Revista ComTempo - Edição nº 1, de setembro a novembro de 2018

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Digital com jeitinho de impresso.

OPINIÃO

EDIÇÃO Nº 1 - Comtempo

Equipe responsável:

Gabriela Brack, José Piutti,

Kimberly Souza e Marcos Pitta

Capa, logotipo e layout do

facebook e instagram:

Marília Tofolli

Diagramação:

Marcos Pitta

Textos e imagens:

Gabriela Brack, José Piutti,

Kimberly Souza e Marcos Pitta

Edição dedeos para mídias sociais:

José Piutti e Henrique Escher

Charge:

Rodrigo Avelino

Ilustração página 11

Júnior Santos

Ilustração capa

Vimal Mourya

É ComTempo de estar e precisar

tirar um tempo para ler

A

era digital cada vez mais impressiona

por seu constante crescimento.

No Brasil, segundo dados

de 2016 do IBGE, Instituto Brasileiro

de Geografi a e Estatístca, 116 milhões

de pessoas com idade acima de 10 anos

estão conectadas à internet. Isso representa

64,7% da população acima desta faixa etária.

O IBGE divulgou também que o celular

é o principal aparelho para acessar a

web no país. 94,6% dos internautas utilizam

o aparelho telefônico para acessar a internet,

seguido dos computadores, representando

63,7%; tablets, 16,4%, e por último, televisões

com 11,3%.

Com o avanço foi possível perceber

que, desde as eleições presidenciais de 2010,

notícias falsas começaram a ser divulgadas

na rede com maior intensidade. A proliferação

das chamadas “fake news” aumentaram nas

eleições presidenciais de 2016, nos Estados

Unidos, e, de lá para cá, não cessaram.

Não é preciso muita procura para encontrar

notícias falsas circulando pela rede,

assim como não é necessário caminhar longe

de sua realidade para ver uma pessoa sem

formação realizando o trabalho de um jornalista.

Tudo isso, agrega-se à pressa para dar

um furo, resultando, na maioria das vezes,

um texto defi citário, sem apuração necessária

e tratamento adequado.

Foi nesta situação que surgiu ComTempo.

A revista online, produzida por jornalistas

formados e estudantes, chega também para

proporcionar ao seu público uma leitura prazerosa.

O objetivo maior está ligado ao nome.

Pede-se que o leitor das páginas seguintes

disponibilizem, além de atenção, tempo para

ler as reportagens desbravadas pela equipe

durante o processo de produção. Boa leitura

a todos.

Quem somos nós?

Gabriela de Oliveira Brack, formada

em Jornalismo Instituto Municipal de Ensino

Superior de Bebedouro, em 2017; José

Piutti – Estudante de Jornalismo da Unaerp;

Kimberly Souza, formada em Jornalismo pelo

Instituto Municipal de Ensino Superior de Bebedouro,

em 2016; Marcos Pitta, formado em

jornalismo pelo Instituto Municipal de Ensino

Superior de Bebedouro, em 2017 e Marília

Toffoli, estudante de Publicidade e Propaganda

da Unaerp.

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PESQUISA

O MUNDO EM

SUPERÁVIT

COM A NATUREZA

MARCOS PITTA

Pesquisadora da USP de Ribeirão

Preto desenvolve plástico que

degrada-se 99,9% mais rápido que

o comum no meio ambiente.


(DIVULGAÇÃO)

2.190.000 dias (500 anos) é a projeção para o plástico

comum, produzido com derivado do petróleo (matéria

-prima não renovável, cuja composição não é metabolizada

por micro-organismos), leva para se decompor na

natureza. Isso preocupa cada vez mais os ambientalistas

e aqueles atentos à saúde do planeta.

120 dias (4 meses), tempo necessário para o plástico biodegradável,

produzido pela USP de Ribeirão Preto, com

material biológico, desaparecer no meio ambiente. À frente

desta pesquisa, a química Bianca Chieregato Maniglia,

que em entrevista a ComTempo, dá detalhes de seu projeto

e conceitua: “Por ser composto de material biológico, é

atacado, na natureza, por outros agentes biológicos, como

bactérias, fungos e algas. Transformam-se em água, CO2

e matéria orgânica”.

Se aprovado para substituir o plástico comum, o produto desenvolvido

pela USP-RP, em números, reduziria em 99,9%

o tempo necessário para degradação no meio ambiente. A

natureza ganharia 2 milhões de dias a mais para respirar.

Fazendo trocadilho com a economia, o superávit seria de

2.189.880 dias a mais para todo o mundo.

A ideia

O

fato dos plásticos biodegradáveis não

conseguirem competir com os plásticos

comuns por seu alto custo, foi o estopim

para Bianca iniciar o projeto, com apoio dos órgãos

de fomento como Fapesp (Fundação de Amparo

à Pesquisa do Estado de São Paulo); Capes (Coordenação

de Aperfeiçoamento de Pessoal de

Nível Superior), e CNPQ (Conselho Nacional de

Desenvolvimento Científico e Tecnológico), como

parte de seu mestrado e doutorado. O projeto contou

também com a estrutura do Departamento de

Química da USP de Ribeirão Preto.

“Buscamos matéria prima mais barata

para tornar este material competitivo. Os resíduos

agroindustriais brasileiros ainda são pouco explorados,

sendo muitas vezes, descartados na natureza”.

A química ressalta que os resíduos podem

apresentar grande potencial de aplicação tecnológica:

“Foi desta forma, então, que pesquisamos

possíveis resíduos, ainda pouco explorados, com

polímeros interessantes como amido e proteína

para aplicação no setor de materiais”. Bianca revela

que o pedido de patente deste plástico será feito

ainda em 2018.

O trabalho de obtenção dos plásticos biodegradáveis

envolve, segundo a pesquisadora,

grupo de pesquisa com participação de alunos

de iniciação científica: “Roberta Lopes de Paula,

Larissa Tessaro e Bruno Esposto, e de mestrado,

Thamiris Garcia, além da fundamental orientação

da Profa. Dra. Delia Rita Tapia Blácido”.

Bianca revela que as propriedades dos

plásticos desenvolvidos durante a pesquisa apresentaram

resultados satisfatórios em relação aos

convencionais, pois possuem boas propriedades

mecânicas e funcionais, mas, a alta biodegradabilidade

do plástico, “apesar de ser ponto positivo,

pode não ser apropriado para produtos que não

sejam de rápido consumo”.

Outro fator que faz o plástico desenvolvido

pela pesquisadora ainda não ser tão competitivo com

o convencional, é a alta capacidade de absorver umidade,

criando assim, ambiente favorável para maior

proliferação de micro-organismos: “Isso prejudica a

conservação dos alimentos, por isso, estamos trabalhando

para controlar estas propriedades, tornando-o

mais apto para aplicação no mercado”, explica.

Para o produto biodegradável ganhar o

mercado rapidamente, a química considera interessante

sua aplicação como blendas, ou seja, “na

forma de misturas entre polímeros provenientes

dos resíduos agroindustriais, com polímeros provenientes

do petróleo”. Assim, tem-se o aproveitamento

de um resíduo agroindustrial como fonte

alternativa renovável para compor embalagens e

também reduzir a porcentagem de fontes sintéticas,

agregando a biodegradabilidade: “Além de

podermos contar com presença das boas propriedades

dos plásticos comuns”.

Foi esta a consideração inspiratória para

Bianca iniciar o trabalho de pós-doutorado que

realiza atualmente, na Escola Politécnica da USP.

“Trata-se da produção de plástico, podendo inserirse

mais rápido no mercado, que são as blendas de

polímeros de resíduo de babaçu com o polímero

polipropileno”, esclarece a pesquisadora.

Os resíduos agroindustriais

brasileiros ainda são pouco

explorados, sendo muitas vezes,

apenas descartados na natureza

4


(DIVULGAÇÃO)

Equipe envolvida na pesquisa do plástico 100% biodegradável.

A curto, médio ou longo prazo?

Uma das perguntas da ComTempo à pesquisadora,

foi sobre quanto tempo as benfeitorias

do plástico biodegradável levariam para

modificar o ambiente: “Acredito ser a longo

prazo. A burocracia de implantação destes

materiais no mercado ainda é grande, no

entanto, acho que diante de antagonismos

como excesso de lixos plásticos e o inevitável

esgotamento do petróleo, essa burocracia

tende a diminuir e abrir espaço para estas

vias mais sustentáveis”. Bianca enfatiza

sobre o aumento da conscientização global

de que precisa-se buscar alternativas mais

sustentáveis para um planeta saudável.

Em relação ao descarte, a pós-doutoranda

revela que essa propriedade acaba saindo

na frente aos plásticos verdes encontrados

hoje no mercado. “Eles também são elaborados

a partir de fontes renováveis – milho,

mandioca, beterraba e cana-de-açúcarmas,

essas servem como matérias-primas

para produzir um composto (ácido láctico)

do qual se pode sintetizar o polímero (PLA

– ácido polilático). Devido ao fato destes

plásticos não serem produzidos com polímeros

naturais, como proteína e carboidratos,

por exemplo, o material apresenta estrutura

mais complexa e só se biodegrada

corretamente em usinas de compostagem,

onde há condições adequadas de luz, umidade

e temperatura, além da quantidade

correta de microrganismos”.

O que falta?

Para que o plástico desenvolvido chegue

ao mercado e, posteriormente, às casas

dos cidadãos, necessita-se ainda, do estudo

da produção deste plástico em larga

escala, através de extrusão. “Ao processarse

o material por extrusão, muitas outras

variáveis devem ser consideradas. Acredito

que, diante da boa capacidade destes materiais

em formar filmes, futuramente, será

sim, viável a produção de plásticos biodegradáveis

ou parcialmente biodegradáveis

a partir destes resíduos agroindustriais. E

considero que as blendas podem inserir-se

mais rápido no mercado, por garantir melhores

propriedades mecânicas e funcio-

nais que os filmes feitos apenas com resíduos

agroindustriais”.

Segundo Bianca, o custo para esta produção

ainda deve ser estudado, mas diante

do preço dos insumos, “quando se fala em

se trabalhar com estes resíduos agroindustriais,

acredito que podemos competir com

os plásticos comuns feitos com 100% de

material não biodegradável. Outro fato interessante

do plástico produzido a partir de

resíduos agroindustriais é que esta matéria

-prima não compete com o setor alimentício,

como no caso de milho, mandioca, beterraba

e cana-de-açúcar”, conceitua.

A boa notícia é o interesse pela pesquisa.

Bianca conta que diversas empresas querem

conhecer mais sobre o projeto e a possibilidade

de implantar em suas fábricas.

“No entanto, como já foi dito, estamos buscando

conhecer melhor o processo de produção

e as possibilidades de melhoria das

propriedades do plástico. Também há diversos

setores como empresas de cosméticos,

roupas e alimentos questionando se o plástico

já está sendo vendido”.

5


(DIVULGAÇÃO)

Polêmica dos canudos plásticos

O mundo compartilhou e as redes sociais

encheram-se de notícias sobre a poluição de

plásticos nos oceanos. O maior vilão desta história

foi o canudo. No entanto, pesquisa feita pela

ONG International Coastal Cleanup, aponta este

produto como a sexta causa de poluição nos mares

e oceanos, perdendo para garrafas de plástico

e suas tampinhas; bitucas de cigarro; embalagens

de alimentos; sacolas de supermercados

e tampas de copos, respectivamente. Contudo, a

pesquisadora faz análise: “Os plásticos convencionais

são, em geral, grande problema ambiental,

devido ao seu acúmulo, em especial o canudo

plástico por ser material de uso único, dispensável

e, rapidamente descartável”.

O investimento no uso de outras matérias-primas,

é apontado pela pesquisadora como

sugestão aos produtores deste material. “Há

campanhas por canudos de metal que podem ser

reutilizados, pois são laváveis. Outra elemento interessante

seria o papel, apesar do canudo não

poder ser reutilizado, o tempo de degradação do

canudo de papel é bem inferior, de um a quatro

meses”, explica: “Dentre as inovações, uma empresa

espanhola chamada Sorbos, desenvolveu

canudos comestíveis, biodegradáveis e recicláveis

feitos de gelatina, amido e açúcar. Portanto,

as empresas atuais de canudos plásticos podem

seguir diferentes caminhos mais sustentáveis e

agradáveis para o meio ambiente”.

Bianca considera sua pesquisa importante

para o meio ambiente. “Além de obter-se material

degradando-se completamente na natureza,

não gerando mais acúmulos de lixo, nota-se, que

os resíduos agroindustriais, muitas vezes descartados

como lixo, apresentam grande potencial

para aplicação tecnológica. Outro fato, é não dependermos

mais do petróleo, fonte não renovável,

ou seja, irá se esgotar”.

“Sinto-me realizada em trabalhar com

pesquisa, pois acredito que este caminho tem

muito a agregar futuramente para a construção

de um mundo mais limpo e sustentável”.

Plástico desenvolvido a partir de resíduos agroindustriais, cuja patente deve sair ainda este ano.

Contratempo

Quinta-feira, 2 de agosto de 2018. O

Conselho Superior da Capes, em nota, alerta

sobre risco de paralisação nas atividades

e pede ao governo federal que impeça a redução

nas verbas, já que corria-se o risco de

corte de pelo menos R$ 580 milhões no orçamento

de 2019.

No dia seguinte, o Ministério da Educação

em nota, afirma: “Não haverá suspensão

do pagamento das bolsas da Capes”. O presidente

Michel Temer garantiu a verba, e em reunião

com membros de seu conselho científico,

disse: “Se houver problema eventual, não vou

deixar faltar. Eu compensarei”.

O comunicado foi divulgado após

reunião entre os ministros Rossieli Soares, do

MEC, e Esteves Colnago, do Planejamento.

Segundo o MEC, a reunião já estava marcada

antes mesmo da repercussão negativa sobre o

corte de cerca de 11% no orçamento da Capes.

A pesquisadora opinou sobre o que

aconteceria se os cortes na Capes se concretizassem:

“Danos irrecuperáveis, tanto à ciência,

quanto ao desenvolvimento do país, pois

a interrupção de projetos pode causar perda

dos recursos já investidos, saída de pesquisadores

para outras áreas e consequentemente,

escassez de cientistas qualificados. Isso,

com certeza, prazo para diversos setores,

como a saúde, tecnologia e até na economia”.

Sobre a valorização na área de pesquisa

no Brasil. “O país tem excelentes centros

de pesquisa, no entanto, temos um tímido

investimento do governo. Enquanto o Brasil

considerar investimento na ciência, tecnologia

e inovação como gasto, não iremos progredir.

Considero também a falta de projetos que vinculem

o meio acadêmico com as indústrias,

pois há muitas dissertações e teses sendo engavetadas

que podem trazer grande avanço ao

país, se implantadas”.

Sobre país referência em meio ambiente,

Bianca destaca os europeus e cita

como exemplo Áustria, Alemanha e Bélgica,

“que apresentam taxa de reciclagem de

mais de 58% do lixo produzido, enquanto

o Brasil apresenta reciclagem de apenas

13% do lixo urbano. O interessante é como

esses países apresentam mais programas

de investimento em ciência e tecnologia e

como essas pesquisas são aplicadas nos

próprios países. O Brasil precisa conscientizar-se

mais sobre a importância deste setor

no desenvolvimento, e na possível melhoria

de vida de todos”, finaliza.

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ELEIÇÕES

O QUE PENSAM OS

JOVENS SOBRE

No âmbito da representatividade, qual o

nível atingido pelos indivíduos que

ocupam e irão ocupar cargos eletivos?

POLÍTICA

GABRIELA BRACK

O

que pensam os jovens sobre política?

Sobre as eleições? Sim! Estamos exatamente

no ano eleitoral. Quem diria que

2018 chegaria tão rápido, não é mesmo? E que

expressão corriqueira esta: “como o tempo passou

rápido...”.

Tempo. E por falar nele, aqui vai outra

constatação: mesmo com a “semente” da Com-

Tempo plantada desde julho, foi exatamente em 7

de setembro (exatamente a um mês das Eleições

2018), que esta reportagem começou a ser escrita.

Não diria com toda certeza se de fato cabe

aqui tamanha sinceridade, mas é preciso revelar

que estes escritos, a concepção desta ideia, foi

maquinada, em todo esse tempo, das mais variadas

formas. E o intuito, afinal? Chegamos à conclusão

de trazer uma análise “nua e crua” sobre

este cenário, ouvindo jovens aptos ou não a votar.

O que eles pensam sobre o cenário da

política nacional? Como se informam? Sentem-se

representados? Já escolheram seus candidatos?

E afinal, o que é política para eles?

Primeiramente, vamos a alguns dados.

De acordo com números anunciados no início de

agosto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no

próximo dia 7 de outubro, 147.302.357 eleitores

brasileiros estarão aptos a votar, representando

aumento de 3,14% em relação à ultima eleição geral

do país, em 2014.

Além de eleger novo(a) presidente da República,

o eleitorado escolherá deputados(as) federais, deputados(as)

estaduais ou distritais, dois(uas) senadores(as)

por estado e o(a) governador(a) de cada

uma das 27 Unidades da Federação.

7


meio mais utilizado”.

Sobre as eleições especificamente,

a assistente social acredita ser difícil prever

um desfecho. “Este ano é muito particular.

Por conta da veiculação de notícias pelo Facebook,

mídia acessada por muita gente, inclusive

e principalmente jovens, temos uma

valoração dos discursos de ódio, que vão

tomando conta das redes sociais de uma forma

intensa. Então, se alguém apoia o candidato

X, as pessoas não sabem discutir politicamente,

elas querem emanar seu discurso

de ódio”, analisa.

Para Jessica, este tipo de posicionamento

tira as pessoas de seu verdadeiro

foco de avaliar propostas políticas dos candidatos,

“a jogada que existe por trás de cada

fala, de cada discurso. Estamos desgastando

tanta energia tentando ‘educar’ as pessoas

com quem dialogamos e têm esse posiciogênero

e faixa etária

Segundo o TSE, dados do

Cadastro Eleitoral apontam

que a maior fatia do eleitorado

brasileiro pertence

ao gênero feminino,

com 77.337.919

eleitoras, o equivalente

a 52,5%, ante

69.901.037 eleitores,

ou 47,5%.

Há ainda 63.401

pessoas aptas

a votar (0,040%)

cujo gênero não foi

informado.

Também militante do feminismo negro, Jessica

Barbosa Vianna faz parte do segundo maior grupo

do eleitorado brasileiro. (Foto: Arquivo Pessoal)

Na divisão

por faixa etária, o maior

quantitativo eleitoral tem

entre 45 e 59 anos, somando

35.742.439 pessoas,

representando

24,26%. Em seguida,

estão os(as) brasileiros(as)

de 25 a

34 anos, 31.149.869,

ou 21,15% do eleitorado nacional.

Este segundo grupo, considerados

jovens, fazem análise sobre a política nacional

e, principalmente, sobre o pleito majoritário

de 2018.

A assistente social Jessica Barbosa

Vianna, 25, conceitua política como o modo

pelo qual as pessoas relacionam-se e compreendem-se

em sociedade: “Todo sujeito

é um ser político. Política não é só partido,

mas também um modo de sermos, nos posicionarmos

numa sociedade com nossos ideais,

valores e princípios. A política serve para

que consigamos transformar a sociedade e

sermos transformados por ela também. É o

ser político que consegue fazer isso”.

Já para o designer multimídia e produtor

audiovisual Felipe Arcangelo, 25, política

é a forma como nos organizamos enquanto

sociedade. “Temos deveres, direitos, e é

preciso uma forma de administrar tudo isso”,

conceitua.

Acompanhando o cenário da política

nacional, principalmente após seu ingresso

no ensino superior, Jessica tem como principal

fonte de informação a internet, não restringindo-se

às mídias sociais, mas também

acessando portais de notícias. “Tento ler o

máximo de conteúdo que posso, de diferentes

fontes, para ter diferentes

pontos de vista sobre o

mesmo assunto”, afirma,

dizendo ainda contar

com a informação

através de conversas:

“Tenho um

grupo de amigos

bem politizado,

que consegue fazer

discussões

bem legais”.

Felipe revela

não acompanhar

a política com frequência:

“Confesso

que só pesquiso meu

candidato em época de

eleição, e sempre utilizo a

internet para isso.

Até acompanho um

pouco de TV, um

pouco mais de rádio,

mas a internet,

com certeza, é o

namento mais violento, que acabamos não

prestando atenção no que realmente está

acontecendo. Então, particularmente, eu não

consigo prever um desfecho. Está difícil”.

Exercendo direito ao voto desde os 16

anos, por influência de seus pais, Felipe analisa

que de lá para cá, o cenário das Eleições

2018 mostra-se diferente. “Os discursos mudaram,

a política está um pouco mais ácida,

tem uma grande massa acompanhando determinado

candidato, outra massa apoiando

os demais candidatos, então, é difícil prever

desfecho para este ano”, analisa.

Ainda sem candidato(a) à presidência

da República definido(a), Jessica aponta que

sua escolha se baseará naquele(a) que for

mais sensato(a) em seus discursos, “No que

eu perceber que realmente faz sua fala baseada

na proposta de mudança”.

Já para deputados(as), no âmbito federativo

a escolha da assistente social está

feita, faltando ainda a decisão aos demais

cargos eletivos. “O candidato que escolhi

para deputado federal já tem histórico de

militância, faz discurso coerente, o conheço

pessoalmente, é uma pessoa que já admirava

muito antes. É um dos candidatos que

não se envolve em polêmicas e discursos de

ódio, mesmo passando por momento tenso

em seu próprio partido, onde sua campanha

não foi muito veiculada e com pouco investimento”,

detalha.

Com candidato definido “há um bom

tempo”, Felipe deseja que seu voto seja útil

e colabore para a eleição dele, “Porém, independente

do candidato que assumir a vaga,

espero que faça bom governo. Pode até parecer

uma frase genérica, mas espero que

seja o pensamento de todos: independente

de sua posição política, temos que pensar no

bem comum, que realmente o candidato eleito

governe para todos e coloque em prática

suas propostas”, afirmando já ter nomes para

candidatos ao Legislativo, ainda sem opções

para os demais cargos eletivos.

As mulheres representam 52,5%

do eleitorado brasileiro.

Os homens 47,5%.

8


existe representatividade ?

Falando em representatividade, Felipe

Arcangelo acredita ser difícil fazer tal

análise. “No meu caso, por exemplo, como

profissional autônomo, dependo de alguns

equipamentos importados para poder exercer

minha função. Acontece que os impostos

são absurdos, o que torna inviável a compra.

Necessito de um governo que cobre menos

impostos, que as taxas de importação sejam

mais baixas. Analisando esta situação do meu

trabalho, do meu lado profissional, o governo

não me representa”, e pondera: “É claro que

temos que analisar para todos, não somente

o pessoal. Então, realmente é uma pergunta

complicada de se responder”.

Jessica Vianna afirma não se sentir representada

na política, mas faz análise sob outra

perspectiva: “Neste ano (para as eleições)

temos várias frentes com propostas muito boas,

mas num panorama geral, falta muito dessa representatividade,

especialmente porque a política

reproduz os interesses de uma classe há

muito tempo, então, tem características bem

conservadoras. Assim, os grupos minoritários,

nessa disputa, sempre saem perdendo. Os

partidos acabam investindo naqueles que atendem

mais às demandas daqueles que podem

pagar, então é um problema de classe, gênero,

raça, localidade. Ainda precisamos avançar

muito nessa questão da representatividade. E

os partidos precisam se repensar. Mas repensar

o partido é repensar seu projeto político, e

muitos partidos não farão isso. Já existe uma

classe que domina, para quem a política serve,

para quem a política chega, e a quem ela contempla.

Uma discussão pesada”.

Voto facultativo entre os jovens: por que não votar?

(ARQUIVO PESSOAL)

Thainá Velloso, 16, não viu necessidade em

tirar o título de eleitor antes dos 18 anos.

Também segundo dados do TSE, jovens

entre 16 e 17 anos representam 0,95% do eleitorado

brasileiro, totalizando em 1.400.617, número

que se refere aos eleitores que ainda estarão nessa

faixa etária em 7 de outubro, e poderão exercer

o voto facultativo. Os dados apontam redução de

14,53% em relação ao pleito de 2014.

Também em relação á última eleição, o

percentual de jovens aptos ao voto facultativo é

menor. Neste ano, a população com 16 e 17 anos

totaliza em 6.489.062 jovens, 21% dos 1.400.617

que emitiram seu título de eleitor. No pleito de

2014, o percentual de votantes nesta faixa etária

em relação ao total de jovens era 23%.

A ComTempo também buscou saber porque

essa grande faixa da população entre 16 e

17 anos preferiu não votar.

Estudante do 3º ano do ensino médio,

numa escola pública e estagiária numa agência

bancária, Thainá Velloso, 16, não emitiu seu título

neste ano, assim como a maioria dos seus amigos

da mesma idade. “Não vi necessidade de tirar meu

título antes dos 18 anos, por não ter a obrigação de

votar, e por só haver candidatos péssimos (risos).

Então, quando tirar meu título, meus votos provavelmente

serão nulos”, explica a estudante.

Thainá afirma ter interesse por política,

mas não em grande medida. “Acompanho mais

ou menos o que acontece no país mais pela internet,

ou nos jornais (na TV aberta)”, diz a estudante,

definindo política sob sua perspectiva: “Ela

mostra quem são os governantes do nosso estado...

Acho difícil essa pergunta. Sabemos o que é

política, mas não sabemos explicar”.

Sobre sentir-se ou não representada,

Thainá resume: “Acho que não”.

A também estudante do 3º ano do ensino

médio, mas de escola particular, Giulia Calegari, 17,

inclui-se no grupo de jovens que optaram por não

exercer seu voto facultativo nas Eleições 2018, mas

por não se sentir preparada.

“Não acho que eu tenha maturidade o suficiente

para ajudar nas decisões de quem será o

novo representante do país. Minhas ideias estão em

constante processo de transformação e creio que

logo elas terão uma forma mais consistente, mas

não por enquanto. É indecisão. Sem contar as polêmicas

e discussões que envolvem o voto. Já estou

no 3º colegial, quis manter minha cabeça um pouco

mais focada nos vestibulares”, explica Giulia, garantindo

não se tratar de falta de interesse pela política:

“Mesmo não votando esse ano, tento me envolver

um pouco nos assuntos, para terminar todo o processo

de formação da minha opinião, para quando

realmente chegar a hora, eu poder ajudar pra valer”.

Entre as formas que a estudante busca

informações, sua melhor amiga acaba sendo

uma “fonte”. “Ela é super ligada nesses assuntos

políticos, então vivo pedindo informações para

ela. Vira e mexe ela está aqui em casa discutindo

(ARQUIVO PESSOAL)

Giulia Calegari,17, optou por não votar

nesta eleição, por não se sentir preparada.

um pouco o assunto comigo”, conta.

Outra forma de abrir os horizontes de

Giulia foi através da própria escola, um trabalho

proposto por dois professores: “Nós montamos

grupos e escolhemos um candidato, então assistimos

sua entrevista no Roda Viva (na TV Cultura)

e tivemos de apresentar suas ideias e propostas

em sala de aula, sem expor nossa opinião a respeito

deles. Em quase todas as apresentações a

sala entrou em debate”.

Já na definição do que é política, em sua

visão, Giulia é sucinta: “Política é a forma de organização

de um país, onde deveriam ser administrados

os direitos e deveres de todos os cidadãos”.

Questionada sobre se sentir ou não representada

pelos políticos, a resposta da estudante

é afirmativa, mas pondera: “Para mim, é

uma bela de uma confusão. Alguns aparentam

saber exatamente o que nosso país precisa nesse

momento, mas certas ideias vão contra meus

próprios ideais. Enquanto outros aparentam não

saber com que país eles estão lidando...”.

9


um chamado aos jovens

Também em busca de uma análise

mais múltipla e ampla sobre a participação política

dos jovens, principalmente à luz da menor

participação dos jovens entre 16 e 17 anos no

pleito majoritário deste ano, a ComTempo encontrou

a Engajamundo, que define-se como

uma organização de liderança jovem que atua

para abrir caminhos para a participação da juventude

nas decisões políticas internacionais.

Segundo o Engajamundo, a atuação

da organização está focada, atualmente, em

cinco temas: biodiversidade, cidades sustentável,

clima, desenvolvimento sustentável

e gênero.

A reportagem enviou questões a Engajamundo,

que fora respondidas pela coordenadora

da organização, Amanda Segnini,

formada em Relações Internacionais pela

PUC-SP e com pós-graduação em Inovação

Social pelo Instituto Amani. Confira a entrevista

na íntegra.

ComTempo – É possível fazer análise do porquê um percentual

tão baixo de jovens decidiu votar nestas eleições?

Amanda Segnini – Na nossa perspectiva como Engajamundo, isso

acontece porque poucos jovens sentem-se representados com a

maioria dos candidatos que estão ocupando os cargos hoje em dia.

Isso faz com que o interesse por pesquisar outros representantes

seja quase nulo. O resultado desse ciclo é uma eleição com percentual

tão baixo de jovens exercendo, de fato, o direito ao voto, ou seja,

comparecendo às urnas e não o anulando.

CT – Quais fatores podem levar os jovens a não se interessarem

por política?

Amanda – O distanciamento da política institucional e o encastelamento

das instituições, construindo uma narrativa de ser a política

algo distante do nosso cotidiano, diminuindo, por conseguinte, a representação

das diversidades do país, resultando em duplo afastamento:

por não se ver e não entender a política na sua vida.

CT – Quais ferramentas poderiam ser iniciativas para

despertar o interesse?

Amanda – Dispositivos mediadores das dinâmicas onde a juventude

está presente, como as redes sociais. Nesse sentido, cabe citar a

plataforma #MeRepresenta, que faz o match político entre candidaturas

e pessoas eleitoras, buscando efetivar essa ponte, diminuir o

distanciamento e aumentar a representatividade de corpos e pautas

na política institucional. Além do #MeRepresenta e outras plataformas

que estão buscando a reaproximação dos jovens com a política,

o Engajamundo encoraja fortemente a participação das juventudes

em rodas de conversa, participação em debates e aproximação com

as temáticas abordadas pelos seus candidatos. Possibilitar que a política

seja um assunto falado abertamente pelos jovens, com respeito

às divergências de opinião e buscando que esses jovens se sintam

à vontade em fazer parte desse debate também são ações que acreditamos

serem possíveis.

CT – Os jovens sentem-se representados por políticos

que ocupam os cargos eletivos?

Amanda – Atualmente, não. O perfil de políticos hoje é distante das

faces da juventude, considerando o congresso e os cargos executivos.

Um congresso extremamente conservador e o mesmo perfil na

maioria dos cargos públicos eleitos: homens, brancos, cisgêneros,

heteronormativos, de classe média alta para cima e distantes das

pautas que a juventude vem debatendo e reivindicando, seja em movimentos

organizados, seja em redes.


ASSÉDIO

A BOCA

QUE

ENSINA

É A

MESMA

QUE

ASSEDIA

Segundo pesquisa realizada

pela ComTempo,

56% dos casos de assédio

em instituições de

ensino partem daqueles

que deviam usar a boca

apenas para ensinar.

JOSÉ PIUTTI


“Você não tem capacidade de passar na minha

disciplina”, foi o que uma jovem estudante

de Engenharia Mecânica, preferindo

não se identificar, ouviu de seu professor

na frente de toda sala de aula, composta majoritariamente

por integrantes do sexo masculino.

Antes, ela havia ignorado e-mail do educador,

em que a questionava: “Por que você

não sai comigo?”

“Sempre sofri muito preconceito por

ser mulher e estar em ‘curso de homem’. Piadinhas

sem graças vindas de veteranos e até

mesmo colegas de classe são constantes.

Isso desmotiva cada vez mais mulheres a encararem

esse tipo de situação”, relata a vítima.

O caso é parecido com o de V.T, estudante

de Direito. Aos 15 anos, tinha acabado

de ingressar em curso técnico de Serviços Jurídicos,

onde um dos professores permitia provas

em duplas. Após uma dessas atividades,

a então adolescente notou sua nota inferior à

de sua parceira.

“Quando reclamei, ele pediu para

chamá-lo no Whatsapp após a aula, pois seria

mais fácil de resolver. Ao chegar em casa,

mandei mensagem e ele respondeu dizendo

que já havia alterado minha nota, e que queria

receber algo em troca. Na hora, apenas

ignorei, mas depois era horrível estar no mesmo

ambiente que ele. Após um tempo, desisti

do curso”.

a boca

Situações como estas estão longe

de ser casos isolados. Em enquete aplicada

pela ComTempo, foram obtidos 33 relatos de

assédio, 26 deles em instituições de ensino.

Do Total, 24 são mulheres. Destes, 56% foram

assediadas por seus professores, 22%

por colegas de classe, dentro das salas de

aulas ou festas promovidas em nome de

seus cursos, 15% por funcionários da instituições

- variando entre merendeiros, lixeiros

e seguranças - e 7% não especificaram

seus agressores.

causas sequelas

A mestre em Ciências Sociais Beatriz Isola Coutinho, configura

assédio como ato que desqualifica, submete e fere a dignidade

humana, e diz que geralmente o fenômeno está relacionado às interações

de poder.

“Não é raro o assédio estar relacionado às posições hierárquicas

ocupadas pelos indivíduos em determinado ambiente social. Por

essa razão, os relatos de assédio nas empresas, cometidos por chefes

ou por outros indivíduos são mais comuns. O mesmo é válido para

assédio sexual, onde mulheres e minorias sexuais despontam como

maiores vítimas, pois vivemos em sociedade machista e patriarcal”,

conceitua Coutinho.

Segundo Beatriz, estas situações estão enraizadas em nossa

sociedade, e existem, porque encontram facilidades em diferentes esferas

da vida social. “Várias ações que caracterizam uma conduta de

assédio estão arraigadas no comportamento coletivo, e por isso, podem

tornar-se toleráveis ou aceitas pela sociedade. Nós temos componentes

culturais, como o machismo, e a quase certeza da impunidade por parte

do indivíduo que assedia. As condutas assediantes estão carregadas de

visões de mundo, como o desrespeito às diferenças e o abuso do poder.

Isolamento social, complexo de inferioridade e dificuldades

em manter uma relação são algumas das sequelas

deixadas nas vítimas deste ato, segundo a doutora em

Psicologia, Fernanda Saviani Zeoti. “Infelizmente, a vítima

assediada sente-se inferior, e isto é um problema. Ela não se

vê capaz, conseguindo fazer as coisas. Tem dificuldade em

manter relações, passa a ter postura depressiva, isolada dos

outros e do ambiente familiar.”

O abandono de atividades cotidianas, como o caso de

V.T., que desistiu do curso técnico ao ser assediada por seu

professor, também é uma consequência dessa violência. De

acordo com Fernanda, o medo do encontro com o opressor faz

com que a vítima abandone os locais de origem do assédio.

“Se o assédio acontece na vida acadêmica, a pessoa

não vai mais querer estar no local, faltando às aulas, por exemplo,

para fugir da situação, o que gera um decréscimo na produtividade

e aproveitamento acadêmico. Não vai prestar atenção

nas aulas por preocupação do que pode acontecer.”

12


sororidade

(DIVULGAÇÃO)

Priscila Gama é criadora do aplicativo Malalai.

“Desde muita nova - acredite - aos

oito, nove anos, ouvia homens dizendo sobre

como eu e minha irmã, nos tornaríamos

mulheres bonitas e daríamos trabalho. Aos

13, 14, quando andava sozinha na rua, ouvia

homens mexendo comigo. Na universidade,

UFV (Universidade Federal de Viçosa), havia

recomendações gerais para mulheres

não irem a regiões afastadas sozinhas”, comenta

Priscila Gama, hoje com 34 anos, formada

em Arquitetura e Urbanismo.

Ao acompanhar a HashTag #primeiroassedio

- promovida pela ONG Think Olga

- e se deparar com diversas histórias relacionadas

à deslocamento, Priscila decidiu agir.

Com planos em mãos, levou sua proposta

para o Startup Weeknd BH - evento que reúne

profissionais e entusiastas para compartilhar

ideias e criar startups.

Entre os competidores, o projeto de

Priscila ficou em segundo lugar, trazendo a

vida o Malalai, aplicativo que apresenta pontos

positivos e negativos nas rotas das usuárias,

proporcionando segurança para que

possam percorrer seus trajetos diários.

O aplicativo, disponível tanto para

Android como para iOS, funciona da seguinte

maneira: Ao disponibilizar a atual localização

e adicionar um destino, a usuária

recebe possíveis rotas e suas qualificações

e pode optar pela mais segura, podendo ainda

adicionar contatos de confiança para que

mensagens automáticas sejam enviadas em

pontos indicados do caminho, proporcionando

segurança a usuária e tranquilidade a

quem espera. É possível, também, compartilhar

toda rota de maneira simultânea, e caso

o trajeto demore mais que o tempo previsto,

o contato escolhido será avisado. Para situações

de urgência, o Malalai possui a função

de acionamento simultâneo de três contatos

confiáveis através de SMS e de forma gratuita.

Questionada sobre a definição de

‘rota segura’, Priscila explica que foram aplicados

conceitos aprendidos em sua graduação.

“No urbanismo existe o conceito

de olhos das ruas. Significa que uma região

com maior iluminação, movimento, vizinhança,

por exemplo, será mais segura que uma

região isolada. Os itens escolhidos para mapeamento

têm relação direta com isso.”

13

Segundo pesquisa da Associação

Brasileira de Startups, quatro entre dez empresas

inovadoras no país não têm uma

mulher sequer trabalhando. Indagada sobre

as dificuldades enfrentadas, Priscila afirma

ser exceção. “É um sentimento dúbio. Tenho

quase certeza que recebi atenção por ser

exceção, mulher negra a frente de um projeto

de tecnologia falando sobre estupro, e

ao mesmo tempo ser quem eu sou constitui

uma barreira em alguns casos. Tenho sempre

que provar que mereço confiança e atenção

fazendo 10 vezes melhor. Digo que há

a diferença entre culpa e responsabilidade:

culpa de uma sociedade patriarcal, machista

e racista, minha responsabilidade de saber

que a régua, pra mim, é mais alta”.

Atualmente, o aplicativo conta com

27 mil downloads, com cerca de 10% ativos.

Segundo Priscila, são ótimos níveis. Sobre

a caminhada do App, demonstra determinação:

“Tem caminhado mais lentamente do

que gostaríamos, com certeza, já que nossa

equipe é formada por três pessoas. Mas não

paramos, porque acreditamos no projeto”, finaliza.


no Brasil

Em pesquisa realizada pelo Datafolha,

42% das brasileiras com 16 anos

ou mais, já foi afirmam já terem sido vítimas

de assédio sexual. Os casos são mais

frequentes entre as escolarizadas e com

renda mais alta, 57%, frente àquelas que

estudaram até o ensino fundamental, onde

a porcentagem chega aos 26%.

Constatou-se que a maioria dos

casos de assédio aconteceram nas ruas

e em transportes públicos (29%). Uma em

cada três brasileiras adultas, afirma ter

sido vítima nestes ambientes Como podese

analisar no gráfico acima.

crime?

Além de ferir a dignidade humana

e gerar danos para a saúde mental da vítima,

assédio é crime. Segundo a mestre

em Direito Penal, Leisa Boreli Prizon, a lei

contra o assédio sexual existe, porém não

se aplica em todo âmbito social. A lei citada

pela advogada, 10.224 do Código Penal,

especifi ca o crime em relações trabalhistas.

“Estes ocorrerão em situações onde

haja uma relação de emprego, hierarquia.”

A pena pode variar entre um e dois anos

de prisão, podendo aumentar em um terço

caso a vítima seja menor de idade.

no caminho

O relógio marca 10h da manhã, uma

das ruas do bairro Iguatemi, em Ribeirão

-Preto –SP, está movimentada. G.Z, estudante

de Arquitetura e Urbanismo, caminhava

para a faculdade quando um carro

encostou ao seu lado, na contramão. Sem

entender o que estava acontecendo, a jovem

aproximou-se, imaginando que o motorista

fosse perguntar algo.

“Na hora, achei que fosse pedir informação,

mas quando entendi o que estava

acontecendo, travei.”, relata. Segundo a

jovem, o motorista estava sem as calças, se

masturbando e lhe dirigindo palavras obscenas.

“Corri, com medo dele me seguir”.

Em caso de assédio moral, Leisa explica:

“Não há previsão legal para proteção

dos empregados do setor privado no Brasil.

Embora não exista legislação específi ca, o

assediador pode ser responsabilizado nas

esferas administrativa, como infração disciplinar,

trabalhista, civil.”

Questionada sobre como proceder

caso a vítima não esteja amparada por leis

específi cas, a advogada elucida: “Há condutas

chamadas de assédio podendo ser

consideradas criminosas, como constrangimento

ilegal, crimes contra honra, racismo,

O mesmo aconteceu com Juliana

Peres, de 24 anos. A estudante de Publicidade

esperava, como de costume, o transporte

público. Ouvia música em seu fone,

quando percebeu movimentação estranha

ao seu lado. Ao olhar, sentiu nojo. “Um senhor,

de uns 60 anos, com a mão dentro

da calça, masturbando-se. Eu xingaria, mas

senti nojo. As ânsias de vômito me forçaram

sair de lá, com muita raiva.”

“Já passei por ataques de pânico

por medo de ser estuprada ou assediada na

rua. É mais presente na vida das mulheres

do que muita gente imagina. Vivemos com

medo!”, lamenta.

lesões corporais, ameaças… Nesse caso,

procure fazer anotações detalhadas das

situações de assédio, como data, horário,

local, testemunhas, descrição dos fatos.

Junte todas as provas possíveis, tais como

bilhetes, presentes e fale com pessoas que

testemunharam. É permitido denunciar situações

de assédio próprio ou de outras pessoas

na Delegacia de Atendimento Especial

à Mulher ou em qualquer delegacia comum,

no RH da empresa, no Ministério Público do

Trabalho, Sindicatos, Delegacia do Trabalho”.

14


AS VÁRIAS FACES

DE UM ARTISTA

MARCOS PITTA

Em entrevista a Com-

Tempo, Hugo Bonemer

fala de seus ofícios na

arte e da emoção ao interpretar

Ayrton Senna

no teatro.

ENTRETENIMENTO

“Comecei com a ideia deslumbrada da

profissão”. Foi com esta frase que o ator,

dublador, apresentador e músico Hugo

Bonemer, 31, respondeu à primeira pergunta:

Como descobriu que queria ser ator?

Com tantos trabalhos colecionados no currículo,

Hugo, em entrevista à primeira edição da

ComTempo, fala da carreira, rotina e o novo

trabalho como apresentador do canal L!ke, da

Net/ClaroTV, onde indica filmes e séries.

Bonemer conta que sempre via os atores

como pessoas respeitadas e requisitadas: “No

fundo, toda criança quer um futuro onde se

sinta amada, e eu sempre confundia atenção

com amor”.

A família nunca foi obstáculo para seus sonhos:

“Cheguei com a informação pronta. Disse

que faria uma peça e me mudaria para São

Paulo. Fui apoiado por todos”.

‘O Pequeno Alfaiate Valente’, foi a primeira

peça do ator, em 1994, aos seis anos de idade.

Desde então, a paixão só aumentou e a

ideia, de morar para sempre neste mundo, se

concretizava a cada dia.

Segmentos

Em 2008, atuou na peça ‘Mulheres de Shakespeare’,

representando Romeu. No fim de 2010

foi aprovado pelo diretor Charles Möeller, em

audição para participar da remontagem do

clássico da Broadway, Hair, interpretando o

protagonista Claude Bukowski, em temporadas

no Rio de Janeiro, entre 2010 e 2011 e,

em São Paulo, de 2011 a 2012.

A estreia na televisão foi em 2012, na série

‘Patamar’, onde vivia o co-protagonista Fred,

no canal pago HBO, desempenhando papel

de um garoto que vendia drogas nas areias

de Ipanema. Hugo mostrou seu talento em 42

países, com transmissão no Brasil, pela HBO

e Cinemax, e pela HBO nos Estados Unidos e

na Europa.

Divulgação-Assessoria de Imprensa Hugo Bonemer


No ano seguinte, interpretou um

dos protagonistas da 21ª temporada de

Malhação, na Rede Globo, dando vida a

Martin. Neste trabalho, Hugo teve parceria

com Laís Pinho, cuja trama ganhou

força e tornou-se uma história paralela.

Em 2014, ao lado de Sophia

Abrahão, e sob direção de Daniel Filho,

estrelou ‘Confissões de Adolescente’, no

cinema. Antes disso, protagonizou dois

curtas-metragens, ‘Aperte o Play’, em

2009 e, ‘Talvez eu nem saiba o que é

isso’, em 2011.

Sobre atuar nestes segmentos,

o ator classifica as dificuldades de cada

uma: “Na televisão, o pouco tempo; no

cinema, o pouco dinheiro; e no teatro, o

pouco público”.

Gabriel Felix

Atuar na própria criação

Sobre a peça ‘Frames, Diferente Liberta’,

na qual é produtor e ator, Bonemer

diz que este projeto lhe proporcionou o entendimento

melhor da profissão: “Me estimulou

a acreditar que posso atuar em coisas

que eu mesmo crio”.

Dia a dia

“Minha rotina não é diária, mas semanal.

Isso ocorre porque cada dia da semana

tenho horário específico para levantar

e deitar. Durante três dias, o artista dedicase

às gravações do L!ke. Outros dois dias,

à dedicação é voltada aos estudos e também

para cuidados com a saúde: “Faço fisioterapia,

terapia, academia... Os dias que

sobram, podem cair em qualquer dia da semana,

nunca é específico”.

Por falar no L!ke, onde divide o projeto

com a atriz Mayte Piragibe, Hugo conta

que a maior motivação para iniciar a jornada

foi saber que teria oportunidades de conversar

com pessoas que admira com gostos em

comum. “Ter contato com todo tipo de conteúdo

audiovisual tem sido bastante enriquecedor.

Gosto de estudar para um trabalho,

e quando tenho mais interesse no assunto,

mergulho de cabeça. No L!ke, já entrevistei

a atriz Bruna Lienzmayer, o diretor brasileiro

José Alvarenga e o cinematografo italiano

vencedor de três Oscars, Vittorio Storano”.

‘Trolls’

A animação produzida pela Netflix,

‘Trolls, o ritmo continua’ tem voz do ator em

um de seus personagens, o Tronco. Sobre

também exercer o ofício de dublador, Hugo

ressalta a diferença com o audiovisual:

“Existe um foco só. Na dublagem precisa

estar tudo que no audiovisual se dilui em expressão

física e facial”. Para quem acompanha,

o ator adianta que a animação vai para

a terceira temporada.

O ídolo

Em 2018, Hugo subiu aos palcos dos

teatros mais uma vez. Só que a missão era dar

vida a um dos ícones do Brasil, o piloto Ayrton

Senna. “Foi a primeira vez que não precisei

apresentar um personagem ao público. Todos

chegavam conhecendo e amando ele”.

O ator relata que um dos momentos

mais emocionantes de suas apresentações

era perceber às pessoas procurando em seu

rosto, as expressões de Senna. “O público

queria, por duas horas, acreditar que o Senna

estava vivo, bem na frete delas. Isso é lindo”.

16


Kimberly Souza

PERSONA

INSPIRADA

PELO

DOM

KIMBERLY SOUZA

“A nossa pele é forte.

Fraco é quem nos discriminou.

Se você cortar meu braço,

O sangue é da mesma cor”

17


Laudelina Ferreira da Silva, 78, escolheu

a poesia cujo trecho foi citado acima,

quando a Comtempo a indagou sobre

seu escrito mais marcante. A inspiração vem

de um episódio de racismo sofrido por uma

de suas filhas. A poesia foi ouvida por cerca

de 15 mil pessoas no concurso São Paulo

Fala, que dava palco e voz para vítimas de

discriminação racial.

“Minha filha decidiu se candidatar em uma

padaria que estava contratando. Ela tinha 13

ou 14 anos. Chegando lá, disseram que não

estavam contratando. Minha vizinha, branca,

foi nesta mesma padaria, no mesmo dia, e

conseguiu o emprego. Em outro dia uma senhora

perguntou à minha filha se ela conhecia

alguém que gostaria de trabalhar como babá.

No entanto, esta pessoa não poderia ser negra,

pois a neta dela tinha medo de negros”.

As palavras soltas, vindas da rotina,

dos momentos de dor e desespero, ou as que

brotam durante o sono, são anotadas sem

pretensão em folha de papel que descansa

ao lado de Laudelina, que hoje desfruta do

sucesso desde o lançamento de seu primeiro

livro.

Ela escreve desde os 52 anos, quando

perdeu seu marido e encontrou, nas palavras

simples, a forma de extrapolar a dor. Simplicidade,

inclusive, é a característica principal de

sua vida, que reflete em suas poesias e que

refletiu no título de sua primeira obra: Livro de

Poesias.

Ele é composto por 43 poesias e foi

lançado em setembro de 2017, enquanto

Bebedouro sediava os Jogos Regionais dos

Idosos (Jori), recebendo atletas de todo o Estado

de São Paulo. Laudelina integrava a delegação

bebedourense e competiu nas modalidades

de vôlei adaptado e coreografia. A

noite de autógrafos foi realizada em um clube

enquanto acontecia um baile para os atletas.

Além de escritora, ela também produz

peças de teatro e toma a frente em causas

das quais faz parte: o movimento negro e o

dos idosos: “Fui diretora de Cultura do clube

Alegria de Viver, então levava os idosos pra

bailes fora da cidade e organizava festas temáticas

aqui. Nos aniversário de Bebedouro,

ensaio coreografias para o Desfile Cívico”.

“A gente supera tudo e segue em frente” diz

recuperando o sorriso ao se lembrar das dificuldades

que enfrentou, começando na infância.

A família é migrante de Minas Gerais,

mas Laudelina nasceu em Bebedouro. Morava

na Fazenda Santa Alice onde seus pais

trabalhavam na colheita de laranja.

“Meu marido foi ao necrotério,

pegou minha menina morta no

colo e trouxe para casa.

Comtempo – Como foi sua infância?

Laudelina – Estudei até o quarto ano. Era

muito difícil, tínhamos que pegar a estrada de

terra para chegar na escola Paraíso Cavalcanti.

Quando chovia, a estrada ficava cheia

de barro, e quando o tempo estava seco, levantava

a maior poeira. Comecei a trabalhar

aos 13 anos. Naquela época, o pagamento

era diferente, só recebíamos em dezembro.

Então, comprávamos os mantimentos e guardávamos

em um armazém para o ano todo.

Quando precisávamos comprar algo que não

tinha guardado, minha mãe lavava roupa para

outras pessoas e eu ajudava. Ia longe buscar

as trouxas de roupa suja, minha mãe lavava

e passava, depois, eu voltava para entregar.

Também trabalhei na lavoura de café e nos laranjais

dos Cutrale.

Comtempo – Casou-se? Tem quantos

filhos?

Laudelina – Casei aos 18 anos. Aos 22, mudei

para a cidade. Trabalhei embalando laranja.

Entrava às 7h e não tinha hora para sair,

ficava até 2h ou 3h da madrugada. Trabalhei

grávida da minha primeira filha até agosto e

ela nasceu em setembro, quando acabou a

safra. Tive 12 filhos, mas minha segunda mais

velha, morreu com um ano e um mês de vida.

Ela teve meningite, começou ter diarreia e, um

dia, deu gemido tão forte, que a levamos na

Santa Casa às pressas. Ela ficou internada e

só podíamos visita-la às quintas-feiras e domingos.

Fomos visita-la, meu marido, minha

filha mais velha e eu, grávida. A enfermeira

nos disse que ela tinha falecido na nossa última

visita. Não nos avisaram nada. Meu marido

foi ao necrotério, pegou minha menina

morta no colo e trouxe para casa. Um vizinho

fez campanha para arrecadar dinheiro para

o sepultamento. Se estivesse viva, ela teria

mais de 50 anos. Hoje tenho 11 filhos, 12 netos

e 4 bisnetos.

Comtempo – Seus filhos tiveram

uma infância diferente da sua?

Laudelina – Os meninos começaram a

trabalhar aos oito ou nove anos, descarregando

tijolos ou na Legião Mirim, que

era como a Área Azul hoje em dia. Já as

meninas começaram a trabalhar em casas

de família aos nove anos. Eles nunca me

deram trabalho, foram todos obedientes e

trabalhadores. Hoje, seis dos meus filhos

fazem tratamento psiquiátrico. Meu filho

vive tendo crise com as entidades que moram

em sua cabeça, minha filha não fala

coisa com coisa. Tem uma que às vezes

surta e eu tenho que correr para ajudar,

tem outra que é casada, e o marido é quem

cuida. Outra filha minha teve infarto e até

hoje não se recuperou totalmente. Tudo ficou

mais complicado quando meu marido

faleceu e tive que cuidar da família sozinha.

Comtempo – Como foi quando seu

marido faleceu?

Laudelina – Quando mudei para esta

casa, meu marido decidiu construir um

segundo andar, ele mesmo, sozinho, e eu

disse que ele não ia dar conta. Meus filhos

já estavam maiores, só dois eram adolescentes.

Quando chovia, descia lá do andar

de cima uma baita enxurrada, passava pelas

escadas e ia lá para fora. Nessa época

começou a dar bronquite no meu marido.

Ele trabalhava na Sanderson (hoje conhecida

como Louis Deifrus) e começou a ficar

doente porque trabalhava na câmara fria e

na caldeira, aí deu pneumonia, o pulmão

dele ficou todo furado, e ele tinha que ficar

afastado do serviço. Às vezes não tinha

nada para as crianças comerem e eu resolvia

dando chá ou água doce para saciar

a fome. Ele morreu sem terminar de reformar

a casa. Coitadinho.

18


Comtempo – Foi a partir daí que começou

a escrever poesias?

Laudelina – Quando eu tinha meu esposo,

só me dedicava à família. Quando ele

faleceu comecei a escrever. A primeira poesia

que escrevi foi em homenagem ao Bebedouro

Shopping. Depois dessa, escrevia

poesia em homenagem a datas comemorativas,

como o Dia das Crianças; fiz uma poesia

para a bandeira de Bebedouro, escrevi

uma sobre minha relação com meu genro

que é muito engraçada.

Comtempo – A senhora se inspira

em algum poeta?

Laudelina – Não me inspiro em ninguém.

É o dom mesmo que me inspira. A poesia é

um desabafo e a forma que eu encontrei de

não ficar pensando só em coisas negativas.

Comtempo – Depois das palavras anotadas

no papel, como a senhora constrói a poesia?

Laudelina – Penso sobre o assunto que

quero escrever e vou escrevendo palavras

em um papel que deixo perto da minha

cama. Depois vou juntando tudo, fazendo

as rimas, encaixando as frases para a poesia

ter começo, meio e fim.

“Só tenho a agradecer.

Na idade que estou, o

que tive que fazer, fiz.

Kimberly Souza

Comtempo – Como foi lançar um livro?

Laudelina – Em 2016 o prefeito Fernando

Galvão me encontrou e disse que iria editar

o livro de poesias para mim quando me

escutou recitando uma sobre Bebedouro. O

lançamento foi dia 22 de setembro de 2017,

durante o Jori. Foi um sucesso. Muita gente

se interessou e comprou. Fui a escolas falar

sobre o livro, declamei e cantei. As crianças

ficaram encantadas.

Comtempo – E pretende escrever

mais livros?

Laudelina – Quero lançar outro livro com

outras poesias, as que não entraram no livro

e as que vou produzir. Depois do lançamento,

já escrevi mais duas ou três.

Comtempo – Qual seu sonho?

Laudelina – Sempre fiquei muito escondida.

Aos poucos fui participando mais dos

movimentos. Comecei a escrever com 52

anos, era para estar no auge desde aquela

época, mas só agora, aos 78, que prestigio

a vida. Só tenho a agradecer. Na idade que

estou, o que tive que fazer, fiz. Agora só vivo

os momentos.

Se interessou pelo livro?

Cada exemplar custa R$10 e pode ser adquirido

através do número

(17) 99172-2066 com a própria autora.

19


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