 anos no mundo e 10 anos
de Brasil”, projetou Marcos.
FEX
A Fex é especializada no desenvolvimento
e fabricação de garras florestais e implementos
de alta performance para o setor de base
florestal. Para a feira, a exposição foram dois
lançamentos para o segmento: um para transporte
e outro para a biomassa, como explicou
Bruno Damasceno, gerente comercial da Fex.
“A faca para picador é feita em aço especial
feito sob medida para a Fex e o nosso novo
fueiro com haste removível, que facilita manutenção,
operação e transporte”, evidenciou
Bruno.
HETRON
A Hetron é especialista no desenvolvimento
de sistemas de lubrificação automática e
centralizada de alta performance para maquinários
pesados e frotas do setor florestal. Igor
Carrareto, diretor operacional apresentou as
novidades da empresa para o segmento de
base florestal. “Temos um sistema de preditiva
de máquinas móveis, que mostra a condição
dos equipamentos em tempo real e nossa
tecnologia de filtragem de óleo, que pode ser
embarcada e garantir limpeza de 99,99% das
impurezas do motor da máquina”, apontou
Igor.
66 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 67
EVENTO
HFORT
Duas décadas de tradição na fabricação de
implementos para a movimentação de cargas
no segmento florestal respaldam a HFort. O
mercado mineiro é muito importante para
a empresa catarinense, como destaca Vânio
Oliveira, gerente comercial da HFort. “Participar
dessa feira nos mostra o crescimento e a
importância do mercado mineiro para o nosso
segmento. E no ano que celebramos 20 anos,
não poderíamos deixar de estar aqui valorizando
um Estado tão relevante para nosso
crescimento e história”, exaltou Vânio.
KADES MÁQUINAS
A Kades Máquinas levou toda sua expertise
em transporte e colheita florestal para a
feira. Leanderson Oliveira, vendedor da Kades,
ressaltou a grande variedade de implementos
e soluções que a empresa oferece em seu
catálogo. “Temos garras florestais, minis skidders
e correntes de corte. Trazemos para essa
feira qualidade de equipamentos e a vontade
de fazer bons negócios em um Estado onde o
florestal é tão importante”, enalteceu Leanderson.
J DE SOUZA
Direto de Lages (SC), a J de Souza era a
empresa que abria a feira, com um estande
sendo o primeiro para quem entrava no
evento. Entre as novidades apresentadas pela
empresa, a principal foi a garra rachadora,
apresentada por Anderson de Souza, diretor
da empresa. “A garra rachadora é uma solução
que temos para árvores de porte maior, que
já passaram do tamanho padrão do mercado.
Pode ser utilizada, tanto para a indústria de
celulose, quanto para biomassa, rachando
troncos diretamente sobre o picador”, explicou
Anderson.
MIREX-S
A Mirex-S é referência no desenvolvimento
e fabricação de iscas formicidas de alta
eficiência voltadas para o controle de formigas
cortadeiras na silvicultura. João Paulo Gatti,
coordenador técnico de vendas da Mirex-S,
registrou a importância da feira para a expansão
da marca na região e apresentar a nova
isca resistente a água da empresa. “A feira tem
um público qualificado, bem movimentada e
é uma oportunidade única para nossos objetivos
em Minas Gerais”, notabilizou João.
JOHN DEERE
O sistema full tree foi carro-chefe da
John Deere para a Expo Minas Florestal. Na
frente do estande estavam as novidades da
empresa: o Feller 643L-III e o Skidder 648L-III.
João Bihain, gerente comercial da empresa
ressaltou a importância dessa nova geração de
máquinas para o mercado mineiro. “A geração
3, lançada recentemente, são máquinas mais
modernas, mais tecnológicas, mais robustas,
mais confortáveis para o operador e, acima de
tudo, mais produtivas”, explicitou João.
PENZSAUR
A PenzSaur desenvolve guindastes e garras
florestais de alta robustez para otimizar o carregamento,
o transporte de toras e a eficiência
logística no campo e em pátios industriais.
Rodrigo Rubin, coordenador comercial da Penzsaur,
destacou as oportunidades geradas pela
feira. “Trouxemos nosso novo modelo de forwarder
de seis toneladas, o Taura. Além disso,
em 2026 celebramos 100 anos de Penzsaur, e
a feira nos ajuda a nos aproximar ainda mais
do mercado e dos clientes de Minas Gerais”,
ressaltou Rodrigo.
68 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 69
EVENTO
PLANALTO
Quem visitou o estande da Planalto pode
conhecer em operação o ForestFox, de 600 cv
(cavalos) que é o modelo adequado ao mercado
local. Com equipamentos que chegam
a 843 cv de potência, como o Bear Forest, a
empresa é uma das líderes do segmento de
picadores, como valoriza Luiz Mecabô, diretor
da Planalto. “Temos linhas completas para
fabricação de cavaco, máquinas adequadas
a todas as realidades de operação e estamos
prontos para atender o mercado mineiro”, esclareceu
Luiz Mecabô.
RODER
Capa da edição da REFERÊNCIA FLORES-
TAL que circulou na feira, em parceria com a
Rotary-Ax, a Roder teve como destaque no
estande a garra traçadora GT800X, que apresenta
o melhor da tecnologia Roder para o
mercado. “Ela tem rotator giro livre, em 360°,
estrutura robusta e cada detalhe foi pensado
para atender as demandas de nossos clientes.
A parceria com a Rotary-Ax é a união da qualidade
deles com a nossa”, conectou Jeferson
Roder, diretor técnico da Roder, sobre a parceria.
PONSSE
Com dois lançamentos preparados para a
feira, a Ponsse deixou uma ótima impressão
na primeira feira florestal mineira. Rodrigo
Marangoni, gerente comercial da Ponsse,
representou a empresa e com novidades. “A
Buffallo Planter, primeira plantadeira projetada
para o plantio da Ponsse, que já atua na
colheita há mais de cinco décadas, cobrindo
assim toda a cadeia produtiva. O cabeçote
harvester DH7 é um novo modelo focado na
colheita do eucalipto, focado em alta produtividade
e baixo custo”, exaltou Rodrigo.
RODOVALE
Especialista em implementos rodoviários,
a Rodovale levou para seu estande três carrocerias
que atendem o segmento florestal: piso
móvel para biomassa, bitrem para transporte
de toras e um semirreboque de três eixos,
ideal para transporte de picadores e tratores.
“Já estamos participando dos principais
eventos do setor e não poderíamos deixar de
prestigiar uma feira em um Estado tão pujante
para o florestal. É uma oportunidade muito
grande para novos negócios”, sublinhou Taver
Freitas, comercial da Rodovale.
RDC AGROTEC
Trazendo a visão do alto através do sistema
de drones, a RDC Agrotec une o melhor de
software e hardware para que o cliente tenha
o maior e melhor volume de informações sobre
sua floresta, como valoriza Pedro Gama,
CEO da RDC. “Podemos acoplar sensores
LiDAR em nossos drones, fazendo o mapeamento
e monitoramento em 3D da floresta.
Esses dados podem ser passados para drones
de pulverização, para defensivos agrícolas ou
gerar um inventário mais preciso da floresta”,
garante Pedro.
ROTARY-AX
Parceira da Roder na capa da edição da
REFERÊNCIA FLORESTAL que circulou na feira,
a Rotary-ax, recebeu seus clientes e parceiros
na feira com uma linha completa de solução
como sabres, ponteiras, dentes de feller e
muito mais. “O mercado mineiro é focado no
full tree, temos uma participação expressiva
e queremos fazer ainda mais aqui em Minas.
Essa parceria com a Roder é uma alegria, uma
grande oportunidade para a valorização das
duas empresas”, comemorou Victor Shinohara,
direto industrial da Rotary-Ax.
70 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 71
EVENTO
BIOMASSA MAIS LIMPA.
SPARTA
Especialista em trituração florestal, a
Sparta Brasil levou para a feira equipamentos
da empresa alemã Prinoth, uma das líderes
mundiais na supressão vegetal. Celso Kossaka,
CEO da Sparta, é dos grandes especialistas
nessa atividade e destacou as funcionalidades
dos implementos Prinoth. “Temos o Raptor
100, compacto e altamente produtivo, o
M450s é um cabeçote frontal com 190 cm
(centímetros) de largura de corte e o M350e,
um cabeçote para escavadeira de 3,7 a 7 toneladas,
ideal para situações mais restritas”,
diferenciou Celso.
OPERAÇÃO MAIS EFICIENTE.
Remoção superior de contaminantes para elevar
a qualidade do material e o desempenho de sua planta.
TMO
A TMO é uma tradicional fabricante nacional
de equipamentos pesados para a colheita
e transporte florestal, com um portfólio robusto
que inclui guindastes, carretas e garras de
alta resistência. A principal novidade apresentada
pela empresa na feira é a nova filial da
TMO que será inaugurada em junho na cidade
de Curvelo (MG). “Teremos uma solução completa
com assistência, manutenção e peças de
reposição de forma rápida para nossos clientes”,
compartilhou Rodrigo Plochai, comercial
da TMO.
IMPUREZAS / MATERIAL FORA DE ESPECIFICAÇÃO
MATERIAL LIMPO / GRANULOMETRIA IDEAL
TRACBEL
A Tracbel distribui máquinas pesadas
de marcas globais e oferece suporte técnico
especializado para otimizar as operações de
colheita, movimentação e logística no setor
florestal, sendo representante oficial da Tigercat
no Brasil. Para a feira, a Tracbel trouxe
novidades exclusivas e que atendem com precisão
o mercado mineiro. “Temos nosso novo
Feller 877, que é a atualização de um modelo
já reconhecido e valorizado pelos clientes, e a
primeira carregadeira 100% elétrica da Volvo
com até 12H de autonomia e carga completa
da bateria em apenas 2H”, elencou Marcelo
Chiabai, gerente comercial da Tracbel.
MENOS
IMPUREZAS E REFUGO
Remoção de contaminantes,
oversize e material fora de
especificação da sua operação.
MELHOR
PADRONIZAÇÃO
GRANULOMÉTRICA
Frações mais uniformes e
consistentes para sua operação.
TECNOLOGIA RECIMAC
PARA PENEIRAMENTO E SEPARAÇÃO DE BIOMASSA
MAIS VALOR
PARA A BIOMASSA
Qualidade superior que aumenta
o desempenho e rentabilidade.
Mais eficiência. Mais qualidade.
Mais resultado para o seu negócio.
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EVENTO
UNIFERTIL
“Não existe uma adubação melhor que a
outra, existe a adubação mais adequada para
cada cultura”, esclareceu Rivaldo Teixeira, supervisor
comercial da Unifertil. A empresa de
Canoas (RS) tem importante história no agro e
recentemente chegou ao segmento florestal,
oferecendo soluções específicas para a silvicultura,
de acordo com a demanda do setor.
“Estar conectado com nossos clientes, trocar
ideias e aprender com eles e suas demandas
é um pilar do sucesso da Unifertil nos mais de
50 anos de história”, valorizou Rivaldo.
VANTEC
“O mercado de biomassa em Minas Gerais
está aquecido e trouxemos nosso picador
Bronco, que se adequa perfeitamente ao
mercado mineiro“, explicou Ericsson Paludo,
supervisor de biomassa da Vantec. A Vantec é
especialista em picadores, tem se destacado
na trituração de madeira nativa, com sua linha
Kong e Brutus, e para Minas Gerais, onde o
eucalipto é mais pujante, o Brutus atende com
qualidade. “Na feira podemos demonstrar
essa máquina, apresentar para quem ainda
não nos conhece, de mostrar na prática todo o
nosso desempenho”, assegurou Ericsson.
VERMEER
Nova geração do picador horizontal
HG4000 TX da Vermeer foi apresentado para
os clientes na Expo Minas Florestal. Essa nova
geração tem dois rotores, facas e martelos,
pode ser sobre esteira trailer ou pneus, e muita
produtividade e robustez que já são marca
da empresa. “Além de uma máquina robusta,
tem muita tecnologia envolvida, que conta
com monitoramento de consumo, produtividade
e telemetria e todas as informações que
garantem o melhor desempenho da máquina”,
destacou Flávio Leite, gerente comercial da
Vermeer.
74 www.referenciaflorestal.com.br
EVENTO
CONECTANDO TECNOLOGIA A DESAFIOS REAIS DA INDÚSTRIA
Soluções em loT para mais controle e eficiência
WBM TECHNOLOGY
“Somos especialistas em desenvolvimento
de tecnologia para a melhoria de processos
industriais para a cadeia produtiva do carvão
também para saneamento”, enalteceu
Matheus Ferreira, CTO da WBM. A empresa
apresenta soluções focado em IoT (Internet
das Coisas) e indústria 4.0 e teve na feira uma
oportunidade de apresentar seu trabalho,
como salientou Weber Duarte, CEO da WBM.
“É um ambiente propício, ideal para conhecer
ainda mais e aprender sobre as demandas
com profissionais do mais alto nível”, concluiu
Weber.
A WBM TECHNOLOGY é uma fábrica de soluções
baseadas na Tecnologia IoT (Internet das Coisas)
para as indústrias permitindo fazer supervisão
e controle de equipamentos e processos
com menor custo.
WDS
Quando se trata de transporte florestal,
a WDS atua diretamente para gerar maior
segurança para a carga e para o operador.
Diego Schott, diretor da WDS, apresentou a
CAT 6, nova linha de catraca pneumática da
empresa que vem para superar expectativas
dos clientes. “Esse novo modelo é mais leve,
mais compacto, que facilita sua fixação no
chassi do caminhão, tem acionamento remoto
e manutenção simplificada, que pode ser feita
rapidamente e manter a operação rodando”,
ressaltou Diego.
Nosso Negócio é projetar e fornecer soluções
com conceitos da INDÚSTRIA 4.0 para aumentar
a produtividade, sustentabilidade e rentabilidade
dos nossos clientes.
FLORESTAL
Válvulas, atuadores e sensores para automação inteligente
para produção sustentável de carvão vegetal
Controle autônomo na separação de pirolenhoso e alcatrão
SANEAMENTO
Módulos com tecnologia loT (Internet das Coisas) para leitura
de dados de processo essenciais para a Indústria 4.0
WOODTECH
A Woodtech desenvolve sistemas avançados
de medição 3D e automação para otimizar
a cubagem de toras, a gestão de pátios e a eficiência
no processamento industrial da madeira.
Pietro Sciavicco, executivo da Woodtech,
evelou as soluções da empresa para um mercado
tão exigente quanto o florestal. “Temos
o Logmeter, que mede o volume e quantidade
de toras, e o bulkmeter, que mede volume de
cargas a granel ainda no caminhão com precisão
e velocidade em tempo real”, salientou
Pietro.
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MANEJO
Manejo
EM ALTA
Pará apresenta maior concessão florestal para
manejo sustentável de sua história e Mato
Grosso aprova lei que protege e fortalece a
produção florestal
Fotos: divulgação
O
Pará consolidou um marco histórico na agenda
ambiental ao publicar, no DOE (Diário
Oficial do Estado), o resultado preliminar da
maior concorrência pública de concessão
para manejo florestal sustentável do país.
O processo, conduzido pelo governo paraense por meio do
Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade),
abrange mais de 800 mil ha (hectares) distribuídos
entre as Flotas (Florestas Estaduais) do Paru (PA), na
porção oeste, e do Iriri (PA), no sudoeste do Estado.
A iniciativa eleva o patamar da gestão de florestas públicas
no Brasil, consolidando o uso sustentável como uma
ferramenta robusta para preservação ecológica, geração de
empregos e desenvolvimento regional. Com o encerramento
do certame, o Pará assume a liderança nacional no mercado
de concessões florestais, alcançando a marca de 1,5 milhão
de ha outorgados para o manejo responsável.
O balanço preliminar divulgado pela Comissão Especial
de Licitação do Ideflor-Bio definiu as corporações vencedoras
para seis UMFs (Unidades de Manejo Florestal). Na Flota
do Paru, a Arapua Florestal Ltda venceu os lotes das UMFs
VIa e VIIIa; a MCS Agroflorestal e Construção Civil Ltda assumiu
a UMF X; e a TMBR Serviços Florestais Eireli garantiu a
UMF XI. Na Flota do Iriri, a Cichelero Indústria, Comércio e
Exportação de Madeiras Ltda arrematou a UMF I, enquanto
a Curua Florestal Ltda ficou com a UMF II.
84 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 85
MANEJO
As áreas concedidas integram duas das mais estratégicas
florestas públicas do Pará. A Flota do Paru possui uma
extensão total de 3 milhões de ha (com frações direcionadas
ao manejo sustentável), enquanto a Flota do Iriri cobre cerca
de 440 mil ha. Somadas, as duas unidades expandem em
mais de 120% a malha total concedida anteriormente no
Estado.
O processo licitatório reuniu 15 empresas concorrentes
e foi estruturado pelo Ideflor-Bio com o suporte técnico do
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social). O modelo estabelecido prevê o aproveitamento sustentável
de produtos madeireiros, não madeireiros e prestação
de serviços florestais, alinhando a salvaguarda ambiental
ao estímulo econômico das comunidades do entorno.
De acordo com o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto,
o avanço reflete a retomada de uma política pública essencial
para a Amazônia. “O Pará reafirma seu compromisso
com a floresta em pé e com o crescimento sustentável. Em
poucos anos, conseguimos transformar a realidade das concessões
florestais no Estado, triplicando a área outorgada
e consolidando o Pará como a principal referência nacional
em manejo responsável”, comemorou Nilson. Ele ainda fez
questão de lembrar, que em 2023, o Estado contava com
cerca de 465 mil ha concedidos e enfrentava entraves para
destravar novas concorrências. Desde então, a atual gestão
colocou as concessões no topo das prioridades institucionais,
resultando no salto atual para 1,5 milhão de ha com a
conclusão do processo em andamento.
A regra promove
previsibilidade
mercadológica, resguarda
juridicamente o operador
regular e agrega valor
à madeira sustentável
extraída em Mato Grosso
Gleisson Tagliari,
presidente do Cipem
A diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção
do Ideflor-Bio, Ana Cláudia Simoneti, destacou o caráter histórico
do certame e a expressiva liderança das mulheres em
todas as fases do projeto. “É um orgulho enorme ver o Estado
do Pará fazer história com a realização da maior licitação
em área concedida de uma só vez para manejo florestal
sustentável. Mais orgulho ainda é constatar o protagonismo
feminino desde a estruturação técnica até a Comissão Especial
de Licitação, integrada exclusivamente por mulheres”,
declarou Ana.
Ao longo do desenho da concessão, o governo paraense
promoveu canais de diálogo com comunidades locais, conselhos
consultivos das unidades de conservação, povos indígenas
e trabalhadores tradicionais, como os castanheiros. As
reuniões e consultas públicas geraram dezenas de contribuições,
incorporadas diretamente ao edital final.
Nilson Pinto conclui enfatizando que o Pará consolida
sua posição na vanguarda da agenda florestal sustentável
e prova que preservação e desenvolvimento andam juntos
nesta nova etapa. “O manejo florestal regular e planejado
surge como um instrumento decisivo para proteger a biodiversidade,
combater as frentes de exploração irregular e gerar
oportunidades econômicas duradouras para a população
amazônica”, finalizou o presidente do Ideflor-Bio.
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86 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 87
MANEJO
Para o presidente do Cipem, Gleisson Tagliari, o novo
marco regulatório equilibra de forma inteligente a preservação
ecológica e a atividade econômica. “A Lei Complementar
843/2026 é um divisor de águas para as indústrias de base
florestal, pois sofistica os mecanismos de controle e fiscalização
sem paralisar o crescimento sustentável do setor.
A regra promove previsibilidade mercadológica, resguarda
juridicamente o operador regular e agrega valor à madeira
sustentável extraída em Mato Grosso”, ponderou Gleisson.
A entidade empresarial reitera que a atualização da lei
sanou uma demanda histórica das indústrias, adaptando as
exigências de fiscalização à rotina operacional e logística do
setor. O Cipem recorda, ainda, que a atividade de manejo
sustentável figura entre as mais controladas e monitoradas
do país, atuando como engrenagem central na manutenção
das florestas nativas, na interiorização de empregos e na
geração de divisas regionais.
Atualmente, a cadeia produtiva da madeira consolida-se
como um dos pilares econômicos de Mato Grosso, aglutinando
mais de 1,3 mil estabelecimentos e gerando mais
de 10 mil postos de trabalho diretos, sendo corresponsável
pelo ordenamento e preservação de mais de 5 milhões de
ha de florestas sob plano de manejo ativo no Estado.
Em poucos anos, conseguimos
transformar a realidade das
concessões florestais no Estado,
triplicando a área outorgada e
consolidando o Pará como a principal
referência nacional em manejo
responsável
Nilson Pinto,
presidente do Ideflor-Bio
MAIS RÁPIDO E EFICIENTE
O setor produtivo de base florestal passa a operar sob
um ambiente regulatório mais moderno e ágil com a entrada
em vigor da Lei Complementar número 843/2026, veiculada
no Diário Oficial. Para o Cipem (Centro das Indústrias
Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato
Grosso), o novo texto legal aprimora de forma significativa
os ritos de inspeção e a checagem de conformidade na fiscalização,
movimentação e comércio de produtos de origem
florestal em solo mato-grossense.
A nova legislação representa um avanço central para
blindar a segurança jurídica, ampliar a transparência e dar
efetividade às fiscalizações estaduais, estabelecendo critérios
claros e padronizados para a conferência de cargas, com
foco especial nas rotas de transporte interestadual.
Entre as principais inovações do texto, destaca-se a adoção
da fiscalização por amostragem, orientada por matrizes
de risco e inteligência fiscal. Isso permite direcionar as ações
prioritariamente para operações que apresentem indícios
palpáveis de irregularidades. O ordenamento jurídico também
estabelece a emissão de laudos oficiais em casos de divergências
volumétricas ou de classificação e determina que
impasses na identificação científica de espécies arbóreas
passem por instâncias administrativas prévias de apuração,
garantindo maior rigor técnico e clareza processual.
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88 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 89
ARTIGO
Métricas de carbono do eucalipto
destinado à produção de carvão vegetal:
análise das emissões e remoções de GEE
de florestas plantadas em
MINAS GERAIS
Fotos: divulgação
FRANCIELE ALBA JOSÉ
EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)
MAURO MAGALHÃES ÁVILA PAZ MOREIRA
EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)
JOSILÉIA ACORDI ZANATTA LUIZ
EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)
MARCELO BRUM ROSSI
EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)
WILSON ANDERSON HOLLER
EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)
90 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 91
ARTIGO
Estudos recentes demonstram que plantações de
eucalipto apresentam elevado potencial de sequestro de
carbono, tanto na biomassa aérea quanto subterrânea e
nas camadas do solo, contribuindo significativamente para
o balanço positivo de carbono em sistemas florestais brasileiros
(McMahon et al., 2019; Vieira et al., 2019). No entanto,
a maioria dos estudos não contempla todas as fases
do ciclo produtivo (Gatto et al., 2011; Binkley et al., 2017;
McMahon et al., 2019; Vieira et al., 2019). Por isso, o conceito
de pegada de carbono, que engloba o levantamento
ou inventário das atividades e operações de todas as etapas
do ciclo produtivo vinculando a emissão de GEE atrelada à
cada uma delas, torna-se uma ferramenta essencial para
uma avaliação abrangente e confiável (Galli et al., 2012).
INTRODUÇÃO
O
setor siderúrgico de Minas Gerais se destaca
como um dos mais relevantes do Brasil,
especialmente pela expressiva produção
de ferro-gusa e aço, fortemente integrada
à cadeia do carvão vegetal. O estado abriga
um grande polo produtor de carvão vegetal, com aproximadamente
um milhão de hectares de plantações de eucalipto
destinadas à produção desse insumo, utilizado como alternativa
renovável aos combustíveis fósseis nos altos-fornos
das siderúrgicas locais (Associação Mineira da Indústria Florestal,
2020; Sindicato das Indústrias Florestais do Estado
de São Paulo, 2024). A substituição do carvão mineral pelo
carvão vegetal na produção de ferro-gusa e aço implica na
mitigação de, aproximadamente, 75% das emissões de GEE
(gases de efeito estufa) da fase industrial em relação ao uso
de combustível fóssil (Souza; Pacca, 2021).
Para avaliar de forma completa e robusta o impacto
ambiental dessa cadeia produtiva, é fundamental estimar
de forma integrada todas as métricas de carbono, a fim de
obter o balanço e, ou a pegada de carbono. Essa avaliação
deve considerar as etapas do ciclo de produção do carvão
vegetal, incluindo a fase de crescimento e produção da
floresta, desde a implantação até a colheita, o transporte
da madeira, o processo de carbonização e o transporte até
o uso final na siderurgia. Embora seja possível obter métricas
pontuais — como estoques de carbono na biomassa
vegetal e emissões de GEE específicas durante operações
de campo —, resultados apenas para uma destas condições
não capturam a complexidade dos fluxos de carbono,
especialmente na fase produtiva, em que as emissões e remoções
de carbono são difusas e de difícil monitoramento
(Vieira et al., 2019; Premetilake et al., 2023).
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ARTIGO
A pegada de carbono identifica os principais pontos de
emissão de GEE, sendo uma ferramenta para orientar estratégias
de redução de emissões de GEE e para comunicar, de
forma efetiva, o desempenho ambiental das empresas aos
consumidores e partes interessadas. No entanto, ainda há
desafios relacionados à padronização das definições, delimitação
dos escopos 1, 2 e 3 e à disponibilidade de fatores
de emissão confiáveis e representativos dos ambientes
produtivos do país. Poucos foram os estudos que quantificaram
a pegada de carbono em plantios de eucalipto, com
destaque para os resultados do repositório Ecoinvent 2.2.
Esse repositório é o mais reconhecido banco de dados de
ICV (inventários de ciclo de vida) utilizado para estudos
de ACV (Avaliação de Ciclo de Vida) e outras avaliações
ambientais, que indicou, com base em fontes secundárias,
uma pegada de carbono de 15,94 kg CO2e/m³ de tora de
eucalipto, (Gonçalves et al., 2018).
Por isso, o conceito de pegada
de carbono, que engloba o
levantamento ou inventário das
atividades e operações de todas
as etapas do ciclo produtivo
vinculando a emissão de GEE
atrelada à cada uma delas, tornase
uma ferramenta essencial
para uma avaliação abrangente e
confiável
DIAGNÓSTICO DO AMBIENTE DE ESTUDO
Para o diagnóstico do ambiente de estudo e a caracterização
detalhada dos sistemas de produção de eucalipto em
Minas Gerais, adotou-se uma abordagem em duas etapas
principais: levantamento bibliográfico sistemático e levantamento
da cadeia produtiva por meio de entrevistas.
Na primeira etapa, realizou-se uma análise de dados secundários
provenientes de bases oficiais, como IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia de Estatística), Ibama (Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)
e Rais (Relação Anual de Informações Sociais), para
descrever a produção de eucalipto por município, micro e
macrorregião de Minas Gerais. A base do IBGE foi utilizada
para obter dados estatísticos de uso da terra e informações
demográficas regionais, enquanto a base do Ibama forneceu
registros de atividades licenciadas para silvicultura e
produção de carvão. A Rais foi consultada para caracterizar
a força de trabalho, o perfil dos trabalhadores e sua distribuição
geográfica no setor.
A utilização de dados secundários oficiais permitiu a
análise espacial e temporal da expansão dos plantios e as
regiões e municípios de maior produção de eucalipto e
carvão, bem como a identificação de padrões produtivos
e socioeconômicos. Além disso, a integração de diferentes
fontes de dados possibilitou uma visão abrangente do setor,
subsidiando análises comparativas e a construção de
indicadores técnicos relevantes para o planejamento e a
gestão florestal.
Essa é uma versão parcial do artigo, o
texto completo pode ser acessado pelo
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AGENDA
AGENDA 2026
JUNHO
2026
AGO
2026
FOREST MAX
Imagem: reprodução
AGENDA 2026
AGOSTO
2026
VI Semana e II Congresso da
Engenharia Florestal
Data: 08 a 10
Local: Botucatu (SP)
Informações: https://eventos.fepaf.
org.br/evento/ev289--vi-semana-e-iicongresso-da-engenharia-florestal
JULHO
2026
O Forest Max consolida-se como um dos principais eventos
técnicos de campo voltados à silvicultura de alta performance.
Com foco prático, o encontro reúne produtores, gestores e
especialistas para demonstrar inovações em genética, manejo
de solo e mecanização florestal. Em um cenário de custos
elevados de insumos em 2026, o evento ganha relevância
estratégica ao debater a eficiência no uso de fertilizantes e a
otimização da produtividade do eucalipto. É o ambiente ideal
para o networking qualificado e para a visualização de soluções
tecnológicas aplicadas diretamente no horto.
Forest Max
Data: 4 a 6
Local: Brasília (DF)
Informações:
https://forestmax.com.br/
SETEMBRO
2026
ASSINE AS PRINCIPAIS
REVISTAS DO SETOR
E FIQUE POR DENTRO
DAS NOVIDADES!
XLIV Congresso Paulista de Fitopatologia
Data: 22 a 24
Local: Botucatu (SP)
Informações: https://eventos.fepaf.
org.br/evento/ev288--44-congressopaulista-de-fitopatologia
Demo Forest
Data: 28 e 29
Local: Bertrix (Bélgica)
Informações:
https://demoforest.be/
JULHO
2026
SET
2026
LIGNUM
A Lignum Latin America consolidou-se, ao longo de uma
década, como referência na transformação, beneficiamento,
preservação, energia, biomassa, uso da madeira e manejo
florestal. O evento tornou-se um dos principais encontros
do setor na América Latina e o ponto alto da Semana
Internacional da Madeira. Na edição de 2024, a feira
superou expectativas ao reunir mais de 12 mil visitantes
qualificados, vindos de 21 Estados brasileiros e 22 países,
além de 165 expositores. Os números recordes reforçaram
sua relevância para o mercado e confirmaram seu papel
como espaço de negócios e inovação.
Imagem: reprodução
Lignum Latin America
Data: 15 a 17
Local: Pinhais (PR)
Informações:
https://lignumlatinamerica.com/
Expocorma
Data: 18 a 20
Local: Concepcion (Chile)
Informações:
https://www.expocorma.cl/
NOVEMBRO
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E o segundo
PASSO?
Por Rodolfo De Santi,
CTO, conselheiro e palestrante
especializado em inteligência
artificial. Com mais de 30 anos
de experiência em tecnologia da
informação, atuando atualmente
como Diretor de Inovação e
Desenvolvimento da IMA, em
Campinas (SP).
Sua empresa adotou IA.
Agora vem a parte difícil
98 www.referenciaflorestal.com.br
Trabalho com tecnologia aplicada a organizações públicas e privadas
há mais de duas décadas. Já vi esse filme antes. Com ERP, prometíamos
eficiência operacional e passamos anos integrando sistemas que
não conversavam. Com cloud, prometíamos agilidade e criamos formas
de lockin. Com big data, prometíamos decisões mais inteligentes
e geramos dashboards que ninguém olhava.
Com IA generativa, o ciclo se repete. Mais rápido e com apostas bem maiores.
Um levantamento da Deloitte de 2026 mostra que 88% das empresas têm alguma
iniciativa de IA em produção. O número impressiona até ler a linha seguinte:
menos de um terço consegue atribuir resultados financeiros mensuráveis ao que
implementou. Adotaram. Não sabem dizer quanto valeu. Não é problema de tecnologia.
É problema de governança.
A McKinsey chama de Frontier Firms as empresas que não apenas adotaram
IA redesenharam processos inteiros ao redor dela. Esse grupo representa entre
10% e 20% do total e captura retornos desproporcionais em relação às demais. O
que as diferencia das outras 80%? Não é o modelo de linguagem que escolheram,
nem o fornecedor de cloud. É como governam a adoção internamente. Depois
de acompanhar muitas implementações, uma proporção ficou clara para mim
e os dados confirmam: 10% do resultado vem da tecnologia em si, 20% vem do
redesenho de processos, e 70% depende de transformação cultural e de pessoas.
A maioria das empresas investe exatamente ao contrário. Compra a ferramenta.
Para por aí.
A Netskope publicou em janeiro de 2026 que 94% dos funcionários de grandes
empresas já usam IA no trabalho. Parece ótimo até descobrir que, na maior
parte dos casos, o departamento de TI não faz ideia de quais ferramentas são
essas. Tem nome para isso: Shadow AI.
Não é sabotagem. É o analista financeiro que descobriu que o ChatGPT escreve
macro de Excel melhor do que qualquer treinamento interno, ou o advogado
júnior que usa Claude para rascunhar contratos mais rápido. Gente resolvendo
problema real com a ferramenta que achou. O problema é o que viaja junto:
dados de clientes em modelos externos sem criptografia, outputs sem auditoria
influenciando decisões de negócio, propriedade intelectual alimentando o treinamento
de modelos de terceiros. A IBM calculou que o custo médio de um vazamento
de dados chegou a US$ 4,88 milhões em 2025. Shadow AI é uma superfície
de exposição que a maioria das organizações ainda não mapeou. E quando aparece,
aparece em manchete.
CONFORMIDADE VIROU PRAZO
Em agosto de 2026, o EU AI Act entra em vigor para sistemas de alto risco
ferramentas usadas em RH (recursos humanos), crédito, saúde e infraestrutura
crítica. Documentação de modelos, auditorias de viés, explicabilidade de decisões.
Quem não começou esse trabalho em 2025 está atrasado e vai correr. Mas
há uma distinção que muita gente ignora e que me parece custosa: conformidade
regulatória e governança estratégica não são a mesma coisa.
Conformidade diz o mínimo para não ser multado. Governança estratégica diz
como extrair valor real enquanto mantém risco sob controle. Uma defende o passado.
A outra constrói o futuro. Confundir as duas é provavelmente o erro mais
caro que uma organização pode cometer agora porque gasta energia para ficar na
média quando poderia estar construindo vantagem.
A IA que vale construir não é só a camada técnica. É a capacidade institucional
de usar, auditar e melhorar sistemas de forma contínua. E isso não se compra em
um contrato de SaaS. Na sua organização, a governança de IA está na pauta estratégica
ou ainda é assunto que chega como ticket para o departamento de TI? O
que já tentou que funcionou, e o que faria diferente se começasse hoje?
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