palcos #3 - Federação Portuguesa de Teatro

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palcos #3 - Federação Portuguesa de Teatro

NESTE NÚMERO:

PAULO PRATA RAMOS

O ARQUITECTO... DA LUZ

palcos

Revista

CONTACTO TRIUNFA

EM PÓVOA DE LANHOSO

«GRADIM À JANELA DA AUSÊNCIA»

PRÉMIO RUY DE CARVALHO 2012

IX FÓRUM PERMANENTE

A FESTA SUBIU A GUIMARÃES

# 03 março ‘12


editorial

A 3 ª edição da Revista Palcos está aí para falar do Teatro e dos assuntos que a ele dizem

respeito.

Março, mês do Teatro por excelência, é escolhido por muitas companhias de teatro para

levarem a cabo os seus festivais e mostras de teatro. É também em Março que o Teatro

comemora o seu Dia Mundial.

Os destaques deste número vão para o(s) vencedor(es) do Concurso Nacional de Teatro,

para o IX Fórum Permanente de Teatro – I Fórum Europeu de Teatro que Guimarães,

Capital Europeia da Cultura, acolheu no passado mês de Janeiro. Vamos, também,

conhecer um pouco melhor Paulo Prata Ramos, Director Técnico da Culturgest e

formador de Iluminação, com presença habitual nos Fóruns da Federação Portuguesa de

Teatro e ficamos também a conhecer um pouco melhor Setúbal e o Grupo de Animação e

Teatro “Espelho Mágico”, nosso associado, que será o anfitrião do próximo Fórum

Permanente, em Outubro.

O principal destaque, vai, no entanto, para a petição que a Direcção da FPTA lançou em

Janeiro último, em Guimarães, para a institucionalização do dia 21 de Março, como Dia

Nacional do Teatro de Amadores. Está a decorrer um período de recolha de assinaturas,

em livros adquiridos para o efeito, que foram distribuídos a cerca de trinta associados e

que se prevê terminar no próximo mês de Setembro. A Direcção da Federação pretende

e prevê recolher cerca de 25 mil assinaturas a favor desta causa que a todos nos orgulha.

Após esta recolha irão ser desenvolvidos, junto da Assembleia da República, os

procedimentos necessários à prossecução deste objectivo. Contamos com o apoio de

todos os que amam o Teatro.

No período que mediou entre o anterior número da Palcos e este tiveram lugar alguns

acontecimentos que merecem destaque, uns pela negativa, como por exemplo o

falecimento de Luiz Francisco Rebello, figura maior do nosso teatro e que foi alvo de uma

homenagem no Fórum Permanente de Teatro de Tondela (em Janeiro de 2011) e que nos

deixou em Dezembro do ano passado; outros, pela positiva, como por exemplo a

assinatura de um protocolo de cooperação entre a Federação Portuguesa de Teatro e a

Escenamateur, Confederação Espanhola de Teatro de Amadores que reconhece ambos

os organismos como representantes únicos e exclusivos do teatro de amadores

respectivamente em cada um dos países. De referir também que a Federação

Portuguesa de Teatro está também associada à Coligação Portuguesa para a Diversidade

Cultural, tendo assento nos seus órgãos sociais. Em 31 de Janeiro a Coligação, através do

seu Presidente, Fernando Vendrell, entregou uma carta aberta a Durão Barroso (em

Bruxelas) em que se defende a diversidade cultural de cada país da União Europeia,

nomeadamente através da defesa da um sistema de tributação das políticas culturais

adoptado à realidade da era digital, a simplificação da avaliação aos apoios estatais para

a cultura e a extensão desses mesmos apoios a novos formatos digitais.

A Federação está, pois, envolvida ao mais alto nível na defesa e desenvolvimento do

teatro e da cultura em geral, actuando tanto a nível interno como a nível externo na

defesa destes interesses.

Fernando Rodrigues

Director

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editorial

conversas de bastidores

paulo prata ramos

estreia

ix fórum permanente de

teatro

programa de sala

g.a.t. espelho mágico

setúbal

na ribalta

concurso nacional de

teatro 2012

boca de cena

petição para o dia nacional

do teatro de amadores

reportório

a evolução teatral

sem palco

a pedra e eu

FICHA TÉCNICA

Propriedade

Federação Portuguesa de

Teatro

Praça José Afonso, 15 E

C. C. Colina do Sol, Loja 55

2700-495 Amadora

geral@fpteatro.pt

www.fpteatro.pt

Director

Fernando Rodrigues

Conselho Editorial

Rafael Vergamota, Luis

Mendes, Eugénia Oliveira e

José Teles

Chefe de Redacção

Rute Lourenço

Colaboradores permanentes

Manuel Ramos Costa, Sandra

Barradas e Bruno Gomes

Grafismo e Paginação

Gabinete de Comunicação /

Federação Portuguesa de

Teatro

Colaboraram neste número

Céu Campos

Periodicidade Semestral

Os textos propostos para edição

d e verã o re m e t i d o s p a ra

revista.palcos@fpteatro.pt ,

sendo objecto de avaliação

prévia, por parte do Conselho

Editorial.

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conversas de bastidores

PAULO PRATA RAMOS

O ARQUITECTO... DA LUZ

Manuel Ramos Costa

Dramaturgo e Encenador

Atentem nas respostas que dá a esta

entrevista e nas fotos que a ilustram e

encontrarão algumas das evidências ou

resplandecências da sua personalidade: Uma

pessoa tranquila, contemplativa, generosa,

apaixonada e segura da sua fortuna – o

trabalho e a família.

Tenho-me cruzado com ele nos últimos fóruns

da Federação Portuguesa de Teatro e, mesmo

sem termos trocado grandes prosas, pude

desfrutar do seu trabalho e do modo como o

exerce junto daqueles que fazem a sua

aprendizagem na arte da luz.

Neste campo, o seu contentamento é o êxito,

não só o seu mas também o dos outros, já que

a sua generosidade excede qualquer

sentimento egocentrista. O respeito que exige

para si é o mesmo que dedica aos outros onde quer que esteja e com quem seja. O seu

leve sorriso e o seu olhar profundo revelam um homem íntegro, apaixonado, criativo,

educador e determinado a fazer o melhor para o bem comum, principalmente, do

universo em que se move e destaca.

Falo-vos de Paulo Prata Ramos, cuja mestria na arte da luz e magnanimidade pessoal

gostaria de enaltecer nesta pequena aventura de perguntas e respostas. Nada,

porém, do que eu pudesse dizer seria suficiente para honrar a chama e a exegese das

suas próprias palavras. Está tudo muito bem desenhado. E límpido.

PAULO PRATA RAMOS, nasceu em Angola em 1970, viveu em Moçambique e, no pós 25 de

Abril, os seus pais acharam sensato mudarem-se para o Brasil, de onde regressaram a Portugal

na década de 80. Nunca viveu muitos anos no mesmo sítio, o que sem dúvida marcou a sua

infância, adolescência e juventude, razão pela qual sempre se sentiu desenraizado. Soube

desde pequeno que queria ser arquiteto, apesar de os testes psicotécnicos indicarem que

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deveria ser engenheiro. No entanto «Hoje, acho que tenho costelas de ambos, o que acaba por

ser positivo para o meu trabalho: diretor técnico da Culturgest.»

Sobre a sua juventude, diz: «Tive uma juventude bastante animada (que é um adjetivo

politicamente correto) e só passei a ser uma pessoa moderadamente ajuizada quando comecei

a namorar a minha atual mulher.»

Têm dois filhos maravilhosos, que «são o nosso maior projeto.»

E siga a entrevista.

MRC: Paulo, tu que mexes com luz, o que te diz o sol?

PPR: O sol é fantástico, está sempre a mudar, está sempre diferente. Pode ser quente,

num fim de tarde, ou frio numa manhã enevoada. Tem personalidade própria. É

impossível de caracterizar. No entanto, simultaneamente, transmite uma forte noção de

constância, marcando o nosso tempo.

MRC: E a lua?

PPR: A lua é misteriosa e feminina. A magia da sua luz revela-se não tanto pelo que

ilumina, de forma ténue, mas pela sua presença luminosa, que se recorta atrás das

nuvens, atrás das árvores. O céu de luar é um ciclorama magnificamente iluminado.

MRC: Lisboa?

PPR: Nasci em Angola numa aldeia junto à fronteira com o Congo, que deixou de existir

durante a guerra. Digamos que sou órfão de terra natal. Lisboa é a cidade que escolhi

para ser a minha terra natal adotiva. Não é perfeita mas é onde me sinto em casa.

MRC: Évora?

PPR: Évora é uma daquelas recordações que me aquecerá o coração quando for mais

velho. Trabalhei lá algumas vezes, quer em projeto e quer em espetáculo, mas o que me

marcou foi a experiência como docente no curso de Teatro da Universidade de Évora.

Adoro dar aulas. Acho que ser professor é a profissão mais nobre de todas. Dá-se muito

e recebe-se muito em troca. Achei os alunos fantásticos, cheios de dinamismo e ideias.

MRC: E o teatro?

PPR: O teatro, ou mais genericamente o mundo do espetáculo e o desenho de luzes ,

é a

minha amante de longa data. É a minha segunda paixão, uma paixão inebriante, que me

desencaminha. Por isso tenho que me manter afastado. Hoje mantenho um amor

platónico: sou diretor técnico.

MRC: Fala-nos do projeto Espaço, Tempo e Utopia.

PPR: Espaço Tempo e Utopia é um projeto conjunto que iniciei há dez anos com a minha

mulher, de formar um ateliê especializado em salas de espetáculos. Baseou-se na ideia

de que a prática e a teoria devem andar de mãos dadas, pelo que para fazer bons

projetos de teatros tínhamos que, em simultâneo, trabalhar em espetáculos. Estivemos

envolvidos como projetistas ou consultores em diversos projetos de que muito me

orgulho, como o Teatro Circo de Braga, o Teatro da Cerca de São Bernardo, o São Luiz,

a Sala Estúdio do Dona Maria e o Fórum Luísa Todi, atualmente em obra.

Paralelamente, fizemos desenhos de luz, direção técnica, produção e cenografia. Com

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a escolha do nome pretendíamos transmitir a nossa filosofia. Espaço, tempo, utopia,

são conceitos ligados à arquitetura e aos espetáculos. Atualmente, dedicamo-nos

apenas ao projeto e já não trabalhamos exclusivamente em salas de espetáculos. Foi

uma decisão do mercado em que nos deixámos ir.

MRC: Tendo enveredado pela arquitetura, como é que surges no mundo do espetáculo

como técnico de luz?

PPR: Pelas mãos do meu sogro, Orlando Worm. O

Orlando queria que toda a família se unisse à volta

do mundo do espetáculo e foi dele em certa medida

que partiu a ideia de especialização em projetos de

teatros e de trabalhar em espetáculos para saber

projetar. Comecei a trabalhar com ele em 1993

como técnico de luz enquanto estava a tirar o curso

de arquitetura. Em 1998 fui seu assistente na

direção técnica do Teatro Camões. Em 2002 ganhei

autonomia e fui fazer a direção técnica do São Luiz.

O Orlando Worm foi um grande mestre. Eu e muitos

outros aprendemos imenso com ele. Foi um legado.

MRC: A expressão «fazer desenhos de luz», o que é que traduz?

PPR: O desenho de luz não é palpável. Há uma componente objetiva e técnica de

escolha de projetores, do seu posicionamento, da sua afinação. Depois há uma

componente subjetiva da escolha das cores, das intensidades, das variações no tempo,

da interação com os artistas e com o cenário. A luz é a parte de um todo: texto,

encenação, cenário, figurinos, caracterização, personagens. Fazer um desenho de

luzes é como tocar num grupo de Jazz. Para haver harmonia tem que haver qualidade

individual e coletiva, o que exige empatia, trabalho conjunto e respeito pela liberdade

individual. Quando isto acontece o desenho de luz surge de forma natural.

MRC: Quando fazes um desenho de luz, quais são as tuas maiores preocupações?

PPR: Saber interpretar o todo. Fazer com que se sinta que a luz está presente mas sem

se sobrepor a nada. Conseguir sublinhar o discurso dramatúrgico.

MRC: Nos últimos anos, muitas companhias têm privilegiado «a luz» em detrimento da

cenografia. O que te apraz dizer sobre isto?

PPR: Que não devia acontecer. É inegável que o desenho de luz pode desempenhar um

importante papel cenográfico mas curiosamente a importância desse papel diminui

quando não existe qualquer cenografia. Para se sentir a luz tem que haver objetos

iluminados. A existência da cenografia enriquece a luz e cria novas possibilidades de

trabalho. Mais uma vez, o espetáculo é um todo. Deve haver cenografia e deve haver

desenho de luz. Na maior parte das vezes a utilização da luz como elemento

cenográfico em detrimento da cenografia não parte da vontade própria do encenador

mas prende-se sobretudo com questões económicas.

MRC: O que pensas do teatro feito nas associações?

PPR: Tem virtudes que o teatro profissional normalmente não tem, de trabalho com as

comunidades, de relação com o local, de formação. Vejo certo paralelismo com o

trabalho das autarquias locais, que é de pequena escala, de contacto direto mas que

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coletivamente é de importância nacional.

MRC: Pelo que te é dado conhecer, achas que os grupos de teatro têm sabido explorar

as potencialidades dos equipamentos de luz de que dispõem? O que mais seria preciso,

então?

PPR: Ainda há muito por fazer. Nem todas as companhias veem a luz como uma arte

mas apenas como uma técnica. Fazer um desenho de luzes não tem nada a ver com

garantir que há luz que chegue para ver o espetáculo. Não tem a ver com a qualidade ou

quantidade de equipamentos mas sim com a forma como se usa. É preciso intercâmbio,

formação e sobretudo experimentação.

MRC: Achas que o nosso país, no campo das artes, está bem servido de técnicos de

luz? Ou reina por aí ainda muita ignorância?

PPR: Por vezes falta conhecimento teórico que potencie o conhecimento prático. A

formação não pode ser baseada apenas na experiência.

MRC: Profissionalmente, és uma pessoa muito exigente contigo mesmo?

PPR: Sou muito exigente, o que não é necessariamente bom. Por vezes perco tempo

com pormenores. É preciso alguma objetividade para dosear a exigência e eu nem

sempre tenho essa objetividade.

MRC: Que espetáculos iluminaste? E qual foi aquele que mais gozo de te iluminar?

PPR: Iluminei coisas muito diferentes: teatro, espetáculos para televisão, musicais,

dança. São abordagens muito diferentes. O que me deu mais gozo foi um dos primeiros,

Divina Comédia, de Jean Paul Bucchieri, que estreou no CCB em 2000. Era um

espetáculo em que a luz tinha enorme importância dramatúrgica, era mais uma

personagem em palco. Aprendi imenso.

MRC: O que te apraz dizer sobre os fóruns realizados pela Federação Portuguesa de

Teatro?

PPR: Que cumprem na perfeição aquilo que anteriormente referi como sendo

necessário: intercâmbio, formação e experimentação.

MRC: Todos somos atraídos por projetos que, pela sua grandeza ou pela sua

envergadura, vamos adiando. Quais são os teus?

PPR: Fazer o doutoramento. Tudo passa à frente. Já devia ter aceite a realidade e

desistido mas acho sempre que no mês seguinte conseguirei ter tempo.

MRC: Que conselho darias aos jovens que pensam estudar e fazer carreira no teatro? A

profissão de «desenhador de luz» seria uma boa saída?

PPR: A motivação para estudar e fazer carreira em teatro não pode ser orientada pelo

pensamento de se é ou não uma boa saída, mas sim se se sentem compelidos para tal.

Por um lado em Portugal dificilmente a arte é uma boa saída, por outro lado porque

sendo o trabalho em teatro arte, deve haver vocação. Para se ser desenhador de luz

não é diferente disto.

MRC: Além da arquitetura e do teatro, que outras artes te dão alegria de viver?

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PPR: Gosto de tirar fotografias. O digital veio permitir máquinas pequenas que são

cómodas para levar para todo o lado e podemos estar sempre a tirar fotos, porque é

muitíssimo mais barato que a película.

MRC: Fora da tua profissão, quais são os elos mais importantes que te prendem à vida?

PPR: Estar com a família, de preferência na natureza. Adoro caminhadas, piqueniques

e acampar. Quando nos privamos dos nossos confortos diários dos livros, e-mail,

televisão, telemóvel, podemos nos concentrar devidamente naquilo que levamos

connosco: a família.

MRC: Olhando-te, hoje, ao espelho, o que vês?

PPR: Sinto que ainda tenho muito para fazer e que tenho cada vez menos tempo. Até

aos trinta e poucos achamos que temos tempo de realizar todos os nossos projetos. A

partir dos quarenta ganhamos a consciência que já passámos metade da nossa vida e

que o tempo urge. Sinto pressa ao olhar-me ao espelho.

MRC: Diz-me três coisas de que gostas muito.

PPR: A família, o trabalho e estudar. Sou muito feliz. Tenho essas três coisas.

MRC: E três de que não gostas mesmo nada.

PPR: O mundo como é hoje, em que há uma absoluta inversão de valores, em que a

economia conduz os estados e as escolhas políticas, em que há governos europeus

não legitimados pelo voto, em que instituições não sufragadas como as agências de

rating condicionam o nosso futuro. É o fim da democracia. É apenas uma coisa que não

gosto mas que vale por três! (Ou mais.)

MRC: Como cidadão, achas que para Portugal, há atualmente luz ao fundo to túnel?

PPR: O que quero ser. Ainda não sei responder.

Em consciência e na verdade, um bom mestre diria o mesmo. Não me surpreende.

Todavia, uma só coisa me preocupa saber: é que pessoas assim como o Paulo

Prata Ramos se contem pelos dedos num universo de milhões. Exagero? Penso que

não.

Faça-se luz!

PPR: Acho que não. O túnel é muito longo e

tortuoso. Não se vê nada. Mas nenhum túnel é

infinito e havemos de chegar ao outro lado, é

tudo uma questão de tempo. Entretanto temos

que ir caminhando às escuras e sem perder a

e s p e r a n ç a . S e m e s p e r a n ç a n u n c a

chegaremos a lado nenhum.

MRC: Que pergunta gostarias que nunca te

fizessem?

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estreia

IX FÓRUM PERMANENTE DE TEATRO

FÓRUM EUROPEU DE TEATRO

Guimarães 2012

José Teles

Director do Fórum Permanente de Teatro

Com o coração aberto, a “Cidade Berço”, Guimarães, recebeu a 8ª Edição do Forum nos dias,

13, 14 e 15 de Janeiro de 2012, uma semana antes da abertura oficial de Guimarães Capital

Europeia da Cultura, o 9º Forum Permanente de Teatro o 1º Forum Europeu de Teatro.

O ambiente da cidade é de festa, o ambiente no CAR

– Circulo de Arte e Recreio é de grande azafama,

com toda a programação que se avizinha, e com

todo o trabalho que antecipadamente sabe que tão

grande evento na cidade lhe vai dar.

Sexta-feira, e ao Auditório Nobre de Azurém –

Campus da Universidade do Minho, começam a

chegar os primeiros participantes, o palco está

preparado para a apresentação de “O assassinato

de Agra – Estória de Cordel” pelo Teatro Ensaio Raul

Brandão do CAR, os anfitriões. A noite teria ficado

por aqui, mas na sede do CAR, ainda estava previsto

um brinde ao Fórum e ao TEATRO.

Sábado , logo pela manhã cedinho, o frio minhoto

fazia-se sentir, mas não impediu que as 31

associações de teatro comparecessem do Pinhal

Novo, vem a Acção Teatral Artimanha; de Esporões -

Braga a ACIJE - Associação do Coro Infanto-Juvenil;

a Agaiarte de Vila Nova de Gaia; de Torre de

Moncorvo a Alma de Ferro - Grupo de Teatro; de

Alvarim – Tondela a ARCA / TEIA – Teatro Experimental Intervenção de Alvarim; de Ermesinde a

Associação Académica e Cultural; de Montemor o Velho – a Casa do Povo da Abrunheira - Curral

da Mula, de Alverca do Ribatejo o CEGADA - Grupo de Teatro; de Santa Comba Dão o Cénico de S.

Joaninho, do Entroncamento vem a Companhia de Teatro Poucaterra, de Ovar a Contacto –

Companhia de Teatro Àgua Corrente; o Faz de Gota vem de Lisboa; de Avis o Grupo de Teatro "A

Fantasia"; e o Grupo de Teatro Palha de Abrantes vem de Abrantes, de Esmoriz – Ovar vem o

Grupo de Teatro Renascer; o GETAS - Centro Cultural vem do Sardoal; de Setubal vem Grupo de

Animação e Teatro Espelho Mágico; de Paredes o Grupo de Teatro Amador de Cristelo; de Fafe

vem Grupo Nun`Alvares - Teatro Vitrine; de Avintes – Gaia o Mérito Dramático Avintense; o

Opsis em Metamorphose vem de Cabeção – Mora; da Figueira da Foz o Pateo das Galinhas

Teatro de Bico; de Paço de Arcos – Oeiras o Teatro Nova Morada; o Teatro Passagem de Nível

vem da Amadora; o Tin.Bra vem de Braga; e de Vizeu o Viteotonius; para recebê-los estava o

Teatro Enasaio Raul Brandão do Circulo de Arte e Recreio de Guimarães. Responderam, tambem

ao apelo de participação no Fórum as associações de Guimarães não Filiadas na Federação -

Citânia Associação Juvenil; Osmusiké - Ass. Musical e Artistica C. F. Francisco Holanda; Récita -

Grupo Cultural, Música Popular e Teatro e o TPC - Teatro Popular de Carapeços.

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Então, já no quentinho do Auditório

inica-se a Cerimónia Oficial de

Abertura do IX Fórum, intervêm e

dão as boas vindas, o Presidente de

Direcção do CAR, o Presidente da

Câmara Municipal de Guimarães, o

Presidente de Direcção do

Escenamateur – Associação de

Teatro de Espanha e o Presidente de

Direcção da Federação Portuguesa

de Teatro.

Chega então a altura de apresentar o Encenador/Actor Helder Costa para que seja feita a

homenagem a Gil Vicente, o autor cujo teatro é tema deste Forum.

De seguida está na hora do trabalho, das formações, e todos partem para as salas pré

destinadas da Universidade do Minho para onze horas de Formação nas diversas áreas.

No painel de Dirigentes, estuda-se candidaturas a apoios europeus, a Sandra Barradas,

suplente da actual direcção da Federação dirige este painel. Enquanto, Rafael Vergamota,

Luis Mendes e Fernando Rodrigues, respectivamente, Presidente, Vice-Presidente e

Tesoureiro da Direcção, em encontro bilateral, articulam com os parceiros da Escenamateur,

protocolos de intercambios ibéricos.

Já à noite, e após o jantar, de novo no Auditório o Dr. Paulo Freitas do Municipio de Póvoa de

Lanhoso apresenta a Grelha de espectáculos do Concurso Nacional de Teatro – Póvoa de

Lanhoso 2012.

Fruto de encontro bilateral, o Protocolo Referente a “Reconhecimento Oficial de Organismos

entre Portugal e Espanha", é assinado representando o Escenamateur, José Ramón López

Menéndez e a Federação Portuguesa de Teatro, Rafael Amaral Vergamota.

Segue-se o espectáculo de intercambio com Escenamateur, pelo Grupo de Teatro de la

Asociación Cultural “La Linterna Mágica” de Caceres que nos apresenta um texto de Asunción

Mieres “El Ultimo Recuerdo”.

Os notivagos, aproveitaram ainda a noite para conhecer o que a cidade podia oferecer, no

entanto pela manhã de Domingo, já o

trabalho se iniciava.

Como é hábito do Forum, o Almoço foi

social, e todos os participantes, foram

convidados.

Após o almoço, a cerimónia de

encerramento e nas palavras de todos o

sentido do dever cumprido.

Falta só a apresentação dos trabalhos

realizados nos diversos paineis, então sobe

ao palco uma colagem de textos de Gil

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Vicente apresentada pelos formandos dos diversos paineis dirigidos por:

Nuno Meireles, Fernando Soares, Jorge Fraga; Susana Teixeira, Carlos Alves, Silvia Brito e

Pompeu José, formadores dos Paineis de Actores; Paulo Prata Ramos, Iluminação de Cena;

João Fonseca Barros, Cenografia; Manuel Ramos Costa, Dramaturgia; Rita Torrão, Adereços;

Pedro Esteves, Desenho de Som; Aurora Gaia, Caracterização.

Contagiados pelo ambiente festivo da cidade berço, chama-se ao palco, o Grupo de

Animação e Teatro Espelho Mágico, que assume ser o anfitrião da próxima edição.

Encontra-mo-nos em Setúbal nos dias 5, 6 e 7 de Outubro 2012 para o X Fórum Permanente

de Teatro.

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programa de sala

GRUPO DE ANIMAÇÃO E TEATRO

Céu Campos

Directora do GATEM

ESPELHO MÁGICO

«Formar público e aproximar esse público dos artistas e da nossa vida

cultural é o sentido maior da proposta cultural do ESPELHO MÁGICO. Um

jovem que frequenta regularmente espectáculos teatrais, poderá não

vir a ser um artista de teatro, mas com toda a certeza, será um

espectador atento dessa arte, ou pelo menos, não lhe será indiferente

qualquer manifestação artística do género. Para além disso, o teatro é

uma importante ferramenta no crescimento cultural e na formação da

criança como indivíduo.

No ESPELHO MÁGICO acreditamos num teatro povoado pela música,

pela cor, pelo movimento e pela fantasia. Um teatro onde habitam sonhos, desafios e

realizações. Um teatro simples e profundo onde reine a Poesia. Um teatro que procura o

equilíbrio do lúdico, do mágico e do real. Fazemos essencialmente teatro musicado desde a

primeira produção. O grupo desenvolveu ao longo dos anos, uma linguagem própria com

imensas preocupações estéticas ao nível da cenografia e figurinos em conjugação perfeita com

a imagem do espectáculo e ao mesmo tempo pedagógica, o que confere aos trabalhos uma

característica própria e inédita.

Demos os primeiros passos com a estreia da opereta “Cinderela” em 1996, seguiram-se os

musicais “O Feiticeiro de Oz”(1997),”Pinóquio” (1998),”A Bela e o Monstro”(1999),”Era uma

vez... Uma menina”(2000),”Os Aristogatos ou a Pousada da Amizade”(2001),”Meu Querido

Príncipe”(2002),”As aventuras de Rom Rom e Fofoca”(2003), “Era uma vez...na

floresta”(2004),”O Mundo Mágico de Oz “ (2005), “O quarto dos brinquedos”(2006),”O

segredo de Rafael” (2007), “Um sonho de Natal”(2008),“O Beco dos Viralatas” (2009),”Magia

das cores” (2009),“A Feiticeira de OZ”(2010)Peça vencedora do Concurso nacional de Teatro da

Fundação Inatel e “Pinóquio, (2010).”Em Abril,cravos mil” (2011).A estrear brevemente: “O

feitiço da lua” e “Presente especial”(2012).

Para terminar, cito Stanislavski:

"O teatro para crianças deve ser feito como o de adultos, só que melhor."

É por aí que tentamos seguir…

Viva o teatro!"

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SETÚBAL

Concelho multifacetado, voltado para o futuro, com características muito próprias, Setúbal

cativa pela diversidade e qualidade.

Serra, rio, mar e praias de eleição rodeiam-se de um património rico, cultura e gastronomia

ímpares, oferecendo um menu inigualável a quem nos visita.

Elevado à categoria de cidade em 1860 e capital de distrito desde 1926, Setúbal é um centro

cosmopolita situado apenas a cerca de 40 quilómetros de Lisboa, capital de Portugal.

Envolvida pelo azul do rio Sado e o verde da cordilheira da Arrábida, Setúbal é rica no seu

património histórico, com casas que transpiram cultura e tradições, igrejas seculares, museus e

edifícios que transportam os visitantes para épocas remotas.

Seja surpreendido por uma das baías

mais bonitas no mundo, a baía de

Setúbal. Onde praias de areia branca

contrastam com as cores do oceano

Atlântico, da Serra da Arrábida e do

céu azul.

Sinta o cheiro de lavanda, alecrim e

murta, e dê um mergulho nas águas

calmas e transparentes das praias da

Arrábida.

Desfrute de passeios no rio para ver

os golfinhos e visite o estuário do

Sado, onde grandes bandos de flamingos têm o seu habitat.

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Setúbal oferece, também, uma panóplia de sabores e é tradicionalmente reconhecida como a

região onde se degusta o melhor peixe grelhado. As sardinhas assadas, a par da caldeirada de

peixe confecionada à moda de Setúbal, fazem as delícias dos locais e dos visitantes. O choco

frito, bem como o arroz de tamboril e os

ensopados com enguias ou outros peixes

surpreendem também qualquer comensal.

A acompanhar as refeições nada melhor que

um bom vinho da região do Sado e como

aperitivo o não menos famoso Moscatel de

Setúbal.

A doçaria não pode ser esquecida. É imperativo

provar as tortas de Azeitão, os “S” (biscoitos) e

os doces de laranja.

Referência de destaque para o famoso queijo de Azeitão, que se apresenta como uma boa

escolha quer para iniciar quer para terminar a sua refeição.

Bem-vindo a um mundo distante. Bem-vindo a Setúbal.

ANIVERSÁRIOS NO

ÚLTIMO TRIMESTRE

Janeiro

20 - G. de Estudo e Divulgação das Artes Musical e Teatral "Jograis e Trovadores" (19 anos)

29- Tin.Bra Grupo de Teatro Infantil de Braga (5 anos)

30- Theatron Associação Cultural (14 anos)

Fevereiro

18 - Casa do Pessoal do Hospital de S. Teotónio (14 anos)

21 - Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães (5 anos)

25 - Associação Desportiva Cultural e Recreativa de Pereira (25 anos)

Março

5 - T.I.L. Teatro Independente de Loures (36 anos)

20 - Associação Sorriso do Atlântico (5 anos)

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na ribalta

CONCURSO NACIONAL DE TEATRO

PÓVOA DE LANHOSO 2012

O Concurso Nacional de Teatro (CONTE) na

Póvoa de Lanhoso é, com toda a certeza, um

marco na dinâmica associativa do teatro de

amadores.

Eugénia Oliveira

Directora do Concurso Nacional de Teatro

“A arte pode conduzir os homens às ilusões

e aos milagres, mas pode também

restituir-lhes o mundo para

que o transformem e tornem melhor.”

Raul Brandão

Nesta VIII edição do CONTE 2012 que

decorreu de 3 de Fevereiro a 3 de Março no

Theatro Club da Póvoa de Lanhoso estiveram

presentes as 9 produções que passaram na

pré-selecção das 14 associadas FPTA a

concurso: Teatro Casca de Nós com “O dia

em que me Queres – viagem pelo país da

poesia”; Associação Sorriso do Atlântico com

“Salvo-conduto”; Teatro Ensaio Raul Brandão com "O Assassinato de Agra, Estória de Cordel”;

Teatro Nova Morada com “A hora zero”; Agaiarte – Associação Gaia Arte Estúdio com "O Dia

Seguinte”; Grupo de Animação e Teatro “Espelho Mágico” com “Pinóquio”; Contacto –

Companhia de Teatro Água Corrente com "Gradim à Janela da Ausência”; GETAS Centro Cultural

com “A casa das Alba” e Grupo de Teatro Vitrine com “Bolingbrook”.

Na noite de encerramento tivemos em cena Blá Blá Blá – Teatro Jovem de Campo Maior com

“Terror e Miséria”, a produção vencedora do prémio Ruy de Carvalho de 2011. E porque o

CONTE se assume como uma real referência nacional do teatro de amadores, com particular

enfoque na avaliação qualitativa das prestações e dos trabalhos apresentados, todos

aguardaram em enorme expectativa o anúncio dos vencedores.

É bom que se entenda que o teatro, tal como as outras artes, é um espaço de liberdade e

criatividade, onde existe a possibilidade de criar uma mudança de atitude. O papel do teatro é

esse mesmo: proporcionar um sonho de comunidade entre indivíduos distintos. Por isso, o

Prémio Prestigio Personalidade 2012 foi este ano dedicado à Fundação INATEL, pelo trabalho

desenvolvido em prol da arte teatral e dos grupos de amadores.

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E… foi com enorme a alegria que a Contacto – Companhia de Teatro Água Corrente recebeu o

Prémio Ruy de Carvalho para Melhor Espectáculo após já terem arrecadado os prémios para

Melhor Interpretação Masculina: Nuno Sobreira e Melhor Encenação: Manel Ramos Costa.

As outras categorias foram distribuídas por:

Prémio Orlando Worm para Melhor Desenho de Luz: António Moreira – Agaiarte – Associação

Gaia Arte Estúdio

Melhor Cenografia e Melhor Guarda-roupa: Céu Campos – Grupo de Animação e Teatro

“Espelho Mágico”

Melhor Interpretação Feminina: Maria Jesus Rocha – Associação Sorriso do Atlântico

Receberam, ainda, menções honrosas para Melhor Interpretação Feminina: Tânia Falcão –

GETAS Centro Cultural e Melhor Interpretação Masculina: João Ricardo Aguiar – Associação

Sorriso do Atlântico,

O teatro é uma realidade

transformada pelo Homem,

uma realidade que o ser

humano reflecte através da sua

acção comunicativa, feita de

palavras, de gestos, de

respirações, de olhares, de

nervos e de emoções. Foi com

e s t e s a b e r q u e o j ú r i

constituído por: Carla Oliveira,

Representante do Município

da Póvoa de Lanhoso; Elisabete

Pinto do Centro Dramático de

Viana, Representante da

Federação Portuguesa de Teatro e Maria Torcato, Representante da Fundação INATEL assistiu

às nove produções a concurso e teve a ingrata tarefa de julgar e atribuir os ambicionados

prémios. Fácil ou difícil (os jurados o saberão). Por esta dedicação, o nosso agradecimento.

Bem haja a todos aqueles que acreditam no trabalho dos amadores de teatro, pois só assim vai

sendo possível, levar por diante esta maravilhosa tarefa artística e sociocultural, chamada

TEATRO. Bem haja aos técnicos do Theatro Club e todos que de uma forma ou de outra

colaboraram para a realização deste evento

Um forte aplauso e até para o ano.

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oca de cena

PETIÇÃO PARA O DIA NACIONAL

DO TEATRO DE AMADORES

Encontra-se já em circulação, o texto da Petição a dirigir à Assembleia da República, para a oficialização do 21 de Março

como Dia Nacional do Teatro de Amadores, bem como os respectivos livros de recolha de assinaturas distribuídos na

Assembleia Geral, realizada em Guimarães, no passado dia 15 de Janeiro, durante o IX Fórum Permanente de Teatro.

Serão necessárias pelo menos quatro mil assinaturas para a petição ser discutida em plenário na Assembleia da República.

Para além da recolha do maior número possível de assinaturas, a Federação espera também realizar audições com os

respectivos deputados dos partidos com assento na Assembleia da Republica, tendo iniciado no passado dia 29 de Fevereiro

do ano corrente, com uma audiência concedida pela deputada Inês de Medeiros do Partido Socialista.

A subscrição da petição requer apenas a assinatura e n.º de Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão dos signatários. O

texto da petição encontra-se transcrito neste artigo.

Sendo a Federação Portuguesa de Teatro uma associação sem fins lucrativos, de acordo com os

seus estatutos, fundada com o objectivo de defender e valorizar o teatro, especialmente o das

suas associadas através de criação e organização de espaços e meios para formação, informação

e análise; promoção de intercâmbios e de troca de experiências; promoção e divulgação de

produtos culturais, circulação de espectáculos e captação de novos públicos; contribuição para

a definição de políticas culturais e de estabelecimento de parcerias; representação do

movimento teatral, designadamente o das suas associadas; edição e divulgação de revistas

culturais de informação e de reflexão; actuando em estrita colaboração com outras associações

nacionais ou estrangeiras que partilhem os mesmos objectivos.

E considerando:

- O papel desta Federação na dinamização da actividade associativa, através das

actividades atrás referidas, bem como no preenchimento de lacunas há muito sentidas no

tecido associativo, nomeadamente ao nível da formação adequada dos recursos humanos, as

quais tem tentado colmatar através do investimento permanente que faz na formação dos

próprios associados;

- O contributo para o desígnio nacional de combate á desertificação e à promoção do

desenvolvimento do território nacional através da democratização e disponibilização da cultura

a grupos e a populações que dela têm sido privadas, desígnio este alcançado não só através das

acções culturais propriamente ditas, mas também através da dinamização das economias

locais, de modo periódico ou permanente, dependendo da maior ou menor intensidade da

actividade da Federação no referido território. São exemplos disso a actividade hoteleira, a

gastronomia, a restauração, as artes gráficas, as pequenas artes e ofícios tradicionais, entre

muitos outros;

- O valioso serviço prestado por esta Federação a nível nacional, engrandecido pelas

suas associadas nas respectivas comunidades, em termos de criação de espaços de formação,

cultura, recreação, lazer, ocupação saudável dos tempos livres, integração intergeracional e

igualdade de género, constituindo autenticas escolas de cidadania e participação;

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- A relativa tradição, já consolidada, de cooperação entre esta Federação e diversos

municípios portugueses ao nível da promoção de iniciativas de divulgação e intercambio teatral

e de estimulo a novas produções e novos talentos, resultando numa rentabilização e economia

de custos;

- A comunhão de objectivos desta Federação com a linha de actuação dos municípios

portugueses, nomeadamente ao nível da educação e formação de crianças e jovens enquanto

competências específicas dos municípios e o valor que a Federação e as suas associadas podem

acrescentar no desenvolvimento de actividades educativas, lúdicas e recreativas, rentabilizando

o investimento em infra-estruturas sociais e culturais realizadas nas últimas décadas um pouco

por todo o país;

- O reconhecimento já manifestado por figuras incontornáveis do teatro profissional

português que com a Federação colaboram na dinamização das actividades já referidas,

credibilizando e incentivando os esforços da Federação e suas associadas para promoção,

revitalização e dinamização do teatro amador;

- Que se torna fundamental, pelas razões expostas, conceder maior visibilidade ao

movimento teatral em Portugal, bem como conferir o devido reconhecimento do trabalho

desenvolvido através da colaboração voluntária e não remunerada, regular e responsável dos

elementos das várias estruturas associativas espalhadas pelos vários pontos do País, em

paralelo com os diversos aspectos da conciliação da sua vida familiar e profissional e com os

constrangimentos inerentes aos contextos onde actuam, cada vez mais caracterizados pela

ausência de recursos financeiros, materiais, entre outros;

- Considerando o carácter libertador do teatro e o seu contributo para a humanização

das sociedades e reconhecendo o esforço empírico, logo após o 25 de Abril de 1974, por parte de

um conjunto de associações, para a instituição do dia 21 de Março como o dia do Teatro Amador,

como meio de afirmação desse carácter libertador e humanista;

- Considerando, por fim, a urgência do desenvolvimento de uma consciência colectiva do

valor do teatro amador, reconhecendo, num dia nacional todos os dias da vida do teatro, os

signatários desta Petição Pública solicitam à Assembleia da República Portuguesa que considere

efectivamente o dia 21 de Março, o dia Nacional do Teatro Amador e que nesta data seja

incentivadas iniciativas universais promotoras e dignificadoras do teatro amador.

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eportório

A EVOLUÇÃO TEATRAL

Rafael Vergamota

Encenador

Companhia de Teatro Poucaterra

A partir do século XVIII, acontecimentos como as Revoluções Francesa e Industrial, mudaram a

estrutura de muitas peças, popularizando-as através de formas como o melodrama. Nessa

época, em todo o mundo, surgiram inovações estruturais, como o elevador hidráulico, a

iluminação a gás e eléctrica (1881). Os cenários e os figurinos começaram a ser melhor

elaborados, visando transmitir maior realismo, e as sessões teatrais passaram a comportar

somente uma peça. Diante de tal evolução e complexidade estrutural, foi inevitável o

surgimento da figura do director.

SÉCULO XX

O teatro do século XX caracteriza-se pelo ecletismo e quebra de tradições, tanto no "design"

cénico e na direcção teatral, quanto na infra-estrutura e nos estilos de interpretação. Podemos

dizer, sob esse prisma, que o dramaturgo alemão Bertolt Brecht foi o maior inovador do

chamado teatro moderno. Hoje, o teatro contemporâneo abriga, sem preconceitos, tanto as

tradições realistas como as não realistas, como também, o uso das novas tecnologias, tecnologia

robótica, cicloramas, multimédia, etc.

NOVAS TENDÊNCIAS

Constantin Stanislavski

Por muitos anos de sua vida motivou os actores a

poderem organizar o seu papel através das emoções, de

maneira emotiva. O velho Stanislavski descobriu

verdades fundamentais e uma delas, essencial para o seu

trabalho, é a de que a emoção é independente da

vontade. Podemos tomar muitos exemplos da vida

quotidiana. Não quero estar irritado com determinada

situação mas estou. Quero amar uma pessoa mas não

posso amá-la, me apaixono por uma pessoa contra a

minha vontade, procuro a alegria e não acho, estou triste,

não quero estar triste, mas estou. O que quer dizer tudo

isso? Que as emoções são independentes da nossa vontade. Agora, podemos achar toda a força,

toda a riqueza de emoções de um momento, também durante um ensaio, mas no dia seguinte

isto não se apresenta porque as emoções são independentes da vontade. Esta é uma coisa

realmente fundamental. Ao contrário, o que é que depende da nossa vontade? São as pequenas

acções, pequenas nos elementos de comportamento, mas realmente as pequenas coisas - eu

penso no canto dos olhos, a mão tem um certo ritmo, vejo minha mão com meus olhos, do lado

dos meus olhos quando falo minha mão faz um certo ritmo, procuro concentrar-me e não olhar

para o grande movimento de leques (referência às pessoas se abanando no auditório) e num

certo ponto olho para certos rostos, isto é uma acção. Quando disse olho, identifico uma pessoa,

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não para vocês, mas para mim mesmo, porque eu a estou observando e me perguntando onde

já a encontrei. Vejam a posição da cabeça e da mão mudou, porque fazemos sempre uma

projecção da imagem no espaço; primeiro esta pessoa aqui, onde a encontrei, em qualquer

lugar a encontrei, qualquer parte do espaço e agora capto o olhar de um outro que está

interessado e entende que tudo isso são acções, são as pequenas acções que Stanislavski

chamou de físicas. Para evitar a confusão com sentimento, deve ser formuláveis nas categorias

físicas, para ser operativo. é nesse sentido que Stanislavski falou de acções físicas. Se pode dizer

física justamente por indicar objectividade, quer dizer, que não é sugestivo, mas que se pode

captar do exterior.

O que é preciso compreender logo, é o que não são acções físicas. As actividades não são acções

físicas. As actividades no sentido de limpar o chão, lavar os pratos, fumar cachimbo, não são

acções físicas, são actividades. Pessoas que pensam trabalhar sobre o método das acções físicas

fazem sempre esta confusão. Muito frequentemente o director que diz trabalhar segundo as

acções físicas manda lavar pratos e o chão. Mas a actividade pode se transformar em acção

física. Por exemplo, se vocês me colocarem uma pergunta muito embaraçosa, que é quase

sempre a regra, eu tenho que ganhar tempo. Começo então a preparar meu cachimbo de

maneira muito "sólida". Neste momento vira acção física, porque isto me serve neste momento.

Estou realmente muito ocupado em preparar o cachimbo, acender o fogo, assim DEPOIS posso

responder à pergunta.

Outra confusão relativa às acções físicas, a de que as acções físicas são gestos. Os actores

normalmente fazem muitos gestos pensando que este é o mistério. Existem gestos profissionais

- como os do padre. Sempre assim, muito sacramentais. Isto são gestos, não acções. São pessoas

nas situações de vida. Pois sobretudo nas situações de tensão, que exigem resposta imediata, ou

ao contrário em situações positivas, de amor, por exemplo, também aqui se exige uma resposta

imediata, não se fazem gestos nessas situações, mesmo que pareçam ser gestos. O actor que

representa Romeu de maneira banal fará um gesto amoroso, mas o verdadeiro Romeu vai

procurar outra coisa; de fora pode dar a impressão de ser a mesma coisa, mas é completamente

diferente. Através da pesquisa dessa coisa quente, existe como que uma ponte, um canal entre

dois seres, que não é mais físico. Neste momento Julieta é amante ou talvez uma mãe. Também

isto, de fora, dá a impressão de ser qualquer coisa de igual, parecida, mas a verdadeira reacção é

acção. O gesto do actor Romeu é artificial, é uma banalidade, um clichê ou simplesmente uma

convenção, se representa a cara de amor assim. Vejam a mesma coisa com o cachimbo, que por

si só é banal, transformando-a a partir do interior, através da intenção - nesta ponte viva, e a

acção física não é mais um gesto.

O que é gesto se olharmos do exterior? Como reconhecer facilmente o gesto? O gesto é uma

acção periférica do corpo, não nasce no interior do corpo, mas na periferia. Por exemplo,

quando os camponeses cumprimentam as visitas, se são ainda ligados à vida tradicional, o

movimento da mão começa dentro do corpo (Grotowski mostra), e os da cidade assim (mostra).

Este é o gesto. Acção é alguma coisa mais, porque nasce no interior do corpo. Quase sempre o

gesto encontra-se na periferia, nas "caras", nesta parte das mãos, nos pés, pois os gestos muito

frequentemente não se originam na coluna vertebral. As acções, ao contrário, estão radicadas

na coluna vertebral e habitam o corpo. O gesto de amor do actor sairá daqui, mas a acção,

mesmo se exteriormente parecer igual será diversa, começa ou de qualquer parte do corpo

onde existe um plexo ou da coluna vertebral, aqui estará na periferia só o final da acção. É

preciso compreender que há uma grande diferença entre Sintomas e Signos/Símbolos. Existem

pequenos impulsos do corpo que são Sintomas. Não são realmente dependentes da vontade,

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pelo menos não são conscientes - por exemplo, quando alguém enrubesce, é um Sintoma, mas

quando faz um Símbolo de estar nervoso, este é um Símbolo (bate com o cachimbo na mesa).

Todo o Teatro Oriental é baseado sobre os Símbolos trabalhados. Muito frequentemente na

interpretação do actor estamos entre duas margens. Por exemplo, as pernas se movem quando

estamos impacientes. Tudo isso está entre os Sintomas e Símbolos. Se isto é derivado e utilizado

para um certo fim se transforma em uma acção.

Outra coisa é fazer a relação entre movimento e acção. O movimento, como na coreografia, não

é acção física, mas cada acção física pode ser colocada em uma forma, em um ritmo, seria dizer

que cada acção física, mesmo a mais simples, pode vir a ser uma estrutura, uma partícula de

interpretação perfeitamente estruturada, organizada, ritmada. Do exterior, nos dois casos,

estamos diante de uma coreografia. Mas no primeiro caso coreografia é somente movimento, e

no segundo é o exterior de um ciclo de acções intencionais. Quer dizer que no segundo caso a

coreografia é parida no fim, como a estruturação de reacções na vida.

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sem palco

A PEDRA E EU

Anabela Teixeira

Teatro Vitrine - Grupo Nun'Alvares

Texto produzido no âmbito do painel de escrita criativa, orientado por Manuel Ramos

Costa, no IV Fórum Permanente de Teatro de Amadores, em Santa Maria da Feira,

Setembro 2009.

Cenário: Banco de rua, 3 degraus de escadas em pedra, uma árvore, candeeiro de

rua, calçada à portuguesa.

Época: Actualidade

Personagens:

FRANCISCO: Homem de 45 anos de idade, bem vestido, classe social alta, gestor de

uma empresa multinacional, divorciado e com 2 filhos.

PEDRA: Quadrado pequeno, de cor branca (com actor no seu interior) onde se

consegue ver a expressão facial.

CENA 1

FRANCISCO: (entra em cena nervoso, a soprar, fumando um cigarro) Logo de manhã a

ligar, que chatice, qualquer dia isto vai mudar, vou mandá-lo dar uma volta, eu não

preciso disto, porra sempre a telefonar, sempre com emails, já não basta ouvir a voz dele,

tenho de o ver em videoconferência. Chato de um raio. Que vida a minha, perco a mulher

por causa dele, mal vejo os meus filhos por causa dele, tempo livre é para esquecer,

estou farto desta vida. Ai (gritando com notória dor), raio de pedra… ainda apareces tu

para me dares mais problemas. Estes gajos nem uma rua em condições sabem fazer, que

país da treta.

PEDRA: Ei tu é que vieste para cima de mim, oh bronco, não tenho culpa dos teus

problemas.

FRANCISCO: (Apaga o cigarro que vinha a fumar, acendendo imediatamente outro) Eu

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devo estar mesmo maluco, agora já oiço as pedras a falar.

PEDRA: Tu não estás maluco, sou mesmo eu que estou a falar contigo. Andas tão

preocupado com a tua vida que nem consegues ver a vida dos que te rodeiam.

FRANCISCO: Eu logo vi que não devia dar ouvidos ao psiquiatra, nunca devia ter

começado a tomar a Veleriana, o Xanax, e os calmantes todos, isto não adianta nada só

me põe mais maluco.

PEDRA: Os comprimidos não são a solução para a tua vida. A solução está em ti e não

nos químicos, se tu não procurares as respostas dentro de ti, vais continuar a culpar os

outros pelos teus próprios erros.

FRANCISCO: Ai a culpa dos meus problemas é minha? Então a culpa da minha mulher ter

fugido com o contabilista lá da empresa dela é minha? Não fui eu que me meti na cama

dele, não fui eu que andei com mentirinhas, não fui eu que larguei o lar e a troquei por

uma miúda mais nova.

PEDRA: Será que não lhe deste motivos para ela fazer isso? Quando foi a última vez que a

levaste a jantar fora? Quando foi a ultima vez que a abraçaste e lhe disseste - amo-te, ou -

sem ti nada disto faz sentido? És linda? Quando foi a última vez que ficaste acordado

mais umas horas durante a noite só para ouvires o que ela sentia em relação aos

problemas da vossa família?

FRANCISCO: Está bem está. Ela afastou-se de mim de um momento para o outro, deixou

de ligar, sempre que eu chegava a casa já estava a dormir, sempre que queria fazer amor

com ela estava com dores de cabeça, só me ligava com conversas da treta. Ela não via que

eu estava a trabalhar para a nossa vida, para a nossa casa, para um dia sermos felizes.

PEDRA: Um dia? Qual dia?

FRANCISCO: Sei lá, um dia…

PEDRA: Não vês que a magia que vocês tinham se perdeu. Em tempos via-os aos dois

neste banco a sonhar com o vosso casamento, com os vossos filhos que um dia iriam

nascer, com os vossos passeios nas noites quentes de Verão, os jantares à luz das velas na

vossa casa, as vossas noites. Aos poucos vi-os a passar aqui de longe a longe, já cada um

no seu carro, na correria das vossas vidas, enfim deixei de os ver juntos. Todos os vossos

sonhos ficaram perdidos nesta rua.

FRANCISCO: (pensativo) Olha ainda bem que falaste nos meus filhos, sabes o que é que

eles querem? É dinheiro e mais dinheiro, dinheiro para as férias, dinheiro para o cinema,

dinheiro para a roupa, dinheiro para os jogos, dinheiro, dinheiro, dinheiro, só assim são

felizes, e ele não cai do céu alguém tem de trabalhar…

PEDRA: Será que o que eles querem é mesmo isso? Quando foi a última vez que quiseste

saber quais as suas dúvidas? O que os atormenta? As suas paixões? Os seus sonhos?

FRANCISCO: Tu sabes lá o que dizes, eu quero saber da vida deles, por isso lhes pago a

Universidade todos os meses, e a casa, e os luxos todos, para eles virem a ser alguém um

dia.

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PEDRA: Então eles agora não são ninguém?

FRANCISCO: São… mas o que eu quero dizer é que venham a ter um bom emprego, que

sejam respeitados, que tenham uma boa vida.

PEDRA: Como o teu bom emprego? O que te adiantou o teu prestigio? És feliz?

FRANCISCO: (Pensativo, tira uma garrafa de whisky do bolso do seu casaco e bebe um

bom golo) Estou sozinho, não tenho amigos, não tenho a minha mulher, sabes ainda

gosto da Paula, mas isto passa, os meus filhos mal os vejo, também querem lá saber de

mim, um bêbado viciado no trabalho. Só consigo estar na empresa, ou num bar, a apagar

as minhas recordações. Sabes eu quero é esquecer tudo, quero recomeçar, ou talvez

não, nem sei o que quero.

PEDRA: A sociedade fez-te ser um homem amargo, vives a pensar no futuro e

esqueceste-te do presente, a vida é o presente não é o passado, nem o futuro, tens de

viver o já, o agora, é este o momento.

FRANCISCO: Julgas que já não pensei nisso muitas vezes? Mas não consigo.

PEDRA: Repara, olha para mim… Eu só consigo viver pelas alegrias, pelas tristezas dos

outros, pelos que amam aqui ao pé de mim, eu nunca poderei sentir uma lágrima no

meu rosto, eu nunca saberei o que é o beijo de alguém que se ama verdadeiramente,

não sei o que é o coração a bater cá dentro, o olhar terno e as carícias de alguém que nos

ama. Não sei, nem nunca saberei o que é sentir um filho nos braços pela primeira vez.

Nunca irei abraçar, sentir o cheiro, a pele de alguém que adore. Eu não poderei mudar a

minha vida porque sou uma pedra, mas tu podes, tens alma, tens coração, tens um corpo

que te pode levar até ao infinito, basta quereres.

FRANCISCO: És uma pedra, mas vês mais do que eu, vives mais do que eu.

PEDRA: Estás enganado eu vivo a vida dos outros, tu podes viver e mudar a tua.

FRANCISCO: Sim tens razão, e sabes uma coisa, vou tirar umas boas férias, vou mandar

este meu chefe estúpido dar uma volta, a vida não é isto, vou pegar no dinheiro para ser

feliz e não para me rechear a conta bancária. Vou procurar o meu eu. Chega, chega,

chega.. de comprimidos, chega de álcool, chega de solidão, chega de viver por viver.

Acabou a vida do senhor doutor, agora vou viver a vida do Francisco o ser humano. Chega

de planos de investimento, de rentabilidade, chega de almoçar e jantar sozinho, vou

lutar de outra forma.

FIM

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