Revista Nossos Passos ed. Janeiro

as2017

Revistas Nossos Passos edição Janeiro 2019.

NOSSOS PASSOS

1

Paróquia São Francisco de Paula - Ordem dos Mínimos

Praça Euvaldo Lodi, s/n - Barra da Tijuca - Cep.:22640.010 - Tel.: (21) 2493-8973

www.paroquiasfp-minimos.org.br

Arquidiocese do Rio de Janeiro - Vicariato de Jacarepaguá - 1º Região Pastoral

Ano XV - 234

Janeiro / 2019

Maria Mãe de Deus

(Theotókos)


2 JANEIRO/ 2019


NOSSOS PASSOS

3

Diretor:

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Ed. Janeiro/ 2018

SUMÁRIO

Conselheiros:

Gilberto Rezende

Haroldo da Costa S.

Departamento de Comunicação e Marketing:

Armênio Soares

Maria Vitória Oliveira

revistanossospassos@gmail.com

Jornalista Responsável:

Maria Vitória Oliveira

ESPM: 8101/87

AIRJ: 10059-82

Diagramação e Artes:

Agência RHercos

Tel.: (21) 3576-5580

rhercos@rhercos.com.br

www.rhercos.com.br

Tiragem e Prioridade:

2.000 Exemplares

Mensal

Expediente da Secretaria:

De segunda a sexta-feira, das 9h às 18h

Telefones: Secretaria - 2493-8973 e 2486-0917

Ambulatório - 2491-8509

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA NOS PONTOS DIRI-

GIDOS. VENDA PROIBIDA.

A Revista Nossos Passos é uma publicação da Paróquia

São Francisco de Paula e respeita a liberdade de expressão.

As matérias, reportagens, artigos e anúncios

são de total responsabilidade de seus signatários.

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CLASSI. SAÚDE ENSAIO MATÉRIA DE CAPA

ARTIGOS

NOTÍCIAS

Harvard: Missa é “remédio para melhorar a saúde

física e mental”

p. 06

Bispo irlandês pede a profissionais da saúde que

resistam diante de lei do aborto

p. 07

Sobre a Doutrina do Purgatório, tão esquecida

mas tão importante para nossos dias

p. 08

Hugo de São Vitor, o monge, e o intelectual do

século XXI

p. 12

Maria Mãe de Deus (Theotokos)

p. 16

Da Ideologia

p. 19

Impulsividade: Com Reconhecer e Como Tratar

p. 26

Classificados Nossos Passos

p. 30


4 JANEIRO/ 2019

EDITORIAL

SOB NOVOS PASSOS

EXPEDIENTE

PAROQUIAL

A nossa querida revista Novos Passos está

passando por grandes mudanças. Para atender a

necessidade de abastecer nossa comunidade com

uma cultura superior, a Nossos Passos mudou.

Mudou para a melhor. O católico

moderno carece de uma identidade cultural

elevada. Em um Brasil cada vez mais deficitário

educacionalmente, assumimos a missão de suprir

essa demanda em nossas publicações.

A Civilização Ocidental foi construída pela

Igreja Católica sob o evangelho de Jesus Cristo,

durante séculos os inimigos da Santa Igreja

tentaram mutilar e subverter os ensinamentos

sagrados. Mesmo depois de todos esses anos,

a Igreja resiste, pois, a cultura católica é um

elemento civilizacional incorruptível.

A Nossos Passos vem com um novo modelo

editorial, apresentando artigos e ensaios cujo

objetivo é resgatar todos esses valores atemporais

que hoje são demonizados pelas ideologias

modernas e anticristãs.

O homem de fé também precisa alimentar

o imaginário com coisas boas e absorver uma

cultura perene e de elevado padrão.

Pároco:

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Padres:

Frei Zezinho - Vigário (Pe. José Antônio de Lima)

Frei Dino (Pe. Costantino Mandarino)

Igreja Santa Teresinha

Praça Desembargador Araújo Jorge, s/n

Largo da Barra

Capela São Pedro - Ilha da Gigóia

R. Dr. Sebastião de Aquino, nº 90 A

HORÁRIOS DAS MÍSSAS

Paróquia São Francisco de Paula:

De Segunda a sexta-feira: 7h30m e 19h.

Sábado: 17h (crianças) e 19h.

Domingo: 7h30; 10h; 17h e 19h (jovens).

Barramares:

Quarto domingo do mês, às 17h.

Capela São Pedro (Ilha da Gigóia)

Domingo, às 9h.

Santa Teresinha:

Domingo às 19h30h

GRUPOS DE ORAÇÃO

Paróquia São Francisco de Paula

Quarta-feira, às 15h: quinta-feira, às 20h.

TERÇO DOS HOMENS

Santa Teresinha

Toda terça-feira do mês, às 20h

ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Paróquia São Francisco de Paula:

Quinta-feira, o dia todo.

Santa Teresinha

Primeira quinta-feira do mês, às 20h.

NA PARÓQUIA

Confissões:

De terça-feira, das 9h às 11h e das 15h às 17h:

Domingo, antes das missas.

Hora Santa Vocacional

Primeira sexta-feira do mês, às 17h30m.

Inscrições para batizados:

Segunda-feira, das 18h30m às 19h30m:

Quinta-feira, das 15 às 17h

Ambulatório Médico

De seg a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13 às 17h

Frei Evelio de Jesús Muñoz

Pároco

Assistência Jurídica

Quarta-feira, às 15h

Assistência Psicológica

Quarta-feira, das 9 às 11h

Mediação Comunitária

Terças e sextas-feiras das 9h às 12h e das 14h às 20h.


NOSSOS PASSOS

5

Escola de Música

Santa Cecília

Paróquia São Francisco de Paula

Pároco

Frei Evélio de Jesus Muñoz

Direção

Diácono Vicente Arruda

Coordenação

Júlio Moura e Maria Lopes


6 JANEIRO/ 2019

NOTÍCIAS

Harvard: Missa é “remédio para melhorar a saúde física e mental”

O professor de epidemiologia na Universidade de Segundo a mesma linha de pensamento, VanderWeele

e Siniff sinalizam que adultos que vão à Missa

Harvard, Tyler J. VanderWeele e John Siniff atuante

na área de comunicação publicaram um artigo pelo menos uma vez por semana “apresentam um

intitulado “A religião poderia ser um medicamento

milagroso”, no jornal americano USA Today. em comparação aos que não possuem esse

risco menor de morte na próxima década e meia”

costume.

O artigo demonstra resultados de um estudo feito

por VanderWeele em 2016 com título “Association

between religious service attendance and lower suicide

rates among US women”, publicado na revista

JAMA Psychiatry da Associação Americana de Medicina,

concluiu que “a participação em atividades

religiosas está associada com uma taxa significativamente

mais baixa em suicídios”. VanderWeele deixa

claro que “a saúde e religiosidade são próximas”.

Ambos relatam também que a participação comunitária

em virtude da fé potencializa resultados de

uma boa saúde. A Missa, segundo eles pode oferecer

uma mensagem de esperança e fé o que reduz o efeito

de pensamento negativos ou sentimentos ruins.

Fonte:

VanderWeele, T.J and Sniff, J., Religion may be

a miracle drug. USA Today, Oct. 28, 2016


NOSSOS PASSOS

7

NOTÍCIAS

Bispo irlandês pede a profissionais da saúde que resistam

diante de lei do aborto

O Bispo de Elphin (Irlanda), Dom Kevin Doran,

pediu aos médicos, enfermeiras e farmacêuticos

fundamental de que os cidadãos devem obedecer

a uma lei justa, mas neste caso é uma lei injusta

e, portanto, não tem força moral”, indicou

o Bispo de Elphin.

que “resistam” e “permaneçam unidos” para fazer

frente à nova lei do aborto que o Senado debate

esta semana.

Ao fazer isso, disse, será evitado que digam coisas

como “ensinaremos que isso (o nascituro) é

A lei de regulação de término da gravidez não

apenas um aglomerado de células” ou “isso está

certo porque a lei o diz”.

tem força moral e “os católicos não são obrigados

a obedecê-la”, disse o Prelado em declarações

ao jornal ‘Irish Independent’.

Além disso, comentou que os farmacêuticos

“precisam ter coragem” para não fazer parte da

Disse o Bispo, “apoiam totalmente o direitos dos

médicos, enfermeiras e obstetras não só a não

produção de remédios abortivos e os chamou a

não se envolver nisso.

fazer abortos, mas também a que não lhes seja

exigido que encaminhem seus pacientes a outros

profissionais”, embora isso lhes gere problemas

legais.

Fonte:

ACI Digital, Bispo irlandês pede a profissionais

“Devemos dizer que defendemos o pressuposto

da saúde que resistam diante de lei do aborto,

11 Dez. 18.


8 JANEIRO/ 2019

Sobre a Doutrina do Purgatório, tão esquecida

mas tão importante para nossos dias.

Douglas K. Bertelli

Advogado em Brasília

“Felizes as almas que tiverem passado

grande parte do seu purgatório na terra,

mediante a aceitação generosa das

contrariedades quotidianas. Graças aos

múltiplus sacrífícios de todos os dias,

alcançarão um amor puro e perfeito,

e é por ele que serão julgadas.” (Padre

Reginal Garrigou-Lagrange, O Homem

e a Eternidade).

Pouco se fala hoje dia a respeito da Doutrina do

Purgatório no meio cristão. E o pouco que se

fala por vezes é falso ou incompleto. Tal situação

tem gerado erros e omissões e nada melhor do

que o ensino da Tradição da Igreja para trazer luz

às presentes trevas.

O Magistério da Igreja, firmado nas Sagradas

Escrituras e na Tradição, é claro ao afirmar que

a Igreja, o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus

Cristo, coexiste em três estados: Trifunfante, consistente

nos fiéis mortos que já desfrutam da visão

beatífica de Deus, ou seja, estão no Céu; Militante,

que consiste nos fiéis vivos nesta terra que lutam

pela salvação e conversão diária através do uso dos

Santos Sacramentos; e Padecente, ou parte da Igreja

que, embora salva e santa, ainda não expiou totalmente

a pena pelo seu pecado.

Após a morte, segue-se para toda pessoa seu

juízo particular (carta aos Hebreus, IX, 27). A alma

que tenha falecido em estado de graça, ou seja, absolvida

plenamente da culpa seus pecados pelos

Sacramentos da Confissão e da Santa Comunhão,

encontra-se salva. Todavia, a depender da expiação

feita de seus pecados ainda em vida, poderá ter ou

não que padecer um fogo semelhante ao do Inferno

(pois em bem menor intensidade e com a garantia

da salvação), por certo tempo e para que se purifique

de seus pecados veniais e das consequências de

seus pecados mortais absolvidos.


NOSSOS PASSOS

Deus é Amor e Misericórdia. Mas também

é um Deus Justo e Santíssimo, e para adentrar ao

estado de perfeição por Ele exigido (Céu), é necessário

que toda falta cometida em vida tenha sido

expiada. Diz o Catecismo Romano de Sao Pio V

sobre o Purgatório: “Há também um fogo de expiação,

no qual por certo tempo se purificam as almas

dos justos, até que lhes seja franqueado o acesso da

Pátria Celestial, [lugar] onde nada de impuro pode

entrar.” (Cap. VI, III, 3, b).

São Gregório, o Grande, Intercedendo

por Almas no Purgatório

(Giovanni Odazzi | 1663–1731)

As almas que padecem no Purgatório são,

portanto, almas justas, e portanto salvas. Eis

porque são também chamadas Santas Almas do

Purgatório. Há inúmero relatos na literatura da

Igreja de Santos e até Papas (p. ex., Inocêncio III,

falecido em 16 de julho de 1216), que passaram

pelo Purgatório. Inclusive conta-se que Santa

Teresa d’Ávila, doutora da Igreja, precisou fazer

uma genuflexão no Purgatório pois, apesar de

santa e de estar vivendo na sétima morada espiritual,

deixou uma vez de se ajoelhar diante do

Santíssimo.

Apesar do sofrimento pelo fogo expiador,

as Santas Almas purgam suas faltas com esperança

e são constantemente consoladas pelos

Anjos, Santos (como São Nicolau de Tolentino,

padroeiro das almas do Purgatório) e, é claro,

por Nossa Senhora. Eis aí a importância também

da oração do Santo Rosário, mediante a qual

podemos oferecer preces à Igreja Pacedente no

Purgatório. Outra importante oração fora revelada

por Nosso Senhor à Santa Gertrudes, beneditina,

mística e teóloga alemã do século XIII, e

que é utilizada na oração do Santo Rosário após

o Pai-Nosso:

“Eterno Pai, Ofereço-Vos o Preciosíssimo

Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união

com todas as Missas que hoje são celebradas em

todo o mundo; por todas as Santas almas do purgatório,

pelos pecadores de todos os lugares, pelos

pecadores de toda a Igreja, pelos de minha

casa e de meus vizinhos. Amém!”

As almas que se encontram nesse estado

pouco podem fazer para que sejam dele libertas,

já que com a morte se encerra a misericórdia divina.

Todavia, sendo a Igreja um Corpo, exige-se

que a parte Militante, o Corpo Místico de Cristo

na Terra, ofereça constantemente sacrifícios em

favor dessas almas, sendo o mais perfeito deles

o Santo Sacrifício da Missa. Eis porque a Igreja

dedica todo um mês (o de Novembro) para que

venhamos em socorros das pobres almas que padecem

esse fogo de expiação. Todavia, durante

todo restante do ano podemos – e devemos – nos

lembrar dessas pobres almas, já que é um grande

ato de caridade rezar pelas almas santas que dependem

da Comunhão dos Santos da Igreja para

serem libertas:

“Muitíssimo grata me é a oração pelas almas

do Purgatório, porque por ela tenho ocasião de libertá-las

das suas penas e introduzi-las na glória

eterna”. (revelação privada de Nosso Senhor à

Santa Gertrudes, quando estava rezava com fervor

pelos falecidos).

A Doutrina do Purgatório foi fortemente

atacada pela revolta protestante de Lutero e seus

seguidores, pois a heresia do sola fide (somente

a fé) excluiu qualquer obra meritória na santificação

– e consequente salvação – da alma humana.

Ao negar a santificação nega-se obviamente a

existência do Purgatório como estado necessário

para purificação da alma.

9


10 JANEIRO/ 2019

Outro ponto esquecido da Doutrina do

Purgatório se refere à possibilidade de expiarmos

nossas falsas ainda nessa vida, o que se

pode chamar de via purgativa pré-morte. Muitas

vezes sofremos – seja por causa de nossos pecados

seja por motivos que desconhecemos no

momento – e entramos em desespero, achando

que não somos amados por Deus e que estamos

sendo injustamente castigados quando nos sobrevém

uma doença, a morte de um parente

querido, um desemprego etc.

Todavia, Deus corrige o filho a que ama e

muitas vezes o faz pela via do sofrimento com

um propósito maior do que podemos enxergar

de imediato. É sinal de maturidade suportar

com resigno tais dores, e melhor ainda quando

podemos oferecê-las a Deus pela expiação de

nossas falhas ou em favor de alguém, vivo ou

morto, que amamos. Tendo consciência desse

objetivo certamente suportaremos as adversidades

e contradições dessa vida com paciência

e amor:

“Com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer

contrariedades e padecer injustamente, por motivo

de consciência para com Deus. Que mérito teria

alguém se suportasse pacientemente os açoites

por ter praticado o mal? Ao contrário, se é por ter

feito o bem que sois maltratados, e se o suportardes

pacientemente, isso é coisa agradável aos

olhos de Deus. Ora, é para isso que fostes chamados.

Também Cristo padeceu por vós, deixando-vos

exemplo para que sigais os seus passos.”

(Carta de São Pedro, II, 19-21).

“[…] a purificação passiva dos sentidos e do

espírito, descrita por São João da Cruz, deve ser

feita, tanto quanto possível, na vida terrena com

mérito, para que não seja necessário sofrê-la sem

mérito, depois da morte. E, portanto, devemos

aceitar generosamente, por amor de Deus, as

contrariedades da vida presente; se assim for, a

reparação far-se-á com mérito e aumento de caridade,

de maneira a obter no céu uma visão de

Deus mais penetrante e um amor a Deus mais

intenso e mais forte para a eternidade. Mas, de

facto, as almas que conseguem escapar do purgatório

são, decerto, muito poucas pois foi revelado

a Santa Teresa que, dos muito bons religiosos

que ela tinha conhecido, só três o tinham

evitado completamente”. (Idem, O Homem e a

Eternidade).

Entender melhor, portanto, a Doutrina do

Purgatório pode ajudar muitos cristãos a superarem

a dor de seus sofrimentos, oferecendo ela

a Deus, o justo e misericordioso Juiz das Almas.

Aceitar as contradições por que passamos como

O padre Reginald Garrigou-Lagrange, em

seu livro O Homem e a Eternidade (recém publicado

no Brasil pela editora Ecclesiae), faz

um excelente estudo sob essa perspectiva:

“Felizes as almas que tiverem passado grande

parte do seu purgatório na terra, mediante a

aceitação generosa das contrariedades quotidianas.

Graças aos múltiplos sacrifícios de todos os

dias, alcançarão um amor puro e perfeito, e é por

ele que serão julgadas.” (Padre Reginal Garrigou-Lagrange,

O Homem e a Eternidade).

São Miguel chegando para salvar almas

no purgatório

(Jacopo Vignali | Século XVII)


NOSSOS PASSOS

Providência divina para nosso aperfeiçoamento

é um ato de Fé e de Amor à Divina Providência,

o qual certamente será recompensado mediante

a redução do tempo destinado à alma no Purgatório,

seja o nosso, seja do nosso próximo.

Por fim, além de rezar em favor das Santas

Almas do Purgatório e padecer com elas sacrifícios

que resultam também em nossa santificação,

delas também podemos pedir a intercessão,

como fazemos com os Santos e Anjos

conhecidos. O Santo Cura d’Ars, São João-Maria

Batista Vianney, ensinava que “se soubéssemos

como é grande o poder das boas almas do

Purgatório (em nosso favor) sobre o Coração de

Jesus, e se soubéssemos também quantas graças

poderíamos obter por intercessão delas, é certo,

não seriam tão esquecidas”.

Enquanto vivos, portanto, podemos nos

valer de inúmeros meios fornecidos pela Igreja

para crescermos em amor e santidade, tanto

para conosco como em favor do nosso próximo.

Esse é o sentido da Comunhão dos Santos,

que por vezes sabemos apenas o trecho que recitamos

decor do Credo quando participamos

Santa Missa, mas esquecemos das implicações

práticas e relevantes que tal ensino pode ter

em nossa vida diária.

Sejamos, assim, amorosos com os que

padecem nesta e na outra vida, rezando sempre

e, quando possível, oferecendo algum tipo

11

de sacrifício (jejum, esmola ou oração) em

seu favor. Não nos esqueçamos também que a

Santa Missa, o Santíssimo Sacramento divino

e curativo deixado por Deus na Terra, sempre

será o meio mais eficaz para expiação das faltas

humanas, tanto as nossas como as dos nossos

próximos já falecidos.

Com efeito, peçamos constantemente a

intercessão dos Santos (como São Nicolau de

Tolentino, padroeiro das santas almas) e Anjos

em favor das Santas Almas do Purgatório,

as quais também intercedem por nós aqui em

vida, sendo esse o sentido verdadeiro e pleno

da Comunhão Universal da Igreja, seja ela

Triunfante, Militante ou Padecente.

Referências:

Bíblia Ave-Maria.

Catecismo da Igreja Católica de São João Paulo II

Catecismo Romano de São Pio V

O Homem e a Eternidade, do padre Reginal Garrigou-Lagrange

(edição portuguesa pela Editorial

Aster

Tratado do Purgatório, de Santa Catarina de Gênova

Noite Escura da Alma, de São João da Cruz.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas do Purgatório,

de Monsenhor Ascânio Brandão.

https://padrepauloricardo.org/blog/o-papa-que-

-veio-do-purgatorio-para-pedir-oracoes-a-uma-

-santa.


12 JANEIRO/ 2019

Hugo de São Vitor, o monge,

e o intelectual do século XXI

Lucas Fonseca dos Santos

Escritor em Soliloquios Filosofia

https://soliloquiosfilosofia.blogspot.com

Da Abadia de São Vitor, no século XII, até

nossos dias, os estudantes das chamadas

“humanidades” tem muito a agradecer ao Abade

Hugo, que foi um dos maiores educadores que

o período da baixa idade média nos legou, e que

soube sistematizar um plano completo da educação

do homem de letras — humanas e divinas.

É particularmente intrigante para um homem

de nosso tempo que o tratamento que

Hugo dá ao filosofo — em sua obra magistral

Didascalicon — , tratando-o como um sinonimo

quase perfeito do monge, que recluso

em sua cela do mosteiro, vive numa vida de

abnegação e oração, penitencia e contemplação,

temperança e disciplina, e assim é capaz

de se dedicar aos altos estudos. Este ideal de

formação moral e espiritual do sábio cristão

na educação — que Werner Jaeger chamou

de Paideia Christi ao tratar do surgimento do

ideal nos Santos Padres — é válido ainda hoje

para toda e qualquer pessoa que, tendo a vocação

intelectual e a graça da fé católica, busca

crescer em sabedoria, ser educado pelo Logos

Divino e dar frutos. É neste mesmo tom que

A.D. Sertillanges, em um de seus mais célebres

livros, clama o intelectual a cultivar a virtude

do silêncio, do recolhimento, da meditação da

verdade:

“Querem os senhores compor uma obra

intelectual? Comecem por criar em seu interior

uma zona de silencio, um hábito de recolhimento,

uma vontade de despojamento, de desapego,

que os deixem inteiramente disponíveis para a

obra; adquiram esta disposição das faculdades

mentais isenta do peso de desejos e de vontade

própria, que é o estado de graça do intelectual.

Sem isso, não farão nada, em todo caso, nada

que valha.” A educação do intelectual cristão

tem então como pressuposto uma prévia educação

moral e espiritual, uma submissão ao Logos

Divino que se fez carne e habitou entre nós. Uma

submissão que muito distante de nos restringir

intelectualmente, abre horizontes que só podem

ser vistos sob a luz da fé: é o mesmo Sertillanges

que recorda que“ razão tem por ambição apenas

um mundo; a fé lhe da a imensidão” ( p. 18).

E entre esses pressupostos morais e intelectuais,

Hugo põe em primeiro lugar — em seu Opusculo

Sobre o Modo de Aprender e Meditar — a

humildade.


NOSSOS PASSOS

Hugo de São Vitor, como o bom monge que

foi, coloca a humildade no principio do aprendizado.

A humildade é assim em razão da atitude

que o que o possuidor dessa virtude tem diante

da realidade que o cerca: é uma virtude que traz

um realismo quanto a sua condição, a humildade

é a condição do amante da sabedoria que, mesmo

sendo Sócrates, sabe apenas que nada sabe. Ou

melhor dizendo, é a condição daquele que quanto

mais conhece, mais descobre o quanto ainda falta

conhecer, o quão inesgotável é o conhecimento

das coisas, e o quanto devemos prescrutar a realidade

com diligência e ardor, mesmo sabendo que

nunca a esgotaremos (Santo Tomás diz que não

somos capazes de esgotar a inteligibilidade nem

mesmo de uma mosca). Essa atitude se faz necessária

justamente porque :

“…a verdade total esconde-se de nós, porque

quanto mais nosso espirito arda de amor, e quanto

mais profunda se torne a busca pela verdade, mais

difícil sua compreensão plena.” (Hugo de São Vitor,

Didascalicon)

A humildade, que lembra a condição de pó e

terra (humus), na verdade é a condição de possibilidade

para qualquer pretensão de ascender

moral e intelectualmente. Inicia por ser uma virtude

do homem realista (não no sentido moderno,

pessimista), que conhece bem a si mesmo e a

suas misérias; um homem que, quando possuidor

dessa virtude, pode repetir o ponto do Caminho,

de São Josemaria Escriva: “Tu?… Soberba? — De

quê? (Caminho, 600).

A humildade é também uma

postura de submissão, em certo

sentido. E por isso Sertillanges, ao

tratar da necessidade da virtude

da laboriosidade no intelectual,

diz que “a verdade só se mostra

aos seus servos”, àqueles que se

submetem à verdade conhecida,

e que como no ditado popular,

vem na verdade conhecida

uma verdade a ser obedecida.

13

Obviamente, fica muito

mais claro o sentido de humildade

no Opúsculo quando recordamos

uma passagem das Escrituras — que

com certeza acompanhava os monges da abadia

de São Vitor — que diz que “o temor do Senhor

é o principio da Sabedoria (Prov. 9,10)”;

por isso, a sabedoria tem um caráter sacro, e

a investigação intelectual será um prescrutar

das pequenas verdades que tem sua fonte na

Verdade Eterna, que faz do sábio, do filósofo

e do amante da sabedoria em geral um teófilo,

alguém que encarna em sua vida o primeiro

mandamento de amar o Senhor Deus de todo o

coração, com toda a alma, com todas as forças e

com toda a inteligencia.

O adágio tomista de que “todas as coisas,

tendendo a seus próprios fins e perfeição, tendem

a Deus, que é o Fim Último e Suprema

Perfeição” é um modelo que inspira a investigação

das realidades criadas como referentes

também a teologia, e por isso, a humildade exigida

ao estudante não é só algo interior, mas

também uma atitude em relação à realidade

exterior. Para estes — que certamente ficariam

escandalizados com os delírios desconstrucionistas

contemporâneos — , nós não criamos a

realidade, mas sim, nos submetemos a ela. A

filosofia medieval — tachada de “teocentrica

demais” — parece portanto ser menos “teocentrica”

que a visão contemporânea dos seres

humanos como pequenos deuses criando a realidade

social, ontológica, moral, etc. Há um realismo

muito grande; não criamos a realidade,

nos submetemos a ela. E a virtude que nos dá

essa capacidade é a humildade.

Diferentemente de alguns fideísmos

protestantes e dos sentimentalismos

contemporâneos dentro da teologia,

Hugo vê no estudo da sabedoria não

um empecilho para a vida espiritual,

mas sim uma forma de ascender

cada vez mais. Assim como dirá

Santo Tomas nos primeiros capítulos

da Suma Contra os Gentios um

século depois, o Abade de São Vitor

também vê o genuíno filósofo como

sinônimo do teófilo, daquele que

ama a Deus, e vê no estudo da sabedoria

uma aproximação Daquele

que criou tudo com sabedoria.


14 JANEIRO/ 2019

Tendo explicado a importância da vida

moral e espiritual na vida do intelectual cristão,

podemos avançar na importância que

Hugo dá ao estudo das artes liberais para o desenvolvimento

do estudo das disciplinas mais

altas e nobres (Teologia Sagrada; mais especificamente,

o estudo das Sagradas Escrituras).

Como o mestre que escreve para iniciantes,

em seu Didascalicon expõe três preceitos

prévios quanto a leitura (que como veremos,

é princípio da doutrina): (i) Saber o que devemos

ler; (ii) a ordem com que devemos ler e

(iii) como devemos ler.

Quanto ao primeiro, diz respeito à importância

de se escolher bem os livros a serem

lidos, principalmente em uma era onde muitos

livros supérfluos são publicados e que nos fazem

perder um bom tempo que poderíamos

usar lendo os realmente importantes, os que

vão nos auxiliar nos estudos mais nobres e os

próprios estudos sagrados. Esse conselho preliminar

do Didascalicon — que pode parecer

restritivo — parece se contrapor ao conselho

do mesmo autor no Opusculo Sobre o Aprender

e Meditar, de que não se deve desprezar e

nem tratar qualquer escrito como vil. Mas é

claro que, como um bom escolástico faria, precisamos

fazer certas distinções que farão claras

as coisas.

O estudante deve ter uma certa atitude

de abertura perante a realidade, perante

os conhecimentos; e aqui, Hugo cita o

ensinamento paulino “provai de tudo, ficai

com o que é bom” (Ts 5,21), que é uma amostra

dessa atitude. De fato, também Sertillanges usa

a analogia do garimpo e da peneira para fazer

visível: o intelectual (e no caso do opúsculo,

o estudante) deve saber extrair da lama a sua

melhor substancia, saber tirar dos pedregulhos,

areia, galhos, o que de ouro se oculta nestes,

mesmo que seja pouco. Obviamente isso não é

um incentivo a vã curiosidade, prejudicial ao

progresso intelectual, mas sim uma atitude que

deriva diretamente da virtude da humildade.

Ao descobrir nossa situação, de forma

realista, e o quanto não sabemos e precisamos

ainda aprender, adquire-se uma posição

de aprendiz, que ligado ao primeiro conselho,

busca aprender de todos, sem distinção — de

tudo é possível fazer o “garimpo” e retirar o

minimo que seja de ouro.

Não é absurdo supor que o Mestre de

São Vitor — ao aconselhar no inicio de seu

Opúsculo: “não ter como vil nenhuma ciência

e nenhuma escritura” — não podia imaginar

como as livrarias e bibliotecas de hoje

estariam tão cheias, mas ao mesmo tempo tão

vazias. Nem sequer se passava por sua mente,

que um dia os livros não seriam mais tão

difíceis de serem encontrados, e que os livros

clássicos — tratados em sua época como tesouros

— seriam hoje abandonados pela nova

moda “literária”(utilizando aqui uma analogia

imprópria ao chamar o que vemos hoje de literatura)

de cada mês.


NOSSOS PASSOS

Bem, mas não é muito útil saber quais

livros devem ser lidos se não se sabe qual a

ordem da leitura. Bons livros, quando lidos

fora da ordem (cronológica, de complexidade,

de importância para a disciplina), podem

causar mais confusão e prejudicar mais o

crescimento intelectual do que simplesmente

não ler nada. Por essa razão, a ordem de ler os

livros essenciais é extremamente importante

para o estudante.

15

Sabendo o que ler e a ordem dessas leituras,

devemos saber como ler cada uma delas

e tirar o melhor proveito de cada uma para o

avanço nos estudos. Alguns livros irão exigir

uma leitura mais meditada por sua densidade,

outros, nem tanto. Alguns levarão tempo

para um bom fichamento, em outros talvez

não seja necessário que seja feito. Alguns precisarão

ser relidos (e estes são geralmente os

mais relevantes), outros servirão apenas para

mapear um debate mais amplo dentro do objeto

do estudo. Sobre o modo de ler, o próprio

livro há de impor ao estudante, que irá com

o tempo descobrindo a maneira mais fácil de

aprender e reter na memória o aprendido, ordenando

o mais importante a ser memorizado

e conectando as diversas impressões que podem

haver em comum com outros estudos.

Estes parecem ser alguns conselhos úteis

àqueles que são buscam cultivar uma vida intelectual,

vindos diretamente do distante século

XII até nós. E mesmo que pareça haver

uma disparidade entre esses tempos, a substancia

dos conselhos de Hugo permanece intacta

para o homem contemporâneo; ainda

hoje o que cultiva a vida intelectual ainda é

tido por louco por seu silencio, por sua disciplina,

por sua conversa silenciosa, sua grande

— e por vezes solitária — conversa com os gigantes

do passado, etc. Mas a todos estes que

o tem por louco, a resposta do Mestre de São

Vitor permanece valorosa:

“…alguém poderia se dirigir a um filósofo

dizendo: ‘tu não vês como os homens zombam

de ti?’ E, em resposta ele diria: ‘sim, eles zombam

de mim, mas deles zombam os asnos’.” (Didascálicon

— A Arte de Ler).


16 JANEIRO/ 2019

Maria Mãe de Deus

(Theotókos)

A

Igreja Católica celebra no primeiro dia de

cada ano (1º de Janeiro) a Solenidade de

Maria Mãe de Deus. Esta festa Mariana começou

a ser celebrada em Roma no sexto século,

possivelmente junto com a festa da dedicação

do tempo “Santa Maria Antiga” a qual é uma

das “primeiras” igrejas romanas.

A antiguidade desta celebração mariana é

testemunhada das pinturas encontradas com o

nome de “Maria Mãe de Deus” nas Catacumbas

em Roma onde se reuniam os primeiros

cristãos no tempo perseguições. Segundo um

antigo escrito encontrado do III século, os

cristãos do Egíto dirigiam a Maria esta oração:

“Á vossa proteção recorremos, Santa Mãe

de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em

nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de

todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”.

Frei Evelio de Jesus Muñoz

Já ao final do século IV, Theotokos se usava

com mais frequência seja em oriente que em

Ocidente, o que indicava que era já patrimônio

da fé do povo de Deus. No ano 1931, o Papa Pio

XI, por ocasião do décimo quinto (XV) centenário

do Concilio de Éfeso celebrado no ano

431, instituiu a Festa Mariana para ser celebrada

cada 11 de outubro em lembrança deste

Concilio, no qual se proclamou solenemente

Santa Maria como verdadeira Mãe de Cristo,

verdadeiro Filho de Deus. Na última reforma

do calendário litúrgico após do Concilio Vaticano

II, começou a se celebrar no dia 1º de

janeiro a Solenidade da Santa Maria Mae de

Deus. Assim, esta festa Mariana se encontra

em sintonia com toda a Liturgia adequada

ao tempo de Natal do Senhor e permitindo a

todos os cristãos que iniciem sempre o novo

ano baixo a Proteção da Mãe Maria.


NOSSOS PASSOS

São Cirilo de Alexandria foi o maior

defensor da maternidade de Maria. Havia muito

tempo que o título “Mãe de Deus” era estava

nos lábios e na alma do povo, quando Nestorio

que era patriarca de Constantinopla colocouse

contra. Cirilo por sua vez era o patriarca

de Alexandria desde o ano 412 e também era

uma alta autoridade em matéria de doutrina

do Oriente, obteve do Papa Celestino durante

o Concilio de Éfeso (431) a condenação de

Nestório.

Na serrada disputa contra Nestório, Cirilo

de Alexandria escreveu um texto, nas vésperas do

Concilio de Éfeso, aos monges no Egíto falando

sobre a beleza da afirmação dogmática de Maria

como Mãe de Deus e também para lhes alertar

sobre a heresia de Nestório. Cirilo diz que Maria

é Virgem Mãe de Deus. Que Maria deu à luz a

Jesus Cristo, Deus vivo, e consequentemente a

Virgem deve ser chamada Mãe de Deus. Cirilo

fala com convicção e cita o seu venerável e

predecessor Atanásio que durante muito tempo

se opôs as intervenções dos heréticos com

invencível sabedoria digna dos apóstolos. Cirilo

diz que “a Sagrada Escritura faz da pessoa do

Salvador duas vezes testemunho. Por uma

parte Ele é o Deus eterno, o Filho e o Verbo, o

esplendor e a sabedoria do Pai; por outra parte,

nos últimos tempos e para a nossa salvação

se encarnou da Virgem Maria, Mãe de Deus

e se fez homem”. Por outra parte, a Escritura

divinamente inspirada, declara que o Verbo se

fez carne, ou seja, se uniu a uma carne.

O concilio de Nicéa ensina que o mesmo

Filho único de Deus, gerado da mesma

substancia do Pai, por quem tudo foi feito, e

que tudo subiste por ele e que a causa da nossa

salvação desceu dos céus e se encarnou se fez

homem, sofreu, morreu e ressuscitou e um dia

voltará como juiz. O Concilio diz que o Verbo

de Deus é o único Senhor Jesus Cristo, o Verbo

vivo, gerado e da mesma substancia de Deus Pai

e que existe desde a eternidade.

17

Afirma Cirilo de Alexandria que na

continuidade dos tempos o Verbo se fez carne, ou

seja, uniu-se a uma carne que possuía uma alma

racional (Maria) por isso pode se dizer que nasceu

de uma mulher segundo a carne.

Mãe de Deus (Theotokos) não significa que

Maria exista em qualquer modo antes de Deus. Os

irmãos separados tendem a ironizar os católicos

afirmando que nesse caso Maria haveria criado

Deus. Mãe de Deus indica que Maria deu à luz

a Jesus, que é verdadeiro Deus e verdadeiramente

humano. Mãe que há gerado no seu ventre o mesmo

Deus na pessoa de Jesus. Por isso a Maternidade

divina de Maria refere-se somente a geração

humana do filho de Deus, e não a sua geração

Divina. De fato, o Catecismo da Igreja Católica

afirma: “Com efeito, aquele que ela concebeu como

homem pela ação do Espírito Santo e que se tornou

verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é

outro que Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da

Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é

verdadeiramente Mãe de Deus” (CIC, n. 495). Em

outras palavras, o Filho de Deus é gerado desde

sempre por Deus Pai e é consubstancial ao Pai. Por

isso, é claro que nessa geração eterna, Maria não

interveio para absolutamente nada. Mas o Filho

de Deus, há mais de dois mil nãos, tomou a nossa

natureza humana e então Maria o concebeu no seu

ventre dando-lhe à luz.

Lembremos que Maria não somente é Mãe

de Deus, mas é também a nossa Mãe por vontade

expressa de Jesus aos pés da Cruz do seu Filho. Por

isso, ao começarmos este novo ano 2019 peçamos

a Maria que interceda por esta terra de Santa Cruz

para que assim saibamos ser verdadeiros cidadãos

nestes pais e nos ajude a nos tornarmos cidadãos

dos céus.

Referências

W. Beinert - Novo Léxico da Teologia Dogmática

Católica. Ed. Vozes 2014.

Catecismo da Igreja Católica


18 JANEIRO/ 2019


NOSSOS PASSOS

19

ENSAIO

DA IDEOLOGIA

Vitor Matias

Escritor no grupo de estudos filosóficos Contra os Acadêmicos

É apenas à ignorância que se devem debitar

tais coisas, ou aliam-se a ela a má fé e segundas

intenções? Será produto de uma deficiência do

espírito, ou obedece a uma intencionalidade

que não pode ser confessada?[1].

Há algum tempo, o termo ideologia vem sendo

evocado em discussões de cunho político,

notavelmente desde o advento das grandes manifestações

e das simultâneas crises governamentais

desde 2013. A partir disso, especialmente entre

os jovens envoltos num mar de suposta responsabilidade

política e assediados por partidos em

busca de influência, inicia-se a corrida ideológica

e a proliferação de vários centros e grupos de

“estudo” em busca de uma razão para acreditar

que o país ainda pode salvar-se. O tempo passou,

e após certo período de instabilidade, outro

problema surgiu: o embate entre os membros de

vários grupos e o crescimento da agressividade

entre os normalmente menos habilitados a falar

sobre alguma coisa, carinhosamente apelidados

de pão-com-ovo pela direita e mortadela pela esquerda.

Ideologias e seus tentáculos à parte, este

não é um tema novo, embora o Brasil normalmente

seja atrasado até neste tipo de discussão.

Ideologia é um termo cunhado até onde se

sabe na época de Napoleão Bonaparte, e significava

um sistema de idéias abstratas que busca

o aperfeiçoamento da sociedade (direcionado

pelo gosto dos governantes). John Adams

(1735-1826), com razão, chamou-a de “ciência

da idiotice”. Mais tarde, Karl Marx (1818-1883)

associou o termo à expressão dos interesses de

uma determinada classe, definidos segundo sua

relação com a economia. Sendo assim, ideologia

é apenas uma apologia de interesses. Dentro

do sistema materialista, a ideologia nos termos

marxistas é a máscara perfeita para a política.

Falamos de um sistema que interpreta a realidade

com o fim de confortar o homem e não

de descobrir a verdade. Como sistemas não metafísicos,

as escolas de pensamento derivadas do

materialismo negam a verdade enquanto absoluta

e transcendente, e tendem a colocá-la como uma

espécie de conluio – este que dá a validade objetiva

da verdade nesse sistema – e ela não faria mais

que favorecer as classes dominantes. Não há fatos,

apenas interpretação ideológica; não há verdade,

apenas os interesses de classe. Este ponto foi bem

observado por Russel Kirk (1918-1994):


20 JANEIRO/ 2019

“Kenneth Minogue, no livro Alien Powers:

The Pure Theory of Ideology [Poderes Estrangeiros:

A Teoria Pura da Ideologia], utiliza o termo “ideologia”

para “denotar qualquer doutrina que apresente

a verdade salvífica e oculta do mundo sob a

forma de análise social. É característica de todas

essas doutrinas a incorporação de uma teoria geral

dos erros de todas as outras.” Essa “verdade salvífica

e oculta” é uma fraude – um complexo de “mitos”

artificiais e falsos, disfarçado de história, sobre

a sociedade por nós herdada.”[2]

“Ideologia é um

construto teórico

ilusor que direciona

seus fins à reforma da

sociedade segundo

sua imagem...”

Muitos outros autores atentaram ao exame do

conceito de ideologia. Mesmo aqueles que defendem

sua razão de ser necessariamente irão admitir um

ponto fundamental: ela é falsa, ou, como disse

Althusser (1918-1990) em seu Ideologia e Aparelhos

Ideológicos do Estado, é pura ilusão, puro sonho, um

nada cuja realidade reside em si própria enquanto

construção imaginária.[3]

É curioso observar que um sistema assim só

pode existir num meio onde não é admitida a existência

da verdade em sentido absoluto – o que peremptoriamente

exclui as religiões, eminentemente

transcendentes enquanto pregam um fim externo ao

homem baseados na verdade absoluta revelada. Em

um sistema que não admite a existência de verdades

fora de sua própria construção, sobra apenas a falsificação

voluntária em torno do interesse. Podemos,

agora, começar a sintetizar o termo.

Ideologia é um construto teórico ilusor que

direciona seus fins à reforma da sociedade segundo

sua imagem, excluindo qualquer transcendência ou

verdade para além de seu próprio sistema e objetivo

longínquo. O cerne das ideologias é a imanentização

do eschaton, a redução dos fins a si mesma, o que

normalmente desemboca em utopias. A felicidade

do homem, ou qualquer outro fim, devem estar sempre

englobados pelos ditames do sistema. Russel Kirk

bem chamou a ideologia de religião invertida[4].

É curioso apontar que essa definição aproxima-se

muito do que se conheceu como movimento

gnóstico, que, ao contrário do que alguns pregam,

não foi apenas uma deturpação do cristianismo

em seus primeiros anos, mas uma modalidade de

religião secular que procura alcançar a transcendência

no tempo. Um bom exemplo do pensamento

gnóstico foi Joaquim de Fiore (1135-1202). Segundo

Eric Voegelin (1901-1985) em A Nova

Ciência da Política — obra absolutamente indispensável

para tratar do tema — Fiore reduziu a salvação

à história através do simbolismo da trindade.

“Joaquim rompeu com a concepção agostiniana da

sociedade cristã ao aplicar o símbolo da Trindade ao

curso da história. Em sua especulação, a história da

humanidade teve três períodos, correspondente às três

pessoas da Trindade. O primeiro foi a era do Pai; com

o surgimento de Cristo teve início a era do Filho. Mas

esta não será a última, devendo a ela seguir-se a era do

Espírito.”[5]

Atentemos que por seu aspecto imanentista,

constantemente a ideologia se refere a um fim da história

ou um fim na história – precisamente o tema da

escatologia – como foi descrito na mesma obra:

“Em sua escatologia trinitária, Joaquim criou o

conjunto de símbolos que preside, até hoje, a auto-interpretação

da sociedade política moderna. O primeiro

desses símbolos é a concepção da história como uma

sequência de três eras, das quais a última é claramente

o Terceiro Reino final. É possível reconhecer-se como

variações desse símbolo a divisão da história em antiga,

medieval e moderna; a teoria de Turgot e de Comte

acerca da sequência das fases teológica, metafísica e

científica; a dialética hegeliana dos três estágios de liberdade

e realização espiritual auto-reflexiva; a dialética

marxista dos três estágios do comunismo primitivo,


NOSSOS PASSOS

sociedade de classes e comunismo final; e por último, o

símbolo nacional-socialista do Terceiro Reino – embora

este seja um caso especial, que exige maior atenção.”[6]

Um aspecto da relação do gnosticismo com a

ideologia é sua propagação, que, como pode-se presumir

e confirmar pela observação, possui rápida

adesão pelos jovens secularizados. A salvação não

depende mais de um Deus transcendente, mas sim

dos ditames da ideologia e seus fins imanentes, como

a felicidade terrena, o fim da desigualdade, o fim do

estado, a acumulação de donuts ou dinheiro numa

vida vazia. Há ideologias ao gosto do freguês, mas,

indiscutivelmente, todas compartilham do mesmo

vácuo espiritual.

A destituição da autoridade de uma verdade exterior

imutável produz outro fenômeno interessante: os

princípios éticos, retirados da transcendência em que

depositam sua validade universal,são colocados dentro

do sistema ideológico. O sistema, por sua vez, passa a

ditar o que é correto ou não, com ditames acentuadamente

relativos. O justo, destituído de seu referencial

eterno, aceitaria o favorecimento dos amigos como razão

suficiente de sua qualidade. O ponto foi duramente

criticado por Platão no livro I de A República.

“Portanto, ele diz que a justiça consiste em fazer

bem aos amigos e mal aos inimigos?”[7]

21

Nesse aspecto os fins realmente justificam os

meios, mesmo que os meios sejam um holocausto. É

um pensamento extremamente cômodo para partidos

políticos, dominados pelas ideologias.

Assim como religiões que possuem dissidentes

heréticos, a ideologia costuma “botar alguns ovos” e

se ramificar, mantendo a premissa central intacta ou

levemente alterada, como os galhos que crescem a

partir do tronco. Dentro de uma ideologia formam-

-se correntes. O todo eventualmente se tornará uma

subcultura, como bem observado por Olavo de Carvalho

neste trecho:

“Investigando durante décadas a natureza do

marxismo, acabei concluindo que ele não é só uma

teoria, uma “ideologia” ou um movimento político. É

uma “cultura”, no sentido antropológico, um universo

inteiro de crenças, símbolos, valores, instituições, poderes

formais e informais, regras de conduta, padrões de

discurso, hábitos conscientes e inconscientes, etc. Por

isso é autofundante e auto-referente, nada podendo

compreender exceto nos seus próprios termos, não admitindo

uma realidade para além do seu próprio horizonte

nem um critério de veracidade acima dos seus

próprios fins autoproclamados. Como toda cultura, ele

tem na sua própria subsistência um valor que deve ser

defendido a todo preço, muito acima das exigências

da verdade ou da moralidade, pois ele constitui a totalidade

da qual verdade e moralidade são elementos

parciais, motivo pelo qual a pretensão de fazer-lhe cobranças

em nome delas soa aos seus ouvidos como uma

intolerável e absurda revolta das partes contra o todo,

uma violação insensata da hierarquia ontológica.”[8]


22 JANEIRO/ 2019

Enquanto subcultura, mesmo aqueles que não

compartilham dos mesmos objetivos ou valores das

ideologias acabam sendo infectados por ela numa espécie

de simbiose à qual contribuem mesmo sem intenção.

Este é notavelmente o caso do feminismo. A grande

maioria das mulheres que diz repudiá-lo age como a

mais radical das feministas — ou pior. Isto pode ainda

ser observado nos trejeitos dos seguidores de uma ideologia

ou pessoas próximas a ela, como o tom de voz e

o jeito de andar.

Ainda que possuam o mesmo cerne, os integrantes

da dita subcultura formada debaixo das asas do dogma

costumam procurar meios de diferenciação e eventualmente

guerreiam entre si. Daí surge uma gradação,

dos “extremos” aos “moderados”, diferenciando-se pelo

tempo estimado para alcançar o objetivo – quantas semanas

se passarão até que o rei seja levado à forca? Tal

oposição pode ser simulada, como acontece na conhecida

“estratégia das tesouras”. [9]

Os métodos e a linguagem mudam, mas o cerne

permanece, funcionando como uma igreja de fé única

e características ritualísticas diversas. O fenômeno é

visível na doutrina do Feminismo. As participantes de

algumas correntes criticam outras, mesmo que desejem

a mesma coisa — às vezes inconscientemente. A fim de

forçar tal confusão, algumas ideologias procuram mesclar-se

com outras e parasitar doutrinas. São casos notórios

a Teologia da Libertação, que procura interpretar

o cristianismo à luz do materialismo histórico-dialético,

e o próprio feminismo, que deturpa a milenar doutrina

do jusnaturalismo jurídico.

A este fenômeno convém chamar mimetismo

ideológico. A doutrina assume formas variadas, embora

seus cânones se mantenham. Ele ocorre pela falácia

da composição: o ideólogo acusa o adversário de atacar

um valor legítimo quando o que ele ataca, em verdade,

é apenas a ideologia. É o caso, por exemplo, de o

marxista relacionar com o fascismo tudo o que se opõe

ao socialismo. Do mesmo modo, a feminista acusa seus

oponentes de violar a igualdade de direitos.

Algo a se observar é que dentre as premissas

centrais das ideologias há o aspecto mitológico. Mitos

são alegorias utilizadas na história sagrada para contar

acontecimentos primordiais e revelar o mistério da

criação de modo que o homem possa contemplá-lo ainda

que setorialmente.[10] Dentro da ideologia, funciona

como fundamentação e exemplificação da ideia que

se procura induzir, como o clássico trecho do Manifesto

do Partido Comunista:

A história de todas as sociedades até hoje existentes

é a história da luta de classes. [11]

Dependendo do grau de verossimilhança, isso

se reflete em grandes falsificações da história (algumas

vezes com anacronismos grosseiros, como o Jesus socialista

[12], o Platão Fascista ou o Aristóteles individualista),

procurando adequar os fatos às ideias. É uma

interessante inversão da definição de verdade. A verdade

é a adequação do intelecto à realidade; a Ideologia é

a adequação da realidade ao intelecto.

A mencionada Teologia da Libertação é o caso

mais notório de um empreendimento levado à cabo

pelos ideólogos com o objetivo de coadunar a ideologia

e a religião, num sincretismo comparável a sentar

Baal à direita de Cristo na Santa Ceia. Ignorando

o fato da ideologia imanente não poder englobar a

transcendência, – característica capital da religião –

alguns ideólogos procuram sincretizá-la afirmando

que os postulados encontrados nos livros sagrados

são idênticos ou no mínimo identificáveis com os

postulados da ideologia. Um caso notório é a tentativa

hercúlea de alguns partidários do anarquismo de

livre mercado (ou anarcocapitalismo), que tentam

espremer a bíblia dentro do sistema da ética de autopropriedade

ou ainda da praxeologia, o que dá origem

a pequenas aberrações. Basta atentar ao fato de

que os pseudo-religiosos dessa vertente não amam

sua religião, mas seguem sua religião pois esta “concorda”

com sua ideologia, e assim não servem a um

Deus, mas a si mesmos.


NOSSOS PASSOS

E servir a si mesmo – neste sentido – é imanentizar

o eschaton.

O modo mais prático de se adequar a realidade

ao que se quer é corromper sua interpretação. Assim

surge o aspecto linguístico da ideologia, a corrupção

de termos: o significado das palavras sofre um

processo de sofisma e ganha o significado desejado

segundo os interesses “do partido”. A esmagadora

maioria dos termos ideológicos é composta de palavras

com notória pobreza de significado, denotando

grave deficiência dialética e grave deficiência moral.

Isso remonta a uma questão notória na filosofia,

rastreável, pelo menos, até o século XV: o vasto

problema das definições, em que dez autores possuem

dez significados diferentes para a mesma palavra

em dez cosmovisões conflitantes. O termo “liberdade”

é um dos exemplos mais conhecidos.

Há ainda uma consequência linguística do mimetismo:

usar os termos corrompidos como se fossem

os originais e acusar-se ataques desferidos contra

o primeiro como se fossem pelo segundo. Um

exemplo notório é o anarco-capitalismo, ao corromper

os conceitos de vida, propriedade, liberdade e etc.

Essa corrupção terminológica contribui para o

anacronismo grosseiro cometido pelas ideologias.

Assim, não nos é estranha a massiva confusão

em discussões de cunho ideológico, quando há partes

realmente contrárias Num estado normal, a massa

mais inculta dos integrantes do “partido” tende a se

tornar cada vez mais agressiva a detratores e perder a

capacidade de raciocínio não-ideológico. Neste aspecto,

a ideologia se torna uma cosmovisão deformada.

23

Toda ideologia é uma cosmovisão, mas nem toda cosmovisão

é uma ideologia. Negando constantemente

tudo que contraria sua amada crença e procurando

auto justificação, o círculo ideológico cria um campo

fértil a doenças psicológicas. É bem conhecido o surto

de depressão pelo qual passamos, boa parte com raiz

na constante não-aceitação da realidade. Há ainda a

“aberração da compreensão” identificada por Bernard

Lonergan (1904-1984):

“Chamemos escotose a tal aberração da compreensão,

e escotoma ao ponto cego resultante. Fundamentalmente,

a escotose é um processo inconsciente. Não

surge em atos conscientes, mas na censura que governa

a emergência dos conteúdos psíquicos. Apesar de tudo, o

processo integral não nos está oculto, porque a exclusão

meramente espontânea de intelecções indesejadas não é

igual à série total de eventualidades. Sobrevém intelecções

antagônicas. Podem ser aceitas como corretas, mas

apenas para sofrerem o eclipse que a distorção origina,

ao excluir as ulteriores questões relevantes. E ainda, Podem

ser rejeitadas como incorretas, como meras ideias

brilhantes sem uma sólida fundamentação nos fatos; e

essa rejeição tende a estar associada à racionalização da

escotose e a um esforço por acumular provas a seu favor.”[13]

Aqui se encerram as considerações acerca da

definição de ideologia e alguns de seus efeitos. É comum

a confusão entre ideologia e cosmovisão, ou a

exaltação da ideologia como parte necessária da vida.

Nada disso é verdade. Há vida sem ideologias, como a

vida religiosa. A ideologia é uma cópia apodrecida da

religião e procura aproximar-se desta de modo parasitário,

mas nunca será como ela, visto sua essencial

diferença de propósito. A religião é transcendente e a

ideologia imanente; não há paridade entre ambas, e,

enquanto a religião procura salvar almas, a ideologia

explicitamente as planta na terra, tentando transformar

carne em espírito numa alquimia medonha.

Subsumir o pensamento aos termos de uma jaula

ideológica é assassinar a própria capacidade cognitiva,

e não verificar suas premissas é colocar grilhões em

si mesmo. Muitas pessoas não abandonam a ideologia

apenas por não conseguirem se livrar de suas definições

primárias.

Tomemos o ensinamento dos antigos como exemplo, e

não nos deixemos perverter por discursos ideológicos.

Tomemos apenas a verdade como substrato das ações,

pois ela mesmo prometeu nos libertar.


24 JANEIRO/ 2019

Referências

Althusser, Louis. Ideologia e Aparelhos Ideológicos do

Estado. Tradução de Joaquim José de Moura Ramos. 1º

Edição, Lisboa, Presença/Martins Fontes, 1980.

Dos Santos, M.F. Origem dos Grandes Erros Filosóficos,

edição, São Paulo, Matese, 1965.Eliade, Mircea. O Sagrado

e o Profano. Tradução de Rogério Fernandes. 4º

edição, São Paulo, Martins Fontes, 2013.

Kirk, Russel. A Política da Prudência. Tradução de Gustavo

Santos e Márcia Xavier de Brito. 1º edição, São Paulo, É

Realizações Editora, 2013.

Lonergan, Bernard. INSIGHT – Um Estudo do Conhecimento

Humano. Tradução de Mendo Castro Henriques e

Arthur Mourão. 1º edição, São Paulo, É Realizações Editora,

2010

Marx, Karl. O Manifesto do Partido Comunista. Álvaro

Pitta. 5º edição, São Paulo, Boitempo Editorial, 2007.

Platão. A República. Tradução e notas de Maria Helena

da Rocha Pereira. 14º edição, Lisboa, Fundação Calouste

Gulbenkian, 2014

Voegelin, Eric. A Nova Ciência da Política. Tradução de

José Viegas Filho. 2º Edição, Brasília, Editora da Universidade

de Brasília, 1982.

_____________. Reflexões Autobiográficas. Tradução de

Maria Inês de Carvalho. 1º Edição, São Paulo, É Realizações

Editora, 2015.

_____________ .Helenismo, Roma e Cristianismo Primitivo

– História das Idéias Políticas – Volume 1. Tradução

de Mendo Castro Henriques. 1º edição, São Paulo, É

Realizações Editora, 2012.

Notas

[1] Origem dos grandes problemas filosóficos p. 4.

[2] A Política da Prudência p. 94.

[3] Na Ideologia Alemã, esta fórmula figura num contexto

francamente positivista. A ideologia é então concebida

como pura ilusão, puro sonho, isto é, nada. Toda a

sua realidade está fora de si própria. É pensada como uma

construção imaginária cujo estatuto é exatamente semelhante

ao estatuto teórico do sonho nos autores anteriores

a Freud. Para estes autores, o sonho era o resultado

puramente imaginário, isto é, nulo, de “resíduos diurnos”,

apresentados numa composição e numa ordem arbitrárias,

por vezes «invertidas», numa palavra, “na desordem”.

Para eles, o Sonho era o imaginário vazio e nulo “construído”

arbitrariamente, ao acaso, com resíduos da única realidade

cheia e positiva, a do dia. Tal é, na Ideologia Alemã,

o estatuto exato da filosofia e da ideologia (pois que nesta

obra a filosofia é a ideologia por excelência). Ideologia e

Aparelhos Ideológicos do Estado p. 73.

[4] A ideologia é uma religião invertida, negando a doutrina

cristã de salvação pela graça, após a morte, e pondo

em seu lugar a salvação coletiva, aqui na Terra, por meio

da revolução e da violência. A ideologia herda o fanatismo

que, algumas vezes, afetou a fé religiosa e aplica essa

crença intolerante a preocupações seculares. A Política da

Prudência p. 95.

[5] A Nova Ciência da Política p. 87.

[6] Ibidem, 87-88

[7] A República 332d.

[8] Olavo de Carvalho, “A Natureza do Marxismo”, Jornal

da Tarde, 18 de dezembro de 2003.

[9] Estratégias das tesouras é uma tática partidária onde

um mesmo partido ramifica-se em dois afim de criar uma

oposição simulada, onde não importando em quem o

eleitorado vote, a agenda permanece intacta.

[10] Para uma boa introdução aos mitos e a história sagrada,

ver Mircea Eliade, “O Sagrado e o Profano”, Tradução

de Rogério Fernandes. 4º edição, São Paulo, Martins

Fontes, 2013.

[11] Karl Marx, “O Manifesto do Partido Comunista”, Álvaro

Pitta. 5º edição, São Paulo, Boitempo Editorial, 2007.

[12] Para uma refutação do mito do Jesus Socialista, ver

Eric Voegelin, “Helenismo, Roma e Cristianismo Primitivo

– História das Idéias Políticas – Volume 1”. Tradução

de Mendo Castro Henriques. 1º edição, São

Paulo, É Realizações Editora, 2012.

[13] Bernard Lonergan. Insight – Um Estudo do

Conhecimento Humano p. 204.


NOSSOS PASSOS

25

LITERATURA

4 LIVROS OBRIGATÓRIOS PARA JOVENS E ADOLESCENTES

O Pe. Brown, um erudito que através

de sua experiência em compreender

a profundidade das mazelas

humanas se utiliza desse conhecimento

único para impedir crimes.

Um livro de contos onde as reflexões

filosóficas são transcritas de formas

mais palativeis ao grande público.

Qualquer semelhança com elementos

da nossa realidade não é mera

coincidência. 1984 se passa em um

futuro distópico onde um Governo

tirânico procura vigiar e controla

toda a sociedade através dos mais

diversos artifícios. O preço de clamar

pelo crescimento do Estado

pode resultar na nossa aniquilação.

Quem nunca foi contaminado pelo

orgulho? Ivan Ilitch um magistrado

bem sucedido em seus últimos momentos

antes da morte questiona-se

se seu materialismo durante a vida

foi o suficiente para suprir sua existência.

Ivan nos ensina que pequenas

alegrias são muito maiores do que

todo o ouro e prestígio do mundo.

Em uma noite de bebedeira, um jovem grita

- morte ao capitalismo. Em busca de um

sentido para viver o protagonista de O Anarquista

experimenta todos os aspectos da ideologia

e se lança a um abismo niilista que

transcende sua própria consciência. O caminho

em que o jovem anarquista trilha, é

o mesmo em que diversos jovens universitários

se deparam durante suas vivências

no Ensino Superior. A rebeldia sem causa, o

desejo de querer mudar o mundo a sua própria

imagem , a vaidade e orgulho de se sentirem

superiores é um pouco do que o jovem

moderno tem em comum com o anarquista.


26 JANEIRO/ 2019 2018

Impulsividade é um padrão de comportamento

caracterizado por reações rápidas e não planejadas.

Frequentemente, a pessoa impulsiva diz que

“quando viu, já fez”, “fez primeiro e pensou depois”

e outras frases do gênero. As consequências não são

devidamente avaliadas e a pessoa “age sem pensar”.

Obviamente, este comportamento, quando recorrente,

coloca a pessoa em situações complicadas e,

muitas vezes, até mesmo arriscada, como: dirigir embriagada,

ter episódios de compulsão alimentar, uso

de drogas, brigas e agressões, tentativas de suicídio,

conflitos conjugais, risco de perda do emprego – só

para citar algumas.

Impulsividade é um traço de personalidade e

todos a possuem em menor ou maior grau. O problema

é quando a impulsividade é excessiva e leva a

pessoa a tomar atitudes das quais ela se arrepende depois.

Para entender melhor a impulsividade, vamos

analisar como é o processo normal de tomada de decisão.

Quando precisamos agir, passamos por

quatro fases:

1) Fase de intenção: é o momento em que percebemos

que desejamos algo. Por exemplo: sentimos vontade

de comer um chocolate.

2) Fase de deliberação: é o momento no qual pesamos

os prós e os contras de ir atrás do nosso desejo.

Exemplificando, a pessoa pode ter pensamentos

contraditórios: “eu quero emagrecer e um chocolate

engorda muito”, “ah, mas estou com muita vontade e

um só não vai fazer mal” e daí por diante.

3) Fase de decisão: É o momento no qual decidimos,

finalmente, agir. No nosso exemplo, seria o momento

no qual resolvemos: “vou comer o chocolate”.

SAÚDE E BEM-ESTAR

IMPULSIVIDADE

COMO RECONHECER E COMO TRATAR

Claudia Siqueira de Albuquerque Costa

Psicóloga | CRP: 05/52487

4) Fase de execução: é o momento da ação

propriamente dita e os atos envolvidos em ir lá, pegar

o chocolate e comê-lo.

Pessoas muito impulsivas eliminam a fase de

deliberação e “pulam” direto do desejo para a ação.

Há uma série de transtornos psicológicos

e psiquiátricos que estão intimamente ligados

à dificuldade de controle dos impulsos. Alguns

exemplos são:

Transtorno explosivo intermitente: fracasso frequente

em frear os impulsos agressivos, o que leva a

pessoa a se envolver em uma série de agressões, destruição

de propriedade e às vezes até atos autodestrutivos;

Cleptomania: impulsos irresistíveis em roubar itens

desnecessários;

Piromania: a pessoa fracassa em resistir ao impulso

de incendiar objetos e outros bens;

Jogo patológico: a pessoa se torna “dependente” de

jogos de azar ou apostas;

Tricotilomania: impulso irresistível de arrancar fios

do próprio cabelo, o que muitas vezes causa uma área

de “careca” visível na cabeça ou em outras áreas do

corpo onde antes havia pelos;

E a dependência química, também estão muito relacionadas

à dificuldade no controle dos impulsos.

Algumas pessoas, por uma variedade de

motivos, parecem não conseguir frear alguns

comportamentos impulsivos, sejam eles frequentes

ou não. Quando nos deparamos com alguma

tentação, é possível que tomemos alguma

atitude sem pensar, por impulso, e que vai gerar


NOSSOS PASSOS

arrependimentos futuros.

Mas como saber quando um comportamento

impulsivo precisa ser analisado com mais atenção?

Além disso, como saber quando o comportamento

impulsivo pode causar consequências negativas?

Como lidar com o comportamento impulsivo

O primeiro passo para contornar problemas

gerados pelas ações impulsivas é identificar em que

situações elas tendem a acontecer. Para isso, vale

analisar o próprio comportamento procurando

descobrir:

Qual sentimento aciona o comportamento

impulsivo?

As atitudes são premeditadas ou decididas no

momento?

Há alguma pessoa que costuma motivar esse

comportamento?

Em que estado você está quando age dessa forma?

(sob efeito de álcool, com medo, raiva, etc.)

O autoconhecimento é uma excelente

forma de identificar aquilo que motiva suas

ações impulsivas. Ao conhecer seu próprio

comportamento, fica mais fácil antever algumas

situações e tentar frear atitudes impensadas.

Além disso, conhecendo seus impulsos fica mais

fácil tomar riscos calculados e, assim, diminuir

os danos de alguma atitude precipitada.

Comportamentos comuns na vida de

quem age por impulso e não domina as

próprias emoções podem ser amenizados

27

com algumas dicas importantes como criar

estratégias para se controlar nas situações em

que costuma perder o rumo e se apropriar das

suas reações.

Para reduzir o stress você pode, por exemplo:

1) Limitar as demandas e compromissos que assume;

2) Dormir o suficiente para relaxar;

3) Praticar meditação, exercícios físicos e de

respiração.

Aliás, assim que perceber que as coisas

vão sair de controle, você deve respirar

profundamente — isso altera de imediato as suas

emoções — e conforme se acalma, você toma

consciência do seu estado e passa a administrar

as reações.

O exercício físico regular reduz o excesso

de energia e agressividade, acalma a mente e é um

excelente repositor de hormônios e neuroquímicos.

Muitas vezes até fazer uma caminhada ou dar uma

volta a pé no quarteirão já reduz a ansiedade.

E por falar em ansiedade, se ela vier junto

com depressão, busque ajuda profissional, porque

nem tudo você pode resolver sem apoio. Reserve

um tempo para você, tenha um hobby, leve o cachorro

para passear na praça, dance (nem que seja

sozinho e com sua música preferida), vá ao jogo

de futebol, tenha sempre uma conversa boa com os

amigos. Tudo isso contribui para reduzir o stress

e assim você aprende a assumir o controle de suas

emoções.


28 JANEIRO/ 2019

Entre as estratégias, você pode:

1) Evitar as situações que possam provocar um

descontrole,

2) Ensaiar previamente como pretende reagir, se já

sabe com o que vai ter que lidar.

Mas se for inevitável e você sentir que a emoção

vai dominar as suas palavras e atitudes, simplesmente

saia de perto e se dê um tempo para retomar

a conversa. Nesse intervalo, respirar fundo sempre

ajuda a acalmar a mente. Quando recuperar o controle,

se for o caso, admita que você se excedeu e

mostre o que pensa racionalmente. Contar com o

apoio dos amigos e familiares pode ser de grande

ajuda: pedindo que interfiram de forma positiva

nos momentos mais críticos e apresentando a situação

sob outras perspectivas. Eles também precisam

estar conscientes de que a sua reação imediata

pode ser mais forte do que o normal.

Ser dono das próprias reações não é tão simples

assim, mas elas podem ser moderadas se você

estiver consciente de que os sentimentos mudam,

tanto os bons como os ruins. Os nossos relacionamentos

familiares e sociais podem ser bem melhores

se você estiver mais atento ao sentimento do

outro e o impacto que suas reações podem causar

na vida de todos à sua volta.

Enfim, procure separar seus sentimentos das

suas ações e, se for preciso, busque um treinamento

Mindfulness para obter uma ajuda mais efetiva.

O Mindfulness é um estado de atenção plena, no

qual a consciência é direcionada ao momento presente,

de maneira intencional e sem julgamento. Estudos

científicos comprovam os resultados positivos

dessa prática, que inclui a meditação e atividades que

estimulam sair do piloto automático.

Quando você descobre as estratégias para contornar

os sintomas da impulsividade e consequente

descontrole emocional, a vida pode se tornar bem

melhor em todos os aspectos. Quanto mais você ficar

atento às suas reações e mais exercitar as estratégias

de estar presente e consciente, mais apto estará para

reagir com equilíbrio. Então, poderá experimentar

uma vida com menos conflitos e mais tranquilidade

em todos os campos de relacionamento. E caso perceba

que não consegue elaborar sozinho uma estratégia

para vencer essas barreiras, busque ajuda psicológica,

que pode ser de grande valia para estabelecer

um plano de ação mais positivo.

Até o nosso próximo encontro.


NOSSOS PASSOS

29

1 Antonio Augusto Ferreira Borges

1 Francesco Novello

1 Isis Von Klay Leão Rosário

2 Victor Alberico Boisson Moraes

3 Encarnacion González Conte

6 Gilda Alves Bezerra

6 Maria das Dores Ferreira da Costa

7 Vilma de Paula Chaves de Almeida

8 Celso Araujo Braga

8 Marilene Andrade Araújo

9 Simone dos Santos Frutuoso

10 Elisa Figueiredo

11 Ana Maria Braz Pavão

11 Angela Puppin Gonçalves Cunha

11 Cléa da Silva Alves

11 Janir Goulart Gil Carvalho

11 Myriam Cavalcanti de Albuquerque Fidalgo

11 Silvana Mafalda de Rose

12 Janaina Resende Jubé

14 Ernani Passos Duarte

14 Joseane Coimbra Thomé Tavares Ferreira

14 Leopoldino Francisco Zimmermann

16 Maria Augusta Linhares da F. e C. Barissa

16 Maria Ester de Pinho Souza

16 Maria Helena de Nazareth Figueira

16 Neide Cerqueira Pondé

16 Patricia Villas-Bôas Marinho da Silva

17 Antonio da Costa Pereira Netto

18 Carmen Dora Machado Damazio

18 Orita Costa de Souza Leão

18 Selma Aparecida Lamas Portela

19 Fiorina Barone Pagnotta

19 Francisco José Medina Maia

19 Jorge João da Silva

20 Maria de Fátima Prata Barbosa

21 Elizabeth Maria D. Pereira das Neves

21 Maria Inês Campos Maestrelli

21 Mércia Domingues Pieroni

22 Paula Uchôa Alves

24 Elyedno Soares Duarte

24 Waldyr Tostes Filho

25 Darlene Maria Mendonça Bruno

25 Maria Inácia dos Santos Messer

30 Dora Maria Britto de Campos Zamagna

30 Maria Helena dos Santos Católico

30 Tânia Lúcia Leitão Chies

31 Fernando Dias de Carvalho

31 José Eduardo Nobre Matta

Oração do Dizimista

Recebei, Senhor, a minha oferta.

Ela representa a minha gratidão e

o meu reconhecimento, pois, o que

tenho eu o recebi de Vós.

Amém!


30 JANEIRO/ 2019

CLASSIFICADOS


NOSSOS PASSOS

31


32 JANEIRO/ 2019

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