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Fevereiro2018-1

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2 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


SUMÁRIO

04 - Carta do Editor

06 - Perfil - Casa Geração

08 - Movimento

18 - Semana de Moda Masculina em Milão

28 - Semana de Moda Masculina em Paris

42 - Semana de Moda Masculina em New York

52 - Street Style

64 - A Arte das Ruas

69 - Experiências - Berlim

74 - Beleza & Saúde - David Beckham

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 3


CARTA DO EDITOR

A palavra que não me sai da cabeça é

‘Empoderamento’. E observo que esse

comportamento está acontecendo em todo o planeta,

e em todos os sentidos. As atitudes das pessoas na

forma de pensar, de se expressar, de agir e de vestir e

que refletem diretamente nas mídias, na televisão,

nas redes sociais e principalmente pelas ruas. Já

observou?

Mas, o que é Empoderamento? “Empoderamento é

uma ação social coletiva que visa potencializar a

conscientização civil sobre os direitos sociais e civis.

Esta consciência possibilita a aquisição da

emancipação individual e também da consciência

coletiva necessária para a superação da dependência

social e dominação política. O empoderamento

devolve poder e dignidade a quem desejar e

principalmente a liberdade de decidir e controlar seu

próprio destino, com responsabilidade e respeito ao

outro”. Neste contexto, está o conceito do

empoderamento social, que se resume em dar poder à

sociedade, fazer com que tudo seja mais democrático,

que a população em geral tenha poder de opinião e

decisão. É um processo pelo qual podem acontecer

transformações nas relações sociais, políticas,

culturais, econômicas e de poder. E, infelizmente,

nem sempre positivas... Mas, o que tem a ver o

Empoderamento com a Moda? Tudo! A moda é um

reflexo do comportamento de uma sociedade. Uma

espécie de retrato, onde os diversos estilos de

vestuário prevalecem numa determinada época de

nossa história. É uma linguagem não verbal com

significado de diferenciação. Instiga novas formas de

pensar e agir. Continuando com a minha pesquisa,

descobri muitos projetos, principalmente, em

comunidades carentes cariocas, que estão dando

muito certo. Na moda, esse empoderamento, é uma

realidade traduzida através de projetos que vão desde

cursos profissionalizantes até a orientação sobre

gestão de negócios em moda. Incrível a parceria

entre algumas ONGs e instituições estrangeiras.

Como é o caso da Casa Geração do Vidigal. E

vejo esse empoderamento contaminando toda

uma sociedade através de novos

comportamentos repletos de atitudes, de novos

valores, de respeito às diferenças, criando novas

possibilidades e oportunidades para muitos. E

nada mais natural ver a consequência, não

somente pelas ruas, mas também, pelas

passarelas das semanas de moda pelo planeta.

Isso mesmo, alguns designers não só observam,

mas coloca em prática o Street Style, Streetwear

ou em bom português o Estilo das Ruas.

Também, podemos vê-lo e admirá-lo,

significativamente no grafite, em muros,

prédios, pontes, entre outros locais. A Arte nas

Ruas também é uma forma de empoderamento e

com diferentes significados, que ora são

simplórios e, outras vezes, com uma carga muito

forte de crítica à sociedade ou à política.

Bonito de ser ver o empoderamento social

tomando conta, em todos os níveis, de uma

sociedade que precisa mudar para melhor, para

um planeta mais sustentável, mais limpo, e com

pessoas que respeitem as diferenças, a opinião e a

forma de viver do outro. Chegaremos lá? Com

certeza! Carnaval passou e, os meus parabéns à

Beija-Flor, pelo belíssimo espetáculo repleto de

“empoderamento” pelos seus integrantes e pelo

povo que não se intimidou e foram atrás da

escola, em alto e bom som, exigindo os seus

merecidos direitos por ser um cidadão brasileiro.

Boa leitura e até a próxima edição!

Antonio Moreno

4 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


#artrua #intervençãourbana #berlim

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 5


PERFIL

A Casa Geração é um projeto criado pela

associação franco-brasileira, ModaFusion. Com dez

anos de atuação, a organização tem grande

experiência de trabalho junto as iniciativas

vinculadas a indústria criativa, tendo como objetivo

valorizar o trabalho dentro das favelas cariocas.

Identifica o potencial criativo das grandes periferias e

promove a integração social e a inserção profissional

através da educação, de uma rede profissional

nacional e internacional e do empreendedorismo

local.

Instalada no coração da favela pacificada do Vidigal, e

inaugurada em 2013, a Casa Geração Vidigal é uma

escola de moda aberta para todos os jovens talentos

de 18 as 25 anos, mas gratuita para moradores das

favelas cariocas. Nossa missão é identificar esses

talentos através de um detalhado processo de seleção

e capacitá-los para empreenderem ou atuarem no

mercado profissional, sempre os motivando a usar o

imenso potencial criativo e sua riqueza de referências

culturais para fazerem uma moda genuinamente

brasileira. Mais do que acolher, orientar e capacitar, a

Casa Geração transforma destinos ao empoderar

estes cidadãos.

Os cursos para 20 alunos têm duração de um ano e é

dividido em dois semestres: o primeiro de formação

técnica e o outro de formação prática, onde os jovens

são orientados por renomados profissionais nacionais

e estrangeiros!

Para reforçar o foco da nossa escola em inserção

profissional, os professores mais do que

conceituados, são realmente atuantes na indústria da

CASA GERAÇÃO

moda, o que não só torna os alunos de fato aptos a

enfrentarem a concorrência do mercado, como também

os ajuda na formação um excelente networking. Além

do curso anual, a Casa Geração promove diversos

projetos especiais e workshops, sendo frequentemente

solicitada por universidades de moda como a Estacio de

Sá e a PUC, para desenvolver projetos junto a nossos

alunos. Muitas parcerias com profissionais de moda e

marcas nacionais e internacionais são também

promovidas pela escola, com a finalidade de

desenvolver as variadas competências individuais e

coletivas. A Casa Geração matem também

intercâmbios com outras escolas ou organizações. A

escola de Arte e Tecnologia Spectaculu ESMOD,

Central Saint Martins, são algumas delas.

Fundadoras da ModaFusion: Andrea Fasanello e Nadine

Gonzalez (imagem casageracao)

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FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 7


MOVIMENTO

ISABEL MARANT

E A SUA

MODA MASCULINA

Isabel Marant lançou uma coleção de pronto-paravestir

masculino e basta apenas um olhar para

perceber que as roupas têm um ar cool, rocker,

prático e o toque boêmio que se espera da estilista

parisiense.

Isabel Marant queria algo simples. O seu trabalho

nunca foi complicado. "A roupa masculina

inspirou a moda feminina durante anos, então eu

estou devolvendo um pouco... Como uma espécie

de transposição", explicou a designer, que fundou

a sua marca em 1994.

"Para o pronto-para-vestir masculino, não queria

que as roupas parecessem muito novas. Pela

manhã, as pessoas não querem pensar muito sobre

o que vão usar", disse pouco antes dos 40

privilegiados convidados se sentarem à mesa para

desfrutar de um cordeiro cozido e ouvir um

pequeno concerto do cantor francês Lomépal.

8 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


O desafio que se propõe a Itália, durante a próxima década, é conseguir

responder de forma adequada e eficaz à complexa dinâmica ambiental e social,

mantendo no mesmo nível a competitividade dos sistemas de produção. No

entanto, para que ocorra esta mudança de paradigma é necessário fomentar uma

nova política industrial com base na sustentabilidade e na inovação, capazes de

aumentar a competitividade da indústria italiana, adverte o governo.

ITÁLIA APOSTA NA ECONOMIA CIRCULAR

A ação, recentemente apresentada em Roma pelos ministros do Ambiente e do

Desenvolvimento Econômico, foi realizada no âmbito do projeto “Rumo a uma

Economia Circular para Itália”, que promove a colaboração e a partilha de

conhecimentos como incentivo à implementação de uma produção mais

eficiente e sustentável dos recursos.

Serão desenvolvidos novos modelos de negócio com uma reflexão sobre a

transformação de desperdícios em recursos com valor acrescentado e nos

investimentos que serão necessários fazer em novas tecnologias para alavancar a

Indústria 4.0.

Nos últimos 40 anos, a análise do modelo de economia circular evoluiu muito.

Os temas atuais, como a procura de matérias-primas sustentáveis, processos de

produção e design ecológicos, a adoção de uma distribuição amiga do ambiente,

modelos de consumo e o desenvolvimento de mercados secundários tornaramse

os elementos-chave da economia circular.

Mudar do modelo atual de economia linear para um modelo de economia

circular requer um repensamento da estratégia de mercado e de modelos que

salvaguardem os sectores de competitividade industrial. Num futuro próximo, é

necessário criar e desenvolver sistemas mais eficientes de reutilização e de

reparação de bens, facilitando a manutenção de produtos e aumentando a sua

vida útil, refere o documento.

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MOVIMENTO

STELLA MCCARTNEY LANÇA LINHA DE MODA PRAIA MASCULINA

Para a temporada primavera-verão de 2018, Stella McCartney lançou a sua primeira coleção de moda praia

masculina, que incorpora os traços distintivos estilísticos do prêt-à-porter. A nova linha é composta por calções,

polos, t-shirts, camisas de linho, toalhas, sacos de praia e ponchos, feitos em algodão orgânico e nylon reciclado,

em linha com a filosofia eco-sustentável da marca.

Os calções estão disponíveis nas versões curta, média e longa, e são feitos em algodão, jersey ou nylon reciclado.

A paleta de cores varia de lavanda, amarelo, rosa-claro ao verde garrafa, e é adornada com elementos em cor

borgonha, azul elétrico e laranja intenso. Os estampados remetem para os motivos tropicais da coleção prêt-àporter,

assim como as estrelas bordadas e um estampado geométrico que lembra os lenços de seda.

As camisas e t-shirts em algodão orgânico estão disponíveis nas cores lavanda, branco e amarelo, enquanto as

camisas de algodão e linho de manga curta e longa contêm estampados de pássaros.

As bolsas em lona natural estão disponíveis em duas versões: uma grande e outra com fecho de cordão, e feitas

em colaboração com o programa "Ethical Fashion Initiative", que opera no Quênia com o objetivo de reduzir a

pobreza global.

A nova coleção de moda praia de Stella McCartney está disponível nas lojas físicas e online da marca, bem como

em lojas especializadas, ou lojas de grandes como a Harrods, Matches e Mr Porter. Os preços variam de 175 a 290

euros para os calções, de 165 a 185 euros para as t-shirts, e de 245 a 270 euros para as camisas.

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MOVIMENTO

FILHO DE ROBERTO CAVALLI LANÇA-SE NA MODA

"Triple RRR foi escolhido em referência aos meus três 'R' da

sorte: o da inicial do meu nome, o do nome do meu pai e o do

meu projeto", conclui o jovem com um sorriso

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F oi na Galleria Romanelli, uma galeria-atelier de arte florentina,

entre antigas estátuas de mármore, que Robert Cavalli revelou, na

quinta-feira (11), a sua primeira coleção, "Triple RRR", como parte do

evento Pitti Uomo, na presença de toda a família. Esta é o regresso às

origens para o último dos cinco filhos do célebre designer de moda,

Roberto Cavalli, que vendeu a sua marca em 2015.

O jovem designer, que tem hoje 24 anos, deixou a sua cidade natal,

Florença, aos 12 para Londres, onde cresceu e se formou em negócios e

marketing pela London School of Arts. Regressou a Itália no ano

passado, instalando-se em Milão para se dedicar ao seu projeto: uma

linha de pronto-para-vestir masculino de luxo, que oferece um vestuário

precioso, luxuoso, mas ao mesmo tempo confortável.

Com um espírito chic e casual, onde é possível encontrar influências do

seu pai, como as de um certo estilo dandy florentino. "O meu pai

ensinou-me o amor pela beleza. Encorajou-me neste projeto e

aconselhou-me a seguir o meu próprio instinto e personalidade, sem ir

atrás das tendências do momento", disse Robert Cavalli.

"Estou distante da moda atual do sucesso streetwear. Tenho uma visão

diferente da moda, e prefiro uma moda masculina mais sofisticada,

destinada a um jovem que aprecia uma elegância refinada", explica.

A coleção de 70 peças desenvolve-se em torno do tema “roupão de

banho" com toque de loungewear sutilmente barroco. Esta peça

emblemática está disponível em cardigans e casacos-roupões maxi sem

botões, apenas amarrados na cintura. A coleção também inclui calças

jogging bordadas, camisas, ternos desconstruídos, sweaters e blusas.

“Há poucos modelos, mas estes são oferecidos em muitas cores e

materiais diferentes", diz o jovem designer, que favoreceu tecidos

preciosos e brilhantes, como veludo, seda e cashemire. Muitas peças são

adornadas com bordados ou desenhos que lembram tatuagens, como na

manga de uma sweatshirt clara, o padrão jacquard ou outras decorações

poéticas e românticas como flores e querubins. Em algumas peças

aparece a frase em francês "la vérité nous rend libre (a verdade torna-nos

livres).

Tudo é fabricado na Itália, entre a Toscana para as peças com mangas, e

Isernia, perto de Nápoles, para o restante. A linha será distribuída

globalmente pelo showroom milanês Marcona3, com uma relação preçoqualidade

interessante: a partir de 300 euros para as malhas bordadas, até

1800 euros para os casacos em cashemire puro.

"Triple RRR foi escolhido em referência aos meus três 'R' da sorte: o da

inicial do meu nome, o do nome do meu pai e o do meu projeto",

conclui o jovem com um sorriso.

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MOVIMENTO

VESTE RIO PRIMAVERA/VERÃO 2018/2019

O Veste Rio se consagrou como a principal plataforma de moda do

país, unindo Salão de Negócios, Outlet com as melhores marcas

brasileiras, ciclo de palestras, desfiles e gastronomia.

Para atender à crescente procura das marcas e proporcionar ainda mais

conforto ao público, a quinta edição do evento, que apresentará as

tendências da Primavera-Verão 2018/2019, terá novamente como

cenário o Pier Mauá, a área mais efervescente da cidade. A partir de 11

de abril de 2018. Agende-se...

SPFWN45

A edição N45 do Calendário Oficial da Moda

Brasileira, São Paulo Fashion Week, acontece de 18

a 23 de março de 2018. A semana abre no domingo

(18/03) com desfiles externos pela cidade. A partir

do dia 19 passa também a ocupar a Fundação

Bienal, no Parque Ibirapuera.

1 4 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


GIANNI VERSACE

Até o dia 13 de abril, o palácio

Kronprinzenpalais, em Berlim, recebe a

maior exposição em homenagem a

Gianni Versace. São mais de 300 roupas,

algumas vistas poucas vezes desde os

anos 1980 e 1990, além de outros

artefatos que contam e ilustram a

carreira do estilista. Você está de viagem

marcada para Berlim? Agende-se!

NEW YORK

TOLERÂNCIA ZERO

A semana de moda de NYC foi palco de uma regra muito

clara: “Tolerância Zero” ao assédio sexual.

O Conselho de Designers de Moda da América (CFDA,

no original) publicou uma declaração na qual condena a

prática na indústria. O documento afirma a importância

de um ambiente de trabalho seguro – que deve ser

prioritário –, livre do assédio aos modelos, como também

para com todos os profissionais da indústria. A própria

presidente e designer Diane Von Furstenberg que lançou

a discussão ao enviar aos restantes membros do conselho,

um email preliminar para debater questões de segurança

como a possível criação de áreas privadas para a mudança

de roupa. Nesse mesmo documento, Furstenberg falou

em tolerância zero, lembrando que “qualquer ato sexual

involuntário segundo o qual uma pessoa é ameaçada, alvo

de coação ou forçada”, constitui crime. “Os tempos

recentes têm sido marcados por homens e mulheres

corajosos que têm feito revelações sobre uma cultura

inaceitável na política, no esporte, no entretenimento,

mas também na moda”, escreveu a presidente. Também,

considerou que o organismo que dirige “acredita

firmemente que todos os que operam na indústria

merecem ter o direito de ser sentirem seguros e

respeitados”.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 1 5


MOVIMENTO

SINGAPORE'S ATLAS BAR

Viaje de volta aos anos 1920 - uma era de

jazz e glamour art Deco. No Singapore's

Atlas Bar, que também ostenta uma torre

com mais de 1.000 garrfas de gin. Não

deixe de visitar...

POTÊNCIA POPULAR CARIOCA

Livro reúne diferentes perfis de moradores do Rio que,

por meio da moda, foram à luta para criar sua própria

história. O que antes ficava relegado à estética da

periferia do Rio de Janeiro hoje dita tendência do Leblon

a Vigário Geral. A partir do universo da moda e da

cultura, Potência popular carioca, da jornalista Marcia

Disitzer, traça um mapa afetivo da força da cultura dita

popular, mergulhando também em temas complexos e

sensíveis como classes sociais, gênero, raça e relações

culturais.

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#artrua #grécia #intervençãourbana #mister.achilles

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SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Milano Moda Uomo é um evento que apresenta todas as tendências da

moda “pronto-para-vestir” para homens pelas mais importantes marcas de moda,

principalmente, as italianas. Durante o evento, além dos desfiles que são

apresentados ao mundo através da participação de mais de 1000 jornalistas e de mais

de 10.000 compradores, comprova o grande interesse pelos operadores do mercado

em relação à moda masculina.

O número de desfiles pode ter diminuído, o número de dias, também, mas a cidade

embarcou num final de semana repleto de eventos, de um tributo a Rick Owens, os

desfiles das marcas e à grande festa organizada pela Condé Nast na GQ Itália.

Se você perdeu as últimas temporadas e resolveu acompanhar esta Semana da Moda

Masculina de Milão, deve ter ficado confuso. Em menos de dois anos, a moda

masculina mudou totalmente, deixando para trás o estilo clássico e optando por um

vestuário mais esportivo e funcional. A semana da moda masculina dedicada às

coleções Outono - Inverno 2018/19, que terminou na segunda-feira (dia 15),

definitivamente enterrou o terno no fundo do armário.

Três grandes tendências explicam, em parte, esta reviravolta: a mudança de atitude

das novas gerações, que não querem se vestir como os seus avós e preferem optar

pelo conforto; a competição desenfreada das marcas de moda para seduzir os

millennials, para quem o vestuário já não representa um sinal de riqueza; e,

finalmente, a crise que continua a agitar o mercado e a direcionar o consumo para

produtos mais básicos como as roupas esportivas. De acordo com vários players do

setor, "o que vende hoje são apenas sweaters, t-shirts e tênis".

Neste contexto, não surpreende que os trajes formais tenham desaparecido das

coleções. Na verdade, à exceção de Ermenegildo Zegna e Pal Zileri, as grandes

marcas da moda italiana abandonaram as passarelas de Milão, da Corneliani à

Canali, passando pela Brioni. Por este motivo, a coleção outerwear de nylon

proposta por Miuccia Prada é um sinal claro da transformação que está

acontecendo.

A Milano Moda Uomo também foi fortemente punida pelas profundas mudanças

sofridas pela indústria da moda há mais de um ano, entre deserções, novos formatos

baseados em desfiles mistos ou virtuais, adiamentos para a semana feminina e

transferências para outras capitais da moda. Depois de ter perdido a sua tradicional

data de encerramento na temporada passada, sempre na terça-feira, o calendário da

semana milanesa foi reduzido para 30 desfiles em comparação com 32 em junho e

36 no ano passado.

1 8 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


SEMANA DE MODA MASCULINA EM MILÃO

"É verdade que esta semana foi um pouco curta e muito

intensa, mas em três dias conseguimos transmitir todo tipo de

emoções, dando às marcas a possibilidade de escolherem o tipo

de apresentação e evento mais apropriado para as mesmas".

Essa liberdade e diversidade refletem melhor o mundo em que

vivemos", analisa o presidente da Câmara de moda transalpina

(CNMI), Carlo Capasa.

Mais do que os desfiles, foram sobretudo algumas

apresentações que conseguiram deixar a sua marca, como a

Etro, que transformou o seu espaço no armazém de uma casa

de leilões, onde modelos, compradores, jornalistas e o público

geral convidado se misturaram entre quadros e móveis antigos.

A festa de Rick Owens no bairro do design Via Ventura, que

se prolongou a noite inteira, também permanecerá na

memória. Outra iniciativa original foi o desfile que a Dolce &

Gabbana organizou na loja de departamentos La Rinascente,

que fascinou o público. A marca empenhou-se nesta semana,

tendo organizado o seu desfile tradicional no dia anterior e

um outro exclusivo no mesmo dia, à noite.

Outro ponto apreciado foram os locais inéditos escolhidos por

alguns designers para os seus desfiles de moda, como a

Universidade Bocconi no caso da Ermenegildo Zegna, ou o

armazém da Fundação Prada. “Hoje, ser criativo significa não

fazer o mesmo que os outros. Muitas marcas entenderam,

mudaram os seus hábitos e escolheram novos cenários para

desfilar ou novas formas de apresentação, criando um ar de

mistério em torno dos seus desfiles", diz Beppe Angiolini,

dono da loja multimarca Sugar in Arezzo, da Toscana.

Neste jogo, os jovens designers conseguiram acertar e atraíram

um grande público aos seus desfiles. "É um dos elementos de

maior destaque nesta temporada. Os desfiles dos jovens

estilistas, que costumavam ser ignorados por jornalistas e

compradores, tiveram um fluxo incrível e melhoraram muito

em qualidade”, ressalta Carlo Capasa.

Dito isto, a semana da moda foi despojada de várias grandes

marcas, que optaram por apresentar as coleções masculina e

feminina num mesmo desfile. Entre elas, a Bottega Veneta,

que irá apresentar as sua coleção mista, agora em fevereiro. E a

Gucci, a marca de luxo mais bem-sucedida da Itália, seguiu

pelo mesmo caminho. Esta retirada de peso abre, porém,

portas à entrada dos mais jovens. A Camera concedeu espaços

a quatro marcas mais jovens, que organizaram os seus desfiles

na via Tortona, alguns dos quais no âmbito da feira White,

muito bem organizada.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 1 9


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Ermenegildo Zegna

A Prada destacou o outerwear com peças bastante funcionais

“Creio que precisamos de considerar novas formas de

apresentar a moda masculina. Os desfiles e as

apresentações não são as únicas opções. Por isso é que

mudamos o calendário para o tornar mais flexível. Há

tantas maneiras de mostrar a moda, especialmente a

moda masculina. A Etro, por exemplo, não fez um

desfile, optou por um verdadeiro happening”,

comentou Carlo Capasa, presidente da Camera

Nazionale della Moda Italiana.

O desfile da jovem marca Sunnei foi um sucesso

20 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Apresentação da Etro.

O grande chefe da Camera também ficou muito

entusiasmado com Sabato Russo, o diretor criativo da

Sartorial Monk, que estreiou no calendário oficial da

semana da moda. Como a Sulvam, que apresentou a

sua coleção no interior do Padiglione Visconti, um

espaço apoiado pela Camera situado na via Tortona,

no distrito sul de Milão, centro nevrálgico da semana

da moda masculina de Milão.

Umas das prioridades da Camera é aumentar a

presença de jovens designers italianos – e a talentosa

napolitana Isabel Benenato fez a sua estreia nesta

temporada, também na via Tortona. Visto que o seu

apelido, Benenato, significa bem-nascido, os auspícios

pareceram favoráveis.

Versace

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 21


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Empório Armani

Giorgio Armani

Despojada, quase ao seu essencial, a mais

recente coleção da marca Empório Armani, revelou

uma silhueta radicalmente reduzida. Tendo em conta

a sua idade – 83 anos -, é impossível não admirar

Giorgio Armani pela sua audácia e determinação em

continuar avançando.

A coleção continha algumas joias como um magnífico

conjunto em cinza profundo, composto por um

cardigan de dupla abotoadura e um colete, bem como

um sublime casaco redingote em veludo azul safira.

Além disso, poucas pessoas cortam couro tão bem

como Giorgio Armani.

Armani descreveu a coleção como “um espírito

resoluto e urbano, com ênfase numa nova elegância”.

Uma nobre tentativa de abrir novos caminhos com a

silhueta Empório que não resultou muito bem. O que

deixou o seu público ansioso por ver o que o mestre

preparou para a sua linha Giorgio Armani,

apresentada na segunda-feira.

E na manhã fria de segunda-feira, os fashionistas

reuniram-se no sul da cidade para assistir ao desfile da

coleção de outono 2018 da marca Giorgio Armani.

Sem dúvida, uma maestria da costura moderna.

O DNA da Armani estava em todos os looks, com o

seu luxo discreto e elegância controlada, numa coleção

inteiramente baseada na paleta de 40 tons de cinza.

Uma coleção que mostra que o designer continua

quebrando barreiras. Não é de se admirar que planeje

realizar um desfile da Emporio Armani em algum

lugar fora da Itália com uma grande noite de gala na

primavera - mas, por enquanto, a marca ainda não

confirmou o local do evento.

Mas, acima de tudo, foi possível perceber Armani nos

seus geniais casacos cinza-claro e nas versões mais

curtas com oito botões; nos ternos soltos em xadrez

Prince of Wales aveludados; ou num impecável terno

de veludo com as calças estreitas e com o

comprimento logo abaixo do tornozelo. Os tons de

cinza tomaram conta da maioria dos looks, assim

como o muro de cimento dentro do Teatro Armani,

projetado pelo arquiteto japonês Tadao Ando.

Também foram apresentados novos coletes com gola

tullip, sofisticadas calças-cargo caqui, imponentes

casacos de pele, botas em couro trançado - ideais para

uma manhã fria na Lombardia - e novas geniais

carteiras tote em couro.

22 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Diesel Black Gold

Todas estas combinações fizeram desta apresentação,

um desfile verdadeiramente impactante.

"Uma elegância livre e delicada", comentou Giorgio

Armani com um sorriso misterioso, com a pele

bronzeada após passar férias na sua mansão em

Antigua. O antigo mestre pode vangloriar-se de ter

aberto o caminho para uma notável tendência na moda

italiana: o retorno de uma moda chic e poética.

A coleção mista da Diesel Black Gold foi inspirada para

aqueles vão viajar pelo mundo no próximo inverno.

Como Renzo Rosso, fundador da Diesel, diretor do

grupo OTB e proprietário da marca, explica: "Esta

coleção é um resumo de todas as viagens que fizemos

ao redor do mundo desde a década de 1980, da América

Latina ao Oriente Médio".

Com um estilo multiétnico, remetendo para um

espírito livre e vagabundo. Os modelos se apresentaram

com sapatos e botas em denim com franjas, tatuagens e

piercings substituindo os rockers rebeldes que,

normalmente, acompanham a linha da marca.

Além do couro, lã e denim tradicional, há malhas,

jacquard e bordados, bem como tecidos especiais.

"É uma coleção mais tátil", define o diretor artístico

Andreas Melbostad. Uma coleção em que os materiais

"com tecidos mais consistentes" e vários ornamentos

são os protagonistas. "O meu trabalho consiste,

temporada após temporada, em expandir o

vocabulário da Diesel Black Gold, com novas técnicas

e conhecimentos", ressalta o designer.

Após o anúncio da saída de Nicola Formichetti,

responsável pela direção do estilo da Diesel, ainda não

há previsão de sucessor. Neste momento, as coleções

estão sendo feitas pela a equipe criativa interna.

Embora o novo CEO da Diesel, Marco Agnolin, que

assumirá as suas funções agora, em fevereiro, não

tenha estado presente no desfile, vários gestores do

grupo marcaram presença nos bastidores, incluindo o

novo diretor geral da OTB, Ubaldo Minelli, bem

como Giovanni Pungetti, diretor da região Grande

China.

Moschino

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 23


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Moschino

Através dos convites (online e físico), já era

esperado um desfile especial, em linha com a

criatividade subversiva do fundador da marca, Franco

Moschino e reinterpretada com perfeição por Jeremy

Scott desde 2014.

Para a coleção masculina outono-inverno 2018/19,

apresentada junto com a pré-coleção feminina, o

diretor artístico da Moschino imaginou o encontro

explosivo entre o homem mundano, com os seus

imutáveis códigos de vestuário, e o seu lado mais

sombrio, com claras alusões ao universo bondage e

sadomasoquista.

Assim, os ternos foram cortados pela metade, deixando

os ombros desnudos e, em alguns casos, incluindo toda

a parte superior, retidos por suspensórios ou tiras

pretas. Os casacos clássicos de lã cinza ou smokings

foram cobertos com notas bancárias, todas com a

inscrição de uma palavra como “Bone" (Osso), “Boy”

(Menino), “Hot” (Quente), etc., e presas diretamente

na roupa com alfinetes para um toque meio punk.

Um colete de damasco de seda foi costurado na frente

de um casaco preto; uma capa de chuva desgastada foi

utilizada com as pernas nuas (e botas, obviamente!), a

parte de trás de um casaco de lã de cor de ferrugem foi

coberta de cristais; enquanto outra, em tweed, foi

adornada com penas.

Os acessórios de sadomasoquismo foram vistos em

toda parte, em couro ou látex: máscaras, capacetes,

botas. Sem esquecer, é claro, as longas luvas e os

espartilhos repletos de glamour, bem como as coleiras.

As mulheres, por sua vez, vestiram roupas ultra-sexy e

botas.

Jeremy Scott divertiu-se muito com o conceito

"arrastar" ("drag", em inglês). Vários casacos

arrastaram enormes caudas no chão e alcançaram

formas quase surrealistas: uma luva gigante, a parte de

trás do casaco com as suas duas mangas arrastando

pelo chão... E, noutro momento, um modelo apareceu

com um roupão preto com transparência e tule.

Por fim, as caudas de dois casacos foram unidas,

conectando para sempre e para a vida, o homem e a

mulher que as vestiram.

24 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Otartan escocês invadiu a passarela do desfile da

Versace, em um palácio barroco de Milão, com a coleção

outono-inverno 2018/19.

O xadrez apareceu ao lado dos motivos emblemáticos da

marca italiana. Desde o convite vermelho-sangue às saias

kilt no mais puro estilo colegial, passando pelas mangas

dos casacos em seda dourada e ternos zoot em lã xadrez

das Terras Altas.

O efeito foi intensificado pela decisão de fazer com que a

maioria dos modelos, homens e mulheres, usassem botas

com plataformas, estilo rock'n'roll, com correntes e

tachas de metal.

Podemos ver alguns elementos bastante comerciais,

como os cachecóis universitários com a letra "V" ou

Versace escritos, ternos masculinos com um corte

impecável, ou o trench coat sublime de pele sintética de

tigre e uma coleção de sneakers em patchwork com

bordados gregos, que é a marca registrada da marca.

Este foi o quinto desfile da Versace que teve o acesso ao

backstage fechado, portanto, foi impossível pedir a

Donatella a sua opinião sobre o desfile. Após o desfile,a

designer desapareceu rapidamente, entre fortes medidas

de segurança.

Versace

A Prada mudou a localização do seu desfile, mas também o

conceito e a atmosfera. O desfile aconteceu no Prada

Warehouse, da famosa fundação de arte da marca. A

decoração estava repleta de caixotes gigantes em aglomerados

de madeira e os modelos desfilaram sobre uma passarela em

metal perfurado.

“Queríamos realçar o elemento industrial da cultura Prada”,

explicou sorrindo Miuccia Prada, após apresentar uma

coleção. A sua ideia principal foi utilizar o elemento-chave da

marca, o seu exclusivo nylon de alta tecnologia, para construir

novas proporções, que foram combinadas com acessórios

inesperados.

A marca pediu a “quatro reconhecidos espíritos criativos”

(Ronan e Erwan Bouroullec, Konstantin Grcic, Herzoz & de

Meuron e Rem Koolhaas) que criassem objetos únicos a partir

de, obviamente, nylon negro.

Resumindo, foi uma bem-vinda mudança de velocidade na

Prada, ainda que o seu regresso ao clássico nylon preto pareça

destoar da atmosfera maximalista que reina atualmente no

mundo da moda.

Prada

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 25


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Dolce & Gabbana

Nenhuma marca italiana se reinventou de forma

tão inteligente para o digital como a Dolce & Gabbana,

cujos últimos dois desfiles foram uma coroação na

passarela de vários influenciadores globais.

A coleção masculina outono-inverno 2018/19 foi

denominada “King’s Angels” e até construíram uma

fachada de um palácio imaginário como pano de fundo. O

desfile aconteceu no sábado à tarde, com a presença de

nomes como Christian, filho de Sean “Diddy” Combs,

vestido num casaco de cerimônia dourado, com um

medalhão, e a superstar da internet Cameron Dallas,

apresentando-se como um cavaleiro moderno com o seu

uniforme de regimento negro e com a palavra KING

bordada nos braços.

A coleção em si foi iluminada por ternos de três peças em

jacquard, roupões refinados, sobretudos com brocados

vermelhos e casacos smoking com padrões florais.

A dupla criativa reforçou a atmosfera do pré-desfile com a

projeção de um vídeo que mostrava diversos

influenciadores, de Rafferty Law (filho de Jude Law) a

Brandon Thomas Lee (filho de Pamela Anderson e

Tommy Lee). Para garantir que não passassem

despercebidos, os seus nomes apareciam em letras de

quase ou de um metro de altura.

O final do desfile contou com a presença do futebolista

argentino da Juventus Paulo Dybala, pavoneando-se com

aprumo. No entanto, a maior estrela do desfile foi

provavelmente o cantor de pop urbano colombiano

Maluma, vestido com um smoking dourado, que

deslumbrou com uma performance ao vivo do seu êxito

Felices los 4, que lhe valeu uma ovação do público.

Ainda no sábado, um pouco mais tarde, a dupla de

designers organizou aquilo a que chamou “Unexpected

Show” (desfile inesperado) no interior do seu Martini Bar,

em plena Corso Venezia, recorrendo ao mesmo elenco de

modelos para apresentar a sua interpretação do estilo

urbano. Tudo, obviamente, adornado com um sem fim de

logotipos e motivos tipográficos – e a palavra “King (rei)

escrita em enormes casacos de basebol, calções de

basquetebol e calças de jogging. Tudo muito colorido, ao

mais puro estilo rapper. O público era uma mistura de

jornalistas selecionados e clientes privados, muitos dos

quais chineses.

Dolce & Gabbana

26 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Todos os olhares para o desfile inaugural de

Ermenegildo Zegna, que deu início à temporada em uma

universidade, a Bocconi. Poucos associam moda e

arquitetura tão harmoniosamente quanto os italianos. E

poucos fazem isso tão facilmente como Alessandro

Sartori, cuja audaciosa coleção para o Outono-Inverno

2018, parecia ter sido desenhada especialmente para a nova

ala da universidade.

O edifício foi construído a partir de materiais clássicos do

modernismo italiano: pedra e cimento armado,

contornando a linguagem visual com motivos gráficos e

dinâmicos em vidro. O nome do edifício está marcado

com letras de um metro de altura, gravado ao lado de um

arco de cimento armado.

Essa mistura de austeridade e opulência foi refletida na

passarela. O interior de um anfiteatro foi transformado

numa cena de inverno, onde a neve falsa caía sobre os

convidados e onde os modelos caminhavam entre a neve.

Os modelos usaram discretos ternos em veludo, em tons

de cimento ou em camadas de gabardine escultural com

cores turvas e punhos largos - lembrando a estrutura

perfilada do novo edifício. O destaque do desfile foi o

terno em pied-de-poule preto e branco, cortado em lã

macia. E até mesmo estes novos casacos, que lembravam

de longe os ternos tradicionais com abotoamento duplo,

combinaram com as sobreposições complexas do edifício.

Alessandro Sartori misturou costura tradicional delicada

com sportswear urbano - visto em belos casacos com

mangas contrastantes e pele de cordeiro, lã feltrada e couro

matelassé.

Alessandro Sartori também injetou um toque de “altacostura"

com dois casacos espetaculares: um sobretudo

azul-marinho, com bordado de cristal dourado e

vermelho, e um casaco incrível em jacquard de alpaca,

uma espécie de casaco-roupão, feito por Oasi Zegna, a

fonte de tecidos high-end da marca, que tinge os seus

tecidos com produtos naturais - folhas, ervas e raízes. "É

uma conversa entre o natural e a técnica, elaborada para

este belo espaço em cimento", explicou Alessandro

Sartori.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 27


28 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


SEMANA DE MODA MASCULINA EM PARIS

Na medida em que as semanas de moda masculina em Londres e Milão

diminuíram, a Semana de Moda Masculina de Paris ganhou peso,

demonstrando uma bela resistência, apesar das inúmeras saídas de marcas

que continuam prejudicando os calendários masculinos com o surgimento

dos desfiles mistos, Paris iniciou um belo espetáculo com as coleções

masculinas para o Outono/Inverno 2018-19.

No programa participaram Valentino, Rick Owens, Louis Vuitton, Yohji

Yamamoto, Dior Homme, Hermès, Lavin entre outros. Entre os nomes

fortes que abandonaram o calendário, podemos citar Balenciaga, assim

como a Givenchy, já ausente na temporada passada, que desfilou uma

coleção mista em Outubro/2017, a marca do grupo Kering escolheu o

formato misto e a Fashion Week feminina para apresentar as suas coleções

de inverno. E apresentou, em janeiro, a primeira pré-coleção masculina.

Quanto ao seu diretor artístico, Demna Gvasalia, também esteve presente

com um desfile altamente aguardado da sua marca Vetements. Outro

destaque foi o retorno da Maison Margiela, que já não desfilava o masculino

desde junho de 2016, e a expectativa foi grande, pois foi a oportunidade de

descobrir a primeira coleção masculina assinada por John Galliano.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 29


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Também retornaram as passarelas de Paris a marca

sueca Acne Studios, voltando como a Vetements, ao

formato de desfile e a marca de Virgil Abloh, Off-White,

que desfilou em junho do ano passado, na Pitti Uomo, em

Florença.

Outra novidade foi a chegada da marca inglesa Dunhill

que agora é liderada pelo designer Mark Weston, ex-vicepresidente

de moda masculina da Burberry, e que desfilava

em Londres.

Uma atenção especial foi dada aos novos nomes com três

jovens marcas de origens bem diferentes. Palomo Spain

que desfilou no primeiro dia. A marca foi fundada em

2015 pelo espanhol Alejandro Gomez Palomo, formado

pelo London College of Fashion e apresentou a sua

coleção inspirada no universo da caça e nos retratos de

Velázques, em um apartamento na Place des Vosges e, no

mesmo dia, o desfile da GmbH, marcou o espírito

streetwear e workwear. Comandada por um coletivo

berlinense e liderado pelo artista e fotógrafo Benjamim

Alexander Huseby e o designer alemão Serhat Isik,

nascido na Turquia.

GmbH

A atmosfera do espetáculo combinou perfeitamente com o

espírito berlinês que o grupo liderado pelo fotógrafo de

origem Benjamin Alexander Huseby (colaborador das

revistas Dazed e Purple, que também trabalhou com a

Adidas e a Lanvin), e o designer alemão de origem turca

Serhat Isik.

Depois de ter dedicado as suas coleções de julho ao sonho

utópico de uma Europa sem fronteiras, ecoando as suas

raízes e a riqueza do Oriente Médio, a GmbH inspirou-se,

para este novo espetáculo, nas últimas descobertas sobre as

origens dos Vikings.

Sem dúvida, este foi o desfile mais bem sucedido do dia,

com música mais estimulante (um remix em música

eletrônica da cantora alemã Nico), com muitos sweaters

com capuz e motivos nórdicos com ar esportivo. Também

merecem destaque os seus ternos com cortes avantajados,

calças de diversos tipos, incluindo PVC, jeans, prata, em

cintura alta e combinadas com casacos de veludo. O

resultado foi uma coleção inspirada e extremamente sexy.

GbmH

30 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Palomo Spain

Depois de se apresentar nas passarelas de Nova

Iorque e Madrid, a empresa andaluza desembarcou em

Paris com a responsabilidade de abrir a Semana da Moda

Masculina, sendo a única marca de origem espanhola no

exigente calendário, num dia marcado pelas apresentações

de talentos emergentes.

A marca Palomo Spain colocou no mapa da moda a

pequena localidade de Posadas, em Córdoba, de onde o

designer saiu rumo a Paris. É que o valor fundamental da

empresa, que tem apenas três anos de vida, é fundir a

tradição e os aspectos mais profundos da Espanha rural

com uma estética moderna e irreverente, que sublinha a

liberdade, eliminando qualquer preconceito ou fronteira

de gênero.

Com o universo da caça como pano de fundo na parisiense

Place des Vosges, Palomo Spain apresentou uma coleção

outono-inverno 2018 mais sóbria do que em ocasiões

anteriores. Assim, procurou inspiração na estética das

montarias da sua Andaluzia natal, cruzada com toques

ingleses, provavelmente adquiridos ao longo da sua

formação no London College of Fashion, que se refletiram

na utilização de tecidos como tweed, tartan e diferentes

tipos de lã.

Uma aristocracia antiquada, de adolescentes recém-saídos

da corte de Felipe IV ou de um quadro de Velázquez,

vestidos com calças cargo de reminiscências bucólicas, saias

e espartilhos ao serviço dos volumes icônicos da casa,

casacos longos, vestidos de veludo, capas ou conjuntos de

brocado, com uma notória presença de detalhes em couro e

das calças desconstruídas que desafiam o público mais

clássico.

O designer sacudiu os nervos no backstage, uma vez

concluído o desfile. Os aplausos ainda ressoavam nas

paredes vestidas de floresta quando Alejandro Gomez

Palomo recebeu os parabéns dos assistentes. O próximo

desafio? “Ainda não sei”, confessou, “tenho que pensar

amanhã”.

McQueen apresentou um desfile onde o estilo gangster

londrino se cruzou com os Pony Boys de Dublin. Parecia

que uma equipe de alfaiates da Savile Row ficaram horas

fazendo horas extras para preparar esta coleção tão bem

construída. O resultado foram algumas roupas arrojadas,

com corte preciso e numa grande variedade de tecidos:

estampados de rosas gigantes e enormes quadrados. Uma

solução reconfortante para o inverno apresentada por Sarah

Burton, diretora criativa da McQueen foi um sensacional

Palomo Spain

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 31


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Alexander McQueen

casaco duffle vermelho.

Desconstrução e versatilidade… Estes foram alguns

dos temas pelos quais se guiou Glenn Martens para

criar um vestuário masculino e unissex totalmente

novo, com uma roupa polivalente, confortável e que

se presta a todo o tipo de interpretações. Com a

coleção outono-inverno 2018/19 apresentada, o

criador belga, de 35 anos, que conquistou o prêmio

ANDAM 2017 com a marca Y/Project, revelou todo

o seu potencial ao questionar a atual forma de vestir.

"Perguntei-me: o que fazemos com uma peça de

vestuário? Como a endossamos? Como nos

apropriamos dela?”, explicou no backstage o

designer, que obviamente trabalhou o conceito de

“duplo”. O novo guarda-roupa da Y/Project é

composto por camisas com dois colarinhos, cintos

em dois modelos (em couro com tachas do lado

direito, em crocodilo negro do lado esquerdo), bem

como roupas diferentes atrás e na frente.

Uma camisa, usada junto ao corpo, em tons de cinza

na frente, transforma-se na parte de trás numa camisa

caqui solta, uma camisa azul transforma-se numa t-

shirt cinza. O mesmo princípio aplica-se à tradicional

camisa de lenhador vermelha e preta, com pequenos

quadrados à frente e grandes atrás.

Y/Project

32 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


O reverso da roupa, o lado oculto, também não deixou

de inspirar Glenn Martens, com sobretudos ou casacos

completamente clássicos a revelarem, de repente, o

interior, expondo costuras e forro. Noutros looks, jeans

enrolados mostram um forro em pele, que atua como

segundo par de calças.

A coleção joga sobretudo com a noção de

multiplicação. Tanto da roupa como da sua utilização.

Como resume o designer: “Temos dois sobretudos e

dois casacos em um. É uma mistura de peças. Nunca se

sabe realmente onde começa o primeiro corpo e onde

termina o segundo, é preciso que cada um o defina e

escolha como quer vestir a roupa”.

Alguns códigos reinventados e subvertendo outros foi

uma grande mensagem da mais recente coleção

apresentada pela Valentino. Sobre a direção de

Pierpaolo Piccioli, a Valentino tornou-se imediatamente

identificável pelos seus acabamentos rocker e pelo seu

gosto por camuflados. Estes foram novamente o motivo

da coleção de pronto-para-vestir masculino para o

outono-inverno 2018, apresentada no hotel Salomon de

Rothschild, no elegante 8º arrondissement.

Só que nesta temporada, ao invés de serem detalhes

incisivos, as tachas de metal transformaram-se em

preciosos acabamentos numa série de casacos de

caxemira impecavelmente cortados e soberbos

frockcoats. Já os camuflados, anteriormente vistos em

blusões em nylon verde selva, apareceram em

extraordinários casacos com motivos de animais em

preto e azul, uma expressão perfeita da qualidade de

couture de muitas destas peças.

A Valentino também se associou à Moncler para criar

alguns imponentes blusões acolchoados –

suficientemente grandes para abrigar um treinador

soviético durante o ambiente glacial de um jogo no

Cazaquistão. Só que estas versões pareciam adequadas a

um rapper, especialmente com o logotipo VLTN,

redução street style do nome da marca romana,

introduzido por Piccioli no ano passado.

“Aristopunk, uma delicada rebelião”, foi a expressão

utilizada pelo designer italiano. Embora, com toda a

franqueza, se por vezes os rockers vaguearam pelos

corredores e quartos das mansões desde que os Rolling

Stones gravaram o seu album Their Satanic Majesties

Request, a verdade é que poucos punks brotaram entre

a grande burguesia.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 33


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

AMaison Margiela apresentou a primeira coleção

masculina inteiramente criada por John Galliano para a

marca desde que o costureiro britânico chegou à Maison

Margiela em 2014. Depois de um período de duas

temporadas fora das passarelas, a marca regressou a Paris

com o que o presidente da empresa, Riccardo Bellini,

chamou de "a primeira coleção criada exclusivamente

sob a direção de John Galliano".

Em termos de silhuetas, um deslumbrante terno de seda

azul alongado combinou perfeitamente com uma série

de casacos risca de giz com ombros impressionantes.

Mas, os momentos mais bonitos foram, sem dúvida, os

casacos misturados com trench coats de volumes

imponentes e envolventes.

John Galliano também apresentou uma nova carteira

masculina, uma forma macia que lembra uma almofada,

feita em couro acolchoado; e brincou com a clássica bota

de Margiela, que ancora uma silhueta de playboy

moderno, em calças de esqui brancas combinadas com

um jerkin de lã com nervuras.

O designer britânico também brincou com os conceitos

iconicos de Margiela, como o casaco de ganga pintado,

tão adorado pelo seu antecessor belga. Merecem

destaque as notáveis sandálias com fivelas de esqui que,

certamente, irão aparecer em inúmeros editorias de

sucesso.

"Eu chamaria a coleção de 'John Galliano para Martin

Margiela'. Porque a meu ver houve muitas referências ao

trabalho de Martin", disse Renzo Rosso, fundador da

Diesel e presidente da Only The Brave, holding que

controla a Margiela.

No entanto, John Galliano recusou-se novamente a

saudar o público no encerramento do desfile. Algo que

faz desde a sua saída da Christian Dior em 2011, depois

de vir à tona um vídeo no qual aparece alcoolizado a

insultar dois estranhos, que se tornou viral, provocando

sua demissão da marca. Esta sensação de um estilista que

ainda passa por uma certa luta interna permaneceu no

final do desfile, apesar de um trabalho de estilo

particularmente bem sucedido, apresentado no museu

Les Invalides, espaço dedicado, em parte, a heróis de

guerra que morreram em batalha. O pano de fundo era

uma banda sonora brilhante composta por uma versão

sinfônica de um pop clássico cujo título disse muito:

"Please Release Me and Set Me Free” (Por favor, solta-me

e liberta-me).

34 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Todos os editores dignos de referência – juntamente

com Courtney Love, na fila da frente – rumaram a Paris

para o desfile da Vetements, organizado adequadamente

no Marché Paul Bert, um labirinto de lojas de

antiguidades, entre as quais o elenco de modelos

desfilou. E que elenco – uma juventude selvagem e

rebelde, alguns da sua Geórgia natal, que desfilou com

segurança em frente de uma plateia de fashionistas e

comerciantes.

As roupas em si eram composições bizarras e bonitas –

nomeadamente as camisas com estampados excêntricos,

onde colidiam imagens de edifícios, doces e até de

Marilyn Manson. Uma sensação de soldados retornados

ou refugiados com uniformes militares, calças cargo e

casacos de oficiais repletos de buracos. Para as noites

frias, a caminho de grandes festas rave, enormes parkas,

novamente cobertas por grandes insígnias Vetements ou

branding exterior. Tudo assente em sapatilhas volumosas

de solas grossas, fruto de uma colaboração em curso com

a Reebok.

“O desafio foi fazer com que tudo parecesse

autenticamente antigo. O que na verdade é muito

difícil”, disse o designer sorrindo.

Esta foi a primeira coleção desenvolvida pela Vetements

desde que a empresa transferiu a sua sede para a Suíça, o

que provavelmente se refletiu na qualidade do produto,

ainda que a roupa tenha sido produzida na Itália. Tudo

em street style sofisticado, ainda que o look de abertura

tenha sido uma falsa mulher de meia idade, vestida com

um incrível casaco em nylon castanho, com mangas em

jacquard azul, e óculos ao estilo Jackie Onassis. Mas, a

grande novidade foi o lettering, uma série de palavras e

frases misturadas em t-shirts oversized. Numa delas

podia ler-se “Russia Don’t Mess with Me” (Rússia não te

metas comigo), o que parece uma referência à juventude

do designer, visto que durante a sua infância a sua família

foi forçada a fugir da sua região natal de Abkhazia, na

Geórgia, após a guerra com a Rússia.

De fato, o designer recuperou referências da sua

juventude, quando sonhava em ter coisas que não

estavam disponíveis na antiga União Soviética, como

uma t-shirt de Marilyn Manson.

“O objetivo era cortar em pedaços as minhas t-shirts

favoritas, por isso acabamos com algumas mensagens

estranhas – não era suposto, mas é como se fosse obra do

destino”, disse Demna Gvasalia sorrindo num canto do

mercado de antiguidades.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 35


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Kris Van Assche chega com a Dior Homme

mostrando uma coleção soberba de alfaiataria moderna.

Um estilo de alfaiataria que todos, desde Monsieur Dior

a Robert Pattinson conseguiriam compreender e usar. A

coleção se baseou claramente no emblemático casaco Bar

de Christian Dior. O resultado foi uma impetuosa série

de casacos alongados, ajustados na cintura e alargados

nos quadris, com dimensões ao estilo “New Look”.

Além disso, Van Assche jogou habilmente com detalhes

clássicos da Dior, como as mini lapelas estendidas, que

foram entrelaçadas e depois abotoadas. Outro toque

inteligente foram os pequenos traços brancos bordados

que acentuavam a silhueta. Se adicionarmos delicados

bolsos de abas e botões deslocados, o resultado é o

desfile com a melhor alfaiataria no Velho Continente

nesta temporada.

“Acho que, numa altura em que todos apostam em moda

streetwear, era tempo de nos voltarmos a concentrar na

alfaiataria. Simplesmente fez sentido”, explicou Van

Assche depois de posar para fotografias com o galã

francês Pierre Niney e a sua esposa Natasha Andrews.

Todo este guarda-roupa tinha um toque hip e nobre,

confeccionado em lã. Um arrojado tecido aveludado

preto, com padrões góticos, foi também utilizado no

terno usado por Bella Hadid – que entrou no desfile, no

Grand Palais, atravessando uma multidão compacta de

paparazzi, fotógrafos, amantes da moda e turistas

curiosos.

Na escuridão, brilha apenas uma claraboia iluminada, da

qual surge um jovem casal e, aos poucos, amigos andam

pelos telhados de zinco da capital francesa (o esporte

favorito dos jovens parisienses)...

O desfile produzido por Alexandre Mattiussi para

apresentar a coleção de sua marca AMI ressaltou o

profundo apego do estilista por Paris. “É um pouco

como um cartão-postal”, disse ele, nos bastidores. “Esta

é uma história de um grupo de amigos que se encontram

para celebrar a amizade, fraternidade e a benevolência.

Há muito amor no que faço”, diz o estilista.

Os modelos vestem-se de forma descontraída com

sapatilhas e grandes meias brancas, calças curtas, camisas

às riscas na suéter de gola alta, as mãos nos bolsos do

blusão ou do casaco. Sem esquecer o boné ou o gorro de

lã, e do cachecol ao redor do pescoço para proteger

contra a geada e chuviscos da capital. terno mistura-se

36 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


AMI

com uma malha azul-marinho, o casaco em veludo

cotelê com jeans, o casaco com o jogging. As calças

de couro com casacos de xadrez, um pequeno blazer

verde é usado com uma suéter preta, são combinados

com calças elegantes de lã.

Peças fáceis de combinar e todas fabricadas na Europa

com tecidos franceses e italianos. “Faço roupas para

serem usadas. É um vestuário muito natural”, resume

o designer, que continua a sua jornada de sucesso. A

AMI conta com cerca de 330 clientes multimarcas e

seis lojas com vendas que aumentaram em 50% ao

ano, nos últimos dois anos.

Devido ao sucesso com a clientela feminina,

Alexandre Mattiussi estendeu a sua moda às

mulheres. Depois de testar uma coleção cápsula no

outono passado, desta vez, entrou de cabeça neste

segmento, como descobrimos no final do desfile com

a apresentação de cinco looks. “Na verdade, é da

masculina para a feminina. Não é unissex, mas é um

look parisiense da AMI pela primeira vez acessível na

versão feminina com cortes reformulados e peças

adaptadas em tamanhos menores”, explica Nicolas

Santi-Weil, diretor-geral da marca.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 37


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

38 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8

AHermès trouxe um toque de magia à semana

da moda masculina, com um desfile organizado ao ar

livre no Hôtel de l’Artillerie, um antigo convento

dominicano do século XVII posteriormente

transformado em instalações militares. Um cenário de

outros tempos para apresentar uma coleção elegante e

atemporal e ainda assim moderna.

Os 52 modelos vestidos pela diretora artística

Véronique Nichanian desfilaram no claustro à luz de

alguns braseiros, cujas faíscas subiam graciosamente e

esta mesma graciosidade encontrava-se no guarda-roupa

através das parkas ou blusões acolchoados brilhantes,

feitos de tecidos impermeáveis leves, bem como

camisas quase imateriais em alpaca, malhas em

caxemira extrafinas que esboçavam uma paisagem

imaginária ou ainda as camisas em popeline de algodão.

O homem Hermès exibe uma elegância natural, a

camisa rosa a espreitar despreocupadamente por baixo

de uma camisa bicolor, usada sobre calças em couro

com destaques verde escuro. Para a noite, ousa com um

terno polka-dot, usado com simplicidade com uma

camisa de gola alta. Um chic sem excesso, no qual belos

materiais e conforto são sempre primordiais, como

comprovam as calças largas em lã com cintura elástica.

Não é necessário exibicionismo. O luxo esconde-se nos

detalhes, como as dobras em couro na parte de baixo

das calças. Ou a escolha de uma paleta sóbria, mas

luminosa, com destaques em cobalto, verde oxidado,

framboesa ou rosa.

O incontestável rei do street style mundial, Virgil

Abloh, regressou a Paris depois de um excelente desfile

na Pitti Uomo, no verão passado, e muda radicalmente

o seu estilo.

Diante de uma grande audiência de 700 pessoas, entre

as quais o célebre artista japonês e colaborador da

Louis Vuitton Takashi Murakami, dentro do Museu

Pompidou, e com centenas de outros fãs à espera do

lado de fora, Virgil Abloh apresentou a sua mais

recente coleção masculina, intitulada "Business

Casual". O desfile abriu-se com um terno de risca de

giz cinza-claro com corte limpo, seguido de uma série

de ótimas calças flare com cintura alta e um esplêndido

casaco azul-marinho com mangas tie-dye.

De acordo com os varejistas, que não se cansam da

marca Off-White, uma combinação entre moda


extravagante e estilo urbano americano. Mas, Abloh

avançou, consideravelmente, o seu vernáculo de moda.

Os modelos desfilaram num tapete vermelho da

mesma cor que os sapatos Jordan One de Takashi

Murakami. Alguns especialistas comentaram que

Abloh e Murakami estão preparando um projeto,

embora quando foi perguntado ao artista sobre o

assunto, este tenha respondido com ar suspeito:

"Somos apenas amigos".

Embora conhecido pelos seus casacos volumosos,

Virgil Abloh também é capaz de criar silhuetas

refinadas, e de decorar as suas peças com estampados

gráficos. Os seus casacos em denim preto com lapelas

brancas são um bom exemplo disso, ou os seus

maravilhosos ternos de couro cor tabaco, estilo rock

star. Metade dos seus looks foram estampados com

letras do grupo de rap que admirava, os Beastie Boys,

"Fui criança nos anos 80 e os Beastie Boys eram

marginalizados, como eu. Isto é o que eu faço, mas de

uma maneira mais otimista", disse Virgil Abloh nos

bastidores.

O designer nascido em Chicago e originário do Gana

apresentou também a sua linha de acessórios,

altamente rentáveis, assim como as botas Jordan One,

que também tinham letras e os novos cordões Business

Casual. Alguns dos calçados também foram decorados

com dedicatórias feitas à mão pela família e amigos de

Virgil Abloh, modelos únicos que podem ter o seu

valor quadriplicado. Após esse regresso memorável às

passarelas de Paris. Este desfile representa a supremacia

da capital francesa no mundo da moda, do estilo e da

costura masculina.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 39


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Amoda não gosta de despedidas, mas ninguém

pode dizer que o adeus de Kim Jones à Louis Vuitton,

não foi feito com elegância. Seis anos depois de ter

organizado o seu primeiro desfile como designer da

moda masculina da Vuitton, Jones agradeceu pela

última vez de braço dado com duas compatriotas

britânicas – Naomi Campbell e Kate Moss. E, justiça

seja feita, Jones sai em alta, com uma coleção

habilidosa, na qual a logomania foi combinada com

street style de alta gama – uma junção que o designer

utilizou com esplendor durante a sua passagem pela

marca.

A grande ideia de Jones foi o estampado de cratera –

enormes imagens de terra e pedra impressas em blusões

de nylon, tops ultra técnicos, parkas de caça reduzidas e

leggings. Tudo ancorado por botas de caminhada em

titânio e encenado com o humor excêntrico de Jones –

por exemplo, com uma enorme mala de rodas, coberta

com o famoso monograma e transformada em mochila.

E acabado com uma boa dose de futurismo – notória

no brilho prata metalizado dos casacos de basebol e

casacos de couro.

Propostas muito atuais vagamente esportivas: caro,

mas sem ser pretensioso, simplesmente cool. Depois,

o público levantou-se para aplaudir enquanto Naomi

e Kate, vestidas com gabardines envernizadas,

decoradas com o monograma da marca, nas versões

em preto e castanho, respectivamente, desfilavam

com Jones para a sua ovação final na Louis Vuitton.

David, Victoria e Brooklyn Beckham sentaram-se na

primeira fila, bem como as estrelas de futebol

Neymar e Kevin Trapp, do Paris Saint-Germain.

Embora Bernard Arnault, patrono e presidente do

grupo LVMH, o conglomerado de luxo que controla

a Vuitton, estivesse notoriamente ausente. No

entanto, dois dos seus filhos, Antoine e Alexandre,

estavam na primeira fila da passarela circular, feita

numa tonalidade cinzenta e construída no local

favorito de Jones para desfiles, o Palais Royal.

Tinha pouco a acrescentar no desfile e não foi visto

após o mesmo no backstage, onde dezenas de

britânicos bebiam champagne Ruinart (outra marca

LVMH) em honra da despedida de Jones.

Quando questionado sobre o seu próximo passo,

Jones (cujo nome já foi associado tanto à Versace, em

Milão, como à Burberry, em Londres). “Hoje o dia é

da Louis Vuitton, não meu. A maison Vuitton tratoume

extremamente bem durante o tempo que passei aqui

e neste momento gostaria de respeitar isso”, disse Jones.

O seu próximo destino? “Umas longas férias nas

Maldivas!”, disse sorrindo.

Foi impressionante ver a adesão para assistir à

despedida de um britânico que deixa uma posição

importante em França. Na verdade, o momento marca

a partida de um dos três designers britânicos mais bemsucedidos

em trabalhar para marcas de luxo francesas

neste século. E isso pode não ser um sinal muito bom

para a Luis Vuitton.

40 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


#artrua #artistadesconhecido #intervençãourbana #skull

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 41


SEMANA DE MODA MASCULINA EM NEW YORK

A sexta temporada de Moda Masculina da New York Fashion Week foi apresentada pela CFDA e

que precede ao calendário da Semana de Moda Feminina. Os desfiles masculinos começaram com

um forte começo com Bode, onde Emily Adams Bode aumentou com vários looks prontos para a

festa. Todd Snyder adicionou uma moeda chique à roupa masculina clássica, enquanto David Hart

explorava, com uma linguagem maternal, um American-Artist-in-Paris repleto de boinas e efeitos

de tinta. Em contraste, as silhuetas exageradas de Willy Chavarria e as aparências de couro,

intencional ou não, uma vibração agressiva da Mean Streets, enquanto C2H4 assumiu uma

abordagem mais utilitária. Ovadia & Sons jogou com o punk rebelde, e Sanchez-Kane explorou o

fetichismo com uma formação que foi provocativa e poderosa. O designer Tom Ford, pela primeira

vez, trouxe sua coleção para New York Fashion Week: Men's, com um ótimo show na terça-feira à

noite, que foi forte na confecção, vestuário e roupas esportivas, exóticas e metálicas, e a estreia da

cueca Tom Ford, que no final do desfile apresentou os modelos em boxers e os relógios da nova

coleção e meias. A Ford não foi a coleção notável do dia. Também no horário havia Abasi

Rosborough, Dyne, Carlos Campos, Joseph Abboud, Perry Ellis e o desfile muito esperado de Raf

Simons encerrou a NYFW Men’s.

42 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 43


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Nesta edição da New York Fashion Week marcou

uma nova vitória para a ativista dos direitos dos modelos,

Sara Ziff que lançou a sua organização, a Model Alliance,

há seis anos, depois de fazer Picture Me, um filme sobre

assédio na indústria de modelagem. Agora, graças ao seu

lobby, a maioria dos espaços dos bastidores dos desfiles

terão vestiários privados para proteger os modelos de

olhares indesejados, câmeras e comentários. "O assédio é

tão normalizado que os modelos nem sequer pensam em

sua experiência do dia-a-dia, como por exemplo, perceber o

assédio sexual", explica Ziff. "Um exemplo perfeito seria

nos bastidores das Fashion Weeks. É tão normal fazer a

troca de roupas na frente de qualquer um, incluindo

pessoas que não têm motivos para estarem nos bastidores e

estão de pé ou tirando fotos sem a permissão do modelo.

Isso foi tolerado, embora cada modelo experimente esse

problema ". Essa decisão foi tomada depois que a Aliança

Modelo se associou à CFDA no outono passado, que em

janeiro se tornou a Iniciativa para Saúde, Segurança e

Diversidade, lançado por uma carta da presidente Diane

Von Furstenberg. "Estamos vendo algum progresso",

continua Ziff. "Notavelmente, em 2013, aprovamos

legislação que ampliou as proteções trabalhistas para

modelos menores de 18 anos no estado de Nova York.

Conseguimos isso em menos de um ano, quando

geralmente leva vários anos. Isso fez com que as pessoas

levassem o nosso trabalho mais a sério. Estamos

trabalhando para tornar a indústria da moda mais

progressista e auto-consciente ". A indústria da moda tem

sido cada vez mais examinada como um perpetrador de

gênero e desigualdades raciais, questões que prejudicam não

apenas os modelos, mas também a cultura em geral,

espalhando imagens redutoras de corpos e dinâmicas de

poder. Agora, encorajados pelas mídias sociais e pelos

escândalos de Weinstein, mais membros estão falando sobre

problemas de abuso que anteriormente foram silenciados.

Organizações de mídia, como Condé Nast, emitiram

recentemente diretrizes sobre assédio sexual, suspendendo

os fotógrafos Bruce Weber e Mario Testino após acusações

de assédio sexual e abuso de poder por vários modelos

masculinos. Empresas como LVMH, Kering e IMG Models

também emitiram regras atualizadas sobre nudez,

idade e recurso. Mas Ziff, que vem realizando

pesquisas jurídicas e científicas há vários anos com

estudiosos líderes nos Estados Unidos, está

pressionando por mudanças mais amplas e mais

sistemáticas. "Estes são bons primeiros passos,

mas são puramente voluntários", explica. "Se não

houver uma execução ou penalidade, então não

acho que isso realmente mudará o

comportamento das pessoas, e estamos tentando

evoluir em uma indústria tão abusiva há tantos

anos. Agora estamos começando a perceber que

esperar que os modelos permaneçam nus é um

assédio sexual. Se você for enfrentar uma ação

judicial ou se as pessoas tiverem poderes para falar,

isso vai fazer as pessoas acordarem muito rápido".

44 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


A Semana de Moda Masculina de New York,

também apresentou o “China Day” com os designers em

evidência da moda chinesa, Li-Ning, Peacebird e Clot. “O

China Day nos permitiu mostrar o talento da moda chinesa

para a comunidade americana”, disse Steven Kolb,

presidente e CEO da CFDA. “A iniciativa fez parte da

estratégia global da CFDA para construir laços

internacionais, o que, por sua vez, nos ajudará a fortalecer o

impacto a moda americana no mundo”. Um show room

exclusivo foi configurado especialmente para os

compradores e a mídia durante o evento.

China Day

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 45


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

Raf Simons

Sua inspiração foi o filme berlinense "Christiane F" e o

seu set, um Bacanal moderno, a mais nova coleção de Raf

Simons foi uma demonstração de alta costura

contemporânea sem qualquer vício. Simons usou os

melhores tecidos e acabamentos; cortando, drapejando e

trabalhando, num desfile altamente experimental que

também conseguiu ser usável, chic, cool e

contemporâneo.Apresentado num espaço de exibição

industrial mal iluminado, na região do Westside, em Nova

Iorque, os modelos desfilaram em torno de uma plataforma

elevada, cheia de tigelas gigantes de limões, maçãs e peras;

chocolate; enormes pedaços de queijo; pães, e centenas de

garrafas de vinho Piper e de uvas shiraz da Califórnia.

Assim como a coleção, todos com um ar consideravelmente

vintage.Simons fantasiou e criou peças de vestuário

totalmente novas, como uma sweater/ cachecol feita em

Argyle e malhas. As suas capas-casacos - algumas em xadrez

estilo Sherlock Holmes - eram excelentes, com grandes

bolsos laterais, e feitas com forro de seda. De forma mais

dramática, casacos oversized foram combinados com luvas

longas de couro, estilo femme fatale. Simons também

trouxe relógios de alta tecnologia. Com calças de estilo

esportivo dentro de botas de borracha com laços enormes.

O resultado foi clean e muito elegante. A performance teve

feixes de iluminação teatral e uma banda sonora techno

com música da Rússia, Bélgica e Chicago. O desfile foi

intitulado "Youth in Motion” (Juventude em

movimento).Metade dos looks continham palavras as

"Drugs", "XTC" ou “LSD” em negrito, e muitas blusas

tinham fotografias de Natja Brunckhorst, a atriz que

interpretou Christiane F. no filme de 1981."Bem, por

algum motivo, ele manteve-me longe das drogas", disse o

designer de 50 anos, que viu o filme (Cristiane F.) pela

primeira vez quando tinha 14. O filme acontece na Berlim

de David Bowie no seu estágio de "Heroes" e conta a

história sombria de uma adolescente que cai no vício de

heroína."Todos os modelos foram numerados, como na alta

costura, mas não em ordem. O palco foi criado a partir

desse conceito do norte da Europa, de se inspirar em coisas

distintas e juntá-las, algo que funciona tanto para um

pintor, como um cineasta ou um designer belga. No

passado, eu costumava criar o que chamavam de

'interzones', algo como um ambiente indefinido. Portanto,

isso tem sido como uma pintura, mas também uma

discoteca e, claro, um desfile de alta costura. Eu gosto da

ideia de algo ser inexplicável. Há tanta análise hoje no

mundo da moda que um criativo precisa de

trabalhar e pensar sem medo. As pessoas

escondem demais, porque não se deve conversar

sobre certas coisas", disse o designer, que irá doar

parte do dinheiro arrecadado com a coleção para

organizações que apoiam a recuperação do vício.

O evento foi considerado um dos melhores da

Semana de Moda Masculina, e com razão.

Simons apresentou roupas genuinamente

diferentes e originais, e os vinhos também não

deixavam nada a desejar.

46 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Tom Ford

Acoleção outono-inverno do designer americano de

56 anos, nascido no Texas, e que viveu em Londres durante

20 anos antes de se estabelecer em Los Angeles, trouxe uma

mistura de James Bond nos Alpes suíços com um estilo

"mod" londrino e a descontração californiana.O designer

apresentou modelos com cuecas de seda, algumas com

estampas de animais e meias de lã, numa passarela de cor

púrpura no grande Armory da Park Avenue, com banda

sonora composta por músicas de Sting e Lana Del Rey,

tudo numa atmosfera perfumada com o seu aroma tabacobaunilha.

Tom Ford, que diz ter se tornado "vegano" e só

usa pele com moderação, apresentou calças afiladas, em

modelos com os olhos escondidos por óculos grandes,

estilo óculos de laboratório, ou com as lentes amarelas

como usa o cantor Bono, do U2. Em relação às cores,

muito amarelo pálido, rosa delicado, preto e cinza

metálico. A influência do vestuário pôde ser vista em

mocassins e capuzes. Para as festas mais formais, colarinho

metálico, casacos estampados estilo pele de cobra, nas cores

azul, preto ou prata brilhante. E para o trabalho, ternos

com riscas e tweed. Este desfile exclusivo marcou o 10º

aniversário da sua primeira coleção masculina. ”A coleção

evoluiu, e eu queria mostrar isso através de um desfile, para

que as pessoas percebessem isso”, explicou o estilista.

"Mudar de Londres para Los Angeles tornou minhas

roupas, masculinas e femininas, mais relevantes", disse. "Na

maior parte do restante do mundo, as pessoas querem peças

de luxo, mas vestem-se de forma mais descontraída”.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 47


SEMANA DE MODA MASCULINA - OUTONO/INVERNO 2018

C2H4 Los Angeles

Carlos Campos

David Hart

Dyne

Joseph Abboud

48 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


EFM Engineered

Ovadia & Sons

Todd Snyder

WoodHouse

N.Hoolywood

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 49


50 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8

#artrua #blu #intervençãourbana #portugal


amooreno.com

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52 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


A moda, mesmo sendo independente do meio e contexto histórico, ainda

serve como clássica ferramenta de expressão pessoal. Onde o indivíduo

procura expressar a sua personalidade e a sua atitude. É interessante como

uma roupa expressa uma atitude. A roupa como um elemento essencial para

que as pessoas não saíam peladas nas ruas, acabou sendo um fator que

influencia e reflete essas atitudes. É percebível, principalmente em círculos

sociais, a sede em expressar a personalidade que mais se encaixa com a

realidade. Portanto, Moda e Comportamento estão caminhando de mãos

dadas e estão sujeitas a várias interpretações...

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 53


STREET STYLE - CAPA

54 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


OStreet Style ganhou força, nos últimos anos, quando alguns

jornalistas e fotógrafos começaram a compartilhar, pela internet, as

produções usadas pelas pessoas que iam assistir as Semanas de Moda.

Street Style é um termo em inglês que pode ser traduzido como o

“estilo das ruas”. E, atualmente, é muito utilizado pelos fashionistas

e, no entanto, nem sempre há uma explicação clara sobre o seu

verdadeiro significado dentro do mundo da moda. Mas, no meu

entendimento, significa comportamento, personalidade e atitude no

modo de se vestir por algumas pessoas comuns e cheias de estilo.

Ainda que o “estilo das ruas” converse com as tendências

contemporâneas, seu foco sempre estará na autenticidade. A liberdade

para criar um visual que demonstre a personalidade e os valores

pessoais de uma pessoa.

A moda, mesmo sendo independente do meio e contexto histórico,

ainda serve como clássica ferramenta de expressão pessoal. Onde o

indivíduo procura expressar a sua personalidade e a sua atitude. É

interessante como uma roupa expressa uma atitude. A roupa como

um elemento essencial para que as pessoas não saíam peladas nas ruas,

acabou sendo um fator que influencia e reflete essas atitudes. É

percebível, principalmente em círculos sociais, a sede em expressar a

personalidade que mais se encaixa com a realidade. Portanto, Moda e

Comportamento estão caminhando de mãos dadas e estão sujeitas a

várias interpretações.

A relação com a moda é algo natural, que exprime o comportamento,

a riqueza dos detalhes e como cada um faz uso dela de acordo com a

sua personalidade. O mundo fashion é mais amplo do que apenas

tendências, é o retrato da versatilidade da moda e da essência de cada

um.

A personalidade está relacionada ao nosso modo de ser e que acaba

influenciando o nosso modo de se vestir. Normalmente, a Moda dita

tendências que vamos aceitar ou não, por isso sabemos da

importância de nos conhecermos, de sabermos quem somos, porque

dessa forma podemos trilhar nosso caminho e procurar nos vestir de

acordo com a nossa personalidade e atitude, pois a roupa é o suporte

do corpo e poderá nos ajudar a reforçar quem realmente somos.

A nossa forma de agir, pensar e viver estão relacionados à nossa

personalidade, e o modo como nos relacionamos e convivemos com

as pessoas, também, está diretamente interligado. E muitos expressam

esse comportamento através da moda, ou seja, o modo como nos

vestimos, às vezes, representa a maneira como agimos e,

principalmente, como queremos ser.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 55


STREET STYLE - CAPA

Nesse sentido, quero dizer que alguns brincam com os

“looks”, com muita criatividade e talento, afinal a Moda

existe para isso, e nos permite fantasiar e brincar de ser

uma pessoa diferente a cada dia. Afinal temos o direito de

vestir o nosso corpo da maneira que quisermos, pois é

uma propriedade nossa.

Mas, acho que a questão do Street Style tomou um rumo

diferente e a importância de mostrar, através de nosso

vestuário, a nossa personalidade individual que valorize a

interação com as pessoas, através da nossa história e a

nossa realidade. “Sou o que sou, minhas roupas, meus

sapatos, minha maquiagem e os meus cabelos também

são meus e só interessam ao meu bem estar e não me

importo o que pensem de mim”.

Esse tipo de atitude requer uma ação contínua em prol

de algo em que se acredita ou simplesmente se prioriza,

ou ainda, se quer viver. Mas, sejam quais forem os

motivos de cada um, o discurso acaba sendo diferente,

criativo, inovador e, às vezes, repetitivo. Mas isso

dependerá do foco de quem atua.

56 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Comportamento e Atitude estão recorrentes ao tema

Street Style na Moda e sinalizam, sempre, mensagens que

não são detectadas de imediato (por isso a falta de uma

definição), são tantos discursos e representações que nos

é apresentado que fica difícil somente uma leitura. O

melhor é observar essas variações, muitas e muitas vezes,

e quando necessário, fazer uma releitura para novas

interpretações.

De um jeito ou de outro, o Street Style foi ganhando

força e, hoje, é responsável por consagrar várias

tendências nas passarelas, como é o caso de coleções

apresentadas por vários designers nas Semanas de Moda

pelo mundo. É a realidade das ruas envolvida no

glamour das passarelas.

De um jeito ou de outro, o Street Style foi ganhando

força e, hoje, é responsável por consagrar várias

tendências nas passarelas, como é o caso de coleções

apresentadas por vários designers nas Semanas de Moda

pelo mundo. É a realidade das ruas envolvida no

glamour das passarelas, com atitude e personalidade.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 57


STREET STYLE - CAPA

A moda não é só belos rostos ou belos corpos.

Ela é cultura, é conteúdo, novas visões, novas

perspectivas.

Omúsico Emicida estreiou a sua marca LAB,

comandada por ele e por seu irmão Evandro Fióti, na

Semana de Moda de São Paulo. Geniais, eles

transformaram uma linha de roupas que já dava super

certo, fruto de um desdobramento de sua gravadora

de hip hop e Rap, em uma grife que uniu a força dos

seus discursos à informação de moda. “Queríamos

uma coleção que dialogasse com os valores do LAB,

como inclusão e transformação”, disse Fióti.

Em tempos de empoderamento, nada melhor para

apresentar uma moda que lida com a diversidade do

que levar a variedade das ruas para a passarela,

colocando nela gente gorda, com vitiligo, artistas e

amigos.

58 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Outro designer que abraçou o Street Style como

a bandeira de sua marca, a Off-White, Virgil Abloh

regressou à Semana de Moda Masculina em Paris (mês

passado), com a coleção “Business Casual”.

De acordo com os varejistas do mundo todo que não se

cansam da marca Off-White c/o Virgil Abloh

concordam que se trata de uma combinação entre moda

extravagante e estilo urbano americano.

O designer nascido em Chicago e originário do Gana

apresentou também a sua linha de acessórios, altamente

rentáveis, assim como as botas Jordan One, que também

tinham letras e os novos cordões Business Casual.

Algum do calçado também foi decorado com

dedicatórias feitas à mão pela família e amigos de Virgil

Abloh, modelos únicos que podem ter o seu valor

quadriplicado.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 59


STREET STYLE - CAPA

E não podemos falar de moda de rua, sem

mencionar as atividades que estão sendo

desenvolvidas em várias comunidades do Rio de

Janeiro. O Rio sempre teve uma interação entre o

morro e o asfalto e, essa troca, acontece em todos os

lugares e acaba sendo estética também, conforme o

estudante de antropologia Miguel Batista, que está

registrando em sua tese, como a estética do morro

influencia as camadas mais altas da sociedade.

Comportamento e Atitude, têm como resultado uma atitude poderosa. E, atualmente, são palavras que

podemos traduzir em um só sentimento: empoderamento. Embora essa palavra pareça ter entrado na

moda, a verdade é que ela é muito mais “poderosa” do que pode parecer. Principalmente, no universo

da moda e das comunidades.

A retomada de sonhos possibilitada por vários projetos de moda, de várias organizações nãogovernamentais

evidencia uma mudança ainda maior que está em curso em várias comunidades que

receberam as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos últimos anos.

60 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Afinal, quem um dia poderia imaginar que

comunidades antes dominadas pelo tráfico de drogas

se tornariam palco de experiências tão originais no

universo da moda?

A chegada da paz a essas regiões resgatou talentos e

fez brotar novas promessas. Sem medo de represálias

e com a tranquilidade dos novos tempos de paz,

muitas iniciativas começaram a surgir, abrindo

caminho para que novos artistas mostrassem ao

mundo as suas criações.

Prova disso é o EcoModa, projeto da Secretaria de

Meio Ambiente que já formou 424 alunos da

Mangueira em pouco mais de um ano de atividade.

Na edição atual, o curso reúne 150 alunos, que

participam de aulas de modelagem, corte e costura,

desenho, bordado e estamparia.

“O EcoModa faz parte de um trabalho de atuação em

comunidades pacificadas com projetos que, ao mesmo

De Olho no Lixo - Projeto EcoModa -

Imagem Reprodução

tempo, deem perspectiva de emprego e renda aos

moradores, aliado a preservação ambiental, como o

tratamento dos resíduos sólidos”, explica Ingrid

Gerolimich, superintendente do Território e

Cidadania da secretaria.

Diversas parcerias são travadas para doações de

materiais que serão utilizadas nas produções do

EcoModa. Recentemente, as grifes Victor Hugo e

Animale doaram insumos para a confecção da

próxima coleção, que será apresentada como trabalho

de conclusão de curso da turma.

Outro projeto em destaque é o Projeto “Samba,

Moda e Sustentabilidade” que é uma iniciativa que

pretende dar visibilidade às criações de costureiras da

comunidade da tijuca, na Zona Norte do Rio. O

projeto é uma parceria da escola de samba Salgueiro

com a ONG franco-brasileira Moda Fusion e tem

como objetivo transformar a criatividade das

Projeto EcoModa na Rocinha

Imagem Reprodução

mulheres e da nova geração de moradores em uma

importante fonte de renda.

“Nós queremos criar economias alternativas para

substituir aquela que foi retirada após a instalação das

UPPs, que é a economia da droga”, explica a

presidente do Moda Fusion, Andrea Fasanello.

“Nós trabalhamos com moda sustentável e trouxemos

nossa metodologia para que as costureiras do

Salgueiro criassem uma marca que corresse em

paralelo ao trabalho que muitas delas realizam na

escola de samba”, diz.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 61


STREET STYLE - CAPA

Todo material utilizado no curso é doado pelo

Salgueiro e provém de roupas e carros alegóricos

usados no desfile do ano passado. O trabalho de

criação tem a orientação de Ümit Esbulan, 27, estilista

de origem turca, criado na Alemanha e formado no

Departamento de Moda da Royal Academy of Fine

Arts de Antuérpia, na Bélgica. Mesmo sem falar uma

palavra me português, o professor consegue se

entender com as alunas e passar os conceitos

fundamentais da moda. O talento de costureiras e

estilistas não fica restrito aos limites das comunidades.

É o caso as sócias da marca Retalhos Cariocas,

empresa formada na Barreira do Vasco eu confecciona

bolsas e acessórios reaproveitando materiais. Maria de

Fátima, 66, e sua filha Silvia Oliveira, 35, são

moradoras e iniciaram o projeto três anos atrás, como

forma de aumentar a renda familiar e de outras

mulheres da comunidade, que receberam capacitação

em corte e costura. “Nós sempre corremos muito

atrás para que tudo funcionasse bem. Mas o primeiro

espaço que conseguimos ficava ao lado de uma boca

de fumo. Isso começou a afugentar as clientes”,

recorda a mãe. O negócio mudou de local e, após a

chegada da UPP à região, elas tiveram mais

tranquilidade para trabalhar e receber a freguesia. O

talento da dupla conquistou os representantes da

moda do Rio de Janeiro. No ano passado, elas foram

convidadas a fazer a decoração do Circuito Moda

Carioca, evento que reuniu mais de 50 empresas da

área fashion. A moda e a pacificação também podem

vencer preconceitos e unir lados opostos. Foi o que

aconteceu com as estudantes Maisa Julia Ribeiro, 16, e

Larissa Helena Luiz Brito, 17, moradoras do Batan e

do Fumacê, respectivamente. Antes da instalação da

UPP nas comunidades, era impensável as duas serem

amigas, muito menos lançar um projeto juntas. No

entanto, hoje elas exibem com orgulho a marca criada

pelas duas: Charme Favela. “Eu nunca tinha entrado

no Batan, tinha medo dos traficantes, mas aí minha

mãe me convenceu a vir para participar do projeto.

Resisti um pouco, mas hoje vivo mais aqui do que no

Fumacê”, confessa Larissa. O projeto foi criado pela

agência de Redes para a Juventude, patrocinada pela

Petrobrás, que financiou a criação da grife.

Atualmente, a Charme Favela produz camisas que

unem Batan e Fumacê. São diversas estampas

diferentes, que contam a história das comunidades.

62 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


amooreno.com

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 63


64 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


A Arte das Ruas

A cidade transforma-se em um documento histórico e, ao mesmo tempo,

em uma galeria de arte. Uma arena de conflitos de posse simbólica de

territórios e de interesses e, portanto, um meio de comunicação direto e

democrático, pois está ao alcance de qualquer um.

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 65


ARTE DAS RUAS

Da Pré-história à atualidade, nas mais diversas

culturas, o homem inscreveu suas marcas nas grutas,

nas rochas, nas paredes de seus palácios, das igrejas,

de suas casas, nos seus muros, nos seus monumentos,

nos troncos de árvores, no cimento enfim, no seu

entorno. Nas suas marcas, traduziu sua visão de

mundo e suas inquietações em imagens, comunicouse

com o outro e com o seu meio e criou universos

de representação nos quais ações e relações sociais

podem ser lidas ainda hoje.

A arte do graffiti, da pichação, do lambe-lambe, do

stencil e do sticker na concepção atual dos termos

não é recente. Teve sua origem em New York e em

Berlim em finais da década de 1960 e inícios da de

1970, alastrou-se rapidamente pelo mundo. De um

lado, por ter como suporte elementos do meio

ambiente urbano. De outro, a característica que a

#artrua #decy #sãopaulo

diferencia das manifestações anteriores e que

demonstra uma certa ruptura que é o seu caráter

contestatório e de transgressão, está presente nas

mais variadas partes do planeta.

Como essa arte de rua, encarada como manifestação

artística ou manifestação política (organizada ou

não), é pintada ou rabiscada em paredes, muros,

casas, monumentos, prédios, portas e outras

construções, a cidade é o suporte dessa expressão.

Nesse contexto, a cidade transforma-se em

documento histórico e em galeria de arte, em arena

de conflitos de posse simbólica de territórios e de

interesses e, portanto, um meio de comunicação

direto e democrático, pois está ao alcance de

qualquer um.

Enquanto a sua força se manifesta na intensidade da

sua expressão, na agressividade que muitas vezes

veicula, na transgressão que geralmente carrega

66 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


consigo, na usurpação de espaços urbanos, sua

fragilidade reside no fato de que no dia seguinte à sua

elaboração, outro artista, vândalo, proprietário ou

autoridade pode se apossar do mesmo, interferindo

sobre o que foi pintado ou, simplesmente, cobrindoo

de uma tinta qualquer. Assim, a transitoriedade

dessa expressão e o fato de ocorrer à margem de

qualquer instituição a tornam extremamente frágil,

fugaz e dinâmica.

Os grafites e os pichos podem ser vistos, ainda, como

uma humanização das paredes e muros. Por meio da

escrita e da pintura, dão voz a um elemento mudo (o

muro); novos significados e funções a elementos

construídos e a espaços; dão cor a uma superfície

monocromática; personalidade (agressiva e frágil) a

uma parede impessoal; conferem movimento e ação

(transgridem fronteiras, abalam conceitos) a uma

construção estática, tudo isso em um clima

desafiador e lúdico.

Há também a questão, por parte dos artistas de rua,

da negação do lugar apropriado para a arte: não

interessa mais a arte dentro da casa, da escola, do

teatro, da galeria, do museu, mas a manifestação que

ocorre na rua e nas praças, ao alcance de todos, para

todos e que pode ser realizada por qualquer um. É a

busca pela democratização da arte e da acessibilidade

aos meios de comunicação, tornando-se a cidade, ela

própria, um jornal, uma galeria de arte, um livro, um

documento histórico.

A complexidade do universo de representação

veiculado pelos grafites torna essa arte intrigante e

relevante, pois ela se tornou uma voz que grita sua

mensagem ao homem comum e à sociedade como

um todo.

#artrua #alemanha #megx

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 67


Projeto Moda Rio

24 de Fevereiro

Centro Cultural José Bonifácio.

Um dia inteiro de cultura, arte, moda, vivências e novas experiências.

68 - REVISTA AMOORENO - FEVEREIRO 201 8


Muita coisa aconteceu em Berlim nos últimos 70, 80

anos: guerra, destruição, derrota, separação,

reunificação, reconstrução e renovação. Berlim

mudou e continua mudando! A cidade é uma

mistura de prédios e monumentos antigos e

históricos com construções ultramodernas. Mas não

só em termos de “aparência física” que a cidade

mudou. Com a queda do muro, a cidade se abriu,

ficou mais acessível e tornou-se multicultural, onde

as mais variadas línguas, hábitos e culturas são

encontrados. Berlim tornou-se um caldeirão cultural.

BERLIM

FEVEREIRO 201 8 - REVISTA AMOORENO - 69


EXPERIÊNCIAS

A cidade contém inúmeros e fantásticos museus,

eventos culturais e uma vibrante vida noturna. E em Berlim

as coisas são relativamente baratas. Entre as principais capitais

europeias Berlim é uma das mais baratas. Berlim é uma cidade

que oferece muitas atrações gratuitas, são inúmeros museus e

exposições, igrejas, memoriais, eventos. Também tem muita

atividade legal para se fazer sem precisar gastar dinheiro, mas

a grande maioria das atividades e atrações são gratuitas e

podem ser visitadas em qualquer época, ou seja, você pode

aproveitá-las independente do dia da semana ou da

época/estação do ano que visite Berlim. Já que nesta edição,

estamos falando sobre a Arte de Rua, em todos os sentidos.

Vou destacar algumas atrações da cidade que valem a pena à

experiência. Um dos pontos mais visitados é a East Side

Gallery. Este é um trecho do antigo e famoso muro de Berlim

que fica ao longo do rio Spree, entre a Ostbahnhof e a ponte

Oberbaumbrücke. Este trecho do muro tem 1316m de

extensão e contém 106 pinturas de artistas de diversas partes

do mundo. As pinturas expressam os acontecimentos

políticos ligados ao muro e estão no lado oriental, por isto

chama-se “East Side Gallery”. É uma galeria a céu aberto e

motivo de muitas fotos dos inúmeros turistas que visitam a

cidade e o local. Em Berlim verdadeiras obras de arte podem

ser vistas a céu aberto. São postes, muros, latas de lixo e

fachadas cobertas com pinturas, grafites, adesivos, etc. Muitas

vezes a fachada inteira de um prédio é colorida com belas

pinturas. A arte de rua pode ser vista principalmente nos

bairros Kreuzberg, Friedrichshain, Prenzlauer Berge na parte

de Mitte conhecida como Scheunenviertel, que são os bairros

onde a cultura alternativa de Berlim se concentra. Ao fazer

um passeio por estas áreas – o que vale muito a pena – fique

atento(a) para descobrir e apreciar estas obras de arte.

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EXPERIÊNCIAS

Na hierarquia das semanas da moda, Berlim não pode hospedar os desfiles de moda mais extravagantes ou

de alto perfil, mas certamente possui a mais forte relutância em flexões de logotipos e adoradores de tendências.

E certamente, essa descarada desculpa de nomes de marcas e status de luxo é o princípio que torna o estilo de rua

de Berlim tão assertivo. Na capital alemã, escolhas de estilo são mais uma exibição de estilo pessoal do que uma

fidelidade a rótulos de moda. As roupas geralmente se inclinam para uma abordagem mais casual / descontraída

com uma forte atitude contracultura. Mesmo para os mais vestidos, há uma certa ambivalência grunge que vem

de um fundo rico de influências subterrâneas, multiculturalismo eclético e ruas alinhadas de graffiti. Cada roupa

captura um elemento do estilo de rua de Berlim que é naturalmente inspirador.

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amooreno.com

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BELEZA E SAÚDE

L’Oréal e David Beckham lançam marca de produtos masculinos

D avid Beckham revelou o seu mais recente

projeto sob a alçada do seu contrato com a L’Oréal:

House 99, uma nova marca, descrita como “uma

marca global que mudará as regras dos cuidados de

beleza para homem”.

David Beckham e a L’Oréal dizem querer

“desmitificar a necessidade dos homens de se cuidarem

e encorajar a autoexpressão e a experimentação de

estilo”.

Uma afirmação arrojada. Mas, o que significa

exatamente? A marca inclui uma coleção completa de

21 “produtos inovadores que se adaptarão livremente a

todos os objetivos de estilo”, de acordo com a L’Oréal.

O objetivo é “proporcionar todas as ferramentas das

quais os homens precisam para experimentar com o

seu look e expressar o seu próprio estilo em constante

evolução e identidade única”.

A marca adota uma abordagem “holística” aos

cuidados pessoais, “fazendo uma mistura entre a

cultura e estilo das barbearias britânicas e a

criatividade nos cuidados de cabelo, pele, barba e

tatuagens para ser o ponto de partida para os próximos

looks de cada homem”.

Esta colaboração entre a L’Oréal e David Beckham

tem um elevado potencial e irá certamente atrair a

atenção dos consumidores, visto que combina um dos

mais dinâmicos gigantes internacionais da beleza com

uma celebridade que se tornou num importante

influenciador masculino e soube reinventar o seu

estilo ao longo dos últimos anos.

Os dois anos dedicados ao desenvolvimento resultaram

numa linha que inclui produtos especificamente

criados para satisfazer as necessidades de rosto dos

homens Millennials. Além de produtos hidratantes e

outros “clássicos”.

Entre estes, o exemplo mais claro talvez seja o Bold

Statement Tattoo Body Moisturizer SPF30. Beckham

é, também conhecido pelas suas tatuagens, e o

comunicado da marca revela que ele “sabe a

importância de proteger e manter as suas tatuagens”.

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Este produto hidratante em spray é,

portanto, desenhado para ser “fácil e rápido

de usar, deixando a pele flexível e sem

resíduos. O índice SPF 30 bloqueia os raios

UV para preservar as cores originais das

tatuagens e melhorá-las”.

Também digno de nota é o Seriously

Groomed Beard & Hair Balm, que “oferece

uma boa dose de disciplina para dar forma a

cabelos rebeldes e barbas curtas ou longas.

Inspirado no look atual de David Beckham,

que usa cabelo longo e barba desde 2015”. E

o Smooth Back Shaping Pomade é inspirado

no seu antigo corte de cabelo ao estilo

Pompadour.

Nas fórmulas “devido às suas propriedades benéficas para a saúde”, o grupo afirma que “estes recursos naturais e

ricos em proteínas combinam nutrientes para o cabelo e a pele que não são sintetizados pelo organismo”.

A L’Oréal explicou também a origem no nome da marca, dizendo que a utilização da palavra ‘house’ (casa)

reflete “o objetivo de Beckham de construir uma comunidade aberta a entusiastas de cosméticos masculinos,

para compartilhar as suas dicas de estilo e recomendações”. 99, por seu lado, é o número que tem tatuado na mão

e que “marca um ano memorável na sua vida pessoal e profissional”. É o ano do seu casamento, do nascimento

do seu filho mais velho e o ano em que o Manchester United conquistou três troféus.

Compreensivelmente, a empresa aproveita ao máximo a história de David Beckham na campanha de marketing

de pré-lançamento e afirma que o ex-jogador “mostrou o seu compromisso com o projeto desde o início” e

“desempenhou um papel ativo em todos os elementos do desenvolvimento da marca, dos testes nos laboratórios

L’Oréal Luxe à escolha dos nomes dos produtos, fragrâncias e design dos logótipos”.

É também revelado que Beckham “convidou pessoalmente alguns dos maiores nomes da cosmética masculina

para colaborar com a House 99”, incluindo o mestre barbeiro Fábio Marques (da Figaro’s Barbershop, em

Lisboa), “fornecendo conselhos profissionais e conteúdo dinâmico para a plataforma digital da marca”.

Parece que esta não será apenas mais uma marca que uma celebridade decidiu lançar no mercado. O lançamento

será organizado pelo departamento de luxo do grupo francês e terá lugar na Harvey Nichols neste mês, sendo

posteriormente expandida a outros distribuidores no Reino Unido, bem como em outros 19 países, a partir de 1

de março.

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#artrua #intervençãourbana #okudart #ucrânia


O movimento slow fashion está aí para nos ajudar a repensar os nossos hábitos,

nossas necessidades e nossos reais desejos.


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