REVISTA SERVICO GEOLOGICO

raimundobrasilia

CPRM

SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL

Servico

Geologico

DO BRASIL

em Revista

EDIÇÃO ESPECIAL DO

48º Congresso

Brasileiro de Geologia


Servico

Geologico

DO BRASIL

expediente

Chefe da Assessoria de Comunicação: Warley Pereira

Equipe: Ricardo Jonusan, Iriena Silva, Fatima Araújo, Nayara Oliveira, Leonardo Assunção.

Projeto Gráfico e Diagramação: Raimundo Aragão

Colaboração: Marco Tulio Naves de Carvalho e Noevaldo Araújo Teixeira, assessores da Diretoria de Geologia e Recursos Minerais (DGM); Laura Estela, chefe do Departamento de

Informações Institucionais; Roberta Pereira, chefe da Divisão de Documentação Técnica - (Biblioteca); Luiz Carlos da Silva, coordenador da Câmara Técnico-Científica (CTC); Melina

Lessa, webdesigner; Michelle Araújo, coordenadora executiva da Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento (DRI); Valdineia dos Santos Oliveira, chefe do Serviço de

Administração e Finanças da sede em Brasília.

em Revista

EDIÇÃO ESPECIAL DO

48º Congresso

Brasileiro de Geologia

Contato: (61) 2108-8400 – asscomdf@cprm.gov.br

Acesse nosso site: www.cprm.gov.br

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CARTA AO LEITOR

Uma das atribuições do Serviço Geológico do Brasil

é disponibilizar para sociedade toda a sua produção

técnica cientifica visando a dinamização do setor mineral,

avanço científico e geração de novas oportunidades

de investimento no país. Desta forma estamos

lançando a nossa revista eletrônica durante este 48º

Congresso Brasileiro de Geologia.

Nossa proposta é disponibilizar integralmente a

ampla produção técnica de nossos pesquisadores,

abordando temas ligados à geologia básica, geodinâmica,

metalogenia, hidrologia, gestão territorial e

sistemas de informações geocientíficas. Uma comissão

editorial elegeu os dez artigos que abrem esta

edição especial a partir de 110 trabalhos que serão

apresentados durante o congresso.

Diretor-Presidente:

Eduardo Jorge Ledsham

Na oportunidade quero parabenizar a Sociedade

Brasileira de Geologia (SBG) pelos 70 anos e dizer

que sempre estaremos juntos na promoção do conhecimento

e no desenvolvimento das geociências

e mineração do Brasil.

Bem-vindos à primeira edição

do Serviço Geológico em Revista!


SUMÁRIO

TOP 10

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Manual: CPRM e One Geology – Categoria 5 estrelas..................................................................................................................................................................................................................12

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE O SOERGUIMENTO DO ARCO DO RIO GRANDE, O SISTEMA DE FALHAS JAGUARI-MATA E O SISTEMA AQUÍFERO GUARANI.........................................................13

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NÍVEIS DE BACKGROUND E NOVAS EVIDÊNCIAS DA OCORRÊNCIA DE ELEMENTOS TERRAS RARAS NO ESTADO DE ALAGOAS........................................................................................................................14

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EXTENSÃO PARA ARCGIS 10.2 © APLICADA AO MAPEAMENTO DE ÁREAS SUSCETÍVEIS A ESCORREGAMENTOS DE MASSA, CORRIDAS DE DETRITOS, ENXURRADAS E INUNDAÇÕES.....................................15

»»

“FAMÍLIA POSSIDÔNIO” – DOLINAS DE MORRO DO CHAPÉU-BA..............................................................................................................................................................................................................................................48

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UMA ABORDAGEM TECTÔNICA DO LINEAMENTO TOCANTINZINHO COM BASE NA GRAVIMETRIA POR SATÉLITE.......................................................................................................................................................49

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CONFECÇÃO E ADEQUAÇÃO DE BASES CARTOGRÁFICAS PARA CARTAS DE SUSCETIBILIDADE NO ESTADO DE SANTA CATARINA...............................................................................................................................50

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INTEGRADOR DE MAPAS E DOCUMENTOS DE PROJETOS DA CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL.....................................................................................................................................................................52

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PERFIL FÍSICO-QUÍMICO DAS ÁGUAS MINERAIS ANALISADAS PELO LAMIN NO RIO GRANDE DO SUL.53O ajuste e atualização de bases cartográficas 1:100.000 na composição de Sistemas de

Informação Geográfica para mapeamento geológico e de recursos minerais....................................................................................................................................................................54

»»

DETERMINAÇÃO DE ALTITUDES ORTOMÉTRICAS DE ESTAÇÕES FLUVIOMÉTRICAS PARA GERAÇÃO DE MANCHAS DE INUNDAÇÃO DO SISTEMA DE ALERTA DA BACIA DO RIO CAÍ...................................................55

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GEOBANK GIS: FERRAMENTA DE VISUALIZAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS ESPACIAIS DO SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL - CPRM...............................................................................................................................56

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DEGRADAÇÃO DE PESTICIDAS EM SOLOS CULTIVADOS COM CAFÉ: O USO DA RADIAÇÃO GAMA, CG/EM/EM E A METODOLOGIA QuEChERS MODIFICADA.......................................................................................57

»»

OCEAN CORE COMPLEX DERIVADO DE UMA NOVA INTERPRETAÇÃO BATIMÉTRICA NA DORSAL MESO-ATLÂNTICA..................................................................................................................................................16

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PROSPECÇÃO DE AGROMINERAIS NA REGIÃO DE IRECÊ E JAGUARARI – BAHIA: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA MAPEAMENTO AGROGEOLÓGICO.......................................................................17

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MINERALIZAÇÕES AURÍFERAS DA SERRA DE JACOBINA-BA: RESULTADOS PRELIMINARES.......................................................................................................................................................................................18

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GEOLOGY, GEOCHRONOLOGY AND GOLD METALLOGENESIS OF THE SERRA DAS PIPOCAS GRANITE-GREENSTONE TERRANE, TROIA MASSIF, NORTH BORBOREMA PROVINCE, BRAZIL...........................................19

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INTERPRETAÇÃO MORFOESTRUTURAL A PARTIR DE DADOS DE BATIMETRIA MULTIFEIXE LEVANTADOS NA CORDILHEIRA MESOATLANTICA EQUATORIAL......................................................................................20

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MODELAGEM 3D E ESTIMATIVA DE RECURSOS DOS DEPÓSITOS DE CARVÃO DE MORUNGAVA-CHICO LOMÃ E SANTA TEREZINHA, RS......................................................................................................................21

GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS

»»

CORRELAÇÃO ENTRE LINEAMENTOS MAGNÉTICOS E LINEAMENTOS SUPERFICIAIS EXTRAÍDOS POR SENSORIAMENTO REMOTO NA BACIA SEDIMENTAR DO ARARIPE, PROVÍNCIA BORBOREMA, NE, BRASIL............................60

»»

MAPEAMENTOS DE PEGMATITOS NA REGIÃO DE BUÍQUE -TUPANATINGA (PE), TERRENO PERNAMBUCO-ALAGOAS, PROVÍNCIA BORBOREMA, NE- BRASIL...................................................................................61

»»

CARTA DE RECURSOS MINERAIS DA FOLHA SANTA CRUZ – SB.24-Z-B-III......................................................................................................................................................................................................................................................................62

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SÍNTESE PETROGRÁFICA DAS ROCHAS AFLORANTES NA REGIÃO DO PICO DA NEBLINA (AM)...................................................................................................................................................................................63

TRABALHOS CONVIDADOS

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CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DOS GEOSSÍTIOS DO PROJETO: GEOPARQUE GUARITAS - MINAS DO CAMAQUÃ/RS.................................................................................................................................................24

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PALEOPROTEROZOIC TERRANES IN THE BRAZILIAN SHIELD: CRUSTAL EVOLUTION AND METALLOGENY...................................................................................................................................................................25

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DO PALEOARQUEANO PRECOCE AO NEOARQUEANO TARDIO: A MAIS LONGA HISTÓRIA ACRESCIONÁRIA JÁ REPORTADA NO BRASIL..................................................................................................................................26

»»

ESTRUTURAS IGNEAS EM DERRAMES VULCÂNICOS: APLICAÇÃO NA PESQUISA DOS JAZIMENTOS DE GEMAS DA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL.................................................................................27

»»

CARACTERIZAÇÃO DE UM BASALTO DA FÁCIES CAMPOS NOVOS DA FORMAÇÃO SERRA GERAL QUANTO AO POTENCIAL PARA EMPREGO COMO ROCHA PARA REVESTIMENTO.................................................................28

»»

ROCHAS COM POTENCIAL PARA REMINERALIZAÇÃO E CORREÇÃO DE ACIDEZ DE SOLOS NA PARTE OESTE DA REGIÃO VITIVINÍCOLA CAMPANHA, RS, BRASIL.................................................................................29

»»

FLOGOPITITOS ASSOCIADOS ÀS MINERALIZAÇÕES DE ESMERALDA DE CAMPO FORMOSO E PINDOBAÇU (BA): FONTES DE POTÁSSIO PARA REMINERALIZAÇÃO DE SOLOS............................................................30

»»

RELAÇÕES EMBASAMENTO-COBERTURA E GEOCRONOLOGIA U-Pb EM ZIRCÃO NAS REGIÕES DA VIGIA E JAÍBA-TORRINHAS, PORÇÃO SUL DO TERRENO TIJUCAS, CINTURÃO DOM FELICIANO, RS........................31

»»

ANTIFORME CANDIOTA: A TERMINAÇÃO SUL DO TERRENO TIJUCAS, RS....................................................................................................................................................................................................................33

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BATÓLITO TORQUATO SEVERO E A COLAGEM DOS TERRENOS TAQUAREMBÓ E SÃO GABRIEL, RS...............................................................................................................................................................................34

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MAPEAMENTO GEOLÓGICO E PROSPECÇÃO GEOQUÍMICA 1:100.000 NAS MICRORREGIÕES DE JAGUARÃO E DA CAMPANHA MERIDIONAL, FRONTEIRA BRASIL – URUGUAI.........................................................35

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GRANITOIDES CAMAQUÃ PELADO E LAJEADO: IDADE E CONTEXTO TECTÔNICO, ARCO SÃO GABRIEL, RS...................................................................................................................................................................36

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RIODACITOS VÍTREOS E SEMIVÍTREOS DA FORMAÇÃO SERRA GERAL MINERALIZADOS COM AMETISTA NO RS: POTENCIAL PARA REMINERALIZAÇÃO DE SOLOS............................................................................38

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CARACTERIZAÇÃO DE UM BASALTO DA FÁCIES CAMPOS NOVOS DA FORMAÇÃO SERRA GERAL QUANTO AO POTENCIAL PARA EMPREGO COMO ROCHA PARA REVESTIMENTO......................................................39

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESTRATIGRAFIA E A PALEONTOLOGIA DA FOLHA SANTA MARIA/RS (1:100.000).............................................................................................................................................................40

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OS LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS E GEOFÍSICOS DO BRASIL: AVANÇOS E PERSPECTIVAS........................................................................................................................................................................................41

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

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APLICATIVO GEOSSIT – NOVA VERSÃO.......................................................................................................................................................................................................................................................................................44

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Cooperação Internacional em Geotecnologia na CPRM – Serviço Geológico do Brasil..................................................................................................................................................................45

»»

Litoteca Regional de Caçapava do Sul – possibilidades de acesso ao patrimônio geológico da CPRM.....................................................................................................................................................46

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RECUPERAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA IMPACTADA PELA MINERAÇÃO DE CARVÃO A CÉU ABERTO NO MINICÍPIO DE TREVISO SC.........................................................................................................................................................47

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MAPA DE ANOMALIA GEOQUÍMICA DO ESTADO DO CEARÁ, BRASIL.........................................................................................................................................................................................................................................64

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A PRÁTICA DE ESCALADA EM ROCHA COMO ATRATIVO TURÍSTICO E GEOLÓGICO NO GEOPARQUE CACHOEIRAS DO AMAZONAS..............................................................................................................................65

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REVISÃO DA GEOLOGIA DAS FOLHAS SURUBIM E LIMOEIRO DA ZONA TRANSVERSAL, PROVÍNCIA BORBOREMA...................................................................................................................................................................66

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NOVA OCORRÊNCIA DE ROCHA ALCALINA NO ESTADO DE SANTA CATARINA.............................................................................................................................................................................................................68

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RECUPERAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO ACERVO DE DADOS GEOQUÍMICOS DA CPRM: PANORAMA ATUAL................................................................................................................................................................................69

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SUÍTE JAGUARÃO CHICO: GRANITOS ALCALINOS A PERALCALINOS NO SUDOESTE DO BATÓLITO PELOTAS, RS..........................................................................................................................................................70

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ANÁLISE ESTATÍSTICA MULTIVARIADA APLICADA A PROSPECÇÃO GEOQUÍMICA NA PORÇÃO CENTRAL DA PROVÍNCIA AURÍFERA DO TAPAJÓS.......................................................................................................71

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CONFLITOS ENTRE A MINERAÇÃO E OS EIXOS DE EXPANSÃO URBANA NA REGIÃO METROPOLITANA DE FLORIANÓPOLIS E ÁREA DE EXPANSÃO, SC................................................................................................72

»»

CONTRIBUIÇÕES ANTRÓPICAS E NATURAIS NA DISTRIBUIÇÃO GEOQUÍMICA DOS ELEMENTOS NA ÁGUA DE AFLUENTES DA BACIA DO RIO PARANAÍBA EM GOIÁS.........................................................................73

»»

Mapeamento espectral para identificação de assinaturas espectrais de minerais de lítio em imagens ASTER (NE/MG)...................................................................................................................74

»»

CROSTAS LATERÍTICAS E NOMENCLATURAS CARTOGRÁFICAS ADOTADAS EM MAPAS GEOLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS NO BRASIL.........................................................................................................75

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MODELAGEM GEOLÓGICA 3D E REAVALIAÇÃO DO DEPÓSITO DE CAULIM DE RIO CAPIM, PA........................................................................................................................................................................76

»»

ARCABOUÇO TECTONO-ESTRUTURAL DA REGIÃO DA SERRA DE JACOBINA-BA............................................................................................................................................................................................77

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GEOQUÍMICA MULTIELEMENTAR DE SEDIMENTOS DE CORRENTE NO ESTADO DE SÃO PAULO: ABORDAGEM ATRAVÉS DA ANÁLISE ESTATÍSTICA MULTIVARIADA..................................................................78

»»

SIGNIFICADO TECTÔNICO DAS ROCHAS DE ALTO GRAU DO NORTE DE MATO GROSSO..................................................................................................................................................................................79

»»

GEOLOGIA E CARACTERIZAÇÃO DAS MINERALIZAÇÕES DE OURO PRIMÁRIO DO DEPÓSITO ELDORADO DO JUMA, SUDESTE DO ESTADO DO AMAZONAS..............................................................................81

»»

PROSPECÇÃO DE AGROMINERAIS NO RIO GRANDE DO SUL........................................................................................................................................................................................................................82

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GEOLOGIA E CARACTERIZAÇÃO DAS MINERALIZAÇÕES DE OURO PRIMÁRIO DO DEPÓSITO ELDORADO DO JUMA, SUDESTE DO ESTADO DO AMAZONAS..............................................................................83

»»

TIPOLOGIA DOS PEGMATITOS LITINÍFEROS DA REGIÃO DO MÉDIO RIO JEQUITINHONHA – MG, PROVÍNCIA PEGMATÍTICA ORIENTAL DO BRASIL.........................................................................................85

»»

CARACTERIZAÇÃO ESPECTRO-MINERALÓGICA DA ASSEMBLEIA HIDROTERMAL ASSOCIADA À MINERALIZAÇÃO DE OURO NA SERRA DAS PIPOCAS, SEQUÊNCIA METAVULCANOSSIDEMENTAR DE TROIA, CEARÁ...................86

»»

USO DE DADOS AEROGEOFÍSICOS NO PROJETO BATÓLITO DE PELOTAS – INTEGRAÇÃO GEOLÓGICA GEOFÍSICA............................................................................................................................................87

»»

NIVELAMENTO DE DADOS GEOQUÍMICOS ENTRE LEVANTAMENTOS DISTINTOS...........................................................................................................................................................................................88

»»

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DA REGIÃO METROPLITANA DE GOIÂNIA - GO...............................................................................................................................................................................................89

»»

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE TERRAS RARAS NO BRASIL.........................................................................................................................................................................................................................90

»»

ENSAIO DE CLASSIFICAÇÃO ESPECTROMINERALÓGICA POR ESPECTROSCOPIA DE REFLECTÂNCIA E DE IMAGEAMENTO DA REGIÃO DA MINA DE SCHEELITA DE BREJUÍ, FAIXA SERIDÓ (RN), PROVÍNCIA BORBOREMA..............91

»»

METAPIROCLÁSTICAS FÉLSICAS DO GREENSTONE BELT RIO DAS VELHAS, REGIÃO DE PITANGUI, NW DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO/MG..........................................................................................................................................92


»»

ESTRATIGRAFIA DAS FORMAÇÕES MORRO DO CALCÁRIO E LAPA NA REGIÃO DE MORRO AGUDO, PARACATU – MG....................................................................................................................................93

»»

O NEOPROTEROZOICO E A SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO DAS ROCHAS ORNAMENTAIS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE......................................................................................................................94

»»

LITOFÁCIES E TIPOS COMPOSICIONAIS DAS ROCHAS VULCÂNICAS DO GRUPO COLÍDER (1,80 – 1,79 GA) NA REGIÃO DE APUÍ-NOVO ARIPUANÃ, SUDESTE DO AMAZONAS.................................................95

»»

NIVELAMENTO ESTATÍSTICO DE DADOS GEOQUÍMICOS ANALISADOS POR TRÊS LABORATÓRIOS DISTINTOS NA REGIÃO DO PROJETO JURUENA-TELES PIRES-ARIPUANÃ – AM/MT......................................96

»»

ARCABOUÇO FACIOLÓGICO E CONTEXTUALIZAÇÃO TECTONOESTRATIGRÁFICA DAS SUCESSÕES VULCANOSSEDIMENTARES DO GRUPO VILA DO CARMO(1,76-1,74 Ga) NA REGIÃO DE APUÍ-NOVO

ARIPUANÃ, SUDESTE DO AMAZONAS.......................................................................................................................................................................................................................................... 97

»»

CARTOGRAFIA GEOLÓGICO-GEOFÍSICA DA REGIÃO DA SERRA GRANDE: UMA ASSOCIAÇÃO AMCG NA REGIÃO CENTRAL DE RORAIMA...............................................................................................................................................98

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GEOQUIMICA ISOTOPICA NA RECONSTRUÇÃO PALEOAMBIENTAL DA FORMAÇAO IPUBI (PORÇAO SUPERIOR DO GRUPO SANTANA - POS- RIFTE I) BACIA DO ARARIPE/NOROESTE DO ESTADO DE

PERNAMBUCO........................................................................................................................................................................................................................................................................................100

»»

POTENCIAL REATIVO ÁLCALI-AGREGADOS DE GRANITOIDES DA REGIÃO METROPOLITANA DE FLORIANÓPOLIS, SC...................................................................................................................................101

»»

NOVOS RESULTADOS DE GEOCRONOLOGIA U-PB (LA-ICP-MS) E Sm-Nd PARA ROCHAS DO DOMÍNIO VULCANO-PLUTÔNICO NO SETOR OESTE DA PROVÍNCIA AURÍFERA DE ALTA FLORESTA – MT BRASIL..........102

»»

CONTRIBUIÇÕES À GEOLOGIA DO GRUPO SÃO FÉLIX, MUNICÍPIO DE SÃO FÉLIX DO XINGU, DOMÍNIO CARAJÁS.........................................................................................................................................103

»»

EVOLUÇÃO DA CARTOGRAFIA GEOLÓGICA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (RESULTADOS PRELIMINARES)..............................................................................................................................................104

»»

MODELAGEM ESPACIAL APLICADA À IDENTIFICAÇÃO DE ROCHAS ALCALINAS E CORPOS MÁFICOS NA REGIÃO CENTRO-SUDESTE DE RORAIMA........................................................................................105

»»

O NEOPROTEROZOICO E A SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO DAS ROCHAS ORNAMENTAIS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE....................................................................................................................106

»»

CARACTERIZAÇÃO GEOQUIMICA DA FOLHA IRAUÇUBA (SA.24-Y-D-V) ATRAVÉS DAS ANÁLISES FATORIAIS DE COMPONENTES PRINCIPAIS E DE CORRESPONDÊNCIA...................................................................107

»»

MODELO TECTONO-VULCÂNICO DA BACIA DO ESPÍRITO SANTO: REGISTROS DIACRÔNICOS DE ROCHAS VULCÂNICAS EFUSIVAS E EXPLOSIVAS NO NORTE CAPIXABA....................................................................108

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ROCHAS MÁFICAS E ULTRAMÁFICAS DAS PILHAS DE REJEITOS DA MINERAÇÃO FERBASA (BA): POTENCIAL PARA UTILIZAÇÃO COMO CORRETIVOS E REMINERALIZADORES DE SOLO.........................................109

»»

Mapeamento Geoquímico Regional por Sedimentos de Corrente entre o limite da Faixa Brasília e o Cráton do São Francisco: Integração do Projeto Vazante-Paracatu 1 e 2..............................110

»»

Variações sazonais da qualidade da água na Bacia do Rio São João, Região dos Lagos, Rio de Janeiro: abordagem por modelagem hidrogeoquímica............................................111

»»

GEOQUIMICA EXPLORATÓRIA DA FOLHA PORTO ESCONDIDO-MT...........................................................................................................................................................................................................................................112

»»

UTILIZANDO O PROGRAMA EXIBE_GEOBANK.........................................................................................................................................................................................................................................................................113

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A REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO SISTEMA AQUÍFERO QUATERNÁRIO COSTEIRO DO RIO GRANDE DO SUL.................................................................................132

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AVALIAÇÃO QUALI-QUANTITATIVA DA FORMAÇÃO ALTER DO CHÃO NA PORÇÃO LESTE DA BACIA DO AMAZONAS, MUNICÍPIO DE SANTARÉM-PA.....................................................................................134

»»

REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS: SISTEMA AQUÍFERO GUARANI NO RIO GRANDE DO SUL.........................................................................................................................................135

»»

MAPA GEOMORFOLÓGICO DOS MUNICÍPIOS DE RESENDE E ITATIAIA - RJ................................................................................................................................................................................................................................................136

»»

O ATLAS GEOQUÍMICO DO ESTADO DE RORAIMA, REGIÃO NORTE DO BRASIL........................................................................................................................................................................................................................137

»»

PROPOSTA GEOPARQUE CÂNION DO RIO POTI: UM CENÁRIO DA HISTORIA GEOLÓGICA PLANETÁRIA DA BACIA DO PARNAÍBA..............................................................................................................................138

»»

CARTAS DE APTIDÃO À URBANIZAÇÃO FRENTE AOS DESASTRES NATURAIS - RESULTADOS OBTIDOS EM DOIS MUNICÍPIOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.....................................................................139

»»

ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DE ASPECTOS GOMORFOLÓGICOS E ANTRÓPICOS NA EVOLUÇÃO DAS FEIÇÕES EROSIVAS EM RONDON DO PARÁ-PA..........................................................................................140

»»

ESTUDO DO PROCESSO EROSIVO E RECUO DA LINHA DE COSTA, COM ÊNFASE NOS DANOS CAUSADOS AO LONGO DA PRAIA DO CRISPIM – PA.........................................................................................141

»»

O CLIMA SEMIÁRIDO DO ESTADO DE ALAGOAS: ANÁLISE DA VARIABILIDADE ESPACIAL DA PRECIPITAÇÃO E DA QUALIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS........................................................................142

»»

INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS NOS PADRÕES DE RELEVO DO MUNICÍPIO DE CONCEIÇÃO DO CASTELO\ES..............................................................................................................................144

»»

VULNERABILIDADE Á POLUIÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS RASAS DO AQUÍFERO LIVRE BARREIRAS PELO MÉTODO GOD – NORDESTE DO ESTADO DO PARÁ................................................................145

»»

POSSÍVEL RELAÇÃO ENTRE ISÓTOPOS ESTÁVEIS E INTERAÇÃO ÁGUA-ROCHA EM AQUÍFEROS FRATURADOS NO SEMIÁRIDO DO NORDESTE BRASILEIRO – MUNICÍPIO DE PETROLINA – PERNAMBUCO - BRASIL.........146

»»

VIABILIDADE HIDRÁULICA DE SISTEMA PILOTO DE RECARGA ARTIFICAL EM AQUÍFERO FRATURADO DO SEMIÁRIDO NORDESTINO – REGIÃO DE PETROLINA-PE...............................................................147

»»

PETROGRAFIA, QUÍMICA MINERAL E IDADE DE ESCARNITOS ASSOCIADOS A MÁMORES DO COMPLEXO PARAÍBA DO SUL (ES)..................................................................................................................148

»»

INVENTÁRIO DE SÍTIOS GEOLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS PARA EMBASAR PROPOSTA DE CRIAÇÃO DO GEOPARQUE CÂNION DO RIO SÃO FRANCISCO, BRASIL...............................................................149

»»

A CONDICIONANTE GEOLÓGICA COMO FATOR DETERMINANTE À PREDISPOSIÇÃO A DESLIZAMENTOS: ESTUDO COMPARATIVO DO MAPEAMENTO DE SETORIZAÇÃO DE RISCO NAS CIDADES DA BAHIA........................150

»»

COMPARAÇÃO E ANÁLISE DOS PROCESSOS DEFLAGRADORES DE MOVIMENTOS DE MASSA NA REGIÃO DE BAIXO GUANDU – ESPÍRITO SANTO, BRASIL............................................................................151

»»

COMPARAÇÃO E VALIDAÇÃO DAS METODOLOGIAS DE SETORIZAÇÃO DE RISCOS GEOLÓGICOS E SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTOS DE MASSA E INUNDAÇÕES FRENTE A EVENTO DE INUNDAÇÃO EM MOMBUCA (SP)..........152

»»

POTENCIOMETRIA E SENTIDO DE FLUXO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS DO AQUÍFERO BARREIRAS NA REGIÃO NORDESTE DO ESTADO DO PARÁ..........................................................................................154

»»

ESTRATÉGIAS PARA O PROJETO GEOPARQUE ALTO RIO DE CONTAS - CHAPADA DIAMANTINA - BAHIA..................................................................................................................................................................................155

»»

A GEODIVERSIDADE DA ÁREA DE FRONTEIRA BRASIL-GUIANA: ADEQUABILIDADES E LIMITAÇÕES FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO......................................................................................156

»»

CARTA DE SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTOS GRAVITACIONAIS DE MASSA E INUNDAÇÕES DO MUNICÍPIO DE SÃO GABRIEL DA PALHA – ES: RESULTADOS E IMPLICAÇÕES METODOLÓGICAS COM BASE EM LEVANTAMENTOS

HIDROLOGIA E GESTÃO TERRITORIAL

»»

DELIMITAÇÃO AUTOMÁTICA DE ÁREAS DE DRENAGEM A PARTIR DE MDE TOPODATA: UM ESTUDO NO AQUÍFERO URUCUIA......................................................................................................................116

DE CAMPO Lima.......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................157

»»

A APLICAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO DIAGNÓSTICO DAS CONDIÇÕES EXPLOTÁVEIS DE UMA PORÇÃO DO SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO...............................................117

»»

GEOGLIFOS DE RONDÔNIA: VESTÍGIOS DO PASSADO................................................................................................................................................................................................................................118

»»

SETORIZAÇÃO DE RISCOS NO MATO GROSSO DO SUL: UMA AVALIAÇÃO PARCIAL DOS DADOS OBTIDOS ENTRE 2013 e 2016..................................................................................................................................119

»»

COMPARAÇÃO DA CARTA DE SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTOS DE MASSA E INUNDAÇÃO E A SETORIZAÇÃO DE RISCO GEOLÓGICO EM BRAÇO DO NORTE - SC.................................................................120

»»

INVESTIGANDO A INFLUÊNCIA DO ESCOAMENTO DE BASE NAS VAZÕES DA BACIA DO RIO MURIAÉ (MG/RJ)..........................................................................................................................................................121

»»

IMPORTÂNCIA DO CADASTRAMENTO DE FONTES NATURAIS NO SIAGAS/SGB/CPRM PARA A PESQUISA HIDROGEOLÓGICA E PROMOÇÃO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E ECONÔMICA DAS ZONAS DE

NASCENTES DOS RIOS DO ESTADO DA BAHIA...........................................................................................................................................................................................................................................122

»»

RELAÇÃO ENTRE AS VARIAÇÕES DOS NÍVEIS ESTÁTICOS DOS POÇOS DE MONITORAMENTO DO SISTEMA AQUÍFERO URUCUIA, (PROJETO RIMAS), NAS BACIAS HIDROGRÁFICAS DOS RIOS: GRANDE, DE

ONDAS, E FÊMEAS E SUAS VAZÕES DE BASE, NA REGIÃO OESTE DO ESTADO DA BAHIA.............................................................................................................................................................................124

»»

Análise espaço-temporal da setorização de áreas de risco no município de Três Coroas/RS no período de 2012 - 2016..................................................................................................................125

»»

GEOQUÍMICA MULTIUSO NOS ESTADOS DE MINAS GERAIS E ESPÍRITO SANTO - O Atlas Geoquímico da Bacia do Rio Doce...................................................................................................................126

»»

BACIA HIDROGRÁFICA INTERNACIONAL DO RIO URUGUAI E CONSISTÊNCIA DOS SEUS DIVISORES DE ÁGUA NA ESCALA 1:3.000........................................................................................................................................127

»»

AQUÍFERO SERRA GRANDE: HIDROGEOLOGIA, LEVANTAMENTOS GEOFÍCOS E MODELO TECTÔNICO - BORDA SUDESTE DA BACIA SEDIMENTAR DO PARNAÍBA – PI......................................................................128

»»

EVIDÊNCIAS DE PROCESSOS DE DINÂMICA FLUVIAL RELATIVAS À CAPACIDADE DE ESCOAMENTO DO RIO ACRE...................................................................................................................................................................129

»»

USO DO APLICATIVO MÓVEL GEOFIELDBOOK NO MAPEAMENTO DE CAMPO GEOLÓGICO-ESTRUTURAl..................................................................................................................................................................130

»»

PANORAMA DO RISCO GEOLÓGICO NA CIDADE DE GUARULHOS (SP)......................................................................................................................................................................................................................................131


TRABALHOS CONVIDADOS

TRABALHOS CONVIDADOS

10

TOP

10 11


TOP 10 TOP 10

Manual: CPRM e One Geology – Categoria 5 estrelas

Autores: Jacques, P.D. 1 ; Coutinho, M.G.N. 1 ; Dias, H.S. 1 ; Maia, S.M. 1 ; Salvador, E.D. 1 ; Leão, R. 1 ; Nascimento, F.G.C. 1 ;Fraga,

L.M. 1 ; Fernandes, L.F.R. 1 ; Cerdeira, E.S. 1 ; Duffy, T. 2 .; Steve,R. 3 ; Doce, D.D. 2 , Passmore, J. 2 e Sen, M. 2

1

CPRM – Serviço geológico do Brasil; 2 BGS – British Geological Survey, 3 USGS/Arizona Geological Service.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A RELAÇÃO ENTRE O

SOERGUIMENTO DO ARCO DO RIO GRANDE, O SISTEMA DE

FALHAS JAGUARI-MATA E O SISTEMA AQUÍFERO GUARANI

Autor: José Luiz Flores Machado - CPRM – Serviço geológico do Brasil

“OneGeology” é uma iniciativa internacional que congrega os principais serviços geológicos do mundo, surgida em 2006,

que tem como missão tornar acessível, via web, mapas geológicos do mundo e outros dados geocientíficos, de forma harmonizada,

no contexto global. Os objetivos principais do programa são: (i) Prover dados geocientíficos globais; (ii) Assegurar o intercâmbio

da informação e do conhecimento e a sua aplicação; (iii) Oferecer acessibilidade a todos ao portal OneGeology; e (iv) Difundir

e fortalecer a conscientização da relevância das Geociências

para a sociedade. Desta forma, o portal do

“OneGeology” facilita a pesquisa, a visualização e o

compartilhamento de dados geológicos espaciais.

Para isto, faz-se necessário a organização dos dados

em uma estrutura de banco de dados única, com a

harmonização e padronização das informações.

Desde 2008, a CPRM disponibiliza os dados integrados

do Sistema GEOBANK, de sua propriedade,

no portal “OneGeology”. Os dados e informações disponibilizados

pelos serviços geológicos dos países

participantes do “OneGeology” são classificados em

categorias, que variam desde uma estrela (protocolo

WMS), até cinco estrelas (protocolo WFS, classificado

na linguagem de harmonização GeoSciML v.4.0 e

com conexão de metadados). Recentemente, o One-

Geology conferiu acreditação cinco estrelas à CPRM,

cujos principais benefícios são: (i) Prover acessibilidade

aos mapas em linguagem harmonizada (GeoSciML

v.4.0) permitindo consultas “on line”, de acordo com o padrão internacional da “Comissão de Geociências para a Informação”

– CGI (“Commission for the Manegment and Application of Geosciences Information”); (ii) Adotar padrões e serviços de acesso a

mapas de diferentes naturezas geológicas, em ambiente web, segundo o padrão “OneGeology”, de acordo com a mais alta categoria

em uso pelos serviços geológicos; (iii) Tornar o Brasil líder entre os países das Américas e Caribe, sendo o primeiro país, na região,

com acreditação máxima; (iv) Tornar o Brasil referência nas Américas e Caribe na acessibilidade de dados em ambiente web, com

base num padrão reconhecido pela comunidade internacional; (v) Credenciar a CPRM para colaborar com os demais países sul-americanos

e caribenhos incentivando-os e capacitando-os a tornarem-se provedores de dados no portal “OneGeology”; (vi) Prover

à população acessibilidade aos dados gerados, disponibilizando conhecimento geológico, no contexto global, segundo padrão

internacional, incentivando o uso de modernas e mais avançadas técnicas de TI em software livre.

Atualmente, a CPRM disponibiliza seus serviços no portal do “OneGeology” (http://portal.onegeology.org/Onegeology-

Global/), com as funcionalidades de harmonização e pesquisa na linguagem GeoSciML v.4.0, e com conexão com as informações

de metadados da INDE (Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais). Objetivando divulgar a importância da aplicabilidade dos

dados do portal do OneGeology, a CPRM está lançando o Manual “CPRM e OneGeology: categoria cinco estrelas”, um guia orientativo,

com instruções de como utilizar o portal, ter acesso às informações e estabelecer correlação geológica entre os diversos

produtos disponibilizados pelos serviços geológicos do mundo.

PALAVRAS-CHAVE:

SERVIÇOS DE WEB, SIG, ONEGEOLOGY, CPRM

Os estudos sobre a caracterização do Sistema Aquífero Guarani (SAG) no Estado do Rio Grande do Sul demonstraram

prováveis influências do Arco do Rio Grande e do Sistema de Falhas Jaguari-Mata sobre suas litologias aquíferas. Os trabalhos já

realizados confirmam uma condição de potencialidade muito alta para o sistema aquífero no conhecido Compartimento Oeste,

especialmente nas áreas de confinamento pela Unidade Hidroestratigráfica Serra Geral. Do mesmo modo, no contíguo Compartimento

Central-Missões, que é limitado pelo Sistema de Falhas Jaguari-Mata, observam-se condições hidrogeológicas menos

promissoras quando correlacionadas com aquelas do Compartimento Oeste.

A área de influência do soerguimento do Arco do Rio Grande, ao contrário de muitas concepções, não está relacionada

com a estrutura denominada Domo de Itu. Dados recolhidos de poços tubulares e pesquisas com métodos geofísicos magnéticos

telúricos e áudio magnético telúrico indicam que o eixo da estrutura noroeste do Arco do Rio Grande afetou diretamente o

levantamento da feição geomorfológica conhecida como Serra do Caverá. Nesta região devido à configuração topo-estrutural

de cuesta foi possível um maior valor de armazenamento e transmissividade do SAG proporcionando poços com altas vazões.

A configuração do SAG é constituída das formações Botucatu, Guará, Sanga do Cabral e Piramboia, sendo as duas primeiras de

maior potencialidade hidrogeológica. Considera-se assim, que os limites de influência do Arco de Rio Grande sobre o SAG restringem-se

ao sul pelo Lineamento do Rio Quaraí e a norte pela Serra do Caverá, entre os municípios de Rosário do Sul e Alegrete.

A borda leste deste compartimento foi influenciada pelos esforços tectônicos que culminaram com a instalação do

Sistema de Falhas Jaguari-Mata. Este sistema além de sua grande expressão em área apresenta uma evolução temporal que

permite distinguir ao menos três fases evolutivas, que afetam

distintamente as várias litologias que compõem o sistema aquífero.

A primeira fase afetou os arenitos eólicos da Formação Piramboia

considerados como o último estágio de continentalização

da Formação Rio do Rasto, caracterizando-se pela presença

extensa de microfalhas. Os poços nestes arenitos apresentam

normalmente capacidades específicas inferiores a 1 m3/h/m.

Uma segunda fase afetou as formações Santa Maria (Membros

Alemoa e Passo das Tropas) e Sanga do Cabral, proporcionando

que localmente o SAG apresentasse surgência associada aos

arenitos do Membro Passo das Tropas e capacidades específicas

superiores a 1 m3/h/m. A última fase está associada à Tectônica

Andina e é também limitadora dos Compartimentos Oeste e

Central-Missões do SAG. Esta última fase caracteriza-se por afetar

todo o SAG até o topo dos derrames vulcânicos confinantes.

As áreas de maior rejeito do sistema de falhas encontram-se justamente

sobre o limite dos compartimentos, onde arenitos fluviais

alcançam altitudes maiores do que 400 metros, superiores

às altitudes dos derrames vulcânicos.

PALAVRAS-CHAVE:

Visualização da relação entre as formações Serra Geral,

Botucatu e Guará e a erosão proporcionada pelo levantamento

correspondente à Serra do Caverá

ARCO DO RIO GRANDE; SISTEMA DE FALHAS JAGUARI-MATA;

sistema AQUÍFERO GUARANI

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NÍVEIS DE BACKGROUND E NOVAS EVIDÊNCIAS DA OCORRÊNCIA

DE ELEMENTOS TERRAS RARAS NO ESTADO DE ALAGOAS

Autores: Franzen, M. 1 ; Lima, E.A.M. 1 ; Mendes, V.A. 1 ; Torres, F.S.M. 1 ; Lima, T.V. 2

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil ; 2 Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

EXTENSÃO PARA ARCGIS 10.2 © APLICADA AO MAPEAMENTO

DE ÁREAS SUSCETÍVEIS A ESCORREGAMENTOS DE MASSA,

CORRIDAS DE DETRITOS, ENXURRADAS E INUNDAÇÕES.

Autor: José Luiz Kepel Filho - CPRM – Serviço geológico do Brasil

Este trabalho visa apresentar resultados de alguns Elementos Terras Raras (ETR) identificados no Estado de Alagoas durante

o Levantamento Geoquímico de Baixa Densidade realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). A importância dos

ETR está nas suas excelentes características eletrônicas, magnéticas, ópticas e catalíticas. Apesar do nome terras raras estes se

encontram amplamente distribuídos na crosta terrestre, porém em pequenas concentrações. No Brasil, minerais contendo ETR

são explorados há mais de um século, chegando a garantir ao país a maior produção mundial até 1915. Desde 1992, entretanto,

o país passou a importar integralmente produtos de terras raras para atender sua demanda, em consequência da desestabilização

da produção interna. O Brasil possui reservas

de ETR em quantidade e teor suficientes, com destaque

para os complexos carbonatíticos de Araxá

(MG),Catalão e Minaçu (GO), mas a exploração ainda

encontra entraves na insuficiência de tecnologia,

redução dos preços e falta de competitividade com

outros países produtores.

A tendência de crescimento do setor justifica

trabalhos de pesquisa adicionais para descoberta

de novas jazidas e viabilizar o seu aproveitamento

econômico. No Estado de Alagoas, amostras de sedimentos

de corrente foram coletadas em bacias de

aproximadamente 150 km2, peneiradas na fração

granulométrica inferior a # 80 mesh, submetidas

à abertura com água régia e analisadas por ICP-A-

ES/MS para 53 elementos químicos. Os resultados

Teores de Lantânio em sedimentos de corrente no Estado de Alagoas

foram processados através de análise de dispersão

onde se obtiveram os percentuais (25%, 50% e 75%)

e limiares acima dos quais os teores podem ser considerados anômalos em relação ao conjunto, com os objetivos de estabelecer

os níveis de background e indicar onde houver potencial prospectivo ou alerta ambiental.

Dentre os ETR foram identificados teores elevados de lantânio (La) e cério (Ce), do grupo dos ETR leves (ETRL), em pontos

coincidentes com elevados os teores de ítrio (Y), tório (Th) e urânio (U), relativamente aos teores de background da área, bem

como aos teores médios crustais. Esses elementos fazem parte da composição da monazita, que também já foi identificada em

amostras de concentrados de bateia em trabalhos de prospecção anteriores. Os teores de background de Ce e La em Alagoas

podem ser representados pelas medianas (Ce 53,8 ppm; La 24,4 ppm), que se encontram muito próximas às médias crustais (Ce

60 ppm; La 30 ppm). Uma expressiva quantidade de outliers e teores extremos, entretanto, apontam valores que chegam a 1.000

ppm em sedimentos de corrente na região central de Alagoas, onde existem depósitos de pegmatitos explorados nas décadas

de 40 a 60, que podem ser potenciais fontes desses ETRL. Os maiores teores foram identificados nos municípios de Marimbondo

(Ce 1.000 ppm; La 1.116 ppm) e Tanque D’Arca (Ce 1.000 ppm; La 1.097 ppm). A anomalia geoquímica de Ce e La coincide com

as ocorrências de água- marinha, berilo, cristais de quartzo e turmalinas, hospedados em pegmatitos, que eram garimpados nos

municípios de Limoeiro de Anadia e Arapiraca, mas estende-se para leste em áreas até então inexploradas, abrindo perspectivas

para serem encontradas gemas e minerais de ETR.

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Prospecção Geoquímica Regional, Elementos Terras Raras Leves.

Em 2012, motivado por diversos eventos

de instabilidade de encostas e processos

de escorregamentos de massa em todo o

território nacional, o governo federal implantou

a Política Nacional de Proteção e Defesa

Civil, pela Lei Federal 12.608/2012. Esta lei

permitiu que, por meio de uma parceria entre

CPRM e IPT, fosse definida uma metodologia

de trabalho para o desenvolvimento de

um projeto de modelagem e mapeamento

de suscetibilidade, em diversos municípios

previamente cadastrados, em todo o território

nacional.

A metodologia proposta levou em

consideração a escassez de dados no Brasil,

bem como a demanda de uma replicação

do processo em todo o território nacional.

O método estatístico, escolhido para a modelagem

de movimentos de massa, foi proposto

utilizando-se 3 dados primários de

fácil aquisição: curvatura do terreno, declividade

e densidade de lineamentos. Estes

três parâmetros foram então classificados,

de acordo com suas respectivas estatísticas

de ocorrência, por classe de terreno predefinida. Para os processos hidrológicos de corrida e enxurrada, foram definidas classes

de suscetibilidade de acordo com características morfológicas, e cálculos morfométricos de bacias, derivados do SRTM.

A inundação por sua vez, teve como modelo escolhido o HAND, associado a cálculos morfométricos de grandes bacias. A

definição da metodologia trouxe um desafio logístico ao projeto, que seria o de executar diversos modelos em tempo recorde,

para este grande numero de municípios cadastrados. Devido a esta demanda, foi elaborada uma extensão em formato ArcToolbox

para ArcGis 10.2 ©, contendo ferramentas que automatizam o processo de modelagem estatística (processos de movimentos

de massa), de cálculos morfométricos de bacias (processos de corridas de detritos, enxurradas e inundação) e o modelo

HAND (processos de inundação).

Essas ferramentas foram desenvolvidas em model builder, dentro da interface ArcGis 10.2 ©, utilizando-se os fluxos de processamento

predefinidos no método. Posteriormente essas ferramentas foram transportadas para linguagem Python e foram

distribuídas, em ambos os formatos. Como resultado do desenvolvimento destas ferramentas, obteve-se uma redução de tempo

de processamento significativa. Essa aceleração do processo possibilitou a execução de todos os municípios previstos pelo projeto,

até esta data, em tempo hábil e com a mesma qualidade e acurácia, que o processamento não automático dos dados.

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Ferramentas

presentes na

extensão

ARCTOOLBOX, ARCGIS 10.2 © , SUSCETIBILIDADE.

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OCEAN CORE COMPLEX DERIVADO DE UMA NOVA INTERPRETAÇÃO

BATIMÉTRICA NA DORSAL MESO-ATLÂNTICA

Autores: Nóbrega II,M 1 ,Simões, H.A. 1 ,Lacasse, C.M. 1 ,Santos,R.V 1 , Pessanha, I.B.M. 1 , Cavalcanti,J.A.D. 1 ,Gomes,F.E.M. 1 ,

Souza, M.L. 1 , Frazao,E.P. 1 , Bezerra, R.G. 1 , Souza, G.M. 1 , Lisniowski; M.A. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil - Divisão de Geologia Marinha, Departamento de Recursos Minerais

PROSPECÇÃO DE AGROMINERAIS NA REGIÃO DE IRECÊ E

JAGUARARI – BAHIA: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA

PARA MAPEAMENTO AGROGEOLÓGICO

Autores: Blaskowski, A. E. ; Magda Bergmann; Abram, M.; Sardou, R.F. ; Cavalcante, O. A

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

O interesse em estudar subsistemas vulcânicos

subaquáticos tem conduzido à descobertas de novos

campos hidrotermais com depósitos vulcanogênicos

de sulfetos maciços (VHMS) do tipo Chipre proximais

e exalativos com os do tipo SEDEX distais, em todos os

oceanos. As duas principais províncias com fontes hidrotermais

que contém depósitos minerais estão localizadas

na dorsal do Pacífico “East Pacific Ridge” (EPR) e

dorsal Meso-Atlântica (“Mid Atlantic Ridge” (MAR)), com

vantagem a EPR em número de campos hidrotermais.

Todos os sulfetos da EPR estão hospedados em basaltos,

enquanto alguns depósitos do Atlântico em rochas

ultramáficas. Um “Ocean Core Complex” (OCC) é uma

exsudação do manto (MacLeod et al.,2011; Cherkashov

et al.,2010) que ocorre através de uma falha com ângulo

de rejeito elevado, a princípio (~ 60-70°) e que continua

a se estender por milhões de anos, tendendo a formar

superfícies suaves (~30°) e aplainadas no topo (MacLeod

et al., 2011) e que se compacta nesse período. As superfícies

capeadas pelo OCC, frequentemente mostram

Closeup bathymetric map of Sector 03 showing the identification of a possible OCC.

estrias que são perpendiculares à direção de acreção da

MAR. Este trabalho teve como objetivo realizar um mapeamento estrutural utilizando dados batimétricos recentes para delimitar possíveis

alvos de OCC. Na obtenção dos dados de batimetria foi utilizado o ecobatímetro multifeixe de casco SEABAT 7150 de 12 kHz da TELE-

DYNE RESON instalados na embarcação Ocean Stalwart durante o ano de 2012.

A área estudada está compreendida entre latitudes tropicais. Possui uma área aproximada de 100.000 km2, e um deslocamento

de sul para norte, de aproximadamente 2000 km. Foram realizados 4 cruzeiros oceanográficos, entre os anos de 2012 e

2013. Os dados permitiram, até o momento, uma interpretação de cunho estrutural. Em relação à batimetria, os dados foram reprocessados

no início de 2015, o que possibilitou melhorar a resolução e atenuar ruídos. Associado à batimetria foi feito o mapa

de declividade da MAR e, posteriormente, uma análise estrutural. A partir das análises foram destacados 9 setores com eixos de

segmentos apresentando deslocamentos de primeira e segunda ordem, onde foram delimitados os OCCs. Na delimitação dos

OCCs confrontamos os valores encontrados no mapa regional de anomalia gravimétrica Bouguer Simples associada à morfologia

do assoalho oceânico e aos padrões de falhas e estrias perpendiculares a estas.

Foram delimitados OCCs situados próximos a descontinuidades de segmentos e sobre as falhas de deslocamento. Em relação

ao que se conhece sobre depósitos minerais nas áreas da MAR, adjacentes a área estudada pelo Serviço Geológico do Brasil, há o

exemplo mencionado por Cherkashov et al.,(2010), que demonstra evidências com os distritos minerais de “Semyenov e Ashadze”

para elementos como Fe, Cu, Zn, Au, Ag, Co, Ni e N. O estudo mostrou que há uma maior concentração de elementos químicos

com viabilidades econômica oriundos de rochas ultramáficas (COOs) em detrimento aos das rochas basálticas. Há fortes indícios da

presença de OCCs em toda a área estudada. Foram delimitados inicialmente para este estudo 10 sítios de ultramáficas.

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OCEAN CORE COMPLEX, DORSAL MESO-ATLÂNTICA, VHMS.

O Brasil, país de economia agrícola que possui um território de rara geodiversidade, conta com uma vasta gama de agrominerais

e necessita desonerar custos com importação de insumos para fertilizantes químicos. O Projeto Agrominerais da Região

de Irecê e Jaguarari-Bahia, foi realizado pela CPRM-Serviço Geológico do Brasil para atender à demanda da CODEVASF-Companhia

de Desenvolvimentos dos Vales do São Francisco e Parnaíba por agrominerais para emprego no assentamento Baixio de

Irecê. A metodologia do trabalho é apresentada enquanto proposta para a prospecção e mapeamento de fontes de remineralizadores

e corretivos de solo. A área do levantamento foi determinada em função da proximidade e logística de aporte dos insumos,

e corresponde a perímetros de 100 km a partir das cidade de Irecê e Jaguarari.

Foram inicialmente definidas Unidades de Interesse Agrogeológico dentro dos principais Macro-Domínios identificados no Mapa Geológico

da Bahia 1:1000.000-CBPM/CPRM. A área total, de 142.321 Km2, compreende grande diversidade de ambientes geológicos e litotipos

com potencial para rochagem. Através de levantamento bibliográfico e do

uso do programa Sigmine (DNPM) localizou-se minerações e garimpos, e os

trabalhos de campo priorizaram a amostragem de rochas e polpas em pilhas

de descartes e bacias de rejeitos. Embora se tenha pesquisado também

outras rochas, a disponibilidade dos materiais já extraídos dispensa novos

processos de licenciamento minerário e ambiental, possibilitando seu emprego

a curto-médio prazo e custos reduzidos, além de em muitos casos

somar o benefício da mitigação de um passivo ambiental.

As rochas foram caracterizadas por litoquímica (ICP/ICP-MS) para

determinação de óxidos maiores e elementos traços, petrografia modal

e DRX, buscando selecionar as fontes mais adequadas de nutrientes e

micronutrientes em sistemas minerais capazes de disponibilizá-los para

as plantas, dentro dos critérios de limites de Elementos Potencialmente

Tóxicos (EPT) e minerais inertes em solos. Para determinados litotipos as

análises de mercúrio implicaram na escolha de métodos de abertura condizentes

com os limites de detecção.

A referência utilizada para EPT foi a legislação para fertilizantes

(MAPA IN 27/2006), disponível à época e anterior à recente normatização

específica para rochas silicáticas (MAPA IN 05/2016 e 06/2016). O levantamento das pilhas de rejeito de mineração incluiu

a estimativa de percentual e reservas de cada litotipo, e nas bacias de rejeito foram pesquisadas granulometria e propriedades

físicas e químicas dos materiais, aportando-se informações sobre o tratamento de minério.

O trabalho resultou na proposição de fontes de potássio, como os flogopititos dos descartes dos garimpos de esmeralda (Cooperativa

Mineral da Bahia, Campo Formoso e Pindobaçú); fósforo (bacia de rejeitos da Mineradora Galvani, Irecê); cálcio, magnésio, e corretivos

de solos (rochas da Bacia de Irecê); magnésio, sílica e corretivos de solos associados a rochas máficas e ultramáficas das lavras de cromita da

Mineração Ferbasa-Cia de Ferro Ligas da Bahia (Campo Formoso e Andorinhas); kimberlitos da Lipari Mineração Ltda (Campo Kimberlítico

de Nordestina) e fontes de multinutrientes e micronutrientes variados (bacia de rejeitos da mineradora Caraíba S/A, Jaguarari), sendo que

para cada uma delas foram efetuadas considerações quanto à viabilidade de uso, logística e fatores restritivos.

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O levantamento dos materiais selecionados foi determinado

em função da proximidade e logística de aporte dos insumos

e o enfoque da pesquisa foi em materiais disponíveis em

rejeitos de minerações e garimpos.

Remineralizadores de solo, Corretivos de Acidez em Solos,

Rejeitos de Mineração

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MINERALIZAÇÕES AURÍFERAS DA SERRA DE JACOBINA-BA:

RESULTADOS PRELIMINARES

Autores: Miranda, D.A. 1 ; Santos, F.P. 1 ; Reis, C. 1 ; Menezes, R.C.L. 1 ; Loureiro, H.S.C. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

A Serra de Jacobina compreende uma estrutura geotectônica com 220 quilômetros de extensão, direção norte/sul, resultado

da amalgamação de bacias metassedimentares, Grupo Jacobina (GJ) e Complexo Saúde, e metavulcanossedimentar do Greenstone

Belt de Mundo Novo (GSBMN). Os resultados aqui apresentados pertencem ao projeto Integração Geológica e Avaliação do Potencial

Metalogenético da Serra de Jacobina e do Greenstone Belt de Mundo Novo. Iniciado em 2015 e ainda em execução, pertence ao programa

Áreas de Relevante Interesse Mineral da Diretoria de Geologia e Mineração da CPRM. O foco são as mineralizações hidrotermais

e seu controle estrutural nos contextos do GJ e GSBMN. De leste para oeste são observados os seguintes sistemas de falhas de direções

aproximadas norte/sul: Zona de Cisalhamento Mairi (ZCMA), Falha de Itaitu (SFIT), Falha de Pindobaçu (SFPI), Falha de Maravilha (SFMA)

e Falha de Jacobina (SFJA), com mineralizações auríferas associadas aos três últimos. No SFJA o hidrotermalismo é evidenciado pela

assembleia fuchsita+pirita+cromita+turmalina cromífera presente

no depósito aurífero hospedado pelos conglomerados

da Formação Serra do Córrego do Grupo Jacobina, com características

de paleoplacer.

Os garimpos da Jaqueira e Maravilha estão associados

ao SFMA. No primeiro, a mineralização encontra-se em

três tipos de rochas hospedeiras: diques de gabros de direção

NE encaixados em falhas/fraturas, diques máficos com

veios de quartzo com sulfetação maciça e veios de quartzo

com hematitização encaixados em quartzitos cataclasados,

controlados por falhas reversas com mergulhos para oeste/

sudoeste. No garimpo Maravilha a mineralização é controlada

por falhas reversas com mergulho para oeste. Está associada

ao contato entre rocha máfica e quartzitos, nos veios

de quartzo fumê com sulfetação, nos veios de quartzo branco

leitoso e também ocorre em veios de quartzo hematitizados

encaixados em quartzitos. No SFPI estão os garimpos

do Morro da Palmeirinha, Biquinha e Mina Velha. O primeiro

trata-se de falha de empurrão com mergulho para leste. Observa-se

zoneamento na mineralização em superfície, de sul

para norte: ouro livre em veios de quartzo; sulfetação maciça

em veios de quartzo e disseminada no quartzito encaixante;

ouro livre associado à silicificação; sulfetação em bolsões preenchidos por pirita+calcopirita.

Em Biquinha ocorre zona de cisalhamento com direção norte/sul, subvertical, movimento sinistral. A mineralização está

encaixada em tension gashes preenchidas por veios de quartzo branco leitoso, localmente fumê com pirita. Na Mina Velha a

mineralização é controlada por uma falha transtrativa norte/sul com mergulho para leste, hospedada por rocha máfica intensamente

intemperizada. A sul do garimpo, a falha intercepta quartzito com veio de sulfeto maciço com mineralização aurífera,

fato que amplia o potencial metalogenético da ocorrência. Os sistemas de falhas mapeados aparentam ter servido como canais

condutores de fluidos hidrotermais. Os diversos tipos de depósitos observados são reflexos da interação destes fluidos com as

diferentes rochas hospedeiras interceptadas pelas falhas. A natureza da estrutura que controla a mineralização varia entre primeira,

segunda ou terceira ordem, dependendo do contexto tectônico do garimpo.

PALAVRAS-CHAVE:

HIDROTERMALISMO, TECTÔNICA, OURO

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GEOLOGY, GEOCHRONOLOGY AND GOLD METALLOGENESIS OF THE

SERRA DAS PIPOCAS GRANITE-GREENSTONE TERRANE, TROIA

MASSIF, NORTH BORBOREMA PROVINCE, BRAZIL

Autores: Costa, F.G.1 ,2 ; Klein, E.L. 1,2 ; Corrêa-Lima, R.G. 2 ; Naleto, J.L.C. 1

1

Serviço Geológico do Brasil (CPRM); 2 Programa de Pós-graduação em Geologia e Geoquímica PPGG-(UFPA)

The Troia Massif is one of the biggest Archean/Paleoproterozoic nucleus of the Borborema Province, representing a well

exposed basement inlier within this large Neoproterozoic mobile belt. At the Troia Massif, two major Paleoproterozoic metavolcano-sedimentary

sequences are recognized: (1) The Algodões sequence to the north and (2) The Serra das Pipocas sequence at the

west. These sequences share similar lithostratigraphic

characteristics, which are also similar to

those from other Paleoproterozoic greenstone

belts of the surrounding cratonic domains (e.g.,

Guiana shield, São Francisco and West Africa

cratons) or basement inliers (e.g., Goiás Massif

and Gurupi belt). These include extensive mafic

and intermediate metavolcanic rocks at lower

units and metasedimentary rocks at upper

units. All intruded by distinct pulses of plutonic

rocks (e.g., gabbros, tonalites, quartz monzonites

and S-type granites). We report here U-Pb

(SHRIMP and LA-ICPMS) zircon ages and whole

-rock (XRF) geochemistry for two major plutonic

events recognized at the Serra das Pipocas granite-greenstone

sequence; (1) the early (2192 +/- 11 Ma) TTG-like Mirador tonalites and the (2) K-rich granites of the Bananeira Suite

(e.g., 2092 +/- 7 Ma porphyritic quartz monzonite, and 2068 +/- 5 Ma for equigranular “pink” monzogranite).

Geochemistry for mafic/intermediate metavolcanics of the lower unit shows transitional tholeiitic to calc-alkaline affinity,

suggesting an arc/back-arc tectonic setting to this volcanism. The presence of garnet-amphibolites on the lower unit and kyanitegraphite-schist

in the upper unit shows that the Serra das Pipocas greenstone sequence was subjected to medium- to high-grade

regional metamorphism. Gold mineralization in the Serra das Pipocas sequence has been recently discovered by private exploration

project. The mineralized area (Pedra Branca deposit) extends hundreds of meters along strike, and by 1 to 5 meters width

across, grading roughly 1 to 3 g/t of gold. The main host rocks of gold mineralization are metatonalites (Mirador area), amphibolites

(Coelho area), metandesites and metasedimentary rocks (Queimadas area). In these areas, gold is generally associated to quartz

veins and “skarn-type” hydrothermal alteration, including diopside, amphiboles (e.g., uralite), K-feldspar, titanite, pyrite, pyrrhotite,

biotite, ilmenite +/- magnetite and minor carbonate. EDS analyses indicate that gold locally occurs as gold-silver-telluride inclusions

in titanites and pyrites. Albitite zones (80% albite) with disseminated pyrite, ilmenite/magnetite and free-milling gold at albite grain

-boundary are observed from drill cores, and interpreted as hydrothermal alteration (sodium-metasomatism) of mafic/intermediate

metavolcanics rocks. U-Pb age (LA-ICPMS) for titanites associated to the “skarn-type” alteration and gold mineralization, yielded two

distinct ages in the same concordia diagram; 2029 +/- 27 Ma (two grains at the upper intercept) and 573 +/- 7 Ma (51 grains at the

lower intercept). These U-Pb titanite ages suggest that gold mineralization firstly occurred during Paleoproterozoic times, but was

later, strongly affected (and remobilized?) by Neoproterozoic regional metamorphism. The genetic model for gold mineralization is

thought to be “orogenic gold deposits”. However, because of the high-temperature hydrothermal minerals (e.g., diopside, amphiboles,

titanite) associated with gold, it could probably represent a “hypozonal orogenic gold deposit”, or a “mesozonal orogenic gold

deposit” submitted to medium- to high-grade regional metamorphism.

PALAVRAS-CHAVE:

Fotos em microscópio petrográfico de partículas de ouro (Au) associado à ilmenita

(Ilm) e carbonato (Cb), precipitado no contato e/ou fraturas de cristais de albita

(Ab) (hidrotermal). (A)= luz refletida e (B)= luz transmitida.

GOLD, BORBOREMA PROVINCE

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INTERPRETAÇÃO MORFOESTRUTURAL A PARTIR DE DADOS DE

BATIMETRIA MULTIFEIXE LEVANTADOS NA CORDILHEIRA

MESOATLANTICA EQUATORIAL

Autores: Simões, H.A. 1 , Nóbrega II,M. 1 , Souza, M.L. 1 , Pessanha, I.B.M. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil - Divisão de Geologia Marinha, Departamento de Recursos Minerais

MODELAGEM 3D E ESTIMATIVA DE RECURSOS DOS DEPÓSITOS DE

CARVÃO DE MORUNGAVA-CHICO LOMÃ E SANTA TEREZINHA, RS

Autores: Luiza Lopes de Araújo 1 , Ricardo Wosniak 1 , Eduardo Moussalle Grissolia 1 , Rogério Celestino de Almeida 1 ,

David grilo 1 , Maísa Bastos Abram 1 , Hamilcar Tavares Veira Júnior 2 , José Leonardo Silva Andriotti 3 , Marco Túlio Naves de Carvalho 4

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil DIARMI, Salvador-BA; 2 SUREG- São Paulo-SP; 3 SUREG- Porto Alegre-RS; 4 DGM, Brasília-DF.

Nas dorsais mesoceanicas com baixa taxa de espalhamento, a nova crosta tem cerca de 8 km de espessura (White et al.,1992).

Existem grandes evidências de que a maior parte ou toda esta crosta seja arrefecida rapidamente por meio de processos advectivos

próximos da dorsal (Dunn and Toomey, 1997; Dunn et al., 2000; Stein and Stein, 1994). Os sistemas hidrotermais ativos encontrados

no Atlântico são: a) os hospedados em rochas neovulcânicas na superfície do Rift Valley, (e.g. Snake Pit (Gente et al., 1991); (Mevel et

al., 1989)), b) ao lado de grandes falhas de borda (e.g. monte TAG (Rona et al., 1986)), c) no alto das encostas do Rift Valley, hospedados

em rochas ultramáficas (e.g., Logatchev (Batuev et al., 1994)), d) em deslocamentos não-transformantes (e.g. Rainbow, (Charlou et al.,

2002)) e e) fora do eixo, em inside-corner- highs (e.g. Lost City, (Kelley et al., 2005)). No presente trabalho buscamos detalhar a metodologia

usada para identificar as principais estruturas presentes na área do Projeto de Prospecção e Exploração de Sulfetos Polimetálicos

da Cordilheira Mesoatlântica – PROCORDILHEIRA. Para o levantamento da batimetria multifeixe foi utilizado o ecobatímetro SEABAT

7150 de 12 kHz da TELEDYNE RESON, instalado a bordo da embarcação R/V Ocean Stalwart, durante o ano de 2012.

A área de pesquisa estende-se por aproximadamente 2000 km de comprimento por 50 km de largura, em média, perfazendo uma

área total de aproximada de 100.000 km 2 de eixo de cordilheira que está sendo pesquisada. Após o processamento dos dados de batimetria

multifeixe, pelo software CARIS HIPS and SIPS, foram gerados os mapas batimétricos, os de backscattering e os de declividade.

A partir destes produtos foram interpretadas as principais estruturas presentes no ambiente das dorsais mesoceanicas, que podem

estar associados à ocorrência de sítios

hidrotermais ativos, o mapeamento das

estruturas foi feito a partir da geração

de perfis perpendiculares ao centro de

espalhamento da cordilheira mesoceanica,

para tanto marcamos as principais

escarpas de falhas e picos de máximas

declividades durante a definição das

estruturas rúpteis e delimitamos as superfícies

suavizadas com estrias perpendiculares,

delimitando os ocean´s core

complex (OCC). O mapa de declividade

adensou as escarpas de falhas paralelas

à dorsal mesoceanica e os perfis leste-oeste

da batimetria e do backscattering,

puderam detalhar o eixo da dorsal, inclusive

os deslocamentos de 2ª ordem. A

área de pesquisa está dividida em nove

seguimentos, por apresentarem em suas extremidades, falhas transformantes e falhas não transformantes de 2ª ordem. Em nossa interpretação

preliminar, foram delimitadas as zonas neovucânicas no Rift Valley, as estruturas associadas ao vulcanismo recente (cones

vulcânicos), as grandes falhas de bordas dos Rift Valley, as falhas não transformantes de 2ª ordem, os OCC`s e as falhas transformantes

de 1ª ordem. Todas essas estruturas que foram interpretadas nessa fase do projeto, darão suporte para as associações que serão feitas

com os dados de oceanografia física e química, que foram levantados em cruzeiros de pesquisa posteriores, para assim tentarmos localizar

as possíveis fontes hidrotermais ativas.

PALAVRAS-CHAVE:

HIDROTERMALISMO, TECTÔNICA, OURO

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Atualmente, a CPRM - Serviço Geológico

do Brasil detém 332 processos de direitos minerários

ativos no DNPM, os quais constituem 30

projetos referentes a 14 bens minerais distribuídos

pelo país. Dentre eles, o carvão mineral tem

seu portfólio constituído por 210 alvarás de pesquisa.

A grande maioria possui relatórios finais

aprovados pelo DNPM e estão localizados nos

estados de Santa Catarina (quatro alvarás) e Rio

Grande do Sul (206 alvarás). No final da década

de 1970 e início da década de 1980, por demanda

do PME - Plano de Mobilização Energética,

a CPRM executou trabalhos de mapeamento

Resultado modelagem do depósitos de carvão de Morungava-Chico Lomã

geológico, sondagem e sísmica de reflexão e de

refração em diversas escalas nos depósitos de carvão conhecidos desses estados. No âmbito dos projetos de reavaliação do patrimônio

mineral da CPRM, os dados dessa pesquisa foram resgatados, validados e uma nova modelagem geológica 3D realizada.

Neste trabalho são apresentados os resultados da reavaliação dos depósitos de Morungava-Chico Lomã e Santa Terezinha

(78 alvarás de pesquisa, que somam 138.172,68 hectares), adjacentes entre si e localizados no centro-leste do Rio Grande do Sul.

Para a modelagem geológica dos depósitos e respectiva estimativa de recursos foram utilizados 237 furos de sondagem (total de

75.358,02 metros) e 280 ensaios de “afunda-flutua”. Todas as informações litológicas e analíticas dos furos de sondagem e mapas

foram resgatadas e organizadas em banco de dados. Estas informações foram posteriormente integradas com os dados geofísicos

disponíveis, resultando em seções estratigráficas que mostram a distribuição lateral e vertical das camadas.

A partir desses dados elaborou-se o modelo geológico tridimensional e estimou-se a qualidade e a quantidade de carvão

in situ, através do software Strat3D. A soma destes recursos em todos os depósitos, considerando-se uma espessura de

carvão contido na camada maior do que 0,5 metros, alcançou 2,5 bilhões de metros cúbicos de carvão contido e 3,9 bilhões

de metros cúbicos considerando-se a camada total. Cerca de 70% do carvão concentra-se nas duas principais camadas, denominadas

CL4 e CL6. Os principais parâmetros de qualidade da amostra total e da fração com densidade maior do que 1,85 g/

cm3 para todas as camadas modeladas, indicam que o carvão desses depósitos apresenta potencial para carvão energético

e, mediante beneficiamento, para coque.

Um fator limitante à explotação do depósito a céu aberto é que menos de 1% desses recursos encontra-se em profundidades

menores do que 50 metros. No depósito de Morungava Chico-Lomã o carvão encontra-se a profundidades que variam entre 50 e

470 metros, enquanto no depósito de Santa Terezinha apresentam-se em profundidades entre 450 e 960 metros. Com base no trabalho

desenvolvido pela CPRM é reconhecido o potencial para a exploração de novos depósitos de carvão mineral no Sul do país,

tanto a céu aberto, quanto, principalmente, por meio de lavras subterrâneas. Não deve ser descartada também a possibilidade de

estudo do potencial para acumulação de gás metano associado às camadas de carvão (CBM).

PALAVRAS-CHAVE:

CLIQUE AQUI E CONHEÇA MAIS

Carvão Mineral, Modelagem 3D, CPRM.

20 21


TRABALHOS

CONVIDADOS


TRABALHOS CONVIDADOS

CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DOS GEOSSÍTIOS DO PROJETO:

GEOPARQUE GUARITAS - MINAS DO CAMAQUÃ/RS

Autores: Peixoto, C.A.B. 1 ; Schobbenhaus, C. 1 Saldanha D. L. 2

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ CEPSRM

TRABALHOS CONVIDADOS

PALEOPROTEROZOIC TERRANES IN THE BRAZILIAN SHIELD:

CRUSTAL EVOLUTION AND METALLOGENY

Autor: Evandro L. Klein

CPRM-Serviço Geológico do Brasil – Divisão de Geologia Econômica

A proposta do projeto Geoparque Guaritas - Minas do Camaquã esta localizado na região central do Estado do Rio Grande

do Sul, com área de 2.951 km2 e abrange em quase sua totalidade a cidade de Caçapava do Sul e parcialmente os municípios de

Bagé, Lavras do Sul e Santana da Boa Vista. A área do geoparque esta inserida na porção noroeste do Escudo Sul-rio-grandense,

província geológica com exposições

de rochas metamórficas, plutônicas

vulcânicas e sedimentares do Neoproterozóico

ao Cambriano. A diversidade

litológica, associada com os processos

tectônicos e erosivos, conforma

e condiciona a topografia da região,

formando uma paisagem geológicogeomorfológica

particular e distinta,

o que caracteriza um geoecossistema

diferenciado dentro do bioma Pampa.

Mapa geológico e de localização dos geossítios da Proposta Geoparque Guaritas

- Minas do Camaquã/RS

A região do Pampa é um dos seis

biomas existentes no Brasil e ocorre

apenas no estado do Rio Grande do

Sul, ocupando uma área de 178.243

km2 correspondente a 63% do território

estadual. O Pampa apresenta diversificada

e rica biodiversidade e geodiversidade

que esta associada a um

diferenciado patrimônio cultural. Para

a caracterização ambiental da área

proposta para geoparque foi realizado

mapeamento e cadastramento de

trinta geossítios com o uso de equipamento

receptor do sistema de posicionamento global (GPS), registros fotográficos e filmagens com V.A.N.T. (veículos aéreos

não tripulados). Utilizou-se, ainda, imagens de satélite

Landsat 8 e os programas ENVI 5.1 e GoogleTM Earth Pro para avaliar, analisar e interpretar o

estado de conservação ambiental dos geossítios e sua área de entorno. Os resultados obtidos, a partir do levantamento de

campo e da etapa de geoprocessamento, demonstraram que a área do geoparque apresenta boas condições de preservação

e conservação ambiental. Nesta área não foram observadas intervenções por projetos de silvicultura ou por obras de infraestrutura

de grande porte como: Barragens, Linhas de Alta Tensão, Projetos Eólicos, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s).

O cenário paisagístico com uma diversificação de elementos geológicos como: afloramentos rochosos, campo de matacões,

cerros e coxilhas, morros testemunhos, cascatas, grutas e tocas e cavas de mineração como a mina Uruguai nas Guaritas, associados

ao bioma Pampa e à cultura da região, que registra lendas e relato de guerras e batalhas, são atributos diferenciados

para viabilizar o projeto Geoparque. Desta forma, os resultados da caracterização ambiental poderão subsidiar programas

de geoconservação dos sítios geológicos e das paisagens que compõem o valioso patrimônio geológico existente no Pampa

Gaúcho, bem como contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades locais através do geoturismo.

Most of the Pre-Cambrian terranes of the Brazilian Shield (Fig. 1) formed during the Paleoproterozoic Era (2.5 to 1.6 Ga) in

response to a variety of rock-forming processes operating in accretionary and collisional orogenies and in taphrogenic events.

Siderian rocks (2.5-2.3 Ga) are present as limited granite-greenstone assemblages in the Amazonian Craton (AC); in extension-related

(taphrogenic) sequences from several areas, such as dike swarms, mafic-ultramafic complexes, intraplate granite-syenite

suites and possibly in cratonic covers; and in accretionary/collisional orogens of the São Francisco Craton (SFC); in

high-grade complexes within the Rio de la Plata Craton; and in the basement of the Neoproterozoic Borborema, Brasília and

Mantiqueira belts. Little is known about the metallogeny of this period.

The Rhyacian (2.3-2.05 Ga) witnessed the most voluminous crustal growth in Brazil, which is loosely termed as, and/or confused

with, the Transamazonian cycle. The rocks occur in major accretionary (±collisional) belts within the AC and SFC, in more

or less preserved cratonic fragments (São Luís,

Luiz Alves), and as discontinuous and reworked

blocks in the basement of Mesoproterozoic and

Neoproterozoic mobile belts. TTG and arc-related

magmatic suites, metasedimentary and metavolcano-sedimentary

(~greenstone belts) sequences

are the main rock associations. At the end of

the period, widespread mantle input, probably

following collision events (and often high-grade

metamorphism), is recorded by several mafic-ultramafic

complexes, alkaline rocks and mantlederived

granitoids. In response to large crustal

growth, metallogenic events were also expressive.

About one third of the orogenic gold, and worldclass

sedimentary iron deposits were deposited in

Left: Precambrian terranes in Brazil; Right: Paleoproterozoic terranes in Brazil.

Rhyacian metavolcano-sedimentary sequences, rivaling the Archean greenstone belts, whereas Sn-Ta deposits formed in association

with S-type granites and chromite deposits occur in mafic-ultramafic complexes towards the end of the period. Gold-bearing

placer deposits apparently formed in rift and/or foreland basins in the beginning and at the end of the Rhyacian.

The Orosirian (2.05-1.80 Ga) evolution differs from the preceding and following periods. In the AC, Tapajós-Parima is a long,

predominantly plutono-volcano (accretionary?) belt, whose evolution is highly debatable. A striking feature of this belt is the recurrent

felsic (±intermediate) volcanism that took place in three or four episodes (more or less coeval with collision plutonism in

the northern portion of the belt) and that culminated with the formation of the large Uatumã LIP, with coeval as A-type granites

occurring in the eastern AC. In the SFC, the collisional Contendas-Mirante belt was followed by granitic magmatism. Mantle manifestations

include chromitite- and Fe-Ti-V-bearing mafic-ultramafic complexes, uraniferous syenite and the intrusion of the first

carbonatite complex in South America. The siliciclastic, Au-U-diamond-bearing Roraima basin establishes as the first large cratonic

cover in the AC. The polymetallic (intrusion-related? IOCG?), and Au-PGE mineralizations in Carajás; gold in Tapajós and Alta Floresta;

and Sn-F-REE-I associated with anorogenic granites are important metallogenic characteristics of the Orosirian period.

The Statherian (1.80-1.60 Ga) is characterized by the accretionary Rondonia-Juruena belt in the AC, including volcano-sedimentary

successions hosting polymetallic mineralization, and by widespread anorogenic/taphrogenic events, which are represented

by felsic magmatism, continental and marine sedimentary basins (Espinhaço), and the intrusion of felsic to mafic dikes.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOSSÍTIO; GEOPARQUE; PAMPA.

KEYWORDS: CRUSTAL EVOLUTION, PALEOPROTEROZOIC, METALLOGENESIS

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TRABALHOS CONVIDADOS

DO PALEOARQUEANO PRECOCE AO NEOARQUEANO TARDIO: A MAIS

LONGA HISTÓRIA ACRESCIONÁRIA JÁ REPORTADA NO BRASIL

Autores: Silva, L.C 1 , 2 , Pedrosa-Soares, A.C. 3

1

CPRM, Superintendência Regional de Belo Horizonte; 2 Professor Convidado do Programa de Pós-Graduação da UERJ, Rio de Janeiro;

3

Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais.

A obtenção dos primeiros dados geocronológicos U-Pb no domínio mais setentrional do segmento SW do CSF em Minas Gerais

(Porteirinha DPT), além da compilação de 240 análises de outros domínios arqueanos no mesmo estado (Guanhães DGU, Belo Horizonte

DBH e Campos Gerais DCG) bem como em domínios contíguos na Bahia (Gavião DGV e Sobradinho DSB), revelou a mais longa

e complexa história acrescionária e metamórfica já reportada no Brasil, estendendo-se entre ca. 3400 Ma e ca. 2500 Ma (Silva et.

al. 2016, Journal of South American Earth Sciences. 68, p.50-67). A comparação do timing dos eventos acrescionários paleoarqueanos

nesses terrenos mostra no “Período Paleoarqueano Precoce” (3600-3350 Ma) uma distribuição bimodal assimétrica para a geração

do magmatismo TTG, com 12 ocorrências reportadas no DGV e apenas uma no DPT (devido à datação de apenas uma mostra. Relativamente

ao “Paleoarqueano Tardio” (3350-3200 Ma), foram assinalados 12 registros, sendo 8 no DGV e 4 no DBH. Por outro lado, no

“Mesoarqueano Precoce” (3200-3000 Ma) foram registradas 15 análises no DBH contra apenas 4 do DGV. Já no “Mesoarqueano Tardio”

(3000-2800 Ma) foram compiladas

15 amostras no DBH, além

de outras 4 no DGU e 4 no DCG.

Entretanto, os registros acrescionários

mais divergentes nos segmento

NW (BA) e SW (MG) do CSF

referem-se ao “Neoqueano Precoce”

(2800-2750 Ma), o qual conta

com 17 ocorrências de ortognaisses

TTG já obtidas no DBH contra

apenas uma (1) no DGV. Relativamente

ao “Neorqueano Tardio”

(2750-2500 Ma), constituído por

granitóides-K pouco deformados

e ortognaissificados, foi constatada

uma distribuição extensiva

de idades de cristalização no DBH

(28), além de uma (1) ocorrência

no DGU e outra (1) no DPT. A pesquisa

também revelou evidências

robustas de 4 fases distintas de

overprinting metamórfico arqueano.

O Gnaisse Porteirinha, com idade de cristalização de 3371±6 Ma, obtida em núcleos preservados de zircões magmáticos, forneceu

também o mais antigo registro metamórfico obtido (em rochas metaígneas) no Brasil (M1), 3145±24 Ma calculado no intercepto

superior de sobrecrescimentos metamórficos da população de zircões magmáticos, enquanto o intercepto inferior forneceu uma

idade robusta (11 spots) embora menos precisa de 678±86 Ma, indicativa de perda de Pb* durante um segundo episódio de abertura

do sistema isotópico, atribuído a um estágio de recristalização em fácies anfibolito, relacionado ao pico da recristalização

metamórfica durante a colisão para NW do Cinturão Araçuaí sobre sua antiga margem cratônica (Complexo Porteirinha). Outros

resultados metamórficos arqueanos, incluem uma idade “Mesoarqueana Precoce” de 2856±24 Ma (MA2), obtida em um gnaisse

TTG polimetamórfico do DBH, com idade de cristalização de 2895±17 Ma. Entretanto, as idades metamórficas mais abundantes (5)

são Neoarqueanas, distribuídas calculadas entre ca. 2790 a ca. 2600 Ma (MA3), obtidas em ortognaisses Mesoarqueanos com idades

de cristalização entre ca. 2895 e ca. 2925 Ma, no DBH.

TRABALHOS CONVIDADOS

ESTRUTURAS IGNEAS EM DERRAMES VULCÂNICOS: APLICAÇÃO

NA PESQUISA DOS JAZIMENTOS DE GEMAS DA FRONTEIRA OESTE

DO RIO GRANDE DO SUL

Autores: Bergmann, M. 1 ; Lopes, W. R. 1 ; Ilha, L. M. 2 ; Parisi, G. N. 1 ; Rocha, P. G. 1 .

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil ; 2 UNIPAMPA –Universidade Federal do Pampa

O Projeto Modelo Prospectivo para Ametista e Ágata na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul faz parte do programa ARIM - Áreas

de Relevante Interesse Mineral da CPRM - Serviço Geológico do Brasil. O distrito gemológico Los Catalanes do Uruguai é limítrofe ao

Brasil, e porta jazidas de classe mundial de gemas (ágata e ametista) em geodos. Os jazimentos, da ordem de km2, são atribuídos a três

derrames de rochas basálticas, contínuos no território brasileiro como parte do Fácies Alegrete da Formação Serra Geral da Bacia do Paraná.

No lado brasileiro depósitos e ocorrências

de ágata são explorados em regime de garimpo.

A similaridade litoestratigráfica e das paragêneses

de geodos e rochas encaixantes, além da ampla

extensão lateral dos depósitos, apontam para um

distrito mineiro comum aos dois países.

Embora comporte mapeamento geológico

em busca de novas ocorrências, o projeto da

CPRM optou por focar inicialmente a arquitetura

dos depósitos, como observados nas amplas

exposições das lavras uruguaias, em busca de

padrões que pudessem direcionar os trabalhos

de pesquisa nos garimpos brasileiros. Nas minas

uruguaias a laje que é a zona produtora de grandes

geodos (ZP) corresponde ao topo da zona

central dos derrames, e apresenta 2,5-3m de espessura.

É sobreposta por uma típica brecha de

topo de derrame (BT), por sua vez subjacente a

Padrão de domos e bacias obtido com caminhamento elétrico no garimpo do Coronel Prado

Lima. O método foi selecionado com base nas relações observadas nas lavras do Uruguai

entre estruturas ígneas características da compartimentação do derrame produtor, como

laje produtora (alto resistivo), brecha de topo de derrame e e zona de disjunção placóide

superposta, esta última invariavelmente alterada quando sub-aflorante, e com resposta de

baixo resistivo. Os resultados permitiram indicar a embocadura de trabalhos exploratórios

para geodos de ametista em garimpos do lado brasileiro.

um nível de intensa disjunção horizontal na rocha basáltica, que promove a rápida alteração das rochas, denominado no trabalho Zona

de Disjunção Placóide Horizontal (ZDPH). Na região de embocadura das galerias foi observado um arranjo peculiar entre estes elementos,

que consiste em domos do conjunto ZP+BT, onde tanto a BT como a ZDPH superposta mostram-se delgadas, enquanto entre os

domos da laje produtora a ZDPH conforma bacias de até 11 m de espessura, com geodos de ametista menores e menos abundantes.

O arranjo dômico pode ser observado nas lavras Santinho (produtora dos maiores geodos do Uruguai); Las Delícias e Lorenzelli,

com diâmetros de 30-80 m. A depender do derrame a ZDPH se configura como capa dos depósitos de ametista, e usualmente

é a zona produtora de geodos de ágata. Dada à permeabilidade dos alteritos da ZDPH foi selecionado o método geofísico de caminhamento

elétrico com grid e espaçamento entre eletrodos adequado ao levantamento de áreas selecionadas nos garimpos Vivi

e Coronel, produtores de ágata no Brasil. Os perfis de caminhamento elétrico evidenciaram uma envoltória com padrão “caixa de

ovos” para a laje abaixo da zona de disjunção placóide que porta geodos de ágata lavrados com retro-escavadeira nos garimpos.

Os intervalos de alta condutividade discriminam o nível de solo e a ZDPH, e têm espessura coerentes com a profundidade

esperada para a zona não-condutiva produtora de ametista, laje já atingida em alguns pontos no Garimpo do Vivi. Também o

tamanho dos domos e bacias modelados em três dimensões é compatível com as lavras uruguaias. A validação deste modelo

deverá ocorrer por escavações mais profundas nos garimpos, e também pelo desmonte da laje em pontos já demarcados no

terreno, em busca de grandes geodos de ametista.

PALAVRAS-CHAVE:

Paleoarqueano precoce, Metamorfismo Mesoarqueano,

Complexo Porteirinha

PALAVRAS-CHAVE:

JAZIMENTOS DE GEMAS EM GEODOS, ESTRUTURAS DE DERRAMES

vULCÂNICOS, FÁCIES ALEGRETE DA FORMAÇÃO SERRA GERAL

26 27


TRABALHOS CONVIDADOS

CARACTERIZAÇÃO DE UM BASALTO DA FÁCIES CAMPOS NOVOS DA

FORMAÇÃO SERRA GERAL QUANTO AO POTENCIAL PARA EMPREGO

COMO ROCHA PARA REVESTIMENTO

Autores: Bergmann, M. 1 ; Gonzatti, C. 2 ; Provenzano, C. A. 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil ; 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul

No mercado internacional de rochas destinadas a revestimento é conhecida a grande demanda por variedades escuras a negras,

sendo o “granito filoneano negro” do Uruguai um bom exemplo desta demanda. Embora lavrada em corpos do tipo diques altamente

fraturados, em função do aspecto estético esta rocha alcança colocação especial no mercado, viabilizando lavras com aproveitamento

tão baixo quanto 15%, e permitindo o talhe de blocos de dimensão a partir de 1 m³, enquanto dimensões de blocos para teares pequenos

convencionais ficam entre 8 e 10 m³. A homogeneidade das feições estéticas e a facilidade de afeiçoamento (corte e polimento)

conferem potencial elevado a rochas vulcânicas como basaltos e dacitos, em particular para emprego em superfícies externas e contínuas,

uma vez que a cor fechada das primeiras é

pouco indicada para revestimentos internos.

Por outro lado, estruturas ígneas e tectônicas

como juntas colunares, planares e falhas dificultam

a obtenção de blocos coerentes em corpos

geológicos do tipo derrame. O projeto da CPRM

“Geologia e Recursos Minerais da Folha Três Passos-RS/SC

1:100.000” mapeou quatro fácies de

composição basáltica na Formação Serra Geral. A

Fácies Campos Novos, caracterizada pela intensa

cor negra das rochas, ocorre na região de Barra

do Guarita-RS em derrames com disjunção colunar

métrica a sub-métrica, localmente pouco fraturados.

Como avaliação preliminar do potencial

desta rocha foi encaminhada amostra para ensaio

tecnológico na CIENTEC-RS. Obteve-se a determinação

dos principais índices físicos, coeficiente

Trabalho de campo

de dilatação térmica, alterabilidade e resistência

ao desgaste, ao impacto e à compressão uniaxial,

sendo a petrografia conduzida pela CPRM. Os resultados demonstram que os índices físicos, massa aparente seca (média de 2934 kg/

m³), porosidade (1,1%) e a absorção aparente (0,4%), são compatíveis com os resultados dos granitos para revestimento, enquanto

o desgaste Amsler atingiu 2,3 mm (percurso de 1000 m). A resistência à flexão – método 3 pontos atingiu valores de 13,1-17,4 MPa,

superiores à performance dos granitos. Também os valores obtidos para compressão uniaxial (134,3 a 213,4 MPa), o coeficiente de

dilatação térmica linear (7,6 10-3 mm/m ºC) e o ensaio de resistência ao impacto de corpo duro (0,35m) situaram a rocha dentro das

especificações para rochas silicatadas (ABNT NBR 15844/2010).

A petrografia permitiu a avaliação da sanidade da rocha, que apresenta pequeno percentual de domínios com textura de devitrificação,

estando relativamente preservada de hidrotermalismo (argilização). Os resultados da caracterização tecnológica da rocha

basáltica, apresentados no trabalho da CPRM na Folha Três Passos, ressaltam o potencial das rochas da Fácies Campos Novos para uso

como rocha ornamental. As informações aportadas pelo Mapa Geológico e pelo relatório final do projeto apontam para várias formas

de ocorrência que favorecem a extração de blocos de pequenas dimensões, a partir de derrames relativamente espessos, que apresentam

disjunção colunar de porte métrico a sub-métrico; derrames delgados (espessura inferior a 30 m), que são isentos de juntas colunares

e por fim corpos do tipo dique, desde que situados em domínios de terreno não afetados pelas estruturas tectônicas. A situação

geográfica destes prospectos pode ser determinada com a consulta ao Mapa Geológico.

TRABALHOS CONVIDADOS

ROCHAS COM POTENCIAL PARA REMINERALIZAÇÃO E CORREÇÃO

DE ACIDEZ DE SOLOS NA PARTE OESTE DA REGIÃO VITIVINÍCOLA

CAMPANHA, RS, BRASIL

Autores: Bergmann, M. 1 ; Hoff, R. 2 ; Silveira, C.A.P. 3 ; Cruz, M.T.P. 4 .

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil ; 2 Embrapa Uma e Vinho, Bento Gonçalves, RS; 3 Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS ;

4

Universidade do Vale do Rio dos Sinos, RS.

O uso de rochas para remineralização e correção

de acidez de solos no escopo das práticas agrícolas da

vitivinicultura ainda é pouco difundido no Rio Grande

do Sul. Na Região Vitivinícola Campanha (RVC) o setor

do vinho tem buscado desenvolver e implantar uma indicação

geográfica para vinhos de alta qualidade, por

meio de projeto coordenado pela Embrapa Uva e Vinho

em cooperação com a Rede RECIVITIS/SIBRATEC/MCTI.

A RVC está em parte contida na área levantada pela

CPRM no projeto “Agrominerais da Bacia do Paraná do

Rio Grande do Sul”, que aporta dados de litoquímica, mineralogia,

petrografia, DRX e MEV na caracterização de

rochas com potencial de uso em rochagem.

O projeto da CPRM é focado nas rochas vulcânicas da

Formação Serra Geral da Bacia do Paraná, representadas

na região da fronteira oeste do RS pela Fácies Alegrete,

conjunto de derrames de composição andesítica a

basáltica, dentre os quais os derrames Catalán e Cordillera

comportam espessas brechas de topo cimentadas

por calcita, com quantidades subordinadas de zeolitas.

O trabalho da CPRM e Embrapa Uva E Vinho indicou basaltos disponíveis

como finos de britagem em lavras da região de Santana do Livramento

e Quarai e Rosário do Sul. As rochas são apropriadas para fertilização e

correção de solos de vinhedos da Região Vitícola da Campanha, que se

encontram implantados sobre argissolos ácidos de baixa fertilidade. Foto

Embrapa Uva e Vinho: vinhedos próximos do Cerro Palomas, Santana do

Livramento, RS.

Dentre as rochas disponíveis como finos de britagem em lavras de agregados destacam-se o basalto andesítico da Pedreira Capilheira

em Santana do Livramento e o basalto da Mineração Aprato, próximo a Rosário do Sul, em corpos do tipo sill, além do basalto

da Pedreira Santa Rita, junto à cidade de Quaraí. Como a grande maioria das rochas da Formação Serra Geral, estas não apresentam

qualquer restrição quanto a Elementos Potencialmente Tóxicos (EPT), cumprem o critério da Soma de Bases para comercialização

de remineralizadores de solos (IN MAPA 05/2016 e 06/2016), apresentando (K2O+CaO+MgO) entre 14 e 17% e caracterizando-se

como fontes potenciais de Ca e Mg, além de portarem os micronutrientes Cu, Ni, Zn, V e Cr.

As brechas de topo dos derrames Catalán e Cordillera podem atingir espessuras de 7 m e seu conteúdo de calcita é usualmente elevado,

traduzindo-se em teores de CaO da ordem de 12-19%, MgO 3-6,4% e sendo igualmente portadoras de Cu, Co, V e Zn, este último em

quantidades superiores à média dos basaltos. Os clastos de basalto amigdaloide que constituem a fábrica das brechas são ricos em materiais

devitrificados, o que favorece sua reatividade em solos e assegura a presença de argilominerais da família das esmectitas, minerais

com elevada capacidade de trocas catiônicas (CTC). Embora as brechas não estejam disponíveis enquanto sub-produtos ou descartes de

mineração, elas apresentam uma notável continuidade lateral (da ordem de dezenas de km), sendo eventualmente sub-aflorantes em

patamares de relevo, a serem investigados enquanto terrenos com potencial para a vitivinicultura.

A viticultura em Santana do Livramento e Rosário do Sul ocorre sobre solos arenosos pobres em nutrientes, sendo predominantemente

Neossolos Quartzarênicos desenvolvidos sobre arenitos, que poderiam ser beneficiados pela correção de acidez. Também o clima

sazonalmente comporta períodos de severo déficit hídrico, o que aponta para a propriedade de uso de materiais que possam reter umidade

para as plantas, favorecendo a neoformação de argilas 2:1 no solo.

PALAVRAS-CHAVE:

Rocha Ornamental, Basalto, Folha Três Passos 1:100.000 CPRM

PALAVRAS-CHAVE:

Remineralização de Solos, Vitivinicultura, Basaltos

28 29


TRABALHOS CONVIDADOS

FLOGOPITITOS ASSOCIADOS ÀS MINERALIZAÇÕES DE ESMERALDA

DE CAMPO FORMOSO E PINDOBAÇU (BA): FONTES DE POTÁSSIO

PARA REMINERALIZAÇÃO DE SOLOS

Autores: Bergmann,M. 1 ; Blaskowski, A. E. 1 ; Camargo,M. A. 1 ; Silveira, C.A.P. 2 ; Simas, M. W. 1 ; Cavalcante, A.O. 1 .

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil ; 2 Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS, Brasil.

O Projeto Agrominerais da Região de Irecê-Jaguarari-BA, desenvolvido pela CPRM para a CODEVASF, indicou os flogopititos

das lavras de esmeralda da região de Campo Formoso e Pindobaçu como fontes de K e Mg para remineralização de solos. Os

flogopititos foram caracterizados por litoquímica, petrografia e DRX semi-quantitativo como rochas com 94% a 98% de flogopita,

filossilicato que pode portar 10% de K2O e quantidades de MgO superiores a 20%. Por fatores ligados à estrutura cristalina, a

flogopita é um mineral capaz de disponibilizar o íon potássio no solo com maior facilidade do que minerais como os feldspatos

potássicos, tectossilicatos resistentes ao intemperismo.

Os flogopititos podem ser considerados ainda fontes de multinutrientes, disponibilizando Mg, Fe e Si, além dos micronutrientes

Mn, Mo e V. As rochas pesquisadas atendem ao critério de Soma de Bases da legislação brasileira para remineralizadores

de solo (IN MAPA 05 e 06/2016), têm K2O+MgO+CaO entre 27,64 e 31,45% e enquadram-se nos limites das normas quanto a Elementos

Potencialmente Tóxicos. A mineração de esmeralda baiana é operada no regime de cooperativa garimpeira (Cooperativa

Mineral da Bahia-CMB), pelo método de lavra subterrânea, com acesso à camada mineralizada a partir de pits e galerias. A atividade

vem se adequando às exigências minerárias do DNPM e ao controle do impacto ambiental.

O rejeito gerado por mais de 100 frentes de lavra, disposto em encostas a partir da boca dos pits, forma extensas pilhas nos vales

e dentro da zona urbana das pequenas localidades garimpeiras, onde a disposição organizada dos descartes se impõe para a obtenção

do status de Associações Produtivas Locais (APL Mineração). Uma peculiaridade das relações de trabalho nos garimpos favorece a

obtenção de um agromineral fonte de K, e envolve a faiscação, atividade desenvolvida por contingente de mulheres de baixa renda,

denominadas de “quijilas”, no ambiente dos garimpos de esmeralda.

Como litologia encaixante das esmeraldas, os blocos

de flogopititos são recolhidos dentre outras rochas dos rejeitos

e fragmentados pelas “quijilas” à procura de gemas

pequenas. A destinação a contêineres e o posterior recolhimento

dos materiais envolvidos na faiscagem pode ser

organizada, permitindo a recuperação dos flogopititos,

que constituem em média 15% do volume das pilhas, com

teores de K2O entre 9,44 e 10,86 %, e agregando um sub

-produto à produção dos garimpos.

O trabalho da CPRM abrangeu oito das lavras mais

expressivas da região, e caracterizou as rochas disponíveis

nas pilhas, entre elas várias com potencial para rochagem

ou correção de acidez em solos, pelos teores relevantes de

K, Mg, Ca e micronutrientes (flogopita-talco-tremolita xistos,

serpentinitos, esteatitos e tremolita-actinolita xistos).

São apresentados percentuais e cálculo aproximado dos Camada de flogopititos aflorando abaixo de quartzito

volumes disponíveis de cada uma das litologias, a partir de

estimativas de campo e de informações aportadas pelos

garimpeiros e técnicos da CMB. Amostras de vários litotipos foram selecionadas para ensaios de validação agronômica, e junto a outras

rochas fontes de nutrientes pesquisadas pelo projeto na região de Irecê-Jaguarari serão destinadas ao uso na remineralização de solos

do assentamento da CODEVASF Baixio de Irecê.

TRABALHOS CONVIDADOS

RELAÇÕES EMBASAMENTO-COBERTURA E GEOCRONOLOGIA U-Pb

EM ZIRCÃO NAS REGIÕES DA VIGIA E JAÍBA-TORRINHAS, PORÇÃO

SUL DO TERRENO TIJUCAS, CINTURÃO DOM FELICIANO, RS.

Autores: Camozzato, E. 1,2 ; Philipp, R.P. 3 ; Chemale Jr., F. 2

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola

Politécnica; 3 Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Instituto de Geociências

O Terreno Tijucas, porção central do Cinturão Dom Feliciano, constitui uma unidade com forma alongada segundo N30ºE,

cerca de 170 km de extensão e 10 a 30 km de largura, composta por rochas metavulcanossedimentares neoproterozoicas do

Complexo Porongos, intercaladas com ortognaisses paleoproterozoicos dos Complexos Vigia e Encantadas. No extremo sul desse

terreno, nas regiões da Vigia e Jaíba-Torrinhas, muitas unidades tinham posicionamento estratigráfico duvidoso ou não eram

reconhecidas.

Levantamentos geológicos e geocronológicos (pelo método U-Pb em zircão) permitiram: 1) a identificação de uma área

dômica contendo a intercalação tectônica de rochas paleo- a neoproterozoicas, denominada Domo da Vigia; 2) o reconhecimento

de eventos inéditos do Estateriano e Calimiano; e 3) o posicionamento estratigráfico dos ortognaisses de Jaíba-Torrinhas,

intercalados em xistos do Complexo Porongos, como cronocorrelatos ao Complexo Encantadas. As relações estruturais e os resultados

geocronológicos permitem conceber no final do Ciclo Brasiliano (~650 Ma) uma geologia desenvolvida em ambiente

colisional continental de caráter transpressivo, gerando estruturas oblíquas, bem como referir a movimentação das zonas de

cisalhamento dúctil até meados do Ediacarano (~600Ma). Aflorando a aproximadamente 50 km ao sudoeste do correlato Domo

de Santana da Boa Vista, o Domo da Vigia constitui uma estrutura N30ºE com aproximadamente 55 km de eixo maior e 10 km

de largura, expondo o embasamento cristalino entre litologias sedimentares da Bacia do Camaquã.

Na área do domo foram identificados os ortognaisses do Complexo Vigia, o Metagranito Seival, o Anfibolito Tupi Silveira e as

metassedimentares do Complexo Porongos. Esta última unidade ocorre como: a) uma estreita faixa de direção NNE, com aproximadamente

18 km de extensão e


ANTIFORME CANDIOTA:

A TERMINAÇÃO SUL DO TERRENO TIJUCAS, RS.

TRABALHOS CONVIDADOS

Autores: Camozzato, E. 1,2 ; Philipp, R.P. 3 ; Chemale Jr., F. 2 ; Iglesias, C.M. da F. 1

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica;

3

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Instituto de Geociências.

O levantamento geológico na escala 1:100.000 das folhas Passo São Diogo (SH.22-Y-C-IV) e Hulha Negra (SH.22-Y-C-1)

pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM (Programa Geologia do Brasil), associado com projeto de pesquisa dos três primeiros

autores sobre a evolução das coberturas metavulcanossedimentares do Escudo Sul-Rio-Grandense, permitiram detalhar o conhecimento

disponível sobre as litologias do Complexo Porongos aflorantes no extremo sul do Terreno Tijucas (TTj), na região

de Candiota. Este terreno apresenta forma alongada segundo a direção NE-SW, cerca de 170 km de extensão e entre 10 e 30 km

de largura. Está limitado pelo leste, com os granitoides do Batólito Pelotas, pela Zona de Cisalhamento Transcorrente Dorsal de

Canguçu; sendo recoberto pelo norte, sul e oeste por litologias sedimentares e vulcânicas das bacias do Camaquã e Paraná. O

TTj é caracterizado pelas metavulcanossedimentares neoproterozoicas do Complexo Porongos e ortognaisses e metagranitos

paleoproterozoicos dos complexos Encantadas e Vigia. Diversas estruturas antiformais regionais foram descritas no TTj, as quais

são conhecidas, do norte em direção ao centro, como antiformes Capané, Serra dos Pedrosas e Godinho, esta última já ao sul do

rio Camaquã.

A Antiforme Candiota ocorre no extremo sul do TTj e constitui uma janela com aproximadamente 15 km de eixo NE-SW

e 11 km NW-SE, em meio às litologias paleozoicas da Bacia do Paraná, onde estão expostos metassedimentos do Complexo Porongos

intercalados com corpos lenticulares de metagranitos alcalinos a peralcalinos, miloníticos a ultramiloníticos, inclusos no

Metagranito Candiotinha. Os furos de sondagem para carvão efetuados na região de Candiota pela CPRM estendem para sul-sudoeste

a ocorrência dos metamorfitos de baixo a médio grau, sob a Bacia do Paraná. O núcleo da Antiforme Candiota é composto

por filitos e xistos micáceos, com lentes de mármore calcítico a dolomítico; enquanto a porção externa é constituída por um

espesso pacote de quartzitos com xistos subordinados, com injeções de metagranitoides alcalinos a peralcalinos (Metagranito

Candiotinha).

Uma exposição restrita de serpentinito (


TRABALHOS CONVIDADOS

BATÓLITO TORQUATO SEVERO E A COLAGEM DOS TERRENOS

TAQUAREMBÓ E SÃO GABRIEL, RS.

Autores: Camozzato, E. 1,2 ; Philipp, R.P. 3 ; Laux, J.H. 1 ; Chemale Jr., F. 2 ; Iglesias, C.M. da F. 1

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica;

3

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Instituto de Geociências

TRABALHOS CONVIDADOS

MAPEAMENTO GEOLÓGICO E PROSPECÇÃO GEOQUÍMICA

1:100.000 NAS MICRORREGIÕES DE JAGUARÃO E DA CAMPANHA

MERIDIONAL, FRONTEIRA BRASIL – URUGUAI.

Autores: Camozzato, E. 1,2 ; Iglesias, C.M. da F. 1 ; Klein, C.1; Laux, J.H. 1

1

CPRM – Superintendência Regional dePorto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica

O Terreno Tijucas, porção central do Cinturão Dom Feliciano, constitui uma unidade com forma alongada segundo N30ºE,

cerca de 170 km de extensão e 10 a 30 km de largura, composta por rochas metavulcanossedimentares neoproterozoicas do

Complexo Porongos, intercaladas com ortognaisses paleoproterozoicos dos Complexos Vigia e Encantadas. No extremo sul desse

terreno, nas regiões da Vigia e Jaíba-Torrinhas, muitas unidades tinham posicionamento estratigráfico duvidoso ou não eram

reconhecidas.

Levantamentos geológicos e geocronológicos (pelo método U-Pb em zircão) permitiram: 1) a identificação de uma área

dômica contendo a intercalação tectônica de rochas paleo- a neoproterozoicas, denominada Domo da Vigia; 2) o reconhecimento

de eventos inéditos do Estateriano e Calimiano; e 3) o posicionamento estratigráfico dos ortognaisses de Jaíba-Torrinhas,

intercalados em xistos do Complexo Porongos, como cronocorrelatos ao Complexo Encantadas. As relações estruturais e os resultados

geocronológicos permitem conceber no final do Ciclo Brasiliano (~650 Ma) uma geologia desenvolvida em ambiente

colisional continental de caráter transpressivo, gerando estruturas oblíquas, bem como referir a movimentação das zonas de

cisalhamento dúctil até meados do Ediacarano (~600Ma). Aflorando a aproximadamente 50 km ao sudoeste do correlato Domo

de Santana da Boa Vista, o Domo da Vigia constitui uma estrutura N30ºE com aproximadamente 55 km de eixo maior e 10 km

de largura, expondo o embasamento cristalino entre litologias sedimentares da Bacia do Camaquã.

Na área do domo foram identificados os ortognaisses do Complexo Vigia, o Metagranito Seival, o Anfibolito Tupi Silveira e as

metassedimentares do Complexo Porongos. Esta última unidade ocorre como: a) uma estreita faixa de direção NNE, com aproximadamente

18 km de extensão e


TRABALHOS CONVIDADOS

GRANITOIDES CAMAQUÃ PELADO E LAJEADO: IDADE E CONTEXTO

TECTÔNICO, ARCO SÃO GABRIEL, RS

Autores: Laux, J.H. 1 ; Camozzato, E. 1,2 ; Chemale Júnior, F. 2 ; Philipp, R.P. 3 ; Sander, A. 1,2

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica;

3

Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS/Porto Alegre – Instituto de Geociências.

Neste trabalho serão apresentadas as idades dos granitoides Camaquã Pelado e Lajeado e o seu contexto no âmbito do

Arco São Gabriel (ASG). Os dados aqui apresentados foram obtidos em amostras coletadas no mapeamento geológico da folha

Lagoa da Meia Lua (1:100.000) pela CPRM. Os granitoides estão localizados na parte nordeste desta folha e os cristais de zircão

foram analisados por LA-ICP-MS, na UnB.

O Escudo Sul-Rio-Grandense está compartimentado em quatro unidades geotectônicas: os terrenos Taquarembó, São Gabriel

(TSG), Tijucas e o Batólito Pelotas. O TSG, onde está inserido o ASG, pode ser subdividido em cinco grandes unidades: rochas

metamórficas e granito-gnáissicas do Complexo Cambaí (TTG) (890-690 Ma); sequências vulcanossedimentares do Cinturão Metamórfico

Vacacaí (760-720 Ma); Complexo Ofiolítico Cerro Mantiqueiras (930-800 Ma); magmatismo sin a tardicolisional (720-

680 Ma) e; magmatismo pós-colisional (600-540 Ma). O evento pós-colisional gerou dois tipos de granitos, um com afinidade

cálcico-alcalina a shoshonítica e outro alcalina, associados ou não a vulcânicas cronocorrelatas.

De maneira geral, a medida que um arco/segmento está sendo construído, provoca nos arcos/segmentos mais antigos

um magmatismo tardi a pós-colisional, assim como parte dos arcos/segmentos mais antigos participam como fonte, junto com

sedimentos e crosta oceânica, para os novos arcos/segmentos, gerando arcos mais evoluídos. Desde o trabalho que caracterizou

a presença de um arco juvenil no Rio Grande do Sul, o ASG, muitos dados isotópicos e geocronológicos foram acrescentados

e modelos propostos. Conjugando todos estes dados, o ASG pode ser dividido em três diferentes arcos e/ou segmentos, com

características geoquímicas e idades distintas, que podem ser denominados, de sul para norte, como: Passinho, Lagoa da Meia

Lua e Vila Nova.

As idades das suítes TTGs de cada arco/segmento são, respectivamente, ao redor de 890, 720 e 720-690 Ma. As características

geoquímicas das suítes TTGs variam desde adaquíticas, mais comuns no segmento/arco Passinho, até de arcos mais evoluídos

nos segmentos/arcos mais a norte. Dentro deste contexto são aqui apresentadas as idades do sienogranito Camaquã Pelado

(CP), que forma corpos alongados de direção NW, constituído por k-feldspato, quartzo, muscovita e biotita; e do monzogranito

Lajeado (ML) que é composto por quartzo, k-feldspato, plagioclásio e muscovita.

O CP apresenta uma idade de 690±3 Ma, que é equivalente, em idade, ao Granito Sanga do Jobim, que foi caracterizado

como um granito sintectônico, mostrando que este segmento/arco já estava estabelecido, enquanto que nesta idade está

sendo formada uma suíte TTG no arco/segmento Vila Nova. O ML apresenta uma idade de 641±4,5 Ma e não possui um correspondente

em idade e características em nenhum outro segmento do ASG, apresentando idades próximas as encontradas

no limite entre o Terreno Tijucas e Batólito Pelotas. A idade do ML abre a possibilidade para algumas conjecturas a respeito

da evolução do ASG, o que poderiam explicar a colocação de um granitoide com características colisionais no limite atual

dos segmentos Lagoa da Meia Lua e Vila Nova, enquanto que em outras partes do TSG novas rochas eram geradas, como o

Batólito Torquato Severo (neste evento).

PALAVRAS-CHAVE: ARCO SÃO GABRIEL, SIENOGRANITO CAMAQUÃ PELADO, MONZOGRANITO LAJEADO.

36


TRABALHOS CONVIDADOS

RIODACITOS VÍTREOS E SEMIVÍTREOS DA FORMAÇÃO SERRA

GERAL MINERALIZADOS COM AMETISTA NO RS: POTENCIAL

PARA REMINERALIZAÇÃO DE SOLOS

TRABALHOS CONVIDADOS

CARACTERIZAÇÃO DE UM BASALTO DA FÁCIES CAMPOS NOVOS

DA FORMAÇÃO SERRA GERAL QUANTO AO POTENCIAL PARA

EMPREGO COMO ROCHA PARA REVESTIMENTO

Autores: Bergmann, M. 1 ; Juchem, P. L. 2 ; Cruz, M.T.P. 3 .

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil ; 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 3 Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Autores: Bergmann, M. 1 ; Gonzatti, C. 2 ; Provenzano, C. A. 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil ; 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Os remineralizadores de solo são rochas ou minerais cominuídos capazes de fornecer macro e micronutrientes para as

plantas, bem como melhorar as condições físicas ou físico-químicas dos solos. No Brasil os remineralizadores foram reconhecidos

como insumos para a agricultura através da Lei nº 12.890/2013 e as Instruções Normativas números 5 e 6 de 14 de março

de 2016 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, completaram o processo de regulamentação destes produtos,

especificando as garantias mínimas de soma de bases (K2O+CaO+MgO) e os limites de elementos potencialmente tóxicos (EPT).

Isto abre a possibilidade de comercialização de produtos desenvolvidos a partir de rochas que contém nutrientes alocados em

minerais capazes de disponibilizá-los para o solo.

Dentro deste quadro, determinadas rochas disponíveis em pilhas de descarte de mineração são passíveis de serem classificadas

como remineralizadores, agregando valor à atividade minerária e minimizando os problemas causados pela disposição

de rejeitos. As jazidas de ametista do Rio Grande do Sul ocorrem predominantemente em basaltos, mas nas regiões de Caxias do

Sul, Progresso, Nova Bréscia e Fontoura Xavier são conhecidos depósitos dessa gema encaixados em riodacitos vítreos que são

associados a rochas hipocristalinas afaníticas a afíricas. As jazidas são explotadas por atividade garimpeira intermitente, como

complemento da agricultura familiar. As sucessivas etapas de retomada dos garimpos geram pilhas desorganizadas, que, no

entanto, têm volume expressivo, já que a atividade conta com algumas décadas.

Este trabalho tem por objetivo caracterizar química e petrograficamente as rochas envolvidas nas lavras de gemas em

rochas ácidas, quanto ao seu potencial como remineralizadores de solos. Dentre 30 rochas analisadas, quatro cumprem o critério

da Soma de Bases (SB) K2O+CaO+MgO>9%, apresentando valores entre 9 e 10% e teores de K2O bastante expressivos (3,6 a 9%).

Essas rochas têm percentuais variados de CaO (0,63-4,34%) e MgO (0,32-2,14%) e podem ser consideradas mais propriamente

como fontes de K, portando também os micronutrientes Si, Cu e Zn. Todas as amostras apresentam EPT dentro dos limites propostos

na referida normatização e o caráter vítreo a hipocristalino destes litotipos agrega um grande potencial de reatividade

em solos. Análises de bancos de dados litoquímicos revelam que são bastante raras as rochas de afiliação ácida da Formação

Serra Geral que apresentam SB>9%,.

Neste sentido, várias rochas vitrofíricas presentes ou intercaladas nos derrames mineralizados contam com teores de K2O

entre 3,5 e 5%, e SB em torno de 8%, o que abre a possibilidade de composição de misturas com outros tipos de rochas para

atender este critério. Como a menor quantidade de minerais ferromagnesianos implica em teores baixos de MgO nos riodacitos,

indica-se a blendagem de pós de rocha de composição basáltica como forma de se obter um agromineral equilibrado enquanto

fonte de K, Ca e Mg. As restrições ao uso destes materiais podem estar ligadas ao conteúdo de quartzo, mineral inerte limitado

pela norma em 25%, sendo que a baixa cristalinidade das rochas torna difícil a sua estimativa. O emprego destas e de outras

rochas em práticas agrícolas deve ser validado por testes agronômicos que comprovem sua eficiência.

PALAVRAS-CHAVE:

REMINERALIZAÇÃO DE SOLOS; RIODACITOS; LAVRAS DE AMETISTA

No mercado internacional de rochas destinadas a revestimento é conhecida a grande demanda por variedades escuras a

negras, sendo o “granito filoneano negro” do Uruguai um bom exemplo desta demanda. Embora lavrada em corpos do tipo diques

altamente fraturados, em função do aspecto estético esta rocha alcança colocação especial no mercado, viabilizando lavras com

aproveitamento tão baixo quanto 15%, e permitindo o talhe de blocos de dimensão a partir de 1 m³, enquanto dimensões de blocos

para teares pequenos convencionais ficam entre 8 e 10 m³. A homogeneidade das feições estéticas e a facilidade de afeiçoamento

(corte e polimento) conferem potencial elevado a rochas vulcânicas como basaltos e dacitos, em particular para emprego

em superfícies externas e contínuas, uma vez que a cor fechada das primeiras é pouco indicada para revestimentos internos.

Por outro lado, estruturas ígneas e tectônicas como juntas colunares, planares e falhas dificultam a obtenção de blocos

coerentes em corpos geológicos do tipo derrame. O projeto da CPRM “Geologia e Recursos Minerais da Folha Três Passos-RS/SC

1:100.000” mapeou quatro fácies de composição basáltica na Formação Serra Geral. A Fácies Campos Novos, caracterizada pela

intensa cor negra das rochas, ocorre na região de Barra do Guarita-RS em derrames com disjunção colunar métrica a sub-métrica,

localmente pouco fraturados. Como avaliação preliminar do potencial desta rocha foi encaminhada amostra para ensaio tecnológico

na CIENTEC-RS. Obteve-se a determinação dos principais índices físicos, coeficiente de dilatação térmica, alterabilidade e

resistência ao desgaste, ao impacto e à compressão uniaxial, sendo a petrografia conduzida pela CPRM.

Os resultados demonstram que os índices físicos, massa aparente seca (média de 2934 kg/m³), porosidade (1,1%) e a absorção

aparente (0,4%), são compatíveis com os resultados dos granitos para revestimento, enquanto o desgaste Amsler atingiu 2,3

mm (percurso de 1000 m). A resistência à flexão – método 3 pontos atingiu valores de 13,1-17,4 MPa, superiores à performance

dos granitos. Também os valores obtidos para compressão uniaxial (134,3 a 213,4 MPa), o coeficiente de dilatação térmica linear

(7,6 10-3 mm/m ºC) e o ensaio de resistência ao impacto de corpo duro (0,35m) situaram a rocha dentro das especificações para

rochas silicatadas (ABNT NBR 15844/2010).

A petrografia permitiu a avaliação da sanidade da rocha, que apresenta pequeno percentual de domínios com textura de

devitrificação, estando relativamente preservada de hidrotermalismo (argilização). Os resultados da caracterização tecnológica

da rocha basáltica, apresentados no trabalho da CPRM na Folha Três Passos, ressaltam o potencial das rochas da Fácies Campos

Novos para uso como rocha ornamental. As informações aportadas pelo Mapa Geológico e pelo relatório final do projeto apontam

para várias formas de ocorrência que favorecem a extração de blocos de pequenas dimensões, a partir de derrames relativamente

espessos, que apresentam disjunção colunar de porte métrico a sub-métrico; derrames delgados (espessura inferior a 30

m), que são isentos de juntas colunares e por fim corpos do tipo dique, desde que situados em domínios de terreno não afetados

pelas estruturas tectônicas. A situação geográfica destes prospectos pode ser determinada com a consulta ao Mapa Geológico.

PALAVRAS-CHAVE:

Rocha Ornamental, Basalto, Folha Três Passos 1:100.000 CPRM

38 39


TRABALHOS CONVIDADOS

CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESTRATIGRAFIA E A PALEONTOLOGIA

DA FOLHA SANTA MARIA/RS (1:100.000)

TRABALHOS CONVIDADOS

OS LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS E GEOFÍSICOS DO BRASIL:

AVANÇOS E PERSPECTIVAS

Autores: Godoy, M.M.; Kischlat, E.-E

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre

Autor: Reginaldo Alves dos Santos

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

O mapeamento da Folha Santa Maria na escala 1:100.000 abrange parte da porção central do estado do Rio Grande do Sul,

limitada entre os meridianos 54º00’ W e 53º30’ W e os paralelos 30º00’ S e 29º30’ S. Desde a década de 1970, a região tem sido alvo

de estudos e mapeamentos geológicos em diferentes escalas, sendo que maioria dos levantamentos teve foco na organização

litoestratigráfica regional, com importante apoio de dados paleontológicos do período Triássico.

O Serviço Geológico do Brasil – CPRM, a partir do ano de 2007, iniciou a cartografia geológica da região com o mapeamento

da Folha Agudo, e posteriormente, Geoparque Quarta Colônia/RS e Folha Sobradinho. O início desses trabalhos foi baseado

no conceito de estratigrafia de sequências, mas durante a conclusão da Folha Santa Maria, optou-se pela litoestratigrafia do

Grupo Rosário do Sul para a definição do período Triássico da coluna geológica.

A principal razão para a mudança foi à dificuldade de correlação entre as duas “fácies” litológicas triássicas antes reconhecidas

para o Membro Alemoa com as duas cenozonas (i.e., Hyperodapedon e Dinodontosaurus) também reconhecidas para este

mesmo Membro. Diferentes interpretações estratigráficas e paleontológicas indicam que a Cenozona Dinodontosaurus tanto

poderia estar sobreposta ao Membro Passo das Tropas, quanto, alternativamente, sotoposta. Nesta última hipótese, o Membro

Passo das Tropas estaria entre dois pacotes litológicos reconhecidos como sendo o Membro Alemoa, mas somente diferenciáveis

pelos respectivos fósseis-guia (Dinodontosaurus no pacote sedimentar sotoposto, Hyperodapedon no pacote sedimentar

sobreposto). Uma terceira hipótese seria o questionamento da própria correlação desses arenitos como compondo um evento

estratigráfico único para o Membro Passo das Tropas, o que explicaria as diferentes interpretações da posição do arenito como

sotoposto, sobreposto, ou intercalado ao Membro Alemoa.

Na Folha Santa Maria a presença da Cenozona Dinodontosaurus foi inconclusiva. Caso seja sotoposta ao Membro Passo

das Tropas, não estaria preservada, caso seja sobreposta, não foi, até o momento, detectada (i.e., sem o registro de Dinodontosaurus,

seu fóssil-guia, e na exclusão de Hyperodapedon). Futuramente, trabalhos de campo com foco na prospecção de fósseis,

serão conduzidos na região visando o melhor entendimento da correlação entre os modelos lito e bioestratigráficos correntes.

PALAVRAS-CHAVE:

Santa Maria, Cenozonas, Dinodontosaurus.

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) vem executando, desde 2003, um amplo programa de levantamentos geológicos

básicos em todo o Brasil, que permitiram um grande avanço no conhecimento geológico e ampliando as oportunidades

de novos investimentos minerais no país. O processo da retomada dos levantamentos geológicos foi acompanhado de um

programa ambicioso de levantamentos aerogeofísicos, com prioridade na Região Amazônica, onde até recentemente permaneciam

os chamados “vazios cartográficos”. Esses levantamentos, realizados pelos métodos magnetométrico e gamaespectrométrico

de alta resolução, com linhas de voo com espaçamento de 500 metros, já recobriram mais de 90% da área dos

terrenos cristalinos do Brasil.

Desde então foram produzidos 341 mapas geológicos, disponibilizados no site da CPRM, sendo 285 na escala de 1:100.000,

desenvolvidos pela própria CPRM ou através de parcerias com diversas Universidades, e 50 mapas na escala 1:250.000 (prioritariamente

na Amazônia), além de 6 mapas na escala 1:50.000.

Na busca de oferecer ao país cada vez mais oportunidades para o desenvolvimento do setor mineral, em 2015 a CPRM

elaborou duas novas estratégias para a geração e disponibilização de produtos cartográficos de qualidade com maior rapidez,

estabelecendo-se como meta principal a priorização de áreas já reconhecidamente mineralizadas, ou áreas com conhecimento

geológico muito baixo mas com ambientes geológicos potenciais para depósitos minerais. Foram estabelecidas, então, duas

ações para alcançar estes objetivos: uma delas voltada para a integração e reavaliação de dados nas principais províncias minerais

brasileiras (Ação “Áreas de Relevante Interesse Mineral-ARIMs”). Como exemplos temos os projetos Carajás, Tapajós, Quadrilátero

Ferrífero, Seridó, etc.; a outra ação está voltada para a integração de dados e mapeamento geológico sistemático em

áreas geologicamente pouco conhecidas, mas com associações lito-estruturais importantes (Ação “Levantamentos Geológicos

e Potencial Mineral de Novas Fronteiras”). Nesta ação estão os projetos Rio Maria, Sudeste de Rondônia, Alto Moxotó, Chorrochó

-Macururé, Oeste de Goiás, etc. Em todos os projetos os dados de campo são levantados com detalhe da escala 1:100.000, e os

produtos preliminares apresentados no final de 2015 são Mapas de Integração Geológica, onde a interpretação dos dados dos

levantamentos aerogeofísicos tiveram um papel fundamental no avanço do conhecimento geológico, na formulação de novos

modelos evolutivos e no melhor entendimento do controle das mineralizações. Foram selecionadas áreas prioritárias para estudos

de maior detalhe em 2016.

Outros produtos cartográficos recentemente desenvolvidos pela CPRM são os Mapas de Integração-Geofísica-Geológica,

escala 1:250.000, que visam agregar valor aos levantamentos aerogeofísicos de alta resolução, com seleção de áreas anômalas

para cheque de campo. Estes mapas são escolhidos prioritariamente na Região Amazônica, em áreas de difícil acesso ou sem

programação prevista para mapeamentos geológicos a curto e médio prazos. São disponibilizados para os usuários no prazo

máximo de 01 ano, e já foram concluídos e disponibilizados 12 desses mapas.

PALAVRAS-CHAVE:

MAPEAMENTO GEOLÒGICO, LEVANTAMENTO AEROGEOFÍSICO.

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TRABALHOS CONVIDADOS

TRABALHOS CONVIDADOS

RELAÇÕES

INSTITUCIONAIS

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RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

APLICATIVO GEOSSIT – NOVA VERSÃO

Autores: Rocha, A.J.D. 1 ; Lima,E. 1 ; Schobbenhaus, C. 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

A CPRM desenvolveu o aplicativo Geossit, destinado ao

inventário, qualificação e avaliação quantitativa de Geossítios

e de Sítios da Geodiversidade, em nível nacional. O referido

aplicativo é de livre consulta e foi estruturado originalmente

segundo as metodologias de BRILHA (2005) e GARCIA-

CORTÉS & URQUÍ (2009). Recentemente, o aplicativo passou

a adotar a metodologia e conceitos de BRILHA (2015), com

adaptações, o que tornou necessário modificar os critérios de

avaliação quantitativa, incluindo o valor científico, potencial

uso educativo e turístico e o risco de degradação.

A identificação de um geossítio deve passar pelo reconhecimento

da presença dos seguintes critérios: representatividade,

integridade, raridade e conhecimento científico.

Os geossítios representam as ocorrências in situ de partes

da geodiversidade de alto valor científico que, em conjunto

com as correspondentes ocorrências ex situ (coleções de

museu) constituem o Patrimônio Geológico. Um local de interesse

geológico é considerado geossítio de relevância nacional

quando, durante a avaliação por esse aplicativo, seu

valor científico é igual ou maior que 200 e de relevância internacional

quando esse valor for igual ou maior que 300.

Aplicativo visa realizar o inventário, qualificação e avaliação

quantitativa de Geossítios no Brasil

Existem outros representantes da geodiversidade que não apresentam valor científico significativo, mas são importantes

recursos para a educação ou para o turismo. Estes, quando encontrados in situ, são denominados Sítios da Geodiversidade

ou, quando encontrados ex situ, são referidos como Elementos da Geodiversidade. Essas ocorrências são consideradas

como de interesse nacional quando o potencial uso educativo ou turístico tem valor igual ou maior que 200. Valores

menores que 200 caracterizam Sítios da Geodiversidade de importância regional ou local, com interesse na área de um geoparque

ou em contextos similares.

O acesso ao aplicativo é possível mediante solicitação à CPRM. Inicialmente, o preenchimento é visível somente para o

autor que, entretanto, pode solicitar uma verificação que, quando satisfatória, possibilita que a descrição se torne pública e a

senha perca a validade.

Esse aplicativo, elaborado inicialmente com o propósito de ser utilizado nos trabalhos do Projeto Geoparque, também

passará a ser utilizado nos trabalhos da SIGEP.

O Brasil tem uma das maiores geodiversidades do mundo, por ter elementos que representam praticamente toda a história

geológica do planeta, desde os primórdios até os tempos atuais. Somente uma pequena parte da geodiversidade – parcelas especiais

que constituem locais-chave para o entendimento da história, da dinâmica e da vida na Terra desde a sua formação – deve ser

preservada para futuras gerações e tem valor relevante para justificar a implementação de estratégias de geoconservação.

É esperado que o aplicativo Geossit desempenhe, com a colaboração da comunidade geológica, um papel importante na

seleção dos geossítios que constituírão o banco de dados do patrimônio geológico do Brasil e que, consequentemente, deverão

ser objetos de preservação.

Cooperação Internacional em Geotecnologia

na CPRM – Serviço Geológico do Brasil

Autores: Coutinho, M.G. da N., Jacques, P.D., Lima. J. B.de, Gonçalves, J.H., Pimentel, J.

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

A cooperação internacional, instrumento fundamental da política externa brasileira, tem sido praticada pela CPRM como

forma de absorver e disseminar conhecimento, em beneficio do bem-estar da população, de forma sustentável. Em Geotecnologia,

destacam-se as ações: (i) OneGeology - iniciativa dos serviços geológicos do mundo - conduzida pelo British Geological

Survey – BGS, de tornar acessível no Portal OneGeology sediado no Bureau de Recherches Geológiques et Minières – BRGM,

França, mapas geológicos do mundo e outros dados geocientíficos, de diferentes natureza de forma harmonizada globalmente.

A acessibilidade via web aos dados permite intercâmbio e uso das informações geocientíficas, facilita a pesquisa, visualização e

compartilhamento de dados geológicos espaciais, organizados em estrutura de banco de dados única, harmonizado e padronizado

em linguagem GeoSciML v.4.0, e conexão de metadados.

Na pesquisa on line os dados são disponibilizados no padrão Commission for the Management and Application of Geosciences

Information, segundo modernas e avançadas técnicas de TI, em software livre. A CPRM disponibiliza o acervo do

GEOBANK (129 Gb), sistema de sua propriedade, permitindo acessibilidade aos Mapas Geológico e Hidrogeológico do Brasil

no Portal OneGeology (http://portal.onegeology.org/OnegeologyGlobal/ ), em conexão com as informações de metadados da

Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais – INDE. (ii) O Sistema de Informações Águas Subterrâneas – SIAGAS, sendo a CPRM

titular dos direitos de propriedade intelectual, é um software utilizado para tratamento dos dados geocientíficos em hidrogeologia,

visando fornecer informações com acurácia aos perfuradores de poços, gestores e tomadores de decisões de diferentes

níveis gerenciais sobre recursos hídricos subterrâneos.

A base SIAGAS contém 274.500 poços distribuídos

no território nacional. O SIAGAS foi viabilizado

com base na Cooperação Brasil-Canadá,

financiado pela Canadian Internacional Cooperation

Agency (CIDA), inserido no Projeto Água

Subterrânea no Nordeste do Brasil (PROASNE

-BRASIL), e desenvolvido pelo Geological Survey

of Canada e CPRM, segundo o contrato firmado

com a Waterloo Hydrogeologic Inc., hoje Schlumberger,

objetivando a formatação do SIAGAS web

e do aplicativo de gerenciamento de dados de

água subterrânea. (iii) O Sistema “Data Management

and Prediction Mapping of Geological Hazards

and Mineral Potential” de cadastramento de

dados, aplicado em: (a) reconhecimento de áreas Mapa Geológico do Brasil, harmonizado em GeoSciMl, padrão OneGeology

de riscos geológicos gerados por eventos extremos

de deslizamentos (land-slide) ou de inundações

(flood); e (b) delimitação de áreas potencialmente mineralizadas, foi viabilizado com base na Cooperação Brasil-Coréia do

Sul, transferido para a CPRM pelo Korea Institute of Geoscience and Mineral Resources– KIGAM. A aplicação do sistema permitiu

a elaboração de mapas de previsão, em escala regional, de áreas de suscetibilidade (vulnerabilidade) à movimento de massa em

Angra dos Reis, RJ, e em áreas potencialmente mineralizadas para ouro, na Província Mineral do Tapajós, Amazônia, com acurácia

de 89%. (iv) Com apoio da Agência Brasileira de Cooperação e suporte do PNUD a CPRM vem transferindo Geotecnologia para

países sul-americanos e caribenhos, capacitando profissionais dos diversos serviços geológicos (ONRM/Cuba, GGCM/Guiana,

GMD/Suriname), viabilizando e implantando sistemas em GIS: SIAGAS-Cuba e Mapa Geológico de Cuba; Mapa Geológico e da

Geodiversidade na Área de Fronteira Brasil-Guiana; Mapas Geológico e da Geodiversidade na Área de Fronteira Brasil-Suriname.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOSSIT, INVENTÁRIO, GEOSSÍTIO

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RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

Litoteca Regional de Caçapava do Sul – possibilidades

de acesso ao patrimônio geológico da CPRM

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

RECUPERAÇÃO AMBIENTAL EM ÁREA IMPACTADA PELA MINERAÇÃO

DE CARVÃO A CÉU ABERTO NO MINICÍPIO DE TREVISO SC

Autores: Ana Claudia Viero 1 ; Raquel Barros Binotto 1 .; João Henrique Wustrow Castro 1 ; José Leonardo Silva Andriotti 1 ;

Rommel da Silva Souza 2

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Residência de Porto Velho

Autores: Invernizzi, A. L. 1 ; Capeletti, I. 1 ; Bellettini, V. P. 2 ; Galatto, S. L. 2 ; Pereira, J. L. 2

1 CPRM – Serviço Geológico de Brasil; 2 IPAT/IPARQUE/UNESC - Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas/Parque Científico e

Tecnológico/Universidade do Extremo Sul Catarinense – Criciúma – SC;

A Litoteca Regional (LIR) de Caçapava do Sul integra a Rede de Litotecas da CPRM – Serviço Geológico do Brasil que reúne

10 unidades distribuídas em todas as regiões do país. A Rede tem por objetivo a preservação de todo acervo de materiais geológicos

coletados ao longo da história da CPRM e sua implantação foi possível a partir da sua inclusão em ações do Programa

de Aceleração do Crescimento – PAC, do Governo Federal, em 2009. Tem como foco a criação de centros descentralizados de

ensino e pesquisa voltados para o treinamento e a reciclagem

dos pesquisadores da instituição, o fortalecimento de parcerias

com universidades e centros de pesquisa na formação de

profissionais da área de geociências, o apoio ao desenvolvimento

de trabalhos de pós-graduação e o fomento à pesquisa

mineral. A proposta da Rede prevê o acondicionamento

adequado e padronizado do acervo, a sua catalogação e alimentação

em banco de dados, e disponibilização em instalações

que permitam o fácil acesso a essas informações por

usuários internos e externos.

A consulta dos materiais geológicos do seu acervo

permite a redução de custos na obtenção de novas informações,

já que é possível reanalisar o material existente utilizando

novas tecnologias analíticas. A LIR Caçapava do Sul está

situada no município de mesmo nome, distante 260 km de

Porto Alegre. O seu acervo é constituído por testemunhos

Localização dos furos de sondagem do acervo da LIR Caçapava do Sul de sondagem, alíquotas geoquímicas e amostras de rocha.

Os testemunhos de sondagem totalizam 248.348 metros de

materiais. Compreendem o maior acervo do tipo na Rede de Litotecas, coletado em 1.664 furos de sondagem executados no

âmbito de 41 projetos de pesquisa para carvão mineral, nos anos 70 e 80, nos estados do RS e SC. Este acervo se encontra hoje

acondicionado em 53.017 caixas, das quais 37.195 são em PVC, de acordo com o padrão da Rede de Litotecas, enquanto as demais

são de madeira, originais. As informações de posicionamento geográfico e internamente, na LIR, referentes a estes furos

acondicionados em caixas novas se encontram alimentadas em banco de dados do aplicativo Litoteca, integrante do GEOBANK.

O acervo de alíquotas geoquímicas engloba concentrados de bateia e frações de amostras de sedimentos de corrente,

solo e pó de rocha. Totaliza 11.279 frascos acondicionados em 219 caixas reunindo material coletado por 23 projetos de mapeamento

geológico e de pesquisa mineral. A organização deste acervo envolveu a consistência das informações das amostras, confecção

de etiquetas novas e substituição dos frascos, pesagem dos frascos e organização dos mesmos em novas caixas de PVC.

Por fim, as amostras de rocha (20.000) ainda não foram catalogadas que, juntamente com 30% das caixas de testemunhos de

sondagem, compreende o passivo de organização do acervo. Apesar de estar instalada em um imóvel alugado provisoriamente

e, portanto, sem toda a infraestrutura prevista para a sede definitiva, o acervo de testemunhos de sondagem é muito consultado

por usuários internos e externos provenientes de instituições de pesquisa e ensino de graduação e pós-graduação, atendendo a

um dos propósitos da Rede e contribuindo para a geração contínua de conhecimento geológico.

PALAVRAS-CHAVE:

LITOTECA, ACERVO GEOLÓGICO, TESTEMUNHOS DE SONDAGEM

Por determinação do Ministério de Minas e Energia, em conjunto com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,

a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais/Serviço Geológico do Brasil (CPRM/SGB), foi designada para coordenar e executar

os trabalhos de recuperação ambiental de áreas degradadas pela explotação de carvão mineral pertencente às empresas

Treviso S/A e CBCA (Companhia Brasileira Carbonífera Araranguá) localizadas no Sul de Santa Catarina. O trabalho realizado

pela (CPRM/SGB) visa atender a ação civil pública 93.8000533-4 de autoria do Ministério Público Federal. Serão apresentados os

trabalhos que estão sendo realizados na obra da Área III – Rio Pio, pertencente à Carbonífera Treviso S.A, impactada pela mineração

de carvão a céu aberto, com uma área de 117, 79 ha, localizada na sub-bacia dos rios Pio e Mãe Luzia, pertencentes à bacia

hidrográfica do rio Araranguá.

A obra de recuperação está sendo executada de acordo com o projeto executivo elaborado pelo IPAT - Instituto de Pesquisas

Ambientais e Tecnológicas da UNESC - Universidade do Extremo Sul Catarinense. Para realização da obra a CPRM/SGB

contratou a empresa Colombo Retroterra LTDA, através de licitação pública. O prazo de vigência do contrato é de 48 meses.

As obras iniciaram-se em março de 2016. Os trabalhos consistem em remodelamento da topografia por meio da movimentação

do material estéril, instalação de drenagem

e obras de arte, aterramento de cavas da mina a

céu aberto, construção de solo, implantação da

vegetação, tratamento das lagoas ácidas e isolamento

da área.

O Diagnóstico Ambiental contou com

a análise de projetos existentes e principais interferências,

levantamento topográfico, cadastro

de propriedades e matrículas, caracterização dos

meios físico, biótico e socioeconômico, além do

levantamento arqueológico. No projeto executivo

são abordados os aspectos ambientais que envolvem

o desmonte, transporte e estocagem de

material argiloso, projeto de construção do solo e

de introdução da cobertura vegetal e, medidas de

atração da fauna. Consta ainda o detalhamento

do estudo hidrológico; projeto de remodelagem

Área impactada Rio Pio

topográfica; projetos de estradas e obras de arte;

sistemas de drenagem; canais de desvio; planos

de monitoramento da qualidade ambiental; recomendação para acompanhamento da obra; cronograma de execução; quantidade

de materiais e previsão orçamentária; e mapas e plantas dos projetos.

A compartimentação da área de estudo foi realizada de acordo com o tratamento a ser adotado para fins de reabilitação

ambiental. A subdivisão da área considerou as características observadas em campo, com base nos laudos físico-químicos das

amostras de estéril, o tipo de tratamento recomendado em função destas características e as recomendações de uso futuro.

Devido a sua localização, as margens da SC 447 (Siderópolis/Treviso) e do interesse manifestado pelo poder público municipal e

comunidade local, parte da área será reabilitada de forma a possibilitar o uso futuro para fins de instalação de atividades industriais

e de equipamentos públicos, respeitando as Áreas de Preservação Permanente e Áreas destinadas à Reserva Legal.

PALAVRAS-CHAVE: DIAGNÓSTICO AMBIENTAL, ÁGUA ÁCIDA DE MINA, REMODELAMENTO TOPOGRÁFICO

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RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

“FAMÍLIA POSSIDÔNIO” – DOLINAS DE MORRO DO CHAPÉU-BA

Autores: Santos, J.S.A 1 ; Santos, I.P.L. 1,2 ; Berbert-Born, M.L.C. 1 ,; Rocha, A. J. D. 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil; 2 Laboratório de Geologia Aplicada a Pesquisa Mineral. Universidade Federal da Bahia, UFBA.

O “Buraco do Possidônio”, feição geomorfológica situada cerca de 15 km a sudoeste da cidade de Morro do Chapéu, centro

norte do estado da Bahia, é uma grande dolina de colapso (150 metros de diâmetro x 30 metros de profundidade, com morfologia

cilíndrica), formada em siltitos que estão sobrepostos a rochas carbonáticas integrantes da Formação Caboclo (Grupo Chapada

Diamantina, Mesoproterozóico). Além dessa

feição, atrativo natural bastante visitado na região,

existem outras dezenas de dolinas de colapso e de

subsidência, com diferentes dimensões e diversos

estágios de desenvolvimento, dispostas segundo

pequenos grupamentos num raio de 20 km ao sul

da principal ocorrência (11º38’48”S 41º16’14”W).

Ao fundo de algumas delas existem cavernas com

salões amplos (dezenas de metros de altura e/ou

largura) e galerias retilíneas em articulação labiríntica,

desenvolvidas nos calcarenitos impuros subjacentes

aos siltitos, cujas terminações encontram-se

invariavelmente interrompidas seja por desmoronamento

de blocos ou colmatadas por espessos

depósitos sedimentares.

Entre outras, citam-se as dolinas que demarcam

as entradas da Gruta do Cristal (mais de

4,5 km de galerias exploradas), o Buraco da Velha

Duda (semelhante ao Possidônio, porém com

ampla caverna somando 1 km de galerias conhecidas

e 75 metros de desnível total), o Abismo da

Ventania (fenda com 150 metros de desnível ao

Buraco do Possidônio é uma feição geomorfológica provocada pela dissolução

dos calcários da base e afundamentos dos siltitos superiores

fundo de uma ampla uvala, alcançando o lençol freático), e o Buraco do Alecrim (um processo incipiente de dolinamento

estabelecido numa pequena estrada não pavimentada, que determinou o seu bloqueio). Não ocorrem outros tipos de

feições superficiais tipicamente cársticas, mas a presença dessas dolinas, em que pesem suas dimensões, morfologia, dinâmica,

distribuição geográfica e condicionamento geológico, demonstra a existência de um carste subjacente bem desenvolvido

e ativo, com controle litoestratigráfico, estrutural e hidrogeológico, sem equivalente no território nacional.

Estudos mais detalhados envolvendo novas prospecções de feições de colapso, pesquisas paleontológicas dos depósitos

cavernícolas, levantamentos hidrogeológicos sistemáticos e o emprego de métodos geofísicos (elétrico, eletromagnético,

GPR, gravimétrico, sísmico) devem ser conduzidos com o objetivo de melhor caracterizar os fenômenos de carstificação – sua

natureza, extensão e conectividade – compreender a evolução geomorfológica e ambiental da região e, sobretudo, nortear a

implementação de obras de infraestrutura tais como represas, estradas, abertura de poços e a recente iniciativa de implantação

de torres de energia eólica.

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

UMA ABORDAGEM TECTÔNICA DO LINEAMENTO TOCANTINZINHO

COM BASE NA GRAVIMETRIA POR SATÉLITE

Autores: Vasquez; M.L.; Chaves, C.L; Ferreira M.V.; Amaral, J.A.F.

CPRM – Superintendência Regional de Belém

O Domínio Tapajós (DTJ) se localiza na parte central

da Província Tapajós-Parima do Cráton Amazônico. O alinhamento

dos principais depósitos de ouro deste domínio, segundo

a direção NW-SE das zonas de cisalhamento transcorrentes,

tem sido referido como Lineamento Tocantinzinho

(LTCZ). Na maioria destes depósitos a mineralização aurífera

e de sulfetos de metais base associados ocorre nos halos hidrotermais

e em veios de quartzo hospedados em intrusões

graníticas epizonais (


RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

CONFECÇÃO E ADEQUAÇÃO DE BASES CARTOGRÁFICAS PARA

CARTAS DE SUSCETIBILIDADE NO ESTADO DE SANTA CATARINA

Autores: Ricardo Duarte de Oliveira 1 , Giana Grupioni Rezende 1 , Rui Arão Rodrigues 1 , Ademir Evandro Flores 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Porto Alegre

O projeto “Cartas Municipais de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundação” objetiva cartografar

áreas suscetíveis a movimentos gravitacionais de massa e inundaçãoem municípios brasileiros priorizados pelo Governo Federal.

No âmbito deste projeto, são estruturados Sistemas de Informações Geográficas para cada município trabalhado. As bases cartográficas

em escala 1:25.000 fazem parte deste SIG, sendo utilizadas para navegação em campo, adequação do tema cartografado

à realidade e representação espacial dos dados observados em campo.

Neste contexto, foram ajustadas e atualizadas bases cartográficas de diversos municípios catarinenses, conforme demanda

da coordenação nacional do projeto na empresa. As fontes utilizadas contemplaram: o levantamento aerofotogramétrico do

estado de Santa Catarina executado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (SDS-SC) no período de 2010-

2012 na escala 1:10.000; a restituição aerofotogramétrica da hidrografia deste mesmo levantamento e escala; as bases cartográficas

1:50.000 elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)/Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão

Rural de Santa Catarina (Epagri); imagens RapidEye, de resolução espacial de cinco metros, do ano de 2012. A partir destas fontes

foram extraídas e atualizadas as seguintes feições: hidrografia, sistema de transporte, energia e comunicação, localidades e limites

municipais.

A densidade de dados e as primitivas geométricas

utilizadas seguiram as regras estabelecidas

pela Infraestrutura Nacional de Dados

Espaciais (INDE). Considerando a diversidade

das fontes das bases de dados, com escalas e

níveis de detalhamento variados, foram aplicados

métodos alternantes de generalização para

a escala 1:25.000 e ajuste das bases existentes.

Em alguns casos, foi priorizada a vetorização e

a reambulação a partir do ortofotomosaico e

demais dados cartográficos vetoriais oficiais e/

ou públicos para garantir uma boa representação

gráfica e lógica de determinadas feições.

Em outros, os dados públicos, tais como Google

Earth e OpenStreetMap, foram úteis para a

Modelo esquemático das bases cartográficas

reambulação por serem consideravelmente dinâmicos,

apesar do menor grau de confiabilidade das informações (reambulações de empresas não oficiais com fonte de dados

desconhecida ou contribuição de usuários).

Foram observadas as padronizações necessárias à boa utilização das bases geradas, levando em consideração a escala de

trabalho e de publicação, fontes de dados, legibilidade dos dados, atributos e metadados e suas topologias. A estrutura de dados

adotada seguiu o padrão de Estruturação de Dados Geoespaciais Vetoriais (EDGV) da INDE, conforme orientações da Divisão de

Cartografia (DICART) da CPRM. Foram aplicadas regras de correção topológica às bases, estabelecidas pela DICART, contemplando

sobreposições, falsos nós e conectividades de elementos. Concluído o processo de ajuste, atualização, correção topológica e

validação junto à DICART, as bases foram disponibilizadas à equipe do projeto para utilização e composição do SIG, o qual será

disponibilizado no site da CPRM para a comunidade técnico-científica.

PALAVRAS-CHAVE:

SIG, BASE CARTOGRÁFICA, CARTAS DE SUSCETIBILIDADE

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RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

INTEGRADOR DE MAPAS E DOCUMENTOS DE PROJETOS

DA CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

PERFIL FÍSICO-QUÍMICO DAS ÁGUAS MINERAIS ANALISADAS

PELO LAMIN NO RIO GRANDE DO SUL

Autores: Ferreira, A.L 1 ; Jacques, P.D. 1 ; Dias, H.S. 1 ; Maia, S.M. 1 ; Gouvêa, S.B.S. 1 ; Cerdeira, E.S. 1 ; Simão, G.F. 1 ;

Fernandes, L.F.R. 1 ; Carvalho, L.E.M. 1 e Paula, R. P. S. 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) desenvolveu um integrador de mapas e documentos com o objetivo de facilitar a

procura por produtos gerados pelos projetos da instituição. O integrador foi desenvolvido usando um construtor de aplicativo

web na tecnologia ESRI®, e está disponível via link Mapas e Projetos no site da CPRM (www.cprm.gov.br). Ao acessar o aplicativo

é possível, através de uma única pesquisa, fornecer ao usuário três links de produtos distintos de um mesmo projeto,

quer disponíveis no acervo da biblioteca ou do geoprocessamento.

A biblioteca da CPRM (Divisão de Documentação Técnica) é responsável pela manutenção e disponibilização dos documentos

relacionados aos projetos e seus respectivos autores por meio do Repositório Institucional de Geociências (RIGEO),

reunindo em geral relatórios e mapas em formato pdf, armazenados em um banco de dados PostGres. A equipe de geoprocessamento

(Divisão de Geoprocessamento) é responsável por manter, processar, armazenar e disponibilizar os dados vetoriais

e raster, relacionados com o mapeamento das áreas de geologia, recursos minerais, geodiversidade e hidrogeologia, através

do Sistema Geobank. O Geobank é um sistema de informação geológico baseado em banco de dados (Oracle) acessível por

usuários de geociências.

Ele permite consultar as bases de dados e efetuar pesquisa em mapas usando WebGIS (ArcGIS Server). É um sistema de

banco de dados (afloramentos, recursos minerais, petrografia, geoquímica, geodiversidade, geocronologia, geofísica aérea,

litologia, paleontologia, projetos, hidrogeologia), que envolve desde as aplicações de entrada de dados até as visualizações

e disponibilizações de dados em WebGIS. Os usuários do aplicativo integrador de mapas e documentos de projetos podem

fazer suas pesquisas por duas maneiras: por área geográfica ou por atributos do tema. Por área geográfica é uma pesquisa

simples através da delimitação de um polígono (à mão livre) ou um retângulo sobre a área de interesse.

Se o usuário escolher uma pesquisa por atributos do tema pode selecionar uma das opções: escala, assunto, nome

do projeto, parte do nome do projeto, estado ou estados e escalar juntos. O resultado mostra o limite da área do projeto

pesquisado com os links para download de arquivos vetoriais, documentos em PDF e conexão com o WebGIS. A solução foi

desenvolvida para facilitar ao usuário a busca por produtos da CPRM, que estão armazenados em dois ambientes de bancos

de dados distintos, com informações geocientíficas importantes, muitas das quais históricas, encaminhando diretamente aos

dados. Os desafios existentes estão relacionados ao processo de alimentação dos dados que ainda não é automatizado.

PALAVRAS-CHAVE:

SERVIÇOS DE WEB, RIGEO, GEOBANK.

Autores: Peixoto, A.C.B. 1 ; Senhorinho, E.M. 1 ; Gofferman, M. 1 ; Viero, A.C. 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

No âmbito da realização de pesquisas e da operação de envazadoras de água mineral, são necessárias análises laboratoriais

periódicas para classificação e atestação da qualidade da água (Artigo 27 do Decreto Lei nº 7.841/1945 – Código de

Águas Minerais). O LAMIN - Laboratório de Análises Minerais da CPRM – Serviço Geológico do Brasil, é o laboratório oficial

designado para a realização destas análises conforme a Portaria 117_DNPM, de 17/07/1972. A partir de 2014 houve uma descentralização

do serviço e o LAMIN passou a operar também a partir da Superintendência Regional de Porto Alegre, realizando

os estudos in loco de águas minerais no estado do Rio Grande do Sul e em parte de Santa Catarina.

Durante estes quase dois anos de operação, uma série de dados de análises físico-químicas de águas minerais foi registrada,

fornecendo um perfil analítico das águas minerais e termais. O objetivo deste trabalho é a identificação de padrões

de temperatura, pH, condutividade elétrica, radioatividade e carbonatos de acordo com as regiões onde os poços foram perfurados.

Os dados de radioatividade são especialmente destacados, uma vez que não são medidas comumente realizadas e

divulgadas. Um total de 67 poços e fontes de água mineral e 8 de águas termais foram estudados. Os resultados mostram uma

relação estreita entre o pH e a forma como os compostos de carbono são encontrados. Como esperado, águas com pH mais

ácidos apresentam CO2, pH neutros tendem a favorecer os bicarbonatos e, nos pH alcalinos, são encontrados carbonatos que,

frequentemente, conferem sabor mais acentuado às águas.

As águas com valores mais expressivos de radioatividade apresentam, normalmente, pH levemente ácidos (entre 5,9 e

6,9) e estão situadas na região metropolitana de Porto Alegre. Nesta região, são encontradas litologias predominantemente

graníticas pertencentes ao escudo cristalino. Alguns pontos com radioatividade significativa também foram encontrados

na região de Caxias do Sul e proximidades, demonstrando provável anomalia para este parâmetro em rochas vulcânicas do

Sistema Aquífero Serra Geral. As águas analisadas, excluindo as águas para fins termais, possuem temperatura na faixa de 17

ºC a 32 ºC, no entanto, a grande maioria apresenta temperatura em torno de 20 ºC. As águas termais do estado, por sua vez,

estão situadas nas faixas de temperatura entre 33 ºC e 45 ºC e são extraídas de poços profundos, captando água do Sistema

Aquífero Guarani, onde se encontram confinados pelo Sistema Aquífero Serra Geral. O pH e a condutividade elétrica nestas

águas são elevados, com média 8,97 e 778,1 µs/cm, respectivamente.

As condutividades elétricas das águas não termais analisadas situam-se na faixa entre 40 µS/cm e 760 µS/cm. Trata-se

de uma faixa muito ampla, que depende da profundidade dos poços e dos aquíferos captados. Este trabalho visa ainda enquadrar

as características das fontes nos quatro principais domínios hidrogeológicos mapeados no estado e explicar pontos

que fogem do padrão esperado, utilizando para isso os mapas hidrogeológico e geológico produzidos pela CPRM. Também

será realizada uma análise da classificação destas fontes segundo o Código de Águas Minerais.

PALAVRAS-CHAVE:

ÁGUA MINERAL, PERFIL FÍSICO-QUÍMICO, ANÁLISES LAMIN-CPRM

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RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

O ajuste e atualização de bases cartográficas 1:100.000

na composição de Sistemas de Informação Geográfica

para mapeamento geológico e de recursos minerais

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

DETERMINAÇÃO DE ALTITUDES ORTOMÉTRICAS DE ESTAÇÕES

FLUVIOMÉTRICAS PARA GERAÇÃO DE MANCHAS DE INUNDAÇÃO

DO SISTEMA DE ALERTA DA BACIA DO RIO CAÍ

Autores: Giana Grupioni Rezende 1 ; Ricardo Duarte de Oliveira 1 , Rui Arão Rodrigues 1 , Ademir Evandro Flores 1 ,

Raquel Barros Binotto 1 , Ana Claudia Viero 1

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre

Autores: Giana Grupioni Rezende 1 ; Emanuel Duarte Silva 1 , Ricardo Duarte de Oliveira 1 , Raquel Barros Binotto 1 ,

Ana Claudia Viero 1 , Márcia Conceição R. Pedrollo 1

1

CPRM – Superintendência Regional de Porto Alegre

Nos projetos de mapeamento geológico e de recursos minerais desenvolvidos no âmbito do Serviço Geológico do

Brasil (CPRM), uma das primeiras etapas da sua execução consiste na elaboração de um Sistema de Informações Geográficas

(SIG) preliminar do projeto contendo diversas informações temáticas da área de trabalho. Compõe este SIG, estruturado no

ArcGis, o mosaico GeoCover 2000®, imagens de satélite (ASTER, Landsat, ALOS, CBERS), o relevo sombreado (SRTM), informações

geológicas já cadastradas no Geobank/CPRM (unidades litoestratigráficas, estruturas, lineamentos, recursos minerais,

afloramentos), poços cadastrados no Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS/CPRM), poligonais de áreas de

mineração requeridas no Departamento Nacional de Produção Mineral (SIGNMINE/DNPM), dados aerogeofísicos e informações

geológicas de trabalhos anteriores. Dentre as informações agregadas ao SIG, a seleção, ajuste e atualização das bases

cartográficas a serem utilizadas no desenvolvimento do projeto são atividades fundamentais na sua consecução, tanto no

que se refere à adequação dos elementos geológicos cartografados à realidade quanto na orientação em campo.

A escala de trabalho é determinante na seleção das fontes a serem utilizadas, bem como no nível de detalhamento exigido.

Neste contexto, no âmbito do projeto “Integração geológica e avaliação mineral do Batólito de Pelotas - estado do Rio

Grande do Sul”, foram ajustadas e atualizadas, na escala 1:100.000, as bases cartográficas SH 22-Y-B-I, SH 22-Y-B-II, SH 22-Y-B

-IV, SH 22-Y-B-V e SH 22-Y-C-III. Em uma primeira etapa, foram selecionadas as feições correspondentes às bases no Banco de

Dados Geográficos do Exército Brasileiro (BGDEX) na escala 1:50.000. Na sequencia, todas as feições foram generalizadas para

a escala de trabalho tomando-se como referência a Especificação Técnica para a Aquisição de Dados Geoespaciais Vetoriais

(ET-ADGV), versão 2.0, elaborada em 2011 pela Diretoria do Serviço Geográfico do Exército (DSG).

Para o ajuste das toponímias foram utilizadas as cartas da DSG. Todas as feições foram agrupadas em um geodatabase

(sistema gerenciador de banco de dados) seguindo as normas de padronização da Divisão de Cartografia (DICART) da CPRM.

Foram aplicadas regras de correção topológica às bases, conforme orientações da DICART, contemplando sobreposições, falsos

nós e conectividades de elementos. Concluído o processo de ajuste, atualização, correção topológica e validação junto à

DICART, as bases foram disponibilizadas à equipe do projeto para utilização e composição do SIG, o qual será disponibilizado

no Geobank/CPRM para a comunidade técnico-científica.

Com o início da operação de Sistemas de Alerta de Eventos Críticos pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM, passaram a

ser desenvolvidos estudos hidrodinâmicos visando a elaboração de mapas de inundação das áreas monitoradas, importante

ferramenta para gestão de risco e zoneamento ambiental. Estes estudos contemplam em seu escopo a elevação do terreno

e a compatibilização de séries históricas de níveis dos rios com levantamentos topográficos e Modelos Digitais de Elevação

(MDE’s). Com isso, viu-se a necessidade de determinar as altitudes ortométricas de todos os referenciais de níveis das estações

fluviométricas integrantes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), anteriormente arbitrados, e que são operadas pela

Superintendência Regional de Porto Alegre - SUREG-PA para os Sistemas de Alerta. A leitura precisa do nível d’água, em tempo

real, e correspondente modelagem, possibilita a previsão com dez horas de antecedência das áreas que serão inundadas

em municípios da bacia do rio Caí, por exemplo.

No contexto do Sistema de Alerta desta bacia, foram elaborados mapas de inundação para os municípios de São Sebastião

do Caí e Montenegro a partir da compatibilização dos níveis aferidos por sua seção de réguas e o MDE disponibilizado

pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (METROPLAN). Em campo, foram materializados seis marcos

geodésicos, padrão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), próximos às estações fluviométricas

Linha Gonzaga (87150000), São Vendelino (87168000), Barca do Caí (87170000), Costa do Rio Cadeia (87230000), Nova Palmira

(87160000) e Passo Montenegro (87270000), tendo os dados adquiridos em campo constituído um banco digital. As coordenadas

planialtimétricas destes marcos geodésicos foram determinadas com GPS Geodésico, sistema de referência WGS-84,

com observação mínima de seis satélites e PDOP (geometria dos satélites) inferior a quatro.

O tempo de rastreio por posicionamento GNSS seguiu o “Manual Técnico de Posicionamento” do INCRA elaborado em

2013 enquanto o método do levantamento obedeceu o manual “Orientações para Elaboração do Relatório de Instalação de

Estações Hidrométricas” elaborado pela Agência Nacional das Águas (ANA) em 2014. A correção do posicionamento foi realizada

pelo Posicionamento por Ponto Preciso (PPP), um serviço online do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),

para o pós–processamento de dados GPS. Utilizando-se este serviço, obtiveram-se as coordenadas planialtimétricas ajustadas

segundo modelos matemáticos para correções de interferências ambientais e melhoria dos parâmetros de posicionamento

dos satélites nos momentos de aquisição.

PALAVRAS-CHAVE:

SIG, BASE CARTOGRÁFICA, BATÓLITO DE PELOTAS.

Além do posicionamento por GNSS, executou-se também nivelamento geométrico, que é o mais exato dos nivelamentos

realizado através de visadas horizontais com um nível eletrônico. A longo prazo, todas as estações da RHN, operadas pela

CPRM, deverão estar em um mesmo referencial altimétrico, o geóide (aproximadamente o nível médio dos mares), possibilitando

o cruzamento de dados de diversos modelos de elevação e de quaisquer outras fontes que também estejam referenciadas

ao geóide.

PALAVRAS-CHAVE:

INUNDAÇÃO, POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO,

REDE HIDROMETEOROLÓGICA NACIONAL.

54 55


RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

GEOBANK GIS: FERRAMENTA DE VISUALIZAÇÃO E ANÁLISE

DE DADOS ESPACIAIS DO SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL - CPRM

Autores: Araújo, L.B. 1 ; Gonçalves, J.H. 1 ; Leão Neto, R. 1 ; Espírito Santo, E.B.S. 1 ; Jacques, P.D. 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

O GEOBANK é o Sistema de Informações Geológicas da CPRM – Serviço Geológico do Brasil, disponibilizado ao público

na web desde 2004, e responsável pelo armazenamento e disponibilização do acervo digital de dados, mapas, imagens e relatórios,

especialmente aqueles produzidos a partir de 2003, de acordo com as normas e manuais técnicos de padronização

da produção dos trabalhos técnicos desenvolvidos diretamente ou contratados pela CPRM.

O presente trabalho pretende mostrar ao público a atual interface do visualizador de mapas online do sistema, que

congrega uma série de novas funcionalidades, visando facilitar a busca, a interação de temas e downloads, em ambiente amigável,

seguro e intuitivo. Trata-se do módulo visualizador Webmap Viewer, acessível a partir de link GEOBANK GIS, na página

inicial do sistema (www.geobank.cprm.gov.br), uma poderosa ferramenta de auxílio para a visualização e análise dos dados

espaciais contidos em suas bases de dados temáticas geocientíficas

Além de possibilitar o acesso e o cruzamento entre os diversos temas abrigados no GEOBANK, como afloramentos de

rocha, ocorrências minerais, amostras geoquímicas e seus resultados analíticos, unidades litoestratigráficas, unidades geoambientais,

dados de geologia marinha e de hidrogeologia, dentre outros. Esta ferramenta também permite realizar pesquisas

com utilização de filtros, identificar feições, exportar os dados e imprimir mapas para visualização, realizar medidas de distâncias

e algumas operações de geoprocessamento. Os arquivos dos projetos (shapefile, relatórios em PDF, layouts, arquivos

KML, imagens de geofísica, imagens Geocover, imagens do Projeto SRTM e resultados analíticos de análises geoquímicas),

podem ser baixados pelas ferramentas de download ou extração de dados, ou ainda pela ferramenta de pesquisa de dados.

Os dados são públicos e podem ser acessados através de navegadores da internet, porém para baixar os dados de geoquímica

e as imagens processadas dos levantamentos aerogeofísicos, é necessário o cadastramento de login e senha. Em síntese,

o novo visualizador concede acesso centralizado à informação (livre ou restrita), disponibilizada pelo Serviço Geológico

do Brasil, permitindo aos seus usuários selecionar, filtrar e extrair os dados para uso imediato. A implementação desta ferramenta

inovadora, concebida em 2014, utilizou tecnologias modernas e avançadas, como Oracle Database, ArcGIS for Server,

ESRI API, e marcou um avanço significativo do Sistema GEOBANK, no que se refere à robustez, possibilidades de exploração da

informação espacial, facilidade de uso e a centralização de diversas funcionalidades, que antes se encontravam em diversas

partes do Sistema GEOBANK, ou não eram oferecidas.

O GEOBANK GIS é o resultado de um processo evolutivo do Sistema GEOBANK, que acompanha as tendências modernas

da área de geoprocessamento de SIG distribuído, permitindo que as informações sejam acessadas por um público mais

amplo, com arquitetura de servidor centralizado, o que garante ao usuário a pesquisa, visualização e conexão com os dados

sem que este, necessariamente, precise ter um software de GIS desktop instalado para manipular os dados.

DEGRADAÇÃO DE PESTICIDAS EM SOLOS CULTIVADOS

COM CAFÉ: O USO DA RADIAÇÃO GAMA, CG/EM/EM

E A METODOLOGIA QuEChERS MODIFICADA

Autores: Brabo, P. C. 1 ; Lima, A. L.S. 2 ; Silva, O.F. 3

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil; 2 IME – Instituto Militar de Engenharia; 3 EMBRAPA

RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

A extração, identificação e quantificação de pesticidas inseridos na dinâmica das propriedades físico – químicas características

da matriz solo foram realizadas neste trabalho utilizando-se duas técnicas analíticas. Para a extração utilizou-se a técnica

QuEChERS e para identificação e quantificação a técnica de Cromatografia a Gás/Espectrometria de Massas in Tandem (CG/EM/

EM). O solo, utilizado neste estudo, foi coletado em lavouras de café do sul do estado de Minas Gerias na cidade de Machado.

As amostras de solo de uma lavoura tradicional, de um viveiro e de um produtor orgânico foram analisadas quimicamente

quanto ao teor de carbono orgânico, pH em água e KCl, concentrações de N-total, P-assimilável, K+, Ca2+, Mg2+Na+, Al3+, H+ e

resíduos de pesticidas. Dos solos coletados, aproximadamente 70%, apresentaram um pH ácido. E a textura ficou distribuída da

seguinte forma: textura argilosa (38,5%), textura média (46,1%), textura muito argilosa e siltosa (com 7,7% cada).

O solo ainda apresentou-se distrófico em 77% das amostras coletadas. Para estudar a degradação dos pesticidas utilizouse

radiação gama com uma fonte de Cs137. Devido à sua grande capacidade de penetração, a irradiação gama pode ser utilizada

na degradação de pesticidas nas mais diversas matrizes como, por exemplo, solos. A irradiação gama, neste estudo, é utilizada

para encontrar a dose mínima para a inativação de alguns destes compostos na matriz estudada.

Neste caso, a matriz solo. Considerando a inatividade destes pesticidas após a dose específica de irradiação gama, utilizam-se

técnicas analíticas de elevada sensibilidade para detectar ou não estes compostos no solo irradiado. Verificando assim a

eficiência da dose específica de irradiação. Uma parte do solo irradiado com a dose de 20 kGy foi utilizada como amostra fortificada

para o ensaio de recuperação com resultados na faixa de 84 a 122%. Os limites de detecção médios apresentaram-se na

faixa de 7,0 a 20,0 μg/kg para Endosulfan α e Clorpirifós respectivamente.

Os limites de quantificação na faixa de 24,0 a 66,5 μg/kg também para Endosulfan α e Clorpirifós, respectivamente. Dos

compostos relacionados para este estudo alguns fazem parte da legislação nacional sendo inclusive proibida sua utilização em

território brasileiro. E outros, apesar de não estarem presentes em nenhuma lei brasileira, fizeram parte do escopo de aplicação

na lavoura de café pelos produtores. São os compostos Atrazina, Clorpirifós, Aldrin, Dieldrin, Endrin 4,4’ DDT, Oxiflúorfem, Endosulfan

α e β e Endosulfan Sulfato. Os ensaios demonstraram ainda a presença do pesticida 4,4’ DDT nos solos estudados.

PALAVRAS-CHAVE:

SOLO, PESTICIDAS, IRRADIAÇÃO GAMA.

PALAVRAS-CHAVE:

WebGIS; CPRM; GEOBANK.

56 57


Geologia e

Recursos

Minerais


Geologia E Recursos Minerais

CORRELAÇÃO ENTRE LINEAMENTOS MAGNÉTICOS E LINEAMENTOS

SUPERFICIAIS EXTRAÍDOS POR SENSORIAMENTO REMOTO NA BACIA

SEDIMENTAR DO ARARIPE, PROVÍNCIA BORBOREMA, NE, BRASIL

Autores: Camacho, C. R. 1,2 ; Sousa, F.R.F.R.O. 1 ; Martins, M.D. 1 ; Naleto, J.L.C. 1 .

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil ; 2 Universidade Federal do Ceará, Bolsista CNPq – Brasil; 3 Universidade Estadual de Campinas.

Geologia E Recursos Minerais

MAPEAMENTOS DE PEGMATITOS NA REGIÃO DE

BUÍQUE -TUPANATINGA (PE), TERRENO PERNAMBUCO-ALAGOAS,

PROVÍNCIA BORBOREMA, NE- BRASIL

Autores: Accioly, A.C.A. 1 ; Morais, D.M.F. 1 ; Silva, M.R.R.; Santos, C.A. 1 ; Barreto, S.B 2

1

CPRM- Superintendência Regional do Recife; 2 Universidade Federal de Pernambuco

Na busca de uma interpretação atualizada da estruturação interna associada a lineamentos profundos e superficiais da bacia

sedimentar do Araripe, foi realizado um estudo das estruturas presentes na referida bacia. A partir do processamento e análise

de dados aerogeofísicos de magnetometria pertencentes à Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) - Serviço Geológico

do Brasil, dados de radar SRTM (Shuttle Radar Topography Mission) e imagens do satélite Landsat 8, foram gerados diversos

produtos para tal interpretação. A bacia sedimentar do Araripe, localizada ao sul da porção setentrional da Província Borborema,

é reconhecida como um conjunto de meio-grábens assimétricos, fragmentados por altos de embasamento e complexos

sistemas de falhas e lineamentos E-W a NE-SW, associados ao trend estrutural do orógeno Borborema, e NW-SE, relacionados a

processos extensionais cuja evolução estaria associada ao rift-valley na extremidade norte do aulacógeno do Recôncavo-Tucano-

Jatobá. A partir da imagem geofísica do Campo Magnético Anômalo reduzido ao polo (CMA-RTP) foram extraídas as derivadas

de 1ª ordem nas direções x, y, e z, o Gradiente

Horizontal Total (GHT), a Amplitude

do Sinal Analítico (ASA) e a Inclinação

do Sinal Analítico (ISA). Foi aplicada

a deconvolução de Euler ao grid ASA,

que permitiu a estimativa da profundidade

do topo das principais fontes magnéticas,

atingindo profundidades de até

1.147m.

A análise conjunta dos diversos

produtos geofísicos gerados permitiu

uma interpretação regional dos domínios

e lineamentos magnéticos, os quais

foram associados às principais estruturas

em subsuperfície que compõem o

arcabouço da bacia. A partir dos dados

do SRTM, com resolução espacial de

Localização da Bacia Sedimentar do Araripe

30m, foram criadas imagens de relevo

sombreado com diferentes direções de

iluminação. As imagens de satélite foram submetidas a correções geométricas e radiométricas, quando necessário, tratadas com

filtro de convolução direcional e métodos de realce, visando facilitar a extração dos lineamentos superficiais nas imagens, buscando

identificar as variadas direções estruturais presentes. O trend dos lineamentos interpretados apresentou uma boa correspondência

com as estruturas geológicas previamente descritas na literatura técnico-científica. A correlação entre as estruturas

extraídas das diversas imagens e mapas produzidos indicaram uma continuidade em profundidade da estruturação superficial

principal, contribuindo assim para o entendimento da compartimentação dos blocos que compõem o arcabouço estrutural da

bacia sedimentar do Araripe.

Os episódios de espessamento crustal nas fases finais

do ciclo Brasiliano no Gondwana Oeste da América do Sul, tem

por consequência, uma volumosa produção de granitos póscolisionais

na Província Borborema, com formação de pegmatitos

na fase final de resfriamento destes magmas, através da

percolação de fluidos ricos em sílica, água e, ocasionalmente,

de alguns íons incompatíveis. Em alguns casos, estes fluidos

(fusões ongoníticas ou soluções hidrotermais) podem estar

enriquecidos em elementos químicos de importância econômica

gerando pegmatitos mineralizados em tungstênio, uraninita,

estanho, turmalina, topázio, etc.

A Província Tectônica da Borborema abriga uma das principais

Províncias Pegmatíticas mundiais, a Província Pegmatítica

da Borborema ou sub província Seridó, que se tornou conhecida

depois da II guerra mundial, pelos seus pegmatitos mineralizados

principalmente em Ta-Nb, Be, Sn, Li e minerais-gemas. Os

O Serrote do Jacaré

pegmatitos desta província são essencialmente compostos por

moscovita, quartzo e microclima com vários graus de albitização. Esses corpos pegmatíticos são enquadrados, na literatura, numa

faixa de idade entre 510-450 Ma e estão espacialmente e geneticamente correlacionados aos granitos sin- a pós-brasilianos. Além

da região do Seridó, onde a ocorrência de diques de pegmatitos mineralizados em Be-Li-Ta é mais frequente, pegmatitos são observados

também em vários outros compartimentos da Província Tectônica da Borborema, a exemplo da região de Buíque (PE) e

Tupanatinga (PE), na sua porção meridional.

Nesta, trabalhos de cunho prospectivo (estudos de sedimentos de corrente), reportam a presença de columbita-tantalita próximo

a corpos aflorantes de pegmatitos. Uma série de corpos de extensão centimétrica a métrica aparecem distribuídos nas várias unidades

litoestratigráficas individualizadas no mapeamento da Folha Buique, na escala de 1:100.000, produto dos trabalhos da CPRM. Por vezes,

os corpos pegmatíticos possuem destaque topográfico expressivo exibindo um núcleo significativo de quartzo. Exemplo é o corpo associado

ao Serrote Jacaré, que é a melhor exposição destes corpos na área estudada. Este Serrote é constituído essencialmente por quartzo

com cotas topográficas da ordem de 550 metros, porém nas suas bordas afloram porções mais enriquecidas em K-feldspato.

O corpo se encaixa nos ortognaisses do Complexo Cachoeira Grande, que ocorre nessa área com um relevo mais plano

e em cotas da ordem de 450 metros. Outros corpos com destaque topográfico são: Serrote Sapato, Serrote Cavalo, e outros na

região do Sítio Carié. Os diques são compostos mineralogicamente por: quartzo, K-feldspato, albita, espodumênio(?), moscovita,

apatita, turmalina e granada. Raras zonações são observadas. Cristais de quartzo centimétricos, euedrais, hialinos, são encontrados

nas drenagens que cortam os corpos maiores na região do Sítio Carié.

PALAVRAS-CHAVE:

BACIA SEDIMENTAR DO ARARIPE, AEROMAGNETOMETRIA,

sensORIAMENTO REMOTO.

Esses corpos estão associados a granitos tipo I e S, sin- a pós-brasilianos, que por vezes cortam granitos criogenianos-ediacaranos.

Em prospecto mineral realizado nessa região na década de 70, há descrição de columbita-tantalita relacionada a esses

corpos, não determinado em análises mineralométricas de material colúvio do principal corpo da região de Carié. Essa região

apresenta assim uma área potencial para a pesquisa de pegmatitos graníticos no Terreno Pernambuco-Alagoas, no qual não

havia indicativos efetivos da inúmera presença desses corpos.

PALAVRAS-CHAVE:

60 61

pegmatitos; terreno pernambuco-alagoas; província borborema


Geologia E Recursos Minerais

Geologia E Recursos Minerais

CARTA DE RECURSOS MINERAIS DA FOLHA SANTA CRUZ – SB.24-Z-B-III

Autores: Cunha. A.L.C., Oliveira. S.F.

CPRM – Superintendência Regional do Recife

A Folha Santa Cruz está inserida sobre os Domínios Rio Piranhas - Seridó e São José do Campestre, na Província Borborema,

nordeste do Brasil. Essa região foi alvo de diversos projetos de prospecção e pesquisa mineral ao longo do tempo, devido

principalmente às ocorrências de tungstênio, tântalo, nióbio, muscovita, feldspatos, água marinha (berilo) e ouro. Na porção central

da folha existe um prospecto de ouro de grande relevância na área da folha, trata-se da antiga Mina São Francisco conhecida

hoje como Projeto Borborema.

O levantamento de recursos minerais faz parte do Projeto de Mapeamento Geológico da Folha Santa Cruz, na escala

1:100.000, executado pela CPRM. A metodologia de trabalho consistiu no levantamento de toda base de dados de ocorrências

minerais existentes extraídas do banco de dados eletrônico da CPRM (GEOBANK®) e de outros projetos executados pela CPRM

em décadas passadas, através de criteriosa revisão bibliográfica.

Durante as etapas de campo, as informações

foram checadas, os pontos revisitados, normalmente

realocados e novas ocorrências foram cadastradas.

Os dados foram revalidados e o banco

de dados existente atualizado. O levantamento de

campo (descrição das características geológicas dos

depósitos minerais), além de dados de aerogeofísica

e geoquímica de sedimento de corrente, batéia e menos

frequente, de química de rocha, agregaram informações

para subsidiar a delimitação de áreas potenciais

e a construção da carta de recursos minerais.

O resultado final apresentado nesse trabalho

inclui uma base de dados com o registro de 792

pontos de recursos minerais (ocorrências, depósitos

minerais, garimpos e minas, ativos e paralisados),

incluindo 462 ocorrências inéditas. Todo esse conjunto

representa 32 substâncias minerais agrupadas

em sete classes utilitárias, incluindo gemas, metais

nobres, metais não ferrosos e semimetais, metais

ferrosos, materiais de uso na construção civil, rochas

e minerais industriais e recursos energéticos.

Destacam-se as ocorrências de scheelita (W)

e minerais extraídos de rochas pegmatíticas, tais

como tantalita/columbita (Ta / Nb), berilo (Be),

muscovita (mus) e minerais gemológicos como

água marinha e granada. Ouro (Au), e rochas ornamentais

(gnaisse, granito, pegmatitos e/ou granitos pegmatóides, micaxisto, quartzitos e mármore) são ocorrências menos

frequentes, porém não menos importantes.

SÍNTESE PETROGRÁFICA DAS ROCHAS AFLORANTES

NA REGIÃO DO PICO DA NEBLINA (AM)

Autores: Souza, A.G.H. 1 ; Bastos Neto, A.C. 2 ; Luzardo, R. 1 ; Souza, C.M.B. 3 .

1

CPRM - Superintendência Regional de Manaus; 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 3 Geóloga autônoma

Na parte leste da região conhecida como “Cabeça do Cachorro” (Estado do Amazonas), situam-se alguns dos pontos

mais altos do Brasil, incluindo o Pico da Neblina, o ponto culminante do país, com 2.995,30 m de altitude, situado no município

de Santa Isabel do Rio Negro, na Serra do Imeri. O embasamento desta área é constituído pelo Complexo Cauaburi (litofácies

Tarsira), em contato com metassedimentos da Formação Serra da Neblina que sustentam a Serra do Imeri.

Antigos trabalhos descrevem quartzo-arenito ou arenito milonítico para as rochas desta unidade. Ao longo do perfil, percorrido

durante 7 dias, da foz do Igarapé Tucano até o Pico da Neblina, foram descritos fillitos, meta-grauvacas, meta-arenito e

meta-conglomerados, cortadas por frequentes veios de quartzo. Próximos ao local conhecido como Mirante ocorrem dois

tipos de granitoides.

O cume do pico da Neblina é formado por uma camada de meta-arenito, com seixos imersos numa matriz de granulação

média, de direção NE e mergulho de 40ºSE, afetada por dobramentos e foliações com a mesma atitude, sugerindo tratarse

de um plano de cavalgamento. Ao microscópico petrográfico, o filito contém veios de quartzo boudinados, além de opacos

e uma incipiente clivagem de crenulação.

O meta-arenito apresenta evidências de deformação, como forte extinção ondulante no quartzo e nos feldspatos, subgrãos

recristalizados de quartzo (GBR), além da presença de fragmentos de rocha, o que sugere ser de composição imatura

texturalmente, indicando fonte mais proximal dos sedimentos. A foliação metamórfica é muito bem definida pela orientação

da muscovita. A meta-grauvaca, com muscovita fina orientada segundo a foliação, contém granada e porfiroclastos de quartzo

suportados pela matriz de finas lamelas de muscovita, apresentando forte extinção ondulante e formação de sub-grãos

recristalizados.

Ocorrem três tipos de granitoides descritos num mesmo afloramento. O que predomina é um biotita-clorita meta-monzogranito,

de granulação média a grossa, composto por plagioclásio (36%), quartzo (30%), K-feldspato (22%), clorita (7%),

biotita (4%), anfibólio (1%), epidoto e opacos como traços. Este granitoide é cortado por um meta-leucomonzogranito, de

granulação média, com textura granoblástica poligonal, composto por quartzo (35%), K-feldspato (33%), plagioclásio (30%)

e raros cristais de biotita (1%), anfibólio (1%) e epidoto (TR). Uma terceira fácies é hololeucocrático, constituído por quartzo

(43%), K-feldpspato (30%), plagioclásio (17%), biotita (2%), muscovita (3%), granada (1%), zoisita e epidoto como traços, e

afetado por seritização e saussuritização, classificado como sienogranito milonítico.

As rochas que constituem a Serra do Imeri foram correlacionadas ao Supergrupo Roraima, que é tipicamente representado

pelas rochas sedimentares pouco ou nada deformadas que ocorrem no Bloco Pacaraima (Roraima), onde formam serras

tabulares (tepuis). Nossas observações mostram que a Serra do Imeri, constituída pela Formação Serra da Neblina, teve uma

evolução geológica bem mais complexa do que aquela do Bloco Pacaraima, afetada por metamorfismo e por uma deformação

relativamente intensa, características estas que resultaram no seu relevo muito acidentado.

PALAVRAS-CHAVE:

Serra do Imeri, Formação Serra da Neblina, metassedimentos

Em todo este conjunto, destaca-se ainda uma ocorrência de granada e o aumento substancial de cadastro de materiais

para uso na construção civil, como pedreiras de granito e mármore com uso fundado para agregados além de significativa quantidade

de garimpos de scheelita.

PALAVRAS-CHAVE:

Folha Santa Cruz; Recursos Minerais

62 63


Geologia E Recursos Minerais

MAPA DE ANOMALIA GEOQUÍMICA DO ESTADO DO CEARÁ, BRASIL

Autor: Calado, Bruno de Oliveira

CPRM – Residência de Fortaleza

O Levantamento Geoquímico de baixa densidade do Estado do Ceará permitiu o estudo da composição química da superfície

terrestre, principalmente dos materiais geológicos: sedimentos de corrente, solos e águas de superfície. A distinção entre

ambientes enriquecidos e empobrecidos em determinados elementos químicos forneceram indícios de mineralização, como

também, contaminação antrópica. O mapa de anomalia geoquímica mapeia algumas ocorrências minerais historicamente conhecidas

no Ceará. Por exemplo, amostras de sedimentos de corrente provenientes das cabeceiras do rio Banabuiú e riacho

Capitão Mor apresentaram anomalias pontuais para Cr, Ni, P, Te e Pt, como reflexo das ocorrências de cromita da unidade Tróia.

Amostra de sedimento de corrente coletada no rio Carrapateiras apresentou anomalia dos elementos As e Hg, principais

farejadores de metais preciosos, e indicaram áreas com requerimentos e autorização para pesquisa de minério de ouro junto

ao DNPM. Amostras de sedimentos analisadas ao longo do Rio Jaibaras apresentaram anomalias de As, Cu e Te, que indicaram

áreas com conhecidas ocorrências de brechas hidrotermais de ferro e cobre associadas às rochas vulcano-sedimentares da Bacia

de Jaibaras e aos corpos graníticos Meruoca e Mucambo. Uma extensa zona anômala de As e Sb foi reconhecida no noroeste do

estado, onde delimita a área do Grupo Ubajara e sua relação com o Granito Mucambo.

Nessa região ocorre metamorfismo de contato e foram descritos filões de ferro associados aos metacalcários. Outra

importante zona anômala de As foi reconhecida no extremo sudeste do estado, no Rio Salgado, onde esteve associado com

elementos farejadores de metais preciosos, como Cd, Cu, Mo, Pb, Te, Sb, W e Zn. Nesta região ocorrem rochas do Grupo Cachoeirinha

que são correlacionados a Faixa Seridó, que hospeda uma importante mina de W-Au (Mina de Bonfim), como também

de ocorrências de cobre conhecidas (Prospecto de Aurora), hospedados em rochas metavulcano-sedimentares e semelhante

aos depósitos IOCG de idade brasiliana. Exemplos de contaminação antrópica também são observados, como por exemplo,

na amostra de água de fonte, coletada numa fissura de contato entre arenitos e argilitos no Grupo Serra Grande, à jusante da

cidade de Viçosa do Ceará.

A concentração elevada de nitrato (114mg/L) pode indicar contaminação por efluentes domésticos. Esta cidade apresentou

50% de saneamento básico inadequado, conforme Censo do IBGE 2010. Os elementos Be, Co e Pb também apresentaram-se

enriquecidos nestas águas, juntamente com Al e Cu, com teores acima dos valores de referência da legislação brasileira. Neste

caso, é necessário monitorar a qualidade das águas superficiais do Ceará. Embora a maioria das águas (70%) tenha sido classificada

como doce pela condutividade elétrica, a grande maioria apresentou um ou mais elementos químicos acima das classes 1, 2 e

3 da Resolução Conama n°357/2005. Por fim, o Mapeamento Geoquímico de superfície em escala de baixa densidade do estado

demonstrou importantes correlações de caráter litológico e metalogenético, e indicaram áreas de relevante interesse mineral.

Geologia E Recursos Minerais

A PRÁTICA DE ESCALADA EM ROCHA COMO ATRATIVO TURÍSTICO

E GEOLÓGICO NO GEOPARQUE CACHOEIRAS DO AMAZONAS

Autores: Lila Costa Queiroz 1 ; Renê Luzardo 1 ; Lucas Balsini Garcindo 1 ; Bernardo Luiz Ferreira de Oliveira 1 ; Michele Pitarello 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Manaus

O Geoparque Cachoeiras do Amazonas (GCA), desde sua criação em outubro de 2011, vem cumprindo a função de preservar,

educar e ensinar ao grande público sobre temas relativos a paisagens geológicas, provendo meios de pesquisas para

as geociências e assegurando o desenvolvimento sustentável das comunidades locais. Com uma área de 6774 km2, o GCA

situa-se na porção centro-sul do Município de Presidente Figueiredo, distante cerca de 100 km a norte da cidade de Manaus.

A região apresenta fascinantes paisagens e cenários naturais onde se associam belas e exuberantes cachoeiras, corredeiras,

cavernas e interessantes sítios geológicos, paleontológicos e arqueológicos, que representam parte da história do planeta

compreendida entre as eras Paleoproterozoica a Cenozoica.

Em um geoparque as feições geológicas devem ser bastante evidentes e acessíveis ao público. Os esportes de aventura,

particularmente a escalada em rocha (desenvolvida na região a partir do ano de 2010), têm permitido que novos sítios sejam

descobertos e explorados, agregando

valor ao turismo local, além de contribuir

com a preservação, acesso e melhor

entendimento do patrimônio geológico.

Através da prática constante da

escalada em rocha, novas observações

foram feitas e locais antes inacessíveis

agora podem ser estudados por geocientistas,

podendo auxiliar na resolução

de alguns dos questionamentos

existentes, especialmente sobre rochas

sedimentares paleozoicas (arenitos e

argilitos) da Formação Nhamundá, pertencentes

ao Grupo Trombetas.

Atualmente há cinco setores destinados

ao desenvolvimento deste esporte

no GCA, que compreendem desde

boulders, blocos menores que podem

ser escalados sem o auxílio de cordas

ou ancoragens, a escaladas esportivas,

em que se faz necessário o uso de ancoragens

fixas e cordas. Novos setores

estão em vias de serem descobertos

através de técnicas de processamento e

No Geoparque Cachoeiras do Amazonas a prática de escalada em rocha tem sido uma

excelente ferramenta para descoberta e caracterização de novos afloramentos geológicos,

além de estímulo ao turismo

análise de imagens de satélite e radar, que vem apresentando resultados positivos ao ressaltarem regiões condizentes com os

paredões rochosos que abrigam as vias de escalada na região.

Apesar da prática de escalada em rocha ser recente no estado do Amazonas, já se pode notar efeitos positivos no turismo,

como aumento do contingente de turistas semanais, fomentando a economia local, além da expansão de áreas visitadas, deixando

de se restringir apenas a cachoeiras e passando a também serem visitados locais com paredões de rocha antes inexplorados.

O conhecimento geológico de áreas sedimentares do Geoparque também se torna continuamente atualizado, graças a

novas observações feitas pelos autores, que atualmente produzem trabalhos relativos à geologia e estratigrafia da região.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOPARQUE, ESCALADA EM ROCHA, GEOTURISMO

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Geologia E Recursos Minerais

REVISÃO DA GEOLOGIA DAS FOLHAS SURUBIM E LIMOEIRO

DA ZONA TRANSVERSAL, PROVÍNCIA BORBOREMA

Autores: Carlos Alberto dos Santo; Maria de Fátima Lyra de Brito; Priscila Resende Fernandes; Caio dos Santos Pereira

CPRM – Superintendência Regional do Recife

As folhas Surubim e Limoeiro estão inseridas na Zona Transversal, e mais quase que exclusivamente no Terreno Rio Capibaribe

(TRC), com uma pequena fração no Terreno Alto Moxotó (TAM). Trabalhos de mapeamento e integração regional executado

pela CPRM, cartografaram unidades geológicas nos principais períodos do Proterozoico, compreendendo uma sequência basal

paleoproterozoica formada dominantemente por ortognaisses bandados e hornblenda biotita gnaisses, migmatitos, e ortognaisses

graníticos e metanortositos tardi- paleoproterozoicas a cedo-mesoproterozoicas.

Sequências supracrustais atribuídas a três complexos (Sertânia, no extremo noroeste da folha Surubim de idade paleoproterozoica,

pertinente ao TAM; Vertentes – unidade metavulcanossedimentar de idade toniana (?), pertinente ao TRC e o Surubim-Caroalina

de idade Ediacarana); Um ortognaisse granítico toniano e plútons brasilianos culminam a estratigrafia dessas

folhas. Posteriormente, em trabalhos de mapeamento da CPRM, e também em convênio com a UFPE, o quadro estratigráfico foi

confirmado, exceção para o caso do Complexo Vertentes, que foi reconsiderado como uma unidade basal, deixando de ser uma

sequência metavulcanossedimentar, como definida originalmente para ser caracterizada como ortognaisse bandado dioríticogranodiorítico.

Nossa proposta após as atividades de campo nas folhas Limoeiro e Surubim é a de que se retome a definição original

quanto ao Complexo Vertentes e o Complexo Surubim-Caroalina. Porque a sequência metavulcanossedimentar é individualizável,

e se caracteriza por paragnaisses granadíferos intercalados por metavulcânicas máficas e félsicas, enquanto o Complexo

Surubim-Caroalina, que pode ser confundido com os metassedimentos do Vertentes, é tipicamente uma associação

petrogenética do tipo QPC (quartzito, pelito, carbonato), onde o quartzito é a sequência basal. Ademais, para corroborar tal

afirmação, um novo componente desse empilhamento estratigráfico, foi definido e formalizado neste trabalho, a “Suíte Intrusiva

Ultramáfica de Limoeiro” uma unidade praticamente subaflorante evidenciada pela aeromagnetometria e largamente

espalhada na folha Limoeiro.

Em furos de sondagem executados na pesquisa de Ni pelo consórcio Votorantim – MMG demonstram claramente a intrusão

desta ultramáfica isotrópica no Complexo Surubim-Caroalina. Portanto, nossa proposta é a de se reincluir no TRC o Complexo

Vertentes de idade possivelmente toniana, por ser correlata ao Complexo Riacho do Tigre, de idade comprovadamente

toniana através de datação U-Pb em zircão (folha Pesqueira), e reconsiderar o Complexo Surubim-Caroalina de idade Ediacarana

(tipicamente uma associação do tipo QPC).

E, por fim, a nova unidade “Suíte Intrusiva Ultramáfica de Limoeiro” aqui caracterizada como tardi a pós-tectônica, que vem

a ser uma nova janela de exploração para mineralizações de Ni-Cu-Co do tipo PGE em áreas de faixas móveis.

PALAVRAS-CHAVE:

Tipo QPC; NI-Cu-Co DO Tipo PGE; Terreno

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NOVA OCORRÊNCIA DE ROCHA ALCALINA

NO ESTADO DE SANTA CATARINA

RECUPERAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO ACERVO DE

DADOS GEOQUÍMICOS DA CPRM: PANORAMA ATUAL

Autores: Provenzano, C.A.S. 1 ; Stropper, J.L. 1 ; Sander, A. 1,2

1

CPRM - Superintendência Regional do Recife de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica

Autores: Mota, C. E. 1 ; Larizzatti, J. H. 1 ; Moreira, A. P. C. 1 ; Porto, C. G. 1 ; Silveira, F. V. 2 ; Cunha, F. 1

CPRM – 1 Escritório do Rio de Janeiro; 2 Sede, Brasília

A geologia do Estado de Santa Catarina já é reconhecida pelo seu potencial para fosfato magmatogênico, haja vista os

conhecidos depósitos próximos às cidades de Lages e Anitápolis. Esse potencial foi maximizado após o levantamento aerogeofísico

realizado pela CPRM em 2011, que obteve dados de aerogamaespectometria e de aeromagnetometria. A partir da

análise desses dados foram identificadas anomalias com significativo potencial para rochas com minerais radioativos e magnéticos,

algumas dessas estão inseridas em áreas com arcabouço tectono-estrutural condizente para corpos alcalinos.

Com essas informações iniciaram-se as investigações de campo que permitiram a identificação de uma nova ocorrência de

rocha alcalina nas proximidades da cidade de Alfredo Wagner e há aproximados 8 km de Anitápolis. As amostras de rocha

CA-121C e CA-129, identificadas inicialmente como lamprófiros, se caracterizam pela textura panidiomórfica média a fina, definida

pela euedria dos fenocristais de piroxênio e flogopita envolvidos por uma matriz fina, rica em micrólitos de plagioclásio

e material microcristalino a vítreo.

Os fenocristais têm grão fino a médio, com tamanho dos grãos entre 1,2 a 0,5 mm, orientados pelo fluxo magmático que

também alinha os micrólitos da matriz. A matriz mostra baixa resolução ótica, mas podem ser distintos micrólitos de plagioclásio

prismáticos e cristálitos extremamente finos de minerais máficos, muito possivelmente do mesmo piroxênio que ocorre

como fenocristal. Ainda integra a paragênese a apatita, presente na forma de finas e longas agulhas incolores.

Apesar do elevado nível de intemperismo, foi feita análise de rocha total nessas duas amostras que ocorrem com valores

de elementos maiores de MgO (4,27 a 6,43%), TiO2 (1,70 - 3,00%), o CaO (8,09 - 23,41%) com grande variação, enquanto

que a SiO2 está abaixo de 44,23%. O NaO varia entre 2,39 e 5,08, enquanto o K2O varia de 1,25 a 4,07. Com base no total de

álcali versus sílica, as amostras são classificadas como traquiandesitos e ocorrem na zona limítrofe entre o campo das rochas

alcalinas e subalcalinas.

Considerados esses dados e as descrições petrográficas preliminares optou-se por classificá-las como lamprófiros. A

partir dos dados aeromagnetométricos, foi aplicada a técnica da deconvolução Euler 3D na anomalia do lamprófiro, onde se

obteve uma estimativa de profundidade média situada entre 100 a 140 m para a fonte/rocha magnética.

PALAVRAS-CHAVE:

Rocha alcalina; Lamprófiro; Geofísica; Santa Catarina

A CPRM possui um amplo e valioso banco de dados de geoquímica, resultado de mais de 40 anos de levantamentos. O

acervo compreende um volume aproximado de 450.000 amostras de diversos materiais geológicos, analisadas por diversos

métodos analíticos. Atualmente, este acervo encontra-se em processo de reorganização e validação, para ser disponibilizado à

sociedade em breve, via GEOBANK.

O objetivo é apresentar um panorama do estado atual do acervo geoquímico e quais são as perspectivas futuras. O motivo

é que na base de dados ocorrem inconsistências, inclusive casos de localização inadequada. Além disso, novas informações

geoquímicas são continuadamente produzidas, inclusive reanálise de alíquotas existentes no acervo, e que precisam estar integradas

com os dados de legado. Para a análise dos dados foram utilizados softwares livres e de código aberto, como o Quantum

GIS (Ferramenta SIG) e o RapidMiner (ETL e Business Intelligence), além de scripts Python e bibliotecas como Django, Pandas e

Matplotlib. A unificação destes dados foi implementada no banco de dados PostgreSQL 9.3/PostGIS 2.0.7.

Em linhas gerais, o acervo geoquímico pode ser subdividido em dois conjuntos de dados: O acervo histórico, do início

da década de 1970 até o final da década de 2000, extraídas do GEOBANK; e Levantamentos geoquímicos do final da década de

2010, de posse da DIGEOQ. A partir de observações e pesquisa de documentos internos, um modelo conceitual foi elaborado

que permitisse a integração entre as fontes distintas. Uma das diretrizes do modelo é a preservação das coordenadas originais e

as transformações para objetos Geometry, projetados em SIRGAS2000.

O resgate das coordenadas e parâmetros cartográficos foi feito preditivamente, através de consultas às bases cartográficas

da época. Os dados geográficos recentes, na sua maioria, são coletados via GPS, com exceção de informações enviadas em planilhas

ou fichas. Os erros locacionais devem-se as seguintes razões: (1) Erros humanos por digitação incorreta, principalmente em

época pré-GIS; (2) Erros computacionais, pela definição incorreta dos algoritmos de conversão de coordenadas.

Atualmente, duas atividades estão em execução: A consolidação e a consistência dos dados. O trabalho de consolidação

representa exatamente a unificação de todos os dados produzidos, inclusive os sabidamente incorretos, para a análise de padrões

e requisitos e validar os procedimentos descritos nos manuais da CPRM. O processo de consistência corresponde a verificação

dos metadados, pontos (inclusive sistemas de coordenadas) e de dados analíticos. Esta etapa implica em consulta aos

mapas e relatórios originais para reajustar as amostras que porventura estejam deslocadas, incluir ou excluir amostras faltantes,

ajustar metadados e boletins analíticos.

Paulatinamente, os dados (novos e históricos) corrigidos e validados pela DIGEOQ serão disponibilizados ao público via

GEOBANK, nas modalidades de consulta a metadados e download de resultados analíticos, em formato CSV, compactados em

arquivos ZIP. Por fim, a CPRM, através de ações como a descrita neste trabalho, reforça o compromisso em dar credibilidade técnica

aos dados disponibilizados para benefício da sociedade.

PALAVRAS-CHAVE:

Geoquímica, Acervo, Banco de Dados

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Geologia E Recursos Minerais

Geologia E Recursos Minerais

SUÍTE JAGUARÃO CHICO: GRANITOS ALCALINOS

A PERALCALINOS NO SUDOESTE DO BATÓLITO PELOTAS, RS

Autores: Iglesias, C.M. da F. 1 ; Camozzato, E. 1,2 ; Finamor, A.B. 1 ; Sander, A. 1,2

1

CPRM - Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica

O levantamento geológico na escala 1:100.000 das folhas Passo São Diogo (SH.22-Y-C-IV) e Curral de Pedras (SI.22-V-A-I),

na área de fronteira Brasil – Uruguai, pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM, no âmbito do Programa Geologia do Brasil (PGB),

permitiu o reconhecimento de uma suíte de rochas graníticas de natureza alcalina a peralcalina. A nova unidade estratigráfica,

denominada Suíte Jaguarão Chico por aflorar especialmente nas cabeceiras do arroio homônimo, se acrescenta às suítes e complexos

granitoides previamente reconhecidos no âmbito do Batólito Pelotas, domínio tectono-geológico situado na porção leste do

Escudo Sul-Rio-Grandense onde abrange cerca de 40.000 km2 e se dispõe de maneira alongada segundo NE-SW, com ~450 km de

extensão e até 120 km de largura.

Com desenvolvimento entre 650 e 550 Ma, o Batólito Pelotas constitui um arco magmático multi-intrusivo e polifásico

cujos granitoides, na maioria pós-colisionais, foram gerados essencialmente pelo retrabalhamento de uma crosta paleoproterozoica

(2,3 – 2,0 Ga), conforme indicado pelos dados isotópicos. As rochas da Suíte Jaguarão Chico afloram como corpos alongados,

segundo a direção NE-SW, mantendo relações geométricas concordantes com a zona de cisalhamento Cerro Chato, com a

qual se limita pelo sul-sudeste com os granitoides da Suíte Herval. Pelo norte-noroeste a suíte é recoberta tanto pelo litologias

vulcânicas ácidas, alcalinas, de idade neoproterozoica, da Formação Cerro Chato, com o qual parece compartilhar a origem;

como por rochas sedimentares paleozoicas que constituem geomorfologicamente mesas remanescentes da Bacia do Paraná.

A suíte é composta dominantemente por monzogranitos a granodioritos, com raros sienogranitos, com textura porfirítica

e orientação primária de forma definida pelo alinhamento dos megacristais euédricos (


Geologia E Recursos Minerais

Geologia E Recursos Minerais

CONFLITOS ENTRE A MINERAÇÃO E OS EIXOS DE EXPANSÃO

URBANA NA REGIÃO METROPOLITANA DE FLORIANÓPOLIS

E ÁREA DE EXPANSÃO, SC

CONTRIBUIÇÕES ANTRÓPICAS E NATURAIS NA DISTRIBUIÇÃO

GEOQUÍMICA DOS ELEMENTOS NA ÁGUA DE AFLUENTES

DA BACIA DO RIO PARANAÍBA EM GOIÁS

Autores: Hammes, D.F. 1 ,Zwirtes, S. 1 & Camozzato, E. 1,2

1

CPRM - Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica

Autores: Faleiro, F.F. ; Eberhardt, D. B. ; Cunha, F.G.

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

Os grandes centros urbanos, de uma maneira geral, têm enfrentado problemas com o avanço progressivo do processo de urbanização,

especialmente nas últimas duas décadas. Não raro, o processo de expansão de manchas urbanas conflita com a extração

de insumos minerais, por avançar sobre potenciais depósitos e criar impedimentos para o uso futuro desses recursos fundamentais

para a sociedade.

O cenário acima referido não é diferente nos municípios englobados pela Região Metropolitana de Florianópolis e Área de

Expansão (criada pela LC 636/14 de 09/set/2014). Neste contexto é que se insere o Projeto Materiais para Construção na Região

Metropolitana de Florianópolis e Área de Expansão, uma ação do Programa Geologia do Brasil da CPRM vinculada ao Programa de

Aceleração do Crescimento (PAC).

Objetivando o diagnóstico técnico-econômico dos principais insumos minerais demandados para a construção (argilas,

areias e pedras britadas), resultou do projeto, a delimitação de áreas de relevante interesse mineral para esses recursos minerais demandados

naquela região. Uma significativa contribuição do projeto decorre da discussão sobre os conflitos da mineração versus

a ocupação humana, com a consequente necessidade dos agentes públicos antecederem no ordenamento territorial a análise e

resolução dos conflitos socioambientais resultantes da mineração.

Os conflitos foram observados em dados obtidos nos principais rios da região, em especial nas várzeas da bacia do rio Tijucas.

As reservas potenciais e volumes de produção de areias e argilas de planícies aluviais; argilas de solos residuais; e areias de leitos

de rios; quando comparadas com as previsões de consumo, permitem garantir o suprimento desses recursos por, ao menos, 30

anos, desde que garantidas às áreas de extração. Os planos diretores municipais restringem (ou deveriam restringir), por exemplo, a

ocupação das planícies aluviais, potencialmente alagadiças; as com alta a muito alta suscetibilidade aos processos erosivos; as com

declividade superior a 30%; de recarga de aquíferos; ou com depósitos de tálus pela instabilidade natural aos transportes de massa

e movimentos gravitacionais.

Dentre as áreas de restrição à expansão urbana devem ser acrescentadas àquelas potencialmente produtoras de bens minerais

para a construção. Os agentes públicos devem encontrar, nos planos diretores municipais, alternativas locacionais para os

vetores de crescimento urbano para que não ocorra a emergência de conflitos pela superposição de uso com as reservas minerais.

Os poderes municipais devem, além de garantir as futuras demandas da sociedade por insumos minerais, vislumbrar a importância

socioeconômica do setor na geração de empregos e no retorno em impostos, oriundo da produção extrativa mineral e/ou das indústrias

de transformação, como as de produção cerâmica.

Tendo como pressuposto a estreita relação dos componentes naturais e antrópicos na configuração da paisagem e

considerando a importância e a diversidade de usos em uma bacia hidrográfica, trabalha-se com a hipótese que a análise da

geoquímica local é um estudo essencial na caracterização da influência do fator antrópico e geológico natural na qualidade

ambiental ao longo da mesma. O presente trabalho teve como objetivo geral analisar o comportamento geoquímico de elementos

químicos na água amostrada em afluentes da bacia do rio Paranaíba, localizada na região sul do Estado de Goiás.

Buscou-se identificar as possíveis relações entre a distribuição dos elementos químicos e a paisagem.

Para tanto teve como objetivos específicos: (a) analisar a dispersão e concentração de elementos químicos nos na água,

tendo como parâmetro referencial os valores máximos permitidos pelas legislações brasileiras; (b) analisar a influência natural

e antrópica na distribuição de elementos ao longo da bacia. A metodologia de coleta e amostragem seguiu orientações do

Manual Técnico PGAGEM e orientações indicadas pela CPRM na execução do Projeto Levantamento Geoquímico Multiuso.

O trabalho de coleta de amostras foi realizado no período de março a julho de 2012, sendo coletadas amostras em

520 pontos de amostragem de água superficial e em 123 pontos de captação de água para o abastecimento urbano. Foram

coletadas duas alíquotas de água em cada ponto de amostragem, uma para análise dos cátions por ICP-OES e outra para

análise dos ânions por cromatografia iônica, utilizando-se tubos para centrífuga de 50ml, seringas sem agulha e unidades

filtrantes de 0,45µm.

Os dados adquiridos através das análises químicas realizadas foram organizados em planilhas do Excel, com a indicação

dos valores de referência estipulados pela legislação brasileira e destaque dos resultados acima dos estipulados pela legislação.

Foram encontrados valores acima do recomendado pela legislação nos elementos: Alumínio (Al), Boro (B), Bário (Ba),

Cádmio (Cd), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Sódio (Na), Níquel (Ni) e Chumbo (Pb).

No geral os resultados mostraram que a dispersão de elementos teve como principal contribuição o substrato rochoso,

porém a proximidade de pontos de amostragem que apresentaram resultados preocupantes com áreas que são intensamente

utilizadas por atividades agrossilvopastoris sugere que a origem dos elementos analisados pode ser de tais atividades.

PALAVRAS-CHAVE:

Geoquímica, Bacia Hidrográfica, Paranaíba

Muitas das atividades extrativas minerais no âmbito do projeto resultaram em passivos ambientais (como cavas abandonadas),

com riscos evidentes às populações que habitam as proximidades das áreas degradadas. São ressaltados, ainda, pelo projeto,

os estudos dirigidos ao ordenamento territorial na elaboração de Planos Diretores, objetivando o estabelecimento de convivência

mais harmoniosa, menos conflituosa, entre o crescimento das cidades e a mineração de agregados para a construção civil. O desenvolvimento

sustentável na indústria mineral não é apenas uma possibilidade, mas uma alternativa viável e necessária.

PALAVRAS-CHAVE:

FLORIANÓPOLIS, DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, PLANOS DIRETORES

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Geologia E Recursos Minerais

Mapeamento espectral para identificação de assinaturas

espectrais de minerais de lítio em imagens ASTER (NE/MG)

Autores: Mendes, D; Perrotta, M.M.; Costa, M.A.C.; Paes, V.J.C.

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

Como parte do Projeto Avaliação do Potencial do Lítio no Brasil, cuja primeira fase compreendeu estudo detalhado de

área com 17.750 km2 no médio vale do rio Jequitinhonha (NE/MG), foram feitas análises espectrais no Laboratório de Sensoriamento

Remoto Geológico (LABSERGEO), da divisão de Sensoriamento Remoto e Geofísica (DISEGE), utilizando dados

multiespectrais do sensor ASTER. Utilizou-se nesta modelagem três cenas com data de passagem em 24 de agosto de 2004,

sendo três bandas no visível e infravermelho próximo (VNIR), com resolução espacial de 15 m, e seis bandas no infravermelho

de ondas curtas (SWIR), com resolução espacial de 30 m.

Para a modelagem foi utilizada uma máscara que selecionou apenas as áreas de metassedimentos, uma vez que os depósitos

de lítio estão sempre associados aos metassedimentos. A imagem recortada foi submetida à compensação atmosférica por meio do

aplicativo FLAASH do software ENVI® 5.2, que aplica o modelo de transferência radioativa MODTRAN-4 para transformação dos dados

em unidades de reflectância aparente. O mapeamento espectral foi processado com ajuda do assistente de classificação espectral do

ENVI® 5.2.

Conhecendo-se doze ocorrências estudadas em campo, foram selecionados 111 pixels na imagem envolvendo áreas claramente

reconhecidas como em estágio de lavra. Para seleção dos pixels de referência entre as amostras selecionadas, primeiramente

foi feita uma transformação MNF (minimum noise fraction) para segregação do ruído nos dados. O próximo passo é a

procura e determinação de espectros de referência na imagem MNF, através do cálculo do PPI (pixel purity index). Neste procedimento,

alguns espectros de referência são determinados automaticamente, assim, foram selecionados 16 espectros para o

mapeamento e foi feita uma biblioteca espectral para cada

um. Depois é feita a estatística desses espectros e são escolhidos

os pixels que possuem percentis acima de 80. Desses

espectros foram selecionados os três que continham o mais

alto índice de pureza.

Alta concentração de espodumênio (branco) em pegmatito da região

de Salinas (MG)

A aplicação do método SAM (spectral angle mapper)

resultou no mapeamento parcial ou total das três áreas selecionadas

na amostragem, mas apresentou grande parte

dos pixels nos arredores das drenagens principais. O resultado

final da classificação pelo método MTMF (mixture-tuned

matched filtering) apresentou um bom resultado, já que nas

bandas inviabilidade, pixels próximos às drenagens e de parte

das estradas apresentaram valores altos. O método identificou

depósitos conhecidos e não amostrados e possíveis

ocorrências não cadastradas. Foi feita intersecção das imagens

resultantes do SAM e MTMF, que resultou nas regiões

de interesse para investigações mais detalhadas.

Os espectros obtidos foram comparados com os espectros

obtidos nas amostras em laboratório e da biblioteca espectral do USGS, posteriormente foi feita a análise espectral no software

ENVI® 5.2. Os resultados obtidos comprovam que o sensor ASTER possui características espectrais e espaciais capazes de identificar

feições espectrais significativas para o mapeamento de minerais específicos e de interesse na exploração mineral. No caso do mapeamento

das intrusões pegmatíticas em estudo, a intersecção das imagens resultantes da aplicação das técnicas MTMF e SAM gerou

resultados consistentes com as assinaturas espectrais dos alvos extraídos da imagem e das amostras analisadas em laboratório.

CROSTAS LATERÍTICAS E NOMENCLATURAS

CARTOGRÁFICAS ADOTADAS EM MAPAS

GEOLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS NO BRASIL

Autores: Iza, E.R.H.F. 1,2 ; Horbe, A.M.C 2 ; Herrera, I.L.I.E. 3

1

CPRM – Residência de Porto Velho; 2 Universidade de Brasília; 3 Universidade Federal de Rondônia

Geologia E Recursos Minerais

As crostas lateríticas são produtos gerados a partir do intenso intemperismo químico em ambientes tropicais e são consideradas

excelentes testemunhos paleoclimáticos, são, portanto, úteis em estudos geomorfológicos e podem concentrar elementos

como Fe, Al, ETR, Mn, etc., constituindo assim excelentes alvos metalogenéticos. Apesar de sua importância geológica, metalogenética

e paleoambiental as crostas lateríticas são muitas vezes consideradas irrelevantes nos mapas geológicos e geomorfológicos,

e em boa parte dos mapas as referências a elas ou aos seus produtos de desmantelamento são imprecisas ou incorretas.

Nos mapas geológicos as crostas lateríticas são frequentemente referenciadas como coberturas detrito-lateríticas, e nos

casos mais críticos podem ainda ser inseridas nas coberturas sedimentares indiferenciadas. O termo “detrito” está relacionado a material

solto, resultante da desintegração e abrasão, ou mesmo

a qualquer produto relacionado ao desgaste.

Neste sentido o nome da unidade é inadequado,

além de ser desnecessário, pois, especifica uma condição

da crosta laterítica que em muitos casos, não é a predominante

na unidade. Ainda assim a utilização do termo “detrito”

pode induzir a compreensão de uma associação com

aspectos ou processos sedimentares.

Em muitos casos, devido a problemas de escala, os mapas

geomorfológicos não correlacionam as crostas lateríticas

a processos residuais e não destacam quaisquer outros atributos

genéticos (textura, estrutura, etc.). Há, portanto, nítida

falta de padronização das nomenclaturas, entendimentos

equivocados a respeito de sua gênese e descrições pouco

claras que contribuem negativamente na individualização

correta das unidades lateríticas. Por outro lado, a escassez de

(A) Crosta laterítica com latossolo sotoposto. (B) Detalhe da crosta

ferruginosa pisolítica. (C e D) Bloco de crosta laterítica ferruginosa

dados geocronológicos, em crostas lateríticas, contribui pouco para as discussões relacionadas aos aspectos evolutivos e sua individualização

mais criteriosa como unidade nos mapas geológicos.

As crostas lateríticas alóctones, também conhecidas como linhas de pedra são normalmente constituídas por fragmentos

de crostas e formam corpos com alguns centímetros de espessura e são derivadas dos processos erosivos atuantes em crostas

lateríticas. A formação das linhas de pedra está relacionada à deposição dos produtos de desmantelamento próximo a área fonte

e intimamente relacionada a escorregamentos locais e transporte com contribuição de água. Sugere-se, portanto a descrição

das crostas lateríticas sempre vinculada ao processo de intemperismo (residual) e formação do solo (pedogênese) especialmente

quando a descrição estiver relacionada a produtos “in situ”. As descrições relacionadas aos produtos de desmantelamento

que passaram por algum tipo de transporte local, como aqueles associados à colúvios, devem ser descritas dentro dos próprios

colúvios e cartografadas de acordo com a escala e área de exposição.

Os mapeamentos de detalhe devem se referir a tais colúvios como “constituídos por produtos do desmantelamento de

crostas lateríticas” ou simplesmente “constituídos por fragmentos de crostas lateríticas”. Portanto as crostas lateríticas (autóctones)

devem ser referenciadas como depósitos residuais associados a processos pedogenéticos que frequentemente estão vinculados

a formas de relevo de topo tabular por vezes associadas à colúvios e nunca tratada como produtos sedimentares.

PALAVRAS-CHAVE:

ASTER, Mapeamento espectral, Projeto Lítio

PALAVRAS-CHAVE: Laterito, intemperismo, Rondônia

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Geologia E Recursos Minerais

MODELAGEM GEOLÓGICA 3D E REAVALIAÇÃO

DO DEPÓSITO DE CAULIM DE RIO CAPIM, PA

ARCABOUÇO TECTONO-ESTRUTURAL

DA REGIÃO DA SERRA DE JACOBINA-BA

Geologia E Recursos Minerais

Autores: Grissolia, E.M.; Wosniak, R.; Correia, Jr.F.C. Almeida, R.C.; Espírito Santo, E.B.S.; Grilo, D.C.; Carvalho, M.T.N.

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

Autores: Santos, F.P. 1 , Miranda, D.A. 1 , Reis, C. 1 , Cunha, R.C.L. 1 , Loureiro, H.S.C. 1

1

CPRM – Superintendência Regional Salvador

Desde 2013 a CPRM – Serviço Geológico do Brasil vem desenvolvendo o projeto Reavaliação do Patrimônio Mineral,

onde tem como principal objetivo a preparação dos ativos, os quais a empresa é detentora, para futuras negociações e/ou

leilões públicos, de acordo com as estratégias do Ministério de Minas e Energia e Governo Federal. Tal preparação envolve o

resgate de dados coletados nos projetos de pesquisa da CPRM nas décadas de 70 e 80, estruturação de banco de dados, modelagem

geológica 3D, avaliação e estimativa dos recursos presentes em cada depósito.

O depósito de Caulim de Rio Capim, localizado

na região leste do Pará, foi identificado

em 1971 por pesquisadores da CPRM,

motivando assim o requerimento de pesquisa

junto ao DNPM de 10 áreas, num total

de 10.000 hectares. O Projeto Rio Capim

teve o Relatório Final de Pesquisa protocolado

em 1973 e contou com trabalhos de

topografia, poços de pesquisa, trincheiras

e furos de sonda. O conjunto de dados

gerados durante o projeto compreendem

análises químicas e mineralógicas, microscopia

eletrônica e raios x, análises de rendimento

em peneiras USS 200 e 325 mesh

Modelo geológico tridimensional

e distribuição ponderal de partículas de

diâmetro inferior a 2 micra, medições de reflectância (índice de alvura) e determinações de ph. Tais resultados atenderam de

maneira satisfatória as rigorosas especificações tecnológicas da indústria de papel, permitindo configurar uma reserva substancial

de caulim de boa qualidade.

A reavaliação do depósito caulinítico considerou não apenas os dados de ensaios tecnológicos passíveis de serem resgatados,

como também informações acerca das características estratigráficas, litológicas e texturais presentes nos relatórios

de pesquisa do referido projeto. Neste estudo foram considerados os dados de 84 poços de pesquisa, 8 furos de sonda e 1

trincheira, totalizando 1817,05 metros. A modelagem geológica foi desenvolvida no software Strat3D, o qual possibilitou a

correlação e individualização das unidades mineralizadas e estéreis, assim como a geração de sólidos tridimensionais das

mesmas.

Os principais parâmetros utilizados foram índice de alvura, rendimento e características litoestratigráficas. Foram considerados

dois tipos de minério, diferenciados basicamente pelo conteúdo de areia. Desta forma, o minério caulinítico foi individualizado

em Caulim Macio (CCM), caracterizado por baixo conteúdo de areia, e Caulim Arenoso (CCA), onde a quantidade

de areia é muito mais significativa. A qualidade dos recursos de caulim em relação ao índice de alvura foi estimada através do

método de IQD no software Strat3D, utilizando 3 elipsóides de busca distintos.

Os recursos obtidos foram parametrizados em função do teor de alvura, espessura de camada de caulim e espessura de

capeamento. A soma de todos os recursos de caulim obtidos neste estudo de reavaliação atingiu o valor de 345,244 Mt com índice

de alvura média de 81,99%. Este estudo evidencia a importância de trabalhos de reavaliação, onde as tecnologias disponíveis

atualmente podem ser aplicadas para alcançar uma maior precisão, confiabilidade e qualidade nos resultados reportados.

Importante centro de extração mineral, a região de Jacobina-BA abriga diversas ocorrências ao longo do sistema montanhoso

presente na área. Inserida no contexto do Cráton São Francisco, a Bacia de Jacobina (BJ), arqueano-paleoproterozoica, localiza-se

na porção central do estado da Bahia. Estruturalmente encaixada na porção leste do Bloco Gavião (BG), associa-se a grande zona de

sutura compressional NS, conhecida como Lineamento Contendas-Jacobina-Mirante, onde também há a ocorrência do Greenstone

Belt de Mundo Novo (GSBMN), Complexo Saúde (CS) e intrusões graníticas. Com grande diversidade mineral, distribuem-se desde

ocorrências de Au, Ba, Cr, Mn e Zn a gemas.

Este trabalho, inserido no Projeto de Integração Geológica e Avaliação do Potencial Metalogenético da Serra de Jacobina e

do Greenstone Belt Mundo Novo da CPRM, objetiva a caracterização e construção do arcabouço tectono-estrutural, visando a correlação

com a formação de depósitos minerais. As ferramentas utilizadas foram análise e interpretação da geofísica, sensoriamento

remoto, cinemática em campo e lâminas petrográficas. Definiu-se

a direção principal de compressão, aproximadamente

EW, estando as grandes estruturas estendidas NS. Na área do

projeto, de leste para oeste, o Cinturão-Itabuna-Salvador-Curaçá

representando uma zona de sutura orogênica com foliação

verticalizada e alta obliteração de texturas primárias, é

posto em contato com o BG pela Zona de Cisalhamento Mairi.

Esta se destaca pelo comportamento diferenciado ao longo de

sua extensão. Na porção sul tem comportamento basicamente

transpressional-sinistral passando a compressional frontal e

transpressional-dextral a norte.

O domínio do BG, sob regime dúctil-rúptil, possui alta deformação,

onde observa-se a intrusão de granitos alongados,

acompanhando a deformação e delimitando as zonas de cisalhamento.

Na porção da Serra de Jacobina, nos domínios da BJ

e GSBMN, predominam o desenvolvimento de estruturas transpressionais

longitudinais e transcorrentes transversais ao lineamento.

De leste para oeste é basicamente marcado pelos grandes

sistemas de falhas Itaitu (i), Pindobaçu (ii), Maravilha (iii) e

Jacobina (iv). O sistema i, intermediário no CS, é subvertical com

mergulho para leste e comportamento compressional frontal a

Mapa Domínios Estruturais (à esquerda), Mapa Associações Tectono

Estratigráficas (à direita). Ilustra as principais estruturas observadas

na área e sua correlação com os unidades geológicas observadas

transpressional-sinistral; ii - de maior extensão, subverticalizado com mergulho para oeste e leste, marca na porção centro-sul o contato

entre as unidades do GSBMN com o CS onde tem comportamento dominantemente transpressional-sinistral.

A norte, na Serra da Paciência, adquire caráter compressional frontal com vergência para oeste; iii - no contato entre a Formação

Cruz das Almas e Rio do Ouro, também subvertical e compressional, provoca intensa catáclase e milonitização, ora nos quartzitos ora nas

metabásicas e ultrabásicas encaixadas nos vales; o sistema iv marca a borda oeste da Serra, é compressional com mergulho para leste,

coloca os conglomerados da Formação Serra do Córrego sobre o embasamento do BG. O projeto engloba ainda, a oeste, porções do Supergrupo

Espinhaço e Grupo Uma, que são unidades de cobertura menos deformada, onde predominam feições do tipo rúptil. A partir do

entendimento do esforço e das cinemáticas primária e secundária, além da caracterização em domínios geotectônicos, torna-se possível

a correlação do arcabouço tectono-estrutural com a evolução geológica e sistemas metalogenéticos na área.

PALAVRAS-CHAVE:

Caulim, Modelagem Geológica 3D, CPRM

PALAVRAS-CHAVE:

LINEAMENTO JACOBINA-MIRANTE; ARCABOUÇO ESTRUTURAL;

DOMÍNIOS TECTONO-ESTRATIGRÁFICOS

76 77


Geologia E Recursos Minerais

Geologia E Recursos Minerais

GEOQUÍMICA MULTIELEMENTAR DE SEDIMENTOS DE

CORRENTE NO ESTADO DE SÃO PAULO: ABORDAGEM

ATRAVÉS DA ANÁLISE ESTATÍSTICA MULTIVARIADA

Autor: Mapa, F. B.

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

Este trabalho apresenta resultados geoquímicos multielementares de sedimentos de corrente no estado de São Paulo, obtidos

através do projeto institucional do Serviço Geológico do Brasil denominado “Levantamento Geoquímico de Baixa Densidade

no Brasil”. Dados analíticos de 1422 amostras de sedimento de corrente obtidos por ICP-MS (Inductively Coupled Plasma Mass Spectrometry)

em fração menor que 80 mesh, para 32 elementos químicos (Al, Ba, Be, Ca, Ce, Co, Cr, Cs, Cu, Fe, Ga, Hf, K, La, Mg, Mn, Mo,

Nb, Ni, P, Pb, Rb, Sc, Sn, Sr, Th, Ti, U, V, Y, Zn e Zr), foram processadas e abordadas através da análise estatística uni e multivariada.

Os resultados da aplicação de técnicas estatísticas univariadas, além de mostrarem eficácia no controle de qualidade dos

dados, fornecem valores consistentes de background geoquímico (teor de fundo) para todo estado de São Paulo para os 32 elementos

químicos analisados. A análise georreferenciada das distribuições geoquímicas unielementares (mapas geoquímicos)

evidenciam a compartimentação geológica da área: as duas principais províncias geológicas do estado de São Paulo, Bacia do

Paraná e Complexo Cristalino, se destacam claramente na maioria das distribuições geoquímicas. Unidades geológicas de maior

expressão, como a Formação Serra Geral e o Grupo Bauru também são

claramente destacadas. Outras feições geoquímicas indicam possíveis

áreas contaminadas e unidades geológicas não cartografadas. As distribuições

do cromo e outros elementos menores revelam uma importante

divisão geoquímica do Grupo Bauru.

Os resultados da aplicação de métodos estatísticos multivariados aos

dados geoquímicos com 24 variáveis (Al, Ba, Ce, Co, Cr, Cs, Cu, Fe, Ga, La, Mn,

Nb, Ni, Pb, Rb, Sc, Sr, Th, Ti, U, V, Y, Zn e Zr) permitem definir as principais assinaturas

e associações geoquímicas existentes em todo estado de São Paulo

e correlacioná-las aos principais domínios litológicos. A análise de agrupamentos

em modo Q fornece oito grupos de amostras geoquimicamente

correlacionáveis, que georreferenciadas reproduzem os principais compartimentos

geológicos do estado: Complexo Cristalino, Grupos Itararé, Quatá

e Passa Dois, Formação Serra Geral e Grupos Bauru e Caiuá. A análise discriminante

multigrupos comprova, estatisticamente, a classificação dos grupos

formados pela análise de agrupamentos e fornece as principais variáveis discriminantes: Fe, Co, Sc, V e Cu. A análise de componentes

principais abordada em conjunto com a análise fatorial pelo método de rotação varimax fornecem os principais fatores multivariados e

suas respectivas associações elementares. O georreferenciamento dos valores de escores fatoriais multivariados delimitam áreas onde

as associações elementares ocorrem (províncias geoquímicas) e fornecem mapas geoquímicos multivariados para todo o estado.

Com base em uma visão integrada dos resultados obtidos neste trabalho, conclui-se a necessidade de execução dos

levantamentos geoquímicos de baixa densidade em todo país em caráter de prioridade, pois são altamente eficazes na definição

de backgrounds regionais e delimitação de províncias geoquímicas com interesse metalogenético e ambiental. Concluise

também a necessidade de execução do mapeamento geológico contínuo em escala adequada (maiores que 1:100.000)

para toda área do estado de São Paulo, principalmente nas porções que apontam para possíveis existências de unidades não

cartografadas nos mapas geológicos disponíveis.

PALAVRAS-CHAVE:

LEVANTAMENTO GEOQUÍMICO DE BAIXA DENSIDADE;

GEOQUÍMICA DE SUPERFÍCIE; BACKGROUND GEOQUÍMICO

SIGNIFICADO TECTÔNICO DAS ROCHAS

DE ALTO GRAU DO NORTE DE MATO GROSSO

Autores: 1 Rizzotto, G.J; 1 Ladeira, C.A.; 1 Rios, F.S; 1 Duarte, T.B.; 1 Lopes, L.B.; 1 Gonçalves, G.F.; 1 Netto, G.B.; 1 Fuentes, D.B.V.;

2

Oliveira, A.C.; 2 Lisboa, T.

1

CPRM – Superintendência Regional de Goiânia; 2 CPRM Superintendência Regional de Manaus

Bordejando a Bacia dos Caiabis, no interflúvio dos rios Juruena e Teles Pires afloram em uma faixa (230x30km) contínua de

direção EW, migmatitos orto e paraderivados, além de granulitos máficos e félsicos, os quais compõem o Complexo Nova Monte

Verde (CNMV). As rochas deste complexo configuram uma intensa anomalia gravimétrica positiva e formam uma estrutura geológica

arqueada. Sugere-se uma redefinição estratigráfica e genética para o CNMV onde as rochas supracrustais de alto grau, constituídas

por paragnaisses, granulitos félsicos, migmatitos paraderivados e subordinadamente gnaisses calcissilicáticos e formação

ferrífera bandada, as quais doravante passam a constituir a Unidade Paraderivada-Bacaeri-Mogno do CNMV, enquanto que os ortognaisses

tonalíticos/granodioríticos/quartzo-dioríticos, migmatitos (diatexitos e metatexitos ortoderivados), granulitos máficos e

enderbitos, constituem a Unidade Ortoderivada-Vila Progresso do referido complexo. Destaca-se o estágio avançado de fusão dos

migmatitos não sendo possível reconhecer distintamente o paleossoma e o neossoma. Assim sendo, predominam os diatexitos

com estrutura do tipo schlieren, turbulenta e nebulítica,

enquanto que os metatexitos são estromáticos. No

geral, possuem bandamento gnáissico e mesodobras

com plano axial de direção EW.

Expressivo plutonismo granítico associado a

vulcanismo félsico bordeja tanto a norte como a sul as

rochas de alto grau do Complexo Nova Monte Verde.

Ou seja, o CNMV representa a crosta inferior exumada,

a qual foi colocada lado a lado com granitóides e

vulcânicas pouco ou nada deformados. Situação geológica

equiparada com os Complexos de Núcleo Metamórfico

identificados nos registros geológicos do Pré-

Cambriano ao Recente.

Dados estruturais, petrográficos e de campo,

aliados a dados isotópicos indicam que a cristalização

dos migmatitos e granulitos foi contemporânea com a deformação, ou seja, entre 1790-1770Ma. Granitos da Suíte Juruena (fácies

São Pedro, São Romão, Juruena, Nova Canaã, Apiacás e Paranaíta) e vulcanismo félsico associado (Grupo Colíder), possuem idades

de cristalização entre 1800-1780Ma e exibem características de cristalização sin-tectônica. A assinatura isotópica de Sm-Nd tanto

dos migmatitos como dos granitos é idêntica (TDM = 2,0-2,2 Ba; Nd =-3,9 a +2,5), sugerindo derivação crustal Paleoproterozóica

com interação de fonte mantélica. Desta forma, os dados indicam um único evento magmato-tectônico que ocorreu no intervalo

de tempo de 1800 a 1770Ma.

Nos modelos geotectônicos propostos até então para esta região, as rochas do CNMV seriam representantes de complexo

de subducção/arco magmático continental. No entanto, o que se observa é a ausência de feições e registros característicos de uma

tectônica de margem convergente, tais como nappes e estruturas cavalgantes de baixo ângulo, vergência tectônica, prisma acrescionário,

zona de sutura e paragênese metamórfica de alta pressão.

A nova proposta tectônica aqui sugerida é que os migmatitos do CNMV, juntamente com os granitóides da Suite Juruena e

vulcânicas associadas foram derivados por fusão parcial da crosta Paleoproterozóica Tapajós, por mecanismo de descompressão

promovido por regime tectônico extensional ao longo de margem continental. A fonte de calor necessária a este processo pode ter

sido fornecida por underplating de magma basáltico. Uma implicação deste modelo é que fusão parcial e extensão foram coevas.

PALAVRAS-CHAVE:

MIGMATITOS, GRANULITOS, TECTÔNICA EXTENSIONAL

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Geologia E Recursos Minerais

GEOLOGIA E CARACTERIZAÇÃO DAS MINERALIZAÇÕES

DE OURO PRIMÁRIO DO DEPÓSITO ELDORADO DO JUMA,

SUDESTE DO ESTADO DO AMAZONAS

Autor: Grazziotin, H.F 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

O depósito localiza-se na margem esquerda do rio Juma, município de Novo Aripuanã, com acesso a partir da cidade

de Apuí, BR-230 (Transamazônica), ou Novo Aripuanã (AM-174). Dos cinco cortes verticais que consistem as frentes garimpadas

a céu-aberto em sequência saprolítica, quatro orientam-se regionalmente segundo azimutes 35-500, Naldinho (16,05 m),

Bandeira (25,9 m), Manelão (23,05 m) e Moage (32,5 m). As duas primeiras tem o mesmo sentido de avanço de lavra, enquanto

Manelão e Moage avançam respectivamente para 2300 e 2150; exceção de Domingas, direção N-S com desenvolvimento para

norte, Domingas I (12,6 m), Domingas II (18,5 m), orientada e desenvolvida a 250. As camadas que definem o pacote lavrado

variam desde 295-3000 a 310-3150, mergulhos sub-horizontais a 150NE. O substrato da sequência consiste de vulcânicas riolíticas/riodacíticas

do Grupo Colíder (1.779-1.780 Ma, U-Pb SHRIMP).

As hospedeiras da mineralização são saprólitos de rochas vulcânicas/vulcanoclásticas da Formação Camaiú (1.744-1.765

Ma, U-Pb SHRIMP), vulcanossedimentar, do Grupo Vila do Carmo; a base consiste de ritmitos centimétricos a métricos de tufos,

lapilli-tufos a aglomerados e níveis pelíticos, sugerindo ambiente marinho raso; esta sequência é sobreposta por arenitos finos

a médios, às vezes com níveis pelíticos subordinados, de frente deltáica, e arenitos com estratificação plano-paralela e cruzada

acanalada típicos de canais fluviais da Formação Salomão, Grupo Vila do Carmo. Exceto à Frente Domingas, onde a base da sucessão

saprolítica se define por olivina gabro sulfetado correlacionável ao Gabro Mata-Matá (1576 ± 4 Ma, U-Pb SHRIMP).

A cobertura laterítica de topo é geralmente truncada sendo a camada duricrust (crosta laterítica) praticamente ausente,

da qual permanecem somente vestígios, engloba elúvios argiloarenosos e arenoargilosos às vezes com zona mosqueada,

sobrepostos por colúvios arenosos pouco argilosos, tendo na base stone-lines (espessura máxima 1 metro), compostos por lateritas

e arenitos ferruginosos. O hidrotermalismo pervasivo que gerou a mineralização é mais intenso na sequência Camaiú,

como vênulas de caulinita de atitudes coincidentes com a orientação geral das frentes, stockworks, níveis hematíticos, crostas

ferruginosas (ironstones) manganesíferas, gossans (goethita+hematita) e boxworks de sulfetos.

As amostras dos depósitos de resíduo de lavra por desmonte hidráulico das frentes, analisadas por fire-assay/leitura

ASS - Au e fire-assay/ICP-AES - Au, Pt e Pd (frente Domingas) no SGS Geosol Laboratórios, revelaram os seguintes teores médios

nas cavas: Naldinho - 71,4 ppb (área – 225 m2); Bandeira - 32,6 ppb (380 m2); Moage - 17,7 ppb (289 m2), denominadas

Grupo 1 de teores médios mais baixos. Manelão - 967 ppb (301m2); e Domingas - 2.194,5 ppb (904 m2), Grupo 2 com teores

médios elevados. Os testes de beneficiamento dos resíduos por lixiviação em pilha em duas amostras compostas separadas e

representativas dos dois grupos supracitados, demonstraram após 63 dias de lixiviação, uma extração final do ouro de 65.7%,

Grupo 1, e 86.8%, Grupo 2.

PALAVRAS-CHAVE:

Ouro, hidrotermalismo, lixiviação em pilha

81


Geologia E Recursos Minerais

PROSPECÇÃO DE AGROMINERAIS NO RIO GRANDE DO SUL

Autores: Toniolo, J.A. 1 ; Parisi, G.N. 1 ; Pinto, L.G.R. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Geologia E Recursos Minerais

GEOLOGIA E CARACTERIZAÇÃO DAS MINERALIZAÇÕES

DE OURO PRIMÁRIO DO DEPÓSITO ELDORADO DO JUMA,

SUDESTE DO ESTADO DO AMAZONAS

A busca de rochas portadoras de fósforo e potássio, para a utilização na indústria agrícola, como fonte de componentes para

fertilizantes agronômicos e remineralizadores de solos na forma de pó de rocha, foi efetuada pelo Serviço Geológico do Brasil –

CPRM, no Escudo Sul-Rio-Grandense onde afloram rochas ígneas e metamórficas pré-Cambrianas pertencentes ao embasamento

cristalino do estado, com intrusões de rochas alcalinas e kimberlitos e nas litologias sedimentares da borda sudeste da Bacia do

Paraná, de idades paleozoicas e também com intrusões kimberlíticas.

A metodologia aplicada constou na sobreposição das informações disponíveis nos mapas geológicos, geoquímicos e mineralógicos

de sedimentos de corrente com alvos obtidos pela interpretação geofísica com base na composição das rochas alcalinas e

associadas, que possuem propriedades físicas que as caracterizam. Estas características são representadas pelo elevado sinal magnético,

alto sinal radiométrico do tório e do urânio e baixo sinal no canal radiométrico do potássio. Os alvos geofísicos direcionaram

os trabalhos de verificações de campo (430 afloramentos descritos) com amostragem de rochas (979 amostras, 970 descrições

petrográficas e 566 análises químicas) e adensamento na amostragem de sedimentos de correntes, (fração fina, com 695 análises

químicas) e concentrados de bateia (fração grossa, com 560 análises mineralógicas).

Entre os resultados alcançados, destacam-se a descoberta de dois corpos de carbonatitos com teores significativos de fósforo,

terras raras e pequenos corpos de rochas alcalinas, bem como um diatrema kimberlítico, que corroboraram na consolidação

dos Complexos Alcalino-Carbonatíticos no Rio Grande do Sul. A partir da identificação dos dois corpos de carbonatitos, mais três

ocorrências foram encontradas por terceiros. Ainda para fósforo, foram indicadas áreas geoquimicamente anômalas em sedimentos

de corrente, sobrepostas a alvos geofísicos e/ou ambientes geológicos favoráveis. Os ambientes geológicos favoráveis para fosfato

magmatogênico como o Sienito Piquiri e para fosfato sedimentar como os mármores dos complexos metamórficos do Escudo

Sul-Rio-Grandense e calcários da Bacia do Paraná foram prospectados, através da amostragem de rocha em frentes de lavra, em

testemunhos de sondagem, em afloramentos e também por novas coletas de amostras de sedimentos de corrente.

O potencial de potássio para a utilização na indústria agrícola, como remineralizador de solos na forma de pó de rocha foi

avaliado através de critérios petrográficos e químicos, nas rochas alcalinas da Suite Alcalina Passo da Capela, nas rochas básicas hidrotermalizadas

da Bacia do Camaquã e em biotita xistos dos complexos metamórficos do escudo do RS.

Nas verificações de campo dos alvos geofísicos e geoquímicos foram descritas formações ferríferas, rochas máficas e ultramáficas,

turmalinitos, anfibolito com esfalerita e galena, não identificados nos mapeamentos geológicos disponíveis.

Também foi experimentada a prospecção hidrogeoquímica para fosfato, sulfato, flúor e terras raras para determinar a faixa de

valores desses analitos relacionados ao carbonatito Três Estradas. Os valores analíticos (90 amostras) obtidos por cromatografia de

íons demonstraram que esse método não é eficiente para ser utilizado na prospecção regional, principalmente quando comparado

com os resultados analíticos de sedimentos de corrente. Contudo a hidrogeoquímica das terras raras e de sulfato mostraram-se

promissoras neste orientativo para prospecção regional.

Autor: Grazziotin, H.F 1

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

O depósito localiza-se na margem esquerda do rio Juma, município de Novo Aripuanã, com acesso a partir da cidade

de Apuí, BR-230 (Transamazônica), ou Novo Aripuanã (AM-174). Dos cinco cortes verticais que consistem as frentes garimpadas

a céu-aberto em sequência saprolítica, quatro orientam-se regionalmente segundo azimutes 35-500, Naldinho (16,05 m),

Bandeira (25,9 m), Manelão (23,05 m) e Moage (32,5 m). As duas primeiras tem o mesmo sentido de avanço de lavra, enquanto

Manelão e Moage avançam respectivamente para 2300 e 2150; exceção de Domingas, direção N-S com desenvolvimento para

norte, Domingas I (12,6 m), Domingas II (18,5 m), orientada e desenvolvida a 250. As camadas que definem o pacote lavrado

variam desde 295-3000 a 310-3150, mergulhos sub-horizontais a 150NE. O substrato da sequência consiste de vulcânicas riolíticas/riodacíticas

do Grupo Colíder (1.779-1.780 Ma, U-Pb SHRIMP).

As hospedeiras da mineralização são saprólitos de rochas vulcânicas/vulcanoclásticas da Formação Camaiú (1.744-1.765

Ma, U-Pb SHRIMP), vulcanossedimentar, do Grupo Vila do Carmo; a base consiste de ritmitos centimétricos a métricos de tufos,

lapilli-tufos a aglomerados e níveis pelíticos, sugerindo ambiente marinho raso; esta sequência é sobreposta por arenitos finos

a médios, às vezes com níveis pelíticos subordinados, de frente deltáica, e arenitos com estratificação plano-paralela e cruzada

acanalada típicos de canais fluviais da Formação Salomão, Grupo Vila do Carmo. Exceto à Frente Domingas, onde a base da sucessão

saprolítica se define por olivina gabro sulfetado correlacionável ao Gabro Mata-Matá (1576 ± 4 Ma, U-Pb SHRIMP).

A cobertura laterítica de topo é geralmente truncada sendo a camada duricrust (crosta laterítica) praticamente ausente,

da qual permanecem somente vestígios, engloba elúvios argiloarenosos e arenoargilosos às vezes com zona mosqueada,

sobrepostos por colúvios arenosos pouco argilosos, tendo na base stone-lines (espessura máxima 1 metro), compostos por lateritas

e arenitos ferruginosos. O hidrotermalismo pervasivo que gerou a mineralização é mais intenso na sequência Camaiú,

como vênulas de caulinita de atitudes coincidentes com a orientação geral das frentes, stockworks, níveis hematíticos, crostas

ferruginosas (ironstones) manganesíferas, gossans (goethita+hematita) e boxworks de sulfetos.

As amostras dos depósitos de resíduo de lavra por desmonte hidráulico das frentes, analisadas por fire-assay/leitura

ASS - Au e fire-assay/ICP-AES - Au, Pt e Pd (frente Domingas) no SGS Geosol Laboratórios, revelaram os seguintes teores médios

nas cavas: Naldinho - 71,4 ppb (área – 225 m2); Bandeira - 32,6 ppb (380 m2); Moage - 17,7 ppb (289 m2), denominadas

Grupo 1 de teores médios mais baixos. Manelão - 967 ppb (301m2); e Domingas - 2.194,5 ppb (904 m2), Grupo 2 com teores

médios elevados. Os testes de beneficiamento dos resíduos por lixiviação em pilha em duas amostras compostas separadas e

representativas dos dois grupos supracitados, demonstraram após 63 dias de lixiviação, uma extração final do ouro de 65.7%,

Grupo 1, e 86.8%, Grupo 2.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOFÍSICA, GEOQUÍMICA, FOSFATO

PALAVRAS-CHAVE:

Ouro, hidrotermalismo, lixiviação em pilha

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TIPOLOGIA DOS PEGMATITOS LITINÍFEROS

DA REGIÃO DO MÉDIO RIO JEQUITINHONHA – MG,

PROVÍNCIA PEGMATÍTICA ORIENTAL DO BRASIL

Geologia E Recursos Minerais

Autores: Betiollo, L.M. 1 ; Paes, V.J.C. 1 ; Santos, L.D. 1 ; Tedeschi, M.F. 1 ; Moura, C.D. 2

1

CPRM -Serviço Geológico do Brasil/SUREG-BH; 2 IGC/UFMG

O presente trabalho desenvolveu-se no âmbito do Projeto Avaliação do Potencial do Lítio no Brasil, executado pela Superintendência

de Belo Horizonte do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

Com o objetivo de avaliar e classificar as principais concentrações de lítio na área (que são também as principais ocorrências

conhecidas do Brasil), 45 pontos foram estudados no campo, incluindo ocorrências, depósitos, garimpos e minas de lítio. Com

base na mineralogia geral, nos principais minerais de lítio presentes, nas estruturas e texturas internas, os pegmatitos estudados

foram divididos em oito tipologias: 1) Pegmatitos com espodumênio disseminado, homogêneos: tipologia definida

por Sá (1977), na região de Araçuaí-Itinga. Sua principal feição é a persistência das características mineralógicas e texturais e

a disseminação do espodumênio por todo o corpo pegmatítico. 2) Pegmatitos com espodumênio disseminado e com zoneamento

mineralógico nas bordas: tipologia definida neste projeto.

Em termos mineralógicos ela é semelhante à tipologia anterior, entretanto difere daquela por apresentar um nítido e

persistente zoneamento mineralógico nas bordas do corpo pegmatítico com proporção moderada de albita. 3) Pegmatitos

com espodumênio disseminado, homogêneos ou zonados e com alta proporção de albita: tipologia definida neste projeto.

Em termos da mineralogia principal, ela se distingue das duas tipologias já descritas pela sua alta proporção de albita, tanto

em termos absolutos quanto relativamente ao feldspato potássico. 4) Pegmatitos com petalita na zona intermediária: tipologia

definida por Sá (1977). A principal característica desta tipologia é que são corpos com zoneamento interno distinto com a

petalita concentrada nas suas partes centrais. 5) Pegmatitos com petalita na zona intermediária e com alta proporção de albita:

tipologia definida neste projeto e representa um desmembramento da tipologia anterior. A exemplo da tipologia original,

tem a petalita como principal mineral de lítio, entretanto apresenta proporção relativamente alta de albita. 6) Pegmatitos com

petalita e espodumênio na zona intermediária: tipologia definida por Sá (1977).

Difere da tipologia número 4 por ter o espodumênio sempre associado à zona de ocorrência da petalita e com indicações

de posterioridade em relação à mesma. 7) Pegmatitos com lepidolita e ambligonita, zonados: tipologia definida por Sá (1977).

Compreende os corpos mais evoluídos dentro do processo pegmatítico, com elevado grau de albitização, que começa no núcleo

e pode chegar aos contatos, com uma associação de grande diversidade mineralógica, com berilos e turmalinas (gemas)

de cores variadas. A lepidolita é o mineral de lítio mais importante, seguida pela ambligonita. 8) Pegmatitos com espodumênio

no núcleo de quartzo e no seu entorno, zonados: tipologia definida por Pedrosa-Soares et al. (1990) na região de Coronel Murta.

Caracterizam-se por pegmatitos com volumosos e frequentes corpos de substituição, ricos em turmalinas litiníferas coradas e

com espodumênio no núcleo e zona intermediária. Além do espodumênio, podem conter ambligonita e lepidolita na zona intermediária

e nos corpos de substituição, estes últimos podendo conter também kunzita (espodumênio gemológico).

PALAVRAS-CHAVE:

Lítio, Pegmatito, Província Pegmatítica Oriental do Brasil

85


Geologia E Recursos Minerais

CARACTERIZAÇÃO ESPECTRO-MINERALÓGICA DA ASSEMBLEIA

HIDROTERMAL ASSOCIADA À MINERALIZAÇÃO DE OURO NA SERRA DAS

PIPOCAS, SEQUÊNCIA METAVULCANOSSIDEMENTAR DE TROIA, CEARÁ

Autores: Naleto, J.L.C.1,2; Perrotta, M.M.1; Souza Filho, C.R.2, Costa, F.G.1,3

1

CPRM – Serviço Geológico do Brasil; 2 Universidade Estadual de Campinas; 3 Universidade Federal do Pará

O núcleo arqueano/paleoproterozoico da região central do Estado do Ceará (“Maciço de Troia”) é formado principalmente

por suítes TTGs neoarqueanas que hospedam greenstone belts paleoproterozoicos, conhecidos na literatura técnicocientífica

como unidades Troia e Algodões. Projetos privados recentes identificaram mineralizações de ouro na Unidade Troia,

no entorno da Serra das Pipocas, entre os municípios de Pedra Branca, Independência e Tauá. As mineralizações localizam-se

em zona de cisalhamento regional de direção NE-SW e estão associadas a veios de quartzo hospedados em metatonalitos,

metavulcânicas básicas e intermediárias e rochas metassedimentares.

A caracterização espectro-mineralógica de amostras de rocha (superfície e testemunhos) coletadas na região da Serra

das Pipocas foi realizada com intuito de gerar informações acerca da composição, propriedades físico- químicas e distribuição

espacial da alteração hidrotermal associada às mineralizações de ouro. Os espectros compreendem as faixas de comprimentos

de onda do visível ao infravermelho de ondas curtas (350 a 2.500 nm) e foram medidos em laboratório com o espectrorradiômetro

ASD-FieldSpec-3 Hi-Resolution. Os resultados indicam a ocorrência de assembleia hidrotermal consistente com

depósitos de ouro do tipo orogênico (mesotermal) alojados em greenstone belts. As paragêneses identificadas sugerem uma

gradação de fácies que variam desde rochas não alteradas hidrotermalmente (talco, actinolita, hornblenda, epidoto, paragonita),

progredindo sucessivamente para zonas de alteração mais intensa, sendo elas a zona da clorita, a zona do carbonato

(ankerita) e a zona da muscovita-pirita (fengita + biotita).

Os minerais de intemperismo incluem caulinita, montmorilonita, nontronita e goethita. O aumento na proporção de

mica branca nas amostras e a variação de sua composição tendendo a termos fengíticos (baixos Al e Na; altos Fe, Mg, K e Si)

foram identificados nos espectros em função do aumento da profundidade da absorção principal associada à ligação Al-OH

e da posição desta feição em comprimentos de onda em torno de 2.210 nm. A proporção Fe:Mg nas cloritas foi investigada a

partir do posicionamento da absorção em torno de 2.250 nm, que indicou uma variação de composição entre termos intermediários

e magnesianos, estes associados à alteração menos intensa.

O grau de cristalinidade e a substituição por Fe nas caulinitas foram investigados pela forma das feições duplas em torno

de 1.400 e 2.200 nm e pela profundidade da absorção em 2.240 nm. Nas amostras ricas em muscovita/fengita ocorrem as

caulinitas mais cristalinas e com fraca substituição por Fe. Para o modelo de depósito estudado, estes parâmetros espectromineralógicos

podem ser utilizados como indicadores diretos e indiretos do zoneamento hidrotermal e foram empregados

na integração com dados geológicos para a vetorização de direções de potencial crescente à ocorrência das mineralizações

auríferas na Serra das Pipocas.

Geologia E Recursos Minerais

USO DE DADOS AEROGEOFÍSICOS NO PROJETO BATÓLITO

DE PELOTAS – INTEGRAÇÃO GEOLÓGICA GEOFÍSICA

Autores: Stropper, J.L. 1 ; Lopes, W.R. 1 , Takehara, L. 1 ; Laux, J.H. 1 ; Scherer, O.B. 1 ; Provenzano, C.A. 1 ; Karczeski, J. L. 2

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil – SUREG-PA; 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Os aerolevantamentos geofísicos de magnetometria e gamaespectrometria são ferramentas importantes e vem sendo

utilizado em diversos estudos geológicos desde a década de 60. O Serviço Geológico do Brasil – CPRM, entre 2003 e 2015,

executou diversos levantamentos aerogeofísicos de alta resolução cobrindo quase que totalmente os terrenos cratônicos do

país. A CPRM está utilizando estas ferramentas na interpretação e integração dos dados geológicos, com desenvolvimento

de projetos de integração geológico-geofísico, e também, nos projetos voltados para recursos minerais, em projetos denominados

de Área de Relevante Interesse Mineral (ARIM). Os levantamentos geofísicos têm sido utilizados na interpretação

do contexto geológico do Escudo Sul-Riograndense desde a década 1970, que permitiu a compartimentação do Escudo em

diferentes terrenos/blocos, dentre os quais o Batólito Pelotas.

O projeto Batólito Pelotas (BP) classificado pela CPRM como ARIM e tem como objetivo a integração metalogenéticageológico-geofísica.

O projeto tem como ênfase o entendimento das mineralizações de estanho, tungstênio, chumbo e ouro,

associadas às rochas graníticas que ocorrem no BP. O BP corresponde a um complexo granito-gnáissico, com posicionamento

em diferentes níveis crustais e estágios de evolução e de deformação distintos, englobando xenólitos de rochas gnáissicas

intensamente deformadas, de formas e dimensões variadas. E é interpretado como batólito composto, multiintrusivo e polifásico,

relacionado ao Ciclo Brasiliano.

Os dados aerogeofísicos radiométricos indicam diferentes assinaturas para as mesmas suítes graníticas que poderão ser

indicativos de novas (ainda não cartografadas) unidades geológicas. Destaca-se ainda a utilização dos dados radiométricos

na identificação e correlação de padrões de alteração hidrotermal, importantes para estudos metalogenéticos. Além disto, é

possível obter informações mais detalhada de assinaturas radiométricas anômalas, recortando a área escolhida para reprocessamento

dos canais. Isto possibilita uma melhor definição das áreas mais anômalas que podem estar associadas às variações

faciológicas ou de alterações dentro de uma mesma unidade litológica. As grandes estruturas que cortam o BP podem

ser facilmente visualizadas nos mapas aeromagnéticos, cujos dados permitem visualizar variação no padrão estrutural do BP,

que podem ser associados com as suítes graníticas que compõem o BP.

O uso dos dados geofísicos permite direcionar e otimizar as atividades de campo, onde foi possível aperfeiçoar os contatos

litológicos cartografados no BP. Também foram delimitadas unidades com padrões aerogeofísicos distintos e que necessitam

de checagem. Em relação a recursos minerais, permitiu o estabelecimento de padrões relacionados a hidrotermalismo

para estudo das mineralizações, além de possibilitar a interpretação dos padrões estruturais relacionadas às mineralizações

conhecidas.

A utilização do levantamento aerogeofísico no Projeto Integração Geológica-geofísica do Batólito Pelotas permitiu a

otimização dos trabalhos de campo e reascende diversas discussões de caráter tectônico.

PALAVRAS-CHAVE:

ESPECTROSCOPIA DE REFLECTÂNCIA; OURO OROGÊNICO; COMPLEXO TROIA

PALAVRAS-CHAVE:

BATÓLITO PELOTAS; AEROGEOFÍSICA; INTEGRAÇÃO GEOLÓGICO-GEOFÍSICA

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Geologia E Recursos Minerais

NIVELAMENTO DE DADOS GEOQUÍMICOS

ENTRE LEVANTAMENTOS DISTINTOS

MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DA REGIÃO

METROPLITANA DE GOIÂNIA - GO

Geologia E Recursos Minerais

Autores: Hattingh, K.; Eberhardt, D.B.; Pitarello, M.Z.; Frasca, A.A.S.; Duque, T.R.F.

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Autores: Gollmann, K 1 ; Araújo, E.T 1 ; Pereira, L.F 1 ; Cabral, C.T 2 ; Rodrigues, A.P 2 ; Rivetti, M 2

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Secretaria de Desenvolvimento/FUNMINERAL – Fundo de Fomento à Mineração

O levantamento das informações geoquímicas existentes na área de estudo em geral é o subsídio inicial para a seleção

de alvos e tomada de decisão nos trabalhos de pesquisa mineral. O elevado custo das reamostragens e/ou reanálises químicas

fundamenta a necessidade de utilizar os dados históricos e, por vezes, torna-se fonte única de estudo e obtenção de

resultados. Os dados geoquímicos aos quais se recorrem são, em sua maioria, compilações regionais de campanhas realizadas

em diferentes épocas, por diferentes organizações e utilizando procedimentos laboratoriais distintos. A fim de assegurar a

qualidade dos dados e a apresentação fidedigna dos resultados que utilize fontes diferentes, é de fundamental importância

realizar o agrupamento por similaridade de metodologia de análise, tipo de amostra (sedimento de corrente, solo, rocha) e

similaridade litológica. Só então os dados devem ser tratados estatisticamente e nivelados.

Os dados utilizados neste trabalho foram normalizados pelo método percentis (Daneshfar e Cameron, 1998). Utilizou-se para

o estudo 60 análises de ICP-MS em amostras de sedimento de corrente em área pertencente à Folha Alvorada, próximos à cidade

homônima. Das análises, 30 foram realizadas pelo laboratório Acme e 30 pela Geosol, com diferença de 5 anos entre os

levantamentos. As amostras selecionadas foram aquelas coletadas no mesmo ponto em ambos os levantamentos (30 pares),

e foram correlacionadas para obtenção do coeficiente de correlação R2 (medida de associação linear entre variáveis). A linha

de regressão adequada aos pares de percentis, é a equação de linha de nivelamento.

Ao calcular essa linha de nivelamento, atribuiu-se mais peso aos percentis centrais, próximos à mediana, segundo padrão

apresentado por Daneshfar e Cameron (1998). Dentre os elementos analisados (Co, Ni, V, Cu, Pb, Zn, Au, Mo, W, Sn, Cs, Ga, Rb,

Ba, Sr, Y, Zr, Hf, Nb, Ta, Th, U, La, Ce, Yb e Lu), os que apresentaram correlação forte (0,7-1), qualificado de acordo com a proposta

de Dancey e Reidy (2005), foram Co, V, Cu, Pb, Zn, Mo, Cs, Rb, Ba, Hf, Ta, Th, La, Ce e Lu e correlação moderada (0,4-0,6) foram

Ni, Ga, Sr, Y, Zr e U. Conclui-se, portanto, que este método mostrou-se eficiente para estes elementos e podem ser trabalhados

em conjunto para os distintos levantamentos, facilitando o trabalho em escala regional por meio da identificação de regiões

anômalas e paralelismo dos fatores de correlação com a geologia.

PALAVRAS-CHAVE:

NIVELAMENTO, PERCENTIS, FOLHA ALVORADA

A Região Metropolitana de Goiânia (RMG) composta por 20 municípios, totaliza uma área de 7.315,152 km², possui

população de 2.068.767 habitantes, com densidade demográfica de 233,28 hab/km2. Realizou-se avaliação das diversas ocorrências

e depósitos de matérias primas minerais da RMG, tendo como alvo os insumos da construção civil, parte dos objetivos

propostos pelo Programa de Aceleração do Crescimento–PAC, para o setor mineral.

A região estudada contempla 27.000 Km2, pois as áreas produtoras encontram-se fora dos limites da RMG. A metodologia

constou de pesquisa bibliográfica, realização de ensaios tecnológicos e análises minerais, tabulação de dados e inserção em

base geológica atualizada. Tendo em vista a área de abrangência da RMG e suas características geológicas, realizou-se o trabalho

através da amostragem nos empreendimentos representativos para cada unidade geológica. Cadastrou-se 341 empreendimentos

minerários: 150 unidades de extração de areia; 109 pontos com olarias/lavras de argila; 30 extrações para brita;

10 minas de calcário e 42 de cascalho. Cada empreendimento visitado teve registrado aspectos como: localização e acesso;

tipologia de depósitos; caracterização física; reservas e fontes alternativas de suprimento. As ocorrências observadas relacionam-se

principalmente aos granulitos ortoderivados do Complexo Granulítico Anápolis-Itauçu, metacalcários da Sequência

Metavulcanossedimentar Anicuns-Itaberaí, granitos tipo Aragoiânia e Rio Piracanjuba, quartzitos do Grupo Araxá, Coberturas

Detrito-Lateríticas Ferruginosas e Depósitos Aluvionares.

A dificuldade em obter informações sobre reservas advém do trabalho informal e do regime de licenciamento, que não exige

cubagem desses recursos. Idealmente, esses insumos são produzidos próximo dos centros consumidores, para viabilização

econômica das jazidas. O custo do transporte por via terrestre é o principal responsável pelo encarecimento do preço final do

produto. Em oposição, a proximidade dos centros urbanos gera conflitos entre a mineração e o espaço urbano, impedindo o

usufruto do bem mineral devido à estruturação urbana instalada. O crescimento desordenado dos grandes centros, aliado às

restrições ambientais, inviabiliza o desenvolvimento da atividade mineral, seja pela ação política dos habitantes, ou pelo encarecimento

das propriedades. No setor de insumos, poucas empresas dedicam-se a abrandar impactos ambientais oriundos

das atividades de extração. Muitas vezes, os danos à natureza são explícitos e sem qualquer mitigação. O abandono precoce

das minas é frequente; assim como é notável a poluição do solo pelo acúmulo de lixo e a exaustão de jazidas pela falta de

planejamento. Experimenta-se, portanto o contraditório: o crescimento urbano provoca o aumento no consumo de rochas e

minerais industriais, que desempenham importante papel na balança comercial dos municípios produtores, no entanto, esse

mesmo crescimento urbano distancia e encarece a extração mineral.

Políticas estaduais e municipais são necessárias para estabelecer leis de zoneamento e um sistema de fiscalização. A produção

de conhecimento geológico e o desenvolvimento de tecnologias limpas para caracterização, extração e beneficiamento mineral

são fundamentais para identificar jazidas e minimizar impactos causados pela atividade. De posse dessas informações a

sociedade e o poder público podem organizar e refinar o conhecimento sobre os recursos naturais e planejar o processo de

urbanização. A exploração com base sustentável, qualificação profissional e investimento em tecnologias é o melhor caminho

para o desenvolvimento.

PALAVRAS-CHAVE:

INSUMOS MINERAIS, REGIÃO METROPOLITANA DE GOIÂNIA, CONSTRUÇÃO CIVIL

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Geologia E Recursos Minerais

AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE TERRAS RARAS NO BRASIL

Autores: Takehara, L. 1 ; Almeida, M.E. 1 ; Silveira, F.V. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Os depósitos e ocorrências de elementos terras raras (TR) no país são conhecidos e estão associados aos complexos

alcalinos carbonatíticos, rochas graníticas diferenciadas e depósitos de placers. A Província Ígnea do Alto do Paranaíba

tem os principais depósitos de TR associados aos complexos alcalinos carbonatíticos de nióbio e fosfato, onde

os TR poderão ser extraídos como subproduto durante o processamento do minério. Em outras regiões, os complexos

alcalinos mineralizados apresentam problemas logísticos como Morro dos Seis Lagos (AM), ou pequeno volume, como

Barra do Itapirapuã (SP/PR). O principal mineral de minério deste tipo de depósito é a monazita, e pode estar associado

aos minerais secundários como fosfato aluminoso de TR. Em Araxá (MG), o projeto em fase mais avançada está sendo

executado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que está produzindo 100 toneladas/mês de

bicarbonatos e hidróxidos de TR desde 2013.

As rochas graníticas tardias são enriquecidas em TR e podem gerar mineralizações de TR. Dentro desta tipologia de

depósitos há duas minerações realizando estudos de viabilidade econômica: Mineração Taboca SA no depósito de Pitinga

em Presidente Figueiredo (AM) e a Mineração Serra Verde

SA no Granito Serra Dourada em Minaçu (GO). O mineral

de minério de Pitinga é a xenotima que ocorre como cristais

prismáticos milimétricos e podem ocorrer na forma de

veios associados ao processo de fraturamento que corta

o corpo álcali-granito Madeira. A mineralização econômica

do granito Serra Dourada está relacionado ao saprolito

que ocorre sobre o biotita granito, denominada como depósito

tipo íons adsorvidos em argilas.

O potencial brasileiro para TR é grande, sendo a segunda

maior reserva mundial, com 22 Mt de reserva lavrável

de óxidos de terras raras (OTR). Esta reserva poderá

ser maior quando os projetos em desenvolvimento finalizarem

os seus estudos de viabilidade econômica. Apesar

deste cenário, não há vantagem do país em relação aos

demais países, isto porque é necessário forte investimento

no desenvolvimento das rotas tecnológicas para cada

depósito. Cada tipo de minério exige rota adequada para

ser economicamente viável. Além disto, são processos caros,

de baixo rendimento e altamente poluente. O ponto

favorável do Brasil está no fato das mineralizações de TR

estarem associadas a bens minerais que já estão sendo minerados,

pois minimiza os custos de mineração.

O interesse TR deve-se às oscilações que ocorreram no seu mercado nos últimos anos. Isto fez com que, em diversos

países, empresas de mineração buscassem por novos depósitos ou reabertura /reavaliação de minas paralisadas e depósitos

potenciais. No Brasil, diversos setores públicos e privados iniciaram debates para viabilização da exploração ao consumo de

TR. Dentro do Plano Nacional de Mineração 2030, coube ao Serviço Geológico do Brasil – CPRM, entre outras questões, a

identificação de alvos de minerais estratégicos para a indústria de alta tecnologia. O Projeto Avaliação do Potencial de Terras

Raras no Brasil foi um dos instrumentos governamentais com objetivo de identificar o potencial brasileiro deste bem mineral.

O desenvolvimento da cadeia produtiva de TR depende de esforço governamental, fator mercadológico e desenvolvimento

tecnológico.

PALAVRAS-CHAVE:

Mapa com a distribuição dos principais tipos de depósitos no Brasil.

TERRAS RARAS, CARBONATITOS, ROCHAS GRANÍTICAS, PLACERS

Geologia E Recursos Minerais

ENSAIO DE CLASSIFICAÇÃO ESPECTROMINERALÓGICA

POR ESPECTROSCOPIA DE REFLECTÂNCIA E DE

IMAGEAMENTO DA REGIÃO DA MINA DE SCHEELITA

DE BREJUÍ, FAIXA SERIDÓ (RN), PROVÍNCIA BORBOREMA

Autores: Costa, M.A.C. 1,2 ; Perrotta, M. M. 1 ; Souza Filho, C. R. 2

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Situada na porção norte-nordeste da Província Borborema, a

Faixa Seridó é historicamente conhecida pelas suas ocorrências de

tungstênio e ouro, além de molibdênio, nióbio, tântalo, lítio, berílio

e estanho. Os depósitos de tungstênio na área estão relacionados

principalmente à scheelita, formada em escarnitos de contato entre

intrusões ígneas neoproterozoicas e mármores. Recentemente,

o Serviço Geológico do Brasil – SGB/CPRM adquiriu novos dados a

partir de sensor hiperespectral (ProSpecTIR-VS, 357 bandas VNIR-

SWIR, com resolução de 2 m) na área da mina scheelitífera de Brejuí,

situada no município de Currais Novos (RN). O método de classificação

espectral empregado foi o Spectral Angle Mapper (SAM). A partir

das assinaturas espectrais dos endmembers selecionados para cada

faixa de voo, foram classificados os demais pixels da imagem.

Cada faixa de sobrevoo gerou em média 25 diferentes classes

espectrais. As classes de espectros similares foram agrupadas, inicialmente

dentro de cada faixa e, posteriormente, entre as diversas Mapa de localização da área de estudo (Mina de Brejuí)

faixas, para homogeneização da classificação. Os endmembers relativos

à vegetação, às estradas e às construções civis foram descartados. Entre os pixels/classes com assinatura espectral correspondente

a fases minerais, os estudos preliminares permitiram diferenciar 3 grandes grupos de minerais: argilominerais (caulinita, dickita, nacrita);

mistura argilominerais + esmectitas + carbonatos (caulinita/nacrita + nontronita + calcita ou epidoto); ilita/muscovita. No âmbito da Espectroscopia

de Reflectância, foram analisadas 10 amostras (via espectrorradiômetro ASD-FieldSpec-3 Hi-Resolution), coletadas no interior

da mina de scheelita de Brejuí, e que correspondem a distintas associações minerais de alteração hidrotermal gerada pelo depósito.

Foram identificados os seguintes minerais: calcita, actinolita, epidoto, ilita (tendência fengítica), clinocloro (Mg-clorita),

gipso e nontronita. A calcita, de cor laranja, corresponde ao mineral recristalizado por efeito metassomático na rocha encaixante

(mármore) que hospeda a mineralização. A actinolita está associada à paragênese de alta temperatura (escarnitos

primários ou progradacionais). Os demais minerais identificados estão associados à paragênese de baixa temperatura (escarnitos

retrogradacionais), onde se concentram os maiores teores de tungstênio.

Nota-se uma predominância de minerais ferromagnesianos e cálcicos, onde as assinaturas espectrais das paragêneses

hidrotermais nos permitem delimitar um intervalo preferencial de bandas de absorção, comum às diversas fases minerais, entre

2.320 e 2.345 nm (SWIR). Nesse sentido, o mapeamento preliminar com base nos dados hiperespectrais individualizou uma classe

de grande interesse mineral nas proximidades da Mina de Brejuí, que possui uma importante banda de absorção em 2.341

nm, coincidente com o intervalo de bandas de absorção presentes em muitos minerais que compõem a assembleia de alteração

hidrotermal do depósito. Em campo, as ocorrências desta classe espectral coincidem com rochas de cor verde claro com tons

alaranjados, descritas como calcissilicáticas (ou mármores hidrotermalizados).

PALAVRAS-CHAVE:

SENSORIAMENTO HIPERESPECTRAL,

esPECTROSCOPIA DE REFLECTÂNCIA, FAIXA SERIDÓ

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Geologia E Recursos Minerais

METAPIROCLÁSTICAS FÉLSICAS DO GREENSTONE BELT RIO DAS

VELHAS, REGIÃO DE PITANGUI, NW DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO/MG

Geologia E Recursos Minerais

ESTRATIGRAFIA DAS FORMAÇÕES MORRO DO CALCÁRIO

E LAPA NA REGIÃO DE MORRO AGUDO, PARACATU – MG

Autores: Marinho, M.S. 1 ; Dreher, A.M. 2 ; Silva, R.N.1; Di Salvio, L.P.P. 1 ; Brito, D.C. 1 ; Feboli, W.L. 1 ; Silva, M.A.

1

CPRM - Superintendência Regional de Belo Horizonte; 2 CPRM, Escritório do Rio de Janeiro

Autores: Sotero, M.P. 1 ; Dias, P.H.A 1 ; Marinho, M.S 1 ; MAtos, C.A 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

O Greenstone Belt Rio das Velhas (GBRV) compreende um conjunto de rochas metavulcanossedimentares de idade arqueana

que aflora na porção meridional do cráton São Francisco, região conhecida como Quadrilátero Ferrífero (QF). Em sua extremidade

noroeste, entre os municípios de Pitangui/MG e Pará de Minas/MG, o GBRV desenvolve uma calha sinformal de direção

NW-SE. Essa calha é limitada a sudoeste e nordeste pelo embasamento granito-gnáissico e granitoides arqueanos e é recoberta

a norte e noroeste por sedimentos neoproterozoicos do Grupo Bambuí.

Este segmento do GBRV pode ser dividido em três grandes sequências. A sequência basal é composta por metavulcânicas

máficas, com intercalações de metaultramáficas e de metassedimentos clásticos e químicos. A sequência intermediária é metavulcanoclástica

na base, gradando para uma unidade metassedimentar clástica com intercalações de metassedimentos químicos e

níveis metavulcânicos. A sequência de topo possui caráter molássico e contem quartzitos e metaconglomerados. A região destacase

também pela presença de rochas peraluminosas, oriundas de intensa alteração hidrotermal de parte dessas unidades.

Os trabalhos de mapeamento geológico realizados na região pelo Serviço Geológico do Brasil-CPRM, no âmbito do projeto

Evolução Crustal e Metalogenia do QF, possibilitaram a identificação de rochas metapiroclásticas félsicas, intercaladas nas sequências

basal e intermediária do GBRV. As rochas estão metamorfisadas em fácies xistos verdes e compreendem metatufos de

fluxo (metaignimbritos) e a metatufos de queda (metatufos de ash-fall). Parte dos tufos de queda corresponde a tipos contendo

lapilli acrescionários, sendo esta, a primeira referência a rochas deste tipo no GBRV.

Os metaignimbritos da sequência basal ocorrem como lentes em meio a actinolita-plagioclásio xistos e plagioclásio-clorita

xistos derivados de basaltos, e estão associados a cloritóide-mica-xistos, filitos carbonosos, formações ferríferas bandadas

e metacherts. São rochas foliadas, cinza avermelhadas, de

granulação fina a média. Ao microscópio exibem cristais

maiores de quartzo com bordas corroídas (embayments) e

remanescentes de partículas de púmice com textura vesicular

ainda discernível, em meio a uma matriz fina à base

de quartzo, feldspato e muscovita orientada, com rutilo, turmalina

e cloritóide finíssimos dispersos.

Na sequência intermediária ocorrem meta-aglomerados

e metatufos na sua porção mais basal, associados a metassedimentos

clásticos e calcissilicáticos. Metatufos félsicos ocorrem

também na parte superior da unidade metassedimentar,

onde se associam a filitos, meta-arenitos imaturos, metacherts

e formações ferríferas bandadas. Os metaignimbritos são de

(Esquerda) Fotomicrografia exibe cristal de quartzo com golfos

de corrosão emmetaignimbrito félsico da sequência basal (LPX).

(Direita) Aspecto microscópico de metatufo contendo lapillis

acrescionários fortemente zonados (LPP)

cor cinza, foliados, formados por pequenos cristais de quartzo, litoclastos derivados de outros tufos, e partículas de tamanho variado

de púmice estiradas e onduladas. Os metatufos de queda são geralmente de cor creme e de grão muito fino. Parte deles são tufos de

cristais, formados por diminutos grãos angulosos de quartzo, feldspato e partículas líticas envoltos numa matriz microcristalina félsica

rica em filossilicatos (sericita, pirofilita), com pontuações dispersas de rutilo e cloritóide. Os tufos com lapilli acrescionários possuem

uma matriz de sericita finíssima e quartzo, provavelmente derivada de cinza vítrea, dentro da qual se destacam corpos de tamanho

lapilli elípticos, de 0,5 a 3 mm, impregnados por limonita e com estrutura interna concentricamente zonada. Estes tufos com lapilli

acrescionários ocorrem junto a metacherts e foram provavelmente depositados em ambiente subaquoso.

A região de Morro Agudo, situada a sul da cidade de Paracatu, está inserida no contexto do domínio externo da Faixa

Brasília, e é caracterizada por uma sequência pelítica-carbonática pertencente ao Grupo Vazante. A estratigrafia desse grupo

foi formalmente definida na região da cidade de Vazante (MG), onde existem diversos trabalhos que balizam o entendimento

da estratigrafia. Entretanto, na região de Paracatu, existe uma grande lacuna no conhecimento estratigráfico em relação a

essa unidade. Com intuito de agregar mais informações estratigráficas, em 2015, a CPRM realizou um projeto onde foram estudados

seis testemunhos de sondagem estratigráfica, referentes ao Projeto Sondagem Bambuí da CPRM na década de 1980.

Os trabalhos atuais consistem em uma redescrição geológica de cerca de seis mil metros de testemunho, que interceptam

principalmente as formações Morro do Calcário e Lapa, gerando novos logs dessas sondagens e interpretações do empilhamento

estratigráfico para a região.

Na região, a Formação Morro do Calcário é composta por uma espessa sequência dolomítica com níveis pelíticos que

sobrepõe a sequência siliciclástica da Formação Serra do Garrote. Esse contato basal é tectonizado e marcado por falhas verticalizadas

normais/inversas. A base da Formação Morro do Calcário é composta predominantemente por dolomito laminado

(dolossilttito/dololutito), mostrando laminações irregulares, intercalado com estromatólitos colunares e estratos de dolomito

maciço, além de dolarenitos. Em direção ao topo, grada para um pacote de dolarenito a dolarenito conglomerático. Os dolarenitos

possuem intraclastos de dolomito laminado e de dolarenito, pelóide e são marcados por intensa cimentação espática.

Em meio ao pacote de dolarenito é comum a ocorrência de camadas de dolossiltito/dololutito e ardósia carbonática. A ardósia

é cinza escura, geralmente laminada, com contribuição de matéria carbonosa e, por vezes, podem ocorrer clastos dispersos

de dolomito, formando brechas com matriz argilosa. No topo da Formação Morro do Calcário predomina um pacote de

brecha dolomítica com matriz dolarenitica intercalada com camadas de dolarenitos. Essa fácies de topo hospedam a principal

mineralização de zinco sulfetado da região.

A Formação Lapa sobrepõe a Formação Morro do Calcário em discordância erosiva e apresenta geralmente o contato

tectonizado. Esse pacote encontra-se intensamente deformado, mostrando duplicamento da sequência e intercalação tectônica

com a Formação Serra do Landim (unidade de topo), dificultando um pouco o empilhamento estratigráfico da sequência.

Essa unidade é composta essencialmente por ardósia e ritmito (silto-arenoso), com considerável contribuição de matéria

carbonosa, além de dolomito argiloso, ardósia carbonática e dolarenito. O dolarenito é uma importante e contínua fácies da

Formação Lapa, a qual comumente apresenta bolsões ou filões ricos em dolomita branca e sulfetos (pirita/galena/esfalerita).

Em alguns furos, onde o contato basal não está tectonizado, a base dessa formação é marcada por diamictito, mostrando fragmentos

(grânulos a matacões) de dolomitos/dolarenitos imersos em matriz argilo-carbonática cinza escura (rica em matéria

orgânica). O contato de topo da Formação Lapa é marcado por empurrões da Formação Serra do Landim.

Essa sequência pelítica-carbonática, descrita nos furos da região de Paracatu, mostra uma notável variação lateral de

fácies no empilhamento estratigráfico, com aumento da contribuição siliciclástica em direção ao norte.

PALAVRAS-CHAVE:

GRUPO VAZANTE; ESTRATIGRAFIA; MORRO AGUDO

PALAVRAS-CHAVE:

metatufos félsicos, lapilli acrescionários,

GReenstone belt Rio das Velhas

92 93


Geologia E Recursos Minerais

O NEOPROTEROZOICO E A SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO DAS

ROCHAS ORNAMENTAIS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

Autores: Maria A. B. Lima 1 ;Vanildo A. Mendes 1 ; André Spisila 1

1

Pesquisadores em Geociências CPRM Companhia de Pesquisa

O território do Rio Grande do Norte, devido à variedade litológica e ampla exposição das rochas que compõem seu

embasamento cristalino, mostra vasta possibilidade de excelentes jazimentos de rochas para fins ornamentais. Insere-se na

chamada Subprovíncia Potiguar, a qual se mostra limitada em sua porção noroeste pela zona de cisalhamento de Portalegre

e no seu limite sul pelo Lineamento Patos. Apresenta-se representada pelos domínios São José do Campestre, Rio Piranhas,

Granjeiro e Faixa de dobramentos Seridó. Os três primeiros são constituídos de rochas de idades arqueanas a paleoproterozoicas,

contendo uma associação de gnaisses e migmatitos de alto grau com faixas de supracrustais subordinadas, além de

plutonismo gabroanortosítico associado.

Nas áreas concernentes as litologias arqueanas afloram tonalitos, trondhjemitos e granitoides, incluindo faixas de terrenos

tipo Greenstone Belt (Terreno São José do Campestre e Granjeiro). O Neoproterozoico, nesta entidade, acha-se representado

pela faixa de Dobramentos Seridó e pelo intenso plutonismo intrusivo nos domínios acima referenciados. Incluso no São

José do Campestre têm-se o Granito Preto São Marcos, associado à gabros e noritos. Dentro dos terrenos acima referenciados

a Faixa de Dobramentos Seridó é a que encerra a maior quantidade de jazimentos de rochas para fins ornamentais detectados

no embasamento cristalino do estado. A entidade em apreço mostra-se formada pelo Quartzito Equador, Metaconglomerado

Parelhas, Gnaisses Jucurutu e Biotita-xistos da Formação Seridó. Intrudidos nesta sequência metamórfica têm-se plutonismo

cedo, sin, tardi e pós-brasiliano, representados pelas suítes Itaporanga, Dona Inês, Umarizal, Catingueira e São João do Sabugi.

Esta assembleia litológica propiciou a formação de uma série de jazimentos de rochas ornamentais, constituída por materiais

exóticos de excelente aceitação no mercado internacional de produtos pétreos. Associados aos metaconglomerados

polimíticos e monomíticos do denominado Membro Parelhas, ocorre os denominados granitos Verde Fashion, Verde Gauguin

e Verde Rei Imperial. Relacionados à fase pós-tectônica tem-se a sequência pegmatítica, a qual se insere os granitos pegmatóides

comercialmente conhecidos como: Branco Fuji, Branco Borborema e Vermelho Bordeaux, estes litotipos caracterizam-se

por apresentar granulação grosseira, textura pegmatítica e aspecto multicolorido.

Associados aos biotita-xistos granadíferos da Formação Seridó têm-se os tipos Black Stones que se constituem de biotita

xistos intensamente dobrados, de cor escura e admirável aspecto estético. Inclusos nos charnockitos Neoproterozoicos,

detectados em Patu e Janduís, ocorre o granito Verde Borborema. Ainda associado aos granitoides sin a tardi tectônicos de

composição alcalina, peralcalina e leucogranítica, ocorrem os jazimentos do granito Rosa Iracema. Os leucogranitos da Suíte

Dona Inês podem conter jazimentos de rochas claras do tipo cinza-esbranquiçado exemplificados pelos denominados Branco

Acari e Branco Elite. No que concerne aos plutonitos da Suíte Umarizal, constituída por gabros, grabonoritos e dioritos podese

encontrar ocorrências de granitos preto do tipo “Nero Vero” de reconhecida aceitação no contexto das rochas ornamentais.

Geologia E Recursos Minerais

LITOFÁCIES E TIPOS COMPOSICIONAIS DAS ROCHAS

VULCÂNICAS DO GRUPO COLÍDER (1,80 – 1,79 GA) NA

REGIÃO DE APUÍ-NOVO ARIPUANÃ, SUDESTE DO AMAZONAS

Autores: M.S. Simões 1 ; P.R.R. Benevides Filho 1 ; R.E. Meloni 1 ; A.R.C.Silva 1 ; N.J. Reis 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Manaus

O Cráton Amazonas registra um expressivo vulcanismo paleoproterozoico a mesoproterozoico com idades entre 2,0 Ga

e 1,5 Ga. Na região sudeste do Amazonas (Província Rondônia-Juruena), nos municípios de Apuí e Novo Aripuanã, as rochas

vulcânicas de 1,80 Ga a 1,79 Ga são incluídas no Grupo Colíder, uma associação de rochas cálcio-alcalinas de alto-K. Estas

rochas são recobertas parcialmente pelos arenitos, pelitos e vulcanoclásticas do Grupo Vila do Carmo (1,76-1,74 Ga), por arenitos

e siltitos paleozoicos do Grupo Alto Tapajós e por terraços sedimentares quaternários.

No presente trabalho nós apresentamos a descrição de litofácies dessa unidade com base em dados de mapeamento

geológico e petrografia. Os tipos composicionais foram identificados por meio do conteúdo de óxidos maiores, que foi

detectado pela técnica de fluorescência de raios-X. O vulcanismo do Grupo Colíder na área de estudo é dividido em dois

grupos composicionais-texturais: (1) ao sudeste da sede municipal de Apuí, sul da Rodovia Transamazônica (BR-230) afloram

litofácies de tufos líticos maciços ricos em cristais (LTmrc) e

de tufos líticos ricos em púmice com textura eutaxítica (LTpe).

Os ignimbritos ricos em cristais mostram baixo grau de seleção

dos abundantes cristaloclastos de quartzo, K-feldspato, biotita,

plagioclásio, opacos e allanita. Em alguns locais mostram texturas

vitroclásticas fluidais, indicando soldagem em alta temperatura,

além de feições de deformação no estado sólido, como estiramento

e desenvolvimento de caudas de recristalização em

cristais de quartzo e feldspato; (2) nos interflúvios entre os rios

Aripuanã e Acari, ao norte da BR-230, inclusive no garimpo Eldorado

do Juma, ocorrem feno-traquitos e feno-latitos porfiríticos

(FTp, FLp) com aproximadamente 15-45% de fenocristais

e localmente tufos vítreos e à cristal fortemente soldados com

foliações e dobras de fluxo reomórfico (TFreo).

Quimicamente, os ignimbritos ricos em cristais ao sul da

BR-230 são riolitos com 70-74% em peso de SiO2 e cerca de 5%

em peso de K2O. Já os feno-traquitos são riolitos (TAS) ou álcali

-riolitos (R1-R2) com ~70% de SiO2 em peso e elevado conteúdo

de K2O (~7% em peso) e razões K2O/Na2O entre 3,5 e 4. Estes valores

sugerem uma afinidade com séries magmáticas potássicas

a ultrapotássicas saturadas em sílica. A identificação de dois tipos composicionais de riolitos com associações de fácies distintas

sugere que o vulcanismo do Grupo Colíder, no sudeste do Amazonas, foi composto por um evento (1) dominantemente piroclástico,

associado a correntes de densidade piroclásticas, de composição modal e química riolítica, cujo armazenamento pode estar

associado a granitoides da Suíte Juruena (~1,81-1,78 Ga). O outro evento (2) é caracterizado por extensas intrusões porfiríticas. O

alto conteúdo de fenocristais com baixo conteúdo de cristaloclastos aponta para uma colocação na forma de intrusões hipabissais.

Afloramentos pontuais de lapilitos, tufos e ignimbritos reomórficos indicam que a manifestação subaérea desse vulcanismo

foi piroclástica. Considerando as diversas ocorrências auríferas hospedadas em rochas vulcânicas e sedimentares na região, a

discriminação de eventos pode auxiliar na pesquisa para prospecção de Au, tendo em vista os diferentes processos de perda de

gases e percolação de fluidos hidrotermais para cada estilo eruptivo e modelo deposicional.

PALAVRAS-CHAVE:

CRÁTON AMAZONAS, GRUPO COLÍDER, RIOLITOS

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Geologia E Recursos Minerais

NIVELAMENTO ESTATÍSTICO DE DADOS GEOQUÍMICOS

ANALISADOS POR TRÊS LABORATÓRIOS DISTINTOS NA REGIÃO

DO PROJETO JURUENA-TELES PIRES-ARIPUANÃ – AM/MT

Autores: Pitarello, M.Z. 1 ; Eberhardt, D.B 2

CPRM - 1 Serviço Geológico do Brasil (SUREG-MA); 2 Serviço Geológico do Brasil (SUREG-GO)

Geologia E Recursos Minerais

ARCABOUÇO FACIOLÓGICO E CONTEXTUALIZAÇÃO

TECTONOESTRATIGRÁFICA DAS SUCESSÕES

VULCANOSSEDIMENTARES DO GRUPO VILA DO CARMO

(1,76-1,74 Ga) NA REGIÃO DE APUÍ-NOVO ARIPUANÃ,

SUDESTE DO AMAZONAS

O projeto ARIM Juruena-Teles Pires-Aripuanã, composto por 15 folhas (1:250.000) localizadas na divisa entre os estados

do MT e AM, teve entre seus objetivos a geração de informações para norteamento de novas pesquisas exploratórias e descobertas

de jazidas minerais. Nesse sentido, a geoquímica de exploração tem um importante papel, auxiliando na identificação de

compartimentos geoquímicos, unidades não mapeadas e ocorrências anômalas, que podem refletir depósitos minerais. O tratamento

estatístico foi realizado a partir de dados geoquímicos de projetos históricos da CPRM. Foram recuperados 3772 pontos

de sedimento de corrente, distribuídos em três grupos de acordo com os laboratórios que realizaram as análises (ACME, Geosol

e Intertek), levando à necessidade de realização de nivelamento estatístico, para que os dados não reflitam diferenças laboratoriais,

somente os processos geoquímicos que atuaram na região.

Os dados da Geosol foram escolhidos como base e dois nivelamentos independentes foram realizados. Os procedimentos

utilizados seguem a metodologia de Daneshfar & Cameron (1998). Quanto ao conjunto de dados Intertek-Geosol, 25 elementos

permaneceram no tratamento após a exclusão dos que apresentaram mais de 30% de dados censurados. Durante o nivelamento,

17 elementos mostraram boa adequabilidade dos dados às retas obtidas, com elevada correlação entre os percentis dos dois

projetos: Ag-Ba-Ca-Cd-K-Li-Mg-Mn-Pb-Ti-V (R²>0,9), Al-La-Zn-Zr (R²=0,8-0,9), Y (R²=0,78) e Au (R²=0,68). Entretanto, 8 elementos

mostraram-se inadequados, impossibilitando sua utilização: Cu-Cr-Co-Fe-Ga-Ni (R²0,9), Sb-Ti-Y-W (R²=0,8-0,9), Ga e Sn (R²=0,7-0,8) e Zr (R²=0,68). Oito mostraram-se inadequados para

o nivelamento, impossibilitando sua utilização: Ni-Pb-U (R²


Geologia E Recursos Minerais

CARTOGRAFIA GEOLÓGICO-GEOFÍSICA DA REGIÃO DA SERRA GRANDE:

UMA ASSOCIAÇÃO AMCG NA REGIÃO CENTRAL DE RORAIMA

Autores: Lira, R.R.C. 1 ; Oliveira, V.S. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

A Suíte Serra Grande, situada no centro-sul do Escudo das Guianas e relacionada ao Domínio Guiana Central possui um

arcabouço com estruturação NE-SW. A região de Serra Grande reúne charnockitos e granitos rapakivi intrusivos em ortognaisses

Paleoproterozoicos do Complexo Rio Urubu (1,97-1,95 Ga). Estes charnockitos e granitos rapakivi foram correlacionados previamente

ao magmatismo AMG Mucajaí (1,56-1,53 Ga), entretanto, mais recentemente, idades obtidas na região indicam se tratar

de um evento aproximadamente 100 Ma mais jovem. Os resultados aqui apresentados são decorrente dos trabalhos do Projeto

Integração Interpretação Geofísica Geológica do Bloco Norte da Amazônia (Folha Na.20-X-D Boa Vista), utilizando-se de dados

aeromagnetométricos (MAG) e aerogamaespectrométricos (GAMA) recortados do Projeto de Aerolevantamento Centro- Leste

de Roraima, ambos os projetos realizados pela CPRM.

Estes dados foram corrigidos e processados de modo a gerar imagens que auxiliassem na interpretação qualitativa das

unidades litoestratigráficas e suas diferenças faciológicas internas. Utilizando os dados dos canais de K (%), eTh (ppm) e eU (ppm),

foi gerado o mapa ternário com falsa cor RGB, nos quais foram interpretados domínios gamaespectrométricos que definiram as

assinaturas geofísicas da Serra Grande. Índices para cada canal K(%), eTh (ppm) e eU (ppm) foram estabelecidos entre baixo (1),

médio (2) e alto (3) e sua combinação forneceu a assinatura geofísica GAMA. No âmbito estrutural, foi levado em consideração

os produtos magnéticos de Amplitude do Sinal Analítico (ASA), Primeira Derivada Vertical (DZ), Gradiente Horizontal Total (GHT),

Inclinação do Sinal Analítico (ISA), que serviram de base para a extração de informações acerca dos contatos entre unidades e

dos lineamentos magnéticos.

Na região da Serra Grande, inicialmente as assinaturas GAMA 233 e 333 foram interpretadas como relacionadas a rochas

da Suíte Mucajaí (biotita-hornblenda-granito a quartzo-monzonitos com textura rapakivi), enquanto as assinaturas GAMA 311,

331 e 332 sugerem correlação com rochas pertencentes ao Anortosito Repartimento (anortositos, olivina gabros e gabro noritos).

Entretanto, dados preliminares de campo indicam que estes litotipos estão restritos apenas a granitos rapakivi, mangeritos

e charnockitos, mostrando a necessidade de uma reavaliação cartográfica e geológica local destas anomalias. A falta de informações

acerca da existência do anortosito no contexto do magmatismo Serra Grande pode inviabilizar a classificação deste

como uma associação AMCG. Uma correlação entre os dados geofísicos, servindo de base para uma classificação de litofácies,

associadas à etapa de campo, com amostragem, classificação petrográfica e química-isotópica, tornará possível futuramente estabelecer

com precisão a presença (ou não) de uma associação AMCG na região da Serra Grande e permitindo sua comparação

com o AMG Mucajaí.

PALAVRAS-CHAVE:

AMCG, GAMAESPECTROMETRIA, RORAIMA

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Geologia E Recursos Minerais

GEOQUIMICA ISOTOPICA NA RECONSTRUÇÃO

PALEOAMBIENTAL DA FORMAÇAO IPUBI (PORÇAO

SUPERIOR DO GRUPO SANTANA - POS- RIFTE I) BACIA

DO ARARIPE/NOROESTE DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Geologia E Recursos Minerais

POTENCIAL REATIVO ÁLCALI-AGREGADOS DE GRANITOIDES

DA REGIÃO METROPOLITANA DE FLORIANÓPOLIS, SC.

Autores: Zwirtes, S. 1 ; Hammes, D.F. 1 ; Sander, A. 1,2 ; Camozzato, E. 1 , 2

1

CPRM - Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/São Leopoldo – Escola Politécnica

Autores: Barros, S.D.S. 1; Horn, B.L.D. 1 ; Santos, R.B. dos 1 ; Rocha, D.E.G.A. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

A Bacia do Araripe é a mais extensa das bacias cretáceas interiores do nordeste do Brasil, e está situada na parte centro-sul

do Planalto da Borborema, no limite dos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Notadamente apresenta uma evolução

tectono-sedimentar complexa suportando de forma descontinua sedimentos de idade paleozóica (pré-rifte) a cretácea

(pós-rifte I e II). As sequências pós-rifte I e II dispostas na direção E-W constituem a chapada, onde os estratos exibem um

topo horizontal mergulhando suavemente para norte e oeste. A proposição de um modelo que retrate as características paleoambientais

da porção intermediaria da sequencia pós-rifte I (Fm. Ipubi) na porção noroeste de Pernambuco, ainda exige

muita discussão. Essas rochas afloram na base da chapada ou estão dispostas sobre o embasamento cristalino e são exploradas

como minas a céu aberto. A partir do detalhamento nas minas, foram identificadas seis fácies na Fm Ipubi: quatro facies

evaporíticas (sendo apenas duas deposicionais), duas fácies carbonáticas e duas siliciclásticas.

Nessa região está instalado o Polo Gesseiro do Araripe responsável pela extração de aproximadamente de 90% do gesso

consumido no mercado nacional. Do ponto de vista econômico o grau de pureza de 98% da gipsita permite o aproveitamento

e produção do produto final. Entretanto, a indefinição das condições ambientais em que os depósitos foram gerados não permite

a mecanização da explotação, e em alguns casos inviabiliza a extração do bem mineral. Até o momento não existe um

consenso sobre a gênese dos depósitos evaporíticos da Fm. Ipubi. Nesse contexto a utilização de isótopos estáveis (C, O e S),

amplamente utilizados em sedimentologia, fornecerá indicadores sobre as condições deposicionais e faciológicas da referida

formação em amostras coletadas nas minas. Os resultados do isótopo de enxofre (ð34S) obtidos nas diversas fácies de gipsita

variam de 14.5 a 17.7‰(V-CDT).

Quanto aos resultados dos isótopos de ð13C e ð18O coletados nas fácies carbonáticas associadas à gipsita foi observado

uma significativa amplitude: ð13C varia de -9.0 a -10.5‰PDB e o ð18O varia de 0.1 a -6.0‰PDB. Algumas proposições são

observadas com base na literatura. As rochas da Formação Ipubi são datadas do Aptiano-Albiano, nesse período a assinatura

de ð34S para ambiente marinho varia de 13 a 15‰(V-CDT) valores próximos aos encontrados na Formação Ipubi. Enquanto

para os isótopos de ð13C e ð18O na literatura os valores para os carbonatos marinhos estão próximos de 0‰PDB, mas apesar

variação os valores podem ser interpretados como mais de um corpo de agua ou diferentes momentos na precipitação da

gipsita em ambiente com associação de agua do mar em alguns momentos.

A Região Metropolitana de Florianópolis (RMF; LC636/14 de 09/set/2014) engloba 22 municípios, incluindo os da denominada

Área de Expansão Metropolitana. A maioria deles estabelecidos sobre litologias do Escudo Catarinense, especialmente

granitoides do Batólito Florianópolis e, em menor área, sobre metamorfitos do Complexo Brusque, aflorante apenas na área

de expansão da porção norte da RMF. Rochas sedimentares da Bacia do Paraná afloram particularmente no oeste da área de

expansão da RMF; enquanto os sedimentos cenozoicos da Planície Costeira afloram na totalidade da porção litorânea da RMF.

Os granitoides do Batólito Florianópolis, expostos inclusive na região insular da sede estadual, englobam rochas metamórficas

(Formação Queçaba e Complexo Águas Mornas) e se limitam com o Complexo Brusque através de zona de cisalhamento transcorrente

(Major Gercino) caracterizada por litologias significativamente deformadas.

A reação álcali-agregado que ocorre nos concretos é uma patologia desenvolvida, de maneira simplificada, pela reatividade

química entre álcalis do cimento e os dois outros componentes da mistura, o agregado e a água. Resulta num gel expansivo

que causa tensões internas no concreto e induz a fissuras e perda de resistência estrutural. As reações são de três tipos: 1)

álcali-sílica, pela presença de sílica amorfa (opala, calcedônia, cristobalita, vidro vulcânico) e/ou quartzo micro-/criptocristalino

deformado; 2) álcali-silicato, caso particular e mais lento da reação álcali-sílica, com minerais reativos disseminados na matriz das

rochas; e 3) álcali-carbonato (sem a formação de gel alcalino), resultando na desdolomitização das partículas, enfraquecendo a

transição entre fragmentos do agregado e consequente perda de aderência. A investigação da reatividade potencial de agregados

(ou presença de reações no concreto) pode ser efetuada por diversos métodos, entre os quais: petrografia; análise química;

barras de argamassa; e prismas de concreto (todos descritos em diversas normas da ABNT). Análises petrográficas efetuadas no

Projeto Materiais para Construção Civil da Região Metropolitana Florianópolis e área de expansão enfatizaram o reconhecimento

e descrição de parâmetros mineralógicos, texturais e estruturais que caracterizam a reatividade potencial de agregados, entre os

quais granulometria; deformação dos minerais, com ênfase no quartzo; e presença de sílica amorfa (ou micro/criptocristalina).

A produção de brita na RMF está essencialmente relacionada com litologias quartzo-feldspáticas do Batólito Florianópolis

e, neste contexto, é relevante a extração dos granitos Ilha e Serra do Tabuleiro, da Suíte Pedras Grandes, que engloba stocks/batólitos

de granitoides alcalinos e inclui, ainda, rochas subvulcânicas, vulcânicas e diques ácidos. A petrografia demonstrou quantidade

importante de amostras com deformação significativa do quartzo, inadequadas, portanto para utilização em concreto.

As avaliações em campo associadas com petrografia das litologias quartzo-feldspáticas coletadas em áreas de produção de

agregados na RMF resultaram: i) protomilonitos e milonitos derivados de granitos, pseudotaquilitos e gnaisses graníticos, todos

com quartzo deformado, cuja descrição macroscópica seria suficiente, na maioria dos casos, para caracterizar alto potencial de

reatividade e, por consequência, sua utilização no concreto é inapropriado; e ii) sieno- e monzogranitos, riolitos, granodioritos e

tonalitos adequados para a produção de agregados para a construção.

PALAVRAS-CHAVE:

Isótopos Estáveis, Formação Ipubi, Bacia do Araripe

PALAVRAS-CHAVE:

Reação Álcali-Agregado, Petrografia, Florianópolis

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Geologia E Recursos Minerais

NOVOS RESULTADOS DE GEOCRONOLOGIA U-PB (LA-ICP-MS)

E Sm-Nd PARA ROCHAS DO DOMÍNIO VULCANO-PLUTÔNICO

NO SETOR OESTE DA PROVÍNCIA AURÍFERA DE ALTA

FLORESTA – MT BRASIL

Geologia E Recursos Minerais

CONTRIBUIÇÕES À GEOLOGIA DO GRUPO SÃO FÉLIX,

MUNICÍPIO DE SÃO FÉLIX DO XINGU, DOMÍNIO CARAJÁS

Autores: Costa, U. A. P. 1 ; Paula R. R. 1 ; Silva D. P. B. 1 ; Barbosa J. P. O. 1 ; Silva C. M. G. 1 ; Costa, L. T.R. 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Belém

Autores: Duarte, T.B. 1 ; Lopes, L.B.L. 1 ; Rizzotto, G.J. 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Goiânia

No sudoeste do Cráton Amazonas, extremo norte - noroeste do Estado de Mato Grosso ocorre um cinturão vulcâno-plutônico Paleoproterozoico

de orientação NW-SE, representado por rochas vulcânicas ácidas a básicas e vulcanoclásticas do grupo Colíder associado

a rochas graníticas subvulcânicas e plutônicas da Suíte Teles Pires, que bordeja o limite entre as Províncias Ventuarí-Tapajós (1,9 – 1,8 Ga) e

Rio Negro-Juruena (1,8 – 1,55 Ga).

Este Domínio Vulcano-plutônico exibe similaridades com relação à assinatura química, idade de cristalização U-Pb

(1810 – 1770 Ma) e idade-modelo (TDM 2,4 – 1,94 Ga com ƐNd médio entre –1,43 à +1,14.

Estudos de geologia isotópica nesta região são importantes para a caracterização geodinâmica e futuro impacto econômico,

pois ao longo de toda extensão aflorante existem inúmeras ocorrências de Au que configura a Província Aurífera de

Alta Floresta. A definição do ambiente tectônico é condição fundamental para a caracterização dos sistemas minerais presentes

e posterior prospecção na escala de distrito.

Com objetivo de ampliar o acervo de dados geocronológicos disponíveis para o setor oeste da Província e definir com

mais precisão os intervalos de idades de cristalização e das fontes do evento magmático responsável pela formação do Domínio

vulcano-plutônico este trabalho apresenta um conjunto de idades U-Pb em zircão e idades- modelo em rocha total.

O conjunto de idades de cristalização U-Pb calculadas a partir da regressão dos resultados analíticos obtidos pelas

análises em um LA-ICP-MS é pouco disperso e dentro do intervalo de idades já esperado para o Domínio vulcano-plutônico .

Amostras da Suíte Teles Pires resultaram em 1815 ±11 Ma (GR-001 - granófiro), 1793 ±7 Ma (GR-001A - granófiro), 1807 ±8 Ma

(TD-T-050S - granito pórfiro) e 1801 ±12 Ma (TD-T-050AM - granito pórfiro); Grupo Colíder de 1812 ±12 Ma (TD-T-063K - vulcanoclástica),

1813 ±12 Ma (TD-095 - riodacito) e 1781 ±18 Ma (TD-107 - andesito).

A sequência metavulcanossedimentar reunida no Grupo São Félix, ocorre no extremo sudoeste do Domínio Carajás, próximo

ao limite com o Domínio Iriri-Xingu, aflorando em dois compartimentos morfoestruturais distintos: a Serra do Eldorado, mais

a sul, e a Serra de São Félix, a norte. Esses dois compartimentos, apesar de geograficamente separados, possuem similaridades

significativas em seus conteúdos litológicos e heterogeneidades em termos de metamorfismo e deformação. Na Serra do Eldorado

predomina uma unidade basal constituída por rochas máficas e ultramáficas (predominantemente anfibolitos e peridotitos/

piroxenitos), com subordinadas formações ferríferas bandadas (FFB) de fácies óxido; uma intermediária (meta)vulcanoclástica,

onde se destacam ignimbritos, riodacitos e arenitos com contribuição vulcânica (em sua maioria com o acamadamento primário

preservado), e em menor volume comparecem filitos a xistos paraderivados, com foliação Sn aparentemente paralela a S0; e a

unidade de topo compreende filitos a muscovita xistos e biotita gnaisses.

A foliação principal NE-SW é por vezes transposta por uma foliação aproximadamente N-S, mais desenvolvida na terminação

leste dessa unidade, acompanhando a inflexão para norte, na descontinuidade tectônica que separa as duas serras. Na Serra

de São Félix também foram identificados três unidades: a primeira é composta por rochas máficas/ultramáficas de caráter mais

intrusivo (piroxenitos, dunitos e peridotitos por vezes serpentinizados) a metavulcânicas, além de clorita e talco xistos menos

representativos. A unidade intermediária é composta por camadas descontínuas de FFB do tipo jaspilito, onde é frequente o

bandamento encontrar-se intensamente dobrado, evidenciando mais de um evento deformacional, além de zonas rompidas e

brechadas por tectônica rúptil mais jovem.

A unidade que parece ser estratigraficamente superior, e tem maior representatividade em área, é composta por xistos

paraderivados ricos em muscovita, mostrando foliações na maioria NE-SW com forte mergulho para SE, e ortoquartzitos. A região

das Serras do Eldorado e São Félix é conhecida historicamente por abrigar garimpos de ouro intermitentes, evidenciando a

potencialidade da área para esse metal, além da inequívoca vocação para hospedar mineralizações de ferro, já pesquisadas por

empresas de mineração. Ocorrências de sulfetos em veios cortando as rochas (meta)vulcânicas máficas são bons indicadores de

possíveis acumulações econômicas de outros bens minerais metálicos. Os estudos ainda estão em andamento e a individualização

de novas unidades litoestratigráficas dentro do Grupo São Félix depende de análises mais detalhadas. Além disso, não há

consenso se essa sequência pode ser considerada um greenstone belt mesoarqueano, ou correlacionada ao Supergrupo Itacaiúnas,

mais a leste de idade neoarqueana, uma vez que inexistem dados geocronológicos.

A presença de zircões herdados foi constatada nas amostras TD-095 e TD-107, onde idades relativas 207Pb/206Pb em

torno de 1950 a 1870 Ma foram obtidas. Estas idades são correlacionáveis com as rochas da Suítes Intrusivas Creporizão e

Maloquinha da Província Ventuarí-Tapajós.

Com relação às idades modelo TDM, o espectro de idades se encontra entre 2,40 a 1,94 Ga e indicam uma fonte magmática

heterogênea com valores de ƐNd(t=1800 Ma) variando entre -0,20 à -3,90 e +0,10 à +2,50.

As idades TDM mais antigas, em torno de 2,4 Ga são compatíveis com as idades de cristalização das rochas juvenis da

Província Amazônia Central, provavelmente retrabalhadas pelos eventos orogênicos (crosta reciclada) da Província Ventuarí-

Tapajós. Por sua vez, as idades TDM em torno de 1,90 Ga são compatíveis com as idades de cristalização das rochas do período

orogênico da Província Ventuarí-Tapajós (Cuiú-Cuiú - arco de ilha; Creporizão - arco continental.

PALAVRAS-CHAVE:

Grupo São Félix, metavulcanossedimentar, greenstone belt

PALAVRAS-CHAVE:

GEOCRONOLOGIA, CRÁTON AMAZÔNICO

102 103


Geologia E Recursos Minerais

EVOLUÇÃO DA CARTOGRAFIA GEOLÓGICA DO ESTADO

DO ESPÍRITO SANTO (RESULTADOS PRELIMINARES)

Autores: Vieira, V.S. 1 ; Fortes, P.T.F.O. 2 ; Gomes, D.G.C 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Departamento de Geologia/Universidade Federal do Espírito Santo

A cartografia geológica do Estado do Espírito Santo (ES) vem evoluindo desde o início do século XX. Os primeiros registros

que podem ser destacados correspondem aos mapas geológicos do Brasil em escala de 1:5.000.000 para os quais

são relacionados a seguir as unidades litoestratigráficas que ocorrem no ES segundo: Branner (1919) com areias, argilas e

sedimentos marinhos do Fanerozoico e granitos, gnaisses e xistos (com quartzitos e mármores) do Cambriano incluídos no

Complexo Brasileiro; Bastos (1942) com arenitos, argilitos, folhelhos

e calcários do Quaternário/Terciário e o embasamento Arqueano

constituído de gnaisses, granitos, micaxistos e calcários do Complexo

Cristalino Brasileiro; Lamego (1960) no Mapa Geológico do Brasil

atribui às coberturas do Terciário a Formação Barreiras, tendo sido

tal formação empregada pela primeira vez por Moraes Rêgo (1930,

in Morais et al. 2006), e denomina de Série Mantiqueira o embasamento

gnáissico Pré-Cambriano indiviso. Destacam-se ainda vários

trabalhos em escala 1:1.000.000: Silva, A.S & Pimentel, E.C e Fonseca,

M.J.G & Campos, D.A.(1978) na carta geológica do Brasil dividem o

Pré-Cambriano em três unidades litoestratigráficas a Faixa Costeira,

a Associação Charnockítica e um conjunto de rochas do Período Superior

Novo sem denominação.

Mapa Geológico Simplificado do Estado do Espírito Santo

(Extraído de Vieira et al., 2014, In: Vieira S.V & Menezes

R.G de, 2016).

Machado Filho et al. (1983) e Silva et al. (1987) estruturaram a

granitogênese pós-orogênica em suítes intrusivas; Bizzi et al. (2001),

Silva et al. (2004) e Leite et al. (2004) denominam os granitos do estagio

pós-colisional segundo Pedrosa-Soares et al. 2001 de granitos

pós-orogênicos. Na escala 1:400.000 a geologia do estado tem importantes

contribuições, tais como: Lamego (1949) em seu mapa da

Geologia da Faixa Costeira de Vitória individualiza os maciços graníticos

no entorno da cidade homônima, posicionando-os no Azoico,

no entanto, não atribuindo denominações; Boris Brajnikov (1954) na

Carta Geológica do Estado do Espírito Santo pela primeira vez mostra

o panorama da distribuição dos principais litotipos que compõem a

geologia do estado a partir do momento que individualiza as Zonas

de Granitizações Progressivas e as séries de Minas, de Barra do São

Francisco, do Rio Itapemirim, do Rio Jucu e os gnaisses básicos; Vieira

et al. (2013), no Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo introduz

várias mudanças na cartografia desse estado, destacando-se o

grupamento da granitogênese Pós-Orogênica - γ5, nas suítes Espírito Santo, Santa Angélica e Aimorés, mostrando corpos

diferenciados (granitos, charnockitos, diorito, tonalito, norito, gabro, anortosito, monzonito e granodiorito), a visualização

areal da granitogênese Sin-a Tardi-Orogênica – γ2, principal responsável pela produção e exportação de rochas ornamentais

no estado, a substituição da denominação Complexo Paraíba do Sul pelos complexos Nova Venécia e São Fidélis e o primeiro

registro cartográfico do vulcanismo ácido explosivo na porção NE do estado ou NW da Bacia do Espírito Santo, correlacionado

com a Fm. Abrolhos – Grupo Espírito Santo, cujas rochas ignimbríticas e vulcanoclásticas foram atravessados por poços de

petróleo, nas porções marítimas (offshore) e terrestres (onshore) da bacia.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOCRONOLOGIA, CRÁTON AMAZÔNICO

Geologia E Recursos Minerais

MODELAGEM ESPACIAL APLICADA À IDENTIFICAÇÃO

DE ROCHAS ALCALINAS E CORPOS MÁFICOS NA REGIÃO

CENTRO-SUDESTE DE RORAIMA

Autores: Oliveira, V.S. 1 ; Pitarello, M.Z. 1 ; Reis, N.J. 1 ; Lopes, P.R. 1 ; Aguiar, L. 1 ; Silva, S.R.A. 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Manaus

A área modelada, composta por seis folhas na escala de 1:100.000, integra o Projeto Centro-Sudeste de Roraima e está inserida

no Domínio Guiana Central na porção brasileira do Escudo das Guianas, no Estado de Roraima. Com o propósito de auxiliar o

mapeamento geológico e de destacar o potencial de corpos alcalinos para U, Th, ETR e Ba, e de Cr, Ti, V e Fe para corpos máficos, máfico-ultramáficos

e gabro-anortosíticos, foram gerados mapas de favorabilidade por meio de integração de informações geofísicas e

geoquímicas em ambiente SIG (Sistema de Informações Georreferenciadas), utilizando algoritmo de lógica Fuzzy. Os parâmetros da

modelagem para rochas alcalinas foram: i) anomalias em imagem magnetométrica ASA (Amplitude do Sinal Analítico), em imagens

gamaespectrométricas eTh, eU, CT (Contagem Total) e scores anômalos para as associações geoquímicas U-Th-Ce-La-Y e Nb-Zr-Pb; ii)

baixas razões eU/eTh, K/eU, K/eTh e; iii) direção de lineamentos magnéticos preferenciais NE-SW; E-W.

Para corpos máficos, os parâmetros

utilizados foram: i) anomalias magnetométricas

nas imagens ASA e GHT (Gradiente

Horizontal Total); ii) anomalias de Fe, Ti, V,

Co, Cr e Ni; iii) anomalias gamaespectrométricas

negativas na imagem da CT. Como

resultado, foram gerados mapas de favorabilidade

com alvos classificados em potencial

alto, médio e baixo. Em relação às

rochas alcalinas, cuja maior distribuição

está na Folha Serra do Ajarani, as áreas mais

favoráveis são condizentes com a localização

de alguns corpos da Suíte Apiaú, além

de ressaltar áreas para prospecção de novas

ocorrências. Nas folhas Serra da Prata

e Maloca do Sucuba, as áreas com grau de

favorabilidade médio são consistentes com

a ocorrência de granitos da Suíte Mucajaí

(complexo AMG), enquanto que na Folha

Urariquera parecem manter correspondência

com corpos granitoides do tipo-S.

Nessa região, também é comum a

ocorrência de veios pegmatíticos constituídos

por quartzo, muscovita, feldspatos e

schorlita, passíveis de elevada concentração

em minerais de ETR, Th, U e Zr. Com

relação às rochas máficas e litotipos associados,

as áreas de maior favorabilidade obtidas são coincidentes com a região de ocorrência de corpos mapeados, como o

Anortosito Repartimento, por exemplo, destacado por seu potencial para depósitos de Fe-Ti-V. Além disso, os domínios de favorabilidade

para rochas desta natureza, fornecidos pela modelagem Fuzzy, sugerem a presença de corpos ainda não mapeados

que podem constituir futuros alvos à pesquisa.

PALAVRAS-CHAVE:

(A) Área de trabalho localiza - se no estado de Roraima, composto de seis folhas

1:100.000 (articulação em vermelho). Na modelagem foram utilizados dados de

aerolevantamentos geofísico do Projeto Parima Uraricoera (verde) e o Projeto Centro

Leste de Roraima (azul) juntamente com os dados geoquímicos de sedimento de

corrente (círculos pretos). (B)(C)Mapas da Modelagem para Máfias(B) e Alcalinas(C),

indicando o grau de favorabilidade( potencial alto vermelho e potencial baixo azul)

com algumas interpretações

Grupo São Félix, metavulcanossedimentar, greenstone belt

104 105


Geologia E Recursos Minerais

O NEOPROTEROZOICO E A SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO DAS

ROCHAS ORNAMENTAIS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

Autores: Vanildo A. Mendes 1 , Maria A. B. Lima 2 , André Spisila 2

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 CPRM - Superintendência Regional de Recife

O território do Estado do Rio Grande do Norte, devido à variedade litológica e ampla exposição das rochas que compõem

seu embasamento cristalino, mostra vasta possibilidade de excelentes jazimentos de rochas para fins ornamentais. Insere-se na

chamada Subprovíncia Potiguar, a qual se mostra limitada em sua porção noroeste pela zona de cisalhamento de Portalegre e

no seu limite sul pelo denominado lineamento Patos. Apresenta-se representada pelos domínios São José do Campestre, Rio

Piranhas, Granjeiro e Faixa de dobramentos Seridó. Os três primeiros são constituídos de rochas de idades arqueanas a paleoproterozoicas,

contendo uma associação de gnaisses e migmatitos de alto grau com faixas de supracrustais subordinadas, além de

plutonismo gabroanortosítico associado. Nas áreas concernentes as litologias ditas arqueanas afloram tonalitos, trondhjemitos

e granitoides, incluindo faixas de terrenos tipo Greenstone Belt (Terreno São José do Campestre e Granjeiro).

O Neoproterozoico, nesta entidade, acha-se representado pela faixa de Dobramentos Seridó e pelo intenso plutonismo

intrusivo nos domínios acima referenciados. Incluso no São José do Campestre têm-se o Granito Preto São Marcos, associado a

gabros e noritos. Dentro dos terrenos acima referenciados a Faixa de Dobramentos Seridó é a que encerra a maior quantidade de

jazimentos de rochas para fins ornamentais detectados no embasamento cristalino do estado. A entidade em apreço mostra-se

formada pelo Quartzito Equador, Metaconglomerado Parelhas, Gnaisses Jucurutu e Biotita-xistos da Formação Seridó. Intrudidos

nesta sequência metamórfica têm-se plutonismo cedo, sin, tardi e pós- brasiliano, representados pelas suítes Itaporanga, Dona

Inês, Umarizal, Catingueira e São João do Sabugi. Esta assembleia litológica propiciou a formação de uma série de jazimentos de

rochas ornamentais, constituída por materiais exóticos de excelente aceitação no mercado internacional de produtos pétreos.

Associados aos metaconglomerados polimíticos e monomíticos do denominado Membro Parelhas, ocorre os denominados

granitos Verde Fashion, Verde Gauguin e Verde Rei Imperial. Relacionados à fase pós-tectônica tem-se a sequência pegmatítica,

a qual se insere os granitos pegmatóides comercialmente conhecidos como: Branco Fuji, Branco Borborema e Vermelho

Bordeaux, estes litotipos caracterizam-se por apresentar granulação grosseira, textura pegmatítica e aspecto multicolorido. Associados

aos biotita-xistos granadíferos da Formação Seridó têm-se os tipos Black Stones que se constituem de biotita xistos

intensamente dobrados, de cor escura e admirável aspecto estético. Inclusos nos charnockitos Neoproterozoicos, detectados em

Patu e Janduís, ocorre o granito Verde Borborema.

Ainda associado aos granitoides sin a tardi tectônicos de composição alcalina, peralcalina e leucogranítica, ocorrem os

jazimentos do granito Rosa Iracema. Os leucogranitos da Suíte Dona Inês podem conter jazimentos de rochas claras do tipo

cinza-esbranquiçado exemplificados pelos denominados Branco Acari e Branco Elite. No que concerne aos plutonitos da Suíte

Umarizal, constituída por gabros, grabonoritos e dioritos pode-se encontrar ocorrências de granitos preto do tipo “Nero Vero” de

reconhecida aceitação no contexto das rochas ornamentais.

Geologia E Recursos Minerais

CARACTERIZAÇÃO GEOQUIMICA DA FOLHA IRAUÇUBA

(SA.24-Y-D-V) ATRAVÉS DAS ANÁLISES FATORIAIS DE

COMPONENTES PRINCIPAIS E DE CORRESPONDÊNCIA

Autores: Marques W.S. 1 , Naleto J.L.C. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Foram realizadas análises fatoriais de componentes principais e de correspondência binária nos dados de análise química

de sedimentos de corrente da folha Irauçuba (SA.24-Y-D-V), com o objetivo de caracterizar as variâncias de teores dos elementos

na nuvem de pontos, e relacionar essa variância com a litologia fonte, já que tal folha foi selecionada no âmbito do programa

Geologia do Brasil, desenvolvido pela CPRM, tendo como justificativa a necessidade de melhor caracterização de suas unidades

litoestratigráficas, uma vez que estas encontravam-se ainda mal definidas, tanto do ponto de vista estratigráfico e metalogenético,

como pela caracterização litogeoquímica.

Na análise de componentes principais, os três primeiros planos fatoriais somaram 48,89% da variância total da nuvem

de pontos. Essa análise mostrou que os elementos Co, Ni, Cu, Mg, K, Zn, juntamente com Li, Be e Al foram responsáveis por boa

parte da variância no Eixo F1, este com 29,43% de explicação da variância de dados na nuvem de pontos. Esta associação pode

estar ligada a características metalogenéticas interessantes. Já os elementos La, Ge, Ce, Th, U, Zr e Hf foram responsáveis por boa

parte da variância do Eixo F2, este com 12,03% da explicação da variância de dados na nuvem de pontos. Associações como esta,

muito provavelmente, estão ligadas a minerais terras raras e corpos uraníferos.

Para a análise de correspondência, a litologia foi codificada como uma variável quantitativa, passando a existir na nuvem

de dados como a variável Lito. Com relação à análise de correspondência, os três primeiros eixos principais explicaram 76,75%

da variância total da nuvem de pontos. Então, na interpretação dos resultados, foi dada ênfase aos eixos principais 1, 2 e 3. No

primeiro plano fatorial da análise de correspondência, o grupo Mo, Cr, W e Lito é responsável por boa parte da variância do Eixo

1. Este grupo está associado às litologias Tamboril Sta. Quitéria Diatexito, Tamboril Sta. Quitéria Metatexito e Canindé do Ceará

-Paragnaisse Migmatítico. O grupo Th, U, Ge, Ce e La, característico de corpos uraníferos e minerais terras raras, é responsável por

boa parte da variância do Eixo 2 neste mesmo plano fatorial. A ocorrência desses elementos está, provavelmente, associada à

ocorrência de monazita e allanita, entre outros minerais, nas litologias estudadas. A única litologia onde este grupo não ocorre

é a Unidade Independência.

Destaca-se também o grupo Zr, Hf e Y, explicado no segundo e terceiro planos fatoriais, característico de rochas graníticas,

próximo à variável Lito, com maiores teores no Granitóide Santa Quitéria. Segundo as análises fatoriais realizadas, houve uma

caracterização relativa à dispersão química e/ou mecânica daqueles elementos com variância mais proeminente de seus teores

em relação à nuvem de pontos, que representou as características geológicas e geoquímicas comuns da área em estudo.

PALAVRAS-CHAVE:

ANÁLISE DE COMPONENTES PRINCIPAIS, ANÁLISE DE CORRESPONDÊNCIA,

GEOQUÍMICA DE SEDIMENTOS DE CORRENTE

106 107


Geologia E Recursos Minerais

MODELO TECTONO-VULCÂNICO DA BACIA DO ESPÍRITO SANTO:

REGISTROS DIACRÔNICOS DE ROCHAS VULCÂNICAS EFUSIVAS

E EXPLOSIVAS NO NORTE CAPIXABA

Geologia E Recursos Minerais

ROCHAS MÁFICAS E ULTRAMÁFICAS DAS PILHAS DE REJEITOS

DA MINERAÇÃO FERBASA (BA): POTENCIAL PARA UTILIZAÇÃO

COMO CORRETIVOS E REMINERALIZADORES DE SOLO

Autores: Vieira, V. S. 1 ; Novais, L.C.C. 2 ; Gomes, D.G.C 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 UO-ES/ATP-NC/RES/Petrobras

Autores: Blaskowski, A. E. 1 ; Bergmann, M. 1 ; Silveira, C.A.P. 2 ; Garnier, J. 3 ; Camargo, M. A. 1 ; Cavalcante, A.O. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil ; 2 Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS, Brasil; 3 Univeridade de Brasília

O presente trabalho é resultado de um estudo desenvolvido objetivando elaborar uma atualização do modelo tectonovulcânico

para o norte da Bacia do Espírito Santo, através da integração de dados geofísicos, geoquímicos, geocronológicos, de

perfis e testemunhos de poços de petróleo, dados de afloramentos, imagens de satélite e radar etc. A Bacia do Espírito Santo foi

afetada desde a fase rifte por pulsos distensivos tectono-vulcânicos,

com direções N-S a NNE-SSW, eixo da bacia, que marcaram notadamente

a sua abertura e preenchimento sedimentar. Nesta fase, registros

de vulcanismos efusivos e intrusivos, com idades entre 120/115

Ma, de afinidade básica e toleítica, denominados de Formação Cabiúnas

foram associados com sedimentos continentais da Fm. Cricaré.

Posteriormente falhas de transferência e transversais, com direções

NNW-SSE a NW-SE, ao eixo de abertura da bacia foram reativadas,

em função da continuada separação das Placas Sul-Americana e Africana,

entre o Cretáceo Superior e Terciário. Estas rochas apresentam

características sublitosféricas, atingiram a superfície, condicionando

eventos vulcânicos ácidos, alcalinos, efusivos, intrusivos e explosivos

que perduraram até 40 Ma, cuja unidade litoestratigráfica representante

é a Fm. Abrolhos. O Complexo de Abrolhos foi definido originalmente

como uma província vulcânica alcalina, formada no Paleógeno,

na margem continental leste brasileira, junto às Bacias do Espírito Santo,

Mucuri e Cumuruxatiba. No norte capixaba, parte da província foi

identificada através de rochas aflorantes, ignimbríticas, ao longo do

Rio São Mateus, além das habitualmente ocorrentes entre a linha de

costa até próximo da quebra da Plataforma.

Registros do vulcanismo ácido explosivo como tufos e brechas

piroclásticas são correlacionados com a Fm. Abrolhos, foram atravessados

por poços de petróleo, nas porções marítimas e terrestres da

bacia e observadas na sua porção norte, em exposições topográficas

tais como os Platôs Ignimbríticos, alcançando dezenas de quilômetros

de extensão e dezenas de metros de altura, limitados no topo por uma

superfície discordante. Variados sistemas de falhas e fraturas que integram

uma entidade tectônica denominada Arco de São Mateus (ASM)

encontram-se preenchidas por rochas vulcânicas explosivas em suas

imediações. O ASM é uma estrutura longitudinal de arqueamento,

Recorte do Mapa Geológico do Estado do Espírito Santo,

escala 1:400.000 mostrando os pontos de afloramento

de rochas vulcânicas efusivas e explosivas estudados na

Formação Abrolhos - Grupo Espírito Santo no Norte Capixaba.

Vieira et al., 2014 , In: Vieira S.V & Menezes R.G de, 2016.

cuja evolução é atribuída aos processos de break-out rift do Atlântico Sul, propiciando características rúpteis-frágeis no embasamento

cristalino e na cobertura sedimentar, com alçamento de isotermas e hidrotermalismo associado tendo como exemplo

a silicificação. As características do vulcanismo ácido Cretáceo-Terciário sugerem como uma das causas, as reativações de zonas

de fraqueza da crosta associadas à tectônica de placas, na porção setentrional da Província Mantiqueira.

Rochas silicáticas com potencial para remineralização

e condicionamento de solos foram recentemente

incluídas na lei brasileira dos fertilizantes através de

normatização específica (MAPA IN 05/2016 e 06/2016). O

aproveitamento de rochas disponíveis em pilhas de descartes

agrega valor e sustentabilidade à indústria extrativa

mineral, podendo minimizar o impacto ambiental que

esta acarreta. O Projeto Agrominerais da Região de Irecê

e Jaguarari-Bahia foi desenvolvido pela CPRM-Serviço

Geológico do Brasil para prospecção de rochas e materiais

próprios às técnicas de remineralização e condicionamento

de solos, destinados ao uso no assentamento

Baixio de Irecê da CODEVASF-Companhia de Desenvolvimentos

dos Vales do São Francisco e Parnaíba. Dentre

os litotipos pesquisados, as rochas máficas e ultramáficas Mina céu aberto Coitezeiro

provenientes das lavras de cromita da FERBASA-CIA de

FERRO LIGAS da BAHIA destacam-se pela disponibilidade em pilhas de rejeitos com centenas de milhares a milhões de toneladas.

Rochas máficas e ultramáficas apresentam potencial quanto à capacidade de neutralização da acidez dos solos, por reação do ânion

hidroxila (OH-),originado pela decomposição de seus minerais, com os cátions H+ e Al3+ presentes em solos.

São também fontes de Mg e Si para as plantas. Estes litotipos contam com experimentos que comprovam sua eficiência

agronômica, e a principal restrição ao seu uso são os teores elevados em Ni e Cr, embora o último esteja contido em maior parte na

cromita, mineral relativamente inerte em solos. As rochas foram caracterizadas por litoquímica, petrografia e DRX semi-quantitativo.

Nas pilhas da lavra Coitezeiro (Campo Formoso) predominam serpentinitos e em Ipueira (Andorinhas) os rejeitos comportam

serpentinitos, piroxenitos, hazburgitos e dunitos, com 30% de mármores a wolastonita, serpentina e flogopita Em Coitezeiro foram

obtidos teores de 1.404 ppm de Ni e 7.516 ppm de Cr no serpentinito.

Em Ipueira os teores de um peridotito/lherzolito representativo da pilha atingiram 1614 ppm de Ni e 604 ppm de Cr. Neste local a

presença de mármore a flogopita nas pilhas (4-5 %), com teor de K2O de 5,38%, (contido na flogopita); CaO 12,46% e MgO 18,15%, pode

ser considerada promissora, se condicionada à seleção dos blocos, ou à disposição seletiva de descartes futuros. Também o acondicionamento

em pilhas distintas entre mármores e ultramáficas permitiria misturas como forma de diluir os teores indesejáveis de Cr e Ni, obtendo

um material próprio tanto à correção de acidez como à remineralização de solos. Embora considerado de liberação lenta nas rochas

ultramáficas, o Ni, micronutriente benéfico em pequenas concentrações, torna-se fitotóxico em níveis superiores a 500 ppm no solo. O Cr,

presente nos minerais na forma Cr3+, é passível de oxidação a Cr6+, mais solúvel e altamente tóxico. Nos solos desenvolvido sobre rochas

maficas e ultramaficas, a presença de Cr6+ é condicionada a oxidação do Cr3+ de minerais primários por oxi-redução com óxidos de Mn.

Recomenda-se que o uso de serpentinitos como corretivos ou remineralizadores de solos seja condicionado a testes, para

avaliar o potencial de liberação de Cr3+, geração de Cr6+ nos solo e sua lixiviação, e a capacidade de absorção e translocação

(concentração e mudanças de formas do Cr) pelas plantas.

PALAVRAS-CHAVE:

VULCÂNICAS, EFUSIVAS, EXPLOSIVAS

PALAVRAS-CHAVE:

Serpentinitos, Correção de Acidez em Solos,

Rejeitos de Mineração de Cromita

108 109


Geologia E Recursos Minerais

Mapeamento Geoquímico Regional por Sedimentos de Corrente

entre o limite da Faixa Brasília e o Cráton do São Francisco:

Integração do Projeto Vazante-Paracatu 1 e 2.

Geologia E Recursos Minerais

Variações sazonais da qualidade da água na Bacia

do Rio São João, Região dos Lagos, Rio de Janeiro:

abordagem por modelagem hidrogeoquímica

Autores: Marques, E.D. 1 ; Pinho, J.M.M. 1 ; Santos, E.A.M. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Autores: Marques, E.D. 1 ; Silva-Filho, E.V. 2 ; Souza, G.V. 2 ; Gomes, O.V.O. 1,2

1

CPRM - Superintendência Regional de Belo Horizonte. 2 Universidade Federal Fluminense

Este levantamento geoquímico se deu em função do mapeamento geológico do Projeto Vazante-Paracatu, o qual contemplou

a área entre o limite da Faixa Brasília e o Cráton do São Francisco. O principal objetivo deste mapeamento é fornecer

informações sobre indícios de recursos minerais, além de gerar informações para o mapeamento geológico, através do tratamento

estatístico robusto dos dados gerados por análises químicas de amostras de sedimentos de corrente. A distribuição das

estações de amostragem obedeceu aos critérios determinados pela metodologia de mapeamento geoquímico dos levantamentos

geológicos regionais, obtendo-se uma densidade de amostragem de 1 amostra/10 km2 para sedimentos de corrente (?

amostras). Tais distribuições visaram, dentro de um padrão regular, abranger a maior quantidade de território possível, ou seja,

área estimada de 36.000 km2 , na escala 1:100000. Em laboratório, as amostras de sedimentos de corrente foram secadas a 60°C

em estufas (para evitar a perda por evaporação de certos elementos,

tais quais Hg e As), seguidas de quarteamento e, posteriormente, peneiradas

em malhas com abertura < 80 mesh (< 0,175 mm). Após o

tratamento físico, as polpas peneiradas < 80 mesh de cada amostra é

submetida a pulverização e digestão com água régia e analisadas por

ICP-OES (elementos maiores) e ICP-MS (elementos traços).

Os elementos analisados são, então, tratados por estatística univariada,

através de histogramas, gráficos box-plot e curvas de probabilidade

normal, além do sumário estatístico com os dados log-transformados;

a estatística bivariada através da correlação de Spearman para

informar o grau de afinidade entre os elementos; e a estatística multivariada

(análise fatorial) para definir as principais associações geoquímicas

da área de estudo. Para tanto, os dados foram transformados

para CLR (Centred Log Ratio). A análise fatorial gerou 7 fatores, que

contabilizam por 74,17% da variância dos sistema. O Fator 1 (30,80%

da variância do sistema), apresenta correlações positivas para Mn-

Co-Mg-Ca-Sr, que representa a atividade hidrotermal em áreas com

carbonatos e rochas máficas/ultramáficas (rochas reativas ao processo

hidrotermal), enquanto que correlações negativas deste fator para Ga

-Al-Sc-In-V-Cs representam superfícies sob processos de laterização. O

Fator 2 (12,50%) apresenta correlações positivas para tanto ocorrência

de minerais primários, como k-feldspato e micas, quanto processos

hidrotermais. O Fator 3 (9,37%) mostra correlações positivas com

As-Fe, representando o principal mineral das mineralizações auríferas,

a arsenopirita. O Fator 4 (6,20%) apresenta correlações significativas

para ETR Leves-Th-U, o que pode representar a presença de minerais pesados resistatos pesados. O Fator 5 (5,54%) apresenta

correlações positivas para Cd-Zn-Pb associação geoquímica das mineralizações de Zn de Vazante, e correlaçoes negativas para

Cr-V, indicando presença de magnetita ou processos de laterização. O Fator 6 (5,44%) mostra boas correlações para Cu-Ni-Zn,

representando a presença abundante destes metais na composição dos filitos carbonosos da Formação Serra do Garrote. O Fator

7 (4,32%) mostra boas correlações com P-Sr, representando as principais ocorrências de fosfato na área estudada.

PALAVRAS-CHAVE:

SEDIMENTOS DE CORRENTE; MAPEAMENTO GEOQUÍMICO; GEOESTATÍSTIC

A bacia de drenagem do Rio São João possui grande importância

estratégica para a região dos Lagos, no Estado do Rio de Janeiro,

uma das mais populares regiões turísticas do Brasil. Entretanto,

o rápido crescimento econômico, com subsequente crescimento de

população, fez com que aumentasse a produção rejeitos das diversas

atividades antropogênicas, o que inclui a entrada de metais pesados

nos corpos d’água de superfície. Este estudo tem por objetivo relatar

o comportamento de íons maiores e metais traços nos três principais

compartimentos fluviais da Bacia do Rio São João, a saber, 1) compartimento

dos rios, formado pelas estações de amostragem nos rios São

João, Capivari e Bacaxá; 2) compartimento do reservatório de Juturnaíba

(a qual possui papel crucial para o fornecimento de água para

a região dos Lagos), com pontos de amostragem próximos a desembocadura

dos rios; 3) compartimento de saída do Reservatório de Juturnaíba,

com uma estação de amostragem. Os dados revelaram que

o regime pluviométrico é o principal pelas variações dos parâmetros

físico-químicos e os íons dissolvidos na água.

As contribuições geológicas e antropogênicas, as quais são as

principais fontes dos constituintes dissolvidos das águas fluviais, foram

analisados pelo Índice de Química Inorgânica (IQI). Os dados corroboram

a grande influência do regime de chuvas e revela grande contribuição

antropogênica nas estações de amostragem do reservatório de

Juturnaíba. Além disso, os valores de IQI para as estações amostradas

revelaram que o principal litotipo de influência das aguas fluviais são

rochas silicáticas (gnaisses e granitos do Complexo- Paraíba do Sul). A

modelagem hidrogeoquímica foi utilizada para informar as principais

formas dissolvidas dos metais traços presentes nas aguas pluviais. Os

produtos de reações de hidrólise foram as formas mais abundantes para

Al, Cr e Sb (Al(OH)2 + ; Cr(OH)2 + e SbO3 - , respectivamente), enquanto que para Zn, Cu, Pb, Cd e Ni, as formas não complexas são

as predominantes (Zn2+, Cu2+, Pb2+, Cd2+ e Ni2+), tanto no período seco quanto no período chuvoso. As espécies dissolvidas de

cada metal traço tem sua predominância segundo pH das águas, fato este corroborado por gráficos do índice de saturação (IS) de

possíveis minerais a serem formados contra os valores de pH nos períodos seco e chuvoso. Para Al, a espécie Gibbsita se mostra

predominante em ambos os períodos, com altos valores de IS, que pode estar ligado aos relativos altos teores de Al nestas águas,

devido ao despejo de rejeitos de empresas de tratamento de água para a população.Assim como o Al, Cu, Cr e Ni apresentam as

formas de óxidos/hidróxidos com maiores valores de IS em ambos os períodos. Já Cd e Pb possuem seus maiores valores de IS para

espécies carbonáticas também em ambos os períodos, enquanto Zn apresenta óxidos/hidróxidos como predominantes no período

de seca e espécies carbonáticas no período chuvoso.

PALAVRAS-CHAVE:

Variações sazonais da qualidade da água na Bacia do Rio

São João, Região dos Lagos, Rio de Janeiro: abordagem por

modelagem hidrogeoquímica

HIDROGEOQUÍMICA; QUALIDADE DA ÁGUA; METAIS TRAÇO

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Geologia E Recursos Minerais

Geologia E Recursos Minerais

GEOQUIMICA EXPLORATÓRIA DA FOLHA PORTO ESCONDIDO-MT

UTILIZANDO O PROGRAMA EXIBE_GEOBANK

Autores: Daliane B. Eberhardt 1 , Tiago B. Duarte 1 , Leonardo B.L. Lopes 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Autor: Gonçalves, J. H

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

A área da Província Aurífera Juruena-Aripuanã possui elevado potencial para hospedar depósitos de ouro e cobre. Inúmeras

lavras garimpeiras vêm operando na região desde o final da década de 80. O objetivo do projeto em que este trabalho está

vinculado foi de ampliar o conhecimento sobre os distritos mineiros na região através da avaliação do potencial mineral, com

enfoque no ouro, envolvendo estudos de mapeamento geológico

na escala 1:100.000, amostragem geoquímica (solo,

sedimento de corrente e concentrado de bateia) e metalogênese.

Como resultado, foram delimitadas um conjunto de áreas

com potencial de hospedar mineralizações. Os trabalhos de

geoquímica exploratória nesta região com densa cobertura

de floresta e de difícil acesso consistiram na coleta de amostras

de solo ao longo de 175 Km de linhas dispostas em uma

malha de 5X5 quilômetros com espaçamento de 500 metros

entre amostras e de sedimento de corrente e concentrado de

bateia em malha pertinente à escala. As amostras foram analisadas

por ICP-OES para elementos maiores e ICP-MS para

elementos traço, para 50 elementos químicos, os pacotes utilizados

para analises foram ICM14B e FAI515 da SGS Geosol.

O programa Exibe_GEOBANK faz parte de uma série de aplicativos desenvolvidos pelo geólogo João Henrique Gonçalves

da CPRM Salvador com o objetivo de permitir aos mais diversos tipos de usuários de dados geológicos o acesso, com as possibilidades

de trabalhar esses dados, provenientes do acervo do banco de dados institucional da CPRM.

Através do aplicativo é possível pesquisar dados, exibir mapas sobre diversas bases, utilizar ferramentas de corte e obter

o resultado através de download simples e intuitivo, em operação de extração de dados, plotar pontos de localização sobre os

mapas, plotar polígonos sobre mapas, pesquisar dados do DNPM e verificar a localização das áreas de outorga em verdadeiras

composições GIS.

A facilidade de utilização do aplicativo desktop faz dele uma excelente ferramenta de trabalho para os usuários que desejam

acessar remotamente o acervo do GEOBANK, Banco de dados do Serviço Geológico do Brasil e do DNPM de forma rápida,

precisa e fácil.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOBANK, GIS, CPRM

O objetivo deste trabalho é destacar a importância desta

região para hospedar depósitos de ouro e cobre com base

nos resultados obtidos pela geoquímica exploratória. Podemos

destacar as associações geoquímicas de sedimento de

corrente e de solo definidas que são atribuídas a variações litológicas do Domínio Vulcânico. A associação Co-Cu-Ni-Zn é atribuída

a litotipos máficos, em locais próximos a lineamentos magnéticos de direção NE-SW e E-W e também pode estar relacionado

a diques denominados de Diques Piranhas.

Em outros setores, estes caracterizados pela presença de anomalias magnéticas tabulares, esta mesma associação aparenta

estar associada a soleiras de rocha máfica, que afloram ocasionalmente, intercaladas a rochas vulcanoclástica do Grupo Colíder.

As associações Bi-Mo e Ce-La estão claramente relacionadas a granitos da Suíte Paranaíta. No entanto, a associação Ce-La

também está presente onde afloram rochas vulcanoclásticas do Grupo Colíder.

A partir das informações de campo e de sensoriamento remoto foram traçados lineamentos estruturais e estruturas circulares,

que podem indicar os possíveis condutos de percolação dos fluidos do sistema mineralizante. Com a integração deste conjunto

de informações com as características geológicas e geoquímicas observadas nas ocorrências primárias em garimpos foram

delimitados quatro alvos (1 a 4 em ordem de relevância) potencialmente mineralizados. Este trabalho tem o intuito de propagar

as informações geradas no informe que será publicado pela CPRM em breve, neste estão contidas as informações completas das

diferentes ferramentas utilizadas no estudo sobre esta região de grande importância metalogenética.

PALAVRAS-CHAVE:

ILHA PORTO ESCONDIDO, METALOGENIA DAS PROVÍNCIAS

mineRAIS DO BRASIL, SEDIMENTO DE CORRENTE, SOLO,

CONCENTRADO DE MINERAIS PESADOS

Figura do trabalho 5970, utilizando o programa EXIBE_GEOBANK

112 113


Hidrologia

e GestÃo

Territorial


Hidrologia e GestÃo Territorial

DELIMITAÇÃO AUTOMÁTICA DE ÁREAS DE DRENAGEM A PARTIR

DE MDE TOPODATA: UM ESTUDO NO AQUÍFERO URUCUIA

Autores: Moura, M.F. 1 ; Castilho, A.S. de 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Área de drenagem de uma bacia hidrográfica pode ser compreendida

como área na superfície terrestre formada por um rio principal

e seus tributários, limitada pelos divisores de água. A delimitação adequada

da mesma, bem como de sua rede de drenagem, é essencial

para identificação e análise das relações existentes entre os variados

elementos da paisagem, sendo uma unidade ambiental estratégica

para fins de planejamento, monitoramento e gerenciamento. As áreas

de drenagem salienta-se, também podem ser delimitadas a partir de

uma estação fluviométrica, ou seja, os limites consistem em uma superfície,

cuja saída pode ser monitorada no exutório desta área, que

seria a própria estação.

Desse modo, este trabalho buscou a automatização da delimitação

das áreas de drenagem das estações fluviométricas existentes no

interior e próximo ao aquífero Urucuia (disponibilizadas no Sistema

de Informações Hidrológicas – HIDROWEB, pertencente à ANA) e das

novas estações que estão sendo instaladas através do Projeto Urucuia

da CPRM. O Aquífero Sedimentar Urucuia está localizado na margem

esquerda do Rio São Francisco, em sua grande parte na Bahia, contribuindo

na manutenção das vazões deste significativo rio. O projeto

visa desenvolver estudos de disponibilidade hídrica superficial e subterrânea,

monitorando e simulando cenários.

Hidrologia e GestÃo Territorial

A APLICAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES DE ÁGUAS

SUBTERRÂNEAS NO DIAGNÓSTICO DAS CONDIÇÕES

EXPLOTÁVEIS DE UMA PORÇÃO DO SEMIÁRIDO PERNAMBUCANO

Autores: Alexandre Luiz Souza BORBA 1 ; Margarida Regueira da COSTA 1 ; Enjolras de Albuquerque Medeiros LIMA 1 ;

Fernanda Soares de Miranda TORRES 1 ; Carlos Alberto Cavalcanti LINS 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) desenvolveu o Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS), composto

por uma base de dados de poços permanentemente atualizada e com módulos capazes de realizar consultas, pesquisas, extrações

e gerações de relatórios, auxiliando a gestão adequada da informação hidrogeológica e a sua integração com outros sistemas

de águas. Através deste sistema foi possível elaborar o Diagnóstico sobre as Condições Explotáveis de uma Porção do Semiárido

do Estado de Pernambuco, constituído pelos municípios de Cedro, Mirandiba, Salgueiro, São José do Belmonte, Serrita,

Verdejante e Terra Nova, região inserida no Polígono das Secas, com clima semiárido do tipo quente e seco, período de estiagem

em média de 6 a 7 meses/ano, índice pluviométrico entre 400 a 600 mm/ano, temperatura média é de 24o C, Com regime de

chuvas irregulares e torrenciais por poucos meses do ano.

Relacionada a esta área de estudo, o Banco de Informações do SIAGAS possui 2.818 fontes de captações cadastradas,

incluindo poços tubulares, poços amazonas e surgências, dos quais 1.986 foram selecionados com base em informações de

profundidade, vazão, salinidade e situação de funcionamento, parâmetros básicos capazes de subsidiar os respectivos órgãos

municipais no planejamento de melhorias no sistema de fornecimento de água.

A partir do Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea concluído em 2005 pela CPRM em parceria com a

Secretaria de Energia do Ministério de Minas e Energia (MME), foi identificado uma grande quantidade de poços não instalados

e paralisados, que representam um grande potencial de água subterrânea não aproveitada, localizada próxima a comunidades

com sérios problemas de abastecimento para o consumo primário, secundário e também para dessedentação animal.

Mosaico das imagens TOPODATA (MDE) que recobrem a área

do Aquífero Urucuia.

A metodologia envolveu a delimitação automática das áreas

de drenagem, através da utilização de modelos digitais de elevação

(MDE), nos quais as diferenças altimétricas identificam a drenagem

e delimitam as linhas dos divisores, da fonte TOPODATA (INPE), por

meio da extensão ArcHydro no ArcGis 10.2. Para a segmentação automática

de tais áreas foi necessário realizar etapas de integração e processamento em ambiente SIG, através de mosaicagem

dos modelos digitais de elevação, definição da projeção, preenchimento de depressões, direção do fluxo, cálculo do fluxo

acumulado, geração da rede de drenagem, hierarquização da rede de drenagem e delimitação das bacias das estações. Posteriormente,

foi executado um processo detalhado de averiguação de compatibilidade entre a hidrografia de base topográfica

oficial (IBGE – 1:250.000) e a rede extraída de modo automático. Ressalta-se que também ocorreu a comparação entre os

valores das áreas de drenagem dos afluentes das estações da rede hidrometeorológica, delimitadas de forma automática e

daquelas disponibilizadas pela ANA.

Na problemática de inferir qual área de drenagem seria adotada, foram calculados desvios que, quando ultrapassavam o

valor de 10%, indicavam que a área gerada seria a utilizada. O processo automático de delimitação de bacias (e, por conseguinte,

de sua rede de drenagem) apresentou-se vantajosa em relação ao benefício proporcionado. A utilização do MDE, representando

de forma adequada as feições topográficas e a hidrografia, de certa forma compatível com oficial, revela-se significativo para exploração

em ambiente SIG. Tais dados atuarão como subsídios para realização de cálculos de precipitação média, vazão, dentre

outros, que auxiliarão no estudo hidrológico do aquífero em questão.

PALAVRAS-CHAVE:

BANCO DE INFORMAÇÕES DO SIAGAS, POLÍGONO DAS SECAS,

CONDIÇÕES EXPLOTÁVEIS, FORNECIMENTO DE ÁGUA

PALAVRAS-CHAVE:

ÁREA DE DRENAGEM, AQUÍFERO URUCUIA, MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO

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Hidrologia e GestÃo Territorial

Hidrologia e GestÃo Territorial

GEOGLIFOS DE RONDÔNIA: VESTÍGIOS DO PASSADO

Autor: Adamy, A.

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Há mais de 30 anos, no vizinho estado do Acre são relatadas ocorrências de estruturas geométricas escavadas em solos,

as quais ultrapassam mais de três centenas nos dias atuais, distribuídos principalmente na bacia do rio Acre, na região leste do

estado. A identificação destas estruturas, posteriormente denominadas de “geoglifos”, tornou-se possível com o avanço da ocupação

humana, promovendo a erradicação da floresta tropical nativa e transformando a paisagem natural.

Em Rondônia, apesar da proximidade com o estado do Acre, não havia relatos de sua existência, até a descoberta de uma

estrutura no município de São Francisco do Guaporé, durante a pavimentação da rodovia BR-429, com 300m de diâmetro. Estudos

mais recentes (2004) revelaram a identificação de 45 sítios arqueológicos do tipo geoglifo no estado, distribuídos em vários

municípios, destacando-se os municípios de Porto Velho, São Francisco do Guaporé e Guajará Mirim. Esses dados caracterizam

a continuidade espacial destas estruturas para leste, particularmente na região conhecida como Ponta do Abunã, onde se concentra

um grande número de geoglifos.

Geoglifos representam vestígios arqueológicos, evidenciados por estruturas geométricas escavadas no solo, que se espacializam

superficialmente por extensões consideráveis, sendo identificados em sua totalidade apenas quando observados de

grandes alturas.

A identificação prévia dessas estruturas na Ponta do Abunã, entre as vilas de Vista Alegre do Abunã e Extrema, através de

imagens de satélite, proporcionou a oportunidade de desenvolver estudos em campo. Foram caracterizados, então, seis geoglifos

na Ponta do Abunã, denominados Fazenda Biriba, Fazenda Riachuelo, Fazenda Modelo (2), Fazenda Karam (2) e Sítio Boa

Esperança. Representam sítios escavados em solo predominantemente argiloso, em forma de valetas ou trincheiras, com profundidades

entre 1-3m e larguras de até 5-6m; formato circular ou quadrático com diâmetro/lado médio de 100m. Localizam-se

em interflúvios, ocupando terrenos aplainados ou de baixa declividade, sempre em terras altas, com cotas próximas a 200 m, e a

certa distancia de cursos d´água. O substrato geológico está constituído pelos sedimentos argilossílticos da Formação Solimões

e pela Cobertura Sedimentar Indiferenciada.

O objetivo funcional dos geoglifos permanece questionável entre os pesquisadores, atribuindo-se finalidades diversas,

desde um uso religioso, defensivo e agrícola. A datação dessas estruturas permanece em aberto, sendo que no Estado do Acre

estima-se que tenham sido construídos por populações que aí viveram aproximadamente entre 700 e 2.000 anos BP, tendo sido

obtidas datações de 1.260 BP.

A importância dos geoglifos associa-se a compreensão da ocupação pretérita da Amazônia, por estarem localizados em

áreas de interflúvio e terra firme, consideradas inadequadas para implantação de comunidades indígenas sedentárias.

As condições ambientais caracterizadas em campo para os geoglifos estudados sugerem requisitos necessários para a identificação

de estruturas geométricas semelhantes na região, tais como um contexto geológico específico, um relevo aplainado e cotas

médias (200 m) e ainda predomínio de solos de textura argilosa.

Constituem vestígios do passado, evidenciando antigas civilizações, esquecidas por longo tempo, envoltas na floresta

amazônica, resgatadas pelo esforço de alguns pesquisadores sobre áreas submetidas a intenso desmatamento.

SETORIZAÇÃO DE RISCOS NO MATO GROSSO DO SUL: UMA

AVALIAÇÃO PARCIAL DOS DADOS OBTIDOS ENTRE 2013 e 2016

Autores: Lazaretti, A. F. 1 ; Antonelli, T. 1 ; Lima, G. 1 ; Pinho, D. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

O Serviço Geológico do Brasil – CPRM atua em vários estados do Brasil, desde 2001 com o projeto de setorizações de áreas

de risco alto a muito alto a movimentos de massa e enchentes. De acordo com os levantamentos de campo realizados pelo SGB/

CPRM até maio de 2016, foram setorizados 1148 municípios em todo o território nacional. O Estado do Mato Grosso do Sul contava

até final de 2015 com 21 municípios avaliados, correspondente a 1,8% deste total. Nestes municípios, foram encontrados

47 setores de risco, sendo 44 para risco alto (93,6%) e 03 para risco muito alto (6,4%), totalizando 24.846 pessoas em situação de

risco, ou 0,01% da população nacional. Ressalta-se que para completar a setorização em todo o estado ainda faltam 58 municípios

(73,4%).

Os processos mais comuns até o presente momento descrito nas setorizações realizadas apontam para: inundação (63,4%),

deslizamento, planar ou em taludes de corte (12,8%), voçorocas (8,5%), alagamentos em sua maioria decorrentes de deficiência

de drenagem superficial (6,4%), queda e rolamento de blocos e demais processos associados (4,3%), recalque em construções

(2,3%) e solapamento de margem associado a inundações (2,3%). Todos os setores associados a risco muito alto são de deslizamentos,

planar ou em taludes de corte, e para os setores de risco alto dominam os processos hídricos como inundação e

correlatos, incluindo solapamento de margens e alagamentos, seguidos por processos erosivos como voçorocas. Todos estes

riscos identificados permitem a projeção de situações a serem encontradas nas atividades de campo, segundo a localização do

município, uma vez que estão intimamente ligados ao arcabouço geológico do estado, formado basicamente, por três unidades

geotectônicas distintas: o cinturão metamórfico Paraguai-Araguaia, a plataforma amazônica e a bacia sedimentar do Paraná.

O planalto da Bacia do Paraná ocupa toda a porção leste do estado e constitui uma projeção do planalto Meridional que

forma uma grande unidade de relevo que domina a região sul do país. Estendendo-se por uma grande área a noroeste do estado,

a baixada do rio Paraguai é formada por uma planície aluvial sujeita a inundações periódicas. Suas altitudes oscilam entre 100

e 200m. Em meio à planície do Pantanal ocorrem alguns maciços isolados como o de Urucum, com 1160m de altitude, próximo

à cidade de Corumbá. Dado o panorama geológico/geomorfológico geral do estado tem-se, naturalmente, que os principais

riscos de caráter geológico encontrados são de cunho hidrológico/hidrogeológico, visto que o nível do lençol freático é bastante

elevado na maior parte do estado, corroborando com os números apresentados até o presente momento, e pontualmente

ocorrem problemas com movimentações de massa (deslizamentos, possibilidade de taludes de corte, queda e rolamento de

blocos e outros), nas regiões das serras, morros altos e morrotes que possuem declividades mais elevadas. Acredita-se que com o

avanço das setorizações no Estado do Mato Grosso do Sul, estas correlações serão verificadas e validadas, além de auxiliarem nas

questões de planejamento urbano dos municípios, que é de extrema importância na atualidade, considerando o crescimento

econômico e demográfico do estado e da região centro-oeste nos últimos anos.

PALAVRAS-CHAVE:

ÁREAS DE RISCO, MATO GROSSO DO SUL, RISCO GEOLÓGICO

PALAVRAS-CHAVE:

GEOGLIFOS. PONTA DO ABUNÃ. RONDÔNIA

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Hidrologia e GestÃo Territorial

COMPARAÇÃO DA CARTA DE SUSCETIBILIDADE

A MOVIMENTOS DE MASSA E INUNDAÇÃO E A SETORIZAÇÃO

DE RISCO GEOLÓGICO EM BRAÇO DO NORTE - SC

Autores: Bellettini, A.S. 1 ; Noronha, F.L. 1 ; Lamberty, D. 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Porto Alegre

Em âmbito federal, a Lei n. 12.608, de 10 de abril de 2012, que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNP-

DEC), estabelece atividades de gestão e gerenciamento com papel fundamental no equacionamento de desastres naturais. Neste

contexto, o Serviço Geológico do Brasil - CPRM recebeu do Governo Federal a incumbência de atuar em municípios sujeitos a

deslizamentos e inundações, dando suporte à prevenção e fornecendo subsídios à execução do planejamento urbano. Para tal,

a CPRM desenvolve o Projeto Setorização de Riscos a Movimentos de Massa e Inundações, que consiste na identificação e delimitação

de áreas urbanas classificadas como de risco muito alto e alto, em escala variável de 1:1.000 a 1:3.000, para processos de

rupturas em encostas, enchentes e inundações; e o Projeto Cartas de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e

Inundações, executado na escala 1:25.000, o qual delimita classes de alta, média e baixa suscetibilidade a movimentos de massa

e inundações.

Estes projetos foram executados para o município de Braço do Norte em Santa Catarina, este situado em litologias graníticas

do Batólito Florianópolis, rochas sedimentares e vulcânicas da Bacia do Paraná, além de depósitos cenozoicos. Devido ao

contexto geológico, geomorfológico e pedológico, este município apresenta diversos cenários naturalmente suscetíveis a movimentos

de massa e inundações. Ao avaliar a ocorrência de risco geológico decorrente da ocupação urbana, a CPRM delimitou

14 setores de risco alto a processos de movimentos de massa e inundações. A comparação em ambiente SIG da localização dos

setores de risco com a distribuição das classes de suscetibilidade demonstrou forte correlação. Os setores com risco alto à inundação

estão concentrados principalmente nas classes de alta a média suscetibilidade a inundações, o que era esperado.

Entretanto, os setores SC_BN_SR_09_CPRM, SC_BN_SR_12_CPRM e SC_BN_SR_13_CPRM encontram-se situados predominantemente

em locais onde não há suscetibilidade natural à inundação, apenas baixa suscetibilidade a movimentos de massa.

Nestes casos, ações antrópicas como redimensionamento de drenagens, assoreamento induzido provocando barramentos e

ocupação desordenada em APPs, foram decisivas para a ocorrência de risco. Já o setor de risco a deslizamento, SC_BN_SR_07_

CPRM, situa-se em parte nas classes de baixa a média suscetibilidade a movimentos de massa e em parte nas classes de alta

a média suscetibilidade à inundação, sendo que o setor apresenta moradias com vulnerabilidade alta, situadas sobre aterros

lançados ao lado de corpo d’água. Exercícios de comparação como o aqui apresentado possibilitam observar a importância do

planejamento urbano para a expansão dos munícipios, uma vez que a urbanização desordenada pode criar áreas de risco onde

não há propensão natural a deslizamentos ou inundações.

PALAVRAS-CHAVE:

SUSCETIBILIDADE, RISCO, BRAÇO DO NORTE

Hidrologia e GestÃo Territorial

INVESTIGANDO A INFLUÊNCIA DO ESCOAMENTO DE

BASE NAS VAZÕES DA BACIA DO RIO MURIAÉ (MG/RJ)

Autores: Mattiuzi, C.D.P. 1 ; Salviano, M.F. 1 ; Kirchheim, R.E. 1 ; Ramos, V. 1

1

CPRM - Superintendência Regional de São Paulo

O presente trabalho tem o objetivo de avaliar a influência de água subterrânea na vazão dos rios da Bacia do Rio Muriaé,

cuja cabeceira está localizada no estado de Minas Gerais e a foz no estado Rio de Janeiro. O método utilizado foi a separação do

escoamento de base com o Filtro Digital Recursivo de Eckhardt. A importância deste trabalho reside na obtenção da informação

da vazão de base, que será utilizada como dado de entrada para o modelo hidrológico da Bacia do Rio Muriaé, o qual é utilizado

no Sistema de Previsão e Alerta de Eventos Críticos, monitoramento realizado pela Superintendência de São Paulo da Companhia

de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).

Foram escolhidas para o trabalho três estações fluviométricas localizadas na Bacia do Rio Muriaé: duas estações na cabeceira

da bacia (Divino, com 330 km² de área de drenagem, e Fazenda Umbaúbas, com 145km² de área de drenagem) e uma

estação na região da foz da Bacia (Cardoso Moreira, com 7280km² de área de drenagem, é a última estação fluviométrica antes

da chegada do Rio Muriaé no Rio Paraíba do Sul). As séries de dados de vazões foram obtidas através de estações telemétricas

no portal Gestor PCD da Agência Nacional de Águas; nas

estações da cabeceira o período de dados compreende 6

meses (outubro de 2015 a março de 2016); na estação da

foz da bacia a série de dados compreende 24 meses (de

janeiro de 2014 a dezembro de 2015).

Localização da Bacia do Rio Muriaé e Hidrogramas com Separação de

Escoamento de Base

O Filtro Digital Recursivo de Eckhardt é um método

que discretiza a vazão do rio em escoamento superficial

e escoamento subterrâneo, possibilitando a avaliação e

compreensão das descargas aquíferas nos rios; foram levadas

em consideração alterações no método de Eckhardt

para a obtenção do BFImax (índice máximo de escoamento

de base). Os resultados apontam que nas estações

da cabeceira a influência subterrânea é elevada, a vazão

de base variou entre 20% e 68% da vazão do rio, o que

pode ser explicado pela favorabilidade hidrogeológica

da região (com aquíferos do tipo granito-gnáissicos com

uma alta densidade de fraturas).

Na estação fluviométrica da foz da bacia, a vazão de

base variou entre 40% e 60% da vazão do rio, esse valor pode ser explicado pelo manto de alteração das rochas granitoides da

região, que pode ser espesso e com elevadas porosidade e permeabilidade, de forma a regularizar a vazão do rio. É importante

ressaltar a dificuldade de quantificar a contribuição subterrânea em aquíferos fraturados, e que o método utilizado possui um

nível de imprecisão para a separação do escoamento nesses ambientes.

Além da quantificação da contribuição aquífera, os resultados deste trabalho também auxiliaram no entendimento na dinâmica

hidrológica da bacia; os resultados serão testados no modelo hidrológico do Rio Muriaé. Este trabalho também está inserido no

contexto de um estudo de quantificação da influência subterrânea nos rios do sudeste do Brasil, tema relevante devido à grave

estiagem que essa região se encontra.

PALAVRAS-CHAVE:

ESCOAMENTO DE BASE, FILTRO DE ECKHARDT, BACIA DO RIO MURIAÉ

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Hidrologia e GestÃo Territorial

IMPORTÂNCIA DO CADASTRAMENTO DE FONTES NATURAIS NO

SIAGAS/SGB/CPRM PARA A PESQUISA HIDROGEOLÓGICA E

PROMOÇÃO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E ECONÔMICA

DAS ZONAS DE NASCENTES DOS RIOS DO ESTADO DA BAHIA

Autores: Silva, C. N. 1 ; Abreu, A. S. de 1,2 ; Negrão, F. I. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Universidade Federal da Bahia – UFBA

No Estado da Bahia existe uma variedade de fontes e nascentes ainda não identificadas, estudadas, catalogadas e/ou georreferenciados,

bem como aquíferos, devidamente, bem estudados na sua totalidade. Esses mananciais podem ser classificados

e caracterizados em função de suas propriedades hidrogeológicas e hidroquímicas para a preservação das águas subterrâneas

e superficiais, sustentabilidade ambiental das zonas de nascentes dos rios e sustentabilidade econômica de todo o Estado; podendo

ser valorados, num contexto de geoconservação, também, como Patrimônio Hidrogeológico.

O Sistema de Informações de Águas Subterrâneas – SIAGAS, desenvolvido e mantido pelo Serviço Geológico do

Brasil – SGB/CPRM é composto por uma base de dados de informações hidrogeológicas de todo território nacional; e de

módulos capazes de realizar consulta, pesquisa, extração e geração relatórios. Com uma estrutura de cliente-servidor, (i)

apoia-se no gerenciador de dados SQLServer; (ii) permite o controle de acesso, carregamento e alteração de dados internalizados;

e (iii) incorpora programas e ferramentas gráficas para consistência, sistema de informações geográficas e rotinas

de importação e exportação de dados, estabelecidos em seus módulos de entrada (Módulo Local) e de consulta na web

(SIAGAS WEB); transformando-se numa grande ferramenta de pesquisa hidrogeológica, de planejamento e de gestão para

estados e municípios.

A importância do cadastramento de fontes naturais, no banco de dados do SIAGAS, visa, não somente, aumentar a quantidade,

como, substancialmente, aumentar a qualidade das informações sobre o ponto d’água cadastrado, apresentando relevância

para uma inventariação da geodiversidade das águas, preservação de trechos fluviais, de sistemas aquíferos e, para o

contexto econômico, a produção do recurso hídrico. Neste contexto, na região oeste do Estado, destacam-se as águas de extensos

e volumosos rios e do aquífero Urucuia, monitorados pela CPRM, de alto interesse econômico, devido ao grande potencial

hídrico, não só para abastecimento humano, turismo e lazer, bem como, para a manutenção da forte indústria do agronegócio,

já estabelecida, que demandam grandes quantidades de águas superficial e subterrânea.

A produção de água como recurso hídrico, associado ao conceito de patrimônio hidrogeológico, pode contribuir para a

conscientização voltada à preservação de fontes e nascentes para atender e fomentar programas governamentais de conservação

como: i) Programa Produtor de Água da Agencia Nacional de Águas – ANA (2014); ii) o Projeto de Lei n° 13223/15 que institui

a Política Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais – PSA (2015); e criação do Programa Estadual de Pagamento por

Serviços Ambientais no Estado da Bahia proposto pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SEMA (2015), na tentativa de se

manter, equilibradamente, o ciclo hidrológico.

PALAVRAS-CHAVE:

SIAGAS, PRESERVAÇÃO, NASCENTES

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Hidrologia e GestÃo Territorial

Hidrologia e GestÃo Territorial

RELAÇÃO ENTRE AS VARIAÇÕES DOS NÍVEIS ESTÁTICOS DOS

POÇOS DE MONITORAMENTO DO SISTEMA AQUÍFERO URUCUIA,

(PROJETO RIMAS), NAS BACIAS HIDROGRÁFICAS DOS RIOS:

GRANDE, DE ONDAS, E FÊMEAS E SUAS VAZÕES DE BASE, NA

REGIÃO OESTE DO ESTADO DA BAHIA

Autores: Villar, P. C. C. M 1 .; Silva, C. N. 1 ; Araujo, G. R. S.de 1 ; Negrão, F. I. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

A área em estudo localiza-se na região Oeste do Estado da Bahia, Sistema Aquífero Urucuia, nas sub-bacias dos rios de

Ondas, das Fêmas e Grande; afluentes da margem esquerda do Rio São Francisco da bacia Sanfranciscana. De alto interesse econômico

devido ao seu grande potencial hídrico, não só para abastecimento público, como para culturas irrigadas de soja, milho,

algodão e café, além da indústria do agronegócio, que demandam grandes quantidades de água superficial e subterrâneas. O

Sistema Aquífero Urucuia é um manancial de extensão regional que abrange os estados do Maranhão, Piauí, Tocantins, Goiás,

Minas Gerais e Bahia na sua maior porção.

Esse sistema é responsável pela perenidade dos rios durante todo o período de estiagem que ocorre entre os meses de

abril a outubro. Em geral, a utilização em larga escala das águas subterrâneas interfere diretamente no volume de água que

escoa superficialmente, sendo responsável por modificações geo-ambientais significativas (Aquino et al. 2003). De forma que

este trabalho visa estudar (ou definir) a relação entre as variações dos níveis estáticos dos 38 poços de monitoramento do

projeto RIMAS, distribuídos entre os municípios de Barreiras, Luís Eduardo Magalhães – LEM e São Desidério, nas bacias dos

rios de Ondas, Fêmeas e Grande, com as variações dos níveis de base dos seus respectivos rios. Para se calcular a vazão de

base desses rios são utilizadas 11 estações fluviométricas seguintes pertencentes à rede ANA/CPRM: No Rio Corrente: Santa

Maria da Vitória e Porto Novo; Rio das Fêmeas: Derocal e no Rio Grande: Sítio Grande, Barreiras, São Sebastião, Taguá, Fazenda

Macambira, Boqueirão e Casa Real.

Diante da necessidade de ampliar o conhecimento hidrogeológico para os principais aquíferos do país o Serviço Geológico

do Brasil – SGB/CPRM, em consonância com suas atribuições estabelecidas na Lei nº 8.970 de 28/12/1994, planejou, implantou

e executa a Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas – RIMAS. Esta rede tem como objetivos propiciar a

médio e longo prazo a estimativa a medição periódica da variação do nível d’água através de dataloggers instalados em poços

construídos especialmente para esse fim; para calcular a reserva reguladora do aquífero; balanço hídrico; gerenciamento da disponibilidade

do recurso hídrico subterrâneo; e, sobretudo a identificação de impactos às águas subterrâneas em decorrência da

explotação desordenada do aquífero.

Dessa forma vai-se implementar a geração e integração do conhecimento técnico-científico para a gestão do aproveitamento

racional de cada manancial: Superficial e subterrâneo buscando estabelecer o equilíbrio da explotação entre os diferentes

sistemas. Por outro lado com o adensamento da malha de monitoramento, ora em execução, espera-se estender esses estudos

para todo o Sistema Aquífero Urucuia (SAU). Os dados deste monitoramento são armazenados continuamente no banco de

dados do Serviço Geológico do Brasil – SGB/CPRM/RIMAS e disponibilizados para o usuário através de ambiente web.

Análise espaço-temporal da setorização de áreas de risco

no município de Três Coroas/RS no período de 2012 - 2016

Autores: Lamberty, D.; Viero, A.C.; Peixoto, C.A.B.; Zwirtes, S. 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Porto Alegre

Para o Ministério das Cidades, risco é a relação entre a possibilidade de ocorrência de um dado processo ou fenômeno,

e a magnitude de danos ou consequências sociais e/ou econômicas sobre um dado elemento, grupo ou comunidade. O grau

de risco pode ser modificado por meio do gerenciamento das áreas, agindo sobre o processo ou sobre as consequências.

Sendo assim, quanto maior for o grau de gerenciamento de uma área de risco, menor será o grau de risco desta área. Partindo

da premissa exposta, este trabalho tem por objetivo apresentar uma análise espaço-temporal da setorização de áreas de

risco do município de Três Coroas/RS, com base nos trabalhos realizados pela equipe da CPRM - Serviço Geológico do Brasil

no município em 2012 e 2016.

O município de Três Coroas está situado no Vale do Paranhana, a 99 km de Porto Alegre. Em 2012 foi realizada setorização

de risco a movimentos de massa e inundação, no âmbito do projeto Ação Emergencial para Reconhecimento de Áreas de Alto e

Muito Alto Risco a Movimentos de Massa e Enchentes. Nesta ocasião, identificou-se 24 setores de risco, dos quais 10 relacionados

a processos de deslizamento, 5 a processos de inundação associada ou não a enxurradas, 4 referentes a rolamento de blocos

associados ou não a outros processos, 2 referentes à corrida de detritos, 2 referentes a enxurradas e 1 à erosão de margem

(solapamento). Na ocasião, estimou-se que 11.156 pessoas estariam em áreas de risco alto (8) a muito alto (16). Ao retornar ao

município, no primeiro semestre de 2016, verificou-se que diversos setores tiveram seu grau de risco reduzido em função da

adoção de ações estruturais e não estruturais. Como prevenção para cheias, limpeza do Rio Paranhana e de afluentes e contenção

de margens em processo de erosão foram realizadas, além da orientação para que a população elevasse as casas utilizando

pilotis, diminuindo assim a vulnerabilidade da população. Ações de fiscalização das secretarias de Planejamento e da Habitação

juntamente com a Defesa Civil coibiram a ocupação de áreas naturalmente suscetíveis a inundações e ordenaram o avanço da

ocupação nas encostas.

Apesar do resultado positivo destas ações de redução do risco, diversos setores ainda exigem atenção dos órgãos fiscalizadores.

Como, por exemplo, os setores que ocorrem na Rua Itapuã do Loteamento Pinheirinhos e na Rua Henrique Jurgenssen

no Bairro Vila CTG, uma vez que nestes locais a ocupação com casas de alto grau de vulnerabilidade avança sobre as margens do

Rio Paranhana e do Arroio Lavrado, áreas setorizadas em 2012 e que são suscetíveis à inundação e à erosão marginal. A revisita

dos municípios setorizados pela CPRM teve início em 2016 e tem como objetivo principal acompanhar a gestão das áreas de

risco pelos municípios e a implantação de ações para minimização dos efeitos dos desastres naturais sobre a população. Permite

também a atualização dos primeiros trabalhos realizados pela CPRM, o monitoramento dos setores e a análise da recorrência dos

processos geológicos e hidrológicos.

PALAVRAS-CHAVE:

RISCO GEOLÓGICO; GESTÃO DE RISCO; TRÊS COROAS/RS

PALAVRAS-CHAVE:

RIMAS, MONITORAMENTO, NIVEIS DE BASE

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Hidrologia e GestÃo Territorial

GEOQUÍMICA MULTIUSO NOS ESTADOS DE MINAS GERAIS

E ESPÍRITO SANTO - O Atlas Geoquímico da Bacia do Rio Doce

Hidrologia e GestÃo Territorial

BACIA HIDROGRÁFICA INTERNACIONAL DO RIO URUGUAI E

CONSISTÊNCIA DOS SEUS DIVISORES DE ÁGUA NA ESCALA 1:3.000

Autores: Viglio, E.P. 1 ; Cunha, F. G. da 1 ; Souza, M. V. 2

1

CPRM - Escritório do Rio de Janeiro; 2 CPRM/RJ - UFRRJ

A bacia do rio Doce (BRD) localiza-se no limite E de Minas Gerais e W do Espírito Santo, possui formato elipsoidal alongado

para E com dimensões de 400x300km, afunilando para o Oceano Atlântico. Sua área aproximada é de 84 mil km2, sendo 86%

em Minas Gerais e 14% no Espírito Santo. A bacia engloba 225 municípios sendo os principais Ipatinga e Governador Valadares,

entre os 200 mineiros, e Linhares entre os 25 capixabas. A população residente de 3,6 milhões de pessoas tem como principais

atividades econômicas a agropecuária, mineração e indústria. O Rio Doce ganha sua denominação a partir da confluência dos

rios Piranga e do Carmo, tem extensão total de 888km desde a nascente no rio Xopotó até sua foz, em Linhares.

O arcabouço geológico da bacia é representado por rochas Arqueanas e Paleoproterozóicas que formam o Quadrilátero

Ferrífero e quartzitos e conglomerados do Supergrupo Espinhaço formando o limite W, Complexos Granítico-gnáissicos na parte

central sobrepostos por coberturas lateríticas terciárias e aluviais do Cenozóico. Em levantamento de baixa densidade (bacias

de 150km2) efetuado pelo Projeto Geoquímica MultiUso do Serviço Geológico do Brasil, foram coletadas 537 amostras de sedimento

de corrente, 539 amostras de água de superfície, 123 amostras de solo em malha de 25x25km e 203 amostras de água de

abastecimento público de cada sede municipal situada nos limites da bacia.

As análises para 53 elementos químicos foram feitas através de ICP-MS (solo e sedimento), para 27 cátions por ICP-OES e

7 ânions por Cromatografia Iônica (águas). Estes resultados “retratam” a bacia entre os meses de novembro de 2009 (cabeceiras)

e agosto de 2011. O Atlas Geoquímico encontra-se em fase de editoração, reunindo os resultados de MG e ES, para facilitar a

compreensão do que ocorreu com o rompimento da barragem de Santarém, em Bento Rodrigues, Mariana, MG em novembro

de 2015. Formado por mapas de todos os elementos em todos os meios amostrados, indica regiões que podem conter mineralizações,

ser nocivas à saúde e ao meio ambiente além da indicação de fonte geogênica ou antropogênica dos contaminantes.

Dentre as diversas ocorrências detectadas, destacam-se: os cátions Al, As, Fe, Mn, Pb, Sb e Se e os ânions Fluoreto e Nitrato

apresentam teores acima dos parâmetros legais (Portaria MS2914) para as águas de abastecimento, enquanto os cátions Al, Fe,

Ni e Pb e os ânions Cloreto, Fluoreto, Nitrato, Nitrito e Sulfato apresentam teores acima da CONAMA 357 para as águas de superfície.

Os elementos, As, Cd, Cr, Hg, Ni, Cu, Pb e Zn mostram valores acima do permitido para sedimento de fundo pela CONAMA

454. Para solo, os seguintes elementos mostram valores acima do VRQ-FEAM-MG com sua respectiva área da bacia afetada: Ba

(30%), Cd (10%), Cr (30%), Fe (60%), Hg (86%), Mo (50%), Mn (15%), Pb (40%), Se (10%), Sr (10%), V (50%) e Zn (10%).

PALAVRAS-CHAVE:

PROSPECÇÃO GEOQUÍMICA, GEOQUÍMICA AMBIENTAL, BACIA DO RIO DOCE

Autores: Marcuzzo, F.F.N. 1 ; Souza, C.J.R. 2 ; Almeida, D.B. 2

1

CPRM - Superintendência Regional de Porto Alegre; 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Instituto de Pesquisas Hidráulicas /

Engenharia Ambiental

A designação “bacia hidrográfica” serve para definir as áreas da superfície terrestre separadas topograficamente entre si

pelos denominados divisores de águas. Os divisores de águas (ou interflúvios) são linhas divisórias localizadas nas áreas mais

elevadas do relevo, no encontro de planos que marcam a mudança de sentido no escoamento das águas da rede hidrográfica.

Essas linhas formam um polígono que delimita a bacia hidrográfica, separando-a de outras bacias hidrográficas vizinhas. No

território brasileiro, a Lei Federal n° 9.433 de 1997 estabelece a bacia hidrográfica como unidade territorial para aplicação da

Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).

O Modelo Numérico do Terreno (MNT) pode ser obtido por meio da interpolação de curvas de nível extraídas de uma

carta topográfica ou através de imagens de sensores remotos, como no caso deste estudo que se utilizou imagens disponibilizadas

pelo Serviço Geológico Americano (USGS) em 2014, o SRTM com 30 metros. A delimitação da bacia hidrográfica

do rio Uruguai, considerando o seu exutório

(coordenadas geodésicas: 33°53’06’’S

e 58°26’43’’O; coordenadas decimais:

33,885°S e 58,445°O; a altitude na foz do

rio Uruguai extraída pelo SRTM30 é igual

a zero) no encontro da bacia do Plata aqui

executada com os divisores de água consistidos

(verificados pelo relevo/hipsometria,

drenagem e imagens de satélite),

obteve uma área de 349.844,10km² e um

perímetro de 7.264,52km.

A maior altitude da bacia do rio

Uruguai, de 1.824m, está em cima do divisor

de água com a bacia do Atlântico

– Trecho Sudeste (bacia 8), mais precisamente

na fronteira com a sub-bacia 83

(coordenadas geodésicas aproximadas de

28°07’33’’S e 49°28’29’’). A maior altitude,

que com certeza está dentro do território Altimetria das sub-bacias setentrionais do Rio Uruguai em território brasileiro

da bacia do rio Uruguai, é de 1.822m (coordenadas

geodésicas: 27°54’31’’S e 49°19’12’’O; coordenadas decimais: 27,91°S e 49,32°O) está localizada na porção norte

do município de Urubici/SC, próximo da fronteira com o município de Bom Retiro/SC. Este ponto de altitude 1.822m dista

aproximadamente 1,6km do divisor de águas da sub-bacia 84 e aproximadamente 6km do divisor de água (tríplice) entre as

sub-bacias 71 (sub-bacia pertencente ao rio Uruguai), e as sub-bacias 83 e 84 (sub-bacias pertencentes a bacia do Atlântico –

Trecho Sudeste).

A maior altitude na bacia do rio Uruguai no estado do Rio Grande do Sul, segundo o SRTM30, é de 1.388m, e esta localizada

nas coordenadas 28°37’08,3’’S (28,619°) e 49°48’03,2’’O, no território do município de São José dos Ausentes, em cima do

divisor de águas com a sub-bacia 84, e bem próximo à fronteira com o município de Morro Grande no estado de Santa Catarina.

Ao redor da tríplice fronteira, entre Brasil, Uruguai e Argentina, o rio Uruguai possui uma altitude aproximada de 40 metros.

PALAVRAS-CHAVE: Modelo Digital de Elevação, Bacia Hidrográfica do Plata, SRTM 30

126 127


Hidrologia e GestÃo Territorial

AQUÍFERO SERRA GRANDE: HIDROGEOLOGIA, LEVANTAMENTOS

GEOFÍCOS E MODELO TECTÔNICO - BORDA SUDESTE DA BACIA

SEDIMENTAR DO PARNAÍBA – PI

Autores: Francisco Lages Correia Filho 1 ; Adson Brito Monteiro 1 ; Claudio Damasceno de Souza 1 ;João Batista Freitas de Andrade 1 ;

Sérgio Luis Fontes 2 ; Edilton Carneiro Feitosa 3

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Observatório Nacional; 3 Universidade Federal de Pernambuco

Apresentamos, aqui, parte dos resultados de estudos realizados na área do Projeto Borda Sudeste da Bacia Sedimentar do

Parnaíba (CPRM, 2010), situada na porção sudeste do Estado do Piauí, abrangendo a região semiárida nos limites dos Estados

do Piauí e Bahia, cobrindo uma superfície aproximada de 24.358 km2, inserida no semiárido brasileiro. Os métodos de trabalho

basearam-se na fotointerpretação geológica, análise e interpretação digital e visual de imagens de satélite SRTM-Sombreada

90 e Mosaico Geocover, georreferenciadas com base no Datum WGS 84 e processamento com a utilização de software ArcGIS

9.2, cadastramento de pontos d’água, altimetria de poços selecionados, mapeamento geológico e hidrogeológico, levantamentos

geofísicos, com a utilização dos métodos Magnetotelúrico e Transiente Eletromagnético (através de perfis transversais à

borda da bacia), Eletrorresistividade (perfil lateral de

resistividade) e Aerogeofísica (aeromagnetometria e

aerogamaespectrometria), com a utilização do Método

de Euler, além da perfuração de dois poços estratigráficos

profundos para confirmação dos estudos

geofísicos.

Os resultados dos estudos realizados, obtidos

a partir da integração dos vários temas abordados,

forneceram subsídios favoráveis à seleção de áreas

para a captação subterrânea, com aumento substancial

da oferta de água, para atender uma população

da ordem de 183.092 habitantes (IBGE, Resultados

do Censo 2010) da área investigada, composta por

24 municípios. São dois os resultados principais, esperados

a partir do avanço do conhecimento, obtidos

com os estudos realizados. Em primeiro lugar, o

aporte de subsídios hidrogeológicos que proporcionem

a seleção de áreas favoráveis às captações sub-

Modelagem da inversão 1-D do perfil MT da localidade Mocambo

terrâneas, destinadas ao abastecimento das regiões

limítrofes da bacia.Em segundo lugar, esse conhecimento deverá ser de grande utilidade para o monitoramento dos aqüíferos

Serra Grande e Cabeças, pelo órgão gestor dos recursos hídricos no Estado do Piauí e auxiliar na elaboração de um plano que

contemple A GESTÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS na área investigada.

Os benefícios sociais gerados, a partir dos resultados alcançados pelos estudos realizados, revestem-se de fundamental importância,

por se tratar de uma região semiárida, secularmente castigada pela falta de água para consumo humano, com gravíssimos

problemas de abastecimento, onde a maioria da população consome águas poluídas, gerando sérios problemas de saúde

pública, manifestados pelas doenças parasitárias de veiculação hídrica, responsáveis pelos altos índices de mortalidade infantil e

doenças parasitárias que incomodam com frequência os adultos, em alguns municípios. Além disso, deve ser ressaltado como um

resultado importante alcançado pelo projeto, o fato de se dotar o Parque Nacional Serra da Capivara com oferta e disponibilidade

de água que permitem a preservação de sua fauna e possibilitam o desenvolvimento de sua inconteste vocação turística.

PALAVRAS-CHAVE:

Serra Grande; Hidrogeologia; Levantamentos Geofísicos;

mODelo Tectônico

Hidrologia e GestÃo Territorial

EVIDÊNCIAS DE PROCESSOS DE DINÂMICA FLUVIAL

RELATIVAS À CAPACIDADE DE ESCOAMENTO DO RIO ACRE

Autores: Buffon, F. T. 1 ; Barbosa, F. A. R. 1 ; Mendonça, R. R. 1 ; Conterato, E. 2

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Universidade Federal de Rondônia

Os processos de dinâmica fluvial podem afetar de diversas formas a relação da sociedade com os, seja na otimização

dos usos dos recursos hídricos de uma região, ou na busca de previsão e proteção da ação das águas. O rio Acre, situado na

região da Depressão Amazônica, apresenta um padrão meandrante com baixa declividade do canal em razão de possuir

pouca variação altimétrica, caracterizado por uma extensa planície aluvial com inundações sazonais. Por meio da análise da

série histórica de níveis do rio Acre no município de Rio Branco é possível se observar uma tendência de redução gradual dos

níveis mínimos anuais, observados nas épocas de estiagem, assim como se observa uma tendência recente de elevação dos

níveis máximos anuais, observados na época de enchentes. Analisando-se a série histórica de níveis do rio Acre no município

de Assis Brasil, foi observado efeito inverso ao ocorrido em Rio Branco durante as épocas de estiagem, com uma tendência

recente de elevação gradativa dos níveis mínimos anuais.

Devido a estes fatos, foram investigadas as correlações existentes entre os níveis observados e as vazões medidas nas

estações fluviométricas de Rio Branco (código 13600002) e de Assis Brasil (código 13450000), com a finalidade de se compreender

os processos de dinâmica fluvial que estão ocorrendo em ambos os locais. Verificou-se por meio da análise das curvas-chaves

(relação entre nível e vazão) que as mesmas não são constantes ao longo do tempo, indicando que a capacidade

de escoamento nas estações fluviométricas estudadas sofreu alteração com o passar dos anos, sendo esta mais acentuada

a partir da presente década. Em Rio Branco, para um determinado nível do rio, a capacidade escoamento vem aumentando

com o passar do tempo, suportando uma maior vazão.

Este fato indica a ocorrência de processos erosivos atuantes, devidos às grandes velocidades associadas as enchentes

que cada vez ocorrem com maior frequência, carregando o material do leito do rio e promovendo seu aprofundamento. Em

Assis Brasil, para um determinado nível do rio, a capacidade escoamento vem reduzindo com o passar do tempo, suportando

uma menor vazão. Isso indica a ocorrência de processos sedimentares atuantes, promovendo o assoreamento do canal do rio,

provavelmente em decorrência da erosão fluvial das margens do rio, que se depositam na região à medida que a velocidade

do escoamento vem sendo reduzida.

PALAVRAS-CHAVE:

Rio Acre, Dinâmica Fluvial, Capacidade de Escoamento

Assoreamento do Rio Acre na região da estação fluviométrica Assis Brasil

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Hidrologia e GestÃo Territorial

USO DO APLICATIVO MÓVEL GEOFIELDBOOK NO

MAPEAMENTO DE CAMPO GEOLÓGICO-ESTRUTURAL

Autor: Santos, F.G. 1

1

CPRM - Superintendência Regional do Recife

A Geologia é uma ciência onde as

atividades de cam po se fazem necessárias

para o levantamento de informações.

Com o avanço da tecnologia das últimas

décadas, muitos métodos de processamento

digital são aplicados aos dados

geológicos coletados em campo, dessa

forma, uma ferramenta foi pensada para

servir de ponte entre os dados analógicos

trazidos de campo com a conversão

para meio digital que sempre é realizada

na etapa pós-campo. O GeoFieldBook é

um aplicativo para o sistema operacional

móvel iOS (apenas iPad), desenvolvido

pela interação entre professores dos departamentos

de Geologia e Ciências da

Computação da Faculdade Americana

LAFAYETTE COLLEGE.

O App em questão foi projetado para o

uso em projetos de geologia que abrangem

o mapeamento de campo geológico-estrutural,

podendo ser usado como

complemento ou até substituindo a clássica

caderneta de campo e os mapas de papel. A câmera e o GPS do iPad são usados de forma integrada para auxiliar o usuário

a gerenciar os da dos e recursos do mapeamento, assim todas as informações gravadas, sejam elas geológicas e/ou estruturais,

são georreferenciadas automaticamente e há a possibilidade de fotografar as estruturas e afloramentos dentro de cada registro

de entrada de dados. Os dados coletados são registrados e exibidos em tempo real sobre uma imagem base (Apple ou Google

Earth), com as direções e mergulhos exibidos na orientação correta podendo-se escolher um coloração diferente para cada unidade

litológica.

Hidrologia e GestÃo Territorial

PANORAMA DO RISCO GEOLÓGICO NA CIDADE DE GUARULHOS (SP)

Autores: Facuri, G.G. 1 ; Dos Santos, L.F. 1

1

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

O Serviço Geológico do Brasil – CPRM, destacado no Programa Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres para

mapear os riscos geológicos em caráter emergencial no território nacional em 2014, identificou e analisou setores de Alto e

Muito Alto risco para processos gravitacionais de massa e inundações da cidade Guarulhos, inserida na Região Metropolitana

de São Paulo. A cidade já havia sido alvo em 2004 de Plano de Redução de Riscos (PMRR), base para o último mapeamento,

além de novas informações fornecidas pela equipe de Defesa Civil municipal. O PMRR, nos moldes do Ministério das Cidades,

é especificamente voltado para a formação de políticas públicas para gestão de riscos no município, com identificação de

áreas, indicação de tipologias de intervenções, estimativa de custos, critérios para priorização e relatório síntese com apresentação

à parcela da sociedade interessada e com tempo de elaboração mais longo devido às etapas consideradas.

Já a setorização, de caráter expedito, do CPRM tem por objetivo a identificação, caracterização e delimitação de áreas

para os entes envolvidos como o CEMADEN, CENAD e Defesas Civis estaduais e municipais para servir de avisos e alertas de

defesa civil e para prevenção e resposta. Apesar das metodologias e objetivos diferentes, os dados e informações, de um hiato

de 10 anos, foram comparados para se obter um panorama dos riscos geológicos municipais fornecendo subsídios para uma

gestão de riscos mais eficiente e efetiva. O PMRR identificou 62 duas áreas de risco a deslizamento, sendo 37 de Alto e Muito

Alto graus de risco. Já a setorização da CPRM contabilizou 45 delas. Com relação a solapamentos de margem, foram 32 da

CPRM e 4 do PMRR de alto e muito alto risco.

Houve coincidência de pelo menos 10 locais. O dinamismo dos cenários de risco e o alto custo das intervenções são

apontados como inviabilizadores das tradicionais medidas propostas, como remoções ou grandes obras de contenção. Foram

feitas comparações em diversos destes setores onde foi possível observar as mudanças causadas pelo crescimento populacional.

O município pode e deve, portanto, com a atualização elaborada pelo CPRM, promover a análise de tipos de intervenção

para mitigação ou eliminação dos riscos, estimativa de custos e da relação custo x benefício, alocar fontes de recursos das três

esferas do Poder Público para implantar as sugestões e recomendações apresentadas, além de realizar audiências públicas

diretamente nas comunidades em risco, assim como instaurar planos de ação de curto e médio prazo em face destas análises

para estabelecer e renovar uma nova cultura na gestão municipal associada muito mais à prevenção do que à resposta.

PALAVRAS-CHAVE:

RISCO GEOLÓGICO, GUARULHOS

Todos os dados e anotações coletadas em campo podem ser exportados em formato csv para integração com outros softwares

de análise, como também há a possibilidade de importar conjuntos de dados pré-existentes para o app. A cada nova entrada

de informação, os dados podem ser inseridos automaticamente (data, hora e coordenadas), de forma manual (código do afloramento,

dados estruturais das unidades litológicas) ou de forma pré-definida (acamamentos, contatos, falhas, juntas etc...). O

aplicativo ainda conta com informações geológicas de um ano de mapeamento em diversos locais do estado da Pensilvânia nos

Estados Unidos e apesar disso pode ser usado em qualquer parte do mundo.

O uso dessa ferramenta digital em mapeamentos de campo auxilia os geólogos a obter dados estratigráficos, além de gerar mapas

interativos qu e levantam hipóteses sobre o arcabouço tectono-geológico da região mapeada e uma discussão no próprio

local de aquisição das informações pode levar a uma interpretação mais rápida.

PALAVRAS-CHAVE:

APLICATIVO; GEOFIELDBOOK; MAPEAMENTO GEOLÓGICO

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Hidrologia e GestÃo Territorial

A REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS

SUBTERRÂNEAS NO SISTEMA AQUÍFERO QUATERNÁRIO

COSTEIRO DO RIO GRANDE DO SUL

Autores: Troian, G.C. 1 ; Kuhn, I.A1; Goffermann, M. 1 ; Freitas, M. A 1

1

CPRM - Serviço Geologico do Brasil

Este trabalho visa fornecer um panorama geral da Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas–RIMAS

implantada na área do Sistema Aquífero Quaternário Costeiro (SAC) do Estado do Rio Grande do Sul e operada pelo Serviço

Geológico do Brasil-CPRM, no âmbito da Superintendência Regional de Porto Alegre. O SAC representa uma importante reserva

de água subterrânea no Estado, ocupando praticamente toda a extensão da faixa litorânea entre os municípios de Torres e Chuí,

totalizando aproximadamente 620 km de extensão, área aflorante de 23.500km2 e apresentando capacidades específicas na

ordem de 4 m3/h/m. O monitoramento quali-quantitativo deste sistema aquífero se justifica pelo fato de apresentar alta vulnerabilidade

à contaminação e risco através de seu uso não controlado causado pela grande quantidade de poços tipo ponteira

presentes nos aglomerados urbanos, aliado ao baixo índice de saneamento básico.

O SAC começou a ser monitorado pela RIMAS no ano de 2010 e até o momento conta com um total de 11 poços tubulares

dedicados à rede, sendo 6 no litoral norte, 2 no litoral médio e 3 no litoral sul. Para definição da localização dos poços levou-se em

consideração áreas de recarga do aquífero e que não apresentassem interferência de poços próximos. O método de monitoramento

quantitativo consiste na medição automática do nível de água através da instalação, no poço, de sensores (DataLoggers)

que realizam a medida de nível a cada hora. Os dados são armazenados na memória do equipamento, sendo trimestralmente

coletados em campo. Já o monitoramento qualitativo consiste em coletas semestrais de água para análise de nove parâmetros

físico-químicos e a cada cinco anos, a realização de análises físico-químicas completas (43 parâmetros) de acordo com Resolução

396/2008 do CONAMA. São coletados também dados de precipitação pluviométrica, umidade e temperatura do ar, obtidos

através de Plataformas de Coleta de Dados (PCDs) instaladas junto aos poços pela CPRM ou pertencentes à Rede Hidrometeorológica

Nacional.

Os dados brutos são analisados, consistidos, sintetizados e disponibilizados para o público no sítio da CPRM através da

plataforma “Web RIMAS”. Esta plataforma também permite o acesso a várias camadas temáticas com gráficos, perfis construtivos

e litológicos dos poços, bem como a distribuição espacial da rede. Através da geração e difusão dos dados do monitoramento

quali-quantitativo no SAC se pretende obter um maior conhecimento do comportamento deste importante aquífero a fim de

subsidiar tomadas de decisão quanto ao seu uso e gerenciamento. As informações disponibilizadas também têm servido de

base para diversos estudos hidrogeológicos, trabalhos acadêmicos, evidenciando-se assim o valor e importância da divulgação

de informações hidrogeológicas consistentes por parte do Serviço Geológico do Brasil.

PALAVRAS-CHAVE:

APLICATIVO; GEOFIELDBOOK; MAPEAMENTO GEOLÓGICO

132


Hidrologia e GestÃo Territorial

AVALIAÇÃO QUALI-QUANTITATIVA DA FORMAÇÃO

ALTER DO CHÃO NA PORÇÃO LESTE DA BACIA DO

AMAZONAS, MUNICÍPIO DE SANTARÉM-PA

Autores: Melo Junior, H. R. 1 ; Imbiriba Junior, M. 1

1

CPRM - Superintendência Regional de Belém

As águas subterrâneas do Aquífero Alter do Chão são estudadas ao longo de décadas nas regiões de sua ocorrência com

maior densidade populacional, como Manaus (AM) e Santarém (PA) por diversos autores; a exemplo de Tancredi (1996), Silva &

Bonotto (2000), Silva (2001), Silva & Silva (2007), Gonçalves & Miranda (2014) e Imbiriba Junior e Melo Junior (2014). Conforme

os mesmos, a classificação hidroquímica de suas águas varia entre sódio cloretada em Santarém a bicarbonatada cálcica, cálcio

cloretada, sódio cloretada e cloretada cálcica na região de Manaus. O pH varia entre 4,0 a 5,87 e a condutividade elétrica abrange

valores entre 11, 1 µS/cm a 82,9 µS/cm. No município de Santarém, localizado na região oeste do estado do Pará com uma

população estimada de 292.520 habitantes (IBGE 2016) existem três poços cedidos pela Companhia de Saneamento do Pará –

COSANPA e um poço construído pela CPRM (poço 1500005574) que compõem a Rede Integrada de Monitoramento das Águas

Subterrâneas (RIMAS) da CPRM - Serviço Geológico do Brasil.

Este resumo apresenta uma avaliação quali-quantitativa, correspondentes à análise hidroquímica e ao monitoramento

do nível estático no referido poço, no bairro Caranazal. O Aquífero Alter do Chão no local investigado está situado geomorfologicamente

na superfície de aplainamento e inselbergs, onde a erosão atuou com maior intensidade, removendo parte dos

estratos superiores, a coluna litológica é predominantemente arenosa com topografia irregular, com altitudes decrescentes

até a planície de inundação do rio Amazonas. O aquífero no local estudado apresenta características livres entre a superfície

e 119 metros de profundidade; além de caráter confinado entre 134 metros até a profundidade final do poço a 208 metros.

O poço tem filtros instalados nos dois tipos de aquífero, no intervalo entre 111 metros a 115 metros (aquífero livre) e quatro

seções filtrantes distribuídas ente 135 metros e 195 metros (aquífero confinado). Os resultados apresentados compreendem

duas campanhas de campo para coleta dos dados nos anos de 2012 e 2015 e exibiram valores similares para todos os elementos

analisados pelo LAMIN-CPRM.

De acordo com as análises realizadas a hidroquímica do Aquífero Alter do Chão é pouco mineralizada, com valores de

condutividade elétrica de 33,2 µS/cm e pH identificado de 4,40, classificada como sódica cloretada com ausência de carbonato.

Os dados de nível da água monitorados ao longo de três anos variaram entre 13,2 metros e 28,7 metros de profundidade, nos

períodos subsequentes ao inverno e ao verão amazônico, respectivamente. O nível estático sofreu influência de dois poços em

bombeamento localizados na área da COSANPA do Sistema Caranazal, porém, a variação sazonal do NA é facilmente identificada

e predominante. As vazões identificadas nos demais poços da COSANPA que exploram o aquífero variam entre 191 m3/h a 147

m3/h, assim como a capacidade específica de 9,46 m3/h/m a 7,02 m3/h/m. A soma dos fatores analisados apresenta o Aquífero

Alter do Chão como a melhor alternativa para abastecimento público na cidade de Santarém, sem comprometer a qualidade e

a quantidade de seu reservatório por séculos.

Hidrologia e GestÃo Territorial

REDE INTEGRADA DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS:

SISTEMA AQUÍFERO GUARANI NO RIO GRANDE DO SUL

Autores: Troian, G.C. 1 ; Kuhn, I.A1; Goffermann, M. 1 ; Freitas, M. A 1

1

CPRM - Serviço Geologico do Brasil

A CPRM - Serviço Geológico do Brasil - está implantando, desde 2010, a Rede Integrada de Monitoramento das Águas

Subterrâneas (RIMAS) nos principais aquíferos do país. No Rio Grande do Sul optou-se por iniciar o monitoramento do Sistema

Aquífero Guarani (SAG) nas suas áreas de afloramento na fronteira oeste do estado, onde o SAG apresenta sua melhor condição

em termos de produtividade e qualidade, devido a importância sócio econômica de tal recurso e por esta região ser considerada

a sua principal área de recarga. Posteriormente, o monitoramento foi estendido para o aquífero costeiro do Rio Grande do Sul e

Santa Catarina.

A construção dos poços tubulares destinados ao monitoramento foi iniciada em 2010, seguida por mais duas etapas de

perfuração (2012 e 2014) que, somados a poços cedidos por instituições públicas, expandiram o monitoramento do SAG para

a região central e leste do estado. Atualmente, o SAG no RS é monitorado através de 28 poços de monitoramento dedicados,

dotados de medidores automáticos de nível d’água e dataloggers que fazem o armazenamento horário dos dados. Destes 28

poços, 05 estão localizados no domínio estrutural Central-Missões, monitorando os sistemas aquíferos Santa Maria e Sanga do

Cabral-Piramboia; 04 poços no domínio estrutural Leste, monitorando o sistema aquífero Botucatu-Piramboia; e 19 poços no

domínio estrutural Oeste, monitorando os sistemas aquíferos Botucatu-Guará e Sanga do Cabral-Piramboia.

Os dados brutos são analisados, consistidos, sintetizados e disponibilizados para o público através da plataforma Web RI-

MAS. Nesta plataforma, o usuário tem acesso também a várias camadas temáticas com gráficos, perfis construtivos e litológicos

dos poços, bem como à distribuição espacial da rede de monitoramento. Atualmente, a RIMAS possui séries históricas entre 2

e 6 anos, além de análises físico-químicas de todos os parâmetros definidos pela resolução 396/2008 do CONAMA e dados de

precipitação pluviométrica, temperatura e umidade relativa do ar, obtidos através de Plataformas de Coleta de Dados de chuva

instaladas junto aos poços pela CPRM ou pertencentes à Rede Hidrometeorológica Nacional.

Através da geração e difusão dos dados do monitoramento quali-quantitativo realizado pela RIMAS no SAG pretende-se

obter um maior conhecimento do comportamento deste importante sistema aquífero a fim de subsidiar tomadas de decisão

quanto ao seu uso e gerenciamento. As informações disponibilizadas também têm servido de base para diversos estudos hidrogeológicos,

trabalhos acadêmicos, evidenciando-se assim o valor e importância da divulgação de informações hidrogeológicas

consistentes por parte do Serviço Geológico do Brasil.

PALAVRAS-CHAVE:

hidrogeologia; WebRIMAS; monitoramento

134 135


Hidrologia e GestÃo Territorial

MAPA GEOMORFOLÓGICO DOS MUNICÍPIOS DE RESENDE E ITATIAIA - RJ

Autores: Dantas, M.E.; Pôssa, J.T; Shinzato, E.

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Os municípios de Resende e Itatiaia estão inseridos na depressão interplanáltica do rio Paraíba do Sul – uma região geomorfológica

exaustivamente descrita pela literatura, tradicionalmente denominada de domínio de mares de morros (Ab’Saber,

2003). Todavia, estes municípios exibem uma notável geodiversidade, onde se destaca um conjunto de morfoestruturas, tais

como: bacias sedimentares, depressões interplanálticas, escarpas serranas e maciços intrusivos de rochas alcalinas.

A elaboração do mapa geomorfológico foi executada em escala 1:25.000, a partir da proposição de uma compartimentação

morfológica dos terrenos, obtida a partir da avaliação empírica dos diversos conjuntos de formas e padrões de relevo posicionados

em diferentes níveis topográficos (Ab’Saber, 1969). Com base em tais pressupostos, foi adotada a metodologia proposta por Dantas

(2013), na qual enfatiza a delimitação de unidades

homólogas (padrões de relevo) por fotoanálise, conforme

biblioteca de padrões de relevo pré-estabelecida.

Foram empregadas técnicas de sensoriamento remoto

(interpretação de fusão de imagens de satélite X MDE

– Shinzato et al., 2012), acompanhadas de abrangente

revisão da literatura (mapas temáticos e artigos que

descrevem os municípios de Resende e Itatiaia). Os padrões

de relevo são determinados, principalmente, a

partir da análise das amplitudes e declividades predominantes,

associadas com a geometria das vertentes.

Para definição e mapeamento de padrões de

relevo, adotaram-se os 3º e 4º táxons da metodologia

de Ross (1992). Em adendo, foram identificados dois

primeiros táxons, individualizando as unidades morfoestruturais

e morfoesculturais em cada município.

Juntamente com este mapeamento, foram avaliadas

litologias e estruturas, os solos e as coberturas inconsolidadas

e os seguintes parâmetros morfométricos:

Mapa geomorfológico esquemático dos municípios de Resende e Itatiaia - RJ

amplitude altimétrica; gradiente; e geometria de topos

e vertentes. A etapa de trabalho de campo serviu para aferir todo o mapeamento gerado, assim como a avaliação de litologias

e perfis de solo representativos.

Foram identificadas nos municípios em apreço três unidades morfoestruturais: o Cinturão Orogênico do Atlântico (Faixa Móvel

Ribeira); as Bacias Sedimentares Cenozoicas; e as Coberturas Sedimentares Quaternárias. O primeiro abrange um diversificado conjunto

de unidades geomorfológicas, destacando-se: a Escarpa da Serra da Mantiqueira e a Depressão Interplanáltica do Médio Vale do rio

Paraíba do Sul. Tais terrenos são sustentados por rochas ígneo-metamórficas de idade Pré-Cambriana. Entretanto, uma tectônica cenozoica

decorrente da abertura do Atlântico promoveu um rejuvenescimento do relevo de todo o vale do Paraíba do Sul, caracterizado

como serras e escarpas intercaladas por um domínio de colinas e morros baixos dissecados, com marcante ocorrência de voçorocamentos.

Ressaltam-se, ainda maciços intrusivos de rochas alcalinas que dominam a paisagem regional, por meio do Maciço do Itatiaia

e Morro Redondo. As Bacias Sedimentares Cenozoicas são representadas por rochas sedimentares pouco litificadas de idade eocênica

da Bacia de Resende (Ramos, 2003), esculpidas num relevo de tabuleiros e morrotes. Configura-se num extenso hemigraben, cuja borda

norte é delimitada por escarpa de falha, que se estende numa direção E-W, cruzando ambos os municípios. Por fim, as Coberturas

Sedimentares Quaternárias se distinguem pelas planícies e terraços fluviais que margeiam os rios principais e por um grande número

de rampas de alúvio-colúvios sobre o domínio colinoso e de rampas de colúvio-tálus sobre o domínio serrano.

O ATLAS GEOQUÍMICO DO ESTADO

DE RORAIMA, REGIÃO NORTE DO BRASIL

Autores: Marmos, J.L.; Freitas, A.F.; Andretta, E.R.; Viana, E.C.A.; Mafra, L.C.M.

CPRM - Serviço Geologico do Brasil

Hidrologia e GestÃo Territorial

A CPRM - Serviço Geológico do Brasil desenvolve, em todo o país, o Projeto “Levantamento Geoquímico de Baixa Densidade”,

que envolve coleta, análises físico-químicas e interpretação dos resultados de milhares de amostras de águas fluviais,

sedimentos de corrente e solos de diferentes ambientes geológicos. Seus principais objetivos são: a) fornecer subsídios técnicos

à saúde pública, por meio da identificação de anomalias de elementos/substâncias essenciais e/ou nocivos à ingestão humana

e animal; b) identificar focos de contaminação natural e antrópica nos compartimentos amostrados; c) detectar ocorrências de

bens minerais. Corresponde a mapeamento geoquímico regional onde as amostras de águas e de sedimentos são coletadas, no

mesmo ponto, em bacias de drenagem com área de captação entre 100 e 300 km2 e as de solos no centro de cada folha 1:50.000.

Sedimentos e solos são analisados por ICP-MS, na fração menor que 80 mesh, para 52 elementos após digestão por água-régia;

nas águas são determinadas as concentrações de 27 cátions, por ICP-AES, e de 7 ânions, por cromatografia. No Estado de Roraima,

região norte do Brasil, os trabalhos de campo se iniciaram em meados de 2009 e foram concluídos em 2012, tendo sido

coletadas 429 amostras de sedimento, 427 de água e 160 de solos. Teve-se sempre o cuidado de coletar todas as amostras de

uma mesma bacia num único período hidrológico evitando-se, assim, a introdução do fator sazonalidade quando da elaboração

dos mapas geoquímicos.

O Estado tem 225.000 km2, porém a amostragem só foi possível em cerca de 60% dessa área já que o restante representa

terras indígenas de acesso restrito. Os resultados finais são disponibilizados na forma do “Atlas Geoquímico de Roraima”, onde

se inserem os mapas de distribuição geoquímica dos elementos em águas, sedimentos e solos, acompanhados dos parâmetros

estatísticos (média, mediana, desvio-padrão, etc), textos explicativos e comparação com valores legais de referência para cada

elemento (resoluções de órgãos ambientais nacionais e internacionais). Nos três meios amostrais mais de uma dezena de elementos

metálicos (Ba, Be, Cd, Co, Cr, Cu, Hg, Li, Ni, Pb, Sb, U, V e Zn) apresentaram, em alguns pontos, teores acima dos valores

de referência utilizados neste estudo. Todos esses teores, entretanto, muito provavelmente refletem apenas a composição do

substrato geológico das regiões em que ocorrem (“contaminações” naturais), obviamente impresso nas drenagens e solos amostrados.

Valores isolados anômalos em locais únicos poderiam levar à suspeita de contaminação antrópica, entretanto a baixa

ocupação humana nesses locais não permite tal afirmação.

Mesmo na região sudeste do Estado, a de maior ocupação antrópica do interior, os resultados não revelaram impactos

ambientais significativos seja em águas, sedimentos ou solos. Nesse aspecto, o fato mais marcante diz respeito a uma pequena

drenagem na periferia de Boa Vista (capital de Roraima), cujas águas revelaram as mais altas concentrações de cloreto, sulfato,

sódio e a maior condutividade elétrica de todo universo amostral. Este córrego drena a estação de tratamento de esgotos de Boa

Vista, o que indica que o tratamento dos resíduos orgânicos ali realizados não tem sido eficiente.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOQUÍMICA, ÁGUAS FLUVIAIS, RORAIMA

PALAVRAS-CHAVE:

GEOMORFOLOGIA; FOTOANÁLISE; RESENDE

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Hidrologia e GestÃo Territorial

PROPOSTA GEOPARQUE CÂNION DO RIO POTI: UM CENÁRIO DA

HISTORIA GEOLÓGICA PLANETÁRIA DA BACIA DO PARNAÍBA

Autor: Barros, J. S.

CPRM - Serviço Geológico do Brasil

Como um dos mais eficientes agentes geomorfológicos

da superfície terrestre através da erosão, os rios

demonstram sua importância na transformação da paisagem

e no entendimento dos paleoambientes. O limite

entre os estados do Piauí e Ceará é marcado por um

relevo de serras, cortada por uma falha geológica que

gerou uma paisagem de beleza cênica impressionante

e abriga um relevo, flora e fauna do bioma Caatinga

que precisam ser preservados. O rio Poti capturado pelo

sistema de falhas gera formas geológicas exuberantes,

expondo e esculpindo rochas do Grupo Canindé, Formação

Cabeças, predominantemente, e das formações

Tianguá e Ipu do Grupo Serra Grande.

Canalão ou boqueirão do rio Poty, no município de Buriti dos Montes-PI, com

paredões de arenito que chegam a 70m de altura

O rio Poti, com nascentes no vizinho estado do

Ceará, adentra o Piauí segundo uma falha geológica

responsável por mudar seu curso, até então em direção

ao mar, na altura do município de Buriti dos Montes.

Com uma extensão de 538 km, instala sua bacia hidrográfica

segundo uma área de aproximadamente 52.270 km², utilizada como corredor migratório entre as planícies do Piauí e

Maranhão e o semi-árido do Ceará, Pernambuco e Bahia comprovada pelas gravuras rupestres confeccionadas em baixo relevo,

por picoteamento, constituindo um dos mais importantes complexos de gravuras rupestres das Américas. Ao longo de todo o

seu curso, o Poti vai adquirindo a forma de cânion: das nascentes na Serra dos Cariris no município de Quiterianópolis-CE, ao

cortar o front da Serra da Ibiapaba e, por fim, ao desaguar no rio Parnaíba, em Teresina.

O cânion do Poti é umas das feições naturais do Estado do Piauí, situado nos municípios de Buriti dos Montes, Castelo do

Piauí e Juazeiro do Piauí. O seu traçado sinuoso configura-o como um rio cataclinal ou consequente ao cortar estruturas geológicas

e seguir o declive das camadas, aprofundando seu leito e esculpindo seus paredões. O Rio Poti percorre mais de 190 km em

terras cearenses na direção norte até ser capturado por um sistema de falhas do lineamento Transbrasiliano, aprofundando seu

leito como resultado da ação mecânica das águas e direcionando-se para oeste.

Movimentos tectônicos responsáveis pelas novas formas e configurações do Planeta durante a divisão do Pangeia foram

responsáveis pelo soerguimento dos terrenos do embasamento posicionado-se num plano mais elevado que os do pacote sedimentar

da Bacia do Parnaíba, funcionando como divisores de água e gerando condições para que o rio Poti os dissecasse mais

efetivamente diante de sua maior fragilidade. Uma maior resistência oferecida pelo pacote sedimentar aos agentes erosivos

contribuiu para o aprofundamento do talvegue do rio Poti, gerando um cânion que atinge os 360 m de altura na área de contato

entre o cristalino e rochas sedimentares e 70 m nestas últimas.

Hidrologia e GestÃo Territorial

CARTAS DE APTIDÃO À URBANIZAÇÃO FRENTE

AOS DESASTRES NATURAIS - RESULTADOS OBTIDOS

EM DOIS MUNICÍPIOS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Autores: Juliana M. Moraes 1 ; Carlos E. O. Ferreira 1 ; Marcelo A. Ferrassoli 1 ; Marcelo Jorge 1 ; Andreá Trevisol 1 ; Anselmo C. Pedrazzi 1 ;

Gilmar P. Dias 1 ; Ivan B. Oliveira Filho 1 ; Guilherme Peret 1 ; José Antônio da Silva 1

1 CPRM - Serviço Geologico do Brasil

A carta geotécnica de aptidão à urbanização frente aos desastres naturais tem como objetivo dar suporte ao planejamento

do uso e ocupação urbana num determinado município. Para tanto, deve correlacionar as características do meio físico aos

processos geodinâmicos que poderão ocorrer provocados por causas naturais ou i nduzidos pelas formas de ocupação. Esta

análise deve permitir a delimitação de unidades de terreno homogêneas quanto ao comportamento geotécnico, identificando

as aptidões e restrições ao uso urbano dessas unidades, frente aos desastres naturais. Segundo a metodologia adotada, foram

elaboradas cartas em escala 1:10.000, tendo sido detalhadas as características geológicas, geotécnicas e geomorfológicas, além

da possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos de natureza hidrológica e/ou provocados por movimentos de massa, com

orientações quanto às formas mais seguras de se efetuar tal ocupação.

O objetivo foi o de buscar a indicação das áreas mais ou menos favoráveis à ocupação conforme os critério s técnicos

estabelecidos para este fim. Os municípios abordados no presente trabalho são Valen ça e Itaboraí, ambos no Estado do Rio de

Janeiro, a fim de expor duas realidades distintas em termos de contexto geológico e geotécnico, nas quais se utilizou a mesma

metodologia de mapeamento. O município de Valença localiza-se na porção oeste do Estado, onde afloram gnaisses e milonitos

deformados pela zona de cisalhamento do Paraíba do Sul. Apresenta relevo dissecado, com grandes amplitudes, forte controle

estrutural e muitas ocorrências de erosões. O município de Itaboraí, por sua vez, localiza-se no centro-sul do Estado, tendo

grande parte do território coberto por rochas sedimentares e sedimentos recentes, apresentando relevos aplainados e sofrendo

localmente com problemas de inundação.

Ambos obtiveram resultados satisfatórios mediante a aplicação da metodologia adotada, sendo possível identificar suas

Unidades Geotécnicas (UG) e classes de Aptidão à Urbanização. Valença possui cerca de 1300km2, dois quais 122, que correspondem

às áreas de expansão urbana atuais, fo ram mapeados. Foram observadas e descritas cinco UGs e constatado que cerca

de 50% da área mapeada possui baixa aptidão à urbanização. As classes de média e alta aptidão cor respondem a 45,7% e 4,6%

da área mapeada, respectivamente. Itaboraí possui aproximadamente 430km2, que foram mapeados em sua totalidade, com

exceção das restrições consi deradas no atual projeto.

Foram identificadas oito distintas UGs, divididas de forma quase igualitária entre as classes de aptidão à urbanização. A

classe de baixa aptidão correspond e a cerca de 23% do território municipal, a de alta aptidão representa 19,55%, seguida pela

média aptidão, que representa 18%. Conclui-se que a metodologia utilizada responde de forma satisfatória aos diferentes contextos

geológicos, tectônicos, geomorfológicos e geotécnicos, permitindo a identificação com clareza dos diferentes aspectos

das UGs encontradas, bem como as três classes de aptidão utilizadas.

PALAVRAS-CHAVE:

CARTA GEOTÉCNICA; APTIDÃO À URBANIZAÇÃO; CARTA DE APTIDÃO

A rede de drenagem e a instalação do cânion do rio Poti, sofreram influencias dos lineamentos Transbrasiliano e Picos-Santa

Inês bem como da Falha de Tauá. Em toda a área proposta são possíveis de serem observados sinais e presenças de fraturas e

falhas, tanto em terrenos do cristalino como sedimentares, caracterizando o forte controle estrutural na organização da drenagem

e em especial do cânion.

PALAVRAS-CHAVE:

CÂNION, TRANSBRASILIANO, RIO POTI

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Hidrologia e GestÃo Territorial

ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DE ASPECTOS GOMORFOLÓGICOS

E ANTRÓPICOS NA EVOLUÇÃO DAS FEIÇÕES EROSIVAS

EM RONDON DO PARÁ-PA

Hidrologia e GestÃo Territorial

ESTUDO DO PROCESSO EROSIVO E RECUO DA LINHA

DE COSTA, COM ÊNFASE NOS DANOS CAUSADOS AO

LONGO DA PRAIA DO CRISPIM – PA

Autores: Mello, L.B.¹, Simões, P.M.L. 1

1 CPRM - Serviço Geologico do Brasil

Autores: Mello, L.B.¹, Simões, P.M.L.¹, Alves, M.A.M.S.²

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil, ² UFRA – Universidade Federal Rural da Amazônia

O município de Rondon do Pará está localizado na região sudeste do estado do Pará, na microrregião de Paragominas.

E sua área urbana está inserida em um contexto geomorfológico denominado como baixo platô dissecado, com amplitude de

aproximadamente 95,0 metros e bordas relativamente íngremes, com aproximadamente 70 – 80º de declividade. Essa quebra

brusca de relevo proporciona naturalmente uma dinâmica marcada pelo processo erosivo hídrico linear, em sulcos erosivos e

ravinas. Este tipo específico de erosão ocorre pela atuação das águas pluviais provocando uma incisão linear na superfície, que

evolui em direção a montante, removendo e transportando o material (GUERRA, 1997). Vale também ressaltar que o município

de Rondon do Pará está em contínuo desenvolvimento e expansão, o qual está ocorrendo em direção às bordas deste platô,

onde se desenvolvem estas feições erosivas. Este ambiente naturalmente erosivo, em conjunto com atividades antrópicas, como

o desmatamento e o despejo de águas servidas e pluviais, intensificam a problemática já instalada e torna-se uma área de risco

para a população local.

Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de analisar de como as atividades antrópicas podem acelerar ou desencadear

processos mais severos de erosão, além de fomentar os estudos de desenvolvimento de ravinas e sulcos erosivos nas bordas

destes platôs. A metodologia aplicada segundo PIMENTEL et al (2012) consiste em identificar, caracterizar, delimitar e vetorizar

as ocupações humanas que se encontram em áreas de risco alto e muito alto (R3 e R4) para deslizamentos, inundações, cheias,

enxurradas e erosão fluvial e erosão continental. Para o mapeamento do referido município foram utilizadas imagens do Google,

imagens aéreas de sobrevoo, levantamento bibliográfico da geologia e geomorfologia da região, informações da defesa civil e

moradores, análise dos dados pluviométricos, levantamento da estrutura de antigas obras de galeria de drenagens, métodos

geofísicos e vistoria em loco.

Com base nesses dados foi possível constatar que a geomorfologia em conjunto com aspectos físicos do solo são os maiores

condicionantes para a formação destas feições erosivas, tipo sulcos e ravinas. A expansão não planejada da cidade está intensificando

este processo, de maneira que, foi possível observar em campo que as áreas com menos intervenções antrópicas são

regiões mais vegetadas, e consequentemente mais estáveis. Enquanto áreas da borda do platô que são utilizadas como local de

despejo de galerias de drenagem da cidade, as feições erosivas estão em contínuo processo de alargamento e aprofundamento.

Foi constatado que as regiões com maior concentração de habitações são os pontos de maior vulnerabilidade à evolução deste

processo, evidenciado pelo desmoronamento de moradias e ruas nas épocas de maior densidade pluviométrica.

PALAVRAS-CHAVE:

EROSÃO, RONDON DO PARÁ, EXPANSÃO URBANA

A praia do Crispim está localizada na região costeira do município de Marapanim, na região nordeste do estado do Pará, na

microrregião do Salgado. Está inserida em um ambiente de praia, dunas, manguezais e canais de maré, que ao longo dos anos

são deslocados de acordo com a variação do nível do mar e da dinâmica costeira.

Desenho esquemático de baixo platô em processo de ravinamento

A região costeira do nordeste do Pará pode ser caracterizada por uma costa progradante, considerando que o nível do mar

recuou nos últimos milhares de anos, e é possível observar linhas de antigas praias ao longo de manguezais. Essas praias são

controladas por ciclos de erosão e deposição, que ocorrem geralmente sazonalmente nos períodos de verão e inverno, sendo

o inverno de novembro a março é o

período que a erosão atua de forma

mais intensa. A praia do Crispim está

passando por este processo erosivo,

que pode ser caracterizado pelo recuo

da linha de costa, causado pelo

aumento da maré em conjunto com

as ondas de alta energia. Este recuo

da linha de costa causou a erosão de

aproximadamente 15,0m de dunas,

que serviam como uma barreira natural

fazendo com que as ondas não

incidissem diretamente nas moradias,

pousadas e restaurantes ao longo

da orla da praia, contudo, o avanço

da maré alta no período de março

de 2015 a fevereiro de 2016 ocorreu

de forma mais intensa, fazendo com que a frente de dunas recuasse até a porção posterior das moradias e a erosão atingisse

todas as construções da orla, inclusive a rua beira mar.

A metodologia aplicada segundo PIMENTEL et al (2012) consiste em identificar, caracterizar, delimitar e vetorizar as ocupações

humanas que se encontram em áreas de risco alto e muito alto (R3 e R4) para deslizamento, inundações, cheias, enxurradas

e erosão fluvial e erosão costeira. Para o mapeamento do referido município foram utilizadas imagens do Google, fotointerpretação

de imagens históricas de 2009 a 2015, imagens aéreas de sobrevoo, levantamento bibliográfico da geologia, geomorfologia,

dinâmica costeira da região, informações da defesa civil e moradores, análise de perfis de praia ao longo dos anos de 2013 e 2015

e vistoria em loco.

Com base nesses dados foi possível constatar que a linha de costa está recuando em média 10,0 metros por ano, o período

do verão que geralmente ocorre a reposição da praia, o aporte sedimentar não é o suficiente para compensar a erosão causada

no inverno anterior. A tendência é que a erosão costeira continue a atuar na orla de Crispim, e a linha de costa recue cada vez

mais, com isso, os danos causados à população residente na orla da praia podem, e provavelmente, irão ocorrer da mesma maneira

ou mais intensa.

PALAVRAS-CHAVE:

EROSÃO COSTEIRA, CRISPIM, LINHA DE COSTA

140 141


Hidrologia e GestÃo Territorial

O CLIMA SEMIÁRIDO DO ESTADO DE ALAGOAS: ANÁLISE

DA VARIABILIDADE ESPACIAL DA PRECIPITAÇÃO

E DA QUALIDADE DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Autores: Margarida Regueira da COSTA 1 ; Alexandre Luiz Souza BORBA 1 ; Fernanda Soares de Miranda TORRES 1 ;

Enjolras de A. Medeiros LIMA 1 ; José Paulo de Santana Neto 1

1 CPRM - Serviço Geologico do Brasil

Como a integração entre programas e projetos é fundamental no auxílio à tomada de decisões pelos gestores e usuários

dos recursos hídricos subterrâneos, a CPRM - Serviço Geológico do Brasil desenvolveu o SIAGAS (Sistema de Informações

de Águas Subterrâneas), composto por uma base de dados de poços permanentemente atualizada e com módulos

capazes de realizar consultas, pesquisas, extrações e gerações de relatórios e o ATLAS PLUVIOMÉTRICO do BRASIL que tem

por objetivo reunir, consolidar e organizar as informações sobre chuvas obtidas na operação da rede hidrometeorológica

nacional, permitindo, dentre outras coisas, o conhecimento do comportamento das precipitações trimestrais para um

período de 30 anos. Assim, foi possível se fazer uma análise da qualidade das águas subterrâneas X precipitação para o

semiárido do Estado do Rio Grande do Norte.

As informações sobre as características construtivas dos poços e as respectivas qualidades das águas foram selecionadas

através do Banco de Informações do SIAGAS (Sistema de Informações de Águas Subterrâneas) do Serviço Geológico do Brasil –

CPRM e do Banco de Dados da APAC – Agência Pernambucana de Águas e Clima - Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos

(SRHE) de Pernambuco. Os dados foram separados de acordo com o tipo de captação e projeto construtivo (poço tubular), poço

misto (cujas seções filtrantes são colocadas no aluvião e na rocha cristalina) ou poço amazonas (construídos no Aluvião), agrupando

de acordo com os períodos chuvosos, a fim de relacionar a influência dos índices pluviométricos com as litologias em que

está sendo captadas as águas subterrâneas. Para as análises de água foram utilizadso condutivimetros.

Os resultados foram armazenados e submetidos à análise de consistência. Ao total, foram eliminados 10% dos resultados

por serem considerados inconsistentes. Como conclusão pode-se observar que a atuação dos processos atmosféricos

e climáticos que acontecem na região interferem diretamente no comportamento dos recursos hídricos subterrâneos,

exercendo forte influência na qualidade das águas. A construções de Poços Amazonas devem ser mais bem planejadas nas

áreas de ocorrências do Semiárido do Estado, para que estes tipos de captações possam efetivamente fazer parte do fornecedor

de água de boa qualidade para as populações localizadas nas zonas rurais, bem como para a utilização na irrigação

de subsistência e na criação de animais.

PALAVRAS-CHAVE:

CAPTAÇÕES SUBTERRÂNEAS, QUALIDADE DA ÁGUA,

atLAS PLUVIOMÉTRICO DO BRASIL

142


Hidrologia e GestÃo Territorial

INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS NOS PADRÕES

DE RELEVO DO MUNICÍPIO DE CONCEIÇÃO DO CASTELO\ES

Autores: Simões, P.M.L. 1 ; Conceição, R.A. C. 1 ; Dantas, M.E. 1 ;Vasconcelos, K.²

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Universidade Federal do Pará - UFPA

Hidrologia e GestÃo Territorial

VULNERABILIDADE Á POLUIÇÃO DAS ÁGUAS

SUBTERRÂNEAS RASAS DO AQUÍFERO LIVRE BARREIRAS

PELO MÉTODO GOD – NORDESTE DO ESTADO DO PARÁ

Autores: Araújo, Paulo Pontes 1 ; Freddo, V.J.F. 1

1 CPRM - Serviço Geologico do Brasil

A carta de padrões de relevo é um dos elementos que são base de informações para a elaboração das Cartas de Suscetibilidade

a Movimento de Massa e Inundação, produzidas pelo Serviço Geológico do Brasil, através do Programa Nacional de Gestão de

Riscos e Respostas a Desastres Naturais do Governo Federal (PNGRRDN). Conceição do Castelo, localizado na porção oeste do estado

do Espírito Santo, foi um dos municípios selecionados pelo Governo Federal a integrar tal Programa. Este apresenta características

morfológicas que favorecem os processos erosivos e de movimentos de massa, pois apresenta relevo fortemente influenciado

pelas características geológicas e estruturais da região serrana. Sendo este marcado por elevadas amplitudes, com vertentes declivosas,

com os domínios serranos, morros altos e baixos, vales encaixados, escarpas de borda de planalto e escarpas degradadas.

Contudo, durante a execução da carta de padrões de relevo em gabinete, e nas atividades de campo observou-se a presença

de áreas com um relevo colinoso de rampas suaves, com baixa declividade e amplitudes que não ultrapassam 50 metros. Este trabalho

irá analisar a influência das características estruturais na formação desses tipos de relevo em Conceição do Castelo/ES. Para

executar tal analise utilizou-se a carta de padrões de relevo (que integra o Projeto Cartas Municipais de Suscetibilidade a Movimentos

Gravitacionais de Massa e Inundação); uma carta contendo a litologia e os principais lineamentos estruturais do município; e

ainda uma roseta com padrão de direção de lineamentos.

Esta carta de padrões de relevo utiliza a metodologia de

Dantas (2013), baseada na fotointerpretação de acordo

com a biblioteca de padrões de relevo da CPRM, utilizando

técnicas de sensoriamento remoto, interpretação de

fusão da imagem de satélite com o MDE (Shinzato et. al.,

2012). Com base nessa análise preliminar, percebe-se que

a orientação da rede hidrográfica é fortemente conduzida

pela estrutura, uma vez que as confluências dos rios formam

ângulos fechados de 90°.

Dessa mesma forma, o relevo se mostra conduzido

pela estrutura do arcabouço geológico, pois até mesmo

os limites das classes dos padrões de relevo possuem um

formato retilíneo, pouco comum nos mapeamentos morfológicos.

Além disso, em meio a uma paisagem configurada

por serras e morros declivosos, destacam-se algumas

colinas, com suas vertentes suavemente onduladas e baixa

declividade, na porção sudoeste do mapeamento, alinhadas

nas direções S-SW – N-NE e NW - SE, as mesmas

dos principais lineamentos. As áreas desses lineamentos,

assim como as áreas de confluência de mais de um lineamento, aparentemente se configuram como zonas de maior dissecação no

município, uma vez que como zonas de “fraqueza” aos processos intempéricos proporcionam a geração de formas de relevos mais

rebaixadas como as colinas. E ainda, possibilitam ao longo dos mesmos eixos de lineamentos principais (S-SW – N-NE e NW - SE)

o alargamento dos vales dos rios, e posteriormente a deposição e formação de planícies de inundação, pouco comuns, com essas

dimensões, no restante do município. Este trabalho demonstra o quanto os processos de dissecação e formação do relevo podem

ser conduzidos e influenciados pelas características estruturais de uma região.

O estudo foi realizado na área localizada entre os meridianos 46º38’25”W a 48º15’20”W e paralelos 0º35’11”S a

01º25’32”S, no nordeste do Estado do Pará. A área possui população estimada em 3,7 milhões de habitantes (IBGE, 2014).

Apresenta um quadro ambiental composto por precipitação pluviométrica elevada e solos com expressivas taxas de infiltração.

Nas áreas urbanas existe grande número de fossas, poços (tubulares e escavados) e postos de combustíveis, dentre

outras fontes de contaminação antrópica. O trabalho teve como objetivo principal avaliar a vulnerabilidade do aquífero

livre Barreiras, através do método GOD, com suporte de SIG. A geologia da área é composta por Sedimentos Recentes, Pós

-Barreiras e pelo Grupo Barreiras, que recobrem irregularmente a Formação Pirabas, associada às Coberturas Cenozóicas,

Os Sedimentos Recentes possuem composição argilosa de coloração cinza esbranquiçada, com leves manchas avermelhadas

e amareladas devido à oxidação de ferro.

A Formação Pós-Barreiras é representada, predominantemente, por sedimentos inconsolidados e arenosos alaranjados,

amarelados a brancos, formados pela desestruturação do Grupo Barreiras. O Grupo Barreiras é constituído por uma

cobertura sedimentar continental, depositada por sistemas fluviais entrelaçados, associados a leques aluviais, planícies

de areia, planícies de lama, sendo provável a influência de marés (Rossetti et al, 1989). A Formação Pirabas é formada por

rochas carbonáticas. Foram utilizados 576 poços cadastrados pelos Projetos SIAGAS e RIMAS, ambos da CPRM. Todos os poços

utilizados neste trabalho estão captando águas do aquífero do tipo livre, associado ao Grupo Barreiras, principal foco

do presente trabalho. Os resultados obtidos mostram vulnerabilidade GOD insignificante (0,13%), baixa (0,91%), média

(69,00%), alta (30,0%) e extrema (0,11%). A vulnerabilidade extrema sinaliza áreas onde as águas subterrâneas rasas podem

ser afetadas por contaminantes degradáveis como bactérias e vírus, enquanto que aquelas classificadas como de vulnerabilidade

alta são susceptíveis de serem contaminadas por diversos contaminantes, com exceção daqueles facilmente absorvidos

e/ou transformáveis. Áreas com vulnerabilidade média são susceptíveis a contaminantes como hidrocarbonetos

halogenados ou não e alguns metais pesados.

A presença de metais pesados nas águas subterrâneas apresenta especial interesse, sobretudo para níquel, chumbo,

cromo, cobre e zinco. Sais solúveis são incluídos neste grupo. Vulnerabilidade baixa indica que o aquífero é vulnerável a

compostos móveis e persistentes como sais, nitratos e alguns solventes organo-sintéticos. Muitos destes produtos foram

proibidos em diversos países em virtude de seu efeito altamente cancerígeno. Esses compostos se espalham no meio

fluido através do fenômeno conhecido como dispersão hidrodinâmica. Vulnerabilidade insuficiente indica que pode não

existir aquífero, quer pela ausência de água em quantidades aproveitáveis, quer pela baixa qualidade. Estas classificações

foram influenciadas pelo tipo de aquífero, material inconsolidado da zona não saturada e profundidade do nível estático.

Considerando-se a presença de áreas com vulnerabilidade alta e extrema, recomenda-se a implantação ou adensamento

da rede de poços de monitoramento e a aferição entre os índices GOD e a conotação positiva de contaminantes como o

nitrato. Esta aferição é realizada por comparação entre o mapa de vulnerabilidade à poluição das águas subterrâneas rasas

e o mapa de isoteores de nitrato.

PALAVRAS-CHAVE:

VULNERABILIDADE GOD; AQUÍFERO LIVRE BARREIRAS; SIAGAS E RIMAS

PALAVRAS-CHAVE:

Geomorfologia, Condicionante lito-estruturais,

Conceição do Castelo, Espírito Santo

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Hidrologia e GestÃo Territorial

POSSÍVEL RELAÇÃO ENTRE ISÓTOPOS ESTÁVEIS

E INTERAÇÃO ÁGUA-ROCHA EM AQUÍFEROS FRATURADOS

NO SEMIÁRIDO DO NORDESTE BRASILEIRO

– MUNICÍPIO DE PETROLINA – PERNAMBUCO - BRASIL

Autores: Silva, P.S. 1 ; Campos, J.E.G. 1 ; Cunha, L.S. 1 ; Mancini, L.H. 1

1 Universidade de Brasília

O município de Petrolina possui uma série de especificidades que o torna particular do ponto de vista hidrogeológico.

A questão da escassez de recursos hídricos se dá, tanto do ponto de vista quantitativo, em função do clima, da geologia

e dos solos; quanto qualitativa, em função da elevada salinidade das águas subterrâneas. O clima da região é classificado

como semiárido, sendo que as chuvas são escassas e irregulares temporal e espacialmente e as temperaturas elevadas.

Granitos, gnaisses e granulitos, além de metassedimentos e de idades desde arqueana a neoproterozóica formam o substrato

geológico. As coberturas de solos e regolitos são pouco espessas e os sedimentos aluvionares podem acumular espessuras

de 5 a 10 metros. Dessa forma, as zonas aquíferas da região ocorrem em fraturas pouco conectadas o que resulta

em uma circulação limitada da água subterrânea. A recarga dos aquíferos é reduzida devido ao clima e aos tipos de solos.

A salinidade das águas subterrâneas é elevada e se dá pela atuação conjunta de fatores como: clima, solo, elevada

taxa de evaporação, relevo plano, pouca conectividade das fraturas, circulação restrita de água no aquífero e elevado tempo

de contato água-rocha. Com o intuito de ampliar os conhecimentos sobre essa área com tantas peculiaridades foram

realizadas análises de isótopos estáveis de O e H em amostras de poços tubulares de diferentes profundidades e condutividades

elétricas variadas, além de amostras de água superficial e de chuva. As amostras foram plotadas em gráfico δD

(‰) X δ18O (‰) juntamente com as curvas da água meteórica global e locais. As amostras de água subterrânea apresentaram

resultado inesperado estando localizadas acima das curvas de água meteórica. A assinatura isotópica observada; ou

representa águas de paleo chuvas, indicando que a recarga dos aquíferos ocorreu em tempos passados onde o clima e as

características das precipitações eram diferentes; ou é resultante da interação água-rocha, como relatado poucas vezes na

bibliografia em outros aquíferos.

A comparação com as referidas curvas e com a assinatura coletada em água da chuva recente na região permite observar

que as amostras possuem valores de δD e δ18O mais negativos indicando um enriquecimento em isótopos leves.

O que indica que esse processo não é influenciado por processos superficiais, onde ocorre o enriquecimento em isótopos

pesados devido ao processo de evaporação. Como as águas são antigas e o aquífero possui pouca circulação de água o

tempo de contato água-rocha é prolongado. No processo de alteração da rocha, através da hidratação dos minerais (principalmente

da transformação de feldspato potássico em caolinita), há assimilação preferencial dos isótopos pesados em

detrimento dos leves que permanecem na água. É sabido na literatura que as rochas são comumente enriquecidas em isótopos

pesados. A preferência das rochas pelos isótopos pesados pode ser observada também no processo de precipitação

de carbonatos marinhos onde os mesmos preferem o 18O em detrimento do 16O resultando em δ18O positivos. Dessa

forma, acredita-se que o sinal isotópico observado pode ser representativo do processo de hidratação dos minerais no

processo de interação água-rocha.

Hidrologia e GestÃo Territorial

VIABILIDADE HIDRÁULICA DE SISTEMA PILOTO

DE RECARGA ARTIFICAL EM AQUÍFERO FRATURADO

DO SEMIÁRIDO NORDESTINO – REGIÃO DE PETROLINA-PE

Autores: Silva, P.S. 1 ; Campos, J.E.G1; Cunha, L.S 1 ; Mancini, L.H. 1

1 Universidade de Brasília

O município de Petrolina possui uma série de especificidades que o torna particular do ponto de vista hidrogeológico.

A questão da escassez de recursos hídricos se dá, tanto do ponto de vista quantitativo, em função do clima, da geologia

e dos solos; quanto qualitativa, em função da elevada salinidade das águas subterrâneas. O clima da região é classificado

como semiárido, sendo que as chuvas são escassas e irregulares temporal e espacialmente e as temperaturas elevadas.

Granitos, gnaisses e granulitos, além de metassedimentos (de diferentes graus metamórficos) e de idades desde arqueana

a neoproterozóica formam o substrato geológico do município. As coberturas de solos e regolitos são pouco espessas e os

sedimentos aluvionares podem acumular espessuras de 5 a 10 metros. Dessa forma, as zonas aquíferas da região ocorrem

em fraturas pouco conectadas o que resulta em uma circulação limitada da água subterrânea. A recarga dos aquíferos é

reduzida devido ao clima e aos tipos de solos.

A salinidade das águas subterrâneas é elevada e se dá pela atuação conjunta de fatores como: clima, solo, elevada

taxa de evaporação, relevo plano, pouca conectividade das fraturas, circulação restrita de água no aquífero e elevado tempo

de contato água-rocha. Com o intuito de melhorar a qualidade das águas subterrâneas do município, diminuindo sua

elevada salinidade, foi criado um sistema piloto de recarga artificial. Com a diminuição da salinidade é possível aumentar

suas possibilidades de uso. O sistema é composto resumidamente por um sistema de coleta de água da chuva em telhados

de edificações (calhas e tubulações), uma trincheira de recarga preenchida por cascalho e um poço tubular para monitoramento

da qualidade da água subterrânea. Foram construídos 3 exemplares do sistema piloto de recarga artificial no

município de Petrolina-PE para verificação da viabilidade hidráulica e da aplicabilidade do mesmo.

Os testes foram realizados pela indução da recarga artificial através do despejo de água nas trincheiras de recarga

por caminhões pipa. O monitoramento foi realizado com análises de isótopos estáveis - ðD (‰) e ð18O (‰) – e de condutividade

elétrica, pH e Eh em situ. Os testes mostraram que o sistema possui viabilidade hidráulica, sendo que seu sucesso

depende da adequada construção do sistema piloto. Já a aplicabilidade e a efetividade do sistema piloto possuem maiores

complicações devido a necessidade de grande quantidade de água na recarga artificial para que a água subterrânea salina

possa ser utilizada de maneira ampla. Como as chuvas na região são restritas, estima-se que seja necessário um longo período

de tempo para que a população usufrua dos benefícios do sistema piloto.

PALAVRAS-CHAVE:

RECARGA ARTIFICIAL, ISÓTOPOS ESTÁVEIS, SEMIÁRIDO

PALAVRAS-CHAVE:

INTERAÇÃO ÁGUA-ROCHA, ISÓTOPOS ESTÁVEIS, AQUÍFERO FRATURADO

146 147


Hidrologia e GestÃo Territorial

PETROGRAFIA, QUÍMICA MINERAL E IDADE DE ESCARNITOS

ASSOCIADOS A MÁMORES DO COMPLEXO PARAÍBA DO SUL (ES)

Autores: Mesquita, R.B. 1,2 , Jordt-Evangelista, H. 1 , Queiroga, G. N. 1 , Medeiros-Júnior, E.B. 3 , Dussin, I.A. 4 , Gomes, R.M.A. 1 , Ramiro,

J.B. 3 , Pontello, M.S. 3 , Chemale Júnior, F. 5

1 Universidade Federal de Ouro Preto; 2 CPRM – Serviço Geológico do Brasil; 3 Universidade Federal do Espírito Santo; 4 Universidade Federal

de Minas Gerais; 5 Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Hidrologia e GestÃo Territorial

INVENTÁRIO DE SÍTIOS GEOLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS

PARA EMBASAR PROPOSTA DE CRIAÇÃO DO GEOPARQUE

CÂNION DO RIO SÃO FRANCISCO, BRASIL

Autores: Ferreira,R.V. 1 , Mariano, G. 2 , Lima, R.A. 3 , Schobbenhaus, C. 1

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Universidade Federal de Pernambuco; ³Universidade Federal de Alagoas

Escarnitos foram gerados no contato com diques graníticos (DG) e anfibolíticos (DA) encaixados em ocorrências

de mármore localizados no sul do estado do Espírito Santo, nos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Vargem Alta e

Castelo. Esse mármore, pertencente ao Complexo Paraíba do Sul, situa-se no núcleo cristalino do orógeno Araçuaí e foi

metamorfizado sob condições de fácies granulito no estágio sin-colisional do orógeno. Os DG não possuem evidências de

deformação e metamorfismo e os DA se apresentam fortemente deformados e metamorfizados.

Este trabalho teve como objetivos principais a caracterização petrográfica e de química mineral das auréolas escarníticas

visando o entendimento dos processos metamórficos/metassomáticos de sua geração, bem como o estudo geocronológico

do dique granítico, através da datação de zircões pelo método U-Pb (LA-ICP-MS), visando estabelecer a idade

relativa dos escarnitos por ele gerados. A largura dos escarnitos varia de poucos centímetros a 1,5 m. Nos escarnitos associados

aos DG foram identificadas as seguintes bandas mineralógicas principais, do mármore ao granito: (1) carbonato ±

tremolita, com rara forsterita; (2) diopsídio e (3) escapolita + diopsídio. Estudos de química mineral mostram que o diopsídio

possui valores de XMg (Mg/(Mg+Fe+Mn)) entre 0,66 e 0,94. A escapolita é mais sódica quanto mais próxima do granito,

com valores do componente meionita (Me) entre 27 e 34 (mol%), e mais cálcica quanto mais próxima do mármore, com Me

entre 36 e 65, o que indica aporte de Na do granito e de Ca do mármore. As bandas mineralógicas geradas nos escarnitos

associados aos DA são, do mármore ao anfibolito: carbonato ± forsterita ± clinoanfibólio incolor e diopsídio ± clinoanfibólio

verde ± carbonato. Espinélio (pleonasto) ocorre tanto no escarnito quanto incluso em pargasita no dique. Diopsídio e

clinoanfibólio tornam-se mais enriquecidos em Fe quanto mais próximos do dique, com XMg de 0,76 a 0,90 (diopsídio) e

razão Mg/(Mg+Fe2+) de 0,71 a 0,90 (tremolita, Mg-hornblenda e edenita), e mais empobrecidos em Fe quanto mais próximos

do mármore, com XMg de 0,92 a 0,95 (diopsídio) e Mg/(Mg+Fe2+) entre 0,93 e 1,00 (tschermakita e Mg-hornblenda),

sugerindo aporte de Fe do DA.

Os estudos geocronológicos U-Pb, obtidos em cristais de zircão de amostras do dique granítico, revelam idade de

cristalização magmática em 534±14 Ma, sendo, portanto, a idade aproximada da geração dos escarnitos associados aos

DG. Dessa forma, duas gerações de escarnitos são reconhecidas na região sul do Espírito Santo: (i) escarnitos mais antigos,

associados aos DA. A presença de espinélio bem como as feições de deformação dos diques e escarnitos são argumentos

de que estes foram gerados concomitantemente ao evento que metamorfizou o mármore sob condições de fácies granulito,

entre 580 e 560 Ma, no estágio sin-colisional do orógeno Araçuaí; (ii) escarnitos mais jovens, associados aos DG livres

da foliação regional e com idade de cristalização ígnea de ca.534 Ma, gerados por processos metassomáticos no estágio

pós-colisional do orógeno Araçuaí.

Agradecimento: À Fapemig pela ajuda financeira ao Projeto CRA-APQ-02206-11.

PALAVRAS-CHAVE:

ESCARNITOS; PETROGÊNESE; COMPLEXO PARAÍBA DO SUL

Em conformidade com os objetivos do Projeto

Geoparques do Serviço Geológico do Brasil

– CPRM, ou seja, identificar, classificar, descrever,

catalogar, georreferenciar e divulgar propostas de

geoparques no Brasil, é apresentado neste trabalho

o resultado do inventário do patrimônio geológico

e geomorfológico, cujo objetivo é embasar

proposta de criação do Geoparque

Cânion do São Francisco, reconhecendo sua

importância para o geoturismo, fins educativos e

valor científico. A área estudada está situada entre

os paralelos de 9° 20’ e 9° 50’ S e meridianos de 37°

30’ e 38° 20’ O, na região do semiárido nordestino,

nas divisas dos estados de Alagoas, Sergipe e

Bahia, distando cerca de 300 km de Maceió (AL) e

200 km da cidade de Aracaju (SE).

Cânion do Rio São Francisco, esculpido em rochas Neoproterozoicas da Suíte

Intrusiva Xingó. Municípios de Delmiro Gouveia-AL e Paulo Afonso-BA

Compreende os municípios de Piranhas, Olho D’água do Casado e Delmiro Gouveia, estado de Alagoas; Canindé do

São Francisco e Poço Redondo, estado de Sergipe. Em sua geomorfologia, a área é um monumental cânion escavado pelo

Rio São Francisco, que se estende por cerca de 70 Km, entre os municípios de Delmiro Gouveia-AL e Poço Redondo-SE,

formando paredões escarpados de até 100 metros de altura. A geologia é constituída por rochas metamórficas paleoproterozóicas

do Complexo Canindé; por rochas graníticas e metamórficas mesoproterosóicas do Complexo Belém do São

Francisco e Suite Chorrochó; por granitoides e metamórficas neoproterozóicas das suítes intrusivas Itaporanga, Canindé,

Xingó, Serra do Catu e do Granitóide Curralinho; e rochas sedimentares paleozoicas da Formação Tacaratu.

Neste contexto, foi feito durante os trabalhos de campo um levantamento total de quinze geossítios (sítios de valor

científico) e sítios da geodiversidade (sítios de valor turístico e educativo), cujo detalhamento serviu para alimentar o Sistema

de Cadastro e Quantificação de Geossítios e Sítios da Geodiversidade (GEOSSIT) do Serviço Geológico do Brasil–CPRM.

A quantificação dos sítios cadastrados resultou na definição de um geossítio de relevância internacional e 4 geossítios de

relevância nacional.

Adicionalmente, foram identificados 10 sítios da geodiversidade de relevância nacional ou regional/local. A área

inventariada apresenta, além dos importantes aspectos geológicos e geomorfológicos, com destaque para a beleza da

paisagem e outros atributos que associados justificam a criação de um geoparque nos moldes preconizados pela UNESCO:

são elementos culturais representados por pinturas rupestres, deixados por populações da pré-história que lá viveram; história

da Estrada de Ferro Paulo Afonso, construída entre 1881-1883, para escoar mercadorias no trecho não navegável do

Rio São Francisco; história do banditismo social denominado cangaço, notadamente ligado à figura do famoso cangaceiro

Lampião e seu bando; história do desenvolvimento econômico e industrial do Nordeste, que tem como marco a construção

da Usina Hidrelétrica de Angiquinho e a Fábrica de Linhas da Pedra, pela figura lendária de Delmiro Gouveia.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOPARQUE; CÂNION; RIO SÃO FRANCISCO

148 149


Hidrologia e GestÃo Territorial

A CONDICIONANTE GEOLÓGICA COMO FATOR DETERMINANTE À

PREDISPOSIÇÃO A DESLIZAMENTOS: ESTUDO COMPARATIVO DO

MAPEAMENTO DE SETORIZAÇÃO DE RISCO NAS CIDADES DA BAHIA

Hidrologia e GestÃo Territorial

COMPARAÇÃO E ANÁLISE DOS PROCESSOS DEFLAGRADORES

DE MOVIMENTOS DE MASSA NA REGIÃO DE BAIXO

GUANDU – ESPÍRITO SANTO, BRASIL

Autor: Dias, R. P.1 1

1 CPRM – Serviço Geológico do Brasil

Autores: Antonelli, T. 1 ; Pinho, D. 1 ; Dos-Santos, L. F. 1 ; Lazaretti, A. F. 1 ; Salviano, M. F. 1

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil

A CPRM tem efetuado o Mapeamento de Setorização de Riscos como parte de uma estratégia do Governo Federal para

a redução de perdas humanas e materiais, relacionadas a desastres naturais. O programa teve inicio em 2011 como Ação Emergencial

para Delimitação de Áreas de Alto e Muito Alto Risco a Enchentes e Movimentos de Massa. Atualmente deixou de ser

emergencial. Trabalhos estão sendo elaborados com o objetivo de unificar as diferentes metodologias de mapeamento entre

os órgãos nacionais, somando também experiências internacionais (Projeto GIDES). O Mapeamento de Setorização de Riscos

efetuado pela CPRM é realizado em escala grande - superior

a 1:25000 e mapas de detalhe. Contudo os trabalhos preliminares

de fotointerpretação e planialtimetria são dificultados

pela falta de bases cartográficas em escalas compatíveis.

A intersecção de imagens orbitais e planialtimétricas com mapas

geológicos fica prejudicada pela dificuldade de encontrar

produtos em escala superior a 1:100000 e muitas vezes obtém-se

apenas mapas geológicos ao milionésimo, sem uma

definição exata da litologia. Ao executar mapeamentos em

áreas urbanizadas a avaliação do substrato geológico é difícil

e por vezes impossível. Não obstante é comum deparar com

afloramentos na sede do município ou adjacências (cortes de

estradas; rochas aflorantes; leitos de rios; etc.). Nos municípios

levantados foi possível a identificação geológica e associá-la

ao grau de risco ou a predisposição a deslizamentos. Distintos

substratos derivam feições geomorfológicas características.

Praia do Espelho - Trancoso BA

Foram constatados problemas similares em distintas cidades

da Bahia quando o substrato é o mesmo, exemplo: Formação

Barreiras. Outros municípios cujo substrato é composto por rochas granitóides as respostas são semelhantes.

No segundo caso trata-se de mantos de intemperismo. Nos métodos de cálculo de estabilidade de talude normalmente

se considera o corpo como uma massa isotrópica e sem limites laterais ou de profundidade, como exemplo o Método de Bishop.

Com isso obtêm-se parâmetros do tipo: Tensão cisalhante, coeficiente de atrito, limites de liquidez, plasticidade, etc. A construção

de uma escala litológica seria útil à interpretação na etapa pré-campo e norteadora dos trabalhos de mapeamento. Na

experiência de mapeamento na Bahia poderíamos listar as rochas (isótropas) da menor para a maior predisposição ao deslizamento:

Alteração de Diabásio; Alteração de Granitóides; Sedimentos Terciários (Grupo Barreiras) e Sedimentos Recentes (Dunas

Eólicas). Um corpo rochoso invariavelmente possui descontinuidades e por elas ocorre a deflagração dos movimentos. Rochas

encontradas nos levantamentos de campo com descontinuidades (anisotrópicas) são: Rochas Básicas Fraturadas; Rochas Ácidas

Fraturadas; Gnaisses Migmatíticos; Milonitos; Sedimentos Empastilhados (Grupo ilhas) e Conglomerados.

O Grau de Risco é avaliado em: Muito Alto (R4); Alto (R3); Médio (R2) e Baixo (R1). Muitas vezes há dificuldade em definir

o grau de risco quando os limites são tênues, como entre R2 e R3 e entre R3 e R4. Quando os parâmetros de avaliação do

risco se mostrarem insuficientes para uma afirmação segura do grau de risco de uma encosta, a intersecção dos parâmetros

litológicos e estruturais, notadamente observáveis, podem dirimir dúvidas na definição do grau de risco.

No mês de dezembro de 2013, devido a formação de uma ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), chuvas volumosas

atingiram grande parte do sudeste brasileiro, em especial os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. Durante este

período, apenas no estado do Espírito Santo, foram registradas 24 mortes como resultado de movimentos de massa provocados

pelas chuvas. No município capixaba de Baixo Guandu, localizado na região do vale do rio Doce, no oeste do estado, ocorreram

inúmeras movimentações de massa, muitas delas atingindo moradias e causando severos danos sociais e econômicos à população.

Foram feitas análises com cruzamentos de algumas condicionantes naturais para tentar definir os principais agentes deflagradores

dos deslizamentos de terra na região, bem como a geometria e características dos eventos observados.

A vetorização das cicatrizes de deslizamentos foi realizada, num primeiro momento, por fotointerpretração, para posterior

checagem em campo. Em campo observou-se que os delizamentos eram, em sua maioria, planares, pouco espessos,

condicionados, em alguns casos, pela estrutura foliada das rochas e/ou por falhas, fraturas e juntas de alívio. Foram cruzados

dados espaciais de chuvas, utilizando mapas distribuídos de precipitação, oriundos do produto PrecMerge do CPTEC/INPE,

com mapas de declividade gerados para

a região, dados de relevo, geologia local,

para tentar elencar os principais fatores

condicionantes das movimentações de

massa na região. Notou-se que a maior

parte das cicatrizes se localizava na porção

central do município de Baixo Guandu

onde afloram granulitos, metagranodioritos

e metatonalitos do Granulito

Mascarenhas que suportam morros baixos,

morrotes e morros altos com declividades

das vertentes não maiores que

30º. Apesar do relevo menos acentuado,

se comparado às regiões norte e sul de

Baixo Guandu, essa área (aproximadamente

25% da área total do município)

Deslizamentos em Baixo Guandu

teve um número significativamente

grande de cicatrizes - 60% de todas as

cicatrizes vetorizadas - que pode ser explicado

pelo acumulado de chuva que, nessa porção do município, superou 800 mm no mês de dezembro de 2013 (dados retirados

do PrecMerge). Observou-se também que as regiões de morros altos e serras, localizadas, em geral nas porções norte

e sul de Baixo Guandu, apesar da elevada declividade e amplitude do relevo, tiveram um número menor de deslizamentos.

Nessas regiões a capa de solo é muito delgada e há o predomínio de inselbergs e pontões rochosos. Para essas áreas

os acumulados de chuvas variaram de 500 mm a 700 mm. Apesar de contribuições do relevo, litologia, declividade, concluise

que o principal fator deflagrador dos movimentos de massa na região foi o volume acumulado de chuvas. Os setores

que acumularam 800 mm ou mais de chuva no mês de dezembro de 2013 tiveram um número de cicatrizes sensivelmente

maior se comparado aos outros setores.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOPARQUE; CÂNION; RIO SÃO FRANCISCO

PALAVRAS-CHAVE:

DESLIZAMENTO, BAIXO GUANDU, CHUVA

150 151


Hidrologia e GestÃo Territorial

COMPARAÇÃO E VALIDAÇÃO DAS METODOLOGIAS DE

SETORIZAÇÃO DE RISCOS GEOLÓGICOS E SUSCETIBILIDADE

A MOVIMENTOS DE MASSA E INUNDAÇÕES FRENTE A EVENTO

DE INUNDAÇÃO EM MOMBUCA (SP)

Autores: Dos Santos, L.F. 1 ; Antonelli, T. 1

1 CPRM – Serviço Geológico do Brasil

A CPRM tem efetuado o Mapeamento de Setorização de Riscos como parte de uma estratégia do Governo Federal para

a redução de perdas humanas e materiais, relacionadas a desastres naturais. O programa teve inicio em 2011 como Ação Emergencial

para Delimitação de Áreas de Alto e Muito Alto Risco a Enchentes e Movimentos de Massa. Atualmente deixou de ser

emergencial. Trabalhos estão sendo elaborados com o objetivo de unificar as diferentes metodologias de mapeamento entre

os órgãos nacionais, somando também experiências internacionais (Projeto GIDES). O Mapeamento de Setorização de Riscos

efetuado pela CPRM é realizado em escala grande - superior a 1:25000 e mapas de detalhe. Contudo os trabalhos preliminares

de fotointerpretação e planialtimetria são dificultados pela falta de bases cartográficas em escalas compatíveis.

A intersecção de imagens orbitais e planialtimétricas com mapas geológicos fica prejudicada pela dificuldade de encontrar

produtos em escala superior a 1:100000 e muitas vezes obtém-se apenas mapas geológicos ao milionésimo, sem uma definição

exata da litologia. Ao executar mapeamentos em áreas urbanizadas a avaliação do substrato geológico é difícil e por vezes impossível.

Não obstante é comum deparar com afloramentos na sede do município ou adjacências (cortes de estradas; rochas aflorantes;

leitos de rios; etc.). Nos municípios levantados foi possível a identificação geológica e associá-la ao grau de risco ou a predisposição

a deslizamentos. Distintos substratos derivam feições geomorfológicas características. Foram constatados problemas similares em

distintas cidades da Bahia quando o substrato é o mesmo, exemplo: Formação Barreiras. Outros municípios cujo substrato é composto

por rochas granitóides as respostas são semelhantes.

No segundo caso trata-se de mantos de intemperismo. Nos métodos de cálculo de estabilidade de talude normalmente

se considera o corpo como uma massa isotrópica e sem limites laterais ou de profundidade, como exemplo o Método de Bishop.

Com isso obtêm-se parâmetros do tipo: Tensão cisalhante, coeficiente de atrito, limites de liquidez, plasticidade, etc. A construção

de uma escala litológica seria útil à interpretação na etapa pré-campo e norteadora dos trabalhos de mapeamento. Na

experiência de mapeamento na Bahia poderíamos listar as rochas (isótropas) da menor para a maior predisposição ao deslizamento:

Alteração de Diabásio; Alteração de Granitóides; Sedimentos Terciários (Grupo Barreiras) e Sedimentos Recentes (Dunas

Eólicas). Um corpo rochoso invariavelmente possui descontinuidades e por elas ocorre a deflagração dos movimentos. Rochas

encontradas nos levantamentos de campo com descontinuidades (anisotrópicas) são: Rochas Básicas Fraturadas; Rochas Ácidas

Fraturadas; Gnaisses Migmatíticos; Milonitos; Sedimentos Empastilhados (Grupo ilhas) e Conglomerados.

O Grau de Risco é avaliado em: Muito Alto (R4); Alto (R3); Médio (R2) e Baixo (R1). Muitas vezes há dificuldade em definir

o grau de risco quando os limites são tênues, como entre R2 e R3 e entre R3 e R4. Quando os parâmetros de avaliação do

risco se mostrarem insuficientes para uma afirmação segura do grau de risco de uma encosta, a intersecção dos parâmetros

litológicos e estruturais, notadamente observáveis, podem dirimir dúvidas na definição do grau de risco.

PALAVRAS-CHAVE:

GEOPARQUE; CÂNION; RIO SÃO FRANCISCO

152


Hidrologia e GestÃo Territorial

POTENCIOMETRIA E SENTIDO DE FLUXO DAS ÁGUAS

SUBTERRÂNEAS DO AQUÍFERO BARREIRAS NA REGIÃO

NORDESTE DO ESTADO DO PARÁ

Autores: Freddo, V.J.F. 1 ; Araújo, Paulo Pontes 1 ; Souza, A.N. 1

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil

O objetivo desta pesquisa foi elaborar um mapa potenciométrico e identificar o sentido preferencial do fluxo de água

subterrânea do aquífero livre Barreiras, na região nordeste do Estado do Pará, entre as coordenadas 46º38’25”W a 48º15’20”W e

0º35’11”S a 01º25’32”S. Nesta área residem 3,7 milhões de habitantes (IBGE, 2014). A região é composta pelos Sedimentos Recentes,

Pós-Barreiras e pelo Grupo Barreiras, que recobrem irregularmente a Formação Pirabas. Os Sedimentos Recentes ocorrem

ao longo das planícies fluviais, situados nos vales dos rios e igarapés, possuem composição argilosa de coloração cinza esbranquiçada,

com leves manchas avermelhadas e amareladas devido à oxidação de ferro. A Formação Pós-Barreiras é representada,

predominantemente, por sedimentos inconsolidados e arenosos alaranjados, amarelados a brancos, formados pela desestruturação

do Grupo Barreiras.

O Grupo Barreiras é constituído por uma cobertura sedimentar continental, depositada por sistemas fluviais entrelaçados,

associados a leques aluviais, planícies de areia, planícies de lama, sendo provável a influência de marés (Rossetti et al, 1989). A

Formação Pirabas é formada por rochas carbonáticas (calcários, margas, cálcio-arenitos).A potenciometria foi calculada a partir

de dados dos projetos SIAGAS e RIMAS, ambos da CPRM. Foram utilizados dados de 576 poços captando águas do aquífero

livre Barreiras, referentes ao nível estático e cota topográfica. Com estes dados foi definida a carga hidráulica de cada poço. Os

resultados obtidos mostram que: O tipo de recarga do aquífero livre Barreiras, se processa de forma direta nas nascentes dos rios

Tauá, Maracanã, Ouricuri, Aripé e Jenipaú-Mirim, situados ao Sul da área de pesquisa. Os menores valores de nível da água foram

encontrados nos poços situados em cotas topográficas mais baixas. Estes dados sugerem que os referidos rios são alimentados

pelas águas subterrâneas rasas.

O sentido de fluxo destas é concordante com a morfologia da superfície topográfica do terreno. No restante da área as

descargas das águas subterrâneas rasas desempenham um importante papel na qualidade das águas superficiais, utilizadas no

abastecimento público e na manutenção dos rios acima citados; o gradiente hidráulico, no extremo Sul, apresenta uma configuração

convexa na área de recarga e um alongamento desta forma geométrica no sentido da linha Oceânica, situado no nordeste

da região e em direção preferencial à Bacia do Marajó, no extremo noroeste da área de estudo. Esta mudança geométrica

das linhas isopotenciais é atribuída à diminuição de carga hidráulica, em decorrência do processo final de lixiviação das águas

pluviométricas. Na zona de recarga do extremo sudeste, o sentido de fluxo está, predominantemente, direcionado para N-NE,

enquanto que na zona de recarga da região sudoeste o fluxo tende para S-SW. A profundidade média da superfície potenciométrica

foi de 35 metros.

Hidrologia e GestÃo Territorial

ESTRATÉGIAS PARA O PROJETO GEOPARQUE

ALTO RIO DE CONTAS - CHAPADA DIAMANTINA - BAHIA

Autores: Martins, V.S; Ferreira, R. V; Rocha, A.J. D; Schobbenhaus, C; Espinheira, A.R. L; Ribeiro, A.F. 1

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil; 2 Companhia Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM

A região do alto Rio de Contas, sudoeste da Chapada Diamantina, foi inserida no Projeto Geoparques por seu importante

patrimônio geológico mineiro associado ao contexto histórico-cultural do Ciclo do Ouro no Estado da Bahia. Predominam rochas

sedimentares e vulcânicas estaterianas de baixo grau metamórfico (formações Ouricuri do Ouro e Novo Horizonte do Grupo Rio

dos Remédios) cortadas por veios de quartzo auríferos. O Município de Rio de Contas, foi escolhido como área focal do projeto

em decorrência da existência de sítios geológicos, no entorno de sua sede e da Rota da Estrada Real, cujos indícios estão sendo

georeferenciados através do projeto “Estrada Real: Caminhos da Bahia”, desenvolvido pela CBPM/SETUR, Governo do Estado da

Bahia. Essa primeira fase de recomposição do trajeto denominada “Estrada Real Norte”, entre as cidades de Jacobina e Rio de

Contas pretende expandir e consolidar alternativas turísticas e de geração de emprego e renda no interior do estado.

A metodologia utilizada para a proposta do geoparque envolveu a preparação de uma base digital georreferenciada,

usando imagens Geocover e SRTM, aliada à integração geológica das folhas Piatã e Rio de Contas, na escala 1: 100.000. As atividades

de campo envolveram a análise do mapa geológico, dos roteiros e 15 sítios geológicos, entre geossitios e/ou sítios de

geodiversidade. No decorrer do trabalho serão abordados os aspectos arquitetônicos da cidade e a descrição de antigas cavas

de exploração aurífera, além do estudo e descrição de sítios de interesses histórico-culturais relacionados ao Ciclo do Ouro. Os

produtos finais da proposta irão incluir os mapas: geomorfológico e geológico da área da proposta do geoparque, em escala

adequada, com indicação de roteiros e sítios de interesse, estruturados em um SIG, um MDT usando imagens do SRTM, além de

um texto explicativo justificando a importância do geoparque e descrevendo resumidamente a geologia sobre os geossítios,

sítios de geodiversidade e os aspectos de cunho histórico – cultural.

A área abrange as unidades de conservação do Parque Municipal Natural da Serra das Almas, a APA da Serra do Barbado e a

ARIE, Área de Relevante Interesse Ecológico, Nascente de Rio de Contas, além dos geomorfossítios tais como: Pico do Barbado e do

Itobira, Serra das Almas e os atrativos geoturísticos, cachoeiras do Rio Brumado, Fraga e a Véu de Noiva. As atividades já realizadas

objetivam a proposição da área para o Geoparque supracitado envolvendo a descrição e inventário dos geossítios e sítios da geodiversidade

através do aplicativo GEOSSIT da CPRM que inclui conceitos de Brilha (2015). A cooperação das comunidades locais,

quilombolas da Barra e Bananal além do Distrito de Mato Grosso, situadas respectivamente a 15 Km e 20 Km da sede municipal,

podem vir a ser condição essencial para a conservação do patrimônio geológico bem como para ações no âmbito do turismo ecológico,

educação ambiental, e gestão administrativa do geoparque, promovendo desenvolvimento sustentável do território.

PALAVRAS-CHAVE:

CICLO DO OURO, GEOCONSERVAÇÃO, PATRIMÔNIO GEOLÓGICO

PALAVRAS-CHAVE:

POTENCIOMETRIA, SENTIDO DE FLUXO, AQUÍFERO LIVRE BARREIRAS

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Hidrologia e GestÃo Territorial

A GEODIVERSIDADE DA ÁREA DE FRONTEIRA

BRASIL-GUIANA: ADEQUABILIDADES E LIMITAÇÕES

FRENTE AO USO E OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO

Autores: Jorge João, X.S. 1 ; Teixeira, S.G. 1

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil

O conceito de Geodiversidade é relativamente recente e segundo a CPRM (2006) é o estudo da natureza abiótica (meio

físico) constituída por uma variedade de ambientes, composições, fenômenos e processos geológicos que dão origem às paisagens,

rochas, minerais, águas, fósseis, solos, clima e outros depósitos superficiais que propiciam o desenvolvimento da vida na

Terra, tendo como valores intrínsecos à cultura, o estético, o econômico, o científico, o educativo e o geoturístico. Pela proposta

da CPRM, a base de informação para o entendimento da geodiversidade está fundamentada na divisão do território em geossistemas

ou Domínios Geológico-Ambientais.

Esses domínios foram subdivididos em unidades geológico-ambientais que buscam reunir unidades litológicas ou litoestratigráficas

que apresentam características semelhantes frente ao uso e ocupação do terreno. Para a área de fronteira Brasil-Guiana,

foi proposta uma divisão de seu território em 16 Domínios e 23 unidades geológico-ambientais, sendo descritas em função

de suas adequabilidades e limitações frente a obras de engenharia, ao uso para agricultura, fontes poluidoras, e potencialidade

mineral e para água subterrânea e sítios favoráveis ao geoturismo. Os critérios utilizados para classificar os geossistemas da área

de estudo em domínios geológico-ambientais e suas subdivisões se basearam no agrupamento de conjuntos litoestratigráficos

- a partir da última versão do Mapa Geológico e de Recursos Minerais da Área de Fronteira Brasil-Guiana (CPRM-2014) - de comportamento

semelhante nas questões relativas ao uso e ocupação do meio físico. Com seu conteúdo, o MAPA GEODIVERSIDADE

DA ÁREA DE FRONTEIRA BRASIL-GUIANA, disponibiliza informações para políticas macro-regionais visando o planejamento, a

gestão e o ordenamento do território, em que os aspectos ambientais traduzem a influência da diversidade geológica nas adequabilidades

e limitações dos terrenos.

O mapa apresenta os geossistemas formadores do território fronteiriço Brasil-Guiana (Domínios e Unidades Geoambientais)

numa sequência ao longo do tempo geocronológico registrado no substrato crustal da área de estudo, destacando seus

aspectos relevantes sobre as potencialidades e limitações de cada unidade geoambiental, para serem consideradas nas políticas

e planejamentos macro-regionais. No mapa Geodiversidade da Área de Fronteira Brasil-Guiana, cada unidade geológico-ambiental

tem sua representação gráfica materializada por uma determinada composição de cor. Foram utilizadas variações de

tonalidade para representar unidades que pertençam a um mesmo domínio geológico-ambiental. Cada unidade geológico-ambiental

foi dividida em função do seu padrão de relevo e está representada no mapa por numeração sequencial. Cada unidade

compartimentada pelo relevo foi descrita em função das suas limitações e adequabilidades frente ao uso e ocupação em relação

às obras de engenharia, agricultura, recursos hídricos, fontes poluidoras e potenciais minerais e geoturísticos. Adicionalmente,

são elaborados cartogramas temáticos e suas interseções com as Áreas de Relevante Interesse Mineral para visualização espacial

e entendimento legal das restrições e/ou impedimentos ao desenvolvimento mineral da Área de Fronteira Brasil - Guiana.

Hidrologia e GestÃo Territorial

CARTA DE SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTOS GRAVITACIONAIS

DE MASSA E INUNDAÇÕES DO MUNICÍPIO DE SÃO GABRIEL DA

PALHA – ES: RESULTADOS E IMPLICAÇÕES METODOLÓGICAS

COM BASE EM LEVANTAMENTOS DE CAMPO Lima,

Autores: Cabral, D.S. 1

1 CPRM - Serviço Geológico do Brasil

As cartas de suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundações são documentos geotécnicos, produzidos

na escala 1:25.000, elaborados pelo Serviço Geológico do Brasil, no âmbito do projeto “CARTAS MUNICIPAIS A MOVIMENTOS

GRAVITACIONAIS DE MASSA E INUNDAÇÕES” em atendimento as diretrizes especificas da Lei 12.608/2012 e dirigida aos municípios

sujeitos a desastres naturais – deslizamentos, inundações, corridas de massa, enxurradas e outros processo correlatos. As

cartas de suscetibilidade constituem instrumentos importantes nas ações de prevenção integradas às políticas de ordenamento

territoriais, desenvolvimento urbano e meio ambiente. Contém dados importantes que auxiliam no planejamento adequado da

expansão urbana como, por exemplo, a hierarquização dos graus de suscetibilidade (alta, média e baixa) definindo assim, de maneira

geral, de acordo com a escala, os terrenos mais favoráveis à ocupação em função da possibilidade baixa de serem atingidos

por tais desastres.

O desenvolvimento da carta seguiu três etapas: pré-campo, campo e pós-campo. No pré-campo foi realizado trabalho de

fotointerpretação: definidos os padrões de relevo, extração de cicatrizes, lineamentos, erosões, campos de blocos e paredões

rochosos. Foram também confeccionadas as modelagens das áreas, gerando os graus de suscetibilidade para os processos analisados.

Durante o trabalho de campo as modelagens foram validadas, cabendo à última etapa a adequação das modelagens e da

fotointerpretação ao verificado em campo. Por fim, foi gerada a carta de suscetibilidade apresentando, em detalhes, o resultado

obtido quanto a distribuição dos graus de suscetibilidade das áreas sujeitas aos processos analisados. Entretanto, cabe observar

a necessidade percebida na etapa de campo de se adotar procedimentos metodológicos adicionais/complementares alinhados

com a metodologia institucional empregada tendo em vista as especificidades encontradas na área (não abrangidas pela fotointerpretação,

base para o tratamento estatístico na confecção do modelo).

Em relação aos processos de movimentos gravitacionais de massa foi constatada a necessidade de considerar a avaliação

de espessura das coberturas, residuais ou transportadas, bem como as propriedades intrínsecas dos materiais que as constituem,

para definição dos graus de suscetibilidade das áreas a eles associado. Os procedimentos adicionais utilizados para avaliação das

coberturas foram: observação visual da paisagem para, sempre que possível, detectar a espessura das coberturas, indicada pelos

planos de descontinuidade (solo-rocha) e por meio da abertura de perfis, a realização de observações/ensaios expeditos dos solos

(horizontes, cor, textura, estrutura, plasticidade, pegajosidade, avaliação do grau de floculação) para verificar as propriedades

destes materiais.

PALAVRAS-CHAVE:

GEODIVERSIDADE; GEOSSISTEMAS; TERRITÓRIO

Os procedimentos citados são situações onde a metodologia pode evoluir, por meio de análises empíricas e, num segundo

momento, na implementação de investigações geológico‐geotécnicas. Como resultado final constatou-se que o grau

de suscetibilidade das áreas potencialmente sujeitas aos processos de movimentos gravitacionais de massa estão distribuídos

no município em 6,75% para alta, 43,85% média e 49,40% baixa. A distribuição da suscetibilidade em área urbanizada

perfaz 0% para alta, 26,78% média e 73,22% baixa. Quanto ao processo de inundação a suscetibilidade, está distribuída em

11,64% para alta, 1,25% média e 0,56% baixa. A distribuição da suscetibilidade em área urbanizada perfaz 30,35% para alta,

3,22% média e 2,50% baixa.

PALAVRAS-CHAVE:

SUSCETIBILIDADE; DESLIZAMENTOS;INUNDAÇÃO

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