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?N?s mulheres devemos ocupar novos espa?os?

Quem arriscaria em dizer que aquela criana que acompanhava a me e o pai, Dona Domingas da Silva Cardoso e Seu Ariovaldo Gonalves da Silva, no beneficiamento do Umbu, feito na cozinha de sua casa, seria a primeira mulher a presidir a Cooperativa Agropecuria Familiar de Canudos, Uau e Cura (Coopercuc). Com 13 anos de trabalho, a Coopercuc tem hoje como presidenta Denise Cardoso dos Santos.

Quem arriscaria em dizer que aquela criana que acompanhava a me e o pai, Dona Domingas da Silva Cardoso e Seu Ariovaldo Gonalves da Silva, no beneficiamento do Umbu, feito na cozinha de sua casa, seria a primeira mulher a presidir a Cooperativa Agropecuria Familiar de Canudos, Uau e Cura (Coopercuc). Com 13 anos de trabalho, a Coopercuc tem hoje como presidenta Denise Cardoso dos Santos.

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Ano 10 • nº2201<br />

Ag<strong>os</strong>to/2016<br />

Uauá<br />

Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas<br />

“Nós <strong>mulheres</strong> <strong>devem<strong>os</strong></strong> <strong>ocupar</strong><br />

<strong>nov<strong>os</strong></strong> <strong>espa</strong>ç<strong>os</strong>”<br />

uem arriscaria em dizer que aquela criança que acompanhava a mãe e o pai, Dona Domingas da<br />

QSilva Card<strong>os</strong>o e Seu Ariovaldo Gonçalves da Silva, no beneficiamento do Umbu, feito na cozinha<br />

de sua casa, seria a primeira mulher a presidir a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canud<strong>os</strong>,<br />

Uauá e Curaçá (Coopercuc). Com 13 an<strong>os</strong> de trabalho, a Coopercuc tem hoje como presidenta Denise<br />

Card<strong>os</strong>o d<strong>os</strong> Sant<strong>os</strong>, que faz questão de lembrar o protagonismo das <strong>mulheres</strong> na fundação da cooperativa e<br />

o papel fundamental que elas desempenham até hoje no empreendimento.<br />

Denise Card<strong>os</strong>o, uma jovem de 27 an<strong>os</strong>, nascida na comunidade de Fundo de Pasto de Caladinho, no interior<br />

de Curaçá- BA começou seus pass<strong>os</strong> no associativismo e cooperativismo ainda na infância. “Eu lembro das<br />

primeiras práticas e primeir<strong>os</strong> curs<strong>os</strong> feit<strong>os</strong> na minha comunidade, ministrad<strong>os</strong> pelo Irpaa... Eu ainda criança<br />

lembro do pessoal fazendo doce, geleias, compota”, afirma. Mais tarde, foi instalada em sua comunidade<br />

uma minifábrica da Coopercuc e Seu Ariovaldo era o coordenador do grupo de beneficiamento e recebia a<br />

ajuda de Denise nas atividades. “Eu preenchia fichas, organizava o processo de produção, ajudava colocar<br />

rótul<strong>os</strong> n<strong>os</strong> produt<strong>os</strong>”, conta a jovem. Dona Domingas relembra que, além de contribuir na gestão da Unidade<br />

de Beneficiamento, a filha também contribuía na produção e que não errava a receita d<strong>os</strong> doces.


Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas Articulação Semiárido Brasileiro – Bahia<br />

Com 18 an<strong>os</strong>, Denise passou a ser cooperada da Coorpecuc e assumiu por cinco an<strong>os</strong> a coordenação de<br />

produção da minifábrica. Como coordenadora, Denise<br />

fazia uma ponte entre o grupo da comunidade e o setor<br />

de produção da Coorpecuc. Nesse mesmo ano, ela foi<br />

eleita presidenta da Associação Agropastoril da Fazenda<br />

de Caladinho. Sua gestão durou por dois mandat<strong>os</strong>.<br />

Também contribuiu na sua comunidade e em outras da<br />

região como agente comunitária do projeto Sertão<br />

Produtiva, executada pelo Irpaa. “Eu nunca deixei de tá<br />

Domingas relembrando o envolvimento da filha com a produção de doces<br />

junto da associação e da Coorpecuc”, lembra.<br />

Apesar da pouca idade, Denise tem uma longa caminhada em defesa da Convivência com o Semiárido. Ela<br />

faz parte da Articulação Estadual de Fundo de Pasto, estudou administração, foi colaboradora do Irpaa,<br />

atuando no acompanhando d<strong>os</strong> grup<strong>os</strong> produtiv<strong>os</strong><br />

ligad<strong>os</strong> à entidade e p<strong>os</strong>teriormente na assessoria<br />

das comunidades de Fundo de Pasto, ajudando na<br />

luta pela garantia d<strong>os</strong> seus territóri<strong>os</strong>. A menina de<br />

Caladinho vivenciou ainda uma experiência no<br />

governo da Bahia, ao fazer parte da Secretaria de<br />

Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), que é<br />

responsável em certificar as comunidades de Fundo<br />

e Fecho de Pasto.<br />

Hoje, junto com sua comunidade, Denise ainda luta para garantir a permanência na terra. “O processo de<br />

formação e organização da minha comunidade já se deu diante de um conflito com fazendeiro... e meu pai já<br />

fazia essa luta pela terra, minha mãe, minha família”. A comunidade está prestes a receber o certificado<br />

enquanto comunidade de Fundo de Pasto.<br />

Após percorrer essa caminhada na luta pela organização comunitária, pelo acesso à terra, Denise tem como<br />

desafio, enquanto presidenta da Coorpecuc, estimular e fortalecer o protagonismo das <strong>mulheres</strong>, acreditando<br />

que “nós <strong>mulheres</strong> <strong>devem<strong>os</strong></strong> <strong>ocupar</strong> <strong>nov<strong>os</strong></strong> <strong>espa</strong>ç<strong>os</strong> e isso se dá muito pela Convivência com o Semiárido...<br />

Não se constrói conhecimento, não constrói cooperativismo de fato, levando em consideração só uma parte”,<br />

pontua Denise, que também deseja fortalecer o trabalho da cooperativa com a juventude.<br />

Realização<br />

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