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USO DO PASTEJO ROTACIONADO PARA PRODUÇÃO DE OVINOS

INTRODUÇÃO

José Neuman Miranda Neiva

A zona semi-árida perfaz de 60 a 65% da área total do Nordeste (LIRA et al.,

1990) e é caracterizada por áreas de solos rasos e pedregosos, baixa capacidade de

retenção de água, elevada evaporação, potencialidade para erosão, altas temperaturas e

irregularidade de distribuição das chuvas (DUQUE, 1980). Essas características,

associadas a um manejo inadequado, contribuem para os baixos índices zootécnicos

observados na região.

Manejar corretamente pastagens é uma das tarefas mais árduas que os técnicos ou

os produtores encontram numa fazenda de pecuária. De uma maneira geral alguns

objetivos pretendidos pelos produtores são difíceis de serem atingidos simultaneamente.

Os objetivos principais do manejo de pastagens são: a) manter elevada a densidade

populacional das espécies mais palatáveis e aceitáveis pelos animais ao longo do tempo;

b) equilibrar o fator produção e qualidade do pasto dentro de uma faixa razoável para

ambos, uma vez que estes não podem ser maximizados simultaneamente; c) fornecer

nutrientes em quantidade suficiente para os animais desempenharem suas funções

produtivas como crescimento e produção de carne, lã e leite; d) tornar a produção das

pastagens sustentável ao longo dos anos e acima de tudo mantendo o equilíbrio do

ecossistema; e) manter relação harmônica entre solo, planta, animal e meio ambiente.


O objetivo desta palestra será discutir os princípios básicos de manejo de pastagens

em sistemas intensivos de produção. Será enfatizado principalmente o sistema de pastejo

rotacionado e irrigado com ovinos.

TERMINOLOGIA SOBRE SISTEMAS DE PASTEJO

-Manejo do pastejo - É a manipulação do animal em pastejo em busca de um

objetivo definido em termos do animal, da planta, solo ou mesmo respostas econômicas.

- Método de pastejo - São os procedimentos definidos ou técnicas de manejo de

pastejo estabelecidas para que se consiga atingir objetivos específicos.

- Sistema de pastejo - É a maneira a qual os períodos de utilização e de descanso

das pastagens são arranjados dentro da estação de crescimento, tanto dentro como entre

os anos. Na verdade um sistema de pastejo é uma combinação definida e integrada do

animal, da planta, do solo e de outros componentes do ambiente e o(s) método(s) de

pastejo pelo(s) qual(is) o sistema é manejado para atingir resultados ou objetivos

específicos.

-Intensidade de corte ou pastejo - É determinada pela altura de corte ou pastejo da

planta. Quanto mais alto o corte ou pastejo, menor é a quantidade de forragem removida

por unidade de planta, e consequentemente menor é a intensidade.

-Freqüência de corte ou pastejo - Refere-se ao intervalo de tempo entre cortes ou

pastejos sucessivos.

-Persistência - É a habilidade de uma planta - É a quantidade de forragem

sobreviver numa pastagem


-Disponibilidade de forragem ou forragem disponível presente numa pastagem e

que está disponível para os animais.

Período de ocupação- É o período de tempo que uma área específica é ocupada

por um grupo de animais ou por dois ou mais grupos de animais em sucessão.

Período de descanso - É o período de tempo em que não se permite a utilização de

uma área de pastagem, ou seja, permite-se o descanso da área.

Taxa de lotação - É a relação entre o número de animais e a unidade de área

utilizada durante um período especificado de tempo.

Densidade de lotação ou animal - É a relação entre o número de animais e a

unidade de área específica que está sendo pastejada em qualquer momento.

Pressão de pastejo - É a relação entre o número ou peso vivo dos animais em

pastejo e a quantidade de forragem disponível na pastagem.

Capacidade de suporte - É a taxa de lotação máxima que irá permitir determinado

nível de desempenho animal em um método de pastejo especificado, o qual poderá ser

aplicado durante um período de tempo definido sem causar deterioração do sistema.

Super-pastejo - Caracteriza-se pelo pastejo intensivo e freqüente das pastagens,

acarretando danos à vegetação, com possíveis perdas de espécies forrageiras valiosas.

Sub-pastejo - O pastejo se realiza a uma baixa pressão, o que permite a seleção da

dieta pelo animal e o acúmulo de forragem.

Manejo do pastejo - É a manipulação do animal em busca de um objetivo definido.

Método de pastejo - É o procedimento definido ou técnica de pastejo estabelecido

para atingir objetivos específicos. Dentro de um sistema de pastejo podem ser utilizados

um ou mais métodos de pastejo.


Sistema de pastejo - É a combinação definida e integrada do animal, da planta, do

solo e de outros componentes do ambiente e o(s) método (s) de pastejo pelo (s) qual (is) o

sistema é manejado para atingir resultados ou objetivos específicos.

LOTAÇÃO CONTÍNUA OU ROTACIONAL

O manejo do pastejo implica um grau de controle tanto sobre o animal como do

pasto. O pastejo contínuo e o rotacional representam os dois extremos no manejo do

pastejo.

O pastejo contínuo é caracterizado pela presença contínua e irrestrita de animais em

uma área específica durante o ano ou estação de pastejo. O pastejo contínuo normalmente

é utilizado em pastagens nativas ou naturais onde se obtém menores taxas de produção,

destacando-se entretanto que o mesmo pode ser em muitos casos intensificado assim

como o é o pastejo rotacionado. Outro aspecto que deve ser destacado é que mesmo num

sistema de pastejo contínuo não se admite a ausência total das cercas divisórias pois os

animais devem ser separados em categorias (idade, sexo, espécies e etc).

Por outro lado, o pastejo rotacionado é caracterizado pela subdivisão das pastagens

e utilização por períodos de tempo limitado, seguido de um período de descanso.

Existem grandes divergências sobre qual método de pastejo utilizar. Embora a

literatura seja rica em informações, os resultados são contraditórios (MANNETJE et al

1976; MORLEY, 1981; BLASER, 1982; THOMAS e ROCHA,1985; MARASCHIN,

1994; RODRIGUES e REIS,1997).

Segundo GARDNER e ALVIM (1985), essa divergência não deveria existir, uma

vez que o pastejo a ser adotado está condicionado a alguns fatores como tipo de planta a

ser utilizada, clima da região, espécie a ser utilizada e tipo de solo dentre outros.


RODRIGUES e REIS (1997) comentaram que qualquer sistema de pastejo pode

resultar em ótimo desempenho animal, dependendo do consumo de energia, o qual está

relacionado com a disponibilidade de forragem, proporção de folhas na pastagem,

digestibilidade e consumo. Já BLASER (1982) afirma que a produção animal por hectare

obtida em diferentes métodos de pastejo depende das características morfológicas das

plantas e da freqüência, da Intensidade e da época de utilização das pastagens.

Nas condições do nordeste brasileiro, poucos trabalhos foram feitos comparando os

vários métodos de pastejo. MANNETJE et al (1976) revisaram os resultados de 12

experimentos de pastejo nos trópicos e verificaram que em 8 experimentos o pastejo

contínuo foi superior, enquanto nos demais experimentos os resultados se assemelharam.

Segundo GARDNER e ALVIM (1985) para que o pastejo rotacionado resulte em

aumento da produção animal, e consequentemente se obtenha maior lucro, é necessário

que haja aumentos na produção ou na qualidade das pastagens, aumento no consumo

animal, maior Persistência das espécies forrageiras ou melhor controle de parasitas no

animal. Os referidos pesquisadores afirmam que com baixas taxas de lotação,

provavelmente, não haverá aumentos de produção em função do pastejo rotacionado.

Também MORLEY (1981) afirma que a pesquisa mundial tem encontrado pequenas

vantagens em favor do pastejo rotacionado apenas em altas lotações.

Este fato foi observado por RIEWE (1985), que detectou uma interação entre a taxa

de lotação e o método de pastejo. Com taxa de lotação leve ou moderada o desempenho

animal sob pastejo contínuo pode ser igual ou superior ao obtido em pastejo rotacionado.

Por outro lado, o pastejo rotacionado favoreceria o desempenho animal em pastagens

onde se utilizam taxas de lotação mais altas.


Nas condições do semi-árido nordestino, onde o período de produção das pastagens

é curto e as espécies utilizadas apresentam potencial de produção relativamente baixo, a

utilização do método de pastejo rotacionado intensivo deve ser implementado somente

quando as limitações edafo-climáticas forem superadas e gramíneas mais produtivas

introduzidas. O elevado custo para construção e manutenção de cercas divisórias

certamente contribuirão para elevação do custo de produção, principalmente se utilizar-se

as espécies caprina e ovina, que exigem cercas mais elaboradas.

CONDIÇÕES BÁSICAS PARA USO DO PASTEJO ROTACIONADO

O uso do sistema de pastejo rotacionado implica em intensificação em

intensificação do sistema de produção. Desta forma fica claro que deve haver condições

naturais ou artificiais para se intensificar a produção de forragem. O produtor que optar

pelo pastejo rotacionado em sua propriedade deve entender que para intensificar a

produção algumas condições devem ser atendidas. A seguir comentaremos os principais

pontos a serem observados pelos produtores na implantação de um sistema de produção

de ovinos com pastejo rotacionado nas pastagens.

PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA

Para se adotar o sistema de pastejo rotacionado a região deve apresentar

precipitação pluvial bem distribuída e em quantidade que permita o uso das pastagens em

pelo menos cinco meses do ano. Caso não haja tais condições climáticas deve se avaliar a

possibilidade do uso da irrigação.

É importante que o produtor assuma que havendo baixa produção de forragem e

principalmente produção descontínua não haverá produção animal suficiente para pagar

os custos de implantação do sistema que é relativamente alto (construção de cercas).


FERTILIDADE DOS SOLOS

Como o uso do pastejo rotacionado se baseia em altas taxas de lotação animal,

obviame que deverá ocorrer altas produções de forragem e obviamente grande remoção

de nutrientes, mesmo considerando a reposição oriunda das fezes, urina e pasto não

consumido. Sendo assim, ao instalar tais sistemas, a análise do solo pré-implantação é

obrigatória para que se inicie o sistema em pastagens com altas produções.

Após a implantação do sistema o acompanhamento da fertilidade do solo deve

ser constante, sendo aconselhado pelo menos uma análise de solo por ano em sistemas

que utilizam as pastagens apenas durante o período chuvoso e duas análises para sistemas

que utilizam as pastagens irrigadas e durante todo ano.

Dentre as várias práticas utilizadas e indispensáveis para manejar corretamente

uma pastagem, o acompanhamento da fertilidade dos solos via análise físico-química é

das que apresentam maior relação custo-benefício. O uso incorreto da adubação por falta

de informações causa prejuízos que dariam para pagar análises de solo por vários anos

seguidos.

Vale ressaltar que o sistema rotacionado implica em uso de adubação em doses

muito mais elevadas que o uso convencional. O uso desse sistema sem a correta adubação

só leva a um resultado: prejuízo.

QUALIDADE DOS ANIMAIS

O uso intensivo das pastagens não implica em uso de animais de alta linhagem

genética. Há que se entender entretanto que tal sistema não se sustenta se for utilizada

com animais oriundos de criações onde não se adota um bom manejo sanitário. Os


animais utilizados nesse sistema devem estar em plenas condições de responder à boa

condição nutricional a que são submetidos.

É necessário que o produtor, ao adotar o manejo intensivo das pastagens

abandone o hábito de analisar a sua propriedade pelo número de animais possui e passe a

trabalhar com produtividade por hectare, desfrute e etc. Devem ser abandonados alguns

conceitos antigos como o que relaciona alta produção com grandes extensões de terra.

O produtor, adotando esse sistema deve priorizar a saúde dos animais para que

haja respostas às boas condições nutricionais a que são submetidos. Um número menor de

animais, bem alimentados, em boas condições sanitários e ambientais podem são mais

rentáveis que um grande número em condições precárias.

USO DE GRAMÍNEAS PRODUTIVAS

Num sistema de pastejo rotacionado intensivo deve se ter em mente que todas as

exigências da gramínea devem ser atendidas. Assim sendo o produtor deve,

preferencialmente excluir desse sistema alguns espécies que se adaptam bem às condições

de sequeiro e que apresentem baixa produtividade. Dois exemplos que podemos citar são

os capins buffel (Cenchrus ciliaris) e o corrente (Urochloa mosambisensis), os quais são

excelentes para se formar pastagens em regiões semi-áridas porém não apresentam

produção compatível com sistemas intensivos e irrigados.

A seguir citaremos de forma sucinta algumas características que as gramíneas

devem apresentar para serem utilizadas em sistema de pastejo rotacionado intensivo.

1- Em função de diminuir a infestação de helmintos, deve-se na medida do

possível utilizar gramíneas cespitosas (touceiras). O uso de gramíneas cespitosas permite

uma maior insolação e favorecem a inativação de larvas seja pela dessecação das larvas e


ovos dos helmintos, seja pela dessecação das larvas pela diminuição da umidade pela

ação da radiação ultravioleta (CUNHA et al 2000).

2- A gramínea deve apresentar porte de médio a baixo que permitem maior

acesso dos ovinos à forragem. Gramíneas de porte alto poderão, eventualmente, serem

utilizadas, porém há riscos de ocorrer áreas com macega de altura elevada, levando à

necessidade de constantes roços de uniformização.

3-A gramínea deve responder eficientemente à adubação, uma vez que nesse

sistema se preconiza uso de altas doses de adubo químico.

4- A gramínea deve deve apresentar facilidade de propagação. Normalmente

gramíneas que se propagam vegetativamente apresentam custo de implantação mais

elevado que aquelas que se propagam por sementes. Há que se destacar ainda que o

ressemeio natural que ocorre com estas espécies garantem uma maior persistência no caso

de ocorrer acidentes como fogo, pragas ou na impossibilidade eventual de irrigação

(regiões semi-áridas).

5- A gramínea deve apresentar bom perfilhamento e tolerar desfolha intensa. Os

ovinos são bastante eficientes em colher forragem e exercem intensa remoção da

forragem disponível. Assim sendo a gramínea deve apresentar intensa rebrota após o

pastejo para que se consiga menores períodos de descanso.

6- A gramínea deve apresentar elevado valor nutritivo e aceitabilidade pelos

animais, bem como devem apresentar alto rendimento por área. Normalmente não se

consegue maximizar todas as características desejáveis porém deve-se pelo menos

aliminar aquelas que apresentem limitações mais sérias.


Nas condições do Nordeste brasileiro existem poucas espécies testadas

efetivamente. Basicamente o capim gramão (Cynodon dactylon) e o Tanzânia (Panicum

maximum) foram estudados pela EMBRAPA-Caprinos. Entretanto em outras regiões,

espécies como os TIFTON (Cynodon spp), o capim aruana (Panicum maximum), coast-

cross (Cynodon dactylon) já foram testados com relativo sucesso.

Conforme citado anteriormente um grande entrave para o uso de algumas

espécies é o método de propagação. Espécies propagadas por mudas (gramão, coast-cross,

tifton, estrelas) tem dificultado a formação de áreas mais extensas. Assim sendo, caso não

haja grande disponibilidade de mudas para formação de áreas com tais espécies o melhor

é optar pelo uso de espécie que se propague por sementes. Vale lembrar que em um

sistema intensivo de produção a pasto não se pode formar áreas com baixa população de

plantas em função da economia de mudas no plantio. As chances de resposta econômica,

nessas áreas é mínima.

Há grande interesse por parte dos produtores nas gramíneas do gênero

Brachiaria. O produtor deve evitar o uso dessas espécies, uma vez que em função do

desenvolvimento do fungo Pythomyces chartarum nessas plantas tem sido observado

ocorrência de fotossensibilidade nos ovinos. A fotossensibilidade caracterizada pelo

aparecemento de edemas nas orelhas e face, bem como uma intensa irritação.

No Núcleo de Pesquisa em Forragicultura da Universidade Federal do Ceará

uma área de 1 hectare formada com Brachiaria decumbens está sendo utilizada por

ovinos. Após ocorrer vários casos de fotossensibilidade o problema foi parcialmente

contornado com o uso de pastejo noturno e com maior taxa de lotação que provoca um

intenso rebaixamento da pastagem e cria condições desfavoráveis para o crescimento do


fungo. Deve se destacar entretanto que o uso do pastejo noturno é limitado pois em

condições extensivas e de fazendas essa prática aumentaria a perda de animais por

predadores.

Pelos problemas citados acima não se recomenda o uso de gramíneas do gênero

brachiária para ovinos. Caso o produtor já tenha pastagens com essas espécies deve se

precaver para evitar os problemas com a fotossensibilidade.

ASSISTÊNCIA TÉCNICA

O produtor rural é acima de tudo um grande observador e por isso mesmo

conhece bem a sua propriedade. Entretanto quando se faz a introdução de uma nova

técnica na propriedade, a qual ele desconhece, não se pode pensar em fazer testes para

saber como usa-la. Tal prática deve ser orientada por um técnico já experiente e que evite

problemas corriqueiros e que já estão dominados pelo conhecimento.

Assim sendo, há necessidade de acompanhamento técnico em todas as etapas de

implantação do sistema. Uma das principais causas do insucesso no uso do pastejo

rotacionado irrigado é o dimensionamento inadequado de piquetes e do sistema de

irrigação. Esses erros aliados ao manejo inadequado da fertilidade dos solos e pastagem

são determinantes para o fracasso do empreendimento.

CONTROLE DE VERMINOSES

O uso de altas taxas de lotação no sistema de pastejo rotacionado intensivo

aumenta consideravelmente a infestação por helmintos (vermes). Muitos acreditam que o

sistema por adotar a rotação de pastagem quebraria o ciclo dos helmintos, porém como o

período de descanso é curto (25-35 dias) não há tempo suficiente para que haja

eliminação das larvas infestantes. CUNHA et al (2000).alerta que o período de ocupação


não deveria ser superior a 5 dias para que se minimize a exposição dos animais às larvas

infestantes (L3) eclodidas naquele mesmo ciclo de pastejo (auto-infestação). Segundo os

autores, quando a população de larvas infestantes é significativa os animais já estão em

outros piquetes.

Há quem sugira a entrada dos animais nos piquetes apenas após a secagem do

orvalho, pois nesse momento as larvas infestantes migram para as partes mais baixas do

relvado procurando melhores condições ambientais e os animais sofreriam menores

infestações. Essa prática precisa ser melhor avaliada na região nordeste pois em função da

alta radiação solar e temperatura predominantes pode haver comprometimento do

consumo de forragem pelos animais em função do desconforto ambiental nas horas mais

quentes do dia.

Quanto ao uso de anti-helmínticos não existe na literatura um roteiro para

controle de verminose de ovinos criados em sistemas de pastejo rotacionado intensivo na

região nordeste. No Núcleo de Pesquisa em Forragicultura da Universidade Federal do

Ceará tem se adotado o exame de fezes periódico do rebanho (amostras coletadas em 10 a

20% do rebanho) e uso do anti-helmíntico quando o nível de OPGs (ovos por grama)

ultrapassa 10000. Esse método tem permitido intervalo entre vermifugações de até 120

dias. No futuro, mais pesquisas precisam ser implementadas para que se elabore um bom

roteiro para controle de verminose nesses sistemas.

DIMENSIONAMENTO DE UM MÓDULO DE PASTEJO ROTACIONADO

O dimensionamento de um módulo para uso do pastejo rotacionado depende de

várias situações existentes na propriedade.


O primeiro ponto a ser discutido é relacionado à gramínea existente ou a ser

implantada. Gramíneas cespitosas(touceiras) normalmente expõe os pontos de

crescimento e sofrem mais com a desfolha feita pelos animais. Para essas espécies é

necessário um maior período de descanso para retornar com os animais.Normalmente o

período de descanso está em torno de 30 a 40 dias.

Já as gramíneas estoloníferas, as quais se enraízam a partir do contato do caule

com o solo, expõem menos os pontos de crescimento e sofrem menos com o pastejo, se

recuperando mais rapidamente após a saída dos animais. Para essas espécies um período

de descanso de 25 a 30 dias é suficiente para que os animais possam retornar aos

piquetes.

Outro ponto importante a ser determinado é o período que o grupo de animais irá

permanecer em cada piquete. Quanto maior o período de ocupação menor o número de

piquetes necessários. Para se calcular o número de piquetes é usada a seguinte fórmula:

N= (PD/PO) + X, onde:

N= Número de piquetes necessários,

PD= Período de descanso,

PO= Período de ocupação,

X= Número de grupos de animais.

Como pode ser deduzido pela fórmula, quanto menor for o período de ocupação

maior será o número de piquetes necessários.

Quanto ao período de ocupação não se recomenda mais que 5 dias pois no quinto

dia os animais poderão colher as rebrotas oriundas dos perfilhos pastejados no primeiro

dia de utilização do piquete. O uso de 1 dia de ocupação deve ser utilizado apenas por


produtores que dominem bastante o manejo das pastagens pois o curto período de

ocupação torna difícil o ajuste no sistema.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração é lotação instantânea quando

se utiliza apenas um dia de ocupação. Se pensarmos numa pastagem de capim gramão

(Cynodon dactylon) de 1 hectare onde se utiliza 1 dia de ocupação de 29 dias de

descanso, teríamos, segundo a fórmula acima 30 piquetes. Cada piquete terá uma área de

333,3 m 2 . Se utilizarmos a área com borregos desmamados na lotação de 80 animais por

hectare, cada animal terá disponibilidade de apenas 4,16 m 2 por dia. Essa pequena

disponibilidade de área por animal, associada com o sentido gregário dos ovinos pode

levar a um intenso acamamento da forragem por pisoteio.

Vale lembrar ainda que quanto maior o número de piquetes, maior o gasto com

cercas divisórias. No item cercas, o produtor deve entender que pelo caráter intensivo

desse sistema de exploração das pastagens, não se concebe mais o uso de cercas com

arame farpado. Além do alto custo, os estragos que esse tipo de cerca, causa à pele dos

animais, torna o uso dessa modalidade de cerca inviável.

Atualmente recomenda-se o uso cercas elétricas ou de tela campestre. A escolha

entre as duas depende de particularidades de cada propriedade. A tela campestre embora

apresente custos de implantação mais elevados tem a vantagem de não necessitar de

manutenção constante. Já no caso da cerca elétrica, o custo de implantação é baixo,

porém há necessidade de limpeza periódica para se evitar que partes das plantas entrem

em contato com a cerca e provoquem perdas de corrente. Em propriedades onde não há

energia elétrico o uso de placas de energia solar tem sido feito com sucesso.


PROJETANDO O SISTEMA DE IRRIGAÇÃO

Como já foi dito anteriormente, um projeto de irrigação bem feito é a chave do

sucesso do manejo das pastagens. Esse projeto só deve ser feito por um técnico

competente e idôneo. As falhas nos projetos, vão desde dimensionamentos acima das

reais necessidades, o que onera o custo dos equipamentos e eleva os gastos com energia

elétrica, até o uso de materiais de baixa qualidade e inadequados.

O produtor que desejar implantar um sistema de pastejo rotacionado irrigado

deverá pois, se cercar de pessoas habilitadas e principalmente visitar algum sistema já

implantado para que possa se orientar sobre alguns procedimentos básicos a serem

adotados.

CONCLUSÕES

Dentre as várias tecnologias existentes para a produção intensiva de ovinos ao

uso intensivo das pastagens tem se destacado. Os produtores do Nordeste poderão elevar

de forma significativa a lucratividade das propriedades se adotar o manejo intensivo de

pastagens, porém, deve se entender que o uso de tal tecnologia é restrito a um pequeno

percentual das propriedades existentes.

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