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MANACORDA, Mario Alighiero. A educação no Oitocentos. In

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MANACORDA, Mario Alighiero. A educação no Oitocentos.

MANACORDA, Mario Alighiero. A educação no Oitocentos. In História da Educação – Da antiguidade aos nossos dias.7ª ed. Rio de Janeiro: Cortez, 1999. pp. 269 – 310. I A PRIMEIRA METADE DO SÉCULO . (p. 270 – 289) 1 A Revolução Industrial e a instrução (p. 270 – 272). Nos Oitocentos (século XIX) a educação que antes era uma questão política torna-se um problema social. A questão é: em que sentido ela transita de política para social segundo a compreensão de Manacorda? Logo no início do texto o autor aponta as condições que explicam essa alteração: • o mercador capitalista que foge das Corporações de artes e ofícios e destina a matéria prima a indivíduos dispersos e não associados, que são por ele controlados; • o estabelecimento da cooperação simples: os artesãos concentrados numa mesma oficina realizam a mesma forma de trabalhar nas Corporações, mas em novas relações de propriedade; • a produção manufatureira onde “[...] se efetua uma primeira divisão do trabalho […]” (MANACORDA, p. 270): rotinas no interior dentro do setores da produção em que o trabalhador realiza somente uma parte do processo de produção de um determinado produto; • o surgimento do sistema de fábrica e indústria onde a força produtiva se concentra nas máquinas (esse processo foi acelerado pela transformação das descobertas da Ciência em tecnologia, e as alterações no uso das das fontes de energia. O processo de transformação do trabalho deslocou populações inteiras das atividades artesanais para as fábricas e dos campos para as cidades. Este novo contexto manifestou conflitos sociais e culturais jamais experimentados pela sociedade até então. Segundo Manacorda (1999), os teóricos das velhas classes não tomaram consciência da complexidade desse processo e das questões dele decorrentes. Lembra que Rousseau fazia a defesa do artesanato e do retorno homem à proximidade da natureza. Proudhon entendia a indústria como soma de trabalhadores ainda na tradicional divisão do trabalho nas oficinas. Não entendeu que as novas relações de propriedade alteraram o modo de produção. A questão que deve ser buscada segundo Manacorda é: o que esse novo contexto implica para a instrução, sobretudo a popular? O velho artesão desapareceu, e se permanecia, não era mais figura determinante. Nesta direção Manacorda alerta que Comenius já identificava a necessidade da constituir como lugar de educar (entendase, de formação do homem moderno) também as armanentarias (os canteiros, os estaleiros navais) e dos mercimoniorum loca (as Bolsas da Holanda e Inglaterra). O Revolução Industrial mudou as só as exigências da formação humana, mas também as condições. O que a R.I. Permitiu? Acumulação de grandes capitais; exploração de novos continentes; grandes descobertas científicas; transformação das descobertas científicas em tecnologia; num longo processo de expropriação dos artesãos das corporações tomou-lhes a liberdade e toda sua propriedade (o artesão é expropriado de tudo, não era dono de mais nada): tomaram-lhe a propriedade, o conhecimento total do processo de produção); a expropriação de terras e fontes de matéria-prima. Estava esgotado o aprendizado das massas produtivas artesanais. O que substituiu essa processo de ensino? Nos primórdios da R.I. Industrial os trabalhadores não tinham instrução. As operações das atividades na fábrica não exigiam mais que ignorância. O processo de incorporação das descobertas científicas ao provocar rápidas mudanças nas máquinas passou a exigir um trabalhador disposto a essas transformações. Nesse sentido, os filantropos e industriais estavam diante do desafio da instrução das massas operárias exigida pelos surgimentos dos novos instrumentos e processo produtivos. A instrução surge como demanda da fábrica. Neste cenário a pedagogia moderna se definiu a partir do desafio das relações entre trabalho e instrução ou instrução técnico profissional, expressando-se nas propostas de formação para o trabalho de forma específica e de formação para a perspectiva do trabalho conforme se evidenciou nas mais variadas proposições da Escola Nova. Neste sentido duas soluções foram tentaras: 1) a formação pela observação e imitação que já estava proposta lá nas obras de Platão; 2) a transformação da “desinteressada” inserindo conhecimentos profissionais. Ou seja, a criação de “[...] várias escolas não só sermocinales, mas reales, isto é, de coisas, de ciências naturais: em suma, escolas científicas, técnicas e profissionais.” (MANACORDA,

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