UNIJUÍ - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO ...
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<strong>UNIJUÍ</strong> - <strong>UNIVERSIDADE</strong> <strong>REGIONAL</strong> <strong>DO</strong> <strong>NOROESTE</strong> <strong>DO</strong> ESTA<strong>DO</strong> <strong>DO</strong> RIO<br />
GRANDE <strong>DO</strong> SUL<br />
Departamento de Economia e Contabilidade<br />
Departamento de Estudos Agrários<br />
Departamento de Estudos da Administração<br />
Departamento de Estudos Jurídicos<br />
CURSO DE MESTRA<strong>DO</strong> EM DESENVOLVIMENTO<br />
SIMONE BEATRIZ NUNES CERETTA<br />
O MODELO DE DECISÃO DE COMPRA E A IMPORTÂNCIA <strong>DO</strong> DESCARTE NA<br />
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL: UM ESTU<strong>DO</strong> COM CONSUMI<strong>DO</strong>RES DE<br />
SUPERMERCA<strong>DO</strong>S<br />
Ijuí (RS)<br />
2011
SIMONE BEATRIZ NUNES CERETTA<br />
O MODELO DE DECISÃO DE COMPRA E A IMPORTÂNCIA <strong>DO</strong> DESCARTE NA<br />
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL: UM ESTU<strong>DO</strong> COM CONSUMI<strong>DO</strong>RES DE<br />
SUPERMERCA<strong>DO</strong>S<br />
Dissertação apresentada ao Curso de Pós-<br />
Graduação Stricto Sensu em<br />
Desenvolvimento – Mestrado, Área de<br />
Concentração: Gestão de Organizações<br />
para o Desenvolvimento, da Universidade<br />
Regional do Noroeste do Estado do Rio<br />
Grande do Sul – <strong>UNIJUÍ</strong>, para obtenção do<br />
grau de Mestre em Desenvolvimento.<br />
Orientador(a): Profª. Drª. Lurdes Marlene Seide Froemming<br />
Ijuí(RS)<br />
2011<br />
2
Catalogação na Publicação<br />
C414m Ceretta, Simone Beatriz Nunes.<br />
O modelo de decisão de compra e a importância do descarte na<br />
preservação ambiental : um estudo com consumidores de supermercados /<br />
Simone Beatriz Nunes Ceretta. – Ijuí, 2011. –<br />
206 f. : il. ; 29 cm.<br />
Dissertação (mestrado) – Universidade Regional do Noroeste do<br />
Estado do Rio Grande do Sul (Campus Ijuí). Desenvolvimento.<br />
“Orientadora: Marlene Seide Froemming”.<br />
1. Desenvolvimento sustentável. 2. Desenvolvimento sustentável -<br />
Estratégia. 3. Consumidor - Comportamento. 4. Lixo. I. Froemming,<br />
Marlene Seide. II. Título. III. Título: Um estudo com consumidores de<br />
supermercados.<br />
CDU: 502.31<br />
504<br />
Tania Maria Kalaitzis Lima<br />
CRB10 / 1561<br />
3
<strong>UNIJUÍ</strong> - <strong>UNIVERSIDADE</strong> <strong>REGIONAL</strong> <strong>DO</strong> <strong>NOROESTE</strong> <strong>DO</strong> ESTA<strong>DO</strong> <strong>DO</strong> RIO<br />
GRANDE <strong>DO</strong> SUL<br />
A Banca Examinadora, abaixo assinada, aprova a Dissertação<br />
O MODELO DE DECISÃO DE COMPRA E A IMPORTÂNCIA <strong>DO</strong> DESCARTE NA<br />
PRESERVAÇÃO AMBIENTAL: UM ESTU<strong>DO</strong> COM CONSUMI<strong>DO</strong>RES DE<br />
Banca Examinadora:<br />
SUPERMERCA<strong>DO</strong>S<br />
Elaborada por:<br />
SIMONE BEATRIZ NUNES CERETTA<br />
Como requisito parcial para a obtenção do grau de<br />
Mestre em Desenvolvimento<br />
Profª. Drª. Lurdes Marlene Seide Froemming (<strong>UNIJUÍ</strong>)______________________________<br />
Prof. Dr. Verner Luis Antoni (UPF)______________________________________________<br />
Profª. Drª. Enise Barth Teixeira (<strong>UNIJUÍ</strong>)_________________________________________<br />
Ijuí (RS), 2011.<br />
4
DEDICATÓRIA<br />
Dedico a presente dissertação ao meu esposo,<br />
Evandro Ceretta, meu grande incentivador, por<br />
que não dizer “perturbador”... Àquele que me<br />
obriga continuamente a sair da zona do conforto e<br />
me faz acreditar que sonhos podem se tornar<br />
realidade basta o esforço e a dedicação. Aqui está a<br />
concretização deste sonho, dedicado a você, meu<br />
amor.<br />
5
AGRADECIMENTOS<br />
Um sonho adormecido. Assim eu costumava caracterizar a realização do Curso de<br />
Mestrado. Em função de certas circunstâncias da vida a sua realização deixou de estar<br />
presente nos meus objetivos por alguns anos e, por outras, voltou com força total. O desejo de<br />
exercer a profissão de docente, de buscar uma maior qualificação, de ter um futuro melhor e,<br />
principalmente, de aprender mais e mais, me motivaram a concretizar este sonho. Mas nada<br />
na vida é possível sem a colaboração de outras pessoas, cuja importância quero deixar<br />
registrada em forma de agradecimento:<br />
- A Deus, aquele que guia meu caminho... que permite que oportunidades surjam em<br />
minha vida... que transformou este mestrado no propulsor de uma carreira no serviço público<br />
federal.<br />
- A Professora Drª. Lurdes Marlene Seide Froemming, pela terceira vez minha<br />
orientadora, a quem admiro muito como profissional e, especialmente, enquanto pessoa, pela<br />
simplicidade e pela maneira com que mantém sua relação com os alunos sempre disposta a<br />
ajudar e a nos motivar no processo de aprendizado. Doutora na arte de ensinar, minha Mestre<br />
educadora, a quem uso como exemplo, o meu eterno agradecimento.<br />
- Aos Professores do Curso de Mestrado Drª. Enise Barth Teixeria e Dr. Jorge<br />
Oneide Sausen agradeço o apoio, incentivo e o aprendizado proporcionado no decorrer das<br />
aulas. Além da motivação para estudos futuros em suas temáticas de trabalho.<br />
- Aos meus pais, Adair e Ercília Nunes, sempre orgulhosos por cada pequena<br />
conquista minha e à família, agradeço pelo apoio, pelo incentivo de sempre, por<br />
compreenderem minhas ausências. Sem vocês nada seria possível.<br />
- Ao diretor da Escola de Educação Profissional SENAC de Ijuí, Milton Pereira,<br />
pelo apoio que permitiu a realização deste curso e o meu crescimento profissional, muito do<br />
que aprendi como docente devo a esta instituição e a sua pessoa.<br />
- As minhas colegas e amigas do SENAC, colaboradoras desta pesquisa na<br />
realização do Focus Group e, mais que isso, ouvintes e incentivadoras nos momentos mais<br />
6
difíceis do curso. Sempre ao meu lado, acreditando no meu potencial, vocês fizeram a<br />
diferença.<br />
- A amiga Nívia Kinalski, que colocou novamente este sonho na minha mente, que<br />
disse: “faz teu Mestrado, que a recompensa virá”. Pois sim, veio.<br />
fizeram.<br />
A todos muito obrigada. Peço que Deus transforme em bênçãos todo o bem que me<br />
7<br />
Simone Beatriz Nunes Ceretta
RESUMO: O presente trabalho aborda o conjunto de atributos que influenciam o<br />
comportamento do consumidor nas etapas do modelo de decisão de compra na escolha de<br />
supermercados, enfatizando a responsabilidade do setor supermercadista na etapa do descarte<br />
de produtos. Trata-se de uma pesquisa interpretativista, exploratória e descritiva de natureza<br />
quali-quantitativa, aplicada a consumidores dos três principais supermercados situados no<br />
perímetro central do município de Ijuí/RS e aos gestores destas organizações, aqui nomeadas<br />
de Alfa, Beta e Gama. A investigação se desenvolve inicialmente, com a pesquisa<br />
bibliográfica, seguida do focus group e dos questionários aplicados a 150 consumidores, em<br />
uma amostra não-probabilística. Posteriormente, realizou-se entrevistas com os gestores dos<br />
supermercados e a observação direta nos ambientes das lojas. Foi realizada também, pesquisa<br />
participante com o acompanhamento da produção de lixo oriundo de compras em<br />
supermercados, aplicada a uma amostra de conveniência composta por famílias. O tratamento,<br />
análise e interpretação dos dados foram realizados mediante sistematização das informações<br />
oriundas da fase qualitativa e, análise estatística dos dados quantitativos. Os resultados<br />
demonstram a complexidade da gestão do varejo supermercadista em compreender o<br />
comportamento volátil do consumidor e, em assumir sua responsabilidade no processo de<br />
desenvolvimento sustentável, principalmente no que se refere ao descarte dos produtos. A<br />
pesquisa revela uma preocupação maior dos supermercados com a dimensão econômica,<br />
atuando-se em um cenário favorável com aumento de vendas e lucratividade. Na dimensão<br />
ambiental encontra-se o maior gargalo da atuação supermercadista devido à quantidade de<br />
lixo resultante das compras, assim como, sacolas plásticas. Identificou-se que as famílias<br />
produzem uma quantidade significativa de lixo, advinda de compras nas lojas, a qual é<br />
descartada no lixo comum, acarretando em problemas ambientais e de saúde para a<br />
população. Neste processo, constatou-se que os gestores das três empresas acabam se<br />
eximindo da sua responsabilidade quanto à preservação ambiental, transferindo-a apenas ao<br />
fabricante e, ao consumidor. Quanto à dimensão social, os gestores confundem-se quanto ao<br />
seu verdadeiro significado, na realidade predomina a ação social, pois para se caracterizar<br />
como responsabilidade social, as práticas deveriam ser planejadas e contínuas o que não<br />
ocorre. Na análise do processo de decisão de compra do consumidor na escolha por um<br />
determinado supermercado, constata-se a existência de atributos importantes e determinantes<br />
neste processo. Os atributos importantes identificados foram: o menor preço acessível, a<br />
rapidez no atendimento e, a variedade e qualidade de produtos e marcas. Os determinantes na<br />
escolha de qual mercado comprar são: o preço, a variedade de produtos e marcas e, o<br />
atendimento rápido e cortês. Na determinação das estratégias competitivas, os três<br />
supermercados, estão calcados nos mesmos atributos, o que dificulta ainda mais a decisão do<br />
cliente. Portanto, é preciso direcionar as ações com um foco maior nos atributos identificados<br />
no estudo e oferecer valor agregado ao cliente. Além disso, é preciso que o varejo<br />
supermercadista assuma sua responsabilidade no processo de desenvolvimento sustentável,<br />
pois reduzindo os prejuízos ambientais provocados por suas atividades, valorizando seus<br />
colaboradores e realizando ações em prol da sociedade, a lucratividade aumentará como<br />
resultado de uma imagem corporativa positiva.<br />
Palavras chave: Comportamento do consumidor, Atributos, Desenvolvimento sustentável,<br />
Lixo, Estratégia.<br />
8
ABSTRACT: This paper discusses the set of attributes that influence consumer behavior on<br />
the steps of model purchase decision on the choice of supermarkets, emphasizing the<br />
responsibility of the supermarket sector in the stage of product disposal. This is an<br />
interpretive research, exploratory and descriptive nature of qualitative and quantitative,<br />
applied to consumers in three major supermarkets located within the perimeter of the central<br />
city of Ijuí and managers of these organizations, here named Alpha, Beta and Gamma. The<br />
research was developed initially with the literature search, followed by focus groups and<br />
questionnaires given to 150 consumers in a non-probability sample. Subsequently, we carried<br />
out interviews with the managers of supermarkets and direct observations in the environments<br />
of the stores. It was also conducted a participant poll to the monitoring of waste production<br />
come from shopping in supermarkets, applied to a convenience sample of families. The<br />
processing, analysis and interpretation of data were performed by systematization of<br />
information from the phase qualitative and quantitative phases and statistical analysis. The<br />
results demonstrate the complexity of managing the retail market in understanding the volatile<br />
behavior of the consumer, to take responsibility in the process of sustainable development,<br />
especially with regard to disposal of products. The research reveals a major concern of the<br />
supermarkets with the economic dimension, acting in a favorable scenario with increased<br />
sales and profitability. In the environmental dimension is the largest supermarket performance<br />
“bottleneck” due to the amount of waste resulting from the purchases, as well as plastic bags.<br />
It was identified that households produce a significant amount of garbage that came from<br />
shopping in stores, which is discarded in the trash causing environmental problems and health<br />
for the population. In this process, it was found that the managers of three companies end up<br />
relieving themselves of their responsibility for environmental preservation, only transferring it<br />
to the manufacturer and consumer. As for the social dimension, managers are confused about<br />
its true meaning. In fact the social action is predominant, because to be characterized as social<br />
responsibility practices should be planned and sustained which is not true. In analyzing the<br />
decision process of consumer buying in the choice of a particular supermarket, there is the<br />
existence of important attributes for this case. The important attributes identified were the<br />
lowest affordable price, fast service and the variety and quality of products and brands. The<br />
determining factors in choosing which market to buy are: price, variety of products and<br />
brands, as well as prompt and courteous. In determining the competitive strategies of the three<br />
supermarkets are trampled in the same attributes, which further complicates the decision of<br />
the client. Therefore, we must direct the actions with a greater focus on the attributes<br />
identified in the study and provide added value to the customer. Furthermore, it is necessary<br />
that the retail market takes its responsibility in the process of sustainable development, since<br />
reducing the environmental damage caused by its activities, valuing its employees and<br />
performing actions on behalf of society, profitability will increase as a result of a positive<br />
corporate image.<br />
Keywords: Consumer behavior, attributes, Sustainable development, garbage, Strategy.<br />
9
LISTA DE FIGURAS<br />
Figura 01: Fluxograma do Estudo........................................................................... 17<br />
Figura 02: Oportunidades para o varejo: Conexões da cadeia de Valor do Varejo 44<br />
Figura 03: Diferença entre os Conceitos: Ação Social × Investimento Social<br />
Privado × Responsabilidade Social Empresarial...................................<br />
Figura 04: Projeções de Consumo por Setor e Produto........................................... 72<br />
Figura 05: O Modelo de Processo de Decisão do Consumidor............................... 88<br />
Figura 06: Fatores Influentes no Processo de Tomada de Decisão do<br />
Consumidor.............................................................................................<br />
Figura 07: Um Contínuo de Comportamento de Decisão de Compra..................... 95<br />
Figura 08: O Processo de Reconhecimento de Necessidade centrado no Grau de<br />
Discrepância............................................................................................<br />
Figura 09: Hierarquia de Necessidades de<br />
Maslow.................................................<br />
Figura 10: O Processo de Busca Interna.................................................................. 105<br />
Figura 11: Componentes Básicos do Processo de Avaliação de Alternativa Pré-<br />
compra....................................................................................................<br />
Figura 12: Opções do Consumidor para Realizar o 126<br />
Figura 13:<br />
Descarte..................................<br />
O Papel do Marketing Estratégico.......................................................... 140<br />
Figura 14: Variáveis Controláveis e Incontroláveis................................................ 145<br />
Figura 15: Marketing Mix do Varejo…………………………………………....... 147<br />
Figura 16: Descarte de Lixo (em quilos) por pessoa por dia nos principais<br />
Estados Brasileiros..................................................................................<br />
Figura 17: Conexões da Cadeia de Valor do Varejo................................................ 180<br />
Figura 18: Canal de Distribuição dos Supermercados............................................. 186<br />
Figura 19: Exemplos de Necessidades Componentes da Hierarquia de Maslow..... 198<br />
Figura 20: Síntese do Mix de Varejo aplicado pelos Supermercados Alfa, Beta e<br />
48<br />
89<br />
99<br />
103<br />
113<br />
177<br />
10
Gama........................................................................................................ 238<br />
LISTA DE QUADROS<br />
Quadro 01: Carta de Princípios e Práticas de Responsabilidade Social do Varejo. 47<br />
Quadro 02: Principais Tipos de Varejos.................................................................. 60<br />
Quadro 03: Tipos de Varejo Sem Lojas................................................................... 62<br />
Quadro 04: O Novo Consumidor............................................................................. 67<br />
Quadro 05: Quatro Situações para o Reconhecimento de Problemas..................... 102<br />
Quadro 06: Atributos para a Avaliação de Lojas Varejistas.................................... 115<br />
Quadro 07: Composição Familiar da Amostra Pesquisada.................................... 178<br />
Quadro 08: Distribuição dos Participantes da Pesquisa por Sexo.......................... 191<br />
Quadro 09: Distribuição dos Participantes da Pesquisa por Faixa Etária.............. 192<br />
Quadro 10: Distribuição dos Participantes da Pesquisa por Renda Familiar......... 192<br />
Quadro11: Sexo versus quem Decide o Supermercado para as Compras............. 194<br />
Quadro 12: Sistematização da Classificação de Tipologia de Problemas............... 196<br />
Quadro 13: Realização de Pesquisas de Preços de acordo com a Variável Sexo.... 203<br />
Quadro 14: Pesquisa de Preços por Supermercado................................................ 204<br />
Quadro 15: Critérios de Avaliação para a Escolha de<br />
Supermercados..................<br />
Quadro 16: Atributos Determinantes na Escolha por um<br />
Quadro 17:<br />
Supermercado...............<br />
Classificação dos Atributos Importantes versus Classificação<br />
dos Atributos<br />
Determinantes......................................................................<br />
Quadro 18: Motivos que Determinam a Escolha dos Clientes por um<br />
Supermercado......................................................................................<br />
205<br />
209<br />
211<br />
213<br />
11
LISTA DE GRÁFICOS<br />
Gráfico 01: Características Importantes para um Bom Atendimento...................... 155<br />
Gráfico 02: Influência das Ações Socioambientais realizadas pelos<br />
Supermercados na Decisão de Compra do Consumidor.......................<br />
Gráfico 03: Evolução das Vendas do Setor – Total Brasil (variáveis mês x<br />
mesmo mês do ano anterior)................................................................<br />
Gráfico 04: Papel de Compra dos Entrevistados...................................................... 193<br />
Gráfico 05: Fatores que Despertam a Necessidade de Frequentar Supermercados. 195<br />
Gráfico 06: Itens com maior influência em Lembrar a Necessidade de Compra.... 197<br />
Gráfico 07: Número de Supermercados que o Consumidor Costuma Comprar...... 199<br />
Gráfico 08: Frequência com que o Consumidor costuma ir ao<br />
Supermercado........<br />
Gráfico 09: Influência de Fatores Pessoais na Busca por<br />
Supermercados...............<br />
Gráfico 10: Influência de Fatores Comerciais na Busca por<br />
Gráfico 11:<br />
Supermercados..........<br />
Realização de Pesquisas de Preços antes da Escolha por um<br />
Supermercado........................................................................................<br />
Gráfico 12: Atributos citados pelos Consumidores como mais Importantes na<br />
Escolha do Supermercado.....................................................................<br />
Gráfico 13: Supermercado Selecionado pelos Entrevistados para suas Compras.... 212<br />
Gráfico 14: Situações de Compra dos Consumidores Supermercadistas................. 214<br />
Gráfico 15: Preferência de Acompanhante durante as Compras<br />
Supermercadistas...................................................................................<br />
Gráfico 16: Motivo da Desistência das Compras pelo<br />
Consumidor...........................................................................................<br />
Gráfico 17: Consumidores que Aderem as Degustações em<br />
Supermercados......................................................................................<br />
171<br />
173<br />
201<br />
201<br />
202<br />
203<br />
206<br />
215<br />
216<br />
12<br />
217
Gráfico 18: Resultado de Compra após Degustações em<br />
Supermercados......................................................................................<br />
Gráfico 19: Atitude dos Clientes quando Insatisfeitos com o Supermercado.......... 219<br />
Gráfico 20: Destino das Reclamações dos Clientes sobre o Supermercado............ 220<br />
Gráfico 21: Realização de Trocas em Supermercados no caso de Compra de<br />
Produtos Estragados/Vencidos.............................................................<br />
218<br />
13<br />
221
SUMÁRIO<br />
INTRODUÇÃO.........................................................................................................<br />
1 CONTEXTUALIZAÇÃO <strong>DO</strong> ESTU<strong>DO</strong>.............................................................<br />
1.1 Apresentação do Tema....................................................................................<br />
1.2 Formulação do Problema................................................................................<br />
1.3 Delimitação da Pesquisa.................................................................................<br />
1.4 Justificativa ....................................................................................................<br />
1.5 Objetivos.........................................................................................................<br />
1.5.1 Objetivo geral........................................................................................<br />
1.5.2 Objetivos específicos.............................................................................<br />
2 REFERENCIAL TEÓRICO.................................................................................<br />
2.1. O Desenvolvimento Sustentável e a Responsabilidade Social nas<br />
Organizações Varejistas...............................................................................<br />
2.1.1 Do processo de desenvolvimento ao desenvolvimento<br />
sustentável........................................................................................<br />
2.1.2 A sustentabilidade nas organizações................................................<br />
2.1.3 Varejo sustentável e socialmente responsável ................................<br />
2.1.4 O lixo como resultado da atividade supermercadista......................<br />
2.2 Gestão de Varejo.........................................................................................<br />
2.2.1 Evolução do varejo no Brasil...........................................................<br />
2.2.2 Conceitos e tipos de varejistas.........................................................<br />
2.2.3 Tipos de produtos no varejo.............................................................<br />
2.2.4 Tendências de consumo no varejo supermercadista........................<br />
2.3 Varejo Supermercadista...............................................................................<br />
2.3.1 A evolução dos supermercados no Brasil........................................<br />
2.3.2 Varejo de loja: os supermercados....................................................<br />
2.4 Comportamento do Consumidor.................................................................<br />
16<br />
19<br />
19<br />
20<br />
21<br />
21<br />
24<br />
24<br />
24<br />
26<br />
26<br />
27<br />
35<br />
37<br />
51<br />
54<br />
55<br />
57<br />
62<br />
65<br />
75<br />
76<br />
79<br />
81<br />
14
2.4.1 O comportamento do consumidor....................................................<br />
2.4.2 Os processos decisórios do consumidor..........................................<br />
2.4.3 Modelo de processo de decisão do consumidor...............................<br />
2.4.3.1 Influências no processo de tomada de decisão do<br />
consumidor...........................................................................<br />
2.4.3.2 Papéis de compra................................................................<br />
2.4.3.3 Tipos ou níveis de comportamento de compra...................<br />
2.4.3.4 Etapas do processo de tomada de decisão...........................<br />
2.4.3.5 Como os clientes compram.................................................<br />
2.5 Atributos: Fatores Influentes na Tomada de Decisão..................................<br />
2.5.1 Conceito de atributo.........................................................................<br />
2.5.2 Categorias de atributos....................................................................<br />
2.6 Estratégia e Vantagem Competitiva............................................................<br />
2.6.1 Estratégia: origem e definições........................................................<br />
2.6.2 O marketing estratégico e as estratégias competitivas.....................<br />
2.6.3 Estratégia de varejo supermercadista: como fazer o consumidor ir<br />
às compras.......................................................................................<br />
2.6.3.1 Estratégias que estimulam o consumidor a comprar............<br />
3 METO<strong>DO</strong>LOGIA..................................................................................................<br />
3.1 Classificação da Pesquisa...............................................................................<br />
3.2 Universo Amostral .........................................................................................<br />
3.3 Sujeitos da Pesquisa........................................................................................<br />
3.4 Instrumentos de Coleta de Dados....................................................................<br />
3.5 Tratamento, Análise e Interpretação dos Dados.............................................<br />
4 SUSTENTABILIDADE, ATRIBUTOS E ESTRATÉGIAS: COMO O<br />
CONSUMI<strong>DO</strong>R SELECIONA O SUPERMERCA<strong>DO</strong> PARA COMPRAR.......<br />
4.1 A Participação do Setor Supermercadista no Processo de Desenvolvimento<br />
Sustentável............................................................................................................<br />
4.1.1 Dimensão econômica...........................................................................<br />
4.1.2 Dimensão ambiental............................................................................<br />
4.1.2.1 O descarte de embalagens oriundas de supermercados no<br />
82<br />
85<br />
87<br />
89<br />
93<br />
94<br />
98<br />
128<br />
130<br />
131<br />
132<br />
134<br />
135<br />
138<br />
144<br />
156<br />
161<br />
161<br />
164<br />
164<br />
165<br />
167<br />
169<br />
169<br />
172<br />
175<br />
15
ambiente..................................................................................<br />
4.1.3 Dimensão social...................................................................................<br />
4.2 Caracterização do Setor Supermercadista do Município de Ijuí/RS...............<br />
4.3 Caracterização da Amostra de Consumidores.................................................<br />
4.4 O Conjunto de Atributos Influentes no Comportamento do Consumidor nas<br />
Etapas do Modelo de Decisão de Compra na seleção por Supermercados.....<br />
4.4.1 Etapas do processo de tomada de decisão...........................................<br />
4.5 Estratégias Organizacionais na Ótica das Empresas Supermercadistas<br />
Calcadas nos Atributos Competitivos.............................................................<br />
4.5.1 Os desafios do setor varejista pela ótica dos gestores............................<br />
4.5.2 O marketing estratégico nos supermercados em análise.......................<br />
4.5.3 As estratégias das lojas supermercadistas: ações para fazer o<br />
consumidor comprar..............................................................................<br />
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES...............................................................<br />
LIMITAÇÕES <strong>DO</strong> ESTU<strong>DO</strong>..................................................................................<br />
SUGESTÕES DE PESQUISA.................................................................................<br />
REFERÊNCIAS........................................................................................................<br />
APÊNDICES..............................................................................................................<br />
ANEXOS....................................................................................................................<br />
181<br />
187<br />
190<br />
191<br />
193<br />
194<br />
223<br />
224<br />
225<br />
229<br />
240<br />
243<br />
243<br />
245<br />
253<br />
261<br />
16
INTRODUÇÃO<br />
Muitas transformações decorrentes do processo de globalização nos anos 90, como o<br />
deslocamento dos mercados, aumento da concorrência, o surgimento de novas tecnologias e,<br />
principalmente, as necessidades emergentes dos consumidores, exigiram mudanças<br />
significativas no setor varejista. Os supermercados, considerados entre os mais importantes<br />
representantes desse segmento, tiveram que se ajustar, adotando novas tecnologias em seus<br />
processos, formulando novas estratégias mercadológicas para enfrentar concorrentes locais e<br />
aqueles vindos de mercados estrangeiros e, essencialmente, desenvolvendo uma nova visão do<br />
negócio, com foco no consumidor.<br />
A organização voltada ao consumidor deve compreender o que ele pensa, o que<br />
sente, e como compra e usa produtos e serviços (CHURCHILL; PETER, 2000). Conhecer tais<br />
aspectos relativos ao comportamento do consumidor possibilita ofertar valor superior ao<br />
cliente, cuja percepção poderá gerar então fidelização à loja. O estudo do comportamento do<br />
indivíduo torna-se fundamental, especialmente nas organizações varejistas, situadas no final<br />
da cadeia produtiva e em contato direto com o cliente.<br />
Dessa forma, esta Dissertação de Mestrado está inserida no campo do<br />
Comportamento do Consumidor, buscando identificar os atributos mais valorizados e que<br />
influenciam no seu processo decisório para a seleção de um determinado supermercado. Esse<br />
conhecimento é importante como ferramenta estratégica organizacional, imprescindível na<br />
busca da vantagem competitiva e na fidelização dos clientes. O estudo também aborda o papel<br />
dos supermercados no processo de desenvolvimento sustentável, uma vez que ele proporciona<br />
não apenas ganhos ou prejuízos financeiros em termos de lucratividade, mas principalmente,<br />
porque suas ações podem provocar impactos em relação à preservação ambiental e a melhoria<br />
da qualidade de vida da sociedade, na qual se encontram inseridos. Os supermercados<br />
assumem uma posição muito importante no canal de distribuição e possuem<br />
responsabilidades, essencialmente em relação ao descarte de produtos e a produção de lixo<br />
doméstico, exigindo-se de seus gestores novas formas de agir e de pensar a organização.<br />
17
Figura 01.<br />
A Dissertação encontra-se estruturada em seis partes subsequentes, representadas na<br />
Figura 01: Fluxograma do Estudo.<br />
A primeira parte contempla a contextualização do estudo, especificando-se o tema, o<br />
problema, a justificativa e os objetivos. A segunda parte apresenta o referencial teórico que<br />
embasa o tema em foco, extraído da análise de estudos realizados por diversos autores, o qual<br />
serve como referência e possibilita a solução do problema determinado, bem como o alcance<br />
dos objetivos propostos.<br />
Contextualização do Estudo<br />
Referencial Teórico<br />
Metodologia<br />
Sustentabilidade, Atributos e<br />
Estratégias: Como o Consumidor<br />
Seleciona o Supermercado para<br />
Comprar<br />
Conclusões e<br />
Recomendações<br />
Referências<br />
18
O referencial está organizado em seis tópicos: no primeiro, desenvolve-se uma<br />
reflexão acerca do Desenvolvimento Sustentável e da Responsabilidade Social nas<br />
organizações varejistas; no segundo, contextualiza-se o setor supermercadista como um<br />
segmento varejista, caracterizando a evolução do varejo, seu conceito e tipologia, os tipos de<br />
produtos varejistas e as tendências de consumo no varejo supermercadista; no terceiro,<br />
apresenta-se a evolução dos supermercados no Brasil, bem como o conceito e as<br />
classificações do varejo de loja; o quarto tópico expõe a importância do comportamento do<br />
consumidor e seu elemento central: o processo de decisão de compra, caracterizado em todas<br />
as etapas que o compõem; no quinto tópico são expostos o conceito e as categorias de<br />
atributos influentes no processo de decisão de compra do consumidor; e, finalmente, o sexto<br />
tópico trata do marketing estratégico e a importância da formulação de estratégias<br />
supermercadistas focadas no consumidor para a obtenção de vantagem competitiva e a<br />
fidelização de clientes.<br />
A terceira parte do trabalho apresenta a metodologia da pesquisa utilizada,<br />
indicando a forma e os instrumentos usados para investigar a problemática norteadora do<br />
estudo. A quarta parte traz a análise dos resultados extraídos da pesquisa, quanto à<br />
participação do setor supermercadista no desenvolvimento sustentável, a caracterização do<br />
setor supermercadista no município de Ijuí/RS, a caracterização da amostra de pesquisa, os<br />
atributos influentes no processo de decisão do consumidor por um determinado supermercado<br />
e as estratégias adotadas pelos supermercadistas calcadas nos atributos competitivos.<br />
Na quinta parte constam as conclusões e recomendações da investigação,<br />
ressaltando-se as principais constatações identificadas em relação ao tema de estudo proposto<br />
e possíveis sugestões. Além disso, são apresentadas as limitações do estudo e as sugestões<br />
para pesquisas futuras. Finalmente, constam as referências bibliográficas que listam as obras<br />
literárias utilizadas para a construção desta pesquisa científica.<br />
19
1 CONTEXTUALIZAÇÃO <strong>DO</strong> ESTU<strong>DO</strong><br />
A contextualização do estudo antecede o referencial teórico e aborda aspectos que<br />
foram relevantes para a construção desta pesquisa científica, sendo composta pelos seguintes<br />
tópicos: apresentação do tema, problema, delimitação da pesquisa, justificativa e definição<br />
dos objetivos.<br />
1.1 Apresentação do Tema<br />
O varejo supermercadista é considerado um dos principais setores que movimenta a<br />
economia do país (MORGA<strong>DO</strong>; GONÇALVES, 1999; SPROESSER, 1999). Ao mesmo<br />
tempo, assim como outras organizações, os supermercados enfrentam transformações<br />
contínuas para se adaptar à forte concorrência e, principalmente, atender a exigência cada vez<br />
mais acentuada dos consumidores que se tornam a cada dia, mais criteriosos ao selecionar<br />
uma organização para realizar suas compras.<br />
Neste cenário, cresce o compromisso das empresas em buscar compreender o<br />
comportamento desse cliente que acaba, direta ou indiretamente, afetando a gestão de seus<br />
negócios e a sua sobrevivência no mercado. Assim, conhecer e entender as necessidades do<br />
consumidor, compreender como é feita a tomada de decisão e como são selecionadas as<br />
empresas para comprar, são requisitos essenciais para o desenvolvimento de uma estratégia de<br />
varejo eficiente, em termos de vantagem competitiva.<br />
Para Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 4), o comportamento do consumidor é<br />
definido como “as atividades diretamente envolvidas em obter, consumir e dispor de produtos<br />
e serviços, incluindo os processos decisórios que antecedem e sucedem estas ações”.<br />
Compreender este processo é uma tarefa complexa, a qual envolve captar as percepções dos<br />
consumidores acerca dos atributos que eles julgam importantes no processo de decisão de<br />
compra e que os fazem optar por um supermercado em detrimento de outro.<br />
20
Diante do exposto, o tema central da presente dissertação consiste em: Atributos<br />
influentes nas etapas do modelo de decisão de compra do consumidor na seleção de<br />
supermercados.<br />
1.2 Formulação do Problema<br />
“A ciência é a forma hegemônica de construção da realidade, considerada por<br />
muitos críticos como um novo mito, por sua pretensão de único promotor e critério de<br />
verdade. No entanto, continuamos a fazer perguntas e a buscar soluções” (MINAYO, 2008, p.<br />
9). A pesquisa científica nesta lógica de pensamento tem o intuito de questionar, refletir,<br />
buscar explicações e possíveis soluções para as indagações humanas e organizacionais.<br />
O município de Ijuí apresenta 47 empresas cadastradas no setor alimentício, dentre<br />
elas os supermercados que representam uma participação significativa no desenvolvimento<br />
sustentável do município. A concorrência deste segmento é acirrada e cada supermercado<br />
possui suas particularidades de gestão na tentativa de absorver maior número de<br />
consumidores, que optam por um ou outro, na sua preferência de compra. Para garantir a<br />
vantagem competitiva e a diferenciação, é preciso que a organização esteja orientada para o<br />
mercado, não apenas centrada na atuação da concorrência, mas principalmente, nas<br />
necessidades emergentes dos consumidores (KOTLER; ARMSTRONG, 1999).<br />
Tornam-se pertinentes então, estudos mais aprofundados acerca do comportamento<br />
dos consumidores e do seu processo de decisão de compra para se conhecer e compreender<br />
melhor os atributos mais valorizados pelo cliente no ato de suas compras em supermercados.<br />
A questão fundamental é descobrir o que leva as pessoas a escolher determinado<br />
supermercado para fazer suas compras. Para Engel, Blackwell e Miniard (2000), os<br />
consumidores compram pensando em determinados atributos que, segundo eles, são os<br />
responsáveis pela tomada de decisão. Com base nessa premissa, esta pesquisa visa identificar<br />
e descrever quais são estes atributos, no caso específico do setor supermercadista.<br />
Assim, este estudo tem como questão central: Qual é o conjunto de atributos que<br />
influencia o comportamento do consumidor nas etapas do modelo de decisão de compra<br />
na escolha de supermercados?<br />
21
1.3 Delimitação da Pesquisa<br />
O estudo explora os atributos influentes no comportamento do consumidor nas<br />
etapas do modelo de decisão de compra na escolha de supermercados. Para o alcance dos seus<br />
objetivos, a investigação fica restrita a abordagem aos consumidores de supermercados que<br />
exercem o papel de compradores, de acordo com a classificação de Kotler (2009) e, ainda, os<br />
gestores dos três principais supermercados localizados no perímetro central do município de<br />
Ijuí/RS.<br />
1.4 Justificativa<br />
A realidade das organizações contemporâneas mostra-se cada vez mais complexa no<br />
que concerne à sua gestão. Em decorrência da globalização, do deslocamento dos mercados, o<br />
surgimento de consumidores extremamente exigentes e, também, a necessidade de um<br />
processo de desenvolvimento sustentável, fazem com que a gestão de qualquer organização e,<br />
principalmente, o setor varejista altamente sensível às mudanças do mercado, tenham que<br />
buscar alternativas de adaptação e inovação.<br />
Esses efeitos da globalização, iniciados no Brasil na década de 90, compeliram<br />
muitas empresas a transformarem seus processos e sua visão sobre o negócio, incluindo os<br />
supermercados. O varejista de alimentos teve que introduzir novas e avançadas tecnologias,<br />
diversificar o mix de produtos e, preferencialmente, buscar formas de conhecer as<br />
necessidades de seus consumidores visando a sua satisfação plena com a maximização de<br />
sua preferência.<br />
Bauman (2001) declara que hoje, vive-se em tempos fluidos, efêmeros e<br />
transitórios, em que os costumes, hábitos e atitudes das pessoas não são mais<br />
definitivas. Comprar torna-se um ato emocional do consumidor, e vender torna-se<br />
suprir carências, atender a desejos que precisam ser desvendados. Aumenta,<br />
22
portanto, a exigência por estudos na área do comportamento do consumidor que<br />
possibilitem desvendar suas idiossincrasias em relação a produtos, serviços e<br />
empresas, no ato quase que diário, de suas compras.<br />
Blackwell (2003, p. 3) questiona, “qual a primeira pergunta que toda empresa gostaria<br />
de fazer aos compradores? Sem dúvida, é esta: o que os leva a comprar tal produto?”. Brandes<br />
(2006. s. p.), nesta mesma visão, complementa: “Por que o cliente compra em minha loja?<br />
Porque o cliente compra os meus produtos?” Tais perguntas são consideradas pelo autor a<br />
chave do marketing e da estratégia empresarial e valem para praticamente todas as empresas e<br />
instituições.<br />
Os atributos podem ser uma das respostas possíveis nesse contexto, uma vez que as<br />
pessoas compram decidindo por meio de atributos considerados por elas mais significativos.<br />
Cada objeto de consumo, seja esse, produto, serviço ou empresa, é visto pelo consumidor<br />
como um conjunto de atributos os quais têm um peso individual no processo de<br />
decisão de compra. Conhecer os atributos e seu valor são aspectos considerados<br />
como fortes responsáveis pela decisão de compra dos bens e, ao mesmo tempo,<br />
pela decisão de em que empresa comprar.<br />
Esta pesquisa, portanto, justifica-se por ter um cunho teórico-empírico. Assume<br />
relevância enquanto contribuição científica, pois o campo de estudos do comportamento do<br />
consumidor é amplo e sua importância vem garantindo cada vez mais o reconhecimento das<br />
organizações, exigindo um aprofundamento de pesquisas que possam explorar e demonstrar<br />
sua relevância ao sucesso organizacional. Além disso, possibilitará ao setor supermercadista,<br />
informações pertinentes acerca dos atributos valorizados pelos consumidores, podendo ser<br />
utilizados no desenvolvimento de estratégias competitivas de gestão.<br />
Existem vários estudos relacionados aos atributos que influenciam o modelo de<br />
decisão de compra dos consumidores, no entanto, que abordem os consumidores do município<br />
de Ijuí/RS, não se tem conhecimento de investigações anteriores realizadas no setor<br />
supermercadista, o que confere à pesquisa um caráter inovador e original. Destaca-se,<br />
entretanto, que estudos voltados a atributos em outros tipos de organizações são utilizados<br />
para nortear a temática, como os de Alpert (1971), Peter e Olson (1999), Espartel e Slongo<br />
(1999), Rojo (1998a), Froemming (2002), Zamberlan (2002), Espinoza e Hirano (2003) e<br />
Tibola, Vieira e Sanzovo (2004).<br />
23
Selecionou-se o setor supermercadista como unidade de análise em função da sua<br />
relevância no cenário varejista brasileiro. Kasper (1991) destaca que apesar deste setor<br />
ser extremamente importante para a economia do Brasil, o supermercado ainda é pouco<br />
estudado e conhecido, tanto pela população em geral, quanto pelo meio acadêmico e,<br />
mesmo hoje, passadas duas décadas da afirmação do autor, as investigações ainda são<br />
restritas. Cabe ressaltar ainda que o varejo supermercadista destaca-se não apenas no<br />
âmbito econômico e social, gerando emprego e renda diretamente, mas também por<br />
caracterizar-se como um setor essencial para o processo de desenvolvimento. Tal fato ocorre<br />
porque no seu gerenciamento as atitudes e escolhas estratégicas tomadas por parte dos<br />
gestores impactam em vários outros setores da economia do país.<br />
Aliás, em termos de desenvolvimento, o setor supermercadista tem um papel muito<br />
importante em relação à sustentabilidade, seja em termos de crescimento econômico, seja<br />
contribuindo para a sociedade e a preservação ambiental. As transformações sociais ocorridas,<br />
principalmente, aquelas relacionadas ao comportamento de compra das pessoas e seus hábitos<br />
de consumo, têm interferido de forma intensa nos diversos segmentos das cadeias produtivas<br />
e, os supermercados, passaram a ser um dos setores determinantes de tendências quanto a<br />
produtos ofertados, formas de produção e comercialização, custos e preços.<br />
Como justificam Morgado e Gonçalves (1999, p. 23), “o varejo é um espelho fiel do<br />
estágio de desenvolvimento das relações econômicas em um determinado espaço geográfico”.<br />
Assim, os supermercados fortalecem o agronegócio permitindo o escoamento da produção<br />
agrícola e, em consequência, promovem o desenvolvimento econômico com impacto direto<br />
sobre a balança comercial e, essencialmente, o desenvolvimento social, gerando empregos,<br />
renda e provocando a inclusão das pessoas na sociedade.<br />
Em termos de preocupação e preservação ambiental, os supermercados possuem<br />
uma participação importante na busca de alternativas relacionadas principalmente ao descarte<br />
de produtos. O descarte das compras supermercadistas acaba contribuindo para a produção de<br />
grande quantidade de lixo doméstico provocando graves danos ao ambiente, sendo necessário<br />
desenvolver ações que possam minimizar essa produção e seus impactos. Alternativas como o<br />
uso de sacolas retornáveis e biodegradáveis, a criação de locais para coleta de pilhas e<br />
lâmpadas usadas, as compras de fornecedores considerados socialmente responsáveis, são<br />
algumas ações que necessitam ser implementadas a fim de minimizar o impacto provocado no<br />
meio ambiente.<br />
24
Em suma, o estudo mostra-se relevante tanto como contribuição científica, quanto<br />
para o setor supermercadista. De porte dos resultados da investigação, os supermercados<br />
podem melhorar suas estratégias varejistas e/ou aplicar inovações visando alavancar as vendas<br />
no setor e, ainda, contribuir no processo de desenvolvimento sustentável, pois atuando<br />
diretamente junto ao consumidor, provocam maior conscientização no consumo e no descarte<br />
dos produtos.<br />
O trabalho assume também, importância particular para a autora da pesquisa que<br />
possui interesse em investigações na área do marketing e, em especial, no comportamento do<br />
consumidor, por atuar como docente nesta temática. Além disso, a escolha foi realizada pelo<br />
fato da autora ser uma consumidora assídua de supermercados, com curiosidade centrada em<br />
descobrir o que leva as pessoas a escolher uma ou outra loja supermercadista, diante de tantas<br />
opções existentes no município.<br />
Ressalta-se ainda, que o tema deste relatório de dissertação encontra-se vinculado ao<br />
Grupo de Pesquisa do Núcleo de Estudos em Marketing, pertencente à área de Marketing em<br />
Desenvolvimento, vinculado a Linha de Pesquisa “Gestão das Organizações para o<br />
Desenvolvimento” do Mestrado em Desenvolvimento.<br />
1.5 Objetivos<br />
1.5.1 Objetivo geral<br />
Analisar o conjunto de atributos que influenciam o comportamento do consumidor<br />
nas etapas do Modelo de Decisão de Compra na escolha de supermercados, enfatizando a<br />
responsabilidade do setor supermercadista na etapa do descarte de produtos.<br />
1.5.2 Objetivos específicos<br />
Os objetivos específicos deste estudo são:<br />
• Discutir a relevância do setor supermercadista para o processo de<br />
Desenvolvimento Sustentável, no âmbito econômico, social e ambiental;<br />
• Caracterizar o Setor Supermercadista do município de Ijuí/RS;<br />
25
• Identificar e descrever o conjunto de atributos que influencia o comportamento do<br />
consumidor nas etapas do modelo de decisão de compra na seleção por supermercados;<br />
• Detectar quais são os atributos importantes e os determinantes no processo de<br />
decisão de compra;<br />
• Verificar as estratégias organizacionais na ótica das empresas supermercadistas<br />
calcadas nos atributos competitivos.<br />
26
2 REFERENCIAL TEÓRICO<br />
O quadro teórico de referência busca resgatar as principais teorias e obras<br />
consideradas relevantes para a execução desta pesquisa. Para facilitar a compreensão da<br />
temática mercadológica, baseou-se nos seguintes tópicos: O Desenvolvimento Sustentável e a<br />
Responsabilidade Social das Organizações Varejista; Gestão de Varejo; Varejo<br />
Supermercadista; Comportamento do Consumidor; Atributos; e, Estratégia e Vantagem<br />
Competitiva.<br />
2.1 O Desenvolvimento Sustentável e a Responsabilidade Social das<br />
Organizações Varejista<br />
O desenvolvimento é um processo que vai muito além do âmbito econômico, nele<br />
estão incluídos aspectos humanos, sociais, políticos e também ambientais. Na sua polissemia,<br />
é um conceito que se amolda aos mais diversos interesses e intenções. Hoje, toda a sociedade<br />
frente às dificuldades e problemas sociais, econômicos e ambientais enfrentados, centraliza<br />
seus discursos e reflexões acerca do desenvolvimento sustentável, pressionando também, as<br />
organizações a inserirem em suas políticas gerenciais, ações voltadas a promover o bem estar<br />
de todos nestas três dimensões.<br />
O setor varejista, representado neste estudo pelos supermercados, assume um papel<br />
muito importante em relação à sustentabilidade, seja em termos de crescimento econômico,<br />
seja contribuindo para a sociedade e a preservação ambiental. Novos valores devem ser<br />
incorporados nos procedimentos administrativos e operacionais do varejo, a fim de se<br />
construir uma empresa com responsabilidade socioambiental. Quando as organizações<br />
assumem na prática a adoção de ações de melhoria social e de preservação ambiental,<br />
adquirem melhor imagem institucional, o que resulta em maior desenvolvimento econômico.<br />
27
2.1.1. Do processo de desenvolvimento ao desenvolvimento sustentável<br />
O processo de desenvolvimento tem ocupado o centro das discussões da sociedade<br />
mundial. Trata-se de uma rede de conceitos que podem estar ligados aos adjetivos “local,<br />
integrado e sustentável” formando a sigla DLIS, como é conhecido o processo no Brasil.<br />
Aliás, a crítica está justamente em julgar o desenvolvimento como um processo meramente<br />
econômico, pois ele inclui outras facetas. Atualmente, não há como falar em desenvolvimento<br />
local sem falar de pobreza e exclusão, participação e solidariedade, produção e<br />
competitividade, entre outros que se articulam e se reforçam mutuamente ou se opõem<br />
frontalmente (FISCHER, 2002).<br />
Para Oliveira (2002), a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945,<br />
na Conferência de São Francisco, composta inicialmente por 51 países, foi fundamental na<br />
intensificação dos debates acerca do conceito e dos meios para se conquistar o<br />
desenvolvimento. Sua finalidade primava pela manutenção e melhoramento dos níveis de<br />
qualidade de vida, buscando contribuir para a elevação dos níveis de desenvolvimento em<br />
todos os sentidos do termo. Entre as atribuições da ONU o autor destaca: promover o<br />
crescimento e melhorar a qualidade de vida dentro de uma liberdade maior; utilizar as<br />
instituições internacionais para promoção do avanço econômico e social; conseguir<br />
cooperação internacional necessária para resolver os problemas internacionais de ordem<br />
econômica, social, cultural ou de caráter humanitário; e, promover e estimular o respeito aos<br />
direitos humanos e as liberdades fundamentais de toda a população do globo, sem distinção de<br />
raça, credo, sexo, idioma ou cor.<br />
Após a segunda guerra mundial, foram criados pelos países aliados e pela própria<br />
Organização das Nações Unidas, programas e organismos especiais no intuito de ajudar os<br />
países a tratar dos problemas econômicos e sociais, a fim de manter o equilíbrio mundial.<br />
Dentre esses, pode-se citar o Fundo Monetário Internacional, o Banco Internacional de<br />
Reconstrução e Desenvolvimento, o Programa das Nações Unidas para Agricultura e<br />
Alimentação, o Programa para a Educação, Ciência e Cultura, a Organização Mundial de<br />
28
Saúde e a Organização Internacional do Trabalho, cada um com função e instrumentos<br />
específicos de atuação, mas com um propósito em comum: melhorar a qualidade de vida das<br />
pessoas.<br />
Ainda hoje, o termo desenvolvimento está fortemente atrelado ao crescimento<br />
econômico. Entretanto, Oliveira (2002), menciona que a controvérsia entre os conceitos de<br />
crescimento econômico e desenvolvimento ainda não foi bem esclarecida. A conceituação<br />
econômica do termo desenvolvimento engloba todas as variáveis econômicas e sociais, ou<br />
seja, “desenvolvimento é, basicamente, aumento do fluxo de renda real, isto é, incremento na<br />
quantidade de bens e serviços por unidade de tempo à disposição de determinada<br />
coletividade” (FURTA<strong>DO</strong>, 1961, p.115-116).<br />
Para Souza (1993a), existem duas correntes de pensamento econômico sobre o<br />
desenvolvimento. A primeira corrente encara o crescimento como sinônimo de<br />
desenvolvimento, enquanto na segunda, crescimento é condição indispensável para o<br />
desenvolvimento, mas não é condição suficiente. Na primeira corrente, estão os modelos de<br />
crescimento da tradição clássica e neoclássica e, na segunda corrente, estão os economistas de<br />
orientação crítica que conceituam o crescimento como uma simples variação quantitativa do<br />
produto, enquanto o desenvolvimento é caracterizado por mudanças qualitativas no modo de<br />
vida das pessoas, nas instituições e nas estruturas produtivas.<br />
O desenvolvimento deve ser encarado como um processo complexo de mudanças e<br />
transformações de ordem econômica, política e, principalmente, humana e social.<br />
Desenvolvimento nada mais é que o crescimento – incrementos positivos no<br />
produto e na renda – transformado para satisfazer as mais diversificadas<br />
necessidades do ser humano, tais como: saúde, educação, habitação, transporte,<br />
alimentação, lazer, dentre outras (OLIVEIRA, 2002, p.40).<br />
Essa visão começou a ser difundida no final de 1940, por economistas estruturalistas<br />
que passaram a encarar o desenvolvimento de maneira bem diferente do crescimento. O<br />
crescimento era visto como um processo de mudança ‘quantitativa’ de uma determinada<br />
estrutura, e contrariamente, o desenvolvimento passou a ser interpretado como um processo<br />
de mudança ‘qualitativa’ de uma estrutura econômica e social (SCATOLIN, 1989).<br />
Souza (1993a) argumenta que o desenvolvimento econômico requer um ritmo de<br />
crescimento econômico contínuo e superior ao crescimento da população, englobando<br />
29
mudanças estruturais e melhoria nos indicadores de qualidade de vida. O crescimento aparece,<br />
neste caso, como a chave para a solução dos problemas humanos e para o desenvolvimento,<br />
uma vez que não há desenvolvimento sem ter ocorrido crescimento. Scatolin (1989, p. 7),<br />
afirma que “para muitos autores o desenvolvimento é entendido como crescimento<br />
econômico. O problema básico da economia brasileira é justamente a falta de crescimento. O<br />
grande desafio é que se obtenham taxas de crescimento do produto de forma mais rápida do<br />
que as taxas de incremento populacional”. Nesse sentido, o crescimento econômico deve ser<br />
capaz de atender as demandas das diferentes classes sociais, países e regiões.<br />
Para Oliveira (2002, p. 41):<br />
[...] o desenvolvimento passa a ser entendido como um resultante do processo de<br />
crescimento, cuja maturidade se dá ao atingir o crescimento auto sustentado, ou<br />
seja, talvez alcançar a capacidade de crescer sem fim, de maneira contínua. Em<br />
nome do desenvolvimento buscam-se valores crescentes: mais mercadorias, mais<br />
anos de vida, mais publicações científicas, mais pessoas com títulos de doutor,<br />
dentre vários outros.<br />
Em consequência, na procura pelo crescimento está sempre presente o sentimento de<br />
que o bom é quando se tem mais, não importando a qualidade desse acréscimo. Nesse cenário<br />
são consideradas desenvolvidas as sociedades capazes de produzir continuamente. É por isso<br />
que as nações perseguem o desenvolvimento (este como sinônimo de crescimento<br />
econômico), com o objetivo de acumular cada vez mais bens, sem, no entanto, se preocupar<br />
com os efeitos dessa acumulação desenfreada (CASTORIADIS, 1987).<br />
No entendimento de Daly (2005), tudo isso provoca o crescimento deseconômico,<br />
produzindo "males" em estágios mais rápidos do que bens – tornando a humanidade mais<br />
pobre, e não mais rica. O grande problema é que muitas pessoas se beneficiam do crescimento<br />
e não querem mudar. Mesmo com tanta controvérsia, o crescimento econômico, apesar de não<br />
ser condição suficiente para o desenvolvimento, é um requisito necessário para a superação da<br />
pobreza e para a construção de um padrão digno de vida. Para corroborar este tópico,<br />
identifica-se Sachs (2004, p. 13), afirmando que:<br />
[...] o desenvolvimento, diferente do crescimento econômico, possui objetivos que<br />
vão além da mera multiplicação da riqueza material. O crescimento é uma condição<br />
necessária, porém de forma alguma suficiente, para se alcançar a meta de uma vida<br />
melhor, mais feliz e mais completa para todos.<br />
Assim, é comum confundir desenvolvimento com crescimento econômico, que<br />
depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Esse tipo de desenvolvimento<br />
30
tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a<br />
humanidade depende (SACHS, 2004). Atividades econômicas podem ser encorajadas em<br />
detrimento da base de recursos naturais dos países. Desses recursos depende não só a<br />
existência humana e a diversidade biológica, como o próprio crescimento econômico. O<br />
desenvolvimento sustentável sugere, de fato, qualidade em vez de quantidade, com a redução<br />
do uso de matérias-primas e produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem.<br />
O desenvolvimento é um conceito multidimensional os seus objetivos são sempre<br />
sociais e éticos (solidariedade sincrônica). Ele contém uma condicionalidade<br />
ambiental explícita (solidariedade diacrônica) com as gerações futuras; o<br />
crescimento econômico embora necessário, tem um valor apenas instrumental; o<br />
desenvolvimento não pode ocorrer sem crescimento, no entanto, o crescimento não<br />
garante por si só o desenvolvimento, processo pelo qual o crescimento do PIB é<br />
acompanhado de desigualdades sociais, desemprego e pobreza crescente (SACHS,<br />
2004, p. 71).<br />
Inicia-se então, nos anos 90, um novo ciclo do modelo de desenvolvimento –<br />
desenvolvimento sustentável - no qual o conceito de desenvolvimento recebeu vários<br />
adjetivos. Entre estes, o mais permanente é o termo integrado, incorporando dimensões<br />
sociais e preocupações ambientais, exemplificadas pelo tripé da agenda de Sachs (2004):<br />
prudência ecológica, eficiência econômica e justiça social. A idéia de desenvolvimento<br />
sustentável é buscar conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e,<br />
ainda, ao fim da pobreza no mundo.<br />
O desenvolvimento sustentável pode ser considerado um conceito sistêmico, usado<br />
pela primeira vez em 1987, no Relatório Brundtland - um relatório elaborado pela Comissão<br />
Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento, criado em 1983 pela Assembléia das Nações<br />
Unidas (SACHS, 2004). Ele requer a satisfação da geração presente sem comprometer as<br />
necessidades das gerações futuras. Significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro,<br />
atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana<br />
e cultural, fazendo, simultaneamente, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as<br />
espécies e os habitats naturais.<br />
Desta forma, um aspecto central da definição do termo sustentabilidade é o<br />
balanceamento da proteção ambiental com o desenvolvimento, aqui entendido como um<br />
processo de transformação que combina crescimento econômico com mudanças sociais e<br />
culturais, reconhecendo os limites físicos impostos pelos ecossistemas, implicando assim que<br />
as considerações ambientais sejam incorporadas em todos os setores e também na arena<br />
política.<br />
31
Para Claro, Claro e Amâncio (2008), praticamente todas as definições carregam a<br />
noção de que o desenvolvimento sustentável é composto de três dimensões: econômica, social<br />
e ambiental, sendo todas diretamente inter-relacionadas. A dimensão econômica inclui não só<br />
a economia formal, mas também as atividades informais que proveem serviços para<br />
indivíduos e grupos e aumentam, com isso, a renda monetária e o padrão de vida dos<br />
indivíduos. A dimensão social consiste no aspecto social relacionado às qualidades dos seres<br />
humanos, como suas habilidades, dedicação e experiências, abrangendo tanto o ambiente<br />
interno da empresa quanto o externo.<br />
A dimensão ecológica, ou ambiental, segundo Claro, Claro e Amâncio (2008), pode<br />
ser dividida em três subdimensões: a primeira foca a ciência ambiental e inclui ecologia,<br />
diversidade do hábitat e florestas; a segunda subdimensão inclui qualidade do ar e da água<br />
(poluição) e a proteção da saúde humana por meio da redução de contaminação química e da<br />
poluição e; a terceira subdimensão foca a conservação e a administração de recursos<br />
renováveis e não-renováveis e pode ser chamada de sustentabilidade dos recursos.<br />
A harmonia destas três dimensões induz a um espírito de responsabilidade comum<br />
como processo de mudança, no qual a exploração de recursos materiais, os investimentos<br />
financeiros e as rotas de desenvolvimento tecnológico deverão adquirir sentido harmonioso.<br />
Daly (2005) reflete acerca desta idéia, mencionando que a exploração de recursos naturais é<br />
tão intensa que não se pode mais fingir que se vive em um ecossistema ilimitado. Desenvolver<br />
uma economia sustentável em uma biosfera finita exige novas maneiras de pensar. Hoje,<br />
muitos objetos criados pelo homem atulham o meio ambiente e teorias econômicas que<br />
funcionavam bem em um mundo vazio já não conseguem se adequar a um planeta lotado.<br />
Por isso, um dos grandes desafios presentes está em conciliar as atividades<br />
econômicas e a preservação ambiental. Para isso, destaca Veiga (2006), é preciso que o atual<br />
processo de desenvolvimento sustentável seja efetivamente qualificado: precisa ser<br />
ecologicamente sustentável. A necessidade do qualificativo “sustentável” enfatiza a noção de<br />
limites à escala de exploração humana dos recursos naturais.<br />
A economia é um subsistema da biosfera finita que lhe dá suporte. Quando a<br />
expansão da economia afetar excessivamente o ecossistema, se começa a causar danos ao<br />
capital natural (como peixes, minerais e petróleo) que valem mais do que o capital criado pelo<br />
homem (estradas, fábricas e eletrodomésticos). É preciso que a humanidade faça a transição e<br />
32
adote uma economia sustentável, respeitando os limites inerentes ao ecossistema mundial<br />
garantindo que ele continue funcionando futuramente. Se não houver essa transição, todos<br />
serão punidos com uma verdadeira catástrofe ecológica que irá afetar o padrão de vida de<br />
todos.<br />
A corrente principal, os economistas neoclássicos, considera a sustentabilidade<br />
como um modismo e se alia ao crescimento (VEIGA, 2006). Todavia, os fatos são evidentes e<br />
incontestáveis: a biosfera é finita, não cresce, é fechada e obrigada a funcionar de acordo com<br />
as leis da termodinâmica. Qualquer subsistema, como a economia, em algum momento deve<br />
necessariamente parar de crescer e adaptar-se a um equilíbrio dinâmico, algo semelhante a um<br />
estado estacionário. As taxas de nascimento devem ser iguais às de mortalidade, e as de<br />
produção de commodities devem se igualar às de depreciação. A corrente de interpretação<br />
neoclássica considera estes limites relativos e, portanto, desnecessário impô-los, deixando a<br />
alocação dos recursos por conta dos mecanismos de mercado.<br />
Já, a corrente fundamentada nos princípios da chamada economia ecológica admite<br />
a necessidade de intervenção do Estado e/ou da sociedade civil organizada para impor limites<br />
físicos ao processo econômico através dos instrumentos de política de comando e controle.<br />
Nela, as pessoas e as empresas percebem quando devem parar de expandir uma atividade. As<br />
pessoas param no ponto em que o custo iguala-se ao benefício.<br />
Para os neoclássicos, o progresso técnico e os mecanismos de mercado, associadas<br />
às políticas compensatórias de incentivo econômico, garantem as condições para a efetividade<br />
do desenvolvimento sustentável. Enquanto que, para a economia ecológica, serão necessárias<br />
mudanças radicais na racionalidade econômica e nos estilos de vida prevalecentes, as quais<br />
contrariam a lógica atual do processo de acumulação de capital e aos padrões de consumo<br />
correspondentes.<br />
A alternativa para uma economia sustentável, que mantenha permanente<br />
crescimento, é biofisicamente impossível (CAVALCANTI, 2002). Considerando que manter<br />
uma economia sustentável depende de enorme mudança racional e emocional por parte de<br />
técnicos, políticos e eleitores, poder-se-ia afirmar que tal projeto não se torna inexeqüível.<br />
33
Entretanto, a alternativa a uma economia sustentável, que mantenha permanente crescimento,<br />
é biofisicamente impossível (DALY, 2005).<br />
Cavalcanti (2002) é convicto em afirmar que a questão ambiental deve ser<br />
examinada em relação às iniciativas de desenvolvimento e não apenas se reduzir à simples<br />
tarefa de explorar recursos não-renováveis de maneira parcimoniosa. Para o autor, é<br />
necessária uma visão distinta do processo econômico, que leve em consideração a dimensão<br />
biofísica, as leis e os princípios da natureza.<br />
A construção das regras do desenvolvimento sustentável deve reconhecer o fato de<br />
que a economia convencional não considera a base ecológica, admitindo à crença de um<br />
crescimento ilimitado. Entretanto, a idéia de sustentabilidade, por sua vez, implica uma<br />
limitação definida nas possibilidades de crescimento, tornando imprescindível agregar<br />
preocupações ecológicas às políticas públicas dos países, incluindo o Brasil. A perda<br />
irreversível do capital natural impõe um custo altíssimo que será repassado às gerações<br />
futuras.<br />
Neste contexto, o grande desafio em termos de desenvolvimento sustentável deve ser<br />
enfrentado com políticas inteligentes:<br />
Políticas que possam levar a uma melhoria real das condições de vida das pessoas<br />
pobres, sem perturbar funções ecossistêmicas essenciais. Em resumo, a política<br />
de desenvolvimento, na montagem de uma sociedade sustentável, não pode<br />
desprezar as relações entre o homem e a natureza que ditam o que é possível em<br />
face do que é desejável (CAVALCANTI, 2002, p. 25).<br />
Tais políticas que perseguem o desenvolvimento sustentável possuem como<br />
primeiro princípio o crescimento, que significa sempre alguma forma de degradação do meio<br />
ambiente, de perda física. O processo econômico deve servir a natureza de um modo mais<br />
duradouro, sóbrio e saudável do que vem ocorrendo até então.<br />
O problema mais grave é verificado em relação ao uso cada vez maior de capital<br />
natural necessário para se produzir uma unidade de recursos para a sociedade. Por outro lado,<br />
quando a economia se expande ocorrem mudanças que provocam desequilíbrios no meio<br />
ambiente e os preços cobrados pelos produtos não consideram estas perturbações, deixando-as<br />
fora do cálculo econômico. Torna-se necessário uma intervenção para contrabalançar a forma<br />
que o capital natural é tratado e valorado pelo mercado. Trata-se do princípio de não deixar de<br />
fora do cálculo econômico a pegada ecológica causada por uma economia que se expande.<br />
34
A economia sustentável deve, em algum ponto, parar de crescer, embora isso não<br />
signifique parar de se desenvolver, sugere Cavalcanti (2002). Não há razão para limitar a<br />
melhoria qualitativa no projeto de produtos, o que pode fazer crescer o produto interno bruto<br />
sem incrementar a quantidade de recursos usados. A principal ideia por trás da<br />
sustentabilidade é mudar a trajetória de progresso - de crescimento não sustentável para<br />
desenvolvimento, presumivelmente, sustentável.<br />
Nesta mesma perspectiva Daly (2005) aconselha que se passe a produzir bens com<br />
vida útil mais longa, de forma que consumam menor quantidade de recursos naturais, dando<br />
preferência para a manutenção do antigo, ao invés, da compra de um novo; limitar os<br />
rendimentos conforme a capacidade do meio ambiente de repor o que é consumido; taxar não<br />
a renda, mas sim o que quer evitar (esgotamento de recursos e poluição).<br />
Ao mesmo tempo, deve-se estimular aquilo que é desejado, como renda, emprego,<br />
ambiente limpo, uso balanceado de recursos naturais, etc. Além disso, torna-se indispensável<br />
conter hábitos de consumo desenfreados e estilos de vida inadequados, controlando-se a<br />
demanda com um sistema de penalidades e incentivos.<br />
Denota-se que a sustentabilidade não pode esquecer das suas dimensões sociais e<br />
econômicas, sendo que as questões ambientais devem estar misturadas com propostas de<br />
equidade social, eficiência econômica e factibilidade política. Assim, a formulação de<br />
políticas para a sustentabilidade em todos os setores da ação governamental deve estar<br />
apoiada em primeiro lugar, em critérios biofísicos de uso sustentável da natureza combinados<br />
com instrumentos para a correção dos desequilíbrios socioeconômicos e a promoção do bem-<br />
estar da população (CAVALCANTI, 2002).<br />
Sendo o capital da natureza o fator que limita o processo econômico, a preocupação<br />
central deve ser a maximização da produtividade do capital natural no curto prazo e com o<br />
aumento de sua oferta no longo prazo. O investimento no capital natural é, na verdade, o meio<br />
mais seguro de tornar durável o funcionamento da economia e promover o seu<br />
desenvolvimento.<br />
Desse modo, para engajar todos os setores da sociedade na perseguição do<br />
desenvolvimento sustentável, equitativo e economicamente eficiente e politicamente viável,<br />
35
três parâmetros são destacados por Cavalcanti (2002), para fins de reforma institucional:<br />
educação, gestão participativa e diálogo de stakeholders ou partes envolvidas. Escolhas<br />
ecologicamente corretas podem ser efetuadas através de um processo de diálogo informado,<br />
de base científica dos atores envolvidos (stakeholders). Essa participação contribuiu para<br />
elevar o envolvimento da população, criando não só expectativas consistentes, mas um<br />
sentimento de responsabilidade em relação às escolhas feitas. Portanto, a reforma institucional<br />
deve ser parte da política de governo para a sustentabilidade como meio de promover riqueza<br />
durável e genuína.<br />
Conclui-se então, que a sustentabilidade refere-se ao reconhecimento de limites<br />
biofísicos colocados incontornavelmente pela biosfera no processo econômico, ou seja, a<br />
ecologia sustenta a economia e a obriga operar em sintonia com os princípios da natureza.<br />
Hoje os discursos giram em torno da idéia de que o desenvolvimento sustentável possa ser<br />
conquistado com um crescimento infinito, desde que ressalvas à proteção ambiental sejam<br />
observadas. Tal posição é contrária àquela que compreende o ambiente como fonte derradeira<br />
de certas funções, sem as quais a economia simplesmente não pode existir ou operar. Para ser<br />
sustentável o sistema econômico deverá possuir uma base estável de apoio, sendo respeitadas<br />
as capacidades e taxas de regeneração e absorção, caso contrário, o processo econômico se<br />
tornará insustentável.<br />
Para Cavalcanti (2002), uma estratégia de desenvolvimento sustentável é necessária<br />
para a formulação de política que considere a natureza como um fator restritivo, cuja<br />
produtividade deve ser maximizadora no curto prazo, cuja disponibilidade deve ser<br />
preservada no futuro distante e cuja integridade não pode ser deformada.<br />
Por isso, é necessário alterar os estilos materiais do crescimento - e de consumo para<br />
que se alcance a sustentabilidade. A consciência da insustentabilidade do modelo econômico,<br />
socioambiental e de governança atual obriga as organizações e a sociedade de modo geral a<br />
criar novos paradigmas. E o processo de evolução, passa necessariamente pelas<br />
responsabilidades globais de governos e empresas, mas também, e talvez principalmente, por<br />
uma reeducação na forma de viver.<br />
2.1.2 A sustentabilidade nas organizações<br />
36
O termo sustentabilidade está cada vez mais presente no ambiente empresarial. Para<br />
Claro, Claro e Amâncio (2008), a análise da questão da sustentabilidade no âmbito das<br />
organizações mostra que o discurso dos gestores e dos empreendedores sobre o tema é<br />
dirigido a seus funcionários, ao mercado consumidor, aos concorrentes, aos parceiros, às<br />
Organizações Não-Governamentais (ONGs) e aos órgãos governamentais. Esses discursos<br />
buscam vincular práticas gerenciais ambientais, sociais e econômicas a uma imagem positiva<br />
da empresa.<br />
Os valores da sociedade e o paradigma do mundo dos negócios passaram e estão<br />
passando por remodelações de forma a incorporar práticas sustentáveis. Existe<br />
atualmente no mundo um movimento no intuito de modificar políticas públicas,<br />
processos produtivos e estilo de vida da sociedade em prol do desenvolvimento<br />
sustentável. No entanto, embora muito discutido teoricamente, o significado do<br />
termo não é claro, no dia-a-dia, para a maioria dos indivíduos, como funcionários<br />
ou mesmo como cidadãos, o que impede transformações práticas e efetivas em prol<br />
da sustentabilidade (CLARO; CLARO; AMÂNCIO, 2008, p. 298).<br />
Assim sendo, várias empresas têm dificuldade em associar seus discursos e práticas<br />
gerenciais a uma definição completa de sustentabilidade. Algumas focam questões sociais;<br />
outras, questões ambientais e muitas, questões exclusivamente econômicas (CLARO;<br />
CLARO; AMÂNCIO, 2008). Empresas modernas são as que operam e se expandem de modo<br />
sustentável, com foco em uma ética ambiental e social capaz de resgatar a dignidade do<br />
trabalho. Para os autores Claro, Claro e Amâncio (2008), o envolvimento das empresas com<br />
as questões socioambientais pode transformar-se numa oportunidade de negócios,<br />
contribuindo para a melhoria de qualidade de vida dos stakeholders e a sustentabilidade dos<br />
recursos naturais.<br />
Dentre as três dimensões da sustentabilidade, a econômica, social e a ambiental, as<br />
maiores dificuldades estão relacionadas em práticas ambientais e sociais. Quanto à dimensão<br />
econômica, ela é importante à sobrevivência de qualquer organização, pois o retorno<br />
financeiro é um indicador do desempenho da empresa no curto prazo e uma base para a<br />
continuidade da empresa no longo prazo, pois reflete a avaliação dos consumidores para os<br />
bens e serviços da empresa, assim como a eficiência com que os fatores de produção são<br />
utilizados, tais como, capital, trabalho, recursos naturais e conhecimento. Nesta avaliação do<br />
consumidor são mensurados fatores como: utilidade, preço, qualidade e design. Para Silva<br />
(1995), a sustentabilidade econômica pode ser alcançada pela alocação eficiente dos recursos<br />
e pelas modificações dos atuais mecanismos de orientação dos investimentos organizacionais.<br />
37
Tratando-se da dimensão social, Claro, Claro e Amâncio (2008), mencionam que os<br />
indicadores para a dimensão social podem variar de uma empresa para outra. No entanto,<br />
alguns são considerados comuns para diferentes setores de atuação como: compensação justa,<br />
horas de trabalho razoáveis, ambiente de trabalho seguro e saudável, proibição de mão de<br />
obra infantil e de trabalho forçado, e respeito aos direitos humanos. Outros indicadores estão<br />
relacionados à criação de política social, o investimento em capital humano, o direito a<br />
associação, entre outros. Silva (1995) menciona que a sustentabilidade social está baseada<br />
num processo de melhoria na qualidade de vida da sociedade, pela redução das discrepâncias<br />
entre a opulência e a miséria, por meio de diversos mecanismos, como o: nivelamento do<br />
padrão de renda, acesso à educação, moradia e alimentação, entre outros.<br />
A dimensão ambiental estimula as organizações a considerarem o impacto de suas<br />
atividades no ambiente e contribui para a integração da administração ambiental na rotina de<br />
trabalho. Isso significa a redução dos efeitos ambientais negativos por meio de<br />
monitoramento, integração de tecnologia no processo, análise de ciclo de vida do produto e<br />
administração integrada da cadeia de produção. Para Silva (1995), a sustentabilidade<br />
ecológica pode ser atingida pela promoção de uma avaliação dos padrões de consumo e<br />
modificações desses padrões, principalmente dos recursos exauríveis ou de estoque.<br />
Claro, Claro e Amâncio (2008) pontuam que a mudança ocorrida no conceito de<br />
sustentabilidade, incluindo outras dimensões, influencia diretamente o comportamento das<br />
empresas, pois em todo o mundo, elas estão se deparando com problemas não somente<br />
econômicos, mas também sociais e ambientais. Em decorrência, emergem novas pressões por<br />
parte da sociedade, através de movimentos sociais reivindicatórios, resultando em novas leis.<br />
Consequentemente, para se adaptar às mudanças do ambiente social e político, as empresas<br />
criam novas diretrizes e limitações a fim de operar de forma eficaz que garanta a<br />
maximização dos lucros e a geração de uma imagem positiva no mercado. Surge, então, uma<br />
preocupação organizacional com a responsabilidade social das ações da empresa.<br />
2.1.3 Varejo sustentável e socialmente responsável<br />
A sociedade tem apresentado preocupações ecológicas, de segurança, de proteção e<br />
defesa do consumidor e de qualidade dos produtos, que não existiam de forma tão declarada<br />
38
nas últimas décadas. Isso tem pressionado as organizações e administradores em geral a<br />
incorporarem esses valores em seus procedimentos administrativos e operacionais. Donaire<br />
(1999) considera que as empresas devem ter responsabilidade socioambiental, pois quando<br />
assumem esta postura acabam ganhando melhor imagem institucional, o que pode resultar em<br />
mais consumidores, mais vendas, melhores funcionários, melhores fornecedores e mais fácil<br />
acesso ao mercado de capitais. Sendo assim, a maximização do lucro deve ser vista em um<br />
contexto de longo prazo.<br />
A responsabilidade social está presente inclusive, no princípio de pró-atividade do<br />
marketing voltado para o valor, exposto por Churchill e Peter (2000). Segundo esse princípio<br />
os profissionais de marketing devem ser proativos e mudar mercados e ambientes para<br />
melhorar sua posição competitiva. Para os autores citados, o marketing voltado para o valor<br />
não pressupõe a manipulação dos clientes para atingir suas próprias metas, mas sim, defende a<br />
prática de atividades legais, éticas que sejam socialmente responsáveis.<br />
O marketing voltado para o valor reconhece que a sociedade dá às organizações e<br />
aos profissionais de marketing o direito e a responsabilidade de sobreviver e<br />
alcançar o sucesso alterando as relações ambientais. As organizações não podem<br />
servir aos clientes e criar valor para eles se elas não sobreviverem. Assim, elas<br />
podem e devem influenciar acionistas e proprietários a investir nelas; bancos a lhes<br />
emprestar dinheiro; fornecedores a lhes oferecer componentes de melhor qualidade<br />
ou preços mais baixos; revendedores a fazer um bom trabalho para elas; órgãos<br />
governamentais a regulamentá-las de maneira justa e aprovar seus produtos, como<br />
conseguir que o governo aprove a venda de novas drogas seguras e importantes<br />
para salvar vidas; grupos de interesse especiais a apoiá-las; funcionários a trabalhar<br />
com mais empenho, oferecendo-lhes mais benefícios ou melhores salários; clientes<br />
a comprar seus produtos, oferecendo-lhes um valor superior; concorrentes a mudar<br />
suas estratégias ou trabalhar junto em joint ventures; ou comunidades locais a<br />
apoiá-las com terras, mão-de-obra e capital (CHURCHILL; PETER, 2000, p. 11).<br />
Parente et al (2006) fazem uma comparação entre a responsabilidade social<br />
corporativa e a teoria sistêmica, a qual emergiu na segunda metade do século XX com base<br />
em estudos realizados na área da biologia, desenvolvendo generalizações sobre a estrutura e o<br />
funcionamento dos organismos vivos, as quais também ajudam a descrever e explicar a<br />
dinâmica dos fenômenos sociais.<br />
Este novo paradigma, diferente da lógica newtoniana dos modelos mecanicistas,<br />
incorpora a sabedoria e o conhecimento contidos na natureza, os quais permitem ver o mundo<br />
no que diz respeito às relações entre conjuntos integrados. “Os sistemas podem ser definidos<br />
39
como um conjunto integrado destinados a realizar certa função; ou seja, sistemas são<br />
totalidades integradas” (PARENTE et al, 2006, p.17).<br />
As empresas, como todo órgão vivo, são sistemas abertos, quem mantêm relações de<br />
troca com o ambiente, existindo uma grande interdependência entre o sistema e o ambiente. A<br />
força de um sistema depende da intensidade com que esse sistema - a empresa mantém<br />
relações com o meio, pois quanto mais acentuada for essa troca, mais forte será o sistema.<br />
Quando se isolam, as organizações não são revigoradas pela troca de informações e idéias.<br />
Quando um meio entra em degradação a sobrevivência dos sistemas fica<br />
comprometida e, por outro lado, à medida que os sistemas tornam-se mais saudáveis, eles<br />
promovem um fator regenerador do meio. Transportando a lógica sistêmica para o contexto<br />
empresarial, Parente et al (2006) observam que a sobrevivência das empresas está<br />
intimamente ligada à existência de um meio saudável, promovendo uma cumplicidade entre<br />
sistema e ambiente.<br />
No Brasil, o “ambiente” de nosso tecido social está contaminado por uma ampla<br />
gama de doenças, que vão desde as mazelas sociais, passando pela degeneração do<br />
meio ambiente, até chegarem à decadência moral, que já vem permeando todos os<br />
escalões da sociedade. De todas as doenças, entretanto, a que mais enfraquece<br />
nosso ambiente são a alarmante concentração de renda e a vergonhosa disparidade<br />
econômica entre ricos e pobres, com suas graves conseqüências de exclusão<br />
econômica e decomposição social, que caracterizam a sociedade brasileira<br />
(PARENTE et al, 2006, p. 17).<br />
A lógica sistêmica ajuda a compreender o contexto empresarial e sua relação com o<br />
meio. As carências existentes em nossa sociedade, a par, talvez, daquele instinto de<br />
sobrevivência que caracteriza os sistemas abertos, parecem estimular e inspirar um número<br />
crescente de empresas a estar cada vez mais sensível às práticas de responsabilidade social.<br />
O comportamento socialmente responsável passa a ser vislumbrado por um grande<br />
número de autores a partir de uma visão de redes de relacionamentos, isto é, a teoria dos<br />
stakeholders (FREEMAN, 1984; CARROL; BUCHHOLTZ, 2000; ASHLEY, 2002;<br />
MACHA<strong>DO</strong> FILHO, 2002). Esta perspectiva para responsabilidade social faz com que a<br />
organização sinta-se responsável por suas ações perante todos que possam legitimamente<br />
reclamar como “parte interessada na atividade da empresa”, como acionistas, empregados,<br />
comunidade, ONGs, consumidores, fornecedores, concorrentes e governo.<br />
40
O Instituto Ethos (2010) conceitua a responsabilidade social empresarial de forma<br />
completa e abrangente:<br />
Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação<br />
ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona<br />
e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento<br />
sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as<br />
gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das<br />
desigualdades sociais.<br />
O varejo socialmente responsável é considerado aquele que mantém um<br />
relacionamento ético e respeitoso não apenas com alguns, mas com todos os seus<br />
stakeholders. Parente et al (2006) pontuam que é fundamental direcionar-se para o<br />
comportamento do varejo em relação aos seus principais públicos de interesse, que são:<br />
• Acionistas/proprietários: devem receber um retorno justo e adequado ao capital<br />
que investiram e confiaram aos dirigentes do negócio, pois uma empresa responsável é<br />
também aquela que exerce uma gestão competente de seus negócios e que, portanto, obtém<br />
resultados satisfatórios que consequentemente garantem sua sobrevivência;<br />
• Funcionários: o modo como a empresa trata seus empregados é o principal<br />
indicador utilizado pelos consumidores na categorização de uma empresa “boa” ou “má” e, a<br />
interação existente entre os consumidores e os funcionários, também deve ser levada em<br />
consideração, o que é garantido com um bom clima organizacional; segurança no trabalho,<br />
igualdade de oportunidades, saudável política salarial e de incentivos. O cumprimento da<br />
legislação trabalhista para seus funcionários é um requisito mínimo a que uma empresa<br />
socialmente responsável deverá satisfazer. “Tratar o funcionário com respeito, atenção e<br />
dignidade caracteriza as empresas socialmente responsáveis, cuja filosofia poderia ser<br />
sintetizada com o seguinte lema: trate seu funcionário da mesma forma como você gostaria<br />
que ele tratasse seu melhor cliente” (PARENTE et al, 2006, p. 27).<br />
• Meio ambiente: em uma sociedade cada vez mais consciente da escassez de<br />
recursos naturais, a proteção ao meio ambiente passa a ser objeto de foco das empresas<br />
varejistas com posicionamento socialmente responsável. Por isso, as ações dos varejistas<br />
incluem utilização de embalagens recicláveis ou biodegradáveis, incentivo à prática da coleta<br />
seletiva de lixo, utilização de fontes de energia renováveis e não-poluidoras, recolhimento de<br />
pilhas e lâmpadas, prevenção do desperdício de recursos como água e energia elétrica,<br />
preferência para fornecedores que também adotem práticas de responsabilidade ambiental.<br />
41
• Consumidores e clientes: a satisfação dos clientes é um elemento fundamental<br />
para todos os empreendimentos e, sobretudo, para o varejo. Poderá ser alcançada por meio de<br />
políticas justas de preços, propagandas éticas e oferecimento de produtos que sejam de<br />
qualidade e que não ofereçam riscos à saúde. É socialmente responsável a empresa varejista<br />
que se preocupa não somente em satisfazer as necessidades de consumo do cliente com<br />
determinados produtos ou serviços, mas, que tem como objetivo preservar o bem-estar do<br />
indivíduo, do meio ambiente e da sociedade. Por essa razão, o varejista poderá adequar suas<br />
formas de exposição e venda de produtos que possam causar danos aos consumidores.<br />
• Comunidade: devido a sua capilaridade e frequência de interações com os<br />
clientes, o varejo apresenta um alto grau de exposição na comunidade em que está inserido.<br />
Geralmente a maioria dos clientes de uma loja provém de uma área de influência<br />
relativamente pequena, não ultrapassando 500 metros. Essa característica local do varejo<br />
proporciona um envolvimento direto com a comunidade e, consequentemente, com seus<br />
clientes, além de que pode ser usada para melhorar a qualidade de vida da vizinhança. Esse<br />
envolvimento pode ocorrer de diversas formas, como: apoio a alguma organização não-<br />
governamental (creche, hospital, asilo, etc.) localizada na área de influência da loja, com a<br />
participação em programas comunitários; utilização das instalações ociosas da loja para<br />
atividades comunitárias; estabelecimento do varejo como posto de coleta de doações e/ou<br />
ponto de interação da comunidade; incentivo ao trabalho voluntário da população do bairro<br />
em ações sociais na própria região.<br />
• Fornecedores: para estender sua atuação social a outros elos da cadeia produtiva,<br />
o varejo pode ainda contribuir com ações de responsabilidade social perante os fornecedores,<br />
estabelecendo relações comercias de parcerias pautadas pelos princípios da honestidade e do<br />
“ganha-ganha”, ou ainda, selecionando produtos feitos por empresas socialmente responsáveis<br />
e por fornecedores que contribuem com a nação ao pagarem adequadamente seus impostos.<br />
Outra ação possível, que alia comunidade e fornecedores, é o oferecimento de espaço a<br />
pequenos fornecedores da comunidade, garantindo-lhes, se atendidas as exigências de<br />
qualidade e preço, a oportunidade para a comercialização de seus produtos favorecendo<br />
assim, a geração de emprego e renda na região.<br />
Nesta visão, a responsabilidade social confunde-se com sustentabilidade<br />
organizacional, sendo conceituada como aquela que gera lucro para o acionista e, ao mesmo<br />
tempo, protege o meio ambiente e melhora a qualidade de vida das pessoas com que mantém<br />
relações (SAVITZ, 2007). Entretanto, Meza (2009) afirma que conforme o Instituto Ethos, a<br />
42
sustentabilidade possui um significado distinto da responsabilidade social, apesar de ser<br />
complementar a ela. O desenvolvimento sustentável acontece no momento em que a empresa<br />
consegue minimizar os impactos sociais, econômicos e ambientais de forma integrada e<br />
equilibrada. E, passa a atuar num tripé permanentemente interconectado, desenvolvendo<br />
projetos que integrem estas três dimensões.<br />
Parente et al (2009) apontam oportunidades para o varejo se tornar mais sustentável,<br />
essencialmente em três áreas, representadas na Figura 02, a qual traz uma sequência de<br />
atividades que se inicia com a origem dos recursos e vai até o descarte do produto pelo<br />
consumidor final.<br />
1. Operações e Lojas Sustentáveis: o setor varejista pode iniciar controlando e<br />
gerenciando os impactos socioambientais nas construções e operações de suas lojas. Apesar<br />
dos impactos ambientais diretos do varejo corresponder a apenas de 5 a 10% dos impactos<br />
totais, seu gerenciamento é importante para garantir a coerência e o exemplo para os demais<br />
elos da cadeia de valor.<br />
2. Gerenciamento da Cadeia Produtiva: os varejistas podem incentivar seus<br />
fornecedores a desenvolver produtos com diferenciais ambientais e/ou sociais. Pode-se<br />
concentrar esforços para tornar a cadeia produtiva mais sustentável, através de compras<br />
sustentáveis e através do desenvolvimento de pequenos fornecedores. Ao realizar compras de<br />
produtos e serviços que permitam o atendimento das necessidades específicas do consumidor<br />
final e ofereçam benefícios para o meio ambiente e a sociedade.<br />
Geralmente as empresas possuem processos de compras utilizando-se critérios para<br />
comprar e escolher produtos de distintos fornecedores. Em sua maioria esses processos<br />
utilizam o preço, a qualidade e o prazo de entrega como critérios essenciais, o que nas<br />
compras sustentáveis devem ser adicionadas a preocupação com o bom aproveitamento dos<br />
recursos e sua origem, a poluição gerada na produção e transporte e as condições de trabalho e<br />
remuneração das pessoas envolvidas na cadeia produtiva. É importante que a empresa<br />
varejista comunique os critérios de seleção por meio de informativos disponíveis no<br />
departamento de compras, divulgação no site ou elaboração de um código de fornecedores<br />
tornando-o disponível para todos os interessados.<br />
43
Quanto aos produtos de marcas, os varejistas possuem maior liberdade para definir<br />
as características dos produtos e a maneira como são produzidos. Portanto, essa é uma<br />
excelente oportunidade para o varejista induzir o desenvolvimento de produtos mais<br />
sustentáveis e estimular que os fornecedores estendam estes conhecimentos para a totalidade<br />
de sua produção.<br />
3. Educação e Informação para os Consumidores: os varejistas podem incentivar<br />
os consumidores a comprar produtos sustentáveis, bem como, educá-los para o uso e o<br />
descarte de produtos de forma apropriada. Outra contribuição relevante é disponibilizar<br />
pontos de coleta seletiva e sinalizar aspectos de sustentabilidade nos produtos por meio de<br />
etiquetas. “O varejo, em seus inúmeros contatos diários com o consumidor, é uma peça<br />
fundamental para a mudança de comportamentos nas escolhas diárias dos consumidores”<br />
(PARENTE et al, 2009, p. 7). O varejo pode se transformar em um agente disseminador das<br />
práticas sustentáveis, desde que desenvolva ações educativas voltadas aos funcionários e<br />
consumidores.<br />
Algumas ações sugeridas por Parente et al (2009) para que o varejo possa educar os<br />
consumidores para o consumo consciente são:<br />
• Realizando campanhas de conscientização ambiental para seus consumidores;<br />
• Informando a respeito dos impactos sociais e ambientais dos produtos;<br />
• Comunicando, no ponto de venda, os atributos de sustentabilidade dos produtos<br />
(por exemplo, consumo de energia dos eletrodomésticos, símbolos de reciclagem nas<br />
embalagens, identificação de origem dos produtos);<br />
• Estimulando a redução no uso de embalagens e a utilização de alternativas com<br />
menor impacto ambiental, como por exemplo, sacolas de tecido em vez de sacolas plásticas,<br />
utilização de caixas, etc.;<br />
• Disponibilizando pontos de coleta em suas lojas e incentivando os consumidores a<br />
entregar as embalagens e outros materiais para reciclagem, tais como pilhas e baterias,<br />
lâmpadas, óleo, pneus usados, cartuchos de impressora, etc.;<br />
• Divulgando as iniciativas sustentáveis da empresa no ponto de venda, por meio da<br />
sinalização da loja, tablóides, cartazes, etc.;<br />
• Oferecendo alternativas mais sustentáveis de produtos, a preços competitivos,<br />
dando ao consumidor a oportunidade de escolher, também, a partir de critérios<br />
44
socioambientais. Um exemplo são os produtos orgânicos e certificados, originados de<br />
processos produtivos sustentáveis;<br />
• Alertando os consumidores para o problema do desperdício de alimentos e<br />
informando sobre a melhor forma de comprá-los, consumi-los e descartá-los;<br />
• Orientando os consumidores para o uso consciente do dinheiro e do crédito.<br />
Na esfera social, Parente et al (2009) destacam que o fator humano deve ser sempre<br />
levado em consideração no processo de construção de uma sociedade sustentável. Além das<br />
questões ambientais, é muito importante que as empresas varejistas promovem, por exemplo:<br />
consumidores;<br />
• Uma negociação transparente e equilibrada com fornecedores;<br />
• Uma comunicação e propaganda responsável;<br />
• Uma conscientização dos clientes acerca do crédito;<br />
• Respeito e remuneração justa aos funcionários;<br />
• Uma educação ambiental e o consumo consciente de bens e serviços entre seus<br />
• Cuidado com as comunidades do entorno e a sociedade.<br />
Figura 02: Oportunidades para o varejo: conexões da cadeia de Valor do Varejo.<br />
45
Fonte: Parente et al (2009, p. 17).<br />
Todo o processo de globalização ocorrido na década de 90 modificou não apenas os<br />
hábitos culturais, sociais, políticos e econômicos, mas também intensificou o problema da<br />
exclusão social, marginalizando enormes parcelas da população mundial e até mesmo nações<br />
que não apresentavam condições de se inserir de maneira ordenada nesse processo. Gerou-se<br />
uma riqueza nunca antes vista, mas, em contrapartida, acentuaram-se os problemas da<br />
humanidade agravando-se a degradação do meio ambiente e aumentando as mazelas sociais,<br />
que afligem e impõem condições muito desiguais aos diferentes extratos da sociedade.<br />
Entretanto, Parente et al (2006, p. 18) consideram que a partir deste processo,<br />
As empresas começam a se dar conta de que realizar seus negócios segundo uma<br />
postura ética e socialmente responsável, buscando desenvolver iniciativas que<br />
promovam a transformação da realidade social das comunidades nas quais elas<br />
estão inseridas, poderia ser uma forma de agregar valor às suas atividades e de<br />
fortalecer sua imagem, tanto que a estratégia da responsabilidade social corporativa<br />
vem se tornando uma forma de gestão empresarial capaz de gerar um diferencial<br />
competitivo para os negócios.<br />
Cabe ressaltar que agir de forma socialmente responsável não implica que as<br />
empresas passem a assumir as atribuições do Estado, mas, sim, a gerar na cultura corporativa<br />
e em todas as relações da organização um novo regime de desenvolvimento econômico e<br />
social. A responsabilidade social empresarial, atualmente deixa de ser vista e discutida<br />
meramente como uma forma de filantropia ou de ações comunitárias, sua prática passa a ser<br />
encarada como uma maneira criativa e inovadora de gestão empresarial, integrada aos<br />
objetivos estratégicos, inserida na estrutura organizacional das empresas e também em seu<br />
orçamento anual. É preciso incorporar a gestão social de maneira profissional às ações do<br />
empreendimento, orientando suas atividades para gerenciar seus próprios impactos e, assim,<br />
garantindo sua sobrevivência.<br />
Em um ambiente caracterizado por índices cada vez mais altos de competitividade e<br />
produtividade, as empresas começam a preocupar-se progressivamente com a<br />
legitimidade social de sua atuação e a descobrir que o posicionamento socialmente<br />
responsável pode resultar em uma boa vantagem competitiva no que concerne ao<br />
mercado (PARENTE et al, 2006, p. 20).<br />
São mais valorizadas e reconhecidas pelos consumidores, atualmente, empresas<br />
socialmente responsáveis, aquelas que não pensam exclusivamente no lucro, mas também no<br />
aspecto social e no meio ambiente. Os autores indicam que estudos como a pesquisa sobre as<br />
46
percepções do consumidor, do Instituto Ethos em 2002, realizada no Brasil e em todo o<br />
mundo, mostram que os consumidores optam por produtos e serviços que comprovam<br />
práticas socialmente responsáveis em suas operações. Os consumidores privilegiam a postura<br />
ética e a preocupação das organizações em tornar a sociedade mais equilibrada, sem injustiças<br />
e desigualdades. Eles por meio do consumo consciente se tornam fundamentais, pois está em<br />
suas mãos a decisão de compra.<br />
A pressão da sociedade relativamente ao compromisso social das empresas é<br />
grande e tende a crescer ainda mais à medida que não só os clientes, mas também<br />
todos os seus públicos preferirem as companhias que se preocupam com o bemestar<br />
social e que prezam a transparência no relacionamento Por isso, esse<br />
comportamento não é mais uma questão de opção, mas de sobrevivência<br />
empresarial a longo prazo ( PARENTE et al, 2006, p. 21).<br />
Portanto, as relações empresariais deverão ser cada vez mais pautadas pela ética,<br />
pelo respeito e pela cidadania, pois todo e qualquer negócio tem um compromisso maior com<br />
o desenvolvimento social. Além disso, a gestão voltada para a responsabilidade social já é<br />
vista, no meio empresarial, como um diferencial competitivo, o qual pode influenciar<br />
diretamente os negócios das corporações, fortalecendo seu conceito e sua marca perante os<br />
consumidores e os demais públicos de interesse.<br />
Quando uma empresa investe em ações sociais, não só contribui para a melhoria da<br />
qualidade de vida da comunidade; ela adquire status de empresa-cidadã e obtém retorno<br />
social, traduzido em fortalecimento da imagem, potencialização da marca, conquista de novos<br />
clientes, maior divulgação na mídia, aumento do nível de recall, obtenção de reconhecimento<br />
público e maior apoio dos seus empregados e parceiros. Conquistar uma imagem positiva<br />
representa para Fortes (1999), um grande capital para a empresa, visto que as companhias em<br />
geral não mais entregam produtos ou serviços como itens isolados, mas sim, vendem a<br />
confiabilidade de uma marca proveniente de uma empresa que desfruta de uma reputação<br />
sólida e positiva.<br />
O 1º Fórum de Tendências e Responsabilidade Social no Varejo realizado em 24 de<br />
Agosto de 2000 foi um marco inicial do movimento em busca de um setor varejista<br />
socialmente responsável (PARENTE et al, 2006). Em decorrência deste evento, surgiriam<br />
multiplicadores de uma nova consciência empresarial, mais responsável, dispostos a<br />
desenvolver ações voltadas para o consumidor e para comunidade, e a compartilhar<br />
47
experiências com outros setores de atuação. Esse primeiro fórum foi um elemento propulsor<br />
do varejo responsável no Brasil, pois promoveu a aceitação dos conceitos básicos de<br />
responsabilidade (AMADEU JUNIOR; GELMAN; MACE<strong>DO</strong>, 2004). Nele foi elaborada<br />
uma Carta de Princípios e Práticas de Responsabilidade Social do Varejo, resumida no<br />
Quadro 01.<br />
Princípios de responsabilidade social do varejo<br />
• Não vender bebidas alcoólicas e cigarros para menores de 18 anos.<br />
• Canalizar sobras e desperdícios a programas sociais.<br />
• Qualificar e requalificar culturalmente e profissionalmente empregadores e empregados.<br />
• Adotar conduta ética.<br />
• Assumir papel de agente modificador e centralizador de ações sociais em sua comunidade.<br />
• Valorizar a consciência ecológica, com utilização de resíduos.<br />
• Valorizar a segurança e a higiene no trabalho.<br />
Papel do varejo na difusão dos princípios de responsabilidade social<br />
• Comunicar os princípios de responsabilidade social através da mídia.<br />
• Divulgar os princípios através de reuniões, eventos, palestras e avisos.<br />
• Promover a troca de experiências nas questões de responsabilidade social.<br />
• Divulgar os princípios junto às entidades beneficentes.<br />
• Realizar o levantamento das ações desenvolvidas por cada associado nas entidades<br />
beneficiadas para manter sinergia.<br />
• Disponibilizar quadros de avisos nos pontos de venda apara a utilização das comunidades.<br />
• Conscientizar sobre a legislação vigente no que se refere às responsabilidades sociais.<br />
• Mobilizar esforços visando mudanças na legislação referente aos incentivos fiscais para<br />
aplicação nas entidades beneficentes.<br />
48
Quadro 01: Carta de Princípios e Práticas de Responsabilidade Social do Varejo.<br />
Fonte: Amadeu Junior, Gelman e Macedo (2004, p.17).<br />
Os debates promovidos nos fóruns seguintes aprofundaram os conceitos e as práticas<br />
de responsabilidade social, buscando inserir essa cultura na gestão do pequeno e médio<br />
varejista, que normalmente tem uma forte consciência como cidadão, mas nem sempre está<br />
ciente de sua responsabilidade como empresário. Entretanto, dois anos após o primeiro fórum,<br />
o movimento da responsabilidade social no varejo era muito frágil, resumindo-se a ações de<br />
filantropia, como doações de alimentos para campanhas de combate a fome. A maioria das<br />
empresas varejistas ainda entendia que bastava realizar uma ação de filantropia para que fosse<br />
uma organização “socialmente responsável”.<br />
Com o propósito de agregar esforços na busca da conscientização, em 2003, o<br />
Centro de Excelência em Varejo (GVcev) – da FGV-EAESP criou o Prêmio de<br />
Responsabilidade Social no Varejo, como uma forma de reconhecer e incentivar as ações,<br />
projetos e programas de responsabilidade social desenvolvidos por empresas e entidades de<br />
classe varejistas de todo Brasil (AMADEU JUNIOR; GELMAN; MACE<strong>DO</strong>, 2004). Este<br />
Prêmio contribuiu decisivamente para demonstrar a grande vocação do varejo para a<br />
responsabilidade social e colaborou na compreensão dos varejistas quanto à distinção entre<br />
ação social, investimento social privado e, responsabilidade social empresarial, detalhados na<br />
Figura 03.<br />
49
Figura 03: Diferença entre os Conceitos: Ação Social × Investimento Social Privado ×<br />
Responsabilidade Social Empresarial.<br />
Fonte: Adaptado por Amadeu Junior, Gelman e Macedo (2004, p. 21).<br />
Os autores mostram que o conceito de responsabilidade social empresarial vai muito<br />
além de ação social e investimento social privado, porque associa-se ao fato de que uma<br />
organização é responsável pelos impactos que suas práticas e ações gerenciais produzem no<br />
universo situado além do mercado, que não se referem somente ao âmbito da empresa, mas ao<br />
meio em que ela está inserida.<br />
O desenvolvimento da responsabilidade social no varejo é fundamental, pois ajuda a<br />
estender as práticas socialmente responsáveis por toda a cadeia de valor, estabelecendo<br />
relações que vão desde a fabricação de um produto, passando pelos compromissos éticos dos<br />
fornecedores e distribuidores, pela forma de comercialização determinada pelos varejistas e,<br />
finalmente, chegando à decisão de compra consciente do consumidor que privilegia uma<br />
empresa em detrimento da outra no mercado.<br />
O varejo, mais do que qualquer outro ramo de atividade, tem uma vocação especial<br />
para a área de responsabilidade social, não só pelas suas peculiaridades como<br />
negócio, mas também pela sua enorme importância para a sociedade brasileira<br />
(PARENTE et al, 2006, p. 21).<br />
Vários fatores determinam e reforçam essa vocação do varejo para a<br />
responsabilidade social, entre eles, Parente et al (2006) apresentam:<br />
a) Proximidade com o consumidor final e articulação social nas comunidades<br />
O varejo possui uma característica muito peculiar, a proximidade com o consumidor<br />
final - não apenas do ponto de vista físico, como também do ponto de vista da frequência de<br />
visitas, uma vez que as lojas são um pólo de atração de pessoas. Considerando-se a frequência<br />
das visitas dos consumidores a estabelecimentos varejistas, pode-se imaginar a grande<br />
interação que acontece entre o estabelecimento (por meio de seu espaço físico e de seus<br />
funcionários) e o consumidor. Esse é o principal motivo pelo qual a loja tem o poder de<br />
transformar-se em um centro de disseminação de valores para a comunidade. Como o<br />
desempenho de uma loja depende das condições existentes em sua área de influência, ou seja,<br />
50
na comunidade em que ela está inserida, a melhoria da qualidade de vida da comunidade<br />
deverá trazer benefícios a ela.<br />
Dentro da área de influência de uma loja, em geral, estão localizadas diversas<br />
entidades sociais (ONGs, escolas, igrejas, etc.) cujas atividades tendem a favorecer e valorizar<br />
a própria comunidade. É justamente nessas entidades que se encontram as melhores<br />
oportunidades para que o varejo possa concentrar seus investimentos sociais. Se a empresa<br />
ajudar a tornar seu ambiente saudável, ela conseguirá cada vez mais sobreviver e crescer<br />
nessa região.<br />
b) Papel modificador na cadeia de valor<br />
O varejo é capaz de operar como intenso agente modificador em toda a cadeia de<br />
valor mediante os seguintes procedimentos: estabelecer vínculos comerciais e manter estreitas<br />
relações de troca com os consumidores; estimular o trabalho voluntário na comunidade em<br />
que atua; receber doações e contribuições dos seus clientes para causas que esteja<br />
promovendo na comunidade; realizar parcerias com seus fornecedores, auxiliando na<br />
disseminação de uma série de práticas, políticas e iniciativas sociais nas demais empresas da<br />
sua cadeia de valor; educar os consumidores, para que possam associar a prática da<br />
responsabilidade social à “boa” empresa, enquanto a ausência dessas iniciativas causa a<br />
impressão contrária.<br />
c) Representatividade e capilaridade geográfica<br />
A atividade varejista tem enorme importância econômica, não apenas no Brasil, mas<br />
em todo o mundo. “Com vendas anuais próximas de US$ 300 bilhões, o varejista Wal-Mart é<br />
a maior empresa do mundo” (PARENTE et al, 2006, p. 24). No Brasil, há mais de um milhão<br />
de empresas varejistas, das quais as vendas anuais totalizam mais do que 200 bilhões de reais,<br />
cifra superior à de qualquer outro setor econômico do país. Entre as 150 maiores empresas do<br />
Brasil, dez são varejistas, porém, a grande maioria dos varejistas constitui-se de empresas de<br />
pequeno porte, como bares, padarias, restaurantes, minimercados, etc. Outra dimensão que<br />
corrobora a enorme importância social do varejo é sua capilaridade geográfica (territorial). A<br />
51
ede varejista espalha-se por todas as regiões do país, encontrando-se pequenas lojas e pontos<br />
de venda exercendo uma importante função social e facilitando a vida dos habitantes que<br />
residem em localidades remotas do país (PARENTE et al, 2006).<br />
Meza (2009) destaca que o modelo de gestão sócio-responsável em pouco tempo se<br />
tornará obrigatório para empresas e órgãos de todos os tamanhos e segmentos, já que se<br />
estabelece como uma forte tendência, da qual não será possível escapar. Cabe ressaltar que o<br />
processo de responsabilidade social nas empresas sempre começa no âmbito pessoal e atinge<br />
o organizacional, pois se trata da decisão de um indivíduo, ou de um grupo, de agir de<br />
maneira coletiva, sendo que é a expansão da consciência que vai despertar uma maior<br />
responsabilidade pelo bem coletivo. O que se pensava ser utopia começa a se tornar realidade,<br />
porque o ideal da sustentabilidade passou a ser visto como uma solução inteligente para<br />
garantir não só a sobrevivência das organizações, mas também do planeta. Além disso, no<br />
processo evolutivo da humanidade, são os ideais que devem povoar os pensamentos, pois é no<br />
mundo das ideias e das imagens mentais que são forjadas e construídas as bases de um mundo<br />
melhor (PARENTE et al, 2006).<br />
2.1.4 O lixo como resultado da atividade supermercadista<br />
O varejo supermercadista trabalha com inúmeras linhas de produtos que, ao serem<br />
consumidas acabam por ser destinadas ao lixo comum, como se visualiza na figura 02. Ao<br />
longo dos anos o lixo passou a ser uma questão de interesse global, pois os problemas<br />
provocados pelo seu acúmulo são os mesmos em qualquer lugar do mundo. Produzidos em<br />
todos os estágios das atividades humanas, os resíduos, em termos tanto de composição como<br />
de volume, provocam danos à saúde humana e impactos sobre o meio ambiente (solo, água, ar<br />
e paisagens).<br />
Fadini e Fadini (2001) afirmam que o lixo é uma grande diversidade de resíduos<br />
sólidos de diferentes procedências, dentre eles, o resíduo sólido urbano gerado nas<br />
residências. O lixo faz parte da história do homem e a sua produção é inevitável. Na Idade<br />
Média acumulava-se pelas ruas e imediações das cidades, provocando sérias epidemias e<br />
causando a morte de milhões de pessoas. A partir da Revolução Industrial iniciou-se o<br />
processo de urbanização, provocando a migração do homem do campo para as cidades. Com<br />
52
isso, ocorreu um grande crescimento populacional, favorecido também pelo avanço da<br />
medicina e conseqüente aumento da expectativa de vida.<br />
Em consequência, os impactos ambientais passaram a ter um grau de magnitude alto,<br />
devido aos mais diversos tipos de poluição, dentre eles a poluição gerada pelo lixo. Assim, o<br />
lixo passou a ser encarado como um problema, o qual deveria ser combatido e escondido da<br />
população. A solução para o lixo naquele momento não foi encarada como algo complexo,<br />
pois bastava simplesmente afastá-lo, descartando-o em áreas mais distantes dos centros<br />
urbanos, denominados “lixões” (FADINI; FADINI, 2001).<br />
Nos dias atuais, com a maioria das pessoas vivendo nas cidades e com o avanço<br />
mundial da indústria provocando mudanças nos hábitos de consumo da população,<br />
vem-se gerando um lixo diferente em quantidade e diversidade. Até mesmo nas<br />
zonas rurais encontram-se frascos e sacos plásticos acumulando-se devido a formas<br />
inadequadas de eliminação (IPT/CEMPRE, 1995). Para Bidone (1999), em um<br />
passado não muito distante a produção de resíduos era de algumas dezenas de<br />
quilos por habitante/ano; no entanto, hoje, países altamente industrializados como<br />
os Estados Unidos produzem mais de 700 kg/hab/ano. No Brasil, o valor médio<br />
verificado nas cidades mais populosas é da ordem de 180 kg/hab/ano (FADINI;<br />
FADINI, 2001, p. 9).<br />
Tratando-se do Brasil, a geração do lixo ainda é, em sua maioria, de procedência<br />
orgânica; entretanto, nos últimos anos vem se incorporando o modo de consumo de países<br />
ricos, o que tem levado a uma intensificação do uso de produtos descartáveis. A associação do<br />
crescimento populacional à intensa urbanização e às mudanças de consumo estão mudando o<br />
perfil do lixo brasileiro. As pessoas consomem mais, o que acarreta maior produção de lixo<br />
oriundo de suas compras, principalmente, de alimentos e artigos comprados em<br />
supermercados.<br />
Para Menezes et al (2005), o lixo representa uma grande ameaça à vida no Planeta<br />
por duas razões essenciais: a sua quantidade e seus perigos tóxicos. Em toda parte do mundo a<br />
mídia incentiva as pessoas a adquirirem vários produtos e a substituírem os mais antigos por<br />
outros, mais modernos, provocando a insensatez do uso indiscriminado dos recursos naturais.<br />
Este fato tem levado ao grande volume de lixo produzido no mundo, cujo aumento foi três<br />
vezes maior que o populacional, nos últimos 30 anos (MENEZES et al., 2005). Quanto a isto,<br />
Fadini e Fadini (2001) destacam que a taxa de geração de resíduos sólidos urbanos está<br />
diretamente relacionada aos hábitos de consumo de cada cultura, existindo uma correlação<br />
estreita entre a produção de lixo e o poder econômico de uma dada população.<br />
53
Os autores indicam que do material descartado no Brasil, 76% é abandonado a céu<br />
aberto em locais impróprios, chamados popularmente de “lixões”, permitindo a proliferação<br />
de vetores capazes de transmitir várias doenças. A matéria orgânica disposta de forma<br />
desordenada entra em processo de putrefação, formando outra mistura complexa de gases de<br />
metano, dióxido de carbono, sulfídrico, amônia e outros ácidos orgânicos voláteis, os quais,<br />
quando em contato com o sistema respiratório de seres humanos, podem causar lesões<br />
irreversíveis e levar à morte. Outro problema é a contaminação dos recursos hídricos devido à<br />
migração de chorume - uma substância líquida resultante do processo de putrefação<br />
(apodrecimento) de matérias orgânicas. Para Lima e Silva, Guerra e Mousinho (1999), o<br />
“lixão” é uma forma inadequada de disposição final de resíduos sólidos, sem nenhum critério<br />
técnico, caracterizado pela descarga do lixo diretamente sobre o solo, sem qualquer<br />
tratamento prévio, colocando em risco o meio ambiente e a saúde pública.<br />
Tommasi (1976) argumenta que os resíduos sólidos apresentam cada vez mais<br />
papéis, plásticos e vidros em inúmeros tipos de embalagens. Todo este material cria<br />
crescentes problemas de coleta, despejo e tratamento. Seus depósitos constituem-se, muitas<br />
vezes, em foco de crescimento de mosquitos e roedores causadores de doenças na população,<br />
contribuindo para a deterioração do ambiente humano. Além disso, o descarte inadequado de<br />
resíduos sólidos nos centro urbanos, sem qualquer tratamento, está contaminando os lençóis<br />
freáticos de várias regiões brasileiras. Essa situação é ainda pior ao se considerar que a água<br />
potável vai se tornar, em breve, um fator de grande competitividade entre as nações, pois está<br />
transformando-se em recurso cada vez mais escasso (SANCHES et al, 2006).<br />
Os resíduos gerados por aglomerações urbanas e por processos produtivos<br />
constituem um grande problema, tanto pela quantidade quanto pela toxicidade de tais rejeitos.<br />
Cabe ressaltar, que a solução para tal questão não depende apenas de atitudes governamentais<br />
ou decisões de empresas, mas também devem resultar do empenho de cada cidadão, que tem o<br />
poder de recusar produtos que causem danos ambientais, participar de organizações não-<br />
governamentais ou simplesmente separar resíduos dentro de casa, facilitando com isso, os<br />
processos de reciclagem. O conhecimento e a reflexão acerca do lixo é a única maneira de se<br />
iniciar um ciclo de decisões e atitudes que possam resultar em uma efetiva melhoria de<br />
qualidade ambiental e de vida (FADINI; FADINI, 2001).<br />
54
O desafio está relacionado à discussão de como não gerar lixo ou, ao menos,<br />
minimizar a sua geração. Evidentemente que a melhor opção seria não gerar lixo, mas essa é<br />
uma alternativa nem sempre possível, uma vez que o modelo de vida adotado globalmente é<br />
pautado na produção e no consumo, que têm como consequência a geração de resíduos.<br />
Entretanto, com o auxílio de programas de educação ambiental, pode-se criar a consciência<br />
nos consumidores na escolha de determinados tipos de embalagens de produtos, rejeitando-se,<br />
por exemplo, aqueles produtos que possuem invólucros múltiplos e, às vezes, desnecessários<br />
e dando preferência a embalagens retornáveis em detrimento às descartáveis, bem como<br />
minimizando desperdícios dentro de casa.<br />
A recusa de tais produtos com múltiplas embalagens leva a indústria a ter uma<br />
atitude ambientalmente responsável por pressão do mercado consumidor e, diminui em até<br />
50% a quantidade de resíduos sólidos domésticos encaminhados aos aterros (FADINI;<br />
FADINI, 2001). Outra importante alternativa é o reuso dos resíduos e a reciclagem, que é<br />
facilmente explicada pela já difundida teoria de que resíduo nada mais é do que um material<br />
não adequadamente localizado no espaço e no tempo.<br />
Para Fadini e Fadini (2001, p. 17):<br />
A reciclagem pode ser considerada como o resultado de uma série de atividades<br />
através das quais materiais que se tornariam lixo ou estão no lixo são desviados,<br />
sendo coletados, separados e processados para uso como matéria-prima na<br />
manufatura de bens, feitos anteriormente apenas com matéria- prima virgem.<br />
A sua realização apresenta benefícios, conforme os autores, tais como: a diminuição<br />
da quantidade de lixo a ser aterrado, consequentemente aumentando a vida útil dos aterros<br />
sanitários; preservação dos recursos naturais; economia de energia; redução da poluição do ar<br />
e das águas; e, geração de empregos, através da criação de indústrias recicladoras. Contudo, a<br />
reciclagem não pode ser vista como a principal solução para a problemática do lixo, e sim,<br />
como um elemento dentro de um conjunto de soluções.<br />
Fadini e Fadini (2001) argumentam que a separação de materiais do lixo aumenta a<br />
oferta de materiais recicláveis, porém, se não houver demanda de produtos reciclados por<br />
parte da sociedade o processo é interrompido, os materiais abarrotam os depósitos e, por fim,<br />
são aterrados. Somente quando estiverem esgotadas as alternativas de redução de consumo,<br />
reuso e reciclagem é que se deve fazer a opção pelo tratamento, levando-se em consideração o<br />
ônus ambiental de cada alternativa que possa vir a ser adotada.<br />
55
“A aparente utopia de um meio ambiente que concilie desenvolvimento associado a<br />
sustentabilidade ambiental, qualidade de vida e igualdade social só será alcançada com muita<br />
reflexão, boa vontade e esforços pessoal e comunitário” (FADINI; FADINI, 2001, p.18). A<br />
responsabilidade então, para a problemática do lixo cabe não apenas ao governo e às<br />
empresas, mas a sociedade em sua totalidade.<br />
2.2 Gestão de Varejo<br />
O varejo tem assumido relevância no cenário mundial, por ser um dos principais<br />
responsáveis pelo crescimento econômico do Brasil e, principalmente, por trabalhar a relação<br />
loja-consumidor, estando presente na vida de todas as pessoas, independente de sexo, idade<br />
ou classe social. As organizações varejistas têm passado por muitas transformações nas<br />
últimas décadas, em especial na década de 90, ocasionadas pela globalização e pelos novos<br />
hábitos do consumidor, que a cada dia torna-se mais exigente e voltado ao consumo.<br />
2.2.1. Evolução do varejo no Brasil<br />
O varejo brasileiro emergiu apenas na segunda metade do século XIX, uma vez que<br />
até então, as vendas era realizadas por mascastes que percorriam os povoados e vilas<br />
negociando mercadorias diversificadas. Isso porque, as cidades de maior porte como Rio de<br />
Janeiro e Salvador, não reuniam muitas pessoas, das quais ainda muitas eram escravas. No<br />
interior, predominava os complexos rurais do interior voltados à economia autossustentada.<br />
Morgado e Gonçalves (1999) destacam que os primeiros estabelecimentos<br />
comerciais de maior porte instalaram-se nas cidades no final do século XIX, realizando a<br />
comercialização de artigos importados para a aristocracia. Surge então, varejistas como a<br />
Casa Masson, estabelecida em 1971, as lojas Pernambucanas em 1906, a Mesbla no ano de<br />
1912 e, a Mappin Stores em 1913 (MORGA<strong>DO</strong>; GONÇALVES, 1999; LAS CASAS, 1992).<br />
A partir do estabelecimento destas lojas, houve uma inovação no comércio<br />
brasileiro, sendo introduzidos novos métodos de vendas e exposição de mercadorias e uma<br />
nova organização em relação ao sistema de compras. Estas lojas trouxeram ao Brasil o<br />
56
modelo de lojas de departamentos já existente nos Estados Unidos e na Europa há muitas<br />
décadas.<br />
Porém, no início do século o varejo brasileiro enfrentou o seu maior problema – o<br />
abastecimento alimentar - decorrente da rápida urbanização dos países e o ingresso de<br />
milhares de imigrantes. A escassez de mercados formados de preços e da mínima infra-<br />
estrutura que permitisse o escoamento da produção agrícola do interior levava à inquietação<br />
popular e à revoluta contra os obsoletos varejistas de alimentos. Com a Primeira Guerra<br />
Mundial e a falta de alimentos importados, esta situação agravou-se ainda mais.<br />
No ano de 1917, deflagrou-se uma greve geral em São Paulo, na qual 45 mil<br />
trabalhadores cessaram seu trabalho exigindo melhores condições de vida. Reivindicavam o<br />
controle dos preços e a punição de varejistas e atacadistas considerados monopolistas. Em<br />
consequência, institui-se no Brasil em 1918, o primeiro instrumento do Estado no varejo, o<br />
Comissariado de Alimentação Pública, com o intuito de intervir e controlar o abastecimento<br />
para evitar o conflito social.<br />
De acordo com Morgado e Gonçalves (1999), o Comissariado era o responsável por<br />
fixar preços de produtos de gênero alimentício e definir isenções fiscais para alimentos de<br />
consumo popular, como o arroz, feijão e o charque. No ano de 1920 este Comissariado foi<br />
transformado em Superintendência do Abastecimento ampliando suas atribuições. Passou a<br />
comprar alimentos para distribuir à população carente, promover a formação de cooperativas<br />
agrícolas e montar feiras livres nas capitais.<br />
Nos anos 50, o Governo Dutra, criou por lei a Comissão Federal de Abastecimento e<br />
Preços (COFAP), que controlava o abastecimento, fixava preços e punia os responsáveis por<br />
abusos. Em 1960, a COFAP foi substituída pela Superintendência Nacional de Alimentos<br />
(SUNAB), pela Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL) e pela Companhia Brasileira<br />
de Armazenagem (CIBRAZEM). Finalmente, nos anos 70 o Estado entrou diretamente na<br />
comercialização de alimentos com as CEASAS e no varejo, com a Rede SOMAR.<br />
Tais intervenções públicas no varejo permaneceram até os anos 90, quando foram<br />
eliminados definitivamente os tabelamentos de preços e as cotas de venda, citam Morgado e<br />
Gonçalves (1999). Essas regras institucionalizadas provocaram o atraso brasileiro, em termos<br />
de inovações do varejo, pois o setor sofria limitações de ordem creditícia, jurídica e<br />
57
trabalhista, impedindo sua evolução. Somente na virada da década de 50 é que se<br />
apresentaram inovações organizacionais e mercadológicas. A partir deste período, com a<br />
explosão do crescimento urbano e o embasamento em modelos e técnicas aproveitadas do<br />
exterior, o varejo brasileiro começa a apresentar modernidade e inovações.<br />
Morgado e Gonçalves (1999) destacam que elementos do varejo, já disseminados há<br />
décadas nas empresas americanas, só se generalizaram no Brasil nos anos 50, como o auto-<br />
serviço, a estrutura departamentalizada, a organização e gestão de recursos humanos, a baixa<br />
margem; e, a alta rotatividade dos estoques. Para estes autores, o moderno varejo só se<br />
instalou no Brasil, na virada dos anos 50, tendo como marcos a implantação da Sears em<br />
1949, e da Mesbla, além do Mappin que se destacou ainda na década de 20 por seu caráter<br />
inovador.<br />
Porém, nada é mais representativo das mudanças que ocorreram no perfil do consumo<br />
que a introdução dos supermercados no Brasil. Até o fim dos anos cinqüenta, a<br />
legislação que regulamentava o comércio de alimentos era extremamente antiquada e<br />
obsoleta em praticamente todas as cidades do Brasil. As lojas de secos e molhados e<br />
padarias seriam obrigadas a trabalhar aos sábados e domingos e até as 20h00 e os<br />
primeiros supermercados também deveriam enquadrar-se nesta categoria. Como,<br />
normalmente, o varejo de alimentos era administrado pela própria família, era natural<br />
que funcionasse aos domingos; inclusive, cerca de 50% do movimento dessas lojas se<br />
dava aos sábados e domingos. Tais exigências faziam com que a instalação de<br />
estabelecimentos comerciais do varejo de alimentos, fora dos moldes convencionais,<br />
fosse custosa (MORGA<strong>DO</strong>; GONÇALVES, 1999, p. 36).<br />
Surgiram então, os primeiros supermercados no Brasil, que apresentavam um<br />
conceito novo ao brasileiro que começava a entrar em contato com a modernidade advinda da<br />
televisão, caracterizando uma era de desenvolvimento que abandonava os resquícios rurais e<br />
provincianos. O novo formato foi aceito pelos consumidores que se adaptaram rapidamente às<br />
inovações trazidas pelos supermercados.<br />
Entretanto, institucionalmente, o supermercado teve que aguardar por mais de uma<br />
década, pelo seu período de expansão. Os supermercados foram reconhecidos oficialmente<br />
como uma categoria diferenciada de varejos de alimentos, com uma incidência tributária à<br />
parte, somente em 1968, com a Lei Federal n. 7.208, que regulamentava a atividade de<br />
supermercados e auto-serviços (MORGA<strong>DO</strong>; GONÇALVES, 1999).<br />
Atualmente o varejo é considerado um dos maiores setores da economia global<br />
(BERKOWITZ et al, 2003; LEVY; WEITZ, 2000; MORGA<strong>DO</strong>; GONÇALVES, 1999). Para<br />
Zamberlan e Sparemberg (2009, p. 13), sua importância está atrelada à “capacidade em<br />
58
incorporar e adotar avançadas tecnologias de informação e de gestão, respondendo com<br />
rapidez às transformações e modificações do ambiente, principalmente aquelas relacionadas<br />
com mudanças no comportamento do consumidor”. Por isso hoje, o setor recebe destaque<br />
como um dos principais responsáveis pelo crescimento do país em termos econômicos,<br />
sociais e ambientais.<br />
2.2.2 Conceitos e tipos de varejistas<br />
O varejo caracteriza-se por ser uma instituição econômica significativa geradora de<br />
muitos negócios na sociedade. É uma das atividades do marketing que vêm ao longo dos anos<br />
sofrendo muitas mutações, essencialmente relacionadas às novas expectativas e necessidades<br />
dos consumidores, mudanças que acabam por ocasionar crescimento econômico e busca<br />
organizacional de estratégias capazes de atrair um número maior de clientes.<br />
Varejo ou retalho é a venda de produtos ou a comercialização de serviços em<br />
pequenas quantidades, em oposição ao que ocorre no atacado. É a venda por retalho, como<br />
por partes de um todo, direto ao comprador final, ao consumidor do produto ou serviço, sem<br />
intermediários. Zogbi (2008) menciona que a raiz da palavra varejo utilizada no Brasil, vem<br />
do português antigo, dos tempos onde a “vara” era a medida para se fracionar peças de<br />
tecidos, cordas, linhas, madeiras, etc. Ainda hoje, em algumas lojas de tecidos usa-se uma<br />
régua de madeira com um metro de comprimento para fracionar os produtos.<br />
O termo utilizado hoje para designar varejo em Portugal é retalho, que também<br />
denota claramente o fracionamento de produtos para venda em pequenas porções ou<br />
quantidades. Tais características são identificadas na definição de Henry Richter (apud LAS<br />
CASAS; BARBOZA, 2007, p. 23) “varejo é o processo de compra de produtos em quantidade<br />
relativamente grande dos produtores atacadistas e outros fornecedores e posterior venda em<br />
quantidades menores ao consumidor final”.<br />
Na literatura encontram-se várias definições para o Varejo, cuja singularidade está<br />
na comercialização de produtos aos consumidores finais. Sproesser (1999) e Churchill e Peter<br />
(2000) consideram o varejo como uma atividade de intermediação das relações entre a<br />
indústria de transformação e os consumidores, assim como descreve Las Casas (1992, p.16),<br />
59
“é a atividade comercial responsável por providenciar mercadorias e serviços desejados pelos<br />
consumidores”.<br />
Kotler e Armstrong (1999), assim como Levy e Weitz (2000) ampliam o conceito<br />
incluindo a utilidade dos bens e serviços comprados pelos consumidores. “O varejo engloba<br />
todas as atividades de venda de bens ou serviços diretamente para consumidores finais, para<br />
seu uso pessoal, não relacionado a negócios” (KOTLER; ARMSTRONG, 1999, p. 297).<br />
Assim, qualquer organização que utiliza essa forma de venda, seja ela fabricante, atacadista<br />
ou varejista, está praticando varejo, sem importar a forma pela qual os bens e serviços serão<br />
vendidos.<br />
Levy e Weitz (2000) e Parente (2000) também destacam o uso pessoal e familiar dos<br />
produtos adquiridos e ainda retratam o varejo como uma atividade de negócios que adiciona<br />
valor aos produtos e serviços. Os varejistas criam valor para os clientes através do<br />
atendimento de seus desejos e necessidades, o que requer a geração de benefícios que<br />
realmente interessem aos consumidores, daí a complexidade em se administrar empresas<br />
varejistas.<br />
O sucesso de um varejista pequeno ou de uma grande empresa de varejo depende<br />
principalmente de quanto ela incorpora o conceito de varejo. O conceito de varejo é<br />
uma orientação de gerenciamento que faz o varejista enfocar a determinadas<br />
necessidades de seus mercados-alvo e a satisfação dessas necessidades mais eficaz<br />
e eficientemente que seus concorrentes (LEVY; WEITZ, 2000, p. 34).<br />
Diante destas definições constata-se o quanto o varejo assume uma posição<br />
importante, seja na comercialização de bens e serviços, seja no relacionamento entre empresa-<br />
consumidor, agregando valor para seus clientes.<br />
Tratando-se dos tipos de varejistas, Churchill e Peter (2000), Rojo (2004), Kotler e<br />
Armstrong (1999) e, Levy e Weitz (2000) declaram que as vendas no varejo, em geral são<br />
realizadas em lojas ou por meio do que se convencionou chamar de varejo sem lojas. O varejo<br />
de loja apresenta-se de diversas formas e tamanhos, e novos formatos continuam surgindo.<br />
No Quadro 02 podem-se visualizar os tipos de lojas mais importantes, de acordo<br />
com os pressupostos de Kotler (2009).<br />
60
TIPO DESCRIÇÃO<br />
LOJAS DE<br />
ESPECIALIDADE<br />
LOJAS DE<br />
DEPARTAMENTOS<br />
SUPERMERCA<strong>DO</strong>S<br />
LOJAS DE<br />
CONVENIÊNCIA<br />
LOJAS DE<br />
DESCONTOS<br />
Vendem uma linha de produtos estreita com um profundo sortimento dentro dessa<br />
linha: roupas, materiais esportivos, móveis, floriculturas e livrarias. Podem ser<br />
subclassificadas pelo grau de abrangência de sua linha de produtos. Uma loja de<br />
roupas seria uma loja de linha única; uma loja de roupas masculinas seria uma loja<br />
de linha limitada e uma loja de camisas masculina sob medida seria uma loja<br />
superespecilizada. Alguns analistas debatem que, no futuro, as lojas<br />
superespecializadas crescerão aceleradamente pela vantagem das crescentes<br />
oportunidades de segmentação de mercado, práticas de mercado-alvo e<br />
especialização do produto.<br />
Vendem várias linhas de produtos, tipicamente roupas, móveis e utilidades<br />
domésticas, em que cada linha é operada como um departamento separado,<br />
administrado por compradores especializados.<br />
Relativamente grandes, operam com custo baixo, margem pequena, volume<br />
elevado, auto-serviço projetado para atender às necessidades totais dos<br />
consumidores em termos de alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza e<br />
produtos para a manutenção do lar. Operam com lucro operacional de apenas 1%<br />
sobre as vendas e obtêm lucro de 10% sobre o patrimônio líquido. Apesar de forte<br />
concorrência de concorrentes novos e inovadores como superlojas e lojas de<br />
descontos, os supermercados permanecem o tipo de loja de varejo mais<br />
frequentemente visitado pelos compradores.<br />
São lojas relativamente pequenas, localizadas próximo às áreas residenciais,<br />
permanecendo abertas além do horário normal e sete dias por semana. Vendem uma<br />
linha limitada de produtos de conveniência de alta rotatividade. Seu horário de<br />
funcionamento amplo e o fato de os consumidores as procurarem para compras<br />
complementares e de última hora as caracterizam como estabelecimentos de preços<br />
relativamente altos. Muitas vendem sanduíches, café e massas semipreparadas.<br />
Preenchem uma importante necessidade do consumidor e as pessoas parecem<br />
dispostas a pagar pela conveniência.<br />
Vendem mercadorias padronizadas a preços mais baixos porque trabalham com<br />
pequenas margens e grande volume. O uso de descontos ocasionais ou especiais não<br />
caracteriza uma loja de descontos. Esta vende regularmente suas mercadorias a<br />
preços baixos, oferecendo a maioria das marcas nacionais e não produtos inferiores.<br />
As lojas de descontos estão indo além da venda de mercadorias básicas ao vender<br />
61
VAREJOS DE<br />
LIQUIDAÇÃO<br />
Outlets de fábrica<br />
Varejos de liquidação<br />
independentes<br />
Clubes de atacadistas<br />
SUPERLOJAS<br />
Lojas mistas<br />
hipermercados<br />
SHOWROOMS DE<br />
VENDA POR<br />
CATÁLOGOS<br />
com desconto produtos disponíveis em lojas de especialidade, como as de materiais<br />
esportivos, produtos eletrônicos de consumo e livros. Exemplos de lojas de<br />
descontos: Lojas de descontos de linha completas: Wal-Mart, Kmart; Lojas de<br />
descontos de especialidade: Circuit City (produtos eletrônicos), Crown Bookstores<br />
(livros).<br />
Compram a preços abaixo do atacado e transferem parte da vantagem aos<br />
consumidores. Trabalham com sortimento variável e mutante de produtos de alta<br />
qualidade, frequentemente, pontas de estoque, números e modelos esparsos obtidos<br />
a preços reduzidos e fabricantes ou de outros varejistas. Há três tipos importantes de<br />
varejos de liquidação: oulets de fábrica, varejos de liquidação independentes e<br />
clubes de atacadistas.<br />
Operados pelos próprios fabricantes, normalmente vendem sobras e mercadorias<br />
descontinuadas ou irregulares. Tais estabelecimentos estão se agrupando cada vez<br />
mais em shoppings de fabricantes, onde dezenas de lojas oferecem preços até 50%<br />
inferiores aos praticados pelos varejos tradicionais e de ampla variedade.<br />
São de propriedade ou dirigidos por empreendedores ou por divisões de corporações<br />
varejistas maiores<br />
Vendem uma seleção limitada de produtos alimentícios de marcas conhecidas,<br />
eletrodomésticos, roupas e uma miscelânea de outros bens com grandes descontos<br />
aos associados que pagam anuidade de $ 25 a $ 50. Atendem a pequenos varejistas<br />
e a órgãos governamentais, organizações que não visam o lucro e algumas grandes<br />
empresas. Operam com grandes volumes, possuem despesas baixas por estarem<br />
localizados em armazéns e oferecem poucos serviços. Seus custos são inferiores<br />
porque compram em grandes quantidades e usam pouca mão-de-obra na estocagem.<br />
Não fazem entregas ou aceitam cartões de crédito. Oferecem preços bem baixos,<br />
normalmente, 20 a 40% abaixo dos preços dos supermercados e lojas de descontos.<br />
Exemplo: Sam’s Club, Max Clubs, Price-Costco da Wal-Mart, Wholesale Club da<br />
BJ.<br />
Espaço de venda médio das superlojas é de aproximadamente 11.000 metros<br />
quadrados. Visam atender à necessidade total dos consumidores para compras<br />
rotineiras de alimentos e de itens não-alimentos. Geralmente, oferecem serviços<br />
como lavanderia, lavagem a seco, reforma de calçados, caixas eletrônicos<br />
recebimento de contas. Em anos recentes, as superlojas têm-se tornado lojas de<br />
especialidade gigantes, que vendem sortimento muito amplo de uma linha<br />
específica, empregando funcionários bem preparados. Variações das superlojas<br />
incluem a loja mista e o hipermercado.<br />
Representam uma diversificação do supermercado para o promissor campo de<br />
medicamentos vendidos sob prescrição médica. Ocupam espaço de venda médio de<br />
17.000 metros quadrados.<br />
Quadro 02: Principais Tipos de Varejos.<br />
Fonte: Adaptado de Kotler (2009, p. 494-495).<br />
Variam de 24.000 a 67.000 metros quadrados e combinam os princípios do<br />
supermercado, das lojas de descontos e dos varejos de fábrica. Seu sortimento de<br />
produtos vai além de bens comprados rotineiramente, incluindo móveis,<br />
eletrodomésticos grandes e pequenos, itens de vestuário e muitos outros produtos. A<br />
abordagem básica é a exposição de grandes volumes de produtos com mínima<br />
manipulação por parte dos funcionários. São oferecidos descontos aos<br />
consumidores que estiverem dispostos a carregar utilidades domésticas de maior<br />
porte e móveis. O primeiro hipermercado originou-se na França, e esta forma de<br />
varejo é ainda muito popular na Europa. Exemplos: Carrefour e Cassino (França);<br />
Pyrca, Continente e Alcampo (Espanha), Meijer’s (Holanda).<br />
Vendem uma seleção ampla de bens de marcas conhecidas que permitem markup<br />
alto, giro rápido e descontos nos preços. O sortimento oferecido inclui jóias,<br />
ferramentas elétricas, câmeras fotográficas, malas de viagem, pequenos<br />
eletrodomésticos, brinquedos e materiais esportivos. Os consumidores escolhem os<br />
bens em catálogos, que depois são retirados na área de expedição do showroom.<br />
Ganham dinheiro cortando custos, reduzindo a margem de lucro e vendendo barato,<br />
o que possibilita maior volume de vendas.<br />
62
Embora a maioria dos negócios de varejo sejam realizados através de lojas, Kotler e<br />
Armstrong (1999) afirmam que o varejo sem lojas tem evoluído muito nos últimos anos.<br />
No Quadro 03, se apresenta os tipos de varejo sem loja.<br />
TIPO DESCRIÇÃO<br />
VENDA DIRETA Começou há séculos com mascates itinerantes e representa uma atividade de $ 9<br />
bilhões, em que cerca de 600 empresas vendem porta a porta, escritório a escritório e<br />
em reuniões domiciliares. (A venda direta aqui descrita não inclui a venda business to<br />
business). Há três tipos de venda direta: venda um a um, venda de um para muitos<br />
(reuniões) e marketing de multinível (rede).<br />
Venda um a um Um(a) vendedor(a) visita e procura vender produtos a um usuário potencial.<br />
Venda de um para<br />
muitos (reuniões de<br />
venda)<br />
Marketing de<br />
multinível (rede)<br />
MARKETING<br />
DIRETO<br />
VENDA<br />
AUTOMÁTICA<br />
Uma vendedora dirige-se à casa de uma anfitriã que convidou amigas e vizinhas para<br />
uma reunião. Ela demonstra os produtos e tira os pedidos. Frequentemente, as<br />
vendedoras de alto desempenho são altamente recompensadas; por exemplo, a Mary<br />
Kay oferece às melhores vendedoras o direito de dirigir um Cadillac cor-de-rosa<br />
durante um ano.<br />
Iniciado pela Amway, cujas vendas atingiram $ 5,3 bilhões em 1994, com metade de<br />
seus negócios ocorrendo no Japão e na região do Pacífico Asiático. É uma variante da<br />
venda direta em que as empresas recrutam empresários independentes que atuam como<br />
distribuidores de seus produtos. Esses distribuidores, por sua vez, recrutam e vendem a<br />
subdistribuidores, que, eventualmente, recrutam outras pessoas para vender seus<br />
produtos, geralmente, nas residências dos consumidores. A remuneração de um<br />
distribuidor inclui uma porcentagem das vendas de todo o grupo que ele recrutou, além<br />
dos ganhos decorrentes de qualquer venda direta e clientes varejistas.<br />
Tem suas raízes na venda pelo correio, mas hoje inclui outras maneiras de atingir as<br />
pessoas como telemarketing, marketing de respostas diretas via televisão (programas<br />
de compra diretamente da residência e infocomerciais) e compra eletrônica (descrita<br />
em detalhes no Capítulo 23).<br />
Tem sido aplicada a uma considerável variedade de produtos, incluindo bens de<br />
impulso e de alto valor de conveniência (cigarros, refrigerantes, chocolates, jornais,<br />
bebidas quentes) e outros produtos (lingerie, cosméticos, lanches, sopas e alimentos<br />
quentes, livros, álbuns de discos, filmes, camisetas, apólices de seguro, limpeza de<br />
sapatos e até minhocas para pescaria). No Japão, a venda automática por máquinas vai<br />
além ao vender jóias, carne congelada, flores naturais, uísque e até nomes de parceiros<br />
potenciais para encontros. As máquinas de venda são encontradas em fábricas,<br />
escritórios, grandes lojas de varejo, postos de gasolina, hotéis, restaurantes e em<br />
muitos outros locais. Essas máquinas oferecem aos consumidores as vantagens da<br />
venda 24 horas, auto-serviço e ausência de manipulação por terceiros.<br />
63
SERVIÇO DE<br />
COMPRA<br />
Quadro 03: Tipos de Varejo Sem Lojas.<br />
Fonte: Adaptado de Kotler (2009, p. 498).<br />
Um varejista sem loja atende a consumidores específicos, geralmente, funcionários de<br />
grandes organizações como escolas, hospitais, sindicatos e órgãos governamentais. Os<br />
funcionários associam-se ao serviço de compra e recebem autorização para comprar de<br />
uma lista selecionada de varejistas que concordam em dar descontos aos filiados.<br />
Assim, um consumidor que esteja à procura de uma câmera de vídeo retira um<br />
formulário aprovado do serviço de compra, leva-o a um varejista selecionado e compra<br />
o aparelho com desconto. Depois, o varejista paga uma pequena comissão para o<br />
serviço de compra.<br />
2.2.3 Tipos de produtos no varejo<br />
As decisões acerca do mix de produtos são fundamentais aos varejistas, pois a<br />
principal motivação dos consumidores ao procurar uma empresa é obter mercadorias que<br />
satisfaçam suas necessidades. A seleção do consumidor por uma loja ou outra no ato de suas<br />
compras, muitas vezes está calcada nos tipos de produtos. Kotler (2009, p. 382) conceitua<br />
produto como “algo que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer a um desejo ou<br />
necessidade”. Os produtos vendidos incluem bens físicos, serviços, locais, organizações e<br />
ideias.<br />
Os tipos de produtos são fundamentais no processo de decisão de compra, pois como<br />
destaca Parente (2000, p. 112):<br />
O comportamento de compra está muito relacionado com o tipo de produto que está<br />
sendo comprado. Existem muitos tipos de classificações de produtos que foram<br />
desenvolvidas com base em alguns aspectos do processo de decisão de compra dos<br />
consumidores. O conhecimento sobre essas classificações ajuda os varejistas a<br />
entender melhor o comportamento de seus consumidores.<br />
Os produtos são classificados por Kotler (2009), conforme suas variadas<br />
características: durabilidade, tangibilidade e uso (bens de consumo ou industrial), cada qual<br />
possuindo uma estratégia do composto promocional apropriada. Quanto a sua durabilidade e<br />
tangibilidade, os produtos podem ser classificados em:<br />
• Bens não duráveis: são bens tangíveis, geralmente consumidos após um ou alguns usos,<br />
como, por exemplo, cerveja, sabão e sal. Pelo consumo rápido e por provocar a compra<br />
frequente, a estratégia ideal é torná-los disponíveis em vários locais, fixar uma pequena<br />
margem e divulgá-los de forma intensa para induzir à experimentação e à preferência de<br />
compra.<br />
64
• Bens duráveis: são bens tangíveis que, geralmente sobrevivem a muitos usos, como por<br />
exemplo, refrigeradores, máquinas e vestuários. A estratégia apropriada requer uma venda<br />
pessoal e disponibilidade de serviços, exigindo margens maiores e mais garantias do<br />
vendedor.<br />
• Serviços: caracterizam-se como intangíveis, inseparáveis, variáveis e perecíveis. Em<br />
decorrência, exige um maior controle da qualidade, credibilidade do fornecedor e<br />
adaptabilidade.<br />
Parente (2000) incorpora nesta classificação de durabilidade os bens semiduráveis,<br />
os quais se situam entre a perecibilidade de um não durável e a perenidade de um durável. São<br />
produtos que sobrevivem a alguns usos, como por exemplo, produtos de perfumaria, sapatos,<br />
lâmpadas, canetas.<br />
Tratando-se do uso, têm-se os bens de consumo e os bens industriais. Os bens de<br />
consumo, de acordo com Parente (2000), são aqueles que os consumidores finais compram<br />
para seu uso pessoal. Estão classificados, conforme o autor, em três categorias de acordo com<br />
a disponibilidade desses bens e com o grau de esforço que os consumidores despendem na<br />
aquisição. Em complemento, Kotler (2009) acrescenta nesta classificação mais um tipo de<br />
bens de consumo, os bens não procurados, formando-se então quatro tipos. São eles:<br />
• Bens de Conveniência: são aqueles que o consumidor compra com frequência, de imediato e<br />
com mínimo esforço. Geralmente são produtos com baixo custo, de compra frequente, cuja<br />
compra o cliente faz pouca ou nenhuma comparação. Existem em varejistas como<br />
supermercados, farmácias e postos de gasolina. Podem ser classificados em: bens de consumo<br />
geral, aqueles que os consumidores adquirem em base regular, por exemplo, um consumidor<br />
compra rotineiramente o Ketchup Heinz; bens de impulso, aqueles comprados sem qualquer<br />
planejamento ou esforço de procura, sendo amplamente expostos nos postos de vendas, como<br />
chocolates e revistas e; bens de emergência que são comprados quando uma necessidade é<br />
urgente, como por exemplo, comprar um guarda-chuva durante um temporal.<br />
• Bens de Compra Comparada: são aqueles que o consumidor, no processo de seleção e<br />
compra, compara, caracteristicamente, baseado em adequação, qualidade, preço e estilo, como<br />
carros, móveis, vestuário, carros usados e grandes eletrodomésticos. Geralmente são produtos<br />
mais caros e comprados com menos frequência do que os produtos de conveniência. Dividem-<br />
65
se em homogêneos e heterogêneos. Os bens de compra comparada homogêneos são vistos<br />
pelo comprador como similares em qualidade, mas bem distintos em preços para justificar<br />
comparações. Cabe ao vendedor, argumentar sobre o preço com o cliente. Na compra de bens<br />
de compra comparada heterogêneos, as características do produto são normalmente mais<br />
importantes para o consumidor do que o preço. Os fornecedores deste tipo de produto devem<br />
oferecer um amplo sortimento a fim de atender gostos individuais e disponibilizar vendedores<br />
capacitados para fornecer informações e aconselhar os clientes.<br />
• Bens de Especialidade: são bens que possuem características e/ou identificação de marcas<br />
exclusivas, para as quais um grupo significativo de consumidores apresenta-se habitualmente<br />
disposto a fazer um esforço especial de compra. São exemplos, carros, artigos de luxo,<br />
equipamentos de som, de fotografia, etc. Estes bens não envolvem o comprador em<br />
comparações, pois eles mostram-se dispostos a procurar os revendedores que ofertam os<br />
produtos desejados.<br />
• Bens Não Procurados: são aqueles bens que o consumidor não possui nenhum<br />
conhecimento sobre eles, ou então, sabe pouco, mas que não pensam normalmente em<br />
comprá-los. Exemplos clássicos, seguros de vida, lotes em cemitérios, etc. Por não serem<br />
procurados, exigem esforços de marketing substancial na forma de propaganda e venda<br />
pessoal.<br />
Em relação ao uso, os bens industriais se classificam em termos de como entram no<br />
processo de produção e de seu custo relativo, como:<br />
• Matérias e Componentes: são os bens que entram na produção de um produto, classificados<br />
em duas classes: matérias-primas e produtos semi-acabados.<br />
• Bens de Capital: são bens de longa duração que facilitam o desenvolvimento ou<br />
administração de produtos acabados, classificados em instalações e equipamentos.<br />
• Suprimentos e serviços: bens de curta duração que facilitam o desenvolvimento ou<br />
administração do produto acabado.<br />
No ato de suas compras, a decisão de compra do cliente estará calcada no tipo de<br />
produto que ele pretende ou não comprar. Alguns produtos são adquiridos após um processo<br />
de reflexão e comparação, já outros, comprados por impulso, sem que o próprio cliente,<br />
muitas vezes perceba. Daí a importância do varejista compreender o comportamento do<br />
66
consumidor para saber adequar a estratégia correta para cada tipo de produto, de modo que o<br />
cliente, finalmente, concretize a compra.<br />
2.2.4 Tendências de consumo no varejo supermercadista<br />
Caracterizado como um setor extremamente dinâmico, de mudanças constantes, o<br />
varejo apresenta tendências que devem ser consideradas pelo varejista moderno no<br />
planejamento de suas estratégias competitivas. De acordo com Parente (2000), as<br />
tendências ajudam a prever o futuro e podem ser definidas como uma direção ou sequência<br />
de eventos que tem algum momento ou durabilidade e, em conseqüência, muitas<br />
oportunidades de mercado podem ser detectadas por meio da análise das<br />
tendências socioculturais que acabam influenciando o comportamento do<br />
consumidor.<br />
Las Casas e Barboza (2007, p. 33) alertam que:<br />
Grupos como Wal-Mart têm oferecido preços tão baixos que chega a provocar<br />
desconfianças em seus consumidores. Por outro lado, empresas como Sony, Nike e<br />
Apple têm criado verdadeiras butiques (com suas marcas) onde seus produtos são<br />
oferecidos e consumidos com preços altos. Mesmo que as preocupações presentes<br />
sejam muitas e mantenham qualquer administrador muito ocupado, é importante<br />
que o profissional esteja atento às tendências do futuro. Preparar-se para enfrentálas<br />
é a tônica do planejamento do administrador varejista. Portanto, analisar novas<br />
tendências é uma atividade necessária para o empresário moderno, principalmente<br />
no setor de varejo.<br />
Existem quatro pontos que se tornam imperativos para acompanhar as novas<br />
tendências do setor de varejo, considerando a visão de Las Casas e Barboza (2007):<br />
1) Entender o novo consumidor: Estudos mercadológicos comprovam as<br />
mudanças constantes nas decisões de compra feitas pelos consumidores relacionadas à idade,<br />
à renda, à instrução, aos sentimentos, aos pensamentos, aos valores, aos costumes, à família,<br />
ao estilo de vida, aos grupos de referências e à tecnologia. Tais fatores instigam as<br />
organizações a buscar entender de forma detalhada como, quando, onde, de que forma e por<br />
que os consumidores compram.<br />
Las Casas e Barboza (2007) argumentam que a tecnologia é a responsável por<br />
moldar este novo consumidor que no passado tinha um comportamento mais simples de se<br />
67
compreender. Por estar próximo dos locais de compras, suas decisões eram vistas, percebidas<br />
e analisadas, sem destacar, também, que as suas exigências eram outras, como também suas<br />
necessidades. Hoje, com o uso da internet criou-se um novo tipo de consumidor, o qual o<br />
setor varejista tem buscado atender, o consumidor on-line.<br />
Para o varejo, coube a melhor parte dessa mudança, de simples facilitador do<br />
processo de levar o produto ao consumidor final, passou a ter o poder de decidir o<br />
que e como deve ser levado: preço, local de exposição, destaque nas suas ações de<br />
comunicação e assim por diante. O novo consumidor, conforme artigo What<br />
Consumers want in the 1990, da revista Fortune, terá sua ação a partir do lar (LAS<br />
CASAS; BARBOSA, 2007, p.34).<br />
Este artigo citado por Las Casas e Barboza (2007), aponta diversas situações que<br />
presenciadas na atualidade e que continuam sendo tendência para os próximos anos. Nele são<br />
apresentadas cinco questões fundamentais para se entender o novo consumidor, conforme<br />
Quadro 04.<br />
LAR<br />
SAÚDE<br />
AMBIENTE<br />
QUALIDADE<br />
A evolução no setor da informática aliada às telecomunicações têm permitido ao consumidor<br />
atual, permanecer em casa, proporcionando relativa segurança e diversão. Ficou mais fácil e<br />
rápido consumir, pagar e se divertir pela rede, em alguns casos, mais econômico também. O<br />
mesmo comportamento já é encontrado nas organizações, compras, pagamentos, reuniões e<br />
videoconferências.<br />
A preocupação do consumidor será a saúde, a tendência de consumo passará a ser por produtos<br />
orgânicos, diet e light.<br />
Tanto indústrias quanto consumidores estarão preocupadas com a preservação do meio<br />
ambiente. O consumidor torna-se cada vez mais exigente, procura obter produtos que não<br />
ofereçam tanto risco à sua saúde e à natureza.<br />
O conceito em relação à qualidade tem mudado. Antes o produto caro significava ser de boa<br />
qualidade e também proporcionava status. O consumidor do futuro, por ter mais informação e<br />
conhecimento, optará pelo produto que tenha maior durabilidade.<br />
TEMPO Praticidade e rapidez, nas negociações, no atendimento e na entrega.<br />
Quadro 04: O Novo Consumidor.<br />
Fonte: Las Casas e Barboza (2007, p. 34).<br />
Este processo de conhecer a cada cliente de forma personalizada, gerando uma<br />
relação individual, é conhecido como CRM - Customer Relationship Management - que pode<br />
68
ser resumido por Las Casas e Barboza (2007, p. 35), como sendo o “conjunto de estratégias<br />
que permitem o relacionamento com os clientes de forma individual, conhecendo suas<br />
preferências, costumes, hábitos de consumo e comportamento”. Seu principal intuito é prover<br />
informações que apóiem as gerências e equipes em suas metas.<br />
No setor de supermercados, o Grupo Pão de Açúcar, por meio do seu CRM, em<br />
2004, implantou o seu cartão fidelidade, o Cartão Mais. Com esse cartão, é possível<br />
monitorar os hábitos de consumo dos clientes e tendências, quando e como ele<br />
gasta, quais os produtos mais consumidos pelas pessoas que o utilizam. Essa<br />
estratégia, além de traçar o perfil do consumidor, possibilita para a empresa<br />
fornecer o que ele precisa realmente. Outras empresas adotaram estratégias<br />
semelhantes, como o Carrefour também da área supermercadista, no setor de<br />
roupas, as lojas Marisa, Renner e C&A e, no de papelaria, a Kalunga (LAS<br />
CASAS; BARBOZA, 2007, p. 35).<br />
2) Criar uma proposta diferenciada: Cada vez mais o varejo tem apostado nos<br />
produtos de marca própria, que possuem o mesmo grau de qualidade e características<br />
positivas dos produtos classificados como “de marca”. Apoiando-se no prestígio do nome do<br />
varejista, na sua qualidade e em preços baixos, as mercadorias de marcas próprias têm<br />
crescido em quantidade e diversidade, ocupando cada vez mais espaço de prateleira nas<br />
gôndolas do auto-serviço.<br />
Las Casa e Barboza (2007, p. 36) mencionam que:<br />
No Brasil, o Comitê ABRAS de marcas próprias estimou que, no ano de 2006, o<br />
setor atingiu vendas no valor de R$ 8,1 bilhões, passando a representar 7% do<br />
faturamento do setor (perto de R$ 120 bilhões/ano). Somente em 2006, os itens que<br />
levam o nome dos supermercados tiveram crescimento recorde de 17% em<br />
comparação com o ano anterior. De acordo com o levantamento realizado pelo<br />
Instituto de Pesquisa Nielsen, com 500 empresas supermercadistas em todo o país,<br />
155 varejistas possuem algum produto de marca própria, ou seja, quase 1/3 oferece<br />
aos seus clientes mercadorias com o nome da empresa ou com uma marca<br />
exclusiva.<br />
Segundo estes mesmos autores, o consumidor brasileiro está adquirindo mais<br />
mercadorias que levam o nome da loja por causa da qualidade, do preço competitivo e, em<br />
especial, do alto investimento das empresas em produtos mais atrativos, tendência esta<br />
encontrada em especial, no segmento de supermercados como o Pão de Açúcar, o Carrefour e<br />
o Wal-Mart, mas também existente no ramo de construções, confecções, farmácias e<br />
drogarias. Hoje, para o setor varejista, a principal fonte de vantagem competitiva é a<br />
constituição de marcas próprias, conhecidas por construir fidelidade e assegurar um<br />
posicionamento sustentável.<br />
69
3) Explorar novas ferramentas e novas tecnologias: Para garantir o sucesso no<br />
varejo, é preciso adaptar-se aos desafios dos mercados dinâmicos, o que requer um estado<br />
permanente de melhoria desenvolvendo-se e utilizando-se os mais avançados meios<br />
tecnológicos e mercadológicos para conseguir satisfazer e atender às necessidades de seus<br />
consumidores e também para se reduzirem custos operacionais. Neste processo a tecnologia<br />
da informação desempenha uma função de evolução, pois proporciona para as organizações<br />
varejistas, a utilização de novos conceitos de administração de compras, estoques e<br />
distribuição.<br />
A utilização da tecnologia da informação na gestão de varejo iniciou na retaguarda<br />
das organizações, nos departamentos de finanças, recursos humanos, contabilidade, nos<br />
setores de compras e controle de estoque. Seguidamente o varejo passou para a automatização<br />
das frentes das lojas o que culminou com a introdução de tecnologias como: código de barras,<br />
leitura óptica (scanners), balanças eletrônicas, preenchimento de cheques, etiquetas<br />
eletrônicas nas prateleiras, transferência eletrônica de fundos, smatcard e outras tecnologias<br />
cujo objetivo principal era otimizar a passagem dos clientes pelos caixas.<br />
Os autores Las Casas e Barboza (2007, p. 37) destacam que:<br />
No artigo Supermercado no Limiar do Futuro, publicado na revista Superhiper, há<br />
uma observação de que a tecnologia da informação criará no futuro novas lojas de<br />
supermercados, em que o carrinho será eliminado, o cliente deverá estar conectado<br />
a redes telefônicas, televisores comuns e a microcomputadores pessoais, assim<br />
tendo acesso a listas de produtos dos supermercados, verificar preços, comentar<br />
sobre qualidade, com suas compras entregues em sua residência.<br />
Desta forma, as principais atividades que deverão fazer a diferença na gestão do<br />
varejo no futuro estarão ligadas a tecnologia direta ou indiretamente e cabe aos varejistas<br />
adaptarem-se para não se tornarem obsoletos perdendo mercado para os concorrentes.<br />
4) As limitações internas na orientação para a satisfação do cliente: O principal<br />
objetivo do marketing das organizações consiste em fidelizar e satisfazer as necessidades de<br />
seus clientes. Porém, a satisfação dos clientes não será possível se a equipe de colaboradores<br />
de uma empresa não trabalhar com motivação, pois é o colaborador interno que, por meio da<br />
sua forma de atender, trabalhar e produzir, trará o cliente externo para a organização. Daí a<br />
importância de implantar o marketing interno. Na verdade, este é um:<br />
[...] processo cujo foco é sintonizar e sincronizar, para implementar e<br />
operacionalizar a estrutura de marketing da empresa. Objetiva facilitar e realizar<br />
70
trocas construindo relacionamentos com o público interno, compartilhando os<br />
objetivos da empresa ou organização, harmonizando e fortalecendo tais relações.<br />
Sua função é integrar a noção de “cliente” nos processos internos da estrutura<br />
organizacional, propiciando melhoria da qualidade de produtos e serviços com<br />
produtividade pessoal e de processos (LAS CASAS; BARBOZA, 2007 p. 40).<br />
Em função da sofisticação tecnológica e mercadológica, os varejistas<br />
passam a necessitar de funcionários mais bem treinados e qualificados, elevando o<br />
nível de preparo e especialização dos profissionais desse segmento. Destaca-se<br />
também, a relevância de garantir com que os diferentes departamentos e funcionários da<br />
empresa, não apenas conheçam, mas fundamentalmente, compartilhem e defendam os valores<br />
e objetivos de satisfação do cliente da organização em que trabalham.<br />
Nasbitt (1983) e Popcorn (1994), já em décadas anteriores, identificaram<br />
tendências do varejo brasileiro - principalmente o varejo de alimentos – presentes e<br />
válidas na atualidade:<br />
• O movimento dos grandes varejistas aumenta a participação no<br />
volume dos negócios varejistas: seja através de incorporações por estratégia de<br />
atendimento com pequenas lojas ou por causa do investimento na expansão,<br />
baseada na aquisição de redes menores. Entretanto, essa tendência não caracteriza<br />
o fim dos substituídos (os supermercados regionais, mercados pequenos e<br />
mercearias), devido às características singulares do consumidor brasileiro, que tem<br />
hábitos e costumes que ainda privilegiam a pequena compra para repor apenas o<br />
essencial.<br />
• O aumento da concorrência: provocada pela globalização, ocasionou a<br />
abertura do mercado nacional a investimentos estrangeiros, propiciando a vinda de<br />
grandes grupos empresariais estrangeiros ao país, como a chegada do Grupo Wal-<br />
Mart e da rede Big, do grupo português Sonae. Para Kotler e Armstrong (1999), que<br />
também apontam tal tendência, isto torna mais difícil o aumento das participações<br />
de mercado.<br />
• Fortalecimento das marcas próprias: gerado pelo baixo poder de<br />
compra do consumidor. Os varejistas, estando em íntimo contato com o mercado<br />
consumidor, conhecem profundamente as suas necessidades/desejos e o<br />
comportamento de compra, especializando-se nas estratégias de relacionamento e<br />
atendimento; fabricantes que precisam alcançar seus objetivos de vendas e de<br />
produção “vendem” sua capacidade ociosa aos varejistas em forma de marca<br />
71
própria, fortalecendo, com isso, o papel estratégico do grande varejista que<br />
habilmente se coloca como “produtor” e intermediário no canal de<br />
marketing/distribuição.<br />
• Aumentam os novos formatos e composições varejistas com<br />
tendência para o varejo integrado: varejo integrado é aquele onde dois ou mais<br />
varejistas ocupam um mesmo local, apresentando novas combinações de lojas (tais<br />
como lojas de café, locadoras, lanchonetes, cabeleireiros e casas lotéricas, entre<br />
outras) dentro de hipermercados, o que pode reduzir o ciclo de vida das instituições<br />
mais tradicionais.<br />
• O aumento do sistema de auto-serviço leva os setores varejistas, que<br />
tradicionalmente operavam por meio de serviço de vendedores, a uma<br />
transformação para adotar este estilo: algumas empresas como supermercados<br />
já adotam um atendimento auto-caixa, sem a interferência do funcionário no “check-<br />
out”, ou seja, o cliente passa as compras e paga sozinho, sem a ajuda de um (a)<br />
caixa.<br />
• Maior atenção dos consumidores à saúde, à alimentação e ao<br />
condicionamento físico: a maioria dos hiper e supermercados, percebendo essa<br />
tendência, já disponibilizaram gôndolas e/ou corredores voltados ao público<br />
Diet/Light (Geração Saúde).<br />
• Preferência por centros de compras planejados (shopping centers):<br />
devido aos problemas de segurança e comodidade (conveniência e socialização), a<br />
maioria dos consumidores, principalmente as classes A, B e C dão preferência aos<br />
centros de compras planejados buscando satisfação e lazer.<br />
Outras tendências para o mercado varejista são destacadas em dois<br />
relatórios apresentados pela IBM- Business Consulting Services (BCS): The Retail<br />
Divide: Leadership in a World of Extremes e Consumer Products 2010: Executing to Lead in<br />
a World of Extremes (HSM, 2010). Os relatórios preveem a extinção dos varejistas de médio<br />
porte, devido a mudanças radicais, surgindo um “mundo de extremos”, no qual os varejistas<br />
deverão seguir o exemplo dos megavarejistas, que estão entregando um valor superior ao<br />
cliente a preços extremamente baixos, ou atuar em nichos de mercado exclusivos para<br />
satisfazer necessidades muito específicas dos consumidores. As empresas de produtos de<br />
consumo também deverão optar entre oferecer preços excepcionais ou criar produtos que<br />
provoquem apego emocional aos consumidores.<br />
72
Aspectos políticos e econômicos influenciam muito o comportamento do consumo e<br />
os resultados de negócios dos varejistas, determinando perspectivas para o setor. Paduan<br />
(2009) afirma que no ano de 2008, o crescimento do mercado interno caminhou junto com a<br />
aceleração dos investimentos das empresas e das exportações do país - e isso tornou possível<br />
o avanço do PIB acima de 5% em 2007 e em 2008. Desde a eclosão da crise, porém, o sinal<br />
mudou, pois muitos investimentos atingidos pela contração internacional do crédito e<br />
influenciados pela piora do cenário geral da economia, já foram postergados. As exportações, por<br />
sua vez, estão em franca desaceleração. Mas o consumo das famílias não necessariamente<br />
obedece à mesma lógica e pode ser a grande fonte de notícias positivas no Brasil.<br />
O consumo, responsável por 60% de toda a riqueza produzida no país, atingiu 1,8<br />
trilhão de reais em 2008, mesmo no pior cenário imaginado para o ano de 2009. Para Paduan<br />
(2009), a heterogeneidade setorial, é uma das marcas registradas de 2009 e dentre os setores<br />
com perspectiva mais positiva está o de supermercados e hipermercados. Essa disparidade de<br />
consumo para os diferentes setores é reflexo das reações do consumidor brasileiro diante do<br />
cenário mundial. Problemas como o desemprego, tornam o consumidor mais cauteloso em<br />
suas compras e uma das primeiras mudanças de hábito do consumidor é o corte de produtos<br />
supérfluos.<br />
Portanto, tende a sofrer menos quem produz bens e serviços considerados essenciais,<br />
como alimentos, remédios, artigos de higiene pessoal e de limpeza doméstica, conforme se<br />
verifica na Figura 04. Por isso que o setor de supermercados e hipermercados é considerado<br />
um dos líderes de crescimento em 2009, segundo as projeções da consultoria MCM<br />
(PADUAN, 2009). Entretanto, é preciso destacar que um produto considerado supérfluo por<br />
alguém pode ser essencial para outro.<br />
73
Figura 04: Projeções do Consumo por Setor e Produto.<br />
Fonte: Paduan (2009).<br />
Mudanças de comportamento do consumidor como essas acabam gerando uma<br />
espécie de redução na qualidade do consumo, porém, ele continuará fluindo. O importante<br />
para as empresas é posicionar-se a fim de aproveitar o máximo possível da parte do consumo<br />
que será mantida em cada setor e estar atentas às mudanças de hábitos dos consumidores.<br />
Paduan (2009) pontua que terão mais sucesso as organizações que detiverem<br />
conhecimento acerca de seus clientes e forem mais ágeis nas adaptações necessárias. Para<br />
Luiz Lazzarini, diretor do instituto de pesquisas de mercado Nielsen (PADUAN, 2009), além<br />
de considerar dados como emprego, renda e crédito, é preciso lembrar que o consumo nada<br />
mais é do que a concretização das necessidades e dos desejos das pessoas, uma vez que são<br />
essas necessidades e desejos que se transformam em pacotes de açúcar, pares de sapatos,<br />
carros ou frascos de perfume levados do varejo para casa.<br />
Hilário (2010) argumenta sobre as dificuldades na gestão dos supermercados, por<br />
estarem inseridos em um mercado dinâmico, que exige grande capacidade de observação,<br />
estudos de viabilidade e conhecimento global, para que a ação localizada seja a mais eficiente<br />
possível. Como tendência sugere algumas expressões que nortearão a elaboração do layout<br />
das lojas, cujas seções cada vez mais terão de ter vida própria: nichos, mundos ou universos,<br />
soluções de compra e “abaixo o paralelismo de gôndolas.”<br />
A criação de um universo, um mundo dentro da loja exige seções com acurado<br />
gerenciamento por categoria e ambientação que lhes confira identidade, fazendo delas<br />
verdadeiras lojas dentro de loja. Entretanto, não é fácil realizar o conceito, embora algumas<br />
74
empresas estejam à frente nesse sentido e demonstrem avanços significativos. Exige-se que<br />
cada ambiente do supermercado transmita ao cliente a sensação adequada; por exemplo, a<br />
padaria deve oferecer um ambiente e sortimento que não deixe a desejar às mais modernas<br />
padarias, assim como a seção de eletroeletrônicos precisa transmitir ao cliente a impressão de<br />
que ele está numa loja especializada. “O desafio é reproduzir isso em todas as seções,<br />
tornando-as, cada qual, agradável ao seu modo” (HILÁRIO, 2010).<br />
A essência dos supermercados são os produtos, por isso, é importante que toda a<br />
iniciativa, da comunicação visual, escolha de gôndolas, layout e até iluminação se destinem<br />
apenas a um propósito: revelar os melhores atributos do produto (HILÁRIO, 2010). A seleção<br />
dos produtos deve ser criteriosa, a maneira como são expostos nas gôndolas e a boa<br />
iluminação, leva às vezes os clientes a desprezarem o fato de o chão ter remendos e<br />
imperfeições típicos de um chão-de-fábrica. Esse cuidado em cada uma das seções,<br />
respeitando as respectivas peculiaridades, é indispensável para a criação de um todo<br />
diferenciado e bem-sucedido nos hipermercados.<br />
Impera hoje a mesmice nos layouts dos supermercados brasileiros, causada,<br />
sobretudo, por causa do paralelismo das gôndolas. Hilário (2010), menciona que não existem<br />
regras predefinidas para o desenho de um layout, é preciso inovar, fugir do convencional,<br />
sempre respeitando os hábitos de consumo dos clientes da loja e acompanhando as<br />
transformações pelas quais passam esses hábitos. A rede Pão de Açúcar, por exemplo, traz<br />
novos conceitos em termos de layout - dispôs as gôndolas diagonalmente, oferecendo ao<br />
cliente, assim que entra na unidade, um cenário mais colorido. As próprias embalagens de<br />
produtos de limpeza, higiene e beleza e outros, participam do colorido da loja logo à primeira<br />
vista do cliente.<br />
Outra tendência apontada por Ascar (apud HILÁRIO, 2010), consultor de varejo da<br />
Abras, está relacionada ao bazar, que deve funcionar como eixo integrador das demais seções,<br />
ocupando, assim, o centro da loja. Por estar ligado a todos os tipos de alimentos, por meio dos<br />
utensílios de cozinha, o bazar é uma seção que cumpre papel importante no processo de fazer<br />
dos supermercados uma verdadeira solução integrada de consumo. Além disso, há categorias<br />
com alto valor agregado e cuja venda por impulso é a principal característica. Entretanto, a<br />
seção de bazar e seus produtos não são aproveitados pelos supermercados.<br />
75
Nascido em meio à crise de 1929 nos EUA, o autosserviço buscou a redução de<br />
custo priorizando produtos mais baratos e cortando serviços. Hoje, mais de 70 anos depois,<br />
volta às suas origens, agregando a experiência obtida e prepara o seu futuro com muita oferta<br />
de serviços (HILÁRIO, 2010). Atualmente, pode-se encontrar de tudo em supermercados:<br />
correspondente bancário, recarga de celular, restaurante, floricultura com arranjos feitos sob<br />
encomenda, agências bancárias, lan house, entrega em domicílio, atendimento especializado<br />
por seção, etc. A razão é simples e pode ser condensada numa palavra: conveniência.<br />
Lima (apud HILÁRIO, 2010), consultor de inovação, conceito e mercadoria do<br />
Grupo Pão de Açúcar, cita o restaurante, como o serviço que mais adesão tem tido dos<br />
supermercados, até como forma de limitar a concorrência, considerável, do food service que<br />
há bem pouco tempo ganhava terreno na disputa com o setor pela venda de alimentos. As<br />
rotisserias como verdadeiros restaurantes dentro das lojas fazem parte do processo de<br />
transformação dos supermercados em centros de soluções em alimentos. Além de poder<br />
comprar produtos alimentícios de qualidade para levar para casa, o consumidor quer ter a<br />
opção de comer fora e num lugar agradável, principalmente hoje, em tempos de correria.<br />
Os supermercados perceberam isso e agregam esse serviço, entretanto, essa ‘seção’<br />
não pode deixar a desejar aos restaurantes convencionais, assim como as demais, precisam se<br />
integrar ao restante da loja. Dessa forma, quando o principal objetivo na concepção de layouts<br />
é fazer da loja uma grande solução de compra em alimentos — dispondo os produtos de<br />
forma que os clientes possam imaginá-los como pratos prontos, antes mesmo de saírem das<br />
gôndolas - a rotisseria transforma-se em importante fator não apenas de acréscimo de receita,<br />
mas ainda, de ambientação.<br />
Em supermercados destinados ao público de maior poder aquisitivo, os serviços<br />
também são boa alternativa de diferenciação. Existem lojas, por exemplo, com terminais de<br />
leitura ótica na adega da loja que informam a procedência do vinho, suas principais<br />
características e o tipo de comida com que combinam; no hortifrutigranjeiro, há balanças que<br />
fornecem ao consumidor informações semelhantes sobre os produtos; carrinho com sistema<br />
de registro de preços que antecipa o que seria feito no check-out, conferindo maior agilidade.<br />
Esses atributos são considerados exclusividade de lojas mais sofisticadas, mas não deixam de<br />
apontar para tendências cuja adesão maciça possa popularizá-los, tornando-se uma<br />
característica elementar dos supermercados do futuro.<br />
76
Multifacetados, os supermercados adaptam seus tamanhos às mudanças<br />
socioeconômicas e assumem novos papéis na “cena” comercial das pequenas, médias e<br />
grandes cidades, indo de coadjuvantes a protagonistas, conforme a demanda do consumidor<br />
(HILÁRIO, 2010). O ganho de eficiência e o fim das compras concentradas num dado<br />
período do mês — uma característica do período inflacionário — fazem com que os<br />
supermercados e hipermercados não precisem ser tão grandes quanto já foram em épocas<br />
anteriores.<br />
Diante de todas as tendências que surgem no segmento varejista e, especificamente<br />
nos supermercados, é notória a exigência de mudanças contínuas no setor. A empresa que não<br />
direcionar esforços para adaptar seus processos, estruturas, atividades e recursos em prol do<br />
mercado consumidor e suas novas necessidades, não conseguirá sobreviver por muito tempo.<br />
Por isso, a gestão supermercadista deve ser dinâmica a fim de evoluir no mercado<br />
competitivo, através de estratégias diferenciadas, elaboradas com base numa visão de futuro.<br />
2.3 Varejo Supermercadista<br />
Com seis décadas de implantação no Brasil, o supermercado tornou-se um segmento<br />
essencial à economia, presente em praticamente todos os municípios do país. É considerado<br />
elemento indissociável do modo de vida e das preocupações de qualquer consumidor. Assim,<br />
é pertinente descrever a evolução deste setor tão importante, bem como, caracterizar seus<br />
formatos de loja.<br />
2.3.1 A evolução dos supermercados no Brasil<br />
O auto-serviço surgiu nos Estados Unidos, na década de 30, quando Michael Cullen<br />
criou o primeiro supermercado em decorrência das grandes consequências da depressão<br />
econômica. Diante do contexto estabelecido, com elevada inflação, desemprego a níveis<br />
alarmantes e clima de crise social, criou-se condições consideradas favoráveis para o<br />
surgimento de novos sistemas operacionais na comercialização de alimentos a fim de<br />
77
eduzirem-se custos de pessoal, e, portanto, os preços finais. Cullen, diante das dificuldades<br />
da recessão econômica, removeu o balcão de sua mercearia, dispondo os produtos de modo<br />
que facilitasse o acesso direto dos clientes (KASPER, 1981).<br />
Estes sistemas operacionais iniciaram com a simples transferência ao consumidor,<br />
de algumas tarefas que até então, eram executadas pelos balconistas, o que originou o<br />
denominado auto-serviço, conhecido pelos americanos como “self-service”, como destaca<br />
Kasper (1981). Este novo sistema foi gradativamente sendo aceito pelos consumidores e, após<br />
o sucesso conquistado nos EUA, foi galgando mercado na Europa, Japão e, posteriormente,<br />
nos países menos desenvolvidos.<br />
Kasper (1981) relata que no Brasil os supermercados iniciaram suas atividades em<br />
1953. A primeira experiência registrada nasceu em São Paulo, como iniciativa dos<br />
empresários Fernando Pacheco de Castro e Raul Borges que, após a inauguração da loja<br />
foram detidos pela polícia, com base na lei que proibia a venda de alimentos e produtos de<br />
limpeza em um mesmo estabelecimento comercial. Outra curiosidade da época está<br />
relacionada ao comportamento apresentado pelos consumidores: ficavam desconfiados e<br />
temerosos ao entrar nos supermercados, imaginando que neste tipo de loja as compras<br />
deveriam ser em grandes quantidades a ponto de encher o carrinho, pensavam que os clientes<br />
deveriam estar bem vestidos e que, não seria coerente ficar mexendo nas mercadorias<br />
expostas. Tudo isso visto como um processo natural dos indivíduos perante uma novidade até<br />
então desconhecida.<br />
Foi a base heróica do aprendizado, do desenvolvimento da tecnologia brasileira do<br />
auto-serviço, combinando o que havia de novidade nos Estados Unidos e na Europa<br />
às nossas características urbanas e aos nossos costumes. O modelo se impôs, com a<br />
adesão de muitas empresas, principalmente as que já operavam com mercadoria ou<br />
atacado (KASPER, 1991, p. VI).<br />
Desde então, a importância dos supermercados tem representado um crescimento<br />
contínuo quanto à distribuição dos gêneros alimentícios no Brasil. Rojo (1998a) destaca que<br />
na década de 70, ocorreu o expressivo crescimento dos supermercados, decorrente do I Plano<br />
Nacional de Desenvolvimento, 1972-1974, o qual incorporou entre suas metas, para a área de<br />
abastecimento, a expansão das redes supermercadistas, que passaram de 26% de participação<br />
na distribuição de alimentos para 86% em 1997.<br />
Os anos 80 foram caracterizados por grandes obstáculos provocados por planos<br />
governamentais que colocaram o setor em dificuldades, inclusive relacionadas à imagem<br />
78
junto aos consumidores. Como conseqüência, ocorreu a minimização da rentabilidade do<br />
setor, dificultando as relações com os fornecedores e, o aumento da concorrência predatória, o<br />
que provocou muitos problemas financeiros neste período.<br />
Com um clima de incerteza e recessão, o início da década de 90, foi marcado pela<br />
palavra de ordem: enxugar as estruturas. Os supermercados então, adotaram ações de redução<br />
de custos e aumento da produtividade e eficiência, a fim de combater a concorrência, cada vez<br />
mais forte e agressiva. Neste período a ênfase nos serviços era crescente, mas a sensibilidade<br />
a preços era forte e pressionava a rentabilidade do setor.<br />
No período inflacionário os varejistas obtinham seus ganhos financeiros mais<br />
elevados trabalhando o rápido giro de estoque em relação aos prazos de pagamento. Com a<br />
eficiente remarcação quase diária dos preços, a viabilização dos resultados encobria<br />
ineficiências nas operações administrativas das lojas. Com advento do Plano Real em julho de<br />
1994, a estabilidade econômica e o baixo índice inflacionário alcançado promoveram mais<br />
algumas mudanças características do setor, gerando um aumento na competitividade e<br />
impelindo os supermercadistas a buscarem maior eficiência administrativa para seus<br />
estabelecimentos.<br />
Nogueira (apud ROJO, 1998a, p.12) previu essa mudança, ao ressaltar que numa<br />
situação econômica de estabilidade, com preços relativos alinhados sem as enormes<br />
diferenças ditadas pelo descontrole inflacionário, é necessário primeiramente controlar os<br />
custos do negócio. Quanto menores forem os gastos da operação, maior será a capacidade de<br />
competição, a garantia de lucratividade. Uma questão fundamental é que a busca de redução<br />
de custos e maior eficiência não pode prejudicar a qualidade da operação, desde o sortimento<br />
até o relacionamento com os consumidores.<br />
Assim, os supermercados tiveram que enfrentar uma nova realidade na gestão de<br />
seus negócios a partir do Plano Real. Posteriormente, com a inserção do plano e a resultante<br />
estabilização da economia, houve um acirramento da concorrência, o volume de vendas<br />
cresceu, enquanto as margens de lucro foram pressionadas para baixo, o que levou as<br />
empresas a perseguirem vantagens competitivas por meio de serviços melhores e a busca<br />
incessante por excelência administrativa.<br />
O segmento supermercadista está sendo obrigado hoje a repensar o seu negócio,<br />
realizando ajustes em busca de um modelo mais eficiente operacionalmente, e que não<br />
79
prejudique a satisfação dos consumidores. Aliás, este é outro fator preponderante que marca a<br />
década atual, a organização que desejar continuar no mercado terá de ser capaz de assimilar as<br />
mudanças comportamentais do consumidor e atender às suas crescentes exigências.<br />
As modificações do ambiente macroeconômico influenciaram o comportamento do<br />
consumidor e a demanda por alimentos, atraindo inúmeras novas empresas nacionais e<br />
estrangeiras. As empresas estão investindo em lojas com menor área de venda, inaugurando<br />
filiais e contratando funcionários, o que é muito importante sendo o Brasil, um país em que o<br />
nível de desemprego é ainda tão elevado.<br />
Dados da ABRAS - Associação Brasileira de Supermercados (2010), divulgados em<br />
janeiro de 2010, apontam o desempenho de vendas do setor em 2009. As vendas acumuladas<br />
do setor supermercadista cresceram em valores reais 5,51% no ano de 2009 no comparativo<br />
com o total de vendas de 2008. Este resultado é considerado muito positivo pelo diretor da<br />
associação, Sussumu Honda, caracterizado pelo reflexo do aumento da renda e da oferta de<br />
empregos no país. A ABRAS aponta dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia<br />
e Estatística (IBGE), mencionando que o desemprego registrou em dezembro sua quarta<br />
queda mensal consecutiva e chegou a 6,8%.<br />
O bom desempenho apresentado pelo setor é motivado, sobretudo pelas cestas de<br />
perecíveis e bebidas alcoólicas (ABRAS, 2010). As bebidas alcoólicas, que respondem por<br />
9,4% do faturamento dos supermercados, apresentaram expansão de 8,6% nas vendas. A cesta<br />
de perecíveis teve incremento de 7,2% em 2009. Este resultado positivo é um indicador da<br />
renda da população. Já em 2008, essa cesta apresentou queda de -0,3% devido à alta dos<br />
preços. Em 2009, os produtos que apresentaram maior crescimento em volume vendido<br />
foram: bebida energética (69,6%); molho de tomate refogado (14,3%) e leite em pó (11,4%).<br />
Em contrapartida, os produtos que apresentaram maior queda foram uísque (-8,9%); suco de<br />
frutas concentrado (-8,6%) e inseticida (-8,2%).<br />
Por fim, as expectativas futuras, são otimistas e posicionam as empresas<br />
supermercadistas, como organizações de provável crescimento e expansão. É preciso, porém,<br />
estar atento às contingências ambientais, às ações e entradas de novos concorrentes e,<br />
principalmente, às mudanças de comportamento apresentadas pelos consumidores.<br />
80
2.3.2 Varejo de loja: os supermercados<br />
O varejo de loja apresenta-se em várias formas e tamanhos, podendo ser classificado<br />
de acordo com uma ou mais características apontadas por Kotler e Armstrong (1999): volume<br />
de serviços, linha de produtos, preços relativos, controle de ponto de venda e tipo de<br />
agrupamento de loja.<br />
Quanto ao volume de serviços, estes variam de acordo com o tipo de produtos<br />
comercializados, tendo-se três níveis: o auto-serviço, o serviço limitado; e, o serviço pleno.<br />
Destaca-se para fins deste estudo o auto-serviço, em que os consumidores se dispõem a<br />
realizar seu próprio processo de localizar, comparar e selecionar os produtos, para economizar<br />
seu dinheiro.<br />
Rojo (1998a) expõe a classificação adotada pelo Instituto de Pesquisa Nielsen,<br />
considerada uma das mais amplamente utilizadas no setor, que classifica as lojas que<br />
comercializam alimentos em: auto-serviço e tradicionais. O auto-serviço constitui lojas que,<br />
além de serem consideradas como alimentares, assume uma característica essencial, o check-<br />
out – balcão na saída da loja, contendo caixa registradora, terminal de ponto-de-venda (PDV),<br />
máquina de calcular, e/ou outras máquinas e equipamentos que permitem a soma e<br />
conferencia das compras. Possuem ainda, carrinhos e cestas à disposição dos clientes. Nestas<br />
lojas, os produtos são dispostos de modo acessível, o que permite aos consumidores se auto-<br />
servirem. As lojas tradicionais são aquelas onde é necessária a presença do vendedor ou<br />
balconista para auxiliar o cliente no ato de suas compras.<br />
Em relação à variedade da linha de produtos os varejistas podem ser: lojas de<br />
especialidades, lojas de departamentos, supermercados, lojas de conveniência, superlojas e os<br />
negócios de serviços. Os supermercados caracterizam-se como sendo “grandes lojas de baixo<br />
custo, pequena margem de lucro, elevado volume e auto-serviço, que oferecem uma ampla<br />
variedade de produtos alimentícios, produtos de limpeza e de uso doméstico” (KOTLER;<br />
ARMSTRONG, 1999. p. 298). Levy e Weitz (2000) relatam que anteriormente a 1930, as<br />
pessoas compravam alimentos nas mercearias – pequenos mercados de vizinhança<br />
administrados e operados por familiares. Estas lojas foram substituídas por grandes<br />
supermercados de auto-atendimento que oferecem preços consideravelmente baixos.<br />
A ABRAS classifica o setor supermercadista como:<br />
81
A) Supermercado convencional: é o estabelecimento com área de vendas superior a 300<br />
metros quadrados, de três a quarenta check-outs e faturamento bruto de 1 milhão de dólares<br />
por ano.<br />
B) Hipermercado: é o estabelecimento que possui uma área de vendas superior a 5 mil<br />
metros quadrados, mas de quarenta check-outs e um faturamento bruto mínimo de 12 milhões<br />
de dólares por ano.<br />
C) Loja de Conveniência: é uma loja que tem uma área de vendas de até 300 metros<br />
quadrados, até três check-outs e faturamento bruto acima de 500 mil dólares ao ano, e que<br />
oferece horário de atendimento ampliado.<br />
D) Loja de sortimento limitado: é o estabelecimento com uma área de vendas de mais de<br />
300 mil metros quadrados, com mais de três check-outs e faturamento anual mínimo de 500<br />
mil dólares. Caracteriza-se por adotar preços mais baixos em relação a outros tipos de lojas.<br />
Os primeiros supermercados foram os precursores do conceito de auto-serviço, e<br />
lançados na década de 30, desenvolveram-se de forma rápida. Muitas mudanças sociais<br />
ocorridas ao longo dos anos permitem que consumidores possam se deslocar com mais<br />
facilidade, fazendo com que não comprem mais somente pela distância e conveniência. Na<br />
verdade, eles têm mais informações e isso diminuiu a necessidade de assistência por parte dos<br />
empregados das lojas, quando tomam suas decisões de compra.<br />
Porém, atualmente, em função do crescimento lento da população, do aumento da<br />
concorrência e do hábito das pessoas de comer “fora de casa”, eles têm suas vendas afetadas.<br />
Isso determinou a necessidade de novas estratégias para superar a crise e aumentar a margem<br />
de lucros, incluindo a diminuição do número de lojas por cadeia, e a prática do merchandising<br />
mesclado, em que se vendem muitas mercadorias que não são alimentos, como produtos de<br />
beleza, eletrônicos, produtos esportivos, ferramentas e outros.<br />
Kotler e Armstrong (1999, p. 298) afirmam,<br />
Para atrair mais consumidores, as grandes cadeias estão começando a planejar suas<br />
lojas conforme bairros específicos em que elas se localizam. Estão ajustando o<br />
tamanho das lojas, o sortimento dos produtos, os preços e as promoções às<br />
necessidades econômicas e étnicas dos mercados locais.<br />
82
Os supermercados têm investido nas instalações, com melhorias na localização, na<br />
decoração, no aumento das horas de atendimento, entregas em domicílio, playground para as<br />
crianças, etc. Tudo isso com o objetivo de atrair mais consumidores, que atualmente, estão<br />
mais sofisticados desejando muito mais que bons preços, caixas rápidos e localização<br />
conveniente. Em decorrência, supermercados estão inaugurando seções de alimentos<br />
refinados, peixarias, outros, baixam seus preços para concorrer com lojas de descontos. É o<br />
setor supermercadista buscando adaptar-se as exigências que surgem e que demandam o<br />
entendimento pleno do comportamento do consumidor.<br />
2.4 Comportamento do Consumidor<br />
“Consumidores são pessoas que compram bens e serviços para si mesmas ou para<br />
outros” (CHURCHILL; PETER, 2000, p. 146). Garantir a oferta de valor para os<br />
consumidores e, simultaneamente, lucratividade para as organizações, exige que os<br />
profissionais de marketing entendam como, por que e onde os consumidores preferem realizar<br />
suas compras.<br />
Para obter esse entendimento é preciso estudar o comportamento dos consumidores,<br />
ou seja, seus pensamentos, sentimentos e ações, bem como, as influências sobre eles, as quais<br />
determinam mudanças. Este estudo, conforme Churchill e Peter (2000), está no centro do<br />
processo de compra do consumidor, que “é uma espécie de mapa da mente do consumidor,<br />
que permite entender como ele toma decisões e por que escolhe determinado fornecedor”<br />
(BLACKWELL, 2003, p. 54). Quando as forças sociais: individuais, ambientais e<br />
psicológicas, são levadas em consideração, fazem os indivíduos comprar segundo<br />
determinados padrões, descritos como o processo de decisão de compra.<br />
2.4.1 O comportamento do consumidor<br />
Conheça o novo consumidor. E sorria quando o fizer – porque ele é o seu<br />
chefe. Pode não ser a pessoa que você pensava conhecer. Em vez de<br />
escolher dentre o que você tem a oferecer, o novo consumidor lhe diz o<br />
83
que ele quer. Você que descubra como fornecê-lo (ENGEL; BLACKWELL;<br />
MINIARD, 2000, p. 8).<br />
Frente à dinâmica de contínuas transformações, torna-se imprescindível às<br />
organizações investigar o comportamento do consumidor, procurando identificar o<br />
que eles necessitam e desejam, bem como o modo que tomam suas decisões de<br />
comprar e utilizam produtos/serviços. O campo de estudo do comportamento do<br />
consumidor é de interesse dos estudiosos do comportamento humano, dos próprios<br />
consumidores e das empresas em geral (SCHIFFMAN; KANUK, 2000).<br />
Os estudiosos do comportamento humano estão preocupados em entender<br />
o comportamento do consumidor no sentido de adquirir percepções sobre por que os<br />
indivíduos agem de determinados modos em relação ao consumo e ao aprendizado<br />
acerca das influências internas e externas que os impelem a agir da forma como<br />
agem. O consumidor se beneficia de percepções acerca das próprias decisões de<br />
consumo: o que compra, por que compra, como compra e as influências<br />
promocionais mais persuasivas, tudo isso, o habilita a ser um consumidor melhor, ou<br />
seja, mais sábio.<br />
Para as empresas é fundamental, no reconhecimento de porque e como os<br />
indivíduos tomam suas decisões de consumo, a fim de que se possam elaborar<br />
melhores estratégias de marketing. Solomon (2002, p. 25), neste aspecto questiona:<br />
“por que administradores, publicitários e outros profissionais de marketing deveriam<br />
se dar o trabalho de aprender sobre o comportamento do consumidor? Muito<br />
simples: entender o comportamento do consumidor é um bom negócio.” O autor<br />
relembra que o conceito básico do marketing é a existência das empresas para a<br />
satisfação das necessidades dos consumidores. E, tais necessidades só poderão<br />
ser satisfeitas quando os profissionais buscarem compreender as pessoas ou<br />
organizações que usarão os produtos/serviços que estão tentando vender.<br />
Este desejo de entender o comportamento do consumidor em relação ao<br />
consumo fez surgir várias abordagens teóricas para estudá-lo, o que o torna um<br />
campo de estudo interdisciplinar. O campo da disciplina do comportamento do<br />
consumidor recebeu reconhecimento no final de 1950 e início dos anos 60, sem uma<br />
história e sem um corpo de pesquisa próprio, o que a fez utilizar conceitos de outras<br />
disciplinas científicas como a psicologia (estudo do indivíduo), a sociologia (estudo<br />
84
dos grupos), a psicologia social (estudo de como um indivíduo age em grupo),<br />
antropologia (a influência da sociedade no indivíduo) e a economia, utilizada por<br />
teorias mais antigas do comportamento do consumidor (indivíduos agem<br />
racionalmente para maximizar suas satisfações ao realizarem compras)<br />
(SCHIFFMAN; KANUK, 2000).<br />
A pesquisa do consumidor é a metodologia usada para estudar o<br />
comportamento do consumidor. Quando esta pesquisa é planejada para prever o<br />
comportamento do consumidor é chamada de positivismo; já quando é planejada<br />
para entender o comportamento de consumo é chamada de interpretativismo.<br />
Schiffman e Kanuk (2000) relatam que os gerentes de marketing, adeptos do<br />
positivismo, tinham o intuito de prever o comportamento do consumidor para então,<br />
poder influenciá-lo. O interpretativismo ou pós-modernismo é o estudo daqueles que<br />
se interessaram pelo comportamento do consumidor não apenas pela perspectiva<br />
gerencial, mas simplesmente para entender melhor o consumidor e os significados<br />
por trás desse comportamento. Os interpretativistas expandiram suas fronteiras de<br />
estudo, incluindo muitos aspectos subjetivos do comportamento do consumidor,<br />
como: efeitos do estado de espírito, emoções e tipos de situações de<br />
comportamento, os papéis da fantasia, dos rituais e, até dos prazeres sensoriais que<br />
certos produtos e serviços oferecem (SCHIFFMAN; KANUK, 2000). Mesmo sendo<br />
aparentemente distinta, cada uma dessas duas abordagens, podem ser vistas como<br />
complemento da outra.<br />
A teoria de ciência do comportamento e a pesquisa tiveram impulso real<br />
durante a Segunda Guerra Mundial (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Na<br />
época de pré-guerra, durante a década de 1920, a demanda por produtos de<br />
consumo na maioria das indústrias ultrapassou a oferta e a produção enfrentou seu<br />
maior desafio - aumentar a produção e a produtividade. Entretanto, no período pós-<br />
guerra a situação mudou de forma drástica, o que gerou uma intensificação da<br />
competição pelo mercado.<br />
A capacidade produtiva rapidamente ultrapassou, em muito a demanda, e<br />
os fornecedores não tiveram outra escolha senão adotar o conceito de<br />
marketing. Além disso, as ciências do comportamento rapidamente<br />
deslocaram-se para o palco central de uma sociedade em mudança<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 11).<br />
85
Isso fez com que as organizações percebessem que não poderiam mais<br />
garantir vantagem competitiva apenas com o aumento da produção e da<br />
produtividade, era preciso adotar o conceito de marketing. Nasce então, a pesquisa<br />
do consumidor, uma vez que a adoção ampla do marketing e o seu desenvolvimento<br />
– da orientação para a produção, para o produto, para as vendas e para o marketing<br />
- pelas empresas gerou o estímulo para se estudar o comportamento do consumidor<br />
(SCHIFFMAN; KANUK, 2000).<br />
O comportamento do consumidor surgiu, como um campo distinto de<br />
estudo, nos anos 60, sofrendo influência de pesquisadores como Newman, Katona,<br />
Ferber, Howard e Engel, que visavam a identificar as variáveis que rodeiam o<br />
consumidor, bem como as suas atitudes inconstantes perante diferentes produtos<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Com o passar dos anos as ciências<br />
comportamentais tornaram-se moda nas faculdades de Administração, ganhando<br />
reconhecimento e credibilidade.<br />
Atualmente, os profissionais de marketing, para manterem a competitividade<br />
das organizações, vêm dedicando esforços no pleno entendimento dos clientes, das<br />
suas necessidades e desejos, das motivações e, por fim, o seu comportamento de<br />
compra. Nesse contexto, dentre as áreas de conhecimento da disciplina de<br />
marketing mais relevantes, destaca-se o comportamento do consumidor.<br />
O comportamento do consumidor é definido por Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000, p. 4), como as “atividades diretamente envolvidas em obter, consumir e<br />
dispor produtos e serviços, incluindo os processos decisórios que antecedem e<br />
sucedem estas ações.” Na realidade, trata-se do estudo do processo vivido pelos<br />
indivíduos ao tomarem decisões de empregar seus recursos em itens relacionados<br />
ao consumo. “É o estudo dos processos envolvidos quando indivíduos ou grupo,<br />
selecionam, compram, usam ou dispõem de produtos, serviços, idéias ou<br />
experiências para satisfazer necessidades e desejos” (SOLOMON, 2002, p. 24).<br />
Compreender o comportamento das pessoas é uma tarefa que desafia os profissionais<br />
de marketing, que direcionam seus esforços na compreensão das “ações que levam uma<br />
pessoa a fazer uma compra e usar produtos e serviços incluindo os processos mentais e sociais<br />
que precedem e se seguem a essas ações” (BERKOWITZ et al, 2003, p. 154). Boone e Kurtz<br />
86
(2009), trazem uma visão mais ampla que as tradicionais, as quais são mais centradas no<br />
comprador e seus antecedentes e as consequências imediatas do processo de compra. Estes<br />
autores examinam influências mais indiretas sobre as decisões de consumo, bem como, as<br />
consequências de longo alcance que envolvem mais do que simplesmente comprador e<br />
vendedor:<br />
Envolve o estudo de indivíduos, grupos ou organizações e o processo que eles usam<br />
para selecionar, obter, usar e dispor de produtos, serviços, experiências ou idéias<br />
para satisfazer necessidades e o impacto que esses processos têm sobre o<br />
consumidor e a sociedade (BOONE; KURTZ, 2009, p. 4).<br />
O estudo do comportamento do consumidor pode, assim, ser considerado complexo,<br />
uma vez que envolve as especificidades e idiossincrasias dos clientes. Como descrevem<br />
Schiffman e Kanuk (2000), engloba o estudo de o que as pessoas compram, por que<br />
compram, quando compram, onde compram, com que frequência compram e com que<br />
frequência usam o que compram.<br />
Trata-se, portanto, de um campo de pesquisa fundamental às estratégias de<br />
marketing das organizações contemporâneas. Os consumidores possuem hoje, muitas opções<br />
de compra e serão mais influenciados por aquelas organizações preocupadas em entender e<br />
satisfazer seus anseios e desejos, focando nos atributos considerados por eles mais relevantes<br />
no processo de decisão de compra. Como ressalta Parente (2000), o comportamento do<br />
consumidor deve ser um tema prioritário entre estrategistas do varejo, pois conseguir<br />
conquistar e satisfazer o consumidor é o propósito máximo de qualquer varejista.<br />
2.4.2 Os processos decisórios do consumidor<br />
Os consumidores na sua rotina diária tomam uma série de decisões relativas a cada<br />
aspecto da sua vida. Neste processo não costumam parar para pensar em como as tomam e o<br />
que está envolvido no próprio processo de decisão de compra. Schiffman e Kanuk (2000, p.<br />
394) definem decisão como “a escolha de uma opção entre duas ou mais alternativas.” Esse<br />
conceito pressupõe que exista mais de uma alternativa possível, entretanto, se o consumidor<br />
não tem alternativas a escolher, ele é forçado a fazer determinada compra o que não se<br />
constitui numa decisão. Essa simples “não-escolha” é chamada de escolha de Hobson e sua<br />
87
existência é rara, afinal, existem muitas opções em função da concorrência instaurada no<br />
mercado (SCHIFFMAN; KANUK, 2000).<br />
Algumas decisões de consumo estão inter-relacionadas, dentre elas Engel,<br />
Blackwell e Miniard (2000, p. 91) citam:<br />
• Opções de compra:<br />
- Se comprar ou economizar;<br />
- Quando comprar;<br />
- O que comprar, tanto a categoria de produto como a marca;<br />
- Onde comprar;<br />
- Como pagar.<br />
• Opções de consumo:<br />
- Se consome ou não;<br />
- Quando consumir;<br />
- Como consumir.<br />
• Opções de descarte:<br />
- Descarte sumário;<br />
- Reciclagem;<br />
- Revenda de itens usados.<br />
Muitas vezes ao tomar uma decisão, a solução de problemas do consumidor envolve,<br />
ponderação e avaliação cuidadosa dos atributos utilitários ou funcionais do produto, sendo<br />
usado neste caso, o termo tomada de decisão racional (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD,<br />
2000). Em outros momentos os benefícios hedonistas (orientados emocionalmente) serão<br />
dominantes, e o objeto de consumo é visto simbolicamente em termos de prazeres sensoriais,<br />
dias de sonho e considerações estéticas. Para Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 92)<br />
“comprar e consumir, geralmente, refletem uma combinação de ambos, benefícios utilitários e<br />
hedonistas.”<br />
Schiffman e Kanuk (2000) examinam a tomada de decisão do consumidor no contexto<br />
de todos os tipos de escolhas de consumo. Os autores consideram quatro perspectivas de<br />
pensamento que encaram o processo de decisão de maneiras distintas e, em função dessas quatro<br />
visões, definem modelos de consumidores: visão econômica, visão passiva, visão cognitiva e;<br />
visão emocional.<br />
88
A visão econômica caracteriza o consumidor como um tomador de decisões<br />
puramente racionais. No seu oposto está a visão passiva, a qual mostra o indivíduo como<br />
submisso aos interesses e esforços promocionais do marketing, sendo percebido, portanto,<br />
como um comprador impulsivo e irracional. A perspectiva seguinte, denominada visão<br />
cognitiva, coloca o consumidor como um solucionador pensante de problemas, ou um<br />
processador de informações. Este modelo enfoca os processos pelos quais os consumidores<br />
procuram e avaliam a informação sobre marcas selecionadas e lojas de varejo. E, por fim, a<br />
quarta e última é a visão emocional. Nesta perspectiva, o consumo é, muitas vezes,<br />
caracterizado por motivações determinadas por um conjunto de emoções implícitas e pela<br />
falta de uma busca mais deliberativa antes da compra. Nesta última visão é interessante<br />
destacar que as decisões emocionais não são, necessariamente, irracionais. Quando a decisão<br />
apresenta base emocional, a ênfase está menos localizada na busca de informações e mais nos<br />
sentimentos. O fato de um consumidor comprar um produto que o satisfaz emocionalmente é<br />
uma decisão de consumo que pode ser encarada como racional. Assim, muitas pessoas podem<br />
comprar um produto porque se sentem bem, sem que esse fato desconsidere a racionalidade<br />
da decisão.<br />
Todas as decisões dos consumidores são tomadas em etapas ou estágios, formando o<br />
modelo de processo de decisão do Consumidor. Este modelo, de acordo com Schiffman e<br />
Kanuk (2000), reflete o consumidor cognitivo (solucionador pensante de problemas) e, até<br />
certo ponto, o consumidor emocional.<br />
2.4.3 Modelo de processo de decisão do consumidor<br />
“Um modelo nada mais é do que uma réplica dos fenômenos que é projetado para<br />
representar” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD 2000, p. 92). Ele especifica os blocos de<br />
construção (variáveis) e as maneiras pelas quais elas estão inter-relacionadas. Nos referenciais<br />
teóricos acerca do comportamento do consumidor, existe certo consenso de que o Modelo de<br />
processo de decisão de compra é composto por cinco etapas: Reconhecimento de uma<br />
Necessidade, Busca por Informações, Avaliação das Alternativas, Compra e Avaliação Pós-<br />
Compra (KOTLER; ARMSTRONG, 1999; CHURCHILL; PETER, 2000; LEVY; WEITZ,<br />
2000; PARENTE, 2000; SHIFFMAN; KANUK, 2000; SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2001;<br />
BERKOWITZ et al, 2003; HAWKINS; MOTHERSBAUGH; BEST, 2007; BOONE;<br />
89
KURTZ, 2009; KOTLER, 2009). Em complemento, os autores Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000) acrescentam em seu modelo mais duas etapas denominadas Consumo (localizada após<br />
a etapa de compra) e Despojamento ou Descarte (após a etapa de Avaliação Pós-Compra).<br />
Estudar e compreender o modelo de processo de decisão é fundamental, como<br />
afirmam Neves, Castro e Fazanaro (2000, p. 3):<br />
Entender o comportamento do consumidor é poder predizer com maior chance de<br />
acerto o seu comportamento, descobrir os relacionamentos de causa e efeito que<br />
gerenciam a persuasão para a compra de produtos e compreender como é a<br />
educação desse consumidor ao longo do relacionamento dele com a empresa.<br />
Começa-se, então, pela análise do Modelo de Comportamento de Compra.<br />
O modelo a ser adotado para fins deste estudo do comportamento do consumidor é o<br />
concebido por Engel, Blackwell e Miniard (2000), selecionado por tratar-se de um modelo<br />
mais atual que inclui a sexta etapa do processo - o despojamento ou descarte, fundamental ao<br />
processo de desenvolvimento sustentável em sua dimensão ambiental (Figura 05).<br />
Figura 05: Modelo de Processo de Decisão do Consumidor.<br />
Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 102).<br />
90
Esse modelo tem como espinha dorsal uma esquematização do processo decisório de<br />
compra, desde o reconhecimento da necessidade até as impressões pós-compra. Permite uma<br />
melhor compreensão do processo de decisão de compra dos consumidores, bem como os<br />
fatores que o influenciam, ou seja, as variáveis ambientais e as diferenças individuais. O<br />
modelo trata ainda de entender como a mente humana reage às informações recebidas e como<br />
inputs fornecidos pelo marketing podem influenciar o aprendizado.<br />
2.4.3.1 Influências no processo de tomada de decisão do consumidor<br />
A tomada de decisão do consumidor é influenciada e moldada por diversos fatores e<br />
determinantes, distribuídos, conforme Engel, Blackwell e Miniard (2000), em três<br />
categorias: (1) diferenças individuais; (2) diferenças ambientais e; (3) processos psicológicos,<br />
representados na Figura 06:<br />
91
Figura 06: Fatores influentes no Processo de Tomada de Decisão do Consumidor.<br />
Fonte: Elaborado pela autora, com base em Engel, Blackwell e Miniard (2000).<br />
1. Influencias Individuais<br />
“O comportamento do consumidor é afetado por alguns fatores internos e pessoais,<br />
além dos fatores interpessoais” (BOONE; KURTZ, 2009, p. 172). Cada indivíduo possui<br />
necessidades, motivos, percepções, atitudes, respostas aprendidas e autoconceitos de consumo<br />
que são únicos. Dentre estes estão cinco categorias designadas por Engel, Blackwell e<br />
Miniard (2000):<br />
Influências<br />
Individuais:<br />
1. Recursos do<br />
consumidor<br />
2. Motivação e<br />
envolvimento<br />
3. Conhecimento<br />
4. Atitude<br />
5. Personalidade,<br />
valores e estilo de vida.<br />
Influências<br />
Ambientais:<br />
1. Cultura<br />
2. Classe Social<br />
3. Influencias Pessoais<br />
4. Família<br />
5. Situação.<br />
Processos<br />
Psicológicos:<br />
1. Processamento de<br />
informação<br />
2. Aprendizagem<br />
3. Mudança de atitude e<br />
comportamento<br />
Processo de Tomada de Decisão do Consumidor<br />
1) Recursos do Consumidor: cada uma das pessoas dispõe de três recursos, para<br />
cada situação da tomada de decisão: tempo, dinheiro e capacidades de recepção e<br />
processamento de informações. Geralmente existem limites distintos quanto à disponibilidade<br />
de cada um, o que exige, cuidado em decidir a alocação adequada. Cada vez os consumidores<br />
possuem menos tempo disponível e, por isso, buscam comodidade e rapidez no momento da<br />
92
compra, valorizando produtos e serviços que economizem esse escasso recurso, como<br />
serviços de entrega domiciliar, congelados, etc. O poder aquisitivo do consumidor também<br />
afeta o processo decisório, orientando-o quase sempre, para compras compatíveis com seu<br />
orçamento. A capacidade do indivíduo de receber e processar informações é determinada pela<br />
cognição e há limitações naturais nela, não sendo possível processar mais que um<br />
determinado volume de dados e estímulos. Isso se torna um limitador para o marketing na<br />
medida em que se instala uma competição pela atenção dos consumidores.<br />
2) Conhecimento: trata-se da informação armazenada na memória do consumidor<br />
que abrange uma vasta gama como a disponibilidade e as características de produto e<br />
serviços, onde e quando comprar e, como usar os produtos. As propagandas utilizadas pela<br />
empresa devem proporcionar o conhecimento e a informação relevantes para serem utilizadas<br />
pelo consumidor na tomada de decisão.<br />
3) Atitudes: “atitudes são resistências pessoais às avaliações, emoções ou tendências<br />
de ações, favoráveis ou não, sobre algum objeto ou idéia. Conforme se formam com o passar<br />
do tempo, com as experiências individuais e os contatos de grupos, as atitudes se tornam<br />
altamente resistentes às mudanças” (BOONE; KURTZ, 2009, p. 177). Elas influenciam o<br />
comportamento em relação a uma dada marca ou produto. Para Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000), a atitude é a avaliação geral de uma alternativa, podendo ser positiva ou negativa.<br />
Mudar a atitude é uma meta comum do marketing.<br />
4) Motivação e envolvimento: os produtos e serviços têm aspectos simbólicos<br />
associados aos utilitários, ou seja, quando compra um bem como um automóvel,<br />
provavelmente o consumidor está indo atrás de símbolos de sucesso, status e demonstração de<br />
estilo de vida que transcendem o caráter utilitário do meio de transporte do veículo. O<br />
comportamento das pessoas é para Boone e Kurtz (2009), guiado pela motivação de satisfazer<br />
uma necessidade percebida (desequilíbrio entre estados reais e desejados de um consumidor).<br />
Quando uma pessoa reconhece ou sente uma necessidade significativa ou urgente, ela busca<br />
corrigir esse desequilíbrio. O que os profissionais de marketing fazem é tentar estimular esse<br />
sentimento de urgência, fazendo uma necessidade ser “sentida”. Assim, influenciam a<br />
motivação dos consumidores para satisfazer as suas necessidades comprando produtos<br />
específicos.<br />
93
5) Personalidade, valores e estilo de vida: a personalidade faz com que os indivíduos<br />
sejam únicos e diferentes dos demais e, por isso afeta a maneira pela qual consomem ou<br />
avaliam produtos ou serviços. Já os valores podem ser sociais, transmitidos pelo meio no qual<br />
o indivíduo está inserido, ou individuais, exclusivos para cada pessoa ajudando o consumidor<br />
a responder, para si mesmo, se um produto, serviço ou loja pode ser considerado “para ele”.<br />
Por sua vez os estilos de vida são padrões nos quais as pessoas vivem e gastam tempo e<br />
dinheiro e são o resultado de forças econômicas, culturais e sociais que criam grupos similares<br />
de consumidores.<br />
2. Influências Ambientais<br />
O consumidor vive em um mundo complexo com diversas variáveis que podem<br />
influenciar no processo de decisão. As influências ambientais que afetam a decisão de compra<br />
são:<br />
a) Cultura: refere-se aos valores, idéias, objetos e símbolos que ajudam os<br />
indivíduos a se comunicar, interpretar e avaliar como membros de uma sociedade ou grupo<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). O comportamento de compra do consumidor<br />
será influenciado por suas identificações culturais e subculturais. “Elas influenciarão suas<br />
preferências por alimentos, escolhas de vestuário, recreação e aspirações de carreira<br />
profissional” (KOTLER, 2009, p. 163).<br />
b) Classe social: classes sociais são divisões teóricas da sociedade que procuram<br />
agrupar os indivíduos com valores, interesses e comportamentos semelhantes (ENGEL;<br />
BLACKWELL; MINIARD, 2000). A cada classe social está relacionado um determinado<br />
padrão de consumo, pois o status da classe social leva a formas diferentes de comportamento.<br />
c) Influência pessoal: os consumidores têm seu comportamento afetado pelos mais<br />
próximos, particularmente pelos familiares, amigos e colegas de trabalho, estudo, lazer, etc.<br />
Esses grupos de referência interferem nas atitudes e comportamento das pessoas, a partir do<br />
momento que o consumidor busca o conselho de outras pessoas para tomar suas decisões de<br />
compra.<br />
d) Família: os membros da família têm enorme influência sobre os padrões de<br />
consumo, e para muitos produtos representam uma unidade de decisão única. Os membros da<br />
94
família representam o grupo primário de referência mais influente no comportamento do<br />
consumidor.<br />
e) Situação: situações que afetam pessoalmente os consumidores, como as de<br />
desemprego, urgência na compra ou fortes apelos no ponto-de-venda, podem fazer com que o<br />
consumidor se decida (ou não) por um produto ou serviço.<br />
3. Processos Psicológicos:<br />
Existem três processos psicológicos centrais que moldam todos os aspectos da<br />
motivação e do comportamento do consumidor (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000).<br />
São eles:<br />
1) Processamento de informação: é o processo pelo qual um estímulo de marketing é<br />
recebido, interpretado, armazenado na memória e mais tarde recuperado. Inclui os estágios de<br />
exposição, atenção, compreensão, aceitação e retenção. A eficácia das comunicações<br />
persuasivas dependerá da habilidade de sobreviver a todos os estágios de processamento da<br />
informação.<br />
2) Aprendizagem: é o processo pelo qual a experiência leva a mudanças no<br />
conhecimento, atitudes ou comportamento. Qualquer pessoa que tente influenciar o<br />
consumidor está ocasionando uma aprendizagem. A aprendizagem é produzida através de<br />
impulsos (estímulo interno que impele a ação), estímulos, sugestões, respostas e reforço. Essa<br />
teoria ensina os profissionais de marketing a desenvolver a demanda por um produto<br />
associando-o a impulsos fortes, usando sugestões motivadoras e fornecendo reforço positivo.<br />
3) Mudança de atitude e comportamento: é um processo psicológico de maior<br />
relevância ao objetivo de marketing, pois este processo reflete mudanças que retomam<br />
estudos e estratégias baseadas no esforço de marketing em buscar conhecimento sobre como<br />
influenciar o comportamento e a decisão de compra do consumidor. A influência pode ser<br />
feita através da comunicação persuasiva, ou por outras técnicas de modificações de<br />
comportamento como: pedidos simples de sugestões, princípio da reciprocidade (através de<br />
um brinde) ou comprometimento (concursos do tipo: “por que eu gosto desse produto?”).<br />
Todas estas variáveis interferem sobre o comportamento do consumidor que parte de<br />
um conjunto de conhecimentos já existentes, nos quais ele vai acrescentando novas<br />
95
informações nas demais etapas do processo decisório. Para serem bem sucedidos os<br />
profissionais de marketing devem, além de conhecer e considerar as influências sobre os<br />
compradores, desenvolver um entendimento sobre quem toma a decisão de compra, os tipos<br />
ou níveis de compra e, as etapas do processo de compra (KOTLER, 2009).<br />
2.4.3.2 Papéis de compra<br />
No caso de alguns produtos o comprador é facilmente identificado, porém, existem<br />
situações em que as empresas devem ter cuidado ao tomar decisões sobre o mercado-alvo,<br />
pois os papéis de compra são mutantes. Parente (2000) destaca que em muitas situações, o<br />
indivíduo que utiliza um produto é diferente daquele que realiza a compra ou daquele que<br />
paga pela compra e, assim, surgem os papéis que cada um representa numa transação.<br />
Kolter (2009) e Engel, Blackwell e Miniard (2000) distinguem cinco papéis que as<br />
pessoas podem assumir em uma decisão de compra:<br />
• Iniciador: é a primeira pessoa que sugere a idéia de comprar o produto ou serviço.<br />
• Influenciador: é a pessoa cujos pontos de vistas ou sugestões acabam influenciando a<br />
decisão, geralmente é o que possui maior conhecimento.<br />
• Decisor: é a pessoa que decide sobre qualquer componente de uma decisão de compra: se<br />
deve comprar, o quê, como e onde comprar.<br />
• Comprador: é a pessoa que faz a compra.<br />
• Usuário: é aquele que consome ou usa o produto/serviço.<br />
Os profissionais de marketing devem buscar a comunicação com cada papel.<br />
Dependendo do tipo do produto, do estágio no processo de decisão e das condições que<br />
envolvem as decisões, há também categorias estruturais de papéis, que auxiliam na explicação<br />
da relação entre os cônjuges considerando o processo de tomada de decisão de compra. São<br />
quatro categorias expostas por Engel, Blackwell e Miniard (2000):<br />
• Autônomos: cada conjugue toma decisão individual, geralmente em mesmo número.<br />
• Homem dominante: o homem toma a maior parte das decisões.<br />
• Mulher dominante: a mulher toma a maior parte das decisões.<br />
• Decisões conjuntas: a maior parte das decisões é tomada por ambos os conjugues.<br />
96
Geralmente o processo de decisão de compra tende a mover-se da decisão autônoma<br />
para a decisão conjunta, quando se aproxima o momento final da decisão de compra.<br />
2.4.3.3 Tipos ou níveis de comportamento de compra<br />
Nem todas as situações de tomada de decisão dos consumidores exigem o mesmo<br />
grau de procura de informações. Afinal, se todas precisassem de grande esforço, o processo de<br />
tomada de decisão se tornaria muito exaustivo, tomando muito tempo do consumidor. Porém,<br />
se todas as compras fossem rotinas, se tornariam monótonas e proporcionariam pouco prazer.<br />
Em um continuum de esforço que varia do mais alto ao mais baixo, Schiffman e<br />
Kanuk (2000), assim como Levy e Weitz (2000) distinguem três níveis específicos no<br />
processo decisório do consumidor: a solução extensa do problema, a solução limitada do<br />
problema e o comportamento de resposta rotinizada, sistematizados na Figura 07. Kotler e<br />
Armstrong (1999) classificam estes mesmos níveis, acrescentando um quarto nível como tipos<br />
de comportamento de compra, que variam segundo o envolvimento do comprador e o grau de<br />
diferença entre as marcas: comportamento complexo de compra, comportamento de compra<br />
para reduzir a dissonância, comportamento rotineiro de compra e, comportamento de compra<br />
buscando variedade.<br />
Figura 07: Um contínuo de Comportamento de Decisão de Compra.<br />
Fonte: Solomon (2002, p. 211).<br />
97
A solução extensa do problema - SEP (SCHIFFMAN; KANUK, 2000; LEVY;<br />
WEITZ, 2000) ou comportamento complexo de compra (KOTLER; ARMSTRONG, 1999)<br />
ocorre quando os consumidores não possuem um critério estabelecido para avaliar uma<br />
categoria de produto ou marcas específicas nessa categoria, ou então, não reduziram a um<br />
subgrupo menor o número de marcas que irão considerar na compra. Kotler e Armstrong<br />
(1999) destacam o alto envolvimento do consumidor neste tipo de compra e a sua percepção<br />
das diferenças significativas entre as marcas.<br />
Nesse caso, é preciso muita informação para que o consumidor estabeleça uma série<br />
de critérios para julgar marcas específicas e uma grande quantidade de informação<br />
correspondente a cada uma das marcas a serem consideradas. Isso porque na solução extensa,<br />
os clientes estão em busca de satisfazer uma necessidade importante, ou então, possuem<br />
pouco conhecimento sobre o produto. Para Levy e Weitz (2000), esse é um processo de<br />
decisão de compra em que os clientes dedicam tempo e esforços para analisar as alternativas,<br />
pois incluem muito risco e incerteza.<br />
Estes riscos podem ser financeiros (em caso de produtos muito custosos), físicos<br />
(quando os clientes sentem que o produto pode afetar a sua saúde e sua segurança) ou sociais<br />
(quando os clientes sentem que o produto poderá afetar a forma como as outras pessoas o<br />
vêem). Os varejistas podem influenciar essas decisões, fornecendo as informações necessárias<br />
para que os clientes possam compreendê-las e as usem facilmente, e, além disso, oferecer<br />
garantias de devolução do dinheiro.<br />
Quando os consumidores já têm estabelecido um critério básico para avaliar a<br />
categoria de produtos e as várias marcas dessa categoria, encontram-se no nível de solução<br />
limitada do problema - SLP (SCHIFFMAN; KANUK, 2000; LEVY; WEITZ, 2000) ou<br />
comportamento de compra para reduzir a dissonância (KOTLER; ARMSTRONG, 1999;<br />
SOLOMON, 2002). Porém, tais consumidores ainda não possuem uma preferência<br />
inteiramente estabelecida acerca da escolha de um grupo de marcas e, nesse caso, a busca de<br />
informação adicional é feita mais como “ajuste de sintonia”, pois eles precisam reunir mais<br />
informação sobre a marca para extingui-la das demais. Este processo envolve, segundo Levy e<br />
Weitz (2000), uma quantidade moderada de esforços e de tempo e também um risco<br />
moderado. Ocorre quando os consumidores estão muito envolvidos em uma compra, mas<br />
98
notam algumas diferenças (pequenas) entre as marcas (KOLTER; ARMSTRONG, 1999). O<br />
consumidor consultará vários pontos de venda, a fim de saber o que está disponível, e<br />
comprará rapidamente, pois as diferenças entre as marcas não estão explícitas. Depois da<br />
compra, ele pode sofrer algum tipo de dissonância, resultante da percepção de alguns pontos<br />
não satisfeitos. O consumidor estará ligado às informações que justifiquem sua decisão de<br />
compra. Nestas situações, os clientes tendem a confiar mais no seu conhecimento pessoal do<br />
que, em informações externas, escolhendo normalmente, um varejista em que já tenham feito<br />
compras e, produtos que já tenham comprado anteriormente.<br />
Engel, Blackwell e Miniard (2000) citam um tipo comum de solução limitada de<br />
problemas, a compra por impulso, pertencente a uma categoria especial de comportamento de<br />
compra, cuja decisão é tomada pelo cliente no momento em que ele vê a mercadoria. Trata-se<br />
de uma ação não-planejada, irrefletida, disparada pela disposição do produto ou promoção no<br />
ponto-de-venda, considerada a forma menos complexa de SPL, mas que se diferencia dela de<br />
algumas formas. Suas características para Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 106), são:<br />
1. Um desejo súbito e espontâneo de agir, acompanhado de urgência;<br />
2. Um estado de desequilíbrio psicológico no qual uma pessoa pode sentir falta de<br />
controle temporária;<br />
3. O começo de um conflito e luta que é resolvido por uma ação imediata;<br />
4. Avaliação objetiva mínima – as considerações emocionais são dominantes;<br />
5. Não consideração das consequências.<br />
De acordo com Levy e Weitz (2000), os varejistas utilizam estratégias para encorajar<br />
esse comportamento impulsivo, através de displays vistosos a fim de atrair a atenção do<br />
cliente e estimular a decisão de compra de pouca análise.<br />
No nível de comportamento de resposta rotinizada (SCHIFFMAN; KANUK,<br />
2000) ou tomada de decisão habitual (LEVY; WEITZ, 2000; SOLOMON, 2002) ou ainda,<br />
comportamento rotineiro de compra (KOLTER; ARMSTRONG, 1999), os consumidores já<br />
têm certa experiência com a categoria de produto e uma série de critérios bem estabelecidos<br />
para avaliar as marcas que estão considerando. Em algumas situações eles podem buscar<br />
ainda um pouco mais de informação, em outras, podem simplesmente rever o que já têm.<br />
Nesses casos, há pouco ou nenhum esforço consciente, usado quando as decisões não são<br />
99
muito importantes para os clientes e envolvem mercadorias familiares, isto é, que já tenham<br />
comprado no passado.<br />
Levy e Weitz (2000) mencionam neste nível o exemplo da fidelidade à marca e à<br />
loja. A fidelidade à marca ocorre quando os clientes gostam de uma marca específica e a<br />
compram de forma consistente. A fidelidade à loja significa que os clientes gostam da mesma<br />
loja para comprar um tipo de mercadoria e a visitam habitualmente. Todos os varejistas<br />
almejam aumentar a fidelidade do cliente à loja, para isso Levy e Weitz (2000) sugerem uma<br />
localização acessível, um sortimento completo, recompensas aos clientes por compras<br />
frequentes e, o fornecimento de um atendimento excelente ao cliente.<br />
Kotler e Armstrong (1999) afirmam que existem situações em que o consumidor<br />
está pouco envolvido ou não está envolvido com a compra, o que ocorre quando não há<br />
diferenças marcantes entre as diversas marcas ou empresas. O consumidor vai à loja e procura<br />
uma marca; se não a encontra, compra outra qualquer, porque não existe lealdade à marca.<br />
Existem evidências de que os consumidores possuem pouco envolvimento com a maioria<br />
expressiva dos produtos comprados com frequência e de baixo preço. Neste caso, os<br />
consumidores não buscam muitas informações sobre as marcas e nem avaliam suas<br />
características. São bastante passivos às informações provenientes da televisão ou da mídia<br />
impressa.<br />
Kotler e Armstrong (1999) apresentam um quarto tipo de comportamento: a compra<br />
que busca Variedade, a qual é categorizada como tipo de compra de caso especial na<br />
concepção de Engel, Blackwell e Miniard (2000). Nesta situação, o consumidor está pouco<br />
envolvido com a compra e percebe as grandes e acentuadas diferenças entre as marcas<br />
disponíveis. Ele é obrigado a realizar escolhas de marcas. Essas escolhas ocorrem em função<br />
da variedade e não da insatisfação. Os fatores que estimulam, mantêm e dirigem o<br />
comportamento do consumidor no sentido da realização de um objetivo são conhecidos como<br />
motivações.<br />
Schiffman e Kanuk (2000, p. 60) definem motivação como a “força motriz interna<br />
dos indivíduos que os impele à ação”. Esta força é gerada através de um estado de tensão que<br />
ocorre em função da não satisfação de uma necessidade. Os indivíduos procuram minimizar<br />
este estado através de um comportamento que vá ao encontro da satisfação dos seus desejos e<br />
necessidades.<br />
100
2.4.3.4 Etapas do processo de tomada de decisão<br />
As etapas ou estágios do processo decisório de compra são fases pelas<br />
quais os indivíduos passam quando desempenham o papel de consumidores. Cada<br />
etapa compreende um conjunto de tarefas e passos que os consumidores executam<br />
para que possam avançar para o estágio subsequente, como qualquer outro<br />
processo que se desencadeie em sequência.<br />
Primeira Etapa: O Reconhecimento de Necessidade<br />
O primeiro estágio do processo de decisão de compra é o reconhecimento de<br />
necessidade definido por Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 115) “como a percepção de<br />
uma diferença entre o estado desejado de coisas e a situação real que seja suficiente para<br />
despertar e ativar o processo decisório”. Esse é o estímulo que provoca o início do processo<br />
de compra, denominado por Richers (1984), de predisposição. O reconhecimento da<br />
necessidade depende de quanta discrepância existe entre o estado real (a situação que o<br />
consumidor está) e o estado desejado (situação em que o consumidor deseja estar) (ENGEL;<br />
BLACKWELL; MINIARD, 2000; SOLOMON, 2002). Quando esta discrepância ultrapassa<br />
certo nível, uma necessidade é reconhecida, como representa a Figura 08.<br />
Abaixo do<br />
Limiar<br />
Estado<br />
Desejado<br />
Nenhum<br />
Reconhecimento de<br />
Necessidade<br />
Grau<br />
de<br />
Discrepância<br />
Estado<br />
Real<br />
Reconhecimento<br />
de Necessidade<br />
No ou Acima<br />
do limiar<br />
101
Figura 08: O Processo de Reconhecimento de Necessidade centrado no Grau de Discrepância.<br />
Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 116).<br />
Parente (2000, p. 119) menciona que:<br />
102<br />
A identificação do problema ou a percepção da necessidade advém de algum<br />
desconforto que o consumidor sente ao notar que as coisas não estão como<br />
deveriam estar. Esse desconforto pode ser percebido em vários aspectos, no plano<br />
físico (ex: necessidades fisiológicas e de proteção), no plano mental (ex:<br />
necessidades psicológicas) e no plano espiritual (necessidades de auto-realização e<br />
busca de felicidade).<br />
Para que uma pessoa possa cogitar a possibilidade de adquirir um bem ou comprar<br />
em uma determinada empresa, é preciso que prevaleçam condições psicológicas que a<br />
sensibilizem para as vantagens do produto ou da empresa. Muitas empresas, no entanto,<br />
adverte Richers (1984), menosprezam esta fase do processo, considerando que as vantagens<br />
intrínsecas dos produtos (qualidades) serão automaticamente aceitas pelos consumidores.<br />
Esquecem que além das vantagens intrínsecas é necessário que o consumidor não apenas<br />
identifique estas qualidades diferenciais, como as aceite como condizentes com os seus<br />
critérios pessoais de utilidade, ou seja, “útil não é o produto em si, mas a satisfação que o<br />
indivíduo dele deriva” (RICHERS, 1984, p. 48).<br />
A pré-disposição resulta de uma multiplicidade de fatores psicológicos gerados, na<br />
sua maioria, na nossa infância, sob influência de nossos pais, professores ou outras<br />
autoridades que formam nossos sistemas de valores, nossas atitudes, imagens,<br />
crenças, intenções básicas e que, em seu conjunto, constituem a base para a adoção<br />
de um estilo de vida que faz parte da nossa personalidade (RICHERS, 1984, p. 48).<br />
O autor esclarece que a pré-disposição de aceitar um produto pode ser influenciada<br />
por estímulos externos, como mensagens publicitárias e esforços de marketing, porém, esta<br />
influência só conduz a compra se estiver em harmonia com a predisposição do consumidor. A<br />
partir da predisposição, um processo psicológico é gerado por estímulos internos (como a<br />
sensação de fome) e/ou externos (anúncios, por exemplo).<br />
Engel, Blackwell e Miniard (2000) alertam que o reconhecimento da necessidade<br />
não ativa, automaticamente uma ação. Assim, uma necessidade precisa ser ativada antes que<br />
possa ser reconhecida. Para isso, vários fatores influenciam a probabilidade de uma<br />
necessidade ser ativada/estimulada. São eles:
• Tempo: o tempo deteriora, de forma gradual, o estado real do consumidor até ele<br />
tornar-se suficientemente discrepante do estado desejado para acionar o reconhecimento da<br />
necessidade. Além disso, o tempo também pode influenciar o estado desejado. Por exemplo,<br />
quando envelhecem, os consumidores normalmente passam por mudanças em seus gostos e<br />
valores, as quais alteram o seu estado desejado. Outro exemplo corriqueiro é que ao longo do<br />
dia, surge uma série de necessidades, como a fome e a sede que motivam o consumidor a<br />
buscar locais e produtos para satisfazê-las.<br />
• Mudança de circunstâncias: mudanças na vida de alguém também ativam<br />
necessidades. Circunstância como formatura, nascimento de um filho, reforma da casa, criam<br />
necessidades e estimulam os consumidores a iniciarem novos processos de compra.<br />
• Aquisição de produtos: a aquisição de um produto pode ativar a necessidade de<br />
produtos adicionais. Por exemplo, ao comprar novos móveis, a percepção do consumidor é<br />
afetada quanto ao desejo de comprar carpetes, cortinas, etc.<br />
• Consumo de produtos: o próprio consumo real pode acionar o reconhecimento de<br />
necessidade, pois em muitas situações a necessidade surge pela falta de estoque do mesmo<br />
produto que já foi consumido. Um exemplo, é a compra de pães, duas fatias foram torradas no<br />
café da manhã ativando a necessidade de se comprar mais pães para o jantar.<br />
• Diferenças individuais: existem dois tipos de consumidores. Aqueles chamados<br />
tipos de estado real, cujo reconhecimento da necessidade é disparado por mudanças no estado<br />
real e, os chamados tipos de estado desejado, que passam pelo reconhecimento de necessidade<br />
produzido por mudanças no estado desejado. Por exemplo, o primeiro caso tende a<br />
reconhecer a necessidade de comprar roupas apenas quando as suas não estão desempenhando<br />
seu papel satisfatoriamente, entretanto, no segundo tipo, sentirão o reconhecimento de<br />
necessidade como resultado de seu desejo por algo novo.<br />
• Influências de marketing: os fatores mencionados anteriormente exercem<br />
influência no reconhecimento da necessidade, mas estão muito além da capacidade da<br />
empresa de influenciar de alguma forma vantajosa. Mesmo assim, é preciso estimular a<br />
conscientização dos consumidores sobre suas necessidades e, algumas vezes, simplesmente<br />
lembrá-los de uma necessidade. “Os consumidores que correm os olhos pelas gôndolas de um<br />
supermercado podem encontrar um display que os lembre de uma necessidade de compra que<br />
foi reconhecida anteriormente, mas que tinha sido esquecida” (ENGEL; BLACKWELL;<br />
MINIARD, 2000, p. 118).<br />
103
Parente (2000) destaca que muitas necessidades e desejos são despertados mediante<br />
atividades promocionais realizadas nas lojas, que apelam aos estímulos sensoriais, como a<br />
visão (displays de produtos), olfato (aromas do preparo de alimentos, como na panificadora),<br />
paladar (degustações de novos produtos) e, audição (som de novos CDs). Engel, Blackwell e<br />
Miniard (2000) relembram que há uma diferença entre os esforços para ativar o<br />
reconhecimento da necessidade, se o caso é estimular a demanda primária ou a seletiva<br />
(quando é estimulada a necessidade por uma marca específica dentro de uma categoria de<br />
produto).<br />
Sheth, Mittal e Newman (2001) classificam os estímulos para o<br />
reconhecimento de um problema em estímulos internos e externos. Como estímulos<br />
internos, estes autores selecionam os estados físicos e psicológicos de desconforto<br />
percebidos e, como estímulos externos, figuram os itens de informação de mercado<br />
como uma propaganda, por exemplo.<br />
Esses autores propõem ainda uma classificação de tipologia de problemas<br />
utilizando-se duas dimensões: familiares versus novos e ativos versus latentes. Os<br />
problemas familiares, chamados consumo de produto por Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000), geralmente ocorrem devido ao que se denomina de “estoque esgotado”,<br />
como por exemplo, um estômago vazio, ou então, um pneu furado. Os problemas<br />
novos (SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2001) ou ainda, mudança de circunstância<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000) surgem com um acontecimento da vida<br />
que marcam a passagem de um estágio para outro, como mudança de endereço,<br />
casamento, formatura.<br />
Os problemas ativos são reconhecidos de forma óbvia, como por exemplo,<br />
quando a caixa de cereal esvazia. Um problema latente não é necessariamente<br />
óbvio e precisa ser elaborado, seja pela auto-reflexão ou pela interferência de um<br />
agente externo, como um vendedor. Dessa forma, o reconhecimento dos problemas<br />
novos e latentes é acionado por estímulos de solução, geralmente na forma de<br />
oferecimento de novos produtos e novas tecnologias como é o caso de uma<br />
companhia telefônica que liga ofertando um novo serviço de identificação de<br />
chamadas. O reconhecimento de problemas latentes – novos ou familiares - em<br />
geral, requer um esforço de marketing educativo. Na matriz, proposta por Sheth,<br />
104
Mittal e Newman (2001), visualizada no Quadro 05, encontram-se relacionadas às<br />
situações.<br />
Ativos Latentes<br />
Familiares Estoque esgotado Marketing educativo<br />
Novos Mudança de estágio de vida Tecnologia de produto novo<br />
Quadro 05: Quatro Situações para o Reconhecimento de Problemas.<br />
Fonte: Adaptado de Sheth, Mittal e Newman (2001, p. 489).<br />
Parente (2000) menciona que por trás de qualquer comportamento humano existe<br />
uma motivação. A motivação pode ser definida como a força que movimenta as pessoas,<br />
formada por dois elementos: o objetivo, uma meta para aliviar a tensão, resolver um problema<br />
e produzir felicidade e, a força propulsora, um sentimento interno de tensão que impulsiona<br />
ações direcionadas para reduzir a tensão. Portanto, para Parente (2000, p. 120), “a motivação<br />
é um estado que desperta a força propulsora que impele o comportamento para atingir uma<br />
meta ou objetivo”.<br />
Quando os consumidores percebem que têm uma necessidade, o impulso interior<br />
para atendê-la é chamado de motivação. Os profissionais precisam identificar o que motiva os<br />
consumidores, para que se possa atender a essas motivações. “O psicólogo Abraham Maslow,<br />
afirmou que o que motiva as pessoas a agir são as necessidades não atendidas e que as pessoas<br />
satisfazem certas necessidades básicas antes de se sentir altamente motivadas a satisfazer<br />
outras” (CHURCHILL; PETER, 2000, p. 147).<br />
A teoria das necessidades humanas de Abraham Maslow procura explicar o processo<br />
de motivação humana, tentando compreender porque as pessoas são dirigidas por certas<br />
necessidades em ocasiões específicas (KOTLER, 2009). Maslow classifica as<br />
necessidades ou motivações em uma escala hierárquica, partindo das mais urgentes<br />
às menos urgentes. A hierarquia de necessidades de Maslow é composta por cinco<br />
categorias: necessidades fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e de auto-<br />
realização, representadas pela Figura 09.<br />
105
Figura 09: Hierarquia de Necessidades de Maslow.<br />
Fonte: Rocha e Christensen (1999, p. 58).<br />
Existem necessidades localizadas nos degraus inferiores da hierarquia que<br />
se referem às necessidades de sobrevivência física - fisiológicas e de proteção e<br />
segurança. Quando atendidas essas necessidades básicas, outras necessidades<br />
de ordem social, psicológica e espiritual são despertadas, como a necessidade de<br />
pertencer e ser amado, necessidade de auto-estima e as necessidades de auto-<br />
realização (PARENTE, 2000).<br />
A teoria sugere que as pessoas podem progredir ao longo da escala, mas<br />
podem também regredir, no caso da satisfação das necessidades básicas<br />
começarem a se comprometer. Rocha e Christensen (1999) destacam que a<br />
importância da abordagem de Maslow, encontra-se não apenas na relação de<br />
necessidades, mas, sobretudo no reconhecimento de que elas se manifestam de<br />
forma diferente em cada caso, em uma hierarquia, onde uma necessidade só se<br />
manifesta quando é atingido determinado nível de satisfação anterior.<br />
106
Após ocorrer o reconhecimento de necessidade, o consumidor pode ocupar-se de<br />
uma busca do que irá satisfazer essa necessidade, uma vez que a predisposição gera conflitos<br />
entre comprar ou não determinado produto. A busca surge assim, como a forma de tentar<br />
solucionar tais conflitos (RICHERS, 1984).<br />
Segunda Etapa: A Busca<br />
Uma vez reconhecido o problema a ser resolvido, o consumidor normalmente<br />
percorre uma etapa de busca de informações. A busca é definida “como a ativação motivada<br />
de conhecimento armazenado na memória ou de aquisição de informação do ambiente”<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 119-120). Tal definição pressupõe que a busca<br />
pode ser de duas naturezas: interna que envolve a recuperação de conhecimento da memória,<br />
e externa que consiste em coletar informações do mercado. Richers (1984) destaca ainda, que<br />
a busca pode ser um processo inconsciente ou então, envolver profundos estudos.<br />
107<br />
Abrange tanto o rápido olhar de uma dona-de-casa ao longo de uma prateleira de<br />
bens enlatados, num supermercado, quanto a investigação sistemática de catálogo<br />
ou as visitas a show-rooms de um amador de músicas, interessado em adquirir o<br />
equipamento de som que se ajusta a seu gosto e poder aquisitivo (RICHERS, 1984,<br />
p. 48).<br />
Richers (1984) afirma que as principais fontes de referência para o processo de<br />
busca são as informações armazenadas na memória do consumidor, as consultas às fontes<br />
externas (opinião de outros consumidores ou pessoas respeitadas) e o confronto entre marcas<br />
competitivas. Em função da tendência do consumidor em confrontar produtos competitivos,<br />
“o sucesso da estratégia de marketing depende, em boa parte, da sua habilidade em apresentar<br />
seus produtos de maneira mais convincente do que a dos seus principais concorrentes”<br />
(RICHERS, 1984, p. 48).<br />
a) Natureza do processo de Busca<br />
A busca de natureza interna é a primeira a ocorrer após o reconhecimento de<br />
necessidade interna. Trata-se do rastreamento da memória em busca de um conhecimento<br />
importante à decisão armazenado na memória a longo prazo, conforme visualiza-se na Figura<br />
10. Se este rastreamento resultar em informação suficiente para permitir um curso de ação
satisfatório, torna-se desnecessária, a busca externa. Pode ocorrer também, de uma solução<br />
anterior ser lembrada e implementada (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000).<br />
Sim Não<br />
Figura 10: O Processo de Busca Interna.<br />
Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 120).<br />
Para que os consumidores se baseiem apenas na busca interna, é preciso da<br />
adequação ou qualidade do seu conhecimento existente. Geralmente, quando a compra é feita<br />
pela primeira vez, o consumidor não possui as informações necessárias para a tomada de<br />
decisão. Até mesmo compradores experientes podem precisar recorrer à busca externa, pois as<br />
informações que possuem podem estar inadequadas pelo tempo de intervalo de compras ter<br />
provocado mudanças nos produtos, como preço, novas marcas, etc.<br />
A satisfação é também um fator relevante neste sentido, pois quando satisfeito com<br />
compras anteriores, o consumidor tende a ter mais confiança na busca interna, considerando-a<br />
suficiente ao processo de decisão. Isso geralmente ocorre nas compras rotineiras, em que o<br />
consumidor apenas lembra de comprar a mesma marca de antes.<br />
Entretanto, quando a busca interna é julgada inadequada, o consumidor pode optar<br />
em coletar informações adicionais no ambiente. Para Engel, Blackwell e Miniard (2000, p.<br />
121):<br />
Processe com<br />
a Decisão<br />
Reconhecimento<br />
de Necessidade<br />
Busca Interna<br />
Busca Interna<br />
Bem-sucedida?<br />
Empreende<br />
Busca Externa<br />
Determinantes de Busca<br />
interna:<br />
• Conhecimento Existente.<br />
• Habilidade para recuperar<br />
Conhecimento Armazenado<br />
108
109<br />
A busca externa que é impelida por uma decisão de compra futura é conhecida<br />
como busca pré-compra. Este tipo de busca externa pode ser comparado com um<br />
outro tipo chamado busca continuada, na qual a aquisição de informação ocorre<br />
numa base relativamente regular, independentemente de necessidades de compra<br />
esporádicas.<br />
A busca pré-compra possui como principal motivador o desejo de fazer melhores<br />
escolhas de consumo, enquanto que, de forma similar, a busca continuada pode ser motivada<br />
por desejos de desenvolver uma base de conhecimento que possa ser usada na tomada de<br />
decisão futura. Porém, a busca continuada pode acontecer simplesmente por causa da diversão<br />
derivada desta atividade, considerada por alguns consumidores como prazerosa, como por<br />
exemplo, os consumidores que passeiam por um shopping sem ter uma necessidade de<br />
compra específica, mas sim, porque isso é divertido para eles.<br />
b) Dimensões da Busca<br />
Engel, Blackwell e Miniard (2000) indicam que a busca dos consumidores pode<br />
ser caracterizada por três dimensões: grau, direção e sequência. O grau representa a<br />
quantidade total da busca, ou seja, o número de marcas, lojas, atributos e fontes de<br />
informações consideradas durante a busca, bem como, o tempo gasto para fazê-la. No geral os<br />
consumidores realizam muito pouca busca externa, mesmo quando se tratam de bens custosos<br />
como móveis, eletrodomésticos e automóveis, muitos efetuam compras importantes após<br />
visitar um único varejista ou considerar uma única marca (ENGEL; BLACKWELL;<br />
MINIARD, 2000).<br />
O grau de busca, conforme a visão de Engel, Blackwell e Miniard (2000), está<br />
diretamente relacionado ao tipo de processo de tomada de decisão. Quando se tem um<br />
processo de solução de problema ampliada, normalmente é necessário uma quantidade<br />
considerável de busca, podendo ser consideradas várias marcas, visitas a várias lojas, consulta<br />
a amigos, etc. No caso da decisão habitual, o consumidor minimiza o tempo e o esforço de<br />
busca ao considerar apenas uma marca (aquela comprada por último) e um atributo (o nome<br />
da marca), ignorando outras fontes de informação. Neste caso, o número de lojas visitadas é<br />
incerto, podendo variar de uma, caso ele seja leal, ou a várias. Já a busca sob o processo de<br />
solução de problema limitada, está localizada entre estes dois extremos.<br />
Dickson e Sawyer (apud ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000), exemplificam<br />
um estudo sobre quanto de busca o consumidor empreende enquanto compra em
supermercados. Neste estudo, foram observadas e gravadas a quantidade de tempo investida<br />
pelos consumidores enquanto tomam decisões de compra em determinadas categorias de<br />
produtos. Os resultados mostraram que o tempo de busca é muito pequeno, mais de 40% dos<br />
consumidores nem se preocupam em verificar o preço da marca colocada no carrinho e,<br />
menos de metade dos compradores estavam cientes de que tinham escolhido uma marca que<br />
estava sendo oferecida pelo mercado a um preço reduzido.<br />
Quanto à quantidade de busca relacionada a um produto específico, esta pode variar<br />
muito de consumidor para consumidor, podendo-se segmentar consumidores com base em seu<br />
nível de busca. Em segmentos preocupados com uma busca externa considerável, as<br />
estratégias de marketing têm maior alcance, transmitindo a confiança aos profissionais de que<br />
os investimentos em informações de publicidade e de loja estão gerando resultados. Por outro<br />
lado, tais investimentos podem ser desperdiçados em segmentos que se baseiam em busca<br />
interna. Neste caso, traria mais efeito a distribuição de amostras grátis ou descontos de preço<br />
substanciais e bem divulgados para atrair consumidores (ENGEL; BLACKWELL;<br />
MINIARD, 2000).<br />
Para Engel, Blackwell e Miniard (2000), assim como é importante compreender o<br />
quanto os consumidores buscam antes da compra, é também vital, senão até mais, examinar a<br />
direção da compra. Saber que marcas os consumidores consideram durante a tomada de<br />
decisão é muito útil para entender a visão que o cliente tem do conjunto competitivo de uma<br />
organização. O interesse dos profissionais de marketing está voltado aos atributos de produto<br />
específicos que os consumidores examinam no momento de busca. Os atributos que recebem<br />
atenção durante a busca podem ser destacados em materiais promocionais, a não ser que<br />
representem áreas de pontos negativos de produto. Por exemplo, a importância que os<br />
consumidores concedem ao preço durante a busca pode afetar as estratégias de preço de uma<br />
empresa.<br />
As fontes de informação especiais utilizadas durante a busca também provocam<br />
influência sobre a estratégia de marketing, uma vez que os profissionais devem conhecer as<br />
principais fontes que o consumidor recorre e a influência relativa que cada uma terá sobre a<br />
decisão de compra subsequente. Kotler (2009) classifica as fontes de informações do<br />
consumidor em quatro grupos:<br />
• Fontes pessoais: família, amigos, vizinhos, conhecidos;<br />
110
• Fontes comerciais: propaganda, vendedores, revendedores, embalagens, displays;<br />
• Fontes públicas: mídia de massa, organizações de consumidores;<br />
• Fontes experimentais: manuseio, exame, uso do produto.<br />
Kotler (2009) considera que o volume e a influência destas fontes de informações<br />
variam de acordo com a categoria de produto e as características do comprador. Geralmente o<br />
consumidor recebe a maioria das informações acerca de um produto através de fontes<br />
comerciais, entretanto, são as fontes pessoais as mais eficazes.<br />
Cada uma das fontes possui uma função diferente para influenciar a decisão de<br />
compra, as comerciais desempenham uma função informativa e as pessoas uma função<br />
legitimada ou de avaliação. Merecem destaque entre as fontes comerciais os displays<br />
utilizados na loja, pois muitas decisões de compra são tomadas no ponto-de-venda,<br />
principalmente compra de alimentos em mercearias (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD,<br />
2000).<br />
Os rótulos das embalagens também tendem a aumentar a percepção do consumidor<br />
quanto aos atributos dos produtos. Mesmo em época do merchandising de massa, a venda<br />
pessoal continua sendo crucial, principalmente quando há a necessidade de negociação e troca<br />
de informações no ponto-de-venda entre o comprador e o vendedor.<br />
“A mídia de massa frequentemente contém informação de interesse das pessoas que<br />
estão no centro o processo decisório” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 125).<br />
Existem compradores que consideram úteis na compra de produtos de uso doméstico a leitura<br />
de artigos em revistas, jornais e panfletos. Os órgãos governamentais também costumam gerar<br />
muitas informações importantes ao consumidor, em especial, quanto à classificação de<br />
produtos, que podem conter ainda informações negativas.<br />
A sequência, dimensão final de busca, está focada na ordem das atividades de busca,<br />
ou seja, na ordem em que a informação de atributo de produto é adquirida. Frente a um<br />
conjunto de marcas descritas junto a vários atributos, os consumidores podem seguir uma<br />
sequência de busca de marca, na qual cada marca é examinada quanto a vários atributos antes<br />
da busca prosseguir para a próxima marca.<br />
111
Pode ocorrer ainda, uma sequência de busca de atributo (processamento por<br />
atributo), em que a informação da marca é coletada em uma base de atributo-por-atributo; por<br />
exemplo, primeiramente um consumidor pode examinar o preço de cada marca e,<br />
posteriormente, prosseguir com a inspeção da garantia de cada marca.<br />
c) Determinantes de Busca<br />
Entre os determinantes de busca, ou seja, fatores que influenciam a busca, Engel,<br />
Blackwell e Miniard (2000) destacam: determinantes situacionais, de produto, de varejo e; do<br />
consumidor. Quanto aos determinantes situacionais, os autores destacam a importância do<br />
ambiente de informação em moldar o comportamento do consumidor. São vistas “como a<br />
influência que surge de fatores que são particulares a um momento e lugar específicos, que<br />
são independentes das características do consumidor e do objeto” (ENGEL; BLACKWELL;<br />
MINIARD, 2000, p. 507). Entre os fatores situacionais destacam-se os ambiente físicos<br />
(decoração, localização da loja, iluminação, sons, aromas, clima, etc.), sociais (presença ou<br />
ausência de outras pessoas na situação), tempo (momento em que o comportamento ocorre:<br />
hora, dia, mês, estação do ano), tarefa (objetivo particular do consumidor na situação) e,<br />
estados antecedentes (humores temporários: ansiedade, alegria, tristeza, alegria).<br />
O determinante de produto afeta a busca, sendo importante o grau de diferenciação<br />
entre eles. Caso o consumidor acredite que todas as marcas são iguais, há pouca necessidade<br />
de procura, já se elas se apresentam de forma distinta, o potencial de busca aumenta. Estas<br />
diferenças, no entanto, devem vir acompanhadas da incerteza sobre qual a marca é a melhor.<br />
Neste caso, o preço também é um fator importante, pois preços altos geram maior<br />
preocupação sobre os riscos financeiros envolvidos na compra, o que levará a uma busca<br />
maior.<br />
O varejo em termos de localização e diferenciação também determina a busca.<br />
Quando as lojas encontram-se muito distantes, o consumidor tende a visitar menor número de<br />
lojas. Quanto maior a diferença entre os varejistas, seja em preços, variedade de produtos ou<br />
atendimento, aumentam a necessidade de busca do consumidor. Contudo, também deve<br />
existir a incerteza sobre que loja é melhor, antes de as percepções de diferenças das lojas<br />
afetarem a busca.<br />
112
Finalmente, Engel, Blackwell e Miniard (2000) trazem as características do<br />
consumidor como determinantes do comportamento de busca: o conhecimento, o<br />
envolvimento, as crenças e atitudes e as características demográficas. São importantes, neste<br />
caso, o conhecimento que pode facilitar ou inibir a busca. Inibe porque permite que o<br />
consumidor se baseie na busca interna, diminuindo a necessidade de busca pré-compra. Por<br />
outro lado, facilita, pois capacita o uso mais eficaz de informação recém-adquirida, uma vez<br />
que, quanto mais confiantes na sua capacidade de avaliar produtos, mais buscam adquirir<br />
informação. A busca irá depender também do envolvimento do consumidor com o produto e o<br />
processo decisório, quanto maior o envolvimento, ou seja, o interesse do consumidor, maior<br />
tende a ser a busca.<br />
Em relação às crenças e atitudes, estes determinantes desempenham um papel<br />
central na tomada de decisão e nas ações de marketing relacionadas. Trata-se de “uma<br />
predisposição aprendida para responder a um objeto ou classe de objetos de forma<br />
coerentemente favorável ou desfavorável” (BERKOWITZ et al, 2003, p. 165). As atitudes são<br />
moldadas por nossos valores e crenças, os quais são aprendidos. Os profissionais de<br />
marketing estão preocupados com ambos, porém mostram-se mais preocupados com os<br />
valores pessoais, os quais afetam as atitudes influenciando na importância que o consumidor<br />
confere a atributos de produtos específicos.<br />
As crenças, também importantes, são percepções subjetivas do consumidor de quão<br />
bom é o desempenho de um produto ou marca no que se refere a atributos diferentes.<br />
Baseiam-se na experiência pessoal, na propaganda e em discussões com outras pessoas. As<br />
crenças acerca de um produto são importantes porque juntamente com os valores pessoais,<br />
criam uma atitude favorável ou desfavorável do consumidor em relação a certos<br />
produtos/serviços (BERKOWITZ et al, 2003). Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 128)<br />
exemplificam que:<br />
113<br />
No caso de compras repetidas, a satisfação dos consumidores com relação a suas<br />
escolhas anteriores pode determinar a necessidade percebida de busca enquanto<br />
fazem suas escolhas atuais. Se a escolha anterior for satisfatória, os consumidores<br />
tornam-se menos motivados a buscar. Este simples fato contribui bastante para<br />
explicar por que os compradores de alimentos gastam tão pouco tempo para tomar<br />
as decisões.<br />
Quando as decisões anteriores provocam menos satisfação, alguma busca se torna<br />
necessária. As crenças que os consumidores têm também são determinantes fundamentais,<br />
pois a percepção da relação custo versus benefício irá fazer a busca aumentar. Percebendo
que, quanto maior a busca, maiores os benefícios e menores os custos, o esforço nessa<br />
atividade torna-se maior.<br />
Características demográficas como idade e renda interferem na busca. Consumidores<br />
mais velhos tendem a realizar mais buscas podendo ser mais leais à marca que os mais jovens.<br />
Aqueles com renda mais alta, também buscam mais que os de renda mais baixa, pois<br />
valorizam mais o seu tempo.<br />
No entendimento de Engel, Blackwell e Miniard (2000), quando o consumidor é<br />
exposto às informações durante a busca externa ele realiza o seu processamento. O<br />
processamento das informações procura entender como os estímulos são recebidos,<br />
interpretados, armazenados na memória e, posteriormente, resgatados na fase de busca de<br />
informações. Para que a informação seja armazenada são necessários, segundo os autores,<br />
cinco passos:<br />
• Exposição: ocorre pela proximidade física do consumidor com o emissor da<br />
mensagem e pela ativação dos sentidos do consumidor, levando a mensagem a seu cérebro. A<br />
exposição pode dar-se pela televisão, por um vendedor fazendo seu discurso de vendas, por<br />
um rádio, etc.<br />
• Atenção: nem todos os estímulos a que o consumidor está exposto ativam seus<br />
sensores receptivos devido a limitações do sistema cognitivo humano. Os estímulos que<br />
conseguem vencer essa barreira entram no segundo estágio do processamento da informação,<br />
a atenção. Algumas qualidades do estímulo podem facilitar a superação dessa barreira natural:<br />
seu tamanho, suas cores, uso de contrastes diversos, posição na página impressa, movimento,<br />
novidade, beleza física, etc.<br />
• Compreensão: refere-se à interpretação do estímulo recebido e pode ser mais ou<br />
menos facilitada por fatores como a capacidade intelectual do consumidor, a simplicidade da<br />
mensagem, a proximidade do emissor, a motivação para o tema, o contexto no qual a<br />
mensagem está inserida, etc.<br />
• Aceitação: apesar de a mensagem ter sido corretamente compreendida, não há<br />
garantia de que seja aceita pelo consumidor, que poderá, durante sua exibição, estar<br />
argumentando consigo a favor ou contra ela. Dessa forma, a mensagem não poderá ser<br />
contrária a seus valores, ideias e princípios.<br />
• Retenção: essa fase final do processamento da informação envolve sua<br />
transferência para a área de memória de longo prazo, ponto no qual o produto ou serviço<br />
114
dificilmente será esquecido pelo consumidor. O processo de retenção da informação tem sido<br />
muito estudado e envolve o conhecimento do mecanismo de memorização do cérebro.<br />
Quando o consumidor armazena as informações julgadas relevantes torna-se<br />
necessário, avaliar as alternativas existentes para que se opte ou não pela compra. A busca<br />
será, portanto, complementada por um uma reflexão do consumidor que realiza parâmetros<br />
mentais, a fim de tomar decisões julgadas por ele como satisfatórias.<br />
Terceira Etapa: Avaliação de Alternativas<br />
Após a etapa de busca de informações, os consumidores comparam e avaliam as<br />
diferentes alternativas para então decidir sobre onde comprar (PARENTE, 2000). Nesse<br />
estágio, os consumidores não só, comparam distintos produtos e marcas, como também,<br />
avaliam as alternativas de lojas onde irão realizar suas compras. Este estágio é definido,<br />
“como o processo pelo qual uma alternativa de escolha é avaliada e selecionada para atender<br />
às necessidades do consumidor” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 135).<br />
115<br />
Dentro do processo de compra, os consumidores tipicamente identificam um grupo<br />
de lojas que elegem ao fazer suas decisões de compra. Um dos objetivos dos<br />
varejistas é não só fazer parte do grupo de lojas consideradas, mas tornar-se a<br />
alternativa preferida do seu segmento alvo de consumidores (PARENTE, 2000, p.<br />
124).<br />
Para Richers (1984), na avaliação de alternativas o conflito (existente em todo o<br />
processo de compra) atinge seu auge e provoca frequentemente instabilidade comportamental,<br />
em que quaisquer dos elementos de ordem psicológica, fisiológica, social ou econômica<br />
podem vir à tona, para colaborarem no esforço de resolução de conflito.<br />
Quanto à complexidade da avaliação de alternativa, Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000) afirmam que ela varia de acordo com o processo particular que os consumidores<br />
seguem ao tomar suas decisões de consumo. Ao tomar uma decisão de natureza habitual, o<br />
consumidor simplesmente forma a intenção de recomprar o mesmo produto que comprou<br />
anteriormente. Ou então, de forma similar, o consumidor não tem o conhecimento necessário<br />
para selecionar um produto, baseando-se na recomendação de um especialista, ao invés de<br />
tomar a decisão sozinho.
Quando a decisão é bastante complexa, geralmente envolvendo bens duráveis de<br />
preços elevados, a avaliação assume uma forma mais criteriosa. Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000, p. 136) descrevem esse processo:<br />
116<br />
As decisões devem ser tomadas, inicialmente, em relação a que alternativas de<br />
escolha considerar e que critérios de avaliação (isto é, dimensões ou atributos) usar<br />
ao julgar as alternativas. Depois, devem ser julgados os desempenhos relativos das<br />
alternativas consideradas ao longo dos critérios de avaliação. É, então, aplicada a<br />
estes julgamentos uma regra de decisão para selecionar uma alternativa em<br />
particular.<br />
Portanto, contrariando a tomada de decisão habitual, nesta etapa os consumidores<br />
normalmente devem (1) determinar que critérios de avaliação usar para julgar as alternativas;<br />
(2) decidir que alternativas considerar; (3) avaliar o desempenho de alternativas consideradas<br />
e; (4) selecionar e aplicar uma regra de decisão para fazer a escolha final, ações essas expostas<br />
na Figura 11.<br />
Determine os<br />
critérios de<br />
Avaliação<br />
Figura 11: Componentes Básicos do Processo de Avaliação de Alternativa Pré-compra.<br />
Fonte: Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 136).<br />
Os critérios de avaliação utilizados pelos consumidores são as dimensões ou<br />
atributos particulares utilizados no julgamento de alternativas de escolha (ENGEL;<br />
BLACKWELL; MINIARD, 2000).<br />
Avalie o<br />
desempenho das<br />
Alternativas<br />
Aplique a Regra<br />
de Decisão<br />
Determine as<br />
Alternativas<br />
de Escolha<br />
Para Solomon (2002, p. 220), “são as dimensões utilizadas para julgar os méritos de<br />
opções concorrentes”. Possuem várias formas, por exemplo, alguns consumidores podem
considerar fatores como segurança, confiabilidade, preço, nome da marca e garantia de um<br />
carro. Outros podem considerar critérios de avaliação de natureza mais hedonista, como os<br />
sentimentos que advêm da posse, como o prestígio e o status de dirigir o carro, como a alegria<br />
e a excitação.<br />
O preço é considerado um dos critérios mais relevantes de avaliação. Porém, há<br />
variação na importância do preço, tanto entre os consumidores, quanto entre os produtos.<br />
Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 137) esclarecem que a importância do preço é muitas<br />
vezes subestimada:<br />
117<br />
Ao perguntarem a compradores de supermercados o preço de um item que eles<br />
tinham acabado de colocar em seus carrinhos de compra, menos da metade soube<br />
responder. De forma semelhante, menos da metade estava ciente de que escolhera<br />
um produto que estava sendo oferecido com desconto. Os consumidores não estão<br />
sempre procurando o menor preço possível ou mesmo a melhor razão preçoqualidade.<br />
Outros fatores como conveniência ou nome de marca podem assumir<br />
maior importância.<br />
O preço pode exercer três funções diferentes no processo decisório de uma compra,<br />
mencionados por Richers (1984): (1) limita o mercado de compradores potenciais de um<br />
produto aos que dispõem de poder aquisitivo suficiente para adquiri-lo; (2) permite a<br />
realização de confrontos diretos entre produtos competitivos; e (3) representa uma medida de<br />
expressão do valor que o indivíduo atribui a um bem, em função da intensidade com que<br />
deseja possuí-lo. Essa última função é a mais difícil de mensurar e a que mais influencia na<br />
decisão de compra, pois o fator valor monetário facilmente se dilui entre outras variáveis que<br />
participam do processo de avaliação.<br />
Rojo (1998b), em seus estudos identifica “que os consumidores realmente dão muita<br />
importância ao preço, mas também, constatou-se que o supermercado não será capaz de reter<br />
clientes se, além de preços competitivos, não oferecer bom atendimento, qualidade, higiene e<br />
variedade”. Oferecendo tais diferenciais o supermercado estará proporcionando além de<br />
preços baixos, maior valor ao seu cliente. Isso porque, segundo o autor, o consumidor<br />
raramente está satisfeito com os preços do supermercado, pois para ele, quanto mais baixo o<br />
preço das mercadorias, melhor.<br />
O nome da marca é outro critério importante, pois a importância que o consumidor<br />
oferece ao nome pode depender de sua capacidade de julgar qualidade. É o caso, por exemplo,<br />
da aspirina, que alguns compram por ter um nome bem conhecido, embora saibam que todos
os produtos de aspirina contenham a mesma base de formulação terapêutica. Além disso, o<br />
nome da marca pode ser visto como um símbolo de status e os consumidores são motivados<br />
para tais considerações.<br />
Para avaliar produtos e lojas no varejo, os consumidores utilizam critérios<br />
conhecidos como atributos (PARENTE, 2000). Na escolha de um supermercado, por<br />
exemplo, alguns critérios considerados importantes para Parente (2000) são: preços,<br />
atendimento, qualidade, variedade e localização. Dessa forma, no caso de compras no varejo,<br />
os atributos variam de acordo com a categoria de produtos ou tipos de lojas, mas podem ser<br />
sintetizados nas variáveis que compõem o mix varejista, segundo Engel, Blackwell e<br />
Miniard (2000), Levy e Weitz (2000) e Parente (2000), as quais estão expostas no Quadro 06.<br />
Variável Atributos<br />
Mix de produtos<br />
Apresentação<br />
Preço<br />
Promoção<br />
Pessoal<br />
Ponto e Localização<br />
Variedade – amplitude e profundidade<br />
Qualidade dos produtos<br />
Exclusividade de estilo e design<br />
Layout, departamentalização e planograma<br />
Decoração e atmosfera<br />
Comunicação visual e sinalização<br />
Conforto<br />
Preço dos produtos<br />
Benefícios/custos do produto<br />
Prazo e formas de pagamento<br />
Propaganda<br />
Promoções no ponto de venda<br />
Programas de fidelização<br />
Rapidez no atendimento<br />
Interesse e cortesia no atendimento<br />
Qualificação técnica no atendimento<br />
Serviços oferecidos<br />
Quadro 06: Atributos para a Avaliação de Lojas Varejistas.<br />
Fonte: Adaptado de Parente (2000, p. 124).<br />
Proximidade<br />
Facilidade de acesso<br />
Complementaridade com outras lojas<br />
Neste contexto, para entender como os consumidores procedem à avaliação dos<br />
atributos, é importante resgatar o conceito de atitudes, as quais levam as pessoas a sentir<br />
simpatia ou antipatia, a gostar ou a não gostar, a ter atração ou então, rejeição. Essas atitudes<br />
são construídas na mente das pessoas e determinam o seu comportamento de compra,<br />
118
podendo ser confirmadas ou modificadas de acordo com as experiências dos consumidores e,<br />
por isso, são consideradas processos de aprendizagem (PARENTE, 2000).<br />
Os critérios de avaliação utilizados diferem na sua influência sobre as seleções de<br />
produtos dos consumidores, de forma que alguns apresentam um impacto maior do que<br />
outros. Essa noção de diferença é conceituada por Engel, Blackwell e Miniard (2000) como<br />
saliência. Trata-se da influência potencial que cada atributo pode exercer durante o processo<br />
de comparação. Se essa influência se materializa ou não, depende de como os consumidores<br />
percebem o desempenho das alternativas sob um critério de avaliação. “Atributos salientes<br />
que realmente influenciam o processo de avaliação (isto é, atributos nos quais as alternativas<br />
diferem em seus desempenhos) são conhecidos como atributos determinantes” (ENGEL;<br />
BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 138).<br />
Os critérios de avaliação utilizados pelos consumidores, na tomada de decisão<br />
dependem de vários fatores, dentre eles estão: a influência situacional, a similaridade de<br />
alternativas de escolha, a motivação, o envolvimento e o conhecimento.<br />
Parente (2000) traz à tona a importância da localização no processo de seleção de<br />
onde comprar. A maioria dos consumidores exclui de seu repertório de alternativas, as lojas<br />
muito distantes. Aliás, a distância é um fator importante no critério de decisão na escolha de<br />
lojas, porém, nem sempre é mensurada a partir da residência ou de quilômetros e sim,<br />
segundo sua conveniência, como estar próxima ao local de trabalho, ou em uma via principal.<br />
Pequenas distâncias são ignoradas, por exemplo, se a loja estiver um pouco mais distante será<br />
escolhida mesmo sem qualquer outra vantagem.<br />
119<br />
Se duas ou mais lojas são igualmente convenientes em termos de distância, outros<br />
fatores, como qualidade, sortimento e preço, influenciam a escolha. Sendo esses<br />
fatores significativamente inferiores na loja mais próxima, então uma loja distante e<br />
menos conveniente estará propensa a ser escolhida para compras regulares. A loja<br />
mais conveniente, porém, deve continuar sendo escolhida para compras de<br />
reposição (PARENTE, 2000, p. 126).<br />
O autor menciona que o consumidor típico não limita suas compras de alimentos a<br />
uma única loja. Geralmente possuem um repertório de lojas escolhidas para compras mais<br />
frequentes. Serão lojas mais propensas a fazer parte desse repertório, sendo mais visitadas em<br />
casos especiais e não em compras regulares, aquelas especializadas em qualidade, sortimento<br />
ou política de preços, mas com desvantagem na localização.
O segundo passo do consumidor na avaliação de alternativas, após decidir que<br />
critérios usar na avaliação, é determinar as alternativas dentre as quais a escolha será feita,<br />
as quais definem o que é denominado por Engel, Blackwell e Miniard (2000), de conjunto<br />
de consideração ou conjunto de evocação. Esse conjunto geralmente contém apenas um<br />
subconjunto do número total de alternativas disponíveis para o consumidor. Torna-se uma<br />
prioridade ingressar no conjunto de consideração, pois deixar de fazê-lo significa que a oferta<br />
do concorrente será a opção comprada. Assim, é preciso que os profissionais de marketing<br />
ajam para que seus produtos sejam alvo de consideração durante a tomada de decisão. Para<br />
isso, pode-se evocar o medo dos consumidores de cometer erros durante a tomada de decisão<br />
ou oferecer incentivos aos consumidores.<br />
Engel, Blackwell e Miniard (2000) ressaltam duas formas básicas utilizadas<br />
pelo consumidor para construir seu conjunto de consideração: (1) confiar em<br />
avaliações preexistentes do produto armazenadas na memória ou, (2) construir<br />
novas avaliações baseadas na informação adquirida pela busca interna ou externa.<br />
A formulação de novas avaliações pode estar ligada à inexperiência e incapacidade<br />
dos consumidores em determinadas circunstâncias, ou a estes não estarem<br />
predispostos a confiarem em suas avaliações.<br />
Os consumidores não podem construir um conjunto de consideração baseado em<br />
uma busca interna, sem o conhecimento prévio de pelo menos algumas alternativas. Porém,<br />
quando os compradores nunca compraram anteriormente algumas categorias de produtos, os<br />
consumidores podem não ter o conhecimento das alternativas que estão disponíveis para a<br />
escolha, determinando neste caso, que o conjunto de consideração seja desenvolvido de várias<br />
formas. Poderá se falar com outras pessoas, buscar nas páginas amarelas, considerar todas as<br />
marcas existentes na loja, etc. Dessa forma, os fatores externos como o ambiente de varejo<br />
têm maior oportunidade de afetar o conjunto de consideração dos consumidores menos<br />
informados.<br />
As estratégias de marketing são moldadas pela maneira que o conjunto de<br />
consideração é construído. Quando os consumidores desenvolvem um conjunto de<br />
consideração baseado numa busca interna da memória, a probabilidade de uma oferta ser<br />
escolhida depende da mesma ser resgatada da memória. Por isso, quando o conjunto de<br />
consideração é baseado na busca interna, o consumidor deve ser capaz de lembrar a oferta da<br />
120
empresa. Entretanto, em outros casos, o reconhecimento é mais importante que a lembrança,<br />
para a determinação do conjunto de consideração.<br />
Quando o consumidor que passa rapidamente os olhos pelas prateleiras de um<br />
mercado para determinar o que está disponível e fazer uma escolha dentre as marcas que ele<br />
reconhece (que são familiares), o reconhecimento das alternativas disponíveis no ponto-de-<br />
venda determina, portanto, o conjunto de consideração. Portanto, uma empresa não só deve<br />
assegurar que sua oferta esteja disponível na loja, mas ainda, querer ensinar o formato de sua<br />
embalagem para que o consumidor possa de modo fácil reconhecê-la (ENGEL;<br />
BLACKWELL; MINIARD, 2000).<br />
Após determinar as alternativas, é preciso avaliar o desempenho dessas, durante<br />
critérios de avaliação salientes. Muitas vezes o consumidor já possui armazenado na memória<br />
julgamentos ou crenças sobre o desempenho das alternativas de escolha que estão sendo<br />
consideradas. Neste caso, a habilidade de recuperar esta informação poderá afetar fortemente<br />
a alternativa escolhida no final, entretanto, aqueles que não possuem conhecimento<br />
armazenado precisam ter como base as informações externas para formar crenças sobre o<br />
desempenho de uma alternativa.<br />
Para julgar o desempenho de alternativas, os consumidores podem usar cortes ou<br />
sugestões/sinais. “Um corte é simplesmente uma restrição ou um requisito para valores<br />
aceitáveis do atributo” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 142). Um exemplo, é o<br />
preço, quando o consumidor define uma faixa de preços, que está disposto a pagar, estando o<br />
preço ofertado fora desta faixa, será considerado inaceitável. Os sinais ou sugestões mais<br />
comuns usados para avaliar a qualidade do produto é a garantia e o preço.<br />
Finalmente, é necessário selecionar e aplicar uma regra de decisão para fazer a<br />
escolha final. Na visão de Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 143), “regras de decisão<br />
representam as estratégias que os consumidores usam para fazer uma seleção das alternativas<br />
de escolha”. Estas regras podem variar de processos simples, que demandam pouco tempo e<br />
esforço, até aqueles processos mais elaborados, os quais envolvem mais tempo e esforço de<br />
processamento por parte do consumidor.<br />
Tratando da escolha habitual, a regra de decisão é simples: compra-se a mesma<br />
marca adquirida anteriormente. Mesmo a escolha não sendo habitual, os consumidores podem<br />
121
utilizar regras de decisão simples, como “comprar o produto de preço menor” ou “comprar a<br />
marca que meu marido mais gosta”, isso porque os consumidores fazem permutas entre a<br />
qualidade de sua escolha e a quantidade de tempo e esforço necessário para chegar à decisão.<br />
Em alguns casos, seguem regras de decisão que leva a uma escolha satisfatória ao invés de<br />
ótima, o que ocorre na compra de produtos repetitivos que possuem importância e<br />
envolvimento baixos. Entretanto, quando os consumidores estão altamente motivados, usam<br />
regras de decisão mais elaboradas ou complexas que exigem mais esforço de processamento.<br />
Para estas regras mais complexas, Engel, Blackwell e Miniard (2000) e, Solomon<br />
(2002) utilizam a seguinte distinção: regras de decisão compensatórias e regras de decisão<br />
não-compensatórias. No modelo compensatório, o consumidor “chega a uma escolha<br />
considerando todos os atributos e compensando mentalmente os pontos fracos em<br />
um ou mais atributos pelos pontos fortes em outros atributos” (SHETH; MITTAL;<br />
NEWMAN, 2001, p. 501), enquanto que no modelo não-compensatório, “o ponto fraco<br />
em um atributo de um produto não poder ser compensado por seu desempenho<br />
forte em um outro atributo” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 144). Ou<br />
seja, as regras compensatórias, permitem que os pontos fracos do produto sejam<br />
compensados pelos seus pontos fortes, enquanto que, as não-compensatórias,<br />
como as lexicográficas (quando a comparação começa pelo atributo mais<br />
importante), eliminação por aspectos (quando o consumidor acrescenta limites aos<br />
atributos) e conjuntiva (quando os limites são colocados para vários atributos<br />
importantes e há a comparação entre as alternativas uma de cada vez), ou não<br />
permitem que os pontos fortes compensem os fracos.<br />
O valor das regras de decisão para os profissionais de marketing está no impacto que<br />
elas exercem sobre a escolha do consumidor. “A compreensão da regra de decisão (regras)<br />
usada pelos clientes de uma empresa, que é a regra que leva à escolha do produto da empresa,<br />
pode sugerir ações que mantenham ou facilitem o uso desta regra pelos consumidores”<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 146). Um exemplo são os clientes que<br />
utilizam uma regra lexicográfica com qualidade de produto como a atributo mais importante,<br />
neste caso a empresa pode implementar uma campanha publicitária acentuando a importância<br />
da qualidade do produto da empresa. Além disso, compreender as regras de decisão é<br />
importante para o desenvolvimento de estratégias de mudança de atitude, mudança nos cortes<br />
e mudança da importância relativa de critérios de avaliação salientes.<br />
122
Quarta Etapa: Compra<br />
O mundo das compras tem mudado muito e os consumidores têm vivenciado<br />
algumas modificações reais na forma como fazem suas compras. Em conseqüência, as<br />
empresas se vêem forçadas a repensar seus negócios, oferecendo aos clientes o que eles<br />
esperam, seja na forma de serviços, variedade e assistência de vendas (ENGEL;<br />
BLACKWELL; MINIARD, 2000). Para os autores, nessa etapa os consumidores decidem:<br />
(1) comprar ou não; (2) quando comprar; (3) o que comprar; (4) onde comprar e; (5) como<br />
pagar. Já, Sheth, Mittal e Newman (2001), sugerem dividi-la em três fases: a primeira,<br />
quando o consumidor identifica a alternativa preferida; a segunda, quando ele forma<br />
uma intenção de compra e; a terceira, quando o consumidor finalmente implementa<br />
a compra propriamente dita.<br />
No processo de compra é importante considerar que nem sempre todas as<br />
intenções são consumadas, pois o consumidor sempre enfrenta a opção de abortar<br />
o processo nesta etapa, em que vários fatores podem intervir, conforme Engel,<br />
Blackwell e Miniard (2000), como:<br />
• Mudanças de motivações: quando a necessidade ativada é atendida de<br />
outras maneiras ou outras necessidades tornam-se dominantes;<br />
• Mudanças de circunstâncias: condições de ordem econômica, ou outros<br />
fatores, tornam a compra imprudente.<br />
• Nova informação: a avaliação de alternativa anterior mostrou-se deficiente.<br />
• Alternativas desejadas não estão mais disponíveis: escassez não-prevista.<br />
A compra é uma função que possui dois fatores: (1) intenções de compra e;<br />
(2) influências ambientais e/ou diferenças individuais. A intenção de compra é<br />
influenciada também por fatores situacionais imprevistos (ENGEL; BLACKWELL;<br />
MINIARD, 2000; KOTLER, 2009) como, por exemplo, o clima ou o desemprego<br />
temporário. Aspectos mercadológicos, como a exposição, a promoção de produtos,<br />
a atmosfera da loja e as reduções de preços, interferem e podem estimular ou<br />
restringir a intenção de compra do cliente.<br />
Distinguem-se três diferentes situações de compra, conforme o grau de<br />
planejamento do consumidor: (a) compra totalmente planejada, aquela em que tanto<br />
123
o produto como a marca são escolhidas antes do consumidor entrar na loja; (b)<br />
compra parcialmente planejada, aquela em que há intenção de compra de um<br />
determinado produto, mas a marca é decidida somente no interior da loja; (c) compra<br />
não planejada, aquela em que tanto o produto, quanto a marca são decididos dentro<br />
do ambiente da loja. As compras totalmente planejadas dizem respeito geralmente a<br />
procedimentos repetidos e com baixo envolvimento emocional por parte do consumidor.<br />
De modo geral, o volume de compras para dado consumidor, sujeito a determinada<br />
restrição orçamentária, é condicionado pela disponibilidade de tempo e pelas características<br />
físicas da loja: o seu layout (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). A compra não<br />
planejada difere da compra por impulso, pois nesta última, a necessidade de<br />
aquisição não é reconhecida previamente ao ingresso na loja. Muitos fatores<br />
concorrem para a efetivação, ou postergação, do ato de comprar.<br />
124<br />
A compra por impulso ocorre quando um consumidor vivencia um anseio<br />
repentino, geralmente poderoso e persistente, de comprar algo<br />
imediatamente. O impulso de comprar é hedonicamente complexo e pode<br />
estimular o conflito emocional. Além disso, a compra por impulso tende a<br />
ocorrer com consideração diminuída em relação a suas competências<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 155).<br />
Uma compra pode ser feita em um ponto de venda ou então, em casa<br />
(ENGEL, BLACKWELL E MINIARD, 2000; BOONE; KURTZ, 2009). Nas lojas<br />
varejistas o ato de fazer compras envolve a necessidade de se coletar informações e<br />
avaliar o contato com o vendedor. Nessa interação é considerado o relacionamento<br />
estabelecido com o vendedor, visando não apenas o fechamento da venda, mas a<br />
fidelização do cliente e o seu poder de persuadi-lo. Além disso, consideram-se<br />
fatores como: conhecimento e especialidade percebida, honestidade percebida,<br />
conhecimento de seus clientes e adaptabilidade.<br />
Entretanto, atualmente, no varejo a maioria das compras ocorre sob solução<br />
limitada em que existe pouca lealdade à marca e propensão de trocar as escolhas<br />
de marca. O objetivo é induzir a experimentação através de exibição e propaganda,<br />
incentivos em preços, prêmios e amostras. Quanto às compras realizadas em casa<br />
destaca-se o seu crescimento por meios como: a mala direta, o telefone, os<br />
catálogos e a mídia interativa.
Quinta Etapa: Consumo<br />
Conforme referenciado inicialmente, os autores Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000) separam o estágio de compra, do estágio de consumo. Segundo esses autores,<br />
consumo representa o uso do produto adquirido pelo consumidor e o momento, o<br />
local, a forma e quanto é consumido. São aspectos fundamentais que revelam o que<br />
pode ser chamado de comportamento de consumo.<br />
O estágio de compra é seguido pelo consumo, no qual o consumidor deve<br />
decidir como ele será feito. Entre as opções, Engel, Blackwell e Miniard (2000)<br />
destacam: o uso na primeira oportunidade conveniente; o armazenamento de curto<br />
prazo em antecipação a oportunidade de uso posterior e; o armazenamento de<br />
longo prazo sem uso específico ou antecipado na mente. A decisão de consumo<br />
também pode ser abortada, seja por influências de fatores situacionais não-previstos<br />
(uma demissão, uma nova informação de que o uso é inadequado, etc.), seja pelo<br />
arrependimento do comprador. O arrependimento pode ser motivado pela dúvida<br />
pós-decisão ou dissonância, o que é comum ocorrer inicialmente mesmo com ou<br />
sem um julgamento prévio de satisfação ou insatisfação.<br />
Para buscar reduzir essa dissonância existem duas opções: a confirmação<br />
da escolha do consumidor e a conclusão de que ele tomou uma decisão insensata.<br />
A busca de informações de apoio é útil para acentuar de que o consumidor fez a<br />
escolha certa, além das garantias, pois o consumidor precisa reassegurar-se de que<br />
agiu sensatamente.<br />
A pesquisa acerca do consumo é uma ferramenta importante no estudo do<br />
comportamento do consumidor, e está dividida em duas categorias básicas: a<br />
pesquisa de consumo motivada pelo lucro e ganhos empresariais e a pesquisa de<br />
consumo pós-moderna, que objetiva descobrir o significado do consumo na vida<br />
diária das pessoas. O reconhecimento da pesquisa pós-moderna mostra como os<br />
produtos assumem um significado especial e se tornam sagrados para o consumidor<br />
através de rituais, peregrinação, quintessência e coleção (ENGEL; BLACKWELL;<br />
MINIARD, 2000).<br />
125
Um ritual é um conjunto de comportamentos repetitivos, expressivos e<br />
simbólicos que ocorre numa sequência fixa, na qual as posses do consumidor são<br />
transformadas na sua identidade pessoal. A peregrinação é uma forma comum de<br />
consumo sagrado, exigindo uma viagem a um local de consumo onde o sacro é<br />
vivenciado. A quintessência ocorre quando o objeto é exatamente o que deveria ser,<br />
ou seja, serve como um talismã ao consumidor, ao qual valoriza muito. A coleção é<br />
um ritual de consumo comum, de longo prazo que dá um sentimento de poder e<br />
progresso ao consumidor.<br />
126<br />
Neste estágio, portanto, se verifica a “genuína” experiência de consumo e,<br />
onde é absolutamente importante incluir aspectos relacionados às percepções,<br />
sensações e até sentimentos vivenciados pelos consumidores. Assim, quando se<br />
compreende adequadamente como os produtos são consumidos e os resultados<br />
deste processo de consumo, pode-se ter a satisfação e a lealdade à marca.<br />
Sexta Etapa: Avaliação de Alternativa Pós-consumo<br />
O processo decisório do consumidor não se encerra com a concretização da<br />
venda e o consumo do produto. Isso porque, “a experiência de comprar e usar o<br />
produto fornece informações que o consumidor utilizará em uma tomada de decisão<br />
futura” (SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2001, p. 512). Conforme os autores, o<br />
processo pós-compra inclui quatro fases: (1) confirmação da decisão; (2) avaliação da<br />
experiência; (3) satisfação ou insatisfação e; (4) resposta futura.<br />
Posteriormente à tomada de decisão de compra, o consumidor experimenta<br />
uma intensa necessidade de confirmar a sensatez dessa decisão, até porque ele<br />
deseja evitar a confirmação contrária ou a chamada dissonância cognitiva (SHETH;<br />
MITTAL; NEWMAN, 2001). A dissonância, para Boone e Kurtz (2009), é mais<br />
propensa a aumentar: (1) conforme o preço em dinheiro da compra aumenta; (2)<br />
quando as alternativas que não foram escolhidas têm características desejáveis que<br />
as alternativas escolhidas não possuam; (3) quando a decisão de compra tem um<br />
efeito grande no comprador. Isso significa que a dissonância é mais propensa a<br />
ocorrer em compras de alto envolvimento do que aquelas que requerem baixo<br />
envolvimento. Os consumidores sentem emoções, tanto positivas, quanto negativas<br />
na etapa pós-compra. Para minimizar a dissonância Sheth, Mittal e Newman (2001),
assim como Boone e Kurtz (2009), sugerem que os profissionais devam fornecer<br />
informações positivas, que apoiam a alternativa escolhida evitando informações<br />
negativas.<br />
Na segunda fase, de avaliação da compra, o produto ou serviço é realmente<br />
consumido. Nessa situação os profissionais precisam identificar se os clientes<br />
consomem o produto de forma rotineira, ou se, ao consumi-lo o avaliam de forma<br />
consciente, o que varia conforme o nível de envolvimento com o produto e a<br />
finalidade da compra. A maioria dos produtos comprados são utilizados de forma<br />
rotineira (sem qualquer questionamento) pela falta de tempo e de motivação do<br />
consumidor para pensar sobre ele no ato de consumo, que apenas os notam quando<br />
algo não funciona como o esperado.<br />
Entretanto, existem produtos com a avaliação consciente durante o uso, em<br />
que todas as pessoas mostram-se muito entusiasmadas ao consumir, estando<br />
conscientes da experiência de consumo, analisando-os e apreciando-os<br />
continuamente (como, por exemplo, a degustação de vinhos por enófilos). Em outros<br />
casos, o consumidor é analítico, comprando alguns produtos para experimentação,<br />
sem que tenham determinado sua preferência final.<br />
Avaliando de forma ativa um produto ou não, o consumidor experimenta um<br />
resultado de uso, caracterizado como satisfação ou insatisfação (SHETH; MITTAL;<br />
NEWMAN, 2001). A satisfação pode ser definida “como a avaliação pós-compra de<br />
que uma alternativa escolhida pelo menos atende ou excede as expectativas. Em<br />
resumo, ela saiu-se pelo menos tão bem quanto você esperava. A resposta oposta é<br />
insatisfação” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 178). Para Sheth, Mittal e<br />
Newman (2001), mensurar a satisfação/insatisfação é uma tarefa fácil, o grande<br />
desafio, é entender porque os clientes se sentem assim.<br />
Quando os consumidores entram numa compra, possuem expectativas de<br />
como será o desempenho do produto, que são classificadas por Engel, Blackwell e<br />
Miniard (2000), como:<br />
• Desempenho equivalente: julgamento normativo, refletindo o desempenho<br />
desejado, dados os custos e os esforços devotados a compra e ao uso.<br />
127
• Desempenho ideal: é o nível ótimo ou ideal esperado de desempenho.<br />
• Desempenho esperado: é o que o desempenho provavelmente será.<br />
O julgamento do desempenho assume três formas distintas: desconfirmação<br />
positiva, quando o desempenho é melhor do que o esperado; a confirmação simples,<br />
quando o desempenho equivale às expectativas e; a desconfirmação negativa, em<br />
que o desempenho é pior que o esperado. A desconfirmação positiva resulta na<br />
satisfação do consumidor, na desconfirmação negativa, têm-se a insatisfação,<br />
enquanto que, a confirmação simples implica em uma resposta neutra. Tais<br />
resultados interferem diretamente nas intenções de recompra, isto é, quanto maior a<br />
desconfirmação positiva, melhor.<br />
Depois da experiência de satisfação ou insatisfação, os clientes possuem<br />
três respostas possíveis à empresa: o abandono, a reclamação ou a lealdade<br />
(SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2001). Engel, Blackwell e Miniard (2000) relatam que<br />
a frequência da insatisfação varia de 20% até cerca de 50 % dos compradores,<br />
variando conforme o tipo de produto. Entre as formas que a insatisfação pode<br />
assumir, destacam-se as respostas verbais, buscando-se a reparação do vendedor;<br />
as respostas particulares, através da comunicação boca-a-boca negativa; e, as<br />
respostas de terceiros, quando o consumidor usa processos legais. Entretanto, é<br />
preciso considerar que a maioria das pessoas nunca reclama ou busca uma<br />
reparação, apenas um terço o faz e é mais possível que boicotem ou reclamem com<br />
outras pessoas (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Geralmente os<br />
reclamantes que buscam reparação são pessoas mais jovens com renda e<br />
educação mais elevadas que a média. São positivos sobre ações consumeristas,<br />
preferem um estilo de vida que demonstre diferenças e individualidade e, sentem<br />
hesitação em deixar que seus problemas sejam conhecidos.<br />
Portanto, a satisfação é fundamental para reforçar a lealdade do comprador,<br />
enquanto a insatisfação pode levar a reclamações, boca-a-boca negativo e ainda,<br />
tentativas de buscar reparação por meios legais. Engel, Blackwell e Miniard (2000)<br />
alertam que a retenção de clientes deve receber prioridade maior que a conquista de<br />
novos consumidores, pois é geralmente menos custoso manter os clientes atuais do<br />
que atrair novos. Além disso, “a lealdade do cliente baseada em satisfação genuína<br />
128
e contínua é um dos maiores ativos que uma empresa pode adquirir” (ENGEL;<br />
BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 180).<br />
Oliver (1997) afirma que a lealdade é um compromisso profundamente arraigado,<br />
associado à repetição de compras ou a continuar dando preferência a um produto ou serviço<br />
ao longo do tempo, mesmo que influências situacionais e esforços dos concorrentes tenham<br />
potencial para provocar um comportamento de troca. Para reforçar essa lealdade, Engel,<br />
Blackwell e Miniard (2000) aconselham: o reforço do marketing individualizado por<br />
meio de um sistema de banco de dados; uma política de controle da qualidade total;<br />
a introdução de um sistema de feedback de satisfação antecipado, capaz de indicar<br />
os problemas em tempo suficiente para serem aplicadas ações corretivas; a criação<br />
de expectativas realistas; o monitoramento dos níveis de satisfação e retenção de<br />
clientes; o fornecimento de garantias e informações sobre o uso do produto; e, a<br />
solicitação do feedback do cliente.<br />
Sétima Etapa: Descarte<br />
O último estágio do processo decisório do consumidor é do despojamento<br />
ou descarte. Trata-se do “descarte do produto não consumido ou do que dele restou”<br />
(ENGEL, BLACKWELL; MINIARD, 2000, p. 92). Para os autores, esse problema<br />
sempre existiu, porém, só recentemente surgiu como foco de pesquisa e estratégia<br />
de marketing, devido aos graves problemas ambientais que emergem com mais<br />
força a cada dia. Neste estágio, os consumidores têm diversas opções incluindo<br />
descarte direto, reciclagem ou remarketing (revenda de produtos).<br />
Solomon (2002) entende que o consumidor pode desfazer-se dos produtos<br />
definitiva ou temporariamente. “Os consumidores se desfazem das coisas, seja<br />
porque já realizaram sua função ou possivelmente porque não são mais adequadas<br />
à visão que eles têm de si próprios” (SOLOMON, 2002, p. 248). O autor<br />
complementa ainda que “como as pessoas com frequência formam fortes laços com<br />
os produtos, a decisão de se desfazer deles pode ser dolorosa”. A Figura 12 ilustra<br />
as opções das quais o consumidor dispõe para efetuar o descarte dos produtos.<br />
129
Figura 12: Opções do Consumidor para Realizar o Descarte.<br />
Fonte: Solomon (2002, p. 249).<br />
Quando o consumidor julga que um produto não possui mais utilidade, ele tem<br />
várias opções relacionadas por Solomon (2002): (1) manter o item; (2) descartar-se dele de<br />
modo temporário; (3) desfazer-se dele permanentemente. Em muitos casos, um novo produto<br />
é comprado, mesmo que o antigo funcione. Isso ocorre por um desejo de se ter novas<br />
características, uma mudança no ambiente da pessoa ou uma mudança no papel ou na auto-<br />
imagem do indivíduo.<br />
Segundo Ottman (1994, p. 8), o próprio comportamento do consumidor tem<br />
demonstrado a tendência de preocupação ambiental:<br />
130<br />
Os indivíduos estão agindo de acordo com seus valores por meio do poder de suas<br />
decisões de compra [...]. Numa tentativa individual de se protegerem e de<br />
protegerem o planeta, esses consumidores estão moldando uma nova tendência<br />
denominada consumerismo ambiental, comprando produtos que consideram verdes<br />
e deixando produtos não verdes na prateleira.<br />
Quando exercem o poder de suas decisões de compra, os consumidores estão agindo<br />
de acordo com seus valores, o que tem levado as empresas a repensarem seus processos e suas<br />
filosofias, sob pena de perderem mercado e capital (OTTMAN, 1994). A crescente<br />
preocupação com o meio ambiente, incrementada pelo aumento da difusão do
consumo consciente têm proporcionado um destaque especial à etapa de descarte<br />
do processo decisório de compra.<br />
A sociedade como um todo apresenta uma cultura onde quase tudo é descartável,<br />
criando então, uma imensidão de lixos e produtos não reaproveitáveis. Estes levam anos para<br />
se decompor, gerando uma demanda de serviços e produtos que venham a resolver esses<br />
problemas. Um dos grandes fatores que contribuem para o agravamento deste quadro é o<br />
sistema produtivo de compras em supermercados, haja vista que a forma atual gera muitos<br />
resíduos, tais como inúmeras sacolas plásticas e caixas de papelão para o transporte dos<br />
produtos, além do consumo de combustível (e geração de poluentes) devido a necessidade de<br />
se ir até ao supermercado para fazer compras.<br />
Ainda que a etapa do descarte refira-se a todos os produtos, muito<br />
frequentemente ela está associada unicamente às embalagens, por serem<br />
identificadas como um dos mais sérios problemas das modernas sociedades<br />
industrializadas, especialmente àqueles relacionados ao lixo urbano (PALHARES,<br />
2003). Nos últimos anos, a preocupação com a preservação ambiental e suas<br />
relações com o descarte de resíduos sólidos têm ganhado mais espaço nos fóruns<br />
governamentais e nos debates da população em geral, especialmente dos países<br />
mais desenvolvidos. Prova disso, é que a União Européia promulgou uma Diretiva<br />
que trata especificamente do assunto “embalagem e descarte de embalagem”,<br />
estabelecendo rigorosos níveis de recuperação e reciclagem de resíduos sólidos em<br />
cada país-membro (PALHARES, 2003, p. 15).<br />
A partir dos dados de um levantamento realizado em 2002 pela Research<br />
International, afirma-se que: consumidor brasileiro está começando a despertar para<br />
a importância da preservação ambiental, uma vez que este estudo mostrou que<br />
94,7% dos brasileiros já tinham ouvido falar em reciclagem ou materiais recicláveis.<br />
Quando questionadas sobre sua posição em relação à reciclagem, 27% dos<br />
entrevistados responderam que já separam materiais para esse fim, 34%<br />
mostraram-se favoráveis à possibilidade de adotar o hábito e, 13 % disseram estar<br />
muito predispostos a seguir esta rotina.<br />
Com isso, a reciclagem passou a ser um método de descarte, e os produtos<br />
que passaram a incorporar componentes reciclados em suas embalagens, ou até<br />
131
mesmo em sua composição, vêm ganhando preferência junto aos consumidores. As<br />
empresas devem priorizar as questões ambientais nas suas decisões de marketing,<br />
pois os consumidores tornaram-se mais conscientes da fragilidade do meio natural,<br />
abrindo espaço para produtos ecologicamente melhores. Da mesma forma,<br />
empresas ou produtos que não atentarem para esta realidade, deixando de respeitar<br />
um nível mínimo de responsabilidade ambiental, poderão ser fortemente boicotados<br />
pelos consumidores que, a cada dia mais, passam a apresentar um comportamento<br />
“verde” nas suas decisões de compra.<br />
2.4.3.5 Como os clientes compram<br />
Geralmente os consumidores têm a opção de diversas lojas para efetuar suas<br />
compras, tratando-se de supermercados esta variação é ainda maior. Para optar entre uma ou<br />
outra loja e realizar compras, vários fatores interferem neste processo, sendo o primeiro<br />
apontado por pesquisas mencionadas na obra de Sheth, Mittal e Newman (2001), a<br />
localização.<br />
Este fator é um critério relativo, mas não absoluto, pois “algumas vezes, ele (o<br />
cliente) se dispõem a ir a uma loja distante, se lá pode obter melhor qualidade, ou seleção ou<br />
preço” (SHETH; MITTAL; NEWMAN, 2001, p. 662). Tal pesquisa mencionada foi realizada<br />
com 10 mil clientes de supermercados, em que se identificou em segundo e terceiro lugar, a<br />
qualidade e o preço dos produtos, considerados influentes. Os consumidores não selecionam<br />
uma loja com base apenas em um único fator, e nem sempre valorizam vários fatores em uma<br />
ordem específica de prioridade, o que ocorre é uma interação dinâmica de fatores que<br />
influenciam a escolha dos consumidores.<br />
nesta interação:<br />
Sheth, Mittal e Newman (2001) destacam tipos de fatores que provocam influência<br />
- A distância é importante, porém não é medida da distância da casa do cliente, ou<br />
em quilômetros, é mensurada de acordo com a conveniência, se a loja está no caminho do<br />
trabalho, por exemplo. Constata-se ainda, que pequenas distâncias são ignoradas porque às<br />
vezes, a loja mais longe poderá ser escolhida sem ter oferecido nenhuma vantagem.<br />
132
- Quando duas ou mais lojas são iguais em termos de conveniência, outros fatores<br />
como qualidade, variedade e preço, influenciam na escolha da loja. Caso estes fatores são<br />
significativamente inferiores em uma loja mais distante e menos conveniente, o cliente tende<br />
a escolhê-la para compras rotineiras. A loja mais conveniente em termos de distância pode,<br />
entretanto, continuar a ser escolhida para pequenas compras de última hora.<br />
- Um cliente típico não costuma limitar sua compra de alimentos a uma única loja.<br />
Na realidade, eles possuem repertório de lojas e uma delas é visitada com mais frequência e<br />
regularidade.<br />
Se existem lojas especializadas na qualidade, variedade ou preços baixos, elas<br />
tendem a ser incluídas no repertório de lojas, sendo visitadas apesar da desvantagem de<br />
localização, de vez em quando.<br />
O importante é compreender que os clientes “têm conjuntos de considerações e<br />
conjuntos de preferências não apenas para marcas, mas também para lojas” (SHETH;<br />
MITTAL; NEWMAN, 2001, p. 663). A seleção de uma loja em particular baseia-se nas<br />
exigências da situação em particular, como por exemplo, se é uma emergência, uma compra<br />
maior ou uma compra menor. Uma decisão de compra na verdade começa considerando a<br />
distância, mas não termina nela devido aos outros fatores.<br />
Para Sheth, Mittal e Newman (2001), existem duas vertentes sobre o modo como os<br />
clientes escolhem entre os fatores qualidade, variedade e preço. A primeira diz que se a loja<br />
oferece uma vantagem substancial em qualquer um desses fatores, ela poderá ser escolhida.<br />
Se cada uma oferece uma dessas vantagens, todas podem ser incluídas no repertório, porém,<br />
apenas para compras ocasionais. Em segundo lugar, se tais lojas (todas) que oferecem preço,<br />
qualidade ou variedade estiverem convenientemente localizadas, o cliente pode selecionar a<br />
loja com a vantagem que ele mais valoriza.<br />
Existem aqueles que frequentam cada tipo de loja para tirar vantagem de cada um<br />
dos três fatores, mas a maioria valoriza mais uma vantagem que a outra e escolhe a loja que a<br />
oferece para ser a sua loja regular. Isso demonstra como as lojas se diferenciam, ou no preço,<br />
ou na variedade, ou na qualidade. Cada estratégia de diferenciação dos supermercados<br />
funciona por um processo de “auto-seleção” do cliente, onde os clientes se auto-selecionam<br />
para serem clientes da loja que oferecer a vantagem que eles buscam.<br />
133
Sheth, Mittal e Newman (2001) mostram ainda, que três outros fatores são<br />
importantes: o atendimento, em termos de cortesia e presteza dos funcionários; a disposição<br />
das mercadorias na loja, para encontrar os produtos facilmente; e a atmosfera, que mostra se a<br />
loja é um ambiente agradável, em termos de iluminação, aparência, música, aroma, etc.<br />
Porém, tais fatores são utilizados em uma classificação secundária, isto é, ajudam na<br />
escolha da loja a partir de um conjunto dos estabelecimentos que oferecem preço, variedade e<br />
qualidade semelhantes, que são os fatores primários. Quando tais fatores primários são iguais,<br />
os clientes escolhem a loja que oferece uma das três vantagens secundárias ou todas elas.<br />
2.5 Atributos: Fatores Influentes na Tomada de Decisão<br />
O processo de decisão de compra do consumidor torna-se cada vez mais complexo<br />
mediante aos diferentes atributos que cada um valoriza no ato de suas compras. O atributo<br />
pode ser conceituado como aquilo que o produto ou empresa possui. São os adjetivos e/ou<br />
propriedades que, agregadas formam um conjunto de atributos que referenciam o<br />
produto/empresa.<br />
É através dos atributos que os consumidores definem que produtos irão comprar, ou<br />
no caso específico deste estudo, qual a empresa irão realizar suas compras. Os atributos,<br />
portanto, são utilizados pelos indivíduos como balizamento de avaliação e decisão de compra.<br />
As pessoas compram decidindo por meio de atributos considerados por elas mais<br />
significativos. Por isso, os atributos e suas categorias são aspectos considerados como fortes<br />
responsáveis pela decisão do consumidor acerca de que empresa ele irá selecionar para efetuar<br />
compras e satisfazer suas necessidades, e conhecê-los, confere a empresa informações<br />
fundamentais para o delineamento de estratégias diferenciadas no mercado.<br />
2.5.1 Conceitos de atributo<br />
Os Atributos assumem hoje um caráter fundamental no processo de decisão de<br />
compra do consumidor. Cada objeto de consumo seja este um produto, serviço ou empresa, é<br />
134
visto pelo consumidor como um conjunto de atributos, os quais possuem um peso individual<br />
no processo de compra (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Assim, a decisão de<br />
compra dar-se-á pela percepção do consumidor quanto a um ou mais atributos.<br />
Atributo pode ser considerado aquilo que identifica o produto. São os adjetivos e/ou<br />
propriedades que, agregadas formam um conjunto de atributos que referenciam o produto ou<br />
organização. Para Mowen e Minor (2003), atributos são os aspectos ou características de um<br />
objeto ou mais atributos neste objeto. Na língua portuguesa, o termo atributo é definido como<br />
sendo uma “característica, qualitativa ou quantitativa, que identifica um membro de um<br />
conjunto observado” (AURÉLIO, 1986).<br />
É através dos atributos que o consumidor define que produto irá comprar ou então,<br />
de que empresa fará suas compras, sendo ele utilizado como balizamento de avaliação e<br />
decisão de compra do produto. Tibola, Vieira e Sanzovo (2004) afirmam que para o<br />
consumidor todo atributo tem um significado e isto, pode favorecer ou não, a concretização da<br />
compra do produto.<br />
Espartel e Slongo (1999) consideram que os atributos podem ser vistos<br />
como propriedades ou características extrínsecas/intrínsecas ao produto, sendo<br />
concretos, observáveis, mensuráveis e de relevante importância na escolha entre<br />
alternativas. Froemming (2002, p. 82) menciona que “os atributos captam<br />
importantes aspectos de como o consumidor julga um produto ou empresa”.<br />
Identificar os atributos influentes na decisão do consumidor é imprescindível<br />
às organizações varejistas para que se possa compreender o que o cliente valoriza<br />
e, ao mesmo tempo, buscar a sua satisfação. Como argumenta Froemming (2002, p.<br />
84), os “atributos são parte integrante dos procedimentos de avaliação do<br />
consumidor e como tal, definem resultados de pesquisas e direcionamento de<br />
decisões administrativas”.<br />
2.5.2 Categorias de atributos<br />
Os atributos de um produto ou empresa são estímulos que influenciam o consumidor<br />
em sua tomada de decisão de compra, avaliados em função dos próprios valores, crenças ou<br />
135
desejos do consumidor a respeito de um determinado produto/empresa (ESPARTEL;<br />
SLONGO, 1999). No que se refere à influência efetiva dos atributos na intenção de compra do<br />
consumidor, Alpert (1971) questionou as pesquisas que costumavam mensurar todos os<br />
atributos igualmente sem conseguir identificar quais realmente eram os atributos que<br />
determinavam as preferências e as compras. Para o autor existem alguns atributos que são<br />
claramente decisivos na determinação do comportamento de compra, destacando-se três<br />
formas de apresentação de atributos que variam conforme com o grau de importância que eles<br />
possuem para o consumidor. São eles:<br />
• Atributos salientes: são os atributos presentes em um produto que são percebidos<br />
pelos consumidores mas que não possuem importância na tomada de decisão de compra.<br />
Estes atributos não levam o consumidor à tomada de decisão apresentando-se como neutros<br />
em relação ao grau de importância, porém, eles são percebidos no produto ou marca por um<br />
grupo específico de consumidores (ESPARTEL; SLONGO, 1999), tendo influência como<br />
fator de desempate, caso as outras condições se equivalerem.<br />
• Atributos importantes: são atributos considerados importantes pelos<br />
consumidores, mas que ainda não decidem a compra de um produto. São aspectos que por si<br />
só não são capazes de determinar a escolha de compra e, portanto, não influenciam e nem<br />
agregam valor na compra pelo fato de estarem presentes em uma categoria similar de<br />
produtos.<br />
• Atributos determinantes: são atributos constantes do rol de atributos<br />
importantes, e capazes de influenciar a compra de um produto. Para Solomon (2002), os<br />
atributos determinantes são aqueles usados para diferenciar opções. Nesta classificação estão<br />
os atributos que possuem maior poder de força para o consumidor tomar a decisão,<br />
com influência direta. Na realidade, tais atributos são analisados e selecionados com<br />
muita atenção e recebem demasiada posição na mente do consumidor, o que<br />
favorece a existência de uma ação positiva de compra por parte do cliente (ALPERT,<br />
1971).<br />
Os atributos também podem ser classificados, segundo a teoria do<br />
comportamento do consumidor, de acordo com o grau de concretividade, ou seja, o<br />
quanto se pode palpar o produto. Tem-se assim, os atributos abstratos e os atributos<br />
concretos.<br />
136
Os Atributos concretos referem-se ao que é físico e tangível no produto, isto é,<br />
aspectos palpáveis do objeto. Tais atributos são os mais fáceis de serem identificados pelos<br />
compradores (ENGE; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Já, os Atributos abstratos são<br />
reconhecidos por características intangíveis, como percepção de qualidade (PETER; OLSON,<br />
1999) e da marca, caracterizando aspectos não tocáveis do bem. Para Allen (apud<br />
ESPINOZA; HIRANO, 2003), os atributos tangíveis são aqueles perceptíveis por meio dos<br />
cinco sentidos humanos, enquanto que intangíveis são as imagens do produto tais como<br />
beleza, estética ou prestígio. Segundo o autor, os atributos tangíveis e intangíveis são julgados<br />
de maneiras diferentes pelos consumidores e, portanto, devem ser analisados distintamente.<br />
Outra categorização de atributo baseia-se no grau de correlação que ele possui para<br />
com o produto. Assim, os atributos podem ser classificados conforme citam Espinoza e<br />
Hirano (2003), em intrínsecos e extrínsecos. Os Atributos intrínsecos fazem referência às<br />
propriedades físicas e às características de funcionamento do produto, tais como resistência,<br />
cor, design, durabilidade, tamanho, sabor e matéria-prima. Os Atributos extrínsecos não<br />
compõem a parte física do produto e nenhuma alteração nesses provoca modificação no<br />
produto físico, como por exemplo, o preço, a propaganda, a marca, a garantia e a disposição<br />
no ponto-de-venda.<br />
Dentre as categorias possíveis encontradas na literatura Nowlis e Simonson,<br />
1997 (apud ESPINOZA; HIRANO, 2003) dividem os atributos em comparáveis e<br />
enriquecidos, baseados no quanto de facilidade existe para se comparar diferentes<br />
produtos/organizações. Os Atributos comparáveis são aqueles com os quais os<br />
consumidores podem fazer comparações de forma mais fácil e precisa, como por<br />
exemplo, o preço e o teclado de um computador. No outro extremo os Atributos<br />
enriquecidos são mais difíceis de comparar, como, por exemplo, a marca e a<br />
assistência concedida.<br />
McMillan e McGrath, em 1996 (apud ESPINOZA; HIRANO, 2003)<br />
propuseram a categorização dos atributos como básicos, discriminadores e<br />
energizadores, sugestão esta, com base nos estímulos que os atributos são capazes de<br />
transmitir ao consumidor. Atributos básicos são considerados aqueles que os indivíduos<br />
esperam obter em todas as ofertas – por exemplo, um carro com quatro rodas e portas.<br />
Atributos discriminadores são entendidos como aqueles que diferenciam um produto dos<br />
seus competidores (exemplo: direção hidráulica em carros, freios ABS). Na classificação,<br />
137
encontra-se em um nível intermediário entre os atributos mais simples (básicos) e aqueles<br />
mais especiais (energizadores). Quanto aos Atributos energizadores, estes não só distinguem<br />
um produto de outros, mas também são ‘a base’ na qual a decisão de compra é tomada e,<br />
portanto, são os principais causadores da compra.<br />
Geralmente a importância dos atributos difere muito de consumidor para<br />
consumidor. Engel, Blackwell e Miniard (2000, p. 243) argumentam que “os atributos<br />
de um produto podem variar substancialmente na importância que eles têm para os<br />
consumidores, quando estes [consumidores] formam suas atitudes sobre os<br />
produtos”. Portanto, determinados segmentos de consumidores, ou até mesmo<br />
pessoas, podem ter uma diferenciação de percepção muito grande. Assim, é<br />
necessário cuidado com as possibilidades de generalizações que surgem em<br />
estudos que trabalham este tema.<br />
2.6 Estratégia e Vantagem Competitiva<br />
138<br />
Os supermercados são hoje o maior laboratório de marketing do mundo, onde<br />
batalhas são travadas pelo consumidor, envolvendo estratégias sofisticadíssimas em<br />
busca de espaço, e onde os resultados se medem em unidades vendidas/ m²/mês<br />
(KASPER, 1981, p. 20).<br />
A determinação dos atributos influentes no processo de decisão de compra do<br />
consumidor torna-se uma informação fundamental a ser usada na formulação das estratégias<br />
supermercadistas. Competir no mercado varejista caracteriza-se hoje, como um desafio<br />
permanente em função do número crescente de concorrentes e da similaridade cada vez maior<br />
entre produtos e preços ofertados.<br />
Para garantir a vantagem competitiva nesse contexto, exigem-se esforços<br />
organizacionais com foco no cliente e nos seus anseios e necessidades emergentes. O<br />
supermercado deverá adotar estratégias relacionadas aos produtos, preços, ponto, promoção,<br />
apresentação física e atendimento pessoal, tendo como base os atributos mais valorizados<br />
pelos consumidores no momento de decisão de compra. Aqueles que conseguirem oferecer<br />
valor agregado representado pelos atributos, irão garantir vantagem competitiva frente a seus<br />
concorrentes com grande possibilidade de fidelização de um maior número de consumidores.
2.6.1 Estratégia: origem e definições<br />
Compreender o conceito de estratégia torna-se uma tarefa difícil, uma vez que,<br />
existem desacordos acerca do que realmente seja sua definição, qual a sua essência e que<br />
elementos e aspectos humanos, organizacionais e sociais, precisam ser abordados quando se<br />
trata do tema. Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) defendem esta diversidade de<br />
significados em função da riqueza semântica do vocábulo e da natureza intrinsecamente<br />
complexa daquilo que se costumou tratar como estratégia no contexto das organizações<br />
(MEIRELLES; GONÇALVES, 2005).<br />
A palavra estratégia significa literalmente “a arte do general”, derivada do grego<br />
strategos, com origem na Idade Antiga, especificamente na Grécia, que significa “chefe do<br />
exército”. Durante séculos, foi utilizada pelos militares significando o caminho a ser dado à<br />
guerra, visando a vitória militar através das habilidades psicológicas e comportamentais com<br />
as quais o chefe exercia o seu papel.<br />
Ao tempo de Péricles (450 a.C), passou a significar habilidades gerenciais<br />
(administração, liderança, oratória, poder). E, ao tempo de Alexandre (330 a.C), referia-se a<br />
habilidade de empregar forças para sobrepujar a oposição e criar um sistema unificado de<br />
governação global (MINTZBERG; QUINN, 2001).<br />
No geral, considerando o âmbito interno, as estratégias são referenciais para os<br />
participantes das organizações e, externamente, a estratégia cumpre a função de orientar a<br />
busca por oportunidades, mercados, enfim, a própria sobrevivência organizacional. Meirelles<br />
e Gonçalves (2005) destacam que a formulação e a implementação estratégica constituem-se<br />
em desafios gerenciais de alta complexidade, pois se refere a toda a organização, a fim de<br />
buscar orientar esforços organizacionais da realidade ambiental, considerando não apenas a<br />
realidade presente do ambiente, mas também, sua dinâmica evolutiva e em geral trabalhando<br />
com decisões estruturadas, não rotineiras e não repetitivas.<br />
Porter (1999) também considera que estratégia refere-se a escolhas de rumos para<br />
uma organização, e, assim, implica em que algumas coisas serão feitas e outras não, ou seja,<br />
implica em ações e decisões emolduradas por algum padrão ou orientação. A estratégia é,<br />
portanto, um conjunto coerente de decisões e ações organizacionais.<br />
139
Meirelles e Gonçalves (2005) mencionam que além dos acordos existem também os<br />
debates e as polêmicas acerca do tema. É simplista afirmar que estratégia implica na<br />
adequação da organização ao seu ambiente, assim, algumas abordagens reservam pouco ou<br />
nenhum espaço de escolha aos atores organizacionais e tratam o ambiente como um espaço<br />
determinado, objetivo e regido por leis e uma lógica própria, em que a organização e o<br />
indivíduo não possuem influência direta. Contrariamente, para alguns autores de orientação<br />
interpretativista (a fenomenologia), o ambiente só existe a partir da percepção e construção<br />
simbólica humanas, não tendo sentido se falar em ambiente externo, pré-existente às pessoas e<br />
grupos (MEIRELLES; GONÇALVES, 2005).<br />
Existe certa aceitação também em considerar que a estratégia envolve processos<br />
decisórios macro-organizacionais. Porém, os acordos terminam por aí, uma vez que os<br />
modelos irão variar não só em relação ao papel do ambiente e dos atores organizacionais, mas<br />
ainda quanto à racionalidade que sustenta a idéia de decisão e escolha.<br />
Meirelles e Gonçalves (2005) retratam que:<br />
140<br />
Algumas abordagens defendem que um processo estratégico eficaz depende de<br />
esforços de análise e planejamento formal e, portanto, do estabelecimento prévio de<br />
acordos sobre fins e meios (ACKOFF, 1970; ANSOFF & MC<strong>DO</strong>NNELL, 1993);<br />
outras abordagens rejeitam quaisquer modelos sinópticos e apriorísticos de<br />
formulação estratégica, advogando sua inviabilidade no mundo real das<br />
organizações e da interação humana (LIN<strong>DO</strong>BLOM, 1981).<br />
Conforme Meirelles e Gonçalves (2005), existem vários conceitos, abordagens e<br />
enfoques para o tema, uns distintos, outros muito semelhantes e, outros, aparentemente<br />
diferentes. Cada autor focou o tema privilegiando um ou outro aspecto, por razões variadas,<br />
considerando estratégia como: o esforço formal de análise e decisão; aprendizagem e<br />
construção cotidiana; o resultado do esforço organizacional para ocupar uma posição no<br />
mercado competitivo; o conjunto de competências e capacidades internas; algo tão palpável<br />
quanto às máquinas nas oficinas da empresa; arte; ciência e; jogo, guerra.<br />
Nestas revisões históricas e temáticas, os vários autores usaram diferentes lentes e,<br />
por isso, enxergaram apenas partes ou nuances do objeto total. Propõe-se que a soma destas<br />
abordagens se aproximaria do objeto real. Desta forma, poder-se-á dizer, enfim, que estratégia<br />
é o somatório dos conceitos e enfoques colecionados ao longo da história da disciplina.<br />
Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) utilizam este modelo somatório no Safári de estratégia,<br />
em que classificam as abordagens sobre estratégia em dez escolas, cada uma com foco em
uma parte do objeto complexo estratégia: as escolas do design, do planejamento, do<br />
posicionamento, empreendedora, cognitiva, de aprendizagem, do poder, cultural, ambiental e<br />
de configuração.<br />
Para Mintezberg, Ahlstrand e Lampel (2000), a estratégia requer uma série se<br />
definições, cinco em particular, distribuídas em 10 escolas.<br />
• Estratégia é um plano, um caminho para o futuro, direção, guia. (olhar para<br />
frente - pretendida);<br />
• Estratégia é um padrão, isto é, consistência em comportamento ao longo do<br />
tempo (olhar o comportamento passado - realizada);<br />
• Estratégia é uma posição, isto é, a localização de determinados produtos em<br />
determinado mercados (olha para baixo – ponto em que o produto encontra o cliente);<br />
• Estratégia é uma perspectiva, isto é, a maneira de uma organização fazer as<br />
coisas (olha para dentro e para cima);<br />
• Estratégia é um truque, isto é, uma manobra para enganar um concorrente.<br />
É importante ressaltar que todas as definições de estratégia focam na<br />
inseparabilidade entre a organização e o meio envolvente que, se por um lado representa uma<br />
condicionante à sua atividade, por outro, lhe oferece oportunidades que importa aproveitar. É<br />
esta relação entre organização e envolvente que dá sentido ao conceito de estratégia.<br />
Para Bowditch e Buono (1997), o ambiente externo tem influência significativa<br />
sobre as práticas gerenciais e o funcionamento organizacional, pois as empresas são sistemas<br />
abertos e são influenciadas por forças e mudanças ambientais. Embora as empresas possam<br />
aprender sobre e se adaptar ao seu ambiente, elas também podem, em graus diferentes<br />
modificar e controlar o ambiente. Assim, é importante que as organizações mudem e se<br />
adaptem, mas também, é fundamental que elas sejam capazes de neutralizar ou alterar<br />
aspectos problemáticos do seu meio.<br />
2.6.2 O marketing estratégico e as estratégias competitivas<br />
Em face da abertura dos mercados, a concorrência torna-se cada vez mais acirrada,<br />
proporcionando maior importância ao conceito de competitividade. Competitividade pode ser<br />
141
definida como “a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais,<br />
que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no<br />
mercado” (FERRAZ; KUPFER; HAGUENAUER, 1995, p. 6).<br />
Para os autores, o processo de globalização, combinado à aceleração da difusão de<br />
novas tecnologias e de novas técnicas de gestão da produção, tem provocado profundas<br />
transformações na distribuição espacial da produção mundial. Redefinem-se os fatores<br />
determinantes da competitividade, fazendo emergir novas empresas de sucesso e tornando<br />
obsoletas aquelas incapazes de evoluir e adaptar-se ao novo ambiente.<br />
Zenone (2007) relembra que o mundo está se transformando rapidamente,<br />
aproximando mais consumidores e mercados. Nesse cenário, surgem novas oportunidades e,<br />
ao mesmo tempo, ameaças, pois devido às modificações no estilo de vida das pessoas, há um<br />
aumento da complexidade do ambiente mercadológico.<br />
142<br />
Essa complexidade coloca um desafio às organizações: o contínuo aprimoramento<br />
de seus processos, produtos e serviços, visando oferecer alta qualidade com custo<br />
compatível e competitivo, na busca de assumir uma posição de liderança no<br />
mercado onde atua. Redefinem-se os fatores determinantes da competitividade,<br />
fazendo emergir novas empresas de sucesso e tornando obsoletas aquelas incapazes<br />
de evoluir e adaptar-se ao novo ambiente mercadológico (ZENONE, 2007, p. 14).<br />
No Brasil, assim como no restante do mundo, as pequenas empresas têm grande<br />
parcela de contribuição no mercado. Todavia, o ciclo de vida de grande parte destas empresas<br />
é curto. Empresas fracassam, conforme Souza (1993b, p. 31), “por não terem sido capazes de<br />
orientar adequadamente suas atividades às necessidades do cliente e não entenderam qual a<br />
função básica a ser desempenhada pela empresa”. Para Barbosa (1994, p. 50), os “resultados<br />
de pesquisas indicam que muitas das principais causas de fracasso das pequenas empresas<br />
advém de deficiências de Marketing, o que implica em baixa capacidade competitiva, ou, de<br />
outra forma, em dificuldades para enfrentar a concorrência”.<br />
Com a intensificação da competitividade, a definição de estratégias e seu<br />
consequente planejamento constituem necessidades básicas das organizações. Isso reforça o<br />
argumento de Porter (1990), de que o desempenho acima da média em uma empresa é<br />
alcançado e sustentado por meio de uma estratégia competitiva. Nesse contexto, as empresas<br />
estão buscando maior interação com seus clientes, a fim de permanecerem competitivas no<br />
mercado. O pensamento organizacional precisa ser redirecionado, tornando as empresas mais<br />
abertas a receber novas idéias e, principalmente, alcançar os anseios de seus consumidores.
143<br />
O sucesso competitivo passa a depender da criação e da renovação das vantagens<br />
competitivas por parte das empresas na busca de peculiaridades que a distingam<br />
favoravelmente das demais (diferenciação). O conceito de diferenciação representa<br />
o ato de desenvolver, nos produtos e/ou serviços, um conjunto de características<br />
significativas para distinguir a oferta da empresa em relação à concorrência<br />
(ZENONE, 2007, p. 14).<br />
Torna-se necessário nesse cenário, adotar estratégias, que possam agregar valor aos<br />
clientes e limitar as ações dos concorrentes, o que valoriza o conceito de marketing<br />
estratégico. De modo geral, as estratégias de marketing, baseiam-se nos estudos detalhados<br />
das variáveis controláveis, ou relativamente controláveis, e das variáveis incontroláveis. As<br />
variáveis controláveis são aquelas passíveis de gerenciamento, que podem ser<br />
redimensionadas ou modificadas conforme as necessidades empresariais e as exigências do<br />
mercado: Políticas de Produto ou Serviços, Políticas de Preço, Políticas de Distribuição e<br />
Políticas de Comunicação. As variáveis incontroláveis se dividem em forças macroambientais<br />
e microambientais e não podem ser gerenciadas por nenhuma empresa, pois são forças<br />
externas que influenciam as ações de marketing de todos os competidores do mercado<br />
(KOTLER, 2009).<br />
A essência do marketing estratégico é assegurar que as ações de marketing da<br />
organização adaptem-se às mudanças ambientais externas e possuam os recursos de marketing<br />
para fazer isso efetivamente (LEWIS; LITTLER, 2001). Por isso, a função do marketing<br />
estratégico é:<br />
Seguir a evolução do mercado de referência, identificar os diferentes produtosmercado<br />
e segmentos atuais ou potenciais, na base da análise de necessidades a<br />
satisfazer, e orientar a empresa para as oportunidades existentes ou criar<br />
oportunidades atrativas, ou seja, bem adaptadas aos seus recursos e ao seu saberfazer,<br />
que oferecem um potencial de crescimento e rentabilidade (ZENONE, 2007,<br />
p. 24).<br />
Como o ambiente é dinâmico e novas situações surgem a cada momento, as ações<br />
estratégicas da empresa têm como finalidade retomar os rumos traçados, independentemente<br />
das dificuldades que possam surgir no percurso. As ações estratégicas são adaptativas,<br />
respondendo às contingências ambientais na medida em que elas ocorram, visando, com isso,<br />
o alcance dos objetivos estratégicos da empresa. O grande ponto a ser buscado é o equilíbrio,<br />
isto é, a busca da manutenção da estabilidade com o reconhecimento da necessidade de<br />
mudanças, quando necessário, como se visualiza na Figura 13.
Figura 13: O Papel do Marketing Estratégico.<br />
Fonte: Zenone (2007, p. 25).<br />
Aaker (2001) considera que muitas características e tendências distintas têm surgido<br />
no campo estratégico como:<br />
• Orientação para o Mercado – as organizações necessitam orientar-se para o<br />
exterior, para os clientes, os concorrentes, o mercado e o ambiente de mercado.<br />
• Estratégias Pró-ativas – aquelas que possuem como intuito influenciar eventos<br />
no ambiente, ao invés de simplesmente reagir a forças ambientais à medida que ocorrem.<br />
• Importância do Sistema de Informações – elemento chave em um processo de<br />
desenvolvimento estratégico efetivo.<br />
• Análise On-line e Tomada de Decisão – importância da disponibilidade de<br />
informações para tomadas de decisão.<br />
• Espírito Empreendedor – reconhece-se cada vez mais a importância de<br />
desenvolver e manter o espírito empreendedor.<br />
• Implementação – a implementação de uma estratégia é um ponto fundamental.<br />
Deve haver uma preocupação com o fato de a estratégia servir à organização ou de a<br />
organização mudar para se ajustar à estratégia.<br />
• Realidades Globais – cada vez mais a globalização está afetando a estratégia das<br />
empresas. Mercados globais são extremamente relevantes e é rara a empresa que não seja<br />
afetada por concorrentes cujas operações estejam baseadas ou não, em outros países.<br />
• Horizonte de Tempo Maior – um grande problema para muitas empresas é o<br />
desenvolvimento de objetivos e estratégias eficazes de longo prazo.<br />
144
• Pesquisa Empírica – mais recentemente, iniciou-se uma tradição de pesquisa<br />
empírica no campo da estratégia. A abordagem qualitativa de estudos de caso fornece<br />
hipóteses e insights úteis.<br />
Mesmo existindo vários tipos de estratégias de marketing, Porter os condensou em<br />
três tipos genéricos, que fornecem a base para o pensamento estratégico (KOTLER;<br />
ARMSTRONG, 1999):<br />
• Liderança total em custos: a empresa se esforça para conseguir os menores<br />
custos de produção e de distribuição, de modo a poder oferecer preços mais baixos do que os<br />
do concorrente e conquistar uma grande participação de mercado.<br />
• Diferenciação: a empresa se concentra em criar uma linha de produtos e planos<br />
mercadológicos altamente diferenciados, tornando-se líder no mercado.<br />
• Foco: o negócio concentra-se em um ou mais segmentos estreitos de mercado ao<br />
invés de perseguir todo o mercado.<br />
Day (1990) ressalta que as duas características mais relevantes de um mercado<br />
competitivo são os clientes e os concorrentes, pois constituem as duas dimensões capazes de<br />
gerar vantagens competitivas às organizações. O autor identifica que as empresas centradas<br />
em seus concorrentes tendem a adotar estratégias de custos, enquanto que, as empresas<br />
centradas em seus clientes, tendem a adotar estratégias de diferenciação. A organização que<br />
perseguir uma estratégia definida - diferenciação, foco ou custos – possui maior probabilidade<br />
de ter um desempenho superior a seus concorrentes (KOTLER; ARMSTRONG, 1999).<br />
Zenone (2007) considera que as atividades de marketing estratégico são<br />
fundamentais, principalmente para a empresa que busca diferenciação. Isso porque, o<br />
Marketing estratégico envolve as funções que antecedem a produção e a venda do produto,<br />
incluindo o estudo de mercado, a escolha do mercado-alvo, a concepção do produto, a fixação<br />
do preço, a escolha dos canais de distribuição e a elaboração de uma estratégia de<br />
comunicação e produção.<br />
Valdés (2003) argumenta que para o estabelecimento de uma estratégia de marketing<br />
efetiva é necessário iniciar com uma avaliação detalhada das capacidades da empresa em<br />
relação à concorrência, assim como as oportunidades e ameaças apresentadas pelo ambiente,<br />
145
identificando-se a vantagem competitiva da empresa, as metas com relação à concorrência e,<br />
as bases do posicionamento competitivo da organização.<br />
A melhor estratégia competitiva para Kotler e Armstrong (1999), a ser utilizada,<br />
depende da posição que a empresa ocupa no setor em que atua, bem como, dos seus objetivos,<br />
oportunidades e recursos. Assim, as estratégias competitivas classificam-se, segundo sua<br />
posição no mercado, em: líder de mercado, desafiante, seguidora, ou ocupante de nicho.<br />
A empresa líder de mercado deve manter uma vigilância constante, pois outras<br />
empresas estarão sempre desafiando suas forças ou tentando aproveitar-se de suas fraquezas.<br />
Para manter a sua posição de mercado buscam-se três tipos de ações: expandir o mercado<br />
total, proteger sua participação no mercado e, expandir essa participação. Visando expandir o<br />
tamanho do mercado, procura-se novos usuários para o produto, novos usos e maior<br />
frequência de uso. Como ações de defesa utilizam-se:<br />
seu território.<br />
- Defesa da posição: a empresa constrói uma fortificação indestrutível em torno de<br />
- Defesa de flanco: a líder de mercado não deve apenas guardar seu território, mas<br />
também, criar barreiras para proteger uma frente fraca.<br />
- Defesa antecipada: uma manobra de defesa mais agressiva é lançar um ataque<br />
sobre o inimigo antes de o mesmo iniciar uma ofensiva contra a empresa.<br />
- Defesa contra-ofensiva: a melhor resposta a um ataque é aguardar e identificar<br />
alguma falha nas posições de ataque do opositor, ou seja, buscar lacunas no ataque do<br />
concorrente.<br />
- Defesa móvel: consiste na expansão do domínio do líder para novos territórios, que<br />
poderão ser usados como futuros centros de defesa ou ataque.<br />
- Defesa de contração: às vezes, as grandes empresas reconhecem que não podem<br />
defender todos os seus territórios por muito tempo, assim a melhor atitude é a contração<br />
planejada ou retirada estratégica. Não é o abandono do mercado e sim, a entrega de territórios<br />
mais fracos, para mandar recursos para os territórios mais fortes.<br />
146
A estratégia desafiante de mercado é utilizada pelas empresas batalhadoras que<br />
podem optar por atacar a líder, outras empresas concorrentes, que ocupam posições<br />
secundárias ou empresas menores do setor. Utilizam-se como estratégias de ataque:<br />
- Ataque Frontal: quando o agressor concentra suas forças contra as do oponente,<br />
atacando as forças do oponente, ao invés de atacar as fraquezas.<br />
- Ataque de Flanco: é concentrar as forças contra as fraquezas.<br />
- Ataque de Cerco: é lançar grande ofensiva em diversas frentes, de modo que o<br />
inimigo tenha que proteger, simultaneamente, seu fronte, flanco e retaguarda. A empresa<br />
oferece ao mercado tudo e mais do que a oponente oferece, tornando a oferta irrecusável. Só<br />
faz sentido quando a empresa agressora tem muito recurso para resistir por muito tempo.<br />
- Evitar o Ataque: significa evitar o confronto com o inimigo e atacar mercados mais<br />
fáceis com o objetivo de ampliar a base de recursos.<br />
- Ataque de Guerrilha: é útil para as desafiantes menos capitalizadas, consistindo em<br />
pequenas e intermitentes batalhas sobre diferentes territórios da oponente, com o propósito de<br />
incomodá-las.<br />
A empresa seguidora de mercado é aquela que ocupa uma posição secundária e que<br />
opta por não perturbar o setor, pois teme ter mais a perder do que a ganhar (KOTLER;<br />
ARMSTRONG, 1999). Entretanto, não pode ser considerada como uma empresa sem<br />
estratégia, uma vez que procura expandir e usar suas habilidades particulares para conseguir<br />
crescer no mercado. A empresa pode acompanhar, copiar ou melhorar um novo produto e<br />
lançá-lo. Embora esta empresa, provavelmente, não vá superar a líder, a empresa seguidora<br />
pode conquistar lucro elevado porque não assume nenhuma despesa de inovação.<br />
A empresa menor, que atende a uma parte do mercado e que não possui muita<br />
chance de atrair empresas maiores, é conhecida como ocupante de nicho de mercado. Essas<br />
empresas normalmente se tornam especialistas em algo, o que a faz uma estratégia rentável,<br />
pois a ocupante pode cobrar uma margem substancial sobre os custos em função do valor<br />
agregado oferecido. Estas conseguem margem alta enquanto as que vendem em massa<br />
conseguem volume alto.<br />
147
Portanto, para o planejamento de uma estratégia de marketing eficiente, a<br />
organização deve considerar tanto a atuação de seus concorrentes, quanto o comportamento<br />
de seus clientes atuais e potenciais. É preciso dedicar-se de forma contínua à análise dos<br />
concorrentes e desenvolver estratégias competitivas de marketing que a posicionem contra os<br />
concorrentes e lhe garantam uma forte vantagem competitiva (KOTLER; ARMSTRONG,<br />
1999). Os autores alertam que a orientação competitiva é importante, porém, não deve<br />
centrar-se apenas nos concorrentes, pois há a probabilidade de serem mais prejudicadas pelas<br />
necessidades emergentes dos consumidores do que pela concorrência. “As empresas que<br />
sabem equilibrar a preocupação com o consumidor e os concorrentes estão praticando uma<br />
verdadeira orientação de mercado” (KOTLER; ARMSTRONG, 1999, p. 423).<br />
2.6.3 Estratégia de varejo supermercadista: como fazer o consumidor ir às<br />
compras<br />
Assim como qualquer outro empreendimento, o varejo requer uma administração<br />
eficaz, feita por gestores capazes de planejar, organizar, coordenar e controlar o crescimento,<br />
a sobrevivência e o futuro do negócio varejista. Caso contrário, todos os esforços serão<br />
destruídos face à concorrência acirrada e a competitividade típica deste setor. Por isso, a<br />
importância dos gestores de varejo conhecer seus ambientes, especialmente os clientes e os<br />
concorrentes para o desenvolvimento de estratégias eficazes.<br />
Portanto, o processo de marketing e o varejo estão interligados, uma vez que o<br />
varejo faz parte do composto mercadológico, inserido na ferramenta de Distribuição/Ponto.<br />
No entendimento de Las Casas e Barboza (2007), o setor varejista faz parte do sistema de<br />
distribuição, como uma das variáveis controláveis, que dependem de uma eficiente gestão<br />
mercadológica.<br />
O processo mercadológico, exposto na Figura 14, mostra como as variáveis<br />
incontroláveis influenciam o composto de marketing, do qual o setor varejista faz parte, como<br />
uma das variáveis controláveis do sistema.<br />
148
Figura 14: Variáveis Controláveis e Incontroláveis.<br />
Fonte: Las Casas e Barboza (2007, p. 28).<br />
As variáveis incontroláveis que afetam o setor de varejo, citadas por Las Casas e<br />
Barboza (2007) são:<br />
• Demográficas – compostas por mudanças nos padrões demográficos, tais como<br />
idade, índice de natalidade, estado civil, instrução, crença religiosa, etnia, renda salarial,<br />
níveis culturais. Isso força os administradores do varejo a adaptarem os produtos com os quais<br />
atuam ou até mesmo, a localização das lojas, em função de mudanças em tais padrões e nas<br />
exigências de cada segmento.<br />
• Econômicas – devido a medidas governamentais, inflação, mudança de câmbio,<br />
valorização, recessão, renda do consumidor, desindexações, pode haver a necessidade de se<br />
adaptar ou mudar produtos, fator este que obriga os varejistas a criarem estratégias para cada<br />
momento instituído pela economia.<br />
• Políticas – as diferentes ideologias e princípios que orientam as decisões políticas<br />
mudam os diversos aspectos da comercialização.<br />
• Legais – as leis, regulamentações e normas federais, estaduais e municipais afetam<br />
diretamente a administração das organizações de varejo, pois uma empresa não funciona<br />
apenas de acordo com seu próprio conjunto de regras, mas sim, submetida às regras do<br />
ambiente institucional.<br />
149
• Sociais – formado pelas pessoas de uma sociedade, seus valores, crenças e<br />
comportamentos, bem como, seus interesses relativos a esses aspectos.<br />
• Tecnológicas – as inovações e os aperfeiçoamentos técnicos têm tornado os<br />
varejistas mais competitivos, possibilitando a esse setor a oportunidade de oferecer aos<br />
clientes novos valores.<br />
• Culturais – visto pelos varejistas como um fator importante, principalmente, no<br />
mercado religioso, ou em relação a produtos étnicos e festas típicas.<br />
• Concorrência – dificilmente uma organização é única no fornecimento de<br />
determinado produto ou serviço.<br />
Em relação às variáveis controláveis, os autores destacam a importância das<br />
decisões acerca do produto, do preço, da distribuição e da promoção, a fim de se atingir as<br />
necessidades do público alvo da organização. O conceito de Marketing de varejo, para<br />
Morgado e Gonçalves (1999), entretanto, agrega mais dois “P’s” ao Mix de Marketing<br />
apresentado por Kotler e Armstrong (1999) e Las Casas e Barboza (2007).<br />
Além de se administrar decisões de produtos/serviços, preços, ponto e promoção,<br />
estes autores destacam a importância de decisões relativas à apresentação e ao pessoal, como<br />
o exposto na Figura15.<br />
Figura 15: Marketing Mix do Varejo.<br />
Fonte: Morgado e Gonçalves (1999, p. 67).<br />
150
Aos varejistas a gestão do Marketing de Varejo, inclui o estabelecimento de<br />
estratégias de varejo que indicam como a empresa irá planejar e enfocar seus recursos para a<br />
realização de seus objetivos. Tais estratégias visam identificar o mercado-alvo do varejista, a<br />
natureza das mercadorias e serviços e, como ele irá construir uma vantagem de longo prazo<br />
sobre os seus concorrentes. Para implantar as estratégias se faz necessário o desenvolvimento<br />
do Mix de varejo, que satisfaça o público-alvo escolhido.<br />
151<br />
Uma estratégia de varejo é uma afirmação que identifica (1) o mercado-alvo do<br />
varejista, (2) o formato que o varejista planeja usar para satisfazer as necessidades<br />
do mercado-alvo, (3) as bases sobre as quais o varejista planeja construir uma<br />
vantagem competitiva sustentável (LEVY; WEITZ, 2000, p. 154).<br />
O mercado-alvo refere-se ao(s) segmento(s) de mercado escolhido pelo varejista,<br />
para direcionar seus recursos e seu composto de varejo. Um formato de varejo é o tipo de<br />
composto de varejo do varejista, ou seja, a natureza da mercadoria e dos serviços ofertados, a<br />
política de preços adotada, o programa de promoção e publicidade, localização da loja e<br />
visual de mercadorias (LEVY; WEITZ, 2000). Os varejistas que satisfazerem as necessidades<br />
dos seus clientes de seu mercado alvo de forma melhor que os concorrentes terão sucesso,<br />
pois ao determinar o segmento em que irão atuar, é possível focar em necessidades<br />
específicas, o que melhora a atuação da loja.<br />
O elemento final de uma estratégia de varejo é a busca de uma vantagem<br />
competitiva sustentável, definida por Levy e Weitz (2000, p. 156), como “uma vantagem<br />
sobre a concorrência que pode ser mantida ao longo do tempo”. Algumas dessas vantagens<br />
podem ser sustentáveis ao longo de um período, porém, outras são de fácil reprodução pelos<br />
concorrentes.<br />
Estabelecer uma vantagem competitiva é construir uma barreira ao redor da posição<br />
ocupada pelo varejista no mercado, de modo que essa dificulte o contato dos concorrentes de<br />
fora com os clientes do mercado visado pelo varejista. Se esse mercado for atrativo, os<br />
concorrentes tentarão derrubar o varejista, desgastando com o tempo todas as suas vantagens.<br />
Entretanto, se as barreiras forem fortes é possível sustentar a vantagem, minimizando a<br />
pressão da concorrência e impulsionando os lucros por um longo período (LEVY; WEITZ,<br />
2000).<br />
Os autores sugerem aos varejistas então, a criação de vantagens competitivas<br />
sustentáveis como: fidelização de clientes; localização próxima ao cliente; relações com
fornecedores garantindo direitos exclusivos aos varejistas, como a venda exclusiva, a compra<br />
de produtos a preços mais baixos ou em melhores condições de pagamento e o recebimento de<br />
mercadorias em falta no mercado; sistemas de distribuição e de informações gerenciais<br />
eficientes; operações de baixo custo. Destaca-se neste contexto, a importância da estratégia de<br />
fidelidade a qual demonstra que os clientes estão comprometidos em fazer compras em uma<br />
mesma loja. Mais do que preferir uma determinada loja, significa comprometimento, ou seja,<br />
mesmo que outra loja seja inaugurada em um local mais próximo, mesmo que outra tenha um<br />
preço inferior, a fidelidade pressupõe que o cliente continuará fiel.<br />
Para a construção de fidelização, Levy e Weitz (2000) citam estratégias de:<br />
posicionamento - imagem positiva do varejista em na mente do cliente, coerente com suas<br />
necessidades; serviço - excelência no atendimento ao cliente; um banco de dados de varejo -<br />
arquivo computadorizado dos perfis e dos padrões de compras dos clientes e; mercadorias -<br />
buscando-se exclusividade.<br />
Como um dos principais tipos de lojas de varejo, os supermercados apresentam um<br />
alto nível de aplicação de técnicas de marketing e estratégias varejistas (SOUZA; LEITE,<br />
1997). Isso é identificado desde a simples visão externa das lojas, até a distribuição de<br />
mercadorias, a sua distribuição, o nível de treinamento de pessoal, o processo eletrônico de<br />
dados para controle de estoques e outros. Estratégias promocionais sofisticadas, modernas<br />
técnicas de merchandising, a adoção de marcas diferenciadas, são outros exemplos das<br />
estratégias de marketing utilizadas pelo setor supermercadista no Brasil.<br />
O foco do varejista deve ser o seu público-alvo, ressaltam Morgado e Gonçalves<br />
(1999), explicitando a relevância de decisões estratégicas relacionadas à produtos, preços,<br />
ponto, promoção, apresentação e pessoal. Tratando-se dos produtos é importante aos<br />
varejistas tomar decisões sobre a composição de sua linha, escolhendo fornecedores, marcas,<br />
variedade de modelos e tamanhos. Antigamente, os supermercados se preocupavam em<br />
vender exclusivamente produtos de conveniência, porém, devido à evolução tecnológica e o<br />
surgimento de novos modelos de auto-serviço de grande porte, como os hipermercados,<br />
surgiu a necessidade de incluir na linha de produto uma maior diversificação (KASPER,<br />
1981). Isso trouxe novas oportunidades de negócios para os supermercadistas, mas também<br />
novos desafios, relativos em especial a grande variedade de marcas e segmentos de produtos<br />
que podem confundir o consumidor no ato da compra.<br />
152
Kotler (2009) relata a relevância do sortimento e da qualidade dos produtos a serem<br />
ofertados ao público-alvo, como forma de garantir uma estratégia de diferenciação. Pode-se<br />
optar por oferecer algumas marcas nacionais exclusivas; oferecer a maior parte dos produtos<br />
com marca própria; realizar eventos de impacto para promover produtos especiais; exibir<br />
novidades e mudar mostruários. Para Rojo (1998b), a qualidade nos supermercados, está<br />
estreitamente relacionada aos produtos perecíveis, pois os consumidores baseiam grande parte<br />
de sua percepção de qualidade da loja, sobre estes produtos.<br />
153<br />
Os produtos industrializados, como por exemplo, os enlatados, são iguais em todos<br />
os supermercados, mas, quando o cliente compara a qualidade de uma fruta ou<br />
verdura, identifica mais facilmente as diferenças entre lojas concorrentes. Dessa<br />
forma, os consumidores ressaltam que o supermercado precisa cuidar muito bem da<br />
exposição e da qualidade dos produtos perecíveis (ROJO, 1998b, p. 21).<br />
O autor relaciona ainda as principais causas de insatisfação apontadas por<br />
consumidores, associadas aos produtos perecíveis, que devem ser tratadas com cuidado pelos<br />
supermercadistas:<br />
• Açougue: filas; embalagens com sangue (auto-serviço); cortes inadequados; odor<br />
do açougue; falta de higiene; variedades inadequadas das embalagens auto-serviço;<br />
• Frutas e verduras: verduras e frutas com má aparência; poucas balanças para<br />
pesagem; falta de cortesia no atendimento durante a pesagem; falta de padrão nos produtos;<br />
• Frios e lacticínios: produtos com pouco tempo para vencer a validade e má<br />
conservação de produtos refrigerados;<br />
• Padaria: pouca variedade, principalmente na confeitaria; falta de qualidade na<br />
apresentação dos produtos.<br />
Quanto à estratégia de preço supermercadista, Kasper (1981) menciona que ela<br />
baseia-se na concorrência direta e indireta, na política econômica do governo e nos custos<br />
(sobre vendas) operacionais e extra-operacionais das empresas do setor. Segundo o autor, a<br />
política de preços deve ser desenvolvida de acordo com os seguintes propósitos: (1) garantir<br />
um nível adequado de rentabilidade em conformidade com as expectativas da empresa; (2)<br />
manter, nos produtos de maior competitividade, preços coerentes aos praticados pelos<br />
principais concorrentes; (3) manter, através de rodízios, produtos de “sacrifício” com o intuito<br />
de desenvolver uma imagem de loja onde os consumidores encontram preços imperdíveis; (4)<br />
manter uma postura flexível em relação às margens brutas determinadas para cada linha de<br />
produtos, a fim de aumentar a rotatividade dos produtos que estejam respondendo às
expectativas; (5) fazer das promoções de preços um motivo de aumento de tráfego da loja,<br />
mas se possível, sem criar batalhas com a concorrência e com os fornecedores.<br />
Determinar a política de preços que será adotada e o nível de serviços que deseja<br />
oferecer são decisões também importantes aos gestores. Evidentemente, que os varejistas<br />
gostariam de fixar markups elevados e atingir altos volumes de venda, mas no geral, estes<br />
dois fatos não ocorrem concomitantemente, como afirma Kotler (2009). A maioria dos<br />
varejistas encontra-se no grupo de markup elevado e de volume mais baixo ou no grupo de<br />
markup baixo e de volume mais alto. Algumas empresas optam por fixar preços mais baixos<br />
em alguns itens para servirem como geradores de tráfego, atraindo clientes e aumentando o<br />
fluxo.<br />
154<br />
Crescente número de varejistas tem abandonado as liquidações em favor da prática<br />
de preços baixos diários. Essa estratégia pode reduzir os custos de propaganda,<br />
melhorar a estabilidade de preços, fortalecer a imagem de integridade e<br />
confiabilidade e aumentar o lucro dos varejistas (KOTLER, 2009, p. 506).<br />
Um exemplo citado por Kotler (2009) é a Wal Mart que usa como um dos principais<br />
apelos junto aos consumidores a prática de preços baixos diários. Para o autor esta estratégia<br />
pode gerar custos menores de propaganda, maior estabilidade de preços, uma imagem de<br />
honestidade e confiabilidade mais forte e maiores lucros no varejo. Conforme estudos de<br />
Feather (apud Kotler, 2009), esta estratégia é mais rentável do que as liquidações temporárias.<br />
Entre as estratégias de supermercados existentes Zorning (MORITA, 2009), presidente<br />
da consultoria Quantiz pricing destaca a existência da estratégia de preço baixo, a estratégia<br />
premium e, a estratégia híbrida. Quando uma rede supermercadista opta pela proposta de preço<br />
baixo, precisa organizar toda a sua operação para conseguir aplicar margens reduzidas e, assim,<br />
transmitir a imagem de “barateira”. Ela deve negociar bons volumes com os fornecedores a fim de<br />
atingir custo de aquisição baixo e, ainda, operar com despesas mínimas. Isso significa, entre<br />
outros aspectos, abrir mão da presença da marca em mídia e trabalhar com menos funcionários.<br />
“A imagem de preço baixo será transmitida ao consumidor pelas instalações simples e despojadas,<br />
pelo mix limitado e pela ausência de serviços diferentes” (ZORNING apud MORITA, 2009, p.<br />
22). Os atacarejos são um exemplo de modelo de baixo preço, no qual os produtos custam ao<br />
consumidor entre 15% a 20% menos do que nos supermercados tradicionais, tendo como público,<br />
pessoas que não procuram atendimento personalizado ou serviços especiais, mas sim economia.
Na estratégia premium o cliente precisa perceber algo raro, indicado para empresas<br />
que querem entregar produtos e serviços exclusivos ou muito especiais. Tal proposta só pode ser<br />
sustentada se houver vantagens pelas quais os clientes se disponham a pagar. Nesse caso, os<br />
investimentos na marca são constantes, a loja oferece produtos de alto valor agregado, além de<br />
atendimento superior à média. O consumidor entende a vantagem de um supermercado premium<br />
quando é atraído por um sortimento “nobre”, um layout arrojado, uma ambientação elegante e um<br />
atendimento personalizado. Já a estratégia híbrida, mistura várias propostas, como a do preço<br />
baixo todo dia – que consiste em não trabalhar com promoções e praticar diariamente os menores<br />
preços possíveis, também mencionada por Kotler (2009).<br />
Outra decisão relevante e difícil é em relação a localização, sendo importante a<br />
seleção do local da loja e a acessibilidade. É uma tarefa difícil devido aos altos custos, porém,<br />
deve-se considerar a população residente em seu entorno, para depois determinar horários de<br />
funcionamento, existência de filiais, etc. Para avaliar a eficácia das lojas comerciais<br />
específicas Kotler (2009) aconselha o uso de quatro indicadores: número de pessoas que<br />
passam pelo ponto em um dia normal; porcentagem de pessoas que entram na loja;<br />
porcentagem das pessoas que compram e; média de gasto por compra.<br />
155<br />
Uma loja pode estar vendendo pouco por várias razões: está localizada em ponto de<br />
baixo tráfego de pessoas, poucas entram, as que entram olham, mas não compram<br />
ou o gasto médio por compra é baixo. Cada problema pode ser contornado. O<br />
tráfego pode ser resolvido mudando-se a loja para uma melhor localização, o<br />
aumento do número de pessoas na loja pode ser resolvido por vitrinas mais<br />
atraentes e algumas ofertas e o número de compradores e o gasto médio podem ser<br />
elevados pela melhoria da qualidade dos produtos, preços menores e treinamento<br />
dos vendedores (KOTLER, 2009, p. 507).<br />
As decisões acerca das ferramentas promocionais são utilizadas para divulgar o<br />
estabelecimento varejista ao seu público-alvo com o objetivo de gerar tráfego e compras nas<br />
lojas. Selecionam-se ferramentas como anúncios, campanhas de vendas especiais distribuem<br />
cupons de descontos e, montando quiosques para degustação de alimentos, colocando cupons<br />
junto aos caixas.<br />
Para ser considerada eficiente, uma política de promoções de vendas em<br />
supermercados deve atingir os seguintes objetivos, destacados por Kasper (1981): (1) manter,<br />
permanentemente, um fluxo adicional de clientes, em busca de vantagens especiais e<br />
exclusivas da loja; (2) contribuir para a formação de uma personalidade diferenciada em<br />
relação aos concorrentes, por meio de uma política promocional ágil, atrativa e exclusiva; (3)<br />
contribuir para acelerar a rotatividade dos estoques, principalmente, para liquidar pontas de
estoques ou de produtos com giro mais lento; (4) auxiliar na formação de novos hábitos e<br />
conceitos de produtos, por degustação, demonstração e promoção de lançamentos, novas<br />
seções da loja, etc. e; (5) reforçar a imagem geral da loja, quanto a bons produtos e preços<br />
justos, ofertas atraentes e outros.<br />
Decidir sobre a apresentação da loja quanto ao seu layout, sua decoração interna e<br />
externa, aroma, ambiente, suas cores e iluminação, espaço físico é buscar despertar reações e<br />
transmitir impressões aos clientes. Os varejistas devem decidir sobre o composto de serviços a<br />
ser oferecido aos consumidores, o qual proporciona um diferencial de uma loja com relação a<br />
outras. Neste quesito, outro elemento importante conforme Kotler (2009), é a atmosfera da<br />
loja, pois qualquer loja possui um layout físico que facilita ou dificulta a movimentação de<br />
consumidores. As lojas devem personificar uma atmosfera planejada, ajustada ao mercado-<br />
alvo para levar os consumidores à compra, incluindo elementos como música, aroma,<br />
iluminação e cores.<br />
Essas técnicas mencionadas são conhecidas como estratégias de merchandising, que<br />
na definição de Blessa (2005, p. 1), refere-se “a qualquer técnica, ação ou material<br />
promocional usado no ponto-de-venda que proporcione informação e melhor visibilidade a<br />
produtos, marcas ou serviços, com o propósito de motivar e influenciar as decisões de compra<br />
dos consumidores.” Ampliando o conceito, pode-se citar Cobra (1992, p. 643), que afirma que<br />
o merchandising não envolve apenas aspectos relacionados a layout de loja, mas sim, “um<br />
conjunto de operações táticas efetuadas, no ponto de venda, para se colocar no mercado o<br />
produto ou serviço certo, na quantidade certa, no preço certo, no tempo certo, com o impacto<br />
visual adequado e na exposição certa”. O merchandising intensificou-se com o surgimento do<br />
auto-serviço na década de 30 e, hoje é considerado a mídia mais rápida e eficaz na<br />
concretização da venda.<br />
As técnicas de merchandising permitem o desenvolvimento de diferentes formas de<br />
atrair e influenciar favoravelmente a decisão de compra do consumidor, para que ele possa<br />
transferir o produto exposto na prateleira para suas mãos ou carrinho de compras. Envolve<br />
não apenas a exposição de produtos, no lugar certo, no tempo certo, mas todas as ações para<br />
criar um ambiente de loja aprazível ao cliente, através do uso da música, da iluminação, da<br />
vitrine, do aroma e das cores.<br />
156<br />
Os supermercados têm constatado que o ritmo da música ambiente afeta o tempo<br />
médio gasto por um consumidor na loja e seu volume de compras. Eles estão
157<br />
explorando meios de liberar aromas através de dispositivos colocados nas<br />
prateleiras para estimular fome ou sede. Algumas lojas de departamentos<br />
sofisticadas vaporizam fragrâncias de perfumes em certos departamentos<br />
(KOTLER, 2009, p. 504-505).<br />
Assim, o merchandising tem efeitos, especialmente, em incentivar as compras por<br />
impulso. É uma ferramenta de comunicação e marketing que serve de apoio às ações de<br />
propaganda e promoção com a função de lembrar, informar e tentar persuadir o consumidor a<br />
comprar um determinado produto (BLESSA, 2005).<br />
Mesmo trabalhando com auto-serviço e automação, sempre é preciso dirigir<br />
estratégias ao perfil de funcionários e o nível de atendimento oferecido para atender às<br />
expectativas do público-alvo. Afinal, como destacam Morgado e Gonçalves (1999), nunca a<br />
força humana das organizações foi posta tanto à prova como hoje, sendo preciso reter pessoas<br />
talentosas, preparadas e motivadas, que combinem competência técnica e facilidade no<br />
relacionamento interpessoal. Além de gerar um boca-a-boca positivo, um excelente<br />
atendimento também traz as pessoas de volta à organização gerando uma relação de lealdade,<br />
o que é primordial, pois o custo em manter o cliente é bem menor comparado àquele de atrair<br />
novos (WILSON, 1993). Rojo (1998b, p. 17), nesta mesma visão, destaca que “em um<br />
supermercado, além, naturalmente, da qualidade dos produtos comercializados pela loja, é<br />
fundamental a qualidade em serviços, para conquistar a satisfação de seus clientes”.<br />
Rojo (1998b, p. 20) comprovou em suas pesquisas, que:<br />
Durante a maior parte do tempo, durante as compras em um supermercado, o<br />
consumidor tem pouco contato pessoal com os funcionários, a não ser no açougue,<br />
quando há atendimento pessoal, na compra de frios, frutas e principalmente, na<br />
frente de caixa, no momento de pagar. Assim, muito da imagem do atendimento<br />
pessoal é atribuído ao pessoal da frente de caixa e, como ressaltam os<br />
consumidores, muitos supermercados têm pessoal despreparado para essa função.<br />
Para Martins (2007), todas as pessoas responsáveis pelo atendimento ao cliente<br />
devem receber treinamento não apenas quando ingressam na empresa, mas de forma<br />
sistemática. O treinamento não deve ser visto como um custo, mas como um investimento na<br />
qualidade dos serviços prestados ao consumidor. Algumas técnicas de treinamento sugeridas<br />
pelo autor são:<br />
problemas;<br />
• Oratória: técnicas para auxiliar o atendente a se comunicar melhor;<br />
• Raciocínio lógico: para desenvolver a busca de soluções rápidas e corretas aos
• Motivação: ajudar os funcionários a encontrar formas de se automotivarem, para<br />
aliviar o estress do dia a dia;<br />
• Análise do comportamento humano: ensinar técnicas para compreender o<br />
comportamento dos clientes em termos de postura e estado de espírito, uma vez que se<br />
trabalha com diferentes tipos de clientes;<br />
• Técnicas de negociação: buscar repassar técnicas de negociar com os clientes de<br />
forma que ambas as partes sejam beneficiadas: empresa e consumidor;<br />
• Português aplicado: o uso do bom português no trato dos clientes é essencial e gera<br />
uma imagem positiva, assim, cursos específicos para relembrar algumas regras e evitar gafes<br />
são importantes;<br />
• Outros idiomas: devido a globalização é possível ter clientes de diversas partes do<br />
mundo. Oferecer cursos de idiomas como inglês e espanhol torna possível a comunicação dos<br />
atendentes com tais consumidores;<br />
• Específicos nos produtos/serviços da empresa: repassar conhecimentos acerca de<br />
produtos que são específicos a fim de melhorar a explicação e a argumentação feita ao<br />
consumidor.<br />
O IBRC - Instituto Brasileiro de Relações com os Clientes - realizou uma pesquisa<br />
em junho de 2003 (ROSA, 2004), com os consumidores na qual se apresenta as principais<br />
características consideradas importantes para um bom atendimento, cujos resultados estão<br />
expressos no Gráfico 01.<br />
25%<br />
15%<br />
8%<br />
24%<br />
28%<br />
Gráfico 01: Características Importantes para um Bom Atendimento.<br />
Fonte: Rosa (2004, p. 21).<br />
Cortesia<br />
Resolução<br />
Dsiposição em ouvir<br />
Informação precisa e correta<br />
Agilidade<br />
158
Esta pesquisa revela um elevado grau de conscientização dos consumidores. Apenas<br />
10% nunca se queixaram quando mal-atendidos. Ou seja, ao receber um atendimento ruim, o<br />
consumidor costuma reclamar aos órgãos competentes. Por isso, a importância dada a<br />
excelência no atendimento para a sobrevivência de qualquer tipo de negócio.<br />
159<br />
Atingir a excelência nas relações com os clientes e consumidores não é conquista<br />
fácil. Não existe fórmula mágica para esse sucesso. Há, sim, ingredientes básicos,<br />
como investimento no fator humano, a cultura corporativa e o treinamento no<br />
atendimento a clientes (ROSA, 2004, p. 13).<br />
Portanto, um atendimento sólido é sustentado por pessoas treinadas e capacitadas em<br />
atender com cortesia, prestar informações corretas e precisas e, que resolver os problemas dos<br />
clientes com agilidade e atenção. Evidentemente que isso é cultural e só passa a ser<br />
implementado quando está nos princípios da organização.<br />
Considerando ainda as decisões de marketing varejista, Levy e Weitz (2000)<br />
apresentam três fatores ambientais críticos no mundo do varejo, cuja compreensão se faz<br />
necessária ao seu gerenciamento: a concorrência; os dados demográficos dos consumidores,<br />
estilos de vida e seus impactos nas instituições de varejo e; as necessidades, desejos e<br />
processos de decisão dos consumidores de varejo. Para a tomada de decisão gerencial, é<br />
preciso previamente estudar o ambiente no qual a empresa encontra-se inserida, para a partir<br />
desta análise, desenvolver e implementar estratégias eficazes.<br />
O varejo é extremamente competitivo, daí a importância de conhecer e identificar<br />
seus principais concorrentes. Os concorrentes de um varejista, para Levy e Weitz (2000), são<br />
aqueles que possuem o mesmo formato, o que é chamado de concorrência dentro dos mesmos<br />
tipos ou concorrência entre tipos. A concorrência entre tipos ocorre entre varejistas que<br />
vendem mercadorias similares usando diferentes formatos, como as lojas de descontos e lojas<br />
de departamentos. Por exemplo, roupas e alimentos são disponibilizados em mercearias,<br />
drogarias, lojas de descontos, dentre outros. Este tipo de concorrência tornou mais difícil ao<br />
varejista conhecer e identificar seus concorrentes, uma vez que a maioria mistura mercadorias<br />
para se ajustar às necessidades de segmento-alvo.<br />
O segundo fator considerado básico por Levy e Weitz (2000), são as tendências do<br />
consumidor, pois o varejista defronta-se com um ambiente de negócio particularmente<br />
desafiador. Continuamente as necessidades dos consumidores se alteram e é preciso reagir às
amplas tendências demográficas e de estilo de vida apresentadas pela sociedade, cada vez<br />
mais consumista e exigente.<br />
160<br />
Os clientes são o terceiro fator na análise da situação. Para desenvolver e<br />
implementar uma estratégia efetiva, os varejistas precisam conhecer as informações<br />
sobre porque os clientes compram, como selecionam uma loja e como selecionam<br />
entre as mercadorias da loja (LEVY; WEITZ, 2000, p. 37).<br />
Conhecendo o cenário contextual em que ocorrem as transações varejistas, torna-se<br />
possível o desenvolvimento de estratégias mais eficazes em relação aos produtos, preços,<br />
ponto, promoção, apresentação física e atendimento pessoal. Las Casas e Barboza (2007)<br />
argumentam ainda, que o gestor do varejo além de procurar, de forma rápida, adaptar-se às<br />
mudanças de seus ambientes interno e externo, deve também agir de forma flexível aos novos<br />
processos e agir de forma criativa e inovadora em relação aos seus consumidores e aos seus<br />
concorrentes, a fim de garantir o diferencial no mercado competitivo.<br />
2.6.3.1 Estratégias que estimulam o consumidor a comprar<br />
Underhill (1999), em seus estudos, analisa e avalia de forma minuciosa o que de fato<br />
se passa nas lojas varejistas, a fim de explicar o que leva o consumidor a comprar ou não,<br />
determinadas mercadorias. A ciência das compras “é uma disciplina altamente prática<br />
preocupada com valer-se da pesquisa, comparação e análise para tornar as lojas e os produtos<br />
mais receptivos para os fregueses” (UNDERHILL, 1999, p. 21). Para interpretar o<br />
comportamento do consumidor moderno, o autor e seus associados observam pessoalmente e<br />
através do vídeo, entre 50 e 70 mil compradores por ano.<br />
As descobertas feitas, principalmente em ambientes supermercadistas, demonstram<br />
alguns comportamentos dos consumidores, capazes de orientar as estratégias do varejo para as<br />
necessidades específicas dos clientes e, em consequência, aumentar a rentabilidade e a<br />
vantagem competitiva do negócio. Em relação a tais necessidades Blessa (2005) avalia que o<br />
layout das lojas supermercadistas continua mudando bastante com o aumento da oferta de<br />
alimentos prontos, vegetais frescos e padaria, redução da área da alimentação tradicional e<br />
expansão tanto de produtos (água filtrada ou mineral, filmes, vídeos, papelaria) como de<br />
serviços de conveniência (tinturaria e banco, por exemplo).
Underhill (1999) ressalta que a propagação dos meios de comunicação em massa e a<br />
quantidade avassaladora de propagandas que invadem a vida dos consumidores diariamente,<br />
tornam cada vez mais difícil se atingir e convencer os consumidores a comprar. Daí a<br />
importância da ciência das compras.<br />
161<br />
Ao mesmo tempo, assistimos à erosão da influência das marcas. Não que as marcas<br />
não tenham valor, mas esse valor deixou de ser a força cega que costumava ser. Há<br />
uma ou duas gerações, você escolhia suas marcas cedo na vida e lhe era fiel até a<br />
última compra. [...] Hoje, de certa maneira, cada decisão é nova e nada pode ser<br />
aceito como verdade absoluta (UNDERHILL, 1999, p. 34).<br />
Embora a atribuição das marcas e a propaganda tradicional fortaleçam a percepção<br />
da marca e a predisposição para as compras, nem sempre resultam em vendas concretas.<br />
Embora sejam ferramentas padrão do trabalho de marketing, já não funcionam tão bem<br />
quanto antes. Muitas decisões de compra são tomadas, ou podem ser fortemente<br />
influenciadas, no recinto da própria loja, pois os consumidores são suscetíveis a impressões e<br />
informações adquiridas nas lojas, em vez de basear as compras tão-somente na fidelidade à<br />
marca ou na propaganda (UNDERHILL, 1999).<br />
Blessa (2005, p. 36) declara que, devido à comoditização dos produtos em todo o<br />
mundo os quais parecem os mesmos, a globalização da linguagem publicitária e a mesmice<br />
arquitetônica do layout das lojas, obrigam os varejistas “a criar novos ambientes promocionais<br />
que encantem e cativem os consumidores ávidos por produtos e serviços diferentes.”<br />
Assim, uma mídia importante para transmitir mensagens, fechar vendas e criar<br />
ambientes distintos é a loja e o corredor - sinalização, posição das prateleiras, espaço e<br />
expositores especiais, tornam mais ou menos provável a compra. Isso aumenta o tempo de<br />
permanência do cliente na loja e, quanto mais tempo o consumidor permanecer em uma loja,<br />
mais ele tende a comprar. O tempo que um consumidor permanece em uma loja depende do<br />
conforto e do prazer da experiência. Todavia, existe o tempo de espera, que, aliás, é o fator<br />
individual mais importante para a satisfação dos clientes, e poucos varejistas têm consciência<br />
disso: que esperar muito tempo na fila, torna a impressão do cliente negativa.<br />
O conforto e a experiência de compra são fundamentais e, como menciona Hilário<br />
(2010), a criação de um universo dentro da loja exige ambientações diferenciadas que<br />
provoquem sensações aos clientes estimulando a compra de um número maior de<br />
mercadorias.
Ao varejista é importante conhecer a taxa de conversão de sua loja, ou seja,<br />
percentagem de consumidores que se tornam compradores. A taxa de conversão pode variar<br />
de acordo com o tipo de produto. Uma loja com um grande fluxo de clientes não garante<br />
necessariamente vendas, muitos podem estar apenas olhando sem concretizar a compra de<br />
nenhum produto. É preciso então, converter clientes em compradores.<br />
“A Taxa de conversão mede o que você faz com aquilo que tem – mostra o quão<br />
bem (ou quão mal) o empreendimento todo está funcionando onde mais importa: a loja”<br />
(UNDERHILL, 1999, p. 37). Porém, hoje, muitos profissionais de varejo desconhecem a taxa<br />
de conversão, preocupam-se com margens de lucros, rendimentos e esquecem-se de buscar as<br />
causas de talvez estarem desperdiçando clientes.<br />
Outro aspecto importante ao varejista é denominado por Underhill (1999), de taxa de<br />
interceptação, isto é, a porcentagem de clientes que têm algum contato com um funcionário.<br />
Pesquisas do autor mostram esta relação direta: quanto maior o contato freguês-funcionário,<br />
maior a média de vendas. O marketing, a propaganda, as promoções podem até atrair os<br />
clientes, mas depois cabe à mercadoria, aos funcionários e à própria loja fazê-los comprar<br />
algo.<br />
O autor ainda destaca a ignorância dos homens e mulheres de negócio: muitas vezes<br />
realmente ignoram quem são seus clientes. O primeiro princípio da Ciência das Compras<br />
destacado pelo autor é que: “Há certas capacidades, tendências, limitações e necessidades<br />
físicas e anatômicas comuns a todas as pessoas e o ambiente varejista deve se ajustar a essas<br />
características” (UNDERHILL, 1999, p. 43). Ou seja, os varejistas devem ser amigáveis às<br />
especificações do consumidor, pois o consumidor possui muitas diferenças, porém há muito,<br />
muito mais semelhanças.<br />
Algumas descobertas resultantes das pesquisas efetuadas por observação em pontos-<br />
de-venda por Underhill (1999) são:<br />
• “Efeito do Esbarrão por trás” – os clientes e, principalmente, as mulheres, não<br />
gostam de esbarrões ou toques por trás, querem sim, evitar esse incômodo. Ao colocar<br />
produtos nas gôndolas é preciso garantir que estes estejam em locais de livre fluxo dos<br />
clientes, para que eles possam visualizar, tocar e, experimentar o produto sem inconvenientes.<br />
162
• A colocação de produtos nas gôndolas deve ter como um critério principal, à altura<br />
do público alvo a quem o produto se destina.<br />
• Vitrines de lojas devem ter iluminação específica para dia e para noite.<br />
• Na zona do crepúsculo (área a qual os clientes atravessam antes de fazer a<br />
transição) nada atinge o consumidor e, por isso, devem ser evitadas a exposição e colocação<br />
de cartazes, cestos e a abordagem. Cestos de promoções e expositores devem ser transferidos<br />
para mais ou menos três metros da entrada da loja porque os clientes necessitam de uma<br />
“zona de pouso” para se familiarizarem com o ambiente de loja.<br />
encantamento.<br />
• Na zona de transição o cliente deve ser cumprimentado, iniciando-se o processo de<br />
• Disponibilizar ao cliente local para que ele possa deixar guarda-chuva, casacos,<br />
bolsas. E ainda, disponibilizar cestas de compra que devem ser espalhadas pela loja, onde<br />
quer que os clientes possam precisar delas, as mãos do cliente devem estar livres para<br />
comprar.<br />
• Devem-se pensar áreas em que as pessoas ficam paradas esperando, para a<br />
colocação de cartazes que neste caso, possuem maior probabilidade de serem lidos.<br />
• A loja inteligente é projetada de acordo com a maneira de andar e os lugares que<br />
os clientes procuram. Ela compreende os hábitos de movimento e os aproveita, em vez de<br />
ignorá-los, ou ainda pior, tentar modificá-los. A tendência das pessoas é andar pelo lado<br />
direito, e dessa forma, tudo que merece atrair a atenção do consumidor deverá ser colocado<br />
neste lado.<br />
• Taxa de captura: cerca de um quinto de todos os consumidores realmente vê o<br />
produto em uma gôndola de supermercado e uma grande parte do espaço no varejo, ou é<br />
desperdiçado, ou é prejudicado. É preciso explorar então a zona confiável do consumidor: que<br />
desce ligeiramente acima do nível dos olhos para mais ou menos o nível do joelho, sendo uma<br />
estratégia interessante expor produtos grandes acima e abaixo dessa zona.<br />
• Produtos de necessidades básicas devem ser alocados no fundo das lojas, para que<br />
o cliente tenha que percorrer toda loja e receber estímulos de compra.<br />
• Disponibilizar cadeiras aos acompanhantes dos clientes aumenta o tempo de<br />
permanência nas lojas e, em consequência, o volume das compras. No ambiente varejista o<br />
principal propósito de uma cadeira é: quando as pessoas fazem compras em grupos de dois ou<br />
três como esposa, filhos ou amigos acompanhando-as, o assento é o que mantém o não<br />
comprador confortável, contente, cuidado e, sem importunar o comprador.<br />
163
• As campanhas, desenhos, merchandising, propagandas, comerciais em sua<br />
maioria, são idealizados para o público feminino, quer seja quando está na posição de<br />
comprador ou na de formador de opinião. As mulheres costumam, questionar, avaliar, medir,<br />
barganhar e, se preocupam com o preço em sua maioria. Quando sozinhas, com crianças ou<br />
com amigas gastam o dobro do tempo que gastariam se estivessem com o homem. Já os<br />
homens ignoram os preços, são altamente sugestionáveis, não vêem a hora de sair de uma<br />
loja, não tem paciência, são capazes de falar sim para tudo, só para livrar-se da situação.<br />
• Proporcionar diversão para as crianças é fundamental. Os pais devem estar livres e<br />
confortáveis para consolidar as compras.<br />
Cada vez mais as decisões de compra estão sendo tomadas dentro da própria loja. Os<br />
clientes têm renda disponível e mentes abertas e estão cedendo aos seus impulsos. Com isso,<br />
o papel do marketing tradicional e das propagandas tornou-se difuso porque todos os<br />
consumidores estão saturados deles. Assim, para Underhill (1999), o papel do merchandising<br />
nunca foi tão importante, em especial, em ambientes varejistas.<br />
Encerra-se, portanto, a explanação do referencial teórico referente à temática deste<br />
estudo. Procurou-se descrever, de forma sistemática e ordenada, algumas teorias relacionadas<br />
ao tema proposto. A sequência da dissertação apresenta a metodologia utilizada na construção<br />
da pesquisa para o alcance dos objetivos determinados.<br />
3 METO<strong>DO</strong>LOGIA<br />
Com o intuito de alcançar os objetivos propostos, este estudo foi desenvolvido com<br />
base em procedimentos metodológicos fundamentais à investigação. Desta forma, este<br />
capítulo expressa e especifica o modo pelo qual se executou a pesquisa para a construção da<br />
Dissertação de Mestrado que tem como foco os atributos influentes no comportamento do<br />
consumidor de supermercados, descrevendo: a classificação da pesquisa realizada, a<br />
delimitação do universo amostral e dos sujeitos da pesquisa, os instrumentos de coleta de<br />
dados adotados e, finalmente, a forma de tratamento, análise e interpretação dos dados.<br />
164
3.1 Classificação da Pesquisa<br />
O escopo deste estudo está inserido no campo de estudos do Marketing, uma vez que<br />
está focado no comportamento do consumidor de supermercados. A pesquisa do<br />
consumidor é a metodologia usada para estudar o comportamento do consumidor,<br />
que quando é planejada para prever este comportamento, é chamada de positivismo<br />
e quando é planejada para entender o comportamento de consumo é chamada de<br />
interpretativismo.<br />
Schiffman e Kanuk (2000) relatam que os gerentes de marketing adeptos do<br />
positivismo buscam prever o comportamento do consumidor para poder influenciá-lo.<br />
Por outro lado, o interpretativismo ou pós-modernismo é o estudo daqueles que se<br />
interessaram pelo comportamento do consumidor, não apenas pela perspectiva<br />
gerencial, mas simplesmente para entender melhor o consumidor e os significados<br />
por trás desse comportamento, incluindo muitos aspectos subjetivos do<br />
comportamento de consumo. A presente investigação caracteriza-se então, como<br />
uma pesquisa interpretativista, voltada ao entendimento dos atributos julgados<br />
importantes pelos consumidores na escolha por supermercados.<br />
Em virtude da natureza do problema desta pesquisa, a escolha esteve voltada para<br />
uma abordagem fenomenológica, considerada ideal na área de Ciências Sociais, que no<br />
presente estudo, se configurou como qualitativa-quantitativa, incluindo observação e aspectos<br />
subjetivos do comportamento dos consumidores, além da análise quantitativa dos dados<br />
extraídos dos questionários aplicados.<br />
Quanto à natureza trata-se de uma pesquisa aplicada, conforme Gil (2002), numa<br />
abordagem quali-quantitativa. Almeida e Ribes (2000) consideram possível conjugar os dois<br />
tipos de pesquisa, pois muitas metodologias qualitativas utilizam métodos de credibilidade e<br />
validação advindos das pesquisas quantitativas.“[...] Existe a possibilidade de conjugar os<br />
dois tipos de pesquisa, levantando idéias sobre o universo, ao mesmo tempo em que<br />
quantificam os resultados. É o que se pode chamar de pesquisa quali-quantitativa”<br />
(ALMEIDA; RIBES, 2000, p. 99).<br />
Tratando-se da forma de abordagem, a pesquisa é qualitativa por ter uma<br />
aproximação maior com a realidade das Ciências Sociais, à medida que buscou compreender<br />
165
os fenômenos de modo construtivista, naturalista e de forma interpretativa. Assim, o estudo<br />
apresenta uma base qualitativa, por considerar a realidade subjetiva das pessoas, no caso<br />
específico, consumidores de supermercados. Como recurso utilizou-se a abordagem<br />
quantitativa, uma vez que as opiniões e informações dos consumidores foram traduzidas em<br />
dados estatísticos. Portanto, no decorrer do processo seguiram-se os pressupostos e as<br />
recomendações que orientam uma pesquisa quantitativa, com uso de critérios quantitativos,<br />
especialmente na coleta de dados e tratamento estatístico e, ao mesmo tempo, as<br />
recomendações que orientam a pesquisa qualitativa, com a realização da observação direta e a<br />
valorização da realidade subjetiva dos consumidores.<br />
Em relação aos objetivos ou fins esta pesquisa caracteriza-se como exploratória e<br />
descritiva (GIL, 2002; VERGARA, 2009), na qual se buscou explorar e descrever um<br />
determinado fenômeno. Trata-se de um estudo exploratório, porque é desenvolvido em uma<br />
área específica na qual há pouco conhecimento acumulado e sistematizado. O campo de<br />
estudos do comportamento do consumidor é amplo e seu reconhecimento ainda é pouco<br />
significativo por parte das organizações, o que requer um aprofundamento nas investigações<br />
que possam explorar e demonstrar sua relevância ao sucesso organizacional.<br />
Além disso, trata-se de um estudo científico pioneiro tendo como unidade de análise<br />
os consumidores de supermercados e os gestores dos três principais supermercados<br />
localizados no perímetro central do município de Ijuí/RS. Também é uma pesquisa<br />
exploratória por envolver o levantamento bibliográfico, objetivando uma primeira<br />
aproximação ao tema em foco, a realização de focus group, a aplicação de questionários aos<br />
consumidores, e a posterior entrevista com os gestores supermercadistas, incluindo a<br />
observação direta nas lojas supermercadistas. E, ainda, por incluir a experiência de<br />
investigação da coleta de lixo doméstico.<br />
Por outro lado, a pesquisa é descritiva, por ter o intuito de descrever o conjunto de<br />
atributos que influenciam nas etapas do modelo de decisão de compra do consumidor na<br />
seleção de supermercados enfatizando a responsabilidade do setor supermercadista na etapa<br />
do descarte de produtos; caracterizar o setor supermercadista; identificar quais são os<br />
atributos importantes e os determinantes no processo de decisão de compra e; verificar as<br />
estratégias organizacionais na ótica das empresas supermercadistas calcadas nos atributos<br />
competitivos. Para isso, utilizou-se, na abordagem de Malhotra (2001), o focus group e o<br />
método survey de levantamento de dados.<br />
166
Uma metodologia bastante utilizada na pesquisa descritiva é o focus group, definido<br />
como “uma entrevista realizada por um moderador treinado, de uma forma não-estruturada e<br />
natural, com um pequeno grupo de respondentes” (MALHOTRA, 2001, p. 156). Para<br />
Menegon (1999), o focus group se constitui em uma conversa discursiva trazendo situações<br />
próximas dos contextos interacionais do dia a dia, o que propicia uma interanimação dialógica<br />
por um continente rico de vozes, em que os posicionamentos são mais visíveis. Esse método<br />
qualitativo de pesquisa precedeu o método quantitativo, com o objetivo de fornecer indícios<br />
importantes para a construção do questionário aplicado aos consumidores, principalmente, em<br />
relação aos atributos considerados influentes no processo de decidir em qual supermercado<br />
irão fazer suas compras.<br />
O método survey é essencial, pois “se baseia no interrogatório dos participantes, aos<br />
quais se fazem várias perguntas sobre seu comportamento, intenções, atitudes, percepções,<br />
motivações e características demográficas e de estilo de vida” (MALHOTRA, 2001, p. 179).<br />
Como o cerne do estudo está no comportamento do consumidor optou-se pelo método survey<br />
de pesquisa, através da aplicação aos consumidores de questionário estruturado (APÊNDICE<br />
A) com o intuito de provocar informações específicas dos consumidores acerca do tema<br />
principal abordado. Aplicou-se então, questionário formal apresentando questões em ordem<br />
pré-especificada, o que caracteriza o processo como direto.<br />
Posteriormente, com os dados extraídos dos questionários foi elaborado um roteiro<br />
de entrevista pessoal realizada com os gestores dos supermercados. O propósito foi identificar<br />
as estratégias organizacionais na ótica das empresas supermercadistas calcadas nos atributos<br />
competitivos.<br />
3.2 Universo Amostral<br />
A amostra “é um subgrupo dos elementos da população selecionado para<br />
participação no estudo” (MALHOTRA, 2001, p. 301). Sendo assim, de acordo com o objetivo<br />
do presente estudo, o universo amostral desta pesquisa esteve composto pelos consumidores,<br />
de supermercados do município de Ijuí/RS. Ressalta-se que os consumidores da amostra<br />
exercem o papel de compradores, segundo classificação de Kotler (2009).<br />
167
Quanto ao tamanho da amostra presumiu-se uma amostra não-probabilística de 150<br />
consumidores de supermercados. A amostragem não-probabilística é a “técnica de<br />
amostragem que não utiliza seleção aleatória. Ao contrário, confia no julgamento do<br />
pesquisador” (MALHOTRA, 2001, p. 305).<br />
Para complementar este estudo, também se utilizou como unidade de análise, os três<br />
principais supermercados situados na área central do município de Ijuí/RS. Tais<br />
supermercados foram selecionados em função da localização estratégica em que se encontram<br />
o que provoca um maior fluxo de consumidores possibilitando à pesquisa uma maior<br />
acessibilidade às informações obtidas.<br />
3.3 Sujeitos da Pesquisa<br />
Os sujeitos desta pesquisa são os consumidores de supermercados e os gestores dos<br />
três principais supermercados localizados no perímetro central do município de Ijuí/RS.<br />
3.4 Instrumentos de Coleta de Dados<br />
A pesquisa, referente aos meios (VERGARA, 2009) possuiu como procedimentos<br />
técnicos utilizados para a coleta dos dados, a pesquisa bibliográfica, o focus group, o método<br />
survey com aplicação de questionários e entrevista, a observação direta e, a pesquisa<br />
participante com o acompanhamento de produção de lixo doméstico oriundo de compras<br />
supermercadistas.<br />
A pesquisa bibliográfica foi realizada mediante a busca de material bibliográfico<br />
derivado de livros, dissertações, artigos científicos e revistas especializadas na área do tema<br />
em estudo. Utilizou-se também, dados secundários, pertinentes para a discussão da<br />
importância do setor supermercadista no processo de desenvolvimento, extraídos de fontes<br />
como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dados da Prefeitura Municipal de Ijuí,<br />
da Associação Brasileira de Supermercados e outras fontes, que continham informações<br />
relativas aos três âmbitos: econômico, social e ambiental.<br />
168
Quanto ao focus group, inicialmente foi realizado o seu planejamento determinando-<br />
se as pessoas participantes, bem como, o local e a data de realização. Optou-se por<br />
participantes exclusivamente do sexo feminino, por ser este o maior público a realizar<br />
compras em supermercados. O local selecionado para a reunião foi uma sala pertencente a<br />
uma escola de educação profissional do município de Ijuí, por ser um ambiente agradável,<br />
com uma ampla mesa de reuniões e, principalmente, por ser de fácil acesso às participantes.<br />
Anteriormente a sua execução, a pesquisadora contatou com cada uma das oito participantes<br />
explicando o tema, os objetivos e o funcionamento de um grupo focal, enviando-se ainda um<br />
convite por e-mail como lembrete da data e do horário (APÊNDICE B) da sua realização.<br />
No dia dois de Julho de 2010, às 18 horas, conforme o combinado as participantes<br />
reuniram-se para a realização do grupo focal, totalizando oito pessoas. Na ocasião, serviu-se<br />
às convidadas petiscos a serem degustados durante a conversa, gerando um ambiente<br />
descontraído que lembrava alimentação e, consequentemente, supermercados.<br />
A condução da reunião foi realizada através da própria pesquisadora, que orientava<br />
os temas e assuntos que seriam abordados através de um roteiro flexível que apresentava as<br />
seguintes temáticas, contemplando as etapas do processo decisório de compra:<br />
- Reconhecimento da necessidade;<br />
- Busca de alternativas;<br />
- Avaliação das alternativas;<br />
- Compra;<br />
- Consumo;<br />
- Avaliação de compra;<br />
- Descarte.<br />
A reunião teve a duração de uma hora, sendo que os relatos e opiniões das<br />
entrevistadas foram gravados através de sistemas de áudio e, posteriormente, transcritos para<br />
documento em Microsoft Word, através do qual foi feita a devida sistematização, que resultou<br />
em subsídios para a construção do questionário.<br />
O método survey selecionado para este estudo incluiu questionário e entrevistas. O<br />
questionário foi aplicado a uma amostra de 150 consumidores, adotando-se a técnica de<br />
amostragem não probabilística. Constitui-se então, em uma amostra de conveniência definida<br />
169
pela anuência dos consumidores abordados fora dos supermercados, em local próximo a<br />
entrada ou saída dos mesmos, por se tratar de local público sem restrições à aplicação da<br />
pesquisa. A aplicação ocorreu no período de nove a quatorze de Agosto de 2010,<br />
determinado-se os seguintes dias da semana: segunda-feira, quarta-feira e sábado, em horários<br />
alternados do dia.<br />
O questionário elaborado foi do tipo estruturado e não-estruturado, contendo<br />
questões fechadas de múltipla escolha e abertas, em ordem pré-especificada (MALHOTRA,<br />
2001). Tal questionário foi pré-testado, sofrendo alterações, para proporcionar total<br />
compreensão por parte dos respondentes, acerca das perguntas realizadas.<br />
Após a coleta dos dados por meio do focus group e dos questionários, elaborou-se<br />
roteiro de entrevista pessoal (APÊNDICE C) realizada no dia dois de Setembro de 2010, com<br />
os gestores dos três principais supermercados centrais do município de Ijuí/RS. Estas<br />
organizações no decorrer deste trabalho receberam a denominação de Alfa, Beta e Gama,<br />
como modo de preservar a identidade e a imagem de cada uma. O roteiro conteve perguntas<br />
gerais direcionadas ao estudo, principalmente, aquelas em relação aos atributos competitivos<br />
valorizados pelos gestores na gestão do negócio. Estas entrevistas foram previamente<br />
agendadas conforme disponibilidade dos gestores.<br />
A observação direta ocorreu no ambiente de cada uma das lojas supermercadistas<br />
em estudo, com o intuito de buscar informações complementares à entrevista com os gestores.<br />
Os quesitos observados estiveram relacionados às técnicas de merchandising aplicadas pelas<br />
lojas, além de incluir uma verificação geral do ambiente dos supermercados.<br />
A pesquisa participante tem como principal característica “o fato de o pesquisador<br />
mergulhar de cabeça no campo que observará a partir de uma perspectiva de membro, mas<br />
deverá, também, influenciar o que é observado graças a sua participação” (FLICK, 2009, p.<br />
207). Assim, caracterizou-se pelo acompanhamento feito pela própria investigadora da<br />
produção de lixo oriundo de compras em supermercados, através da pesagem e da<br />
identificação da composição deste lixo, sendo aplicada a uma amostra de conveniência,<br />
composta por 10 famílias. A estas se solicitou o acondicionamento de todo o lixo oriundo de<br />
compras realizadas em supermercados, no período de uma semana. Após este período, a<br />
autora realizou a coleta e a pesagem dos lixos, fazendo-se os devidos registros. O objetivo da<br />
170
pesquisa participante foi demonstrar o quanto as compras em supermercados participam na<br />
produção de lixo, o que impacta diretamente no ambiente, provocando danos ao planeta.<br />
3.5 Tratamento, Análise e Interpretação dos Dados<br />
Após a execução da coleta dos dados da pesquisa, efetuou-se o tratamento, a análise<br />
e a interpretação, considerando-se a abordagem quali-quantitativa. As informações registradas<br />
como resultado do focus group, das entrevistas com os gestores e da observação, oriundas da<br />
fase qualitativa de pesquisa, foram avaliadas através da sistematização da prática discursiva.<br />
As práticas discursivas são conversas compreendidas como linguagem em ação<br />
(MENEGON, 1999). Estas conversas, obtidas no estudo por meio do focus group e das<br />
entrevistas com os gestores, foram sistematizadas através das linhas narrativas, que segundo<br />
Spink e Lima (1999), são consideradas apropriadas para sistematizar os conteúdos extraídos<br />
das histórias resultantes das conversações, ou seja, da prática discursiva.<br />
Tratando-se dos dados extraídos da pesquisa participante de acompanhamento da<br />
produção de lixo, realizou-se nesta fase qualitativa, a descrição dos elementos integrantes do<br />
lixo produzido pelas famílias.<br />
A análise quantitativa incluiu, conforme Malhotra (2001), a codificação, transcrição,<br />
depuração, ajustes estatísticos e a escolha de uma estratégia de análise dos dados coletados.<br />
Em um primeiro momento se executou a codificação, atribuindo-se códigos que representam<br />
cada resposta especificada no questionário. A transcrição realizou-se através da transferência<br />
dos dados codificados do questionário para o computador, através da digitação dos mesmos.<br />
Posteriormente, os dados foram depurados, a fim de torná-los mais claros, verificando-se a<br />
consistência das respostas, assim como a possibilidade de haver respostas faltantes. Estas<br />
respostas faltantes são valores de uma variável que são desconhecidos pelo fato de os<br />
respondentes não terem dado respostas precisas à questão, sendo introduzido então, um valor<br />
neutro no lugar destas respostas, o que não altera os resultados. O instrumento estatístico<br />
adotado para compilar os dados foi o programa estatístico SPSS. Quanto aos dados extraídos<br />
da pesquisa participante, os mesmos foram registrados em um quadro e, em seguida, efetuou-<br />
se média da quantidade de lixo produzido pelas famílias.<br />
171
Finalmente, na análise quantitativa, foram gerados gráficos e quadros para a melhor<br />
compreensão das relações estabelecidas, permitindo a decodificação visual da realidade<br />
diagnosticada. Procurou-se através destes gráficos e quadros representar os dados obtidos na<br />
pesquisa, expressos em números estatísticos extraídos da tabulação de frequência. Além disso,<br />
realizou-se cruzamento de dados considerados importantes para a pesquisa, gerando<br />
informações complementares.<br />
Assim, encerra-se o capítulo de metodologia, o qual buscou especificar o modo pelo<br />
qual foi executada a pesquisa para a construção da Dissertação de Mestrado que possui como<br />
foco os atributos influentes no comportamento do consumidor de supermercados, enfatizando<br />
a responsabilidade do setor supermercadista na etapa do descarte de produtos.<br />
4 SUSTENTABILIDADE, ATRIBUTOS E ESTRATÉGIAS: COMO O<br />
CONSUMI<strong>DO</strong>R SELECIONA O SUPERMERCA<strong>DO</strong> PARA COMPRAR<br />
172<br />
Os resultados obtidos na pesquisa com o intuito de atender os objetivos propostos<br />
são apresentados neste capítulo, dividido em cinco partes, que abordam: a participação do<br />
setor supermercadista no processo de desenvolvimento sustentável; a caracterização do setor<br />
supermercadista do município de Ijuí/RS; a caracterização da amostra de clientes; o conjunto<br />
de atributos influentes no comportamento do consumidor nas etapas do modelo de decisão de<br />
compra na seleção por supermercados e; estratégias organizacionais na ótica das empresas<br />
supermercadistas calcadas nos atributos competitivos.
4.1 A Participação do Setor Supermercadista no Processo de Desenvolvimento<br />
Sustentável<br />
Os gestores supermercadistas enfrentam vários desafios na administração de suas<br />
lojas, seja em termos de concorrência acirrada, entrada de novas tecnologias ou novos hábitos<br />
de consumo de seus clientes. Entre estes, um novo desafio surge ocasionado por expectativas<br />
intensificadas e maior volume de informações disponíveis aos consumidores e à sociedade:<br />
participar do processo de desenvolvimento sustentável e atuar com responsabilidade social.<br />
Há necessidade de balancear baixo custo, alto padrão de qualidade e incremento da<br />
competitividade com a análise de questões éticas, ambientais e sociais. Neste contexto, no<br />
gerenciamento das lojas, o conceito sustentabilidade começa a estar inserido nas estratégias<br />
supermercadistas exigindo uma preocupação tripla com a:<br />
- Sustentabilidade econômica: o varejo é considerado uma das mais atividades<br />
mais importantes para a economia uma vez que seu desempenho interfere no crescimento<br />
econômico do país como um todo. Crescendo o volume de vendas supermercadista, aumenta a<br />
produção, o nível de emprego e, consequentemente, os investimentos realizados. Neste setor,<br />
a busca pela sustentabilidade econômica é diária, frente a um mercado dinâmico e com uma<br />
concorrência voraz.<br />
- Sustentabilidade ambiental: as atividades varejistas provocam impactos<br />
significativos ao meio ambiente, essencialmente na atualidade em que o consumo mundial é<br />
cada vez maior. A quantidade de lixo oriunda das compras em supermercados e a quantidade<br />
de embalagens e sacolas resultantes das compras tornam o varejo um grande produtor e<br />
repassador de produtos que resultarão em lixo doméstico. Assim, a responsabilidade do setor<br />
está em encontrar meios de reduzir este lixo gerado e, auxiliar em ações que possam tornar<br />
suas lojas sustentáveis, conscientizando o consumidor e, principalmente, exigindo das<br />
indústrias produtos sustentáveis com a produção de embalagens recicláveis.<br />
- Sustentabilidade social: as empresas supermercadistas devem incluir práticas que<br />
tragam benefícios aos membros da sociedade na qual estão inseridas. Ações voltadas à<br />
qualidade de vida de seus colaboradores e, também de toda a sociedade, devem estar entre as<br />
prioridades dos supermercadistas, cuja responsabilidade social deve ser um processo<br />
contínuo.<br />
173
A sociedade tem apresentado cada vez mais preocupações de âmbito socioambiental<br />
e isso, tem pressionado as organizações na execução de ações sustentáveis. Entretanto, de<br />
acordo com dados do estudo, essa conscientização ainda não é um fator determinante na<br />
escolha de que loja o consumidor irá comprar, pois 30% dos respondentes desta pesquisa em<br />
Ijuí afirmam que isso não os influencia na decisão de compra e não possui importância,<br />
enquanto outros, 19,3% acreditam que a preocupação dos supermercados com a sociedade e<br />
com o ambiente os influencia sim, na escolha de qual loja fazer suas compras.<br />
Como afirma Donaire (1999), o fato das lojas apresentarem responsabilidade<br />
socioambiental melhora a imagem institucional na percepção do consumidor, o que foi<br />
mencionado por 50,7% dos respondentes. Melhorando a imagem dos supermercadistas pode-<br />
se ter aumento do número de consumidores, de vendas, melhores funcionários e maiores<br />
índices de lucratividade no longo prazo. O resultado, apresentado no Gráfico 02, revela que o<br />
investimento em ações socioambientais está sendo percebido pelo cliente, podendo acarretar<br />
em ganhos futuros. Esse tipo de conduta das lojas leva ao aumento do capital reputacional e<br />
do valor da empresa no longo prazo, como mencionam Parente et al (2006) e Fortes (1999).<br />
Aliás, Fortes (1999) garante que a conquista de uma imagem positiva propicia capital às<br />
organizações, uma vez que, as empresas não vendem apenas produtos e serviços, mas sim, a<br />
confiabilidade da sua marca.<br />
Os resultados comprovam o que Palhares (2003) referencia quando afirma que o<br />
consumidor brasileiro está começando a despertar para a importância da preservação<br />
ambiental. Caso as empresas, não se adequarem a esta nova realidade que está se<br />
configurando, demonstrando um nível mínimo de responsabilidade social, poderão<br />
futuramente, sofrer fortes boicotes por consumidores no momento de selecionar em que<br />
supermercado comprar.<br />
Ottman (1994) nesta mesma linha de pensamento argumenta que ao exercerem o<br />
poder de suas decisões de compra, os consumidores estão agindo segundo seus valores, o que<br />
leva as empresas a repensarem seus processos e suas filosofias, para não perderem mercado e<br />
capital.<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
50,70%<br />
A responsabilidade socioambiental<br />
interfere na decisão de compra<br />
174
Gráfico 02: Influência das Ações Socioambientais realizadas pelos Supermercados na Decisão<br />
de Compra do Consumidor.<br />
Acredita-se que este tema fará a diferença em um futuro próximo, no qual as ações<br />
dos programas não acontecerão mais isoladamente, mas ilustrarão uma necessidade dos<br />
indivíduos, uma pressão da sociedade (PARENTE et al, 2006). Tal previsão pode tornar-se<br />
realidade pelo investimento em cultura e educação, que estimulam o senso crítico e lógico dos<br />
indivíduos. Torna-se então, uma oportunidade para as empresas mostrarem-se mais<br />
envolvidas com o desenvolvimento da sociedade motivando e promovendo o consumo<br />
consciente, envolvendo os consumidores nessas ações, responsabilizando e conscientizando-<br />
os pelo futuro de suas gerações.<br />
Nos supermercados analisados a preocupação econômica, evidentemente é maior,<br />
uma vez que atuando em um sistema capitalista, estas empresas precisam obter<br />
sustentabilidade financeira para continuar no mercado. A empresa Alfa e Beta, por fazerem<br />
parte de grupos corporativos maiores, sofrem a pressão de suas mantenedoras para alcançar<br />
metas de vendas e elevados índices de lucratividade. Quanto às dimensões socioambientais,<br />
inicia-se um processo de conscientização que precisa ainda ser amadurecido, passando do<br />
discurso para a prática gerencial.<br />
4.1.1 Dimensão econômica<br />
175
O varejo é considerado uma das mais antigas atividades econômicas. Afinal desde as<br />
primeiras lojas tradicionais de mercearias e armazéns com atendimento pessoal realizado, em<br />
muitos casos, pelo próprio dono, até as grandes lojas internacionalizadas, ocorreu uma grande<br />
transformação estrutural deste setor em nível mundial. Entretanto, juntamente com tais<br />
transformações surgiram vários problemas de gestão, principalmente para as pequenas e<br />
médias empresas, devido à carência de profissionalização e o alto número de concorrentes.<br />
Assim, administrar negócios varejistas, como os supermercados, tornou-se uma atividade<br />
árdua na busca diária pela sustentabilidade econômica, frente a um mercado dinâmico e voraz.<br />
O desempenho econômico dos supermercados assume significativa importância para<br />
o crescimento econômico do país como um todo, pois no sistema capitalista as relações de<br />
troca são primordiais para a economia. Os produtos, por melhor que sejam não se vendem<br />
sozinhos. Existe a necessidade de estratégias que visem estimular e incentivar as pessoas a<br />
comprar. Crescendo o volume de vendas ocorre o crescimento quantitativo, pois cresce a<br />
produção, aumenta o nível de emprego e de investimentos e, toda a sociedade passa a viver<br />
melhor.<br />
Em relação ao volume de vendas, dados divulgados pela ABRAS demonstram que<br />
as vendas reais do setor supermercadista em julho de 2010 aumentaram 3,47% em relação a<br />
julho de 2009, de acordo com o Índice Nacional de Vendas, divulgado mensalmente pela<br />
Associação Brasileira de Supermercados. Em comparação com junho de 2010, houve<br />
crescimento real de 4,20%. No acumulado dos sete meses de 2010, as vendas do setor<br />
supermercadista alcançam alta de 5,26%, na comparação com igual período de 2009. Em<br />
valores nominais, o Índice de Vendas da Abras apresentou crescimento de 8,23% em julho em<br />
relação a julho de 2009 e alta de 4,21% sobre junho deste ano. O acumulado nominal, até<br />
julho de 2010, chega a 10,44%, na comparação com o mesmo período do ano passado,<br />
conforme demonstra o Gráfico 03.<br />
176
Gráfico 03: Evolução das Vendas do Setor – Total Brasil (Var. Mês x Mesmo Mês do Ano<br />
Anterior).<br />
Fonte: Portal ABRAS (2010).<br />
Os motivos estão baseados no bom momento econômico vivenciado pelo país, no<br />
crescimento contínuo da oferta de crédito e na elevação da massa salarial, tanto pelo aumento<br />
dos rendimentos, quanto pela expansão do mercado de trabalho, impactando positivamente no<br />
consumo. De acordo com o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (PORTAL<br />
ABRAS, 2010), houve recorde de criação de vagas formais, e a taxa de desemprego se situa<br />
no menor patamar da década, pouco acima de 7%.<br />
Segundo dados do mesmo Instituto, a economia brasileira cresceu 8,9%<br />
no primeiro semestre de 2010 em relação a igual período de 2009. Nos últimos 12 meses até<br />
junho, o PIB acumula alta de 5,1%. O setor supermercadista do Brasil registrou, em 2009,<br />
faturamento de R$ 177 bilhões, representando um incremento nominal de 11,7%; e real de<br />
6,5%, em relação ao ano anterior. A representatividade do segmento corresponde hoje a 5,6%<br />
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.<br />
O 33º Ranking ABRAS de 2010, também aponta que o faturamento do setor em<br />
2009 alcançou R$ 177 bilhões. Em 2009, o número de lojas chegou a 78.311, aumento de<br />
3,4% em relação a 2008, com 899.754 funcionários, crescimento de 2,6%. O lucro líquido<br />
médio, em 2009, ficou em 2,23% sobre o faturamento - o maior da série histórica que<br />
começou em 1999.<br />
As vendas reais do setor supermercadista no mês de março de 2010 cresceram<br />
10,42%, em relação a março de 2009, de acordo com o Índice Nacional de Vendas, divulgado<br />
mensalmente pela ABRAS. Em comparação a fevereiro de 2010, houve alta de 10,16%. No<br />
acumulado do primeiro trimestre, em comparação ao mesmo período do ano passado, a alta<br />
chega a 8,61%. Em valores nominais, o Índice de Vendas da ABRAS de março apresentou<br />
177
aumento de 16,12% em relação a março de 2009 e alta de 10,74% sobre fevereiro de 2010. Já<br />
o acumulado do trimestre ficou em 13,90%. Assim, o acumulado de 8,61% no primeiro<br />
trimestre mostra a tendência de aumento nas vendas do setor supermercadista. Tais resultados<br />
segundo a visão de Silva (1995), demonstram que a alocação eficiente dos recursos dos<br />
supermercados e os investimentos realizados estão sendo percebidos pelos consumidores, que<br />
em resposta compram, aumentando com isso, as vendas do setor.<br />
As vendas supermercadistas fortalecem também o agronegócio, permitindo o<br />
escoamento da produção agrícola e, em consequência, promovendo o desenvolvimento<br />
econômico com impacto direto sobre a balança comercial. O agronegócio também conhecido<br />
como agribusiness, segundo Batalha (2001), é o conjunto de negócios relacionados à<br />
agricultura dentro do ponto de vista econômico. Costuma-se dividir o estudo do agronegócio<br />
em três partes:<br />
1) Trata dos negócios agropecuários propriamente ditos (ou de "dentro da porteira")<br />
que representam os produtores rurais, sejam eles pequenos, médios ou grandes produtores,<br />
constituídos na forma de pessoas físicas (fazendeiros ou camponeses) ou de pessoas jurídicas<br />
(empresas);<br />
2) Os negócios à montante (ou "da pré-porteira") aos da agropecuária, representados<br />
pelas indústrias e comércios que fornecem insumos para a produção rural. Por exemplo, os<br />
fabricantes de fertilizantes, defensivos químicos, equipamentos, etc.;<br />
3) Estão os negócios à jusante dos negócios agropecuários, ou de "pós-porteira",<br />
onde estão a compra, transporte, beneficiamento e venda dos produtos agropecuários, até<br />
chegar ao consumidor final. Enquadram-se nesta definição os frigoríficos, as indústrias têxteis<br />
e calçadistas, empacotadores, supermercados e distribuidores de alimentos.<br />
O agronegócio é fundamental para a economia do país representando cerca de um<br />
terço do PIB e tem garantido contribuição às exportações de commodities e produtos agro-<br />
industriais (PORTAL <strong>DO</strong> AGRONEGÓCIO, 2010). O conceito de agronegócio implica na<br />
ideia de cadeia produtiva, com seus elos entrelaçados e sua interdependência. Nesta cadeia<br />
encontra-se o varejo supermercadista enquadrado nos negócios pós-porteira, auxiliando na<br />
venda de produtos produzidos por produtos rurais diretamente ao consumidor final. São<br />
178
produtos como frutas, verduras, legumes, carnes, leites e derivados e outros, cuja demanda é<br />
crescente, e movimenta as vendas varejistas trazendo benefícios a economia do Brasil.<br />
Todo este cenário positivo em termos de vendas demonstra a importância do setor<br />
supermercadista para a economia, interferindo no crescimento do PIB, indicador de toda a<br />
riqueza gerada no país. Enquanto outros setores desaceleraram o ritmo de crescimento,<br />
principalmente, a indústria, o varejo continua a apresentar resultados benéficos, trazendo<br />
resultados significativos não apenas para a lucratividade destas organizações, mas para a<br />
economia como um todo, gerando-se mais empregos e aumentando a qualidade de vida das<br />
pessoas.<br />
4.1.2. Dimensão ambiental<br />
Na dimensão ambiental, utiliza-se como tema gerador da análise o supermercado,<br />
especificando-se as ações de cada um, uma vez que o estudo privilegia a escolha do<br />
consumidor por uma determinada loja supermercadista.<br />
Torna-se crescente o reconhecimento de que os modernos padrões de consumo,<br />
possibilitados principalmente pelas atividades varejistas, têm um impacto significativo no<br />
meio ambiente, uma vez que o consumo mundial é cada vez maior. No entanto, esse consumo<br />
tem trazido à tona discussões e aumentado o questionamento sobre o fato dos recursos<br />
disponíveis serem finitos e ainda, por tal consumo resultar em volume crescente de resíduos<br />
despejados no meio ambiente.<br />
A sociedade começa a exigir uma mudança para padrões de produção e de consumo<br />
mais sustentáveis e o varejo neste cenário, possui um papel fundamental na concretização<br />
desta mudança. Não apenas por sua importância econômica ao país, mas em especial, por se<br />
constituir como o elo entre os fornecedores e os clientes.<br />
O impacto ambiental do varejo é pequeno quando comparado ao provocado pelas<br />
indústrias que usam recursos naturais ou emitem enormes quantidades de gases de efeito<br />
estufa. Entretanto, a quantidade de lixo resultante das compras em supermercados e a<br />
quantidade de embalagens e sacolas resultantes dessas compras, fazem do varejo um grande<br />
179
produtor e repassador de produtos que resultarão em lixo doméstico, gerando resíduos que<br />
acabam por afetar diariamente o ambiente.<br />
Na atualidade o descarte dos produtos e o destino dos resíduos tornam-se um<br />
problema, especialmente nas grandes cidades. Isso porque, o Brasil produz uma enorme<br />
quantidade de lixo, são 182.728 toneladas diárias, sendo que cada pessoa produz quase um<br />
quilo de resíduos por dia (CID, 2010). Na Figura 16, pode-se comparar o descarte de lixo em<br />
quilos, por pessoa, por dia, nos principais Estados brasileiros. Trata-se de uma quantidade<br />
significativa, que preocupa devido aos danos ambientais resultantes do seu descarte, que na<br />
maioria dos casos, é inadequado. Esse lixo se acumula, sendo jogado em locais com pouca<br />
estrutura, ou em lixões a céu aberto.<br />
No município de Ijuí são recolhidos 1,2 mil toneladas de lixo por mês, sendo apenas<br />
60 toneladas de material reaproveitável para a indústria (LOUREIRO, 2010). Como o lixo de<br />
certa forma é considerado dinheiro, o autor estima que a cidade poderia obter uma receita de<br />
R$ 2,5 milhões ao ano caso a coleta seletiva fosse implantada por 100% dos moradores.<br />
Destaca-se que na composição deste grande volume de lixo, estão resíduos e embalagens<br />
resultantes de compras realizadas em supermercados.<br />
180
Figura 16: Descarte de lixo (em quilos) por pessoa por dia nos principais Estados brasileiros.<br />
Fonte: Cid (2010, p. 22-23).<br />
Comprovou-se na pesquisa aplicada neste trabalho a enorme quantidade de lixo que<br />
as famílias produzem durante a semana, oriunda de produtos comprados em supermercados e<br />
consumidos pelas respectivas famílias. É importante salientar que a composição familiar<br />
explícita no Quadro 07, em termos de número de pessoas que compõem cada família também<br />
interfere no volume de lixo gerado.<br />
O estudo mostra que famílias compostas por crianças tendem a consumir maior<br />
número de alimentos, em especial, aqueles embalados com materiais plásticos e papelão, além<br />
de frutas, cujas cascas e resíduos têm um peso mais significativo. Outro fator a ser<br />
considerado é que em muitas famílias as refeições não são feitas em casa o que acarreta uma<br />
menor produção de lixo. E, isso não quer dizer que não se produza, o que ocorre é que o lixo é<br />
processado e descartado em outros locais (onde são feitas as refeições).<br />
Identificação<br />
do<br />
Consumidor<br />
Composição<br />
familiar<br />
Lixo (Kg)<br />
produzido na semana<br />
181
A 2 adultos 6,2 Kg<br />
B 3 adultos 15,5 Kg<br />
C 2 adultos 11,8 Kg<br />
D 2 adultos 2 crianças 22,2 Kg<br />
E 4 adultos 6 Kg<br />
F 2 adultos 6,4 Kg<br />
G 2 adultos 1 criança 17,65 Kg<br />
H 2 adultos 7,54 Kg<br />
I 2 adultos 2 crianças 18,33 Kg<br />
J 2 adultos 1 criança 15,38 Kg<br />
Quadro 07: Composição Familiar da Amostra Pesquisada.<br />
No estudo registrou-se uma média de 12,7 quilogramas semanais, compostos de<br />
vários itens que estão à venda nas lojas supermercadistas, entre eles:<br />
erva mate;<br />
Lixo orgânico: resíduos de comidas, cascas de frutas, verduras, legumes e restos de<br />
Lixo seco: embalagens plásticas, de papel, isopor e latas. As embalagens plásticas<br />
incluem garrafas pets, embalagens de miojo, geléia, catchup, maionese, detergente, iogurte; as<br />
embalagens de papel são compostas por caixas de sabão em pó, papel higiênico, guardanapos<br />
e tolhas de papel, tetra pak de leite e sucos, embalagens plásticas que condicionam tortas,<br />
chocolates, cucas e bolos; isopor como embalagens para acondicionar legumes, carnes e<br />
produtos de padaria e ainda; latas de cerveja, refrigerante e conservas.<br />
Isso consolida o exposto por Parente et al (2009), que enunciam uma sequência de<br />
atividades que se iniciam com a origem dos recursos e vai até o descarte do produto pelo<br />
consumidor final. Porém, a pesquisa mostra que neste descarte, o destino da grande<br />
quantidade de lixo produzido ainda continua sendo o lixo comum e não a reciclagem, o que<br />
acaba por prejudicar gravemente o ambiente, conforme exposto na Figura 17.<br />
182
Essa grande quantidade de lixo produzida pode ser relacionada à reflexão de Daly<br />
(2005), quando o autor constata que hoje, objetos criados pelo homem atulham o meio<br />
ambiente criando um planeta lotado.<br />
183
Figura 17: Conexões da cadeia de Valor do Varejo.<br />
Fonte: Adaptado de Parente et al (2009).<br />
184
Para a maioria das pessoas a responsabilidade pelo lixo produzido parece se acabar no<br />
instante em que o caminhão da limpeza urbana recolhe os resíduos das fontes geradoras, o que<br />
não é verossímil, conforme se visualiza no modelo proposto por Parente et al (2009). O lixo<br />
para Palhares (2003), deveria ser destinado à reciclagem formando então, um processo cíclico.<br />
4.1.2.1 O descarte de embalagens oriundas de supermercados no ambiente.<br />
É possível perceber o quanto os supermercados estão envolvidos, na produção de<br />
lixo, provocando impactos ambientais. Questionados acerca da existência da preocupação<br />
socioambiental, os gestores das empresas Alfa, Beta e Gama afirmam possuir a consciência da<br />
importância de ações supermercadistas em benefício do ambiente e da sociedade, começando<br />
a realizar pequenas ações voltadas à sustentabilidade. Entretanto, os gestores acabam se<br />
eximindo da sua responsabilidade, destinando-a somente aos fornecedores e aos<br />
consumidores.<br />
No supermercado Alfa existem algumas ações para auxiliar na preservação<br />
ambiental, que segundo o gestor, será uma diretriz que terá cada vez mais força no futuro.<br />
Entre as ações realizadas destacam-se:<br />
• A utilização de gerador e máquinas e equipamentos com sensor de temperatura,<br />
que desligam automaticamente quando atingem a temperatura ideal;<br />
• A venda de plásticos e papelões para empresas de reciclagem;<br />
• Uso de lâmpadas econômicas;<br />
• Parceria com fornecedores de marca renomada, os quais estão focados na<br />
preservação ambiental, como uma tendência para as grandes organizações. No Anexo A,<br />
apresenta-se um exemplo deste tipo de parceria com fornecedores, no caso, da rede Zaffari de<br />
supermercados e a empresa têxtil Altenburg, cujos produtos são fabricados de maneira<br />
sustável e revendidos na rede supermercadista;<br />
• Comercialização da sacola retornável. Apesar, de julgarem que poucas pessoas<br />
aderiram à ideia, pois a maioria dos clientes afirma esquecer-se de levar quando vai fazer<br />
compras;<br />
• Utilização de caixas de papelão para acondicionar as compras dos clientes.<br />
185
Outras ações como pontos de coleta de pilhas e lâmpadas, estão em fase de<br />
negociação com empresas recolhedoras desses materiais.<br />
Com relação a uma estratégia inovadora que o supermercado pudesse realizar em<br />
prol da preservação ambiental o gestor afirma “nunca ter parado para pensar acerca disso”<br />
(sic), mas acredita que nada será possível sem a conscientização, tanto do consumidor, quanto<br />
do próprio fornecedor. Fica evidente neste posicionamento, que as empresas supermercadistas<br />
estão se eximindo da sua responsabilidade enquanto membro principal do canal de<br />
distribuição, detentor do poder de compra das indústrias.<br />
O supermercado Beta, componente de um grupo corporativo multinacional, aplica a<br />
política de preservação ambiental institucional para suas estratégias na loja de Ijuí. O gestor<br />
destaca que a empresa considera toda a cadeia de suprimentos, desde a produção do alimento,<br />
preocupado com seu papel nesse processo, visando reduzir os impactos ambientais gerados.<br />
Desenvolvem um programa corporativo, denominado de Projeto Pessoal para a<br />
Sustentabilidade - PPS, (ANEXO B), no qual cada colaborador que adere ao projeto, deve<br />
planejar um PPS, ou seja, realizar um projeto de economia, que pode ser relativo à água, luz e<br />
redução do impulso de consumo. Toda a equipe participa engajada no projeto, e mensalmente<br />
um funcionário relata a história e o resultado do seu PPS em reuniões.<br />
Nesse contexto aconteceu uma gincana interna entre as lojas, na qual elas<br />
competiram para identificar qual a loja possuía maior número de PPS, isto é, qual das lojas<br />
possuía mais funcionários trabalhando para reduzir os impactos ambientais. O processo inicia<br />
juntamente com a entrada do funcionário no quadro de colaboradores, entregando-se um<br />
formulário (ANEXO C), em que o mesmo pode criar, tanto na sua vida pessoal, como na<br />
empresa, planos para a sustentabilidade.<br />
Além deste projeto, outras ações são realizadas:<br />
• Existência de tonéis onde são acondicionadas as gorduras resultantes de processos<br />
de fabricação de produtos da padaria e da confeitaria, recolhidos de 15 em 15 dias;<br />
• Utilização de lâmpadas econômicas;<br />
• Recolhimento do plástico e do papelão para uma empresa de reciclagem;<br />
• Compra de fornecedores de carnes com certificação (abatedouros confiáveis);<br />
186
• Preocupação em comercializar produtos que possuem embalagens confeccionadas<br />
de material reciclado;<br />
• Recebimento de pilhas e lâmpadas, apesar de não possuírem postos de coleta<br />
declarados ao público;<br />
• Comercialização e incentivo da utilização de sacolas retornáveis, apesar da<br />
percepção dos gestores de que a demanda e a utilização tenha sido maior no início da<br />
implantação da ideia.<br />
Este declínio no uso de sacolas retornáveis por parte dos clientes pode ser reflexo da<br />
falta de incentivo das lojas quanto ao uso destas sacolas pelo consumidor. Inicialmente eram<br />
realizadas ações para lembrar e criar a consciência do uso, entretanto, hoje a única ação é<br />
disponibilizar sacolas retornáveis no ponto de venda. Como destacam Blackell, Engel e<br />
Miniard (2000), o comportamento do consumidor é complexo, envolvendo um processo de<br />
aprendizado. Praticamente tudo o que os indivíduos são capazes de realizar em suas<br />
atividades diárias – mesmo as pequenas ações, como falar, comer e andar – foi aprendido um<br />
dia. Portanto, os indivíduos também aprendem a ser consumidores, pois as experiências de<br />
vida, assim como o meio em que vivem, os ensinam a consumir.<br />
Aprender é a capacidade que leva o consumidor a executar novas condutas, como no<br />
caso, utilizar as sacolas retornáveis e incorporar valores ambientais. Emerge então, a<br />
responsabilidade dos supermercadistas na conscientização dos consumidores, pois o<br />
aprendizado implica em repetição para se mudar o comportamento de consumo, daí a<br />
necessidade da manutenção e da consolidação do estímulo ao uso de sacolas retornáveis e a<br />
compra de produtos sustentáveis. O processo de incentivo deve ser contínuo para o<br />
aprendizado dos clientes, o qual irá ocorrer a longo prazo acarretando na mudança do seu<br />
comportamento.<br />
Quanto às inovações para a sustentabilidade, destaca-se que o grupo corporativo do<br />
qual a empresa Beta faz parte está atento continuamente inaugurando as chamadas “lojas<br />
verdes”, em que a proposta visa garantir o respeito às pessoas e ao meio ambiente. O conceito<br />
de desenvolvimento sustentável está incorporado na forma de atuar da empresa, desde o<br />
projeto da loja até a oferta de produtos mais saudáveis nas gôndolas. Em meio ambiente, as<br />
inovações ficam por conta da construção de um sistema de captação de água da chuva e de<br />
duas estações próprias de tratamento de esgoto. As estações e o sistema de captação permitem<br />
que a água tratada seja reutilizada nos vasos sanitários da loja, na irrigação do jardim e ainda<br />
187
volte para o solo, sem risco de contaminação. Na fachada das lojas, uma “parede verde”,<br />
coberta por plantas trepadeiras, contribui para a maior integração da edificação com o<br />
ambiente e o piso dos estacionamentos mescla concreto e grama, para permitir uma maior<br />
absorção da água das chuvas pelo terreno. A área interna, é projetada para otimizar o uso da<br />
iluminação natural possuindo um sistema com lâmpadas especiais para economizar energia<br />
elétrica.<br />
Nas lojas já existentes como a de Ijuí, essa proposta fica mais difícil de ser<br />
incorporada em termos de estrutura física, uma vez que as instalações da empresa não podem<br />
ser modificadas, tratando-se de um prédio alugado. Porém, as estratégias determinadas pela<br />
loja seguem a filosofia do grupo que inclusive criou o programa de impacto zero, o qual<br />
propõe que todas as lojas estejam focadas no bem-estar das gerações futuras.<br />
O supermercado Gama, mesmo sendo uma empresa de origem local, também realiza<br />
ações que procuram evitar os danos ambientais, como:<br />
recolhimento;<br />
• O uso de equipamentos que ajudam a reduzir o gasto de energia;<br />
• Recolhimento de pilhas trazidas pelos clientes, mas sem postos declarados de<br />
• Venda de plásticos e papelões para reciclagem;<br />
• Recolhimento do óleo utilizado, para ser repassado às pessoas que o reutilizam na<br />
produção de sabão caseiro.<br />
Em relação às ideias inovadoras de preservação ambiental o supermercado pretende<br />
inovar. A loja que será inaugurada em novas instalações não disponibilizará aos clientes a<br />
sacola plástica. A ideia é que o cliente terá que trazer sua embalagem para levar suas compras.<br />
Segundo a gerência, “a consciência ambiental do brasileiro é zero. O dia que o país colocar<br />
uma lei que diz que não poderemos mais dar sacola e que teremos que cobrar a sacola, aí ele<br />
vai ter a consciência de levar a sua embalagem” (sic). E, ainda argumenta que com o<br />
abandono do uso da sacola, se conseguirá diminuir os custos e, consequentemente, baixar o<br />
preço ao cliente.<br />
Entre as oportunidades propostas por Parente et al (2009), para o varejo se tornar<br />
mais sustentável, identificou-se esforços das três lojas voltadas à criação de operações e lojas<br />
sustentáveis, ao gerenciamento da cadeia produtiva e a educação e informação para os<br />
188
consumidores. Na loja Alfa a preocupação com equipamentos e materiais que desperdiçam<br />
menos energia tenta tornar o ambiente de loja mais sustentável, as parcerias com os<br />
fornecedores fazem parte do gerenciamento da cadeia produtiva e a iniciativa de utilização de<br />
sacolas retornáveis e caixas de papelão, busca conscientizar e educar o consumidor.<br />
A loja Beta trabalha com o conceito de construção de lojas sustentáveis<br />
corporativamente, mas como a loja de Ijuí já possui estrutura pronta, ela busca então, realizar<br />
ações menores na busca de um ambiente mais sustentável, como no caso do uso de lâmpadas<br />
especiais com alta eficiência energética, economizando cerca de 80% de energia e com longa<br />
durabilidade O gerenciamento da cadeia produtiva é feito através da compra das carnes de<br />
empresas certificadas em que existe a garantia da procedência do produto, além de procurar<br />
comprar de fornecedores confiáveis que não exploram o trabalho infantil, por exemplo. A<br />
educação ao consumidor inclui nesta empresa, primeiramente, a conscientização do<br />
funcionário, através da utilização do Projeto Pessoal para a Sustentabilidade – PPS, (ANEXO<br />
C) e, também, a conscientização do cliente através do incentivo ao uso de caixas e sacolas<br />
retornáveis.<br />
Ainda considerando as oportunidades destacadas por Parente et al (2009), na loja<br />
Gama há preocupação com operações sustentáveis como o uso de equipamentos que ajudam a<br />
reduzir o gasto de energia, recolhimento de pilhas trazidas pelos clientes, venda de plásticos e<br />
papelões e recolhimento do óleo como citado anteriormente. No gerenciamento da cadeia<br />
produtiva não existe o cuidado em comprar de um determinado fornecedor pelo fato dele ser<br />
socialmente responsável. Quanto à educação ao consumidor, esta ação ainda não é realizada,<br />
mas existe na intenção futura de eliminar a disponibilidade de sacolas na nova loja a ser<br />
inaugurada, o que se configura como uma inovação do setor no município de Ijuí.<br />
Entre as ações sugeridas por Parente et al (2009), para que o varejo possa educar os<br />
consumidores para o consumo consciente, encontrou-se nas lojas analisadas somente o<br />
estímulo ao uso de sacolas de tecido ao invés de sacolas plásticas, a sugestão de utilização de<br />
caixas para acondicionar grandes compras e, a iniciativa de buscar incorporar em seus pontos<br />
de vendas, postos de coleta de pilhas e lâmpadas. Campanhas voltadas à conscientização<br />
ambiental dos consumidores; comunicados nos pontos de venda acerca dos atributos de<br />
sustentabilidade dos produtos; pontos visíveis de coleta de pilhas e lâmpadas e; alerta aos<br />
consumidores para o problema do desperdício de alimentos, informando-os sobre a melhor<br />
189
forma de comprá-los, consumi-los e descartá-los, são ações não desenvolvidas nas lojas Alfa,<br />
Beta e Gama, mas que poderiam vir a serem executadas.<br />
Apesar de todo o empenho relativo à sustentabilidade, os gestores não percebem que<br />
o consumidor esteja levando em consideração essa preocupação por parte da empresa. Os<br />
gestores dos supermercados mostram-se conscientes do quanto o setor e suas operações<br />
impactam no ambiente, essencialmente, na produção de lixo e, colocam a responsabilidade<br />
também sobre os consumidores. O gestor da empresa Beta destaca que quando sugerem, por<br />
exemplo, que o cliente use a caixa de papelão ao invés da sacola plástica, o cliente reclama e<br />
não aceita a troca, prefere sim, usar três sacolas. Na realidade, concluem que estão<br />
trabalhando contra aquilo que acreditam pela falta de consciência do consumidor.<br />
É possível constatar que, no caso das três lojas analisadas, os gestores acabam se<br />
eximindo da sua responsabilidade enquanto intermediários do canal de distribuição.<br />
Transferem essa responsabilidade ao fabricante e ao consumidor, e nenhuma atitude é tomada,<br />
como por exemplo, comprar apenas produtos de fornecedores sustentáveis, o que seria<br />
possível, já que eles detêm o poder de decisão.<br />
O varejo cada vez tem maior poder dentro dos canais de distribuição porque ocupa<br />
uma posição central atuando como elo, o que está representado na Figura 18. Se os<br />
responsáveis pelas compras exigirem da indústria produtos sustentáveis, com redução do uso<br />
de embalagens plásticas, produção de embalagens mais simples e em menor quantidade,<br />
consequentemente, o consumidor irá comprar e produzir menos lixo doméstico.<br />
Figura 18: Canal de distribuição do supermercado.<br />
Fonte: Adaptado de Kotler e Armstrong (1999, p. 286).<br />
As parcerias com fornecedores são possíveis, como referenciadas no Anexo A, e<br />
fundamental para um trabalho conjunto com a indústria, em prol da preservação e da<br />
190
diminuição dos impactos ambientais. Em decorrência disso, o consumidor neste processo irá<br />
comprar os produtos que o supermercado disponibilizar. Constata-se que os supermercadistas<br />
estão atuando na cadeia, apenas direcionados “para frente”, visando aos consumidores. Porém<br />
devem envolver também, os seus fornecedores e as indústrias que são as grandes fontes<br />
geradoras de embalagens e lixo como explicitado anteriormente na Figura 17.<br />
As mudanças ocorridas no varejo beneficiarão a sociedade como um todo e<br />
proporcionarão o desenvolvimento do próprio setor. Através da promoção de produtos mais<br />
eficientes e menos poluentes, da mobilização da cadeia produtiva e da educação e informação<br />
dos seus clientes, o varejista irá atender ao anseio dos consumidores que buscam consumir de<br />
forma a produzir menores impactos sociais e ambientais.<br />
4.1.3 Dimensão social<br />
Também na dimensão social, o supermercado é utilizado como tema da análise,<br />
identificando-se as ações sociais realizadas por cada um, uma vez que o estudo foca a escolha<br />
do consumidor por uma determinada loja supermercadista.<br />
O desenvolvimento em termos sociais envolve as qualidades dos seres humanos,<br />
suas habilidades, dedicação e experiências, englobando tanto o ambiente interno quanto o<br />
externo. Trata-se da evolução dos seres humanos e da maneira como eles se relacionam,<br />
focando não apenas o crescimento quantitativo como o econômico, mas sim, a qualidade de<br />
vida da sociedade. As empresas supermercadistas devem buscar não somente sua<br />
sustentabilidade econômica, não apenas a preservação e a redução dos impactos ambientais,<br />
mas incluir, práticas que venham a beneficiar os membros da sociedade na qual estão<br />
inseridas. A responsabilidade social do varejo é uma forma pró-ativa do marketing voltado<br />
para o valor e é percebido pelo consumidor, como um fator de diferenciação (CHURCHILL;<br />
PETER, 2000).<br />
Nas empresas foco deste estudo, a preocupação com o desenvolvimento e a<br />
responsabilidade social existe, entretanto, as ações ainda são restritas. O supermercado Alfa<br />
assim como o Beta, costuma participar de uma campanha idealizada por entidades<br />
assistenciais do município, na qual cede espaço para que membros dessas comunidades<br />
conversem e conscientizem o consumidor a doar alimentos às instituições carentes. Além<br />
191
disso, a loja Alfa realiza doação de resíduos do setor de hortifrutigranjeiro, da padaria e da<br />
confeitaria, para entidades que os reutilizam fazendo “sopão” para as crianças. Essa prática<br />
ajuda inclusive no controle do supermercado do desperdício gerado pelos seus processos de<br />
produção. Internamente, em benefício dos funcionários são executadas poucas ações como: a<br />
festa do funcionário realizada no dia do trabalhador em Maio e o pagamento do aluguel de<br />
uma quadra para que os colaboradores possam jogar futebol uma vez por semana, como forma<br />
de entretenimento. Existe também uma política de inclusão social, em que são contratadas<br />
pessoas portadoras de deficiência para trabalhar no supermercado e ainda, o Jovem Aprendiz,<br />
programa que oportuniza aos jovens de 14 a 24 anos a ingressar no mercado de trabalho.<br />
O supermercado Beta está cadastrando uma entidade que irá recolher três vezes na<br />
semana todo o resíduo do hortifrutigranjeiro, pois essa instituição poderá reaproveitar<br />
produtos que iriam para o lixo. Procura-se reservar um espaço na loja para a coleta de notas<br />
fiscais, cujo recolhimento auxilia entidades sociais do município a adquirir equipamentos e<br />
materiais. Quanto ao ambiente interno, é disponibilizado ao colaborador um plano de saúde<br />
com o ressarcimento de 25% do total gasto pelo funcionário em medicamentos, consultas e<br />
exames. São realizados treinamentos motivacionais e, uma vez ao ano, acontece o dia da<br />
família quando o funcionário pode trazer sua família para confraternizar. Ainda possuem o<br />
Programa de Participação de Resultados - PPR, em que os 130 funcionários são beneficiados<br />
financeiramente pelo bom desempenho da empresa no ano. Também ocorre a ação de<br />
inclusão social com a contratação de pessoas portadoras da síndrome de Down.<br />
As ações sociais desenvolvidas pelo supermercado Gama, têm como objetivo<br />
auxiliar igrejas e entidades assistenciais com pequenas doações. Os resíduos da padaria e do<br />
hortifrutigranjeiro são levados por uma pessoa do interior para alimentação de seus animais.<br />
O óleo é guardado para pessoas que fabricam sabão caseiro, assim como os ossos, destinados<br />
a fabricação de ração. Desta forma, a empresa além de auxiliar ambientalmente está ajudando<br />
estas pessoas em seus negócios informais. Para os funcionários não existe qualquer tipo ação<br />
que venha a trazer melhorias a sua qualidade de vida.<br />
Nas ações de responsabilidade social dos supermercados Alfa, Beta e Gama<br />
denotam-se a preocupação existente em manter relações éticas e de respeito mencionadas por<br />
Parente et al (2006), com a comunidade, os funcionários e os clientes. Com a comunidade<br />
ocorre nas doações de alimentos para instituições assistenciais, propiciando a melhoria da<br />
qualidade de vida das pessoas, na coleta de notas e espaço cedido para que estas entidades<br />
192
ealizem ações dentro dos supermercados. Aos funcionários, destina-se o cuidado em manter<br />
um clima positivo de trabalho tratando-os de forma atenciosa, oferecendo segurança para o<br />
exercício de suas funções e, ainda, oferecendo oportunidade de lazer e entretenimento.<br />
Existe ainda, na loja Beta a política de incentivo, com uma compensação justa pelo<br />
esforço realizado, como destacam Claro, Claro e Amâncio (2002), na qual os colaboradores<br />
participam dos resultados do negócio. Com os clientes, existe uma preocupação na oferta de<br />
produtos e serviços de qualidade, com preços justos, numa relação de transparência entre<br />
cliente-empresa.<br />
Encontram-se também nas ações das três lojas analisadas, alguns princípios da<br />
responsabilidade social do varejo, propostos por Amadeu Junior, Gelman e Macedo (2004),<br />
como: não vender bebidas alcoólicas e cigarros para menores de 18 anos, a canalização de<br />
sobras e desperdícios a programas sociais como destacado anteriormente, a valorização da<br />
consciência ecológica, o zelo pela segurança e a higiene no trabalho.<br />
Constata-se que predomina ainda a ação social, uma vez que para se a caracterizar<br />
como responsabilidade social tais práticas deveriam ser planejadas e não esporádicas como<br />
acontece nas lojas, ainda vistas como assistencialismo, de acordo com a diferenciação dos<br />
conceitos de ação social, investimento privado e responsabilidade social empresarial<br />
apresentada por Amadeu JR., Gelman e Macedo (2004).<br />
É perceptível em relação à dimensão social que os gestores confundem-se quanto ao<br />
seu verdadeiro significado, essencialmente, em relação ao ambiente interno da empresa. A<br />
melhoria da qualidade de vida dos funcionários não está relacionada somente ao aumento de<br />
salários ou participação em resultados, mas em práticas de melhoria da estrutura na qual ele<br />
trabalha, como por exemplo, a iluminação de seu posto de trabalho, uma cadeira confortável<br />
disponível, a realização de ginástica laboral, palestras de motivação e incentivo, atendimento<br />
médico e psicológico, dispensa no dia do seu aniversário, conversas com chefias de<br />
reconhecimento e outras ações, as quais são importantes ao ser humano e ao seu<br />
desenvolvimento.<br />
Gradativamente as empresas supermercadistas vêm adotando ações voltadas à<br />
sustentabilidade. Existe ainda um longo caminho a ser percorrido. Porém aos poucos as<br />
organizações começam a perceber que vender produtos sustentáveis e empreender ações de<br />
193
caráter ambiental e social tende a ser uma atitude cada vez mais valorizada pelos<br />
consumidores, melhorando sua imagem corporativa, aumentando a demanda por suas<br />
mercadorias, maximizando seus resultados e, consequentemente, o seu retorno financeiro.<br />
Para isso, empresas, fornecedores e consumidores devem trabalhar juntos em prol do bem<br />
estar da sociedade de modo geral.<br />
4.2 Caracterização do Setor Supermercadista do Município de Ijuí/RS<br />
No município de Ijuí, localizado na região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul,<br />
que possui 76.739 habitantes, o setor supermercadista é bem desenvolvido contemplando<br />
grandes redes corporativas. De acordo com dados da prefeitura municipal, existem 47<br />
empresas cadastradas nesta categoria, demonstrando a concorrência acirrada e a importância<br />
do varejo no desenvolvimento do município, seja em termos de renda, emprego ou na esfera<br />
social.<br />
Estas lojas contemplam a venda de produtos que na classificação de Kotler (2009),<br />
quanto à durabilidade e a tangibilidade, classificam-se como bens não duráveis, como<br />
bebidas, artigos de limpeza e higiene pessoal; bens duráveis, como eletrodomésticos,<br />
eletrônicos, artigos de bazar, cama, mesa e banho e; serviços, como a entrega de ranchos,<br />
recebimento de contas, venda de cartões telefônicos e outros. Tratando-se do uso, os produtos<br />
ofertados disponíveis na rede supermercadista local encontram-se bens de conveniência,<br />
incluindo os de consumo geral, de impulso e de emergência; os de compra comparada que<br />
exigem um processo de seleção na compra, como os eletrodomésticos e os eletrônicos e; os<br />
bens de especialidade, entre eles os produtos de marcas própria dos supermercados.<br />
Entre estas 47 lojas existentes no município, selecionou-se como objeto deste<br />
estudo, três supermercados, localizados na área central do município, e que possuem um<br />
número significativo de fluxo de consumidores. A loja Alfa possui 73 funcionários, 9 check<br />
outs, distribuídos em 1.225 metros quadrados. A Beta possui atualmente 130 colaboradores,<br />
14 check outs mais um localizado no eletro e outro no restaurante, distribuídos em 1.200<br />
metros quadrados de loja. O supermercado Gama tem 155 funcionários, 13 check outs e 2.000<br />
metros quadrados de estrutura física. Segundo a classificação da ABRAS, tais supermercados<br />
com estas características enquadram-se na categoria de supermercado convencional.<br />
194
4.3 Caracterização da Amostra de Consumidores<br />
Os dados extraídos para a caracterização da amostra não-probabilística consideraram<br />
as seguintes variáveis: sexo, faixa etária e renda familiar. O resultado demonstra um total de<br />
113 respondentes do sexo feminino, correspondendo a 75,3% do total da amostra e 37<br />
entrevistados do sexo masculino, totalizando 24,7%, conforme Quadro 08.<br />
Sexo Freqüência %<br />
Feminino 113 75,33%<br />
Masculino 37 24,67%<br />
Total 150 100,00%<br />
Quadro 08: Distribuição dos Participantes da Pesquisa por Sexo.<br />
Os dados revelam a predominância do sexo feminino entre os consumidores do setor<br />
supermercadistas. Pelo papel que ocupam de mães, esposas e responsáveis pelo cuidado do<br />
lar, as mulheres no geral, são as que mais frequentam e concretizam as compras em<br />
supermercados, o que se evidenciou na adesão à pesquisa constituindo o perfil do público<br />
pesquisado.<br />
Em relação à faixa etária, é possível visualizar as frequências de distribuição no<br />
Quadro 09, verificando-se maior concentração de consumidores nas faixas de 41 a 50 anos,<br />
representando 27,33% da amostra estudada. Isto se caracteriza como a moda, em termos<br />
estatísticos, ou seja, em que se encontram o maior número de respondentes. A análise mostra<br />
que mais da metade (58%) dos entrevistados caracteriza-se como um público maduro com<br />
faixa etária a partir de 41 anos.<br />
195
Faixa Etária Freqüência %<br />
Até 20 anos 6 4,00%<br />
de 21 a 30 anos 24 16,00%<br />
de 31 a 40 anos 33 22%<br />
de 41 a 50 anos 41 27,33%<br />
de 51 a 60 anos 34 22,67%<br />
acima de 60 anos 12 8,00%<br />
Total 150 100,00%<br />
Quadro 09: Distribuição dos Participantes da Pesquisa por Faixa Etária.<br />
Considerando-se os clientes em termos de renda familiar, verifica-se no Quadro 10,<br />
uma maior concentração de consumidores que possuem uma renda de R$ 511,00 a R$<br />
1.020,00 (37,33%); seguida pela renda de R$ 1.021,00 a 2.040,00 (32,67%); em terceiro pela<br />
faixa que compreende a renda de R$ 2.041,00 a R$ 5.100,00 (16%); em quarto os<br />
consumidores com renda de até R$ 510,00 (9,33%); e, finalmente, aqueles que recebem acima<br />
de R$ 5100,00 (4,67%).<br />
Renda familiar Frequência %<br />
Até R$ 510,00 14 9,33%<br />
de R$ 511,00 a R$ 1.020,00 56 37,33%<br />
de R$ 1.021,00 a R$ 2.041,00 49 33%<br />
de R$ 2.041,00 a R$ 5.100,00 24 16,00%<br />
acima de R$ 5.100,00 7 4,67%<br />
Total 150 100,00%<br />
Quadro 10: Distribuição dos Participantes da Pesquisa por Renda Familiar.<br />
Desta forma, o perfil predominante dos participantes da pesquisa, encontra-se<br />
caracterizado como: formado em sua maioria por mulheres, na faixa etária entre 41 a 50 anos,<br />
com renda familiar entre R$ 511,00 a R$ 1.020,00.<br />
196
4.4 O Conjunto de Atributos Influentes no Comportamento do Consumidor nas<br />
Etapas do Modelo de Decisão de Compra na Seleção por Supermercado<br />
As lojas supermercadistas estão situadas em um ambiente em constante mutação,<br />
seja pela concorrência acirrada, pela introdução de novas tecnologias, ou pelas mudanças de<br />
hábito dos consumidores. Neste cenário, é importante conhecer o conjunto de atributos que<br />
interferem direta ou indiretamente nas etapas do modelo de decisão de compra, pelo fato de<br />
que estes atributos podem ser decisivos no processo de decisão do consumidor, acerca de qual<br />
supermercado escolher para realizar suas compras. Identificando-se este conjunto de atributos<br />
é possível elaborar estratégicas mais eficazes de marketing a fim de garantir um<br />
posicionamento de sucesso no mercado.<br />
No processo de compra o consumidor poderá exercer cinco papéis, como distinguem<br />
Engel, Blackwell e Engel (2000) e Kotler (2009). Neste estudo, entretanto, a amostra é<br />
composta por pessoas que exercem a função de compradores, ou seja, são elas próprias que<br />
fazem a compra no supermercado. Cabe destacar, que assim como afirmam os autores,<br />
predomina a categoria da mulher dominante na decisão de que loja comprar, pois na pesquisa<br />
evidenciou-se que 75,3% dos entrevistados decidem eles próprios em qual supermercado<br />
comprar; 10,7% mencionam que esta tarefa cabe aos pais e 14% destacam que quem decide<br />
onde comprar é a esposa, o que aponta o papel decisivo da mulher na decisão de loja<br />
supermercadista, dados esses expressos no Gráfico 04.<br />
80%<br />
70%<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
75,30%<br />
São os próprios<br />
compradores<br />
Gráfico 04: Papel de Compra dos Entrevistados.<br />
10,70% 14%<br />
Os pais fazem as<br />
compras<br />
O conjugue<br />
197
Cruzando-se os dados é possível perceber com maior exatidão a influência da<br />
mulher, como mostra o Quadro 11, em que 60% daqueles que responderam que são os<br />
próprios tomadores de decisão do local a ser escolhido, são do sexo feminino.<br />
Sexo<br />
Quem decide o supermercado no<br />
qual serão feitas as compras<br />
Própria Pais Conjugue<br />
Total<br />
Mulheres 60% 8,67% 6,66% 75,33%<br />
Homens 15,33% 2% 7,34% 24,67%<br />
Total 75,33% 10,67% 14% 100%<br />
Quadro 11: Sexo versus quem Decide o Supermercado para as Compras.<br />
4.4.1 Etapas do processo de tomada de decisão<br />
Ao desempenhar então, o papel de compradores em supermercados, o consumidor<br />
passa por várias etapas as quais sofrem a influência de um conjunto de atributos.<br />
Primeira etapa: O Reconhecimento da Necessidade<br />
198<br />
O processo de decisão de compra tem início com o estágio de reconhecimento de<br />
uma necessidade por parte do consumidor, o qual funciona como estímulo à predisposição de<br />
comprar um produto/serviço, ou como no caso deste estudo, a buscar uma determinada loja<br />
para efetuas suas compras. Surge de um desconforto do consumidor ao perceber alguma<br />
necessidade não satisfeita.<br />
Uma necessidade, entretanto, precisa ser ativada por uma influência externa ou<br />
interna de vários fatores segundo Engel, Blackwell e Miniard (2000), já destacados neste<br />
estudo. Questionados acerca de qual motivo os leva a ir a um supermercado, 76% reconhecem<br />
que a falta de produtos em casa os impulsiona a procurar um supermercado (Gráfico 05).<br />
Trata-se do fator denominado pelos autores de consumo repetitivo de produtos, no qual a<br />
necessidade surge pela falta de estoque do mesmo produto, que já foi consumido pelo<br />
consumidor. Então, as pessoas percebem a falta de algum produto e, automaticamente,
desencadeia-se a necessidade de uma nova compra. No geral, são produtos que já fazem parte<br />
da lista de compras usual do cliente tratando-se, no caso de supermercados, de uma recompra,<br />
classificando-se como uma compra rotineira.<br />
80%<br />
70%<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
Gráfico 05: Fatores que Despertam a Necessidade de Frequentar Supermercados.<br />
Outro fator importante, mencionado por 12% dos entrevistados, são as promoções,<br />
os encartes, as propagandas de rádio e televisão e outras ferramentas mercadológicas. São<br />
estímulos externos na classificação de Richers (1984) e de Sheth, Mittal e Newman (2001), os<br />
quais podem influenciar na predisposição do cliente, mas que só conduzem à compra, se<br />
forem compatíveis com uma predisposição inicial do consumidor em comprar. Ou seja, as<br />
propagandas e promoções serão atraentes e valorizadas pelo cliente caso anunciem algo que<br />
eles necessitam.<br />
76,7%<br />
3,3%<br />
12%<br />
0,7% 3,3% 0,7% 3,3%<br />
Nesta mesma linha de pensamento Engel, Blackell e Miniard (2000), pontuam que<br />
esse fator, denominado por eles de influências de marketing, são fundamentais no<br />
reconhecimento da necessidade, na tentativa de estimular a conscientização dos clientes sobre<br />
as suas necessidades e/ou lembrá-los de uma necessidade esquecida.<br />
Falta de produtos em casa<br />
Prazer em frequentar<br />
supermercados<br />
Promoções, encartes,<br />
propagandas de TV<br />
Impulso de comprar<br />
Possuir dia fixo para as compras<br />
Sensação de fome, sede<br />
Ocasiões especiais<br />
O prazer pela experiência de frequentar supermercados é citado por 3,3% dos<br />
respondentes. Para estes consumidores a necessidade em si, é de ir à loja, circular pelos<br />
corredores, conversar com as pessoas, visualizar produtos diferentes, pois estar no ambiente<br />
de loja supermercadista provoca bem estar, segundo eles. Este fator é tratado por Engel,<br />
199
Blackwell e Miniard (2000), como diferenças individuais, algo único do consumidor que o faz<br />
dirigir-se ao supermercado pela necessidade de algo novo, seja um produto ou uma nova<br />
experiência.<br />
Outros 3,3% afirmam que a necessidade de ir ao supermercado está atrelada a um<br />
dia fixo da semana, independente de faltar ou não produtos, toda quarta-feira, por exemplo, se<br />
tem o hábito de ir fazer compras. O mesmo contingente de entrevistados, 3,3% usam ocasiões<br />
especiais, denominadas por Engel, Blackwell e Miniard (2000), de mudanças circunstanciais<br />
como motivação. Tais circunstâncias variam entre um jantar para convidados especiais, festas<br />
de aniversário e outras comemorações.<br />
O impulso de fazer compras, assim como a sensação de fome e sede, motivam, 0,7%<br />
das pessoas a ir ao supermercado. Estes dois fatores podem são classificados como internos,<br />
como mencionado por Seth, Mittal e Newman (2001), pois se tratam de estados físicos (sede e<br />
fome) e psicológicos (impulso) que provocam a necessidade.<br />
Conforme a classificação de tipologia de problemas, de Sheth, Mittal e Newman<br />
(2001) e Engel, Blackwell e Miniard (2000), os motivos que levam ao reconhecimento de um<br />
problema por parte dos consumidores entrevistados podem ser sistematizados, conforme o<br />
Quadro 12.<br />
Ativos Latentes<br />
Familiares � 76% reconhecem que a falta de produtos.<br />
em casa.<br />
� 0,7% sensação de fome e sede.<br />
� 3,3% hábito de freqüentar o supermercado<br />
em um dia fixo.<br />
Novos � 3,3% ocasiões especiais: jantar para<br />
convidados especiais, festas de aniversário, e<br />
outras comemorações.<br />
Quadro 12: Sistematização da Classificação de Tipologia de Problemas.<br />
200<br />
� 12% promoções, os<br />
encartes, as propagandas de<br />
rádio e televisão.<br />
� 0,7 % impulso de comprar.<br />
� 3,3% prazer pela<br />
experiência do ambiente e de<br />
novos produtos.<br />
Muitas necessidades e desejos são aguçados (PARENTE, 2000), mediante atividades<br />
promocionais realizadas dentro do ponto de venda e que despertam os cinco sentidos das
pessoas. Dentre estes, a audição é o sentido que mais incentiva a necessidade de compra, de<br />
acordo com 53,3% dos entrevistados, para estes ouvir as promoções no supermercado lembra<br />
produtos que estão em falta e os faz pensar na economia de preço.<br />
A visualização das gôndolas e displays de produtos expostos também é uma<br />
influência no reconhecimento da necessidade para 37,3% das pessoas. Os consumidores<br />
possuem o hábito, ao freqüentar supermercados, de transitar entre os corredores em busca de<br />
produtos e nesta busca recebem impactos visuais que estimulam a necessidade de compra.<br />
O odor dos produtos expostos, principalmente na padaria, desperta a necessidade de<br />
compra em 2% das pessoas enquanto que, para 0,7% a degustação de produtos na loja<br />
incentiva a compra. Outros 6,7% destacaram que o principal motivo que os faz lembrar uma<br />
necessidade é realmente a escassez do produto em casa, como demonstra o Gráfico 06.<br />
Constata-se em tais resultados, o quanto estratégias mercadológicas dentro do ponto<br />
de venda são capazes de influenciar e desencadear o reconhecimento da necessidade do<br />
cliente, como desatacado por Parente (2000) e Engel, Blackwell e Miniard (2000). A pesquisa<br />
mostra que há a adesão por parte dos clientes, e que eles são sim, influenciados por<br />
ferramentas que despertam seus cinco sentidos: visão, tato, paladar, audição e olfato.<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
37,30%<br />
2% 0,70%<br />
53,30%<br />
6,70%<br />
Olhar as gôndolas de<br />
produtos expostos<br />
Sentir o odor de alimentos<br />
Degustar novos produtos<br />
Ouvir promoçoes<br />
Escassez do produto em<br />
casa<br />
Gráfico 06: Itens com maior Influência em lembrar a Necessidade de Compra.<br />
201
Por trás do comportamento que estimula o consumidor a ir a um determinado<br />
supermercado existe uma motivação que o impulsiona, e no caso dos supermercados, segundo<br />
a teoria das necessidades humanas proposta por Maslow e abordada por Rocha e Christensen<br />
(1999), a maior parte das pessoas é motivada por necessidades fisiológicas, as quais são<br />
importantes para o desencadeamento das demais necessidades. Isso ocorre diretamente, como<br />
na sensação de fome e sede, ou indiretamente, quando há escassez de produtos em casa.<br />
Entretanto, cabe ressaltar que hoje, o mix de produtos disponíveis nos<br />
supermercados, englobando artigos eletrônicos, automotivos, de bazar, de cama, mesa e<br />
banho, é amplo e acaba por despertar também, outras necessidades, como as de proteção e<br />
segurança (na compra de pneus novos para o carro, por exemplo), de ordem social (na<br />
interação existente com outras pessoas no ambiente de loja), de auto-estima (compra de<br />
produtos estéticos e perfumaria) e auto-realização (o consumidor que sente-se realizado em<br />
poder comprar uma televisão de 50 polegadas, por exemplo). Na Figura 19, são apresentados<br />
exemplos de necessidades componentes da hierarquia das necessidades humanas de Maslow,<br />
que são supridas por compras de supermercados.<br />
Figura 19: Exemplos de Necessidades componentes da Hierarquia de Maslow.<br />
Segunda etapa: A Busca<br />
Após a etapa de reconhecimento da necessidade, o consumidor parte para a busca de<br />
informações no intuito de alcançar o estado desejado. Este processo de busca pode ser interno,<br />
202
ativado pela memória ou, então, externo, envolvendo a coleta de informações no mercado,<br />
como lembram Engel, Blackell e Miniard (2000). A intensidade da busca varia de acordo com<br />
o envolvimento do consumidor com o produto, as características individuais e as<br />
idiossincrasias dos clientes, aspectos do mercado, o tipo de compra e outros fatores.<br />
Questionados acerca do processo de busca, os consumidores dos supermercados<br />
analisados, afirmam percorrer várias lojas para a concretização das suas compras, ou seja,<br />
para a satisfação da necessidade reconhecida. Dos respondentes 16% compram apenas em um<br />
supermercado, ou seja, são fiéis à loja. Na visão de Levy e Weitz (2000), essa fidelidade que<br />
pode ser a uma marca ou a uma loja, ocorre quando os clientes gostam de uma mesma<br />
empresa para comprar um tipo de mercadoria, no caso, alimentos, artigos de limpeza e higiene<br />
pessoal e a visitam habitualmente.<br />
Outras 46,7% das pessoas entrevistadas preferem comprar em dois supermercados,<br />
enquanto que, 29,3% percorrem três empresas e; 8% frequentam mais de quatro lojas<br />
supermercadistas na busca por produtos, dados estes expressos no Gráfico 07.<br />
Mais de quatro<br />
supermercados<br />
Três supermercados<br />
Dois supermercados<br />
Apenas um<br />
8%<br />
Gráfico 07: Número de Supermercados que o Consumidor costuma Comprar.<br />
16%<br />
29,30%<br />
46,70%<br />
0% 10% 20% 30% 40% 50%<br />
A maioria das pessoas acaba procurando mais de um supermercado na busca por<br />
informações, o que demonstra que a fidelidade em comprar em um único local é restrita, em<br />
lojas deste setor. Para Kotler e Armstrong (1999), não existe lealdade à marca, o que neste<br />
caso, pode ser transferido a lealdade às lojas supermercadistas, o que é considerado normal<br />
203
quando se trata de busca de informações de produtos de baixo preço. Entrevistadas do focus<br />
group ainda justificam que essa infidelidade, deve-se, principalmente, ao tipo de compra, ou<br />
seja, geralmente possuem um supermercado para compras mensais e outro ou outros, para<br />
compras ocasionais, cuja escolha segue a conveniência de proximidade de suas residências ou<br />
trabalho. Estes resultados mostram uma dimensão de fidelidade compartilhada, segundo a<br />
visão de Mowen e Minor (2003), pois os consumidores buscam vários supermercados em<br />
momentos diferentes, compartilhando entre eles sua preferência de compras.<br />
Engel, Blackwell e Miniard (2000) pontuam que no caso de compras repetidas,<br />
como aquelas realizadas em supermercados, a satisfação dos clientes com relação a suas<br />
escolhas anteriores pode determinar a necessidade de busca quando fazem suas escolhas<br />
atuais. Assim, quando satisfeito com um determinado supermercado, o consumidor torna-se<br />
menos motivado a buscar, o que não acontece com a maioria dos respondentes da pesquisa,<br />
uma vez que eles preferem frequentar mais de uma loja.<br />
Em relação à quantidade total da busca, isto é, o número de lojas, atributos e fontes<br />
de informações consideradas durante a busca, esta depende do tipo de processo de tomada de<br />
decisão (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Quanto ao tipo de processo de tomada<br />
de decisão, os supermercados envolvem um comportamento de compra de resposta rotineiro,<br />
destacado por Kotler e Armstrong (1999).<br />
A frequência com que os consumidores analisados costumam ir aos supermercados<br />
varia, conforme se pode visualizar no Gráfico 08. Os pesquisados que costumam frequentar<br />
diariamente o supermercado representam 4,7% do total; 49,4% costumam ir às lojas uma vez<br />
por semana; 9,3% duas vezes por semana; 8% três vezes por semana; 27,3% fazem compras<br />
quinzenalmente e 1,3 % buscam ir às lojas uma vez ao mês. Quando frequentam a loja os<br />
consumidores utilizam a busca interna, como mencionado por Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000), utilizando a memória de compra, o que normalmente ocorre nas compras rotineiras<br />
como é o caso de produtos comercializados por supermercados.<br />
Essa busca que tem como motivador o desejo de se fazer melhores escolhas de<br />
consumo também pode ocorrer simplesmente pela diversão e prazer do cliente em frequentar<br />
os supermercados, o que foi destacado por 2,3% dos respondentes. Tal busca é denominada<br />
por Engel, Blackwell e Miniard (2000) como busca continuada.<br />
204
50%<br />
45%<br />
40%<br />
35%<br />
30%<br />
25%<br />
20%<br />
15%<br />
10%<br />
5%<br />
0%<br />
4,70%<br />
49,40%<br />
9,30% 8%<br />
Gráfico 08: Frequência com que o Consumidor costuma ir ao Supermercado.<br />
As fontes de informações utilizadas pelo consumidor durante a busca por empresas<br />
também são importantes e determinantes na escolha futura, como mostra o Gráfico 09.<br />
Entretanto, para 52,7%% dos entrevistados a indicação de fontes pessoais, como família,<br />
amigos, vizinhos e/ou conhecidos não é levada em consideração, outros 29,3 % afirmam que<br />
às vezes, são influenciados. Existem ainda 18% que sim, garantem sofrer a influência de<br />
amigos e familiares na busca por um determinado supermercado, preferencialmente quando a<br />
busca envolve promoções de preços baixos.<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
18%<br />
27,30%<br />
1,30%<br />
52,70%<br />
Sempre considera Não leva em<br />
consideração<br />
Gráfico 09: Influência de Fontes Pessoais na Busca por Supermercados.<br />
Diariamente<br />
Uma vez por semana<br />
Duas vezes por semana<br />
Três vezes por semana<br />
Quinzenalmente<br />
Uma vez por mês<br />
29,30%<br />
Às vezes leva em<br />
consideração<br />
205
Quanto às fontes de informações comerciais, estas mostraram na pesquisa que<br />
possuem um forte poder de influência (Gráfico 10). Dos entrevistados, 52,6% alegam sofrer a<br />
influência de promoções, encartes de lojas, propagandas de televisão e anúncios de rádio;<br />
enquanto 18,7% são esporadicamente influenciados. Os demais, 28,7% dos consumidores<br />
consideram que não são influenciados por estas ferramentas comerciais. Destaca-se como<br />
mencionam Engel, Blackwell e Miniard (2000), que as gôndolas, os displays e outros<br />
dispositivos internos das lojas também estão classificados nestes influenciadores comerciais e,<br />
tratando-se de supermercados que trabalham com o auto-serviço, essa influência é ainda<br />
maior.<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
52,60%<br />
Gráfico 10: Influência de Fontes Comerciais na Busca por Supermercados.<br />
Durante a busca um dos fatores determinantes é a procura pelo menor preço, pois o<br />
preço elevado gera maior preocupação sobre os riscos financeiros envolvidos na compra<br />
(ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Os consumidores entrevistados em sua maioria<br />
costumam pesquisar preços, 54% afirmam fazer pesquisas antes de decidir em qual<br />
supermercado comprar, enquanto 46% não têm este hábito, como aponta o Gráfico 11. Cabe<br />
destacar, que as compras em supermercados no geral, são compras de produtos de baixo<br />
custo, entretanto, são frequentes e acabam impactando no orçamento mensal do consumidor,<br />
gerando a necessidade de pesquisar.<br />
28,70%<br />
18,70%<br />
Sim Não Às vezes<br />
206
54%<br />
52%<br />
50%<br />
48%<br />
46%<br />
44%<br />
42%<br />
54%<br />
Sim Não<br />
Gráfico 11: Realização de Pesquisas de Preços antes da Escolha por um Supermercado.<br />
Cruzando-se os dados é possível identificar que as mulheres costumam pesquisar<br />
mais, 58,40% costumam realizar as pesquisas, enquanto que dos homens entrevistados, 45,6%<br />
realizam comparações de preços entre as lojas (Quadro 13). Considera-se como um limitante<br />
nesta questão da pesquisa o fato de que muitas pessoas não gostam de admitir que realizam<br />
pesquisas de preços, pois sentem-se constrangidas em admitir que pesquisam preços.<br />
sexo<br />
Mulheres Homens<br />
Pesquisam preços 58,4% 45,6%<br />
Não pesquisam preços 41,6% 54,4%<br />
Total 100% 100%<br />
Quadro 13: Realização de Pesquisas de Preços de acordo com a Variável Sexo.<br />
A pesquisa de preço também se diferencia quanto à loja procurada, pois os<br />
consumidores que compram em determinados supermercados costumam pesquisar mais.<br />
Pode-se verificar essa situação no Quadro 14, o qual mostra que as pessoas que compram no<br />
supermercado Gama são aquelas que realizam mais pesquisas comparativas de preços, 62%.<br />
46%<br />
207
Dos clientes do supermercado Beta, 49% realizam pesquisa, e da loja Alfa 33,3%. É<br />
perceptível essa distinção entre as lojas, até mesmo pelo público-alvo almejado por cada uma,<br />
pois o supermercado Gama trabalha visando a classe C e D, enquanto que o Alfa e o Beta<br />
estão mais orientados a classe social A e B, cujos integrantes por terem uma renda maior, são<br />
mais despreocupados em procurar preços.<br />
Supermercado<br />
Gama Beta Alfa<br />
Pesquisam preços 62,% 49% 33,3%<br />
Não pesquisam preços 38% 51% 66,7%<br />
Total 100% 100% 100%<br />
Quadro 14: Pesquisa de Preços por Supermercados.<br />
Terceira Etapa: Avaliação de Alternativas<br />
A próxima etapa do processo de decisão do consumidor é a avaliação das<br />
alternativas que tem como objetivo selecionar aquele supermercado que melhor atenda às suas<br />
necessidades. Esta etapa é fundamental, pois nela o consumidor avalia as opções de lojas<br />
disponíveis para fazer suas compras, comparando-as segundo atributos que julga mais<br />
importantes. O consumidor determina os critérios de avaliação que irá utilizar, decide quais<br />
alternativas serão consideradas, avalia o desempenho destas alternativas e, finalmente,<br />
seleciona o supermercado em que irá fazer suas compras. Nesta etapa então, são identificados<br />
os atributos importantes e determinantes na escolha de lojas do consumidor.<br />
A) Atributos importantes<br />
Cada atributo possui um peso individual na percepção dos consumidores, quanto ao<br />
processo de compra. Por isso, a decisão de compra acontece pela percepção do consumidor<br />
quanto a um ou mais atributos. Para Froemming (2002), através deles é possível captar<br />
aspectos importantes de como o consumidor julga um produto ou empresa. Os atributos<br />
considerados importantes pelos consumidores não são suficientes para fazer com que o cliente<br />
opte por um ou outro supermercado, porque estão presentes em várias lojas, mas estão<br />
presentes nos critérios de avaliação.<br />
208
É pertinente também, avaliar o grau de importância 1 que cada um dos atributos<br />
possui na decisão de escolha por uma loja supermercadista. Ao decidir em qual supermercado<br />
irão comprar as variáveis mais importantes na percepção dos consumidores são: menor preço<br />
disponível; rapidez no atendimento; variedade e qualidade de produtos e marcas; ambiente de<br />
loja agradável; estacionamento disponível; melhores prazos e formas de pagamento;<br />
proximidade de casa/trabalho; preocupação socioambiental; disponibilização de pontos de<br />
descarte de produtos; incentivo ao uso de sacolas retornáveis; serviços oferecidos; produtos de<br />
marca própria; espaços alternativos. O grau de importância atribuído a cada variável pode ser<br />
visualizado no Quadro 15.<br />
Critérios de Avaliação para escolha de Supermercados Importância<br />
Menor Preço 4,80<br />
Rapidez no Atendimento 4,50<br />
Variedade e Qualidade dos Produtos e Marcas 4,44<br />
Ambiente de Loja agradável 4,31<br />
Estacionamento disponível 4,00<br />
Melhores Prazos e condições de pagamento 3,92<br />
Proximidade de casa/trabalho 3,85<br />
Incentivo a Preservação Ambiental e ações sociais 3,59<br />
Possuir Ponto de descarte de produtos 3,56<br />
Ter sacola retornável 3,43<br />
Serviços oferecidos 3,11<br />
Produtos de Marca própria 3,03<br />
Espaços alternativos 2,53<br />
Quadro 15: Critérios de Avaliação para a Escolha de Supermercados.<br />
Dentre este rol de variáveis, o preço é o primeiro elemento citado por 69% dos<br />
participantes da pesquisa, como o determinante na escolha do supermercado. Para 6,6% a<br />
variedade de produtos é determinante; 6,6% consideram o ambiente agradável como<br />
primordial; 6,6% preferem supermercados com melhores prazos e formas de pagamento;<br />
6,6% ressaltam que o atendimento rápido e cortês é essencial; 3,4% afirmam que a<br />
proximidade de casa é o que determina a escolha da loja; 0,6% destacam a importância dos<br />
espaços alternativos e; 0,6% valorizam lojas que possuem pontos de descartes, dados<br />
expressos no Gráfico 12.<br />
1 Grau de importância é a média aritmética ponderada, extraída da soma das pontuações atribuídas pelos<br />
respondentes e a quantidade de respostas obtidas. A pontuação usada foi de 1 a 5.<br />
209
70%<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
69%<br />
Gráfico 12: Atributos citados pelos Consumidores como mais Importantes na escolha do<br />
Supermercado.<br />
B) Atributos Determinantes<br />
6,6% 6,6% 6,6% 6,6% 3,4% 0,6% 0,6%<br />
Alpert (1971) afirma que na determinação do comportamento de compra, alguns<br />
atributos são mais importantes que outros. A estes atributos mais importantes o autor dá o<br />
nome de determinantes. Os consumidores estabelecem critérios de avaliação para determinar<br />
que atributos são determinantes na escolha de lojas supermercadistas pelos consumidores.<br />
Quanto aos critérios de avaliação utilizados pelos consumidores pesquisados,<br />
encontraram-se atributos diversos extraídos na pesquisa:<br />
- Variedade de produtos e marcas disponíveis;<br />
- Ambiente de loja agradável;<br />
- Espaços alternativos como lancherias, restaurantes, cafés;<br />
- Os preços, promoções e ofertas praticadas;<br />
- Os prazos, condições de pagamento e convênios;<br />
- O atendimento rápido e cortês;<br />
- A proximidade de casa ou do trabalho, fácil acesso;<br />
- Estacionamento disponível;<br />
Preço<br />
Variedade de Produtos<br />
Ambiente agradável<br />
- Preocupação e incentivo a preservação ambiental e ações sociais;<br />
Prazos e formas de pagamento<br />
Atendimento rápido e cortês<br />
Proximidade de casa<br />
Espaços alterrnativos<br />
- Serviços oferecidos, como pagamento de contas, venda de cartão para celular, etc.<br />
Dos atributos elencados, a importância que cada consumidor atribui a cada um varia,<br />
segundo as percepções individuais do próprio indivíduo, conforme seus critérios de<br />
210<br />
Pontos de descartes de produtos
julgamento (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Os consumidores entrevistados<br />
quando solicitados para selecionar os três atributos que consideram determinantes na sua<br />
escolha de loja, elegeram: o preço, a variedade de produtos e marcas ofertadas e, o<br />
atendimento rápido e cortês, como os fatores de maior relevância.<br />
Essa relevância ao preço remete ao que observam Engel, Blackwell e Miniard<br />
(2000), quando mencionam que o preço é ainda mais importante quando existe similaridade<br />
entre as alternativas de escolha, como é o caso dos supermercados analisados. A importância<br />
do preço identificada na pesquisa confere com o que Rojo (1999b), Engel, Blackwell e<br />
Miniard (2000) e Parente (2000) ressaltam afirmando ser este o principal atributo na decisão<br />
de escolha de loja.<br />
O segundo fator mais mencionado é a variedade de produtos e marcas ofertadas pela<br />
loja. O consumidor hoje procura diversidade de produtos e preços, e a loja que oferecer a<br />
marca desejada será a escolhida. O atendimento rápido e cortês prestado pelos<br />
supermercadistas é o terceiro fator mais relevante, cuja importância pode ser analisada à luz<br />
dos conceitos de Parente (2000), segundo o qual, a percepção das pessoas e a atitude, as<br />
levam a gostar ou não, aceitar ou rejeitar, e assim, acontece com o atendimento. Se o<br />
consumidor percebe como precário o atendimento recebido em um supermercado irá<br />
provavelmente rejeitar essa alternativa na escolha de loja.<br />
O atendimento juntamente com a variedade, como argumenta Rojo (1998b), são<br />
determinantes, pois o supermercado não irá reter clientes se, além de preços competitivos, não<br />
prestar um bom atendimento e não tiver variedade na sua linha de produtos. O autor ainda<br />
lembra que o consumidor raramente está satisfeito com os preços do supermercado, pois para<br />
ele quanto mais baixo o preço dos produtos melhor, o que o leva a não ser fiel a uma loja.<br />
Os prazos, condições de pagamento e convênios surgem em quarto lugar na<br />
classificação dos consumidores e, recebem importância principalmente, por aqueles que<br />
preferem pagar suas compras em parcelas ou cheques. O estacionamento disponível, quinto<br />
fator mais valorizado, é hoje importante elemento de escolha e, ainda, de desistência de<br />
compras, pois quando não disponível, e em caso de falta de tempo do consumidor, ele poderá<br />
ir a outro supermercado. O sexto item lembra a conveniência de escolher um supermercado<br />
por ele estar situado próximo da casa ou do trabalho do consumidor, o que para muitos é<br />
211
significativo na economia de tempo e, ainda, dinheiro, em termos de gastos em transporte ou<br />
combustível.<br />
O ambiente de loja agradável está elencado na sétima colocação como determinante,<br />
preferencialmente, para aqueles consumidores mais exigentes que almejam, conforto, higiene<br />
e limpeza no ambiente de loja. Possuir corredores de fácil movimentação, encontrar gôndolas<br />
organizadas, um lugar limpo, bem iluminado e com bom fluxo entre os corredores são fatores<br />
que pesam na escolha de loja para algumas pessoas.<br />
O oitavo fator são os serviços ofertados pelo supermercado. Muitos clientes ao<br />
frequentar o supermercado já aproveitam para realizar outros serviços como o pagamento de<br />
contas, compras de cartão telefônico. Além disso, preferem lojas que disponibilizam entrega<br />
de rancho, entre outros. A preocupação e incentivo a preservação ambiental e ações sociais<br />
realizadas pelos supermercados são ainda pouco lembradas pelos clientes no momento de<br />
decidir em que loja comprar. É uma questão cultural que levará anos ainda para ser<br />
incorporada aos costumes da sociedade e que hoje não se caracteriza como um motivo de<br />
compra determinante.<br />
O mesmo ocorre com os espaços alternativos, o décimo quesito de importância. A<br />
existência de restaurantes, lancherias e cafés não são determinantes na escolha de loja do<br />
consumidor, agrega valor a loja, mas não é considerado um fator que os leva a ir a<br />
determinado supermercado. Isso indica que, na escolha de qual supermercado comprar, o<br />
consumidor considera como os três atributos determinantes: o preço praticado, em segundo a<br />
variedade disponível de produtos e marcas e, em seguida, o atendimento rápido e cortês, como<br />
se visualiza no Quadro 16, onde é possível verificar a importância dos demais fatores assim,<br />
como a ordem de preferência do total 2 .<br />
2 A ordem de preferência dos atributos é resultado da multiplicação das respostas obtidas por cada item, pelo<br />
peso de importância que variou de 1 a 3.<br />
212
Fatores determinantes na escolha do Supermercado<br />
Respostas/<br />
Acumulado<br />
Ordem de<br />
preferência<br />
Preço, promoções e ofertas 317 1<br />
Variedade de produtos e marcas disponíveis 126 2<br />
Atendimento rápido e cortês 122 3<br />
Prazos, condições de pagamento e convênios 83 4<br />
Estacionamento disponível 60 5<br />
Proximidade de casa/trabalho 58 6<br />
Ambiente de loja agradável 52 7<br />
Serviços ofertados 19 8<br />
Preocupação e incentivo a preservação ambiental e ações sociais 11 9<br />
Espaços alternativos 9 10<br />
Quadro 16: Atributos Determinantes na Escolha por um Supermercado.<br />
C) Comparação dos Atributos importantes versus Atributos determinantes<br />
Estabelecendo um comparativo entre os atributos importantes e os determinantes, é<br />
possível constatar, conforme Quadro 17, que os percentuais são aproximados em vários<br />
atributos. Quanto ao grau de importância, o atributo preço é o mais relevante e também é<br />
classificado em primeiro lugar enquanto elemento determinante na escolha do supermercado.<br />
A variedade de produtos é o terceiro atributo mais importante, mas como determinante<br />
encontra-se em segundo lugar na preferência dos entrevistados. O atendimento rápido e cortês<br />
é o segundo atributo mais importante e o terceiro na determinação de qual supermercado<br />
comprar. Estes três atributos: preço, variedade e atendimento são, portanto, os fatores que<br />
mais influenciam a decisão acerca de qual supermercado o cliente irá comprar, seja em termos<br />
de importância, seja enquanto fator determinante na decisão de compra.<br />
Os prazos e condições de pagamento estão em quarto lugar enquanto fator<br />
determinante na escolha de loja, embora seu grau de importância seja inferior, ocupando o<br />
sexto lugar. O estacionamento disponível encontra-se elencado como o quinto atributo mais<br />
importante e, ao mesmo tempo, o quinto colocado como determinante na seleção de<br />
213
supermercados. Quanto à proximidade de casa ou trabalho, este é o sexto fator determinante<br />
na decisão de compra e o sétimo em ordem de importância.<br />
Tratando-se do ambiente de loja agradável e confortável, este é mencionado como o<br />
quarto elemento mais relevante, entretanto, como determinante de loja surge na sétima<br />
colocação. Em relação aos serviços ofertados pelos supermercados, este foi o atributo que<br />
apresentou maior discrepância na comparação, isto é, destaca-se como o sétimo atributo<br />
determinante na escolha de lojas, porém, como décimo primeiro quanto ao seu grau de<br />
importância. A preocupação dos consumidores em relação aos aspectos ambientais está na<br />
oitava colocação quanto ao grau de importância, sendo mencionado como o nono atributo<br />
determinante na escolha de supermercados. Os espaços alternativos é o décimo colocado<br />
enquanto determinante e ocupa a décima terceira colocação na ordem de importância do<br />
consumidor.<br />
A disponibilização de ponto de descarte, sacola retornável e produtos de marca<br />
própria, não foram mencionados pelos consumidores pesquisados como atributos<br />
determinantes em suas decisões de compra, e quanto à importância na decisão também<br />
obtiveram um grau de relevância baixo quando comparado aos demais atributos.<br />
214
Atributos<br />
Classificação dos Atributos<br />
Importantes<br />
Classificação dos<br />
Atributos Determinantes<br />
Preço 1 1<br />
Variedade 3 2<br />
Atendimento 2 3<br />
Prazos e condições de pagamento 6 4<br />
Estacionamento 5 5<br />
Proximidade 7 6<br />
Ambiente de loja agradável 4 7<br />
Serviços ofertados 11 8<br />
Preocupação ambiental 8 9<br />
Espaços alternativos 13 10<br />
Ponto de descarte 9 -<br />
Sacola retornável 10 -<br />
Produtos de Marca própria 12 -<br />
Quadro 17: Classificação dos Atributos Importantes versus Classificação dos Atributos<br />
Determinantes.<br />
O segundo passo na avaliação das alternativas, após a decisão acerca de que critérios<br />
utilizar na avaliação, é determinar as alternativas entre os supermercados em análise,<br />
nomeado por Engel, Blackwell e Miniard (2000), de conjunto de consideração e evocação.<br />
No presente estudo este conjunto é composto pelos supermercados Alfa, Beta e<br />
Gama, os quais estão localizados em área central da cidade de Ijuí/RS. Entre estas<br />
alternativas, a pesquisa demonstra que 58% dos entrevistados preferem comprar no<br />
supermercado Gama; 34% frequentam o supermercado Beta e; 8% compram na loja Alfa<br />
(Gráfico 13). A disparidade é considerada significativa nesta escolha e pode ser justificada<br />
pela classe social atendida por cada um destes supermercados e as estratégias que cada um<br />
utiliza em relação a fixação dos preço, fator apontado como critério de escolha pela maioria.<br />
215
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
8%<br />
Gráfico 13: Supermercado Selecionado pelos entrevistados para suas Compras.<br />
É relevante descrever os motivos pelos quais os respondentes compram em cada um<br />
destes supermercados, o que se encontra sistematizado no Quadro 18 e que simboliza o<br />
desempenho dos supermercados analisados na percepção de seus clientes. No supermercado<br />
Gama, o preço surge como principal motivo na escolha apontado por 48% das pessoas. Como<br />
segundo motivo tem-se as promoções lembradas por 8% dos respondentes e, outros motivos<br />
foram mencionados como, por costume de comprar, por ser considerado o mais popular, e<br />
pela variedade de produtos, citados por 0,7% para cada um destes itens.<br />
Os clientes do supermercado Beta compram nesta empresa, principalmente, devido<br />
ao preço, mencionado por 8,7% dos respondentes. O ambiente de loja foi citado por 5,3% das<br />
pessoas; 5,3% mencionam a proximidade do supermercado; o cartão da loja é motivo de<br />
escolha para 4% dos entrevistados; a qualidade dos produtos para 3,3%; as promoções são<br />
motivo para 2% das pessoas frequentarem a loja; o atendimento é destacado por 2%<br />
respondentes; 2% compram na loja por hábito e; 1,3% pessoas mencionaram a variedade de<br />
produtos como motivo principal.<br />
A loja Alfa é selecionada em especial pela proximidade do supermercado apontada<br />
por 3,3% das pessoas. O ambiente de loja agradável foi destacado por 2,7% dos respondentes;<br />
1,3% dos entrevistados elegeram a empresa pelos preços praticados e 0,7% pelo hábito de<br />
comprar neste supermercado.<br />
34%<br />
58%<br />
Alfa Beta Gama<br />
216
Motivo<br />
Supermercado<br />
Gama Beta Alfa<br />
Preço 48% 8,7% 1,3%<br />
Promoções 8% 2% --<br />
Variedade de produtos 0,7% 1,3% --<br />
Por ser popular 0,7% -- --<br />
Hábito 0,7% 2% 0,7%<br />
Cartão -- 4% --<br />
Comodidade -- -- --<br />
Qualidade dos produtos -- 3,3% --<br />
Atendimento -- 2% --<br />
Proximidade de casa/trabalho -- 5,3% 3,3%<br />
Ambiente de loja -- 5,3% 2,7%<br />
Total 58,1% 33,9% 8%<br />
Quadro 18: Motivos que Determinam a Escolha dos Clientes por um Supermercado.<br />
Quarta Etapa: Compra<br />
Nesta etapa a compra é efetivada, ou não, dependendo da escolha final do<br />
consumidor. Inclui, portanto, decisão de compra ou não; de quando comprar, de o que<br />
comprar, onde comprar e como pagar (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000). Neste<br />
estudo, como o objetivo trata-se de identificar o que leva os consumidores a escolher<br />
determinado supermercado, o foco está calcado na decisão do consumidor acerca de onde<br />
comprar seus produtos.<br />
As situações de compra que variam conforme o grau de planejamento de compra do<br />
consumidor identificadas na pesquisa são: compras planejadas, parcialmente planejadas e<br />
compras não planejadas. A compra planejada é efetuada por 34,6% dos respondentes,<br />
incluindo aqueles que usam a lista de compras a serem feitas. As compras não planejadas são<br />
realizadas por 22,7% dos respondentes, enquanto que 13,3% compram aquilo que foi<br />
planejado, porém sempre acabam comprando produtos adicionais, além daqueles previamente<br />
217
determinados, o que caracteriza uma compra parcialmente planejada. Outros 29,4% das<br />
pessoas entrevistadas fazem compras por impulso, dados estes expostos no Gráfico 14.<br />
35%<br />
30%<br />
25%<br />
20%<br />
15%<br />
10%<br />
5%<br />
0%<br />
22,70%<br />
34,60%<br />
13,30%<br />
29,40%<br />
Gráfico 14: Situações de Compra dos Consumidores Supermercadistas.<br />
Para os respondentes as situações de compra planejada são as que mais acontecem, o<br />
que é comum, segundo a visão de Engel, Blackwell e Miniard (2000), em procedimentos<br />
repetidos e com baixo envolvimento emocional por parte do consumidor, como é o caso das<br />
compras de alimentos, artigos de higiene pessoal e limpeza, ou seja, produtos<br />
supermercadistas. Ressalta-se como mencionam os autores que as compras não planejadas<br />
diferem das compras por impulso, pois nesta última a necessidade não é detectada ao se<br />
ingressar na loja, e sim, no decorrer ou após as compras feitas, isto é, podem acontecer<br />
quando o cliente já está pagando seus produtos. Geralmente tais compras envolvem a compra<br />
de guloseimas, chocolates, picolés, sorvetes e bebidas, as quais estão dispostas em local<br />
próximo aos caixas com o intuito de despertar o interesse de compra do cliente, reforçando a<br />
assertiva de que a disposição dos produtos influencia no estímulo à compra.<br />
Compras não planejadas<br />
Compra planejada<br />
Compra parcialmente planejada<br />
Compras por impulso<br />
Na realização das compras em supermercados o fato do consumidor estar ou não<br />
acompanhado pode influenciar e modificar uma compra previamente planejada. A maioria das<br />
pessoas analisadas, 56% costumam frequentar os supermercados sozinhas, enquanto que 44%<br />
costumam ir acompanhadas por conjugue ou filhos, como o exposto no Gráfico 15.<br />
218
Estas pessoas que preferem ir sozinhas “já fazem isso temendo a compra de itens<br />
adicionais previamente determinados” (sic referência de uma consumidora). Relatos de<br />
pessoas ao responder esta questão mostram que elas preferem ir sozinhas às compras para<br />
evitar a compra de itens adicionais que não foram previamente determinados, uma vez que<br />
quem vai ao supermercado com outras pessoas, principalmente crianças, sempre acaba<br />
levando produtos extras, em especial, aqueles comprados por impulso.<br />
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
44%<br />
Acompanhado Sozinho<br />
Gráfico 15: Preferência de Acompanhante durante as Compras.<br />
Nesta etapa do processo pode ocorrer ainda uma desistência de compra. Os motivos<br />
que levam a isso são vários, conforme os consumidores, destacando-se: o preço elevado dos<br />
produtos (38,7%); as filas e demora nos caixas (26,7%); a existência de produtos vencidos,<br />
estragados ou de má qualidade (15,3%); a falta de produtos procurados (14%) e o mau<br />
atendimento (5,3%), todos apresentados no Gráfico 16.<br />
56%<br />
219
Filas e demoras nos caixas<br />
Preço muito elevado<br />
Mau atendimento<br />
Produtos vencidos, estragados, de má qualidade<br />
Falta de produtos<br />
5,30%<br />
Gráfico 16: Motivo da Desistência das Compras pelo Consumidor.<br />
Os resultados identificam novamente a importância que o preço possui para o<br />
consumidor, que quando vai a determinado supermercado e se depara com valores muito<br />
elevados acaba desistindo de comprar e poderá vir a procurar outra loja. A importância<br />
atribuída às filas e demoras é realmente significativa para o consumidor supermercadista, pois<br />
devido à carência de tempo no seu dia a dia, ele não possui disponibilidade, nem paciência<br />
para permanecer parado em longas filas, muitas vezes existentes nos supermercados.<br />
Aliás, o tempo e o dinheiro são dois recursos pessoais que interferem na decisão de<br />
compra, conforme abordam Engel, Blackwell e Miniard (2000), que os denominam de<br />
influências individuais que podem interferir na compra ou desistência de compra de um<br />
produto, ou então, na escolha de loja. Tratando-se de produtos alimentícios, a qualidade<br />
também é essencial, pois encontrar frutas e verduras estragadas ou produtos vencidos, abala a<br />
confiança que o cliente possui pela loja, fazendo-o desistir de suas compras. Outro fator<br />
preponderante é a falta de produtos procurados, que caso não estiverem disponíveis o<br />
consumidor terá evidentemente de desistir e procurá-lo em outra loja.<br />
A má qualidade de serviços prestados é avaliada e reconhecida pelos clientes, sendo<br />
um fator importante na agregação de valor do supermercado. Neste caso, somente 5,4% dos<br />
consumidores ressaltaram desistir de comprar quando mal atendidos, o que pode ser<br />
justificado pelo fato de que os supermercados se caracterizam como lojas de auto-serviço em<br />
que o contato entre funcionário e cliente é menor.<br />
15,30%<br />
14%<br />
26,70%<br />
38,70%<br />
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45%<br />
220
Quinta Etapa: Consumo<br />
Após a realização da compra ocorre o uso do produto por parte dos consumidores,<br />
conforme o enfoque proposto por Engel, Blackwell e Miniard (2000). No setor<br />
supermercadista o consumo ocorre como um estímulo ao processo de compra e pode ocorrer,<br />
em certas ocasiões, dentro da própria loja, como no caso das degustações oferecidas aos<br />
clientes, embora a maioria dos consumidores realize o consumo dos produtos em seus<br />
domicílios fora do ambiente supermercadista. A decisão de compra nesta pesquisa, entretanto,<br />
não objetiva estudar o consumo fora do ambiente supermercadista, mas sim, aquele realizado<br />
na loja, incluindo-se também, o consumo do local de venda, no caso das lojas<br />
supermercadistas.<br />
Entre as pessoas entrevistadas, 16% costumam consumir os produtos expostos para<br />
degustação, como iogurtes, erva mate, cereais, bolos, biscoitos, etc. Outros 49,3% não<br />
possuem este hábito e 34,7% afirmam que às vezes realizam a degustação dependendo do tipo<br />
de produto, da marca e do interesse que possuem (Gráfico 17). Cabe lembrar que o consumo<br />
de produtos comprados em lojas supermercadistas pode acontecer dentro da loja antes mesmo<br />
do seu pagamento, como é feito por muitas crianças e adultos com necessidade e/ou hábito de<br />
se alimentar antes de passar nos caixas.<br />
50%<br />
45%<br />
40%<br />
35%<br />
30%<br />
25%<br />
20%<br />
15%<br />
10%<br />
5%<br />
0%<br />
16%<br />
Sempre fazem<br />
degustações<br />
49,30%<br />
Não fazem<br />
degustações<br />
34,70%<br />
Às vezes fazem<br />
degustações<br />
Gráfico 17: Consumidores que aderem as Degustações em Supermercados.<br />
221
Das pessoas que realizam a degustação 8,7% costumam comprar, caso apreciem o<br />
produto; outras 10,7% nunca compram e as demais 33,3% compram esporadicamente,<br />
conforme Gráfico 18. Assim, percebe-se que a exposição de produtos para degustação dentro<br />
dos supermercados é uma estratégia válida que desperta o interesse de compra de alguns e,<br />
aqueles que degustam, mas não compram, ao menos consideram essa estratégia atraente, pois<br />
experimentam e consomem produtos gratuitamente.<br />
35%<br />
30%<br />
25%<br />
20%<br />
15%<br />
10%<br />
5%<br />
0%<br />
8,70%<br />
10,70%<br />
33,30%<br />
Compra o produto Nunca compra o produto Às vezes compra o<br />
produto<br />
Gráfico 18: Resultado de Compra após Degustação.<br />
Quanto ao consumo nas compras supermercadistas, ele pode ocorrer pelo<br />
consumidor que comprou ou não, ou seja, ele é o comprador, entretanto pode não ser o que<br />
usufrui. Os produtos comprados podem ser consumidos no ato ou armazenados por longo<br />
período; podem ser consumidos por situações situacionais não previstas, como a visita<br />
surpresa de amigos para jantar, ou podem ocorrer em diversas situações e momentos a critério<br />
do consumidor. No consumo de produtos supermercadistas os sentimentos e as percepções<br />
são diferentes, variando de consumidor para consumidor a satisfação obtida.<br />
É importante mencionar que o consumo não está apenas baseado nos produtos<br />
comprados, mas na experiência de frequentar a loja. O consumo, no enfoque deste estudo,<br />
está atrelado à experiência com os serviços prestados na loja, como o atendimento, o conforto<br />
do ambiente, a fácil movimentação na loja e outros, os quais levam o consumidor a se<br />
satisfazer ou não.<br />
222
Sexta Etapa: Avaliação de alternativa pós-consumo<br />
Posteriormente ao consumo, o consumidor realiza a avaliação da sua experiência de<br />
compra, a fim de determinar se ela foi satisfatória ou insatisfatória. Essa decisão é importante<br />
em uma decisão de compra futura como lembram Sheth, Mittal e Newman (2001). Estes<br />
autores e, ainda, Boone e Kurtz (2009) destacam que, geralmente em experiências rotineiras<br />
de compra, como no caso de supermercados, não há o estímulo dos consumidores em<br />
avaliarem a situação e sim, quando ocorre algum evento inesperado ou incomum.<br />
O ingresso de consumidores em supermercados pode ser considerada uma forma de<br />
compra rotineira que por ser frequente, acaba passando despercebida sem nenhuma reflexão<br />
em termos de satisfação ou não. Todavia, quando algo não funciona de acordo com o<br />
esperado, origina-se a insatisfação.<br />
Quando os consumidores percebem ou não gostam de algo nas lojas, seja em termos<br />
de atendimento ou de produtos, oferecem três respostas aos supermercados: o abandono, a<br />
reclamação e a lealdade. Dos entrevistados, 50% costumam não fazer reclamações, dados<br />
visualizados no Gráfico 19. Destes, 20% simplesmente mudam de supermercados, e os<br />
demais 30% permanecem comprando. Engel, Blackwell e Miniard (2000) alertam que a<br />
maioria das pessoas nunca reclama, entretanto, para os autores elas não reclamam, mas<br />
abandonam a loja. Fato que não ocorreu com a maioria dos entrevistados que, apesar de não<br />
reclamarem afirmam continuar comprando. São clientes insatisfeitos, mas leais, entretanto,<br />
não se pode prever até quando.<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
50%<br />
50%<br />
Fazem reclamações Não fazem reclamações<br />
Gráfico 19: Atitude dos Clientes quando Insatisfeitos com o Supermercado.<br />
223
Outros 50% preferem expor suas reclamações, acerca daquilo que não os está<br />
agradando no supermercado. Destes, 41,3% reclamam com o gerente ou com algum<br />
funcionário da loja e 8,7% reclamam com parentes e amigos (Gráfico 20). Quando reclamam<br />
para a própria loja, os clientes estão ofertando à empresa uma oportunidade de conhecer e<br />
corrigir seus erros, porém quando reclamam com terceiros gera-se um boca-a-boca negativo<br />
da loja, que poderá afetar a imagem da empresa e gerar a perda de clientes. Engel, Blackwell<br />
e Miniard (2000) ressaltam a importância da satisfação dos clientes, uma vez que a satisfação<br />
gera clientes leais, um dos maiores ativos que uma empresa pode adquirir.<br />
Gráfico 20: Destino das Reclamações dos Clientes sobre o Supermercado.<br />
Como os supermercados trabalham com uma linha muito grande em número de itens<br />
pode ocorrer de o cliente comprar um produto com defeito ou vencido. Neste caso, 53,3% dos<br />
entrevistados optam por ir a loja trocar a mercadoria; 10% nunca realizam as trocas e outros<br />
36,7% fazem a troca dependendo do produto e de seu custo, como se pode verificar no<br />
Gráfico 21.<br />
50,00%<br />
40,00%<br />
30,00%<br />
20,00%<br />
10,00%<br />
0,00%<br />
41,30%<br />
8,70%<br />
Reclamam com Reclamam com parentes e<br />
gerentes/funcionários da<br />
loja<br />
amigos<br />
224
60%<br />
50%<br />
40%<br />
30%<br />
20%<br />
10%<br />
0%<br />
Gráfico 21: Realização de Trocas em Supermercados no caso de Compra de Produtos<br />
Estragados/ Vencidos.<br />
Tal resultado aponta para uma mudança de comportamento do consumidor que está<br />
mais exigente e aprendendendo, cada vez mais, a recorrer em busca de seus direitos<br />
aumentando a responsabilidade dos supermercados na busca da satisfação destes clientes. Não<br />
trocar o produto poderá vir a afetar a confiança e a credibilidade que o consumidor confere à<br />
empresa, por isso, as lojas analisadas realizam as trocas sem contestações.<br />
Sétima Etapa: Descarte<br />
Este se caracteriza como o último estágio do processo decisório do consumidor –<br />
descarte ou despojamento. Para Engel, Blackwell e Miniard (2000), trata-se do descarte do<br />
produto não consumido ou do que dele restou. No caso das compras em supermercados é<br />
comum resultar resíduos como materiais orgânicos, produtos tóxicos após o uso (pilhas,<br />
baterias, lâmpadas e embalagens diversas), o que gera preocupações em relação à preservação<br />
ambiental.<br />
53,30%<br />
10%<br />
36,70%<br />
Sempre troca Nunca troca Depende do produto<br />
Tratando-se de resíduos de produtos comprados em supermercados o destino para o<br />
descarte destas mercadorias é o lixo comum, não havendo nenhuma forma especializada de<br />
tratamento. No capítulo 4.1.2 deste estudo, identificou-se que as atividades do varejo<br />
supermercadista e a comercialização de seus produtos acabam por produzir uma quantidade<br />
significativa de lixo altamente prejudicial ao ambiente e a sociedade como um todo. Além dos<br />
225
produtos orgânicos e das embalagens jogadas no lixo diariamente, outros produtos preocupam<br />
pelo grau de periculosidade que seu descarte pode provocar, como as pilhas, baterias e<br />
lâmpadas.<br />
Quanto ao procedimento de descarte utilizado pelos consumidores no que se refere a<br />
as pilhas e lâmpadas, 44% as descartam no lixo comum; 42% levam em postos de coletas<br />
específicos para estes materiais; 8,7% entregam em escolas; 2,7% dizem não saber que<br />
destino dar a tais produtos; 1,3% entregam na câmara de vereadores do município e 1,3%<br />
entregam em um supermercado que possui ponto de coleta.<br />
Estes números demonstram que uma quantidade significativa de pessoas ainda<br />
descarta tais produtos no lixo comum, o que é preocupante em termos ambientais. Loureiro<br />
(2010), destaca que no município de Ijuí a empresa responsável pela coleta seletiva de lixo,<br />
recolhe em média 50 toneladas por dia, número este considerado baixo, pois grande parte da<br />
população ainda destina os materiais recicláveis para aterros sanitários e lixões.<br />
Bardini (2010) alerta ainda que as pilhas, caracterizadas como lixo químico<br />
doméstico altamente perigoso, são compradas para uso em diversos produtos como rádios,<br />
brinquedos, controles remotos, jogos, lanternas, máquinas fotográficas. No entanto, quando o<br />
consumidor simplesmente as joga no lixo, muitas vezes não possui consciência e informações<br />
do quanto elas são prejudiciais. No Brasil, são produzidas anualmente, segundo a Associação<br />
Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE), cerca de 800 milhões de pilhas, entre<br />
as chamadas secas (zinco-carbono) e alcalinas. Constituem-se num veneno lançado no meio<br />
ambiente diariamente por milhões de pessoas, cujo tempo de degradação varia de 100 a 500<br />
anos, enquanto que para os metais pesados este tempo é infinito.<br />
Conforme dados da ABINEE (2010), uma pilha comum contém, geralmente, três<br />
metais pesados: zinco, chumbo e manganês, além de substâncias perigosas como o cádmio, o<br />
cloreto de amônia e o negro de acetileno. A pilha de tipo alcalina contém também o mercúrio,<br />
uma das substâncias mais tóxicas que se tem conhecimento. O perigo ocorre quando se joga<br />
uma pilha ou bateria no lixo comum, pois há o risco dessas substâncias e metais pesados<br />
entrarem na cadeia alimentar humana causando sérios danos à saúde. E esse é o procedimento<br />
ainda vigente como apontam os resultados da pesquisa: pessoas descartando estes produtos no<br />
lixo comum e causando danos irreversíveis ao ambiente e à própria saúde da humanidade.<br />
226
Solomon (2002) comenta que é feito o descarte de lixo permanente, pois no caso dos<br />
produtos supermercadistas eles já realizaram sua função e são, portanto, descartados sendo<br />
“jogados fora” termo usado pelo autor. O consumidor julga que estes produtos não possuem<br />
mais utilidade e acabam descartando no lixo. Geram-se então, toneladas de lixo no país<br />
produzidas diariamente, cuja composição tem grande participação de resíduos de compras de<br />
supermercados.<br />
O varejo supermercadista tem uma responsabilidade importante na busca de<br />
alternativas relacionadas essencialmente ao descarte de produtos. Alternativas como o uso de<br />
sacolas retornáveis e biodegradáveis, a criação de locais para coleta de pilhas e lâmpadas<br />
usadas, compras de fornecedores considerados socialmente responsáveis, ações de educação e<br />
conscientização ambiental do consumidor e diminuição do impacto da embalagem na decisão<br />
de oferta por parte do varejo e de demanda por parte do consumidor, são algumas práticas que<br />
começam a vigorar e que auxiliam na redução dos danos ambientais.<br />
4.5 Estratégias Organizacionais na Ótica das Empresas Supermercadistas<br />
Calcadas nos Atributos Competitivos<br />
As estratégias organizacionais são fundamentais para que a empresa consiga<br />
alcançar vantagem frente a um mercado altamente competitivo. Trabalhar com foco no<br />
cliente, adotando estratégias relacionadas a produtos, preços, ponto, promoção, apresentação<br />
física e atendimento pessoal, tendo como base os atributos mais valorizados pelos clientes,<br />
configuram-se como o grande diferencial dos varejistas que buscam fazer com que o<br />
consumidor opte por sua empresa ao realizar compras supermercadistas.<br />
Neste contexto, o presente tópico tem como intuito apresentar os atributos que<br />
compõem as estratégias organizacionais na ótica das empresas supermercadistas, estando<br />
dividido em três sessões: os desafios do setor varejista pela ótica dos gestores, o marketing<br />
estratégico nos supermercados em análise e; as estratégias das lojas supermercadistas: ações<br />
para fazer o consumidor comprar.<br />
227
4.5.1 Os desafios do setor varejista pela ótica dos gestores<br />
A competitividade existente entre as lojas do varejo é uma preocupação constante<br />
dos gestores do setor configurando-se em um dos maiores desafios do gerenciamento atual.<br />
Tratando-se especificamente dos supermercados, a disputa pela preferência do consumidor é<br />
ainda mais acirrada, afinal trabalha-se basicamente com produtos, marcas e preços similares o<br />
que dificulta a diferenciação no mercado. Cabe aos dirigentes planejarem suas estratégias com<br />
foco no cliente e suas necessidades, priorizando os atributos que o consumidor busca e que o<br />
faz optar por determinada loja na concretização das suas compras.<br />
Questionados acerca de qual seria o principal desafio enfrentado pelo setor na<br />
atualidade, os gestores dos supermercados Alfa, Beta e Gama foram unânimes em destacar<br />
como sendo o consumidor o seu principal desafio. Para o gestor do supermercado Alfa o setor<br />
varejista em si se define como uma inovação, porque nele interage-se diretamente com as<br />
pessoas, e como essas são seres imprevisíveis, a empresa nunca estará preparada totalmente,<br />
por mais que se estabeleçam estratégias e planos. Quando se fala de pessoas, o gestor se refere<br />
aos clientes e seu comportamento e ainda, aos funcionários que nem sempre estão dispostos a<br />
executar precisamente as determinações da empresa.<br />
Reafirma-se neste caso, o exposto por Bowditch e Buono (1997), quando os autores<br />
analisam a influência do ambiente externo nas práticas gerenciais. Como todas as empresas<br />
enquanto sistemas abertos, os supermercados necessitam aprender e adaptar-se ao meio e, em<br />
especial ao cliente e suas mudanças comportamentais, para assim, manterem uma posição<br />
favorável no mercado. Estratégias emergentes precisam ser incorporadas em função das<br />
transformações que o consumidor e o mercado apresentam constantemente (MINTEZBERG;<br />
AHLSTRAND; LAMPEL, 2000).<br />
Os gestores do supermercado Beta mencionam que o principal desafio do setor<br />
varejista é entregar aquilo que o cliente busca; ou seja, proporcionar ao cliente todos os<br />
produtos que ele procura. Afirmam estar conscientes de que o consumidor não frequenta<br />
determinada loja apenas em função do preço, este é apenas um dos elementos. Ele procura<br />
bom atendimento e uma loja limpa e organizada para que ele possa fazer suas compras com<br />
tranquilidade. No supermercado Gama, a gerência destaca como desafio a manutenção do<br />
cliente frente à grande concorrência. Conseguir manter a fidelidade do cliente é o objetivo da<br />
empresa e torna-se atualmente uma batalha diária.<br />
228
Todos esses desafios mencionados pelos gestores comprovam as afirmações de<br />
Zenone (2007), acerca de que as transformações mundiais ocorridas, seja em termos de<br />
aumento de concorrência, ingresso de novas tecnologias e o surgimento de um novo<br />
consumidor, acabaram por aproximar os consumidores e as organizações. O autor ressalta<br />
justamente as ameaças que surgiram pelas modificações no estilo de vida das pessoas, o que<br />
acaba exigindo melhorias contínuas em processos e serviços disponíveis a um cliente cada vez<br />
mais exigente e mutável.<br />
No geral essa preocupação com o cliente, por parte de todos os gestores<br />
entrevistados, mostra que eles estão atentos ao mercado evitando com isso o fracasso<br />
organizacional mencionado por Souza (1993a). Suas ideias alertam que empresas que não<br />
forem capazes de orientar suas atividades às necessidades dos seus clientes estarão sujeitas a<br />
um curto ciclo de vida, o que ocorre com muitas organizações.<br />
4.5.2 O marketing estratégico nos supermercados em análise<br />
Diante da acirrada concorrência no setor supermercadista, é imprescindível a adoção<br />
de estratégias capazes de garantir uma posição sustentável no mercado e uma posição de<br />
liderança na mente dos consumidores. Neste contexto, as estratégias de marketing são<br />
essenciais, pois permitem identificar e analisar as necessidades do segmento desejado pela<br />
empresa, visualizar e criar oportunidades no ambiente e, ao mesmo tempo, adaptando-as aos<br />
seus recursos disponíveis (LEWIS; LITTLER, 2001; ZENONE, 2007).<br />
Identificou-se um conjunto de tendências estratégicas adotadas pelos supermercados<br />
em estudo e que são fundamentais na exposição de Aaker (2001):<br />
• Orientação para o Mercado: os três gestores mencionaram que o principal foco de<br />
suas estratégias está no ambiente externo da empresa, principalmente nos desejos dos<br />
consumidores e nas ações desenvolvidas pelos concorrentes.<br />
• Importância do Sistema de Informações: no processo de desenvolvimento<br />
estratégico o sistema de informações é fundamental, porém nos supermercados analisados<br />
estes ainda são pouco explorados. São mais utilizados em termos de controle de estoques e<br />
gerenciamento da logística.<br />
229
• Realidades globais: as estratégias das três lojas são influenciadas fortemente por<br />
crises financeiras, ingresso de novas tecnologias no setor e mudanças nos hábitos de consumo<br />
dos clientes, consequências de um mundo globalizado. Todos os gestores têm consciência<br />
desses impactos e estão atentos a tais transformações.<br />
• Horizonte de tempo maior: este é um problema para o setor varejista, pois como o<br />
mercado muda muito, as estratégias estabelecidas pelas lojas em análise são geralmente de<br />
curto prazo.<br />
Em relação ao processo de formulação de estratégias, os supermercados Alfa e Beta<br />
já recebem diretrizes pré-estabelecidas corporativamente, podendo realizar algumas ações<br />
locais de acordo com a realidade vivenciada no município. Pelo fato de pertencerem a dois<br />
grandes grupos supermercadistas, adotam em suas lojas padrões corporativos que não podem<br />
ser modificados, entretanto, é possível desenvolver algumas ações respeitando a regionalidade<br />
e as necessidades específicas dos clientes.<br />
O supermercado Gama, caracterizado como uma empresa familiar local possui suas<br />
estratégias determinadas pela própria direção, além da participação dos colaboradores que<br />
opinam e sugerem melhorias.<br />
Considerando os três tipos genéricos de estratégia condensados por Kotler e<br />
Armstrong (1999), os quais constituem a base do pensamento estratégico, pode-se perceber<br />
que os supermercados Alfa, Beta e Gama, apresentam estratégias distintas. Os supermercados<br />
Alfa e Beta adotam estratégias de diferenciação, se concentram em manter uma ampla<br />
variedade de produtos, preocupados com o bom atendimento e a qualidade oferecida ao<br />
segmento alvo. O supermercado Gama assume uma liderança total em custos buscando<br />
garantir os menores custos de aquisição dos produtos, a fim de oferecer os preços mais baixos<br />
que a concorrência e obter maior participação de mercado. Para isso o gestor afirma utilizar-se<br />
da estratégia de comprar uma maior quantidade de produtos no intuito de reduzir seus custos<br />
totais.<br />
Nesse mercado altamente competitivo a atenção aos clientes e aos concorrentes é<br />
primordial. Das empresas analisadas, a Alfa e a Gama afirmam estar focadas no cliente,<br />
pensando sempre no seu bem estar e na sua satisfação. A loja Beta foca no concorrente e no<br />
cliente simultaneamente, no cliente em termos de atendimento e no concorrente em termos de<br />
preço. Tomando por base Day (1990), percebe-se uma contradição da empresa Gama, uma<br />
230
vez que seu gestor afirma ter foco no cliente, mas adota uma estratégia baseada em custos e<br />
não na diferenciação. Para o autor as empresas com foco nos concorrentes tendem a adotar<br />
estratégias de custos, enquanto aquelas focadas no cliente adotam estratégias de diferenciação.<br />
Mesmo que a teoria retrate tal constatação, deve-se considerar que neste caso, o gestor do<br />
supermercado Gama não deixa de estar focado no cliente ao adotar estratégias de baixo custo,<br />
pois o preço baixo é o atributo julgado por seus consumidores como os determinantes na<br />
escolha por esta loja. Assim, estão oferecendo aos seus clientes exatamente o que atende aos<br />
seus desejos e expectativas.<br />
O estabelecimento de uma estratégia de marketing inicia com uma avaliação<br />
detalhada das capacidades da empresa em relação à concorrência, identificando-se<br />
oportunidades e ameaças apresentadas pelo ambiente e, verificando-se qual a vantagem<br />
competitiva da empresa (VALDÉS, 2003). Assim ocorrem com os supermercados analisados,<br />
todos os gestores demonstram conhecer o seu ou os seus principais concorrentes, monitorando<br />
diariamente tal concorrência, a fim de combater seus pontos fortes e explorar suas<br />
fragilidades.<br />
O gestor do supermercado Alfa considera como concorrente apenas o supermercado<br />
Beta, apesar de citar o supermercado Gama como o de maior movimentação de pessoas. Isso<br />
porque, segundo ele, o público-alvo da sua loja é o mesmo do Beta - consumidores de classe<br />
A e B, enquanto o supermercado Gama atende a classe C e D. O supermercado Alfa costuma<br />
realizar um monitoramento diário na loja concorrente, feita por funcionários ou pelo próprio<br />
gerente, realizando-se não apenas pesquisas comparativas de preços, como também realizando<br />
análises de layout, distribuição de produtos e a imagem do supermercado como um todo.<br />
Como exemplo, constataram a modificação do setor de hortifrutigranjeiro do concorrente<br />
Beta, comunicaram a loja matriz e automaticamente começou-se a analisar tais mudanças,<br />
pois consideram que a sua loja possui o melhor hortifrutigranjeiro do município em termos<br />
de qualidade, não podendo perder esse diferencial. Conforme destaca o gerente do<br />
supermercado Alfa: “Sempre que for ao concorrente eu vou perceber o que ele tem de melhor,<br />
o que ele tem de ruim eu vou deixar pra ele” (sic). Constata-se no caso da empresa Alfa, o<br />
descrito por Levy e Weitz (2000), quando mencionam que os concorrentes de um varejista são<br />
aqueles que possuem o mesmo formato, no caso, o supermercado Beta.<br />
O supermercado Beta também se preocupa com a concorrência considerando o<br />
Gama e o Alfa, como seus concorrentes diretos. A empresa possui uma colaboradora<br />
231
esponsável exclusivamente por este monitoramento diário, focando-se na comparação de<br />
preços de mais de 500 itens. Atualmente no montante de 100 itens apenas 17 estão mais caros<br />
que a concorrência principal, destaca o gestor. Os gestores do supermercado Gama,<br />
consideram como concorrente direto a loja Beta, em função da proximidade geográfica. A<br />
análise da concorrência é feita também diariamente, em termos de preços, na própria loja.<br />
A eficácia da estratégia competitiva depende da posição que a empresa ocupa,<br />
conforme Kotler e Armstrong (1999). De acordo com a classificação dos autores, os<br />
supermercados analisados adotam estratégias competitivas de líder de mercado e desafiante.<br />
O supermercado Gama é considerado pelos concorrentes e por ele próprio como o líder no<br />
setor, uma vez que possui maior tradição e participação de mercado. Adotam estratégias de<br />
defesa da posição, buscando construir uma imagem forte de tradição, principalmente pelo<br />
preço de seus produtos e defesa de flanco na qual não apenas garante a sua posição, como<br />
também cria promoções e estratégias para combater a concorrência.<br />
O gestor do supermercado Alfa não considera ser líder de mercado em termos de<br />
vendas, uma vez que seu objetivo não é ter o melhor preço e sim, prestar um bom<br />
atendimento, ter qualidade na prestação dos serviços e fazer com que o funcionário e o cliente<br />
percebam isso. Adota, portanto, a estratégia desafiante utilizando o ataque de flanco, ou seja,<br />
concentra-se nas suas forças contra as fraquezas dos concorrentes. O gestor prefere não<br />
trabalhar com o menor preço, mas concentrar-se em suas forças, como o amplo mix de<br />
produtos e o bom atendimento. Quanto ao supermercado Beta, este também adota a estratégia<br />
desafiante com ataque de flanco, focando-se no bom atendimento e na variedade de produtos,<br />
além das promoções diárias.<br />
Outro foco de orientação das estratégias é o consumidor. O gestor do supermercado<br />
Alfa enfatiza que o público-alvo é o consumidor de classe A e B, mas que não se deixa de<br />
atender a classe C e D. Para isso, estão desenvolvendo um cartão buscando atrair mais este<br />
segmento que prefere comprar a prazo. Quanto às pesquisas que buscam conhecer e<br />
compreender os clientes, não existe nenhum tipo em execução.<br />
O supermercado Beta possui uma pesquisa corporativa que é realizada por telefone,<br />
na qual uma empresa terceirizada liga para o cliente e questiona sobre alguns quesitos dos<br />
quais ele designa uma nota de 1 a 10 para cada item averiguado. No supermercado Gama não<br />
existe qualquer instrumento de pesquisa do consumidor, entretanto, informalmente através de<br />
232
conversas, procura-se identificar insatisfações e desejos dos clientes para atendê-los com<br />
maior eficácia.<br />
4.5.3. As estratégias das lojas supermercadistas: ações para fazer o consumidor<br />
comprar<br />
As lojas varejistas frente a um mercado cada vez mais dinâmico e mutável devem<br />
incorporar estratégias que permitam atrair e manter mais clientes. O interesse é fazer com que<br />
o consumidor escolha o supermercado; mas para isso, esforços mercadológicos devem ser<br />
desprendidos, considerando- se as variáveis controláveis e incontroláveis deste processo (LAS<br />
CASAS; BARBOZA, 2007).<br />
Quanto às variáveis incontroláveis que afetam os supermercados em análise,<br />
algumas merecem destaque:<br />
• Demográficas: alguns fatores demográficos como a idade, renda salarial e níveis<br />
culturais afetam a escolha do consumidor entre os supermercados do município. No<br />
supermercado Gama, por exemplo, a frequência de pessoas interioranas é maior que nos<br />
demais.<br />
• Econômicas: a estabilidade econômica vivenciada propicia o consumo, fazendo<br />
com que os supermercadistas optem por realizar promoções.<br />
• Tecnológicas: surgem novos sistemas de informações que facilitam os controles<br />
internos e permitem um gerenciamento mais eficaz. Além disto, nos pontos-de-venda,<br />
equipamentos tornam mais ágil o atendimento ao cliente.<br />
• Concorrência: existem 47 estabelecimentos supermercadistas no município, o que<br />
o caracteriza como um setor amplamente acirrado em termos de concorrência. Entre eles a<br />
disputa relacionada a preços e promoções é a mais visível.<br />
• Sociedade: novos hábitos de consumo do cliente e novos valores relacionados a<br />
questão socioambiental afetam e merecem atenção no planejamento das estratégias.<br />
Tratando-se das variáveis controláveis, as decisões relativas aos elementos do mix<br />
de Marketing são essenciais (MORGA<strong>DO</strong>; GONÇALVEZ, 1999). Decisões relativas ao<br />
produto, preço, ponto, apresentação de loja, promoção e pessoal estão presentes no<br />
233
planejamento dos gestores dos supermercados Alfa, Beta e Gama em níveis de importância<br />
distintos.<br />
As decisões relativas ao produto tomadas pelo gestor do supermercado Alfa<br />
incluem a preocupação com a qualidade e com a variedade de marcas e produtos ofertados.<br />
Trabalha-se com um mix preestabelecido direcionado a classe A e B que é mais exigente. Há<br />
a preocupação em manter ainda um padrão de qualidade dos produtos do setor de<br />
hortifrutigranjeiro, padaria e açougue. Em relação a isso, no focus group realizado, uma das<br />
entrevistadas relatou sua insatisfação com a maneira pela qual os produtos da padaria eram<br />
expostos no mercado, sendo cobertos por uma tela o que para ela “é inadmissível para o<br />
padrão de qualidade Alfa” (sic). Atualmente, o gerente modificou a mesa de exposição dos<br />
produtos da padaria os quais ficam armazenados em balcão de vidro, visivelmente mais<br />
higiênico.<br />
Rojo (1998b) considera que a qualidade nos supermercados está relacionada<br />
principalmente, aos produtos perecíveis, conforme se identifica no Alfa. Além dos produtos<br />
ofertados, a empresa Alfa disponibiliza como serviços: o empacotamento de compras no<br />
caixa, carregadores e terminais de banco para acesso dos clientes.<br />
O supermercado Beta também se preocupa com a qualidade da sua linha de produtos<br />
e também com a variedade para permitir a opção de escolha do consumidor. Está<br />
incorporando melhorias na sua linha de flores e folhagens, incorporando embalagens mais<br />
sofisticadas e melhorando o local de exposição. Um diferencial da loja é trabalhar com<br />
produtos de marca própria, normalmente são itens básicos e de maior consumo. Também são<br />
oferecidos serviços ao cliente como: disponibilidade de terminais de banco, pagamento de<br />
contas, cartão Hipercard de financiamento das compras, empacotamento de compras no caixa<br />
e carregadores.<br />
Os gestores do supermercado Gama preocupam-se com a qualidade nas diversas<br />
linhas a fim de atingir todas as classes sociais. Todo esse cuidado com a variedade e a<br />
qualidade dos produtos incorporados pelos supermercados em análise assemelha-se a<br />
abordagem de Kotler (2009), para o qual tal preocupação garante vantagem em termos de<br />
diferenciação. Entre os serviços ofertados está a entrega das compras em domicílio, cheques<br />
promocionais com prazos atrativos e sem juros, e o empacotamento e carregamento das<br />
compras.<br />
234
O preço, uma das principais decisões no setor supermercadista, é pensado de forma<br />
estratégica com base na análise da concorrência, um dos fatores citados por Kasper (1981).<br />
Quanto a isso, o gestor da loja Alfa menciona que possui uma margem preestabelecida sob a<br />
orientação da loja matriz, podendo após análise da concorrência realizar alterações dentro dos<br />
limites impostos corporativamente. Esse é um dos propósitos da política de preços exposta<br />
por Kasper (1981), que afirma que o preço deve garantir um nível de rentabilidade adequada<br />
às expectativas da empresa.<br />
Outro propósito do autor visualizado no supermercado Alfa é a manutenção de<br />
preços coerentes aos praticados pela concorrência nos produtos de maior competitividade,<br />
como os componentes da cesta básica. Geralmente o gestor busca reduzir o preço destes<br />
produtos, como o arroz e o feijão. Além, disso realiza-se promoção do preço isca para atrair o<br />
cliente, porém com controle da quantidade vendida ao cliente, porque conforme o gestor, a<br />
empresa pensa no cliente para o qual não pode deixar faltar o produto. Isso porque se não for<br />
controlado o volume vendido, os mercados de “bairro” aproveitam para comprar e revender.<br />
Fazer promoções de preços para aumentar o tráfego da loja é outro objetivo da política de<br />
preços citado por Kasper (1981).<br />
Corporativamente a loja Alfa criou o Stok Center focado ao público C e D que<br />
deseja preço baixo, e não quer serviço. É um novo conceito em supermercado, citado neste<br />
estudo por Zorning (MORITA, 2009), denominado de atacarejo: é uma loja que vende tanto<br />
no atacado como no varejo. Com o número de colaboradores reduzido, instalações simples,<br />
sistema de self-service, sem serviço de entrega e outras facilidades, o Stok Center consegue<br />
vender a preços muito mais baixos do que um supermercado comum. Porém, esta modalidade<br />
de loja ainda não existe na cidade de Ijuí.<br />
Dentro das estratégias mencionadas por Zorning (MORITA, 2009), o supermercado<br />
Alfa utiliza a Premium, uma vez que tenta manter preços competitivos, mas não os mais<br />
baixos do mercado, preocupando-se sim, em ter um ambiente de loja confortável, um mix<br />
variado de produtos e um atendimento diferenciado da concorrência.<br />
O supermercado Beta tem como filosofia manter em todas as praças em que está<br />
situado, o menor preço por isso utiliza a estratégia do preço baixo diário, como cita Kotler<br />
(2009). Para o autor essa estratégia reduz custos de propaganda, melhora a estabilidade de<br />
preços e cria uma imagem de credibilidade e confiança junto ao consumidor, além de<br />
235
melhorar a lucratividade. Denominada de “O dia D” – promoção na qual em todos os dias da<br />
semana um setor da empresa tem seus produtos ofertados com preços reduzidos - essa<br />
estratégia de preço isca, atrai clientes aumentando o fluxo e as vendas até mesmo em dias de<br />
pouca movimentação. Para Kotler (2009), essa estratégia de preços baixos todos os dias, gera<br />
custos menores de propaganda, maior estabilidade de preços, uma imagem de honestidade e<br />
confiabilidade mais forte além de maiores lucros no varejo. Tal estratégia, conforme<br />
abordagem de Zorning (MORITA, 2009), pode ser classificada como híbrida, pois se pratica<br />
diariamente os menores preços possíveis, em função da escala de compras e à operação enxuta,<br />
sobretudo logística.<br />
Quanto ao supermercado Gama, a estratégia de preço é fundamental e garante à loja<br />
uma posição de líder de mercado, segundo seus concorrentes e os próprios dirigentes. Adota-<br />
se a estratégia caracterizada pelo gerente de “preço justo”, uma vez que se trabalha visando<br />
entregar o melhor produto ao consumidor pelo menor preço. Existe uma preocupação desde a<br />
compra das mercadorias, visando-se adquirir mais produtos por menos. A mercadoria é<br />
comprada em quantidade maior dos fornecedores negociando-se preços menores, o que<br />
resultará em um preço considerado por eles como justo ao consumidor. Nas promoções,<br />
realizadas semanalmente adota-se a estratégia de “preço isca”, nas quais os produtos mais<br />
competitivos são disponibilizados a preços menores, como os produtos da cesta básica.<br />
Importante destacar que as estratégias utilizadas pelo supermercado geram resultado,<br />
principalmente, pelo fato de que os seus clientes são os que mais realizam pesquisas<br />
comparativas de preços, como se pode visualizar no Quadro 14 deste estudo.<br />
Os três supermercados em análise utilizam-se da estratégia de preços promocionais<br />
mencionada por Kolter (2000) e denominada de preços isca, utilizada para estimular um<br />
movimento maior na loja. Percebe-se na análise dos três supermercados que se costuma<br />
adotar rapidamente os mesmos preços, ou até mais baixos, anulando o esforço promocional da<br />
concorrência. Por isso, ofertar preços abaixo dos praticados pela concorrência é um dos<br />
maiores desafios enfrentados pelos supermercados analisados.<br />
Quanto às decisões de localização/ponto, as três lojas adotaram estratégias<br />
adequadas, optando por locais de fácil acesso ao consumidor na área central do município. No<br />
caso, as três lojas estão instaladas em local próximo, no qual existe alto tráfego de pessoas<br />
ocasionando o aumento das vendas realizadas. Dispõem de estacionamento próprio, muitas<br />
vezes lotado, provocando a insatisfação do consumidor. Quanto aos horários de<br />
236
funcionamento, todos os supermercados investigados possuem horários similares devido à<br />
competitividade existente, atendendo nos finais de semana em horários diurnos e noturnos, o<br />
que facilita o acesso e as compras do consumidor.<br />
Nas decisões relativas às ferramentas promocionais são utilizadas promoções<br />
pelos supermercados como forma de atrair o público-alvo gerando tráfego e,<br />
consequentemente, compras. No supermercado Alfa as promoções são semanais, utilizando-se<br />
encartes distribuídos nas residências e anúncios em rádio e televisão. Utiliza-se o sistema de<br />
som interno para divulgar as promoções com a duração de alguns minutos, tendo como<br />
objetivo surpreender o cliente na loja, estimulando a compra não planejada. O supermercado<br />
Beta explora sua tradicional promoção “O dia D”, em que todos os dias se realizam preços<br />
promocionais em cada setor a loja. Isso impacta bastante na margem, uma vez que o preço é<br />
reduzido. Redução essa possível devido a realização de negociações com os fornecedores.<br />
Essas promoções são anunciadas na televisão no dia anterior a sua realização. Realiza-se<br />
ainda, a distribuição de encartes promocionais nas residências.<br />
Na loja Gama são efetuadas promoções semanais visando fazer com que o cliente<br />
perceba que na loja terá o melhor preço, mas sem restrições de qualidade. Se presa muito a<br />
qualidade, pois se o supermercado ofertar um tomate, por exemplo, todo estragado o cliente se<br />
sente enganado e não retorna mais.<br />
Percebe-se neste quesito a aplicação de uma política de promoções de vendas<br />
eficiente, conforme os pressupostos de Kasper (1981), que ocorre principalmente no<br />
supermercado Beta, pois criando o “Dia D” a empresa mantém permanentemente um fluxo<br />
adicional de clientes que buscam vantagens especiais e exclusivas da loja em todos os setores.<br />
Além disso, gerou uma personalidade diferenciada em relação aos seus concorrentes, pois o<br />
cliente reconhece pelo nome a promoção como sendo desta empresa. O resultado é a alta<br />
rotatividade dos estoques, inclusive em produtos de baixo giro.<br />
No supermercado Alfa e Gama, falta ainda uma identidade para as ações<br />
promocionais. Ressaltando-se que os produtos ofertados pelo Gama, geralmente são aqueles<br />
considerados os triviais nas compras do consumidor o que por um lado atrai o cliente, porém<br />
outros produtos acabam tendo giro lento devido a nunca estarem na relação de produtos<br />
ofertados.<br />
237
Dentro do mix de marketing são fundamentais as decisões relativas ao ambiente de<br />
loja, afinal o cliente atual exige, quer conveniência, conforto e bem estar em suas compras. Na<br />
empresa Alfa existe um responsável por setor seguindo-se padrões corporativos em termos de<br />
layout e processos. A ideia é que o consumidor entre na loja de Ijuí, Cruz Alta e Passo fundo e<br />
perceba o mesmo padrão de loja. Existe toda uma preocupação em manter o ambiente interno<br />
sempre limpo e organizado, porque o cliente percebe todos os detalhes. A loja possui porta<br />
eletrônica e todo o ambiente é climatizado para que o cliente sinta-se em uma temperatura<br />
agradável. A projeção do layout coloca a padaria no fundo da loja, assim como os produtos de<br />
primeira necessidade, para que ao entrar no ambiente o cliente receba impactos visuais e<br />
realize mais compras adicionais. Utiliza-se ainda, perto dos caixas a colocação de produtos<br />
como guloseimas, picolés, sorvetes e bebidas, como forma de estimular a compra por<br />
impulso. Na loja existe um restaurante e um pequeno espaço alternativo com mesas para que<br />
os clientes possam fazer lanches. Possui ainda, estacionamento privado para a comodidade do<br />
consumidor.<br />
O gestor do supermercado Beta menciona ter um modular, que seria um padrão de<br />
exposição em todas as lojas, podendo mudar às vezes, alguma ilha de produtos expostos<br />
coincidindo com uma oferta anunciada na televisão. Busca manter espaços entre os<br />
corredores, gôndolas arrumadas e limpeza em toda a loja que é climatizada para o conforto do<br />
cliente. Existem placas de indicação espalhadas pela loja facilitando a procura do consumidor<br />
por produtos. O layout segue como orientação a manutenção de produtos básicos como<br />
bebidas, arroz e feijão no fundo da loja, a fim de que o cliente ao entrar tenha que percorrer<br />
todos os espaços podendo realizar mais compras. São realizadas técnicas de merchandising,<br />
como as propostas por Blessa (2005), que propõem através do aroma e do sabor estimular as<br />
compras, como as degustações de alimentos e bebidas. Em alguns momentos existe música<br />
ambiente e são divulgadas ofertas do dia. Também procuram através da colocação próxima<br />
dos caixas, vender produtos por impulso, como guloseimas e chocolates. No piso superior da<br />
loja há o restaurante, um espaço alternativo oferecido ao cliente e que atrai pessoas inclusive<br />
para as compras. O estacionamento é privado e em vários dias sofre dificuldades pela falta de<br />
vagas disponíveis aos clientes, pois como se localiza na área central do município muitas<br />
pessoas deixam seus carros enquanto fazem compras nas lojas próximas.<br />
A loja Gama possui alguns problemas em relação ao seu ambiente de loja: a falta de<br />
espaço físico das instalações faz com que parte dos estoques estejam dispostos dentro da<br />
238
própria loja; os corredores estreitos impedem o fluxo normal de movimentação dos clientes; o<br />
fluxo constante de grande número de clientes impede a arrumação eficiente das gôndolas;<br />
gera-se muito entulho de materiais no ambiente interno, como papelões e caixas e não possui<br />
estacionamento coberto. Não existe climatizador, mas foram instalados grandes ventiladores,<br />
para tentar minimizar o calor no verão. A gerência está consciente destes problemas, e<br />
aguarda a inauguração de uma nova loja que se encontra em fase de construção para suprir as<br />
necessidades dos clientes e melhorar seu ambiente de loja. Entretanto, procura desenvolver<br />
ilhas de produtos, expor mercadorias próximas aos caixas estimulando a venda por impulso e<br />
manter um ambiente agradável ao cliente, apesar das dificuldades. A gerência acredita que,<br />
apesar de todas as deficiências em termos de ambiente, o cliente sente-se bem na loja pela<br />
forma simples e cordial com que é tratado.<br />
Nestas decisões de ambiente, as técnicas de merchandising são deflagradas nas três<br />
lojas, seguindo a visão de Blessa (2005), Kotler (2009) e Underhill (1999). Nas degustações,<br />
utilização de música ambiente, arrumação perfeita de produtos nas gôndolas e climatização do<br />
ambiente, as lojas estão apelando para os sentidos do consumidor, ou seja, sua visão, audição,<br />
tato, olfato e paladar, o que incentiva a compra. Buscam-se criar ambientes com fácil<br />
movimentação, climatizados e que propiciem uma atmosfera agradável ao consumidor. A<br />
tática de alocação de produtos de primeira necessidade no fundo da loja, aplicada pelos<br />
supermercados Alfa e Beta, é retratada nos estudos de Underhill (1999) e, realmente, trazem<br />
resultados em vendas complementares.<br />
O layout das três lojas é modificado com frequência como aconselha Blessa (2005),<br />
com o intuito de manter o consumidor por um tempo maior dentro das lojas. O conforto em<br />
termos de climatização e espaços alternativos implementados pelos supermercados Alfa e<br />
Beta proporcionam como menciona Hilário (2010), uma experiência prazerosa de compra.<br />
Quanto ao conhecimento das taxas de conversão e interpretação sugeridas por Underhill<br />
(1999), não existe conhecimento a respeito, nem é realizada nenhuma ação para que fosse<br />
possível conhecer tais taxas. Como prevê Underhill (1999), nota-se certa despreocupação dos<br />
gestores no que se refere à necessidade de conhecer realmente quem são seus clientes e suas<br />
especificidades.<br />
Quanto ao atendimento disponibilizado ao consumidor, apesar de trabalhar com o<br />
auto-serviço, os supermercados possuem consciência da importância da construção de um<br />
bom relacionamento com o cliente, o que interfere inclusive na escolha de que loja comprar.<br />
239
A empresa Alfa está passando por um processo de mudança, com um novo departamento de<br />
recursos humanos, criando um treinamento on–line, em que são descritos todos os processos e<br />
atividades da loja. O colaborador ao ingressar na organização faz este treinamento via web.<br />
Até então, era realizado um processo mais individual sendo oferecido treinamento específico.<br />
Acredita-se que com este treinamento irá melhorar o desempenho dos colaboradores nas suas<br />
funções incluindo o atendimento, formando um padrão de qualidade dos serviços da loja.<br />
Atualmente toda semana é realizada uma reunião em que são explanados os pontos positivos e<br />
os negativos do atendimento, uma vez que o foco da empresa é o cliente. Consideram que o<br />
atendimento tem que ser essencial, desejando-se que o cliente lembre-se do supermercado<br />
Alfa por este motivo.<br />
No supermercado Beta, os funcionários que ingressam só iniciam suas atividades<br />
depois de passar por um processo de integração, conhecendo quais são as políticas da<br />
empresa, quais as diretrizes, o que a empresa busca. Como destaca o gestor: “O nosso foco<br />
hoje é o cliente, em todos os sentidos, o treinamento é 99,9% em torno disso. Quem paga o<br />
nosso salário é o cliente” (sic). A empresa possui o programa denominado de “Atendimento<br />
Uau” que busca padronizar o processo de atendimento aos clientes para que não ocorra a<br />
situação de cada funcionário querer atender a seu modo, o que nem sempre será o ideal. Busca<br />
criar uma cultura para o atendimento em busca da excelência, a qual é mencionada por Rosa<br />
(2004), como essencial quando se trabalha na prestação de serviços.<br />
O supermercado Gama utiliza-se de sessões de vídeos de treinamento quando o<br />
colaborador ingressa na organização. Tais vídeos ensinam técnicas específicas de como<br />
atender o cliente, como fazer a diferença no ambiente supermercadista. Além disso, é<br />
realizado o que se denomina de cobrança direta – quando algum cliente reclama de algo o<br />
funcionário é chamado para conversar para que o problema não se repita. Busca-se usar<br />
também, frases motivacionais e artigos de revistas para repassar aos colaboradores, como<br />
forma de relembrar a importância do cliente para todos, empresa e colaboradores. Neste caso,<br />
encontram-se duas técnicas sugeridas por Martins (2007), a motivação e o treinamento<br />
específico acerca do serviço prestado.<br />
Quanto ao atendimento as empresas analisadas mostram-se constantemente<br />
preocupadas, afinal como argumenta Rojo (1998b), a qualidade na prestação de serviços é<br />
essencial para a satisfação dos clientes, entretanto, muitas ações ainda podem ser realizadas.<br />
Conceder o financiamento de cursos em instituições especializadas, premiar os colaboradores<br />
240
que se destacam no atendimento, possibilitar ao próprio colaborador a oportunidade de trazer<br />
idéias de melhoria no atendimento são algumas alternativas possíveis.<br />
O atendimento ao cliente vem assumindo grande relevância nos dias atuais. Cada<br />
vez mais os supermercados estão se conscientizando que a única maneira para vencer a<br />
concorrência é prestar um atendimento diferenciado capaz de atrair e manter os clientes.<br />
O atendimento é um fator de peso na formação da imagem que o consumidor terá do<br />
supermercado, e se não for excelente poderá acarretar na imagem ruim da empresa e na<br />
formação de um boca-a-boca negativo, prejudicando as vendas e as margens de lucratividade.<br />
Na Figura 20, pode-se visualizar a síntese das decisões de cada um dos supermercados<br />
analisados relativas ao mix de marketing.<br />
241
MIX DE VAREJO APLICA<strong>DO</strong> PELOS SUPERMERCA<strong>DO</strong>S ALFA, BETA E GAMA<br />
APRESENTAÇÃO<br />
ALFA:<br />
• Padrão corporativo de layout e processos<br />
• Ambiente de loja limpo e organizado<br />
• Porta eletrônica e climatização<br />
• Restaurante e espaço alternativo para lanches<br />
• Utilização de técnicas de merchandising (aromas, degustação)<br />
• Disposição de produtos de compra por impulso próximos aos<br />
caixas<br />
BETA:<br />
• Padrão corporativo de layout e processos<br />
• Ambiente com espaço entre os corredores, limpo e climatizado<br />
• Técnicas de merchandising (aromas, degustação, música<br />
ambiente)<br />
• Disposição de produtos de compra por impulso próximos aos<br />
caixas<br />
• Restaurante<br />
GAMA:<br />
• Falta de espaço físico das instalações, corredores estreitos<br />
impedindo a movimentação dos clientes e a arrumação eficiente<br />
• Parte do estoque dentro da própria loja<br />
• Disposição de produtos de compra por impulso próximos aos<br />
caixas<br />
PREÇO<br />
ALFA:<br />
• Margem preestabelecida pela<br />
matriz<br />
• Redução de preços de produtos da<br />
cesta básica<br />
• “Preço isca”<br />
• Lojas Stock Centers<br />
• Estratégias Premium<br />
BETA:<br />
• Busca manter o menor preço em<br />
todas as praças onde atua<br />
• Estratégia de preço baixo diário –<br />
Dia D (preço isca)<br />
• Estratégia de preço híbrido<br />
GAMA:<br />
• Estratégia de preço justo garante a<br />
loja posição de líder de mercado<br />
• “Preço isca”<br />
PROMOÇÃO<br />
ALFA:<br />
• Promoções semanais<br />
• Distribuição de encartes<br />
• Propagandas em rádio e Televisão<br />
• Sistema de som interno para<br />
divulgar promoções.<br />
BETA:<br />
• Promoções diárias – Dia D<br />
• Distribuição de encartes<br />
• Propagandas na Televisão<br />
• Sistema de som interno para<br />
divulgar promoções<br />
GAMA:<br />
• Promoções semanais com foco em<br />
promover produtos componentes da<br />
cesta básica<br />
• Propagandas em rádio<br />
PRODUTO<br />
ALFA:<br />
• Qualidade e variedade de marcas<br />
• Foco nas classes A e B<br />
BETA:<br />
• Qualidade e variedade<br />
• Produtos de marca própria<br />
• Serviços adicionais<br />
GAMA:<br />
• Qualidade e variedade para atender<br />
todas as classes sociais<br />
• Serviços adicionais<br />
PONTO<br />
ALFA, BETA e GAMA:<br />
• Locais de fácil acesso na área central do<br />
município<br />
• Alto tráfego de pessoas<br />
• Estacionamento próprio<br />
• Horários flexíveis de atendimento<br />
• Serviços de entrega de ranchos<br />
Figura 20: Síntese do Mix de Varejo aplicado pelos Supermercados Alfa, Beta e Gama.<br />
Fonte: Elaborada pela autora, adaptado de Morgado e Gonçalves (1999, p. 67).<br />
242<br />
PESSOAL<br />
ALFA:<br />
• Planejamento de treinamento online<br />
para os novos colaboradores<br />
• Reunião semanal em prol do bom<br />
atendimento.<br />
BETA:<br />
• Período para integração do novo<br />
colaborador<br />
• Programa de “Atendimento Uau”<br />
• Cultura para o atendimento em<br />
busca da excelência.<br />
•<br />
GAMA:<br />
• Sessões de vídeo de treinamento<br />
para os novos colaboradores<br />
• Cobrança direta quanto às<br />
reclamações de clientes<br />
• Uso de frases motivacionais e<br />
artigos de revista sobre<br />
atendimento
Nas decisões dos três supermercados, percebe-se a preocupação de cada gestor em<br />
focar suas estratégias ao público alvo que se destina atender, direcionando-se as<br />
especificidades deste segmento, como aconselham Morgado e Gonçalves (1999). Entretanto,<br />
ainda existem várias estratégias mais eficazes em relação aos produtos, preços, ponto,<br />
promoção, apresentação física e atendimento pessoal que podem ser aplicadas a fim de<br />
garantir uma vantagem competitiva frente à concorrência, como aconselham Las Casas e<br />
Barboza (2007).<br />
É finalizado, portanto, o capítulo de apresentação dos resultados do estudo,<br />
composto pela discussão da participação dos supermercados no processo de desenvolvimento<br />
sustentável, essencialmente no que se refere à dimensão ambiental; a identificação dos<br />
atributos influentes no modelo de decisão de compra do consumidor na escolha por um<br />
supermercado; e as estratégias adotadas pelas lojas supermercadistas calcadas nos atributos<br />
competitivos. Na sequência apresentam-se as conclusões extraídas da investigação e as<br />
recomendações relevantes ao setor supermercadista.<br />
243
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES<br />
Como resultado da investigação empírica, pode-se perceber a complexidade da<br />
gestão do varejo supermercadista que atua em um mercado extremamente volátil, em contato<br />
direto com o consumidor, cujo comportamento modifica-se continuamente. Conhecer os<br />
atributos importantes e determinantes na ótica dos consumidores torna-se então fundamental,<br />
pois estas informações poderão ser utilizadas na formulação das estratégias supermercadistas,<br />
permitindo ganhos em termos de vantagem competitiva. Além disso, o desafio varejista é<br />
maior por sua importância no processo de desenvolvimento sustentável, especialmente no que<br />
se refere aos impactos ambientais resultantes de suas operações, o que produz quantidades<br />
significativas de lixo doméstico.<br />
Tratando-se da sustentabilidade, a pesquisa revela uma preocupação maior dos<br />
supermercados com a dimensão econômica. O que pode ser considerado normal, uma vez que<br />
se atua em um sistema capitalista em que as empresas precisam sobreviver no mercado e obter<br />
lucratividade. O cenário existente é favorável ao setor, registrando-se aumento nas vendas<br />
gerando aumento do PIB do país, com maior produção, geração de mais empregos e o<br />
fortalecimento do agronegócio através do escoamento da produção agrícola com impacto<br />
direto sobre a balança comercial.<br />
Quanto à dimensão ambiental, encontra-se neste quesito o maior gargalo da atuação<br />
dos supermercados. Evidentemente que o impacto do varejo é pequeno quando comparado ao<br />
provocado pelas indústrias, porém a quantidade de lixo resultante das compras em<br />
supermercados e a quantidade de embalagens e sacolas resultantes dessas compras fazem do<br />
varejo um grande produtor e repassador de produtos geradores de lixo doméstico. A<br />
preocupação maior é com o descarte dos produtos e o destino dos resíduos que se torna um<br />
problema, em especial nas grandes cidades. O estudo mostra que as famílias produzem 12,7<br />
quilogramas de lixos na semana oriundos de compras supermercadistas, os quais acabam<br />
sendo descartados em lixo comum, resultando em problemas ambientais e de saúde da<br />
população.<br />
Os gestores das empresas Alfa, Beta e Gama afirmam possuir a consciência da<br />
importância de ações supermercadistas em benefício do ambiente, entretanto, acabam se<br />
244
eximindo da sua responsabilidade enquanto intermediários do canal de distribuição.<br />
Transferem essa responsabilidade ao fabricante e ao consumidor, e nenhuma atitude ou ação<br />
maior é por eles desenvolvida. Enquanto detentor do poder, como ocupante de uma posição<br />
central e mais crítica no canal de distribuição, os supermercados podem exigir da indústria<br />
produtos sustentáveis, com redução do uso de embalagens plásticas, produção de embalagens<br />
mais simples e em menor quantidade. Em consequência, o consumidor irá comprar e produzir<br />
menos lixo doméstico. Identificou-se que os supermercadistas estão atuando na cadeia, apenas<br />
direcionados “para frente” visando os consumidores, porém devem envolver também, os seus<br />
fornecedores e as indústrias que são as grandes fontes geradoras de embalagens e lixo.<br />
Constatou-se, em relação à dimensão social, que os gestores confundem-se quanto<br />
ao seu verdadeiro significado, principalmente em relação ao ambiente interno da empresa. As<br />
empresas consideram que a melhoria da qualidade de vida dos funcionários está relacionada<br />
somente ao aumento de salários ou participação em resultados, deixando de desenvolver<br />
práticas de melhoria da estrutura na qual se trabalha para que realmente ocorra o<br />
desenvolvimento do ser humano. Na realidade predomina a ação social, pois para se<br />
caracterizar como responsabilidade social as práticas desenvolvidas deveriam ser planejadas e<br />
contínuas, o que não ocorre nos supermercados objetos da investigação.<br />
Analisando-se as etapas do processo de decisão de compra do consumidor na<br />
escolha por um determinado supermercado, contata-se a existência de atributos importantes e<br />
determinantes neste processo, em especial, na etapa de avaliação das alternativas existentes. É<br />
importante ressaltar que é nesta fase que o cliente opta por uma ou outra loja. Geralmente os<br />
consumidores fazem suas compras em mais de um supermercado; caracterizado ser este um<br />
segmento em que a fidelidade apenas a uma loja é restrita. Daí a importância das estratégias<br />
supermercadistas estarem direcionadas aos atributos específicos pelos quais os consumidores<br />
estabelecem parâmetros de escolha.<br />
Os atributos considerados importantes pelos consumidores não são suficientes para<br />
fazer com que o cliente opte por um ou outro supermercado porque estão presentes em várias<br />
lojas, porém estão presentes nos critérios de avaliação. No estudo foram identificados como<br />
atributos importantes: o menor preço disponível, a rapidez no atendimento e a variedade e<br />
qualidade de produtos e marcas. Quanto aos atributos determinantes na escolha de qual<br />
supermercado comprar foram destacados pelos entrevistados: o preço, a variedade de<br />
produtos e marcas ofertadas, bem como o atendimento rápido e cortês. Constata-se então a<br />
245
coerência existente entre os atributos considerados importantes e determinantes para os<br />
consumidores.<br />
O atributo preço, considerado como o mais relevante atributo a ser focado pelos<br />
supermercadistas, é apontado como o principal motivo na escolha da loja Gama,<br />
supermercado este apontado com o maior índice na preferência de compra dos entrevistados<br />
(58%). Deve-se ressaltar, portanto, a importância que as estratégias de preços possuem e que<br />
poderão ser determinantes para o sucesso das lojas em atrair e manter clientes. O uso de<br />
estratégias pelos supermercados Alfa, Beta e Gama, de preço isca é realizada justamente para<br />
atrair o consumidor no que mais desperta seu interesse, o preço baixo. Os gestores estão<br />
conscientes da significativa relevância que o cliente destina ao preço e utilizam para isso<br />
promoções e ofertas em dias diferenciados.<br />
Quanto à variedade de produtos e marcas, destacada como fator essencial por muitos<br />
consumidores. Alguns dos supermercados em análise demonstram possuir vantagem neste<br />
quesito, pois trabalham com um mix de produtos que incluem além das marcas tradicionais,<br />
outras diferenciadas. O atendimento rápido e cortês mencionado pelos consumidores,<br />
demonstra que os supermercados, mesmo atuando com auto-serviço, devem treinar seus<br />
colaboradores no intuito de manter a excelência no relacionamento com os clientes,<br />
agilizando processos, reduzindo filas e buscando continuamente a superação das expectativas<br />
de seus clientes.<br />
Percebe-se que, na determinação das estratégias competitivas, os três<br />
supermercados, Alfa, Beta e Gama, estão calcados nos atributos importantes e determinantes<br />
para a decisão de loja do consumidor, o que dificulta ainda mais a decisão do cliente.<br />
Portanto, nas estratégias adotadas percebe-se a preocupação de cada gestor em focar suas<br />
ações no público alvo que visa atender, direcionando-se às especificidades deste segmento,<br />
sem deixar de considerar os atributos preço, variedade e atendimento.<br />
Evidentemente que melhorias podem e devem ser realizadas, pois cada loja possui<br />
problemas seja quanto à estrutura física, seja em termos de atendimento, ou mesmo o preço. O<br />
importante é direcionar as ações com um foco maior nos atributos identificados no estudo e,<br />
além disso, oferecer valor agregado ao cliente, pois o atributo faz o cliente selecionar o<br />
supermercado. Porém, o que manterá o cliente comprando serão aspectos adicionais ofertados<br />
considerados por eles importantes como prazos, ambiente de loja diferenciado,<br />
246
estacionamento disponível, preocupação socioambiental, serviços ofertados e espaços<br />
alternativos.<br />
O varejo supermercadista possui a vantagem, enquanto organização, de trabalhar<br />
diretamente com o cliente. Sendo que as informações necessárias para o seu gerenciamento<br />
eficaz estão a sua disposição e diariamente circulam com seus carrinhos de compra dentro das<br />
suas lojas. Portanto, deve-se parar para observar, questionar, ouvir e compreender, pois o<br />
consumidor valorizará a loja supermercadista que mostrar-se realmente preocupada com suas<br />
necessidades e seus desejos constantemente em mutação. Estudar os desejos, percepções,<br />
preferências e comportamento de compra de seus consumidores-alvos torna-se fundamental<br />
para a adoção de estratégias de marketing eficazes capazes de garantir a manutenção de<br />
clientes e, em consequência, a vantagem competitiva neste setor tão concorrido e volátil.<br />
LIMITAÇÕES <strong>DO</strong> ESTU<strong>DO</strong><br />
trabalho.<br />
Ao finalizar a pesquisa algumas limitações são reconhecidas e percebidas neste<br />
- A amostra abarca apenas três supermercados no município, não propiciando inferir<br />
os resultados para o conjunto da área supermercadista;<br />
probabilístico;<br />
- A amostra de consumidores, embora estatisticamente compatível é de cunho não-<br />
- Outra limitação está relacionada à pesquisa participante de coleta e pesagem do<br />
lixo doméstico, no que se refere ao tamanho da amostra. Como foi uma intenção posterior à<br />
elaboração do projeto, ela se caracteriza como meramente exploratória não permitindo<br />
inferências estatísticas, porém acenando com aspectos importantes no contexto da<br />
investigação.<br />
SUGESTÕES DE PESQUISA<br />
A realização de uma pesquisa permite vislumbrar novas oportunidades de estudos, o<br />
que possibilita seguimento ao processo investigativo de aprendizado contínuo. A partir desta<br />
247
pesquisa focada no tema “Comportamento do consumidor” surgem novos estudos que podem<br />
ser desenvolvidos, principalmente, pelo fato de que o comportamento do consumidor sofre<br />
mudanças contínuas e, por se tratar de um assunto complexo que envolve as idiossincrasias<br />
dos indivíduos. A seguir são destacados alguns:<br />
- Estudos voltados a analisar o comportamento do consumidor dentro do ambiente<br />
de loja através do mapeamento do ambiente e da observação disfarçada do comportamento<br />
das pessoas no momento exato da decisão de compra;<br />
- Estudos em profundidade acerca dos três atributos determinantes na decisão de<br />
compra e identificados neste estudo: preço, variedade e atendimento;<br />
- Pesquisas voltadas ao impacto das estratégias mercadológicas no processo de<br />
decisão de compra do consumidor, ou seja, a eficácia das ações em cada etapa do processo;<br />
- Pesquisas em profundidade acerca da responsabilidade dos supermercados na<br />
produção do lixo doméstico, especialmente em relação às embalagens;<br />
- Pesquisas para verificar se o consumidor considera determinante na escolha de<br />
lojas ou produtos, a responsabilidade socioambiental. Poderá ser incluído ainda, um estudo<br />
acerca do processo de aprendizagem do consumidor quanto à incorporação de novos hábitos<br />
voltados a preservação ambiental;<br />
- Estudos envolvendo os outros modelos de supermercados na cidade de Ijuí/RS,<br />
principalmente os localizados em bairros.<br />
248
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256
APÊNDICES<br />
257
APÊNDICE A<br />
Questionário aplicado aos Consumidores abordados nas imediações dos<br />
Supermercados Alfa, Beta e Gama.<br />
CURSO DE PÓS-GRADUAÇAO STRICTO SENSU em DESENVOLVIMENTO<br />
QUESTIONÁRIO<br />
Esta pesquisa tem como objetivo investigar os Atributos influentes nas etapas do Modelo<br />
de Decisão de Compra do Consumidor na seleção de Supermercados do município de Ijuí/RS.<br />
Trata-se de um objeto de estudo componente do Curso de Mestrado em Desenvolvimento da <strong>UNIJUÍ</strong>-<br />
Universidade Regional do Noroeste do estado do Rio Grande do Sul, com fins meramente didáticos,<br />
sem a identificação dos participantes da pesquisa.<br />
A sua participação é de grande valia para que o estudo proposto seja concluído com êxito!<br />
Pergunta Filtro: Em qual supermercado você costuma comprar mais?<br />
1. ( ) Nacional. Motivo principal? _____________________________<br />
2. ( ) Zaffari. Motivo principal? _______________________________<br />
3. ( ) Kuchak Motivo principal? _______________________________<br />
1) Sexo:<br />
1.( ) Masculino<br />
2.( ) Feminino<br />
PERFIL <strong>DO</strong> CONSUMI<strong>DO</strong>R<br />
3) Renda Familiar:<br />
1.( ) até R$ 510,00<br />
2.( ) de R$ 511,00 a R$ 1.020,00<br />
3.( ) de R$ 1.021,00 a R$ 2.040,00<br />
4.( ) de R$ 2.041,00 a R$ 5.100,00<br />
5.( ) Acima de R$ 5.100,00<br />
2) Faixa Etária: 4) Quem são os moradores da sua casa:<br />
1.( ) até 20 anos<br />
2.( ) de21 a 30 anos.<br />
3.( ) de 31a 40 anos.<br />
4.( ) de 41 a 50 anos.<br />
5.( ) de 51 a 60 anos<br />
6.( ) acima de 60 anos<br />
1. ( ) Cônjuge<br />
2. ( ) Pais/sogros<br />
3. ( ) Filhos. Quantos?____________<br />
4. ( ) Filhas. Quantas?____________<br />
5. Outros. Quem?________________<br />
5) Qual é seu papel, destes?_________<br />
A) Reconhecimento da Necessidade:<br />
1. O que motiva você a ir a um supermercado?<br />
1. ( ) Falta de produtos em casa<br />
2. ( ) Gostar de freqüentar supermercados<br />
3. ( ) Promoções, encartes, propagandas de TV, etc.<br />
4. ( ) Pelo impulso de comprar<br />
5. ( ) Ter um dia fixo de ir ao supermercado<br />
6. ( ) Sensação de fome, sede.<br />
7. ( ) Ocasiões especiais: jantar para amigos, festa de aniversário, etc.<br />
258
2. Qual dos itens abaixo tem maior influência em lembrar você da necessidade de comprar<br />
algum produto:<br />
1. ( ) olhar as prateleiras de produtos expostos<br />
2. ( ) sentir o cheiro de alimentos, como na padaria<br />
3. ( ) degustar novos produtos<br />
4. ( ) ouvir que tem promoções no supermercado<br />
5. ( ) Outro.Qual?____________________________________<br />
B) Busca de Alternativas:<br />
3. Em quantos supermercados você costuma comprar?<br />
1. ( ) Apenas um.<br />
2. ( ) Dois supermercados.<br />
3. ( ) Três supermercados.<br />
4. ( ) Mais de quatro supermercados.<br />
4. Com que frequência costuma freqüentar estes supermercados?<br />
1. ( ) Diariamente<br />
2. ( ) Uma vez por semana<br />
3. ( ) Duas vezes por semana<br />
4. ( ) Três vezes por semana<br />
5. ( ) Quinzenalmente<br />
5. ( ) Uma vez por mês<br />
6. ( ) Outro. Quando? ____________<br />
5. Na seleção de qual supermercado comprar, você leva em consideração a indicação de amigos<br />
e/ou familiares?<br />
1. ( ) Sim, sempre.<br />
2. ( ) Não, nunca.<br />
3. ( ) Às vezes.<br />
6. Na busca de qual supermercado comprar, a escolha da loja é influenciada por promoções,<br />
encartes de produtos, propagandas na televisão, anúncios de rádio?<br />
1. ( ) Sim<br />
2. ( ) Não<br />
3. ( ) Às vezes<br />
7. Você costuma fazer pesquisa de preços para decidir em qual mercado comprar?<br />
1. ( ) Sim.<br />
2. ( ) Não.<br />
C) Avaliação das Alternativas:<br />
8. Na sua escolha por um determinado supermercado, quais fatores são mais importantes de 1 a<br />
3 sendo o 1 o mais importante:<br />
1.( ) Variedade de produtos e marcas disponíveis.<br />
2.( ) Ambiente de loja agradável.<br />
3.( ) Espaços alternativos: lancherias, restaurantes, cafés.<br />
4.( ) Preço, promoções e ofertas.<br />
5.( ) Prazos, condições de pagamento e convênios.<br />
6.( ) Atendimento: rapidez e cortesia.<br />
7.( ) Proximidade de casa/trabalho, fácil acesso.<br />
8.( ) Estacionamento disponível.<br />
9.( ) Preocupação e incentivo a preservação ambiental e ações sociais.<br />
10.( ) Serviços oferecidos: pagamento de contas, venda de cartões de celular, etc.<br />
11.( ) Outro:______________________________<br />
259
09. Agora atribua uma importância para cada item abaixo, quando vai escolher um<br />
supermercado para fazer suas compras, marcando 5 quando o item é muito importante até 1<br />
para os de menor importância:<br />
Característica<br />
Menor preço<br />
Melhores prazos e formas de pagamento<br />
Rapidez no atendimento<br />
Produtos de marca própria<br />
Variedade e qualidade dos produtos e marcas<br />
Ambiente de loja agradável<br />
Proximidade de casa/ trabalho, fácil acesso<br />
Estacionamento disponível<br />
Incentivo a preservação ambiental e ações sociais<br />
Espaços alternativos: lancherias, restaurantes, cafés<br />
Serviços oferecidos: pagamento de contas, venda de cartões de celular,<br />
etc.<br />
Ter Sacola retornável<br />
Possuir ponto de descarte de produtos: pilhas, lâmpadas...<br />
Importância<br />
1 2 3 4 5<br />
10. Destes fatores, se você tivesse que escolher apenas um, como aquele que determina sua<br />
escolha de que supermercado comprar. Qual seria?____________________________<br />
11. O que você considera mais importante no ambiente interno das lojas, e que o faz escolher um<br />
determinado supermercado?<br />
1. ( ) Espaço entre os corredores: que permite o deslocamento e o acesso aos produtos com facilidade<br />
2. ( ) Organização das prateleiras<br />
3. ( ) Indicações da localização dos tipos de produtos:<br />
4. ( ) Limpeza e higiene do ambiente e dos produtos<br />
5. ( ) Climatização<br />
6. ( ) Ambiente bem iluminado<br />
7. ( ) Piso antiderrapante<br />
8. ( ) Espaços alternativos: lancheria, restaurante, café.<br />
9. ( ) Ter bem definida a direção de entrada.<br />
10. ( ) Carrinhos e cestas em bom estado de conservação.<br />
11. ( ) Outro. Qual? ________________________<br />
12. Na sua casa quem decide o supermercado no qual serão feitas as compras?<br />
1. ( ) Você.<br />
2. ( ) Pais<br />
3. ( ) Filhos<br />
4. ( ) Outro. Quem? _________________<br />
D) Compra:<br />
13. Na suas compras, você costuma:<br />
1. ( ) comprar somente aquilo que foi planejado<br />
2. ( ) comprar o que foi planejado, porém, sempre compra algo a mais<br />
3. ( ) não planeja o que vai comprar<br />
4. ( ) comprar muitos itens por impulso<br />
5. ( ) levar lista para fazer suas compras<br />
260
14. Você costuma freqüentar o supermercado sozinho ou acompnhado?<br />
1. ( ) Sozinho<br />
2. ( ) Acompanhado. Por quem?_______________________<br />
E) Consumo:<br />
15. Você costuma consumir produtos expostos para degustação?<br />
1. ( ) Sim, sempre<br />
2. ( ) Não. Nunca<br />
3. ( ) Às vezes<br />
16. Em caso afirmativo, costuma comprar o que degustou?<br />
1. ( ) Sim<br />
2. ( ) Não<br />
3. ( ) Às vezes<br />
17. Depois de ter entrado em um supermercado, o que faz você desistir de comprar?<br />
1. ( ) Falta de produtos<br />
2. ( ) Produtos vencidos, estragados de má qualidade<br />
3. ( ) Mau atendimento<br />
4. ( ) Preço muito elevado<br />
5. ( ) Filas e demora nos caixas<br />
6. ( ) Outro. O que? _______________________<br />
F) Avaliação de compra:<br />
18. Quando você percebe ou não gosta de algo no supermercado, seja em termos de atendimento<br />
ou de produtos, qual sua atitude?<br />
1.( ) Não faz reclamações. Neste caso, você: 1.1 ( ) Muda de supermercado<br />
1.2( ) Permanece comprando<br />
2.( ) Reclama. Neste caso, você: 2.1 ( ) Reclama com o gerente ou funcionário.<br />
2.2 ( ) Reclama para a família e os amigos.<br />
2.3 ( ) Reclama para órgãos governamentais ou de<br />
defesa do consumidor.<br />
19. Se comprou algum produto com defeito ou vencido, costuma trocar?<br />
1. ( ) Sim, sempre<br />
2. ( ) Não, nunca<br />
3. ( ) Depende do produto.<br />
G) Descarte:<br />
20. O que você costuma fazer com as pilhas e lâmpadas que estão vencidas?<br />
_______________________________________________________________<br />
21. A preocupação dos supermercados com a sociedade e com o ambiente é algo tão importante<br />
a ponto de fazer você escolher este supermercado para comprar?<br />
1. ( ) Sim, certamente isso me leva a comprar neste mercado.<br />
2. ( ) Não, isso não faz diferença para mim.<br />
3. ( ) Não, isso não interfere na minha opção de escolha, mas melhora a imagem que tenho deste<br />
supermercado.<br />
Muito Obrigada pela sua colaboração!! Simone Nunes Ceretta<br />
261
APÊNDICE B<br />
Convite enviado por e-mail para a realização do Focus Group.<br />
Convite para participação em Focus Group<br />
Tema: Atributos influentes no Processo de Decisão de Compra de<br />
Supermercados<br />
Data: 02/07/2010.<br />
Horário: 18:00 horas.<br />
Local: Escola Senac de Ijuí.<br />
“Sua presença contribuirá na construção de<br />
mais um estudo científico, participe!!”<br />
Simone Ceretta<br />
Mestranda em Desenvolvimento/<strong>UNIJUÍ</strong><br />
262
1) Caracterização das lojas:<br />
APÊNDICE C<br />
Roteiro de Entrevista pessoal realizada com os Gestores dos<br />
Supermercados Alfa, Beta e Gama<br />
2) Quais são os principais desafios do Varejo Supermercadista?<br />
3) Você caracteriza a sua loja como uma “líder de mercado”?<br />
4) É ou já foi realizada alguma pesquisa de estudo do mercado consumidor?<br />
5) Você conhece o principal concorrente da loja? É realizado algum estudo dos concorrentes<br />
em relação a pontos fortes e fracos?<br />
6) Como são traçadas as estratégias do supermercado?<br />
7) Na determinação das estratégias da empresa, o foco está no concorrente ou no cliente?<br />
8) Que fatores são considerados mais importantes na determinação das estratégias a serem<br />
adotadas?<br />
9) O que é predominante nas decisões sobre:<br />
Produto:<br />
Preço:<br />
Ambiente de loja:<br />
Promoções:<br />
10) Que fator a empresa considera como o principal capaz de fazer com que o consumidor<br />
escolha seu supermercado para comprar?<br />
11) Na pesquisa os consumidores apontaram o preço/proximidade como o principal motivo<br />
que os leva a comprar na sua loja, você diria que isso é devido a que estratégia?<br />
(KUCHAK e NACIONAL/ ZAFFARI)<br />
12) Existe uma preocupação socioambiental do supermercado nas suas estratégias?<br />
13) Acredita-se que isso afeta o fato do cliente optar por sua loja?<br />
14) Que ações são desenvolvidas em relação à questão socioambiental?<br />
15) Existe controle de gastos energéticos?<br />
16) Compram de fornecedores socialmente responsáveis?<br />
17) Possuem pontos de coleta de lâmpadas e pilhas? Já pensaram em disponibilizá-los aos<br />
clientes?<br />
18) É incentivado o uso da sacola retornável? Os clientes da loja costumam usar?<br />
263
19) São realizadas ações em benefício da sociedade?<br />
20) Preocupam-se com a qualidade de vida de seus funcionários?<br />
21) Muitos produtos comprados no supermercado resultam na produção de lixo. Como você<br />
acredita que a loja poderia ajudar neste sentido, tentando minimizar a produção de lixo<br />
gerado pelas compras em supermercados?<br />
22) Que estratégias o supermercado poderia implantar como inovadoras frente a toda essa<br />
preocupação socioambiental?<br />
264
ANEXOS<br />
265
ANEXO A<br />
Exemplo de anúncio que demonstra a parceria entre Supermercados e Fornecedores em<br />
busca da redução dos impactos ambientais.<br />
266
ANEXO B<br />
PPS – Projeto Pessoal para Sustentabilidade do Supermercado Beta.<br />
267
ANEXO C<br />
Formulário do PPS – Projeto Pessoal para Sustentabilidade, a ser preenchido pelos<br />
colaboradores do Supermercado Beta.<br />
268