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Florestal_285 OPS

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DESTAQUE

Entrevista: Júnior Ramirez e os desafios do crescimento da silvicultura no Mato Grosso do Sul

GENÉTICA FLORESTAL

DE PONTA

VIVEIRO ALIA MANEJO

PRECISO E PESQUISA PARA

CRIAR FLORESTAS

PRODUTIVAS E RESISTENTES

CUTTING-EDGE

FOREST GENETICS

THE NURSERY COMBINES PRECISE

MANAGEMENT AND RESEARCH

TO CREATE PRODUCTIVE

AND RESILIENT FORESTS




HÁ MAIS DE 20 ANOS

NO MERCADO

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SUMÁRIO

JUNHO 2026

42

O DNA DA

PRODUTIVIDADE

08 Editorial

10 Cartas

12 Bastidores

14 Notas

28 Frases

30 Entrevista

40 Coluna

42 Principal

48 ILPF

54 Silvicultura

62 Evento

84 Manejo

90 Artigo

96 Agenda

98 Espaço Aberto

48

62

ANUNCIANTES DA EDIÇÃO

09 BKT

15 Bruno

17 Carrocerias Bachiega

99 Composhow 2026

87 D’Antonio Equipamentos

29 Denis Cimaf

79 Diamond Imóveis

02 Dinagro

21 DRV Ferramentas

41 Duffatto Viveiro Florestal

75 Engeforest

23 Envimat

100 Envimat

07 Envu

53 Fex

55 Forestmax 2026

93 Fratex

95 Hallco South America

57 Hetron Soluções

04 Himev

25 J de Souza

81 Lignum Latin America

33 Máquina Solo

89 Motocana

61 Penz Saur

59 Planflora

13 Ponsse

83 Prêmio REFERÊNCIA

73 Recimac

35 Roder Máquinas

31 Rodovale

11 Rotary-Ax

19 Sparta Brasil

49 Unibrás

37 Unifértil

27 Vantec

39 Vermeer

77 WBM Technology

51 WDS Pneumática

06 www.referenciaflorestal.com.br



EDITORIAL

Alta exigência,

alta produtividade

A silvicultura moderna exige rigor. Longe do empirismo, o sucesso de

uma floresta comercial hoje é medido detalhadamente em micras e frações

genéticas. Da calibração de precisão nos viveiros à escolha cirúrgica

de clones de alta performance, a tecnicidade dita o ritmo do mercado de

base florestal. Não falamos apenas de plantar, mas de engenharia viva.

Em um setor de ciclos longos, qualquer falha operacional é um prejuízo

amplificado no futuro. É a precisão milimétrica no manejo que garante a

máxima produtividade e mitiga os riscos. O futuro florestal pertence, definitivamente,

à ciência aplicada. Nessa edição, o Leitor conhece um pouco

mais da técnica e expertise tecnológica aplicada à produção de mudas da

Duffato Viveiro Florestal, as novidades do manejo florestal sustentável,

informações sobre ILPF, a cobertura completa da Expo Minas Florestal e

uma entrevista exclusiva com Júnior Ramirez, presidente da Reflore-MS

(Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas

Plantadas), apresentando o cenário de crescimento da silvicultura no

Estado. Ótima leitura.

HIGH STANDARDS, HIGH PRODUCTIVITY

Modern forestry demands precision. Rather than relying on guesswork,

the success of a commercial forest is now measured in detail, down

to microns and genetic fractions. Technical expertise sets the pace of the

forest-based market, from precision calibration in nurseries to the meticulous

selection of high-performance clones. It is not just about planting;

it is about living engineering. In an industry with long cycles, any operational

failure results in amplified future losses. It is millimetrically precise

management that ensures maximum productivity and mitigates risks. The

future of forestry definitely belongs to applied science. Readers will learn

more about the technical and technological expertise applied to production

and seedlings at Duffato Viveiro Florestal; the latest developments

in sustainable forest management; information on ILPF; comprehensive

coverage of Expo Minas Florestal; and an exclusive interview with Júnior

Ramires, President of the Mato Grosso do Sul Association of Planted Forest

Producers and Consumers (Reflore-MS). Ramirez presents the growth

outlook for forestry in the State. Pleasant reading!

2

Entrevista com

Júnior Ramirez,

presidente da

Reflore (MS)

1

Na capa dessa edição a

Duffatto viveiro florestal,

referência na produção de

mudas de pinus, araucária

e nativas

Desenvolvimento estruturado da

atividade florestal

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVIII • Nº285 • Junho 2026

DESTAQUE

Entrevista: Júnior Ramirez e os desafios do crescimento da silvicultura no Mato Grosso do Sul

GENÉTICA FLORESTAL

DE PONTA

VIVEIRO ALIA MANEJO

PRECISO E PESQUISA PARA

CRIAR FLORESTAS

PRODUTIVAS E RESISTENTES

CUTTING-EDGE

FOREST GENETICS

THE NURSERY COMBINES PRECISE

MANAGEMENT AND RESEARCH

TO CREATE PRODUCTIVE

AND RESILIENT FORESTS

3

EXPEDIENTE

ANO XXVIII - EDIÇÃO 285 - JUNHO 2026

Diretor Comercial / Commercial Director

Fábio Alexandre Machado

fabiomachado@revistareferencia.com.br

Diretor Executivo / Executive Director

Pedro Bartoski Jr

bartoski@revistareferencia.com.br

Redação / Writing

Vinicius Santos

jornalismo@revistareferencia.com.br

Colunista

Gabriel Dalla Costa Berger

Depto. de Criação / Graphic Design

Fabiana Tokarski - Supervisão

Aime Cristine Lima

Letícia Stefanello

criacao@revistareferencia.com.br

Tradução / Translation

John Wood Moore

Depto. Comercial / Sales Departament

Gerson Penkal

comercial@revistareferencia.com.br

fone: +55 (41) 3333-1023

Depto. de Assinaturas / Subscription

assinatura@revistareferencia.com.br

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Assinaturas Eventos / Subscription Events

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(41) 99203-2091

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GARANTIDA GARANTEED

Veículo filiado a:

A Revista REFERÊNCIA - é uma publicação mensal e independente,

dirigida aos produtores e consumidores de bens e serviços em madeira,

instituições de pesquisa, estudantes universitários, orgãos governamentais,

ONG’s, entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento de base florestal. A Revista REFERÊNCIA do Setor

Industrial Madeireiro não se responsabiliza por conceitos emitidos em

matérias, artigos ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais

de responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos

textos, fotos e outras criações intelectuais da Revista REFERÊNCIA são

terminantemente proibidos sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

Revista REFERÊNCIA is a monthly and independent publication

directed at the producers and consumers of the good and services of the

lumberz industry, research institutions, university students, governmental

agencies, NGO’s, class and other entities directly and/or indirectly linked

to the forest based segment. Revista REFERÊNCIA does not hold itself

responsible for the concepts contained in the material, articles or columns

signed by others. These are the exclusive responsibility of the authors,

themselves. The use, reproduction, appropriation and databank storage

under any form or means of the texts, photographs and other intellectual

property in each publication of Revista REFERÊNCIA is expressly prohibited

without the written authorization of the holders of the authorial rights.

08 www.referenciaflorestal.com.br



CARTAS

Capa da Edição 284 da

Revista REFERÊNCIA FLORESTAL,

mês de maio de 2026

A Revista da Indústria Florestal / The Magazine for the Forest Product

www.referenciaflorestal.com.br

Ano XXVIII • Nº284 • Maio 2026

DESTAQUE Entrevista: Fernando Branco traz experiência e conhecimento para a presidência da ABAF

MÁXIMA EFICIÊNCIA

NO TALHÃO

IMPLEMENTOS DE ALTA

PERFORMANCE GARANTEM

MAXIMUM EFFICIENCY

PRODUTIVIDADE E

IN THE PLOT

SEGURANÇA NA FLORESTA

HIGH-PERFORMANCE

IMPLEMENTS ENSURE

PRODUCTIVITY AND

SAFETY IN THE FOREST

9 772359 465052 0 0 2 8 4

DO BRASIL

PARA O MUNDO

PRINCIPAL

Por David Vasconcelos, Piên (PR)

Unificar a expertise de duas empresas é essencial para o desenvolvimento do

segmento. Isso entrega o melhor para quem mais precisa: quem está no campo!

ENTREVISTA

Por Olívia Garcia Lopes, Três Lagoas (MS)

A renovação da gestão areja e traz novas ideias para a associação. A

Abaf é muito importante e continua sendo liderada, acima de tudo, pela

competência.

Foto: divulgação

CARBONO

Por Henrique Marques, Botucatu (SP)

Regras bem definidas são a chave para garantir o bom desenvolvimento das atividades.

Transformar o potencial do mercado de carbono em realidade começa por aí.

Foto: divulgacão

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10 www.referenciaflorestal.com.br

Revista Referência Florestal

@referenciaflorestal

@revistareferencia9702

E-mails, críticas e sugestões podem ser

enviados também para redação

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Mande sua opinião sobre a Revista REFERÊNCIA FLORESTAL

ou a respeito de reportagem produzida pelo veículo.

rotaryax

rotaryaxoficial



BASTIDORES

Revista

IMPULSIONANDO A

PRÓXIMA GERAÇÃO

DE SOLUÇÕES

FLORESTAIS

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

Foto: REFERÊNCIA

Desde a colheita de alto desempenho até

o plantio de alta qualidade, a Ponsse

apresenta novas soluções projetadas

para atender às demandas da silvicultura

moderna na América Latina.

VISITA

O diretor comercial da Revista

REFERÊNCIA, Fábio Machado, esteve

visitando a nova sede da empresa

DRV, na cidade de Campo Largo (PR).

Ele foi recebido pela diretora da DRV,

Liliane Cordeiro e pelo gerente de

marketing Fabiano Mendes.

ENCONTRO

Durante a feira Norte Show, muito

encontro com clientes e amigos do

setor de biomassa e florestal, no stand

da Vantec Máquinas, que levou o seu

Picador Kong para demonstrações.

FEIRA

O diretor comercial da Revista

REFERÊNCIA FLORESTAL, Fábio

Machado, marcou presença na

feira Norte Show em Sinop (MT),

para acompanhar o crescimento do

mercado de biomassa na região.

ALTA

JUNHO 2026

ALÍVIO NA ESTRADA

PRODUÇÃO MAIS CARA

O novo subsídio ao diesel anunciado pelo Governo

Federal deve reduzir temporariamente os custos

das transportadoras brasileiras, principalmente das

empresas com grandes frotas e elevado consumo de

combustível. A medida prevê uma subvenção de até

R$ 0,3515 por litro, em meio à pressão internacional

sobre o petróleo causada pelo conflito no Oriente

Médio. Segundo a NTC&Logística, o diesel representa

cerca de 35% do valor do frete, tornando o combustível

um dos principais fatores de impacto nos custos logísticos.

Na prática, uma transportadora que consome

100 mil litros por mês pode economizar até R$ 35 mil

mensais, caso o desconto seja totalmente repassado

ao preço final.

A disparada dos preços dos fertilizantes no mercado internacional,

intensificada pelo conflito no Oriente Médio,

tem pressionado os custos de produção agrícola no Brasil

e deteriorado as relações de troca dos produtores rurais.

A avaliação é da StoneX, que destaca impactos diretos no

mercado doméstico devido à forte dependência brasileira

de insumos importados. O avanço mais expressivo ocorre

entre os fertilizantes nitrogenados. Desde o início da

crise, os preços CFR da ureia subiram cerca de 63% no

Brasil. No mesmo período, o SAM (sulfato de amônio)

acumulou alta próxima de 30%, enquanto o NAM

(nitrato de amônio) registrou valorização de aproximadamente

60%, elevando a preocupação do setor com o

aumento dos custos para a próxima safra.

A SOLUÇÃO TUDO-EM-UM PARA UM PLANTIO

EXCEPCIONAL E DE ALTA QUALIDADE

A Buffalo Planter é uma solução inovadora para o reflorestamento

mecanizado. Ela prepara o solo, planta mudas e realiza a irrigação, tudo

em um único processo contínuo. Construída sobre o confiável forwarder

Ponsse Buffalo, a Buffalo Planter atende à crescente demanda do

mercado por plantio florestal mecanizado e apoia esforços de

reflorestamento eficientes em larga escala, impulsionados por fatores

ambientais, econômicos e tecnológicos. À medida que o plantio florestal

evolui do trabalho manual tradicional para métodos mecanizados

avançados, a Buffalo Planter lidera o caminho rumo a um futuro mais

sustentável.

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especialmente para a colheita eficiente de eucalipto. Projetado para

as exigentes condições do eucalipto, o DH7 oferece desempenho

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conjunto robusto. Projetado para lidar com troncos tortuosos e

desafiadores, garante produtividade consistente e resultados

precisos. Equipado com sistemas avançados da Ponsse e recursos

opcionais, o DH7 atende às operações modernas de colheita de alto

desempenho e responde à crescente demanda por processamento

eficiente de eucalipto.

BAIXA

12 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Podcast REFERÊNCIA

O Podcast REFERÊNCIA contou com presenças ilustres e de

grande valor para o segmento florestal em maio de 2026. No primeiro

episódio do mês estava presente o Regional Manager F&B

da Andritz Brasil, José Martins. O segundo episódio teve a presença

de Paulo Vicente Jorge e Andressa Cechetto, da Plantag do

Brasil, além do sócio-fundador da Mademape, Luciano Zatti.

Martins analisou o mercado mundial de pellets e como ele

tem sido impulsionado pelo aumento da demanda por energias

renováveis. Dentro desse cenário, o gerente regional da Andritz

apontou que o Brasil tem um papel fundamental para suprir

essa demanda global.

“Pesquisas recentes apontam que o mercado de biomassa

deve crescer 7,21% entre 2024 e 2033. Além disso, somente o

mercado de pellets não-madeira deve expandir 7,1% até 2033.

Esses índices mostram que a América Latina está consolidando

seu papel no cenário global, e países como Brasil, Chile e Argentina

seguem liderando esse movimento”, analisou Martins.

Para o futuro do segmento, Martins avalia que as indústrias

precisam estar cada vez mais adaptadas para produzirem pellets

de biomassa com diferentes compostos - até pelo crescimento

da demanda interna por essas fontes de energia.

No outro programa, Paulo Vicente Jorge relembrou os 40

anos de experiência na Plantag e como a empresa se instalou e

se consolidou no Brasil desde o início dos anos 2000. O gerente

de negócios da empresa ainda detalhou as principais soluções

oferecidas pela companhia ao mercado brasileiro.

“O Natureline é um produto à base d’água e está muito

voltado para a construção, em especial no uso da madeira na

construção, seja pinus, eucalipto ou qualquer outra madeira.

Você pode aplicar em qualquer madeira, pode aplicar por spray,

por rolo, pincel, não precisa de nenhum equipamento especial,

é muito simples a aplicação do produto, e a gente vê isso como

uma oportunidade grande”, analisou.

Já a coordenadora administrativa financeira da Plantag,

Andressa Cechetto, destacou o foco em inovação que a empresa

busca desenvolver no mercado nacional. “Ao mesmo tempo

que a gente trabalha nessa inovação tecnológica, somos totalmente

livres para criar um produto aqui voltado para o mercado

brasileiro, às necessidades brasileiras. Não necessariamente

trazer um produto pronto da Europa e vender no Brasil”.

Por fim, Zatti relatou sobre a parceria da Mademape com

a Plantag, iniciada em 2025, e como ela se desenvolveu desde

então. “Trabalhamos com os produtos deles pulverizados em

todos os nossos painéis, com todos os testes realizados, e deu

super certo. Quando precisamos eles têm material em estoque,

com um pós-venda excelente”.

Os episódios completos

o Leitor pode conferir

no canal do youtube da

Revista REFERÊNCIA:

José Martins, Regional Manager F&B

da Andritz Brasil

Andressa Cechetto, da

Plantag do Brasil

Paulo Vicente Jorge, da

Plantag do Brasil

Luciano Zatti,

sócio-fundador da Mademape

Fotos: REFERÊNCIA

14 www.referenciaflorestal.com.br

+55 49 98813-0343



NOTAS

Setor protege genética florestal

O setor brasileiro de árvores cultivadas deu um passo crucial para a sua sustentabilidade com a consolidação do Banco

de Conservação de Germoplasma de Eucalyptus e Corymbia. A iniciativa foi o centro das discussões em um encontro

técnico realizado em Florestal (MG), reunindo especialistas e representantes das dez grandes empresas participantes do

projeto, como Suzano, Klabin e Bracell. Conduzido pelo IPEF (Instituto de Pesquisas e Estudos Florestas), SIF (Sociedade

de Investigações Florestais) e IBÁ (Industria Brasileira de Árvores), o projeto nasce com o propósito claro de blindar a

base genética que sustenta o futuro do melhoramento florestal no país.

A estratégia foi desenhada a partir de um mapeamento rigoroso que identificou 25 espécies prioritárias das duas famílias,

selecionadas por sua relevância técnica e disponibilidade de material. Para mitigar riscos climáticos e biológicos, as

populações foram distribuídas e implantadas em múltiplas regiões geográficas do Brasil. Essa descentralização estratégica

em diferentes ambientes não apenas amplia a representatividade ambiental do projeto, mas também garante melhores

condições para a sobrevivência e reprodução das espécies.

A condução desses plantios respeita os conceitos clássicos da conservação genética, focando na manutenção da

diversidade ao longo das gerações por meio do uso de múltiplas progênies. O caráter colaborativo do projeto se fortalece

com a parceria de grandes universidades e institutos de pesquisa, que já abrigam parte dessas populações em suas áreas

experimentais. Esse ecossistema científico assegura o monitoramento técnico necessário para manter o potencial evolutivo

de todo o material coletado.

Muito além de um depósito de sementes, esse esforço coordenado cria uma rede de segurança para os programas

de melhoramento florestal de longo prazo. Ao estreitar os laços entre a indústria e a academia, o projeto consolida um

modelo de cooperação que historicamente colocou a silvicultura nacional no topo do mercado global, garantindo a produtividade

e o abastecimento das indústrias de forma sustentável para as próximas décadas.

Fotos: divulgação

16 www.referenciaflorestal.com.br



NOTAS

Eucalipto em foco

O Cedagro (Centro de Desenvolvimento do Agronegócio),

a Abaf (Associação Baiana de Empresas de Base

Florestal) e a UFRB (Universidade Federal do Recôncavo

Baiano) promovem de 12 a 14 de agosto de 2026, na

sede da Faeb (Federação da Agricultura e Pecuária da

Bahia), no bairro do Comércio, em Salvador (BA), o VI

Congresso Brasileiro de Eucalipto – VI CBE. Está é a

segunda vez que Salvador recebe esse evento que tem

como objetivo principal discutir e sugerir alternativas de

solução para os principais desafios que afetam o setor

florestal, bem como mostrar os avanços científicos e tecnológicos

e as novas exigências de mercado e de oportunidades

de negócios.

“O CBE é um dos mais importantes fóruns brasileiros

de inovação tecnológica, atualização e intercâmbio

técnico e empresarial que integra os agentes da cadeia

produtiva da madeira, representados pelos segmentos

de insumos, produção, logística, indústria, comercialização,

exportação e pelas instituições de crédito, pesquisa,

extensão, ensino, fomento, entre outros”, explica o presidente

do Cedagro, Gilmar Dadalto.

O evento está em sintonia com o trabalho que a Abaf

vem desenvolvendo na Bahia. “Além de informar sobre

importantes tópicos para a diversificação e sustentabilidade

da atividade agropecuária, o objetivo da Abaf

é estimular a produção e processamento da madeira

plantada para uso múltiplo. A Bahia ainda não produz (e

processa) a madeira plantada suficiente para atender a

demanda do estado e muito disso se dá pela falta de conhecimento

sobre o setor. Trabalhamos, inclusive, para a

inclusão dos pequenos e médios produtores e processadores

de madeira, visando o atendimento da demanda

por móveis, peças e partes de madeira na Bahia – hoje

atendida, na sua maior parte, por outros Estados brasileiros”,

acrescenta Wilson Andrade, diretor-executivo da

Abaf.

Mais informações sobre o evento e inscrições podem

ser realizadas em: www.congressoeucalipto.com.br

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NOTAS

Sabres Bravo:

força e eficiência

para máxima

produtividade!

Fotos: divulgação

Lista ameaça agronegócio

Parlamentares e pesquisadores alertaram, em reunião conjunta na Câmara dos Deputados, sobre os graves

impactos econômicos da revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras pelo Ministério do Meio Ambiente.

A proposta em discussão na Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) classifica como invasoras espécies que

sustentam a economia e o abastecimento do país, como o eucalipto, o pinus, a braquiária e a tilápia. Caso o texto

avance sem alterações, essas cadeias produtivas fundamentais correm o risco de perder licenciamentos ambientais

e sofrer restrições severas de cultivo.

Diante do impasse, o setor produtivo defende a urgência na aprovação do Projeto de Lei número 5900/25, que

retira a exclusividade do MMA sobre o tema e exige manifestação prévia e vinculante do Ministério da Agricultura

e Pecuária. Entidades como a CNA (Comissão Nacional de Biodiversidade) e a Abimci (Associação Brasileira da

Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) criticam o desequilíbrio na representatividade da Conabio, onde

o setor privado detém poucas cadeiras face ao peso das ONGs. Parlamentares argumentam que decisões regulatórias

desse porte não podem considerar apenas o viés ecológico, ignorando a sobrevivência de mercados que geram

milhões de empregos.

Do lado técnico, engenheiros florestais e institutos de pesquisa como o Ipef (Instituo de Pesquisa e Estudos

Florestais) apresentaram dados que relativizam o potencial invasor dessas culturas em escala comercial. Estudos

mostram que dinâmicas ecológicas locais, como a presença de formigas nativas, atuam como barreiras naturais

eficazes contra a dispersão indesejada de sementes de eucalipto. O manejo silvicultural brasileiro já é amplamente

conhecido e controlado, o que assegura a contenção dos plantios dentro dos limites das propriedades produtivas

sem causar danos aos biomas vizinhos.

O Crea/SC (conselho Regional de Engenharia e Agronomia) também manifestou preocupação com os reflexos

regionais da medida, especialmente na região sul, onde a silvicultura de pinus, eucalipto e acácia impulsiona frotas,

indústrias e exportações bilionárias. A entidade destaca que pequenas propriedades e grandes complexos industriais

dependem diretamente da segurança jurídica dessas culturas para manter seus investimentos. Uma proibição

ou restrição desmedida desestabilizaria o desenvolvimento regional em Estados que têm na madeira a base de sua

arrecadação tributária.

Ao final do debate, o consenso entre os participantes apontou para a necessidade de paralisar a tramitação

da lista até que estudos socioeconômicos profundos sejam realizados de forma integrada com a academia e com

o governo federal. O agronegócio reforça que apoia as políticas de conservação da biodiversidade, mas exige que

as normas sejam compatíveis com a realidade de um país líder global na produção de alimentos e fibras renováveis.

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NOTAS

Proteção às nativas

A presença constante da madeira na rotina da sociedade impulsiona uma demanda global que já atinge 1,6 bilhão de

m3 (metros cúbicos) anuais e pode dobrar até 2050, segundo a Embrapa Florestas. Diante desse crescimento acelerado,

a silvicultura comercial assume um papel altamente estratégico. O cultivo de maciços florestais planejados surge como

a principal alternativa para suprir o consumo do mercado, aliviando de forma direta a pressão exploratória sobre os

ecossistemas nativos.

No cenário nacional, dados do SNIF (Sistema Nacional de Informações Florestais) apontam que o Brasil produziu

cerca de 200 milhões de m3 de toras industriais em 2024, sendo que 94% desse total foi originado em florestas plantadas,

que ocupam meros 1,4% do território. Esse panorama desconstrói o mito de que o setor prejudica a vegetação original.

Conforme destaca Ailson Loper, diretor executivo da Apre Florestas (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal)

e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), o plantio de pinus e eucalipto consolidou-se de forma sustentável

sobre áreas anteriormente degradadas e preteridas por outras culturas.

Além de mitigar a pressão sobre as matas nativas, a atividade florestal opera sob rígidas exigências legais, demandando

que os produtores da região sul reservem ao menos 20% de suas terras para preservação. Dados da IBÁ (Indústria

Brasileira de Árvores) indicam que o país soma 10,5 milhões de ha (hectares) cultivados para 7 milhões de ha de

ecossistemas naturais conservados. Na média nacional, isso significa que para cada 1 ha de floresta comercial estabelecido

pelas empresas, cerca de 0,7 ha de vegetação nativa é protegido. O Estado do Paraná apresenta indicadores ainda mais

expressivos desse equilíbrio ambiental nas áreas manejadas por empresas associadas à Apre Florestas. Na região, a

proporção atinge a marca de quase 1 ha destinado à conservação para cada 1 ha produtivo, totalizando cerca de 564 mil

ha de áreas protegidas mantidas pelo setor privado. O estudo bienal da associação confirma que a silvicultura paranaense

consegue conciliar com sucesso a alta eficiência industrial com a manutenção de florestas nativas em patamares

equivalentes.

Os benefícios práticos do setor vão além do fornecimento de matéria-prima renovável, englobando o estoque

contínuo de carbono, a formação de corredores ecológicos e a geração de 2,6 milhões de empregos diretos e indiretos.

A combinação de rigoroso controle técnico, viabilidade econômica e compromisso socioambiental valida o modelo de

negócios da base florestal no campo. Como defende Loper, demonstrar que produtividade e preservação coexistem de

forma harmônica aponta o caminho mais racional para o desenvolvimento das próximas gerações.

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NOTAS

Silvicultura impulsiona economia nacional

O setor de árvores cultivadas consolidou um cinturão

produtivo altamente tecnificado no Brasil, com polos

industriais e florestais de destaque em Minas Gerais,

Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Essa expansão territorial é impulsionada por índices de

produtividade que figuram entre os maiores do mundo.

Com a marca de 34,4 m³ de incremento médio anual por

hectare, o eucalipto brasileiro reflete décadas de investimento

em melhoramento genético, manejo de precisão e

tecnologia, garantindo ciclos curtos e extrema competitividade

no mercado externo.

Para o produtor rural, as florestas comerciais representam

uma estratégia robusta de diversificação de

portfólio e aumento de renda. A introdução do eucalipto

em áreas com menor aptidão agrícola ou por meio de

sistemas integrados consolida a resiliência econômica das

propriedades. Esse movimento transforma o maciço florestal

em um ativo de alto valor, perfeitamente alinhado

ao dinamismo do agronegócio e capaz de suprir a crescente

demanda global por matérias-primas renováveis.

O peso dessa cadeia produtiva reflete-se diretamente

na balança comercial e na macroeconomia. Em 2024,

a indústria florestal movimentou uma receita bruta de

R$ 240 bilhões, impulsionada por recordes históricos de

operação. Com 25,5 milhões de toneladas de celulose

produzidas, o país manteve a vice-liderança global e o

topo das exportações do insumo. No mesmo período, a

fabricação de papel alcançou 11,3 milhões de toneladas,

enquanto a produção de painéis de madeira somou 9,7

milhões de m3 (metros cúbicos), alcançando o maior nível

da série histórica.

A escala de produção do segmento gera impactos

sociais transformadores, especialmente no interior do

país, ao descentralizar o desenvolvimento. As operações

silviculturais e fabris sustentaram 717,9 mil empregos diretos

no último ano. Ao analisar a cadeia de forma ampla,

englobando a rede de fornecedores de maquinário pesado,

serviços indiretos e o efeito renda nas comunidades, a

indústria de base florestal é responsável por movimentar

até 3,86 milhões de postos de trabalho.

Do ponto de vista da sustentabilidade, a expansão das

áreas de plantio ocorre essencialmente sobre pastagens

com algum nível de degradação, entregando serviços

ambientais críticos para o clima. A atividade promove a

recuperação física do solo, assegura a proteção dos recursos

hídricos e realiza a captura em larga escala de GEE

(gases de efeito estufa). Combinando alta rentabilidade e

responsabilidade ecológica, a silvicultura firma-se como

protagonista indispensável na transição global para a nova

economia de baixo carbono.

Fotos: divulgação

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NOTAS

Fenômeno climático desafia o Brasil

Modelos climáticos recentes indicam a possibilidade de formação de um El Niño intenso entre os anos de 2026 e

2027, impulsionado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial. Embora o fenômeno não represente

uma catástrofe global inevitável, sua capacidade de alterar a circulação atmosférica tropical modifica significativamente

os regimes de temperatura e chuvas no mundo todo, mesmo que prever sua força exata com antecedência ainda seja

um complexo desafio científico.

No território brasileiro, os impactos dessa anomalia são historicamente desiguais e exigem cautela redobrada no planejamento

das operações no campo. Enquanto a região sul costuma enfrentar um aumento considerável nos volumes

de chuva, o norte e o nordeste frequentemente lidam com secas severas que afetam o manejo da terra e a silvicultura,

lembrando que a atmosfera não responde de forma idêntica em todos os eventos e sofre forte influência de outros fatores

oceânicos.

A preocupação atual ganha ainda mais força diante do histórico recente de extremos climáticos no país, que abrange

desde enchentes no sul até secas na Amazônia e incêndios florestais de grande proporção. Fenômenos de variabilidade

natural, como o El Niño, agora atuam sobre uma atmosfera globalmente mais quente e com maior energia, o que pode

agravar a severidade desses eventos críticos para a integridade dos ecossistemas e para a indústria de base.

Contudo, a dimensão dos impactos climáticos esbarra de forma direta na realidade social e territorial das regiões

afetadas. Os desastres não são desencadeados exclusivamente pela escassez extrema ou pelo excesso de chuvas, mas

pela interação direta desses eventos físicos com infraestruturas inadequadas, falta de drenagem e vulnerabilidades locais,

evidenciando que a mitigação de danos exige tanto adaptação estrutural quanto monitoramento meteorológico.

Foto: divulgação

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FRASES

Foto: divulgação

O setor florestal evoluiu muito

nas últimas décadas. Hoje existe

monitoramento permanente,

manejo responsável,

acompanhamento técnico e

protocolos científicos para

controle da dispersão. As

empresas trabalham com

planejamento e gestão ambiental

rigorosos, o que demonstra que

essa questão está sendo tratada

de forma eficiente

Ailson Loper, diretor executivo da Apre Florestas

(Associação Paranaense de Empresas de Base

Florestal) em discussão na Câmara Federal sobre

regulamentações na silvicultura

“Nosso modelo

de manejo integra

tecnologia de ponta,

monitoramento

contínuo e proteção

da biodiversidade para

garantir uma operação

cada vez mais eficiente,

responsável e alinhada

às demandas globais de

sustentabilidade”

“Que as florestas

plantadas cresçam cada

vez mais, de forma

sustentável e que

possamos nos tornar

cada vez mais uma

referência positiva para

o Brasil”

Fábio de Paula, gerente de Sustentabilidade da

Eldorado Brasil Celulose

Thales Fernandes, secretário de

agricultura de Minas Gerais na abertura

da Expo Minas Florestal

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ENTREVISTA

Foto: divulgação

Expansão,

sustentabilidade e

CRESCIMENTO

Expansion, sustainability,

and growth are key issues

ENTREVISTA

O

Estado de Mato Grosso do Sul consolida um

ciclo histórico de expansão em sua silvicultura,

impulsionado pela chegada de gigantes

como do segmento de celulose. Este avanço

acelerado, porém, impõe importantes desafios em infraestrutura

logística, gargalos sociais nos municípios, adoção de novas

tecnologias e formação de mão de obra qualificada. Para

detalhar o atual panorama e as reais perspectivas do setor,

conversamos nesta entrevista exclusiva com Júnior Ramires,

presidente da Reflore-MS (Associação Sul-Mato-Grossense de

Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas).

T

he State of Mato Grosso do Sul is experiencing

a historic period of expansion in its Forestry

Sector due to the arrival of major players in the

pulp industry. However, this rapid growth poses

significant challenges for logistics infrastructure, municipal

social bottlenecks, the adoption of new technologies, and

the training of a skilled workforce. In this exclusive interview,

we speak with Luiz Calvo Ramires Jr., President of the Mato

Grosso do Sul Association of Planted Forest Producers and

Consumers (Reflore/MS), to provide a detailed overview of the

current landscape and the Sector’s real prospects.

Júnior

Ramires

ATIVIDADE/ ACTIVITY:

Sócio Diretor das Empresas Ramires e CEO da Ramires Reflortec S/A,

presidente da Reflore/MS - Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores

e Consumidores de Florestas Plantadas - Conselheiro da IBÁ (Indústria

Brasileira de Árvores). Atuou como Coordenador da Câmara

Setorial de Florestas Plantadas no Mato Grosso do Sul, foi Presidente

da Câmara Setorial de Florestas Plantadas no Mapa e vice-presidente

da IBÁ. Participou do corpo de membros da CTE (Câmara Técnica Especializada)

na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da

República, para elaboração do Plano Nacional de Florestas Plantadas.

Managing Partner at Empresas Ramires, the Chief Executive of

Ramires Reflortec S/A, and President of the Mato Grosso do Sul

Association of Planted Forest Producers and Consumers (REFLORE/

MS). He is also a Councilor of the Brazilian Tree Industry (IBÁ). He

has served as Coordinator of the planted forest sectoral chamber in

Mato Grosso do Sul and as President of the planted forest sectoral

chamber at MAPA. Furthermore, he has also served as Vice-President

of IBÁ. Additionally, he was a member of the Specialized Technical

Chamber (CTE) at the Secretariat of Strategic Affairs of the Presidency

of the Republic, where he worked on developing the National Plan for

Planted Forests.

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ENTREVISTA

>> Como avalia o atual momento e o futuro próximo do

setor florestal em Mato Grosso do Sul?

Avalio com bastante otimismo. O Estado aprendeu com o

passado. Sempre preconizamos que a expansão das florestas

precisa estar atrelada ao consumo. No passado, Mato

Grosso do Sul sofreu com uma grande expansão florestal

que acabou não recebendo os investimentos industriais

correspondentes. Agora vivemos exatamente o contrário:

o discurso de não incentivar a floresta sem ter o consumo

funcionou nos últimos anos. Vemos o futuro do negócio

florestal com muito otimismo, não só pelos investimentos

industriais em andamento, mas também pelos já previstos.

Percebemos um crescimento contínuo garantido para o

Estado por, pelo menos, os próximos 10 anos.

>> O que explica esse crescimento tão expressivo? É investimento

público, privado, ou uma visão de potencial?

É uma conjunção de todos esses fatores. O poder público

teve vontade de atuar a favor do negócio, e o Estado já

tinha uma aptidão natural e muito espaço para crescer.

Quando os projetos começaram, tínhamos cerca de 9

milhões de ha (hectares) de pastagens degradadas, o que

mostrava um potencial inexplorado imenso. A organização

do setor produtivo por meio de associações facilitou

a comunicação: mostramos ao poder público o potencial

que precisava ser explorado e levamos essa informação ao

mercado. Além disso, o crescimento do setor aqui tem um

ganho ambiental enorme, pois estamos recuperando solos

de pastagens degradadas com florestas. Então, foram fatores

econômicos, ambientais e sociais muito favoráveis que

se orquestraram para esse desenvolvimento.

>> Com gigantes como Suzano, Arauco e Eldorado olhando

para o Mato Grosso do Sul, como a Reflore atua para

equilibrar as responsabilidades e as dores desse crescimento

acelerado?

A responsabilidade aumentou muito. No início, nosso foco

era organização, atração de investimentos e políticas públicas,

como a desoneração da licença ambiental em 2007 e o

How do you assess the current situation and the near

future of the Forestry Sector in Mato Grosso do Sul?

I am very optimistic. The State has learned from the

past. We have always argued that forest expansion

must be linked to consumption. In the past, Mato

Grosso do Sul experienced major forest expansion that

ultimately failed to attract corresponding industrial investments.

Now, we are experiencing the opposite. Our

approach of not encouraging forest expansion without

ensuring consumption has worked in recent years. We

are optimistic about the future of the forestry business,

not only because of current industrial investments but

also because of those planned. We foresee sustained

growth for the State for at least the next ten years.

What accounts for such significant growth? Is it due to

public or private investment, or a vision of the Sector’s

potential?

It is a combination of all these factors. The Government

was willing to support the industry, and the State had

a natural aptitude for it and plenty of room to grow.

When the projects began, we had about nine million

hectares of degraded pastureland with immense

untapped potential. Organizing the Productive Sector

through associations facilitated communication. We

showed the Government the potential that needed to

be realized and brought that information to the market.

Furthermore, the growth of this Sector has huge environmental

benefits because we are restoring degraded

pasturelands with forests. Thus, favorable economic,

environmental, and social factors came together to

drive this development.

How does Reflore balance the responsibilities and

challenges of this rapid growth with giants like Suzano,

Arauco, and Eldorado looking toward Mato Grosso

do Sul?

Our responsibilities have increased significantly. Initially,

we focused on organization, attracting investments,

Vemos o futuro do negócio florestal com muito otimismo,

não só pelos investimentos industriais em andamento,

mas também pelos já previstos. Percebemos um

crescimento contínuo garantido para o Estado por,

pelo menos, os próximos 10 anos

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ENTREVISTA

primeiro Plano Estadual de Florestas. Hoje, a Reflore completou

mais de 20 anos. Começamos com seis associados

e hoje somos mais de vinte, incluindo todos esses grandes

players. Nosso foco mudou para a infraestrutura social

dos municípios e a logística. Temos um déficit habitacional

enorme nas cidades que recebem esses investimentos e

falta de mão de obra qualificada. Atuamos fortemente

também no controle de pragas e na nossa campanha anual

de combate a incêndios (já na 14ª edição, premiada nacionalmente),

pois, com o aumento das áreas plantadas,

os riscos são maiores. Tivemos até que nos reestruturar

internamente, criando um conselho de administração com

sete empresas para ter mais capilaridade na busca por

soluções.

>> O setor florestal é muito cobrado quanto à sustentabilidade.

Como a associação ajuda a manter o padrão de

excelência ambiental no Estado?

Como comentei, tínhamos perto de 10 milhões de ha de

pastagens degradadas. Até o momento, temos mais de 2

milhões de ha plantados com florestas, e ainda há muito

espaço para crescer recuperando essas áreas. Substituir

pastagem degradada por floresta já é um grande ganho

ambiental e de sustentabilidade; não precisamos desmatar

ou avançar sobre áreas de proteção. Um dado muito importante

dos últimos 10 anos mostra que a pecuária perdeu

cerca de 5 milhões de ha. Desses, 2 a 3 milhões migraram

para a agricultura, e um pouco mais de 1 milhão para

a floresta. O mais interessante é que as áreas de proteção

ambiental cresceram em cerca de 500 mil ha nesse mesmo

período. Isso ocorre porque o setor florestal e o agronegócio

moderno obedecem rigorosamente à legislação e às

certificações. Então, crescemos em produção e, ao mesmo

tempo, crescemos em áreas de proteção no Estado.

>> Em relação à logística, como avalia projetos como a

Rota da Celulose para escoar a produção?

A logística sempre foi o grande gargalo do crescimento,

e a Reflore atua fortemente junto aos poderes estadual

e federal nessa pauta. O leilão de concessão da Rota da

Celulose foi um passo importantíssimo. Embora ainda seja

um projeto cujos efeitos práticos mais intensos devam

aparecer nos próximos 5 anos, o caminho já foi traçado. O

governo estadual também tem feito investimentos em vias

secundárias importantes e em rodovias não pavimentadas,

como a MS-320 em Três Lagoas (MS) e a ligação entre

Camapuã (MS) e Ribas do Rio Pardo (MS). Acreditamos

que, com a iniciativa privada assumindo as rodovias via

concessões, as coisas vão caminhar na velocidade que o

setor necessita.

>> Tratando também de mão de obra, quais ações a Reflore

tem promovido para qualificar profissionais, além

dos já conhecidos treinamentos de combate a incêndios?

Atuamos como um elo. Temos uma grande parceria com o

and public policies, such as the 2007 reduction in

environmental licensing fees and the first State Forest

Plan. Today, Reflore has been in operation for over 20

years. We started with six members and now have more

than twenty, including all of these major players. Our

focus has shifted to municipal social infrastructure and

logistics. There is a massive housing shortage in the

cities receiving these investments, as well as a lack of

skilled labor. We are heavily involved in pest control and

our annual firefighting campaign, now in its 14th year

and nationally recognized, as the risks increase with

the expansion of planted areas. We even restructured

internally, creating an Administrative Council comprising

seven companies, to expand our reach in the search

for solutions.

The Forestry Sector is under significant pressure to be

sustainable. How does the Association help maintain

high environmental standards in the State?

As I mentioned, we had nearly 10 million hectares of

degraded pastureland. To date, we have planted over

two million hectares of forests, and there is still plenty

of room to grow by restoring these areas. Replacing

degraded pastureland with forests is a significant environmental

and sustainability gain. We do not need to

deforest or encroach on protected areas. An important

statistic from the last 10 years shows that livestock

farming has lost about 5 million hectares. Of those, 2 to

3 million hectares have been converted to agriculture,

and just over 1 million hectares to forests. Interestingly,

environmental protection areas grew by about 500,000

hectares during that same period. This is because the

Forestry Sector and modern agribusiness strictly comply

with applicable legislation and certification requirements.

Thus, we have increased production while

expanding protected areas in the State.

Regarding logistics, how would you evaluate projects

like the Pulp Route for transporting goods?

Logistics has always been a major obstacle to growth,

and Reflore collaborates closely with State and Federal

authorities on this issue. The concession auction for the

Pulp Route was a significant step forward. Although

the project’s most significant practical effects are not

expected to materialize for another five years, the

groundwork has already been laid. The State Government

has also invested in key secondary roads and

unpaved highways, such as the MS-320 in Três Lagoas

and the connection between Camapuã and Ribas do Rio

Pardo. We believe that with the Private Sector taking

over the highways through concessions, progress will be

made at the pace the Sector needs.

Speaking of the workforce, what other training initiatives

has Reflore promoted besides the well-known

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ENTREVISTA

Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) na formação

de técnicos agrícolas, e com o Corpo de Bombeiros nos

cursos de SCI (Sistema de Comando de Incidentes) para

gestão de crises de incêndio. Além disso, estamos tentando

coordenar os treinamentos das próprias empresas

associadas para que elas treinem profissionais para o mercado

como um todo, e não apenas para si mesmas. Outra

ação forte são as nossas jornadas florestais: anualmente,

levamos turmas de alunos de Engenharia Florestal e de

técnicos do Senar para conhecerem na prática a operação

das empresas, do plantio ao viveiro e à indústria. É uma

ponte direta importante entre a academia e o mercado de

trabalho.

>> Existem avanços tecnológicos e tendências chamando

a atenção para impulsionar ainda mais o setor?

A mecanização é o maior avanço e uma necessidade urgente

devido à escassez de mão de obra. Como o relevo

do Mato Grosso do Sul é muito plano, conseguimos aplicar

a mecanização de forma muito eficiente. O uso de drones

é constante, assim como o monitoramento por imagens.

Temos cerca de 200 torres de vigilância equipadas com

câmeras e IA (Inteligência Artificial) para detectar fumaça

e prevenir incêndios, tudo de forma cooperada entre as

empresas. Outro avanço fundamental é o uso de inimigos

naturais para o controle de pragas, com fábricas de bioagentes

se instalando na região. Isso é essencial para combater

as pragas de forma sustentável e evitar a queda de

produtividade das florestas.

>> De que forma o setor tem lidado com o impacto social

nas cidades que recebem essas indústrias e sofrem explosões

populacionais do dia para a noite?

Esse é um ponto crucial. Contratamos recentemente

uma consultoria para mapear as demandas sociais e de

infraestrutura nos 14 principais municípios florestais do

Estado, como a região de Ribas do Rio Pardo, Água Clara,

Santa Rita do Pardo (MS), entre outras. Antes, o setor era

reativo; agora queremos ser proativos. Para se ter uma

ideia, durante as obras em Ribas do Rio Pardo, cerca de

firefighting programs?

We act as a link. We have a significant partnership with

the National Rural Learning Service (Senar) to train

agricultural technicians and with the Fire Department

to deliver Incident Command System (ICS) courses in

fire crisis management. Additionally, we are trying to

coordinate training programs with our member companies

so they can train professionals for the market as

a whole, not just for themselves. Another key initiative

is our forestry field trips. Every year, we bring groups

of forestry engineering students and Senar technicians

to observe firsthand how companies operate, from

planting and nursery operations to industry. These trips

establish a direct connection between academia and

the job market.

Are there technological advancements and trends that

have drawn attention to further boost the Sector?

Mechanization is the biggest advancement and an

urgent necessity due to the labor shortage. Since the

terrain of Mato Grosso do Sul is flat, we can apply

mechanization efficiently. Drones and image-based

monitoring are used constantly. We have about 200 surveillance

towers equipped with cameras and AI to detect

smoke and prevent fires. Companies cooperate to

make this possible. Another key advancement is the use

of natural enemies for pest control. Bioagent factories

are setting up in the Region. This method is essential for

sustainably combating pests and preventing a decline in

forest productivity.

How has the Sector addressed the social impact on cities

that host these companies and experience sudden

population surges?

That is a crucial point. We recently hired a consulting

firm to assess the social and infrastructure needs of the

State’s 14 main forestry municipalities. These include

the Ribas do Rio Pardo Region, as well as Água Clara

and Santa Rita do Pardo, among others. Previously, the

Sector was reactive, but now we want to be proactive.

Mais que fertilizantes,

cultivamos parcerias

de valor

Nutrição Personalizada para reflorestar o futuro

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ENTREVISTA

45 mil CPFs passaram por lá, em uma cidade que tinha 20

mil habitantes. A Suzano construiu 900 casas, mas faltava

escola para as famílias. Resultado: para o ano letivo de

2026, o município precisou abrir 2 mil novas vagas escolares.

Esse mapeamento, que durará cerca de seis meses, vai

nos mostrar exatamente onde precisamos acionar o poder

público, municipal, estadual ou federal, para construir creches,

hospitais e áreas de lazer, garantindo um crescimento

ordenado para essas comunidades.

>> Para fechar, quais são as perspectivas e prioridades

futuras da Reflore (MS)?

Nossa meta original, estabelecida lá atrás, era atingir 1

milhão de ha plantados até o ano de 2030. Furamos essa

meta e a alcançamos já em 2018. Em 2026 passamos dos

2 milhões de ha. A perspectiva agora é que, para atender

toda a demanda da indústria que está se instalando e expandindo

aqui, precisaremos chegar a 3 milhões de ha. Se

formos rápidos, acredito que podemos alcançar esse próximo

1 milhão de ha entre 5 a 10 anos, para suprir o que

já temos no radar. Para o leitor entender o tamanho desse

cenário: temos duas unidades da Suzano e uma unidade

da Eldorado operando em Três Lagoas, somando três grandes

operações na cidade. A nossa quarta indústria é o Projeto

Cerrado, da Suzano, recém-inaugurado em Ribas do

Rio Pardo. Temos também a construção da Arauco, em Inocência

(MS), e, em fase final de licenciamento ambiental, a

fábrica da Bracell, em Bataguassu (MS). Após a conclusão

da Arauco, prevista para 2027, o próximo passo provável já

será a instalação em Bataguassu.

>> Mas como andam as obras de todas essas empresas

anunciadas?

Tudo isso é o que já está anunciado e fortemente organizado.

E estamos falando apenas da celulose, que consome

mais de 90% dessa produção. Além dela, temos o setor

de siderurgia a carvão vegetal, a biomassa para a agroindústria

em geral, e um segmento que vem crescendo

bastante: o etanol de milho, que é um grande consumidor

de madeira no Estado. Temos também a indústria de MDF

em Água Clara se abastecendo desse maciço. Caminhamos

para a nossa quinta indústria de celulose, com a sexta em

licenciamento. E os projetos não param por aí: já existe

o licenciamento para a duplicação da Eldorado em Três

Lagoas. Além disso, as fábricas de Ribas, Inocência e Bataguassu,

que estão estruturando suas primeiras linhas, já

nascem preparadas para uma futura segunda linha de produção.

Por isso afirmo com segurança que, pelos próximos

10 anos, o centro da indústria de base continuará sendo

Mato Grosso do Sul. Nosso trabalho na associação é tentar

diversificar essas atividades para além da celulose, consolidando

o setor florestal de forma geral. Se não houver

percalços no caminho, o futuro próximo do Estado será de

uma expansão gigantesca e de crescimento contínuo.

For example, around 45,000 people moved to Ribas

do Rio Pardo during construction, increasing the City’s

population from 20,000. Suzano built 900 homes, but

there were not enough schools for the new residents.

Consequently, for the 2026 school year, the municipality

had to open 2,000 new school spots. This mapping

project, which will take about six months, will show us

exactly where we need to engage the local, state, or

federal government to build daycare centers, hospitals,

and recreational areas. This will ensure the orderly

growth of these communities.

To wrap up, what are Reflore’s prospects and priorities?

Our original goal was to reach one million hectares

of planted forests by 2030. We surpassed that goal in

2018. By 2026, we will have surpassed 2 million hectares.

The current outlook is that, to meet the demand

from industries setting up and expanding here, we will

need to reach 3 million hectares. If we act swiftly, I

believe we can plant the remaining 1 million hectares

within the next 5 to 10 years. To give the reader a sense

of scale, we have two Suzano and one Eldorado plant

operating in Três Lagoas, for a total of three major

operations in the City. Our fourth industrial facility is

Suzano’s recently inaugurated Cerrado Project in Ribas

do Rio Pardo. We also have the Arauco plant under construction

in Inocência and the Bracell plant in Bataguassu,

which is in the final stages of environmental licensing.

Once the Arauco plant is completed, scheduled for

2027, the next likely step will be the construction of the

plant in Bataguassu.

But how are all these announced projects progressing?

Talking about pulp, which accounts for over 90% of

planted forest production. In addition, there is the

charcoal steel industry, biomass for agribusiness in

general, and a growing segment, corn ethanol. It is a

major consumer of wood in the State. The MDF industry

in Água Clara also sources from this forest. We are

moving toward our fifth pulp mill, and the sixth is in

the licensing process. The projects do not stop there.

Licensing is underway for Eldorado’s expansion in Três

Lagoas. Furthermore, the plants in Ribas, Inocência,

and Bataguassu are being built with provisions for a

second production line, even though they are currently

setting up their first production lines. For these reasons,

I can confidently state that Mato Grosso do Sul will

remain the heart of the primary industry for the next 10

years. At the Association, our work is to diversify these

activities beyond pulp and consolidate the Forestry

Sector as a whole. Assuming there are no setbacks, the

State’s near future will be one of massive expansion and

continuous growth.

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detalhes. Vermeer e seu logotipo são marcas registradas. ©️ 2026 Vermeer Corporation. Todos os direitos reservados.



COLUNA

Prevenção

e segurança

Gabriel Berger

GB Manejo de Árvores – Educação Profissional

e Corporativa

Engenheiro Florestal e Segurança do Trabalho

gbmanejodearvores.com.br

gabriel@gbmanejodearvores.com.br

Lubrificação do conjunto de corte: um detalhe que define desempenho, segurança e vida útil

Foto: divulgação

N

o manejo da vegetação, muitos fatores influenciam

diretamente a produtividade e a segurança em

campo. Entre eles, um dos mais importantes — e

muitas vezes negligenciado — é a lubrificação adequada

do conjunto de corte.

Sabre, corrente e pinhão trabalham sob alta rotação, atrito

constante e exposição contínua a partículas de madeira, poeira e

resíduos vegetais. Sem lubrificação eficiente, o desgaste acelera,

a temperatura aumenta e os riscos operacionais se tornam ainda

maiores. Mais do que preservar a máquina, lubrificar corretamente

significa garantir cortes mais eficientes, reduzir esforços desnecessários

do operador e manter a operação dentro de padrões

seguros e profissionais.

O PAPEL DA LUBRIFICAÇÃO NO DESEMPENHO

OPERACIONAL

O óleo aplicado no conjunto de corte tem a função de reduzir

o atrito entre corrente e sabre durante o funcionamento da máquina.

Essa película lubrificante evita superaquecimento, reduz o

desgaste prematuro e melhora o rendimento do corte.

Quando a lubrificação está inadequada, alguns sinais costumam

aparecer rapidamente:

- Aquecimento excessivo do sabre;

- Desgaste irregular da corrente;

- Maior esforço durante o corte;

- Produção excessiva de fumaça;

- Travamentos e perda de desempenho.

Além disso, máquinas operando sem a devida lubrificação

tendem a exigir mais do motor, aumentando consumo de combustível,

vibração e necessidade de manutenção corretiva.

LUBRIFICAÇÃO E SEGURANÇA CAMINHAM JUNTAS

A segurança operacional depende diretamente das condições

das máquinas utilizadas. Uma corrente superaquecida ou trabalhando

sob atrito excessivo pode romper, desalojar do sabre ou

comprometer a estabilidade do corte. Em operações com motopoda,

qualquer falha operacional aumenta significativamente o risco

da atividade.

Por isso, a inspeção do sistema de lubrificação deve fazer parte

da rotina diária das equipes, juntamente com a verificação de corrente,

freio, tensão, afiação e demais itens de segurança.

camente a eficiência da lubrificação.

Outro ponto importante é observar as condições climáticas e

o tipo de operação. Ambientes mais quentes, operações contínuas

e madeiras mais densas podem exigir atenção ainda maior quanto

ao nível e distribuição do óleo.

BOAS PRÁTICAS EM CAMPO

Algumas medidas simples ajudam a aumentar significativamente

a vida útil do conjunto de corte:

- Conferir diariamente o nível do óleo lubrificante;

- Verificar se o sistema de lubrificação está funcionando

corretamente;

- Limpar canaletas do sabre e orifícios de passagem de óleo;

- Manter a corrente corretamente tensionada;

- Utilizar correntes afiadas e compatíveis com a máquina;

- Evitar trabalhar com o sabre pressionado excessivamente

na madeira;

- Realizar o rodízio periódico do sabre.

A soma dessas práticas reduz falhas, melhora a qualidade do

corte e contribui para operações mais seguras e produtivas.

EFICIÊNCIA OPERACIONAL COMEÇA NOS DETALHES

Em muitas operações, problemas atribuídos à máquina ou ao

desempenho da equipe têm origem em falhas simples de manutenção

preventiva. A lubrificação do conjunto de corte é um exemplo

claro disso.

Quando tratada com atenção e rotina adequada, ela contribui

diretamente para:

- Maior vida útil dos componentes;

- Redução de custos com manutenção;

- Melhor rendimento operacional;

- Aumento da segurança das equipes;

- Maior confiabilidade nas operações de manejo.

Eficiência e segurança não dependem apenas de grandes

estruturas ou máquinas modernas. Muitas vezes, os resultados começam

justamente nos detalhes que sustentam a operação todos

os dias em campo.

MUDAS DE

Pinus taeda

TEMOS TAMBÉM

• Araucária Enxertada

Produção precoce de pinhão

• Nativas spp.

• Eucalyptus spp.

• Erva-Mate

ESCOLHA CORRETA DO ÓLEO FAZ DIFERENÇA

Nem todo óleo oferece desempenho adequado para motosserras

e motopodas. O ideal é utilizar lubrificantes específicos para

conjunto de corte, desenvolvidos para suportar alta aderência e

rotação elevada.

Óleos inadequados ou reaproveitados podem comprometer o

funcionamento da bomba de óleo, gerar resíduos e reduzir drasti-

Foto: divulgação

viveiro_florestal_duffatto

BOM RETIRO - MONTE CASTELO/SC

40 www.referenciaflorestal.com.br



PRINCIPAL

O DNA da

PRODUTIVIDADE

Empresa catarinense desponta

como referência ao combinar o alto

rendimento do pinus e araucária de

produção precoce e nativas para

recuperação e restauração ambiental

The DNA of

Productivity

A Santa Catarina company is emerging as a leader

by combining the high yield of early-maturing

pine and araucaria with native species to promote

environmental recovery and restoration

Fotos: Emanoel Caldeira

N

o vasto e competitivo cenário do agronegócio e

da produção de base florestal brasileira, a etapa

fundamental que dita o sucesso ou o fracasso

de todo um ciclo produtivo de décadas ocorre

nos primeiros meses de vida de uma planta. Os

viveiros florestais operam como verdadeiras maternidades de

alta tecnologia, onde a genética de ponta e o manejo milimétrico

se encontram para garantir que as florestas do futuro sejam

mais produtivas, resilientes e sustentáveis. É exatamente neste

ecossistema de altíssima exigência técnica que a Duffatto Viveiro

Florestal consolidou sua autoridade.

Com sede localizada no município de Monte Castelo (SC), no

planalto norte de Santa Catarina, a empresa construiu ao longo

das últimas duas décadas um legado de excelência no setor. Hoje,

figura no seleto rol de associadas da ACR (Associação Catarinense

de Empresas Florestais), a Duffatto atende, desde o mercado

estritamente comercial das grandes indústrias de celulose e

madeira, até projetos de recuperação ambiental e paisagismo

em toda região.

I

n the vast and competitive landscape of Brazilian

agribusiness and forestry production, the first months

of a plant’s life determine the success or failure

of an entire decades-long production cycle. Forest

nurseries operate as high-tech maternity wards

where advanced genetics and precise management ensure

that future forests are more productive, resilient, and sustainable.

Duffatto Viveiro Florestal has precisely established its

authority within this highly technical ecosystem.

Headquartered in Monte Castelo, Santa Catarina, in the

northern highlands of the State, the Company has built a

legacy of excellence in the Sector over the past two decades.

Today, Duffatto is a member of the select group of companies

affiliated with the Santa Catarina Association of Forestry Companies

(ACR) and serves a wide range of clients, from large

pulp and sawn wood companies in the strictly commercial

market to environmental restoration and landscaping projects

throughout the Region.

42 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 43



PRINCIPAL

A envergadura da operação é traduzida em números robustos

e em uma capilaridade logística estratégica. “A Duffatto Viveiro

Florestal está há 22 anos no mercado produzindo mudas florestais

de alto valor agregado e de excelência genética”, enaltece Maicon

Duffecky, diretor da empresa. “Nós, de Monte Castelo, estamos

produzindo em torno de 7 milhões de mudas por ano de pinus

segunda geração Smurfit West Rock, que conseguimos atender

em um raio de aproximadamente 200 km (quilômetros) da nossa

região. Contamos com uma área de produção de 18 ha (hectares)

de área de viveiro, sendo 6 ha de estufas e casas de vegetação,

que são áreas protegidas para produção e condução das mudas

com maior segurança possível. Nos últimos 24 meses, entregamos

mais de 20 milhões de mudas produzidas”, enumera Maicon.

The scale of the operation is reflected in robust figures and

strategic logistical reach. “Duffatto has been in the market

for 22 years, producing high-value forest seedlings of genetic

excellence,” says Maicon Duffecky, the Company’s Managing

Director. “At Monte Castelo, we produce around seven million

second-generation Smurfit West Rock pine seedlings per year.

We can supply them within a radius of approximately 200

kilometers of our Region. Our 18-hectare nursery production

area includes six hectares of greenhouses and propagation

houses. These protected areas are designed to ensure the

safest possible production and care of the seedlings. Over

the past 24 months, we have delivered more than 20 million

seedlings,” Duffecky explains.

PINUS DE ALTA PERFORMANCE

O Estado de Santa Catarina é um dos maiores polos da

indústria madeireira e papeleira do Brasil, demandando um fornecimento

contínuo de matéria-prima de altíssima qualidade. O

portfólio da Duffatto reflete diretamente essa vocação industrial,

cultivando sementes certificadas de eucalyptus e, principalmente,

de pinus (Pinus taeda e Pinus elliottii).

O grande destaque comercial e o carro-chefe do viveiro é o

pinus, com genética aprimorada, desenvolvido para maximizar o

retorno dos silvicultores e das indústrias. Como detalha o diretor

Maicon Duffecky: “A nossa produção responde por 70% na linha

do pinus de segunda geração West Rock Rigesa. Este material

genético foi desenvolvido para entregar alto volume de produção

de madeira e excelência em qualidade do material. A segunda

geração Smurfit West Rock pode entregar até 51 toneladas por

hectare/ano, dependendo do índice de sítio e das condições

edafoclimáticas de cada região plantada”, ressalta Maicon.

HIGH-PERFORMANCE PINE

The State of Santa Catarina is one of the largest hubs

of Brazil’s sawn wood and paper companies and requires

a continuous supply of the highest-quality raw materials.

Duffatto’s portfolio reflects this industrial focus by cultivating

certified eucalyptus and, mainly, pine (Pinus taeda and Pinus

elliottii) seeds.

The nursery’s main commercial product is pine featuring

improved genetics designed to maximize returns for forest

managers and the industry. As Director Duffecky explains: “Our

production accounts for 70% of the West Rock Rigesa second-

-generation pine line. This genetic material was developed to

deliver high wood production volumes and excellent material

quality. Depending on the site index and the edaphoclimatic

conditions of each planted region, the second-generation

Smurfit West Rock can yield up to 51 tons per hectare per

year,” Duffecky emphasizes.

Alcançar uma produtividade de 51 toneladas por hectare

ao ano exige mais do que um bom clima e um solo adequado

(fatores que compõem o chamado ‘índice de sítio’); exige um

pacote tecnológico embarcado na muda. Porém, a genética por

si só não garante a sobrevivência e o vigor no campo. A etapa de

viveiro requer protocolos quase laboratoriais. “Aqui no viveiro

trabalhamos com um controle de qualidade muito rigoroso no

processo de produção, onde temos o processo de classificação e

de padronização, para que possamos ir muito além da genética

com o cuidado das plantas, e assim entregar um produto de

qualidade superior para os nossos clientes”, detalha Maicon. Essa

assessoria técnica oferecida pela Duffatto se estende para além

das porteiras do viveiro, acompanhando o cliente, desde a fase

de implantação, até a manutenção e o manejo florestal contínuo.

CIÊNCIA, ENXERTIA E PRECOCIDADE

Se o pinus representa o volume e a tração industrial da Duffatto,

a Araucária Enxertada (Araucaria angustifolia) é a obra-prima

tecnológica e biológica da empresa. Símbolo do sul do Brasil e

espécie ameaçada, a araucária tradicionalmente leva de 12 a 15

anos, ou mais, para começar a produzir os primeiros pinhões,

além de atingir alturas que dificultam sobremaneira a colheita,

tornando o seu cultivo comercial um desafio de longuíssimo prazo.

Para contornar essa barreira biológica, a Duffatto atua como

multiplicadora oficial de uma tecnologia revolucionária desenvolvida

pela Embrapa Florestas e pela UFPR (Variedades fêmeas:

BRS 405, BRS 406 e BRS 407; Variedades machos: BRS 426, BRS

427 e BRS 428). Trata-se de uma técnica de enxertia altamente

complexa, que une o vigor de uma planta jovem à maturidade

biológica de uma árvore secular. O resultado é rastreado por

tecnologia contemporânea: cada muda vendida pela Duffatto é

acompanhada por um QR Code na etiqueta, permitindo que o

produtor ateste a autenticidade e a procedência do clone.

However, achieving a productivity of 51 tons per hectare

per year requires more than just a good climate and suitable

soil, the factors that make up the so-called “site index.” It also

requires a technological package embedded in the seedling.

However, genetics alone does not guarantee survival and vigor

in the field. The nursery stage requires near-laboratory protocols.

“Here at the nursery, we have rigorous quality control

procedures in place during the production process. We classify

and standardize our products to deliver superior quality to our

customers,” Duffecky explains. Duffatto’s technical support

extends beyond the nursery doors, accompanying clients from

planting to maintenance and ongoing forest management.

SCIENCE, GRAFTING, AND EARLY MATURITY

The pine species represents Duffatto’s volume and industrial

drive. The grafted araucaria (Araucaria angustifolia)

is the Company’s technological and biological masterpiece.

Traditionally, the araucaria, a symbol of southern Brazil and

an endangered species, takes 12 to 15 years—or more—to

produce its first pine nuts. It also grows to great heights, making

harvesting extremely difficult and turning its commercial

cultivation into a long-term challenge.

To overcome this biological barrier, Duffatto acts as an

official multiplier of a revolutionary technology developed by

Embrapa Florestas and Ufpr (Female varieties: BRS 405, BRS

406 and BRS 407; Male varieties: BRS 426, BRS 427 and BRS

428). This highly complex grafting technique combines the

vigor of a young plant with the biological maturity of a centuries-old

tree. The result is tracked using modern technology:

Each seedling sold by Duffatto has a QR code on the label that

allows growers to verify the clone’s authenticity and origin.

Duffecky explains the engineering behind this fascinating

process to both foresters and academics: “We specialize in

44 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026

45



PRINCIPAL

Maicon Duffecky detalha a engenharia por trás desse processo,

que fascina tanto silvicultores quanto acadêmicos: “Trabalhamos

com a produção de mudas florestais e trazemos essa questão

da araucária enxertada. Somos os multiplicadores dessa tecnologia.

Dentro da enxertia da araucária buscamos a produtividade de

pinhões. Trabalhamos com três pilares: a super produtividade, a

precocidade e a estrutura mais baixa”, revela Maicon.

O diretor da Duffatto oferece uma verdadeira aula de biologia

aplicada para explicar como essa prática contorna a natureza. “Na

enxertia da araucária trabalhamos aqui no viveiro com um porta-

-enxerto, que é uma planta jovem com 2 anos de viveiro, que tem

todo o vigor de absorção de água e nutrientes. Nela, enxertamos

um pequeno tecido vegetal que é coletado da copa do pinheiro,

que chamamos de tecido adulto ou maduro. Esse tecido tem a

idade da árvore. Aqui temos um tecido vegetal que copiou todas

as características genéticas daquela árvore-mãe e já nasce com a

idade que o pinheiro tem. Se o pinheiro tem 80 anos, a planta já

nasceu com praticamente 80 anos. Então ela nasce madura. A hora

que ela tiver um galho que aguente o peso de uma pinha, ela vai

começar a produzir”, resume o diretor sobre a técnica aplicada.

producing forest seedlings and are bringing the issue of grafted

araucaria to the forefront. We are the multipliers of this

technology. Within araucaria grafting, our goal is to increase

pine nut productivity. Our work is based on three pillars: super

productivity, early maturity, and a lower canopy structure,”

states Duffecky.

The Duffatto Director provides a real-life example of applied

biology to demonstrate how this practice works with nature.

“When grafting araucaria trees, we use a rootstock—a young

plant that has been in the nursery for two years and is highly

efficient at absorbing water and nutrients—here at the nursery.

We graft a small piece of plant tissue collected from the pine

tree’s crown onto it, which we call adult or mature tissue. This

tissue is the same age as the tree. This tissue has copied all the

genetic characteristics of the mother tree and is the same age

as the original pine tree. If the pine tree is 80 years old, the

plant was practically 80 years old when it was born. It is born

mature. The moment it has a branch strong enough to support

the weight of a pinecone, it will begin to produce,” the Director

summarizes, describing the applied technique.

RECUPERAÇÃO AMBIENTAL

O compromisso com a flora brasileira se reflete na vasta

diversidade mantida nas estufas em Monte Castelo. Muito além

das cultivares de interesse estritamente madeireiro, a Duffatto é

uma peça chave em projetos de mitigação de impacto e restauração

de biomas. “Além do nosso foco nas exóticas, trabalhamos

com mais de 120 espécies de mudas nativas para projetos de

recuperação ambiental, e trabalhamos com mudas de erva-mate

e frutíferas nativas com grande orgulho”, relata o diretor. O

portfólio oficial lista mais de 50 variedades de amplo destaque

comercial e paisagístico, englobando as mais diversas cores de

ipês (branco, rosa, roxo, amarelo), cedro rosa, jacarandá mimoso,

além de jabuticabeiras, pitangueiras, entre inúmeras outras. Essa

diversidade atende demandas de reposição florestal obrigatória,

criação de corredores ecológicos, arborização urbana e formação

de pomares em propriedades rurais de todos os portes.

SUSTENTABILIDADE E O PAPEL EDUCACIONAL

A operação do viveiro se destaca pela eficiência energética

e pela gestão hídrica. A estrutura é totalmente autossustentável

em energia elétrica, tendo sua própria geração energética por

meio de um amplo parque de painéis solares. A água, recurso

mais do que crítico em qualquer sistema de irrigação de mudas,

recebe tratamento especial: a empresa conta com um sistema

de captação e reutilização da água da irrigação, recolhendo e

reaproveitando o excedente hídrico em um sistema de circuito

fechado que elimina o desperdício.

Para Maicon Duffecky, o conhecimento gerado no interior das

estufas deve ser compartilhado para formar as próximas gerações

de silvicultores e engenheiros. “No nosso processo de produção,

também disponibilizamos espaços para programas de educação

corporativa, onde recebemos várias instituições de ensino de

renome nacional na nossa empresa. Fazemos isso para transmitir

o conhecimento das nossas atividades práticas, integrando com o

que vem das academias, para mostrar que temos o compromisso

com a sustentabilidade: buscar o conhecimento e, também,

transmitir para sociedade”, orgulha-se Maicon.

ENVIRONMENTAL RESTORATION

The commitment to Brazilian flora is reflected in the vast

diversity maintained in the Monte Castelo greenhouses. Far

beyond wood-related cultivars, Duffatto plays a key role in

impact mitigation and biome restoration projects. “In addition

to our focus on exotic species, we work with over 120 species

of native seedlings for environmental restoration projects.

We take great pride in working with yerba mate and native

fruit tree seedlings,” reports the Director. The official portfolio

lists more than 50 varieties of significant commercial and

landscape value. These varieties encompass the most diverse

colors of ipê trees (white, pink, purple, and yellow), pink

cedar, mimoso jacaranda, jabuticaba, and pitanga trees, as

well as countless others. This diversity meets the demands of

mandatory reforestation, the creation of ecological corridors,

urban tree planting, and the establishment of orchards on

rural properties of all sizes.

SUSTAINABILITY AND THE EDUCATIONAL ROLE

The nursery’s operations are notable for their energy

efficiency and water management. The facility is completely

self-sufficient in electricity, generating its own power through

a large array of solar panels. Water, a critical resource for

seedling irrigation, is treated specially: the Company collects

and reuses excess water in a closed-loop system that eliminates

waste.

According to Duffecky, the knowledge generated in the

greenhouses must be shared to educate the next generation

of forest managers and engineers. “In our production process,

we provide spaces for corporate education programs where

we host various nationally renowned educational institutions.

We do this to share knowledge about our practical activities

and integrate it with knowledge from academia to demonstrate

our commitment to sustainability by seeking and sharing

knowledge with society,” says Duffecky proudly.

46 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026

47



ILPF

Conhecimento

COMPARTILHADO

Resultados de mais de 20 anos de pesquisas em

ILPF (Integração-Lavoura-Pecuária Floresta) são

catalogados em livro

Fotos: divulgação

48 www.referenciaflorestal.com.br

0800 180 3000

R. Uruguai, 2100, Pq. Ind. Cel Quito

Junqueira - Ribeirão Preto - SP



ILPF

O

s resultados de pesquisas, validação em

campo, comunicação e transferência de tecnologias

realizadas pela Embrapa (Empresa

Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Pecuária

Sudeste e parceiros durante 20 anos de trabalho

publicados no livro: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

- Cultivando o Futuro. A publicação lançada engloba ciência,

inovação e experiência para ajudar o produtor rural e o técnico

que deseja assumir o desafio de implantar modelos integrados

de produção. Essas estratégias planejadas para aumentar a produtividade

com sustentabilidade das propriedades brasileiras

sejam pequenas, médias ou grandes.

De acordo com os editores Alberto Bernardi, Alexandre

Rossetto Garcia, José Alberto Portugal e José Ricardo Pezzopane,

pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, os sistemas

integrados são estratégia de produção agropecuária para

enfrentar os desafios da sociedade brasileira e global nas próximas

décadas, como o crescimento populacional, as mudanças

climáticas e a escassez de recursos. “Esse conjunto de tecnologias

é a materialização do conceito de que produzir e preservar

não são atividades antagônicas, mas sim, as duas faces da

moeda da sustentabilidade futura”, destacam os editores no

prefácio da obra.

São 20 capítulos, com 77 autores de vários centros de pesquisa

da Embrapa e instituições parceiras, garantindo uma visão

ampla sobre a ILPF, desde a implantação até o processo de

avaliação e os benefícios ambientais, econômicos e sociais.

Para o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre

Berndt, o conteúdo do livro fornece soluções para apoiar o

cumprimento das metas ambientais e climáticas estabelecidas

globalmente, alinhando-se os compromissos nacionais como

o Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às

Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de

Baixa Emissão de Carbono na Agricultura) e o PNCPD (Programa

Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas

de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis​), além de

compromissos internacionais, como o Acordo de Paris e os Objetivos

de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Organização

das Nações Unidas). “O livro reforça a necessidade de integrar

a segurança alimentar com a mitigação de emissões de GEE

(gases de efeito estufa), estratégias de adaptação às mudanças

climáticas, preservação do solo e da água, e conservação da

biodiversidade”, observa Alexandre.

A obra pode ser usada como uma ferramenta científica e de

informação para transformar a realidade, como uma produção

de alimentos em harmonia com a conservação ambiental.

O livro reforça a necessidade

de integrar a segurança

alimentar com a mitigação

de emissões de GEE (gases

de efeito estufa), estratégias

de adaptação às mudanças

climáticas, preservação do solo

e da água, e conservação da

biodiversidade

Alexandre Berndt,

chefe-geral da Embrapa Pecuária

Sudeste

Foto: Vanderley Porfirio da Silva

50 www.referenciaflorestal.com.br



ILPF

Esse conjunto de tecnologias é a materialização do conceito de

que produzir e preservar não são atividades antagônicas, mas sim, as

duas faces da moeda da sustentabilidade futura

Alberto Bernardi, Alexandre Rossetto Garcia,

José Alberto Portugal e José Ricardo Pezzopane,

editores do livro

SOLUÇÃO PARA UMA AGROPECUÁRIA TROPICAL

Ocupando hoje aproximadamente 17 milhões de ha (hectares),

o sistema ILPF tem potencial para ser implantado em

mais de 100 milhões dos 159 milhões de ha de pastagens do

país – muitos deles com algum nível crítico de degradação –

renovando essas áreas em polos altamente produtivos.

Para o presidente-executivo da Rede ILPF, Francisco Matturro,

a ILPF é a solução brasileira para a agropecuária tropical

e apresenta uma conexão cada vez mais acentuada e virtuosa

com as cadeias de valor de alimentos e energia renovável

dos sistemas agroindustriais. Vale lembrar que o sistema ILPF

está ancorado no desenvolvimento da atividade agrícola, pecuária

e de florestas plantadas em uma mesma área, em um

processo de poupança efeito-terra e que ao produtor oferece

diversidade de renda de curto, médio e longo prazo. O fato é

que a ILPF deu certo no Brasil devido ao moderno modelo de

produção que não domina os trópicos, seus desafios e oportunidades.

De modo contrário ao senso comum, o sistema ILPF apresenta

opções para pequenas propriedades rurais. Nesta jornada,

o maior desafio é mostrar esse perfil de produtor que

a ILPF também tem inserido em sua operação, com potencial

para diversificar a renda do produtor de menor porte, com

base nas atividades que ele já desenvolve.

A ILPF ainda é protagonista e indutora de sustentabilidade

ambiental, social e econômica. O balanço de carbono no sistema

é positivo, porque promove de maneira eficiente o sequestro

e a absorção de carbono. Além disso, A ILPF tem o diferencial

de fazer com que a operação agropecuária seja vista

e compreendida de maneira ampla, integrada, e não de forma

isolada, o que contribui para melhor tomada de decisão.

O livro é gratuito e pode ser acessado

pelo QR Code:

52 www.referenciaflorestal.com.br



SILVICULTURA

Fortalecendo a

ESTRUTURA

20

26

Câmara setorial de florestas plantadas do Estado

do Tocantins abre portas para o desenvolvimento

estruturado da atividade florestal

Fotos: divulgação

O

processo de consolidação de novas fronteiras

silviculturais no Brasil ganhou um capítulo

decisivo na região norte. Durante a realização

da Agrotins 2026, consolidada como a maior

vitrine de tecnologia agropecuária daquela

porção do país, foi chancelado o decreto governamental que

oficializa a criação da Câmara Setorial de Florestas Plantadas

do Estado do Tocantins. A assinatura ocorreu de forma emblemática

no espaço institucional da Sinobras (Siderúrgica

Norte Brasil), reunindo em um mesmo ecossistema deliberativo

os principais líderes do setor produtivo florestal,

investidores e o primeiro escalão das pastas reguladoras e de

fomento do governo estadual.

Mais do que um rito burocrático, o estabelecimento

desta Câmara Setorial atende a uma demanda histórica por

governança unificada. O principal propósito do colegiado é

instituir uma mesa permanente de diálogo técnico e estratégico

entre o poder público, indústrias de base florestal e associações

classistas. A meta central é alinhar os incentivos de

mercado com políticas públicas de ordenamento territorial,

desenhando planos de metas que confiram previsibilidade

jurídica, atração de novos aportes de capital e, sobretudo,

garantam a sustentabilidade ambiental de uma atividade que

se expande aceleradamente pelo bioma local.

04 06

AGOSTO

54 www.referenciaflorestal.com.br



SILVICULTURA

O fórum de instalação da Câmara Setorial não se limitou

às formalidades e ingressou imediatamente nas discussões

operacionais complexas que impactam o dia a dia das

empresas de silvicultura. O núcleo central das primeiras

deliberações girou em torno da otimização dos fluxos de

licenciamento ambiental para plantios e plantas de processamento.

A mesa de debates contou com a participação ativa

do secretário estadual do Meio Ambiente, Marcelo Lelis; do

secretário da Agricultura, Frederico Sodré; e do presidente

do Naturatins (Instituto da Natureza do Tocantins), Cledson

Lima, além de engenheiros e técnicos especialistas da Seagro

(Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura).

A presença unificada desses gestores sinaliza o esforço

do executivo estadual em desatar nós normativos e simplificar

a burocracia sem abrir mão do rigor de proteção

ecológica. O entendimento compartilhado pelo comitê é de

que a silvicultura de alta performance necessita de um fluxo

previsível para a emissão de licenças, permitindo que os

cronogramas de plantio e colheita coincidam perfeitamente

com as janelas climáticas da região e com as demandas das

indústrias consumidoras de biomassa.

Para Juliane Costa, gerente florestal da Sinobras, a criação

do órgão colegiado pavimenta o caminho para uma integração

setorial sem precedentes. “Esse momento é de suma

importância para falarmos sobre a Câmara Técnica e sobre a

relevância de reunir o governo, a iniciativa privada e as demais

entidades correlatas para discutir de forma madura as

estratégias que vão robustecer o mercado silvicultural dentro

Soluções inteligentes

em lubriicação

Conhecimento técnico e inovação para oferecer uma

linha completa de serviços e produtos voltados

à lubriicação.

Nosso diferencial está no atendimento técnico exclusivo,

garantindo eeciência operacional, aumento da vida útil

dos equipamentos e a satisfação dos nossos clientes.

O mercado de florestas

plantadas do Tocantins possui

uma necessidade latente de

crescimento, e o território

estadual detém plenas condições

de área e infraestrutura para

essa expansão

@hetronsolucoes

Juliane Costa,

gerente florestal da Sinobras

56 www.referenciaflorestal.com.br

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SILVICULTURA

A criação desta Câmara Setorial configura-se como um avanço

extraordinário justamente por colocar lado a lado a sociedade,

corporações investidoras, agências de fiscalização e o Executivo para

mapear gargalos, debelar ineficiências e projetar rotas tecnológicas que

maximizem o desenvolvimento do Estado

Ian Corrêa,

vice-presidente de Operações do Grupo Aço Cearense

O clone de Eucalyptus grandis

Planflora GPC23 tem excelente

desempenho na industrialização

de móveis, esquadrias, molduras,

painéis, compensados e usos na

construção civil.

do Estado. A nossa proposta, enquanto Sinobras, é funcionar

como uma casa de fortalecimento, sinergia e de amplo

compartilhamento de conhecimento técnico. O mercado de

florestas plantadas do Tocantins possui uma necessidade

latente de crescimento, e o território estadual detém plenas

condições de área e infraestrutura para essa expansão”, alertou

Juliane.

A relevância da nova estrutura institucional ganha tração

macroeconômica quando avaliada sob a ótica da transição

energética e do suprimento de indústrias pesadas. Na vanguarda

desse processo, o eucalipto cultivado em solo tocantinense

desempenha papel crucial como matriz de carbono renovável

para a produção de aço verde, substituindo o carvão

mineral importado. A consolidação da cadeia de suprimento

de madeira passa, obrigatoriamente, pelas discussões técnicas

coordenadas pela recém-criada câmara.

Ian Corrêa, vice-presidente de Operações do Grupo Aço

Cearense, detalhou a relevância estratégica da matéria-prima

e os objetivos estruturais que o grupo empresarial projeta

com o novo fórum. “O Grupo Aço Cearense atua sob a premissa

fundamental de fomentar o desenvolvimento regional

das praças onde mantém operações. Atualmente, já operamos

com um segmento de silvicultura bastante expressivo,

contudo, ainda há de se superar uma série de desafios operacionais

e, inclusive, um desconhecimento generalizado por

parte da sociedade civil a respeito do rigor técnico do cultivo

florestal”, argumentou Ian.

O executivo expandiu a análise demonstrando como o

cultivo atende a múltiplos mercados adjacentes, gerando um

efeito multiplicador no PIB (Produto Interno Bruto) regional.

“No nosso arranjo industrial, o eucalipto possui um papel

nobre ao ser processado como biorredutor indispensável

na produção siderúrgica do aço. Contudo, essa cultura vai

muito além: ela é vital para ancorar a sustentabilidade e

suprir energeticamente outros setores de peso no Tocantins,

a exemplo do complexo de grãos da soja e das usinas de etanol.

A criação desta Câmara Setorial configura-se como um

avanço extraordinário justamente por colocar lado a lado a

sociedade, corporações investidoras, agências de fiscalização

e o Executivo para mapear gargalos, debelar ineficiências e

projetar rotas tecnológicas que maximizem o desenvolvimento

do Estado”, assegura Ian.

+tecnologia

+genética

+ciência

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SILVICULTURA

O DIAGNÓSTICO ESTATÍSTICO DA ATIVIDADE

FLORESTAL NO TOCANTINS

De acordo com o levantamento oficial da Pevs (Produção

da Extração Vegetal e da Silvicultura), publicado pelo IBGE

(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Tocantins

encerrou o balanço do ciclo mapeado com uma área florestal

plantada consolidada de 74.676 ha (hectares).

O estudo técnico aponta uma dominância quase absoluta

do gênero Eucalyptus, que perfaz 65.752 ha da área

cultivada, o equivalente a 86% de todo o maciço florestal

do Estado. Em contrapartida, as florestas de Pinus ocupam

um nicho restrito de modestos 75 ha, enquanto outras variedades

florestais complementam o cenário com 8,849 ha,

tendo como polos de destaque as cidades de São Bento do

Tocantins (TO), Angico (TO) e São Miguel do Tocantins (TO).

No segmento do eucalipto direcionado para aproveitamento

volumétrico em metros cúbicos, as principais praças produtoras

foram lideradas por Goiatins (TO), Araguaína (TO) e

pela capital, Palmas (TO).

No que tange à extração vegetal e produtos nativos, a

economia florestal demonstrou forte capilaridade regional e

expressivo retorno financeiro, movimentando cifras multimilionárias

na base econômica tocantinense. O estado apurou a

extração de 347.074 metros cúbicos de lenha nativa, gerando

um valor bruto de produção que tangenciou a marca de R$

23 milhões, seguida de perto pela colheita de 11.473 metros

cúbicos de madeira nativa em tora. Os produtos não madeireiros

de forte traço extrativista mantiveram protagonismo

socioeconômico: a cadeia de valor da amêndoa de babaçu

gerou mais de R$ 8,2 milhões de receita (segundo maior ativo

extrativo do estado), impulsionada pelas produções de Tocantinópolis

e Darcinópolis. O pequi também se posicionou

como pilar financeiro, aportando R$ 4 milhões à economia

rural através da colheita de 3.065 toneladas do fruto, com

os maiores carregamentos oriundos de Pugmil e Chapada de

Areia, complementando-se com a queima de 1.370 toneladas

de carvão vegetal nativo.

Por fim, os indicadores de volume da silvicultura comercial

ratificam o gigantismo e o perfil marcadamente industrial

do setor no Tocantins, cujo volume total de madeira em tora

oriunda de florestas cultivadas atingiu a impressionante marca

de 4,9 milhões de m 3 (metros cúbicos).

Desse montante global monitorado pelo IBGE, a madeira

em tora de eucalipto voltada para finalidades industriais

diversas e processamento mecânico respondeu pela fatia

majoritária de 4,54 milhões de m 3 . O suprimento logístico

voltado para o abastecimento do parque de papel e celulose

absorveu o volume de 408 mil m3. Fechando o balanço de

ativos cultivados, o segmento de energia registrou a produção

de 47.828 m 3 de lenha oriunda de plantios manejados,

distribuída entre 34.981 m 3 de base de eucalipto e 12.841 m 3

de outras espécies comerciais exóticas.

60 www.referenciaflorestal.com.br



EVENTO

Minas

FOREST

Primeira feira do segmento florestal em Minhas

Gerais abre portas para o mercado

Fotos: divulgação

Aprimeira edição da Expo Minas Florestal foi

realizada entre os dias 19 e 21 de maio, em

Sete Lagoas (MG), no Parque de Exposições

Juscelino Kubistschek. Segundo a organização,

a feira atraiu um público de 7.406

visitantes, composto por empresários, produtores, executivos,

pesquisadores e técnicos, oriundos de 19 Estados

brasileiros e 14 países, incluindo nações como Finlândia,

Japão, África do Sul, além de diversos mercados da América

do Sul. Essa expressiva presença nacional e internacional

transformou o ambiente em um espaço estratégico

para a geração de novos negócios, prospecção de parcerias

e acesso a inovações de ponta.

O evento reuniu 117 expositores que apresentaram

as principais soluções em máquinas, insumos, equipamentos

e serviços voltados para a modernização da

atividade florestal. Para viabilizar a feira e consolidar sua

estrutura, a organização contou com o apoio institucional

da Prefeitura de Sete Lagoas, do Sindicato dos Produtores

Rurais local, do Sistema Faemg/Senar, além da Secretaria

de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Governo de

Minas Gerais e da Amif (Associação Mineira da Indústria

Florestal).

Além da feira de negócios, a programação técnica paralela

reuniu mais de 500 participantes durante a Semana

Mineira da Indústria Florestal. Especialistas de renome

e lideranças do setor debateram temas urgentes como

produtividade, sustentabilidade, segurança operacional e

transformação digital. As discussões foram divididas em

fóruns temáticos de peso, como o V Encontro Brasileiro

de Segurança e Saúde Ocupacional e Processo Florestal,

o Viveirotech, o Carvão Verde Brasil e o Evolution, focado

em inovações tecnológicas. A agenda contou ainda com

uma visita de campo que movimentou o mercado devido

ao lançamento mundial de uma plantadeira florestal.

De acordo com a organização, o grande diferencial da

feira foi justamente o perfil do público participante, marcado

por profissionais com alto poder de decisão e forte

interesse em investimentos tecnológicos. Essa dinâmica

reflete a própria relevância de Minas Gerais no cenário

nacional, já que o estado detém a maior área de florestas

plantadas do país, com 2,3 milhões de ha (hectares).

62 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 63



EVENTO

AÇOKORTE

A empresa paulista com mais de 60 anos

de história levou todas as suas soluções para

o mercado mineiro. Apresentada por Mario

Martinez, CEO da empresa, a faca com tempera

parcial foi a grande novidade apresentada

pela Açokorte na feira. “Essa faca com tempera

parcial tem como diferencial o não estilhaçamento

da peça: caso seja danificada, ela

não se rompe inteira, gerando risco de dano

ao picador, apenas lasca, que não compromete

a operação”, detalhou Mario.

DINAGRO

A isca formicida resistente a água da Dinagro

é uma referência do setor florestal e é

símbolo de proteção para as florestas. Maria

Fernanda Simões, consultora técnica da Dinagro,

valorizou a importância do mercado

mineiro para a Dinagro. “O controle das formigas

cortadeiras é um desfio muito grande

para as florestas plantadas, que alimentam as

indústrias locais, e por isso temos o mercado

mineiro com grande valor para a Dinagro. Fazer

parte dessa cadeia produtiva é um motivo

de grande orgulho”, conclui Maria.

BACHIEGA

Com mais de 50 anos de história, a Bachiega

é uma das líderes em piso móvel para

transporte de biomassa e madeira no Brasil.

Fabio Bachiega, diretor da Bachiega, destacou

a importância do mercado de Minas Gerais

para a empresa. “Minas já foi o segundo mercado

mais importante do país para a nossa

empresa, há pouco mais de 15 anos. com o

carvão vegetal, e agora, com uma queda do

mercado de carvão, a madeira que se tornaria

carvão, agora será usada como cavaco e

biomassa, que reabre esse mercado para a

Bachiega”, esclarece Fabio.

DRV INDÚSTRIA

No ano que completa 15 anos, a DRV

levou uma linha completas para o mercado

florestal, que são facas, sabres, coroas, disco

de feller e muito mais. Diego Ricardo Vieira,

diretor da DRV, enalteceu a participação na

feira mineira. “Impossível não estar aqui nesse

ano. Foram anos de muitas lutas que levaram

a conquistas maravilhosas. É uma trajetória

cheia de pessoas competentes e qualificadas,

que nos ajudaram a construir essa história

linda”, relembrou Diego sobre as conquistas

da empresa.

BRUNO

“Aqui ainda está começando e tem muito

para crescer”, apontou Angelo Henz, diretor

da Bruno. A Bruno Industrial oferece soluções

de alta performance focadas no setor florestal,

especializando-se no processamento

pesado e na movimentação de madeira. Sua

linha de picadores e sistemas automatizados

garante máxima eficiência na transformação

de toras e resíduos florestais em bioenergia.

“Para a feira trouxemos o Thor, picador que já

é destaque em outras regiões e pode atender

com excelência aqui em Minas Gerais”, destacou

Angelo.

ENVIMAT

Com soluções que vão de movimentação

de carga, trituração e até compostagem, a

Envimat esteve presente na feira para mostrar

seu catálogo e expandir ainda mais seu mercado

em Minas Gerais. “Representamos com exclusividade

a Sennebogen no Brasil, máquinas

que no pátio ou no talhão garantem a gestão

correta da madeira”, apontou Felipe Amaral,

consultor técnico da Envimat. Já Edimilson da

Silva, também consultor técnico, apresentou a

CBI, que tem excelência na trituração de madeira.

“É uma máquina robusta, com opções

de 700 cv (cavalos) a 1200 cv de potência, que

entrega o que mais importa para o cliente:

alta produtividade no campo”, complementou

Edimilson.

64 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 65



EVENTO

ENVU

A Envu Florestas, empresa com soluções

completas para manejo de pragas na silvicultura,

teve em seu estande na feira, mais que

produtos, uma série de palestras e apresentações

sobre sua linha de produtos. Matheus

Zorzetto, gerente de distribuição da Envu,

compartilhou o que a Envu levou para a feira.

“Temos um portifólio completo para o cuidado

com a floresta, em todas as etapas, como

Block, Fordor, Esplanade e Attinix, que auxiliam

na proteção e melhor desenvolvimento

da floresta”, explanou Matheus.

FRATEX

Empresa é referência em tecnologia de

forjados, integrando processos próprios de

forjaria, usinagem e tratamento térmico, a

gaúcha Fratex levou para a feira suas soluções

para o segmento florestal, como explicou Cléber

Scheffer. “Viemos para esse evento prestigiar

os nossos clientes e também apresentar

toda nossa excelência em forjados, usinados e

mangueiras hidráulicas, que atendem ao setor

com a mais alta qualidade há mais de duas

décadas”, expôs Cléber.

FELDERMANN

A Feldermann, que foi capa da edição de

abril da Revista REFERÊNCIA FLORESTAL, é especialista

em equipamentos para limpeza de

área e preparação do solo. Felipe Sepulveda,

diretor da Feldermann, comentou sobre as novidades

da empresa e as possibilidades que o

mercado mineiro apresenta. “Nossa novidade

para a feira é o limpa trilho traseiro com disco

de feller que é um parceiro ideal para o nosso

subsolador S200. Acredito que esses equipamentos

se adequem muito bem às demandas

do mercado local e vão entregar ótimos resultados

no campo”, assegurou Felipe.

HALLCO

Empreendedorismo e criatividade são a

essência da empresa que criou o primeiro

sistema de piso móvel da história: a Hallco.

O fundador precisava de uma solução para o

transporte de dejetos animais que eram usados

como adubo em sua fazenda, assim em

1968 foi criada a patente desse pioneirismo

no mercado. Marcos França, diretor da Hallco

América do Sul, destaca essa criatividade e

a presença da marca no Brasil. “Se não fosse

esse estalo de criatividade não teríamos uma

história de quase 60 anos no mundo e 10 anos

de Brasil”, projetou Marcos.

FEX

A Fex é especializada no desenvolvimento

e fabricação de garras florestais e implementos

de alta performance para o setor de base

florestal. Para a feira, a exposição foram dois

lançamentos para o segmento: um para transporte

e outro para a biomassa, como explicou

Bruno Damasceno, gerente comercial da Fex.

“A faca para picador é feita em aço especial

feito sob medida para a Fex e o nosso novo

fueiro com haste removível, que facilita manutenção,

operação e transporte”, evidenciou

Bruno.

HETRON

A Hetron é especialista no desenvolvimento

de sistemas de lubrificação automática e

centralizada de alta performance para maquinários

pesados e frotas do setor florestal. Igor

Carrareto, diretor operacional apresentou as

novidades da empresa para o segmento de

base florestal. “Temos um sistema de preditiva

de máquinas móveis, que mostra a condição

dos equipamentos em tempo real e nossa

tecnologia de filtragem de óleo, que pode ser

embarcada e garantir limpeza de 99,99% das

impurezas do motor da máquina”, apontou

Igor.

66 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 67



EVENTO

HFORT

Duas décadas de tradição na fabricação de

implementos para a movimentação de cargas

no segmento florestal respaldam a HFort. O

mercado mineiro é muito importante para

a empresa catarinense, como destaca Vânio

Oliveira, gerente comercial da HFort. “Participar

dessa feira nos mostra o crescimento e a

importância do mercado mineiro para o nosso

segmento. E no ano que celebramos 20 anos,

não poderíamos deixar de estar aqui valorizando

um Estado tão relevante para nosso

crescimento e história”, exaltou Vânio.

KADES MÁQUINAS

A Kades Máquinas levou toda sua expertise

em transporte e colheita florestal para a

feira. Leanderson Oliveira, vendedor da Kades,

ressaltou a grande variedade de implementos

e soluções que a empresa oferece em seu

catálogo. “Temos garras florestais, minis skidders

e correntes de corte. Trazemos para essa

feira qualidade de equipamentos e a vontade

de fazer bons negócios em um Estado onde o

florestal é tão importante”, enalteceu Leanderson.

J DE SOUZA

Direto de Lages (SC), a J de Souza era a

empresa que abria a feira, com um estande

sendo o primeiro para quem entrava no

evento. Entre as novidades apresentadas pela

empresa, a principal foi a garra rachadora,

apresentada por Anderson de Souza, diretor

da empresa. “A garra rachadora é uma solução

que temos para árvores de porte maior, que

já passaram do tamanho padrão do mercado.

Pode ser utilizada, tanto para a indústria de

celulose, quanto para biomassa, rachando

troncos diretamente sobre o picador”, explicou

Anderson.

MIREX-S

A Mirex-S é referência no desenvolvimento

e fabricação de iscas formicidas de alta

eficiência voltadas para o controle de formigas

cortadeiras na silvicultura. João Paulo Gatti,

coordenador técnico de vendas da Mirex-S,

registrou a importância da feira para a expansão

da marca na região e apresentar a nova

isca resistente a água da empresa. “A feira tem

um público qualificado, bem movimentada e

é uma oportunidade única para nossos objetivos

em Minas Gerais”, notabilizou João.

JOHN DEERE

O sistema full tree foi carro-chefe da

John Deere para a Expo Minas Florestal. Na

frente do estande estavam as novidades da

empresa: o Feller 643L-III e o Skidder 648L-III.

João Bihain, gerente comercial da empresa

ressaltou a importância dessa nova geração de

máquinas para o mercado mineiro. “A geração

3, lançada recentemente, são máquinas mais

modernas, mais tecnológicas, mais robustas,

mais confortáveis para o operador e, acima de

tudo, mais produtivas”, explicitou João.

PENZSAUR

A PenzSaur desenvolve guindastes e garras

florestais de alta robustez para otimizar o carregamento,

o transporte de toras e a eficiência

logística no campo e em pátios industriais.

Rodrigo Rubin, coordenador comercial da Penzsaur,

destacou as oportunidades geradas pela

feira. “Trouxemos nosso novo modelo de forwarder

de seis toneladas, o Taura. Além disso,

em 2026 celebramos 100 anos de Penzsaur, e

a feira nos ajuda a nos aproximar ainda mais

do mercado e dos clientes de Minas Gerais”,

ressaltou Rodrigo.

68 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 69



EVENTO

PLANALTO

Quem visitou o estande da Planalto pode

conhecer em operação o ForestFox, de 600 cv

(cavalos) que é o modelo adequado ao mercado

local. Com equipamentos que chegam

a 843 cv de potência, como o Bear Forest, a

empresa é uma das líderes do segmento de

picadores, como valoriza Luiz Mecabô, diretor

da Planalto. “Temos linhas completas para

fabricação de cavaco, máquinas adequadas

a todas as realidades de operação e estamos

prontos para atender o mercado mineiro”, esclareceu

Luiz Mecabô.

RODER

Capa da edição da REFERÊNCIA FLORES-

TAL que circulou na feira, em parceria com a

Rotary-Ax, a Roder teve como destaque no

estande a garra traçadora GT800X, que apresenta

o melhor da tecnologia Roder para o

mercado. “Ela tem rotator giro livre, em 360°,

estrutura robusta e cada detalhe foi pensado

para atender as demandas de nossos clientes.

A parceria com a Rotary-Ax é a união da qualidade

deles com a nossa”, conectou Jeferson

Roder, diretor técnico da Roder, sobre a parceria.

PONSSE

Com dois lançamentos preparados para a

feira, a Ponsse deixou uma ótima impressão

na primeira feira florestal mineira. Rodrigo

Marangoni, gerente comercial da Ponsse,

representou a empresa e com novidades. “A

Buffallo Planter, primeira plantadeira projetada

para o plantio da Ponsse, que já atua na

colheita há mais de cinco décadas, cobrindo

assim toda a cadeia produtiva. O cabeçote

harvester DH7 é um novo modelo focado na

colheita do eucalipto, focado em alta produtividade

e baixo custo”, exaltou Rodrigo.

RODOVALE

Especialista em implementos rodoviários,

a Rodovale levou para seu estande três carrocerias

que atendem o segmento florestal: piso

móvel para biomassa, bitrem para transporte

de toras e um semirreboque de três eixos,

ideal para transporte de picadores e tratores.

“Já estamos participando dos principais

eventos do setor e não poderíamos deixar de

prestigiar uma feira em um Estado tão pujante

para o florestal. É uma oportunidade muito

grande para novos negócios”, sublinhou Taver

Freitas, comercial da Rodovale.

RDC AGROTEC

Trazendo a visão do alto através do sistema

de drones, a RDC Agrotec une o melhor de

software e hardware para que o cliente tenha

o maior e melhor volume de informações sobre

sua floresta, como valoriza Pedro Gama,

CEO da RDC. “Podemos acoplar sensores

LiDAR em nossos drones, fazendo o mapeamento

e monitoramento em 3D da floresta.

Esses dados podem ser passados para drones

de pulverização, para defensivos agrícolas ou

gerar um inventário mais preciso da floresta”,

garante Pedro.

ROTARY-AX

Parceira da Roder na capa da edição da

REFERÊNCIA FLORESTAL que circulou na feira,

a Rotary-ax, recebeu seus clientes e parceiros

na feira com uma linha completa de solução

como sabres, ponteiras, dentes de feller e

muito mais. “O mercado mineiro é focado no

full tree, temos uma participação expressiva

e queremos fazer ainda mais aqui em Minas.

Essa parceria com a Roder é uma alegria, uma

grande oportunidade para a valorização das

duas empresas”, comemorou Victor Shinohara,

direto industrial da Rotary-Ax.

70 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 71



EVENTO

BIOMASSA MAIS LIMPA.

SPARTA

Especialista em trituração florestal, a

Sparta Brasil levou para a feira equipamentos

da empresa alemã Prinoth, uma das líderes

mundiais na supressão vegetal. Celso Kossaka,

CEO da Sparta, é dos grandes especialistas

nessa atividade e destacou as funcionalidades

dos implementos Prinoth. “Temos o Raptor

100, compacto e altamente produtivo, o

M450s é um cabeçote frontal com 190 cm

(centímetros) de largura de corte e o M350e,

um cabeçote para escavadeira de 3,7 a 7 toneladas,

ideal para situações mais restritas”,

diferenciou Celso.

OPERAÇÃO MAIS EFICIENTE.

Remoção superior de contaminantes para elevar

a qualidade do material e o desempenho de sua planta.

TMO

A TMO é uma tradicional fabricante nacional

de equipamentos pesados para a colheita

e transporte florestal, com um portfólio robusto

que inclui guindastes, carretas e garras de

alta resistência. A principal novidade apresentada

pela empresa na feira é a nova filial da

TMO que será inaugurada em junho na cidade

de Curvelo (MG). “Teremos uma solução completa

com assistência, manutenção e peças de

reposição de forma rápida para nossos clientes”,

compartilhou Rodrigo Plochai, comercial

da TMO.

IMPUREZAS / MATERIAL FORA DE ESPECIFICAÇÃO

MATERIAL LIMPO / GRANULOMETRIA IDEAL

TRACBEL

A Tracbel distribui máquinas pesadas

de marcas globais e oferece suporte técnico

especializado para otimizar as operações de

colheita, movimentação e logística no setor

florestal, sendo representante oficial da Tigercat

no Brasil. Para a feira, a Tracbel trouxe

novidades exclusivas e que atendem com precisão

o mercado mineiro. “Temos nosso novo

Feller 877, que é a atualização de um modelo

já reconhecido e valorizado pelos clientes, e a

primeira carregadeira 100% elétrica da Volvo

com até 12H de autonomia e carga completa

da bateria em apenas 2H”, elencou Marcelo

Chiabai, gerente comercial da Tracbel.

MENOS

IMPUREZAS E REFUGO

Remoção de contaminantes,

oversize e material fora de

especificação da sua operação.

MELHOR

PADRONIZAÇÃO

GRANULOMÉTRICA

Frações mais uniformes e

consistentes para sua operação.

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EVENTO

UNIFERTIL

“Não existe uma adubação melhor que a

outra, existe a adubação mais adequada para

cada cultura”, esclareceu Rivaldo Teixeira, supervisor

comercial da Unifertil. A empresa de

Canoas (RS) tem importante história no agro e

recentemente chegou ao segmento florestal,

oferecendo soluções específicas para a silvicultura,

de acordo com a demanda do setor.

“Estar conectado com nossos clientes, trocar

ideias e aprender com eles e suas demandas

é um pilar do sucesso da Unifertil nos mais de

50 anos de história”, valorizou Rivaldo.

VANTEC

“O mercado de biomassa em Minas Gerais

está aquecido e trouxemos nosso picador

Bronco, que se adequa perfeitamente ao

mercado mineiro“, explicou Ericsson Paludo,

supervisor de biomassa da Vantec. A Vantec é

especialista em picadores, tem se destacado

na trituração de madeira nativa, com sua linha

Kong e Brutus, e para Minas Gerais, onde o

eucalipto é mais pujante, o Brutus atende com

qualidade. “Na feira podemos demonstrar

essa máquina, apresentar para quem ainda

não nos conhece, de mostrar na prática todo o

nosso desempenho”, assegurou Ericsson.

VERMEER

Nova geração do picador horizontal

HG4000 TX da Vermeer foi apresentado para

os clientes na Expo Minas Florestal. Essa nova

geração tem dois rotores, facas e martelos,

pode ser sobre esteira trailer ou pneus, e muita

produtividade e robustez que já são marca

da empresa. “Além de uma máquina robusta,

tem muita tecnologia envolvida, que conta

com monitoramento de consumo, produtividade

e telemetria e todas as informações que

garantem o melhor desempenho da máquina”,

destacou Flávio Leite, gerente comercial da

Vermeer.

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EVENTO

CONECTANDO TECNOLOGIA A DESAFIOS REAIS DA INDÚSTRIA

Soluções em loT para mais controle e eficiência

WBM TECHNOLOGY

“Somos especialistas em desenvolvimento

de tecnologia para a melhoria de processos

industriais para a cadeia produtiva do carvão

também para saneamento”, enalteceu

Matheus Ferreira, CTO da WBM. A empresa

apresenta soluções focado em IoT (Internet

das Coisas) e indústria 4.0 e teve na feira uma

oportunidade de apresentar seu trabalho,

como salientou Weber Duarte, CEO da WBM.

“É um ambiente propício, ideal para conhecer

ainda mais e aprender sobre as demandas

com profissionais do mais alto nível”, concluiu

Weber.

A WBM TECHNOLOGY é uma fábrica de soluções

baseadas na Tecnologia IoT (Internet das Coisas)

para as indústrias permitindo fazer supervisão

e controle de equipamentos e processos

com menor custo.

WDS

Quando se trata de transporte florestal,

a WDS atua diretamente para gerar maior

segurança para a carga e para o operador.

Diego Schott, diretor da WDS, apresentou a

CAT 6, nova linha de catraca pneumática da

empresa que vem para superar expectativas

dos clientes. “Esse novo modelo é mais leve,

mais compacto, que facilita sua fixação no

chassi do caminhão, tem acionamento remoto

e manutenção simplificada, que pode ser feita

rapidamente e manter a operação rodando”,

ressaltou Diego.

Nosso Negócio é projetar e fornecer soluções

com conceitos da INDÚSTRIA 4.0 para aumentar

a produtividade, sustentabilidade e rentabilidade

dos nossos clientes.

FLORESTAL

Válvulas, atuadores e sensores para automação inteligente

para produção sustentável de carvão vegetal

Controle autônomo na separação de pirolenhoso e alcatrão

SANEAMENTO

Módulos com tecnologia loT (Internet das Coisas) para leitura

de dados de processo essenciais para a Indústria 4.0

WOODTECH

A Woodtech desenvolve sistemas avançados

de medição 3D e automação para otimizar

a cubagem de toras, a gestão de pátios e a eficiência

no processamento industrial da madeira.

Pietro Sciavicco, executivo da Woodtech,

evelou as soluções da empresa para um mercado

tão exigente quanto o florestal. “Temos

o Logmeter, que mede o volume e quantidade

de toras, e o bulkmeter, que mede volume de

cargas a granel ainda no caminhão com precisão

e velocidade em tempo real”, salientou

Pietro.

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MANEJO

Manejo

EM ALTA

Pará apresenta maior concessão florestal para

manejo sustentável de sua história e Mato

Grosso aprova lei que protege e fortalece a

produção florestal

Fotos: divulgação

O

Pará consolidou um marco histórico na agenda

ambiental ao publicar, no DOE (Diário

Oficial do Estado), o resultado preliminar da

maior concorrência pública de concessão

para manejo florestal sustentável do país.

O processo, conduzido pelo governo paraense por meio do

Ideflor-Bio (Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade),

abrange mais de 800 mil ha (hectares) distribuídos

entre as Flotas (Florestas Estaduais) do Paru (PA), na

porção oeste, e do Iriri (PA), no sudoeste do Estado.

A iniciativa eleva o patamar da gestão de florestas públicas

no Brasil, consolidando o uso sustentável como uma

ferramenta robusta para preservação ecológica, geração de

empregos e desenvolvimento regional. Com o encerramento

do certame, o Pará assume a liderança nacional no mercado

de concessões florestais, alcançando a marca de 1,5 milhão

de ha outorgados para o manejo responsável.

O balanço preliminar divulgado pela Comissão Especial

de Licitação do Ideflor-Bio definiu as corporações vencedoras

para seis UMFs (Unidades de Manejo Florestal). Na Flota

do Paru, a Arapua Florestal Ltda venceu os lotes das UMFs

VIa e VIIIa; a MCS Agroflorestal e Construção Civil Ltda assumiu

a UMF X; e a TMBR Serviços Florestais Eireli garantiu a

UMF XI. Na Flota do Iriri, a Cichelero Indústria, Comércio e

Exportação de Madeiras Ltda arrematou a UMF I, enquanto

a Curua Florestal Ltda ficou com a UMF II.

84 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 85



MANEJO

As áreas concedidas integram duas das mais estratégicas

florestas públicas do Pará. A Flota do Paru possui uma

extensão total de 3 milhões de ha (com frações direcionadas

ao manejo sustentável), enquanto a Flota do Iriri cobre cerca

de 440 mil ha. Somadas, as duas unidades expandem em

mais de 120% a malha total concedida anteriormente no

Estado.

O processo licitatório reuniu 15 empresas concorrentes

e foi estruturado pelo Ideflor-Bio com o suporte técnico do

BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e

Social). O modelo estabelecido prevê o aproveitamento sustentável

de produtos madeireiros, não madeireiros e prestação

de serviços florestais, alinhando a salvaguarda ambiental

ao estímulo econômico das comunidades do entorno.

De acordo com o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto,

o avanço reflete a retomada de uma política pública essencial

para a Amazônia. “O Pará reafirma seu compromisso

com a floresta em pé e com o crescimento sustentável. Em

poucos anos, conseguimos transformar a realidade das concessões

florestais no Estado, triplicando a área outorgada

e consolidando o Pará como a principal referência nacional

em manejo responsável”, comemorou Nilson. Ele ainda fez

questão de lembrar, que em 2023, o Estado contava com

cerca de 465 mil ha concedidos e enfrentava entraves para

destravar novas concorrências. Desde então, a atual gestão

colocou as concessões no topo das prioridades institucionais,

resultando no salto atual para 1,5 milhão de ha com a

conclusão do processo em andamento.

A regra promove

previsibilidade

mercadológica, resguarda

juridicamente o operador

regular e agrega valor

à madeira sustentável

extraída em Mato Grosso

Gleisson Tagliari,

presidente do Cipem

A diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção

do Ideflor-Bio, Ana Cláudia Simoneti, destacou o caráter histórico

do certame e a expressiva liderança das mulheres em

todas as fases do projeto. “É um orgulho enorme ver o Estado

do Pará fazer história com a realização da maior licitação

em área concedida de uma só vez para manejo florestal

sustentável. Mais orgulho ainda é constatar o protagonismo

feminino desde a estruturação técnica até a Comissão Especial

de Licitação, integrada exclusivamente por mulheres”,

declarou Ana.

Ao longo do desenho da concessão, o governo paraense

promoveu canais de diálogo com comunidades locais, conselhos

consultivos das unidades de conservação, povos indígenas

e trabalhadores tradicionais, como os castanheiros. As

reuniões e consultas públicas geraram dezenas de contribuições,

incorporadas diretamente ao edital final.

Nilson Pinto conclui enfatizando que o Pará consolida

sua posição na vanguarda da agenda florestal sustentável

e prova que preservação e desenvolvimento andam juntos

nesta nova etapa. “O manejo florestal regular e planejado

surge como um instrumento decisivo para proteger a biodiversidade,

combater as frentes de exploração irregular e gerar

oportunidades econômicas duradouras para a população

amazônica”, finalizou o presidente do Ideflor-Bio.

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86 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 87



MANEJO

Para o presidente do Cipem, Gleisson Tagliari, o novo

marco regulatório equilibra de forma inteligente a preservação

ecológica e a atividade econômica. “A Lei Complementar

843/2026 é um divisor de águas para as indústrias de base

florestal, pois sofistica os mecanismos de controle e fiscalização

sem paralisar o crescimento sustentável do setor.

A regra promove previsibilidade mercadológica, resguarda

juridicamente o operador regular e agrega valor à madeira

sustentável extraída em Mato Grosso”, ponderou Gleisson.

A entidade empresarial reitera que a atualização da lei

sanou uma demanda histórica das indústrias, adaptando as

exigências de fiscalização à rotina operacional e logística do

setor. O Cipem recorda, ainda, que a atividade de manejo

sustentável figura entre as mais controladas e monitoradas

do país, atuando como engrenagem central na manutenção

das florestas nativas, na interiorização de empregos e na

geração de divisas regionais.

Atualmente, a cadeia produtiva da madeira consolida-se

como um dos pilares econômicos de Mato Grosso, aglutinando

mais de 1,3 mil estabelecimentos e gerando mais

de 10 mil postos de trabalho diretos, sendo corresponsável

pelo ordenamento e preservação de mais de 5 milhões de

ha de florestas sob plano de manejo ativo no Estado.

Em poucos anos, conseguimos

transformar a realidade das

concessões florestais no Estado,

triplicando a área outorgada e

consolidando o Pará como a principal

referência nacional em manejo

responsável

Nilson Pinto,

presidente do Ideflor-Bio

MAIS RÁPIDO E EFICIENTE

O setor produtivo de base florestal passa a operar sob

um ambiente regulatório mais moderno e ágil com a entrada

em vigor da Lei Complementar número 843/2026, veiculada

no Diário Oficial. Para o Cipem (Centro das Indústrias

Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato

Grosso), o novo texto legal aprimora de forma significativa

os ritos de inspeção e a checagem de conformidade na fiscalização,

movimentação e comércio de produtos de origem

florestal em solo mato-grossense.

A nova legislação representa um avanço central para

blindar a segurança jurídica, ampliar a transparência e dar

efetividade às fiscalizações estaduais, estabelecendo critérios

claros e padronizados para a conferência de cargas, com

foco especial nas rotas de transporte interestadual.

Entre as principais inovações do texto, destaca-se a adoção

da fiscalização por amostragem, orientada por matrizes

de risco e inteligência fiscal. Isso permite direcionar as ações

prioritariamente para operações que apresentem indícios

palpáveis de irregularidades. O ordenamento jurídico também

estabelece a emissão de laudos oficiais em casos de divergências

volumétricas ou de classificação e determina que

impasses na identificação científica de espécies arbóreas

passem por instâncias administrativas prévias de apuração,

garantindo maior rigor técnico e clareza processual.

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ARTIGO

Métricas de carbono do eucalipto

destinado à produção de carvão vegetal:

análise das emissões e remoções de GEE

de florestas plantadas em

MINAS GERAIS

Fotos: divulgação

FRANCIELE ALBA JOSÉ

EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)

MAURO MAGALHÃES ÁVILA PAZ MOREIRA

EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)

JOSILÉIA ACORDI ZANATTA LUIZ

EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)

MARCELO BRUM ROSSI

EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)

WILSON ANDERSON HOLLER

EMBRAPA FLORESTAS (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA)

90 www.referenciaflorestal.com.br Junho 2026 91



ARTIGO

Estudos recentes demonstram que plantações de

eucalipto apresentam elevado potencial de sequestro de

carbono, tanto na biomassa aérea quanto subterrânea e

nas camadas do solo, contribuindo significativamente para

o balanço positivo de carbono em sistemas florestais brasileiros

(McMahon et al., 2019; Vieira et al., 2019). No entanto,

a maioria dos estudos não contempla todas as fases

do ciclo produtivo (Gatto et al., 2011; Binkley et al., 2017;

McMahon et al., 2019; Vieira et al., 2019). Por isso, o conceito

de pegada de carbono, que engloba o levantamento

ou inventário das atividades e operações de todas as etapas

do ciclo produtivo vinculando a emissão de GEE atrelada à

cada uma delas, torna-se uma ferramenta essencial para

uma avaliação abrangente e confiável (Galli et al., 2012).

INTRODUÇÃO

O

setor siderúrgico de Minas Gerais se destaca

como um dos mais relevantes do Brasil,

especialmente pela expressiva produção

de ferro-gusa e aço, fortemente integrada

à cadeia do carvão vegetal. O estado abriga

um grande polo produtor de carvão vegetal, com aproximadamente

um milhão de hectares de plantações de eucalipto

destinadas à produção desse insumo, utilizado como alternativa

renovável aos combustíveis fósseis nos altos-fornos

das siderúrgicas locais (Associação Mineira da Indústria Florestal,

2020; Sindicato das Indústrias Florestais do Estado

de São Paulo, 2024). A substituição do carvão mineral pelo

carvão vegetal na produção de ferro-gusa e aço implica na

mitigação de, aproximadamente, 75% das emissões de GEE

(gases de efeito estufa) da fase industrial em relação ao uso

de combustível fóssil (Souza; Pacca, 2021).

Para avaliar de forma completa e robusta o impacto

ambiental dessa cadeia produtiva, é fundamental estimar

de forma integrada todas as métricas de carbono, a fim de

obter o balanço e, ou a pegada de carbono. Essa avaliação

deve considerar as etapas do ciclo de produção do carvão

vegetal, incluindo a fase de crescimento e produção da

floresta, desde a implantação até a colheita, o transporte

da madeira, o processo de carbonização e o transporte até

o uso final na siderurgia. Embora seja possível obter métricas

pontuais — como estoques de carbono na biomassa

vegetal e emissões de GEE específicas durante operações

de campo —, resultados apenas para uma destas condições

não capturam a complexidade dos fluxos de carbono,

especialmente na fase produtiva, em que as emissões e remoções

de carbono são difusas e de difícil monitoramento

(Vieira et al., 2019; Premetilake et al., 2023).

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ARTIGO

A pegada de carbono identifica os principais pontos de

emissão de GEE, sendo uma ferramenta para orientar estratégias

de redução de emissões de GEE e para comunicar, de

forma efetiva, o desempenho ambiental das empresas aos

consumidores e partes interessadas. No entanto, ainda há

desafios relacionados à padronização das definições, delimitação

dos escopos 1, 2 e 3 e à disponibilidade de fatores

de emissão confiáveis e representativos dos ambientes

produtivos do país. Poucos foram os estudos que quantificaram

a pegada de carbono em plantios de eucalipto, com

destaque para os resultados do repositório Ecoinvent 2.2.

Esse repositório é o mais reconhecido banco de dados de

ICV (inventários de ciclo de vida) utilizado para estudos

de ACV (Avaliação de Ciclo de Vida) e outras avaliações

ambientais, que indicou, com base em fontes secundárias,

uma pegada de carbono de 15,94 kg CO2e/m³ de tora de

eucalipto, (Gonçalves et al., 2018).

Por isso, o conceito de pegada

de carbono, que engloba o

levantamento ou inventário das

atividades e operações de todas

as etapas do ciclo produtivo

vinculando a emissão de GEE

atrelada à cada uma delas, tornase

uma ferramenta essencial

para uma avaliação abrangente e

confiável

DIAGNÓSTICO DO AMBIENTE DE ESTUDO

Para o diagnóstico do ambiente de estudo e a caracterização

detalhada dos sistemas de produção de eucalipto em

Minas Gerais, adotou-se uma abordagem em duas etapas

principais: levantamento bibliográfico sistemático e levantamento

da cadeia produtiva por meio de entrevistas.

Na primeira etapa, realizou-se uma análise de dados secundários

provenientes de bases oficiais, como IBGE (Instituto

Brasileiro de Geografia de Estatística), Ibama (Instituto

Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)

e Rais (Relação Anual de Informações Sociais), para

descrever a produção de eucalipto por município, micro e

macrorregião de Minas Gerais. A base do IBGE foi utilizada

para obter dados estatísticos de uso da terra e informações

demográficas regionais, enquanto a base do Ibama forneceu

registros de atividades licenciadas para silvicultura e

produção de carvão. A Rais foi consultada para caracterizar

a força de trabalho, o perfil dos trabalhadores e sua distribuição

geográfica no setor.

A utilização de dados secundários oficiais permitiu a

análise espacial e temporal da expansão dos plantios e as

regiões e municípios de maior produção de eucalipto e

carvão, bem como a identificação de padrões produtivos

e socioeconômicos. Além disso, a integração de diferentes

fontes de dados possibilitou uma visão abrangente do setor,

subsidiando análises comparativas e a construção de

indicadores técnicos relevantes para o planejamento e a

gestão florestal.

Essa é uma versão parcial do artigo, o

texto completo pode ser acessado pelo

QR Code ao lado:

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AGENDA

AGENDA 2026

JUNHO

2026

AGO

2026

FOREST MAX

Imagem: reprodução

AGENDA 2026

AGOSTO

2026

VI Semana e II Congresso da

Engenharia Florestal

Data: 08 a 10

Local: Botucatu (SP)

Informações: https://eventos.fepaf.

org.br/evento/ev289--vi-semana-e-iicongresso-da-engenharia-florestal

JULHO

2026

O Forest Max consolida-se como um dos principais eventos

técnicos de campo voltados à silvicultura de alta performance.

Com foco prático, o encontro reúne produtores, gestores e

especialistas para demonstrar inovações em genética, manejo

de solo e mecanização florestal. Em um cenário de custos

elevados de insumos em 2026, o evento ganha relevância

estratégica ao debater a eficiência no uso de fertilizantes e a

otimização da produtividade do eucalipto. É o ambiente ideal

para o networking qualificado e para a visualização de soluções

tecnológicas aplicadas diretamente no horto.

Forest Max

Data: 4 a 6

Local: Brasília (DF)

Informações:

https://forestmax.com.br/

SETEMBRO

2026

ASSINE AS PRINCIPAIS

REVISTAS DO SETOR

E FIQUE POR DENTRO

DAS NOVIDADES!

XLIV Congresso Paulista de Fitopatologia

Data: 22 a 24

Local: Botucatu (SP)

Informações: https://eventos.fepaf.

org.br/evento/ev288--44-congressopaulista-de-fitopatologia

Demo Forest

Data: 28 e 29

Local: Bertrix (Bélgica)

Informações:

https://demoforest.be/

JULHO

2026

SET

2026

LIGNUM

A Lignum Latin America consolidou-se, ao longo de uma

década, como referência na transformação, beneficiamento,

preservação, energia, biomassa, uso da madeira e manejo

florestal. O evento tornou-se um dos principais encontros

do setor na América Latina e o ponto alto da Semana

Internacional da Madeira. Na edição de 2024, a feira

superou expectativas ao reunir mais de 12 mil visitantes

qualificados, vindos de 21 Estados brasileiros e 22 países,

além de 165 expositores. Os números recordes reforçaram

sua relevância para o mercado e confirmaram seu papel

como espaço de negócios e inovação.

Imagem: reprodução

Lignum Latin America

Data: 15 a 17

Local: Pinhais (PR)

Informações:

https://lignumlatinamerica.com/

Expocorma

Data: 18 a 20

Local: Concepcion (Chile)

Informações:

https://www.expocorma.cl/

NOVEMBRO

2026

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ESPAÇO ABERTO

Foto: divulgação

E o segundo

PASSO?

Por Rodolfo De Santi,

CTO, conselheiro e palestrante

especializado em inteligência

artificial. Com mais de 30 anos

de experiência em tecnologia da

informação, atuando atualmente

como Diretor de Inovação e

Desenvolvimento da IMA, em

Campinas (SP).

Sua empresa adotou IA.

Agora vem a parte difícil

98 www.referenciaflorestal.com.br

Trabalho com tecnologia aplicada a organizações públicas e privadas

há mais de duas décadas. Já vi esse filme antes. Com ERP, prometíamos

eficiência operacional e passamos anos integrando sistemas que

não conversavam. Com cloud, prometíamos agilidade e criamos formas

de lockin. Com big data, prometíamos decisões mais inteligentes

e geramos dashboards que ninguém olhava.

Com IA generativa, o ciclo se repete. Mais rápido e com apostas bem maiores.

Um levantamento da Deloitte de 2026 mostra que 88% das empresas têm alguma

iniciativa de IA em produção. O número impressiona até ler a linha seguinte:

menos de um terço consegue atribuir resultados financeiros mensuráveis ao que

implementou. Adotaram. Não sabem dizer quanto valeu. Não é problema de tecnologia.

É problema de governança.

A McKinsey chama de Frontier Firms as empresas que não apenas adotaram

IA redesenharam processos inteiros ao redor dela. Esse grupo representa entre

10% e 20% do total e captura retornos desproporcionais em relação às demais. O

que as diferencia das outras 80%? Não é o modelo de linguagem que escolheram,

nem o fornecedor de cloud. É como governam a adoção internamente. Depois

de acompanhar muitas implementações, uma proporção ficou clara para mim

e os dados confirmam: 10% do resultado vem da tecnologia em si, 20% vem do

redesenho de processos, e 70% depende de transformação cultural e de pessoas.

A maioria das empresas investe exatamente ao contrário. Compra a ferramenta.

Para por aí.

A Netskope publicou em janeiro de 2026 que 94% dos funcionários de grandes

empresas já usam IA no trabalho. Parece ótimo até descobrir que, na maior

parte dos casos, o departamento de TI não faz ideia de quais ferramentas são

essas. Tem nome para isso: Shadow AI.

Não é sabotagem. É o analista financeiro que descobriu que o ChatGPT escreve

macro de Excel melhor do que qualquer treinamento interno, ou o advogado

júnior que usa Claude para rascunhar contratos mais rápido. Gente resolvendo

problema real com a ferramenta que achou. O problema é o que viaja junto:

dados de clientes em modelos externos sem criptografia, outputs sem auditoria

influenciando decisões de negócio, propriedade intelectual alimentando o treinamento

de modelos de terceiros. A IBM calculou que o custo médio de um vazamento

de dados chegou a US$ 4,88 milhões em 2025. Shadow AI é uma superfície

de exposição que a maioria das organizações ainda não mapeou. E quando aparece,

aparece em manchete.

CONFORMIDADE VIROU PRAZO

Em agosto de 2026, o EU AI Act entra em vigor para sistemas de alto risco

ferramentas usadas em RH (recursos humanos), crédito, saúde e infraestrutura

crítica. Documentação de modelos, auditorias de viés, explicabilidade de decisões.

Quem não começou esse trabalho em 2025 está atrasado e vai correr. Mas

há uma distinção que muita gente ignora e que me parece custosa: conformidade

regulatória e governança estratégica não são a mesma coisa.

Conformidade diz o mínimo para não ser multado. Governança estratégica diz

como extrair valor real enquanto mantém risco sob controle. Uma defende o passado.

A outra constrói o futuro. Confundir as duas é provavelmente o erro mais

caro que uma organização pode cometer agora porque gasta energia para ficar na

média quando poderia estar construindo vantagem.

A IA que vale construir não é só a camada técnica. É a capacidade institucional

de usar, auditar e melhorar sistemas de forma contínua. E isso não se compra em

um contrato de SaaS. Na sua organização, a governança de IA está na pauta estratégica

ou ainda é assunto que chega como ticket para o departamento de TI? O

que já tentou que funcionou, e o que faria diferente se começasse hoje?

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