Jornal Mãos Unidas - março/abril 2019

maos.unidas78364

PUBLICAÇÃO BIMESTRAL | PREÇO: 1,00€ | ISSN: 1646 - 4389 | ANO VII - Nº 50 | MARÇO/ABRIL 2019 | DIRETOR: MANUEL VIEIRA NOGUEIRA

Especial

Quaresma

Pág. 8 a 10


António Câmara Cordovil

Presidente da Direção da

Associação Mãos Unidas

Pe. Damião

2Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

FICHA TÉCNICA

EDITOR E PROPRIETÁRIO:

Associação Mãos Unidas P. Damião. Instituição

Particular de Solidariedade Social (IPSS) e

Organização Não Governamental para o

Desenvolvimento (ONGD)

Rua Sarmento de Beires, 19A-1º, 1900-410 LISBOA,

Tel.: 213 515 720 | E-mail: geral@maos-unidas.pt

Site: www.maos-unidas.pt

www.facebook.com/MaosUnidasP.Damiao

SOMOS MEMBROS:

CNOD - Confederação Nacional dos Organismos

de Deficientes

ILEP - Federação Internacional das Associações que

Lutam Contra a Lepra

PLATAFORMA Nacional Saúde em Diálogo

PLATAFORMA do Voluntariado Missionário (FEC)

DIRETOR:

Manuel Vieira Nogueira

EdiTOR:

Hugo Nogueira

SEDE DE REDAÇÃO:

Rua Sarmento de Beires nº 19A - 1º, 1900-410 Lisboa

PERIODICIDADE: Bimestral

COMPOSIÇÃO e DESIGN: Milton Duarte

COLABORADORES NESTA EDIÇÃO:

Ana Abrantes, Carina Póvoas, Pe. Dário Pedroso,

Gerardo Neves, Hugo Nogueira, Jaime Mestre,

Joana D'Arte, Joana Gonçalves, Joana Marques,

Manuel Vieira Nogueira, Marta Sillen, Rita Ferreira

Silva, Rita Pinho, Rui Ochoa, Sara Correia, Sofia

Figueiredo e Tiago Frazão

estatuto editorial:

Consultar: www.maos-unidas.pt

IMPRESSÃO:

SIG – SOCIEDADE INDUSTRIAL GRÁFICA, LDA

Rua Pêro Escobar, 21, 2680-574 Camarate

DEPÓSITO LEGAL: 24013/06

ISSN: 1646-4389

REGISTO NA ERC: 126 233

TIRAGEM: 16.000 exemplares

ASSINATURA ANUAL:

Portugal: 10,00€ | Europa: 18,00€

Resto do Mundo: 27,00€

PESSOA COLETIVA: 504 072 722

FOTOS: Arquivo Institucional

Indíce:

03 | Editorial

04 | Novo Caso de Vida

05 | Ajudas Técnicas

06/07 | Casos Antigos

08/09 | Quaresma: Caminho de Libertação

10/11 | Tríduo Pascal: Triunfo do Amor

12/13 | A Tuberculose

14/15 | Campanha de Consignação do Irs

16/17 | Loja Mãos Unidas

18/19 | 66º Dia Mundial dos Leprosos

20/22 | Estatuto do Cuidador Informal

23 | Agradecimentos

24/25 | A Violência Contra a Pessoa Idosa

VI/VII | Agenda Cultural

V | Testemunho

IV | Dia Internacional da Mulher

II/III | Pelas Vítimas que Gritam em Silêncio


Edito

rial

Rita Balsa Pinho, Associação

Mãos Unidas Pe. Damião

Foto: ARQUIVO Institucional

Quem conhece mais de perto o mundo das Associações

e Instituições Particulares de Solidariedade Social sabe

que há no ano dois momentos de particular importância:

Novembro/Dezembro, em que se elaboram os planos de

atividades e o orçamento para o ano seguinte; e outro é

Março/Abril, em que se fecham as contas e se escreve o

relatório de atividades do ano transato.

Face a um estado de saúde financeira que se tem

agravado e revelado muito preocupante nos últimos anos,

apresentam-se agora sinais mais animadores, apesar

dos desafios e exigências que ainda se tem pela frente.

Tratam-se de momentos em que somos obrigados a parar,

pensar de forma organizada o que se quer fazer, e avaliar

de forma organizada o que se fez. Quase pareceria que

organização e altruísmo são palavras que não “casam”.

E haverá sempre necessidade de um altruísmo mais

espontâneo e imediato, para responder a necessidades

imprevistas e urgentes.

E é a organização que nos tem permitido aproveitar ao

máximo todos os recursos humanos e financeiros de

que dispomos, para que redundem numa ajuda mais

sistemática e duradoira àqueles que a nós recorrem.

Às vezes pergunto-me se também Jesus teria feito Planos

de Ação...

Sem dúvida que estava muito disponível para as

necessidades autênticas de cada pessoa e de cada

momento. Mas alturas houve em que O procuravam e ele

se tinha ausentado, fosse para rezar ao Pai nos montes

à noite (e avaliar o dia e pensar os próximos passos da

sua missão), fosse ao perceber que era chamado, nesses

momentos, a lugares diferentes daqueles que seriam os

esperados. Que a par da espontaneidade possamos

também crescer nesta capacidade, para que o altruísmo

chegue mais longe e permaneça mais fundo, na certeza

porém de que, mais rico é aquele que dá do que aquele

que recebe!

3Jornal MÃOS UNIDAS março/abril’19


NOVO CASO DE VIDA

Texto: SARA CORREIA | fotografia: Arquivo Institucional

A Érica tem 16 anos e está dependente dos cuidados

permanentes da mãe Alice.

A mãe teve uma gravidez normal com todo o acompanhamento

médico devido. Tudo parecia estar dentro

dos parâmetros normais até ao dia em que a Érica

nasceu e de imediato foi lhe detetada uma microcefalia.

Após vários exames médicos detetou-se que a

microcefalia trouxe consigo outras problemáticas associadas,

tais como hipotonia, epilepsia e alterações

nos valores dos cromossomas, fatores que comprometeram

diretamente o desenvolvimento da fala e do

andar. Com 8 anos fez uma cirurgia a uma escoliose

da qual resultou uma perda total da mobilidade.

Atualmente, a Érica vive com a mãe e com uma irmã

de 4 anos. A mãe da Érica é cuidadora da filha a tempo

inteiro e por esse motivo está impossibilitada de trabalhar.

O único tempo livre que tem é o período em que a

Érica frequenta o Centro de Atividades Ocupacionais,

período esse que a Alice aproveita para fazer limpezas

às escadas do prédio para conseguir beneficiar de algum

tipo de remuneração. Com os poucos rendimentos

que aufere, Alice tenta assegurar as necessidades

básicas de uma casa, sendo que o valor que recebe

não lhe permite proporcionar às filhas uma alimentação equilibrada e completa. A casa onde habitam tem graves

problemas de humidade e condensação, o que prejudica em muito a saúde da Érica. Para solucionar este problema

habitacional é necessário 3.500€, valor que a mãe não tem como suportar.

Érica necessita ainda de apoio para adquirir medicação e produtos de higiene específicos.

Quero Ajudar a ÉRICA nas despesas de problemas habitacional, na alimentação, na medicação e produtos

de higiene específicos, pelo que envio o meu donativo de: __________ euros (mencione o valor a doar)

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

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Dados para recibo:

NOME: ____________________________________________________________________________________________________________________

TEL.: _______________________________________________________

NIF: _________________________________________________________

Pagamento por:

Cheque, endossado à Assoc. Mãos Unidas P. Damião ValePostal Multibanco: Ent.: 20970 | Ref.: 555 555 555

Transf. Bancária/ IBAN:PT50 0033 0000 0021 7312 9810 5 (Favor enviar cópia/comprovativo de talão de multibanco)


Fundo de

apoio

Urgente

para Produtos de Apoio

Texto: Hugo Nogueira

fotografia: ARquivo Institucional

Derivado ao elevado número de pedidos com caracter urgente que a Associação Mãos Unidas Pe. Damião recebe

mensalmente, identificamos a necessidade de criar um fundo monetário que vise dar uma resposta mais eficaz e célere

às inúmeras solicitações que recebemos por parte de pessoas e famílias em situações difíceis que enfrentam devido a

barreiras legais, estigma e discriminação, desafios financeiros, burocracias e restrições políticas.

Este fundo irá servir para a compra de produtos de apoio para a mobilidade pessoal (cadeiras de rodas, andarilhos);

produtos de apoio para cuidados pessoais e higiene; produto de apoio para os cuidados domésticos (camas articuladas,

cadeiras); materiais e equipamento para alimentação (garfos, colheres, pratos e copos adaptados); próteses e

ortóteses.

A privação de material técnico a uma criança, adulto ou idoso a curto prazo tem um impacto bastante negativo na

saúde e bem-estar das pessoas com necessidades especiais. Há também efeitos a longo prazo bastante danosos e irreversíveis

para a saúde dos mesmos. Quanto mais cedo a AMUPD conseguir dar uma resposta, maior a probabilidade

de proporcionar uma melhor qualidade de vida a quem nos procura e contribuir de forma positiva para a saúde destas

pessoas.

Quero Ajudar no Fundo de Apoio Urgente para Produtos de Apoio, pelo que envio o meu donativo de: __________

euros (mencione o valor a doar)

Dados para recibo:

NOME: ____________________________________________________________________________________________________________________

TEL.: _______________________________________________________

NIF: _________________________________________________________

Pagamento por:

Cheque, endossado à Assoc. Mãos Unidas P. Damião ValePostal Multibanco: Ent.: 20970 | Ref.: 555 555 555

Transf. Bancária/ IBAN:PT50 0033 0000 0021 7312 9810 5 (Favor enviar cópia/comprovativo de talão de multibanco)

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Casos

antigos

mas nunca esquecidos

Texto: Sara Correia | fotografia: Arquivo Institucional

Rodrigo Pereira

O Rodrigo tem 8 anos. Para além de ter paralisia cerebral, desenvolveu também

uma doença pulmonar obstrutiva crónica, situação que o levou a contrair facilmente

pneumonias constantes, chegando a estar internado cerca de 10 vezes por ano.

Graças ao apoio da Associação Mãos Unidas e dos Amigos Mãos Unidas, tem sido

possível para o Rodrigo realizar o tratamento de cinesioterapia (ginástica respiratória)

e fisioterapia.

Desde há dois anos para cá, data que em iniciamos o apoio ao Rodrigo, que o menino

reduziu significativamente o número de internamentos no hospital, passando nos

ultimos tempos para apenas um unico internamento de três dias por falta de ar.

A Associação Mãos Unidas tem também apoiado o Rodrigo com leites multivitaminicos,

essenciais para o seu desenvolvimento, uma vez que é alimentado por um peg (sonda

ligada diretamente ao estômago). Graças a esta ajuda, o menino tem conseguido aumentar o seu peso e manter-se

mais resistente às infecções

Obrigado a todos pelo vosso contributo!

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A Viviane nasceu de forma prematura em consequência de uma pressão arterial

elevada por parte da mãe.

Esteve internada 2 meses na Pediatria do Hospital de Sta Maria da Feira onde

começou desde cedo a apresentar sinais da Síndrome de Deleção IP36.

Com o apoio da Associação Mãos Unidas P. Damião e dos Amigos Mãos Unidas, a

Viviane já atingiu grandes progressos tanto a nível motor, como a nível da fala.

Para além dos tratamentos e terapias intensivas que já realiza, a Viviane precisa de

iniciar uma nova terapia denominada Método Padovan.

Trata-se de um método de reorganização neurofuncional para habilitar o sistema

nervoso depois de perder as suas funções e procura ajudar a pessoa a desenvolver

a sua linguagem, pensamento e locomoção.

Viviane costa


Sendo uma terapia de valor bastante elevado, os pais

da Viviane não têm forma de assegurar as sessões de

que a menina necessita.

A Viviane continua a precisar do apoio dos Amigos

Mãos Unidas.

O Duarte sofre de uma

doença rara chamada

Síndrome Lennox

Gastaut, que provoca

lesões neurológicas

e motoras originando

epilepsia grave de

difícil controle e

hipotonia grave, não

Duarte Crista

consegue segurar a

cabeça, não se senta,

não fala, não segura

nada com as mãos, não mastiga, apenas consegue

engolir os alimentos triturados.

A mãe do Duarte não trabalha porque tem de prestar

assistência permanente ao seu filho e o pai encontrase

de baixa por doença profissional.

As dificuldades são inúmeras, mas a maior delas é

conseguir suportar o valor das terapias de que o Duarte

necessita para poder progredir e continuar a crescer

da forma mais saudável possível.

Neste momento, o Duarte realiza terapia da fala,

fisioterapia, terapia ocupacional e hidroterapia, sendo

que o valor de cada uma das especialidades, ronda os

30€ por hora.

O Duarte tem conseguido evoluir graças ao apoio de

todos, e em especial dos amigos da Associação Mãos

Unidas que já o acompanham desde 2016. Vamos

continuar a dar a mão a este pequeno herói!

Quero Ajudar os Casos de Vida

da Associação Mãos Unidas Pe.

Damião, pelo que envio o meu

donativo de:

_________ euros (Mencione o valor que quer doar)

Para o Caso de Vida do/a:

RODRIGO PEREIRA

VIVIANE COSTA

DUARTE CRISTA

Dados para recibo:

NOME: __________________________________________________

MORADA: ________________________________________________

LOCALIDADE: ____________________________________________

C.POSTAL: ______ - ____

DATA NASC.: ____ /____ /____

TEL.: ____________________________________________________

NIF: ______________________________________________________

E-MAIL: __________________________________________________

NÚMERO DE COLABORADOR: ___________________________

Pagamento por:

Cheque, endossado à Assoc. Mãos Unidas P. Damião

Multibanco: Entidade: 20970

Referência: 555 555 555

(Favor enviar cópia/comprovativo de talão de multibanco)

ValePostal

Transf. Bancária/ IBAN:

PT50 0033 0000 0021 7312 9810 5 Millennium

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Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

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QUARESMA:

CAMINHO DE LIBERTAÇÃO

Texto: Padre DÁrio Pedroso \\ Foto: ARquivo Institucional

A Quaresma apresenta-se a nós como dom e graça, como tempo favorável, como

caminho de libertação que nos conduz à Páscoa. Neste “Ano da Fé”, precisamos renovar

o nosso espírito quaresmal, intensificar a oração e a penitência, exercitarmos o serviço

e a caridade para podermos ter verdadeira “passagem” com Cristo para uma vida nova.

A cerimónia das “Cinzas” tão rica de simbolismo, de ajuda para tomarmos consciência

do pó que somos e da vida santa que desejamos, faz-nos entrar no tempo de deserto

quaresmal para descobrimos a divina misericórdia e nos abrirmos ao dom da graça da

Ressurreição.

No “Ano Missionário” tudo deve sempre vivido, assimilado, rezado com novo

compromisso, com mais audácia e mais determinação, mais abertura a Deus e ao seu

amor, mais sentido de conversão e de mudança, mais desejo de renovação e de alegria

pascal que passa, sem dúvida, pelo esforço pessoal de cada um e de cada uma na bela

caminhada quaresmal. Deixar os ídolos do nosso “egito”, deixar os “deuses” que nos

povoam a vida e o ambiente e entrarmos na terra prometida, é dom do amor do Pai, que

através do deserto, do silêncio e de mais escuta atenta da Palavra, nos quer transformar

o coração, a inteligência, a vontade, a vida inteira.

Cada dia a riqueza da Palavra de Deus nos convida à escuta que vai implicar mudança e

conversão. Cada dia abertos ao sopro do Espírito Santo, no recolhimento e na penitência

que nos ajuda à conversão, à reparação dos pecados, à súplica e intercessão pelo mundo

pecador, somos convidados a abrir-nos à misericórdia que cura e que salva, que converte

e que é divina alegria no nosso coração. O pó que somos, pela graça da Reconciliação,

vai-se transformando em joia da divina graça, em coração novo, na “passagem” que a

Páscoa de Jesus nos convida a viver.

Não deixemos passar mais uma Quaresma em vão, sem determinação que conduza à

mudança, sem abertura a Deus que nos fala e pede mais oração e mais caridade, sem

escuta da Palavra que nos ajuda a curar nossas feridas e nossas doenças espirituais.

Não deixemos de viver uma Quaresma comprometida com o amor de Deus, amor louco

e apaixonado, que nos quer mais convertidos, mais evangélicos, mais santos, com uma

vida mais ao jeito de Jesus. Não tenhamos medo de entrar no deserto do silêncio e da

conversão, pois ele nos levará aos aleluias e às alegrias pascais. A Quaresma deve ser,

tem de ser um tempo diferente, mais comprometido com Deus e com o amor do próximo,

mais abertos ao dom da misericórdia que nos renova e nos faz homens e mulheres

“ressuscitados”.

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TRÍDUO PASCAL:

TRIUNFO DO AMOR

Texto: Padre Dário Pedroso \\ Foto: ARquivo Institucional

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Temos que ir sempre à fonte, ao princípio e fundamento da vida, da fé, da esperança,

da caridade. E essa fonte é o Amor. Deus, como escreveu S. João na sua Primeira Carta

(4, 8), é Amor, fonte divina de toda a graça, de toda a comunhão e unidade, de toda a

paz e alegria. Deus, que é Amor, só quer e sabe amar. Jesus veio revelar em palavras e

gestos o amor trinitário. Toda a sua vida como Verbo encarnado, Jesus de Nazaré, foi o

Amor a amar com coração humano. Cada página do Evangelho, desde a Encarnação

até à Ascensão, nos revela o amor de Jesus. Amor que se revela na sua oração, nos seus

discursos, nos seus milagres, no seu perdão, na ternura com as crianças, nas lágrimas

que chorou, na pobreza que viveu, nos insultos que sofreu, na fome e sede que passou,

etc. Mas sobretudo no tríduo pascal revela-se a mais eloquente prova do seu amor, o

triunfo sobre o mal, a vitória sobre o pecado, a fonte inesgotável do amor, simbolizado

no seu Coração aberto.

Desde a Quinta-feira Santa, com o lava-pés, em gesto humilde do Mestre e Senhor que

Se ajoelha e lava os pés, a instituição da Eucaristia e da Ordem e a oração sacerdotal,

passando pela Sexta-feira Santa, com a Paixão que termina na Crucifixão e Morte, com

o grito da misericórdia, com o perdão ao bom ladrão, com a sede que revela, com o

abandono com que morre entregando-Se ao Pai, com a vida entregue e o sangue

derramado, com o seu Coração aberto pela lança do soldado, até à Ressurreição em

Domingo de Páscoa, sendo fonte de paz e alegria, de vida nova, de amor renovado, de

contínua presença de muitos modos, pois está Vivo... o tríduo pascal faz-nos contemplar

toda a riqueza deste amor, o tríduo revela-nos o triunfo do amor da Trindade.

O tempo pascal coloca diante de nós as diversas aparições do Ressuscitado, a

Ascensão, a descida do Espírito em línguas de fogo, no dia de Pentecostes, como

também os primeiros discursos, os primeiros milagres feitos pelos apóstolos, as primeiras

conversões, o início da expansão da Igreja. Faz-nos conhecer melhor e contemplar a

vida das comunidades primitivas, a conversão e o apostolado de S. Paulo, o martírio

dos primeiros cristãos, o primeiro Concílio em Jerusalém. As testemunhas da vida,

morte e ressurreição de Jesus começam a sua entrega a Ele e ao apostolado, vivem

a paixão pela Igreja, desejam dar a conhecer o seu Senhor e Redentor, vivo e glorioso.

Tempo pascal com vivências maravilhosas de alegria, de paz, de anúncio audacioso e

apaixonado. Aqui se deve centrar a Igreja de hoje para viver a esperança de um mundo

novo, mais pacífico, mais alegre, mais fraterno e mais justo. O amor pascal transformará

o mundo e converterá a vida das pessoas, das famílias, das comunidades, da Igreja e da

Humanidade. No amor e no tempo pascal, até ao Pentecostes, prolongado na vivência

da Igreja até hoje, continua em nós e nas nossas comunidades o amor louco vivido por

Jesus no tríduo pascal.

Somos cristãos e cristãs que, individualmente, em família e comunidades, vivemos hoje,

de muitos modos, o mistério pascal, na nossa vida eucarística e sacerdotal, no lavapés

quotidiano e no pão repartido, na ceia celebrada, na caridade vivida; vivemo-lo

na dor e na cruz levadas com amor e oferecidas pela salvação do mundo sempre em

mistério de Sexta-feira Santa, alegrando-nos em nos identificarmos com o Mestre; e em

alegria de Páscoa, tornando presente o Ressuscitado na fé que vivemos, na esperança

que semeamos, na paz, na alegria e na caridade que acalentamos no coração e

distribuímos pelos outros. Nascemos na manhã de Páscoa e queremos viver em atitude

pascal cada momento da vida quotidiana. Somos seres pascais, homens e mulheres

pascais, alimentando-nos do Cordeiro pascal e querendo dar-nos à sua semelhança, o

Cordeiro imolado na Cruz, para que o mundo tenha a vida nova do Senhor Ressuscitado,

para continuarmos a proclamar: «honra, louvor e glória ao Cordeiro». A Eucaristia é

atualização contínua da Ceia, da Cruz, da vitória pascal.

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A TUBERCULOSE

Texto: fonte: In tveuropa.pt

1,5 milhões de pessoas morrem de tuberculose

por ano. Das pessoas infetadas 87% vivem ou são

provenientes de países em desenvolvimento.

Todos os dias deparamo-nos com noticias sobre a Tuberculose. Noticias que continuam a ser preocupantes e que

merecem a nossa maior atenção. Recentemente, foi publicado um estudo realizado por um grupo internacional de

investigadores liderados por uma equipa da Universidade de Berna.

O estudo refere que o “diagnóstico a pacientes com tuberculose, em países em desenvolvimento, é muitas vezes

impreciso. Diagnóstico errado leva a tratamento inadequado e a alta taxa de mortalidade, quando se trata de tuberculose

resistente a medicamentos. Cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo desenvolvem tuberculose todos os anos

e 1,5 milhões de pessoas morrem de tuberculose por ano. Das pessoas infetadas 87% vivem ou são provenientes de

países em desenvolvimento.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que a resistência aos medicamentos usados no tratamento

da tuberculose, bem como à proliferação de estirpes multirresistentes de tuberculose, é um dos problemas de saúde

globais mais urgentes. A OMS tem vindo a alertar para a necessidade urgente de melhorar a qualidade e a cobertura

do diagnóstico e tratamento da tuberculose resistente a medicamentos.

Os investigadores recolheram e investigaram, ao longo de quatro anos, amostras e dados clínicos de 634 pacientes de

países fortemente afetados, incluindo a Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Quénia, Nigéria, África

do Sul, Peru e Tailândia.

Atualmente, os testes de resistência disponíveis em muitos países fortemente afetados pela tuberculose resistente a

medicamentos são demorados e exigem muitos recursos: os resultados só são obtidos após 8 semanas, impossibilitando

um início rápido da forma correta de tratamento. “Precisamos de testes moleculares novos e abrangentes no ponto de

atendimento que forneçam resultados dentro de horas ou dias”, referiu Matthias Egger da Universidade de Berna, e

também coautor do estudo.”

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Loja Mãos Unidas

O valor adquirido com a venda dos produtos Mãos Unidas reverte a favor dos nossos Projetos

Casos de Vida e das nossas ações em prol dos mais necessitados. Ajude-nos a Ajudar comprando os nossos

produtos:

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Mãos Unidas P. Damião

Multibanco: Entidade: 20970

Referência: 555 555 555

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A todos os produtos enviados acresce

o valor de envio consoante o peso.

Todas as imagens dos produtos são

de caráter ilustrativo e não definem o

tamanho real ou exata definição das

suas cores e texturas.

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66º Dia Mundial

dos Leprosos

Texto: MANUEL VIEIRA NOGUEIRA \\ Fotografia: Arquivo Institucional

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

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No dia 27 Janeiro de 2019 celebrou-se o Sexagésimo sexto

Dia Mundial dos Leprosos na Igreja Beato Scalabrini.

Em nome da Associação Mãos Unidas P. Damião, o

vice-presidente Manuel Vieira Nogueira agradeceu o

acolhimento do Pe. Geraldo por permitir a realização

desta Eucaristia. Foi ainda feito um agradecimento

pela presença de todos os paroquianos presentes,

aos Benfeitores, Amigos e Profissionais Mãos Unidas

P. Damião. À TVI, diretamente na pessoa do Senhor

Casimiro por toda a disponibilidade e empenho, a todos

os técnicos da TVI, e um agradecimento final a todos os

que nos acompanharam através da TVI.

A Associação Mãos Unidas P. Damião – Portugal tem

desenvolvido esforços no sentido de prestar assistência

material e sanitária às pessoas afetadas pela doença de

lepra, através da promoção de ações de luta contra esta

doença e através da cooperação com outras entidades

que se encontram no terreno.

A Associação Mãos Unidas P. Damião – Portugal vai

continuar a manter o legado do Santo Damião de Molokai,

que, foi Pai e Servo dos doentes de Lepra. O trabalho da

Associação Mãos Unidas P. Damião – Portugal tem sido

feito diariamente.

A Associação Mãos Unidas P. Damião – Portugal vai

continuar a caminhar no sentido de fazer a diferença na

vida de todos aqueles que chegam até nós, através do

cordão invisível do amor. Porque é de amor que se trata,

quando falamos da Obra P. Damião.

Todos juntos vamos vencer a batalha da lepra, a chaga

das chagas, mas não nos esqueçamos que existem outras

lepras, as lepras da atualidade em que a Associação

também está atenta às mesmas.

Ao assinalarmos esta data, poderíamos, (e seria desejável)

estar a falar de uma doença que ficou eliminada, lá para

trás, nos séculos passados.

A verdade, é que em pleno século XXI, ao se falar de lepra,

ainda falamos de uma doença atual. A Lepra Existe! A

Lepra ainda Mata! É verdade que a progressão da doença

já se encontra controlada, contudo, ainda continuam a

registar-se milhares de novos casos por ano, sobretudo

na Índia, Brasil, Guiné, Timor e em Moçambique. Estes

milhares de novos casos não são apenas números,

representam pessoas, principalmente crianças, mulheres

e idosos.

Como São Damião pediu ao mundo ajuda, também nós

Associação Mãos Unidas Pe. Damião pedimos ajuda a

todas as empresas e entidades, visto não temos outras

ajudas senão a dos nossos benfeitores, que sem os

mesmos, não seria possível continuar esta obra.

“Pouco a pouco e sem muito barulho, vou fazendo o bem!”

Termino, em forma de reflexão, com as palavras do

Papa Francisco: “Servir o Senhor significa escutar e pôr

em prática a sua palavra. É a recomendação simples

e essencial da Mãe de Jesus, é o programa de vida do

cristão”.

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

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Estatuto do Cuidador

Informal: É tempo de

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

legislar, não de continuar a adiar!

Texto: Sofia Figueiredo, Associação Nacional Cuidadores Informais | fotografias: Gerardo Neves, Jaime Mestre, Rui Ochoa / Presidência da República

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Hoje em dia já não existe ninguém em Portugal que possa dizer que desconhece a realidade

dos Cuidadores Informais. Fizemos um longo caminho para chegar até aqui, mas infelizmente

o essencial ainda está por concretizar: o reconhecimento do Estatuto do Cuidador Informal.

É necessário que se perceba definitivamente que os Cuidadores não são cidadãos de

segunda categoria, mas sim cidadãos de pleno direito e que por isso não podem ser tratados

pela metade.

É urgente fazer justiça! Os Cuidadores têm nomes, famílias, sonhos e frustrações como toda

a gente, no entanto falta-lhes o reconhecimento do trabalho que prestam à sociedade.

Em outubro de 2016 foi entregue uma petição na Assembleia da República que reuniu catorze

mil assinaturas. Daí surgiram projetos lei e recomendações ao Governo. Foram realizadas

manifestações, vigílias e encontros de Cuidadores pelo país em defesa do Estatuto. No

decorrer deste percurso, contamos incondicionalmente com o apoio da Eurodeputada

Marisa Matias que sempre defendeu que o Estatuto deveria ser uma causa de todos os

partidos políticos e apoiada pelo Sr. Presidente da República.

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

21


A Associação Nacional de Cuidadores Informais defende que

o Estatuto do Cuidador Informal deve abranger a área social,

laboral e da saúde, e tem como principais reivindicações a

criação de uma componente financeira, carreira contributiva,

alteração da legislação laboral, nomeadamente o direito

ao horário flexível, trabalho a tempo parcial e licenças sem

perda de remuneração, o direito ao descanso do Cuidador e

acompanhamento psicológico.

No próximo dia 8 de março serão discutidas na Assembleia

da República as propostas apresentadas pelo governo,

CDS, PSD e PAN. Nesse mesmo dia às 9h30 realiza-se uma

concentração na escadaria da Assembleia da República em

defesa da dignidade dos Cuidadores Informais.

Apelamos a todos os partidos que assumam as suas

responsabilidades e não continuem a fechar os olhos.

Sobre as propostas apresentadas é importante referir que

discordamos com os projetos piloto que não chegam a todos

os que necessitam, discordamos também que o seguro

social voluntário seja pago pelos Cuidadores que estão

em situação de carência económica e discordamos que se

proceda à identificação das medidas legislativas referentes à

proteção laboral no prazo de 120 dias. Cabe à Assembleia da

República legislar, não há necessidade de encaminhar para a

concertação social.

"Em 2018, em pleno estado social, fazer de conta que

não existem os cuidados informais e os que por eles são

acompanhados não é só um erro imperdoável, é um atropelo

incompreensível a um valor fundamental que se chama

respeito pela dignidade humana. Eu acredito que antes

do final desta legislatura, haverá um Estatuto do Cuidador

Informal aprovado na Assembleia da República".

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

Estas foram as palavras do Presidente da República no

encerramento do Encontro Regional de Cuidadores Informais

que ocorreu em Vila Nova de Cerveira em setembro de 2018.

Estamos em 2019 e continuamos a aguardar. O que querem

saber mais para legislar? Já esperamos tempo demais!

22


AGRADECIMENTOS

A Associação Mãos Unidas Pe. Damião quer agradecer publicamente ao

PINGO DOCE das Olaias, pela doação diária de diversos bens alimentares

e produtos de higiene que muito contribuiem para os cabazes que

entregamos às famílias que apoiamos.

O NOSSO MUITO OBRIGADO!

OBRIGADO!

A Associação Mãos Unidas

Pe. Damião quer agradecer

publicamente ao colaborador

Orlando Vieira Correia e à sua

esposa, pela sua generosidade

ao doarem uma cama ao menino

Régis, um dos Casos de Vida que

a Associação Mãos Unidas apoia.

Agradecemos igualmente à empresa

Torrestir pelo transporte

gratuito da cama.

Uma atitude de solidariedade

e atenção prestada a esta

Associação.

O NOSSO MUITO OBRIGADO!

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

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A violência contra

a pessoa idosa

Texto: Equipa do Pólo de Carregal do Sal | fotografia: ARquivo Institucional

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

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A realidade desconhecida e cada vez mais presente…a

violência cometida contra a pessoa idosa. Pessoa idosa?

Diríamos mais um corpo marcado pelo tempo e uma

alma de um jovem repleta de sabedoria e experiência de

uma vida de trabalho, uma pessoa que carrega a herança

mais valiosa no peito, as memórias e histórias de uma

vida que nem sempre estamos dispostos a ouvir.

A dura verdade é que nem todos temos a mesma paciência

ou disponibilidade para cuidar dos idosos, a falta de

tempo para dar amor, carinho e atenção tornou-se a desculpa

mais usada para escapar à responsabilidade moral

de cuidar de quem cuidou de nós.

Infelizmente, nos dias de hoje as pessoas idosas são sujeitas

a vários tipos de abuso dentro da sua própria casa,

na casa de familiares e em lares, abusos infligidos por

filhos, netos ou funcionários de instituições. Um crime

grave reconhecido como uma problemática social, um

crime que na maior parte dos casos dura anos e a pessoa

vive em sofrimento remetendo-se ao silêncio, sem nunca

denunciar o culpado, algumas vezes por não reconhecer

que está a ser negligenciado, por não reconhecer os seus

direitos, por perda de memória ou demência, por viver

socialmente isolado, por se sentir culpado ou por sofrer

chantagem emocional.

A violência praticada contra os idosos pode ter várias formas

e implicar a prática de vários crimes. Destacam-se:

Violência Física – ofensa à integridade física ou maus

tratos físicos;

Violência Psicológica - comportamento, verbal ou não

verbal, que visa provocar intencionalmente dor no idoso,

por exemplo, insultos, ameaças, humilhação, intimidação,

isolamento social, proibição de atividades.

Negligência e Abandono – omissão de auxílio na providência

das necessidades básicas, necessárias à sobrevivência

do idoso;

Violência Financeira – apropriação ilícita do património

do idoso.

Direitos do idoso

Em qualquer circunstância, deve ser respeitada a autonomia

do idoso na gestão da sua vida e património, sendo

que o mesmo só pode ser substituído se lhe forem autorizados

poderes legais. De acordo com a legislação portuguesa

para o idoso, mais precisamente o Artigo 72.º da

Constituição da República Portuguesa:

• As pessoas idosas têm direito à segurança económica

e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário

que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem

e superem o isolamento ou a marginalização social;

• A política de terceira idade engloba medidas de carácter

económico, social e cultural, tendentes a proporcionar

às pessoas idosas oportunidades de realização

pessoal, através de uma participação ativa na vida da

comunidade.

Assim, segundo a ONU todos os idosos têm direito à independência,

participação, assistência, auto realização

e dignidade.

Proteção do idoso - O que podemos fazer enquanto cidadãos.

O silêncio facilita a continuação da violência. Se desconfiar

que algo de errado se passa com um idoso:

• Tente aproximar-se e converse com cuidado para não

ferir suscetibilidades.

• Caso o idoso assuma que é vítima de violência doméstica,

faça tudo o que for preciso para apoiá-lo a sair

desta situação.

• Comunique a situação às autoridades policiais ou aos


serviços do Ministério Público junto de um Tribunal e

comunique também aos serviços de Saúde e aos da

Segurança Social.

• Ajude a pessoa idosa a contactar a APAV para iniciar

um processo de apoio jurídico, psicológico e

social.

• Respeite a sua liberdade e as suas decisões, reforçando

a confiança na capacidade de gerir a sua

própria vida.

• Qualquer pessoa, desde que tenha conhecimento

de uma situação de violência ou de crime perante

uma pessoa idosa, pode denunciar junto das entidades

competentes.

Dados estatísticos da violência contra idosos em Portugal

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS),

Portugal é um dos países com maior taxa de violência

contra idosos. De acordo com o último estudo realizado

pela APAV – Associação Portuguesa de Apoio à

Vítima, entre 2013 e 2017, registou um total de 5683

processos de apoio a pessoas idosos, em que 4556

foram vítimas de crime e violência.

No mesmo estudo, concluiu-se que cerca de 28% das

pessoas idosas vítimas de crime e de violência, tinham

entre 65 e 69 anos, sendo que 42% eram casadas e

30,5% pertenciam a um tipo de família nuclear com

filhos.

Tendo em conta o tipo de problemáticas existentes,

prevalece o tipo de vitimação continuada em cerca de

79% das situações, com uma duração média entre os

2 e os 6 anos. Sendo a residência comum o local mais

escolhido para o “ocorrência dos crimes”, em mais de

53% das situações.

É vítima de violência ou tem conhecimento de uma

pessoa idosa amiga ou familiar que está a ser vítima

de violência e de crime? Ajude-o!

Um crime tão grave como este

nunca deve ser silenciado.

Contactos úteis de Apoio à Vítima Idosa:

Associação Portuguesa de Apoio à Vítima:

707 200 077

Linha Nacional de Emergência Social: 144

Linha do Cidadão Idoso: 800 203 531

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aGENDA

cULTURAL

Texto: Joana Gonçalves | Foto: Pesquisa

Cinema

“GABRIEL”

“Há combates que não podes escolher. Depois da morte da mãe, Gabriel, um jovem

pugilista cabo-verdiano, viaja até Portugal à procura do pai, um antigo campeão

de boxe dos Olivais. Na busca pelo pai, Gabriel conhece Rui, um membro violento

do gangue local liderado por Jorge, que organiza todos os combates ilegais do

bairro. Gabriel aceita entrar num perigoso combate para tentar salvar a vida

do pai, mas conseguirá ele deixar a honra de lado, desapontando todos os que

acreditam em si?” – www.gabrielofilme.pt.

Um filme português que conta com a participação de Igor Regalla, Martinha

Ferreira, José Condessa, Mina Andala, Sérgio Praia, Susana Sá e Almeno

Gonçalves. Poderá assistir a este filme no cinema a partir do dia 21 de março.

Música

“ROAD TO SBSR: 25 anos, 25 concertos por todo o país”

É já a partir de 6 de abril que começamos a celebrar a 25ª edição do Super Bock

Super Rock com o Road to SBSR, um circuito de 25 concertos promovidos pela

Super Bock, em parceria com o Maus Hábitos.

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

Este warm up vai ter lugar entre abril e junho, em 7 datas (6, 13, 26 e 30 de abril,

4 e 18 de maio e 1 de junho) e vai passar por 16 cidades, de norte a sul do país,

descentralizando a música ao vivo dos circuitos habituais, culminando na 25ª

edição do Super Bock Super Rock.

Conan Osiris, Conjunto Corona, Galgo, Glokenwise e Sallim são os nomes que

confirmam esta autêntica aposta. – SBSR

27VI


Teatro

“ZOOM”

“Zoom é uma peça sobre a relação de

Sarah, uma fotojornalista recém-chegada

da Guerra do Iraque, depois de ter sido

ferida pela explosão de uma bomba, e

do seu namorado James, um repórter

de guerra. James tenta que mudem o

rumo das suas vidas, para que possam

finalmente sonhar com uma “vida normal”,

mas as cicatrizes emocionais com que

ambos se debatem revelam um casal numa encruzilhada.” – Teatro da Trindade INATEL.

Uma peça de Donald Margulies e encenada por Diogo Infante que conta com a participação de Sandra Faleiro, João Reis, Sara

Matos e Virgílio Castelo, estará em cena no Teatro da Trindade (Lisboa) de 10 a 31 de março. Os preços variam entre os 12€ e 18€ e

podem ser adquiridos em bol.pt, bilheteira.trindade@inatel.pt ou pelo 213 420 000.

Exposição

“ESCHER”

“A obra de M. C. Escher, vista por cerca de

três milhões de pessoas em exposições

realizadas em cidades como Nova York,

Roma, Bolonha, Lisboa ou Nápoles, chega

agora à cidade invicta.

retrospectiva, com 135 obras, dedicada ao artista holandês.

Até ao dia 28 de julho, o Centro de

Congressos da Alfândega do Porto

apresenta uma grande exposição

Com a curadoria de Mark Valdhuisen e de Frederico Guidiceandrea, a exposição mostra-nos o percurso criativo do grande génio

visionário que encantou a mente dos cientistas e a fantasia dos artistas gráficos, exercendo uma enorme influência no mundo da

arte.” – Centro de Congressos da Alfândega do Porto.

O preço dos bilhetes varia entre os 5€ (criança) e os 12€ (adulto), sendo que fazem descontos para grupos. Se está pelo Porto não

perca esta oportunidade!

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26 VII


Testemunho

Texto: Joana d'Arte |

fotografia e Maquilhagem artística: Andreia Pereira (www.facebook.com/andreiapereiramakeup/)

Sinto-me nua quando amo.

Essa fragilidade desprotegeu-me em todos os meus relacionamentos anteriores,

sobretudo no último. No último desamor.

Isto pode soar hiperbólico, mas eu não me encontrava, senão por meio do

agressor. Era dependente dele e da sua manipulação. Essa, então, era sistemática,

quase merecedora da minha culpa.

Rompi laços e desadequei a minha serenidade: ora bem, ora mal, uma inconstante

que predominava a minha rotina. Depressiva, angustiada, ansiosa, só, sufocada,

agredida - física, psicológica e verbalmente - não me expressava. Mais

não fosse porque estar em silêncio seria, para ele, aparentar uma calmaria, ás

pessoas, de que tudo estaria em paz. Assim não o era, de todo.

Num polo labiríntico, teria de decidir se continuaria a assumir o papel de submissa,

repressora das suas vontades ou, por outro lado, demonstrava virtudes,

em prol do meu bem-estar.

Durante alguns anos, não consegui deixar de me autoanular, de forma a beneficiar

a cobardia de outrem. E, após o término do relacionamento, hesitei, algumas

vezes, esperançosa, de que algo poderia ser alterado. Mas, tal como refere

Eleanor Roosevelt: "Se alguém te trai uma vez, a culpa é dele. Se trai duas, a

culpa é tua". E, depende de ti, partir para o desapego, não permitindo que te

humilhem, mais uma vez. Sem ilusões, não camuflando mais a realidade, de

repente, aboli o cenário, que seria o previsível (dor, ofensa, ameaça, opressão

e malícia), e, agradecida, após tantos capítulos ensanguentados, deparei-me

com a reconstrução da minha essência.

Aconselho-te a partilhares com os teus familiares e amigos, todos os episódios

de violência. No momento, poderá parecer constrangedor, mas, depois de atenuares

as ideias, fá-lo. Sugiro, também, acompanhamento psicológico e vinculação

ás terapias alternativas, enquanto complemento.

Grata, à arte, por me ter desvanecido as energias más e exacerbado as boas.

Partilho a minha história, porque, de uma forma ou de outra, conseguirei, a ti,

que estás a ler este artigo e que vivencias algo similar, influenciar e reforçar

que és honrosa, poderosa, harmoniosa e sã. Depois da libertação, encararás a

verdade e sentir-te-ás feliz num corpo com alma à semelhança do que um dia já

foste. Não consintas, jamais, que ridicularizem o teu amor próprio. E perdoa-te.

Aí sim, saberás encontrar-te, de forma assertiva, sem intermédio de alguém,

enfrentando a ti mesma e à liberdade.

Um sorriso feliz,

Joana d'Arte

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

28 V


Dia Internacional

da MulheR

Sabemos a sua história e significado?

Texto: RITA FERREIRA SILVA | fotografia: ARquivo Institucional

Em 1857, as operárias de uma fábrica de têxteis em Nova York, organizaram uma greve com manifestação contra as

precárias condições de trabalho a que estavam sujeitas. Durante a manifestação, cerca de 130 mulheres, morreram,

tragicamente, durante um incêndio.

Esta podia ser apenas mais uma história. Mas a verdade é que foi a ‘inspiração’ para o que hoje celebramos como o

Dia Internacional da Mulher. Não foi uma luta fácil, e muito menos rápida. Mas, felizmente, hoje é um dia reconhecido

por vários países.

Inspiraras no acontecimento de 1857, um grupo de profissionais liberais criou, em 1903, a associação Women’s Trade

Union League que visava ajudar as trabalhadoras a exigir melhores condições de trabalho.

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

Foi em 1908 que uma nova manifestação saiu à rua. Mais de 14 000 mulheres reivindicaram por melhores condições

laborais e pelo direito ao voto sob o slogan ‘Pão e Rosas’. Este acto fez com que o Partido Socialista da América organizasse

um Dia da Mulher, a 20 de Fevereiro de 1909 e, finalmente, em 1975, as Nações Unidas instituíram o dia 8 de

Março como o Dia Internacional da Mulher, hoje celebrado em mais de 100 países e usado como estímulo para a luta

pela igualdade de direitos e contra o preconceito.

Foi, e continua a ser, um caminho marcado por manifestações, greves e luta. E num ano em que tanto se fala sobre

violência doméstica, que este dia sirva para garantir que, ano após ano, conseguiremos pôr fim à discriminação, à desigualdade

de géneros, à violência, ao preconceito e acreditando que, desta forma, deixaremos um mundo melhor para

as nossas filhas e netas, e lhe incutiremos que o género não deve ser uma barreira e que todos temos o direito de ter/

ser o que quisermos.

29 IV


Pelas vítimas que

gritam em silêncio

Texto: Joana Marques \\ Fotografias: Tiago Frazão

No dia 10 de fevereiro de 2019, mais de 400 pessoas

marcharam em silêncio pelas vítimas de violência

doméstica. A organização não esteve ligada a nenhum

partido político, sindicatos ou movimentos associativos.

Chamo-me Joana Marques, tenho 34 anos e sou

Assistente Social há 12 anos. Sou associada da

Associação Mãos Unidas P. Damião - Portugal e Integro o

conselho consultivo desta organização.

A marcha silenciosa pelas vítimas de violência doméstica

consistiu num puro exercício de cidadania. Procurámos

mobilizar as pessoas em torno de uma causa comum, que

é uma causa a favor das vítimas e contra a violência.

A iniciativa da marcha partiu de um grupo de cidadãos

anónimos que se juntou e resolveu sair de casa, dos seus

espaços de reflexão para vir para as ruas, juntamente com

vítimas e ex-vítimas, no sentido de marcar uma posição.

A organização da marcha foi divulgada a partir das redes

sociais e surgiu a partir do momento em que a oitava

mulher foi assassinada. Fez todo o sentido estarmos

juntos em prol das vítimas, porque são elas que vivem

todos os dias em silêncio e este silêncio tem um ruído

diário. Um ruído que entrou na consciência de todos nós.

da marcha. No dia 10 de fevereiro de 2019, mais de

400 pessoas marcharam em silêncio pelas vítimas de

violência doméstica. A marcha chegou mesmo a obrigar

ao corte total da circulação de trânsito. A organização

não esteve ligada a nenhum partido político, sindicatos

ou movimentos associativos.

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

31II

A Marcha não teve a pretensão de apontar ou de dizer o

que falhou. Sabemos que a violência doméstica é uma

problemática complexa, abrangente e que envolve muitas

pessoas, de todos os estratos sociais.

Não nos consideramos especialistas da área, deixamos

aos politólogos, aos especialistas, a quem discute a

sociedade civil, para refletir sobre o poder simbólico

A partir do Marquês de Pombal, os cidadãos dirigiramse

para a Assembleia da República, caminhando atrás

de uma faixa preta que apontava o dedo à violência:

" Chega!" ; " Quem bate em alguém, agride toda a

sociedade"; "Violência não tem desculpa, tem lei"; "

A violência é a arma dos medíocres"; " A violência é

cobardia".

Uma marcha igualmente recheada de cartazes com frases


fortes evocando as vítimas " Eu fui vitima e sobrevivi"; " As

vítimas gritam em silêncio"; " a culpa não é das vítimas e

sim de quem agride" e de balões pretos que simbolizavam

as vitimas mortais.

onde existe violência doméstica é uma sociedade doente,

por isso vamos continuar a marcar a nossa posição a favor

das vítimas e sempre contra a violência. CHEGA!

Percebemos que a marcha teve impacto na comunidade,

uma vez que mobilizou os meios de comunicação social

(imprensa escrita e audiovisual), as universidades e

denotou-se uma maior sensibilização coletiva. No dia 18

de fevereiro o programa Prós e Contras da RTP1 abordou

o tema da violência doméstica e convidou cidadãos

que participaram na marcha. O programa deu voz a

mulheres (como a Margarida) que tiveram de partilhar na

primeira pessoa, o seu processo de violência. As mulheres

foram colocadas no centro da discussão, de forma a

compreendermos a problemática a partir de todos os

ângulos.

Já foram assassinadas 11 mulheres desde o início do ano,

o que perfaz 2 assassinatos por semana. Durante o ano

passado, foram assassinadas 28 mulheres e, segundo

o levantamento feito pelo Observatório de Mulheres

Assassinadas, “503 mulheres foram mortas em contexto

de violência doméstica ou de género”, entre 2004 e o final

de 2018.

Estamos a organizar uma nova marcha, também de

posicionamento contra a violência e a favor das vítimas,

mas desta vez no Porto. Consideramos que uma sociedade

Jornal MÃOS UNIDAS março/abril ’19

30 III


Caderno

Jovem

"CHEGA!

Quem bate em alguém, agride toda

a sociedade."V

PUBLICAÇÃO BIMESTRAL | PREÇO: 1,00€ | ISSN: 1646 - 4389 | ANO VII - Nº 50 | MARÇO/ABRIL 2019 | DIRETOR: MANUEL VIEIRA NOGUEIRA

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