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BRASIL

ALÉM DO COMUM

KILIAN

JORNET

O cara mais

insano das

montanhas

ÁFRICA

VIRGEM

Quilômetros

de praias

com ondas

intocadas

19

MANEIRAS

de mudar

o mundo e a

si mesmo

MADS MIKKELSEN

O ator europeu de maior sucesso na atualidade fala de vida,

morte e da nova temporada da série Hannibal

JANEIRO DE 2015CANIBAL


A energiA

de red Bull em três

novos sABores.

crAnBerry lime BlueBerry

www.redBull.com.Br


50

ESTILO AFRICANO

O fotógrafo da África do Sul

Alan van Gysen abre seu

portfólio espetacular

JANEIRO DE 2015

KENNETH WILLARDT/CORBIS OUTLINE (COVER), ALAN VAN GYSEN, MATT GEORGES

BEM-VINDO

Algum dia você imaginou que subir montanhas

gigantes – as mais altas do mundo – em alta

velo cidade e descê-las também deste modo

seria algo possível Pois um esportista colocou

esse desafio diante de toda a comunidade

montanhista: Kilian Jornet pode ser chamado

de maluco, mas ninguém pode negar que o que

ele faz está quebrando os limites dos esportes

de alta resistência. O Red Bulletin foi bater

um papo franco com o catalão (pág. 24) – mas

não paramos por aí. Viajamos ao México para

contar como foi a etapa final do Red Bull

Cliff Diving World Series (pág. 40) e também

bis bilhotamos os arquivos do fotógrafo Alan

van Gysen, que tem registros alucinantes de

algumas das melhores – e menos frequentadas

– ondas da África (pág. 50). Vamos nessa

“Existem

várias maneiras

de encarar uma

montanha.”

KILIAN JORNET, PÁG. 24

THE RED BULLETIN 5


O MUNDO DE RED BULL

NESTE MÊS

GALERIA

10 GALERIA As melhores fotos do mês

34

MADS MIKKELSEN

O astro da série Hannibal

fala da fama e de sua

paixão por bicicletas

74

30 HORAS DE FESTA

Música eletrônica sem fim, gente

animada e mulheres interessantes:

tudo numa única balada em Londres

40

A PRÓXIMA GERAÇÃO

Quem será o próximo rei do Red Bull Cliff

Diving World Series Orlando Duque,

atual detentor do posto, tem sua opinião

64

MALAS PRONTAS

Tiveram uma ideia muito boa:

colocar uma pipa de paraglider

junto com o snowboard

48

STÉPHANE PETERHANSEL

Hexacampeão com as motos e penta

com os carros no Rally Dakar: Stéphane

Peterhansel, 49 anos, é um mestre

BULLEVARD

16 MUDANÇAS Como mudar

o mundo e nós mesmos

DESTAQUES

24 Kilian Jornet

Loucura Novos limites Show de

resistência Conheça Kilian Jornet

34 Mads Mikkelsen

Entrevistamos o maior ator europeu

da atualidade

40 Red Bull Cliff Diving

Fomos ao México registrar a última

etapa do campeonato

46 Banda do Mar

A nova banda de Marcelo Camelo

e Mallu Magalhães

48 Stéphane Peterhansel

Um mestre do Rally

50 Alan van Gysen

O portfólio de um dos maiores

fotógrafos de surf

AÇÃO!

64 MALAS PRONTAS Snowboard no ar

65 MINHA CIDADE Gdansk, na Polônia

66 EM FORMA Força no basquete

67 WFL Corrida noturna

68 RELÓGIOS Oris

70 BALADA Casa92

71 MÚSICA Ariel Pink

72 GAMES Universe Sandbox 2

73 ENTRETENIMENTO Luz, câmera, ação

74 VIDA NOTURNA Fabric

80 NA AGENDA Dicas de janeiro

84 MOMENTO MÁGICO Montanha lilás

KENNETH WILLARDT/CORBIS OUTLINE, ALEX DE MORA, GETTY IMAGES, SAMO VIDIC /RED BULL CLIFF DIVING, FLAVIEN DUHAMEL/RED BULL CONTENT POOL

6 THE RED BULLETIN


NOSSO TIME

QUEM FEZ

A EDIÇÃO DESTE MÊS

“A modéstia

e a veia competitiva

aliadas

aos seus feitos

extraordinários

fazem dele

um cara único.”

Norman Howell sobre o montanhista

Kilian Jornet (pág. 24)

NORMAN

HOWELL

O jornalista apaixonado por

esportes de montanha já

entrevistou diversos atletas.

Mas nenhum foi tão natural

e carismático quanto o catalão

Kilian Jornet, atleta de

endurance que corre e esquia

nas maiores montanhas do

mundo. “Quando o fotógrafo

pediu que ele corresse até

uma encosta íngreme entre

mato, raízes e buracos, ele

o fez com tranquilidade, sem

esforço, como se deslizasse

sobre o chão”, diz Howell.

“Ele tem uma relação

espi ritual com a natureza.”

Conheça Jornet na página 24.

ALAN

VAN GYSEN

No começo, na escola de salvavidas

júnior, ele tinha medo

das ondas. Mas não demorou

para o fotógrafo sul-africano

Alan van Gysen superar seus

medos e começar a captar

a arte do mundo do surf ao seu

redor. Nos últimos 15 anos

ele viajou pelos litorais da

África e do Oceano Atlântico,

atrás do desconhecido e com

a esperança de encontrar dias

perfeitos e ondas perfeitas.

“Uma coisa é fazer esses

registros direto no lugar.

E é bom demais juntar tudo

e reviver as experiências.”

Confira a partir da página 50.

WERNER

JESSNER

Os caminhos de Werner

Jessner e do campeão do

Dakar Stéphane Peterhansel

se cruzaram várias vezes

nos últimos 20 anos. Numa

delas, Jessner foi a um passeio

exclusivo na antiga fábrica

da Mitsubishi. Peterhansel

foi entrevistado enquanto

pilotava a 160 km/h. Ao se

deparar com um entroncamento,

não diminuiu a velocidade.

Jessner ficou tenso

e Peterhansel apenas sorriu

e foi com tudo. Dessa vez,

a entrevista foi consideravelmente

mais tranquila. Confira

o resultado na página 48.

THE RED BULLETIN

PELO MUNDO

O Red Bulletin é publicado

em 11 países. Acima, a capa

da edição dos EUA

BASTIDORES

Balada sem fim

por Alex de Mora

O Red Bulletin já o mandou

a um chuvoso festival

no sul da Inglaterra para

fotografar uma aranharobô

gigante, o que foi

um teste de maratonista

para o fotógrafo londrino

especializado em música

e moda. Mas desta vez

Confira a balada de 30 horas na pág. 74 fomos além: “Uma balada

aberta por 30 horas é

loucura – e fotografar isso é mais louco ainda”, diz De Mora

sobre sua maratona na Fabric, em Londres.

Alex de Mora (à direita)

com o repórter Florian

Obkircher, do Red Bulletin

8 THE RED BULLETIN


DESERTO DO KALAHARI, SUL DA ÁFRICA

FAÍSCA INICIAL

“Você, seu carro e o horizonte.” Com este slogan, a Kalahari Desert

Speedweek vem atraindo os fãs de carros antigos do mundo inteiro

para a savana desde 2012. A promessa: acelerar sem regras de

trânsito – tanto em máquinas tradicionais como em motos.

A caça ao recorde de velocidade começa na parte sul-africana

do deserto. Vantagem do local: o dobro do tamanho da Espanha.

Ou seja, espaço para se soltar à vontade.

www.speedweeksa.com

Foto: Tyrone Bradley

11


LONDRES, INGLATERRA

STREET STYLE

A ideia por trás do Red Bull Local Hero Tour é muito

simples: quatro feras do BMX viajam pela Grã-Bretanha

em busca de pistas de skate e de talentos locais. Se não

há pistas, é preciso improvisar. Na Westminster Bridge

em frente ao Parlamento Britânico, por exemplo. As marcações

das ciclovias ganham uma interpretação muito livre,

como demonstram os feras [da esq. para a dir.] Anthony

Perrin, Simone Barraco, Bruno Hoffmann e Kriss Kyle.

www.redbull.com/bike

Foto: Rutger Pauw/Red Bull Content Pool

12


YUCATÁN, MÉXICO

ESTUDO SOBRE

A QUEDA

Uma piscina gigante no meio da selva Os cenotes,

típicos do México, se formam quando tetos de cavernas

de rocha calcária desmoronam e os orifícios formados

se enchem de água doce. Local perfeito para a final do

Red Bull Cliff Diving World Series 2014. Na foto, os saltos

de aquecimento dos atletas. Eles saltaram de uma altura

de 19 metros. Gary Hunt (ING), que levaria o título mais

tarde, é o segundo da esquerda.

www.redbullcliffdiving.com

Foto: Romina Amato/Red Bull Cliff Diving

14


BULLEVARD

REVOLUÇÃO!

AGORA É

A SUA VEZ!

O orador controverso

agora é escritor: Russell

Brand quer estimular

o ativismo político

Ele já foi ao trabalho vestido

de terrorista, foi depen dente

de heroína e contava publicamente

suas aventuras sexuais.

Hoje ele mudou e parece que

está iluminado. O multitalento

britânico é adepto do veganismo

e pratica meditação transcendental.

E o próximo em

sua lista é o mundo. Em seu

livro Revolution, o portador

da boa nova entre os comediantes

apela a uma mudança

radical no sistema político.

Como Começando por

si mesmo.

DICA: Russell Brand, Revolution

(Editora Cornerstone, 2014)

“VOCÊ PODE

MUDAR O MUNDO.

OU A SI MESMO.

O SEGUNDO É

MAIS DIFÍCIL.” (*)

(*) Disse Mark Twain (que por sinal trocou seu nome)


BULLEVARD

Vira, vira, virou!

TOME A

INICIATIVA !

Está claro: se quer

uma mudança, você

tem que fazer algo.

Mas o quê

SUA ESCOLHA

VOCÊ PRECISA

DE MUDANÇAS

As perguntas mais importantes

na vida têm respostas muito

simples. Se você for sincero

S

VOCÊ É INFELIZ

N

N

APAREÇA!

Manifestantes contra a

Parceria Transatlântica

(TTIP) levam seu frango

desinfetado com cloro.

VOCÊ GOSTARIA

DE SER FELIZ

S

MANTENHA

TUDO IGUAL

S

VOCÊ QUER

MUDAR A

SUA VIDA

N

TIRE A ROUPA!

Andar de bicicleta em

Madri está diferente.

Os ciclistas nus pedem

mais ciclovias.

VOCÊ ESTÁ

PREPARADO PARA

AS DIFICULDADES

DE UM NOVO

COMEÇO

N

DE VERDADE

N

S

S

DEAN CHALKLEY, GETTY IMAGES, FOTOLIA, REUTERS(4), CORBIS

Surpresa! Andreja Pejić é o nome desta modelo

australiana que adora confundir nossos conceitos

sobre o que é masculino e feminino. Ela nasceu e foi

criada como menino, mas na adolescência descobriu

seu lado feminino e acabou conquistando as passarelas

da moda em Paris – tanto em roupas femininas

quanto masculinas. Foi eleita uma das 100 mulheres

mais sexy do mundo pela revista masculina FHM e

hoje, aos 23 anos, vive oficialmente como mulher.

ESPALHE O CHEIRO!

Parlamento de Berlim:

o grupo Attac mostrou

como cheiram esterco

ou riqueza acumulados.

ESCREVA NO CORPO!

O Femen se mobiliza

contra a exploração

sexual das mulheres.

A polícia não tira o olho.

MUDE

DE VIDA!

COMO VEJA

NAS PÁGINAS

SEGUINTES

S Sim N Não

THE RED BULLETIN 17


BULLEVARD

MUDE EM UMA SEMANA

DESCUBRA

SEU VERDA-

DEIRO EU E

DESENVOLVA

TODO SEU

POTENCIAL

Veja como se transformar,

em apenas sete

dias, em uma pessoa

muito, muito melhor

1 2 3

SEGUNDA-FEIRA TERÇA-FEIRA QUARTA-FEIRA

ENCONTRE

O ERRO

Ninguém é perfeito.

Nem você, não é mesmo

Se você responder a

UMA destas perguntas

com SIM, você ainda tem

seis dias para aprender

a dizer NÃO.

VOCÊ…

…é tímido demais para conversar

com o cara do espelho

…atualiza seu status usando

copiar e colar

…só se levanta de manhã para

poder se deitar novamente

à noite

…não consegue tocar os dedos

dos pés nem sentado

…acha que uma dieta equilibrada

consiste em alternar entre pizza

e nuggets de frango

…acha que reiniciar só tem a ver

com computador travado

Então, já está mais

do que na hora

de arregaçar

as mangas e fazer

uma melhora

nessa sua vida.

Somente com seu estilo próprio

você poderá se manter sobre

os próprios pés

PROCURE POR

SIGNIFICADO

O autoconhecimento

é o primeiro passo para

a melhora. Questione

sua rotina e seja sincero

com você mesmo.

Completamente sincero.

1. Se você pudesse mudar

algo em você imediatamente,

o que seria

A Meu corpo.

B Meu caráter.

C Minha inteligência.

E você já está

realizando

mudanças em

algum deles

2. Há alguma

coisa que você

sempre quis fazer

mas nunca fez,

apesar de não custar

dinheiro

A Sim.

E o que você está

esperando

B Não.

O quê Você não tem

imaginação

3. Você tem um segredo que

colocaria seu relacionamento

em risco caso viesse à tona

A Sim.

O segredo é que é muito

grave ou o seu relacionamento

é que é muito fraco

B Não.

Seu/sua parceiro(a) é tão

compreensivo(a) assim ou

a sua vida é que é regrada

4. Qual destes destinos você

escolheria

A Famoso, mas infeliz.

B Podre de rico, mas sem

amor.

C Feliz no amor, mas pobre.

E qual deles se parece mais

com a sua vida real C Sinceramente

Tem certeza

ABANDONE

A ROTINA

A vida começa onde a zona

de conforto acaba. Então,

vá lá fora e faça exatamente

o contrário de tudo

que tem feito até agora.

Sinta o vento da mudança.

Infiltre-se num grupo de autoajuda

para antigos membros

de seitas e se apresente

como seu novo líder.

Entre numa loja, tire

todas as suas roupas

no provador, coloqueas

na prateleira ao

lado do caixa, pisque

para a vendedora:

“Sim. É isso

mesmo”. E saia

completamente

nu pela porta.

Diga a seu chefe que

você conside raria

seriamente uma

redução no salário

dele.

Ligue para sua mãe e pergunte

se ela sempre come toda a

comida do prato.

Pergunte à sua namorada

o que ela está pensando.

Se não tem uma, pergunte

à sua terapeuta.

“Todos

pensam

somente

em mudar a

humanidade.

Ninguém

pensa em

mudar a

si mesmo.”

LIEV TOLSTÓI

FOTOLIA(2), REUTERS, CORBIS

18 THE RED BULLETIN


BULLEVARD

4 5 6 7

QUINTA-FEIRA SEXTA-FEIRA SÁBADO DOMINGO

FA Ç A

CONTATO

Soft skills são dinheiro

vivo: só quem consegue

inspirar as pessoas pode

aumentar seu capital

social. Misture-se.

MEXA SEU

CORPO

Dedique esse dia a seu

corpo. Ande de bicicleta.

Ou nade. Faça flexões.

Ou corra pelo menos

os últimos 10 metros

até o ônibus.

ACEITE SEUS

VÍCIOS

Cinco passos para

a frente e um salto

para trás: adiante-se

ao efeito ioiô. Faça as

pazes com a preguiça.

BEM-VINDO À SUA

NOVA VIDA!

E então Já sente a força

do seu novo eu pulsar

nas suas veias Então

agora descanse e curta

o momento.

Acenda o forno e coloque

dentro dele uma pizza

recheada de nuggets

de frango.

Beba 14 garrafas de vinho

como Gérard Depardieu.

Se ainda for possível ficar

em pé (piscadinha), faça

sexo loucamente.

No fim do dia, escreva uma

carta a si mesmo. Explique

o quanto você já está velho

para a vida que levava antes.

Mostre seu verdadeiro eu, e as pessoas se sentirão atraídas por você

FOTOLIA(2), REUTERS, GETTY IMAGES, NASA

QUEBRA-GELO

Uma entrada silenciosa é a sua

marca registrada Não por

muito tempo. Objetivo do dia:

comece uma conversa com

cinco pessoas desconhecidas.

DICAS PARA QUEBRAR O GELO

Espalhe fatos interessantes.

De preferência sobre o

tempo. Por exemplo: “Você

sabia que 80 por cento das

pessoas atingidas por raios

são homens”

Faça elogios a seu interlocutor.

Por exemplo:

“Que peruca chique!

Posso experimentar”

Perguntas interessantes

garantem a continuidade

do diálogo: “Quando foi

a última vez que você pensou

sobre como a

vida é curta”

RELAXE

COM IOGA

A pose do escorpião em

três passos:

1 Inspire.

2 Expire.

3 Faça a pose do escorpião.

A gente

se vê na

segunda!

THE RED BULLETIN 19


BULLEVARD

MARLON BRANDO

usou em Uma

Rua Chamada

Pecado o que na

época era roupa

de baixo: uma

camiseta branca.

Hoje é a coisa mais

normal do mundo.

DICAS DE

LEITURA

Para carreiristas:

os clássicos que

o guiarão ao poder.

Memorize somente

uma frase de cada

ARTE COM DADOS

SUA NOVA,

VERDADEIRA

SELFIE

É possível fazer coisas

incríveis com os dados

que registram movimento:

crime ou arte

Passos, curtidas, histórico de

buscas: tudo o que fazemos

pode ser quantificado. A artista

Laurie Frick transforma seus

dados em arte com um

aplicativo bem divertido:

NICOLAU MAQUIAVEL:

O PRÍNCIPE

“Os homens são tão

simples e obedecem

tanto às necessidades

presentes, que quem

engana encontrará

sempre quem

se deixa enganar.”

O FRICKbits

registra os lugares

onde você

esteve. Quanto

mais você se

movimenta, mais

colorido fica.

SEMPRE TEM UMA PRIMEIRA VEZ

FORAM ELES QUE COMEÇARAM

Correr, lavar as mãos, usar camisetas: sim. Estas coisas

também tiveram que ser inventadas. Graças a três heróis

ROBERT GREENE:

AS 48 LEIS DO PODER

“Qualquer erro cometido

com ousadia é facilmente

corrigido com

mais ousadia. Todos

admiram o corajoso.

Ninguém louva

o tímido.”

Você pode

compartilhar sua

obra de arte com

os amigos. Ou

deletá-la. Junto

com os dados,

esperamos.

IGNAZ SEMMELWEIS

O médico de Budapeste era

criticado por pedir que lavassem

as mãos antes das operações.

JERRY MORRIS

Provou na década de 1950 que

correr regularmente é saudável.

Não é só cansativo.

DALE CARNEGIE:

COMO FAZER AMIGOS

E INFLUENCIAR

PESSOAS

“Fale para as pessoas

sobre elas mesmas

e elas o escutarão

por horas.”

KOBAL COLLECTION, GETTY IMAGES, IMAGO

20 THE RED BULLETIN


BULLEVARD

VIRADA NA CARREIRA

DE VOLTA

AO COMEÇO

Não é toda mudança

de direção que leva

a uma melhora

Só ficamos sabendo das

histórias das pessoas que

mudaram radicalmente

de vida e se deram bem.

Não foi o que aconteceu

com estes famosos. Talvez

porque eles já tivessem

encontrado seu verdadeiro

talento há muito tempo.

NAOMI

CAMPBELL quis

lançar carreira

como cantora,

mas o álbum de

estreia foi um

fiasco. Quem ouviu

sabe por quê.

MICHAEL

JORDAN interrompeu

sua carreira

no basquete

em 1993 para

dedicar-se ao

beisebol. Durou

dois anos.

LUDWIG

WITTGENSTEIN

sentiu um chamado

para ser

professor. Depois

de cinco anos, ele

era novamente

filósofo. Lógico.

“A vida não é fácil

em lugar nenhum.”

LUDWIG WITTGENSTEIN

FRANKIE MUNIZ

decidiu começar

uma carreira de

piloto em 2006.

E ganhou um

prêmio. Dos

colegas, por

jogar limpo.

KAINRATH – DUAS VEZES DOIS SÃO...

GETTY IMAGES(4) DIETMAR KAINRATH

RELAÇÃO

EDUCAÇÃO

THE RED BULLETIN 21


BULLEVARD

Mais futuro para o presente!

Como mudar nossas vidas, se todas essas coisas ainda não existem

Tá... a questão do amor... O amor existe. O que falta é coragem

TELETRANSPORTE

EM VEZ DE VOO

Economia de tempo e talvez de

energia. Mas o lobby do suco de

tomate ainda é muito poderoso.

E STÁ NA

HORA DO

JANTAR

Estas três iguarias vão

mudar você de dentro

para fora. Acredite

UPDATE PARA A VIDA

NÃO TEM APP

PARA ISSO

Sim, claro! Seis deles vão

melhorar muito a sua vida

MAIS BONITO

Estas sementes de

maconha não dão barato,

mas são verdadeiras

bombas de proteína.

Em vez de queimar erva,

queime gorduras,

mantendo a forma.

SUAR

Sete minutos de

exercícios por dia

são suficientes com

o Fitness Coach.

MOTIVAÇÃO

Independentemente

de seu objetivo:

o Beeminder ajuda

a não se perder.

WINGMAN

BroApp envia

um torpedo à sua

namorada caso

você se esqueça.

NO PONTO

Toggl mede o

tempo de trabalho

e percebe quando

você enrola.

MAIS FORTE

Na Ásia, existem mitos

de que o sangue de

cobra além de melhorar

o sistema imunológico

também aumenta a virilidade

dos homens. Não

há provas científicas.

Candidatos a cobaias

FESTA SEM FIM

Ele encontra sempre

o melhor club

ou o melhor bar

por perto: event0.

DAR SORTE

Comece o dia

de forma positiva

com o Five

Minute Journal.

CRESCIMENTO

Essa seria para

viver rindo: dentes

que não param

de crescer.

Quando sai, senhores

nerds da

biotecnologia

AMOR LIVRE

Viva o poliamor!

A charada continua

sendo

como ser feliz

para sempre

somente com

um parceiro.

FAZ TUDO

Máquina de lavar

e computador

foram um bom

começo. Mas

e os robôs domésticos

que

fazem tudo

MAIS INTELIGENTE

Escargots são o

melhor alimento para

o cérebro. Os ácidos graxos

ômega-3 melhoram

a memória, e o hormônio

T3 da tireoide aumenta

a atividade cerebral.

Apetitosos.

DIÁLOGO DAS LATAS

O que o ano novo trará

CORBIS(3), FOTOLIA(3), GETTY IMAGES(3) DIETMAR KAINRATH

22 THE RED BULLETIN


BULLEVARD

BOAS INTENÇÕES

FAÇA ISSO NO ANO NOVO

Parar de fumar, beber menos, malhar mais etc.,

etc. Sei... Nós temos cinco dicas muito boas

para o resto de seus dias

Caramba!

Quem precisa disso

Capacete

pensador

Neuroestimulação craniana é o nome

que os cientistas deram ao que esta

máquina faz com você. Simplificando:

o Foc.us aumenta a eficiência do

cérebro estimulando-o com impulsos

elétricos. Eletrochocante!

1

VISTA VERMELHO!

Psicólogos descobriram que pessoas em fotos com

moldura vermelha são consideradas mais atrativas.

Azar no amor Use roupas vermelhas este ano.

Pelo menos a cueca.

O chato

O HAPIfork dispara um alarme quando você

passa dos limites com a comida. Quem não

quiser receber ordens do garfo que coma

com as mãos. Isso sim faz feliz.

CORBIS(5)

4 SESSÕES DE RELAX SEXUAL POR SEMANA!

Uma pesquisa grega confirmou: pessoas que fazem

sexo pelo menos quatro vezes por semana ganham

3% a mais que aquelas que só podem, ou querem,

ou conseguem, uma vez por semana.

2

3

5

NÃO ACEITE SER PROMOVIDO!

Quem pode fazer mais do que o trabalho exige é

promovido. Até alcançar o patamar da sua incompetência.

É o que diz o “Princípio de Peter”, e muitos

superiores são a prova viva de sua precisão.

PROCRASTINE – MAS COM ESTILO!

Você vive deixando as coisas para amanhã Cientistas

descobriram que isso não é necessariamente

ruim. Quem protela conscientemente sabe lidar

melhor com a pressão. E surfa a adrenalina.

4

NÃO CONFIE NA SUA INTUIÇÃO!

Ela engana, pois as informações que recebemos

do ambiente não são precisas. Por isso, só tome

decisões com base na lógica. O nobel Daniel

Kahneman refletiu muito a respeito.

Canhão

fotográfico

Pesa 20 gramas, não é muito

maior que a unha do polegar

e registra duas fotos por

minuto. O Narrative Clip

salva cada momento da

sua vida. O seu sorriso

também amarelou

THE RED BULLETIN 23


KILIAN JORNET DIVIDE OPINIÕES NO MUNDO DO MONTANHISMO

O QUE O ATLETA CATALÃO TEM FEITO NOS PRINCIPAIS MONTES DO PLANETA

É ALGO JAMAIS VISTO: ELE ENCARA OS DESAFIOS A TODA VELOCIDADE,

COM O MÍNIMO DE EQUIPAMENTO E MUITA CORAGEM

POR: NORMAN HOWELL

FOTOS: MATT GEORGES

MAIS

DO QUE

ESCALADA

25


Homem rápido:

Kilian Jornet

demonstra o que

faz dele um ser

supremo nas

montanhas,

enfrentando o

caminho íngreme

e sinuoso no

vilarejo de Le Tour,

perto de Chamonix

“NÃO SINTO MEDO, MAS EXISTE UM SENTIMENTO CONSTANTE

DE PREOCUPAÇÃO. SE VOCÊ NÃO GOSTA DO RISCO, OU NÃO

ACEITA, NÃO DEVE FAZER ESSAS COISAS. MESMO TREINANDO

E VIVENDO NAS MONTANHAS, NUNCA SE SABE DE TUDO.”


Kilian Jornet é um homem que vai a muitos lugares

e com rapidez. Ele corre no verão e anda de esqui no

inverno. É o melhor atleta de resistência do mundo e,

aos 27 anos, acumula conquistas mais importantes

que muitos atletas de nível internacional. Ele vence

corridas de centenas de quilômetros, corre por geleiras,

sobe a toda velocidade montanhas e depois desce

de esqui. Subiu alguns dos picos mais importantes

do mundo a toda velocidade, sem auxílio, carregando

o mínimo de equipamento, quebrando recordes improváveis.

Quando ele pode, para, admira a vista, come

umas frutinhas e bebe água direto da fonte. Na maior

parte das vezes, compete contra ele mesmo.

Para alguns, ele inventou um novo esporte; para

outros, está envergonhando a longeva tradição do

alpinismo e incentivando um comportamento irresponsável

nas montanhas. Jornet prima pela simplicidade:

ele diz que é apenas um montanhista em

busca de diversão.

Diversão, no vocabulário de Jornet, quer dizer subir

e descer o Mont Blanc em 4 horas e 57 minutos e

o Matterhorn em 2 horas e 52 minutos. Ou percorrer

toda a extensão dos Pireneus, do Atlântico ao Mediterrâneo,

850 km e 42 mil metros de elevação, em

oito dias. Ou, sua mais nova opção de divertimento,

conquistar o Monte McKinley, no Alasca, a 6 168 metros,

o mais alto da América do Norte, escalando a pé

na neve e na cerração, e depois descer de novo, de

esqui, num trajeto de 11 horas e 48 minutos ao todo.

Outro recorde, outra façanha do montanhismo.

Além dessas realizações na escalada de velocidade,

Jornet foi muitas vezes campeão mundial em uma

corrida extrema por trilhas (distâncias grandes, de

tipicamente 80 km a 160 km de montanha), escalada

vertical (1 km em disparadas de castigar o pulmão)

e corridas na altitude (mais curtas, de 20 km a 42 km).

Ele também venceu a maioria das mais importantes

competições de montanhismo e alpinismo em todos

os Alpes e detém o recorde de muitos deles. No final

do ano, vai em busca do Aconcágua, nos Andes argentinos,

próximo da cidade de Mendoza. Depois, atacará

montanhas na Rússia e América do Norte.

A seguir, enumeramos alguns extratos de uma

longa entrevista que Jornet concedeu ao Red Bulletin

no vilarejo de Le Tour, próximo de Chamonix, na

França, enquanto subia um caminho íngreme para

encontrar um local adequado para a sessão de fotos.

Uma van Mercedes azul com placa da Espanha entra

no estacionamento. Kilian Jornet chegou. Ele está de

bermuda, colete de corrida, jaqueta e tênis de trilha.

Parece pequeno dentro da jaqueta. Ele é tímido no

começo. Apesar de ter presença, um sorriso pronto e

a aura de alguém que já fez tanta coisa, ele não fala

muito. É bastante gentil, prestativo e, pelas quatro

horas e meia seguintes, está totalmente dedicado a

ser um profissional perfeito.

“NÃO VEJO DISTINÇÃO ENTRE

ESQUI, MONTANHISMO E CORRIDA:

PARA MIM, É TUDO UMA QUESTÃO

DE ESTAR NAS MONTANHAS.”

the red bulletin: Fale sobre a sua família.

kilian jornet: Meu pai é um guia e guardião

de uma reserva na montanha. Ele aborda de forma

clássica o montanhismo: usa botas e mochilas

enormes. Minha mãe é professora, adora correr,

pratica o montanhismo de maneira mais relaxada

e tem uma profunda consciência da natureza.

Ela me transmitiu o desejo de compreender como

as coisas acontecem e como a natureza é. Desde

meus 3 anos até talvez os 10, depois do jantar,

antes de ir para a cama, já de pijamas, nós saíamos

para dar uma caminhada na floresta.

Lembro-me de ficar com medo nas primeiras vezes,

minha irmã e eu nos agarrávamos nas pernas da minha

mãe e ficávamos junto dela. Mas, pouco depois, nos

acostumamos com tudo, com a floresta, e, apesar de

perceber que não se pode saber o que está ao redor,

pode-se sentir o chão, tem o vento e a chuva, você

começa a ficar mais confiante para caminhar na floresta

à noite e passa a se divertir. Meus pais desenvolveram

em mim um grande sentimento de responsabilidade.

Quando nós partíamos em uma trilha, nunca

eles foram na dianteira. Ao contrário, minha irmã e

eu íamos na frente e tínhamos que decidir o caminho.

28 THE RED BULLETIN


Grandes marcas:

Kilian Jornet é

multicampeão

de trail running,

skyrunning e

escalada vertical.

Ele também tem

diversos recordes no

alpinismo com esqui


“QUANDO COMECEI A PRATICAR, AOS 13 ANOS, FIQUEI FASCI-

NADO PELA HISTÓRIA DE BRUNO BRUNOD E DE SEU RECORDE

NO MATTERHORN (...) FORAM FAÇANHAS QUE ME FIZERAM

SONHAR. PARA MIM, ERAM ACONTECIMENTOS LINDOS.”

Jornet sabe como poucos

que montanhismo é um

estilo de vida. Sua maneira

de encarar as montanhas

em desafios que beiram

o surreal é vista por

ele como algo natural,

uma maneira própria de

interagir com a natureza


Quando errávamos, eles nos ajudavam

a consertar e a analisar nossos erros junto

com a gente. Era divertido, nós tínhamos

que nos lembrar de referências, das flores

e dos animais.

Diversão é o que importa.

Acho que é importante ser feliz. Não quer

dizer que tudo tenha que ser carpe diem

e só se divertir a todo momento. Você

também precisa buscar as coisas que te

fazem feliz. Isso significa muitas vezes

que será difícil e haverá sofrimento, mas

também haverá diversão. O sofrimento

é duro, mas é diferente se vem do mundo

exterior. Então, é um estado mental diferente.

Por exemplo, você está em uma

expedição e está realmente frio e o tempo

está terrível: você sofre, é claro, mas é

a sua escolha, então você lida com isso.

O montanhismo não é apenas um esporte,

é um estilo de vida.

Você falou tanto em esportes quanto

em montanhismo. Você inventou uma

nova forma de estar nas montanhas,

um novo esporte

Não, estou apenas repetindo o que as

pessoas fizeram no passado e o que ainda

farão no futuro. Quando observamos o que

figuras como Bruno Brunod e Marino

Giacometti fizeram, foi igual, ou como

Walter Bonatti, que estava fazendo um

montanhismo light há muito tempo, como

fazia Reinhold Messner, à sua maneira...

É bacana ver que existem várias formas

de se relacionar com a montanha. Tem

os base jumpers, cuja interpretação é

completamente diferente das montanhas,

e eu com meu estilo de corredor… nós

estamos todos fazendo a mesma coisa,

mas de maneiras diferentes.

O fotógrafo então pede que Jornet corra

sobre uma superfície particularmente

íngreme do terreno com uma geleira no

fundo que ficaria bem na foto. Jornet tira

a jaqueta que usava por baixo e corre. Ele

não faz nenhum esforço, é leve, saltitante.

Em menos de um minuto ele desaparece

de vista ao alcançar o cume. Ele não está

correndo, ele apenas flui pela montanha.

Você descreveu uma vez a corrida

como um fluxo. Você correu antes e

nada foi um obstáculo, você simplesmente

ultrapassou tudo com muita

tranquilidade.

“É BONITO VER OS

ANIMAIS SE MOVENDO.

ELES TÊM MUITA SUTILEZA.

NÓS NÃO FOMOS

FEITOS PARA ISSO.”

32


Sim, mas existem alguns lugares onde

os obstáculos existem (risos). É muito

bonito ver os animais se movendo. Eles

se mexem com tanta sutileza que parece

fácil. Para nós, é muito técnico, você

precisa se concentrar onde coloca os pés,

e você luta, e então vê um bicho correndo

e se dá conta de que na verdade nós não

fomos feitos para isso.

Falando sobre os riscos, o seu recorde

no Monte McKinley foi alcançado nas

mais duras condições.

Sim, o tempo estava terrível no Denali

[como é chamado no Alasca]. Estava lá

havia 20 dias e tinha apenas passado

três com sol. O tempo estava bom quando

cheguei. Mas depois disso foi ruim.

Quando soube que haveria uma janela

de tempo aberta, decidi arriscar. O tempo

mudou a 5 mil metros: eu estava no meio

das nuvens e ventava forte. Começou a

nevar e minha visibilidade não ia mais

que 20 metros. Então, nos últimos 1,5 mil

metros, realmente dei tudo porque estava

sozinho e tinha que abrir a trilha, o que

era difícil. Eu não sabia se conseguiria

chegar ao cume. Quando consegui, foi

uma sensação muito boa de colocar meus

esquis no pé, porque a escalada tinha

sido muito difícil. Mas o tempo estava

piorando: era uma cerração densa, e eu

podia ver apenas 2 ou 3 metros na minha

frente e nevava pesado. Eu tinha que descer

rápido para quebrar o recorde. Então,

desci direto, praticamente às cegas, já que

eu realmente não sabia o que encontraria

pela frente.

Você teve medo

Não é medo, mas existe um sentimento

constante de preocupação. Se você não

gosta do risco, ou não aceita, não deve

fazer essas coisas. Mesmo indo muito

às montanhas, treinando e vivendo nelas,

Um dos feitos mais

recentes de Jornet

foi a escalada do

McKinley, no Alasca,

onde esquiou por

mais de 11 horas

nunca se sabe de tudo. Pode-se saber apenas

uma parte pequena, e é preciso aceitar

isso. Quando se é jovem, olha-se para a

montanha, enxerga-se sua beleza, mas não

se entendem os riscos. Quanto mais se

cresce em anos e experiência, mais se vê

a montanha de forma diferente. Você entende

os perigos. E eles não são os que você

espera, ou os que os livros avisaram. Sempre

são as coisas mais estranhas, inesperadas,

o ilógico. É preciso saber e compreender

isso se quiser estar nas montanhas.

Outra pausa porque o fotógrafo precisa

ajustar a iluminação. Jornet se acomoda

em um arbusto e colhe umas frutinhas. Ele

faz isso muito durante a entrevista,

pega umas frutinhas

azuis e outras vermelhas. Ele

pega um punhado e as oferece.

“É rico em vitamina C! Tem

tanta comida boa nas montanhas,

é por isso que eu quase

nunca levo nada para comer.

E tem água em todas as partes!”

Então, ele tira uma foto das

frutinhas selvagens na palma

da mão e posta no seu Instagram.

Ele gosta de mostrar

seu dia a dia nas montanhas.

Tem mais de 60 mil seguidores.

Como começou o projeto

“The Summits of My Life”

Comecei há três anos, mas

tenho ele em mente há muito

tempo. Quando era criança,

tinha um pôster enorme do

Matterhorn no quarto, e os

livros que eu lia eram sobre

montanhismo. Então, sabia

o nome dos picos e suas histórias.

Quando comecei a praticar

esportes, aos 13 anos,

fiquei fascinado pela história

de Bruno Brunod e do seu

recorde no Matterhorn, ou

de Stéphane Brosse, quando

ele estabeleceu o recorde

no Mont Blanc… essas foram

as façanhas que me fizeram

sonhar. Essas montanhas e

esses feitos eram ao mesmo

tempo lindos e estéticos.

Stéphane Brosse morreu enquanto

conquistava os oito picos do maciço

do Mont Blanc de esqui com Jornet.

Brosse era um dos seus ídolos.

PROJETO

“SUMMITS

OF MY LIFE”

Por que escolheu esses cumes

O Matterhorn, bom, porque está lá.

E por causa do recorde de Bruno Brunod,

que foi uma conquista inacreditável.

Cruzar o Mont Blanc

(4 810 m)

A rota de Courmayeur a

Chamonix liga as capitais

do alpinismo. 8h42m

(normalmente: 3 dias)

Matterhorn (4 478 m)

Quebrou o recorde

de Bruno Brunod,

seu herói de infância,

em 1983. 2h52m

Mont Blanc (4 818 m)

A montanha mais alta

dos Alpes. 4h57m

McKinley (6 168 m)

A mais alta da América

do Norte e sujeita a

temperaturas polares.

11h48m

Aconcágua (6 959 m)

O pico mais alto da

América do Sul. Ele irá

encarar no fim de 2014.

Monte Elbrus

(5 642 m)

O monte mais alto

e difícil da Europa.

Tentou uma vez e não

conseguiu. Tentará

de novo em 2015.

Everest (8 848 m)

O topo do mundo –

ainda busca liberação.

E o Mont Blanc pela sua posição na

história do montanhismo. O Aconcágua

é o mais alto na América Latina. O Elbrus

é o mais alto da Europa, e eu também

gosto do fato de a Rússia ter a cultura

de selecionar as melhores pessoas para

expedições nas montanhas colocando-as

para escalar essa montanha com velocidade.

Você consegue imaginar uma corrida

entre Chamonix e o cume do Mont

Blanc Impossível, mas é o que acontece

na Rússia, e é por isso que eu gosto tanto

de ir para lá. O McKinley é uma montanha

polar com condições realmente extremas,

e o Everest, é claro, é a mais alta do mundo

e, hoje, com todas as expedições comerciais,

é fácil de escalar. Mas,

se você não vai pela rota normal

e evita as cordas fixas,

então é uma montanha grande.

Como você se sente de subir

o Everest depois de toda

a confusão que aconteceu

neste ano

Muito da confusão surgiu

da forma como a maioria

das pessoas no Oriente lida

com a escalada, de maneira

muito comercial. Quando

Ueli Steck e Simone Moro

estiveram lá, eles escalaram

rápido, então não fazia parte

das ideias de sherpas que

uma escalada daquelas fosse

possível. Com o Everest, se

você vai pela rota normal,

onde todas as outras pessoas

estão escalando, pode ter

problemas. Nós vamos evitar

a rota normal, estaremos sozinhos

daquele lado da montanha.

Haverá apenas quatro

de nós, sem carrega dores.

Nós podemos ter pro blemas

entre nós mesmos (risos),

mas não com os outros.

É hora de ir. Jornet precisa

fazer umas filmagens no

esta cionamento onde nos

encon tramos. Escurecerá

em breve. Ele pega uma das

pesadas sacolas do fotógrafo,

carregada de equipamento,

coloca nos ombros e começa

a descer a trilha. Ele cantarola sozinho,

como faz no filme Déjame Vivir e nos

muitos vídeos em que aparece no YouTube.

Sem forçar, apenas fluindo pelo caminho

pedregoso e enla meado. Infantil e alegre.

Jornet some de vista, a voz do seu canto

sumindo atrás dele. Ele simplesmente

ama fazer o que faz.

www.summitsofmylife.com

33


AS LIÇÕES

DE HANNIBAL

LECTER

Em entrevista ao Red Bulletin,

Mads Mikkelsen fala sobre

grandes temas como a vida

e a morte; Deus e o mundo;

e bicicletas

ENTREVISTA: RÜDIGER STURM

FOTOS: KENNETH WILLARDT/CORBIS OUTLINE

34


“[Se percebo que não fluí na

interpretação] Exijo repetir.

Porque sei que não ficou bom.

Não importa o quanto

o diretor esteja satisfeito.”


Mads Mikkelsen, 48, dinamarquês, filho de uma enfermeira

e de um sindicalista, é hoje provavelmente

a maior estrela entre os atores europeus. Ele chega

para a entrevista com o Red Bulletin meio despenteado,

com sua barba por fazer e a camisa enfiada de qualquer

jeito no jeans. Mas ele está bem acordado e com

um humor ótimo. “Antes de começar a entrevista,

tenho que avisar uma coisa para você”, diz. “Nós, os

dinamarqueses, somos muito bons em fazer piadas

com nós mesmos. Por trás de tudo que dizemos tem

sempre um senso de humor cruel.” Foram essas suas

primeiras palavras antes de falar sobre seu processo

criativo, suas crenças e a paixão pelas bicicletas.

the red bulletin: Senhor Mikkelsen, você fez

um vilão com James Bond, foi herói no faroeste

e na mitologia grega, e também encarnou

Hannibal Lecter. De onde vem essa preferência

por personagens extremos

mads mikkelsen: A resposta é simples. A minha

vida é muito chata. Para um projeto me tocar, ele

tem que ser ou dramático ou emocionante ou mesmo

louco. Eu preciso do contraste. De comédias, por

exemplo, eu não gosto nem um pouco. A não ser

que sejam muito loucas.

Hannibal é tudo menos uma comédia. No momento,

você está filmando a terceira temporada da

série que tem sido um sucesso. Não teve dúvidas

quanto a fazer esse personagem

Não depois que falei com Bryan Fuller, a mente

criativa por trás da série. Ele queria me apresentar

a história em dez minutos. Depois de duas horas,

ele ainda estava falando. Ele delirava sobre Hannibal

como um adolescente apaixonado. Depois dessa

conversa, ficou claro: tinha que fazer alguma coisa

junto com aquele cara doido.

37


Ex-dançarino

profissional,

Mikkelsen iniciou

a carreira de ator

nos anos 1990,

fazendo seu nome

como um traficante

de drogas na trilogia

dinamarquesa

Pusher

Quanto é necessário e até que ponto o ator deve

encarnar um personagem canibal

Hahaha, você quer saber se eu…

...não foi até as últimas consequências,

certamente.

Fora suas preferências alimentares muito... excêntricas,

ele não é um psicopata típico. Hannibal Lecter não

é um animal unidimensional. Não cometa o erro de

reduzi-lo. Ele ama arte, música, comida, línguas e,

também, matar. Para ele, trata-se de mais uma paixão.

Tem inclusive um certo, digamos, amor no que faz. É

uma faceta que tento expressar... Acha louco demais

Talvez se você explicasse essa ideia um pouco

melhor.

Ele é um dos monstros mais horrorosos que já vimos.

Claro. Mas, deixando de lado suas atrocidades, podemos

aprender muito com Hannibal. Por exemplo,

que a vida no limiar da morte é muito mais interessante.

Porque é quando percebemos que devemos

aproveitar a vida ao máximo todos os dias. Ele não

tem tempo para banalidades. Não perde tempo com

pessoas estúpidas. Você pode aprender muito com

essa atitude. Além disso, uma coisa que me fascina

nele é sua imensa autoconfiança.

Por quê

Porque sou uma pessoa insegura. Sempre estou

inseguro quando experimento alguma coisa, cada

vez que faço um trabalho. O sentimento de insegurança

é minha companhia constante

“Quando você sobe na bicicleta e quase

cospe sangue, o seu cérebro produz

essas endorfinas [...] Ando todos os

dias. Se não ando, fico desesperado.”

Agora você está mentindo.

Não! É verdade!

Insegurança poderia ser útil se você fizesse personagens

medrosos, desesperados, desconfiados.

Mas você interpreta heróis. Como dá para ficar

inseguro ao interpretar heróis

Tenho que esquecer a insegurança. Eu sei, eu sei,

falar é fácil. O que tento fazer é, quando estou interpretando,

entrar em um tipo de estado fluido. Então

não penso. Eu sou. Quando começo a pensar e raciocinar,

quando estou consciente do que estou fazendo,

então não funciona. Quando percebo que isso aconteceu,

preciso repetir tudo novamente.

A não ser que o diretor goste do resultado.

Não. Não abro mão. Eu exijo repetir. Porque sei que

não ficou bom. Eu sei. Dá para entender Não importa

o quanto o diretor esteja satisfeito.

38 THE RED BULLETIN


Você tem alguma tendência em ser solitário

Essa profissão é ao mesmo tempo muito social e

muito antissocial. Quando estamos trabalhando,

estamos cercados de gente o tempo todo. Ou não

seria possível realizar o trabalho. Ao mesmo tempo,

um ator tem que vivenciar seu próprio processo

interno. Você tem que encontrar uma personalidade

diferente dentro de você e conduzi-la. Para isso é

preciso estar completamente sozinho. E é preciso

conseguir estar nesse estado mesmo rodeado de

centenas de pessoas. Isso tem que ser aprendido.

Quando se aprende a escutar somente os próprios

pensamentos e a própria música interna, a qualidade

da inspiração se torna infinita.

Como se aprende isso Maturidade

Anos de meditação

Andando de bicicleta.

Ah.

Ando todos os dias. Uma ou duas horas, quando vou

sozinho. Mais tempo se vou com um grupo. Andar

de bicicleta é a minha droga. Você pode perguntar

aos maratonistas ou triatletas. Todos conhecemos

a sensação. Quando você sobe na bicicleta e quase

cospe sangue, o seu cérebro produz essas endorfinas.

Coisinhas incríveis. Você fica viciado nelas. Quando

não posso andar de bicicleta alguns dias, entro

em desespero.

Senhor Mikkelsen, isso é uma confissão de

um viciado em drogas

Hahaha, até um certo ponto, sim. Claro que tem

situações em que você esgota todas as energias, está

fraco e pega uma gripe. Isso seria uma viagem errada,

se você quiser. Mas normalmente você ganha uma

boa dose de adrenalina. Tem pessoas que precisam

sentir o perigo para experimentar essa sensação.

Elas escalam montanhas. Isso não me interessa.

O que me interessa é ir até aquele limite extremo

em que nada mais rola. Onde já não posso mais.

Isso me deixa realizado.

O que exatamente deixa você realizado

Eu já refleti sobre o que acontece ali. Mas não sei

o que é. Sinceramente. Devo ser simplesmente

viciado em esportes. Mesmo quando não estou com

a bicicleta, pratico algum outro esporte – futebol,

handebol, tênis. Quando tenho um intervalo, assisto

a esportes na TV.

Tem alguma aventura de bicicleta que marcou

você

Uma vez em Los Angeles. Um amigo tinha duas bicicletas

de corrida e me desafiou. Fazia algum tempo

que não pedalava, mas não dei importância. Normalmente

estou em boa forma. E então fomos... subindo

e descendo as montanhas ao redor de Los Angeles.

E foi um fiasco. Sofri muito. Quase morri. Sem chance

de ganhar do meu amigo. Uma frustração completa.

Depois da corrida, disse a mim mesmo: “Você não

pode admitir isso”. Comprei uma bicicleta de corrida,

me preparei, voltei a Los Angeles e aí ele teve que

se ver comigo. Foi muito divertido!

Quer dizer que podemos imaginar como Mads

Mikkelsen organiza corridas particulares de

ciclismo nas estradas ao redor de Los Angeles

(Risos.) Não como algo que aconteça todo dia. Mas

daquela vez foi importante. Eu precisava daquela

revanche. Não podia simplesmente aceitar uma

derrota sem fazer nada.

Não é uma acusação, mas tem uma razão para

se fechar uma estrada quando se realiza uma

corrida.

Claro. Você tem razão. Eu reconheço que foi perigoso.

Nas ruas de Los Angeles têm essas grades enormes

sobre os bueiros para recolher a água da chuva.

Elas são grandes demais para você passar em cima

com a bicicleta. O pneu entala. O que teria graves

consequências mesmo numa velocidade abaixo

dos 50km/h. Mas eu fui com tudo a 50 por hora na

direção de uma dessas grades. Quando vi, era tarde

demais para desviar. Eu sabia: ou conseguia saltar

sobre a coisa, ou seria uma queda. E por sorte eu

consegui. Só uma pequena parte do pneu traseiro

tocou a grade. Essa foi por muito pouco.

Talvez tenha um anjo da guarda vigiando você

Não sou nada religioso. Zero. Claro, seria muito

bom se houvesse um ser superior bondoso. Mas,

até que tenhamos prova disso, acho que é melhor

que tomemos as rédeas de nossa vida nas próprias

mãos. Ação própria, responsabilidade própria.

Prefiro assim.

Em todo caso, deve ter sido uma sensação incrível

sair de um susto desses sem um arranhão...

De jeito nenhum! Eu estava irritado e assustado.

Acabei de dizer que o perigo não me excita. Não

me interessa.

Mas, por outro lado, você também disse que

a vida no limiar da morte é mais interessante.

O que não significa que você deve se arriscar

imprudentemente.

Senhor Mikkelsen, você está dizendo isso no

mesmo momento em que acende um cigarro!

Ponto pra você. Hahahaha! Eu já tentei parar,

mas não consegui.

Pense bem, quantos desafios ciclísticos você

não poderia vencer com os pulmões limpos

Você tem razão. Se eu parasse de fumar, seria mais

rápido pedalando. Talvez possa me fixar nessa ideia

como motivação para parar.

39


“Ele é muito bom.

Sua figura no ar é muito

bonita”, diz Duque sobre

Paredes. “O Johnny tem

fome, tem vontade…

E todas as habilidades

necessárias para ser

um sucesso no esporte”


INSTRUÇ ~ O E S

PARA HERDAR

UM REINO

Cenote Ik Kil, estado de Yucatán (México).

Última parada do Red Bull Cliff Diving World

Series 2014. O saltador mexicano Jonathan

Paredes está na beira da plataforma, a 27 m de

altura. Abaixo, Orlando Duque, 12 vezes campeão

mundial, o anima. O medo e a pressão se notam

no ar.Jonathan salta e falha em sua entrada

na água. Orlando ri e aplaude: ele sabe que acabou

de ver um futuro número um do mundo falhar

Por: Armando Aguilar

ROMINA AMATO/RED BULL CONTENT POOL

41


Quando o nome de Jonathan

foi mencionado para que fosse

convidado ao Red Bull Cliff Diving

World Series, Orlando o apoiou.

“Pediram minha opinião, e eu disse

que sim na hora. Só recomendo

quem tem realmente qualidade.

E ele se destacava, sem dúvida”

A

foto é comovente. Dois amigos unidos,

um com um abraço e o outro com o coração:

Jonathan não só rodeia Orlando

com seus braços, como também repousa

sua cabeça sobre o ombro de seu mentor.

Os dois sorriem com essa alegria contagiante.

Acabam de conseguir algo histórico:

Orlando Duque, a grande lenda, e

Jonathan Paredes, o novato, levam o ouro

e o bronze, respectivamente, na estreia

dos saltos de grande altura dentro do

Campeonato Mundial da Federação Internacional

de Natação, em Barcelona, 2013.

“Conseguimos, cara. Conseguimos!”, diz

o colombiano ao jovem, que não consegue

conter a emoção e começa a chorar.

Alguém comenta com o mexicano que

ninguém de sua delegação presenciou sua

façanha. “Não importa, aqui está Duque,

que é quem tem que estar”, responde.

Além dessa medalha, 2013 foi tão

incrível para Jonathan (novato do ano no

Red Bull Cliff Diving e quarto lugar geral

– atrás de Duque, que ficou em terceiro),

que muitos acharam que o mexicano era

a próxima grande estrela dos saltos de

penhasco. “As pessoas que entendem desse

esporte podem identificar quem tem um

futuro extraordinário e quem vai ter que

trabalhar com mais esforço. Johnny é dos

primeiros. É como as pessoas que entendem

de cavalos: sabem em que animal

devem apostar”, diz Orlando.

No entanto, 2014 acabou não sendo

maravilhoso para Jonathan: arrancou

com dois pódios no Red Bull deste ano,

mas teve dois tropeços graves, em Portugal

e na Espanha. O novato do ano passado

foi desmoronando, e sua participação

na temporada 2015 está em perigo.

Tudo se define aqui, em Ik Kil.

Jonathan Paredes pode realmente ser

um herdeiro digno do legado de Orlando

Duque “Não é meu legado. Somos muitos

os que colaboramos todos estes anos para

tornar grande esse esporte, a diferença

é que eu durei várias gerações. Mas sim,

ao final, Johnny será a pessoa que transmitirá

o conhecimento aos novos saltadores”,

afirma Orlando, que também adverte:

“Mas ele precisa melhorar algumas coisas,

nós já falamos sobre isso. Por exemplo...”.

Aqui vão os conselhos de uma lenda para

seu amigo:

“PERCA O MEDO, É HORA DE

ARRISCAR.” Durante a prática prévia

à grande final 2014 do Red Bull Cliff

Diving em Ik Kil, Jucelino Junior, saltador

brasileiro, caminha até a beira da plataforma.

Ele para, espia o penhasco e dá

dois passos para trás. Jucelino volta para

a borda da plataforma, fica imóvel por

alguns segundos e, quando parece que

vai decolar, retrocede. Decepcionado,

Depois de ser o novato

do ano em 2013, Jonathan

experimentou a fama

e a exigência. “Este ano

eu estava esperando

muitas coisas muito cedo,

e acho que foi isso que

me pressionou”, afirma

42 THE RED BULLETIN


DEAN TREML/RED BULL CONTENT POOL (2), AGUSTIN MUNOZ/RED BULL CONTENT POOL

“O JOHNNY PRECISA PARAR DE

SE DEIXAR PRESSIONAR TANTO

PELO PAÍS, PELA FAMÍLIA, POR

ELE MESMO, E CURTIR MAIS.”

THE RED BULLETIN 43


O que Orlando

significa para Johnny

“Ele é a pessoa que eu

mais admiro e que vou

admirar para sempre,

porque ninguém vai

conseguir o que ele já

fez até agora. Nem eu

vou conseguir isso”

“NÃO É RUIM TER MEDO,

MAS AQUI É PRECISO

ARRISCAR.”

ROMINA AMATO/RED BULL CONTENT POOL (2), DEAN TREML/RED BULL CONTENT POOL

44


abaixa a cabeça. Lá embaixo, o público

o incentiva. Jucelino volta à posição de

salto, abre os braços para começar, mas

se arrepende, levanta uma mão para se

desculpar e se retira. Sim, esses homens

também sentem medo. E como não ter

medo quando você vai se jogar de uma

altura de oito andares, uma ousadia que

acelerará seu corpo mais rápido que um

carro de corrida, para impactar com a água

a 85 km/h em apenas três segundos

“Quando você para na plataforma e volta,

está claro que existe temor. Quando você

chega ao final da plataforma, não vai voltar,

porque está preparado para saltar.

E Johnny estava tendo um bloqueio meio

complicado em relação a isso”, indica

Orlando. O temor é um sistema de defesa

que nos põe em alerta, mas se nos domina

faz com que cometamos erros, e isso é

uma coisa que um saltador de penhascos

não pode se permitir. “Não é ruim ter

medo, mas aqui é preciso arriscar e vencer

o temor. Uma nota 9 ou 10 de qualificação

não se consegue com hesitações.

Johnny deve confiar no seu preparo, foi

para isso que ele treinou, para se arriscar

de uma forma segura. Ele foi entendendo

isso, e cada vez salta mais tranquilo.”

O que motivou Orlando a “adotar” Jonathan

“Eu achei ele legal. Johnny é uma pessoa

agradável, é muito educado e estava muito

emocionado por competir entre nós”

F

AÇA SALTOS COM

MAIOR GRAU DE DIFI-

CULDADE. OS SALTOS

QUE VOCÊ DOMINA

JÁ NÃO LHE BASTAM.”

Duque sempre admitiu

que não tem muito

como ajudar Jonathan

em relação à técnica:

“O que Johnny sabe sobre saltos ele

aprendeu há muito tempo com a escola

mexicana de clavados (saltadores de

grandes alturas), uma das melhores do

mundo, mas já é necessário que ele aumente

o grau de dificuldade”. Durante

o ano passado e o começo deste, a média

de qualificações para os saltos de Jonathan

era 9. A fórmula era simples: ele executava

saltos excelentes e conservadores,

à espera de que os outros competidores

falhassem um pouco nos saltos mais arriscados.

“Isso não tinha como funcionar

sempre, os outros saltadores aperfeiçoaram

os saltos com maior grau de dificuldade,

e agora os saltos que Johnny mais

domina já não são suficientes.”

É o que está acontecendo agora em

Ik Kil: enquanto Jonathan tenta garantir

seu lugar na série do próximo ano com

os saltos com os quais ele se sente seguro,

o inglês Gary Hunt apresentou como último

salto um triple quad, um dos saltos

com maior grau de dificuldade. Jonathan

falha e mal consegue receber alguns oitos;

Gary recebe uma enxurrada de noves com

seu último salto. “Eu nunca fiz os saltos

mais difíceis, mas sempre saltei com muita

qualidade, e isso me fez ganhar muitos

eventos”, diz Orlando. “Johnny não tem

que fazer os saltos mais loucos ou os mais

perigosos, basta que ele aumente o grau

de dificuldade e faça ótimas execuções

para voltar a ter bons resultados.”

Abdominais, oblíquos

e pernas fortes são

indispensáveis para

um bom salto, um

treinamento que é

mais parecido com

a academia do que

com saltar de

um penhasco

“QUANDO VOCÊ ESTIVER COM

SEUS MELHORES RESULTADOS,

TREINE COM MAIS ESFORÇO DO QUE

NUNCA.” Se tem um erro que Orlando

Duque cometeu e que ele não gostaria

que Jonathan repetisse, é se sentir superior

aos outros atletas. “Quando eu não

parava de ganhar, no início de minha carreira,

esqueci um pouco do treinamento

pois sentia uma grande vantagem.” Apesar

de ser um esporte cujas execuções duram

apenas alguns segundos, aqui é vital ter

um preparo físico excepcional. “A qualidade

de Johnny pode levá-lo a achar que

pode treinar menos que os outros, mas

ele deve se preparar ainda mais para aumentar

a vantagem”, aconselha Orlando.

“PARE DE SE PRESSIONAR TANTO.”

Após o último salto de Paredes em Ik Kil,

o público e a imprensa estão desiludidos.

Jonathan não está no pódio. Não há nenhuma

façanha mexicana para comentar

a respeito. A nota é que Gary Hunt é o campeão,

e Jonathan não garante um posto

para a série do próximo ano. Agora ele

terá que passar por uma fase classificatória

para obter seu lugar. Duque não se alarma:

“Ele certamente vai ganhar a classificatória

e estará na competição em 2015. O que

aconteceu hoje foi a lição do ano inteiro:

Johnny precisa parar de se deixar pressionar

tanto pela família, pelo país, por ele

mesmo, e curtir mais”. Depois de suas surpreendentes

vitórias de 2013, muitos se

esqueceram de que Jonathan Paredes tem

apenas 25 anos, que ele ainda é um novato

e que compete contra os melhores saltadores

do mundo. Inclusive o próprio Johnny

se esqueceu de que tem uma carreira pela

frente. Jonathan quis conquistar o mundo

do cliff diving em dois anos porque isso

era o que todos esperavam dele. Todos,

menos o homem que já ganhou tudo nesse

esporte e que tem um último conselho

para o mexicano: “O que você conseguiu

até agora já tem muito mérito. Jonathan:

você está fazendo uma coisa que a imensa

maioria do planeta não é capaz de fazer,

em lugares maravilhosos como este. Olhe

ao seu redor, este penhasco não é incrível

Você está praticando um dos esportes

mais arriscados do mundo. Divirta-se!”.

www.redbullcliffdiving.com

45


Banda do Mar

Formada no final de 2013

em Lisboa, Portugal, lançou

seu primeiro disco, Banda

do Mar, em maio de 2014

“Me Sinto Ótima”

Uma das músicas que mais

se destacam no disco é

“Me Sinto Ótima”, na qual

Mallu Magalhães mostra que

a temporada europeia está

lhe fazendo muito bem

“Mais Ninguém”

Primeiro single da banda,

“Mais Ninguém” tem um

divertido clipe com o trio

dançando por Lisboa, e a

letra diz: “Fazemos a festa /

Somos do mundo / Sempre

fomos bons de conversar”


BANDA DO MAR

“É mais que um

trabalho para nós”

Conversamos com Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Fred Ferreira sobre

a turnê brasileira da Banda do Mar, trio formado em Portugal

Por: Fernando Gueiros

DIVULGAÇÃO

Marcelo Camelo e Mallu Magalhães são

o casal mais badalado da música nacional.

Acontece que, desde o final do ano

passado, eles não moram mais no país –

se mudaram para Lisboa, onde, em pouco

tempo, passaram a fazer música junto

com o baterista português Fred Ferreira,

amigo de Camelo dos tempos de Los

Hermanos e membro de bandas como

Buraka Som Sistema e Orelha Negra.

No primeiro disco da banda, Banda

do Mar, o trio acertou o tom e agradou

a críticos e aos já apaixonados fãs de

Camelo e Mallu. As 12 músicas refletem

a tranquilidade do trio, com letras sobre

alegria, paz e diversão – bastante do

que o casal brasileiro encontrou na

capital portuguesa.

Mallu mostra maturidade em suas interpretações

e dá a entender como está

sua vida atualmente em músicas como

“Me Sinto Ótima”, uma das melhores do

disco. Camelo parece que se libertou de

um trabalho solo muito frutífero, intenso

e extremamente poético para encarar

um projeto dançante e animado. Fred foi

a cereja do bolo, o equilíbrio que o caso

precisava para deslanchar com arranjos

arejados e extremamente atuais.

Nos shows feitos aqui no Brasil, a Banda

do Mar se apresentou junto com Marcos

Gerez e Gabriel Bubu, que já trabalharam

com Marcelo Camelo. Entre uma e outra

parada na turnê que passou por mais de

dez cidades, Mallu, Camelo e Fred falaram

com a gente.

the red bulletin: Como foi a recepção

do público nos shows da Banda do Mar

aqui no Brasil

Marcelo Camelo: A gente esperava que

o público gostasse, mas ficamos surpresos

com o carinho enorme com que os fãs

nos receberam, foi incrível.

Mallu Magalhães: A gente está vendo

tanto os fãs antigos meus e do Marcelo

como um pessoal novo. Fãs da Banda do

Mar mesmo, que já vieram com o disco

novo na cabeça.

Como é o processo de divulgação

de discos nos tempos de hoje A internet

tem um papel importantíssimo.

Vocês acham que o CD está morrendo

Vocês se preocupam com isso de

alguma maneira

“Aconteceu de

forma natural.

Cada um compunha

sua parte

e mostrávamos

um para o outro.”

Mallu: Apesar de a internet ter um papel

totalmente importante, não acho que o

CD morreu e não acho que isso um dia

vai acontecer, sempre vão existir apreciadores

dessa mídia.

Existe alguma divisão de tarefas na

banda Ainda mais considerando que

dois membros são marido e mulher,

a relação na hora da criação tem

alguma regra

Mallu: Não existe uma divisão imposta,

eu e o Marcelo que fizemos as letras, o Fred

foi importante nos arranjos. Todo mundo

acaba ajudando no que pode.

Marcelo: A Banda do Mar aconteceu de

forma bem natural. Cada um compunha

sua parte, e, quando a música estava o

mais perto de ficar pronta, nós mostrávamos

aos outros, que davam sugestões.

Mallu: A música é muito mais que um

trabalho para a gente, então não existe

essa divisão entre trabalho e vida pessoal

entre nós.

Fred, quais são os sons novos vindos

de Portugal que você recomenda para

os nossos leitores

Fred Ferreira: Em Portugal assim

como no Brasil temos bandas muito boas

que eu posso destacar como grupos que

estão fazendo algo novo, nomes que acho

muito bons como Deolinda, David Fonseca,

The Legendary Tigerman, Frankie Chavez,

Osso Vaidoso, Dead Combo, Da Weasel,

Xutos & Pontapés, Buraka Som Sistema,

Regula, Sam The Kid, Orelha Negra...

Quais são as diferenças e as semelhanças

entre a música portuguesa e a brasileira.

Por quê

Fred: Juntar as culturas é ótimo, e a cultura

brasileira e a portuguesa não são

tão distantes. Somos países irmãos e com

muita música e cultura para descobrir

ainda sobre cada um deles.

Mallu, vocês se mudaram para Lisboa

por um tempo. O que foi o melhor dessa

experiência de vida Quais as principais

diferenças que sentiram entre a vida

em Lisboa e a vida que tinham em SP

Mallu: Continuamos morando em

Lisboa, viemos para o Brasil para os

shows da Banda do Mar mesmo. Temos

uma rotina bem tranquila em Portugal,

assim como a que tínhamos no Brasil.

O Brasil sempre será nossa casa, mas

agora Lisboa também é nossa casa,

estamos curtindo a rotina por lá.

www.bandadomar.com.br

THE RED BULLETIN 47


Nome

Stéphane Peterhansel

Nascido em

6 de agosto de 1965

em Échenoz-la-Méline,

França

Estreia no Dakar

em 1988, na Yamaha

Vitórias no Dakar

em 1991, 1992, 1993,

1995, 1997 e 1998 com

a Yamaha na categoria

motos. Mudou para

carros em 1999. Vitórias

em 2004, 2005 e 2007

com a Mitsubishi e 2012 e

2013 na Mini. E ainda dois

segundos e um terceiro

lugar. Para 26 largadas

somente dois (!) rallies

não terminados


“Você não se cansa

nunca do Rally Dakar,

Stéphane Peterhansel”

São 26 largadas e 11 vitórias. Em toda a história do lendário rally,

nenhum piloto teve mais vitórias do que o francês Stéphane Peterhansel,

de 49 anos. E ele não pensa em parar. O que o motiva

Por: Werner Jessner

FLAVIEN DUHAMEL/RED BULL CONTENT POOL

the red bulletin: Então, você já

não viu tudo depois de tantas edições

do rally Há 26 anos, o seu ano sempre

começa da mesma forma…

stéphane peterhansel: Não! Minha

grande paixão é explorar países novos.

E, como o trajeto muda a cada ano,

sempre tem algo novo para conhecer.

Mas para isso não é necessário ser

um piloto de rally.

É verdade. Em setembro, por exemplo,

eu atravessei o Lesoto de bicicleta.

Por quê

O Lesoto é um enclave na África do Sul.

Eu nunca tinha estado lá, e, como

o Dakar agora é realizado na América

do Sul, ele não me levaria tão cedo para

o sul da África.

Por que de bicicleta

De uma maneira ou de outra, você tem

que ficar em forma para o Dakar.

Mas são 26 largadas no Dakar...

A minha segunda grande paixão é

o automobilismo. O Dakar é, para mim,

a combinação perfeita.

Mas chega o momento em que você

já viu essencialmente tudo...

Eu participei 18 vezes do Rally Dakar

na África. Em cada uma delas o céu

era diferente. Isso sem falar da areia

e dos cheiros.

Que lugar você achou o mais bonito

Pela paisagem, foi o sul da Argélia.

Mas, pelo conjunto de toda a corrida,

o trajeto desde Paris até a Cidade

do Cabo foi o mais diversificado.

Na América do Sul, todos os trechos

pela cordilheira são espetaculares.

Água, seca, altitudes extremas:

muitas opções para o viajante.

Qual é a idade ideal para vencer o rally

Quando eu tinha 35 anos, achava que

meu conterrâneo Jean-Louis Schlesser

era um velho. E hoje ainda sou mais jovem

do que ele era quando conquistou

sua última vitória. Quarenta e nove não

é idade. Eu sou jovem mentalmente e

fisicamente me sinto em perfeita forma.

Por quanto tempo você pretende

correr ainda

Ainda gostaria de conseguir minha sexta

vitória na categoria carros. Ganhei seis

“Pela paisagem,

amei o sul da

Argélia. Muitas

opções para

o viajante.”

vezes na categoria motos. Seria uma

conta redonda. O meu contrato com a

Peugeot Sport tem duração de três anos.

Quando você trocou a moto pelo carro

foi por medo

Mais por instinto de sobrevivência. Em

dez corridas de moto eu não tive nenhum

acidente sério. Mas vi pilotos morrerem

na minha frente e outros ficarem em

cadeira de rodas. Tinha sempre a sensação

de estar no controle da situação.

Mas é exatamente aí que mora o perigo.

Além disso, era bem chato...

Chato!

Muito. Dentro do capacete, você está

sozinho o tempo todo. Para o melhor

e para o pior. No carro, você pode trocar

ideias com o copiloto.

Qual o seu carro preferido

Sempre tive carros muito rápidos. Todos

AWD. Em 2015, vou correr pela primeira

vez com um buggy de tração traseira,

o Peugeot 2008 DKR. Mesmo que nesse

momento, três meses antes do início

da corrida, eu não tenha a sensação de

que ele me permita vencer, ele é o carro

que mais me agrada.

É o que diz o piloto de fábrica.

Mas é verdade. O regulamento permite

maior curso na suspensão do buggy do que

dos carros com AWD (que altera a tração

automaticamente), o que combina melhor

com meu estilo de direção suave e tranquilo.

Quanto pior a pista, melhor o Peugeot.

Quem será o mais rápido Você ou o

companheiro de equipe Carlos Sainz

Por enquanto ele. Simplesmente porque

ele tem mais experiência com buggies.

Você poderia mudar para a categoria

trucks também...

Experimentei uma vez no ano passado.

Não vai acontecer. Não tem nada a ver

com dirigir um carro. Não me interessa.

Ou para o skate.

A última vez que subi num skate foi há mais

de dez anos quando, arrumando a garagem,

encontrei por acaso meu skate velho.

Continuo sabendo o que faço em cima de

um, mas o esporte mudou radicalmente

desde a minha época há quase 40 anos.

Nós competíamos no slalom. Os jovens de

hoje nem sabem que isso existiu um dia.

O que a idade lhe ensinou

Que você tem que ficar atento se não

quiser perder o trem.

www.peugeot-sport.com

THE RED BULLETIN 49


ÁFRICA SALGADA

Ser um surfista na África significa ser comprometido. Significa enfrentar

a infinidade de uma rica e diversa fronteira do surf e estar preparado para

tudo o que aparecer no caminho. Ser um surfista na África é viajar grandes

distâncias por uma onda, e nunca mais querer voltar para casa quando você

encontra o pico certo. O fotógrafo sul-africano ALAN VAN GYSEN, 32 anos,

abriu sua galeria de fotos de surf e contou para o Red Bulletin como é trabalhar

em busca de ondas inóspitas no continente africano

O sul-africano Craig Anderson,

um dos freesurfers mais alternativos

e ousados da atualidade, em Skeleton

Bay, na Namíbia, uma das ondas

mais cobiçadas da atualidade

50


“É difícil não se apaixonar pela África”, diz Alan

van Gysen, descrevendo o mistério e a oportunidade

que acenam para os viajantes antes mesmo que eles

tenham colocado os pés naquele continente de solo

vermelho cor de sangue

Morador da Cidade do Cabo, a uma curta distância da Praia de Kommetjie,

Van Gysen fotografa surf desde o final dos anos 1990. “A África é cercada de mar

e três oceanos que contam com ondas de todos os tipos, a maioria das quais

ainda intocadas e divididas em 38 países”, ele diz. “Esta é a atração: tem alguma

coisa para todo mundo. Uma aventura para todos. Primeiro mundo, terceiro

mundo, mundos intermediários: a África tem a resposta para qualquer pergunta.

Por exemplo, uma das melhores ondas do momento, em Skeleton Bay,

na Namíbia, começou a ser surfada regularmente a partir de 2011. E, no ano

passado, uma onda ainda mais nova apareceu – em Angola, com 3 quilômetros

de comprimento. Imagine o que mais pode existir lá…

O que eu adoro na África é que ela oferece uma sensação de liberdade

desconhecida para muitos dos que vivem no primeiro mundo. Claro que

a sensação de liberdade geralmente tem um preço, que pode chegar na forma

de desafios a serem superados. Mas não é assim que as melhores descobertas

são feitas Como as descobertas culturais nas viagens de ônibus que duram

24 horas. Ou nas suas descobertas pessoais quando o carro quebra no deserto.

Ou descobrindo uma onda quando sua barca foi cancelada e você precisa

tomar uma rota alternativa. Esse é o estilo de vida do surf, e muitas vezes

você só valoriza isso quando desliza numa onda que nunca surfou antes.”

52


Nesta página: o americano Dane

Gudauskas mostra a perfeição

da manobra e da onda num secret

spot no sul de Angola. Surfar sem

ninguém por perto era aquilo que

ele precisava depois de uns dias

parado por causa de uma lesão

À esquerda: o sul-africano

Andrew Lange arrebentando

numa tarde em Moçambique

“O freesurf, ou surfar com a alma, está no coração de todo

surfista. Desde os guerreiros de fim de semana até os ativos

grisalhos viajantes, a busca é sempre por uma onda exclusiva,

livre de ego ou de disputa. A pureza do surf e a satisfação do

coração e da alma… Os surfistas chamam isso de ‘alimentar’,

e é isso que dá o combustível para esse vício que é o surf.

E poucos lugares oferecem tanta exclusividade como a África.”


“O Norte e o Oeste da África têm grandes swells em lugares como Marrocos, Senegal e Ilhas

Canárias, mas poucos lugares oferecem ondas maiores e mais fortes que a África do Sul”, diz

Van Gysen. “Aberta à força total das profundas correntes atlânticas geradas nos Roaring Forties,

a África do Sul é martelada por ondas gigantes durante os meses de inverno do Hemisfério Sul.

A Cidade do Cabo tem uma comunidade de big surf em expansão, os sul-africanos estão

criando fama de destemidos e ligados em dropar ondas grandes. E, enquanto alguns picos não

oferecem boas paredes para manobrar, existem outros muito menores, protegidos, que surgem

quando os grandes swells batem em cheio na ponta mais sul do continente.”


Nesta página: o surfista Josh Redman,

de Durban, faz o bottom turn com estilo

em Hermanus, perto da Cidade do Cabo

Esquerda: o pôr do sol africano é ainda

mais lindo visto da água, com a silhueta

de Craig Anderson em Cabo St. Francis

55


56 THE RED BULLETIN


“Diferentemente de lugares como Austrália,

Havaí e Indonésia, a vida na África não precisa

girar em torno do surf”, diz Van Gysen. “Ainda

existem comunidades que não têm um conceito

do que é surf. É um conceito completamente

exótico, tão alienígena quanto gente voando.

As pessoas às vezes piram na praia, imitando

os movimentos do surf e olhando as pranchas

como se elas tivessem caído do céu. Um dos

grandes presentes de viajar na África é

a oportunidade de mergulhar nessas

comuni dades e em suas culturas.”

Nesta foto e na superior

esquerda: crianças curiosas

em Angola se reúnem em volta

de Cheyne Cottrell e David

Richards pela praia enquanto

eles desbravam uma onda ainda

sem nome. “Depois que nós

paramos de surfar, um molequinho

per guntou onde estavam

as hélices, presumindo que

a prancha de surf era como um

barco a motor”, diz Van Gysen.

“Não tem nada como a emoção

de surfar uma onda pela primeira

vez e saber que nenhum

surfista esteve nela antes”

À esquerda: uma vista

aérea do remoto subúrbio

de Wlotzkasbaken, no deserto

da Namíbia


Imagem principal:

não se engane pela cor.

Esta é a Cidade do Cabo,

e a temperatura é de 9 ºC:

“Pegar a estrada em busca

de ondas novas e boas não

é brincadeira. É imersão

de verdade. É se integrar

ao ambiente”


“A beleza de uma onda vazia, azul

cristalina, é o que motiva o surfista

desde sempre. Ter a capacidade de

estar cortando por dentro um corpo

de água em movimento é a sensação

mais especial e definitiva para qualquer

surfista e vai para sempre se manter

como o aspecto mais eterno do esporte.

Como diz um famoso slogan de uma

marca de surfwear: ‘Only a surfer

knows the feeling’ [Só o surfista

conhece a sensação].”

59


Acompanhar um surfista em

uma onda de 2 km de comprimento

no meio do deserto não é pouca

coisa. “Voando de um país vizinho,

o helicóptero teve que esperar

horas para que a névoa espessa

da Namíbia se dissipasse antes de

pousar na areia em frente a esta

onda”, diz Van Gysen. “A beleza

aqui está em como a onda quebra:

a curva quebrando, a explosão

da água branca, o tubo sombrio

e a água com cor de areia. Craig

Anderson está no meio do caos

e procurando a saída”

“A fotografia sempre foi uma questão de perspectiva. Seja de

cima ou de baixo, horizontal ou vertical, a paisagem é utilizada

para enfatizar o momento. Mas como é que se faz para fotografar

uma das ondas mais insanas do mundo, no meio do Deserto da

Namíbia, sem um ponto privilegiado Em Skeleton Bay não tem

uma elevação de onde se possa observar o surfista, só dá para

ver o mar e a areia até onde o olho consegue enxergar. A solução

então foi o ponto de vista do olho de um pássaro nas nuvens.”


Conheça o autor

Quando Alan van Gysen foi picado

pelo bicho da aventura, 15 anos atrás,

em vez de viajar e gastar suas economias,

decidiu ganhar a vida contando histórias

que viveu com o surf. Uma experiência

em natação competitiva combinada

com o estudo de música clássica e com

a escola de arte foi a preparação ideal

para a forma física da arte da fotografia

de surf. “Prefiro fazer as fotos na água”,

ele diz. “É uma energia muito grande

no momento e isso me dá melhor perspectiva

para registrar e compartilhar

a beleza do tema e do local.”

instagram.com/alanvangysen

61


Conheça a nova

tecnologia para

acabar com barulho

MÚSICA, pág. 71

Aonde ir e

o que fazer

AÇÃO!

VIAGEM / RELÓGIOS / TREINO / MÚSICA / FESTAS / CIDADES / BALADAS

GETTY IMAGES

Reinando

na NBA

PRECISA DE AJUDA PARA TER UM FÍSICO

EXPLOSIVO APRENDA COM HARRISON BARNES,

DO GOLDEN STATE WARRIORS

EM FORMA, pág. 66

THE RED BULLETIN 63


AÇÃO!

MALAS PRONTAS

Pense na manobra

dos sonhos: você

pode realizá-la

T E M

M A I S

COISA!

AS BOAS PEDIDAS

NA SUÍÇA

À LA 007

Faça um salto

de bungee jump

da represa de

Locarno, no Ticino,

no sul do país,

e recrie a cena

de abertura do

filme 007 Contra

Goldeneye.

getyourguide.com

Snowboard no ar

WOOPY JUMPING O NOVO ESPORTE FAZ VOCÊ PLANAR

ENQUANTO DESCE MONTANHAS DE NEVE

Combinando a emoção do snowboarding com a adrenalina

do paragliding, o woopy jumping está cada

vez mais se tornando um esporte comum nos Alpes

suíços. Descendo uma montanha a cerca de 50 km/h

em uma prancha pode ser emocionante, mas com

uma vela inflável em formato de delta acoplada às

suas costas a adrenalina é total. O que seriam solavancos

se tornam pequenos voos. Parece que você

está planando por uma eternidade. Mais de 30 segundos

de voo, se você caprichar. “Parece mesmo

que você está voando de verdade”, diz Emma Shore,

uma praticante de snowboard do Canadá que experimentou

o woopy jumping na região do Lac Noir, na

Suíça. “A vela é realmente muito leve e, quando você

está planando, é como se não tivesse peso algum.”

Com a vela nas costas e a pista brilhando lá embaixo,

os woopy jumpers podem curtir o passeio no ar. A categoria

acabou de surgir nos Alpes suíços, com apenas

uns poucos resorts oferecendo instruções e equipamento.

Mas, com um rápido crescimento e uma experiência

incomparável, não demora muito para que

sua popularidade decole, exatamente como seus participantes.

“Já desci muito com snowboard e também

já planei bastante”, diz Shore, “mas saltar com uma

vela acoplada às costas é realmente demais.”

jump.woopyjump.com

AVISO DE QUEM CONHECE

TENHA ATITUDE

“Decida se o que você quer é planar ou descer a montanha”,

diz Emma Shore. “Se você vacilar quando estiver

decolando, vai sempre escorregar e se esborrachar

no chão. Tome coragem, atitude e assuma o voo!”

Decole

utilizando a vela

de paragliding

A direção certa

“São duas opções de comando”, diz Laurent

de Kalbermatten, inventor da woopy wing.

“Uma é como uma asa-delta, jogando o peso

de acordo com o seu centro gravitacional.

A outra é criando um ‘diferencial’ puxando

em um cabo e em outro para curvar a vela.”

SE JOGUE

Embarque em

um passeio de

helicóptero pelos

alpes e salte de

paraquedas com

instrutor. A altura

4,5 mil metros.

helicopterskydive.com

SUBINDO

Desça de rappel

pelas fendas até

o fundo de uma

geleira e escale

para voltar. Tudo

com a supervisão

de alguns dos

melhores instrutores

de alpinismo

da Suíça.

swissalpineguides.ch

GETTY IMAGES(2), FOTOLIA(2)

64 THE RED BULLETIN


´

AÇÃO!

MINHA CIDADE

Sopot

1

GDANSK

DJ residente:

Tomek Hoax,

35, de Gdansk

2

GDANSK, POLÔNIA

AL. NIEPODLEGŁOSCI

“Um milhão de

conhecidos”

GDANSK JAZZ DE PRIMEIRA, ARQUITETURA

DOIDA, AMBIENTE FAMILIAR – POR QUE A CIDADE

PORTUÁRIA NA POLÔNIA É NOSSA DICA DE VIAGEM

“À primeira vista, Gdansk lembra outras cidades

portuárias no norte da Europa, como Amsterdã

ou Bruges”, conta o DJ Tomek Hoax sobre sua

cidade natal. “Isso por causa das igrejas de tijolo

à vista e dos canais. Mas, na verdade, Gdansk é

única: junto com as vizinhas Gdynia e Sopot, forma

a ‘Trójmiasto’ (Tricidade) – com opções para

todo mundo: Sopot é a metrópole da festa, Gdynia

um oásis de tran quilidade e Gdansk a cidade antiga

com cafés, pubs e bares de jazz. As pessoas São

1 milhão delas vivendo aqui e todas parecem se

conhecer. São abertas aos turistas, o que parece

estar agradando, já que a cada ano chegam mais.”

AL. GRUNWALDZKA

ZASPA

3

GOLFO DE GDANSK

AL. ZWYCIĘSTWA

UL. MARYNARKI POLSKIEJ

UL. JANA Z KOLNA

RIO VÍSTULA

UL. H. SUCHARSKIEGO

TOP CINCO

OS MELHORES DA CIDADE DE TOMEK

AL. ARMII KRAJOWEJ

4

UL. ELBLA˛ SKA

WOJTEK ROJEK, LUKASZ PIETRZAK(2), TOMEK HOAX(2), FOTOLIA(3)

1 SFINKS700

2 CASA TORTA

3 MURAIS

4 NEIGHBOUR’S KITCHEN 5 FOOD TRUCKS

Al. Franciszka Mamuszki 1

“A melhor balada de Gdansk.

Com os melhores DJs locais

e internacionais. O dono é

Leszek Możdżer, famoso

pianista de jazz. Ele está sempre

lá e improvisa ao piano

junto com os DJs. Único.”

Jana Jerzego Haffnera 6

“Ponto turístico, mas que

vale a pena: o edifício doido

foi construído por dois arquitetos

poloneses que se inspiraram

nos gráficos do sueco

Per Dahlberg. Dentro Lojas,

bares e agito.”

Bairro de Zaspa

“Um bairro com atmosfera

antiga: artistas de rua decoraram

os edifícios cinzentos

da época comunista com

grafites gigantescos. Para

ver todos, planeje duas horas

de caminhada. Vale a pena.”

Szafarnia 11

“Pergunta: onde comer

em Gdansk Resposta: no

Neighbour’s Kitchen. Amado

por todos, o restaurante serve

menu de luxo ou hambúrgueres

para paladares exigentes.

Até o pão é feito lá.”

Gdansk, Gdynia e Sopot

“Nossos food trucks são uma

lenda. Carrinhos de lanches

ambulantes que estão em

todos os lugares onde está

acontecendo alguma coisa.

Meu preferido O ‘Mukabar’

e seus sanduíches de falafel.”

A Ç Ã O

EXTRA

EM GDANSK

E ARREDORES

VELEJAR NO GELO

Barcos a vela sobre patins, gelo

liso, velocidade... Os lagos na

Masúria são o paraíso dos

velejadores no gelo.

icesailing.org

SUBMERSO

Quer se divertir mergulhando

Gdansk é o lugar perfeito

para buscar restos de barcos

naufragados.

balticdive.pl

SKATE DE INVERNO

O parque de skate ao ar livre

com 1 500 m 2 é novo. O clima

da costa possibilita a diversão

mesmo durante o inverno.

abiskatepark.pl

THE RED BULLETIN 65


AÇÃO!

EM FORMA

Por que Harrison

Barnes faz treino

de explosão

Porque sim

Harrison Barnes,

22, é ala dos

Golden State

Warriors na NBA

Ele sabe

como voar

BASQUETE VEJA COMO O ALA DOS

GOLDEN STATE WARRIORS, HARRISON

BARNES, SE MANTÉM EM FORMA

PARA DISPUTAR A NBA

“A capacidade de fazer o corpo render

o máximo é o que diferencia um atleta

bom de um atleta excepcional”, diz a fera

da NBA, Harrison Barnes. “No basquete

profissional isso significa principalmente

explosão e velocidade.” Na sua primeira

temporada, em 2013, já pelo time de

Oakland, Califórnia, Barnes alcançou

uma média de 16 pontos nos playoffs.

Depois do sucesso da temporada, o ala

de 2,03 m de altura contratou os serviços

do personal coach Travelle Gaines, que já

treinou mais de 300 jogadores profissionais

de futebol e também estrelas como

o rapper Puff Daddy. Sua preocupação

principal: pernas e a velocidade na passagem

da defesa para o ataque. “Treinamos

muito saltos e corrida”, explica Gaines.

“Tornozelos e dedos dos pés fortes são

decisivos para um salto potente.”

nba.com

Treine como um profissional da NBA.

Veja o vídeo em que Harrison Barnes mostra

seu treinamento em redbulletin.com

ALGEMAS PARA OS PÉS

SKLZ LATERAL RESISTOR

AGACHAMENTO

“Agachamento e extensão de ombros são exercícios fantásticos para trabalhar todo o corpo”, conta

o treinador. “Os melhores resultados são obtidos com duas a três séries de 12 a 15 repetições.”

1 2 3

“Sempre levo essa faixa elástica comigo”,

diz Gaines. “Você coloca nos tornozelos e faz

alguns movimentos muito intensivos (passo

lateral, pivôs, avanços, por exemplo)...

Fortalece os quadris e melhora

a explosão.”

Posição ereta,

pés afastados

na largura dos

quadris, halteres

pequenos

na altura dos

ombros, braços

próximos

ao corpo

Agachar,

manter o

tronco ereto

e joelhos em

cima da linha

dos pés

Subir, levantar

os halteres acima

da cabeça.

Voltar à posição

inicial

GETTY IMAGES(2) HERI IRAWAN

66 THE RED BULLETIN


AÇÃO!

WINGS FOR LIFE

Entre em forma para

a Wings for Life World

Run: aproveite a noite

EQUIPO

IDEAL

MENOS DESCUL-

PAS: ASSIM DÁ

MAIS GOSTO

CORRER À NOITE

PETZL TIKKA XP

Lanterna de

cabeça com até

160 lumens, peso

de 85 g, feixes vermelhos

e brancos

e luz constante

quando a energia

da bateria diminui.

petzl.com

BALASZ GARDI/RED BULL CONTENT POOL

Corrida noturna

WINGS FOR LIFE WORLD RUN CONSTRUA DESDE JÁ UMA BASE PARA ESTAR

EM FORMA EM MAIO. CONFIRA 10 DICAS PARA ESTAR NA MELHOR FORMA

A TEMPO PARA A WINGS FOR LIFE WORLD RUN

1

Desafie a escuridão.

A noite caiu e a rota de

sempre já não motiva Vá

correr mesmo assim. O caminho

conhecido muda completamente

à noite. O cérebro

compensa a falta de estímulos

ópticos e de repente você se

sente acordado e tudo parece

novo e interessante.

2

Vista-se direito.

Medo do resfriado Use

várias camadas, para manter

a temperatura do corpo estável.

Importante: não se esqueça de

proteger as orelhas, as mãos

e os pés do frio. Ninguém quer

dedos frios e úmidos. Então,

o melhor são bons tênis de

corrida e meias de Gore-Tex.

3

Seja visível.

Refletores no agasalho,

na calça e principalmente

nos tênis melhoram as chances

de os motoristas o verem

com antecedência. O mesmo

vale para os que correm na

mata e não querem que um

caçador incauto os confunda

com um javali. (Leia o item 6.)

4

Esteja atento.

Correr no escuro não

significa correr às escuras.

Um passo fora da trilha pode

ser o suficiente para torcer

um tornozelo. Lanternas de

cabeça com LED iluminam

o caminho, só pesam uns poucos

gramas e praticamente

não atrapalham.

5 Oriente-se.

No escuro, seu sentido

espacial e temporal muda.

Vá se afastando de casa em círculos

concêntricos. Na dúvida,

você pode voltar rapidamente

à casa. Para corridas noturnas

é melhor medir o tempo do que

a distância.

Deixe quem está

6 dormindo em paz.

Nem o pior tipo físico justifica

correr pela mata acordando

todas as formas de vida.

Os animais que o digam: corredores

não têm nada que procurar

na mata à noite. (O mesmo

vale para caçadores. E excursionistas.

E mountain bikers.

E cachorros.)

A COMPETIÇÃO

Uma única largada para seis continentes:

no dia 3 de maio de 2015 acontecerá

a segunda corrida mundial da história.

O público-alvo: todos que queiram competir

com todo mundo. Mais informações:

www.wingsforlifeworldrun.com

7

Ouça com atenção.

OK. Você está acostumado

a correr com fones. Sem

música, você não faz nada.

Mesmo assim, experimente

fazê-lo durante a noite. Os

ouvidos estão com sensibilidade

máxima durante a noite.

A noite soa diferente.

8

Grupos de corredores

noturnos.

O grupo dá motivação ao

treino. Nele você tem menos

desculpas e menos motivos

para deixar a preguiça vencer.

E a noite é propícia para atividades

em grupo.

9

Participe de uma

competição.

Tem muitas. Mais do que

você imagina. Muitos organizadores

já perceberam o bom

negócio que é preparar corridas

noturnas. Há mais pessoas

correndo à noite do que imagina

o corredor solitário. Vinte mil

na largada já não são raridade

(em Viena, por exemplo).

10

Dê-se uma

recompensa.

Um banho quentinho, o comichão

na pele reaquecida,

um chá com biscoito no sofá.

Quem foi brincar lá fora à noite

pode apreciar melhor o aconchego

do lar. Os que ficaram

enrolando no sofá devorando

biscoitos têm toda razão para

ter peso na consciência. E em

alguma outra parte também.

PUMA PURE

NIGHTCAT

Jaqueta de corrida

respirável com

malha de ventilação

e fios de fibra

de vidro nos ombros

(com ajuste

para luz constante

ou intermitente).

puma.com

PUMA FAAS 600

V2 NC POWERED

Tênis para corrida

ultraleve com refletores

na superfície

e um dispositivo

de LED na língua

que melhoram

a visibilidade do

corredor à noite.

puma.com

THE RED BULLETIN 67


AÇÃO !

RELÓGIO

ALTÍMETRO ORIS

BIG CROWN PROPILOT

Ele mostra sua altitude

até 4 572 metros

D U P L A

FUNÇÃO

POR QUE O

ALTÍ METRO

ORIS BIG CROWN

PROPILOT TEM

DUAS COROAS

DUAS

E QUATRO

Na posição de

duas horas, a coroa

ajusta a data

e a hora. O barômetro/altímetro

é ajustado usando

a coroa em quatro

horas. Gire ela,

e o relógio fica

à prova d’água e

desce até 100 m

de profundidade.

No pulso

e no ar

ORIS EXISTEM MUITOS RELÓGIOS

DE AVIAÇÃO, MAS QUASE NENHUM

COM DUAS DAS MAIS IMPORTAN-

TES FERRAMENTAS DE VOO. ESTE

TEM – E COM MUITO ESTILO

Os pilotos gostam

de estar informados

sobre a altitude

e a pressão

atmos férica, mas

são raros os relógios

de pulso com barômetro

e altí metro. Em 1963,

a suíça Favre-Leuba

lançou o Bivouac.

Em 1989, a também

suíça Revue

Thommen lançou o

altímetro Airspeed.

Agora chega um terceiro,

o altímetro Big

Crown ProPilot, da Oris.

Cada um desses relógios

tem as funções

de barômetro e altímetro

do mesmo jeito.

As peças do barômetro

e altímetro

são produzidas

pela empresa suíça

de instrumentos

de voo Thommen

As mudanças na pressão são

detectadas mecani camente por

pequenas ligas de metal sensíveis

à pressão em uma pequena cápsula

conhe cida como câmera

aneroide. (“Aneroide”

literalmente signi fica

“sem fluido”; a pressão

foi medida pela

primeira vez por

barômetros e outros

instrumentos usando

líquidos.) Um delicado

sistema de alavanca então

transforma as ligas de

contração em movimentos

de indicadores nos

medidores do relógio.

Todas as peças do barômetro

e do altímetro são feitas de materiais

ultraleves: para o ProPilot,

a Oris usou filamentos de fibra de

carbono laminados, um material

que também tem o benefício extra

de ser incrivelmente resistente.

O tamanho do relógio, bem maior

do que os outros, com 47 mm de

diâmetro, não é assim só porque

está na moda ver pessoas usando

relógio grandes. Ele é assim porque

precisa acomodar as raras

características de modo que você

possa facilmente ler a pressão

atmosférica ou altitude, sempre

que precisar.

oris.ch

SEM PRESSÃO

O barômetro/altímetro

funciona

apenas se a pressão

dos ambientes

externos e internos

estiver equalizada,

o que você

faz girando a coroa

no sentido inverso.

SEMPRE LIMPO

Oris desenvolveu

uma membrana

de Gore-Tex e um

material de teflon

para evitar umidade

ou sujeira

entrar no relógio.

ALEXANDER LINZ

68 THE RED BULLETIN


TÚNEL DO TEMPO

Homem

de sorte

JACK W. HEUER TRANSFORMOU

SORTE EM UMA FORTUNA

Por Gisbert L.

Brunner, jornalista

de relógios que

teve seu primeiro

Carrera há 50 anos

Jack W. Heuer deve ter sido um

sortudo. Em 1969, a fabricante de

relógios que leva seu nome apresentou

ao mundo seu primeiro cronógrafo

automático com microrrotor

e um encaixe à prova d’água. Como

Heuer – conhecido como JWH –

não tinha dinheiro para anunciar,

decidiu trabalhar com o piloto de

Fórmula 1 e representante suíço

da Porsche Jo Siffert. Em troca da

oferta de JWH de mudar seu compromisso

para a Porsche, ele colocou

no circuito de Brands Hatch em

1971.) O departamento de compras

do filme também garantiu que

McQueen usasse um Heuer Monaco,

que instantaneamente se tornou um

relógio cult. Em 1971, a sorte mais

uma vez se apresentou a JWH. Enquanto

ele vagava por Saint-Imier,

na Suíça, conheceu Clay Regazzoni.

O vencedor do Grande Prêmio Italiano

estava à procura de um equipamento

para cronometrar a 24 Horas

de Le Mans e o circuito da Ferrari em

Maranello. Dessa forma, o Heuer se

tornou o cronômetro oficial da Escuderia

Ferrari, com Enzo Ferrari em

pessoa assinando o contrato (o grupo

Tag comprou a Heuer em 1985). Por

mais de 40 anos, todos os pilotos da

Ferrari tiveram o logo de cinco ponteiros

da Heuer nos seus carros e

um igualmente marcante cronógrafo

automático de ouro nos seus pulsos.

tagheuer.com

MAIS DESEJADOS

A trinca

MODELOS ESPETACULARES ASSINADOS

POR GRANDES MARCAS SELECIONAMOS

TRÊS NOVOS PARA VOCÊ

Chopard Superfast Chrono

Porsche 919 Edition

A fabricante de relógios

de Genebra recentemente

se tornou a Parceira

Oficial de Cronometragem

da Porsche para

comemorar o retorno

da fabricante alemã

para Le Mans. O primeiro

resultado dessa

parceria é o cronógrafo

de aço de 45 mm, do qual

apenas 919 unidades existem.

A braçadeira de borracha

preta imita as marcas dos

pneus de carros de corrida.

chopard.com

Alpina Alpiner 4 GMT

Este relógio de pulso

superelegante consegue

fazer um ou dois truques.

Você pode ajustá-lo

para mostrar as horas

de um segundo fuso

horário graças a

um controle a mais.

Ele é lindo de todas

as formas: com o dial

iluminado ou escuro

e com a pulseira de

couro ou metal.

alpina-watches.com

o logo da Heuer no Porsche 908.

Um Heuer Monaco novinho também

passou a ser usado no pulso

de Siffert. “Foi certamente uma forma

amadora de ingressar no negócio

da Fórmula 1”, lembra-se JWH,

“mas nós fomos a primeira marca

de fora dessa indústria a entrar nesse

esporte de alta performance.”

Como parte do acordo, em 1970

Steve McQueen usou os macacões

originais de Siffert para as filmagens

de As 24 Horas de Le Mans. (Siffert

morreu em um acidente de corrida

Em sentido horário, da esq. para a dir.:

Niki Lauda (à esquerda) e Clay Regazzoni

assinam seus patrocínios com a Heuer,

um de cada lado com JWH, no início dos

anos 1970; Mick Jagger em 1977 usando

um Heuer Autavia; e Steve McQueen em

Le Mans em 1970

Tudor Heritage

Black Bay

Este relógio de mergulho

da subsidiária da Rolex

causou sensação da

primeira vez que apareceu,

em 2012, especialmente

o modelo

com detalhes em bordô.

Esta nova versão em

azul foi um sucesso

instantâneo quando foi

lançada, em março. Você

precisa entrar em uma lista

de espera para comprar um.

tudorwatch.com

THE RED BULLETIN 69


AÇÃO!

BALADA

São Paulo,

quinta-feira:

alegria total

BALADAS

LOUCAS

DEBAIXO D’ÁGUA, NO

GELO OU EM CIMA

DA ÁRVORE. VOCÊ

NUNCA IMAGINOU

UMA FESTA ASSIM

SUBSIX

Niyama, Maldivas

A primeira balada

submarina do

mundo (fica a

6 metros de profundidade).


se chega nela com

barcos especiais.

Da pista você

pode ver os peixes

nadando.

Tá em casa

CASA 92 A BALADA QUE É UM MARCO

DA REVITALIZAÇÃO DO LARGO DA BATATA,

EM SÃO PAULO, É ESPETACULAR

Imagine um ambiente com gente bonita,

serviço de qualidade, segurança e uma

decoração feita com todo requinte por

grandes artistas. São nove bares, quatro

pistas de dança, fumódromos e áreas

livres em todos os quatro ambientes:

Casa da Família, Boulevard, Pracinha 92

e Casa 92. Além de tudo isso, a Casa 92

tem uma loja, dentro da balada, onde os

clientes podem comprar objetos de decoração

e camisetas assinadas por Marcelo

Sommer e Adriana Comparini. No calendário

de festas, uma se destaca pela originalidade:

a noite para cachorros e seus

donos. Fora os embalos caninos, a Casa

recebe festas como We Love Beats, Turn

Around e Let’s Jack, às quintas, e Luv e

Sundaze nos finais de tarde de domingo.

Com quatro anos e meio de existência,

a Casa 92 inaugura ainda neste ano um

bar com comida mediterrânea e coquetelaria.

Em 2015, abre o Bar da Família

para seus clientes mais fiéis e amigos.

CASA 92

Rua Cristóvão Gonçalves, 92, Pinheiros

São Paulo, SP

casa92.com.br

HOMEM

DA NOITE

NEY FAUSTINI, 33, É DJ HÁ

15 ANOS E ATUALMENTE

PRODUZ SEU SOM

TEVE ALGUMA NOITE

INESQUECÍVEL

Tive várias, mas me lembro

como se fosse ontem quando

toquei pela primeira vez no

extinto club Lov.e, em 2001,

na noite do DJ Marky. Ele

era referência pra mim.

O QUE FAZ A NOITE PAU-

LISTANA SER TÃO BOA

São Paulo é uma cidade

que nunca dorme, caótica

e intensa, onde a diversão

se mistura à arte e cultura.

OS INGREDIENTES PARA

A FESTA PERFEITA SÃO...

...diversidade e respeito, com

mais pessoas aproveitando o

momento, e menos celulares.

facebook.com/neyfaustini.

music

CHILLOUT

Dubai, EAU

Um bar de gelo

numa cidade

do deserto:

a temperatura

do salão é -6 ºC.

Tudo é feito de

gelo, vidro e aço.

Os visitantes

precisam de

casacos e luvas.

TREE BAR

Limpopo,

África do Sul

Um dos baobás

mais antigos

(1 700 anos) e

amplos (47 metros

de circunferência)

do mundo tem um

bar em seu tronco.

O espaço comporta

60 pessoas.

CAROLINA KRIEGER E ALI KARAKAS(5), FOTOLIA(3)

70 THE RED BULLETIN


SASHA EISENMAN, WARNER MUSIC, ROGER SARGENT

AÇÃO!

MÚSICA

Ariel Marcus

Rosenberg, conhecido

como Ariel Pink, 36,

é o alucinado gênio

pop de Los Angeles

Rei do pop

chiclete

PLAYLIST AS REFERÊNCIAS VÃO

DE ANTONIO BANDERAS A MICKEY:

O NOVO COMPOSITOR DE MADONNA,

ARIEL PINK, E AS MÚSICAS DA RAINHA

DO POP QUE MAIS O INFLUENCIARAM

1

Na verdade,

a música de

Madonna era

considerada

coisa de menina

na minha

escola. Mas

eu não me

importava.

Essa música é para mim a materialização

da felicidade infantil. Quando a ouvia,

fechava os olhos e imaginava que era

o Mickey que a cantava e que meus pais

me levavam para comprar brinquedos.

O paraíso!

4

Em sua juventude, Ariel Pink gravava canções folk

punk em fitas cassete fazendo a batida nas axilas.

Em 2003, ele foi descoberto pelas estrelas do indie

americano Animal Collective, que chegaram a fundar

uma gravadora para lançar a música de Pink

em grande estilo. Agora, o décimo álbum do último

gênio louco da música pop está pronto: Pom Pom

é uma mistura alucinada de new

wave, música melosa, comercial

e freak rock rabugento. O gênero

“tudo misturado” de Ariel Pink

também é reconhecido no setor

convencional. Madonna o convidou

para escrever as canções de

seu próximo disco. Como tributo,

ele escolheu cinco canções da

rainha do pop que marcaram

sua juventude.

www.ariel-pink.com

Madonna

Madonna

3

Madonna

2

“Borderline” “Oh Father”

“Live to Tell”

Madonna

“La Isla Bonita” 5

A fantasia de

férias mais

sensual de

todos os tempos.

Quando

ouço “La Isla

Bonita”, quero

beber martínis

com Antonio

Banderas em uma praia de Cancún.

Claro que a música é uma lista de clichês:

guitarras flamencas, frases em

espanhol. Melhor ignorar. Porque atrás

delas está uma das melhores canções

pop dos anos 1980.

Como essa

música me

emocionava!

Madonna canta

sua juventude,

a morte

da mãe, os

conflitos com

o pai, a fuga

do ambiente católico. A música é claramente

autobiográfica. Dá para sentir

nos versos e na energia. O single foi

um fiasco comercial. Mas eu a considero

a música mais emocionante de

toda a carreira da Rainha do Pop.

Madonna

“Cherish”

Para mim,

o último grande

clássico

de Madonna.

Foi lançado

em 1989. Eu

tinha terminado

a escola

e trabalhava

em uma loja de discos. Não gostava da

MTV e de Madonna. Preferia thrash

metal e músicas ainda mais anormais.

Fantás tica e eterna: os vocais parecendo

gospels a transformam no perfeito pop

chiclete – porém com muita qualidade.

Outra canção

triste e inacreditavelmente

bela. Mesmo

que Madonna

não seja conhecida

por

suas baladas,

já nos primeiros

compassos fica claro que isso é

Madonna. Inconfundível. Não importa

que ela mudasse de produtor como

mudava de amante. O seu talento para

melodias simples e geniais nos primeiros

anos de carreira era incomparável.

PROTEÇÃO

CONTRA RUÍDOS

GADGET DO MÊS

DUBS

Os primeiros tampões para ouvidos

hi-tech do mundo: eles fazem mais do

que simplesmente bloquear as ondas

sonoras do ambiente. Um sistema de

filtro de frequências mantém o som original,

mas o reduz em 12 dB. Perfeitos

para baladas e shows

ensurdecedores.

getdubs.com

DE OLHO

E M 2 0 1 5

NOMES PARA

VOCÊ ESCUTAR

MUITO NO ANO

QUE VEM

ILOVE­

MAKONNEN

Venerado por Miley

Cyrus e patrocinado

por Drake:

o rapper de 25 anos

consegue unir

atmosferas oníricas

com hip hop

pesado. Para os

fãs de Future e

Drake, ouçam

“Tuesday”.

FAT WHITE

FAMILY

Nudez, brigas com

os fãs: o sexteto

de blues-punk é

a maior novidade

da Inglaterra.

Para os fãs de

Nick Cave e

The Fall, ouçam

“Bomb Disneyland”.

TINASHE

Modelo, atriz,

cantora: com baladas

melancólicas,

a garota de 21 anos

vai direto para a

liga das superstars.

Para os fãs de

Aaliyah e The

Weeknd, ouçam

“Pretend”.

THE RED BULLETIN 71


AÇÃO!

GAMES

O espaço e suas

possibilidades

infinitas

CLIQUE

CHIQUE

ESPAÇONAVE OU

MOUSE GAMER

NÃO PARECE, MAS

A RESPOSTA É:

MOUSE

TT ESPORTS

LEVEL 10 M

A Tt eSports

desenvolve teclados

e mouses

para gamers profissionais.

Para

essa preciosidade

em alumínio, eles

tiveram a ajuda

do departamento

de design da BMW.

O universo na

caixa de areia

UNIVERSE SANDBOX ² QUEM NÃO QUER BRINCAR

DE DEUS COM ESSE SIMULADOR ESPACIAL É POSSÍVEL

O que aconteceria se de repente um asteroide gigante aparecesse

do nada em rota de colisão com a Terra O impacto

abriria uma cratera maior que a Austrália. E a onda de choque

espalhada pelo planeta destruiria todas as formas de

vida e faria os oceanos evaporarem. O que sobraria da Terra

seria um pedaço de rocha morta com temperatura de um

forno de pizza. Não soa como uma tarde de domingo ideal.

A não ser que seja no Universe Sandbox ². É o que há em

todos os jogos da série: o prazer de criar e de destruir. Não

há pontuação, níveis ou chefões. As crianças nas caixas de

areia também não precisam deles para se divertir. No Universe

Sandbox ², como o nome diz, o universo todo é uma caixa de

areia. Mas, em vez de destruir castelos de areia, você lança

asteroides contra a Terra ou faz galáxias inteiras colidir.

A primeira parte do Universe Sandbox

saiu em 2008. Era o resultado do hobby

de um único programador: Dan Dixon,

de Seattle. Ele mesmo se surpreendeu

que as pessoas achassem tão divertido

construir sistemas solares (para destruílos

em seguida). A continuação precisou

de três anos e uma equipe – com um

astrônomo e uma climatologista – para

Universe Sandbox ²

para Windows,

Mac e Linux

ficar pronta: Universe Sandbox ². Uma

coisa é certa: eliminar toda forma de

vida na Terra nunca foi tão divertido.

MAIS CAIXAS DE AREIA NO ESPAÇO

Engenheiros do espaço

Construir espaçonaves e estações espaciais com

a tecnologia que só vai existir daqui a 50 anos:

com Space Engineers é possível. No momento,

o jogo ainda está em fase de testes, em processo

de melhoramento e expansão. E lembra um pouco

Minecraft no espaço sideral.

Conheça os Kerbals

Eles são homenzinhos

verdes e baixinhos

do planeta Kerbin.

Eles têm uma missão

espacial ambiciosa. Mas,

antes de se lançarem

a ela, os foguetes têm de

ser planejados e testados.

Não que engenharia

espacial seja uma coisa

fácil, mas neste jogo ela é

surpreendentemente divertida.

LOGITECH G502

PROTEUS CORE

Para mãos de cirurgião:

com sensor

de 12 000 dpi,

o Proteus Core

é o mouse mais

preciso do mercado.

E ainda

parece que vai

decolar a qualquer

momento.

MAD CATZ

R.A.T. 9

Quando se trata de

design audacioso,

a Mad Catz é a número

um. E nesse

mouse monstruoso

sem fio ainda é

possível ajustar

peso e tamanho.

72 THE RED BULLETIN


L UZ, CÂMERA, AÇÃO

DON FLOOD FOR NETFLIX, JOE PUGLIESE

J O G O R Á P I D O

LORENZO

RICHELMY

Anote este nome. A série

épica que a Netflix vai produzir

e exibir, Marco Polo,

terá Richelmy como o lendário

explorador em batalhas

grandiosas, lutas incríveis

e encontros cheios de aventura.

Filmada em locações

asiáticas com orçamento

para rivalizar com Game of

Thrones, Marco Polo poderá

ser o seu próximo vício

Por: Geoff Berkshire

the red bulletin: Essa é

a sua primeira série para

a TV. Como foi que surgiu

a oportunidade

lorenzo richelmy: Meu

agente disse que o diretor de

elenco italiano não gostou de

mim, então ele me falou para

fazer um vídeo e mandou para

o diretor principal da escolha

do elenco [nos EUA]. Filmei

com a minha namorada interpretando

Kublai Khan. Não

soube de nada por dois meses.

Então viajei para os EUA para

um festival de filmes e descobri

no aeroporto de Filadélfia

que tinha conseguido o papel.

Você precisou aprender

muita coisa, inclusive a falar

inglês. Como se preparou

Tive seis semanas. De manhã,

fazia quatro horas de treinos

para o corpo. Tínhamos uma

equipe chinesa de acrobacias

para nos ensinar wushu, os

japoneses nos treinavam para

luta com espada e um coreógrafo

para as cenas de luta.

Depois, mais duas horas de

lições de montaria, uma hora

para aprender arco e flecha

e mais duas horas de inglês.

Você já conhecia a Malásia

Eu já tinha visitado a maior

parte do Sudeste asiático,

exceto as Filipinas e a Malásia,

“ Tivemos pessoas

de 25 países, e eu

era o único italiano.

Não foi fácil, mas

foi um sonho.”

então foi bom para aumentar

o repertório! Adorei o calor

e a umidade, melhor que o

Casaquistão. Atuar no frio

é pior que atuar no calor.

Como foram as filmagens

Eu tive algo como três dias de

folga em sete meses. Tivemos

pessoas de 25 países, e eu era

o único italiano. Não foi fácil,

mas foi um sonho.

Quanto você sabia sobre

Marco Polo

Ele não é um herói como

Napoleão é para a França,

mas para Veneza ele é o maior

homem que já existiu. Quando

John Fusco [o criador do

seriado] me falou dele pela

primeira vez, era como se ele

fosse o professor da universidade

e eu um ignorante. Tinha

que estudar e conhecê-lo.

E você já conhecia a Netflix

Não tem na Itália. Pensei:

“Ah! Série para a web e vão

me levar para a Malásia” Não

terá na Itália nem nos próximos

dois anos. Eu posso ficar com

a minha vida tranquila em

Roma e talvez ir para a China

e ser famoso. Aí serei como

Bill Murray em Encontros e

Desencontros e fazer propaganda

de bebidas em Tóquio.

www.netflix.com

Marco Polo estreia dia 12/12

HISTÓRIA

DE AMOR

Simon Helberg, astro

de The Big Bang

Theory, está começando

no cinema,

escrevendo e dividindo

a direção com

sua esposa, Jocelyn

Towne, na comédia

We’ll Never Have

Paris. Abaixo, ele fala

de suas influências:

Noivo

Neurótico,

Noiva Nervosa

(1977)

Este é, quem sabe,

o filme mais romântico

já feito. Ele também é tão

brilhante enquanto comédia

com frases memoráveis

como é na análise

da condição humana.

Sideways –

Entre Umas

e Outras

(2004)

O protagonista é um

personagem cujo maior

obstáculo é ele mesmo.

É um filme com linda

produção e simplicidade.

O tom é perfeito.

Um Romance

Moderno

(1981)

Este filme não tem medo

de mostrar um personagem

em um foco não

muito favorável: autodestrutivo,

neurótico. Aborda

os relacionamentos e sua

construção na luta entre

a autonomia e o egoísmo.

We’ll Never Have Paris

estreia nos EUA em 22/1

THE RED BULLETIN 73


Seth Troxler (acima)

é um dos DJs convidados.

Ele toca dois

sets na comemoração

do aniversário da

Fabric: o turno da

manhã, às 10 horas,

e a after party,

20 horas mais tarde

30 horas


de FESTA

200 mil beats, 8,5 mil pessoas dançando, 20 DJs,

três pistas: a Fabric, a melhor balada underground de

Londres, comemora seu 15º aniversário com uma festa-

maratona desde sábado à noite até segunda de manhã

Por: Florian Obkircher Fotos: Alex de Mora

75


Sábado, 23:00

Oliver Bourke está preparado.

Uma bolsa com a escova de

dentes, gel para o cabelo e

óculos de sol. “Noitadas

especiais requerem medidas

especiais”, diz. O designer

gráfico de 25 anos, de barba

por fazer, veio aqui festejar

por 30 horas a fio. Porque a

maior balada underground de

Londres, a Fabric, comemora

seus 15 anos com uma festamaratona

até segunda-feira.

Está há uma hora na fila

de 150 metros para a entrada.

“Venho aqui desde que tinha

18 anos. Minha educação

musical foi com os DJs da

Fabric”, conta. “Hoje vamos

ter 20 dos melhores DJs do

mundo na largada: Ricardo

Villalobos, Seth Troxler,

Craig Richards...”

2 3 :0 2

Um edifício vitoriano de três

andares, tijolos à vista, porta

de metal grande e pesada,

acima dela uma placa despretensiosa

com o nome

“fabric”, à frente das grades.

À direita vão entrando os que

têm ingressos, à esquerda

se amontoam os que têm o

nome na lista de convidados.

E aqueles que esperam ter.

“Aqui!”, gritam quatro pessoas

à jovem com maquiagem cintilante

sentada à frente da

porta. Jo Neill, 25, é arquiteta

durante a semana e hostess

da festa no fim de semana.

“Nome”

“Andy Harris.”

“Infelizmente não está

na lista.”

“Mas... Seth Troxler tinha

me prometido...”

“Sinto muito, querido,

por favor, você precisa ir para

a outra fila.”

Em uma noite normal,

Neill tem 300 nomes na sua

lista. Hoje são 842. Quem já

passou por ela passa por um

detector de metais, depois é

revistado pelos seguranças e,

em seguida, passa pela revista

das bolsas.

Domingo, 00:14

O apelido do clube é labirinto

– e por uma boa razão. As três

pistas de dança subterrâneas

estão interligadas por duas

amplas escadarias de tijolos.

Elas são as principais veias de

trânsito do lugar. Entre elas

há balcões, bares, banheiros

e inúmeras escadas de caracol

e corredores estreitos onde

se perder. Não há sinalização.

“Sala 3 Aqui à esquerda,

pelo corredor à direita, suba

a escada. Entendeu”

0 0 :18

Na Sala 3, Keith Reilly está

encostado no bar. Cabelo curto,

barba por fazer, camiseta preta,

55 anos, o chefe da Fabric.

Quando lhe perguntam sobre

o 19 de outubro de 1999, ele

sorri. “A primeira noite foi

uma loucura. Três horas antes

do início ainda não tínhamos

luz”, conta. “No fim da festa,

descobrimos que nenhum de

nós sabia fechar o edifício.

Então, ficamos aqui e continuamos

a festa.”

A ideia de Reilly no começo

era oferecer uma balada

underground de amantes

da música para amantes da

música. “Um lugar no qual

o visitante não fosse julgado

pela roupa que está vestindo”,

diz. “E isso numa época em

que praticamente só havia

clubes almo fadinhas tocando

house insosso em Londres.”

Desde então, 4 mil artistas

já participaram de cerca de

2,6 mil eventos, e mais de

5,43 milhões de pessoas

dançaram no que foi um

fri gorífico um dia. Só para

a festa de aniversário são

esperadas 8,5 mil pessoas.

Em 2007 e 2008, a Fabric

foi considerada a melhor

balada do mundo pela DJ

Magazine. Qual é a receita

para o sucesso Autenticidade.

“Os Guettas e Aviciis da vida

não tocam aqui. Ainda que

esses DJs estrelados e engomadinhos

adorassem ter essa

chance. Nós só trazemos

76


os DJs apaixonados pelo que

fazem e criativos”, diz Reilly.

0 1:15

A Sala 1 é o centro da catedral

da festa. Dez metros de altura,

parede de tijolos à vista, canos

grossos de metal cobrem

o teto. Lasers verdes cortam

a fumaça. Praticamente não

se pode ver o DJ porque sua

cabine não é elevada e tem

uma grade de 2 metros de

altura em volta. É assim que

deve ser, pois aqui a estrela é

a música, que é bombardeada

sobre as centenas de pessoas

que estão dançando ao som

de quatro caixas de som gigantescas

penduradas nos cantos.

O piso tem 400 sensores que

transformam ondas sonoras em

vibração. Os baixos reverberam

tanto que os joelhos de quem

está dançando tremem.

0 4 :15

Um segurança grandão vigia

a porta de metal ao lado do

caixa eletrônico da própria

balada. Só quem tem uma

pulseira dourada escrita

“rock star” pode entrar no

backstage. Quem anda por

aqui é importante. Ou se sente

assim. Cerca de 40 figuras

disputam os 15 metros quadrados

do salão. Está abafado

e quente. O pequeno ventilador

de teto não é suficiente.

0 4 :18

Entre os que levam a pulseira

de “rock star”, Normski é a verdadeira

estrela. Barba grisalha,

“OS GUETTAS DA VIDA NÃO TOCAM

AQUI. AINDA QUE ESSES DJs ENGOMA-

DOS ADORASSEM TER ESSA CHANCE.”

voz rouca, olhos brilhantes.

Tapinhas nas costas e abraços

o tempo todo. Normski ensinou

a muitos dos que estão presentes

aqui o que é house. Em finais

dos anos 1980, ele era o

apresentador de um programa

sobre dance na TV britânica.

O lema de vida do autoconfiante

veterano das festas: “Eu

não preciso da noite. A noite

precisa de mim”. Ele é convidado

de honra na Fabric há

15 anos. “Por fora, o lugar não

mudou nada. Continua detonado

como no começo”, diz.

“E isso está certo. As pessoas

vêm aqui por causa da música.

Para ver os DJs da Champions

League da Música tocarem.

Pergunte aos DJs britânicos

quais são seus objetivos profissionais.

A resposta será sempre

a mesma: Tocar aqui uma vez.”

0 9 : 3 2

O hipster, irmão mais novo do

Super Mario, entra nos bastidores.

Seth Troxler. Cabeleira,

bigode, quilinhos a mais.

Estão trabalhando

245 pessoas na maior

festa do ano na Fabric.

Desde o pessoal do

bar e os pizzaiolos até

os DJs. Um deles é

Craig Richards (no

topo, de camisa azul),

que tem sido presença

constante atrás dos

controles da Sala 1 nos

sábados desde a inauguração

há 15 anos.

À direita, abaixo:

o DJ James Jackson

e o veterano Normski

relembram os primeiros

passos do superclube

nos bastidores

77


“Seth! Seth!” Duas mulheres

bonitas se jogam sobre ele

para cumprimentá-lo. O DJ

americano parece cansado,

mesmo que só comece a tocar

em uma hora. Como se preparar

para uma gig às 10h30

Dormir antes ou não dormir

“A segunda opção. Acabei de

chegar do aeroporto. Há algumas

horas eu estava tocando

em Amsterdã.”

11: 4 5

Segundo a programação, os

DJs Marcel Dettmann e Ben

Klock deveriam ter parado há

duas horas. Os DJs do lendário

clube berlinense Berghain

estão suando há 11 horas

atrás das pickups da Sala 2.

Para encerrar, eles tocam

“Idioteque”, do Radiohead.

Quando Dettmann sai da cabine,

ele surpreendentemente

não parece cansado. “As primeiras

três horas foram um

pouco difíceis, mas depois o

tempo voou”, diz. Esse foi o

set mais longo de sua carreira

78

“Não. Uma vez toquei por

16 horas no Berghain.” Em três

horas sai o voo para Amsterdã

para a próxima festa.

1 4 :00

Fim do primeiro tempo. Quinze

horas de festa já se passaram.

Três garotas fazem posições

de ioga nos futons de couro da

Sala 2. Na Sala 1, uns garotos

parecem embriões colados

à parede, as pernas dobradas,

a cabeça entre os joelhos.

Um deles é Oliver Bourke.

Seus olhos já estão pequenos

e vermelhos. Ele não precisa

contar que esqueceu de colocar

desodorante na bolsa. E

está decidido a aguentar até

o fim. Ele murmura: “200 mil

beats. Eu fiz as contas. Trinta

horas de techno são cerca de

200 mil beats. Eu não vou

perder nenhum”.

16:05

Como se manter nutrido para

a festa-maratona sem sair da

balada Tem um carrinho de

pizza no fumódromo. O cozinheiro,

com seu bigode enrolado,

assou umas 100 pizzas

nas últimas três horas. A preferida

até agora “Smokey

Seth” com tiras de bacon temperado

e molho picante de

jalapeño, segundo uma receita

do DJ Seth Troxler. “Comida

pesada”, avisa a Bourke. “Você

não quer um pedaço de marguerita

É bem mais leve para

o estômago.”

19 :00

Um faraó com dreadlocks e

óculos escuros arrasta caixas

de papelão pela pista de dança.

O conteúdo: perucas com

cores de gosto no mínimo

questionável, capacetes de

proteção para construções,

“30 HORAS DE TECHNO.

SÃO 200 MIL BEATS. E EU NÃO

QUERO PERDER NENHUM.”

máscaras de cavalo, toucas

de anões, roupas de padres,

chupetas gigantes. Uma tradição

de aniversário na Fabric:

é a única noite no ano em que

se usam fantasias. O pequeno

gesto tem um efeito enorme:

em poucos minutos, todos os

convidados estão revolvendo

o conteúdo das caixas como

crianças. O cansaço da tarde

já desapareceu. Normski

vestiu um vestidinho de festa

vermelho muito justo. Seu

corpo brilha com o suor. Ele

grita com voz rouca: “Ainda

preciso de uma peruca. Me

deem uma peruca!”.

2 1:05

Um coelho sobe ao palco

e se posiciona dentro de

um castelo de sintetizadores


analógicos: Mathew Jonson,

especialista canadense do

techno. O beat invade o ambiente.

Ele parece possuído,

manipulando os controles. Bate

tanto a cabeça que uma orelha

da fantasia se desprega.

2 2:00

A loucura toma conta: um

Barbapapa rosa de 2 metros

sobe no palco e convida o coelho-de-uma-orelha

para dançar.

Alemães em lederhosen

se misturam com pedreiros.

Seth Troxler dança junto com

o público – com uma touca de

bebê e uma camisola de stripper.

“Demais!”, grita Bourke,

em sua fantasia de Batman.

“Devia ser assim antigamente

no Studio 54.”

Segunda-feira,

01:32

São 26 horas de festa e já se

nota: o chão está sujo, o ar

cheira a suor, o comportamento

de cio dos rapazes já perdeu

todo traço de inibição. Parecem

galos com o pescoço

esticado buscando contato

visual com as mulheres que

dançam ao lado.

0 4 :59

É o último minuto da festa.

O pioneiro do techno minimalista

Ricardo Villalobos

toca um de seus grandes

sucessos: “Easy Lee”. Muitos

levantam os smartphones

para gravar em vídeo os

últimos momentos da festamaratona.

Três... dois...

um... e Não acon tece

nada. O beat continua.

05:20

Oliver Bourke, que a essa

hora já parece ter encarnado

o Batman, diz: “Na reta final

de uma festa, você entra no

modo maratonista: não pensa.

Continua”. Olhando para ele,

é fácil identificar que já entrou

nesse modo.

0 6 :10

O DJ desliga a pickup. O beat

vai ficando lento e se transforma

em um ruído surdo.

As luzes se acendem. Os dançarinos

apertam os olhos,

vampiros ao nascer do sol.

Bourke coloca os óculos de

sol e se despede, suado, mas

contente. Fim da festa, depois

de 32 horas.

0 6 : 3 0

A Sala 1 está vazia. A turma

da limpeza já começou há

muito tempo. Silêncio absoluto

se não fosse aquele zunido

no ouvido. A porta do

backstage se abre. Um pequeno

grupo dos que têm a pulseira

dourada aparece e vai na direção

da Sala 3. Caixas com bebidas

estão preparadas sobre

a pista de dança – o pessoal

do bar já foi para casa. Seth

Troxler começa a after party

colocando um álbum de

space disco.

www.fabriclondon.com

O turno mais longo

de DJs da festamaratona

foi o dos

berlinenses Marcel

Dettmann e Ben Klock

(à esquerda, abaixo):

11 horas. De 1 h da

madrugada ao meiodia.

A receita de resistência

“Dormir

a tarde inteira antes”,

sorri Dettmann

79


AÇÃO!

NA AGENDA

Campeonatos de surf

acontecem na Praia

da Cacimba do Padre

A partir de 1º/1, em Fernando de Noronha

Temporada

em Noronha

Pense no paraíso. Agora pense nas melhores

ondas do Brasil. Junte as duas coisas e pronto:

esse é o cenário que você encontrará em Fernando

de Noronha, a ilha pernambucana que recebe

dezenas de surfistas entre dezembro e março.

O motivo As tempestades de inverno no Hemisfério

Norte. A gente explica: como a ilha está em

mar aberto, as praias da Cacimba, Bode, Cachorro

e Conceição, que são viradas para o norte, recebem

as ondulações potentes vindas das tempestades

do inverno no Atlântico Norte. O resultado

Um show de surf para quem está na areia.

www.noronha.pe.gov.br

9 e 19/1, no Rio, SP e Salvador

Eletrônico

Uma das estrelas do pop eletrônico,

o DJ francês David Guetta, que já foi

eleito o melhor do mundo pela revista

DJ Mag, fará shows em três cidades do

Brasil durante o verão: São Paulo, Rio

de Janeiro e Salvador. No Rio, David se

apresentará diante de milhares de fãs

no Riocentro; em SP, o show acontece

no Pavilhão do Anhembi; e, na Bahia,

a festa será no Parque de Exposições de

Salvador. Espere por hits bombásticos

como “When Love Takes Over” e “Turn

Me On”. Os ingressos custam a partir

de R$ 200 (estudantes pagam meia).

ingressorapido.com.br

80 THE RED BULLETIN


3 a 25/1, em São Paulo

Copinha

A disputa mais respeitada das categorias de base

do futebol brasileiro acontece em janeiro. Com

a já tradicional final realizada no Pacaembu no dia

do aniversário de São Paulo, a Copinha, como é

conhecida, é o celeiro de grandes craques do país

e contará apenas com atletas nascidos entre 1995

e 1999. Quem defende o bicampeonato é o Santos.

www.cbf.com.br

ENSAIOS

D A S

ESCOLAS

É O COMEÇO DO

SAMBA E DA FOLIA

17

JANEIRO

MARCELO MARAGNI/RED BULL CONTENT POOL, DIVULGAÇÃO (3), RINGO STARR, AL BELLO/ZUFFA LLC

21, 23, 25 e 28/1, em Porto Alegre, SP, Rio e BH

Foo Fighters

A banda de Dave Grohl chega de forma

arrasadora em território tupiniquim.

São quatro datas de megashows, sendo

dois deles nos estádios do Morumbi e

do Maracanã. Puro delírio para os fãs

do verdadeiro rock. O Foo Fighters

passa por aqui com sua nova turnê, do

disco Sonic Highways, que já é sucesso

de vendas. O novo single “Something

From Nothing” é uma das canções mais

esperadas – mas com certeza o público

vai pedir clássicos como “This is a Call”,

“Everlong” e “All My Life”.

www.ticketsforfun.com.br

31/1, em Las Vegas

Ele voltou

Anderson Silva irá encarar

seu primeiro desafio depois

da trágica derrota para Chris

Weidman em dezembro de

2013. O brasileiro

se recuperou da

fratura exposta e

volta ao octógono

diante do americano

Nick Diaz. Será que

teremos nocaute

ufc.com

Anderson

Silva

10/1, no Rio

Reggae roots

A Fundição Progresso receberá o Natiruts, banda brasiliense

fiel ao reggae roots instaurado por Bob Marley.

A banda volta aos palcos da Fundição um ano após

a gravação de seu último disco ao vivo, #NoFilter, lançado

no ano passado. No repertório, além de clássicos

da banda, algumas releituras de músicas de Legião

Urbana, Charlie Brown Jr. e Paralamas do Sucesso.

www.fundicaoprogresso.com.br

31/12, no Rio

Ano-novo

A festa em Copacabana é

daquelas que o mundo inteiro

para e assiste. Comemorar

o Réveillon no Rio é uma experiência

única na vida – e

na noite de 31 de dezembro

para 1º de janeiro a prefeitura

carioca promete, mais uma

vez, um show de fogos que

durará mais de 15 minutos.

A festa é para todos!

www.rio.rj.gov.br

17/1, em São Paulo

Ritmo de samba

A folia tem data para começar

a esquentar o verão: é no dia

da apresentação do Bloco do

Sargento Pimenta no Cine

Joia, em São Paulo. A turma

inspirada nos Beatles que

adapta grandes hits do quarteto

de Liverpool ao ritmo das

marchinhas carnavalescas

promete ferver mais uma vez

a noite paulistana. Imperdível.

cinejoia.tv

MOCIDADE

ALEGRE

O ensaio técnico

da campeã do Carnaval

paulista em

2014 acontecerá

no Sambódromo

do Anhembi e é

de graça. O enredo

homenageia

Marília Pêra.

mocidadealegre.

com.br

18

JANEIRO

MANGUEIRA

O ensaio técnico

da tradicional

escola verde-erosa

acontecerá

na Sapucaí no

domingo, dia 18.

A entrada é gratuita,

e o enredo

da escola de figuras

como Cartola

homenageará

as mulheres.

mangueira.com.br

25

JANEIRO

BEIJA-FLOR

DE NILÓPOLIS

A escola azule-

branca vai

ensaiar na Sapucaí

no dia 25.

O en redo conta

a história da

Guiné Equatorial,

e nomes como

Paulinho da Viola

estarão por lá.

beija-flor.com.br

THE RED BULLETIN 81


Diretor de Redação

Robert Sperl

Redator-Chefe

Alexander Macheck

Editor de Generalidades

Boro Petric

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82 THE RED BULLETIN


CORRIDA MUNDIAL PELA CURA DE LESÕES NA MEDULA

A ÚNICA CORRIDA EM QUE

A LINHA DE CHEGADA ESTÁ ATRÁS DE VOCÊ

NO MESMO DIA EXATAMENTE NO MESMO HORÁRIO EM TODO O MUNDO

3 DE MAIO DE 2015

BRASÍLIA, 08:00

A TAXA DE INSCRIÇÃO SERÁ 100% DESTINADA À PESQUISA DA MEDULA ESPINHAL

INCREVA-SE

AGORA!

WINGSFORLIFEWORLDRUN.COM


MOMENTO MÁGICO

Golden, Canadá

25 de março de 2014

Dez meses de trabalho e quatro toneladas

de equipamento foram investidos

na produção de Afterglow, um filme que

combina instalações de luz e freeskiing

de maneira impressionante. “Iluminamos

montanhas com holofotes de 4 000 watts

em várias cores”, conta o fotógrafo canadense

Mike Brown. “E então seguimos

o freeskier Pep Fujas às 3 da madrugada

descendo a montanha lilás.”

www.sweetgrass-productions.com

“4 000 watts de lilás.

3 da manhã. Pep

desce a encosta.”

O fotógrafo Mike Brown descreve as gravações de Afterglow

na Colúmbia Britânica

A PRÓXIMA EDIÇÃO DO RED BULLETIN SERÁ LANÇADA EM 14 DE JANEIRO DE 2015

AFTERGLOW SCREENGRAB

84 THE RED BULLETIN


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