edição de 22 de junho de 2026
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propmark.com.br ANO 62 - Nº 3.096 - 22 de junho de 2026 R$ 20,00
Dia do Mídia levanta reflexão sobre
papel estratégico dos profissionais
Em um mercado que movimentou R$ 5,5 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026 e cresce em ritmo muito superior ao da economia brasileira, o profissional
de mídia ocupa hoje uma posição cada vez mais estratégica dentro das agências e das marcas. Muito além da negociação de espaços publicitários,
ele atua na interseção entre dados, tecnologia, criatividade e negócios, transformando informações em decisões capazes de gerar resultados concretos. Em
especial do Dia do Mídia (celebrado em 21 de junho), lideranças do setor refletem sobre o avanço da profissão, mas apontam os desafios na formação de
talentos, o impacto da IA e o futuro de uma área que se torna protagonista na construção de marcas e crescimento dos negócios. pág. 16
Magnific
Alê Oliveira
Sergio Gordilho defende
lideranças criativas
“Não acredito em
agências de criatividade
que não são
lideradas por criativos”.
Com declarações como
essa, o copresidente e
CCO da Africa Creative
compartilha sua visão
sobre os caminhos para
construir marcas relevantes
em um mundo
cada vez mais orientado
por dados. pág. 12
Executivos da criação
indicam cases
favoritos aos Leões
do Cannes Lions 2026
Às vésperas do festival, que será realizado
de 22 a 26 de junho, na França, a reportagem
consultou criativos do mercado para descobrir
quais campanhas brasileiras e internacionais
reúnem mais potencial para conquistar
troféus neste ano. Profissionais de GUT,
Leo, LePub, Africa Creative, BETC Havas, VML,
David e Grey revelam suas principais apostas
para a premiação. pág. 40
iFood Ads cria ciclo entre
mídia e compra na Copa
Ana Paula Duarte,
diretora sênior de
ads da plataforma,
detalha a operação que
combina patrocínio na
transmissão da CazéTV,
presença em arenas,
ativações no aplicativo
e inteligência de dados
para aproximar marcas
dos rituais de consumo
dos torcedores durante
o Mundial. pág. 49
Divulgação
EXPERIÊNCIAS
OUT OF THE BOX
PERCEPÇÃO POSITIVA
DE MARCA
AUDIÊNCIA
DIVERSIFICADA
Saiba mais:
FORMATOS
ICÔNICOS
DWELL TIME
DE VERDADE
LOCALIZAÇÕES
PREMIUM
editorial
Armando Ferrentini
Grandes estrategistas
Se a criação é considerada o coração das agências, a mídia é o centro estratégico
nervoso do negócio. Uma operação menor pode até não ter áreas
específicas de planejamento ou de atendimento, por exemplo, mas criação
e mídia não podem faltar, independentemente do porte da estrutura.
A mídia é tão importante, que globalmente os grupos optam por separá-la dos
outros departamentos. A decisão pode até ser questionável, mas não ignorada.
Por outro lado, o modelo brasileiro de agência full service, com criação e mídia
sob o mesmo teto, se prova vitorioso há várias décadas, mostrando que a sinergia
flui melhor, ainda mais agora em um ecossistema de comunicação complexo.
Enquanto a criação funciona como uma espécie de cartão de visitas das agências,
a mídia “assina o cheque” dos clientes. Os profissionais de mídia são os maiores
estrategistas do negócio, os responsáveis por direcionar os milhões investidos
pelos anunciantes, conectando marcas, veículos, plataformas e consumidores.
E, em uma era de canais de comunicação pulverizados orientada por dados e
com a atenção das pessoas cada vez mais fragmentada, ficou muito mais difícil
e desafiador distribuir a verba e arquitetar um plano de mídia “infalível”, num
momento de pressão total por garantias do ROI (Retorno sobre o Investimento).
Com tamanha responsabilidade, é natural que a relevância desses profissionais
cresça ano a ano e novas exigências (como IA) surjam no caminho. No intuito de
mapear o perfil do atual estrategista de mídia no Brasil, sua formação e perspectivas
de carreira, o Grupo de Mídia de São Paulo apresentou em abril os resultados
da pesquisa ‘Que mídia sou eu’, feita em parceria com o Ibope.
O estudo confirmou que conhecimento estratégico e conhecimento técnico seguem
como competências centrais para a área, mas destacou um ponto importante:
a falta de cursos de qualidade. A percepção, entre iniciantes, é de que há
excesso de conteúdos dispersos e pouca padronização, o que impacta a formação
e a evolução de carreira. Para os veteranos, os iniciantes são vistos como
menos dispostos e menos maduros para negociar. Por ocasião do Dia do Mídia,
celebrado em 21 de junho, o propmark traz nesta edição especial com a visão de
mercado de líderes das principais agências e de entidades como o Grupo de Mídia.
“Estamos vivendo um momento de ‘maturidade digital’. A fronteira entre mídia
off e on desapareceu e, hoje, falamos de uma comunicação integrada e multicanal.
O grande desafio atual de nossa indústria não é mais a capilaridade, mas a
capacidade de orquestrar a complexidade”, diz Aline Velha, VP do Grupo de Mídia.
Nota: O mercado publicitário brasileiro movimentou R$ 5,5 bilhões em compra
de mídia no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Painel Cenp-Meios. O
volume representa um crescimento de 18,3% em relação ao mesmo período de
2025, quando os investimentos somaram cerca de R$ 4,6 bilhões.
Cannes Lions 2026
O maior festival global de criatividade começa nesta segunda-feira (22), no Palais
des Festivals de Cannes, que deve receber em torno de 12 mil a 15 mil pessoas até
sexta-feira (26). Inscrições realizadas, o mercado brasileiro já fez suas apostas
sobre os cases com mais chances de ganhar prêmios e inicia a caçada aos Leões.
Com uma equipe de jornalistas in loco, o propmark vai trazer todos os resultados em
suas plataformas, com fotos e vídeos exclusivos dos ‘brazucas’ e dos principais personagens
da propaganda mundial. Este veículo agradece o patrocínio de ABA (Associação
Brasileira de Anunciantes), BETC Havas, Extreme Reach, Diageo (por meio das
marcas Johnnie Walker, Smirnoff Ice, Tanqueray e White Horse) e Tech & Soul.
Frase: “Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado”
(Rui Barbosa).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
‘Tento enxergar coisas simples por
uma ótica diferente’, diz Hélio Maffia
Associate creative director da BBDO em Nova York, o brasileiro fala sobre
trajetória internacional, processo criativo, redes sociais e o diferencial de
profissionais formados no mercado nacional.
3ª
Felina chega ao mercado com
modelo criativo apoiado por IA
Nova operação aposta em IA como infraestrutura para automatizar tarefas
operacionais e concentrar profissionais sêniores em estratégia, criação e
negócios de marcas e comunicação.
Itaú resgata música da seleção e
amplia participação dos torcedores
durante a Copa do Mundo
Criada pela Africa Creative, campanha transforma música ‘Mostra tua força
Brasil’ em plataforma colaborativa de conteúdo. A iniciativa reúne releituras
da música em diferentes formatos e convida torcedores, influenciadores e
criadores a participarem durante a Copa.
4ª
Ação da Warner Bros. Pictures com Uber Advertising transformou as viagens
do app em experiência de marca, com upgrades de categoria para usuários
elegíveis que se deslocaram para cinemas.
5ª
Uber oferece ‘Super upgrade’ de corridas
para promover estreia de ‘Supergirl’
Galeria.ag anuncia reforços e promoções
em estrutura de dados e tecnologia
As movimentações fazem parte da estratégia de fortalecer áreas
consideradas centrais para a evolução dos serviços de marketing,
comunicação e transformação digital.
4 22 de junho de 2026 - jornal propmark
índice
Profissionais de mídia
refletem sobre função
estratégica da área
Especial Dia do Mídia (21 de
junho) mostra o papel crucial
dos profissonais, responsáveis
por administrar as verbas dos
clientes e conectar marcas,
veículos, plataformas e
consumidores em cenário de
alta complexidade.
16
propmark
propmark.com.br
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
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Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
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assinaturas@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0737
Líder da Drum destaca vantagens
de ser uma agência full service
Sob o guarda-chuva da Omnicom Media, a nova
agência é liderada por Ana Luísa Périssé. A executiva
avalia que a operação reúne a herança criativa de duas
marcas tradicionais do mercado (FCB e MullenLowe)
com um poderoso ferramental de mídia. pág. 34
Reino Unido proibirá redes sociais
para menores de 16 anos em 2017
Decisão vem na esteira de países europeus que já
restringiram acesso devido a abordagens nocivas, mas
exageros podem ferir direitos, analisam especialistas.
A responsabilidade por implementar mecanismos de
verificação de idade será das big techs. pág. 38
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
redacao@propmark.com.br
@propmark
propmark
propmark
As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Entrevista ..........................................................................12
Quem Fez ...........................................................................14
Especial Dia do Mídia ........................................................16
Pesquisas ..........................................................................30
Agências ............................................................................31
Digital ................................................................................38
Cannes Lions .....................................................................40
Marcas ...............................................................................49
Memória ............................................................................51
Opinião...............................................................................52
Inspiração ..........................................................................53
Out of Home ......................................................................54
Criativismo ........................................................................56
Mídia ..................................................................................57
Última Página ....................................................................58
Felina é lançada por grupo que
atuou na extinta Lew’Lara\TBWA
A agência Felina chega ao mercado com Marcia
Esteves (CEO), Rodrigo Tórtima (CCO), Elise Passamani
(COO), Raquel Messias (CSO) e Andreia Abud (CDMO).
A operação utiliza tecnologia proprietária e IA como
infraestrutura para reduzir tarefas. pág. 37
6 22 de junho de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
GROWTH
A Live The Agency, agência brasileira culture-driven, consolida sua expansão internacional na
América Latina com foco estratégico no México. O país é hoje o principal polo de crescimento
da empresa na região, onde passa a atender à Audible. A operação latina começou em 2023,
quando passou a atender marcas da Electrolux na Argentina e no Chile. Na sequência, a
agência conquistou o TikTok Latam, ampliando sua atuação para o ecossistema da marca na
região. Na foto acima, o sócio Lucas Polato; a CEO Aline Rossin; o diretor de negócios Bruno
Poiani; e Isabella Pipitone, diretora-executiva de criação e produção.
Post: Ana Paula Passarelli comandará
a Sinapro-SP no triênio
2026-2029
Obrigada, queridos. Estou animada e
honrada por esse momento.
Ana Paula Passarelli
Sempre foi muito ousada, persistente
e corajosa.
Margarete C. Vieira
Post: Havaianas distribui chinelos
no Bondinho Pão de Açúcar
Isso é lindo demais!
Juliana De Agostini Verna
Post: ‘Tento enxergar coisas simples
por uma ótica diferente’, diz
Hélio Maffia
Que trajetória linda você construiu.
Muito orgulho e admiração! Voe cada
vez mais alto, você merece demais!
Rayssa Bielefeld Maffia
Referência demais!
Álvaro Lima
Errata:
Diferentemente do que foi publicado
na matéria ‘Festival deve ter o
julgamento mais rígido dos seus 73
anos de história’, referente ao Cannes
Lions, o cargo de Arthur Sadoun é
presidente e CEO do Publicis Groupe.
SHOPPING
A Abrasce, Associação Brasileira de Shopping Centers, realiza, nos dias 24, 25 e 26 de junho,
no Expo Center Norte, em São Paulo, os três principais eventos do setor: o 19º Congresso
Internacional de Shopping Centers, a Exposhopping e o Prêmio Abrasce.
Duailibi Essencial
“Eu achei que estava errado uma vez, mas estava errado” (Lee Iacocca).
dorinho
INFLUÊNCIA
Com mais de dez anos de atuação em marketing de influência, a Publination anuncia a
criação da Publitech. A nova plataforma foi criada para organizar, gerenciar e medir o real
impacto de influenciadores, parceiros e colaboradores nas vendas. A CEO Bruna Sinhorini
(foto acima) afirma que o mercado de influência está em processo de amadurecimento.
MUDANÇA
Juan Pedro McCormack será o CEO interino da Dentsu Brasil. O executivo acumulará a nova
função com sua posição atual de CEO da rede na América Latina.
ACIONISTA
A Loud+ anuncia Felipe Kim (foto ao lado)
como seu mais novo sócio. Na produtora
desde 2022, atuando como diretor criativo,
ele passa a compor o quadro societário ao
lado de Janecy Nascimento, fundadora e CEO,
e de Maia Feres, sócia e produtora-executiva.
LIVE COMMERCE
A Suba, de Fabiana Bruno, e a Live Center, de
Vanessa Dantas, fundadora da Vitrines do
Brasil, estão apresentando a Suba Live Box,
cuja estruturação para o segmento de live
commerce foi feita pela Entre. A estimativa
é que o faturamento de live commerce
chegue a US$ 6,9 bilhões até 2030.
8 22 de junho de 2026 - jornal propmark
curtas
Rogério Pallatta/Divulgação SBT
Alexandre Pato, Galvão Bueno e Mauro Beting
Nae/Divulgação Eletromidia
SBT alcança 22,5 milhõeS de peSSoaS com copa
O placar de 1 a 1 no jogo de estreia
do Brasil na Copa do Mundo, contra
o Marrocos, no dia 13 de junho, não
agradou aos torcedores. Mas SBT e
N Sports não ficaram no empate. A
cobertura atingiu 22,5 milhões de
pessoas em todo o país. A audiência
nacional do SBT cresceu 322%. Na
Grande São Paulo, o índice teve alta
de 313% em relação à média das
quatro semanas anteriores. Ambas
as medições posicionam a emissora
na vice-liderança. As redes sociais
confirmam 86% de sentimento positivo
com o conteúdo gerado por
transmissões ao vivo e equipes nos
Estados Unidos, México e Canadá,
países-sede do torneio, que será
realizado até o dia 19 de julho. ‘Torcida
SBT’, ‘Vem pro Jogo’, ‘Balanço
da Copa’ e ‘SBT Sports’ estão entre
os programas que complementam
o plano do SBT para atrair audiência
durante o Mundial.
ELEtroMidia inStaLará 1,6 MiL tELaS
na Linha 6-Laranja do MEtrô dE SP
A Eletromidia começa a instalar em julho mais de 1,6 mil pontos de contato em 15 estações
da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, que ligará a Brasilândia à região central da cidade.
As primeiras estações devem entrar em funcionamento no próximo mês de outubro. A
conclusão está prevista para o mesmo mês de 2027. O contrato foi assinado com a Concessionária
Linha Uni após processo de concorrência, concluído em setembro do ano passado.
“O projeto representa o papel da mídia out of home como um canal essencial nas cidades
inteligentes, capaz de acompanhar o comportamento dinâmico da população”, comenta José
Carlos Angelucci Jr., CRO da Eletromidia. O plano contempla mais de mil monitores digitais
nos trens, 150 telas integradas às portas de plataforma, 180 conjuntos de monitores de
plataforma com face dupla, cerca de 90 totens publicitários (face simples), 40 unidades de
totens interativos de acessibilidade com tela sensível ao toque e 90 painéis de led em alta
definição. Todo o sistema é compatível com mídia programática (DOOH). “O diferencial dessa
parceria é que a empresa vencedora poderá planejar toda a estrutura que pretende utilizar
nas estações ainda durante a fase de construção. A Eletromidia poderá trazer uma experiência
personalizada aos futuros clientes da linha”, conta Francisco Pierrini, CEO da Linha Uni.
canneS lionS receBe Jim STengel e FilmBrazil
Jim Stengel receberá o título Lions Laureate for Marketing: criação como força de expansão
O Cannes Lions criou o Lions Laureate for Marketing e o primeiro a receber o título é Jim
Stengel, que terá painel no dia 25 de junho. O evento começa nesta segunda-feira (22) na
França. Stengel tem mais de 30 anos de carreira e liderou o marketing global da P&G por sete
anos. Já a Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais (Apro) mantém presença
cativa no evento com a FilmBrazil, que desembarca com a campanha ‘Signed by Brazil’, criada
pela Ampfy, e mais de 30 produtoras associadas. Em 2025, a plataforma de internacionalização
gerou cerca de US$ 9 milhões em negócios. Projetos brasileiros voltados para o mercado
internacional movimentaram US$ 84,7 milhões no ano passado, alta de 52% em relação ao ano
anterior, segundo a entidade. A ApexBrasil é parceira do projeto.
lola\TBWa conTraTa na criação Fox paga US$ 22 BilhõeS pela rokU TalenT promove SamUel normando
Divulgação
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Caique Mazanek, Rafael Zoehler, Thiago Brunelli e Danilo Nagami
Thiago Brunelli, Caique Mazanek, Rafael Zoehler e Danilo
Nagami foram contratados para a área de criação da
Lola\TBWA, liderada pelo CCO Leo Macias. “Nada é mais
importante do que as pessoas que escolhemos trazer para
o time. É muito bom ver talentos que compartilham a
mesma ambição de fazer trabalhos incríveis se unindo a
um grupo que já era forte. Seguimos construindo um time
cada vez melhor, com gente que traz novas perspectivas,
energia e talento todos os dias”, valida Macias. Brunelli
e Mazanek já atuaram na Talent, BETC Havas e Africa,
enquanto Zoehler passou por DM9, Wieden+Kennedy,
NeogamaBBH, Artplan, Suno United Creators e Leo. Todos
são diretores de criação. Nagami, diretor de arte sênior, já
criou para Samsung, SKY e Mars.
Plataforma deve puxar negócios da Fox em TV conectada
A disputa pela audiência no streaming e na TV conectada
(CTV) é um dos motivos que explicam a compra da Roku
pela Fox, em acordo avaliado em US$ 22 bilhões. O negócio
foi anunciado no dia 15 de junho. Anthony Wood, fundador
da Roku, deve permanecer na companhia e será membro
do conselho de administração da Fox, que alcança 230 milhões
de pessoas por mês. A empresa da família Murdoch
deve ficar com 73% da plataforma de CTV, presente em
mais de cem milhões de lares globalmente. A transação
deve ser concluída no primeiro semestre de 2027, após
aval de órgãos regulatórios e acionistas. A previsão é combinar
receita publicitária anual de US$ 9 bilhões, potencializada
por oportunidades de segmentação, mensuração,
personalização e cross promotion.
Samuel Normando e Gustavo Victorino: força genuína
O redator Samuel Normando foi promovido a diretor-
-executivo de criação da Talent, área comandada pelo CCO
Gustavo Victorino. Normando trabalha na agência desde
2024 e possui mais de 15 anos de experiência. Já passou
por Publicis Brasil, Wunderman e Ogilvy. Ele destaca a relevância
criativa e a capacidade de reinvenção da agência
pertencente ao Publicis Groupe. “Existe uma força genuína
em busca de ideias que impactem cultura e negócio.
Poder assumir essa posição, em uma agência com uma
história tão forte na publicidade brasileira torna esse
momento ainda mais especial”, atesta Normando, que
evidencia a construção “de uma estrutura criativa fluida
e cada vez mais preparada para as novas demandas dos
nossos clientes”, declara Victorino.
10 22 de junho de 2026 - jornal propmark
entrevista
Sergio gordilho
copresidente e CCO da Africa Creative
‘Criatividade não é um produto de
exportação. É um produto de origem’
Alê Oliveira
À frente da Africa Creative, uma das agências mais premiadas do Brasil e
referência mundial em criatividade, Sergio Gordilho construiu uma trajetória
marcada pela defesa de ideias capazes de gerar impacto cultural e resultados
de negócio. Nesta entrevista, ele fala sobre a influência da arquitetura em seu
processo criativo, relembra os ensinamentos da geração baiana que transformou
a publicidade brasileira, analisa o papel da criatividade em um mercado cada vez
mais orientado por dados e compartilha sua visão sobre inteligência artificial,
liderança criativa e a expansão internacional da agência. Em uma conversa
repleta de reflexões, Gordilho, que comanda a Africa junto com Marcio Santoro,
reforça uma convicção que guia sua carreira: marcas memoráveis são construídas
por ideias que conseguem ocupar um lugar na cultura e no coração das pessoas.
12 22 de junho de 2026 - jornal propmark
Alê Oliveira
De que forma a arquitetura e a arte influenciam sua criatividade
na construção de marcas?
A arquitetura foi a minha primeira escola de criatividade. Ela me ensinou que
criar não é desenhar formas. É desenhar comportamento. Dos grandes mestres,
aprendi a observar com outros olhos. Le Corbusier mostrou que simplicidade
não é ausência de complexidade. É clareza. Lina Bo Bardi mostrou que design
não existe para ser admirado. Existe para ser vivido. Niemeyer mostrou que
identidade nasce quando um projeto tem sotaque. Zaha Hadid provou que desafiar
a lógica pode ser a melhor forma de encontrar uma nova função. Norman
Foster lembrou que a melhor tecnologia é aquela que desaparece e deixa apenas
a experiência. A arquitetura projeta a maneira como as pessoas vivem um
espaço. A publicidade projeta a maneira como as pessoas vivem uma marca.
Talvez por isso eu nunca tenha separado uma da outra. As duas transformam
função em emoção. As duas dão forma ao invisível. A criatividade bebe da estética,
mas nunca é estática. Ela acompanha pessoas, culturas e comportamentos.
É viva porque vive nas pessoas. No fim, a medida de sucesso é a mesma:
quando alguém deixa um edifício ou uma campanha carregando uma sensação
impossível de explicar, mas impossível de esquecer. Porque grandes arquitetos
não desenham prédios. Grandes arquitetos desenham lembranças. Os grandes
criativos fazem exatamente a mesma coisa.
Você é contemporâneo de uma geração baiana que marcou
época na publicidade, como Nizan Guanaes, Duda Mendonça e
Sérgio Amado. Como essa geração influenciou sua trajetória e,
na sua visão, a criatividade brasileira tem o tempero baiano?
A Bahia produz histórias antes de produzir publicidade. Na terra de Jorge Amado,
narrativa é patrimônio. Foi ali que vi e aprendi com meu mestre, Nizan, a transformar
sotaque em linguagem, ideia em negócio e transpiração em inspiração.
Ao lado dele, uma geração extraordinária — Duda Mendonça, Sérgio Amado, Luiz
Gonzaga, Valente, Geraldão, Andrea Siqueira, Mariana Sá, Gustavo Sarquis e tantos
outros — mostrou que a criatividade brasileira não precisava imitar ninguém
para conquistar o mundo. Eles provaram que originalidade não nasce da vontade
de parecer global. Nasce da coragem de parecer você mesmo. Talvez esse seja o
tempero baiano. A Bahia nunca exportou criatividade. Exportou identidade. Porque
criatividade não é um produto de exportação. É um produto de origem.
A ideia na propaganda ainda emociona e mobiliza o brasileiro ou o
mercado se tornou refém de métricas, performance e algoritmos?
Toda vez que a publicidade esquece das pessoas para agradar aos algoritmos,
ela fica mais eficiente e menos relevante. Métricas mostram o que aconteceu.
Ideias fazem acontecer. Performance captura demanda. Criatividade cria desejo.
Algoritmos distribuem conteúdo. Emoção distribui cultura. A tecnologia mudou
radicalmente a forma como uma marca chega até alguém. Mas não mudou a
razão pela qual ela permanece. No fim, as pessoas ainda compram com a cabeça,
justificam com os dados e lembram com o coração.
Sendo uma das agências brasileiras mais premiadas da história
do Cannes Lions, qual é o DNA da Africa Creative e quais pilares
sustentam sua consistência criativa?
A Africa gosta de ideias mal-educadas. Daquelas que entram na sua cabeça
sem pedir licença. Mas ideias assim não aparecem por acaso. Elas crescem
em cultura. Criatividade não se compra. Cultiva-se todos os dias. Pinguins não
voam. Agências sem cultura criativa também não. Por isso, nunca caímos na
armadilha de acreditar na criatividade como um departamento. Sempre a
tratamos como um comportamento. Nossa cultura cabe em poucas palavras:
ambição criativa global, tesão em fazer acontecer e obsessão pelo negócio
do cliente. O resto é consequência. Porque uma agência não é o portfólio que
apresenta, e sim as pessoas que revela. Nunca perseguimos tendências. Perseguimos
relevância. Campanhas ocupam espaço na mídia. Ideias ocupam espaço
na cultura. E, quando uma ideia ocupa a cultura, ela continua trabalhando
muito depois que a campanha termina.
De que forma a presença de um líder criativo à frente da agência
impacta seus resultados de negócio?
Liderança é aquilo que uma agência decide premiar. Se ela premia burocracia,
celebra planilhas. Se ela premia criatividade, celebra cultura. Porque, no fim, ser
uma agência criativa não é sobre um lugar. É sobre uma decisão. Por isso, não
acredito em agências de criatividade que não são lideradas por criativos. Nem
em agências que viraram apenas um nome na porta para fora e perderam a cultura
criativa para dentro. Nem em modelos que transformam a criatividade em
departamento, quando ela deveria ser envolvimento. Agências são cultura em
movimento. E construir cultura não se terceiriza. Um líder criativo não está ali
para aprovar campanhas. Está ali para proteger a curiosidade, ampliar a ambição,
desafiar o conformismo e criar um ambiente onde boas ideias tenham mais chances
de existir. Isso muda a cultura. Atrai gente melhor. Atrai clientes melhores. E
produz negócios melhores. Porque produtos competem por preço. Marcas competem
por preferência. A preferência continua sendo o trabalho da criatividade.
A chegada da IA vem transformando o processo criativo e potencializando
o talento humano na arte da persuasão. Como a
Africa está se adaptando a esse novo cenário?
Toda nova tecnologia chega prometendo substituir alguém. A fotografia não
substituiu a pintura, o cinema não substituiu o teatro e a televisão não substituiu
o rádio. E a inteligência artificial não vai substituir a criatividade. Vai substituir
algumas tarefas, talvez muitas. Mas a criatividade nunca foi execução. Criatividade
é repertório, intuição, contexto e sensibilidade. É perceber uma tensão
cultural antes dos outros. É transformar uma observação em uma ideia. E isso
continua sendo profundamente humano.
Após abrir escritórios em Nova York e Xangai, há planos de ampliar
ainda mais a presença internacional da agência?
Nova York e Xangai nunca foram uma questão de geografia, mas de ambição. Durante
muito tempo, o mercado acreditou que, para ser global, era preciso parecer
americano. Hoje acontece o contrário: o mundo procura originalidade. E originalidade
tem endereço. A Africa cresceu porque nunca abriu mão do próprio sotaque.
Não nascemos para ser uma agência brasileira que trabalha para o mundo.
Nascemos para ser uma agência do mundo com alma brasileira. Nossa ambição
internacional não é ocupar mercados. É ocupar conversas. Se novos escritórios
vierem, serão consequência. O objetivo nunca foi acumular endereços. É acumular
influência. Porque o tamanho de uma agência não é definido pelos escritórios
que ela abre, mas pela influência que suas ideias conseguem exercer. E, hoje, uma
boa ideia viaja mais rápido do que qualquer avião.
Em um ano de Copa do Mundo, a agência entra em campo com
a Africa 94. Qual é a proposta da operação e quais clientes já
fazem parte desse projeto?
A Copa do Mundo é o único momento em que bilhões de pessoas assistem ao
mesmo assunto ao mesmo tempo. Isso não acontece nem na política nem no
entretenimento. A Africa 94 nasceu dessa constatação. Grandes eventos criam
audiência, mas audiência não garante relevância. A diferença está na capacidade
de entrar na conversa de maneira legítima. No futebol, existe o jogador que espera
a bola e existe o jogador que ocupa o espaço certo antes dela chegar. A Africa
94 foi criada para ajudar as marcas a ocupar esse espaço.
Após o excelente resultado no Cannes Lions 2025, quais são as
expectativas da agência para este ano?
Prêmios são importantes, mas funcionam melhor como retrovisor do que como
volante. Cannes reconhece o que foi feito. Nosso trabalho é pensar no que ainda
pode ser feito. A maior armadilha do sucesso é transformar conquista em acomodação.
Por isso, nunca tratamos um grande resultado como linha de chegada.
Tratamos como linha de partida. Temos orgulho do que construímos. Mas a criatividade
não vive de lembranças. Vive de inquietação. O desafio continua sendo o
mesmo: criar ideias que gerem negócios para os clientes, impacto para a cultura
e orgulho para as pessoas que fazem a Africa. Porque o próximo prêmio sempre
parece distante. Mas a próxima grande ideia pode nascer amanhã.
“A Africa cresceu porque nunca
abriu mão do próprio sotaque”
jornal propmark - 22 de junho de 2026 13
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
ALMAPBBDO
Piracanjuba
Fotos Divulgação
Título: ‘Durma enquanto eles trabalham’
CCO: Pernil
Vice-presidentes de criação: Fernando duarte e Henrique del Lama
Diretores de criação: Mozar Gudin e Thiago bocatto
CSO: joão Gabriel Fernandes
Produtora: compañia
Diretor: Thiago Vieira
Aprovação: Lisiane Guimaraes e amanda Leão
Campanha parte do conceito ‘A fórmula perfeita pra quem acha que não
precisa ter fórmula pra tudo’. O insight nasceu justamente para contrapor
os discursos e fórmulas prontas do segmento fitness que dominam as redes.
Em vez de ditar regras inalcançáveis, a comunicação aposta em uma
abordagem leve para mostrar que performance está nas escolhas reais.
FuLL HOuSe BBDO
beTMGM
Título: ‘Campanha Copa 2026’
Atendimento: Hamilton Leão, Paloma rodrigues e joão rodarte
Produtora: Vetor Zero
Diretores: Gabriel nóbrega e Fabio Ximba
Aprovação: washington Theotonio, Loreta caporrino, Gisele
chaves, Tamara ribeiro e igor rodrigues
C
M
Y
CM
MY
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CMY
K
Quem acompanhou a Copa do Mundo de 2010 provavelmente se
lembra do fenômeno cultural do polvo que ganhou notoriedade
ao prever resultados de partidas e dominar conversas ao redor do
mundo. Agora, a BetMGM revisita esse imaginário em uma releitura
conectada à cultura digital atual e ao comportamento multitela
dos torcedores.
ScOre Agency
abi/budweiser
Título: ‘Budweiser Fifa World Cup 2026’
CCO e CSO: albano neto
VP de criação: juliano Lau
Diretores de criação: Gabriel Kiss e rodrigo wolf
Diretor de arte: Guilherme segobia
Redator: Paulo Vasconcelos
Aprovação: Marcia neris
Projeto combina escala, impacto visual e interatividade.
A estrutura foi pensada para receber diferentes camadas
de experiência: áreas de exposição, ativações digitais,
dinâmicas de participação, conteúdos proprietários,
fan store, mecânicas promocionais e experiências de
marca adaptáveis a cada mercado e campanha.
14 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
Mercado destaca transformação da
mídia em centro estratégico do negócio
Sem as fronteiras entre online e offline, cresce a demanda por
profissionais capazes de integrar estratégia, tecnologia e resultados
Bruna Magatti
Celebrado em 21 de junho, o Dia
do Mídia não se limita a homenagear
os profissionais responsáveis
por conectar marcas, veículos,
plataformas e consumidores em um
ecossistema de comunicação cada
vez mais complexo e orientado por
dados. É mais do que isso. Trata-se
de reconhecer o maior estrategista
da operação.
O mercado publicitário brasileiro
movimentou R$ 5,5 bilhões em compra
de mídia no primeiro trimestre
de 2026, segundo dados do Painel
Cenp-Meios. O volume representa um
crescimento de 18,3% em relação ao
mesmo período de 2025, quando os investimentos
somaram cerca de R$ 4,6
bilhões. O levantamento foi realizado
pelo Cenp (Fórum de Autorregulamentação
do Mercado Publicitário) com a
participação de 297 agências de publicidade
de todo o país.
Na comparação com o mesmo
trimestre do ano passado, o setor
registrou um acréscimo de aproximadamente
R$ 864,9 milhões em investimentos,
desempenho que supera
com folga a expansão de 1,8% do Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro, de
acordo com dados do IBGE. Televisão e
internet seguem com os maiores números
de faturamento.
No fim de abril, o Grupo de Mídia
de São Paulo (fundado em 1968 e que
vem participando da criação e consolidação
do mercado de mídia brasileiro)
apresentou os resultados da
pesquisa ‘Que mídia sou eu’, realizada
em parceria com o Ibope, com o objetivo
de mapear o perfil do profissional
de mídia no Brasil, sua formação e
perspectivas de carreira. A pesquisa
confirmou que conhecimento estratégico
e conhecimento técnico seguem
como competências centrais para a
área, mas destacou um ponto importante:
a falta de cursos de qualidade.
A percepção, entre iniciantes, é de que
há excesso de conteúdos dispersos e
Guilherme Cavalcante e Aline Velha: o Grupo de Mídia auxilia na educação deste setor e em uma formação mais generalista
pouca padronização, o que impacta
a formação e a evolução de carreira.
Para os veteranos, os iniciantes são
vistos como menos dispostos e menos
maduros para negociar.
Para Guilherme Cavalcante, presidente
do Grupo de Mídia de São Paulo,
e Aline Velha, vice-presidente, o papel
da entidade é a educação desse setor,
destacando o relançamento da plataforma
de cursos do Grupo de Mídia
de São Paulo, fortalecendo-se como
referência técnica no suporte para o
desenvolvimento de uma formação
mais generalista.
“Estamos vivendo um momento de
‘maturidade digital’. A fronteira entre
mídia off e on desapareceu e, hoje,
falamos apenas de uma comunicação
integrada e multicanal. O grande desafio
atual de nossa indústria não é
mais a capilaridade, mas a capacidade
de orquestrar a complexidade. Precisamos
ser mais analíticos e precisos,
transformando o mar de dados disponíveis
em decisões que efetivamente
impulsionem o negócio do cliente”,
explica Aline. Já o presidente destaca
que a principal mudança foi a transição
do gestor de departamento para
um verdadeiro gestor de negócios.
A compra de
mídia aumentou
18,3% no primeiro
trimestre de 2026
no Brasil
“Hoje, liderar a conta significa olhar
para o negócio como um todo, pautado
por dados e conversas mais sofisticadas,
o que naturalmente elevou
o protagonismo da área dentro das
empresas”, aponta Cavalcante, complementando
que o líder de mídia precisa
ter uma visão holística, saindo do
microgerenciamento de canais para
o gerenciamento de marcas. “Além
dessa visão estratégica, baseada em
dados, o papel do líder é o desenvolvimento
de talentos, preparando a
próxima geração e criando um segundo
layer de liderança dentro da organização.”
Um ponto de destaque é como a
inteligência artificial está mudando a
dinâmica de operação deste profissional.
Ao mesmo tempo em que ela pode
Divulgação
atuar como uma poderosa aliada que
potencializa a produtividade, é preciso
se atentar ao risco da dependência
excessiva dos algoritmos. “A IA sugere
caminhos baseados no passado, mas
a inovação e o diferencial competitivo
vêm do olhar humano, da capacidade
de conectar pontos que o algoritmo
ainda não consegue enxergar. Nosso
papel é manter o controle do volante,
usando a IA para escalar a eficiência,
mas sem renunciar à estratégia criativa
que é, e sempre será, humana”,
ressalta Aline.
Já sobre a forma como o investimento
é utilizado no setor, Guilherme
discorda que a concentração de investimento
está em poucas plataformas,
optando por apontar o movimento
como uma transformação estrutural,
com migração do investimento de
meios offline para o digital, ao mesmo
tempo em que os grandes veículos
tradicionais digitalizam seu inventário.
Mas ele é enfático: “Daqui a cinco
anos, a liderança será ainda mais centrada
na interseção entre criatividade
e negócio. Não falaremos mais de
compra de espaço, mas de parcerias
estratégicas entre marcas e publishers,
com experiências integradas”.
16 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
Para Nathalia Oliveira, da Africa Creative,
área de mídia vive transição estratégica
Segundo a executiva, a IA, o retail media e a cultura da performance
estão redefinindo o papel das áreas de mídia dentro das agências
Bruna Magatti
A
evolução tecnológica, a ascensão
das plataformas digitais e
a pressão crescente por resultados
de curto prazo transformaram
profundamente o papel dos profissionais
de mídia nas agências. Para Nathalia
Oliveira, co-CMO da Africa Creative,
o profissional de mídia já não atua
apenas na etapa final da execução
das campanhas. Hoje, ele participa
desde a construção da estratégia até
a análise dos resultados de negócio.
Ao mesmo tempo, enfrenta desafios
complexos relacionados à formação
de talentos, à dependência das grandes
plataformas e à necessidade de
equilibrar performance, criatividade e
visão de longo prazo.
“O profissional de mídia deixou
de ser o último da fila para se tornar
essencial em todas as etapas
do processo. Ele precisa conhecer
profundamente o target, os mercados,
a concorrência, para contribuir
com a estratégia no momento do
briefing, ter insights criativos para
novos formatos e canais, garantir
a operação técnica e ainda cruzar
resultados de campanha com resultados
de negócio.”
Apesar da crescente demanda
por visão estratégica, ela avalia que
o mercado ainda enfrenta dificuldades
na formação desses profissionais.
Na sua visão, as plataformas
digitais assumiram grande parte do
processo de capacitação, mas com
foco predominantemente operacional.
“Os profissionais vivem em cursos,
têm a sensação de que estão
se desenvolvendo, mas são cursos
de operação, não de fundamentos.
Os conceitos mais transversais de
mídia, aqueles que independem de
ferramenta, estão deixando de ser
ensinados. Técnica sim, mas só até
certo ponto.”
Entre os principais desafios enfrentados
pelas lideranças de mídia
atualmente, Nathalia destaca a
Nathalia Oliveira: plataformas digitais assumiram grande parte da capacitação
formação e a retenção de talentos.
O perfil exigido pelo mercado reúne
habilidades analíticas, estratégicas,
criativas e técnicas, tornando a
busca por profissionais qualificados
cada vez mais difícil. Além disso, a
concorrência por esses talentos se
ampliou e segurar quem realmente
entende mídia de ponta a ponta virou
uma questão estratégica para
as lideranças.
Divulgação
Combinação entre
IA e pensamento
estratégico será
o futuro da área
FIM DO LONGO PRAZO?
Outro ponto de atenção é a dificuldade
de sustentar estratégias de
longo prazo em um ambiente dominado
pela pressão por resultados imediatos.
“O longo prazo praticamente
deixou de existir e isso é preocupante”,
afirma. Segundo ela, campanhas
precisam entregar resultados instantâneos
sob o risco de serem rapidamente
substituídas, criando um
cenário de baixa tolerância ao erro.
“Convencer clientes a sustentar uma
direção estratégica num ambiente
assim é talvez o exercício mais difícil,
e o mais importante, que um líder de
mídia pode fazer hoje.”
A executiva também chama a
atenção para a forte influência exercida
pelas grandes plataformas digitais
sobre o mercado. Na sua avaliação,
a dependência de empresas
como Google, Meta e TikTok vai além
da concentração de investimentos
publicitários. “As plataformas transformaram
a cultura da indústria. A
lógica da hiperpersonalização, das
otimizações rápidas e dos resultados
de curto prazo passou a moldar não
só a mídia, mas a forma como criação
e estratégia são pensadas”, explica.
Ao falar sobre saúde mental, Nathalia
demonstra preocupação com
a crescente incidência de afastamentos
por esgotamento profissional.
“O que mais me preocupa é
a normalização dos afastamentos”,
alerta. Ela cita que, quando as licenças
por burnout deixam de ser exceção
e passam a fazer parte da rotina,
torna-se evidente a necessidade
de mudanças estruturais na gestão
das equipes. “A pressão por performance
é real e não vai diminuir, mas
a forma como as lideranças respondem
a ela é o que vai determinar a
sustentabilidade das equipes no
médio prazo.”
Olhando para o futuro, ela acredita
que, com a automação assumindo
parte crescente das atividades operacionais,
os profissionais precisarão
desenvolver uma visão mais integrada
dos negócios. “As áreas de mídia
tendem a ficar mais enxutas, mas precisarão
ser muito mais sofisticadas.
Quem souber transitar entre dados,
negócio e criatividade vai definir o
novo padrão da profissão.”
jornal propmark - 22 de junho de 2026 17
especial dia do mídia
Criatividade voltará ao centro da mídia,
prevê Rafaela Alves, da AlmapBBDO
Dados, tecnologia e IA ampliaram a complexidade da disciplina, mas a
criatividade seguirá como principal diferencial competitivo para a COO
Bruna Magatti
A
mudança da dinâmica do profissional
de mídia ao longo dos
anos é o que destaca Rafaela
Alves, COO da AlmapBBDO. Ela lembra
que, antes, o time entrava no
fim da conversa, como uma etapa
de distribuição de uma ideia. Atualmente,
atua de forma estratégica
na construção e no entendimento da
jornada, na aplicação e leitura dos
dados e na construção de canais estratégicos,
além de contribuir para a
compreensão da cultura, do comportamento
e dos resultados diretos
de vendas. E essa evolução exigiu
um novo perfil profissional, capaz
de combinar domínio técnico, visão
de negócio e sensibilidade cultural.
Embora o mercado conte tanto com
especialistas em operação quanto
com profissionais mais estratégicos,
a AlmapBBDO aposta em um modelo
híbrido, que reúne competências
analíticas e criativas.
“A sofisticação técnica foi essencial
para a evolução da mídia, mas
quando a técnica vira o fim e não o
meio, a gente empobrece a disciplina.
Dashboard não é estratégia. Métrica
não é necessariamente inteligência,
e eficiência sem diferenciação pode
virar apenas otimização do óbvio”,
destaca.
Entre os principais desafios enfrentados
pelas lideranças da área,
Rafaela aponta a necessidade de
fazer escolhas estratégicas em um
ambiente cada vez mais complexo e
pulverizado. Com a multiplicação de
canais, plataformas e formatos, cresce
a dificuldade de definir onde investir
energia, recursos e talentos, ao
mesmo tempo em que as marcas precisam
equilibrar resultados imediatos
e construção de valor no longo prazo.
“Para as lideranças, existe pressão
por performance imediata, mas
também a necessidade de construir
a longevidade das marcas. Capturar
a atenção e construir uma narrativa
Rafaela Alves: modelo híbrido, que reúne competências analíticas e criativas
Divulgação
O problema está
na ausência da
visão estratégica
na jornada do
consumidor
que entretenha o consumidor final
passa a ser um exercício mais amplo
e fluido do que a equação pragmática
do passado, centrada na aprovação
de um planejamento estratégico de
mídia. E tudo isso influencia nas decisões
atuais.”
Sobre como convencer clientes a
pensar neste longo prazo em um cenário
de pressão, ela é enfática: “Eu
costumo defender que o longo prazo
precisa ser traduzido em linguagem
de negócio. Não basta falar de construção
de marca de forma abstrata.
É preciso mostrar como consistência,
saliência, diferenciação e confiança
reduzem dependência promocional,
melhoram conversão e protegem
margem. Longo prazo não é ‘romantismo’,
é uma estratégia de crescimento
mais sustentável”, afirma.
Questionada sobre a concentração
dos investimentos publicitários
em plataformas como Google, Meta
e TikTok, Rafaela acredita que só
existe dependência quando existe
ausência de pensamento crítico. “A
pergunta que exercito diariamente
com o meu time é: qual o papel de
cada canal dentro de uma arquitetura
maior da marca? Estar presente
na plataforma A ou B não pode substituir
a estratégia.”
Em relação à inteligência artificial,
Rafaela reconhece os ganhos de produtividade
e eficiência proporcionados
pela tecnologia, especialmente
na automação de tarefas repetitivas.
Ainda assim, ela acredita que a diferenciação
continuará dependendo da
capacidade humana de criar conexões
originais e relevantes.
“O ganho de agilidade nos processos
é inquestionável. Mas, assim
como qualquer novo processo ou
tecnologia, se não for aplicada uma
camada de diferenciação e criatividade,
você terá um resultado facilmente
copiável. Reduzir uma carga significativa
de trabalhos repetitivos tem um
ganho estrutural, mas o grande diferencial
sempre será o ativo humano.”
O futurO
Olhando para o futuro das agências,
a COO da AlmapBBDO acredita
que o modelo tradicional continuará
evoluindo para atender às novas demandas
dos clientes. E ela crava a
principal tendência: “Será a volta da
criatividade como pilar central da
mídia, potencializada por dados, IA e
tecnologia. Durante muitos anos, o
mercado perseguiu eficiência, otimização
e rentabilidade. Isso continua
importante, mas em um mundo de
excesso de estímulos e fragmentação,
o grande desafio será capturar
atenção de forma relevante. Tecnologia
será o chassi. Criatividade continuará
sendo o motor.”
18 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
Para Paulo Ilha, da Galeria.ag, desafio
do mídia é a fragmentação da atenção
O executivo analisa a evolução do setor, o impacto da IA e os desafios
de integrar performance, branding e crescimento dos negócios
Bruna Magatti
A
mídia se tornou uma das principais
conexões entre o investimento
de marketing e os
resultados das empresas, de acordo
com Paulo Ilha, sócio-fundador e CMO
da Galeria.ag. Na avaliação do executivo,
o mercado vive um momento de
forte evolução técnica, impulsionado
pelo crescimento das plataformas e
pela abundância de dados. No entanto,
ele alerta para o risco de formar
profissionais excessivamente focados
na operação das ferramentas e
pouco preparados para pensar estrategicamente.
“Existe esse risco. O mercado
evoluiu muito em tecnologia, dados
e plataformas, mas não podemos
confundir informação com estratégia.
Saber operar ferramentas é
importante, mas não é suficiente. Os
melhores profissionais continuam
sendo aqueles capazes de compreender
pessoas, cultura, negócios,
criatividade e comportamento para
transformar dados em decisões estratégicas
e criativas.”
Desafios
Entre os principais desafios enfrentados
pelas lideranças de mídia
atualmente, Paulo destaca a necessidade
de fazer escolhas em um
ambiente cada vez mais complexo e
pulverizado. Com a multiplicação de
canais, formatos, creators e possibilidades
de mensuração, a capacidade
de priorização se tornou um diferencial
competitivo. “A principal decisão
é onde investir em um ambiente de
fragmentação extrema da atenção.
Nunca tivemos tantas plataformas,
formatos, creators, canais e possibilidades
de mensuração. O desafio deixou
de ser acesso à informação e passou
a ser capacidade de priorização.”
O executivo também defende que
a construção de marca e a geração
de resultados imediatos não devem
ser tratadas como objetivos opostos.
Divulgação
Paulo Ilha: “Desafio passou a ser a capacidade de priorização na gama de informações”
Construção
de marca e
resultados
imediatos não são
objetivos opostos
Para ele, a separação entre branding
e performance perde cada vez mais
sentido em um mercado orientado
por dados e inteligência artificial.
“Mostra que longo prazo não é o oposto
de performance. As marcas mais
valiosas do mundo são justamente
aquelas que conseguem equilibrar
crescimento imediato e construção
consistente de valor. A falsa escolha
entre branding e performance é
um dos maiores equívocos do marketing
moderno.”
Ilha reconhece a importância de
plataformas como Google, Meta e Tik-
Tok no ecossistema publicitário, mas
reforça que a estratégia não pode ser
construída a partir das plataformas, e
sim das necessidades dos consumidores.
“São plataformas extraordinárias
e fundamentais para o ecossistema
atual. Mas acredito que existe uma
dependência excessiva quando a estratégia
de mídia passa a ser construída
a partir das plataformas e não
a partir do consumidor. O papel das
agências é justamente ampliar essa
visão”, afirma.
Sobre o futuro das agências, ele
acredita que o modelo tradicional,
centrado apenas em planejamento e
compra de mídia, está perdendo espaço
para estruturas mais integradas e
consultivas. Os clientes, segundo ele,
buscam parceiros capazes de conectar
diferentes disciplinas e transformar
complexidade em crescimento.
“O que faz sentido hoje é um parceiro
capaz de integrar estratégia, dados,
tecnologia, criatividade, conteúdo,
creators, commerce e mensuração.
Os clientes procuram cada vez mais
capacidade de orquestração. Eles não
precisam de mais fornecedores. Precisam
de parceiros capazes de conectar
disciplinas e transformar complexidade
em crescimento.”
Olhando para os próximos anos, o
sócio-fundador e CMO da Galeria.ag
aposta na convergência entre inteligência
artificial, dados proprietários e
criatividade como a principal força de
transformação da mídia. Mais do que
a evolução tecnológica, porém, ele
acredita que o grande desafio será
integrar toda a jornada do consumidor
em ecossistemas cada vez mais
conectados.
“Acredito que a principal transformação
será a convergência entre
inteligência artificial, dados proprietários
e criatividade. O futuro da mídia
será cada vez menos sobre canais
isolados e cada vez mais sobre a capacidade
de orquestrar ecossistemas
completos de comunicação, conteúdo,
comércio e experiência. As empresas
que conseguirem unir criatividade,
tecnologia e resultados de negócio de
forma integrada serão as que liderarão
a próxima década.”
jornal propmark - 22 de junho de 2026 19
especial dia do mídia
Tecnologia com sensibilidade humana é o
futuro, diz Ana Sanchez, da Publicis Brasil
A vice-presidente aborda temas como retail media, transformação
digital e o futuro das agências em um mercado mais complexo
Bruna Magatti
A
evolução tecnológica, a crescente
complexidade das
jornadas de consumo e a necessidade
de conectar marketing
a resultados de negócio ampliam o
protagonismo da mídia dentro das
agências. E de acordo com Ana Sanchez,
vice-presidente de mídia da
Publicis Brasil, essa responsabilidade
vai além, sendo que os líderes de
mídia ajudam a identificar oportunidades
e a construir soluções capazes
de gerar impacto consistente. E
para ela, no mercado cada vez mais
orientado por dados, a técnica continua
sendo fundamental para a evolução
da área, mas ela deve estar
sempre subordinada à estratégia.
“Se antes falávamos de GRP e CPP,
hoje incorporamos métricas como
ROAS, ROI e CPA, e isso amplia a sofisticação
da prática. O desafio não
é o excesso de técnica, mas garantir
que os dados e os dashboards sejam
lidos dentro de uma visão mais ampla
de negócio, consumo e comportamento.
Mais do que operadores de
ferramentas, o mercado precisa formar
profissionais capazes de transformar
informação em inteligência
e inteligência em crescimento.”
Entre os principais desafios enfrentados
pelas lideranças da área,
Ana destaca a necessidade de tomar
decisões em um ambiente marcado
pela multiplicação de canais, pelo
aumento do volume de dados e pela
pressão crescente por resultados
imediatos. Nesse contexto, a capacidade
de simplificar a complexidade
se tornou uma das competências
mais valiosas.
“Talvez o maior desafio hoje seja
tomar decisões em um ambiente
de alta complexidade, em que tudo
acontece ao mesmo tempo: mais
canais, mais dados, mais pressão
por resultado imediato e jornadas
cada vez menos lineares. O papel
da liderança é justamente conectar
essas variáveis e transformar complexidade
em clareza”, opina. Nesse
contexto, ela reforça a importância
de equilibrar performance de curto
prazo e construção de valor no longo
prazo. “A pressão de curto prazo
é real e legítima, mas o nosso papel
como parceiros de negócio é ajudar
o cliente a fazer escolhas mais inteligentes:
o que precisa ser resolvido
agora e o que precisa começar a ser
construído para garantir vantagem
competitiva amanhã.”
Divulgação
Ana Sanchez: técnica continua sendo fundamental, mas deve responder à estratégia
O mercado precisa
de profissionais
que transformem
informação em
inteligência
Retail Media
O avanço do retail media também
é apontado pela vice-presidente da
Publicis Brasil como um dos movimentos
mais relevantes da indústria
nos últimos anos. Segundo ela,
a disciplina acelera a integração
entre mídia, dados, comércio e mensuração,
ampliando a capacidade de
acompanhar a jornada do consumidor
de ponta a ponta: “Com certeza.
O retail media acelera uma mudança
importante porque aproxima mídia,
dados, commerce e mensuração de
uma maneira muito mais integrada.
Isso faz com que as agências precisem
operar com uma visão cada vez
mais end-to-end”.
Para a executiva, o futuro está na
capacidade de integrar diferentes
disciplinas e reduzir a complexidade
enfrentada pelos clientes.
“Em um cenário cada vez mais
fragmentado, o valor de uma agência
está justamente na competência
de de integrar capacidades e
reduzir a complexidade. No fim, o
que os clientes exigem é menos fricção,
mais agilidade e soluções que
gerem impacto real de negócio”,
afirma Ana.
Olhando para os próximos anos,
Ana Sanchez acredita que o principal
diferencial competitivo da mídia
será a habilidade de combinar
tecnologia, inteligência e sensibilidade
humana para compreender as
pessoas de maneira mais profunda.
Mais do que tendências isoladas, ela
aposta na capacidade de integrar
dados, contexto, criatividade e negócio
para gerar experiências mais
relevantes e eficazes.
“Mais do que perseguir tendências
isoladas, o que vai redefinir a
mídia nos próximos anos é a capacidade
de conectar inteligência,
tecnologia e sensibilidade humana
para entender pessoas de forma
mais profunda. Em um ambiente de
mudança constante, essa visão conectada
será o principal diferencial.”
20 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
Carlinha Gagliardi, da Omnicom, afirma
que a mídia já é integrada à criação
Apesar do foco nos dados, a executiva acredita que a estratégia
continua sendo o ponto de partida para qualquer bom plano de mídia
Bruna Magatti
A
transformação digital, a ascensão
das plataformas, o crescimento
do retail media e a chegada
da inteligência artificial mudaram
profundamente o papel da mídia
dentro das agências. Para Carlinha
Gagliardi, chief investment officer
da Omnicom Media Group Brasil, essa
evolução elevou o protagonismo da
área e ampliou sua participação nas
decisões estratégicas dos anunciantes.
Segundo ela, a mídia deixou de
ser vista como uma etapa final do
processo de comunicação para atuar
de forma integrada com criação, estratégia
e negócios.
“A mídia antigamente era uma das
últimas a serem plugadas na jornada
de uma campanha. Primeiro se falava
em big idea, criação, estratégia e audiências.
Em uma reunião apartada,
se falava de mídia, normalmente só
com as pessoas de mídia do cliente.
De um tempo para cá, a mídia passou
a ser apresentada junto com a criação,
ou seja, a big idea e como ela se
comportava nos diversos meios que
pensamos em conjunto. Acho que de
lá para cá a mídia ganhou ainda mais
protagonismo.”
Ao analisar a formação dos profissionais
da área, Carlinha acredita que
o mercado precisa equilibrar competências
estratégicas e operacionais.
Para ela, o crescimento das plataformas
tornou indispensável a presença
de especialistas em execução e análise
de dados, mas a estratégia continua
sendo o ponto de partida para
qualquer plano de mídia eficiente.
“Hoje a maior parte dos investimentos
está em plataformas. Por
isso destaco muito a estratégia
que se forma dentro desses canais,
porque eles serão os mesmos para
todos. O que muda é a forma como
cada estratégia vai utilizar os formatos
e audiências. Mas, por outro
lado, precisamos ter muito mais profissionais
voltados a plataformas e
Carlinha Gagliardi: a mídia deixou de ser vista como uma etapa final do processo
dashboards do que tínhamos antes.
De nada adianta uma boa estratégia
sem uma boa execução.”
Ao falar sobre desafios, ela destaca
a necessidade de equilibrar
demandas de curto prazo com a
construção de valor para as marcas
ao longo do tempo, pois a busca
incessante por vendas imediatas
pode comprometer a saúde dos negócios
quando não é acompanhada
por investimentos consistentes em
branding. “Um dos grandes desafios
é transformar um briefing que
nos pede aumento de vendas, entendendo
que primeiro precisamos
construir ou fortalecer a marca. Sem
a marca, o que vai comandar são os
preços de venda do produto quando
Divulgação
A mídia passou a
ser apresentada
junto com a
criação
o consumidor comparar. Isso cria um
ciclo terrível para a saudabilidade
da marca e das vendas.”
Fim do tradicional?
Muitos se questionam se o modelo
tradicional de agência ainda
faz sentido. O Brasil é o país que
mais traz em seu DNA o modelo de
agências full service, em que o cliente
pode contar com uma só agência
para qualquer escopo de trabalho.
A chief investment officer da Omnicom
Media Group Brasil acredita que
esse modelo é benchmarking no
mundo e não podemos retroceder.
“O modelo tradicional não está
desaparecendo, mas está sendo
pressionado a evoluir. As estruturas
in-house ganharam força porque
oferecem mais proximidade com o
negócio, velocidade de execução e
controle sobre dados e processos. Já
as agências especializadas crescem
ao entregar conhecimento profundo
em áreas como CRM, creators, retail
media, dados, IA ou performance. Por
outro lado, poucas empresas conseguem
manter internamente toda a
combinação de talentos, tecnologia,
escala e visão de mercado necessária
para competir. É aí que as grandes
agências continuam relevantes.”
Olhando para o futuro, ela acredita
que a mídia continuará ampliando sua
conexão com os resultados de negócio.
Em um ambiente cada vez mais
orientado por inteligência artificial,
automação e dados proprietários, estratégia,
criatividade e visão empresarial
tendem a se tornar os principais
diferenciais competitivos.
“Nos próximos anos, a mídia deve
consolidar sua evolução de uma função
focada na distribuição de mensagens
para uma disciplina cada vez
mais conectada aos resultados de
negócio. A tecnologia assume parte
crescente da operação, enquanto estratégia,
criatividade e visão de negócio
ganham relevância como principais
diferenciais competitivos.”
jornal propmark - 22 de junho de 2026 21
especial dia do mídia
O bom mídia direciona atenção ao que
importa, opina Renan Soares, da Artplan
Com a gama de plataformas, o executivo destaca que nem tudo
merece a mesma atenção e gera o mesmo impacto para o cliente
Bruna Magatti
A
aproximação do profissional de
mídia com os indicadores de
negócio dos clientes é, para Renan
Soares, diretor-geral de mídia da
Artplan, uma das principais transformações
dos últimos anos. Ele acredita
que o acesso a dados mais organizados
e a capacidade de relacionar resultados
de campanha com métricas
empresariais ampliaram a relevância
da mídia nas discussões estratégicas.
“Isso trouxe mais embasamento
para as discussões com os clientes
e também dentro das agências. Mais
do que definir canais, a mídia passou
a exercer um papel de conexão entre
números e criatividade. Quando
entendemos o que gera resultado
para o negócio, conseguimos ajudar
a direcionar formatos, ambientes e
oportunidades que potencializam
as ideias criativas. Por isso, vejo a
mídia cada vez mais como uma área
que une negócio, dados e criatividade
para construir soluções mais eficientes
para as marcas.”
Na avaliação do executivo, o debate
sobre a formação dos profissionais
da área não deve opor estrategistas e
operadores. Para ele, o mercado precisa
de perfis diversos, capazes de atender
às diferentes necessidades dos
anunciantes, desde operações orientadas
por performance até projetos
mais amplos de construção de marca.
“O mercado precisa tanto de profissionais
com forte capacidade analítica
quanto de perfis mais estratégicos
e criativos, mas, acima de tudo, de
profissionais que tenham interesse
real pelo negócio do cliente. O desafio
está em entender qual é o perfil mais
adequado para cada contexto.”
melhor estratégia
Ao falar de desafios, Soares aponta
a definição de prioridades em um ambiente
repleto de possibilidades. Com
o surgimento constante de novas
plataformas, tecnologias e formatos,
a capacidade de direcionar atenção e
recursos para iniciativas realmente
relevantes tornou-se uma competência
essencial. “É decidir onde investir
tempo. Vivemos em um ambiente
com infinitas possibilidades. Nem
tudo merece a mesma atenção e nem
tudo gera o mesmo impacto para o
negócio do cliente.”
Mas ao citar o peso dessas plataformas,
ressalta que o desafio está
em construir combinações adequadas
de canais para cada objetivo de
negócio: “Uma estratégia eficiente
não passa por eleger um canal como
solução para tudo. Acredito muito
na construção de um mix de canais
equilibrado”.
O executivo também defende uma
Mario Coelho
Renan Soares: IA será cada vez mais relevante na jornada de decisão do consumidor
O papel das
agências não é
escolher entre
curto ou longo
prazo
visão equilibrada entre construção
de marca e performance, ao afirmar
que o papel das agências não é escolher
entre curto ou longo prazo, mas
ajudar os clientes a encontrar a combinação
mais adequada para cada momento
do negócio.
“Não vejo o papel da agência como
alguém que defende apenas o longo
prazo, mas como um parceiro que
ajuda a encontrar o equilíbrio entre
as diferentes necessidades do negócio.
No fim, convencer talvez não seja
a palavra certa. O mais importante é
construir confiança, gerar previsibilidade
e mostrar que crescimento consistente
normalmente é resultado de
uma combinação equilibrada entre
performance, construção de marca e
relevância para o consumidor.”
Ao falar sobre essas questões
de prioridades estratégicas e equilíbrio
nas operações, surge a pauta
da saúde mental no trabalho desses
profissionais. Soares afirma que a
preocupação existe, pois o aumento
da complexidade operacional exige
estruturas mais adequadas e uma
atuação mais ativa dos gestores
na definição de prioridades. “Como
liderança, vejo que uma parte importante
do nosso papel é ajudar a
estabelecer prioridades. Nem tudo é
urgente e nem tudo precisa acontecer
ao mesmo tempo. Quando existe
clareza sobre o que realmente importa,
a pressão fica mais saudável
e o time consegue trabalhar com
mais foco.”
Por fim, ele faz sua aposta para o
futuro: “A inteligência artificial terá
um papel cada vez mais relevante na
jornada de decisão do consumidor.
Hoje já vemos pessoas recorrendo
a ferramentas de IA para pesquisar
produtos, comparar opções, buscar
recomendações e até tomar decisões
de compra. A tendência é que essas
ferramentas deixem de ser apenas
uma fonte de consulta e passem a
influenciar cada vez mais as escolhas
das pessoas.”
22 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
‘A mídia precisa voltar a ser grande’,
expõe André Scaciota, da WMcCann
O executivo da agência que teve um dos pioneiros do setor, Altino João
de Barros, acredita que a nova geração tem um padrão para honrar
Bruna Magatti
Para explicar na prática que o
profissional de mídia mudou de
natureza, não só de ferramenta,
André Scaciota, chief data & media
officer da WMcCann, cita a própria
agência: “Quando a gente discute mídia
hoje, está discutindo crescimento,
reputação, dados, tecnologia, cultura,
comportamento e vendas. O investimento
revela prioridade, a audiência
revela escolha, a frequência revela
ambição. Mas, e isso é muito WMc-
Cann, mídia também é o que multiplica
a ideia criativa. O melhor exemplo
desta casa é o próprio top de cinco segundos:
seu Altino João de Barros, um
homem de mídia, olhou para uma simples
contagem regressiva da Globo e
enxergou ali um espaço de marca para
a General Motors, cliente da agência.
Não foi compra de inventário. Foi
a criatividade nascendo de dentro da
mídia. É essa tradição que herdamos.”
E embora reconheça a importância
da evolução das ferramentas
de mensuração e performance, ele
alerta para o risco de formar apenas
operadores de dashboards. “Dashboard
mostra o que aconteceu. O profissional
de mídia precisa explicar por
que aconteceu, o que aquilo significa
e o que o cliente deveria fazer a partir
dali. O dado organiza sinais. Quem
transforma sinal em direção é gente.”
Branding e performance
E nesse dilema entre a pressão
do cliente e a performance da agência,
o chief data & media officer da
WMcCann deixa claro: não pode haver
romantismo. O cliente não precisa de
discurso sobre marca, precisa de números
para enxergar o custo de não
construir marca.
“Eu vivi essa conta de perto liderando
centenas de milhões de reais
em mídia no Itaú, em uma operação
em que marca, performance, reputação
e negócio precisavam conversar
todos os dias. Marca forte não é luxo
de brand. É o que segura o custo de
aquisição quando o mercado aperta.
Então convencer não é defender branding
contra performance. É desenhar
uma arquitetura de investimento que
proteja o agora sem matar a capacidade
de crescer depois, definindo com
o cliente quanto sustenta demanda
futura e que sinais avisam que a marca
enfraquece antes de a venda cair.
Branding e performance não são departamentos.
São dois tempos do mesmo
investimento. Proteger reputação
é resultado, não nota de rodapé.”
Ao falar sobre pressão, Scaciota
faz um relato potente sobre a saúde
mental que afeta o que o profissional
de mídia se tornou nas agências.
Ele é sincero ao opinar que a pressão
Divulgação
André Scaciota: marca forte é o que segura custo de aquisição quando a coisa aperta
Quem lidera mídia
hoje precisa
escrever o que
vem depois
não vai sumir, mas não pode ser romantizada
em um cenário em que
tudo é urgente.
“O cliente segue pressionado, a
economia também, o negócio exige
resultado. A resposta não é negar a
pressão, é transformar pressão em
clareza. O time adoece quando tudo é
prioridade, quando o briefing é ruim,
quando a decisão muda toda semana
e quando a liderança não protege o
foco. Boa parte do burnout não vem
do excesso de trabalho. Vem do excesso
de trabalho sem direção. E isso
se liga a algo que levo muito a sério:
formar gente. Quem profissionalizou a
mídia brasileira não nos deixou só técnica,
deixou um padrão de exigência e
uma escola de profissionais. Formar
bem não é tema de RH, é estratégia
de mercado, é o que garante que a
próxima década tenha quem decida e
não só quem opere.”
Ao analisar o futuro das agências
diante da concorrência de consultorias,
estruturas in-house e creators,
Scaciota acredita que o modelo tradicional
precisa evoluir para se tornar
uma plataforma de integração.
“Alguém precisa juntar isso em uma
visão coerente de marca, negócio,
cultura, criação e crescimento. Esse
alguém deveria ser a agência, não
como quem executa demanda, mas
como quem organiza complexidade e
mantém a ideia no centro. Foi por isso
que eu voltei para o lado da agência.
A rodada de contratação de mídia pelos
anunciantes não me assustou; me
mostrou uma janela: o cliente ficou
mais forte e, ao mesmo tempo, mais
carente de alguém que costure todas
essas camadas, o que ninguém estava
fazendo”, expõe.
Por fim, ele faz uma declaração potente
sobre o futuro do setor: “Acredito
que a mídia precisa voltar a ser
grande. Grande no pensamento, na
ambição e na contribuição para o mercado,
não só em verba, alcance ou volume.
Grande porque ajuda marcas a
crescer, multiplica ideias, protege reputações
e forma profissionais. Quando
olho para a história da WMcCann no
Brasil e para profissionais como seu
Altino João de Barros, não vejo só um
passado para celebrar. Vejo um padrão
para honrar e uma responsabilidade
para atualizar. Quem lidera mídia
hoje não pode se contentar em operar
melhor as ferramentas do presente.
Precisa escrever o que vem depois.
Esse, para mim, é o trabalho.”
jornal propmark - 22 de junho de 2026 23
especial dia do mídia
Para Vitor Kamada, da Talent,
profundidade é o que define o desafio
O VP explica que o impacto da comunicação, a proximidade com o
desenvolvimento e identificar metas do cliente são o combo perfeito
Bruna Magatti
O
principal papel do profissional
de mídia atual é lidar com a
complexidade de canais que o
mercado oferece. É o que pensa Vitor
Kamada, VP de mídia & BI da Talent,
que destaca que, se antes a atuação
estava concentrada em mídia massiva,
como TV aberta, ou em performance
com foco em display e afiliados
dentro do digital, hoje há uma
ampliação com o social media, que
deixou de estar restrita a Instagram
e Facebook e passou a contar com
novos players relevantes, ampliando
as possibilidades de conexão com o
público, além de a própria TV passar
por transformações complexas que
incorporam o Connected TV e o streaming,
exigindo novas abordagens de
planejamento e compra. Outro importante
movimento que ele lembra é o
crescimento de retail media.
“A jornada de busca deixou de estar
concentrada apenas em plataformas
tradicionais, como o Google Search.
Hoje, muitos consumidores iniciam
suas buscas diretamente em players
como Amazon, Mercado Livre, Shopee
e Temu, que passaram a se consolidar
como destinos de compra. O out of
home também mudou. Nas principais
capitais, o meio se digitalizou e se tornou
mais flexível, permitindo compras
programáticas. Se antes a negociação
era mais engessada, por circuito
ou ponto fixo, hoje é possível definir
faixas horárias, adaptar criativos em
tempo real, trabalhar com diferentes
lotes e segmentações geográficas.
Isso permite uma leitura mais precisa
de onde estão os clusters de audiência
e, a partir disso, um planejamento
mais eficiente de DOOH”, afirma.
Retail Media
O executivo vai além ao afirmar
que o retail media introduz uma nova
lógica de planejamento, onde, antes,
era visto principalmente como um
ambiente de marketplace, focado na
Vitor Kamada: o nível de protagonismo que data e tech têm na mídia já mudou
venda de produtos e agora, com mais
formatos e possibilidades, permite
trabalhar todas as etapas do funil
completo dentro desse ecossistema.
“Além disso, esses ambientes
estão cada vez mais conectados a
conteúdo e influência, como reviews,
creators e entretenimento. Vemos
isso com iniciativas como TikTok
Shop, por exemplo, ou Mercado Livre
fazendo parcerias com streaming.
Isso cria uma camada de atenção e
engajamento que nem sempre está
diretamente conectada à compra
imediata. Ao mesmo tempo, o retail
media também é extremamente
eficiente no fundo de funil. Quando
o objetivo é capturar demanda com
alta propensão de compra, para
Divulgação
As novas
plataformas são
um reflexo direto
do consumo atual
usuários que já demonstraram interesse,
como adicionar produtos ao
carrinho, esse ecossistema se torna
ainda mais estratégico.”
Apesar de citar que o líder de mídia
passou a ter um papel ainda mais
estratégico, contribuindo diretamente
para indicadores de negócio,
como P&L e OKRs, indo muito além
de apenas colocar campanhas no
ar, Kamada defende que o mercado
precisa desenvolver perfis capazes
de equilibrar profundidade técnica e
visão estratégica.
“É necessário ter uma ambidestria
entre profundidade e técnica, usando-
-as como munição para ser mais estratégico
nas tomadas de decisão. Em
um determinado momento, a construção
de relatórios e dashboards estava
em ascensão, e o mídia passou a
atuar diretamente nessa frente, com
foco em estruturação e visualização
de dados. Agora, avançamos para uma
etapa de automação de algumas dessas
entregas. Nesse contexto, diminui
a necessidade de profissionais focados
exclusivamente na construção de
dashboards, por exemplo, e o papel
analítico da área fica mais forte.”
E nesse sentido, para o VP de mídia
& BI da Talent, plataformas como
Google, Meta e TikTok são menos uma
questão de dependência e mais sobre
um reflexo direto de onde as pessoas
estão e de como consomem conteúdo:
“Essa equação também depende da
evolução dos formatos publicitários e
da capacidade dessas plataformas de
entregar retorno para as marcas. No
caso do TikTok, por exemplo, vemos
um crescimento exponencial, tanto
em base de usuários quanto em tempo
dedicado, além de uma ampliação
de público, que já vai além das gerações
mais jovens. Por outro lado, esse
crescimento das plataformas precisa
vir acompanhado de sofisticação em
mídia, porque não basta ter alto consumo
se elas não oferecem, na mesma
medida, soluções publicitárias
eficientes, escaláveis e mensuráveis”.
24 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
Velocidade e pressão impactam na
estratégia, diz Douglas Silveira, da GUT
Para o chief media officer da GUT, isso não é uma responsabilidade
apenas das agências, mas de clientes e veículos que formam líderes
Bruna Magatti
A
promoção de Douglas Silveira
para chief media officer da GUT
em 2025 reforçou uma direção
que as agências adotaram como prioridade
no setor de mídia: conectar
criatividade e resultados, ampliando
a visão estratégica sobre investimentos
de mídia e effectiveness. O
foco declarado é transformar dados e
criatividade em impacto real para os
negócios.
O profissional analisa a formação
dos profissionais da área sem jogar
para os extremos. Para ele, a mídia
não se tornou técnica demais ou menos
estratégica. O que mudou foi a
exigência da competência para lidar
com a complexidade de plataformas
atualmente, um movimento natural
do mercado. “O desafio está em desenvolver
esses profissionais além
da dimensão técnica. A velocidade do
negócio e a pressão do dia a dia muitas
vezes reduzem o espaço para formação
estratégica”. Na avaliação do
executivo, essa responsabilidade não
cabe apenas às agências: “É um tema
que, na minha visão, precisa ser tratado
de forma coletiva por agências,
clientes e veículos, porque formar os
próximos líderes da indústria é uma
responsabilidade compartilhada”.
Entre os principais desafios enfrentados
pelas lideranças de mídia
atualmente, Silveira traz três fatores
fundamentais: como equilibrar resultados
de curto prazo com construção
de marca no longo prazo; como
diferenciar eficiência de eficácia,
entendendo que nem tudo que é mais
eficiente necessariamente gera mais
crescimento; e como incorporar IA de
forma inteligente, usando a tecnologia
para ganhar produtividade sem
substituir aquilo que continua sendo
exclusivamente humano: repertório,
julgamento e criatividade. Mas tudo
isso esbarra na pressão do cliente.
Nessa hora, é preciso mostrar que
o longo prazo não é uma escolha
Douglas Silveira: a principal vantagem competitiva das empresas não está no uso de novas tecnologias, mas como são aplicadas
oposta ao curto prazo.
“As marcas mais eficientes são
justamente aquelas que conseguem
equilibrar os dois. Quando olhamos
para os principais estudos de efetividade,
a consistência aparece repetidamente
como um dos fatores mais
importantes para o crescimento das
marcas. O desafio não é convencer os
clientes a investir pensando em ciclos
anuais. É ajudá-los a tomar decisões
que preservem a consistência mesmo
diante da pressão de curto prazo.”
O capital
intelectual
tende a ser o
principal fator de
diferenciação
dicional de agência de mídia. Para o
chief media officer da GUT o debate
mais relevante está na capacidade de
integração entre disciplinas. “A criatividade
cria a distinção necessária
para que uma marca seja lembrada.
A mídia dá escala para esse processo.
Quando essas disciplinas trabalham
juntas, o resultado costuma ser maior
e melhor. Por isso acredito que os
Divulgação
Integração
Já ao falar sobre o cenário atual,
em que agências se reinventam diante
da consultoria, in-house e creators,
muito se pensa sobre o modelo tramodelos
vencedores são os que conseguem
integrar criatividade e mídia
desde a origem da estratégia até a
implementação.”
Olhando para o futuro, Douglas
aposta que a principal vantagem
competitiva das empresas não virá
apenas da adoção de novas tecnologias,
mas da forma como elas serão
aplicadas. IA e automação estarão disponíveis
para todos. O diferencial estará
nas empresas que conseguirem
combinar tecnologia com estratégia,
criatividade e profundo entendimento
de negócio. Em um mercado em
que as ferramentas se tornam cada
vez mais parecidas, o capital intelectual
tende a ser o principal fator de
diferenciação.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 25
especial dia do mídia
Construção de marca é sobre métrica de
negócio, diz Mateus Madureira, da Ogilvy
O head de mídia acredita que, quando o cliente entende isso, o longo
prazo deixa de ser luxo e a performance fica mais barata com o tempo
Bruna Magatti
A
área de mídia da Ogilvy no Brasil
funciona de forma bastante
diferente do modelo tradicional
das agências criativas. Desde 2021, a
operação está integrada à estrutura
da WPP Media (antiga WPP Media Services/WMS),
criada especificamente para
unir especialistas de mídia, dados,
tecnologia e performance dentro das
agências criativas do grupo. A nomeação
de Mateus Madureira, head de mídia
da Ogilvy/WPP Media, reforçou exatamente
essa missão: integrar pensamento
estratégico, dados, inteligência
artificial e planejamento de marcas,
ou seja, posicionando-se menos como
uma agência criativa com um departamento
de mídia e mais como um ecossistema
integrado.
Ele crava que o profissional de mídia
encontra hoje um espaço de influência
que antes não existia. “O desafio não é
ensinar a usar a tecnologia, é ensinar
a pensar. A tecnologia entrega o dado.
O estrategista entrega o significado.
Dados sem interpretação informam.
Dados com tese transformam. A técnica
avançou. O pensamento estratégico
precisa acompanhar”, diz Madureira.
Matheus Madureira: o futuro não está na melhor mídia ou na melhor ideia isoladamente, está na fusão entre as duas
dentes, mas o valor estratégico continua
dependendo da capacidade humana
de interpretação e julgamento.
Ele acredita que a tecnologia amplia
as capacidades dos profissionais mais
preparados e evidencia as limitações
daqueles que atuam apenas na execução,
mas complementa: “Ela faz mil
cenários em segundos, mas ainda não
sabe qual deles importa para o cliente,
e esse julgamento continua estritamente
humano”.
Sobre o fato de as agências estarem
se reinventando diante da consultoria,
in-house e creators, o modelo tradicional,
segundo o head de mídia da Ogilvy/WPP
Media, perde o sentido, mas
não a função. “Consultoria entende
negócio, in-house entende a marca por
Divulgação
construção de marca
Obviamente que convencer clientes
a pensar no longo prazo em um cenário
de pressão constante, tornou-se um
dos principais desafios deste mercado,
mas Madureira defende que, performance
sem marca entrega resultados
hoje e compromete os de amanhã, fazendo
com que o cliente atinja a meta
do trimestre, mas dificulte parte do
potencial de crescimento futuro. “É
a construção de marca que torna a
performance mais barata (e mais duradoura)
com o tempo. Meu papel é traduzir
construção de marca em métrica
de negócio, e não em crença. Quando
o cliente entende isso, o longo prazo
deixa de ser luxo.”
O executivo também faz uma reflexão
sobre o protagonismo de plataformas
como Google, Meta e TikTok.
Embora reconheça sua relevância para
o mercado, ele alerta para os riscos
de transferir decisões estratégicas
para esses ambientes. “A conveniência
das grandes plataformas é real. O ponto
de atenção está em como usá-las:
como aliadas estratégicas ou como
terceirizadoras de decisão. Quando a
plataforma decide por você, ela passa
a dividir a autoria do seu resultado.
Diversificar canais, nesse contexto, é
menos sobre ampliar alcance e mais
em como manter o controle dos próprios
dados e estratégias.”
A inteligência artificial é outro
tema central nas discussões a respeito
do futuro da área. Para o executivo,
os ganhos de produtividade já são evidentro,
creator entende a audiência, e
a agência é o elo que faz tudo isso funcionar
junto, da melhor forma. O cliente
não quer mais um fornecedor de
espaço, quer um sócio de crescimento.
Quem segue vendendo desconto e preço
vai sumir. Quem vende inteligência,
integração e conexão fica.”
Ele acredita que o futuro não está
na melhor mídia ou na melhor ideia
isoladamente. Está na fusão entre as
duas, orientada por dados. “Quem souber
integrar esses três elementos num
único processo, e não em silos, vai sair
na frente. A IA acelera essa integração.
Mas a vantagem competitiva, no fim,
vai ser de quem usar a tecnologia para
ampliar o que há de mais humano no
trabalho, não para substituí-lo.”
26 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
Para Luiza Valente, da DPZ, o novo mídia
deve ir além da leitura dos números
A VP de mídia acredita que a tendência do futuro é a integração
entre IA e dados, mas é preciso formar bons profissionais para isso
Bruna Magatti
Ao refletir sobre o que seria o profissional de mídia
perfeito atualmente, Luiza Camara Valente,
VP de mídia da DPZ, pensa que a parte técnica
é fundamental para dar base ao pensamento
estratégico. “Os dashes e outros relatórios ajudam
a trazer mais informação e insights, amplificando o
conhecimento e as possibilidades de desenvolver
uma estratégia mais assertiva. O desafio do mercado
é formar profissionais capazes de ir além da
leitura dos números, traduzindo dados em contexto,
aprendizados e oportunidades de negócio.”
Mas o maior desafio atual é realmente seguir formando
e recrutando novos mídias, já que estamos
falando de uma área que passou por uma enorme
expansão e uma maior demanda por vagas do que
profissionais qualificados. “Antes os perfis apenas
eram abordados por outras agências, hoje o interesse
pode vir também de clientes e veículos, que
cada vez mais valorizam o perfil do profissional de
mídia. Também é um desafio o equilíbrio entre capacitar
a equipe com as ferramentas, integração com
AI e todas as evoluções do mercado, mas manter o
olhar estratégico, entendimento do negócio e olhar
humano”, explica. Isso se aplica também ao aumento
do uso de inteligência artificial nas operações, complementa:
“Ao mesmo tempo, essa mudança exige
rápida requalificação, domínio de novas ferramentas
e maior atenção a questões éticas, regulatórias
e de governança de dados, tornando o papel humano
ainda mais relevante na interpretação, no senso
crítico e na tomada de decisão.”
Historicamente, a DPZ foi uma das pioneiras no
Brasil a defender a aproximação entre planejamento,
conteúdo e mídia para gerar soluções mais
conectadas aos desafios dos clientes. Isso significa
reforçar o conceito de “efetividade criativa”, segundo
o qual criatividade e resultados de negócio precisam
caminhar juntos. A mídia passa a ser tratada
como uma disciplina diretamente ligada ao crescimento
das marcas e ao retorno dos investimentos,
e não apenas à distribuição de campanhas.
Nesse contexto, em que os novos mídias dispõem
de uma gama de plataformas, Luiza acredita
que o fenômeno de concentrar o investimento em
algumas específicas está diretamente relacionado
ao alcance e à capacidade de segmentação dessas
empresas: “Poucos parceiros têm o poder de alcance
das plataformas e é natural que haja uma maior
relevância de acordo com os objetivos da campanha.
Não é sobre dependência, mas sobre audiências
Luiza Valente: o bom mídia pensa que a parte técnica é fundamental para dar base às suas estratégias
O maior desafio atual
é realmente seguir
formando e recrutando
novos mídias
Divulgação
massivas e possibilidade de cobertura com segmentação
de audiências. O comportamento do consumidor
é plural e, por isso, trabalhamos para construir
planos que aproveitem o melhor dessas plataformas
sem abrir mão de outros pontos de contato
relevantes para comunicação.”
IA e dAdos
Ao olhar para os próximos anos, a executiva projeta:
“A principal tendência que deve redefinir a mídia
nos próximos anos é a integração entre IA e dados.
Mais do que substituir alguma tarefa, a IA potencializa
o trabalho humano ao automatizar operações, otimizar
resultados e permitir personalização em escala e
em tempo real. No Grupo Publicis, isso se traduz em
um ecossistema que combina IA, dados preditivos,
influência e integração entre disciplinas para gerar
decisões mais precisas e maior qualidade de engajamento
ao longo de toda a jornada do consumidor”.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 27
especial dia do mídia
Estrategistas superarão os dashboards,
aposta Renata Valio, da Lola\TBWA
A VP de mídia acredita que a integração entre dados, tecnologia e
clientes mais bem organizados afetará a parte estrutural das agências
Bruna Magatti
Historicamente, a TBWA defende
a metodologia “Disruption”, que
busca desafiar convenções de
mercado para gerar crescimento das
marcas. Na prática, isso significa que
a mídia tende a ser utilizada como
ferramenta de transformação cultural
e de construção de relevância, e
não apenas como veículo de distribuição.
A liderança de estratégia da
agência destacou recentemente o
uso do ferramental global da TBWA
para transformar estratégia em
crescimento de negócios.
E é dentro desse contexto que Renata
Valio assumiu o cargo de VP de
mídia da Lola\TBWA. Ela confirma que
a área sempre foi técnica, e que os dados
sempre foram parte do dia a dia
dos profissionais e métricas eram as
principais referências, mas ressalta:
“O que está acontecendo hoje é um
fluxo maior de dados, clientes mais
bem estruturados em mídia, e a tecnologia
ajudando a transformar os
dados em uma visão mais analítica.
Portanto, idealmente, formaremos
mais estrategistas e não operadores
de dashboard”.
Renata Valio: “Os maiores desafios estão na parte estrutural. O modelo tradicional nem sempre torna a operação mais eficiente
Modelo estrutural
Ao refletir sobre os desafios, ela
leva a questão para a parte estrutural.
“Os maiores desafios estão na parte
estrutural. O modelo hierárquico
tradicional nem sempre torna a operação
mais eficiente; muitas vezes,
os times crescem em tamanho sem
que isso se traduza em mais qualidade
ou melhores resultados. O grande
desafio é construir estruturas mais
integradas, que favoreçam a colaboração
e a sinergia entre diferentes
áreas e competências”, opina, ao citar
que, ao mesmo tempo, a adoção de IA
exige uma mudança de mentalidade.
“A IA tem o potencial de gerar ganhos
estruturais e qualitativos, além de
conectar processos e dados de forma
mais inteligente. Para os líderes, o desafio
está em encontrar o equilíbrio
entre tecnologia, talento e colaboração
para criar operações mais ágeis e
eficientes.”
Mas Renata crava: essa é a principal
tendência do futuro. A tecnologia
não apenas redefinirá processos, mas
também influenciará a forma como as
equipes se organizam, tomam decisões
e entregam valor para os clientes.
“Com certeza, o uso e a aplicação
da IA no nosso dia a dia devem mudar
muito, tanto o perfil dos profissionais
quanto o ritmo e resultado do trabalho”.
Sobre esse cenário, ao analisar
a concentração dos investimentos
em plataformas como Google, Meta e
TikTok, a executiva evita classificar o
fenômeno como dependência. Na sua
O desafio
é construir
estruturas
integradas, com
sinergia nas áreas
visão, essas empresas conquistaram
relevância porque oferecem escala
e capacidade de atuar em diferentes
etapas da jornada do consumidor.
“Não sei se a palavra é dependente.
Acho que são os players que entregam
funil completo; e isso torna quase
obrigatório ter algum investimento
lá”. Ainda assim, ela ressalta que
Divulgação
a inovação continua sendo um fator
essencial para o mercado.
Sobre o futuro das agências diante
da concorrência de consultorias, estruturas
in-house e creators, Renata
acredita que o mercado ainda está
em busca do modelo ideal, mas ressalta
que a confiança continua sendo
um dos ativos mais valiosos na relação
com os clientes. “Estamos todos
buscando o modelo ‘ideal’. Mas entendemos
que os clientes têm buscado
confiar no que as agências trazem.
A busca por parte dos anunciantes
se pauta, sobretudo, na confiança e
nas soluções que apresentamos para
cada problema, sempre baseadas em
dados e fatos, com eficiência, criatividade
e inovação.”
28 22 de junho de 2026 - jornal propmark
especial dia do mídia
No Bradesco, mídia vai além da
evidência e impacta jornada do cliente
Head de mídia e performance detalha como dados, tecnologia e
criatividade orientam as decisões e fortalecem a conexão com clientes
Bruna Magatti
Marcelo Rossi: conexão entre marcas e creator culture tornou-se uma oportunidade
Divulgação
O Bradesco vê
a cultura como
um território
estratégico de
relacionamento
A
mídia deixou de ser apenas
um instrumento de exposição
de marca para assumir
um papel central na estratégia de
negócios do Bradesco. Essa é a visão
de José Marcelo Rossi, head de
mídia e performance do banco, que
lidera uma operação cada vez mais
orientada por dados, inteligência artificial
e integração entre branding
e performance.
Segundo Rossi, a mídia hoje é
uma ferramenta fundamental para
fortalecer relacionamentos, compreender
comportamentos e gerar
impacto em toda a jornada do consumidor.
“Ela vai além da visibilidade:
é uma ferramenta essencial
para construir relevância, fortalecer
o relacionamento com os clientes e
ampliar nossa capacidade de entender
comportamentos, contextos e
necessidades reais”, afirma.
A transformação da operação de
mídia do banco ganhou força nos
últimos anos e culminou, no fim
de 2024, com a internalização de
toda a compra direta de mídia digital,
abrangendo campanhas de
awareness, consideração e performance.
Para Rossi, a criação da Sala
de Performance foi determinante
nesse processo, ao proporcionar
mais agilidade, inteligência analítica
e uma gestão mais estratégica
dos investimentos.
O executivo destaca que um dos
principais desafios do mercado é
equilibrar a pressão por resultados
imediatos com a necessidade
de construir marcas fortes e duradouras.
Na avaliação dele, as duas
frentes não competem entre si.
“Construção de marca e geração de
resultado não competem; elas se
potencializam. Uma marca sólida
amplia a eficiência das iniciativas
de conversão, enquanto estratégias
orientadas a resultado reforçam a
relevância e aprofundam o relacionamento
com os clientes”, explica.
Essa visão também orienta a
forma como o Bradesco mensura
suas iniciativas. Em vez de analisar
apenas indicadores de curto prazo,
o banco trabalha com métricas integradas
que conectam performance,
consideração, percepção de marca e
impacto nos negócios.
Outra frente que vem ganhando
relevância é o retail media. Rossi
afirma que o canal se consolidou
como um ambiente estratégico
para alcançar consumidores em
momentos de intenção e decisão
de compra. O avanço da estratégia
passa pela combinação de inteligência,
personalização e integração de
dados, permitindo segmentações
mais refinadas e comunicações
mais contextualizadas.
A inteligência artificial também
já produz impactos concretos na
operação. Um dos exemplos citados
pelo executivo é a automação do
desdobramento de peças criativas,
que tornou o processo até 90% mais
ágil e possibilita adaptações em até
24 horas para diferentes públicos
e contextos. “Mais do que acelerar
processos, a IA fortalece nossa leitura
de dados e apoia decisões mais
estratégicas, sempre equilibrando
tecnologia com sensibilidade humana”,
ressalta.
Para Rossi, a conexão entre marcas,
entretenimento e creator culture
tornou-se uma oportunidade
relevante para ampliar afinidade e
engajamento. No entanto, ele reforça
que a presença nesses territórios
precisa estar alinhada à narrativa
da marca. “Não se trata apenas de
estar presente, mas de construir
participações consistentes e autênticas”,
afirma.
O mesmo princípio orienta a
atuação do banco em patrocínios e
propriedades culturais. O Bradesco
vê a cultura como um território estratégico
de relacionamento e proximidade
com diferentes públicos,
buscando participar de iniciativas
que respeitem a identidade e as
particularidades de cada manifestação
cultural.
Quando o assunto é inovação,
Rossi afirma que a ambição do banco
é liderar pela integração entre
tecnologia, criatividade, inteligência
e dados. Como exemplo, ele cita
a estrutura analítica da companhia,
que atualmente processa cerca de 7
petabytes de dados por mês em seu
Hub de Negócios. “Buscamos liderar
pela capacidade de integrar tecnologia,
inteligência, criatividade e dados
em uma operação cada vez mais
conectada ao negócio”, conclui.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 29
pesquisas
MiQ prevê que 5 bilhões de pessoas vão
estar conectadas à Copa pela TV linear
Análise também contempla as audiências das plataformas digitais, mas
social media vai gerar mais de 15 bilhões de interações na competição
Paulo Macedo
As análises mercadológicas para
mostrar para os anunciantes que
vale a pena consolidar investimentos
nos canais antes, durante e
depois da Copa do Mundo do México,
Canadá e Estados Unidos estão a todo
vapor. A inglesa MiQ, empresa global de
programática e tecnologia para publicidade
com 33 escritórios, mentora da
Sigma, que “integra mais de 700 trilhões
de sinais e múltiplas fontes de dados
para oferecer uma visão mais completa
do comportamento das audiências” por
meio da inteligência artificial, mostra
em pesquisa que os profissionais de mídia
não devem contextualizar o evento
com base em uma audiência homogênea.
A previsão é de que 5 bilhões de
pessoas estarão expostas à TV linear e
15 bilhões de interações serão contabiizadas
no período.
Na observação do executivo Guilherme
Assumpção, managing director da
MiQ, que adquiriu este ano as operações
da Adsmovil e da Rocket Lab na América
Latina, “a tendência é que a publicidade
durante o Mundial se torne cada vez
mais dinâmica e contextual. As marcas
que conseguirem adaptar mensagens,
formatos e canais ao momento de consumo
de cada audiência terão vantagem
competitiva em um ambiente de
atenção cada vez mais fragmentada”.
O que está em jogo para as marcas?
A disputa pela atenção das audiências
nesse ambiente midiático fragmentado
no qual as mensagens podem se
perder se não tiveram capacidade de interpretar
melhor o comportamento em
tempo real de quem manipula as telas
disponíveis. “As campanhas mais efetivas
não serão necessariamente as de
maior investimento”, comenta Assumpção,
que acrescenta: “Hoje, o torneio é
vivido enquanto as pessoas assistem,
navegam e compram em múltiplos dispositivos
ao mesmo tempo”.
A MiQ elencou três movimentos: Fã
incondicional: “Público conectado ao
futebol com 29 milhões de usuários
A Copa do Mundo é uma paixão que mobiliza audiências e une consumidores de todos os perfis socioeconômicos
únicos no Brasil, com forte presença
em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo
Horizonte; os patriotas sociais, que
representam cerca de 20 milhões
de usuários únicos no país; e os fãs
de esportes que, embora não tenham
necessariamente o futebol como
principal interesse, representam um
público relevante para marcas ligadas
a entretenimento, lifestyle e streaming
com 54 milhões de usuários únicos
no Brasil.”
Como as agências e anunciantes
devem tratar a segmentação de mídia
nesse contexto não homogêneo?
Assumpção responde: “A principal
mudança é entender que a Copa de
2026 não terá uma única audiência,
mas múltiplas audiências coexistindo
simultaneamente. Por isso, a segmentação
não pode mais ser baseada
apenas em dados demográficos ou
afinidade com futebol. As marcas precisam
compreender como as pessoas
assistem, navegam, pesquisam, interagem
e compram ao longo da jornada
do evento”.
“As marcas
precisam
compreender
como as pessoas
assistem,
navegam,
interagem
e compram”
Divulgação
Assumpção diz ainda que tecnologias
de automação, inteligência artificial
e personalização dinâmica permitem
que uma mesma campanha seja
adaptada para diferentes públicos,
contextos e canais sem exigir uma
produção completamente nova para
cada segmento.
“Do ponto de vista de mídia, o uso
de dados e modelos preditivos ajuda a
identificar quais audiências e ambientes
geram maior probabilidade de resultado.
Já do ponto de vista criativo,
é possível partir de uma ideia central e
desenvolver múltiplas variações automatizadas,
ajustando mensagens, formatos
e chamadas de acordo com o perfil
do consumidor. Em um ambiente de
atenção disputada, a eficiência passa a
ser tão importante quanto o alcance.”
Mas a Copa continua sendo um
evento de massa, alerta Assumpção.
“Ela é capaz de reunir públicos de diferentes
perfis socioeconômicos, faixas
etárias e regiões em torno de uma
mesma paixão. O alcance é uma de
suas maiores forças”, finaliza.
30 22 de junho de 2026 - jornal propmark
agências
Publicis Groupe alerta para demissões
por promessas exageradas de IA
Propostas comerciais incompatíveis com a realidade também afetam
o setor; provocação será tema de debates do grupo no Cannes Lions
A
inteligência artificial ampliou
a distância entre o que é prometido
nas concorrências e
o que pode ser efetivamente entregue
aos clientes. A provocação
está em um comunicado emitido
pelo Publicis Groupe às vésperas do
Festival Internacional de Criatividade
Cannes Lions, que será realizado
na França entre os dias 22 e 26 de
junho de 2026.
De acordo com a holding francesa,
o potencial aparentemente ilimitado
da IA favorece a comoditização
do valor coletivo da indústria ao
estimular propostas baseadas em
falsas eficiências, entregas pouco
realistas e menor foco em resultados
de negócio.
“O efeito acumulado de prometer
demais sobre IA e de ofertas comerciais
insustentáveis em pitches para
gerar manchetes está levando a cortes
massivos de empregos em nossa
indústria”, afirma Arthur Sadoun, presidente
e CEO do Publicis Groupe.
O executivo sugere esforços coletivos
a fim de “reafirmar a nossa capacidade
única de entregar o que os
clientes realmente querem: amor por
suas marcas, crescimento visível e sucesso
mensurável”.
Cannes Lions
Durante o festival, o grupo pretende
reforçar esses questionamentos
em uma sessão para 350 clientes e 70
investidores, sob regras de Chatham
House. A apresentação contará com
Gülen Bengi, CMO global da Mars, e
Shakir Moin, presidente de marketing
da Coca-Cola na América do Norte.
Os executivos discutirão as promessas
de IA feitas em concorrências
e resultados de negócio ao longo de
uma jornada de 12 meses. O Publicis
também realizará mais de 60 encontros
fechados com clientes, divididos
em cinco verticais de negócios, com
estudos de caso sobre como a combinação
entre inteligência humana e
tecnologia pode gerar crescimento.
Reprodução/YouTube: @PublicisGroupe
Propostas falaciosas de IA e ofertas comerciais inviáveis em processos de concorrência comprometem o crescimento da publicidade
Juliana Roque é promovida e assume a área de mídia da Leo
Juliana Roque acaba de ser promovida
a diretora executiva
de mídia da Leo, agência do Publicis
Groupe. Ela responderá aos
copresidentes Rafaela Queiroz e
Fabio Brito. “A Juliana reúne visão
estratégica, repertório de mídia e
profundo entendimento dos desafios
dos clientes. A sua trajetória
dentro e fora da Leo mostra uma
profissional preparada para liderar
uma disciplina cada vez mais
importante para a construção de
marcas e para os negócios”, comenta
Rafaela Queiroz.
Fiat, Mondelēz, Paramount,
Spotify e EssilorLuxottica estão
entre as contas que serão supervisionadas
por Juliana, que
está na agência desde fevereiro
de 2024. “A promoção
da Juliana reflete
a importância que
damos ao desenvolvimento
das
nossas pessoas.
Ela representa
uma
“Acredito em
uma mídia que
gere conexões
relevantes entre
marcas e pessoas”
Divulgação
liderança construída dentro da Leo,
com capacidade de unir repertório,
colaboração e visão de negócio para
ajudar nossos clientes a crescerem
em um mercado cada vez mais
complexo”, diz Brito.
Juliana já atendeu Ambev, Nivea,
Mondelēz e Banco Safra em passagens
por Performics, FCB Brasil,
Lew’Lara\TBWA, Sapient AG2 e F/Nazca
Saatchi & Saatchi. “A Leo vive um
momento muito potente. Assumir
essa posição é uma oportunidade
de continuar impulsionando uma
área cada vez mais estratégica para
as marcas. Acredito em uma mídia
que gere conexões relevantes
entre marcas e pessoas, combinando
inteligência, relevância
cultural e impacto de negócio”,
declara Juliana. A executiva soma
15 anos de carreira.
Juliana Roque,
Fabio Brito e
Rafaela Queiroz
jornal propmark - 22 de junho de 2026 31
agências
‘Estar à frente da Drum é sinônimo
de vantagem competitiva’
Agência full service da Omnicom
Media e resultado da fusão entre
FCB e MullenLowe, a Drum tem
apenas quatro meses de operação.
A managing director Ana Luísa
Périssé avalia que a Drum (de
origem inglesa) reúne o melhor
dos dois mundos hoje: une a
herança criativa de duas marcas
com tradição no mercado com
ferramental de mídia. “Uma ideia
criativa ganha poder exponencial
quando concebida em diálogo
com as possibilidades de
mídia. Uma estratégia de mídia
se potencializa quando está
enraizada na criatividade que a
sustenta”, diz ela. Para Cannes, a
Drum leva dois cases da Unilever.
Divulgação
Ana Luísa Périssé, managing director da Drum: “Trabalhar com legado é um privilégio”
Kelly Dores
simbiose estratégica
A Drum foi lançada em fevereiro
de 2026, depois de um processo de
fusão de seis meses entre FCB e MullenLowe.
A nova marca nasceu dentro
da Omnicom Media, o que traz uma
importante simbiose estratégica considerando
o aporte ferramental de
inteligência de dados e relevância em
volume de mídia que potencializam a
força criativa da agência. Apesar de a
Drum ser uma marca inglesa, temos
no Brasil 100% de liberdade operacional
e criativa. São 180 colaboradores
das áreas de negócios, estratégia,
conteúdo, criação, mídia e produção.
LegaDo
Assumi a agência em janeiro deste
ano, ainda antes do lançamento oficial
da marca e logo depois da compra
do IPG pela Omnicom. Eu venho do lado
do Omnicom, e assumir uma operação
IPG fez com que conseguíssemos de
forma orgânica fundir as duas culturas
e aproveitar o melhor de cada lado
para fundar uma nova marca (ainda
que dando continuidade a uma agência
com operação madura). Trabalhar
com legado é um privilégio. Significa
que você não está construindo do
zero; você está catalisando o melhor.
Nossos clientes se beneficiam dessa
convergência. Hoje, a Drum é uma
agência que cresce, uma agência premiada
e com longa parceria com seus
clientes.
dos, criamos algo raro: alinhamento
estratégico desde a origem. Uma
ideia criativa ganha poder exponencial
quando concebida em diálogo
com as possibilidades de mídia. Uma
estratégia de mídia se potencializa
quando está enraizada na criatividade
que a sustenta. Essa integração
elimina lacunas, acelera processos
e garante que cada campanha seja
simultaneamente criativa e eficiente.
Estar sob o guarda-chuva da Omnicom
Media significa acesso a um
ecossistema integrado exclusivo.
Com o Omni, entregamos para nossos
clientes uma plataforma de inteligência
que converge dados e IA,
temos acesso a todo o poder de mídia
e especialização do grupo em diferentes
disciplinas como influenciadores,
e-commerce, ativação e sports
marketing. Isso significa que quando
um cliente chega com um desafio de
negócio, temos todas as ferramentas
vantagem competitiva
Estar à frente da Drum – agência
full service da Omnicom Media – é
sinônimo de vantagem competitiva.
É a evolução natural para quem quer
impulsionar marcas com impacto
real. Quando criação, mídia, e-commerce
e ativação trabalham integradisponíveis
dentro de um único ecossistema,
trabalhando de uma maneira
sinérgica. Para o cliente, tudo
isso é entregue através de um único
ponto de contato, ou seja, são menos
parceiros para alinhar estratégia, gerenciar
e medir resultados. Estando
à frente de estratégia e execução, a
Drum tem accountability pelo resultado
de seus clientes.
fuLL service
Para o profissional de marketing,
a agência full service traz o que sinto
que mais se busca hoje: um parceiro
de negócios com accountability. Quando
o cliente contrata a Drum, ele nos
cobra pelo seu crescimento, e é esse
o nosso compromisso. A agência que
desenvolve a estratégia, desenha audiências,
planeja a mídia e cria a campanha
tem muito mais poder de trazer
resultado para seu cliente. Uma ideia
criativa não é concebida ignorando o
34 22 de junho de 2026 - jornal propmark
universo de mídia. Uma estratégia de
mídia não é feita sem entender a criatividade
que a sustentará.
HERANÇA
CRIATIVA
É o casamento
da herança criativa
da MullenLowe
e FCB com a expertise
e potência de
mídia da Omnicom
Media que faz a
Drum se destacar
hoje no mercado.
É a combinação de
expertises de criatividade
e mídia
que entrega valor para o cliente: desenhamos
a estratégia que atende ao
caminho apontado pelos dados e trazemos
distinção na comunicação. É a
forma que responde à estratégia que
faz com que não fiquemos pasteurizados,
respondendo a sinais que outras
marcas também podem ter acesso. É
aí que uma criação premiada faz um
caminho certo virar vencedor.
RITmo CERTo
Criatividade hoje é como música.
Qualquer um consegue fazer barulho.
O desafio é encontrar o ritmo certo,
aquele groove que conecta a marca
com o consumidor em meio ao caos
de fragmentação de mídia, atenção
dividida e desconfiança crescente
do consumidor. Uma ideia precisa ser
memorável e performática. Precisa
ganhar prêmios e crescer o negócio. A
indústria criativa vive um dilema falso:
ou você é criativo e arriscado ou é
eficiente e chato. A Drum recusa esse
dilema. Então, a ambição da Drum não
é ser apenas criativa. É ser reconhecida
como a agência que transformou
criatividade em crescimento para
nossos clientes.
CANNES
Temos dois cases em Cannes que,
de diferentes maneiras, representam
nossa forma de pensar: a propaganda
precisa fazer parte da cultura
para ser relevante. O primeiro deles
é o ‘Omo Varzenal – Se sujar é glória’.
Muito além de uma ação publicitária,
o projeto consolidou-se como uma
plataforma cultural proprietária da
marca para rejuvenescer e dar novo
significado ao icônico propósito de
que ‘se sujar faz bem’. No último mês,
o case conquistou shortlist e um
“As marcas mais
relevantes são
aquelas que
conseguem
participar
genuinamente
da cultura”
Wood Pencil no D&AD, de Londres. A
iniciativa nasceu de uma descoberta
baseada no comportamento social:
times de várzea de diferentes comunidades
de São
Paulo adotaram,
de forma independente
e autêntica,
o nome do gigante
inglês Arsenal
para batizar suas
equipes. Em vez
de seguir o caminho
tradicional de
apenas patrocinar
a elite do esporte
– marcada por
um futebol com
estética “limpa” –, a marca resolveu
abraçar uma tensão cultural. Na
várzea, a sujeira não é um problema
a ser evitado; é a prova visível de
jogo, suor e pertencimento. Omo não
tentou “limpar” a identidade desses
times para caber no padrão europeu.
Pelo contrário: promoveu a Copa Omo
Varzenal, uma competição real em
formato mata-mata, que culminou
no embarque de 60 pessoas das comunidades
brasileiras para o estádio
do time inglês. A jornada dos jogadores
foi documentada em uma websérie
de cinco episódios, cocriada e
distribuída pela KondZilla, a maior
produtora de cultura urbana do país.
Como resultado, além de mais de 111
milhões de visualizações, pesquisas
de Brand Health Tracking (BHT) mostraram
que 92% dos espectadores
passaram a ver a marca como culturalmente
relevante.
CLoSEUP Go
Da Unilever, também estamos
levando o case de Closeup Go, que
mostra como uma marca pode transformar
um lançamento de produto
em um acontecimento cultural ao
ocupar um espaço inesperado: o
sorriso de um dos artistas mais populares
do país. Para apresentar sua
entrada na categoria de spray bucal,
Closeup usou os dentes de Pedro
Sampaio como mídia. Inspirada no
universo dos grillz, a marca aplicou
digitalmente um QR code no sorriso
do cantor e DJ, criando uma ação que
despertou curiosidade e conversa
nas redes sociais. A iniciativa começou
com publicações em que Pedro
aparecia usando um grillz misterioso,
sem revelar seu significado. Em
um segundo momento, o artista
mostrou que a joia escondia um QR
code que direcionava o público para
o site da marca, apresentando o
novo Closeup Go. Mais do que uma
peça de comunicação, a ação transformou
um atributo do produto – a
proximidade com a boca e o frescor
instantâneo – em mídia, conectando
a mensagem ao contexto cultural e
estético da geração Z. Os dois cases,
cada um à sua maneira, refletem
uma convicção que levamos para
Cannes: as marcas mais relevantes
são aquelas que conseguem participar
genuinamente da cultura,
criando experiências que as pessoas
querem compartilhar, comentar e incorporar
às suas conversas.
moEdA dE CoNfIANÇA
Premiações são linguagem de
confiança. Em um mercado em que a
subjetividade é enorme, um prêmio
é como uma assinatura que diz: “isso
funciona, isso é bom, isso merece
atenção”. O que importa não são os troféus,
mas o que eles representam. Um
prêmio significa que um painel de jurados
olhou para seu trabalho e disse:
“isso é diferente, isso importa, isso vai
inspirar outras pessoas”. Para a Drum
especificamente, as premiações agora
cumprem dois papéis: 1) funcionam
como moeda de confiança com o mercado,
atraindo clientes importantes; 2)
atraem talento. Os melhores criativos,
os melhores estrategistas, os melhores
mídias querem
estar em agências
que ganham, que
são reconhecidas,
que fazem trabalho
que importa. As
premiações criam
um círculo virtuoso
de excelência.
PoRTfÓLIo
Entre os principais
clientes da
agência, estão
Geely, que lançamos
a marca no Brasil e, em um
ano juntos, lançamos três carros. Já
ocupamos a segunda posição entre
os veículos elétricos mais vendidos
do mercado. Um trabalho de mídia e
comunicação consistente e corajoso
que faz a marca romper barreiras e
ter grande reconhecimento de comunicação
frente a concorrentes gigantes
e consolidados nesse mercado.
Unilever, com diversas marcas, entre
“Drum existe
para encontrar
o ritmo único
de cada marca,
seu caminho
estratégico para
o crescimento”
elas: Dove Men Care, Closeup, Omo e
Rexona. Aurora, um cliente que vem
ganhando muito share e, junto ao
nosso time, inovando na forma como
se aproxima de seus consumidores.
Em abril deste ano, lançamos uma
importante plataforma de comunicação:
‘Se tem Aurora, só melhora!’
Bayer, cliente há muitos anos da
agência, liderado pelo Brasil e agora
com um recente contrato global. É um
cliente que atendemos desde a parte
de concepção de campanhas até o
e-commerce com a Flywheel (nossa
operação especialista). Bic – cliente
em que também atuamos em muitas
frentes: criação, mídia, influenciadores
através da Creo e e-commerce
para todas as categorias do portfólio.
Na MSD, conta recente, iniciamos
o trabalho em abril desse ano com
o foco na vacina deles contra o HPV
- Gardasil 9. O trabalho consiste em
conscientizar o público geral sobre os
perigos da doença e a prevenção.
oRIGEm
Drum vem de um insight simples:
marcas não crescem no improviso.
Crescem no ritmo. Quando você ouve
uma bateria bem tocada, você sente.
Há sincronismo. Há propósito em cada
batida. Há um groove que faz você
dançar. Trazemos essa filosofia para a
agência porque acreditamos que é assim
que marcas devem crescer: com
propósito claro, orquestrado, memorável.
O problema
que observamos
no mercado é um
trabalho de marca
desorganizado
estrategicamente.
Criatividade de um
lado, performance
do outro, influência
perdida em
outras métricas. O
negócio cresce ao
acaso. Drum existe
para encontrar
o ritmo único de
cada marca, seu groove, seu caminho
estratégico para o crescimento
orquestrado. Lançamos a agência em
fevereiro deste ano, e acreditamos
em uma construção contínua. A Drum
se lança todo dia através do trabalho
que faz, dos prêmios que ganha, de
seus clientes que crescem. No Cenp-
-Meios, os resultados são contabilizados
dentro do Grupo Omnicom Media,
do qual fazemos parte.
36 22 de junho de 2026 - jornal propmark
agências
Grupo de executivos oriundos da extinta
Lew’Lara\TBWA apresenta Felina
Modelo de atuação promete tecnologia proprietária e inteligência
artificial para automatizar processos e otimizar resultados aos clientes
A
agência Felina chega ao mercado
com Marcia Esteves (CEO), Rodrigo
Tórtima (CCO), Elise Passamani
(COO), Raquel Messias (CSO) e Andreia
Abud (CDMO). O grupo atuava na
Lew’Lara\TBWA, que foi incorporada
à Lola\TBWA, juntamente com a DM9
- movimento resultante da fusão entre
Omnicom e Interpublic Group (IPG),
confirmada em dezembro de 2025.
Joaquim Fantin (CTO) também integra
o escopo de lideranças da Felina. A
agência já criou projeto de reposicionamento
para o Edifício Copan, em São
Paulo, que será apresentado em breve.
“Os clientes vêm sonhando com um
novo formato operacional há muito
tempo, mesmo sem saber exatamen-
Andreia Abud, Elise Passamani, Marcia Esteves, Rodrigo Tórtima e Raquel Messias
Divulgação
te como ele deve ser”, aponta Marcia.
A operação utiliza tecnologia proprietária
e inteligência artificial como
infraestrutura para reduzir tarefas
repetitivas e ofertar recursos para
análise de dados, geração de insights,
desenvolvimento criativo e produção
em escala. A promessa é que cada
cliente tenha um ambiente próprio.
“A IA, para nós, é a infraestrutura
que permite uma inversão deliberada
da lógica das agências tradicionais”,
confirma Elise. Segundo a executiva, a
Felina “automatiza o operacional para
que toda a senioridade esteja voltada
ao que gera valor”. O conceito da agência
é ‘Lights off creative company’,
inspirado na indústria 4.0.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 37
digital
Reino Unido proibirá redes sociais para
menores de 16 anos em março de 2027
Decisão vem na esteira de países europeus que já restringiram acesso
devido a abordagens nocivas, mas exageros podem ferir direitos
Magnific
Exposição de jovens e crianças a conteúdos abusivos obrigou países a limitar o acesso às redes sociais e exigir que as plataformas criem mecanismos mais eficazes de proteção
Janaina Langsdorff
A
Europa fecha o cerco contra as
big techs. O primeiro-ministro
do Reino Unido, Keir Starmer,
acaba de anunciar a proibição de redes
sociais para menores de 16 anos
a partir de março de 2027. Na Alemanha,
o acesso a jovens entre 13 e 16
anos é feito apenas mediante autorização
dos pais. A Itália tem limitação
semelhante. Menores de 14 anos
devem ter a permissão dos responsáveis
para criar páginas.
Em janeiro de 2026, a França aprovou
lei para restringir o acesso a menores
de 15 anos, mas a norma ainda
depende de aprovação do Senado. Dinamarca,
Espanha, Grécia e Indonésia
também já sinalizaram o interesse
em decretar restrições. A Austrália
foi a precursora na criação de mecanismos
de controle. O bloqueio de
menores de 16 anos às redes sociais
ocorre desde dezembro de 2025.
“A proposta anunciada pelo governo
britânico integra um momentum
muito particular em que a atenção
de diversos países tem se voltado
aos potenciais riscos das redes sociais
para crianças e adolescentes”,
adverte a advogada Yasmin Curzi,
professora da FGV Direito Rio.
Ela enumera decisões judiciais no
Novo México e Los Angeles, cidades
dos Estados Unidos, com “multas
significativas à Meta e ao Google por
‘ilícitos de design’, que têm padrão
de vício e engajamento predatório”.
Cita ainda o ECA Digital no Brasil e
a publicação de regras específicas
na União Europeia, no âmbito da Lei
de Serviços Digitais, para crianças e
adolescentes.
Plano
A resposta regulatória do Reino
Unido é semelhante à da Austrália,
com uma abordagem mais restritiva
em relação ao acesso às redes sociais.
O intuito é impedir que menores
de 16 anos tenham contato com
determinadas plataformas, transferindo
a responsabilidade de implementar
mecanismos de verificação
de idade para as empresas.
A decisão do Reino Unido integra
“Sistemas de
verificação etária
podem exigir a
coleta de mais
dados pessoais”
38 22 de junho de 2026 - jornal propmark
Divulgação
de 50 configurações de segurança
e privacidade predefinidas, como a
conta privada, enquanto continuamos
a investir nas tecnologias mais
recentes para aprimorar a proteção
da plataforma. Analisaremos os detalhes
dessas medidas e esperamos
colaborar de forma construtiva com
o governo nesta importante questão”,
escreve o TikTok em posicionamento
oficial.
Já o Google investe “em experiências
adequadas à idade e conduzidas
por especialistas, além de proteções
padrão para crianças e adolescentes,
há mais de uma década e continuaremos
a fazê-lo. O YouTube é um recurso
vital para os jovens educadores
e pais. Proibições generalizadas
afastam a juventude de experiências
selecionadas, supervisionadas
e benéficas, levando-os a serviços
anônimos e menos seguros”.
Yasmin Curzi, advogada e professora da FGV Direito Rio: países voltam atenção a riscos das redes sociais para crianças e adolescentes
o plano de Starmer, cujo objetivo
“é reduzir a exposição de crianças e
jovens a assédio, exploração, conteúdos
nocivos e aos efeitos de determinadas
dinâmicas de engajamento”,
esclarece Yasmin.
Buraco
O governo inglês pretende utilizar
reconhecimento facial para comprovar
a idade dos usuários, a exemplo do que
já prevê a lei de segurança digital Online
Safety Act, que barra o acesso de
menores a sites pornográficos.
Mas a aferição da idade dos usuários
permanece incerta. “Experiências
internacionais mostram que sistemas
de verificação etária podem exigir a coleta
de mais dados pessoais, documentos
ou informações biométricas, o que
gera preocupações diversas relacionadas
à privacidade, à proteção de dados
e à proporcionalidade de tais medidas”,
alerta Yasmin. A especialista questiona
a efetividade de vetos amplos em um
ambiente em que barreiras etárias podem
ser frequentemente contornadas.
“Como vimos na Austrália, proibições
trazem o risco de isolar os
adolescentes de comunidades e informações
online e de direcioná-los a
alternativas não regulamentadas, que
não possuem proteções integradas e
controles parentais. Para serem eficazes
e simples para os pais, quaisquer
restrições devem ser sustentadas por
um sistema de verificação de idade
no nível dos sistemas operacionais
dos dispositivos para que as pessoas
não precisem fornecer documentos
de identidade a dezenas de serviços
individuais para comprovar sua idade.
Continuaremos a dialogar com o
governo e o regulador local (Ofcom)
enquanto eles trabalham para implementar
essa política”, observa a Meta
em comunicado.
A plataforma, dona de Instagram,
Facebook e WhatsApp - aplicativos de
mensagens, como WhatsApp e Signal,
não serão atingidos pela restrição -,
atesta esforços para manter os adolescentes
seguros. “É por isso que desenvolvemos
as Contas de Adolescente,
que limitam automaticamente quem
pode entrar em contato com eles e o
conteúdo que eles veem. Assim como
outros atores do ecossistema, não
acreditamos que proibições alcançarão
esse objetivo”, declara.
Pressão
O Reino Unido estabeleceu o prazo
de três meses para que as plataformas
criem recursos capazes de vetar
imagens de nudez compartilhadas
com os jovens, sob o risco de propor
projeto de lei com multa e responsabilização
de executivos. A intenção
é desmontar redes que promovem
aliciamento, golpes, automutilação,
suicídio e atos de crueldade.
Serviços de inteligência artificial
adotados como forma de companhia
também estão na mira. “As redes
sociais estão fazendo as crianças
infelizes. É um ambiente fácil
para abusos. Gigantes da tecnologia
tiveram a sua chance e falharam,
mas estamos dando um passo para
proteger as crianças, dar suporte
aos pais e determinar uma nova era
para futuras gerações”, disse Starmer
em nota à imprensa.
Defesa
“Compartilhamos do objetivo do
governo de oferecer experiências
online seguras para adolescentes, e
é por isso que as contas de adolescentes
no TikTok contam com mais
Proteger sem exageros
O exemplo brasileiro segue caminho
diferente. As propostas do
ECA Digital, instituído pela Lei nº
15.211/2025, priorizam a criação de
mecanismos de segurança por parte
das plataformas em detrimento
da exclusão de crianças e adolescentes
em ambientes digitais.
“A lógica é exigir que esses serviços
sejam concebidos e operados de
forma compatível com os direitos de
crianças e adolescentes, mediante
medidas de segurança, privacidade
por padrão, mitigação de riscos e responsabilização
das empresas por falhas
sistêmicas”, diferencia Yasmin.
Crianças e adolescentes têm direitos
assegurados no âmbito digital.
“O Comentário Geral nº 25 (2021)
do Comitê da ONU sobre os Direitos
da Criança afirma expressamente
que os direitos previstos na Convenção
sobre os Direitos da Criança se
aplicam plenamente ao ambiente
digital, incluindo os direitos à liberdade
de expressão, ao acesso à
informação, à participação na vida
cultural e ao desenvolvimento”, lembra
Yasmin.
Segundo ela, os Estados devem
proteger crianças de danos online
e garantir que elas possam acessar
benefícios e oportunidades oferecidos
pelas tecnologias digitais. “A
questão central não é apenas como
reduzir riscos, mas como fazê-lo sem
restringir de forma desproporcional
direitos fundamentais”, pondera.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 39
cannes lions
Criativos brasileiros apontam seus
cases favoritos aos Leões deste ano
Profissionais de agências como BETC Havas, Leo, VML, GUT, Africa
Creative, LePub, David e Grey indicam suas apostas para o festival
Bruna Nunes e Vitor Kadooka
A
partir desta segunda-feira (22), a Riviera Francesa
recebe o Festival Internacional de Criatividade
Cannes Lions, que acontece até sexta-feira (26).
A edição deste ano contará com 25 jurados brasileiros e
reunirá o mercado global de comunicação em torno dos
principais trabalhos criativos da indústria.
Às vésperas das primeiras entregas de Leões, o propmark ouviu
criativos de algumas das principais agências do mercado para
entender quais campanhas nacionais e internacionais chegam
ao festival com maiores chances de reconhecimento.
A pergunta foi: quais trabalhos são favoritos para conquistar
Leões em Cannes? Entre apostas brasileiras e cases globais que
ganharam tração neste ano, os profissionais apontaram os
trabalhos que consideram mais fortes na disputa.
Participaram da consulta criativos de GUT, Leo, LePub, Africa
Creative, BETC Havas, VML, David e Grey.
Channel 4
Dirty Business
4Creative
Reprodução/YouTube: @Channel4
Nicholas bergatiN
co-CCO da Africa Creative
“O que eu acho interessante nela é que ela parte de um formato extremamente antigo, uma fonte
pública, e consegue transformá-la em assunto no mundo inteiro. Foi colocada uma fonte na beira do
Rio Tâmisa, que jorrava água de esgoto não tratada, para anunciar o lançamento do documentário e
isso acabou gerando reações orgânicas de todos os tipos. Mas, para mim, esse é justamente o ponto.
A ação não passou despercebida e conseguiu levar a discussão para muito além da publicidade. No fim,
o que mais me chama a atenção nesse caso é que a campanha reforça algo que continua sendo verdade
na nossa indústria: quando a ideia é boa, ela tem o poder de gerar debate, repercussão e permanecer na
memória das pessoas muito depois da primeira impressão.”
no
patrocínio
40 22 de junho de 2026 - jornal propmark
Apple
I’m Not Remarkable
Apple Marcom
Reprodução/YouTube: @Apple
OTAVIO SCHIAVON
vice-presidente de criação da BETC Havas
“No fundo, o filme parte de uma ideia simples, mas importante: pessoas com deficiência não precisam ser
tratadas como exemplos de superação por estudarem, se divertirem ou viverem suas vidas. Elas apenas
contam com ferramentas diferentes para acessar as mesmas experiências que todos nós. E faz isso sem
discursos pesados ou lições de moral. Apenas contando uma boa história. Um belo exemplo de como
transformar propósito em entretenimento sem perder leveza, emoção ou humanidade.”
Periodic Fable
The Ordinary
Uncommon Creative Studio
Reprodução/YouTube: @Deciem
JOÃO ALBUQUERQUE
diretor de criação da David
“O uso de humor e ironia em campanhas de beleza é um território ainda pouco explorado. O sucesso de
filmes como ‘Substância’ mostra o cansaço e o ceticismo das mulheres quanto ao mundo da beleza e essa
campanha conseguiu comunicar exatamente esse sentimento. Não é contra a beleza, mas é repensando
como estamos comunicando beleza para essas mulheres. Também indico ‘Doppel gamer’, da David Bogotá
para Cerveza Aguila. A Cerveza Aguila encontrou um jeito esperto e inovador de entrar no assunto da
Copa do Mundo mesmo não sendo patrocinadora. E a gente sabe o quanto é difícil passar debaixo do
radar da Fifa durante o evento.”
jornal propmark - 22 de junho de 2026 41
Volvo Brasil
Parabéns, Liam
Grey Brasil
Reprodução/YouTube: @Volvo Car Brasil
ANDRÉ GOLA
diretor-executivo de criação da Grey
“O trabalho tem potencial de ganhar porque parte de uma verdade que nenhuma outra marca tem: um dummy
que está há mais de 40 anos em um dos trabalhos mais difíceis do mundo. E contamos essa história de um jeito
diferente, celebrando seu aniversário de trabalho. Uma história que reforça o principal atributo da Volvo: segurança.”
Cerveza Tecate
Welcome Back, Paisano
LePub Cidade do México
Reprodução YouTube/Cerveza Tecate
GReG KicKOw
diretor-executivo de criação da LePub SP
“A ideia nasce de algo profundamente mexicano: a relação emocional do país com seus imigrantes nos EUA.
Não é uma campanha sobre imigração de forma abstrata. É uma marca fazendo algo concreto pelo seu país de
uma maneira inédita.”
KitKat
KitKat Heist
VML
Divulgação
RAFAeL PiNTAGUY
deputy global CCO da VML
“Esse projeto
impressiona por
muitos aspectos.
A velocidade de
resposta, o tamanho
do engajamento,
mas, sobretudo,
por transformar
um crime em uma
ação de social e
consumidores em
investigadores
reais.”
42 22 de junho de 2026 - jornal propmark
Suncorp
Haven
Leo Australia
Reprodução/YouTube: @Suncorp
VINICIUS STANZIONE
CCO da Leo
“A ideia dá voz às casas para ajudar as pessoas a entender os riscos climáticos específicos de onde vivem.
O que mais gosto nesse trabalho é a capacidade de transformar um tema tão complexo quanto os riscos
climáticos em algo pessoal, relevante e útil. É uma ideia que combina dados, tecnologia e inovação a serviço
das pessoas, criando uma experiência que não apenas informa, mas ajuda a tomar decisões. Outro trabalho
que me chamou a atenção foi ‘Sleep talk reviews’, da Rethink para IKEA Canada. Parte de um insight poderoso
para vender colchões, transformando o que as pessoas falam enquanto dormem em reviews sobre os produtos
da marca. Acredito que tenha grandes chances em Cannes justamente por pegar uma verdade humana e
transformá-la em uma demonstração de produto extremamente original.”
Your Way Out
Coinbase
Isle of Any
Reprodução/YouTube: @Coinbase
NAThAlIA MAMEd
diretora de criação da GUT
“Quando você pensa em uma corretora de criptomoedas, dificilmente imagina um filme como esse. E isso já faz
com que ele nasça potente. Mas ainda existe algo incrível na forma como ele equilibra ideia e execução, sem
permitir que uma esconda a outra. Em termos de craft, é brilhante e inventivo, mas isso, em momento algum,
engole a história. Apesar de não reinventar um tema, encontra um jeito muito novo de apresentar isso pra
gente, e acho que, muitas vezes, esse é o nosso trabalho: trazer uma estranheza para o óbvio.”
jornal propmark - 22 de junho de 2026 43
cannes lions
‘Não se trata apenas
de premiar boas intenções’
O Brasil será representado por Viviane
Duarte, CEO e fundadora da Plano
Feminino, no júri de Glass: The Lion
for Change. A categoria reconhece
trabalhos que usam a criatividade para
enfrentar desigualdades, questionar
estereótipos e gerar impacto cultural
e social a partir da comunicação. À
frente da Plano há 16 anos, Viviane
atua na construção de narrativas
e projetos voltados à equidade de
gênero, diversidade e impacto social
para empresas. Na entrevista a seguir,
a executiva fala sobre os critérios da
categoria, os avanços e limites da
indústria em temas de diversidade e
suas expectativas.
Divulgação
Viviane Duarte: reconhecer que criatividade e responsabilidade não são forças opostas
Vitor Kadooka
RESULTADO
Não se trata apenas de premiar
boas intenções, mas de reconhecer
ideias que conseguem influenciar
comportamentos, desafiar estereótipos
e produzir impacto real. O debate
que Glass provoca é justamente sobre
a responsabilidade da criatividade em
construir um futuro mais inclusivo, representativo
e sustentável.
MATURIDADE
Nos últimos anos, diversas pautas
relacionadas à equidade, diversidade
e inclusão enfrentaram desafios
em diferentes mercados. Ao mesmo
tempo, observamos um movimento
de retomada dessas agendas com
mais maturidade e foco em resultados
concretos. Acredito que veremos
trabalhos que abordam questões de
gênero, raça, acessibilidade e inclusão
sob uma perspectiva mais estratégica.
As marcas estão entendendo cada
vez mais que esses temas não são
apenas questões sociais, mas fatores
que influenciam reputação, confiança
e relacionamento com consumidores.
RESPONSABILIDADE
A criatividade não pode ser utilizada
como licença para invisibilizar
pessoas ou reforçar desigualdades.
Toda narrativa escolhe quem aparece,
quem importa e quem é deixado
de fora da conversa. A indústria criativa
possui uma capacidade única de
influenciar comportamentos, percepções
e decisões em escala. Por isso,
espero que continue exercendo seu
papel com consciência, construindo
narrativas que reflitam a pluralidade
da sociedade.
TRAJETÓRIA
Receber esse convite foi uma honra
enorme. Neste ano, completo 16
anos à frente da Plano Feminino, uma
consultoria pioneira na construção
de marcas com propósito no Brasil.
Ao longo dessa trajetória, tive a oportunidade
de trabalhar com grandes
“Integrar o júri
de Glass tem um
significado muito
especial”
marcas globais, ajudando-as a construir
narrativas mais conectadas às
transformações da sociedade. Como
mulher que nasceu na periferia de
São Paulo e construiu sua trajetória
acreditando no poder da comunicação
para ampliar oportunidades e promover
mudanças, integrar o júri de Glass
tem um significado muito especial.
DIMENSÕES
Minha trajetória me ensinou que
uma grande campanha precisa ir
além de uma boa narrativa. Ao avaliar
um case, observo principalmente três
dimensões. A primeira é a relevância
cultural: a ideia responde a uma ten-
são real da sociedade? A segunda é
o impacto comprovado: existem evidências
concretas da mudança gerada
pela iniciativa? E a terceira é o potencial
de transformação: essa ação
deixa um legado que permanece após
o término da campanha?
ENCONTRO
Significa reconhecer que criatividade
e responsabilidade não são forças
opostas. Pelo contrário, quando
trabalham juntas, tornam-se uma das
ferramentas mais poderosas.
REGIONAL
A América Latina desenvolveu uma
capacidade singular de transformar
desafios sociais complexos em narrativas
culturalmente relevantes.
Nossa experiência com temas como
desigualdade, gênero, raça, inclusão e
acesso nos oferece uma perspectiva
muito rica sobre o papel da criatividade
na transformação social. Esse
repertório contribui para ampliar a
leitura global dos trabalhos.
44 22 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘A estratégia criativa legitima
a intuição artística’
Renan Damascena faz sua estreia
como jurado no Cannes Lions na
categoria Creative Strategy, com
expectativas ancoradas “em busca
pelo equilíbrio perfeito entre o rigor
analítico e a audácia criativa”. Na
lista Forbes Under 30, o cofundador
e CSO da Muvuka, empresa de
criatividade e estratégia de rua,
defende que o futuro do mercado
precisa ser culturalmente inteligente
e plural. Sobre o festival, ele diz:
“O Leão de Cannes transcende a
dimensão de uma premiação isolada;
ele funciona como a canonização da
inovação na nossa indústria”.
Renan Damascena: “O objetivo é garantir que meu critério técnico seja cirúrgico”
Divulgação
Kelly Dores
audácia criativa
Minhas expectativas estão ancoradas
na busca pelo equilíbrio perfeito
entre o rigor analítico e a audácia criativa.
No júri de Creative Strategy, não
procuro apenas boas ideias, mas por
verdadeiras arquiteturas de pensamento
capazes de redefinir o destino
de marcas e negócios. Espero encontrar
trabalhos que desafiem as fórmulas
preestabelecidas e provem que a
sensibilidade cultural profunda, quando
aliada a uma estratégia precisa, é
o ativo econômico mais poderoso da
contemporaneidade.
estreia
Esta é a minha estreia no júri do
festival, uma posição que encaro com
o mais profundo respeito e senso de
responsabilidade institucional, já que
figuro como porta-voz de um modelo
de negócio independente brasileiro
e latino-americano. O objetivo é garantir
que meu critério técnico seja
cirúrgico, livre de fórmulas saturadas
e apto a identificar a verdadeira genialidade
estratégica.
fluência cultural
A grande virada de creative strategy
reside na transição da mera orientação
por dados para uma fluência
cultural absoluta. O mercado compreendeu
que os dados isolados apenas
relatam o passado; a verdadeira vantagem
competitiva está na capacidade
de antecipar o amanhã ao decodificar
o comportamento humano em
tempo real. A tendência dominante
é a consistência, demonstrando que
gerar valor real para a sociedade tornou-se
a premissa fundamental para
gerar valor perene para o acionista.
nova alma do negócio
Mais do que a alma, a estratégia
criativa se consolidou como o próprio
sistema operacional das empresas
modernas. Em um ecossistema de
atenção hiperfragmentada e concorrência
acirrada, a execução sem
o lastro estratégico corre o risco de
se tornar apenas um ruído efêmero e
oneroso. A estratégia criativa é a disciplina
magistral que legitima a intuição
artística perante os conselhos de
administração, fundindo a frieza dos
indicadores financeiros à profundidade
das verdades humanas.
canonização
O Leão de Cannes transcende a dimensão
de uma premiação isolada;
ele funciona como a canonização da
inovação na nossa indústria. Conquistar
esse troféu significa estabelecer
um novo precedente global e sinalizar
ao mercado internacional quais
são as lideranças que estão, de fato,
desenhando o futuro da comunicação.
Para estruturas independentes e focadas
em novos modelos de consultoria
e criação, essa chancela eleva o
patamar das conversas institucionais
ao mais alto nível. Para alcançar uma
honraria desse calibre, exige-se a fricção
perfeita entre um diagnóstico
mercadológico cirúrgico, um insight
profundamente humano e uma execução
que apresente resultados irrefutáveis.
soluções tangíveis
Minha trajetória tem sido pautada
pelo desafio de antecipar as vanguardas
de consumo e traduzir a complexidade
cultural em soluções tangíveis
de negócios. Fundei a Muvuka e a AUÊ
ao lado dos meus sócios, sob a premissa
de que as metodologias tradicionais
de pesquisa de mercado estavam
obsoletas diante das transformações
demográficas e comportamentais do
mundo contemporâneo. No comando
dessas frentes de inovação, tenho
tido o privilégio de arquitetar o posicionamento
e a conexão de gigantes
nacionais e globais com a realidade
das novas dinâmicas socioculturais.
forbes under 30
Figurar na lista Forbes Under 30 é
uma honra extraordinária que confere
uma credibilidade robusta à nossa
trajetória. Esse holofote valida que as
teses de negócios que defendemos -
de que o futuro do mercado precisa
ser culturalmente inteligente e plural
- são viáveis, urgentes e altamente
lucrativas.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 45
cannes lions
‘A comunicação B2B pode ser emocional’
André Athayde estreia como
jurado no Cannes Lions 2026,
na categoria Creative B2B. Com
mais de 15 anos de atuação no
mercado de comunicação e
publicidade, hoje o executivo é
agency partner da Meta, mas já
passou por empresas como Kantar
e trabalha conectando agências
e marcas em toda a América
Latina. Segundo ele, a criatividade
B2B tem potencial para ser tão
relevante quanto qualquer
campanha voltada ao consumidor
final. No júri, sua expectativa é
“encontrar cases que integrem
criatividade com dados, que usem
plataformas de forma nativa e que
demonstrem impacto mensurável”.
Andre Athayde: “Uma execução impecável sem uma ideia original não se sustenta”
Divulgação
Bruna Nunes
EXPECTATIVAS
Minha expectativa é encontrar
trabalhos que provem, de forma
inquestionável, que a comunicação
B2B pode ser tão criativa, emocional
e culturalmente relevante quanto
qualquer campanha direcionada ao
consumidor final. Quero ver mais
cases que provem que o futuro da
comunicação B2B não está em falar
de features e funcionalidades, mas
em construir narrativas que geram
identificação e confiança. Cases que
mudam o comportamento de decisores,
não apenas awareness.
B2B
Creative B2B é uma categoria
que desafia o mercado a sair da
zona de conforto, em que muitas vezes
prevalece o funcional, o racional,
o seguro. Quero ser surpreendido
por ideias que elevem esse padrão.
As melhores campanhas B2B que já
vi nasceram de tensões humanas
reais, porque, no fim, quem toma
decisões em empresas são pessoas,
não logos. A interseção entre
storytelling emocional e prova de
efetividade é onde o B2B brilha. O
B2B historicamente ficou à margem
das grandes conversações criativas.
Meu olhar busca justamente provocar
essa mudança.
CRITÉRIOS
Para mim, um trabalho que merece
reconhecimento precisa sustentar
três pilares: a qualidade da ideia
criativa, a relevância estratégica
e a excelência na execução. Os três
precisam estar presentes. Um insight
brilhante mal executado perde
força. Uma execução impecável sem
uma ideia original não se sustenta.
E uma peça criativa desconectada
de uma verdade de negócio não gera
impacto real. O júri busca trabalhos
que demonstrem que criatividade
aplicada ao B2B gera resultados
concretos e transforma a percepção
de marca.
“Interseção entre
storytelling
emocional e prova
de efetividade
é onde o B2B
brilha”
mEmÓRIA
Em um cenário em que todos
competem por atenção nos mesmos
espaços, o que separa o memorável
do esquecível é a autenticidade da
história e a coragem de contá-la de
forma inesperada. As campanhas
que ficam são aquelas que partem de
uma tensão cultural ou humana genuína
e encontram o público onde ele
já está, sem interromper, mas criando
valor. No B2B especificamente, a
campanha memorável é aquela que
faz o decisor de negócios sentir algo,
porque emoção não é exclusividade
do consumidor final.
BRASIL
Somos o mercado mais sofisticado
globalmente em WhatsApp para negócios,
pioneiros em creator economy
integrada à performance, e temos
uma capacidade única de criar a partir
de tensões culturais reais. Quando
marcas brasileiras criam a partir dessa
realidade, e não apesar dela, os resultados
são poderosos
POdEmOS APREndER
O que podemos aprender? Disciplina
narrativa. Mercados como os nórdicos
e o Reino Unido têm uma capacidade
impressionante de encontrar uma
verdade e construir tudo ao redor dela
com economia e foco. A criatividade
latina é culturalmente arraigada e tecnologicamente
fluida, mas, às vezes, a
exuberância compete com a clareza.
IA
A IA é uma ferramenta, não é uma
ideia. Esse é o ponto de partida. Mas a
IA, por si só, não transforma uma ideia
medíocre em uma ideia premiável.
46 22 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘As comunidades gamers acabam
sendo juradas muito mais rigorosas’
Rogério Chaves, co-chief creative
officer da Africa Creative, será
jurado de Entertainment Lions for
Gaming. Conhecido no mercado
como parte da dupla Rog & Pretto,
ao lado de Fabrício Pretto, Chaves
chegou à Africa Creative em
2025, após seis anos à frente da
criação da David São Paulo. Com
trajetória marcada por campanhas
premiadas e trabalhos que
aproximam humor, cultura popular
e relevância de marca, o executivo
afirma: “Essa é uma categoria que
ainda evolui muito ano após ano,
e eu já estou percebendo isso
selecionando a shortlist de 2026”.
Rogério Chaves: “O latino é bom em transformar game em entretenimento”
Divulgação
Vitor Kadooka
PECULIARIDADES
É o segmento mais rico da indústria
do entretenimento, ultrapassando o
cinema e a música. Como este boom é
relativamente recente, é um território
que a publicidade ainda nem sabe exatamente
qual é o potencial máximo.
Por isso, essa é uma categoria que ainda
evolui muito ano após ano e eu já
estou percebendo isso selecionando a
shortlist de 2026.
VARIEDADE
As discussões serão complexas,
porque o termo ‘game’ abrange muitas
coisas diferentes e difíceis de comparar.
Por exemplo, jogos como GeoGuessr,
Minecraft, EA Sports FC, Counter
Strike, GTA e Clash Royale possuem comunidades
e lógicas diferentes — mas
precisamos encontrar um critério universal
que torne a disputa justa.
PERTINENTE
o presidente do júri foi muito enfático
em nosso primeiro encontro. É fácil
perceber olhando apenas para a recepção
dos gamers se uma ideia foi feita
(ou não) por uma marca que se preocupou
em estudar o comportamento daquele
grupo. E nem os cases mais bem
elaborados são capazes de maquiar
isso em uma ideia mal executada.
ESTREIA
É a minha primeira vez e até agora
não sei se o frio na barriga é de empolgação
ou de medo da responsabilidade.
Eu me sinto muito honrado e
plenamente consciente de que estarei
avaliando trabalhos que são fruto
do tempo de milhares de profissionais
e do dinheiro de centenas de empresas.
É preciso ficar lembrando disso
constantemente para oferecer a devida
dedicação a esta tarefa. Já julguei
Gaming no Art Directors Club, então
consigo prever um pouco do que me
espera, mas Cannes é Cannes.
TENDÊNCIA
As categorias da trilha do Entrete-
“É o segmento
mais rico da
indústria do
entretenimento”
nimento, incluindo Gaming, apontam
para o futuro que eu acredito do nosso
ofício: o da não-interrupção. Elas
mostram nossa capacidade de produzir
conteúdo que as pessoas queiram
ver — ou, pelo menos, não se importem
em ver. Além disso, as comunidades
gamers, de tão imersas em seus
temas, acabam sendo juradas muito
mais rigorosas do que nós seremos no
festival. Elas deixam a nossa tarefa
um pouco mais fácil.
NACIONAL
O Brasil é o atual detentor do Grand
Prix e a América Latina nunca passou
um único ano sem Leões em uma categoria
que não dá muitos metais por ano.
Isso mostra a potência do continente
no tema. O latino é bom em transformar
game em entretenimento, em fazer de
uma live um evento interessante até
para quem não é nativo do game. Quando
me deparo com um videocase que
tem o nosso sotaque, eu sei que, no mínimo,
terei 2 minutos divertidos. E divertir
um jurado já é boa parte do caminho.
INCLUSÃO
Em um mundo cada vez mais careta,
retrógrado e que vive nesse namorico
perigoso com o autoritarismo, toda
peça de criatividade tem uma certa
obrigação de cumprir um papel social.
É impossível, e seria altamente irresponsável,
ignorar este ângulo na hora
de olhar para uma ideia. Por se tratar
de um público muito jovem, é um bom
lugar para renovar as esperanças no
mundo, ou pelo menos tentar.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 47
cannes lions
‘AI Craft será assunto central do festival’
Chief creative officer da GUT São Paulo,
Tiago Abreu estreia como jurado no
Cannes Lions 2026, na categoria Digital
Craft. Para ele, a categoria se consolidou
como um “termômetro do festival”,
já que a tecnologia passou a ocupar
o centro das principais campanhas
globais e “o GP dessa categoria
costuma apontar quais são as maiores
e mais inovadoras ideias do ano”.
Com trajetória construída na criação
publicitária, o executivo acredita que
o debate sobre inteligência artificial
deve dominar as discussões do festival
neste ano. “Quando todo mundo já
está fazendo bem, o critério vai ter de
evoluir para além disso”, comenta.
Tiago Abreu: “Quero contribuir com um olhar de frescor e relevância sobre as ideias”
Divulgação
Bruna Nunes
Digital Craft
Debater criatividade, entender o
que torna uma ideia poderosa e decifrar
a relevância de cada projeto é
algo que eu de fato adoro fazer, e a
categoria Digital Craft virou um verdadeiro
termômetro do festival. Hoje,
a tecnologia é a espinha dorsal da
maior parte das grandes campanhas,
por isso, o Grand Prix dessa categoria
costuma apontar quais são as maiores
e mais inovadoras ideias do ano.
Estar na mesa que vai definir esse
rumo será uma experiência incrível.
Debate aCirraDo
A expectativa para esta edição
está altíssima, principalmente pela
estreia de AI Craft, e o volume de cases
inscritos já mostra que esse será
o assunto central do festival. É fascinante
acompanhar uma ferramenta
que evolui tão rápido: o que levava
meses para ser produzido hoje se resolve
em muito menos tempo, e o nível
de entrega técnica está cada vez
mais impressionante. Cannes 2026
vai funcionar como um espelho desse
momento histórico da nossa indústria.
Vamos descobrir o que existe de
mais avançado globalmente e como
essa tecnologia está sendo aplicada
na prática para gerar valor. Com certeza,
será o debate mais acirrado e
interessante da mesa de júri.
impaCto Da ia
Essa pergunta é boa porque talvez
venha a ser uma das grandes questões
que vamos discutir no júri. Parece-me
que, mais do que avaliar o craft
no uso da IA, teremos uma discussão
anterior: qual deve ser o critério para
avaliar IA neste ano? Em um ano em
que quase tudo se desenvolve a partir
da IA, e que no espaço de um ano já é
evidente a diferença de qualidade entre
trabalhos feitos no início do ciclo
de Cannes, com trabalhos feitos no
fim, faz sentido avaliar o craft sabendo
que o que estamos vendo é um retrato
do agora? E que em seis meses já
vamos estar vendo coisas ainda mais
diferentes e elaboradas? Meu palpite
é que o critério vai evoluir não para a
qualidade, mas para o seu uso inovador
e decisivo. Na minha categoria, a
IA já é quase pré-requisito. E quando
todo mundo já está fazendo bem, o critério
vai ter de evoluir para além disso.
CritÉrios
Todo julgamento é um produto do
que a gente é, da nossa trajetória e
background. Em uma categoria de
craft, a execução impecável tem um
peso enorme, mas ela precisa servir
a uma grande ideia. O presidente do
júri, Andrés Ordoñez, resumiu nossa
missão perfeitamente: encontrar
trabalhos que unam a lógica e a mágica
através de uma execução acima
da média. Esse será o meu norte. Nesse
júri que é superbaseado em craft,
com muita gente com skills técnicos,
quero contribuir com um olhar de frescor
e relevância sobre as ideias em si.
o festival
Costumo dizer que Cannes é uma
aula em mostrar que existiam outros
jeitos para resolver os briefings que a
gente não tinha encontrado e achava
que não existia. O que mostra que o
processo criativo é inesgotável. Alguém,
agora mesmo, está resolvendo
um desafio criativo em outro lugar do
mundo, muito parecido com o que eu
tenho na mesa. Cannes é o momento
do gabarito. De descobrir vários novos
jeitos de observar como outros
criativos resolveram esse problema e
mostrar que sempre dá pra buscar um
jeito novo de solucionar um problema.
no
patrocínio
48 22 de junho de 2026 - jornal propmark
marcas
iFood Ads utiliza Copa do Mundo para
aproximar marcas dos torcedores
Com patrocínio em transmissões e experiências ao vivo, vertical de
anúncios une mídia e estratégia phygital para compras em tempo real
Vitor Kadooka
Com uma base de 65 milhões de clientes ativos, o
iFood, por meio de sua vertical de anúncios, focou
seus esforços na Copa do Mundo. Utilizando
os rituais do torcedor, a marca planeja uma jornada
de compra completa, em que o usuário é impactado
pelo anúncio em sua plataforma e consegue finalizar
a compra no mesmo ambiente.
O movimento acontece em um calendário de
grandes eventos. Depois de ativações durante o
Carnaval, o ‘Big Brother Brasil’ e na campanha de 100
dias de ofertas, o iFood passa a tratar a Copa como
laboratório para testar a integração entre aplicativo
e ativações físicas, em uma estratégia phygital, liderada
por Ana Paula Duarte, diretora sênior de ads.
Durante o torneio, o iFood Ads terá presença nas
transmissões da CazéTV, formatos de live commerce
dentro do aplicativo, comerciais na TV aberta e
mídia exterior. A operação também se conecta à
Casa CazéTV, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e às
arenas Ginga, festa presente em 14 cidades, onde o
iFood assume a operação gastronômica das praças
de alimentação.
Nas arenas, a vertical de ads entra com ativações
de sampling para marcas parceiras. “Nós entendemos
profundamente o comportamento e os rituais
do torcedor brasileiro, por isso, desenhamos uma
estratégia integrada para acompanhar esse consumidor
em todas as telas e territórios”, afirma Ana.
“Na prática, criamos um loop de conveniência: iFood
Ads gera o desejo pela marca no ambiente físico ou
no streaming, contextualizamos essa mensagem
no app e a eficiência logística do iFood finaliza a
conversão em tempo real, entregando o pedido de
forma ultrarrápida.”
Entre as marcas previstas na operação estão
Rexona, Hellmann’s, Club Social, Smirnoff, Coca-Cola,
Lay’s, Subway, The Best Açaí, Dorflex, Guaraná Antarctica,
Brahma, Veja, Olla, Magnum e Eno.
Ana Paula Duarte, diretora sênior de ads do iFood: somar ainda mais inteligência sobre nossa audiência recorrente
“O futebol dita o ritmo
do consumo em minutos,
não em semanas”
mação, conseguimos somar ainda mais inteligência
sobre nossa audiência recorrente, o que nos dá a
velocidade necessária para reagir em tempo real
durante as partidas e permitindo que as marcas
alterem lógicas de campanha e escalem ofertas
instantaneamente de acordo com os rituais do torcedor
e o andamento do jogo.”
O iFood já começou a testar essa dinâmica em
ações ligadas à seleção brasileira. No jogo de despedida
da equipe no Maracanã, a empresa realizou
uma ação de sampling com distribuição de Guaraná
ao público, com apoio da frente de ads. Desde
Divulgação
TEMPO REAL
Ana explica que o iFood utiliza um padrão observado
em edições anteriores da Copa. O consumo de
snacks cresce 66% e o de bebidas, 140%, em comparação
com a média de dias comuns na plataforma.
Para a executiva, esse comportamento exige uma
lógica de mídia mais rápida, capaz de ajustar ofertas,
mensagens e segmentações conforme o andamento
das partidas.
“O futebol dita o ritmo do consumo em minutos,
não em semanas”, afirma. “Com o uso de IA e autodezembro
do ano passado, o iFood é patrocinador
oficial das seleções brasileiras de futebol. O acordo
com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) inclui
os times masculinos e femininos.
A Copa também aproveita aprendizados recentes.
No Carnaval, segundo a empresa, as marcas que
investiram nos anúncios cresceram quatro vezes
mais, na comparação anual, durante o período. No
‘BBB’, uma ação gamificada levou a linha Nivea Sun
a crescer mais de oito vezes em faturamento no app
em uma semana.
Na campanha de 100 dias de ofertas, marcas parceiras
de Ads dobraram sua participação nas gôndolas
digitais ativadas, passando de 10,9% para 22,3%
de market share em segmentos como mercearia,
molhos, higiene, limpeza e farmácia. A plataforma
também registrou 72% de novos consumidores ou
usuários reativados comprando dessas marcas no
app, índice que chegou a 81% na vertical de farmácia.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 49
marcas
Ronaldinho dá seus rolês em campanhas
de Itaipava, Uber, Renner, Rider e Inter
Craque supera problemas e se transforma em trunfo estratégico na
Copa de 2026, em que também é atração da programação da Globo
Paulo Macedo
Ronaldinho Gaúcho traz para a campanha da marca Rider, criada pela agência Rastro, sua espontaneidade e linguagem urbana
A
publicidade é capaz de passar
pano quente em personagens
que em determinado momento
das suas trajetórias tiveram problemas
que poderiam decretar um consistente
fim de carreira. Ronaldinho
Gaúcho, por exemplo, se transformou
em cereja do bolo nessa Copa do
Mundo da Fifa, sendo protagonista
de campanhas de marketing, mesmo
tendo tido momentos negativos à sua
imagem há seis anos, quando ficou
mais de um mês detido no Paraguai
devido a problemas com a falsificação
de passaporte, junto com seu irmão e
empresário, Assis. A liberdade exigiu
pagamento de fiança superior a US$
1,5 milhão.
Os dribles do craque que vestiu as
camisas da seleção brasileira (pentacampeão
na Copa do Japão e Coreia
do Sul), Grêmio, Flamengo e Barcelona,
mais a capacidade da propaganda
de trazer nova luz ao desgaste,
apagaram o lado B de Ronaldinho
e acenderam um personagem que
está fazendo sucesso no mundial tripartite
nos Estados Unidos, Canadá e
México. A prefeitura de Miami Beach,
por exemplo, definiu o dia 14 de junho
como Ronaldinho Day. A cerimônia foi
destaque do programete ‘Rolê do Bruxo’,
que o craque ancora na grade de
programação da TV Globo nessa Copa.
Claro, todo mundo tem a chance de
levantar, sacudir a poeira e dar a volta
por cima. Ronaldinho Gaúcho usou sua
imagem com maestria para dar um
drible nos imbróglios institucionais
e teve humildade para ser protagonista
de campanhas para marcas como
a cerveja Itaipava, que o escalou para
a campanha ‘Rolê aleatório’, criação
da agência WMcCann, com trilha de
MC Livinho e coreografia de Virginia
Fonseca.
“Nosso desafio era construir uma
campanha que se comportasse como
o entretenimento que as pessoas já
consomem e compartilham diariamente.
Por isso, apostamos em uma
narrativa com humor sobre a vida do
lendário Ronaldinho, com música, personagens
inesperados e easter eggs,
para o consumidor descobrir novos
elementos cada vez que assistir à
peça. Uma forma de criar conversas
e engajamento nas redes sociais”, diz
Guilherme Aché, ECD da agência, no
comunicado de lançamento da ação.
O bruxo também está na campanha
do McDonald’s, em que bate
bola com o Lamine Yamal, estrela do
Barcelona e da seleção espanhola;
ele é o embaixador da linha de barbeadores
Flex 3, da Bic; com Negra Li, é
o protagonista da campanha ‘Todos
na mesma torcida’, para o Cartão de
Todos; ‘Rolê aleatório’ também é o
tema da campanha do Banco Inter, desenvolvida
pela Talent, com foco em
inteligência artificial para apresentar
o jogador em diferentes lugares e em
situações inusitadas; assinada pela
Lola\TBWA, ‘Futebol chama churrasco’
trouxe Ronaldinho para o projeto
de Copa da linha Maturatta, da marca
Friboi. A campanha ainda conta com
uma segunda fase chamada ‘Rolê aleatório’,
inspirada nas aparições inesperadas
que marcaram a trajetória
“Apostamos em
uma narrativa
com humor sobre
a vida do lendário
Ronaldinho”
Divulgação
de Ronaldinho.
Uber aprovou a ação ‘Chega junto’,
da Wieden+Kennedy, com o craque
aproveitando o dia da convocação do
escrete nacional na sede da CBF no
Rio. O estilo rolê aleatório também é
destaque na coleção da marca Renner
em parceria com Ronaldinho.
O collab de Gaúcho por meio da sua
marca R10 com a Rider teve início em
2025 para explorar o seu lifestyle que
une apelos como chapéus e toucas
da Kangol e linguagem do basquete
americano. Na Copa, como explica
Alexandre Reis, gerente de marca e
comunicação da Rider, nasce da magia
brasileira: um encontro entre dois
ícones que atravessam gerações e
traduzem, cada um à sua maneira, a
essência do lifestyle esportivo, da
moda e da música.
“De um lado, a Rider, com seus slides
icônicos que são expressão de
atitude e autenticidade. Do outro,
Ronaldinho Gaúcho, símbolo máximo
da alegria e da criatividade em movimento,
levando a magia nos pés e no
sorriso. Juntos, celebramos uma conexão
genuína com a cultura brasileira”.
A criação é da agência Rastro e a produção
audiovisual da Noize.
50 22 de junho de 2026 - jornal propmark
memória
Morre publicitário Sérgio Reis, no dia 13
de junho, em Curitiba (PR), aos 87 anos
Reis foi um dos criadores da campanha que divulgou a poupança
Bamerindus na década de 1990; atuava como conselheiro da ESPM
O
publicitário Sérgio Silbel Soares Reis
morreu no dia 13 de junho, em Curitiba
(PR), aos 87 anos. Nascido no Rio
de Janeiro, morava no Paraná desde 1969.
Ele participou da criação da campanha que
promoveu a poupança do Bamerindus, do
Banco Mercantil e Industrial do Paraná -
cuja sigla deu origem ao nome Bamerindus.
O jingle do filme ficou gravado na memória
de brasileiros na década de 1990. O verso
dizia: “o tempo passa, o tempo voa, e a poupança
Bamerindus continua numa boa”.
As campanhas ‘Gente que faz’ e ‘Bicho
do Paraná’ também são creditadas a Reis,
que montou a área de marketing do Bamerindus
e comandou a agência interna
Reprodução/Redes Sociais
Umuarama. Foi ainda vice-presidente da
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
Editora Abril; secretário de comunicação Sérgio Silbel Soares nasceu no Rio de Janeiro, mas morava no Paraná desde 1969
da Presidência da República na gestão de
Fernando Henrique Cardoso; secretário de
Comunicação do Estado de São Paulo no
governo Mario Covas; e diretor de marketing
do Grupo Positivo. Nos últimos anos,
atuava como conselheiro da ESPM.
“A comunidade ESPM, sempre tão feliz e
tão alegre, está triste e em luto pelo falecimento
de nosso conselheiro Sérgio Reis.
Sérgio foi uma lenda do marketing e um
colecionador de admiradores e amigos. Humilde,
modesto e sempre gentilíssimo com
todos os que tiveram a sorte e o privilégio
de conviver com ele. Ao longo de muitos
anos, Sérgio Reis serviu à ESPM com paixão,
entusiasmo e amor incondicional. Suas
lições sempre serão lembradas”, escreveu
a ESPM em nota de pesar.
C
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Quem faz
história na
propaganda
merece ser visto.
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jornal propmark - 22 de junho de 2026 51
opinião
Fotos: Divulgação
Perfilamento infantil:
proibição vale, mesmo
sem regulamentação
da ANPD
Rodrigo Borges
é vice-presidente do
comitê de IA e privacidade e
proteção de dados da ABA e
diretor de privacidade
| América Latina da Kenvue
Lucas Gobbo
é presidente do comitê de IA
e privacidade e proteção de
dados da ABA e global legal
manager & product counsel
no BEES | AB InBev
Lucas Gobbo e Rodrigo Borges
O
ECA Digital entrou em vigor em março de 2026
com uma vedação que parece direta: é proibido
criar perfis comportamentais de crianças
e adolescentes para fins publicitários. A aplicação
dessa proibição exige compreender o seu alcance e
o que ainda depende de regulamentação.
A vedação abrange o uso de dados de navegação,
comportamento em plataformas e qualquer combinação
para direcionamento de anúncios, incluindo
inferências sobre grupos com presença de crianças
e adolescentes, além da análise emocional e tecnologias
imersivas com fins publicitários.
Já a publicidade contextual, baseada no conteúdo
consumido e não em quem o consome, permanece
legítima. O que está vedado é o uso de dados da pessoa
para orientar o anúncio. O desafio é garantir que
essa separação exista na arquitetura do produto
e nos contratos e não apenas nas políticas de privacidade.
Na prática da compra de mídia digital, essa separação
não é nítida. Ferramentas comercializadas
como “segmentação contextual” podem, em camadas
intermediárias, utilizar sinais comportamentais:
cookies de terceiros, device fingerprinting, agrupamentos
a partir de páginas visitadas. O anunciante
acredita estar comprando contexto; a infraestrutura
opera com perfilamento. Auditar a cadeia técnica,
documentar a metodologia de segmentação e
incluir obrigações específicas contratuais passou a
ser necessidade jurídica.
Vale notar que, embora a LGPD admita outras bases
legais para o tratamento de dados de menores
além do consentimento, como o legítimo interesse,
isso não afasta a proibição específica do ECA Digital
para fins publicitários. As sanções das duas normas
podem ser aplicadas cumulativamente.
A responsabilidade não se limita a quem exibe o
anúncio. Alcança quem financia a exibição. O CDC já
sustenta a responsabilidade solidária entre anunciante
e veículo por publicidade irregular, reforçada
pelo ECA Digital, que exige comprovação sobre como
a audiência foi construída. Isso significa rever contratos
com plataformas e ad techs, exigir transparência
sobre os critérios de segmentação.
O nó da verificaçãO de idade
O ECA Digital não se limita a serviços infantis, alcançando
também aqueles com “acesso provável”
por menores, o que amplia o seu escopo para plataformas
de alcance geral. Identificar esses usuários
exige verificação de idade robusta, e a autodeclaração
está vedada.
A experiência europeia com o GDPR e o Digital Services
Act já mostrou que verificar a idade com robustez
implica coletar mais dados de quem se pretende
proteger, colidindo com o princípio da minimização.
O ECA Digital fecha uma porta adicional: os dados coletados
na verificação de idade não podem ser usados
para perfilamento, mas seus contornos práticos
seguem pendentes de regulamentação pela ANPD.
O que se espera das empresas
A norma está em vigor. A regulamentação, não
integralmente. Esse intervalo não é uma janela de
tolerância, mas de risco real, pois a vedação ao perfilamento
publicitário de menores é autoaplicável. O
que ainda aguarda regulamentação são os padrões
técnicos: mecanismos de verificação de idade, procedimentos
de supervisão parental, protocolos de
fiscalização. A proibição em si já pode ser invocada
por autoridades competentes.
A pergunta que deve orientar as empresas não
é “estamos formalmente enquadrados?”, mas “conseguiríamos
demonstrar, hoje, que nenhuma prática
de perfilamento atinge usuários menores?” Enquanto
essa resposta não for clara, o risco permanece.
“A responsabilidade
não se limita a quem
exibe o anúncio.
Alcança quem
financia a exibição”
52 22 de junho de 2026 - jornal propmark
inspiração
Realizei meu sonho
Fotos: Arquivo Pessoal
Como a resiliência de Paraisópolis e a visão estratégica do futebol
inspiraram e moldaram meu olhar para o marketing de influência
Thiago Cavalcante
Especial para o propmark
Para quem nasce e cresce em Paraisópolis, o sonho de ser jogador de futebol
não é apenas um desejo; é a primeira grande lição de criatividade. Na comunidade,
aprendemos cedo que abrir caminhos onde eles não existem é a
habilidade mais valiosa. Minha infância foi desenhada entre campos de várzea,
peneiras e treinos em clubes como São Paulo e Palmeiras. Vivi a disciplina rígida
do esporte, mas o que mais me fascinava era a inteligência do jogo: a capacidade
de antecipar movimentos que ninguém mais via.
O que muitos poderiam ler como o fim de um sonho, prefiro chamar de o despertar
de uma nova visão. Em um momento de sobriedade, que hoje reconheço como
meu primeiro grande insight estratégico, entendi que o caminho como atleta era
estatisticamente incerto. Tomei a decisão mais difícil da minha juventude: deixei o
campo para apostar no conhecimento. Troquei os treinos por um cursinho na própria
comunidade, focado em conquistar uma bolsa no Mackenzie. Ali, percebi que a
resiliência da várzea e a leitura de jogo eram, na verdade, o repertório perfeito para
o marketing e os dados.
Essa escolha de priorizar o conhecimento como ferramenta de transformação
me permitiu fundar a INFLR. Mas o futebol nunca saiu de mim; ele se tornou minha
lente criativa. Minha inspiração não vem de manuais de publicidade, mas da intersecção
entre cultura de rua, entretenimento e tecnologia.
Na próxima Copa do Mundo, essa jornada completa um ciclo simbólico. Não estarei
em campo como o jogador que sonhei ser, mas como o arquiteto do projeto
Rede Ronaldo – Brasa em Campo. Onde antes buscava a atenção de olheiros, hoje
construímos território e comunidade. Mais do que um hub fixo, essa operação ganha
vida na estrada através da Maestrada, um trailer-estúdio que percorrerá mais
de 4.000 km entre as cidades-sede, funcionando como um posto avançado de conteúdo
e conexão com os brasileiros na América. Essa presença itinerante, somada
à curadoria editorial do Grupo Primo, garante que o Brasa em Campo seja uma plataforma
de relevância contínua. É a realização técnica de um sonho: entender que,
para dominar o jogo da atenção, precisamos estar onde o público está, unindo a
logística pesada de uma tour internacional à agilidade do digital.
Minha maior inspiração criativa foi perceber que o verdadeiro hype nasce fora
das quatro linhas. Na música, no trailer-estúdio percorrendo 4.000 km pelos EUA e
na conexão genuína entre creators e audiência, a magia acontece. Coordenar uma
ativação que projeta 175 milhões de impressões, ao lado do fenômeno Ronaldo, é
minha verdadeira final de campeonato.
Minha maior vitória não foi marcar um gol em um grande estádio, mas ter tido
a clareza de planejar minha carreira com a precisão de um camisa 10. Na INFLR,
provamos que a execução impecável e o olhar atento à cultura são o que realmente
ganham o jogo. Afinal, a criatividade nada mais é do que a coragem de mudar de
campo sem perder a vontade de vencer.
Thiago Cavalcante é CEO e fundador da agência INFLR
jornal propmark - 22 de junho de 2026 53
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
NeOOH recebe selo GPTW pelo terceiro
ano e destaca política de RH na gestão
Leonardo Chebly, Cristiano Muniz e Luisa Sena destacam a metodologia
e a cultura organizacional da empresa para os seus 300 funcionários
Paulo Macedo
Além do processo reinventivo dos
equipamentos que compõem
o mobiliário das empresas de
mídia exterior desde a implementação
da Lei Cidade Limpa em 2006,
os players do segmento passaram a
dar maior atenção aos recursos humanos.
Não que essa preocupação
não existisse no modelo anterior. Mas
ela foi aperfeiçoada e ganhou a sofisticação
do compliance que exige relacionamentos
mais consistentes entre
mão de obra e empregadores. O OOH
avançou para a sofisticação de profissionais
que incluem desde os que
estão nas ruas para a instalação e a
manutenção dos inventários, passando
por especialistas em tecnologia,
mídia programática, digital, elaboração
de conteúdo, projetos especiais
de arquitetura e outras situações
aplicadas ao canal.
Um dos termômetros do mercado é
a premiação Great Place to Work, que
reconhece aqueles que se empenham
na excelência do ambiente corporativo.
Para garantir a certificação da
GPTW, considerada a autoridade global
no tema, a empresa precisa ter o
aval dos seus funcionários, que são
ouvidos de forma anônima sobre a
cultura organizacional, metodologias
e postura de RH.
A NEOOH possui 300 pessoas no seu
quadro e conquistou pelo terceiro ano
consecutivo o selo de lugar considerado
bom para trabalhar. “Esse reconhecimento
tem um significado especial
porque vem das pessoas que constroem
a NEOOH todos os dias. Ter esse selo
é um reflexo de nossa busca contínua
por fortalecer a cultura da empresa,
com prioridade à experiência de nossos
profissionais e à construção de
um ambiente colaborativo. Receber
esse certificado pela terceira vez reforça
nosso crescimento sustentável,
que está diretamente conectado à
capacidade de atrair, desenvolver e
reter os melhores talentos do OOH no
Brasil”, celebra o executivo Leonardo
Chebly, CEO da NEOOH.
SUSTENTABILIDADE
A relação das empresas com seus
funcionários passou a constar da pauta
de sustentabilidade social (ESG) e
isso se tornou pilar na NEOOH como
esclarece o CFO Cristiano Muniz.
“A agenda ESG ampliou a discussão
sobre sustentabilidade e deixou
Divulgação
A gerente de recursos humanos Luisa Sena busca desenvolver e reter talentos do OOH
claro que crescimento responsável
também passa pela forma como as
empresas desenvolvem, engajam e
cuidam de suas pessoas. As empresas
de out of home passam por uma forte
transformação impulsionada por
tecnologia, inovação e dados. O capital
humano tornou-se um diferencial
competitivo. Mais do que uma área de
suporte, o RH passou a ter um papel
estratégico na formação de lideranças,
no fortalecimento da cultura e na
construção de ambientes que favoreçam
inovação e alta performance.
Entendemos que as empresas que desejam
crescer de forma sustentável
precisam colocar a gestão de pessoas
no centro das decisões, é o que busca-
“Investimos
na formação
e no
acompanhamento
dos setores”
mos fazer diariamente na NEOOH.”
O compliance de RH ajuda a conquistar
e manter negócios devido aos
protocolos de contratação de algumas
empresas. “Isso fortalece a governança
e reduz riscos operacionais,
além de demonstrar ao mercado um
compromisso consistente com ética,
segurança e organização dos processos
de pessoas. Esse movimento
também aumenta a previsibilidade
das relações com clientes e parceiros,
que hoje avaliam cada vez mais a
maturidade da gestão de pessoas
como parte dos critérios de contratação
e continuidade de fornecedores”,
explica Muniz.
TRANSFORMAÇÃO
Por outro lado, a gerente de RH
Luisa Sena esclarece que a NEOOH
vive um ciclo intenso de crescimento
e transformação, incluindo a integração
de 70 novos colaboradores da
empresa Wide Digital, adquirida em
meados de 2025.
“Esse movimento traz um desafio
importante de alinhamento cultural
e consolidação de práticas de gestão.
Atuamos de forma integrada ao
negócio, com participação direta na
patrocínio
PATROCINIO OOH_VALE.indd 1 13/05/26 21:10
54 22 de junho de 2026 - jornal propmark
gestão do programa corporativo de
metas e uma agenda mensal com
todas as lideranças da empresa para
discutir desafios de gestão de pessoas,
apoiar decisões e fortalecer a prática
de liderança na operação. Esse
trabalho conjunto muda a dinâmica
de gestão na companhia, com o RH
desempenhando de fato o papel de
apoio e referência para as lideranças
em decisões de pessoas, reduzindo
subjetividade e trazendo mais consistência
para temas como desenvolvimento,
promoções e estruturação de
times. O principal desafio não é criar
programas isolados, mas garantir
que todas as iniciativas de gestão de
pessoas estejam conectadas entre si
e com a cultura e o crescimento da
companhia, formando uma jornada
coerente ao longo da experiência do
colaborador.”
ENGAJAMENTO
“Essa proximidade com o negócio é
essencial para consolidar uma cultura
consistente em meio ao crescimento.
Os resultados aparecem na evolução
dos indicadores de engajamento, com
destaque para o aumento de 21,8
pontos no eNPS de recomendação da
empresa e avanço de 30,2 pontos na
dimensão de liderança. A conquista do
selo GPTW pelo terceiro ano consecutivo
reflete essa construção contínua.
Mais do que um reconhecimento, representa
a consolidação de um modelo
de gestão que vem sendo estruturado
ao longo do tempo e que conecta
cultura, performance e estratégia de
negócio”, acrescenta Luisa.
PILARES
Performance, desenvolvimento,
cultura e reconhecimento são fatores-chave
de apoio que orientam a
NEOOH como explica Luisa.
“Contamos com política de bonificação
alinhada aos objetivos do negócio,
programas de desenvolvimento
de lideranças, gestão estruturada de
desempenho e pesquisas recorrentes
de engajamento. Essas pesquisas
incluem o GPTW e também análises
internas conduzidas pela companhia.
Os resultados são desdobrados em
devolutivas para lideranças e áreas,
gerando planos de ação concretos
para melhoria contínua da experiência
dos colaboradores. Além disso,
o RH atua na definição, validação e
acompanhamento do programa corporativo
de metas, contribuindo para
Divulgação
O CFO Cristiano Muniz está alinhado ao modelo que permite a certificação da GPTW
mais clareza e consistência na gestão
de desempenho, o que fortalece o engajamento,
a qualidade da liderança e
a retenção de talentos.”
A estratégia de engajamento é outro
ponto que Luisa destaca na gestão
de RH da NEOOH. “A estratégia de
engajamento considera a experiência
do colaborador no dia a dia da operação
da empresa, com um pacote de
benefícios voltado à saúde, bem-estar
e qualidade de vida, incluindo suporte
médico, apoio psicológico e incentivo
à atividade física. Também acreditamos
que a retenção está diretamente
ligada à qualidade da liderança. Investimos
na formação e no acompanhamento
dos gestores, fortalecendo sua
capacidade de desenvolver equipes e
sustentar um ambiente de confiança
e alta performance. Os resultados
aparecem tanto nos indicadores de
engajamento quanto na retenção de
talentos, reforçando a conexão entre
cultura forte, disciplina de gestão e
sustentabilidade do negócio”, pondera
Luisa.
“Retenção está
diretamente
ligada à qualidade
da liderança”
TRANSPARÊNCIA
Muniz destaca que a conquista de
mais um selo Great Place to Work é comunicada
como uma consequência de
uma construção coletiva.
“Isso envolve colaboradores, lideranças
e a própria estratégia da companhia.
Procuramos valorizar esse reconhecimento
de forma transparente
e consistente junto aos diferentes públicos,
reforçando que ele reflete a experiência
real das pessoas que fazem
parte da NEOOH. Internamente, o selo
fortalece o orgulho de pertencimento
e serve como um marco importante
para reconhecer os avanços da nossa
cultura e das práticas de gestão de
pessoas. Externamente, compartilhamos
essa conquista com clientes, parceiros
e o mercado como uma evidência
do compromisso da empresa com
um ambiente de trabalho saudável,
ético e de alta performance.”
O CFO da NEOOH diz ainda que mais
do que um diferencial de marca empregadora,
“entendemos que o GPTW
reforça a credibilidade da NEOOH
como uma organização que busca
crescimento sustentável, apoiada em
uma cultura forte, lideranças preparadas
e pessoas engajadas. O fato de
conquistarmos essa certificação pelo
terceiro ano consecutivo demonstra
consistência na forma como conduzimos
nossa estratégia de pessoas e
governança, aspectos cada vez mais
valorizados pelos stakeholders.”
ALCANCE
O meio OOH está em fase de crescimento
e os seus apelos por estar nas
rotas cotidianas dos consumidores se
refletem no faturamento que ficou
mais robusto com as ofertas que passaram
a contemplar ambientes anteriormente
usados com limitações. No
primeiro trimestre de 2026, o canal
atingiu um faturamento de R$ 827,1
milhões segundo o painel Cenp-Meios,
uma elevação de 48,6% na comparação
com o mesmo período em 2025. A
expansão é maior entre todas as ofertas
para a veiculação das mensagens
dos anunciantes, aproximadamente
19%. E o share nos primeiros três meses
deste ano passou dos 14%.
A NEOOH atua em aeroportos, terminais
rodoviários, parques, academias
e workspaces, gerando mais de
700 milhões de impactos por ano. Tem
ativos na orla de Salvador e mantém
espaços publicitários em todas as
academias Bodytech do país.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 55
criativismo
Alê Oliveira
Criativismo?!
É uma forma de se referir às iniciativas ativistas
que usam criatividade para melhorar a sociedade
Alexis Thuller Pagliarini
Esta coluna tem novo nome: Criativismo. É um
neologismo que sequer está em dicionários. Até
onde sei, sou o primeiro a usar esse conceito por
aqui, embora tenha me inspirado na sua versão em
inglês (creativism), que vi usada pela primeira vez
no Cannes Lions. Eu registrei o domínio criativista.
com.br, o qual uso profissionalmente para minha
plataforma Criativista ESG4.
Por que essa fixação por esse termo? Antes de
mais nada, eu acredito fortemente que a criatividade
seja um dos principais skills do profissional do futuro.
Aliás, eu não, o World Economic Forum colocou
inovação e criatividade entre os Top 10 skills para
2025.
Por mais que a tecnologia crie algoritmos, inteligência
artificial e fórmulas matemáticas para
resolver problemas, a criatividade ainda é – e será
– soberana na hora de se diferenciar, de trilhar caminhos
inovadores, de atrair e engajar, de sair na
frente. Já o ativismo, fui aos dicionários e encontrei
uma definição que gostei muito: “Doutrina de vontade
criativa que prega a prática efetiva para transformar
a realidade em lugar da atividade puramente
especulativa”.
Destaco fragmentos desta definição que me
atraem de forma especial: “vontade criativa” e “prática
efetiva para transformar a realidade”. É disso
que estou falando! É de um ativismo do fazer, do sim,
do criar, do transformar a realidade. Não o ativismo
do protesto, do não, do confronto.
Acredito fortemente na nossa capacidade criativa
de transformar a realidade. Foi da junção dos
termos Criatividade e Ativismo que surgiu então o
Criativismo. É uma forma de se referir às iniciativas
ativistas que usam a criatividade para melhorar a
sociedade. E há exemplos de sobra de empresas que
adotaram o tal criativismo em seu benefício, mas
também em favor da sociedade. Veja o exemplo da
Axa, seguradora francesa que foi uma das mais premiadas
no Cannes Lions do ano passado com o case
‘3 words’. Por iniciativa própria, a empresa inclui retroativamente
três palavras nas apólices de seguro
residencial emitidas: “e violência doméstica”. Assim,
além de proteção contra incêndio e inundação, as
mulheres da casa segurada tinham agora direito a
uma residência provisória e suporte financeiro para
poder sair de uma relação abusiva dentro de casa.
A iniciativa da seguradora foi de empatia, sem
cobrar nenhum adicional pela cobertura estendida,
por saber que a questão do assédio dentro de residências
francesas é coisa séria (como no Brasil).
Veja agora outro case: o da Natura, que, por meio
de drones e IA, mapeou uma grande área da floresta
amazônica e ajudou as famílias que vivem da coleta
e venda de produtos das árvores da região a localizar
aquelas que podem fornecer os insumos que são
adquiridos pela própria Natura. Do mapeamento,
surgiu um aplicativo (uma espécie de Waze da floresta)
que ajuda os moradores a localizar árvores
produtivas e conquistar seu sustento.
Essas iniciativas têm em comum três aspectos:
são criativas – a ponto de conquistarem prêmios internacionais
–; são ativistas, em benefício de comunidades
fragilizadas; e são corajosas, com marcas se
posicionando perante a sociedade, defendendo seu
ponto de vista.
São, portanto, exemplos exuberantes de criativismo.
Consumidores cada vez mais atentos e vigilantes
quanto ao desrespeito e à insensibilidade
das empresas exigem mais das marcas. Esperam
que elas façam mais do que produzir produtos de
qualidade e comercializar a bom preço.
Esperam que sejam ativistas por um mundo melhor.
E se adotarem a criatividade e princípios ESG
nas suas ações, melhor ainda. A partir de agora, esta
coluna continuará tratando de ESG, dentro contexto
de respeito socioambiental e da atitude ética e responsável,
mas estenderá seu radar para iniciativas
criativistas.
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
56 22 de junho de 2026 - jornal propmark
mídia
A próxima grande mídia não está dentro
do feed. Está no corredor da loja
Para o vice-presidente da The Led, o retail media mostra a importância
do varejo em transformar a mídia em uma operação com novo patamar
Em um mercado pressionado por
eficiência, atenção fragmentada
e busca por canais mais próximos
da conversão, o retail media deixou de
ser uma tendência restrita ao e-commerce
e passou a ocupar um novo espaço
no planejamento das marcas: o
varejo físico.
Para agências e profissionais de
mídia, o ponto de venda começa a ganhar
relevância por reunir três atributos
cada vez mais valiosos: contexto,
escala e intenção de compra. É dentro
da loja que o consumidor compara, decide,
experimenta e escolhe. E, quando
esse ambiente passa a ser estruturado
com dados, segmentação e mensuração,
ele deixa de ser apenas território
de trade marketing para se tornar
uma plataforma estratégica de mídia.
Segundo projeções da WARC, o retail
media global caminha para quase
US$ 200 bilhões em investimento em
2026. No Brasil, o canal também avança
rapidamente: o estudo Retail Media
Insights 2024 apontou crescimento
superior a 42% no investimento em
retail media no país. Esse movimento
reforça uma mudança importante
para o mercado publicitário: a mídia
precisa estar cada vez mais próxima
dos momentos reais de decisão.
“O varejo físico sempre concentrou
uma das etapas mais importantes da
jornada: a escolha. O que muda agora
é a capacidade de transformar esse
ambiente em mídia planejável, com
dados, escala e inteligência. Para o
profissional de mídia, isso abre uma
nova camada de leitura sobre comportamento,
contexto e conversão”,
afirma Cristiano Tassinari, Vice-Presidente
da The Led.
É nesse cenário que a Retail Media
by Converta Ads, empresa do grupo
The Led, consolida uma operação que
une inventário nacional, infraestrutura
digital, software, inteligência de
dados e venda de mídia. A companhia
reúne hoje 5.000 lojas, 12.000 telas e
presença em redes como Grupo Pão
de Açúcar, Rede Swift, Hirota, Assaí,
Cristiano Tassinari: é preciso ajudar o mercado a tornar esta mídia inteligente
Varanda e, mais recentemente, Grupo
Mateus.
A operação também conta com a
inteligência da Logan, especializada
em dados e mídia mobile, adicionando
camadas de segmentação e leitura
de audiência ao inventário físico. Na
prática, isso permite que campanhas
sejam planejadas por região, loja, horário,
contexto de consumo e perfil
de público, tornando o retail media in-
-store uma alternativa mais assertiva
para marcas que buscam impacto em
ambientes de alta intenção.
Entre os anunciantes que já ativaram
campanhas nessa rede estão
Sadia, Perdigão, Nívea, Mondelēz, Pepsico,
Cargill e Fiat, entre outros. A presença
dessas marcas reforça o avanço
do canal em categorias com forte
Divulgação
A mídia precisa
estar cada vez
mais próxima dos
momentos reais
de decisão
conexão com o varejo físico, como alimentos,
bebidas, higiene, beleza, bens
de consumo e serviços.
“O grande diferencial do retail
media in-store está na qualidade do
contexto. Não estamos falando de
impactar o consumidor em qualquer
momento. Estamos falando de uma
comunicação que acontece dentro do
ambiente de compra, quando a marca
ainda pode influenciar a escolha”,
complementa Tassinari.
Para varejistas, o modelo cria uma
nova fonte de monetização a partir de
ativos já existentes: fluxo, audiência,
dados e ambiente de consumo. Para
marcas e agências, amplia o repertório
de mídia com um canal capaz de
conectar awareness, ativação e influência
na decisão de compra.
No Dia do Mídia, essa discussão ganha
ainda mais força. Em um cenário
no qual os planos precisam combinar
criatividade, dados e resultado, o
ponto de venda físico passa a ocupar
uma posição estratégica: a de mídia
que não apenas alcança o consumidor,
mas participa diretamente do momento
em que a decisão acontece.
“O profissional de mídia sempre
buscou o melhor contexto para entregar
a mensagem certa. Hoje, poucos
contextos são tão relevantes quanto
a loja física. O nosso papel é ajudar o
mercado a transformar esse momento
em mídia com inteligência, escala
e respeito à experiência de consumo”,
conclui Cristiano Tassinari.
Sobre a retail Media
by Converta adS
A Retail Media by Converta Ads é
uma empresa do grupo The Led especializada
em mídia digital in-store,
dados, segmentação e performance
no varejo físico. Com 12.000 telas em
5.000 lojas, a operação conecta marcas,
agências e varejistas em campanhas
realizadas nas principais redes
de varejo do Brasil, combinando infraestrutura,
software, inteligência de
dados, mídia mobile e venda de mídia.
jornal propmark - 22 de junho de 2026 57
última página
Divulgação
Cannes no modo
independente
Flavio Waiteman
lugares que liberam lanchinhos e café de graça.
Flavio Waiteman
é sócio e CCO da Tech&Soul
flavio.waiteman@techandsoul.com.br
Se você é de uma agência independente, aproveite
a novidade, o Passe Classic Challenger,
para agências independentes. Uma economia
de 1.955 euros para quem não está ligado às majors.
Você precisa submeter a sua inscrição à aprovação.
Eles justificam que é uma adequação do festival
às empresas em desenvolvimento que não participam
entre as gigantes globais.
Mas, francamente, existem vários festivais acontecendo
ao mesmo tempo. Tem como acessar muito
conteúdo sem entrar no Palais.
Marquei presença no Indie Fórum 2026 desenvolvido
pela Thenetworkone de Londres, uma associação
global de agências independentes que colaboram
entre si, gerando negócios, parcerias e trocando
experiências.
Duas palestras que mereceriam estar no Debussy,
uma delas questionando se ainda existe o earn
media. O que acha, existe ou monetizaram a gramática
e cuponaram a métrica?
Outro lugar que os fundadores de agências independentes
frequentam é a LBB & Friends Beach.
Organizada pelo Little Black Book, oferece palestras,
networking com C-level de clientes e agências independentes
e fundadores. Este ano eu vou ver qual é.
A Advertising Age é um espaço para as Small
Agencies, o qual a Tech&Soul já venceu várias vezes.
Os espaços na praia que o pessoal costuma ir e
encontrar com o mundo são o Pinterest Manifestival,
o Microsoft Gardens e o LinkedIn Rooftop.
Na maior parte desses lugares você precisa se
cadastrar, online e com antecedência, ou chegar na
caradura e tentar. Pouca grana não é motivo para
ficar de fora de ótimos aprendizados. Tem até alguns
É o Fringe do Festival de Cannes. O Sundance. Dá
para sacar coisas, ter insights, captar tendências.
E claro, outro festival à parte são os amigos do
mundo inteiro que adoram falar em português nessa
semana. Tem brasileiro por toda a parte, sempre
fazendo histórias excepcionais.
Os encontros na rua, cafés e chopinhos são verdadeiras
aulas para quem tem curiosidade e gosta de
trocar figurinhas e aprender.
Aliás, se você é garota ou garoto e pegar uma turma
legal e alugar um Airbnb sete meses antes, dá
para fazer uma viagem de baixo orçamento e aproveitar
o ambiente, conhecer criativos e clientes do
mundo todo. Voando abaixo do radar.
A Tech&Soul não inscreveu nenhuma peça em
Cannes nesta edição. Depois de um ano conturbado
para o país, como foi 2025, justamente na homenagem
ao Washington, melhor olhar como vai ser.
Se a tendência de Cannes este ano é ser realmente
um festival para holdings globais gigantescas
com milhares de inscrições e departamentos inteiros
focados em prêmios, ou se é realmente um festival
que premeia o dia a dia e impulsiona os negócios.
Cresci e aprendi a admirar Cannes, mas não a
qualquer custo. Ando testando outros campeonatos
e critérios.
Em Paris, no mês passado, pela Adforum, fomos
Agência Independente do Ano.
No dia em que um Leão sair da composição de bônus
dos times, talvez tenhamos algo mais ideal. Um
festival de filmes, em Veneza, por exemplo.
Mas é só uma ideia. Sem dúvida vai ser muito bom
rever os amigos.
“Pouca grana
não é motivo
para ficar de
fora de ótimos
aprendizados”
58 22 de junho de 2026 - jornal propmark
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A MÍDIA
CHEGOU
MAIS
PERTO DA
DECISÃO.
A Retail Media leva marcas
para dentro do ponto de venda,
conectando comunicação,
contexto e intenção de compra
em uma rede digital de In-store
Media presente na jornada do
consumidor.
Com presença no varejo, sua
marca impacta o consumidor
enquanto ele circula, compara
e decide.
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sua marca para o momento da decisão.
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