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LDM

Revista do blog Longe de Mim - Ano I - Edição Nº 01

São José do Rio Preto/SP

MAGAZINE

CRÔNICA

QUEM

ROUBOU

MINHA VAGA?

A MAIS NOVA

PENSADORA

Um professor de filosofia cita Valesca Popozuda em

uma prova: ensino defasado ou proposta de discussão?

E mais:

Após ataque de sinceridade, repórter da Globo

admite que emissora escolhe a dedo os

entrevistados - página 8

A mulher, o sangue e a guerra: As origens do

machismo na sociedade atual - página 5

Comunicação é tema de debate entre alunos de

jornalismo e central sindical - página 6


Minissaia (in)justa

Uma pesquisa realizada pelo Ipea jogada sensacionalista da grande apontou que uma parcela da

(Instituto de Pesquisa Econômica mídia. Queria acreditar que nos população brasileira acredita que a

Aplicada), que entrevistou 3.810 documentos oficiais da pesquisa mulher deva ser punida por usar

pessoas, revelou que 26% dos estaria “Mulheres que usam roupas curtas e provocantes, como

entrevistados concordam com a roupas curtas e provocantes estão se isso fosse um crime.

afirmação de que mulheres que mais vulneráveis a ser atacadas E quanto ao comportamento?

u s a sexualmente”. Decepcionei-me. A Segundo a opinião dessas pessoas

palavra utilizada era mesmo o estupro é uma falha no

“merecem” e um quarto dos comportamento feminino. Porém,

entrevistados concordava com não deveriam os homens ter

isso.

controle sobre seus instintos?

Não concordo, porém, com Vi v e m o s e m u m m u n d o

nenhuma das duas afirmações, no civilizado, onde comportamento

m roupas curtas e provocantes

entanto, se a expressão utilizada nenhum, por mais provocativo

m e r e c e m s e r a t a c a d a s

fosse “estão mais vulneráveis”, o que seja, justifica um ataque

sexualmente. Como já foi

quadro apontado na pesquisa sexual.

e s c l a r e c i d o , o s n ú m e r o s

s e r i a , n o m í n i m o m a i s Uma pesquisa como essa mostra o

divulgados anteriormente –

humanitário. Nesse caso caberia q u ã o r e t r ó g r a d o e s t á o

a p o n t a n d o q u e 6 5 %

aquela comparação de que se você pensamento de pelo menos um

concordavam com tal ideia –

deixar o carro aberto na rua estará quarto da sociedade. Espero que

estavam errados. Um erro

mais vulnerável a ser roubado. e s s a s i d e i a s n ã o s e j a m

gravíssimo, no entanto, o

Percebam, porém, como um único disseminadas, senão, vamos

resultado ainda é alarmante.

termo muda o rumo das coisas. regredir depois de tanto evoluir.

Confesso que quando li o termo

Tendo em vista que a palavra Sobre a opinião dessa parcela, só

“merecem” nos jornais e portais

“merecer”, quando empregada digo uma coisa: preparem as

de notícias, torci para ser uma

com um sentido negativo remete à fogueiras, a Idade Média está

culpa e à punição, a pesquisa tentando voltar!

ÍNDICE

6

2

10

3

Quem roubou minha vaga?

A mulher, o sangue e a guerra

Comunicação é tema de debate da CUT

Beijo no ombro ‘pra’ mídia

O outro lado do #vergonhariopreto

Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais

7

12

5


POLARIDADE

‘‘

O Brasil vai continuar tendo

forte prioridade na sua relação

com o continente africano.

- Lula

ex-presidente do Brasil

da Redação

Quem roubou minha vaga?

lan nasceu em uma família pobre. Estudou a vida toda

em escola pública. Ia para o colégio de manhã e

Atrabalhava à tarde na vendinha do Seu Manoel,

próxima à sua casa. Nos horários de menor movimento na

venda, Alan sempre tirava um tempinho para ler. Não havia um

dia sequer que o garoto estivesse sem algum livro 3que pegava

na biblioteca da escola.

O rapaz era estudioso e jurava que seria advogado. Seus pais,

parentes e amigos até o apoiavam, mas no fundo todo esse

pessoal achava mesmo era que Alan continuaria ali, na

vendinha do Seu Manoel, afinal, com o ensino de sua escola era

difícil entrar em uma universidade pública, e seus pais não

poderiam pagar uma particular.

Do outro lado da cidade morava Pedro. Nascido em uma família

de classe média alta, o garoto sempre frequentou uma escola


particular. Ao contrário de Alan, Pedro tinha a tarde

livre, não trabalhava, mas tampouco se interessava

pelos livros da biblioteca.

Apesar da falta de interesse, o garoto era considerado o

menino prodígio da família, o orgulho dos pais. Jurava

que seria advogado, e ninguém duvidava, afinal, tinha

todas as oportunidades para isso.

Chega 2013 e com ele o terceiro colegial para Alan e

Pedro. O primeiro garoto se esforça o ano todo.

Chegou até a pedir para o Seu Manoel o dispensar uma

hora mais cedo todos os dias. É claro que o salário

acabou abaixando, mas ele precisava desse tempo para

estudar.

Para Pedro, 2013 foi um ano mais tranquilo. Sua rotina

continuou a mesma, até um mês antes do vestibular,

quando o desespero bateu à porta e ele percebeu que

precisava estudar. Pegava os

‘‘

haver um esforço

livros, mas não sabia onde era

o começo de tudo aquilo. Já

sem muitas esperanças, fez a

prova na raça, acreditando que

os simulados que fez na escola

o ajudariam.

Alan estava seguro. Havia

estudado e não tinha dúvidas

de que conseguiria passar. Fez a prova com calma,

devagar, quase não deu tempo de responder a última

questão, mas conseguiu concluir o vestibular. Voltou

para casa seguro, de cabeça erguida.

Depois de alguns dias, o resultado. Alan não estava na

primeira chamada, nem Pedro. Segunda chamada, e

nada. Terceira, e última chamada. Alan passou

raspando, em último lugar, mas passou. Pedro não

conseguiu.

Enquanto Alan comemorava, Pedro praguejava contra

os “malditos cotistas que roubaram sua vaga”. É claro

que a cota que Alan tinha direito por ser estudante de

escola pública deu um empurrãozinho, mas se não

fosse seu esforço, não teria conseguido.

Há duas semanas Alan começou a faculdade. Daqui

uns anos será um ótimo advogado. Já Pedro conseguiu

4convencer seu pai de que só não conseguiu passar por

causa dos cotistas, que entraram em sua frente. Esse

era o único argumento que tinha para mascarar sua

falta de dedicação.

Mas no fundo Pedro sabia que deveria ter estudado

mais. Sabia que cotas não aprovam ninguém. Ajudam,

sim, mas tem que haver um esforço por parte do cotista.

E graças a essas cotas que pessoas como o Alan, que

têm sede de ser alguém, conseguem alcançar seus

objetivos.

...cotas não aprovam

ninguém. Ajudam,

sim, mas tem que

por parte do cotista.

RECOMENDAMOS

Descubra quem é Augusto

Cândido e o que ele faz

quando alguém o deixa muito

aborrecido. Conheça Cíntia

Amaral, seus conflitos e sua

enorme obsessão por fazer

justiça. Saiba quem é Gabriel

Assunção, de onde ele veio, e

de quê ele está arrependido.

Desvende seus motivos, seus

segredos, seus objetivos.

Limite suas diferenças,

encontre o culpado, e tente

achar a resposta: quem é o

vilão?

O AUTOR

Jean Pereira Lourenço nasceu

em 1993 e atualmente cursa

Letras – Tradutor na UNESP –

IBILCE, em São José do Rio

Preto, onde vive. Além de

lecionar língua inglesa, é

dono da página Ponto do

Conto, no Facebook, e criador

da Quântica, selo de literatura

independente. Atualmente, o

Universo Literário Quântica

conta com um total de 40

obras em desenvolvimento,

sendo “O vilão” a primeira a

ser oficialmente publicada.


GÊNERO

‘‘

A mulher, antes divina,

foi demonizada. A que

outrora era considerada

forte, agora era frágil,

submissa.

Vênus de

Willendorf

da Redação

A mulher, o sangue e a guerra

á dizia o filósofo Michel Foucault: “Por derramado, mais poder àquele que o derramou.

muito tempo, o sangue constituiu um O líquido vermelho que escorria dos inimigos

Jelemento importante nos mecanismos do era sinônimo de força e autoridade, e as deusas

poder, em suas manifestações e rituais. (…) o foram substituídas por deuses. Senhores da

sangue constitui um dos valores essenciais; guerra que lutavam junto com seu povo.

seu preço se deve, ao mesmo tempo, a seu A mulher, antes divina, foi demonizada. A que

papel instrumental (poder derramar o sangue), outrora era considerada forte, agora era frágil,

a seu funcionamento na ordem dos signos (…), submissa. Devia ficar em casa, cuidando dos

a sua precariedade (fácil de derramar, sujeito a filhos, e sempre pronta para gerar outros

extinção, demasiadamente pronto a se herdeiros para seu marido. O sangue da

misturar, suscetível de se corromper menstruação, antigo sinônimo de vida e

rapidamente)”.

virilidade, passou a ser sujo, impuro, maldito.

O sangue sempre criou um fascínio nos seres Toda a divindade do sexo feminino foi

humanos desde os primórdios da humanidade. esmagada pela ascensão das sociedades

As primeiras sociedades baseavam-se no patriarcais.

modelo matriarcal. A prova disso é um das mais E ai de quem tentasse provar o contrário. O

antigas representações de uma divindade: a culto ao feminino foi condenado. Era bruxaria, e

Vênus de Willendorf. Uma mulher, todas as “bruxas” eram queimadas na fogueira.

representada por uma estátua com seios, O motivo? Medo! Medo que homens tinham de

barriga, coxas e nádegas fartas, simbolizando a

fertilidade. Mas o que dava esse caráter divino que têm hoje.

à mulher não era apenas a capacidade de gerar O modelo patriarcal é o grande responsável

outro ser dentro de si, mas também a pelo machismo que vemos atualmente. A ideia

capacidade de, de tempos em tempos, sangrar de que a mulher é inferior, incapaz e mais fraca

por vários dias sem morrer. Aquele fluxo era surgiu quando o flúido vermelho deixou de ser

visto como uma dávida divina e, em algumas divino, e passou a ser moeda para compra de

sociedades, chegava a ser utilizado em rituais poder. Devido a isso, muito sangue foi

religiosos.

derramado. Sangue de mulheres que lutaram

Mas o sangue, que simbolizava a vida, passou por seus direitos, mulheres que sofreram (e

a ser sinônimo de poder. Poder pela morte. As ainda sofrem) abusos. Sangue que escorre por

sociedades patriarcais engoliram os modelos dentro cada vez que uma foto é compartilhada

sociais que tinham a mulher como centro. E o nas redes sociais rotulando a mulher como

sangue, antes vindo do sagrado feminino, vadia. Sangue que continuará escorrendo

passou a vir das guerras. Quanto mais sangue enquanto o machismo prevalecer.

perder o lugar para as mulheres. Mesmo medo

5


COMUNICAÇÃO

Da esquerda para a direita:

Paulo Salvador, Rafael Garcia,

Telma Andrade e Adriana

Magalhães

Ouça a entrevista

com Paulo Salvador

goo.gl/SIyMhk

Comunicação é tema de debate da CUT

Em parceria com a UNIRP, evento foi direcionado a jornalistas do meio sindical e estudantes de comunicação

ASão Paulo (CUT-SP) realizou, na

última sexta-feira,4, no Centro

Universitário de Rio Preto, uma oficina com o

tema “Comunicação: O Desafio do Século”.

Entre os assuntos debatidos estavam o novo

marco regulatório para democratização dos

meios de comunicação do Brasil, internet:

marco civil e redes sociais, estratégias de

comunicação alternativa e experiências do

movimento sindical.

Central Única dos Trabalhadores de

6

da Redação

A atividade reuniu cerca de 130 pessoas, entre

elas, jornalistas do meio sindical e alunos de

comunicação social da universidade.

Para Paulo Salvador, coordenador da Rede

Brasil Atual e um dos palestrantes do evento, é

importante que haja o debate sobre a mídia no

Brasil. Ele ressalta que não se deve somente

criticar, mas apontar novos caminhos para a

comunicação no país.

Sobre promover esse debate entre os alunos de

comunicação social, Salvador lembra que

quando era estudante defendia a integração

com o movimento real da ruas, e não só com o

meio acadêmico: “O jornalismo é isso, e nessa

interação que estamos fazendo com a

universidade e com os alunos, todo mundo

ganha, todo mundo aprende. Acredito que

estamos ajudando a preparar bons

profissionais”.

Além de Paulo Salvador, o evento contou com

outros palestrantes, entre eles, Rafael Garcia,

coordenador da Rádio Brasil Atual Noroeste

Paulista, Adriana Oliveira Magalhães,

secretária de imprensa da CUT São Paulo e

Telma Andrade, diretora da APEOESP em Rio

Preto.


por Gabriel Vital

Beijo no ombro ‘pra’ mídia

professor que jogou a pouco mais aberta - como o professor

carniça pros abutres e a e seus pupilos - entendeu a ironia.

Ojornalista que teve um Ora, ninguém da mídia apareceu na

ataque de sinceridade. Foram esses exposição de fotografia, mas foi só a

os protagonistas das histórinhas dos escola ser palco de um suposto

últimos dias. Quem diria que a mídia deslize que os urubus vieram

seria tão discutida, assim, do nada, a correndo - ou voando - pra mexer na

partir de duas personagens sem carniça.

qualquer ligação.

O problema é que a carniça era uma

Bom, vamos do início. Tudo isca, e dentro dela havia um anzol,

começou quando a o Centro de prontinho pra fisgar quem quer que

Ensino Médio 3, em Taquaritinga, fosse. E fisgou. O professor

cidade-satélite de Brasília, propôs esclareceu, posteriormente, que a

aos alunos uma exposição de questão se tratava de uma crítica à

fotografia com o tema “Olhares”. própria mídia que sempre busca algo

Cada grupo de estudantes escolhia o negativo para ‘meter o pau’ nas

que iria abordar e, a partir daí, escolas públicas.

fotografava expondo seus olhares Todo mundo - menos os abutres -

sobre aquilo. A mostra ganhou a entendeu. Até a Valesca. A cantora

adesão dos alunos, que expuseram publicou um texto em sua página

1300 fotografias. Toda imprensa dizendo que se sentiu honrada pelo

local foi convidada, mas ninguém título de pensadora, mas que teria que

apareceu.

recusá-lo: “porque é um titulo muito

Dias depois, Antonio Kubitschek - forte e eu ainda não me sinto pronta

professor de Filosofia da escola - pra isso hahaha Diva, Diva sambista,

colocou em sua prova bimestral uma Lacradora essas coisas eu já estou

questão que fazia referência à uma

grande pensadora contemporânea: CONTEMPOR NEA ainda não”. Ela

Valesca Popozuda.

se colocou em defesa do professor e

Não deu outra. Uma aluna tirou uma disse: “me espanta mesmo é todo

foto da questão e publicou no mundo se preocupar com uma única

Facebook. Compartilhamentos e questão da prova sem analisar os

mais compartilhamentos depois, a termos por trás disso tudo (E se o

mídia caiu matando em cima. A professor colocou a questão dentro

prova virou motivo de piada, e o do contexto da matéria? E se o

professor, taxado como cretino, professor quis ser irônico com o

babaca e motivo da educação no sucesso das músicas de hoje em

Brasil estar indo pro buraco. dia?...)”.

Acontece que quem tem a cabeça um

pronta ok mas PENSADORA

7


Ora, resta-me dar os parabéns a esse professor.

Primeiro porque ele está cumprindo - e muito

bem, diga-se de passagem - o seu papel de

mestre, promovendo a discussão e fazendo os

alunos pensarem, além de romper com as

paredes da sala de aula e expandir essa

discussão por todo o país. E depois,

parabenizo-o também por ter lançado uma isca

que mostrou o quão tendenciosa é a mídia hoje.

Se é coisa ruim ou se é pra falar mal do

governo, então é pauta. Foi isso que esse

professor mostrou e que a pobrezinha

jornalista da Globo provou. O que ela fez você

confere abaixo.

‘‘ econômicos, no entanto,

A grande mídia hoje está

assim: um jogo de

interesses políticos e

c r i t i c a r n ã o b a s t a .

Devemos começar a

trilhar novos caminhos e

temos poder para isso.

Foi realizada em São Paulo, no dia 9 de abril, a 8º

Marcha dos Trabalhadores, que uniu diversas

centrais sindicais levantando as bandeiras as

principais bandeiras de luta da classe trabalhadora,

entre elas a redução da jornada de trabalho, o fim

do fator previdenciário, 10% do PIB para a

educação, negociação coletiva no setor público,

reforma agrária e política agrícola, 10% do

orçamento da União para a saúde, combate à

demissão imotivada, salário igual para trabalho

igual, correção da tabela de IR e não ao PL da

terceirização.

A marcha reuniu cerca de 40 mil pessoas, de

acordo com os organizadores. Claro que um

movimento desse porte não poderia ser

simplesmente abafado pela grande mídia. Não dá.

Portanto, a imprensa esteve em peso na Marcha, e

a Globo apareceu com suas câmeras e microfones.

8Acontece que a manifestação não se tratava de um

ato de uma única central sindical, mas um ato

unificado de várias, entre elas a CGTB, CGT,

UGT, NCST, CUT e Força Sindical. Mas parece

que a Globo não entendeu isso - mesmo estando as

logos de todas as centrais no material de

divulgação.

A bomba estourou quando a Marize Muniz,

assessora de imprensa da CUT (Central Única dos

Trabalhadores) publicou em seu Facebook:

‘‘ com os caras da Força Sindical (do

“Deu dó. Sempre tenho pena de

pessoas inocentes.

Foquinha da TV Globo gravou sonora

Aécio Neves), na Praça da Sé, durante

manifestação de seis centrais

sindicais.

Aí, um militante cutista foi lá e

perguntou: e a CUT, você não vai

ouvir ninguém da maior central da

America Latina?

A pobrezinha respondeu: Tenho

ordens da redação para só ouvir os

caras da Força.

Foi um quiprocó danado e a bichinha

teve de ir embora do local.”

- Marize Muniz

via Facebook


Em primeiro lugar, não estou aqui para

julgar a repórter. Parto do princípio

que ela estava fazendo o trabalho dela

e, é claro, cumprindo ordens. (Se bem

que ela poderia ter gravado a entrevista

com o pessoal da CUT e depois ter

cortado, já que a Globo não quer que vá

ao ar. Questão de bom senso.)

Mas a pobrezinha teve um ataque de

sinceridade - ou desespero - e na hora

soltou o que não devia. Jogou merda no

ventilador. Mostrou que a Globo dá

voz a quem ela quer, e o escolhido da

vez foi o Paulinho da Força. Justo ele

que é o presidente de Central que mais

critica o governo Dilma (PT) e que já

declarou apoio ao Aécio Neves

(PSDB) para as próximas eleições.

Afinal, qual o problema de entrevistar

o Paulinho? Nenhum. O problema é

entrevistar SÓ o Paulinho. Por que não

dar voz aos representantes de outras

centrais? O sinal de TV é uma

concessão pública e deve ser usado em

benefício da população, e não em favor

dos interesses de um pequeno grupo.

Foto: Rodrigo Vianna

- Escrevinhador

Foto: Rodrigo Vianna

- Escrevinhador

De acordo com Rodrigo Vianna,

do blog Escrevinhador, a

repórter da Globo foi vaiada e

teve de saír de cena em meio aos

gritos de “o povo não é bobo,

abaixo à Rede Globo” . Ela

correu para dentro de uma

agência do Bradesco onde,

minutos depois, o Paulinho da

Força chegou para dar entrevista

mas, aparentemente, não

rolou…

A grande mídia hoje está assim:

um jogo de interesses políticos e

econômicos, no entanto, criticar

não basta. Devemos começar a

trilhar novos caminhos e temos

poder para isso. Vamos lutar pela

d i s s e m i n a ç ã o d a m í d i a

alternativa, vamos blogar, usar

esse espaço que temos hoje que é

a internet, vamos trabalhar pela

quebra do monopólio da

comunicação e mostrar que o

povo sim, tem voz e essa voz

9

precisa ser ouvida.

Em tempo, beijinho no ombro

pros reaças passarem longe.

Agora vou fazer igual a Valesca e

ir ali ler um Machado de Assis

pra, quem sabe um dia, me tornar

um pensador de elite.


O OUTRO LADO DO

da Redação

O movimento não é feito apenas de protestos e ocupações, entenda como agem os ativistas

Q

uando a Prefeitura de Rio Preto, em agosto de 2011, decidiu colocar

em pauta o aumento do salário dos vereadores, bem como um

aumento de cadeiras na Câmara Municipal que vários grupos se

organizaram para protestar contra a decisão, formando o movimento

Vergonha Rio Preto. Entre as várias frentes que se dispuseram a lutar contra

a pauta estavam os estudantes da COOPEN, o Coletivo Unificado de

Resistência e o Sindicato dos Servidores Municipais, porém, depois deste

primeiro impulso o movimento Vergonha Rio Preto foi tomando grandes

10

proporções, e sendo aberto para todo cidadão rio-pretense que quisesse

participar.

Davi de Martini Junior e Wesley Moraes do Santos são administradores do

grupo #vergonhariopreto no Facebook, mas preferem ser tratados apenas

como integrantes do movimento, isso por que, de acordo com Davi, o

Vergonha Rio Preto é “um movimento popular e horizontal que tem como

principal objetivo enfrentar as mazelas praticadas pelos poderes executivo

e judiciário”. O integrante do grupo explica que o movimento é

considerado popular pois qualquer um pode participar com o objetivo de

defender a população de Rio Preto, e horizontal pois não há nenhum tipo de

hierarquia e todas as decisões são tomadas em consenso.


O objetivo principal do movimento, no

início, era impedir o chamado “Pacotão de

Maldades”, expressão criada para designar as

decisões duvidosas dos vereadores na época.

Depois que o Vergonha Rio Preto alcançou o

objetivo, o grupo continuou se organizando

para cobrar os parlamentares e o prefeito sobre os

diversos problemas da cidade, bem como os

casos de corrupção não resolvidos. Atualmente o

grupo se mantém ativo, participando das sessões

da Câmara Municipal e lutando sempre pela ética

na política de São José do Rio Preto.

O movimento hoje

De acordo com Wesley, ativista do grupo desde

fevereiro de 2012, as preocupações do movimento

atualmente são o andamento das CPIs abertas na

Câmara, os pedidos do Ministério Público de cassação

do prefeito Valdomiro Lopes, melhorias na saúde

pública, mobilidade urbana e transporte coletivo de

qualidade.

Ao ser perguntado se o Vergonha Rio Preto estaria

agindo como uma espécie de órgão fiscalizador da

prefeitura, os integrantes entrevistados afirmaram

que, na verdade, o movimento atua como um órgão

“cobrador”. De acordo com Davi a palavra

fiscalizador pressupõe um acompanhamento das

contas públicas, como quem só está olhando. “O

Vergonha Rio Preto atua, cobra posição, faz

denúncias, enfrenta os vereadores, ocupa as sessões

legislativas, tudo para que as decisões políticas sejam

em favor do povo e não dos eleitos” afirma o ativista.

Demonstrando uma unidade de ideias, Wesley Moraes

explica que o movimento trabalha pela construção de

uma política livre da corrupção. Ele conta que o

Vergonha Rio Preto está sempre acompanhando os

passos políticos tanto em nível legislativo como

excecutivo. “Somos um grupo de acompanhamento

politico então estamos sempre presentes nas sessões

da Câmara e sempre atentos aos projetos

apresentados, nossas reivindicações podem se alterar

constantemente de acordo com o que é apresentado

como projeto” declara Wesley.

O papel das redes sociais

Hoje em dia o principal meio de

comunicação entre os membros do

Vergonha Rio Preto é a Internet,

mais especificamente o Facebook,

onde existe o grupo que conta com

mais de 9 mil membros. Davi afirma

que o grupo está sempre ativo e de lá

surgem várias ideias. Além disso, a

rede social é utilizada para marcar

encontros e convocar os integrantes

para reuniões abertas que acontecem

geralmente na Represa Municipal

em dias acessíveis à maioria dos

membros, como nos finais de

semana.

Paletó de madeira

Não é novidade para ninguém que os

protestos do Vergonha Rio Preto são

caracterizados por manifestantes vestidos de

preto, caixões e cruzes com o nome dos

políticos, além de cartazes direcionados aos

governantes da cidade. Mas o que para muitos

pode ser considerado ofensivo, para os

11

ativistas do grupo tem outro significado.

Wesley que existe um propósito no uso da

simbologia fúnebre e pesada durante as

manifestações. O ativista conta que caixões e

cruzes simbolizam a morte da moral e da ética na

política, assim, durante os protestos é feito um

enterro simbólico dos políticos que estão matando

esses valores.


Seria hora de parar?

O movimento Vergonha Rio Preto está ativo há três anos, e os ativistas, ao serem perguntados se

haverá um dia em que o movimento estará satisfeito, concordaram ao dizer que não. Não que não

haja a esperança de que Rio Preto chegará a um patamar onde não serão necessários mais protestos,

mas o grupo continurá ativo, cobrando uma postura ética dos governantes, e buscando sempre o

bem comum da população rio-pretense.

Davi faz questão de deixar claro que não se trata apenas de fazer oposição ao governo, até porque o

movimento não está ligado a nenhum

partido político, logo, a principal vitória

do grupo é alcançar o máximo da

população de Rio Preto, e impedir que

os vereadores e prefeito abusem de seus

cargos.

Wesley finaliza dizendo que o

movimento, como um grupo de

acompanhamento político, estará

sempre cobrando as autoridades e

buscando o melhor para a população,

conscientizando os cidadãos sobre o

andamento da política rio-pretense.

4º Encontro Nacional de Blogueir@s e Ativistas Digitais

conferencistas participantes terão vez e voz

internacionais para relatar suas experiências

participarão e participar dos debates. Após

dos debates as desconferências, os grupos

sobre mídia, voltam a se reunir para um

p o d e r e debate sobre a mídia e as

Nos dias 16, 17 e 18 de maio A m é r i c a eleições de 2014, seguido de

e m S ã o P a u l o , s ã o Latina, seguido de um debate uma festa de confraternização.

aguardados 500 ativistas s o b r e a l u t a p e l a No domingo, 18 de maio, os

digitais de todo o país. A democratização da mídia no debates serão sobre a Carta de

organização do encontro Brasil. São Paulo e ações do

disponibilizará hospedagem No sábado, 17 de maio, a movimento de blogueir@s e

para os 200 primeiros p r o p o s t a é r e t o m a r a ativistas digitais.

inscritos de fora da capital experiência do primeiro As inscrições já estão abertas

paulista e alimentação para os encontro nacional realizado n a p á g i n a

500 participantes. em 2010 por meio das blogprog.com.br/inscricoes.

12

Na sexta-feira, 16 de maio, o desconferêncas. As atividades As taxas de inscrição são R$

E n c o n t r o N a c i o n a l iniciam com um debate sobre 50 (cinquenta reais) para os

promoverá um Seminário a juventude e a força das novas participantes em geral e R$ 20

Internacional que se propõe a mídias e será seguido das (vinte reais) para estudantes,

dar continuidade aos debates desconferências, em que serão sendo necessário o envio do

do 1º Encontro Mundial de formados grupos de debates. comprovante de matrícula na

Blogueiros realizado em Nesses grupos, o debate será instituição indicada para o

outubro de 2011 em Foz do i n i c i a d o p o r a t i v i s t a s email

I g u a ç u ( P R ) . S e t e convidados e todos os inscricoes@blogprog.com.br.

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