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propmark.com.br ANO 62 - Nº 3.095 - 15 de junho de 2026 R$ 20,00
Cannes Lions promete julgamento
mais criterioso dos seus 73 anos
A utilização de inteligência artificial pela indústria da propaganda obrigou a premiação a fazer mudanças sem precedentes nos parâmetros de julgamento das
peças. A edição de 2026 será a primeira com os novos padrões de integridade adotados pelo festival (após o estopim da crise com o caso DM9), que exigem
mais comprovações de que o trabalho é real, várias camadas de aprovações e declaração de como o uso da IA foi feito, sob o risco de o case ser desclassificado
e o prêmio retirado. Envolvidos em farsas podem ser suspensos por três anos. O escrutínio vem com um arsenal de recursos e especialistas para detectar
distorções. O Leão se protege de ataques à imagem e reputação que transformaram o Cannes Lions no evento mais respeitado da comunidade criativa global.
Especial nesta edição traz agenda e entrevistas exclusivas com os líderes do festival, que começa na próxima segunda-feira (22), na Riviera Francesa. pág. 16
Alê Oliveira
Betnacional investe em
ações no digital para Copa
Com nomes como
Galvão Bueno e Vini
Jr., plataforma marca
presença em TV aberta,
CazéTV, redes sociais e
creators para acompanhar
a jornada do
torcedor. “Mais do que
participar da conversa,
queremos fazer parte
da vivência emocional”,
diz Alvaro Garcia, CMO
da Flutter Brasil. pág. 14
Investimento
publicitário cresce
18,3% no primeiro
trimestre de 2026
O Painel Cenp-Meios aponta movimentação
de R$ 5,5 bilhões em compra de mídia no
Brasil entre janeiro e março, impulsionada
pela preparação do mercado para a Copa do
Mundo e as eleições deste ano. A TV lidera os
investimentos, seguida pela internet. “Haverá
importantes oportunidades para anunciantes,
agências e veículos”, afirma Melissa Vogel,
presidente do Cenp. pág. 36
Sinapro-SP elege primeira
mulher na presidência
Ana Paula Passarelli,
da Brunch, toma posse
nesta quarta-feira
(17) como a primeira
mulher e a mais jovem
a liderar a entidade das
agências de propaganda,
que tem 83 anos
de história. E avisa que
mira mudanças para
o setor, focando em
coletividade e saúde
mental. pág. 38
PROGRAMAS DE MESTRADO
E DOUTORADO DA ESPM
ALCANÇAM NOTA DE EXCELÊNCIA
ACADÊMICA INTERNACIONAL
Nossos programas de Mestrado e Doutorado em Administração
e em Comunicação e Práticas de Consumo alcançaram o conceito 6,
atribuído pela CAPES apenas a programas com padrão
de excelência internacional.
Um reconhecimento muito especial, normalmente alcançado por poucas
e grandes universidades federais e estaduais brasileiras.
Além disso, o Mestrado e o Doutorado Profissional em Economia
Criativa, Estratégia e Inovação receberam conceito 5, nota máxima
aos programas profissionais.
Uma conquista construída por professores, estudantes e Alumni
que fazem da ESPM uma referência em mercado, ensino e,
mais do que nunca, em pesquisa.
CONHEÇA OS NOSSOS
PROGRAMAS:
editorial
Armando Ferrentini
Nova régua em Cannes
O
Cannes Lions International Festival of Creativity 2026 está batendo à porta. A uma semana
do início da maior premiação da indústria publicitária global (que ocorre de 22 a
26, na França), o mercado brasileiro aguarda com ansiedade (e certa apreensão) o anúncio
de shortlists. A expectativa para emplacar finalistas nunca foi tão grande - afinal, este é
o primeiro ano após a organização do festival estabelecer os novos padrões de integridade
para inscrição de peças.
Criadas em virtude do escândalo do Grand Prix ‘Efficient way to pay’, campanha feita para a
Consul pela extinta DM9, que teve o prêmio cassado e abriu uma crise sobre a suspeita da
legitimidade de outros cases, as novas regras chegam para reeducar o mercado.
Como diz o documento do Cannes Lions, o objetivo é “trazer um modelo renovado de responsabilidade,
rigor e confiança para a excelência criativa”.
As novas regras criaram um problemão para as agências brasileiras e ao redor do mundo.
Inscrever peças em Cannes nunca foi tão difícil quanto neste ano. A “reclamação” é geral. Há
muitas novas exigências, processos que antes não existiam para comprovação da veracidade
das campanhas, com camadas de dificuldades e novas cláusulas para aprovações de clientes
e responsáveis, por exemplo.
Após a inscrição feita, o sentimento não era só o de aguardar o resultado da divulgação das
shortlists - mas também de torcer para que a documentação do case tenha sido aprovada
pela organização e atendido aos novos critérios obrigatórios.
Trecho do handbook do Integrity Standards do Cannes Lions reitera as medidas de responsabilidade
(com um certo grau de ideia de moralização): “Cada inscrição deve representar
trabalho real, criado para clientes reais, com resultados reais. Sem fabricação, sem exageros,
apenas impacto genuíno que mereça”.
Se antes pairava no ar a dúvida de campanhas fantasmas ganharem (diversos) Leões, isso
agora certamente acabou ou ao menos ficou mais difícil de acontecer. Vai ficar muito mais
engenhoso “fabricar” cases para conquistar prêmios. O manual de integridade do Lions está
disponível para download gratuito no site do festival.
O propmark traz nesta edição o especial Cannes Lions, apresentando os highlights da programação
da 73ª edição e entrevistas exclusivas com o CEO e o chairman do festival, Simon Cook
e Philip Thomas. Cook reforça que o movimento é global e que a introdução de Padrões Globais
de Integridade teve como objetivo definir a responsabilidade criativa para uma nova era.
“Uma era definida não pelo que a criatividade pode fazer, mas pela capacidade dos sistemas
que a cercam em toda a indústria de sustentar seu valor, verificar suas alegações e manter sua
integridade”, declarou ele.
Na última quinta-feira (11), Cannes divulgou a lista com os finalistas em três categorias:
Glass, Titanium e Innovation. O Brasil conseguiu emplacar dois trabalhos na shortlist de
Glass. A Artplan, do Grupo Dreamers, concorre com ‘Nigrum corpus’, desenvolvido para Idomed
e Instituto Yduqs. O outro finalista brasileiro é ‘Código de Defesa e Inclusão do Consumidor
Negro’, criado pela Beta Collective para L’Oréal Luxe. Coincidência ou não, são dois
trabalhos com temáticas raciais.
Propmark em Cannes desde 1971
Além do site novo desde o último dia 21 de maio, data de aniversário dos 61 anos deste veículo,
entrou no ar também o hotsite especial com a cobertura do propmark no Cannes Lions
2026. O time de jornalistas in loco vai trazer todos os resultados de prêmios, os principais
acontecimentos e conteúdo inédito.
Frase: “A saudade é o azar de quem teve muita sorte” (Autor desconhecido).
Resposta a Armando Ferrentini e equipe do propmark
Querido Ferrentini,
Em nome da consideração e respeito profundo que eu, Renata, pessoalmente, tenho com você
e com o propmark, e também enquanto presidente da WMcCann, faço questão de trazer uma
resposta aberta ao seu último editorial de 8 de junho.
Tive a oportunidade de conversar em particular sobre os valores inegociáveis que dividimos,
como a importância das relações, o respeito à história, protagonismo e legado do jornal mais
longevo do mercado publicitário. Mas para além do privado, gostaria de deixar registradas minhas
sinceras desculpas.
Reconheço que estar na edição de aniversário do propmark é uma das maneiras de prestigiar e
celebrar a história de um veículo que dá protagonismo e incentiva não só às agências, mas todo
o negócio da criatividade. O trabalho jornalístico feito diariamente por vocês é o que nos ajuda
a tomar melhores decisões, atualizar sobre tendências e pontos de vista diferentes, algo tão
relevante nos dias de hoje. Deixo aqui meu compromisso de estreitar nossas relações e seguir
colaborando para que o jornalismo de qualidade siga com o apoio que merece.
Aproveito também para responder abertamente ao querido e incomparável Jens Olesen, a quem
tenho imensa admiração e respeito pela cultura de coragem e disrupção que estabeleceu, e que
levamos como legado até hoje.
Tenho muito orgulho de dizer que seguimos honrando seu olhar afiado para grandes ideias sem
deixar de olhar para as pessoas por trás delas. Em um momento especialmente apaixonante
como o de hoje, a WMcCann marca presença nos principais eventos esportivos do mundo.
Para reforçar a torcida pelo Brasil, estamos no ar com projetos para clientes como GM, Seara e Grupo
Petrópolis, conectando marcas à cultura do futebol por meio de campanhas, conteúdos e patrocínios.
Estamos presentes nas transmissões dos jogos na CazéTV, com a GM, e no SBT, com a Seara. Na Fórmula
1, a GM também mantém presença nas transmissões da Globo. Tudo isso reforça o compromisso
da WMcCann de seguir criando oportunidades relevantes de protagonismo para os nossos clientes.
Ferrentini, querido, agradeço pelo espaço sempre aberto e honesto para conversas, mesmo que
elas sejam difíceis.
Nos veremos em breve,
Um abraço,
Renata Bokel
1ª
Mizuno e Botafogo lançam
camisa nas cores do Brasil
Edição especial celebra o legado do
Botafogo como o clube que mais
cedeu jogadores à seleção durante as
Copas do Mundo. A peça integra uma
série de lançamentos da Mizuno com
o clube para reforçar a estratégia da
marca esportiva no futebol nacional.
2ª
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
Lance! anuncia reestruturação
em diretoria comercial
Os executivos Henrique Palmeira e Eduardo Leite compõem a nova diretoria.
Grupo reorganiza setor após chegada de Gustavo Mota como CEO, com foco
em ampliar receitas e consolidar o Lance! como ecossistema esportivo.
3ª
Com alta da publicidade digital e uso crescente de IA, performance entra em
fase mais sofisticada, marcada por dados, mensuração incremental e foco
em ROI real.
4ª
Marcas de maquiagem e beleza usam o TikTok Shop para integrar
descoberta, comunidade e compra em uma mesma jornada, aproximando
conteúdo e conversão.
5ª
Da conversão ao ROI real: o novo
momento do marketing de performance
Mercado de beleza aposta no TikTok
Shop para unir conteúdo e vendas
Paschoal Fabra Neto
se desliga da F&Q Brasil
Criativo deixa a sociedade, bem como as funções executivas de CEO e CCO na
agência que fundou com Fernando Quinteiro. Ao propmark, ele contou que
em breve deve anunciar novidades sobre seus próximos passos.
4 15 de junho de 2026 - jornal propmark
PAULINHO
DA COSTA
O PERCUSSIONISTA
QUE MUDOU
O RITMO
DO MUNDO
Aprecie com moderação.
índice
propmark
propmark.com.br
Cannes Lions inicia na
próxima semana com
padrões de integridade
As novas regras mais rígidas
para a premiação, adotadas
pelo maior festival de
criatividade após o caso DM9
em 2025, passam a valer
nesta edição, que começa na
próxima segunda-feira (22) e
vai até o dia 26, na França.
16
Alê Oliveira
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
www.propmark.com.br/signup
assinaturas@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0737
Balma Films ganha 49 prêmios
com o case ‘Gavião Kyikatêjê’
A campanha promoveu time de futebol profissional
formado por jogadores indígenas. A ‘carreira’ do filme
mostra a capacidade da produtora independente (de
Thiago Balma) de liderar um projeto que fez gols em
premiações como Cannes e D&AD. pág. 43
Acessooh se coloca como martech
especializada em OOH, DOOH e retail
CEO da empresa, Fernando Rodovalho defende que o
out of home deve funcionar como uma plataforma
estratégica de crescimento para as marcas,
conectando presença urbana, dados, criatividade,
retail media e performance de negócio. pág. 44
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Quem Fez ...........................................................................11
Entrevista ..........................................................................14
Especial Cannes Lions.......................................................16
Mercado .............................................................................34
Agências ............................................................................39
Marcas ...............................................................................41
Produtoras ........................................................................43
Mídia ..................................................................................44
Out of Home ......................................................................46
Opinião...............................................................................48
ESG no MKT ........................................................................50
Inspiração ..........................................................................51
Click do Alê ........................................................................52
Última Página ....................................................................54
DZ Estúdio chega a
21 anos com conceito
de adaptabilidade
Sediada em Porto Alegre, a agência
sustenta atuação nacional com
uma lógica baseada em método,
flexibilidade e relações de longo
prazo. Para Zé Pedro Paz, co-CEO da
DZ Estúdio, consistência
e adaptação ajudam a consolidar a
longevidade da operação. pág. 40
6 15 de junho de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
Post: “Vejo um ano cheio de
oportunidades”, diz Cristiano
Persona, da FlixMedia
Obrigado, Kelly Dores e propmark,
pelo espaço.
Cristiano Persona
COBERTURA
Com o conceito ‘Na RBS sempre tem mais Copa’, o grupo RBS se engaja à Copa de 2026. A
campanha é assinada pelo DZ Estúdio e tem produção de O Clube (foto acima). O projeto
multiplataforma envolve a rede regional RBS e o portal GZH, incluindo a Rádio Atlântida e a
Rádio Gaúcha. A cobertura da RBS na Copa conta com a parceria de KTO, Tramontina, Benoit,
CarHouse, Alibem, StokCenter, Amigo, InfinitePay, Snickers, Fatal Model, HS Consórcios, Nat
Frangos, Tchê Ofertas e Keep Cooler.
COTAS
A Rádio Mix anuncia a chegada de OXXO, Keeta, Vivo e Bradesco ao grupo de
patrocinadores oficiais de sua cobertura da Copa do Mundo de 2026, juntando-se às
empresas Superbet, Volkswagen, Burger King, Cielo e Sabesp, que já haviam confirmado
participação na iniciativa.
Post: Como o Google está transformando
a mensuração
Brand safety é o caminho para o ROI!
Daniel Guinezi
Post: Netflix Ads lança estudo de
atenção para anúncios no Brasil
Revolucionária iniciativa de captar o real
valor de audiência, a atenção.
Ingrid Veronesi
Post: Transformando uma marca
Kelly Dores e propmark, que privilégio
ter este espaço!
Leandra P.
Post: Vídeos curtos, creators, mar-
Duailibi Essencial
ketplaces e IA mudam a lógica da
descoberta de marca
Obrigado, propmark, pelo espaço e pela
reflexão!
Dez18
Post: Sua Música fará cobertura digital
das festas de Campina Grande
e Caruaru
Parabéns, Marcelinha, pelo trabalho
incrível que você e o Sua Música vêm
realizando!
Fabio Morgado
O criador é um arqueiro que dispara na escuridão (Gustav Mahler)
dorinho
CRIAÇÃO
A 11:11, agência independente com seis anos de trajetória, passa a contar com duas novas
profissionais de criação: a redatora Raphaela Ramos e a diretora de arte Juliana Tiltscher
(foto acima). A dupla vai atender diretamente Francis, conta do setor de higiene e bem-estar
conquistada em 2025.
COpA
O GloboPop reuniu conteúdos da TV Globo, SporTV, ge e geTV no Palco Copa do Mundo Fifa
2026, ambiente dedicado ao torneio dentro do app. A proposta é oferecer uma experiência
contínua no celular, com melhores momentos, memes, resenhas e produções originais em
formato de consumo rápido.
REVISÃO
A Spons, do ecossistema Biosphera.ntwk,
está apresentando o V.A.R. das Marcas, um
sistema de análise de dados e consultoria
esportiva, voltado a avaliar o contexto de
exposição e a performance das marcas ao
longo da Copa do Mundo. “O futebol deixou
de ser apenas uma entrega de mídia para
se tornar um ambiente extremamente
complexo de consumo”, observa o executivo
Felipe Bratfisch (foto à esquerda), CEO da
Spons. O V.A.R. das Marcas reúne dashboards
interativos, inteligência competitiva, análises
técnicas de marca e workshops estratégicos
voltados para o mercado anunciante.
8 15 de junho de 2026 - jornal propmark
ELEITO
O MELHOR
VEÍCULO DO
SEGMENTO
DE LUXO
Prêmio Veículos de Comunicação,
do GRUPO PROPMARK
Acesse os vídeos dos eventos *
Para anunciar: 11 97094 1911
curtas
Divulgação
SBT Traz Muricy raMalhO, rOdrigO
BOcardi e cOnTraTa Marcela Marchi
O treinador Muricy Ramalho (foto) integra a equipe de comentaristas do SBT e N Sports
nas transmissões de 32 jogos da Copa do Mundo, que será realizada até o dia 19 de
julho. Alexandre Pato, Juninho Paulista, Mauro Beting e Raphael Rezende fazem parte da
cobertura, que tem narração de Galvão Bueno e Tiago Leifert. Neste sábado (13), estreia
‘Torcida SBT’, antes da partida entre Brasil e Marrocos. B3, Bem Brasil, Mercado Livre, Meta,
PagBank e Postos Ale são parceiros do programa. A marca Ale preparou merchandising,
ações no meio digital e inserções comerciais. A expectativa é somar mais de 60 milhões
de impactos. Já a Ultrafarma anunciou patrocínio ao ‘Jornal do Boris’ - transmitido no canal
do SBT News no YouTube -, enquanto Rodrigo Bocardi chega à emissora com programa que
será exibido de segunda a sexta-feira, das 18h15 às 19h45. A estreia deve ocorrer após a
Copa do Mundo e promete “integração entre diferentes plataformas”, diz Leon Abravanel,
VP de conteúdo e comunicação do SBT. A emissora acaba de contratar Marcela Marchi
como diretora de negócios multiplataforma. “Estamos muito animados com o projeto da
Copa do Mundo e confiantes de que este é apenas o início de uma série de iniciativas que
vão fortalecer ainda mais nossa relação com o público e com o mercado”, diz Marcela.
jingle do itaú vira plataforma de conteúdo
Divulgação
nestlé mantém wmccann na conta de purina
Magnific
Robôs dançam ao som de nova versão de ‘Mostra tua força Brasil’, música lançada em 2014
Purina trabalha para acompanhar a evolução do comportamento dos tutores e seus pets
O Itaú Unibanco transformou a música ‘Mostra tua força Brasil’, composta por Jairzinho
e lançada em 2014, em plataforma interativa de conteúdo, com versões em ASMR,
K-pop, ligação de telemarketing e interpretação do próprio time de marketing do
banco. Releituras cocriadas durante a Copa do Mundo, que será realizada até o dia
19 de julho, devem fortalecer a conexão do brasileiro com o futebol, ganhando “uma
relevância que não se fabrica, se conquista”, pontua a CMO Juliana Cury. O projeto é da
Africa Creative e faz parte do movimento ‘Torcendo feito você’. A expectativa é “criar
versões que conversem com os sentimentos que a música desperta”, conta Angerson
Vieira, co-CCO da Africa Creative.
A WMcCann permanece como a agência de comunicação da marca Purina, da Nestlé, que
integra as linhas Friskies, Dog Chow e Purina One. A decisão ocorreu após concorrência. Integração
de conteúdo, estratégia, construção de marca, criação e performance guiam a nova
fase do trabalho, iniciado em 2024. A expectativa de Denis Nakashima, gerente-executivo
de marketing da Nestlé Purina no Brasil, é “acompanhar a evolução do comportamento dos
tutores, seus pets e das plataformas, com uma atuação cada vez mais integrada”. Dona de
toda a conta de mídia da marca no país, a agência estruturou um modelo de operação que
segue a “velocidade das plataformas e das conversas culturais, ampliando a capacidade de
gerar impacto real para os negócios dos clientes”, situa Renata Bokel, CEO da WMcCann.
waves surfa nova onda de expansão neooH ganHa selo gptw pelo terceiro ano rooHts lança dreamers no ooH
Divulgação
Divulgação
Divulgação
Felipe Garone, Adrian Kojin e Fernando Iesca: na crista da onda
Guto Cappio é o novo sócio e conselheiro da Waves, que cobre
o mercado de surfe há 28 anos. Adrian Kojin é CEO. Felipe
Garone (criação), Jonathan Feder (tecnologia), Fernando Iesca
(conteúdo) e Mauro Ferraz (liderança técnica) complementam
o escopo de executivos à frente da operação que acaba de
passar por reposicionamento. O vídeo passa a ser o formato
prioritário de atuação. A série ‘O pico’ e o podcast ‘Waves cast’
são estreias confirmadas. O site se mantém como hub de conteúdo
e há ainda plataforma para assinantes. A expansão tem
investimento internacional e prevê lançamento de aplicativo.
Formatos comerciais customizáveis abrem oportunidades
“tanto para quem consome quanto para quem anuncia”, frisa
o jornalista Adrian Kojin.
Empresa de mídia OOH abriga cerca de 300 colaboradores
A empresa de out of home NEOOH, que reúne cerca de 300
colaboradores, recebeu o selo Great Place to Work (GPTW)
pelo terceiro ano consecutivo. “Esse reconhecimento
tem um significado especial porque vem das pessoas
que constroem a NEOOH todos os dias. Ter esse selo tão
importante de forma consecutiva é um reflexo de nossa
busca contínua por fortalecer a cultura da empresa,
com prioridade à experiência de nossos profissionais e à
construção de um ambiente colaborativo”, comemora o
CEO Leonardo Chebly. A certificação é chancelada pelos
próprios profissionais, consultados por meio de uma
pesquisa anônima que avalia o clima organizacional e a
experiência de trabalho na companhia.
Bruno Guerrero, Rodolfo Medina e Antonio Fadiga: evolução
A Roohts é a primeira operação de mídia out of home
do Grupo Dreamers. A participação do OOH no ranking do
Cenp-Meios saltou de 11,8% no primeiro trimestre de 2025
para 14,8% no mesmo período de 2026. “Toda conexão
relevante nasce da compreensão da raiz dos comportamentos
e da profundidade das relações”, acredita Bruno
Guerrero, sócio e CEO da Roohts, que integrará planejamento,
criação com foco em UX design e inteligência. Antonio
Fadiga, sócio do Grupo Dreamers, destaca a “ampla experiência
em comunicação, criatividade, dados e negócios”,
enquanto o presidente-executivo Rodolfo Medina ressalta
“a evolução do Grupo Dreamers como um ecossistema
cada vez mais integrado e especializado”.
10 15 de junho de 2026 - jornal propmark
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
ProPeg
ALANA
Fotos Divulgação
Título: ‘Você sente essa dor?’
CCO: Hermes Zambini
Diretor-executivo de criação: João Caetano
Head of art: André Batista
Criação: sabrina Mesquita, Luciana elaiuy e Letícia serem
Produtora: dokidoki Filmes et Cetera
Diretora: Marina Nacamuli
Aprovação: Fernanda Flandoli, Gabriela Barbosa, Josi Campos e Janaína Kudo
A agência desenvolveu um gesto simbólico proprietário (uma das mãos
fechada na altura do útero e a outra sobre o coração), desenhado para
funcionar como um elemento de identificação visual e mobilização social
nas redes. A aposta é em uma estratégia que combina a linguagem cultural
do slam (poesia falada urbana).
noVa
APex BrAsiL
Título: ‘Fazendo bonito’
VP de criação: thomaz Munster
Diretor de criação: Ygor Morato
Redatora: Ariane Melo
Diretor de arte: diogo Arruda
Aprovação: Laudemir André Müller e Helena Maria de Freitas Chagas
A narrativa estabelece conexão com o trabalho realizado pelas empresas
brasileiras para conquistar espaço no exterior. Assim como
grandes conquistas são construídas por muitas mãos, como o hexa,
a presença do Brasil no mercado internacional também resulta de
estratégia, investimento, inovação, planejamento e dedicação para
fazer bonito fora de casa.
Quintal
CeNtro MédiCo PAstore
Título: ‘Vamos cuidar da sua saúde hoje’
Diretores de criação: rafael Ferrer e daniel Ferreira
Direção e design de prompt: saulo Frauches
Planejamento: Leonardo Brossa
Edição: André delacerda e diogo Fagundes (onMoveon)
Design de som: Hugo rocha (Usina sons)
Aprovação: Leticia Zattar, Natalia saloto e Guilherme Aranha
A campanha parte de um olhar humano sobre a relação das pessoas com a
própria saúde. A proposta é apresentar o centro médico como uma marca que
convida o público a se colocar em primeiro lugar e a iniciar uma jornada de
cuidado contínuo. O principal movimento criativo foi a criação de personagens
que representam profissionais da empresa.
jornal propmark - 15 de junho de 2026 11
entrevista
AlvAro GArciA
CMO da Flutter Brasil
‘A bet dos brasileiros’
Com a regulamentação, o mercado de
aposta avança na busca por presença
de marca, confiança e boas práticas de
comunicação. Posicionando-se como ‘A
bet dos brasileiros’, a Betnacional, marca
da Flutter Brasil, tem ampliado sua atuação
no futebol e investe em patrocínios,
embaixadores e campanhas voltadas
ao jogo responsável, como ‘Vini Sênior’,
estrelada por Vini Jr. Ao mesmo tempo, a
entrada da marca na Associação Brasileira
de Anunciantes (ABA), movimento inédito
entre empresas de apostas online, reforça a
aproximação do setor com o debate sobre
publicidade responsável e educativa. “Ser
a primeira empresa do setor de apostas
online a integrar a associação é uma
decisão estratégica e um compromisso
público com a evolução da comunicação
na nossa indústria”, afirma Alvaro Garcia,
CMO da Flutter Brasil.
Bruna Nunes
A regulamentação mudou o ambiente competitivo do setor?
O mercado brasileiro vem passando por um processo claro de estruturação
e amadurecimento, o que impacta diretamente a confiança do jogador. Nesse
cenário, a Betnacional observa uma migração consistente para plataformas
certificadas, com foco em segurança e confiabilidade, afastando o público de
operações irregulares. A tendência é de crescimento com uma competição mais
qualificada, já que a regulação eleva o nível de exigência e separa quem opera de
forma estruturada dos que não acompanham esse padrão.
Quais foram os impactos desse debate para a Betnacional?
Neste contexto, a tecnologia tem um papel central na adequação regulatória. Na
Betnacional, avançamos na implementação de soluções como biometria (Face
ID) e, com o suporte da Flutter, conseguimos acessar tecnologias e benchmarks
de mercados mais maduros, como Reino Unido e EUA. Isso se potencializa com o
Flutter Edge, nossa filosofia operacional que conecta dados, tecnologia e melhores
práticas globais do grupo para acelerar a evolução das marcas locais. Na
prática, isso nos permite trazer para o Brasil ferramentas já consolidadas em segurança,
escala e experiência do apostador, com mais velocidade e consistência.
Divulgação
Na prática, o que muda para a construção de marca e no marketing
de uma empresa de apostas nesse novo cenário?
O marketing no setor de apostas deixou de ser centrado em oferta e passou a
ter um papel mais amplo, com foco em construção de marca, entretenimento e
segurança. Para nós, esse movimento vem acompanhado de uma responsabilidade
maior, especialmente dentro de um ambiente regulado, em que as operadoras
legais passam a liderar a evolução da comunicação do setor. Isso exige
narrativas mais autênticas e próximas do público. Por isso, temos investido no
desenvolvimento de conteúdo proprietário e no uso de creators, que hoje têm
maior capacidade de gerar conexão e relevância do que a publicidade tradicional,
especialmente em um ambiente mais fragmentado.
Com a integração à Flutter Brazil, a Betnacional opera dentro de
um grupo. O que essa estrutura traz de concreto para as estratégias
de marketing e posicionamento da marca?
A integração da Betnacional à Flutter trouxe uma combinação importante entre
conhecimento local e escala global. Na prática, isso significa acesso a benchmarks
internacionais, ferramentas mais avançadas e maior eficiência operacional.
Esse intercâmbio acelera o desenvolvimento de produtos e cria sinergias
entre as marcas do grupo, como Betnacional e Betfair. Outro ponto relevante é
14 15 de junho de 2026 - jornal propmark
“A regulação eleva o nível de
exigência e separa quem opera
de forma estruturada”
o fortalecimento contínuo em compliance e governança dentro da Flutter Brazil,
elevando nossas diretrizes a um padrão global. Isso amplia nossa capacidade de
investimento em marketing, mídia e tecnologia, permitindo à Betnacional disputar
espaço com grandes marcas em plataformas como Globo e CazéTV.
A Betnacional reforça o posicionamento de ‘A bet dos brasileiros’.
Quais pilares você considera essenciais para sustentar esse
mote?
A Betnacional nasce com um entendimento claro de que o Brasil é diverso. Por
isso, a marca trabalha com regionalização da comunicação e adaptação para diferentes
perfis de usuário, desde quem acompanha o esporte de forma analítica
até quem vive a experiência mais pela resenha. Essa diversidade também se reflete
na forma como a Betnacional constrói sua marca. Investimos em um squad
plural de embaixadores e creators, com nomes como Vini Jr. e Galvão Bueno, que
ajudam a traduzir diferentes vozes do país. Além disso, a construção de marca
na Betnacional vai além da mídia e passa por experiência. Iniciativas como o pioneirismo
no Pix e o patrocínio a clubes como Cruzeiro, Sport e Athletic reforçam
essa conexão com a realidade do brasileiro e sustentam o posicionamento de
‘bet dos brasileiros’.
A Flutter Brazil foi a primeira empresa do setor a integrar a ABA.
O que essa adesão representa estrategicamente para a Betnacional?
A entrada da Flutter Brazil na ABA representa um avanço importante para o setor
e reforça o posicionamento da Betnacional em torno de transparência e boas
práticas de comunicação, alinhadas a padrões internacionais. Do ponto de vista
estratégico, essa adesão aproxima a Betnacional dos grandes anunciantes do
país e amplia sua participação em discussões relevantes do mercado publicitário.
Isso garante acesso a boas práticas de outros setores e contribui para o
amadurecimento das relações com agências e parceiros. Esse processo também
impacta a evolução das diretrizes do próprio segmento de apostas, ao trazer
mais consistência e responsabilidade para a comunicação. Como consequência,
a Betnacional fortalece sua credibilidade institucional e governança, um posicionamento
que reverbera em toda a operação da Flutter Brazil, incluindo a Betfair.
Vale destacar ainda a parceria da Flutter Brazil com o IAB Brasil, firmada em 2026,
que segue essa mesma lógica de alinhamento com padrões éticos e técnicos da
publicidade nacional, especialmente em um momento de consolidação regulatória
no país.
Com a regulamentação, o jogo responsável virou pauta obrigatória.
Como ele deixa de ser apenas cumprimento de diretriz e
passa a fazer parte do DNA da comunicação da empresa?
Fomos pioneiros ao lançar uma campanha dedicada ao tema ainda antes da
regulamentação, durante as Olimpíadas de 2024, e, a partir daí, incorporamos
essa agenda de forma contínua na jornada de quem aposta. Essa atuação combina
comunicação e iniciativas práticas. Um exemplo é a parceria com a EBAC,
por meio do programa Compulsafe, que oferece suporte às pessoas e suas famílias,
além de ampliar o acesso à informação qualificada sobre o tema. Também
acompanhamos de forma estruturada o impacto dessas ações, para garantir que
contribuam, na prática, para uma relação mais consciente com as apostas. Esse
processo é conduzido pela Flutter Brazil, que completou um ano em 14 de maio,
consolidando sua atuação no país com crescimento consistente, em conjunto
com suas marcas, Betnacional e Betfair, como parte de um compromisso mais
amplo com o desenvolvimento sustentável do setor.
O Vini Jr. é o principal embaixador da marca? Conte mais sobre
essa escolha?
O Vini Jr. é, sem dúvida, um dos nossos parceiros mais estratégicos na Betnacional.
A escolha vai muito além da visibilidade global e passa por valores, alinhamento
com a marca e influência cultural. Nós enxergamos no Vini atributos
que são centrais para a construção da Betnacional, como talento, resiliência e a
paixão do brasileiro pelo futebol. Ele traduz de forma muito natural o posicionamento
da marca como a ‘bet dos brasileiros’, com forte conexão cultural e proximidade
com o público. Para materializar essa parceria, estruturamos ativações
que passam por campanhas, produção de conteúdo e presença em diferentes
canais, como TV, digital e OOH. Mais do que uma figura institucional, o Vini tem
um papel ativo na nossa comunicação, especialmente na amplificação de mensagens
de entretenimento com responsabilidade. A campanha ‘Vini Sênior’ é um
bom exemplo disso, ao transformar um tema relevante em uma abordagem mais
acessível e conectada com o público.
Quais são os outros embaixadores? Como é feita a curadoria?
Outro importante embaixador da marca é o narrador Galvão Bueno. Ícone do jornalismo
esportivo e figura profundamente ligada à cultura brasileira, sua presença
na Betnacional agrega credibilidade, reconhecimento e autoridade à marca no
cenário esportivo nacional. Com uma trajetória marcada pela conexão genuína
com o torcedor, Galvão traduz como poucos a paixão do brasileiro pelo esporte
e fortalece o vínculo emocional entre a marca e o público. A curadoria do nosso
squad parte de um princípio claro: representar a diversidade das conversas que
fazem parte do esporte hoje no Brasil. Para garantir consistência, trabalhamos
com guidelines bem definidos de marca e de jogo responsável, mas preservando
a liberdade criativa. Esse equilíbrio é essencial para manter a autenticidade da
comunicação.
Como investir em uma comunicação mais descontraída sem
deixar de seguir as diretrizes?
Um dos nossos principais desafios foi encontrar uma forma de abordar o jogo responsável
sem tornar a comunicação pesada ou distante. A partir disso, criamos
o ‘Vini Sênior’ como uma solução criativa para tratar o tema com mais leveza.
Usamos humor e construção de personagem para falar de controle, equilíbrio e
consciência no momento da aposta. Ao mesmo tempo, a campanha cumpre um
papel importante ao dar visibilidade aos recursos de proteção da plataforma da
Betnacional, como definição de limites, gestão de tempo e autoexclusão. Dessa
forma, conseguimos equilibrar uma linguagem mais acessível com uma mensagem
consistente e alinhada às diretrizes do setor.
Como a Betnacional está reorganizando sua estratégia?
Para nós, marketing e comunicação deixaram de ser apenas alavancas de aquisição
e passaram a ter um papel direto na construção de reputação e na evolução
do próprio setor. Em um mercado ainda em consolidação regulatória, como
o de apostas no Brasil, existe uma responsabilidade adicional das empresas em
educar o público, reforçar boas práticas e construir uma relação de confiança de
longo prazo. Isso passa por uma comunicação mais transparente, consistente e
alinhada ao conceito de entretenimento responsável. A forma como as pessoas
consomem esporte hoje está cada vez mais conectada a outros universos,
como entretenimento, cultura e lifestyle. Por isso, buscamos expandir nossa
presença para esses territórios de forma consistente, acompanhando o contexto
em que o torcedor vive o esporte, e não apenas o momento do jogo.
Vocês trabalham com alguma agência parceira?
Trabalhamos com um modelo de parcerias estruturado para acompanhar a complexidade
e a agilidade da nossa operação. Além da Galeria, contamos com parceiros
especializados em diferentes frentes, como Lean Agency, Monks Brasil,
Giusti Comunicação e Sherlock. Essa atuação integrada fortalece nosso desenvolvimento
criativo e a gestão de conteúdo digital, garantindo mais consistência,
eficiência e alinhamento ao longo de toda a jornada de comunicação da marca.
Buscamos uma dinâmica de colaboração próxima, com alinhamento estratégico
claro e agilidade na execução, para garantir que a comunicação acompanhe o ritmo
do negócio. Esse modelo é fundamental para manter a consistência de marca,
ao mesmo tempo em que nos permite responder rapidamente às demandas.
“Marketing e comunicação
passaram a ter um papel direto
na evolução do próprio setor”
jornal propmark - 15 de junho de 2026 15
cannes lions
Festival deve ter o julgamento mais
rígido dos seus 73 anos de história
Inteligência artificial exige rigor dos júris; programação concentra
debates em líderes das principais holdings da publicidade mundial
Janaina Langsdorff
O
Festival Internacional de Criatividade
Cannes Lions, que será
realizado na França entre os dias
22 e 26 de junho de 2026, deve ter o
julgamento mais rígido dos 73 anos
de história da premiação. Em julho
do ano passado, a organização do
evento apresentou novas regras de
integridade, após denúncias de cases
adulterados por inteligência artificial.
Agências foram obrigadas a informar
o uso da tecnologia no processo de
inscrição das peças entre janeiro e
abril de 2026, sob o risco de o projeto
ser desclassificado ou retirado do prêmio.
Envolvidos em farsas podem ser
suspensos por três anos. Ferramentas
serão utilizadas para detectar e prevenir
fraudes.
“É algo que não vamos tolerar”, avisou
Simon Cook, CEO do Lions, durante
evento realizado na Fundação Armando
Alvares Penteado (Faap), no dia 12 de
novembro do ano passado. O encontro
foi organizado pelo jornal O Estado de
S.Paulo, que representa o Cannes Lions.
Leia entrevista com Cook e Philip Thomas,
chairman do Lions, na página 22.
O trabalho de validação agora é
apoiado por um comitê de revisão
composto por especialistas em IA,
ética e mensuração. O pacote de regras
exige a ciência de executivos
das marcas e a devida aprovação dos
trabalhos; averiguação de dados com
IA e supervisão humana; e prevê a elaboração
de relatórios anuais de transparência.
“O problema é global, e não local.
Vamos continuar a construir com a indústria
uma nova era com integridade.
É um bom momento para refletir
sobre IA”, disse Cook. O endurecimento
dos protocolos ocorreu após o Cannes
Porto de Cannes ao lado do Palais des Festivals, na Boulevard de la Croisette, em Cannes, onde o evento é realizado desde 1984
“Vamos continuar
a construir com
a indústria uma
nova era com
integridade”
Alê Oliveira
Lions cassar o Grand Prix de Creative
Data e um Bronze em Creative Commerce
por manipulação de voz e imagens
com IA no case ‘Efficient way to
pay’, da então DM9 para a marca Consul,
da Whirlpool.
Também envolvidas em denúncias,
as campanhas ‘Plastic blood’ e
‘Death gold’ tiveram troféus devolvidos
pela DM9 - marca que deixou de
existir. A agência foi incorporada à
operação da Lola\TBWA, juntamente
com Lew’Lara\TBWA, movimento resultante
da fusão entre Omnicom e
Interpublic Group (IPG), confirmada
em dezembro de 2025.
AgendA
O tema da inteligência artificial é
um dos mais presentes na programação,
que mantém média anual de 150
horas de conteúdo gerado por cerca
de 500 palestrantes. As sessões têm
duração de meia hora. Programas dedicados
estão entre os destaques. O
Cannes Lions realizará pela primeira
no
patrocínio
16 15 de junho de 2026 - jornal propmark
Os presidentes de júri Rafael Pitanguy (Brand Experience & Activation), Marcel Marcondes (Creative Brand) e Rafael Gil (Industry Craft)
Comediante, ator e apresentador Jimmy Fallon foi headliner do Cannes Lions 2025
vez o fórum Lions Sport, no Carlton
Hotel, nos dias 24 e 25 de junho, com
marcas, agências, mídia e detentores
de direitos para discutir a criatividade
no universo do esporte, que “cria momentos
compartilhados e sem fronteiras”,
observa Cook.
Britt Wickes e Roddy Campbell,
da Tennis Australia, analisarão o uso
do entretenimento pelo Australian
Open para atrair os jovens, enquanto
Brandon Snow, da RedBird Capital
Partners, revelará os maiores pontuadores
de negócios de marketing. A
iniciativa tem o grupo Stagwell como
aliado, com a ativação Sport Beach.
Adobe é parceiro do Lions Creators e
o LinkedIn apoia o Lions B2B.
“Com o lançamento do Lions Sport
e o crescimento do Lions Creators,
criamos espaço para novas vozes, comunidades
e diálogos que moldarão o
futuro da criatividade”, acredita Natasha
Woodwal, diretora de conteúdo
do Lions.
A grade deste ano inclui a nova trilha
Deconstructed, que trará prévia
do documento anual ‘Wrap-up report’,
com tendências, debates, cases premiados
e aprendizados absorvidos pelos
júris. Entre os palestrantes do hub
Insights & Trends estão Alex Weller,
vice-presidente de criação da marca
de roupas Patagonia; Jamie Iannone,
CEO do eBay; e a estilista Stella McCartney,
filha do músico Paul McCartney.
De Innovation Unwrapped, sobem
ao palco Aude Gandon, diretora de
marketing e digital da The Estée Lauder
Companies; Nicola Mendelsohn,
chefe do grupo global de negócios da
Meta; Demis Hassabis, cofundador e
CEO do Google DeepMind; Tiffany Rolfe,
presidente e diretora global de
criação da R/GA; e Nick Pringle, diretor
de criação da R/GA para Europa, Oriente
Médio e África, entre outros nomes.
Victor Britto, diretor de criação da
Divulgação
Alê Oliveira
Nossa, de Portugal, é um dos conferencistas
da divisão The Creativity
Toolbox, que ainda terá debate com
David Kolbusz, da Orchard Creative;
Lynsey Atkin, da Baby Teeth; Richard
Brim, da Ace of Hearts; e Chaka Sobhani,
da TBWA\Worldwide.
Marc Pritchard, chief brand officer
da P&G, mantém participação cativa
com a apresentação de ‘Robots can’t
build brands: The new s-curve of creative
transformation’, no Lumière Theatre,
em 23 de junho. Já ‘Stop working
in advertising. To engage you need to
entertain’, com Sir John Hegarty, diretor
criativo e cofundador da The Business
of Creativity, será no Debussy
Theatre, no dia 25.
Takeshi Sano, presidente global e
CEO da Dentsu, participa de uma das
sessões da trilha Talent & Culture, ao
lado de Adams Fan, CEO da F5 Shanghai;
Trevor Robinson, fundador e diretor
criativo executivo da Quiet Storm;
e a brasileira Joana Mendes, chief creative
officer da Jungle Kid.
Outro brasileiro, Luiz Sanches, diretor
global de criação e design da Kimberly-Clark,
conduzirá o painel ‘What I
learnt changing sides in advertising’,
no Basement Stage, em 22 de junho. Já
Guilherme Martins, vice-presidente de
marketing e inovação da Diageo Brasil,
participará do painel ‘From capturing
attention to empowering intentionality
- The next frontier for brands’, no
Palais des Festivals, em 23 de junho.
Headliners da unidade Creative
Impact incluem Mark Ritson, fundador
do MiniMBA; e Byron Sharp, professor
de ciência do marketing e diretor do
Instituto Ehrenberg-Bass. “O programa
de 2026 foi desenhado para refletir
sobre como a nossa indústria
realmente funciona hoje. Expandimos
formatos para encorajar a participação,
de debates e mesas-redondas a
oficinas interativas e oportunidades
de networking”, frisa Natasha.
O comediante e ator Jimmy Fallon,
apresentador do programa ‘The tonight
show’, foi uma das principais atrações
da agenda de 2025. Ele ministrou
o painel ‘The late-night hustle: From
comedic gold to a business empire’ no
dia 18 de junho.
Já os brasileiros lotaram o espaço
em que William Bonner e Maju Coutinho
(Globo), Keka Morelle (Ogilvy),
Anselmo Ramos (GUT) e Sergio Gordilho
(Africa Creative) ministraram a
sessão ‘Brazil’s creative revolution: A
bold new chapter powered by Globo’,
no dia 16 de junho do ano passado.
Júris
O número de jurados brasileiros
caiu de 33 em 2025 para 25 neste
ano. Entre presidentes de júri, o país
garantiu três profissionais - mesmo
volume do ano passado. Marcel Marcondes,
global chief marketing officer
jornal propmark - 15 de junho de 2026 17
da AB InBev, presidirá a análise dos
trabalhos submetidos na nova área
de Creative Brand. No total, o festival
tem 31 categorias.
A confirmação de Marcondes ocorreu
em fevereiro com o anúncio de
Rafael Pitanguy, deputy global chief
creative officer da VML, que comandará
Brand Experience & Activation;
e Rafael Gil, chief creative officer da
Artplan, líder de Industry Craft. “A experiência
desse time em reconhecer
trabalhos inovadores estabelece parâmetros
globais de criatividade para
os próximos anos. Os nossos jurados
são cuidadosamente selecionados
para sustentar esse padrão”, declara
em nota Simon Cook.
No ano passado, o Brasil também
teve três presidentes de júri: Keka
Morelle, CCO Latam na Ogilvy, em
Outdoor Lions; e Gabriel Schmitt,
em Creative Commerce. Já Icaro Doria
conduziu Print & Publishing Lions. Ele
era presidente e CCO da DM9, e foi desligado
após os escândalos dos Leões
cassados. Doria retornou ao mercado
com o lançamento da agência Kids,
ao lado de Paulo Fogaça e Pedro Izique.
O anúncio foi feito no LinkedIn
em 22 de maio.
Para Marian Brannelly, diretora
global de premiações do Lions, o júri
deste ano comprova a evolução da
indústria criativa, que está mais interconectada,
diversa e influente nos
negócios. “Com mais mercados representados
e um volume crescente de
líderes de marcas e agências independentes,
o escopo deste ano deve
garantir que as peças sejam julgadas
por meio de lentes verdadeiramente
globais”, aponta.
A maior presença de operações independentes
no festival acompanha
o crescimento desse modelo de negócio,
que no Brasil tem a Tech&Soul
como expoente. A agência se uniu à
Moma Propaganda no último mês de
abril para formar o T&S Group, holding
que nasce com a expectativa de
crescer 40% em 2026. Claudio Kalim e
Flavio Waiteman são co-CEOs do novo
grupo, composto pela agência Tech
& Soul, a produtora audiovisual Arapiraca
Filmes e a empresa de planejamento
e execução de out of home
VidaOOH, além da Moma.
República Dominicana e Venezuela
participam do festival pela primeira
vez. Outra novata é a seguradora francesa
Axa, que ganhou 13 Leões com
a campanha ‘Three words’ em 2025,
William Bonner, Sergio Gordilho, Keka Morelle, Maju Coutinho e Anselmo Ramos em painel realizado no dia 16 de junho de 2025
Guilherme Martins, da Diageo Brasil, participará de sessão no dia 23 de junho de 2026
incluindo os Grand Prix de Titanium,
Creative Business Transformation e
Direct.
A ação criada pela Publicis Conseil
Paris passou a incluir as palavras “e
violência doméstica” em apólices residenciais,
garantindo a realocação de
vítimas de agressões. África, Pacífico,
Mena (Oriente Médio e Norte da África)
e América Latina também serão
Divulgação
representados.
Em Dan Wieden Titanium e Luxury
não há representantes da publicidade
brasileira. Pum Lefebure,
cofundadora e diretora criativa da
agência Design Army nos Estados
Unidos, presidirá o julgamento dos
trabalhos inscritos em Luxury, categoria
lançada em 2024.
A executiva foi escolhida por con-
Alê Oliveira
tribuir para construção de marca e design,
moda, estilo de vida e reputação
global no mercado de luxo. O presidente
do júri de Dan Wieden Titanium
Lions será Chaka Sobhani, global chief
creative officer da TBWA\Worldwide.
RetRospecto
A 72ª edição do Cannes Lions foi realizada
entre os dias 16 e 20 de junho de
2025. Do cálculo inicial de 107 Leões, o
Brasil ficou com 95, o segundo país mais
premiado, atrás dos Estados Unidos -
mesmo com os 12 Leões perdidos pela
DM9. O país saiu do evento apenas com
três prêmios a mais que no ano anterior.
Foram cinco GPs, 15 Ouros, 31 Pratas,
43 Bronzes e um Titanium. Esse último
para a AlmapBBDO por ‘Pedigree
Caramelo’. A agência mais premiada
foi a Africa Creative. O Brasil encerrou
a sua participação com cinco GPs, ultrapassando
o recorde de 2021, quando
ganhou três prêmios máximos.
A publicidade mundial inscreveu
26,9 mil peças de 96 países, um avanço
tímido, de apenas 0,55% ante as 26.753
campanhas submetidas em 2024. Na
América Latina, a expansão foi de 16%.
A participação do Brasil passou de
2.066 inscrições em 2024 para 2.736
em 2025. A alta de 32,4% só é superada
pela propaganda norte-americana, que
disputou troféus com 6.797 trabalhos.
Na esteira do Festival de Cinema de
Cannes, o Cannes Lions surgiu em Veneza,
na Itália, em 1954. Passou também
por Monte Carlo, e chegou a se revezar
entre Veneza e Cannes. Desde 1984,
Cannes é a sede do festival. O Leão da
Praça de São Marcos, em Veneza, foi
adotado como símbolo do evento.
18 15 de junho de 2026 - jornal propmark
Entertainment Person of the Year
vai para Eddy Cue, executivo da Apple
Eddy Cue, vice-presidente sênior
de serviços e saúde da Apple,
foi nomeado Entertainment
Person of the Year, homenagem
que reconhece o papel do entretenimento
no ecossistema de marketing
e comunicação.
Ao lado do produtor Jerry Bruckheimer,
Cue participará de seminário
no Lumière Theatre em 22 de
junho, quando receberá o prêmio. O
executivo iniciou carreira na Apple
em 1989 e participou da criação da
Apple Store online, lançada em 1998.
Integrou ainda a construção do
ecossistema de entretenimento e
serviços da companhia. Atualmente,
é responsável por Apple TV, Apple
Music, Apple Podcasts, Apple Books,
Apple Pay, Apple News, Fitness+, Apple
Card, Apple Maps e iCloud, além
de aplicativos de produtividade e
criatividade.
Sob sua liderança, Apple TV se
Eddy Cue, vice-presidente sênior de serviços e saúde da Apple, tornou a Apple TV um dos serviços mais premiados da indústria
tornou um dos serviços mais premiados
da indústria. Segundo a Apple,
a plataforma ocupou a primeira
posição entre os streamings com
programação original mais bem
avaliada pela crítica por cinco anos
consecutivos.
A Apple foi escolhida Creative
Reprodução
Marketer of the Year no Cannes Lions
2025, ano em que ganhou o Grand Prix
de Creative Effectiveness com a campanha
‘Shot on iPhone’. JL
AB InBev é escolhida Creative Marketer
of the Year pela terceira vez em cinco anos
A
cervejaria AB InBev foi eleita
Creative Marketer of the Year
pela terceira vez, feito inédito
na trajetória do Cannes Lions. Já havia
sido premiada nos anos de 2022
e 2023. A Unilever ganhou em 2024 e
a Apple, em 2025. A empresa é dona
de Brahma e Budweiser, marcas atendidas
pela Africa Creative; Skol, pela
GUT; e Corona, pela Grey.
“Receber o título de Creative Mareter
of the Year pela terceira vez nos
últimos cinco anos reflete a nossa
abordagem consistente e sustentável
para construir marcas que as pessoas
amam”, comenta o brasileiro Marcel
Marcondes, que ministrará painel no
Lumière Theatre em 22 de junho.
A criatividade foi peça-chave para
a expansão do negócio, que possui
20 marcas de “mais de um bilhão de
dólares”, segundo o Cannes Lions. A
AB InBev ocupa a posição de World’s
Most Effective Marketer no Global
Effie Index pelo quarto ano conse-
Case ‘Sun reverse’, desenvolvido pela Grey para a cerveja Corona, ganhou Ouro em PR e Prata em Outdoor no Cannes Lions 2025
cutivo. No ranking da Kantar BrandZ,
detém oito das dez primeiras colocações
entre as marcas mais valiosas
de cerveja. Corona encabeça a lista
nos últimos dois anos.
Em 2025, a companhia ganhou 37
Leões originados de dez países em
15 categorias. Dois vieram do projeto
‘Sun reserve’, da Grey São Paulo para
Corona, vencedor de Leão de Ouro
da categoria PR Lions; e de Prata em
Outdoor. “Ao priorizar a excelência
Reprodução
da criatividade e implementar um
sistema interno de criação efetivo,
a empresa continua demonstrando a
ligação clara entre criatividade e performance
comercial”, atesta Simon
Cook, CEO do Lions.
JL
jornal propmark - 15 de junho de 2026 19
França recebe o título de Creative Country
of the Year; Brasil ganhou em 2025
A
França foi escolhida Creative
Country of the Year, honraria
lançada pelo festival em 2025,
quando o Brasil ganhou o reconhecimento.
Da propaganda à moda, a homenagem
reconhece a contribuição
da criatividade francesa para moldar
o design de marcas de luxo, definindo
padrões globais de sofisticação.
“A França entende criatividade como
estratégia para guiar negócios”, defende
Simon Cook, CEO do Lions. Segundo o
executivo, o governo francês investiu
€ 10 bilhões para financiar mais de 20
mil empresas criativas desde 2020. As
indústrias cultural e criativa da França
geraram receitas anuais de € 92 bilhões.
“A França está posicionada entre os dez
países com o melhor desempenho no
Cannes Lions, e ocupou a quarta colocação
no último ano”, complementa.
Essa essência criativa embasa o
projeto ‘França 2030’, plano de investimento
desenhado para impulsionar
a produção cultural e tecnológica local.
Festa de abertura dos Jogos de Paris conquistou GP de Outdoor no Cannes Lions 2025
“Ser nomeado Creative Country of the
Year é um testemunho da dedicação
inabalável da França em fazer da criatividade
um catalisador de progresso”,
diz David Lisnard, prefeito de Cannes.
A França conquistou o seu primeiro
Leão em 1954, para a marca
Camay Soap. A estreia entre os
Reprodução
ganhadores de Grand Prix veio um
ano depois, com trabalho para Vins
du Postillon. Até o momento, soma
1.603 troféus e 39 GPs. No ano passado,
o case ‘Olympic Games Opening
Ceremony Paris 2024’ levou o GP em
Outdoor. A festa transformou as ruas
e pontos turísticos de Paris em palco
para saudar os atletas. O projeto é
assinado por Paname 24, Auditoire,
Double 2, Obo e Havas.
Em 2024, a publicidade francesa ganhou
destaque com ‘WoMen’s football’,
da Macel Paris para Orange, premiada
com os GPs de Entertainment Lions
for Sport e Film, além do Dan Wieden
Titanium Lions, entre outros prêmios.
Mais de 250 profissionais da França já
participaram de júris do Cannes Lions,
e 18 atuaram como presidentes.
De origem francesa, Publicis Groupe
e BETC Havas são referências no
mercado brasileiro de agências. O
Publicis Groupe completou cem anos
de história em março, e avança sob
o conceito “power of one”. Em maio,
a BETC Havas anunciou Camila Nakagawa
para os cargos de CEO e copresidente.
Fundador da operação, Erh
Ray assumiu a recém-criada posição
de chairman. Camila atuará ao
lado do chief financial officer (CFO)
e copresidente Diego Alonso. JL
Cannes LionHeart 2026
reconhece Oprah Winfrey
Oprah Winfrey é a homenageada
do Cannes LionHeart 2026.
O anúncio foi feito em abril.
Apresentadora, atriz, produtora e
empresária norte-americana, ela
se junta à lista que nos últimos
anos teve a ativista paquistanesa
Malala Yousafzai, em 2022; o fundador
da marca de roupas Patagonia,
Yvon Chouinard, em 2023; a
jornalista filipina Maria Ressa, em
2024; e a rapper afegã Sonita Alizadeh,
em 2025.
Oprah subirá ao palco do Lumière
Theatre no dia 23 de junho. “A influência
de Oprah supera a mídia. Ela usa
continuamente a sua plataforma
para promover outras pessoas, desafiando
perspectivas e inspirando
mudanças. O seu sólido comprometimento
no uso responsável de sua
influência ajudou a criar oportunidades
em escala global, materializando
o verdadeiro espírito do LionHeart”,
testemunha em nota Philip Thomas,
chairman do Lions.
JL
Reprodução Instagram
Oprah Winfrey usou a sua influência
de forma responsável para criar
oportunidades em escala global
Criadora do M&M’s
ganha o Lion of St Mark
Susan Credle receberá o Lion of St
Mark 2026, homenagem a profissionais
que contribuíram para a
evolução da indústria criativa. Ela subirá
ao palco do Debussy Theatre para
ministrar painel moderado por Paul
Kemp-Robertson, chief content officer
do Lions, no dia 22 de junho.
Susan atua como consultora criativa
global do Interpublic (IPG) desde
fevereiro de 2024. Foi CCO global da FCB
e tem passagens por BBDO Nova York
e Leo Burnett, totalizando mais de 40
anos de carreira. “Ela construiu culturas
onde a criatividade prosperou, produzindo
um trabalho icônico, enquanto
moldava valores, parâmetros e condições
para o sucesso”, valida Simon
Cook, CEO do Lions.
A executiva foi jurada oito vezes e
presidiu três júris, incluindo Titanium.
“Susan é uma mentora generosa para
líderes, pares e gerações de criativos, e
uma incansável defensora da inclusão
e de novos talentos”, acrescenta Cook.
Em 1996, lançou os personagens
Susan Credle atua como consultora
criativa global do Interpublic (IPG)
desde fevereiro de 2024
Divulgação
M&M’s com o diretor de arte Steve
Rutter. Ajudou ainda a guiar trabalhos
com ‘Mayhem’, da Allstate; a
ação anti-bullying ‘Mean stinks’, da
Secret; e os esforços de alfabetização
do McLanche Feliz, do McDonald’s.
Em 2025, o homenageado foi David
Lubars, que atuou como chief creative
officer (CCO) da BBDO Worldwide. Marcello
Serpa é o único brasileiro a receber
essa homenagem, em 2016. JL
20 15 de junho de 2026 - jornal propmark
programação
Data Hora Palestrante Tema
12h45
Sir Martin Sorrell
fundador e chairman executivo da S4 Capital
‘From local to global: China inside out’
22/6
14h30
15h30
Arthur Sadoun
presidente e CEO do Publicis Groupe
Byron Sharp
professor de ciência do marketing
e diretor do Instituto Ehrenberg-Bass
‘100 years of Publicis:
Celebrating creativity made in France’
‘Five marketing truths we can actually agree on’
17h
Sergio Gordilho (foto)
sócio, copresidente e CCO da Africa Creative
‘Inside one of the world’s most creative industries:
Brazilian carnival’
11h45
Denise Dresser
chief revenue officer da OpenAI
‘Advertising in the age of AI’
13h45
Nicola Mendelsohn
chefe do grupo global de negócios da Meta
‘The anatomy of an icon’
23/6
14h30
Marc Pritchard (foto)
chief brand officer da P&G
‘Robots can’t build brands:
The new s-curve of creative transformation’
15h30
Takeshi Sano
presidente global e CEO da Dentsu
‘A new era of innovating to impact’
16h30
Nick Law
creative chairperson da Accenture Song
‘Applied creativity’
10h
Cindy Rose
CEO do grupo WPP
‘WPP’s 2026 Seminar’
10h45
Laura Florence
diretora de criação executiva adjunta da Biolumina
‘What’s keeping Latam’s creatives
and marketers up at night?’
12h15
Priyanka Chopra Jonas (foto)
atriz, produtora e empreendedora
‘Building legacy: Moving culture through originality
and borderless expression’
12h45
Lucinda Barlow
diretora de marketing internacional da Uber
‘How do we bring creativity closer to commerce?’
24/6
13h45
Mark Penn
chairman e CEO do grupo Stagwell
‘Our world of contradictions:
The creative–populace divide’
14h30
Demis Hassabis
cofundador e CEO do Google DeepMind
‘The future of creativity with Demis Hassabis’
15h30
Alan Cumming
ator, apresentador e produtor-executivo de
‘The traitors’, da NBCUniversal
‘From franchise to frenzy:
The global fandom engine’
16h45
David Lee
diretor de marca e criação da Squarespace
‘Inside out: In-house or agency?’
11h15
Sir John Hegarty (foto)
diretor criativo e cofundador da The Business of
Creativity
‘Stop working in advertising.
To engage you need to entertain’
25/6
12h45
15h15
Stella McCartney
fundadora, proprietária e diretora criativa
da Stella McCartney
Fernando Machado
chief brand officer do Chipotle
‘Everyone is a seller:
Circular commerce is redefining creative industries’
‘Creativity has to strike back’
11h15
Takashi Iizuka
VP, diretor-executivo e diretor criativo da franquia
Sonic na Sega Corporation
‘The Sonic effect:
How Japan’s fandom culture elevates Playful worlds’
26/6
12h30
Chaka Sobhani (foto)
diretora de criação global da TBWA\Worldwide
‘Creativity in the making:
Shaping tomorrow with 2026 jury presidents’
13h30
Mark D’Arcy
vice-presidente corporativo de criação da Microsoft
‘From Lennon & McCartney to human + machine’
jornal propmark - 15 de junho de 2026 21
cannes lions
CEO e chairman da premiação reafirmam
a necessidade de medidas enérgicas
Adoção de padrões de integridade após o imbróglio com a DM9
envolve movimento global para assegurar legitimidade do festival
Paulo Macedo
Nos bastidores, o Cannes Lions se transformou em uma plataforma de negócios, enquanto a premiação movimenta o auditório
O
episódio com o case ‘Efficient
way to pay’, criado pela extinta
agência DM9 para a Consul, cujo
relacionamento foi encerrado após a
cassação do Grand Prix na área Creative
Data do Cannes Lions no ano passado,
obrigou a Informa, acionista e organizadora
do Festival Internacional
de Criatividade, que este ano chega à
sua 73ª edição, a reforçar seus critérios
de avaliação. Isso ocorre para não
deixar dúvidas sobre seu compromisso
com a indústria criativa, que envolve
plataformas, anunciantes, canais
de mídia, agências de publicidade,
produtoras e a cadeia de comunicação
mercadológica.
Os principais executivos do evento,
Philip Thomas e Simon Cook, reafirmam
que o imbróglio exigiu tomada
de decisão enérgica. No entanto, reafirmam
a consolidação dos padrões de
integridade que são guiados por três
objetivos fundamentais:
1) Legitimidade. Cada inscrição
deve representar um trabalho real,
criado para clientes reais, com resultados
reais. Sem fabricação, sem exagero,
apenas um impacto genuíno que
mereça reconhecimento;
2) Credibilidade. O trabalho deve demonstrar
os mais altos níveis de profissionalismo,
representação responsável
e conexão autêntica com os objetivos
de negócios. Celebramos a criatividade
que impulsiona o progresso;
3) Integridade. Todos os participantes
e jurados devem agir com integridade
– aderindo às regras e se
comportando de maneira que não prejudique
a reputação do Cannes Lions
ou do setor em geral.
Os pilares enfatizam que o modelo
ghost não é bem-vindo, nem com a
pecha de concepção autoral. Apesar
de o caso DM9gate não ser exclusivo
do mercado brasileiro, o Cannes Lions
se defende. Cook afirma que a introdução
de Padrões Globais de Integridade
teve como objetivo definir a responsabilidade
criativa para uma nova era.
“Uma era definida não pelo que a
criatividade pode fazer, mas pela capacidade
dos sistemas que a cercam em
toda a indústria de sustentar seu valor,
verificar suas alegações e manter sua
integridade. Vemos isso como um ponto
de virada, uma evolução estratégica
e mais um momento em nossa história
para progredirmos coletivamente.
Vale a pena reiterar ao mercado brasileiro
que este é um movimento global
e esperamos que toda a nossa comunidade
se comprometa com ele à medida
que avançamos juntos”, detalha
Cook, CEO do Cannes Lions.
Nas palavras do chairman Philip
Thomas, as medidas tomadas pelo
Cannes Lions fomentam a criatividade
de diversas maneiras: celebrar
a excelência, reunir pessoas e nutrir
a próxima geração de talentos
criativos.
“Os Lions Awards – com mais de 70
anos de história – continuam sendo
o cerne de tudo o que fazemos. Em
Cannes, o Palais é o coração pulsante
do festival e a sede da premiação. É
onde você pode mergulhar completamente
nos trabalhos mais excelentes,
eficazes e inspiradores do mundo por
meio de cerimônias de premiação dedicadas
e exposições físicas que servem
como catalisadores para a criatividade
e a inspiração. Em todos os
nossos palcos, organizamos palestras
práticas e sessões de ‘como fazer’ que
celebram o artesanato, a criação e os
criadores”, enfatiza Thomas.
Cook acrescenta falando sobre a
relevância que o evento tem para o
público, afinal em 2025 foram cerca de
13 mil delegados. “Cannes Lions une
as pessoas. Todos os anos, reunimos
mais de 300 jurados internacionais
presencialmente para discussões e
debates que estabelecem o padrão
global de excelência criativa. Por meio
de iniciativas como nossas competições
Young Lions, a Roger Hatchuel
Student Academy e nossas Academias
de Aprendizagem, cultivamos a próxima
geração de talentos, que aproveitará
a criatividade humana e as novas
Alê Oliveira
“Os Lions Awards
– com mais de 70
anos de história –
continuam sendo
o cerne de tudo o
que fazemos”
tecnologias para alcançar feitos nunca
antes vistos. Nossas bolsas de estudo
e programas totalmente financiados
permitem que comunidades
internacionais se unam e participem
de uma experiência centrada no ser
humano que inspira, educa e conecta
a comunidade criativa global.”
PATROCÍNIOS
Thomas e Cook relatam que, desde
1954, sempre há adaptação do Lions
Awards para refletir as necessidades
da indústria. “Isso é algo que conti-
22 15 de junho de 2026 - jornal propmark
Delegados de todo o mundo prestigiam o evento, que promove intercâmbio de culturas por meio de campanhas e projetos
nuamos a considerar à medida que a
indústria criativa evolui”. Uma das características,
porém, é atrair patrocinadores,
bem diferente do primórdio
do evento, quando era financiado pelo
trade de exibidores de cinema.
“Estamos trabalhando com cinco
parceiros de destaque do setor para
o Cannes Lions 2026. A Adobe é nossa
parceira principal para o Lions Creators,
o LinkedIn é nosso parceiro principal
para o Lions B2B, a Sport Beach
é nossa parceira principal para o Lions
Sport, a TMRE (nossa marca irmã)
é a parceira principal para o Lions
Insights e o Empower Cafe é nosso
parceiro principal para o Lions Impact.
Esses parceiros nos ajudarão a cocriar
experiências no festival com conteúdo
selecionado, networking e vivências
por toda a cidade. Além disso,
trabalhamos com mais de 200 parceiros
no Palais e na cidade de Cannes.
Em 2025, 20% dos nossos parceiros
eram marcas representadas
no ranking Interbrand Top 100 Global
Brands e estamos animados para receber
muitos deles de volta este ano”,
esclarece Cook.
Thomas vê o festival organizado
para acolher todas as partes do ecossistema
da indústria. “Todos os anos,
as maiores organizações, marcas e
plataformas do mundo, bem como os
novos participantes e as empresas
em rápido crescimento, fazem parceria
conosco para apresentar os seus
negócios e conectar-se com a comunidade
global de marketing criativo.”
As plataformas - cada vez mais fortes
como canais de mídia com o poder
das redes sociais na comunicação que
dá início à geração de conversas - têm
cada vez mais peso na composição
financeira do Cannes Lions. Já deram
aval Informa, Google (incluindo o Google
DeepMind), Meta, TikTok, Amazon,
Adobe, LinkedIn e Spotify.
“Temos um grande número de parceiros
que retornam este ano, incluindo
todas as principais plataformas.
Elas fazem parte do mix de marketing
e, portanto, em Cannes, desempenham
um papel importante, contribuindo
para as conversas e a direção
da indústria”, observa Cook.
MARKETPLACES
Cada vez mais robustos como canais
de mídia, em especial o modelo
de retail media, os marketplaces se
encaixam com precisão na estrutura
do Cannes Lions de forma múltipla.
Já estão garantidos, por exemplo, o
eBay, a Amazon (com o seu tradicional
Amazon Port) e a Shopify (parceira no
programa Lions Creators).
“Observamos que a mídia de varejo
continua em ritmo acelerado e estava
prevista para ser o meio de crescimento
mais rápido em 2025. No ano
passado, introduzimos subcategorias
de mídia de varejo nos Leões de Mídia
e Comércio Criativo. Agora, estamos
expandindo para as categorias de
Estratégia Criativa e Dados Criativos,
Alê Oliveira
“Cada inscrição
deve representar
um trabalho real”
reconhecendo que a excelência em
mídia de varejo abrange tanto o pensamento
estratégico na conexão de
marcas com consumidores quanto
as aplicações inovadoras de dados
primários para publicidade direcionada.
Isso cria mais oportunidades para
celebrar a amplitude da inovação que
acontece nesse setor”, afiança Cook.
EXPECTATIVAS
Thomas, que manteve reuniões nos
últimos dez meses com as lideranças
do negócio, fala que esse roteiro reflete
o que define o lançamento de ‘diversas
iniciativas importantes’, com o
plano de direcionar o que o setor está
colocando em prática. O executivo
destaca entre as principais expectativas
o Lions Global CMO Forum.
“Cria um ambiente fechado e de
confiança, em que os principais profissionais
de marketing do mundo podem
conversar abertamente uns com
os outros e obter perspectivas diretamente
relevantes para suas funções
– incluindo insights do Global CEO Forum
e da ANA (Association of National
Advertisers dos Estados Unidos), Lions
Global CMO Growth Council, presidido
por Marc Pritchard”, pondera Thomas,
que prossegue sua linha de raciocínio
para dar mais luz ao já mencionado
Leão de Marca Criativa.
“É o primeiro prêmio a reconhecer
os sistemas organizacionais, as culturas
e as capacidades que tornam o
trabalho criativo de classe mundial
inevitável – mudando o foco além das
campanhas individuais para avaliar a
infraestrutura que possibilita a criatividade
inovadora e ajuda os profissionais
de marketing a fundamentar
o investimento criativo com base em
evidências. O Lions Sport será lançado
como uma cúpula de dois dias (24 e 25
de junho), reunindo os tomadores de
decisão mais influentes da indústria
global de esportes, que movimenta
mais de US$ 600 bilhões – da NFL,
Fenway Sports e LIV Golf ao Strava e
ao All England Lawn Tennis Club – para
reimaginar como a criatividade impulsiona
o crescimento em um setor
em que o antigo modelo de patrocínio
não oferece mais relevância cultural.”
FUTURO
Cook acredita que o festival será
mais acessível. “Para refletir a evolução
do setor, o Challenger Pass foi
criado para agências independentes,
pequenos estúdios e marcas desafiadoras
– em resposta ao fato de que as
produtoras independentes enviaram
18% mais inscrições em 2025 e ganharam
quase um quarto de todos os
Leões. O Lions Creators, que está em
sua terceira edição, está se mudando
para um espaço maior à beira-mar,
refletindo o papel crescente dos criadores
no ecossistema de marketing
e seu desejo de estarem totalmente
integrados à comunidade mais ampla
de marcas, agências e plataformas”,
elenca o CEO do Cannes Lions, que
ainda faz menção ao papel futuro da
competição. “Permanecerá o mesmo,
mas evoluirá e se adaptará em certas
áreas”, afirma.
Cook e Thomas fazem um diagnóstico
da amplitude do ecossistema
global do setor. “O festival foi projetado
para que todos os participantes
possam aproveitar a plataforma,
durante o festival e ao longo do ano,
para suas necessidades específicas
jornal propmark - 15 de junho de 2026 23
de negócios. Assim, como defensores
da criatividade, continuaremos a
fornecer aos participantes as experiências,
ferramentas, dados e evidências
de que precisam para conectar o
marketing criativo com a agenda de
crescimento das diretorias. Os diversos
fóruns que estabelecemos para
criativos, CMOs e CEOs proporcionam
um ambiente em que a agenda global
de marketing criativo pode ser definida.
Isso impulsiona o festival a ir além
dos momentos e a se tornar significativo.
Mais importante ainda, ele se
torna uma plataforma voltada para o
futuro, em vez de uma celebração retrospectiva.
Os valiosos aprendizados
que extraímos do trabalho, das sessões
de aprendizado e dos insights
que descobrimos nos impulsionam
para o ano seguinte.”
Alê Oliveira
Chairman do Cannes Lions, Philip Thomas explica que o objetivo é “avaliar os insumos que tornam possíveis ideias inovadoras”
CRIATIVIDADDE
O branding do Cannes Lions transpira
a criatividade. Não é por outra
razão que Cook e Thomas não se cansam
de dar voz à nova área para marcas
criativas. Eles afirmam que esse
projeto oferecerá inspiração para
marcas em todo o mundo – grandes
e pequenas – e fornecerá evidências
mais fundamentais em defesa da
criatividade.
“Estamos testemunhando uma indústria
evoluindo em um ritmo sem
precedentes, lidando com a ruptura, a
incerteza econômica e a instabilidade
global – fatores que intensificaram
o foco no retorno do investimento
criativo. À medida que a criatividade
comercial continua a remodelar os
negócios e a cultura globalmente,
acreditamos que há uma necessidade
de reconhecer e avaliar os insumos
que tornam possíveis ideias inovadoras
e defender a proteção do investimento
criativo”, raciocina Thomas,
com o aval de Cook.
“Este Leão destaca as marcas que
projetam as bases organizacionais
que permitem e sustentam o marketing
criativo relevante para o futuro.
Em vez de reconhecer campanhas individuais,
ele celebra as abordagens
estratégicas que proporcionaram
crescimento mensurável dos negócios
e valor de marca a longo prazo.
Ao avaliar ativamente a capacidade
criativa interna, pretendemos ajudar
nossa comunidade a defender
o investimento, apontando para um
conjunto de evidências e estudos de
caso que demonstram a ligação entre
infraestrutura e valor de marca a
longo prazo”, diz Cook.
ATRAÇÕES
A Informa não quer dar protagonismo
ao elenco de nomes que vão
compor a agenda. Prefere dizer que o
Cannes Lions é cuidadosamente planejado
para que todos os presentes
– e todas as partes do ecossistema –
possam aproveitá-lo para suas necessidades
específicas.
“Nosso campus de aprendizagem
abriga nossas competições Young
Lions, academias, treinamentos executivos
e todas as nossas iniciativas de
aprendizado, projetadas para ajudar
as pessoas a acelerar suas carreiras;
algumas das maiores marcas e empresas
do mundo se instalam em nossa
Vila das Marcas porque exigem uma
experiência de festival personalizada,
focada em incorporar os sistemas e
as capacidades que tornam inevitável
a produção de criatividade de classe
mundial que impulsiona os negócios”,
especifica Thomas, que não se esquece
das cerimônias de premiação no Palais.
“São onde reconhecemos o padrão
global de criatividade; oportunidades
de networking e negócios acontecem
“O impacto
comercial da
criatividade
agora é mais
mensurável”
“Se observarmos a marca Lions
(da qual o Cannes Lions faz parte),
podemos dizer que o que começou
como um palco agora é um sistema.
O Lions possui dados, expertise e conhecimento
de marcas mundialmente
renomadas, incluindo o festival, Effie,
Warc e Contagious. Estamos aqui para
apoiar o setor, seja fornecendo ferramentas
e aprendizado, seja promovendo
a transformação criativa em
toda a organização”, pondera o CEO,
lembrando que esse formato foi formalizado
porque a publicidade atual é
orientada por dados.
“A criatividade era vista anteriormente
como algo intangível e difícil
de mensurar, mas o impacto comercial
da criatividade agora é mais
mensurável e diretamente ligado
aos resultados de negócios. Empresas
de alto crescimento são mais
propensas a fomentar a criatividade,
e empresas como Apple e AB InBev,
por exemplo, demonstraram que a
eficácia criativa é fundamental para
o sucesso global, explorando emoções
e aspirações para impulsionar o
crescimento”, disse Cook.
“Para complementar isso, existimos
para fornecer aos CMOs as eviem
toda a extensão do festival, e cada
vez mais em núcleos específicos do
setor que criamos, como o Lions Sport,
o Lions Creators, o B2B Summit e os
fóruns de CEOs e CMOs. O festival foi
concebido para educar e equipar nossa
comunidade com as oportunidades,
ferramentas e evidências de que
precisam para conectar o marketing
criativo com a agenda de crescimento
da diretoria.”
Cook considera relevantes os
insights que o Cannes Lions produz
para o setor por meio de suas ferramentas
de pesquisa, como Warc, e
outras fontes.
24 15 de junho de 2026 - jornal propmark
Alê Oliveira
júri – bem como análises dos maiores
vencedores e lições práticas dos presidentes
do júri. É claro que também
temos os Leões. Por mais de 70 anos,
eles têm fornecido a referência global
em excelência criativa e uma visão
da direção para a qual a indústria
está caminhando”, reitera o chairman
do evento.
O CEO Simon Cook afirma que a “eficácia criativa é fundamental para o sucesso global, explorando emoções e aspirações”
dências, os benchmarks e a linguagem
de que precisam para conectar
a criatividade diretamente à agenda
de crescimento da diretoria. Agora há
evidências claras do impacto comercial
da criatividade e não se trata apenas
de coletar métricas de campanha;
podemos medir a eficácia da criatividade
por meio de como ela impulsiona
o crescimento, a receita, a margem, a
participação de mercado e o poder de
precificação”, disse Thomas.
TEMÁTICA
Thomas e Cook acreditam que não
há como fugir da temática para dar
vida ao branding do Cannes Lions. Eles
informam que o papel da criatividade
entre os dias 22 e 26 de junho funciona
como alavanca para o crescimento
dos negócios. Além dos negócios,
acrescentam, trata-se também do
desenvolvimento de talentos e do
progresso social.
“Estamos criando intencionalmente
mais caminhos para que a indústria
se envolva com a criatividade e temos
uma ampla gama de novos passes
disponíveis, projetados para refletir
a mistura em constante evolução de
empresas que exigem diferentes tipos
de acesso, incluindo nosso novo
passe Challenger para agências, marcas
e empresas independentes, bem
como o passe Start-up, o passe Creator
e o passe Sport.”
A campanha promocional do Cannes
Lions de 2026 foi mais uma vez
criada e desenvolvida pela equipe interna
da Informa. A ideia é deixar claro
para a indústria que quem está no
festival está para fazer história.
“Dos trabalhos vencedores aos
negócios fechados em Cannes, esses
momentos marcantes capturam um
instante no tempo, contribuem para
o legado do festival e também nos
impulsionam para o ano seguinte. A
campanha foi criada e desenvolvida
por nossa equipe criativa interna”,
ressalta Cook.
CONTEÚDO
O Cannes Lions pode oferecer ao
setor de comunicação publicitária
serviços de marketing e produção, por
meio do seu programa de conteúdo,
insights para a reflexão e amplitude
do cenário criativo atual, da inovação,
tecnologia à cultura, talento e impacto.
“O programa foi projetado para refletir
como nosso setor funciona hoje
“Cannes Lions
Deconstructed
é uma versão
antecipada do
relatório anual”
e como funcionará amanhã. Este ano,
ampliamos a variedade de formatos
de conteúdo para incentivar uma participação
mais profunda, desde debates
e mesas-redondas até workshops
interativos e oportunidades de networking”,
coloca Cook.
Thomas, por outro lado, cita o
Cannes Lions Deconstructed. “É
uma versão antecipada do relatório
anual Cannes Lions Wrap-Up Report,
que apresentará uma análise das
principais tendências e dos tópicos
de discussão mais relevantes que
surgiram no festival – dos palcos do
Palais aos resultados das salas do
DISRUPÇÃO
O que é mais urgente para o setor
neste momento e como esse cenário
ajudou a moldar a agenda do Cannes
Lions 2026? Cook responde: “O setor
está lidando com mudanças no seu
ecossistema, incerteza econômica
e instabilidade global – o que criou
um foco intensificado no retorno do
investimento criativo. Estamos testemunhando
um setor evoluindo em um
ritmo sem precedentes, em que os
CMOs estão navegando por mais complexidade
e escrutínio do que nunca,
com a expectativa de gerar resultados
imediatos enquanto constroem
marcas que perdurem.”
Essa realidade moldou diretamente
a agenda de 2026 do Cannes Lions
de diversas maneiras. O Leão de Marca
Criativa é um dos exemplos desse
movimento disruptivo. “Para reconhecer
e avaliar os fundamentos
organizacionais – os sistemas, culturas
e capacidades – que permitem
e sustentam o marketing criativo,
ajudando os profissionais da área a
apresentar argumentos baseados
em evidências para o investimento
criativo a seus CFOs e conselhos.”
Cook cita também o Fórum Global
de CMOs. “Um ambiente fechado e
confiável em que os principais profissionais
de marketing do mundo
podem conversar abertamente uns
com os outros e obter perspectivas
diretamente relevantes para as
suas funções.”, afirma.
O terceiro vetor, na visão de Cook,
é o lançamento do Lions Sport. “Para
abordar como a criatividade pode
transformar a escala gigantesca do
esporte em significado, valor e crescimento
em um cenário em que a
antiga estratégia de posicionamento
de logotipos e patrocínios não é mais
suficiente. Essencialmente, estamos
respondendo à necessidade do setor
por evidências, empoderamento e
fóruns estratégicos que ajudem a navegar
pela complexidade, ao mesmo
tempo que defendem a criatividade
como um motor de crescimento.”
jornal propmark - 15 de junho de 2026 25
cannes lions
Articulação ambiental, responsabilidade
social e IA permeiam a pauta do evento
Philip Thomas e Simon Cook relacionam esses temas, inclusive a vida
pós-Covid, à criatividade como vetor de inspiração para a sociedade
Paulo Macedo
O
Festival Internacional de Criatividade
Cannes Lions destaca
mais uma vez, no ano da sua 73ª
edição, seu papel de ser articulador do
setor global (agências, anunciantes,
plataformas, produtoras, fornecedores
de serviço e canais de mídia), para
fornecer insights e conclusões com o
propósito de ajudar o setor a ir além
da conscientização e ir para a ação.
“Uma das maneiras pelas quais
estamos apoiando isso é evoluindo
nossa parceria de 25 anos com a ACT
Responsible. Transformamos o Sustainability
Hub no Lions Impact Hub,
criado para se dedicar e demonstrar
como a criatividade pode ser uma força
para mudanças ambientais e sociais
positivas. Essa evolução reflete nosso
compromisso não apenas com a conscientização
ambiental, mas também
com um impacto social mais amplo”,
sentencia Philip Thomas, chairman do
evento, querendo dizer que a questão
ambiental representa uma oportunidade
para o setor de marketing.
“É preciso demonstrar o poder da
criatividade para gerar mudanças significativas.
Por meio do Lions Impact
Hub, apresentaremos campanhas e
ideias que comprovam que responsabilidade
e criatividade são forças
complementares, e não mutuamente
exclusivas. Queremos que os participantes
compreendam como podem
usar a sustentabilidade como catalisador
para um pensamento criativo
inovador que construa valor de marca
a longo prazo”, acrescenta Thomas.
Ele utiliza o ferramental do festival
para estimular os temas que atingem
a sociedade civil para estarem na pauta
criativa das agências, produtores
de branded content e na orientação
dos briefings dos anunciantes.
Já os desafios que o mundo enfrentou
desde a Covid-19, incluindo guerras,
crises ambientais e econômicas,
também criam oportunidades para o
mercado. Na visão de Simon Cook, CEO
Indústria é estimulada a captar os temas mais quentes da sociedade para o festival refletir sobre pautas como o meio ambiente
do Cannes Lions, há uma vasta quantidade
de dados e insights que mostram
que a criatividade impulsiona o
crescimento, mesmo em tempos de
recessão econômica ou incertezas.
“No recente ‘Relatório de gastos
com publicidade’ da Warc, foi demonstrado
que, entre 2020 e 2022, a publicidade
ultrapassou um limite estrutural.
Em vez de se comportar como um indicador
cíclico atrelado à confiança do
consumidor, os gastos com publicidade
passaram a acompanhar a lucratividade
corporativa e a atividade econômica
centrada na plataforma. A antiga
regra — de que os orçamentos sobem
e descem em linha com o PIB — não se
aplica mais. Desde 2021, os gastos globais
com publicidade superaram a economia
real em três a seis pontos percentuais
a cada ano. Isso demonstra a
crescente importância estratégica da
criatividade em todos os cenários globais”,
observa o executivo.
A inteligência artificial é outra
questão que permanece dentro do escopo
do setor. Algumas lições foram
compreendidas pela indústria, que já
sabe como pode ajudar o setor a se
tornar mais eficiente.
“A IA continua a ganhar força no
nosso setor, mas a forma como a
aproveitamos como ferramenta para
potencializar a criatividade humana
será crucial. A IA desempenha um papel
no processo criativo, mas penso
que, em última análise, chegará a um
ponto em que será mais uma opção
na paleta da criatividade, tornando-se
potenciador da criatividade em vez de
uma força negativa”, explica Cook.
Esse pensamento, na visão de
Cook, foi para trazer a IA com olhar
artesanal nos Leões focados em craft,
para reconhecer trabalhos em que
a criatividade humana e a inteligência
artificial se unem para criar ideias
que nenhuma delas conseguiria alcançar
sozinha.
“O foco aqui é reconhecer o craft
genuíno, a arte e a intenção, em que a
IA trabalha ao serviço da ideia”, orienta
Thomas, que também vê a IA na
pauta do festival.
Alê Oliveira
“O foco é
reconhecer o
craft genuíno, a
arte e a intenção,
em que a IA
trabalha a serviço
da ideia”
“Temos algumas sessões de destaque
sobre IA: OpenAI, sobre a criação
de capacidades de publicidade nativas
de IA; Demis Hassabis, do Google
DeepMind, sobre como direcionar a IA
para uma narrativa autêntica através
de colaborações com artistas; e Rich
Silverstein, ao criar um musical da
Broadway que combina IA e narrativa.
O Cannes Lions sempre teve como
foco a interseção entre a criatividade
e as forças que a moldam – seja tecnologia,
cultura ou comércio – e nossos
palcos refletem isso.”
26 15 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Agitação faz parte dos corredores do Cannes Lions, que movimenta a cidade com delegações de todo o mundo que buscam benchmarks e olhares globalizados
O staff do Cannes trabalha com a
OpenAI, Anthropic, Microsoft e o Google,
que estarão presentes na praia
da PMG, agência independente de mídia
e tecnologia, responsável pela AI
& Tech Sandbox.
“Quando trabalhamos com parceiros,
é muito importante que eles
contribuam de forma significativa
para a experiência geral do festival.
Por exemplo, a Anthropic fornecerá
ao Cannes Lions Learning Campus a
tecnologia e as ferramentas necessárias
para aprimorar sua experiência
de aprendizado”, justifica Cook, que
também comenta as recomendações
que o Lions dá aos jurados em relação
à inteligência artificial.
“Desde 2024, pedimos a todos os
participantes que divulguem se a IA
foi utilizada e, quando informamos
nossos júris, lembramos que insistimos
em total transparência sobre o
uso da inteligência artificial por parte
dos participantes. Ou seja, onde e
como ela foi usada, tanto no trabalho
em si quanto no vídeo de apoio – e insistimos
em um compromisso com o
uso responsável e ético da IA.”
INEGOCIÁVEL
Há um crescente conjunto de evidências
de que o investimento em
marketing criativo se traduz diretamente
em desempenho comercial e
que as marcas que investem superam
a concorrência.
“Na minha opinião, a criatividade
continua sendo a força motriz porque
é a vantagem competitiva definitiva.
Seja no esporte convergindo com a
cultura e o comércio ou em marcas
navegando na incerteza econômica, a
criatividade é o que transforma escala
em significado, alcance em relevância
e público em comunidades. A criatividade
continuará sendo uma força
O tapete vermelho de Cannes está entendido para que o trade da comunicação mantenha criatividade para interagir com o público
da de campanha; elas a incorporam ao
sistema operacional da empresa e, ao
fazer isso, ela influencia o produto, a
experiência, a comunicação e, em última
análise, a forma como crescem
como um todo. Em suma, a criatividade
não é apenas uma capacidade de
marketing. É uma capacidade econômica.
E é evidente que as empresas
que entendem isso são as que liderarão
a próxima era de crescimento”,
teoriza Thomas.
A criatividade contribui para a tomada
de decisões estratégicas das
marcas, desde a seleção de fornecedores
até a definição das diretrizes de
comunicação estética.
“Não estamos reconhecendo campanhas
individuais – estamos reconhecendo
os fundamentos organizacionais
e as abordagens estratégicas que
tornam possíveis ideias inovadoras.
Ao avaliar ativamente a capacidade
criativa interna, estamos ajudando os
profissionais de marketing a demons-
motriz porque não é mera decoração
– é uma ferramenta estratégica para
o crescimento mensurável dos negócios”,
diz Thomas.
“Eu diria que é inegociável. Acho
que houve uma mudança fundamental
recentemente, e essa mudança é
que a criatividade não é mais intangível.
Vi, em primeira mão, que ela é
uma das poucas alavancas que podem
transformar tanto a percepção quanto
o desempenho simultaneamente. A
maioria das funções empresariais otimiza
o que já existe. A criatividade cria
o que não existe. Ela molda como uma
empresa é compreendida, quanto ela
vale e se ela é escolhida, muitas vezes
antes mesmo de o produto ou o preço
entrarem em jogo”, complementa Cook.
O Cannes Lions sabe, no entanto,
que a criatividade tem sido consistentemente
subestimada, mas que ela é
a escala do seu impacto. “As empresas
mais bem-sucedidas não tratam a
criatividade apenas como uma camatrar
aos seus conselhos e diretores
financeiros que existe uma ligação
direta entre infraestrutura criativa,
tomada de decisões estratégicas e
desempenho dos negócios. O Leão de
Marca Criativa fornecerá evidências
fundamentais de que a criatividade
não é apenas um resultado – é um insumo
estratégico que molda a forma
como as marcas operam, investem e
crescem”, conceitua Cook.
“Estamos começando a ver um
mundo cada vez mais definido pela
mediocridade em grande escala, pela
IA e pela homogeneização crescente.
À medida que a tecnologia torna a
execução mais barata, fácil e democratizada,
a diferenciação se torna
mais difícil. Acredito que podemos
definir a criatividade como aquilo que
confere às empresas distinção, significado,
relevância emocional e ressonância
– elementos cada vez mais
escassos e, consequentemente, cada
vez mais valiosos”, finaliza Cook.
jornal propmark - 15 de junho de 2026 27
cannes lions
‘O presencial oferece emoção’
Brisa Vicente, co-CEO da Droga5
São Paulo, da Accenture Song,
será jurada do festival pela
primeira vez, em Brand Experience
& Activation Lions. A categoria
engloba ações que clamam
por mais contato olho no olho
e menos exposição às telas. “As
pessoas precisam de experiências
que gerem memória, troca real
e pertencimento. O que não
significa uma oposição entre físico
e digital. Experiências potentes
são as que conseguem integrar
os dois mundos”, pondera. A
executiva acredita na riqueza
cultural, sensibilidade e potência
criativa do Brasil para trazer Leões.
“Acredito demais na gente”, atesta.
Brisa Vicente: “Experiências significativas em um contexto de disputa por atenção”
Divulgação
Janaina Langsdorff
Seleção
A minha trajetória sempre esteve
conectada à construção de
experiências de marca. Comecei
minha carreira em promo e eventos,
então Brand Experience & Activation
é uma disciplina que moldou o
meu pensamento, em comunicação
360°. Também atuei em diferentes
áreas das agências, com produção,
projetos, operações, atendimento e
negócios, o que me deu uma visão
ampla sobre como criar experiências
relevantes para as pessoas e
consistentes para as marcas.
Porta-voz
Representar o Brasil, a Droga5 e
as mulheres líderes deste espaço
é uma honra. A categoria celebra
a construção de marcas de forma
abrangente por meio do uso avançado
de design de experiência, ativação,
imersão, varejo e engajamento
do cliente em 360°. Estar no júri é
uma oportunidade de analisar os
trabalhos com profundidade, entender
os movimentos da indústria global
e conectá-los com o nosso olhar
para as marcas.
CritérioS
Não basta criar uma ativação
grandiosa ou tecnologicamente
sofisticada. O mais importante é
quando a experiência nasce de uma
verdade da marca e de uma leitura
relevante de cultura e comportamento,
em trabalhos que usam
criatividade para aproximar pessoas
e gerar pertencimento. Também
quero reconhecer projetos que endereçam
problemas de negócios enquanto
promovem uma experiência
de marca criativa e singular.
as estão mais seletivas e menos tolerantes
a interações vazias. Ganham
ainda força iniciativas que geram
valor, seja emocional, cultural ou funcional.
Ao mesmo tempo, a entrega de
resultados exige experiências estratégicas,
integradas ao ecossistema
da marca e conectadas ao comportamento
das pessoas.
olho No olho
Existe um desejo crescente por
conexões mais humanas, presenciais
e sensoriais. As pessoas precisam de
experiências que gerem memória,
troca real e pertencimento. O que não
significa uma oposição entre físico
e digital. Experiências potentes são
as que conseguem integrar os dois
mundos de forma fluida e relevante.
O presencial ganha força porque oferece
algo difícil de replicar nas telas,
que é a emoção.
referêNCiaS
Os cases que mais me chamam a
atenção são aqueles em que a marca
valor
Precisamos trazer um pensamento
criativo e alguma provocação. O desafio
é criar experiências significativas
em um contexto de excesso de estímulo
e disputa por atenção. As pessoconsegue
ocupar um papel relevante
na vida das pessoas, com experiências
úteis, emocionais ou culturalmente
potentes.
Nota dez
Um case precisa combinar ideia
forte, execução consistente e impacto
real. Mas, acima de tudo, precisa
ser algo genuinamente conectado à
marca. Os trabalhos mais fortes são
aqueles em que criatividade, contexto
cultural e experiência estão completamente
alinhados aos valores e
verdades da marca.
BraSil
A nossa criatividade nasce da cultura,
da proximidade com as pessoas
e da capacidade de transformar
contexto em ideia. Vejo o mercado
brasileiro cada vez mais sofisticado,
sem perder sensibilidade humana e
potência criativa. Isso faz com que
a gente continue sendo muito competitivo
nessa categoria. Acredito
demais na gente.
28 15 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘A nossa potência criativa
não está em xeque’
Com uma trajetória marcada
por campanhas que ajudaram a
consolidar a AlmapBBDO entre
as agências mais premiadas
do mundo, Iron Brito chega ao
Cannes Lions 2026 para integrar
o seleto grupo de jurados do
festival. Para o creative director,
a força de uma grande ideia
continua sendo o principal
diferencial de um trabalho
memorável. Nesta entrevista,
Brito fala sobre as expectativas
para o júri, o espaço do Brasil no
cenário global da criatividade e as
tendências que devem marcar os
cases deste ano em Cannes.
Iron Brito: “Grandes ideias são simples de contar e rápidas de entender”
Divulgação
Bruna Magatti
EXPECTATIVA
As expectativas são altíssimas
para acompanhar a nata da criatividade
mundial e, mais ainda, pela troca
com meus colegas de júri; e ver o nivelamento
de critérios que vão definir
os premiados desta edição. Essa discussão
sempre é muito rica.
PADRÃO DE EXCELÊNCIA
Não acho que o padrão de excelência
tenha mudado. Eu acho que o que
mudou foi o mundo, sobretudo por
conta das mídias sociais que aceleraram
absurdamente o compartilhamento
de conhecimento, cultura, padrão de
beleza e ideias. A meu ver, o festival
acompanhou isso e talvez esteja mais
atento a culturas para além da Europa
e dos Estados Unidos. Acho também
que o mindset de diversidade no festival,
como um todo, não esfriou como
uma onda, como infelizmente a gente
vê acontecer no mundo todo. Desde
a seleção do júri até a orientação do
que levar em conta na hora de premiar,
tudo tem sido cuidadosamente tratado.
Para mim, olhar por esses ângulos
são as mudanças mais interessantes.
TRABALHO PREMIÁVEL
Uma grande ideia ainda é, e sempre
vai ser, o que dá alma para um trabalho,
é o que faz com que ele cause
alguma emoção - seja ela qual for, e
se tornar memorável. E grandes ideias
são simples de contar e rápidas de entender.
Acredito que tem ideias que,
além de geniais, precisam de muita
coragem das marcas e agências para
serem colocadas de pé, e isso para
mim também pesa bastante.
DE IguAL PARA IguAL
Do Brasil a gente sempre pode esperar
ideias que vão competir de igual
para igual com o mundo todo. Basta
observar os trabalhos que têm sido
divulgados recentemente. É claro que
os trabalhos que têm um resultado
de negócio mais expressivo ganham
uma força extra em credibilidade e
“Uma grande
ideia ainda é, e
sempre vai ser, o
que dá alma para
um trabalho”
prova de eficiência, apesar de a criatividade
ser o core do festival. E provam
como uma coisa não deveria andar
separada da outra. No fim das contas,
a criatividade é uma das ferramentas
mais eficazes para gerar negócios.
IA
O festival estabeleceu critérios
muito claros sobre o uso de AI, além de
categorias específicas para o seu uso.
Isso está facilitando muito para entender
o quanto de AI tem nos trabalhos e
a finalidade de sua utilização. Acho que
as discussões presenciais vão trazer
mais camadas, porque as implicações
são inúmeras. No caso da minha cate-
goria, ainda não foi discutido à exaustão
sob qual lente vamos julgar.
TENDÊNCIAS
Acredito que as ideias que tocam
os temas sensíveis da atualidade têm
grande chance de trazer novidades.
Também é ano de Copa, e estou com expectativa
de ver coisas interessantes
em Sports, Entretenimento e Games.
REFERÊNCIA gLOBAL
A nossa potência criativa não está
em xeque. O Brasil é uma grande referência
global e os brasileiros seguem
brilhando mundo afora. Todo mês, a
gente lê notícia de algum brasileiro
chegando na gringa ou mudando de
agência por lá. Nosso talento e nossa
entrega fazem muita diferença. Não
tem nada parecido. A respeito de liderar,
a mim interessa muito mais que
a gente siga encantando com ideias
que estabeleçam, de fato, um novo
padrão de criatividade. O número e a
eventual liderança vêm a reboque disso,
não tenho dúvida.
jornal propmark - 15 de junho de 2026 29
cannes lions
‘Com certeza veremos muitas
campanhas com IA sendo premiadas’
Cannes Lions 2026 promete
ampliar o debate sobre o futuro da
indústria criativa global. Para Rafael
Gil, CCO da Artplan, a excelência
em Industry Craft vai muito além
da execução impecável: passa
pela capacidade de transformar
ideias em experiências profundas,
culturalmente relevantes e capazes
de gerar conexão humana.
Nesta entrevista, o executivo
fala sobre a evolução dos
critérios de avaliação do festival,
o protagonismo crescente da
inteligência artificial, os erros mais
comuns em inscrições e o papel
da criatividade brasileira em um
cenário cada vez mais plural.
Rafael Gil: “Nossa criatividade continua forte e está no mercado como um todo”
Mauricio Nahas
Bruna Magatti
responsabilidade
Como jurado de uma categoria
em que o Brasil sempre se destacou,
e na qual tivemos grandes nomes
servindo de referência para o mundo
inteiro, de Washington Olivetto
a Marcello Serpa, confesso que a
responsabilidade é muito grande.
Mas, ao mesmo tempo, estou muito
animado com todas as discussões e
aprendizados que estão por vir. Principalmente
quando olho para a categoria
Industry Craft, que vem passando
por grandes transformações,
assim como o nosso mercado de
forma geral. Industry Craft normalmente
é associada apenas à excelência
na execução. Mas não podemos
esquecer que Craft vai muito além
disso. É uma forma de pensar altamente
técnica, em todas as suas formas,
usada para dar vida a uma ideia
e transformá-la em algo que faça as
pessoas sentirem e experienciarem
marcas de maneira mais profunda.
passado X presenTe
Acredito que o festival esteja em
constante transformação para refletir
cada vez mais os mercados ao redor
do mundo. Vejo isso quando observo
mais países conquistando seus primeiros
Leões, fazendo história, e também
com a participação crescente de
novas marcas, inclusive marcas que
não são necessariamente grandes
players globais. A busca pela excelência
nas ideias e nas execuções continua
sendo uma constante do festival
ano após ano. Mas fico muito animado
ao perceber que esse espaço tão importante
para a nossa indústria pode
ser ocupado cada vez mais por pessoas,
culturas e marcas diferentes.
oXigênio
Nosso país respira criatividade.
Isso faz parte da nossa cultura.
Então acredito que sempre chegaremos
como fortes candidatos
a conquistar muitos Leões. Tenho
acompanhado campanhas extremamente
criativas e fortes candidatas
a prêmios, feitas por diferentes
agências. Isso mostra que a nossa
criatividade continua forte e que
ela não está concentrada em poucas
agências, mas, sim, espalhada pelo
mercado brasileiro como um todo. A
criatividade, como meio, precisa servir
a um propósito. Hoje, criatividade
e impacto caminham juntos de forma
cada vez mais inseparável.
diferenciação
A inteligência artificial já faz parte
da nossa rotina e da nossa vida. E no
Festival de Cannes não seria diferente.
Um exemplo muito concreto disso é a
criação de subcategorias exclusivas
para o uso de IA. Nada mais natural
para comprovar a relevância desse
tema dentro da nossa indústria. Mas
quando todos têm acesso às mesmas
ferramentas e conseguem alcançar níveis
de excelência muito semelhantes,
o que realmente se torna extraordinário?
Eu acredito que, quanto mais a IA
evoluir, mais relevantes se tornarão a
ideia, a criatividade e a visão humana.
Humor
Com certeza veremos muitas campanhas
com uso de IA sendo premiadas.
Ideias baseadas em mecanismos
criativos promocionais já foram uma
tendência muito forte no ano passado
e acredito que continuarão relevantes
este ano também. Mas, particularmente,
eu gostaria muito de
ver mais campanhas premiadas que
utilizem o humor como forma de criar
expressão e conexão para as marcas.
Nada nos conecta mais do que um
sorriso ou uma boa gargalhada. Talvez
tenhamos esquecido um pouco,
nos últimos anos, o quanto rir juntos
pode ser poderoso.
30 15 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Veterana dos festivais chega a Cannes
A CNN Brasil chega à cobertura
para o Cannes Lions 2026, com
uma novidade: a apresentadora
Didi Wagner faz sua estreia no
festival, fazendo a cobertura
para a emissora, junto com Zizo
Papa, ex-CEO de Cannes Lions
em Londres. Com passagens
marcantes pela MTV e Multishow,
reconhecida pela habilidade
em traduzir o pulso cultural de
grandes eventos globais para o
público brasileiro, Didi promete
trazer sua expertise em festivais
de música e entretenimento
e fala ao propmark sobre suas
expectativas e opiniões sobre o
Brasil neste mercado.
Divulgação
Didi Wagner: ‘Estrear em Cannes representa uma conexão natural com minha trajetória ‘
Bruna Magatti
ESTREIA
Estou muito animada. Ao longo da
minha carreira, acompanhei grandes
momentos da música, do entretenimento
e da cultura pop. Cannes Lions
ocupa um lugar especial dentro da indústria
publicitária, mas também traduz
muito do que está acontecendo
em termos culturais e comportamentais.
Por isso, estrear na cobertura
da CNN Brasil em Cannes Lions representa
uma conexão natural com a
trajetória que construí ao longo dos
anos. Afinal, estamos falando de um
evento que influencia conversas, tendências
e negócios no mundo inteiro.
É uma oportunidade de observar de
perto como as ideias nascem, ganham
escala e acabam impactando o nosso
dia a dia.
FESTIVAIS
Na verdade, eu vejo mais semelhanças
do que diferenças. Grandes
festivais de música também são lugares
em que cultura, comportamento
e marcas se encontram. Em Cannes
Lions, essas discussões acontecem
com um enfoque mais direto em criatividade
e negócios. Mas a verdade é
que existe uma sinergia total entre
eventos que reúnem pessoas em
torno de um tema, seja ele música ou
publicidade, por exemplo. Estou especialmente
curiosa para acompanhar
os debates sobre inteligência artificial,
economia da atenção, creator
economy e o papel das marcas em um
mundo cada vez mais fragmentado.
São temas que afetam não apenas
a publicidade, mas também a forma
como consumimos informação, entretenimento
e cultura.
CRIATIVIDADE
Minha trajetória sempre esteve
muito ligada à observação de tendências
culturais e de comportamento.
Hoje, é impossível falar de criatividade
sem falar de música, moda, tecnologia,
conteúdo, plataformas digitais
e até das transformações sociais
que estamos vivendo. Quero mostrar
como essas áreas se influenciam mutuamente
e como as grandes ideias
circulam entre diferentes indústrias.
Muitas vezes, o que nasce em um universo
acaba transformando outro.
ZIZO PAPA
Está sendo uma experiência muito
especial. O Zizo conhece Cannes
Lions como poucos. Como ex-CEO do
festival, ele tem uma visão muito
ampla não apenas da programação,
mas também dos bastidores e da relevância
que Cannes conquistou para
a indústria criativa ao longo dos anos.
Tem sido ótimo poder contar com esse
olhar experiente enquanto me preparo
para essa cobertura. O principal
conselho que o Zizo me deu foi aceitar
que é impossível ver tudo. Cannes é
intenso, acontece em várias camadas
ao mesmo tempo e sempre haverá
mais palestras, encontros e eventos
do que horas disponíveis no dia. Então
o segredo é ter foco, fazer boas escolhas
e, principalmente, estar aberta
às conversas inesperadas que acontecem
pelos corredores.
INDISPENSÁVEL
Mais do que uma palestra específica,
acredito que o mais valioso em
Cannes é a troca entre pessoas de
diferentes países, mercados e áreas
de atuação. É um evento onde você
pode encontrar, no mesmo dia, profissionais
da indústria criativa, líderes
globais de tecnologia, criadores de
conteúdo, artistas, executivos e empreendedores.
Essa diversidade de
perspectivas talvez seja a experiência
mais rica que o festival oferece.
RECONhECImENTO
O Brasil sempre foi uma referência
criativa. Temos uma enorme capacidade
de contar histórias, de encontrar
soluções originais e de transformar
limitações em inovação. Além disso,
somos um país extremamente diverso
culturalmente, e essa diversidade
costuma gerar ideias muito relevantes
e com forte conexão humana. Não
é por acaso que o Brasil aparece com
frequência entre os destaques do
festival - inclusive, em 2025, o Brasil
foi reconhecido como o primeiro país
a receber o título de País Criativo do
Ano (Creative Country of the Year), um
prêmio que o festival passa agora a
conceder anualmente.
jornal propmark - 15 de junho de 2026 31
cannes lions
‘Espero sair pilhado e com inspiração’
Rafael Donato, chief creative
officer da Ogilvy Brasil, retorna
ao júri do Cannes Lions em
2026, desta vez na categoria
Entertainment. O executivo já
havia participado do festival como
jurado em 2019, em Direct, e no
ano passado conquistou Leão de
Ouro em Entertainment com a
campanha ‘Caverna do dragão’,
para Hasbro. Para ele, o festival
evoluiu ao ampliar o peso de
categorias ligadas à cultura e
entretenimento, que se tornaram
uma ferramenta essencial
para “se diferenciar”. “É preciso
prender o público com algo
verdadeiramente ‘unskippable’
(não pulável)”, comenta.
Rafael Donato: “O festival está com foco ainda maior em resultados de negócio”
Divulgação
Bruna Nunes
EntErtainmEnt
Já fui jurado em Cannes em 2019 na
categoria Direct e estou muito feliz
de ter sido convidado de novo. Dessa
vez, na categoria Entertainment, a
mesma em que ganhamos Ouro no
ano passado com o case ‘Caverna do
dragão’ para a Hasbro. Acredito que
nesses anos o festival mudou, ou melhor,
evoluiu. Categorias como Entertainment
e Social se tornaram iguais
ou até mais relevantes do que as mais
tradicionais, como Film e OOH. Além
disso, o festival está com foco ainda
maior em resultados de negócio, principalmente
para grandes marcas.
bolha
Como jurado, espero ver ideias que
furam a minha bolha. Quero aprender
com os outros jurados e entender
novos pontos de vista. Espero sair pilhado
e voltar com muita inspiração
para a nossa equipe e nossos clientes.
Espero encontrar ideias que transcendem
a propaganda e que entram no
mundo da arte, dos filmes, da música.
Entertainment é uma categoria
que mostra que a propaganda pode
ir muito além do comercial de 30 segundos.
Num mundo em que marcas
competem por atenção não só entre
elas, mas com shows, séries, celebridades
e tantos outros conteúdos, o
entretenimento se torna uma ferramenta
essencial para se diferenciar.
Não basta vender, é preciso prender
o público com algo verdadeiramente
unskippable.
atEnção
Resultados de negócio são importantes,
assim como relevância de
marca, e não apenas patrocínio de
conteúdo. Mas no fim, estamos buscando
conteúdos dignos de nossa
atenção, não apenas como consumidores,
mas como audiência em geral.
É fundamental que a peça faça a gente
sentir alguma coisa, que seja intencionalmente
produzida para prender
seu público. O que nos perguntamos
“Aposto que
o GP vai ser algo
que a IA nunca
poderia
ter feito”
nessa categoria é: “Eu pagaria para
ver esse conteúdo? Eu baixaria essa
música? Isso prende minha atenção?”.
Se sim, é entretenimento. Algo digno
de um Emmy ou um Grammy.
CoraGEm
Sim, o Brasil tem muitas ideias
na categoria Entertainment, mas
acredito que ainda faltam duas coisas
para sermos os melhores: investimento
e coragem. Quando vemos o
calibre de produção de algumas campanhas
lá fora, fica claro que as marcas
globais estão apostando pesado
no entretenimento, produzindo conteúdo
digno de um Emmy. Enquanto
isso, esse tipo de ideia fica em segundo
plano no Brasil.
Compromisso
Estamos num momento de transformação
da indústria, e o festival
vai refletir isso. Acho que vamos ver
um compromisso maior em premiar
ideias para clientes grandes e que
mostram resultados reais de negócio.
Espero também ver um festival que
abrace novas formas de comunicar,
que desapegue um pouco dessa ideia
de criatividade “sagrada” e abrace novas
vozes e novos formatos.
tECnoloGia
As ferramentas que usamos para
contar essas histórias sempre evoluem,
então o uso de IA não é uma
questão. No fim, as peças serão avaliadas
pelo seu valor de entretenimento
e entendimento do seu público, independentemente
de como foram feitas.
Dito isso, aposto que o GP vai ser
algo que a IA nunca poderia ter feito.
Ainda aposto na criatividade humana.
32 15 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Tato Bono estreia no júri do festival
Tato Bono será, pela primeira vez,
jurada no Cannes Lions. A executiva
integra o júri de Film Craft, categoria
voltada à excelência da execução
audiovisual. Paranaense, Tato
começou sua trajetória em agências
como Propeg e Master antes de se
mudar para São Paulo, onde passou
por Publicis, WMcCann e Play9. Em
2024, retornou ao Publicis Groupe
para liderar a Publicis Production,
antiga PXP, que passou a reunir
também Arc e PXP Creators sob sua
gestão. A executiva fala, na entrevista
a seguir, sobre as exigências da
categoria, o papel da produção no
mercado atual e suas expectativas.
Divulgação
Tato Bono: categorias de Film e Film Craft são consideradas as mais difíceis de ganhar
Vitor Kadooka
PAPEL
Espero um júri rigorosamente
orientado pela execução e cinematografia.
Um júri que vai investigar quando
o craft está realmente a serviço da
ideia. Um júri que vai se desafiar sobre
autoria, transparência de processo e
intenção, especialmente agora que o
AI Craft entra em campo.
CARACTERÍSTICAS
Essa categoria permite, dentro de
um espectro já muito premium que é
a barra de qualidade dos inscritos em
Cannes, ter o deleite de acessar o que
há de melhor em qualidade estética
sendo produzido. Neste ano, com a
maior presença de IA e a possibilidade
de concretização de ideias antes impossíveis
por budget ou outro motivo,
possa trazer uma tendência mais surrealista
ou VFX mais apurados.
CRAFT
Craig Greenwood, head global da
Publicis Production, define o craft
como “a diferença entre algo que
simplesmente existe e algo que realmente
funciona, porque foi construído
para se adaptar, e não forçado a se
encaixar” e complementa afirmando
que: “Em um mundo afogado em conteúdo,
é o craft que dá peso às coisas.
É ele que transforma ruído em algo
que vale a pena parar para ver”.
AMPLIFICADOR
Hoje, craft não é mais só execução.
É um pensamento de processo que
resulta em algo grandioso e transforma
o ruído em amplificação de ideia.
Então, seja no filme ou em qualquer
outra peça, o craft está a serviço da
amplificação da mensagem.
JÚRI
É a minha primeira vez como jurada
em Cannes. Receber o convite foi, pra
mim, o maior reconhecimento alcançado
até hoje na minha carreira. Da
menina que começou a trabalhar com
publicidade no Paraná até a jurada de
Cannes, foram alguns anos de bastante
trabalho e paixão pela profissão.
IA CRAFT
A orientação é bastante clara para
o júri nessa categoria. O que dentro
das características do filme que só a
IA poderia fazer e que contribuiu para
o Craft e ideia. Acredito que teremos
bastante discussões saudáveis durante
o processo que também vão
contribuir para evolução da categoria.
POTÊnCIAS
Nos cases mais fortes espero ter
a sensação quase de unanimidade.
Aquela peça que você vê e que é tão
impactante, inesquecível, completa,
que é fácil de julgar. Inquestionável.
Aqueles filmes que você lembra porque
escolheu a profissão.
TALEnTO
O Brasil sempre foi e continua
sendo um celeiro de talentos no audiovisual.
A qualidade da nossa produção
é de nível global. E isso não
é só na publicidade, visto que, nos
dois últimos anos concorremos ao
Oscar. Mas as categorias de Film e
Film Craft são consideradas as mais
difíceis de se ganhar Leão. O sarrafo é
muito alto. Tem muita coisa boa.
DESAFIOS
E o país em 2025, apesar de ter
levado 3 Leões de Bronze (inclusive
um da Publicis Production com
Le Pub para a Revista Raça), saiu de
mãos abanando na categoria Film
Craft. Neste ano, creio que a rigidez
do júri será maior, mas tomara que um
resultado mais positivo apareça.
no
patrocínio
jornal propmark - 15 de junho de 2026 33
mercado
‘Tento enxergar coisas simples
por uma ótica diferente’
Aos 34 anos, Hélio Maffia ocupa
o cargo de associate creative
director na BBDO em Nova York,
após uma trajetória que começou
em Brasília e passou por DM9,
Y&R, DPZ&T, AlmapBBDO, Africa
Creative e FCB NY. Vencedor do
Young Lions Brasil 2018 e jurado
na edição deste ano, o criativo
soma 26 Leões em Cannes e
ganhou alcance nas redes ao
dividir seu processo criativo. Os
vídeos vão de seu ‘caderno de
ideias’ à rotina como brasileiro no
mercado internacional e renderam
ao publicitário mais de 54 mil
seguidores, além de publicações
com mais de um milhão de
visualizações.
Hélio Maffia é associate creative director na BBDO em Nova York
Divulgação
Bruna Nunes
Publicidade
Eu sempre gostei de criar, desde criança.
Mas a publicidade entrou na minha vida por causa
de um feedback negativo. Eu estava estudando para
prestar vestibular para direito e um professor de
redação me chamou e disse que minhas redações
dissertativo-argumentativas tinham humor demais.
Que aquele não era o lugar para tentar ser engraçado.
Ele me perguntou se eu já tinha pensado em seguir
uma área mais criativa. Foi ali que a chave virou.
Saí daquela conversa pesquisando outros cursos,
descobri a publicidade e acabei encontrando uma
profissão que transformava justamente aquilo que
estava sendo criticado em ferramenta de trabalho.
Nunca mais olhei pra trás.
TrajeTória
Nasci e cresci em Brasília. Comecei minha trajetória
na publicidade na UnB. Durante a faculdade,
trabalhei em algumas agências de lá, como Comunicata,
Monumenta e Master. Mas Brasília era, e ainda
é, um mercado muito voltado para comunicação governamental.
Então, assim que me formei, em 2014,
me mudei para São Paulo. Saí rodando a pasta nas
agências que eu admirava, pegando indicação, marcando
papos e tentando abrir espaço até cavar uma
vaga na DM9. Foi lá que as coisas começaram a acontecer.
Em 2016, criei a campanha McCode, que acabou
ganhando o primeiro Leão em Cannes da história do
McDonald’s no Brasil.
Premiações
Passei pela Y&R, hoje VML. Foi nessa época
que ganhei o Young Lions Brasil, uma experiência
que acabou marcando bastante a minha carreira.
Depois fui para a DPZ&T para voltar a atender
McDonald’s. Foram mais ou menos três anos criando
campanhas como ‘Fome de Méqui’ e ‘Méqui’. Em
2022, fui para a Africa Creative para liderar Budweiser
ao lado da minha dupla Yllo Pedra. Foi provavelmente
um dos períodos em que mais me diverti na
profissão. E, coincidência ou não, foi o período mais
criativo da história de Budweiser. Eu e Yllo Pedra
montamos e lideramos um time que conquistou
19 Leões em Cannes em três anos, incluindo um
Titanium e um Grand Prix. Nesse mesmo período,
também criamos o videoclipe ‘Meu Karma’ para o
rapper Jovem MK, que conquistou um Leão em Cannes
e uma indicação ao Grammy Latino.
eua
Em 2025, recebi o convite para me mudar para
Nova York junto com o Yllo e fazer parte do time
da FCB New York. Depois da fusão entre os grupos,
a agência virou BBDO NY, onde continuo hoje como
associate creative director atendendo marcas como
Michelob ULTRA, Spotify e Hyundai. Nesse primeiro
ano nos Estados Unidos, criei a campanha global de
Michelob Ultra para a Copa do Mundo; ‘Tunetorials’,
para Spotify; e ‘Forests without names’, para Hyundai.
A língua certamente é uma barreira, principalmente
para um redator. Eu nunca vou escrever como
um americano nativo. Mas felizmente não foi para
isso que me contrataram.
diferencial brasileiro
Quando cheguei aqui, entendi que se eu tentar
competir no que um americano faz melhor, provavelmente
vou perder. Então meu foco passou a ser
outro. Tentar contribuir com aquilo que trago de di-
34 15 de junho de 2026 - jornal propmark
ferente. Acho que o mercado brasileiro forma profissionais
muito versáteis. A gente aprende a fazer
muito com pouco, a resolver problemas de formas
diferentes e a navegar por uma cultura extremamente
diversa. Isso acaba trazendo perspectivas
que nem sempre estão presentes numa sala cheia
de americanos.
Young Lions
O Young Lions é uma experiência única. Além
da viagem de graça para Cannes, é o primeiro
contato de um jovem com profissionais do mundo
inteiro. Você passa a ter uma dimensão maior
da profissão, faz contatos, conhece outras formas
de pensar e volta muito mais inspirado.
Como jurado, vi muitas ideias que entraram para
brigar, mas também vi muita ideia sem uma tensão
real por trás. Ideias que resolviam o briefing, mas
que não traziam uma observação nova, uma verdade
humana, uma maldade ou algum tipo de estranheza
que fizesse você parar e prestar atenção.
ConseLhos
Meu principal conselho seria gastar 80% do tempo
procurando a ideia e 20% montando o board. A
apresentação é importante, mas ela não salva uma
ideia ruim. Se eu fosse competir hoje, passaria a
maior parte do tempo procurando a ideia. E, para ganhar
tempo na apresentação, pegaria como referência
algum board de um trabalho premiado. Todo ano,
mais de mil cases são premiados em Cannes. Dificilmente
existe uma diagramação de board que já não
tenha sido feita na história da propaganda. Use uma
boa referência, deixe tudo claro, e foque sua energia
no que realmente faz diferença: a ideia.
MeRCADo ATuAL
O papel da publicidade é: vender. Se em alguma
parte do processo a gente não está ajudando no negócio
do cliente, alguma coisa está errada. É aí que
entra a criatividade. A Kantar, numa pesquisa recente,
apontou a qualidade criativa como principal fator
de impacto da marca. Campanhas mais premiadas
geram em média mais atenção, mais lembrança, mais
conversa e, consequentemente, mais resultado.
nenhuma, eu consigo anotar as coisas do jeito que
elas aparecem na minha cabeça: uma observação,
uma frase solta, um desenho, um título, uma ideia
pela metade. É meio caótico. Mas depois, quando
duas ou três dessas coisas começam a se conectar,
vou pro computador e organizo tudo de uma forma
mais linear. Eu tenho esse caderno desde 2016.
99% do que está ali não serve pra absolutamente
nada. Mas o 1% que serve já rendeu boa parte das
ideias que estão no meu portfólio e que acabaram
virando campanhas, prêmios e projetos reais.
ViRAL
Eu resolvi contar um pouco dessa história nas redes
sociais e explicar como esse processo analógico
me ajuda a criar. O vídeo acabou batendo mais de
um milhão de visualizações. Acho que muita gente
se conectou com isso porque nesse momento em
que a inteligência artificial está no centro de praticamente
todas as conversas, existe algo muito humano
em um processo criativo que começa com um
caderno, uma caneta e uma observação qualquer
feita no meio do dia.
CRiATiViDADe
Eu acredito muito no poder da observação. Eu
sempre fui obcecado por observar o comportamento
das pessoas, pequenas contradições do dia a dia
e coisas que todo mundo vê, mas ninguém para pra
pensar sobre. Tento enxergar coisas simples por
uma ótica diferente. Porque quase todas as grandes
ideias começam assim: com uma observação pequena
que muita gente viu, mas ninguém tinha parado
para olhar de verdade. Se eu tivesse que falar o que
eu faço para estimular e cuidar da criatividade, seria
isso: continuar curioso e continuar observando.
DesTAque
Acho que é uma combinação da verdade com o
craft. As melhores campanhas do mundo nascem de
uma verdade humana, cultural ou de negócio que faz
as pessoas pensarem: “Isso é verdade”. Quando você
encontra essa verdade e tem uma obsessão pelo
craft, pelo bom texto, pela boa direção de arte, fica
muito difícil dar errado.
iA
O Ayrton Senna tinha uma frase que eu gosto
muito: “A chuva coloca todos os carros no mesmo
nível, mas não os pilotos”. Hoje, acho que estamos
correndo na chuva. Praticamente todo mundo tem
acesso às mesmas ferramentas e a barreira de entrada
nunca foi tão baixa. Mas se todo mundo tem
acesso às mesmas ferramentas, acredito que cada
vez mais o diferencial passa a ser a ideia, a observação,
o gosto e o repertório por trás dela.
ReDes soCiAis
Surgiu como uma vontade de explorar novos formatos
criativos. E também como um jeito de manter
minha mãe atualizada sobre o que eu andava fazendo
aqui nos Estados Unidos. O que eu não esperava
era a quantidade de jovens profissionais que iriam
se conectar com esse conteúdo. Hoje, uma das coisas
mais legais é poder trocar ideias e, às vezes, ajudar
alguém que está começando na área.
‘CADeRno De iDeiAs’
Nosso cérebro funciona de forma não-linear, mas
o computador acostumou a gente a pensar de forma
linear. Quando você abre um Word, por exemplo, você
escreve uma palavra, depois uma frase, depois um
parágrafo. Para mim, um caderno sem linha funciona
diferente. Como ele não tem linha nem estrutura
jornal propmark - 15 de junho de 2026 35
mercado
Cenp-Meios: investimento em mídia
alcança R$ 5,5 bi no primeiro trimestre
Painel aponta alta de 18,3% na compra de mídia; com 42% de share,
TV está à frente da internet (38,3%); OOH foi o meio que mais cresceu
O
mercado publicitário brasileiro
movimentou R$ 5,5 bilhões em
compra de mídia no primeiro
trimestre de 2026, segundo dados do
Painel Cenp-Meios, levantamento do
Cenp (Fórum de Autorregulamentação
do Mercado Publicitário). O volume
representa crescimento de 18,3%
em relação ao mesmo período de
2025, quando os investimentos somaram
R$ 4,7 bilhões. O acréscimo é de
aproximadamente R$ 864,9 milhões.
O desempenho ficou acima da evolução
do Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro no período, que foi de 1,8%,
segundo dados do IBGE. A televisão
aparece como o principal meio em volume
de investimento. Entre janeiro
e março deste ano, o meio registrou
cerca de R$ 2,34 bilhões em faturamento,
equivalente a 42% do total.
A internet vem na sequência, com
R$ 2,14 bilhões e participação de 38,3%
- no consolidado de 2025, o digital
liderou o bolo publicitário, com 40%
de share.
Em relação ao primeiro trimestre
de 2025, a TV avançou em valor absoluto
de R$ 2,19 bilhões para cerca de
R$ 2,34 bilhões, mas perdeu participação
no bolo publicitário, passando de
46,5% para 42%. Já a internet cresceu
de R$ 1,72 bilhão para R$ 2,14 bilhões
e ampliou seu share de 36,5% para
38,3%. O OOH foi a mídia que mais cresceu
- passou de 11,8% para 14,8% de
participação, com R$ 827 milhões.
Para Melissa Vogel, presidente do
Cenp, o resultado reflete o aquecimento
do mercado e o planejamento
antecipado dos anunciantes diante de
eventos de grande relevância previstos
para este ano.
“Foi um trimestre de fôlego para
nossa indústria. Para este início de
ano, o mercado naturalmente planejou
e organizou seus investimentos
considerando os grandes eventos que
ocorrerão nos próximos meses, como
a Copa do Mundo e as eleições”, afirma.
“Ainda é cedo para dizer que o ritmo
observado no primeiro trimestre
Levantamento do Cenp-Meios contou com 297 agências participantes
INVESTIMENTOS EM MÍDIA
meio
Janeiro a março de 2026
valor faturado
(000)
share (%)
CINEMA R$ 14.520 0,3%
INTERNET
geral R$ 2.139.981 38,3%
ÁUDIO R$ 5.686 0,3%
BUSCA R$ 137.066 6,4%
DISPLAY E OUTROS R$ 1.241.501 58%
SOCIAL R$ 529.697 24,8%
VÍDEO R$ 226.031 10,6%
JORNAL R$ 63.483 1,1%
OOH/MÍDIA EXTERIOR R$ 827.121 14,8%
RÁDIO R$ 176.397 3,2%
REVISTA R$ 16.046 0,3%
televisão
Unsplash
Na comparação com o mesmo período
de 2025, o setor registrou acréscimo de
aproximadamente R$ 864,9 milhões
geral R$ 2.344.401 42%
TV ABERTA R$ 1.746.617 74,5%
TV POR ASSINATURA R$ 597.784 25,5%
Total R$ 5.581.949
determinará o desempenho do ano
como um todo. O que podemos falar
é que haverá importantes oportunidades
para anunciantes, agências e
veículos. Uma Copa do Mundo com 48
seleções e realizada em três países
tem potencial para gerar reflexos positivos
ao longo de todo o ano.”
Os dados compilados pelo Cenp-
-Meios referem-se aos espaços publicitários
efetivamente comprados por
agências de todo o país entre janeiro
e março de 2026. O levantamento considera
os Pedidos de Inserção executados
e faturados pelos veículos, organizados
por meio, período, estado e
região, sem acesso a informações individualizadas
de clientes ou veículos.
O Cenp-Meios é monitorado pelo
Núcleo de Qualificação Técnica (NQT),
organismo estatutário especializado
em pesquisa, mídia, circulação e métricas,
composto por representantes
de anunciantes, agências, elos digitais
e veículos de comunicação. O sistema
Cenp-Meios foi verificado pela KPMG.
Fonte: Cenp-Meios
36 15 de junho de 2026 - jornal propmark
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mercado
A nova era das lideranças publicitárias
A partir do dia 17 de junho,
o Sinapro-SP terá uma nova
diretoria no triênio 2026-2029,
liderada por Ana Paula Passarelli,
cofundadora e diretora-executiva
de negócios da agência Brunch.
A “Passa”, como é conhecida,
é a primeira mulher e a mais
jovem a liderar a entidade,
em seus 83 anos de história.
E já chega com mudanças
estruturais, trazendo mais
mulheres e agências
independentes para a diretoria.
Para o propmark, ela deixa
claro que as regras do jogo estão
mudando, e que, se depender de
seu mandato, a coletividade e a
saúde mental farão parte dele.
Divulgação
Ana Paula Passarelli: “O que nos trouxe até aqui não exatamente nos levará ao futuro”
Bruna Magatti
CANDIDATURA
A Brunch é uma das agências associadas
à entidade e eu fui indicada
por eles para fazer parte do grupo de
trabalho do Centro de Criação de Boas
Práticas em Relações Comerciais com
Influenciadores. O Roberto Tourinho
me chamou em junho de 2025 para
um almoço, contou que gostaria de
fazer mudanças no Sinapro e me
trouxe essa ideia de eu liderar a diretoria
do novo triênio. E ele me trouxe
exatamente o ponto da renovação.
Tem muita gente no sindicato que
entrega muito e somos gratos a essas
pessoas, mas minha geração não
se vê nesse lugar. Está cada um por
si, porque todo mundo precisa pagar
contas. Acho que dá para a gente falar
de mudanças mais estruturais. Mas a
gente planta. E mesmo que não seja
a minha gestão que vá colher isso,
a gente está plantando, entendeu?
Durante este período, comecei a frequentar
reuniões da Fenapro, como
ouvinte. Tourinho me disse que o que
nos trouxe até aqui com certeza não
será exatamente o que nos levará
para o futuro. E é nisso que eu acredito.
Abrimos sete vagas na diretoria.
Passamos de três para sete mulheres.
Também expandimos a possibilidade
para agências independentes.
MANDATO
Meu mandato representa que as
regras do jogo estão mudando rápido.
O poder dessas decisões está
mudando de mão e trazer essas
pessoas que hoje já comandam nas
bordas da publicidade, um novo jeito
de se pensar a comunicação, pode
ser um caminho para a gente ter
uma evolução, uma inovação dentro
do setor. Eu, como agência independente,
navego nas bordas. E o nosso
maior inventário de associados são
agências independentes.
DESAFIOS
Hoje pensamos de maneira muito
individual e isso criou rachaduras no
“Quero que o
mercado adote
a criatividade
responsável em
suas operações”
setor de comunicação como um todo,
fazendo com que a confiança no papel
da agência fosse questionada. Muita
coisa ‘foi jogada debaixo do tapete’ e
a nova diretoria quer olhar de frente
para essas questões. Diversidade é
uma questão e uma das coisas em que
vamos focar é como ajudar os associados
a liderar essa mudança estrutural,
para que não precise acontecer algo
midiático para que mudanças pontuais
ocorram. Também vamos abrir um
grupo sobre gestão de pessoas, principalmente
para finalmente falarmos
sobre saúde mental no setor, que lida
com um nível de urgência surreal. NR1
ajuda as empresas a mapearem o risco
e dá luz às questões como depressão
e burnouts, entre outras doenças.
Nosso trabalho, de fato, será olhar
para as nossas lideranças e entender
como a gente pode potencializar o autocuidado
no trabalho delas.
LEGADO
Estamos plantando algo novo. Eu
espero que, ainda dentro da gestão,
eu possa ver essa mudança e os frutos
dela. Se a gente já plantar e ver nascer,
já estou feliz. A geração Z assumindo
essa posição e colhendo os frutos. E
espero que eu esteja lá. Acho que eles
estão mais animados com o processo
coletivo. Quero que o mercado adote
a criatividade responsável em suas
operações. Temos uma das indústrias
mais criativas do mundo. E sabemos
ser responsáveis em nossas operações
com paixão no que executamos para
os nossos clientes. É isso que precisa
estar no top 1 de qualquer agência.
38 15 de junho de 2026 - jornal propmark
agências
Tech&Soul tem novo diretor de criação
e é Agência do Ano no AdForum PHNX
Zim Hernandez retorna após três anos para operação que acaba de
conquistar dez prêmios com campanhas para B3 e Revista Unquiet
O
colombiano Zim Hernandez retornou
à Tech&Soul como diretor
de criação. Ele responderá a
Flavio Waiteman, cofundador e CCO da
Tech&Soul e co-CEO do T&S Group ao lado
de Claudio Kalim. “Três anos depois,
volto mais maduro, inquieto e ainda
mais apaixonado por ideias feitas
com carinho, verdade e pessoas boas
ao redor”, declara Hernandez.
Hernandez tem mais de 14 anos de
carreira e foi reconhecido em premiações
no Cannes Lions, Clio Awards, One
Show, Effie Awards e El Ojo de Iberoamérica.
“Ele acumulou experiências
relevantes, liderou projetos para
grandes marcas e ampliou ainda mais
sua visão criativa”, diz Waiteman.
Zim Hernandez: “Volto ainda mais apaixonado por ideias feitas com carinho”
Divulgação
Prêmio
A Tech&Soul foi nomeada Agência
Independente do Ano no AdForum PHNX
Awards 2026, com dez prêmios para
quatro campanhas. O case ‘Art hits’,
criado para a B3, ganhou um Ouro (Branded
Content and Activation) e duas
Pratas (Creator & Influencer Campaigns
e Cultural Insights). Já ‘Fire prints’, para
a Revista Unquiet e a ONG Onçafari, levou
um Ouro (Graphic and Publication
Design), três Pratas (Press, Print Craft
e Public Relations) e um Bronze (Direct
Marketing). Com ‘Uncomfortable nature
sounds’, também para Unquiet, conquistou
uma Prata (Environmental), e ‘Detox
bet’, também para B3, foi agraciada
com um Bronze (Creative Technology).
jornal propmark - 15 de junho de 2026 39
agências
DZ Estúdio concilia adaptabilidade e
consistência para apoiar atuação nacional
Com 21 anos de história, agência de Porto Alegre aposta em relações
duradouras, metodologias abertas ao mercado e uso criterioso de IA
Vitor Kadooka
Aos 21 anos, a DZ Estúdio chega a 2026 com um
conceito claro: equilibrar consistência e adaptabilidade.
Com sede em Porto Alegre, a agência sustenta
sua atuação nacional a partir de uma lógica baseada
em método, flexibilidade e relações de longo prazo.
Em 2026, a DZ completa 14 anos de parceria com o
Sicredi e sete anos com a Unilever. Também retoma o
relacionamento com o Grupo Bimbo, com quem trabalhou
por dez anos, entre 2013 e 2023, e que agora
retorna para um projeto.
Para Zé Pedro Paz, co-CEO da DZ Estúdio, consistência
e adaptação ajudam a explicar a longevidade
da operação. “Ser nativa digital era um trunfo, mas
ser adaptável por ser digital foi a grande vantagem.
Porém, se a DZ ficasse apenas surfando cada onda
de mudança, também não teria construído nada. Por
isso, a importância da consistência.”
Segundo Paz, essa disciplina também fez a agência
evitar movimentos guiados apenas por tendência.
Nas palavras dele, a DZ se tornou “chata da consistência”
ao não embarcar automaticamente em
apostas incertas com seus clientes, como “fazer um
novo app, entrar no metaverso, criar um NFT”.
Fora do eixo
A decisão de manter a base em Porto Alegre,
mesmo com parte relevante da carteira de clientes
fora do estado, também faz parte dessa construção.
“Agências que crescem no Sul sempre enfrentam
um dilema: seguir fortes em sua região ou ir para
São Paulo e focar toda a energia nos clientes nacionais.
A gente passou por diferentes momentos em
relação a essa escolha. A pandemia acelerou esse
movimento, no sentido de os clientes estarem mais
abertos a trabalhar com parceiros que estão longe
fisicamente. Grandes marcas começaram a experimentar
mais, a estar mais abertas e atentas ao que
acontece em todo o Brasil. Hoje, percebemos uma
valorização maior. Sentimos que podemos manter
nossa identidade, ter pessoas por todo o país e atender
tanto grandes empresas globais, como Unilever,
L’Oréal e Bimbo, quanto marcas fortes de origem
gaúcha, como Sicredi, Artecola e Grupo RBS.”
Frameworks
Em 2025, no aniversário de 20 anos, a decisão da
DZ foi abrir seus frameworks de estratégia, criação
e ativação, em vez de fazer uma comemoração convencional.
Segundo Paz, a escolha tem relação com
Peça da campanha ‘Sempre tem mais Copa’ criada para o Grupo RBS; conglomerado narrará 98 jogos do Mundial
“Ser nativa digital era
um trunfo, mas ser
adaptável por ser digital
foi a grande vantagem”
Zé Pedro Paz, co-CEO da DZ Estúdio: manter identidade
Fotos: Divulgação
a origem digital da agência e com a visão de que o
compartilhamento de conhecimento pode gerar valor
para clientes, profissionais e para o mercado.
“Achamos que uma campanha de aniversário interessaria
pouco às pessoas de fora da DZ. E nos perguntamos
o que poderia ser uma celebração a partir da
nossa identidade. Os frameworks traduzem o nosso jeito
de trabalhar e a nossa cultura. São baseados em envolvimento,
consistência e colaboração. Abri-los para
o mercado comunica bem nossa crença em um futuro
digital mais humano; e fortalece a DZ como referência
em metodologias proprietárias, tanto para possíveis
clientes quanto para profissionais do mercado.”
Tecnologia
O avanço da inteligência artificial generativa é
outro ponto que atravessa o posicionamento recente
da agência. Em 2024, a DZ lançou o conceito ‘Digital
que robô não faz’. “Eu costumo dizer que, quanto
mais possibilidades o digital nos oferece, mais apurado
precisa ser o senso de escolha. A IA eleva essa
lógica ao quadrado. A gente é digital e, claro, abraça
a tecnologia. Estamos experimentando bastante
as ferramentas de IA na rotina da DZ: na geração
de protótipos, revisão de textos e simplificação de
processos, por exemplo. Mas achar que a IA vai fazer
tudo sozinha é um risco”, finaliza.
40 15 de junho de 2026 - jornal propmark
marcas
Pilão posiciona café como opção para
acompanhar os jogos da Copa do Mundo
BETC Havas é a autora da campanha ‘Patrocinador oficial do dia
seguinte’, veiculada em OOH, mídia impressa e no ambiente digital
Café ou refrigerante? Churrasco ou
pizza? Brasileiros se organizam
para assistir aos jogos da Copa do
Mundo, que ocorre no México, Estados
Unidos e Canadá até o dia 19 de julho.
A marca Pilão propõe a escolha do “café
forte do Brasil” para acompanhar a
maratona de partidas, com direito a
tempo extra de memes e comentários
noite adentro.
Criada pela BETC Havas, a campanha
‘Patrocinador oficial do dia seguinte’
terá a embaixadora da marca,
Fernanda Gentil, como “correspondente
oficial do dia seguinte”. A jornalista
mostrará o cotidiano dos torcedores
após as disputas, seguindo a fórmula
do quadro ‘Tchofalá’. Ela comandará
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
Imagem retrata cansaço após maratona de resenhas que devem invadir madrugadas
ainda ‘Recado para os chefes’.
“O jogo termina, a conversa continua,
a gente vai dormir tarde, mas a
Divulgação
rotina chega cedo. Pilão representa a
força de que as pessoas que não desistem
e correm atrás dos seus objetivos
precisam para encarar o próximo
dia”, comenta Diogo Machado, gerente
de marketing da marca Pilão. “A campanha
nasce desta verdade cultural e
transforma um comportamento cotidiano
em uma plataforma de comunicação”,
emenda Rafael Avila, diretor
de criação da BETC Havas.
A mensagem será transmitida por
meio de peças de mídia out of home
(OOH) com fotos produzidas por Ale
Burset, expostas em São Paulo, Rio
de Janeiro e Campinas; ativações em
metrôs e elevadores residenciais e comerciais;
anúncios no jornal O Globo;
e conteúdos criados por Julio Rocha e
Bia Reis, além de creators nativos do
TikTok, para o ambiente digital.
C
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Y
CM
MY
CY
CMY
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Quem faz
história na
propaganda
merece ser visto.
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jornal propmark - 15 de junho de 2026 41
marcas
Growth prioriza conteúdo próprio e
comunidade em nova fase de marketing
Sob a liderança de Rafael Montalvão, ex-Magalu, marca aposta
em realities no canal do YouTube, influência e experiências físicas
Fotos: Divulgação
Rafael Montalvão, CMO da Growth: DNA da marca está dentro das academias
Ricardo Corbucci, do time de influenciadores da marca, apresenta o reality ‘Maromba chef’
Vitor Kadooka
Sob controle da Merama desde
2023 e agora comandada por Diego
Freitas, ex-CEO da SBF, a marca
de suplementos Growth inicia uma
nova etapa também no marketing. A
área passou a ser liderada por Rafael
Montalvão, executivo com passagens
por Magalu, Netshoes e Apsen, desde
outubro do ano passado.
Ao propmark, Montalvão afirma
que a estratégia da marca seguirá
ancorada em conteúdo, comunidade
e experiências capazes de aproximar
a Growth de novos públicos. Sem detalhar
próximos investimentos em
mídia tradicional, OOH ou parcerias
com plataformas, o executivo afirma
que o centro da marca permanece
o mesmo. “Nosso DNA sempre esteve
dentro da academia, e é a partir
dela que trabalhamos a conexão
com outros esportes, comunidades
e clientes. O que a nova estrutura
proporcionou foi mais capacidade
analítica e visão de longo prazo para
o marketing”, afirma.
Para isso, Montalvão aponta que
alguns pilares são inegociáveis,
como transparência, linguagem direta
e conexão genuína com quem
vive o esporte. “O que muda é a
nossa capacidade de escalar essas
iniciativas, ampliar o alcance da
marca e criar experiências cada vez
mais relevantes para o consumidor.
Temos um único concorrente: o sofá.
Vencendo-o, trazemos mais pessoas
para a academia, que consequentemente
terão contato com a Growth,
pois lá é a nossa casa”, explica.
Uma das fortalezas da marca está
na construção de um ecossistema
de influência ligado ao segmento fitness.
Atualmente, são mais de três
mil influenciadores conectados à
marca. “Essa foi uma estratégia muito
assertiva, pois a grande maioria
cresceu junto com a marca. Temos
influenciadores há muito tempo conosco,
alguns há mais de dez anos, e
é dessa relação que vem nossa autenticidade”,
comenta.
O ‘Maromba chef’, apresentado
por Ricardo Corbucci e com jurados
como Renato Cariani, Júlio Balestrin,
Michele Crispin e Diogo Círico, é um
dos exemplos dessa estratégia. A
atração transforma dieta, treino e
suplementação em entretenimento,
com desafios culinários ligados à rotina
fitness.
Segundo Montalvão, o investimento
em conteúdo proprietário
parte da força da Growth TV, canal da
“A nova estrutura
proporcionou
mais capacidade
analítica e visão
de longo prazo”
marca no YouTube. “Nosso canal no
YouTube é o maior no segmento de
suplementação no Brasil, com mais
de 3,4 milhões de inscritos. O ‘Maromba
chef’ conecta alimentação saudável
e estilo de vida, mostrando o
nosso portfólio de mais de 300 itens
só em suplementos. Já o ‘Reforma
minha academia aí!’ reforça nosso
compromisso com o desenvolvimento
da cultura fitness no Brasil. Estamos
investindo em entretenimento
proprietário porque acreditamos
que as marcas precisam gerar valor
antes de gerar venda.”
Esse processo também passa
pelo cuidado com uma comunidade
que reconhece rapidamente quando
uma marca adota uma linguagem
de forma forçada. Para o executivo,
a Growth tem buscado reforçar esse
vínculo em iniciativas que aproximam
os ambientes digital e físico.
“Iniciamos um trabalho focado em
reforçar o elo com a nossa comunidade
através de ações como o estande
no Arnold Classic 2026, maior feira
do segmento na América Latina,
marcando a estreia da Growth no
evento. Ao todo, mais de cem mil
pessoas passaram pelo stand, e atingimos
o mesmo número de pessoas
acompanhando a programação ao
vivo que transmitimos direto de lá
através da Growth TV. Foram mais de
60 milhões de visualizações em cortes
com o nosso conteúdo produzido
na feira. Além disso, testamos pela
primeira vez a venda em um ambiente
físico, e a estratégia foi um sucesso”,
detalhou.
Para os próximos meses, a Growth
pretende ampliar o portfólio,
programas proprietários e pontos de
contato com o consumidor. Em 2026,
a marca lançou 20 produtos, desenvolveu
novas editorias para a Growth
TV e realizou sua primeira live shop
no TikTok, na categoria de vestuário.
No fim de 2025, também passou a
vender pelo Mercado Livre.
42 15 de junho de 2026 - jornal propmark
produtoras
O voo do ‘Gavião’ e da Balma Films, que
conquistou 49 prêmios em dez festivais
Campanha divulgou o primeiro time de futebol profissional do Brasil
formado por jogadores indígenas; produtora liderou todo o projeto
Kelly Dores
Foram 49 prêmios em dez festivais,
começando pelo Cannes Lions em
2025 e encerrando no D&AD deste
ano. Esse é o saldo de conquistas do
case ‘Gavião Kyikatêjê’, que promoveu o
primeiro time de futebol profissional do
Brasil formado por jogadores indígenas,
que não contava com patrocinadores. A
campanha da Balma Films mostra como
uma produtora independente brasileira
(com menos de dois anos de atividade)
conseguiu a façanha de contar uma história
que mexeu o ponteiro sem a participação
de uma agência local.
“Tivemos muita cautela, mas ao
mesmo tempo muita gana em buscar
parceiros de todos os tipos para refinar
a ação. Começamos com a ideia
criativa e, a partir daí, produzimos um
filme - neste momento apenas a Balma
estava envolvida enquanto empresa,
o restante estava participando
como ‘profissionais conectados’ ao
projeto. Assim que nosso filme ficou
pronto, levei para diferentes agências
brasileiras para mostrar o potencial e
entender como elas poderiam entrar
no projeto e fortalecer esse movimento.
Mas infelizmente nenhuma
delas decidiu seguir em frente como
parceira. Enquanto isso, conseguimos
parceiros como Bumblebeat (produtora
de som), Dirty Work (produtora
de animação), Karina Puri (consultoria
indígena) e Flavor, Cuadropost
(pós-produção)”, conta Thiago Balma,
sócio-fundador da Balma Films.
Para o diretor-executivo, existe
um desafio importante de mercado,
que é fazer com que agências e marcas
entendam o valor de investir em
uma comunicação que gere impacto
cultural e social. “Não estamos falando
apenas da ideia central de uma
campanha, mas de toda uma cadeia
de profissionais, parceiros e processos
que ajudam a construir narrativas
capazes de transformar a percepção
das pessoas”, ressalta ele. “Mais do
que os prêmios, o maior aprendizado
‘Gavião Kyikatêjê’ mostra a história de resiliência, resistência e inclusão no cenário esportivo
Thiago Balma: “A produção pode contribuir muito além da realização do filme”
foi perceber que, quando damos voz
e espaço para grupos historicamente
pouco representados, nosso potencial
criativo se expande. O resultado é
uma comunicação mais potente, mais
verdadeira e que reverbera de forma
muito mais profunda nas pessoas”.
Em sua visão, o principal diferencial
do projeto foi mostrar que a produção
pode contribuir muito além da
realização do filme. “Participamos ativamente
da construção estratégica
da iniciativa, ajudando a transformar
Fotos: Divulgação
uma ideia em uma plataforma cultural
capaz de gerar repercussão. Isso
faz com que clientes e agências passem
a enxergar a Balma não apenas
como uma produtora, mas como uma
parceira criativa capaz de agregar valor
ao projeto desde o início”, avalia.
De Nova York, a Area 23 entrou
como agência parceira e liderou toda
a estratégia criativa no desenvolvimento
do case e também ajudou a
investir em premiações. Do conceito
ao lançamento, ‘Gavião’ levou cerca
de sete meses de desenvolvimento.
“Foi um processo muito intenso. Em
menos de um ano de vida da produtora,
conquistamos um Leão de Ouro em
Film e uma Prata em Diversity & Inclusion”,
conta Thiago Balma.
Os próximos passos da produtora,
que completará dois anos de existência
em agosto e promete novidades
no casting de diretores, incluem o
fortalecimento da área de projetos
especiais, “mostrando ao mercado
que, quando combinamos inteligência
de produção com uma curadoria
cuidadosa de talentos, conseguimos
criar modelos viáveis para iniciativas
que exigem abordagens não convencionais,
seja pela complexidade, pela
sensibilidade sociocultural ou pela ausência
de financiamento estruturado”.
O sócio-fundador da Balma analisa
que o principal desafio é continuar
contando histórias que gerem impacto
real. “Queremos consolidar a Balma
entre as produtoras criativas mais
relevantes do audiovisual, sem abrir
mão daquilo em que acreditamos.”
Sobre o mercado, ele observa que
o avanço da IA e o crescimento das estruturas
in-house das agências impactaram
o mercado de produção como
um todo, ao mesmo em que grandes
eventos, como a Copa do Mundo, ajudam
a movimentar a indústria.
“Existe uma concorrência maior
e os investimentos estão mais pulverizados,
mas ainda assim percebo
um mercado aquecido e com boas
oportunidades para quem consegue
entregar diferenciação criativa e excelência
de execução. Ficamos muito
animados com os projetos que estamos
realizando. Neste momento, estamos
desenvolvendo nossa terceira
campanha relacionada à Copa do Mundo,
além de outros clientes importantes.
Até agora, registramos um crescimento
de aproximadamente 25%
em relação ao mesmo período do ano
passado, e a expectativa é encerrar o
semestre mantendo esse ritmo positivo”,
finaliza Thiago Balma.
jornal propmark - 15 de junho de 2026 43
mídia
‘A home do out of home’
Com a visão de que o OOH deve
funcionar como uma plataforma
estratégica de crescimento para as
marcas, conectando presença urbana,
dados, criatividade, retail media e
performance de negócio, a Acessooh
se intitula ‘A home do out of home’
no Brasil. Conforme explica o CEO
Fernando Rodovalho, a atuação
da empresa é de uma martech
especializada em OOH, DOOH e
retail media, conectando branding,
tecnologia e resultado de negócio.
“Deixamos de olhar apenas para telas e
formatos, que se tornaram commodity,
para entender de forma mais profunda
a jornada das pessoas ao longo do dia,
seus deslocamentos, contextos, hábitos
e momentos de atenção”, diz ele.
Fernando Rodovalho: “A mídia exterior pode ir muito além da visibilidade”
Divulgação
Kelly Dores
POSICIONAMENTO
A assinatura traduz exatamente o
posicionamento que construímos ao
longo dos últimos anos. A Acessooh
deixou de atuar apenas como uma
agência de mídia exterior para se
tornar um ecossistema especializado
em OOH, DOOH e retail media. Quando
dizemos que somos ‘a home do out of
home’, estamos reforçando que reunimos
estratégia, dados, criatividade,
tecnologia, mensuração e operação
dentro de uma mesma estrutura.
Justamente por toda essa evolução,
passamos também a nos posicionar,
de forma muito natural e até carinhosa,
como ‘a home do out of home e do
retail media’, porque entendemos que
hoje o mercado exige integração entre
presença urbana, dados, jornada
do consumidor e performance de negócio.
É uma assinatura que reforça
nossa autoridade, especialização e
conexão genuína com a transformação
do setor.
AMADURECIMENTO
A Acessooh nasceu há mais de
dez anos com a visão de que a mídia
exterior poderia ir muito além
da visibilidade. O reposicionamento
aconteceu de forma natural, conforme
o mercado amadureceu e as
demandas dos clientes passaram
a exigir mais inteligência, dados,
performance e mensuração. Nesse
processo, entendemos que o papel
da agência também precisava
evoluir junto com a transformação
do OOH. Deixamos de olhar apenas
para telas e formatos, que se tornaram
commodity, para entender de
forma mais profunda a jornada das
pessoas ao longo do dia, seus deslocamentos,
contextos, hábitos e momentos
de atenção. Hoje, atuamos
como uma martech especializada
em OOH, DOOH e retail media, conectando
branding, tecnologia e resultado
de negócio. Nosso diferencial
está justamente em transformar
mídia exterior em inteligência de
jornada, utilizando dados, geolocalização,
comportamento e contexto
para gerar campanhas mais estratégicas,
eficientes e conectadas
com a realidade das pessoas.
ESTRUTURA
Hoje a Acessooh opera por meio
de dois grandes hubs integrados:
OOH e retail media. Contamos com
uma equipe de quase 30 pessoas,
reunindo profissionais de planejamento,
dados, criação, inteligência,
mídia, tecnologia e performance,
formando uma estrutura multidisciplinar
orientada por estratégia
e mensuração. Nosso modelo foi
desenhado para integrar de ponta
a ponta a jornada da campanha,
desde o planejamento até o acompanhamento
de impacto em vendas
e comportamento do consumidor.
DOOH E RETAIl MEDIA
O mercado vive um momento de aceleração
muito forte em digitalização,
programática e integração de dados.
No DOOH, vemos crescimento da com-
“Nosso diferencial
está justamente
em transformar
mídia exterior
em inteligência
de jornada”
44 15 de junho de 2026 - jornal propmark
pra programática, uso de geolocalização,
inteligência contextual e campanhas
mais dinâmicas e segmentadas.
Já no retail media, o grande avanço é
a integração entre
mídia, comportamento
de compra
e sell-out. OOH e varejo
estão cada vez
mais conectados,
permitindo que as
marcas acompanhem
impacto em
visitas, ticket médio
e vendas de maneira
muito mais
concreta.
Jornada completa
O OOH tem uma característica
única: ele conecta marca, contexto e
comportamento em ambientes reais.
Quando usamos inteligência geográfica,
dados de mobilidade, criatividade
específica para o meio e integração
com varejo, conseguimos transformar
exposição em resultado mensurável.
O impacto deixa de ser apenas visual
e passa a influenciar awareness, consideração,
fluxo em loja e vendas. Hoje
o OOH participa da jornada completa
do consumidor.
InteGraÇÃo
Nosso modelo é totalmente integrado.
Trabalhamos planejamento estratégico
baseado em dados, criação
específica para o meio, inteligência
geográfica, tecnologia proprietária
e mensuração contínua. Tudo isso é
centralizado dentro do AcessData,
nosso ecossistema proprietário. Isso
permite acompanhar a campanha antes,
durante e depois da execução, gerando
previsibilidade e transparência
sobre performance e retorno.
perFormance
Hoje as marcas precisam justificar
investimento com dados concretos e
impacto real de negócio. O branding
continua sendo fundamental, mas ele
precisa estar conectado à performance.
Nosso foco é garantir que o OOH
contribua efetivamente para o crescimento,
seja em awareness, fluxo,
sell-out ou eficiência de investimento.
metodoloGIa
Nossa metodologia combina inteligência
de dados, planejamento
estratégico, criatividade e mensuração
em um fluxo contínuo. Full
“O mercado vive
um momento de
aceleração forte
em digitalização,
programática
e integração
de dados”
data significa trabalhar com dados
transversais em todas as etapas da
campanha. Já full journey representa
a integração completa da jornada
do consumidor,
da construção de
awareness até
a conversão no
varejo. Isso transforma
o OOH em
uma plataforma
de negócio e não
apenas em mídia
de exposição.
mensuraÇÃo
de vendas
Tudo começa
com análise de mercado, comportamento
e contexto urbano. A partir
daí, definimos os pontos de contato
mais estratégicos utilizando inteligência
geográfica e hiperlocalização.
Durante a campanha acompanhamos
métricas de cobertura, frequência e
performance em tempo real. Na etapa
final, conectamos exposição urbana
a indicadores comerciais por meio do
retail media, permitindo mensurar
impacto em vendas, fluxo e comportamento
de compra.
acessdata
O AcessData é o núcleo tecnológico
e analítico da Acessooh. Ele
reúne plataformas que atuam em
diferentes etapas da jornada. O Genius
organiza inteligência de dados e
planejamento. O Simuladooh projeta
cobertura, impactos e frequência.
O Neurooh utiliza IA e neurociência
para validar criativos antes de a campanha
ir para a rua. O RoiTail conecta
mídia a indicadores comerciais e
vendas no varejo. E o TIOOH acelera
consultas e análises estratégicas.
Juntas, essas ferramentas permitem
decisões mais inteligentes, previsibilidade
e mensuração contínua.
copa e eleIÇões
Na Acessooh, temos trabalhado
esse movimento de forma muito estratégica
com clientes que estarão
diretamente conectados aos grandes
eventos do ano. Um dos exemplos
é a Uber, cliente da agência e
patrocinadora oficial da CBF. Para
a marca, estamos desenvolvendo
uma estratégia de comunicação
contextual ao longo de toda a jornada
do torneio, com mudanças de
mensagem e ativações acompanhando
os diferentes momentos do
calendário, desde o período pré-jogo
até a convocação, jogos da seleção
brasileira e conversas culturais que
surgem ao longo da competição. A
ideia é usar mídia exterior e DOOH
para conversar com as pessoas de
maneira contextual, entendendo
comportamento, deslocamento, clima
social e momentos de atenção
durante o torneio. Isso reforça uma
tendência importante do mercado,
em que a mídia deixa de ser apenas
exposição e passa a atuar como
plataforma dinâmica de conexão
cultural, relevância e jornada. Outro
exemplo é a PepsiCo, que terá
campanhas relevantes para marcas
como Lay’s, Torcida e Amendoins, incluindo
ações de retail media voltadas
ao período da Copa. Além disso,
a companhia também prepara ativações
urbanas conectadas à temporada
de Fórmula 1 com Doritos,
ampliando presença nas ruas em
momentos de grande mobilização
cultural e esportiva.
Impacto
Grandes eventos ampliam circulação
urbana, audiência e consumo de
mídia exterior. A Copa do Mundo historicamente
movimenta campanhas
de varejo, bebidas, tecnologia, serviços
e entretenimento. Já as eleições
aumentam o debate sobre ocupação
do espaço urbano, presença regional
e comunicação de
massa. Isso aquece
o mercado
como um todo.
neGÓcIos
O mercado
segue bastante
aquecido, principalmente
em
DOOH, retail media
e projetos
orientados por
dados e mensuração.
A tendência
é de continuidade no crescimento
da Acessooh, impulsionado pela
consolidação do nosso modelo integrado
e pela expansão das soluções
proprietárias de inteligência e
performance. O OOH vive uma transformação
importante e as marcas
estão cada vez mais interessadas
em soluções que combinem escala,
tecnologia e resultado comprovado.
Ao mesmo tempo, entendemos que
“Hoje as marcas
precisam
justificar
investimento com
dados concretos
e impacto real
de negócio”
esse crescimento do meio exige
uma evolução constante das empresas
que atuam nele.
InvestImento
A Acessooh vem investindo fortemente
em pessoas, tecnologia, dados
e inteligência para acompanhar a
transformação do mercado e antecipar
novas demandas dos clientes.
Nosso foco é continuar evoluindo junto
com o setor, ampliando capacidade
estratégica, aprofundando o olhar sobre
jornada e contexto e fortalecendo
soluções cada vez mais conectadas
à performance e relevância cultural.
Também temos uma expectativa bastante
positiva para os próximos meses
com a chegada de novos clientes
e parceiros estratégicos, o que deve
acelerar ainda mais nossa atuação
em projetos integrados de OOH, DOOH
e retail media.
terceIra GeraÇÃo
Minha trajetória sempre esteve
conectada ao universo da mídia exterior
e à evolução do OOH no Brasil.
Represento a terceira geração de uma
família que atua no setor. Minha família
foi responsável por introduzir a mídia
em bondes na cidade pela Publix
e meu pai foi fundador e presidente
da Central de Outdoor. Comecei minha
carreira na Publix, empresa familiar
que posteriormente deu origem à
BME após ser adquirida pelo Deutsche
Bank, onde atuei
como diretor-
-comercial por
sete anos. Minha
formação profissional
veio muito
da vivência prática
do mercado,
acompanhando de
perto as transformações
do setor,
a evolução da operação,
da comercialização
e, mais
recentemente, a
incorporação de dados, tecnologia,
inteligência geográfica e mensuração
ao OOH. Essa trajetória ajudou a construir
a visão que temos hoje na Acessooh.
O OOH não pode mais ser apenas
uma mídia de impacto e cobertura. Ele
precisa funcionar como uma plataforma
estratégica de crescimento para
as marcas, conectando presença urbana,
dados, criatividade, retail media
e performance de negócio.
jornal propmark - 15 de junho de 2026 45
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
Projeto Abrigo Amigo, que une Claro
e Eletromidia, chega a Curitiba e BH
Marca patrocinadora quer tornar o trajeto das mulheres mais protegido
com a tecnologia que a mídia exterior oferece nos pontos de ônibus
Paulo Macedo
A Claro é patrocinadora exclusiva do Abrigo Amigo, desenvolvido pela Eletrromidia; o CSO Marcelo Pacheco destaca o valor social
Com a chegada neste mês de junho
às cidades de Curitiba e Belo Horizonte,
o projeto Abrigo Amigo,
cuja essência é transformar pontos de
ônibus ambientados no inventário da
Eletromidia - com patrocínio exclusivo
da Claro desde setembro do ano passado
- em espaços conectados para a
população, especialmente mulheres,
terem atendimento remoto durante a
noite e a madrugada com o propósito
de se sentirem mais seguras diante
das ameaças que podem surgir nesse
horário. O local é equipado com câmeras
de alta resolução, microfones e
alto-falantes ligados a uma central de
monitoramento.
As duas cidades foram dotadas de
150 equipamentos com esses dispositivos.
No total, a Eletromidia disponibiliza
785 unidades em 10 cidades, entre as
quais São Paulo. Marcelo Pacheco, CSO
da Eletromidia, explica que a iniciativa
reforça uma visão de smart cities em
que infraestrutura, conectividade e
impacto social caminham juntos para
criar uma relação mais humana entre
cidade e população.
“O serviço cria uma rede de apoio
acessível para pessoas que aguardam
o transporte público durante a noite,
especialmente em momentos de maior
vulnerabilidade. Mais do que ocupar
o espaço urbano com comunicação, o
projeto demonstra como a mídia exterior
e a tecnologia podem contribuir de
forma prática para melhorar a experiência
das pessoas na cidade”, destaca
Pacheco, sem esquecer de mencionar o
impacto da iniciativa.
“O projeto já ultrapassou 53 mil chamadas
de acompanhamento remoto e
mais de 4.300 ocorrências documentadas
desde o lançamento, em agosto de
2023. Esse volume de interações consolida
o projeto como uma rede de apoio
efetiva no cotidiano das cidades.”
O Abrigo Amigo, na expressão de Pacheco,
foi desenvolvido a partir da análise
de dados públicos de segurança. “O
projeito inclui informações das Secretarias
de Segurança Pública e prefeituras,
além de estudos nacionais sobre
violência contra a mulher. Entre as principais
referências usadas estão os dados
do Anuário Brasileiro de Segurança
Pública, que apontam o crescimento
contínuo dos casos de violência de gênero
no país e reforçam a importância
de ampliar iniciativas de acolhimento e
proteção em espaços urbanos.”
“O Abrigo Amigo
Claro evidencia a
existência de uma
demanda real por
acolhimento”
Fotos: Divulgação
Outro ponto-chave é que iniciativas
com esse perfil permitem que
as marcas pratiquem o storyliving
e exerçam seus propósitos sociais
de forma autêntica e não apenas
na teoria. Pacheco vai adiante: “O
Abrigo Amigo Claro não apenas
oferece companhia aos usuários,
mas evidencia a existência de uma
demanda real por acolhimento nas
cidades. A iniciativa fortaleceu o posicionamento
da Eletromidia como
uma marca humana, conectada ao
contexto das cidades. A chegada
da Claro prova que o equilíbrio entre
inovação tecnológica e impacto
social gera ainda mais valor às marcas”,
finaliza Pacheco.
patrocínio
PATROCINIO OOH_VALE.indd 1 13/05/26 21:10
46 15 de junho de 2026 - jornal propmark
Novo Outdoor Social completa 14 anos
com foco na publicidade das favelas
Para dar novo passo ao negócio, a fundadora Emilia Rabello
apresenta como sócio o especialista em mídia Cris Moreira
Fotos: Divulgação
Residências cadastradas recebem cartazes que levam propaganda para as favelas
Lojas comerciais de favelas recebem campanhas que conectam a comunidade
C
om um inventário que traz placas
de publicidade afixadas em residências
cadastradas e telas em
lojas comerciais de favelas, além de
creators engajados às comunidades, a
NÓS (Novo Outdoor Social) completa 14
anos de atividades. A fundadora Emilia
Rabello acaba de trazer o executivo
Cris Moreira para se associar ao projeto
e agregar valor com sua experiência
em veículos como a Band e a CNN.
Nesse período, a empresa passou
a oferecer soluções de mídia OOH e
pDOOH (programática), ativações artísticas,
projetos especiais, grafite,
experiências de marca, creators e
análise de dados aplicada ao consumo
popular. A operação de DOOH, como
ressalta Emilia, está presente dentro
de mais de 260 comércios locais das
comunidades, “criando uma rede de
comunicação perfeitamente integrada
ao cotidiano real do consumidor”.
Emilia explica ainda que essa operação
conta com “pontos geolocalizados
e monitorados via GPS e DSPs e a NÓS
também consegue ampliar a conversa
através de estratégias de mobile
interaction, conectando mídia física
e digital com impacto sem dispersão
de verba durante toda a sua jornada”.
Desde o início, a empresa investe
em pesquisa e inteligência, tendo
sido pioneira em 2017 ao desenvolver
estudos proprietários para demonstrar
a força econômica das periferias.
A fundadora Emilia Rabello traça novos planos para a marca com o sócio Cris Moreira
Esse trabalho analítico, atualmente
ancorado na plataforma Tracking das
Favelas (lançada em 2024), “resultou
na construção de um dos maiores
data lakes sobre comportamento de
consumo em territórios populares
do país, acumulando mais de 19 mil
entrevistas realizadas sobre hábitos,
marcas, intenção de compra e modo
de agir”, nas palavras de Emilia.
Para sustentar seu projeto, a NÓS
consolidou inventário de mídia em
favelas com presença mapeada em
“O ecossistema
impacta um
universo de
quatro milhões
de domicílios”
todos os 5.569 municípios brasileiros
e já executou campanhas em 1.612
cidades, alcançando mais de 6 mil
comunidades, incluindo territórios de
povos originários.
“Toda essa capilaridade é movida
por uma rede humana impressionante:
são mais de 70 mil pessoas envolvidas
entre moradores, coordenadores
de campo e multiplicadores locais,
além de uma base com 50 mil creators
periféricos conectados através
da Agência Chega Junto”, esclarece
Emilia.
“Os números do mercado periférico
são superlativos: o ecossistema
impacta diretamente um universo
de quatro milhões de domicílios e 17
milhões de habitantes. Essas regiões
abrigam 260 mil estabelecimentos
comerciais e 5,8 milhões de empreendedores,
movimentando um potencial
de consumo anual estimado entre R$
167 bilhões e R$ 300 bilhões. Somente
com o braço de pDOOH, a NÓS já destinou
mais de R$ 300 mil diretamente
para mais de 100 empreendedores locais”,
acrescenta.
A NÓS realiza a pesquisa Brand
Fans, que aponta a Coca-Cola, O Boticário
e Omo no topo do mercado,
que movimenta até R$ 300 bilhões,
com índice de 70,91. “A Nestlé ocupa a
primeira posição em alimentos, com
Tigre liderando em materiais de construção
com índice de 61,69”, finaliza.
jornal propmark - 15 de junho de 2026 47
opinião
Liberdade com
responsabilidade
Nelcina Tropardi
A
defesa da liberdade de expressão sempre foi e
continua sendo um pilar essencial da atuação da
ABA. Trata-se de um valor inegociável, que sustenta
a pluralidade de ideias, o debate público e a própria
democracia. Mas o contexto mudou. E, com ele, a
forma de garantir esse direito também precisa evoluir.
A liberdade de expressão nunca foi, nem deve
ser, um direito absoluto. A própria Constituição Federal
estabelece limites claros quando há violação
de outros direitos fundamentais, como a dignidade
da pessoa humana, a segurança e a ordem pública.
No ambiente digital, essa discussão ganha novos
contornos, seja nas discussões sobre o Marco Civil da
Internet no Brasil, seja em regulações como o Digital
Services Act na Europa, uma vez que a escala e a velocidade
das plataformas ampliaram não somente o
alcance da informação, mas o dos seus riscos.
Conteúdos ilícitos, desinformação e discursos
de ódio se disseminam com impactos reais. Ignorar
esses efeitos, em nome de uma liberdade irrestrita,
fragiliza a própria liberdade que se busca proteger.
O ponto central já não é apenas assegurar o direito
de se expressar. É garantir que esse direito seja
exercido de forma responsável, sem gerar danos ou
distorções que comprometam o próprio ambiente
de confiança em que ele se sustenta.
Para o ecossistema de marketing e comunicação,
essa discussão é especialmente relevante. Marcas
não são apenas emissoras de mensagens; são
agentes ativos na construção de cultura, influência
e confiança. E, cada vez mais, são cobradas não apenas
pelo que dizem, mas pelos contextos em que se
inserem e pelas escolhas que fazem.
Nesse cenário, a falta de responsabilidade e o risco
de associação a conteúdos inadequados impactam
diretamente a reputação das marcas e a construção
de confiança, dois dos ativos mais valiosos no
ambiente de negócios atual.
É nesse ponto que a autorregulação se mostra
não apenas atual, mas essencial. Ao longo de sua
trajetória, a ABA, como única entidade que representa
os anunciantes brasileiros há 66 anos, defende
um modelo que equilibra liberdade com responsabilidade,
com foco na ética, na transparência e na
proteção do consumidor.
Um modelo que se diferencia pela capacidade
de acompanhar a velocidade das transformações,
adaptando-se continuamente às dinâmicas do ambiente
digital e às expectativas de uma sociedade
cada vez mais exigente.
Diferentemente de abordagens exclusivamente
regulatórias, a autorregulação permite respostas
mais ágeis, mais técnicas e mais alinhadas à realidade
e à velocidade da comunicação, ao mesmo tempo
em que preserva a liberdade criativa e a segurança
jurídica para as marcas.
Isso não significa ausência de limites. Significa
estabelecer limites mais inteligentes, proporcionais
e efetivos.
Incorporar de forma explícita a responsabilidade
à defesa da liberdade de expressão não é restringir
direitos. É fortalecê-los. É reconhecer que a liberdade
só se sustenta quando exercida com compromisso,
coerência e respeito ao impacto que gera.
No fim, a pergunta que se impõe não é se devemos
escolher entre liberdade e regulação. Mas como
garantir que a liberdade continue sendo um instrumento
de construção e não de erosão da confiança.
E é nesse equilíbrio que a autorregulação reafirma
seu papel como um dos caminhos mais eficazes
para o futuro da comunicação, ao mesmo tempo em
que sustenta a liberdade de expressão e fortalece
um marketing responsável.
Nelcina Tropardi
é presidente da ABA e VP jurídico,
corporate affairs, compliance,
inclusão e diversidade, ESG,
gestão de risco e comunicação
corporativa do Carrefour
“A pergunta
que se impõe é
como garantir
que a liberdade
continue sendo um
instrumento de
construção e não de
erosão da confiança”
48 15 de junho de 2026 - jornal propmark
opinião
Divulgação
Na era da IA, um
grande viva às pessoas
Mauro Rabello
Existe algo de curioso, e até meio irônico, no deslumbramento
atual com a inteligência artificial.
Nunca se falou tanto em tecnologia. E, ao mesmo
tempo, nunca foi tão importante falar de gente.
O fascínio do mercado é compreensível. A IA acelera
processos, encurta caminhos, organiza o caos, cruza
dados, simula cenários, sugere saídas e devolve
respostas em uma velocidade que, até pouco tempo
atrás, parecia ficção. Em muitos casos, faz tudo
isso com uma qualidade suficientemente boa para
impressionar. E é justamente aí que mora o perigo.
Quando a régua sobe em velocidade e escala, é natural
que se confunda onde está de fato a vantagem
competitiva. Ela não está na ferramenta. Ou, pelo
menos, não está mais aí.
Ferramenta se espalha, democratiza, vira commodity.
Em pouco tempo, deixa de ser diferencial
para se tornar pré-requisito. O que não acompanha
essa mesma lógica é o repertório. Graças a Deus,
não se democratiza com a mesma facilidade e não
há fórmula exata para o intelecto, a capacidade de
julgamento, o olhar crítico ou a leitura de contexto.
Não se pluga em nenhuma plataforma a sensibilidade
para perceber nuances, tensões culturais, timing
ou contradições. Muito menos a habilidade de fazer
a pergunta certa ou entender o que não foi dito.
É por isso que, na era em que a IA avança sem pedir
licença sobre praticamente tudo, faz sentido propor
um viva às pessoas. Não como um gesto romântico
de resistência à tecnologia, isso seria ingênuo. A
tecnologia não só veio para ficar, como vai evoluir rapidamente
e redesenhar, de forma profunda, a maneira
como trabalhamos. O ponto não é lutar contra
ela. É não terceirizar para ela aquilo que segue sendo
essencialmente humano. A IA ajuda, e muito. Mas
não vive o mundo. Não acumula repertório de vida.
Não percebe o cheiro de oportunismo em uma ideia
travestida disfarçada de inovação. Não distingue,
com clareza, uma resposta correta de uma resposta
relevante. Não constrói visão de negócio, não estabelece
confiança e não assume responsabilidade
pelo impacto do que ajuda a colocar no mundo. Esse
debate ganha ainda mais peso dentro das agências.
Durante muito tempo, o mercado foi moldado pela
capacidade de responder rápido, produzir em volume,
operar sob pressão, lidar com o caos e seguir
entregando. Essa musculatura continua importante,
mas já não é suficiente. Se a máquina passa a absorver
uma parte crescente do operacional, o valor
do humano muda de lugar e sobe de nível. Passa a
valer mais quem interpreta melhor, conecta melhor,
lê melhor a cultura, o negócio e o momento. Passa
a valer mais quem usa a IA para ampliar potência, e
não para terceirizar raciocínio.
A IA não ameaça apenas funções ou fluxos. Ela
ameaça o pensamento preguiçoso de quem se acostuma
rápido demais a respostas prontas, estruturas
prontas e caminhos que parecem bons apenas
porque chegam bem embalados. Por isso, a discussão
central talvez não seja sobre tecnologia. Seja
sobre formação, repertório e desenvolvimento real
de gente. Não se trata de treinamento cosmético,
workshops protocolares ou desfiles de palavrinhas
da moda. Trata-se de formar profissionais capazes
de pensar com profundidade em um ambiente que
insiste em empurrar, o tempo todo, todo mundo para
a superficialidade. Profissionais que saibam usar a
IA com inteligência, mas que saibam, também, quando
desconfiar dela. Que consigam equilibrar dados e
sensibilidade, eficiência e critério.
Porque as marcas do presente e ainda mais as do
futuro próximo não vão precisar apenas de operadores
mais eficientes. Vão precisar de parceiros capazes
de traduzir complexidade, separar sinal de ruído,
dar sentido ao excesso e trazer visão em um ambiente
saturado de informação e carente de clareza.
E isso, até aqui, continua sendo trabalho de gente
boa. Muito boa. Quanto mais artificial o ambiente se
torna, mais valiosas tendem a ser as pessoas. Aquelas
que não se resumem à memória ou à velocidade,
mas as que combinam repertório, sensibilidade, escuta,
intuição e leitura de contexto. Que não apenas
respondem, mas provocam. Na era da IA, talvez o
maior diferencial não esteja em quem usa melhor
a máquina, mas em quem continua pensando além
dela. E, por isso, sim, um grande viva às pessoas.
Mauro Rabello
é VP de business development
na Innocean Brasil
“Se a máquina
passa a absorver
uma parte crescente
do operacional, o
valor do humano
muda de lugar e
sobe de nível”
jornal propmark - 15 de junho de 2026 49
esg no mkt
Alê Oliveira
Destaques de
conteúdo do
Cannes Lions 2026
Oprah Winfrey recebe o LionHeart pelo uso
responsável de sua influência ao longo de décadas
Alexis Thuller Pagliarini
O
Cannes Lions 2026 chega, como sempre, com
um rico conteúdo, apresentado por aproximadamente
500 palestrantes, em 150 horas de
palestras, workshops e debates. E vem com uma
proposta clara: ir além da celebração do talento criativo
e se firmar como espaço de reflexão estratégica
sobre para onde a indústria está indo. Com programação
dividida em seis trilhas temáticas, o Festival
este ano aposta em formatos mais participativos.
Dois temas transversais permeiam toda a programação:
o impacto crescente da inteligência artificial
sobre a criatividade e a questão da responsabilidade
— como marcas, líderes e plataformas usam
sua influência. A tensão entre inovação tecnológica
e valores humanos é o fio condutor que liga palestras
aparentemente díspares, de Demis Hassabis, do
Google DeepMind, a Stella McCartney e Patagonia.
O Cannes Lions Deconstructed, também estreante,
propõe um encerramento inédito: uma síntese
ao vivo das tendências e aprendizados da semana,
entregue no próprio palco do Palais, antes mesmo
da publicação do relatório oficial, o que certamente
vai facilitar a vida do articulista aqui, que todo ano
faz um resumo do melhor de Cannes e apresenta no
Cannes Lions Roadshow.
O destaque maior será Oprah Winfrey, que recebe
o LionHeart 2026, pelo uso responsável de sua influência
ao longo de décadas. Sua palestra promete
ser a mais assistida da edição. Entre as seis trilhas,
a mais provocadora do Festival é a Insights & Trends.
A participação de Alex Weller, da Patagonia, promete
ir fundo numa das questões mais desconfortáveis
do marketing contemporâneo: é possível crescer
sem trair os próprios valores? A Patagonia é uma
das poucas marcas globais que transformaram posicionamento
ético em estratégia de negócio, então
a resposta que Weller trouxer daqui pode reorientar
como agências e anunciantes pensam crescimento.
A dupla Jamie Iannone (eBay) e Stella McCartney
complementa este raciocínio ao discutir o comércio
circular — a lógica de revenda, reutilização e reciclagem
que está mudando a cadeia criativa de moda
e produtos de consumo. Outra trilha é a Innovation
Unwrapped, que vai trazer o tema ‘IA em carne e
osso’. O grande nome é Demis Hassabis, CEO do Google
DeepMind — um dos pesquisadores de IA mais
influentes do planeta. Sua conversa sobre o futuro
da criatividade é uma das mais aguardadas do calendário.
Mas a trilha vai além do nome de peso: Aude
Gandon (Estée Lauder) e Nicola Mendelsohn (Meta)
trazem a perspectiva de quem já usa IA como ferramenta
operacional de marketing — não como
promessa futura, mas como realidade presente.
Temos também a trilha The Creativity Toolbox com
o debate organizado pela Campaign com quatro líderes
criativos de gerações e filosofias diferentes:
David Kolbusz (Orchard Creative), Lynsey Atkin (Baby
Teeth), Richard Brim (Ace of Hearts) e Chaka Sobhani
(TBWA\Worldwide).
A Talent & Culture é a trilha com a proposta mais
inclusiva do Festival. As mesas-redondas globais
com líderes de redes independentes da Ásia e da
América Latina — como Adams Fan (F5 Shanghai),
Trevor Robinson (Quiet Storm) e Joana Mendes (Jungle
Kid) — representam uma abertura real do Cannes
Lions para geografias e perspectivas que historicamente
não tinham voz no evento. E para fechar,
temos a Creative Impact — De volta ao básico, mas
com novos olhos. A presença de Mark Ritson (Mini-
MBA) e Byron Sharp (Ehrenberg-Bass Institute) nesta
trilha é um sinal claro: depois de anos de ebulição
em torno de novas tecnologias e plataformas,
o Festival quer voltar a discutir os fundamentos do
marketing que efetivamente geram resultado.
As “cinco verdades fundamentais do marketing”
que eles apresentarão prometem ser uma das sessões
mais compartilhadas e debatidas na semana.
O time do propmark terá muito trabalho para filtrar
todo esse conteúdo e trazer o melhor para os leitores.
E eu prometo dividir a minha visão por aqui e no
Cannes Lions Roadshow.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
50 15 de junho de 2026 - jornal propmark
inspiração
Celeste salvação
Começa nossa nova Copa. Não sei explicar com precisão o que é isso
que construímos. Não é apenas futebol. Não é apenas viagem
Diego Alonso
Especial para o propmark
Quando meu filho tinha 6 anos, após uma boa negociação com a mãe,
o levei para a África do Sul para ver a Copa do Mundo. Para ele sentir e
criar uma identidade com uma causa que poderia estar em risco antes
de começar.
Hoje ele tem 22 anos. E já fomos juntos a quatro Copas do Mundo.
Sou uruguaio. Mas escrevo para vocês porque há algo nessa tradição que
construímos, ele e eu, de Copa em Copa, que me parece universal. Algo sobre
rituais, valores, paixão e tradições.
Fotos: Arquivo Pessoal
O começo: África do Sul, 2010
Morávamos na Argentina, o Uruguai voltava às Copas e meu filho era pequeno.
Eu tinha de fazer algo logo, antes que a maquinaria pró-Messi o arrastasse
para um lugar de difícil retorno. Estava na hora da salvação.
A África do Sul era um lugar diferente de tudo que já havia visto. Da crua Joanesburgo
à fascinante Capetown, o barulho ensurdecedor das vuvuzelas, Shakira
incansável com seu ‘Waka Waka’. E a Celeste avançando até as semifinais,
depois de eliminar Gana e deixar para trás a última seleção africana naquele
jogo maluco. Meu filho não entendia tudo, mas entendia que aquilo era importante
e que era normal o Uruguai chegar longe nas Copas.
Melhor roteiro impossível. Começamos com o pé direito. Voltamos com passaportes
carimbados, safaris, vuvuzelas, várias faltas na escola e algo mais difícil
de nomear: memórias inesquecíveis e a certeza de que precisávamos fazer
aquilo de novo.
Brasil, 2014: a mordida
Quatro anos depois, estávamos no Brasil. Se a África do Sul havia sido uma
revelação tranquila, o Brasil foi pura adrenalina, buggies no meio do Nordeste,
toboáguas insanos, rodízios infinitos de churrasco, nos estádios mais caros da
história do futebol.
Meu filho e eu estávamos em Natal no dia em que Luisito mordeu Chiellini.
Uruguai vs. Itália. Meu filho tinha 10 anos. A jogada passou despercebida dentro
do estádio. Ganhamos, comemoramos. Só depois, no quarto, vendo o replay,
vimos juntos o que havia acontecido. Sabíamos que nosso Mundial tinha acabado
por aí.
Para um uruguaio e torcedor do Nacional, Suárez é um personagem impossível
de simplificar. Herói e anti-herói. Gênio e problema. Um amor que não pede
desculpas e não cabe em nenhuma análise racional. Naquele dia, em Natal, sentimos
tudo isso ao mesmo tempo.
Rússia, 2018: o mundo que não esperávamos
A Copa da Rússia foi, sem dúvida, a melhor que vivemos juntos. O mundo
chegou desconfiado. Saiu encantado. Encontramos cidades lindas, pessoas calorosas,
uma hospitalidade que nenhum de nós esperava.
Meu filho já tinha 14 anos e começava a ter opiniões formadas sobre o mundo.
Lembro de uma das conversas, sentados no bar do Bolshoi, tentando reconciliar
o que sabíamos com o que estávamos vivendo. Tudo era esplendor,
rodeado de harmonia, segurança e sobretudo respeito.
O Uruguai chegou às quartas, quando perdemos para a França, que acabaria
campeã. Mas o que ficou foi a certeza de que a experiência venceu a narrativa.
Catar, 2022: a Copa de figurantes
Foi a Copa mais politicamente carregada da história. Chegamos no meio de
debates sobre direitos humanos e questionamentos sobre a escolha da sede.
Para quem estava lá, uma experiência de dupla consciência: a emoção pura do
futebol raiz, contrastando com torcedores que trocavam de camisa conforme o
jogo, seguindo astros e não times. Diferente. Estranho.
O Uruguai foi eliminado na fase de grupos, numa saída dolorosa e injusta
que ainda me dói. Mas saímos do estádio juntos, em silêncio, e isso também faz
parte do ritual. A derrota compartilhada une tanto quanto a vitória. Talvez mais.
O que fica
Começa nossa nova Copa. Não sei explicar com precisão o que é isso que
construímos. Não é apenas futebol. Não é apenas viagem. É nossa história. É
a combinação das duas coisas com algo intangível: a sensação de pertencer a
uma tradição que é exclusivamente nossa. Para mim, essa história tem nome e
sobrenome, e sempre viaja no assento ao lado.
Vamos nos ver no próximo jogo. De celeste, nervosos, felizes, como sempre.
O ritual continua.
Diego Alonso é copresidente da BETC Havas
jornal propmark - 15 de junho de 2026 51
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
O presidente do Grupo de Mídia de São
Paulo, Guilherme Cavalcante (W+K), com
a vice-presidente, Aline Velha (Nubank)
Grupo de Mídia apresenta nova gestão para o biênio 2026/2027
O Grupo de Mídia de São Paulo (GMSP) realizou, no último dia 9, a cerimônia de posse de sua nova diretoria, dos membros do Conselho e dos colaboradores da entidade.
O novo presidente do Grupo de Mídia para o biênio 2026/2027 é Guilherme Cavalcante, head of connections, media & data da Wieden+Kennedy São Paulo. Como vice-
-presidente, foi eleita Aline Velha, diretora de mídia do Nubank. O evento também marcou a comemoração antecipada do Dia do Mídia, celebrado em 21 de junho. Com
o apoio de Eletromidia, Globo, MegaOOH, SBT e Webedia, o encontro promoveu o networking entre líderes das áreas de comunicação, marketing e publicidade.
Luciana Schwartz (GMSP), Renata Valio (Lola/TBWA) e Maria Lucia Cucci (YouDare)
Vanessa Gregoraci (CNN), Jéssica Batista (Bradesco) e Raphaella Araujo (SBT)
Raphael Jimenez (Eletromidia), Guilherme Cavalcante (W+K), Paulo Gregoraci (GMSP),
Claudio Paim (Globo) e Marcelo Pacheco (Eletromidia)
Inajá Santos e Daniela Pereira (Unilever), Henrique Casagranda (Cadastra)
e Paulo Guimarães (D’OM)
52 15 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Guilherme Cesca (Lola/TBWA) e Bianca Paulucci (Globo)
Vanessa Gregoraci (CNN) e Daniela Pereira (Unilever)
Dante Mennichelli (TikTok), Mauro Borges (Webedia) e Tiago Santos (Euphoria)
Janaina Ferreira e Boaventura Junior (Galeria), e Antonio Rodrigues (Iessi Music)
Lia Mora (Talent) e Rafaela Bortoletto (One Station)
Jéssica Adrianne (GMSP)
Aline Velha (Nubank) assume como vice-presidente do Grupo de Mídia
Guilherme Cavalcante (W+K) é o novo presidente do Grupo de Mídia
jornal propmark - 15 de junho de 2026 53
última página
Alê Oliveira
Uma oportunidade
ao mercado
Stalimir Vieira
Em 1999, Marcello Serpa foi escolhido o melhor diretor
de criação iberoamericano pelo Festival El
Ojo de Iberoamerica, em Buenos Aires. Eu estava
lá, dirigindo a criação da DDB argentina, e acompanhei
o evento da premiação.
Fiquei tão impressionado com a consagração do
meu patrício, que escrevi em minha coluna no então
Propaganda & Marketing (hoje, este propmark), o
artigo ‘Nasce um líder’. Registrei a euforia dos hermanos
quando Marcello subiu ao palco.
Era uma vibração tipicamente argentina, quase
como se Maradona estivesse entrando em La Bombonera.
Fazia apenas três anos que ele tinha assumido,
de fato, o comando da AlmapBBDO, onde estava
desde 1993.
Dali para a frente, se tornaria figurinha carimbada
nas premiações de El Ojo e de tantas outras pelo
Brasil e pelo mundo.
A lembrança disso tudo me veio à mente quando,
casualmente, fiquei sabendo, pelo Instagram, que
o Marcello vai dar aulas sobre gestão criativa de
marcas.
Aliás, são vários os cursos oferecidos na área de
marketing e publicidade, a grande maioria vinculada
ao uso da IA.
Além disso, outros profissionais consagrados
vêm postando, regularmente, dicas preciosas sobre
como trabalhar marcas de maneira criativa e
pertinente.
Acredito que isso não está ocorrendo por acaso.
Prefiro apostar que se trata de uma reação natural
do “organismo” da comunicação de marketing frente
a uma avançada “anemia” de ideias.
Tomando Marcello Serpa como exemplo, pois sei
que representa bem o grupo de profissionais que
resolveu nos abastecer com recomendações verdadeiramente
úteis, posso supor o efeito de uma injeção
de vitamina criativa dessa qualidade na veia do
mercado.
Verdade que estava se tornando preocupante
o fato de a idealização profissional estar cada vez
mais concentrada apenas em aperfeiçoar o jeito de
pedir as coisas ao algoritmo.
Como se, naturalmente, não soubéssemos mais
nada capaz de inspirar, tendo de recorrer permanentemente
às muletas da IA, diante do mínimo desafio
criativo.
Em aulas e workshops, sempre repeti que a inspiração
é o orgasmo de uma sensibilidade excitada
pela reflexão sobre a informação recebida.
Nem se falava em IA, e eu apontava o inconsciente
como o nosso tesouro de informações acumuladas
ao longo da existência.
Quanto maior o leque de interesses ao longo da
vida, mais rico seria esse tesouro para atendermos
à nossa busca de originalidade. Parece que agora resolvemos
terceirizar o inconsciente.
O resultado perverso disso é o fim da personalidade
do trabalho. A criação em propaganda está perdendo
a sua virtude mais importante: a capacidade
de gerar um produto autoral. Os melhores autores
criavam os melhores anúncios e os melhores roteiros,
por exemplo.
Eles eram disputados por serem assim. E hoje, o
que torna um profissional de criação disputado por
agências ou clientes? Confesso que não sei.
Aparentemente, não tem sido pelo que a propaganda
vem produzindo, em termos criativos. Enfim,
acredito muito que ter uma aula de criação com
profissionais consagrados antes da IA é uma grande
vantagem: capacitar para a autoria. Já imaginou,
você autor da sua campanha? Isso era lindo.
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
“Os melhores
autores criavam
os melhores
anúncios e
os melhores
roteiros”
54 15 de junho de 2026 - jornal propmark