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GAZETA DIARIO 519

08 Geral Foz do Iguaçu,

08 Geral Foz do Iguaçu, sexta-feira, 2 de março de 2018 Fábio Campana Nosso atraso Relatório do Banco Mundial apontou que o Brasil demorará 260 anos para atingir o nível educacional de países desenvolvidos em Leitura e 75 anos em Matemática. O cálculo foi feito a partir do desempenho de estudantes em todas as edições do Pisa, a avaliação internacional aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento. Pela primeira vez, o World Development Report, anuário que discute questões para o desenvolvimento mundial, é dedicado totalmente à educação. Este é o resultado de anos de políticas públicas para educação estrearem e sepultarem programas sem atenção a resultados, sem leitura do que pode dar certo e do que tem que ser modificado. Enquanto sindicatos de professores, políticos meia-tigela e oportunistas de plantão se debatem por bandeiras que pouco contribuem para a formação de alunos, o país afunda em ignorância, deficiência e rudeza. Filhote de Bolsonaro A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) respondeu ao xingamento do deputado estadual Missionário Arruda (PEN), do Paraná, aprovando projeto de lei, na CCJ do Senado, que criminaliza injúria por questão de gênero. Na Assembleia Legislativa do Paraná, o "Filhote de Bolsonaro" agrediu a petista xingando-a de "amante" gratuitamente; a proposta altera o dispositivo que estabelece como agravante do crime o uso de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou com deficiência, acrescentando a questão de gênero entre esses agravantes. Sem dó O juiz federal Sérgio Moro determinou a execução da pena do empresário Leon Vargas, irmão do ex-deputado André Vargas (ex-PT- PR), e do publicitário Ricardo Hoffman, após a condenação pelo TRF- 4. "Exaurida a segunda instância após o julgamento de embargos de declaração contra o acórdão dos infringentes, as penas devem ser executadas como previsto expressamente no acórdão condenatório. Não cabe a este Juízo discutir a ordem", afirmou Moro em sua sentença. Novas investigações A primeira fase de 2018 da Operação Lava Jato deflagrada em Curitiba na semana passada - que teve como alvo a empresa Econorte, do Grupo Triunfo, servidores do DER do Paraná e do Dnit - abre a frente de investigações de corrupção e lavagem de dinheiro no setor de rodovias, que vai alcançar outras concessionárias pelo País. Benefícios concedidos As forças-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro investigam a edição de medidas provisórias que prorrogam concessões de rodovias ou concedem benefícios para o setor. Desistência na corrida Alexandre Kireff jogou a toalha. Em meados do ano passado seu nome figurava nos boatos de disputa para o governo do Paraná; Alvaro Dias abafou as pretensões, para deixar caminho livre para o irmão ou para sua troca de opinião a respeito do próprio pleito, e o convidou para cadeira do Senado. Pois Kireff descobriu que não tem vocação para ser senador e anunciou, pelo Facebook, sua desistência. Do Palocci, nada Tem muita gente esperando a delação de Antonio Palocci, mas o ex-ministro não tem mais esperanças de conseguir um acordo. A situação está tão feia que ele acha mais fácil conseguir habeas corpus do Supremo que combinação com Raquel Dodge. Os advogados são persistentes e ainda cutucam a procuradora-geral com a possibilidade. VALOR BRUTO Valor do PTI ultrapassa R$ 1 bilhão em infraestrutura e conhecimentos gerados Número está baseado em metodologia proposta pelo pós-doutor Osni Hoss, da equipe do Parque Tecnológico Da redação com assessoria Reportagem Os investimentos feitos no Parque Tecnológico Itaipu (PTI) retornam para a sociedade, especialmente ao Oeste do Paraná, território onde está instalado, por meio da geração de conhecimento, pesquisas e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. O valor desses resultados, obtido por uma equipe do PTI que implantou uma metodologia para mensurar os chamados ativos intangíveis, é superior a R$ 1 bilhão. Ao contrário dos ativos tangíveis, que são concretos e, no caso do PTI, representam as estruturas físicas, os equipamentos e o capital financeiro, os ativos intangíveis não podem ser vistos — são conhecimentos, práticas e atitudes que compõem o valor da instituição. A partir do modelo proposto pelo pós-doutor Osni Hoss, o grupo do PTI atribuiu valor aos ativos intangíveis do parque, de R$ 1,055 bilhão — 14,6 vezes maior do que os ativos tangíveis. Entre os exemplos dos ativos intangíveis do PTI está a geração de conhecimento a partir da for- Valor em dinheiro das pesquisas e... ...valor da estrutura e de equipamentos passam de R$ 1 bilhão mação de pessoas. Também é ativo intangível todo o conhecimento que é gerado a partir das pesquisas que são realizadas todos os dias nas inúmeras iniciativas do parque, ligadas a áreas como desenvolvimento territorial, mobilidade, energias renováveis e segurança eletrônica. O analista de projetos do PTI Nelinho Graef conta que a demanda em mensurar os ativos intangíveis do parque surgiu em 2014, em uma apresentação dos resultados à Itaipu Binacional, instituição mantenedora do PTI. "Na época, encontramos a metodologia do Osni Hoss, que permitia fazer esse cálculo. Fizemos uma primeira versão, que foi interna, e apresentamos à Itaipu, como estudo preliminar", afirma Nelinho. A segunda versão da pesquisa contou com o apoio do próprio Osni Hoss. Uma pesquisa de percepção foi realizada com 230 participantes, entre habitantes do PTI, como colaboradores, estudantes, pesquisadores e empreendedores, e instituições parceiras do parque. Os dados obtidos a partir dessa pesquisa, calculados com outras variáveis, como os investimentos financeiros realizados na instituição, resultaram no valor de R$ 1,127 bilhão. O estudo foi feito em 2017, mas os dados são referentes ao ano de 2016. Graef destaca que o estudo sobre os ativos intangíveis traz benefícios ao PTI em dois sentidos: "A pesquisa como um todo possui indicadores que ajudam na gestão. Então é possível saber quais elementos que têm melhor desempenho e quais podem ser melhorados", ressalta. Para o analista de projetos, o segundo ponto é o valor dos ativos intangíveis que serve como parâmetro para demonstrar o potencial do PTI. O valor pode ser utilizado na negociação com financiadores e para atrair recursos de mantenedores e investidores, além de otimizar os resultados dos investimentos realizados no parque e no território de atuação do PTI.

Foz do Iguaçu, sexta-feira, 2 de março de 2018 TRÍPLICE FRONTEIRA Foz tem a maior alfândega de controle aduaneiro do país Unidade é responsável pelo despacho anual de 200 mil caminhões no porto seco e pelo tráfego diário de 80 mil pessoas que cruzam a Ponte da Amizade Cidade Receita Federal vai ampliar o combate aos crimes transnacionais como o contrabando e o tráfico de armas e de drogas 09 Andressa Ferreira Reportagem Promovida de delegacia para alfândega de classe especial, a Receita Federal em Foz do Iguaçu irá intensificar a fiscalização aduaneira no que diz respeito ao controle de bagagens, tráfego de pessoas e crimes transfronteiriços como o contrabando, descaminho e tráfico de armas, drogas e munições. A mudança ocorreu após um intenso levantamento sobre as unidades aduaneiras do Brasil, que apontou a necessidade de elevar a categoria de algumas sedes da RF em determinadas regiões — entre elas a de Foz, que agora passa a ser reconhecida como a maior alfândega do país ao lado de Guarulhos (SP) e Santos (SP). "A Receita vem desenvolvendo, há algum tempo, um estudo que pontua as sedes da RF com o maior volume de atividades anuais. Nesse quesito, Foz do Iguaçu acabou se destacando pelo bom desempenho em três áreas de controle aduaneiro. Essa mudança é uma promoção que trará muitos benefícios para a cidade. Antes nós éramos uma delegacia mista de classe B; em outras palavras, uma delegacia de porte médio, agora somos a alfândega mais importante do país. Esse é um reconhecimento por quase duas décadas de trabalho desenvolvido, que nós dará condições de intensificar ainda mais as atividades", explicou o delegado Rafael Rodrigues Dolzan. De acordo com Dolzan, Foz tem o maior porto seco da América Latina, por onde passam cerca de 700 caminhões por dia e quase 200 mil por ano. O intenso volume de atividades contribuiu para que a sede do município se destacasse entre as demais, além do grande volume de pessoas que cruzam diariamente a Tríplice Fronteira. "Nós temos um tráfego muito grande tanto de cargas como de pessoas na nossa região. Por dia, em torno de 80 mil turistas e trabalhadores atravessam a Ponte Internacional da Amizade. Isso exige um trabalho intenso de controle, que garante a segurança. O volume de apreensões também é bastante elevado na nossa região, especialmente as de cigarros, eletrônicos, armas e drogas. Ao ocupar o posto de alfândega, a Receita intensificará ainda mais esse controle", destacou o delegado. Todo esse trâmite tem gerado dúvidas na população quanto aos serviços prestados aos contribuintes. Nesse quesito, o órgão garante que a estrutura e o atendimento continuarão os mesmos, não havendo prejuízos para quem necessitar de alguma informação ou procedimento. "Nós tomamos todo o cuidado necessário para que o contribuinte não fosse prejudicado devido a essa reestruturação. Todos os CACs (Centros de Atendimento ao Contribuinte) funcionarão em tempo integral, garantindo que não haja problemas", disse o delegado. Algumas questões mais complexas poderão exigir a resposta da Delegacia de Cascavel, que agora responde pela região. Mesmo nesses casos específicos, o contribuinte poderá protocolar o assunto na sede de Foz e acompanhar todo o processo sem a necessidade de se deslocar até outra cidade. "Gostaríamos de destacar que boa parte dos atendimentos podem ser feitos on-line. Essa é uma tendência que vem tomando conta ao longo dos anos em todos os setores. Atualmente 110 serviços estão disponíveis no CAC e podem ser acessados de forma rápida e eficaz. No ano passado, a Receita realizou mais de 180 milhões de atendimentos no Brasil, 92% deles via web", pontuou Dolzan.