Águas Emendadas - Grande Oriente do Distrito Federal

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Águas Emendadas - Grande Oriente do Distrito Federal

Águas Emendadas

um templo da natureza

A Maçonaria na Revolução Farroupilha

Terceiro setor

Fundação Gonçalves Lêdo

10 anos sem Murilo Pinto

As origens da Matemática

A Amazônia é nossa!

Até quando?


Sumário

4 Águas Emendadas ao norte e ao sul, nascentes para a vida

10 Educação ambiental e aprendizagem

12 Comunicare

14 Baile do Maçom – 18º Baile da Maçonaria do Distrito Federal

17 Bento Gonçalves – nova estrela no Planalto Central

18 Homenagem justa e perfeita

20 A tríade da Tolosa – estudo, trabalho e união

21 Miguel Archanjo – maestro da harmonia

22 Curso de Maçonaria Simbólica

24 Fundação Gonçalves Lêdo – uma organização social

28 Nebulosa Amazônia

32 O poder político e suas transformações

33 Cidadania planetária

34 A Independência do Brasil escrita pelas bandeiras

36 A Maçonaria na Revolução Farroupilha

38 Amadeus – a coragem do mestre

40 Influências do Iluminismo no Rito Moderno

42 Saudade

43 Legado de Murilo Pinto – paz e cultura

46 Revolução do saber

47 As origens da Matemática

50 Hora do descanso

Quer anunciar na

revista Ao Zenyte?

aozenyte@godf.org.br


Expediente

Grande Oriente do Distrito Federal,

federado ao Grande Oriente do Brasil

Grão-Mestre

Jafé Torres

Grão-Mestre Adjunto

Lucas Francisco Galdeano

Grandes secretários

Esmeraldino Henrique da Silva

Alamir Soares Ferreira

Laélio Ladeira de Souza

Luiz Hamilton da Silva

Sylvio Santinoni

Wagner Lima

Reginaldo Pereira de Araújo

José Wedson Feitosa

Fernando Sergio de Britto e Silva

Humberto Pereira Abreu

Flávio Amaury Fusco

Mauro Magalhães

Cristiano Loder

Francisco de Assis Castro

Editor-chefe

Gilberto Simonassi Corbacho

Editor-executivo e jornalista responsável

Joaquim Nogales Vasconcelos

MTB – 897/05/141/DF

Conselho editorial

Félix Fischer

José de Jesus Filho

Lecio Resende da Silva

Lucas Galdeano

Projeto gráfico, diagramação e capa

Renata Guimarães Leitão

Revisão gramatical

Edelweiss de Morais Mafra

Colaboradores

Antônio Altair Ribeiro

Johaben Camargo

Lucas Galdeano

Laélio Ladeira

Walber Coutinho Pinheiro

Redação

GODF – Grande Oriente do Distrito Federal

SQN 415 – Área para templos

70878-000 Brasília/DF

Tels.: (61) 3340-2427 e 3340-2664

Fax: (61) 3340-1828

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Impressão

GráfiKa Papel e Cores

Tiragem

10.000 exemplares

A Ao Zenyte não se responsabiliza por opiniões

em artigos assinados.

As matérias publicadas podem ser reproduzidas

parcial ou totalmente, sem consulta prévia,

desde que indicada a fonte.

Palavra do

Grão-Mestre

As vésperas do novo ano ensejam percepção

do ciclo da vida em renovação. Os laços familiares,

as amizades, as esperanças, os esforços

para a construção de um mundo melhor são

revigorados pelo portal de novos e promissores

percursos.

É tempo de avaliar nossas realizações — e pautar os novos sonhos

—, refletir sobre os momentos em que uma postura de

maior tolerância com o nosso próximo nos faria, certamente,

melhores. Tempo de confraternização e de compreensão de

que as naturais diferenças existentes não deveriam nos tornar

menos irmãos.

Nestes novos tempos, ainda há muito a se fazer em prol da sociedade.

Sem abrir mão de nossas tradições e da realização dos

importantes trabalhos em loja, podemos contribuir muito, fazendo

a diferença, sendo verdadeiros construtores sociais.

Nesse sentido, a nossa revista Ao Zenyte se propõe a trazer à

luz temas de significativa relevância social. A título de exemplo,

nesta edição, apresentamos a questão ecológica; ou, ainda, a

qualificação profissional e as campanhas beneficentes promovidas

pela instituição social Fundação Gonçalves Lêdo.

A instrução se constitui área prioritária para a construção de

um país mais justo e perfeito. E, por esse motivo, a edição da

Ao Zenyte premia seus leitores com vários artigos sobre a história

do Brasil, da Maçonaria e de maçons conhecidos, como

Wolfgang Amadeus Mozart e Francisco Murilo Pinto.

Os eventos de congraçamento de nossa Ordem também são

destacados, bem como as atividades das lojas jurisdicionadas

ao GODF, com a criação de espaço denominado “Loja em foco”.

Pretendemos que seu conteúdo seja elaborado pelos próprios

membros da loja, com vistas à valorização do “próprio fazer” da

loja maçônica.

Feliz Natal a todos e um próspero ano novo.

Jafé Torres

Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal


Capa

Lagoa Bonita – Estação Ecológica Águas Emendadas

4 ao enyte


Águas Emendadas

ao norte e ao sul,

Os

rios que nascem no Distrito Federal abastecem três importantes

bacias hidrográficas nacionais. Considerando a

drenagem dos nossos cursos d’água, 62,5% do território

do Distrito Federal contribuem para a formação da Bacia do Paraná, 24,2%

para a Bacia do São Francisco e 13,3% para a Bacia do Tocantins/Araguaia.

Entre as dezenas de nascentes já conhecidas, uma atrai particularmente

nossa atenção, a do córrego Vereda Grande, um raro fenômeno natural.

Suas águas deslizam em sentidos opostos e alimentam as Bacias do Paraná,

ao Sul, e do Tocantins/Araguaia, ao Norte. O Vereda Grande está protegido

pela Estação Ecológica Águas Emendadas, com área aproximada de

10.500 hectares, vizinha a Planaltina, a 38 quilômetros do Plano Piloto.

Fotos: Evando Ferreira Lopes**

* Gustavo Souto Maior é engenheiro e Mestre em Economia

do Meio Ambiente e atual Presidente do Instituto do Meio

Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal

Brasília Ambiental (Ibram).

** Evando Lopes Ferreira é fotógrafo da Estação Ecológica

Águas Emendadas e gentilmente cedeu as fotos desta

reportagem.

nascentes para a vida

Gustavo Souto Maior*

ao enyte

5


Família de capivaras na Lagoa Bonita de Águas Emendadas.

A Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil,

chefiada pelo astrônomo Luiz Cruls, foi a primeira a

constatar a riqueza ecológica do local, no século XIX.

Em seu diário, Cruls descreveu o local onde seria instituída

a Reserva Biológica de Águas Emendadas quase

oito décadas mais tarde: “A 30 de agosto de 1892,

antes de chegarmos à Vila do Mestre-d’Armas, demos

uma volta com o fim de explorarmos a lagoa do mesmo

nome. Tem (...) um aspecto pitoresco, isso devido

à vegetação, rica de palmeiras, que a circunda”.

De lá para cá, a lagoa passou a se chamar Lagoa Bonita,

e a antiga Vila do Mestre-d’Armas transformouse

na agitada Planaltina.

Mas os estudos decisivos para a localização da nova

capital ocorreram somente na década de 50, quando

o governo Vargas instituiu a Comissão de Localização

da Nova Capital Federal e contratou amplo levantamento

aerofotogramétrico à firma norte-americana

Donald J. Belcher and Associates Incorporated. O

levantamento resultou no Relatório Técnico sobre a

Nova Capital da República.

6

ao enyte

A Comissão Cruls (1892) e os estudos de Belcher

(1954) analisaram áreas no Planalto Central com

capacidade de suportar populações humanas, para

que fosse instalada a futura sede do governo federal.

Nessa busca, critérios como a adequação das características

físicas dos solos e do manto rochoso para

edificações, fertilidade para a agricultura, clima e a

disponibilidade de mananciais para abastecimento

doméstico foram decisivos na escolha da atual localização

do Distrito Federal. Atualmente, esses parâmetros

fazem parte da versão moderna das condicionantes

ambientais e embasam o conceito de

capacidade de suporte de uma área.

A área escolhida para o Distrito Federal encontra-se

em cabeceiras e em área de recarga de aquíferos, não

podendo ser indiscriminadamente impermeabilizada.

Cruls e Belcher citam, em seus estudos, a necessidade

de se preservar uma boa fração da cobertura vegetal

para garantir boa qualidade de vida nesse território.

Os locais que ainda possuem água de qualidade são

justamente aqueles protegidos por lei, como as unidades

de conservação de uso indireto.


A 12 de agosto de 1968, o Decreto 771 constituiu,

no Distrito Federal, a Reserva Biológica de Águas

Emendadas. Vinte anos depois, em 16 de junho de

1988, o Decreto 11.137 modificou a denominação da

categoria de unidade de conservação para Estação

Ecológica, visando a promover o desenvolvimento

de pesquisas científicas aplicadas à ecologia.

Pesquisadoras da Universidade de Brasília

Taissa Camelo Vilas Boas (esquerda) é mestranda

em Ecologia e estuda duas populações de sapos —

Rhinella schneideri e Rhinella rubescens — na Estação

Ecológica, há dois anos. Carolina Stieler é graduanda

de Biologia e, antes de se interessar pelos batráquios

há alguns meses, estudava Limnologia (ciência que

investiga a vida em lagos, rios, e reservatórios de

água). A pesquisa da UnB sobre os sapos em Águas

Emendadas começou em 2004. A Estação atrai pesquisadores

nacionais e internacionais.

“As populações de anfíbios do mundo inteiro estão

em declínio. A principal causa desse declínio é a

degradação do ambiente pelo homem. E o cerrado

é um dos ambientes que mais sofrem com os

impactos negativos causados pela ação do homem.

Parque Nacional

Em 8 de outubro de 1993, na sede da Unesco, em

Paris, foi assinada a criação da Reserva da Biosfera do

Cerrado, marco importante para a preservação da

Estação Ecológica de Águas Emendadas como uma

de suas áreas-núcleo. Seu objetivo é a conservação

dos recursos naturais, o equilíbrio do meio ambiente

e o desenvolvimento de projetos de pesquisa para

ampliar o conhecimento dos recursos naturais.

O conhecimento acerca da ecologia da fauna do

cerrado é essencial para a sua conservação”, destaca

Taissa Vilas Boas.

Estação Ecológica Águas Emendadas

Mapa do relevo do Distrito Federal

com as três principais áreas de

preservação do bioma do cerrado.

Lago Paranoá

Jardim Botânico

ao enyte

7


Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla)

Araribamba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda)

Veado

8 ao

campeiro

enyte

(Ozotocerus bezoarticus)

O cerrado está distribuído, principalmente, pelo Planalto

Central brasileiro. Abrange mais de 196 milhões

de hectares e é reconhecido como a savana (vegetação

rasteira com arbustos e poucas árvores) mais rica

do mundo em biodiversidade.

A Reserva da Biosfera do Cerrado no Brasil foi formada

por vários motivos: 1. pela riqueza singular de

sua biodiversidade e pelo nível de desconhecimento

do cerrado quanto ao seu potencial biológico; 2.

por ser um dos biomas mais ameaçados do planeta

pela ocupação humana — atualmente está entre os

vinte e cinco biomas prognosticados como passíveis

de desaparecer (hot spots); 3. por nascerem no

cerrado os grandes rios brasileiros, que abastecem

as Bacias do Amazonas, São Francisco, Tocantins e

Prata; 4. pela falta de políticas eficazes de planejamento,

desenvolvimento e conservação da região;

5. pela ausência de zoneamentos ambientais adequados

e integrados para as áreas urbanas e rurais;

6. pelo repasse de tecnologias apropriadas para os

produtores; 7. pelo não reconhecimento do cerrado

como patrimônio nacional.

A conservação da boa qualidade e quantidade das

águas da Estação Ecológica proporcionam a riqueza

da biodiversidade. As águas cristalinas do córrego

Vereda Grande, quando seguem para o norte, encontram

o rio Maranhão, que vai alimentar o caudaloso

rio Tocantins. Para o sul, desembocam no córrego

Brejinho, engrossam o córrego Fumal, seguem para o

rio São Bartolomeu, depois Corumbá, desaguando no

Paranaíba e formando, então, os rios Paraná e Prata.

Na Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESECAE)

encontram-se representadas várias das fitofisionomias

regionais, particularmente o cerrado sensu

stricto, o cerradão, o campo sujo e o campo limpo, as

matas de galeria alagáveis e as veredas. A fitossociologia

do componente arbóreo para o cerrado registra

que Águas Emendadas é a área mais rica em espécies,

em comparação com o Parque Nacional de Brasília e

a APA Gama-Cabeça de Veado. As famílias mais importantes

são Leguminosae, Vochysiaceae, Guttiferae,

Malpighiaceae, Styracaceae e Erythroxylaceae.

A ESECAE possui 80 espécies da herpetofauna (répteis

e anfíbios) registradas. Também foram registradas

66 espécies de mamíferos em Águas Emendadas, que

correspondem aproximadamente a ⅓ do total de es-


pécies de mamíferos de ocorrência confirmada para

o bioma do cerrado. Alguns dos animais observados

aparecem na lista oficial das espécies brasileiras

ameaçadas de extinção: tatu canastra (Priodontes

maximus); tamanduá-bandeira (Myrmecophaga

tridactyla); lobo-guará (Chrysocyon brachyurus);

suçuarana (Puma concolor); gato-do-mato-pintado

(Leopardus sp); lontra (Lontra longicaudis); veadocampeiro

(Ozotocerus bezoarticus) e rato-do-mato

(Kunsia tomentosus).

Atualmente, um dos principais problemas da Estação

Ecológica é a forte pressão de ocupação existente no

seu entorno. Tal processo é crescente e generalizado

no Distrito Federal.

No dia 5 de junho de 2009, foi aprovado e oficializado

o Plano de Manejo da Estação Ecológica de Águas

Emendadas. Durante o ano de execução desse trabalho,

coordenado pelo Instituto Brasília Ambiental

(Ibram), foram realizadas intensas atividades, que

contaram com a participação de organizações da

sociedade civil, universidades, instituições públicas

federais e distritais, Ministério Público, Polícia Ambiental,

Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, produtores

rurais, empresários. Assim, a comunidade em

geral pôde apresentar preocupações e sugestões.

Foram constituídas parcerias em que cada entidade,

dentro da sua possibilidade, poderá contribuir para a

proteção da unidade de conservação.

O planejamento integrado da gestão e manejo das

estações ecológicas supervisionadas pelo governo

do Distrito Federal, realizado de forma participativa e

articulada, favorece a preservação de modo consolidado.

Define métodos para a proteção e recuperação

ambiental e proporciona mais harmonia na busca da

sustentabilidade das áreas localizadas no entorno

dessas unidades de conservação.

Com o cumprimento do Plano de Manejo, podemos

acreditar que Águas Emendadas será também contemplada

pelas gerações futuras. Além de grande

beleza paisagística, esta Estação Ecológica possui um

patrimônio biológico único. É um laboratório vivo,

centro de excelência para produção de conhecimento

e informação socioambiental sobre o cerrado.

P.S.: Mais informações sobre o tema na publicação Águas

Emendadas, disponível no site www.ibram.df.gov.br.

Jovem Caracará (Caracará plancus)

Ferreirinho relógio (Todirostrum cinereum)

Tatu-peba (Euphractus sexcinctus)

ao enyte

9


Educacao ambiental e

aprendizagem*

Aprender ambientalmente significa encaixar o desafio ambiental

na própria dinâmica da aprendizagem, e não tê-lo

como complemento eventual. Não se condenam outros

tipos de iniciativa (por exemplo, trazer um ambientalista

para uma conversa com os alunos), mas o lance crucial precisa

ser formativo tipicamente. Para começar, aprender ambientalmente

não pode significar só (não precisa excluir) produzir

eventos periódicos, por exemplo, reservar um dia por semestre

como “Dia do meio ambiente”, ou fazer uma palestra de

vez em quando, ou plantar uma árvore na escola.

A preocupação ambiental não pode ser apenas preocupação,

mas valorização intrínseca da referência ambiental para

se aprender bem. Podemos fazer o esforço de analisar essa

pretensão do ponto de vista teórico e prático. Do ponto de

vista teórico, cabe reconstruir a visão tradicional de aprendizagem

ainda não vinculada às questões ambientais.

O ponto de partida seria o fato de que, para analisar minimamente bem a

realidade que nos cerca, a referência ambiental é parte constituinte, não só

por conta do risco que corremos em não tomá-la em conta, mas mormente

porque é fundamental mudar de visão em nome da qualidade de vida

ambientalmente correta. Componente dessa visão é considerar a natureza

como parte integrante da vida no planeta, revendo, entre outras coisas, a

questão histórico-social. Também em Sociologia, sempre predominou a

visão eurocêntrica do ser humano como centro do universo, resultando

daí a inclinação predatória da natureza e de outros seres vivos.

Hoje tendemos a considerar “social” e “natural” praticamente como

sinônimos, implicando, entre outras sugestões, não mais olhar o ser

humano como razão de ser do universo. Ele é apenas, talvez, mais

evoluído, mas jamais especial, superior, único. Nesse sentido, teria

10 ao enyte

,

* Pedro Demo é PhD em Sociologia pela Universidade de Saarbrücken,

Alemanha, e pós-doutor pela University of California at Los Angeles

(Ucla), Estados Unidos. Atualmente é professor titular aposentado e

Professor Emérito da Universidade de Brasília (UnB), Departamento

de Sociologia.

-

Pedro Demo*


de se construir outro sentido para “fraternidade”,

que incluísse a natureza como parceira, mãe.

Do ponto de vista prático, o processo de aprendizagem

precisa ser realizado, não apenas adaptado, de

modo correto ambientalmente. Algumas sugestões

podem ser:

a escola precisa ser arquitetada de modo

ambientalmente correto (em termos de

áreas verdes, manejo de materiais, trato da

alimentação, uso de energia, produção de

lixo);

no currículo, a organização dos conteúdos

precisa inserir, naturalmente, a referência

ambiental a cada momento, sempre,

intrinsecamente; não se trata apenas de

exemplificar com indicações ambientes

(meio ambiente não é só exemplo, é

questão de qualidade de vida), mas

de inserir a referência ambiental

como modo de ver, pensar,

interferir, mudar, questionar;

todas as atividades

escolares precisam estar

configuradas ambientalmente,

de sorte a não surgirem contradições

de visão e comportamento;

preocupações mais centrais precisam

deter o devido relevo, por exemplo:

manejo do lixo, desperdício; estilo de

alimentação; limpeza e asseio na escola;

tratamento ao ambiente natural na escola

(área verde, árvores etc.);

avaliação permanente do ciclo de vida dos

produtos e ambientes, de forma que a escola

mantenha consciência sempre renovada de

como lidar com a questão ambiental: como

a escola envelhece ou se degrada; como a

área física é preservada; como a área verde

é cultivada; como os materiais didáticos são

manejados, depredados;

cuidado com o meio ambiente circundante

da escola (na comunidade próxima), para

que a escola seja vista como líder da causa,

tendo alunos como protagonistas.

Há muito que fazer na esfera da educação ambiental.

Eu diria que a educação ambiental em geral evita

enfrentar a questão da aprendizagem. Faz isso

por comodismo, comum entre nós: toma como referência

tranquila a aula. Estou sugerindo a necessidade

de rever radicalmente os procedimentos de

aprendizagem.

Quando autores sugerem que é preciso colocar o

aluno no centro, em parte exigem que se respeite

o modo como se aprende naturalmente. Se tomássemos

em conta, por exemplo, como funciona o cérebro

da criança de seis anos, jamais daríamos aula.

Aula lhe é algo estranho, tanto assim que as mães

não dão aula (Schneider, 2007). As crianças aprendem

ludicamente, dependem muito de motivação,

necessitam de orientação, interagem naturalmente,

como parte de sua linguagem natural.

A escola deveria, então, ser como a natureza: instituição

aberta, diversa, plural, formativa. Isso não

desfigura a necessidade de organização, porque

a liberdade de expressão só é produtiva

em contexto de organização e que implique

regras de jogo (O’Neil, 2009). Mas, como

dizia Foucault (2007), a escola mais parece

prisão: comportar-se bem sempre foi

mais importante que aprender bem.

A mensagem da natureza será: criar seres livres

que não se depredam. Pode-se aprender

tudo na vida, mas a referência maiúscula

é aprender a conviver em ambientes

diversos, plurais, complementares, onde se

combinam igualitariamente rivalidades e solidariedades,

de maneira minimamente sustentável.

Não basta levar a sério a questão ambiental por conta

de nossa sobrevivência ameaçada. Isso significa

reação tardia e arrependida. Mais importante é oferecer

para nossas crianças a oportunidade de aprender

ambientalmente, tendo a relação com a natureza

como referência intrínseca do que seria, hoje,

aprender bem. Formando-se a criança ambientalmente,

ela tem a oportunidade de inscrever em sua

vida uma relação ambiental adequada, inaugurando

outra expectativa cultural e civilizatória.

* A íntegra do texto pode ser encontrada no endereço http://

pedrodemo.sites.uol.com.br/textos/td30.html.

** Ilustração: A vida na palma da mão, de Raphael Alleph Leitão

Vasconcelos.

ao enyte

11


Am A r é ...

Realizar a cerimônia de confirmação de bodas, o ritual do casamento,

no templo nobre do Grande Oriente do Distrito Federal.

E foi exatamente isso que o Ir. Augusto Flávio, da Loja Honra e

Tradição, e a cunhada Claudia Mendes fizeram na tarde do dia

28 de agosto. Foi a primeira vez que esse tipo de cerimônia se

realizou no templo nobre do GODF.

PolítiCA n A P A u t A

O cientista político e pesquisador da UnB

Leonardo Barreto proferiu palestra sobre o

tema “Política e poder” na Loja Desembargador

Francisco Murilo Pinto, dia 25 de outubro.

A Loja é a mais nova oficina jurisdicionada ao

GODF, fundada em 1º de setembro. Barreto

nos brinda com o artigo da página 30.

A Comitiva do Real Arco (Rito York

norte-americano) visitou o GODF

no dia 5 de novembro.

Po s s e n A Co r t e

Ministro do Superior Tribunal de Justiça desde 1996, Felix

Fischer tomou posse na vice-presidência daquela corte no

dia 3 setembro. O STJ é a mais alta corte do país para julgamentos

de questões referentes às leis federais (legislação

infraconstitucional). Na foto, o casal Sônia e Felix Fischer

ladeado pelo Grão-Mestre Jafé Torres e o venerável da Loja

Areópago, Gilberto Corbacho.

Cu l t u r A esPirituAl

O presidente da ONG União Planetária, Ir. Ulisses

Riedel, foi um dos cinco brasileiros convidados a

participar do I Fórum Mundial de Cultura Espiritual,

que aconteceu no Cazaquistão, entre os dias

18 e 20 de outubro. Os outros brasileiros convidados

foram: Leonardo Boff, Frei Beto, Paulo Coelho

e o senador Cristovam Buarque.

re s u l t A d o d A s u r n A s

Joaquim Nogales

Além dos Irmãos eleitos vice-presidente, Michel Temer,

e vice-governador do Distrito

Federal, Tadeu Filippelli, a família

maçônica do DF comemora

a reeleição do deputado

federal Ir. Isalci Lucas (foto),

com cerca de 98 mil votos, e a

eleição, para primeiro mandato

na Assembleia Legislativa

Distrital, do Ir. Olair Francisco.


We l c o m e b r o t h e r

A e l e i t A

AC A d e m iA mA ç ô n iC A

Lee George Hunderhill, cônsul do Reino

Unido e administrador da Embaixada da Inglaterra

em Brasília, foi iniciado na Loja Três

Poderes 2308.

mo n t e i r o lo b A t o

Considerado precursor da campanha do

“petróleo é nosso”, o escritor Monteiro Lobato

será patrono de nova loja no DF. O autor

do Sítio do Picapau Amarelo já é patrono de

sete lojas em outros Orientes estaduais.

Perto de 100 pessoas pagaram para degustar a palestra-almoço do exsenador

Lindenberg Cury, promovida pela Academia Maçônica de Letras

do DF – AMLDF. Inserir palestra no menu do almoço já era hábito

da AMLDF, mas, desde que a entidade firmou parcerias com a Associação

Comercial, Federação das Indústrias, Rotary, OAB, Universidade de

Brasília, Federação do Comércio e União Planetária, os eventos só vêm

crescendo.

A governadora eleita do Rio Grande do Norte, atual

senadora Rosalba Ciarlini, visitou o Grande Oriente do

Distrito Federal dia 17 de novembro, para conhecer o

trabalho social desenvolvido por Irmãos à frente da Fundação

Gonçalves Ledo. Na foto, o Ir. Augusto Escóssia de

Oliveira, Jafé Torres, a senadora Ciarlini, o Ir. Johaben Camargo,

representando o senador Mozarildo Cavalcanti,

e o Ir. Eduardo Luiz Lucas Bruniera, coordenador da entidade

paramaçônica Bodes do Asfalto.

mi lA g r e s A C o n t e C e m

en C o n t r o d o s ve n e ráve i s

Este é um marcante livro

lançado pelo Ir. Nelson Dias

Leoni, oficial do Exército brasileiro,

sobre sua história de

luta pela vida, após levar um

tiro de fuzil, em 2005, quando

estava a serviço da Missão

da ONU no Haiti. Subscreve

a obra com Leoni a jornalista

Damaris Giuliana.

No dia 16 de outubro, a Poderosa Congregação reuniu-se

no Templo Nobre do GODF para tratar de três

temas: 1) sucessão ao Grão-Mestrado do GODF; 2)

realização da 1ª Loja de Mesa (banquete ritualístico)

pelo GODF, com a participação de todas as lojas e 3)

Almoço Natalino, que ficou marcado para 5 de dezembro.


Aconteceu

A

18a edição do Baile do Maçom reuniu,

na noite de 28 para 29 de agosto, mais

de duas mil pessoas no salão do Grande

Oriente do Brasil. Na festa, realizada conjuntamente

pelo Grande Oriente do Distrito Federal

– GODF e pela Grande Loja Maçônica do Distrito Federal,

ocorreu o sorteio de um Renault Clio 1.0 zero

km. Foi mais uma homenagem da família maçônica

aos 50 anos de Brasília.

1. O governador eleito do DF, Agnelo Queiroz, o vice-governador

eleito, Tadeu Filippelli, com o Grão-Mestre Jafé Torres; 2. O Grão-

Mestre Jafé com o senador eleito pelo DF Rodrigo Rollemberg; 3.

O Grão-Mestre Adjunto do GODF, Lucas Galdeano, Norma Torres,

o senador Mozarildo Cavalcanti, com sua esposa, Geilda, e a

presidente da Fraternidade Feminina, Maria do Carmo; 4. Nair

Fernandes, João Alfredo Ximenes, o deputado federal reeleito

Isalci Lucas e sua esposa Ivone.

14 ao enyte

Ba i l e d o Ma ç o M

— 18° Baile da Maçonaria do Distrito Federal

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1. Panorâmica do baile; 2. Joãozinho Trinta esteve por lá; 3. O sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Distrito Federal,

Juvenal Amaral, comemora com a filha, Marianne, sorteada com o Renault Clio zero km; 4. O Grão-Mestre do GODF, Jafé Torres, com

a irmã Ivanise, os sobinhos Fábio e Flavia e os Irmãos Reginaldo Pereira e Tasso Ottoni, respectivamente, conselheiro e presidente da

Fundação Gonçalves Ledo; 5. Johaben Camargo e Alamir Ferreira agitam as urnas do sorteio do Clio zero; 6. O Grão-Mestre Jafé com

o venerável mestre da Loja Três Poderes, Edilson Almeida, e a esposa, Maria Izabel; 7. Os veneráveis mestres Jorge Lunkes, da Loja

Fraternidade Brasiliense, e Renes Mauro de Souza, da Loja José Castellani; 8. O colunista Gilberto Amaral gravou talk show no baile.

Na foto, Amaral entrevista o Grão-Mestre Jafé Torres.

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1. Grão-Mestre Jafé Torres, senhora integrante da Fraternidade

Feminina, vice-governador, Tadeu Filippelli, e os IIr. Gilberto

Corbacho e Paulo Monteverde; 2. Marianne Amaral, feliz com

seu carro novo; 3. Norma Torres e Jafé Junior; 4. Karla Grippe,

secretária do GODF, ladeada pelo casal Francisco de Assis

(assessor do GODF) e a esposa, Marlene; 5. O Grão-Mestre Jafé

ladeado por Rubi Rodrigues, membro da AMLDF e Álvaro Luiz

Tronconi, professor da UnB; 6. O Grão-Mestre Jafé Torres com o

ministro José de Jesus e senhora; 7. As meninas “Filhas de Jó”.

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.

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Uma nova estrela brilha no Oriente do

Distrito Federal desde o dia 24 de setembro

de 2010, data da regularização

da Loja Bento Gonçalves número 4060.

A nova oficina, fundada em maio deste ano por um

grupo de 66 irmãos de diferentes lojas, irá reforçar

as colunas do Grande Oriente do Brasil e do Grande

Oriente do Distrito Federal.

A loja nasce com o objetivo de exercitar a verdadeira

Maçonaria universal, tendo por base os princípios

da família, da caridade e das melhores tradições da

Ordem. Não há, então, o que estranhar no fato de

a escolha para patrono do novo ente do GODF ter

recaído sobre o herói da Revolução Farroupilha, General

Bento Gonçalves, homem probo, de bons costumes,

amante das tradições, da liberdade, da solidariedade

e da fraternidade.

Ao contrário do que pode parecer, não se trata de

oficina exclusiva de gaúchos, mas, sim, de uma loja

imbuída do espírito libertário daqueles revolucionários

que, entre os anos 1835 e 1845, desafiaram as

forças imperiais e implantaram no sul do país a República

do Rio Grande.

Para registrar a regularização dessa nova estrela do Planalto

Central, foi realizada, em 24 de setembro, Sessão

Magna Branca em comemoração aos festejos da Epopeia

Farroupilha, realizados tradicionalmente no dia

20 de setembro, data-símbolo para o povo gaúcho.

Estavam presentes mais de 150 pessoas, entre Irmãos,

familiares e convidados, incluindo representantes de

Lojas Gaúchas e dos CTGs (Centros de Tradições Gaúchas)

de Brasília, devidamente pilchados.

O público vibrou com a representação teatral da

Epopeia Farroupilha, com diálogos entre os perso-

* Johaben Camargo é jornalista, professor universitário e MM das

Lojas Honra e Tradição e Bento Gonçalves, da qual é um dos

fundadores.

Bento Gonçalves

nova estrela no Planalto Central

Johaben Camargo*

Sessão Magna em homenagem à epopeia Farroupilha. Ao fundo,

Grão-Mestre Jafé Torres, Francisco Roni, venerável da Loja Bento

Gonçalves, e Renes Mauro de Souza, venerável da Loja José

Castellani, e Irmãos de diferentes lojas.

nagens Bento Gonçalves e Giuseppe Garibaldi. Uma

centelha representativa da Chama Crioula foi o auge

das festividades, que incluiu poesias e brilhante palestra

sobre o comandante Bento Gonçalves, proferida

pelo Ir. Flávio Rostirola.

De acordo com o venerável mestre da nova oficina, Ir.

Francisco Roni da Rosa, embora o Rito adotado seja o

R.·.E.·.A.·.A.·., a Loja conta com Irmãos dos outros cinco

Ritos reconhecidos pelo GOB. Ele agradeceu especialmente

a colaboração da Loja-Mãe da Loja Bento

Gonçalves, a Loja José Castellani, e também o apoio

da Loja Honra e Tradição, que contribuiu com muitos

obreiros para a nova oficina.

A Sessão Magna foi prestigiada pelo Eminente Grão-

Mestre do GODF, Ir. Jafé Torres, e sua comitiva. Ao final

dos trabalhos, ele destacou a expressão da rara e

ímpar beleza do evento, salientando a virtude diferenciada

da Maçonaria praticada no Distrito Federal.

A Loja Bento Gonçalves reúne-se na segunda e na

quarta semana do mês, às sextas-feiras, no Templo

da Loja União e Silêncio, no Park Way, às 20 horas.

ao enyte

17


O

Senado Federal realizou sessão especial

em homenagem à Ordem Maçônica no

dia 20 de agosto último, Dia do Maçom,

pelo décimo ano consecutivo, por iniciativa

do senador e Ir. Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Estiveram

presentes à solenidade representantes das

três potências Maçônicas regulares: Grande Oriente

do Brasil – GOB, Confederação da Maçonaria Simbólica

do Brasil – CMSB e Confederação Maçônica do

Brasil – COMAB.

O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) destacou

que os maçons têm a missão de autoaperfeiçoamento,

a dedicação às boas obras, a promoção da

verdade e o reconhecimento como homens e como

irmãos de seus semelhantes.

Já o senador Mozarildo, após relembrar a participação

marcante da Maçonaria em fatos históricos do

Brasil, como a Independência, a libertação dos escravos

e a proclamação da República, afirmou que a

Ordem tem enorme responsabilidade na construção

do futuro do Brasil.

Para o senador, a Maçonaria adapta-se aos novos

tempos, interagindo cada vez mais com a sociedade,

“sendo um exemplo para os brasileiros pelo trabalho

sério e honesto que desenvolve, contribuindo para

que o país seja, realmente, democrático, fraterno e

igualitário”.

18 ao enyte

Homenagem justa e perfeita

Senador Mozarildo Cavalcanti discursando em sessão especial do Senado.

O Grão-Mestre do Grande Oriente do Distrito Federal,

Jafé Torres, por sua vez, afirmou que a Maçonaria

tem realizado significativos trabalhos sociais em prol

da comunidade, enfatizando a responsabilidade da

instituição para a construção de um país com maior

justiça social.

História – 20 de agosto é denominado, por tradição, o

Dia do Maçom. Segundo Manoel Joaquim de Menezes,

em 20/08/1822, na 14a Sessão do GOB, Joaquim

Gonçalves Ledo teria defendido a independência do

Brasil antes mesmo de D. Pedro proclamá-la. Já para

o historiador José Castellani, Menezes equivocou-se,

Convidados prestigiam o Dia do Maçom no Plenário.


pois o GOB foi fundado em 17 de junho de 1922 e a

sua 14ª sessão ocorreu no dia 9 de setembro. Mesmo

assim, o discurso inflamado de Ledo pela independência,

de acordo com Castellani, teria sido proferido

antes da notícia da proclamação ocorrida em 7 de

setembro ter chegado do Rio de Janeiro.

Conforme explica José Castellani no livro que subscreve

com William Carvalho sobre a história do Grande

Oriente do Brasil, o equívoco de Menezes ocorreu

porque, no século XIX, o calendário maçônico pautava-se

pelo calendário judeu, com o início do ano em

23 de março, porém, Menezes contou como início do

ano maçônico o 1º de março.

Como a ata da 14ª sessão do GOB diz que a reunião

ocorreu no 20º dia do 6º mês, Menezes contabilizou

o discurso de Ledo no dia 20 de agosto. O cálculo de

Menezes induziu a erro o Barão do Rio Branco, que

propagou a data equivocada para todo o país, em

meados do século XIX, ao escrever sobre a história

da Independência. É fato incontestável, todavia, que

a participação da Maçonaria foi decisiva no processo

de independência da então colônia portuguesa.

O Grão-Mestre Jafé Torres com 12 membros da delegação da Loja Honra e Tradição

e o secretário de Educação e Cultura do GODF, Luiz Arino (2° à esquerda).

Jovens da Associação Paramaçônica Juvenil – APJ

compareceram à sessão especial.

Tasso Otoni, presidente da FGL; Jafé Torres, Grão-Mestre do GODF;

Senador Mozarildo Cavalcanti e Antônio Rêgo Filho, presidente da

PAEL da Paraíba, em almoço comemorativo ao Dia do Maçom.

ao enyte

19


Loja em foco

Quando os fundadores constituem uma

loja maçônica, além de escolher o rito,

o nome e a obediência, hão de decidir a

finalidade — ou objeto — à qual inicialmente

a oficina vai se dedicar. Em geral, há consenso

sobre os objetivos a serem alcançados, contudo,

depois de fundada, a loja adquire personalidade

própria e, às vezes, trilha caminho diverso ou desenvolve

trabalhos diferentes daqueles originalmente

previstos.

Isso não aconteceu com a Loja Maçônica Miguel Archanjo

Tolosa.

Fundada em 16 de dezembro de 1981 por 14 mestres

maçons reunidos na residência do Ir. Camillo de

Oliveira Júnior, na Asa Norte, em Brasília/DF, a tríade

“estudo, trabalho e união” foi erigida já na ata de fundação.

Desde então, os objetivos originais vêm sendo

tenazmente perseguidos.

Para tanto, a Loja Miguel Archanjo Tolosa promove

diversos eventos, entre eles, destacam-se as tradicionais

costeladas, cuja renda é revertida para projetos

sociais, por meio da AFETO – Associação Feminina

Tolosa, e a campanha de serviços sociais organizada

anualmente na cidade de Flores de Goiás.

A Campanha de Flores de Goiás é realizada conjuntamente

com Irmãos de outras lojas, notadamente

da Fraternidade e Justiça II, do oriente de Sobradinho/DF,

e conta com a participação de diversos profissionais,

como médicos e dentistas, que prestam

atendimento gratuito à população da cidade goiana.

A tudo isso somam-se a distribuição de alimentos,

roupas e remédios e um almoço oferecido àquela

comunidade.

* Antônio Luís Rodrigues Alves é servidor público do Tribunal

de Justiça do Distrito Federal e MM obreiro da Loja Miguel

Arcanjo Tolosa.

20 ao enyte

A tríade da Tolosa

estudo, trabalho e união

Antônio Luís Rodrigues Alves *

Os eventos sociais organizados pela Loja Miguel

Archanjo Tolosa contam com grande prestígio na

comunidade maçônica, de forma que a celebração

das datas importantes, bem como o banquete ritualístico

realizado anualmente no Dia do Maçom são

disputados por Irmãos de todo o Distrito Federal.

Embora mereçam apreço, não são a filantropia ou

os eventos sociais que constituem o alicerce sobre

o qual é construída a loja maçônica. Vale dizer que a

própria sobrevivência da Ordem depende do estudo

do simbolismo, da filosofia e da busca da verdade,

pois qualquer associação pode praticar a filantropia

ou organizar festividades, contudo, somente uma

Augusta Regular Loja Simbólica pode transmitir às

gerações futuras os conhecimentos e valores maçônicos.

É nesse particular que se verifica a excelência

da Loja Miguel Arcanjo Tolosa.

Na formação dos aprendizes e companheiros é empregado

um método de ensino, lapidado ao longo

dos anos, que facilita a apreensão dos conhecimentos

do grau, resultando na constituição de abalizados

mestres maçons, capazes de estender a Maçonaria

aos seus respectivos campos de atuação.

Ferramenta essencial no processo de reciclagem e

formação cultural do maçom é o Curso de Maçonaria

Simbólica José Castellani, organizado anualmente

e que hoje conta com o apoio do Grande Oriente do

Distrito Federal (veja matéria na página 20). Em novembro

de 2009, a Loja promoveu o 1º Seminário Maçônico

de Assuntos Estratégicos, no qual se debateu a

soberania nacional, política, educação e energia.

Os ramos de acácia que exornam os três lados do

Selo da Loja traduzem o título honorífico de Grande

Benfeitora que o Grande Oriente do Brasil lhe concedeu,

em razão dos relevantes serviços prestados à

comunidade maçônica pelo então Jornal Egrégora,


hoje revista com edição trimestral, que se consolidou

como importante veículo de propagação cultural.

Baluarte da união maçônica, tal qual seu patrono, a

Miguel Arcanjo Tolosa prima pela concórdia e união

de todos os ritos e potências. Facilita o diálogo, colocando-se

a serviço da mediação na busca da solução

harmoniosa dos conflitos. Internamente é exemplo

de pluralidade e reunião daquilo que está disperso,

O Ir. Miguel Archanjo Tolosa, Patrono de uma das Lojas

mais atuantes do Grande Oriente do Distrito Federal,

que leva o seu nome, nasceu em 29/09/1924,

em São Luiz do Paraitinga, São Paulo, e faleceu em

10/11/1980, em Brasília. Fez carreira militar no Exército

brasileiro e, como músico-maestro de banda

militar e maçom, colheu reconhecimento, respeito e

admiração de todos que o conheceram.

Transferido para a 6ª CIA de Guarda do Exército em

1958, Tolosa foi um dos que contribuiu, como maestro

da banda da Companhia, para o sucesso da festa

de inauguração de Brasília, promovida pelo presidente

Juscelino Kubistcheck. Após a inauguração da

nova capital, a 6ª CIA foi extinta, e Tolosa, transferido

para o Batalhão da Guarda Presidencial. Em 1970,

Miguel Archanjo foi reformado pela Junta Militar de

Saúde por problemas cardiovasculares. Sua patente:

1 o Sargento.

Na Ordem Maçônica, Tolosa foi um exemplo. Iniciado

a 31/01/1965, na Loja Brasiliana n. 4 (atual Santuário

de Adonai 4), da Sereníssima Grande Loja de Brasília,

alcançou o Grau de Mestre em 30/03/1965. Em

janeiro do ano seguinte, participou da fundação da

Loja Abrigo do Centro 8, sendo eleito 1º vigilante em

1967.

Em 1974, foi eleito venerável mestre da Loja Abrigo

do Cedro. Em junho daquele ano, foi Exaltado ao

Grau 33, tornando-se, assim, grande inspetor-geral

da Ordem. Em outubro, tornou-se presidente do

Conselho Kadosh Visconde Jequitinhonha.

pois abriga, sob suas asas de pelicano, pessoas de diferentes

convicções políticas e religiosas, extirpando

do seu ninho o sectarismo e a intolerância.

Vê-se, pois, que, não obstante passados vinte e nove

anos desde a sua fundação, a Loja Maçônica Miguel

Arcanjo Tolosa segue firme na busca de seus objetivos

originais, estudando, trabalhando e cultivando a

união entre todos os maçons.

Miguel Archanjo

maestro da harmonia*

Com a saúde abalada, Tolosa, a partir de 1977, deixou

de ocupar cargos em Loja, em virtude de um

enfarte do miocárdio. Foi a partir desse momento

que suas ligações do Grande Oriente do Brasil – GOB

estreitaram-se. Morando próximo à sede do GOB em

Brasília, na 713 Sul, Miguel Archanjo costumava ocupar

o Tempo de Estudos nas Oficinas lá instaladas.

Profundo conhecedor dos mistérios da Ordem, lutou

pela união das Potências Maçônicas Brasileiras.

“Após sua partida para o Oriente Eterno, em dezembro

de 1981, criou-se a Loja Miguel Archanjo Tolosa

2131. Fundada por um grupo de obreiros do Grande

Oriente do Brasil, representou uma homenagem

a um valoroso maçom da Grande Loja. A Maçonaria

do Distrito Federal prestou, desse modo, a mais justa

e perfeita homenagem a Miguel Alrchanjo Tolosa”,

escreveu o Ir. Lucas Galdeano, Grão-Mestre Adjunto

do GODF e ex-venerável mestre da Loja Miguel Archanjo

Tolosa.

* Fonte: GALDEANO, Lucas F., Miguel Archanjo

Tolosa: Patrono da Nossa Loja, in Cardernos de

Pesquisas Maçônicas 18, Editora Maçônica

A Trolha, 2001.


Tempo de estudo

Curso de Maçonaria Simbólica

A

Loja Miguel Archanjo Tolosa promoveu,

nos dias 22 e 23 de outubro, o XVII Curso

de Maçonaria Simbólica “José Castellani”,

no Templo Nobre do GODF. O evento

contabilizou 70 irmãos presentes, entre

eles, o eminente Grão-Mestre do GODF, Jafé Torres, e

o Grão-Mestre Adjunto, Lucas Galdeano.

A palestra de abertura, na sexta à noite, foi proferida

pelo Ir. Marden Maluf sobre o tema “A ciência Maçônica

do equilíbrio”.

22 ao enyte

Abertura do XVII Curso de Maçonaria Simbólica José Castellani.

No dia 23, sábado, outras cinco palestras: “O simbolismo

das marchas no R.·.E.·.A.·.A.·.”, com o Ir. Raul

Sturari; “200 anos de Maçonaria no Brasil”, com o Ir.

William Carvalho; “Pavimento mosaico: pluralidade e

multiculturalidade”, com o Ir. Danilo Porfírio; “As atribuições

de um venerável mestre”, com Lucas Galdeano

e “A contribuição de Wolfgang Amadeus Mozart à

Maçonaria”, com o Ir. Marden Maluf.

Colaborou o Ir. Orlando Galdeano.


1

4

1. Marden Maluf proferiu as palestras de abertura e de encerramento do evento; 2. William Carvalho falou sobre os 200 anos

da Maçonaria no Brasil; 3. O pró-reitor dos cursos de pós-graduação do Centro Universitário UDF e um dos responsáveis

pelo curso de pós-graduação sobre história da Maçonaria oferecido pela instituição, Fabiano Ferraz, participou do curso

José Castellani como membro da Tolosa; 4. O venerável mestre da Loja Miguel Archanjo Tolosa, Clemir Márcio Rodrigues,

agradeceu a participação de IIr. de outras lojas; 5. Os IIr. Orlando Galdeano, Décio Bottechia Jr., José Braz Jr. e Joaquim

Nogales; 6. O Grão-Mestre do GODF, Jafé Torres, e o Grão-Mestre Adjunto, Lucas Galdeano, seguram fotos dos IIr. Francisco

Murilo Pinto e Joferlino Miranda Pontes, respectivamente, ex-Grão-Mestre-Geral do GOB e ex-Grão-Mestre-Geral Adjunto,

que foram homenageados na palestra “A Ciência Maçônica do Equilíbrio”, proferida por Marden Maluf.

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6


Terceiro setor

Joaquim Gonçalves Lêdo, 1o vigilante do Grande

Oriente do Brasil em 1822, jamais poderia

supor que, 172 anos mais tarde, um grupo de

maçons intitularia uma organização social com

o seu nome, no coração do país — a Fundação Gonçalves

do – FGL. E se surpreenderia mais ainda ao

sabê-la capaz de formar, em 20 meses, mais de 200

mil alunos nos diferentes 52 cursos ministrados, dos

quais 40 na área de informática e 12 de capacitação

em outras áreas profissionais. (Veja em http://www.

dfdigital.df.gov.br/)

A FGL, na qualidade de gestora do Programa do DF

Digital, principal eixo na promoção da inclusão digital

e capacitação técnica do Distrito Federal por meio

de ensino a distância, multiplicou por cinco a quantidade

de alunos inscritos no programa. No início da

gestão da FGL, em abril de 2009, o DF Digital contava

com 14,6 mil alunos matriculados. Considerando-se

a matricula de estudantes em dois ou mais cursos,

representava 28,8 mil cursos em andamento (veja

quadro na página ao lado).

Vocação beneficente

Como seu patrono, a FGL enfrentou obstáculos para

a implementação de ações empreendedoras implícitas

em seus projetos de mudança social. Criada em

6 de abril de 1994, sob a inspiração de membros da

Loja Gonçalves Lêdo, do Oriente de Taguatinga, a

FGL se desvinculou de sua loja-mãe para firmar contrato

de gestão, em 2009, com vigência por 5 anos,

com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do GDF, por

meio da Fundação de apoio à Pesquisa – FAP.

Os resultados alcançados no programa de inclusão digital,

porém, não afastaram a FGL de sua vocação beneficente,

ao contrário. Integrou Ações Cívico-Sociais

juntamente com outros parceiros sociais, compreendendo

ações educativas de saúde, regularização de

documentos, distribuição de alimentos e kits de saúde

bucal nas cidades do entorno do DF. Mais recentemente,

em 19 de novembro, a FGL lançou, juntamen-

24 ao enyte

Fundação Gonçalves Lêdo

uma organização social

O presidente da FGL, Tasso Ottoni, e mil cestas básicas para

a campanha Natal da Fraternidade, no pátio interno do ed.

Embassy Tower, sede da Fundação no Plano Piloto. Outras

duas mil cestas ficaram na garagem, porque a laje poderia não

suportar o peso.

te com o Grande Oriente do Distrito Federal, a Ordem

dos Advogados do Brasil Seccional do DF – OAB/DF

e com o apoio do Correio Braziliense e do Banco do

Brasil, a campanha “Natal da Fraternidade”, com o objetivo

de arrecadar 20 mil cestas básicas, a serem distribuídas

à população de baixa renda.

Em sua sede matriz, no Recanto das Emas, cidade

satélite de Brasília, a FGL já atendeu gratuitamente

a mais de 50 mil pessoas na área de clínica médica,

oftalmológica e odontológica. A sede possui 3.000

m2 de área construída, num terreno de 600.000 m2 ,

sendo equipada com ambulatórios médicos e consultórios

odontológicos, refeitório e 11 salas de aula,

onde cerca de 3,2 mil pessoas já foram certificadas

em cursos profissionalizantes, entre 2000 e 2005, no

âmbito das ações do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador,

do Ministério do Trabalho e Emprego.

Trabalho reconhecido

A transformação da FGL começou em 2005, quando

Wellington de Queiroz, membro da Loja Gonçalves

do, assumiu sua presidência. Os esforços então

empreendidos foram para tornar a FGL independente

de qualquer loja maçônica.


Alterações procedidas em seu estatuto, desvincularam

a FGL da loja-origem, permitindo sua habilitação

como organização social sem fins lucrativos no

GDF, ainda em 2007. O reconhecimento das ações

implementadas pela FGL desde 1994 conferiu-lhe

certificado de organização social, permitindo-lhe a

participação em processos licitatórios em geral.

Substituindo a UnB

Com o encerramento, em 2008, do convênio firmado

entre a Universidade de Brasília e o GDF para a gestão

do DF Digital, instituído por decreto, em agosto

de 2006, o GDF abriu nova concorrência pública

para que entidades sociais capacitadas dela participassem.

A FGL foi habilitada no processo licitatório,

sendo selecionada como gestora do programa no

primeiro trimestre de 2009.

“Confirmado o resultado da licitação, alugamos instalações

no edifício Palácio da Imprensa, no setor de

Rádio de TV Sul, porque foi uma exigência do contrato

criar uma sede administrativa da Fundação

no Plano Piloto. Abrimos licitação para a aquisição

de milhares de computadores, ao mesmo tempo

Suspeitas infundadas

em que realizamos concurso

público para a contratação

de 400 funcionários”, recorda

Wellington de Queiroz, que

presidiu a FGL por dois mandatos

consecutivos (2005-

2009), sendo membro atual

do Conselho Curador da entidade.

À Manoel Tavares Santos, sucessor de Queiroz à

frente da FGL, coube esclarecer notícias infundadas

então veiculadas, no início de 2010, sobre possível

ilegalidade na contratação da FGL. Pós-graduado

em administração de empresas e alto funcionário de

carreira do Banco Central , Tavares alcançou pleno

sucesso na gestão de esclarecimentos eficazmente

prestados à sociedade sobre a legalidade da contratação

de Organizações Sociais pelo Estado.

O mal-entendido teve sua origem quando o GDF, ao

encaminhar ao Superior Tribunal de Justiça informações

sobre valores pagos às empresas prestadoras

de serviços de informática, não incluiu os valores de-

Evolução da gestão FGL no DF Digital

Categorias 04/2009 11/2010 Aumento

Alunos

matriculados

Cursos em

andamento

14,6 mil 74 mil 407%

28,8 mil 153 mil 431%

Queda no custo por curso ministrado

2010

Custo por curso

ministrado em R$

Variação de custo

em %

Fevereiro 321,48 100%

Maio 217,57 – 32,3%

Junho 195,31 – 39,2%

vidos à FGL. O GDF não incluiu a Fundação, porque

mantém com a FGL um contrato de gestão, e não de

prestação de serviços de informática, mas, até explicar

a diferença entre esses dois contratos, a imprensa

divulgou suspeitas infundadas do Ministério Público

e tudo teve de ser explicado no Tribunal de Justiça do

Distrito Federal e dos Territórios – TJDFT, que aprovou

o contrato de gestão de acordo com a lei.

Por motivos de saúde, Manoel Tavares pediu exoneração

do cargo em fevereiro, sendo substituído pelo

prof. Tasso Ottoni, então diretor de operações da entidade.

Em julho passado, com a superação judicial

do impasse sobre a legalidade do contrato de gestão,

deu-se continuidade aos serviços prestados em

face da competência e zelo implícitos na execução

do programa de inclusão digital.

A meta é exportar

Para Reginaldo Silva Pereira

Filho, membro do Conselho

Curador da FGL, a entidade

está plenamente capacitada

para expandir suas atividades

para outros estados. “A FGL é

a principal entidade de ensino

a distância focada no atendimento

da demanda de capacitação nos estados e municípios,

com plenas condições de “exportar” a exitosa

experiência do Distrito Federal , tanto na área de ensino

a distância, como também em tecnologia Wi-Fi”.

ao enyte

25


“Criamos padrões de eficiência na oferta de cursos

de capacitação no setor de informática e de qualificação

profissional. Unificamos a programação dos

cursos em um Único Sistema de Gerenciamento da

Aprendizagem e as plataformas dos polos, o que

permite ao aluno fazer um curso em qualquer polo,

ou até mesmo em casa, pelo seu computador”, salienta

Tasso Ottoni.

O secretário de Ciência e Tecnologia, Divino Martins,

destaca: “O DF Digital gera renda para a população e,

por isso, também é um programa de inclusão social”.

26 ao enyte

1

2

Numero de polos do DF Digital

Abril 2009 Novembro de 2010

72 unidades 135 unidades

O DF Digital conta com 135 polos com computadores

com acesso à internet espalhados

pelo Distrito Federal. Há polos instalados em

edifícios próprios do GDF (27), paróquias (46),

entidades conveniadas com o Ministério da

Ciência e Tecnologia (29) e em outros órgãos

parceiros (33).

1. Equipe do Polo de Ceilândia Norte; 2. Magda Landim,

monitora do Polo Paranoá: “o DF Digital já recuperou

até alcoólatra”; 3. Seu Odir (83) e dona Alda Falcão (79),

inclusão digital sem precisar dos netos.

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3


1. Diplomados do Curso Geração III do Polo Sobradinho

com o deputado federal reeleito Ir. Isalci Lucas: internet

para a terceira idade; 2. Adriana de Queiroz, coordenadora

do Polo Touring: “Os alunos do Geração III são os mais

assíduos”.

1

2

O 1 o vigilante do GOB

Joaquim Gonçalves Lêdo

(1781-1847) empregava

o nome de Diderot,

o revolucionário editor

da Enciclopédia Francesa,

nas sessões do Grande

Oriente do Brasil, do qual

foi um dos fundadores, em

17 de junho de 1822, e o

primeiro a ocupar o cargo

de 1o grande vigilante do

GOB. Os historiadores maçons

o consideram o maior

maçom de sua época e também o mais injustiçado,

pois muito pouco é citado sobre sua figura na história

oficial do Brasil.

Republicano, defendeu ardorosamente a independência

do Brasil em sessão do GOB, o que originou

as comemorações do Dia do Maçom (veja matéria

na página16). Exilou-se quando D. Pedro fechou o

GOB e retornou para reinstalação do Grande Oriente

(1831-1832). Em 1834, perdeu a cadeira de deputado

e deixou a vida pública. Faleceu em 1847, em sua

fazenda Sumidouro, em Santana de Macacu, no Rio

de Janeiro.

ao enyte

27


Atualidade

28

Nebulosa

Em

1908, no auge do ciclo econômico

da borracha, Euclides

da Cunha alertou para a

problemática da Amazônia,

figurando-a como uma nebulosa, cujo movimento

centrífugo de expansão, ao crescer com o tempo,

poderia levá-la a despregar-se do Brasil.

Com um território que ocupa 60% do Brasil, a Bacia

Amazônica detém 20% da água doce do planeta e

sua malha hidroviária chega a 22 mil quilômetros.

Sua biodiversidade representa 30% das florestas e

10% da biota mundial, com 3 bilhões de espécies e

um banco genético incalculável. Geologicamente, é

a última fronteira mineral da Terra.

ao enyte

Amazônia

Maynard Marques de Santa Rosa*

A população da Amazônia Legal ultrapassa os 24 milhões

e cresce a uma taxa superior à média nacional.

Os polos urbanos concentram 72% do total. O restante

vive às margens dos rios e estradas, esvaziando

o interior. Somente a metrópole de Belém possui

mais de 2 milhões de pessoas, e a de Manaus, mais

de 1,5 milhão.

Apesar da magnitude do seu potencial, o produto regional

bruto é pífio em relação à economia brasileira,

representando apenas 6% do PIB nacional, logo, a

Região ainda se constitui mais um problema do que

uma solução para o Brasil.

Evocando o simbolismo da linguagem de Euclides,

são abordados a seguir os principais fatores que, ori-


ginados na vastidão amazônica, afetam o equilíbrio

geopolítico do nosso país. Os fatores centrípetos são

os que fortalecem a coesão nacional, e os centrífugos,

os que a enfraquecem.

Fatores Centrípetos

O que mais favorece a soberania brasileira sobre a

Amazônia são sua posição geográfica e configuração

territorial.

Excêntrica em relação à zona de maior circulação

da riqueza global no hemisfério norte, a região dista

mais de seis mil quilômetros dos Estados Unidos,

evitando o chamado efeito gravitacional das superpotências

e garantindo ao Brasil ampla liberdade de

ação política.

A forma compacta do território facilita o controle,

contrastando com a Indonésia, por exemplo, onde

as ilhas da periferia vêm sendo atraídas pelos polos

de interesse circunvizinhos (Cingapura e Austrália).

O arco orográfico que envolve a Bacia Amazônica

— os Andes, o Planalto Central brasileiro e o Maciço

Guianense — funciona como uma espécie de armadura

natural, protegendo-a da ingerência externa.

Debruçada no Atlântico, a região tem a cidade de

Belém como portal de entrada, o que enfatiza sua

importância estratégica.

Fatores Centrífugos

A Amazônia brasileira encerra contenciosos geopolíticos

cujo potencial de risco é proporcional à vastidão

do patrimônio territorial. Os principais são: o

isolamento, o vazio populacional, que torna a região

um deserto verde, o subdesenvolvimento e as questões

ambiental, indígena e administrativa.

O isolamento natural restringe o acesso à região, limitando-o

historicamente ao transporte aquaviário,

fato que justifica os dois séculos de independência

do Grão-Pará em relação ao Brasil. Daí a necessidade

de integração viária com o restante do país.

O vazio populacional amazônico foi considerado pelo

eminente prof. Armando Mendes como seu principal

problema político. Na verdade, a colonização efetiva

só aconteceu na segunda metade do século XIX, com

a atração de mão de obra nordestina para os seringais

da margem direita do rio Amazonas. Esse ambiente é

o habitat natural da hevea brasiliensis, a seringueira

de maior produtividade. Na margem esquerda, ou

“Calha Norte”, predomina a hevea benthamiana, espécie

secundária, de baixo rendimento, o que inviabiliza

sua exploração econômica, por isso aquela área

continua desabitada.

A densidade populacional de Roraima é de 1,8 hab/

km 2 , enquanto a do Brasil é de 21,5, o que torna imprudente

a política de reservas indígenas, que força

a “desintrusão” de não índios, reduzindo ainda mais a

humanização do território.

O subdesenvolvimento regional decorre da matriz

econômica, o extrativismo. Inicialmente vegetal, e

atualmente mineral, a indústria extrativa não é capaz

de assegurar sustentabilidade à economia. A política

tradicional de incentivos fiscais vem criando alguma

compensação, mas só conseguiu como resultado a

Zona Franca de Manaus, que custa 5 bilhões de dólares

por ano ao Brasil. O Índice de Desenvolvimento

Humano (IDH) é de 0,725, enquanto a média nacional

é de 0,792. O desenvolvimento autossustentável

da Amazônia, portanto, é outro impositivo estratégico

para o nosso país.

A questão ambiental tem como tese o fundamentalismo

ambientalista e como antítese a cultura

nativa de desrespeito à natureza. Essa dialética ameaça

conservar a região subdesenvolvida. Evidentemente,

a mentalidade de respeito ao meio ambiente

representa uma conquista da civilização, mas o radicalismo,

que chega ao extremo de considerar o ser

humano um intruso na natureza, só contribui para

ocultar interesses inconfessáveis. Três bandeiras

principais têm alimentado a propaganda a partir da

década de 1970: a tese do “pulmão do mundo”, a do

“aquecimento global” e o noticiário sobre o desmatamento.

Segundo o prof. Samuel Benchimol, a primeira surgiu

a partir de uma interpretação equivocada da resposta

do dr. Harold Sioli, do Instituto Max Planck, a

uma consulta da UPI, em 1971. O cientista afirmou

que um quarto do CO 2 existente na atmosfera estava

armazenado na biosfera da floresta. A imprensa distorceu

para um quarto do oxigênio, fazendo a polêmica

perdurar por mais de três décadas.

ao enyte

29


30

A segunda baseia-se na crença de que o “efeito estufa”

é causado pela emissão de dióxido de carbono

(CO ) gerado pela humanidade. São 14 bilhões de

2

toneladas por ano, sendo quase 90% oriundos do

primeiro mundo e da China. As queimadas da floresta

representam 3% dessa poluição. Contudo, no

contraponto de “A Fraude do Aquecimento Global”,

o geólogo Geraldo Luís Lino afirma que: “não há evidência

científica que vincule os combustíveis fósseis

aos aumentos recentes de temperatura”. Em outra

opinião científica, o prof. Luís Carlos Molion alerta

que a redução forçada das emissões de carbono diminuiria

a oferta de energia, condenando os países

subdesenvolvidos à pobreza eterna.

A terceira polêmica é a do desmatamento. O noticiário

voltado à formação da opinião pública costuma

englobar indistintamente os índices de desmatamento

legal e ilegal como violação ambiental, o que caracteriza

manipulação com objetivo desconhecido.

As pressões ambientalistas vêm provocando a proliferação

de legislação ambiental e de reservas em

todos os níveis (federal, estadual e municipal). A Embrapa

quantificou as restrições existentes (inclusive

indígenas), concluindo que somente um quarto das

terras nacionais está legalmente disponível para a

atividade produtiva. Na Amazônia, essa orquestração

tornou-se arma neocolonialista, inviabilizando o

empreendedorismo privado, única forma de sustentar

o desenvolvimento.

A questão indígena exacerbou-se após a Constituição

Federal de 1988. Sob a influência do movimento

indigenista, os Constituintes reverteram o

princípio histórico de integração do índio à comunhão

nacional, substituindo-o pelo da “interação”.

Com isso, as tribos remanescentes tiveram reconhecido,

ainda que tacitamente, o status de nações paralelas

à nação brasileira, coexistindo no território nacional.

O Estatuto do Índio, que mantém o preceito

da integração, não foi atualizado, o que causa inúmeros

contenciosos.

Observe-se que a política indigenista tradicional

remonta ao Regimento do Diretório dos Índios, de

1755. Por meio dele, o marquês de Pombal extinguiu

a escravidão indígena, fomentou os casamentos

entre portugueses e índias e concedeu o direito de

preferência sobre as terras às famílias mestiças, cujos

ao enyte

filhos foram tornados capazes legalmente, sendo

proibida a discriminação. O efeito histórico dessa

política manifesta-se nos traços físicos da sociedade

amazônica, em que quase 70% da população é constituída

de mestiços, 24% de brancos e apenas 2,7%

de índios. Logo, são os nativos que vêm absorvendo

o contingente branco. A revisão dessa tradição, no

entanto, ensejou a proliferação de reservas indígenas

quase sempre situadas sobre grandes riquezas

minerais. São 294 terras indígenas, que ocupam

822,9 mil km2 . A área yanomami (96 mil km2 ) é maior

do que Portugal (92 mil km2 ) e foi criada na fronteira,

para abrigar 7 mil índios. A de Raposa-Serra do Sol

equivale a 80% do estado de Sergipe.

A questão administrativa iniciou-se em 1823,

quando o território amazônico foi incorporado ao

Brasil. A falta de vivência com sua gestão política, no

entanto, tem induzido os governos a tratá-la como

um grande latifúndio. O último estadista a aplicar

um plano estratégico completo para a região foi o

marquês de Pombal.

No século XIX, o Império brasileiro teve de postergálo,

por força da Guerra do Paraguai. No início do século

XX, o marechal Hermes da Fonseca, reagindo ao

colapso do mercado da borracha, esboçou o primeiro

plano republicano, que não pôde ser implementado

devido às crises internas. Na 2ª Guerra Mundial, a

ocupação dos seringais do Pacífico pelos japoneses

fez reativar, por 4 anos, o comércio da borracha amazônica.

Após o novo colapso, Getúlio Vargas criou os

territórios federais do Guaporé (atual Rondônia), Rio

Branco (atual Roraima) e Amapá.

Foi por iniciativa parlamentar que a Constituição de

1946 previu a aplicação de 3% da receita tributária

da União no desenvolvimento regional, levando o

segundo governo Getúlio Vargas a definir a Amazônia

Legal e a criar uma agência de desenvolvimento

voltada para a borracha — a Sudhevea. As idiossincrasias

locais, porém, impediram que ela atingisse

sua finalidade.

Juscelino Kubistchek iniciou a integração viária com

a implantação da rodovia Belém-Brasília, uma obra

sinérgica. E o Plano de Integração Nacional, adotado

pelos governos militares, permitiu a abertura das rodovias

Transamazônica, BR-319, BR-163, BR-174 e Perimetral

Norte, a criação da Embratel e do Banco da


Área da Amazônia Legal

5.217.423 km2 61% do território nacional

(área sete vezes maior que a da França)

Áreas de reserva

105.673.003 de hectares

12,1% do território nacional (equivalente a duas Espanhas)

População total da Amazônia

24 milhões de brasileiros

12,83% da população nacional

População indígena brasileira

534 mil índios

56% da população indígena do país está na Amazônia

Crescimento demográfico na Amazônia

1,64% ao ano.

40% acima do crescimento médio nacional. Entre 1950 e 2007, a população

da Amazônia Legal cresceu 516%, ritmo muito acima da média nacional,

que foi de 254%

Amazônia e a ativação da Zona Franca de Manaus,

mas teve de ser interrompido pela crise do petróleo.

A Constituição de 1988 instituiu o mecanismo das

transferências da União (obrigatórias e voluntárias),

dando aos estados amazônicos o mesmo tratamento

dos demais.

Em 2005, o governo Lula lançou o Plano Amazônia

Sustentável (PAS). Trata-se, porém, de um discurso

ideológico de 101 páginas, dirigido à comunidade

amazônica, sem definir metas. Tem como premissa

o seguinte: “a descentralização de políticas públicas

reduz custos, aumenta a transparência e o controle

social”. Contudo, o Programa Calha Norte constatou,

em 2007, que “os estados amazônicos administram

a própria economia, sem referencial federal e sem

preocupação com a sustentabilidade. A mentalidade

existente é de aplicações que aumentam a despesa

de custeio, sem impacto no crescimento da

economia”. E os indicadores da Secretaria do Tesouro

Nacional mostram o quanto aqueles estados dependem

dos repasses federais para sua vida vegetativa.

Além de tudo, o PAS não é um plano de gestão. Nas

suas próprias palavras, limita-se a “diretrizes estruturantes

que balizem amplos processos de negociação

com os atores sociais relevantes”.

Ac

Conclusão

RR

AP

Reservas indígenas

Faixa de fronteira

A Amazônia permanece como um megalatifúndio:

espaços vazios, presença incipiente do Estado, integração

incompleta do território e da população

indígena, subdesenvolvimento econômico e social.

Tem alta taxa de crescimento demográfico, com estagnação

econômica, o que pode ressuscitar a cabanagem.

A falta de um plano estratégico, a política de criação

de reservas e a legislação ambiental restritiva inviabilizam

o aproveitamento econômico do território.

Mantidas as atuais condições, estarão comprometidos

o desenvolvimento e a sustentabilidade, e o fator

de risco à soberania nacional tende a crescer com

o tempo.

Do estudo sobressaem, portanto, três desafios inevitáveis

para o futuro da Amazônia: desenvolvimento

autossustentável, integração ao Brasil (física e psicossocial)

e colonização seletiva da Calha Norte.

* Maynard Marques de Santa Rosa é general de Exército, tendo

desempenhado as funções de subchefe do Estado-Maior do

Exército (EME), secretário de política, estratégia e assuntos

internacionais do Ministério da Defesa (MD) e chefe do

Departamento Geral do Pessoal, em Brasília/DF.

ao enyte

31


O poder politico

e suas transformacoes

Se

observarmos todas as comunidades humanas

já existentes, veremos que reúnem

uma característica comum: a divisão da

sociedade entre governantes e governados. Um grupo

detém e monopoliza o poder político (capacidade

de influenciar e controlar pessoas) e o outro não.

Boa parte da filosofia política dedicou-se a estudar

o que gera poder político. Historicamente, para os

gregos, o direito de comandar vinha da capacidade

de persuadir. Por exemplo, Péricles não entrou para a

história como um grande político por suas habilidades

de administrador ou de chefe militar, mas pela

eloquência com que proferia seus discursos e mantinha

alta a estima do povo ateniense.

Crítico dessa visão estética da política, Platão renegou

a forma dos discursos e enfatizou seu conteúdo.

O poder deveria ter como base de sustentação a verdade,

a busca da essência das coisas (simplificando,

o político deveria ser um especialista ou um tecnocrata,

como se diz nos dias atuais).

Bastante influenciada pelas ideias platônicas, a filosofia

cristã foi pelo mesmo caminho, mas com

uma conotação religiosa. A finalidade do poder

político seria ajudar a conduzir as pessoas por “vales

de sombras”, de forma a assegurar-lhes o gozo

do paraíso revelado. Era comum realizar analogias

entre ovelhas e pastores, com o Estado exercendo,

muitas vezes de forma violenta, a tutela espiritual

dos cidadãos.

Maquiavel quebrou a ideia de que a política devesse

ter algum compromisso com a busca de qualquer

tipo de verdade, fosse ela filosófica ou divina. Para o

pensador florentino, política se resumia à luta pelo

poder, o que lhe conferia a dimensão de jogo que ela

possui até hoje. A política seria possuidora de lógica

* Leonardo Barreto é doutorando em Ciência Política pela

Universidade de Brasília (UnB), coordenador do curso de

Ciência Política do Centro Universitário do Distrito Federal

(UDF) e fundador do site http://casadepolitica.blogspot.com/.

32 ao enyte

Leonardo Barreto*

e ética próprias, bastante distantes do convencionado

pela moral cristã.

A concepção maquiavélica de política como jogo é o

que poderíamos chamar de hardpower, o que retrata

sua dimensão competitiva, muito evidente na luta

que os partidos travam pelo direito de dominar.

Com o avanço da democracia, muitos grupos da sociedade

civil começaram a manter outro tipo de relação

com o poder político. O objetivo não era mais

conquistá-lo, mas influenciá-lo. Esses novos atores,

chamados grupos de pressão e interesse, tornaramse

parte dos regimes abertos. Chama-se essa modalidade

de poder político de softpower.

A globalização, a crise ambiental e a informatização

das relações humanas começaram a afetar a forma

como o poder político é exercido e legitimado. O livre

trânsito de pessoas fez com que pequenas organizações

passassem a ameaçar grandes impérios por

meio de atividades terroristas, países estão na iminência

de disputar os recursos naturais restantes e a

internet acabou com o controle da informação que

os grandes grupos de mídia possuíam. Claramente

estamos na fronteira de uma transformação profunda

das relações tradicionais de poder.

É difícil fazer previsões a respeito do futuro poder

político, tanto no que se refere às suas fontes como

à forma como ele é exercido. Mas uma coisa é certa:

ele será cada vez mais plural, anárquico e horizontal.

Muitas formas tradicionais de poder desaparecerão

e novos atores virão inevitavelmente ocupar o papel

de grupo dominante.


Cidadania planetaria

Nenhum regime, sistema de governo, instituição

política ou econômica pode, por si só,

garantir uma sociedade digna. Somente com

a incorporação em nossas vidas da fraternidade,

do afeto, da amorosidade, da espiritualidade

e da ternura poderemos alcançar um saudável

relacionamento humano e planetário.

A percepção da irmandade de todos os seres é essencial.

Pertencemos todos a uma mesma fonte de vida.

Somos feitos do mesmo barro. Estamos todos interligados.

A nossa família é a humanidade e todos os seres

que compõem a teia da vida, filhos e filhas da terra.

Não há ideologia superior à solidariedade. Quando

um homem fere outro homem, ele fere toda a humanidade,

como fere a si próprio. Do macrocosmo ao

microcosmo, a teia da vida é única.

A transformação da sociedade depende da transformação

de cada um de nós. A sociedade deve despertar

para a consciência coletiva da responsabilidade

individual, encaminhando-se para a imprescindível

consciência coletiva da amorosidade universal.

A evolução humana faz-se por meio do desenvolvimento,

pelo desabrochar de qualidades, sendo fundamentais

a vontade, a sabedoria e o amor.

Para vencer a ignorância é preciso o desenvolvimento

da sabedoria; para vencer a inação é preciso o desenvolvimento

da vontade; para vencer a insensibilidade

é preciso o desenvolvimento do amor. A atuação deve

ser a favor do bem. O mal só existe quando há ausência

do bem. As trevas só existem pela ausência da luz. A

reta atuação é com a luz. Essas qualidades fundamentais

devem ser desenvolvidas simultaneamente. Uma

delas pouco desenvolvida desestabiliza o equilíbrio

essencial de atuação humana, individual e coletiva.

* Ulisses Riedel é fundador do Departamento Intersindical de

Assessoria Parlamentar – DIAP, presidente da ONG União Planetária

e MM das Lojas Areópago, Honra e Tradição e Loja de

Pesquisas.

Ulisses Riedel*

O amor não é uma questão emocional. É uma lei da

natureza. É a lei cósmica da harmonia.

A amorosidade é a base de uma saudável relação humana.

É a única forma saudável.

Todas as pessoas sonham com uma humanidade feliz.

No entanto, a morte provocada pelas guerras, mais

de 100 milhões no século XX, e os trilhões gastos com

elas abalam as convicções dos mais otimistas.

Passa da hora de a humanidade romper a insana lógica

da cultura da guerra. Não há caminho para a paz, a

paz é o caminho, ensinou-nos Mahatma Gandhi, em

sintonia com os ensinamentos de todos os grandes

mestres da humanidade.

Queiramos ou não, somos inexoravelmente responsáveis

pelo mundo que temos, por ações ou omissões.

Fazemos parte de uma mesma vida. Cada um

de nós é um elo da corrente que

une todas as criaturas. Somos

os tripulantes da Nave Terra,

somos a própria Terra. É fundamental

a união amorosa

de todos para uma viagem

feliz, para a preservação da

humanidade e da vida planetária

nessa saga maravilhosa

da nossa

Mãe Terra, girando

harmoniosamente

rumo ao infinito,

como afirma

a Carta da CidadaniaPlanetária,

aprovada

pelo 1º Fórum

Espiritual Mundial,coordenado

pela União

Planetária e realizado

em 2006,

em Brasília.

Mundo


História

A Independência do Brasil

escrita pelas bandeiras

O intuito

deste artigo não é demolir a data

do Sete de Setembro, quando se comemora

a Independência do Brasil — data

magna da nacionalidade em um país tão

pobre de símbolos nacionais. Busca-se, no entanto, reconstituir

a imagem de uma realidade histórica, que,

a nosso ver, sofreu distorção muito grande, principalmente

entre os historiadores maçônicos.

Em linguagem moderna, pode-se afirmar que a

Maçonaria era a vanguarda do movimento da Independência

do Brasil. Com a inexistência de partidos

políticos para articular, coordenar e mobilizar o povo

e as elites, a Maçonaria agiu, individual e institucionalmente,

como um verdadeiro partido político da

Independência. Os maçons daquela época juravam,

ao ingressar na Maçonaria, além dos juramentos de

praxe, o de realizar a independência do Brasil.

34 ao enyte

William Almeida de Carvalho*

Independência ou Morte, mais conhecido como O Grito do Ipiranga, óleo sobre tela de Pedro Américo, 1888,

ficção para um país carente de símbolos nacionais (atualmente no Museu Paulista da USP).

* William Almeida de Carvalho é economista, cientista político e

presidente da Academia Maçônica de Letras do Distrito Federal.

Informa-se, no ensino fundamental, que o verde representa

nossas florestas e o amarelo, o ouro de nossas

minas. A verdade, contudo, manda-nos dizer que

o verde é a cor da Casa dos Braganças e o amarelo é

a cor dos Habsburgos, de que provém a imperatriz

Dona Leopoldina.

Por sugestão do Ir. e confrade Alberto Ricardo Schmidt

Patier, maçonólogo erudito e heraldista emérito, fui

estudar a heráldica para uma palestra sobre o “Sete

de Setembro e a Maçonaria”. Desejava resposta à seguinte

pergunta: a Independência do Brasil deu-se

realmente no dia 7 de setembro ou no dia 12 de outubro,

data da “Aclamação de D. Pedro”?

Liga-se, doravante, a questão acima a outra de cunho

mais heráldico: durante o Brasil Império (1º e 2º), houve

uma ou duas bandeiras e armas nacionais? Pensase

que, ao responder à segunda pergunta, ilumina-se

magistralmente, como nunca, a primeira questão.


Desde a vinda da Família Real portuguesa em 1808,

o Brasil começou seu processo de independência. A

data da abertura dos portos do Brasil ao comércio direto

com as nações amigas, em 28 de janeiro de 1808,

pode ser vista como o marco inicial desse processo.

O segundo marco, importantíssimo, foi a elevação do

Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves, com direito

a bandeira e a escudo, em 13 de maio de 1816.

Em 1821, as Cortes constituintes portuguesas decretaram

que o campo da bandeira do Reino Unido fosse

azul e branco e que dela se eliminasse a esfera armilar,

como se a bandeira constituinte não representasse

mais o Reino Unido ou dele fosse excluído o Reino do

Brasil. A volta de D. João VI a Portugal em 3 de julho de

1821 precipitou os acontecimentos no Brasil.

Em 7 de setembro, quando regressava de Santos, às

margens do riacho do Ipiranga, ao receber os Correios

da Corte com as últimas notícias em relação à

sua figura e ao Brasil — e com as cartas da princesa

Leopoldina e de José Bonifácio —, D. Pedro, irado,

teria proferido o Grito que separava o Reino do Brasil

do de Portugal.

Ainda no dia 7 de setembro, D. Pedro foi aclamado,

no Teatro da Ópera de São Paulo, com três “Viva o

primeiro rei do Brasil”. Ele retornou ao Rio de Janeiro

na noite de 14 de setembro.

O processo de independência havia galgado mais

um degrau, mas ainda não estava completo, pois, em

todos os decretos, alvarás, provisões e demais diplomas

governamentais até o dia 12 de outubro, quando

aí, sim, é proclamado imperador, inclui-se sempre

a seguinte fórmula: “...o Reino do Brasil, de quem sou

o regente e perpétuo defensor...”, ou ainda, “com a rubrica

de sua Alteza real o príncipe regente”.

Em 18 de setembro de 1822, exara-se o decreto que

determina a adoção do brasão de armas e da ban-

deira nacional do novo Reino. O príncipe regente deveria

instituir nova bandeira, mas tudo sob a tutela

de seu augusto pai. Uma nação com dois reinos. A

ruptura total só viria a acontecer em 12 de outubro

de 1822, dia natalício de D. Pedro e da verdadeira independência

do Brasil, quando D. Pedro foi aclamado

imperador com pompa e circunstância.

Somente a partir dessa data, o ex-príncipe regente

assumiria sua condição de imperador e cortaria definitivamente

os laços que o amarravam a “Seo Augusto

Pay”. Daí em diante, aclamado, apropria-se de

todas as funções de estadista autônomo e independente.

Finalizando o holofote heráldico, no dia 1° de dezembro,

data de sua coroação como imperador, D. Pedro

assinou seu primeiro decreto, substituindo a coroa

diamantina pela coroa imperial e estabelecendo a

bandeira que durou até a Proclamação da República.

A bandeira do Brasil Reino (1) durou 35 dias, do 7 de

setembro até 12 de outubro; e a bandeira do Brasil império

(2), de 12 de outubro de 1822 até o dia 15 de novembro

de 1889, data da Proclamação da República, ou

seja, 67 anos. (Veja as bandeiras numeradas abaixo.)

O Sete de Setembro somente começou a ser feriado

nacional oficial a partir do Decreto 1.285, de 30 de

novembro de 1835, quando se inicia o processo de

montagem do imaginário coletivo sobre a Independência

em um país tão pobre de ícones cívicos.

Espera-se que essa contribuição da heráldica para a

história possa esclarecer alguns pontos que causaram

e ainda causam confusão até os dias de hoje.

O momento é o de desmistificar alguns traços impingidos

como história, procurando extrair os fatos das

lendas apresentadas como verdade. Este artigo insere-se

nesse movimento de esclarecer um pedaço da

controversa história da Independência do Brasil.

1 2

ao enyte

35


A

Regência instalada no Brasil (1831-1840),

que sucedeu a D. Pedro I, imperador e

maçom, impôs aos súditos da ex-colônia

portuguesa austeras políticas econômicas,

objetivando atender aos interesses nela entranhados,

estranhos à população em geral.

A província de São Pedro — atual Rio Grande do

Sul — produzia trigo, couro, erva-mate e charque

36 ao enyte

A Maçonaria na

Trecho do quadro A batalha dos Farrapos, de Wasth Rodrigues, acervo da prefeitura de São Paulo.

* Flávio Rostirola é Desembargador do Tribunal de Justiça

do Distrito Federal e Territórios e MM das Lojas Honra e

Tradição e Bento Gonçalves, da qual é um dos fundadores.

Flávio Rostirola*

bovino, importante produto da dieta do brasileiro à

época. Uma vez instalada, a Regência elevou os impostos

sobre o charque nacional, reduziu as taxas do

charque importado dos países do Prata e sobretaxou

o sal, item de seu custo de produção. Tais decisões

provocaram colapso à economia do estado e a consequente

indignação dos gaúchos.

Na área política, a Regência imputou mera condição

de estalagem à Intendência da província de São Pedro

(atual governo do estado) e priorizou destacadamente

os interesses econômicos pessoais e da Monarquia

central. Desse cenário emerge Bento Gonçalves

da Silva, maçom e major alfer da Monarquia, que


Revolução Farroupilha

já havia lutado nas campanhas

contra os espanhóis (1811-1812)

e na Argentina (1827).

De espírito conciliador e liberal,

Bento Gonçalves elegeu-se deputado

para representar a província,

condição que lhe permitiu

mediar com a Regência a nomeação

do intendente da província

de São Pedro, Antonio Fernandes

Braga. De nada valeram os esforços

políticos de Bento Gonçalves,

pois o indicado intendente

manteve a política da Regência

de altos tributos, provocando a

indignação da população. Essa

foi uma das principais causas da

deflagração revolucionária.

Nesse clima de inconformidade,

aos 18 de setembro de 1835, foi

feita uma reunião na Loja Maçônica

Filantropia e Liberdade,

em Porto Alegre, sob a presidência

do venerável mestre Bento

Gonçalves da Silva. Estavam presentes

à sessão os maçons José

Gomes de Vasconcellos Jardim,

Domingos José de Almeida — mineiro de Diamantina,

que redigiu a ata —, Pedro Boticário, Vicente da

Fontoura, Paulino da Fontoura, Onofre Pires, Antonio

Souza Neto, entre outros.

Como consequência da deflagração do levante, os

revolucionários se apoderaram da capital da província

— hoje cidade de Porto Alegre — em 20 de

setembro. A patrulha do comando do Cabo Rocha

cruzou o riacho da Azenha, impondo baixas nas

forças da Intendência local. Diante da iminente consolidação

do levante, o governante Antônio Fernandes

Braga apropriou-se dos fundos financeiros da

província, fugindo em seguida.

Bento Gonçalves, por sua vez, sitiou a cidade e empossou

o então vice-presidente, Marciano Ribeiro,

para acalmar a população, buscando, com sua ação

revolucionária, mudança na política econômica da

Monarquia em relação aos interesses da província.

As reivindicações foram rechaçadas pela Monarquia,

dando-se início à Revolução Farroupilha, que durou

mais de 10 anos (1835-1845).

Bento Gonçalves sofreu a primeira derrota na Batalha

de Fanfa, às margens do rio Jacuí, com centenas

de baixas. Rendeu-se ao comandante Bento Manuel

Ribeiro, juntamente com seus comandantes Onofre

Pires, Pedro Boticário, Corte Real e outros. Bento Gonçalves

foi, então, encarcerado no Rio de Janeiro. Com

o apoio da Maçonaria carioca, Corte Real e Onofre

Pires fugiram da prisão por estreita passagem, ocasionando

a transferência de Pedro Boticário e Bento

Gonçalves para o cativeiro na Ilha do Forte, na Bahia.

Novamente a Maçonaria agiu para libertá-los, servindo-se

das relações com soldados da guarda prisional

(que umedeceram a pólvora do presídio para evitar

o alcance das armas). Ambos evadiram-se do local a

nado, sendo resgatados por embarcações de pescadores

que os aguardavam.

Em seu retorno ao Rio Grande (1837), Bento Gonçalves

foi empossado presidente da República, cuja

proclamação se deu por orientação maçônica (1836),

logo após a vitória na Batalha de Seival, comandada

pelo também maçom general Neto.

Decorrida quase uma década, com inúmeras batalhas

vitoriosas e também algumas derrotas, os rebeldes

farroupilhas, já exauridos pelo enfrentamento

com as forças da Monarquia, com a intermediação

da Maçonaria, firmaram, em 1º de março de 1845, o

acordo de paz do Poncho Verde, subscrito pelo general

Luiz Alves de Lima e Silva, à época, barão de

Caxias, também maçom, representando as forças

monárquicas. Estava assim selada a epopeia republicana

farroupilha.

ao enyte

37


38 ao enyte

Am ade us

* Marden Maluf é maestro, fundador e diretor artístico

das Classes Musicais do Grande Oriente do Brasil.

a coragem do mestre

Marden Maluf *

O

talento do grande Wolfgang Amadeus Mozart

(1756-1791) para o novo é algo indiscutível. A

mestria que adquiriu no artesanato do ofício

não pode ser questionada. Impossível um amador realizar,

por exemplo, a “Sinfonia 41”, dita Júpiter.

O terrível, porém, é a asfixia que o grande Amadeus

sofreu por causa da incrível superficialidade, essência

da época em que viveu, do malfadado rococó

clássico.

Isso é facilmente verificável em cada uma de suas

mais de seiscentas obras catalogadas. Em determinado

trecho, eis que surge o Mozart verdadeiro.

Mas, lastimavelmente, no trecho seguinte, eis não

mais Mozart, mas um Wolfgang qualquer, obrigado a

rabiscar a torturante mediocridade da aristocracia e da

burguesia reinantes em seu tempo.

O “Réquiem”, última obra de Mozart, trabalhada no leito de

morte, é a composição na qual, até o último instante, fato

único e trágico, o nosso gênio teve finalmente licença de

comprometer-se apenas consigo mesmo. Mozart em todas

as notas.

Ele próprio sabia disso. Embora houvesse recebido

esse “Réquiem” por encomenda de terceiros,

afirmou desde o primeiro instante: “Escrevo

esse canto fúnebre para mim mesmo”. É a única

peça que escreveu não para os outros, mas

para o seu espírito.

O espírito de Mozart, contrário ao de sua

época e ao que dele hoje se diz, não era

nem infantil, nem mesquinho, nem frívolo.

Um espírito assim não teria capacidade

para dominar a ciência das estruturas

sonoras em tão alto grau.

Perante o sufocamento que a época de

Mozart representava para seu espírito, a

Maçonaria lhe foi a dádiva suprema, elevada

à vital refrigeração.


Mozart foi um maçom apaixonado pela Maçonaria.

Há registros de sua Iniciação e Elevação, embora não

se tenha encontrado sua Exaltação ao Mestrado, mas

certamente galgou degraus outros na Escola Filosófica.

Na “Flauta Mágica”, ópera maçônica e dedicada

à Maçonaria, há referências simbólicas explícitas aos

mais diversos estágios. Além disso, compôs significativas

Cantatas Maçônicas, cujo sucesso entre os

Irmãos muito o alegravam. Amava e frequentava, de

coração, a grandeza filosófica da instituição.

Acredito que a crença em Deus segundo os princípios

da Ordem foi o que deu a Mozart forças para viver

seus últimos cinco anos. Não há registro de outro

grande compositor que tenha sido obrigado a suportar

tamanha carga de pressões em seu trabalho

criador, somando-se ainda — fato pouco conhecido

— problemas físicos de toda ordem.

Sob tal aspecto, vejam-se algumas condições físicas

em que o “anjinho” Mozart desenvolveu o que hoje se

costuma considerar obras “felizes e despreocupadas”.

Em 1762 (então com apenas seis anos de idade),

contraiu uma infecção nas vias respiratórias superiores,

devido a uma infecção estreptocócica. Tempos

depois, o menino contraiu uma doença que o médico

pensou ser escarlatina, mas que, na verdade, era

um chamado erythema nodosum, quase certamente

uma infecção estreptocócica. Neste mesmo ano,

contraiu outra infecção e sofreu um ataque de febre

reumática. Durante o ano de 1764, em Paris e Londres,

Wolfgang teve tonsilite ou amigdalite (abscesso

paritonsilar) e, outra vez, em 1765, padeceu desses

mesmos males, complicados por uma sinusite. Em

dezembro de 1765 (então com nove anos), entrou

em coma e perdeu muito peso. Os terríveis sintomas

incluíam toxiquemia aguda, pulso fraco, delírio,

erupção de pele, pneumonia, exfoliação hemorrágica

da membrana mucosa oral, sugerindo uma febre

tifoide endêmica. Etc. etc. ...

Esse impressionante quadro de males ininterruptos

segue pela vida afora, em um relatório médico de

páginas e páginas, baseado nas fontes atuais sobre

Mozart. Espantosa não é a tragédia de haver morrido

com apenas 35 anos, mas o milagre de ter vivido

tanto, apesar de tudo.

Os ataques morais deviam abater-lhe mais do que os

males do corpo. Ele foi chamado de “caçador de disso-

nâncias”, “porcaria alemã” (atenção: Mozart é músico

alemão — com pensamento e profundidade alemãos!

—, e não austríaco, como todos imaginam e a Áustria

se gaba. A sua Salzburg natal era, à época, território

alemão) e outros xingamentos assim, veementes e

constantes, inclusive por nobres de outros países. Por

outro lado, claro que tinha grandes e numerosos defensores

e era famosíssimo em sua época.

O grande exemplo da existência de Wolfgang Amadeus

Mozart, obras artísticas geniais à parte, é a coragem

de haver feito o que fez em condições tão

contrárias. É quase impossível, em 35 anos, tempo

de sua vida, um bom copista copiar o que Mozart

escreveu, ou melhor, o que sobrou do que escreveu.

Entenda-se: um bom copista, em trabalho contínuo

e ininterrupto, em perfeito estado de saúde e dedicação

exclusiva.

Como pôde Mozart fazê-lo, viajando incessantemente,

nas condições precárias daquela época, atacado

sem trégua por exércitos de males físicos e psicológicos,

e, ainda assim, compondo (não simplesmente

copiando o já pronto), ou seja, tendo a ideia, rabiscando,

voltando atrás, consertando? E, nos entretempos,

tocando em concertos, ensaiando, regendo,

escrevendo uma quantidade fenomenal de cartas e

todo o infinito problemático e inenarrável do dia a

dia?

Eis aqui em Mozart, como em Cervantes e em Aleijadinho,

a essência fulgurante do verdadeiro Mestre, a

coragem indômita frente a qualquer espécie de inimigo,

o avançar contínuo do gênio, que se aperfeiçoa

conforme as guerras das quais não foge.

A grandiosa coragem (a bravura frente ao perigo!) —

a verdadeira e principal coluna maçônica —, o exemplo

brandido a essa Humanidade que se prostra, derrotada,

ante uma simples dor de qualquer espécie.

O exemplo sempre foi não apenas o melhor conselho,

mas o grande símbolo!

Congratulamo-nos com o Ir. Mozart, que nunca desistiu

da terrível batalha contra o habitar a poderosíssima

franzinidade de um Wolfgang pequenino e

doentio. Wolfgang perdeu, e morreu. Porém Mozart

— triunfante! — continua mais vivo do que nunca, a

esbofetear todas as almas mesquinhas com a grandeza

de sua maçônica vitória.

ao enyte

39


Influências do

no

O

Iluminismo foi a filosofia que predominou

na Europa durante o século XVIII.

Segundo o historiador da filosofia,

Giovanni Reale, o Iluminismo estava inserido

em diversas tradições e não chegou a se configurar

como um sistema compacto de doutrinas, uma

vez que foi, na verdade, um articulado movimento

filosófico, pedagógico e político.

As raízes do Iluminismo podem ser encontradas no

Renascimento e na filosofia moderna, cujo fundador

foi René Descartes. Outras influências de grande relevância:

o mercantilismo econômico e o liberalismo

político. De maneira geral, essas influências buscaram

valorizar os direitos naturais, a liberdade de

pensamento e a razão, não apenas no que concerne

às ideias inatas, como nas filosofias de Descartes e

Leibniz, mas também àquelas ideias conquistadas

pela via empírica, que tiveram em Locke seu principal

representante.

É importante ressaltar que a razão, no Iluminismo, foi

utilizada de maneira crítica e teve os seguintes objetivos:

libertação em relação aos dogmas metafísicos,

libertação das superstições religiosas e acentuada

defesa do conhecimento científico. Também é importante

lembrar a defesa ao direito natural, que marcou,

de maneira decisiva, aquilo que os iluministas denominaram

a doutrina dos direitos naturais e invioláveis

do homem. Kant sintetizou, de maneira exemplar, esses

ideais, ao dizer que o homem deveria ter a coragem

de fazer uso de sua própria inteligência.

40 ao enyte

Iluminismo

Rito Moderno

* Jair Araújo de Lima é mestre em Filosofia pela Universidade de

Brasília e MM da Loja Universitária Verdade e Evolução 3492.

Jair Araújo de Lima*

Os principais veículos de divulgação das ideias iluministas

foram as academias científicas, a Maçonaria,

os salões parisienses e a enciclopédia francesa.

O Rito Moderno ou Francês, que, em grande medida,

foi influenciado pelos ideais iluministas, procurou

combater os exageros místicos e a acentuada valori-

Retrato de René Descartes, por Frans Hals,

Museu do Louvre – Paris.

zação dos ideais da nobreza, que estavam presentes

nos demais ritos maçônicos que vigoravam naquela

época. Esses acontecimentos tiveram como consequência

o crescimento dos altos graus, que estavam


desfigurando a Maçonaria, uma vez que essa

procura, na maioria dos casos, era motivada

pela vaidade. Sendo assim, O Grande Oriente

da França nomeou uma comissão de maçons de

elevada cultura para fazer um estudo dos ritos

existentes. Desse modo, surgiu o Rito Moderno,

com um número menor de graus, mas que não

se afastava dos ideais originais da Maçonaria.

O Rito Moderno foi concebido como uma espécie

de síntese dos demais, mas sem exageros

místicos. É importante, contudo, lembrar que o

Rito Moderno foi inspirado nas primeiras corporações

francesas da Maçonaria dos aceitos, conferindo

a ele um caráter histórico e, portanto,

pretendendo resgatar os ideais originais da Maçonaria.

O novo rito foi aprovado pelo Grande

Oriente da França em 1786 e recebeu o título de

Rito Francês ou Moderno. O rito é composto por

apenas 7 graus.

Apesar de possuir algumas características dos

outros ritos, o Rito Moderno não considera a

Maçonaria uma ordem mística, portanto os seus

três graus simbólicos representam as etapas da

evolução do pensamento humano: intuição,

análise e síntese.

A principal característica do Iluminismo foi a defesa

do uso crítico da razão, que deveria nortear

todos os campos da experiência humana. Sendo

todo tipo de conhecimento passível de ser criticado,

não existe espaço para concepções dogmáticas.

Outra característica importante é a certeza

de que esse uso crítico da razão teria como

consequência benefícios nos planos científico,

cultural e social.

A Maçonaria difundiu, de maneira exemplar, os

ideais iluministas, pois defendeu a liberdade de

pensamento, a tolerância em relação às diferen-

O brilho da Verdade resultando da Razão e da Filosofia

(alegoria Iluminista).

ças culturais e a luta contra as tiranias no plano político. O

Rito Moderno pode ser visto como o rito que mais sofreu a

influência da filosofia iluminista, haja vista seu acentuado

caráter racional, a liberdade absoluta de consciência e sua

luta contra as desigualdades.

SOF/SUL, quadra 4, conj. A, lote 2/4 – Guará – Fone: (61) 3362-2700 – Fax: 3361-6136

SOF/SUL, quadra 5, conj. B, lote 1/4 – Guará (linha pesada) – Fone: (61) 3362-2300 – Fax: 3361-7322

2º Av., bl. 341-A, loja 1 – Núcleo Bandeirante – Fone: (61) 3486-8800 – Fax: 3386-2525

SHN, Área Esp. 19 – Taguatinga Norte – Fone: (61) 3355-8500 – Fax: 3354-7474

Quadra 4, lote 1.560, Setor Leste Industrial – Gama – Fone: (61) 3484-9200 – Fax: 3384-1462

ADE, conj. 1, lote 1 (atrás da Nasa Caminhões) – Fone: (61) 3212-2020

ADE – Área de desenvolvimento econômico – Núcleo Bandeirante

Brasília/DF

ao enyte

41


Poesia


quem afirme que esta palavra

vem do árabe “suai-da”, que significa

melancolia. Por definição,

podemos dizer que saudade é a recordação melancólica

de pessoas ausentes que se deseja ter, ver ou

possuir.

Nostalgia é mais apropriado para lugares, e saudade,

para pessoas que estão dentro de nossos corações.

Para se entender melhor o que significa a saudade,

é necessário senti-la, e senti-la no fundo de nossos

corações, pois só assim poderemos avaliar a extensão

e o verdadeiro significado desta palavra.

O sentimento de saudade se tem dos entes queridos

que não retornam mais e daqueles que nos preenchem

com a agradável esperança de um retorno.

Esse sentimento de saudade decantado em prosa e

verso nos acompanha em todos os momentos de nossa

vida e, como se fosse um consolo, Tristão de Ataíde

nos diz: ”A Saudade é a Presença da Ausência”.

A transformação da ausência em presença é o milagre

que todos desejamos, mas difícil de alcançar,

porém, é o milagre da esperança, que está contido

neste soneto de Lenine Fiuza Lima, de 1996, chamado

“Presença”.

* Sylvio Santinoni é o atual Secretário

de Comunicação do GODF.

42 ao enyte

Saudade Sylvio

Presença

Santinoni*

Existe uma presença que se vê

E existe uma presença que se sente.

A que se vê os olhos dizem ver

Se tem, diante de si, alguém presente.

Enquanto a que se sente pode ser

A imagem que se foi, portanto ausente,

De alguém que ninguém pode olhar e ter,

Mas que ficou no coração da gente.

Quando aos sentidos faltam as sensações,

Vem logo um sentimento de saudade,

Uma lembrança viva em nosso espírito.

Espírito que pulsa de emoção,

Uma emoção que, milagrosamente,

Traz-nos de volta a imagem querida.

Atuação nas áreas:

tributária, bancária e empresarial

SRTV qd. 701, bl. A, sala 330

Fone: (61) 3321-2535

Brasília – DF

E-mail: queiroz@queirozadvogados.com.br


Legado de Murilo Pinto

Ao

tomar posse como Grão-Mestre-

Geral do Grande Oriente do Brasil

em 17 de junho de 1993, Francisco

Murilo Pinto encontrou uma organização vicejante.

Seu antecessor, Jair Assis Ribeiro, com a colaboração

de um grupo técnico constituído para assessorá-lo,

havia construído o Palácio Maçônico, sede do Poder

Central, em Brasília, incentivando a pesquisa sobre a

história da Ordem e institucionalizando a hoje próspera

e atuante Associação Paramaçônica Juvenil –

APJ. No plano internacional, Jair também ampliou o

paz e cultura

Lucas Galdeano, Márcio Otávio, Francisco Murilo Pinto, Grão-Mestre-Geral, Joferlino Miranda Pontes, Grão-Mestre-Geral

Adjunto, e Jafé Torres em Sessão Magna do evento Compasso para o Futuro, no Ginásio Nilson Nelson (1997).

Joaquim Nogales*

número de tratados de reconhecimento mútuo com

potências estrangeiras.

Seu sucessor, Murilo Pinto, disposto a promover o

congraçamento da Maçonaria brasileira, firmou tratado

de reconhecimento e amizade com algumas

Grandes Lojas brasileiras, integradas na Confederação

da Maçonaria Simbólica do Brasil – CMSB, “pondo

fim a uma situação de velada hostilidade que já

durava mais de 70 anos”, como observou o historiador

José Castellani.

ao enyte

Perfil

43


44 ao enyte

Edição n. 0

Nascido em 1929, em Fortaleza, no Ceará,

Murilo Pinto cursou Direito e fez carreira em

terras paulistas. Em 1963, ingressou na magistratura

e, em 1984, foi promovido a desembargador

do Tribunal de Justiça de São

Paulo. Iniciado em 2 de dezembro de 1978

na Loja Maçônica “Universitária” de Bragança

Paulista (SP), passou a representá-la desde

1982 na Poderosa Assembleia Legislativa do

GOSP, onde foi 1º vigilante e presidente por

três mandatos alternados.

Eleito Grão-Mestre-Geral do Grande Oriente

do Brasil em 1993, foi empossado em 24 de

junho do mesmo ano. Seu primeiro mandato

foi marcado pela busca da integração entre

as potências maçônicas regulares, pelos cursos

de Maçonaria Simbólica, que percorreram

as cinco regiões do país, e pelo incentivo

à criação e consolidação de Grandes Orientes

estaduais.

No plano internacional, Murilo Pinto promoveu

o GOB nos Estados Unidos, sendo o

primeiro Grão-Mestre-Geral do Brasil a participar

da Conferência Nacional dos Grão-

Mestres norte-americanos em fevereiro de

1994. Com a viagem, elevou-se de quatro

para nove o número de Grandes Lojas estaduais

norte-americanas a reconhecerem o

Edição especial bilíngue

Edição n. 1

GOB como a maior obediência maçônica do

mundo latino. Firmou, ainda, tratado com a

Grande Loja do México.

Ao mesmo tempo em que divulgava o GOB

no exterior, em entidades como a Ação Maçônica

Internacional (AMI), a administração

Murilo Pinto colaborou expressivamente

para a consolidação dos Grandes Orientes estaduais

da Paraíba, Piauí, Sergipe, Mato Grosso,

Rio Grande do Norte, Alagoas, Rio Grande

do Sul e Paraná, investindo, recursos na construção

de Palácio Maçônico estadual.

Mas foi no terreno da cultura que Murilo Pinto

fez evoluir as hostes maçônicas. Juntamente

com os Irmãos secretários José Castellani (de

Educação e Cultura) e Álvaro Gomes dos San-

Edição n. 2

Edição n. 3

tos (de Orientação Ritualística), implantou

dezenas de cursos itinerantes de Maçonaria,

Edição n. 4


Edição n. 5

Edição n. 7

Edição n. 9

cujo currículo básico compreendia quatro

disciplinas: História da Maçonaria e do GOB;

Administração e Direito maçônico; Templo

e símbolos maçônicos; Liturgia e ritualística

maçônicas.

“Somente com a evolução cultural dos Irmãos,

a Maçonaria poderá voltar a ter o lugar de destaque

social que já apresentou no passado”,

costumava dizer Murilo. E, com esse pensamento,

deu vida ao Palácio maçônico, construído

pelo pragmático Jair Ribeiro, que instituiu

o Conselho Federal de Cultura, o Museu

maçônico e a Biblioteca do GOB, os Rituais

dos seis Ritos reconhecidos pela Federação e

a Revista Cultural Minerva Maçônica.

Os frutos de sua gestão proliferaram rapidamente.

Três anos após sua posse, em 1996,

Murilo jactava-se de que o GOB crescia à razão

de seis lojas por mês. Fundamos mais de

uma loja por semana, comemorava.

Reeleito para o GOB em 1998, Murilo não

chegou a terminar sua gestão. Faleceu vítima

de enfisema pulmonar em 21 de janeiro

de 2001, sete meses depois da morte de seu

inseparável adjunto, o inesquecível Joferlino

Miranda Pontes.

“Francisco Murilo Pinto passará à história

como o Grão-Mestre da integração maçônica

nacional e internacional e da evolução cultural,

binômio que colocou o Grande Oriente

do Brasil, novamente, no caminho de seus

elevados destinos”, escreveu Castellani na

última edição da revista Minerva Maçônica,

que, para indignação dos Irmãos à época, viria

a encerrar sua edição com o falecimento

de seu idealizador.

* Joaquim Nogales é mestre em Comunicação pela

UnB, membro da Loja Honra e Tradição e editor-executivo

da Revista Ao Zenyte.

* Colaborou Lucas Galdeano, Grão-Mestre Adjunto

do Grande Oriente do Distrito Federal (2007-2011)

e presidente do Conselho Maçônico Distrital (2007-

2011). Durante a gestão de Murilo Pinto, ocupou o

cargo de secretário adjunto de Educação e Cultura

do GOB.

Edição n. 6

Edição n. 8


� junho de 1997

† janeiro de 2001

Nascimento e morte da

revista Minerva Maçônica

ao enyte

45


Obra em destaque

Designamos Iluminismo ao movimento

cultural que propiciou o advento

da Modernidade e superou o período

histórico chamado de Idade Média. A

obra de Jonathan Israel, que vasculhou as principais

bibliotecas públicas, universitárias e particulares da

Europa, possui dois méritos que lhe garantem papel

de destaque entre as produções da década.

Primeiro, ela traz à luz correspondências trocadas

entre editores, autores, livreiros, mercadores e gestores

de acervos, retratando, de forma admirável, o clima

de desconfiança, conspiração e perseguição que

moldou aquela época e demonstrando como o Iluminismo

foi um movimento geral, que mudou a face

de toda a civilização, em contraposição ao hábito de

tomá-lo como movimento regionalmente restrito e

diferenciado, ensejando falar-se em Iluminismo europeu,

Iluminismo inglês, alemão e, principalmente,

francês.

Segundo, merece realce o fato de a obra fugir à perspectiva

que normalmente tem sido adotada na consideração

desse movimento. Dado que a modernidade

se caracteriza pela prevalência do pensamento

* Rubi Rodrigues é escritor, membro da Academia Maçônica de

Letras do DF e MM da Loja Três Poderes 2308.

46 ao enyte

Revolução

do saber

Rubi Rodrigues*

Iluminismo Radical – A Filosofia e a Construção da

Modernidade 1650-1750, de Jonathan I. Israel, tradução

de Claudio Blanc, São Paulo: Madras, 2009, 878 p.,

R$ 74,00.

científico, costuma-se tratar e dar ênfase, na consideração

do Iluminismo, aos autores que foram precursores

do pensamento científico moderno, cujas

ideias deram alma à modernidade.

Nesta obra, o autor, ao contrário, destaca produções

e pensadores que atacaram e conseguiram destruir

os alicerces conceituais que sustentavam o modo

medieval de conduzir e vida e a sociedade. Embora

se costume localizar o movimento iluminista no século

XVIII, os elementos corrosivos que começaram

a debilitar as colunas de sustentação da sociedade

medieval já tinham sido lançados no século XVII. Seu

mentor principal, o erudito dos países baixos, Bento

Espinosa (1632-1677), logrou articular um sistema

altamente consistente, um conjunto de ideias que já

estava presente na tradição mística anterior ao cristianismo

e que se mantinha sorrateira e marginalizada

em escritos, lendas e tradições deístas transmitidas

oralmente pela cultura popular, mas cujo fundo

de verdades nunca deixou de impressionar os espíritos

mais atentos.

Daí a lição importante desta obra. Ela nos mostra que

superar uma concepção exige tanto definir e criar

algo novo, que se afigure melhor, como também é

indispensável desacreditar o velho, demonstrando

sua defasagem ou inconsistência. Tanto é necessário

construir o novo como demolir o antigo.


6 n + 0 = n

n - 0 = n

0

¼

matemática

A

3,14


√2

remonta ao homem pré-

histórico, que, não sabendo operar

л

dus, sendo sua divulgação na Europa Ocidental de-


100%

No começo da história escrita dos algarismos, as ci-

$ 2,34 %

rada dos hebreus, romanos, gregos, hindus, chineses

½

π = 3,1416

5,79

x 2 + y = z

As origens da Matemática

“Os algarismos não mentem, mas os mentirosos fabricam algarismos.”

com algarismos ou letras representativas

de quantidades, desenhava

figuras na parede das cavernas. A

figuração dos números permitiu ao

homem contar os objetos.

vilizações empregavam uma escrita numeral do tipo

“pauzinhos de madeira”. Em quase cinco mil anos de

história, o homem evoluiu muito pouco na ciência

dos números.

O emprego de traços verticais IIII e III para representar

os números 4 e 3 guarda maior proximidade com

o ábaco do que com a numeração literal mais elabo-

e árabes, que introduziam novos símbolos para representar

cada uma das colunas do ábaco.

Em mais de 2 mil anos de civilização, os romanos deixaram

marcas da sua escrita e numeração de datas

nos monumentos, sendo que os números (sinais)

correspondiam, no ábaco, respectivamente, à coluna

das unidades, dezenas, centenas e milhares.

Numeração indo-Arábica

A numeração indo-arábica foi inventada pelos hin-

vida aos árabes.

* Laélio Ladeira, ex-professor da Universidade de Brasília, do

Instituto Militar de Engenharia na Praia Vermelha do Rio de

Janeiro e da Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro

é o atual Sumo Sacerdote (High Priest) do Tabernáculo Brasília

236 em Kt.Pt. Laélio Ladeira.

** Este texto foi alterado com a autorização do autor, sendo

parte dele transformada na linha do tempo da história da

Matemática. O texto, na íntegra, pode ser encontrado no

http://lojadepesquisasgodf.webs.com/artigos.htm.

∞Laélio Ladeira*

ao enyte


A invenção hindu de sunya = 0 libertou o intelecto

humano das grades discricionárias do ábaco. Uma

Uma das grandes figuras da história da matemática

foi o sábio Mohamed ibn Musa al-Khwarizmi, que formulou

várias definições algébricas. Os árabes aper-

7

feiçoaram o sistema hindu ao atribuir ao algarismo

zero, pela primeira vez, um valor posicional na representação

dos números. O resultado mais claro desse

fértil período foi a criação do sistema de numeração

indo-arábico, que, com ligeiras alterações na grafia, é

utilizado em praticamente todos os países do mundo

moderno.

2 x 7 = 14

9

¾

vez inventado um símbolo representativo da coluna


vazia, “trabalhar” na lousa, no papel, no pergaminho

ou em qualquer material passou a ser tão simples

quanto trabalhar no ábaco.

Três grandes fatores contribuíram para a invenção

da álgebra entre hindus e árabes: 1) a necessidade

de regras de calcular mais simples, ou algorismos,

como se chamava a aritmética no século XIII; 2) a

solução de problemas práticos envolvendo o uso de

números, isto é, a solução das equações e 3) o estudo

das séries.

Os hindus escreviam as frações à nossa maneira,

apenas omitindo o traço horizontal. A criação dos

sistemas de numeração posicional e da noção do sinal

zero foi de suma importância para a evolução da

matemática e sua popularização. E aprender a ler e a

escrever a linguagem das medições foi fundamental

para o povo compreender as ciências modernas.

No século VII, teve início a religião islâmica, fundada

pelo apóstolo Maomé, que conseguiu unir as tribos

do deserto da Arábia. Nos séculos VIII e IX, os árabes

passaram a invadir os territórios vizinhos, controlando

o território desde a Espanha até o vale do

rio Indo, na Índia, atual Paquistão. Nesse período, os

árabes levaram seu sistema de numeração aos países

conquistados.

Ciência

47


Primeiros sistemas de imagem

numérica: grupos de cinco,

dez e vinte elementos em

referência aos dedos das mãos

e dos pés. Empregava-se

uma escrita numeral do tipo

“pauzinhos de madeira”, para

representar os nove primeiros

números pela repetição de

traços verticais:

I II III IIII IIIII IIIIII IIIIIII IIIIIIII IIIIIIIII

3.400 a.C. – Antigo Egito

3.000 a.C. – Mesopotâmia,

China, Índia

8.000 a 5.000 a.C.

Período Neolítico

48 ao enyte

Linha do tempo da

Papiro de Rhind ou Papiro

de Ahmes, o mais antigo

documento matemático

da história. Relata a vida

do escriba e matemático

egípcio de nome Ahmes

(1680-1620 a.C.), que

detalhou a solução de 85

problemas de aritmética,

frações, cálculo de

áreas, volumes, regra de

três, equações lineares,

trigonometria básica e

geometria.

1.650 a.C.

Possivelmente a

forma inicial de

contar empregava

um sistema de

agrupamento de

objetos, como seixos

e gravetos.

Em algum momento

antes de Cristo

Surge o ábaco!

Os hindus inventaram o sistema

decimal e os números arábicos.

Os números foram chamados

arábicos, porque foram os árabes

que os levaram para a Europa.

Os hindus também inventaram o

conceito de zero:

sunya = vazio = (0).

A importância da descoberta do

zero é globalmente reconhecida.

Nos Vedas (8.500 a.C), há cálculos

matemáticos precisos de

solstícios e equinócios.

640 a.C a 50 a.C.

Grécia antiga

Os paradoxos de Zenão, filósofo e matemático

grego, são difíceis de reconhecer no ábaco, o que

não ocorre no papel. Zenão dizia que Aquiles

jamais conseguiria alcançar uma tartaruga, pois a

distância que os separava poderia ser subdividida

infinitamente, configurando um problema

matemático formidável.

Os gregos achavam a matemática

uma ciência menor. Eles

desenvolveram a geometria

e outras ciências, porém não

conseguiram criar nem sequer

uma álgebra rudimentar. Não

se preocupavam com grandes

números, pois o comércio, grande

incentivador dos grandes cálculos,

só se expandiria com os romanos.

490 a.C. a 430 a.C.

Zenão de Eleia

Pitágoras cunhado em

moeda

É fundamental ter muito cuidado ao consultar

a documentação sobre história da Matemática.

Boa parte dela é escrita por curiosos sem o

entendimento de que conceitos, métodos,

terminologias, notações, valores e motivações

de outrora não são os mesmos de hoje.

Laélio Ladeira


27 a.C. apogeu do

Império Romano

História da Matemática

Brahmagupta se especializa nas

mesmas questões – cálculos,

séries e equações de Lilavati.

Ambos respondem pela

invenção das leis do zero, ou

sunya, lema em que se baseia

toda a nossa aritmética:

a x 0 = 0

a + 0 = a

a – 0 = a

470 d.C.

Os romanos começam a utilizar

letras para representar números.

O sistema de símbolos dos

romanos expressa os números

de 1 a 1.000.000, utilizando sete

símbolos:

I (1), V (5), X (10), L (50), C (100),

D (500), M (1000).

O ábaco era o instrumento mais

empregado para efetuar cálculo.

A numeração romana foi difundida

por mais de 2.000 anos, de 753 a.C.

a 1.453 d.C.

Números atuais

árabes

hindus

europeus

Mohamed ibn Musa al-Khwarizmi,

matemático e astrônomo

muçulmano, introdutor dos

numerais indo-arábicos e

dos conceitos da álgebra na

Matemática europeia. Escreveu o

primeiro livro de álgebra – Tratado

de álgebra. A palavra álgebra

deriva do seu nome.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 0

500 d.C.

~ 598 a 670 d.C.

780 d.C. a

850 d.C

Coube ao matemático italiano Leonardo

Pisano (apelidado Fibonacci) a glória de

ter trazido para a Europa a numeração

arábica (indo-arábico), que veio substituir

o complicado sistema inventado pelos

romanos. No entanto, a introdução

dos numerais arábicos (indo-árabico)

encontrou oposição do público, visto que

estes símbolos dificultavam a leitura dos

livros dos mercadores.

O matemático Lilavati de

Aryabhata discute regras

aritméticas, aplica a lei dos

sinais de Diofanto, apresenta

uma tábua de senos a intervalos

de 3 ¾° e atribui a π o valor

3,1416. Lilavati mostra como

os aritméticos hindus se

preocupavam com problemas

de taxação, dívidas e juros.

Albert Einsten publica a

Teoria da Relatividade

E = mc 2

1202

1905

Publicação do Liber abaci

(Livro do ábaco) por Fibonacci

Os hindus não foram os únicos

a inventar o zero. Os maias

repetiram o feito, empregando

um arranjo vertical de símbolos

numerais análogos aos dos

chineses para as inscrições dos

seus monumentos e calendários.

Existem diversos mitos

sobre a origem dos

números arábicos. Alguns

deles apontam que as

formas originais dos

números indicam seu valor

por meio da quantidade

de ângulos existentes no

desenho de cada algarismo.

Outros mitos sugerem a

quantidade de traços, ou

o número de pontos, ou

de diâmetros e arcos de

circunferência contidos no

desenho de cada algarismo.

m

i

t

o

s


Humor

Segundo grau?

50 ao enyte

Mestre Cayrú

No início da sessão de uma loja, se apresentou ao 2º

vigilante um Irmão bem velhinho, portando avental

branco de aprendiz, dizendo:

— Vim ser elevado ao 2º grau.

Entre surpreso e curioso, o vigilante perguntou:

— Ah! E quando o Irmão foi iniciado na Ordem?

— Fui iniciado em 4 de julho de 1922 e estou pronto

para ir ao 2º grau. Insistiu o ancião.

A essa altura, toda a Loja já estava de olho no Irmão

ancião e o vigilante foi conferir os arquivos da oficina.

Para surpresa geral, lá estava a ficha de iniciação

do sujeito: 4 de julho de 1922.

Sorridente e ainda mais curioso, o vigilante inquiriu:

— E por onde o Irmão andou todo esse tempo? Por

que demorou tanto para ser elevado ao 2º grau?

— Estive aprendendo a dominar minhas paixões,

respondeu o velhinho, suspirando de saudade.

Sou mais eu

Hora do descanso

O aprendiz vai visitar outra loja, mas chega atrasado

aos trabalhos. Desconfiado, o guarda externo pergunta:

— Você é um maçom regular?

O aprendiz visitante responde:

— Eu, não! Maçons regulares são os outros. Eu sou

dos bons!

O poder da informação

Numa capital cosmopolita, o vigário carola vivia brigando

contra o que considerava ideias muito liberais

do jornal do bairro. Cansado de reclamar, o padre

decidiu excomungar o editor-chefe do matutino

em pleno sermão da missa de domingo, com a igreja

lotada.

Dois dias depois, o jornal traz em manchetes garrafais

a expulsão do referido padre da Maçonaria. Indignado,

o sacerdote corre à redação da gazeta para

tomar satisfação com o editor.

— O senhor não pode me expulsar da Maçonaria,

porque eu não sou membro dessa instituição, vociferou

o padre.

— Olha, seu padre, reagiu o jornalista, todo mundo

sabe que eu não sou católico e, mesmo assim, o senhor

me excomungou. Agora, como ninguém sabe

quem é maçom e quem não é, até que o senhor prove

o contrário, vamos continuar dizendo que nós demos

um furo de reportagem.

Instinto animal

Qual o maior receio de um bode velho casado com

uma cabrita nova?

Resposta: Que ela caminhe nos Passos Perdidos.

Democracia

Rígidos seguidores do regimento interno que determinava

a votação para qualquer decisão da oficina,

obreiros de determinada loja se reuniram em comissão

para decidir o que fazer em relação a um Irmão

que acabara de ser internado em um hospital. Após

rápida discussão, decidiram enviar mensagem desejando

pronto restabelecimento ao hospitalizado.

Encarregado de redigir a mensagem, o Irmão secretário

escreveu:

“Estimado Irmão, reunidos em comissão na mesma

data em que o Irmão adentrou nessa digníssima instituição

hospitalar, decidimos, por seis votos a favor,

três contra e uma abstenção, enviar mensagem expressando

o nosso desejo sincero de pronto restabelecimento

do Irmão”.


ao enyte

51


52 ao enyte

Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o Rito Escocês

O Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 para o Rito Escocês Antigo

e Aceito foi fundado em 12 de novembro de 1832, tendo funcionado,

até o ano de 1976, no prédio da rua do Lavradio 97, na cidade do Rio

de Janeiro, sede do Grande Oriente do Brasil.

Sede atual: Campo de São Cristóvão 114

Rio de Janeiro/RJ – Brasil

Fone: (21) 2589-8773

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