ALGODÃO NO CERRADO - V 2

serieconhecimento

A finalidade deste trabalho é mostrar aos leitores, principalmente estudantes de Agronomia, o manejo prático da cotonicultura para que, ao concluírem seu curso, possam ter uma visão mais próxima da realidade que os produtores vivem no campo

Universidade Federal de Viçosa

Algodão

No Cerrado

logística E

operações

práticas

VOLUME 2 - Do manejo

INTEGRADO DE PRAGAS à

comercialização da fibra

Paulo Geraldo Berger

Tricia Costa Lima

Rodrigo Oliveira

38 Vol 2

Coordenadoria de

Educação Aberta e a Distância


Universidade Federal de Viçosa

Reitor

Demetrius David da Silva

Vice-Reitora

Rejane Nascentes

Diretor

Francisco de Assis de Carvalho Pinto

Campus Universitário, 36570-900, Viçosa/MG

Telefone: (31) 3612 1251

Conselho Editorial

Andréa Patrícia Gomes

João Batista Mota

José Benedito Pinho

José Luiz Braga

Tereza Angélica Bartolomeu

Autores: Prof. Paulo Geraldo Berger (UFV), Profa. Tricia Costa Lima (UNEMAT),

Rodrigo Oliveira (TERRA SANTA AGRO S/A)

Fotografias: Prof. Paulo Geraldo Berger

Layout: Adriana Freitas

Editoração Eletrônica: Adriana Freitas

Edição de conteúdo e CopyDesk: João Batista Mota

2


Ficha catalográfica elaborada pela Seção de Catalogação e Classificação

da Biblioteca Central da Universidade Federal de Viçosa

B496a Berger, Paulo Geraldo, 1958-

2019 Algodão no cerrado : logística e operações práticas : volume 2 : do

manejo integrado de pragas à comercialização da fibra / Paulo Geraldo

Berger, Tricia Costa Lima, Rodrigo Oliveira. -- Viçosa, MG : UFV,

CEAD, 2019.

1 livro eletrônico (PDF, 15,2MB). -- (Conhecimento, ISSN 2179-

1732 ; n. 38).

Bibliografia: p. 63.

1. Algodão - Cultivo. 2. Algodão - Colheita. 3. Gossypium hirsutu. 4.

Fibras. 5. Beneficiamento. I. Lima, Tricia Costa, 1978- II. Oliveira, Rodrigo,

1985-. III. Universidade Federal de Viçosa. Reitoria. Coordenadoria

de Educação Aberta e a Distância. IV. Título. V. Série.

CDD 22 ed. 633.51

Bibliotecária responsável Renata de Fátima Alves CRB6/2875

3


Significado dos ícones da

apostila

Para facilitar o seu estudo e a compreensão imediata do conteúdo apresentado, ao longo

de todas as apostilas, você vai encontrar essas pequenas figuras ao lado do texto. Elas têm o

objetivo de chamar a sua atenção para determinados trechos do conteúdo, com uma função

específica, como apresentamos a seguir.

Texto-destaque: são definições, conceitos ou afirmações importantes às

quais você deve estar atento.

Õ

a

Glossário: Informações pertinentes ao texto, para situá-lo melhor sobre

determinado termo, autor, entidade, fato ou época, que você pode desconhecer.

Ì

SAIBA MAIS! Se você quiser complementar ou aprofundar o conteúdo apresentado

na apostila, tem a opção de links na internet, onde pode obter vídeos, sites ou

artigos relacionados ao tema.

Ñ

Quando vir este ícone, você deve refletir sobre os aspectos apontados, relacionando-os

com a sua prática profissional e cotidiana.

4


6 Apresentação

Sumário

7 Introdução

11 Do manejo integrado de pragas à

comercialização da fibra

5


Apresentação

A cotonicultura brasileira e, em especial a mato-grossense, passa por um dos melhores

momentos de sua história. Segundo a AGRO DBO, este ano (safra 2017/18), além do show

visual, a cotonicultura do Brasil vive a expectativa de uma grande produção – perto de dois

milhões de toneladas de pluma (28% superior à safra anterior) e de uma alta rentabilidade para

os produtores (aproximadamente R$ 4mil/ha). Isso ocorre graças a um mercado internacional

sedento pela fibra, embalado pela retomada da demanda asiática comandada pela China, pela

alta cotação do dólar e o uso, pelos produtores, das mais modernas tecnologias disponíveis

no mercado, favorecendo as exportações brasileiras.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse mercado aquecido fez

com que o Brasil ampliasse sua área plantada em 25,2%, passando de 939,1 mil hectares (safra

2016/17) para 1.176 mil hectares (safra 2017/18).

Para dirigentes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), na próxima

safra (2018/19), o Brasil deverá semear em torno de 1,5 milhão de hectares, podendo chegar

a dois milhões de hectares nos próximos quatro anos.

O estado do Mato Grosso, maior produtor e exportador nacional, semeou, na safra

2017/18, 777,8 mil hectares, com 83% do plantio realizado em segunda safra após retirada da

soja. Segundo a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), a produção

deverá atingir 1,3 milhão de toneladas de pluma.

Esses resultados satisfatórios se devem ao empenho e profissionalismo de produtores

e de grandes grupos empresariais que, nos últimos 15 anos, investiram nas mais modernas

tecnologias disponíveis, associando-se as Instituições de Pesquisas Públicas e Privadas,

Consultores, Empresas Nacionais e Internacionais de Insumos e Empresas Industriais.

A Companhia Terra Santa Agro S.A. está entre os grandes grupos empresariais produtores

de algodão no Mato Grosso. Na safra 2017/18, cultivou 31.860 hectares de algodão. Alcançou

rendimento médio de algodão em caroço de 285@/ha, superando suas próprias metas

e também a produtividade média do estado, graças ao profissionalismo de sua equipe na

busca constante de novas tecnologias disponíveis no mercado e sua imediata aplicabilidade

em suas unidades de produção.

O presente trabalho, realizado nas unidades de produção da Cia Terra Santa Agro, teve

por objetivo acompanhar a aplicação, de forma prática, dessas tecnologias disponíveis,

envolvendo todo o processo produtivo, do preparo do solo à comercialização da pluma.

O resultado está descrito nas páginas seguintes, cuja finalidade foi mostrar aos leitores,

principalmente estudantes de Agronomia, o manejo prático da cotonicultura para que, ao

concluírem seu curso, possam ter uma visão mais próxima da realidade que os produtores

vivem no campo

6


01

Introdução

BREVE HISTÓRIA DO ALGODÃO: DO BRASIL COLÔNIA AOS DIAS

ATUAIS

Transcrito do capítulo Algodão no Brasil: Mudança Associativismo e Crescimento,

publicado no livro Algodão no Cerrado do Brasil

No Brasil, o algodão já era cultivado pelos nativos quando chegaram os

colonizadores que promoveram o seu plantio nas capitanias hereditárias.

Durante quase todo o período colonial, a produção foi exclusivamente caseira.

Na segunda metade do século 17, o algodão chegou a desenvolver-se

consideravelmente no estado do Maranhão, tornando-se o principal produto

de exportação da capitania. Mas a grande mudança só veio no século 18, com

a Revolução Industrial. A indústria têxtil inglesa, principal consumidora dessa

fibra, fez com que Portugal incentivasse a sua produção e criasse, em 1753 e

1758, duas companhias de comércio no Brasil para estimular o transporte do

algodão nacional.

No início do século 19, o Brasil já era reconhecido exportador de pluma. No

início do século 20, a produção nacional de tecidos já era maior que a importação,

ou seja, a indústria têxtil brasileira respondia por 75% a 80% da produção de

tecidos de algodão consumidos no Brasil.

Até a década de 1980, a produção e a indústria têxtil sofreram altos e baixos.

Mas o saldo sempre foi positivo. No fim dos anos de 1960, o Brasil era o quinto

maior exportador da fibra no mundo. Ainda na década de 1980, os produtores

enfrentaram dois problemas que quase dizimaram a cotonicultura nacional.

Primeiro, foi a entrada do bicudo-do-algodoeiro, que infestou e arrasou lavouras

inteiras no Nordeste. Segundo, foi a falta de crédito rural e a instabilidade

econômica do país.

Passada a crise financeira, os produtores enfrentaram novo problema:

a redução das alíquotas de importação na década de 1990. A concorrência

estrangeira foi tão prejudicial aos produtores brasileiros que, na safra 1996/97

o país registrou a menor área plantada até hoje e a menor produção: cultivou

apenas 657 mil hectares, e somente 305,8 mil toneladas, respectivamente.

A crise deslocou os produtores de algodão do eixo Sudeste – principalmente,

São Paulo e Paraná – para o Centro-Oeste, especialmente o Mato Grosso.

7


Isso correu devido fatores favoráveis ao algodão como, clima, topografia e solos. A

pesquisa teve papel fundamental, principalmente com o lançamento da cultivar CNPA

ITA 90, que combinou alta produtividade com boa qualidade de fibra, incentivando a

expansão da cultura na região.

As extensas áreas com topografia plana permitiram o cultivo em escala empresarial,

com uso de tecnologias e mecanização em todas as etapas: do plantio à colheita.

Mudanças também possibilitaram racionalizar os custos, delineando, assim, um novo

panorama na cotonicultura brasileira.

Com a produção em crescimento acelerado, os produtores perceberam que a

melhor forma de tratar de interesses comuns era se unirem. Assim, em 1997, foi criada a

Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA).A partir daí, em ordem

cronológica foram criadas as seguintes associações:

- Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), em 1999;

- Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), em 1999;

- Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), em 1999;

- Associação Sul-Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul), em 1999;

- Associação Paulista dos Produtores de Algodão (Appa), em 1999;

- Associação Baiana dos Produtores dos Produtores de Algodão (Abapa), em 2000;

- Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), em 2001;

- Associação Maranhense dos Produtores de Algodão (Amapa), em 2002;

- Associação Piauiense dos Produtores de Algodão (Apipa), em 2006;

- Associação dos Produtores de Algodão de Tocantins (Apratins) em 2015.

A Abrapa e as 10 associações estaduais deram uma nova dinâmica para a cotonicultura

nacional, a qual é conhecida por sua força e organização. Tem peso econômico e uma

participação ativa no PIB do país. Para se ter uma ideia, em 2013, o PIB do algodão foi

de US$ 19 bilhões. Porém, quando se consideram todos os elos da cadeia, antes, dentro

e depois da fazenda, a movimentação financeira supera os US$ 40 bilhões por safra.

Portanto, a Abrapa e as associações estaduais representam 99% da área plantada, 99%

da produção, e 100% da exportação.

O método de trabalho da Abrapa e das associações estaduais é a gestão por

resultados. Somente com realizações concretas, ações efetivas para sustentar o negócio

de hoje e garantir a produção de amanhã, o setor se fortalece para seguir na trilha

de evolução, iniciada com a introdução da cultura no Cerrado. Com o aumento de

produção, a cotonicultura conseguiu duas grandes conquistas: a autossuficiência do

mercado interno e a retomada da exportação.

Em todos os aspectos, por todas as conquistas acumuladas nesses anos, o setor

brasileiro do algodão é um modelo de negócio pelos seguintes motivos:

- É produzido em escala empresarial, dentro dos mais altos padrões de tecnologia;

- Apresenta mecanização total, do plantio à colheita;

- Conta com tecnologia de ponta em beneficiamento e armazenagem;

- Tem análise e classificação de fibra com base em padrões internacionais;

- Dispõe de sistema de identificação e rastreamento;

- Sua certificação socioambiental está alinhada com padrões internacionais de

sustentabilidade.

Por tudo isso, podemos concluir que a cotonicultura pode ser considerada o

setor mais organizado do agronegócio brasileiro.

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Linha do tempo do algodão em Mato Grosso

Nesse item, serão descritos alguns momentos importantes da cotonicultura matogrossense,

de acordo com relatos de Martha Baptista (2016) (Algodão. Os pioneiros que

transformaram Mato Grosso em um grande produtor).

• 1875 – 1878 – José Severiano da Fonseca, 1 o cirurgião do Exército brasileiro,

destaca o cultivo do algodão em Mato Grosso em seu livro Viagem ao redor do

Brasil.

• Década de 1930 – Chega a Mato Grosso o Dr. Liberato Barrozo, trazendo os

primeiros 1200 kg de sementes melhoradas do algodão herbáceo da variedade

Texas 7111. Designado para superintender os trabalhos da Inspetoria de Plantas

têxteis, criada em Mato Grosso, em março de 1933, Barrozo semeou parte dessas

sementes num campo de cooperação financiado por José Vicente de Medeiros e

distribuiu o restante a agricultores interessados na cultura algodoeira.

• 1936 – Primeiro embarque de algodão, realizado, em 24 de janeiro, por José

Vicente de Medeiros.

• Décadas de 1960/70/80 - Apogeu do cultivo manual do algodoeiro em “terras

de cultura” das regiões da Grande Rondonópolis, Grande Cárceres e Colider,

entre outros.

• 1989 - Início dos primeiros experimentos com o cultivo do algodão mecanizado

na Fazenda Itamarati Norte, do Empresário Olacyr de Morais.

• 1991 - Três produtores da região de Itiquira (Benjamim Zandonadi, Mario

Patriota Fior e Clovis Patriota) visitam as fazendas Itamarati Norte e Cantagalo

(de Ignácio Mammana) e decidem iniciar cultivo mecanizado do algodão em

Itiquira.

• 1991/92 - O Brasil deixa de ser exportador de algodão e assume a posição de

importador.

• 1992 - Primeira ocorrência do bicudo-do-algodoeiro, registrada na região de

Cárceres, em áreas de cultivo manual.

• 1996/97 - Primeira safra de algodão mecanizado nas fazendas Sapezal e Três

Lagoas (Núcleo Regional Noroeste).

• 1997 – É publicado, no Diário Oficial do Estado do Mato Grosso, a Lei 6.833 de 2

de junho que institui o Programa de Apoio à Cultura do Algodão – PROALMAT - e

cria o Fundo de Apoio à Cultura do Algodão – FACUAL.

• 2001/02 – Nessa safra, o Brasil volta a ser exportador de pluma.

• 2007 – Reunidos em assembleia extraordinária, associados da Ampa aprovam

a criação do Instituto Mato-Gossense do Algodão. Emissão do selo Algodão

Socialmente Correto, em parceria com a ABNT.

• 2010 – Introdução do Sistema BCI (Better Cotton Iniciative) em fazendas do

Mato Grosso.

• 2012 – A Abrapa lança o programa Algodão Responsável (ABR).

• 2015/16 – Inauguração dos Centros de Treinamento e Difusão de Tecnologias.

Histórico e perfil corporativo da Companhia Terra Santa Agro S.A.

A Terra Santa é uma sociedade anônima constituída no Brasil, com o status de

companhia aberta deferido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 9 de

novembro de 2006. Em 10 de novembro de 2006, foi realizada a oferta pública Inicial

de ações. É o resultado da incorporação de três empresas: Brasil Ecodiesel, Maeda

Agroindustrial (incorporada em dezembro de 2010) e Vanguarda Participações

(incorporada em setembro de 2011). As duas últimas, genuinamente agrícolas,

consolidaram a estratégia da companhia de adoção de um novo modelo de negócios

com foco na produção de grãos e fibras.

Em decorrência do foco em grãos, a Terra Santa promoveu um plano continuado de

9


desinvestimento de ativos ligados ao biodiesel, para concentrar todos os seus esforços

na alocação de recursos para o desenvolvimento da operação agrícola. Em dezembro

de 2012, realizou um aumento de capital, no qual a gestora de recursos de terceiros

independente, regulada pela CVM, Gávea Investimentos, adquiriu uma porcentagem

significativa do capital social da companhia.

Em janeiro de 2013, iniciou seu processo de turnaround operacional, cujo objetivo

era a busca pela eficiência operacional e rentabilidade dos negócios. Para isso, foram

realizados investimentos em maquinário, solo e na criação de uma cultura organizacional

eficiente, em que o “senso de dono” passou a permear todos os seus níveis hierárquicos.

Os resultados da conclusão desse processo começaram a se tornar realidade já na

safra 2014/15, quando a Terra Santa conquistou suas produtividades recordes em todas

as culturas, inclusive quando comparadas as médias do estado do Mato Grosso. Vale

ressaltar também a decisão da companhia em devolver arrendamentos localizados na

Bahia e Piauí, por conta da alta instabilidade climática e baixa rentabilidade. A partir daí,

concentrou suas operações em Mato Grosso, estado que tem vantagens como:

- estabilidade climática verificada no Centro-Oeste, nos últimos 30 anos;

- possibilidade de plantio eficiente em duas safras, e

- expectativa futura de redução de custos logísticos da exportação pelos portos do

Norte.

Uma vez concluído o processo de turnaround operacional, a Terra Santa passou a

focar na sua reestruturação financeira com objetivo de adequação do fluxo de caixa

financeiro ao fluxo de geração de caixa operacional. Tal atitude reafirmou sua convicção

na capacidade de equalizar seu fluxo de caixa de curto prazo.

Atualmente, a estratégia é evoluir de forma sustentável, gerando maior valor aos

investidores. A estrutura acionária da companhia é pulverizada com predominância

majoritária de investidores brasileiros.

Ì

SAiBA MAIS: Para obter mais detalhes , basta acessar o site www.

terrasantaagro.com

Perfil corporativo

A Terra Santa Agro é uma empresa produtora de commodities agrícolas, com

foco na produção de soja, milho e algodão. Conta com sete unidades de produção

estrategicamente localizadas no Mato Grosso, por esse estado apresentar condições

favoráveis ao agronegócio, totalizando uma área sob gestão de 143,2 mil hectares.

Além disso, dispõe de equipamentos e ativos complementares à sua operação

agrícola:

- 446 equipamentos agrícolas em uso, sendo 347 próprios;

- Nove unidades de armazenagem, das quais cinco próprias; e

- Três algodoeiras.

A companhia tem suas ações negociadas no Novo Mercado da B3, nível mais alto de

governança corporativa da bolsa brasileira

10


02

Do manejo

integrado

de pragas à

comercialização

da fibra

1. MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS E DOENÇAS

Contra a cultura do algodão, mais de 260 insetos, em algum momento,

podem causar injúrias na planta, resultando em queda na sua produção e

produtividade. Como o algodoeiro tem um ciclo longo, com as fases vegetativas

e reprodutivas se sobrepondo, e o florescimento e a frutificação com duração

de mais de 50 dias, é necessário que, no manejo da lavoura, sejam empregados

diversos métodos para o controle dos insetos. Entre eles, o Manejo Integrado de

Pragas (MIP).

Quanto às doenças, são mais de 200 patógenos que podem causar

prejuízos à cultura do algodão. Desse total, mais de 90% são fungos, muito dos

quais transmitidos por sementes, com destaque para as seguintes doenças:

Tombamento /Mela; Mancha de Ramularia; Ramulose; Mancha de Corynespora;

Mancha de Alternária; Mancha de Mirotecio; Mancha de Stemphylium; Ferrugem

do Algodoeiro; Cercospora Aschocyta; Macrophomina; Antracnose; Mofo

Branco; Murcha de Fusarium; Murcha de Verticilium; Apodrecimento de Cápsula

e Apodrecimento Radicular por Rosellinia.

Quanto aos vírus, segundo literatura consultada, são 16 que podem causar

injurias no algodão. Com destaque para o vírus que causa o mosaico das

nervuras, também conhecido como “Doença Azul” ou “Azulão”; Virose Atípica;

Vermelhão e Mosaico comum. Já entre as bactérias, somente uma, do grupo das

11


Xanthomonas, conhecida como mancha angular, pode causar problemas no algodoeiro,

conforme IAMAMOTO (2007) e SUASSUNA & COUTINHO (2015).

Na Terra Santa, todo o processo de identificação das doenças, seu grau

de incidência (dados coletados no campo) e análise, que podem gerar

recomendação de controle, são realizados pela equipe de monitores

de pragas e avaliados pelo coordenador de produção, ou seja, não

existe uma equipe específica para manejo de doenças.

Õ

Tanto as variedades usadas atualmente, quanto o manejo durante o ciclo do

algodoeiro têm reduzido bastante a incidência de muitas doenças que foram problemas

num passado não muito distante. Na atual safra – 2017/18 -, a empresa, em alguns

talhões, teve problemas no início do cultivo com Tombamento/Mela, que foi controlado

com aplicação de Ciproconazol.

No entanto, a doença de alta incidência que causou maior preocupação foi a Mancha

de ramularia, também chamada de falso-míldio, ramulariose ou míldio areolado.

Atualmente, é a principal doença do algodoeiro nas condições do Cerrado brasileiro.

Seu agente causal é a Ramularia aréola. A doença é favorecida pelas temperaturas entre

12 o C e 32 o C, associada à umidade relativa acima de 80%. Pode ser disseminada por

vento, respingos de chuva e trânsito de máquinas e animais na área.

Nesta safra, devido às condições favoráveis para sua disseminação, manifestou-se

desde o início do desenvolvimento vegetativo, prolongando a incidência até próximo

ao final do ciclo. Os sintomas da doença são caracterizados, primeiramente, pelos sinais

do patógeno, com sua esporulação elevada.

Figura 148 - Sintomas da Mancha de

ramularia em alto grau de incidência na parte axial

da folha

Figura 149 - Alta incidência da mancha de

ramularia na parte axial da folha do algodoeiro

No entanto, quando os sintomas estão na fase inicial, no baixeiro das plantas, há

necessidade de atenção e experiência para a diagnose eficiente, pois esse é o momento

correto de controle. Exemplos iniciais podem ser vistos na parte inferior da folha.

12


Figura 150 - Algodão 54 DAE. Sintomas iniciais

de ramularia no verso da folha do baixeiro. UP

Guapirama

Figura 151 - Algodão safra 88 DAE. MIP -

detectando presença de ramularia em folhas mais

velhas, no baixeiro. UP Ribeiro do Céu

Os sintomas da doença são manchas pulverulentas, geralmente angulosas,

delimitadas pelas nervuras, de coloração branca ou amarela. A área onde o tecido é

lesionado apresenta coloração verde-brilhante, com esporulação intensa do fungo,

principalmente na face inferior da folha. Em anos muito chuvosos, a ocorrência de

ramulariose pode provocar desfolha e apodrecimento de cápsulas no baixeiro e redução

da produtividade (IAMAMOTO, 2007).

Outras doenças que se manifestaram na atual safra foram a Virose Atípica, a Mancha de

Mirotécio e a Mancha Alvo. A Mancha de Corynespora ou Mancha Alvo vem aparecendo

com maior frequência no Cerrado, infectando folhas, caule e maçãs do algodoeiro. Os

sintomas mais comuns ocorrem em folhas do baixeiro e do terço médio, provocando

desfolha prematura. As lesões têm início com pontos pardos, evoluindo para grandes

manchas circulares de coloração castanho-claro e castanho-escuro. Geralmente, as

manchas apresentam anéis concêntricos de coloração mais escuros no centro das

lesões. Umidade e temperaturas altas favorecem o desenvolvimento da doença.

Figura 152 - Presença de mancha alvo com

anéis concêntricos de coloração marrom-escuro,

em folhas na parte mediana da planta

Figura 153 - Mancha alvo em folhas do

baixeiro com destaque para os anéis concêntricos

de coloração pardo-escuro

Vale ressaltar que, na presente safra, a ramularia foi a doença que se manifestou

com maior incidência, exigindo várias aplicações de fungicidas, média da companhia:

8,82 aplicações, de produtos pertencentes aos seguintes grupos químicos - Hidróxido

de Fentina; Carboxamida+Estrobirulina; Ciproconazol e Difenoconazol.

A mancha de mirotécio também se manifestou na presente safra, principalmente

em talhões com desenvolvimento vegetativo mais vigoroso e com fechamento das

entrelinhas mais cedo e mais intenso. É um patógeno saprófita e oportunista, que

sobrevive em restos culturais e que pode também participar do complexo de patógenos

envolvidos com o tombamento. As altas temperaturas (25 o C a 30 o C), associadas à alta

umidade relativa e à alta pluviosidade, são condições favoráveis ao desenvolvimento da

13


doença. Sua disseminação ocorre por meio de respingos de chuva, irrigação e sementes

infectadas (SUASSUNA & COUTINHO, 2015).

Os primeiros sintomas aparecem nas folhas do baixeiro, caracterizados por manchas

circulares, em forma de anéis concêntricos e margeadas por uma coloração violeta ou

avermelhada, apresentando o centro marrom. Nas maçãs, pecíolos e caules, as lesões

são de forma irregular e coloração escura, circundadas por uma coloração violeta e

avermelhada.

Figura 154 - Fungo Mirotécio atacando maçã

do algodoeiro. UP Guapirama

Figura 155 - Maça com ataque severo de

mirotécio. UP Guapirama

Quanto ao Manejo de Pragas, a maior vantagem de usar o MIP é considerar as pragas

como parte do sistema ecológico, no qual a cultura se insere. Assim, são controlados de

modo a não alterar o balanço ecológico para que novas pragas não venham a ocorrer.

Um dos pontos de maior relevância para uso do MIP é ter colaboradores técnicos

capacitados para a função, monitorando as pragas e também os inimigos naturais. Um

monitor capacitado (treinado) irá realizar amostragens com qualidade, o que gerará

informações seguras, permitindo decisões corretas.

Tanto o algodoeiro quanto os insetos-pragas são muito dinâmicos: a cada safra,

novas situações podem ser geradas. Portanto, a capacitação desses colaboradores deve

ocorrer todos os anos.

Figura 156 - Lepidóptera da lagarta

Helicoverpa zea em planta de algodão com 15

DAE. UP São José

Figura 157 - Tiguera de soja com presença

de lagarta Helicoverpa spp em talhão de algodão

safrinha. UP Ribeiro do Céu

14


Figura 158 - Ovo da lagarta Helicoverpa spp

colocado junto a folha mais jovem no nó apical. UP

Ribeiro do Céu

Figura 159 - População de pulgões nas folhas

do nó apical. Algodão 40 DAE UP Terra Santa

Figura 160 - Ataque da lagarta Spodoptera

eridânia UP Terra Santa

Figura 161 - Algodão safra 88 DAE: ácaro

rajado detectado no monitoramento. UP Ribeiro

do Céu

O uso do MIP em algodão tem por princípio evitar a resistência dos

insetos aos inseticidas e a persistência de produtos químicos no meio

ambiente, como os organoclorados; reduzir o perigo no manuseio

dos produtos químicos; evitar o desequilíbrio do meio ambiente, e,

finalmente, diminuir os custos operacionais.

Õ

Para se ter êxito com o uso dessa ferramenta, observe com bastante atenção se está

ocorrendo controle natural por meio do processo de amostragem, identificando se os

danos causados pelo inseto alcançaram níveis de danos econômicos. O monitor deverá ter

conhecimento da Biologia-Ecologia tanto dos insetos-pragas quanto dos inimigos naturais.

Figura 162 - Talhão aos 88 DAE: plantas com

1,25 m de altura em processo de monitoramento.

UP Ribeiro do Céu

Figura 163 - Algodão safra 88 DAE: monitor de

pragas examinando uma planta. UP Ribeiro do Céu

15


Figura 164 - Monitor de pragas examinando

estruturas reprodutivas no interior do dossel

(algodão safra 88 DAE). UP Ribeiro do Céu

Figura 165 - Massa de ovos do complexo

Spodoptera. UP Ribeiro do Céu

Figura 166 - Algodão safra 88 DAE: galeria na haste principal feita por lagarta complexo Spodoptera.

UP Ribeiro do Céu

A Terra Santa Agro tem uma logística bem estruturada para o manejo de pragas.

Foi desenvolvido um documento-procedimento operacional padrão (POP) assim

denominado: Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD) para as culturas do algodão,

milho, soja e girassol. Sua finalidade é estabelecer procedimentos e padronizações

operacionais para o manejo integrado de pragas, das culturas e de aplicação segura de

agrotóxicos (BALDI & AMARAL, 2015).

Figura 167 - Presença de percevejo marrom

em folha jovem do nó apical. UP Guapirama

Figura 168 - Lagarta do complexo Spodoptera

em folha jovem no nó apical. UP Guapirama

16


Figura 169 - Lagarta Spodoptera frugiperda

atacando botão floral do algodoeiro. UP São José

Figura 170 - Lagarta Spodoptera frugiperda

atacando botão floral do algodoeiro. UP São José

Uma das práticas do MIPD se dá por meio de vistorias em talhões, realizadas por

colaboradores técnicos capacitados para a função, monitorando as pragas e os inimigos

naturais. Os dados coletados devem ser inseridos no tablet de monitoramento, sendo

obrigatório o envio dos dados obtidos para o sistema GAtec MIP.

Caso alguma praga atinja o nível de controle, o coordenador de produção irá

definir produtos, doses e a tecnologia de aplicação que serão utilizadas no controle

(pulverização terrestre ou aérea, conforme a disponibilidade operacional). Ele passa

essa recomendação para o monitor de operações agrícola, para que possa abrir uma

Ordem de Serviço (OS), que a repassa ao supervisor de lavoura responsável pela retirada

do respectivo volume de defensivo do depósito e sua aplicação na lavoura.

De acordo com BALDI & AMARAL (2015), na cultura do algodão um monitor é

responsável por vistoriar 650 ha. Quanto à forma de caminhamento, existem várias. Pode

ser em ziguezague; em V em V invertido; em M; cruzado XX; em pontos predefinidos e

em espiral. O coordenador de produção, juntamente com os monitores, define qual

a melhor forma de caminhar em cada talhão a ser monitorado. O importante é que

sempre mudem a forma de caminhar e o local de entrada e saída do talhão. A reentrada

no talhão após a aplicação deve variar de 3 a 5 dias de acordo com o produto utilizado.

O monitor é peça-chave no manejo da lavoura de algodão, pois é um profissional

que, a partir da emergência das plântulas, vai estar todos os dias na lavoura até o final

do ciclo do algodão. Para isso, ele tem que ter o seguinte perfil:

• Ser proativo, saber o que fazer e fazer;

• Ser investigador, buscar a informação;

• Ser curioso que pergunta, e

• Ser observador, saber o que ocorreu ao seu redor.

17


Além disso, ao entrar no talhão deve fazer “cinco perguntas para a planta”: Tem praga;

Qual praga; Quantas têm; Que tamanho está e Onde está.

A Terra Santa adota a seguinte Metodologia de Amostragem:

I. É recomendável a entrada de dois monitores por talhão em cada vistoria;

II. Amostrar 3 plantas/ha até os 35 DAE e 1 planta/ha após 35 DAE e serão

estabelecidos da seguinte forma:

Quantidade de pontos =

Área Física do Talhão * Qdade Plantas ha -1

nº de plantas m²

III. Até 35 DAE, monitorar 10 plantas/ponto

IV. A partir dos 35 DAE, monitorar 4 plantas/ponto

V. Instalar 4 armadilhas com feromônio para Pectinophora gossipyella por

talhão. Instalar dentro do talhão a 50 cm de altura do terço superior da cultura a 20 m

de distância da bordadura.

VI. Monitorar semanalmente o perímetro da área plantada de algodão

para verificar o nível de infestação (pressão) de bicudo; 3 pessoas a cada 5 m (“dia do

bicudo”).

Quanto ao bicudo do algodoeiro, principal inseto praga da cultura, seu manejo e

monitoramento são mais específicos:

- Sessenta dias antes da semeadura do algodão deverá ser feita a instalação de

armadilhas com feromônio para captura de bicudo. O objetivo é avaliar o nível de

infestação dessa praga nos talhões, que deverão ser instaladas com altura de 1,5 m em

toda periferia dos talhões a 150 m de distância uma da outra, e a 5m da borda do talhão

(VIEIRA, 2015).

Figura 171 - Armadilha para bicudo instalada na borda da mata que circunda o talhão. UP Terra Santa

18


Figura 172 - Armadilha para bicudo. Detalhe do feromônio no interior da armadilha. UP Terra Santa

A vistoria deve ser feita a cada sete dias e tanto o feromônio, quanto a pastilha

com inseticida deverá ser trocada a cada 14 dias. As armadilhas devem permanecer

na lavoura até o surgimento das primeiras flores, pois a partir deste período as flores

passam a atrair o bicudo com uma intensidade maior do que o feromônio presente nas

armadilhas.

O número de bicudos capturados por armadilha por semana (BAS) serve para

definir um zoneamento de cores, que irá orientar o manejo (n o de aplicações em área

total) a ser adotado por ocasião do aparecimento do primeiro botão floral (VIEIRA, 2015)

a

BAS: é indicador de média de todas as armadilhas de campo, naquela semana.

ÁREA NÍVEL PROCEDIMENTO

I. Verde

Sem captura de bicudo na armadilha /

semana

Não aplicar inseticida;

II. Azul < 1 bicudo / armadilha / semana

Realizar 1 aplicação de

inseticida em B1

III. Amarela 1 a 2 bicudos / armadilha / semana

Realizar 2 aplicações de

inseticida, sendo a 2ª

aplicação 5 dias após a

1ª;

IV. Vermelha > 2 bicudos / armadilha / semana

Realizar 3 aplicações

de inseticida, com

intervalos de 5 dias entre

as aplicações.

19


Essa estratégia é válida sem os dados de monitoramento, ou seja, se no

monitoramento for encontrado bicudo antes de B1, iniciam-se aplicações em bateria

(VIEIRA, 2015).

• Aplicações de inseticidas em bordaduras de 5 em 5 dias

Esse procedimento é realizado com o objetivo de conter a entrada da praga,

controlando sua presença na bordadura antes que entre no interior do talhão.

Conforme a detecção da praga nas armadilhas, a aplicação de inseticida se inicia

na dessecação da soja, ou após a semeadura do algodão, junto com o herbicida préemergente

e pode se estender até os 80 DAE, caso a pressão do inseto nas armadilhas

seja pequena; ou até os 120 DAE, se essa pressão for maior, respeitando o intervalo de

cinco dias entre as aplicações. A faixa de aplicação deve ser de 50 metros, nos locais de

menor entrada do bicudo, e de 75 metros, nos locais de maior entrada.

2. MANEJO DE PÓS-COLHEITA

O objetivo deste procedimento é manter o bicudo sob controle após a colheita do

algodão, realizando as seguintes operações:

I. Instalação dos tubos mata-bicudos (TMB): faça a instalação a cada 50 m, em

todo o perímetro dos talhões de algodão.

II. Aplicação juntamente com dessecante na destruição de soqueira: aplicação

de inseticida juntamente com a dessecação da soqueira de algodão.

III. Aplicação juntamente com a operação de roçagem: caso a infestação de

bicudo seja alta, recomenda-se fazer aplicação de inseticida imediatamente após a

operação de roçagem do algodão (triton).

IV. Destruição da soqueira: medida profilática padrão visando eliminar toda

soqueira e tiguera de algodão. Todas as áreas devem ser programadas para a destruição

de soqueira (obrigatório).

V. Respeitar o vazio sanitário: no Mato Grosso existem duas datas: no Sul do

estado, inicia-se em 15/09 e vai até 30/11; na região do Parecis e Médio-norte do estado,

tem início em 15/09 e se estende até 15/12.

Figura 173 - Tubo Mata Bicudo com feromônio colocado em local estratégico na borda do talhão. UP

Terra Santa

20


• Exemplo do manejo do bicudo em uma UP da empresa

Após o plantio, foi realizada uma aplicação de inseticida nas bordaduras dos

talhões, provavelmente em função dos insetos encontrados nas armadilhas.

A partir dos 35 DAE, foram realizadas três baterias de três aplicações cada,

com a primeira delas acontecendo entre 35 e 45 DAE; a segunda entre 75

e 90 DAE, e a terceira entre 120 e 135 DAE. Tais aplicações foram realizadas

nas bordaduras, em função da captura de bicudos nas armadilhas. Esse

procedimento proporcionou um bom manejo da lavoura, não se detectando

a praga no interior dos talhões.

2.1. Refúgio na utilização da Biotecnologia – Tecnologia BT

Com o objetivo de colaborar com a preservação da tecnologia BT, recomenda-se

utilizar, na cultura do algodão com proteínas ativas, 20% da área como refúgio, na qual

ficaria, no máximo, a 800m de outras com plantas BT. Entretanto, em função das áreas de

plantio serem muita extensas, a Terra Santa tem adotado o plantio de um talhão inteiro

com variedade não BT por unidade de produção.

Segundo consultores que atuam em lavouras de algodão no Mato Grosso, a

tecnologia BT não se expressa nas brácteas, nem nas flores que possam provocar a morte

dos insetos. No monitoramento, vem sendo observado ovoposição de lepidópteras

junto às flores e até a presença de lagartas adultas se alimentando das pétalas. Isso

só vem confirmar a recomendação das empresas detentoras da BT, para que se faça o

monitoramento e o uso de produtos químicos em variedades dessa tecnologia, a partir

no momento em que se observar danos econômicos nas plantas.

Figura 174 - Lagarta complexo Spodoptera se alimentando das pétalas da flor de algodão. UP

Guapirama

PRAGAS QUE ATACAM O ALGODOEIRO NA FASE VEGETATIVA

Pulgão

(variedades suscetíveis à Doença Azul)

Pulgão

(variedades resistentes à Doença Azul)

4% das plantas infestadas

20% de plantas infestadas

21


Lagartas desfolhadoras

Lagartas de dano direto

Percevejos invasores

Percevejo manchador e Percevejo

rajado

Lagarta rosada

Bicudo (POP)

Mosca branca

Trips

Ácaro rajado e ácaro vermelho

Ácaro branco

Vaquinhas desfolhadoras,

cascudinhos e

besouros desfolhadores

10% de desfolha na planta ou 8% de plantas atacadas

5% de plantas infestadas

0,1 a 0,3 percevejos/ planta

20% de plantas com ninfas/adultos

5 mariposas/armadilha/noite

seguir as zonas de bicudos especificados

15% de plantas com adultos, ninfas e início de formação de mela

20% de plantas infestadas

10% das plantas com sintomas/atacadas

30% de plantas com sintomas de ataque

10% de desfolha da planta

Fonte: BALDI & AMARAL (2015).

PRAGAS QUE ATACAM O ALGODOEIRO NA FASE REPRODUTIVA

Pulgão

(variedades suscetíveis à Doença

Azul)

Pulgão

(variedades resistentes à Doença

Azul)

Lagartas desfolhadoras –

8% de plantas atacadas

40% de plantas atacadas

10% de desfolha da planta, 25% de desfolha do ponteiro

ou 2 lagartas/planta

Lagartas de danos diretos –

5 – 6% de plantas infestadas

Percevejos Invasores –

0,1 a 0,3 percevejo/planta

Percevejo manchador e

percevejo rajado

20% de plantas com presença de ninfas/adultos

22


Lagarta rosada

5 mariposas/armadilha/noite

Bicudo

no máximo, 5 botões preferidos (6 mm de diâmetro)

atacados

Mosca branca

15% de plantas com adultos, ninfas e início de formação

de melado

Trips

20% de plantas infestadas

Ácaro rajado e

ácaro vermelho

10% de plantas com sintomas/atacadas

Ácaro branco

30% de plantas com sintomas de ataque

Vaquinha desfolhadoras,

cascudinhos e

besouros desfolhadores

Formiga cortadeira

10% de desfolha na planta

(Saúva e quenquém) – 10% de desfolha da planta até 30

a 40 DAE, ou 25% de desfolha do ponteiro depois dos 30

a 40 DAE

Fonte: BALDI & AMARAL (2015).

2.2. Procedimentos adotados pela Terra Santa no manejo integrado de pragas

do algodão

Segundo BALDI & AMARAL (2015), o processo se inicia pela manhã, com a reunião

do coordenador de produção ou seu assistente técnico com todos os monitores para

definir quais os talhões que serão amostrados naquele dia. Após a reunião, os monitores

se deslocam (em dupla por questões de segurança) para os talhões a serem vistoriados.

Cada monitor realiza o trabalho em um talhão, de modo que, ao final do turno (manhã

ou tarde), se encontram em ponto previamente determinado por eles.

Ao chegar no talhão, o monitor preenche o cabeçalho, inserindo as seguintes

informações no tablet:

- Nome da unidade de produção (UP);

- N o do talhão a ser vistoriado (amostrado);

- Fase fenológica da cultura (exemplo: quatro maçãs desenvolvidas);

- Data da emergência e, se tiver mais de uma variedade plantada no talhão,

deverá ser informada qual é a variedade que está sendo monitorada.

• Exemplo de um monitoramento realizado na UP Ribeiro do Céu. Talhão M7

– algodão safra com 88 DAE variedade FM 975 ws. O caminhamento foi definido

que seria em V e, na primeira “linha”, foram amostradas 16 plantas (escolhidas

de forma aleatória) em 16 pontos. Foram observadas e devidamente registradas

no tablet as presenças de pulgão vivo; ninfa e adultos de mosca branca morta;

23


lagarta eridania; fungos mirotecio, mancha alvo e ramularia (como principal

doença do algodoeiro), em qual nó ela se encontrava. Também foi registrada

a presença das seguintes plantas daninhas: joá de capote, beldroega, capim

pé-de-galinha, caruru, erva de santa Luzia e apaga fogo. Para o manejo dessas

plantas daninhas foi sugerido uma capina manual no talhão, uma vez que todos

os herbicidas recomendados já haviam sido utilizados.

Atente-se que, para um monitoramento eficiente, é preciso:

1- Metodologia Adequada;

2- Organização;

3- Disciplina.

E para um eficaz controle de pragas é fundamental que os quatro envolvidos no

processo de controle de pragas (monitor de campo, coordenador de produção - eng.

agrônomo -, operador de pulverizaç-ão e caldeiro) tenham competência e estejam

treinados e alinhados.

2.3. Tecnologias de aplicação de defensivos

Descrito conforme POP (Procedimento Operacional Padrão) da empresa, elaborado

por IKETANI et al. (2015), tem por finalidade definir um padrão na empresa de tecnologia

de aplicação, com envolvimento do departamento de planejamento e das unidades de

produção.

Nas unidades de produção (UP) têm envolvimento direto nesse procedimento: o

coordenador de produção, o supervisor de aplicação, o executor em aviação agrícola, o

piloto de aviação, o aplicador e o caldeiro.

Qualidade da Água

a. Dureza da água: é capaz de interferir negativamente na qualidade da calda

de um defensivo agrícola. É definida pela concentração de cátions alcalino ferrosos

presentes na água, expressa na forma de PPM de CaCO3 ou mg/dm 3 , originados de

carbonatos, bicarbonatos, cloreto e sulfatos.

b. pH da água: pode interferir na ação de um ingrediente ativo, pois uma alta

concentração de íons H + ou O - pode reagir com o ingrediente ativo, reduzindo sua

atividade biológica.

Constatando-se valores de pH e dureza da água elevados, deve-se utilizar o redutor

de pH planejado no pacote de insumos da UP.

Atualmente, a empresa adota alguns adjuvantes para redução de pH de calda. A

dose de cada um depende do pH da água utilizada na UP e a faixa ideal de pH requerida

pelo produto a ser aplicado. Assim, deve-se fazer um teste com várias doses do produto

em pequenas proporções para definir aquela a ser utilizada.

Exemplos do valor de pH da calda para

alguns defensivos utilizados na Terra Santa

Herbicida

pH da

calda

2,4-D 5.0

Inseticida

Abamectina

36

pH da

calda

Fungicida

pH da

Calda

5.0 Carbendazim 5.0

24


Clorimuron 5.0 Clorpirifós 4.0 a 5.0 Cercobim 5.0

Glifosato 3.0 a 4.0 Dimetoato 4.0 Score 5.0

Zapp Qi 5.0 Malathion 5.0

2.3.1. Conceitos Básicos de Aplicação de Produtos Fitossanitários

a. Definição de alvo: O produto fitossanitário deve exercer a sua ação sobre o

organismo que se deseja controlar. Portanto, o alvo a ser atingido é esse organismo, seja

ele uma planta daninha, um inseto, um fungo ou uma bactéria.

b. Interferência das condições ambientais: A condição mais segura para se

pulverizar é com o vento constante de 3,2 a 6,5 km/h. Deve-se utilizar um anemômetro

para medir a velocidade do vento. Pulverizações devem ser evitadas com velocidade

igual ou inferior a 1,0 km/h e acima de 10 km/h, devido ao risco de deriva em direções

imprevisíveis.

De modo geral, temperaturas superiores a 30 o C e umidade relativa inferior a 55%

são impróprias a pulverizações. Os períodos da manhã e do final da tarde geralmente

são os melhores para aplicação de defensivos, apresentando normalmente valores

satisfatórios de vento, temperatura e umidade relativa do ar. Lembre-se de que o horário

não é o mais importante, mas sim as condições ambientais.

c. Pontas de pulverização terrestre: Conforme as normas internacionais, as pontas

de pulverização devem ser codificadas, obedecendo a um padrão internacional na sua

nomenclatura e formatos. Como exemplo, uma ponta XR11004VP, no qual XR representa

o tipo de ponta, 110 refere-se ao ângulo de 110 o de projeção das gotas, 04 indica que

tem uma vazão de 0,4 galão/minuto, VP indic que essa ponta tem código de corres

Visoflo (V) e é de Polímero (P).

d. Vazão das pontas: As vazões são classificadas em função do volume de calda

aplicado por hectare: baixo volume oleoso(BVO); médio volume(MV) e alto volume(AV).

Aplicação BVO MV AV

Terrestre 10-35 30-60 61-120

Aérea 5-12 13-30 31-40

e- Distribuição de gotas: A cobertura é o número de gotas por unidade de área,

obtido na pulverização. E para fazer observações da qualidade da aplicação, o primeiro

passo é coletar uma amostra, com espelho, papel hidrossensível ou outro meio no qual

se consiga visualizar a quantidade de gotas depositadas por unidade de área. Portanto,

para cada tipo de defensivo aplicado, há uma quantidade ideal de número de gotas/cm 2

e diâmetro médio volumétrico de gotas DVM).

Produto Gotas/cm 2 DMV (micras)

Inseticidas 20-30 100-200

Herbicidas (préemergente)

20-30 300-400

Herbicidas (pósemergente)

30-40 200-300

Fungicidas (sistêmico) 30-40 100-200

Fungicidas (de contato) > 70 100-200

f- Altura de trabalho das barras do pulverizador: Para obtenção de uma boa

qualidade de cobertura e distribuição das gotas, deve-se cuidar da altura de trabalho

das pontas de pulverização. Isso porque cada ponta apresenta um ângulo de abertura

25


da projeção das gotas pulverizadas e a sobreposição dessas gotas será dada em função

da distância entre os bicos na barra do pulverizador e a distância dos bicos e o alvo que

se deseja atingir.

Ângulo de

Pulverização

Altura da Barra

Espaçamento entre bicos

35 cm 50 cm 75 cm 100 cm

80 o 55 cm 75 cm 110 cm

110 o 35 cm 50 cm 75 cm

não

recomendável

não

recomendável

120 o 35 cm 50 cm 75 cm 100 cm

g- Ordem de adição dos produtos no tanque de pulverização: Os produtos

químicos utilizados na pulverização agrícola são fornecidos nas seguintes formulações,

e quando o solvente utilizado é a água, devem ser misturados na seguinte ordem de

adição descrita nesta tabela.

Ordem

de

Tipo de formulação

adição

1 Água

Código de

formulação

2 Pó Molhável PM

3

Grânulos Dispersíveis em

Água

WG

4 Dry Flowable DF

5 Suspensão Concentrada SC

6 Emulsão em Água EW

7 Espalhante Adesivo EA

8 Concentrado Emulsionável CE

9 Líquido Solúvel LS

10

Solução Aquosa não

Concentrada

SANC

11

Solução Aquosa

Concentrada

SAC

No caso da utilização de algum tipo de óleo emulsionável, deve-se realizar a mistura na seguinte

ordem: Óleo + Produto (agitar bem) + Água (agitar bem) = (OPA).

26


h- Sequência correta para preparo de calda com adubo foliar

1. Coloque 2/3 de água no tanque.

2. Coloque o UBYFOL MS-MN25RR por cima da água no tanque e deixe

agitando por dois minutos.

3. No pré-misturador, prepare calda 1 com: água + inseticida e mande para

o tanque

4. No pré-misturador prepare calda 2 com: água +herbicida e mande para o

tanque

5. Complete o tanque com água.

i – Faixas de aplicação aérea: Cada tipo de pulverização aérea exige uma

recomendação de faixa em função da qualidade exigida para se atingir boa eficiência

do produto pulverizado. Junto a isso, é muito importante conferir o fechamento das

faixas de aplicação. De forma geral, as recomendações de vazão e faixa utilizadas nos

voos com atomizador micronair e a barra (bico CP), para cada tipo de produto aplicado:

Ipanema

Produto Tipo de Ponta Vazão (l/ha)

Faixa de

Aplicação (M)

Fungicidas Micronair 10 20

Herbicidas Micronair 10 20

Inseticidas Micronair 10 25

Fertilizantes

Foliares

bico CP 10 25

Fatores a serem cuidados constantemente nas aplicações aéreas

A qualidade da aplicação aérea depende de fatores que influenciam diretamente o

resultado, devendo-se estar sempre atento a eles na execução da atividade.

1 Densidade de gotas:

I Fungicidas: acima de 50 gotas/cm 2

II Herbicidas: acima de 50 gotas/cm 2

III Inseticidas: acima de 20 gotas/cm 2

IV Fertilizantes Foliares: 20 gotas/cm 2

2 Altura de Voo:

Depende da velocidade do vento, devido ao Fator Amsdem (FA)

(FA) = Velocidade do vento x Altura do voo

• Exemplo: Voo com altura de 5,0m e velocidade do vento de 6,0 km/h, tem um

FA= 30. Para um voo com altura de 3,0 m e velocidade do vento de 10 km/h

também tem um FA= 30. Dessa forma, o comportamento das neblinas das duas

aplicações será muito semelhante e os seus resultados também serão por terem

o mesmo FA.

27


Condições Climáticas

Produto Umidade Temperatura Vento(km/h)

Fator Amsdem

(FA)

Fungicida > 55% < 32 o C 2- 10 30

Herbicidas > 55% < 32 o C 2- 10 30

Inseticidas > 55% < 32 o C 2- 15 30

Ferti Foliar > 55% < 32 o C 2- 15 30

j - Características do alvo:

1- Pragas: conhecer seu comportamento nas culturas. Se tem hábito noturno ou é

indiferente ao horário, a mobilidade da praga no dossel da planta, a forma como a praga

se contamina com o defensivo.

2- Doenças: quais são, em que estádio da cultura ocorrem, condições que as

favorecem e o melhor momento de intervenção.

3- Plantas Daninhas: avaliar o melhor estádio de controle da planta daninha, se ela

está ou não estressada, se é perenizada ou não.

4 Fertilizantes Foliares: são aplicados visando à nutrição das culturas e, por isso,

devem ser pulverizadas da forma mais uniforme possível evitando variações no estado

de nutrição das lavouras.

5- Herbicidas pré-emergentes: conhecer as recomendações de utilização do produto.

3. APLICAÇÃO DE DESFOLHANTES E MATURADORES

Essa etapa do manejo do algodoeiro tem uma importância a mais, pois a aplicação

desses produtos, de forma antecipada ou após o período recomendado, vai influenciar não

só nas propriedades intrínsecas da fibra (comprimento, uniformidade de comprimento;

micronaire e grau de maturação, etc.), como também na qualidade extrínseca, ou seja,

a presença de impurezas provenientes do processo de colheita (pedaços de folha

“pimentinha”; pecíolo da folha; casca; fibra do caule, etc.). Isso porque a planta mais

vigorosa e de porte mais elevado (aconteceu esse ano), ao passar pelos fusos, é retirada

parte da casca do caule (fibra), junto com o algodão em caroço e presença de “clorofila”,

que nada mais é do que pedaços verdes do caule que se misturam à fibra.

Portanto, é imprescindível que o manejo da lavoura seja o mais próximo possível

do ideal, para que esses acontecimentos não venham prejudicar a qualidade da fibra

colhida e, consequentemente, depreciar o seu valor de comercialização.

Figura 175 - Presença de impurezas no

algodão em caroço após colheita, tanto em

fardões quanto em rolinhos. UP Guapirama

Figura 176 - Presença de impurezas em

amostras de fibra após o beneficiamento o que vai

interferir na classificação da fibra. UP Ribeiro do

Céu

28


O algodão, por ser uma planta perene, não entra em senescência após a abertura

total dos frutos e queda das folhas de forma natural. Portanto, a aplicação de produtos

químicos sintéticos durante o processo de abertura natural dos frutos se faz necessária

para acelerar a abertura dos frutos e queda das folhas, de modo que a colheita possa

ocorrer de forma mais rápida, uniforme e limpa possível (AZEVEDO et al., 2008).

A aplicação desses produtos na dosagem correta e no momento certo vai propiciar

uma lavoura completamente desprovida de folhas e com todos os frutos comercialmente

viáveis abertos. No entanto, o maior desafio é definir esse exato momento da aplicação

para evitar a ocorrência dos problemas.

Os desfolhantes e maturadores, cujos princípios ativos atualmente mais utilizados

são o Tidiazuron e o Etephon, respectivamente, atuam no balanceamento de hormônios

promotores como acido 3 – indolacético (AIA) e retardadores, como o etileno.

Com a aplicação do Tidiazuron, verifica-se redução no nível e transporte endógeno do

AIA, resultando em substancial aumento na produção de etileno, hormônio responsável

pela formação da camada de abscisão. Em geral, após a aplicação do Tidiazuron, verificase

declínio no nível de AIA, com consequente formação da camada de abscisão (LAMAS

& FERREIRA, 2015).

O Etephon (acido 2 cloro fosfônico) é substância liberadora de etileno, o qual inibe a

movimentação interna do AIA e propicia a formação da zona de abscisão. A precocidade

e a uniformidade de abertura dos frutos são aumentadas significativamente com a sua

aplicação (LAMAS & FERREIRA, 2015).

.

POP - utilização de maturador, desfolhante e dessecantes para cultura do

algodão

A Terra Santa tem um POP (Procedimento Operacional Padrão) de “utilização de

maturador, desfolhante e dessecantes para a cultura do algodão”, elaborado por IKETANI

et al. (2014). Os procedimentos para a utilização dessa ferramenta são os seguintes:

- Identificação das maçãs fisiologicamente maduras.

- Coleta da última maçã viável e fazer nela um corte transversal: se houver um halo

amarelo ou marrom internamente ao redor da semente, a maçã está fisiologicamente

madura. Esse processo é feito em cinco pontos representativos no talhão. Em cada

ponto, num espaço de 5 m em duas linhas, conte o n o de capulhos + maçãs viáveis.

Figura 177 - Maçã com corte transversal em maturação fisiológica demonstrada pela cor escura do

tegumento que envolve a semente

- Existem duas outras maneiras práticas de se verificar se as maçãs do ponteiro estão

fisiologicamente maduras:

• A primeira é uma observação visual dessas maçãs - se verificar um rompimento

natural entre os seus lóculos, a fibra está madura e, dentro de poucos dias, os

capulhos estarão abertos e a colheita poderá ser realizada.

29


Figura 178 - Maçã em maturação fisiológica verificada pelo rompimento natural dos lóculos. UP

Ribeiro do Céu

• A segunda maneira prática (informação pessoal de consultor) é que a partir do

último capulho aberto, verifique, entre a 4 a e a 5 a maçã, em primeira posição, ao

apertar a ponta da maçã, observe se há um leve rompimento entre os lóculos.

Isso significa que a fibra está madura e dentro de alguns dias a colheita poderá

ser iniciada.

Figura 179 - Maçã em primeira posição em maturação fisiológica, pois, ao apertar na junção dos

lóculos, eles se rompem

- Para aumentar a eficiência do desfolhante (Tidiazuron) e do maturador (Etephon +

Ciclanilida), tem que se levar em conta a temperatura média do ambiente. Deve-se fazer

a avaliação da T a média prevista (Tmáx + Tmín) / 2 para os próximos três ou cinco dias;

se a T média prevista < 20 o C = não aplicar. A faixa ideal de temperatura para ambos os

produtos está entre 22 o C e 30 o C. Para o Maturador temperatura média prevista entre

22 o C e 25 o C, recomenda-se de 2,0 a 2,5 l/ha. Para T média prevista entre 25 o C e 30 o C,

utiliza-se 1,8 a 2,0 l/ha. Essas doses recomendadas são para talhões cuja porcentagem

de capulhos abertos estejam acima de 85%. Seu efeito sobre a abertura de maçãs

fisiologicamente maduras ocorre entre 12 e 15 dias após a aplicação.

- Recomendação para talhões entre 60% e 80% de capulhos abertos.

- A aplicação em condições onde o índice de capulhos for inferior a 80%

deverá ser realizada visando antecipar a colheita, melhorando a qualidade,

e com um ganho sistêmico na Unidade de Produção. Nessa situação

fazer aplicação sequencial de desfolhante (0,45 a 0,5 l/ha) sete dias após

aplicar o maturador na dosagem de 2,0 a 2,5 l/há – sempre esteja atento

à possível variação da temperatura.

- Recomendação para talhões entre 80% e 95% de capulhos abertos.

30


- Nessa situação, de maneira geral, pode-se fazer a aplicação conjunta do desfolhante

mais o maturador, ou ainda somente o maturador, conforme descrito a seguir:

- Mistura do desfolhante 0,25 – 0,35 l/ha + maturador 1,2 – 2,0 l/há: a dosagem do

desfolhante vai variar em função do enfolhamento das plantas. Menos enfolhamento;

dose menor; mais enfolhamento, dose maior. Para o maturador, recomenda-se doses

menores para índices próximos a 95% de capulhos abertos, e doses maiores para índices

de capulhos próximos a 80%.

Maturador (1,5 – 2,5 l/ha): deve ser utilizado quando não houver rebrote e somente

folhas velhas. O maturador, atualmente em uso, apresenta ação desfolhante de folhas

velhas.

Em talhões com abertura de capulho superior a 95%, não se recomenda a aplicação

de maturador, visto que o período de 12 a 15 dias para que seu efeito ocorra será,

aproximadamente, o mesmo para que o restante das maçãs abra naturalmente.

4. COLHEITA

Última e importante etapa do manejo do algodoeiro na lavoura. Após praticamente

seis meses a partir do semeio, a Terra Santa se prepara para realizar a colheita, que deve

ser feita o mais rápido possível. Para evitar excesso de exposição à radiação solar, que

pode influenciar na cor da fibra, impurezas geradas pela própria planta (pedaços de

folhas, pecíolo e brácteas já secas) podem aderir ao capulho. Toda essa preocupação

está relacionada às condições climáticas durante a colheita (chuva), e a presença dessas

impurezas pode prejudicar as qualidades intrínsecas e extrínsecas da fibra do algodão,

depreciando seu valor.

Figura 180 - Talhão pronto para ser colhido.

UP Guapirama

Figura 181 - Talhão em processo de colheita.

Ao fundo, as prensas compactando o algodão para

fazer um fardão. UP Guapirama

Figura 182 - Presença de impurezas no

capulho ainda na lavoura antes da colheita. UP

Guapirama

Figura 183 - Presença de folhas secas que se

desprenderam do pecíolo, mas caíram sobre o

capulho. UP Guapirama

31


Muitas das impurezas que ficam aderidas ao capulho, mesmo antes da colheita, são

provenientes das folhas que, num processo natural de senescência, ao secarem, caem

sobre os capulhos, somente a folha ou folha com pecíolo e, quando da colheita, são

misturados ao algodão em caroço. Porém, essas impurezas deverão ser eliminadas nas

diferentes etapas de limpeza realizadas na usina de beneficiamento. Vale ressaltar que,

apesar da eficiência e cuidados no beneficiamento, a presença de pequenos pedaços de

folhas junto às fibras vai influenciar na sua classificação visual.

Figura 184 - Rolinho colhido mostrando as

impurezas junto com o algodão em caroço. UP

Mãe Margarida

Figura 185 - Algodão em caroço com

impurezas, como pedaços de folhas e cascas, que

vieram da lavoura. UP Guapirama

Figura 186 - Impurezas (pedaços de folha) que aderiram ao algodão em caroço durante o processo de

colheita, com destaque para o pecíolo da folha. UP Guapirama

Antes de descrever o processo de colheita em si, é necessário destacar que, nessa

safra, a Terra Santa realizou dois eventos internos, envolvendo todos os gerentes,

coordenadores de produção e alguns funcionários administrativos de todas as

unidades de produção que cultivaram algodão.

O primeiro evento, Reunião Técnica Interna, ocorreu no período de 28/05 a 01/06

in loco, diretamente na lavoura, maçãs em pleno desenvolvimento e, em alguns casos,

lavouras com os primeiros frutos em processo de abertura, em talhões previamente

selecionados pela equipe da UP, que separavam aleatoriamente 2 fileiras de 2m de

comprimento, nas quais retiravam todas as folhas, deixando apenas as maçãs expostas.

Membros da equipe local fizeram a apresentação do material exposto, mostrando as

qualidades da variedade, o manejo realizado e as dificuldades enfrentadas durante a

safra. Os dados foram apresentados na forma de flipchart. O objetivo foi fazer com que

todos os profissionais envolvidos no cultivo do algodão pudessem conhecer todas as

lavouras em todas as UPs e, com isso, corrigir possíveis erros cometidos com finalidade

de melhorar ainda mais o manejo na próxima safra.

32


Figura 187 - Apresentação da lavoura pelo

coordenador da UP Ribeiro do Céu

Figura 188 - Seminário interno: avaliação in

loco do potencial produtivo da variedade FM 975

ws algodão safrinha. UP Ribeiro do Céu

Figura 189 - Algodão safra com 155 DAE, com

boa abertura dos frutos: desfolha programada

para 12/06. UP Ribeira do Céu-Seminário Interno

Figura 190 - Algodão safra. FM 983 GLT. UP

Mãe Margarida – Seminário Interno

Figura 191 - Painel flipchart mostrando as

informações do talhão durante apresentação do

seminário interno. UP Mãe Margarida

Figura 192 - Segundo dia do Seminário

Interno, no café da manhã na lavoura. UP

Guapirama

33


Figura 193 - Vista geral do talhão cultivado

com FM 975 ws com 130 DAE. UP Guapirama –

Seminário Interno

Figura 194 - Algodão FM 975 ws. 130 DAE.

Potencial produtivo. UP Guapirama – Seminário

Interno

Figura 195 - Apresentação FM 944 GL, como

parte da apresentação do seminário interno. UP

Guapirama

Figura 196 - Apresentação do potencial

produtivo DP 1536 B2RF com 123 DAE. UP São

José – Seminário Interno

Figura 197 - Apresentação do potencial

produtivo FM 975 WS, com 127 DAE. UP São José

Figura 198 - Apresentação do potencial

produtivo da variedade TMG 47 UP São José –

Seminário Interno

34


Figura 199 - Apresentação do potencial

produtivo da TMG 81 WS com 132 DAE. UP São

José – Seminário Interno

Figura 200 - Apresentação do potencial

Produtivo TMG 44 B2RF, com 120 DAE. Faz Rubi, UP

Parecis – Seminário Interno

O segundo evento foi Panorama Agrícola do Algodão “6 0 Workshop – Qualidade do

Algodão: Departamento Comercial e Algodoeiras. Realizado no dia 05/06, constituiu de

um dia de atividades com a presença de todos os gerentes e coordenadores de produção,

além de funcionários dos escritórios das UPs e do escritório corporativo central. Os

diferentes segmentos da cadeia produtiva tiveram um determinado tempo para

apresentar o trabalho desenvolvido, os erros e acertos que ocorreram e as perspectivas

futuras. Objetivo principal foi tornar a cadeia produtiva ainda mais profissional.

Uma das apresentações revelou que, na atual safra, foram cultivados 31.861 ha de

algodão, assim distribuídos:

- 2.852 ha (9%) na 4 a semana de dezembro, considerado “algodão safra”,

- as demais áreas são “algodão safrinha”: 6.198 ha (19%) na 1 a quinzena de janeiro;

19.280 ha (61%) na 2 a quinzena de janeiro, e 3530 ha (11%), na 1 a semana de fevereiro.

Essa última área está fora da janela de plantio considerada como ideal, que seria até

25/01. Portanto, pode ter um risco maior de chuva na colheita que deverá se estender

até início de setembro.

Também foram apresentadas as etapas do processo de manejo da lavoura. 50%

delas se referem ao Planejamento Agrícola; Compra de Insumos; Plantio da Soja até

15/10; Colheita da Soja/ Plantio de Algodão – 80% em janeiro; Adubação de Cobertura;

MIP/ Controle de Plantas Daninhas; Manejo e Condução das lavouras, e Revisão da frota

(máquinas e implementos/ Unidades de Beneficiamento – UBA).

Os outros 50% dessas etapas se referem a: Contratação/ treinamento de equipe

(safristas); Colheita do Algodão; Classificação Visual no Campo; Transporte dos fardões/

rolinhos até o pátio das Algodoeiras; Beneficiamento; Classificação visual dos fardos já

beneficiados; Classificação em HVI em Laboratório localizado em Sapezal-MT; Separação

dos Lotes/Empilhamento; Transporte para o Porto de Santo e armazenar/estufar em

Containers e finalmente o Embarque para a Exportação.

Também nesse evento, de acordo com as metas preestabelecidas pela empresa

de uma produtividade média 268,2@/ha de algodão em caroço, foi apresentado uma

estimativa média de produtividade para cada unidade de produção, conforme quadro

a seguir.

Terra Santa Agro - 268,2@/ha de algodão em caroço - rendimento de fibra 40,5%

(52.262 t. de fibra) e 68.393 t. de Caroço de algodão

35


Estimativas de Produtividade para cada Unidade de Produção:

Rend. Alg. Caroço(@) Rend. Fibra(%) @/ha de Fibra

UP São José 282 41,3 116,6

UP Guapirama 285 41,2 117,4

UP Ribeiro do Céu 290,5 40,9 119,8

UP Mãe Margarida 287 41,8 119,8

UP Cachoeira 275 41,8 115,0

UP Parecis 270 41,6 112,0

UP 7 Placas 264 40,8 108,2

UP Terra Santa 252 41,1 103,6

Também foi estimado o início e fim da colheita para cada UP, em função de

grande parte do algodão a ser colhido ter sido negociado antecipadamente e com

data de entrega previamente acertada. O cumprimento desses prazos demonstra o

profissionalismo na condução da lavoura de algodão pela empresa.

Estimativas de datas de início e fim da colheita do algodão nas UPs

Início

Fim

UP São José 02/07 27/08

UP Guapirama 03/07 21/08

UP Ribeiro do Céu 26/06 16/08

UP Mãe Margarida 26/06 26/07

UP Cachoeira 02/07 31/07

UP Parecis 02/07 27/08

UP 7 Placas 26/06 23/08

UP Terra Santa 02/07 21/08

O processo de colheita em si envolve várias operações. Em primeiro lugar, faz-se um

planejamento por talhão a ser colhido, logicamente após a aplicação dos desfolhantes/

maturadores, cujo efeito ocorre entre 7 e 14 dias, caso os produtos tenham sido aplicados

em condições climáticas adequadas.

A Terra Santa tem dois tipos de colhedeiras para o algodão: as máquinas de cesto,

que, após uma operação onerosa, deixam um fardo de cerca de 10 t, pronto a ser

transportado para a usina de beneficiamento; a máquina de rolo que, sozinha, produz

um rolo de cerca de 2.2 t, posteriormente transportado para a usina.

Figura 201 - Colheita com máquina de cesto.

UP Guapirama

Figura 202 - Colheita com máquina de rolo

com peso aproximado de 2,2 t. de algodão em

caroço. Totalmente automatizada, tem apenas um

operador. UP Guapirama

36


Figura 203 - A frente da máquina de rolo e o processo de colheita são iguais às da máquina de cesto,

porém, a eficiência e a rapidez na colheita são bem superiores

Para cada máquina de cesto, que colhe em média 15 ha por dia em dois turnos, tem

uma prensa acoplada a um trator para fazer os fardões, um bass boy também acoplado

a um trator, que recolhe o algodão das máquinas em pleno talhão e descarrega nas

prensas. Com isso, as máquinas ficam paradas o menor tempo possível. Esse conjunto

de equipamentos envolve um contingente humano de 12 a 15 colaboradores/máquina

que executam diversas tarefas, como operar as máquinas; prensar o algodão para

fazer os fardões; preparar o terreno nas bordas dos talhões, onde os fardões ficam

provisoriamente, até serem transportados para o pátio da usina; colaboradores que

cobrem os fardões com lona; colaboradores que recolhem o algodão junto às prensas e

auxiliam no descarregamento do algodão das máquinas para os bass boy. Tais operações

têm um único objetivo: retirar o algodão o mais rápido possível da lavoura, para não

comprometer a qualidade das fibras.

Figura 204 - Descarregamento em bass boy

de duas máquinas de cesto em pleno talhão. UP

Guapirama

Figura 205 - Operários fazendo a limpeza na

borda do talhão, onde será instalada a prensa para

fazer um fardão. UP Guapirama

37


Figura 206 - O bass boy, que recolheu o

algodão da máquina no talhão, agora descarrega

na prensa que irá fazer um fardão

Figura 207 - Prensa ligada à tomada de força

de um trator e, por meio de um pistão hidráulico,

compacta o algodão e faz um fardo de 10 t, que

depois será transportado para usina

Figura 208 - Pistão hidráulico prensando o

algodão em caroço, recém-colhido, para formar

um fardão. UP Guapirama

Figura 209 - Fardão pronto: a prensa montada

sobre um eixo é suspensa e puxada por um trator

para liberar o fardo. UP Guapirama

Figura 210 - Fardão já recoberto por lona, só faltando ser amarrado e, em seguida, transportado para

o pátio da usina. UP Guapirama

As máquinas de rolinhos, que colhem em média 40 ha por dia em dois turnos, são

mais eficientes e envolvem apenas três operadores e dois auxiliares: um operador

da máquina, um do trator, que ajunta os rolinhos nos talhões e depois os coloca nos

caminhões, que têm um motorista que transporta esses rolinhos para os pátios das

usinas. Os auxiliares cobrem os rolos com uma lona, também chamada de “touca”, depois

de terem sido colocados nos caminhões.

38


Figura 211 - Máquina de rolo sendo

abastecida com as bobinas de filme de plástico

que vão cobrir o algodão em caroço durante o

processo de colheita. UP Guapirama

Figura 212 - Máquina de rolo em plena

operação de colheita. UP Guapirama

Figura 213 - Rolinho depois de pronto, sendo

liberado pela máquina no próprio talhão. UP

Guapirama

Figura 214 - Rolinhos de algodão em caroço

prontos devidamente classificados aguardando

serem transportados para o pátio da usina. UP

Guapirama

À medida que estão prontos nos talhões, os fardões e os rolinhos são transportados

para o pátio da usina, devidamente separados por variedade e pela classificação visual

realizada ainda na lavoura por um técnico treinado para isso.

Figura 215- Transmódulo com um fardão

recolhido na lavoura, passando pela balança

antes de ser armazenado no pátio da usina. UP

Guapirama

Figura 216 - Transporte de rolinhos da lavoura

para o pátio da usina: recobertos por uma lona,

chamada de touca, para evitar a contaminação

por poeira durante o trajeto. UP Mãe Margarida/

Ribeiro do Céu

39


Figura 217 - Pesagem dos rolinhos que vieram

da lavoura, antes de serem armazenados no pátio

da usina, UP Guapirama

Figura 218 - Transmódulo que transporta o

fardão para o pátio e depois dali para dentro da

usina. UP Guapirama

Figura 219 - Término do descarregamento do

fardão no pátio da usina, com a classificação visual

feita ainda na lavoura escrita na lona que cobre o

fardão. UP Guapirama

Figura 220 - Fardões armazenados no pátio

da usina em forma de escama de peixe e cada faixa

distanciada uma da outra em 11m. UP Ribeiro do

Céu

Figura 221 - Descarregamento dos rolinhos

com auxílio de uma carregadeira, com uma

espécie de tridente na frente, que espeta o rolinho

e deposita no pátio. UP Guapirama

Figura 222 - Rolinhos armazenados no pátio

da usina, já sendo cobertos com lona separados

em lotes, conforme a classificação visual realizada

na lavoura. UP Guapirama

40


Existe uma logística que a empresa segue logo após o algodão ter

sido colhido. Em cada fardão e em cada rolo, um técnico treinado faz

a primeira classificação visual. Quando os fardões e os rolos chegam

ao pátio da usina, são separados em lotes, de acordo com essa

classificação; ou seja, serão beneficiados os lotes da mesma variedade

e com a mesma classificação visual, e, somente após o termino desse(s)

lote(s), um novo será beneficiado. Existe um mapa identificando esses

lotes no pátio da usina.

Õ

Outro detalhe: os fardões sempre serão os primeiros a serem beneficiados, porque

o algodão está diretamente em contato com o solo - normalmente o beneficiamento

ocorre entre agosto e dezembro - portanto, em período de chuva, a partir de outubro.

Além disso, ao beneficiar um fardão, libera uma lona, cujo tamanho possibilita cobrir

quatro rolos, que, mesmo tendo um filme de plástico envolvendo-os, suas laterais ficam

expostas.

Figura 223 - Caminhão molhando a estrada entre os talhões, com objetivo de reduzir a poeira que

pode prejudicar a qualidade da fibra. UP Guapirama

Vale ressaltar que o processo de colheita é cercado por uma série de cuidados: início

da colheita nos talhões que apresentem todos os capulhos abertos, e somente depois

que o sol atinja toda a lavoura. A fibra do algodão é higroscópica e, portanto, pode

absorver umidade durante a madrugada, provocando embuchamento, se a colheita se

iniciar muito cedo..

Por outro lado, como nessa época a umidade relativa do ar, nas condições de

Cerrado, é muito baixa, a colheita pode se estender até pelas 2h ou 3h - se as condições

forem favoráveis. Outra preocupação é com a poeira, devido à grande movimentação

de máquinas e equipamentos. Por isso, as estradas que cortam os talhões são

constantemente molhadas. Toda essa preocupação tem um único objetivo: retirar o

mais rápido possível o algodão da lavoura, para não perder a qualidade. Além disso, a

colheita mecânica é realizada uma única vez, pois não se admite a prática do repasse.

41


Máquina de cesto x máquina de rolo

Fazendo uma analogia entre colheita com máquina de cesto e de rolo podemos

chegar ao seguinte resultado, analisando somente o operacional de colheita:

• Máquina de cesto: consome 18,2 l de diesel/ha; o conjunto do bass boy

+ prensa consomem 4,7 l de diesel/ha, o que dá um total geral de 22,9 l de

diesel/ha. No entanto, é uma máquina que colhe somente 15 ha/dia em dois

turnos, o que equivale a um total aproximado de 680 ha/máquina durante o

período previsto para a colheita que é de 37 dias.

• Máquina de rolo: colhe sozinha sem equipamentos adicionais, consome

35,5 l de diesel/ha. No entanto, colhe 42 ha/dia em dois turnos chegando a

um total de 1900 ha/máquina, durante o período previsto de colheita, que

é de 37 dias.

Se olharmos somente o consumo de diesel, a vantagem é para a máquina de

cesto. No entanto, a máquina de rolo, apesar de consumir mais diesel e ter um

custo adicional da bobina de filme plástico que envolve o algodão, no valor de

US$ 1200/bobina (para recobrir 24 rolinhos), tem seu custo diluído pela maior

eficiência operacional de colheita. Em função disso, para a próxima safra, a

empresa deverá processar a colheita somente com máquinas de rolo.

4.1.Destruição da soqueira do algodão

O algodoeiro cultivado atualmente se originou de uma planta arbustiva e perene,

com características de armazenamento de amido na raiz e no caule - Taliercio et al.

(2010) citado por SILVA et al. (2015) -, o que tornou essa espécie bastante resistente.

Apesar de seu cultivo ser feito como cultura anual, a natureza perene do algodoeiro

permite que rebrote após a colheita e até produza frutos - Greenberg et al. (2007) citado

por SILVA et al. (2015).

O processo de rebrota, provavelmente, ocorre em decorrência do rápido

desenvolvimento vegetativo das folhas dos ramos, que passam a funcionar como fontes

de fotoassimilados, pois a planta ainda não tem drenos suficientemente desenvolvidos.

Esses fotoassimilados são redirecionados para as raízes e caule, onde ficam acumulados

na forma de amido que poderão ser utilizados durante o ciclo da planta e ainda mais no

processo de rebrota após a colheita.

A destruição das soqueiras reduz a população de pragas, como bicudo, lagarta

rosada e broca da raiz. Tal prática não só traz benefícios ao próprio produtor, como

também às lavouras vizinhas, sendo obrigatória por lei. Existem, na maioria dos estados

produtores de algodão, leis que regulamentam a obrigatoriedade dessa prática (SILVA

et al., 2015). Em Mato Grosso, maior produtor de algodão do país, o vazio sanitário tem

duas datas: no Médio Norte, acontece entre 15/10 e 15/12; na região de Cuiabá e Sul,

entre 01/10 e 01/12.

Para a safra 2017/18, a Terra Santa Agro adotou a prática de passar o correntão sobre

as plantas de algodão, de acordo com este procedimento:

Após a colheita do algodão, espera-se a rebrota de forma natural das folhas que,

quando estiverem com uma área foliar satisfatória, é aplicado o 2,4 D (2,5 a 2,8 l/ha

em dose única) junto com óleo mineral e um espalhante adesivo para assegurar que o

produto não escorra da folha. Essa aplicação normalmente é realizada à noite.

É necessário esperar cerca de 10 dias para que o produto faça efeito. Somente aí será

passado o correntão, que nada mais é do que amarrar uma corrente bem grossa entre

dois tratores, de modo a formar um semicírculo de 50m.

42


Figura 224 - Dois tratores puxando um

correntão fazendo um semicírculo de 50m,

passando por cima da soqueira que recebeu

aplicação de 2,4 D 10 dias antes. UP Ribeiro do Céu

Figura 225 - Correntão passando por cima da

soqueira do algodão, provocando retirada da casca

do caule para evitar futuras rebrotas. UP Ribeiro

do Céu

Õ

Figura 226 – Na área em que foi passado o correntão, a planta apresenta ferimentos no caule

Essa corrente é arrastada próxima ao solo e, quando passa por

cima das plantas, provoca uma raspagem na casca do caule com o

objetivo de não permitir o aparecimento de novas gemas. Quando os

tratores chegam ao final do talhão retornam sobre as mesmas fileiras,

provocando raspagem na casca do caule - agora, porém, do outro

lado. Esse método de eliminação da soqueira permite que a planta,

mesmo estando morta, permaneça em pé, sem, no entanto, prejudicar

o semeio da soja. É feito dessa forma para garantir o máximo de

eficiência na destruição das soqueiras.

Nessa safra, provavelmente, a aplicação do 2,4 D não será suficiente para eliminar

toda a soqueira, pois foi um ano muito bom para o algodão: choveu bem, a lavoura foi

bem adubada e, com isso, as plantas cresceram mais vigorosas e o sistema radicular

aprofundou-se mais no solo.

Portanto, com o retorno das chuvas e o início do plantio da soja, poderá ocorrer

alguma rebrota em plantas de algodão que sobreviveram nas entrelinhas da soja. Nesse

caso, a rebrota deverá ser controlada com o uso de glifosato, já que a soja a ser cultivada

é resistente a ele.

43


44

4.2. Beneficiamento

A Terra Santa tem 3 unidades de beneficiamento de algodão (UBA): uma no Distrito

de Deciolândia; outra na UP Guapirama, localizadas no município de Diamantino, e a

terceira na UP Ribeiro do Céu, no município de Nova Mutum. Esse parque industrial

atende a todas as unidades produtoras, que na atual safra cultivaram 31.861 ha.

A cotonicultura brasileira vive, atualmente, seu melhor momento quanto ao retorno

financeiro, apresentando em média uma receita líquida acima dos 35%. Vários fatores

estão envolvidos nesse processo, com destaque para a China, que voltou às compras

para recompor seu estoque. Além disso, há no Brasil e no mundo, uma tendência de

substituir a fibra sintética, originária do petróleo, pela fibra natural do algodão. Esse

processo de valorização da cotonicultura vem se manifestando nas duas últimas safras

e, segundo alguns analistas de mercado, ainda deve perdurar pelas próximas duas ou

três safras.

No entanto, em uma matéria jornalística no Valor Econômico, de 28/11/2017, Onda

verde chinesa ajuda algodão brasileiro, o analista do Rabobank para o Brasil Victor

Ikeda alertou: “Há limites, contudo, para os produtores brasileiros aproveitarem a onda

positiva - se realmente ela se mantiver. Expandir a área de algodão no país não é tarefa

fácil. Existe um limite de área que podemos aumentar sem investimentos elevados

para o beneficiamento. Portanto, a continuidade da expansão dependerá de margens

rentáveis por mais de uma temporada”.

Isso deve servir de alerta para produtores que pretendem iniciar atividades na

cotonicultura, que apresenta um dos mais altos custos (de R$ 7.000,00 a R$ 9.000,00/

ha) da atual agricultura, além de exigirem uma equipe altamente profissional. Como

disse a matéria do Valor Econômico, hoje a expansão de área tem no beneficiamento

uma barreira, pois a aquisição de uma unidade de beneficiamento de algodão, que leva

um ano para ser instalada, tem um custo entre R$12 milhões a R$15 milhões. Por outro

lado, o Mato Grosso, que na atual safra cultivou aproximadamente 780.000 ha, deverá

ter um aumento considerável de área para a próxima safra, podendo chegar próximo a

1milhão de hectares, pois os grandes grupos empresariais e produtores já consolidados

na cotonicultura deverão expandir suas áreas, aproveitando o bom momento pelo qual

passa a cultura do algodão.

A seguir, serão descritas as diferentes etapas do beneficiamento do algodão em

caroço em uma das UBAs da Terra Santa.

• Transporte dos fardões/rolinhos

É a primeira etapa do beneficiamento, já devidamente classificados, da lavoura

para o pátio da usina. Ali, onde um colaborador com um mapa do pátio determina a

colocação dos fardões/ rolinhos que irão formar um lote para serem beneficiados de

forma conjunta. Esses lotes são formados em função de variedade, classificação visual

e teor de umidade do algodão colhido. Tal logística tem que ser adotada para agilizar

o processo de beneficiamento. Antes de irem para o pátio, os fardões/rolinhos passam

pela balança para pesagem, e o pessoal do escritório da UP lança esses pesos no sistema

GATEC (Plataforma de lançamento de recursos produtivos), separadamente, para cada

talhão em cada unidade produtora.


Figura 227 - Pesagem dos fardões após serem

transportados da lavoura, porém antes de serem

armazenados no pátio da Usina. UP Guapirama

Figura 228 - Pesagem de caminhão com 9

rolinhos que vieram da lavoura, antes de serem

armazenados no pátio da usina. UP Guapirama

Figura 229 - Fardões devidamente

identificados quanto à variedade, classificação

visual e teor de umidade, armazenados no pátio

da Usina UP Guapirama

Figura 230 - Descarregamento de rolinhos no

pátio da usina orientados por um colaborador para

o posicionamento correto, para facilitar a logística

no beneficiamento. UP Guapirama

Figura 231 - Conjunto de rolinhos devidamente armazenados no pátio da Usina. UP Guapirama

Esses dados de produção de algodão em caroço, quando lançados no sistema

GATEC, permitem que todos os funcionários envolvidos com a produção, a diretoria e o

conselho de administração possam acompanhar diariamente o processo de colheita e o

desempenho de cada unidade produtora.

45


O pátio da UBA na unidade de produção Ribeiro do Céu tem 20 ha de área. Além de

beneficiar sua própria produção, também atende as UPs Mãe Margarida e Terra Santa.

Por isso, a separação por lotes devidamente identificados facilita o trabalho.

Figura 232 - Vista parcial do pátio da usina de beneficiamento de algodão. UP Ribeiro do Céu

A UBA funciona durante 20h por dia em dois turnos – só para entre 17h e 21h,

quando o custo da energia é maior, e esse tempo também é utilizado para eventuais

manutenções do maquinário. Aos fins de semana, a UBA funciona 24h seguidas. Vale

ressaltar que a usina só para de funcionar quando tem problema na descompactadora

(descompacta o algodão que vem da lavoura), na rosca sem fim (distribui o algodão nas

descaroçadeiras) ou ainda na prensa (faz o fardo).

Figura 233 - Descompactadora (piranha)

descompactando o algodão. UP Guapirama

Figura 234 - Rosca alimentadora, abaixo do

batedor de 2 o estágio e acima do descaroçador

46


Figura 235 - À esquerda, fardo pronto sendo amarrado. À direita, fardo sendo compactado. UP Ribeiro

do Céu

Os primeiros algodões a serem beneficiados são os fardões, que devem apresentar

umidade entre 5% e 10%. A usina tem dois descompactadores (também chamados de

piranhas), que são devidamente abastecidos com quatro fardões cada. Cada piranha

apresenta dois conjuntos de rolos com pinos, que atuam separando o algodão que está

compactado, ao mesmo tempo em que é feita a primeira pré-limpeza retirando grande

parte das impurezas que vêm do campo.

Em seguida, esse algodão é jogado numa esteira e encaminhado para uma caixa

de ar quente hot box, que mistura o calor que vem da caldeira – que alimenta a usina,

em média, com 4 kg de vapor (ar quente) de forma constante - com o ar frio que puxa o

algodão da esteira, com objetivo de dar um choque na secagem.

Figura 236 - Primeira etapa do

beneficiamento: as duas descompactadoras

abastecidas com 4 fardões cada. UP Ribeiro do Céu

Figura 237 - Ao fundo, a descompactador,a

com os dois conjuntos de batedores de pinos

acabando de processar um fardão. Na frente, a

esteira com o algodão descompactado sendo

encaminhado à caixa hot box, que tem uma

mistura de ar frio com o quente para dar um

choque de secagem. UP Ribeiro do Céu

47


Figura 238 - Torre de secagem: o algodão recebe mais um pouco de calor fazendo mais um processo.

Acima e ao fundo, encontra-se o batedor para retirada de folhas e caule

Nessas torres de secagem, também chamadas torres de flutuação, o algodão recebe

mais um pouco de ar quente (vapor). Essas torres trabalham a uma temperatura em

torno de 40 o C, podendo variar para mais ou menos, dependendo de como está o teor de

umidade do algodão. O objetivo é fazer mais uma etapa de secagem para que o algodão

esteja bem solto, o que facilita a retirada de impurezas que vêm da lavoura. A seguir,

ocorre o 1 o estágio de limpeza. Ao sair das torres de secagem, o algodão em caroço

passa por um batedor individual, composto de grelhas e rolos de pinos, que têm como

objetivo retirar caule e folhas.

Aqui, vale uma observação: se os desfolhantes/maturadores não

forem aplicados no momento certo, pode ter maior quantidade dessas

impurezas, interferindo diretamente na qualidade da fibra e, quando

da classificação visual, receber nota menor.

Õ

Depois disso, o algodão em caroço passa pelo HLST – limpador extrator, com o

objetivo de eliminar a casca na qual fica inserido o algodão em caroço.

Figura 239 - HLST limpador extrator – elimina as cascas do capulho

48


A partir daí, vai para o batedor de 2 o estágio, com o objetivo de tirar caule e folha que

passaram no 1 o estágio. Segue para uma rosca alimentadora, que também tem função

de retirar mais impurezas que, por acaso, não foram eliminadas nas etapas anteriores.

Figura 240 - No alto e acima, estão os batedores de 2 o estágio e, logo abaixo, a rosca alimentadora

seguida das máquinas descaroçadoras. UP Ribeiro do Céu

Logo após, o algodão em caroço segue para as máquinas descaroçadoras para a

separação da fibra do caroço. Em seguida, passa por mais um processo de limpeza,

chamado de limpador centrifugo, para retirar as impurezas que passaram pelo

descaroçador, como fibra imatura, carimã, casca, pedaço de caroço; ou seja, tudo o que

é pesado é retirado.

Figura 241 - Máquinas descaroçadoras da

UBA (Usina de Beneficiamento de Algodão). UP

Guapirama

Figura 242 - Conjunto de serras que

compõem a máquina de descaroçamento, cujo

objetivo é separação da fibra do caroço. UP

Guapirama

Nesse processo de descaroçamento, o caroço de algodão segue por uma tubulação

e vai para o armazém, com capacidade de até 16 mil t de caroço. Daí, segue para

comercialização para a Indústria de óleo e também para confinamento de bovinos, pois

o caroço de algodão é rico em óleo e proteínas.

49


Figura 243 - Depósito de caroço de algodão, que é subproduto comercializado para a Indústria de

óleo e confinamento bovino. UP Ribeiro do Céu

O próximo passo é o condensador limpador de pluma para formar a manta de

algodão. Daí, segue para o limpador de pluma, com o objetivo de pentear o algodão e

ainda retirar impurezas que passaram pelos processos de limpezas anteriores. Por meio

de sucção, a pluma segue para um condensador principal que forma a manta do algodão

e que, passando por uma bica de inox, recebe um vapor d’água que vem da caldeira.

Isso faz o processo de umidificação do algodão e melhora o processo de prensagem.

Figura 244 - Condensador limpador de pluma,

etapa após o descaroçamento. UP Guapirama

Figura 245 - Condensador principal: pluma

pronta para ser enfardada. UP Ribeiro do Céu

Última etapa do beneficiamento é a prensagem que forma os fardos com peso

médio de 202kg envoltos em tecido de algodão, devidamente costurados e etiquetados,

que são armazenados no galpão. Quando da prensagem dos fardos, são retiradas duas

amostras: uma para a classificação visual e outra para o HVI.

Figura 246 - Fardo de 202 kg, devidamente prensado e amarrado. UP Ribeiro do Céu

50


Figura 247 - Fardo recebendo a capa de tecido de algodão com a logomarca da empresa. UP Ribeiro

do Céu

Figura 248 – Fardo, após receber a capa de

tecido de algodão, é costurado e etiquetado. UP

Ribeiro do Céu

Figura 249 - Fardos de algodão devidamente

etiquetados e armazenados, aguardando

classificação final para formar os lotes para serem

embarcados. UP Ribeiro do Céu

Após passar por esses processos, as fibras imaturas, de diferentes tamanhos, passam

por outro processo de limpeza. Elas vão para uma prensa, que faz um fardo de algodão

chamado de Fibrilha, comercializado no mercado interno para confeccionar o tecido

que envolve os fardos de algodão.

51


Figura 250 - Bica que recebe as fibras curta,

imaturas que formam as “fibrilhas”. UP Guapirama

Figura 251 - Fardo de fibrilas, devidamente

amarrado, pronto para comercialização. UP

Guapirama

O restante de todas as sujeiras que passaram por todos os processos de limpeza

vai para um grupo de torres de ciclone, nos quais a poeira sai pela parte posterior e se

dissipa no ar, e a parte pesada vai para uma área externa da usina. Esse material também

é comercializado para confinamentos ou mesmo pode ser espalhado nos talhões e com

o tempo se transformar em matéria orgânica nos solos.

Figura 252 - Torres de Ciclone, que recebem todas as impurezas geradas dentro da usina para

posterior comercialização

4.3. Classificação da fibra

O processo de classificação do algodão na Terra Santa ocorre em três etapas. Antes de

descrevê-las, porém, são apresentadas as etapas de classificação visual, em duas tabelas

universais de comprimento de fibra, código universal para fins de comercialização e

código de determinação do tipo de algodão.

Código de Determinação do tipo do algodão

Branco

Ligeiramente

Creme

Creme Avermelhado Amarelado

11 * 12 13* - -

21* 22 23* 24 25

31* 32 33* 34* 35

41* 42 43* 44* -

51* 52 53* 54* -

61* 62 63* - -

71* - - - -

Abaixo

82 83 84 85

padrão 81*

-Tabela universal para determinar cor do algodão

52


Código Universal para a Determinação do Comprimento da Fibra

Algodão em Pluma de Comprimento Curto e Médio

Comprimento de Fibra em Polegadas

(UHM)

Comprimento

da Fibra em

Milímetros

Código

Universal

Abaixo 13/16 0,79 +curta 20,1 + curta 24

13/16 0,80 - 0,85 20,2 - 21,6 26

7/8 0,86 - 0,89 21,7 - 22,6 28

29/32 0,90 - 0,92 22,7 - 23,4 29

15/16 0,93 - 0,95 23,5 - 24,1 30

31/32 0,96 - 0,98 24,2 - 24,9 31

1 0,99 - 1,01 25,0 -25,7 32

1.1/32 1,02 - 1,04 25,8 - 26,4 33

1.1/16 1,05 - 1,07 26,5 - 27,2 34

1.3/32 1,08 - 1,10 27,3 - 27,9 35

1.1/8 1,11 - 1,13 28,0 - 28,7 36

1.5/32 1,14 - 1,17 28,8 - 29,7 37

1.3/16 1,18 - 1,20 29,8 - 30,5 38

1.7/32 1,21 - 1,23 30,6 -31,2 39

Determinação universal do comprimento de fibra e código universal para fins de comercialização

• Primeira etapa da classificação visual

Ela ocorre ainda no campo. Um técnico devidamente treinado retira uma amostra

de capulhos e, por meio de um determinador de umidade digital, avalia a umidade do

algodão. Se estiver abaixo de 10%, é autorizado o início da colheita. Após a colheita,

seja um fardão ou um rolinho, esse mesmo técnico irá fazer a primeira avaliação visual

do algodão em caroço, baseado no tipo, na cor e no grau de impureza (o que vem do

campo durante a colheita), baseado na seguinte tabela:

6/0 algodão limpo

6/7 algodão com - impurezas e ++ brilho

7/0 algodão com + impurezas e + brilho

7/8 algodão com ++ impurezas - brilho

8/0 algodão muito sujo

Essas impurezas misturadas ao algodão em caroço colhido se referem a:

- presença de plantas daninhas;

- fungo fumagina;

- presença de cascas e pecíolo de folha;

- presença de pimentinhas – que são pedaços de folhas secas aderidas ao algodão;

- presença de maçãs que não se abriram;

- presença de pedaços de fibra do caule;

- presença de “clorofila”, que são pedaços verdes do caule que também podem se

misturar ao algodão em caroço.

Após determinar quais as impurezas e o grau de contaminação, o classificador,

com base na escala descrita na tabela, determina a nota a ser aplicada ao fardão/

53


olinho colhido. Ele cola uma etiqueta com código de barra no fardão/rolinho, além

de escrever essa mesma classificação na lona ou no plástico que envolve o fardão ou

rolinho, respectivamente. Além disso, numa folha descreve as impurezas encontradas; a

classificação (nota) dada e prega uma etiqueta nessa folha (talhão, variedade e data de

colheita), com o mesmo código de barra já colado no fardão/rolinho lá no campo. Nessa

etiqueta, também consta a unidade de produção onde o algodão foi colhido.

Após esse procedimento no campo, o técnico repassa todos esses dados para o

sistema de informática da empresa, ao qual todos os colaboradores ligados à área de

produção têm acesso. Esse processo dá uma dimensão se a colheita está sendo bem

manejada; auxilia na programação da retirada desses fardões/rolinhos da lavoura e

transportá-los até o pátio da usina, onde são agrupados por talhão; variedade e a nota

da classificação, o que também facilita na hora do beneficiamento.

A Terra Santa tem 3 UBAs. No entanto, a classificação visual da fibra é concentrada

na UP Ribeiro do Céu, que conta com uma sala específica para isso. O segundo processo

de classificação é descrito a seguir.

• Segunda etapa da classificação visual

Para padronizar a classificação, o beneficiamento é realizado por talhão, por

variedade e pela nota de classificação visual no campo. Todo o algodão da empresa

tem uma identificação SAI (Sistema Abrapa de Identificação). É uma etiqueta com uma

numeração, identificação da Terra Santa e um mesmo código de barras com seis letras,

assim distribuídas: o código de barras com as letras A e C são colocadas na amostra para

classificação visual; o código de barras com a letra B segue na amostra, que vai para a

classificação do HVI; O código de barras com as demais letras (D, E, F) é costurado junto

com a embalagem que recobre o fardinho, sendo que o código com a letra D vai dentro

desse fardinho. Toda essa operação é para garantir que não ocorra mistura de fardos e

que não se perca a avaliação visual e do HVI que foram realizados em cada fardinho, ou

seja, mantém a qualidade do produto comercializado pela empresa.

Figura 253 - Sistema Abrapa de Identificação utilizado pela Terra Santa Agro

Quando o fardinho sai da prensa, são retiradas duas amostras/fardinho: uma vai

para a sala de classificação visual, localizada na UP Ribeiro do Céu, e a outra para o

Laboratório de HVI, em Sapezal (MT), onde são determinadas 16 características. Cada

lote contém 50 amostras equivalentes a 50 fardos.

54


Figura 254 - Sala de classificação com um lote de 50 fardinhos já classificados e separados por blocos.

Ao fundo e embaixo das mesas, lotes com amostra para serem classificados

Na sala de classificação visual, existem dois técnicos devidamente treinados que, ao

abrirem esses lotes, os classificam de acordo com as amostras contidas nas caixas das

fotos seguintes e montam blocos com a mesma classificação.

Figura 255 - Sala de classificação: lotes sendo preparados, blocos de amostras já classificados e as

caixas-padrão em cima da mesa para facilitar o processo de classificação

Exemplo da escala de classificação visual usado pela empresa

21.2 2 – refere-se a cor, brilho e reflectância

1- refere-se a cor 1- branco

2 – ligeiramente branco

3 – manchado

4 – avermelhado

5 – amarelado

2 – refere-se ao grau de impureza – quanto mais pedaços de folha,

maior o grau de impureza.

Essa avaliação visual tem como referência amostras padrão feitas pelo Departamento

de Agricultura USDA – EUA, aceito e usado por 21 associações/ entidades espalhadas

pelo mundo. Cada caixa com essas amostras custa em média US$ 800,00 e tem prazo de

validade de um ano.

55


Figura 256 - Duas amostras com classificações visuais diferentes. A da esquerda, mais branca, com

mais brilho e menos impurezas, comparada à da direita (menos brilho e mais impurezas)

Em seguida, funcionários utilizam um equipamento de luz infravermelho, no qual

estão contidas as propriedades intrínsecas obtidas no HVI (resistência, comprimento

de fibra e micronaire), que, ao passarem o infravermelho sobre o código de barras da

amostra, identificam em qual lote a amostra se encaixa: premium plus; premium; padrão;

baixo ou alto. Desse modo, conseguem formar lotes, com 109 fardinhos de 235 kg cada

ou com 124 fardinhos de 202 kg cada, o mais uniforme possível.

Figura 257 - Blocos de amostras já classificados e com código de barra sendo identificados pelo

infravermelho para posterior composição dos lotes

Separação de HVI - Tipos Melhores ou Igual a 31-3

Premium

Plus

Premium Padrão Baixo Alto

RES >=28 >=28

27 a

27,99

=1,14 >=1,11

1,08 a

1,10


Figura 258 – Caixa-padrão com amostra de fibra de algodão feito pelo USDA-EUA, aceito e usado por

diversas entidades no mundo

Figura 259 - Caixa com amostra de fibra USDA-EUA classificada como 21.2. Detalhe: na tampa tem

uma foto com as amostras que estão na caixa para evitar adulteração. UP Ribeiro do Céu

Vale lembrar que essas caixas são usadas somente para classificação visual, no que

se refere ao brilho, cor e grau de impurezas (pedaços de folha misturadas à fibra). Isso

porque as características intrínsecas da fibra são classificadas pelo HVI. Para 2018, a

empresa renovou quatro caixas nas quais todo o seu algodão foi classificado, conforme

as próximas fotos.

57


Figura 260 - Caixa padrão 31.3 USDA – EUA,

2018

Figura 261 - Caixa padrão 51.5 USDA – EUA,

2018

• Terceira etapa da classificação visual

É realizada em laboratório com equipamento HVI, na cidade de Sapezal – MT. Nessa

etapa, são classificadas as características intrínsecas da fibra. Ao todo são 16 itens

descritos:

UHML

UI

STR

ELG

MIC

Rd

Comprimento de Fibra

Uniformidade de Comprimento

Resistência da Fibra

Elongação

Micronaire

Reflectância

+ b Amarelecimento

COLOR GRADE

TR - CNT

TR

LEEF

MR

SFI

SCI

CSP

Resultado +b com Rd

Número de partículas presentes na superfície do

corpo de prova analisado

Área dentro da amostra que o HVI fez a leitura

Impurezas

Maturidade

Índice de fibra curta

índice consistência de fiação

Índice de fiabilidade

CÓD. UNIV.

Comercial

Devido à qualidade do algodão, a Terra Santa consegue comercializar grande

parte do seu produto de forma antecipada – assunto a ser descrito posteriormente.

Para que essa compra seja efetivada, a trading que contratou o algodão recebe a

classificação do HVI e a classificação visual desses lotes. No entanto, as tradings enviam

um classificador de sua confiança, cujo objetivo é concordar ou não com a classificação

58


visual que foi realizada pelos classificadores e revisada pelo classificador responsável

pela qualidade do algodão da empresa. Essa operação se chama take up. Vale ressaltar

que esse classificador só poderá concordar/alterar a classificação visual (cor, brilho e

grau de impurezas), uma vez que as demais características foram realizadas no HVI e são

incontestáveis.

Figura 262 - Classificador de trading fazendo o take up de um lote. UP Ribeiro do Céu

De posse da classificação visual realizada na UP Ribeiro do Céu e no HVI, cada fardo

recebe um número e, com base nesse número, são montados os lotes com 109 fardinhos

de 235 kg cada ou 124 de 202 kg cada, o que corresponde ao volume de um contêiner,

onde o algodão é exportado.

Quando esses lotes estão montados, são transportados do galpão para o pátio

da usina, devidamente recobertos por lona plástica e identificados, aguardando o

embarque.

Figura 263 - Fardos devidamente classificados

e etiquetados, prontos para exportação. UP

Guapirama

Figura 264 - Carregamento de fardos do

galpão para o pátio da usina, devidamente

etiquetados, pronto para exportação. UP Ribeiro

do Céu

59


Figura 265 - Lotes prontos, etiquetados: o

algodão não tem contato com o solo. UP Ribeiro

do Céu

Figura 266 - Lotes prontos, com volume

equivalente a um contêiner, cobertos por lona

plástica, aguardando transporte para o porto. UP

Ribeiro do Céu

Além dessas três classificações, o algodão da Terra Santa é certificado e, em cada

fardinho, vai uma etiqueta ABR (Algodão Brasileiro Responsável), relacionada às condições

de trabalho, segurança, sustentabilidade e cuidado com os colaboradores e com o

manejo do solo e da água.

Figura 267 - Etiquetas que acompanham cada fardo ao ser exportado: SAI (Sistema Abrapa de

Identificação) e ABR (Algodão Brasileiro Responsável)

5. COMERCIALIZAÇÃO DA FIBRA

A comercialização é a etapa final do trabalho que começa um ano antes, quando

são definidas: as áreas a serem cultivadas, em função das condições físicas do solo, em

quais talhões os solos terão que ser preparados; em função das análises químicas qual

o nível de adubação a ser aplicado; em função da disponibilidade de sementes, quais

as variedades que serão semeadas em quais espaçamentos e densidades, tudo isso

visando à produtividade de algodão em caroço, à qualidade e ao rendimento de fibra

que poderão ser alcançados.

Também nesse planejamento leva-se em consideração todo o manejo realizado

durante a safra, envolvendo o controle de plantas daninhas; pragas e doenças. São

operações previsíveis e planejadas, mas que se não forem realizadas na hora certa

podem comprometer a qualidade do algodão a ser colhido. As operações de aplicação

de reguladores de crescimento e desfolhantes/ maturadores, dentre outros, são

dependentes diretamente dos fatores climáticos (luz, temperatura e água).

60


Portanto, se esses hormônios forem mal manejados podem

comprometer a produção e a qualidade da fibra a ser produzida. O

processo de colheita, cujo objetivo é retirar quanto mais cedo o

algodão da lavoura, uma vez que quanto mais tempo o algodão ficar

na lavoura, fatores, como excesso de luz e água, podem comprometer

a qualidade extrínseca da fibra, impactando diretamente na sua

comercialização. Finalmente, há o beneficiamento e a classificação, que

somente separam a fibra do caroço e a classificam, não interferindo na

sua qualidade, pois somente uma lavoura bem manejada é capaz de

produzir algodão de qualidade.

Õ

A Terra Santa, por ter uma equipe altamente qualificada e profissional, produz

algodão de excelente qualidade, permitindo a comercialização antecipada de 70% a

80% de safras que ainda serão semeadas. O processo da empresa funciona da seguinte

maneira: somente depois que as equipes dos departamentos de planejamento agrícola

e de compras definem quais os insumos e as quantidades necessárias para o bom

manejo da lavoura é que o pessoal de comercialização vai vender o algodão. Como

comercializam sempre a safra ainda a ser plantada, à medida que a equipe de compras

vai realizando os pedidos dos fornecedores, o setor comercial vai efetuando a venda do

algodão na mesma proporção; ou seja, se fechar a compra de 10% de insumos, consegue

evoluir na mesma proporção com as vendas.

O processo de comercialização antecipada é realizado por meio de um contrato

firmado entre a empresa e a trading, baseado em alguns parâmetros relacionados ao

tipo, cor, grau de impureza e propriedades tecnológicas, como resistência, comprimento,

micronaire. Nesse contrato, com a concordância de ambas as partes, podem estar

previstos: ágio, se o algodão no momento da entrega for melhor do que o acordado, ou

deságio, se for de qualidade inferior ao acordo.

Na presente safra, foi comercializado de forma antecipada, aproximadamente, 90%

ao preço de US$80,08 cts/lbp. Para a safra 2018/19 já foi comercializado 64% a um

preço de US$ 80,36 (80,47) cts/lbp. Essa comercialização antecipada só vem confirmar a

seriedade e o profissionalismo que a Terra Santa tem em produzir e entregar no prazo o

algodão contratado.

No processo de comercialização, a empresa é responsável pelo transporte (frete) até

o porto, seu armazenamento e estocagem, documentação necessária para a exportação

e, finalmente, o processo de estufar os fardinhos em contêiner e embarcá-los nos

navios - isso quando efetua venda FOB porto. Outras vezes, efetua-se a venda a retirar

na fazenda, pelo cliente, onde ele assume as despesas de frete e custas portuárias,

deduzidas do preço a ser recebido, já no momento do fechamento do contrato, o que

seria exportação indireta.

Quanto ao frete, as 3 UBAs (duas localizadas no município de Diamantino e uma

em Nova Mutum) pagam o mesmo valor que nessa safra deverá ficar em torno de

R$360,00/t., visto que a distância até o porto de Santos (o principal para escoamento de

algodão brasileiro) é praticamente a mesma.

Os demais custos se referem às “despesas portuárias para desembaraço”, cujo valor

aproximado é de R$ 135,00/t., assim distribuídas (pode variar a cada ano e também em

função do câmbio, devido a parte das despesas ser em dólares):

1 – Despesa para estocar e armazenar os fardinhos no Porto de Santos – R$

56,70/t., o que corresponde a 42% do valor total. A empresa não opera com estocagem

e armazenagem, somente com embarques na modalidade de cross docking, ou seja, o

caminhão já descarrega o algodão direto no container, não ficando o produto guardado

em armazéns.

61


2 – Taxa de Manuseio de carga no terminal portuário (THC – sigla em inglês):

valor pago ao armador (proprietário do navio) para embarcar o algodão – máquinas e

movimentação dos containers no porto - R$ 44,55, correspondente a 33% do valor total.

3 – Despachante e Gerenciamento para obtenção da Documentação para

exportação: R$ 18,90/t., o que equivale a 14% do valor total

4 – Imposto para obtenção de Guias e Certificados – R$ 14,85/t., equivalente a

11% do valor total.

Õ

Todos esses valores são pagos à vista. Aqui, vale destacar que, além

dos altos custos, existe muita burocracia para que os produtores/

exportadores possam colocar o algodão de alta qualidade (equiparado

ao da Austrália) no mercado externo.

Com comercialização antecipada, em torno de 79%, o algodão é exportado para

cinco países:

- Indonésia – 26%

- Vietnã – 18%

- Bangladesh – 13%

- China – 11%

- Turquia – 11%

Todo o algodão comercializado pala Terra Santa é realizado por meio de trading que

compra o produto e o encaminha aos mercados consumidores.

Quando o algodão é “estufado” nos contêineres, teoricamente termina o compromisso

da Terra Santa (pelo contrato, encerra-se quando são embarcados os contêineres

estufados no navio) e a trading que comprou o produto assume a entrega até o destino.

No entanto, devido ao compromisso e à seriedade, de maneira indireta, a empresa se

sente responsável pelo seu produto até chegar ao destino final. Por exemplo, se durante

o transporte, algum fardinho se romper (causado por arame de baixa qualidade ou o

pelo tecido que o envolvem), esses transtornos podem causar sérios prejuízos à imagem

da empresa, dificultando vendas futuras.

6. CONCLUSÕES

Após nove meses acompanhando o manejo das lavouras de algodão na Terra Santa,

podemos concluir:

• O profissionalismo da equipe faz com que a empresa consiga alcançar novos

recordes de produção e produtividade a cada safra;

• O manejo do algodoeiro da Terra Santa Agro engloba o que há de mais moderno

em tecnologias para o Cerrado brasileiro;

• A qualidade da fibra produzida é de alto padrão, podendo ser comparada

ao algodão australiano, o melhor do mundo. Com uma diferença, aqui ele é

produzido em condições de sequeiro e lá em condições de irrigação;

• A responsabilidade com a entrega do produto em data preestabelecida

demonstra a seriedade, dedicação e competência da empresa, o que é

confirmado pela comercialização antecipada de 70% da próxima safra.

62


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