Jornal Paraná Março 2016

LuizaRecco

OPINIÃO

2016 e o projeto de energia verde do País

Diante do quadro de ausência de

política energética, o estímulo da

produção desta a partir da biomassa

não é prioridade no curto prazo

LUIZ CARLOS CORRÊA

CARVALHO (*)

Milton Friedman, ganhador

do Nobel de Economia de

1976, cunhou a frase “se puserem

o governo federal para administrar

o Deserto do Saara,

em cinco anos faltará areia”. No

Brasil, o prazo pode ser menor.

Em relação ao setor, a brincadeira

ganhou ares de realidade.

Apesar da recente alta nos preços

da commodity e no câmbio,

a situação dos produtores

de etanol ficou bem crítica

desde que o atual governo impôs

restrições ao alinhamento

de preços para segurar a inflação,

exacerbar o populismo e

conseguir a reeleição.

A manutenção da política de

preços do governo, para subsidiar

o consumo de gasolina,

além de causar prejuízos à Petrobrás,

desorganizou a indústria

de etanol. Conseguiram

quebrar dois ícones nacionais:

a Petrobrás e o etanol, pioneirismo

que encantou o mundo.

Os preços congelados dos

combustíveis fósseis, em período

de elevadíssimos preços

do petróleo, desestimularam a

produção e o consumo do etanol

no país.

O etanol hidratado tornou-se

presa fácil com a perda da Cide

– cuja alíquota sobre o preço da

gasolina foi reduzida e depois

zerada -, e com a manutenção

da defasagem do preço da gasolina

em relação ao mercado

internacional. O etanol perdeu

competitividade, ficando sem

uma Cide capaz de refletir seus

benefícios ambientais, sem um

programa junto à indústria automobilística

incentivando a eficiência

dos motores flex e sem

a definição do papel do etanol

na matriz de combustíveis.

Como o anidro é, via regulação,

amarrado aos preços do hidratado,

sofre junto!

No período, o setor foi acometido

por outros efeitos nocivos:

o aumento da dívida, o

corte na expansão de investimentos

e produção e o aumento

de oferta global subsidiada

de açúcar na Ásia, gerando elevados

excedentes. O resultado

final: uma crise generalizada no

setor, com dívida estimada em

R$ 85 bilhões, mais de 80 usinas

paradas e cerca de 70 em

recuperação judicial.

Nota-se, portanto, que a falta

de previsibilidade e a inexistência

de regras claras e duradouras,

quanto ao uso da Cide e à

formação de preços no mercado

doméstico de gasolina

nos últimos anos, associadas

ao considerável aumento de

custos de produção do etanol,

desestimularam os investimentos

para expansão da produção.

Estes demandam um longo

prazo de maturação. A rentabilidade

do negócio está associada

à política adotada para

os preços da gasolina e, principalmente,

a uma política tributária

que reflita as vantagens

ambientais do etanol e de todo

potencial energético da biomassa.

“Brasil tem uma verdadeira

‘camada de pré-sal’ oculta nas

regiões canavieiras e poderia

colocar-se mundialmente como um

ícone na energia renovável e limpa.”

Para uma melhor exploração

desta como fonte de energia

seria necessário: uma definição

clara do seu papel na matriz

energética brasileira; o equilíbrio

entre as diversas fontes na geração

de energia, aproveitando

as particularidades de cada

uma como a complementaridade

com a hidreletricidade,

criando mecanismos para reduzir

custos, com incentivos ao

retrofit dos equipamentos das

usinas, próprios para gerar

energia.

Também, averiguação de

soluções de viabilidade técnica

e de investimentos para a

conexão dos sistemas à rede

de transmissão e distribuição

de energia; e tornar viável o interesse

e a margem de venda

de energia gerada por biomassa,

com leilões exclusivos e

regionais voltados para as fontes

renováveis descentralizadas,

com a fixação de aquisição

de um porcentual significativo

do crescimento projetado

do mercado.

A bioeletricidade deveria ser

incentivada, pois além de ser

limpa, complementa a gerada

por hidrelétricas e está presente

na Região Sudeste, maior consumidora

do País. Contudo a

política do setor elétrico continua

velha e olhando só para o

curto prazo. Não enxerga as

mudanças de paradigma que

ocorrem no mundo, com incentivo

à produção de energia

limpa e renovável.

Preços elevados do diesel se

traduzem em impacto inflacionário

e fazem subir os custos

de produção do agronegócio.

Na média de 2015, o diesel na

refinaria brasileira ficou 17%

acima dos preços do mercado

internacional.

Diante desse quadro de ausência

de política energética, o

estímulo da produção de energia

da biomassa não é prioridade

no curto prazo. Tal postura

é lamentável, pois o Brasil

tem uma verdadeira “camada

de pré-sal” oculta nas regiões

canavieiras, e poderia colocarse

mundialmente como um ícone

na energia renovável e limpa,

principalmente num momento

em que as lideranças planetárias

estão abduzidas pela questão

climática.

(*) Luiz Carlos Corrêa Carvalho

é presidente da ABAG –

Associação Brasileira do

Agronegócio.

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Março 2016 - Jornal Paraná


CONQUISTAS

Mais biodiesel no diesel

O aumento gradual da mistura

até 10% em maio de 2019 é visto

pelo setor como uma vitória,

mas esperava-se mais

DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Depois de muita espera

e luta, as usinas

brasileiras de biodiesel

ganharam, finalmente,

uma perspectiva de

longo prazo para o setor, com

um novo cronograma de aumentos

da mistura obrigatória

do biocombustível ao diesel. A

última vez em que o setor teve

um horizonte de crescimento

foi em maio de 2014, quando

foi editada a MP 647/2014

que determinou o B6 e o B7

ainda para aquele ano.

“Sem dúvida é uma conquista,

uma vitória importante

para o setor e um incremento

de mercado significativo. Mas

nós esperávamos mais: que o

8% de mistura, ou o B8, já pudesse

vigorar a partir de agora,

sem ter que esperar mais

um ano”, afirma o diretor presidente

da empresa BSBIOS e

da Associação dos Produtores

de Biodiesel do Brasil (Aprobio),

Erasmo Carlos Battistella,

O projeto de lei 3834/15, do

Senado, foi aprovado no Plenário

da Câmara dos Deputados

e sancionado pela presidente

do Brasil, em março.

Este aumenta gradativamente

o percentual de biodiesel no

diesel vendido no País. Pelo

projeto, esse subirá para 8%

por até um ano após a edição

da lei, 9% em até 24 meses

depois da aprovação e 10%

após 36 meses.

Além desses avanços já garantidos,

o Conselho Nacional

de Política Energética (CNPE)

passa a ter o poder de aumentar

a mistura de biodiesel para

até 15%, se testes e ensaios

em motores validarem a utilização

da mistura.

Em 2016, 4 bilhões de litros devem ser produzidos e comercializados

Atualmente, a mistura de

biodiesel no diesel está em 7%

(B7). “Não devemos ter aumento

de produção do biocombustível

no Brasil este

ano. Pelo que foi estabelecido

na lei, isso só deve ocorrer a

partir de maio de 2017. Até

porque a economia está mais

uma vez encolhendo e, consequentemente,

o consumo de

diesel também cai”, prevê o

presidente da Aprobio, ressaltando

que esta deve ser muito

semelhante a do ano passado,

em torno de 4 bilhões de litros

produzidos e comercializados.

A medida, entretanto, traz

boas perspectivas para o setor

e para a BSBIOS. “Estamos

com ações previstas para

O aumento gradativo dos

percentuais de mistura do

biodiesel no diesel vai beneficiar

o tripé do programa,

que contempla ações sociais

- com a inclusão da

agricultura familiar; ambientais

- com redução da emissão

de poluentes; e econômicas

- com a melhora da

balança comercial e dos

continuar o nosso caminho de

crescimento, em função, não

somente do biodiesel, mas de

nossa atuação em toda a cadeia

do agronegócio brasileiro”,

acrescenta Battistella.

Visando atender ao mercado a

ser criado pelo B8 e B9, a

BSBIOS prevê investir em sua

Benefícios

rendimentos da agricultura

do País, segundo Erasmo

Carlos Battistella.

Em 2015, foram produzidos

no Brasil 3,94 bilhões

de litros de biodiesel, um

crescimento de 15% frente a

2014, disputando com a

Alemanha a segunda colocação

na produção mundial.

unidade de Marialva, no Paraná,

duplicando sua capacidade.

“Esse é um projeto que

está em desenvolvimento técnico

e esperamos uma melhoria

da economia para

iniciarmos os investimentos

até o final do ano”, finaliza Battistella.

A capacidade instalada

hoje na indústria é de processar

7,34 bilhões de litros

por ano em 53 usinas autorizadas

pela Agência Nacional

do Petróleo e Biocombustíveis

- ANP para produzir

e comercializar nos leilões

bimestrais de abastecimento

do mercado interno

de combustíveis.

Março 2016 - Jornal Paraná 3


SIPAT

Saúde e segurança são prioridade

Santa Terezinha leva informações e conscientiza os colaboradores em diversas

atividades durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho

DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Adotar práticas seguras

no ambiente de trabalho,

preservando a

saúde e o bem estar

dos colaboradores, é prioridade

na Santa Terezinha. Por isso, a

usina investe de forma constante

em ações de prevenção,

capacitando seus profissionais,

com o objetivo de minimizar e

eliminar os acidentes, lesões e

doenças ocupacionais.

A diretoria da empresa sabe

Em Maringá, colaboradores

do Corporativo e Logística

participaram de campanhas

de segurança no trânsito,

prevenção de doenças sexualmente

transmissíveis e

palestras. Alguns dos temas

abordados nos encontros foram:

alimentação saudável,

segurança em trabalhos em

altura e saúde bucal.

A palestra “Apoio Mútuo”,

ministrada pelo gerente jurídico

Henrique William Bego

Soares, enalteceu a importância

da noção de coletividade

para que o trabalho seja

que o ambiente de trabalho

saudável pode influenciar diretamente

no desenvolvimento

e nos resultados econômicos

para todos. Por isso,

considera essencial manter

um Sistema de Gestão de

Qualidade, Saúde, Segurança

e Meio Ambiente. Por meio do

monitoramento dos resultados

e com a participação de

todos os colaboradores, o

sistema determina as orientações

necessárias para a prática

de trabalho, considerando

sempre os riscos inerentes a

mais seguro. “O apoio mútuo

é saber observar, ouvir e se

interessar pelo que acontece

com os colegas. É ter noção

de que a segurança de um reflete

na segurança de todos”,

explicou o gerente.

cada atividade.

A consequência são melhores

indicadores de performance

a cada ano. A taxa de

frequência em 2014 foi melhor,

2,97 contra 2,57 em

2013. A quantidade de acidentes

em 2014 em relação a

2013 foi maior, 177 e 130,

respectivamente, mas a taxa

de gravidade foi bem menor,

285.39 em 2014 contra

469.96 em 2013. E isso apesar

de o número de horas trabalhadas

em 2014 terem sido

Ações realizadas

Em Paranacity, a 23ª edição

da semana teve o tema

'Vai viajar ou trabalhar, segurança

em primeiro lugar!'. Os

colaboradores fizeram testes

de glicemia, IMC (Índice de

Massa Corporal) e pressão

arterial. As palestras e blitz

informativas abordaram temas

como brigada de incêndio

e prevenção da dengue e

do zika vírus.

Na Unidade Iguatemi, a semana

aconteceu com o tema

'Segurança: consciência não

basta. Pratique!' e levou informações

por meio de blitz,

campanhas e palestras educativas.

Cerca de 700 colaboradores

das áreas agrícola, industrial

e administrativa de Terra

Rica participaram de cinco

dias de atividades. Além de

entrega de materiais educativos

e DDS (Diálogos Diários

maiores, 48,916 milhões

contra 43,907 milhões em

2013.

Tendo em vista a necessidade

de conscientizar os colaboradores

para as condições

de saúde e segurança no

ambiente de trabalho, nos

lares e no trajeto entre casa e

trabalho, é que a Santa Terezinha

dá especial atenção a

Sipat (Semana Interna de

Prevenção de Acidentes do

Trabalho), ação que é prevista

pela legislação trabalhista.

de Segurança), foram promovidas

palestras sobre procedimentos

e comportamentos

seguros para cada

uma das áreas de trabalho.

Os colaboradores ainda puderam

colocar as vacinas em

dia e receberam orientações

de saúde que abordaram temas

como doenças sexualmente

transmissíveis e dependência

química.

Realizada em todas as unidades

produtivas, corporativo

e logística da usina, a Sipat é

promovida durante as semanas

que antecedem o início de

cada nova safra, visando renovar

a atitude de vigilância e

segurança nos colaboradores

para o ano de trabalho. A organização

é da Cipa (Comissão

Interna de Prevenção de

Acidentes), em parceria com

o Sesmt (Serviços Especializados

em Engenharia de Segurança

e Medicina do Trabalho).

Na Unidade Ivaté, o tema

da semana exaltou a importância

do uso dos EPIs (Equipamentos

de Proteção Individual)

e dos EPCs (Equipamentos

de Proteção Coletiva).

Os colaboradores assistiram

palestras abordando

tabagismo, prevenção de acidentes

com energia elétrica,

proteção respiratória e tiveram

momentos de descontração

com apresentações

teatrais.

Em Rondon, além de fazerem

exames de saúde e assistirem

apresentações sobre

saúde e segurança, os colaboradores

participaram de

um bate papo sobre economia

familiar e uma palestra

sobre felicidade.

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Março 2016 - Jornal Paraná


EVENTO

Controle de pragas é tema de palestra

O professor doutor Luiz Carlos de

Almeida falou sobre o assunto no

III Simpósio Cana Crua Arysta –

Paraná, dia 15 de março, em Maringá

MARLY AIRES

Os prejuízos anuais

com as pragas que

afetam a cultura da

cana de açúcar no

Brasil chegam a R$ 6,7 bilhões.

Destas, as duas principais

são a broca da cana, que

atinge oito milhões de hectares,

e a cigarrinha, 3 milhões

de hectares, respondendo

juntas por perdas que somam

R$ 4,73 bilhões do total.

Os dados foram apresentados

pelo professor doutor Luiz

Carlos de Almeida, especialista

em insetos e em tecnologia

agroindustrial, da Entomol

Consultoria. Ele falou sobre o

manejo sustentável das duas

pragas em lavouras de cana,

durante o III Simpósio Cana

Crua Arysta – Paraná, promovido

pela Arysta LifeSciense,

dia 15 de março, em Maringá,

com grande participação de

profissionais das usinas paranaenses.

O professor doutor citou

que dentre os mais de 1 milhão

de insetos existentes, 1,3

mil espécies atacam a cultura

da cana de açúcar no mundo,

500 nas Américas e 30 no

Brasil. Também comentou

que qualquer inseto pode se

tornar praga desde que se

adapte ao meio ambiente,

proliferando e dispersando de

forma rápida e provocando

danos às culturas comerciais.

“Ele já está no ambiente e

quando encontra condições

ideais, mostra os danos que

pode causar. A broca, por

exemplo, tinha como hospedeira

outras plantas e com a

expansão da cana, se adaptou

bem, se tornando praga”,

exemplificou, comentando que

há várias espécies, mas a

mais comum no Brasil é a Diatraea

saccharalis, presente em

todas as regiões canavieiras.

Dependendo das condições

climáticas, tem de quatro a

cinco gerações no ano, colocando

de 200 a 400 ovos

cada fêmea. Dentre os danos

diretos estão a quebra da

cana, brotação lateral, raízes

aéreas e coração morto. Já os

danos indiretos são conhecidos

como podridão vermelha

com ocorrência dos fungos

Colletotrichum sp e Fusarium

sp. “Para cada 1% de intensidade

de infestação, as perdas

médias são de 0,77% na produção

de cana, 0,25% na de

açúcar e 0,20% na de etanol”,

afirmou Luiz Carlos.

Março 2016 - Jornal Paraná 5


EVENTO

Infestação de broca aumentou em cana

Recomendação é priorizar o controle biológico, não adotando medidas

que causem desequilíbrio nas populações de parasitoides e predadores

Nos primeiros ensaios a

respeito da broca em cana

colhida crua teorizava-se que

a cobertura do solo com

palha seria melhor para o

equilíbrio da praga, por proporcionar

melhor ambiente

para o aumento do número

de predadores. Mas, tudo indica

que tem ocorrido o contrário:

um aumento na intensidade

da infestação, alertou

o professor doutor Luiz Carlos

de Almeida. Com a palha,

proliferaram também vários

outros insetos, de mais fácil

acesso, que servem de alimento

para os predadores.

Para piorar a situação, as

amostragens feitas estão

abaixo dos níveis mínimos recomendados,

há aplicação

indevida de agrotóxicos, têmse

reduzido as equipes de

campo e dos laboratórios de

controle biológico. “O produtor

tem que tomar cuidado

com o que faz para controlar

a praga, evitando causar um

desequilíbrio ainda maior e

mais danos”, afirmou.

Tomada de decisão

Para a melhor tomada de

decisão, pensando na sustentabilidade

de controle da

broca da cana, o professor

doutor Luiz Carlos Almeida

disse que é preciso avaliar

vários pontos, fazer o manejo

integrado de pragas,

conhecer a biologia e comportamento

da praga, monitorar

as populações, considerar

os níveis de dano econômico

e de controle, avaliar

os riscos ambientais e as

medidas utilizadas e a interação

dessas.

“Não existe manejo de

praga sem equipe de monitoramento.

Caso contrário,

aplica produtos e faz controle

no escuro, o que aumenta o

custo de produção e pode

comprometer os resultados.

Tem que monitorar a área

para saber o momento certo

de controlar”, ressaltou, lembrando

que para determinar o

nível de dano econômico é

preciso considerar a densidade

populacional da praga,

o prejuízo que causa e o

custo de adoção de medidas

de controle.

Outro ponto importante

destacado pelo professor

doutor é o treinamento da

equipe de amostragem para

que conheça bem as características

e comportamento

da praga, identificando-as

com facilidade, assim como

os danos que causam. Também,

os métodos de levantamento

precisam ser simples,

objetivos e práticos.

Luiz Carlos lembra ainda

que também é necessário

fazer o levantamento para

avaliar as medidas de controle

adotadas e o desempenho

dos parasitoides. “Se

não fez a revisão, não dá

para falar em eficiência”, finalizou.

A vespa Cotesia

flavipes é muito

usada para parasitar

a praga em sua

fase larval

Luiz Carlos recomendou

priorizar o controle biológico

de pragas, sempre que possível,

não adotando medidas que

causem desequilíbrio nas populações

de parasitoides e predadores,

além de produzir e liberar

esses inimigos naturais.

Diante do cenário atual, em

áreas de maior infestação,

como em cana planta e onde

foi aplicado vinhaça, ele disse

ser necessário aprimorar o

manejo integrado de pragas.

E como há parasitoides em

todas as fases do ciclo reprodutivo

da broca, estes podem

ser ferramentas de controle

da praga, além de fazer uso

de resistência varietal e até

mesmo o controle químico,

desde que seletivo, fisiológico.

Além da vespa Cotesia flavipes,

muito usada para parasitar

a broca em sua fase

larval, é possível utilizar outros

inimigos naturais nesta

fase (Bacillus thuringiensis e

Beauveria bassiana) e introduzir

parasitoides na fase de

ovo (Trichogramma galloi) e

até de pupa, além de preservar

insetos predadores como

a larva e o adulto da joaninha,

a tesourinha, o bicho

lixeiro e principalmente, formigas.

“Mas não adianta só produzir

e liberar por liberar.

Tem que ter um levantamento

da população e da infestação

para um trabalho

efetivo, e direcionar o controle

a locais específicos, só

onde há o problema, e não

em área total”, disse o professor

doutor, ressaltando

também a importância do

treinamento e supervisão da

mão de obra. Também, é

preciso adotar sempre uma

visão mais geral do problema

e da interferência dos

métodos de controle sobre

outras pragas e principalmente

sobre o ambiente,

pensando em um manejo

sustentável.

Monitoramento é fundamental para controlar

na hora certa e ter resultados

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Março 2016 - Jornal Paraná


EVENTO

Prejuízos com cigarrinha são consideráveis

Entre eles estão redução de

produtividade e da qualidade

da cana, falha de soqueira,

contaminação dos processos

industriais e aumento de custos

A mudança no sistema de

colheita de cana queimada

para cana crua, deixando um

grande volume de palha no

campo, criou um ambiente favorável

para o desenvolvimento

da cigarrinha, especialmente

a de raiz, Mahanarva

fimbriolata. Apesar do

pouco tempo, esta já está

presente em mais de 3 milhões

de hectares em toda a

região canavieira do Brasil e é

a segunda principal praga da

cultura, segundo o professor

Luiz Carlos de Almeida, especialista

em insetos e em tecnologia

agroindustrial da

Entomol.

As perdas causadas, tanto

por ninfas como por adultos,

são consideráveis. Estes injetam

toxinas na cana para tornar

a seiva menos viscosa.

Por conta disso, disse o professor,

a redução média de

produtividade pode chegar a

14 toneladas de cana por hectare

ao ano e de 0,4 pontos na

PCC (quantidade de açúcar),

além da deterioração da cana

no campo, contaminação dos

processos industriais e custos

adicionais no controle. Outro

problema sério são as falhas

na soqueira, que demandam

uma renovação precoce do

canavial.

Para Luiz Carlos, apesar de

o controle químico da cigarrinha

ser largamente utilizado,

este pode trazer impactos

sobre o meio ambiente e

sobre os inimigos naturais, o

que também poderia prejudicar

o controle da broca da

cana. Por isso, apontou que a

melhor opção é o controle

Como controlar

Para determinar quando,

onde aplicar e quais medidas

de controle utilizar, além de,

posteriormente, avaliar a eficiência

do controle realizado,

o professor doutor Luiz Carlos

de Almeida orientou que o levantamento

da população de

cigarrinhas da raiz na cana

deve ser feito de setembro a

abril, período mais quente e

úmido do ano, quando estas

voltam a se multiplicar, com a

quebra da diapausa. Enquanto

não há condições ideais

de calor e umidade, as

ninfas não eclodem, mas ficam

em dormência. Em média,

o ciclo biológico é de 55

a 85 dias.

A metodologia, citou Luiz

Carlos, é amostrar 18 pontos

por hectare, no sistema de

um para três hectares e com

distribuição uniforme dos

pontos no talhão, fazendo a

contagem de adultos na folha

e retirando a palha na base da

touceira para soma de espuma

e adultos no solo em

meio metro da cada lado da

soqueira. Após metade do levantamento

feito, se houver

menos de uma ou mais do

que três ninfas por metro,

biológico.

Inseto já está presente em mais de 3 milhões de hectares em toda a região

“É econômico, não causa

impacto ambiental, é duradouro

e aproveita o potencial

do ecossistema utilizando os

agentes naturais de controle.

É preciso aprimorar o manejo

da praga conhecendo suas

características e comportamento,

fazer uso da resistência

varietal e aprimorar o

controle químico”, comentou.

pode encerrar a amostragem

e trocar de talhão.

Luiz Carlos citou que há vários

inimigos naturais para

controle biológico da cigarrinha,

mas o mais conhecido

é a mosca Salpingogaster

nigra que tem potencial de

predação de 20 a 30 ninfas

cada, sendo que a cada geração

de cigarrinha há duas a

três gerações da mosca. Mas

esta tem alta sensibilidade a

inseticidas.

Segundo o professor, é considerado

nível de dano econômico

quando houver 12 ninfas

por metro e um adulto/cana. O

nível de controle, entretanto se

Dentre outros agentes naturais

bastante conhecidos

podem ser citados o fungo

Batkoa apiculata, bastante

agressivo e de fácil estabelecimento

no campo; e o fungo

de solo Metarhizium anisopliae,

com elevado potencial

de colonização e que também

ajuda no controle da broca. O

problema é que precisa ser

aplicado em condições ideais,

variando a forma desta de

acordo com o estágio da

planta.

Espuma na base da touceira é indício de sua presença na lavoura

dá com duas ninfas por metro

e 0,5 adulto/cana, fazendo o

controle desde o início, nas

primeiras gerações.

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Março 2016 - Jornal Paraná


Produtos e serviços com

foco em solução sustentável

No simpósio, a Arysta

apresentou seu portfólio

destacando a importância

de investir em qualidade

no plantio e manejo para

ter produtividade

“O aumento de produtividade

é que vai reduzir o custo

de produção, dando sustentabilidade

ao setor. E para aumentar

esta, tem que investir

em qualidade no plantio e

manejo da cultura”. A afirmação

de Antonio Gonçalves, da

Arysta, mostra a preocupação

da empresa, que está há

mais de 50 anos no Brasil, de

oferecer não só produtos,

mas também serviços e assistência

técnica com foco

em solução sustentável.

Para isso, entre os produtos

do portfólio da Arysta

apresentados por Gonçalves

estão o Biozyme TF, regulador

de crescimento que aumenta

a brotação, o perfilhamento

da cana e o desenvolvimento

radicular, resultando

em maior produtividade

e rentabilidade. “O

uso de bioestimulante no

fundo do sulco de plantio

pode resultar em um aumento

de 35 toneladas por

hectare a mais em três anos,

cerca de 10% a mais”, afirmou.

No ano passado, o produto

foi usado em 200 mil hectares

e este ano deve tratar 300 mil.

“Na amostragem avaliada em

todo o Brasil, mais de 90%

das áreas ficaram acima do

ponto de equilíbrio, o que significa

que em cada 10 áreas

onde é feita a aplicação, em

nove dá resultados positivos”,

disse. Gonçalves citou que

em 27,3% dos casos, a produção

aumentou em mais do

que 15 toneladas por hectare

e em quase 48% deles, ficou

entre cinco a 15 toneladas de

cana a mais. Os outros 7,5%

produziram até duas toneladas

a mais.

Outro produto citado, o fertilizante

líquido de alta concentração,

Foltron Plus, é

recomendado para aplicação

Antonio Gonçalves falou sobre Biozyme, Foltron Plus, Centurion e Dinamic

em condição de estresse,

amenizando os efeitos e ajudando

na recuperação da

planta em casos de falta ou

excesso de umidade, fitotoxidade,

mudanças bruscas na

temperatura ou outros fatores.

Deve ser aplicado via foliar

em qualquer fase de

desenvolvimento da cultura,

antes ou logo após qualquer

situação de estresse, podendo

ser misturado com a

maioria dos defensivos agrícolas

utilizados.

Gonçalves também falou

sobre Centurion, tido como

uma nova ferramenta para

acelerar os processos de

maturação da cana, aumentar

o teor de sacarose e gerenciar

a programação de

colheita. “Permite resultados

superiores, melhor planejamento

e flexibilidade de colheita,

excelente estabilidade

e ganho de ATR a partir de

15 dias, com excelente custo

benefício. E tudo isso com

alta seletividade, sem efeito

na rebrota da soqueira e sem

risco de injúria a outros cultivos”,

destacou.

O último produto citado

foi o Dinamic, para controle

de plantas daninhas como

mamona, corda de viola,

braquiária, mucuna, melão

de São Caetano, ipomoeas

e merremias, sem fitoxidade.

“Entre os principais

benefícios estão a seletividade,

o padrão de controle,

a flexibilidade de uso, a eficácia

agregada, o maior residual

do mercado e o

excelente custo benefício. A

cada R$ 1 investido, retornam

R$ 7 ao produtor”, finalizou.

Março 2016 - Jornal Paraná 9


CONSERVAÇÃO

Erosões carregam solo fértil para os rios

O Paraná, que já foi modelo de conservação, tem

sofrido com as fortes chuvas desta safra e devido

a práticas inadequadas de manejo

MARLY AIRES

Além da forte compactação

do solo,

que tem preocupado

produtores e

pesquisadores, nos últimos

anos, tem se tornado cada

vez mais comum as erosões

que se abrem nos solos paranaenses,

causando redução

de produtividade, prejuízos

econômicos, perda de

terra fértil e assoreamento de

rios. O problema, que já era

preocupante, ganhou proporções

maiores este ano por

conta das chuvas intensas e

constantes.

“Este foi um ano atípico,

com chuvas fora dos padrões

recentes, as maiores

dos últimos 20 anos, o que

causou sérios problemas de

erosão, especialmente onde

os sistemas de conservação

do solo utilizados não são

adequados”, afirma o professor

doutor em solos e nutrição

da Universidade Estadual

de Maringá (UEM), Marcelo

Augusto Batista. “Mas só isto

não justifica. Não se pode se

pode atribuir todo o ônus da

erosão à chuva. Há conhecimento

suficiente para se contornar

esse problema. O produtor

tem sua parcela de

culpa no processo erosivo

dos solos”.

Uma volta pela área rural

em toda região Norte, Noroeste

e Oeste do Paraná basta

para constatar o que mostram

os estudos apresentados

pelo doutor em Geociências,

também professor da

UEM, Hélio Silveira: a camada

mais fértil de terra está sendo

novamente arrastada para os

rios, no mesmo nível de antes

da década de 1980, quando

não havia manejo de solo em

microbacias. Houve um aumento

considerável na quantidade

de sedimentos encontrados

nos rios.

“Naquela época os números

eram alarmantes e, infelizmente,

em algumas regiões

o panorama se repete.

Isso revela a falta de terraços”,

explicou o doutor em

Geociências, que realiza pesquisas

sobre o solo paranaense

há mais de 20 anos.

Segundo Marcelo, os produtores

têm “rebaixado” os

terraços, diminuído sua capacidade

de reter água. Somado

a isso, têm aumentado

a distância entre os mesmos,

sobrecarregando os que restaram.

A função deste é segmentar

a área cultivada e

evitar que a água da enxurrada

ganhe velocidade e

maior energia erosiva. Estas

estruturas são dimensionadas

para chuvas de alta intensidade

para um período de

recorrência entre 10 a 20

anos.

Retirada de terraços

“Tem-se discutido muito nos últimos

anos sobre qual o espaçamento adequado

entre os terraços e observa-se

que em alguns casos é até possível aumentar

o utilizado atualmente no campo.

Mas da forma como tem sido feito, sem

a recomendação técnica adequada, tem

se observado mais problemas do que

solução”, alerta Marcelo Augusto Batista,

da UEM.

Ele diz que quando o operacional antecede

o técnico no campo, alguma coisa

está errada, comentando que os terraços

têm sido removidos sem qualquer estudo

técnico prévio: um em cada dois.

A justificativa dos agricultores é de que

estas estruturas têm dificultado o plantio, o

controle fitossanitário e a colheita. “Porém,

não se atentam que esta foi alocada e construída

para evitar um dos problemas mais

graves da agricultura, que é a erosão. Em

anos como os de 2015/16 fica evidente o

descaso observado no campo”, afirma.

Outros fatores que têm contribuído para a

falha do sistema de terraceamento são o uso

de terraços inadequados para a classe de

solo, declividade e cultura, a falta de manutenção

destes e a chegada de água na propriedade

vinda de áreas vizinhas (estradas,

carreadores, outras propriedades, etc).

Em solos mais frágeis, como na região de

arenito, o risco é ainda maior

10

Março 2016 - Jornal Paraná


Descuido

O Paraná foi modelo em conservação de solo, lembra o professor doutor

da UEM, Marcelo Augusto Batista, por isso, diz, a situação não está tão

ruim quanto em outras regiões. “Mas tem piorado muito. As novas gerações

que estão assumindo as atividades no campo não têm priorizado o controle

da erosão, porque estes não conviveram com as mazelas da perda de solo

que atingiu o Paraná nas décadas de 1970 e 1980, causando sérios problemas

econômicos, agrícolas, sociais e ambientais”, destaca.

Em solos mais frágeis, como na região de arenito, onde tem crescido

muito o plantio de cana de açúcar, o risco de erosão é ainda maior, por

causa do baixo teor de argila e menor agregação natural do solo.

“A melhor forma de evitar a erosão é por meio da interceptação do impacto

das gotas da chuva diretamente sobre solo”, diz Marcelo. Isto pode

ser feito de duas formas: por meio de palha na superfície do solo e pela

própria cobertura deste pelas lavouras. Outro fator importante é evitar o

preparo do solo, principalmente nos meses de chuva com maior poder erosivo,

entre os meses de outubro e fevereiro.

Março 2016 - Jornal Paraná 11


CONSERVAÇÃO

Compactação preocupa

Poucas são as áreas que não apresentam esse tipo de problema. Solução passa

por plantio direto, rotação de culturas, cobertura e tráfego controlado

“A compactação é a regra

e não a exceção nos solos

paranaenses. Poucas são as

áreas que não apresentam

esse tipo de problema. O que

varia são os níveis de compactação,

mas este diagnóstico

não é tão fácil”, afirma o

professor doutor da UEM,

Marcelo Augusto Batista.

Manter o solo com cobertura

viva (plantas) ou morta

(palha), e com terraços adequados

são uma excelente

técnica de controle da erosão.

Mas o manejo adotado

também influencia fortemente

nos atributos do solo relacionados

à infiltração da

água, o que também pode

levar a erosão, ressalta o professor

doutor. Quando essa

infiltração é lenta e a precipitação

tem intensidade alta, a

água que sobra na superfície

forma uma enxurrada.

Uma vez detectada a compactação,

diz Marcelo, práticas

curativas podem ser utilizadas,

como o uso de implementos

de haste, os escarificadores

ou subsoladores.

“Porém tem se observado

que estes métodos mecânicos

de recuperação de

áreas degradadas tem efeito

efêmero”, acrescenta.

“O desenvolvimento das

Manter o solo coberto com plantas ou palha ajuda

Produtor tem que parar de revolver a terra e investir de forma integrada

na melhoria da estrutura física, química e biológica

raízes da cana fica bastante limitado,

dificultando a absorção

de nutrientes, e qualquer

estiagem traz efeitos significativos

sobre a produtividade

da lavoura. Mesmo que seja

um excelente ambiente de

produção, com a compactação,

a raiz não vai se desenvolver

nem aproveitar os nutrientes

e a água disponíveis”,

afirma o professor doutor da

UEM, Cássio Tormena, destacando

que cerca de 80% da

compactação já se dá nas

primeiras entradas de máquina

na área.

Para Tormena, um adequado

preparo do solo aliado

ao plantio com espaçamento

combinado e o tráfego controlado,

estabelecido por

GPS, fazem parte da solução.

“É preciso definir um

lugar para a máquina e outro

para a cultura, onde a planta

se desenvolve num ambiente

de solo adequado para expressar

seu potencial genético

de produção”, afirma,

ressaltando a importância de

se deixar o máximo de palha

no campo, devolvendo matéria

orgânica ao solo, atenuando

a compactação, preservando

a umidade, além

de manter a temperatura,

controlar plantas daninhas e

outras vantagens, cita.

Um aspecto a se pensar,

destaca o professor doutor

da Universidade Federal do

Paraná, Heroldo Weber, é o

fato de a cana ser uma das

poucas culturas em que se

insiste no preparo de solo

convencional muito raso,

com excesso de gradagens,

que pulverizam a camada

superficial. O objetivo deste

é deixar o terreno em condições

favoráveis para a sulcação.

Mas como o preparo é

raso, o fundo do sulco fica

justamente na área não preparada.

Isso dificulta à planta

desenvolver seu sistema de

raízes, que deveria atingir

grandes profundidades (mais

de 2 metros) para tolerar

mais os pequenos estresses

hídricos.

12

Março 2016 - Jornal Paraná


AGRISHOW 2016

Agronegócio impulsiona

economia brasileira

Ganho de produtividade é o

resultado de lançamentos como

os que serão levados na feira,

que acontece de 25 a 29 de

abril, em Ribeirão Preto

DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Há cerca de uma década,

o agronegócio

brasileiro tem se

consolidado como

o principal setor que sustenta

a economia do País. Isso se

confirmou mais uma vez com

o desempenho do Produto Interno

Bruto (PIB) de 2015, divulgado

recentemente pelo

Instituto Brasileiro de Geografia

e Estatística (IBGE). Enquanto

o PIB total nacional

registrou uma retração de

3,8%, o da agropecuária

cresceu 1,8% na comparação

com 2014. A soma de toda a

riqueza produzida pelo setor

alcançou R$ 263,6 bilhões.

O IBGE aponta que o crescimento

do agronegócio se

deve principalmente ao desempenho

da agricultura. Alguns

produtos registraram

aumento na produção, com

destaque para as lavouras de

soja (11,9%) e milho (7,3%).

A cana de açúcar teve crescimento

de 2,4%. Na pecuária,

os abates de suínos cresceram

5,3% e os de frango subiram

3,8% em relação ao

ano anterior.

Segundo dados de um estudo

do Ministério da Agricultura,

a média anual de

crescimento do PIB da agricultura

tem sido de 3,8%. Tal

expansão decorre, segundo

analistas do setor, de um expressivo

ganho de produtividade

alcançado pela agricultura

brasileira, resultado de

uma verdadeira revolução

que acabou por criar uma

agricultura tropical inédita no

mundo.

Um dos indicadores desse

avanço na produtividade é um

dado histórico da Conab –

Companhia Nacional de

Abastecimento, apontando

que a produção de grãos, que

estava em 100 milhões de toneladas

em meados de 1980,

saltou para 209,5 milhões de

toneladas na safra 2014/15.

No mesmo período, a área

plantada permaneceu praticamente

a mesma.

Os ganhos de produtividade

são um dos principais benefícios

dos lançamentos que

serão levados pelas mais de

800 marcas do Brasil e do exterior

que estarão na Agrishow

2016 – 23ª Feira Internacional

de Tecnologia Agrícola

em Ação, a ser promovida

entre os dias 25 e 29 de

abril, em Ribeirão Preto, no

interior de São Paulo. O

evento deve receber aproximadamente

160 mil visitantes,

em uma área total de 440

mil m².

Considerada a maior vitrine

de lançamentos e tendências

no segmento, já estão confirmadas

as presenças das

principais marcas de máquinas,

implementos e insumos

agrícolas, de Centros de Pesquisa

e Universidades, entre

outras. A promoção é da

Abag, Abimaq, Anda, Faesp e

SRB e a organização da Informa

Exhibitions.

Mais informações:

www.agrishow.com.br

Março 2016 - Jornal Paraná 13


TECNOLOGIA

Bioremediação, o novo

aliado do solo em canaviais

O professor da UFPR, Heroldo

Weber, tem feito alguns estudos com

a técnica na Estação Experimental

de Paranavaí, com bons resultados

DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Desde o ano passado,

o engenheiro

agrônomo e professor

da Universidade

Federal do Paraná (UFPR),

Heroldo Weber, tem feito alguns

estudos na Estação

Experimental de Paranavaí

com a bioremediação em

lavouras de cana de açúcar.

E os primeiros resultados

têm se mostrado bastante

positivos.

De um modo geral, o professor

diz que houve um aumento

considerável no volume

de raízes nas plantas, o

que significa maior produtividade.

“Mas é preciso estudar

melhor a tecnologia, desenvolver

diversos ensaios em

vários ambientes de produção

para respaldar uma recomendação

com maior segurança”,

afirma.

A bioremediação, explica

Heroldo, é uma ciência que

estuda, monitora e utiliza microorganismos,

como fungos,

bactérias, leveduras ou

suas enzimas, para remover

poluentes tóxicos do solo.

Nos últimos 20 anos, esta

tecnologia teve um grande

crescimento e vem sendo

aplicada em um largo espectro

de contaminações em várias

culturas, sendo que para

Fontes de poluição

Dentre as principais fontes

de poluição orgânica que

existem atualmente nos canaviais,

Heroldo Weber cita

os microorganismos parasitas

como os nematóides e os

fungos do gênero fusarium.

“O intensivo uso agrícola dos

solos faz com que estes

apresentem uma alta relação

C:N (Carbono e Nitrogênio),

que é de 30 a 50:1, o que favorece

a proliferação desses

microorganismos”.

Já entre as principais fontes

inorgânicas de poluição

dos solos o professor enumera

os resíduos de nematicidas,

fungicidas, inseticidas,

herbicidas ou qualquer outro

agrotóxico que, utilizado em

demasia, acaba se acumulando

no solo por falta da bioremediação

natural, que

antes era realizada pelos microorganismos

decompositores

naturais.

“Infelizmente o manejo

adotado em busca da alta

produtividade acaba por criar

um ciclo vicioso onde, somente

é favorecido a multiplicação

dos microorganismos

indesejáveis, prejudicando o

desenvolvimento de cultivares

com potencial genético

para elevar a produtividade”,

lamenta.

Houve um aumento considerável no volume de raízes nas plantas,

o que significamaior produtividade

cada tipo de contaminante

são indicadas diferentes espécies

de microorganismos.

“Os poluentes são substâncias

orgânicas e ou inorgânicas

que causam a deterioração

ou perda de uma ou mais

das funções do solo, que são,

principalmente, garantir a

sustentação da planta, fornecer

água e nutrientes para

produzir”, diz, citando como

exemplos os nematóides,

fungos e resíduos de produtos

químicos.

Segundo Heroldo, a pesquisa

mostra que o potencial produtivo

da cana de açúcar é

consideravelmente maior, mas

os solos brasileiros não estão

produzindo mais do que 85 toneladas

de cana por hectare/

ano na média, com casos de

resultados bem abaixo disso.

“Uma das principais causas

dessa baixa produtividade

é a poluição do solo,

por essas fontes de origem

orgânica e inorgânica, que

foram se acumulando ano

após ano, com a prática da

monocultura, compactação

e degradação do solo, com

redução do nível de matéria

orgânica e dos microorganismos

benéficos”, destaca.

14

Março 2016 - Jornal Paraná


2016/17

A raiz do problema

Entre as causas estão a perda de

matéria orgânica com a monocultura,

o manejo adotado e o acúmulo de

resíduos de agrotóxicos

A raiz de todo problema,

segundo Heroldo Weber, da

UFPR, está na perda de matéria

orgânica do solo com o

cultivo da cana de açúcar por

longos períodos, sem rotação

com outra cultura, o manejo

adotado e o acúmulo de resíduos

de agrotóxicos.

“O preparo rápido do solo,

sem corrigir a compactação,

as operações superficiais de

cultivo, o uso de queimadas e

os cultivos sucessivos levam

à destruição da camada superficial

do solo pela erosão

e perda de matéria orgânica”,

afirma, ressaltando que sem

essa, há uma redução em

grande escala dos microorganismos

decompositores, tidos

como benéficos, que necessitam

de solos com relação

C:N próxima de 10:1,

bem abaixo dos níveis atuais.

Acontece que à medida que

diminui o número de decompositores

nativos do solo, Heroldo

diz que os microorganismos

parasitas aumentam

significativamente, sem nenhuma

competição. Estes se

alimentam tanto das substâncias

que são produzidas pelas

plantas e liberadas pelas

raízes, como também de adubos

solúveis (NPK) e de resíduos

de agrotóxicos (herbicidas,

fungicidas e inseticidas

químicos).

Citando o trabalho de pesquisadores

como Ana Primavesi

e Marcos Cazarré, Heroldo

comenta que, nos últimos

15 anos, os microorganismos

parasitas que invadem

as lavouras aumentaram de

193 para 624 e que a relação

C/N acima de 30, e o uso

contínuo de agrotóxicos e

adubos solúveis favorecem o

desenvolvimento destes.

Várias culturas anuais, como o milho, já fazem uso, com grande sucesso

Também alerta que os nematóides

do solo estão resistentes

à grande maioria de

nematicidas químicos, conforme

pesquisas, o que favorece

a sua manutenção e

multiplicação nos solos cultivados

com cana. E que o ataque

destes é a porta de entrada

dos fungos Fusarium.

Por outro lado, a expansão

do cultivo de cana principalmente

em regiões de solos

arenosos, naturalmente com

baixo teor de matéria orgânica

e alta relação C:N, como o

Noroeste do Paraná, Goiás,

Mato Grosso do Sul, Minas

Gerais e outras, tem criado um

ambiente favorável para o desenvolvimento

de nematóides.

“Neste contexto, o que faltaria

para completar o ciclo

vicioso é a ‘comida’, que estamos

fornecendo em abundância

por meio das aplicações

de herbicidas, nematicidas,

fungicidas, inseticidas,

adubos solúveis e outros”.

Sem a competição necessária

dos microorganismos benéficos

há o domínio absoluto

dos parasitas. “Por

isso, os canaviais brasileiros,

em especial, os cultivados

em solos arenosos, estão

tendo sua produtividade drasticamente

afetada”, explica

Heroldo.

“A busca por melhores produtividades no canavial

tem que ter como principal foco o reequilibrio

do solo, com o aumento da população de microorganismos

benéficos, utilizando de forma contínua

altas concentrações de decompositores, beneficiando

o solo, o meio ambiente e a cana. A este

procedimento dá-se o nome de bioremediação. Várias

culturas anuais já fazem uso, com grande sucesso,

desta tecnologia”, afirma Heroldo Weber, da

UFPR.

O professor diz que nada mais é do que uma

forma de controle biológico. “Precisamos criar um

ambiente desfavorável para os microorganismos

parasitas, diminuindo a relação C:N do solo e aumentando

do teor de matéria orgânica”, acrescenta.

Reequilíbrio é a saída

Desta forma, os microorganismos parceiros chegam

primeiro as raízes das plantas e utilizam as secreções

radiculares como alimento, deixando os

parasitas morrerem por inanição alimentar.

Com o menor ataque de nematoides e fungos

prejudiciais e com as condições favoráveis criadas,

as raízes são estimuladas a crescer, aumentando

substancialmente a quantidade de biomassa, que

degradada pelos próprios decompositores, retorna

ao solo na forma de matéria orgânica. E quanto

maior a quantidade desta no solo, menor será a relação

C:N, e mais desfavorável o ambiente para os

parasitas, formando um ciclo virtuoso.

Outra vantagem da alta concentração de microorganismos

parceiros no solo é que, na busca por

mais carbono, estes quebram as moléculas de resíduos

químicos bioacumulados, evitando que sirvam

de alimento para os microorganismos patogênicos,

que contaminem a macro e micro fauna

do solo, ou causem problemas de saúde para os

homens e animais.

Uma prática que vem sendo recomendada na

bioremediação, por sua maior eficiência, diz Heroldo,

é o uso de bactérias (Bacillus) e fungos (Leveduras)

de forma conjunta. As Leveduras “comem”

mais, mas não se locomovem no solo em

busca de comida, ao contrário dos Bacillus que

possuem os flagelos, entretanto são bem menores

e “comem” muito menos.

Março 2016 - Jornal Paraná 15


DATAGRO

Rumos do setor serão

debatidos em vários eventos

A consultoria realiza durante o ano diversas conferências que já se tornaram

tradicionais pontos de discussão e networking

DA EQUIPE DE REDAÇÃO

Como tradicionalmente

ocorre, a Consultoria

Datagro programou

uma série de

conferências durante todo o

ano para debater os rumos do

setor e as saídas para a crise

que enfrenta a cadeia sucroenergética.

Com grande público,

os eventos reúnem autoridades,

lideranças e especialistas.

Segundo os organizadores,

esses encontros já

se tornaram centros de referência

e discussão dos principais

temas e preocupações do

setor para os integrantes de

sua cadeia produtiva, proporcionando

também ótimas

oportunidades de networking.

O primeiro será dia 18 de

maio, a 10ª edição da ISO

Datagro New York Sugar &

Ethanol Conference, no Hotel

Waldorf Astoria em Nova Iorque.

Consagrado como o

evento técnico oficial do

Sugar Dinner de Nova Iorque,

desde sua primeira edição,

tornou-se tradicional no calendário

mundial de açúcar e

etanol e o ponto de encontro

do setor, reunindo líderes,

Evento técnico oficial de abertura da tradicional feira de tecnologia e comércio do setor será dia. 23 de agosto

representantes da comunidade

internacional de produtores,

traders, corretores,

investidores, e do mercado financeiro

em geral. É promovido

pela Organização Internacional

do Açúcar (ISO) e a

Datagro.

Na Fenasucro

Pelo quinto ano consecutivo

acontece no dia 10 de

junho, no Institute Of Directors

(IOD), em Pall Mall, Londres,

a Sugar & Ethanol

Summit – Brazil Day. A Conferência

é uma excelente

oportunidade para se engajar

em debates sobre temaschave

da indústria de açúcar

e etanol e para o trabalho em

Evento técnico oficial de abertura da tradicional feira de tecnologia e comércio do setor

sucroenergético, Fenasucro & Agrocana (23 a 26 de agosto), a 5ª Conferência Datagro

CeiseBr acontece no mesmo local, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP),

no dia. 23 de agosto.

Em 2015, a última edição do evento superou todas as expectativas e contou com a

presença de autoridades governamentais, empresários, especialistas, pesquisadores e

representantes da indústria canavieira, que acompanharam palestras de alto teor técnico

sobre os desafios e perspectivas do segmento de etanol e açúcar, no Brasil e exterior.

rede com os líderes do complexo

industrial de açúcar e

etanol e agro mercados financeiros.

Organizado pela Datagro

em parceria com Ministério

das Relações Exteriores, o

Brazil Day reúne convidados

do mais alto nível da comunidade

financeira e de trading

de Londres, e de outras

capitais europeias, para discutir

sobre os mercados globais

de açúcar e etanol,

desafios e oportunidades,

com um foco específico sobre

o papel do Brasil - maior

produtor de açúcar do mundo

e o segundo maior produtor

de etanol, além de principal

exportador dos dois produtos.

Maior consultoria de etanol

e açúcar e uma das maiores

do mundo, a Datagro conta

com mais de 60 colaboradores

e busca se tornar um centro

de excelência na prestação

de serviços aos setores

de açúcar e biocombustíveis

em nível mundial. Através de

análises inovadoras e diferenciadas,

fornece ferramentas

para uma melhor compreensão

do mercado, agregando

valor ao posicionamento comercial

e estratégico de seus

clientes e parceiros. Com sede

em São Paulo, tem outras

quatro unidades – Nova York

(EUA), Recife, Santos e Ribeirão

Preto.

Mais informações:

http://www.datagroconferences.com.br/

16

Março 2016 - Jornal Paraná


Global Agribusiness Fórum

Para os dias 4 e 5 de julho

está programado o 3º Global

Agribusiness Forum, no Hyatt

Hotel, São Paulo (SP). Realizado

a cada dois anos, é reconhecido

internacionalmente

como o mais importante

evento do agronegócio mundial.

Este tem permitido identificar

soluções para os desafios

e oportunidades da

agricultura e a pecuária, enfrentados

pela humanidade,

para se desenvolver socioeconomicamente

e preservar o

meio ambiente.

O tema para este ano é

“Agropecuária do Amanhã:

Fazer Mais com Menos”, disseminando

as bases do desenvolvimento

sustentável.

Participam os maiores expoentes

da agricultura mundial,

líderes, autoridades e especialistas

do agronegócio.

Os resultados e propostas

do encontro serão reunidos

em um documento oficial -

Consenso do Agronegócio -

que será enviado como sugestão

a autoridades do setor

agrícola, e formuladores de

políticas públicas de todo o

mundo.

Em sua última edição, a cadeia

de valor da agricultura e

pecuária mundial esteve representada

oficialmente por mais

de 1.100 líderes e autoridades

de 43 países, 129 entidades

parceiras, incluindo a iniciativa

privada, governos, associações,

entidades, universidades,

ONGs e veículos de comunicação,

sendo acompanhada

por mais de 36 mil espectadores

via internet e pelo

Canal Rural.

A Sociedade Rural Brasileira

(SRB), representante do setor

agrícola no Brasil, defenderá

produtores de todas as culturas

e pecuaristas, em conjunto

com a Associação Brasileira

de Produtores de Milho (Abramilho),

representante oficial do

Brasil na International Maize

Alliance (Maizall). O objetivo

principal é colaborar em uma

base global e abordar as principais

questões relacionadas

com segurança alimentar, biotecnologia,

gestão, comércio

e imagem do produtor.

Já a Associação Brasileira

dos Criadores de Zebu

(ABCZ)) tem a missão de promover

o aumento sustentável

da produção mundial de carne

e leite, através do registro genealógico,

melhoramento genético

e promoção das raças

zebuínas. A Datagro participa

como uma das maiores empresas

de consultoria agrícola

do mundo.

Sugar and Ethanol Dinner São Paulo

Para fechar o ano, nos dias 17 e 18 de outubro

acontece a 16ª Conferência Internacional Datagro

sobre Açúcar e Etanol, no Hotel Grand Hyatt,

em São Paulo (SP).

Evento técnico oficial do Sugar and Ethanol

Dinner São Paulo reúne os principais líderes e

representantes de toda cadeia do setor sucroenergético

internacional para discutir questões de

mercado e de estratégia setorial. O foco é valorizar

conteúdo de qualidade, disseminar conhecimento

e novas tecnologias, e estimular

networking entre os participantes.

Março 2016 - Jornal Paraná 17


DOIS

PONTOS

O fortalecimento do real

e a incerteza sobre o impacto

do clima úmido na

colheita da cana no Centro

Sul do País reduziram o

ritmo acelerado das vendas

antecipadas de açúcar pelas

usinas para a temporada

2016/17.

Açúcar

Operadores estimaram

que pelo menos 60% da

safra no maior produtor e

exportador do mundo tinham

sido vendidas antecipadamente

até o início de

março, uma parcela acima

da média para esta época

do ano.

Cota adicional

O Brasil poderá exportar este ano para os EUA mais 13,1

mil toneladas de açúcar em bruto (cerca de US$ 4 milhões),

além das 155,7 mil toneladas (US$ 48 milhões)

previstas inicialmente. Após fazer consulta aos países detentores

de cotas preferenciais, os Estados Unidos identificou

86.533 toneladas em cotas não preenchidas do

produto e as redistribuiu entre 26 exportadores. O Brasil

foi um dos principais beneficiados, além de Filipinas, Austrália

e República Dominicana.

Russia

Já o mercado de açúcar

doméstico da Rússia enfrentará

um excesso de

oferta se os produtores

aumentarem a área de cultivo

de beterraba em 2016.

Esta vem crescendo nos

últimos anos, visando o

país se tornar autossuficiente

em vez de ser um

grande importador global.

Deve produzir 7,9 milhões

de toneladas, alta de 9%

em relação ao ano anterior.

Orplana

A Orplana - Organização

de Plantadores de Cana da

Região Centro Sul do Brasil

elegeu o seu presidente

para a próxima gestão, o

engenheiro agrônomo

Eduardo Vasconcellos Romão

(foto), que também

preside a Associação dos

Plantadores de Cana da

Região de Jaú - Associcana.

Romão assume, pelos

próximos três anos, o lugar

de Manoel Ortolan, que

presidiu a entidade entre

2013 e 2016.

A disparada dos preços

do açúcar na União Europeia

está estimulando importações

do Nordeste do

Brasil sob um sistema que

permite entrada por tarifa

alfandegária reduzida. A

Biomassa Um enorme mercado

pode se abrir para as usinas

por 89,4% deste montante.

com a possibilidade da demanda

global por pellets au-

A produção de bioeletricidade,

que representou 4,2%

mentar 60% nos próximos

do total produzido pelo setor

cinco anos devido a esforços

globais para conter o

elétrico brasileiro, só não foi

superior ao volume gerado

uso de usinas movidas a

pelas usinas hidrelétricas e

carvão. Essa é a aposta de

térmicas a gás, que entregaram

351.927 GWh e 61.843

S.A., coproprietária da maior

empresas como a Cosan

GWh, respectivamente.

processadora de cana do

Em 2015, as empresas

que utilizam biomassa como

fonte de geração de

energia elétrica produziram

22.572 GWh para o Sistema

Interligado Nacional, de

acordo com a Câmara de

Comercialização de Energia

Elétrica. Palha e bagaço de

cana foram responsáveis

Tailândia

A Tailândia, segundo

maior exportador mundial

de açúcar, reduziu sua estimativa

para exportação

em 2016 para 7,1 milhões

de toneladas, ou 20% abaixo

do ano passado, devido

à seca e maior demanda

doméstica. Isso deve impulsionar

os preços globais

do produto, que tocaram

máximas de 2016 recentemente

por preocupações

sobre a oferta do Brasil,

o maior produtor. A Tailândia

deve produzir 95

milhões de toneladas de

cana este ano, ou 9,6 milhões

de toneladas de açúcar

refinado.

Países árabes

Os países árabes representam o maior mercado para o

açúcar exportado pelo Brasil. Segundo a Datagro, nos últimos

dois anos, as exportações brasileiras para este

grupo foram respectivamente 35,6% e 35,4% do volume

total embarcado.

União Europeia

Pellets

colheita na União Europeia

foi a menor em mais de 40

anos e os preços de açúcar

na região subiram

mais de 10% desde o início

da temporada em outubro.

mundo, que confirmou uma

joint venture de US$ 130

milhões para fazer pellets de

biomassa com cana para

gerar eletricidade. O Brasil

pode produzir até 80 milhões

de toneladas por ano,

o suficiente para abastecer

toda a indústria. O mercado

global deve saltar de 25 para

40 milhões de toneladas em

cinco anos.

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Março 2016 - Jornal Paraná


Renovação

A retomada no crescimento

do setor após quase

uma década de crise deve

ser prejudicada pela baixa

renovação dos canaviais e

o consequente impacto na

produtividade das lavouras.

Prática necessária para melhorar

a oferta de cana, a renovação

média de 18% na

área com a cultura deve

ficar abaixo desse nível para

2016/17, e a quebra no rendimento

só será compensada

no atual período pelas

chuvas favoráveis às plantações.

De acordo com a Datagro,

a taxa de renovação em

2015 ficou entre 11% e

12%. A produtividade por

hectare no próximo ciclo

deve girar em torno de 83

toneladas, em linha com o

registrado em 2015/16. A

reforma das plantações

tende a voltar para um "nível

normal" neste ano. A renovação

dos canaviais foi prejudicada

pela crise e pelas

condições para acesso ao

Prorenova, linha de financiamento

do BNDES voltada

ao plantio de cana.

Empregos

A combinação entre a quebra da safra de cana em alguns

estados, como os do Nordeste e o Paraná, e a necessidade

de corte de gastos com mão de obra, ampliou as demissões

no setor sucroalcooleiro do Brasil em 2015 eliminando

33.529 vagas, segundo o Cadastro Geral de Empregados

e Desempregados, queda de 3%. Em 2014, as

contratações no setor haviam superado em 49.910 as demissões.

Em 2015, o maior peso do saldo negativo do

setor no Brasil veio do Centro-Sul (21.291). O Nordeste

contribuiu negativamente com 12.238. Em janeiro deste

ano, o saldo do setor também ficou no vermelho, com as

demissões superando as contratações em 16.579 postos,

ante a movimentação negativa de 2.172 de janeiro de

2015.

Visita

Um grupo de 40 produtores rurais do Canadá esteve visitando

a Alcopar no final de fevereiro. O objetivo foi conhecer

um pouco mais sobre o setor sucroenergético e a

produção de biocombustíveis e açúcar. A viagem técnica,

organizada pela NKP Consultoria Empresarial de 12 dias

pelo Paraná incluiu visitas a propriedades rurais, empresas,

entidades e cooperativas ligadas ao agronegócio.

Contestação

O Ministério das Relações

Exteriores está trabalhando

com o setor açucareiro e

aconselhamento legal externo

para montar uma contestação

formal aos subsídios

para o açúcar na Tailândia

na Organização Mundial

do Comércio. Nos últimos

anos, o governo tailandês

vem concedendo

apoio aos produtores de

Consumo

O governo federal trabalha

com uma queda de 5% no

consumo de combustíveis

do Ciclo Otto (gasolina, álcool

e gás natural) em 2016.

São cerca de 2,6 bilhões de

litros a menos sobre a demanda

de 53 bilhões a 54

bilhões de litros de 2015. As

vendas de combustíveis no

mercado brasileiro registraram

queda de 1,9% em

2015, somando 141,811 bilhões

de litros na compara

cana e de açúcar, elevando

a produção e a exportação,

especialmente para o Sudeste

Asiático. O governo

brasileiro apontou que, nos

últimos quatro anos, a participação

do Brasil nas exportações

mundiais de açúcar

caiu de 50% para

44,7%, tendo a Tailândia

aumentado sua participação

de 12,1% para 15,8%.

ção com o ano

anterior, quando

atingiram 144,541 bilhões

de litros, segundo

a ANP. As vendas de gasolina

no País se retraíram

9,2% em 2015 e o diesel recuou,

4,7%. Apenas o consumo

de etanol cresceu no

País, na faixa de 37,5%,

como alternativa frente à elevação

do preço dos combustíveis.

Cana

Em pedaços, em embalagens

individuais contendo

pequenas porções

para serem mastigadas

ou na forma de garapa, a

cana tem conquistado

cada vez mais espaço

nas prateleiras de supermercados

brasileiros.

Distribuído inicialmente

em São Paulo, a expectativa

dos fabricantes é

ampliar ainda mais a presença

do produto no varejo

nacional e até mesmo

exportar.

La Niña

Para o órgão de previsão

climática do governo

dos EUA há chances de

50% de que condições

de La Niña desenvolvamse

até o outono do Hemisfério

Norte, na sequência

de um fenômeno

El Niño, que deverá dissipar-se

nos próximos meses.

O Centro de Previsão

do Clima (CPC)

manteve as projeções de

que o El Niño vai terminar

no fim da primavera ou

início do verão do Hemisfério

Norte.

Limite

Com o crescimento

expressivo das vendas

no ano passado, o mercado

brasileiro de etanol

chegou ao limite de sua

capacidade de produção,

avalia a ANP. No

ano passado, a demanda

por etanol hidratado

atingiu 17,6 bilhões

de litros, o maior volume

da história. Acima disso,

só com ampliação dos

investimentos em novas

usinas ou com novas

tecnologias de produção.

Março 2016 - Jornal Paraná 19

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