Compromisso Aluno - Juerp

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Compromisso Aluno - Juerp

Encontro

A mensagem do céu para toda a terra

Após um trimestre de estudos em que nos detivemos no primeiro livro do Antigo Testamento

(Gênesis) aqui, na revista COMPROMISSO, voltamo-nos agora para o primeiro

livro do Novo Testamento, cuja mensagem será alvo de nossa re exão, meditação, recordação

e, mais do que isso, renovação de nosso aprendizado e ampliação de nosso compromisso

ético com a mensagem de Cristo, conforme apresentada pelo Evangelho de Mateus.

Do passado para o presente – O texto de Mateus principia com o resumo da genealogia

de Jesus, demonstrando que a criança que nasceu em Belém é, de fato, o Cristo anunciado pelos

profetas e cuja história remonta aos tempos primevos da criação de Deus. Segundo o Evangelho

de João, ele estava no princípio com Deus, na eternidade. No Apocalipse, o mesmo João reitera

essa verdade dizendo que Jesus é o alfa e o ômega, ou seja, o princípio e o m. Para Mateus, Jesus

é também o Deus que age na história, de geração em geração, do passado para o presente.

No presente – O Deus da história é o Emanuel, Deus-conosco, Deus que intervém na história

humana para manifestar o reino dos céus aos desgovernos e injustiças da terra. Mateus, portanto,

revela Jesus como o Deus presente, aquele a quem o profeta João Batista dá testemunho de que ele

é verdadeiramente o Cristo. Continua o evangelista mostrando Jesus presente na história, tanto

nos grandes como nos singelos problemas da condição humana. Assim, ele enfrenta os poderes do

mal, chama discípulos para sua seara, profere a maior mensagem já pregada (o Sermão do Monte),

cura doenças e restaura vidas, convive com pobres e pecadores, ressuscita mortos, liberta endemoninhados,

alimenta multidões com o pão material e com o ensino da Palavra, interfere na natureza,

enfrenta opositores, submete-se voluntariamente à morte por amor aos pecadores, é sepultado e

ressuscita triunfalmente dentre os mortos para a glória da vida, para a salvação de toda a criação.

Jesus é Deus que faz história, que age na história e se mantém presente na história hoje.

Do presente para o futuro – O Deus presente traz a mensagem da plenitude de vida do

céu para toda a terra. Ao subir aos céus ele comissiona seus seguidores, sob o poder do Espírito

Santo, a darem prosseguimento a esta missão evangelizadora de proclamar, de ensinar,

de praticar a vontade de Deus entre todas as pessoas da terra.

O Deus da história nos convoca a dar prosseguimento hoje, efetivamente, a esta tarefa

missionária iniciada por Cristo. Desde o presente rumo ao futuro até o nal dos séculos

com a volta gloriosa de Jesus.

Que este trimestre de estudos bíblicos sob a perspectiva de Mateus nos faça ser mais

ativos na história aprendendo com o exemplo de Cristo, o Deus que se fez presente ontem,

se faz presente hoje e se fará presente sempre.

2T13 COMPROMISSO 1


COMPROMISSO destina-se a adultos (36 a 64 anos), contendo lições para a Escola

Bíblica Dominical. Os adultos de 65 anos em diante podem, obviamente, usar esta

revista, mas a CBB destina a eles a revista REALIZAÇÃO, cuidadosamente preparada

para a faixa etária da terceira idade

Publicação trimestral do

Departamento de Educação Religiosa

da Convenção Batista Brasileira

CNPJ (MF): 33.531.732/0001-67

Registro nº 816.243.760 no INPI

Endereço

Caixa Postal, 39836130

Rio de Ja nei ro, RJ

Tels.: (21) 2157-5557




Direção Geral

Sócrates Oliveira de Souza

2 COMPROMISSO2T13


ISSN 1984-7475

LITERATURA BATISTA

Ano CVII – Nº 426 – Abr.Maio.Jun. 2013

Coordenação Editorial


(RP/16897)

Redação

Clemir Fernandes Silva

Produção Editorial




Distribuição

EBD-1 Marketing e Consultoria Editorial Ltda.



Nossa missão: “Viabilizar a cooperação entre as igrejas batistas

no cumprimento de sua missão como comunidade local”

QUEM ESCREVEU

Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (1979-1982). Convalidação do curso

teológico pela Universidade Metodista de São Paulo (2009). Mestrando em Missio-


do Sul (1993-1994; 1999) pela Junta de Missões Mundiais da CBB. É professor no



do Estado do Rio desde 2000. É casado com Eliane Pitzer Jacob com quem tem três


Estudos da Escola Bíblica Dominical

Sumário

Mateus: O Evangelho do Rei 7














Variedades

Defesa de crianças e adolescentes: duas sugestões práticas

“Se eu posso hoje o bem fazer”

3. Missões Mundiais

12

16

20

24

28

32

36

40

44

48

52

56

60

4

6

64

2T13 COMPROMISSO 3


Ênfase do ano

Defesa de crianças e adolescentes:

duas sugestões práticas

Jesus é o grande defensor de crianças

e adolescentes. O conhecido texto

bíblico em que ele “briga” com seus

próprios discípulos por causa das

crianças é paradigmático e, por isso,

tem muito a nos ensinar. Ele assume a

causa das crianças sem voz e sem vez,

as acolhe plenamente abençoando-

-as com sua presença e apoio efetivo

e, além disso, transforma seus discípulos

com seu ensino e grande exemplo

de abraçar e valorizar aqueles de

quem a sociedade não dava valor.

No contexto em que vivemos,

marcado por abusos e desrespeito a

crianças e adolescentes, o que podemos

fazer para efetivamente abençoá-las

a exemplo de Jesus? Sei que

há muitas maneiras e nossas igrejas

já desenvolvem várias tarefas, sobretudo

no contexto da Escola Bíblica

Dominical. Porém, mais atividades

assemelhadas podem ser praticadas.

Aqui faremos duas sugestões de atividades

que podem ser desenvolvi-

4 COMPROMISSO2T13

das por você, sua classe, sua igreja,

seus amigos, sua família. Uma é mais

simples e a outra mais complexa,

mas ambas possíveis de serem realizadas.

1 Mutirão de oração em favor

de crianças e adolescentes em vulnerabilidade

social – Mobilizar e

motivar pessoas a participarem deste

esforço que pode acontecer, inclusive,

nos cultos de sua igreja ou contexto

de sua família. Reunir dados sobre

a situação de crianças em vulnerabilidade

social. Realizar a campanha de

oração intercalando os dados com os

momentos especí cos de oração. Sugerimos

a data de 7, 8 e 9 de junho,

quando acontece campanha semelhante

em mais de 100 países, o Mutirão

Mundial de Oração em favor

de crianças e adolescentes. Para mais

informações sobre esta campanha e

como participar: www.bolanarede.

org.br


2 Mobilização contra a exploração

sexual de crianças e adolescentes

– Este é um grave problema que

pode acontecer com qualquer criança,

inclusive no ambiente da família e

no contexto da igreja. Conhecer este

problema e buscar parceiros para a

defesa de crianças adolescentes é um

compromisso essencialmente cristão

a exemplo do próprio Jesus.

Assim como o Mutirão de oração,

esta atividade acontece também há

vários anos e envolve igrejas, sociedade

civil, entidades públicas etc. Sugerimos

realizar algo semelhante em

seu bairro ou cidade ou se juntando

a quem já promove esta marcha. Ela

acontece geralmente em 18 de maio.

Conheça e participe. Mais informações

em www.bolanarede.org.br

Seja de fato um seguidor de Jesus,

no estudo de sua Palavra e na prática

de seus ensinos. Faça como Jesus, "brigue"

pela defesa de crianças e adolescentes.

Tema:

valorização da nova geração

Ênfase:

valorização e no cuidado da criança e

do adolescente

Divisa:



Hino do trimestre: “Se eu posso

Hinário

para o culto cristão

Clemir Fernandes

Imagem: Morgue File

2T13 COMPROMISSO 5


Hino do trimestre

6 COMPROMISSO2T13


Introdução ao trimestre

Mateus

O Evangelho do Rei

O Evangelho de Mateus é a mensagem

do Rei que, sendo Deus, se manifestou

em carne e osso, revelando o seu

grande amor por nós. É o Evangelho da

soberania de Deus Pai sobre a vida das

pessoas e sobre toda a natureza. Ele começa

revelando o Emanuel (que quer

dizer: Deus conosco – 1.23) e termina

com “eis que estou convosco todos

os dias até a consumação dos séculos”

(28.20). Ele revela a soberania de Deus

na história e nos exorta dizendo: e “este

evangelho do reino será pregado por

todo o mundo, para testemunho a todas

as nações. Então virá o m” (24.14).

Há algumas informações relevantes

visando a nossa compreensão de todo o

Evangelho para a comunidade de hoje.

Trataremos a situação ambiental, o propósito,

a mensagem, a data e o autor.

Jesus e seus discípulos – Gravura de Gustave Doré

2T13 COMPROMISSO 7


SITUAÇÃO AMBIENTAL

E PROPÓSITO

É muito relevante conhecer o contexto,

bem como o propósito do livro para

nos situarmos na compreensão do texto

e sua mensagem. Leitura, interpretação e

aplicação são três princípios básicos para

uma compreensão madura da Escritura e

consequente testemunho cristão.

Um erudito do Novo Testamento

nos dá uma dica interessante nesta direção.

“Na década após a Primeira Guerra

Judaico-Romana, a igreja à qual Mateus

escreveu cou algures entre a sua origem

judaica e o que mais tarde se tornou

uma igreja totalmente gentílica. Essa

igreja ainda não estava preparada para

admitir a sua separação do judaísmo,

embora possa ser que o judaísmo a tivesse

repudiado. Pelo menos, a igreja de

Mateus ainda estava interagindo com o

judaísmo (17.24-27; 23.1-12; 24.9). O

cristianismo estava rapidamente se tornando

menos judaico e mais gentílico.

Os cristãos judeus precisavam compreender

o signi cado da lei e do templo

(agora em ruínas) para si mesmos, tanto

quanto o seu relacionamento com os

gentios convertidos. Os cristãos gentios

precisavam entender a natureza da liberdade

em respeito à Lei de Deus. Ambos

os grupos precisavam compreender a relação

do cristianismo com o judaísmo”. 1

O Evangelho de Mateus tanto distancia

quanto interage entre a sinagoga e a

igreja. Mateus conhece as sinagogas como

8 COMPROMISSO2T13

sinagogas do judaísmo farisaico (4.23;

9.35; 10.17; 12.9; 13.54; 23.34) exceto

em 4.23. Cada ocorrência do termo “sinagoga

deles” é redacional, é obra editorial

de Mateus. Marcos conhece a expressão

(1.23,39), mas Mateus enfatiza. 2

Os debates com o farisaísmo dão a

entender um relacionamento contínuo,

embora restringido. Mateus a rma a validade

contínua da lei, tão importante

para os fariseus. O que o aparta deles é

a sua declaração de que em Cristo se encontra

uma melhor compreensão da lei

(5.21-48; 9.13; 12.3,5,7; 16.6,11) e o seu

verdadeiro cumprimento, em contraste

com o mau entendimento e uso errado

da lei por parte dos fariseus (9.4; 15.12-

14; 22.18; 23.2). Mateus vê Jesus como

cumprindo a lei, mas descobrindo a sua

verdadeira intenção, dando a ela obediência

plena, expressa por m no amor,

que se dá em serviço sacri cial. 3

Um dos principais propósitos de Mateus

era argumentar que o verdadeiro judaísmo

tinha o seu cumprimento em Cristo,

e não no judaísmo farisaico centralizado

em Jâmnia, cidade hoje denominada Yavneh

(um concílio rabínico (farisaico) realizado

no final do primeiro século d.C. e

início do segundo d.C., que procurou, sob

a direção do rabino Yochaman ben Zakai,

dar um rumo ao judaísmo após a destruição

do templo de Jerusalém). Jesus Cristo

é apresentado como “Filho de Davi, Filho

de Abraão” (1.1.), e Mateus mostra como

as alianças com Abraão e Davi se cumpriram

em Jesus. A genealogia e nascimento


e narrativas da infância de Jesus (1-2) são

construídas de tal forma a mostrar que Jesus

é Filho de Davi, mas também Filho de

Deus, em quem as alianças com Abraão e

Davi são cumpridas. 4

A MENSAGEM DE MATEUS

Qual era a mensagem deste que foi

cobrador de impostos, odiado pelos

judeus? Considerando a sua experiência

com Jesus, qual a mensagem que

Mateus transmite a nós hoje?

Jesus é o cumprimento do Antigo Testamento.

A mais importante passagem

nesta conexão é 5.17-20. Há outras

correlações: 12.15-21 (Isaías 42.1-4);

8.16,17 (Isaías 53).

Jesus é o Rei (4.17). Este reino de Deus

esperado é marcado por quatro características

no Antigo Testamento: justiça

(Jr 23.5,6), paz (Ez 34.23-31), estabilidade

(Is 9.7) e universalidade (Zc 9.10).

Jesus é o Filho de Deus. O professor

Jack Kingsbury, citado por Stott, argumenta

que o “Filho de Deus” é, na

mente de Mateus, o título mais importante

dado a Jesus. É quase sempre usado

por outros a respeito de Jesus: pelo

Diabo ou demônios: 4.3,6; 8.29; pelos

inimigos de Jesus, em acusação ou

zombarias: 26.63; 27.40,43; por Mateus,

os discípulos ou outros em con-

ssão de fé: 2.15; 14.33; 16.16; 27.54;

pelo próprio Deus: 3.17; 17.5; 21.37.

Réplica do segundo templo, do período de Cristo – Imagem: Wikipédia

2T13 COMPROMISSO 9


Como título, ele tem três correlações:

com Israel (Ex 4.22; Os 11.1; Mt

2.15; com a realeza (2Sm 7.13,14; Sl

2.7); com a deidade (Mt 11.25-27).

Jesus é o Mestre, o Cristo: 23.10;

18.15-35; 16.18; 18.17.

Jesus é o Salvador, o Filho do homem:

20.27,28; 26.28; 1.21.

O Evangelho de Mateus é certamente

o do Rei que governa, como

indicamos anteriormente. Mas este Rei

é diferente dos outros. Ele não governa

com autoridade distante nem vive

em esplendor pessoal. Ele se assenta

num trono e julga as nações (25.31ss),

mas somente porque “tomou as nossas

enfermidades e carregou com as nossas

doenças” (8.17, citando Isaías 53.3,4).

Ele governa como um servo, não com

poder, mas com compaixão, não com

autopromoção, mas com total abnegação.

Este é o coração pulsante da

mensagem do Evangelho de Mateus

– mensagem que o arrastou da vida de

ganância e egoísmo para a vida de serviço

deste Rei”. 5

DATA E AUTOR

Embora este Evangelho receba

ocasionalmente data entre as décadas

de 80 e 90 do primeiro século, o

fato de a destruição de Jerusalém ser

ainda considerada um acontecimen-

10 COMPROMISSO2T13

to futuro (24.2), parece exigir uma

data mais recuada. Alguns pensam

que Mateus foi o primeiro Evangelho

a ser escrito (por volta do ano 50

d.C.), ao passo que outros discordam

alegando que só foi escrito na década

de 60 d.C. 6

Quem era Mateus? Era um cobrador

de impostos judeu. Chamado

também de Levi por Marcos e Lucas

(Mc 2.14; Lc 5.27-29). Jesus lhe disse:

Segue-me! Ele se levantou e o seguiu

(9.9). Ele chama a si mesmo de publicano

(10.3). Ele experimentou uma conversão

revolucionária. Somente Mateus

se refere ao ensino direto de Jesus sobre

o pagamento de imposto (17.24-27).

Segundo Stott, há três características

importantes do Evangelho de Mateus

que podem ser delineadas a partir da

sua experiência de conversão: 1) Ele

aprendeu o que é misericórdia e perdão

(Mt 6.12; Lc 11.4); 2) Ele desenvolveu

uma nova visão do Rei (Mt 22.16; Mc

3.6); 3) Ele descobriu um novo dom

de ensinar: sua narrativa estruturada;

seu uso do Antigo Testamento; sua preocupação

acerca dos fariseus e seu estilo

narrativo. 7

Este é o Evangelho de Mateus, inspirado

pelo Espírito Santo, revelado a

um homem que seguiu e serviu a Cristo,

trazendo para nós um manancial

de vida e testemunho cristão para a

glória de Deus.

_____________________

Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob


NOTAS

Introdução ao Evangelho de Mateus. Comentário Broadman. Rio de Janeiro: Juerp, 1982. Vol. 8.

2 Ibid.

4 Ibid.

Homens com uma Mensagem. São Paulo: Editora Cristã Unida, 1996.

Introdução ao Evangelho de Mateus. São Paulo: Ed. Mundo Cristão, 1991.

Homens com uma Mensagem. São Paulo: Editora Cristã Unida, 1996.

OBRAS CONSULTADAS


Todas as parábolas da Bíblia. 9ª Reimpressão. São Paulo: Editora

Vida, 2009.

MEYER, F. B. Comentário bíblico devocional

nia, 1992.

Bíblia anotada. 1ª Edição. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1991.

Comentário Bíblico Broadman. 1ª Edição. Rio de Janeiro: Juerp,

1982. Vol. 8.

Homens com uma mensagem. 1ª Edição. Campinas: Editora Cristã

Unida, 1996.

Mateus – Introdução e comentário. 1ª Edição. São Paulo: Editora

Mundo Cristão e Edições Vida Nova, 1980.

Mosaico de Deus. 1ª Edição. São Leopoldo: Editora Sinodal,

1968.

2T13 COMPROMISSO 11


EBD 1

Segunda

Mateus

1.1-10

“O Guia que há de

apascentar o meu povo”

Texto bíblico Texto áureo

Terça

Mateus

1.11-17

12 COMPROMISSO2T13

A primeira vinda de Cristo ao mundo

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta Quinta Sexta

Mateus

1.18-25

A manifestação de Cristo ao mundo

revela o amor de Deus. A vinda

de Jesus, nascido de mulher, sob a lei,

para resgatar os que estão debaixo da

lei é a verdade pura do evangelho.

Veremos nesta exposição a genealogia

de Jesus; o milagre do seu nascimento;

a alegria, o júbilo dos sábios

do Oriente; a reação violenta de Herodes,

o Grande, e a xação da residência

de José, Maria e Jesus em Nazaré,

onde o menino trabalhará com

o pai na carpintaria até iniciar o seu

ministério.

A GENEALOGIA (Mt 1.1-17)

O nosso objetivo nesta exposição

bíblica é tratar a revelação de Jesus

Cristo, o Rei. Ele, sendo Deus, entrou

na história na pessoa de Jesus. A ge-

Mateus

2.1-12

Mateus

2.13-15

7 de abril

Sábado Domingo

Mateus

2.19-23

nealogia de ne muito bem a sua humanidade.

Genealogia vem do grego

geneseos, que quer dizer "origem, natividade,

nascimento, existência, vida".

As 14 gerações (grego: geneai), no

versículo 17, denotam a veracidade histórica

de Jesus Cristo, pois no passado

obscuro, Deus escolhera uma família, a

de Abraão, e, mais adiante, outra família

dentro da família abraâmica, a de Davi,

para ser o veículo pelo qual seu Filho

entrasse no mundo. A nação judaica foi

fundada e protegida por Deus, através

dos séculos, para salvaguardar a linhagem

dessa família. A genealogia, como

está em Mateus, é abreviada. Omitem-

-se alguns nomes. São 42 gerações que

cobrem dois mil anos. Dividem-se em

três partes, de 14 gerações, talvez para

ajudar a memória: a primeira, cobrindo

mil anos; a segunda, 400 anos; e a


terceira, 600 anos. São três grupos de

14. No terceiro grupo, entretanto, nomeiam-se

só 13 gerações, dando-se a

entender evidentemente que Maria

seria a décima-quarta.

Não era comum nas genealogias

judias aparecerem os nomes de mulheres.

A mulher não era considerada

uma pessoa para tal responsabilidade.

Ela não exercia direitos legais. Era

simplesmente possessão do seu pai ou

do seu esposo, e era obrigada a fazer

o que eles quisessem. Na sua ação de

graça matutina, o judeu agradecia a

Deus por não tê-lo feito gentio, escravo

ou mulher. A simples presença de

nomes femininos em uma genealogia

é um fato extraordinário. Então,

Jesus derruba a barreira que separa o

judeu do gentio; o homem da mulher

e o santo do pecador (Barclay: 22,23).

Ele não veio chamar justos, mas pecadores

ao arrependimento (Mc 9.13).

A opinião comumente aceita é que

Mateus dá a linhagem de José, mostrando

que Jesus é o herdeiro legal das

promessas feitas a Abraão e a Davi; e

Lucas dá a linhagem de Maria, mostrando

a descendência física de Jesus,

"Filho de Davi segundo a carne" (Rm

1.3). Em Mateus 1.16, a expressão "da

qual" mostra que a utilização do feminino

singular no grego não deixa

dúvidas de que Jesus nasceu apenas

de Maria, e não de Maria e José. Esta

é uma das evidências mais fortes para

o nascimento virginal de Jesus. A ge-

nealogia de Maria, de acordo com a

prática judaica, dependia do esposo.

Estas genealogias, registradas mais

detalhadamente em 1Crônicas 1 a 9,

formam a espinha dorsal dos anais do

Antigo Testamento, preservadas cuidadosamente

através dos séculos.

O MILAGRE DO NASCIMENTO

DE CRISTO (Mt 1.18-25)

O nascimento do Senhor Jesus

Cristo revela o milagre da entrada do

eterno dentro do nosso tempo. O mistério

é revelado na história.

Maria, no período do noivado em

que aguardava coabitar com José, foi

engravidada pelo Espírito Santo. José e

Maria foram preparados pelo Senhor

para a concepção de Jesus (1.20,21).

Ele é da semente da mulher que veio

para salvar os seres humanos (Gn

3.15; Mt 1.21).

O texto sagrado é muito esclarecedor

quando revela em 1.18, que, "estando

Maria, sua mãe, desposada com

José, sem que tivessem antes coabitado,

achou-se grávida pelo Espírito Santo".

É importante destacar que Maria passou

com Isabel, sua prima, os três meses

seguintes à visita que lhe fez o mensageiro

celeste. Quando voltou a Nazaré

e José soube do seu estado, este deve

tê-lo levado a uma perplexidade estranha.

Era, porém, um homem íntegro e

justo, dispondo-se a resguardar a repu-

2T13 COMPROMISSO 13


tação de Maria do que ele supunha ser

uma desmoralização pública ou coisa

pior. Foi quando o anjo apareceu-lhe e

explicou tudo (1.19-24). Podemos informar

que a intenção evidente de Mateus

foi mostrar que Cristo tivera uma

origem sobrenatural.

OS SÁBIOS FICAM

IMPRESSIONADOS

(Mt 2.1,2, 9-12)

Mesmo sendo considerados homens

sábios, eles saíram da Babilônia

ou de países mais além, região onde a

raça humana teve a sua origem, terra

de Abraão e do cativeiro judaico, onde

muitos judeus ainda viviam. Eram

homens que pertenciam à classe de

pessoas ilustres, eram conselheiros de

reis. Talvez, estivessem familiarizados

com as escrituras judaicas e sabiam da

expectação existente pelo Rei ou pelo

Messias. Certamente, eram homens

de elevada posição social, pois tiveram

acesso à presença de Herodes.

Geralmente são mencionados como

"três magos", mas as Escrituras não dizem

quantos foram. Provavelmente foram

mais de três, ou pelo menos vieram com

uma comitiva de dezenas ou centenas

de pessoas, como medida de segurança,

visto que não seria seguro um pequeno

grupo viajar milhares de quilômetros de

desertos infestados de malfeitores. A chegada

deles a Jerusalém foi bastante espetacular

para alvoroçar a cidade inteira.

14 COMPROMISSO2T13

Eles sabiam a quem buscavam. Herodes

cou alarmado (2.2,3). O rei

convocou os religiosos e lhes indagou

onde nasceria o Messias. A resposta foi

imediata. Herodes chama os sábios, os

questiona, enviando-os a Belém. A estrela

que viram no Oriente parou sobre

onde estava o menino Jesus (2.7-

9). "Esta estrela, vista pelos magos, foi,

sem dúvida, um fenômeno distinto,

uma luz sobrenatural que, pela direta

revelação de Deus, foi adiante deles e

indicou-lhes o lugar exato; anúncio

sobrenatural de um nascimento sobrenatural"

(Halley, p. 370).

Os sábios do Oriente experimentaram

um grande e intenso júbilo ao

verem a estrela (2.10). O texto grego

usa o superlativo para expressar

o sentimento desses homens diante

de Jesus. Eles o adoraram e ofereceram

o melhor que tinham dos seus

tesouros: ouro, incenso e mirra. "Os

primeiros pais da igreja entendiam

o ouro como símbolo da divindade

de Jesus; o incenso, da sua pureza; e

a mirra, de sua morte, uma vez que

era usada para embalsamar" (Ryrie,

p. 1.184). Após a visita ao menino

Jesus, os sábios zeram a vontade de

Deus, retornando para a Babilônia.

A REAÇÃO DE HERODES

(Mt 2.3-8, 16-18)

Uma pergunta que nos vem à mente

é: por que Herodes, o Grande, reage


negativamente ao nascimento de Jesus

Cristo? Porque ele representa toda a

artimanha satânica que se manifesta

no humanismo do rei. Herodes era um

homem megalomaníaco, com sede de

poder e um inimigo do reino de Deus.

Uma razão fundamental para o

comportamento de Herodes era a

sua origem. Os Herodes eram uma

linhagem edomita de reis que, sob

o governo romano, dominavam a

Judeia pouco antes da aparição de

Cristo. Herodes, o Grande, 37–3

a.C., subiu ao trono e o conservou

por meio de crimes bárbaros, pois

matou até sua esposa e dois filhos.

Era cruel, astuto e de sangue frio.

Foi ele quem matou os meninos de

Belém, num esforço para eliminar

Cristo. Seu filho, 33 anos mais tarde,

matou João Batista (Mc 6.14-29), e

escarneceu de Cristo (Lc 23.7-12).

Herodes era descendente de Esaú,

que odiava os judeus. Com a perseguição

empreendida por Herodes,

José e Maria fogem com o menino

para o Egito (2.13-15).

APLICAÇÕES PARA A VIDA

IMAGENS DA VIDA

SIMPLES QUE CRISTO

LEVAVA EM NAZARÉ

(Mt 2.19-23)

Após a morte de Herodes, um

anjo do Senhor apareceu em sonho

a José no Egito e ordenou a sua volta

para a terra de Israel. José obedeceu

e foi para as regiões da Galileia (v.

19-22).

Mateus não menciona que José

e Maria tivessem residido anteriormente

em Nazaré. Sabemos isto de

Lucas. Diz o texto (v. 23) que Jesus

será chamado nazareno. Provavelmente

nazareno é um sinônimo para

desprezível ou desprezado, já que Nazaré

era o lugar mais improvável para

a residência do Messias.

Tudo nos leva a crer que Jesus

trabalhou com o seu pai na carpintaria

até o tempo de realizar a

sua missão como Salvador, como

aquele que veio para servir e dar a

sua vida em resgate de muitos (Mt

20.28).

1

gente. Ele nos ama profundamente. Você tem falado deste amor às pessoas?

2



2T13 COMPROMISSO 15


EBD 2 14 de abril

Segunda

Mateus

3.1-7

Neste estudo enfocaremos o ministério

de João Batista, profetizado

em Isaías 40.1-3. Um homem comprometido

com o Senhor Jesus, a sua

revelação e com a ética do reino de

Deus, realizando o batismo de arrependimento.

Veremos a sua simplicidade e a envergadura

do seu ofício em ser o precursor

e aquele que batizou o Senhor

Jesus Cristo no Rio Jordão, inaugurando

o seu ministério. Foi nesse contexto

do batismo que a Trindade de

Deus se manifestou de forma gloriosa.

Mais adiante estudaremos a tentação

de Jesus, na sua humanidade,

quando ele foi levado pelo Espírito

ao deserto. Ato contínuo, o Mestre

chama os seus primeiros discípulos

para cumprirem a missão do reino de

Deus.

16 COMPROMISSO2T13

“Percorria Jesus

toda a Galiléia”

O preparo para a missão

Texto bíblico Texto áureo

Terça

Mateus

3.8-12

Quarta

Mateus

3.13-17

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quinta

Mateus

4.1-11

Sexta

Mateus

4.12-17

Sábado

Mateus

4.18-22

Domingo

Mateus

4.23-25

QUEM FOI JOÃO BATISTA?

(Mt 3.1-4)

João Batista era um homem de

Deus, profeta do Senhor, levantado

para anunciar a vinda do Senhor Jesus

Cristo e participar da inauguração do

seu ministério como Salvador. A sua

história está ligada à profecia de Malaquias

(4.1-6). Filho de Zacarias e Isabel.

Ele era idoso e ela, além de idosa,

era estéril. Mas como diz Lucas 1.37:

“Porque para Deus não haverá impossíveis

em todas as suas promessas”.

Após o chamado período interbíblico

– entre o Antigo e o Novo Testamento

– que durou cerca de 400

anos antes de Cristo, sem profecia,

aparece João Batista da parte de Deus

apontando para o Cristo que haveria

de se manifestar em carne ( Jo 1.14,


29). João era um homem simples, que

vivia no deserto da Judeia, usando vestes

de pelos de camelo e um cinto de

couro, alimentando-se de gafanhotos

e mel silvestre (Mt 3.4). Um homem

do povo, muito sério com as coisas de

Deus, intrépido e ousado na pregação

acerca do reino de Deus, enfatizando

o arrependimento e a con ssão de pecados.

O CONTEXTO DE JOÃO E A SUA

MENSAGEM (Mt 3.5-10)

Sob o domínio de Roma, a Palestina

– ambiente histórico-cultural de

João – vivia uma tensão entre o domínio

implacável do império romano

e a libertação deste domínio. Havia

muitos traumas e feridas no povo judeu.

Tentativas de libertação foram

frustradas e líderes, que se intitulavam

messias e seus seguidores, foram massacrados

por Roma.

Era um ambiente hostil. Os grupos

judaicos, as religiões de mistério,

cobradores de impostos, governadores,

militares e políticos corruptos dominavam

num contexto de sofrimento

do povo. Os publicanos cobravam

mais impostos que deviam, tendo o

apoio dos soldados que extorquiam

a nação sofrida. Havia o jugo do tradicionalismo

religioso, os pesados

impostos e o fato de viver debaixo de

um poder estrangeiro. Sabemos que a

religião como sistema contribui com

toda a sorte de corrupção, ferindo

princípios éticos, adulterando valores.

A história comprova estas realidades.

“João, o último dos profetas de

Israel, fora comissionado para proclamar

uma mensagem semelhante e

mais maravilhosamente evangélica. O

reino de Deus estava para ser imediatamente

manifestado em Israel em sua

plenitude na pessoa e obra de nenhum

outro senão o próprio Messias. Para

esta grande chegada as pessoas precisavam

preparar o caminho em seus

corações” (Tasker, p. 37).

A SUBMISSÃO DE CRISTO

AO BATISMO (Mt 3.11-17)

Após o seu belíssimo testemunho

acerca de Jesus Cristo (v. 11,12), João

se prepara para batizá-lo no Rio Jordão.

Fico pensando que privilégio, que

honra para um homem batizar o Rei

dos reis e Senhor dos senhores! Que

honra João poder servir a Cristo Jesus!

O Senhor Jesus solenemente se dirigiu

para fazer toda a vontade do Pai (v.

13). O texto diz que João dissuadia ou

"tentava impedir" Jesus para que fosse

o contrário. A resposta do Mestre está

intrinsecamente ligada à sua missão (v.

15). Batizado, Jesus saiu logo da água, e

os céus se abriram e o Espírito de Deus,

como pomba, desceu sobre ele (v. 16).

Que imagem impressionante! Após a

descida do Espírito, o Pai fala do seu

prazer na vida do Filho, na sua obediência

(v. 17). A Trindade de Deus se

manifesta de modo claro e inequívo-

2T13 COMPROMISSO 17


co, impressionante, sendo um lenitivo

para o nosso coração.

O batismo de Jesus nos remete

para uma profunda re exão acerca da

nossa missão como seus discípulos.

Como Jesus, devemos ser obedientes,

humildes, submissos e prontos para o

sofrimento, pois somos suas testemunhas.

Um estudioso, falando sobre o

batismo do Senhor, diz que "ele estava

aceitando a sua missão. Como membro

do seu povo e parte da humanidade,

ele toma sobre si os pecados deles,

e no batismo ele os atira de sobre si

com santa ira, dedicando-se ao mesmo

tempo à sua santa vocação". O

batismo de Jesus simboliza morte, sepultamento

e ressurreição. No nosso

batismo, somos identi cados plenamente

com ele.

O SIGNIFICADO DA TENTAÇÃO

DE JESUS (Mt 4.1-11)

Logo após o batismo, Jesus é levado

pelo Espírito ao deserto para ser tentado

pelo diabo (v. 1). O segundo Adão,

perfeito, sem pecado, agora é submetido

a uma prova na sua humanidade.

O inimigo usa de so sma como utilizou

no Éden. A expressão "se és Filho

de Deus" ocorre duas vezes no texto

(v. 3 e 6). De acordo com o teólogo

alemão Dietrich Bonhoe er, Jesus foi

submetido a três tentações: carnal (v.

3); espiritual (v. 6) e total (v. 8,9). O

diabo usou a Palavra de Deus de forma

errada à semelhança de muitos hoje.

18 COMPROMISSO2T13

A sua interpretação era maldosa, perversa

e destruidora. Jesus, porém, usa a

Palavra de Deus de forma correta, uma

interpretação precisa, contextualizada,

verdadeira e construtiva em sintonia

perfeita com o Pai e o Espírito Santo.

O diabo tenta tirar Jesus da sua missão,

mas Jesus o vence respondendo magistralmente

(v. 4-7,10).

Jesus deixa claro para o diabo a veracidade

da sua missão em glori car o

Pai na salvação do ser humano perdido.

Ele substanciou o seu ministério

mostrando que o homem deve viver

de toda a Palavra de Deus; não deve

tentar o Senhor Deus e a ele deve dar

o seu culto racional, a sua adoração

sincera. Ser Filho de Deus para Jesus

não era transformar pedras em pães,

nem se jogar do pináculo do templo

e nem ser dono de todos os reinos do

mundo. Ele tem todo o domínio. A

sua fome de 40 dias e 40 noites não

era de pão e nem de poder, mas de fazer

toda a vontade do Pai. “Em Jesus,

que era o Filho inteiramente obediente

a Deus, devia ser visto em perfeição

tudo o que Israel, chamado por Deus

do Egito para ser seu lho, devia ser,

mas que nunca havia sido, por causa

de sua desobediência” (Tasker, p. 41).

Impressiona-me a coroação da obediência

de Cristo e a derrota do diabo.

Os anjos servem um banquete para

aquele que foi obediente até à morte

e morte de cruz sendo depois exaltado

pelo Pai (Fp 2.8-11).


O INÍCIO DO MINISTÉRIO DE

JESUS – O CHAMADO DOS

PRIMEIROS DISCÍPULOS

(Mt 4.12-25)

Após vencer o diabo, Jesus retirou-se

para a Galileia. Mudou-se

de Nazaré, onde fora criado, e foi

para Cafarnaum, onde realizaria seu

ministério para cumprir o que fora

dito pelo profeta Isaías (9.1,2). Ali

prega o arrependimento e a proximidade

do reino dos céus (v. 16,17).

Na sua caminhada junto ao Mar da

Galileia, viu dois irmãos, Simão,

chamado Pedro, e André, que lançavam

as redes ao mar, porque eram

pescadores. Esta chamada está em

Marcos 1.16-20 e um texto mais

completo em Lucas 5.1-11.

Jesus os chama para servi-lo (v.

18,19). A resposta deles foi imediata

(v. 20). Jesus chama mais dois, João e

Tiago, lhos de Zebedeu (v. 21), que

respondem prontamente (v. 22). No

APLICAÇÕES PARA A VIDA

texto de Lucas, a chamada é precedida

por uma pesca milagrosa, pois

eles haviam trabalhado toda a noite

e nada haviam apanhado. Neste

texto, André não é mencionado. A

lição preciosa é que Jesus chamou

pescadores de peixes para se tornarem

pescadores de homens. Aqui

está a essência do evangelho de Jesus

Cristo (Lc 19.10).

No versículo 23 aparecem três

verbos no gerúndio: ensinando, pregando

e curando. Eles fazem parte do

conteúdo programático do ministério

do Senhor Jesus. Na sinagoga, ele

alcançava muitos judeus. Fora dela,

havia muitos estrangeiros doentes,

acometidos de várias enfermidades e

tormentos: endemoninhados, lunáticos,

paralíticos. Ele curou a todos.

E em todas as regiões da Palestina as

multidões o seguiam (v. 24,25). Jesus

tem o mesmo poder hoje. Infelizmente,

há muitos exageros, enganos e

charlatanismo em nome de Jesus.

1


2

vaidades, futilidades e excentricidades, sendo relevantes. João nos ensina a servir

a Cristo sendo coerentes em todo o nosso procedimento, fazendo toda a diferença.

3 Jesus foi tentado e venceu a tentação utilizando as Escrituras. Pela prática da

Palavra somos mais que vencedores.

2T13 COMPROMISSO 19


EBD 3

Segunda

Mateus

5.1-16

"Ora a teu Pai que

está em secreto"

Texto bíblicoTexto áureo

Terça

Mateus

5.17-32

20 COMPROMISSO2T13

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta

Mateus

5.33-48

Temos nesta porção das Escrituras o

chamado Sermão do Monte – o código

de ética do reino de Deus. Jesus trabalha

aqui especialmente as intenções do coração.

Trata-se do conteúdo de uma vida

feliz que é fazer a vontade de Deus.

A vida no reino de Deus é governada

pelo Rei. Somos seus súditos.

Fomos criados e redimidos em Cristo

para a obediência, desa ados a construir

toda a nossa vida sobre a Rocha.

Que o Espírito Santo nos auxilie na

leitura, na interpretação e na aplicação

deste texto inspirado.

AS BEM-AVENTURANÇAS

– O CARÁTER DO CRISTÃO

(Mt 5.1-12)

São oito "sinais principais da conduta

e do caráter cristãos, especialmente em

Diretrizes para o viver cristão

Quinta

Mateus

6.1-18

Sexta

Mateus

6.19-34

Sábado

Mateus

7.1-14

21 de abril

Domingo

Mateus

7.15-29

relação a Deus e aos homens, e as bênçãos

divinas que repousam sobre aqueles

que externam estes sinais" (Stott, p. 11).

A palavra grega para bem-aventurados é

makarioi que revela o estado de pessoas

felizes, que experimentam o gozo e a alegria

que são divinos. Os humildes de espírito

(v. 3) são aqueles que reconhecem

a sua pobreza espiritual ou a sua falência

espiritual diante de Deus, pois somos pecadores,

sob a santa ira de Deus, e nada

merecemos além do seu juízo. Os que

choram (v. 4), Stott diz que são “felizes os

infelizes a m de chamar a atenção para

o surpreendente paradoxo que contém”.

A verdade é que existem lágrimas cristãs

e são poucos os que a vertem. Os mansos

(v. 5) são os que agem de maneira “gentil”,

“humilde”, “atenciosa” e, portanto,

exercem autocontrole, sem a qual estas

qualidades são impossíveis (Stott, p. 32).


Fome e sede de justiça (v. 6). Estes são os

que Deus satisfaz. A justiça na Bíblia tem

pelo menos três aspectos: o legal, o moral

e o social. A justiça legal é a justi cação,

um relacionamento certo com Deus. A

justiça moral é aquela conduta que agrada

a Deus. A justiça social é a pregada

pelos profetas e trata da libertação do

homem da opressão. Cristo satisfaz os

três aspectos. Os misericordiosos (v. 7).

É a qualidade de serem misericordiosos

e terem compaixão dos outros, pois eles

também são pecadores (Stott, p. 38). Os

limpos de coração (v. 8). Os limpos de coração

são os íntegros, livres da tirania de

um “eu” dividido (Tasker). Só Jesus Cristo,

entre os homens, foi absolutamente

limpo de coração, foi inteiramente sem

malícia (Stott, p. 40). Os paci cadores

(v. 9). A sua vida é conduzida pela paz

com Deus, consigo e com o próximo.

Portanto, reconciliadora. Os perseguidos

por causa da justiça (v. 10-12). Stott sabiamente

nos alerta que “a perseguição é

simplesmente o con ito entre dois sistemas

de valores irreconciliáveis”. A nossa

resposta é o versículo 12.

INTERPRETANDO A LEI PARA

O REINO – A INFLUÊNCIA E A

JUSTIÇA DO CRISTÃO

(Mt 5.13-48)

Nos versículos 13 a 16, o Senhor

faz duas a rmações acerca do nosso

testemunho. Ele utiliza dois elementos

essenciais à vida: sal e luz. O cris-

tão deve ser sal e luz. São metáforas

para revelarem a nossa in uência neste

mundo. Plínio já dizia que nada é

mais útil do que “o sal e o sol” (sale et

sole).

O sal serve para dar sabor, conservar

ou preservar, puri car e revelar a sua

in uência. A luz foi feita para brilhar.

Stott diz: “Para ter e cácia, o cristão

precisa conservar a semelhança com

Cristo, assim como o sal deve preservar

a sua salinidade”. Não podemos ser sal

sem sabor, sem salinidade, pisado pelos

homens. Que lástima, comenta A. B.

Bruce, “de salvadores da sociedade a material

de pavimentação de estradas!”

Somos a luz do mundo (v. 14-16).

Não podemos car escondidos entre

as quatro paredes do templo. A nossa

luz deve brilhar.

“O sal e a luz têm uma coisa em comum:

eles se dão e se gastam, e isto é o

oposto do que acontece com qualquer

tipo de religiosidade egocentralizada”

(Stott, p. 56).

Jesus não veio revogar a lei, mas

cumpri-la (v. 17). Ele diz que tudo se

cumprirá (v. 18). Ensina que a lei deve

ser vista à luz dele mesmo. Os discípulos

devem viver a retidão no coração,

além da letra (v. 20).

Nos versículos 21 a 48, o Mestre

enfatiza que o homem é julgado pela

intenção do coração. Nutrir um sentimento

raivoso por alguém ou falar palavras

ofensivas signi ca estar sob o juízo

de Deus. "O ato de homicídio propria-

2T13 COMPROMISSO 21


mente dito tem suas raízes na ira, hostilidade

ou desprezo por outrem". Olhar

para uma pessoa com intenção impura

já adulterou ou se prostituiu com ela.

Não preciso jurar, mas dizer sim,

sim; não, não. A palavra do cristão deve

ser autêntica. Não devemos nos vingar,

mas caminhar a segunda milha; não

resistir ao perverso. A orientação de

Jesus é muito sábia para o nosso bem.

Sobre o amor ao próximo, o Mestre

nos exorta a amar os nossos inimigos e

orar pelos que nos perseguem. São verbos

que denotam ordem e ordenam o

nosso coração.

Aqui temos um resumo: “Portanto,

sede vós perfeitos como perfeito é o

vosso Pai celeste” (5.48).

A PIEDADE NO REINO:

AMOR, ORAÇÃO E JEJUM

(Mt 6.1-18; 7.7-12)

O primeiro versículo é muito bem

interpretado por A.B. Bruce: “Devemos

mostrar quando tentados a esconder

e esconder quando tentados a

mostrar”. A contradição aqui é apenas

verbal, não substancial em relação à expressão

de Jesus “para que vejam as vossas

boas obras”. Dar esmolas, orar e jejuar

devem ser atitudes discretas (6.4).

Quanto à oração pessoal, além de

ser na intimidade do quarto, no secreto

da comunhão com Deus, Jesus nos

dá um modelo de oração que contempla

a santidade de Deus; o seu reino; a

22 COMPROMISSO2T13

sua vontade em todas as dimensões; o

seu suprimento para os discípulos; o

perdão; o perigo da tentação e a soberania

de Deus (6.5-15).

No texto de 7.7-11, Jesus ensina

que devemos pedir, buscar e bater. Ele

usa os verbos no imperativo. Declara a

disposição do Pai em nos atender, comparando

o coração mau do pai humano

com o coração amoroso do Pai do céu.

No versículo 12 temos a chamada

lei áurea: Tudo o que queremos que as

pessoas nos façam devemos fazer a elas.

UM CORAÇÃO PARA O REINO

– A AMBIÇÃO DO CRISTÃO

(Mt 6.19-34)

Jesus ensina claramente a diferença

entre o tesouro da terra e o tesouro do

céu. Há uma grande diferença de natureza.

Completando seu ensino, ele faz a

ligação do coração com o tesouro.

Em seguida, Jesus fala da condição

dos olhos (v. 22,23). A diferença

entre os olhos bons, onde há luz, e os

olhos maus, onde há trevas. O nosso

olhar é produto da condição do nosso

coração. Os olhos são a janela da

alma. Em seguida, Jesus, no versículo

24, fala que não podemos servir a dois

senhores. Ou o homem serve a Deus

ou às riquezas. Há muitos que estão

buscando a teologia da prosperidade.

A vida do cristão deve ser simples,

sem ansiedade, stress. Jesus nos chama

a atenção para o perigo da ansiedade.


A nossa vida é muito mais importante

do que a preocupação pelo comer,

vestir e beber. Ele sugere uma terapia:

olhar para a natureza tão bela.

A nossa prioridade é o reino de

Deus e a sua justiça, e teremos o necessário

para vivermos com contentamento.

O segredo é viver cada dia, aproveitando

muito bem cada oportunidade.

OS PADRÕES DE

JULGAMENTO NO REINO –

OS RELACIONAMENTOS DO

CRISTÃO (Mt 7.1-6, 13-29)

Nós não somos o critério ou o padrão

de julgamento do próximo (v. 1-5).

Os que julgam serão julgados. Como

posso ver o cisco no olho do outro se

tenho um pedaço de madeira no meu?

Este é o ensino de Jesus. Não devemos

insistir com aqueles que rejeitam e fazem

chacota do evangelho de Cristo (v.

6). Eles não sabem o valor, a riqueza da

mensagem à semelhança do porco que

não sabe o valor de uma pérola.

APLICAÇÕES PARA A VIDA

O homem está diante de duas

portas: a estreita, que conduz à vida

eterna; e a larga, que leva à morte

eterna.

Jesus nos alerta para o perigo dos

falsos profetas que enganam o povo.

Por fora são ovelhas, mas por dentro

são lobos devoradores. Fazer a vontade

de Deus deve ser o centro da vida.

Teremos muitas surpresas no dia do

juízo (v. 22,23).

Aqueles que são do Senhor ouvem

a sua Palavra e a praticam sendo comparado

a um homem prudente que

edi cou a sua casa sobre a rocha e resistiu

às duras tempestades da vida. Os

que ouvem e não praticam são comparados

a um homem imprudente que

construiu a sua casa sobre a areia ou

sobre um solo batido, sem alicerce. Na

tempestade, o estrago foi muito grande

(v. 24-27).

O Sermão do Monte termina com

as multidões maravilhadas e Mateus

reconhecendo que Jesus falava com

autoridade inquestionável.

1


responsavelmente.

2 Jesus nos ensina que o nosso interior transformado deve gerar ações transformadoras

nesta sociedade corrupta e perversa. Como sal e luz, somos ordenados a



já caracteriza o ato de pecar.

3


2T13 COMPROMISSO 23


EBD 4

Segunda

Mateus

8.1-17

“O Filho do homem

tem autoridade”

24 COMPROMISSO2T13

Texto bíblicoTexto áureo – Mateus 9.6

Terça

Mateus

8.18-34

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta Quinta Sexta

Mateus

9.1-13

O texto de Mateus 8 e 9 é muito

desa ador. Ele trata de curas, poder

sobre a natureza criada pelo Pai, poder

sobre os demônios, poder para

perdoar, a questão do jejum, poder sobre

a morte e a necessidade urgente de

se pregar o evangelho genuíno ao ser

humano perdido.

Vamos estudar a pessoa e a obra de

Cristo fazendo a sua intervenção em

todas estas situações no contexto do

reino de Deus. Jesus agirá poderosamente

para curar, ressuscitar, domar

a natureza, libertar os cativos, perdoar

pecados e nos desa ar à prática da pregação

do seu evangelho aos pecadores

sem salvação.

Os primeiros embates

do Filho de Deus

Mateus

9.14-17

Mateus

9.18-26

Sábado

Mateus

9.27-34

28 de abril

Domingo

Mateus

9.35-38

AS CURAS EFETUADAS POR

JESUS (Mt 8.1-17, 28-34;

9.1-8, 19-22, 27-34)

O Senhor Jesus, na sua missão, cura

as pessoas começando por um leproso,

rejeitado pela sociedade. A lei levítica

trazia regulamentações detalhadas sobre

a lepra, e era dever dos sacerdotes

ver que fossem obedecidas. Os leprosos

eram considerados impuros, física

e cerimonialmente, vivendo fora da comunidade

(ver Levítico 13); e quando

eram curados, a ação de graças por sua

puri cação tinha que ser acompanhada

por ofertas sacri ciais (Tasker, p.

69). O leproso se aproxima de Jesus e


econhece o seu poder (8.2). O Senhor

curou aquele homem e o recomendou

a não alardear e a mostrar, como era

previsto na lei cerimonial (Lv 14.1-32),

ao sacerdote para servir de testemunho

ao povo. Jesus veio cumprir a lei.

Outra experiência de cura foi a do

servo do centurião romano. Esse o -

cial, muito bem aceito na comunidade

judaica, chama Jesus de Senhor (8.8) e

se humilha para solicitar a cura do seu

servo. Sendo autoridade, ele se submeteu

à autoridade de Jesus (v. 9). Jesus se

admirou da fé robusta daquele homem

(v. 10). O Senhor revela a universalidade

do evangelho (v. 11,12). Depois disso,

o Senhor disse ao homem: “Vai-te, e

seja feito conforme a tua fé. E, naquela

mesma hora, o servo foi curado” (v. 13).

O Senhor agora cura a sogra de

Pedro e liberta possessos cumprindo a

profecia de Isaías (v. 17; Is 53.4), põe

à prova os que desejam segui-lo (v. 18-

22) e propõe as condições essenciais

(v. 20,22).

Jesus enfrenta uma grande tempestade

no Mar da Galileia (8.23-27).

Eram comuns tempestades como essas,

com ondas de 2 a 3 metros de altura.

Durante a tormenta, o Mestre dormia.

Os discípulos, apavorados, o acordam

e clamam por proteção. Jesus se levanta,

os repreende e ordena ao mar que

se acalmasse (v. 26). Quantas vezes -

camos a itos pelas circunstâncias e nos

esquecemos de que Jesus está conosco!

Os endemoninhados de Gadara

vêm ao encontro de Jesus. A tempes-

tade no mar ilustra muito bem a tormenta

maligna dentro desses homens

(8.28-34). Eles trouxeram pavor para

aquele lugarejo, onde se criavam porcos,

detestados pelos judeus que tinham

no porco um animal imundo e

proibido (Lv 11.7; Dt 14.8). O mais

importante para nós é o poder de Jesus

não só sobre a natureza, mas sobre os

demônios. Os resultados desse embate

foram a libertação dos homens possessos,

sendo os espíritos mandados

para uma manada de porcos que se

precipitou despenhadeiro abaixo causando

“prejuízo” aos seus criadores e a

rejeição a Cristo. Aquela comunidade

incrédula considerava mais importante

uma criação de porcos do que a libertação

de vidas preciosas. Aqui um princípio

secular nefasto: coisas e animais são

mais importantes que pessoas.

O Mestre foi para o outro lado do

Mar da Galileia, para Cafarnaum, e ali

curou um paralítico (9.1-8). Por ser o

Deus encarnado, lhe perdoou os pecados

e o curou (v. 2). A mudança foi radical,

pois o leito que o levava agora é carregado

por ele (v. 6,7). As multidões ao

vê-lo curado, glori caram a Deus (v. 8).

Mais tarde, Jesus viu um homem

chamado Mateus sentado na coletoria

e disse-lhe: "Segue-me". Imediatamente,

ele se levantou e o seguiu (v. 9). Vemos

aqui uma chamada irresistível. Jesus

chama um homem ocupado com

as coisas deste mundo para se ocupar

integralmente com as coisas do reino

de Deus.

2T13 COMPROMISSO 25


Mateus promove uma festa em sua

casa e convida Jesus e seus discípulos

(v. 10-13). Os religiosos fariseus questionam

com os discípulos de Jesus o

comer com os “publicanos” e “pecadores”

(v. 11). A resposta do Mestre

foi fenomenal (v. 12,13). O reino de

Deus é o reino dos doentes em tratamento,

dos rejeitados, onde há perdão

e festa. Só entram os que con am no

mérito de Cristo. Jesus não veio chamar

os que se acham sãos, perfeitos,

obedientes a uma cartilha legalista,

que con am no sistema religioso que

enfatiza o desempenho, mas os que

necessitam de médico, que precisam

da misericórdia, que nada possuem de

si mesmos.

Questionado com relação ao jejum

pelos discípulos de João Batista

(v. 14), Jesus ensina que a sua presença

dispensa o jejum (v. 15). Utiliza

duas ilustrações: pano velho, pano

novo; odre velho e vinho novo. Tasker

diz que “as duas ilustrações com que

esta passagem termina indicam a percepção

de Jesus, cada vez mais de -

nida, de que havia incompatibilidade

entre o velho Israel, paralisado pela

justiça própria e sobrecarregado de

vãs regulamentações, e o novo Israel

humilhado pela consciência do

pecado e voltado com fé para Jesus,

o Messias, a m de obter perdão. A

velha vestimenta não aguentaria o remendo

novo. O vinho novo do perdão

messiânico não seria conservado

nos velhos e remendados odres do

26 COMPROMISSO2T13

legalismo judaico”. Tem muita gente

trazendo práticas judaicas, do legalismo

judaico, para dentro de nossas

igrejas.

A VITÓRIA SOBRE A MORTE

(Mt 9.18, 23-31)

Após dizer as verdades aos discípulos

de João, Jesus é abordado por

um chefe de sinagoga chamado Jairo,

pois a sua filha havia falecido (v.

18). No caminho para a casa de Jairo,

com os seus discípulos, o Senhor

encontra uma mulher que tinha hemorragia

durante 12 anos e não havia

médico que a curasse. Ela toca a

orla da veste de Jesus (v. 20) porque

dizia consigo mesma: “Se eu apenas

lhe tocar a veste, ficarei curada” (v.

21). O texto diz que Jesus se volta

e vendo-a, disse-lhe: “Tem bom ânimo,

filha, a tua fé de salvou” (v. 22).

E a mulher ficou curada.

Após esse milagre, Jesus chega à

casa de Jairo para ressuscitar a sua -

lha de 12 anos, de acordo com Marcos

e Lucas (v. 25). Termina o desespero e

começa a esperança. Jesus é a ressurreição

e a vida. A doença e a morte são

vencidas pelo seu poder.

Este mesmo Cristo perfeito cura

dois cegos e um mudo endemoninhado

(9.27-33). As multidões cam

maravilhadas com o poder de Jesus

sobre a enfermidade e os demônios

(v. 33). Os fariseus blasfemam contra

ele (v. 34).


O DESAFIO DA MISSÃO

(Mt 9.35-38)

Jesus percorria cidades, povoados,

vilarejos ensinando nas sinagogas,

pregando o evangelho do reino

e curando toda sorte de doenças e

enfermidades (v. 35). Há três verbos

aqui que aparecem no gerúndio. A

ideia é que Jesus tinha essas práticas

como estilo de vida.

O Senhor via as multidões com

compaixão. O seu coração fervilhava

de amor e perdão, graça e aceitação,

justiça e verdade. Ele via as multidões

cansadas, exploradas, a itas, doentes,

como ovelhas que não têm pastor (v.

36). Que sensibilidade tremenda tinha

o Senhor Jesus! Ele não queria

julgar as multidões, mas salvá-las.

Não satisfeito, Jesus revela um

diagnóstico triste: “A seara ou o cam-

APLICAÇÕES PARA A VIDA

po, na verdade, é grande, mas os trabalhadores

são poucos” (v. 37). Ao

mesmo tempo em que o Mestre revela

o diagnóstico, mostra a solução e no

imperativo, isto é, numa ordem: “Rogai,

pois, ao Senhor da seara que mande

trabalhadores para a sua seara” (v. 38).

A igreja deve orar intensamente para

que mais obreiros se apresentem para

servirem nas suas diversas áreas. Você

está pronto a servir a Cristo dentro das

condições impostas por ele? Alguém

disse com muita sabedoria que “Deus

não chamou pessoas extraordinárias

para um trabalho comum, mas pessoas

comuns para um trabalho extraordinário”.

É uma honra, um privilégio ser

chamado para o ensino, a pregação

e a cura de pessoas. O trabalho a ser

desenvolvido, o per l do trabalhador

e as condições serão magistralmente

apresentadas por Jesus em Mateus 10.

1 Éramos imundos, mas Cristo derramou o seu precioso sangue para nos limpar

e nos tornar aceitos pelo Pai, apenas pela sua graça.

2


delas.

3 Jesus tem poder sobre as enfermidades e os demônios trazendo cura e liber-




aceitação, do perdão e da festa.

4 O Mestre teve compaixão ao ver o povo perdido em seus delitos e pecados.


2T13 COMPROMISSO 27


EBD 5

Segunda

Mateus

10.1-22

Terça

Mateus

10.23-42

28 COMPROMISSO2T13

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta

Mateus

11.1-6

Quinta

Mateus

11.7-19

Sexta

Mateus

11.20-24

Sábado

Mateus

11.25-27

5 de maio

“Quem não segue após mim

não é digno de mim”

Jesus prepara seus seguidores para a missão

Texto bíblico Texto áureo

O nosso texto versa sobre a escolha

dos discípulos, a sua lista completa, as instruções,

as admoestações, os estímulos, as

di culdades e a recompensas no cumprimento

da missão do reino de Deus.

Além da escolha dos discípulos, temos

o envio por parte de João dos seus

discípulos a Jesus, as cidades impenitentes

e a revelação de Jesus aos humildes,

bem como o seu convite aos que estão

cansados e oprimidos para os aliviar em

si mesmo. Busquemos a orientação do

Espírito Santo para compreendermos e

vivermos este ensino precioso do Mestre.

A ESCOLHA (Mt 10.1-4)

O Senhor Jesus, tendo chamado os

12, deu-lhes autoridade sobre os espíritos

imundos para os expelir e curar

toda sorte de doenças e enfermidades

Domingo

Mateus

11.28-30

(v. 1). Em seguida, temos a lista completa

dos seus discípulos.

De acordo com Ryrie, o discípulo

é alguém que é ensinado por outrem;

ele é um aprendiz em sofrimento. Nos

Evangelhos, a palavra é usada com frequência

– discípulos de Moisés ( Jo

9.28); de João Batista ( Jo 3.25) e de

Cristo. Judas é um exemplo de um

discípulo não-salvo de Cristo, e houve

outros que o abandonaram ( Jo 6.66).

Jesus agora os instrui para a missão

do reino de Deus.

O DETALHAMENTO DA

MISSÃO QUE OS DISCÍPULOS

RECEBERIAM (Mt 10.5-42)

Temos agora as instruções para os

12, as admoestações, os estímulos, as

di culdades e as recompensas.


1 As instruções para os 12 (10.5-

15). Jesus, a princípio, de ne o público

para o qual os discípulos deviam

se dirigir (v. 5,6) e ordenou que pregassem

a proximidade do reino de

Deus, ou da soberania de Deus no

coração do homem pelo evangelho.

Jesus usa alguns verbos no imperativo

indicando extrema relevância do seu

poder diante das carências do povo

sofrido (v. 8). Que nada faltará a eles

se forem éis no trabalho diligente

(v. 9,10). De ne também a casa onde

eles devem car a partir dos critérios

de boas-vindas, de receptividade amorosa

e a bênção da paz sobre essa casa.

Ordena o juízo para a casa e a cidade

que rejeitarem a mensagem do reino

de Deus (v. 11-15).

2 As admoestações (10.16-23).

O Senhor Jesus os alerta para os perigos

que passam aqueles que o seguem,

o custo alto dos que o amam – o sofrimento

– mas os encoraja dizendo que

o Pai, pelo Espírito Santo, ministrará

poder a eles para falarem conforme a

sua vontade e faz promessas (v. 22).

3 Os estímulos (10.24-33). A

ordem de Jesus é acompanhada de

estímulos para o exercício da missão

do reino. O Senhor volta a falar da

perseguição implacável dos religiosos

judeus, bem como da sociedade

idólatra e secular. Os discípulos não

deviam temer os que matam o corpo,

mas não podem matar a alma

(v. 28). Deviam ter muita coragem,

ousadia, confessando-o diante dos

homens (v. 32).

4 As dificuldades (10.34-39).

O Mestre nunca escondeu dos seus

discípulos as lutas, dificuldades

e obstáculos no cumprimento da

missão do reino. Ele esclarece que

a sua manifestação causaria divisão

nos lares. Alertou-os acerca dos inimigos

do reino na própria casa dos

que o seguissem (v. 34-36). Jesus

não tinha prazer nesta divisão, mas

era uma situação irreversível, considerando

a rejeição do evangelho

do reino. Nos versículos 37 a 39,

ele fala de prioridade. Sendo ele a

prioridade, os familiares ficariam

em plano secundário. Se ele é a minha

primazia, devo amá-lo de todo

o coração, alma e entendimento.

Isto significa que Jesus é muito mais

importante que eu mesmo (v. 39).

Paulo tinha esta convicção quando

disse aos gálatas: “Não mais eu, mas

Cristo” (2.20), bem como aos filipenses:

“Para mim o viver é Cristo e

o morrer é lucro” (1.21).

5 As recompensas (10.40-42). O

Mestre agora fala sobre a honra dos que

o seguem. Todos aqueles que recebem

os seus discípulos, o recebem também.

Não é isto maravilhoso? O versículo

41 é magistral, pois fala do valor dos

discípulos de Jesus. Vale a pena seguir

e servir a Cristo pelo que ele é.

2T13 COMPROMISSO 29


A PERGUNTA DE JOÃO BATISTA

(Mt 11.1-19)

Após suas instruções aos 12, o Senhor

Jesus partiu dali para ensinar e

pregar nas cidades. Depois das instruções

teóricas, Jesus mostra na prática

como fazer.

Neste contexto, João Batista está

preso e faz uma pergunta intrigante (v.

3). A resposta de Jesus está nos versículos

4 e 5, que revelam os sinais da sua

divindade. Em seguida, Jesus dá um testemunho

belíssimo de João. Vale a pena

ler o texto e meditar nele (v. 7-15).

A vida de João contrasta em muito

com a vida dos religiosos, daqueles que

diziam que o último profeta tinha demônio

(v. 18). Aliás, Jesus e João eram

rejeitados pela aristocracia judaica,

comprometida com o tradicionalismo.

O SOFRER DE CRISTO PELAS

CIDADES PERDIDAS, PELAS

PESSOAS SEM DEUS

(Mt 11.20-24)

Jesus condena as cidades de Corazim,

Betsaida, Cafarnaum, dizendo

que Tiro e Sidom, Sodoma e Gomorra,

teriam menos juízo do que elas (v. 24).

O diagnóstico de Jesus era perfeito. Ele

conhecia muito bem o coração dos que

viviam nessas cidades, tanto no Antigo

Testamento quanto na sua época.

As ricas e iníquas cidades de Tiro

e Sidom são denunciadas muitas vezes

no Antigo Testamento. Mas Je-

30 COMPROMISSO2T13

sus a rma que, se elas tivessem tido

o privilégio de testemunhar um feito

do Messias como o de alimentar milagrosamente

grande multidão, coisa

que provavelmente se deu em campo

aberto perto de Betsaida, o orgulho

delas teria se derretido, e o seu genuíno

arrependimento teria se mostrado nos

sinais externos da lamentação e do jejum.

Por conseguinte, a sorte delas será

mais afortunada do que a de Corazim

e Betsaida quando vier o juízo.

A importante cidade de Cafarnaum,

situada na costa do Mar da Galileia, pela

qual passava a grande estrada de Damasco

ao Mediterrâneo, achava-se segura

e próspera, satisfeita e autossu ciente.

Foi tentada a dizer – é o que Jesus deixa

entrever pela forma da pergunta que ora

lhe dirige (v. 23) – aquilo que Isaías retratou

como sendo dito por Babilônia:

"Eu subirei ao céu; acima das estrelas de

Deus e exaltarei o meu trono (...) subirei

acima das mais altas nuvens, e serei

semelhante ao Altíssimo" (Tasker, p.

95,96). Jesus condena essa cidade pela

dureza do coração e pela incredulidade.

Como Jesus vê as cidades hoje?

A RAZÃO DA EXULTAÇÃO

DE CRISTO E O SEU JUGO

(Mt 11.25-30)

Este é um dos muitos textos preciosos

da Bíblia. Ele só foi registrado

por Mateus. Fala da revelação de Deus

por meio do seu Filho Jesus aos pequeninos,

aos simples (v. 25). O mistério


foi revelado àqueles que o Pai determinou

descortinar em sua soberania

(v. 26). Há uma relação íntima entre o

Pai e o Filho (v. 27). Jesus é categórico

quando declara que “Todas as coisas

me foram entregues por meu Pai”.

Aqui temos a autoridade delegada

pelo Pai ao Filho para cumprir todo o

seu propósito na história da salvação.

A soberania de Deus Pai é muito destacada

neste texto.

Com base em sua autoridade delegada

pelo Pai, Jesus agora faz um

convite a todos os que estão cansados

e sobrecarregados e oferece o seu alívio

(v. 28). Além disso, no versículo 29,

ele usa dois verbos no modo imperativo:

tomai e aprendei. Ele se caracteriza

como manso e humilde de coração que

oferece descanso aos que con am nele.

APLICAÇÕES PARA A VIDA

Ele assevera que o seu jugo é suave e o

seu fardo é leve (v. 29). O jugo de Jesus

não é obediência a uma lei externa,

mas primordialmente lealdade a uma

pessoa, que capacita o discípulo a fazer

alegremente, e, portanto, facilmente,

e sem a sensação de que está pelejando

debaixo de um pesado fardo, o que

aquele pessoa quer que ele faça. Onde

quer que exista uma relação entre o

discípulo e Jesus, (seu) jugo é suave, e o

(seu) fardo é leve. Além disso, o caminho

da vida que ele deseja que os seus

discípulos sigam é a sua própria vida

(Tasker, p. 97). Aqui temos claramente

a revelação de Deus, o diagnóstico da

condição humana e a solução pela obra

de Cristo. Ele nos convida a descansarmos

nele. Isto quer dizer: con armos

em sua maravilhosa graça.

1


muitos obstáculos no cumprimento da missão de evangelizar e fazer discípulos, mas


2



3

com o Pai. Ela deve ser renovada todos os dias.

4 Jesus faz o maior de todos os convites aos cansados e oprimidos. Somos

portadores deste belíssimo e sempre atual convite. Precisamos ir a todos os lugares


para que sejam libertos e salvos.

2T13 COMPROMISSO 31


EBD 6 12 de maio

Segunda

Mateus

12.1-21

Terça

Mateus

12.22-37

32 COMPROMISSO2T13

“É chegado a vós o

reino de Deus”

Quarta

Mateus

12.38-50

O Mestre sempre teve o melhor

método de ensino. Ele sempre falou ao

coração do ser humano morto em seus

delitos e pecados. Na sua didática, ele

sempre priorizou a vida humana. Para

ele, a pessoa é muito mais importante

do que coisas e sistemas. A festa com

os doentes é muito mais relevante do

que estar com religiosos.

Ele utilizou as parábolas para comunicar

os valores do reino de Deus.

A sua metodologia sempre estimulou

o ser humano a viver para o alto, para

dentro e para o outro. Estas são as dimensões

do seu evangelho.

O ENSINO DE JESUS SOBRE A

GUARDA DO SÁBADO (Mt 12.1-8)

Jesus sabiamente responde ao tradicionalismo

acusador quando ele e

A metodologia de ensino do Mestre

Texto BíblicoTexto áureo

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quinta

Mateus

13.1-23

Sexta

Mateus

13.24-35

Sábado

Mateus

13.36-53

Domingo

Mateus

13.54-58

os seus discípulos estavam colhendo

espigas e as comendo no sábado (v.

1,2). Para os fariseus, Jesus e os seus

discípulos estavam agindo ilicitamente.

O Senhor responde citando o

exemplo de Davi e os seus companheiros

quando estavam com fome, além

dos sacerdotes que violavam o sábado

(v. 3-5). Ele enfatiza que é maior que o

templo e é Senhor do sábado (v. 6-8).

“Se Davi tinha direito de "violar" a lei,

assim, com mais razão, tinha direito o

Filho do grande Davi, e maior do que

este – o Messias”. Jesus usa o profeta

Oseias (6.6) para ensinar que a misericórdia

é mais importante do que

o tradicionalismo religioso. Somos

lhos de um Deus misericordioso e

não legalista. Que o sábado foi feito

por causa do ser humano e não vice-

-versa. O mais importante para nós


é que Jesus é Senhor do sábado, das

regras legalistas e que as pessoas estão

em primeiro lugar em qualquer escala

de valores.

O ENSINO ACIMA POSTO EM

PRÁTICA NA CURA DO HOMEM

DE MÃO ALEIJADA (Mt 12.9-21)

Jesus entra na sinagoga e encontra

lá um homem com uma das mãos

seca. Era um aleijado. Os fariseus, não

satisfeitos com a resposta anterior de

Jesus sobre o sábado, perguntam se é

lícito curar aquele homem nesse dia.

Jesus responde com uma pergunta (v.

11). Jesus os coloca em xeque: o que é

mais importante: tirar uma ovelha do

buraco no sábado ou curar um homem

no sábado? Jesus deixou claro que uma

pessoa vale muito mais do que uma

ovelha. Logo, é lícito, nos sábados,

fazer o bem (v. 12). Ele curou aquele

homem e os religiosos, enfurecidos,

planejavam matá-lo (v. 13,14). A religião

é fria, insensível e extremamente

legalista, violenta e implacável. O evangelho,

por sua vez, aquece o coração, é

sensível, gracioso, manso e perdoador.

OUTROS ENSINOS SOBRE O

VIVER CRISTÃO (Mt 12.22-50)

O Senhor, neste texto, revela alguns

dos seus preciosos ensinos. Ele cumpre

a profecia de Isaías 42.1-4, que enfatiza

o seu ministério de alcance mundial;

cura um endemoninhado cego e mudo,

é acusado de expulsar os demônios

pelo maioral dos demônios chamado

Belzebu (Beelzeboul é a forma correta

para o termo empregado aqui, sendo

o príncipe dos demônios – v. 24); Ele

os rebate dizendo que "todo reino dividido

contra si mesmo cará deserto,

e toda cidade ou casa dividida contra

si não subsistirá" (v. 25). Jesus os exorta

dizendo que expulsa os demônios pelo

Espírito Santo e aí é chegado o reino de

Deus sobre vocês (v. 28). Dá instruções

preciosas quanto à nossa luta contra as

forças espirituais do mal.

Agora, ele trata acerca da blasfêmia

contra o Espírito Santo (v. 31,32). Blasfemar

contra o Espírito Santo é rejeitar

a pessoa e a obra de Cristo. É o pecado

da incredulidade e da rejeição veemente.

"O pecado descrito é o de blasfêmia

deliberada e arrogante, chamando de

obra do diabo aquilo que inequivocamente

é obra de Deus" (Stagg, p. 189).

É quando o homem repele a ação do

Espírito em sua vida para crer em Jesus

Cristo como Salvador e Senhor,

convencendo-o do pecado, da justiça

e do juízo e morrer nesta condição (Jo

16.8-11). Sabemos que o viver cristão

só é possível pelo Espírito.

Jesus, muito sabiamente, discorre

sobre a árvore e seus frutos (v. 33-36),

dando uma dura lição aos religiosos

judeus que produziam frutos maus,

chamando-os de raça de víboras, de

gente traiçoeira e perversa. Em seguida

(v. 38-42), eles pedem um sinal.

Aqui eles são modelo dos que vivem

2T13 COMPROMISSO 33


pelas emoções. A resposta de Jesus

foi muito objetiva ao citar o sinal do

profeta Jonas. Semelhantemente, Jesus

deixa entrever aqui, Jonas, guradamente

falando, foi "levantado dos

mortos" para desincumbir-se da obra

para a qual Deus o chamara (Tasker, p.

105). Então, Jesus usa o sinal de Jonas

para testemunhar a sua morte e a sua

ressurreição para cumprir a missão.

Mateus insere a história da visita que a

mãe e os irmãos de Jesus lhe zeram neste

ponto da sua narrativa para esclarecer

que nem toda a geração de Jesus era má

(v. 46-50). Alguns mostraram que eram

obedientes à vontade de seu Pai. Estes

eram a sua família. A família de Deus são

aqueles que fazem a sua vontade.

AS PARÁBOLAS DO TEXTO E

SEUS ENSINOS (Mt 13.1-50)

O Mestre narra oito parábolas e

as explica (v. 1-50). Todas as parábolas

revelam a natureza e o caráter do

reino de Deus. Começamos com a

parábola do semeador (v. 1-9). Somos

semeadores espalhando a semente do

evangelho no coração do ser humano.

A semente cai à beira do caminho,

no solo rochoso, entre espinhos e em

boa terra. O Senhor utiliza o contexto

da agricultura da região da Palestina.

Utiliza a natureza para ensinar coisas

espirituais. A semente deve ser lançada

e os resultados não são da nossa

alçada. A seguir, ele conta a parábola

do joio e do trigo. No meio da lavou-

34 COMPROMISSO2T13

ra de trigo há joio. Ele se parece com

o trigo, mas não é trigo. Mas precisa

esperar a colheita para fazer a separação.

O trigo é útil para alimentar o

ser humano. O joio é inútil e deve ser

queimado. Não sabemos quem é trigo

e nem quem é joio, mas o Senhor sabe

perfeitamente.

A parábola do grão de mostarda

mostra que o grão é o menor de todos,

mas se torna uma pequena árvore

onde as aves do céu se aninham nos

seus ramos. Assim é o reino dos céus,

uma pequena semente, mas que se

torna habitat para os que se achegam.

O reino dos céus é comparado ao fermento

que ensina o alcance do reino

dos céus. As parábolas do tesouro escondido

e da pérola de grande valor

mostram a riqueza incalculável do reino

de Deus. A parábola da rede ensina

a variedade de pessoas que entram

no reino, mas haverá o juízo quando

os anjos separarão os maus dentre os

justos (v. 48-50).

APLICAÇÃO DAS

PARÁBOLAS PARA HOJE

Gostaria de iniciar aqui com a

pergunta dos discípulos: por que lhes

falas por parábolas? A explicação está

no contraste entre os duros de coração,

incrédulos, e os de coração sensível,

crédulos (v. 13-17). Aqui também

destacamos a extrema relevância da

soberania de Deus, dos seus propósitos

em Cristo.


Na parábola do semeador, a semente

do evangelho encontra várias

reações ou os diversos solos. O que

importa é semear com amor, oração e

con ança no Senhor, descansando em

sua delidade. O trabalho de convencimento

no coração do ser humano é

do Espírito Santo.

Na parábola do joio, o agricultor só

verá a diferença entre ele e o trigo quando

zer a colheita. É importante ressaltar

que, na colheita, o joio está com suas

raízes presas na terra (apego às coisas

materiais); ele ca ereto (é arrogante) e

não tem fruto (é estéril). O trigo, por

sua vez, tem suas raízes soltas da terra

(não se apega às coisas materiais); se inclina

(se humilha); e tem seus cachos

cheios de grãos (dá uto). Aqui é a grande

diferença entre os que não são e os

que são do Senhor. Não nos enganemos:

há muito joio por aí.

APLICAÇÕES PARA A VIDA

Na parábola do grão de mostarda,

podemos aprender a humildade

do reino de Deus. Deus usa as coisas

pequenas para fazê-las grandes. Ele

confunde as coisas grandes por meio

das pequenas. O reino de Deus atrai e

é útil aos que creem.

Na parábola do fermento, aprendemos

a exercer a nossa in uência

onde quer que estejamos permeando

toda a sociedade com o evangelho de

Cristo e in uenciando a sociedade

com o estilo de vida do Mestre.

Nas parábolas do tesouro e da pérola,

aprendemos que precisamos renunciar

às coisas de menor valor pelas

de maior valor. Pagar o preço da renúncia,

da obediência. Paulo considerou

tudo como perda, como sem valor

ou esterco por causa do grande valor

de Cristo, por causa da sublimidade

do seu conhecimento (Fp 3.7-9).

1

religiosa ou civil. Nós não seguimos uma tradição religiosa, mas Cristo.

2


mais importante do que a organização.

3




Oremos pela conversão genuína das pessoas.

4

que querem viver piamente Jesus Cristo padecerão perseguições.

2T13 COMPROMISSO 35


EBD 7 19 de maio

Segunda

Mateus

14.1-12

“Partindo os pães

deu-os aos discípulos”

Terça

Mateus

14.13-21

36 COMPROMISSO2T13

Os sinais da divindade e poder de Jesus

Texto bíblico Texto áureo

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta

Mateus

14.22-36

Quinta

Mateus

15.1-10

Sexta

Mateus

15.11-20

Sábado

Mateus

15.21-28

Domingo

Mateus

15.29-39

Este texto é uma narrativa de con- cunhada e amante e a lha desta que

trastes. A tristeza da morte de João era fútil e louca, para matar João Ba-

Batista contrasta com a alegria FALTOU da A tista. EBD A 7

permissão de Deus diante de

multidão ao ter pães e peixes multipli- toda esta articulação maligna tem

cados por Jesus e da mulher cananeia um propósito: ser glori cado na vida

que teve a sua lha curada por Jesus. de João, um homem íntegro, humil-

Jesus revela os sinais da sua dide, coerente e corajoso. As pessoas de

vindade andando sobre o mar e ma- Deus são assim. João Batista denunnifestando

todo propósito do Pai ciou veementemente o pecado do rei.

com a sua consciência de missão. Ele não era um mascote, mas um pro-

Atentemos para o que o Espírito nos feta de Deus. Os que tramaram fu-

ensina pela vida e obra de Jesus Cristilmente a sua morte semearam para

to, nosso Senhor.

receberem o duro juízo de Deus. A

cabeça de João foi cortada e ofereci-

A MORTE DE JOÃO BATISTA da num prato à jovem fútil e insana.

(Mt 14.1-12)

João perdeu a cabeça física, mas não

a sua coerência. Os seus discípulos

Temos aqui uma trama bem ar- vieram certamente com muita tristeticulada

entre Herodes Antipas, o za levar o corpo daquele que era um

tetrarca da Galileia, Herodias, sua exemplo de vida santa.


OS SINAIS DA DIVINDADE DE glori cado. Aprendemos com este

JESUS (Mt 14.13-33; 15.32-39) texto que temos uma responsabilidade

de ajudar os que mais precisam e

Após saber da morte do seu pre- fazê-lo com profundo amor cristão.

cursor, o Senhor Jesus se retira num Não é uma opção, mas uma ordem de

barco para um lugar deserto a m de Jesus dar de comer aos pobres e mais

car a sós com o Pai (v. 13). As multi- carentes.

dões o seguiram por terra. Ao desem- Depois deste milagre, Jesus insistiu

barcar, vendo uma grande multidão, com os discípulos que fossem na fren-

compadeceu-se dela e curou os seus te e subiu ao monte para orar sozinho.

enfermos. Que cena lindíssima! Jesus Na quarta vigília da noite, foi encon-

estava exausto e os discípulos, preotrar-se com os seus discípulos que escupados,

sugere ao Senhor que despetavam no barco açoitado pelas ondas

ça as multidões para que pudessem ir porque o vento era contrário. Jesus es-

às aldeias comprar alguma coisa para tava andando sobre o Mar da Galileia.

comer. A resposta de Jesus foi direta: Ao verem Jesus, os discípulos caram

“Não precisam retirar-se; dai-lhes, aterrados e achavam que era um fan-

vós mesmos, de comer”. A resposta-detasma e, tomados de medo, gritaram.

sa o do Mestre foi tremenda. Os dis- Jesus se identi cou e os acalmou e os

cípulos disseram que só tinham cinco encorajou. Pedro quis fazer um teste

pães e dois peixes. O Senhor FALTOU já sabia A EBD com o 7

Mestre se oferecendo para ir ter

o que ia fazer. Ele sempre sabe. Nós com ele andando sobre o mar. Jesus o

é que não sabemos ou achamos que convida e ele começa a andar sobre as

sabemos por nós mesmos. O Senhor águas na direção do Senhor. Mas, com

usa uma estratégia (v. 18,19). Ele to- a força do vento, Pedro teve medo

mou os cinco e dois peixes e ergueu e, começando a submergir, gritou:

os olhos ao céu e os abençoou. Todos “Salva-me, Senhor!” Jesus o repreen-

comeram e se fartaram. Ainda sobradeu: "Homem de pequena fé, por que

ram 12 cestos de pães. E eram cerca duvidaste?" Pedro não passou no tes-

de cinco mil homens, pois mulheres te. Ele olhou para as circunstâncias e

e crianças não eram contados. Foi um não para Jesus. Somos assim também.

milagre. Jesus pode multiplicar os Precisamos con ar na su ciência de

nossos poucos recursos se tivermos Cristo Jesus. Os discípulos que esta-

fé e trabalharmos diligentemente. O vam no barco zeram uma pro ssão

pouco nas mãos do Mestre pode ser de fé (v. 33). Em Genesaré, muitos

transformado em muito para que se foram curados pelo poder de Jesus (v.

cumpra o seu propósito e o Pai seja 34-36).

2T13 COMPROMISSO 37


CUIDADOS COM O

TRADICIONALISMO

(Mt 15.1-20)

Jesus está em Jerusalém. Nesta cidade

importantíssima para o judaísmo,

alguns fariseus e escribas perguntaram a

Jesus: Por que transgridem os teus discípulos

a tradição dos anciãos? (v. 1). Jesus

responde fazendo uma pergunta muito

pertinente? Por que vocês transgridem

o mandamento de Deus de honrar pai e

mãe por causa da sua tradição? Esta questão

fez lembrar o pensamento do teólogo

luterano Jaroslav Pelikan: “Tradição é a

fé viva daqueles que já morreram. Tradicionalismo

é a fé morta dos que ainda

vivem”. Jesus não rejeita a tradição, mas

o tradicionalismo. Este último era o caso

dos religiosos judeus. Notamos que, nos

versículos 5 e 6, Jesus condena de forma

veemente a desculpa dos religiosos judeus

de se eximirem da responsabilidade

com o pai e a mãe a pretexto de dizerem:

“É oferta ao Senhor aquilo que poderias

aproveitar de mim”. Ele diz claramente:

“Invalidastes a Palavra de Deus, por causa

da vossa tradição”.

Jesus agora toca num ponto essencial

que é a hipocrisia – a incoerência

entre o que está no coração e o que

se fala, se expressa ou se vive (v. 7-9).

Era uma palavra do profeta Isaías no

capítulo 29.13. Deve sempre haver

coerência entre o que cremos e o que

praticamos; entre o que sentimos e

o que vivemos. A boca deve ser sem-

38 COMPROMISSO2T13

pre o resultado do coração. É por ela

que devemos verbalizar quem somos.

Mais adiante, o Senhor Jesus começa

a tratar de outro assunto que é a contaminação

do homem. Não é o que

entra que contamina o homem, mas o

que sai da sua boca (v. 11). Jesus trata

a questão essencial: a espiritualidade e

a ética. As pessoas realmente espirituais,

que possuem uma espiritualidade

bíblica, vivem a ética bíblica. Não são

compartimentos estanques ou separados.

Jesus esclarece de forma magistral

nos versículos 19 e 20 toda a gênese do

comportamento humano. Enquanto

os religiosos judeus – os tradicionalistas

– estavam preocupados com a

aparência e com a prática do lavar as

mãos (sabemos que isto é necessário

por causa da saúde, mas não de ne a

espiritualidade e a ética de ninguém),

Jesus coloca a relevância do interior,

do coração, que de ne o caráter do ser

humano. Enquanto a religião como

sistema focaliza o exterior e a aparência,

o evangelho, por sua vez, enfatiza

o interior. Por trás de toda ação existe

a motivação. Há coerência no evangelho.

Há coerência no cristão genuíno,

nascido de novo.

O APARENTE POUCO CASO

COM A MULHER CANANEIA

(Mt 15.21-28)

Esta mulher é um exemplo de fé

genuína. Ela tinha uma lha horrivel-


mente endemoninhada. Imaginemos

o sofrimento desta mãe (v. 22). Ele clama

a Jesus e o chama de Filho de Davi.

Pede compaixão. Além de Jesus não

respondê-la, os discípulos sugerem que

ela seja mandada embora. Jesus compartilha

no versículo 24 a prioridade da

sua missão. A mulher insistiu (v. 25).

Jesus, no versículo 26, fala, mais uma

vez, da prioridade de se pregar a Israel,

mas a mulher pede as migalhas, as sobras

do pão dos israelitas. Esta foi uma

palavra de fé, de con ança no Messias

(v. 27). Jesus reconhece a fé daquela

mulher por sua sinceridade e perseverança.

Jesus curou a lha da mulher cananeia

(v. 28). Podemos aprender com

APLICAÇÕES PARA A VIDA

esta mulher a fé, a perseverança, a sinceridade

e a humildade. Jesus quer ver

estas qualidades em nós.

O Senhor cura coxos e cegos (v.

31). Posteriormente, ele multiplica

os pães e peixes pela segunda vez (v.

32-39). Aquela multidão estava três

dias com Jesus e sem comer direito.

Aqui, são sete pães e alguns peixinhos

(v. 34). Jesus deu graças e os partiu.

Todos foram alimentados. Sobraram

sete cestos. Foram quatro mil homens,

sem contar mulheres e crianças. O

nosso Deus, em Cristo Jesus, é o Deus

da ampla su ciência. Nada falta àqueles

que o amam e o temem de todo o

coração, com todas as suas forças.

1

morte de João, o Mestre se retirou para um lugar deserto. É muito difícil perder


gados.

2


espiritual com os famintos.

3


nismo autêntico está focado no coração, nas suas intenções e na totalidade da


nossa vida.

4


2T13 COMPROMISSO 39


EBD 8 26 de maio

Segunda

Mateus

16.1-4

“Tu és o Cristo,

o Filho do Deus vivo”

Terça

Mateus

16.5-12

40 COMPROMISSO2T13

O prenúncio do m

Texto bíblicoTexto áureo

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta

Mateus

16.13-23

Este texto revela duas coisas muito

importantes: a divindade de Jesus e o

compromisso do seu discípulo. Jesus

enfrenta os fariseus e saduceus; ouve a

con ssão de Pedro, prediz a sua morte

e ressurreição por duas vezes.

Na sua divindade, Jesus experimenta

a trans guração, a metamorfose

com os seus discípulos mais chegados

– Pedro, Tiago e João – bem como o

testemunho da lei e dos profetas com

a presença de Moisés e Elias. A lei e os

profetas testi cam da pessoa e obra de

Jesus. Temos muitas lições praticas de

valor permanente para aprendermos

neste texto inspirado.

Quinta

Mateus

16.24-28

Sexta

Mateus

17.1-13

Sábado

Mateus

17.14-23

RAZÕES PARA UM

MILAGRE (Mt 16.1-4)

Domingo

Mateus

17.24-27

Esse encontro com Jesus, empreendido

pelos religiosos fariseus e saduceus,

faz lembrar que existem três tipos de

pessoas no mundo: As que vivem pelo

sentimento, representadas pelos judeus

(eles pedem sinal); as que vivem pelo

pensamento representadas pelos gregos

(eles buscam sabedoria) e as que vivem

pela fé representadas por aqueles que

creem na su ciência da obra de Cristo. A

base bíblica está em 1Coríntios 1.22-24.

Os religiosos judeus tentaram fazer

uma “pegadinha” com Jesus (v. 1). Jesus


usou a meteorologia para levá-los à re-

exão (v. 2,3). Jesus os alertou acerca

do sinal de Jonas (v. 4), e os incluiu na

geração má e adúltera.

O “FERMENTO DOS FARISEUS”

ESTÁ PRESENTE HOJE?

(Mt 16.5-12)

Há uma di culdade por parte dos

discípulos de compreenderem o ensino

do Mestre. Ele os alerta para o perigo do

fermento dos fariseus e dos saduceus (v.

12). Enquanto eles estavam preocupados

com o pão para se alimentar, Jesus

os adverte sobre a pequenez do foco

deles: o pão material (v. 8). Jesus lhes

recorda de dois milagres dos pães para

uma multidão de cinco mil homens,

fora mulheres e crianças que não eram

contados e outra de quatro mil (v. 9).

O evangelho de Cristo não precisa

de aditivos. Notamos em nossos dias o

evangelho sendo "turbinado" ou ‘"ditivado"

de estranhíssimas doutrinas e

ensinos perniciosos. Vivemos uma verdadeira

histeria judaica com objetos da

religião como arca, dias santos e outros

rituais. É como colocar o vinho novo

em odres velhos. O evangelho dentro

do sistema religioso judaico, centrado

no tradicionalismo e legalismo.

A LEI DA CRUZ E VOCÊ

(Mt 16.13-28)

Na contramão das intenções judaicas,

do mero tradicionalismo religio-

so, Jesus pergunta a seus discípulos o

que o povo da Palestina diz quem ele

é (v. 13). As respostas do povo são:

Elias, João Batista, Jeremias ou algum

dos profetas (v. 14). Agora, o Senhor

pergunta aos discípulos (v. 15). Pedro,

proativo, responde categoricamente:

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

No versículo 17, Jesus chama Pedro

de bem-aventurado ou feliz porque

não foi ele, mas o Pai quem revelou

a resposta. Jesus Cristo é a base, o

fundamento da igreja e as portas do

inferno não prevalecerão contra ela (v.

18). Ele promete a Pedro dar as chaves

do reino dos céus para exercer uma

função disciplinadora (v. 19).

Jesus os advertiu que não dissessem

que ele era o Cristo (v. 20). Em

seguida, o Senhor começa a discorrer

acerca do seu sofrimento, do cumprimento

da missão que lhe foi dada pelo

Pai (v. 21). Pedro o chama à parte e

começa a reprová-lo pela exposição

do Senhor ao sofrimento e tenta dissuadi-lo

do caminho da cruz (v. 22).

No parágrafo anterior, o Senhor revela

a Pedro quem é, mas agora é Satanás

quem fala por Pedro e o Mestre, como

lhe é peculiar, discerne e repreende o

inimigo que fala pelo apóstolo (v. 23).

O nosso grande perigo é cogitarmos

das coisas dos homens em detrimento

das coisas de Deus (v. 23).

Jesus magistralmente ensina que o

seu discípulo deve negar-se a si mesmo,

tomar a sua cruz e segui-lo (v.

24). Enfatiza que quem quiser salvar

2T13 COMPROMISSO 41


a sua vida e preservar-se, vai perdê-la,

mas quem perder a sua vida por amor

a ele há de achá-la ou preservá-la para

a vida eterna (v. 25). Jesus ensina sabiamente

que a vida é muito mais

importante do que as riquezas deste

mundo (v. 26) e que retribuirá a cada

um segundo as suas obras (v. 27). No

versículo 28, Jesus deixa claro que alguns

dos seus não morreriam antes de

vê-lo ressurreto.

O MELHOR ENTENDIMENTO

DA TRANSFIGURAÇÃO

(Mt 17.1-13)

Antes de comentarmos a trans -

guração de Jesus, precisamos destacar

a expressão “seis dias depois”, que se refere

ao intervalo entre a con ssão de

Pedro em Cesareia de Filipe e a trans-

guração de Jesus. Esta referência tão

exata de tempo é rara nos Evangelhos.

Sabemos que a con ssão de Pedro

(Mt 16.16) tem tudo a ver com a revelação

da divindade de Jesus no Monte

da Trans guração. O alto monte

é identi cado por tradição posterior

como sendo o monte Tabor, mas o

Hermom é o mais provável, pois ca

mais perto de Cesareia de Filipe, cerca

de 22km, e se levanta a uma altura de

3.000 metros.

Diz o texto que ele foi trans gurado

(v. 2). Segundo os estudiosos

da língua grega, a palavra para trans-

gurado é metamorfose, que signi ca

transformar, alterar-se, mudar de uma

42 COMPROMISSO2T13

gura terrestre para uma sobrenatural’.

Segundo Ryrie, "a trans guração ofereceu

aos discípulos uma antevisão da

exaltação futura de Jesus e da vinda do

reino" (Ryrie, p. 1.209).

Jesus estava acompanhado de

Pedro, Tiago e João como quando

Moisés subiu ao monte santo levando

consigo Arão, Nadabe e Abiú

(Ex 24.1). Moisés viu a glória do Senhor

e a "pele do seu rosto brilhava

por ter falado com ele" (Ex 34.29).

Na transfiguração, o rosto daquele

que é maior do que Moisés brilhou,

não com glória refletida, mas com

a glória semelhante aos raios do

sol. Somente Mateus registra que o

rosto de Jesus resplandecia como o

sol, que as suas vestes se tornaram

brancas como a luz, e que uma nuvem

luminosa (literalmente "uma

nuvem de luz") os envolveu. Mas,

como no Sinai, é a voz divina falando

desde a nuvem, em si mesma um

sinal da presença divina, que desperta

o temor no coração dos apóstolos.

"Ouvindo-a os discípulos, caíram

de bruços, tomados de grande medo"

(Tasker, p. 130,131).

Moisés e Elias representam o testemunho

da Lei e dos Profetas acerca

da glória de Cristo, da sua divindade.

O próprio Senhor disse em Lucas

16.16: “A lei e os profetas vigoraram

até João; desde esse tempo vem sendo

anunciado o evangelho do reino de

Deus, e todo homem se esforça por

entrar nele”.


ENSINOS DA CONFISSÃO DE

UM HOMEM DE POUCA FÉ

(Mt 17.14-21)

Depois da experiência no monte

– uma experiência de contemplação

da glória de Cristo, da sua divindade

cuja tendência era de acomodação

tipificada pelas três tendas sugeridas

por Pedro – eles descem e encontram

a multidão. Enquanto eles tiveram

uma fé fortalecida no Monte

da Transfiguração, embaixo, na planície,

os outros nove discípulos são

totalmente incapazes de curar um

rapaz epiléptico. Tasker diz que "no

APLICAÇÕES PARA A VIDA

relato de Mateus, o pai do menino

vem diretamente a Jesus, ajoelha-se

diante dele e lhe pede que tenha piedade

do seu filho sofredor, um lunático

com tendências suicidas, que os

discípulos de Jesus, o pai assinala,

não conseguiram curar".

A experiência com o Senhor Jesus

na sua glória revelada nas Escrituras

deve necessariamente nos conduzir

àqueles que Jesus ama e nos ordena a

levar-lhes o seu evangelho. A glória de

Cristo e o sofrimento do ser humano

não são excludentes, mas convergentes.

O menino foi liberto para a glória

do Messias.

1


2 Muitas vezes, como os discípulos, não compreendemos o ensino de Jesus. Ele

nos alerta para o perigo das doutrinas legalistas e judaizantes que estão por aí, que

dão ênfase a sinais, aos sentimentos.

3

compromisso com Cristo vivendo e ensinando a sua doutrina. Cada um de nós deve



4

ensinam que devemos ter equilíbrio entre a nossa devoção, nossa contemplação da

grandeza, divindade de Jesus e o nosso serviço a ele, servindo às pessoas, tendo

compaixão dos que sofrem.

2T13 COMPROMISSO 43


EBD 9

Segunda

Mateus

18.1-6

Terça

Mateus

18.7-14

44 COMPROMISSO2T13

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta Quinta Sexta

Mateus

18.15-27

Mateus

18.28-35

Mateus

19.1-12

Sábado

Mateus

19.13-22

2 de junho

Perdoar setenta vezes sete

Ensinos fundamentais para os discípulos

Texto bíblico Texto áureo

Nestes dois capítulos veremos a diversidade

dos ensinos de Jesus. Trataremos

de humildade, do cuidado com

o uso dos membros do nosso corpo

para que não sirvam ao pecado e escandalizem,

e buscarmos aqueles que

estão perdidos.

Consideraremos a importância de

perdoar aqueles que erram contra nós,

valorizar o casamento como instituição

criada por Deus, abençoar as crianças

à semelhança de Jesus, e considerar

o Senhor muito mais importante do

que as riquezas.

HUMILDADE, TROPEÇOS E

OVELHA PERDIDA

(Mt 18.1-14)

A primeira coisa que nos é ensinada

neste texto bíblico é a necessidade

de conversão, e esta manifestada sob a

Domingo

Mateus

19.23-30

forma de uma humildade como a de

uma criança. Os discípulos de Jesus se

aproximam e lhe fazem uma pergunta

muito interessante: Quem é, porventura,

o maior no reino dos céus? (v.

1). O Mestre chama uma criança e a

coloca no meio deles (v. 2,3). Jesus usa

o verbo converter e o liga com as atitudes

de uma criança. Então, o salvo pela

graça tem as mesmas características de

uma criança: simplicidade ou humildade,

pureza, sinceridade, agilidade e

con ança. Em seguida, o Senhor Jesus

fala de tropeços ou escândalos usando

mais uma vez as crianças como alguém

muito frágil, dependente (v. 6).

Observemos que nos versículos

7-9, Jesus trata do perigo e prejuízo dos

escândalos ou tropeços, bem como a

necessidade de darmos bom testemunho

com o nosso corpo. Os membros

do nosso corpo devem ser totalmente


enfraquecidos e submissos ao nosso espírito

dominado pelo Espírito Santo.

Isto signi ca dizer que os membros do

nosso corpo não devem ser usados para

envergonhar o evangelho, mas para o

seu testemunho poderoso e e caz no

mundo. Entraremos no céu por causa

do que Cristo fez por nós na cruz e na

ressurreição. O mérito é todo dele.

A referência aos anjos no versículo

10 quer dizer que os anjos têm

um ministério, entre outros, especial

de cuidar dos que herdam a salvação

(Hb 1.14). Mas a sua principal atividade

é adorar ao Senhor, conforme

Isaías 6.3.

Jesus faz uma a rmação muito

preciosa no versículo 11 e a ilustra nos

versículos 12 a 14. Compare com 1Timóteo

2.1-4.

PACIÊNCIA E COMPREENSÃO

(Mt 18.15-27)

O Mestre trata magistralmente

uma questão fundamental seja na vida

pessoal, seja na coletiva, que é a necessidade

de disciplina. A sua fundamentação

está no seu caráter. A disciplina

pressupõe con ontação, testemunho e

desligamento (v. 15-17). Os publicanos

e pecadores não eram aceitos na

comunidade da época. Nos versículos

18-20, temos o poder da disciplina cirúrgica,

isto é, desligar aquele que não

compartilha do consenso cristão do

rol de membros da igreja.

Jesus garante a sua presença no

meio daqueles que estão reunidos em

seu nome. Onde há coerência entre o

crer nele, o viver sob ele e para ele, aí

a sua presença está garantida (v. 20).

Pedro, ao ouvir o ensino do Senhor,

faz uma pergunta pertinente usando o

que ele havia aprendido no judaísmo

(v. 21). Jesus responde estabelecendo

o seu principio (v. 22). Não há limite

para o perdão porque é a graça de Deus

que opera em nós. É neste contexto

que Jesus conta uma parábola chamada

“O credor incompassivo” (v. 23-35).

“Somente podemos receber o perdão libertador

se o passamos adiante de imediato.

Estes dois pontos: "Perdoa-nos as

nossas dívidas", e "assim como nós também

perdoamos aos nossos devedores"

são inseparáveis. O perdão é comparável

ao bastão levado pelos desportistas

numa corrida de estafeta. É preciso

passá-lo à mão do outro; se continuarmos

correndo sozinhos, segurando-o

desesperadamente com certeza seremos

derrotados. Este bastão existe para

ser passado adiante. O credor incompassivo

comete o erro de ignorar esta

regra elementar, provocando assim a

sua própria ruína” ( ielicke, p. 208).

O QUE JESUS ENSINA SOBRE

O DIVÓRCO (Mt 19.1-12)

A partir de uma pergunta dos fariseus

(v. 2), o Senhor Jesus ensina o

princípio do casamento no reino de

2T13 COMPROMISSO 45


Deus. Se por qualquer motivo o homem

judeu podia dar carta de divórcio

para sua mulher, Jesus ensina que

não é assim no reino. Ele ensina que o

casamento é um projeto de Deus, sendo

uma união física, emocional, ética

e espiritual entre um homem e uma

mulher, macho e fêmea, para viverem

até que a morte os separe (v. 6). Neste

assunto, temos muitas di culdades

nas igrejas, mas precisamos ser rmes

a partir do ensino da Palavra de Deus.

“A questão do divórcio, além do seu

valor intrínseco, revestia-se de especial

importância para os fariseus que

vieram provar a Jesus que o assunto os

dividia. O seguidores de Hillel (líder

de uma escola de interpretação judaica)

permitiam ao homem servir-se de

qualquer pretexto para o divórcio, e os

de Shammai (líder de uma outra escola)

a rmavam que só se podia admitir

o divórcio em caso de adultério. Jesus,

ao responder, superou a expectativa

dos rabinos assim como a das regras

civis, pelas quais Moisés permitiu divórcio

legalizado à pessoa que, moral

e religiosamente, já estivesse separada

do cônjuge. Ele raciocinou pelos princípios

morais que Deus dotara o mundo

ao criar o ser humano. A intenção

de Deus não era só que as pessoas

casadas cassem juntas, mas também

que houvesse plena união do corpo e

espírito em amor. Jesus não proibiu o

segundo casamento da parte inocente,

no caso de adultério (v. 9). O projeto

46 COMPROMISSO2T13

original de Deus é que o casamento

dure até que a morte separe os cônjuges.

Nos versículos 11 e 12, o Senhor

reconheceu o valor do celibato quando

assumido para melhor servir a

Deus. Tinha, entretanto, que ser voluntário.

É o Senhor que capacita a

pessoa para esta vocação (1Co 7.7).

O celibato imposto por decreto não é

apoiado pela Palavra de Deus.

JESUS ABENÇOA AS

CRIANÇAS (Mt 19.13-15)

Este texto está nos Evangelhos de

Marcos e Lucas. Jesus tinha especial

atenção para com as crianças. Os pais

trouxeram os seus lhos para serem

abençoados por Jesus. Nós devemos

fazer o mesmo. Orar por eles em

todo o tempo. Como os discípulos,

há muitos hoje que não têm paciência

com as crianças e as repelem (v.

13b). Jesus ordenou que eles deixassem

as crianças chegarem até ele (v.

14). Precisamos trazer as crianças

a Cristo Jesus para o receberem no

coração. Ele declarou que as crianças

pertencem ao reino dos céus. Antes,

o Senhor já havia falado sobre isso

ensinando aos discípulos que deviam

ter as atitudes delas. Há uma identi -

cação das qualidades da criança com

as qualidades exigidas do cidadão do

reino de Deus.


OS ENSINOS SOBRE A

RIQUEZA (Mt 19.16-30)

O jovem rico procura Jesus com

uma pergunta na mente, chamando-o

de Mestre (v. 16). Jesus responde com

uma outra pergunta do coração (v. 17).

O Senhor, sabendo das suas intenções,

lembra-o de alguns mandamentos (v.

18,19). No versículo 20, ele responde

positivamente e faz uma indagação. O

Mestre mostra a insu ciência da lei para

resolver o seu problema que era muito

sério. A lei aponta para Cristo, mas não

salva. Aquele jovem vivia a religião, mas

não o evangelho. O seu coração estava

nas riquezas e não no Senhor. A sua

pergunta foi a partir de sua curiosidade.

Ele achava que praticando a religião e

vivendo a sua vida centrada na riqueza

lhe bastavam. Estava mais preocupado

com a sua aparência do que com o

seu coração. Voltando ao versículo 20,

concluímos que o essencial para ele era

a centralidade de Cristo (era o que lhe

APLICAÇÕES PARA A VIDA

faltava) em sua vida e não as riquezas. A

indicação de Jesus para ele no versículo

21 revela o coração do evangelho – o homem

é muito mais importante do que

bens. A resposta dele foi se retirar triste

porque era dono de muitas propriedades

(v. 22). Não é possível servir a Deus

e às riquezas (Mt 6.24). O Senhor deve

ser sempre a PRIORIDADE.

Interpretando a experiência do jovem

rico para os seus discípulos, o Senhor Jesus

alerta sobre o perigo das riquezas (v.

23-30). Declara que há muita di culdade

e uma quase impossibilidade de um

rico entrar no reino dos céus (v. 23,24).

Jesus usou uma hipérbole deliberada. A

intenção era representar a salvação de um

homem rico como nada menos do que

um milagre, possível apenas para Deus.

Há um diálogo entre Jesus e os

discípulos sobre salvação, renúncia

e recompensa. Jesus ensina que nada

é impossível para Deus e que os obedientes

receberão a sua recompensa

(v. 27-30).

1

2


o perdão de Deus em Cristo.

3


4

dos os dias.

5

nossa verdadeira riqueza e nossa primazia.

2T13 COMPROMISSO 47


EBD 10

Segunda

Mateus

20.1-19

"O Filho do homem veio

para dar a sua vida"

Terça

Mateus

20.20-34

Veremos nestes dois capítulos que a

salvação não é merecimento humano,

mas graça de Deus; que estar à sua direita

ou à sua esquerda de Jesus é atribuição

do Pai; Jesus curou dois cegos em Jericó;

entrou triunfalmente em Jerusalém; puri

cou o templo; amaldiçoou a gueira

infrutífera e enfatizou a sua morte na

cruz pelo homem perdido.

SALVAÇÃO NÃO É MÉRITO

HUMANO, MAS GRAÇA

SOBERANA DE DEUS

(Mt 20.1-16)

Este texto é impressionante, pois expõe

de maneira precisa a graça soberana de

Deus versus o mérito do homem. O reino

de Deus é um reino de fé e não da supremacia

da razão; de iniciativa de Deus e não

do ser humano (2Co 5.15-20).

48 COMPROMISSO2T13

Chegada de Jesus a Jerusalém

Texto bíblico Texto áureo

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta

Mateus

21.1-11

Quinta

Mateus

21.12-22

Sexta

Mateus

21.23-27

Sábado

Mateus

21.28-32

9 de junho

Domingo

Mateus

21.33-46

O reino do céu é semelhante a um

dono de casa que saiu de madrugada

para contratar trabalhadores para a

sua vinha. Ele ajustou o salário dos

primeiros trabalhadores em um denário

por dia e mandou-os para a

plantação (v. 1,2). Esse valor era o salário

mínimo diário dos soldados do

império romano. Saindo pela terceira

hora, isto é, às 9 horas da manhã, viu

na praça outros que estavam desocupados.

“A praça pública era ponto de

reunião para os que não tinham serviço,

bem como operários avulsos”

(v. 3). O proprietário saiu também

perto da hora sexta (ao meio- dia) e

da hora nona (15 horas); e ao “pôr-

-do-sol”, às 18 horas. A expressão

undécima hora (v. 9) que, atualmente,

num mundo de precisão mecâni-


ca, equivaleria a “cinco para as seis”.

Foi nesse horário que ele encontrou

outros desocupados. Todos receberam

o mesmo salário, conforme o

combinado.

É interessante notar que no acerto

do salário no nal do expediente os últimos

foram os primeiros a receber. Então,

o fato de os últimos auferirem em

primeiro lugar mostra que os judeus, os

primeiros recebedores da chamada divina,

não seriam os primeiros a receptar

o galardão nal, pois a salvação não

vem pela herança racial, nem humana,

mas da generosidade e graça divinas (v.

15). Do mesmo modo, a salvação, em

si, é algo tão precioso, que não existe

salvação de primeira classe, distinta de

alguma outra classe inferior de salvação.

Deus é soberano em todas as suas

decisões (v. 16).

JESUS PREDIZ

A SUA MORTE

E RESSURREIÇÃO

(Mt 20.17-19)

Causa-me devoção toda a vez

que leio acerca da maneira consciente

com que Jesus falava da sua morte

e da sua ressurreição. Ele destaca

três atos da sua paixão: zombaria

por parte dos romanos; sofrimento

(açoites) e a morte por crucificação (v.

19). No final, ele revela a sua vitória

sobre a morte, ressuscitando ao terceiro

dia.

ENTENDENDO O PEDIDO

DA MÃE DE TIAGO E JOÃO

(Mt 20.20-28)

À luz do texto anterior, este pedido

revela a falta de compreensão do que seja

a vida cristã. As pessoas têm uma visão

muito pequena do que seja o reino de

Deus, pois buscam vantagens pessoais. A

Teologia da Prosperidade tem o seu fundamento

no egocentrismo, na natureza de

Adão. Ser cristão não é buscar o pódio,

mas viver intensamente a simplicidade de

Cristo neste mundo. A resposta de Jesus

ao pedido da mãe de Tiago e João é sábia

e inteligente (v. 23, 26-28). “O grego

lutron signi ca preço de libertação – o dinheiro

pago em favor de um escravo para

que este possa sair livre. Cristo se deu por

nós (Is 53.6; 2Co 5.21). É o sacrifício de

Cristo que nos salva e não o martírio dos

homens, muito embora, como Tiago,

morram em prol do evangelho”. O reino

de Deus não é um reino de senhores, mas

de servos. Só há um Senhor. Alguém disse

que o grande homem no mundo é servido

por muitos, mas o grande homem no

reino serve a muitos.

ATENÇÃO DE JESUS AOS

CEGOS (Mt 20.29-34)

“Somente Mateus nos informa que

Jesus curou dois cegos, curando, talvez,

um deles quando saía da velha Jericó e

o outro quando entrava na nova Jericó

(Mc 10.46; Lc 18.35)”. Os dois cegos

de Jericó nos ensinam lições muito

2T13 COMPROMISSO 49


elevantes. Como de cientes visuais,

alijados pela sociedade, eles clamam a

Jesus con ando no seu amor e na sua

compaixão. A palavra que me encanta

neste texto é “comovido” (v. 34). O

que sensibiliza Jesus deve nos comover.

AS LIÇÕES DA ENTRADA

TRIUNFAL DE JESUS EM

JERUSALÉM (Mt 21.1-11)

Jesus chega a Betfagé (casa do go,

Lc 19.29), ao Monte das Oliveiras, planeja

a sua entrada em Jerusalém (v. 1-3)

e a profecia se cumpre na sua vida (v.

4,5; Zc 9.9). Começa aqui o relatório da

última semana da vida humana de Jesus

que, sendo Rei, montou num jumentinho

que ainda não tinha sido usado e

entrou na cidade de Jerusalém a caminho

da cruz.

A multidão o aclamava colocando

as suas vestes e os ramos de árvores

no seu caminho, dizendo: "Hosana ao

Filho de Davi! Bendito o que vem em

nome do Senhor! Hosana nas maiores

alturas" (v. 9). Esta expressão hosana

signi ca salva, por favor que, por m,

veio a ser uma simples expressão do júbilo

religioso.

A PURIFICAÇÃO DO TEMPLO

E O ENSINO DA FIGUEIRA

INFRUTÍFERA (Mt 21.12-22)

Ao entrar no templo, o Senhor Jesus

depara com os cambistas que utili-

50 COMPROMISSO2T13

zavam o santuário de maneira profana.

Não tinham percepção da grandeza

do Senhor e da sua casa, da sua glória.

Podemos perceber hoje que em muitas

igrejas se faz do santuário um lugar

de vantagens pessoais, de arrecadação

de somas vultosas de dinheiro a partir

da teologia de mercado. Estive numa

igreja destas, onde o pastor tirou dinheiro

do povo seis vezes durante um

encontro de uma hora e meia.

A intervenção de Jesus é malcompreendida

por muitos hoje, inclusive

por muitos membros de igreja. O Mestre,

usando o seu poder e autoridade,

agiu com rmeza e determinação em

toda a vontade do Pai. De niu o valor

do santuário, o seu uso correto e o chamou

de “casa de oração”. Isto contrasta

com o covil de salteadores. O templo

como casa de oração honra ao Senhor

e serve às pessoas. Como covil de salteadores,

o envergonha e se serve das

pessoas. O coração dos cambistas, dos

comerciantes inescrupulosos, não estava

no Senhor, mas no lucro. Mas Jesus utiliza

adequadamente o templo para curar

cegos e coxos que vinham a ele (v. 14). O

Senhor usa o átrio externo do santuário

– onde era permitido os cegos e os coxos

carem – como um hospital para curar

feridos físicos e emocionais, mortos em

seus delitos e pecados.

Neste texto (v. 15-17), encontramos

o louvor dos meninos na contramão dos

cambistas e religiosos. Jesus está aparentemente

citando o Salmo 8.2.


A experiência com a figueira

ilustra muito bem a situação espiritual

do povo de Israel – uma nação

infrutífera apesar de todas as vantagens

de que dispunha. Como igreja

hoje não podemos ser omissos mas

dar frutos sempre. Em qualquer estação

(v. 20-22).

A AUTORIDADE DO REI

(Mt 21.23-27)

Voltando ao templo, o Senhor

Jesus é questionado pelos principais

sacerdotes e anciãos do povo quanto

à sua autoridade. Ele os responde utilizando

a autoridade do batismo de

João. “Na verdade, Jesus se recusa a

aceitar o direito alegado pelos líderes

de examiná-lo”.

“Cristo coloca a liderança da nação

num dilema, perguntando-lhes

que teste aplicariam no caso de

João” (v. 25). O Senhor Jesus não

estava interessado em defender a sua

autoridade. Tudo o que ele possuía,

e ele mesmo dizia, era recebido do

seu Pai.

APLICAÇÕES PARA A VIDA

A PARÁBOLA DOS

LAVRADORES MAUS

(Mt 21.28-46)

Iniciamos com uma pequena parábola

contada por Jesus (v. 28-32),

quando um homem que tinha dois

lhos mandou-os trabalhar na vinha.

O primeiro disse que iria, mas não

foi. O segundo, disse que não iria,

mas, arrependido, foi. O Senhor pergunta

qual dos dois fez a vontade do

Pai. A resposta foi: o segundo. Podemos

dizer que o primeiro representa

Israel e o segundo, os gentios (v. 32).

A parábola dos lavradores maus trata

da in delidade de Israel ao maltratar

e matar os profetas, quando estes lhes

foram enviados (v. 33-46). Por m, o

Messias foi mandado e eles o mataram. A

interpretação de Jesus é precisa (v. 42,45).

No versículo 44, o Senhor estabelece

o juízo de Deus sobre os que rejeitaram

e mataram o seu Filho. Há uma conexão

entre as parábolas (v. 31,32,43)

para mostrar a grande oportunidade

que Deus deu a Israel e ele desperdiçou

por causa da sua in delidade.

1

graça de Deus por meio de Cristo.

2


3

ra espiritual pelo seu poder. Ele tem toda a autoridade em todo lugar.

4


na sua incredulidade.

2T13 COMPROMISSO 51


EBD 11 16 de junho

Segunda

Mateus

22.1-14

“Ele não é Deus de mortos

e sim de vivos”

O sermão profético de denúncia e crítica aos líderes religiosos

Texto bíblico Texto áureo

Terça

Mateus

22.15-33

Neste texto bíblico vamos abordar

os preciosos ensinos de Jesus sobre

o convite para as bodas ou festas; a

pegadinha que os religiosos tentam

fazer com Jesus sobre o imposto ser

pago a César, ao império romano; a

condenação imposta por Jesus àqueles

que utilizam a revelação de Deus para

condenar implacavelmente as pessoas

e não ensinam a graça de Deus, o

evangelho, que liberta o que crê.

O ENSINO DA PARÁBOLA

DAS BODAS (Mt 22.1-14)

Mais uma vez Jesus toca fortemente

na rejeição da nação judaica ao plano

do Pai para salvá-la. Neste texto,

Jesus ensina que o reino dos céus é

comparado a uma festa ou celebração

de casamento do lho do rei (v. 1,2).

52 COMPROMISSO2T13

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta Quinta Sexta

Mateus

22.34-46

Mateus

23.1-12

Mateus

23.13-22

Sábado

Mateus

23.23-28

Domingo

Mateus

23.29-39

O rei determina (soberania) aos seus

servos que saiam pelo reino e chamem

os convidados para as bodas, mas eles

não quiseram vir (v. 3).

O rei enviou outros servos para

convidar outras pessoas (v. 4). Ele deu

ordem aos seus empregados para que

contassem o que tinha na celebração

(v. 4). Mais uma vez houve recusa na

forma de indiferença e violência (v.

5,6). A reação do rei foi de ira, levando-o

a enviar suas tropas que incendiaram

a cidade (v. 7). Ele declarou

que a festa estava pronta, tudo estava

arrumado, mas os convidados não

eram dignos (v. 8).

O soberano agora abre a sua festa

e manda os seus servos convidarem

a todos que encontrarem pelo caminho.

Eles trouxeram maus e bons e

encheram o salão de festas (v. 10). En-


trando o rei, para ver os que estavam à

mesa, notou um homem que não estava

devidamente trajado ou com veste

nupcial. O rei mandou os seus servos

o tirarem da festa, o amarrarem, lançando-o

fora (v. 13). "Muitos serão

chamados, mas poucos escolhidos".

Muitos chegam em nossas igrejas, mas

poucos são realmente salvos (v. 14).

Há muitos que estão nas celebrações,

mas poucos estão preparados, vestidos

adequadamente para a festa. É o que

Jesus diz em Mateus 7.21: “Nem todo

o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará

no reino dos céus, mas aquele que

faz a vontade de meu Pai que está nos

céus”.

AS RESPOSTAS DO REI

AOS RELIGIOSOS JUDEUS

(Mt 22.15-33)

Aqui notamos que Jesus responde

aos herodianos – a seita de Herodes;

aos saduceus e aos fariseus, bem

como é interrogado por estes. Os

herodianos tinham uma filosofia:

“a paz a qualquer preço”, pois defendiam

uma convivência pacífica com

Roma. Pois bem, eles tentam pegar

Jesus na questão dos impostos, perguntando

ao Mestre se era lícito

pagar tributo a César ou não. Jesus

responde: “Dai, pois, a César o que

é de César e a Deus o que é de Deus”.

A resposta de Jesus os emudeceu e

eles se retiraram (v. 22).

Este é um princípio fundamental

em nossas relações. Somos cidadãos

do céu e da terra. Os princípios do

reino dos céus é que norteiam a nossa

cidadania na terra. Excelentes cidadãos

do céu são excelentes cidadãos

da terra. Devemos ser liberais na entrega

dos dízimos e das ofertas (Mt

23.23) e pagarmos os nossos impostos

com honestidade. Não à in delidade

na mordomia cristã e não à sonegação,

à corrupção. Os crentes devem

ser o exemplo em tudo, inclusive na

denúncia da corrupção e todo pecado

social também instalado nas estruturas

públicas e privadas. Ser cidadão

exemplar do reino dos céus signi ca,

muitas vezes, ir contra a ordem injusta

do reino da terra.

Os saduceus utilizaram uma situação

cultural para tentar fundamentar

o princípio deles de que não existe ressurreição

dos mortos. A mulher cou

viúva de sete maridos. A pergunta deles

foi: “Na ressurreição, ela será esposa de

qual deles?” (v. 28). A resposta magistral

de Jesus está no versículo 30. Além

de responder sabiamente, Jesus faz uma

apologia da ressurreição nos versículos

31,32. Vale a pena meditar neles.

Sabendo os fariseus que Jesus havia

calado os saduceus, se reuniram em

conselho e zeram a seguinte pergunta:

Mestre, qual é o grande mandamento

na lei? Jesus respondeu: Amar

a Deus de todo o coração, de toda a

alma e de todo o entendimento e ao

2T13 COMPROMISSO 53


próximo com a si mesmo (v. 37-39).

Ainda disse: Destes mandamentos dependem

a lei e os profetas (v. 40).

Agora o Senhor Jesus interroga os fariseus

quanto à sua posição em relação ao

Messias, de quem é lho (v. 42). Davi, foi

a resposta dos fariseus. Jesus argumenta

que Davi é pai, mas o Messias ou o Cristo

é seu Senhor (Salmo 110.1 com os versículos

44,45). Então, “o Messias era ao

mesmo tempo descendente humano de

Davi e seu divino Senhor”. Ele é o Deus-

-homem, o Verbo que se fez carne e habitou

entre nós (Jo 1.14).

O SERMÃO CONDENATÓRIO

(Mt 23.1-12)

Neste parágrafo, o Senhor Jesus faz

uma série de condenações das atitudes

dos escribas e fariseus a partir de uma

análise muito pertinente. Disse Jesus:

eles se assentam na cadeira de Moisés

(v. 2); agem com incoerência: ensinam

certo, mas vivem errados (v. 3); impõem

fardos pesados e difíceis de carregar

(v. 4); praticam suas obras para

serem vistos (v. 5); gostam do pódio (v.

6); apreciam ser ovacionados pelo publico

(v. 7).

O Mestre agora orienta os seus

discípulos, fazendo uma distinção

entre eles e os religiosos judeus. Que

deviam considerá-lo como Mestre, vivendo

como irmãos. Chamar Deus de

Pai e a ele, Cristo, de guia. Servirem a

partir da humilhação (v. 8-12).

54 COMPROMISSO2T13

ACUSAÇÕES CONTRA A

CLASSE DOMINANTE

(Mt 23.13-39)

Aqui temos alguns “ais” proferidos

por Jesus em relação à condição moral

e espiritual dos escribas e fariseus. Eles

estavam sendo obstáculos para que os

homens chegassem ao reino dos céus

(v. 13). Há pessoas que estão na igreja,

mas não no reino. Dão um péssimo

testemunho do evangelho, afastando

pessoas de conhecerem a Cristo.

Os escribas e fariseus eram exploradores

de viúvas (v. 14). “Usavam sua posição

como juristas para arranjar pendências

contra viúvas ricas ou para fazer com que

lhes legassem suas propriedades”. Eram

especialistas em fazer prosélitos (seguidores)

da religião judaica, tornando-os

lhos do inferno duas vezes (v. 15).

Eles eram mercenários, interessados

no dinheiro do povo e guias de

cegos (v. 16-22). Davam o dízimo sem

a justiça, a misericórdia e a delidade.

O mais importante é entregar o dízimo

a partir de um coração justi cado,

misericordioso e el (v. 23).

Os religiosos judeus eram chamados

guias de cegos. Eles coavam um

mosquito e engoliam um camelo –

uma linguagem metafórica usada por

Jesus para dizer que eles viam um pequeno

defeito nas pessoas e as julgavam,

e não enxergavam as grandes falhas

em suas vidas (v. 24). Esses religiosos

judeus estavam mais preocupados


com o exterior, com a aparência do que

com o interior. O sistema religioso vive

com base na aparência, mas o evangelho

trabalha com o coração. O Senhor

Jesus já havia tido um embate com os

religiosos no capítulo 15, versículos 13

a 20 (vale a pena examinar este texto).

O diagnóstico de Jesus acerca deles e

seu sistema sempre foi preciso.

O grande perigo é a demagogia em

qualquer ambiente, mas no ambiente

religioso é pior ainda. Os líderes religiosos

judeus usaram de demagogia ao

serem confrontados por Jesus com relação

à morte dos profetas do passado.

Eles se eximiram de qualquer culpa,

mas Jesus os acusa de serem lhos dos

que mataram os profetas. Se os profetas

vivessem na sua época seriam mortos

por eles (v. 29-32).

Neste embate, Jesus os chama de

serpentes, utilizando mais uma vez

uma metáfora, ressaltado a sua natureza

má, traiçoeira e letal (v. 33).

APLICAÇÕES PARA A VIDA

Agora, Jesus coloca uma profecia de

que eles – religiosos judeus – matarão

profetas e mestres, açoitando-os em

suas sinagogas e perseguindo-os implacavelmente.

Ele os adverte que cairá sobre

eles todo sangue justo derramado

sobre a terra, desde o sangue do justo

Abel até o sangue de Zacarias, lho de

Baraquias, que eles mataram entre o

santuário e o altar (v. 34-36).

Nos versículos 37,38, Jesus faz uma

acusação a Jerusalém dominada pelos

religiosos perversos, mas, ao mesmo

tempo, revela o seu grande amor pela

cidade. Ele faz uma a rmação segura

no versículo 39, que deve ser comparada

com Zacarias 12.10. É impressionante

este texto!

Será que este sermão acusatório

de Jesus, seguindo a rica tradição

profética do Antigo Testamento,

não se aplica perfeitamente a muitos

líderes de nossas igrejas e denominações

hoje?

1


a fará germinar.

2


3


mente a atitude dos religiosos judeus que escravizavam o povo com regras e mais regras.

4

usam para acusar implacavelmente as pessoas a partir de uma religiosidade oca,

legalista e perversa.

2T13 COMPROMISSO 55


EBD 12 23 de junho

Segunda

Mateus

24.1-14

“As minhas palavras

não passarão”

Terça

Mateus

24.15-28

Estes dois capítulos falam de dores,

grande tribulação, a manifestação

mais abundante do mal e necessidade

do cristão se preparar, de vigiar em

todo o tempo. O Senhor nos deixou

dons e talentos para os multiplicarmos

na caminhada do reino. É certo que

seremos recompensados. No nal,

temos o grande julgamento. Todos os

seres humanos serão julgados em Jesus

Cristo (At 17.30,31).

O PRINCÍPIO DAS DORES

(Mt 24.1-28)

Temos aqui o sermão que considera

as últimas coisas a ocorrer no

contexto do nal dos tempos. De uma

maneira singular, Jesus inicia falando

sobre o princípio de dores acompa-

56 COMPROMISSO2T13

Ensinos escatológicos de Jesus

Texto bíblico Texto áureo

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta Quinta Sexta

Mateus

24.29-41

Mateus

24.42-51

Mateus

25.1-13

Sábado

Mateus

25.14-30

Domingo

Mateus

25.31-46

nhadas de angústias profundas. Conduz

os discípulos para verem toda a

estrutura do templo que havia sido

construído por Herodes, o Grande,

entre 20 a.C. e 64 d.C., e destruído

por Roma no ano 70 d.C.

Os discípulos fazem uma pergunta

(v. 3). Estavam ansiosos quanto ao m

dos tempos. O Senhor os alerta quanto

aos enganadores (v. 4,5). Discorre

sobre os futuros acontecimentos: rumores

de guerras; nação contra nação e

reino contra reino (v. 7). Prepara os discípulos

para a realidade do sofrimento

por causa do seu nome (v. 9). Alerta

que haverá apostasia – abandono da fé

(v. 10). Que a multiplicação da iniquidade

produzirá frieza espiritual na igreja

(v. 10,12). Aquele que perseverar até

o m será salvo (v. 13). O evangelho do


eino será proclamado em todo o mundo

e então virá o m (v. 14).

Jesus declara que haverá a grande

tribulação. Toda a igreja passará por ela.

O que Daniel profetizou se cumprirá (v.

15). O texto (v. 16-26) tem duas vertentes:

o período da invasão romana em 70

d.C., e os nossos dias. Jesus exorta quanto

aos falsos profetas com as suas falsas "promessas"

e a sua volta (v. 23-28).

Neste precioso texto (v. 29-41), temos

as características da sua vinda como

sendo um referencial para os textos escatológicos.

Veremos sinais na natureza (v.

29) e a sua manifestação visível acompanhada

dos seus anjos, reunindo os seus

escolhidos (v. 30,31).

Em seguida, temos a metáfora da -

gueira (v. 32,33). “Esta geração” tem sido

entendida como referência aos contemporâneos

de Jesus e o que estava por ocorrer

como a destruição do templo e de Jerusalém,

que vem a acontecer em 70 d.C.

Jesus a rmou que a sua Palavra é

mais importante do que os céus e a

terra (v. 35). O nosso coração deve

descansar na sua Palavra.

A sua vinda não pode ser datada. Ele

virá de repente (v. 36). Só o Pai sabe.

Jesus discorre sobre os dias que

antecederam ao dilúvio para ilustrar a

sua vinda (v. 37-41).

A VIGILÂNCIA NECESSÁRIA

(Mt 24.42-51)

Os versículos 42 a 51 nos exortam

a que vigiemos. O cristão deve estar

preparado para a volta de Cristo. Ele

usa a gura do ladrão que não revela a

hora que virá para roubar a casa. Devemos

fazer sempre o melhor até que

ele venha para nos buscar. O mais importante,

porém, é a palavra de Jesus:

“Bem-aventurado o servo a quem o

Senhor, quando vier, encontrar trabalhando”

(v. 46).

OS ENSINOS DAS PARÁBOLAS

DAS VIRGENS E DOS

TALENTOS (Mt 25.1-30)

As duas parábolas seguintes falam

de prontidão e diligência.

A parábola das virgens (v. 1-13) –

“No tempo de Jesus, normalmente havia

três estágios no processo matrimonial.

Primeiro vinha o compromisso,

quando era feito um contrato formal

entre os respectivos pais da noiva e do

noivo. A este seguia-se o noivado, cerimônia

feita na casa dos pais da noiva,

quando promessas mútuas eram feitas

pelas partes contratantes diante de

testemunhas, e o noivo dava presentes

à sua prometida. "O homem e a mulher

cavam unidos um ao outro pela

cerimônia de noivado, apesar de ainda

não serem de fato marido e mulher; na

verdade, tão obrigatório era o noivado

que, se o homem morresse durante o

período de sua duração, a mulher era

considerada viúva; o cancelamento do

noivado não era permitido; se, porém,

acontecia tal coisa, era semelhante a

2T13 COMPROMISSO 57


um divórcio". Finalmente, depois do

transcurso de cerca de um ano havia

o casamento, quando o noivo, acompanhado

dos seus amigos, ia buscar a

noiva na casa do seu pai e a levava em

cortejo de volta para sua casa, onde se

fazia a festa de casamento. É bem provável

que seja este o cortejo que dez

jovens da história são retratadas como

indo encontrar, quer como damas de

honra o ciais da noiva, quer como

criadas do noivo, quer como lhas de

amigos e vizinhos – não temos meios

de sabê-lo”.

É bom destacar nesta primeira

parábola que ela se relaciona com

parousia (manifestação) do Filho do

homem. O noivo é a gura central. As

dez virgens da história representam a

igreja à espera do retorno do seu Senhor.

Em que condição você está?

A parábola dos talentos (v. 14-30)

– Jesus começa esta parábola dizendo

que o reino dos céus é semelhante

a um homem que, ausentando-se

do seu país, chamou os seus servos e

lhes entregou os seus bens para serem

administrados. Foi isto que Jesus fez

conosco. Estes foram dados de acordo

com a capacidade de cada servo. A

oportunidade deve ser aproveitada ao

máximo para, acima de tudo, glori -

car a Deus. Nesta parábola, os servos

recebem do seu senhor os talentos

(medida especí ca para metais e um

talento variava entre 25 e 35 quilos de

prata). Um recebeu cinco talentos; e

58 COMPROMISSO2T13

os outros, dois e um, respectivamente.

Os dois primeiros trabalharam muito,

aproveitaram as oportunidades e

devolveram mais cinco e mais dois,

respectivamente. O que recebeu um,

o enterrou motivado pelo medo e pela

timidez. Não trabalhou e nem aproveitou

as oportunidades. Devolveu o

mesmo que havia recebido. Os dois

primeiros foram reconhecidos pelo

senhor e chamados de servos bons e

éis. O último, quando do acerto de

contas, foi chamado de mau e negligente.

Como diz F. B. Meyer, “Cristo

está sempre vindo para ajustar contas.

Cada vez que tomamos a ceia do Senhor,

cada aniversário nosso que passa

é como estar diante do tribunal de

Cristo, que antecede o grande trono

(2Co 5.10). Aqueles que receberam

apenas um talento devem ser os mais

cautelosos, visto que serão mais tentados

a dizer: Já que só podemos fazer

tão pouco, nada faremos. Aquilo que

sabemos fazer melhor e que está mais

de acordo com nossas circunstâncias,

provavelmente, é o nosso talento. Se,

sozinho, você não pode fazer muito,

coopere com sua igreja, sob a orientação

do seu pastor (v. 27)”.

A VIDA ETERNA E O CASTIGO

ETERNO (Mt 25.31-46)

Todo o contexto anterior tem tudo

a ver com este. Somos responsáveis por

tudo o que fazemos. Paulo a rma esta

verdade (Gl 6.7). Jesus conclui o capí-


tulo 25 ensinando e alertando para o

juízo que virá. O que o ser humano foi

em relação a Jesus Cristo certamente

de nirá a sua situação diante de Deus,

o Pai (At 17.30,31).

Vivemos um tempo em que as pessoas

gostam do self-service (servindo-se

a si mesmo). É estranho uma pessoa

servir a outra sem remuneração. O

Senhor Jesus pagou o preço para que

servíssemos uns aos outros a partir do

amor (1Co 13.4-8).

Os "benditos de meu Pai" são os que

o amam e fazem a sua vontade. Os malditos

são os que vivem uma vida alienada

do Senhor mesmo frequentando

os templos. Teremos muitas surpresas

naquele dia. No acerto de contas com

o Rei, os que estiverem à direita serão

chamados para a intimidade com o Pai.

Os que estiverem à esquerda serão destinados

para o fogo eterno preparado

para o diabo e seus anjos.

APLICAÇÕES PARA A VIDA

“Assim como nas parábolas anteriores

das virgens e da riqueza con ada,

neste quadro de grande julgamento

não é tanto a prática do mal que evoca

a censura mais severa, como a completa

negligência da prática do bem. Os pecados

de omissão são vistos como até

mais condenáveis do que os pecados

da comissão. A porta se fecha contra

as virgens néscias por sua negligência;

o servo inativo é posto fora como

alguém que não presta para nada por

não ter feito nada; e os da esquerda são

punidos severamente por deixarem de

observar as muitas oportunidades que

lhes foram dadas”. Martin Luther King

disse: “Não me impressiona o grito dos

maus, mas, sim, o silêncio dos bons”.

Que recebamos do Senhor as seguintes

palavras: “Muito bem, servo bom e

el; foste el no pouco, sobre o muito

te colocarei: entra no gozo do teu senhor”

(Mt 25.23).

1 O cristão genuíno tem certeza de que Cristo está voltando. Este fato demanda

a prontidão. Sabemos que sofreremos por causa do seu nome. O cerco está se fe-



2 Jesus nos deixou dons e talentos e prometeu voltar para o ajuste de contas.

O que temos feito com eles?

3


que não estiverem em Cristo (os bodes) serão condenados e irão para o inferno,


importa com as pessoas perdidas sem Cristo?

2T13 COMPROMISSO 59


EBD 13 30 de junho

Segunda

Mateus

26.1-30

A morte e a ressurreição de Jesus

são pontos fundamentais da fé cristã.

Nesta porção das Escrituras abordaremos

a paixão do Rei que se entrega

por nós; o preço da traição; o sofrimento

atroz do Messias, profetizado

por Isaías 53, a sua morte vergonhosa

por cruci cação; a sua ressurreição; a

missão de fazê-lo conhecido e a promessa

de que ele estará conosco até a

consumação dos séculos.

A ÚLTIMA PÁSCOA

(Mt 26.1-30)

O Senhor se prepara para o seu sofrimento

profetizado em Isaías 53. Os

acontecimentos registrados em 26.1-5

se deram na quarta-feira. A páscoa era

a antiga festa religiosa judaica que relembrava

a libertação do Egito.

60 COMPROMISSO2T13

“Não está aqui,

porque ressurgiu”

Morte e ressurreição de Jesus e desa os nais aos seus discípulos

Texto bíblico Texto áureo

Terça

Mateus

26.31-56

DIA A DIA COM A BÍBLIA

Quarta

Mateus

26.57-75

Quinta

Mateus

27.1-31

Sexta

Mateus

27.32-56

Sábado

Mateus

27.57-66

Domingo

Mateus

28.1-20

Caifás, sumo sacerdote de 18-36

d.C., genro e sucessor de Anás, liderou

uma reunião para planejar a morte

de Jesus (v. 3-5).

O Mestre está na casa de Simão, o

leproso, à mesa, inclinado, quase deitado,

tendo como base um dos cotovelos.

A mulher chegou por trás e ungiu a cabeça

de Jesus (v. 6,7; Lc 7.36-50).

Os discípulos interpretaram a atitude

da mulher de uma forma tacanha

(v. 8,9). Há tanta gente assim em nossas

igrejas. Jesus lhes chama a atenção (v.

10) e faz uma interpretação extraordinária

(v. 11-13). Aprendamos com ela.

Judas inicia a triste história da traição,

acertando o seu valor – Trinta

moedas de prata (v. 14,15). Já com o

dinheiro da traição em mãos, Judas procura

agora o momento oportuno para


entregar o Senhor aos religiosos judeus

(v. 16).

Jesus faz uma pergunta aos discípulos

(v. 17). Ele já havia acertado

tudo para comer a páscoa com eles (v.

18-20). Chegada a tarde, pôs-se ele à

mesa com eles e identi ca o traidor (v.

20-25).

Em seguida, o Senhor celebra a

Ceia (v. 26-29), que é um memorial

da sua morte e ressurreição. Ele faz

uma belíssima promessa no versículo

29. Ao saírem dali, cantaram um hino

e foram para o Monte das Oliveiras

(v. 30). Provavelmente, cantaram parte

dos Salmos 115-118, o tradicional

Hallel (“Louvor”) da páscoa.

O PREÇO DA TRAIÇÃO

(Mt 26.31-56)

Cristo fala da sua prisão e do seu

sofrimento e a dispersão dos que o seguiam

(v. 31). Fala da sua ressurreição e

o encontro na Galileia (v. 32). Pedro se

levanta e duas vezes promete delidade

a Jesus (v. 33,35). No versículo 35, os

outros discípulos dizem o mesmo. Jesus

prediz a negação de Pedro (v. 34).

O Senhor agora chega ao Getsemane

(prensa de óleo ou azeite), no Monte

das Oliveiras. É neste jardim que Jesus

trava uma luta ferrenha entre fazer a sua

vontade e a vontade do Pai (v. 39). Esta

é a nossa luta diária, implacável. Jesus foi

orar e quando se volta para os discípulos

os vê dormindo (v. 40). O Mestre orou

três vezes e três vezes os encontrou dor-

mindo (v. 40,43,45). Para os que estão

dormindo, temos a exortação do Senhor

(v. 41).

Jesus é preso como um fora da

lei, um bandido (v. 47-56). Não reagiu

negativamente (v. 53-56). Todos

os discípulos o deixaram e fugiram

(v. 56).

JULGAMENTO E

CONDENAÇÃO

(Mt 26.57-27.26)

Jesus foi preso e Pedro o seguia de

longe (v. 58). Os líderes religiosos buscavam

um testemunho falso contra o

Mestre, mas ele guardou silêncio (v.

59,63). Consideraram-no réu de morte

(v. 66). Foi humilhado, cuspido, maltratado

e esbofeteado covardemente (v.

67-68).

Em seguida, Pedro foi identi cado

e negou que era discípulo de Jesus (v.

69-74). Após negar três vezes, o galo

cantou (v. 74). Ao lembrar-se da palavra

de Jesus que ele o negaria, Pedro chorou

amargamente (v. 75). Jesus foi entregue

ao governador Pilatos (27.1). Em seguida,

Judas, sabendo da condenação de Jesus

e tocado de remorso, atirou as trinta

moedas no santuário e foi enforcar-se

(v. 3-6). O dinheiro não foi aceito como

oferta no santuário porque estava contaminado

de sangue. Jesus é conduzido

a Pilatos (v. 11-26). O governador reconheceu

a inocência dele, mas o povo, liderado

pelos líderes religiosos, resolveu

cruci car o Senhor (v. 15-25).

2T13 COMPROMISSO 61


CRUCIFICAÇÃO,

SEPULTAMENTO E

RESSURREIÇÃO

(Mt 27.26-28.15)

Jesus inicia a sua Via Crúcis – o caminho

da cruz, do sofrimento atroz

em nosso lugar. Ele foi agelado por

um chicoteamento com agrum – um

chicote com várias tiras de couro crivadas

de pedaços de osso ou metal. Os

romanos usavam este método com os

assassinos e traidores (v. 26). Levaram-no

para o pretório, que era a residência de

Pilatos em Jerusalém. Toda a coorte (entre

300 e 600 soldados) estava ao seu

redor (v. 27).

Líderes religiosos e a sociedade se

uniram contra Jesus e o zeram sofrer

muito. Escarneceram dele e o espancaram

(v. 29,30). Tudo ele suportou

por nós. Em seguida, o levaram para

ser cruci cado (v. 31). “A cruci cação

era um método lento e doloroso

de execução que os romanos haviam

adotado dos fenícios. A vítima normalmente

morria depois de dois ou

três dias de sede, exaustão ou exposição

ao sol, vento e clima. As mãos

eram frequentemente cravadas à barra

transversal, que era alçada e a xada à

barra vertical onde os pés eram então

cravados. Uma pequena tábua, sobre

a qual o cruci cado se assentava, sustentava

o peso do corpo. A morte era

ocasionalmente apressada por meio

da fratura das pernas, mas isso não

aconteceu com Cristo ( Jo 19.33)”.

62 COMPROMISSO2T13

Jesus estava muito fraco em função

do sofrimento atroz que lhe impuseram.

Simão Cireneu, de Cirene, capital

da Cirenaica, no norte da África,

foi obrigado a carregar a parte transversal

da cruz. Finalmente, o levaram

para o Gólgota, que signi ca Caveira

(v. 33). Deram-lhe de beber vinho

e fel, que era uma espécie de analgésico

para aliviar as dores, mas Jesus

não quis beber, preferindo enfrentar a

morte com o pleno uso das suas faculdades

(v. 34). Por cima da sua cabeça

puseram uma escrita que tinha uma

acusação: “ESTE É JESUS, O REI

DOS JUDEUS” (v. 37). Para os soldados

romanos, tal acusação signi cava

insurreição. Pregado na cruz, Jesus

é alvo de escárnio, zombaria e desprezo

(v. 39-44).

Da hora sexta (meio-dia) até a

hora nona (três da tarde) houve trevas

sobre toda a terra. Por volta da hora

nona, o Senhor Jesus clamou em alta

voz dizendo: Eli, Eli, lemá Sabactâni,

que quer dizer: “Deus meu, Deus

meu, por que me desamparaste?” (v.

46). Foi nesse momento que o Pai virou

as costas para o Filho porque ele

se tornou fealdade ou feiura absoluta,

se tornou pecado por nós (Is 53.1-4;

2Co 5.21). Jesus clamou outra vez

com grande voz e entregou o espírito

(v. 50). O Senhor Jesus não foi morto

diretamente por alguém, tampouco

foi vencido por processos naturais. Ele

entregou o seu espírito. Meditemos

em João 10.17,18.


Com a morte de Jesus, algumas coisas

impressionantes aconteceram (v. 51-53).

O rasgar do véu signi ca a abertura de

um novo e vivo caminho pela obra de

Jesus na cruz (Hb 10.20; Ef 2.11-22). O

o cial romano e seus comandados, possuídos

de temor, disseram: “Verdadeiramente

este era Filho de Deus” (v. 54). Estavam

ali mulheres íntegras e servidoras

que o acompanhavam desde a Galileia (v.

55,56).

José de Arimateia, que era também

discípulo, foi a Pilatos e pediu o corpo

de Jesus e o governador mandou entregar

(v. 58). Em seguida, tomou todas

as providências para sepultar Jesus

(v. 59-66).

No primeiro dia da semana, o Senhor

ressuscitou (v. 1-6). O que ele

havia prometido em 26.32 se cumpriu

(28.7,10). Maria Madalena e a outra

Maria tiveram a experiência singular

ao ver o Senhor ressuscitado (v. 9,10).

Podemos notar nos versículos 11

a 15 a desonestidade dos religiosos

judeus em relação à ressurreição de

Jesus.

APLICAÇÕES PARA A VIDA

MISSÃO DADA AOS

DISCÍPULOS E A PROMESSA

DE JESUS (Mt 28.16-20)

Como Jesus havia determinado, os

discípulos foram para a Galileia, região

norte da Palestina (v. 16). Ao se

apresentar diante deles, houve duas reações:

adoração e dúvida (v. 17). Estas

palavras não combinam. São excludentes.

A adoração é fruto da certeza, da fé.

Temos agora a chamada “Grande

comissão” (v. 18-20). Jesus deu uma missão

a eles e a nós também. O Senhor

usa o absoluto: toda autoridade; todas

as nações; todas as coisas e todos

os dias. Jesus tem todo o domínio. Ele

quer que sejamos obedientes no cumprimento

da missão. Debaixo da sua

autoridade, façamos discípulos, ensinando-os

e batizando-os em nome do

Pai, do Filho e do Espírito Santo.

É significativo lembrar que Mateus

inicia com o Emanuel, Deus conosco

(1.23), e termina com a promessa de

Jesus: Estou convosco todos os dias até

a consumação dos séculos (28.20).

1 Os sofrimentos de Jesus, antes da sua morte e ressurreição, devem nos levar

a avaliar a nossa vida cristã. Todo o seu sofrimento nos mostra que o discípulo não



agradecemos as lições aprendidas?

2

jamais".

3 Jesus nos deixou uma ordem para ser cumprida. Não transformemos a Grande

comissão na Grande omissão.

2T13 COMPROMISSO 63


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