revista “Querer é Poder” - Instituto Pupilos do Exército

pupilos.eu

revista “Querer é Poder” - Instituto Pupilos do Exército

SUMÁRIO

66

MARÇO

DE 2013

FICHA TÉCNICA

3 EDITORIAL

4 NOTAS SOLTAS

10 ESCRITOS

26 ENGLISH CORNER

28 LE COIN DU FRANÇAIS

29 VOZ DA CIÊNCIA

“Um arco-íris no IPE”

36 ECOS DO CMPA

37 EFEMÉRIDES E EVENTOS

Texto alusivo à Cerimónia

de Apadrinhamento

45 PASSATEMPOS

ANO XXIX - N.º 66

Março de 2013

Publicação Trianual

Propriedade - Instituto dos Pupilos do Exército

Estrada de Benfica, 374 1549 - 016 Lisboa

tel: 217 713 871

fax: 217 785 289

impe@mail.exercito.pt

Diretor - João Rodrigues

Aluno 07/05 - 12.º ano

(Aluno Cmdt de Batalhão)

Redação - Equipa de Professores

Coordenação

Dra. Vanda Magarreiro

Dr. Jorge Pereira

Dra. Aida Lemos

37 EFEMÉRIDES E EVENTOS

Jantar de despedida do

MGen Diretor do IPE

“A comunidade escolar e os militares do Instituto dos Pupilos do

Exército juntaram-se no dia 9 de novembro de 2012 e ofereceram um

jantar de despedida ao Exmo. MGen Alves Rosa, Diretor do IPE.”

37 EFEMÉRIDES E EVENTOS

Sonhando com a Força Aérea

“O objetivo da visita era promover nos discentes o conhecimento

da História da Aviação, bem como o conhecimento da evolução da

aeronáutica ao longo dos tempos, frisando a importância da Força

Aérea na Primeira Grande Guerra e conflitos armados subsequentes.”

Foto capa - AA e Barretina

de Honra, Fernando Pires

Paginação - Pulp Design

Av. Infante Santo, nº 23, 7º B

1300-177 Lisboa

Tiragem - 600 exemplares

Depósito Legal - 134200/99

www.pupilos.eu


Caros Pilões e leitores da revista “Querer é Poder”

EDITORIAL

Este, que é o primeiro ano pós-centenário, não podia ter começado de melhor forma, com a admissão de noventa

e seis novos alunos, voltando deste modo a encher de alegria e cor a nossa casa “tão bela e tão ridente”. Ao nível

da formação profissional, caráter primordial da criação do IPE, o nosso Instituto continua a provar a credibilidade

que tem perante a sociedade e é prova disso os locais de estágio onde os alunos do 12.º ano efetuaram a

Formação em Contexto de Trabalho. Um grande bem-haja às entidades e organizações que continuam a acreditar

e a possibilitar o estágio e toda a experiência que dele advém aos nossos alunos, colaborando assim com os

Pupilos” na formação plena para o acesso ao mercado de trabalho, cada vez mais exigente e rigoroso.

Em algumas cerimónias militares e de honra, como foi o caso do dia do fundador, no dia 5 de fevereiro, bem como

em algumas representações onde os nossos alunos têm marcado presença, o orgulho e brio, a postura e atitude

têm sido a imagem sempre deixada, reflexo da ação altamente valiosa da educação e ensinamento ministrados

no IPE. Na prática, esta presença formal tem granjeado prestígio e credibilidade à nossa casa.

Ainda no que toca à instrução militar, que a par da educação física desempenha um papel importante no

desenvolvimento global dos alunos, desenvolveu-se uma atividade na mata de Monsanto com alguns dos

militares que desempenham funções no nosso Instituto.

À semelhança de outros anos e porque é uma tradição corrente e enraizada da casa, realizou-se na semana de

carnaval o “enterro” dos alunos do 9.º ano bem como a récita dos alunos do 12.º ano, onde muitos dos ex-alunos

marcaram presença de forma a poderem continuar “a par” de tudo o que se passa no Pilão.

Como marco importante no calendário de atividades, demonstrando o trabalho realizado no Instituto, além

da parte académica e militar, gostaria de realçar o encontro dos estabelecimentos militares de ensino que irá

decorrer no dia 15 de março.

Espero que continuem a acompanhar as atividades e todas as novidades,

A todos um grande “Salvé”.

“Querer é Poder”

João Nuno Especiosa Rodrigues

Aluno Comandante de Batalhão - 07/05

5


Num dia chuvoso, passava pouco das três da tarde, quando me

desloquei à baixa de Lisboa para fazer compras. Passadas algumas

horas, entro num restaurante para jantar, sento-me numa mesa

com a minha namorada, olho para o lado esquerdo e vejo a minha

ex-namorada, aquela de quem gostei muito.

Foi a minha primeira namorada, inesquecível… Quando a vi, não

pensei em mais nada e levantei-me da cadeira de verga castanha

com pernas de metal e fui direto ter com ela:

— Mariana, és mesmo tu?

— Amor, há tanto tempo que te esperava , vais voltar para mim!

— disse ela convictamente.

No momento em que ia responder, esta beijou-me de uma forma

especial. Quando me separei e olhei para trás, vi a minha namorada

atual com cara de choro. Aproximou-se de mim e disse:

— Porquê?

— Por favor, deixa-me explicar…

Ela nem quis ouvir, saiu desolada e inconsolável daquele lugar.

Passaram dias sem ouvir a sua voz, até que decidi telefonar, mas

não obtive qualquer resposta. Deixei mensagens, emails, sms…

parecia que nada iria resultar. Até que pensei em recorrer ao velho

truque para recuperar “cacos” de corações partidos, a poesia.

Não demorei muito e comecei a escrever. Lembrei-me do dia em

que a conheci, 3 de setembro de 2010, e escrevi:

Quando te vejo,

sinto um desejo

e esse desejo

é dar-te um beijo!

Quando te conheci,

aquele formigueiro começou,

mas quando te perdi,

o meu mundo parou.

6

Recuperar o amor História de Vanina

Foram estas duas quadras que me devolveram a vontade de viver.

Autorretrato

NOTAS SOLTAS

Bruno Correia

1408/12

Sou um rapaz de olhos castanhos, escuros, cabelo escuro e tez

morena. Um metro e meio, sobrancelhas grandes, nariz batatudo,

queixo pequeno. Adoro desporto e estou sempre em forma!

Costumo ser calmo e pensador, inteligente e sincero.

Cabeça erguida, farda com o meu nome (A. Marques) e com o

brasão do Pilão. Em cima o distintivo de Mérito de Prata. Barrete

com os botões e o símbolo (IPE) areados; botas engraxadas e a

farda limpa todos os dias.

Sou engraçado e brincalhão; atento a tudo o que faço. Não

gosto de formaturas, mas não tenho nada a perder. Há que

obedecer! Sou um português diferente: um Pupilo do Exército,

operacional e pronto para o que der e vier.

André Marques

221/12 - 7º B

O meu nome é Guidobaldo e vou contar-vos a minha história e a

da minha amada Vanina.

Tudo começou quando eu desembarquei em Veneza. Tinha

terminado uma viagem longa… Eu, o capitão do navio, estava

desejoso de conhecer aquela terra linda.

Quando chegámos, fui comer camarão (o meu prato favorito) a

uma taberna. Estive à conversa com uma pessoas que lá estavam

para saber mais pormenores sobre a cidade dos canais.

Durante a noite, decidi explorar melhor o local. Foi quando me

aconteceu uma coisa extraordinária! Senti no ar um aroma

maravilhoso; olhei para cima e vi uma bela jovem a pentear-se.

Esta jovem era Vanina.

Desde esse dia, todos as noites conversámos e ela contou-me

que os seus pais haviam morrido e que tinha um tutor que a

obrigara a casar com Arrigo. Esse tutor tinha como nome Jacob

Orso.

Apaixonei-me por Vanina e juntos fugimos e casámos sem Orso

saber. Agora estamos aqui, no meu navio, juntos até que a morte

nos separe.

Branco, 87/10 - 7º A

Autorretrato

Chamo-me Nuno. Tenho os olhos castanhos e o meu cabelo

também é castanho, liso e curto. Sou baixo, tenho as pernas

pequenas, as mãos pequenas… No geral, sou mesmo pequeno!

Psicologicamente, sou simpático, bem-educado e gentil. Gosto

de cantar, pintar, escrever e representar. E, claro, de passar

tempo com a minha família!

Quanto à gastronomia, a minhas comidas preferidas são lasanha,

pizza, massa à Bolonhesa e hamburger com batatas fritas. Muito

pouco saudável, eu sei, mas muito saboroso…

Autorretrato

Nuno Perestelo, 200/12 - 7º A

Chamo-me João Almeida e tenho 14 anos. Tenho 1,65, sou

elegante. A minha alcunha é Janeca. Os meus cabelos são pretos

e lisos, os olhos castanhos. Sou bonito!

Ando sempre com um sorriso na cara, é raro não o ter. Só fico

triste quando não consigo obter os resultados que pretendo,

porque acho que sou inteligente, embora preguiçoso…

Amizade

A amizade é infinita

Não há nada igual,

É boa e não irrita,

Dura de janeiro até ao natal.

João Almeida, 126/09 - 7º A

A esperança é importante,

Sem ela não há vida

Ela é algo deslumbrante,

Não pode ser vista nem mordida. José Ferreira, 9º B, 215/11


O meu Natal e a minha Passagem de Ano

Estava frio e uma estranha geada fazia com que ir para a rua

não fosse o meu plano principal. Era dia 24 de dezembro e ainda

não tinha conseguido conter-me da felicidade que estava a

percorrer o meu coração. Estava superentusiasmada. Finalmente,

a noite em que a minha família está completa chegara e as horas

pareciam estar a correr muito devagar, apesar de o relógio não

parar. Eram 20:00h e já estava toda a família reunida na casa

dos avós, em frente à lareira. O cheiro a peru no forno percorria

a casa, parecendo que já não cabia lá dentro. Não tinha nada

para fazer, por isso resolvi ficar diante da árvore de Natal a

observá-la. Estava tão bonita que já me tinha esquecido de

como a árvore dos meus avós fica sempre tão bonita quando a

minha avó a decora, embora eu já veja todos aqueles enfeites há

treze anos seguidos. O presépio segundo a minha avó já está na

família há mais de noventa anos; é uma relíquia da família. É um

daqueles presépios antigos, tipicamente portugueses que já nem

se vendem nas lojas e acredito que já haja muita pouca gente

a fazê-los. Perdi-me a ver o presépio e o tempo foi passando e,

quando dei conta, já era meia-noite. Toda a gente já trocava os

presentes.

Os dias foram passando, chegou finalmente o tão aguardado dia

31 de dezembro. Desta vez, não ia passar a passagem do ano em

família, mas passá-lo-ia com amigos. Os preparativos duraram o

dia todo e foi com muita emoção com que me despedi do antigo

ano e abracei o novo. Como é tradição, comi as doze passas para

não me arriscar a ter má sorte.

E assim foi o meu Natal e a minha passagem de ano: com muita

alegria, paz e amor.

Beatriz Matos, nº 1205/11, 8ºA

O Amor da Natureza

Era uma vez uma menina chamada Carolina que não tinha

amigos.

Um dia, outra menina, uma das mais simpáticas da cidade,

sentou-se ao pé dela e perguntou-lhe porque é que não tinha

amigos. Carolina respondeu que não os tinha porque cada vez

que brincava com alguém ralhava com essa pessoa para não

estragar a Natureza. Mas ela não fazia caso. Por isso não tinha

amigos.

A simpática menina que se tinha sentado ao lado de Carolina

teve uma ideia:

— E se brincares comigo sem estragarmos a Natureza?

Carolina aceitou.

Brincaram muito e os outros meninos que não gostavam de

Carolina ficaram com ciúmes e pediram se podiam brincar.

Carolina disse que sim.

Quando acabaram de brincar, os meninos pediram desculpa a

Carolina e nunca mais voltaram a estragar a Natureza.

Carolina preferiu não ter amigos do que estragar a Natureza.

ISTO É QUE É AMOR PELA NATUREZA.

Carolina Bergano, n.º 1033/12, 6A

NOTAS SOLTAS

O Nascimento de Jesus

Na aldeia de Nazaré, vivia uma jovem chamada Maria. Um dia, o

arcanjo Gabriel apareceu-lhe e disse-lhe que teria um bebé e que

devia chamar-lhe Jesus.

Naquela época, César Augusto, que governava aquelas terras,

emitiu um decreto. Todas as pessoas tinham de ir para a aldeia

onde tinham nascido. Lá, os cobradores de impostos registariam

os seus nomes.

Maria e o seu esposo, José, fizeram uma longa viagem de Nazaré

até Belém. Viajaram a toda a pressa, porque Maria estava à espera

de um bebé. Maria ia montada num burro e José caminhava a

seu lado.

Quando Maria e José chegaram finalmente a Belém, a aldeia

estava cheia de gente e ninguém tinha um quarto para eles. Por

fim, José e Maria chegaram a uma estalagem. Eles tinham tanto

frio e estavam tão cansados, que se sentiram felizes por encontrar

um lugar onde passar a noite. Entraram no pequeno estábulo e

dormiram sobre a palha com os animais.

Durante a noite, o bebé nasceu. Era um menino, tal como o

arcanjo Gabriel tinha anunciado. Maria deu-lhe o nome de Jesus

e envolveu-o em panos. Fez-lhe uma cama pondo palha numa

manjedoura. Depois, deitou-o com cuidado sobre a palha.

Nessa mesma noite, uns pastores estavam num campo ali próximo,

a cuidar das suas ovelhas. Um anjo apareceu-lhes e disse-lhes que

o menino Jesus tinha nascido.

Todos falavam do menino Jesus e queriam levar-lhe presentes.

Nessa noite, quando os três reis magos, cujos camelos estavam

carregados com alforges, se dirigiam para Belém, veem algo

surpreendente. Eles também iam ver o menino Jesus, que nasceu

em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes. Quando chegaram a

Jerusalém os magos vindos do Oriente perguntaram: «Onde está

o rei dos Judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no

Oriente e vimos adorá-lo.»

E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente

e parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao ver a estrela,

sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o menino com

Maria e prostando-se diante dele, adoraram-no.

Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes: o

Belchior deu ouro, o Gaspar trouxe incenso,o Baltasar deu mirra.

«Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder

sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável, Deus

forte, Pai eterno, Príncipe da Paz. O seu poder será engrandecido

numa paz sem fim» (Is 9,1.4-6a).

Emanuel Fernandes, 5.º ano

7


Era uma vez um Rei

Era uma vez um rei de um reino muito distante.

Um dia, descobriu, preocupado, que a pequena chave que

guardara na gaveta da cómoda tinha desaparecido.

Aquela chave era de um baú e quem a tivesse poderia abri-lo e

ficar rico.

Pegou na lupa e foi procurá-la, mas o palácio era muito grande

e ele não a encontrou. Então, foi viajar após esconder o baú

que ainda estava fechado. Passou por imensos lugares e em um

desses era a Flashlândia e o rei abasteceu o seu navio voador,

mas, ao andar, ia tão rápido que passou por tantos lugares, até

entrou em jogos, mas teve azar, porque um dos jogos era de

guerra e danificou o navio.

Viu uma porta, usou a chave mestra que tinha ao pescoço e,

quando entrou, estava no quarto do seu palácio e, quando

reabriu a porta, o outro lado era a sala e não o jogo.

Estavam no inverno e ficou com frio. Colocou as mãos nos

bolsos das calças e sentiu algo, tirou e viu a chave do seu baú

até que ouviu o despertador. Era um sonho! Não tinha viajado

nem perdido a chave, era tudo um sonho e ele disse:

— Os meus sonhos parecem cada vez mais reais.

A Amizade

8

Bruno Nunes, aluno 13/11

A amizade revela-se em atos de camaradagem, como por

exemplo, ajudar um companheiro, ser leal, impedir que o amigo

esteja mal, dar-lhe o apoio que ele necessita, ou até corrigi-lo

quando errar.

A amizade é muito importante, porque precisamos sempre de

alguém leal e confiável na nossa vida e, talvez em conjunto,

atingir certos objetivos.

A amizade transmite uma sensação muito boa, uma sensação de

segurança, confiança, de poder contar sempre com o verdadeiro

companheiro.

Existem dois tipos de amigos. Há aqueles que nos pedem

favores e quando precisamos deles nunca estão disponíveis, ou

presentes; para mim, são só amigos “de boca”. Existem também

aqueles que arriscam uma dor na perna, ou no pé para ir correr

ao nosso lado, os que nos dão alento quando somos castigados

injustamente, ou aqueles que dão apoio moral quando estamos

psicologicamente abatidos, os que quando estamos em sarilhos,

tentam resolvê-los, ou sofrer os problemas connosco. Estes sãos

os amigos com quem podemos realmente contar.

Com amigos verdadeiros, caminhas sem ter medo de cair, pois

sabes que eles estarão lá para te levantar.

O meu cão

NOTAS SOLTAS

Walter Godinho, nº 214/12, 8ºB

O meu cão chama-se Danny, tem olhos verdes, pelo comprido,

cauda longa e é um pastor alemão.

É meigo, obediente e só quer festas.

Ele gosta de brincar com bolas e passear.

Quando o meu cão vai à rua, vem logo ter comigo para eu lhe

pôr a coleira; às vezes, eu solto-o para ele correr. Gosto muito

dele; para mim, é um animal muito importante.

Daniel Ferreira, 6.º A

Uma decisão difícil

Era uma vez um cão que vivia abandonado entre dois prédios.

Num dos prédios vivia um rapaz pobre e, no outro, um rapaz rico.

Ambos queriam o cão e, por isso, o cão teve que decidir entre um

e outro. Um prometia dinheiro e uma vida de conforto e o outro

amizade e brincadeira.

O cão debateu-se durante dias, mas não conseguia decidir, pois

toda a gente tinha opiniões diferentes. Uns diziam:

— Escolhe o dinheiro, é melhor!

E outros diziam:

— Escolhe a amizade, pois não há dinheiro que seja melhor que

um amigo.

E ele respondia:

— Mesmo assim não sei qual hei de escolher…

O cão andou dias e dias a recolher opiniões e sempre que passava

por alguém, perguntava:

— Duas pessoas querem que eu viva com elas, uma promete-me

dinheiro e a outra amizade, qual escolheria se fosse o senhor?

Mas as opiniões dividiam-se e o cão estava cada vez mais confuso.

Pensou, pensou… e finalmente chegou o dia da decisão. Aguardou

a chegada dos dois meninos e disse:

— Escolho a amizade, o amigo verdadeiro, pois a amizade vale

mais do que qualquer dinheiro.

Queria só aquecer-se

Gonçalo Carvalho nº 211, 5º A

NARRADOR – Era dia de neve e uma menina vestida de trapos

tinha perdido os sapatos da sua mãe ao atravessar a estrada.

MENINA – Dói-me muito os pés. Olha para os meus pés, estão

vermelhos de andar descalça e azuis de frio. Vou para o outro lado

da rua para o meio daqueles dois prédios, pode estar lá mais quente.

Está tanto frio, preciso de me aquecer, vou acender um fósforo.

Que bela chaminé, que quentinha! E com esta capa reluzente fico

muito melhor. Oh! Agora que ia aquecer os pés, apagou-se! Mas

ainda tenho outro fósforo, vou acendê-lo. Hum… que saboroso

peru assado recheado de trufas em cima daquela mesa! Espera,

já sei! Estou num salão de beleza. Oh, Bolas! o fósforo apagou-se.

Boa, ainda tenho mais fósforos. Vou acender outro novamente.

Que bonito, um presépio! Este foi o presépio mais bonito que já

vi. Mas porque é que parece que os pastores e pastoras estão a

sorrir para mim? Fogo, outra vez! Foi levantar-me, que o fósforo

apagou-se. Espera, ainda tenho uma caixa. Zzzzzz. Pronto rasguei

a caixa. Oh! Meu Deus! Que grande luz! Avó?! Ei, ei avó, leva-me

contigo estou farta de viver nesta miséria. Espera, olha uma estrela,

a minha avó dizia-me que uma estrela cadente era sinal da presença

de alguém que tinha morrido. Obrigada, avó, por me teres trazido

para aqui. E agora estou mais quente e com comida.

(A menina morre de frio)

HOMEM – Coitada, só queria aquecer-se.

NARRADOR – E afinal a estrela a cair era a morte da menina.

Catarina Moura, n.º 86/11 e Carolina Bergano n.º 1033/12, 6ºA


Pelo ambiente

Queremos salvar o ambiente! Para isso precisamos de reciclar e

reutilizar.

As florestas e matas a arder, a arder cada vez mais. Para isso

deixar de acontecer, o lixo não podemos mandar para o chão…

Um grande erro que as pessoas cometem é começar a fumar;

é assim inclusive que as florestas ardem. Tens de ter atenção;

quando fores acampar, não deites cigarros para o chão!

A camada de ozono está completamente a acabar; se

continuarmos desta forma, morreremos de calor ou até de

hipotermia. Os polos também estão a derreter cada vez mais, os

animais que lá vivem um dia deixarão de lutar contra o calor e

teremos de lhes dizer adeus…

Agora temos várias campanhas contra a poluição, olha para elas,

participa, e faz com que as outras pessoas também participem.

Uma coisa muito habitual é as pessoas verem o lixo no chão

e não o apanharem, porque pensam “se não é meu, porquê

apanhar?”

Existe uma coisa que se inventou e se chama ecoponto, por isso

utiliza-o para sermos um mundo melhor.

Poema visual

Catarina Moura, n.º 86/11, 6.ºA

Diogo Paulo, 6A

NOTAS SOLTAS

Guarda-chuva

A minha paixão

Pedro Ribeiro, 6A

Era uma vez um rei que se chamava D. Dinis e uma rainha que

se chamava D. Isabel. D. Dinis preocupava-se com as guerras e D.

Isabel preocupava-se com a vida dos pobres.

Num dia de sol e ar fresco, D. Isabel saiu de sua casa e levou

consigo moedas e comida para dar aos mais pobres. De repente,

D. Dinis apareceu no seu caminho e perguntou:

— Isabel, que levais aí convosco?

O povo assustou-se com a presença do rei e escondeu-se. A

rainha Isabel conseguiu afastar as desconfianças do rei e assim

os pobres voltaram a procurar a rainha.

Um dia, um fidalgo foi dizer ao rei que a rainha gastava o

dinheiro da coroa dando uma grande parte aos vadios e ladrões.

O rei acreditou nas palavras do fidalgo.

Saiu de novo a caminho de Isabel e fez-lhe a mesma pergunta:

— Isabel, que levais aí convosco?

Isabel, antes de responder à pergunta, olhou para o céu e depois

respondeu.

— São rosas, senhor, são rosas.

Abriu o manto e lá estavam rosas. Ela ficou espantada e reparou

que o pão e as moedas tinham desaparecido.

Isto diz a história lendária da rainha Santa Isabel.

Carlos Henriques, n.º 08 / 11, 6.º A

9


O mundo vai morrer

sem ninguém se aperceber.

Temos de poupar

para o mundo não acabar.

Os políticos não querem saber

e nós todos a perder.

Temos que poupar

para o mundo não desabar.

Poupar, poupar

e rosas plantar.

Ajudem o mundo

para podermos brincar.

Um poema de Natal divertido

10

Ecologia

Joãozinho

Pedro Ribeiro, n.º 92/10, 6.º A

Joãozinho é um rapazinho

muito engraçadinho com muitos

problemas, partiu isto, partiu aquilo,

não para quieto, parece um grilo.

Vai para casa, põe-se logo a comer.

massa. Joãozinho, Joãozinho, vai ao

Pingo Doce, compra logo um docinho,

Joãozinho, Joãozinho, não para quietinho,

Parece um passarinho.

Joãozinho campeão, não comas a correr,

senão podes morrer. Joãozinho, estuda,

estuda, muda, muda, para quietinho senão

Tens um ataquezinho, seu rapazinho.

Joãozinho, Joãozinho, vês muito MEO,

não comas mais Estrelitas, senão vais

para o céu e lá não há MEO, Joãozinho,

Joãozinho, vais ao jogo do Benfica,

faz com que tenha pica.

Henrique Gonçalves, n.º 379/12, 6.º A

No dia 25 de dezembro

Festeja-se o dia de Natal,

Mas os presentes não são de madeira,

Mas sim de metal.

No Natal há uma ceia

Pois nasceu Jesus,

Mas com pena do peru

Come-se uma avestruz.

O Pai Natal desce a chaminé

Para entregar os presentes

Sem querer tropeça no telhado

E parte os dentes.

NOTAS SOLTAS

Vicente Vaz, nº 70, 5ºA

Carnaval

É dia de Carnaval,

Não se para de correr,

E com a Batalha Campal

Estamos todos a morrer!

É dia de Carnaval,

Há guerra de balões,

E com toda a agitação

Há imensos “furacões”. Vicente Vaz, nº 70, 5ºA

O ratinho e a raposa

Numa tarde de verão, na floresta, estava um ratinho a passear

no seu terreno, até que... avista uma raposa lá ao fundo a caçar.

Tinha um ar esfomeado e atento. O ratinho, que era sensível, ficou

logo cheio de medo, mas com tanto medo que até deu um grito.

A raposa, logo que o ouviu, correu em direção ao pequenote para

o comer. Mas o ratinho safou-se, pois desta vez deu um berro tão

forte que quase pôs a raposa surda.

— MAS TU ESTÁS MALUCO OU QUÊ??? — interrogou a raposa

esfregando a orelha com a pata.

— Peço imensa desculpa, mestre — desculpou-se o bichano com

timidez — não tinha intenção de a provocar.

— Mas provocaste! Só não te como porque não és do meu agrado,

sua miniatura! — disse a raposa zangada.

O ratinho nem chegou a responder, virou-se apenas e fugiu que

nem um louco.

Semanas após este encontro, na floresta, andava a raposa à

procura de alimento, quando, de repente, apareceu um homem

com uma espingarda pronto para a matar. A raposa deu um uivo

tão alto que até o ratinho, na sua toca, o ouviu. Assustado seguiu o

som e encontrou a pobre raposa prestes a ser morta. O pequenote

encheu-se de coragem, entrou nas calças do caçador e mordeu-o.

O homem deu um grito de dor, fugiu e nunca mais voltou.

A partir daí, o ratinho e a raposa ficaram amigos para sempre.

O leão e o búfalo

Ana Pontes, nº 1401, 5ºB

O leão, o muito conhecido rei da selva, tem muitos amigos,

bem... ou pelo menos pensava ter até ao dia em que, já velho,

foi derrotado numa luta. Querem que eu vos conte como foi?

Então vamos a isso...

Era uma manhã fria, mas com muito sol, e o descendente de

outro leão reclamou o trono desafiando o nosso amigo Ferdinan

(era assim que ele se chamava) para uma luta. Foi uma luta

equilibrada, mas no final o Ferdinan perdeu.

À medida que os dias iam passando, o nosso amigo Ferdinan ia

perdendo os seus amigos, com exceção do búfalo Esvaldo. Certo

dia, o leão perguntou-lhe o seguinte:

— Por que não te vais embora como os meus outros amigos?

E o Esvaldo respondeu, de seguida:

— Porque eu sou um amigo verdadeiro e os outros não. E porque

o poder só traz a inveja e os amigos de conveniência e as

amizades verdadeiras não, são para toda a vida.

Gonçalo Fonseca, nº 272, 5ºB


Pilão minha Vida

Ser Pilão é um sentimento

Que não se sente

Vive-se…

Ser Pilão é chorar

Com lágrimas de quem chora

E sente…

Sente, a saudade

Saudade da casa que nos vê meninos

E nos faz Homens…

É entoar o hino

Com toda a sua alma e força

Fazendo estremecer as paredes do Mundo

É ter orgulho na farda

Estimá-la e amá-la

Acima do amor que é nosso…

É dar a vida pela Pátria

E honrar severamente

Os seus símbolos e a sua bandeira…

É fazer laços

Laços para a vida

E contigo Pilão, para a eternidade…

É dedicar ao estudo

Toda a sua inteligência

E vontade…

É ter gestos que não são nossos

É curar a alma

Mesmo quando ela sangra…

É agradecer mais uma alvorada

E vivê-la

Como se fosse a última…

É amar a barretina

Mais que o amor

Que nos deu nossa Mãe…

É ter como pais

Os nossos alunos comandantes

Que pela nossa guarda zelam…

Ser Pilão é ter a verdade

E a honestidade

Como apelido

É ter vontade

E saber parar

Mas nunca parar de ter vontade…

É chorar só de pensar

Que cá dentro

O tempo está a passar…

E dar por si a pensar…

O Pilão é a minha Vida…

E lá para sempre quero ficar…

André Gomes 29 / 11

NOTAS SOLTAS

O gato e o cão

Era uma vez um gato chamado Miau e um cão chamado Simba

eram os melhores amigos.

O Miau e o Simba andavam sempre juntos e nunca se separavam,

até ao dia em que começou a faltar a comida.

— Simba, já não temos comida! — exclamou Miau.

— Eu sei, mas não te aflijas. Havemos de resolver o problema —

afirmou Simba a chorar.

Mas o problema não se resolvia e certo dia a gata Flafi, a gata

mais rica da aldeia, aproximou-se do Miau e disse:

— Olá, Miau. Quero fazer-te uma proposta, pode ser?

— Sim, sim, diz — respondeu ansiosa.

— Dou-te todo o dinheiro que precisas, se não falares nunca

mais com o Simba – propôs Flafi.

E assim Miau fugiu para longe de Simba sem qualquer explicação.

Mas os dias passavam e o gato sentia-se muito só, muito infeliz e

cheio de saudades do seu grande amigo. Então resolveu devolver

o dinheiro e voltar para junto de Simba, e sabem porquê?

Porque os amigos valem mais que o dinheiro!

Maria Inês Parreira, nº 1203, 5ºB

O Natal

O Natal consiste no nascimento de Jesus Cristo, o nosso grande

salvador. Nasceu no ano I e foi a partir daí que os cristãos

começaram a contar o tempo.

Jesus nasceu em Israel, mais propriamente em Belém que faz

parte de Judá.

Os anjos anunciaram esse grande acontecimento aos pastores,

de forma a que estes o fossem conhecer.

Os três reis magos, Gaspar, Baltazar e Belchior também assistiram

ao nascimento do menino e trouxeram-lhe alguns presentes,

tais como ouro, incenso e mirra.

Quando o rei Herodes soube do nascimento de Jesus e que este

iria ser “superior”, mais respeitado e admirado pelo povo do que

ele, mandou matar todas as crianças com menos de um ano de

idade. Contudo, Jesus e a sua família fugiram e foram viver para

outro local chamado Egito, esperando a morte do rei Herodes.

Após a morte do rei, Jesus e a sua família foram viver para

Nazaré. Foi em Jerusalém que Jesus veio a falecer com 33 anos.

Desde então, na grande maioria dos países do mundo, os cristãos

festejam o Natal a 25 de dezembro. As famílias reunem-se e

confraternizam num ambiente de paz, amor e harmonia.

Afonso Carvalho, n.º 88 / 12, 5.º ano

11


Eros e Psique

Análise do texto (continuação do número anterior)

A primeira estrofe inscreve a narrativa na tradicional «lenda»

de uma princesa que havia sido sujeita a um encantamento

e estava, por isso, em estado de dormência. Só um infante

(príncipe) que chegasse de terras longínquas poderia quebrar

tal sortilégio maligno. É relevante observar que não há aqui

qualquer referência ao amor, aspeto essencial do conto

tradicional, bem como do mito de Eros e Psique. Parece,

pois, que o percurso do príncipe em direção à princesa não

é motivado pelo amor, mas por qualquer outro valor cujos

contornos ainda não são evidentes.

12

ESCRITOS

O tema do adormecimento feminino, bem como o do seu

despertar por obra do segundo elemento do par (o elemento

masculino) provém tanto do conto tradicional como do mito

grego.

Mas o itinerário que haveria de conduzir o infante à princesa não

seria fácil. Na segunda estrofe, refere-se que o infante estaria

sujeito à tentação (de seguir o caminho errado: o caminho

mais fácil, o caminho do prazer?). Certo é que tal tentação,

sem contornos bem definidos, o haveria de impelir para longe

da princesa. Há, portanto, dois percursos alternativos: o que

conduz à princesa (o caminho certo) e o que o afasta dela (o

caminho errado). Numa primeira leitura, temos a sensação de

estar perante a tradicional dicotomia ético-metafísica bem-mal.

Mas o segundo verso falsifica tal hipótese. A tentação a que o

infante está sujeito é precisamente a de enveredar pelo caminho

ético-metafísico do mal e do bem. Pelo contrário, o caminho

que há de conduzir à princesa não vê a ação humana restringida

por regras ou valores morais que inscrevem o comportamento

humano num dado arquétipo pré-estabelecido. E quando o

narrador alude à libertação do infante, tal condição só parece

poder ser interpretada como libertação dos valores ético-morais

que, em princípio, impedem o herói de alcançar o propósito

da sua existência, representado pela princesa em estado de

adormecimento e pelo caminho certo que a ela conduz.

Esta ideia de um percurso para lá do bem e do mal relembra

a filosofia de Nietzsche. A relação entre este filósofo e Pessoa

é evidente (Dix, 2008: 530-533) não apenas pelo contacto

direto com algumas (poucas) obras do pensador alemão, mas

indiretamente através da leitura de vários intérpretes dele. «(…)

evocando as referências de Pessoa à “transformação dos valores”

podíamos dizer que ele foi ainda um leitor do livro Para lá do

bem e do mal, embora cada confirmação neste sentido não

deixe de ser uma mera especulação» (Dix, 2008: 531).

Se bem que encontramos em Pessoa uma avaliação ora positiva

ora negativa da obra nietzschiana, certo é que os dois autores

advogam, pelo menos no que se refere aos principais heterónimos

de Pessoa, a recusa do universo de valores cristãos, interpretados

como renúncia ao mundo da vida, e a instauração do processo

criativo de novos valores, ínsitos ao sujeito humano. Quer

interpretemos este passo do texto pessoano como referência

a Nietzsche, quer o não façamos, certo é que o caminho da

libertação humana se concretiza a partir de um universo que

não remete para a ética do bem e do mal.

A terceira estrofe focaliza a narração na princesa. A sua

condição de inconsciência adormecida pode fazer-nos duvidar

de que espere o que quer que seja. É que para esperar, para

ter esperança, para mover a própria consciência em direção a

um futuro desejado, mas ausente, é preciso que se esteja na

posse plena da própria consciência. A sua aparente atitude de

espera, se existir, é passiva, inconsciente, não motivada, alheia à

vontade. É a condição de quem está ali como um ser inanimado

está onde está. Contudo, talvez uma réstia de esperança se possa

colher no sono. A consciência não está inteiramente apagada,

pode sonhar, pode criar, sem que a sua vontade seja convocada,

mundos inexistentes. E é exatamente isso que lhe acontece:

sonha a sua vida. O facto de a sonhar envolve-a num estado de

irrealidade que é, por princípio, contraditório com a vida, com

o que verdadeiramente existe. É por isso que «sonha em morte»,

no estado letárgico da sua inexistência. É um mero arremedo de

vida, a situação em que encontra; na linha de fronteira entre a

morte e a vida, o nada e o ser.

O quarto verso desta estância reforça os aspetos já referidos.

Numa bela hipálage («fronte esquecida»), o narrador descreve

a mente da princesa nesse estado letárgico, esquecida de si

mesma e da vida. Todavia, uma grinalda de hera orna-lhe a

fronte. Talvez remeta para Hera, a deusa grega, irmã e mulher

de Zeus, protetora do casamento e da fidelidade conjugal. A sua

teimosa vaidade fez dela a maior inimiga de Afrodite, a deusa

do amor. E, porventura, a sua aparição no poema relaciona-se

com a ausência do amor enquanto propósito das personagens.

De qualquer forma, trata-se de uma grinalda ornamental, verde

(viçosa, por oposição à princesa), indício de que a vida ainda se

não esfumou daquela mulher que descansa na fronteira entre a

vida e a morte.

A quarta estrofe regressa ao infante e ao seu percurso. O narrador

precisa que o protagonista ainda se encontra longe da princesa

e que, sem consciência alguma do seu propósito, se esforça por


omper o caminho que lhe está destinado (fadado). O que move

o herói não é, pois, a consciência da sua missão, a vontade de

triunfar sobre as forças adversas para alcançar uma finalidade

que se apresente clara à sua mente. O que o move é, na verdade,

o cego destino (cf. primeiro verso da estância seguinte), o fado,

que, segundo a mitologia greco-latina, determinava a vida

humana e a vida dos deuses, não sendo possível escapar aos

seus ditames avassaladores.

Há, pois, uma clara coincidência entre a situação da princesa e

a do infante: ambos navegam na inconsciência da sua própria

condição. Apesar de a atitude dela ser eminentemente passiva

e a dele aparentemente ativa, não se descortina diferença

substancial na condição das duas personagens: ambas

reciprocamente desconhecidas (cf. o quiasmo do início dos dois

últimos versos: «Ele dela» / «Ela para ele»), ambas ignorantes

do seu próprio destino, ambas conduzidas por forças ocultas

que não controlam, pairam num mundo onde a liberdade e a

vontade pessoal são impossibilidades factuais.

A quinta estância corrobora o que foi transmitido na anterior.

É o Destino (com maiúscula inicial, ser superiormente

personificado, como na mitologia) que comanda todo o

processo de libertação. Talvez por isso o bem e o mal estejam

afastados deste empreendimento. É que os valores morais

norteiam comportamentos de seres livres, que tomam decisões,

que constroem a sua existência, que advogam para si mesmos

aquela autonomia que se não compadece com um destino pré-

-fixado. Porém, no presente caso, assistimos à configuração de

duas personagens que não dominam a própria existência, que

não são autónomas exatamente porque o não podem ser, uma

vez que obedecem simplesmente a determinações superiores

que lhes não permitem, por enquanto, despertar para a vida.

Vivem numa espécie de estado de inocência anterior à tomada

de consciência de si mesmos e, por conseguinte, anterior

a qualquer ato interpretável eticamente. Embora não haja

qualquer alusão ao paraíso bíblico, os nossos heróis parecem

identificar-se com a inocência de Adão e Eva antes de haverem

provado o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Só no momento em que se conhece a verdade ética se está em

condições de tomar decisões com relevância moral. Antes disso,

quando a inconsciência de si mesmo, enquanto ser responsável

pelo próprio destino, domina o coração humano, nenhuma

humanidade pode acontecer.

A condição de cada um está, pois, inscrita no coração do

Destino. Se ela dorme, é porque assim tem de acontecer; se ele a

busca, ainda que sem consciência disso mesmo, é porque assim

tem de fazer. Princesa e infante são meros títeres nas mãos da

providência dos deuses; estão longe de assumirem a condição

humana em toda a sua vastidão.

A sexta estrofe opõe a obscuridade de tudo o que existe na

estrada à atitude segura do infante. Sendo o resultado de um

processo divino, a estrada não deveria, segundo os cânones

tradicionais, ser obscura, uma vez que tudo o que tem origem

na divindade é, de acordo com tais cânones, luminoso. De

qualquer forma, embora o adjetivo «obscuro» esteja diretamente

relacionado com tudo o que existe na estrada, talvez se deva

interpretar como referente à condição do sujeito. É o infante

que, na sua ignorância, não pode ver com clareza o caminho

que percorre. Fica assim explicado o motivo por que, neste

ESCRITOS

contexto, é usado o adjetivo «falso» para qualificar a mesma

realidade. A estrada que ele percorre é falsa porque é falsa a sua

condição de ser que desconhece a verdade, que se desconhece

a si mesmo, que não tem a mínima noção da finalidade do seu

itinerário. E apesar disso, mergulhado na sua inconsciência, vai

seguro (porque o destino assim o determina), derrotando todos

os obstáculos que se lhe opõem, até ao lugar para onde o fado o

havia guardado, junto ao corpo adormecido da princesa. Talvez

seja ali o local e o tempo da sua humanização, da tomada de

consciência de quem é, de onde vem e para onde vai.

Na sétima estância ocorre o desfecho surpreendente de toda

a matéria diegética, afastando-se, assim, do conto que parece

narrar. E é, sobretudo, este explicit inesperado que nos põe

de sobreaviso a respeito da autêntica interpretação do texto.

Num gesto quase banal, após uma longa caminhada repleta

de inenarráveis obstruções que deixam marcas no corpo e na

mente, o herói ergue a mão à cabeça e acha nela… a grinalda

de hera que ornara a fronte da princesa adormecida. Toma

então consciência da sua identificação com ela. Também ele

estivera adormecido, inconsciente do caminho a percorrer,

longe da verdade da vida e da verdade de si mesmo. Talvez tudo

aquilo por que passara não tivesse sido mais do que um sonho,

como a terceira estrofe parece insinuar («Sonha em morte a

sua vida»). Tudo parece jogar-se na oposição entre o estado de

inconsciência que o sono configura e o ato de despertar desse

estado. Mas, contrariamente ao conto da «Bela adormecida»

no qual é o beijo (o amor e a sua expressão) que tem esse

efeito alquímico de despertar o outro para a verdade da vida,

contrariamente também ao mito de Eros e Psique no qual Psique

é resgatada ao sono mortal pela força do Amor (Eros), no poema

não é o amor que salva, mas o conhecimento, ou melhor, o

autoconhecimento, a descoberta de si mesmo e da sua condição.

Apenas quando o sujeito se percebe à deriva no mundo das

muitas tentações, dos obstáculos que a vida quotidiana incute,

intentando desviá-lo do seu itinerário para o absoluto, é que

se torna realmente humano e inicia esse processo alquímico

de transfiguração pessoal rumo ao infinito que mora afinal no

interior de si mesmo. Mas esse aperfeiçoamento pessoal, esse

caminho de identificação com a divindade, com a perfeição

absoluta só poderá iniciar-se depois de se haver despertado do

sono, ou seja, da ilusão de que a verdade autêntica, a realidade

profunda se encontra no mundo fragmentado, plural e exterior

ao sujeito. É preciso tomar consciência de que só no infinito,

simultaneamente transcendente e imanente, pode o ser humano

13


encontrar a razão do seu ser, como refere Pessoa na carta a

Adolfo Casais Monteiro citada acima.

Vivemos, pois, o mais das vezes, mergulhados na inconsciência

da vida, da Vida autêntica, não da vida biológica, da verdade

total e plena e do percurso espiritual até ela. Viver do quotidiano

é viver adormecido, na falsidade de cada evento efémero, na

obscuridade de cada breve momento, negando a autêntica

realidade que só a unidade divina pode configurar. Tomar

consciência disso é abraçar o processo de autotransformação

até alcançar a plena unidade com o uno-todo, com a

Verdade, com a Vida. E deste modo se realiza o que a epígrafe

misteriosamente propusera. Este processo de mutação do sujeito

não se conclui num único momento; é um caminho continuado

passando por diferentes graus de perfeição interior (de que

os graus das ordens medievais são símbolos), como as teorias

ocultistas e gnósticas propunham. No constante investimento

do sujeito neste complexo processo pessoal, aquilo que parecem

ser elementos racionalmente contraditórios apontam afinal

para uma e a mesma verdade. Talvez aqui se aluda ao conceito

de coincidentia oppositorum que Nicolau de Cusa advoga

para conceber Deus, enquanto identificação do máximo e do

mínimo, do nada e do ser, da luz e da treva, ainda que, dada

a transcendência e inefabilidade divina, tais conceitos estejam

para lá das capacidades da razão humana.

Indicações bibliográficas

COSTA Paula Cristina. 2008. Eros e Psique. In Dicionário de Fernando

Pessoa e do Modernismo português. Coordenação de Fernando Cabral

Martins. Editorial Caminho.

CUSA Nicolau de. 2003. A douta ignorância. Fundação Calouste

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DIX Steffen. 2008. Nietzsche, Friedrich (1844-1900). In Dicionário

de Fernando Pessoa e do Modernismo português. Coordenação de

Fernando Cabral Martins. Editorial Caminho.

HAMILTON Edith. 1983. A mitologia. Publicações D. Quixote. Lisboa.

MOTA Pedro Teixeira da. 2008a. Ocultismo. In Dicionário de Fernando

Pessoa e do Modernismo português. Coordenação de Fernando Cabral

Martins. Editorial Caminho.

MOTA Pedro Teixeira da. 2008b. Esoterismo. In Dicionário de Fernando

14

ESCRITOS

Pessoa e do Modernismo português. Coordenação de Fernando Cabral

Martins. Editorial Caminho.

PESSOA Fernando. 1986. Obra em prosa de Fernando Pessoa. Escritos

íntimos, cartas e páginas autobiográficas. Organização de António

Quadros. Livros de Bolso Europa-América, 466. Publicações Europa-

América. Mem Martins.

PESSOA Fernando. 1987a. Obras completas de Fernando Pessoa, I,

Poesias de Fernando Pessoa. Coleção «Poesia». Edições Ática. Lisboa.

PESSOA Fernando. 1987b. Obra poética de Fernando Pessoa, Poesia II,

1930-1933. Organização de António Quadros. Livros de Bolso Europa-

América, 437. Publicações Europa-América. Mem Martins.

PESSOA Fernando. 1998. Ficções do interlúdio, 1914-1935. Edição de

Fernando Cabral Monteiro. Obras de Fernando Pessoa, 5. Assírio &

Alvim. Lisboa.

REIS Carlos & LOPES Ana Cristina M. 2011. Dicionário de narratologia.

Edições Almedina. Coimbra.

REIS Carlos. 1997. O conhecimento da literatura. Introdução aos estudos

literários. Livraria Almedina. Coimbra.

ROCHA Clara. 2008. Presença. In Dicionário de Fernando Pessoa e do

Modernismo português. Coordenação de Fernando Cabral Martins.

Editorial Caminho.

SILVA Manuela Parreira da. 2008. Pessoa ortónimo. In Dicionário

de Fernando Pessoa e do Modernismo português. Coordenação de

Fernando Cabral Martins. Editorial Caminho.

Jorge Paulo


XXI COLÓQUIO DE HISTÓRIA MILITAR

O Conde reinante Wilhelm de Schaumburg-Lippe:

«Se queres a paz prepara a guerra»

(Si vis pacem para bellum)

Figura 1: O Conde reinante, Wilhelm de Lippe. Desenho atribuído ao Cavaleiro

de Faria. (Manuscrito da Biblioteca da Academia Militar)

A chamada «Guerra dos Sete Anos» desenrolou-se entre 1756

e 1763. Este conflito envolveu, mais uma vez, os tradicionais

inimigos (a Inglaterra e a França, apoiada pela Espanha) que

pretendiam o controlo do comércio marítimo nas Índias

Orientais e na América do Norte.

Na sequência dessa guerra, deu-se o chamado episódio da

batalha naval de Lagos, em 1759, em que os navios franceses

tiveram que fugir perante a esquadra inglesa. Em 1761 já se

tinha assinado o Pacto de Família entre Luís XV de França

e Carlos III de Espanha, isto é, a aliança entre os diferentes

ramos dos Bourbons.

O rei D. José I de Portugal, apesar de ser casado com uma

princesa Bourbon, não aderiu a este Pacto, uma vez que era

velho aliado de Inglaterra. Assim, em novembro de 1761,

já havia uma certa preocupação com a preparação militar,

visando o conflito. Entretanto, o Governo português tinha

começado a tomar medidas importantes do ponto de vista

militar: tinha sido obrigatória a completa uniformidade na

ordenança e foram criados distintivos nos uniformes dos

diferentes postos de oficiais. Organizou-se o Estado Maior

ESCRITOS

General, tendo sido criado o cargo de Marechal dos Exércitos.

Aumentaram-se os efetivos das unidades de infantaria,

cavalaria e artilharia para 40000 praças (abril de 1762).

Os embaixadores de França e Espanha em Portugal, nos

meses de março e abril de 1762, tentam freneticamente que

Portugal fique do lado dos seus países. Não conseguiram e

abandonaram Lisboa. A guerra foi inevitável.

É então que a Espanha, sentindo-se ofendida pelo episódio

de Lagos, invade Portugal cerca de três anos depois com um

exército de cerca 40000 homens. Entram por Trás-os-Montes

em maio de 1762. Ocupam Miranda, Bragança, Chaves e

Torre Moncorvo e, continuando em território nacional,

conquistaram Almeida e chegaram a Castelo Branco. Na

sequência desse episódio, Portugal declarou guerra à Espanha

e à França.

Mas… era preciso que a velha aliança com a Inglaterra

desse os seus frutos. Entretanto, tinham chegado a Portugal

forças auxiliares britânicas, chefiadas pelo general George

Townshend.

Foi solicitada ajuda militar ao mais alto nível, tendo sido

escolhido, por sugestão inglesa, o Conde reinante de

Schaumburg Lippe Buckeburg como Comandante do Exército

luso-britânico. Mas por quê?

Devido à sua competência militar e ao parentesco familiar com

o Rei George III de Inglaterra, (seria portanto primo) foi indicado

por este para Marechal General do Exército luso-britânico, em

1762, na Guerra dos Sete Anos (no último ano da chamada

Guerra Fantástica).

Chamava-se Guerra Fantástica por não ter sido travada

nenhuma batalha importante. É interessante saber que a

esta Guerra ainda se deu o nome de Guerra do Mirandum ou

do Pacto de Família. Foi o nome pelo qual ficou conhecida

a participação de Portugal na Guerra dos Sete Anos. (Esta

guerra começara em 1756 e foi até 1763).

Os conflitos sucediam-se uns aos outros. Esta Guerra afinal

continuara a da Sucessão da Áustria de 1641 a 1647.

Chamado a Portugal pelo Primeiro Ministro do rei D. José I,

Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras, Lippe

chegou a 3 de julho de 1762. Acompanhava-o um grupo de

oficiais (alguns maçons), prussianos, escoceses, ingleses e,

entre eles, o irmão da Rainha de Inglaterra, o Príncipe Carlos

Luís Frederico, Duque de Méklemburgo.

Foi incumbido de tentar prover à defesa do território

português. As fronteiras não estavam protegidas, as praças-

-fortes estavam sem efetivos. Os oficiais e os soldados

careciam de instrução. A indisciplina era uma constante e já

era tradicional. Os altos postos do Exército eram distribuídos

pelas principais famílias da nobreza, não interessando a

formação e a competência militar. Os depósitos de material de

guerra ou estavam praticamente vazios ou quando existiam

eram de material obsoleto.

15


16

ESCRITOS

Mas quem era este político e militar alemão? Para o dar a conhecer melhor, vou completar o seu retrato,

citando o que o General Augusto Xavier Palmeirim escreveu na

sua obra «Alguns factos militares portugueses do século XVIII

na página 17 e que é transcrito na obra «A Guerra Fantástica -

1762» do General António Barreto:

Quadro a óleo de Ziesenis do

Conde reinante Wilhelm de

Lippe existente em Buckeburb

na Alemanha. Vestia a casaca de

Marechal inglês. Pendente do

colar sobre o peito, aparecendo

a efígie do rei Dom José I de

Portugal com moldura de pedras

preciosas.

Nascera em Londres, em 24 de janeiro em 1724, e era o segundo

filho do Conde prussiano Albrecht Wolfgang e da sua primeira

esposa, a condessa Gertrude von Oeynhausen, filha ilegítima do

rei George I de Inglaterra, (mas com a paternidade oficial do

Conde Raben von Oeynhausen). Não é, pois, de estranhar que

Wilhelm tivesse passado muito tempo com a avó em Londres,

onde esteve ao serviço da Guarda Inglesa, onde chegara a

alferes. Foi posteriormente para a Marinha. Viveu ainda em

vários locais: Genebra, Leiden, Montpellier e em Paris. Dizia-se,

com uma certa graça, que a sua língua materna era o inglês,

mas depois, por ter estado tanto tempo em França, falava

melhor o francês do que o alemão. Logicamente haveria um

certo exagero.

Estava em 1742 em Londres, quando, por morte do seu irmão

George, passou a herdeiro de Schaumburg-Lippe, o que levou à

modificação total da sua vida. Passou a estar mais próximo do

pai que, vendo nele o herdeiro do Condado, o queria preparar

melhor para o futuro .

Participa com o pai na Guerra de Sucessão da Áustria e, em

1743, distinguiu-se na Batalha de Dettingem. Esteve em 1745

na Campanha de Itália, também com o pai, que era Tenente

- General ao serviço da Holanda. Aí houve uma aproximação

à família materna e em especial ao tio-avô Johann Mathias,

Conde de Schulenburg, também militar, que lhe falou

entusiasticamente das milícias de Veneza. Mais tarde utilizou

esses ensinamentos, quando houve que armar civis em Portugal.

Aqui, compreendeu que o povo estava interessado em defender

o país e a prover à sua própria defesa e, bem aproveitado na luta

militar, poderia ajudar as tropas convencionais na vitória final.

Nas suas «Memórias para servir a arte militar defensiva» refere

o que os populares portugueses fizeram em 1762 às forças

militares do Conde de Aranda e aos franceses na Beira Baixa:

«retiraram tudo o que podia servir de para a subsistência e para

a marcha do inimigo».

A biografia deste militar é muito vasta. Convém, no entanto,

frisar que, quando o pai faleceu em 1748, passou a ser então

o Conde reinante de Schaumburg-Lippe. Empenhou-se então a

governar o seu condado, preocupado em mantê-lo independente

dos seus vizinhos poderosos.

«…Foi muito dado a estudos matemáticos, às ciências militares e

sobretudo à artilharia. Cultivou a história, a filosofia, a literatura

e as ciências políticas… foram-lhe familiares as línguas alemã,

inglesa, francesa, italiana e portuguesa.

…Era muito versado no latim… e explicava sobretudo as campanhas

de César… amador de música, que executava com mestria no

cravo… desenhava na perfeição, era forte na esgrima, e cavalgava

admiravelmente.

… Trajava fato azul,… sempre abotoado… a cruz da águia negra

bordada na sobrecasaca. Usava sempre chapéu armado e … botas

altas».

Militar distinto, profundo conhecedor da estratégia militar, o

Conde soberano de Lippe, aparentado com a família real inglesa,

foi a escolha perfeita para chefiar as forças luso-inglesas em

Portugal.

Parafraseava o lema de Flávio Vegécio, escritor romano do

século IV no tempo do Imperador Valentiniano, «Se queres a paz

prepara a guerra» (Si vis pacem para bellum), o Conde reinante

de Lippe desenvolveu as suas teorias militares para conservar

o seu condado contra inimigos poderosos. Tentou preparar

Portugal para a guerra, reestruturando o Exército Português,

seguindo a máxima do ditado latino. Foi o que ele fez. Não há

dúvidas de que devíamos ainda hoje seguir esse sábio conselho…

Aplicou esses mesmos ensinamentos e táticas militares na defesa

territorial de Portugal contra os seus poderosos vizinhos de

Espanha e França. Estar ou tentar estar preparado para a guerra

era a melhor defesa. Estamos a falar de um homem que apostava

na reorganização do nosso exército e não na improvisação.

O Conde conseguiu disciplinar e instruir, em relativamente

pouco tempo, o Exército, de modo a torná-lo minimamente

eficiente. Soube compensar a inferioridade das suas tropas

ao aproveitar as excelentes condições defensivas do terreno.

Falou sempre bem do povo português, indicando que na sua

rudeza lutava com afinco por Portugal. Em contrapartida,

notou a má vontade, o ciúme, a resistência e a passividade dos

generais portugueses contra ele, pois os comandos do exército

português pertenciam por tradição aos nobres das famílias mais

importantes do reino e sentiam-se prejudicados no seu prestígio

militar por ter sido necessário chamar um militar estrangeiro

para tão altas funções. E terminou com as promoções por favor,

isto é, por «cunhas». Passaram a ser só por competência e mérito.

Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal,

não se coibia de o apelidar de «brilhantíssimo Marechal General»

e que era muito hábil na sua profissão, sendo larga a sua

experiência de guerra, grande a sua capacidade de comando e

de organização e reorganização do Exército. Estes comentários

ainda faziam acirrar mais os ânimos dos portugueses contra ele.


Terminada a campanha de 1762, o Conde de Lippe dotou o Exército

português de uma nova organização e de regulamentação para

fomentar a disciplina e instrução dos efetivos. Assim, sabendo

que o poder político o apoiava, publicou em 1762 «Instruções

gerais relativas a várias partes essenciais do serviço diário», em

1763 «Regulamento para o exercício e disciplina dos regimentos

de Infantaria», sendo de destacar que cada regimento de

infantaria passava a ter sete companhias, sendo a quarta de

granadeiros; em 1764 foi a vez de publicar «Regulamentos para

os regimentos de cavalaria», constituindo cada regimento com

oito companhias, formando quatro esquadrões e para «… os

regimentos de Artilharia», que passariam a ter doze companhias,

incluindo uma de bombeiros.

O Marechal-Conde determinou que passariam a existir

no Exército vinte e cinco regimentos de Infantaria, um de

voluntários reais, um da Armada, dez de Cavalaria e quatro de

artilharia.

O rei D. José I determinou que um dos Regimentos de Infantaria,

o que estava aquartelado na Calçada da Ajuda, passava a ser

denominado o Regimento de La Lippe. Havia grandes invejas.

Parecia que o «estrangeiro» queria modificar e alterar tudo

Assim, nesse ano, ainda fez publicar legislação penal do Exército

em 29 artigos e que constituíam o Capítulo XXVI do regimento

de 1763, os famosos artigos de guerra do Conde de Lippe. A

disciplina era muito severa e copiava a prussiana.

Posteriormente, continuando as reformas do Exército Português,

preocupou-se sobremaneira com o nível educacional dos oficiais.

O Real Colégio dos Nobres, criado em 1765 (no ano seguinte a

ter saído pela primeira vez de Portugal), passaria a dar aos jovens

aristocratas os Preparatórios para Artilharia e Engenharia. Para

acabar com a ignorância, como ele dizia, fomentou a criação de

bibliotecas nas várias unidades militares. Os militares deveriam

ler. Havia que desenvolver neles o gosto pela leitura, o que

logicamente faria aumentar o nível da cultura geral.

Incumbiu os engenheiros militares de fazerem cartas militares

de várias regiões de Portugal e notou que seria «conveniente»

mandar cartografar todo o território para, conhecendo-o bem,

se poder mais facilmente providenciar à defesa do mesmo,

acautelando assim os interesses dos nacionais.

Preocupou-se ainda em completar o sistema defensivo.

Instituir um plano geral de fortificações por todo o país.

Em Elvas, para proteger a cidade, mandou edificar um

forte e que passou a ser conhecido pelo Forte de Lippe.

Estabeleceu, ainda, um plano de uniformes e criou um

armazém geral de fardamento no Arsenal do Exército.

Determinou ainda a realização de manobras militares periódicas. O

treino e o profissionalismo eram essenciais para o sucesso militar.

O Rei D. José I, por alvará de 25 de janeiro de 1763,

determinou que o Conde reinante passasse a ter o tratamento

de Alteza Sereníssima, devido à consanguinidade com ele

próprio e com outros soberanos europeus e ainda pelo

seu trabalho excecional em prol do Exército Português.

ESCRITOS

Ao cabo de dois anos de grande labor resolveu partir. Nesse ano

de 1764, em 5 de setembro, fazendo o balanço da sua obra na

«Memória» que deixou ao Marquês de Pombal, escreveu que deixava

um Exército em Portugal, assim como leis, regulamentos e artigos

de guerra. Regressou ao seu país consciente da obra que fizera.

Parece que não recebeu o pagamento que fora fixado em 3000

libras anuais. Consta que recusou ser pago em dinheiro, uma vez

que era Conde reinante, e acharia esse pagamento pelos seus

serviços deveras insultuoso, recebendo apenas presentes do Rei de

Portugal. Muito brioso e orgulhoso, frisou que seria para ele uma

honra ver o seu trabalho reconhecido pelo soberano. Receberia,

assim, com muito agrado os chamados presentes honrosos.

À despedida, o rei presenteou-o de forma magnânima e

conservou-lhe a patente de Marechal General do Exército

português. Foi-lhe oferecido: seis pequenos canhões de oiro

maciço, pesando cada um deles 32 libras de ouro, uma estrela

de diamantes para colocar na sua Ordem da Águia Negra, uma

O Conde de Lippe com o uniforme

azul, ostentando na sobrecasaca

o símbolo da Ordem da Águia

Negra da Prússia. (Museu Militar de

Lisboa)

miniatura do monarca português com moldura de brilhantes

para colocar ao peito e um par de fivelas de diamantes.

Figuras 4 e 5: Pistolas oferecidas por D. José I ao Conde de Lippe. É de salientar

a beleza destas peças de armaria. (Fotografias de André Rodrigues, aluno nº 44

do 9º Ano do Instituto dos Pupilos do Exército)

O soberano já lhe tinha oferecido duas belas pistolas, que

presentemente se encontram na sala D. José I, no Museu Militar

em Lisboa.

Todos reconheceram o seu excelente trabalho, até mesmo

a embaixada francesa em Lisboa, que dizia «que as tropas

portuguesas andavam bem fardadas, bem pagas e muito bem

treinadas desde que estavam sob o comando do Conde de Lippe».

17


Regressou três anos depois a Portugal, em 1767. Durante a sua

estadia, aproveitou para inspecionar e avaliar do incremento das

suas reformas no Exército português, conseguindo nessa altura

que se realizassem manobras de conjunto de vinte regimentos.

O governo britânico nomeou-o então «Marechal de Campo

honorário» em reconhecimento pela forma como comandou as

forças luso-britânicas em Portugal.

Lippe casou em 1765, aos 42 anos, com a prima, filha do conde

18

ESCRITOS

Marie Barbara Eleanore, Condessa de Lippe. Quadro de Johnn Georg Ziesenis

(1716-1777).

Frederic, a condessa Marie Barbara Eleaonore Zu Lippe-Biesterfeld,

vinte anos mais nova que ele e que era irmã gémea do conde

Ferdinand Johann Benjamin, que o acompanhou e esteve como

capitão em terras lusitanas. Terá sido um casamento arranjado

entre os familiares, como era habitual nessa época.

O casamento foi harmonioso, sereno, tendo durado dez anos.

Só terminou com a morte da condessa em 1775. Não resistiu ao

desgosto de assistir à morte do filho, logo à sua nascença, em

1772, e ao falecimento da adorada filha Emilie com a idade de

três anos, em 1774. Estas mortes foram traumáticas para a frágil

Marie Barbara. Desistiu de viver, quase que não se alimentava,

apanhou tuberculose, doença muito vulgar na época e faleceu

em 16 de junho de 1776, no pavilhão de caça de Baum.

Querendo fugir das recordações do passado, mandou construir

uma casa em Bergleben para poder avistar a sua Escola Militar

em Wilhelmsteiner, onde ele tinha ajudado a formar oficiais.

E, sentindo-se só, foi então que o Conde de Lippe quis tentar

emendar o passado. Lembrou-se que, durante a sua permanência

no nosso país, teve descendência, tendo-se lembrado que haveria

de reconhecer como sua filha, Olímpia, nascida em Campo Maior,

filha de D. Ana Josefa Felícia Antónia Pimentel, que morrera

de parto. Falava-se que haveria outros filhos e apontavam-se

nomes. Um seria de uma espanhola. Relacionaram-no ainda

com uma aristocrata portuguesa.

A prematura morte dos dois descendentes fez com que pedisse

ao seu primo e sucessor no Condado de Lipe que reconhecesse

Olímpia como sua filha, mas só depois da sua morte. O Conde

faleceu a 10 de setembro de 1777, em Bergleben, Wolpinghausen,

infeliz por ter assistido à morte dos seus entes queridos: os seus

dois filhos legítimos e a sua bela e doce esposa, a Condessa

Marie Barbara. Sabia-se que acalentara o sonho de que um

filho seu tivesse sido o futuro Conde reinante de Lippe. Vivera

os últimos anos obcecado com essa ideia. Infelizmente para ele,

tal não sucedeu!

Já quando do nascimento da filha, em 1791, desgostoso por

não ter sido um varão, fugiu do palácio, só regressando quando

acalmou. Afinal, Lippe não era tão insensível como se poderia

supor. Tinha também sonhos familiares ligados à continuação

da sua descendência à frente do Condado.

O herdeiro, afinal, foi o seu primo, o Conde Filipe de Lippe–

-Alverdissen. Homem de palavra, tratou de tudo e interessou-

-se pela sua prima que estava em Portugal, pagando a sua

manutenção e educação.

Enviou-a de 1783 a 1794 para o Convento da Encarnação onde

estudou e melhorou a sua formação. A jovem passou a ser

conhecida como D. Olímpia Wilhelm-Feld de La Lippe. A Rainha

D. Maria I e a corte sabiam da sua existência e interessavam-se

por ela. Sendo de boas famílias, tendo educação e dinheiro, não é

de estranhar que se tenha casado em 1812 com Norberto António

Chalbert, médico-cirurgião. Pode-se inferir assim que o Conde

Quadro «O Conde de Lippe»,

existente no Gabinete de

Classificação e Seleção de Lisboa

Filipe de Lippe honrou a promessa que fizera ao primo. Cuidou

de Olímpia e tratou de providenciar o seu futuro.

Desse enlace nasceram dois filhos, havendo, descendência do

Conde de Lippe em Portugal…

Maria de Jesus Pessanha Caimoto Duarte

(Comunicação apresentada em 13-11-2012)


Bibliografia

BARRENTO, António, «O Exército Português Antes e Depois do Conde de

Lippe, in Reflexões sobre Temas Militares». Volume II. Lisboa, Instituto

dos Altos Estudos Militares, 2000.

BARRENTO, António, «Guerra Fantástica 1762. Portugal, o Conde de

Lippe e a Guerra dos Sete Anos», Lisboa, Tribuna da História, 2006.

BEBIANO, Rui, «Da Restauração às Guerras do Século XVIII», in Portugal

e os Conflitos Internacionais, Lisboa,

Diário de Notícias, 1996.

COELHO, Latino, «História Política e Militar de Portugal desde os Fins

do Século XVIII até 1814», 3º Volume, Lisboa, Imprensa Nacional,

1874-1891.

CORVISIER, André. «História Universal, O Mundo Moderno». Lisboa,

Círculo de Leitores, 1977.

CONDE DE SCHAUMBOURG-LIPPE, «Memória sobre a Campanha de

1762», in Revista Militar, Lisboa, 1849.

DUMOURIEZ, François Charles, «O Reino de Portugal em 1766», Casal de

Cambra, Caleidoscópio, 2007.

FREIRE, Miguel, «Um Olhar Atual sobre a Transformação do Conde de

Lippe», in Nação e Defesa N.º 112-3ª Série,

Lisboa, IDN, 2005.

MONTEIRO, Nuno Gonçalo, «D. José», Coleção Reis de Portugal, Círculo

de Leitores, 2006.

NOGUEIRA, Franco, «As Crises e os Homens», Ática, Lisboa, 1971.

RAUEBER, Charles, “La pensée militaire du Comte de

Schaumbourg-Lippe (1724-1777)”, in O Conde de Lippe e

Portugal, Lisboa, Comissão Portuguesa de História Militar, 1991.

SALES, Ernesto Augusto Pereira, «0 Conde de Lippe em Portugal».

Comissão Portuguesa de História Militar, Lisboa, 1991.

SERRÃO, Joaquim Veríssimo, 1987, «O Marquês de Pombal, o homem, o

diplomata e o estadista», Lisboa, 1982.

Revista:

BRITO, António Pedro da Costa Mesquita, «Publicações Alemãs sobre o

Conde de Lippe, Uma Orientação Bibliográfica», in Revista Militar, novembro,

2011.

Educação e Sociologia em Émile Durkheim

Os antecessores de Durkheim encontravam na educação o

meio ideal para atingir a perfeição. O conceito seria empregue

de forma muito abrangente, designando as influências que a

natureza ou outros homens podem ter sobre a nossa inteligência

ou sobre a nossa vontade. De acordo com Durkheim, Stuart Mill,

por exemplo, afirmaria que a educação era tudo o que pudesse

aproximar-nos da perfeição da natureza; já Kant defenderia

que a educação tinha como objetivo desenvolver a perfeição à

ESCRITOS

medida do próprio sujeito, incidindo todo o processo de educação

no indivíduo. Estas abordagens do conceito conduziram,

inevitavelmente à reflexão sobre a noção de perfeição.

Durkheim questiona este postulado da perfeição, considerando-o

uma abstração de natureza universal. Sendo desejável que todos

desenvolvam harmoniosamente as capacidades que têm em si,

estas terão obrigatoriamente de refletir a natureza de cada um.

Para o autor: “não podemos e não devemos dedicar-nos todos

ao mesmo género de vida; temos, segundo as nossas aptidões,

funções diferentes a desempenhar e devemos colocar-nos em

harmonia com aquela que nos incumbe” (Durkheim, [1922]

2009: 44).

Segundo Durkheim, James Mill e Spencer sustentariam

um conceito utilitarista de educação, tendo esta como fim

último a felicidade do indivíduo. Mas o termo felicidade é

obrigatoriamente subjetivo, refletindo no conceito de educação

a arbitrariedade de cada indivíduo. Spencer ainda tentou

aproximar o conceito de felicidade à vida, como local de

equilíbrio entre organismo e meio.

Durkheim aponta neste modelo os condicionalismos de fazermos

depender a felicidade das condições de vida, as quais estão em

constante mutação, acompanhando as necessidades que o ser

humano vai criando ao longo dos tempos.

Segundo o pensador em análise, este conceito de educação parte

do postulado errado que “existe uma educação ideal, perfeita,

válida para todos os homens indistintamente” (idem, 46),

revestindo-se de uma natureza universal e única. A educação

tem que se adaptar às necessidades próprias dos indivíduos, das

pessoas, não podendo ser vista como algo imutável a que todos

temos que nos moldar.

Para Durkheim, a educação tem como fim servir a coletividade

num determinado tempo e circunscrito a um determinado

espaço: “nas cidades gregas e latinas, a educação preparava o

indivíduo para se subordinar cegamente à coletividade, tornar-

-se a coisa da sociedade” (ibidem, 46). Durante a Idade Média a

educação centrava-se nas questões religiosas. Posteriormente, o

Renascimento deu-lhe um teor mais laico e alargou a sua área de

atuação para o campo da literatura. No virar do século XIX para

o século XX, a educação passa a ter um caráter mais científico

e dinâmico e distancia-se de épocas anteriores, possibilitando

uma construção mais autónoma do indivíduo.

Todas estas construções do conceito de educação foram fruto

das sociedades que as fizeram surgir e estiveram à mercê do

poder político como principal instrumento de execução das

políticas adotadas, mas foram também influenciadas pelas

transformações sociais, económicas e culturais que marcaram a

entrada no século XX, o que não deixa de ter algum paralelismo

com os desafios colocados ao ensino na contemporaneidade,

marcada pela globalização e pela crise económico-financeira.

Efetivamente, cada sociedade tem um sistema de educação

que é imposto aos seus elementos, sendo, ao mesmo tempo,

um instrumento regulador do tipo de conduta e pensamento

19


de todos. Aqueles que forem educados fora do sistema “…não

estarão em condições de viver no meio dos seus contemporâneos,

com os quais não se encontram em harmonia…” (ibidem, 47).

Não importa se tiveram uma educação arcaica ou prematura,

mas sim que “não são do seu tempo”.

Durkheim reequacionou o conceito de educação, abordando-o

numa perspetiva sociológica. Encontra os seus atores, os mais

velhos e os mais novos, atribuindo aos primeiros o direito de

socializar a geração mais nova e a estes últimos o dever de se

deixarem socializar, sob pena de exclusão. Em seguida, tentou

encontrar a natureza da sua ação, atribuindo à sociedade

a responsabilidade por criar um homem à sua medida, por

moldá-lo de e para o momento e local em que nasce. Na sua

conceção, os sistemas de educação “…dependem da religião, da

organização política, do grau de desenvolvimento das ciências,

do estado da industria, etc.” (ibidem, 48) , de uma série de

fatores que condicionam a sua ação. Havendo tantas educações

quantos os meios sociais.

Não obstante, o mesmo autor concilia a visão mais individualista

da educação com a social, constatando que o sistema educativo

é, em simultâneo, uno e múltiplo.

Se a sociedade pretende educar as suas crianças para a servir,

tem de providenciar que todas as crianças tenham à partida as

condições necessárias para iniciar esse processo e não as deixar

ao sabor do “acaso que as faz nascer aqui ou ali, de uns pais

em vez de outros” (ibidem, 50). Exerce-se aqui uma educação

universal, que agregue todos a um mesmo sistema de ensino.

Contudo, a criança deve ser preparada para desempenhar

vários papéis na sociedade: “não podemos e não devemos

dedicar-nos todos ao mesmo género de vida; temos, segundo as

nossas aptidões, funções diferentes a desempenhar, e devemos

colocar-nos em harmonia com aquela que nos incumbe.

Não somos todos feitos para refletir, é necessário homens de

sensibilidade e ação.” (ibidem, 44)

O autor confirma que a educação é decisiva para a coesão entre

todos os elementos duma sociedade. Se ela estiver dividida por

estratos sociais muito visíveis, a educação através da religião

poderá servir como elemento aglutinador de toda a população.

Da reflexão que cada sociedade conseguir fazer acerca da

natureza humana, surge a base do espirito nacional. E toda a

educação tem por objetivo desenvolver e fazer aderir a esse

espírito toda a coletividade. A sociedade só subsiste se existir

entre os seus membros alguma homogeneidade.

Assim, cada sociedade constrói um ideal de homem, daquilo que

ele deve ser do ponto de vista intelectual, físico e moral, que

se aplicará a todos os membros da sociedade; e que a partir de

certo ponto se diferencia consoante os meios particulares de

cada sociedade.

Esta visão da educação é concebida sempre em duas áreas, que

parecendo opostas complementam-se.

Continuando o postulado da dupla vertente da educação, tal

20

ESCRITOS

como a sociedade, também o indivíduo é uma súmula de dois

seres, o individual e o social. O primeiro, o ser individual, é

composto pelos estados de alma que definem a personalidade

do indivíduo, que apenas dizem respeito ao próprio; o segundo,

o ser social é composto por aquilo que o liga aos outros, as suas

ideias, sentimentos, hábitos que partilha com os vários grupos

a que pertence. Fundir em cada um de nós estes dois seres será

o fim da educação.

A cada nova geração a sociedade reinicia todo o processo

formatação. E fá-lo pelo processo mais rápido, impondo ao

ser associal e egoísta uma vida moral e social. “Eis a obra da

educação (…) Ela cria no homem um novo ser”.

Durkheim constrói, deste modo, toda a sua análise em torno do

funcionamento do social. Apesar da abordagem não esquecer o

indivíduo, este subordina-se sempre ao todo, existe em função

do todo e para o todo.

A educação é nesta conceção um instrumento de poder, que

regula, condiciona, orienta toda a atividade do ser, não só

social como individual. É pela educação que se desenvolvem os

estados físicos, morais e intelectuais exigidos pela sociedade,

daí o grande papel que lhe está reservado. Sem a educação

dificilmente se pertenceria a um todo, se continuaria a

construção da sociedade.

Conforme referem Kohlberg e Mayer, “a educação pode ser

identificada através do desenvolvimento, tanto ao nível

intelectual como moral” (Kohlber & Mayer, 1972: 493). Num

mundo novo, como aquele em que vivemos, a educação

deve significar conhecimento (dimensão do saber) e valores

(dimensão ética), não numa perspetiva impositiva, mas liberal e

democrática, rasgando horizontes.

Tal como na época em que viveu Durkheim, quando se

aprofundaram as clivagens entre o proletariado e a burguesia,

ambos produtos da revolução industrial, também hoje vivemos

numa época de profundas transformações que vai criando cada

vez mais (novos) excluídos…A educação pode e deve ser uma

resposta para um novo futuro…

O desafio hoje é talvez mais profundo: educar para melhor

responder aos desafios de uma sociedade crescentemente

globalizada; educar para enfrentar a pluralidade de problemas

que se colocam a um mundo marcado pela incerteza, pelas

ameaças e riscos; educar para encontrar novos rumos para uma

sociedade perplexa por tudo o que está para vir.

Bibliografia

Anabela Elias

DURKHEIM, Émile, Educação e Sociologia (Lisboa: Edições 70, 2009)

KOHLBERG, Lawrence & MAYER, Rochelle, Development as the Aim of

Education, in Harvard Educational Review, Vol. 42 n.º 4, November 1972


“Knowing me Knowing you”

Inteligência emocional e personalidade

“Seek first to understand…then to be understood.” (1)

Stephen R. Covey

No dia 2 de fevereiro de 2013 participámos numa sessão

de formação apresentada por Neil Mason, formador,

professor de Língua Inglesa e colaborador de uma editora

portuguesa, subordinada ao tema Knowing me knowing you

– emotional intelligence and personality. Por considerarmos

o tema relevante para a nossa prática pedagógica sentimos

necessidade de o partilhar com a comunidade escolar.

O objetivo principal foi encorajar os docentes numa viagem de

autoconhecimento, bem como, fomentar o conhecimento dos

seus alunos, para melhor os compreender e ensinar. Neil Mason

deu-nos a conhecer ferramentas valiosas para a compreensão

de nós próprios e das relações interpessoais, enquanto

professores e não só. Procurou despertar nos presentes uma

vontade de saber um pouco mais sobre nós próprios enquanto

professores, mas sobretudo enquanto pessoas com uma missão

tão nobre, como é a de ensinar.

“Knowing me Knowing you” desenvolveu-se em duas vertentes:

“Knowing me” – autodescoberta; “Knowing you” – trabalhar

com os alunos. Foi feito um breve enquadramento teórico

do tema, o qual nos remeteu para a definição de Inteligência

Emocional segundo Daniel Goleman, pai do termo, como “a

capacidade de perceber e gerir as próprias emoções e as das

pessoas à sua volta”. Sendo que as pessoas com um elevado

grau de inteligência emocional normalmente sabem o que

sentem, o que isso significa e como as suas emoções afetam

os outros.

Para um líder, ter inteligência emocional é essencial para o

sucesso, mas também para as crianças pode ajudar a melhorar

o sucesso académico, fortalecer as amizades e reduzir os

comportamentos desviantes. Qualquer pessoa pode possuir

os meios que lhe permitem construir relações de sucesso,

mas isso dependerá da sua perceção dos cinco elementos que

constituem a inteligência emocional: Autoconhecimento;

Autorregulação; Motivação; Empatia e Habilidades sociais.

Quanto melhor for o uso destas, maior será a sua inteligência

emocional.

Estilos de aprendizagem

Cada indivíduo tem o seu próprio estilo e forma de aprender:

pelos sentidos, pela intuição, de forma visual ou verbal, de

forma ativa ou reflexiva, de modo sequencial ou global.

William Marston, psicólogo, contribuiu decisivamente para a

descoberta e avanço desta temática propondo uma abordagem

através do modelo que ele criou e designou de “DISC”. A sua

ideia foi medir a energia do comportamento bem como a sua

consciência. Marston não chegou a desenvolver um processo

de avaliação ou um teste para este modelo, mas os seus

seguidores fizeram-no.

O que é o “DISC”?

O “DISC” é um acrónimo para os quatro tipos de personalidade

descritos por Marston: Domínio (Dominance), Influência

(Influence), Firmeza (Steadiness) e Consciencialização

ESCRITOS

(Conscientiousness). O primeiro relaciona-se com o controlo, o

poder e a assertividade; o segundo tem a ver com situações de

carácter social e comunicacional; o seguinte relaciona-se com

a paciência, a persistência e a sensatez; e o último tem a ver

com a estrutura e a organização. Segundo o “DISC” podemos

distinguir diferentes perfis de personalidade.

Quando sujeitas a um teste de “DISC”, as pessoas

predominantemente “D” — Condutoras (Drivers) — são as que

facilmente lidam com problemas e desafios, são dominadoras,

diretivas e fazedoras; pelo contrário, as que menos cotação

obtiveram, tendem a ser conservadoras, pacíficas e cautelosas.

As pessoas manifestamente “I” — Motivadoras (Motivators) —

influenciam outros através do diálogo e da atividade e tendem

a ser emocionais. São inspiradoras, interessantes e interativas;

por oposição a estas encontram-se as que são céticas,

pessimistas e desconfiadas, muito factuais e críticas.

As predominantemente “S” — Pormenorizadoras (Detailers) —

apoiam de forma segura e estável, não gostam de mudanças

bruscas, são calmas, relaxadas e pacientes; já as que se

encontram no lado oposto são impacientes, impulsivas e

demonstrativas.

As pessoas com elevada classificação em “C” — Harmonizadoras

(Harmonizers) — apreciam regras, regulamentos e estruturas.

Trabalham de modo eficiente e com qualidade logo à primeira,

são cuidosas, sistemáticas, diplomatas e exatas. Por oposição,

surgem os que desafiam as regras, querem independência, são

teimosos, arbitrários e não se preocupam com o detalhe.

Professores e alunos são diferentes “DISC”, mas somos nós,

professores, que precisamos de nos compreender e ajustar

aos nossos alunos, facilitando aprendizagens, certificando e

ratificando as suas descobertas, envolvendo-os no processo de

aprendizagem e trabalhando com eles, sejam eles de que tipo

forem.

Um breve passagem pelo sítio da Internet www.onlinedisc.

com/educator.htm poderá reservar-lhe grandes surpresas e até

permitir-lhe perceber um pouco quem é, enquanto profissional

da educação. Se quiser fazer uma versão do teste vá a www.

attitude.org.nz/home/swf/personality_test.swf ou para uma

versão simplificada em http://tinyurl.com/smalley-test irá

surpreender-se!

Parafraseando George Reavis na sua fábula “The Animal

School” podemos dizer que a moral da história é simples: “Cada

criatura tem as suas próprias habilidades segundo as quais irá

naturalmente ter um comportamento de excelência, a não ser,

claro, que lhe seja pedido algo para o qual não foi destinado.

Quando isso acontece, a frustração, o desencorajamento e a

culpa trarão resultados globalmente menos positivos e por

vezes a total derrota”. Ser professor é guiar, trabalhar e estar

alerta para que isso não aconteça.

Tal como Parker J. Palmer disse: “Conhecer-me é tão importante

para uma boa prática pedagógica como conhecer os meus

alunos”.

(1)

Procura primeiro compreender…

depois ser compreendido”.

Ana Paula Rodrigues e Ana Luísa Tendeiro,

professoras de Inglês

21


Cursos Profissionais? O futuro?!

Mas que raio é isso?

Estas interrogações que podem agora parecer distantes e sem

sentido a alguns que nos acompanham hoje e vivem o Instituto,

foram as que em 2007/2008 nos assaltaram quando repensámos

e decidimos em conjunto o futuro.

Hoje, passados que estão estes primeiros anos, gostava de poder

partilhar convosco esta reflexão pessoal.

O caminho, todos o sabemos já, faz-se caminhando, e tem sido

bem recheado de desafios este nosso caminho.

Por isso são fortes os muros e profundos os alicerces do

Instituto, capazes de resistir ao desânimo e à erosão que tantas

hesitações e incertezas inevitavelmente produzem e também

porque é servido por quem acredita e se envolve na missão que

desempenha, permitindo-se pertencer a uma personalidade

institucional como se de um corpo só, coeso e eficiente se

tratasse, bem diverso de uma multiplicidade de personalidades

sobrepostas cuja soma nunca é maior do que a das partes.

Pelo contrário, a nossa Escola possui, como pretenderemos

demonstrar, um ethos próprio e diferenciador, consubstanciado

num Projeto Educativo que promove a adesão dos diversos

atores onde se terão sempre de incluir os Antigos Alunos e os

Encarregados de Educação.

O IPE tem sabido trilhar o seu próprio caminho e tem-no feito

com os olhos postos em frente, sem vergonha do passado e sem

medo dos desafios do futuro.

Nesta época de incerteza, insegurança, descrédito e descrença

generalizadas, ganhámos o direito de reclamar a certeza, a

segurança, a crença e o crédito que o Projeto Educativo e a

comunidade merecem.

E porque temos esse direito? Como o ganhámos?

Em primeiro lugar pela capacidade de compreender as

experiências do passado para as colocar ao serviço da inovação e

da construção de um Projeto singular e não copiado, adequado

às necessidades da comunidade, da instituição e do País que

sabemos servir.

Os olhos no futuro, a capacidade de autorrenovação, os

valores devidamente validados na experiência e memória

institucionais, a promoção da mobilidade social e a flexibilidade

contemporânea do nosso Projeto Educativo, são os fatores que

nos habilitam a enfrentar a mais dura e injusta das batalhas que

falta vencer. A do preconceito que nos atinge quando alguns

não nos querem reconhecer o mérito, apesar de não fazerem a

mais pequena ideia de quem somos e do que pretendemos para

os nossos jovens.

Existem hoje instituições internacionais, a quem a República

aliás pede conselhos, e que preconizam aulas de 60min. Nós já

as adotámos.

A inovação, a seleção do Corpo Docente, o rigor baseado no

valor do trabalho em equipa, a formação de lideranças e o seu

reconhecimento, a cooperação no espaço dilatado da língua

22

ESCRITOS

portuguesa, são o nosso ADN e a razão de ser do aumento

exponencial da nossa procura.

O reconhecimento da interdisciplinaridade e a consciência

do valor da língua estrangeira são novas evidências patentes

nos trabalhos desenvolvidos pelos nossos diversos Grupos

Disciplinares.

Os Estágios profissionais em empresas significativas, a presença

prevista já para este ano da Câmara de Comércio Luso Alemã e

de diversas empresas que a constituem, no nosso aniversário,

são ainda outras evidências do caminho seguido.

“As escolas são instituições de um tipo muito particular, que

não podem ser pensadas como qualquer fábrica ou oficina:

a educação não tolera a simplificação do humano (das suas

experiências, relações, valores), que a cultura da racionalidade

empresarial sempre transporta” (António Nóvoa)

Esta é a nossa dupla certeza e exigência. Somos uma Escola de

ensino profissional que procura a excelência e que junta num

mesmo espaço a exigência de um ensino técnico especializado e

uma clara visão humanista e abrangente do indivíduo, filha da

República e da organização do exército português.

Os nossos alunos recebem uma formação integral numa escola

que é capaz de argumentar com memória e reclamar outro tipo

de caminho onde a opção livre e instruída são o grande divisor

comum.

Por isso não tememos avaliações ou o futuro. Pelo contrário,

exigimos esse futuro e para ele preparamos os nossos alunos. Por

sermos e sabermos quem somos podemos usar sem arrogância

intelectual e sem modéstia envergonhada, todos estes conceitos

em voga neste nosso Portugal educativo, sempre reclamado por

tantos e tantos confessos especialistas.

“A falta de qualidade das propostas e a debilidade dos

arquétipos formativos legaram-nos uma juventude com os

vazios conhecidos, com os efeitos que todos tememos. Além

de uma autonomização (forçada, rápida e não suficientemente

realizada) da juventude como categoria sociológica, os

programadores oficiais, preocupados com a estatística e a

economia, renunciaram a um pensamento estratégico que

propunha investir na Educação para o máximo de jovens sem

renúncia à excelência do ensino nas instituições públicas onde

ele se faz, para integrar a juventude mais qualificada nas elites

do País.

Pela demissão de uns e a incompetência de outros, a juventude

deixou de ser um símbolo do nosso compromisso com o futuro.

As muitas crises e desilusões fizeram do futuro um tópico a

evitar. Com o colapso do futuro os jovens deixaram de acreditar

em si e a imagem idealizada da juventude desapareceu.

Regrediu-se para tempos em que os jovens temem mais o futuro

do que o anseiam, e assim voltam-se para os pais e para os

modelos geracionais anteriores. A necessidade de sobrevivência,

consumindo tudo, matou a imaginação, a criatividade e a

ousadia.” (Eduardo Vera-Cruz Pinto)

Em casa do meu Avô recordo um pequeno azulejo com a

seguinte inscrição: «O saber não ocupa lugar»

Gostaria de poder ainda hoje conversar com ele mas estou certo


de que, como professor que era, concordaria comigo. De facto

o saber não ocupa lugar mas ocupa lugares e o nosso Instituto

é um desses lugares que Portugal e aqueles em quem confiamos

o nosso destino e recursos comuns têm o dever de conhecer,

preservar e reconhecer o mérito.

A personalidade institucional e identidade própria que liga

todos os que servem o Instituto e assim Portugal, funda-se num

conjunto de valores e saberes perenes, validados pela memória

e transmitidos às diversas gerações através de uma educação

conscientemente renovada e inovadora, baseada numa visão

humanista de formação integral do indivíduo que o prepara

para o futuro e para os seus desafios.

Este é o nosso ideal. Dirão os nossos detratores: «- Bom, mas esse

ideal poderá não ser alcançado.» Respondemos. «Será, mas essa é

a característica dos ideais. Eles não precisam de ser plenamente

alcançados e a toda a hora para se manterem exatamente

como tal; como ideais que guiam e iluminam a nossa ação e a

vontade de continuar a ensinar numa Escola de cidadãos livres,

responsáveis e capazes de futuro.

O contributo Português

e o fenomenal avanço da Ciência

Miguel Viegas Gonçalves

Professor de Filosofia

No ano de 2012 constataram-se importantes avanços no

domínio da ciência nos mais variados campos do conhecimento

que muito contribuíram para aumentar a nossa compreensão

do universo. A comunicação social daquele ano está recheada

de muitas e variadas novidades científicas que há algum tempo

atrás eram apenas do puro domínio da ficção. Duas delas, o

Roboto Curiosity e o Bosão de Higgs, foram até selecionadas

para o «Acontecimento do Ano» pela revista Time. Assim,

para divulgar a ciência e dar a conhecer como a natureza é

maravilhosamente complexa, e, também como Portugal está

cultural e cientificamente evoluído, farei um breve resumo do

que tomei conhecimento pela comunicação social, e que mais

me impressionou naquele ano, mas certamente muito mais

haveria para citar e desenvolver.

E para demonstrar, desde já, a característica paradigmática

ESCRITOS

da competência e criatividade dos técnicos e cientistas

portugueses, e a eficiência do seu Ensino Profissional bem como

o desenvolvimento científico das nossas instituições académicas

de ensino superior e a competitividade das nossas empresas em

diversos campos de tecnologia de topo, citarei, como exemplo,

o Grupo ISQ-Instituto da Soldadura e Qualidade que é líder

do consórcio internacional que irá garantir a fiabilidade de

contenção do sarcófago que será construído sobre o reator nº

4 de Chernobyl - que explodiu em abril de 1986 - para deter a

fuga de radiação que ainda se verifica.

Na área da investigação das novas tecnologias o contributo

português tem estado igualmente presente, tendo o nosso

compatriota Pedro Pinto descoberto, em conjugação com outros

dois professores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, a

solução para o problema da dinâmica da propagação em rede.

Num artigo publicado na “Physical Review Letters” explica o

grande potencial do algoritmo de SPARSEINF para determinação

da origem da informação após a sua disseminação, seja um vírus

ou um boato, sendo possível desmontar a origem desse boato,

do surto epidémico ou até mesmo de redes de crime, em poucos

minutos. Os cientistas já percebiam como é que a informação ou

um vírus se propagavam numa rede. A determinação do ponto

inicial em que a rede fora “infetada” é que era o problema.

Nesta corrida ao conhecimento, cientistas da IBM conseguiram

também colocar num único chip 10 000 transístores em

nano tubos de carbono. E em Coimbra existe mesmo a única

fábrica de nanopartículas em Portugal, a Innovanano, segundo

informação do Diário de Económico que titulou a notícia como

“A fábrica onde nascem partículas invisíveis”. As nanopartículas,

que têm a dimensão de uma bactéria e são mil vezes menores

que a espessura de um cabelo, têm diversas propriedades muito

especiais. Têm, por exemplo, uma alta resistência à pressão, à

abrasão e às temperaturas. E é devido a tais propriedades que

a Universidade de Aveiro criou uma espécie de “pele” para

proteger as aeronaves, que consiste num revestimento capaz de

autorreparar pequenas fissuras durante o voo, incluindo-se na

tinta da fuselagem nano partículas, devido à especial característica

de poderem gerar moléculas que protegem os metais contra a

corrosão do meio ambiental. Quanto ao campo energético, a revista

portuguesa Renováveis Magazine de março de 2011 dá-nos, por

sua vez, a conhecer que estamos mais próximos do que nunca

da fotosíntese artificial. Aconteceu, que inspirado no processo

de fotosíntese das plantas o Nacera’s Laboratory (EUA) criou um

processo revolucionário para fazer a separação do oxigénio e

hidrogénio da água, e desse modo armazenar energia elétrica,

mesmo quando não há sol. E para se obter também energia

limpa, ao largo de Peniche, a 43 m. de profundidade, está

colocada uma máquina, única a nível mundial, a waveeroller, um

projeto da Enólica e da finlandesa AW Energy, cujas pás gigantes

oscilam ao sabor das ondas e que tem um dispositivo que depois

transforma a energia das ondas em energia elétrica que é

recebida num transformador através de um cabo submarino e

injetada na rede.

Na área da medicina molecular, um português, que tem vindo

a desenvolver a sua atividade investigadora no Instituto de

23


Psiquiatria do Kings College, em Londres, foi para o maior centro

mundial de estudo do cérebro, em Los Angeles, estudar as ligações

entre neurónios e informações genéticas para tratar doentes

com surto psicótico e, deste modo, tentar prevenir a doença. Um

outro grupo de investigadores internacionais, liderado por Rita

Guerra, identificou já o gene que aumenta o risco da doença

de Alzheimer. Também outro investigador português estuda

um gel de células estaminais do cordão umbilical para ajudar a

cicatrizar feridas crónicas. E investigadores da Universidade Livre

de Bruxelas conseguiram com células estaminais (células que se

dividem e diferenciam noutras células) gerar a primeira tiroide

in vitro, cujas hormonas são essenciais para o crescimento e

maturação do esqueleto e do sistema nervoso. Na Universidade

da Beira Interior estão, por sua vez, também a desenvolver-

-se novos implantes para regeneração óssea. Por outro lado,

foi noticiado no princípio de novembro pºpº que cientistas

portugueses do Instituto de Medicina Molecular identificaram

no genoma humano os genes de AVC. É tambem importante

referir que investigadores da Fundação Champalimaud

desenvolveram um novo equipamento de radioterapia, de dose

única, com maior capacidade de precisão que os atuais, e que é

mesmo considerado o mais avançado do mundo. Na Escola de

Biotecnologia da Universidade Católica no Porto foi concluído

também um estudo, que demorou três anos a concluir e já está

devidamente patenteado, que dá às espinhas de bacalhau uma

aplicação extraordinariamente inovadora nas áreas da saúde e do

ambiente. Assim, elas poderão ser utilizadas para próteses ósseas

e dentárias e até para descontaminar a água. Também o Centro

de Neurociência e Biologia Celular da Faculdade de Farmácia

da Universidade de Coimbra criou uma nanopartícula da nova

geração, que patenteou nos EUA, que tem a particularidade

de destruir certo tipo de células cancerígenas bem como os

próprios vasos sanguíneos que alimentam o tumor, o que evita

reincidências. Esta descoberta foi anunciada pelo investigador

envolvido no projeto, João Nuno Moreira, que resultou de um

trabalho em colaboração com o IPO de Coimbra, a Faculdade

de Farmácia de Lisboa e a Faculdade de Medicina do Porto.

Outro feito, extraordinariamente notável, que apresenta um

potencial terapêutico da maior importância foi levado a efeito

pelo Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade

do Porto. Uma equipa coordenada por Helder Maiato conseguiu

interferir no processo de divisão celular. Sabe-se que as células

normais têm um número finito de divisões ao contrário da célula

cancerosa que se divide sempre indiscriminadamente, crescendo,

e invadindo o tumor outros tecidos. A equipa interferiu neste

mecanismo de regulação molecular conseguindo que a célula

cancerosa não pudesse dividir-se, tendo assim como destino a

sua própria morte, operando-se esta modificação ou mutação

com uma proteína denominada CLASP2. Deste modo a reação

química da divisão celular de células cancerosas interrompe-

-se ao introduzir-se no próprio tumor células com proteína

mutada pelo que as células cancerosas ao fim de nove horas

suicidam-se. O mistério resolvido foi desvendar o processo

geneticamente programado de distribuição dos cromossomas

na divisão das células cancerosas, num processo conhecido por

mitose, impossibilitando-lhes a distribuição equilibrada dos seus

24

ESCRITOS

cromossomas pelo que, consequentemente, a célula cancerosa

morre e acaba a sua proliferação celular.

E nesta longa e incessante caminhada para tentar perceber a

Natureza, passámos por Galileu, Kepler, Leonardo Da Vinci,

Newton, Einstein, Marie Curie e tantos e tantos outros cientistas.

Na Grécia antiga Hipócrates e Galeno, os reputados pais da

medicina, não sonhavam de todo com vacinas, antibióticos,

transfusões e tipos de sangue e outros avanços da medicina,

hoje banais e nem imaginavam mesmo que existissem bactérias

ou vírus. E perante os maravilhosos acontecimentos científicos

atuais, é caso mesmo para exclamar como Júlio Verne foi

ultrapassado. Mas devemos reconhecer que da sua imaginação

emergiram até muitas realidades que se vieram a concretizar

bastante mais tarde, no século XX, mas que ao tempo eram

apenas fantasias criativas, como por exemplo, o submarino, a

viagem à lua e o aparecimento da televisão. E ocorre-nos referir,

citando Agustina Bessa-Luis, que “a infância vive a realidade

da única forma honesta que é tornando-a como uma fantasia”.

E Júlio Verne foi nesse sentido um excelente obreiro junto de

muitas gerações. A Volta ao Mundo em 80 Dias, Viagem ao

Centro da Terra, Da Terra à Lua, Vinte Mil Léguas Submarinas,

são, entre outras, das suas obras mais emblemáticas dadas ao

prelo entre 1863 e 1874. Ora, nem o maior especialista em

inovação e futurologia global faria melhor previsão. Sabe-se que

a competitividade e o progresso da economia global requerem hoje

graus de cultura científica cada vez maiores, pelo que todas estas

descobertas científicas, step by step, concorrem entre si, e integradas

de uma forma harmónica têm, mais cedo ou mais tarde, um grande

impacto no progresso da humanidade, no crescimento económico,

e no bem-estar e qualidade de vida. E embora tenha sido através

da Filosofia - área de estudo de caracter multidisciplinar que

envolve a investigação e reflexão de ideias - que nasceu a Ciência,

estas pareceram por vezes não se acomodar por uma questão de

autonomia e desejo de preponderância. Não obstante, a filosofia

(em torno de cujo eixo giram a lógica, linguística, dialética, ética,

fenomenologia, hermenêutica, ontologia, a epistemologia, etc.

etc.) tem desenvolvido na Idade Moderna, como outrora, muitas

conceções filosóficas e dado contributos para o conhecimento

que têm mudado o homem e o mundo. E o embate, verificado

entre filosofia e ciência, ocorreu ainda mais acentuadamente,

entre a Religião e Ciência. Assim, Descartes ao lutar pela

autonomia do pensamento racional perante a fé, e a fim de

evitar confrontos já então conhecidos, usou o estratagema de

escrever nas Meditações as provas da existência de Deus para

logo a seguir dizer que o Cogito (a Razão) se sustenta por si só.

Mas a liberdade investigativa da ciência teve talvez com Galileu

Galilei, o impedimento mais sério contra a sua autonomia, devido

na época à postura impositiva da igreja quanto à determinação

sobre o que era ou não verdade. Mas apesar destes diferendos

a afirmação de que a religião vai desaparecer à medida que o

mundo se vai tornando mais moderno não passa de uma ilusão

otimista de académicos ateus, como refere o sociólogo Rodney

Stark no seu recente livro (2011), The Triumph of Chistrianity. E

seja nos tempos que correm ou nas recuadas épocas de Pitágoras

ou de Arquimedes, a essência do avanço do conhecimento para a

modernidade tem sempre na sua base a curiosidade do homem,


característica radicada no seu próprio instinto, que se reflete de

modo intemporal nesta interrogação, formulada em 1615, numa

carta de Galileu a Cristina di Lorena: “Quem se atreverá a por

limites ao engenho dos homens?”

Paula Cristina Monteiro

Professora de Filosofia, Psicologia e Área de Integração

A necessidade dos estudos de mercado

Num dos últimos noticiários de um dos múltiplos canais de

televisão por cabo, uma notícia chamou-me a atenção. Numas

das principais artérias da cidade de Lisboa a Avenida de Roma,

estão abertos ao público “quase porta sim, porta sim” vários

cabeleireiros exclusivos para senhoras ou unissexo. De entre

as várias questões que de repente vêm à memória do vulgar

cidadão que por ali circula posso destacar as seguintes; Será

que existe mercado suficiente para todos poderem sobreviver

comercialmente? O que oferecem os diferentes estabelecimentos

de modo a que se distingam uns dos outros, sim porque para um

vulgar cidadão que necessite de tratar do cabelo provavelmente

é-lhe indiferente ir a um ou a outro.

Provavelmente poucos destes comerciantes têm a noção do

que é um estudo de mercado, a fixação do seu negócio nessa

zona deveu-se provavelmente ao facto de considerarem que se

trata de uma zona cujos residentes se situam num determinado

estrato social, a classe média alta com um poder de compra

acima da média da população o que lhes vai permitir cuidar

com mais cuidado do seu visual.

Então o que é um estudo de mercado?

Um estudo de mercado, corresponde ao conjunto de atividades

que têm por finalidade prever as vendas e os preços de certo bem

ou serviço com o objetivo futuro de investimentos empresariais

públicos ou privados terem resultados compensadores.

Esta definição de estudo de mercado, traduz um conjunto de

atividades com os seguintes objetivos:

É o início de qualquer projeto empresarial;

Definição de uma estratégia de Marketing que torne

competitivo o binómio produto/mercado;

Identifica os produtos a comercializar;

Fixa o preço e as condições de venda;

Define os circuitos de distribuição;

Permite conhecer o público alvo a atingir;

Analisa os dados de potenciais clientes para a

implementação de ações de Marketing;

Determina a “imagem” da empresa e dos seus produtos

ou serviços;

Prevê o volume de negócios.

ESCRITOS

Em conclusão:

Não basta a boa ideia, a ousadia, o risco, é necessário entender

o mercado e estar constantemente atualizado relativamente

às suas tendências de evolução para que o negócio encontre

possibilidade crescimento, provavelmente não é esse o caso de

muitos dos pequenos comerciantes que se estabeleceram na

Av. De Roma com os seus cabeleireiros de senhoras ou unissexo

que provavelmente só olharam ao estrato social dos residentes

daquela zona da cidade de Lisboa concluindo que ali havia

potencial económico para todos terem sucesso comercial, não

tendo em consideração outros fatores tais como a situação

económica do país, desemprego e consequente degradação

do poder de compra da população, população residente mais

envelhecida, com mais dificuldades de locomoção, a própria

evolução da tecnologia que vai permitir às pessoas em geral

tratar do seu visual em casa evitando assim a ida ao cabeleireiro,

entre outros possíveis fatores que o estudo de mercado analisaria.

Em sentido contrário a nossa Escola, adaptou-se e muito bem

à realidade do mercado atual, desde 2009 apostou no ensino

profissional, esta aposta permitiu-lhe situar-se no segmento de

mercado onde existe procura de mão de obra qualificada para o

tecido industrial português.

Paulo Magalhães

Professor de Economia e Gestão do IPE

A Economia e a Gestão, o Contributo do IPE

A primeira coisa que eu ensino aos meus alunos, logo na primeira

aula de Direito, é que: - “O Homem é um animal eminentemente

social!”, como o demonstrou e afirmou tantas vezes Aristóteles.

Esta célebre frase já faz gozo e anedota entre os alunos do curso

Técnico de Gestão por ser tantas vezes repetida e trabalhada.

É a partir dela que todo o pensamento e formação se vão

moldando e crescendo ao longo dos três anos do curso.

“O Homem é um animal eminentemente social!”

… e porque é um animal social, só sobrevive em sociedade e para

sobreviver em sociedade tem de criar regras e normas de conduta

que lhe permitam viver em harmonia nessa mesma sociedade.

Com o evoluir da humanidade, o Homem saiu da caverna, deixou

de ser nómada e sedentarizou-se criando laços sociais cada vez

mais complexos, que ultrapassaram para lá da sociedade primária

e originariamente estabelecida – a Família. Surgem as tribos, as

comunidades, as cidades – estado, até chegarmos à atualidade e

ao conceito de Estado Moderno.

O Estado Moderno, essa entidade, definida por Jean Bodin, como

sendo dotada de soberania, que exerce o poder político sobre

um determinado povo sedimentado num determinado território

com as suas fronteiras devidamente definidas e reconhecidas

internacionalmente.

Rapidamente os alunos percebem que Estado e Nação não

significam a mesma coisa e que povo e população não têm

seguramente o mesmo significado.

Não invocando o caso de Olivença, podemos afirmar com toda a

convicção que Portugal é o Estado-nação mais antigo da Europa,

25


com as fronteiras mais antigas, remontando a mais de 900 anos

de história.

Essa nossa História, a História de Portugal de que tanto nos

podemos orgulhar!

E, como num destes dias num almoço dizia a minha colega de

história, é preciso conhecer o nosso passado, perceber os factos

sucedidos, para que se possa perceber o presente e delinear

convenientemente o futuro!

A História não pode ser letra morta, mas um conjunto de

acontecimentos que se refletem constantemente no nosso

presente e cujo presente só consegue ser percebido se conhecido

o seu passado e antecedentes.

O curso Técnico de Gestão prepara os alunos para o mercado de

trabalho e para a realidade social em que o Homem vive; porque

“o Homem é um animal social” deve ser visto como um todo!

Para além de explicar que o Homem é um animal social e que

só sobrevive em sociedade existe outra célebre frase muito

conhecida dos alunos do curso Técnico de Gestão, que responde

à pergunta constante de porque é que existe a economia e o que

é a economia?

A economia é a ciência que estuda o problema económico!

E lá vem a frase “a saber!”:

- “ O problema económico existe porque os recursos são

escassos para satisfazer as necessidades do Homem que são

ilimitadas.”

Assim, porque a realidade social é um todo, persiste a

interdisciplinaridade, devemos então recapitular - o Homem é

um animal social, só sobrevive com a congregação de esforços

de todos os que vivem numa determinada sociedade, onde

existe uma determinada ordem, organização e divisão de tarefas,

impostas pelas diversas normas e regras, para que as necessidades

do indivíduo, que vive naquela sociedade, possam ser satisfeitas.

Acontece porém, que as necessidades são ilimitadas… Os esforços

para as satisfazer redobram–se! A combinação ótima dos fatores

de produção passa a ser uma prioridade nas sociedades em geral

e a grande preocupação para o Estado moderno, que visa garantir

a segurança, a justiça e o bem-estar dos cidadãos.

Nos anos quarenta do século passado, o economista

Colin Clark classificou a atividade económica – todo o conjunto

de atividades relacionada com a produção - em três setores

agrupando-se assim os diferentes tipos de produtividade de bens

e serviços em setor primário, secundário e terciário.

No setor primário estão as atividades com a recolha de bens

que a natureza disponibiliza, no secundário estão englobadas

as indústrias que transformam as matérias - primas e no setor

terciário estão compreendidas todas as atividades não abrangidas

nos setores anteriores (como o comércio, a banca, a educação, a

defesa, a justiça, o turismo ou a comunicação social). Atualmente

podemos também falar do setor quaternário que agrupa todo

o tipo de produção relacionada com as novas tecnologias de

informação.

Não será preciso uma grande análise para perceber que Portugal,

à medida que se foi tornando um país com desenvolvimento

económico, (não estou a falar de crescimento económico, mas sim

de desenvolvimento) deslocou a sua capacidade de produtividade

para o setor secundário e principalmente para o setor terciário.

26

ESCRITOS

As teorias economistas da vantagem comparativa e da vantagem

absoluta levaram o nosso país nos últimos anos a congregar

esforços para desenvolver a sua atividade principalmente no setor

dos serviços e das telecomunicações.

Não me compete tecer qualquer comentário sobre se a aplicação

dos fundos e subsídios internacionais recebidos foram ou não

bem aplicados ou canalizados na sua totalidade para os devidos

investimentos a que o país se comprometeu.

Mas tomarei a liberdade para poder concluir que esses subsídios

e fundos estruturais que entraram no país, durante mais de

uma década, criaram em todo o cidadão português a ilusão de

riqueza, que na realidade o país não produzia e possibilitou o

endividamento de muitas famílias e empresas.

Com a crise económica e financeira que assolam a Europa e

os Estados Unidos, Portugal ficou profundamente afetado e o

investimento no país diminuiu significativamente, o que torna

pouco viável a sobrevivência das unidades produtivas que já eram

débeis.

O retorno a uma economia virada para a agricultura de

subsistência não me parece que possa ou deva ser uma opção

viável, a população já se habituou a um determinado estilo e

qualidade de vida, que passa pelo acesso a uma série de produtos,

bens e serviços.

O investimento na indústria com vista à exportação para colmatar

as importações e equilibrar uma balança de pagamentos seria

uma medida muito positiva, não estivesse uma grande parte

da nossa indústria desatualizada e na falência sendo necessário

uma elevada capacidade de investimento, numa altura em que os

mercados se encontram com dificuldades no financiamento e os

investidores renitentes na confiança que depositam na economia

portuguesa.

As nossas exportações de bens são feitas à custa de produtos

transformados, na sua maioria aproveitando a nossa vantagem

absoluta natural, como seja por exemplo a cortiça ou o vinho.

Contudo, até aqui a nossa capacidade de produção não deixa

de ser limitada quando pretendemos entrar num mercado com

a dimensão dos Estados Unidos ou até de outro país europeu;

atenção que não estou a discutir qualidade, mas sim quantidade

(e propositadamente escolhi como exemplo estes dois produtos,

cuja qualidade é reconhecida internacionalmente). Todos nós

estamos cientes da qualidade dos produtos portugueses e

fazemos um esforço para os adquirir, independentemente do seu

custo, pois apreciamos a sua qualidade. O que aqui está em causa

é a capacidade de produzir em grande escala para que possa ser

considerado um produto concorrente ou com cota de mercado de

interesse relevante.

Como poderemos então superar a crise e voltar a aumentar a

nossa qualidade de vida? Perguntam os meus alunos do curso

Técnico de Gestão.

A isso eu não sei responder, apenas analisar os dados de que

disponho e formular uma mera opinião.

O que temos em abundância afinal? O que podemos desenvolver,

produzir e exportar?

O que é que oferecemos ao longo de séculos? No que é que somos

realmente bons?

Rapidamente a nossa identidade nacional responde a esta questão


sem precisarmos de grandes indicadores económicos.

A capacidade do povo português em se adaptar, em ser inovador,

em querer ajudar, em bem servir, em ser tolerante e respeitador

dos outros povos levou Portugal a mostrar mundos ao mundo!!!

Não se iludam, amigos, Portugal não teve uma revolução

industrial, não teve uma reforma agrária de sucesso. Nós tivemos

o mundo aos nossos pés pela nossa capacidade de perceber e

receber os outros!

Desenvolver os nossos serviços, apresentar serviços de qualidade

e exportá-los, não é ser-se serviçal, nem subserviente! É acreditar

na nossa cultura, é defender a nossa identidade, é voltar a deixar

a nossa marca nos quatro cantos do mundo!

SERVIÇOS, mas terão de ser serviços de qualidade, com verdadeiros

técnicos de gestão e gestores a desenvolvê-los e a assegurar as

tarefas inerentes aos mesmos.

Gerir e saber gerir - um negócio (pequeno ou grande), uma fábrica

(artesanal ou de tecnologia de ponta) ou um terreno agrícola

(de cultura biológica ou em grande escala), coloca o aluno do

curso Técnico de Gestão apto a trabalhar nos quatro setores de

atividade e com sucesso!

Neste momento e nos tempos mais próximos, o desafio da

sociedade portuguesa passa por desenvolver e apostar num

conjunto de atividades e de tarefas inerentes aos técnicos de

gestão e aos gestores com capacidade para orientar, analisar

e desenvolver atividades que originem produção no país em

qualquer um dos setores de atividade.

Todos os setores de atividade estão aptos a receber um aluno do

curso Técnico de Gestão, o que lhe alarga em muito a possibilidade

de empregabilidade comparativamente a outros cursos.

Contudo, o setor terciário, designadamente o setor dos serviços,

bem como as tecnologias da informação continuam a ser os mais

promissores e é onde, na minha opinião, devemos concentrar os

nossos esforços e desenvolver e especializar as vantagens que o

nosso país tem para oferecer, vantagens naturais – sol, vento,

mar, capacidade de raciocínio, capacidade de interação, língua,

etc. e as vantagens criadas - boa restauração; bons serviços de

hospedagem, boas telecomunicações, entre outros.

Afinal os grandes investidores, contribuidores do PIB no nosso

país e criadores de riqueza fizeram- no em que setor?

Desde o tempo de D. Afonso Henriques sob a égide das cruzadas

e da conquista aos mouros, passando pelos descobrimentos e até

aos dias de hoje, que Portugal vive do comércio e das transações

comerciais, mais ou menos licitas, que as situações e as épocas

históricas originaram.

Tanto se fala numa Sonae, num Belmiro Azevedo, na Jerónimo

Martins, nos grandes grupos económicos como o grupo Melo, o

BES, a Impresa, entre outros. De onde vem a sua riqueza senão

dos serviços prestados – bancos, escolas, hospitais, hotéis,

supermercados etc.

Melhorar, incrementar e exportar os nossos serviços pode ser uma

solução para a nossa crise económica!

Bem-haja o IPE que continua a contribuir para “CRIAR CIDADÃOS

ÚTEIS À PÁTRIA” e a prova disso é o sucesso que os alunos de

economia e gestão têm tido ao ingressar nas universidades mais

conceituadas internacionalmente ou a desenvolver um trabalho

sério e competente nas empresas.

Ana Patrícia Matos

ESCRITOS

Revisitemos o passado

Vivemos hoje num cenário de “oceanos de oportunidades”.

Começaram por ser pequenas gotas, que se transformaram em

rios, e daí rapidamente evoluíram para mares e, que a um ritmo

alucinante, se transformaram em oceanos, de forma tal, que

hoje vivemos num clima aberto e pleno de oportunidades.

Este é o cenário e ambiente da comunidade “pilónica”. A

maioria da parte discente vive, diria que, quase centrada, nas

novas tecnologias, conseguindo muitos deles dar lições sobre as

potencialidades e capacidades dos seus equipamentos.

São os “smartphones” os “ tablets”, as últimas versões dos

sistemas operativos, os computadores portáteis mais recentes

que constatamos ser o objetivo, o uso, e o abuso de muitos dos

nossos alunos.

Estas práticas constituem um capital de esperança, uma vez que

incorporam conhecimento, tecnologia, talento e criatividade.

Para que este esforço não se torne inglório, e também para

que o investimento que os encarregados de educação, e o

Estado (que somos todos nós) não tenha um retorno negativo,

com repercussão nas gerações atuais e futuras, é fundamental

que haja um esforço por parte de todos no sentido de termos

sempre presente os saberes, os usos, e as tradições passadas,

devendo para isso, ser visitados, e revisitados várias vezes,

sempre que necessário.

No âmbito das Provas de Aptidão Profissional (PAP´s) podiam

ser alvo de descriminação positiva as provas que abordassem

temas relacionados com setores considerados estratégicos

a nível nacional (agricultura, atividades relacionadas com o

mar, turismo, por exemplo) e que incorporassem saberes,

conhecimentos e competências existentes, e projetando os

mesmos para o futuro.

Desta forma contribuíamos para gerar um impulso para aquilo

que constitui um desígnio estratégico nacional, em setores

onde proliferam as pequenas e médias empresas.

“Numa altura em que urge criar riqueza no País e gerar novas

bases de crescimento económico, é necessário olhar para o que

esquecemos nas últimas décadas e ultrapassar os estigmas que

nos afastaram do mar, da agricultura e até da indústria, com

vista a produzirmos, em maior gama e quantidade, produtos e

serviços que possam ser dirigidos aos mercados externos.

Tenho defendido que Portugal deve explorar novas opções

de desenvolvimento, sendo que a nossa geografia, os nossos

recursos naturais e o mar são, indubitavelmente, uma dessas

opções.”

In discurso de Sua Excelência o Presidente da República

na Cerimónia de Abertura do 22º Congresso da APDC

– Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das

Comunicações, sob o tema «Um Mar de Oportunidades» em

21 de novembro de 2012

Domingos Borges

(Professor MPCE, NIM 91010795)

27


Textos dos alunos do 9º ano a propósito do tema:

“Teens and body image”

28

ENGLISH CORNER

It’s not simple to talk about body image. I think body image

reflects the way you like to live your life, if you worry too much

with it or if you just don’t care.

Many people judge others by their looks; if they are fat or slim,

short or tall, ugly or beautiful, black or white! I just think that

kind of people are crazy and don’t know anything about real

life, but unfortunately the world is full of those people.

Of course I care a little bit about my appearance but I also know

that my real friends aren’t going to like me more, just because

of the way I look or don’t look!

André Rodrigues, 44/11

Body image is not that much important. It is good to look

yourself in a mirror and like what you see but you don’t really

need other people’s opinion to feel better. We need to be careful

with what we eat and we should be healthy first, then we

can say we are fine.

Nowadays celebrities influence people, especially teens, but

they are who they are and we shouldn’t want to be or try to look

like them. I don’t mean that fat or obese people shouldn’t try

to change, to take care, and to be helped by doctors and being

well advised but always with careful and respect for themselves.

Sometimes people make fun of others not knowing how that

can be very harmful and totally irresponsible and unfortunately

teens do it a lot.

In conclusion, the important thing is the way you fell about

yourself and the people who truly like you.

João Ferreira, 215/11

A persons’ body image is the way people see themselves when

they look at the mirror or when someone makes a comment on

your looks.

The body image is checked by our self-esteem and that should

be a positive thing. But some people can’t cope with a criticism

and start to develop eating disorders and even serious diseases,

like anorexia or bulimia and sometimes causing great damage to

their health or even death.

Well, of course everyone wants to be fit and healthy and look

good; So what can we do to help this people? We can talk to

them, make them feel confident with themselves, making them

know how important they are to their friends and family.

Enzo Morais, 426/12

I think that our body image is important because nowadays

people’s appearance is the first thing one sees, but one thing

is to take of your body and other completely different is to be

obsessed with it.

Some teens think their body image is everything but others, like

me, care about the inner beauty, the real beauty.

All my life, I have learned that we need to develop self-confidence

and lead a healthy lifestyle and it’s a shame that some

teens just can’t understand that.

We need to accept ourselves the way we are, and accept others

too. Nobody’s perfect!

Rita Esteves, 1011/12

My Favourite Dessert

My favourite dessert is chocolate crepes.

Chocolate crepes is a delicious dessert made with three eggs,

two cups of flour, two cups of milk, one cup of water, three

tablespoons of oil, one pinch of salt, oil of a frying pan and two

tablespoons of sugar.

Chocolate sauce is made with 100 grams of chocolate, two

tablespoons of butter, two tablespoons of milk, one tablespoon

of sugar and one pinch of vanilla.

This recipe is originally from Brittany, a region in the northwest

of France, their consumption is widespread in France and Quebec.

In Brittany, crepes are traditionally served with cider. Crepes are

served with a variety of fillings, from the most simple with only

sugar to flambéed Crepes Suzette or elaborate savoury fillings.

You should try it. It’s delicious!

Mariana Baptista, 2/10, 7º B

Our tour of Lisbon

Our names are Mariana and Inês. Our ages are twelve and

thirteen years old and we live in Lisbon. We are going to take

you on a tour of Lisbon.

Lisbon is in the middle of Portugal, about 20 kilometres of

Sesimbra. Do you know it´s the Europe’s second-oldest capital

(after Athens)?

First, we are going to take you to visit excellent museums, from

the famous Calouste Gulbenkian Museum to the outstanding

Ancient Art Museum, and the more recent Design Museum. We

can take some photos there.

Then, we’re going to walk along the river Tejo and we can learn

all about our history and perhaps visit the Belém Tower and the

marvelous Jerónimos Monastery.

Finally, we’re going to take you to the D. Maria II theatre in

the evening. It’s a beautiful, big and old building in Lisbon

downtown. We can see a play there.

That’s our tour of Lisbon!

Mariana Baptista, Nº 2/10

Maria Pereira, nº 1521/12, 7ºB

Love

The sun is bright

The sky is blue

Flowers are pretty

My heart cries for you!

Violets are dark

Your eyes are beautiful

Our life is so funny

Because I belong to you!

You are my Valentine

Handsome, funny and sweet

I keep you very close to me

Because I need you!

Sugar is sweet

Only sweet like you

But never forget

That I love you! Maria Pereira Nº 1521/12, 7ºB


Roses are red

Roses are red

Flowers are blue

The world is so sad

When I am not with you

Roses are red

Flowers are blue

They are beautiful

Just like you

Roses are red

Flowers are blue

The sun is yellow

And I love you

Roses are red

flowers are blue

the sun shines

when I’m with you

I like to go to the garden

To play and walk

to see the flowers shinnning

it’s beautiful.

Love

Your hair is bright

Your eyes are blue

The sugar is sweet

And so are you!

Sometimes you are bad

Sometimes you make me blue

In spite of that

I still love you!

Ilidio 273/12 – 5ºB

Oliveira 579/12 – 5º A

Ana Carolina 1017/12 – 5ºB

Ana Pontes - 5ºB

David Barroso Nº 04/10, 7ºB

ENGLISH CORNER

Defining “Adolescence”

Adolescence is one of the worst and at the same time one of

the best period of time in our lives. Being a teenager means

discovering who we are, our responsibilities, making choices,

our body changes, our feelings…but t also means discovering

life, have freedom, fall in love, build our future!

We all know that adolescence is possibly the most important

time of our lives because the choices that we make when we

are teenagers will be reflected in the rest of our lives. Choices

like smoking or not, drinking alcohol or not, take drugs or not,

what degree we want to take, to chose what we want to be in

the future.

In conclusion, adolescence is the most important period of our

life. What we decide will be determine our future life.

Diogo Pinto 120/07

Adolescence is a hard period. Teenagers suffer a lot of physical

and psychological changes. They start to know how their boby

works. During this period teenagers must make plans for their

future life. Teenagers are figuring out who they are, what they

believe in, what there are good at, and what their place in the

world is going to be.

It is a period of time in which teenagers think they know

everything, they don’t like to follow rules but besides this desire

to feel free they have a lot of responsibilities.

Teenagers often suffer peer pressure. They want to belong to a

certain group and in order to be accept they make things they

don’t feel confortable with such as smoking, drinking, doing

drugs which may create adiction. Teenagers must be courageous

and fight against these situations. They can make a difference if

they are strong enough to be different and mature!

Guilherme Ramos220/11

Adolescence is the period in each adolescents choose the future

of their lives.

In this period, teens can be influenced by their peers who may

have a positive or negative influence.

It is a time when they choose the job and the skills they must

develop in order to have qualifications in the job market and to

find the perfect job.

It is also the time to choose the friends who they want to have

in their lives.

The future life depends on the choices and decisions and

friendships we have made during this period.

The choices and attitudes teens make decide the future and the

kind of life they will have.

It’s time to make a decision on how the future will be.

We conclude that we can define adolescence using these key words:

Decisions

Choice

Physical and psychological changes

Peer pressure

Friendship

Addiction

Risks

Freedom

Responsibilities

Plan

Future life

29


Il est très important de parler français parce que le français est

une des langues les plus parlées dans le monde. Plus de 200

millions de personnes dans le monde parlent le français.

Moi, j’aime apprendre à parler français parce que c’est très facile

et amusant.

J’aimerais un jour parler bien le français pour avoir un bon

travail dans le futur.

La prononciation est amusante.

J’aime le français!

30

LE COIN DU FRANÇAIS

“Communiquer en français” “Communiquer aujourd’hui”

David Lima, 61/11, 8º A

Il est très important de parler le français parce que c’est une

langue parlée dans une grande partie du monde.

Je trouve que les verbes en français sont un peu difficiles mais

parler le français est amusant et facile. J’adore parler français.

Je pense que tout le monde devrait parler le français parce que

c’est très important pour toute la vie.

J’adore le français!

Diogo Marques, 185/09, 8º A

Je crois que communiquer en français aujourd’hui est très

important parce que le français est une langue parlée par

beaucoup de personnes dans le monde. Plus de 200 millions de

personnes parlent le français.

C’est très important aussi quand on visite la France pour

connaître ses monuments.

Je pense que la langue française est très facile.

Mandugal, 816/11, 8º B

Communiquer en français est très important pour toutes les

personnes, car le français est la langue officielle dans beaucoup

de pays du monde. Le français est difficile mais facile au même

temps.

J’adore le français parce que les thèmes que j’apprends sont

très faciles.

J’adore le français et la gastronomie française.

Pedro Jesus, 397/11, 8ºA

Le français est une langue très importante et très facile à

apprendre.

Parler le français peut nous aider à communiquer avec des

personnes d’autres pays de langue française.

Je pense que c’est une langue très importante pour notre vie,

pour nous aider à trouver un travail dans le futur.

José Tonet, 158/12, 8ºA

Aujourd’hui, communiquer est très facile parce qu’il y a

beaucoup d’appareils électroniques comme l’ordinateur, le

téléphone portable, la radio et la télé.

Grâce à ces appareils de communication, nous pouvons

transmettre et connaître des nouvelles importantes.

Actuellement, il y a beaucoup de personnes qui communiquent

constamment, car depuis leur enfance ils connaissent ces

importants appareils.

Walter Godinho,214/12, 8º B

Salut! Je m’appelle João Lima et j’aime l’internet.

Avec l’internet on peut “Tchater” avec les amis qui sont de l’autre

côté du monde.

L’internet est très utile mais il faut être prudent parce que c’est

dangereux aussi.

J’aime l’internet et les portables car ils nous informent de toutes

les choses qui se passent dans le monde.

Je pense que parler des langues étrangères est très important pour

communiquer avec d’autres personnes d’autres pays du monde.

Une des langues les plus importantes du monde est le français,

parce qu’elle est parlée dans beaucoup de pays.

Plus de 200 millions de personnes parlent le français.

Je pense que parler français est très important pour le futur.

João Lima, 432/12, 8º A


Um arco-íris no IPE

Numa manhã de Janeiro, ao entrar no Instituto, visualizo um

fenómeno maravilhoso, deslumbrante, espetacular: um arco-íris

completo, no céu do IPE. Fiquei parada, durante alguns instantes

a observar. Fotografei-o e pensei…

Hoje em dia, os alunos raramente param para observar, colocar

hipóteses, testar, encontrar respostas e confirmar. Cabe aos pais,

encarregados de educação e professores o dever de incutir e

mostrar às crianças/adolescentes quão maravilhoso é o mundo

natural, ou seja, a ciência, todas as ciências em geral, mas em

particular as ciências físicas e químicas.

Mas na realidade, o que é a Física e a Química? Vamos ao

dicionário encontrar o seu significado. Física: ciência que estuda

os fenómenos que não alteram a estrutura interna dos corpos.

Química: ciência que estuda a composição e propriedades dos

elementos da natureza, as suas transformações e a forma como

reagem entre si 1 .

Os termos Física e Química são extremamente abrangentes e

incluem o conhecimento da Natureza e do mundo natural.

Quem é que nunca se questionou acerca de inúmeras situações

que ocorrem no dia-a-dia?

Como se forma um arco-íris?

Como se sucedem os dias e as noites?

Porque temos estações do ano?

Porque é que o Sol emite luz?

Como se extrai o ferro?

Como se produz energia elétrica?

Como se fabricam os medicamentos?

Porque se forma a ferrugem?

Porque é que a Lua apresenta fases?

O que são ultrassons?

Como se forma a trovoada?

Porque diminuiu a camada do ozono existente na

estratosfera?

Como se fabrica o vidro?

O que é a aspirina?

Como se produz o papel?

Todas estas situações estão diretamente relacionadas com a física

e/ou com a química. Qualquer “corpo” que existe esteve, está

e estará relacionado com processos físicos e químicos. Através

da Física e da Química podemos obter resposta a todas estas

questões. No entanto, algumas das respostas de hoje, poderão

ser imperfeitas amanhã, não só devido a um conhecimento

científico maior, mas também devido à investigação “galopante”

que utiliza instrumentos/meios muito evoluídos e avançados.

Podemos afirmar inequivocamente que a Ciência não está toda

estudada, nem nunca estará.

De uma forma muito concisa e simples vamos responder às

questões colocadas.

O arco-íris forma-se devido ao fenómeno de decomposição da

luz branca, nas suas diferentes cores ao passar através das gotas

da chuva. Os dias e as noites sucedem-se como consequência

do movimento de rotação da Terra e as estações do ano existem

porque a Terra tem movimento de translação e o seu eixo de

rotação é inclinado (23° 5’) em relação ao plano da sua órbita.

VOZ DA CIÊNCIA

Obtém-se ferro a partir das rochas que contêm este metal

submetendo-as a elevadíssimas temperaturas. A energia elétrica

é o movimento ordenado de cargas elétricas que é possível obter

através de determinados movimentos (pás de uma turbina numa

central hidroelétrica). Forma-se ferrugem porque o ferro sofre

o fenómeno de oxidação. A Lua apresenta diferentes formas

devido ao seu movimento de rotação em torno da Terra. Os

ultrassons são sons com uma frequência superior a 20 000 Hz que

o ouvido humano não tem capacidade de detetar, sendo muito

utilizados em medicina (ecografias). As trovoadas formam-se

devido ao choque de nuvens que se encontram eletricamente

carregadas. A camada de ozono está a diminuir pois os CFC

(clorofluorcarbonetos) reagem com o ozono e transformam-se

em outros compostos que não têm capacidade para proteger

a Terra das radiações solares nocivas. O vidro é produzido

aquecendo em conjunto areia de sílex, carbonato ou sulfato de

sódio ou de potássio e carbonato de cálcio, de chumbo ou de

outros metais. A aspirina é o ácido acetilsalicílico e o papel é

produzido utilizando celulose proveniente das árvores.

A Física e a Química são os conhecimentos essenciais, as bases,

os pilares de todas as estruturas; em resumo: de tudo. Quem

imaginaria possível vivermos hoje sem eletricidade (cargas

elétricas em movimento)? Voltaríamos à candeia de azeite

(combustão do azeite). Ou sem medicamentos (síntese química)?

Seria mais complicado e não poderíamos usufruir da qualidade

de vida que temos. Hoje em dia, senão existissem as indústrias

farmacêuticas, de tintas e de vernizes, das bebidas gaseificadas,

dos detergentes, dos conservantes, do papel, do plástico, da

metalúrgica, dos componentes elétricos e eletrónicos, do

petróleo, dos lacticínios, etc., o ser humano teria a sua vida bem

mais dificultada. Todas as indústrias referidas não existiriam se

não existisse uma grande base de apoio e a enorme sustentação

da Física e da Química.

Um ser vivo só nasce, porque existiram, num determinado

momento, uma variedade de condições que interagiram e

deram origem a um novo ser, ou seja, os átomos e moléculas

reorganizaram-se.

Imagine uma paisagem montanhosa; observe, repare e analise

1. Dicionário Básico da Língua Portuguesa, Porto Editora, ISBN 978-972-0-1285-2, setembro de 2007.

31


32

VOZ DA CIÊNCIA

tudo o que aí existe (árvores, frutos, pedras, flores, água,

nuvens…). Tudo isso pode ser identificável (física e quimicamente)

através das propriedades que lhe são características (ponto de

fusão, ponto de ebulição e massa volúmica).

Analisemos um interruptor: é feito de plástico, com materiais

isolantes para proteger os utilizadores e material condutor

para conduzir com eficácia a corrente elétrica. Apresenta uma

estrutura base onde assenta o seu funcionamento e materiais

específicos (fios condutores) para que possa na realidade

cumprir as funções a que se destina — abrir e fechar um circuito.

No inverno é adicionado sal ao gelo existente nas estradas, pois

a adição de sal diminui o ponto de fusão do gelo (temperatura à

qual passa do estado sólido para o estado líquido), fazendo com

que este funda, a temperaturas mais baixas, facilitando desta

forma a circulação em segurança dos veículos automóveis.

Não é possível falar de nada que não esteja relacionado

com física e química. Até o ato de falar implica um processo

físico (circulação do ar através das cordas vocais e aparelho

respiratório), que será diferente de pessoa para pessoa

dependendo da quantidade de ar que passa nas cordas vocais,

da velocidade com que esse ar passa, da estrutura/morfologia do

aparelho respiratório.

O sal extraído das salinas (cristalização), a produção de café

(moagem e filtração), gasolina ou gasóleo (destilação fracionada)

são exemplos de processos de separação físicos e químicos. A

Física e a Química estão em todo o lugar e em tudo.

Quer acreditem ou não, a Física e a Química estão sempre

presentes. Todos nós somos autênticas “fábricas” físicas e

químicas “andantes”, transformamos alimentos, mantemos

a temperatura corporal, regeneramos a nossa pele e o nosso

organismo, combatemos doenças, etc.

A Física e a Química são na realidade muito importantes.

Parem. Observem. Reparem. Analisem.

É Fisica? Sim. É Química? Sim. É tudo Física! É tudo Química!

Um BI feito de luz

Paula Francisco

Numa aula prática de Química observámos espectros de emissão

dos elementos hidrogénio, hélio, iodo e néon recorrendo a tubos

de descarga. Aplicámos corrente elétrica nos elétrodos dos tubos

e observámos o aparecimento de uma luz colorida.

Este esquema representa o processo de decomposição da radiação

emitida pelo hidrogénio.

Os meus colegas estão a fazer a observação da série de riscas

monocromáticas utilizando uma rede de difração e um

espetroscópio.

No caso do hidrogénio, vimos que o registo das emissões se

traduziu no aparecimento de quatro riscas características

em comprimentos de onda na região visível do espetro

eletromagnético, como aparece nesta imagem.

No caso do hélio o espetro visível é diferente.

Espetro de emissão do hélio.

Nesta atividade prática, percebemos então que cada elemento

tem um espetro de riscas que o diferencia dos outros elementos

químicos.

Que interesse científico e pedagógico tem o estudo das luzes

emitidas por hidrogénio rarefeito dentro de um tubo? Como é que

da interpretação do espetro de emissão de hidrogénio, é assim que

corretamente devemos designar essas luzes, surgiu um modelo

para entendermos melhor o átomo? Que informações nos dão os

espetros das estrelas?

Estas questões, foram algumas que motivaram os alunos para

o estudo.

A Tabela Periódica, quadro fundamental da Química, reúne

todos os elementos químicos conhecidos no Universo. Cada

elemento químico possui um tipo de átomo característico que o

diferencia dos outros.

O átomo de hidrogénio é o mais simples, o seu espetro também,

e já é conhecido desde o século XIX. A sua interpretação foi

conseguida pelo físico dinamarquês Niels Bohr.

Quando os átomos de um elemento no estado

gasoso absorvem determinados valores de

energia que lhe é fornecida por processos

como o aquecimento ou descarga elétrica,

dá-se o fenómeno da excitação do átomo:


os eletrões transitam para níveis de energia superior onde

ficam instáveis. Na desexcitação, os eletrões voltam a níveis de

energia inferiores, e o átomo emite fotões de luz apenas com

determinados comprimentos de onda.

Um eletrão num nível de energia E 3 , ao voltar ao nível de

energia inferior E 2 , emite um fotão de energia igual a ΔE = E 2

- E 3 = h c /λ, onde h=6,6x10 -34 J.s é a constante de Planck, c =

3,0x10 8 ms -1 é a velocidade da luz e λ o comprimento de onda

da radiação do fotão emitido.

Sendo assim, os espetros de emissão funcionam como um bilhete

de identidade dos elementos químicos.

O hidrogénio emite ainda radiações na zona do ultravioleta e

infravermelho. O conjunto de riscas em cada uma das regiões

designa-se por série e tem o nome de cientistas que as

identificaram. As riscas visíveis correspondem à série de Balmer.

Séries de riscas espetrais

O sucesso da interpretação de Bohr para o átomo de hidrogénio,

embora não se estendesse ao de outros elementos, levou-o a

propor um modelo para o átomo em substituição do modelo

planetário de Rutherford.

Bohr postulou que os eletrões giravam em órbitas circulares

em torno do núcleo sem perderem energia. A transição entre

órbitas, ou níveis de energia, só ocorria se o átomo absorvesse

ou emitisse quantidades discretas de energia.

Modelo atómico de Bohr

Mas muito ficava por explicar. A mecânica quântica permitiu

obter as explicações que faltavam. Atualmente o modelo

quântico do átomo, baseia-se num conceito probabilístico.

Proposto por Erwin Schrodinger na segunda década do século

XX, o modelo da nuvem eletrónica, defende a existência de

uma região do espaço em volta do núcleo onde é elevada a

probabilidade de encontrar os eletrões.

Na impossibilidade de viajarmos até às estrelas, a análise

espetroscópica de um feixe luminoso irradiado por uma estrela

permite-nos obter várias informações sobre a sua composição

VOZ DA CIÊNCIA

química e a proporção em que os elementos se encontram, a

sua temperatura, e a fase do ciclo de vida em que se encontra.

Este método analítico permitiu concluir que o hidrogénio é o

elemento mais abundante nas estrelas (90%), seguindo-se o

hélio (9%). A temperatura da estrela também influencia o seu

espetro de radiação emitida. A intensidade das riscas de Balmer

indica a temperatura das estrelas. Para que haja riscas intensas

na região visível do espetro de hidrogénio, a temperatura da

estrela tem de ser cerca de 10 000k. A temperaturas mais baixas,

como a do nosso Sol, por exemplo, os átomos de hidrogénio

encontram-se sobretudo no estado fundamental, ou seja o de

menor energia, pelo que é pequena a intensidade destas riscas.

Uma pequena atividade experimental levou-nos do infinitamente

pequeno mundo dos átomos ao infinitamente grande mundo

das estrelas. A aventura da ciência não para de nos surpreender.

Fonte

http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/1922/bohrphoto.html

http://www.google.pt/search?q=modelo+at%C3%B3mico+de+bohr&

hl=pt-PT&tbo=u&rlz=1R2MXGB_pt-PTPT510&tbm=isch&source=univ

&sa=X&ei=-sYiUbnGAoOAhQeAhYGIBw&ved=0CCoQsAQ&biw=1348

&bih=751Z

Aluno Nuno Oliveira, 90/09, 10ºA

Professora Maria José M. Engenheiro

A Biodiversidade, uma das maiores riquezas da

Terra…

“O mundo está cheio de coisas mágicas à espera que os nossos

olhos estejam aptos a poder vê-las” (Talles Mc Dowell)

A frequência de utilização dos termos biodiversidade ou

diversidade biológica tem aumentado continuamente ao

longo das duas últimas décadas. Este facto deve-se em

parte à Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) que,

durante a Conferência das Nações Unidas para o Ambiente

33


e Desenvolvimento (CNUAD), no Rio de Janeiro em de 1992,

declarou a “preservação da biodiversidade como um elemento

fundamental para o desenvolvimento sustentável”.

Existem várias definições para biodiversidade ou diversidade

biológica, mas a mais completa é definida em termos de

genes, espécies e ecossistemas, sendo vulgarmente usada para

descrever o número e a variedade dos organismos vivos no

planeta Terra.

O nível genético compreende a variabilidade genética entre

populações separadas ou entre indivíduos de uma mesma

população. A diversidade ao nível das espécies inclui todas

as espécies existentes numa determinada área ou em todo o

planeta e a diversidade ao nível dos ecossistemas, ou diversidade

ecológica, inclui a diversidade de processos ecológicos intra e

interecossistemas.

A biodiversidade deve incluir tanto o número (riqueza) de

diferentes categorias biológicas, como a abundância relativa

(equitabilidade) dessas categorias. Verifica-se, assim, que

existe uma relação íntima entre espécies, genes e ecossistemas,

bem como uma interdependência entre estes para possibilitar

a existência de vida.

Deve-se ter presente que o conceito de diversidade biológica

inclui também as espécies domesticadas ou cultivadas, ou seja

aqueles organismos cuja evolução se encontra associada a

processos de seleção e melhoramento efetuados pelo Homem

(seleção artificial).

O número exato de espécies atualmente existentes é ainda

desconhecido, apenas se encontram identificadas cerca de 1,5

milhões de espécies. No entanto, estima-se que hoje na Terra

possam existir cerca de 3-5 milhões.

Para classificar as espécies animais e plantas em função

do seu maior ou menor risco de extinção, identificar as

ameaças, assim como conhecer as medidas de conservação

necessárias para melhorar o estatuto das espécies ameaçadas

e quase ameaçadas, existe um importante documento: o

Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas da UICN – “IUCN

(International Union for Conservation of Nature) Red List of

Threatened Species“.

A nível mundial, segundo os dados mais atuais deste Livro

(2012), das 63,837 espécies avaliadas, 19,817 estão

ameaçadas de extinção, incluindo 41% dos anfíbios, 33% dos

recifes de corais, 25% dos mamíferos, 13% das aves e 30% de

coníferas.

Infelizmente, em Portugal também existem várias espécies

ameaçadas, encontrando-se documentadas no “Livro

Vermelho dos Vertebrados de Portugal”. Neste encontram-se

classificadas as espécies de vertebrados que utilizam o território

nacional (peixes dulciaquícolas e migradores, anfíbios e répteis,

aves e mamíferos), em função da sua probabilidade de extinção,

num dado período de tempo (consultar http://www.icnf.pt/portal/

naturaclas/patrinatur/lvv).

De acordo com UICN, as extinções de espécies, por dia,

continuam a uma taxa 1,000 vezes superior, em relação ao

34

VOZ DA CIÊNCIA

expectável. Como causa principal deste problema, pode-se

mencionar o elevado aumento demográfico verificado a partir

da Revolução Industrial. Este aumento teve como consequência

a utilização crescente e a sobre-exploração dos recursos naturais,

principalmente as florestas. A prática de desflorestação para o

desenvolvimento da agricultura, construção de centros urbanos,

indústrias, vias de comunicação e outras infraestruturas, tem

conduzido à destruição, degradação e fragmentação dos

habitats naturais, promovendo de forma evidente a perda de

biodiversidade.

Para além destas causas, acrescenta-se ainda a poluição, as

alterações climáticas, os incêndios, a caça e a pesca excessiva,

a introdução de espécies exóticas e o aumento na dispersão de

pragas e doenças, ações de responsabilidade humana.

Nunca devemos esquecer que a biodiversidade tem um

papel essencial na manutenção da estabilidade do planeta

Terra.

A comunidade científica defende que a preservação da

diversidade biológica é fundamental para o normal

funcionamento de todos os ecossistemas. A perda de

funções “gratuitas”dos ecossistemas, como a regulação do

clima, a purificação do ar, a polinização de culturas, o controlo

de pragas, a proteção dos solos, a reciclagem dos nutrientes

e a autodepuração das águas, são exemplos de processos que

dependem da diversidade de seres vivos.

Um outro argumento muito utilizado na defesa e preservação

da biodiversidade é o económico. Pelo facto da diversidade

de formas de vida servirem como fonte de alimento e

de matéria-prima, serem utilizadas em muitas atividades

económicas e ainda muitos seres serem essenciais à

sobrevivência do Homem. É o caso dos que servem de

alimentos, os que permitem a produção de vacinas, antibióticos

ou de outros medicamentos, cuja produção e desenvolvimento

estão muito dependentes da existência de diversidade

biológica. Mesmo os recursos biológicos para os quais ainda

não se conhece, hoje, uma aplicação útil deverão, no entanto,

ser preservados como opção para um uso futuro.

Outros argumentos, frequentemente usados para justificar a

preservação da diversidade biológica, são de caráter ético e

filosófico. Este tipo de argumentação defende que as espécies

têm valor intrínseco, apenas pelo facto de existirem,

independentemente do uso ou benefícios diretos que delas

possam derivar. A diversidade biológica é ainda fonte de

inspiração artística, cultural ou científica e também por

estas razões deverá ser preservada, por razões estéticas.

Devido à importância da biodiversidade para a nossa

sobrevivência, a Assembleia-Geral das Nações Unidas

declarou em Março de 2011 que o período entre esse ano e

2020 seria intitulado de Década das Nações Unidas para a

Biodiversidade. Este período, tem como objetivos principais

a promoção e implementação de um plano estratégico para a

biodiversidade e a criação da visão segundo a qual o Homem

deve viver em harmonia com a natureza.

Neste plano estratégico para a biodiversidade definiram-se


diferentes metas, das quais se destacam: a abordagem das

causas subjacentes da perda da biodiversidade; a redução

das pressões diretas sobre a biodiversidade; a promoção do

desenvolvimento sustentável; o melhoramento do estado da

biodiversidade por ecossistemas e espécies; a salvaguarda

da diversidade genética e o aumento dos benefícios, para as

populações, decorrentes da preservação da biodiversidade.

É urgente que todos nós reconheçamos a importância de

vivermos em harmonia com a natureza.

Algumas referências bibliográficas

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(2011). Restoration of ecosystem services and biodiversity: conflicts and

opportunities. Trends Ecol Evol. 26(10):541-9. Review.

Cardinale, BJ; Duffy, JE; Gonzalez, A; Hooper, DU; Perrings, C; Venail,

P; Narwani, A; Mace, GM; Tilman, D; Wardle, DA; Kinzig, AP; Daily, GC;

Loreau, M; Grace, JB; Larigauderie, A; Srivastava, DS; Naeem, S (2012).

Biodiversity loss and its impact on humanity. Nature. 6;486 (7401):59-

67. Review.

Colwell, RK and DC Lees (2000). The mid-domain effect: geometric

constraints on the geography of species richness. Trends in Ecology and

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Costello, MJ; May, RM; Stork, NE (2013). Can we name Earth’s species

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Duraiappah, AK (2005). Ecosystems and human well being. Millennium

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Gaston, K.J.(2000). Global patterns in biodiversity. Nature, 405,

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Olfa, K and Cirano, L (2004). The Natural State as a Basis for Biodiversity

Measurement. Université de Québec À Montréal Département des

Sciences Économiques.

http://www.cbd.int/

http://www.iucnredlist.org/news/securing-the-web-of-life

http://www.iucn.org/iyb/about/biodiversity/

http://www.unric.org/pt/actualidade/30777-decada-das-nacoes-unidaspara-a-biodiversidade-2011-2020-viver-em-harmonia-com-a-natureza

http://www.wwf.org/

Maria Carolina Guerreiro Pereira

(Grupo 520)

Biomassa para energia

O Sol e a biomassa foram desde o início da humanidade as

únicas e principais fontes de energia. Se quisermos ser precisos,

biomassa é uma forma de energia solar, uma vez que sem o

Sol não existiria vida (Bios) nem a biomassa, que resulta da

transformação da energia

solar em matéria orgânica

através da fotossíntese.

Figura 1- Processo

de fotossíntese (ibidem)

VOZ DA CIÊNCIA

As plantas convertem a energia solar através da fotossíntese,

com uma eficiência de 0,1%, e armazenam-na, durante

muito tempo, nas folhas, nos caules, nas flores, etc. Em

condições limite, a energia na biomassa pode ser armazenada

infinitamente, sem perdas 1 .

Podemos dizer que, com a descoberta do fogo, o homem

começou a utilizar a biomassa como fonte de energia calorífica

que lhe servia quer para aquecimento, quer para a confeção

de alimentos.

Hoje o conceito de biomassa é bastante mais abrangente e é

definida como a “fração biodegradável de produtos e resíduos

provenientes da agricultura (incluindo substâncias vegetais e

animais), da silvicultura e das indústrias conexas, bem como a

fração biodegradável de resíduos industriais e urbanos 2 ”.

SÓLIDA LÍQUIDA GASOSA

Figura 2 – Exemplos de fontes de biomassa (op. cit 1 )

A biomassa é a única fonte de energia renovável que pode

dar origem a combustíveis gasosos, líquidos ou sólidos,

através de tecnologias de conversão conhecidas e em grande

desenvolvimento uma vez que a sua utilização pode contribuir

significativamente para a diminuição do consumo de

combustíveis fósseis e consequentemente contribuir para uma

maior sustentabilidade ambiental. Os combustíveis obtidos a

partir desta fonte renovável podem ser utilizados na forma de

energia calorífica, mecânica ou elétrica.

CALORÍFICA MECÂNICA ELÉCTRICA

Figura 2 – Exemplos de fontes de biomassa (op. cit 1 )

1 - IST – Projeto GREENPRO, Bioenergia: manual sobre tecnologias, projeto e instalação.

(Janeiro de 2004), Lisboa.

2 - Diretiva Comunitária 2001/77/EC..

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VOZ DA CIÊNCIA

Apesar da queima destes combustíveis, tal como de qualquer

outro tipo, produzir Dióxido de Carbono (CO 2), este depois é

convertido através da fotossíntese, formando-se como que um

ciclo fechado como se pode ver pela figura.

Figura 3 – Ciclo do Dióxido de Carbono 3

Figura 4 – Conversão em diversos tipos de biocombustíveis de

culturas energéticas biomassa 4

Resíduos florestais e agrícolas: o aproveitamento dos resíduos

gerados pelas atividades de cultivo ou de atividades florestais,

tal como a palha ou resíduos de madeira permitem a redução

dos custos dos produtos principais, valorizando assim estes

subprodutos naturais.

Subprodutos orgânicos: o processamento da biomassa para

a criação de outros produtos origina um grupo adicional

de subprodutos, como resíduos orgânicos, efluentes das

agropecuárias e resíduos industriais.

Resíduos orgânicos: estes resíduos incluem os resíduos

domésticos e lamas dos efluentes domésticos e industriais.

(op. cit 1)

Apesar da nomenclatura das fontes de biomassa no Brasil não

ser igual, a figura que se segue mostra claramente os diversos

processos de conversão da biomassa em biocombustíveis.

3 - Portal das Energias Renováveis

4 - Ana Luísa Fernando, Apontamentos da disciplina de Produção de Biomassa para Energia, FCT – Departamento

de Energia e Bioenergia.

Figura 5 – Métodos de processamento da biomassa 5

Após esta breve explicação sobre biomassa e formas de energia,

convém quantificar a energia que se pode obter e comparar com

os combustíveis fósseis.

Pretende-se perceber até que ponto é viável o aproveitamento

deste tipo de energia renovável.

Quadro 1 – Comparação da quantidade de combustível para

a obtenção do mesmo valor de energia obtida por um metro

cúbico normalizado de biogás 6

A biomassa em Portugal tem tido pontos altos e baixos, e as

diretivas comunitárias que impõem a redução de emissões de gases

de efeito de estufa têm contribuído para o desenvolvimento de

técnicas de produção de energias alternativas e a implementação

de polos de produção específicos. Em Portugal existem centrais

de biomassa já implementadas e outras em projeto.

De acordo com dados da EDP, apresenta-se de seguida uma

imagem com a localização e especificação das centrais de

biomassa. De salientar que maioritariamente se encontram

no norte uma vez que há necessidade da sua localização ser

próxima de locais arborizados (florestas, culturas dedicadas)

para que os custos de transporte sejam minimizados.

5 - http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/atlas/biomassa/images/fig5_7.jpg

6 - http://cenbio.iee.usp.br/saibamais/brasil.htm


Figura 6 – Localização das centrais de biomassa com base em

dados da EDP 7

A central de Mortágua é a que mais atividade produtiva tem

tido desde 1999 e a partir de uma apresentação de 2010

podemos verificar os valores produzidos por ano pelas centrais

de biomassa em Portugal.

Quadro 2 – Centrais de Biomassa em 2010 8

Legenda :

MTG – Mortágua; VVR

Vila Velha de Rodão; CST

Contância; FFZ

Figueira da Foz

É evidente que as quantidades de resíduos queimados para a

obtenção destes valores de energia são bastante elevadas e

podemos dizer que a floresta fica sobre uma pressão acrescida,

bem como a biodiversidade e as consequências que poderão

refletir-se nos ecossistemas afetados. Há, no entanto, inúmeras

vantagens tais como:

Contribuição para a economia local;

Criação de postos de trabalho;

Eliminação de resíduos e redução de fogos florestais;

Requalificação ambiental (por prevenirem o fenómeno

erosivo, por aumentarem os elementos nutritivos do

solo e reduzir a possibilidade de cheias).

VOZ DA CIÊNCIA

Qualquer decisão sobre o uso de energias renováveis deve ser

ponderada, uma vez que tem sempre, seja qual for o ponto

de vista, vantagens e desvantagens. No entanto há que ter

conhecimento de todas elas e pesar na balança o valor de cada

uma, não só económico como ambiental.

Portugal deve aproveitar de forma eficiente e rentável as suas

capacidades, os seus recursos, de forma a cumprir com os

objetivos a que se propôs quando da ratificação do Protocolo

de Quioto.

Como costumo dizer aos nossos alunos, devemos ter consciência

das vantagens e consequências de qualquer atitude que

tomamos e acima de tudo aproveitar da melhor forma as nossas

capacidades quer de trabalho quer intelectuais. O nosso tempo

deve ser rentabilizado ao máximo e muitas vezes só pelo facto

de estarmos atentos na aula reduzimos em muito o tempo de

estudo necessário para o sucesso escolar.

Para finalizar apenas se refere este pequeno texto, retirado de

um trabalho de mestrado de uma aluna da Universidade de

Aveiro, de Engenharia Ambiental:

“When the last tree is cut, the last river poisoned, and the last

fish dead, we will discover that we can’t eat money...”

[quando a última árvore for cortada, o último rio envenenado e

o último peixe morto, descobriremos que o dinheiro não serve

para comer…]

Greenpeace 9

Ana Paula Oliveira

7 - Apresentação sobre Centrais de Biomassa em 2007, EDP em parceria com ALTRI.

8 - Gil Patrão, “Geração de Energia Elétrica a partir de Biomassa”, comunicação apresentada na “4ª

Conferência Nacional de Avaliação de Impactes”.

Vila Real – UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – 20 a 22 de outubro de 2010.

9 - Sara Sofia de Sousa Maurício, A Produção de Biodiesel a partir de Óleos Alimentares Usados [texto

policopiado], Dissertação para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em

Engenharia do Ambiente apresentada à Universidade de Aveiro, 2008, citação final.

37


E por falar em saudade...

A redação deste texto coincide com a proximidade de minha

despedida de Portugal. Com o chegar do mês de março, retorno

ao Brasil, mais precisamente, para Porto Alegre no Rio Grande

do Sul.

Quero agradecer a generosidade e atenção com que fui recebida

nesta escola. Levo no coração as amizades feitas. Amizades às

quais, espero o tempo só faça reforçar os laços. Dizem que a

palavra saudade só existe na língua portuguesa. Não sei se é

verdade. Mas sei que este sentimento, que, em nossa língua,

denominamos saudade, é algo presente em quem tem mania

de querer bem, de construir afetos. Não há escapatória: sentirei

saudades dos amigos e amigas portugueses.

Nas minhas visitas ao Instituto dos Pupilos, muito aprendi sobre

a história da escola, sobre suas instalações e tradições. Reconheci

o sentimento de pertencimento como uma das marcas que esta

instituição de ensino forja em seus integrantes e ex-alunos.

A escola cujo quadro docente eu faço parte é também uma

instituição ligada à caserna, dona e produtora de tradições,

onde uma das marcas é, justamente, o sentimento de pertença

gerado em grande parte de seus alunos e ex-alunos e demais

integrantes.

Retornarei ao Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA) no mês de

seu aniversário e nos festejos, mais uma vez, assistirei ao desfile

do Batalhão da Saudade.

O Batalhão da Saudade é o desfile de ex-alunos, que acontece

ao final da formatura comemorativa do aniversário da escola.

Neste momento, os ex-alunos de várias épocas entram em forma

e marcham cruzando o pátio do Colégio como em seus tempos

discentes. Os alunos atuais e a plateia os aplaudem. Creio que

os aplausos fogem ao protocolo, mas eles pipocam e tornam o

momento mais emocionante.

Este Batalhão tem um aspecto co-geracional: jovens que recém

aposentaram a boina escolar desfilam ao lado de senhores de

cabelos bem branquinhos.

Recentemente, alegando o grande número de ex-alunos que se

apresentam para o desfile, alguém da escola resolveu organizar

38

ECOS DO CMpA

o Batalhão da Saudade por turmas. Eu, pessoalmente, gostava

mais quando as gerações desfilavam misturadas. Era bonito ver

várias gerações desfilando na mesma fileira. Muitas vezes, avós

e netos lado a lado.

O Batalhão da Saudade, por muito tempo, foi um pelotão

composto, apenas por homens. Porém, a partir do ano de

1989, meninas puderam ingressar na qualidade de alunas

no CMPA. Um dos reflexos desta decisão são os desfiles do

Batalhão da Saudade, que a cada ano que passa, conta com

mais mulheres entre os seus integrantes. Ainda são poucas em

relação ao efetivo que desfila, mas suas presenças não passam

despercebidas: saltos, saias e, algumas vezes, crianças de colo ou

ainda no ventre fazem parte deste conjunto.

O Batalhão da Saudade traz alguns estudantes de outrora de

volta ao pátio escolar. Em seus risos, causos, emoções e alegria

de reencontro com colegas de outrora parecem, novamente,

apresentar as turmas aos professores, temer as provas, aprontar

peraltices de adolescentes, jogar truco escondido dos monitores

e professores, sonhar que foram de pantufas para a escola.

As paredes da escola, o piso do pátio, as memórias que ecoam

pelos corredores, trazem marcas dos estudantes que vivenciam e

vivenciaram parte de sua vida no Casarão da Várzea, nome pelo

qual, carinhosamente, também aludimos ao CMPA.

São com estas palavras que, por ora, despeço-me de Portugal e

agradeço todo carinho com que fui recebida, deixando também

traços de saudade.

Professora Patrícia Rodrigues Augusto Carra (CMPA)


Texto alusivo à Cerimónia de Apadrinhamento

dos Novos Alunos do IPE

É com enorme orgulho, por ter sido o ex-aluno dos Pupilos do

Exército escolhido e convidado para proferir algumas palavras

nesta cerimónia, que me dirijo a todos vós.

Exmo. Senhor Diretor do Instituto: fico muito grato por V. Exa

se ter lembrado de mim.

Caríssimos novos alunos do Instituto, que hoje ides ser

apadrinhados:

Na minha evocação inicial fostes os últimos a ser referidos, mas

são para vós as minhas primeiras e sentidas palavras – Sede bem-

-vindos a esta família que é o Instituto dos Pupilos do Exército.

Hoje, aqui, a presença de tantas personalidades tem uma bela

e distinta razão de ser – todos vós – que sois a esperança e a

garantia de um amanhã melhor, caso consigais, como esperamos,

ser portadores dos ensinamentos que já começastes e ides

continuar a receber e a pôr em prática, no vosso dia-a-dia, nos

Pupilos do Exército.

Oxalá, daqui a alguns anos, sejam também os alunos de agora a

transmitir esses ensinamentos às gerações vindouras.

Senhor Tenente-General Carvalho dos Reis:

A presença de V. Exa. presidindo a esta efeméride, que é talvez das

cerimónias mais simples organizadas pelo Instituto, mas, estou

certo, das de maior significado pelo simbolismo que representa

o ato a que vamos assistir dentro de momentos, denota a alta

consideração de V. Exa. e da Presidência da República pela nossa

casa, que muito nos apraz, publicamente, registar.

Como cerimónia cheia de sentimentos e necessariamente

emotiva, pelo que nela em concreto acontece, marca-se no

EFEMÉRIDES E EVENTOS

tempo, nos nossos corações e oficialmente na ordem de serviço

a iniciação, direi mesmo o “batismo”, dos novos Pilões no seu

caminhar rumo ao futuro, que se quer longo, próspero e feliz.

Estas verdades, que a presença de V. Exa. confirma, engrandecem

este ato e impelem-nos a solicitar que seja portador dos nossos

melhores cumprimentos a Sua Excelência o Presidente da

República.

Permita-me também agradecer na pessoa de V. Exa., como pai

de uma antiga aluna dos Pupilos, a todos os nossos pais que

viram no Instituto uma possibilidade para o nosso crescimento.

Senhor General Carvalho dos Reis – Bem-haja!

Senhor Major-General Alves Rosa:

Também a presença do anterior Diretor dos Pupilos do Exército se

revela, para nós, de enorme importância. Ela faz-nos relembrar

que, na vida, para existir um futuro, tem de existir um presente

e teve de haver um passado.

As grandes obras não aparecem do nada e V. Exa. contribuiu,

como agora se diz, de forma colossal para a modernização e

engrandecimento dos Pupilos do Exército durante os últimos 4

anos.

Atrevo-me a transcrever o comentário que efetuei na rede

social do facebook referindo-me à reportagem fotográfica e

respetiva cerimónia de despedida de V. Exa. do cargo de Diretor

dos Pupilos do Exército e inserida na página da Associação dos

Antigos Alunos.

Foi mais ou menos assim:

“General Alves Rosa: um Diretor muito dedicado que

engrandeceu a nossa casa. Conseguiu algo importante na vida:

passou pelos Pupilos, foi útil e deixou rasto! Muitas felicidades

nas novas funções. Muito obrigado. Um abraço amigo.”

Estamos muito gratos e sensibilizados com a presença de V. Exa.

Bem-haja, meu General.

Senhoras e Senhores convidados:

Cabendo-me a mim este ano o privilégio de ser o orador de

serviço deixem-me pedir-vos que seja aos alunos que me dirija

mais diretamente, deixem-me aproveitar esta oportunidade

pública, quiçá singular, de falar aos atuais alunos dos Pupilos

enquanto antigo aluno, eu que, tantas vezes, enquanto aluno,

o fiz com enorme alegria e espírito de serviço, dadas as funções

que então desempenhava.

Também, em muitas ocasiões, fui um ouvinte atento daquilo que

os ex-alunos vinham partilhar connosco ao Instituto.

Esta ideia estabelece a relação entre o passado, o presente e o

futuro, de que vos falei inicialmente.

Caros Alunos

Caríssimos Novos Alunos do Instituto dos Pupilos do Exército

Temos a sorte de pertencer a uma grande família alicerçada

em valores permanentes, desde a fundação do Instituto e que

continuam a perpetuar-se no tempo.

De entre as grandes vantagens e diferenças da nossa família,

39


EFEMÉRIDES E EVENTOS

relativamente a tantas outras organizações sociais existentes,

devo salientar:

A guarda e o fomento daquilo que é essencial – os valores e as

virtudes humanas.

Ou seja, só conseguimos ultrapassar um século de existência com

as inúmeras alterações políticas e sociais ocorridas e a ocorrer

no país, porque aquilo que é essencial permaneceu, permanece

e permanecerá na formação dos alunos dos Pupilos do Exército.

O passado, o presente e o futuro.

Este desiderato é possível com a ajuda e empenho de todos

quantos servem esta casa “tão bela e tão ridente” e é alicerçada

em âncoras internas e externas muito fortes.

Como âncoras internas devo destacar, de entre muitas outras,

as seguintes:

O Fundador – General António Xavier Correia Barreto.

Homem enorme quer na quantidade de atos e serviços

desempenhados, quer na qualidade com que serviu todas as

causas em que se empenhou, de que respigo:

O assentar praça como voluntário – foi soldado.

A elaboração do manual de Química sobre o estudo e

desenvolvimento da pólvora sem fumo, também designada de

pólvora Barreto.

A presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

A presidência do Senado.

Foi Ministro da Guerra.

A própria criação do Instituto com o firme objetivo de formar

cidadãos úteis à Pátria.

O Patrono – D. João de Castro.

Homem nobre, militar, cartógrafo, administrador colonial,

governador e capitão general, 13.º governador e 4.º vice-Rei do

Estado Português da Índia.

Ficou para a história portuguesa e para os Pilões de quem é

guardião de inúmeras virtudes a atitude do empenho das

próprias barbas, por mais nada ter de seu, não em proveito

próprio, mas em proveito do reino que era Portugal.

Após vigoroso combate em Diu e para reedificar a respetiva

Fortaleza, que depois da vitória portuguesa ficara derribada

até ao cimento, D. João de Castro escreveu aos vereadores

da Câmara de Goa, a fim de obter um empréstimo de 20.000

pardaus para as obras da reedificação, a célebre carta, datada

de 23 de Novembro de 1546, em que ele dizia que mandara

desenterrar o seu filho D. Fernando, que os mouros mataram

nesta fortaleza, para empenhar os seus ossos, mas que o cadáver

fora achado de tal maneira que não se pudera tirar da terra;

pelo que o único penhor que lhe restava eram as suas próprias

barbas, que mandava por Diogo Rodrigues de Azevedo; porque

todos sabiam que não possuía ouro nem prata, nem móvel, nem

coisa alguma de raiz, por onde pudesse segurar as suas fazendas,

e só uma verdade seca e breve que Nosso Senhor lhe dera.

É heroico este ato.

40

Tanta era a consciência da própria honra, que empenhava os

ossos do filho e depois as barbas, para pagamento duma soma

que pedia para o serviço do rei, e não para si. O povo de Goa

respondeu a esta carta com quantia muito superior à que fora

pedida, vendo que tinham um governador tão humilde para os

rogar, e tão grande para os defender. Remeteram-lhe aquele

honrado penhor, acompanhado do dinheiro e duma carta

muito respeitosa, solicitando por mercê que aceitasse aquela

importância, que a cidade de Goa e o seu povo emprestavam da

sua boa e livre vontade, como leais vassalos do rei. A carta tem

a data de 27 de dezembro de 1547.

As condecorações ostentadas pelo Estandarte Nacional do

Instituto.

Como marca visível de reconhecimento do trabalho resiliente

efetuado no dia-a-dia dos alunos, pelos alunos e por tantos

que aqui servem ou serviram, o Instituto foi agraciado com as

seguintes condecorações:

Comendador da Ordem Militar de Cristo (1953) – Concedida

pelo General Craveiro Lopes (Presidente da República);

Comendador da Ordem de Instrução Pública (1957) – Concedida

pelo General Craveiro Lopes (Presidente da República);

Membro Honorário da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada

(1982) – Concedida pelo General Ramalho Eanes (Presidente da

República);

Membro Honorário da Ordem Militar de Avis (1988) –

Concedida pelo Dr. Mário Soares (Presidente da República);

Medalha Militar de Serviços Distintos (1996) – Imposta pelo

Ministro da Defesa Nacional Dr. António Vitorino;

Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique – foi a

última condecoração portuguesa atribuída (em Maio de 2011

ano do centenário). Concedida por Sua Excelência o Senhor

Presidente da República, Professor Doutor Cavaco Silva, esta

Ordem Nacional destina-se a assinalar “serviços relevantes a

Portugal, no País e no estrangeiro” ou “ serviços de expansão da

cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua

História e dos seus valores”.


O Hino dos Pupilos do Exército

No qual se destaca o canto vivo e alegre por todos os alunos,

desde os mais tenros 10 anos de idade do amor à Pátria com

desprezo da própria vida, o amor ao estudo, ao trabalho com

alma e prazer para engrandecimento e enobrecimento do

Instituto que culmina na divisa adotada para lema dos Pupilos:

QUERER É PODER

A adesão voluntária e crítica a uma formação espiritual

O papel muito importante que o Capelão desempenha no

Instituto implementando e desenvolvendo a vivência das virtudes

judaico-cristãs (em sentido lato os valores e virtudes humanas

e teológicas) e que poderão ser aprofundadas espiritualmente,

caso o aluno sinta essa necessidade intrínseca.

Esta preparação sistemática do aluno do Instituto correlaciona o

crescimento integral daquele com aquilo a que resolvi designar

de âncoras externas, a saber:

O amor e respeito pela Pátria e pelos seus símbolos, como são

a Bandeira Nacional e o Hino Nacional, sempre muito presentes

na vivência quotidiana dos alunos.

A letra do Hino Nacional não é letra morta ou um faz de conta,

mas algo que se sente sempre e não só quando se canta ou ouve.

O respeito pelos Órgãos de Soberania, como garantes de uma

identidade nacional adquirida que é também a do próprio aluno.

O respeito e admiração pelas instituições civis e militares do

Estado, a separação de poderes vigente no Estado de Direito, a

vontade de vir a participar nessas mesmas instituições, de ser elo

de perpetuação dessa mesma identidade e realidade.

A vivência objetiva através da participação direta nas festividades

nacionais que marcam datas relevantes na história de Portugal.

O passado, o presente e o futuro.

Caros Alunos:

É esta a realidade insofismável que, na mente do aluno dos

Pupilos do Exército, como ousa dizer-se, primeiro se estranha e

depois se entranha.

Posso dizer-vos, por experiência própria, que esta cultura de

exigência no início se reflete num choque brutal – mas é um

bom choque, que deixa de o ser na exata medida em que começa

a fazer parte de nós.

Reparem que nesta família aprendemos a viver juntos, na

camarata, fomentamos a camaradagem – partilhamos a câmara.

Estamos, por idades e saberes, divididos por companhias –

partilhamos o pão.

O aluno dos Pupilos quando chega cá a casa deve saber e sentir

que, para bem de todos, a obediência, a sinceridade e a ordem

são fundamentais para aprendermos a viver juntos – ninguém

tem o direito de apontar o dedo ao outro – se estas virtudes

não estão ainda bem alicerçadas nos alunos, vamos ensiná-los

a viver e reviver as mesmas com objetividade. Isto faz parte do

processo formativo inicial do aluno.

Lembro-me bem que, com 10 anos, dormia numa camarata

EFEMÉRIDES E EVENTOS

de 14 setores, com 110 alunos, onde não existiam chaves nem

cadeados! Vivia na minha casa!

E este pragmatismo tão objetivo da cultura castrense do

respeito pelo outro, pelo subordinado, pelo superior, pelo aluno

graduado, é como o Latim na Língua Portuguesa – é a nossa

Base!

A partir desta base os alunos vão crescendo e vão experimentando

e não apenas ouvindo dizer, vão efetivamente pondo em prática

e sentindo aquilo que lhes é transmitido, conjuntamente com os

conhecimentos técnicos e científicos.

Valores e virtudes como a camaradagem, a amizade, a lealdade,

o trabalho, a fortaleza, a perseverança, a laboriosidade, a

paciência, a justiça, a responsabilidade, o respeito pelo outro,

a simplicidade, a sociabilidade, a sobriedade, a resiliência, o

patriotismo, a humildade, a compreensão e o otimismo devem

ser características do “Pilão IN”, isto é, da formação integral do

aluno, científica, técnica e humana – o mesmo é dizer: Mente

Sã em Corpo São!

Por tudo isto, o sucesso da escola pode aferir-se através do

produto acabado, ou seja, com recurso à análise das carreiras

dos seus antigos alunos. Na realidade, na carreira das armas,

cerca de 50 alunos atingiram as estrelas do generalato ou do

almirantado, a que se seguirão, estamos certos, muitos outros.

Centenas são oficiais superiores dos diversos ramos das forças

armadas e de segurança. Como curiosidade registe-se o facto

de, na década de 80, cerca de 30% das Espadas de Toledo da

Academia Militar terem sido atribuídas a antigos alunos dos

Pupilos do Exército, revelando este indicador um altíssimo

grau de desempenho face ao número total de alunos entrados

naquela prestigiada instituição.

Da mesma forma, muitos outros antigos alunos se distinguiram,

distinguem e continuarão a distinguir, nos campos empresarial,

da engenharia, da contabilidade e da gestão, da medicina, do

desporto, da investigação, do ensino superior universitário e

politécnico, no governo, na administração pública e local, etc...

O passado, o presente e o futuro.

Excelentíssimas Senhoras e Excelentíssimos Senhores:

Pelo que foi e está dito, é fácil perceber e entender o Instituto

dos Pupilos do Exército como uma grande família, preparada para

ser instrumento de desenvolvimento do País e instrumento de

Cooperação Internacional, assim o queira e deseje o próprio País.

Com efeito não estamos em tempo (e ainda que estivéssemos –

seria sempre um ato de estranha soberba) de desbaratar aquilo

que de bom o Instituto e Portugal têm para oferecer.

Destaco, quanto a este aspeto, as necessidades do próprio País,

da nossa diáspora e do espaço lusófono.

A cooperação com o espaço Lusófono tem nos Pupilos do

Exército provas dadas através da frequência de alunos oriundos

dos países amigos e de língua oficial portuguesa.

Esta cooperação deveria, a bem de todos, ser intensificada. A

toda a hora nos chegam à Associação dos Pupilos do Exército

questões sobre a melhor forma de estudar e de implementar

nos países lusófonos escolas semelhantes e com as características

41


EFEMÉRIDES E EVENTOS

formativas idênticas às existentes nos Pupilos do Exército.

Os protocolos com os países amigos da CPLP devem ser

intensificados e acarinhados a bem e com proveito para todos.

Por outro lado, a realidade Europeia, em geral, e a realidade

Portuguesa, em particular, revelam a necessidade da existência

de instituições como os Pupilos do Exército, no sentido de prover

o futuro das novas gerações. Num mundo muito globalizado,

em que a diáspora tem vindo a aumentar significativamente,

torna-se necessário uma oferta educacional viável, segura,

exigente, séria e útil aos alunos, às famílias e ao país. Estou

certo que a procura da diáspora será cada vez mais significativa.

Por último, permitam-me que refira aquilo a que posso chamar “a

cereja em cima do bolo”.

Os Pupilos do Exército são uma escola Técnica – o ensino

profissional é o seu ex-libris, e a própria escola poderá ser, se já

não o for de facto, o ex-libris do ensino profissional em Portugal.

O Jornal Expresso referia num dos títulos na sua edição online da

passada 2.ª feira, dia 12 de Novembro, o seguinte: “Ministério da

Educação quer duplicar número de alunos no ensino profissional”,

(fim de citação).

Está visto que o Instituto, mais uma vez, consegue estar à frente

do seu tempo. Na realidade, dispõe de uma oferta educativa muito

necessária quer ao país quer aos países da área da lusofonia.

Exmo. Senhor General Carvalho dos Reis,

Excelentíssimas Senhoras e Excelentíssimos Senhores,

Caros Alunos,

Espero ter conseguido passar-vos a ideia de que estas minhas

42

sentidas e emotivas palavras não são apenas as de um antigo

aluno saudosista que ama a sua casa e não consegue ver a

realidade objetivamente e, por isso, exprime aquilo que lhe vai

no coração; antes pelo contrário, elas refletem a verdade que

também vivi nos Pupilos.

Caros Alunos,

Ao abrir e ao fechar são para vós as minhas últimas palavras: honrai

a vossa casa, ponde em prática aquilo que vos é transmitido, vede

no amor ao trabalho a virtude para coisas maiores e vede nele

uma oportunidade para devolverdes à sociedade aquilo que vos

é dado.

Como nos diz o poeta:

“Ver só com os olhos é fácil e vão. Por dentro das coisas é que as

coisas são”

Querer é Poder!

Disse.

Muito obrigado.

Francisco Vaz Baptista (1982.0543)

1.º Encontro de Natação Nível II – Desporto Escolar

No dia 23 de janeiro de 2013, na piscina do Casal Vistoso

decorreu o 1.º Encontro do Desporto Escolar de Natação, Nível

II. Participaram os alunos da ACC de Natação, tendo obtido os

seguintes resultados:

Bruno Nunes; Cláudio Martins; Bruno Correia; Diogo Viegas; Paulo Pedrinho;

Daniel Vlas; Bruno Neves; João Santos; Carolina Bergano; Ana Pontes; Henrique

Gonçalves; Frederico Nogueira.


Carnaval no ipe

Na manhã do dia 8 de fevereiro, a parada superior da 1ª secção

encheu-se de cor e entusiasmo. Os alunos do 5º, 6º e 7º anos

vestiram-se a rigor para participar no desfile de Carnaval das

escolas de Benfica.

No presente ano, os nossos alunos, com a colaboração das

professoras de Educação Visual, procuraram sensibilizar a

comunidade fazendo “arte com lixo”, dando o seu contributo ao

projeto Eco-Escola. Realizaram máscaras-óculos gigantes com

materiais reciclados, adotando um tema que obrigava a uma

pequena introspeção: “Ver o mundo com outros olhos!”

Os alunos criaram a sua visão criativa e colorida do mundo. Foi

muito interessante ver a diversidade de temáticas que surgiram:

amor, ecologia, riqueza, fogo/água, novas tecnologias, natureza

e mitologia, etc.

Mais uma vez, o trabalho realizado compensou, não só pela

diversão e convívio durante o cortejo de Carnaval e no espetáculo

final no ginásio da 2.ª secção, mas também por termos vencido a

categoria de melhor tema.

Finalmente, gostaríamos de agradecer à direção que mais uma

vez autorizou a nossa participação, aos pais e encarregados

de educação que colaboraram na indumentária vestida pelos

alunos e a todos os que nos ajudaram a reciclar e a tornar este

desafio possível.

Elsa Calafate

Corta-mato Concelhio do Desporto Escolar

no Parque da Bela Vista – 8 de fevereiro de 2013

No passado dia 8 de fevereiro, uma delegação de 33 alunos do

IPE participou no Corta-mato Concelhio que tal como no ano

transato decorreu no Parque da Bela Vista.

A nível individual, os melhores resultados foram alcançados

pelos alunos Joel Salvador (11º juvenil) e Rachid Pachire (15º

júnior).

A nível coletivo, a equipa de juvenis do IPE foi a que obteve

melhor desempenho, tendo os quatro elementos terminado a

sua prova entre os 61 primeiros classificados:

EFEMÉRIDES E EVENTOS

11º lugar: Joel Salvador (nº 149);

44º lugar: Sérgio Faísca (nº 394);

59º lugar: Reinaldo Colombo (nº 145);

61º lugar: Bogdan Herashchenko (nº 1248), a fechar a equipa

de juvenis.

Outras classificações de relevo dos alunos do IPE, tendo em conta

que foi a sua primeira participação em Corta-mato Concelhio:

Samuel Agudo em 25º lugar, nos infantis A, masculinos, e Bruno

Correia em 50º lugar, nos iniciados masculinos (o escalão com

mais participantes).

Professores cantam as janeiras

No dia 7 de janeiro de 2013, alguns professores foram cantar as

janeiras à direção e aos alunos do Instituto, prolongando uma tradição

popular com raízes muito antigas. Para tal, contaram com a

orientação da professora de Educação Musical, Irene Aleixo.

O texto da canção é o seguinte:

Canção popular

Letra adaptada pelo professora Irene Aleixo

Vamos cantar as janeiras

E um bom ano desejar

Nós somos do IPE

P’ra vós ciemos cantar.

Viva aos nossos alunos

E a toda a companhia

Nós gostamos de cantar

Com carinho e alegria.

Cantemos e recantemos

Para um bom ano desejar

Acabou-se a cantoria

P’rò ano vamos voltar.

43


EFEMÉRIDES E EVENTOS

Jantar de despedida do MGen Diretor do IPE

A comunidade escolar e os militares do Instituto dos Pupilos do

Exército juntaram-se no dia 9 de novembro de 2012 e ofereceram

um jantar de despedia ao Exmo. MGen Alves Rosa, Diretor do IPE.

Durante o jantar o Coronel Subdiretor proferiu a seguinte

alocução:

«Meu General,

Srs Oficiais,

Srs Professores,

Caros Sargentos e Praças,

Caros Alunos,

Há precisamente 4 anos, nestas mesmas instalações, realizava-

-se o jantar de despedida ao antigo Diretor. Quatro anos!

Muita coisa mudou: no País e no Instituto. Quando olhamos

em redor, vemos poucas caras desse longínquo ano de 2008. O

Dr Miguel Gonçalves, num artigo que escreveu para a Revista

e que por sinal foi premiado, apelidava os que permanecem de

Resistentes. Persistentes ou teimosos, acrescento eu. Estes 4

anos foram de Persistência, de Teimosia. Muito obrigado, meu

General, pelo seu estar, pela sua persistência.

Portugal também se fez e faz de Resistência, de Persistência, de

Teimosia. Alexandre Herculano dizia que só a nossa vontade e

o nosso querer justificam Portugal. Há 800 anos, não tínhamos

fronteiras naturais que definissem o nosso território, a língua era

a mesma de Castela e nem a Religião nos separava. Só uma visão

e um querer diferente nos distinguiam e distinguem. Hoje somos

livres e independentes, pelo nosso sonho, pela nossa vontade.

Somos um povo de Príncipes, como diz Lobo Antunes. O mar

passou a fazer parte da nossa fronteira, a língua autonomizou-se

e encheu o mundo. Escolhemos a República. Éramos iguais e pela

vontade tornámo-nos diferentes e necessários. O mundo não seria

o mesmo sem a Língua de Camões, sem a Lusofonia.

Como disse José Régio, no Cântico Negro, não fomos por ali. Nos

últimos 4 anos, o Instituto também não foi por ali. Amámos o

Longe e a Miragem e não fomos por ali.

Há 4 anos, falou-se aqui de História e de Tradição. Olhava-se para

o passado e procuravam-se as âncoras, as amarras, os dogmas,

para uma visão de futuro. Houve momentos de hesitação, mas

sabíamos que não íamos por ali.

Seguimos o Poeta:

“Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…

Eu tenho a minha Loucura!”

O meu General, veio olhar connosco para o passado, mas não

ficou agarrado aos dogmas. Ensinou-nos a desconstruir os mitos

e a reconstruí-los com o material dos nossos dias.

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Muito obrigado, meu General!

Alguns desses mitos, nomeadamente os mais difíceis de desfazer,

foi o meu General que tomou a iniciativa e liderou o combate

perante o ceticismo de muitos de nós, ou de todos nós.

Hoje, somos uma escola diferente e que precisa de preservar essas

diferenças arduamente trilhadas, nomeadamente:

– O relacionamento que existe entre os alunos, independentemente

da graduação, da idade, do sexo, ou de ser externo ou interno, é

hoje uma imagem de marca do IPE;

e

– A implementação e a consolidação de um ensino profissional

de qualidade.

Poderia elencar muitas outras alterações operadas e que marcam

a Direção do meu General. Para não me alongar, cito apenas a

abertura do ensino a discentes do sexo feminino, a redução

significativa de mensalidades e a extraordinária melhoria das

infraestruturas e do equipamento escolar. Em resumo, deixámos

de ser a Escola Cinzenta, da farda Cinzenta e recuperámos o azul

do mar, das novas fronteiras. O azul do querer e da determinação.

Mais uma vez, como disse o poeta:

“Preferimos escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí…”

Meu General:

Nos últimos 4 anos, o IPE passou de uma instituição cinzenta e

condenada, a um Instituto que reconhecidamente faz falta ao

País e cujo modelo é apontado pelo Ministério da Educação como

solução para Portugal.

Esperamos que o bom senso prevaleça e que triunfe a dignificação

do estudo e do trabalho producente sobre os títulos ocos de uma

pretensa nobreza falida, como escrevia Júlio Dinis há mais de

150 anos, nos Fidalgos da Casa Mourisca. Ou como nos chama

a atenção Jorge Amado, na Tenda dos Milagres: o conhecimento

académico tem que ser completado com o conhecimento


empírico, sob pena de criarmos elites arrogantes que bloqueiam

sistematicamente a promoção social dos melhores ou dos que são

diferentes.

Queremos ser diferentes e temos a ambição de ascender pelo

mérito sem ficarmos presos aos favores de ninguém. Queremos

continuar a trilhar o nosso caminho.

Não queremos ir por ali.

Meu General: terminou o seu quarto de sentinela, chegou a altura

de render a guarda e de lhe manifestarmos a nossa profunda

estima e consideração.

Fique tranquilo que continuamos a não ir por ali.

Querer é Poder!»

“Natal, a mais bela história”… com 99% de

transpiração

A aventura de representar “a mais bela história” começou em

novembro nas salas de aula de Educação Visual, com o objetivo de

realizar um presépio original e concorrer ao concurso promovido,

há cerca de 20 anos, pela Junta de Freguesia de Benfica e pelo

Centro Comercial Fonte Nova.

Após estudar a história e efetuar a pesquisa sobre o tema,

EFEMÉRIDES E EVENTOS

iniciaram-se as dificuldades… Ter ideias originais para resolver e

concretizar o desafio.

Não foi nada fácil… até posso acrescentar que para muitos alunos

foi desesperante, demorado, angustiante, ansioso… mas PORQUÊ?

Perguntava-lhes eu. Desesperados respondiam:

− Não sabemos. Por favor, a professora dê-nos uma ideia!

− As ideias não se dão. Têm-se! − respondia eu.

O que se passa com estas gerações que têm acesso facilitado a

mais e melhor informação/conhecimento e apresentam mais

problemas no desenvolvimento da criatividade?

Penso que o problema reside precisamente na quantidade

de informação com que são “bombardeados diariamente” e

na ausência de reflexão crítica que ajude a filtrar e digerir tal

informação. Com uma agravante, estas gerações tiveram o

privilégio da “ausência de esforço. Todos os que lhes são queridos

tudo fizeram para que eles tivessem o que desejavam, mesmo que

bens supérfluos. A sua intenção era a melhor, mas será que foi a

melhor? Pergunto eu.

Diz-se que estamos na sociedade da informação, mas estaremos

perante umas gerações conscientemente informada, que processa

a informação para o seu desenvolvimento e para a resolução dos

problemas com que se deparam?

Do que tenho observado, penso que muitas vezes, não. É urgente

(e hoje já se vem falando que a criatividade ou a imaginação

vão ser determinantes no combate à crise), enquanto pais e

educadores, criarmos situações que desafiem a zona de conforto,

que obriguem os jovens a esforçarem-se e a investirem na procura

de soluções que não são imediatas nem óbvias. Relembro que

é na capacidade criativa, que existe a chave da capacidade de

evolução da humanidade” (Sanchez, 2003).

Após três aulas “em branco”, decidi que era o momento de

sentirem o clique e testemunharem este processo fascinante de

ter uma ideia, inovar e realizar algo de que ninguém se lembrou.

Receitas não existem, todos são diferentes, mas era meu objetivo

fazer com que todos experienciassem este processo fascinante.

Assim, vou dar a conhecer as duas situações que foram distinguidas

nos dois lugares cimeiros do concurso.

1ª – No 9.º A, os alunos chegaram à terceira e última aula de

esboços e relativamente à apresentação de ideias… “em branco”…

conforme já foi referido. O clique deu-se quando lhes foi pedido

que verbalizassem materiais que usassem noutras situações e que

nunca pensassem ver num presépio. Após olharem uns para os

outros estupefactos com a sugestão da professora, começaram a

surgir palavras como papel, sabão, talheres (vinham do almoço),

bolo…

Mais admirados ficaram ainda quando a docente aceitou e

incentivou a realização de presépios com talheres de plástico

e sabão, pois a questão económica era fundamental. Depois

depararam-se com as questões técnicas e estéticas que em

conjunto foram ultrapassadas.

2ª – No 7.º B, um aluno chegou à sala com um botão da farda

descosido. Outra aluna queria aprender a coser. O clique deu-se

quando aliámos interesses e necessidades e se desenvolveu um

projeto com materiais de costura. Conheceram os materiais e os

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EFEMÉRIDES E EVENTOS

instrumentos e aprenderam a manuseá-los e trabalhá-los.

Os produtos finais e consequente exposição e concurso foram

determinantes no desenvolvimento do processo criativo,

porque contribuíram para a consciencialização do problema e

das dificuldades envolvidas, da procura, conjugação e seleção

de soluções, sua concretização e avaliação interna e externa.

Esta última com bastante êxito, pois os nossos alunos foram

distinguidos com o 1.º, 2.º e 3.º prémios do escalão B.

Deste modo, espero que os alunos tenham percebido que

a “dolorosa” experiência inicial (“1% de inspiração e 99%

de transpiração”), o “Querer é Poder” que muito referimos,

compensou. Realizaram novas aprendizagens, ultrapassaram

problemas, foram além do que pensaram ser capazes, inovaram

e… venceram!

No dia cinco de janeiro, foi “a cereja no topo do bolo”, a Cerimónia/

Festa de Entrega dos Prémios no Centro Comercial Fonte Nova.

Estiveram presentes alunos, pais e encarregados de educação,

professores e um oficial do Exército. Os alunos desfrutaram do

reconhecimento público do seu trabalho, estavam descontraídos,

felizes e participaram com entusiasmo nas animações. Todos os

acompanhantes estavam orgulhosos dos mais novos. Foi com

muito alegria que ouvi elogiarem os nossos “pilões” pela sua

postura, pelo empenho que manifestaram no seu trabalho, pela

honra na farda e na instituição, sem deixarem de ser crianças

alegres e participativas.

Será, sem dúvida, uma experiência a recordar.

Agora termino com outro desafio. Enfrentem a vida e os

problemas… com CRIATIVIDADE!

Professora de EV – Ana Gomes

Visita de Estudo - Compal e Renova

Os alunos do 11.º e 12.º Anos, turmas A1, A2 e A4, dos Pupilos do

Exército, no dia 21 de novembro de 2012, acompanhados pelos

professores Luís Ferreira e Paula Francisco, visitaram as fábricas

Compal e Renova.

O principal objetivo era verificarem a importância das análises

físicas e químicas nos laboratórios de controlo de qualidade.

Foram muito frutíferas e extremamente enriquecedoras as visitas

foi possível consolidar conhecimentos que jamais esquecerão. Os

alunos tomaram conhecimento de inúmeras operações que são

realizadas nestas fábricas, desde a simples preparação de soluções

até às mais elaboradas, os ensaios específicos de controlo de

qualidade desde a matéria-prima ao produto acabado.

Usufruíram de uma visita excelentemente conduzida pelas guias

“Compal” e “Renova” que os acompanharam esclarecendo sempre

todas as questões colocadas.

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Sonhando com a Força Aérea

No passado dia 19 de fevereiro, os alunos do 9º ano, Turmas A e

B, deslocaram-se em visita de estudo ao Museu do Ar, na Granja

do Marquês em Sintra, acompanhados pelos professores Maria

de Jesus Caimoto Duarte e Luís Ferreira.

O objetivo da visita era promover nos discentes o conhecimento

da História da Aviação, bem como o conhecimento da evolução

da aeronáutica ao longo dos tempos, frisando a importância

da Força Aérea na Primeira Grande Guerra e conflitos armados

subsequentes.

Cumprindo o que estava programado, o Sargento-ajudante

Paulo Moreira foi elucidando os visitantes sobre os muitos aviões

civis e militares, bem como helicópteros existentes no Museu.

Os alunos seguiram com muita atenção tudo o que era explicado

e foi com pena que viram que a visita tinha chegado ao fim.

A comitiva do IPE agradece o eficiente e atencioso atendimento

no Museu do Ar com especial referência ao Sargento-ajudante

Paulo Moreira.

Participação do IPE nos IX Jogos Desportivos

Maristas de Lisboa – 8 de janeiro de 2013

Acontecimento – Encontro de Abertura de Desportos Gímnicos

Local – Pavilhão do Casal Vistoso, Olaias, Lisboa

Data – 12 de janeiro de 2013

No sábado, por volta das oito horas e um quarto, entrei

apressadamente no IPE e dirigi-me para o ponto de encontro


combinado — a parada superior.

Enquanto me aproximava, ia notando a agitação e o nervosismo

dos alunos. Para que tudo ficasse pronto, ainda tinham de

pedir emprestados dois casacos de fato de treino, de procurar

umas sapatilhas desaparecidas e ir buscar os lanches.

Perto das oito e meia, estávamos todos dentro da carrinha com

o equipamento completo e o reforço alimentar. O condutor

ligou a viatura e seguimos em direção ao pavilhão das Olaias.

O evento teve início às 9:30 e o IPE esteve representado com

catorze alunos-ginastas com idades compreendidas entre os

10 e os 15 anos. Simultaneamente, decorreu um curso de juízes

que os alunos Maria Pereira, Catarina Moura e Luís Martins

frequentaram. Ainda contámos com a colaboração dos alunos

nº 127, Furtado, e nº 160, Vieira, que nos deram apoio logístico.

O primeiro encontro do Desporto Escolar tem como finalidade

o convívio entre os alunos e a sensibilização e experimentação

de diversas modalidades da Ginástica.

Participaram na atividade mais de duas centenas de alunos

pertencentes a Escolas do concelho de Lisboa.

O aquecimento teve lugar no praticável central e foi orientado

por uma professora de Educação Física que a partir da plateia

realizou os exercícios para que todos vissem e executassem.

Posteriormente, os alunos tiveram oportunidade de

experimentar as modalidades gímnicas que constam no quadro

competitivo do Desporto Escolar, como a Ginástica Acrobática,

a Ginástica Artística e os Trampolins.

Os nossos protagonistas, que a seguir serão mencionados,

gostaram muito de participar e embora ainda não fosse um

momento de competição, destaco a sua boa prestação motora

e o seu correto comportamento.

Nota: Uma semana após o evento, recebemos as classificações

do curso de juízes e os três alunos do IPE receberam a menção

de apto.

A professora - Irma Pinheiro

pASSATEMpOS

Provérbios dos meses do ano

“Janeiro fora mais uma hora.”

“Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom

celeiro.”

“Março marçagão, de manhã inverno, de tarde verão.”

Letrário – certo ou errado?

«O semítico do João não empresta dinheiro a ninguém».

× “Semítico” significa “o que é relativo ou pertencente aos judeus”,

não significa “avarento”.

√ «O somítico do João não empresta dinheiro a ninguém».

«Tenho uma amiga minha que estuda piano».

× Não se deve dizer a mesma coisa duas vezes. Ao dizer que tem

uma amiga, já diz que é sua.

√ «Tenho uma amiga que estuda piano» ou «Uma amiga minha

estuda piano».

Anedotas

No liceu, durante uma prova escrita, o professor desconfiando

que um dos alunos estava a “cabular”, aproxima-se dele e

pergunta-lhe:

− Mostra-me o que tens debaixo do teu teste!

O aluno, um pouco atrapalhado e surpreendido, responde-lhe:

− São rosas, sr. professor!

O professor levantando a folha de teste verifica que, na realidade,

ele tinha uma cábula por onde estava a copiar.

O aluno apressadamente diz:

− Bolas, afinal não se deu o milagre!


− Alguém me sabe dizer donde vem a luz elétrica? − pergunta o

professor.

Responde o João, muito rápido:

− Da Selva!

− Da Selva? − admira-se o professor.

− Pois, ainda esta manhã o meu pai disse, quando estava a tomar

banho: “Estes macacos cortaram outra vez a luz.”


− Está bem, eu tomo nota. O Luizinho não pode vir às aulas hoje

porque está com gripe. Já agora, quem é que está ao telefone?

− É o meu paizinho, sra. professora!

Adivinhas – O que é que é?

O que é que nasce grande e morre pequeno?

Porque é que as rodas dos comboios são de ferro e não são de

borracha?

Porque é que o jovem, quando vai ao cinema, se senta na última

cadeira?

Porque é que o boi se baba?

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«Criatividade é saber cometer erros. Arte é distinguir os que

guardar».

Scott Adams

«Educai as crianças e não será preciso punir os homens». Pitágoras

«Não quero ser um génio… Já tenho problemas suficientes ao

tentar ser um homem».

Albert Camus

SOPA DE LETRAS

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