edição de 29 de junho de 2026
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propmark.com.br ANO 62 - Nº 3.097 - 29 de junho de 2026 R$ 20,00
Participação brasileira em Cannes
cai 35% com um total de 62 Leões
O mercado publicitário brasileiro recebeu 33 Leões a menos no Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions 2026, em relação ao ano passado. O país ganhou
62 troféus - três Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas e 26 Bronzes - contra 95 da última edição. A queda é proporcional à redução das inscrições de peças (41%),
reflexo do endurecimento das regras com os novos padrões de integridade estabelecidos pela organização, após a crise de credibilidade gerada pela
cassação do GP da DM9 para Consul em 2025. A AlmapBBDO e a LePub São Paulo (que dividiu os Leões e os pontos com a LePub Milão) lideram o ranking
nacional. Abaixo, os times das agências são reconhecidos em cerimônia no Palais des Festivals, na França. pág. 18
Fotos: Alê Oliveira
editorial
Armando Ferrentini
Reflexões sobre Cannes
O
73º Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, realizado na última
semana na Riviera Francesa, foi mais difícil para o mercado brasileiro. O país
terminou a competição com 62 Leões (três Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas e
26 Bronzes), o que representa uma performance 35% menor em relação a 2025,
quando foram conquistados 95 prêmios.
Os novos padrões de integridade do festival, estabelecidos a partir deste ano,
que trouxeram regras mais duras para comprovar a veracidade dos cases
inscritos e evitar a manipulação de dados com uso de inteligência artificial,
derrubaram em 25% o volume de trabalhos inscritos. O golpe para o Brasil foi
maior: a redução foi de 41% - passando de 2.684 cases submetidos em 2025
para 1.593 neste ano.
A queda na participação brasileira era esperada. Não só pelo endurecimento das
regras de inscrições, mas pela crise de credibilidade que se abateu sobre o mercado
brasileiro após a cassação do Grand Prix de Creative Data da extinta DM9,
conquistado pela agência com o case ‘Efficient way to pay’ para Consul em 2025.
A polêmica se deu após o uso de conteúdo manipulado por IA no videocase para
simular eventos e resultados que não correspondiam à execução real da campanha.
Nos bastidores de Cannes deste ano, havia conversas de que os jurados
estavam evitando premiar cases brasileiros porque não eram ‘confiáveis’.
Este jornal avalia que isso é pura especulação. Mesmo com a queda de Leões, as
agências nacionais receberam um volume expressivo de prêmios, inclusive com
três Grand Prix, comprovando a qualidade da propaganda brasileira.
A GUT ganhou o GP de Outdoor com o case ‘Field barcode’ para o Mercado Livre,
reafirmando a parceria vitoriosa que tem com o cliente. Esse é o quarto GP que a
agência conquista em Cannes para a marca. A Artplan garantiu, no último dia do
festival, o terceiro GP do país com ‘Nigrum corpus’, para Idomed & Instituto Yduqs,
na categoria Glass: The Lion for Change. A agência conquistou, em 2025, o GP de
Industry Craft com o mesmo case, que voltou este ano ao festival para comprovar
os resultados transformadores alcançados no longo prazo.
O segundo GP brasileiro de 2026 saiu para a LePub São Paulo em Social & Creator
com ‘Could have been a Heineken’, em uma cocriação com o escritório de Milão.
Aliás, esse é um prêmio meio brasileiro e mezzo italiano. As agências dividem o
Leão e também a pontuação, de acordo com as regras do Cannes Lions.
Para fazer o ranqueamento das agências brasileiras, o critério de divisão dos
pontos estabelecido por Cannes foi adotado pelo propmark, que considera que
esse é o caminho mais adequado a seguir. A VML São Paulo também teve campanhas
cocriadas com outros escritórios da holding e teve seus pontos dos Leões
igualmente divididos.
Um alto criativo brasileiro considera que o país está deixando de exportar criatividade
para exportar realização. “Quando deixamos de criar para apenas realizar,
trocamos protagonismo por prestação de serviço e isso destrói nossa reputação
como criativos para o mundo.”
Executivos também avaliam que o mercado está se adaptando a esse novo momento
do Cannes Lions e que o próximo ano será melhor para entender como e o
que inscrever. A análise, em princípio, é que em 2026 o festival premiou campanhas
com mais apelo comercial, com ações de curto prazo e muita cuponagem, e
menos cases intencionais e de impacto a longo prazo.
Outra avaliação é que a qualidade dos jurados caiu e que hoje há menos camisas
10 nas cadeiras dos júris de Cannes.
Frase:“Sei do meu impacto. Cada um nasce com um propósito. Vai além de você”
(Oprah Winfrey, vencedora do LionHeart 2026).
as Mais lidas da seMana no propMark.coM.br
1ª
2ª
A emissora alcançou 99,1 milhões de brasileiros em TV, streaming e digital.
Mesmo exibindo metade dos jogos da fase inicial, o grupo concentrou 63,8%
das horas consumidas.
3ª
Globo lidera audiência da Copa
e alcança 99,1 milhões de brasileiros
Uber oferece ‘Super Upgrade’ de corridas
para promover estreia de ‘Supergirl’
Usuários podem ser surpreendidos com upgrades gratuitos de categoria,
passando de UberX para Comfort ou Black, ou de Comfort para Black. Criada
com a Warner Bros., ação torna o trajeto ao cinema em parte da experiência.
Brahma promete cerveja grátis
se Brasil conquistar o hexa
Criada pela Africa Creative e com Ronaldo Fenômeno, a campanha anunciou
uma promessa para mobilizar a torcida brasileira durante a Copa do Mundo
de 2026: se a seleção conquistar o hexa, a marca vai liberar, com os bares
participantes, cerveja grátis para os consumidores brindarem o título.
4ª
Os destaques vieram de agências como Africa Creative, AlmapBBDO, DM9 e
GUT, reforçando a presença brasileira entre os mercados mais premiados do
festival.
5ª
Brasil soma quatro Pratas e nove
Bronzes no segundo dia de Cannes
País recebe cinco Pratas e três
Bronzes no primeiro dia de Cannes
As pratas foram para as seguintes agências: Publicis (2); LePub, Droga5,
AlmapBBDO, que ganharam um Leão cada. Já os Bronzes ficaram com
Almap, LePub e GUT.
4 29 de junho de 2026 - jornal propmark
CoNteúDo De MarCa
Diageo e Nestlé levam discussões sobre
criatividade e cultura a Cannes Lions
A
Diageo Brasil marcou presença
em alguns dos principais debates
da programação do maior
festival de criatividade do mundo.
Ao longo da semana, a companhia
participou da roundtable global promovida
por IAA e Nielsen sobre Copa
do Mundo, integrou a discussão The
Future of Brazilian Brands, na Branded
House, e do painel oficial ‘From
Capturing Attention to Empowering
Intentionality’, ao lado de Ionah Kochen,
vice-presidente de marketing
e comunicação corporativa da Nestlé
Brasil.
Mediado por Thomas Kolster, fundador
da Goodvertising, o encontro
discutiu como as marcas podem
construir relevância em um ambiente
marcado pelo excesso de estímulos,
inteligência artificial e disputa
constante pela atenção das pessoas.
Ao final do painel, o PropMark
conversou com Guilherme Martins
e Ionah Kochen sobre os principais
temas debatidos.
O painel discutiu a chamada
economia da intencionalidade.
O marketing ainda mede atenção
da forma correta?
Guilherme Martins: Continuamos usando
muitos dos mesmos KPIs de mídia
que utilizamos há bastante tempo.
Ainda falamos de cobertura e frequência,
mas os consumidores evoluíram. É
hora de evoluir também quando pensamos
na era da atenção e em como
medir a relevância.
Como isso se traduz na prática
dentro da Diageo?
Guilherme Martins: Procuramos entender
como nossas marcas circulam
na cultura. Um exemplo é White Horse.
Acompanhamos quantas vezes a
marca aparece espontaneamente em
músicas de funk, trap e sertanejo para
entender como ela já foi apropriada
pelo público antes mesmo de qualquer
campanha.
Qual o papel dos dados e da
tecnologia nesse processo?
Ionah Kochen: Os dados e a tecnologia
nos ajudam a entender as pessoas
de forma mais profunda. O ponto
de partida não deve ser apenas o
Guilherme Martins: Não é sobre estar em todas as tendências e atenções, mas sim, sobre construir presença e legitimidade
produto — embora ele muitas vezes
seja o primeiro contato do consumidor
com uma marca. O desafio é
entender como esse produto se insere
na vida das pessoas: em quais
momentos ele faz sentido, quais
paixões, comunidades e conversas
fazem parte da sua rotina. É nesse
contexto que dados e inteligência
se tornam fundamentais. Em vez de
interromper conversas para falar
sobre uma marca, buscamos participar
de conversas que já são relevantes
para as pessoas que utilizam
aqueles produtos, criando experiências
que tenham significado dentro
do seu contexto de vida.
E como transformar esse entendimento
em criatividade?
Ionah Kochen: A criatividade nasce
quando transformamos inteligência
em relevância cultural. No caso de
KitKat, os dados mostravam o crescimento
da Fórmula 1 entre as novas
gerações e o protagonismo cada vez
maior do esporte nas conversas digitais,
impulsionado por uma nova
geração de fãs e pela ascensão de
Gabriel Bortoleto. Não se tratava
apenas de patrocinar um piloto, mas
de inserir KitKat em uma conversa
que já mobilizava esse público, de
“Marcas
participam dos
momentos,
não são
donas deles”
forma autêntica e coerente com o
território da marca.
O que diferencia uma marca
que apenas ocupa espaço de
outra que realmente participa
da cultura?
Guilherme Martins: Nossas marcas
participam desses momentos; elas
não são donas deles. Festivais, esportes
ou qualquer território cultural não
podem ser vistos apenas como espa-
Divulgação
ços de exposição. Antes de estar ali, a
marca precisa entender o que ela efetivamente
acrescenta à experiência
das pessoas.
Você também citou durante o
painel o exemplo da série House
of Guinness. Por quê?
Guilherme Martins: Porque ela mostra
como uma marca pode transformar
sua própria história em entretenimento.
Falamos sobre Guinness,
sobre nossa história e nosso legado,
mas de uma maneira que as pessoas
escolhem assistir. É marketing sem
que o consumidor sinta que está assistindo
a uma peça de marketing.
A participação da Diageo em Cannes
também refletiu essa visão na
presença da companhia em outros
debates do festival. Na roundtable
promovida por IAA e Nielsen, representantes
de diferentes mercados
discutiram o papel dos patrocínios,
creators e grandes eventos esportivos
na construção de marcas. Já no
painel ‘The Future of Brazilian Brands’,
realizado ao lado da Localiza, o
debate destacou como a criatividade
e a cultura brasileira vêm influenciando
tendências globais e fortalecendo
a construção de marcas em
diferentes mercados.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 5
índice
propmark
propmark.com.br
Mercado brasileiro tem
desempenho abaixo do
esperado em Cannes
O Brasil obteve 62 Leões no
Cannes Lions de 2026, dos
quais três GPs, 13 de Ouro,
20 de Prata e 26 de Bronze.
Em 2025, foram 95 troféus.
AlmapBBDO, LePub, GUT,
Artplan e Droga5 são as mais
premiadas do país.
18
Alê Oliveira
Jor na lis ta res pon sá vel
Ar man do Fer ren ti ni
Publisher
Tiago Ferrentini
Editora-chefe
Kelly Dores
Editores
Janaina Langsdorff
Paulo Macedo
Editora-assistente
Bruna Magatti
Repórteres
Bruna Nunes
Vitor Kadooka
Editor de fotografia
Alê Oliveira
Editor de arte
Lucas Boccatto
Revisão
José Carlos Boanerges
Divulgação
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Publicidade
Gerente de contas
Mel Floriano
mel@propmark.com.br
tel. (11) 2065 0748
Assinaturas
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Legado de Mauricio de Sousa inspira
gerações com a Turma da Mônica
Diretora-executiva do MSP Estúdios e do Instituto
Mauricio de Sousa, Marina Sousa se inspira na vida
para manter o legado construído por seu pai, o criador
de conteúdos infantojuvenis Mauricio de Sousa, como
Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão. pág. 14
WT.AG resgata arroz biro-biro, prato
símbolo da democracia corintiana
Um dos integrantes da lendária equipe do Corinthians
ao lado de Sócrates e Casagrande, mentores da
democracia corintiana, Biro-Biro é a estrela de
campanha da Keeta, desenvolvida pela WT.AG, que faz
a entrega do arroz batizado com seu apelido. pág. 59
Redação
Rua François Coty, 228
01524-030 - São Paulo – SP
tel. (11) 2065 0772 / 0766
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As ma té rias as si na das não re pre sen tam
ne ces sa ria men te a opi nião des te jor nal,
po den do até mes mo ser con trá rias a ela.
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Editorial .............................................................................4
Conexões ...........................................................................8
Curtas .................................................................................10
Quem Fez ...........................................................................12
Entrevista ..........................................................................14
Canne Lions .......................................................................18
Click do Alê ........................................................................46
Mercado .............................................................................50
Marcas ...............................................................................56
Digital ................................................................................60
Negócios & Sustentabilidade ...........................................62
Out of Home ......................................................................64
Criativismo ........................................................................66
Opinião...............................................................................67
Inspiração ..........................................................................69
Última Página ....................................................................70
Nizan Guanaes será
um dos palestrantes
do iFood Move 2026
Consultor estratégico do iFood
desde 2023, o publicitário Nizan
Guanaes está entre as atrações do
evento proprietário da marca, iFood
Move, agendado para 16 e 17 de
setembro no São Paulo Expo. Ele
criou o mote ‘O Brasil que faz o
iFood’. pág. 53
6 29 de junho de 2026 - jornal propmark
conexões
última hora
CReaTORs
A Digital Favela e o grupo Podpah anunciam a realização do Perifa Summit 2026, evento 100%
gratuito dedicado à economia de criadores nas periferias brasileiras. Marcado para os dias 21
e 22 de novembro de 2026, o encontro será na sede do Podpah, na Vila Leopoldina, zona oeste
de São Paulo. Na foto acima, Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas e CEO da
Favela Holding; Guilherme Pierri, CEO da Digital Favela; Victor Assis, CEO do Podpah; Clarissa
Crisóstomo, COO da Digital Favela; e Luana Protazio, diretora de marketing e comunicação do
Podpah.
Felina chega ao mercado
Superferas! Vamos, meus felinos
favoritos!
Adriana Carone
GUT e Mercado Livre conquistam
GP de Outdoor Lions
Espetacular o resultado e, ainda mais
espetacular, o case. Parabéns, galera.
Ricardo Passos
O marketeiro com mais Grand Prix
da América Latina @iurimaia muso,
divo, icônico!
Pedro Alvim
‘As comunidades gamers acabam
sendo juradas muito mais rigorosas’,
diz Rogério Chaves
O Brabo!
Silvio Figueira
‘A comunicação B2B pode ser emocional’,
diz André Athayde
O jurado mais incrível de Cannes é ele!
Andreia Leida
Ele é demais!
Manuella Vidal
MÍdIa eXTeRIOR
A Kallas Mídia OOH e a Inova OZ anunciam parceria para o desenvolvimento de infraestrutura
urbana para cidades inteligentes em Osasco. A ideia é implantar uma rede de infraestrutura
urbana em áreas públicas, visando a uma gestão orientada por dados e informações.
Duailibi Essencial
“Os grandes gênios sempre tiveram biografias curtas”
(Ralph Waldo Emerson).
dorinho
saÚde
Marca do Grupo Dreamers, a You Dare anuncia a promoção de Carol Freitas ao cargo de
diretora de criação para a conta da RD Saúde. Carol vai se reportar ao VP de criação Marcelo
Bruzzesi e ao ECD Juliano Almeida.
COneXÃO
Desenvolvida pela Publination, a marca Moça está lançando a plataforma Moça Lovers.
A ideia é reconhecer os consumidores que já compartilham espontaneamente suas
experiências para se tornarem embaixadores e criadores de conteúdo.
vendas
A Jovem Pan anuncia Luiz Alberto de
Campos (foto ao lado), o Juca, como diretor
nacional de vendas do grupo Jovem Pan de
Comunicação. O executivo, com quase três
décadas de mercado, chega para reforçar a
equipe liderada por Walter Zagari, na Central
Jovem Pan de Comercialização.
enTReTenIMenTO
Atração histórica da TV Cultura, de São Paulo,
por cerca de 20 anos, o programa ‘Vitrine’
retorna à grade da emissora em parceria
com o YouTube. O projeto será apresentado
ao mercado nesta terça-feira (30) na sede
da emissora.
8 29 de junho de 2026 - jornal propmark
curtas
Rede cinemaRk escolhe gRupo we
Divulgação
Divulgação
Design briDge tem estuDo que mostra
tenDências para setor De bebiDas
A Design Bridge and Partners do Brasil, agência de design e branding da holding WPP,
acaba de publicar um estudo inédito que revela os códigos culturais, as tensões e as oportunidades
que vão definir o mercado de bebidas alcoólicas no Brasil e na América Latina
nos próximos anos. A análise parte de dados recentes, coletados no contexto de grandes
datas como o Carnaval e a Copa do Mundo de 2026. Desenvolvido a partir da metodologia
do Brand Asset Valuator (BAV) — maior banco de dados de marcas do mundo, exclusivo da
WPP —, o relatório oferece uma leitura cultural profunda e mostra que o mapa das bebidas
na América Latina está sendo reescrito pelos hábitos das novas gerações. O material
destaca quatro movimentos que vêm moldando o desejo na categoria: a reativação de códigos
clássicos, o avanço do luxo local, a busca por prazer sem culpa e a explosão dos RTDs
(Ready-to-Drink, as bebidas alcoólicas prontas para consumo) como símbolo de inovação
e conveniência. O segmento de bebidas alcóolicas é um dos mais presentes nos canais de
mídia no Brasil e no mundo. A AB Inbev é o anunciante do Ano do Cannes Lions.
galeRia.ag ReFoRça seu Time de esTRaTÉgia
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Grupo passa a atender comunicação multidisciplinar da rede Cinemark com foco em propósito
O grupo We, por meio de três agências do seu ecossistema, We, IDK (CRM) e Área 51
(inteligência de dados), vai comandar a comunicação 360º da rede Cinemark. A empresa
deixa Magenta, Essenza e Monks para concentrar suas ações de publicidade nas agências
do grupo liderado pelos CEOs Fabio Rosinholi e Beto Campos. “É com espírito de transformação,
pautado por evidências da retomada do cinema na agenda do consumidor frente
às experiências de entretenimento, que questionamos profundamente o modelo atual de
comunicação e posicionamento da Cinemark, e convidamos parceiros a construir conosco
uma aliança com propósito”, comenta Sabrina Salgado, diretora de marketing da Cinemark.
A executiva Luiza Gentile Reis passa a integrar a equipe liderada por Márcio Rodrigues
A Galeria.ag, agência que integra a Galeria.Holding, anuncia a contratação de Luiza Gentile
Reis como gerente de estratégia. Ela passa integrar o time dessa disciplina, que é liderado
por Márcio Rodrigues. A profissional, com nove anos de carreira, tem passagens pela
Suno United Creators, BETC Havas e Dentsu Creative. Além disso, Luiza também ganhou, no
último ano, o Effie Latam Ouro, com case para a vodka Absolut. Na sua trajetória, ela também
já atendeu Ballantines, Chivas e GM. “Acredito que a integração entre as disciplinas e
plataformas pode proporcionar uma entrega robusta, inteligente e assertiva. Minha rotina
de trabalho busca conectar todas as áreas da conta em prol do negócio do cliente”, diz.
amazon ads usa ia paRa medição no TwiTch impulso busca soluções paRa ReTail media neooh miRa caRbono zeRo com auRen
Magnific
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Medição das ações na plataforma Twitch com Amazon Ads
Amazon Ads anuncia o lançamento de duas soluções de
medição na Twitch — Chat Sentiment Analysis e Campaign
Assist —, projetadas para ajudar marcas e criadores de
conteúdo a decifrarem o impacto de suas campanhas
publicitárias em transmissões ao vivo. Ao utilizar IA para
ler o comportamento do público, as ferramentas eliminam
as suposições do marketing de influência e oferecem métricas
inéditas de engajamento e segurança de marca. “As
ferramentas de medição tradicionais não foram desenvolvidas
para ambientes interativos e ao vivo como a Twitch
— impressões e taxas de clique não refletem como uma
comunidade está realmente respondendo à sua marca”,
diz Carolina Piber, diretora-geral de Amazon Ads no Brasil.
A Impulso cuida da estratégia de retail media da RD Saúde
O investimento em retail media no Brasil deve atingir
US$ 3,14 bilhões até 2029, de acordo com a eMarketer.
Em um cenário de forte crescimento e mudanças no
comportamento digital do brasileiro, a Impulso se propõe
a consolidar soluções que unem mídia, dados e tecnologia
(como a IA) para garantir mensuração, como realiza para o
ecossistema da RD Saúde (dona das marcas Raia e Drogasil).
“O futuro do retail não será definido pelo volume dos
aportes financeiros, mas sim pela inteligência analítica
aplicada a eles. Para transformar esse novo comportamento
de consumo e a abertura do brasileiro para a inovação
em oportunidades mensuráveis de conexão entre marcas
e clientes”, afirma Fabiana Manfredi, CEO da Impulso.
Empresa de mídia exterior neutraliza emissões no seu circuito
A NeOOH fechou uma parceria com a Auren Energia com o
objetivo de ampliar a neutralização de carbono em seu
circuito de mídia, envolvendo a compensação de 100%
das emissões de carbono associadas ao consumo de suas
telas digitais no período de 2025/2026. O projeto tem um
impacto significativo. A compensação cobre o consumo
indireto de eletricidade da rede NeOOH, um volume que
equivale ao consumo anual de cerca de 14 mil residências
brasileiras. Esse é o sexto ano consecutivo da NeOOH como
empresa carbono zero e é a primeira do setor de OOH a
neutralizar a pegada de suas telas digitais. “Com a Auren,
iniciamos um novo capítulo de uma história iniciada em
plena pandemia”, enfatiza Leonardo Chebly, CEO da NeOOH.
10 29 de junho de 2026 - jornal propmark
quem fez
Paulo Macedo
paulo@propmark.com.br
Bakery By ampfy
PEPSICO
Fotos Divulgação
Título: ‘Programa Ginga’
CCOs e CCO: Andrea Siqueira e Fred Siqueira
Diretor de criação: Pedro Gouveia
Diretores de arte: luiz E. rodrigues e luan P. Silva
Redatores: Henrique Maciel, Gabriel lyra e Jordana Bispo
Produtora: Piloto
Diretores: leonardo Trintinalia e Danilo Pontes (Wudd)
Aprovação: Jorge Natteri, Ana Carolina Guimarães e lucas Mendes
Inspirado em estudos nacionais, internacionais e em protocolos oficiais
aplicados em clubes e seleções de futebol, o programa foi desenvolvido
em colaboração com médicos, preparadores físicos e fisioterapeutas da
seleção brasileira feminina de futebol. Os movimentos da coreografia foram
cuidadosamente desenhados para ajudar a reduzir o risco de lesão.
artplan
GWM
Título: ‘GWM Tank 300 HYBR-Flex multiplicação’
CCOs: Marcello Noronha, rodrigo Almeida e rafael Gil
Criação: Jaime Agostini, Vinicius Turani, Tiago Moralles, Alex Salu,
Gustavo Silva, Camila Cicolo e Penelope Genoveza
Produtora: Miagui Imagevertising
Aprovação: lucas Coelho
O filme apresenta um executivo ao volante do Tank 300 Hi4T que, ao
avistar uma loja de surfe, passa por uma transformação inesperada.
Em uma metáfora visual inspirada na multiplicação celular, tanto o
personagem quanto o veículo se dividem em diferentes versões de
si mesmos. A partir daí, cada combinação segue um caminho distinto,
explorando diferentes cenários e possibilidades.
IdéxIs
CrESOl
Título: ‘Cresol. Em cada ciclo do campo. Juntos’
Direção criativa: luiz Buzetto
Direção: Alyson Correia
Head: João França
Direção: Alyson Correia
Direção executiva: renato Prado
Direção de fotografia: luis Maximiliano
Direção de arte: Cátia Barbosa
Aprovação: Adriano Michelon
Novos conteúdos partem da premissa de que o impacto do agro vai muito
além da produção rural. Cada decisão tomada no campo, seja ela plantar,
investir, colher ou comercializar, movimenta um amplo grupo de pessoas,
negócios e serviços. Além disso, o material retrata como o que acontece na
propriedade rural reflete diretamente na economia local.
12 29 de junho de 2026 - jornal propmark
entrevista
Marina SouSa
diretora-executiva da MSP Estúdios e do Instituto Mauricio de Sousa
‘É a vida que você põe no papel’
Marina Sousa pegou emprestado o
“plano infalível” do Cebolinha. E deu certo.
Publicitária, atuou como diretora de arte, mas
é na redação que ela perpetua a vontade
de contar histórias leves e sempre com
mensagens positivas. Da união de texto e
imagem, a filha de Mauricio de Sousa eterniza
o legado de mais de 60 anos deixado por
seu pai para a literatura infantil. Presente
na memória de muitos adultos, a Turma da
Mônica segue contribuindo para que as
próximas gerações despertem a sua paixão
pela leitura. “Acompanhar a infância do
brasileiro é o que nos move. Retratamos a
realidade das crianças. Conforme elas crescem,
a gente evolui”, testemunha a diretoraexecutiva
da MSP Estúdios e do Instituto
Mauricio de Sousa. A empresa expande
atuação editorial. A personagem Milena acaba
de ganhar gibi próprio, o que não ocorria
desde 1989, com a revista da Magali.
Janaina Langsdorff
Como evoluiu a narrativa da Turma da Mônica?
São mais de 60 anos. É muito tempo. Mauricio de Sousa sempre contou histórias
querendo mostrar imagens. Ele sempre fotografou, sempre filmou e sempre desenhou
muito, obviamente. Ele era muito da imagem mesmo. Reconheço isso
nele porque ficou impregnado em mim. Eu também gosto de desenhar, de ter
uma imagem na cabeça.
O que representa o gibi e a Turma da Mônica para você?
O gibi sempre me acompanhou. Sempre fui muito fã da Turma da Mônica. O meu
pai comprava os gibis, levava para casa e eu lia todas as histórias. Devorava tudo.
Histórias contadas por meio de imagens são uma grande associação ao universo
do Mauricio de Sousa. E hoje temos tantas plataformas para passar isso para as
crianças.
Como está estruturada a MSP Estúdios?
Somos uma empresa multiplataforma, com várias maneiras de mostrar o universo
tão lúdico e colorido da Turma da Mônica, e outras franquias do universo
da MSP Estúdios. Isso faz parte do legado do Mauricio de Sousa e do jeito dele de
contar histórias. A gente respeita e adere a isso com muito amor e carinho.
Cauê Moreno/ Divulgação MSP Estúdios
Como unir a paixão por texto e arte?
Eu sou publicitária, já atuei muito como diretora de arte, mas me sinto mais redatora,
no sentido de criatividade. Gosto muito de escrever. Acabei casando escrita
e desenho.
Qual é a herança que a Turma da Mônica deixa para a literatura
infantil?
O universo de Mauricio de Sousa foi o principal apoiador da educação no Brasil.
Muitos brasileiros aprenderam a ler com a Turma da Mônica. Eu mesma aprendi
a ler com a Turma. Ela incentiva as crianças a querer aprender a ler. Faz parte da
alfabetização. A Turma da Mônica tem essa responsabilidade.
É um legado que se perpetua?
Todo brasileiro guarda com muito carinho a Turma, que faz parte da vida de muita
gente. Ela faz parte dessa nostalgia. Essa foi a forma que o meu pai encontrou
de apoiar a leitura. Um jeito carinhoso e afetuoso, com muito entretenimento.
Qual é o propósito das histórias?
O meu pai sempre nos ensinou a passar mensagens positivas. No fim de cada
história, precisa ter uma mensagem boa. A criança ou o adulto que estiver lendo
tem de se sentir bem, precisa estar feliz. Os brasileiros tiveram essa sorte, essa
14 29 de junho de 2026 - jornal propmark
“Jamais vamos deixar a alma de um artista de lado”
honra, de ter a Turma da Mônica na infância. Para incentivar, fazer a criança pegar
o gosto pela leitura.
Como imagina o futuro das ilustrações com tantas tentações
vindas da inteligência artificial?
Na MSP Estúdios, a gente honra o artista. O próprio Mauricio de Sousa, empresário
e fundador da MSP, é um artista. Eu sou artista. O Mauro, meu irmão, que divide
a diretoria executiva comigo, também é artista. Jamais vamos deixar a alma de
um artista de lado.
Como fica a convivência com as novas tecnologias?
Mas também não negaremos jamais uma inteligência artificial utilizada como
ferramenta para apoiar o nosso trabalho. Acho que isso faz parte até mesmo da
nossa proposta de acompanhar a sociedade, os nossos leitores. É uma ferramenta
inegável. Vamos ter, obviamente, contato com ela. Mas a alma, o espírito, é do
artista, da arte. E prezamos muito isso.
O que caracteriza um bom ilustrador?
Vai desde a alma daquilo que a pessoa está criando. Mauricio de Sousa sempre
falou que todo mundo nasce sabendo desenhar. Agora, o que você faz com isso?
Aí é uma questão de entender o caminho que foi escolhido. Acho que todo mundo
tem esse potencial, para desenhar, para colocar uma ideia no papel.
Só quem tem talento para o desenho consegue evoluir em profissões
ligadas à ilustração?
Tenho dois filhos pequenos e sempre os incentivo a desenhar. E eles ficam se
comparando muito a mim e ao Mauricio de Sousa, aos avós. A minha mãe também
desenha. E respondo que cada um tem o seu traço, tem o seu estilo de arte. É
muito pessoal. É a vida que você põe no papel.
O que te atrai em um desenho?
Se eu olho um desenho que tem vida, não importa se está perfeito, se está igual
aos desenhos da Turma da Mônica, que a gente vê no gibi. A vida e o movimento
daquele desenho são o que chama a minha atenção.
Como equilibrar gibis e celulares?
Não é uma competição. O gibi não vai ganhar da tela. Pelo menos para mim, não é
assim que funciona. Podemos usar outras plataformas como nossas aliadas. Por
exemplo, a nossa proposta aqui é atingir a criança de várias formas. Se a gente
vai pelo audiovisual, com uma história legal, que cause um impacto positivo, isso
acaba incentivando a criança a consumir também um gibi.
Como conciliar os ambientes?
Não é porque as crianças gostam de assistir a um conteúdo audiovisual que vão
deixar de ver um gibi com aquele mesmo conteúdo. Dá para ver a Turma da Mônica
no gibi, é a mesma Turma que está na tela. A gente tende a colocar mais o livro e o
gibi para as crianças pequenas. Mas o importante é usar a tecnologia a nosso favor.
Como diferenciar o conteúdo?
Não adianta criar uma guerra que a gente sabe que não vai ganhar. As telas estão
cada vez mais na frente das crianças. Um meio complementa o outro. Mas,
claro, precisa ter conteúdo com propósito, que seja adequado para crianças, para
a idade. Precisamos manter um equilíbrio e aceitar que a sociedade atual é essa,
a realidade é essa.
Como a MSP Estúdios monitora eventuais questionamentos
acerca dos enredos das histórias?
Acompanhar a infância do brasileiro é o que nos move. Retratamos a realidade
das crianças. Conforme elas crescem, a gente evolui junto. A gente precisa entender
como a sociedade está funcionando, desde as crianças até os adultos, e saber
como passar as mensagens da melhor forma possível, de um jeito leve. Esse é o
espírito da Turma da Mônica.
Como as demandas sociais são trabalhadas?
A gente não fica levantando bandeiras, mas acompanha as bandeiras que estão
sendo levantadas. A gente vai junto, no movimento, no mesmo caminho. Queremos
acompanhar a educação dos brasileiros com entretenimento, de forma leve
e com mensagens positivas. Esse é o nosso lema.
Quais cuidados são tomados?
Fazemos pesquisas e observamos as crianças. Não é possível ficar só na teoria.
Fazemos questão de ouvir, de saber o que elas gostam e por que gostam. É muito
gostoso falar com as crianças. A gente aprende muito. Temos essa ilusão de que
a gente ensina para eles, mas são eles que estão ensinando a gente. O meu pai
também é um grande entusiasta de ouvir as crianças. Para nós, não tem nada
melhor do que saber o que está acontecendo.
O que esperar da nova fase editorial da MSP Estúdios?
Lançamos o gibi da Milena, um processo revolucionário, porque estamos fazendo
um reboot das edições. Lançamos a número um de uma personagem, uma protagonista,
o que não ocorria desde 1989, com a Magali, última personagem a ter
uma revista solo. Então, isso é histórico.
Como foi a introdução da Milena na Turma?
A Milena chegou em um momento histórico. Estamos passando também por uma
reestruturação, com novos diretores, nova gestão e com traços diferentes, mais
soltos, com artistas antigos e novos, e um novo olhar, um novo ritmo, novas cores
e muitas histórias, eu diria, mais ousadas.
Quais mudanças observam nas preferências de conteúdo?
Esse é um momento revolucionário do nosso departamento editorial. Estou muito
empolgada com o que vem pela frente. Isso, de fato, é acompanhar a sociedade
em que vivemos hoje, mais acelerada, consumindo conteúdos mais dinâmicos
e coloridos. Estamos retratando a sociedade brasileira. Não só as crianças, pois
estamos falando de um produto que existe há mais de 60 anos. Temos fãs de
mais de 50 anos.
A Milena, lançada em 2019, é uma menina negra, que vem
como resultado de transformações e clamores sociais?
Com certeza. Foi uma construção orgânica para, de fato, acompanhar o que está
sendo falado. A gente ouviu. Percebemos que a Milena complementa a Turma da
Mônica de uma forma muito natural. Vimos que ela faz muito sentido. Não à toa,
ganhou o lugar de protagonista.
Quais as características da Milena?
Ela é uma menina muito curiosa, investigativa, cheia de energia e extremamente
bagunceira. Entrou em um lugar ocupado também por muitas crianças e adultos.
Ela se encaixou muito bem no perfil das crianças de hoje.
Quais resultados esperam para os próximos anos?
Queremos continuar equilibrando o legado de mais de 60 anos do Mauricio de
Sousa com inovação, acompanhando a educação das crianças. Educação é essencial.
Sempre vamos colaborar com a educação da forma que a gente puder. E
vamos sempre valorizar o artista e a arte. Isso faz parte da nossa alma.
“Queremos acompanhar a
educação com entretenimento, de
forma leve e mensagens positivas”
jornal propmark - 29 de junho de 2026 15
cannes lions
Brasil encerra festival com 62 Leões
e queda de 35% no volume de prêmios
Em 2025, o país recebeu 95 troféus; recuo é reflexo da diminuição
das inscrições de peças (41%), após o endurecimento das regras
Kelly Dores
– de Cannes
O
mercado publicitário brasileiro
conquistou um total de 62 Leões
(três Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas
e 26 Bronzes) no 73º Festival Internacional
de Criatividade Cannes Lions,
realizado na última semana na Riviera
Francesa. A performance deste ano é
35% inferior em relação a 2025, quando
foram recebidos 95 prêmios.
A queda era esperada e é proporcional
à redução da participação brasileira
nas inscrições, que foi de 41%
– o país passou de 2.684 cases submetidos
em 2025 para 1.593 em 2026. Já
a queda no volume geral de trabalhos
inscritos em Cannes foi de 25 % – neste
ano, o festival recebeu 20.050 submissões,
ante 26.900 de 2025.
No total, 14 agências nacionais
foram premiadas. Estão no top 5 AlmapBBDO,
LePub São Paulo, GUT, Artplan,
Droga5 e Publicis, empatadas na
quinta posição. Também foram premiadas
Africa Creative, VML São Paulo,
FutureBrand, Lovely, Wieden+Kennedy,
Beta Collective, Drum e Ogilvy.
O recuo das inscrições é reflexo
dos novos padrões de integridade
estabelecidos pela organização para
inscrição de peças, incluindo regras
mais rígidas para comprovação da
veracidade dos cases e a adoção de
ferramentas de detecção de conteúdo
manipulado por IA.
O conjunto de medidas veio um
ano após o escândalo da cassação do
Grand Prix ‘Efficient way to pay’, criado
para a Consul pela extinta DM9, que
manipulou conteúdo por meio de IA
para simular resultados da campanha.
As agências tiveram dificuldades
para inscrever os cases e várias desistiram
no meio do caminho, em função
agências grand prix ouro prata bronze leões pontos
AlmapBBDO 1 3 8 12 90
LePub SP* 1 5 2 2 10 85
GUT 1 2 3 6 75
Artplan 1 1 2 4 60
Publicis 1 3 4 50
Droga5 1 2 2 5 50
Africa Creative 1 1 2 4 40
VML SP ** 2 1 4 7 35
FutureBrand 3 3 30
Lovely 1 1 2 25
Wieden+Kennedy 1 1 20
Beta Collective 2 2 20
Drum 1 1 5
Ogilvy 1 1 5
total 3 13 20 26 62
* A LePub SP teve a pontuação dividida por dois, pois compartilha os Leões com a LePub Milão, exceto o Bronze.
** O mesmo critério foi atribuído aos Leões da VML SP, que divide os prêmios com outros escritórios da rede.
até da falta de entendimento sobre
como realizar o processo. Das 31 categorias
do festival, o país não ganhou
prêmios em nove delas: Titanium,
Sustainable Development Goals, Film,
Pharma, Creative B2B, Creative Brand,
Creative Strategy, Innovation e Entertainment
Lions for Music.
Os GPs brasileiros saíram para GUT
SP e Mercado Livre, com ‘Field barcode’
em Outdoor; e a Artplan venceu
com ‘Nigrum Corpus’, para Idomed e
Instituto Yduqs, em Glass. A agência
conquistou em 2025 o GP de Industry
Craft com o mesmo case, que voltou
neste ano ao festival para comprovar
os resultados no longo prazo. A
LePub SP ganhou em Social & Creator
com a ação ‘Could have been a Heineken’,
uma cocriação com a LePub
Milão. As agências dividem o Leão e
também a pontuação, de acordo com
as regras do Cannes Lions. O mesmo
critério foi atribuído à VML SP, que
também teve cases com outros escritórios
da rede.
GP
OURO
PRATA
BRONZE
40 pontos
20 pontos
10 pontos
5 pontos
PRÊMIOS ESPECIAIS
A LePub Milão foi eleita a Agency
of The Year do Cannes Lions 2026, enquanto
seu cliente Heineken recebeu
o troféu de Creative Brand of The Year.
A Rethink Toronto venceu como Independent
Agency of The Year e também
levou o prêmio de Independent Network
of The Year. A Palm d’Or foi para
a MJZ, dos Estados Unidos. A Ogilvy foi
nomeada Network of The Year.
no
patrocínio
18 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Brasil conquista quatro Leões em Health
& Wellness com destaque para a Publicis
Agência liderou desempenho nacional com três troféus; AlmapBBDO
também garantiu prêmio para o mercado brasileiro na categoria
Bruna Nunes
– de Cannes
O
Brasil conquistou quatro Leões
na categoria Health & Wellness
na primeira leva de premiações
do Cannes Lions 2025, no último dia 22.
A Publicis Brasil liderou o desempenho
nacional com três troféus. A campanha
‘Donate to play’, criada para o
Grupo Pulsa, conquistou um Ouro na
subcategoria Direct e uma Prata em
Entertainment. A peça transforma o
direito trabalhista de day off remunerado
(garantido por lei) a quem faz
doação voluntária de sangue em um
incentivo para a comunidade gamer: o
day off vira um dia inteiro para jogar.
O outro Leão de Prata da Publicis
Brasil veio na subcategoria Social &
Creator com ‘The paid relief - Na conta
da dor’, desenvolvido para a Opella/
Dorflex. A iniciativa criou uma plataforma
que remunera trabalhadores
autônomos e informais para que possam
descansar em momentos de dor
pontual sem abrir mão da renda.
Já a AlmapBBDO garantiu um Bronze
em Integrated com ‘Pedigree Caramelo’,
para a Pedigree. A campanha
coloca o vira-lata Caramelo como
protagonista de um movimento pelo
incentivo à adoção responsável e ao
combate ao abandono animal.
A equipe da Publicis Brasil subiu ao palco do Palais na última segunda-feira (22) para receber o Leão de Ouro
GP
O GP da categoria ficou com ‘The
periodic fable’, da Smuggler e Uncommon
Creative Studio, de Londres,
para a marca de skincare The Ordinary.
O trabalho criou uma tabela
periódica com 49 termos comuns
do marketing de beleza e suas reais
definições, com a proposta de expor
os padrões inatingíveis propagados
pela indústria cosmética.
Segundo a presidente de júri da
categoria, Kainaz Karmakar, chief
creative officer da Ogilvy India, a
campanha vencedora do GP reuniu
“alguns elementos de uma forma
que não aconteceu em nenhuma
outra peça, como cultura, criatividade
e craft”.
Grand Prix for Good
Já o Lions Health and United Nations
Grand Prix for Good foi conquistado
por ‘Vehicle of hope’, da Differ
com produção da Colony (Suécia), para
a Cáritas. O projeto transformou o
antigo papamóvel do papa Francisco
em uma clínica móvel de saúde para
crianças em Gaza, capaz de atender
até 200 pacientes por dia.
“Foi absolutamente prazeroso de
ver, o craft estava no centro de muitas
peças. Não eram apenas grandes
ideias, eram ideias executadas com
perfeição. Isso significa que marcas
estão investindo de forma consis-
Alê Oliveira
tente”, comentou a jurada.
A executiva aproveitou o momento
para destacar o trabalho feito pelos
CMOs e relembrou que o júri se
deparou com muitas ideias e trabalhos
que envolveram IA, no entanto,
a campanha que se destacou “tinha
a melhor criatividade humana”.
Em 2025
O desempenho brasileiro em
Health & Wellness foi melhor neste
ano em relação ao ano passado. Na
edição de 2025, o mercado nacional
contou com um Leão a menos na categoria.
Fotos: Divulgação
Frame da campanha ‘Donate to play’, criada pela Publicis para o Grupo Pulsa
Campanha ‘The paid relief - Na conta da dor’, da Publicis para a Opella/Dorflex
jornal propmark - 29 de junho de 2026 19
cannes lions
Sem troféus brasileiros, Pharma premia
a Fallon, dos Estados Unidos, com o GP
Agência conquistou o prêmio com ‘Relax your tight end’, para a
Novartis; Brasil não emplacou cases entre os 23 finalistas da categoria
Bruna Nunes
– de Cannes
O
Grand Prix de Pharma foi anunciado
no primeiro dia de premiações
do Cannes Lions. O prêmio
ficou com ‘Relax your tight end’, da
Fallon Minneapolis (Estados Unidos),
para a Novartis.
A campanha promove a conscientização
sobre o exame de próstata,
lembrando que o primeiro passo para
o rastreamento pode ser um exame
de sangue. A ação faz parte da iniciativa
nacional ‘Relax, it’s a blood test’,
lançada pela Novartis durante o Super
Bowl LX, em fevereiro deste ano,
para combater a percepção de que o
exame de próstata exige, necessariamente,
um procedimento invasivo. A
peça reuniu nomes ligados à NFL, como
técnicos e jogadores.
GP de Film Craft vai para Isle of Any;
AlmapBBDO e O Boticário garantem Bronze
Único trabalho brasileiro na shortlist, ‘Despedida’ garante prêmio na
categoria que reconhece excelência técnica na produção audiovisual
Vitor Kadooka
Apontado como um dos favoritos
da categoria, ‘Your way out’, da
Isle of Any para Coinbase, levou
o GP de Film Craft. O filme, inspirado
na estética de videogames dos anos
2000, como GTA, conquistou o júri pelo
uso de efeitos práticos.
Os recursos digitais aparecem
apenas em detalhes, como o cursor
que acompanha o personagem.
No filme, um NPC (Non-Playable Character,
ou personagem não jogável)
conquista o livre-arbítrio em um
mundo sem escolhas. Com trilha de
‘I’ve gotta be me’, de Sammy Davis
Jr., o personagem se liberta, entra
no “mundo real” e encerra a narra-
Case ‘Relax your tight end’ , da Fallon para a Novartis, vencedor do Grand Prix
Cena do filme-case ‘Your way out’, criado pela Isle of Any para a corretora Coinbase
tiva com a frase “Your way out of
their system” (“Seu caminho de saída
do sistema”, em tradução livre).
Divulgação
Na avaliação de Tracey Brader,
chief strategy and innovation officer
da Omnicom Health no Reino Unido e
presidente do júri de Pharma, o trabalho
venceu por ter sido pensado “do
começo ao fim”. Segundo ela, a campanha
começou no Super Bowl para
ganhar atenção, explorou PR, fez uso
Reprodução/YouTube: @Coinbase
O case foi finalista em Editing, Cinematography,
Use of Licensed/Adapted
Music, Achievement in Production,
adequado de celebridades e partiu
de uma questão real: a tendência de
muitos homens adiarem exames por
medo ou constrangimento.
“Fomos críticos em relação à entrega
real do trabalho. Em cada etapa,
tentamos encontrar fragilidades e
submeter a ideia à pressão, para garantir
que ela realmente resistisse às
críticas”, comentou Tracey. “O trabalho
realmente abriu portas para que mais
pacientes, mais homens, procurassem
atendimento”, finalizou.
Brasil na ficha técnica
O Brasil não chegou a emplacar cases
entre os 23 finalistas de Pharma.
No entanto, a produtora brasileira
Canja Audio Culture aparece na ficha
de ‘The safe pack’, da VML Madri para
a farmacêutica espanhola Tupharma
365. A peça ganhou um Leão de Prata.
Direction, Script e Production Design/
Art Direction. Na categoria, levou Ouro
em Production Design/Art Direction,
Prata em Achievement in Production e
Bronze em Script, além do Grand Prix.
Para o Brasil, o único trabalho na
shortlist converteu a indicação em
prêmio. Com ‘Despedida’, criada pela
AlmapBBDO para O Boticário, o país
conquistou Bronze em Casting. Na ficha
técnica, estão MyMama Entertainment,
Satelite Audio e Nash.
O prêmio amplia o histórico da
parceria entre AlmapBBDO e O Boticário
em campanhas de Dia das Mães
e outras datas de apelo afetivo, que
têm sustentado uma linha de comunicação
voltada a vínculos familiares
e memórias.
20 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
AlmapBBDO e Droga5 garantem os dois
prêmios brasileiros em Print & Publishing
Agências receberam um Leão de Prata cada, com campanhas
de fundo social, ‘Racismo não se encobre’ e ‘No blue, no green’
Kelly Dores
– de Cannes
O
Brasil conquistou dois Leões de Prata em Print
& Publishing nesta edição do Cannes Lions –
um para Droga5 e outro para AlmapBBDO. O
resultado representa uma queda em relação ao ano
passado, quando foram recebidas duas Pratas e três
Bronzes.
A AlmapBBDO ganhou o prêmio com a ação ‘Racismo
não se encobre’, desenvolvida para o Corinthians
em parceria com a Alob Sports e com produção
da Cabaret. Para denunciar o racismo, os jogadores
do time entraram em campo erguendo a gola superior
do uniforme até a altura da boca, estampando a
frase ‘Racismo é crime. Denuncie’. A iniciativa é parte
de um movimento maior contra a discriminação
racial no esporte.
“O Corinthians nasceu do povo e representa milhões
de torcedores de todas as origens. A nossa
história é de luta e resistência. Essa é mais do que
uma ação, é mais um posicionamento claro: racismo
é crime e precisa ser denunciado sempre”, afirmou
Rafael Castilho, diretor cultural e de responsabilidade
social do Corinthians.
Iron Brito, diretor de criação da AlmapBBDO e
jurado em Cannes da categoria, lembrou na ocasião
do lançamento da iniciativa uma frase de Martin Luther
King. “Martin Luther King disse: ‘O que me preocupa
não é o grito dos desonestos, e sim o silêncio
dos bons’. Quando Vini Jr. não se cala, quando Mbappé
junta sua voz à dele, quando Hugo também se posiciona
e quando o Corinthians se une a essa luta,
a força da causa aumenta muito. O racismo é crime,
e precisamos gritar isso juntos até que essa realidade
mude. Na nossa ideia, a criatividade atua como
uma ferramenta para que essa mudança aconteça”,
enfatizou ele.
Já a Prata da Droga5 veio com o case ‘No blue, no
green’, criado para a ONG SOS Oceano, como forma de
O Grand Prix da categoria foi para a Rethink Toronto com campanha desenvolvida para Heinz
alertar que, além da conservação do verde, é preciso
cuidar dos oceanos. A mensagem enfatiza que, sem
oceanos saudáveis, não existe vida verde, uma vez
que os ecossistemas são interdependentes.
Para ilustrar a ideia, a campanha removeu as cores
azul e verde da bandeira do Brasil, mostrando visualmente
que, sem o oceano, a natureza terrestre
também não sobrevive. Artistas criaram obras destacando
a ligação entre fauna marinha e florestas
brasileiras. As produtoras Black Madre, Bumblebeat,
Estudio Elastico, Fluxa Filmes e Joules & Joules estão
na ficha técnica.
Grand Prix
A categoria teve 56 finalistas e premiou 13 cases.
Em 2025, foram 101 finalistas e 23 peças premiadas.
O Grand Prix de Print foi para ‘Look familiar?’, da Re-
Alê Oliveira
Fotos: Divulgação
think de Toronto, para Heinz. A campanha partiu do
insight de que o formato dos cones onde as batatas
fritas de lanchonetes são servidas tem o mesmo
shape de um ketchup da Heinz. Independentemente
do país ou do local, o desenho é o mesmo.
“Adoramos a simplicidade da ideia. Chegamos a
discutir vários cases que impressionavam pela simplicidade,
mas essa é a ideia. Um trabalho precisa
ser simples, memorável e novo. Também premiamos
a coragem e a confiança de marcas como Heinz, que
levou o Grand Prix. Foi incrível, de fato, tocar em trabalhos
impressos”, disse a presidente de júri de Print
& Publishing, Jessica Apellaniz, chief creative officer
da Wieden+Kennedy no México.
A criativa ressaltou que o júri praticamente não
recebeu campanhas que fizeram uso de inteligência
artificial.
‘Racismo não se encobre’, da Almap para o Corinthians
A presidente de júri foi Jessica Apellaniz, da W+K
‘No blue, no green’, da Droga5 para a ONG SOS Oceano
jornal propmark - 29 de junho de 2026 21
cannes lions
Brasil ganha Ouro com Africa e Prata
com LePub na área de Audio & Radio
Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee)
e Heineken foram os clientes premiados pelo júri da categoria
Janaina Langsdorff
– de Cannes
A
campanha ‘Searching for birds
on wires’, desenvolvida pela
Africa Creative para a Associação
Brasileira de Distribuidores de
Energia Elétrica (Abradee), ganhou
um Leão de Ouro em Radio & Audio
Lions. E a LePub São Paulo, do Publicis
Groupe, levou Prata com ‘Could have
been a Heineken’.
De 51 finalistas, 15 ganharam Leões,
incluindo os cases brasileiros, que
conquistaram os prêmios em uma das
categorias mais tradicionais da mídia
global. O volume de inscrições da disciplina
caiu de 714 peças em 2025 para
513 em 2026.
“Discutimos a definição da área
hoje para buscar perspectivas diferentes
e entender como ela continua
evoluindo”, aponta Oriel Davis-Lyons,
chief creative officer da Mother New
York (EUA), que presidiu o júri. Segundo
Davis-Lyons, o trabalho da Africa Creative
foi premiado “por sua beleza e valor
como inspiração para a indústria”.
O brasileiro Edu Luke, sound creative
da Hefty Music & Sound, participou
do júri da categoria. “Vimos peças que
perderam força justamente pelo uso
de inteligência artificial, para cortar
custos. Isso se refletiu na forma como
as pessoas se engajaram. Foi frio.
Celebramos peças orgânicas, ideias
sensíveis. Esta é a dica para investir”,
provoca o executivo.
Africa Creative recebe Leão pelo case ‘Searching for birds on wires’, que listou mais de dez mil pássaros em fios elétricos de todo o Brasil
Trabalhos
O case ‘Searching for birds on wires’
ou ‘Sinfonia da energia’ tem filme
e peça musical criados e produzidos
por Jarbas Agnelli e Guto Carvalho.
Mais de dez mil fotos de pássaros em
fios elétricos foram pesquisadas em
todo o Brasil para compor o trabalho.
“É a prova que criatividade anda
de mãos dadas com o olhar. Aqui
transformamos mais de dez mil
brasileiros em fotógrafos, fios em
partituras e pássaros em notas
musicais. Uma ideia profundamente
brasileira na sua origem e universal
na sua emoção”, comenta Sergio
Divulgação
Gordilho, sócio, copresidente e CCO
da Africa Creative.
Criada em parceria com o escritório
da LePub de Milão, na Itália, ‘Could
have been a Heineken’ ou ‘Podia ser
uma Heineken’ reafirma a proposta
da marca de cerveja em promover
encontros físicos.
Mensagens de áudio com mais de
três minutos no WhatsApp, plataforma
da Meta, foram transformadas
em cupons que davam direito a uma
Heineken em bares de São Paulo e
Rio de Janeiro. “Estamos cada vez
mais conectados digitalmente, mas
continuamos valorizando momentos
Alê Oliveira
de interação humana autêntica. Ao
transformar esse insight em uma
plataforma criativa relevante, conseguimos
gerar conversa, identificação
e engajamento”, confirma Williane
Vieira, gerente de marketing da Heineken
no Brasil.
O GP da categoria foi para ‘Coquí
alarmed’, da BBDO de Porto Rico para
a Hyundai. O case transformou o som
do sapo coquí, nativo de Porto Rico e
reconhecido como um dos ícones da
cultura local, em alarme dos carros da
montadora sul-coreana. O animal emite
sons parecidos com “co-quí” para
demarcar espaço e atrair fêmeas.
Rodrigo Pirim/Divulgação Africa Creative
Williane Vieira, da Heineken: valorização de momentos de interação humana autêntica
Sergio Gordilho, da Africa Creative: ideia brasileira na origem e universal na emoção
22 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Brasil fica sem Leão de Creative B2B em
2026; Nord Estocolmo e SKF levam GP
País competia com uma shortlist da campanha ‘Gracyovos’, criada pelo
Canva; em 2025, foram cinco shortlists brasileiras e uma Prata para DM9
Reprodução/YouTube: @SKFGroup
Alê Oliveira
Cena de ‘The Faroe Islands Space Program’, criado pela Nord DDB Estocolmo, para a SKF
Vitor Kadooka
O
GP de Creative B2B ficou com ‘The
Faroe Islands Space Program’,
trabalho da Nord DDB, de Estocolmo,
para o grupo industrial sueco SKF.
O case propôs um programa espacial
que não sai da órbita do planeta. A partir
do movimento das ondas, influen-
ciado pela lua, uma nave submersa no
oceano das Ilhas Faroé gerou energia
renovável para a empresa.
Com saldo zerado, o Brasil teve
como representante o Canva, com
‘Gracyovos’, finalista na subcategoria
B2B Influencer Marketing. Na produção,
os brasileiros envolvidos foram
Asteróide, Canja Audio Culture, Bogota
Ty Heath, do LinkedIn e presidente do júri: inscrições mudaram a partir do dilálogo
Curitiba, OMD, Diprod e Mfield.
Foram 37 finalistas e 11 Leões entregues.
Entre os vencedores, a LePub Milão
foi a agência com maior presença,
com três Leões: Ouro por ‘Tocayos’, para
Heineken; Bronze por ‘Dark Mode Ads’,
para Plenitude; e Bronze por ‘The Pub
That Refused To Die’, para Heineken,
neste caso ao lado da Publicis Dublin.
Ty Heath, executiva do LinkedIn e
presidente do júri, afirmou: “Uma das
coisas mais interessantes foi a evolução
entre o ponto de partida, quando
julgamos os trabalhos individualmente
de forma virtual, e como alguns
rankings, perspectivas e até a posição
dessas inscrições mudaram a partir
do diálogo na sala e da conversa”.
AB InBev recebe GP na estreia de Creative
Brand; Mastercard também é premiada
Presidida pelo brasileiro Marcel Marcondes, CMO global da AB InBev,
categoria estreou com dez finalistas e premia criatividade como negócio
A
AB InBev levou o Grand
Prix na estreia de Creative
Brand Lions, nova
categoria voltada à capacidade
das marcas de estruturar
criatividade como ferramenta
de negócio. O prêmio foi concedido
a ‘Creativity at scale’, case
inscrito pela Anheuser-Busch
InBev, de Leuven, na Bélgica, na
subcategoria Talent & Workplace
Culture.
Com dois prêmios entregues
em sua primeira edição, a categoria
também reconheceu a Mastercard,
que recebeu um Leão por
trabalho inscrito pela operação
de Nova York, nos Estados Unidos,
na subcategoria Collabora-
Ação da Corona, do grupo AB Inbev, revelava QR code sob o sol e distribuía cerveja grátis
Divulgação
tion and Partnership Models. A
McCann New York aparece como
contribuidora.
Entre os demais finalistas,
que somavam dez, estavam Coca-Cola,
Time, M&M’s, KitKat, E.l.f.
beauty, Mercado Livre, Renault e
Whisper. Não houve marca brasileira
entre os vencedores ou
finalistas.
A categoria foi presidida pelo
brasileiro Marcel Marcondes,
global chief marketing officer
da AB InBev. A companhia também
foi homenageada como
Creative Marketer of the Year
pelo festival, tornando-se a primeira
empresa a receber a homenagem
três vezes. VK
jornal propmark - 29 de junho de 2026 23
cannes lions
GUT conquista Grand Prix de Outdoor
e LePub e VML recebem Leões de Ouro
Categoria ainda rendeu mais dois Bronzes para o mercado brasileiro;
os anunciantes premiados foram Mercado Livre, Heineken e Coca-Cola
Kelly Dores
– de Cannes
Opaís repetiu a tradição e teve
um ótimo desempenho em Outdoor
Lions, categoria que rendeu
Grand Prix para a GUT, dois Leões
de Ouro, um para a LePub e um para
a VML, e dois Bronzes. A performance
brasileira na categoria foi superior
em relação a 2025, quando foram recebidos
sete troféus, porém com peso
menor: duas Pratas e cinco Bronzes.
O GP de Outdoor deste ano no Cannes
Lions foi concedido pelo júri para a
campanha ‘Field barcode’, da GUT para
o Mercado Livre. O projeto transformou
o campo de futebol do estádio do
Pacaembu em códigos de barras com
cupons de descontos do e-commerce,
que podiam ser escaneados pelos telespectadores
de diferentes mídias e
ângulos para comprar os produtos, durante
uma partida entre o Corinthians
e o Boca Juniors. A campanha também
recebeu um Bronze na categoria.
A LePub garantiu Leão de Ouro com
o case ‘Podia ser uma Heineken’, que
convida o público a trocar áudios longos
enviados no WhatsApp por uma
cerveja. Para participar, a pessoa deveria
encaminhar um áudio de pelo
menos três minutos, com a marcação
de encaminhado, para o bot oficial de
Heineken no WhatsApp. Após confirmar
que tem mais de 18 anos e aceitar
os termos de participação, o bot respondia
com um voucher para trocar
Equipe da GUT São Paulo subiu ao palco do Palais des Festivals para receber o troféu máximo da premiação
por uma Heineken por CPF em um bar
parceiro disponível no site da ação.
“Acreditamos que as melhores
conversas acontecem fora das telas.
A ação ‘Podia ser uma Heineken’ reforça
esse convite para que as pessoas
se desconectem do digital e se
reconectem entre si. Mais do que uma
promoção, é um lembrete de que experiências
reais continuam sendo o
que realmente nos aproxima”, afirmou
Williane Vieira, gerente de marketing
da Heineken no Brasil.
Para ilustrar os longos áudios enviados
pelas pessoas, a campanha explorou
diferentes formatos de mídia
OOH, como envelopamento de trens e
telas digitais que mostravam o desenho
de gravação de um áudio. A LePub
também recebeu um Leão de Bronze
para a marca de cerveja com a campanha
‘Socializing billboards’.
Já o Leão de Ouro da VML saiu com
a campanha ‘The last Coke in the desert’,
uma cocriação com os escritórios
de São Paulo, Nova York e México.
A ação celebra os 100 anos da Coca-
-Cola no México e homenageia os pequenos
comerciantes que mantêm o
refrigerante gelado em regiões remotas
e desérticas do país.
Neste ano, Outdoor Lions recebeu
Fotos: Alê Oliveira
135 trabalhos e premiou 40. Marie Julie
Gerbauld, chief creative officer da David
São Paulo, foi a representante brasileira
no júri, presidido por Aaron Starkman,
global chief creative officer da Rethink.
O criativo destacou que, em uma era dominada
por IA, uma categoria clássica
como Outdoor reafirma sua relevância,
já que “não pode ser alcançada pela IA”.
Ele afirmou que desde o início
apostou no case da GUT para ser o
Grand Prix e disse que o festival é sobre
atrair jovens talentos e fazer com
que eles se apaixonem novamente
pela propaganda com campanhas inspiradoras
como ‘Field barcode’.
Time da LePub comemora o Leão de Ouro por case criado para Heineken
VML recebeu Ouro pelo trabalho ‘The last Coke in the desert’
24 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Africa Creative conquista Leão de Bronze
em Entertainment Lions for Gaming
Única finalista brasileira na categoria, a
campanha ‘R2R’ foi estrelada por Ronaldo
Fenômeno e criada para a cerveja Brahma
Divulgação
Bruna Nunes
– de Cannes
Única finalista brasileira em Entertainment
Lions for Gaming, a Africa Creative conquistou
um Leão de Bronze com ‘R2R’, criada para Brahma.
O case marca a retomada da parceria entre a
marca e Ronaldo Fenômeno e sua clássica comemoração,
o gesto com o dedo indicador para cima.
A ação promoveu um ‘desafio’ para os jogadores.
Para participar, o público precisava ter mais de
18 anos, fazer um gol no videogame com qualquer
jogador, acionar a comemoração com o comando ‘R2
+ R para a esquerda’, gravar o momento e publicar
o vídeo marcando o perfil da Brahma. Em troca, os
participantes recebiam um cupom de desconto para
pedir Brahma pelo Zé Delivery.
Para Rogério Chaves, co-chief creative officer
da Africa Creative e jurado da categoria, chegar
à shortlist já deve ser celebrado, diante do rigor
das discussões no júri. “Depois que você entra numa
sala de júri, vê o açougue que é aquilo. O Cannes
Lions é um festival muito criterioso, que dá poucas
medalhas”, afirmou.
O criativo também lembrou que, apesar do desempenho
brasileiro e latino-americano ficar abaixo do
ano anterior, quando o Brasil inclusive conquistou o
Grand Prix da categoria com ‘Call of discounts’, da GUT
para o Mercado Livre, a avaliação dos trabalhos mostrou
que existe espaço para marcas apostarem com
mais convicção no território gamer. “Fazer coisas com
a comunidade gamer não significa necessariamente
gastar milhões. Quando ela é acionada com algo
verdadeiro, pensado para ela, devolve para a marca
números muito poderosos”, acrescenta o executivo.
O Grand Prix de Entertainment Lions for Gaming
2026 ficou com ‘Copycats Welcome’, da David New
York para Clash Royale.
Ronaldo Fenômeno na campanha ‘R2R’, da Brahma
Mercado nacional ganha Bronze em
Entertainment com case da AlmapBBDO
Agência venceu com ‘The triangle theory’, peça criada para a marca
Doritos; VML também classificou campanha, mas não ganhou Leão
A
AlmapBBDO conquistou um
Leão de Bronze em Entertainment
Lions com ‘The triangle
theory’, campanha criada para Doritos.
A peça tem produção da Boson
Post São Paulo, Satélite Audio São
Paulo e The Youth Curitiba.
Estrelada por Ronaldo Fenômeno,
a campanha promoveu uma teoria
da conspiração para conectar o formato
triangular de Doritos ao corte
de cabelo usado pelo ex-jogador na
Copa do Mundo de 2002. A ação começou
nas redes sociais, quando um
perfil anônimo no Reddit publicou
supostas “provas” sobre a relação
entre o corte de Ronaldo e Doritos.
Depois de dias, a marca revelou oficialmente
a campanha com Ronaldo
Ronaldo Fenômeno estrelou a campanha ‘The triangle theory’, da Doritos
Divulgação
e lançou um ‘falso documentário’ no
qual o jogador apresenta sua versão
sobre o mistério.
O Brasil ainda teve um segundo
finalista na categoria. A VML chegou
à shortlist com ‘The last Coke in the
desert’, criada para Coca-Cola, mas
não conquistou Leões.
O Grand Prix ficou com ‘Adidas
originals’, da Johannes Leonardo, de
Nova York, para Adidas. Criado com
o diretor Leigh Powis, da ProdCo, e
com a marca, o filme tem ‘Live forever’,
primeiro single do Oasis, como
trilha, e marcou a primeira aparição
conjunta de Liam e Noel Gallagher
fora do anúncio da turnê Live ’25,
após anos sem serem vistos juntos
nesse contexto.
BN
jornal propmark - 29 de junho de 2026 25
cannes lions
Amazônia inspira cases premiados em
Industry Craft; GP vai para Lola Madri
Publicidade brasileira ganhou dois Leões de Prata e três de Bronze com
trabalhos realizados pelas agências Artplan, FutureBrand, VML e Lovely
Janaina Langsdorff
– de Cannes
As duas Pratas conquistadas pelo
Brasil na categoria Industry
Craft vieram de projetos ligados
à Amazônia. Uma delas premia o case
‘Amazônia alive book’, da Artplan para a
Vale, com Rock in Rio, A-Lab, Clarte, Raw
Audio, Approach, Antfood, Black Madre,
Croma Microencapsulados, Digital
Printz, Estudio Icone, Gen_c, Mala, Mauricio
Nahas Estúdio Fotográfico, Norte,
Produceria, Rockers, Sugarcane Films,
The Alchemists e Um Fio Sem Fim.
“A direção de arte não foi somente
um recurso estético, mas a própria
forma de contar a história. Receber
esse prêmio é um reconhecimento ao
cuidado dedicado aos detalhes do projeto
e ao talento coletivo das equipes
que transformaram uma ideia ambiciosa
em uma peça editorial única”,
comentam os CCOs Rafael Gil, Rodrigo
Almeida (o “Monte”) e Marcello Noronha,
da Artplan.
Rafael Gil comandou o júri. O Grand
Prix foi para o projeto ‘Tiny coffee
shops’, da Lola Madri para a empresa
de eletrodomésticos De’longhi. “Esse
case simboliza o poder do craft. Execução
é parte fundamental dessa
categoria”, disse Gil na coletiva que
anunciou os vencedores da disciplina,
no dia de 23 de junho.
A outra Prata é resultado da campanha
‘The Brazilian Amazon as a traveling
destination’, assinada pela FutureBrand
para Rotas Amazônicas Integradas (RAI)
e Embratur. Marahu Filmes, Tulom, Assobio,
Associação dos Negócios da Sociobioeconomia
da Amazônia, Black Madre
e Norte estão na ficha técnica.
A tipografia inspirada no curso de
25 mil quilômetros de rios e afluentes
originou uma marca própria para a
Amazônia, reforçando a sua imagem
como destino turístico. A biodiversidade
da região também está retratada
com cores e elementos predefinidos.
Participaram do projeto os
ilustradores Cristo, Winy Tapajós, Malu
Cena de ‘The Brazilian Amazon as a traveling destination’, ideia da FutureBrand para Rotas Amazônicas Integradas (RAI) e Embratur
Imagem do case ‘Amazônia alive book’, da Artplan para a Vale, que utilizou a direção de arte como estratégia para contar uma história
Rafael Gil, da Artplan, e Simon Cook, CEO do Lions, em coletiva realizada no dia 23 de junho
Menezes e Beatriz Belo; os fotógrafos
Ori Junior e Bob Menezes; e o Instituto
Letras que Flutuam, com o letrista
Odir Abreu. A produção audiovisual de
apresentação ficou a cargo da Marahu,
do Pará. O trabalho foi lançado
no site Visite a Amazônia em abril.
Alê Oliveira
Bronzes
Campanha da Coca-Cola com as peças
‘Racing’, ‘Club’ e ‘Vamos’ recebeu
Bronze. O projeto é assinado pela VML
São Paulo em parceria com o escritório
da agência em Nova York, além
da Grey de Nova York e Buenos Aires.
Fotos: Reprodução
Vândalo, Bumblebeat e The Circle Films
também são parceiros.
Em outro trabalho para a Coca-Cola,
a VML São Paulo ganhou mais um
Bronze. Desta vez, a ação - com as peças
‘Pedro’ e ‘Maria’ - foi idealizada em
conjunto com as operações da agência
em New York e Cidade do México.
O terceiro Bronze foi atribuído à
campanha ‘Dancebook Brasil’, criada
pela Lovely para o Bradesco, com Braga
e Braga Produção Cinematográfica,
Hefe Studio, Mauricio Nahas Estúdio
Fotográfico, Mushroom Produções Audiovisuais,
Notorious Films, Approach,
Casc Jesus Produções Artísticas, Gloyde
Silva Neves, Johanna Classe e Selo Mundo
Melhor Produção Cultural.
Do total de 62 peças finalistas, 18 foram
premiadas. O volume de inscrições
da área caiu de 779 submissões em
2025 para 649 em 2026.
26 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Brasil tem melhor desempenho em
Digital Craft com Prata da FutureBrand
Grand Prix foi para o Google com ‘Project genie’; case apresentou
mundo virtual interativo gerado por inteligência artificial da big tech
Vitor Kadooka
A
FutureBrand conquistou Prata com ‘The Brazilian
Amazon as a traveling destination’, trabalho
para Embratur e RAI (Rotas Amazônicas
Integradas), na subcategoria Digital Illustration &
Image Design, de Digital Craft.
Para promover o turismo na região, o projeto
unificou a identidade visual da Amazônia Legal
Brasileira, que abrange nove estados: Acre, Amapá,
Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia,
Roraima e Tocantins. O conceito de “marca
viva” foi inspirado na geografia local e em elementos
das culturas de cada estado. Também foi
lançado o selo ‘Feito de Amazônia’, ferramenta
que certifica a origem de produções de empreendedores
e artesãos locais. Entre os envolvidos na
produção estiveram Marahu Filmes, Assobio, Associação
dos Negócios da Sociobioeconômica da
Amazônia, Black Madre e Norte.
O Bronze veio com a AlmapBBDO e O Boticário,
em Real-Time Contextual Content, com ‘Code
her’. A produção contou com BeNext.AI, LaCobra
Studio, Quiet City Music + Sound, Braza Post e Voz.
O insight partiu do aumento de 224,9% nas denúncias
de misoginia, violência e discriminação contra
mulheres registradas pela Central Nacional de Denúncias
de Crimes Cibernéticos da SaferNet Brasil.
Com foco em conscientização e orientação sobre
manipulação de imagens por IA, a iniciativa reúne
ferramentas educativas, incluindo um bot que identifica
tentativas de alteração e sexualização de fotos
por IA, além de cartilha digital com orientações
sobre como denunciar e quais caminhos legais podem
ser acionados em casos de violação.
O projeto foi desenvolvido como bot dentro da
plataforma X, que pode ser acionado pelas usuárias
ao compartilhar suas fotos na rede social. Após o
acionamento, basta marcar @codeherbot na postagem
para que o chatbot de IA monitore a publicação.
O Grand Prix ficou com o Google, com ‘Project
genie’, desenvolvido pelo time interno de criação
da companhia. O trabalho apresentou a ferramenta
de inteligência artificial capaz de criar mundos
virtuais interativos a partir de prompts e imagens.
O ambiente é gerado em tempo real, conforme a
interação do usuário. O projeto é impulsionado
pelo Genie 3, modelo que permite treinar agentes
de IA em um repertório ilimitado de simulações.
Atualmente, a ferramenta está disponível para
assinantes do Google AI Ultra nos Estados Unidos
maiores de 18 anos.
Fotos: Divulgação
Aplicação da identidade visual da Amazônia Legal Brasileira, criada pela FutureBrand e vencedora do Leão de Prata
Peça da campanha ‘Code her’, idealizada pela AlmapBBDO para O Boticário, vencedora do Leão de Bronze
Reprodução/YouTube: @googledeepmind
Cena do filme Project Genie’, desenvolvido pelo time interno de criação do Google, sobre a nova ferramenta de IA
jornal propmark - 29 de junho de 2026 27
cannes lions
Design entrega um Leão de Ouro para
Lovely e um de Prata para FutureBrand
‘Dancebook Brasil’ e ‘The Brazilian Amazon as a traveling destination’
são os cases brasileiros presentes na lista de 26 campanhas premiadas
Janaina Langsdorff
– de Cannes
O
case ‘Dancebook Brasil’ garantiu
um Leão de Ouro para o
Brasil. A campanha é assinada
pela agência Lovely para o banco
Bradesco. Estão na ficha técnica
Braga e Braga Produção Cinematográfica,
Hefe Studio, Mauricio Nahas
Estúdio Fotográfico, Mushroom
Produções Audiovisuais, Notorious
Films, Approach, Casc Jesus Produções
Artísticas, Gloyde Silva Neves,
Johanna Classe e Selo Mundo Melhor
Produção Cultural.
A ação encampada pelo coreógrafo
Carlinhos de Jesus transformou
danças típicas do Brasil em
partituras. Passos de samba, frevo,
toada e chula foram registrados
por meio do método Benesh, com a
supervisão de uma coreóloga francesa.
Fotografias de Maurício Nahas
documentaram os movimentos ao
longo de 150 páginas. O livro passou
a fazer parte do acervo da Royal
Academy of Dance de Londres.
Rios
A Prata foi para a campanha ‘The
Brazilian Amazon as a traveling destination’,
criada pela FutureBrand
para Rotas Amazônicas Integradas
(RAI) e Embratur. Marahu Filmes,
Tulom, Assobio, Associação dos
Negócios da Sociobioeconomia da
Amazônia, Black Madre e Norte são
parceiros.
O curso de 25 mil quilômetros de
rios e afluentes embasou o conceito
da tipografia que deu origem à marca
da Amazônia, reforçando a imagem
da região como destino turístico.
A biodiversidade típica do Norte
do país também está retratada com
cores e elementos predefinidos.
Participaram do projeto os ilustradores
Cristo, Winy Tapajós, Malu
Menezes e Beatriz Belo; os fotógrafos
Ori Junior e Bob Menezes; e
o Instituto Letras que Flutuam, com
Coreógrafo Carlinhos de Jesus endossa curadoria do projeto ‘Dancebook Brasil’, da Lovely para o Bradesco, vencedor de Leão de Ouro
Campanha ‘The Brazilian Amazon as a traveling destination’, criada pela FutureBrand para RAI e Embratur, conquistou Leão de Prata
o letrista Odir Abreu. A produção audiovisual
de apresentação ficou a
cargo da Marahu, do Pará. O trabalho
foi lançado no site Visite a Amazônia
em abril.
Raio X
O volume de inscrições da categoria
caiu de 1.087 peças em 2025
para 792 em 2026. Foram 81 finalistas
e 26 premiados. O Grand Prix da
categoria foi entregue para o case
‘Apple TV Rebrand’, da TBWA\Media
Arts Lab Los Angeles (EUA).
“Vimos projetos
que deixaram
as pessoas mais
próximas das
marcas”
Fotos: Reprodução
“O julgamento dos trabalhos foi
uma experiência incrível, com paixão
pelo design. Vimos projetos que
deixaram as pessoas mais próximas
das marcas. Em compensação, vivemos
em um mundo que se move
cada vez mais rápido”, comenta Greg
Quinton, chief creative officer global
da Design Bridge and Partners.
Segundo Quinton, o case da Apple
exemplifica a capacidade da marca
em provocar sensações com movimentos,
cores e sons. “Você sente o
craft do filme”, valida Quinton.
28 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
AlmapBBDO e Drum garantem Bronzes
em Entertainment Lions for Sport
O Grand Prix da categoria ficou com a McCann Lima, com a peça ‘The
thousand sponsors of Muni’; no total, 21 trabalhos foram premiados
Kelly Dores
– de Cannes
Fotos: Divulgação
A
AlmapBBDO e a Drum são as únicas
agências brasileiras premiadas
em Entertainment Lions for
Sport no Cannes Lions 2026. Ambas receberam
um Bronze na categoria. A Almap
conquistou o troféu com a campanha
‘A teoria do triângulo’, criada para
Doritos. A ação girou em torno de uma
teoria da conspiração provocativa que
conectava o corte de cabelo usado por
Ronaldo Fenômeno na Copa do Mundo
de 2002 ao formato da tortilha. O próprio
atleta participou da campanha e
deu a sua versão sobre o mistério.
Já o Bronze da Drum veio com o projeto
‘Se sujar é a glória’, desenvolvido
para Omo com o objetivo de ressigni-
‘A teoria da conspiração’, da AlmapBBDO: participação de Ronaldo O case ‘Se sujar é a glória’ foi desenvolvido pela Drum para Omo
ficar o conceito da marca. Com a ideia
de subverter a lógica de patrocínio ao
futebol da elite, a marca promoveu a
Copa Omo Varzenal, que reuniu times
da várzea, culminando no embarque
de 60 comunidades brasileiras para o
estádio do time inglês. A jornada dos
jogadores foi documentada em uma
websérie cocriada e distribuída pela
KondZilla.
O Grand Prix da categoria foi entregue
à McCann Lima para a peça ‘The
thousand sponsors of Muni’, criada
para o Club Deportivo Municipal do
Peru, que sofria por falta de verbas
de patrocínio. Para resolver o problema,
a ideia foi criar uma espécie de
coletivo de patrocinadores reunindo
pequenos comerciantes, cujas marcas
estamparam em microespaços a
camisa dos jogadores.
Entertainment Lions for Music concede
dois GPs e nenhum prêmio ao Brasil
País tinha duas chances de ganhar Leões com a AlmapBBDO e a Atenas;
o primeiro Grand Prix saiu para Rosalía e o segundo para a Adidas
O
Brasil ficou sem prêmios em
Entertainment Lions for Music
na edição de 2026 do Cannes
Lions. Havia duas chances de ganhar
Leões na shortlist, que contou com
34 trabalhos finalistas. A AlmapBBDO
classificou a campanha ‘O homem
que mudou o ritmo do mundo’, que
faz uma homenagem ao percussionista
brasileiro Paulinho da Costa,
dentro da plataforma Keep Walking,
da Johnnie Walker.
A outra chance era com a Atenas.
Ag, que concorreu com o projeto ‘No
lineup festival’ para Heineken. Em
2025, o país conquistou um Bronze
para o case ‘Jovem MK – Meu karma’,
da Africa Creative para Kondzila.
O júri presidido por Matt Murphy,
global chief creative officer da 72andSunny,
premiou 13 trabalhos. Mesmo
‘Original forever’, da Adidas, foi uma ‘collab’ entre a marca das três listras e a banda Oasis
com o número reduzido de prêmios na
categoria, os jurados concederam dois
Grand Prix, já que tinham o direito de
premiar um vídeo musical.
O primeiro saiu para ‘Rosalia FT.
Björk, Yves Tumor – Berghain’, criado
Divulgação
por Rosalia para promover a turnê
da cantora espanhola. “Quando vi
o vídeo pela primeira vez, escrevi:
‘uau, uau, uau’. É algo muito forte,
aquele tipo de filme que não sai
da sua cabeça. É clássico, fantástico
e, ao mesmo tempo, real”, disse
Murphy.
O segundo GP foi para ‘Original
forever’, desenvolvido por Johannes
Leonardo para Adidas. O projeto
consistiu no patrocínio da
última turnê da banda Oasis, mas
de um jeito não usual. A marca incorporou
as famosas três listras
da Adidas a camisetas e acessórios
como chapéus e bonés com o
nome da banda, e ‘vestiu’ os fãs ao
redor do mundo. As vendas explodiram
e a marca foi a mais associada à
banda inglesa.
KD
jornal propmark - 29 de junho de 2026 29
cannes lions
Campanhas com cupons de Heineken e
Mercado Livre são premiadas em Media
LePub e GUT são as vencedoras de Leões da área, que distribuiu 45 troféus;
GP foi para Uber Eats com ‘Build your own Super Bowl commercial’
Janaina Langsdorff
– de Cannes
A
campanha ‘Could have been a
Heineken’ está entre os trabalhos
brasileiros mais premiados
do Cannes Lions 2026. O case
criado pela LePub São Paulo em parceria
com o escritório da agência em
Milão, na Itália, conquistou dois Ouros
na categoria Media.
Mensagens em áudio com mais
de três minutos no WhatsApp, plataforma
da Meta, foram transformadas
em cupons que davam direito a
uma Heineken em bares participantes
de São Paulo e Rio de Janeiro. A
ação endossa o posicionamento da
marca, que convida as pessoas a viver
momentos presenciais.
Prata
O mercado brasileiro ganhou também
uma Prata com ‘Field barcode’,
da GUT para Mercado Livre, que já
levou o Grand Prix de Outdoor, entre
outros Leões.
Em um amistoso entre Corinthians
e Boca Juniors Legends realizado no
dia 5 de julho de 2025, os 15 mil metros
quadrados do campo do estádio
do Pacaembu, na região Oeste de São
Paulo, foram transformados em código
de barras para resgate de cupons
do Mercado Livre. A ação integrou a
campanha do ‘7.7 Descontaço’. O jogo
homenageou a conquista do título de
2012 da Libertadores pelo Corinthians.
Grand Prix
O GP da área foi entregue para o
case ‘Build your own Super Bowl commercial’,
da Special, de Los Angeles
(EUA), para Uber Eats. Protagonizada
pelo ator Matthew McConaughey, a
ação ocorreu no Super Bowl 60, realizado
no dia 8 de fevereiro de 2026.
No aplicativo da marca, era possível
escolher entre mais de mil combinações
de cenas, histórias, brincadeiras e personagens
como se a pessoa estivesse
montando um pedido de comida.
Ator Matthew McConaughey em filme criado pela agência Special, de Los Angeles (EUA), para Uber Eats, exibido no Super Bowl 60
Peça da campanha ‘Could have been a Heineken’, assinada pela LePub, que endossa o convite da marca para momentos ao vivo
Júri
Sindhuja Rai, chief client officer
da WPP Media para Ásia-Pacífico,
Oriente Médio e África (APMEA) presidiu
o júri da categoria. “Foi uma
jornada intensa, de três meses de
um trabalho realizado a partir de
perspectivas vindas de diferentes
partes do mundo”, observa.
Entender o consumidor a partir de
ideias criativas, escaláveis, mensuráveis
e com potencial para resultado
são os critérios elencados pela executiva
para premiar cases em Media.
“O uso de dados, a personalização
e a capacidade de impacto para
a marca e os negócios continuam
guiando os projetos”, indica Sindhuja
Rai. O case de Uber Eats, por exemplo,
evidencia “o que os consumidores esperam
hoje”, atesta.
O trabalho reúne customização,
mídia, dados e commerce, promovendo
concorrência à altura com a
rival DoorDash, que disputa o acirrado
mercado de delivery com Uber
Eats nos Estados Unidos. “É preciso
saber navegar pela complexidade
Fotos: Reprodução
da jornada de consumo das pessoas.
Os dados direcionam a mídia e
também as mensagens da marca.
Não se pode separá-los”, orienta Sindhuja
Rai.
Panorama
Media Lions teve 141 finalistas. O
Brasil classificou 14 peças. No total, foram
45 premiadas. O número de inscrições
recuou de 2.058 cases em 2025
para 1.432 em 2026. O brasileiro Paulo
Ilha, cofundador e CMO da Galeria, foi
um dos jurados.
30 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Ação do Corinthians garante Bronze para
AlmapBBDO, único Leão nacional em PR
Agência também concorria com ‘This time, it is beer’, para Amstel, mas
emplacou ‘Uncovering racism’; GP ficou para Burson e VML Londres
Bruna Nunes
– de Cannes
No terceiro dia do Cannes Lions,
a AlmapBBDO garantiu o único
Leão do Brasil em PR Lions. A
agência conquistou um Bronze com
‘Uncovering racism’, campanha criada
para o Sport Club Corinthians Paulista.
A categoria reuniu 113 trabalhos na
shortlist e teve outros finalistas brasileiros,
incluindo ‘This time, it is beer’,
da própria AlmapBBDO para Amstel,
além de campanhas de Droga5, GUT e
Africa Creative.
A peça vencedora utilizou o uniforme
do Corinthians para fazer denúncia
contra o racismo. Na partida
contra o Cruzeiro, pelo Brasileirão, os
jogadores entraram em campo com
a frase “Racismo é crime. Denuncie”
estampada na parte superior da gola
Beta Collective e L’Oréal levam Prata
em Creative Business Transformation
Grand Prix ficou com a McCann de Atenas, para a Wikifarmer, com
solução que reaproveita grãos de arroz impróprios para consumo
Vitor Kadooka
O
coletivo criativo Beta Collective,
liderado por Bernardo Tavares,
conquistou Leão de Prata na
subcategoria Brand Purpose & Impact,
em Creative Business Transformation.
O case ‘Código de Defesa e Inclusão
do Consumidor Negro’, criado para
L’Oréal Luxe, foi desenvolvido em parceria
com Black Sisters in Law, ID_BR
e Estúdio Nina. Com dez diretrizes de
autorregulação, o documento propõe
mudanças concretas no atendimento
e nos protocolos das lojas, a partir de
dados da pesquisa ‘Racismo no varejo
de beleza de luxo’, realizada em 2024.
Segundo o estudo, conduzido pelo
Estúdio Nina, 91% dos consumidores
Hugo Souza, goleiro do Corinthians, para ‘Uncovering racism’
da camisa. Ao erguerem a gola até a
altura da boca, os atletas revelaram a
mensagem. A ação contou com participação
da Alob Sports.
Além da frase na gola, o uniforme
Agência Corinthians/Divulgação
trouxe um patch da campanha ‘A história
preta do Corinthians’, iniciativa
do Departamento Cultural do clube que
destaca o protagonismo negro na fundação,
na formação e na trajetória co-
Divulgação
Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro possui dez diretrizes antirracistas
rintiana. A camisa também levou um QR
code que direcionava o público para um
conteúdo educativo no site oficial do
clube. As peças são estreladas por Hugo
Souza, goleiro do time paulista que sofreu
com ataques racistas em campo.
GP PARA LONDRES
O Grand Prix de PR Lions ficou com
‘The KitKat heist’, da Burson e VML Londres
para KitKat. O case partiu de uma
crise real, quando uma semana antes
da Páscoa, período estratégico para a
venda de chocolates, 12 toneladas de
KitKat, equivalentes a 413.793 barras,
foram roubadas durante o transporte
entre a Itália e a Polônia.
Em vez de tratar o episódio silenciosamente,
a marca transformou
o roubo em uma narrativa global de
mistério e convidou seus consumidores
a ajudarem na ‘solução’ do caso.
negros das classes A e B afirmam já
ter vivenciado situações de racismo
em estabelecimentos de luxo.
O Grand Prix da categoria ficou com
a McCann de Atenas, na Grécia, pelo
case ‘The wedding rice’, criado para a
Wikifarmer. A plataforma global que
conecta agricultores apresentou uma
solução para o desperdício de arroz
em países, especialmente a Grécia,
onde o grão é tradicionalmente jogado
sobre os noivos em celebrações de
casamento.
A iniciativa redirecionou grãos fora
dos padrões de consumo, segundo
normas da União Europeia, para serem
utilizados especificamente nesse
ritual, evitando o desperdício de arroz
próprio para alimentação.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 31
cannes lions
Mercado ganha oito Leões em Social &
Creator, incluindo Grand Prix da LePub
W+K, VML, Publicis, AlmapBBDO, Droga5, Africa Creative e Artplan
também receberam prêmios da categoria no terceiro dia do festival
Bruna Nunes
– de Cannes
A
presença brasileira em Social
& Creator Lions rendeu oito
Leões no Cannes Lions 2026,
incluindo o segundo Grand Prix do
mercado nacional nesta edição, dois
Ouros, duas Pratas e três Bronzes. O
principal prêmio da categoria ficou
com ‘Could have been a Heineken’, da
LePub Milão e LePub São Paulo para
Heineken. O case propõe a troca do
hábito de enviar longas mensagens
de áudio por uma Heineken.
A Wieden+Kennedy São Paulo conquistou
um dos Ouros com ‘Uberlândia
E.C.’, para Uber. Segundo Rodrigo Jatene,
CCO da W+K Latam, a força do case
está justamente na simplicidade da
conexão.
“A ideia da Uber comprar os naming
rights do Uberlândia é tão
óbvia quanto inevitável. Era uma
bola que estava pingando desde
sempre”, afirmou. Segundo ele, Social
& Creator era a categoria natural
para o reconhecimento, já que a
campanha ganhou força nas redes,
em conversas de torcedores, criadores
de conteúdo e influenciadores.
“Todas essas opiniões, conversas e
engajamento levaram a Uber para
o coração da cultura do futebol, que
era o objetivo central da campanha”,
completou.
O outro Ouro veio com ‘Chicken
screams for Coke’, da VML New York
e VML São Paulo para Coca-Cola. Criado
para o Japão, o case transformou
um objeto popular da cultura pop
local em uma ativação digital para
aproximar Coca-Cola do consumo de
frango, combinação pouco habitual
no país.
Leões de Prata
Entre as Pratas, a Publicis Brasil foi
premiada com ‘Donate to play’, para o
Grupo Pulsa. A campanha conecta doação
de sangue à comunidade gamer
ao transformar o day off previsto em
LubPub e Heineken recebem o Grand Prix durante a cerimônia de premiação realizada no Palais des Festivals
Eduardo Rebola, gerente de marketing
e comunicação do Boticário.
‘Could have been a Heineken’, da LePub Milão e LePub São Paulo para Heineken
lei após a doação em incentivo para
jogar lançamentos de games.
A AlmapBBDO também levou Prata
com ‘Code her’, para O Boticário, um
alerta sobre tentativas de modificação
e sexualização de fotos geradas
por IA. “Mais do que serem consumidas,
as marcas precisam ser admiradas, recomendadas
e defendidas pelos consumidores.
Em Cannes, vimos diversos
trabalhos premiados que apontam
nessa direção, mostrando que criatividade
e construção de marca caminham
cada vez mais juntas”, comenta
“Mais do
que serem
consumidas, as
marcas precisam
ser admiradas”
Alê Oliveira
Leões de Bronze
Nos Bronzes, a Droga5, part of Accenture
Song, tem ‘CIF Clean My Name’,
para CIF. A ação foi realizada em parceria
com a Serasa e aproveita o trocadilho
entre o produto que “limpa mais
de 100 superfícies” e o pedido dos consumidores
para “limpar o nome”.
A Africa Creative conquistou um
Leão com ‘Cover it’, para Unaids. O
case utiliza visualizers de hits do funk
no Spotify para promover animações
sobre o uso de preservativo como opção
de prevenção entre jovens.
Já a Artplan, com ‘Re-Commerce
Atacama’, para a VTEX, Desierto Vestido
e Fashion Revolution transformou
roupas descartadas no deserto do
Atacama em um marketplace online
de reuso. A ação reúne peças de
marcas conhecidas, muitas em bom
estado ou nunca usadas, que são resgatadas,
higienizadas e disponibilizadas
para compra digital. O consumidor
paga apenas o frete, ajudando a “retirar”
a peça do deserto.
A categoria contou com 19 finalistas
nacionais. O brasileiro Ary Nogueira,
ECD da WMcCann, foi jurado.
32 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Africa Creative e Artplan garantem
os Leões do Brasil em Creative Data
Com Prata para a Africa e Bronze para a Artplan, o GP ficou com
a peruana Circus Grey, pelo case ‘SOS POS’, criado para o BCP
Vitor Kadooka
Dos três trabalhos brasileiros finalistas
em Creative Data, dois
foram premiados: ‘Unwatched
goals’, da Africa Creative para Brahma,
e ‘Nigrum corpus’, da Artplan
para o Instituto de Educação Médica
(Idomed) e o Instituto Yduqs.
A Africa teve o melhor desempenho
brasileiro, com Prata em Real-
-Time & Dynamic Creative. O case
combinou dados do Zé Delivery, parceiro
da Ambev, com informações
sobre torcedores, times e horários
dos gols. A partir da identificação de
picos de compra antes e depois das
partidas, a ação concedia cashback
total ao consumidor quando seu
time marcava um gol no momento
da busca do pedido.
Com produção de Halley Sound e
Zaine Filmes, a peça também era finalista
em Data Enhanced Creativity
e Data Storytelling & Narrative.
Já a Artplan levou Bronze na
subcategoria Purpose-Driven Data
Solutions com ‘Nigrum corpus’. O trabalho
foi a terceira campanha brasileira
mais premiada no Cannes Lions
2025, com quatro Leões no total:
Grand Prix em Industry Craft, Ouro
em Design, Ouro em Health & Wellness
e Bronze em Health & Wellness.
O objetivo do projeto é expor, por
meio da arte e da ciência, o racismo
estrutural e a negligência que permeiam
a saúde e a formação médica
no Brasil.
Na ficha técnica estão Mauricio
Nahas Estúdio Fotográfico, Raw Audio,
Road Filmes, Rudy Huhold Fotografia,
Untitled Productions, Fujocka
Creative Images, P+E Galeria Digital,
Approach, A-Lab, Blackbird Produções,
Fsign e Rede Américas.
O outro concorrente brasileiro era
‘Pedigree Caramelo’, da AlmapBBDO
para Pedigree, marca da Mars.
GRAND PRIX
Criado pela peruana Circus Grey
Case ‘Unwatched goals’ deu cashback total a clientes do Zé Delivery que perderam gol do time favorito ao buscar o pedido
‘Nigrum corpus’, da Artplan, evidencia racismo estrutural no setor de saúde brasileiro
Cena de ‘SOS POS’, que adapta máquinas de cartão para casos de roubo de celular
GP apresenta solução de segurança
para quem teve o celular roubado
Fotos: Divulgação
para o BCP (Banco de Crédito do
Peru), o case ‘SOS POS’ levou o Grand
Prix de Creative Data. O trabalho
apresenta uma solução de segurança
para pessoas que tiveram o celular
roubado ou furtado. As máquinas
de cartão, POS, que dão origem ao
nome ‘SOS POS’, foram conectadas
às redes dos bancos para permitir
que a vítima insira seus dados em
estabelecimentos próximos e o aparelho
seja bloqueado.
Segundo o case, foram mapeadas
as regiões com maior incidência
desses crimes e instaladas máquinas
com essa função para que o
tempo máximo de deslocamento
fosse de dois minutos.
A categoria reconhece trabalhos
nos quais “ciência sofisticada de
dados, insights estratégicos e excelência
criativa convergem para
desbloquear experiências inovadoras
e impacto de negócio mensurável”.
Segundo a descrição do festival,
os cases devem demonstrar
metodologias avançadas de dados,
seja por modelagem preditiva, análise
comportamental, personalização
em tempo real ou criatividade
algorítmica.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 33
cannes lions
LePub é o destaque em Direct com Ouro
para Heineken; GUT recebe três prêmios
No total, foram cinco Leões, sendo um Ouro, duas Pratas e dois Bronzes,
resultado inferior em relação a 2025, quando país ganhou 11 troféus
Kelly Dores
– de Cannes
O
Brasil conquistou cinco Leões
em Direct no Cannes Lions 2026,
sendo um Ouro e uma Prata para
a LePub SP e uma Prata e dois Bronzes
para a GUT. O resultado é inferior
ao do ano passado, quando o mercado
nacional recebeu 11 prêmios, com dois
Ouros, cinco Pratas e quatro Bronzes.
O Ouro deste ano saiu para a Le-
Pub SP com o case ‘Could have been
a Heineken’, uma cocriação com o
escritório da LePub Milão. Parte da
campanha global ‘Social off socials’ da
Heineken, a ação incentivou os consumidores
a trocarem os longos áudios
enviados pelo WhatsApp por cervejas
em bares para incentivar encontros
presenciais.
Para participar da promoção, as
pessoas encaminhavam áudios de
pelo menos três minutos, com a marcação
de encaminhado, para o bot de
Heineken no WhatsApp. Após confirmar
ter mais de 18 anos e aceitar os
termos de participação, o bot respondia
com um voucher para trocar
por uma Heineken por CPF em um bar
parceiro disponível no site da ação. O
case também levou Prata na área.
A GUT conquistou Prata para o
Mercado Livre com o projeto ‘Field
barcode’, que transformou o campo
do estádio de futebol do Pacaembu
em códigos de barras com descontos
do e-commerce, que podiam ser escaneados
pelos consumidores durante
uma partida entre o Corinthians e o
Boca Juniors. O ‘campo interativo’ podia
ser escaneado por diferentes mídias
e ângulos.
A agência e o Mercado Livre também
ganharam dois Leões de Bronze
com o trabalho ‘Scratch your data’.
Categoria que está dentro da track
Engagement no festival, Direct
premia o engajamento dos consumidores
com as campanhas. O Brasil
tinha 12 chances de ganhar Leões na
categoria. O Boticário e AlmapBBDO, e
A campanha ‘Could have been a Heineken’, da LePub para a marca de cerveja, ganhou Leão de Ouro e Prata na categoria
O Grand Prix ficou com a De La Cruz Ogilvy para Uva App
Neste ano, a
categoria recebeu
1.325 inscrições,
uma queda de
35% sobre 2025
‘Field barcode’, da GUT para o Mercado Livre, recebeu Prata
Fotos: Divulgação
Brahma e Africa Creative também estavam
listados entre os finalistas da
área, que somou 127 peças na shortlist
e premiou 42 trabalhos neste ano.
Em 2026, Direct recebeu 1.325 inscrições,
contra 2.038 do ano passado,
uma queda de 35%. Joaquín Cubría,
chief creative officer da GUT Argentina,
foi o presidente do júri, que não
contou com representante brasileiro.
O Grand Prix da categoria ficou com
‘Uva uva bombón’, criado pela De La
Cruz Ogilvy, de Puerto Rico, para Uva
App. O desafio era encontrar uma maneira
de participar do boom gerado
pela participação do cantor porto-
-riquenho Bad Bunny no Super Bowl.
Para isso, o app transformou um
trecho da música ‘Tití me preguntó’,
que contém o verso ‘Uva uva bombón’,
em um gatilho de vendas ao vivo. A
plataforma de entregas preparou
uma ativação em tempo real: no instante
em que o verso foi cantado no
palco, o Uva desbloqueou uma seleção
de produtos dentro do app por apenas
US$ 1, transformando o momento cultural
em uma experiência interativa.
34 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Creative Effectiveness entrega Ouro,
Prata e Bronze para a AlmapBBDO
Agência ganhou os três troféus na mesma categoria com ‘Pedigree
Caramelo’, trabalho para a Mars que conquistou Titanium em 2025
Bruna Nunes
– de Cannes
A
AlmapBBDO conquistou três Leões
em Creative Effectiveness
Lions com ‘Pedigree Caramelo’,
campanha criada para a Mars. A categoria
reconhece trabalhos premiados
ou finalistas em edições anteriores do
Cannes Lions que comprovam impacto
mensurável no negócio, na marca
ou na sociedade.
O case já havia rendido à agência
um Titanium Lions em 2025, primeiro
da história da AlmapBBDO. Em 2026,
voltou ao festival para disputar na
categoria e foi premiado com Ouro,
Prata e Bronze.
A peça colocou o vira-lata caramelo
no centro da comunicação da Pedigree
para discutir adoção responsável e
combater o abandono animal. A ideia
Beta Collective conquista Prata em
Luxury Lions com case para L’Oréal Luxo
Trabalho propõe código contra racismo nas relações de consumo; o
Grand Prix ficou para a WeSayHi, de Sliema, com ação para a Moncler
A
Beta Collective, de São Paulo,
conquistou seu segundo Leão
de Prata no Cannes Lions 2026
com o case ‘Code for the protection
and inclusion of black consumers’,
criado para L’Oréal Luxo. O trabalho
foi premiado em Luxury Lions, categoria
que reconhece ideias voltadas ao
mercado de luxo, considerando critérios
como craft, cultura, criatividade e
relação com o consumidor.
Parte do Afroluxo, plataforma da
marca, a iniciativa não tem validade
jurídica, mas propõe um “Código de
Defesa e Inclusão do Consumidor Negro”,
que reúne dez propostas de normas
para combater práticas racistas
nas relações de consumo.
O projeto foi desenvolvido em par-
AlmapBBDO recebe o troféu na cerimônia de premiação no Palais, em Cannes
partiu de um símbolo popular brasileiro
para representar os cães sem raça
definida, que são maioria nos abrigos
e enfrentam mais barreiras para adoção.
A campanha também contou com
Tatá Werneck e ganhou força após a
Al Pacino e Robert De Niro para ‘Warmer together’, da WeSayHi para a Moncler
Alê Oliveira
apresentadora relatar nas redes sociais
que sua cachorra, Maminha, havia
sido impedida de participar de um dog
show por não ter raça definida.
Segundo dados da marca compartilhados
com o propmark, a cam-
Divulgação
panha gerou aumento de 218% nas
adoções do programa Pedigree ‘Adotar
é tudo de bom’, crescimento de
400% no engajamento da marca nas
redes sociais e mais de 250 milhões
de impressões. O trabalho também
ampliou a adesão a iniciativas como
o Caramelo Kennel Club.
GP
O Grand Prix de Creative Effectiveness
Lions ficou com ‘Three words’, da
Publicis Conseil Paris para AXA France.
O case levou a seguradora a alterar suas
apólices residenciais para reconhecer
a violência doméstica como risco
coberto, com apoio para realocação
emergencial de mulheres e crianças
vítimas de abuso, e parte da constatação
de que a falta de moradia alternativa
é uma das principais barreiras
para deixar uma casa violenta.
ceria com o Mover, a Black Sisters in
Law, o Instituto Identidades do Brasil
(ID_BR), a ALLOS e a Associação Brasileira
de Perfumarias Seletivas (ABPS).
O Grand Prix de Luxury Lions ficou
com ‘Warmer together’, da WeSayHi,
de Sliema, para a Moncler, e estrelada
por Al Pacino e Robert De Niro.
A produção é da AP Studio New
York, Studio Platon New York e We-
SayHi Sliema. Na coletiva de imprensa,
Pum Lefebure, cofundadora e CCO
da Design Army e presidente do júri,
afirmou que “a campanha venceu por
causa da sua simplicidade. A mensagem
realmente toca as pessoas no
coração. Ela reduz o storytelling de
luxo a uma verdade simples: tudo gira
em torno da conexão humana”. BN
jornal propmark - 29 de junho de 2026 35
cannes lions
6 trabalhos de 4 agências ganham 8
Leões em Brand Experience & Activation
Droga5, LePub, VML e AlmapBBDO foram premiadas com ações
desenvolvidas para as marcas CIF, Heineken, Coca-Cola, BIC e Pedigree
Janaina Langsdorff
– de Cannes
Em uma das melhores performances
do Brasil, Brand Experience &
Activation rendeu oito Leões para
a propaganda brasileira, de 20 campanhas
classificadas - aproveitamento
de 40%. O país conquistou dois Ouros,
duas Pratas e quatro Bronzes.
Os Leões de Ouro foram para ‘Clean
my name’ (ou ‘Limpa nome’), da Droga5,
agência da Accenture Song, para
a marca de limpeza CIF, da Unilever, em
parceria com Serasa Experian, Berimbau
Estúdio, Biosphera, Genco Film, Cadastra,
Initiative, BR Media e Pinkers;
e ‘Could have been a Heineken’, da Le-
Pub São Paulo e Milão (Itália), com Red
Star, Lema, The Romans de Londres e
Círculo. As Pratas vieram com ‘The last
Coke in the desert’, da VML São Paulo,
México e Nova York para Coca-Cola; e
‘Clean my name’.
A leva de Bronzes tem ‘Could have
been a Heineken’; ‘The Shakespeare’,
da VML para BIC, com Hogarth, Oio,
P+E Galeria Digital, Carbono Sound Lab
e Approach; ‘You must love Coke’, da
VML São Paulo e Grey Buenos Aires e
Nova York para Coca-Cola, com Vândalo,
Bumblebeat e The Circle; e ‘Pedigree
Caramelo’, da AlmapBBDO para
Mars, com Black Madre, Raw Áudio,
Surreal Hotel Arts, Gafanhotto Post,
Essencemediacom, Giusti Creative PR,
Imagem Corporativa, Ampara Animal,
DNA Pets, Fbiz e Voz.
Trabalhos
A proposta da Droga5 e CIF, divulgada
por Gil do Vigor, foi limpar o nome
dos consumidores em parceria com a
Serasa. Na compra do Cif Limpa Nome,
o consumidor concorria a prêmios diários
e semanais para negociar e quitar
suas dívidas.
Já LePub e Heineken transformaram
mensagens em áudio com mais
de três minutos no WhatsApp em
cupons que davam direito a uma Heineken
em bares participantes de São
Equipe da Droga5 exibe o Leão de Ouro conquistado com o case ‘Clean my name’ ou ‘Limpa nome’, criado para CIF com a Serasa
ver manuscritos com uma caneta da
marca.
Após ganhar o The Dan Wieden Titanium
Lion, ‘Pedigree Caramelo’ segue
colecionando prêmios. O case da
AlmapBBDO para o produto da Mars
estimula a doação de animais. “Caramelo”
é o nome dado pelos brasileiros
a cães de rua, os chamados “vira-
-latas”. Os bichos são muito queridos,
mas enchem abrigos.
GP
O júri comandado pelo brasileiro
Rafael Pitanguy, vice-diretor criativo
global da VML, entregou o Grand Prix
da categoria para ‘Expedition impossible’,
da Adam&Eve\TBWA de Londres
para Columbia Sportswear. Brisa Vicente,
co-CEO da Droga5, foi uma das
juradas. A marca norte-americana
de roupas, calçados e equipamentos
para atividades ao ar livre prometeu
presentear com os seus produtos as
pessoas que conseguissem provar
Alê Oliveira
Paulo e Rio de Janeiro. ‘Could have
been a Heineken’ chancela o convite
da marca para que as pessoas vivam
momentos presenciais.
Com ‘The last Coke in the desert’,
a VML colocou “a última Coca-Cola
do deserto” - expressão utilizada no
México para referendar algo único -,
como os trabalhadores de pequenos
comércios locais, que enfrentam elevadas
temperaturas para manter o refrigerante
gelado mesmo em regiões
desérticas.
Também da VML para Coca-Cola,
o case ‘You must love Coke’ explorou
as limitações culturais ligadas ao vermelho.
A cor define a identidade da
marca, mas é evitada por torcedores
pela associação a times rivais. Mesmo
utilizando outras tonalidades, a marca
conseguiu manter a sua imagem viva
na lembrança das pessoas. Para BIC,
a VML criou a peça ‘The Shakespeare’,
que utilizou IA a fim de reconstruir
a caligrafia do autor inglês e reescreque
a Terra é plana.
O CEO da companhia é o garoto-
-propaganda da campanha, que explora
um tom sarcástico para promover
a durabilidade dos itens que
comercializa. “O presidente da marca
é divertido, é um bom ator”, brinca Pitanguy.
O case encantou o júri desde
que foi visto pela primeira vez. “Sabíamos
que poderia ser considerado
para o GP. É um trabalho impecável,
que responde às regras da categoria.
Foi uma ótima decisão”, emenda. Pitanguy
lembra que Brand Experience
& Activation é uma das áreas com o
maior volume de peças. “Procuramos
trabalhos que mostrassem como as
pessoas sentem, interagem e reagem
à ação”, conta.
InscrIções
A quantidade de cases submetidos
à categoria recuou de 2.337 peças em
2025 para 1.561 em 2026. De um total
de 158 finalistas, 47 foram premiados.
36 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
Droga5 e Ogilvy ganham Bronzes em
Creative Commerce com CIF e Magalu
Categoria recebeu 393 inscrições, classificou 41 peças e premiou 14;
Brasil disputou troféus com três shortlists e conquistou dois Leões
Janaina Langsdorff
– de Cannes
“O criar experiências capazes de alcançar
case do Magazine Luiza, do Brasil, exemplifica
o uso de inteligência artificial para
mais pessoas”. O trabalho, assinado pela Ogilvy,
foi citado pelo presidente do júri de Creative Commerce,
Phil Camarota, durante coletiva realizada
no dia 25 de junho para anunciar os vencedores da
categoria.
O trabalho evidencia o potencial da IA. Os jurados
estavam em busca de estratégias montadas conforme
o “valor da experiência”, acrescenta o executivo,
que é chief creative officer global da Flywheel,
empresa de commerce marketing, retail media e e-
-commerce adquirida pelo Omnicom em 2023.
O case mencionado por Camarota é ‘Agente como
a gente’, vencedor de Leão de Bronze na categoria. A
campanha promoveu o WhatsApp da Lu, influenciadora
e agent commerce do Magazine Luiza.
Faxina
‘Clean my name’ ou ‘Limpa nome’, projeto criado
pela Droga5, agência da Accenture Song, para a marca
de limpeza CIF, da Unilever, foi o ganhador do outro
Leão de Bronze brasileiro na categoria. O trabalho
foi idealizado em parceria com Serasa Experian,
Berimbau Estúdio, Biosphera, Genco Film, Cadastra,
Initiative, BR Media e Pinkers.
A proposta da Droga5 e CIF, de limpar o nome
de consumidores que estão endividados, foi divulgada
pelo economista, professor e apresentador
Gil do Vigor, participante do ‘Big Brother Brasil’
21, reality da TV Globo. Na compra do produto Cif
Limpa Nome, o consumidor concorria a prêmios
diários e semanais para negociar e quitar os seus
débitos.
GP
‘Lucky fan index’, case assinado pela VML da
Polônia para Wisła Kraków Football Club, garantiu
o Grand Prix da área. A relação entre a presença
dos torcedores nos estádios e o número de vitórias
do time nos jogos assistidos passou a ser medida
por um algoritmo alimentado por inteligência artificial.
Uma pontuação era atribuída a cada torcedor,
mostrando quanta sorte ele atraía para a equipe. Os
mais afortunados ganhavam benefícios e experiências
exclusivas, enquanto os azarados recebiam incentivos
para voltar ao estádio e tentar virar o jogo.
Gil do Vigor em filme da Droga5 para CIF, produto de limpeza da Unilever, desenvolvido em parceria com a Serasa
O case ‘Agente como a gente’ promoveu o WhatsApp da Lu, influenciadora e agent commerce do Magazine Luiza
“É preciso reimaginar
o valor entre as
marcas e as pessoas”
além do Preço
“São trabalhos inspiradores, como nunca vimos”,
pontua Phil Camarota. Ele lembra que Creative Commerce
é uma categoria ainda incipiente. Passou a
valer em 2022, em substituição à antiga área de e-
-Commerce.
Fotos: Reprodução
“Ainda estamos definindo as diretrizes que
balizam a disciplina. Consideramos cases com
chances de potencializar jornadas, resultados e
com relevância além do preço. É preciso reimaginar
o valor entre as marcas e as pessoas, e achar
formas diferentes de abordar problemas”, pontua
Camarota.
Balanço
Marcela de Masi, diretora-executiva de branding
e comunicação do Grupo Boticário, foi jurada da categoria,
cujo volume de inscrições caiu de 644 peças
em 2025 para 393 em 2026. Do total de 41 finalistas,
14 foram premiados. O Brasil classificou três campanhas
e levou dois Leões.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 37
cannes lions
Heineken leva GP em Creative Strategy;
Brasil tinha seis chances na categoria
Campanha da cervejaria foi criada pela LePub Milão e pela Publicis
Dublin; no filme, vila irlandesa tenta manter vivo o seu último pub
Vitor Kadooka
Divulgação
A
Heineken conquistou o Grand Prix em Creative Strategy
Lions com ‘The pub that refused to die’, campanha
criada pela LePub Milão e pela Publicis Dublin.
O trabalho parte da história de uma comunidade rural na
Irlanda que se mobilizou para impedir o fechamento de seu
último pub. A partir desse movimento, a marca transformou
a iniciativa em um documentário e em uma plataforma de
apoio para outros estabelecimentos que enfrentam desafios
semelhantes.
A categoria Creative Strategy Lions reconhece trabalhos
que demonstram como o planejamento estratégico pode
redefinir uma marca, transformar um negócio e influenciar
consumidores ou a cultura.
O Brasil chegou à disputa com seis chances de Leão na
categoria. Africa Creative, GUT e Publicis foram as agências
brasileiras classificadas entre os 99 finalistas. A Africa emplacou
‘S.A.B.’, criado para Brahma, em duas subcategorias.
A GUT apareceu duas vezes na shortlist com ‘Scratch your
data’, desenvolvido para Mercado Livre. Já a Publicis classificou
‘Donate to play’, para o Grupo Pulsa.
Cena do filme ‘The pub that refused to die’, criado pela LePub Milão e Publicis Dublin
TBWA Toronto conquista GP de Innovation
Lions com trabalho feito para a Adidas
Projeto ‘Supernova adaptive’ foi desenvolvido a partir de tênis
fabricado pela marca em parceria com atletas que têm deficiência
A
TBWA Toronto conquistou
o Grand Prix em Innovation
Lions com ‘Supernova adaptive’,
case criado para a Adidas a partir
do Supernova Rise 3 Adaptive,
tênis de corrida criado em parceria
com atletas com deficiência.
O projeto teve inspiração direta
em Chris Nikic, primeiro atleta com
síndrome de Down a completar
um Ironman. Segundo a Adidas, o
produto foi desenvolvido em um
processo de cocriação com atletas,
cuidadores e pessoas com diferentes
deficiências, com apoio da
Gamut Management. O lançamento
global aconteceu em 21 de março
de 2026, Dia Mundial da Síndrome
de Down.
Case se inspira em Chris Nikic, primeiro atleta com síndrome de Down a findar o Iroman
Divulgação
A proposta do trabalho é reduzir
uma barreira de acesso
ao esporte para pessoas com
deficiência: a falta de tênis de
performance adaptados às suas
necessidades físicas. No caso
de Nikic, a Adidas afirma que o
atleta sofria com dores e bolhas
durante as corridas, já que os
modelos tradicionais não contemplavam
a anatomia de seu pé.
Entre as adaptações estão calcanhar
rígido, para facilitar a entrada
do pé, sistema de amarração de
baixa pressão, loops no calcanhar
e na língua com ajuste magnético,
forma mais larga e elementos táteis
voltados a atletas com necessidades
visuais ou sensoriais. VK
38 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘Nigrum corpus’, da Artplan para Idomed
e Instituto Yduqs, recebe GP de Glass
Case discute racismo na formação e prática médica a partir de dados e
relatos reais de pacientes; livro também ganhou uma versão audiovisual
Bruna Nunes
– de Cannes
A
Artplan conquistou o Grand Prix
de Glass: The Lion for Change
com ‘Nigrum corpus’, campanha
criada para Idomed e Instituto Yduqs.
O case aborda o racismo na formação
e na prática médica a partir de relatos
reais de pacientes e dados que mostram
como questões raciais interferem
em diagnósticos, tratamentos e
decisões clínicas.
O livro ‘Nigrum corpus’, desenvolvido
para aproximar a educação médica
do debate racial, foi distribuído
para faculdades de medicina do país e
ganhou também uma versão audiovisual,
o curta-metragem ‘Corpo preto’,
que acompanha a trajetória de um
paciente negro diante da negligência
médica e a invisibilidade enfrentada
Peça ‘Nigrum corpus’ também ganhou um Grand Prix na edição de 2025
Divulgação
por parte da população negra no atendimento
em saúde.
Na edição anterior do Cannes Lions,
em 2025, o case já havia sido a terceira
campanha brasileira mais premiada
do festival, com quatro Leões:
Grand Prix em Industry Craft, Ouro em
Design, Ouro em Health & Wellness e
Bronze em Health & Wellness.
“Todos trouxemos experiências
vividas muito importantes, que tornaram
o julgamento mais robusto”,
comentou Monique Nelson, executive
chair da UWG e presidente do júri.
A executiva ainda definiu o trabalho
como ‘revolucionário’.
Além de ‘Nigrum corpus’, o Brasil
concorria em Glass com ‘Código de
Defesa e Inclusão do Consumidor Negro’,
criado pela Beta Collective para
L’Oréal Luxe, que não levou Leão na
categoria.
Quênia ganha seu primeiro Grand Prix da
história com ‘Paid sick leave for cows’
Agência The Partnership emplacou case feito para a Too Good em
Sustainable Development Goals; nenhuma brasileira levou Leão
O
Quênia conquistou seu primeiro
Grand Prix no Cannes
Lions. O prêmio veio em Sustainable
Development Goals com
‘Paid sick leave for cows’, da The
Partnership para a Too Good. No
país, quando vacas recebem antibióticos,
o leite deve ser descartado
durante o período de carência. Para
os produtores, isso significa perda
direta de renda.
Como solução, a ação decidiu
criar uma espécie de licença remunerada
para vacas. Os animais
passaram a ser registrados como
trabalhadores econômicos, e os
produtores puderam solicitar
a compensação pelo WhatsApp
quando uma vaca estivesse em
Case ‘Paid sick leave for cows’, da The Partnership para a Too Good, venceu Grand Prix
Divulgação
tratamento. Após aprovação em
um painel de controle, a empresa
pagava o valor correspondente ao
período em que o leite precisaria
ser descartado.
O Brasil não conquistou Leões
na categoria. A única finalista foi a
Ampfy, com ‘Desaparecidos’, criada
para Piracanjuba. A campanha usou
embalagens de leite da marca para
divulgar retratos de pessoas desaparecidas,
com apoio de inteligência
artificial para reimaginar como
esses rostos poderiam estar atualmente.
O júri de Sustainable Development
Goals premiou nove peças
e teve a brasileira Flavia Martins,
CEO da Diversidade Sustentável, entre
os jurados.
BN
jornal propmark - 29 de junho de 2026 39
cannes lions
Grand Prix de Film critica anúncios de
IA patrocinados; Brasil não tem Leão
Ação é da Mother de Londres para o assistente de IA Claude,
da Anthropic, que conquistou também um Ouro e uma Prata
Janaina Langsdorff
– de Cannes
Reprodução
Jovem pede treino de abdômen para IA, mas a ferramenta dá respostas desconexas
Um jovem quer exercícios para o
abdômen e um homem deseja se
comunicar melhor com a mãe. Eles
pedem ajuda para a inteligência artificial,
mas são interrompidos por uma
resposta patrocinada e desconectada
do contexto pesquisado.
Esse é o teor das peças ‘Can I get a six
pack quickly?’ e ‘How can I communicate
better with my mom?’, que integram ‘A
time and a place’, da Mother de Londres
para o assistente de IA Claude, da Anthropic,
de pesquisa de IA. A campanha
venceu o GP de Film, categoria que originou
a história do Cannes Lions, em 1954.
Levou também um Ouro e uma Prata.
“A IA é uma ferramenta incrível para
elevar potencialidades humanas”, pontua
o sueco Pelle Sjoenell, chief creative
officer global da NLS Corp., antes na
Droga5, BBH e Activision Blizzard, que
presidiu o júri. A ação questiona a credibilidade
de respostas geradas por IA e
bancadas por anunciantes. “É uma ideia
inteligente e corajosa, que coloca a IA
contra a IA”, observa.
Resumo
Álvaro Rodrigues, CEO, chief creative
officer e sócio-fundador da Made, foi um
dos jurados. O único filme do Brasil classificado
entre 141 finalistas foi ‘Despedidas’,
da AlmapBBDO para O Boticário. The
Youth, Colossal, Satélite Áudio e Supersônica
estão na ficha técnica de ‘Who´s
waiting for you?’, da Wieden+Kennedy
do México para a cerveja Victoria, vencedora
de Bronze. A categoria teve 45
ganhadores. As inscrições da área registraram
queda de 1.642 em 2025 para
1.469 em 2026.
Seguradora Suncorp leva GP de Titanium
com plataforma de prevenção climática
Brasil não contou com concorrentes neste ano; em 2025, categoria
teve presença brasileira com ‘Pedigree Caramelo’, da AlmapBBDO
Vitor Kadooka
A
Suncorp Insurance conquistou,
na sexta-feira (26), último dia do
Cannes, o Grand Prix da categoria
Dan Wieden Titanium com ‘Haven’,
trabalho criado pela Leo Australia que
usa dados climáticos e geográficos
para orientar 11 milhões de moradores
da Austrália sobre prevenção.
A plataforma permite que o usuário
insira seu endereço e receba uma
avaliação personalizada sobre a exposição
de sua casa a tempestades, enchentes
e incêndios florestais. A partir
desse diagnóstico, o sistema indica
medidas práticas para reduzir danos e
tornar o imóvel mais resiliente diante
de eventos extremos.
Reprodução/YouTube: @Suncorp
Filme mostra como plataforma usa dados para identificar riscos em residências
Com o conceito de que ‘sua casa
está tentando te dizer algo’, ‘Haven’
traduz um tema técnico em uma comunicação
direta e pessoal. Ao cruzar
informações sobre localização e ameaças
naturais, a ferramenta mostra,
de forma individualizada, quais vulnerabilidades
afetam cada moradia.
O projeto dá sequência a uma estratégia
da seguradora voltada à
resiliência climática, já abordada em
cases como ‘One house to save many’
e ‘Resilience road’.
Na edição anterior, o Brasil esteve
na disputa com ‘Pedigree Caramelo’,
campanha da AlmapBBDO para Pedigree,
marca da Mars, que conquistou o
GP. Neste ano, porém, o país ficou fora
da shortlist da categoria.
40 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘Construí uma marca baseada em
meu coração’, afirma Oprah Winfrey
Ganhadora do LionHeart 2026 sugere que profissionais utilizem sua
criatividade para abastecer a própria expressão e propósito de vida
Alê Oliveira
Philip Thomas, chairman do Lions, conversa com Oprah Winfrey no palco do Lumière Theatre no dia 23 de junho: “Acabei virando uma marca. No começo, resistia. Hoje, já aceitei”
Janaina Langsdorff
– de Cannes
A
comunicadora Oprah Winfrey
aceitou o convite para participar
da lista de conferencistas do
Cannes Lions após tentativas feitas
há 14 anos. “É uma honra recebê-la. Estou
nervoso. Você está?”, perguntou
Philip Thomas, chairman do Lions, que
mediou a conversa com Oprah diante
de uma plateia que lotou o Lumière
Theatre no dia 23 de junho.
“Eu não estou nem um pouco nervosa.
Mas estou grata por sua persistência”,
brincou ela. Reconhecida
como líder global da mídia, produtora,
filantropa, atriz e autora, Oprah foi
anunciada em abril como a ganhadora
do LionHeart 2026. “Oprah escolheu
elevar outras pessoas”, disse Thomas.
Ela se junta à lista que, nos últimos
anos contou com a ativista paquistanesa
Malala Yousafzai, em 2022; o fundador
da marca de roupas Patagonia,
Yvon Chouinard, em 2023; a jornalista
filipina Maria Ressa, em 2024; e a rapper
afegã Sonita Alizadeh, em 2025.
Marca
A utilização responsável de sua
influência ajudou a criar oportunidades
para uma legião de pessoas que
frequentaram e assistiram ao programa
de entrevistas ‘The Oprah Winfrey
Show’, exibido nos Estados Unidos e
em diversos países entre 1986 e 2011.
“O programa ficou tão popular, e acabei
virando uma marca. No começo,
resistia. Hoje, já aceitei”, conta Oprah.
Transformado em plataforma para
espalhar a missão de ajudar pessoas,
o programa conduziu Oprah rumo à
sua missão. “Qual é o significado disso?
Qual é o seu propósito? Quando o
trabalho vem da energia da sua alma,
ninguém tira de você. Encontre a real
razão de viver a sua vida para servir a
algo maior que você”, recomenda.
Para Oprah, uma marca é a expressão
da própria imagem. Mas é a sua intenção
que constrói confiança. “Sei do
meu impacto. Cada um nasce com um
propósito. Vai além de você. É sobre as
pessoas que você serve”, reflete.
Show
De um programa de TV para a prestação
de um serviço, o ‘The Oprah Winfrey
Show’ abriu caminho para que Oprah en-
contrasse significado em sua empreitada.
Ouvir as pessoas foi o caminho
apontado. “Construí uma marca baseada
em meu coração. Procurei respostas
para grandes perguntas. Mas é preciso
saber quais perguntas fazer. O programa
me deu a chance de servir pessoas.
Enxergá-las como são”, comenta.
A busca por significado serve para
o trabalho de profissionais da criação.
Oprah sugere que a criatividade seja
utilizada para “abastecer a própria
expressão”. O aval incide em tocar a
vida de alguém, e não simplesmente
ter o nome cravado em um prédio. Ela
se refere a uma escola construída na
África. “A nossa intenção foi interromper
a pobreza entre jovens, especialmente
meninas. Legado é quando
você muda vidas.”
jornal propmark - 29 de junho de 2026 41
cannes lions
‘A mídia de massa não acabou’, diz o
cientista de marketing Byron Sharp
Conquista de compradores e disponibilidade física e mental da marca
puxam o crescimento para além da lealdade dos consumidores
Janaina Langsdorff
– de Cannes
O
professor de ciência do marketing
Byron Sharp ministrou o
painel ‘Five marketing truths
we can actually agree on’, no Debussy
Theatre, no Palais des Festivals, na
tarde do dia 22 de junho. A sessão foi
mediada pelo acadêmico Mark Ritson,
fundador da plataforma de educação
executiva MiniMBA.
Ambos estão entre os pensadores
de marketing mais provocativos
da atualidade. Frequentemente, as
suas análises contrariam práticas
consagradas do marketing. Nem
sempre eles concordam, mas nesta
primeira participação no Cannes
Lions, a dupla juntou evidências e
princípios capazes de ajudar as marcas
a agir com confiança em um momento
de concorrência acirrada no
mercado.
Mental availability, Distinctive
brand assets, Resurrection of mass
marketing, The nonsense of brand
purpose e Consistency são as cinco
verdades apontadas no seminário.
“Ninguém liga para a sua marca.
Você tem apenas a sua marca na cabeça.
Mas o consumidor tem centenas.
A marca que está na cabeça do
consumidor é a primeira que ele compra”,
comenta Sharp, que é diretor do
instituto australiano Ehrenberg-Bass,
um dos maiores centros de pesquisa
de marketing do mundo, ligado à Adelaide
University.
Recall
“Se a marca é lembrada, 78% do
trabalho já foi feito”, diz Ritson. Diferenciação
nunca foi tão essencial. As
pessoas levam apenas dois segundos
para decidir por uma marca. Mas as
marcas não sabem identificar a própria
imagem.
“Siga em frente mesmo passando
mal”, emenda Ritson, que orientou estudantes
de MBA por cerca de 25 anos
e atuou como consultor de marcas por
Os professores Mark Ritson e Byron Sharp no palco do Debussy Theater, no Palais des Festivals, na tarde do dia 22 de junho
mais de duas décadas, incluindo para
empresas como Baxter, Loewe, McKinsey,
Dom Pérignon, Subaru e Donna
Karan, entre outras.
Ritson lecionou na Melbourne
Business School como professor de
marketing adjunto e recentemente
optou por se dedicar aos cursos da
MiniMBA. Recebeu prêmios de excelência
no ensino de MBA na London
Business School (LBS), MIT, Singapore
Management University (SMU) e Melbourne
Business School (MBS).
Massa e peRsonalização
Realidades diversas se formaram
para o mesmo cenário, exigindo códigos
de marca capazes de tornar a
identificação do produto mais fluido,
por meio de logotipos, cores, jingles,
slogans e símbolos.
Mas abusar da hipersegmentação
e dos dados, estratégias tão aclamadas
nos últimos anos, pode limitar
“Ninguém liga
para a sua marca”
demais a cobertura da marca, atrapalhando
o seu crescimento. “A mídia
de massa não acabou”, avisa Sharp.
Segundo o pesquisador australiano,
marcas trilham um caminho de expansão
ao atingir audiências vastas e
facilitar a disponibilidade do produto
ou serviço.
Ao combinar marketing de massa
com os princípios da customização, a
marca garante recall, transformando
espectadores em compradores.
Ele lembra que a lealdade é efêmera.
“É preciso construir disponibilidade
Shane Anthony Sinclair/Getty Image para Cannes Lions
mental”, orienta.
Não adianta, porém, se aproximar
das pessoas com propósitos impraticáveis.
“Qual marca vai salvar os golfinhos?
Ninguém escolhe uma marca
pensando nisso”, baliza Ritson.
Para Sharp, as marcas superestimam
as suas capacidades. “Apenas
depois de dois ou três anos, ou mais,
é que uma marca consegue se consolidar,
observa. Um trabalho consistente
favorece a disponibilidade
mental e torna o consumidor mais
propício a comprar a marca.
livRos
Byron Sharp é autor de ‘How brands
grow’ e ‘How brands grow 2’ – com
o professor Jenni Romaniuk. A obra é
considerada uma das mais influentes
do marketing moderno. Ele também
escreveu ‘Marketing: Theory, evidence,
practice’, que já está em sua segunda
edição.
42 29 de junho de 2026 - jornal propmark
cannes lions
‘Marcas participam dos momentos, não
são donas deles’, diz Guilherme Martins
VP de marketing da Diageo Brasil e Ionah Kochen, VP de marketing da
Nestlé Brasil, falam sobre economia da intenção no Impact Hub Lions
Fotos: Alê Oliveira
Guilherme Martins, VP de marketing da Diageo Brasil, durante painel em Cannes
Ionah Kochen, VP de marketing da Nestlé Brasil, e Guilherme Martins no Impact Hub
Bruna Nunes
– de Cannes
mim, atenção é algo em
que ainda não evoluímos o
“Para
suficiente”, afirmou Guilherme
Martins, VP de marketing da Diageo
Brasil. No painel ‘From capturing
attention to empowering intentionality’,
do Lions Impact Hub, no Cannes
Lions, o executivo dividiu a conversa
com Ionah Kochen, vice-presidente de
marketing e comunicação corporativa
da Nestlé Brasil.
Mediado por Thomas Kolster, fundador
do Goodvertising, o encontro
discutiu a chamada economia da
intencionalidade. Como ajudar o
consumidor a fazer escolhas mais
intencionais em um mundo de tantos
estímulos? Para Martins, parte do
desafio está justamente em rever a
forma como o mercado mede atenção.
“Continuamos usando os mesmos
KPIs de mídia que usávamos
há muito tempo. Ainda falamos de
cobertura e frequência. Agora é hora
de evoluir, quando pensamos na era
da atenção e em como os consumidores
estão evoluindo”, disse.
O VP de marketing conta que a
Diageo acompanha a quantidade de
vezes em que suas marcas são mencionadas
em canções para entender
como elas circulam na cultura. Um
dos casos é ‘White horse’ — ou ‘Cavalo
branco’, para os brasileiros —, presente
em gêneros como sertanejo, trap e
funk. Ao identificar essa apropriação,
a marca passou a olhar com mais
atenção para a relação que o público
já havia construído com ela.
“Estamos aqui em um festival de
criatividade. E vemos coisas lindas
que nos engajam, que nos fazem chorar,
que nos fazem rir, nos fazem viver.
Então, o que podemos realmente alcançar
com dados é personalização,
engajamento e escalar a criatividade”,
refletiu a VP da Nestlé.
Em complemento ao colega, Ionah
ressalta que o ponto de partida não
deve ser apenas o produto, mas o
contexto em que ele entra na vida
das pessoas. “O que realmente importa
é o estilo de vida, o momento
da vida, o ciclo”, afirmou. “O ideal é
que as marcas, de fato, participem
das conversas, sem interrompê-las”,
continuou.
Para o executivo, a série ‘House
of guinness’, da Netflix, é um
exemplo de como uma marca pode
transformar sua história em conteúdo.
“Falamos sobre a nossa marca,
falamos sobre a nossa história, mas
“O ideal é que as
marcas, de fato,
participem das
conversas, sem
interrompê-las”
entretendo consumidores em uma
tela grande, por duas horas, para que
conheçam a marca de um jeito que é
marketing sem que eles sintam que é
marketing”, avaliou.
Ainda entre os exemplos, Ionah
citou o caso de Kit Kat, que, com
apenas um anúncio de patrocínio a
Gabriel Bortoleto, piloto da Fórmula 1,
mobilizou fãs nos supermercados de
forma orgânica.
Durante sua reflexão, Martins defende
que a presença em territórios
culturais deve ser mais seletiva por
parte das empresas. “Nossas marcas
participam desses momentos, elas
não são donas desses momentos”,
disse. Para ele, festivais e eventos
não podem ser tratados apenas como
espaços de exposição e, por isso,
antes de estar ali, a marca precisa
entender o que tem a adicionar à experiência
do público.
Evolução E lEgado
A campanha de Johnnie Walker sobre
Paulinho da Costa, percussionista
brasileiro reconhecido internacionalmente
por trabalhos com artistas como
Michael Jackson, Whitney Houston
e Madonna, mostra como cases podem
ser ferramentas de transformação.
Apesar da relevância global, sua
trajetória ainda era pouco conhecida
no Brasil. “Encontramos esse cara,
Paulinho da Costa, um dos maiores
percussionistas do mundo. Ele é muito
conhecido na indústria musical em
Los Angeles, mas ninguém o conhece
no Brasil”, afirmou Martins. Há anos, a
marca mantém o mote ‘Keep walking’.
No caso da Nestlé, Ionah fez uma
analogia com o café para explicar a
transformação geracional. Ela destacou
que consumidores mais jovens
já não se relacionam com a categoria
como gerações anteriores, mais associadas
ao café forte e tradicional.
No entanto, hoje, as novas receitas,
ingredientes, rituais e ocasiões de
consumo ganham relevância, o que
amplia possibilidades para marcas como
Nespresso, Nescafé e Dolce Gusto.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 43
cannes lions
‘Criatividade e IA devem ser
exploradas’, sugere Demis Hassabis
Executivo é cofundador e CEO da DeepMind, do Google, que acaba
de fechar acordo com a produtora A24 para uso de IA no cinema
Janaina Langsdorff
– de Cannes
O
cofundador e CEO da DeepMind, Demis
Hassabis, comandou o painel
‘The future of creativity’ no Lumière
Theatre na tarde do dia 24 de junho.
O executivo da empresa de pesquisa e
desenvolvimento de inteligência artificial
do Google participou da conferência
ao lado de Francine Lacqua, apresentadora
e editora sênior da Bloomberg TV;
e Scott Belsky, sócio da produtora de
cinema independente A24.
Apesar das transformações já provocadas
pela inteligência artificial nos
últimos 15 anos, o mercado ainda vive
um momento incipiente quanto às
possibilidades de aplicação da tecnologia.
“A minha paixão é o uso da IA para
apoiar a ciência”, admite Hassabis, que
iniciou a sua empreitada no mundo da
tecnologia ao desenvolver videogames
na década de 1990. Syndicate e Theme
Park são alguns deles.
O cientista da computação testemunha
hoje o desenvolvimento de
ferramentas de IA idealizadas em conjunto
com artistas para criar narrativas
autênticas no mundo da música, dos
filmes e dos games. “Criatividade e IA
devem ser exploradas. Esse será o próximo
passo”, avalia Hassabis, vencedor do
Prêmio Nobel de Química de 2024 com
o projeto AlphaFold, que trouxe novos
parâmetros para a estrutura tridimensional
de proteínas.
Novos sistemas tentam simular as
capacidades do cérebro, “única inteligência
genuína e incrivelmente eficiente”,
observa Hassabis. Pesquisadores
estudam novos modelos, mas o que não
falta são ameaças. “O desafio é garantir
a utilização da IA para realizar projetos
com finalidades positivas”, alerta. Encontrar
profissionais preparados para
Francine Lacqua, da Bloomberg TV; Demis Hassabis, da DeepMind, do Google; e Scott Belsky, da A24, no palco no Lumière Theatre: IA
para projetos com finalidades positivas
lidar com ferramentas capazes de endereçar
soluções é fundamental. “As
novas gerações vão se adaptar ao que
a IA pode oferecer de melhor”, acredita.
A24
O Google acaba de fechar acordo com
o estúdio de cinema independente A24,
que assina a produção de ‘Marty Supreme’,
de Josh Safdie; ‘Tudo em todo o lado
ao mesmo tempo’, de Daniel Kwan e
Daniel Scheinert, vencedor do Oscar de
Melhor Filme em 2023; e ‘Guerra civil’, de
Alex Garland. Embora não confirmado
oficialmente, estima-se que o valor gire
em torno de US$ 75 milhões.
A expectativa é utilizar a inteligência
artificial para criar fluxos de trabalho e
recursos capazes de otimizar a produção
e a distribuição cinematográfica.
Filmes criados com IA se tornaram alvo
de críticas. Foi o que aconteceu com ‘O
Brutalista’, de Brady Corbet, também
produzido pela A24. Atores e roteiros escritos
por inteligência artificial genera-
tiva não serão elegíveis ao prêmio mais
cobiçado do cinema.
O anúncio foi feito pela Academia
de Hollywood em maio. “Na categoria
de Atuação, apenas papéis creditados
oficialmente no elenco do filme e comprovadamente
interpretados por seres
humanos, com seu consentimento, serão
considerados elegíveis”, estabelece
o documento que atualizou as regras do
Oscar.
pUblIcIdAde
Assim como Hollywood, o Cannes
Lions também atualizou as normas para
uso de IA, após denúncias de cases adulterados
por inteligência artificial. O estopim
das mudanças foi o case ‘Efficient
way to pay’, da então DM9 para a marca
Consul, da Whirlpool, que teve o Grand
Prix de Creative Data e um Bronze em
Creative Commerce cassados em 2025.
Também envolvidas em denúncias,
as campanhas ‘Plastic blood’ e ‘Death
gold’ tiveram troféus devolvidos pela
Alê Oliveira
DM9 - marca que deixou de existir. A
agência foi incorporada à operação da
Lola\TBWA, juntamente com Lew’Lara\
TBWA, movimento resultante da fusão
entre Omnicom e Interpublic Group (IPG),
confirmada em dezembro de 2025.
A edição de 2026 é a primeira com os
novos padrões de integridade adotados
pelo festival. As novas regras, apresentadas
em julho do ano passado, exigem
que as agências informem o uso da tecnologia
no processo de inscrição, sob o
risco de o projeto ser desclassificado ou
retirado da premiação. Envolvidos em
farsas podem ser suspensos por três
anos. Ferramentas são utilizadas para
detectar e prevenir fraudes.
Uso de IA
A utilização de IA em peças inscritas
no Cannes Lions saltou de 12% em 2024
para 20% no ano passado. “Em 2026,
soma 40%”, disse Philip Thomas, chairman
do Lions, durante coletiva realizada
na manhã da última quarta-feira (24).
no
patrocínio
44 29 de junho de 2026 - jornal propmark
click do alê
Alê Oliveira
aleoliveira@propmark.com.br
Fotos: Alê Oliveira
Simon Cook, CEO do Cannes Lions
Cannes Lions não é só Leão
Entre palestras, premiações e conversas, líderes, criativos e executivos do mundo todo se encontram, compartilham
ideias e transformam a semana na Côte d’Azur no maior palco de conexões da criatividade mundial.
Wieden+Kennedy conquista Leão de Ouro em Social & Creator Lions com ‘Uberlândia’
VML recebe Leão de Ouro em Social & Creator Lions com ‘Chicken screams for Coke’
Marina Pires (LePub), Gabriela Onofre (Publicis Groupe Brasil), Cecilia Bottai (Heineken)
e Andréa Fernandes (Publicis Groupe Brasil)
Taciana Lopes (Mastercard), Sandra Martinelli (ABA), Regina Augusto (Cenp) e Renata
Bokel (WMcCann)
46 29 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Equipe da AlmapBBDO na escadaria do Palais des Festivals
Rafael Pitanguy (VML)
Marcio Santoro e Ana Cester (Africa Creative)
Flavio Waiteman, cofundador e CCO da Tech & Soul
Luiz Sanches (Kimberly-Clark) e Luiz Fernando Musa (Ogilvy Brasil)
Deh Bastos (Paim)
Alarico Naves (Record)
Guilherme Martins (Diageo)
jornal propmark - 29 de junho de 2026 47
Fotos: Alê Oliveira
Michelle Andrade de Paula, Karina Kattan e Samuel Segatelli (Zest)
Daniel Baptista, Fernando Duarte, Marco Giannelli (Pernil), Bruno Merino e Henrique
Del Lama (AlmapBBDO)
Andrea Siqueira (Ampfy)
Ionah Kochen (Nestlé)
Marianna Souza (Apro)
Dogura Kozonoe e Fábio Souza (MRM)
Rafael Donato (Ogilvy) e James Feeler (Jamute)
Wilson Ferreira Junior e Heloisa Santana (Ampro)
48 29 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Alê Oliveira
Lucas Feltes e Dudu Rodrigues (WT.AG)
Edu Luke (Hefty Music & Sound)
Marie Julie Gerbauld (David)
Marcel Marcondes (AB InBev)
Fabiana Amaral, Juliana Covino e Sabrina Romero (Vivo)
Claudio Paim, Daniela Okuma, Michele Fernandes e Maria Fernanda Antonelli (Globo)
Patrício Junior (Publicis/Coletivo Publicitários Negros)
Sandra Azedo (David)
jornal propmark - 29 de junho de 2026 49
mercado
‘A jornada do consumidor
passa pelo e-commerce’
À frente das áreas de marketing
e ESG da Jadlog, Isabella
Ferrentini assume o desafio de
fortalecer ainda mais a presença
da marca em um momento de
expansão acelerada da logística
e do e-commerce no Brasil. Com
uma trajetória marcada pela
construção de estratégias de
posicionamento e relacionamento
com consumidores, a executiva
chega à companhia atraída
por sua capacidade de inovar,
crescer e transformar o setor.
Nesta entrevista, Isabella fala
sobre os planos para ampliar a
integração entre marketing e
sustentabilidade, além do futuro
da logística no país.
Isabella Ferrentini: as soluções de logística bem feitas, impactam o consumidor
Divulgação
DESAFIO
Aceitei com muito entusiasmo o
convite para assumir a diretoria de
marketing e ESG da Jadlog, motivada
por uma combinação de fatores que
tornam esse desafio especialmente
relevante. Entre eles, destaco a solidez
da empresa, sua visão de futuro
aliada a uma infraestrutura já consolidada
e, sobretudo, sua trajetória
de quebra de paradigmas, com crescimento
sustentado pela inovação
e pelo compromisso de entregar o
melhor serviço aos clientes. Vi, no
convite, uma oportunidade para atuar
em um setor de grande relevância na
economia, e trabalhar em uma empresa
que, em pouco tempo, despontou e
conquistou uma posição de destaque
na logística do e-commerce, e que
constituiu um projeto consistente
de futuro. Estar conectada à Jadlog
significa também fazer parte de um
dos principais players de um setor
que só cresce e ganha relevância, o do
e-commerce e o de logística de entrega
dessas mercadorias. É fazer parte
de uma mudança acentuada que
está acontecendo na forma como as
pessoas compram e recebem os seus
produtos. Acredito que a evolução da
jornada do consumidor passa pelo e-
-commerce, pelas novas soluções de
logística, por isso, quero acompanhar,
participar e contribuir para esse avanço
do mercado, com a Jadlog à frente
desse processo.
DIAGNÓSTICOS
Eu me surpreendi ao ver a força da
Jadlog em termos de sua malha logística
– composta hoje por 17 filiais, 500
franquias distribuídas por todo o país,
mais de quatro mil pontos comerciais
parceiros, além da rede Jadlog Envios,
de pontos alternativos de atendimento
aos embarcadores e consumidores
em cidades com até 30 mil habitantes
“A Jadlog tem
dezenas de
milhares de
clientes”
localizadas em regiões mais afastadas
dos grandes centros econômicos.
A infraestrutura e a tecnologia do
novo hub, recém-inaugurado, também
me surpreenderam. Percebi que a
empresa está totalmente preparada
para responder às demandas do mercado
brasileiro de logística de cargas
expressas. Por outro lado, como companhia
que sempre se dedicou ao aprimoramento
dos serviços, percebi que
ainda há muito a ser feito em termos
de marketing, para colocar a marca
Jadlog na posição de reconhecimento
que ela merece.
ESG
O formato da operação da Jadlog
traz, em sua base mesmo, um diferencial
que já conecta o marketing
ao ESG. E quero citar aqui o serviço Pickup,
de pontos parceiros comerciais,
em que o consumidor pode retirar as
mercadorias adquiridas no e-commerce
caso o home delivery seja inviável
(quando o consumidor mora em condomínios
sem porteiro, ou mesmo em
CEPs não atendidos pelos serviços de
entregas). Esse modelo contribui para
a redução de emissões no transporte
e poluição sonora, pois os veículos da
empresa realizam menos trajetos,
concentrando parte das entregas em
determinados pontos. Isso também
contribui para reduzir o trânsito na
cidade. Então, com o Pickup, a Jadlog
está atuando não só para trazer conveniência
ao consumidor, mas ajudando
a reduzir as emissões e a tornar a
operação mais sustentável. Deseja-
50 29 de junho de 2026 - jornal propmark
mos promover ainda mais esse sistema
de entrega.
E-COMMERCE
A Jadlog está
agregando inovação
ao negócio.
Acaba de concluir
um investimento
de R$ 200 milhões
no Nexus 87, o
novo hub, que representa
o que há
de mais avançado
em termos de
operação nessa
área, contando
com tecnologia
e equipamentos de última geração.
Instalado em uma área de cerca de
20 mil m², o Nexus 87 permitiu à Jadlog
dobrar a sua capacidade operacional
de processamento, com muito
mais agilidade. O novo sorter, de 310
metros de comprimento, processa
mercadorias a uma velocidade muitas
vezes superior à que era possível
até agora. Inclusive, o meu primeiro
dia na Jadlog foi o da inauguração
deste hub, e fiquei muito impressionada
com as instalações e com o
evento ali realizado, que contou inclusive
com a presença do prefeito
Ricardo Nunes. A empresa demonstrou
que está em uma fase muito
auspiciosa e no momento certo para
conseguir alavancar o e-commerce
na medida das necessidades deste
mercado. O novo hub traz ganho de
marca e apoia a geração de empregos,
e acredito que será um divisor
de águas nessa nova etapa de crescimento
da empresa. Nesse contexto,
a Jadlog está preparada para evoluir
amparada em capacidade operacional,
capilaridade, tecnologia, eficiência,
agilidade e segurança, levando
as mercadorias rapidamente até o
cliente, com qualidade e integridade,
até os pontos mais distantes do país.
E a resposta ao investimento realizado
pela Jadlog em todas essas frentes
tem sido a conquista de clientes
entre grandes marcas e varejistas
online. Hoje a Jadlog tem dezenas
de milhares de clientes ativos, dos
mais diversos segmentos, incluindo
moda, eletrônicos, cosméticos, autopeças
e bebidas, entre outros. A
empresa também está crescendo no
C2C, atendendo pessoas físicas e microempreendedores
que vendem ou
compram mercadorias pela internet.
“Buscamos
fazer com que
a logística seja
uma experiência
positiva e
conveniente para
o consumidor”
Outro ponto é que, olhando a crise
da estatal do setor, muitas unidades
dos Correios estão sendo fechadas,
e essa lacuna pode ser ocupada
pela Jadlog. Há
enormes oportunidades
ainda em
logística reversa,
segmento no
qual a empresa já
vem avançando,
e também no B2B
de cargas fracionadas.
Portanto,
o potencial para
avançar ainda é
grande.
CONSUMIDOR
Buscamos fazer com que a logística
seja uma experiência positiva
e conveniente para o consumidor, já
que materializamos a compra do produto
após toda a jornada digital. Desta
maneira, estamos fortalecendo a
percepção da Jadlog e fazemos isso
com as entregas porta a porta, o delivery
tradicional, e com alternativas,
como as retiradas de encomendas
nos pontos Pickup, que flexibilizam o
processo e empoderam o consumidor.
Com o uso do Predict, a ferramenta
que notifica o consumidor sobre a
previsão e o horário em que o motorista
vai realizar a entrega, também
fortalecemos a percepção de marca.
Além disso, valorizamos a experiência
da logística reversa, aproveitando
a nossa capilaridade nacional, com
trocas e devoluções de produtos de
maneira simples e sem filas. É importante
ressaltar ainda nossos esforços
em manter a reputação positiva
da Jadlog com a resolução rápida de
reclamações e imprevistos.
COMPORTAMENTOS
O E-Shopper Barometer, pesquisa
já tradicional realizada pela Jadlog
e pelo Grupo Geopost, mostra que
o consumidor deseja receber as entregas
dos produtos no menor tempo
possível e, mais do que isso, ter
serviço que permita acompanhar as
entregas em tempo real. A logística
passou a ser ponto central do sucesso
e do crescimento do e-commerce.
O consumidor quer ter acesso a
ferramentas que lhe deem conveniência
ao recebimento e sinalizem
onde está a encomenda. Outro ponto
importante do comportamento é a
logística reversa. Da mesma forma,
o consumidor deseja uma solução
que facilite a devolução das mercadorias,
principalmente no segmento
de moda (roupas, calçados e acessórios).
Para atender à necessidade
de acompanhamento do status da
entrega, a Jadlog está lançando o
MyJadlog, um aplicativo de rastreio
focado no consumidor. Além disso,
já oferece o Predict, ferramenta que
informa o destinatário, via SMS e e-
-mail, sobre o horário de entrega da
encomenda, dentro de uma janela de
duas horas antes da chegada efetiva
da encomenda. Caso não consiga
receber no local e horário originalmente
agendados, o consumidor
pode responder à mensagem do
Predict reagendando a entrega, inclusive,
para outro endereço. Quanto
à logística reversa, os pontos Pickup
também realizam o drop off das encomendas
para a logística reversa
do e-commerce. Os consumidores
que precisam trocar ou devolver a
mercadoria são orientados pelos varejistas
para depositar os produtos
nos pontos Pickup, para que sejam
encaminhados de volta ao embarcador.
Apenas na região metropolitana
de São Paulo, são 900 pontos comerciais
parceiros que podem apoiar a
devolução das mercadorias.
SERVIÇOS
A diversificação de serviços é uma
importante estratégia da Jadlog para
acompanhar as
novas demandas
e manter a experiência
positiva
dos clientes e do
consumidor na
entrega do produto.
Por isso, temos
desde o home delivery
até os pontos
da rede Pickup, de
quatro mil comércios
parceiros de
bairro (cafeterias,
floriculturas e supermercados,
por exemplo). Para o
C2C – pessoas físicas e pequenos lojistas
que compram e vendem produtos
pela internet – temos o Jadlog Entregas,
um serviço online amparado
por tecnologia que facilita e agiliza o
envio de encomendas por parte desses
microempreendedores. A Jadlog
inclusive é a primeira transportadora
no país a inovar e criar uma plataforma
própria de envios. A operação
“A empresa
está preparada
para responder
às demandas
do mercado
de logística de
cargas expressas”
desses pontos parceiros permite
reduzir o valor de frete em cerca de
20%, em comparação com as entregas
padrão, e traz outro benefício
que é reduzir a circulação de veículos,
ao concentrar a retirada em pontos
comerciais parceiros. São soluções
que permitem atender o consumidor
com excelência e que, sob o aspecto
da sustentabilidade, se coadunam
com as diretrizes do Grupo Geopost,
que estabeleceu o compromisso Net-
-Zero 2040, de zerar as emissões de
gases do efeito estufa até 2040, antecipando
metas globais.
IA
A IA está cada vez mais integrada
à operação logística, seja para entender
melhor a cadeia de suprimentos
ou para automatizar as entregas
para que sejam feitas com mais excelência.
Com isso, temos redução
de custos operacionais, entregas
mais rápidas e maior visibilidade dos
processos. Toda essa automação e
uso de IA também impactam positivamente
o marketing no setor de
transportes e logística. Essas tecnologias
ajudam as empresas a conhecer
melhor os clientes, automatizar
e direcionar campanhas, melhorar o
atendimento, prever demandas e otimizar
investimentos. As estratégias
passam a ser orientadas por dados,
o que as tornam mais eficientes e
personalizadas. Isso amplia a competitividade
das
empresas no mercado.
Mas sua implementação
exige
investimento,
integração de sistemas
e capacitação
das pessoas.
FUTURO
Um dos objetivos
do nosso
plano de marketing
é reforçar
a experiência
positiva que proporcionamos na
jornada do consumidor, e, para isso,
queremos ampliar o relacionamento
com influenciadores, a fim de que vivenciem
de perto essa experiência,
inclusive por meio de ações realizadas
em parcerias com as marcas
que são nossos clientes. Também
seguiremos com o investimento em
publicidade digital e em meios eletrônicos
quando necessário.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 51
mercado
Mercado Livre passa a monitorar suas
impressões de publicidade no TikTok
Por meio da divisão Mercado Ads, marketplace vai disponibilizar
7 milhões de criadores de conteúdo para campanhas e endossos
O
Mercado Livre aproveitou sua
presença em Cannes, onde assegurou
o Grand Prix da categoria
Outdoor Lions com o case ‘Cupom
em campo’, criação da agência GUT,
para lançar três novas soluções que
materializam sua visão de commerce
powered media, como esclarece
seu comunicado: a expansão para o
ecossistema do TikTok; o lançamento
da maior rede de criadores de conteúdo
da América Latina, com mais de 7
milhões de profissionais; e novos formatos
de vídeo shoppable. O projeto
é capitaneado pela divisão Mercado
Ads, do SVP Jesús Moreno Sosa. O plano
com a expansão no TikTok é permitir
ao mercado anunciante mensurar o
percurso de cada impressão publicitária,
desde as etapas de consideração
até as conversões no marketplace.
Através dessas iniciativas, os
anunciantes poderão alcançar a audiência
do Mercado Livre em canais
de alto engajamento fora do ecossistema
— do TikTok à TV conectada
(CTV), além de plataformas de streaming
—, com acesso a segmentações
baseadas no perfil de compra do usuário
e rastreabilidade total da jornada
de compra, desde a primeira impressão
até as considerações e conversão
dos usuários no marketplace número
1 da região.
Graças à mensuração completa, os
anunciantes poderão atribuir o quanto
as impressões geradas por cada
inserção publicitária resultaram em
ações concretas dos usuários dentro
do marketplace – se os anúncios geraram
aumento nas buscas pela marca,
inclusão de produtos no carrinho ou a
efetivação de compras.
“Mercado Ads inova mais uma vez
ao oferecer soluções que conectam
branding e performance para transformar
visibilidade em resultados
concretos de negócios. Com essas
soluções, não só permitiremos que as
marcas estejam presentes em canais
de alto engajamento, mas também
ofereceremos inteligência de dados
O TikTok ganha espaço no ambiente de publicidade do Mercado Ads com a possibilidade de mensuração das inserções
O executivo Jesús Moreno Sosa ocupa a posição de VP sênior do Mercado Ads
“Anunciantes
poderão ativar
campanhas com
objetivos de
awareness”
Fotos: Magnific e Divulgação
para que essa descoberta se converta
em intenção de compra dentro do
nosso ecossistema. Tudo isso com
segmentação exclusiva e métricas
que permitirão atribuir cada impressão
à consideração e às vendas”, explica
Jesús Moreno Sosa, vice-presidente
sênior do Mercado Ads.
O executivo disse que o TikTok passa
a fazer parte do ecossistema publicitário
do Mercado Ads. Segundo ele,
o TikTok se consolidou como um dos
principais ambientes em que usuários
buscam inspiração, recomendações
de produtos e descobrem marcas – e
agora esse momento de descoberta
se conecta diretamente ao ecossistema
de compras do Mercado Livre.
“Graças à rastreabilidade total
de ponta a ponta do funil, marcas e
agências poderão monitorar todo o
impacto de cada campanha: desde a
visibilidade gerada no TikTok até se
esses vídeos impulsionaram etapas
de consideração dentro do Mercado
Livre – como buscas pela marca, visitas
à loja oficial e adição ao carrinho –
culminando na conversão final. Nesta
primeira etapa, os anunciantes poderão
ativar campanhas com objetivos
de awareness para a audiência do Tik-
Tok, com capacidade de mensuração
do impacto em consideração e conversão
dentro do Mercado Livre. As
decisões de investimento são respaldadas
por dados verificados”, finaliza.
52 29 de junho de 2026 - jornal propmark
mercado
IFood convoca Nizan Guanaes para seu
evento B2B sobre segmento alimentício
Projeto da marca está agendado para 16 e 17 de setembro no São
Paulo Expo e também vai debater técnicas de varejo e conveniência
Divulgação
Fundador da N.ideias e um dos principais
nomes da publicidade brasileira,
Nizan Guanaes será uma das
atrações do evento B2B ‘iFood Move
2026’, agendado para os dias 16 e 17 de
setembro no São Paulo Expo, em São
Paulo. O evento é considerado o maior
encontro B2B de alimentação, varejo e
conveniência da América Latina, e deve
reunir mais de 12 mil participantes
ao longo dos dois dias.
O nome de Nizan surgiu naturalmente.
Ele atua como consultor estratégico
do iFood desde 2023, tendo
liderado a criação da campanha ‘Pede
iFood já’ — expressão que se tornou a
principal assinatura de comunicação
da marca. O publicitário Nizan Guanaes atua como consultor estratégico do iFood desde 2023
Em parceria com a DM9, assinou
o posicionamento ‘iFood é tudo pra
mim’, lançado em maio de 2025, e
conduziu a consultoria estratégica
da campanha ‘O Brasil que faz o iFood’
— iniciativa que celebra os 15 anos
da empresa e cujo ecossistema movimentou
0,64% do PIB nacional em
2024, segundo a Fipe (Fundação Instituto
de Pesquisas Econômicas).
“O Nizan é a prova viva de que o
Brasil não só acompanha o mundo,
como o lidera”, explica a executiva
Beatriz Pentagna, diretora de marketing
para restaurantes do iFood, que
também vai levar ao ‘iFood Move 2026’
João Branco, ex-CMO do McDonald’s, e
Michel Alcoforado, da Consumoteca.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 53
mercado
For Tomorrow tira instituto do nome e se
reposiciona como plataforma de inovação
O For Tomorrow tirou do nome a
palavra instituto com o objetivo
de deixar claro ao mercado o
posicionamento como uma
plataforma de inovação, com
várias frentes de atuação, como
produção de relatórios de
tendências e viagens imersivas a
países como a China. A plataforma
entra no décimo ano de existência
sem perder a essência de origem,
que é ajudar os clientes no
desenho de cenários futuros
e aplicar isso no dia a dia das
empresas, como explicam na
entrevista a seguir Camilo Barros e
Camila Tabachi, respectivamente
chief business officer e chief
creative officer do For Tomorrow.
Camilo Barros e Camila Tabachi, líderes do For Tomorrow, que faz design de futuros
Divulgação
Kelly Dores
Como o For Tomorrow surgiu?
Camilo: O instituto nasce em Portugal e a gente traz
para o Brasil como uma consultoria de inovação. Em
2020, criamos o nosso podcast, que é o Tomorrow
Cast, em que a gente fala com o mercado sobre visão
do futuro do negócio, futuro da educação, futuro
do entretenimento, qualquer coisa que tivesse esse
olhar aqui. E, a partir dessas conversas, começamos
a criar white papers, relatórios e trazer essa definição
de olhar de futuro. Hoje, a gente atua basicamente
em quatro verticais. A primeira que é como
consultoria em trilhas de inovação para empresas.
Passamos a olhar muito também para movimentos
de comportamento, de consumo, com atendimento
a marcas como Nestlé, Danone, Visa e Cielo, ajudando
esses clientes a ter um olhar mais rápido sobre
o que está acontecendo no mercado e como dar
insights para o time, por meio de pesquisas, metodologias
que desenvolvemos, olhando para formas
de design de futuro. Nessa vertical, hoje, basicamente,
a gente atua com empresas desse porte, em
enterprise. São pautas que olham para a adoção de
inteligência artificial, de novas tecnologias, creator
economy dentro do negócio. A nossa principal frente
de negócios é essa de consultoria direta com os
clientes. Só que ela é a menos sexy para o mercado,
vamos assim dizer, à qual a gente menos pode dar
publicidade por conta até dos desafios que temos.
O For Tomorrow dá letramento de inteligência artificial
para C-level de empresa que se posiciona na mídia
e que está falando de inteligência artificial com
o nosso conteúdo.
E como é conhecido hoje?
Camilo: O For Tomorrow se tornou referência em
olhar de futuro e na construção de tendências a partir
dos eventos e dos ecossistemas. Estamos indo
para o décimo ano de atuação. E a segunda frente é
a de experiências com os eventos, como o Web Summit
e o SXSW. A gente tem uma metodologia de construção
desses eventos. Voltamos de Austin (o SXSW
foi realizado em março na cidade norte-americana)
com 85 executivos que foram conosco. O trabalho
não é só ir ao evento, tem toda uma parte de preparação
sobre o que ver, dentro de uma metodologia
nossa e depois a aplicação de tudo que viu quando a
“O For Tomorrow
se tornou referência
em olhar de futuro
e na construção
de tendências”
54 29 de junho de 2026 - jornal propmark
gente volta, com a produção de relatório e aplicação
dentro dos clientes. A gente começou a entender
uma dor muito grande dos clientes, que eles voltavam
dos eventos com muito insumo e tinham uma
dificuldade grande de aterrissar o conteúdo para os
times, de como colocar em prática.
De que forma surgiram os relatórios?
Camila: Até por causa das metodologias de design,
a gente começou a montar os workshops e as metodologias
para ajudar os clientes
a priorizar o conteúdo dentro
dos objetivos de negócio deles,
porque é muita referência. São
reports de cerca de 440 páginas.
Às vezes, são tendências
que eles amam, que eles acham
genial, mas não se encaixam no
timing da empresa no momento,
por exemplo. Então, ajudamos
os clientes a trazer o conteúdo
para dentro das empresas e colocar
em prática durante o ano
com os times.
E como é feita essa construção?
Camilo: Toda a nossa construção é colaborativa. O
report do South by Southwest, por exemplo, é discutido
todo dia lá, a gente faz uma reunião todo dia,
discute com todo mundo, gera conteúdo e a partir
dessa colaboração chega ao nosso material. O relatório
é aberto ao mercado. É uma ferramenta de
democratização da nossa visão. Aliás, a gente faz
muito esforço para que ele ganhe campo. Está disponível
no nosso site para download. O For Tomorrow
apresentou o relatório 30 dias depois do evento.
A gente deixa passar a cobertura jornalística, porque
não vamos cobrir as palestras melhor do que
vocês. Vamos refletir e trazer uma entrega tangível
para a aplicação corporativa. Até porque os eventos
são muito pontuais dentro do calendário, começamos
a desenvolver também jornadas imersivas em
ecossistemas, independentemente de ter evento ou
não. Já fomos para Israel, Singapura, China e Vale do
Silício, por exemplo. São viagens de negócios. Levamos
grupos de diferentes empresas. No fim do ano
passado, ficamos 14 dias na China, onde desenhamos
uma missão para olhar a creator economy e o varejo
na China, como isso está se cruzando e criando uma
nova indústria. Isso também gerou um relatório. Então,
tudo nosso tem uma construção e isso vira uma
aplicação. Neste ano, vamos para o Vale do Silício só
olhando para as empresas de inteligência artificial.
Como terceiro produto dentro dessa vertical, que
acabou derivando disso, as empresas nos contratam
para fazer missões fechadas para eles. Nesse caso,
vira uma missão de incentivo. A gente não vende
uma viagem de incentivo e normalmente temos um
parceiro de turismo para fazer essa parte.
Explique melhor essa vertical.
Camila: Dentro da vertical de experiência, temos
também os eventos proprietários, como um evento
“Ajudamos os
clientes a trazer
o conteúdo
para dentro
das empresas e
colocar em prática
com os times”
de creator economy em Portugal, onde a gente começou
a olhar para o criador de conteúdo e não para
quem quer trabalhar com esse profissional. Fazemos
basicamente um trabalho de letramento para
os criadores de conteúdo. E hoje a gente faz curadoria
para grandes eventos com essas temáticas de
novas tecnologias, novas habilidades, e-commerce,
inteligência artificial e afins. São mais de 3 mil slots
de palestras ao longo do ano.
E qual seria a terceira
frente?
Camila: A terceira frente é a nossa
parte de produção de conteúdo.
Além do podcast, temos os
relatórios dos eventos e das missões,
toda parte de white paper,
relatório de tendências, não necessariamente
ligado a um evento.
Fazemos a captação de conteúdo
e os clientes nos contratam
para olhar para determinados
mercados com mais profundidade.
Também fazemos os desdobramentos
dentro das empresas.
E a quarta vertical nossa é de aprendizado. Temos
algumas ferramentas de aprendizado e letramento
para empresas, metodologias de workshop que a
gente aplica em jornadas, com produtos em parceria,
que são masterclasses.
Por que decidiram se reposicionar e tirar a
palavra instituto do nome?
Camilo: Foi um ato de coragem, porque todo mundo
fala: “Estamos com o instituto”. Mas no Brasil, ele te
dá uma conotação de algum lugar de pesquisa ou
que a gente atua no modelo de contratação de instituto.
O objetivo é deixar claro
que somos uma plataforma de
inovação, uma plataforma de desenhos
de futuros. For Tomorrow
é uma plataforma porque tem
todas essas frentes de conteúdo
e as formas de entrega. Vai
levar um tempo para as pessoas
se acostumarem, porque muito
gente ainda se refere a nós como
instituto. Mas é uma adequação.
E como está o olhar para a
inteligência artificial?
Camilo: O nosso olhar de futuro é propositivo, sempre
é com um olhar para o bem. A hora que você pega
os grandes futuristas do mundo, eles vão muito para
o lado caótico porque gera o caos, vira notícia. E a
gente tem muito esse cuidado de falar, como por
exemplo do futuro do trabalho com inteligência artificial.
Tem sido, inclusive, uma fonte nossa de trabalho,
de preparar as empresas para esse momento.
Acabamos de fazer um trabalho para a Petrobras.
Eles criaram na Avenida Paulista um prédio para ser
um lugar de relacionamento. E é bem diferente de
um olhar de escritório, é um lugar divertido, que foi
“O nosso olhar
de futuro é
propositivo,
sempre é com um
olhar para o bem”
totalmente redesenhado para poder trazer as pessoas
de volta para o escritório. Daí a gente começa a
entender por que o For Tomorrow tem entrado muito
pelos departamentos de RH, porque todo mundo
está falando que tem de usar IA, mas não sabe como
fazer. E não é simplesmente dar as ferramentas, mas
ajudamos as empresas a reconstruir essas estruturas,
porque está mudando tudo, escopo, habilidades.
Quais são os principais clientes?
Camila: Cielo, Nestlé, Unilever, Hotmart, E-commerce
Brasil e Danone. São clientes em que atuamos de
diversas formas, em frentes de curadoria e de produtos,
por exemplo.
De que jeito enxergam o futuro do mercado?
Camilo: De novo, o For Tomorrow é superpositivo
quando olha para a construção de futuros e vem
se preparando para tudo que tem pela frente em
termos de oportunidades e inclusive das ameaças.
Os cenários são muito favoráveis. Não é um oceano
azul, mas a gente acaba trabalhando muito em parceria
com boa parte dos nossos concorrentes em
outros produtos. A própria Oficina da Comunicação,
que é a nossa agência de PR, é a a parceira em alguns
projetos.
E como essa experiência em design ajuda
no dia a dia?
Camila: Sou publicitária de formação e fiquei sete
anos como executiva na Abedesign (Associação Brasileira
de Empresas de Design), que aliás hoje é um
grande parceiro nosso. A gente vem de uma escola
de design. Inclusive, fazemos algumas missões com
um olhar voltado para design. Entrei na Abedesign
acompanhando um projeto de exportação, de como
é que o design aumentava o valor agregado dos produtos.
A gente tem muita relação
com empresas de design, muitos
dos nossos clientes são escritórios
de design, desde os maiores,
como a Tátil e a Ana Couto.
Camilo: No Grupo Dreamers (dono
de agências como Artplan e do
Rock in Rio), fui sendo colocado
em todas as agências compradas
ou que estavam em aquisição. Eu
questiono muito o modelo de subserviência
de mídia da publicidade.
Eu sempre discuti isso muito dentro do grupo, tenho
muita liberdade para conversar sobre o assunto.
Criei projetos lá sobre o futuro da comunicação e tal.
E aí eu fui estudar design de futuros baseado nesses
meus incômodos. Eu sempre falo que todo mundo é
designer em algum momento. É pensar de uma maneira
linear e caminhar para o que é previsível dentro
do desenho de futuro, que traz a possibilidade de
cenários diferentes. É com isso que o For Tomorrow
trabalha. Então, dificilmente em um projeto vamos
chegar só a um cenário. Vamos desenhar cenários
possíveis, escolher dentro deles qual é o desejável e
a partir dali desenvolver o projeto.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 55
marcas
Rosa é a cor mais quente no futebol? A
estratégia por trás das chuteiras na Copa
A predominância da cor reflete a estratégia das marcas esportivas
em maximizar a visibilidade dos produtos e trazer uma nova cultura
Fotos: Divulgação
A Adidas revelou o pack ‘Road to glory’ para a Copa Karine Karam: o rosa mexeu com o consumo e a cultura Para as marcas, o rosa cria o constraste no gramado
Bruna Magatti
A
invasão das chuteiras rosas na Copa lembra a
estratégia que transformou a Pantera Cor-de-
-Rosa em um ícone mundial do cinema. O personagem
não precisava falar para ser percebido; sua
cor fazia o trabalho. Da mesma forma, Nike, Adidas,
Puma e New Balance parecem ter entendido que,
em um evento disputado pela atenção de bilhões
de pessoas, a visibilidade vale ouro. O rosa fluorescente
se tornou um atalho visual capaz de destacar
atletas, gerar repercussão nas redes sociais e ampliar
a exposição das marcas sem interromper a experiência
do jogo.
A Copa do Mundo sempre foi uma das maiores vitrines
globais para fabricantes de material esportivo.
Por isso, cada detalhe relacionado ao design dos
produtos utilizados pelos atletas costuma ser planejado
com antecedência. Nesse cenário, o destaque
das chuteiras rosas se tornou um dos movimentos
mais comentados da competição. Presentes nos pés
de atletas de seleções como Brasil, Alemanha, Estados
Unidos, Japão, México, Coreia do Sul e Marrocos,
os modelos em tons fluorescentes ganharam protagonismo
ao longo do torneio e chamaram a atenção
não apenas dos torcedores, mas também de especialistas
em marketing esportivo e branding.
por quê?
Embora o fenômeno possa parecer, à primeira vista,
uma simples tendência estética, a predominância da
cor reflete uma estratégia cada vez mais relevante
para as marcas esportivas: maximizar a visibilidade
dos produtos em um dos eventos de maior audiência
do planeta.
De acordo com a Adidas, a cor rosa traz diversos
aspectos: “No mais alto nível do futebol, a visibilidade
é importante não apenas para o atleta que
utiliza o produto, mas também para a forma como
o jogo é vivenciado pelos torcedores no estádio
e pelas transmissões. Além do aspecto de performance,
o futebol tem se tornado cada vez mais uma
forma de expressão, e os jogadores de hoje buscam
maneiras de demonstrar confiança e personalidade.
O rosa está justamente na interseção entre visibilidade,
energia e autoexpressão.” Para a empresa,
a quantidade de tantas chuteiras rosa no evento
é algo empolgante de se ver. “A Copa do Mundo
sempre refletiu os rumos da cultura do futebol. A
presença cada vez maior de cores ousadas mostra
como performance e autoexpressão caminham juntas
no futebol moderno.”
Para Karine Karam, especialista em comportamento
do consumidor e professora do hub de trade
marketing da ESPM, nada que aparece em campo é
fruto do acaso, especialmente quando se trata das
chuteiras. Para ela, o fato de Nike, Adidas, Puma, New
Balance e outras marcas terem apostado simultaneamente
em uma mesma tendência não significa
necessariamente uma coincidência, mas sim uma
convergência estratégica.
“Em um ambiente visualmente homogêneo, formado
por gramados verdes, uniformes tradicionais
e transmissões cada vez mais rápidas, uma cor vibrante
se transforma em poderoso recurso de diferenciação.
O rosa cria contraste, facilita a identificação
do atleta e aumenta a capacidade de lembrança
da marca, tanto para quem está assistindo ao jogo
quanto para quem consome os inúmeros recortes
que circulam posteriormente nas redes sociais.”
A professora analisa que o principal objetivo é
justamente ampliar sua capacidade de gerar repercussão
orgânica, dentro de um cenário onde Instagram,
TikTok e portais esportivos dominam o conteúdo
em tempo real.
“Se um jogador decisivo utiliza determinado modelo,
a associação entre performance, desejo e produto
acontece de forma quase instantânea. É uma
estratégia extremamente eficiente porque não interrompe
a experiência do espectador; ela faz parte
dela”, explica.
Ela afirma que a decisão também impacta em
uma quebra de códigos culturais e formas de consumo
de artigos esportivos: “O esporte se aproximou
definitivamente da moda e da expressão individual.
Os consumidores, especialmente os mais jovens, já
não escolhem produtos apenas pela funcionalidade,
mas também pelo significado, pela estética e pela
capacidade de representar sua personalidade. Há
também uma quebra importante de códigos culturais.
Cores que antes eram associadas a determinados
gêneros perderam essa rigidez e passaram a ser
interpretadas como elementos de autenticidade,
ousadia e identidade própria. O rosa, hoje, é percebido
muito mais como uma cor de destaque e atitude
do que como um símbolo exclusivamente feminino”.
56 29 de junho de 2026 - jornal propmark
marcas
Heineken acelera tempo das reuniões
para que ninguém perca vida pessoal
O filme ‘The skipper’ mostra um projetor de slides que dá um corte
no que é desnecessário na vida corporativa para ativar o modo bar
Em ano de Copa do Mundo, reuniões
desnecessárias precisam
ser encurtadas porque é preciso
ter equilíbrio entre vida corporativa
e pessoal. A cerveja Heineken propõe
esse comportamento na campanha
‘The skipper’, gadget que dá um corte
na enrolação. No filme criado pela Le
Pub São Paulo, o dispositivo é semelhante
a um passador de slides, mas
projetado para pular uma apresentação
e, consequentemente, não deixar
que ninguém chegue atrasado para
ver o jogo da seleção no bar preferido,
ao lado dos amigos.
‘The skipper’ começou na final
da UEFA Champions League, que foi
realizada no dia 30 de maio, com os
20260107_APP_Propmark_Anuncio_V03.pdf 1 07/01/2026 14:25:20
Para dar um basta na enrolação, ‘The skipper’ dá um fim no papo supérfluo
Divulgação
criadores Festa da Firma e Paulo
Aguiar, e segue ativa para os jogos
programados para o fim da tarde em
dias úteis.
“Sabemos que o futebol tem a capacidade
de conectar as pessoas de
uma forma única. Em uma rotina cada
vez mais acelerada, os momentos de
encontro se tornam ainda mais valiosos.
Com essa iniciativa, queremos
incentivar as pessoas a se reunirem
para assistir aos jogos e brindarem
com Heineken®, transformando cada
partida em uma oportunidade de conexão.
Afinal, acreditamos que os melhores
momentos são aqueles vividos
juntos”, afirma Isabela Fagundes, gerente
de marketing da Heineken.
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história na
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jornal propmark - 29 de junho de 2026 57
marcas
Coca-Cola resgata tradição brasileira de
pintar ruas durante mundial de seleções
A engarrafadora Femsa faz aposta com o artista visual e muralista
Adriano Vespa em cidades da Grande São Paulo e bairros da capital
Paulo Macedo
Conhecedor do clima das ruas durante a Copa, Adriano Vespa leva seu estilo para a ação “A rua volta a sonhar”, da Femsa Coca-Cola
As pinturas procuram resgatar a tradição popular de pintar fachadas em prédios de São Paulo e cidades como Guarulhos
Tradição iniciada nos anos 1950
e que ganhou força a partir do
mundial de seleções da Fifa de
1990, pintar ruas e murais nas empenas
de prédios se tornou uma marca
da adesão popular à paixão nacional
pelo futebol e pelo escrete nacional
nas Copas.
A engarrafadora Femsa, que possui
11 fábricas e 47 centros de distribuição
em estados como São Paulo e Rio de
Janeiro, trouxe a Coca-Cola para ruas
da capital paulista e algumas cidades
da Grande São Paulo, como Carapicuíba
e Guarulhos, para recuperar essa
memória afetiva por meio do trabalho
do artista visual e muralista Adriano
Vespa que produziu cinco instalações.
A ação ‘A rua volta a sonhar’, como
esclarece comunicado da empresa,
funciona como ponto de encontro
para os torcedores. As intervenções
de Vespa transformam “fachadas
comerciais em grandes telas inspiradas
em tradições populares que
fazem parte da experiência dos brasileiros
durante a Copa do Mundo”,
evento que tem a “capacidade de
mobilizar emoções e criar memórias
que atravessam o tempo”, explica a
executiva Fabiana Taislam, head de
ESG e comunicação externa da Coca-
-Cola Femsa Brasil.
Ela diz ainda que com esse projeto,
a Coca-Cola quer valorizar essas lembranças
coletivas que fazem parte da
cultura brasileira e que fortalece simultâneamente
a conexão da marca
nas comunidades onde está presente
com seus clientes.
“Acreditamos na arte como ferramenta
para celebrar esse sentimento
de pertencimento e transformar
espaços do cotidiano em pontos de
encontro e identificação”.
Os desenhos de Vespa “retratam
cenas que fazem parte do imaginário
coletivo como a expectativa pela chegada
do campeonato.
“A preparação das ruas, as brincadeiras
de infância envolvendo pinturas
e bandeirinhas, os encontros entre
vizinhos e familiares e a emoção
compartilhada diante de cada partida,
fortalecendo a narrativa sobre
como ruas, comércios e comunidades
se transformam durante o torneio,
reforçando valores como convivência,
união e pertencimento”, destaca o comunicado.
Vespa é nascido e criado na Zona
Leste de São Paulo. Ele se inspira
no cotidiano urbano, nas relações
humanas e no acesso democrático
“Ruas, comércios
e comunidades
se transformam
durante o
torneio”
Fotos: Divulgação
à arte, especialmente em regiões
periféricas.
“Grande parte das minhas referências
vêm das ruas, dos bairros e das
pessoas que vivem nesses espaços
todos os dias. Poder transformar essa
memória afetiva em arte e levar esse
trabalho para regiões periféricas da
cidade tem um significado especial.
São histórias que pertencem às comunidades
e que ajudam a mostrar como
o futebol, a convivência e a ocupação
dos espaços públicos fazem parte da
identidade brasileira”, ressalta Vespa.
58 29 de junho de 2026 - jornal propmark
marcas
Keeta convoca Biro-Biro em projeto que
resgata prato da Democracia Corintiana
Filme com duração de 90 segundos foi criado pela agência WT.AG e
é o ponto inicial para ações da empresa de delivery nas redes sociais
Fotos: Reprodução
O ex-centroavante Dinei foi convocado pela WT.AG para participar do projeto da Keeta
O Capetinha trouxe seu humor para a campanha que celebra os entregadores
Paulo Macedo
Uma entrega programada está
sendo executada por motociclista
credenciado pela Keeta, que
chega ao local de forma anônima. Ele
pergunta: foi aqui que pediram Arroz
Biro-Biro?
Nesse exato momento, o folclórico
ex-jogador Biro-Biro, do Corinthians
dos anos 1980, tira o capacete e logo
fica claro que se trata do craque que
inspirou o famoso prato criado à época
da Democracia Corintiana, nos anos
1980, na Churrascaria Rodeio, em São
Paulo. O movimento teve a liderança
dos jogadores Sócrates, Vladimir, Casagrande
e do próprio Biro-Biro.
A ideia do acompanhamento para a
famosa picanha fatiada da Rodeio foi
do publicitário Washington Olivetto
(1951-2024), que tinha mesa cativa no
restaurante da Rua Hadock Lobo; do
diretor de TV Boni; e do jornalista Thomaz
Souto Correa. Mas o batismo do
prato foi dado pelo maitre Ramón, que
associou o apelido do atleta corintiano
devido à adição de batata palha,
em sua visão, parecida com o cabelo
do jogador, além do bacon, ovos e cebola.
Mas a fama da guloseima ficou
associada a Olivetto.
Com esses ingredientes, surgiu
um acompanhamento que se tornou
benchmark para outras churrascarias
Biro-Biro inspirou o nome de prato que virou referência
cionáveis no seu aplicativo e cota de
patrocínio das transmissões esportivas
do SBT em São Paulo, associando
sua imagem ao locutor Galvão Bueno.
“Há um time que atua diariamente
para que a celebração aconteça: os
entregadores parceiros, que conectam
pessoas e momentos. Usamos a
força da paixão pelo futebol para dar
holofotes a esses profissionais e reconhecer
seu papel no dia a dia de todos
os torcedores”, afirma Felipe Andrade,
diretor-executivo de criação e conteúdo
da WT.AG, explicando ainda que “a
estratégia busca ampliar a visibilidade
dos entregadores, associando seu
trabalho ao esforço coletivo que movimenta
as cidades nos períodos de
Muita animação no set de filmagem com o influencer Pacote
em todo o país. A Keeta resgata o prato,
o jogador e movimenta sua jornada
na Copa.
O audiovisual de 90 segundos,
desenvolvido pela agência criativa
WT.AG, está bombando nas redes
sociais e sendo a base para uma série
de conteúdos de valorização dos
entregadores, fundamentais para a
sua estratégia de mercado, nos canais
digitais.
São 22 entregadores contemplados
nesse sprint, que faz parte do planejamento
de comunicação da Keeta
para a Copa do Mundo de 2026, que inclui
o russo Iurii Torskii (o famoso “Feiticeiro
do Hexa” de 2018), um álbum de
figurinhas virtuais com 22 itens colemaior
demanda, comodurante a Copa
do Mundo”.
Os entregadores parceiros da plataforma
Keeta foram pegos de surpresa
ao participarem da ação ‘Brasil
corre pra quem entrega tudo’, em
uma convocação simbólica que contou
com a participação dos jogadores
Dinei, Biro-Biro e Edilson Capetinha,
além do influenciador Pacote. “Sem
conhecimento prévio da iniciativa, os
participantes foram convidados para
um encontro especial que se transformou
em uma homenagem aos profissionais
responsáveis por conectar
consumidores, restaurantes e estabelecimentos
comerciais durante os
dias de jogos”, finaliza Andrade.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 59
digital
Social first deixou de ser apenas canal e
virou um modo de construção de marca
Fernanda Grams e Gustavo Leite, da BETC Havas, observam que o futuro
é a dissolução das fronteiras entre social, entretenimento e comércio
Paulo Macedo
Percepção e processo estratégico.
Em ambos os casos, as marcas se
aproveitam dessas técnicas para
o processo de construção de marca.
O brand building atinge diretamente
o olhar dos consumidores. Já o branding
molda esse itinerário com dados
e criatividade. Mas há novos
caminhos. Um deles é o chamado
social first, que traz para o digital as
conversas primárias dos conteúdos
mercadológicos, não mais como um
canal, mas como um modo eficaz para
construção de marca.
Esse ponto de vista é defendido
pelos executivos Gustavo Leite, vice-
-presidente de estratégia, e Fernanda
Grams, head de conteúdo, ambos da
agência BETC Havas. “Em vez de subir
a campanha no social, começamos no
social para entender onde cultura, comunidades
e criadores já estão dando
sentido às coisas. É aí que definimos
códigos, personagens, dispositivos
recorrentes e portas de entrada para
o universo da marca, com a coerência
de um world builder e a maleabilidade
de um mosaico. No Brasil, isso se
intensifica porque as redes são arenas
culturais onde memes, música,
creators e marcas disputam o mesmo
feed. A estratégia passa a projetar
marcas smashable que funcionam
em fragmentos, sem depender de
uma narrativa linear, mas mantendo
reconhecimento por meio de códigos
estáveis”, eles explicam.
Três vetores impactam o universo
social: criatividade, performance e
resultados. Fernanda mostra que a
parte criativa de um projeto “desloca
o foco de peças hero para sistemas vivos:
formatos seriados, personagens,
artefatos de marca e ganchos meméticos
que ampliam a disponibilidade
semântica”.
Já a performance, na expressão
de Leite, deixa de ser só awareness.
“E vira motor de demanda. A conversa
cultural acelera a consideração;
A comunicação digital trouxe as conversas em tempo real das marcas com seus consumidores e novas possibildades estratégicas
o desenho nativo de funil captura
intenção via social commerce e integra
criadores e comunidades como
mediadores de confiança. Marcas que
operam como entretenimento e publisher
veem retorno desproporcional
quando viram assunto.”
Fernanda aponta para os negócios
relacionando o que define como “casos
entretenedores”, porque, em sua
opinião, eles “crescem mais rápido,
ganham mídia orgânica, constroem
fandom e reduzem custo de atenção”.
Ela diz mais: “O efeito é mensurável
em equity e vendas quando a arquitetura
de conteúdo, os códigos e o
comércio estão acoplados”.
O desafio, de acordo com Fernanda
e Leite, é conciliar velocidade cultural
“A estratégia
passa a
projetar marcas
smashable que
funcionam em
fragmentos”
Magnific
com consistência. Ou seja, “desenhar
parâmetros claros de universo de
marca para operar com liberdade responsável:
quais territórios culturais,
quais códigos visuais, quais editorias
de conteúdo e como tudo se conecta
a funil e canais”, destacam.
Assim sendo, nas palavras de Fernanda
e Leite, “se evita a sopa cultural
genérica e sustenta memória de marca.
Outra frente é inteligência social
de verdade: menos relatório, mais
radar de cultura para orientar criação.
Por fim, precisamos aprender a tratar
creators e comunidades não como extensão
de mídia, mas como coautores
do universo da marca, do feed ao PDV.
Planejar ciclos longos e curtos, com
rotinas de improviso informadas por
60 29 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
A executiva Fernanda Grams é a liderança da divisão de conteúdo da BETC Havas
Gustavo Leite atua na agência da holding francesa Havas no país como VP de estratégia
dados, vira capacidade central”.
Os profissionais da BETC Havas
esclarecem que, se antes o planejamento
era como se escreve um livro,
com começo, meio e epílogo, hoje o
pensamento é como quem monta um
mosaico.
“As pessoas não consomem uma
marca na íntegra; elas esbarram em
pedaços: um meme, uma collab, uma
frase em podcast. A estratégia, então,
deixou de ser o arco linear que organiza
tudo e passou a ser a arquitetura
que prepara a marca para ser estilhaçada
e ainda assim reconhecível”,
raciocinam Fernanda e Leite. Desse
modo, passaram a pensar campanhas
não como manifestos fechados, mas
como universos abertos, com múltiplas
portas de entrada.
Para a dupla da BETC Havas, o social
first exige que cada peça tenha vida
própria, mas que todas ecoem uma
coerência invisível. “O que nos obriga
a projetar códigos, dispositivos e
signos que funcionem como chaves
de reconhecimento mesmo no caos.
É o que torna uma marca smashable:
forte o suficiente para sobreviver em
fragmentos.”
Fazer estratégia hoje, nesse sentido,
não é controlar uma narrativa do
início ao fim. “Mas preparar a marca
para ser apropriada, remixada e reinterpretada.
É aceitar que identidade
virou universo, guideline virou playground,
instrução virou convite. Planejar
social first é criar condições para
que a marca exista em pedaços, mas
Três vetores
impactam o
universo social:
criatividade,
performance e
resultados
continue inteira na memória cultural”,
colocam Fernanda e Leite, preocupados
com o protagonismo do Brasil, já
que é um dos maiores consumidores
globais dos canais de social media.
“O social commerce, por exemplo,
é uma das maiores tendências, com
as redes sociais sendo um dos melhores
lugares para as marcas estarem e
terem conversas, por que não, até sobre
o próprio produto? Veja o exemplo
do TikTok Shop. Para se manterem
competitivas, as marcas precisam
inovar e se adaptar às novas tendências
sociais, que incluem a personalização,
o social commerce e o poder do
vídeo”, afirmam.
O ponto de equilíbrio, como recomendam
Fernanda e Leite, é não fazer
campanhas isoladas. “Nem tentar ser
a mesma marca com o mesmo conteúdo
em todo lugar. A ideia é criar uma
experiência em que cada peça tenha
a sua relevância, onde tudo conversa
entre si, mas cada “pedaço” passe
uma mensagem relevante ao consumidor
dentro da linguagem, formato
e contexto de cada plataforma.”
Outro ponto é que hoje em dia o
conteúdo nativo respira nas plataformas
sociais e, consequentemente,
pode cumprir mais de um objetivo.
Fernanda e Leite explicam:
“Pode ter nuances para todas as
etapas da jornada do consumidor,
do primeiro contato até a compra. O
melhor é que dá para fazer isso em
grande escala usando tecnologia. É só
ver como o streaming e as redes sociais
andam de mãos dadas em eventos
ao vivo, por exemplo. O que acontece
na tela do sofá gera um monte de
conteúdo nas plataformas pelas quais
gente faz scroll na tela da mão, e até
impulsiona as vendas através de Ads
que levam direto para um ambiente
de conversão.”
Os executivos estão certos de que
que os creators e comunidades desempenham
um papel fundamental
para o pensamento das campanhas e
presença das marcas. Porque são mediadores
de confiança e pertencimento.
“Eles ajudam marcas a conquistar
relevância cultural, e não somente
nos canais sociais, mas no crossmedia,
seja no OOH, CRM, PDV, merchan e
outras mídias”, eles detalham.
Qual será o próximo passo? Fernanda
e Leite respondem: “Depois
do social, não vem um novo canal
que substitui as plataformas atuais.
O próximo passo é a dissolução das
fronteiras entre social, entretenimento
e comércio. Se o social first nos ensinou
a planejar marcas estilhaçadas,
o próximo passo é aprender a planejar
marcas onipresentes. Não no sentido
de ubiquidade forçada, mas de disponibilidade
cultural. Podemos chamar
isso de uma era universe first: marcas
que não vivem apenas no feed, mas
constroem mundos que se expandem
no social, no streaming, no jogo, no
varejo, no evento físico. O social foi
a escola; o futuro é integrar todos
os pontos de contato como parte do
mesmo universo vivo”, finalizam.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 61
negócios & sustentabilidade
Alê Oliveira
Livro, onde
mora a atenção
Ricardo Esturaro
O
desafio da desatenção tem deixado agências e
marcas obcecadas por encontrar novos caminhos
de comunicação. No entanto, enquanto
a indústria persegue o próximo algoritmo, ela também
se distrai e deixa de enxergar um verdadeiro
ecossistema de engajamento: o mercado de livros.
Mais especificamente, as jovens leitoras.
Diferentemente do consumo passivo e volátil das
telas, o livro exige hiperfoco. Ele gera uma conexão
emocional de longo prazo que as redes sociais simplesmente
não conseguem replicar. Os dados mais
recentes da Câmara Brasileira do Livro (CBL) comprovam
a força desse mercado, que viu sua base crescer
em mais de 3 milhões de compradores em 2025.
Contudo, o dado mais instigante está em
um “grande” detalhe: as mulheres representam 61%
dos consumidores de livros no país. Elas dominam
o topo da pirâmide de consumo e são a maioria dos
chamados “hiperleitores”, aqueles que compram
mais de dez livros por ano. Além disso, quando cruzamos
o mercado comprador com os hábitos de leitura,
as pesquisas revelam que as faixas infantojuvenil
e de adolescência predominam. É justamente
essa base de meninas que sustenta o maior índice
de leitura no país, desenhando um perfil ativo e de
alto impacto cultural.
Isso não é um fenômeno passageiro nem é novo;
é um comportamento cultivado desde a infância. O
segmento infantojuvenil e o universo Young Adult
(YA) se tornaram potências comerciais imbatíveis.
Meninas adolescentes transformaram o ato solitário
de ler em um espetáculo de engajamento
coletivo. Isso acontece de forma espontânea nas
comunidades do BookTok e BookGram. Elas devoram
calhamaços de 500 páginas, organizam fã-clubes,
esgotam edições de luxo em minutos e moldam algoritmos
de forma totalmente orgânica.
Para essas jovens leitoras, o livro não é um objeto
estático na estante. Ele se desdobra em um ecossistema
de rituais diários que inclui vídeos de unboxing
estéticos, playlists customizadas no Spotify para
acompanhar capítulos e feiras literárias transformadas
em festivais de cultura pop. O livro é o centro
da identidade delas.
A miopia do marketing é insistir em enxergar a
literatura sob um viés estritamente didático, passivo
ou sisudo. Os grandes players do consumo e do
lifestyle disputam as gerações Z e alfa, reduzindo-as
a estereótipos superficiais. Ignoram que o portal de
comunicação mais autêntico está nas páginas dos
livros que elas carregam orgulhosamente na bolsa.
Por que as grandes marcas ainda excluem as criadoras
de conteúdo literário de seus planos de mídia?
Porque não ativam experiências exclusivas em
clubes de leitura ou patrocinam projetos editoriais
focados no público jovem feminino para as escolas?
O livro pode ser um ótimo negócio.
Lá fora, esse distanciamento já deu lugar à inovação.
Marcas como Dior e Louis Vuitton investem
em curadoria literária e ativações com criadores
focados em comunidades de leitores. Paralelamente,
plataformas digitais consolidaram ferramentas
nativas para monetizar esse comportamento, como
as parcerias globais do TikTok com gigantes editoriais.
A escala desse engajamento é tamanha que
os fenômenos do BookTok ditam os lançamentos
de Hollywood e do streaming, transformando
sucessos literários juvenis como ‘É assim que acaba’,
‘A Empregada’ e ‘Verity’ em grandes blockbusters
de bilheteria.
O vínculo criado pela literatura é definitivo. Quando
uma leitora se apaixona por uma história, ela se
torna advogada fervorosa daquela narrativa e de
tudo ao seu redor. Dialogar de forma legítima com
as jovens leitoras é a garantia de construir lealdade
de marca em um ecossistema digital fragmentado.
Está na hora de o marketing mudar o seu storytelling
e começar a patrocinar o mundo mágico dos livros.
Ricardo Esturaro
é escritor, administrador de empresas
e especialista em marketing, estratégia
e sustentabilidade
ricardo@esturaro.com
“A miopia do
marketing é insistir
em enxergar a
literatura sob um
viés estritamente
didático, passivo
ou sisudo”
62 29 de junho de 2026 - jornal propmark
Out of Home
A MÍDIA QUE MAIS CRESCE NO BRASIL
JCDecaux, BETC Havas e Folha de S.Paulo
usam metrô para experiência na Copa
Projeto foi viabilizado por meio da parceria com a Bizsys, empresa
especialista no desenvolvimento de ações para o segmento OOH
Divulgação
Para aproveitar a circulação de pessoas nas estações do metrô paulistano e no Aeroporto Internacional de Guarulhos, João Binda trouxe a Bet365 para inventário da JCDecaux
A
JCDecaux está conduzindo um
projeto especial de mídia out
of home em parceria com a
marca de apostas esportivas bet365
que também inclui a agência BETC
Havas e o jornal paulistano Folha de
S.Paulo. O propósito é transmitir conteúdo
em tempo real sobre a Copa do
Mundo em andamento nos Estados
Unidos, Canadá e México para as milhares
de pessoas que circulam pelo
metrô de São Paulo e pelo o Aeroporto
Internacional de Guarulhos.
Até o dia 20 de julho, a empresas
de apostas contará com ativações
simultâneas na Estação Sé (Linha
3-Vermelha do Metrô), na Estação
Paulista (Linha 4-Amarela) e no GRU
Airport, desenvolvidas para aproximar
o público da experiência da Copa
e informar sobre os principais acontecimentos
do torneio, de acordo
com o comunicado distribuidopela
CDI. O projeto foi viabilizado pela Bizsys,
especialista em projetos especiais
para o segmento de mídia OOH.
O projeto, de acordocom o comunicado,
combina mídia, tecnologia,
conteúdo em real timing e cenários
exclusivos. “Em cada um dos locais,
um totem digital exibe notícias,
análises, estatísticas e atualizações
da Copa produzidas pela Folha de
S.Paulo, além da cobertura minuto
a minuto dos jogos de quatro seleções:
Brasil, Argentina, Espanha e
França. O objetivo é oferecer acesso
rápido e em tempo real a informações
relevantes sobre o torneio aos
“Projeto que
combina
credibilidade
editorial e
conteúdo”
patrocínio
PATROCINIO OOH_VALE.indd 1 13/05/26 21:10
64 29 de junho de 2026 - jornal propmark
Fotos: Divulgação
A JCDecaux organizou um roteiro para a marca de apostas esportivas Bet365 nas. estações do metrô de São Paulo com conteúdos alusivos à Copa do Mundo de 2026
torcedores que estão em deslocamento
pela cidade, cumprindo seus
compromissos do dia a dia e também
indo ao encontro de amigos
e familiares. Além disso, todos os
locais contam com uma ambientação
exclusiva que inclui iluminação
em LED, adesivações e dominações
para levar o clima da Copa para os
torcedores.”
Projetos como esse, enfatiza o
diretor comercial da JCDecaux no
Brasil, o execurivo João Binda, “mostram
que o OOH vai muito além da
publicidade, ao oferecer serviços,
tecnologia e experiências reais para
quem está circulando pela cidade e
não pode acompanhar os jogos das
principais seleções e as notícias da
Copa. Ao unir conteúdo em tempo
real, temas que já estão na conversa
das pessoas e ambientes de grande
audiência, criamos pontos de encontro
para os torcedores e ampliamos
as possibilidades de conexão entre
as marcas e o público”.
APROVEITAMENTO
“Na bet365, queremos estar presentes
nos momentos que realmente
importam para os torcedores.
Milhões de pessoas acompanham
o torneio enquanto seguem suas
rotinas, e este projeto nos permite
levar informação em tempo real
para onde elas estão. Ao transformar
espaços de grande circulação
em pontos de encontro para quem
vive o futebol, reforçamos nosso
compromisso de oferecer experiências
cada vez mais relevantes e
Criação envolveu a agência BETC Havas e conteúdos do jornal Folha de S.Paulo
mostramos, na prática, por que o
extraordinário acontece na bet365”,
afirma Daniel Carneiro, Gerente de
Marketing da bet365.
CONTEÚDO
“Para a Folha, participar desta
iniciativa reforça o papel do jornalismo
profissional na oferta de
informação qualificada, confiável e
em tempo real sobre um dos eventos
esportivos de maior relevância
global. É um projeto que combina
credibilidade editorial, inovação e
distribuição de conteúdo em novos
formatos”, afirma Alexandre Cres, diretor
comercial da Folha de S.Paulo.
“Queremos estar
nos momentos
que realmente
importam para
os torcedores”
PLANEJAMENTO
O comunicado esclarece que a
iniciativa contempla uma tela de 65
polegadas para a transmissão dos conteúdos
da Copa e ambientações personalizadas
em três locais diferentes,
com o objetivo de maximizar a experiência
do público e reforçar a presença
da marca em ambientes estratégicos
durante o evento esportivo.
Por exemplo, na movimentada
estação Sé, na Linha 3-Vermelha do
Metrô paulistano, conta com uma
ampla ambientação da bet365 no
mezanino intermediário, próximo
às catracas de acesso, obrigatória
para os usuários. O espaço recebeu
adesivação de piso, colunas, paredes
e estruturas circulares, moldura
iluminada em LED e iluminação cênica
em tons de verde, criando uma
experiência visual integrada à identidade
da marca.
Já a ativação na Estação Paulista,
da Linha 4-Amarela, está logo na
entrada principal, na Rua da Consolação,
uma das regiões de maior circulação
da capital. “O local ganhou
adesivação personalizada nas paredes
e um tablado estruturado para
a sustentação da tela de 65 polegadas”,
detalha a CDI no comunicado.
Por outro lado, no Aeroporto de
Guarulhos, a ação de marca também
foi ativada no Terminal 3, principal
porta de entrada e saída de voos internacionais
do Brasil.
“O espaço no Gru Airpoort tem
uma ambientação com linguagem
visual futurista, iluminação em LED
e efeitos de spotlight nas cores da
bet365. A proposta é oferecer aos
viajantes uma forma rápida e prática
de acompanhar os principais destaques
da Copa enquanto aguardam
seus voos”, assegura o comunicado.
jornal propmark - 29 de junho de 2026 65
criativismo
Alê Oliveira
Criativismo em Cannes
“É quando marcas ou instituições usam
criatividade para a prática de ativismo”
Alexis Thuller Pagliarini
No momento em que escrevo este artigo, o Cannes
Lions 2026 ainda está na sua metade, mas
já dá para reafirmarmos a vocação criativista
do maior festival de criatividade do mundo. Para você
que ainda não se deu conta, reforço o conceito de
criativismo, que é o novo nome desta coluna, um neologismo
resultante da junção da criatividade com
ativismo. É quando marcas ou instituições usam
criatividade para a prática de ativismo em benefício
de questões ambientais e sociais ou em defesa da
ética e da transparência.
E não é de hoje que o Cannes Lions tem sido
palco para ideias com essa pegada criativista. Nas
premiações, são diversas as categorias focadas no
track “for good”. Temos a Glass: the Lion for Change
e a SDGs (focada nos ODS da ONU), além do Grand Prix
for Good e o Lions Health and United Nations Grand
Prix for Good. Na educação e capacitação, temos
o Cannes Lions School, além de Lions Academies,
Brand Marketing Academy, Creative Academy e um
programa voltado a estudantes, a Roger Hatchuel
Student Academy.
Para executivos, há o Executive Training programme,
que engloba o CMO Accelerator Programme.
Ainda no campo da educação, há o Lions Educators
Forum. Para estimular a diversidade e a inclusão,
há o Equity, Representation and Accessibility (ERA)
Programme, franqueando e facilitando a participação
de instituições no festival, tais como The Lotus
Flower, Open Chair, Digilearning Foundation, Mantra
Social Services e Nativas, entre outras. Visando a
acelerar carreiras de mulheres e pessoas não binárias,
há o programa “See it be it”, que prevê a atuação
de mentoras e tutoras para esse público. E vale
ainda mencionar o Young Lions, competição paralela
para jovens profissionais.
Todo esse extenso programa é uma demonstração
inequívoca do ativismo criativo do Cannes Lions
em prol do desenvolvimento ético da inovação. No
campo das premiações, cases criativistas já vêm
conquistando seus Leões, entre eles vários Grand
Prix. Como aquele que venceu em Audio & Radio: o
case ‘Coqui alarmed’, criado pela BBDO Puerto Rico
para a Hyundai Puerto Rico. Uma iniciativa ativista
para estimular a preservação de uma espécie de
sapo em extinção naquele país, o Coqui.
O som característico usado no momento em
que se usa a trava eletrônica de um carro foi trocado
para imitar o som do sapinho Coqui, reforçando
a lembrança da necessidade de preservação do
animal.
Ou aquele case ganhador do Lions Health and
United Nations Grand Prix for Good, criado pelas
agências suecas Differ e Colony para Caritas, que
conseguiu do então papa Francisco a doação do seu
papamóvel para ser usado em Gaza. O veículo doado
pelo Vaticano foi usado como ambulância na Faixa
de Gaza. É claro que só um veículo não fará grande
diferença na assistência aos muitos necessitados
daquela região.
Mas o simbolismo que o veículo do papa representa
ajuda a dar mais visibilidade à necessidade de
mais recursos para a Caritas realizar seu valoroso
trabalho. Criativismo na veia! E ainda temos espaço
para citar mais um case, um ganhador de Grand Prix
na categoria Pharma.
Numa ação ativista para estimular homens a cuidar
da prevenção de câncer de próstata, a Novartis,
por meio da agência americana Fallon, usou humor
criativo para lembrar que há métodos não invasivos
para identificar o risco de câncer de próstata. E assim
o festival vai estimulando atitudes criativistas.
Não à toa, uma das presenças mais ilustres deste
ano foi Oprah Winfrey, um ícone do ativismo internacional.
“Sei do meu impacto. Cada um nasce com um
propósito. Vai além de você. É sobre as pessoas que
você serve. Construí uma marca baseada no meu coração”,
disse Oprah na sua apresentação. Que sirva
de exemplo para a comunidade criativa internacional.
O mundo precisa de mais criativismo!
Alexis Thuller Pagliarini
é sócio-fundador da ESG4
alexis@criativista.com.br
66 29 de junho de 2026 - jornal propmark
opinião
O mercado prateado
começa onde os
estereótipos terminam
Divulgação
Ana Boyadjian
Durante muito tempo, o mercado brasileiro retratou
o envelhecer de forma bastante previsível,
com a imagem do idoso fragilizado, dependente
e precisando de cuidados. Agora, vemos
uma tentativa de criar a “juventude grisalha” do
“vovô skatista”, que também não representa a experiência
real de quem fez ou está fazendo a curva dos
60 anos. A estética mudou, mas o olhar das marcas
teima em estereotipar uma geração inteira, ao mesmo
tempo em que busca atrair esse público que já
movimenta R$ 2 trilhões no Brasil.
E talvez esse seja o principal ponto de atenção
quando falamos sobre economia da longevidade. O
mercado começou, enfim, a perceber a potência da
população mais madura; porém, ainda encontra dificuldade
para enxergá-la em sua complexidade, nos
seus desejos, repertórios e formas únicas de viver. Os
números mostram por que essa conversa é importante:
até 2044, a economia prateada deve alcançar
R$ 4 trilhões, segundo a Data8, representando 35% do
consumo domiciliar privado do país. Ao mesmo tempo,
o Brasil já soma mais de 33 milhões de pessoas
acima dos 60 anos e deve ultrapassar os 75 milhões
nas próximas décadas. Ainda assim, 54% do público
prateado não se sente representado pela mídia, de
acordo com uma pesquisa da Nestlé com a Box1824.
Quando observamos esse cenário com mais atenção,
fica claro que existe uma diferença importante
entre inclusão e encenação. Porque envelhecer, hoje,
não significa desaparecer da vida social, cultural ou
profissional. Muito pelo contrário. Estamos falando
de pessoas que seguem trabalhando, viajando, frequentando
restaurantes, indo ao cinema, estudando,
criando vínculos, começando projetos, empreendendo,
se reinventando profissionalmente e que desejam
continuar ocupando a cidade e seus espaços.
Sim, nesse universo, temos toda uma multiplicidade
de trajetórias que não cabe mais em categorias
simplificadas. Por isso, conceitos como o Nolt (sigla
para New Older Living Trend) ajudam a traduzir uma
mudança real de comportamento. Falo de pessoas
com mais de 60 anos que seguem ativas, curiosas,
conectadas, interessadas em cultura, bem-estar,
tecnologia e novas formas de socialização, rejeitando
rótulos tradicionais ligados à ideia de “velhice”.
Isso muda muita coisa para as marcas. Porque,
quando toda uma geração passa a viver mais e melhor,
não estamos falando apenas de saúde ou assistência.
Estamos vivenciando uma transformação
que atravessa turismo, mercado imobiliário,
mobilidade urbana, lazer, educação continuada,
inovação, relações familiares, consumo e trabalho.
Nesse novo paradigma, a maturidade deixa
de ser um tema restrito ao cuidado e passa a
reorganizar a dinâmica da sociedade. Por isso,
acredito que um dos maiores desafios das empresas
seja abandonar uma lógica ainda muito
tutelar na forma de se comunicar com o público
60+, como se esse público tão diverso precisasse
apenas de proteção ou adaptação. Não, os prateados
não querem ser tratados como um nicho
apartado da sociedade. Eles querem continuar
fazendo parte do todo.
Dessa forma, acredito que as marcas mais interessantes
agora e no futuro não serão aquelas
que criam uma estética para idosos, mas sim as
capazes de construir experiências verdadeiramente
integradas, em que pessoas de diferentes
gerações convivem, circulam e participam juntas.
Essa é a diferença entre uma lógica baseada no
“deixa que eu te ajudo” e outra construída a partir
do “vamos fazer juntos”.
Essa mudança também exige atenção a preconceitos
estruturais que ainda aparecem em diferentes
ambientes: no RH, que elimina profissionais
maduros antes mesmo da entrevista; em campanhas,
que simplesmente apagam pessoas 60+
da comunicação; e em aplicativos e experiências
digitais voltados apenas às dinâmicas geracionais
mais jovens. Para o mercado, o mais valioso é que
a economia prateada não depende da criação artificial
de demanda. Esse público já existe, consome,
circula, movimenta cadeias inteiras da economia
brasileira e deseja continuar participando da vida
social de forma ativa. O que falta, então, é ampliar
o olhar e compreender que longevidade também
fala sobre potência, continuidade, troca e pertencimento
— e que envelhecer não significa sair de
cena, e sim continuar assumindo o protagonismo
nos palcos da vida.
É tempo de pratear!
Ana Boyadjian
é fundadora do Prateados
ana.boyadjian@prateados.com
“Dessa forma,
acredito que as
marcas mais
interessantes agora
e no futuro não
serão aquelas que
criam uma estética
para idosos”
jornal propmark - 29 de junho de 2026 67
opinião
A algoritmização
Divulgação
da vida
Vinícius Lotti
Neste mês, participei de um painel no Rio2C, um
dos maiores eventos de criatividade e inovação
da América Latina, em que tive a oportunidade
de discutir junto a grandes nomes do mercado
um tema que vem me provocando há algum tempo.
Conversamos sobre o impacto dos algoritmos na
forma como vivemos, consumimos e construímos
nossas preferências e repertórios culturais.
Durante essa conversa, falamos sobre os desdobramentos
disso no território da música e do entretenimento,
sendo estes alguns dos universos mais
explorados pelas marcas que querem se conectar
com seus consumidores. Mas, no fundo, não foi um
papo sobre música ou sobre marketing; foi uma conversa
quase antropológica. Vivemos a era da hiperpersonalização.
As plataformas e seus algoritmos
sabem o que gostamos de ouvir, assistir, comer e
consumir. Sabem de quais artistas somos fãs, quais
gêneros preferimos e quais conteúdos têm maior
chance de capturar nossa atenção.
Do ponto de vista de UX, parece extraordinário.
Do ponto de vista cultural, talvez existam algumas
perguntas desconfortáveis. O que acontece quando
as descobertas dão lugar ao previsível? Estariam os
algoritmos substituindo nossa curiosidade? Estamos
perdendo a capacidade de construir repertórios
mais autênticos e escolher por nós mesmos?
A indústria da música talvez seja um dos melhores
lugares para observar esse fenômeno. Hoje,
algoritmos influenciam os plays, views, playlists,
tendências de consumo, relevância e até a velocidade
com que artistas ganham projeção. De forma
direta ou indireta, ajudam a moldar conversas culturais,
pautando nossos ouvidos e papos no bar, no
trabalho, na rua. Impactam turnês internacionais, influenciam
lineups de festivais e definem quais sons
chegam para nós. O resultado disso é um mercado
cada vez mais pasteurizado, festivais com lineups
muito similares, gostos musicais homogeneizados,
artistas com sonoridades e estéticas previsíveis.
O problema disso é que os algoritmos são extremamente
eficientes em identificar padrões de preferência.
Já a descoberta genuína quase nunca nasce
dos padrões. Ela nasce do inesperado, do teste, da
chance que damos, da fricção de buscar o que queremos
ou “não queremos”. Nasce quando encontramos
algo que não estávamos procurando. Quando ouvimos
um artista que não se parece com nada do que
costumamos ouvir. Quando alguém nos apresenta
uma referência fora da nossa bolha. É sobre desafiar
os próprios gostos, nosso repertório, em vez de apenas
confirmá-los. Acho que aqui mora uma grande
oportunidade para marcas que querem se destacar e
tornar-se relevantes na era dos algoritmos e em um
território tão saturado como o da música.
Festivais, shows e eventos não deveriam ser
tratados apenas como espaços de encontro e experiências
no mundo físico. São ambientes de descobertas,
criação de memórias afetivas e de expansão
de repertório. Talvez esse seja um dos motivos pelos
quais festivais proprietários de marca, que nos ajudam
a furar nossas bolhas e sair do piloto automático,
como o Heineken no Lineup Festival e C6 Fest,
vêm ganhando tanta relevância e gerando tanto
burburinho. Não porque ignoram os algoritmos, mas
justamente porque provocam o público a sair deles.
São festivais que entendem a importância do
fator humano na curadoria musical e na concepção
de experiências e narrativas que favorecem as surpresas,
as descobertas e a atenção plena ao que se
está ouvindo e vivendo no presente. São festivais
criados por pessoas apaixonadas por música e não
por números de plays no streaming. Curadoria não
é apenas organizar uma programação. Curadoria é
criar jornadas sensoriais, experiências que rompem
com a mesmice e provocam encontros improváveis.
É apresentar o desconhecido.
É gerar atrito suficiente para que possamos sentir
ou descobrir algo novo. E isso tem tudo a ver com
o mundo das marcas. Durante anos, o marketing
se apaixonou pela ideia da personalização. E com
razão. Ser relevante na Economia da Atenção é fundamental.
Mas talvez tenha chegado a hora de fazermos
um contramovimento: será que as marcas
deveriam apenas oferecer aquilo de que gostamos
ou provocar-nos a sair de nossas bolhas? Em um
cenário em que praticamente tudo ao nosso redor
é otimizado para prever nossos próximos passos, o
inesperado começa a ganhar um novo valor. Talvez o
papel mais interessante das marcas na música não
seja reforçar preferências existentes, mas criar as
condições para que novas preferências possam surgir.
A primeira tarefa é dos algoritmos. A segunda
talvez seja uma das missões mais nobres que uma
marca poderia ter nos tempos atuais.
Ajudar-nos a resgatar nosso senso crítico e retomar
nosso poder de fazer escolhas autênticas. Para
fechar o tema, deixo aqui um último exercício mental
para você: quando foi a última vez que você furou
a sua bolha algorítmica?
Vinícius Lotti
é diretor-geral de estratégia
da Atenas.ag
vinicius.lotti@atenas.ag
“O resultado disso
é um mercado
cada vez mais
pasteurizado,
festivais com
lineups muito
similares”
68 29 de junho de 2026 - jornal propmark
inspiração
Satisfaction!
Fotos: Arquivo Pessoal
Recentemente, recriei a Rolling Stones Cover Brasil com uma proposta
muito diferente do conceito tradicional de banda cover
Fernando Guntovitch
Especial para o propmark
Aos 57 anos, depois de mais de três décadas comandando uma das agências
independentes mais tradicionais do mercado brasileiro de live marketing,
decidi viver uma nova virada na minha vida. Não foi abrir uma nova empresa,
mudar de carreira ou me aposentar. Foi algo talvez ainda mais desafiador:
voltar ao palco e recriar uma banda de rock. Sou fundador da The Group, agência
criada em 1995 e especializada em experiências, eventos, ativações, convenções e
projetos proprietários para grandes marcas. Ao longo desses 31 anos, sempre vivi
muito próximo do entretenimento, da música e da emoção que uma experiência
ao vivo pode gerar.
Nos últimos anos, a TG também passou por uma importante transformação, incorporando
inteligência artificial, BI e análise de dados para criar experiências mais
inteligentes, mensuráveis e conectadas ao comportamento das pessoas. Hoje,
combinamos criatividade, tecnologia e experiência humana em projetos realizados
no Brasil e no exterior, além de fazermos parte da WPI, uma das maiores redes globais
de agências independentes. Mas existia um sonho pessoal que ainda precisava
ganhar mais espaço na minha vida. Sou apaixonado pelos Rolling Stones desde
adolescente e baterista por prazer absoluto. A música sempre esteve presente na
minha trajetória, mas acabou ficando muitas vezes em segundo plano diante da
rotina empresarial. Até que decidi mudar isso.
Recentemente, recriei a Rolling Stones Cover Brasil com uma proposta muito diferente
do conceito tradicional de banda cover. A ideia nunca foi apenas reproduzir
músicas dos Stones, mas criar uma experiência. Algo que misturasse performance,
energia, lifestyle, storytelling e a atmosfera dos grandes shows de rock’n’roll. Minha
conexão com esse universo vem de muitos anos. Tive a oportunidade de participar
da produção brasileira do ‘The Rolling Stones Project’, idealizado pelo saxofonista Tim
Ries, músico que toca oficialmente com os Rolling Stones há mais de duas décadas.
O projeto trouxe ao Brasil nomes históricos ligados à banda, como Bernard Fowler,
backing vocal dos Stones, e o próprio Tim Ries, em apresentações exclusivas
realizadas para marcas como TIM e Budweiser. Em uma das ações mais marcantes,
realizamos um “One Night Only” no tradicional Baretto, em São Paulo, com patrocínio
da Budweiser. Sob o comando do maestro Michel Freidenson, uma banda foi
montada em apenas 48 horas para acompanhar os músicos internacionais em uma
apresentação única e memorável. Foi também dentro desse universo que vivi um
dos momentos mais emocionantes da minha trajetória: a gravação da faixa ‘Lady
Jane’, do The Rolling Stones Project, ao lado de Milton Nascimento, realizada no Brasil
durante uma das passagens dos Rolling Stones pelo país.
Hoje, próximo dos 60 anos, percebo que essa nova fase fala muito mais sobre
coragem do que de nostalgia. Fala sobre permitir-se começar de novo. Sobre entender
que paixão e profissão não precisam mais viver separadas.
Divido meus dias entre reuniões sobre inteligência artificial aplicada ao live
marketing, projetos de experiência de marca e ensaios de rock no estúdio que montei
em casa. E talvez justamente por isso eu esteja vivendo uma das fases mais
leves, criativas e inspiradoras da minha vida.
A Rolling Stones Cover Brasil começa agora a ganhar espaço em eventos corporativos
premium e casas importantes da cena paulistana, sempre com a proposta
de transformar cada apresentação em uma verdadeira experiência.
No final, talvez a maior lição seja simples: nunca é tarde para subir no palco da
própria vida.
Fernando Guntovitch é fundador e CEO da The Group
jornal propmark - 29 de junho de 2026 69
última página
Alê Oliveira
As bets e a mídia
Stalimir Vieira
Nada ajuda mais a relativizar qualquer coisa do
que o dinheiro. Muito dinheiro, então, é capaz
de relativizar absolutamente tudo. Venho, aliás,
confirmando essa premissa, diariamente, no horário
nobre do jornalismo da TV aberta.
Ali, em tese, acredita-se estarem pautados os
acontecimentos mais relevantes do Brasil e do mundo.
Editorias e repórteres mobilizam-se o tempo todo,
em busca da melhor apuração de fatos ocorridos e
que de algum modo afetam a vida dos espectadores.
São expostas as graças e, principalmente, as
desgraças. Todas as desgraças? Não, claro que não.
Apenas aquelas que não tenham relação com os negócios
dessa mesma mídia. O exemplo mais evidente
e escandaloso é a tragédia que se abate sobre a
população de baixa renda, provocada pela jogatina
que sequestrou o país.
Famílias se endividam irremediavelmente, impelidas
por uma publicidade que, de modo irresponsável,
normaliza o “suicídio” financeiro. Problemas
mentais se disseminam na velocidade em que a ansiedade
leva ao jogo compulsivo. Parte relevante do
consumo de bens essenciais é substituída pelo uso
da renda em apostas.
Em agosto de 2024, um estudo do Banco Central
apontou que 21% do total pago pelo Bolsa Família a
beneficiários do programa foi destinado de presente
para as bets.
Alguma coisa como 3 bilhões de reais, contabilizando-se
apenas os pagamentos via Pix. Em 2024,
essa notícia ainda era relevante, era levada ao ar
com destaque e causava justo espanto.
Hoje, como se o problema estivesse resolvido, ela
sumiu das telas. Pode zapear à vontade, entre 19 e 21
horas, que não se ouvirá uma única palavra sobre o
assunto. Casualidade?
Parece que não. Uma rápida pesquisa mostra que,
entre o fim daquele ano e 2025, três das nossas mais
poderosas redes de TV aberta entraram de cabeça
no negócio da jogatina, sozinhas ou em sociedade
com operadores estrangeiros.
Sem falar da incensada nova estrela da transmissão
esportiva, que manipula o cassino das bets com
força máxima. Desde criança, ouvi dizer que a mídia
é o quarto poder. O que, muitas vezes, se convertia
em algo positivo.
Quando, por exemplo, os poderes constituídos se
corrompiam, em suas diversas modalidades, num
cardápio que inclui aprovação de leis de interesse
privado, venda de sentenças ou recebimento de
propina em obras, sempre restava a mídia para denunciar.
Era a nossa esperança derradeira de desmoralizar
a bandidagem política e forçar a punição dos
corruptos.
Mas o que se pode esperar, hoje, quando temos
parte relevante do tal quarto poder compondo a
turma que opera em conjunto para abocanhar 21%
do Bolsa Família, de maneira desavergonhada? Qual
vai ser o interesse em demonstrar que os brasileiros
pobres estão sofrendo um ataque doutrinário para o
jogo, permanente e criminoso?
Qual vai ser o interesse em denunciar que milhões
de pessoas estão sendo viciadas numa prática
absolutamente destrutiva para si mesmas e para
suas famílias?
Talvez a melhor, no sentido de mais sinceramente
cínica, resposta tenha sido a do novo milionário
da mídia, quando ele disse: “Não tem muito o que
fazer, né? É o que faz girar o negócio”.
Ou seja, como eu escrevi lá no início, nada ajuda
mais a relativizar qualquer coisa do que o dinheiro.
Pode apostar.
Stalimir Vieira
é diretor da Base de Marketing
stalimircom@gmail.com
“Nada ajuda
mais a relativizar
qualquer coisa
do que o dinheiro.
Pode apostar”
70 29 de junho de 2026 - jornal propmark