revista tempo de agir ed4.pdf - Sebrae

sebrae.rs.com.br

revista tempo de agir ed4.pdf - Sebrae

EditorialPara atingir objetivosEsta edição da revista Tempo de Agir dá ênfase aos projetosdo Sebrae/RS destinados às micro e pequenas empresasque colocam o Estado no posto de segundo polo metalmecânicodo País. O objetivo dessas ações é qualificá-laspara que possam aproveitar as oportunidades que surgemno mercado. É o caso da Copa do Mundo em 2014, quandoo Brasil será a sede dos jogos, e da exploração do présal,que demandarão intenso fornecimento de peças, deserviços e de equipamentos ao longo dos próximos anos.Paralelamente, o Sebrae/RS está preparando mais umaedição da Feira do Empreendedor, que ocorre de dois emdois anos. Em 2010, o encontro será realizado em setembro,na FIERGS, com palestras, oficinas e espaço para exposiçãode produtos.E ambiciosa, mas viável, é a meta da instituição para 2010:com a ajuda de 11 universidades, pretende visitar 80 milmicro e pequenas empresas do Rio Grande do Sul, oferecendo-lheso diagnóstico e as soluções que deverão colocarem prática. A instituição vem fazendo esse trabalho desdemarço, através de campanha que, nascida como ação deconsultoria planejada pelo Sebrae Nacional para melhoraro atendimento às MPEs, ganhou versão ampliada noEstado como Negócio a Negócio. Desde a deflagração dainiciativa até o fechamento desta edição, nossas equipes jáestiveram em mais de 12 mil empresas.Além disso, o Sistema Sebrae comemora os resultados deum ano da lei que formaliza o empreendedor individual,o EI; fala sobre a importância da agricultura familiar naeconomia do País; e propõe uma viagem por caminhosque foram abertos pelos tropeiros, empreendedores que,no tempo em que o Brasil era colônia de Portugal, atravessaramfronteiras com suas mulas carregadas de produtos.Paulo Fernandes TigrePresidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/RSDiretor-superintendente: Marcelo de Carvalho LopesDiretor de Administração e Finanças: Léo José Borges HainzenrederDiretor Técnico: Marco Antônio Kappel RibeiroEntidades que compõem oConselho Deliberativo do Sebrae/RS:• Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A -BANRISULTitular: Mateus Affonso Bandeira• Federação das Indústrias do Estado do Rio Grandedo Sul - FIERGSTitular: Paulo Gilberto Fernandes Tigre (Presidente)• Caixa Econômica FederalTitular: Ruben Danilo de Albuquerque Pickrodt• Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande doSul - CIERGSTitular: André Vanoni de Godoy• Secretaria do Desenvolvimento e dos AssuntosInternacionais do Rio Grande do Sul - SEDAITitular: Josué de Souza Barbosa• Banco do Brasil S/ATitular: Clênio Severio Teribele• Federação das Associações Comerciais e de Serviçosdo Rio Grande do Sul - FEDERASULTitular: José Paulo Dornelles Cairoli• Federação da Agricultura do Estado do Rio Grandedo Sul - FARSULTitular: Carlos Rivaci Sperotto• Federação do Comércio de Bens e de Serviços doEstado do Rio Grande do Sul - FECOMÉRCIOTitular: Luiz Carlos Bohn• Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e PequenasEmpresas - SEBRAETitular: Luís Afonso Bermúdez• Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial -SENAI/RSTitular: César Rangel Codorniz• Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande doSul - FAPERGSTitular: Rodrigo Costa Mattos• Serviço Nacional de Aprendizagem Rural -SENAR/RSTitular: Carlos Alberto Schütz• Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do RioGrande do Sul - FCDLTitular:Vitor Augusto Koch• CAIXA Estadual S/A - Agência de Fomento/RSTitular: Carlos Rodolfo Hartmann


O superintendente do Sebrae/RS,Marcelo Lopes,explica que a Feira do Empreendedortem o objetivo de fomentar acriação de um ambiente favorávelà geração de oportunidades de negócio,isto é, estimular o surgimento, a ampliação e adiversificação de empreendimentos sustentáveis, alémde difundir o empreendedorismo como um estilo devida. Ele acrescenta que “cada uma das feiras é umuniverso de oportunidades e denovas ideias; um lugar onde negóciospodem ser criados ou reinventados”.A EXPECTATIVAÉ A DERECEBER, NOSQUATRO DIASDE DURAÇÃO,MAIS DE 13 MILVISITANTESPRESENCIAIS E16 MIL VIRTUAISNa edição de 2010, uma das atraçõesserá o Salão de Franquias,com 790 metros quadrados e capacidadepara 42 empresas expositoras.É a primeira vez que o RioGrande do Sul realiza um eventodesse porte envolvendo o setorde franchising. O superintendenteacredita que “a Feira do Empreendedor,por ter a finalidade de estimular ideias empreendedoras,também é o local adequado para reunir asmelhores oportunidades de negócios em franquias”. Oespaço conta com a parceria da Associação Brasileirade Franchising (ABF). Os interessados em participarcomo expositores podem entrar em contato com a empresaresponsável pela comercialização dos espaços, aVDN Eventos, através dos telefones: (11) 5678.7792,(11) 8788.6233 e (51) 9936.7757.De acordo com a gestora da feira no Sebrae/RS,Adriana Hartmann Lewis, a expectativa é a de receber,nos quatro dias de duração, mais de 13 mil visitantespresenciais e 16 mil virtuais. “Por meio do site www.sebrae-rs.com.br/feiradoempreendedor, vamos propiciaraos gaúchos o acesso aos caminhos e soluções sobreabertura de empresas, gestão empresarial, alternativasde negócios, novos empreendimentos, inovaçõestecnológicas, acesso a mercados e ao crédito, entre outros”,informa. Para o completo êxito desta edição, oSebrae/RS montou um comitê gestor, composto por30 representantes de diversas áreas, que iniciou os preparativosjá no ano passado.Quem visitar a feira também terá à disposição o EspaçoEmpreendedor do Futuro, que deverá receber 1.100crianças para usufruírem das atrações. Do interior doEstado, estão sendo esperados 3.500 empreendedores,que participarão como integrantes de 70 missões. Alémdisso, a Feira do Empreendedor contará com áreaspara pequenas máquinas, negócios paraFoto: Elias EberhardtEm 2008, 15.929 pessoas participaramda Feira do Empreendedor e outras21.957 estiveram nas palestras do Fórumde Empreendedorismodimento às empresas que tiverem dúvidas sobre soluçõesde TI.As atrações da feira seguem com exposição dos gruposde artesanato apoiados pelo Sebrae/RS, atendimentoao Empreendedor Individual, a Loja Sebrae e aCentral Fácil com a presença das entidades envolvidasno processo de abertura de empresas. “Uma atividadeinovadora será o Cine Empreendedor, que consiste nareprodução de uma sala de cinema onde serão veiculadostrechos de filmes comerciais para trabalhar, juntoaos participantes, temas como liderança, empreendedorismo,gestão e trabalho em equipe, entre outros”,explica a gestora.Palestras nacionais einternacionaisO Fórum de Empreendedorismo contará com eventosde âmbito nacional e internacional durante 10 e 11 desetembro. No primeiro dia de atividades, os destaquesa Copa do Mundo de 2014, representaçõescomerciais e espaço para soluçõesinovadoras, com a presença de instituiçõesque trabalham com incubadoras.No mesmo local, também será realizadauma mostra de software e de serviçosque terá 20 empresas expositoras e umestande institucional com informaçõessobre o Programa de Tecnologia daInformação do Estado, para dar atenficarãopor conta da palestra sobre EmpreendedorismoDigital, com a participação de SilvioMeira; o painel de franchising, que terá a apresentaçãode cases de sucesso; e a pesquisa Oportunidadesde Negócio no Rio Grande do Sul. “Oestudo mapeou as necessidades ainda não atendidaspor parte dos consumidores, bem comoos potenciais negócios no Rio Grande do Sul”,adianta Adriana. O ambiente empreendedorserá o tema central do segundo encontro, no dia11 de setembro, com palestras que abordarão oEmpreendedorismo no Mundo, no Brasil e noRio Grande do Sul, com base nas informaçõesda pesquisa GEM - Global EntreperneushipMonitor, que mede o nível de empreendedorismoem diversos países.Pelo BrasilNa edição anterior no Estado,o público presente às palestrasdo Fórum de Empreendedorismochegou à marca de 21.957pessoas. Pelo site, outras 15.929pessoas também participaram da Feira doEmpreendedor. O blog e os vídeos registraramo acesso de mais de 3 mil interessados em oportunidadesde negócios.Desde 1995, a Feira do Empreendedor é realizadaem diferentes estados e regiões do País. Ocircuito de 2010 ocorre, a partir de maio, em 14municípios brasileiros (Belém, Joinville, CampoGrande, Fortaleza, Aracajú, Belo Horizonte,Porto Alegre, Maringá, Pernambuco, Teresina,Natal, Boa Vista, Palmas e São Paulo).Em seus 16 anos de sucesso consolidado noBrasil por sua qualidade e diversidade de informações,a Feira do Empreendedor tem sido umêxito crescente. É uma excelente ferramentapara multiplicar e fortalecer as micro e pequenasempresas. Na prática, é uma vitrine do Sebraepara se aproximar ainda mais da sua clientela.6Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 7


Negócio a negócioPrograma temcomo metalevar orientaçãoempresarial doSebrae/RS paradentro de 80mil pequenosA equipe estáEM CAMPOnegócios noO Programa Negócio a Negócio, do Sebrae/RS, está modificandoo dia a dia das micro e pequenas empresas do Rio Grandedo Sul. Trata-se de um projeto pioneiro que leva universitários,capacitados pela instituição, a prestarem consultorias dentrode empresas com até quatro funcionários e a empreendedoresindividuais – desde que devidamente formalizados. Mais de300 acadêmicos foram capacitados na metodologia da açãodo Sebrae/RS, em parceria com as universidades, e atuamcomo Agentes de Orientação Empresarial. Ao longo de 2010,a meta é viabilizar o diagnóstico da situação de 80 mil MPEsgaúchas e oferecer soluções individuais a cada uma delas. Oinvestimento nesta iniciativa será de cerca de R$ 10 milhões.EstadoFoto: UNISC Santa Cruz do Sul/DivulgaçãoUniversitários da Unisc Litoral, em Capão da Canoa,integram o time que tem como meta atender 80 mil empresas“Estamos invertendo a lógica da entidade, que eraesperar o pedido de ajuda das empresas, para irmosàqueles que precisam de nossa orientação e, muitasvezes, não têm tempo ou recurso financeiro”, afirmao superintendente do Sebrae/RS, Marcelo Lopes. Eletambém observa que “os empreendedores, ao tomaremcontato com a ferramenta, ficam satisfeitos emverificar que se trata de uma oportunidade única paraobter diagnóstico sobre o que está bem e sobre aquiloque precisa ser melhorado em seu negócio”.No programa Negócio a Negócio, o empresário deveráreceber três visitas. Inicialmente, os agentes farão umdiagnóstico do empreendimento para saber onde hánecessidade de suporte, nas áreas de gestão financeira,identificação dos concorrentes, colocação de mercadorias,relacionamento com os clientes, entre outros. Asegunda etapa prevê a execução das melhorias necessárias.O empreendedor será informado sobre pontoscríticos do negócio e receberá sugestões e ferramentasde gestão para superá-los. Na última etapa, será avaliadoo impacto das mudanças colocadas em prática parao resultado da empresa.No Estado, a meta é realizar 240 mil atendimentos gratuitos– três por empresa – ao longo de 2010, o querepresenta 10% da meta em todo Brasil. Até o fechamentodesta edição da revista Tempo de Agir, maisde 12 mil empresas das regiões Metropolitana, Norte,Noroeste, Serra Gaúcha, Sul, Vale do Sinos, Centro,Campanha e Fronteira Oeste, Litoral e Vales do Taquarie do Rio Pardo receberam a visita dos agentes,totalizando mais de 19 mil atendimentos.Os agentes de orientação empresarial são estudantesdos cursos de Administração, Economia, CiênciasContábeis e Engenharia, selecionados pelas dez universidadesparceiras do projeto. Segundo a gestora doNegócio a Negócio no Sebrae/RS, Viviane AndressaPinto, a estrutura de governança desenvolvida para oprograma é composta por uma universidade coordenadora,a Unisinos, e universidades executoras para cadaregião do Estado, de acordo com a divisão territorialdo Sebrae/RS. As executoras são Pucrs (Região Metropolitana),Unisc Campus Capão da Canoa (RegiãoMetropolitana 2 - Litoral), URI (Região Norte), Unijuí(Região Noroeste), UCS (Região da Serra Gaúcha),Unisinos (região dos vales do Sinos, Caí e Paranhana),No Estado, a metaé realizar 240 milatendimentos gratuitos– três por empresa – aolongo de 2010, o querepresenta 10% do totalem todo BrasilFurg (Região Sul), Unisc (Região do Vale do Taquari),Urcamp (Região da Campanha) e UFSM (Região Centro).“As instituições de ensino superior são importante pilarde sustentação desta ação, na medida em que selecionamos estudantes em final de curso, que estão indoa campo para o contato direto com os empreendedores.É uma ótima experiência para a empresa e para osuniversitários”, ressalta Marcelo Lopes. Para atenderàs empresas, o Sebrae/RS os capacitou com relaçãoao ambiente das micro e pequenas empresas gaúchas,o perfil do público que é alvo do projeto, formas deabordagem e o que é o Sebrae e seus produtos.Até o momento, os feedbacks são positivos, contaWellington Munareto, um dos 40 agentes de orientaçãoempresarial que estão em campo pela Pucrs. “Tenhoobtido uma aceitação de 75% por parte dos empreendedores;dessa forma, consigo atingir minha metadiária de adesão, que é de cinco empresas”, revela oestudante do 6º semestre do curso de Contabilidade. Auniversitária Fernanda Ribeiro dos Santos também estáentusiasmada com o projeto. “O mais difícil é convencê-losde que o atendimento é gratuito”, surpreendeseFernanda, que cursa Administração com ênfase emEmpreendedorismo e Sucessão.O telefone da Central de Relacionamento do Sebrae(0800 570 0800) está disponível para inscrições dos empreendedoresinteressados em receber a consultoria.8 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 9


GestãoA cerejado boloObsessão pelo resultado, conhecimento do mercado, qualificação das pessoase dos processos, planejamento e liderança, inovação, empreendedorismo.Esses e outros temas relacionados à boa gestão fazem parte do cardápio domundo corporativo no Brasil de hoje. É natural que estejam na rotina das empresas,que ocupem algum tempo de seus executivos e colaboradores e que sejam assuntode seminários, MBA’s ou de mais alguns livros na estante. Tudo isso acontece porqueas pessoas precisam de insumos para formação, bom desempenho nas tratativascom o chefe, na conversa com os amigos, ou, para ser mais objetivo, naquela entrevistaimportante para ser, afinal, escolhido na empresa dos sonhos.A demanda domercado por novassoluções cresce emritmo aceleradoe precisa de umaresposta adequada,que começa dentrodas empresasO ambiente corporativo vivencia um tsunami de informações.A estabilidade da moeda e as perspectivas de um crescimentoduradouro na economia ampliam a demanda por qualificaçãono Brasil, gerando muitas oportunidades para empresas epessoas. O vetor da produção de conhecimento está em alta,mas não podemos confundir todo esse movimento e trabalhoduro com resultados efetivos. A afirmação é do consultorde empresas Gilson Coelho, inquieto diante da maneira comomuitas empresas estão encarando os desafios decorrentesda demanda por inovação que há no mercado. Ele consideraque o enfoque distorcido do tema minimiza a compreensãoda massa de empresários, sobretudo dos pequenos e micro.Como especialista e pesquisador em Gestão do Conhecimento,afirma que o ambiente corporativo está sendo negligenciadoe pouco percebido como a grande fonte inspiradora doconhecimento criativo, capaz de produzir inovação e de corresponderàs expectativas do mercado.No livro que está escrevendo, intitulado Gestão de Conhecimentonas Empresas em Ambiente de Inovação, Gilson Coelhoargumenta que até se consegue gerar conhecimento nasempresas, mas acrescenta que pouco se faz sobre gestão, oque é um impeditivo para um ambiente favorável à inovação.Para complicar, a função do RH como guardião da cultura eliderança do processo de capacitação está se fragmentando,dificultando o acesso ao estágio mais avançado de desempenho,que o consultor classifica como competência.10 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 11>>


Qualquer empresa,de qualquertamanho, será lugarpara inovaçãorespeitamos a teoria se ela for aplicada com sucesso naprática.É evidente que o ambiente empresarial é o ninho naturaldo pragmatismo, mas existem empresas extremamenteobjetivas, que trabalham as lideranças e têmas metas e os métodos muito bem-definidos em suarotina. Nelas, a inovação tem o seu espaço, em funçãodo aporte de conhecimento que se manifesta emtoda a organização. Os fundamentos são respeitados,e a prática exaustiva acaba validando qualquer teoriaútil. Se um bom curso for ministrado, por exemplo,o aprendizado será imediatamente verificado, e a empresanão vai descansar até que o tema seja aplicado.Nestas empresas, a obsessão pelo resultado parece estarno DNA, faz parte da cultura. A boa gestão nãodesperdiça o potencial das pessoas.No outro extremo, existem empresas que teorizam sobretudo, mas aplicam muito pouco. Verbalizam sobreexcelência, mas pecam nos fundamentos. Nesse ambiente,a inovação não se manifesta. Quando a CNI(Confederação Nacional da Indústria) afirma que aempresa é o lugar onde a inovação deve nascer, apontapara um mar de oportunidades das quais nós mal começamosa usufruir. Acredito que, na medida em queo aporte de Conhecimento (e a sua gestão) se popularizarcomo insumo básico para a produção de inovação(me parece que hoje é o viés tecnológico que predomina),as nossas possibilidades serão ampliadas, comimpacto significativo na competitividade de pessoas,empresas ou nação.Nas palestras que faz peloBrasil, o consultor GilsonCoelho afirma que a negligênciado ambiente corporativo nasempresas é uma das causas dodesperdício do potencial criativoTA: E o estudo acadêmico? Onde entra asua contribuição?GC: Nesse ambiente um aluno pode tirar nota 10 emtudo e não aplicar nada na sua vida pessoal e profissional.Para que servirá esse conhecimento?Se não for canalizado para resolverproblemas ou causar algum impactona sociedade, melhorando a qualidadede vida das pessoas, qual o propósito?No ambiente das empresas, se fizermosalgo sem propósito provocaremos um aumentode custos, diminuindo o valor agregado para os clientes,e nada disso está combinado com eles. A demandado mercado é por redução de custos.Podemos reconhecer um traço comum nas escolas oucursos bem-sucedidos: a maior ou menor aproximaçãocom as reais demandas do mercado. Quando essaaproximação é muito grande, o curso ocorre quase quepor encomenda, feito sob medida, e transforma-se emum sucesso, com impacto significativo na sociedade.Quando a produção do conhecimento está muito distantedo público-alvo, tendo pouco a ver com as reaisdemandas, podemos incorrer no erro de produzir algoe consumir recursos que não serão plenamente utilizadospelo mercado. Na linguagem de produção, essa seriaa produção empurrada, conhecida como Just in Case.No ambiente da empresa, quando abusamos do Just inCase, logo percebemos os reflexos no volume dos estoques,no fluxo de caixa, no volume das despesas e nosproblemas de qualidade. Nele, as pessoas usam poucosua cabeça e esbanjam recursos. Há pouco capital intelectuale muito desperdício. No ambiente de empresa,esse comportamento produz consequências imediatas,a ponto de as pessoas perderem seus empregos. A empresapode quebrar.É urgente que as empresas se ocupem do tema da Gestãodo Conhecimento, sob pena de não conseguiremcorresponder às demandas do mercado por inovação.A crítica feita às empresas sobre o desconhecimentodo mercado vale de forma multiplicada para o sistemaeducacional, que, na qualidade de fornecedor, poucoconhece sobre as demandas dessa turma - as empresas-, que tem a missão de produzir produtos e serviçospara um mercado cada vez mais exigente.Não é difícil observar que a academia, por não estarmuito próxima das demandas reais do mercado, vemse especializando na produção de pacotes muito bemembaladospor novos departamentos de marketingbem-articulados, usando linguagem comercial agressivae objetiva. A pessoa lê o folder e conclui que aquiloé tudo de que ela necessita. Se verificarmos a explosãodos MBA´s (Master in Business Administration) queocorreu no Brasil, não entenderemos por que carecemostanto da boa gestão, por que não somos bons eminovação e carecemos de liderança, de planejamento.Foto: Mathias CramerTA: Mas os diplomas influenciam no ganhodas pessoas. Então contribuem. Concorda?GC: As empresas necessitam de competências e issonada tem a ver com diploma. O conceito surgiu noambiente corporativo, nas décadas de 1970 e 1980,quando novas tecnologias precisaram ser incorporadasao sistema de produção, deixando para trás as característicasque marcaram a falência do Modelo T de HenryFord. Mais uma vez o conhecimento seria o panode fundo das mudanças, só que agora ele seria incorporadoà prática no ambiente de produção, associadoà postura, à capacidade de agir sob pressão, de precisartomar decisões em pleno ambiente de trabalho. Agorao conhecimento não estaria mais dissociado da prática.Existem muitas empresas que ainda não incorporaramo conceito de competências nas suas políticas de RecursosHumanos e, por conta disso, estão recrutandomal (ofuscadas pelos brilhos dos diplomas), não privilegiandoe tampouco desenvolvendo os seus funcionários.Por conta disso estão sempre em busca de umsalvador (bem-diplomado) que assume funções-chavesem o conhecimento da cultura da empresa, muito menosdas características do mercado onde está inserida.Voltando para o mercado em geral, enquanto o conceitode competência não produz seus efeitos no mundoreal dos negócios, o mundo das aparências precisaser alimentado e desafiado. É muito comum a genteouvir que “fulano de tal”, apesar da boa graduação ede ter cursado um MBA, não consegue trabalho. Isso,aos poucos, vai impregnando o inconsciente coletivo,que passa a almejar por mais e mais graduação. Muitosacabam chegando ao Mestrado. “Ufa!!! Finalmente ummestre!” Qual é a impressão que se tem de um mestre?O ambiente de trabalho é pragmático, temsentido de urgência, tem consequências,positivas e negativas. É o palco onderespondemos pelos nossos erros e acertos14 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 15


SoftwareUm craque que, em função das suas experiências, temcondições de passar esta expertise a seus discípulospara influenciar a vida das pessoas e da comunidade.Não é nosso caso. O mestre, por estas bandas, não temmuito a ver com o ambiente corporativo, mas tudo aver com o ambiente acadêmico. Em geral é identificadocomo aquele ser altamente diplomado, que, do altoda sua sapiência, ensinará aos pobres mortais comosobreviver e se dar bem no ambiente competitivo.A realidade é que ao sistema educacional falta pragmatismo.As empresas necessitam de competências, masele oferece diplomas. Em grande medida porque estãodesconectados com as reais necessidades do mercado.É urgente que asempresas se ocupemdo tema da Gestão doConhecimento, sob penade não conseguiremcorresponder àsdemandas do mercadopor inovaçãoMPEs da área da Tecnologia daInformação recebem incentivopara melhoria na gestãoEm nova versãoTA: Fale um pouco mais sobre a gestão doconhecimento no ambiente da empresa.GC: No ambiente da empresa precisamos prestaratenção nos indicadores que se relacionam com a produçãoe com as vendas, mas também com o conhecimentoque faz funcionar os processos e mantém vivaa memória, a cultura. Nesse ambiente existe conhecimentotácito e conhecimento explícito.O tácito é o que está na cabeça das pessoas e tem tudoa ver com as suas experiências, pessoais e profissionais.O termo tácito vem do Latim e significa não-expressoem palavras.O conhecimento explícito é o que foi capturado, formatadoe sistematizado. È fácil de ser multiplicado. Algunsexemplos são os livros, um gráfico que sintetizaacontecimentos ao longo do tempo, uma fórmula ouuma ferramenta desenvolvida e consagrada na prática.No ambiente da empresa, o conhecimento tácito é algoem torno de 80%. Está lá, é precioso, mas muitas vezesnegligenciado pelo modelo de gestão, e muitas empresasconvidam as pessoas a deixarem suas cabeçasnas portarias. Os funcionários entram só com o corpo,como um simples fator de produção. Nesse caso,o maior desperdício é o de cérebros. Silenciosos, elesnão enriquecem o capital intelectual, a matéria-primado século XXI.Por sua vez, o conhecimento explícito representa algoem torno de 20%.A inovação é a cereja deste bolo. Pode ser comparadaao diamante lapidado, que é altamente valorizado nomercado.O campo da Tecnologia da Informação (TI) cresce navelocidade de um clique e registra expansão de mais de9% ao ano no Brasil, segundo pesquisa da Associaçãopara Promoção da Excelência do Software Brasileiro(Softex). No Estado, grandes universidades nas regiõesCentro, Vale do Taquari e Rio Pardo são referênciana formação de profissionais qualificados na área eincentivam a formação de incubadoras - berços paraa geração de muitas empresas de base tecnológica.O potencial empresarial do ramo é grande e podeser mais bem-aproveitado com empreendedorescapacitados para a gestão dos negócios. Por isso,o Sebrae/RS investe em um novo projeto, que beneficiaos pequenos negócios e impulsiona o setor.>>16 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 17


As universidades de Santa Cruz do Sul(Unisc) e Federal de Santa Maria (UFSM) sãoparceiras na realização do projeto Desenvolveras Empresas de Software da Região Centro, Valedo Taquari e Rio Pardo, além da Associação deEmpresas de Software do Vale do Taquari e RioPardo (Rede ATIvales), do Sindicato das Empresasde Informática do Rio Grande do Sul(Seprorgs), da Associação das Empresas Brasileirasde Tecnologia da Informação, Software eInternet Regional RS (Assespro) e da AssociaçãoSul-Riograndense de Apoio ao Desenvolvimentode Software (Softsul). O objetivo geral épromover avanços empresariais através da ampliaçãode mercados e melhorias de gestão, comcapacitações, consultorias individuais e açõestécnicas especiais. Conforme o gestor do Sebrae/RS,Márcio Rebelatto, 42 MPEs aderiramà iniciativa e os trabalhos estão sendo realizadoscom dois grupos, centralizados nas cidades deSanta Cruz do Sul e de Santa Maria.Conforme estudo de viabilidade do Sebrae/RS,no Rio Grande do Sul, cerca de 70% das empresasdo segmento produzem software e, destas,90% estão focadas em produção de programaspara gestão empresarial e automação comercial.Segundo Rebelatto, reunidas, as regiões atendidaspelo projeto concentram aproximadamente100 empresas do setor, sendo a maior parte delasMPEs que registram cada uma, em média,seis postos de trabalho. Além do ensino de qualidadee das incubadoras, há projetos aprovados,entre a administração pública e parceiros, para aconstrução de Parques Tecnológicos em SantaMaria e Santa Cruz do Sul.“Temos um ambiente favorável ao desenvolvimentode negócios na área de TI. O movimentoque ocorre reflete o que a economia vem apontandopara o setor: um crescimento estimado de10% ao ano nos próximos períodos. É precisoinvestir para que o progresso continue e se consolide”,afirma Rebelatto. Na percepção dele,um dos desafios é que os estudantes formadossintam-se estimulados a ficar e a fixar empreendimentosno local, o que fortalecerá a cadeiaprodutiva.Com as MPEs já inscritas no projeto, o Sebrae/RSrealizou avaliações e construiu diagnósticospara identificar necessidades de gestãoe o perfil comercial. “A partir destes resultados,elaboramos ações para o ano e pudemos ter umpanorama quanto à atuação e especialidades dasempresas. Há desenvolvimento de softwares paradiversos segmentos de mercado, como agronegócio,comércio, metalmecânico e serviços emgeral. Este apoio também é uma forma de impulsionaro desenvolvimento de outros setorese muitas MPEs locais”, explica.Qualificação digitalDesde abril, são realizadas reuniões mensais entre asMPEs. Nos encontros há debates, troca de informações,definição de novas demandas e aprendizado, comdiferentes palestrantes. “Já tivemos workshops sobreoportunidades e cenário atual no mercado de TI e aindaserão promovidas capacitações em Planos de Negócios”,conta o gestor. Em julho ocorre a implantaçãodo programa de indicadores de gestão empresarial eem agosto oficinas acerca de parcerias estratégicas. Eleesclarece que com aulas focadas especialmente em TIe auxílio de consultores para aplicação do conteúdoindividualmente na empresa, os empreendedores poderãoelaborar estratégias de trabalho adequadas paraingressar em novos mercados ou ampliar a participaçãonaqueles em que já atuam.Entre setembro e outubro está prevista uma capacitaçãoem gestão da inovação, que envolverá a questãode precificação do produto e o cálculo de custo parao desenvolvimento de softwares. Rebelatto ainda informaque no início do mês de junho empresários doprojeto realizaram uma visita ao Porto Digital de Recife,local que é referência para o setor; e confirma queeles promoverão mais duas atividades de intercâmbiode conhecimento este ano: missão técnica para a RioInfo (feira que se realiza em setembro, no RJ); e umseminário regional (vai envolver as MPEs do projeto econvidados em novembro). “Além disso, os empreendedoresjá se articularam para participar de mostras naFeira do Empreendedor e Mercopar”, revela o gestor.Negócios sem fronteirasMais atentas à gestão, as MPEs da região podemaumentar suas potencialidades. Entre asmetas do projeto está o aumento de 20% emnúmero de clientes e de faturamento dos negóciosatendidos. Outro objetivo é que sejamprofissionalizados para a atuação nos mercadosnacional e internacional. Rebelatto conclui que“com trabalho associativo e foco na capacitaçãoteremos boas bases para promover a inovaçãoe estabelecer parcerias estratégicas. Isso poderáelevar o nível de competição global e gerar novasoportunidades na própria região”.O projeto terá dois anos de duração e está alinhadoà estratégia do Programa da Indústria deSoftware do RS, sendo que o Sebrae/RS mantémcinco projetos voltados à esfera da TI noEstado atualmente. Mas o apoio da instituiçãoao setor já ocorre há cerca de três anos. EmSanta Cruz do Sul, Venâncio Aires e Lajeado, apartir de 2007 atuou com iniciativas que envolverama participação de 17 empresas. Em SantaMaria, iniciou-se em maio de 2009 com a formaçãode um grupo de 10 MPEs atendidas peloprojeto Fomento Setorial do Centro.EstatísticaO setor de TI encerrou 2009 com crescimentode 9,3% e uma receita anual aproximada de R$52,8 bilhões. Para 2010, a Softex estima ummovimento de R$ 57,7 bilhões e uma repetiçãodo nível de crescimento, acima de 9%.18 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 19


Criada em 1991, em Sant’Ana do Livramento,município distante 497 km de Porto Alegre,a Univaz produz uniformes industriais e comerciaisque continuam como carro-chefe da empresa. A industrializaçãode bombachas surgiu para suprir lacunasde produção. De acordo com o empresário, “o uniformepossui uma curva de demanda, ou seja, é ummercado de altos e baixos. Eu precisava de um produtoque suprisse esses períodos”. Foi então que, aovisitar um cliente da cidade, Paulo teve a ideia. “Eleme perguntou se eu produzia bombachas. Depois depensar naquilo peguei um molde, levei para casa e fiz amodelagem. Não foi difícil produzir, porque o tipo demaquinário utilizado é o mesmo que uso nos uniformes”,explica Paulo.Antes de criar a Univaz, ele foi subgerente em umaagência bancária, ramo em que trabalhou durantedoze anos. Com vontade de empreender, identificouna confecção uma boa oportunidade e partiu em buscade informações para executar a ideia em parceriacom um colega de trabalho. Foi através do Sebrae/RSque iniciou o desenvolvimento da gestão da empresa.“Vimos que o mercado de consumo para uniformesera crescente, pois não havia muitas empresas bem-estruturadaspara atender a demanda”, conta Paulo, quejá participou de oficinas, de palestras e do Empretec,atividades que a instituição oferece.Em 2005, a bombacha passou a fazer parte do catálogoda empresa. O tradicional item da vestimenta gaúchafoi além, ganhando marca própria. “A bombacha Tauraé um produto hoje comercializado em todo o territóriobrasileiro. Vendemos basicamente por atacado,enviando mostruário, visitando clientes”, conta o empreendedor.Mas foi através da internet que o negóciose popularizou. “Além de vender em uma loja virtual,temos site próprio que também comercializa peçaspara homens, mulheres e crianças. Os compradoressão gaúchos que participam do movimento nativistafora do Estado e turistas que querem uma lembrançado Rio Grande do Sul. Tenho um cliente de MinasGerais que conheceu a bombacha quando estava depassagem pela Argentina e entrou em contato conoscopara adquirir como lembrança”, conta. Além de MinasGerais, Paulo já vendeu para São Paulo, Paraná, SantaCatarina, Rio de Janeiro e Brasília.Foto: DivulgaçãoFoto: DivulgaçãoA peça que identifica o gaúcho amplia seumercado fora do Estado e está chegando à AlemanhaPaulo Vaz | EmpresárioAlém de vender em uma loja virtual, temos sitepróprio que também comercializa peças parahomens, mulheres e crianças. Os compradoressão gaúchos que participam do movimentonativista fora do Estado e turistas que queremuma lembrança do Rio Grande do SulNavegando por ondas digitaisPaulo Vaz está sempre em busca de novas formas dedivulgar seus produtos. “Utilizo até onde posso as ferramentasda internet, para contato com clientes e fornecedores,busca de informações, divulgação e venda.Até mesmo contato por voz eu faço pelo computador.É um meio abrangente e barato, que pode dar umgrande retorno”, afirma o empresário, que destaca ofato de o site ser acessado em países como Itália, Hungriae Alemanha. E foi desse último país que surgiuuma nova possibilidade de negociação. “Um grupo debrasileiros quer abrir uma churrascaria por lá e está interessadona marca Taura. Estamos negociando”.Além do meio digital, outra iniciativa, efetivada recentemente,vai promover as bombachas Taura. “Fechamosparceria com um grupo de música nativista e vamosdoar as bombachas para que seus integrantes asusem no palco. Em contrapartida, nossa marca serádivulgada em diversas plataformas, criando nas pessoaso desejo de ter o produto”, explica.O gestor do Sebrae/RS no escritório da Campanha eFronteira Oeste, Edson Linhares, acompanhou Paulodurante muitos anos em diversas capacitações promovidaspela entidade e descreve o perfil do empresário.“Ele é bastante empreendedor e ousado; identificouque era preciso trabalhar-se primeiro e depois a empresa.O mais interessante, no caso das bombachas,é saber que alguém apostou em um produto típico danossa terra para inová-lo e na busca de novas formasde vender, que ultrapassam fronteiras”, disse.Para continuar aperfeiçoando o trabalho, Paulo acreditaque um empresário deve estar em constante aprendizado.“Voltei a estudar, cursando Administração deEmpresas, e, embora tenha aprendido tudo o que seino dia-a-dia, a teoria está me ajudando muito”.A história da indumentáriaCom origem em meio a um contexto de guerras,a história da bombacha se confunde como sentimento de orgulho do povo gaúcho. Asbatalhas dos revolucionários ou defensores desuas terras contribuíram para criar essa imagemde força, cuja vestimenta é uma herança da mesmaépoca.A Guerra do Paraguai, que ocorreu entre osanos de 1864 e 1870, funcionou como um divisorde culturas, implantando novos elementose costumes. Um exemplo é a gaita, que, aospoucos, substituiu a viola durante os bailes. Outroé a própria bombacha, de origem turca. Elachegava ao porto de Montevidéu através de comerciantesingleses, como sobra das batalhas deexércitos colonialistas e imperialistas.Na época dessa mistura de culturas, o gaúchocostumava cantar: “A gaita matou a viola / ofósfre, matou o isqueiro / A bombacha, o chiripá/ e a moda, o uso campeiro”. Consideradavestimenta sem valor, utilizá-la em bailes nãoera permitido, mas no início do século XX, porvolta de 1905, seu uso já tinha virado um hábitoque inclui os enfeites laterais chamados favosde mel.A pilcha - conjunto de peças obrigatórias quecompõem a indumentária do gaúcho - foi transformadaem traje oficial a partir da lei estadualde 10 de janeiro de 1989. De acordo com a lei,será considerada pilcha a vestimenta que reproduzircom elegância a sobriedade da indumentáriahistórica, conforme os ditames e as diretrizestraçadas pelo Movimento TradicionalistaGaúcho (MTG).22Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 23


Joias gaúchasFotos: Divulgação/MR Lodi StoneEm evidênciaDepois de abrir mercado noexterior, Marlene Lodi estáconquistando também o Brasil,Os colares, brincos e anéis da empresa gaúcha temmercado em países da Europa, Ásia e América do Norteatravés da GloboFotos: Divulgação/MR Lodi StoneNa novela Tempos Modernos, as peças fabricadas pelaempresa MR Lodi se destacam no figurino da atriz Regiane AlvesDesde o início deste ano, a novela preferidada empreendedora Marlene Lodié Tempos Modernos, da Rede Globo. Porvolta das 19h, ela para tudo o que estáfazendo para assistir ao folhetim. “E se, por acaso,não consigo ver, acesso mais tarde pela internet;não posso perder”, conta a empresária, que,em alguns momentos, fica realmente eufórica emfrente à tevê. A causa de todo esse entusiasmo nãoé o ator Antônio Fagundes, um dos protagonistas,mas os colares, os anéis e as pulseiras em pedraslapidadas que a empresa de Marlene produz emSoledade, Norte gaúcho. As peças fazem parte dofigurino da personagem Goretti Cordeiro. Interpretadapela atriz Regiane Alves, a socialite emergenteaparece nas cenas usando joias em ágata,druza e ametista da MR Lodi Stone.Marlene conta que participava de uma exposiçãoem São Paulo quando a figurinista da emissora,Emilia Duncan, conheceu o seu material e ficousabendo que era enviado à grife Gucci, na Itália. “Elaficou muito interessada e conversou comigo para desenvolvermospeças exclusivas. Enviei uma coleção de30 artigos inicialmente. Após isso, desenhamos juntasmais 15 peças para complementar os looks que a atrizusa nas gravações”, explica.Marlene diz que não se cansa de olhar, orgulhosa porver o resultado de um trabalho artesanal, feito com esmeroe dedicação, exposto em rede nacional. “As joiasbrasileiras têm design diferenciado, são arrojadas, massempre estiveram na moda fora do Brasil. Apenas recentemente,pelos movimentos da mídia e da indústriada moda, é que têm sido mais apreciadas por aqui. Issoé excelente para o nosso mercado”, afirma a empresária.As joias que aparecem na novela estão fazendo tantosucesso entre os telespectadores que o portal GloboMarcas já acertou com a MR Lodi Stone a entrega depeças para vendas via internet.Na região em que cultura e economia são enriquecidaspelo brilho das pedras e minerais, a família Loditrabalha com comercialização de artefatos e adornoshá mais de 40 anos, destinando a maior parte de suaprodução para o exterior. Cerca de 80% dos negóciosreferem-se a exportações para países como França,Alemanha, Estados Unidos e Japão. Marlene e maistrês irmãos são proprietários deste empreendimentoque, entre diretos e indiretos, tem mais de 100 colaboradorese produz de sete a dez mil peças por mês. Aempresária vive entre as pedras desde os noves anosde idade e se diz apaixonada pelo que faz. Gosta dedesenhar, de criar e se diverte, acrescentando: “Comomulher que adora estar em evidência não passo um diasem usar as minhas joias!”.As coleções envolvem diversos modelos de cintos,pingentes, colares, anéis, brincos e outros acessórios,usando matéria-prima integralmente local. A chegadaà Rede Globo é vista como recompensa pelas açõesrealizadas com o objetivo de apostar no mercado interno.Além de expor mais em feiras nacionais, a empresacresce e se qualifica participando das iniciativas do Sebrae/RSem benefício das MPEs deste setor produtivona região. “É a oportunidade que temos de unir a clas-24 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 25


As joias brasileiras têm designdiferenciado, são arrojadas, mas sempreestiveram na moda fora do Brasil. Apenasrecentemente, pelos movimentos damídia e da indústria da moda é que têmsido mais apreciadas por aqui.Marlene Lodi| Empresáriase, capacitar a mão-de-obra do setor joalheiro, adquirire trocar conhecimento e de adotar estratégias parainovar e vender mais”, anima-se.Setor mais desenvolvidoe valorizadoConforme a gerente da Regional Sebrae Vales do Taquarie do Rio Pardo, Liane Beatriz Klein, um novoprojeto neste ano – Desenvolver o Setor de Gemase Joias de Soledade e Guaporé – é o instrumento deapoio da instituição a mais de 80 empreendedoresdesta cadeia produtiva. “Renovamos nossas metasfocando em atividades que levem ao crescimento dascomercializações. Promovemos e apoiamos a realizaçãode rodadas de negócios e trabalhamos em outrasações que visam a ampliar o acesso das MPEs gaúchasa novos mercados, em âmbito nacional e internacional”,explica. Esta ação segue em vigência até o finaldo próximo ano, tendo como principais metas: elevarem 15% o número de novos mercados conquistados;aumentar em 12% o faturamentodas MPEs; e implementar controlesgerenciais em 50% e indicadoresde gestão em 20% das empresasparticipantes.A gestora da iniciativa, Claudia ReginaKuhn, ressalta que o cronogramade atividades prevê a continuidadedas capacitações voltadas ao desenvolvimentotécnico para aprimorar a produção e o design dos produtos.“A região é rica em matéria-prima e nossa intençãoé estimular os empresários a investirem nas novastecnologias, que agregam valor às pedras in natura”,afirma. Entre outras linhas de trabalho, o projeto tambémestá engajado na meta nacional do trade de instituirnormalização para o ramo joalheiro. A definiçãode regras oficiais acerca de confecção e comércio daspeças tem sido debatida entre as entidades competentes,a classe empresarial e a Associação Brasileira deNormas Técnicas (ABNT).A gerente Liane lembra que o Sebrae/RS desenvolvedesde 2005 programas de apoio para qualificaçãoe aumento da competitividade entre MPEs fabricantese vendedoras de gemas, joias e artefatos de pedraspreciosas e semipreciosas da região. Os parceiros doatual projeto são: prefeituras municipais de Guaporée Soledade, Associação Pró-desenvolvimento de Soledade(Aprosol), Sindijoias Guaporé, Sindicato dasIndústrias de Joalheria, Mineração Lapidação, Beneficiamentoe Transformação de Pedras Preciosas do RS(Sindipedras), Associação do Comércio de Joias, Relógiose Óptica do RS (Ajorsul), Universidade de PassoFundo (por meio do Centro Tecnológico de Gemas deSoledade), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial(Agência de Extensão Profissional Senai Soledade)e Instituto Brasileiro de Gemas e Metas Preciosos(IBGM-Apex).País privilegiadoConforme o Instituto Brasileiro de Gemas e MetaisPreciosos (IBGM), a cadeia produtiva de gemas, joias eafins compreende desde a extração mineral à indústriade lapidação, artefatos de pedras, joalherias e folheados,bijuterias, os insumos, matérias-primas e as máquinase equipamentos usados no processo de produção.Fazem parte dessa cadeia também as estratégias demarketing e a incorporação do design aos produtos.O Brasil é privilegiado com diversidade e grande ocorrênciade pedras preciosas. Dados do IBGM apontamque o País é responsável pela produção de mais de30% do volume das gemas no mundo (excetuados odiamante, o rubi e a safira) e é um importante produtorde ouro, estando em 12º no ranking mundial. O órgãoainda estima que existam em torno de quatro mil empresastrabalhando com as atividades de lapidação, joalheria,artefatos de pedras, joias folheadas e bijuteriasem território nacional.O presidente Hecliton Santini salienta que as realidadesde cada segmento são promissoras, porém, bastantedistintas. “No ramo das pedras, 80% do volume deprodução têm como destino final as exportações. Nasjoias, 90% das vendas estão concentradas no mercadointerno”, explica. Para ele, as iniciativas de apoio sãoessenciais à conquista de mais equilíbrio e progressodo setor, “principalmente em estados como o RioGrande do Sul, onde a cadeia produtiva é forte em ambasas frentes”.A cidade de Guaporé, na Serra Gaúcha, figura comoo segundo principal polo joalheiro do País; nas gemas,Rio Grande do Sul e Minas Gerais são os dois grandespolos brasileiros, respondendo por 70% da produçãonacional. Desde que se iniciou o ciclo de extração mineral,o setor cresceu a ponto de transformar o Estadoem referência na industrialização de pedras. Santiniavalia que este segmento investe em profissionalismo,eficiência e modernização. Por isso, é bastante competitivoe registra ciclo de crescimento: até março de2010, o Rio Grande do Sul, por exemplo, já exportou40% a mais do que no mesmo período do ano anterior.“Mas a intenção, aproveitando um momento dedemanda em expansão, é diminuir a dependência domercado externo. O ideal é que a nossa produção sejamais valorizada pelos brasileiros. Para isso, ações integradascom a indústria da moda e a mídia são bonscaminhos para mostrar a beleza do que é nosso e conquistaro consumidor”, estimula.Brilho da economiaAs pedras preciosas e semipreciosas se destacam naeconomia de Soledade. A extração de ametistas, deágatas, de citrinos e de calcitas, principalmente, representa37% do Produto Interno Bruto (PIB) do município.De acordo com levantamento do Sebrae/RS, 150empresas desta esfera produtiva estão estabelecidas nacidade, gerando 1,2 mil empregos diretos. A localidadedo Norte gaúcho é responsável por 80% do volume deexportações de pedras do Estado.Em Guaporé, segundo a Secretaria Municipal de Indústriae Comércio, há 161 empreendimentos do ramo joalheiro naindústria e 61 no comércio. Juntos alcançam um faturamentode ordem de R$ 70 milhões anuais, sendo o setor uma dasprincipais bases da economia do município. “Estimativas de2006, apontam que, dentro do PIB da indústria, as atividadesem joalheria representam 30%”, destaca o secretário PauloRoberto dos Santos. A maior parte dos 21 mil habitantestrabalha com os ramos de joias e lingerie, outro segmento noqual é referência.Foto: Dudu Leal26Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 27


CalçadosFoto: DivulgaçãoUm mercado aparentemente de contornosmenores, mas, ao mesmo tempo, de cifrasgrandiosas, revela-se um negócio valiosopara as empresas que integram o grupoAlta Moda. Ancoradas na qualidade, originalidadee exclusividade de matéria-primapara acessórios - botas, sapatos e bolsas emcouro de cobra da Indonésia, avestruz, bezerro,entre outros -, as 18 empresas do Valedo Sinos apostam no consumo de luxo. Aformação do grupo é resultado de um projetocriado em parceria com o Sebrae/RSe o Sindicato das Indústrias de Calçadosde Novo Hamburgo, e, recentemente, teveseis marcas adicionadas: Liziane Richter,Antonielle e Doce Sal, de Novo Hamburgo;OperaD’arte, de Sapiranga; Acesso e StudioTMLS de Campo Bom.Ligado ao Sindicato das Indústrias de Calçadosde Novo Hamburgo, o Alta Moda iniciouas atividades em 2009, recebendo capacitação doSebrae/RS através do projeto Polo das Indústrias deCalçados e Artefatos do Vale dos Sinos e Paranhana. Agestora da iniciativa pela instituição, Daniela Pinheiro,salienta que “não havia nenhuma articulação conjuntapara esse tipo de empresa e os próprios empresáriosprocuraram o Sebrae/RS em busca de orientação”. Segundoela, a entidade já trabalhava com projetos direcionadosà moda, mas como esse grupo está inseridoem um segmento muito específico - que não costumaparticipar de feiras onde a predominância de públiconão seja classe A, por exemplo - a instituição propôsa formação de um grupo setorial. “A partir daí, iniciamosuma série de consultorias e capacitações, poistemos certeza de que o trabalho conjunto vai garantir aforça da marca e aumentar o seu desempenho de mercado”,complementa Daniela. Entre as atividades já realizadas,a gestora destaca a participação do Alta Modano Salão Internacional do Couro e do Calçado (SICC),em junho de 2009, e a organização de um show roomem São Paulo, em novembro passado.Mercadode luxoatrai empresasNovas marcas ingressam no grupo Alta Moda,que, impulsionado pelo Sebrae/RS, produzacessórios em couro de padrão elevadoFoto: DivulgaçãoFoto: DivulgaçãoFoto: DivulgaçãoLorraciMiezkoCospiratoO proprietário da Satryani, e também presidente doGrupo Alta Moda, Luiz Alberth, é designer de calçadoshá 25 anos. Iniciou sua carreira em Sapiranga, ondehoje se encontra sua loja. Por conta da sua experiênciano ramo, afirma que o mercado de luxo está em francaexpansão e, em parceria com a sócia Fabiana Petrida Silva, desenvolve sapatos e bolsas que abastecempontos multimarcas em diversos estados brasileiros eem países da Europa, Estados Unidos, África do Sul eAustrália.A característica desses sapatos e bolsas é a combinação demateriais nobres com o conceito de design como valor agregado>>28Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 29


Para o segundo semestrede 2010, o grupo Alta Modaprepara um site e articula aparticipação em feiras no exteriorFoto: DivulgaçãoEducação ExecutivaEstímuloà inovaçãoIncentivoCriada através da parceria dos designers Bronzoni e RodrigoCorrea (do estúdio Ideashoes), com o empresárioCelso Silva (da fábrica Vestígios), a OperaD’artetem uma visão objetiva do negócio. “Trabalhamos paraoferecer um produto de alta qualidade, com excelenteacabamento, identificado com o nosso público”, afirmaa gerente comercial da empresa Marlova Marques.A produção limitada, em Sapiranga, é marca para calçadosque combinam materiais nobres com o conceitode design como valor agregado. Já a Liziane Richter, outradas empresas recém integradas ao grupo, produz edistribui vestuário em couro para os principais centrosde consumo do País e dispõe de lojas próprias em SãoPaulo e Porto Alegre, afora Novo Hamburgo.Empresas participantesAcessoAntonielleAnzetuttoCavageCospiratoCristófoliDoce SalDonna SinhorelliInvittoLegaspiLis.SimonLiziane RichterLorraciMiezkoOperaD’arteSatryaniStudio TMLSVero SensoSatryaniNeste ano, as empresas do Alta Moda participarão novamentedo SICC, realizar uma nova edição do showroom em São Paulo, além do Minas Preview e Francal,entre 5 e 8 de julho, bem como capacitação e consultoriana área comercial, design, produção e gestão depessoas e planejamento estratégico. Para o segundosemestre, o grupo Alta Moda está trabalhando no desenvolvimentode um site e articulando a participaçãoem feiras no exterior. A gestora Daniela afirma que“algumas dessas empresas estão inscritas no Edital deInternacionalização do Sebrae/RS”.Empresas interessadas em participar dogrupo Alta Moda podem entrar em contatocom o Sindicato das Indústrias de Calçadosde Novo Hamburgo, através do telefone(51) 3593 2833.O Sebrae/RS viabilizou a participação de doisdirigentes de micro e pequenas empresas gaúchasno curso Estratégias para Inovação emNovos Mercados, realizado entre os dias 8 e10 de abril, em Bento Gonçalves, em iniciativainédita do Instituto Euvaldo Lodi (IEL/RS).Evandro Luis Weber, diretor da CachaçariaWeber Haus, de Ivoti, e Rodrigo Buchfink deSouza, da Jomon Cerâmicas Avançadas, dePorto Alegre, integraram, juntamente com osuperintendente do Sebrae/RS, Marcelo Lopes,o grupo de 44 industriais e dirigentes quereceberam o melhor da educação executiva internacionalno Brasil.Ministrado por professores da WhartonSchool, dos Estados Unidos, uma dasmais prestigiadas escolas de negócios do mundo,o curso foi elaborado sob medida para atender àsdemandas dos executivos brasileiros por capacitaçãode excelência, voltada especialmente para arealidade dos seus negócios. Combinou aulas expositivas,baseadas em estudos de caso, com trabalhose discussões em grupos, abordando temasque compreenderam os mais modernos conceitose práticas de gestão empresarial voltada paraa inovação. Rodrigo e Evandro afirmaram que oprograma foi uma “experiência intensiva de aprendizadoempresarial”.Gestão e Estratégiasde InovaçãoDe abril a julho, parceria do Ministério de Ciência eTecnologia/CNPq, IEL, Unisinos, Sebrae e SistemaFIERGS desenvolve, por meio do IEL/RS, o cursode Gestão e Estratégias de Inovação. O objetivoé estimular a criação de um ambiente propício àsempresas para a geração e captação de novas idéias.Para isso, capacita empresários e pessoas que atuamem áreas relacionadas ao processo de inovaçãode empresas de micro e pequeno portes, incubadasFoto: Dudu LealSebrae/RS incentivaparticipação de empresáriosem curso inédito do IELe associadas, ligadas a incubadoras tradicionais, no RioGrande do Sul. Inclui temas relacionados à gestão dainovação, gestão da tecnologia, gestão do conhecimentoe estratégias para inovação.O curso tem 90 horas de duração. É ministrado porprofessores de universidade, e seu conteúdo foi desenvolvidoespecialmente para as MPEs. Em um primeiromomento, ofereceu 30 vagas às MPEs de diversossetores. Na fase seguinte, será realizado em cidades doInterior, conforme a demanda. O projeto, piloto emtodo o Brasil, também será desenvolvido em outrosdez estados.O superintendente Marcelo Lopes (D) com Evandro Luis Weber,Rodrigo Buchfink de Souza e Elizabeth Urban, do IEL30 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 31


Empreendedor Individual>>A lei que garante ao trabalhador informalo acesso a benefícios como aposentadoriae auxílio-doença completa um anoO Empreendedor Individual é a pessoa que trabalhapor conta própria e se legaliza como pequeno empresário.Fatura, no máximo, R$ 36 mil por ano, não temparticipação em outra empresa como sócio ou titulare pode ter um empregado contratado, que recebe osalário mínimo ou o piso da categoria. O processo deformalização é simples, gratuito e deve ser feito atémesmo pela internet, por meio do portal www.portaldoempreendedor.gov.br.Outra opção para a formalizaçãoe para a primeira declaração anual é contatara rede de empresas de contabilidade optantes peloSimples Nacional, obrigadas a realizar essas tarefasgratuitamente no primeiro ano. A lista completa dosescritórios contábeis por município brasileiro pode serconsultada no link www.fenacon.org.br/esc-simples.php. O imposto para o EI é definido da seguinte forma:zero para o governo federal; e valores simbólicospara o município (R$ 5,00 de ISS) e para o Estado (R$1,00 de ICMS). Já o INSS é reduzido a 11% do saláriomínimo do período. Dessa forma, o EmpreendedorIndividual ganha direito aos benefícios previdenciários.(Confira no box abaixo).A formalização facilitou a participação de VianeiPortella de Mello (à esq) em projetos do setor públicoFoto: Secretaria de Educação e Cultura de Sete de SetembroOinteresse pela dança despertouem Vianei Portella de Mello, moradorda cidade de Sete de Setembro,região Noroeste do RioGrande do Sul, quando ele ainda eracriança e frequentava os CTGs da cidade.Depois, no Uruguai e na Argentina, conheceude perto os ritmos latino-americanos eampliou seu conhecimento no assunto. Há cercade 20 anos, transformou a dança em trabalho epassou a dar aulas, mas, somente em abril desteano, começou a garantir direitos para si mesmo,como aposentadoria por tempo de serviço e, emcaso de necessidade, auxílio-doença. Isso, porqueMello registrou-se como Empreendedor Individual(EI), figura criada em julho de 2009 pela Lei doEmpreendedor Individual. Hoje, o professor integraum grupo de mais de 17 mil gaúchos que seregistraram nesta modalidade. E comemora: “Antes,por não ser legalizado, acabava perdendooportunidades de participar de projetos do setorpúblico. Agora, presto serviços de forma facilitada”.No País, mais de 311 mil trabalhadores autônomosjá formalizaram suas atividades como EI.VANTAGENS DONEGÓCIO NOFORMATO EI:• Formalização simplificada, rápida, gratuita efeita pela internet• Obtenção de número no CNPJ(Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica)• Acesso a produtos e serviços bancárioscomo pessoa jurídica• Apoio técnico do Sebrae• Segurança para desenvolver sua atividade, pois asregras só podem ser alteradas pelo Congresso Nacional• Cobertura da Previdência Social para oEmpreendedor Individual e sua família• Emissão de nota fiscal para venda a outrasempresas ou para o setor público• Dispensa da formalidade de escrituraçãofiscal e contábil• Desempenho de atividade de forma legalPara o empreendedor• Aposentadoria por idade – mulher aos 60 anos ehomem aos 65 anos, após 15 anos de contribuição• Aposentadoria por invalidez, após um ano decontribuição• Auxílio-doença, após um ano de contribuição• Salário-maternidade, após 10 meses de contribuiçãoPara a família• Pensão por morte, a partir do primeiro pagamento• Auxílio-reclusão, a partir do primeiro pagamentoFonte: Ministério da Previdência Social32 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 33


Mais de 170 atividades podem se cadastrarcomo Empreendedor Individual, incluindodoceiras, professor particular, açougueiro, tatuadore dedetizador, entre tantas outras. Passadoum ano, os maiores índices registradosno Rio Grande do Sul e no Brasil estão nosegmento de cabeleireiro e de comércio varejistade artigos de vestuário e complementos.Luiz Carlos Barboza, de São Leopoldo,enquadra-se nesse grupo. Ele iniciou seunegócio em casa, em novembro de 2009.Aposentado, encontrou na venda de roupase acessórios a possibilidade de gerar rendaextra e, um mês depois, já estava registradocomo empreendedor individual. “Sete mesesdepois continuo com meu negócio em casa,faço a divulgação e as vendas entre amigos econhecidos. Achei que seria importante obtero registro, pois tenho planos de, futuramente,abrir uma loja”, conta. Para concretizar “essagrande vontade”, ele pretende se prepararadequadamente, “participando de capacitaçõespromovidas pelo Sebrae/RS”.Foto: Dudu LealDepois de aposentado, Luiz Carlos Barbozadecidiu vender roupas e acessórios paraincrementar a rendaMobilizaçãoA fim de marcar o primeiro ano de aprovação daLei do Empreendedor Individual, o Sebrae/RSprepara a Semana da Formalização, de 26 a 30 dejulho. “Vamos mobilizar o Estado pela legalizaçãodas empresas gaúchas que podem se enquadrarnessa modalidade”, diz o superintendente do Sebrae/RS,Marcelo Lopes. Ao longo de cinco dias,serão realizadas diversas atividades, como oficinas,palestras técnicas, divulgação da legislação, alémde um mutirão de formalização de empresas, pormeio de parceria entre Sebrae/RS, Banco do Brasil,Caixa Econômica Federal, Previdência Social, entreoutros parceiros.Hoje, o Estado tem 17 mil EIscadastrados, mas 72 municípios aindanão registraram profissionais nessamodalidade. Até o final de 2010, ameta definida pelo Sebrae/RS no RioGrande do Sul é formalizar 69 milEIs, e a nacional é de um milhão nomesmo período. Todos os esforçosserão bem-vindos.As prefeituras gaúchas também estão atuando noincentivo à formalização. O município de Caxiasdo Sul, por exemplo, criou o Comitê EI, compostopor representantes de diversas entidades, comoMicroempa, Fenacon, Sescon-Serra Gaúcha, SincontecCaxias, Sebrae/RS e as secretarias de DesenvolvimentoEconômico, Trabalho e Emprego;da Receita Municipal e da Secretaria do Urbanismo.O objetivo é divulgar a lei entre profissionaisautônomos para que se formalizem. Atualmente,a orientação é gratuita no posto de atendimentopermanente localizado na Microempa e na sede doSebrae. Na cidade ainda existem 185 escritórios decontabilidade que também promovem esse serviçosem custo. A ação conjunta procura ampliar o atendimentoao EI, sensibilizar os contadores optantespelo Simples Nacional sobre a obrigatoriedade derealizar a orientação gratuita aos interessados, alémde fortalecer a divulgação desta nova figura de empreendedorpor meio decampanha institucional.Santana do Livramentoestá trabalhando em projetopara formalizar e capacitaros empreendedoresque atuam na cidade deforma irregular, como camelôs,ambulantes de cachorro-quentee artesãos.“Queremos regularizá-los,capacitá-los e, até o iníciode 2011, vamos construiruma estrutura definitivapara que se instalem no localaqueles que estiveremparticipando do projeto”,informa o secretário doDesenvolvimento do município,Sérgio Aragon. Aprefeitura, em parceria com órgãos municipais, tambémestá atuando para desburocratizar e agilizar a emissãode alvará de funcionamento para os empreendimentos,para que não seja mais necessário conceder o documentoprovisório.Outro caso é o da prefeitura de Sapucaia do Sul, queelaborou uma cartilha didática que explica passo a passocomo os interessados podem se formalizar. Os três milexemplares iniciais serão distribuídos na cidade. Atravésda fiscalização, a prefeitura percebeu que há um grandenúmero de informais na cidade. “E isso não é bom parao empreendedor formal, nem para o informal, que nãousufrui de diversos benefícios”, relata o prefeito de Sapucaiado Sul, Vilmar Ballin.Passo Fundo uniu forças que atuavam individualmentepara criar o programa que busca facilitar a formalizaçãona cidade. Juntos, Sebrae/RS, Secretaria de Desenvolvimentodo município, Universidade de Passo Fundo(UPF) e o Sindicato dos Contabilistas prestarão atendimentode forma que o trabalhador informal possa regularizara sua situação e se tornar um empreendedorindividual, inclusive fornecendo para o setor público.Cada um terá seu papel: o Sebrae/RScapacitará os empreendedoresque se formalizarem, asecretaria orientará e colocará àdisposição um contador para formalizaras empresas gratuitamente,a UPF prestará assessoria sobre tomadade investimentos para evitarpossíveis endividamentos e o Sindicatoseguirá prestando serviço deformalização para os empresários.O secretário do DesenvolvimentoEconômico, Marcos Alexandre Citollin,afirma que “o EmpreendedorIndividual é o maior programa brasileiroem termos de inclusão no processo produtivo,pois quando o empreendedor se formaliza, beneficiauma família inteira”. De acordo com ele, somentePasso Fundo tem 4.800 potenciais EIs.O Sebrae/RS é um parceiro na capacitação dessesempreendedores e oferece ferramentas específicas egratuitas de capacitação: a oficina Prepare-se, você éum empresário, com 4 horas de duração, a palestra –O Empreendedor Individual, com 2 horas, e o cursoEAD (ensino a distância) EI – Empreendedor Individual.Outra solução recomendada para os EIs quetenham interesse em elaborar um plano de negóciosé a Oficina Elaborando um Plano de Negócio, com8 horas de duração, a um custo de R$ 20,00.Mais informações podem serobtidas no site do Sebrae/RSwww.sebrae-rs.com.br ou pelaCentral de Relacionamento0800 570 0800.34 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 35


Agrobiodiversidade36 Revista Tempo de Agir | Junho 2010EXTRATOpuroValorizados na Europa,os produtos orgânicosestão conseguindoespaço também namesa dos brasileirosNo território nacional, polêmicas à parte sobre a produçãoglobal de alimentos, o cultivo orgânico cria raízes.Por conta da agricultura familiar, o Brasil estáentre os três países com as maiores áreas sob manejoorgânico, segundo estudo publicado no ano passadopelo International Federation of Organic Movements(Ifoam). São 1, 77 milhões de hectares, quecolocam os brasileiros no ranking, somente atrás daAustrália e da Argentina. Em uma escala mundial,porém, a biodiversidade nacional e o aumento doconsumo europeu são apontados por especialistascomo vantagens para os negócios verde-amarelo. Nomercado interno, o segmento movimenta em tornode R$ 500 milhões por ano e prepara-se para umanova regulamentação.“Trata-se de um mercado em expansão, coma preocupação crescente dos consumidores quanto à segurançaalimentar e, ao mesmo tempo, com uma produçãoque deixa de atender à demanda”, explica FabianoNichele, gestor do Sebrae/RS para o agronegócio. DaianeCatuzzo, gestora do Sebrae/RS na região da Serra, acrescentaque a situação de mercado no Brasil é, em parte,reflexo da quantidade de técnicas limitadas na produçãode orgânicos somadas ao tempo mais elevado de maturação– em comparação com os métodos tradicionais, queincluem o uso de inseticidas, solventes e metais pesados.“Agora se começou a buscar o que nossos avós praticavamna lavoura”, complementa a gestora.Foto: Dudu LealAção a favor da naturezaA pesquisa mais recente – Censo Agrícola 2006 – divulgadapelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) no ano passado apurou a existência de 90 milestabelecimentos agropecuários - equivalente a 2% dototal no País -, que se dedicam ao cultivo de alimentossem quaisquer insumos químicos. Ricardo Edson Fritsch,por exemplo, é um dos produtores que contribuempara esse percentual, dedicando-se à produção de sucos,vinho e geleias orgânicas de uva, amora, pêra, pêssegoe figo.Exemplo de produtor atendido pontualmente pelo Sebrae/RS,na propriedade em Picada Café brota a matériaprima,com certificação desde 2004, que respalda a marcaHex von Wein. Fritsch, que faz parte da CooperativaVida Natural (Coopernatural), acredita que “precisamosagir a favor da natureza, além do comprometimentocom a segurança e a transparência com o consumidor”.E conta que observou uma explosão geral de vendasde orgânicos em 2009. Sobre seus negócios, explica que40% do que é produzido em seus seis hectares cultiváveisatendem ao mercado do Rio de Janeiro e 32% sedestinam a São Paulo. Além disso, tem consumidores noParaná (12%) e Rio Grande do Sul (2%). O restante estápulverizado entre Bahia e Minas Gerais.Na agricultura familiar trabalham cerca de 12 milhõesde brasileiros. A produção de orgânicos está diretamentevinculada a essa atividade. A informação vem doMinistério do Desenvolvimento Agrário (MDA), queaglutina 4,1 milhões de unidades produtivas e respondepor 70% dos alimentos consumidos diariamente pelosbrasileiros, representando 10% do PIB nacional.Foto da Hex Von Wein no arquivo agroecologiaFotos: Hex Von Wein/Coopernatural/DivulgaçãoO ponto de partidaO inglês Sir Albert Howard pesquisou sistemasagrícolas de produção na Índia duranteanos. Baseado nos resultados de seus estudos,ele defendia a importância da utilizaçãoda matéria orgânica e da manutenção da vidabiológica do solo. As ideias deste protetor domeio ambiente foram o ponto de partida paraa formação do conceito de agricultura orgânica,entre 1925 e 1930.Este sistema de produção não admite o usode fertilizantes sintéticos, agroquímicos e aditivossintéticos para a alimentação animal. Damesma forma, não admite reguladores de crescimento,transgênicos e exploração de mãode-obra.Estimula o uso do esterco animal, doadubo verde, da rotação de cultura, da compostageme do controle biológico de pragas edoenças, priorizando a estrutura e a produtividadedo solo.Fonte: Associação de Agricultura Orgânica (AAO)Nova regulamentação- A partir de 2011, todos os produtos orgânicosbrasileiros, exceto aqueles vendidos diretamentepelos agricultores familiares, deverãolevar o selo do Sistema Brasileiro de Avaliaçãode Conformidade Orgânica (Sisorg), que seráemitido por um organismo de avaliação credenciadono Ministério da Agricultura, Pecuáriae Abastecimento. As novas regras forampublicadas no Diário Oficial da União em 29de maio de 2009, nas Instruções Normativasnº 17, 18 e 19, que complementaram a Lei nº10.381 de 2003 e o Decreto de nº 6.323/07.- Produtos orgânicos comercializados por produtoresfamiliares diretamente ao consumidordeverão exibir a rotulagem: Produto Orgânicopara venda direta por agricultores familiaresorganizados não sujeito à certificação de acordocom o artigo 123 da Instrução Normativanº 19 de 28/05/2009.Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 37


Fotos do CD da Tortaria – 5118 – 5134 – 4993 -ECONOMIA VERDENúmero de estabelecimentos no BrasilGrupos deatividade econômicaEstabelecimentos nos principais estadosprodutores de orgânicosHorticultura/Floricultura (número de estabelecimentos)Orgânica Total OrgânicaCertificadaBrasil8.900 1.018Principais estadosParaná 1.300 217Minas Gerais 1.208 71Rio Grande do Sul 1.089 146São Paulo 962 194Bahia 933 31Pernambuco 636 49Santa Catarina 524 76Lavouras permanentes (número de estabelecimentos)Orgânica Total OrgânicaCertificadaBrasil9.557 1.030Principais estadosBahia 2.450 223Minas Gerais 1.257 192Espírito Santo 658 64Rio Grande do Norte 539 37Pernambuco 533 38São Paulo 489 86Paraná 483 79Rio Grande do Sul 462 8338Revista Tempo de Agir | Junho 2010OrgânicoOrgânicoCertificadoLavoura temporária 30.168 1.051Horticultura e floricultura 8.900 1.018Lavoura permanente 9.557 1.030Sementes, mudas e outrasformas de propagação vegetal 52 08Pecuária e criaçãode outros animais 38.014 02Produção florestal –florestas plantadas 1.638 65Produção florestal –florestas nativas 1.644 58Pesca 154 01Aquicultura 371 25Total 90.497 5.106Fonte: Censo Agrícola 2006, IBGEDo mato ao pratoA produção sem insumos químicos faz a maior vistaà mesa, mas nem só de leguminosas é feito o mundodos alimentos orgânicos. Inclui, por exemplo,até a genuína cachaça gaúcha de alambique. Dasprateleiras da Weber Haus, em Ivoti, são comercializadosrótulos de cachaça Envelhecida; cachaçaPremium Envelhecida; cachaça Prata; Caipirinha;Aguardente Composta com Banana; AguardenteComposta com Gengibre; Licor de Chocolate; Licorde Creme de Leite; Licor de Cachaça; e Licorde Mel com Cachaça – todos orgânicos com certificação.“A aceitação ainda não está tão fácil, portratar-se de um produto de alto valor agregado compreço correspondente, mas gosto de ser o primeiroe não o segundo a inovar”, declara, orgulhoso, oproprietário Evandro Luis Weber.Ele conta que há oito anos começou a diversificarseu negócio nesta direção. “É diferente a produçãoorgânica, que tem que congregar o ar, o soloe os compostos naturais. É mais trabalhosa”. Paraele, porém, a conduta oportunista no mercado éinsuficiente; é preciso ter consciência dos malefíciosdo uso de agrotóxicos para a saúde do meioambiente e do homem e pensar estratégias em longoprazo. Com capacidade para produzir até 300mil litros por ano, sua perspectiva é migrar de vezpara a produção orgânica. Segundo Weber, a faltade matérias-primas é o que mais atrasa esse processo,mesmo buscando fornecedores em outrosestados. É dos paulistas que consegue adquirir, porexemplo, açúcar branco orgânico.A Weber Haus é uma das MPEs que fazem partedo Alambiques Gaúchos, projeto com a Associaçãodos Produtores de Cana-de-Açúcar (Aprodecana)que já contou com apoio do Sebrae/RS. Seus produtossão consumidos na Suíça, Austrália, EstadosUnidos e Alemanha, entre outros.O restaurante da empresária Regina Célia Dossiné o porto seguro de quem valoriza a alimentação natural,sem ingredientes tóxicosContribuiçãopara mudaro mundoAssumir a responsabilidade pelo que seus freguesesconsomem também está direcionando o negócio deRegina Célia Dossin. A proprietária da Tortaria CaféBrassiere, por exemplo, disponibiliza no cardápio bebidasorgânicas da Weber Haus, receitas com ingredientessem insumos químicos tóxicos e pratos vegetarianos,além dos preparados de forma convencional, massem gordura trans - todos devidamente sinalizadosno menu para a identificação dos clientes. De acordocom Regina, foi em 2008 que ela tomou a decisão deestender os conceitos sobre sustentabilidade que praticavaem sua vida privada para a de empresária, apósuma reforma arquitetônica que celebrou os 10 anos donegócio gastronômico. Sua contribuição para mudar omundo incluiu também, no estabelecimento, projetosde iluminação com led, separação de lixo, utilizaçãode gás natural encanado e vasilhames retornáveis emvidro para bebidas. “Temos clientes que nos procuramjustamente por oferecermos opções sustentáveis”,acrescenta Regina.Para chegar a este estágio, a proprietária da TortariaCafé Brassiere, localizada na rua Padre Chagas, emPorto Alegre, passou três meses fazendo pesquisas antesda reinauguração da casa, em 2008. “A área da alimentaçãoexige bastante envolvimento e dedicação doempresário, por isso é preciso valorizar os pequenosavanços”, explica, destacando que compra boa partedos ingredientes orgânicos na feira ecológica realizadaaos sábados na rua José Bonifácio, no bairro BomFim. O chá “tribal” que ela serve vem do Paraná; ossucos de laranja, tangerina e uva, de cooperativas emAntônio Prado e São Sebastião do Caí; e a cerveja, deBlumenau (SC).O aumento dessas opções depende muito, segundoRegina, da logística da entrega dos produtos. “As dificuldadesnão se limitam somente à capacidade de consumoe à regularidade da produção”, observa. Por isso,a empresária está sempre em busca de fornecedores e,quando os encontra, certifica-se de que os produtoresadotam as diretrizes para as práticas sustentáveis: reciclar,repensar, reduzir e reutilizar.A Tortaria Café Brassiere participa do Polo deGastronomia na Região Metropolitana, projeto impulsionadopelo Sebrae/RS e parceiros.Fotos: Dudu LealJunho 2010 | Revista Tempo de Agir 39


Agricultura familiarFaltaplanejamentoQuase a metade dapopulação ocupadano setor rural não éremunerada no BrasilO Brasil é considerado um dos grandes produtoresde commodities do mundo, e a agricultura familiaré a principal fonte de sustento dos habitantes dezonas rurais. Hoje, 30 milhões de pessoas vivemnessas áreas - equivalendo a 16% da população doPaís. A informação foi revelada pelo comunicadoPnad 2008: Primeiras análises - O setor rural sobre as condiçõesde vida nas áreas rurais, com base em indicadoressociais e de desenvolvimento humano. Realizadopelo Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), o estudomostra que, no entanto, as relações de trabalhonesse meio são precárias - 43% da população ocupadanão recebem remuneração por suas atividades.Além disso, a renda média mensal na árearural gira em torno de R$ 360,00; já na zona urbana,o valor é mais que o dobro: R$ 786,00. A região Sul -Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - registra amaior média de rendimento mensal, R$ 633,00. No entanto,nesses três estados, há uma discrepância entre osrendimentos de mulheres e homens. A média femininanão chega à metade da registrada pelos trabalhadoresdo outro sexo - R$ 825,00 contra R$ 362,00 entre asmulheres, a maior diferença em todas as regiões.Para o Ipea, é provável que a maior parte destes trabalhadoresviva no domicílio em que a família possuialguma fonte de renda. “Dada a expressividade do númerode não-remunerados no total da força de trabalhoocupada, também é provável que no interior destecontingente sejam encontradas relações precárias detrabalho e desemprego”, informou a entidade na apresentaçãodo estudo em 1 de abril. Mais de 33% dosdomicílios também contam com a contribuição financeirade aposentados e pensionistas.Ainda segundo o estudo divulgado pelo Ipea, grandemaioria dos agricultores familiares não planeja o queserá feito com sua produção. Mais de 70% dos agricultoresnão assumiram o compromisso de venda nemmesmo de parte da produção. Mas, apesar da falta deplanejamento, quase 80% dos agricultores familiaresvenderam, pelo menos, uma parte do que produziram.Quando o assunto são os empregadores na agricultura,86% venderam parte de sua produção, mas apenas40% assumiram o compromisso prévio de vendê-la.Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostrade Domicílios (Pnad), cerca de 70% dos agricultoresfamiliares detêm a propriedade da terra em que produzem.“Por outro lado, ainda são consideráveis as formasprecárias de acesso à terra (parceria, arrendamento,posse e cessão), que somam 30% do conjunto”,informa o diretor de Estudos Sociais do Ipea, JorgeAbraão.EscolaridadeOs dados sobre educação evidenciam que a populaçãorural continua menos favorecida que a urbana. Ataxa de analfabetismo para pessoas acima de 15 anosé de 7,5% na zona urbana e de 23,5% na zonarural. Enquanto, nas cidades, 9% da populaçãotêm pouca ou nenhuma instrução, no campo, talproporção ultrapassa 24%. Em outro extremo, apopulação mais escolarizada, acima de 11 anos deestudo, representa mais de 40% da população urbanae apenas 12,8% da população rural. A maioriada população do campo - 73% - sequer completouo ensino fundamental.Foto: Sebrae/RS>>Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 41


Copa do Mundo 2014Conquistas coletivasOs resultados apurados pelo Ipea dão um nó no peito.Mas somos “milhões em ação, uma corrente prafrente”, conforme os versos do compositor MiguelGustavo, e essas disparidades sociais podem deixar deser uma patologia na geografia nacional. A partir doplanejamento, por exemplo, o bioguaraná é cosa nostra- negócio certificado de 1,8 mil pequenas propriedadesem Maués, há 270 km de Manaus, na Amazônia.O empreendedor Sílvio Proença é um entusiasta dosbenefícios da fruta para a saúde física e financeira eresponsável pelo início das negociações que resultaramno ingresso desse tipo de produção no porto de Marselha,na França, e em Firenzi, na Itália.Proença recorda que a habilidade para semear, plantare colher a fruta foi herdada das tribos indígenasda Floresta Amazônica. Por outro lado, a competênciatécnica para acessar o mercado externo foi conquistadaatravés de capacitações ministradas pelo SistemaSebrae. “Não basta manter a barriga no balcão”, alertao gaúcho, natural de Esteio, que trocou há 30 anos aterra do chimarrão pela do guaraná e há cinco anos dedica-seao negócio próprio. Em meia década, Proençaevoluiu de aprendizados básicos de gestão, como fluxode caixa, para lições estratégicas de acesso a mercadosem feiras internacionais, onde divulga atualmente seuvarejo de produtos naturais - cápsulas, chás, sucos, isotônicose energéticos - feitos com o guaraná orgânicocertificado da Associação da Comunidade Santa Clara(Ascampi), no rio Urupadi.Coordenada pelo Sebrae, por meio do programaGestão Estratégica Orientada para Resultados (GO/Maués), a certificação é apontada por Proença como oprimeiro passo que agregou valor à produção e competitividadeao guaraná do País. A chancela foi concedidapela Ecocert, uma das maiores certificadoras daEuropa. “Tem gente que pensa que inovação é algorestrito a grandes empresas, mas eu sou fruto do Sebrae”,compara o empreendedor, que participou emPorto Alegre, em maio, do Brasil Rural Contemporâneo- o maior evento da América Latina de exposiçãoe venda de produtos da agricultura familiar.Radicado no Amazonashá 30 anos, o empresáriogaúcho Sílvio Proença sevaleu da orientação doSebrae para certificar obioguaranáFoto: Sebrae/RSTEM GENTE QUEPENSA QUEINOVAÇÃO É ALGORESTRITO A GRANDESEMPRESAS, MAS EUSOU FRUTO DO SEBRAEAlémdo futebolProjeto queune turismo eagricultura familiarterá investimentoAproveitar a Copa doMundo de 2014 paracriar oportunidadese dar visibilidade aosem todo Paísprodutos e serviçosda agricultura familiarbrasileira. Esse é o propósito do convênio assinadoentre Sebrae Nacional, Sebrae/RS, Ministério deDesenvolvimento Agrário (MDA) e Ministério doTurismo (Mtur), que viabiliza a realização do ProjetoTalentos do Brasil Rural: turismo e agriculturafamiliar a caminho dos mesmos destinos. A ideiaé inserir produtos de origem familiar em estabelecimentoscomerciais e turísticos das doze cidadessededo evento esportivo. “É um projeto regional enacional, que busca fomentar a agricultura familiarde forma organizada, para manter a riqueza do Paíscom uma produção cada vez mais qualificada e diferenciada”,afirma o presidente do Conselho Deliberativodo Sebrae/RS e presidente da FIERGS,Paulo Tigre.de R$ 3 milhõesFoto: Dudu LealO Projeto Talentos do Brasil Rural terá recursosna ordem de R$ 3 milhões, que serão repassadospelo MDA, via Caixa Econômica Federal, e geridospelo Sebrae/RS. Com abrangência nacional aação capacitará, inicialmente, 125 cooperativas paraofertarem artigos diferenciados a hotéis, bares, restaurantese lojas de artesanato das cidades-sede. NoEstado, serão cerca de 30 cooperativas. O projetopromoverá itens de alimentação e bebida, artesanato,decoração e amenities (miniaturas de xampus esabonetes disponíveis nos hotéis) típicos de cadaregião do País, como xampu de cupuaçu, sabonetede açaí, cachaça, conservas, mel, frutas e sucos orgânicose peças de artesanato.Também serão realizadas ações de qualificação deempreendimentos de Turismo Rural no entornodas cidades-sede da Copa de 2014, para que ofereçamatividades e, assim, atraiam o público dosjogos do mundial para passeios, hospedageme refeições. O presidente do Sebrae Nacional,Paulo Okamotto, comenta que “o convêniovem reforçar a atuação da instituição junto àagricultura familiar. Temos linhas de projetosdesenvolvidos com base na gestão de negócios,diversificação dos canais de distribuição,qualificação de produtos e agregação de valor,por meio do design, acesso a novos mercados,por exemplo”.A previsão é de que o trabalho seja executadoem 18 meses. Primeiro, será realizado o planejamentodas estratégias de atuação, comunicação,monitoramento e avaliação do projeto, seguidopela elaboração de uma pesquisa de mercado que nortearáos próximos passos. “Vamos identificar os estabelecimentosque já compram produtos da agriculturafamiliar, aqueles que ainda não o fazem, conhecer osmotivos. Com base nessas informações, as ações seguintesdo projeto serão colocadas em prática”, informao ministro do Desenvolvimento Agrário, GuilhermeCassel.Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/RS, Paulo Tigre (E),o Ministro do MDA, Guilherme Cassel, e o presidente do Sebrae Nacional,Paulo Okamotto, na assinatura do convênio42Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 43


TurismoA saga dos comerciantesque percorreram o Brasil Colônia,interligando territórios e culturas, deixouum legado histórico que foi transformadoem um belo passeio turísticoNorastrodosTROPEIROSDesbravaram terras, interligaram países e unificaram culturas. Os tropeiros representamuma fase da história brasileira. Percorrendo grandes distâncias em mulas carregadascom bruacas, expostos às intempéries do tempo e longe da família, pouco a pouco elesconstituíram um dos momentos mais importantes da formação do Rio Grande do Sul.Suas longas cavalgadas construíram um legado cultural que o Sebrae/RS e parceiros resgatam noprojeto turístico Caminho dos Tropeiros na Região dos Campos de Cima da Serra.Nascida em Bom Jesus, a historiadoraLucila Santos, especializada em tropeirismo,encontrou em sua família o estímulopara pesquisar esse pedaço dahistória gaúcha. Além de ouvir os causoscontados pelo avô, ela cresceu e viveem região que foi rota das tropas. “Meuavô era tropeiro de gado vacum e passoumuitas dificuldades em seus trajetos,dormindo a céu aberto. Seu caminhobásico era pegar o gado nos Campos deCima da Serra e conduzi-lo até PortoAlegre para, então, terminar a viagemem Guaíba”.Muito antes disso, ainda no BrasilColônia, os tropeiros traçaram asprimeiras rotas comerciais entre osestados, abrindo vias que até hoje podemser usadas para o transporte. Entre elas,trechos da BR-285 e BR-116. Desse ir-evirnasceram povoados que originaramcidades como Passo Fundo, Carazinho eCampos Novos. Segundo Lucila, “essesciclos criaram atividades como ferreiro,comércio de alimentos e roupas e campode aluguel para os animais”.No Estado, os principais caminhos dos tropeiros foramos dos indígenas. Mas outros foram abertos pelas tropas:o Caminho da Praia, que começava no Uruguai, passavapor Santo Antônio da Patrulha e seguia até Laguna, deonde os tropeiros embarcavam em navios ou subiam aSerra dos Ambrósio rumo a São Paulo e Rio; o Caminhodos Conventos, que partia de Araranguá, subia a Serra eentrava nos Campos de Cima da Serra, onde os viajantescruzavam o rio Pelotas rumo à Sorocaba; o Caminho Real,que seguia o primeiro e, na altura de Palmares, tomava orumo de Viamão, de onde seguia na direção de Rolante,passando por São Francisco de Paula e atravessando o rioPelotas na direção de Sorocaba; e o Caminho das Missões,que foi aberto em 1816 e entrava no Brasil por São Borja;em Vacaria dos Pinhais, entroncava com o Caminho Real,seguia até Passo Fundo e Registro de Santa Vitória (hojeBom Jesus), também em direção à Sorocaba.História e turismoIniciado em 2009, com apoio e gestão do Sebrae/RS, oprojeto Caminho dos Tropeiros envolve mais de 80 empreendimentosdos municípios de municípios de Vacaria,Cambará do Sul, São José dos Ausentes, São Francisco dePaula, Bom Jesus e Jaquirana. Segundo a gestora LucianaThomé, a instituição já atuava em iniciativas de turismo naSerra Gaúcha e, “avaliando o contexto do território, observamoso potencial ligado a essa atividade, com a qualexiste uma forte identidade na maioria das fazendas, ondeas pessoas são netas ou bisnetas de tropeiros; além disso,Bom Jesus sedia o Seminário Nacional do Tropeirismo”.O objetivo é proporcionar aos turistas uma vivência nesseambiente, com diversas opções.>>Foto: Campofora/Divulgação/Marcelo Curia44Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 45


Atrações imperdíveisO outono é uma época excelente para viajar até osCampos de Cima da Serra, onde o frio mais rigorosojá se anuncia. Quem vai às cidades serranas, conhece oque ficou dos tropeiros e as belezas naturais da região.Muitas estão dentro das fazendas. Aproximadamente20 delas, vinculadas ao projeto, recepcionam os visitantese guardam histórias, cenários, sabores e misticismosque aos poucos podem ser descobertos nas rodasde chimarrão.Cânions e picos – Em toda a região, entre SãoFrancisco de Paula (RS) até Urubici (SC), há mais de30 cânions. Os principais são o Itaimbezinho, no ParqueNacional de Aparados da Serra, e o Fortaleza, noParque Nacional da Serra Geral. Ambos ficam emCambará do Sul e são acessíveis de carro. Para ingressarno Itaimbezinho é necessário pagar entrada.Na mesma região também se destacam: o cânion Josafá,de São Francisco de Paula, o maior do Estado emextensão; e o pico do Monte Negro, no cânion de mesmonome, mas em São José dos Ausentes. Este pico,de aproximadamente 1,4 mil metros, é considerado oponto mais alto do Estado e, a partir dele, se o dia estiverlimpo, pode-se ver o litoral do Rio Grande do Sule o de Santa Catarina.Banhos de cachoeira - Mesmo quem não estáhospedado pode fazer o roteiro das águas nas fazendase pousadas, através das agências de turismo. Mas nessaépoca do ano o banho é só para os mais corajosos.Dependendo da intensidade do frio, lagos e cachoeirascongelam.Desnível dos rios - Em São José dos Ausentes, osrios Divisa e Silveira correm lado a lado com uma diferençade 18 metros de altura. O fenômeno do desnível,que é único na América Latina, pode ser apreciado doalto de morros dentro de fazendas locais.Gastronomia - Destaque para as comidas campeirascom pinhão (paçocas), charque, abóbora, mandioca,sobremesas de origem portuguesa, como o doce deFoto: Josemar Contesini /Divulgação/Canion TurismoOs locais são propícios para o turismo de aventura.As belas paisagens compensam o esforço físico.gila, fruta típica da região, e churrasco na vala. Os pratos,baseados na alimentação que os tropeiros preparavamem suas viagens, são servidos nas propriedadesrurais e estão nos menus de alguns restaurantes.O uso do espeto de madeira verde para assar a carneem valas – o que lhe dá um sabor agradável – está preservado.Esse churrasco pode ser degustado na pousadaPomar Cisne Branco, em São Francisco de Paula.A refeição é feita em um galpão, durante um Baile deCandeeiro.Pesca - Em São José dos Ausentes, no rio Silveira, háfazendas que têm autorização legal para a pesca da truta,cuja captura é controlada. A variedade mais comumé a Arco-Íris. Em Bom Jesus, a Pousada Truta Rodrivarisserve rodadas de pratos à base da iguaria.Lides campeiras e rodeios - A maioria dosmeios de hospedagem da região é rural e serviu depouso aos tropeiros. Alguns preservam a arquiteturaoriginal, em madeira. Ainda sãomoradia de quem herdou a culturado tropeirismo. Atividadescomo o deslocamento em carretas,a “junta” do gado, a ordenhade vacas e o cultivo de lavourassão comuns.Em São Francisco de Paula, duasfazendas - Remanso e Capão Ipê- agendam oficinas campeiras nasquais se pode aprender comoconfeccionar lã natural, produzircharque e compostos medicinaisnaturais.Em Vacaria, o Rodeio Internacional explora a vocaçãoagropastoril regional. É considerado como um dosmaiores rodeios crioulos da América Latina.Roteiro urbano (casas de madeira) – O desenvolvimentodas serrarias de Bom Jesus tem a suahistória fortemente ligada à presença do pinus, um tipoQUEM VAI ÀSCIDADES SERRANAS,CONHECE OQUE FICOU DOSTROPEIROS E ASBELEZAS NATURAISDA REGIÃO. MUITASESTÃO DENTRO DASFAZENDASde araucária. A cidade tem um conjunto antigo de casariosem madeira que pode ser conhecido através deuma city tour a pé. A historiadora Lucila Santos faz asapresentações contando sagas familiares.Atividades com mulas - Os empreendedores daFazendo do Cilho, em Bom Jesus, promovem passeiospelos corredores de tropeadas eresgatam o movimento com umaencenação. Em outras cidades,como São Francisco de Paula, pode-sese fazer a atividade de mulatrekking, em roteiro que pode duraraté dois dias.Viagens a cavalo e sesteadatropeira - Durante as viagens,os tropeiros paravam paracomer e descansar - era a sesteadatropeira. A pousada Vista Alegre,de Jaquirana, promove cavalgadasem que o principal atrativo é a confraternização emmeio à natureza.Taipas centenárias - As taipas são muros de pedrasque demarcavam fazendas e territórios nos séculospassados. Elas resistem ao tempo. Há construçõesque se estendem por mais de 15 quilômetros, formandocorredores que podem guiar cavalgadas, passeiosciclísticos e caminhadas.Foto: Campofora/Divulgação/Paulo Hafner Foto: Canion Turismo Vaigens e Aventuras/DivulgacaoFoto: Elias Eberhardt46 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 47


Foto: Arlindo Itacir BattistelFoto: Arlindo Itacir BattistelA seguir, uma opção de roteiroque compreende São José dosAusentes, Bom Jesus e Vacaria.ROTEIRO1º diaSão José dos Ausentes2º diaBom Jesus>>>>>>>>>>>Foto: Dudu LealColeção Araucária - Cerca de 30 artesãos, apoiadospelo Sebrae/RS, fabricam miniaturas de animais,esculturas, jogos, materiais pedagógicos, objetos de decoraçãoe acessórios de moda e uso pessoal. Todas aspeças têm inspiração no cotidiano gaudério e são feitascom matérias-primas da região. Há pontos de vendaem São Francisco de Paula e Cambará do Sul.InstitucionalO objetivo do projeto é implementar ações de inovaçãopara qualificar e aumentar a oferta das produçõesassociadas ao turismo, promovendo desenvolvimentoe sustentabilidade entre as MPEs, as cooperativas e asorganizações locais.Foto: Campofora/Divulgação/Paulo HafnerSão parceiros: Consórcio de Desenvolvimento Sustentáveldos Campos de Cima da Serra (Condesus),Associação das Empresas de Turismo de Cambará doSul (Aeturcs), Associação das Pousadas Rurais de SãoJosé dos Ausentes (Aprua), Associação Vacariense deTurismo (Avatur) e as administrações municipais dascidades envolvidas na ação.Site: www.caminhodostropeiros.com.brRoteiros autoguiadosEntre as opções que incluem passeios a cavalo, cachoeirase convívio com estancieiros da região, os visitantespodem escolher os roteiros. Luciana Thomé destacaque, “nessa atmosfera campeira, o dia-a-dia dasfazendas não é um produto formatado. Em 99% doscasos, o turista será atendido pelos donos”.Foto: Campofora/Divulgação/Paulo HafnerDurante a manhãDesnível dos Rios Silveira e Divisa:o turista pode conhecer essefenômeno único no Brasil em fazendaslocais (os rios passam lado a ladocom 18m de altura um do outro semse encontrarem).Distância do centro da cidade: 32 km.Tempo médio para realizar a atividade: 2 horas.Agendar visita: www.ausentesonline.com.br/pousadapotreirinhosPropriedade Cachoeirão dos Rodrigues: épossível conhecer uma das maiores cachoeirasda região em volume de água, com acesso atravésuma trilha de nível fácil.Tempo médio para realizar a atividade: 1 hora.Agendar visita: www.ausentesonline.com.br/pousadacachoeiraodosrodriguesOnde comerPousada Fazenda Potreirinhosou Pousada Cachoeirão dosRodriguesDurante a tardeVisita a outras propriedades ruraise ao Cânion e Pico do MonteNegro, na divisa do Estado comSanta Catarina. Com binóculo é possível avistaro Litoral Sul catarinense e o Litoral Nortegaúcho.Sugere-se o pernoite com jantar na FazendaMonte Negro. No dia seguinte, às 6h30min, éservido o “café Camargo”. Também é possívelacompanhar a lida com o gado e fazer passeiosa cavalo.Pousada Fazenda Monte Negro:www.fazendamontenegro.com.brDurante a manhãCity Tour a pé pelos Casariosde Madeira – O ciclo da madeirainfluenciou a arquitetura de Bom Jesus,mas o grande mote da caminhadaé ouvir as histórias contadas pela historiadoraLucila Santos.Tempo médio para realizar a atividade: 2 horas.Sob agendamento antecipado com a guia LucilaSantos – (54) 9977-8528Onde comerRodízio de Trutas na PousadaTruta Rodrivaris: a família atende,oferecendo uma sequencia com diferentesmolhos. O visitante pode pescar o peixenos tanques e, se quiser, levá-lo para casa.É preciso fazer reserva:www.trutarodrivaris.com.brDurante a tardePesca de Truta na Pousada TrutaRodrivaris.Comprar o tradicional Doce de Gilae a famosa bijajica no estabelecimento ProdutosCaseiros Dona Cleusa.Na área do artesanato, a dica são as peças emmadeira da Naturarte, que tem o tropeirismocomo tema.Onde dormirHotel Angelina:www.caminhodostropeiros.com.brHotel das Camélias:www.caminhodostroperios.com.brPousada Truta Rodrivaris:www.trutarodrivaris.com.br>>48Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 49


3º diaVacariaDurante a manhãCavalgada na Fazenda Capãodo Índio, uma das mais antigascabanhas da região. Conserva atradição da criação de cavaloscrioulos.Tempo médio: 2 a 3 horas.Onde comerAlmoço na mesma fazenda,preparado sob coordenação daproprietária, Dinacir.Agendamento prévio:www.capaodoindio.com.brDurante a tardeVisita à Fazenda do Socorro,uma das primeiras sesmariasdo Rio Grande do Sul. Conservaa arquitetura tradicionalportuguesa. Necessário agendamentoprévio para a visita, através do telefone(54) 9973-1820, com Osmar Remus.Tempo médio para realizar a atividade:1 a 2 horas.A viagem termina com o café campeiro Láde Fora, produzido por dona Helena e seumarido, Gilberto. É servido aos turistasjunto à casa da família, mas somente mediantereserva:www.cafecampeiro.blogspot.com.Viagens no lombo do cavaloPioneira no turismo equestre no Brasil, a agência CampoforaViagens a Cavalo oferece cavalgadas que vão de doisa dez dias. Acompanhados do empresário Paulo Hafner,exímio conhecer da região, os turistas fazem passeios everdadeiras expedições de São Francisco de Paula a SãoJosé dos Ausentes. “Podemos passar por rios, cachoeiras,matas e os paredões dos Aparados da Serra, mas o que ficaé a sensação de liberdade e reflexão”, conta Hafner.O empresário tem acerto com proprietários de mais de300 fazendas, locais que podem ser visitados durante ospasseios. As cavalgadas são feitas ao longo de todo ano, emcavalos preparados para quem vai montá-los. São setes horasde cavalgada por dia, com paradas para alongamento,água para os cavalos, aperto de encilhas e refeições.O custo médio é R$ 380,00/dia para quem sai de São Franciscode Paula, e de R$ 580,00* para quem sai de São Josédos Ausentes. Os preços incluem alimentação, hospedageme todos os aparatos e utensílios necessários à viagem.As bebidas e o transfer são cobrados à parte.Contatos: (54) 9971-4000 ou (54) 3244.2993 (com Ângelae Paulo Hafner)E.mail: info@campofora.com.brSite: www.campofora.com.br* Preços praticados pela empresa em junho de 2010.Com toques de aventuraA Cânion Turismo Viagens e Aventuras, de Cambará doSul, em conjunto com outros operadores, formatou a ExpediçãoCaminho dos Tropeiros, que percorre cinco municípios.No roteiro de sete dias estão programadas visitasaos cânions Itaimbezinho, Fortaleza e Monte Negro – comcaminhadas por trilhas.MetalmecânicoBoas oportunidades no mercadoimpulsionam empresas do segmentoexploração do petróleo na camada présal,os investimentos no setor navalA e a realização de eventos esportivosinternacionais no Brasil, como a Copa doMundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016,são promessas de bons resultados para a economiabrasileira nos próximos anos. Isso sem esquecer oatual aquecimento da demanda pelo fornecimento depeças, serviços e equipamentos da indústria metalmecânica,especialmente entre as pequenas representantesdo setor. Para se ter uma ideia, somentea exploração do pré-sal deverá movimentar R$ 295bilhões até 2013, segundo estudo realizado pelo BancoNacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES), com a possibilidade de tornar o setor responsávelpor 20% do PIB brasileiro até 2020. A Copado Mundo e as Olimpíadas também representamgrandes oportunidades de fornecimento para todaa cadeia. As MPEs gaúchas do setor metalmecânicopoderão buscar sua inserção nestes mercados.Roteiros de agênciasQuem tem alguns dias disponíveis podecontratar serviços dos operadores deturismo vinculados ao projeto Caminhodos Tropeiros. As agências oferecempacotes de viagem que contemplam desdepasseios na calmaria dos campos atéaventuras com esportes radicais. A seguir,duas alternativas.50Revista Tempo de Agir | Junho 2010O pacote inclui o pouso em fazendas ou pousadas rurais,com café da manhã e refeições em restaurantes típicosserranos. Entre uma e outra estada, podem ser feitos citytours pelas cidades. Além disso, em cada localidade há opçõescomo descidas de bote, rapel, ciclismo de aventurae passeios a cavalo ou mula, todas com guias de turismoespecializados. Roupas e calçados devem ser confortáveise de acordo com o clima da época.Agendamento e informações: (54) 3251-1027 /(54) 8117-1017 / (54) 9984-5766 ;E.mail: atendimento@canionturismo.com.brSite: www.canionturismo.com.brJunho 2010 | Revista Tempo de Agir 51


Com o intuito de capacitar e contribuir com a qualificaçãodas micro e pequenas empresas do segmento,para que elas conquistem sua fatia das oportunidadesoferecidas, o Sebrae/RS vem desenvolvendo uma sériede projetos integrados em regiões do Rio Grande doSul. O objetivo é promover o aumento da competitividade,por meio da disseminação de conhecimento e datroca de informações.Atualmente, o Estado é o segundo maior polo metalmecânicodo Brasil, com 6,7 milhões de empresas.Desse total, 96% são de micro e pequeno porte, segundodados do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas,Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico do RioGrande do Sul (Sinmetal). “O Estado só fica atrás deSão Paulo, com 20 milhões de empresas do segmento”,informa Juliana Corrêa da Cunha, economista doSinmetal.De acordo com o superintendente do Sebrae/RS,Marcelo Lopes, o objetivo dos projetos da entidade nosetor é dar oportunidade à abertura de mercado a empresasgaúchas, seja regional ou nacional. “Queremosintegrar a cadeia produtiva por meio dos projetos edisseminar informação e conhecimento para que microe pequenas empresas do setor no Estado possamPesquisaExigências dasGrandes Empresasdo RS apontaos principaisrequisitos que60 companhiasconsideram nahora de habilitarum fornecedor:se beneficiar, independentemente da região onde estãoinseridas”, explica Marcelo Lopes.O Núcleo Estratégico de Suprimentos (NES) é umexemplo de projeto que já atua desta forma. A açãopromove a circulação de informações estratégicas referentesàs necessidades da cadeia em todo territóriogaúcho, por meio de parceria com os coordenadoresdo departamento de suprimento de empresas âncoras,como a Braskem, a Aracruz, a Gerdau, a Innova e aRefap. O gestor setorial metalmecânico do Sebrae/RS,Luis Guilherme Menezes, diz que “temos acesso a informaçõessobre demandas, carências do mercado, exigênciasde mão-de-obra, necessidade de fornecimento;enfim, informações estratégicas que podem beneficiarmicro e pequenas empresas qualificadas pelos projetosdo Sebrae/RS e, ao mesmo tempo, as grandes corporaçõesparceiras, que recebem indicações de fornecedoresqualificados de acordo com suas necessidades”.A pesquisa Exigências das Grandes Empresas do RS,realizada em 2009 pelo NES junto a 60 grandes empresasparceiras, apontou o que é necessário na horade escolher um fornecedor. As quatro principais característicassão atendimento à legislação e normas, conformeprodutos e serviços (39 empresas), aprovaçãode amostras iniciais (36), fornecimento de lote piloto(34) e avaliação financeira (32). Sobre isso, confira ográfico completo abaixo. A partir desse levantamento,o NES pode direcionar as ações de qualificação dasempresas, a fim de estejam preparadas para atingir asexpectativas das grandes companhias.Outra ação que está sendo iniciada, segundo Menezes,é o acompanhamento semestral de resultados das empresasparticipantes dos Programas do Metalmecânico.Por meio de indicadores como aumento do faturamento,de clientes e número de postos de trabalho entre2010 e 2011, será avaliado de que forma os projetosdo Sebrae/RS contribuíram para o desenvolvimentodas MPEs.Nesta matéria, conheça algumasdas ações desenvolvidas peloSebrae/RS no setor metalmecânicoe seus resultados.Adesão cresce nos valesdo Taquari, Rio Pardo e naregião CentroDesenvolver o Setor Metalmecânico nos Vales do Taquari,Rio Pardo e Região Centro é o projeto do Sebrae/RSarticulado pela Regional Vales do Taquari edo Rio Pardo. Teve seu início em janeiro deste ano ejá conta com 90 empresas participantes. Nos dois anosde trabalho que vem pela frente, o projeto terá algumasmetas: aumentar o faturamento das empresas, o númerode novos clientes e a produtividade, implementarcontroles gerenciais e indicadores de gestão em metadedas empresas beneficiadas.O projeto apresenta aintegração de diferentesrealidades, o que évisto pelos empresáriosparticipantes comouma oportunidade deconhecer a atuação dosetor em segmentosdiferentesPara alcançar esses resultados, a iniciativa prevê a realizaçãode consultorias, capacitações gerenciais, participaçãode grupos de empresários em missões empresariais,a busca pela inovação tecnológica e exposiçõesem feiras como a Expometal e a Mercopar, além dapromoção de rodadas de negócios, na busca de novosmercados. As empresas que participam do projeto terãoprioridade de atendimento para todas as atividadesque forem executadas. Entre os benefícios estão osubsídio de até 50% oferecido pelo Sebrae/RS e parceirosna participação das ações, formação de rede derelacionamentos e trocas de experiências com outrosempresários, participação em exposições em feiras emissões empresariais, divulgação da marca e produtosjunto a grandes empresas apoiadoras e compras conjuntas,promovendo a redução de custos na aquisiçãode matérias-primas. “O projeto apresenta a integraçãode diferentes realidades do setor, o que é visto pelosempresários que integram o projeto como uma oportunidadede conhecer a atuação do setor em segmentosdiferentes, sendo essa uma excelente oportunidadepara os empreendedores das três regiões. Dentro doprojeto também procuramos oportunidades em outrosestados, em busca de uma fatia no mercado brasileiro”,informa a gestora Claudia Regina Kuhn.Em maio, os empresários do Vale do Taquari e RioPardo participaram da qualificação De Olho na Qualidade.A primeira missão empresarial prevista aconteceráem julho rumo ao polo naval de Rio Grande.“Um preparativo para que eles participem das rodadasde negócios na Expometal, em agosto”, conta Claudia,referindo-se à Feira de Integração Industrial e Comercialdo Setor Metalmecânico, realizada anualmente emVenâncio Aires. Para ela, “o setor precisa aproveitar omomento, com as várias oportunidades para o Brasil,como a nova era do petróleo, com o pré-sal, as Olimpíadase a Copa do Mundo. Todo o movimento daeconomia que envolve infraestrutura beneficia o setormetalmecânico”.52 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 53


Encontro para dividirexperiênciasA troca de ideias entre empresários do setor também éuma forma que o Sebrae/RS encontrou para disseminaro conhecimento entre as empresas do setor na Regionalda Serra Gaúcha. Entre outras ações do projetoFortalecer a Competitividade do Setor Metalmecânicoda Serra Gaúcha está o Café com Projetos, encontroque reúne cerca de 150 empresas dos setores metalmecânico,petróleo e do plástico na última sexta-feira decada mês. Os empresários participam de palestra comespecialistas em assuntos sugeridos por eles, como gestãode risco e importância da informação para a gestãoempresarial. Trata-se de uma oportunidade para queempreendedores da região debatam, troquem experiênciase dividam dúvidas, além de prospectar negóciosna cadeia produtiva.Iniciados em agosto de 2009, os encontros já renderambons frutos para as participantes. “Muitas empresas obtinhamfornecedores em outros estados. Com a aproximaçãopromovida pelo Café com Projetos, acabarampor trocar ideias e fechar negócios com representantesda própria região“, conta o gestor do projeto, José LuísPrograma deDesenvolvimento deFornecedores GerdauTornar-se fornecedor de uma das trêsmaiores siderúrgicas da América Latinaé um desejo de muitas empresas, masmanter essa posição não é uma tarefa dasmais fáceis. Para preparar micro e pequenasempresas, o Sebrae/RS vem promovendoo Programa de Desenvolvimentode Fornecedores Gerdau em parceriacom a multinacional. O projeto visa amelhorar os processos e a qualificar osprodutos e serviços em busca da reduçãode custos e de perdas de produção. FazNo Café com Projetos, 150 empresários da Serra Gaúchase reúnem para debater questões do setor e prospectar negóciosFoto: Sebrae/RSMoscon. Uma das participantes é a CNSC, de Caxiasdo Sul. Há 17 anos no mercado, oferece produtos emlinha automotiva, implementos rodoviários, agrícola,ferroviária, amarela e da construção civil.isso por meio de capacitações e disseminação da culturada geração de indicadores e do uso de ferramentaspara medir o desempenho de metas, além da troca deexperiências em workshops.No início, eram 30 empresas. “Hoje, o projeto contacom 80 integrantes”, conta o gestor do projeto, FabianoZortéa. Esses empreendimentos passaram pordiagnósticos que indicavam quais aspectos precisariamde melhorias. Agora, são medidos mensalmente essesindicadores, nos quais se observa as práticas e áreas degestão mais críticas. A partir da detecção do problemasão realizadas ações para reverter o resultado negativo.“Se as empresas registram uma tendência de desempenhonegativo na área comercial, são realizadas capacitaçõespara reverter o quadro e mitigar os riscos”,exemplifica Zortéa.Atualmente, as participantes encontram-se em trêsestágios de trabalho. O grupo acompanhado desde oinício está próximo ao nível de “qualidade assegurada”- no qual as empresas não precisam mais ser inspecionadasdurante o fornecimento, com garantia daqualidade do produto e do serviço oferecidos. No intermediário,são novos fornecedores que foram indicadospela própria Gerdau para aderir ao projeto; e,no estágio inicial, os fornecedores de fornecedores dagigante siderúrgica que estão passando pelo processode aprimoramento. “Entendemos que melhoraríamosos resultados de alguns indicadores qualificando osfornecedores dos fornecedores Gerdau e, desta forma,estamos contribuindo ainda mais para a competitividadeda cadeia produtiva”, afirma Zortéa. Entre as participantesdo projeto está a Tecnoindustrial Indústria eComércio de Equipamentos, de Sapucaia do Sul, umadas vencedoras do MPE Brasil em 2008, na categoriaIndústria da etapa nacional. Para melhorar os resultadoscomo fornecedora da Gerdau, a indústria implementoudiversas práticas de gestão, como indicadoresde capacitação por funcionários e produtividade.Tornar-se fornecedor deuma das três maioressiderúrgicas da AméricaLatina é um desejo demuitas empresas, masmanter essa posiçãonão é uma tarefa dasmais fáceisOs resultados já atingidos pelas participantesdo Programa de Desenvolvimento deFornecedores Gerdau incluem:• Todas implementaram controles financeiros;• 96% aperfeiçoaram a identidade visual estruturandosite, folder, logomarca e banner;• 92% das empresas já definiram missão, visão evalores e possuem planejamento estratégico;• 91% estruturaram ou melhoraram o layout deprodução;• 81% implantaram organograma funcional;• 78% estruturaram a área de vendas e implantaramprocesso comercial;• 60% implantaram sistema de gestão e avaliaçãode seus próprios fornecedores.Entre os objetivos está o de gerar o desenvolvimentoe o aumento da competitividade das MPEs, da âncorae de toda a cadeia produtiva; aumentar a qualidadedos produtos e serviços oferecidos, visando à reduçãode custos e perdas de produção com segurançatotal; e despertar as MPEs para a importância dotrabalho em rede obtendo resultados conjuntamente.Zortéa afirma que “as empresas já estão conseguindose enxergar como parceiras de negócios e não maisapenas como concorrentes. Despertar o espírito decooperação entre elas é fundamental para obtermosresultados diferenciados”.As prioridades para 2010• Implementar os planos de treinamentos internosnas empresas participantes;• elevar o número de empreendimentos compesquisa de satisfação dos clientes;• melhorar o planejamento e o controle de produção• automatizar os processos internos;• aumentar o número de premiações no MPE Brasile PGQP;• realizar novas ações de prospecção de mercados(diversificar o número de clientes);• promover a qualidade de entrega assegurada (sema necessidade de inspeção pelo comprador).54 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 55


2º Agrimetal MeetingDepois do sucesso da primeira edição, realizada em2009, o Agrimetal Meeting que ocorrerá entre 29 e30 de setembro deste ano terá rodadas de negócios eexposição de produtos. Serão mobilizadas 150 microe pequenas empresas com termo de adesão aos projetosdo setor metalmecânico do Rio Grande do Sul,interessadas em participar de rodadas de negócios com50 representantes de suprimentos do setor metalmecânico,nacionais e internacionais. A gestora do ProjetoDesenvolver as Empresas do APL Metalmecânico PréColheita, Maria Martins da Silva Meyer, informa que“a expectativa da segunda edição é movimentar R$ 2milhões em negócios para as empresas – R$ 700 mil amais do que no ano anterior”.O evento é uma realização do Sebrae/RS e da Cotrijal,que estão articulando para também assegurar a parceriado Sindicato das Indústrias de Máquinas e ImplementosAgrícolas do Rio Grande do Sul (Simers) já naedição 2010.Além do Agrimetal Meeting, para o segundo semestrede 2010, o foco do Projeto Desenvolver as Empresasdo APL Metalmecânico Pré Colheita, serão a participaçãoem outras missões e feiras, além de capacitaçõesFoto: Sebrae/RSMarcelo Lopes (D) e o presidente daCotrijal, Nei Mânica (E), assinaram o convêniodurante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toqueem gestão ambiental, adequação à legislação e reduçãode custos de produção e melhoria da qualidade. Nestemomento, o APL está executando capacitações juntoàs 138 MPEs envolvidas, incluindo temas como a gestãoda inovação, estratégias empresariais e negociação.uma delas recebe 80 horas de consultoria paraautoimplementação do processo. “Consideramosimportante dar as ferramentas para que asempresas desenvolvam o trabalho de qualificação,sem que se tornem reféns de uma consultoriaexterna”, informa o gestor do Projeto SetorialMetalsinos, Alexandre Zigunovas Júnior.Ao final, elas recebem auditoria por meio deum profissional terceirizado de órgãos credenciados,que realizam uma espécie de teste antesque a empresa passe pela avaliação oficial.Segundo Alexandre, outra vantagem é que oprograma do Sebrae/RS chega a custar 25%do valor de mercado. Os benefícios com a implementaçãoda ISO: maior nível de organizaçãointerna, maior controle da administração,redução de custos com a eliminação de retrabalho,desperdício e padronização de processos,satisfação de clientes e foco em prevenção.Um condomínio consolidadoe de resultadosA aquisição de um terreno de 14,7 hectares na GrandePorto Alegre para a construção de um condomínioonde serão instaladas as empresas do setor metalmecânicoé o passo mais audacioso do grupo SetorialMetalmecânico do Vale do Gravataí (Semmegra), queiniciou suas atividades por meio do antigo projeto Empreender,do Sebrae/RS. A parceria com a instituiçãoe com a Associação Comercial Industrial e de Serviçosde Gravataí (Acigra), firmada em 2002, segue até hoje eenvolve 25 empresas produtoras e prestadoras de serviçona área metalmecânica. O presidente do Semmegra,que também é diretor da Manufios, Cyro Weber,acompanha os trabalhos desde o princípio e fala comempolgação sobre o passo mais audacioso dado pelogrupo. “É a concretização de um sonho. Com o condomínio,teremos capacidade de oferecer diferenciaisaos nossos clientes, como a redução de tempo de produçãoe entrega das demandas, pois todas as empresasestarão em um mesmo local”, comemora.Cyro Weber, da Manufios, com representantes das empresasprodutoras e prestadoras de serviços que formam o SemmegraRumo à ISO9000O mercado atual exige que as empresasestejam cada vez mais qualificadas, e acertificação na norma ISO9000 é quaseuma obrigação. A pesquisa Exigênciasdas Grandes Empresas do RS, realizadacom 60 representantes do setor, mostraque, para 50% das metalúrgicas e siderúrgicasconsultadas, a certificação na normaISO9000 é um requisito fundamental nahora da contratação de um fornecedor.Para contribuir com as empresas do setormetalmecânico que desejam conquistara certificação, a Regional Sinos Caí eParanhana desenvolve a ação de capacitação ProgramaRumo à ISO9000.A capacitação envolve três etapas: mapeamento de processos,que visa a desenvolver a competência de quemestá estruturando a gestão; interpretação da NormaISO9000 - e 9001 para a construção de uma versão domanual da qualidade da empresa; e curso de auditoriasinternas, que prepara profissionais da própria organizaçãopara se tornarem auditores internos e realizaravaliação contínua, contribuindo para que a melhoriaseja inserida na cultura da empresa. Além disso, cada56Revista Tempo de Agir | Junho 2010Foto: Dudu LealJunho 2010 | Revista Tempo de Agir 57


Mercopar 2010Foto: Cláudio BergmanEsse é o objetivodos projetosdesenvolvidos peloSebrae: fornecer asferramentas paraque as empresassigam seu caminhocom qualidadeOutros negóciosA troca de experiências promovidas pelo Semmegratambém gerou outros negócios para os empresários.Um deles é o G8 Industrial. Trata-se de uma sociedadeempresarial que é composta por oito empresase oferece soluções industriais (produtos e serviços)complementares. Iniciou-se a partir de uma necessidadede mercado percebida pelos participantes doSemmegra em integrar em uma só empresa o fornecimentode serviços e produtos com maior valoragregado, oferecendo maior eficiência, rapidez equalidade por meio de soluções integradas. Juntas,têm a capacidade de atender demandas customizadas,desde o projeto até a entrega final. “Surgiamprojetos muito grandes para o tamanho das empresasindividualmente e pensamos, por que não unirDividindo a mesma infraestrutura, as indústrias e prestadorasde serviço vão reduzir custos, com o uso comumde máquinas, de recepção e divisão dos gastoscom luz, por exemplo. O condomínio também vaicontar com um show room onde os visitantes poderãoter uma amostra de tudo que as 25 empresas oferecem.Hoje, os empreendimentos que participam do grupooferecem soluções compartilhadas aos clientes. “Tratasede um grande exemplo de associativismo. Aquelasde um mesmo segmento não se enxergam como concorrentes,indicam outras integrantes do grupo paradeterminados trabalhos”, relata a gestora do grupo,Laura dos Santos Rocha.Cada participante tem como meta indicar uma novaempresa por ano, complementando a gama de integrantes.“Todas as decisões são tomadas em grupo.Antes, elas passam pela avaliação de todos antigos participantes,até que se chegue a um acordo”, informaWeber. Hoje, o papel do Sebrae/RS é dar às empresasque se juntam ao grupo o mesmo apoio concedido àsanteriores. Para as antigas, um dos focos principais dainstituição para os próximos dois anos é estimular ainovação por meio de visitas técnicas e de workshopsque mostrem, na prática, o que é inovar. Outro pontoé a busca de novos mercados, com o estímulo à participaçãoem feiras e parceria com a Apex Brasil. Porenquanto, o destino são outros estados brasileiros eaté a América Latina. “Elas já atingiram um nível degestão apurado. E esse é o objetivo dos projetos desenvolvidospelo Sebrae: fornecer as ferramentas paraque as empresas sigam seu caminho com qualidade”,destaca Laura.forças? A saída foi realizar essa integração”, contaWeber.O posicionamento da G8 Industrial no mercadopossibilita aos contratantes a redução nos custos deadministração de contratos e a otimização logística,garantindo a mesma eficácia integrada do início aofim do processo. Entres os serviços prestados pelaempresa estão o desenvolvimento customizado demáquinas e equipamentos e o desenvolvimento deprodutos para os setores de petróleo, gás, petroquímicoe abastecimento, tratamento térmico e caldeiraria,entre outros produtos e serviços. Um bomexemplo de cooperativismo que gera resultados parao setor metalmecânico.Sucesso jágarantidoCerca de 600 empresas nacionais einternacionais devem garantir seu espaçona 19ª edição da Mercopar – Feira de Subcontrataçãoe Inovação Industrial, que ocorre entreos dias 19 e 22 de outubro, no Centro de Eventosda Festa da Uva, em Caxias do Sul. Até ofechamento desta edição da revista Tempo deAgir, mais de 85% dos 12.500 metros quadradosdisponíveis para venda haviam sido comercializadosjunto a expositores do Brasil, Argentina,Colômbia, África do Sule China. Segundo o diretor-superintendentedo Sebrae/RS, MarceloLopes, “a presença deestrangeiros na Mercoparvem crescendoanualmente, o que contribuipara o processopermanente de internacionalizaçãodas empresasparticipantes, viabilizandoa promoção de negócios e o intercâmbiode tecnologias”. A Mercopar é uma iniciativa doSebrae/RS e da Hannover Fairs Sulamerica, empresado grupo Deutsche Messe AG.A edição deste ano devereceber cerca de 600expositores do Brasil,Argentina, Colômbia,África do Sul e ChinaOs estandes já comercializados variam entre 20metros quadrados e 420 metros quadrados, divididosentre áreas individuais e coletivas. Até ofinal de setembro, caso ainda haja áreas disponíveis,os interessados em adquirir seu espaçona feira podem entrar em contato por meio dotelefone 0800.701.4692 e do email mercopar@sebrae-rs.com.br.Os organizadores trabalham para que esta ediçãosupere o volume recorde de R$ 64 milhões denegócios da história da feira, gerados em 2009.Neste ano, a expectativa dos organizadores éultrapassar o volume de negócios gerados em 2009,recorde na história da feiraCom relação ao número de rodadas, a previsão é promovermil encontros, 40 a mais do que no ano anterior.A expectativa de crescimento já era percebida poucodepois do final do evento do ano passado, quandoempresas buscavam informações e demonstravam interesseem garantir vaga para a edição 2010.A perspectiva é de grande participação nacional, pormeio da articulação de outras unidades da Federaçãocom proximidade de interesse, como São Paulo, Riode Janeiro e Minas Gerais. Uma das novidades seráa mudança do espaço ocupado pelo Sebrae/RS, quesairá do pavilhão 2 para o mezanino do Centro deExposições. No local, serão realizados os seminários,rodadas de negócios e demais atividades desenvolvidasdurante a feira.58 Revista Tempo de Agir | Junho 2010Junho 2010 | Revista Tempo de Agir 59


Negócio CertoAtendimento facilitadoEmpresários e futuros empreendedores podem acessá-lovia internet, CD-ROM ou kit de material impressoAs pessoas que buscam orientação na abertura denovos negócios e os empresários que já possuemuma empresa, mas desejam avaliar suas estratégias emelhorar a sua administração, têmagora à sua disposição o Programade Autoatendimento Negócio Certo.Oferecido gratuitamente peloSebrae/RS, o programa pode seracessado de três formas, de acordocom o perfil do cliente: internet,CD-ROM ou kit de materialimpresso. Os interessados em obtermais informações do NegócioCerto podem acessar o site www.negociocerto.sebrae.com.br.Para facilitar, o Sebrae/RS oferece atendimento deforma presencial e a distância. “O empreendedorpode escolher”, explica a gestora do Negócio Certono Sebrae/RS, Marie-Christine Julie MascarenhasFabre. O autoatendimento presencial é realizado nasunidades de atendimento do Sebrae, com o auxíliono processo de cadastro. Já no autoatendimento adistância, o cliente acessa o programa pela internet ouliga para a Central de Relacionamento Sebrae: 0800 5700800. “Caso o interessado não tenhaacesso à internet, pode cadastrar-se portelefone e receber o material impressopelo correio”, esclarece Marie. Outroaspecto destacado pela gestora é o fatode o programa ter tutores capacitadospara sanar as dúvidas dos participantessobre os conteúdos, via telefone ouinternet. “Embora o programa seja deautoatendimento e sem tempo determinadopara acabar, ele conta com essediferencial”, explica Marie-Christine.Realizado em Santa Catarina desde 2006, o programafoi nacionalizado em 2010 pelo Sebrae Nacional e estásendo executado em todo o Brasil. No Rio Grande doSul, a meta é atingir 18 mil empreendedores e futurosempresários até o final de 2010.ESTRUTURA | O programa é estruturado em cinco etapas, iniciando pela fase zero.Consiste em orientar o empreendedor ou futuro empresário com relação ao programa NegócioCerto, preparando-o para o autoatendimento. Abaixo seguem as demais fases:Vai ajudar o cliente a definir a ideia de negócio.Para isso, serão disponibilizadas 700 fichastécnicas de negócios em meio digital (BancoIdeias de Negócios).É a verificação da viabilidade mercadológicae econômico-financeira da ideia de negócioescolhida.Consiste nas orientações sobre a formalizaçãodo negócio, que considerará desde a definiçãoda forma jurídica mais adequada até opasso a passo do registro do futuro negócionas esferas estadual, municipal e federal.O empreendedor terá apoio na administraçãoda empresa já registrada. Nessa etapa, sãooferecidas ferramentas relacionadas à gestãode negócios.A fase final do Programa de AutoatendimentoNegócio Certo tem o objetivo de apresentar dicasbásicas para o relacionamento de empresacom o mercado. São importantes informaçõessobre marketing para entender e definir qual amelhor maneira de atender as demandas e asnecessidades dos seus clientes.62Revista Tempo de Agir | Junho 2010


64Revista Tempo de Agir | Junho 2010

More magazines by this user
Similar magazines