jornal 21

jpdado

Carvalhal

Jornal do

Nº22 . PÁSCOA . ABRIL 2017

Venham viver

as nossas tradições!

FOTO: ARTUR MARTINS


EDITORIAL

Carvalhenses,

A celebração da Páscoa é sempre vivida pela nossa

aldeia, por um lado, com recolhimento pelo forte

simbolismo da cristandade, por outro, com festa pela

ressurreição que abre um tempo novo de redenção.

A importância desta época ganha ainda mais relevo

pelo calendário que nela se insere quando constatamos

que a natureza pelos diversos sinais primaveris

empresta um cenário mais colorido e arejado à nossa

aldeia.

A nossa direção tem vindo a acompanhar de perto o

pulsar dos nossos associados procurando sempre estar

em comunhão com os seus anseios e esperanças,

tentando ser um elemento aglutinador de energias, no

entanto cada vez mais vamos sentindo a necessidade

da integração de novas fontes de energia, e ainda mais

quando as mesmas não passam do entusiasmo das

palavras aos atos, prova evidente desta realidade, são

os contributos para o nosso jornal, que continua a ser

alimentado por um diminuto numero de associados.

Já passaram 7 anos desde que iniciamos esta caminha,

inicialmente o Centro de Convívio era uma miragem, e

nos dias de hoje é uma realidade, e tendo por base o

farol da esperança e do trabalho, novos objetivos estão

a ser lançados, pelo que será de fundamental relevância

sentir na nossa associação o querer avançar, participar,

promover, em suma, vestir a camisola da nossa aldeia,

olhar pelo contributo benemérito dado ao coletivo.

São tempos difíceis, estes que vivemos, que, mais do

que nunca, apelam ao nosso espírito de união e ao

verdadeiro sentido de comunidade. E se alguma

mensagem faz sentido nestas circunstâncias é o apelo

ao trabalho e à solidariedade, pois só daí nos pode

advir a esperança.

Apesar de tudo isto, estamos confiantes que o Carvalhal

continua a ser uma aldeia com futuro, alicerçada nos

“Amiguinhos do Carvalhal” e nas diversas atividades

culturais e desportivas, contando com todos vós para o

tradicional Jantar de Sábado de Aleluia.

A todos uma feliz e abençoada Páscoa!

O Presidente da Direção

João Paulo do Amaral de Oliveira

Vamos valorizar o que temos

Como vem sendo habitual, na minha qualidade de

presidente da assembleia geral, foi-me solicitado que

enviasse um artigo de editorial para o nosso jornal, a sair

à estampa na Pascoa.

Por vezes a nossa mente transporta um sem número de

ideias e opiniões, outras parece vazia de conteúdo, que

nos leva até a algum incómodo pela falta de tema a

valorizar ou transmitir aos nossos associados, que mais

tarde vão ter nas suas mãos a pequena brochura que

constitui mais um elo de ligação entre nós carvalhenses,

de naturalidade e de coração.

No momento que iniciei esta escrita parecia estar em

modo vazio, mas, felizmente, logo de repente as ideias

vieram em turbilhão.

Tem sido recorrente as direções da associação, em

diversas assembleias, fazerem apelos para que cada um

de nós escreva artigos de opinião para o jornal e salvo

honrosas exceções de louvável voluntarismo, nem

sempre se consegue a mobilização desejada.

É dos livros da vida, e por isso todos o sabemos, que

sempre foi mais fácil a qualquer um de nós, em conversa

de amigos e em amena cavaqueira, tecer considerações

do que está bem ou está mal, mas nem sempre o nosso

discurso é consonante com a nossa ação; e para que

não se diga que o mal está nos nossos amigos, reconheço

desde já, deste mal também padeço.

Mas se fossemos perfeitos não tínhamos metas a atingir

e por isso deixemos para trás a lamuria e procuremos

encontrar o equilíbrio entre o que nos é solicitado e o

que nos é possível dar.

como registo para o futuro.

A fotografia tornou-se hoje uma banalidade, porém o

seu registo coletivo, fica muitas vezes por fazer para que

mais tarde seja uma fonte de conhecimento do passado,

por vezes longínquo.

Hoje através das redes sociais são nos dado a conhecer,

através da divulgação de muitas fotografias, momentos

com história do Carvalhal que até pensávamos nem

existirem. Recordo por exemplo fotografias onde

aparece uma das figuras mais famosas e carismáticas do

Carvalhal no século passado, o Ti Matias.

A história do Carvalhal também se faz, e hoje sobretudo,

do urbanismo que tem revolucionado o nosso tecido

habitacional, como sendo até uma aldeia de referencia

no concelho; já para não falar nos nossos chafarizes, ou

lagares e forjas, que entrevistados alguns carvalhenses

seus proprietários, podem contribuir para o registo

histórico da nossa aldeia.

Estão na sede da associação um conjunto de quadros

lindíssimos da autoria de uma artista carvalhense. Seria

bom que numa entrevista pudéssemos conhecer

melhor que musas a inspiram.

Vamos assim aproveitar todas essas realidades como

fonte inspiradora na feitura do jornal e onde falta o

artigo de opinião se preencha com notícia, entrevista ou

até uma simples fotografia da magnólia florida com que

a Rosa Pontinha há dias nos brindou no Facebook.

Para todos os carvalhenses, sem distinção, o meu voto

de Páscoa Feliz e muito florida.

O Jornal pode ser mais do que a compilação de artigos

de opinião. O Carvalhal e as suas gentes também geram

notícias, mas porque as vivemos muitas vezes intrinsecamente

não as valorizamos convenientemente como

fonte de notícia ou de informação, que mais não seja

O Presidente da Assembleia Geral

José Gil


GERAIS .03

Revitalização do Carvalhal:

Que podemos ainda ambicionar?

Passou o tempo do relativo desafogo finançeiro do Estado e

das autarquias. A sombra da iminente bancarrota ainda não se

dissipou, totalmente, no espírito do cidadão comum, onde

paira a dúvida e o receio de que a situação se repita, no médio

prazo.

Por isso terão de ser modestas as ambições e os projectos. Mas

tal não deve inibir-nos de pensar em novas realizações, visando

tornar a nossa aldeia mais e mais atrativa, quer para os que lá

nasceram, quer para os que, indirectamente, lhe estão ligados,

com o propósito de os trazer, com a maior frequência possível,

ao convívio na aldeia e à permanência ali, por alguns dias que

seja, mesmo dos que lá não possuam casa própria, ou casa

suficientemente acolhedora.

E que realizações podemos ainda ambicionar, que se enquadrem

nesse desiderato, passíveis de concretização no curto,

médio, ou longo prazos, com a colaboração e empenho de

todos nós e a ajuda financeira, em serviços, ou em materiais,

que consigamos obter da Câmara Municipal de Pinhel (CMP)?

Sem obedecer a qualquer ordem de precedência, porque

muito dependentes da disponibilidade de meios, em cada

momento, sugiro as seguintes, umas envolvendo a Junta de

Freguesia (JF) e sobretudo a CMP e outras a Associação

Desportiva e Cultural Amigos do Carvalhal (ADCAC), ou esta e

aquelas, em estreita colaboração:

> Definição de aproveitamento, com múltiplas valências

possíveis (visando jovens e menos jovens), do espaço recentemente

adquirido, adjacente ao adro da igreja e capela

mortuária;

> Recuperação e aproveitamento da “Escola Nova” para

alojamento de curta duração e custo moderado, de potenciais

visitantes residentes no país ou no estrangeiro (descendentes

de emigrantes); no caso deste projecto se revelar inviável,

então que a CMP proceda à venda, em hasta pública, do

edifício, revertendo a receita para outros benefícios na aldeia,

por exemplo, para ajuda à pavimentação da estrada Carvalhal-

Atalaia;

Maio, mês do coração

As doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte no

nosso país, dedicar-lhes um mês pode ser apenas simbólico,

mas marcante para lembrar o quão é importante cuidar da

saúde do nosso coração. Muitos dos factores de risco estão

presentes 365 dias por ano – sal, açúcar, gorduras, sedentarismo,

tal como algumas condições - hipertensão arterial,

dislipidémia, tabagismo e obesidade, contribuem para o

aumento do risco cardiovascular. Estes são factores

modificáveis e estão em grande parte dependentes da nossa

conduta e adopção de um estilo de vida saudável.

- Sal, fortemente associado ao aumento da tensão arterial,

excede em muitos alimentos o dobro do recomendado pela

Organização Mundial de Saúde. Vários programas de saúde

estão em curso para regular a quantidade de sal nomeadamente

no pão mas há pequenas estratégias que podemos

adoptar: usar ervas aromáticas na confecção dos alimentos,

evitar a utilização de cubos de culinária e molhos ou evitar o

saleiro na mesa.

> Açúcar, pode ser encontrado em quantidades surpreendentes

no rotulo dos alimentos e bebidas (sumos/chás) e é possível

reeducar paladar diminuindo progressivamente o açucar que

colocamos nas bebidas, optando por alimentos com menos

quantidade ou utilizando adoçando (por exemplo um

adoçante natural à base de Stevia)

> Gorduras “trans”/”saturadas”, a sua associação a doenças

cardiovasculares motiva também a sua regulamentação, estão

presentes em produtos processados – pastelaria, bolachas,

> Adaptação da “Escola Velha” a escola–museu , ou a reconversão

da mesma em habitação para visitantes , sob gestão da

ADCAC , no caso da opção pela venda da “Escola Nova”;

> Colocação de novo lençol betuminoso na estrada Carvalhal-

Manigoto, se não em toda a sua extensão, pelo menos

naqueles pequenos troços em que o velho pavimento se

encontra mais degradado e vulnerável aos sucessivos efeitos

destrutivos das chuvas invernais;

> Pavimentação da estrada do Carvalhal, até ao cruzamento

com a da Atalaia para o Lamegal, ainda que eventualmente

tenha que ser, por motivo de dificuldades financeiras da CMP,

na modalidade de faixa única , com alargamentos para

possibilitar cruzamentos de viaturas , a espaços devidamente

calculados, como acontece em estradas rurais, em países mais

ricos que o nosso;

> Melhoria da estrada Carvalhal-Pereiro, com alguns alargamentos,

retificações de traçado e melhor definição de valetas;

> Sinalização dos percursos para as sepulturas rupestres, em

toda a sua extensão, e manutenção dos mesmos transitáveis;

> Colocação, na fachada do Centro de Convívio, da designação

que lhe foi atribuída, aprovada em assembleia da ADCAC,

como homenagem ao benemérito comandante Alberto da

Silva Pereira;

> Registo, em vídeo (DVD), do recheio do museu etnográfico,

com descrição a recolher de quem ainda tem memória (antes

que esta se perca definitivamente) da designação dos objectos,

sua utilização, procedimentos, usos, costumes e tradições.

Parece longa a lista das ambições/projectos, e porventura não

muito modesta, talvez até utópica, mas trata-se de objectivos

sem prazos definidos, para ir concretizando à medida das

possibilidades que forem surgindo e que poderão guiar a

acção dos responsáveis associativos e autárquicos. Afinal,

como dizia o poeta, quando o homem sonha e Deus quer, a

obra nasce.

Samuel M. do Amaral

Nota: Este texto foi ostensivamente escrito em desobediência ao ( des)Acor

do Ortográfico, indevidamente em vigor.

refeições pré-feitas, e devem ser evitadas.

> Alcool, rico em calorias, não deve ser consumido para além

da quantidade máxima prevista para homens (duas bebidas

padrão/20g de álcool por dia até aos 65 anos, após os quais

deverá ser uma bebida padrão/10g de álcool) e mulheres (uma

bebida padrão / 10 g de álcool).

> Tabaco, os malefícios são amplamente divulgados e, sendo

que o melhor é mesmo não começar, a cessação tabágica está

sobretudo dependente da motivação / força de cada um.

Havendo a vontade de deixar de fumar há várias estratégias

disponíveis e o seu médico de família pode ajuda-lo.

> Exercício, todos já ouvimos o lema “mexa-se pela sua saúde”

– os benefícios de largar os chinelos e calçar as sapatilhas

obtém-se com uma simples uma caminhada de cerca de 1h30

três vezes por semana com a redução em 30% do risco de

doença cardiovascular e pode reduzir em 10mmHg a tensão

arterial, para além de poder ter ganhos a nível da perda de

peso e a sensação de bem estar que nos dá a prática de exercício

> Controlo da tensão arterial e colesterol: todas as medidas

abordadas contribuem para a melhoria da tensão e gorduras

do sangue, no entanto podem ser insuficientes podendo haver

necessidade de tratamento com medicamentos com o objectivo

de atingir os valores alvo para redução do risco de doença.

Em Maio, mês do coração, pensemos no nosso e no daqueles

de quem gostamos e perguntemos – “o que é que já fiz pelos

nossos corações hoje?”

Drª Lurdes Rocha


GERAIS

04.

Vindimas 2016

Depois de mais um ano de muito trabalho, chega o dia da

colheita das Uvas, e como não podia deixar de ser a população

do Carvalhal fez a colheita das suas com a cooperação

entre todos. Normalmente a colheita realiza-se entre os

meses de Setembro e Outubro, época em que se atinge a

maturação das Uvas.

Na nossa aldeia, as vindimas, são como uma festa, todos se

ajudam mutuamente e a melhor parte desses dias é o

convívio e o banquete que é preparado pelas senhoras do

Carvalhal. Foi um ano em que tive oportunidade de participar

em quase todas as vindimas, e a animação era enorme,

principalmente em torno do “Sr. Pardal”, que no final da

época de colheitas, e depois de pagar um lanche ao

pessoal que andou para si na vindima, subiu na nossa

consideração, e passou a ser o “Sr. Joaquim”.

Uma época de vindima marcada também pela 1ª Concentração

de Tratores, que reuniu cerca de uma dezena de

máquinas agrícolas, que serviam de transporte tanto das

uvas como do pessoal.

Já poucas são as pessoas que fazem o seu próprio vinho,

mas ainda há alguns, tais como o Rocha, o Berto e o “Sr.

Joaquim”, o Manuel Soares, o Zé João e o Sr. Pires, estes são

um exemplo do que é manter umas das tradições mais

antigas do Carvalhal e espero que a conservem por muitos

anos. A fase de preparação do vinho é um processo demorado

e trabalhoso, desde a sua colheita, até à fase em que

chega à mesa.

No corrente ano, contamos com a vossa presença, para

assim sermos mais e a festa ainda ser maior, o ano de

colheita irá ser bom com certeza.

Artur Martins

Almoço de Convívio:

Caçadores &

Respetiva Comunidade

No passado dia 26 de Junho, decorreu pela primeira vez na

Sede da Associação Desportiva e Cultural “Os Amigos do

Carvalha”, o almoço de convívio promovido pela Associação

de Caçadores das Freguesias do Pereiro e Carvalhal.

Neste almoço estiveram presentes cerca de 60 pessoas, de

entre elas alguns eram caçadores e outros eram membros

da Freguesia do Pereiro e os restantes diziam respeito a

habitantes do Carvalhal. A ementa como não podia deixar

de ser, foi Javali estufado, que foi caçado na área que

abrange a Associação de Caçadores das Freguesias do

Pereiro e Carvalhal. As reações ao almoço foram muito

positivas, quem participou adorou a iguaria, um dos pratos

mais apreciados por aqueles que gostam de pratos confecionados

com peças de caça brava.

O feedback por parte das pessoas em relação à sede da

nossa Associação foi muito positivo, e prometeram

visitarem-nos mais bastas vezes, a partir daquele dia.

Desde já agradeço, em nome da Associação Desportiva e

Cultural “Os Amigos do Carvalhal”, à direção da Associação

de Caçadores das Freguesias do Pereiro e Carvalhal, por

esta iniciativa ter sido realizada na nossa Sede, com a esperança

de mais iniciativas da mesma natureza virem a serem

desenvolvidas em parceria com a nossa Associação.

Artur Martins


Balanço do ano 2016

Com a entrada de um novo ano é

necessário refletir sobre 2016, por isso

como Tesoureiro da Associação

Desportiva e Cultural “Os Amigos do

Carvalhal” optei por realizar este artigo.

Mais um ano se passou, e este de

particular importância para a nossa

Associação, pois foi um ano de muito

trabalho e dedicação, para que fosse

conseguida a liquidação de todos os

incumprimentos financeiros que decorriam ainda da realização

do Centro de Convívio.

Apesar de todo o “borburinho” em relação a possíveis dívidas

ainda existentes, como tesoureiro venho esclarecer mais uma

vez a todos os associados e amigos do Carvalhal que todas as

dívidas se encontram liquidadas, e tudo o resto é pura e simplesmente

uma tentativa de desonrar o nosso nome, enquanto

Associação e nada mais.

A nossa atual direção em nome de todos os associados e

amigos do Carvalhal, tem lutado de forma a garantir sempre

melhores condições e com isto conseguir o progresso da

Associação. Tudo o que alcançámos até hoje não seria possível

sem uma massa associativa como a nossa, que gosta de colaborar

para que o Carvalhal esteja sempre um passo á frente!

Agora, mais anos de progresso se aproximam, sempre tendo

como prioridade o desenvolvimento das infraestruturas já

existentes, também nos aguardam anos de muitas decisões e de

novos desafios.

Resta-me, mais uma vez, prestar o meu agradecimento a todos

os associados e amigos do Carvalhal, que nunca deixaram de

acreditar e que nos ajudaram a tornar tudo isto numa realidade.

BOLO DE URTIGAS E NOZES

GERAIS .05

Ingredientes:

300 g de Açúcar

6 ovos

O peso de 2 ovos em farinha

O peso de 2 ovos em Maizena

1 colher de chá de fermento

50g de folhas de urtigas picadas no liquificador

100g de nozes

40 g de azeite

Picar muito bem as folhas de urtigas.

Juntar o açúcar e as claras do ovo

Juntar 40 g de azeite e bater tudo.

Depois, juntar a farinha , a Maizena e o fermento.

Juntar as claras em castelo lentamente.

Para finalizar picar e juntar ao preparado as nozes.

Bom ano a Todos Vós!

Artur Martins

Da minha varanda

Da minha varanda olho o horizonte.

Aqui próximo vejo a urbe.

Mais adiante está um monte.

Para uns cruzinha para outros cozinha,

Certo é que é do Carvalhal.

Erram os que o batizaram,

Como sendo do Azinhal.

BISCOITOS DE URTIGAS

(OUTRA OPÇÃO COM ESPINAFRES)

Ingredientes:

60g de urtigas bem picadas no liquificador

50g de farinha de linhaça

200g de farinha

150g de açúcar

50 g de azeite

Leite de soja

Juntar todos os ingredientes a urtiga picada e bater

tudo muito bem.

Colocar papel vegetal num tabuleiro de ir ao forno

e dispor a massa em colheradas.

Levar ao forno quente à 180º

Esse fica mais além,

No planalto que detém,

Entre outras, Aldeia Bela.

Deslizo o olhar à esquerda,

A pensar como a vida é bela.

Penso com carinho nos defuntos,

Mas fixo-me nos ziguezaguear da estrada

E como a vamos percorrer juntos.

Fernão Ferro

21/03/2017

Zé Gil

Maria dos Anjos Oliveira


06.HISTÓRIAS&RECORDAÇÕES

Mãos divinas

Desde tempos imemoriais que o homem tem experimentado

processos de cura aparentemente milagrosos através

da imposição das mãos, quer do toque direto directo ou

através da colocação das mãos e dos dedos a uma determinada

distância do corpo do doente. Qualquer ser humano

verifica facilmente que a colocação das mãos no seu

próprio corpo acalma, conforta e alivia a dor.

No Ocidente, esta técnica de cura já era conhecida pela

civilização Assíria Babilônica e tomava o nome de “cura

milagrosa pela carícia magnética”. No Antigo Egito, era

simbolicamente representada pelas mãos da Deusa da

Cura Ísis. Na China a imposição das mãos (Qi Gong terapêutico)

precede a aplicação das agulhas de acupuntura, que é

uma técnica com milhares de anos de existência. Desde

sempre existiram pessoas com este dom “à priori”, e hoje

sabe-se que esta técnica de cura depende da postura e

preparação mental e física do terapeuta, sendo que pode

ser arduamente treinada. O“ “Qi Gong”” terapêutico passou

para o Japão e no Sec. XIX tomou o nome de ““Reiki””.

Este poder de cura pela imposição das mãos já era

atribuído a imperadores bizantinos e carolíngios, assim

como, aos santos da Igreja Católica. É pública a imagem do

Séc. XII de S.Francisco de Assis num museu de Florença

(Galeria da Academia) a tratar um doente através da

imposição das mãos, com as mesmas técnicas que o ““Qi

Gong”” chinês usa há mais de seis mil de anos.

Também as curas milagrosas feitas por Jesus e pelos seus

apóstolos fazem uso da imposição das mãos.

Até à Revolução inglesa de 1688 os próprios reis procederam

à cura de milhares de doentes por forte sugestão e

crença no absolutismo teocêntrico. Não esquecer que o rei

absoluto representava o poder de Deus, e por isso mesmo,

o povo português português apoiou D. Miguel (partidário

do absolutismo) nas guerras liberais por este ser partidário

do absolutismo. Mas obviamente que para dar mais ênfase

a esta prática medieval, no mesmo momento que o rei

colocava as mãos no doente, um clérigo lia o versículo de S.

Marcos que diz o seguinte: “Eles porão mãos sobre os

doentes e eles se recuperarão”. O cirurgião inglês do Séc.

XVII, Richard Wiseman declarou ter presenciado centenas

de curas e refere que Carlos II de Inglaterra, homem de

muitas amantes, que foi casado com a nossa Catarina de

Bragança filha de D. João IV e Luisa de Gusmão, curou

apenas com a imposição das mãos num único ano mais

doentes “do que todos os cirurgiões de Londres em uma

vida inteira.”

Contava-se que entre nós o padre Zé das Cinco Vilas, do

qual já falei em artigo anterior anteriormentee que visitava o

Carvalhal em épocas passadas, a convite do amigo Sebastião

Gaspar, tinha entre outros, o poder de curar apenas

com a imposição das mãos.

Como se sabe, durante muitos séculos e até à segunda

metade do Séc. XX, os responsáveis pelas cirurgias e

sangrias nas aldeias não eram médicos mas sim barbeiros.

Sob pressão crescente da classe médica os cirurgiões

vieram a separar-se dos barbeiros. Só depois passou a ser

obrigatório ter o curso de medicina para fazer cirurgias.

Os cirurgiões-barbeiros, normalmente cristãos-novos

praticavam pequenas cirurgias, faziam sangrias, sarjavam,

lancetavam, aplicavam bichas (sanguessugas), ventosas,

arrancavam dentes e cortavam o cabelo e a barba.

Entre vários instrumentos que usavam, destacavam-se

navalhas, lancetas em forma de meia lua, ventosas de vácuo

e simples, pedra de amolar, pedra ume, sabão, pincel, escalpelo

ou bisturi, boticão para arrancar dentes, escarificador,

turquês etc.

É de realçar, durante a primeira metade do sec. XX, o papel

do muito competente e entendido cirurgião-barbeiro

Casimiro do Azinhal, que pelas aldeias vizinhas, Carvalhal

incluído, visitava os seus doentes e fazia curas que impressionaram

as pessoas da sua época, drenando abcessos,

extirpando carbúnculos, curando aftas e frieiras, cicatrizando

feridas, administrando fitoterapia e clisteres para

variadas doenças, fazendo sangrias, avaliando pulsos para

diagnosticar doenças etc.

Diziam as pessoas de antigamente que as mãos do ti

Casimiro eram especiais, pelo conforto e paz que transmitiam.

Digno de nota era o facto de doenças como a febre tifóide

e o carbúnculo serem altamente letais naquela época em

que ainda não havia antibióticos nem a vacina para o

carbúnculo. Contava a ti Olinda Almeida que o ti Casimiro a

curou duma febre tifóide com “biolatinas “ (não havia ainda

cloranfenicol nem ampicilina) fitoterapia e grande ingestão

de água para combater a febre constante e prolongada que

a fez perder a consciência de si mesma desde a colheita dos

nabos até ao florescer das amendoeiras.

O carbúnculo é uma doença comum nos animais herbívoros

mas que pode passar para o ser humano através da

carne, lã e couro infectados pelo “bacillus anthracis”.

A infecção pulmonar por inalação da bactéria da lâ contaminada

tinha uma taxa de mortalidade de quase 100%.

Quando as nossas gentes comiam carne com a referida

bactéria apresentavam febre, dores gástricas, vómitos com

sangue e diarreia que também podia ter sangue. Neste

caso, as probabilidades de morrer eram também muito

elevadas. A vacina para esta doença embora descoberta

em 1881 por Pasteur e Chamberland em França, só muito

mais tarde chega a Portugal. Curiosamente é no mês de

Março que se faz a vacina dos animais contra esta doença.

Também mortais eram as feridas da pele que eram infectadas

por esta bactéria. Neste caso o ti Casimiro lancetava a

ferida e queimava a mesma com àgua forte, ou seja, ácido

muriático. Este ácido também era usado em pequenas

quantidades para facilitar a extracção dos dentes. As

pessoas com carbúnculos lancetados tinham que fazer uma

dieta que incluía água de malvas fervida. Conta-se que

nunca ninguém morreu de carbúnculo depois de ser

tratado pelo famoso ti Casimiro do Azinhal.

Este homem dizia-se que era muito entendido nas doenças

porque lia livros de medicina, parece também que era

entendido em partos de animais e pessoas, bem como de

outras maleitas que por estas épocas abundavam.

A paixão pelo cuidar e tratar das pessoas passou-a para o

seu filho José Casimiro Matias que se licenciou em

medicina que posteriormente veio a exercer em Almeida,

onde também ajudou a fundar o Externato Frei Bernardo de

Brito do qual foi patrono. Em homenagem ao seu trabalho

como médico e cidadão foi dado o seu nome a uma praça

onde ficava a casa com o seu consultório.

Mãos que sabiam cuidar e tratar tinha o endireita do Carvalhal,

José João Gonçalves, pai do Rogério, do Joaquim e da

Maria Odete Goncalves. Este homem, franzino de figura,

tinha o dom extraordinário de aplicar técnicas manuais que

restabeleciam a função e mobilidade de músculos e articulações,

isto sem os conhecimentos que hoje são exigidos

aos osteopatas de Anatomia, Fisiologia, Semiologia e

Biomecânica.

Eu próprio obtive o benefício da sua intervenção rápida e

eficiente, aquando da redução duma luxação traumática do

ombro extremamente dolorosa, isto após queda aturada da

"burra russa" que eu gostava de escarreirar em pelo, mas

que de vez em quando se espantava por causa das picadas

dos tabarros, cravava as patas dianteiras no chão, alçava as

carchanetas e obrigava-me, sem dó nem piedade, a dar às

vilas diogo da sua garupa para qualquer sítio.

Nesta festividade Pascal, fica aqui a minha humilde e

sentida homenagem a todas as pessoas, que com abnegação,

souberam acudir aos outros em horas de aflição, em

terra onde não havia outro recurso de saúde que não fosse

as suas mãos divinas!

António Matias


AMIGUINHOS DO CARVALHAL .07

Os Amiguinhos do Carvalhal dão as boas vindas a

Primavera, enchendo-se de cor e alegria para

celebrar a chegada da estação.

É uma altura para partilhar as atividades realizadas

no verão (dedicadas as crianças, jovens e pais da

nossa Aldeia).

Também em destaque na edição deste mês, a

tradicional caça aos ovos no dia da Páscoa e a nossa

proposta de programa para as férias ativas no

Carvalhal no verão 2017 que convidamos a desvendar

e que julgamos serem merecedoras de captar o

interesse dos Associados e não só a fim de participar

nas mesmas.

Os membros da página dos Amiguinhos no

Facebook esta a crescer. Procuramos informar e

mostrar o melhor que tem a nossa Aldeia, tentando

envolver as pessoas através de iniciativas voluntárias

como tem vindo a verificar-se durante a preparação

do nosso Jantar anual da Páscoa e contribuição de

alguns pais nas atividades lúdicas propostas.

Podem consultar a nossa página no facebook. É

mais uma oportunidade para ficar a conhecer

melhor a nossa Associação e o importante trabalho

desenvolvido até à data. Esperamos que essa nossa

publicação continue a cativar o seu interesse pela

Aldeia, aguardando com entusiasmo os seus

comentários.

Esperamos por si!

Gabriela Gil de Oliveira


ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

15 de Abril de 2017


Associação Desportiva e Cultural "Os Amigos do Carvalhal"

Balanço Financeiro relativo ao ano 2016

1- Saldo transitado do ano de 2015 885,92 €

2- Receitas

2.1 Quotizações 978,00 €

2.2 Donativos

2.2.1 Sócios 569,17 €

2,2,2 Junta de Freguesia 267,72 €

2,2,3 Comissão Festas 2015/2016 9 274,00 €

2.2.2.1 Centro de Convivio

2.2.2.1.1 Paineis Fotovoltaicos 848,59 €

2.3 Outras receitas

2.3.1 Reembolso de IVA 452,43 €

2.3.2 Jantar da Páscoa 890,00 €

2.3.3 Área Social 2 271,21

2.3.4 Marmelos 5,00 €

Total de Receitas 15 556,12 €

3- Encargos

3.1 Despesas Gerais

3.1.1 Água 79,72 €

3.1.2 E.D.P. 879,14 €

3.1.3 ZON TV Cabo / NOS Comunicações 840,78 €

3.1.4 Técnico Oficial de Contas 1 170,00 €

3.1.5 Escritório 44,50 €

3.1.6 Área Social 455,50 €

3.1.7 Jornal 55,35 €

3.1.8 Jantar da Páscoa 120,00 €

3.1.9 Quotas Pagas

3.1.9.1 Assoc. Jogos Tradicionais Guarda 12,46 €

3.1.10 Despesas Bancárias 37,44 €

3.2 Imposto

3.2.1 Imposto Municipal Sobre Imóveis (IMI) 45,42 €

3.3 Construção/Reabiliatação de Imóveis

3.4.1 Centro de Convivio

3.4.1.1 Construção 8 964,09 €

Total de Encargos 12 704,40 €

4- Situação Liquida

3.1 Depósitos à Ordem 3 737,64 €

3.2 Depósitos a Prazo 0,00 €

3.3 Caixa 170,00 €

Total da Situação Liquida 3 907,64 €

O Presidente -

O Tesoureiro -

João Paulo do Amaral de Oliveira

Artur Venâncio Fraga Martins


DONATIVOS

Março16

166 António Paulo do Amaral 8,00 €

176 Anibal Domingos Oliveira 8,00 €

153 Maria Rosa Pontinha 2,00 €

116 Joaquim Amaral 2,00 €

48 João Paulo do Amaral Oliveira 42,27 €

240 Maria da Conceição Seixas Sousa Gonçalves Pratos

128 Helder Pereira de Oliveira Concha para sopa

21 Joaquim Pereira Lourenço Máquina de soldar

105 Abel Guilhoto Mendo 5,00 €

Abril 16

141 José Sebastião Pereira Gaspar 14,00 €

Mai-16

142 António Joaquim da Fonseca Gil 14,00 €

Visita ao Museu (Passeio Citroen 2cv) 20,00 €

Jul-16

171 Eduardo Amaral Rocha Garrafa de Vidro p/ Água-ardente

291 Pedro Daniel Lourenço Gaspar Jogo de Poker

Fardos do Terreno da Igreja 10,00 €

11 Vasco Pereira Gaspar Peças para Museu

Agosto16

268 Preciosa Soares Neto Roseiro 30,00 €

141 José Sebastião Pereira Gaspar 40,00€ (Manutenção do Museu)

Almoço de Convivio (Sardinhada 2016) 53,20 €

Setembro16

213 Manuel Luis do Amaral 14,00 €

95 José Paulo 2,00 €

Outubro16

Excedente - Almoço de Convivio 2016 139,70 €

Jornal do

Carvalhal

Novembro16

Marmelos (Maria de Lurdes Rocha) 5,00 €

269 Natércia Lourenço 5 kgs de Castanhas

Dezembro16

48 João Paulo do Amaral Oliveira 200,00 €

COMISSÃO DE FESTAS DE S. SEBASTIÃO

CARVALHAL . ATALAIA 2015 / 2016

RESUMO DO RELATÓRIO DE CONTAS

RECEITAS

Valor transitado da anterior comissão . . . . . . 650,00 €

Bar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 156,83 €

Donativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 267,39 €

Quermesse e t-shirts . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200,00 €

Rifas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 400,00 €

Diversos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14,00 €

TOTAL: 19 688,22 €

DESPESAS

Cerimónias religiosas

Bar

Conjuntos musicais

EDP e Equipamentos

Restaurante

Talho e padaria

Supermercado e AKI

Rifas

Cartazes e tela

Diversos

Valor para a nova comissão de festas

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. . . . . . .

155,00 €

2 917,58 €

4 050,00 €

495,92 €

160,00 €

812,10 €

299,07 €

100,00 €

723,55 €

65,00 €

636,00 €

TOTAL: 10 414,22 €

LUCRO: 9 274,00 €

NOVOS SÓCIOS

352 António Rui Ferreira Sousa Neto

FALECIMENTOS

33 Joaquim Gonçalves

PÁSCOA:

TEMPO DE

RENASCIMENTO.

VENHAM VIVER

AS NOSSAS

TRADIÇÕES!

PROPRIEDADE/EDIÇÃO/DIREÇÃO:

Associação desportiva e cultural “Os

Amigos do Carvalhal”

REGISTO DE PESSOA COLECTIVA:

501651900

COORDENAÇÃO/REVISÃO DE

TEXTOS: João Paulo do Amaral de

Oliveira

PAGINAÇÃO: Luisa Santos

SEDE/REDAÇÃO/ADMINISTRAÇÃO:

Carvalhal, 6400-122 Pinhel

EMAIL: noticiasdocarvalhal@gmail.com

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA - TIRAGEM:

250 exemplares

Toda a correspondência deverá ser enviada

para a redação

As opiniões expressas nos textos apenas

refletem o ponto de vista dos autores

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