PRODUZINDO A DEFESA DO BRASIL

runicrock

PRODUZINDO

A DEFESA

DO BRASIL

Ano 1 • Número 01 • 2014

ENTREVISTAS ESPECIAIS

Luiz Marinho

Prefeito de São

Bernardo do Campo

Gal. Enzo Peri

Comandante do Exército

Brasileiro


EDITORIAL

PRODUZINDO A

DEFESA DO BRASIL

Em dezembro de 2013, a Presidenta

Dilma Roussef anunciou a escolha

do modelo Gripen para a renovação

da Força Aérea, no âmbito do processo

de reaparelhamento das Forças Armadas e do

fortalecimento da Base Industrial de Defesa, iniciado

no Governo Lula. Imediatamente, os olhares

se voltaram para o Grande ABC. O anúncio da

empresa Saab, de instalação de uma unidade de

fabricação do caça em São Bernardo do Campo,

deu ao Prefeito Luiz Marinho grande projeção na

mídia e inseriu a região na geografia da indústria

de Defesa. Porém, o ocorrido não foi um raio em

céu azul. Houve toda uma estratégia, um caminho,

um processo, que conduziram a esse resultado

muito positivo para o Grande ABC e o Brasil.

O Arranjo Produtivo Local (APL) de Defesa

do Grande ABC, único deste tipo no país, tem

muito a comemorar. Após um ano de existência,

a publicação do primeiro exemplar de sua Revista

representa novo avanço na cooperação entre

empresários, sindicalistas, dirigentes acadêmicos

e gestores públicos – os quatro principais atores

que compõem o APL, com frequente presença de

membros das Forças Armadas como convidados.

O Prefeito Luiz Marinho, Presidente do

Consórcio Intermunicipal das sete prefeituras

do Grande ABC, é o personagem central nesse

esforço regional de adensamento da indústria de

Defesa brasileira. Entre suas várias ações, incluiu-se

uma audiência com Sua Majestade, o Rei da Suécia,

a convite deste. Em entrevista neste número

inaugural da Revista do APL de Defesa do Grande

ABC, Marinho expõe sua visão sobre o momento

da região e do país e as vantagens de uma diversificação

produtiva, que somará novas capacidades à

tradicional vocação automotiva preservada.

Igualmente relevante é a entrevista do Comandante

do Exército Brasileiro, General Enzo

Peri, que detalha os projetos dessa Força para os

próximos anos, as demandas de produtos e serviços

para o parque produtivo do país e as vantagens

de um APL como o nosso para o Brasil.

A matéria sobre o Gripen avalia o impacto da

escolha do caça para o Brasil e nossa região.

O histórico da busca de inserção do Grande

ABC na cadeia produtiva de Defesa, ao longo de

cinco anos, está descrito em detalhes na matéria

da página 6 e no artigo do Secretário de Desenvolvimento

Econômico de São Bernardo do

Campo, na página 42.

As universidades do Grande ABC serão

cruciais na construção das novas capacidades

produtivas. Dirigentes de importantes instituições

comentam essas perspectivas nesta edição. Artigo

sobre a capacitação da força de trabalho local retrata

a preocupação central do sindicalismo - ator

social de fundamental importância na região.

A Agência de Desenvolvimento Econômico

do Grande ABC tem papel decisivo a cumprir no

processo regional. Rafael Marques, que acumula a

presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

e da Agência, fala dos planos e ações desta entidade.

Finalmente, entre outras reportagens, a

matéria sobre Catalogação e Homologação de

produtos de Defesa aborda os requisitos técnicos

rigorosos para quem pretende fornecer às Forças

Armadas.

Convidamos os leitores e leitoras a se inteirarem

das ações do APL de Defesa do Grande

ABC. Boa leitura a todos!

Coordenação do APL de Defesa do Grande ABC

Revista do APL de Defesa do Grande ABC


ÍNDICE

EXPEDIENTE

05

06

14

18

24

28

34

42

48

52

56

58

60

EVENTOS

UM MARCO PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

ENTREVISTA COM O PREFEITO DE SÃO

BERNARDO DO CAMPO LUIZ MARINHO

DEFESA BRASILEIRA TEM HORIZONTE OTIMISTA

ENTREVISTA COM O COMANDANTE DO

EXÉRCITO BRASILEIRO GENERAL ENZO PERI

APL É CANAL DE COMUNICAÇÃO COM

O EXÉRCITO BRASILEIRO

A MISSÃO DA AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO

DO GRANDE ABC

AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E SUA

IMPORTÂNCIA PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

INDÚSTRIA DE DEFESA PODE CONTAR COM

AS UNIVERSIDADES

REFORÇO SUECO NOS ARES DO BRASIL

O APL EM DEFESA DO GRANDE ABC

ARTIGO DO SECRETÁRIO JEFFERSON JOSÉ

DA CONCEIÇÃO

CATALOGAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS

PROCESSO RIGOROSO E IMPRESCINDÍVEL

SINDICATOS E CAPACITAÇÃO DA MÃO DE OBRA

CAMINHO PARA INOVAR

A VISÃO ESTRATÉGICA DE UM POLO DA IN-

DÚSTRIA DE DEFESA

NOTAS: POR DENTRO DO APL

EMPRESAS E INSTITUIÇÕES DO APL DE

DEFESA DO GRANDE ABC

APL DE DEFESA DO GRANDE ABC

Presidente do Consórcio

do Grande ABC

Prefeito de São Bernardo do Campo

Luiz Marinho

Coordenador Geral do APL

de Defesa do Grande ABC

Jefferson José da Conceição

Secretário Adjunto de Desenvolvimento

Carlos Alberto “Krica”

Coordenadora Técnica do APL

Flávia Beltran

A Revista do APL de Defesa do Grande ABC

é uma publicação do Arranjo Produtivo Local do

Setor de Defesa do Grande ABC. A publicação teve

a coordenação do Secretário de Desenvolvimento

Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do

Campo, Jefferson José da Conceição e do Secretário

Adjunto Carlos Alberto “Krica”.

REVISTA DO APL DE DEFESA

DO GRANDE ABC

Ano 01 - Número 01 (2014)

Diretor Geral: José Mattos

Repórter Especial: Romualdo Venâncio

Coordenador: Fernando Portilho

Designer: Mayara Lista

Capa: Flávio Tavares

Secretária de Redação: Taís Motta

Estagiária: Florencia Perseo

Assessores da Secretaria de

Desenvolvimento Econômico, Trabalho

e Turismo de São Bernardo do Campo:

Roberto Vital Anau, Maisa Sodré e Flávia Beltran

Contatos do APL de Defesa

do Grande ABC

www.industriadefesaabc.com.br

www.desenvolvimentosbc.com.br

www.facebook.com/desenvolvimentoSBC

industria@saobernardo.sp.gov.br

Praça Samuel Sabatini, 50 – Paço Municipal

São Bernardo do Campo – SP

CEP: 09750-901

Editada pela JCM Consultoria em

Comunicação e Políticas Públicas

Av. Rio Branco, 45 sala 1703

Rio de Janeiro – RJ

Telefone: 021-3686-6802

Os artigos publicados na revista são de responsabilidade

de seus autores e não refletem

obrigatoriamente a opinião dos editores


EVENTOS

O COMANDO DA AERONÁUTICA APRESENTA SEUS

PROJETOS E DEMANDAS ÀS EMPRESAS DO

GRANDE ABC

PROGRAME-SE: 30 de julho de 2014

Programação:

8h – Credenciamento

8h30 – Abertura – Prefeito Luiz Marinho

9h às 12h – Palestras com Representantes da Força Aérea

12h – Almoço

13h – Palestras com Representantes da Força Aérea

15h – Rodadas de Relacionamentos entre Oficiais da Aeronáutica responsáveis

pelo Setor de Compras e empresas da Região, nas seguintes áreas:

Têxtil – fardamento, calçados e acessórios

Instalações – alimentação, gêneros, equipamentos e aparelhos

Equipamentos Individuais – EPI (equipamentos de proteção individual)

Equipamentos de Logística e mobilização - barracas de campanhas, contêineres

Combustíveis, Gases, Óleos e Lubrificantes

Viaturas, motores, viaturas especiais

Pneus de aviação

Produtos especiais: produtos químicos para manutenção de aeronaves, tintas aeronáutica

Material Bélico – munições e explosivos, armamentos, armas não letais, bombas e foguetes

Materiais – processos de forjamento em alumínio e outros, ligas de alto desempenho para veículos

lançadores e materiais compostos, elastômeros e sinterizados metálicos para freios

Ciência e Tecnologia – sistemas de informática para veículos lançadores, VANT,

mísseis e satélites, simuladores de voo

Mecânica – tanques de combustível aerotranspotáveis, revisão geral de TPs (trens de pouso)

Para brisas e transparências para uso aeronáutico

Equipamentos e insumos médico-hospitalares e odontológicos

Local: Salão Nobre da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) – Rua Alfeu Tavares, 149 – Rudge Ramos – São

Bernardo do Campo

Informações: Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo

Contato: Flávia Beltran – industria@saobernardo.sp.gov.br

Inscrições e Programação completa pelo site do APL de Defesa do Grande ABC: www.industraidefeSaabc.com.br

MISSÃO BRASIL - SUÉCIA

22 a 26 de setembro de 2014

A Prefeitura de São Bernardo do Campo, por meio da

Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho

e Turismo e da Secretaria de Relações Internacionais,

com apoio da Business Sweden e dos APLs de Defesa,

Ferramentaria e Auto Peças, estão organizando a Missão

Brasil-Suécia, com o objetivo de trocar experiências entre

universidades e prospectar negócios entre empresas.

Entidades envolvidas:

- Prefeitura de São Bernardo do Campo

- Universidades

- Instituição de Ensino Técnico Especializado

- Business Sweden

- Sindicatos dos Metalúrgicos da Suécia e do Grande ABC

Locais: Linköping e Gotemburgo - Suécia

Mais informações: 11 4348-1051 (Maisa, Flávia e

Alessandra) - maisa.sodre@saobernardo.sp.gov.br

Revista do APL de Defesa do Grande ABC


UM MARCO PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

UM MARCO PARA

A INDÚSTRIA

DE DEFESA

06

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


Criado para somar

esforços e multiplicar

resultados, o APL de

Defesa do Grande

ABC se tornou uma

referência do setor e

ampliou a projeção de

sua representatividade

Entre os objetivos de

um Arranjo Produtivo

Local (APL) estão

a aproximação e o

diálogo entre empresas de um

mesmo território para que, a

partir de uma ação coordenada,

busquem o avanço em produtividade

e competitividade. Isso

é exatamente o que aconteceu

há cerca de um ano, quando

foi criado o APL de Defesa do

Grande ABC, no Estado de São

Paulo. A região já havia conquistado

notoriedade como um

dos principais polos industriais

do Brasil, mas principalmente

pela atuação no setor automobilístico.

Diante de uma demanda

específica e das múltiplas

oportunidades decorrentes, veio

o estímulo para aproveitar todo

o potencial produtivo já instalado

por ali.

O APL de Defesa do Grande

ABC surgiu como parte de

um planejamento para a região,

vislumbrando as próximas décadas.

A criação e a coordenação

desse APL ficaram a cargo da

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 07


“ A combinação do momento

econômico do Brasil com a

real possibilidade de fortes

investimentos na área permitiu

que se enxergasse um panorama

mais convidativo...”

Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho

e Turismo da Prefeitura de São Bernardo

do Campo. E as ideias vieram à tona em meio à

definição de prioridades do plano de governo do

Prefeito Luiz Marinho. “Entre as questões colocadas

à mesa, precisávamos saber como promover a complementariedade

das cadeias produtivas e definir o que a

região ainda poderia absorver, que espaços ainda seria

possível abrir, quais seriam as demandas da economia

brasileira, entre outros fatores”, explica o Prefeito.

O estímulo para a formação desse APL veio

também do positivo cenário em torno do Setor

de Defesa. A combinação do momento econômico

do Brasil com a real possibilidade de fortes

investimentos na área permitiu que se enxergasse

um panorama mais convidativo. Outro fator que

impulsionou o surgimento do primeiro e, até

o momento, único APL de Defesa do país é a

necessidade das Forças Armadas de reduzirem sua

dependência quanto a fornecedores estrangeiros

de produtos e serviços. Se a equação ‘pesquisa e

desenvolvimento tecnológico mais capacidade de

SÃO BERNARDO REALIZA “RADIOGRAFIA”

DAS INDÚSTRIAS DE DEFESA NO NOVO CADASTRO

A Prefeitura de São Bernardo

- por meio da Secretaria de

Desenvolvimento Econômico,

Trabalho e Turismo - acaba de

realizar pesquisa para atualizar

o Cadastro Geral da Indústria

(CGI) do município. O diagnóstico,

realizado pelo INPES da

USCS (Universidade Municipal

de São Caetano do Sul), conta

com o apoio do Ciesp-São

Bernardo e dos sindicatos de

trabalhadores, dos Metalúrgicos

e o dos Químicos do ABC.

A pesquisa contém também

questões que buscam identificar,

em uma primeira aproximação, a

base industrial de Defesa instalada

no município.

Os resultados serão disponibilizados

ao público na forma

impressa e eletrônica. Assim, será

possível conhecer o que produz

cada uma das indústrias; que

insumos utiliza; onde compra;

onde vende (logo, será possível

mapear a “abecedização” do

fornecimento das cadeias produtivas

locais); se exporta ou não;

número e composição de empregados;

principais resíduos do

processo industrial; relação com

as universidades, entre outras informações.

O objetivo do CGI

é ser instrumento de apoio ao

fomento da indústria. Ele poderá

gerar rodadas de negócios para

os atuais Arranjos Produtivos

Locais (APLs), coordenados pela

Secretaria. Além do próprio APL

de Defesa, a Secretaria coordena

os APLs de ferramentaria, autopeças,

químico, defesa, móveis,

gráfico e panificação.

O CGI abrange todos os

estabelecimentos industriais do

município. Os 35 pesquisadores

visitaram in loco mais de 700

quarteirões da cidade. O questionário,

aplicado pelos pesquisadores

foi respondido por gerentes

e diretores das empresas.

A pesquisa deverá ser estendida

em breve a toda Região do ABC,

por meio do Consórcio Intermunicipal

e da Agência de Desenvolvimento

Econômico do ABC.

08

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


UM MARCO PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

Foto: Divulgação

Marinha do Brasil e empresários da região

produção’ pode gerar resultados

significativos, os vetores ‘instituições

de ensino e polo industrial’

são mais do que relevantes.

Visão de futuro

O APL de Defesa do Grande

ABC foi fundado, oficialmente,

no dia 7 de março de 2013.

Mas sua construção se iniciou

bem antes dessa data, com uma

expressiva lista de ações desenvolvidas

pela Prefeitura de São

Bernardo do Campo. Ainda no

primeiro semestre de 2010, o

prefeito Luiz Marinho viajou

para a Suécia e a França, com o

intuito de conhecer de perto a

indústria aeronáutica daqueles

países e identificar oportunidades

para as empresas do Grande

ABC nos campos comercial,

além do compartilhamento de

tecnologia. Essas visitas resultaram

em dois eventos com algumas

das principais companhias

globais no setor de tecnologia

aeroespacial.

No final de 2010, representantes

da Saab, indústria sueca

“...os membros do

AP transformaram os

debates em agenda de

trabalho, ações concretas

e, consequentemente,

benefícios a todos...”

fabricante do caça Gripen,

estiveram em São Bernardo

do Campo para um encontro

com empresas e universidades

do Grande ABC. Na ocasião,

os executivos da Saab falaram

sobre o que ofereceriam como

contrapartida ao Brasil e ao

Grande ABC caso o grupo

fosse escolhido pelo governo

brasileiro para ser o fornecedor

dos aviões do Projeto FX-2 da

Força Aérea Brasileira. Além

do compromisso em transferir

tecnologia, falou-se na construção

de uma unidade do grupo

sueco em São Bernardo do

Campo.

Em dezembro de 2013, o

Ministério da Defesa anunciou

que o Gripen (modelo New

Generation) foi escolhido para

renovar a frota nacional de caças

supersônicos. A Saab confirmou

sua instalação em São

Bernardo do Campo.

O segundo encontro aconteceu

em maio de 2011, com

o Consórcio Rafale, do grupo

francês Dassault, que também

concorria para o Projeto FX-2.

Em um seminário apresentado

pela empresa, foi assinado um

Termo de Cooperação com a

Prefeitura de São Bernardo do

Campo e três instituições de

ensino (UFABC, FEI e Fatec).

Ainda naquele mês, o ABC

deu mais um importante passo

rumo ao desenvolvimento

tecnológico e ficou ainda mais

próximo da Suécia. A criação

do Centro de Pesquisa e Inovação

Sueco-Brasileiro, o CISB,

multiplicou as possibilidades de

geração de conhecimento, inclusive

com intercâmbio acadêmico.

Com o apoio do CISB, as

universidades do Grande ABC

têm mantido contato direto,

por exemplo, com a Linköping

University, e já vêm desenvol-

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 09


vendo trabalhos de pesquisa em parceria.

A dedicação para promover o

desenvolvimento da indústria de defesa do

Grande ABC também abriu o diálogo da

Prefeitura de São Bernardo do Campo com

o mercado dos Estados Unidos. A Boeing

Company realizou duas rodadas de questionários,

uma no final de 2011 e outra no início de

2012, junto às empresas da região do ABC para

selecionar aquelas que pudessem integrar a rede

mundial de fornecedores da companhia norteamericana.

Um Seminário sobre Oportunidades da

Indústria de Defesa no Brasil e no Grande ABC,

em outubro de 2011, reuniu representantes

das Forças Armadas, empresários, sindicalistas e

gestores públicos. Em paralelo, um Colóquio

Acadêmico congregou universidades locais com

o ITA e o IME, que expuseram as pesquisas em

andamento. Também nesse evento, ocorreu o

FINANCIAMENTOS

Apoio à inovação tecnológica

lançamento do livro bilíngue (português/inglês)

“São Bernardo do Cam po, Grande ABC: Nova

Fron teira da Indústria de Defesa”, disponível em

versão impressa e eletrônica.

Esforço conjunto, ganho coletivo

Como era de se esperar, todas essas iniciativas

despertaram o interesse de diversos segmentos

William Respondovesk

Foto: Divulgação / FINEP

Entre as ações do Arranjo

Produtivo Local (APL) de Defesa

do Grande ABC está o apoio

para que as indústrias encontrem

caminhos mais curtos e seguros

aos recursos financeiros. É uma

forma de estimular o crescimento

do setor. Se depender da

busca por financiamentos para

aplicar em pesquisa e desenvolvimento,

pode-se afirmar que a

indústria nacional de defesa está

em plena expansão.

A FINEP, por exemplo, empresa

pública vinculada ao Ministério

da Ciência, Tecnologia e

Inovação, criou no ano passado

um departamento específico

para atender o setor. Inicialmente,

foram disponibilizados

recursos de R$ 2,9 bilhões. No

entanto, por conta da demanda,

serão investidos quase R$ 8,7

bilhões. Segundo dados divulgados

pelas própria FINEP, de

91 planos de negócios apresentados

por 64 empresas líderes

aprovadas no programa Inova

Aerodefesa, saíram 315 projetos

de pesquisa e inovação, com

base nas quatro linhas temáticas

definidas no edital: Aeroespacial,

Defesa, Segurança e Materiais

Especiais.

O chefe do Departamento

das Indústrias Aeroespacial,

Defesa e Segurança da FINEP,

William Respondovesk, afirma

ser imprescindível comprovar o

grau de inovação do projeto em

questão, até porque essa informação

ajudará a definir o tipo de

financiamento (reembolsável ou

não). “É importante que a empresa

mostre qual é o risco tecnológico,

que desafios vai enfrentar. Precisa

descrever o que vai fazer, como vai

fazer e que tipo de gasto terá (equipe,

equipamentos, viagens e demais

despesas); e quanto tempo vai demorar

para acontecer”, detalha ele.

10

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


UM MARCO PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

para as oportunidades na área

de defesa. E aí veio também a

demanda por mais informações

sobre as características do setor,

seus integrantes, suas particularidades,

os principais desafios,

enfim, tudo o que fosse possível.

Mais uma vez, o prefeito

Luiz Marinho e sua equipe se

anteciparam e buscaram meios

para suprir tal necessidade. Uma

série de ações com as Forças

Armadas, visando a sua aproximação

com as empresas da

região, se desenvolveu a partir

do ano seguinte.

Uma palestra realizada pelo

General Aderico Mattioli,

diretor do Departamento de

Produtos de Defesa do Ministério

da Defesa, e pelo Coronel

Nelson Kenji Missano, gerente

do Centro de Catalogação

das Forças Armadas, ajudou os

empresários do Grande ABC a

entenderem a importância e as

etapas dos processos de catalogação

e homologação de produtos.

Também tiveram início

Sérgio Schmitt

articulações para a instalação de

um Centro de Catalogação das

Forças Armadas em São Bernardo

do Campo.

Ainda em dezembro

de 2012, aconteceu uma

conferência com oficiais

Foto: Divulgação

Quando o solicitante consegue

a aprovação dos recursos,

vem o acompanhamento da instituição

financeira. “Não vamos

apenas olhar a perspectiva de crédito

e emprestar o recurso, queremos saber

qual é o grau de inovação. E não

liberamos a verba toda de uma vez,

mas, sim, por etapas, de acordo com

os resultados que apuramos”, explica

Respondovesk.

O Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e

Social (BNDES) já atua com

empresas do setor de defesa –

pequenas, médias e grandes – há

mais tempo. “Temos histórico de

atendimento à área de defesa desde

a década de 1980”, confirma o

engenheiro lotado no Gabinete

da Presidência da instituição,

Sergio Schmitt. “Mais recentemente,

desde 2003, há uma política de

governo orientada para o fortalecimento

dessa indústria”, completa.

O limite mínimo de apoio, por

exemplo, é de R$ 1 milhão para

a defesa, enquanto que para os demais

setores é de R$ 20 milhões.

O atendimento pode ficar ainda

mais personalizado pelo fato de o

BNDES contar com uma divisão

específica para atender APLs.

“Fato interessante é que várias

tecnologias desenvolvidas para o setor

de defesa também têm aplicação no

mercado civil”, observa Schmitt.

Além do apoio à inovação, o

BNDES também oferece recursos

para que as empresas possam

investir em capacidade produtiva,

a exemplo de quando precisa

ampliar ou renovar suas linhas

de produção. Para ter acesso

aos recursos, o empresário deve

formalizar uma consulta prévia,

seja para inovação, seja para

capacidade produtiva ou ainda

exportação.

Serviço:

FINEP – (11) 3847-0300

www.finep.gov.br

BNDES – (11) 3512-5100

www.bndes.gov.br

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 11


da Marinha do Brasil para falarem sobre

especificações da demanda de produtos e

serviços. As palestras realizadas pelo Vice

-Almirante Edésio Teixeira Lima Junior e sua

equipe mostraram aos mais de 450 empresários

presentes quais são as necessidades da

Marinha e o que é preciso para que possam

se tornar fornecedores.

Em 2013, nasce de fato o APL de Defesa

do Grande ABC, que desde sua formação reúne

uma lista considerável de participantes, entre

empresas, universidades, Forças Armadas, instituições

financeiras, entidades de classe e a gestão

pública. Mais que discutir de forma intensa e

abrangente os principais temas relacionados ao

setor, os membros desse grupo transformaram

os debates em agenda de trabalho, ações concretas

e, consequentemente, benefícios a todos os

atores relevantes do Grande ABC. Para começar,

o APL de Defesa do Grande ABC desenvolveu

um site próprio (www.industriadefesaabc.com.br)

para ampliar divulgação, em âmbito nacional, e

chamar a atenção para as atividades da região no

tocante ao setor.

O site foi ferramenta fundamental, por exemplo,

para convidar o público para participar do

evento realizado em parceria com o Exército em

julho de 2013, nos moldes do que havia acontecido

com a Marinha. “Foi a continuidade de nossa

política para ampliar a participação do setor produtivo

do Grande ABC na rede de suprimento das Forças

Armadas”, comenta o secretário de Desenvolvimento

Econômico, Trabalho e Turismo de São

Bernardo, Jefferson José da Conceição.

O processo também é visto com bons olhos pelos

militares, como afirma a liderança do Comando

Logístico do Exército, General Marco Antônio de

Farias: “Para mantermos o Exército ativo, precisamos do

apoio da indústria. E essa aproximação representa ganho

de qualidade, benefícios sociais e confiabilidade”. Naquele

evento, foi entregue ao Exército um documento no

qual o APL propõe diversos tópicos relacionados ao

incremento de sua participação na Base Industrial

de Defesa do Brasil. •

EMPRESAS DO APL TÊM LINHA

ESPECIAL DA CAIXA PARA CAPITAL DE GIRO

As empresas do APL de Defesa do Grande ABC poderão utilizar de linha de

crédito para capital de giro especialmente construída pela Caixa Econômica Federal

para os Arranjos Produtivos Locais (APLs).

A linha, constituída com recursos do PIS, propiciará financiamento de até R$

100.000,00, com carência de 24 meses, pagamento em até 24 vezes e taxa de juros

de 0,83% a.m, sem IOF.

Os empresários que eventualmente estiverem com dívidas atrasadas e, por conseguinte,

sem condições de obtenção da Certidão Negativa de Débito (CND), podem

receber consultoria especializada para regularizar a situação e conseguir o crédito.

Algumas outras linhas de crédito importantes para as Indústrias da base Industrial

de Defesa são a do BNDES e da FINEP.

12

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


UM MARCO PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

Tunico Vieira

Secretário de Relações Internacionais

de São Bernardo do Campo

Defesa é garantia de

segurança e soberania

Pelas ruas do Brasil escuta-se que os

gastos públicos na área de defesa são

desnecessários. No entanto, a história e

ordem mundial contemporânea comprovam

que para a manutenção da paz é necessário

a segurança de nossas fronteiras. Quando

falamos em defesa não nos referimos à

guerra, mas prioritariamente aos assuntos de

segurança nacional e à conservação de uma

região pacífica. E claramente, um país com a

extensão territorial do Brasil, que dispõe de

vastas riquezas e reservas naturais, necessita

de equipamentos modernos para garantir sua

soberania e a segurança de seu povo.

São Bernardo do Campo, uma cidade

vanguardista no fortalecimento e na

diversificação de sua atividade econômica,

mais uma vez sai na frente como pivô

da inovação no processo de ampliação e

modernização da indústria de defesa a ser

territorialmente desenvolvida em

nossa cidade.

O governo do Prefeito Luiz Marinho

não tem medido esforços, e tem tido

destacável sucesso, para transformar

São Bernardo do Campo em um

renomado parque de defesa nacional,

atraindo empresas de alta tecnologia,

gerando empregos qualificados e

contribuindo para o desenvolvimento

da cidade, da região e do país.

Indubitavelmente a instalação da

fábrica da Saab para fabricação dos

caças supersônicos Gripen NG é

a primeira etapa de sucesso, dentre

diversas outras que virão, para

consolidação de mais um degrau

na escada do desenvolvimento

econômico e social de São Bernardo

do Campo. •

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 13


ENTREVISTA ESPECIAL

DEFESA BRASILEIRA TEM

HORIZONTE OTIMISTA

O Prefeito de São Bernardo e atual Presidente do Consórcio Intermunicipal

do Grande ABC aposta alto na evolução do polo industrial do Grande ABC

para fortalecer a autonomia tecnológica das Forças Armadas e ressalta tratar-se

de um processo coletivo, que depende de todos os envolvidos com o setor

Foto: Revista do APL

A

Indústria Nacional de Defesa vive

um momento de boas perspectivas,

tanto pela evolução tecnológica,

que é uma realidade dentro do

país, quanto pela integração com o mercado

internacional. Esse ambiente traz novas oportunidades

para o setor, a exemplo da escolha

dos caças Gripen NG pelo Governo Federal

para o Projeto FX-2, aeronaves fabricadas pela

empresa sueca Saab. Apesar dessa atmosfera

positiva, o prefeito de São Bernardo do Campo

(SP), Luiz Marinho, acredita que o setor de

defesa do Brasil precisa avançar mais. E para

que isso aconteça, é preciso estreitar a relação

entre as Forças Armadas, a indústria de defesa,

a área acadêmica e todos os demais integrantes

dessa cadeia. Essa é a movimentação que vem

sendo realizada pelo Arranjo Produtivo Local

(APL) de Defesa do Grande ABC.

Prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho

Como surgiu a formação

do APL de Defesa?

Foi motivada, principalmente, por nossa inquietação

na busca de novos e melhores rumos

para a cidade de São Bernardo do Campo e o

ABC paulista. Desde o primeiro momento da

preparação para a eleição à Prefeitura, fizemos

uma lista de interrogações sobre como pensar,

planejar e projetar a cidade para os próximos

14

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


PREFEITO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO LUIZ MARINHO

Foto: Divulgação

A convite da Saab, prefeito Luiz Marinho realizou sobrevoo em um Gripen

30, 40 ou 50 anos; como fazer

o complemento das cadeias

produtivas; o que a região ainda

pode absorver; enfim, que espaços

podem se abrir. Entre as

muitas informações resultantes

desse diagnóstico, constatamos

que o setor de defesa, após

cinco décadas, passou a receber

– ou a ter a possibilidade de

receber – fortes investimentos,

acompanhando o bom momento

da economia brasileira.

“Em diversas situações,

na busca por processos

ou matérias-primas

para a indústria de

defesa, acabam surgindo

descobertas que servirão

também a outros

segmentos industriais...”

Quais são as reais

oportunidades para

o setor?

A consolidação da economia

brasileira no cenário global

atrai os olhares do mundo todo.

Se já éramos uma nação em

evidência por conta das riquezas

naturais como as existentes

na Amazônia, tornamo-nos

mais ainda com as descobertas

de novos campos de petróleo.

Vale ressaltar as projeções sobre

o problema de escassez de água.

Mas nossas oportunidades vão

além desses e outros recursos

naturais estratégicos e abrangem

também nosso parque

industrial e nossa expertise

produtiva. No momento em

que o Governo Federal anuncia

vultosos investimentos na área

de defesa, nos deparamos com o

desafio de reconstruir parte da

indústria que abastece o setor,

sucateada ao longo do tempo.

Em meio a esse cenário, vimos

a oportunidade de o ABC

acolher a constituição de um

parque industrial de defesa.

A região é

tradicionalmente

reconhecida como polo da

indústria automobilística.

Essa imagem pode mudar?

Esse é o nosso desejo, mas

com uma mudança que aponte a

complementação e diversificação

de cadeias produtivas, mantendo

nossas vocações tradicionais.

Uma boa manchete sobre esse

momento poderia ser a seguinte:

“O ABC também é defesa”. Há

predominância do setor automotivo,

mas suas raízes passam

por segmentos como engenharia,

químico e petroquímico, que

também interagem com outras

cadeias produtivas.

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 15


Como tem sido a

receptividade de

empresários à criação

do APL e às ações já

desenvolvidas?

Posso dizer que há algumas

empresas ainda na fase de namoro

e outras já caminhando para o

casamento. Não temos dúvida de

que a iniciativa valeu a pena. Se

tomarmos como exemplo a criação

do Centro de Pesquisa e Inovação

Sueco-Brasileiro (CISB),

que atua nacional e internacionalmente

a partir de nossa cidade,

o que vemos é um estímulo importante

ao processo de formação

da consciência sobre a necessidade

de um parque tecnológico e a

da interação das universidades e

institutos de pesquisa com demandas

do setor produtivo. Mais

do que nunca, o setor de defesa

demanda tal avanço. Em diversas

situações, na busca por processos

ou matérias-primas para a indústria

de defesa, acabam surgindo

descobertas que servirão também

a outros segmentos industriais.

Quais são os benefícios

para empresas que

investem no setor

de defesa em São

Bernardo do Campo e

no Grande ABC?

Esta região tem uma cultura

de trabalho muito forte e, por

conta disso, uma inteligência

bastante desenvolvida em relação

a esse universo. Também há

o potencial de diversas áreas da

Foto: Divulgação

engenharia e a presença abrangente

do mundo acadêmico. O

que procuramos fazer é aproximar,

reunir todos esses setores e

criar uma sinergia. Além disso, a

região apresenta outros diferenciais,

como a localização geográfica

e a proximidade do Porto

de Santos, importantes vantagens

logísticas. Esse conjunto de

fatores acaba se traduzindo em

competitividade.

Como a concentração de

instituições de ensino na

região tem favorecido o

desenvolvimento do polo

industrial de defesa?

Sempre que vou às universidades,

digo que estão em

débito com a sociedade, pois há

inúmeras demandas já colocadas

que necessitam de pesquisa

para serem resolvidas, e são essas

instituições que podem desenvolver

tais estudos. Quando

Associação dos Funcionários Público

uma empresa privada investe

em pesquisas, tem como base

um produto ou serviço específico

e não uma demanda mais

ampla. Veja por exemplo a Represa

Billings, que abastece boa

parte da cidade de São Paulo

e nossa região. Seu reservatório

de água vem diminuindo

devido ao aumento da quantidade

de lodo. Como descobrir

uma forma segura de tirar esse

lodo, sem causar uma catástrofe

ambiental? Só é possível levar

adiante um debate como este

com a participação da academia.

De forma geral, creio que as

instituições de ensino estão respondendo

razoavelmente bem

a este chamado, buscando cada

vez mais parcerias com o setor

industrial. É necessário aprofundar

esse processo, tornando

-o mais sistemático e dinâmico.

Uma iniciativa em curso no

Consórcio Intermunicipal é a

16

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


PREFEITO DE SÃO BERNARDO DO CAMPO LUIZ MARINHO

realização de um Inventário da

Oferta Tecnológica da região,

que identifique o conjunto de

instituições e organizações prestadoras

de serviços e pesquisas

tecnológicas: laboratórios de

universidades e independentes,

Centros de Engenharia de

empresas, institutos públicos

e privados etc. No momento,

trabalhamos uma licitação para

realizar o levantamento para

criar esse inventário.

E quanto às Forças

Armadas, também houve

boa receptividade para

as iniciativas do APL de

Defesa do Grande ABC?

Com certeza. Já realizamos

um encontro com a Marinha

e outro com o Exército para

aproximá-los dos empresários

da região. Este ano, o mesmo

vai acontecer com a Aeronáutica.

Já recebemos elogios das

“A presença da Saab

na cidade, no ABC

paulista, é uma decisão

estratégica de grande

relevância...”

três Forças por incentivarmos

essa relação mais estreita com

a indústria da região e até de

outros estados. A partir desses

encontros, os militares têm a

oportunidade de apresentar

às empresas seu potencial de

compra e de desenvolvimento.

E também de conhecer o que

esse parque industrial pode

oferecer. Há material importado

que poderia ser fabricado aqui

no Brasil. Nacionalizar a produção

de equipamentos que hoje

são importados seria algo muito

positivo, tanto para as Forças

Armadas quanto para a economia

brasileira. Afinal de contas,

se estamos falando de indústria

de defesa, precisamos ter autonomia

de uso, de exploração e

de transferência de tecnologia.

Com a escolha dos caças

Gripen NG, fabricados

pela Saab, para o Projeto

FX-2, a empresa sueca

confirmou a instalação

de uma unidade em São

Bernardo. Como o senhor

vê essa notícia?

Evidentemente, o fortalecimento

da Defesa Nacional é

muito importante, mas a presença

da Saab em São Bernardo

do Campo é uma decisão estratégica

de grande relevância. Há

uma estimativa de geração de

aproximadamente 5.800 postos

de emprego para a região, o

que teria um impacto extremamente

positivo na economia

local. Há ainda os investimentos

previstos para São Bernardo,

além do que a empresa já tem

aplicado no país. De forma mais

abrangente, é importante considerar

as oportunidades geradas

para a área de fornecedores e

os centros de pesquisa, considerando

que a transferência de

tecnologia é um dos compromissos

da entrada da Saab no

Projeto FX-2. Vale ressaltar

que a integração com o grupo

sueco já era significativo, tanto

que sua participação viabilizou

a criação do CISB, por

exemplo.

Qual seria, neste momento,

Sua mensagem para o

setor brasileiro de defesa e

seus integrantes?

O Brasil só tem uma

alternativa: o segmento nacional

de defesa precisa ser melhor do

que é hoje. Essa é nossa aposta,

é o que devemos projetar para

os próximos 50 anos. O Grande

ABC deseja e pode contribuir

para isso, em cooperação com

outras regiões do país, de forma

a tornar essa também uma

aposta no desenvolvimento

tecnológico da indústria

brasileira. •

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 17


ENTREVISTA ESPECIAL

APL É CANAL DE

COMUNICAÇÃO COM

O EXÉRCITO BRASILEIRO

Entrevista com o comandante do Exército brasileiro, General Enzo Peri

Foto: Divulgação

General Enzo Peri

Uma participação cada vez maior da

indústria nacional no atendimento

às necessidades do Exército

Brasileiro já está definida nos

diversos projetos que integram o planejamento

estratégico ora em execução. Nesse contexto,

os Arranjos Produtivos Locais - APLs - como

o do Grande ABC, se apresentam como um

campo promissor para ampliar a participação

das empresas no fornecimento de diversos

tipos de materiais e serviços. Esta é a visão do

general Enzo Peri, comandante do Exército,

que, em entrevista exclusiva à Revista da

Indústria de Defesa do Grande ABC, abordou

as diversas questões da integração com a

indústria nacional.

18

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO GENERAL ENZO PERI

Quais são os Projetos

Estratégicos do

Exército e qual sua

vinculação com a

indústria de defesa?

O Exército Brasileiro está

passando por um processo de

transformação, iniciado a partir

da percepção da necessidade

de ampliação da capacidade de

proteção ao Estado brasileiro,

consubstanciada em sua missão

constitucional e preconizada na

Política Nacional de Defesa e na

Estratégia Nacional de Defesa.

O Planejamento Estratégico

do Exército estabeleceu sete

projetos indutores do Processo

de Transformação. São eles:

SISFRON, ASTROS 2020,

GUARANI, PROTEGER,

DEFESA CIBERNÉTICA,

DEFESA ANTIAÉREA e

RECOP, todos com forte vinculação

com a indústria nacional

de defesa.

Para melhor visualizar essa

vinculação, é interessante detalhar

esses projetos:

“No curto prazo,

espera-se que sejam

mais demandados

setores tais como as

indústrias automotiva,

de informática

(software e hardware),

de telecomunicações,

química (propelentes),

espacial e de sistemas

eletroeletrônicos...”

a) Sistema Integrado de Monitoramento

de Fronteiras

(SISFRON): É um abrangente

e integrado sistema de

sensoriamento remoto para

apoio à decisão e atuação

integrada do Exército, das

Forças coirmãs e de agências

governamentais, concebido

mediante a integração de

recursos tecnológicos que

proporcionam a sinergia de

processos e pessoas, tendo o

emprego das estruturas organizacionais

existentes.

“Até 2022, espera-se um

incremento nas cadeias

produtivas fornecedoras de

conjuntos e componentes

eletromecânicos para

a indústria automotiva,

espacial, de propelentes,

desenvolvedores de

softwares e de soluções de

Tecnologia da Informação e

de Comunicações (TIC)...”

Essas ações, empregadas de

forma convergente, permitem

o fortalecimento da presença e

da ação do Estado na faixa de

fronteira, favorecendo a capacitação

e o impulsionamento da

indústria nacional, bem como

o adensamento de Unidades

das Forças Armadas nessa área.

Muitas indústrias serão fornecedoras

deste sistema, tais

como automotiva, espacial,

eletroeletrônica, radares e telecomunicações,

entre outras.

b) Astros 2020: tem a finalidade

de dotar a Força Terrestre

de meios capazes de prestar

apoio de fogo de longo

alcance com elevada precisão

e letalidade. Possibilitará a

realização de lançamento

partindo das plataformas

da nova viatura lançadora

múltipla universal na versão

MK-6, de vários foguetes da

família ASTROS, bem como

do míssil tático de cruzeiro.

Diversas indústrias e centros

de pesquisa da área química

(propelentes), automotiva,

espacial e de sistemas eletroeletrônicos

podem ser

demandados.

c) Nova Família de Blindados

de Rodas de Fabricação

Nacional (Guarani): tem

por objetivos transformar

Organizações Militares de

Infantaria Motorizada em

Mecanizada e modernizar as

Organizações Militares de

Cavalaria Mecanizada. Para

isso, estão sendo desenvolvidas

novas famílias de Viaturas

Blindadas de Rodas, a fim

de dotar a Força Terrestre de

meios para incrementar a dissuasão

e a defesa do território

nacional. Além de contribuir

para o crescimento da indústria

nacional de defesa,

este projeto criará condições

para que o Exército possa,

cada vez mais, adequar-se às

exigências decorrentes do

Processo de Transformação.

Serão beneficiadas, entre

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 19


“...podemos afirmar

que a abrangência das

capacidades requeridas

pelos projetos estratégicos

é muito vasta, em face

de terem escopos bem

amplos e diversificados...”

outras, as cadeias produtivas

da indústria automotiva, tais

como motores, componentes

eletromecânicos, eletrônicos e

pneumáticos.

d) Sistema Integrado de Proteção

de Estruturas Estratégicas

Terrestres (PROTEGER): é

um sistema destinado a ampliar

a capacidade de atuação

do Exército em ações preventivas

ou de contingência

na proteção da sociedade, no

apoio às atividades da Defesa

Civil. Este projeto articula-se

com o Mosaico de Segurança

Institucional, desenvolvido

pelo Gabinete de Segurança

Institucional e com o Sistema

Brasileiro de Inteligência, que

já promovem o monitoramento

das estruturas estratégicas

terrestres, permitindo

ao Exército obter capacidades

para pronta resposta contra

eventuais ameaças. O projeto

beneficia, principalmente, as

áreas de informática (software

e hardware), de comando e

controle e de comunicações.

e) Defesa Cibernética: o projeto

de Defesa Cibernética

beneficiará as áreas de informática

(software e hardware) e

telecomunicações. Tem por

meta incluir o Exército no

restrito grupo de organizações,

nacionais e internacionais,

que possuem a capacidade

de desenvolver medidas de

proteção, visando o emprego,

com liberdade de ação, do

espaço cibernético.

f) Defesa Antiaérea: O projeto

visa dotar a Força de capacidades

para atender às necessidades

de defesa das estruturas

estratégicas terrestres do País

e do Exército, protegendo-as

de possíveis ameaças provenientes

do espaço aéreo,

mediante a integração de

mísseis e canhões antiaéreos,

radares, centros de comando

e controle, comunicações e

logística, estabelecendo uma

moderna e adequada capacidade

de defesa antiaérea.

Neste projeto poderão ser

demandadas as indústrias

espacial (radares), automotiva

e de telecomunicações.

“A criação de APLs na área

de Defesa é importante na

medida em que contribui

para a concentração e

a ampliação dos meios

produtivos...”

g) Recuperação da Capacidade

Operacional (RECOP):

trata-se de um projeto que visa

recuperar a capacidade de combate

do Exército, dotando as

unidades operacionais de material

de emprego militar em seu

nível adequado de prontidão

e operacionalidade para atender

as exigências de defesa da

Pátria, bem como às operações

de garantia da lei e da ordem

e às diversas missões subsidiárias

atribuídas à Força. Diversas

cadeias produtivas serão beneficiadas,

tais como as indústrias

automotiva, de telecomunicações

e de munições.

Dentro dos Projetos

Estratégicos do Exército,

quais são as prioridades

da Força e os setores

empresariais mais

impactados no curto,

médio e longo prazos?

Todos os projetos anteriormente

mencionados são igualmente

importantes e prioritários

para o Exército, pois são

os indutores da transformação,

processo atualmente em curso

na Força e que tem horizontes

temporais definidos: curto prazo

(até 2015), médio prazo (até

2022) e longo prazo (até 2031).

No curto prazo, espera-se

que sejam mais demandados

setores tais como as indústrias

automotiva, de informática

(software e hardware), de telecomunicações,

química (propelentes),

espacial e de sistemas

eletroeletrônicos, em função

do desenvolvimento da Nova

Família de Blindados, da implantação

do Projeto Piloto do

SISFRON, da criação e estruturação

do Centro de Defesa

20

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO GENERAL ENZO PERI

Foto: Divulgação/Iveco

Projeto Guarani

Cibernética, do desenvolvimento

do Sistema Astros 2020, de

aquisições de equipamentos e

materiais para atender à Recuperação

da Capacidade Operacional

e da criação de Centros

de Comando e Controle.

No médio prazo, com o

prosseguimento dos projetos,

espera-se um incremento nas

cadeias produtivas fornecedoras

de conjuntos e componentes

eletromecânicos para a indústria

automotiva, espacial, de

propelentes, desenvolvedores

de softwares e de soluções de

Tecnologia da Informação e

de Comunicações (TIC), em

função da distribuição das

primeiras unidades das viaturas

da Nova Família de Blindados

Guarani, da consolidação

e ampliação do SISFRON, do

prosseguimento do projeto

PROTEGER, da implementação

técnica do SISTEMA

ASTROS 2020, da recuperação

da capacidade operacional da

Força Terrestre e da ampliação

da estrutura e da capacidade do

Centro de Defesa Cibernética e

do Sistema de Defesa Antiaérea.

No longo prazo, todos os

segmentos industriais relacionados

à consolidação das

estruturas e dos projetos implementados

e avaliados nos curto

e médio prazos também serão

amplamente impactados.

Enfim, podemos afirmar

que a abrangência das capacidades

requeridas pelos projetos

estratégicos é muito vasta, em

face de terem escopos bem amplos

e diversificados, requerendo

tecnologias de ponta e sistemas

e equipamentos de alta performance,

envolvendo quase toda

a cadeia produtiva do país.

Existem recursos

orçamentários que

assegurem a continuidade

dos Projetos?

Apesar de não termos total

garantia que os recursos serão

assegurados no longo prazo,

estamos confiantes. O que

podemos afirmar é que nos

últimos anos estamos com uma

tendência positiva no nível

de investimentos e que todos

os projetos estratégicos estão

recebendo os recursos para

a sua implantação.

Os projetos SISFRON,

Guarani, Defesa Antiaérea e

Defesa Cibernética estão inseridos

no Plano Plurianual (PPA)

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 21


2012-2015 – Plano Mais Brasil,

como empreendimentos de

grande porte.

Cabe destacar que o SISFRON,

o ASTROS 2020 e o GUARANI,

a partir deste ano, já se encontram

inseridos no Programa

de Aceleração do Crescimento

do Governo Federal, o que

permite uma maior garantia

na continuidade dos recursos

orçamentários.

Por outro lado, o Exército

também prioriza a busca de recursos

extraorçamentários junto

aos órgãos de fomento, como

forma de dar continuidade aos

seus projetos. Destacam-se os

recursos não reembolsáveis obtidos

junto ao MCTI/FINEP,

os quais contribuíram de maneira

decisiva para o sucesso do

Projeto Radar SABER M-60

“O estímulo ao

desenvolvimento científico

e tecnológico e a inovação

[...] deverá concretizar a

obtenção de produtos com

alto conteúdo tecnológico

agregado...”

e da Viatura Blindada de Transporte

de Pessoal (GUARANI).

Entre os benefícios

de fazer parte de um

APL, que vantagens

para a Força podem ser

destacadas no caso do

APL de Defesa?

A criação de APLs na área

de Defesa é importante na medida

em que contribui para a

concentração e a ampliação dos

meios produtivos, ao mesmo

tempo em que estimula a for-

mação de uma elite intelectual

associada aos projetos catalisadores

do desenvolvimento.

Enfim, são muitos os benefícios

e vantagens, mas destaco

como principal benefício o

de estabelecer essa comunicação

direta entre o Exército

Brasileiro e o setor produtivo

nacional, permitindo que as

necessidades requeridas pela

Força Terrestre sejam conhecidas

e atendidas pelo setor

produtivo do País.

No campo da Ciência

e Tecnologia, como o

Comando do Exército

pode contribuir com o

APL de Defesa e com

as empresas que a ele se

integrarem?

O Sistema de Ciência e Tecnologia

é essencial como indutor

Foto: Divulgação

O General Enzo Peri,

Comandante do Exército, e

o Prefeito de São Bernardo

do Campo, Luiz Marinho,

encontraram-se no último

dia 26 de março, em Brasília.

Na ocasião, ficou decidido

que será estreitado o

relacionamento do parque

industrial do Grande ABC

com o Escritório de Projetos

do Exército, visando uma

mais intensa integração das

empresas do APL de Defesa

da região com as ações

estratégicas que vêm sendo

postas em prática.

22

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


COMANDANTE DO EXÉRCITO BRASILEIRO GENERAL ENZO PERI

do Processo de Transformação da

Força. Nesse campo, o Comando

do Exército pode contribuir com

o APL pelo estabelecimento de

ações em parceria, objetivando a

geração de recursos para a Força,

como a inovação tecnológica. Segundo

a Estratégia Nacional de

Defesa (END), a reestruturação

da indústria brasileira de material

de defesa tem como propósito

assegurar que o atendimento das

necessidades de equipamento das

Forças Armadas apoie-se em tecnologias

sob domínio nacional.

O propósito de estimular

o desenvolvimento científico

e tecnológico e a inovação

de interesse para a defesa

nacional deverá concretizar

a obtenção de produtos com

alto conteúdo tecnológico

agregado, com o envolvimento

coordenado das instituições

científicas e tecnológicas

(ICT) civis e militares, da

indústria e da universidade.

Diversos são os setores que

possuem elevado potencial para

estabelecimento de parcerias

entre o Exército Brasileiro e o

APL, seja no âmbito da pesquisa

e desenvolvimento, seja no

âmbito da produção industrial

de produtos com alto valor

tecnológico. Podemos destacar

as áreas de tecnologia da informação;

defesa cibernética;

equipamentos óticos; máquinas,

equipamentos e materiais de

engenharia; equipamentos e

materiais médicos e hospitalares;

armamentos leves, incluindo

os de baixa letalidade,

com as respectivas munições;

armamento de grosso calibre

e munições; equipamentos

individuais para o combatente;

viaturas especializadas; simuladores

para armamento, viaturas

e aeronaves; e outros.

Uma das ações para concretizar

essa contribuição trata

do planejamento e início da

implantação de um polo de

Ciência e Tecnologia na região

de Guaratiba (PCTEG), cujo

foco principal é o de fortalecer

e integrar a Base Industrial de

Defesa, com vistas a fomentar

um APL de Defesa. No projeto

do PCTEG, no momento

atual, analisa-se exatamente a

questão formulada. O modelo

de negócio a ser adotado está

em concepção. Será construído

junto com a participação de

todos os atores interessados. Em

breve, planeja-se a elaboração

de simpósios, workshops e outros

instrumentos para discutir,

coletar sugestões e construir a

melhor forma de trabalho.

A disposição do Exército é

a de compartilhar seus pesquisadores,

laboratórios, instituições

de ensino, em suma, toda

sua infraestrutura de P&D, na

“O APL se apresenta como

um campo promissor de

ampliação da participação

da indústria nacional na

obtenção, pelo Exército,

de produtos de defesa

(PRODE)...”

busca de soluções aos desafios

tecnológicos inerentes aos

produtos de Defesa, com ênfase

na inovação e sempre apoiado

nas capacidades existentes na

indústria nacional.

No momento, há

empresas engajadas na

produção de material de

defesa para o Exército?

Sim, há empresas engajadas

na produção de material de defesa

em diversos setores, como

por exemplo: viaturas, radares,

equipamentos óticos e mísseis.

Diante da gama de projetos em

desenvolvimento pelo Exército,

particularmente os Projetos

Estratégicos, a tendência é de

aumento da participação das

empresas nacionais no setor

produtivo para a defesa. O APL

se apresenta como um campo

promissor de ampliação da participação

da indústria nacional

na obtenção, pelo Exército, de

produtos de defesa (PRODE).

Várias empresas brasileiras,

assim definidas pela legislação

em vigor, participam dos projetos

estratégicos conduzidos

pelo Exército, como por exemplo:

IVECO BRASIL (Guarani),

CPqD (Centro de Pesquisa

e Desenvolvimento), MEC-

TRON-Odebrecht (RDS -

Rádio Definido por Software),

Consórcio TEPRO, constituído

pelas empresas de defesa SA-

VIS e ORBISAT (SISFRON),

BRADAR e AGRALE (Defesa

de Artilharia Antiaérea), AVI-

BRÁS ASTROS2020). •

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 23


FORMAR UMA PLATAFORMA

REGIONAL DE SUCESSO É

A MISSÃO DA AGÊNCIA DO

GRANDE ABC

Quando se pensa em promover a expansão de uma região tão importante para o

País como é o ABC paulista, planejar o desenvolvimento econômico é mais que

fundamental. Tal preparação tem de ser conduzida com base em uma visão ampla,

global, como vêm fazendo as lideranças mundiais desde sempre

Foto: Paulo de Souza

Rafael Marques

É

fácil reconhecer a importância financeira

e social de uma região brasileira

que representa 6,8% do Produto Interno

Bruto (PIB) estadual e 2,3% do

nacional. E quanto mais detalhes se sabe a respeito

dessa localidade específica, maior é a convicção

sobre sua relevância. Pois é dessa forma que

o Grande ABC ganhou notoriedade – sobretudo

política – e marcou a história do País. Composto

por sete municípios, que ocupam uma área

de 827 km² e abrigam mais de 2,68 milhões de

habitantes, é o quinto maior mercado de consumo

do Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística (IBGE), o PIB regional

em 2010 foi de R$ 84,8 bilhões. Alcançar tais

índices e continuar avançando de forma sustentável

depende de um processo de expansão bem

planejado e, mais ainda, bem executado. Esta aí

o cerne do trabalho da Agência de Desenvolvimento

Econômico do Grande ABC.

Criada em outubro de 1998, a instituição

surgiu com o intuito de aproximar e integrar as

lideranças dos setores público e privado, e fazer

jus ao seu nome. Embora sua essência seja

o desenvolvimento econômico, a Agência foi

estabelecida como uma associação civil de direito

privado sem fins lucrativos. Entre seus associados

24

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


A MISSÃO DA AGÊNCIA

Foto: Divulgação

estão o Consórcio Intermunicipal

Grande ABC, que por sua

vez representa as sete Prefeituras

da região; empresas do polo

petroquímico; instituições de

ensino; associações comerciais e

industriais; e seis sindicatos de

trabalhadores. Essa composição

visa a estabelecer um diálogo

democrático – e suficientemente

prático – para definir as ações

a serem realizadas. “A Agência

do Grande ABC foi uma iniciativa

pioneira no Brasil e, após 14 anos

de experiência bem-sucedida, tem

fortalecido a Governança Regional

junto ao Consórcio Intermunicipal”,

destaca o presidente da instituição,

Rafael Marques - que acumula

a presidencia do Sindicato

dos Metalúrgicos do ABC.

A múltipla representatividade

da Agência fortalece e

facilita a articulação entre governos,

empresas, trabalhadores

e universidades. “Essas relações

possibilitam cooperação produtiva e

aprendizado conjunto em diversas

áreas, como mercado, acesso a crédito,

melhoria produtiva, entre outros

benefícios”, acrescenta Marques.

“Criada em outubro

de 1998, a instituição

surgiu com o intuito de

aproximar e integrar as

lideranças dos setores

público e privado...”

Não por acaso, o Banco Nacional

de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES)

mantém um Posto de Informação

instalado na sede da Agência.

Nessa unidade, é possível

ter esclarecimentos sobre os

diversos programas de financiamento

da instituição, inclusive

o de Apoio a Micro, Pequena e

Média Empresa Inovadora.

A soma do conhecimento e

da capacidade produtiva de todos

esses grupos gera a sinergia

necessária para promover, de

fato, o desenvolvimento econômico

do Grande ABC. Em

outras palavras, potencializa a

inteligência da região, identifica

e atrai oportunidades de investimentos,

cria possibilidades de

novos negócios, multiplica a

Rafael Marques e o Prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho

geração de empregos e projeta

esse potencial para todo o país

e para o mundo. Tanto assim,

que diversas multinacionais já

se instalaram na região, e outras

estão chegando.

Regionalização

profissional

Os resultados alcançados

pela Agência justificaram sua

criação e estimularam seu

crescimento. No entanto, diante

de sua abrangência, envolvendo

sete cidades e diversos

segmentos produtivos, cada

um com suas particularidades,

ficou clara a necessidade de

estabelecer o mesmo modelo

de gestão de forma ainda mais

pontual, de acordo com a

proporção e as características

individuais dos setores. A

solução para tal demanda veio

com a criação dos arranjos

produtivos locais (APLs), que

reúnem empresas com a mesma

vocação e os demais envolvidos

com cada segmento.

“Ao estimular processos locais

de desenvolvimento, é preciso ter

em mente que qualquer ação nesse

sentido deve permitir a conexão do

arranjo com os mercados, a sustentabilidade

por meio de um padrão

de organização que se mantenha ao

longo do tempo, a promoção de um

ambiente de inclusão de pequenos e

micronegócios em um mercado com

distribuição de riquezas e a elevação

do capital social por meio da promoção

e a cooperação entre os atores

do território”, explica Marques.

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 25


Foto: Divulgação

Rafael Marques

O Grande ABC já conta com quinze APLs:

• Autopeças

• Defesa

• Ferramentaria • Gráficos

• Plástico

• Metalmecânico

• Moveleiro

• Panificação

• Químico

• Pesqueiro

• Cosméticos • Turismo

• Hotéis, Bares e Restaurantes

• Design, Audiovisual e Economia Criativa

• ITESCS - Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul

O APL de Defesa do Grande ABC é um dos

mais recentes e, assim como os demais, é visto

pelo presidente da Agência como uma plataforma

imprescindível para o desenvolvimento deste

setor que ganha força na região. Porém, Marques

observa que o segmento tem uma distinção:

“A área de defesa tem uma característica diferenciada

dos demais setores, uma vez que garantir a produção

nacional de seus componentes não é só uma questão

mercadológica, mas estratégica para a soberania nacional”.

E, como está na essência da Agência e

dos APLs, o de Defesa se tornou a conexão de

diversas cadeias produtivas com as Forças Armadas.

“O Grande ABC é o principal parque industrial

metalmecânico da América Latina. Para um setor no

qual a metalurgia é essencial, como é o caso da defesa,

o Grande ABC é estratégico, pois detém as competências

empresariais e de mão de obra necessárias para se

avançar no desenvolvimento e na confecção de produtos

para este segmento”, exemplifica Marques.

Segundo o presidente da Agência, o APL de

Defesa surgiu em um momento favorável: “Esse

APL nasceu com um Brasil crescendo, tendo uma nova

inserção no mundo e com a necessidade de manter a soberania

sobre sua população, seus aquíferos e todas suas

riquezas”. Como não poderia deixar de ser, Marques

está diretamente envolvido com as ações

desenvolvidas pelo APL de Defesa, participando

inclusive dos eventos promovidos pelo grupo.

É o caso dos encontros realizados com setores

estratégicos das Forças Armadas. “Um exemplo é o

evento ocorrido em julho de 2013, em São Bernardo

do Campo, com oficiais do Exército, que hoje se traduz

em novos negócios e produção”, acrescenta.

Marques também acompanha de perto a relação

do Grande ABC com o grupo sueco Saab,

fabricante dos caças Gripen NG, eleitos pelo governo

brasileiro para integrarem o Projeto FX-2

da Força Aérea Brasileira. “Essa escolha irá fortalecer

ainda mais as empresas do APL devido à decisão da

Saab de instalar-se na região. Setores bem representados

no parque industrial do ABC como o Petroquímico

e o Automotivo irão juntar-se aos novos segmentos a

serem desenvolvidos com a chegada da fábrica da Saab,

aumentando mais o crescimento das empresas que compõem

o APL”, comenta o dirigente.

Liderança agregadora

Estar à frente de tantos setores importantes

e promover o diálogo e a atuação conjunta dos

líderes desses segmentos não é, definitivamente,

uma tarefa simples. Mas também não chega a

ser um problema para Rafael Marques. Além

do relacionamento de longa data com a região

do Grande ABC e sua produção industrial, tem

também vasta experiência como representante

de grandes e relevantes grupos. Ao ser eleito

para presidir a Agência de Desenvolvimento

26

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


A MISSÃO DA AGÊNCIA

“Trabalho da

Agência potencializa

a inteligência da

região, identifica e

atrai oportunidades

de investimentos,

cria possibilidades

de novos negócios,

multiplica a geração

de empregos e projeta

esse potencial para

todo o País e para o

mundo...”

Econômico do Grande ABC,

no triênio 2013/2015,

Marques já ocupava o mesmo

cargo em outra importante

instituição. Desde dezembro

de 2012, está na presidência

de nada menos que o

Sindicato dos Metalúrgicos

do ABC (SMABC), do qual

era vice-presidente desde

2008. Para se ter ideia do

que essa posição representa,

a região responde por 3%

dos empregos industriais do

Brasil e 40% dos postos de

trabalho diretos na indústria

montadora instalada no país.

A importância política da

entidade pode ser medida

pelos antecessores de Marques:

ocuparam a presidência do

Sindicato anteriormente o ex-

Presidente Lula, o deputado

federal Vicentinho e o prefeito

de São Bernardo do Campo,

Luiz Marinho, entre outras

personalidades de destaque.

Marques nasceu em São

Paulo, em 1964. A busca por

capacitação profissional o

levou às salas de aula do Serviço

Nacional de Aprendizado

Industrial (SENAI). Por meio

da instituição, foi trabalhar na

indústria Villares, onde ficou

durante o período de 1979

a 1983. Passou por algumas

empresas de menor porte nos

três anos seguintes até que, em

1986, passou a integrar o quadro

de colaboradores da Ford,

como eletricista de manutenção,

função que desempenha

até hoje.

Mais do que a oportunidade

de emprego em uma grande

montadora, essa nova etapa

abriu espaço para que o atual

presidente da Agência começasse

a exercer sua habilidade

como líder classista. O primeiro

passo foi a entrada na Comissão

Interna de Prevenção de Acidentes

(CIPA) da empresa, em

1991. Logo, Marques chegou

à Comissão de Fábrica e ao

Comitê Sindical. A facilidade

de diálogo e a capacidade de

agregar o levaram à diretoria do

SMABC, como diretor de base

e secretário geral. Em 2008,

chegou à vice-presidência, foi

reeleito em 2011 e, no ano seguinte,

subiu o último degrau.

À frente dessas duas entidades,

Marques desenvolveu uma

visão abrangente, e ao mesmo

tempo bem direcionada, que

privilegia o crescimento sustentável

e o fomento de um

ambiente produtivo capaz de

“Quanto mais

talentos humanos

formarmos, mais

fortes seremos” –

Rafael Marques

integrar as grandes empresas da

região às redes de supridores,

garantindo empregabilidade e

desenvolvimento para a população

local. “Para ter êxito, esse

esforço deve congregar, além das

empresas, sindicatos, universidades

e escolas técnicas. A Agência de

Desenvolvimento do Grande ABC

tomou para si tal desafio”, reforça

o dirigente, que destaca ainda

a importância da qualificação

da mão de obra. “Quanto mais

talentos humanos formarmos, mais

fortes seremos.”

Entre as iniciativas no campo

da capacitação profissional,

a Agência trabalha em parceria

com o Ministério do Desenvolvimento,

Indústria e Comércio

Exterior (MDIC) para difundir

o Programa Nacional de Acesso

ao Ensino Técnico e Emprego

Brasil Maior (Pronatec Brasil

Maior). Está em andamento

um processo de captação das

demandas de qualificação das

empresas para que sejam direcionadas

aos cursos de qualificação

correspondentes. Dessa

forma, os empregadores terão a

certeza de contar com colaboradores

devidamente capacitados,

enquanto os trabalhadores

poderão vislumbrar mais oportunidades

de desenvolvimento

profissional. •

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 27


UNIVERSIDADES

INDÚSTRIA DE DEFESA

PODE CONTAR COM AS

UNIVERSIDADES

A demanda por inovação tecnológica e mão de obra especializada é

cada vez maior e mais emergencial entre as empresas que atendem o

setor de defesa. A resposta para suprir tal necessidade pode estar nas

salas de aula e nos laboratórios das instituições de ensino

Uma das prioridades das Forças Armadas

do Brasil é construir sua independência

de fornecedores estrangeiros,

seja em relação a produtos, serviços,

assistência técnica, capacitação, ou quaisquer outros

itens. Tal condição favoreceria não só a Defesa

nacional, mas também a economia de diversas

regiões do país, como o Grande ABC, no Estado

de São Paulo, onde está instalado importante pólo

industrial. Sobretudo quando se leva em consideração

que o caminho para reduzir a dependência em

questão passa, necessariamente, por desenvolvimento

tecnológico, qualificação profissional, inovação,

enfim, por um contínuo processo de evolução da

inteligência a serviço do setor.

A plataforma para sustentação desse cenário

é construída por diversos segmentos, entre os

quais destaca-se o acadêmico. As salas de aula e os

laboratórios das universidades são um campo fértil

onde podem surgir ideias de grande utilidade para

qualquer setor industrial, inclusive o voltado à

defesa. Assim como também há a possibilidade de

serem desenvolvidos projetos em parceria com as

empresas para atender alguma demanda específica.

Na verdade, essa integração entre as indústrias e a

academia é preterida por ambos os lados, pois da

mesma forma que os estudantes encontram nessa

Foto: Divulgação

Laboratório de Motores - Fapinha

28

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E SUA IMPORTÂNCIA PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

relação boas oportunidades de

expandir os conhecimentos e

conquistar um bom emprego,

as companhias passam a receber

profissionais mais bem preparados.

Ainda mais pela diversidade

da grade curricular.

Segundo o reitor do Instituto

Mauá de Tecnologia

(IMT), José Carlos de Souza

Jr., há diferentes caminhos

para que a integração indústria

e academia seja levada à

prática. “Podemos citar o suporte

realizado por meio de Trabalhos

de Conclusão de Curso (TCC),

programas de Iniciação Científica,

disciplinas eletivas ministradas com

o apoio de empresas, treinamentos

profissionais específicos, ensaios

tecnológicos, projetos e consultorias

especializadas”, descreve. O

superintendente de Planejamento

e Desenvolvimento do

IMT, Fábio Sampaio Bordin,

acrescenta que a cada ano

a instituição apresenta para a

sociedade cerca de 150 TCCs em

vários segmentos. “Os temas desses

trabalhos surgem a partir da identificação,

por alunos e professores, de demandas

existentes nas empresas, ou também pelo

interesse dessas companhias em soluções

já desenvolvidas”, explica.

“Salas de aula e

laboratórios das

universidades

formam campo

fértil de ideias

para a indústria de

defesa...”

Múltiplas conexões

Souza Jr. acrescenta que a

participação no Arranjo Produtivo

Local (APL) de Defesa

do Grande ABC, inclusive com

presença nas reuniões periódicas,

deixou clara a ampla ligação

desse setor com diversas áreas

em que o IMT atua. “A exemplo

dos estudos em design funcional

e ergonomia para desenvolvimento

de produtos, nacionalização e aprimoramento

de soluções envolvendo

eletrônica embarcada, desenvolvimento

e validação de protocolos de

comunicação, logística de transporte

de materiais, estudos para utilização

de novos materiais, desenvolvimento

de soluções para produção e

utilização de biocombustíveis, além

de uma grande variedade de ensaios

tecnológicos para validação de produtos”,

detalha o reitor.

No Centro Universitário da

Fundação Educacional Industrial

Pe. Sabóia de Medeiros (FEI),

a situação é semelhante. São

muitos os cursos que oferecem

a oportunidade de trabalho em

parceria com a indústria de defesa.

Entre essas opções, o reitor

da instituição, Fábio do Prado,

destaca as áreas de novos materiais,

micro e macroelementos,

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 29


automação e controle, inteligência artificial, processamento

de sinais, energias alternativas, mobilidade,

biotecnologia, indústria têxtil, desenvolvimento

de softwares e gestão da cadeia produtiva e

de sustentabilidade. “A defesa é um setor estratégico

para o país, e temos que estar envolvidos, pois trabalhamos

com tecnologia e de forma estratégica”, comenta

Prado, que destaca a importância de se desenvolver

pesquisas com alto valor agregado.

Para o reitor da FEI, a independência intelectual

gera autonomia para o país, os estados e os

municípios, e não só para as Forças Armadas mas

como para qualquer departamento público. Daí a

importância de se trabalhar de forma a buscar a diversificação

e a complementariedade. “Nosso papel

é inovação, criando projetos de difícil imitabilidade. As

parcerias no setor vão nesse sentido”, observa Prado.

Em sua opinião, o envolvimento dos estudantes

com o setor produtivo é fundamental, até porque

essa relação pode contribuir para balizar o ensino.

O reitor faz questão de enfatizar que não se

trata de uma troca de valores, pois o aprendizado

Foto: Divulgação

Reitor José Carlos de Souza Jr

APL CONSTRÓI MBA EM GESTÃO DE PROJETOS DE PRODUÇÃO

E COMERCIALIZAÇÃO DE MATERIAL DE DEFESA

O APL de Defesa do Grande

ABC constrói, neste momento,

curso de pós-graduação lato

sensu para gestores públicos e

privados interessados em atuar

no fornecimento de bens

e serviços às Forças Armadas.

Empresários, sindicatos, universidades,

militares e Poder Público,

membros da coordenação do

APL, participam da discussão.

A ideia é capacitar pessoas com

nível superior para conhecer o

modus operandi das Forças Armadas

do Brasil, os procedimen-

tos de Catalogação e Homologação,

os critérios rigorosos e as

demandas crescentes de material

de Defesa. Dessa forma, serão

formados gestores para atuar

no setor privado, na produção

e comercialização de produtos;

e no setor público, para elaborar

e implementar políticas que

fortaleçam a capacidade do setor

produtivo e da região para atender

às necessidades da Defesa

Nacional e, assim, diversifiquem

a economia do Grande ABC.

O curso se insere na orientação

estratégica do APL: ampliar a

participação do Grande ABC

na Base Industrial de Defesa, de

acordo com a Estratégia Nacional

de Defesa definida pelo

Governo Federal.

O APL discute também com

o SENAI Defesa a capacitação

de mão de obra técnica visando

preparar a força de trabalho da

região para contribuir e se beneficiar

da maior inserção regional

na indústria de Defesa.

30

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E SUA IMPORTÂNCIA PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

“Atuação do APL de

Defesa do Grande ABC

tem contribuído para

aprimorar o diálogo

entre academia e

indústria...”

sempre será primordial. Mas

afirma ser imprescindível existir

o preparo técnico e a capacitação,

disciplinas que permitam

olhar para esses desafios. “O

aluno não pode sair da universidade

sem conhecer a dinâmica e a linguagem

da indústria, ou vai se sentir

órfão quando for para o mercado de

trabalho”, analisa.

No intuito de estimular o

envolvimento dos estudantes

com o segmento industrial, o

IMT busca oportunidades de

atividades junto às empresas

além do que já é realizado por

conta do estágio obrigatório

fora da instituição. “A execução

desses trabalhos acaba envolvendo

toda nossa infraestrutura e os

profissionais – alunos, professores,

engenheiros, especialistas, consultores

e técnicos –, além de fornecer novos

desafios e possibilitar a constante

atualização do conhecimento”, comenta

o diretor do Centro de

Pesquisas do IMT, José Roberto

Augusto de Campos. Segundo

ele, esse é um aspecto bastante

valorizado pelo mercado de

trabalho e caracteriza um diferencial

dos formandos.

A mesma diversidade de cursos

e disciplinas que favorece a

integração entre as universidades

e a indústria de defesa também

pode ajudar os estudantes na

definição e na preparação de

sua trajetória profissional. Na

Universidade Federal do ABC

(UFABC), o pioneiro projeto

pedagógico com bacharelados

interdisciplinares proporciona

essa condição aos alunos. “Eles

têm até três anos para tomar a decisão

sobre sua formação. Nesse período,

poderão conhecer diversas áreas e

absorver muita informação, o que lhes

dará muito mais segurança para fazer

tal escolha”, explica o reitor Klaus

Capelle. Os futuros empregadores

desses estudantes também são

favorecidos, pois contratarão profissionais

já mais integrados com

o segmento em que vão atuar.

Diálogo precisa melhorar

Embora o Grande ABC se destaque

tanto pelo polo industrial

quanto pelas instituições de

ensino, a comunicação entre os

dois setores ainda tem muito

o que amadurecer e avançar.

“A aproximação entre academia

e empresas não é uma tradição no

Brasil, por isso as parcerias entre os

dois segmentos não são tão comuns

como gostaríamos. E não apenas

na área de defesa, mas em todos

os setores industriais”, comenta

Capelle. A opinião é compartilhada

pelo reitor da FEI. “O

diálogo entre academia e indústria

não é tão próximo, pois há interesses

distintos”, explica Prado.

Os executivos das instituições

de ensino acreditam que a

redução dessa distância contribuiria

de forma significativa

para o melhor aproveitamento

Professor Fábio do Prado

do parque industrial já instalado

no ABC e para estimular o

surgimento de novas empresas.

Também concordam que o

trabalho realizado pelo APL de

Defesa do Grande ABC é um

ponto de partida para mudar

esse cenário. “A formação desse

grupo é uma iniciativa de visão

e espero que seja cada vez mais

difundida a ideia de que todos ganham

– indústria, academia e setor

público”, destaca Prado.

Por falar em setor público,

Capelle acrescenta que em

muitos casos é o engessamento

burocrático que dificulta

o avanço das ações conjuntas.

“Felizmente, nas prefeituras

“Diversidade de cursos

e disciplinas multiplica

oportunidades de

parcerias entre

instituições de ensino e

empresas...”

Foto: Divulgação

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 31


Foto: Divulgação

do ABC temos administradores que entendem essa

realidade e ajudam bastante. Paralelamente, também

precisamos de uma estrutura legal em termos de

governo federal que seja mais adequada à realidade do

setor”, comenta. “Idealizamos nosso ensino de acordo

com o universo ao nosso redor, olhamos a demanda da

sociedade para definir os cursos e as pesquisas também.

O planejamento estratégico leva em conta a situação

econômica na qual estamos inseridos”, acrescenta o

reitor da UFABC, fazendo uma referência à importância

das tomadas de decisão de acordo com

as características atuais.

Tal postura facilitaria, também, a entrada de

instituições de ensino estrangeiras nas parcerias

realizadas aqui no Brasil. Há cerca de três anos, a

UFABC mantém um trabalho conjunto com a

Linköping University, da Suécia, para realização

de pesquisas e a promoção do intercâmbio entre

profissionais de diferentes segmentos. No mês

de fevereiro, o professor Petter Krus (Division of

Fluid and Mechatronic System) veio ao país para

visitar alguns dos principais centros de pesquisa

dedicados à inovação tecnológica, sobretudo nos

setores aeronáutico e aeroespacial, e encontrar

especialistas brasileiros no campus da UFABC

em Santo André (SP). Participaram dessa reunião

pesquisadores da própria UFABC, tendo à

frente a docente Luciana Pereira; professores da

FEI, representados por Agenor de Toledo Fleury;

além de Felipe Sabat, representante do Centro de

Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB).

Nesse encontro, Krus apresentou dados sobre

a cidade de Linköping, localizada a cerca de 200

quilômetros ao sul de Estocolmo, capital da Suécia.

De acordo com o professor, Linköping tem

uma população de 140 mil pessoas, das quais 27

mil são estudantes da universidade onde trabalha.

Entre as áreas de desenvolvimento de pesquisas,

citou sistemas mecatrônicos, transmissão de

energia, sensores e sistemas de controle. Krus

comentou ainda os trabalhos já desenvolvidos

com a UFABC, como os destinados à tecnologia

de aviação priorizando sistemas sustentáveis. Os

docentes de UFABC e FEI aproveitaram a oportunidade

para questionar sobre os demais segmentos

nos quais podem trabalhar em parceria, a

exemplo da engenharia de materiais.

Para Luciana Pereira, essa integração é essencial

para a expansão da colaboração técnica entre

as instituições. “Quanto mais informações tivermos,

maiores serão as possibilidades de atividades dessa

parceria. Inclusive com a integração dos profissionais,

seja os brasileiros indo para a Suécia ou os suecos vindo

para cá”, afirma. •

32

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO E SUA IMPORTÂNCIA PARA A INDÚSTRIA DE DEFESA

DRONE CARGUEIRO É EXEMPLO PRÁTICO

DA INICIATIVA DE ESTUDANTES

Exemplo de como a proatividade dos

estudantes pode dar vida a projetos

de grande utilidade é o que vem

sendo realizado pelo Grupo de

Pesquisa e Desenvolvimento Aeroespacial da

Universidade Federal do ABC (GPDA/UFA-

BC). Criado em 2008, o objetivo era auxiliar

alunos do curso de Engenharia Aeroespacial

a desenvolverem projetos e protótipos que

consolidassem, na prática, o aprendizado das

salas de aula.

Formado inicialmente por 11 integrantes,

o grupo construiu um drone cargueiro para

participar da SAE Brasil Aerodesign, competição

realizada em São José dos Campos (SP)

pela Sociedade Engenheiros da Mobilidade.

Os drones são pequenas aeronaves não

tripuladas, controladas por radiofrequência, e

que têm sido utilizados tanto como aparatos

militares e de vigilância, quanto no registro

de imagens de eventos culturais, esportivos e

vários outros, inclusive o transporte de cargas

em áreas de difícil acesso e em condições

precárias.

Atualmente, o GPDA se assemelha a uma

empresa. Além de contar com mais de 30

alunos, o grupo é avaliado na competição

como se fosse de fato uma indústria, com

análise de todo o processo, desde relatório de

projeto, apresentação, teoria e prática, programa

de marketing, gestão dos recursos e tudo

o que reflete a eficiência do trabalho. Até foi

adotado, a partir de 2010, o nome de Harpia

Agrodesign, com a formação de uma nova

equipe, a Harpia Pampers.

No ano passado, o Harpia apresentou na

SAE Brasil Aerodesign uma aeronave com 2

metros de asa, de ponta a ponta; 1,5 metro de

Foto: Pedro Esteban

comprimento; pesando cerca de três quilos; e

que voava com uma carga de sete quilos. O

“capitão” da equipe, Lucas Pereira, aluno do

quarto ano, conta que a avaliação do desempenho

do protótipo foi feita com base em

voo, pouso e agilidade na retirada da carga. “O

processo todo não dura mais que cinco minutos, pois

a avião levanta voo, completa um percurso de 360

graus no ar e pousa”, detalha o estudante. O

grupo conquistou o prêmio Menção Honrosa

– Menor Tempo de Retirada de Carga. “Valeu

o diferencial de nosso avião, que é como um cargueiro

militar: precisa levar a carga e pousar no menor

espaço possível utilizando o mínimo de condições”,

observa Lucas.

Apesar da grande evolução já alcançada

pela Harpia Aerodesign, Lucas diz que ainda

há muito a melhorar. E para que isso aconteça

na velocidade que a equipe gostaria, é preciso

recursos para investir em ferramentas, equipamentos

e infraestrutura. Em muitos casos, essa

verba sai dos bolsos dos próprios estudantes.

“A elaboração e a construção do protótipo é um

projeto à parte. A faculdade é fundamental para sua

realização, pois apoia com conhecimento e logística,

arca com os custos quando viajamos para participar

da competição, mas o dia a dia é por nossa conta”,

relata.

Drone Harpia

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 33


REFORÇO SUECO NOS ARES DO BRASIL

Foto: Stefan Kalm

REFORÇO SUECO NOS

ARES BRASILEIROS

Tecnologia avançada e eficiência operacional são

destaques do Gripen NG, caça escolhido pelo

Governo Federal para compor o Projeto FX-2

Saab Gripen

34

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


No dia 18 de dezembro

de 2014,

o ministro da Defesa,

Celso Amorim

anunciou uma das decisões

mais esperadas em relação às

Forças Armadas. O Governo

Federal havia enfim definido a

compra dos caças supersônicos

que iriam renovar a frota da

Força Aérea Brasileira (FAB).

Após cerca de 15 anos de negociações,

o modelo Gripen New

Generation – ou apenas Gripen

NG –, fabricado pela empresa

sueca Saab, foi o escolhido. A

notícia encerrou uma fase de

expectativas e deu início a outra

de grandes perspectivas.

A compra em questão envolve

36 aeronaves e investimentos

de US$ 4,5 bilhões, que serão

pagos até 2023. Segundo Amorim,

a decisão resultou de muito

estudo e ponderações criteriosas,

que levaram em consideração a

performance dos aviões, a transferência

de tecnologia e o custo,

inclusive de manutenção. Feita

a escolha, o governo brasileiro

define agora, com a Saab, o

contrato de compra das aeronaves,

processo que pode durar até

o final deste ano. A entrega dos

aviões – 12 unidades por ano

– começará a ser feita 48 meses

após a assinatura desse contrato.

Ou seja, a primeira leva chegará

em 2018.

Embora a definição e a realização

de um negócio internacional

de tamanha proporção

demande cautela e paciência, a

movimentação ao seu redor é

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 35


astante acelerada. Sobretudo porque 80% da estrutura

dos aviões serão construídos no Brasil. A

unidade de São José dos Campos (SP) da Empresa

Brasileira de Aeronáutica S.A., a Embraer, por

exemplo, já entrou na fabricação das asas. Se o

momento é de oportunidades para a indústria de

defesa, o Grande ABC não poderia ficar de fora.

“A indústria nacional

vai fabricar 80% da

estrutura dos aviões

Gripen comprados pelo

Brasil...”

Esforço recompensado

Muito antes de o ministro Celso Amorim

anunciar a escolha brasileira em relação ao Gripen,

o prefeito de São Bernardo do Campo (SP),

Luiz Marinho, já trabalhava para que o potencial

produtivo do polo industrial do Grande ABC

fosse conhecido pelos envolvidos e efetivamente

fizesse parte desse momento. Em março de 2010,

Marinho chefiou uma delegação de brasileiros em

visita à Suécia, com o objetivo de iniciar conversações

nesse sentido, deixando sempre claro que

a decisão da compra dos caças caberia somente à

Presidência da República e às Forças Armadas.

A iniciativa do prefeito de São Bernardo do

Campo tomou proporções grandiosas. Da mesma

forma que falava com desenvoltura sobre as

indústrias do ABC, precisava ter conhecimento

de causa para debater sobre as características do

tal Gripen. Pois bem, Marinho voou em um dos

caças e foi conhecer o processo produtivo. Com

a delegação brasileira, visitou o Parque Tecnológico

da Universidade de Linköping, cidade onde

Foto: Wilson Magão

Prefeito Luiz Marinho e dirigentes da Saab

36

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


REFORÇO SUECO NOS ARES DO BRASIL

Foto: Divulgação

Saab Gripen

está instalada a Saab. Como se

não bastasse, ainda participou

de uma audiência com o rei

Carl Gustaf e a rainha Silvia.

Após toda essa programação,

não restou dúvidas de que os

suecos veem o Brasil como

uma potência em ascensão, com

múltiplas oportunidades em

mercados estratégicos.

Naquela viagem, Marinho

informou aos suecos sobre

quão abrangente é a plataforma

de pesquisa e desenvolvimento

do Grande ABC, composta

pela integração entre indústrias,

instituições de ensino e gestão

pública e a capacidade desse

polo produtivo. Embora o projeto

Gripen para o Brasil ainda

“Suecos veem o Brasil

como uma potência em

ascensão, com múltiplas

oportunidades em

mercados estratégicos...”

estivesse em fase de discussão,

já se falava sobre a demanda de

mão de obra. A estimativa era

de mais de 2.000 empregos por

ano na fase do desenvolvimento,

cerca de 2.770 na etapa de

fabricação e mais 1.000 para a

montagem. Esses são números

de vagas diretas.

Se a notícia da compra dos

caças Gripen pelo Brasil já era

uma recompensa à dedicação

do prefeito Luiz Marinho e de

sua equipe, mais ainda quando a

Saab confirmou a instalação de

uma unidade em São Bernardo

do Campo. Com possibilidades

de entrar em atividade ainda em

2014, essa filial da indústria sueca

receberá investimentos iniciais

de US$ 150 milhões, segundo o

vice-presidente da Saab, Lennart

Sindahl, que esteve na cidade no

final de janeiro. Essa fábrica será a

primeira de aeroestrutura nível 1

da América Latina.

Como o contrato da Saab

com o Brasil está condicionado

à transferência efetiva de tecnologia,

a expectativa na região

do Grande ABC torna-se ainda

maior. Por meio da Secretaria de

Desenvolvimento Econômico,

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 37


Foto: Divulgação

Saab Gripen

Trabalho e Turismo, a Prefeitura de São Bernardo

do Campo tem trabalhado de forma intensa para

expandir e acelerar o crescimento da inovação

tecnológica da região. Tal empenho é fortalecido

pela atuação do Arranjo Produtivo Local (APL) de

Defesa do Grande ABC, que envolve a indústria,

os órgãos públicos, as instituições de ensino e as

Forças Armadas. De acordo com o secretário de

Desenvolvimento Econômico, Jefferson Conceição,

a meta é ampliar ainda mais a aproximação

com a Suécia, inclusive com a organização de

novas missões empresariais para o país, visando a

busca de parcerias em diversas outras áreas que

envolvam defesa.

Vantagens do Gripen

A escolha do Brasil pelo modelo New Generation

do caça sueco coloca o país em uma

posição de vanguarda, considerando que essa é

uma atualização da versão atual do avião. É o

que afirma o Tenente-Coronel Carlos Afonso

“Sistemas de controle de

voo e de aviônica facilitam

pilotagem do Gripen...”

de Araújo, piloto de provas da FAB que compôs

a equipe (dois pilotos e um engenheiro) designada

para avaliar o Gripen (versão D). Foram

analisados 400 itens em diferentes fases do voo,

sendo que a cada voo de teste foram realizados

de 50 a 80 pontos de ensaio, segundo informações

divulgadas pela FAB. A avaliação da equipe

levou em consideração fatores como decolagem,

taxi, voo de cruzeiro, descida, pouso e manobras,

qualidade de pilotagem, características da

aeronave e dos sistemas.

Para o militar, que comanda o Esquadrão

Pampa, unidade de caça instalada em Canoas

(RS), os sistemas de controle de voo e de

aviônica são fatores de destaque do Gripen,

pois facilitam a pilotagem. A aviônica, por

38

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


REFORÇO SUECO NOS ARES DO BRASIL

exemplo, é composta por

diversos sensores que apresentam

com facilidade e de

forma visualmente agradável

todas as informações ao piloto.

Segundo Araújo, essa é

uma condição muito favorável

para agilizar o raciocínio

de quem controla a aeronave,

principalmente porque

a velocidade pode chegar a

2.400 km/hora e em qualquer

situação de combate é

preciso ser ainda mais ágil

nas decisões.•

Foto: Divulgação

Saab Gripen

CONTATO DIRETO COM A SUÉCIA

Uma das características mais

marcantes da atual gestão

de São Bernardo do Campo

(SP) é agregar setores

de forma a criar sinergia. Exemplo dessa

dedicação é a inauguração do Centro

de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro

(CISB), em maio de 2011. A instituição

é uma associação econômica sem fins lucrativos

composta por membros do Brasil,

da Suécia e também de outros países. Sua

criação é uma iniciativa da Prefeitura de

São Bernardo com Campo em parceria

com a Saab, com o objetivo de fomentar

o desenvolvimento tecnológico, a inovação

e a busca por soluções para problemas

globais e sociais. Foi por meio do CISB

que a região do Grande ABC passou a

integrar ativamente o Programa Ciência

Sem Fronteiras, enviando estudantes brasileiros

às universidades europeias.

O CISB tem atuação direta na continuidade

da integração entre parceiros

suecos e brasileiros como organizações

industriais, governamentais e acadêmicas.

A negociação dos caças Gripen, por

exemplo, conta com a participação do

CISB no que diz respeito às informações

de cada um dos países envolvidos e de

seu polo de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento.

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 39


PONTO DE VISTA

TARCISIO SECCOLI

Secretário de Serviços Urbanos de São

Bernardo do Campo

O que foi e o que representou

a viagem de membros do

secretariado municipal à Suécia?

A pedido do Prefeito Luiz Marinho,

chefiei delegação à Suécia, em junho de

2013, composta por mim e pelos Secretários

de Desenvolvimento Econômico, Trabalho

e Turismo; de Relações Internacionais; e

de Planejamento Urbano. A finalidade da

viagem foi desenvolver aproximações com a

região de Linköping, naquele país, visando

intercâmbios em projetos na administração

pública, especialmente nas áreas de mapas

3D; sustentabilidade e reciclagem de resíduos;

e cidades atrativas. Outro objetivo muito

importante foi a promoção de intercâmbios

entre empresários das duas regiões e, da

mesma forma, entre universidades suecas e

brasileiras.

A partir dessa visita, quais

investimentos podem ser esperados

no futuro em São Bernardo do

Campo?

Vemos com alegria que as Secretarias de

Desenvolvimento Econômico, Trabalho e

Turismo e de Relações Internacionais têm

dado sequência a essa ação, por meio da

organização de uma missão à Suécia, em

setembro deste ano, composta por empresários

e dirigentes de universidades de

ponta da nossa região (UFABC, FEI e Instituto

Mauá). Essa missão terá a incumbência

de estabelecer parcerias com as regiões

de Linköping e Gotemburgo.

É preciso dizer que queremos também

atrair investimentos da Suécia e de

outros países para São Bernardo. Para isto,

são importantes os macroprojetos públicos

como o Drenar, os corredores de ônibus e

o vídeomonitoramento. O metrô também é

estratégico.

Voltando à missão empresarial à Suécia,

quero dizer que, no campo empresarial,

empresas dos segmentos de Ferramentaria,

Autopeças e Defesa, que são três segmentos

destacados em nossa cidade e na Região

do ABC, buscarão realizar acordos de

investimentos e joint ventures com empresas

tecnológicas suecas, especialmente start-ups

surgidas a partir das universidades.

No caso das universidades, prevemos

acordos para realização conjunta de pesquisa

e desenvolvimento direcionado aos desafios

da produção industrial e de outras atividades

(inclusive políticas públicas, como as citadas

acima). O resultado dessas pesquisas deverá

ser a criação de empregos qualificados no

futuro, bem como o aumento da competitividade

de nossa região e das empresas aqui

existentes. Destaco que essa competitividade

será fortalecida por meios legítimos (inovação

e produtividade) e não pelos mecanismos

espúrios que tanto mal já fizeram à

nossa região e particularmente a São Bernardo

do Campo, como a guerra fiscal.

40

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


REFORÇO SUECO NOS ARES DO BRASIL

Cooperação para

superar desafios

Åke Albertsson

Presidente da Saab do Brasil

Temos visto um aumento de

interesse e necessidade em aumentar

a eficiência e melhorar

as capacidades das Forças Armadas

no Brasil para atender os

requisitos da estratégia de defesa.

Há uma demanda crescente na

área de defesa, que surge a partir

de fatores como o aumento da

necessidade de monitoramento

de fronteiras terrestres e marítimas

do país, e a proteção de seus

recursos naturais.

Neste cenário, é extremamente

importante que o go-

verno, instituições acadêmicas,

empresas e a sociedade em geral

promovam discussões sobre a

forma de atender a essas necessidades

e levar a tecnologia à base

industrial do país para o próximo

nível.

Iniciativas no segmento de defesa

como as que tem sido tomadas

pela região de São Bernardo do

Campo são extremamente importantes.

Uma delas é a criação do

APL de Defesa do Grande ABC

em que a Saab tem participado

desde o início. A empresa partilha a

opinião de que a região do Grande

ABC pode se tornar um importante

centro de pesquisa e desenvolvimento

de alta tecnologia, não

só para o setor de defesa. Acreditamos

que a Saab pode ajudar, por

sua vasta experiência no conceito

de tripla hélice* (a empresa é,

orgulhosamente, membro fundadora

do Centro de Inovação Sueco

Brasileiro, CISB) e a sua tradição

em cooperação industrial. Por outro

lado, a Saab pode se beneficiar

com a tradição e o conhecimento

das indústrias de São Bernardo

do Campo no mercado brasileiro.

Assim, discussões promovidas pelo

APL de Defesa do Grande ABC

são cruciais.

Saab Gripen

* A “tripla hélice” signifi ca

uma estreita cooperação entre as

universidades, as indústrias e o

governo para resolver em conjunto

os desafi os da sociedade.

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 41


Foto: Revista do APL

Secretário Jefferson José da Conceição

O ARRANJO PRODUTIVO LOCAL

EM DEFESA DO GRANDE ABC

Jefferson José da Conceição, Secretário do Desenvolvimento Econômico,

Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo

Nos últimos dez anos, o Brasil se

destacou como potência emergente,

alcançou posições mais influentes nos

organismos internacionais e pleitou

justificadamente maior peso no Conselho de Segurança

da ONU. Nosso país dispõe de riquezas naturais cada

vez mais essenciais para o mundo no Terceiro Milênio,

como as reservas florestais, o petróleo e os mananciais

hídricos. Estes fatores aumentaram significativamente

a necessidade de reaparelhamento e fortalecimento de

nossas Forças Armadas, no âmbito da Política Nacional

de Defesa, com a criação de uma Base Industrial de

Defesa no país. Registre-se que este fortalecimento é

voltado prioritariamente para a defesa, dada a tradição

pacífica de nossas relações internacionais.

Após décadas de abandono, o investimento na

indústria de defesa, iniciado no Governo Lula e

continuado no Governo Dilma, projeta volumes de

dispêndios expressivos no país para as próximas décadas,

especialmente quando se levam em conta os esforços

de nacionalização. Destaca-se ainda a MP 582, posteriormente

transformada em Lei nº 12.598, de 22

de março de 2012 instituindo o RETID – Regime

Especial Tributário da Indústria de Defesa permitindo

a aquisição com suspensão do PIS/PASEP, Cofins e IPI

de insumos utilizados na fabricação de bens de defe-

42

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


ARTIGO

sa nacional adquiridos de pessoas

habilitadas no regime.

É nesse quadro que a Região

do Grande ABC - formada por

Santo André, São Bernardo, São

Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão

Pires e Rio Grande da Serra - busca

ampliar sua participação na Base

Industrial de Defesa, especialmente

por meio da reconversão de seu

imenso parque industrial instalado

- o maior da América Latina -,

entendido como diversificação e

ampliação de linhas de produção

complementares às já existentes.

O Grande ABC é conhecido

por sua tradição na produção

automotiva, metalmecânica, química

e petroquímica. Sede de grandes

montadoras de veículos no país,

como Volkswagen, Ford, General

Motors, Mercedes-Benz, Scania e

Toyota, a Região concentra mais de

50% da produção de caminhões e

25% da produção de automóveis do

Brasil. Destaca-se também a presença

de centenas de empresas de

autopeças, dos mais variados portes.

A indústria local abrange ainda setores

como têxtil, alimentício, moveleiro,

gráfico, construção civil, entre

outros. São 309 mil pessoas ocupadas

na indústria de transformação,

das quais 161 mil na indústria

metalmecânica (SEADE-DIEESE,

abril 2013). A Região está entre as

maiores exportadoras do país.

Além das dezenas de laboratórios

e centros de engenharia instalados

nas empresas privadas, encontram-se

na Região do Grande

ABC instituições de excelência no

“Após décadas de

abandono, o investimento

na indústria de defesa,

iniciado no Governo Lula

e continuado no Governo

Dilma, projeta volumes

de dispêndios expressivos

no País para as próximas

décadas...”

ensino superior e técnico: Centro

de Serviços, Universidade Federal

do ABC (UFABC), Centro Universitário

da Fundação Educacional

Inaciana (FEI – anteriormente,

Faculdade de Engenharia Industrial),

Universidade Federal de São

Paulo (UNIFESP), Instituto Mauá

de Tecnologia (IMT), Universidade

Metodista de São Paulo (UMESP),

Universidade de São Caetano do

Sul (USCS), Faculdades de Tecnologia

(FATECs), Fundação Salvador

Arena, Faculdade de Direito de São

Bernardo do Campo, escolas do

Serviço Nacional de Aprendizagem

Industrial (SENAIs), Escolas Técnicas

Estaduais (ETECs), entre outras.

No plano institucional, a Região

inovou ao criar, na década de 1990,

o Consórcio Intermunicipal Grande

ABC – o primeiro consórcio

público do país - e a Agência de

Desenvolvimento Econômico do

Grande ABC.

É respaldado nesta estrutura

econômica e de conhecimento que,

desde 2010, importantes esforços e

conquistas foram empreendidos pela

Região do Grande ABC na busca

de sua maior participação na Base

Industrial de Defesa. Destacam-se:

a) As viagens do Prefeito Luiz

Marinho (atualmente Presidente do

Consórcio Intermunicipal Grande

ABC) à Suécia e à França, no 1º

semestre de 2010, com o objetivo

de apresentar a Região do Grande

ABC e a possibilidade de esta

ser objeto das contrapartidas dos

fabricantes dos caças supersônicos

participantes da licitação do FX-2;

b) Os workshops e seminários

realizados, em São Bernardo, com

a sueca Saab e o Consórcio Rafale,

da França;

c) A inauguração, em São

Bernardo, do Centro de Pesquisa e

Inovação Sueco-Brasileiro (CISB)

em maio de 2011;

d) A aplicação de questionário da

Boeing Company para empresas do

Grande ABC, com o propósito da

seleção de empresas da região para

integrarem a rede mundial de suprimento

da empresa aérea dos EUA;

e) O seminário “As Oportunidades

da Indústria de Defesa para

o Brasil e o Grande ABC”, em

outubro de 2011, com a presença

dos presidentes do BNDES e da

FINEP, representantes do Ministério

da Defesa, da FIESP, Associação

Brasileira das Indústrias de Materiais

de Defesa e Segurança – ABIMDE

e do Consórcio Intermunicipal

Grande ABC, simultâneo a um Colóquio

Acadêmico das universidades

locais com o Instituto Tecnológico

da Aeronáutica (ITA) e o Instituto

Militar de Engenharia (IME);

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 43


O ARRANJO PRODUTIVO LOCAL EM DEFESA DO GRANDE ABC

Foto: Divulgação

Prefeitura de São Bernardo do Campo

f) A assinatura de memorandos de entendimento

entre a empresa Omnisys, de São Bernardo do Campo

(Grupo Thales) e a FEI, visando oportunidades de intercâmbios

diversos ligados à produção de conhecimento,

desenvolvimento de talentos, pesquisa e projetos;

i) O lançamento do livro bilíngue (português/

inglês) “São Bernardo do Campo, Grande ABC: nova

fronteira da indústria de defesa”, em outubro de 2011.

Disponível em:

http://www.saobernardo.sp.gov.br/dados2/SDET/

GSDET/cadernos-sao-bernardo-vol02.pdf

j) A conferência do Diretor do Departamento de

Produtos de Defesa, do Ministério da Defesa, General

Mattioli, em 6 de março de 2012, em São Bernardo,

sobre o tema da Catalogação e Homologação de Produtos

de Defesa;

k) O envio de representante da Prefeitura de São

Bernardo para a realização de curso sobre Catalogação

em Produtos da Defesa, em agosto de 2012;

l) A realização do seminário “Marinha do Brasil

apresenta suas Demandas de Produtos e Serviços e

como as empresas do Grande ABC podem se tornar

fornecedoras dessa Força”, em São Bernardo do

Campo, em 6 de dezembro de 2012, no Senai Mario

Amato, juntamente com rodadas de relacionamento

entre oficiais da Marinha e empresas da região - evento

este que contou com a presença de aproximadamente

500 empresários da região;

m) A constituição, em dezembro de 2012, da

Associação Parque Tecnológico de São Bernardo do

Campo, que deverá concentrar suas atividades em cinco

áreas, sendo que uma delas é a pesquisa em indústria

de defesa (as outras são nas áreas de Petróleo e Gás;

Automotiva; Design; e Ferramentaria);

n) A constituição, em 7/3/2013, do Arranjo Produtivo

Local (APL) de Defesa do Grande ABC, reunindo

gestão pública, empresas, instituições de ensino e

pesquisa, sindicatos, entre outros;

o) A visita do Presidente do Consórcio Intermunicipal,

Prefeito Luiz Marinho, à Escola Superior de

Guerra (ESG), no Rio de Janeiro, em reunião com o

General Tulio Cherem, então responsável pela Escola;

p) A organização, juntamente com representantes

do Exército Brasileiro, do evento “Grande ABC

convida o Exército Brasileiro para expor seus projetos

e suas Demandas de Produtos e Serviços para os

próximos anos”;

q) O lançamento do site industriadefesaabc.com.

44

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


ARTIGO

br, em julho de 2013, em evento

realizado com o Exército Brasileiro,

mencionado acima;

r) Participação de representante

da Prefeitura de São Bernardo do

Campo, do Sindicato dos Metalúrgicos

e do Ciesp São Bernardo do

Campo e Universidade Metodista

no curso “Curso de Gestão de Recurso

de Defesa - CGERD”;

s) A Prefeitura de São Bernardo

do Campo, por meio da Secretaria

de Desenvolvimento Econômico,

Trabalho e Turismo, ministrou aula

sobre “O APL de Defesa do Grande

ABC – Antecedentes históricos,

desenvolvimento e perspectivas” no

curso de Gestão de Recursos de

DEFESA - CGERD;

t) A Prefeitura de São Bernardo

do Campo organizará uma Missão

à Suécia em Setembro de 2014

com objetivo de aproximar as Universidades,

Parques Tecnológicos,

Empresas para troca de experiências,

prospectar novos mercados e

estimular inovação.

Desta forma, neste momento

em que o país procura aumentar

sua Base Industrial de Defesa e

nacionalizar produtos e serviços

anteriormente importados, nós,

coordenadores do APL de Defesa

do Grande ABC, apresentamos as

seguintes propostas ao Governo

Federal, ao Ministério de Defesa, às

Forças Armadas, Instituições Representativas

da Indústria de Defesa

e Empresas em geral:

1. Com o apoio do Ministério

da Defesa, Ministério do Desenvolvimento,

Indústria e Comércio

Exterior e de instituições de apoio

ao diagnóstico e fomento industrial,

realização de detalhado estudo

das possibilidades de reconversão da

estrutura industrial da Região do

ABC com vistas a atender à produção

de componentes e itens estratégicos

desta cadeia, especialmente

aqueles que são hoje importados

pelo país.

“O Projeto Collabora objetiva

desenvolver soluções para

desafios globais, de caráter

militar e civil, que requeiram

a ação simultânea de

sistemas diversos, em um

ambiente para pesquisa e

desenvolvimento colaborativo

multidisciplinar...”

2. Realização de experiênciaspiloto

em torno de projetos das

Forças Armadas, nas quais os itens e

componentes que compõem estes

projetos sejam repassados ao Consórcio

Intermunicipal Grande ABC

e ao APL de Defesa do Grande

ABC, para que estes levantem as

empresas da Região potencialmente

aptas a, competitivamente, candidatar-se

a concorrer aos processos

licitatórios vinculados àqueles itens

e componentes. A partir da listagem

dessas empresas, haveria um esforço

para sua catalogação e homologação,

com o apoio do Ministério da

Defesa e das três Forças Armadas.

3. Análise da possibilidade da

instalação, na Região do ABC, de

algumas etapas preliminares do processo

de catalogação de produtos e

empresas, com vistas a incrementar

este cadastramento na região.

4. Envolvimento das instituições

de ensino e pesquisa da Região

no desenvolvimento de pesquisas

de ponta vinculadas aos interesses

estratégicos das Forças Armadas

brasileiras e da Base Industrial de

Defesa do país.

5. Apoio do Governo Federal

à instalação do Projeto Collabora

– Centro de Desenvolvimento de

Capacidades, do CISB - na Região

do ABC. O projeto consiste em

um local físico único para integração

de especialistas em sistemas ou

operações diferentes, para discussão

de soluções que atendam a todos

os requisitos do macrossistema

ou megaoperação. Este projeto

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 45


O ARRANJO PRODUTIVO LOCAL EM DEFESA DO GRANDE ABC

objetiva desenvolver soluções para desafios globais, de

caráter militar e civil, que requeiram a ação simultânea

de sistemas diversos, em um ambiente para pesquisa

e desenvolvimento colaborativo multidisciplinar. Para

isso, estará integrado às instituições de ensino e pesquisa

locais e empresas de interesse e estará instalado em

uma destas instituições.

6. Indicação pelo Ministério da Defesa de representante,

para participar, como convidado especial, nas

reuniões do APL de Defesa e da Associação Parque

Tecnológico de São Bernardo do Campo.

7. Análise da possibilidade da aprovação da instalação

de um SENAI Defesa no Grande ABC.

8. Apoio à organização e à execução na Região de

um curso de extensão, em nível superior, sobre a Base

Industrial de Defesa e seu modus operandi, dirigido a

empresários industriais, gerentes, sindicalistas, gestores

públicos da Região e demais interessados.

9. Dada a importância e ainda o relativo desconhecimento

da MP 582 - Lei nº12.598/2012, para reduzir

a zero as alíquotas de PIS/PASEP e Cofins, e isentar

o IPI, incidentes nas operações de venda de bens ou

prestação de serviços à União para uso privativo das

Forças Armadas, propomos criar um grupo piloto de

divulgação da Lei em âmbito da Região do Grande

ABC, em parceria com o Consórcio Intermunicipal

Grande ABC e a Agência de Desenvolvimento Econômico

do Grande ABC.

Cenários para a Região do ABC após a escolha

do Gripen

Uma importante frente de expansão da economia

de São Bernardo do Campo, que vem sendo construída

há alguns anos, entra agora em uma etapa decisiva,

com a decisão final sobre o novo caça supersônico da

Força Aérea Brasileira, tomada pela Presidenta Dilma

ao final do ano de 2013.

A escolha do modelo Gripen, da empresa sueca

Saab, implicará na implantação de uma fábrica no

município para a produção de uma parte da aeronave.

Essa perspectiva é fruto de um forte envolvimento da

administração municipal no assunto desde 2009. Como

exposto anteriormente, o Prefeito de São Bernardo

do Campo, Luiz Marinho, foi à Suécia, voou em um

modelo Gripen e foi recebido em audiência pelo

casal real. Posteriormente, seminários e workshops

foram realizados com a Saab em São Bernardo; a Saab

investiu US$ 50 milhões na criação do Centro de

Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB), com

sede no município; e São Bernardo tornou-se cidade-irmã

de Linköping, a cidade onde a Saab mantém

sua sede e que possui uma universidade e um Parque

Tecnológico. Em 2013, foi assinado um Memorando

Foto: Divulgação

Sistema de monitoramento das áreas de mananciais

46

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


ARTIGO

“O Grande ABC conta

desde 2013 com o único

Arranjo Produtivo local de

Defesa existente no país

e muitas empresas vêm

buscando ampliar suas

ações e parcerias....”

de Entendimento entre as duas

cidades, prevendo parcerias entre

os governos, as universidades e o

setor produtivo de ambas. Ao longo

desse processo, a Saab estabeleceu

o compromisso de implantar uma

etapa da produção das aeronaves no

município, além de iniciar parcerias

para pesquisa e desenvolvimento

com universidades da Região do

Grande ABC.

Estimativas anteriores indicavam

5.860 empregos gerados pela

fabricação do Gripen no Brasil.

A informação mais atual, fornecida

ao jornal Valor Econômico

(19/12/2013) pela Akaer, empresa

que teve 15% de seu capital adquirido

pela Saab, indicam um investimento

de US$ 150 milhões na

nova fábrica em São Bernardo. Utilizando

coeficientes de geração de

emprego do BNDES atualizados,

a Secretaria de Desenvolvimento

Econômico, Trabalho e Turismo de

São Bernardo do Campo estima

que esse investimento tem o potencial

de geração de cerca de 2.500

empregos: 435 diretos, 345 indiretos,

na cadeia produtiva (estima-se

que 40% dos fornecedores possam

ser do Grande ABC), e 1.740 pelo

chamado efeito-renda, decorrente

do aumento do consumo pelos

trabalhadores contratados.

Além disso, esse investimento

atrairá outros elos da cadeia produtiva

para o Grande ABC, entre fornecedores

e prestadores de serviços.

O Grande ABC conta desde 2013

com o único Arranjo Produtivo

Local de Defesa existente no País

e muitas empresas vêm buscando

ampliar suas ações e parcerias. É

previsível o fortalecimento desse

APL com novos investidores na

região. Um caso de uma empresa

que está ampliando suas atividades

em São Bernardo é a Omnisys,

ligada ao Grupo Thales da França,

que realiza no momento um novo

investimento para produção de

radares de longa distância. Outro

impacto importante serão as parcerias

acadêmicas com universidades

locais, que poderão dar margem

à integração de uma parte dos

engenheiros formados na Região à

cadeia produtiva do Gripen e também

à formação de novas empresas

de alta tecnologia para prestação de

serviços a essa mesma cadeia. Os

Parques Tecnológicos da Região

irão se integrar a esse processo, com

a criação de start ups (novas empresas)

e desenvolvimento de pesquisas

aplicadas à indústria de defesa. O

Parque Tecnológico de São Bernardo

do Campo, especificamente,

tem a Defesa entre seus eixos

estratégicos, o que favorece o início

imediato de pesquisas e parcerias

com a própria Saab e sua rede de

fornecedores e prestadores locais.

A Akaer, na matéria citada,

estima um impacto de US$ 15 bilhões

na economia brasileira com a

produção do Gripen. Se a unidade

fabril de São Bernardo do Campo

e sua cadeia produtiva regional

vierem a contribuir com 20% desse

montante, serão no mínimo US$

3 bilhões gerados na Região. Um

impacto muito expressivo, que

reverterá positivamente na arrecadação

tributária, portanto na capacidade

regional de realizar políticas

públicas em benefício da população.

Ainda deve-se acrescentar a isso

o chamado efeito-renda, que significa

o potencial de consumo dos

trabalhadores inseridos nessa cadeia

produtiva, beneficiando o comércio

e os serviços locais, o que aumentará

esse impacto. Vale considerar que

20% (um quinto) é uma estimativa

conservadora, em vista do reiterado

compromisso da Saab de instalar

uma unidade no município. •

Jefferson José da Conceição é

Secretário de Desenvolvimento

Econômico, Trabalho e Turismo de São

Bernardo do Campo; Coordenador do

GT de Desenvolvimento Econômico

do Consórcio Intermunicipal do

Grande ABC; e Coordenador do APL

de Defesa do Grande ABC.

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 47


CATALOGAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS

PROCESSO RIGOROSO

E IMPRESCINDÍVEL

A catalogação de produtos e serviços é uma etapa primordial para as

empresas que pretendem se tornar fornecedoras das Forças Armadas

As Forças Armadas do Brasil vivem importante

processo de modernização,

sustentado por inovação tecnológica,

reaparelhamento, atualização de políticas

públicas e estratégias, além de parcerias com

outros órgãos públicos e com a iniciativa privada.

Tal cenário amplia o horizonte para a indústria

de defesa. No entanto, para que possam atuar diretamente

com Aeronáutica, Exército e Marinha,

toda e qualquer empresa deve ter seus produtos

e serviços catalogados junto às Forças Armadas.

Caso contrário, não poderá participar dos processos

de licitação.

O Sistema Militar de Catalogação (Sismicat)

é muito criterioso, e rigoroso. Trata-se de um

sistema uniforme e comum para identificação,

classificação e codificação de itens de suprimento

das Forças Armadas brasileiras. Composto pelo

Ministério da Defesa e pelo Centro de Catalogação

das Forças Armadas (Cecafa) e regulamentado

pela Portaria Normativa nº 813/MD, de 24

de junho de 2005, o Sismicat foi concebido para

possibilitar máxima eficiência no apoio logístico

e facilitar a gerência de dados dos materiais em

uso nas organizações participantes.

Benefícios individuais e coletivos

O sistema também agrega valor à imagem

das empresas credenciadas. A companhia que

corresponde às exigências desse processo, com

aprovação quanto às características técnicas de

Foto: Divulgação

Flávia Beltran, em visita ao Cecat, foi recebida pelo

Diretor, Cel. Av. André Luiz dos Santos Caldeira

48

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


CATALOGAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS

Foto: Divulgação

Prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, discursa no evento de

Catalogação e Homologação de Produtos de Defesa

e materiais de uso individual e

coletivo utilizados no campo

da defesa – exceto itens de

uso administrativo – contratados

ou adquiridos no âmbito

do Ministério da Defesa pelas

Forças, passam a ser denominados

Produto de Defesa

(Prode).

produtos e aos métodos e processos

de fabricação, passa a

fazer parte da Base Industrial

de Defesa (BID), o conjunto

de empresas estatais e privadas

que participam de uma

ou mais etapas de pesquisa,

desenvolvimento, produção,

distribuição e manutenção

de produtos estratégicos de

defesa.

A catalogação traz ainda

benefícios coletivos, pois fortalece

a notoriedade do Brasil

como país que detém um

nível elevado de informações

sobre os itens que abastecem

a indústria de defesa, e que

passam a ser conhecidos por

mais de 50 países. De maneira

geral, esse processo traz

vantagens significativas em

termos de logística: permite o

uso de linguagem única para

todos os setores que tratam de

material; promove a concentração

de informações sobre

itens de suprimento; favorece

o controle gerencial dos itens;

permite a redução de áreas

de armazenagem; e facilita o

apoio logístico integrado entre

usuários do sistema (Forças

e países).

A partir de agora, as empresas

credenciadas para atender

as Forças Armadas terão

mais do que novas oportunidades.

Visando a fomentar a

Indústria de Defesa Nacional,

o Governo Federal tem estabelecido

incentivos fiscais e

regulamentação para compra,

contratações e desenvolvimento

de produtos e sistemas

de defesa. Exemplo disso é o

Regime Especial Tributário

para a Indústria de Defesa

(RETID), regulamentado pelo

Decreto nº 8.122, de 16 de

outubro de 2013. A iniciativa

também passa pela padronização

de nomenclaturas: todo

bem, serviço, obra ou informação,

inclusive armamentos,

munições, meios de transporte

e comunicações, fardamentos

“Catalogação

também agrega

valor à imagem das

empresas...”

Integração para

informar

Por conta dessa importância

e do compromisso com

o fomento do setor, a Secretaria

de Desenvolvimento

Econômico, Trabalho e Turismo

da Prefeitura de São

Bernardo do Campo, por

meio do Arranjo Produtivo

Local (APL) de Defesa do

Grande ABC, tem trabalhado

para promover a aproximação

do polo industrial da região

com as Forças Armadas.

Tanto que o APL de Defesa

já realizou dois eventos – um

com a Marinha e outro com

o Exército – exatamente

para tratar deste assunto. Nas

duas ocasiões, oficiais falaram

aos convidados sobre os

detalhes de suas demandas e

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 49


os trâmites para que qualquer empresa possa se

tornar sua fornecedora.

Além dessa aproximação, o APL de Defesa

se dedica a oferecer o máximo de informações

técnicas a seus integrantes. Tanto que Flávia

Beltran, assessora de Gabinete da Secretaria de

Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo

tem participado de cursos específicos sobre

catalogação junto ao Ministério de Defesa.

Em novembro de 2013, por exemplo, a executiva

se reuniu com o diretor do Centro de

Catalogação da Aeronáutica (Cecat), o Cel. Av.

André Luiz dos Santos Caldeira, para conhecer

as atividades daquela unidade e identificar os

aspectos pertinentes à promoção e ao fomento

da indústria nacional. Entre os tópicos tratados

durante a visita de Flávia Beltran ao Cecat,

destaque para os aspectos relativos ao processo de

aquisição das diversas classes de materiais do Comando

da Aeronáutica (Comaer) e a relevância

do tema Cláusula Contratual de Catalogação.

Sendo o maior polo industrial da América

Serviço

Os empresários interessados

em conhecer todo o processo

de catalogação e saber exatamente

como devem proceder

para catalogar seus produtos

e serviços podem entrar em

contato com a Secretaria de

Desenvolvimento Econômico,

Trabalho e Turismo pelo e-mail

industria@saobernardo.sp.gov.br.

VANTAGENS

O que a indústria ganha

com a catalogação

As empresas que se credenciam

como fornecedoras das

Forças Armadas, inclusive com

produtos inseridos na lista de

itens catalogados, alcançam uma

série de benefícios que compensam

o esforço desse processo.

O Centro de Catalogação

da Aeronáutica (Cecat), órgão

central do Sistema de Catalogação

da Aeronáutica (SISCAE),

aposta nessas vantagens para

incentivar as indústrias a participarem.

Confira algumas delas:

• Divulgação da empresa nacional

no exterior;

• Melhoria no relacionamento

governo e indústria, por meio

do uso de um único sistema de

identificação de material;

• Uso de uma linguagem comum

compreendida por todos

(fabricante e compradores);

• Gestores e compradores

podem ter acesso aos dados

comerciais de um fabricante,

tais como endereços, telefones e

homepage;

• O NATO Stock Number

(NSN) substitui, com vantagens,

os códigos comerciais de

identificação de materiais, tais

como UPC, UNSPSC, EAN e

NCM;

• A Indústria Nacional de

Defesa, considerando a Lei nº

12.598, de 22 de março de

2012, e o Decreto nº 8.122, de

16 de outubro de 2013, e cumprindo-se

determinados requisitos,

poderá ser enquadrada em

normas especiais para compras,

contratações e desenvolvimento

de produtos e sistemas de defesa

sobre regras de incentivo à área

estratégica de defesa e regime

especial tributário.

NACIONALIZAÇÃO

Oportunidades para

empresas brasileiras

Com uma carreira de 36

anos na Força Aérea Brasileira

(FAB), dos quais 21 como piloto

de caça, o Brigadeiro do Ar

Ricardo Cesar Mangrich é hoje

o responsável pela aquisição

de todos os produtos de uso

da FAB. Há cerca de um ano e

meio, o oficial assumiu o cargo

de diretor do Centro Logístico

da Aeronáutica (Celog). Pela

experiência acumulada e pelo

que tem visto na atual função,

o Brigadeiro diz existir espaço

significativo para o crescimento

da indústria nacional. “Há uma

50

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


CATALOGAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS

Latina, o Grande ABC tornase

agente importante nesse

processo de renovação das

Forças Armadas. O processo

de catalogação só amplia as

possibilidades de negócios

para as empresas locais, que

por sua vez contribuirão para

reduzir a dependência das

Forças Armadas de fornecedores

internacionais. •

Foto: Romualdo Venâncio

diferença muito grande entre produto

e produção, ou seja, um campo

de oportunidades para se fabricar

muita coisa”.

Parte dessas possibilidades

vem da nacionalização de produtos,

que possibilita ter itens

com custo menor, capacita empresas

que já são do setor e abre

perspectivas de mercado. Esse

processo garante à Aeronáutica

o abastecimento de algum item

específico que ainda não exista

ou então que esteja disponível

por um preço exorbitante, inviável

para as definições da FAB.

“Nesse caso, utilizamos a engenharia

reversa em nosso laboratório

para obter todas as informações que

permitam a fabricação do produto

no Brasil”, explica Mangrich.

No entanto, como a FAB não

é fabricante abre uma licitação

para encontrar uma empresa

que possa suprir essa necessidade.

Quando isso acontece, o

produto é patenteado pela FAB

Brigadeiro do Ar Ricardo Cesar Mangrich, diretor

do Celog da Aeronáutica

e passa a ser fabricado apenas

para uso próprio, não tem

objetivos comerciais. “Nesses

termos, não é considerado quebra de

patente”, esclarece o Brigadeiro.

O Celog ainda cuidará do

registro e da certificação desse

item. “Somos um órgão certificador,

passamos anualmente por rigorosas

inspeções”, acrescenta. O Celog

também está habilitado para fazer

a catalogação dos produtos

que nacionalizar. “A catalogação

é muito importante, pois gera um

número que é reconhecido por todo

o mercado e permite a rastreabilidade

no mundo inteiro”, descreve

Mangrich.

Falando especificamente do

polo industrial do Grande ABC,

o Brigadeiro vê como virtuosa

e bastante natural a capacitação

do setor automobilístico para

atender a aviação. “A indústria automobilística

está entre os produtos de

uso da aeronáutica e de uso comum”,

compara. Segundo ele, nos protótipos

de armamentos ainda em

fase de testes são utilizados materiais

do segmento automobilístico,

“de forma totalmente segura”, faz

questão de destacar o oficial.

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 51


SINDICATOS E CAPACITAÇÃO

DA MÃO DE OBRA: CAMINHO

PARA INOVAR

A qualificação da mão de obra está entre as prioridades da indústria

de defesa no processo de evolução técnica e os sindicatos do Grande

ABC estão empenhados em investir nesse campo para assegurar

benefícios à força de trabalho

A

criação do Arranjo Produtivo Local

(APL) de Defesa do Grande ABC

tem proporcionado a oportunidade

de diversas mudanças positivas na

relação entre Forças Armadas, indústria de defesa,

instituições de ensino, centros de pesquisa e

demais envolvidos com o setor. Uma delas pode

ser considerada um marco no que diz respeito à

capacitação de mão de obra que atua no polo industrial

da região. Em 2013, um sindicalista participou,

pela primeira vez, do Curso de Gestão de

Recursos de Defesa realizado pela Escola Superior

de Guerra (ESG). O diretor executivo do

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC),

José Roberto Nogueira da Silva, o “Bigodinho”,

teve a chance de conhecer de perto diversas

instalações militares e de trocar informações com

alguns empresários. “Foi uma quebra de paradigmas.

No início, a cada ponderação que eu fazia percebia o

estranhamento nos olhares das pessoas. Mas, no final,

ficou uma relação fantástica, uma grande aproximação

com todos”, comenta.

A interação foi tamanha que persistiu mesmo após

o fim do curso. “Executivos que conheci na ESG vêm me

visitar na sede do sindicato com o intuito de trocar informações

e saber sobre nossos passos, entre outros assuntos. Após

conhecerem nossa política de atuação, o que temos discutido

José Roberto Nogueira da Silva,

diretor executivo do SMABC

sobre o setor e o que pensamos para o futuro, perceberam que a

contribuição mútua é muito importante e pode trazer excelentes

frutos para todos”, analisa Bigodinho. Para o sindicalista,

tal relacionamento é uma forma de promover

inovação, pois o debate entre empresários e trabalhadores

em um mesmo patamar representa importante

Foto: Divulgação

52

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


SINDICATOS E CAPACITAÇÃO DA MÃO DE OBRA: UM CAMINHO PARA INOVAR

Foto: Divulgação

Alunos do Curso

de Gestão de

Recursos de

Defesa da ESG

mudança cultural nesse diálogo.

“Precisamos ter mais lideranças de

trabalhadores participando desse curso, e

não apenas metalúrgicos, mas químicos,

bancários, entre outros, para fomentar as

bases”, acrescenta.

Essa integração poderá ser cada

vez mais valiosa, e necessária, em

razão de uma demanda crescente

no setor. Segundo Bigodinho, a

capacitação da mão de obra é imprescindível

para que a indústria

nacional aproveite as oportunidades.

Durante o curso na ESG, ele

conheceu um pouco mais sobre

“Executivos que conheci

na ESG vêm me visitar

na sede do sindicato

com o intuito de trocar

informações e saber

sobre nossos passos,

entre outros assuntos...”

o potencial das empresas, o que

ressaltou ainda mais a relevância

da qualificação dos trabalhadores.

“Sem a devida preparação para atender

à demanda do mercado, principalmente

de empresas estrangeiras que

estão investindo no Brasil, deixaremos

uma imagem de que não damos conta”,

alerta o sindicalista.

Integração de setores

A capacitação da mão de obra

que atende, e continuará a

atender, a indústria de defesa é

um processo contínuo e abrangente,

da mesma maneira como

acontece em qualquer outro

segmento produtivo. O resultado

mais aparente é a oferta de profissionais

qualificados para suprir

demanda das empresas. Outro

impacto marcante é o estímulo

aos trabalhadores, a percepção

deles mesmos quanto à influência

do investimento nos estudos

em suas carreiras profissionais e

em suas vidas de maneira geral.

Tal movimento passa pela aproximação

entre as entidades de

classe, como o SMABC, e as instituições

de ensino, a exemplo das

universidades, escolas técnicas e

unidades do Serviço Nacional de

Aprendizado Industrial (SENAI).

É por meio dessa integração que

o SMABC oferece, há 30 anos,

cursos gratuitos a seus associados.

Bigodinho conta que por

conta de mudanças estruturais

do país e alterações no setor,

como as terceirizações, houve

uma redução na formação de

profissionais de nível técnico.

Para ele boa parte dos estudantes

tem preferido ingressar

diretamente em uma faculdade

de engenharia a passar primeiro

pelos cursos técnicos, o que

acabou reduzindo a disponibilidade

de trabalhadores com esse grau

de escolaridade. Por conta dessa

mudança, muitos profissionais

recém-saídos dos cursos de

engenharia acabaram na função

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 53


de alguém com nível técnico, e não universitário.

“Até o salário dessa população acabou diminuindo”,

relata o diretor do SMABC.

A situação está sendo revertida com a retomada

da formação de técnicos. O Sindicato dos Metalúrgicos

do ABC, por exemplo, inaugurou em

dezembro de 2013, na cidade de Diadema (SP),

a Escola Livre para Formação Integral “Dona

Lindu”, em uma área construída de 2.000m².

Conforme a coordenação da entidade, esperase

atender cerca de 3 mil alunos até julho deste

ano e, a longo prazo, que a instituição forme 10

mil estudantes por ano. De acordo com o diretor

de Organização do SMABC, Moisés Selerges,

as propostas de políticas para novos investimentos

no ABC estão condicionadas à formação de

trabalhadores. “Além disso, temos a preocupação com

a formação desses profissionais enquanto cidadãos, conhecedores

de seus direitos”, ressalta. A Escola “Dona

Lindu” oferece, em parceria com o SENAI,

cursos como “Matemática Aplicada à Mecânica”,

“AutoCad 2D” e “Redação Técnica”.

“A partir de iniciativas como essa, geramos oportunidades

para que as diversas categorias de trabalhadores

venham a estudar, sobretudo quem não tem condições

de investir no ensino”, comenta Bigodinho. “Isso é

um sonho se realizando, pois conseguimos produzir mão de

obra de acordo com a demanda do mercado e oferecer melhor

qualidade de emprego para essas pessoas”, comemora.

Defesa ainda é novidade

A capacitação de mão de obra é um assunto que

já permeia as discussões trabalhistas há muito

tempo. No entanto, especificamente sobre o setor

de defesa pode-se dizer que é algo recente. Até

mesmo as empresas ainda estão se adequando às

exigências do setor, como é o caso dos processos

de catalogação e homologação para se tornarem

fornecedoras das Forças Armadas. Aquelas que

chegam muito perto mas, por qualquer motivo,

não conseguem passar por todas as etapas dessa

rigorosa análise, certamente vão rever seus procedimentos,

passo a passo, antes de tentarem novamente.

Mais do que poder participar de qualquer

licitação da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica,

a companhia terá um diferencial significativo

diante do mercado.

“Sem a devida preparação

para atender à demanda do

mercado, principalmente de

empresas estrangeiras que estão

investindo no Brasil, deixaremos

uma imagem de que não damos

conta...”

Uma das principais notícias do setor envolvendo

a região do Grande ABC foi o anúncio do Governo

Federal sobre a compra dos caças Gripen New

Generation, fabricados pela empresa sueca Saab, para

o Projeto FX-2. Independentemente dessa negociação,

a prefeitura de São Bernardo, há pelo menos

quatro anos tem se aproximado da companhia.

Tanto que, mesmo antes de o Ministério da Defesa

revelar a escolha pelos Gripen, a direção da Saab já

havia criado o CISB – Centro de Pesquisa e Inovação

Sueco-Brasileiro – na cidade e se comprometido

a instalar uma unidade no município, caso viesse

a ser a fornecedora dos aviões.

A partir de agora, começa uma movimentação

intensa para saber exatamente a dimensão das possibilidades

e como aproveitá-las. “Se estamos falando de

uma empresa que vem ao país e, mais especificamente, a São

Bernardo, para fabricar caças, é algo muito grande. Temos de

pensar no futuro, discutir e entender as particularidades das

demandas do setor de defesa”, observa Bigodinho. Para o

sindicalista, é preciso aproveitar essa experiência com

a Saab até para que o polo industrial do ABC esteja

pronto para as próximas oportunidades.

“Quantos empregos diretos e indiretos podem surgir,

sobretudo para a mão de obra qualificada? Como isso

54

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


SINDICATOS E CAPACITAÇÃO DA MÃO DE OBRA: UM CAMINHO PARA INOVAR

“É importante a

população saber por

quais motivos precisamos

de desenvolvimento

tecnológico para a defesa.

Embora não exista a

intenção de o país atacar

ninguém, precisamos de

fato estar seguros...”

pode fortalecer a economia de São

Bernardo e do Grande ABC?

Quantos investimentos serão necessários

para atender essa demanda?

São várias as perguntas que temos

de responder o quanto antes”,

orienta Bigodinho. O diretor

do SMABC destaca ainda que

a capacitação da mão de obra

garante ao Grande ABC a possibilidade

de as indústrias locais

entrarem como parte da inteligência

dessa produção, e não

apenas com a linha de montagem.

“Vamos precisar de pessoas

com muito conhecimento.”

As questões profissionais, de

uma forma ou de outra, acabam

envolvendo demandas de

cunho social. É imprescindível

informar aos moradores da

região sobre os acontecimentos.

O sindicato coloca todos

os seus canais de comunicação,

que atendem uma base de 100

mil nomes, a serviço desses esclarecimentos,

como é o caso do

jornal impresso Tribuna Metalúrgica,

com 60 mil exemplares

diários, e do site da entidade.

“É importante a população saber

por quais motivos precisamos de

desenvolvimento tecnológico para

a defesa. Embora não exista a

intenção de o país atacar ninguém,

precisamos de fato estar seguros.

Não adianta apenas parecermos seguros”,

acrescenta Bigodinho.•

Evento de inauguração da

Escola Livre para Formação

Integral “Dona Lindu”

Foto: Divulgação

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 55


“Os países mais

poderosos e

influentes são aqueles

que têm a indústria

de defesa mais forte e

avançada”

Jairo Cândido

Diretor-titular do Departamento da Indústria de

Defesa – Comdefesa da FIESP e Presidente do

Grupo Inbra Aerospace

A visão estratégica de um

polo da indústria de defesa

A

indústria de defesa é um dos segmentos

econômicos com maior potencial de

desenvolvimento tecnológico. Muitas

tecnologias que usamos no dia a dia, do

GPS à internet, tiveram suas origens em sistemas

desenvolvidos para a defesa dos países. Os países mais

poderosos e influentes são aqueles que têm a indústria

de defesa mais forte e avançada.

O Brasil tem uma longa história na produção

de material para a defesa nacional. As origens de tal

capacidade remontam ao processo de industrialização

em Portugal no século XV e a migração das primeiras

fábricas para o Brasil, ainda no período colonial.

Ao longo destes séculos e até os dias atuais ocorreram

muitas iniciativas importantes e inúmeros insucessos

e decepções. A indústria de defesa do Brasil de hoje é

o resultado das condições geopolíticas e econômicas

que o país viveu ao longo de sua história, dos sonhos,

visões e esforços abnegados e visionários de militares,

políticos, empresários, cientistas e diversas pessoas.

56

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


ARTIGO

Através deles, chegamos aos dias de hoje com uma indústria

de defesa vivendo um momento positivo com

a crescente conscientização nacional com relação à

importância da defesa na soberania nacional.

Dentro deste quadro, desponta a iniciativa de um

polo tecnológico voltado ao segmento industrial

de defesa em São Bernardo do Campo. Resultado

da visão estratégica desenvolvida pelo Prefeito Luiz

Marinho, o novo polo tecnológico de defesa vem

despertando crescente interesse. Ele é baseado em

pilares tais como a localização geográfica privilegiada

da cidade com sua proximidade a portos e aeroportos

e excelentes meios logísticos, capacidade significativa

de formação de recursos humanos de alta qualificação

e uma infraestrutura urbana e gerencial adequada. O

apoio, associado à forte vocação industrial e aos fatores

mencionados resulta em um cenário favorável para

a implantação de uma iniciativa desse porte.

No Brasil, após décadas de baixo nível de compras

governamentais e pouco interesse da classe política

pelo assunto, o segmento de defesa e aeroespacial

começou a ser visto sob um enfoque estratégico e

tornou-se um dos principais pontos da nova Estratégia

Nacional de Defesa. Em adição, o governo federal

aprovou políticas, decretos e medidas administrativas

voltados à desoneração fiscal da indústria e a regulamentação

dos processos de compras para apoiar

a indústria de defesa. Foram contratados programas

como o avião cargueiro KC-390, o sistema de

proteção de fronteiras, o programa dos helicópteros

multimissão e o programa dos submarinos convencionais

e nuclear, todos eles

com obrigações vinculadas

ao envolvimento e capacitação

da base industrial de

defesa brasileira. As políticas

e resoluções aprovadas e os

grandes programas estruturantes

contratados apontam

para uma política vigorosa e

de longo prazo para o setor

“As políticas e resoluções

aprovadas e os grandes

programas estruturantes

contratados apontam

para uma política

vigorosa e de longo prazo

para o setor de defesa”

de defesa. Novos programas estão em negociação e

definição.

Dentre estes, o Programa F-X2 objetiva prover

uma nova aeronave de combate multimissão para a

Força Aérea Brasileira. O avião escolhido, o Gripen

NG da Saab sueca é o caça mais moderno em desenvolvimento

no mundo fora dos EUA. O Prefeito

Luiz Marinho defendeu a escolha do Gripen

desde o início do processo de seleção, como sendo

a alternativa que traria os maiores benefícios para a

indústria brasileira.

A Saab se comprometeu em investir em São

Bernardo do Campo. Inicialmente, em maio de

2011 ela estabeleceu o CISB – Centro de Pesquisa e

Inovação Sueco-Brasileiro com foco na implementação

acordos de cooperação em ciência, inovação

e alta tecnologia entre Brasil e Suécia, integrando o

maduro e bem-sucedido sistema de inovação sueco

com o dinâmico sistema de inovação que vem se

consolidando no Brasil, além de atrair investimentos

e interesse de todo o mundo.

Mas a principal iniciativa da Saab está iniciando

sua implantação. Em associação e sob a liderança de

empresários brasileiros do Grupo Inbra, a Saab investirá

cerca de US$ 150 milhões em uma nova fabrica

destinada a produção de estruturas de aeronaves para

atender ao programa Gripen NG no Brasil e a linha

de montagem na Suécia. Denominada SBTA – São

Bernardo Tecnologia Aeroespacial, esta fabrica fornecerá

aeroestruturas para outras empresas aeronáuticas

no mundo.

O estabelecimento do

polo tecnológico de defesa

em São Bernardo do Campo

vem despertando intensa

movimentação do ambiente

empresarial tanto nacional

como de empresas estrangeiras

com relação a São Bernardo

do Campo, indicando

o potencial de sucesso desta

iniciativa. •

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 57


NOTAS

POR DENTRO DO APL

Paulo Marcelo

Tavares Ribeiro

Gerente Regional do

Serviço Brasileiro de Apoio às

Micro e Pequenas Empresas

(SEBRAE)

“A formação de um Arranjo Produtivo Local é de fundamental importância ao

desenvolvimento de um melhor ambiente competitivo para as empresas. Nossa

missão, além da capacitação, é trabalhar em prol da construção de um ambiente

favorável às micro e pequenas empresas. São muitos os pontos positivos de um APL,

mas cabe destacar alguns deles, como a maior sinergia de ações coletivas, a troca de

informação e conhecimento, o maior poder de negociação e a força política para

pleitear melhorias ao setor. Além da promoção do desenvolvimento do capital social

e econômico da região.”

Eduardo Marson

Presidente da Helibras

“Só podemos ver com bons olhos a existência do Arranjo Produtivo Local de Defesa

do Grande ABC. Temos diversos fornecedores na região: peças importantes de

fuselagem vêm de Mauá, a blindagem dos Esquilos é fornecida pela Inbra, o sistema

de autodefesa do EC725 é fabricado pela Saab, entre outros. O fortalecimento do

ABC como polo da indústria de defesa só pode ser positivo. A expansão do segmento

de defesa na região abre a possibilidade de mais integração, mais negociações.”

Carlos Alberto Gonçalves

“Krica”

Secretário Adjunto de

Desenvolvimento Econômico,

Trabalho e Turismo de São

Bernardo do Campo

“O APL de Defesa do Grande ABC tornou-se um importante

espaço de debate e articulação de políticas para a Indústria

da Região. A Indústria de Defesa, por ter em essência de

tecnologia de ponta, agrega valor ao produto e aos profissionais

da área. Incluindo as Forças Armadas neste debate, as

oportunidades são extraordinárias. É muito importante as

empresas conhecerem o processo de catalogação e ficarem

atentas as possibilidades apresentadas a todos os segmentos

econômicos de venderem para as Forças Armadas.”

Coronel Bazuchi

Seção de Planejamento do

Comando Militar do Planalto

“A iniciativa da Prefeitura do Município de São Bernardo do Campo precisa ser

destacada: por um lado, coloca na mesma mesa os agentes do Executivo local, as

indústrias do ABC, os sindicatos dos trabalhadores e os pensadores das Universidades

e centros de pesquisa; por outro lado, facilita ao Ministério da Defesa e às Forças

Armadas os contatos para a apresentação de suas demandas. Cria-se, desta maneira, a

possibilidade de que as aquisições de Defesa sejam realizadas cada vez mais no Brasil

- com nível tecnológico cada vez mais elevado - e, ainda, de que se estabeleçam

parcerias com empresas e universidades locais para o desenvolvimento dos complexos

projetos de Defesa!”

Sadao Hayashi

Diretor Técnico e Comercial

da NHT Engenharia

“A criação do Arranjo Produtivo Local de Defesa do Grande ABC é de fundamental

importância para a aproximação dos integrantes dessa cadeia produtiva, a troca de

informações e o estímulo para alavancar o setor. A prefeitura de São Bernardo do

Campo está no caminho correto e o trabalho que vem sendo feito pela Secretaria

de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo é uma grande prestação de

serviços. De forma geral, boa parte das propostas vem ao encontro do que penso ser

essencial para o setor. Como foi o evento realizado com oficiais do Exército para

falar sobre suas demandas por produtos, serviços e tecnologia.”

58

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


Flávia Beltran

Assessora do Gabinete da

Secretaria de Desenvolvimento

Econômico, Trabalho e Turismo

de São Bernardo do Campo

Coordenadora Técnica do APL

de Defesa do Grande ABC

“O Arranjo Produtivo Local de Defesa do Grande ABC

foi criado com o objetivo de aproximar as Forças Armadas

Brasileiras, empresários, sindicatos e instituições de ensino

da Região. É um canal aberto para que estes atores tenham

a oportunidade de atender às necessidades materiais e de

desenvolvimento tecnológico das Forças.

O APL de Defesa é a principal ação da Secretaria de

Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São

Bernardo do Campo no esforço de inserir o Grande ABC na

cadeia produtiva de Defesa do país.”

Claudio Pinto

Sócio-proprietário da Stuff

Equipamentos Industriais

“O trabalho realizado pelo Arranjo Produtivo Local de Defesa do Grande ABC

é um caminho interessante e valioso, uma plataforma para gerar e multiplicar

oportunidades, inclusive ampliando o acesso às Forças Armadas. Por meio dessa

aproximação, podemos diversificar conceitos para entender uma demanda específica,

o desafio para novos projetos, como atuar na questão administrativa, entre outros pontos.

Além disso, o atendimento apropriado é um apoio para a autonomia deste setor.”

General Marco

Antônio de Farias

Comandante Logístico

do Exército

Giovanni Rocco

Secretário executivo da Agência

de Desenvolvimento Econômico

do Grande ABC

Paulo Fernando

Panageiro

Proprietário e Diretor

Administrativo da Indústria

e Comércio de Artefatos de

Metais Ltda. (Induspec)

“O Arranjo Produtivo Local de Defesa do Grande ABC é muito importante. Para as

Forças Armadas, especificamente, essa aproximação com o polo industrial traz uma

sintonia que vai gerar diversos benefícios. Além da integração comercial, proporciona

uma sincronia de forma geral para todos os envolvidos. Unidos, seremos mais

consistentes, e essa consistência é fundamental para o sucesso.”

“A articulação feita pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, trará

um importante impacto no desenvolvimento econômico de todo o Grande ABC.

São sete municípios sem barreiras geográficas e com forte união institucional, o que abre

grandes oportunidades de desenvolvimento tecnológico e de inovação para as empresas e

universidades não só de São Bernardo, mas de toda a região do Grande ABC.”

“A notícia de que o grupo sueco Saab, ganhador da concorrência para participar

do Projeto FX-2, da Força Aérea Brasileira, com o caça Gripen NG, instalará uma

unidade industrial em São Bernardo do Campo é uma grande oportunidade para

a região. Nesse momento, cresce a importância do Arranjo Produtivo Local de

Defesa do Grande ABC, pois traz uma iniciativa cultural essencial ao setor. Agora, é

fundamental que as empresas se ajudem mais.”

Arthur de Almeida Jr.

Engenheiro Naval pela EPUSP

Vice-Presidente da CSHPA, da

ABIMAQ.

Representante da empresa

Spectra Tecnologia no

CONIMAQ/ABIMAQ

“A parceria entre a PSBC e a empresa estratégica de defesa

(EED) Spectra Tecnologia permitirá que se encurte o caminho ao

futuro para a indústria nacional e que se legue o conhecimento

tecnológico de ponta às novas gerações de trabalhadores.

A implantação de um Centro de Simulação Para o Treinamento

de Pilotos de Aeronaves, militares e civis, de asa fixa e rotativa

e de um Laboratório de Ensaios de Fadiga, em São Bernardo

do Campo, colocará o Brasil em condições de igualdade com os

mais avançados centros tecnológicos do mundo. Além do Projeto

GRIPEN, os centros atenderão todas as demandas tecnológicas

dos parques industriais do ABC, de São Paulo e do país.”

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 59


Empresas e Instituições participantes do

Arranjo Produtivo Local de Defesa do Grande ABC

Empresas

AFX Indústria Metalúrgica

Ltda.Indústria Metalúrgica

www.afxindustria.com.br

(11) 4176.8611

Acrux Solutia Ltda.

Equipamentos Hospitalares para

Centros Cirúrgicos

www.acruxsolutia.com.br

(11) 4101.4492

Agecom Produtos de

Petróleo Ltda.

Lubrificante e Químicos

www.agecom.com.br

(11) 2146.8990

ALLTEC Materiais

Compostos

Engenheira de Desenvolvimento e

Negócios

www.allteccomposites.com.br

(12) 3931.4178/3934.8362

Apema Equipamentos

Industriais Ltda.

Tecnologia em Transferência de Calor

www.apema.com.br

(11) 4128.2577

Artes Maná Comunicação

Visual

Gráfica e Impressão Digital

www.artesmana.com.br

(11) 3424.5480

Athos Ferramentaria e

Estamparia Ltda.

Ferramentaria

www.ferramentariaathos.com.br

(11) 4546.8390

B. Grob do Brasil S.A.

Linhas de Usinagem, Maquinas de

Universais

www.grobgroup.com

(11) 4367.9100/4367.9852

BASF S.A

Indústria química, plásticos, produtos

de performance para proteção de

cultivos, petróleo e gás

www.basf.com

(11) 2349.2014

Blitz Ind. e Com. de

Plásticos Ltda.

Plásticos

www.blitz.ind.br

(11) 4828.3444/Fax: 4828.3619

Bracom Comunicação Visual

e Editora Ltda.

Industriais e Promocionais

www.bracomcv.com.br

(11) 4227-5433/4226.0936

Boeing Brasil Serviços

Técnicos Aeronáuticos Ltda.

Aeronáutico

www.boeing.com.br

(11) 3759.4800

CCTS - Centro de Ciência do

Sistema Terrestre

Centro de Pesquisas Ambientais

www.ccst.inpe.br

(12) 3186.9497

Coatingtec Revestimentos

Técnicos de Metais Ltda. ME

Tratamento Superficial de Metais

www.coatingtec.com.br

(11) 2324.0815/0915

Companhia Brasileira de

Cartuchos - CBC

Armas e Munições

www.cbc.com.br

(11) 2139.8310/2139.8340

Clarion Eventos Brasil

Exibições de Feira Ltda.

Eventos

www.clarioneventos.com.br

(11) 3893.1300

DB Transnational Logística

Brasil S/A

Logística Internacional

www.dbtransnational.com

(11) 4122.4200

Delicato Consultoria

Consultoria em gestão de ativos e

processos

www.delicatoconsultoria.com.br

(11) 3280.2661

DU-O-LAP Selos Mecânicos

Fabricação de Produtos de Metal,

Exceto Máquinas e Equipamentos

www.du-o-lap.com.br

(11) 4173.5200/4178.2101

E2A Ferramentaria de

Moldes LTDA.

Ferramentaria para Construção e

Manutenção de moldes para Injeção

de Termoplásticos

www.e2aferramentaria.com.br

(11) 4468.1351/4427.8153

EDAG do Brasil Ltda.

Serviços de Engenharia

www.edag.com

(11) 4173.9637/Fax: 4173.9608

Edson Asarias Advogados e

Advogados Associados

Advocacia

www.edsonasarias.adv.br

(11) 4122.7299

Equipamentos Universaloi

Ltda.

Fábrica de roscas e cilindros

bimetálicos

www.universaloi.com.br

(11) 4346.5555

Emau Usinagem Industrial

Ltda.

Usinagem Industrial

(11) 4072.2204

E.5 Agência de

Comunicação e Evento Ltda.

Eventos

www.elemetal5.com.br

(11) 3165.4442

Faogor Arrasate do Brasil

Ltda.

Prensas e Sistemas de Estampagem

www.fagorarrasate.com

(11) 5694.0822

Fatec de São Bernardo do

Campo Adib Moises Dib

Ensino Tecnológico

www.fatecsbc.edu.br

(11) 4121.9008

Faparmas Torneados de

Precisão Ltda.

Prestação de Serviços de Usinagem

www.faparmas.com.br

(11) 4822.7290/4822.7259

Ferosão JCR Ind. Com Ltda.

Ferramentaria

www.ferosao.com.br

(11) 2191.6300

Ferramentaria Gaspec Ltda.

Ferramentaria

www.gaspec.com.br

(11) 4421.8701

Fiamm Latin America

Componentes

Automobilísticos Ltda.

Fabricação de Veículos Automotores,

Reboques e Carrocerias

www.fiamm.com.br

(11) 3737.6116

Frazzo Comércio de

Máquinas Ltda.

Comércio Atacadista de Máquinas e

Equipamentos para uso Industrial,

Partes e Peças

www.frazzo.com.br

(11) 2381.8853/7699.2125

Frimaren Brazil Ltda.

Atividades de Consultoria em Gestão

Empresarial, exceto consultoria

técnica específica

www.frimarenbrazil.com.br

(12) 3911.6741

Fixopar Comércio de

Parafusos e Ferramentas

Ltda.

Comercialização, distribuição e

fabricação de todos os tipos de

elementos de fixação e agregados

industriais.

www.fixopar.com.br

(11) 2842.2700/Fax: 2842.2760

G.S. Comércio, Serviços e

Locação de Equipamentos

Industriais Ltda.

Comércio, Serviços e Locação de

Equipamentos Industriais

(11) 4101.4053/3958.3810

60

Maio de 2014 • Edição 01• Revista do APL de Defesa do Grande ABC


Grupo Inbra Filtro

Produtos Automotivos e Defesa

www.grupoinbra.com.br

(11) 2148.8600

HCS Modelação Ltda.

Fundição e Modelação

(11) 4238.0171

Haas do Brasil Total

Gerenciamento de Produtos

Químicos Ltda.

Comércio Atacadista de Produtos

Químicos

www.haasgroupintl.com

(11) 4427.4282

Heat Tech Tecnologia em

Tratamento Térmico e

Engenharia de Superfície

Ltda.

Tecnologia

www.heattech.com.br

(11) 4792.3881

HELIBRAS A Eurocoper

Company

Indústria de Aeronáutica

www.helibras.com.br

(11) 2142.3718/2142.3772

Hercules Equipamentos de

Proteção Ltda.

Fabricação Tecnologia e Manutenção

(11) 4391.6640

Holec Ind. Elétrica Ltda.

Fabricante de Chave seccionadora de

baixa tensão

www.holec.com.br

(11) 4191.3144

IGPECOGRAPH Ind.

Metalúrgica Ltda.

Industria Metalúrgica

www.igpbr.com

(11) 4070.8000/Fax: 4075.3285

Indústria Máquinas Miotto

Ltda.

Fabrica e Comércio de Máquinas e

Equipamentos utilizados na operação

de transformação das várias linhas

para extrusão de termoplásticos

www.miotto.com.br

(11) 4346.5555/Fax: 4346.5550

Indústria Mecânica ANC

Ltda.

Fabrica de outros produtos derivados

do metal

(11) 4173.3682

Industria de Comércio de

Artefato de Metais

Metalúrgica

www.induspec.com.br

(11) 4361.5085

Instituto de Ação

Tecnológica e

Desenvolvimento Inovador

Instituto de Suporte Tecnológico

www.iatdi.com.br

(11) 2356.6028

Instituto HIDA/AOTS São

Paulo

Instituto de Relações Internacionais

www.aotssp.com.br

(11) 5575.7687

Irsa Rolamentos S/A

Comércio de rolamentos

www.irsa.com.br

(11) 4422.4000

IACIT Soluções

Tecnológicas Ltda.

Instituto de Soluções Tecnológicas

www.iacit.com.br

(12) 3797.7765

ISA Com. de Artigos

Militares e Esportivos Ltda.

Comércio de Produtos Esportivos e

Militares

www.isaloja.com.br

(11) 4226. 4045

JCM Comunicação e

Políticas Públicas

Comunicação de Políticas Públicas

www.jcmcom.com.br

(21) 3686.6802

Jodeclan Ferramentaria

Comércio e Industria Ltda.

Indústria de Usinagem e

Ferramentaria

www.jodeclan.com.br

(11) 4396.2372

José Murilia Bozza Com. e

Ind. Ltda.

Fabricação de Máquinas e

Equipamentos

www.bozza.com

(11) 2179.9911/4127.1499

Keefer Ind. e Com. Máq.

Moldes Ltda.

Industrial e Comércio

www.keefer.com.br

(11) 4347.9090/4397.9011

Lacerda Sistemas de

Energia

No-breaks e Estabilizadores

www.lacerdasistemas.com.br

(11) 2147.9777

LCI Brasil Comércio

Importação e Exportação

Ltda.

Comércio e Exportação

www.lci-brasil.com

(11) 3624.3363

Lesil Indústria e Comércio

Indústria e Comércio

(11) 2146.8946/Fax: 2146.8909

Letska Ind. e Com. Plásticos

Industria e Comércio de Plásticos

www.letska.com.br

(11) 4519.5028

LS Projetos e Consultoria

Projetos de Moldes Plásticos

www.lsprojetos.ind.br

(11) 4235.0041

Lubel Indústria e Comércio

Indústria e Comércio Automotivo

www.lubelusinagem.com.br

(11) 4426.4082/4425.4145

MC2 Aeronaval Ltda.

Pesquisa, Desenvolvimento e

Montagem de Veículos Aeronavais

www.overwind.com.br

Madope Ind. e Com. Ltda.

Serviços de Usinagem em geral,

especializada em serviços de

mandrilamento e Fresagem CNC

www.madope.com.br

(11) 4469.5933/Fax: 4469.5934

Marmaq Ind. e Com. de

Moldes Ltda.

Especializada na Fabricação de

Moldes para todo tipo de peças para

a linha automotiva, branca, displays,

eletroeletrônicas entre outros

www.marmaq.com.br

(11) 5588.3999

Mart Madeiras e Embalagens

Ltda.

Comércio de Embalagem

www.mart.com.br

(11) 4053.9200

Modelação Unidos Ltda.

Indústria Metalúrgica

www.unidosmolds.com.br

(11) 2723.4755

Morganite Brasil Ltda.

Indústria de Produtos e Estruturas de

Defesa

www.morganceramics.com

(21) 3305.7400/2418.1205

MS Usinagens-Massao

Usinagem Ltda.

Usinagem

www.massaousinagem.com.br

(11) 4341.7318

National Instruments Brazil

Ltda.

Suporte de TI

www.ni.com.br

(11) 3149.3149

Naturaço Indústria e

Comércio de Aço

Indústria e Comércio de Aço

www.naturaco.com.br

(11) 4823.9800

Necton Tecnologia e

Sistemas

Sistemas, Software e Open Source

www.necton.us

(11) 4341.8807

Fixopar Comércio de

Parafusos e Ferramentas

Ltda.

Fabricação de Fixadores

www.fixopar.com.br

(11) 2842.2715

Omnisys Engenharia Ltda.

Fabricação de Equipamentos de

Informática, Produtos Eletrônicos e

Ópticos

www.omnisys.com.br

(11) 3303.1374/Fax: 3303.1219

Scania Brasil

Fabricação de Veículos Automotores,

Reboques e Carrocerias

www.scania.com.br

(11) 4104.7244

Petróleo Brasileiro S.A

Produção e Distribuição de petróleo

www.petrobras.com.br

(12) 3203.9065

Park Hannifin Ind. e Com.

Ltda.

Produtos Aeroespaciais e Defesa

www.parker.com

(12) 4009.3668

Polimold Indústria S.A

Fabricação de Produtos de Metal,

Exceto Máquinas e Equipamentos

www.polimold.com.br

(11) 4358.7300

www.industriadefesaabc.com.br • Edição 01• Maio de 2014 61


Powercoat Tratamento de

Superfícies

Pintura e Tratamento de Superfícies

www.powercoat.com.br

(11) 4390.6067

PRODYT Mecatrônica

Indústria e comércio Ltda.

Máquinas Industriais, Transfer e

Automatização

www.prodty.com.br

(11) 4072.8407

Redes e Cia

Soluções em Engenharia e

Telecomunicações

www.redesecia.com.br

(11) 32436.2886/3323.1122

ROBEFER Indústria e

Comércio Ltda.

Máquinas e Equipamentos de Uso

Industrial

(11) 4972.1255/Fax: 4451.1941

Rolls-Royce Brasil Ltda.

Manutenção, Reparação e Instalação

de Máquinas e Equipamentos

www.rolls-royce.com

(11) 4390.4828/Fax: 4341.7683

Roupas Profissionais

Munoz Acuna Importação e

Exportação Ltda.

Indústria e Comércio de roupas

profissionais

www.moais.com.br

(11) 4366.2344

RUCKER do Brasil Ltda.

Produtos e Serviços de Engenharia

e Design

www.rucker.com.br

(11) 4122.6400/4122.6421

Rosenberger Domex

Telecomunicações Ltda.

Fabricante e Distribuidor de

Conectores Elétricos e

Fibras Ópticas

www.rosenbergerdomex.com.br

(12) 3221.8513

Sociedade Técnica de

Elastômeros Stela Ltda.

Desenvolvimento e Fabricação

de produtos técnicos de artefatos

de borracha para indústria

automobilística, construção civil e

linha impermeabilizantes

www.stela.ind.br

(11) 4176.8611

Saab Technologies

Fabricação de Aeronaves, Produtos

Navais e Equipamentos de Defesa

www.Saabgroup.com

Sanches Blanes S.A

Ferramentas Industriais e Serviços

Técnicos

www.sanchesblanes.com.br

(11) 4824.2726/4827.9009

SCHUNK Intec - BR

Soluções para a Indústria e Produtos

Robóticos e Industriais

www.schunk.com

(11) 4468.6880

Sherwin-Williams do Brasil

Indústria e Comércio Ltda.

Produtos de Pintura Automotiva e

Lubrificação

www.shewin-auto.com.br

(11) 2168.4225

Santos Brasil

Serviços de infraestrutura portuária e

de logística integrada

www.santosbrasil.com.br

(13) 2102.9107

Steelcoat Pinturas

Industriais Ltda.

Pinturas Industriais

www.powercoat.com.br

(11) 4390.6062

Thermocom Sensores

Industria e Comércio

Fabricação de Equipamentos de

Informática, Produtos Eletrônicos e

Ópticos

www.termocom.com.br

(11) 4338.5511

Termomecnica São Paulo

S/A

Metalúrgica

www.termomecanica.com.br

(11) 4366.9796/Fax: 4366.9722

Techycell Soluções em

Telecomunicações Ltda.

Serviços de TI

www.techycell.com.br

(11) 4173.1753

UNISEG Com. e Serv. em

Segurança do Trabalho Ltda.

Prestação de Serviços de Segurança

www.unisegsegurancadotrabalho.

com.br

(11) 4390.0422/4941.0425

Usimac Ind. Serv. Ferram.

Ltda.

Usinagem e Serviços de

Ferramentaria

www.usimac.com.br

(11) 4973.0313

Voxxel Consultória de

Sistemas

Consultoria em Processos e Sistema

de Qualidade

www.voxxel.com.br

(11) 4123.2946

ZF do Brasil Ltda.

Líder global no segmento de sistemas

de transmissão e tecnologia de

chassis

www.zf.com/sa

(11) 3343.3393

Instituições

Agência de Desenvolvimento

Econômico do Grande ABC

Apoio a Projetos Regionais

www.agenciagabc.com.br

(11) 4433.7352

ABM - Associação Brasileira

de Metalurgia, Materiais e

Mineração

Metalúrgica, Materiais e Mineração

www.abmbrasil.com.br

(11) 5534.4333

Banco Bradesco S/A

Banco Privado

www.bradesco.com.br

(11) 4433.4445

Centro das Indústrias do

Estado de São Paulo - CIESP

São Bernardo do Campo

www.ciesp.com.br/sbc

(11) 4125.7500

Centro de Pesquisas e

Inovação Sueco Brasileiro -

CISB

Pesquisa e Inovação

www.cisb.org.br

(11) 3500.5096

Centro Universitário

Fundação Santo André

www.fsa.br

(11) 4979.3379/Fax: 4979.3464

Faculdade de Direito de São

Bernardo do Campo

www.direitosbc.br

(11) 4123.0222

Fundação Educacional

Inaciana Pe. Sabóia de

Medeiros-FEI

www.fei.edu.br

(11) 4353.2912/Fax: 4109.5994

Instituto de Pesquisas e

Estudos Industriais

www.ipei.com.br

(11) 4353.2908/Fax: 4109.0999

Instituto Mauá de Tecnologia

de São Caetano do Sul

(11) 4239.3021/Fax: 4239.3041

SENAI São Paulo Design

www.sp.senai.br/spdesign

(11) 3146.7696

Sindicato dos Empregados

em Casas de Diversões de

São Paulo

Sindicato

www.sindiversoes.com.br

(11) 3227.9477

Sindicato dos Metalúrgicos

do Grande ABC

Sindicato

www.smabc.org.br

(11) 4128.4200

Sindicato dos Trabalhadores

nas Indústrias Químicas do

ABC

Sindicato

www.quimicosp.org.br

(11) 3209.3811/Fax: 3209.0662

Universidade Federal do

ABC

www.ufabc.edu.br

(11) 4996.7914/7973/7982

62

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