Views
1 week ago

GAZETA DIARIO 551

06 Opinião Foz do

06 Opinião Foz do Iguaçu, terça-feira, 10 de abril de 2018 Vermelho pré-candidato O Corvo acompanhou meio que distante a ginástica de alguns políticos pela viabilidade de uma eleição. O Vermelho (Nelsi Cogetto Maria) foi um que precisou mudar de partido, do contrário enfrentaria enormes dificuldades, sobretudo com a necessidade de fazer mais de cem mil votos caso permanecesse no PTB. E como uma coisa dessas acontece? É simples, os cabeças das agremiações negociam os umbigos e deixam os correligionários na mão. Alex Canziani (PTB), por exemplo, deu de articular para lançar a filha candidata a deputada e, sem praticamente consultar a base, escolheu um candidato ao governo para apoiar. Claro, isso contrariou muita gente. No fim, essa política de pai para filho é algo que precisa enfrentar uma revisão. Boa chapa Apoio o Vermelho tem, e dos bons, a começar pelo prefeito Chico Brasileiro, que é do PSD, partido para o qual ele foi de mala e cuia. Ratinho Junior também abriu a porteira para o iguaçuense. Quem conhece um pouco da matemática política verá que Vermelho se tornou um candidato muito viável para chegar lá, a começar pelo envolvimento de outras comunidades das regiões onde atua. Provisória de Foz Mas o presidente da Comissão Provisória Executiva do PSD de Foz, Wanderley Teixeira, disse textualmente ao site Não Viu? que os membros locais do partido "não apoiarão" o Vermelho. Ele parece estar mordido pelo fato de a filiação ter ocorrido em Curitiba — e, com isso, a guerrinha local começou. Wanderley, ao declarar nomes de iguaçuenses para a Assembleia Legislativa, afirmou que a legenda em Foz apoiará o deputado Evandro Roman, que é de Cascavel. E assim la nave va... Roman ou Vermelho? Na política tudo é imprevisível, pois o vento sopra para todos os lados ao mesmo tempo; e, enquanto esta nota está sendo redigida, as coisas podem ter mudado. Mas vejamos, Vermelho é apoiado por Ratinho Junior, a expressão maior do PSD no Paraná, e conta também com a aprovação de Chico Brasileiro, que o convidou inclusive para entrar no partido. Se é assim, não deve estar muito preocupado com o Wanderley Teixeira, que prefere apoiar um candidato de Cascavel. Reveja seus conceitos, Wanderley, pois, segundo sabemos, o iguaçuense está na trincheira por candidatos nativos. Se no lugar da divisão de opinião o partido resolver unir-se, haverá votos para eleger dois ou mais candidatos. Política é a arte de somar, não de dividir. Propostas E no fim das contas ser candidato em Foz do Iguaçu dá no mesmo em que olhar para uma pilha de reivindicações que nunca saíram do lugar. Taí a missão para um deputado federal: desatar esses nós cegos, como é o caso da duplicação da BR-469, Perimetral Leste, extensão da Ferroeste, e dar um jeito nesta Beira-Foz — que, por enquanto, é a "Beira-Mato". O povo quer pelo menos saber a razão dessas obras empacarem, depois de tantos rojões e fogos de artifício quando foram anunciadas. Se um deputado federal conseguir pelo menos desembaraçar o que já há, fará um mandato histórico. Ameaças Embora os ânimos tenham se amainado após a prisão do expresidente Lula, algumas rusgas continuam fluorescentes em Foz. "Fluorescente", o que é isso? É o rastro que fica quando alguém ou um grupo afronta opositores, achando que não vai dar em nada. O Corvo tem notícias de que há pessoas recebendo ameaças dos dois lados. Tá na hora de acabar com isso! O negócio é tocar a bola pra frente e pensar no futuro. Coisa mais feia pessoas que convivem numa mesma cidade pegando-se sem saber a essência dessa diferença. As melancias Enquanto isso, outras várias candidaturas estão em ebulição nos tubos de ensaio. Há gente que não encontra uma fórmula de fazer votos e, diante disso, deve desistir. No mais, embora o direito constitucional, há quem saiba que não vai adiante, que vai atrapalhar os candidatos com potencial, mesmo assim segue na aventura, pensando que sairá numa boa, sem questionamento nem reclamação por parte da sociedade. Nada disso, pelo que dá para sentir, haverá puxões de orelha em algumas figuras folclóricas da nossa política, gente que faz tudo por uns cinco minutos de fama, não se importando se isso prejudica a cidade. Vão levar melancia no pescoço. Os rastros Como já é de conhecimento de toda a cidade, o final de semana foi de pichações. Uma vergonha o que fizeram na Avenida Brasil e lojas localizadas no centro. Acontece que muitos desses estabelecimentos possuem câmeras e sistemas de monitoramento, muitos dos quais com tecnologia suficiente para identificar os pichadores. Algumas gravações já estão nas redes sociais. Agora vem a pergunta: ações assim são por ideologia ou vandalismo? Perante a lei Quem destrói um patrimônio público ou privado, independentemente da causa, deve responder legalmente. A pichação não vai mudar a decisão de um juiz, desembargador ou ministro das instâncias superiores do Judiciário. Os comerciantes não atravessam um bom momento e ainda terão de gastar com o reparo das fachadas? Complicado esse tipo de situação. Detalhe: alguns pichadores, parece, já foram identificados. No mais, também há a voz que manda. Que coisa mais feia, principalmente numa cidade que recebe turistas de todo o mundo. Invasão Pois é, seu Corvo, apesar dos avisos, alertas, notinhas publicadas na sua coluna, o terreno que foi invadido bem próximo da Avenida das Cataratas, num dos melhores bairros da cidade, continua em expansão de barracos e lixo espalhado por todos os lados. Como pode isso? A gente paga o olho da cara de IPTU e outros impostos para poder ter a casa da gente em dia e no fim é obrigado a conviver com a sujeira, insalubridade e ver crianças passando a maior necessidade, no meio da lama. Apesar disso nos incomodar, ainda ajudamos aquela gente, porque os inocentes que estão lá não possuem culpa. NTM (A leitora pediu para não ter o nome identificado.) O Corvo responde: o Corvo também já notou o crescimento da invasão. Neste final de semana, havia mais um barraco em fase de montagem. O dono do imóvel já ingressou com ação na Justiça pedindo a reintegração de posse do imóvel. Isso demora e há, segundo consta, uma infinidade de invasões na cidade. A falta de moradias e a desigualdade parecem ser um drama sem fim. O que se vai fazer? O ideal é esperar ações na área social, em que já há uma fila imensa de pessoas sem teto, sem alimentos, sem tudo. Invasões em terrenos de bairros prósperos não são coisa bonita de se ver, mas há por trás disso todo um drama social que precisa ser mais bem entendido. Centro de Convenções Enfim alguém tomou a iniciativa de pelo menos tentar arranjar um destino para aquela estrutura que já nasceu morta e que é sustentada pelos cofres públicos. Será que alguém se habilitará em adotar o elefantão? Ele custa uma grana de manutenção todos os meses e precisará de muita atividade para se pagar. No fim, tomara que a Infraero retire o edital e agregue as instalações ao aeroporto, fazendo um estacionamento ou mesmo instalando lá os terminais de embarque. Serviços O prefeito Chico disse que a ideia é implementar outras formas de lucratividade no local e, para isso, estimulará a criação de comércios e serviços. Precisa ficar atento à destinação do imóvel. Ele foi construído para uma finalidade, e isso deve ser respeitado. Por este aspecto morre a possibilidade de a Infraero expandir o aeroporto. Onde há movimento, tudo é possível. Onde não há, nada vai pra frente. Igreja? Contaram para o Corvo que uma congregação estaria de olho nas instalações do Centro de Convenções. É onde funcionaria a sede do apostolado de um bispo muito conhecido. A ideia dele seria organizar encontros, shows, eventos e palestras o tempo todo, causando uma espécie de romaria de fiéis para ouvirem os seus conselhos. No dízimo estaria incluída a hospedagem e os passeios dos crentes. Pode ser esta a solução. Cruzamento Corvo, não dá para sair chamando os engenheiros de burros, mas acontece cada coisa em Foz pra gente ficar pensando. Um exemplo é o semáforo que existe na Rua Quintino Bocaiuva com Avenida Brasil, perto da Casas Bahia. Primeiro que ele fecha muito rápido e segundo que existe um faixa de pedestres na Avenida Brasil. A gente sai do semáforo e, quando vai fazer a curva, tem alguém parado dando preferência aos pedestres. Semana passada bati o meu carro na traseira de alguém por causa disso. E tem outra, quando o semáforo fecha, a gente fica bem no meio da rua, para levar uma bela multa. Será que não poderiam pintar a faixa de pedestres um pouco mais para cima, Corvo? Natanael Ribeiro O Corvo responde: sua nota está sendo publicada aqui, amigo. Ela não é a única sobre o local. Vamos ver de que forma o Foztrans vai resolver o problema, mas o senhor deve saber que pedestre possui a preferência sempre, ainda mais naquele local, o principal ponto de aglomeração de transeuntes da cidade. Plantação de postes Corvo, eu concordo. Aqueles postes enfileirados no centro da Avenida Felipe Wandscheer são um horror. Coisa muito feia. Dá pra dizer que temos a nova Avenida dos Postes, porque das Torres não existe mais nem em Curitiba. Mas, Corvo, sem querer defender o prefeito Chico, o que ele pode fazer se o projeto foi realizado no governo do antecessor, alguém que eu faço questão de não mencionar o nome para não cometer blasfêmia? O aspecto é de fato muito ruim. Márcio Guilherme O Corvo responde: prezado, sabemos que o prefeito tentou dar um jeito na situação, mas custaria bem mais caro fazer as ligações elétricas subterrâneas; e no mais isso atrasaria mais ainda o término da duplicação. Como sabemos, ela foi paralisada uns tempos por causa da Operação Pecúlio. Mas a boa notícia é que existe sim um estudo para colocar os cabos embaixo da terra e, com isto, retirar os postes. Seus netos com certeza contemplarão aquela avenida limpa. Janela abaixo Durante o voo de Lula até Curitiba alguém disse: "Joga esse lixo janela abaixo". A frequência estava aberta, e o áudio vazou. A FAB confirmou a veracidade do comentário. Oficiais exigiram a fraseologia adequada, mas na gravação tinha até cachorro latindo.

Foz do Iguaçu, terça-feira, 10 de abril de 2018 ESCOLAS MUNICIPAIS Política 07 Comissão emite parecer favorável à proibição da ideologia de gênero Mesmo com renúncia de um dos autores, Câmara decide levar projeto à votação em plenário Elson Marques Freelancer Será lido, na sessão desta terça-feira (10), o parecer da Comissão de Legislação, Justiça e Redação favorável ao projeto de emenda à lei orgânica proibindo a inclusão de ensino sobre ideologia de gênero nas escolas municipais. No setor jurídico, a conclusão é a de que a proposta atende aos preceitos legais, estando liberada para debate e votação. Pela teoria de gênero, ninguém nasce homem ou mulher, mas cada indivíduo deve construir sua própria identidade, isto é, seu gênero, ao longo da vida, independentemente do que a biologia, a genética ou os hormônios determinem. O projeto em trâmite na Câmara Municipal quer proibir a abordagem do tema sob essa ótica nas escolas municipais. Mesmo com a renúncia do vereador Dr. Brito, principal articulador da proposta, a Câmara decidiu dar sequência ao projeto para deliberação soberana do plenário. A explicação é que ele não é autor único, havendo a assinatura de outros 11 vereadores. Apenas foi retirado o nome de Dr. Brito, e o projeto segue normalmente. Foto: CMFI Celino Fertrin foi relator do projeto na comissão e defende a regulamentação do tema No parecer, a comissão destaca que os propósitos de combater preconceitos jamais poderão justificar a prática de abusos contra crianças — pessoas em desenvolvimento e com fragilidade psicológica — e o desrespeito ao direito da família na formação moral dos filhos. Para a CLJR, "a inserção da ideologia de gênero na educação brasileira representa uma clara violação à dignidade humana da criança e do adolescente, assim como ao direito de pais e responsáveis legais de determinarem a educação dos seus filhos de acordo com suas convicções morais, filosóficas e religiosas". Sustentação legal Para chegar ao parecer, a Comissão de Legislação, Justiça e Redação disse que os parâmetros estão estabelecidos em "farta legislação internacional de direitos humanos fundamentais, na nossa Constituição Federal e na legislação infraconstitucional". Aponta ainda que "o Congresso Nacional, legítimo representante do povo brasileiro, rejeitou, democraticamente, no Plano Nacional de Educação, o estabelecimento das expressões como ideologia de gênero". Também conclui o parecer que, de igual modo, a teoria "fere o ordenamento jurídico pátrio, notadamente a Constituição, o Código Civil e o Estatuto da Criança e do Adolescente". Além de citar as manifestações ocorridas no ano passado e a audiência pública com a grande maioria defendendo a proibição da abordagem nas escolas, o parecer faz referência até ao papa Francisco, que se manifestou diversas vezes contra a ideologia de gênero. Em uma delas afirmou: "Uma coisa é que a pessoa tenha esta tendência, esta opção, e há também aqueles que mudam de sexo; e outra coisa é ministrar o ensino nas escolas nesta linha, para mudar a mentalidade". Matéria não faz parte da grade Nos termos do parecer, "consonância ao PNE nacional, o município de Foz do Iguaçu, como bem afirmou a Presidente do Sindicato dos Professores e Profissionais de Educação, professora Maria Ricce, na audiência pública realizada em 01/12/2017 e em entrevista ao jornal diário A Gazeta de Iguaçu, em 04 de dezembro de 2017: Não existe no nosso programa municipal de educação o ensino de ideologia de gênero..." O parecer destacou ainda que a presidente do referido sindicato disse: "Isso não é aplicado e nenhum professor é orientado nesse sentido. Trabalhamos sim o respeito, a não discriminação e ensinamos a criança a não ter preconceitos, e somos sim defensores e parceiros das famílias". A conclusão da comissão é a de que não há inconstitucionalidade na matéria em tramitação. Após a leitura do parecer, o projeto estará pronto para entrar na pauta de votação da próxima quinta-feira (12). Medida impede inclusão A Comissão de Legislação, Justiça e Redação aponta ainda a necessidade de medida preventiva. Observa que "à revelia do que estabelece o Plano Nacional de Educação e o Plano Municipal de Educação, existem articulações para inclusão da ideologia de gênero na BNCC - Base Nacional Comum Curricular. Por isso é necessário definir os limites do que compete à família". De acordo com Celino Fertrin (PDT), relator do projeto na comissão, "tudo aquilo que não é proibido pode ser praticado, portanto temos que regulamentar para não trazer problemas maiores futuros. Sem privar a liberdade de ninguém, pelo contrário, que cada um seja feliz da forma que queira, ou que pense, porém não podemos influenciar".